MANAUS, DOMINGO, 14 DE DEZEMBRO DE 2014
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Próxima
parada: UFC Amazonense Maycon “Boca” Silvan deverá participar do TUF, programa que leva lutadores ao UFC. Pódio E4 e E5
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Elvys DAMASCENO
‘Manaus É UM CELEIRO de bons atletas’
FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
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ecretário de Juventude, Esporte e Lazer de Manaus, Elvys Damasceno assumiu em junho deste ano, o desafio de chefiar a Semjel. Ex-atleta, Damasceno conhece bem as dificuldades de viver do esporte no Amazonas. Para mudar o cenário de dificuldades, Elvys ampliou o apoio dado aos jovens atletas e garantiu uma bolsa para ajudar na preparação desses para as competições. Em entrevista concedida à equipe do PÓDIO, Elvys Damasceno revelou os planos para 2015 e afirmou que irá investir mais no esporte das comunidades.
Em 2014, eu não tive o poder de direcionar e dar as diretrizes que queria. Ano que vem, o meu direcionamento será mais comunitário. Será mais para o bairro, para base e projetos sociais. Vai ser menos eventos grandes e mais apoio a eventos locais”
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Pódio – Quando você saiu de competidor e migrou para a gestão do esporte? Elvys Dasmaceno – Antes, eu tinha um projeto social na área do jiu-jítsu, como faixa preta que sou. Na área administrativa, comecei na secretaria da federação. Já tinha uma experiência, porque era oficial do exército na parte da logística. Então, comecei a auxiliar o professor Orley na parte da administração. Depois disso, acho que desempenhei bem a atividade e fui indicado para ser presidente. Acredito que fui o mais novo presidente da federação de jiu-jítsu, que tinha a tradição de eleger, geralmente, pessoas mais experientes. Fui o mais novo. Da federação, fiquei administrando e já trabalhava com o prefeito Arthur, na época no Senado. Então, fui convidado para ser subsecretário quando ele ganhou para a prefeitura. Fiquei até o Fabrício (Lima, ex-Secretário) sair. Depois assumi a pasta. Pódio – Como você viu a evolução do jiu-jítsu nos
últimos cinco anos? ED – Avalio como boa, até porque fui um dos responsáveis por isso. Fui um dos primeiros a ter um projeto social organizado. A minha equipe foi a melhor do Brasil. Foi um título inédito. Aí, o jiu-jítsu, que antigamente era visto como esporte de baderneiro, marginal, passou a ser visto por uma outra ótica. Passou a ser visto pela parte da inclusão e do social mesmo. Começou a ter competições mais organizadas, campeonatos brasileiros no Rio de Janeiro e Mundial nos Estados Unidos. Isso começou a dar a denotação que o jiu-jítsu merece. Pódio – Qual a importância do Mestre Osvaldo Alves na sua carreira? ED – Na verdade, o Mestre Osvaldo é meu padrinho político. Em Manaus, ele, que é do Acre, mas radicado no Rio de Janeiro, se hospeda na minha casa. Agora, ele está direto na cidade. Ele que me apresentou ao Arthur. O Mestre já trabalha há anos com ele. Foi aí que voltamos a fazer a Copa Arthur Neto, que estava parada. A copa é antiga, mas por problemas políticos ficou parada. Quando assumi, reativei a competição. Pódio – Como você avalia a importância do jiu-jítsu para o desporto amazonense? ED – Quando assumi a secretaria, a preocupação de todos foi que as atenções não ficassem focadas apenas no jiu-jítsu. Então, procuramos dividir ao máximo a fatia do bolo. É uma divisão bem honesta, mas é claro que se o jiu-jítsu tem o maior número de adeptos, é claro que ele vai receber maior apoio. Claro que damos atenção aos campos, ao futsal, ao futebol, ao vôlei e outros. Tentamos apoiar todas as modalidades para
não parecer que só porque sou do jiu-jítsu, o esporte terá maior apoio. Pódio – Qual a avaliação que você faz do ano de 2014 em relação ao esporte do município? ED - Peguei o ano no meio e o direcionamento é dado no ano anterior. Tanto que já estamos preparando o calendário e ações do ano que vem. Em 2014, eu não tive o poder de direcionar e dar as diretrizes que queria. Ano que vem, o meu direcionamento será mais comunitário. Será mais para o bairro, para base e projetos sociais. Vai ser menos eventos grandes e mais apoio a eventos locais. Pódio – Como pretende melhorar a parte de apoio aos atletas? ED – Posso dizer que conheço bem essa parte. Como treinador, já levei atletas para competições sem ter as passagens de volta. Manaus é uma cidade atípica. Estamos longe de todos os centros esportivos do Brasil. Nossa saída é apenas por avião. As passagens são caras. Não temos condições de dar passagens para todos os atletas que querem disputar campeonatos como Sul-Americano, Brasileiro ou Mundial. As outras cidades não sofrem com esse problema que Manaus sofre. Eles não têm que mandar seus atletas de avião. Entendo que o atleta tem que lutar os grandes campeonatos para ganhar experiência, mas temos esse problema. A secretaria gastou cerca de R$ 1,5 milhão só em passagens aéreas. Mesmo assim, sabemos que não conseguimos atingir todos. Quando chega um time com 12 atletas, conversamos para ver como podemos ajudar. Muitas vezes dizemos que vamos ajudar com a metade. Atendemos o máximo que podemos, mas nunca dará para
mandar todos. Infelizmente, alguns terão que fazer uma rifa, procurar a iniciativa privada ou fazer um esforço para ir. Procuramos fazer o que podemos. Manaus é um celeiro de bons atletas, em cada esquina temos um. Pódio – Qual a importância de ter alguém do esporte ocupando a Semjel? ED – Acho que esse é o ponto mais importante. Não só na minha opinião, mas também na das pessoas que já sentaram aqui. Muitos comemoraram porque entendo dessa dificuldade. Já estive no outro lado pedindo apoio, argumentando das conquistas. É importante, porque posso afirmar que sei da dificuldade real de um atleta e de um professor viajar com quase 40 meninos sem dinheiro para outra cidade. Consigo separar isso muito rápido. Sei o que eles vão pedir e o que temos para dar. Entendo que é perfeito ter um gestor que já passou por todas as etapas. Enfrentamos até dificuldades para organizar campeonatos. O único ginásio que temos é o Berg (Ninimberg Guerra), mas ele já está saturado de competições. Fora que ainda dividimos com a igreja. Acaba ficando uma guerra por espaço. Na última reunião, fizemos questão de sentar com todos os presidentes de federações para montar um calendário que ajude a todos. Pódio – Qual a dificuldade que enfrenta à frente da secretaria? ED – Acho que não enfrentamos dificuldades. Só temos que direcionar e trabalhar de forma séria. Se tudo der certo, vamos atingir todas as áreas e o trabalho vai gerar resultados. É um projeto de médio a longo prazo que precisa ser feito para elevar o nome do Amazonas a nível nacional.
Acho que não enfrentamos dificuldades. Só temos que direcionar e trabalhar de forma séria. Se tudo der certo, vamos atingir todas as áreas e o trabalho vai gerar resultados. É um projeto de médio a longo prazo que precisa ser feito para elevar o nome do Amazonas a nível nacional”
Se agora começasse uma administração eficiente, acho que ainda demoraria muito tempo para recuperar a dignidade dessa cidade e do povo”
Copa Amadeu Teixeira
RAIMUNDO VALENTIM
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Na última década, o torneio de futebol de base tem revelado bons jogadores
chega à décima edição ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
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e você acha que com o término dos Campeonatos Estaduais de base a garotada já começa a pensar nas férias, está enganado. Neste final de semana, a bola começa a rolar para a 10ª edição da Copa Amadeu Teixeira - tradicional competição que reúne todas as categorias de base simultaneamente. Criada em 2005 por Gel Silva, responsável pela escolinha do Flamengo em Manaus, a Copa Amadeu Teixeira já faz parte do calendário do futebol amazonense. Disputada nos mesmos moldes do Estadual, a competição trará novidades para sua 10ª edição. Desta vez, os pequenos craques do sub-9 também participarão do torneio, numa categoria que contará com cinco equipes. O sub-11 terá seis clubes brigando pelo título; o sub-13, oito; o sub-15, dez e o sub-17, oito. Hoje consolidada, Gel recorda das dificuldades que enfrentou para tirar o certame do papel. “A principal foi iniciar. Não tinha parâmetro. Fomos colocando tudo em prática e no final víamos o que dava certo e que não dava para não ocorrer nos anos seguintes. Quando a gente chega para organizar as coisas nunca dá, está difícil, não pode, então fomos quebrando paradigmas mesmo. E convencer os donos de escola a participar da competição foi
o maior desafio”, conta. A competição leva o nome de um dos principais desportistas do Amazonas: Amadeu Teixeira. De acordo com Gel, a escolha foi baseada em cima de toda história feita pelo fundador do América. Com isso, o organizador da competição decidiu homenagear o ex-jogador e técnico de futebol. “E eu sempre acompanhei a vida do seu Amadeu Teixeira. Desportista, abnegado, o que ele fez pela base e pelo profissional... Então não tinha um
MANAUS FC
O Manaus FC, clube profissional do futebol amazonense, irá participar pela primeira vez da Copa Amadeu Teixeira que, neste ano, contará com a presença de um clube do município de Itacoatiara nome melhor, foi uma forma de poder homenageá-lo em vida. Em 2004, eu tive uma conversa com ele e ele me autorizou a realizar a copa em sua homenagem. Desde então a gente está prestigiando o seu Amadeu, e a garotada mais nova vem conhecendo quem ele é”, explica Gel. Mesmo após dez anos desde seu nascimento, a tradicional competição de base ainda encara obstáculos para poder ser disputada. O principal deles são campos para a
prática do bom futebol, uma vez que o período de chuvas se aproxima e os gramados ficam castigados. “A dificuldade que a gente traz para hoje, com 10 anos de competição, é de estrutura: campo de futebol adequado para a gente desempenhar e realizar a competição. A gente sabe que tem poucos campos em Manaus, agora com a Copa do Mundo herdamos dois espaços para que a base possa usufruir. Hoje, nós temos 30 equipes disputando o campeonato, mas poderíamos ter 80”, avalia o diretor da copa Amadeu Teixeira. Sem patrocínio para disputar a competição, as equipes têm de desembolsar R$ 800. No valor, está incluso o campo, a arbitragem e a bola. Segundo o organizador do certame, algumas equipes participam do campeonato de forma gratuita, principalmente aquelas que não têm condições de arcar com o custo da inscrição. “As pessoas estão acostumadas a jogar campeonatos de R$ 10, R$ 20. A Copa Amadeu Teixeira é paga. Hoje cobramos uma taxa para inscrição de R$ 800. A equipe não paga arbitragem, campo ou bola. Tudo já está incluso. Sem contar que algumas equipes participam de forma gratuita. Temos que pagar arbitragem, campos, já que alguns são cedidos, outros alugados e algumas pessoas fazem a um preço legal”, explica.
SERGIODUARTE/DIV
Tradicional competição de futebol de base do Amazonas completa dez anos nesta temporada; 37 equipes disputarão o certame
Sérgio Duarte, atual técnico do time profissional do Rio Negro, já treinou equipes na competição de base
Campeonato revela talentos Com pouco tempo de vida – dez anos -, algumas revelações locais já passaram pela Copa Amadeu Teixeira. Um destes atletas, inclusive, se encontra na base do bicampeão brasileiro, Cruzeiro. Outros já tiveram passagens por grandes clubes do país, como o meiocampista Léo, que atuou pelo Botafogo. “É engraçado, porque no final das contas todo mundo é o pai da crian-
ça. Eu sempre digo que passou pela Copa Amadeu Teixeira, porque ninguém forma, eu acho que é um conjunto de situações que vai formando aquele garoto. A gente tem o Eduardo, que por meio do Roberley (auxiliar técnico do Rio Negro) levamos o garoto para fazer teste na escolinha do Zico, no Rio de Janeiro. Ele ficou na escola do Zico, depois foi para o Botafogo, e ficou lá de 12 a 15 anos.
Ele estava no Inter agora, e recentemente foi para o Cruzeiro”, revela Gel. Fora das quatro linhas, a competição também contou com nomes conhecidos no futebol local, como Luís Carlos Martins e o atual vice-campeão da Segundinha do Estadual, Sérgio Duarte. Da nova geração, Gel destaca o auxiliar técnico do Rio Negro, Roberley Assis, além de Chiquinho, da escola do Santos.
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Sendo lapidado para
fazer história THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
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eleiro de lutadores. Desta forma que o Amazonas é conhecido no mundo. Atletas como Ronaldo Jacaré, Adriano Martins e José Aldo fazem sucesso no principal evento de MMA do mundo, o Ultimate Fighting Championship (UFC). Outras revelações como Mário Israel e Alexandre Capitão tem seus nomes diariamente ligados ao evento americano. Seguindo o mesmo caminho, o lutador do peso mosca (até 56 kg), Maycon ‘Boca’ Silvan pode estar de malas prontas para participar do próximo The Ultimate Fighter (TUF), reality show do UFC. Os organizadores não confirmam, mas fontes indicam que o amazonense participará das lutas preliminares do programa. Aos 22 anos, Maycon tem sete vitórias em seu cartel. Entre elas, a mais importante foi contra o outro amazonense, Rayner Silva, no evento It’s Time Combat (ITC). Apesar da pouca idade, o sucesso de Boca já vem desde o jiu-jítsu. Atualmente, o lutador é faixa marrom, mas ficou conhecido ainda quando era faixa branca, após conquistar no mesmo ano, o Campeonato Amazonense e a Copa Osvaldo Alves. Uma curiosidade sobre seu começo, é que a primeira vez que Maycon pisou em um tatame, estava com o braço quebrado e mesmo assim decidiu experimentar o esporte. “Comecei aos 11 anos no jiujítsu. O fato engraçado foi que comecei com o braço engessado. Meu mestre foi o Casqueta, da Nova União. Em 2005 já competi nos principais campeonatos como Amazonense e Copa Osvaldo Alves. Acabei ganhando todos e fui seguindo a minha caminhada, subindo de faixa até chegar na marrom. Já estou a quatro anos nesta graduação”, disse o atleta que fez sua primeira luta no MMA aos 18 anos e acabou vencendo por nocaute. Depois dessa vitória, Maycon seguiu na modalidade até chegar ao topo da categoria no Brasil. Apesar do sucesso, Boca não esquece o início da carreira. O atleta releva que seus amigos fizeram a famosa ‘cotinha’ para ajudar na preparação da sua estréia no MMA. Hoje, o lutador faz questão da presença de todos em suas lutas realizadas em Manaus. “Meus amigos sempre me apoiaram. Eles foram fundamentais no meu começo, principalmente meu professor. Só tenho que agradecer. Sem eles não chegaria aonde cheguei”, citou o atleta. Derrotas polêmicas Maycon conta com duas derrotas em seu cartel. Porém, ambas as lutas foram decididas pelos juízes e geraram revolta nos torcedores. Principalmente a primeira, que aconteceu em novembro de 2012 contra o paraense Illiarde Santos, no Pará. O
FOTO: RAIMUNDO VALENTIM
Lutador amazonense Maycon “Boca” Silvan provavelmente participará da próxima edição do The Ultimate Fighter (TUF) lutador, na época, era considerado o melhor lutador brasileiro da categoria e precisava da vitória para confirmar sua ida para o UFC, fato que aconteceu. Após ser considerado vencedor do duelo, Illiarde foi vaiado pelo público presente no local. “Sabia que se a luta fosse para a decisão dos juízes, ia perder. O duelo foi parelho e na casa do cara. Quando acabou, já sabia que não ganharia. Naquele momento, ele era o top da categoria e eu apenas uma promessa. Mas a luta foi boa para mim. Entrei como franco atirador. Mostrei minha qualidade e ganhei o respeito das pessoas envolvidas no MMA nacional. Depois de lá, começaram a olhar com outros olhos para mim. Viram que era dureza me enfrentar”, revelou Maycon. Quando voltou para Manaus, o lutador não desanimou e
CINTURÃO
Maycon é dono dos cinturões dos Mosca do eventos It’s Time Combat e FOC. No último mês, ele teve sua luta no Kratos Fighting cancelada, aumentando a suspeita que pode ir para o TUF continuou levantando o público por onde passou. Conhecido por seus nocautes espetaculares, Maycon recebeu a chance de lutar pelo cinturão do ITC. Com a vitória sobre Henrique Sampaio, o atleta conquistou o tão sonhado título de melhor do Amazonas. “Não via a hora de disputar o cinturão do It’s Time. Quando recebi a chance, coloquei na cabeça que seria o campeão. Fui para cima e realizei o sonho. Depois desse, apareceu o convite para disputar o cinturão do Fight of Champions , em Natal. Venci também e conquistei o Brasil”, disse o atleta.
Boca posa ao lado do mestre Casqueta, seu técnico e maior incentivador no esporte
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Maycon Boca já projeta o UFC Com pelo menos mais 15 anos de carreira, Maycon projeta vôos mais altos. O atleta não nega que seu objetivo agora é entrar no UFC. Para isso, em 2014, Boca decidiu treinar na filial de sua academia no Rio de Janeiro. No local, o atleta dividiu o octógono com o também amazonense, José Aldo. “Quero chegar ao topo do MMA e disputar o cinturão de um evento grande. Meu alvo é o UFC. Não quero chegar a um evento grande para ser apenas mais um, quero chegar para fazer a diferença. Quero evoluir bastante até lá”, admitiu o lutador que pretende lutar contra o americano Demetrious Johnson, atual detentor do cinturão da categoria mosca do UFC. Apesar de ser forte na trocação, o lutador não esconde que seu porto seguro é o jogo de chão. Sempre que Maycon corre risco no combate, ele busca levar a luta para o solo. Porém, desejando aperfeiçoar seu jogo, Boca sabe que necessita melhorar alguns detalhes em sua luta. “Preciso melhorar a velocidade, jogo de queda e a preparação física. Percebi com as minhas idas para o Rio que lá os atletas são mais técnicos. SemCom 22 anos, Maycon Silva já é detentor de dois cinturões na categoria peso mosca, um regional e outro nacional
pre que viajo, aprendo mais. Vou ficando mais técnico também”, citou o atleta que admite que o esporte mudou o rumo de sua história de vida. “Sem o jiu-jítsu eu não seria nada. Ele foi muito importante na construção do meu caráter. Sem a modalidade, não teria conseguido me firmar no MMA. Aprendi a ser disciplinado, respeitar os mestres e fiquei bem comigo mesmo. Não sei o que teria me tornado se não tivesse seguido esse caminho”, finalizou. Trabalho bem feito Mestre de Maycon desde seu começo, Wendel Lima, mais conhecido como Casqueta, é o principal responsável pelo sucesso do atleta amazonense. O faixa preta lidera a filial da Nova União do conjunto Shangrillá, localizado no Parque 10, zona Centro-Sul da cidade, e não esconde o orgulho que sente de seu pupilo. Porém, lembra que nada aconteceu por acaso na carreira de Maycon. O jovem teve que ser lapidado até chegar ao atual momento. “É um orgulho muito grande. Venho trabalhando com o Maycon desde pequeno. Como estava me aposentando como atleta, decidi ensinar a nova geração. Foi ai que ele apareceu. Ensinei os detalhes. Trabalhei o Maycon desde a categoria de base. Isso é importante para a formação de um campeão. ”, relembra Casqueta.
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‘Pelada’ de final de ano
veteranos e boas hist Atletas que fizeram parte da categoria de base do Fast na década de 80, promovem a confraternização há quatro anos ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
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A famosa resenha rolou solta na partida de confraternização de final de ano dos ex-atlestas do Fast
les atuaram no Fast durante as décadas de 80 e 90. Veteranos, hoje se reúnem todo final de ano para bater aquela tradicional “pelada” de confraternização, onde o principal objetivo, além de jogar futebol, é reencontrar os amigos com quem fizeram parceira na época em que eram profissionais, além de fazer parte daquela boa e velha roda de “resenha” com os colegas. Sem espaço para arrependimentos, muitos deles recordam do passado com brilho nos olhos e orgulho de terem atuando profissionalmente no Amazonas. Dentre tantos boleiros da “velha-guarda”, estava o ponta direita do Fast em 1987, Montenegro, eleito revelação do Estadual naquele ano. Nascido no município de Careiro da Várzea, cidade localizada a 25 quilômetros de Manaus, Montenegro chegou à capital quando bebê. Sua relação com o futebol começou em 1980, quando com 12 anos foi ao Vivaldo Lima para
assistir o duelo entre Nacional e Fast. “Quando eu vi o Fast perder, eu chorei na arquibancada. Eu olhei para o céu e pedi para Deus me dar a oportunidade de um dia estar no gramado do Vivaldão, para honrar a equipe do Fast”, comenta. Mas a trajetória de Montenegro no futebol começou no Nacional, em 1981. Três anos mais tarde, ele se mudou para o Rolo Compressor. Após passagem pelas categorias de base, chegou ao profissionalismo em 1987, onde foi treinado pelo ídolo rio-negrino, Mark Clark. “O que ele me falou até hoje eu não esqueço, e já se passaram 15 anos: “se tu vai jogar eu não, mas você está no grupo”. Aquilo para mim foi a maior alegria da minha vida, eu querendo me tornar jogador profissional e ia assinar meu primeiro contrato com 17 anos. Quando eu cheguei em casa e contei para a minha mãe foi maior alegria”, recorda. Eleito a revelação do Campeonato Amazonense de 1987, o ponta direita despertou interesse do Internacional e foi levado por um empresário para
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reúne
FOTOS: DIEGO JANATÃ
tórias fazer testes no Colorado. Após desempenhar um bom papel no time gaúcho, Montenegro só não ficou no sul por conta de não haver acordo financeiro entre os clubes. “Voltei triste, frustrado. Quando voltei fui para o Rio Negro, de tão magoada que estava com o Fast. Quando chegou em 1989, eu vi que não dava mais para jogar profissional, porque você tinha que passar 90 dias para receber um mês”, explica Montenegro, que hoje trabalha como vigilante da Global e nas horas vagas treina o Fast Master. Tradição Um dos responsáveis por organizar a tradição pelada de final de ano entre os ex-atletas do Fast, Aluízio Júnior, resolveu reunir todos os jogadores do Rolo Compressor da década de 80 para relembrar a época em que atuavam pela base do clube. A ideia deu tão certo que o encontro já acontece há quatro anos. “A ideia era reunir a turma que faz parte de uma geração de categorias de base na década de 80, alguns chegaram até o profissional, outros não. Mas o importante é essa união, confraternização no intuito de tentar reunir essa moçada pelo maior tempo possível”, enaltece.
Partida guardada na memória No dia 9 de março de 1980, o Fast pisava no gramado do Vivaldão para enfrentar a equipe norte-americana do Cosmos, de Nova Iorque. O jogo era em caráter amistoso, mas o público foi de partida oficial: 56 mil pessoas, o maior do estádio amazonense em toda história. O time estadunidense contava com o tricampeão do mundo, Carlos Alberto Torres, o zagueiro alemão Beckenbauer, campeão mundial pela Alemanha como jogador e treinador, além do paraguaio Romerito e do italiano Chinaglia. “Foi o maior público do Vivaldo Lima e esse jogo ficou marcado pelo resto de nossas vidas. A partida terminou 0 a 0 e tivemos a felicidade de fazer um bom jogo”, lembra o exmeia Fabinho, que participou da partida e atuou no Fast de 1979 a 1986.
Para o ex-jogador, atuar contra jogadores de classe mundial foi o um grande feito e que jamais será esquecido. “Eles eram mitos do futebol na época, foi muito gratificante para a gente jogar contra atletas desse nível
e bom para o Amazonas, que trouxe para cá uma equipe recheada de bons jogadores”, conclui Fabinho.
Ex-meia Fabinho participou da pelada e relembrou jogos históricos
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Finalizando
RAIMUNDO VALENTIM
as dificuldades O atleta amazonense Alex Taveira conquistou o título do primeiro mundial de parajiu-jítsu, competição realizada em São Paulo
Atleta é exemplo de que não existem obstáculos para quem quer vencer
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mazonense e referência no jiu-jítsu brasileiro, o atleta Alex Taveira conquistou no começo deste mês o título mais importante de sua carreira: o Mundial da categoria Galo. Para completar, o atleta ficou na terceira colocação no Absoluto. A conquista aconteceu no 1º Mundial de parajiu-jitsu, promovido pela Confederação Brasileira Paradesportiva, em São Paulo. O título apenas coroou a brilhante carreira do atleta que, hoje, com 28 anos, ensina a crianças a modalidade que mudou a sua vida. “Já fiz ciclismo, judô e halterofilismo. Só saí do judô quando tiraram a catada de perna com a mão, mas antes, fui várias vezes campeão. Porém, nenhum foi mais importante que o jiu-jítsu. Treino o esporte com e sem quimono. Dou aula para crianças e tenho um projeto social no [bairro] Santa Etelvina e no Alvorada. No último ano, vim para a Top Life e voltei a treinar para a competição. Graças a Deus, esse ano deu tudo certo e venci todos os campeonatos que disputei”, ressaltou o atleta que já deu aula em Curitiba (PR). Em 2014, Taveira decidiu voltar a competir. Para isso, teve que emagrecer e aumentar a carga de treino. Porém, sofreu para abaixar de categoria e quase foi obrigado a não disputar o Mundial, pois
se desgastou demais no processo. Contando com a ajuda do mestre Cristiano Carioca, Alex se recuperou a tempo e conquistou o tão sonhado título Mundial, único que faltava em sua lista de sonhos. “Foi muita dedicação. Teve um tempo em que minha pressão subiu de tanto treinar. Exagerei no foco e tive um overtraining. Acabei tendo que dar uma recuada. Isso tudo foi gerado pela ansiedade para o Mundial. A carga de treino estava muito alta para pouca suplementação. Baixei de 71 quilos para 55. Tenho que
Os meninos ficavam olhando e percebi que era a minha deficiência. Porém, comigo nunca aconteceu de ficar excluído Alex Taveira, Lutador de jiu-jítsu
agradecer ao professor Cristiano [Carioca] que me ajudou e deu tudo certo”, disse. Começo Alex começou no esporte com 10 anos, motivado por amigos que se surpreendiam com a mobilidade que ele apresentava quando jogava peladas pelas ruas do bairro do Alvorada, onde foi criado.
“Jogava futebol na rua com os amigos, sempre gostei do esporte. Demorou um pouco, uns amigos que treinavam jiu-jítsu me convidaram para treinar também, porque tinha muita força nos braços. Porém, sempre falei que não ia porque achava que não conseguiria lutar. A solução que encontraram foi colocar um tapete no quintal de casa para treinar lá. Passamos a rolar no local. Os que tinham mais experiência, perceberam que eu levava jeito para o esporte e acabaram convidado para treinar em uma academia mesmo. Já mais confiante, fui conhecer. Acabei indo para a Nova União. Nesse período, conheci o José Aldo, ele tinha um mês de treinamento e começamos a conversar. A amizade surgiu aí”, revelou o atleta que coleciona títulos dos principais campeonatos dos Estado: o Amazonense e a Copa Osvaldo Alves. Com o tempo, Alex foi mostrando habilidade no esporte e ganhou elogios de todos praticantes da academia. Sempre brincalhão, o lutador admitiu que utilizou seu carisma para fazer amizades e criar vínculos com os parceiros de treinamento. “Os meninos ficavam olhando e percebi que era a minha deficiência. Porém, comigo nunca aconteceu de ficar excluído. Sempre fui brincalhão e comecei a bagunçar com todos. Rapidamente, criei amigos na academia”, disse Alex.
Vocação para ensinar os jovens Nos últimos anos, Alex se dedicou à missão de passar seu conhecimento para as crianças. O atleta virou professor na academia Top Life. Além disso, conta com o projeto social que tem duas filias: uma no Santa Etelvina e outra na Alvorada. “Dando aula para essa garotada, lembro do meu começo. Lembro de tudo que fazia para me adaptar. Treinava muito, via a movimentação e já pensava em uma maneira de adaptar. Hoje, a criança chega e já observo se tem o talento natural ou não. Consigo ter uma visão diferenciada”, admite o atleta que revela ter sofrido com o preconceito no seu começo no jiu-jítsu. Porém, antes marginalizado, o esporte ganhou respeito nos últimos anos e atraiu prati-
cantes de todas as classes sociais. Alex comemora essa evolução e confirma que seu objetivo é instruir seus alunos para que sigam o caminho certo na vida. “Já peguei o jiu-jítsu menos marginalizado, porém, ainda era muito para quem estava começando. Minha mãe dizia que era coisa de vagabundo. Tanto é que onde moro, no Alvorada, falavam que eu e o Aldo não íamos prestar. Mas, demos a volta por cima. Essa é uma prova do que o esporte faz. Saímos de um bairro humilde para conquistar o mundo. É isso que tento fazer com as crianças. Hoje, a droga está na cara de qualquer pessoa. Tento ensinar que esse não é o caminho, quero mudar a mentalidade dessa geração”, informou o campeão.
Segundo Alex, o esporte evoluiu muito dentro do tatame e nas academias, todavia, os atletas ainda sofrem com a falta de apoio, principalmente os que vivem do jiu-jítsu. “Somos considerados amadores. Existe Bolsa Atleta para os esportes olímpicos, mas o lutador de jiu-jítsu não consegue. Pratico jiu-jítsu há 18 anos. Conquistaria mais coisas trabalhando do que lutando. O atleta hoje tem que migrar para o MMA para conseguir uma grana boa. Vejo a criança treinando para, quem sabe, um dia, despontar para um evento de MMA. Falta apoio ao atleta. É estressante, mas amamos o esporte. Isso aqui é igual a uma droga e acaba viciando. Tenho a esperança de um dia mudar isso”, indagou Alex. DIVULGAÇÃO
THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
Campeão Alex Taveira conta com a ajuda especial da esposa Deborah nos treinamentos