MONTAGEM DE KLINGER SANTIAGO/SOBRE FOTOS DE DIVULGAÇÃO
MANAUS,, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
esportes@emtempo.com.br
Muy amigo O atacante Neymar falou pela primeira vez após sofrer a lesão que o tirou da Copa. Disse que perdoa o colombiano Zuñiga, que ficou com vergonha da derrota humilhante do Brasil para a Alemanha e que vai torcer pela Argentina dos amigos Messi e Mascherano. Podio E4
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MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
CHARGE
HERÓIS DA COPA * MARCUS VINÍCIUS PESSOA
GARRINCHA: “O ANJO DAS PERNAS TORTAS” Se Pelé simboliza o profissionalismo máximo de um jogador de futebol, Garrincha é o maior representante do futebol arte, onde um grande drible vale tanto quanto um gol. Depois de ter sido dispensado nas peneiras de Fluminense, Vasco e São Cristóvão, pois era classificado “torto” pelos treinadores, Mané fez um teste no Botafogo, em 1953. Na primeira jogada, meteu a bola entre as pernas de Nilton Santos, que saiu de campo e pediu a contratação imediata do atacante. “Eu não quero ter que enfrentar esse cara de jeito nenhum!”
Nascia ali um dos maiores times de futebol de todos os tempos, o Botafogo de Garrincha, que tinha o maior esquadrão do Brasil na década de 50, com vários craques como Didi, Quarentinha, Amarildo, Zagallo, Nilton Santos. Em 1957, Garrincha ajudou o Botafogo a vencer o Campeonato Carioca com a maior goleada em uma final, 6 x 2 no Fluminense, garantindo sua vaga na seleção que disputaria a Copa de 58. Era o início de uma das maiores duplas do futebol mundial. Ao lado de Pelé, Garrincha conduziu a seleção ao primeiro título mundial em 1958.
Mas a verdadeira Copa de Garrincha foi a de 1962, no Chile. Após perder Pelé na segunda partida, Mané assumiu o comando do time e, ao lado de Amarildo, levou o Brasil ao bicampeonato mundial. Após a Copa do Chile, Garrincha começou sua decadência. Ficou no Botafogo até 1965, quando se transferiu para o Corinthians, onde não brilhou e começou a vagar por várias equipes. Depois de pendurar as chuteiras em 1972. Muito debilitado pelo alcoolismo, Garrincha morreu aos 49 anos em 1983, vítima de cirrose.
* MARCUS VINÍCIUS PESSOA É REDATOR PUBLICITÁRIO
Tabela da Copa do Mundo
6
ARTILHARIA
JAMES RODRÍGUEZ
COLÔMBIA
GOLS
49
1
CHILE
1
57
SEGUNDA 30/0613h00 Brasília - Mané Garrincha
SEXTA 04/07 13h00 Rio de Janeiro - Maracanã
SEXTA 04/07 17h00 Fortaleza - Castelão
SÁBADO 28/0613h00 Belo Horizonte - Mineirão BRASIL
OITAVAS DE FINAL
QUARTAS DE FINAL
OITAVAS DE FINAL
BRASIL
2
0
FRANÇA
COLÔMBIA
1
1
ALEMANHA
58
2
FRANÇA
0
NIGÉRIA
53
PÊNALTIS: BRASIL 3 X 2 CHILE
SÁBADO 05/0713h00 Brasília - Mané Garrincha
SÁBADO 05/07 17h00 Salvador - Fonte Nova SÁBADO 28/0617h00 Rio de Janeiro - Maracanã
50
59
COLÔMBIA
2
URUGUAI
0
HOLANDA
0
1
ARGENTINA
COSTA RICA
0
0
BÉLGICA
PÊNALTIS: HOLANDA 5 X 3 COSTA RICA
SEMIFINAL
51
HOLANDA MÉXICO
2
61
52
BRASIL
1
0
ARGENTINA
ALEMANHA
7
0
HOLANDA
1
COSTA RICA
1
GRÉCIA
1
62
PÊNALTIS: ARGENTINA 4 X 2 HOLANDA
DOMINGO 29/0617h00 Recife - Arena Pernambuco
63
2
ALEMANHA
1
ARGÉLIA
54
QUARTA 09/07 17h00 São Paulo - Itaquerão
TERÇA 08/07 17h00 Belo Horizonte - Mineirão DOMINGO 29/0613h00 Fortaleza - Castelão
SEGUNDA30/0617h00 Porto Alegre - Beira-Rio
60
3º LUGAR
FINAL
SÁBADO 12/07 17h00 Brasília - Mané Garrincha
DOMINGO 13/07 16h00 Rio de Janeiro - Maracanã
BRASIL
ALEMANHA
HOLANDA
ARGENTINA
TERÇA 01/0713h00 São Paulo - Itaquerão
1
ARGENTINA
0
SUÍÇA
55
TERÇA 01/0717h00 Salvador - Fonte Nova
64
2
BÉLGICA
1
ESTADOS UNIDOS
56
PÊNALTIS: COSTA RICA 5 X 3 GRÉCIA
Paulo Vinícius Coelho
COLUNISTA DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
O tabu
Só uma vez uma seleção campeã tinha a maioria dos jogadores em clubes do exterior Dos 23 convocados pela Argentina, 20 jogam no exterior e só três em clubes do país. Os reservas Orión e Maxi Rodriguez atuam pelo Newell’s, o volante Gago no Boca Juniors. Em toda a história das Copas, só uma vez uma seleção campeã tinha a maioria dos jogadores em clubes do exterior - a França de Zidane, da Juventus, de Turim. Em 2010, a Espanha foi campeã com 20 dos 23 convocados em clubes espanhóis. Em 2006, a Itália venceu com 100% do elenco na Série A. Em 2002, o Brasil
tinha 13 de clubes nacionais, dez jogando no exterior. Parece coincidência, mas pode ser um símbolo. Quanto mais forte um campeonato nacional, maior a chance de jogadores ficarem por mais tempo no país, de a seleção manter identidade no estilo de jogar. Isso unido à formação de seleções desde o sub-17 leva a bons resultados em médio prazo. Ontem, a presidente Dilma disse que o futebol precisa crescer internamente para lotar estádios e manter jogadores no país. O
discurso é bom, mas a CBF tem de fazer o papel de toda federação esportiva: difundir. O verbo não indica entregar uma bola em cada clube, mas espalhar conhecimento. Josep Guardiola deu duas palestras em Buenos Aires nos últimos 2 anos. Não veio nenhuma vez ao Brasil. Esse intercâmbio é fundamental. A CBF tem essa obrigação. Trazer gente importante para cá, levar técnicos daqui para estágios no exterior. E também tentar trazer um pouco do ambiente do
mês da Copa para o dia a dia. De convidar o mundo e o país para manter a festa. O 7 a 1 fez com que isso pareça impossível. Há 10 anos, o Campeonato Alemão tinha 33 mil pessoas de média de público. Hoje, são 45 mil por jogo, festa em todos os estádios e trabalho estruturado para a seleção ser forte. Só três dos 23 convocados jogam no exterior. Se o tabu for mantido, a Alemanha estará a um jogo de ser campeã.
Josep Guardiola deu duas palestras em Buenos Aires nos últimos dois anos. Não veio nenhuma vez ao Brasil. Esse intercâmbio é fundamental. A CBF tem essa obrigação
FOTOS: DIVULGAÇÃO
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Defensores brasileiros apenas observam o atacante alemão Thomas Müller marcar o primeiro dos sete gols da Alemanha no jogo
Mundial do Brasil perto de bater recorde de gols Se jogo da final e disputa de terceiro lugar tiverem mais de quatro gols, a Copa de 2014 baterá a de 1998 (França), que lidera com 171 tentos
A
média de gols da Copa do Mundo de 2014 subiu após as semifinais. E olha que uma delas, entre Holanda e Argentina, terminou empatada em zero a zero. Tudo isso por conta dos 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. Além de elevar a média de tentos para 2.69 por jogo, a melhor desde 1994, deixa o Mundial do nosso país perto de se tornar o de maior número de gols da história. Até aqui foram marcados 167 gols. A Copa do Mundo com maior número de estufadas na rede foi a de 1998, na França, que teve 171 tentos. Portanto, se a decisão do terceiro lugar e a final, juntas, apresentarem mais de quatro gols, o Mundial do Brasil passará a ser o recordista. Dificilmente uma Copa vai superar, em média de gols, a edição de 1954, na Suíça, que acabou com 5.38 por partida. A Alemanha desbancou a Holanda e a Colômbia e passou a ter o ataque mais positivo da Copa do Mundo, com 17 gols anotados. Holandeses e colombianos marcaram 12 até aqui. Apesar de ter perdido esse posto, a
Colômbia ainda tem o líder o artilheiro do torneio: James Rodríguez com seis gols. A atual edição apresentou ainda o recorde de prorrogações em oitavas de final, com cinco em oito jogos. Até então o Mundial de 1990, na Itália, liderava essa estatística com quatro. Levando em con-
Os germânicos foram responsáveis por 17 gols nesta Copa do Mundo de 2014. Com goleadas de 4 a 0 para cima de Portugal e de 7 a 1 sobre o Brasil, os alemães têm o melhor ataque da competição sideração todos os resultados, incluindo a fase de grupos o placar de 2 a 1 foi o mais visto em gramados brasileiros até o momento, tendo se repetido 15 vezes. Depois aparece o 1 a 0, com 11 aparições. A maior goleada agora é o “passeio” da Alemanha sobre o Brasil, que desbancou os 5 a 1 que a Holanda aplicou na Espanha.
definitiva. Suárez e a entidade celeste ainda poderão apelar à Corte Arbitral do Esporte, segundo a nota oficial da própria Fifa. O uruguaio foi punido em junho com uma suspensão de nove jogos por sua seleção, além de um banimento de quatro meses a qualquer atividade relacionada ao futebol profissional, incluindo treinamentos em clubes. O comitê tratou Suárez como reincidente, já que o jogador havia mordido adversários em outras
Lateral Filipe Luís é do Chelsea Filipe Luís está de mala prontas para Londres, onde vestirá a camisa do Chelsea. Foi o que garantiu a imprensa inglesa na manhã de ontem. De acordo com o jornal “The Sun”, os Blues já chegaram a um acordo com o Atlético de Madrid e pagaram cerca de 25 milhões de euros pelo lateral esquerdo. O jogador brasileiro, caso
ALEMANHA
Fifa mantém punição a Suárez Em nota, a Fifa anunciou ontem (10) a decisão do Comitê Disciplinar em manter a suspensão de Luis Suárez pela mordida no zagueiro italiano Giorgio Chiellini, no confronto entre Itália e Uruguai, válido pela primeira fase da Copa do Mundo de 2014. Assim, a apelação uruguaia para a redução da pena ao jogador foi rejeitada pela entidade. A decisão já foi comunicada ao jogador e à Associação Uruguaia de Futebol (AUF), mas não é
Arsenal contrata Alexis Sánchez
realmente rume ao time londrino, substituirá Ashley Cole, que foi para a Roma. Será a terceira grande contratação do Chelsea para a temporada 2014/15. Curiosamente, as três são de jogadores vindos do futebol espanhol. Já foram anunciados como reforços o atacante Diego Costa, exAtlético de Madrid, e o meia Fàbregas, ex-Barcelona.
Atacante chega para ser titular no time de Londres
O Arsenal anunciou, ontem (10), a contratação do atacante chileno Aléxis Sánchez. Após ter passado pelos exames médicos em Londres, o atleta assinou pelos Gunners. O tempo de duração do contrato e o valor da transferência não foram divulgados, mas especula-se que o time londrinho tenha desembolsado cerca de 37 milhões de euros (R$ 111 milhões) ao Barcelona, clube pelo qual o jogador atuava desde 2011. Aléxis se mostrou bastante feliz com o novo desafio na sua carreira e com a oportunidade de poder jogar a Premier League. “Estou muito feliz por chegar ao Arsenal, um clube que tem um grande treinador, um elenco fantástico, um apoio enorme ao redor do mundo e um grande estádio, em Londres. Vou dar o meu melhor para o Arsenal e quero
fazer todos os torcedores felizes”, disse o atacante. O treinador Arsene Wenger comemorou a contratação e se derreteu em elogios ao novo reforço. “Como muita gente viu durante a Copa do Mundo,
OPÇÕES
Agora o treinador do Arsenal, Arsene Wenger, terá a sua disposição, além do chileno Alexis Sánchez, os atacantes Olivier Giroud, Lukas Podolski e Oxale Chamberlain Alexis é um jogador fantástico. Estamos muito satisfeitos com a chegada dele ao Arsenal Football Club. Aláxis vai adicionar potência, criatividade e muita qualidade ao nosso elenco”, disse o comandante.
Lateral esquerdo brasileiro chega ao time de Mourinho
Gilardino rumo ao futebol chinês Alberto Gilardino é o novo reforço do Guangzhou Evergrande, da China. Aos 32 anos de idade, o atacante jogará pela primeira vez fora do futebol italiano. Ele próprio anunciou a transferência ontem (10). Gilardino atuou na temporada passada pelo Genoa. O auge da sua carreira foi entre 2006 e 2007, quando conquistou
com o Milan uma Liga dos Campeões e um Mundial de Clubes, e pela seleção da Itália venceu a Copa do Mundo, na Alemanha. O Guangzhou Evergrande é o atual campeão chinês e da Liga dos Campeões da Ásia. O técnico do time é o também italiano Marcelo Lippi, que já trabalhou com Gilardino quando comandava a Azzurra.
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FERNANDODANTAS/GAZETAPRESS
Neymar é argentino
na final
Jogador brasileiro diz que vai torcer pelo amigo Messi. “Ele merece esse título”
E
m entrevista coletiva concedida ontem (10), dois dias após a eliminação da seleção brasileira na Copa, o craque Neymar surpreendeu ao afirmar que torcerá pela Argentina na final contra a Alemanha. “Pela história que o Messi tem, acho que ele merece ser o campeão, merece o título. Estou torcendo por ele sim, é um amigo. Também tenho outro companheiro lá que é o Mascherano”, disse o craque do Brasil. O jogador aproveitou para falar sobre a entrada de Zuñiga, que o tirou da Copa. Ney fraturou uma vértebra. “De costas eu não consigo me defender. A única coisa que poderia me defender eram as regras. Acabei me machucando. Se fossem dois centímetros para dentro eu poderia estar de cadeira de rodas. Num momento tão importante da carreira, você acaba sofrendo. Faz parte, aconteceu, vida que segue”, disse chorando. O atacante ainda afirmou que não concorda e não aceita a entrada de Zuñiga, que resultou na fratura de uma vértebra e a perda das duas últimas partidas da Copa, após o duelo nas quartas de final. “Foi um lance que eu não concordo, não aceito. Não vou falar que foi
Felipão enfrentará ‘desafeto’ Cordial com todos os treinadores que enfrentou até aqui na Copa do Mundo, Luiz Felipe Scolari provavelmente não o será no sábado, quando a Seleção disputa o terceiro lugar da competição contra a Holanda, de Louis van Gaal, em Brasília. Ainda na fase de grupos, antes do duelo definitivo com Camarões, irritado por uma declaração do rival a respeito de um suposto benefício pelo horário dos jogos, o brasileiro o ofendeu sem citá-lo nominalmente. “Algumas pessoas se manifestaram dizendo que vamos
Tostão
escolher o nosso adversário. Ou são burras ou mal-intencionadas. Se perdermos para Camarões, vamos nos classificar? Não. E os horários dos jogos são escolhidos pela Fifa. Então, vamos parar de endeusar A, B ou C. Dão ênfase a uma pessoa que está falando bobagem”, disse Felipão, no mesmo dia em que o holandês questionou o fato de sua chave ser definida antes. “É ridículo. A Fifa sempre faz publicidade falando em Fair Play, mas tem seus truques e isso não é bom, não é Fair Play”, questionou.
SERGIO BARZAGHI/GAZETAPRESS
Neymar reencontrou os companheiros em Teresópolis ontem (10)
Felipão chamou o técnico holandês de burro
maldade porque não estou na cabeça dele para saber. Mas todo mundo que entende de futebol sabe que é uma entrada não é normal”, falou. No entanto, Neymar disse que perdoa Zuñiga e revelou uma ligação do colombiano, com pedido de desculpas. “Eu desculparia sim, não sinto ódio, não sinto nada. Ele até me ligou, pediu des-
BRONCA
O atacante Neymar afirmou que vai dar o troco e também xingará o seu empresário Wagner Ribeiro por ter criticado o técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari
culpas, falou que não queria me machucar, falou um bocado de coisa legal. Desejo que Deus abencoe, que ele tenha sucesso na carreira dele”, completou Neymar. Como programado, Neymar chegou a Teresópolis para se juntar à seleção brasileira até sábado, quando o grupo disputará a decisão do terceiro lugar, contra a Holanda.
Maxwell é o único que não jogou Dos 20 jogadores de linha chamados por Felipão, apenas Maxwell ainda não foi a campo pela seleção brasileira nesta Copa do Mundo. A última chance do lateral-esquerdo de atuar é no sábado, na disputa do terceiro lugar, mas dificilmente se concretizará, já que o treinador vai levar força máxima à Brasília, para enfrentar a Holanda. Além dele, somente os goleiros reservas também não tiveram o gostinho de atuar pela seleção na-
cional em uma Copa do Mundo em casa. Na estréia, contra a Croácia no dia 12 de junho, os onze titulares foram Júlio César; Daniel Alves, Dante, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Neymar e Fred. Até o momento, além deles, já jogaram Ramires, Hernanes, Bernard, Willian, Jô, Fernandinho, Maicon, Henrique e Dante. O único que ainda aguarda uma oportunidade no time é o lateral esquerdo reserva canarinho.
COLUNISTA DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
Criaram um monstro Felipão é o responsável pela seleção, mas não é o criador do nosso atual e medíocre estilo de jogar. Ele pensa como os outros técnicos brasileiros. Criaram um monstro. Não sei quando nem onde isso começou, se foi de dentro para fora, por causa da visão estreita dos treinadores, ou se foi de fora para dentro, por causa da ganância pelo lucro, em detrimento da qualidade do futebol. Está tudo interligado, um jogo de interesses. Repito, uma praga nacional. Desaprendemos a jogar coletivamente. Para Felipão e a maioria dos técnicos, trocar passes no meio-campo é frescura, um jogo bonitinho, improdutivo. O futebol bra-
sileiro vive de correria, de estocadas e de jogadas aéreas. Muitas vezes, dá certo. Por motivos óbvios, qualquer técnico da Seleção tem uma ótima estatística. Queremos mais que isso. O mundo, que tanto nos admira, também está triste. Por causa do desprezo pelo meiocampo, não temos um craque neste setor. Se Kroos, Schweinsteiger e outros armadores fossem formados no Brasil, seriam escalados, desde as categorias de base, de meias ofensivos, para atuar próximos ao gol. Schweinsteiger era um meia habilidoso e criativo que se transformou em um volante, para o time ter mais o domínio do jogo e da bola.
Contra a Alemanha, o Brasil jogou com cinco atrás (quatro defensores mais Luiz Gustavo), quatro na frente (Hulk e Bernard, pelos lados, e Oscar, próximo a Fred) e apenas Fernandinho, em um enorme espaço no meio-campo. Enquanto isso, a Alemanha, com todos os jogadores muito próximos, tinha três no meio-campo, mais Müller e Özil pelos lados, que voltavam para marcar e chegavam na frente. Os cinco atacavam e defendiam. Eram cinco contra um. Há 15 anos, falo sobre isso. Tenho a sensação de que estou sendo repetitivo e que não há nenhuma importância se falo ou não falo disso. Cansei.
Para Felipão e a maioria dos técnicos, trocar passes no meio-campo é frescura, um jogo bonitinho, improdutivo. O futebol brasileiro vive de correria, de estocadas e de jogadas aéreas
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MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
FERNANDODANTAS/GAZETAPRESS
Para Van Gaal, disputa de 3º lugar é desnecessária Técnico holandês é contra a disputa e afirmou que seu time está prejudicado por ter um dia a menos de descanso que o Brasil
A
pós um empate sem gols com a Argentina no tempo regular e na prorrogação da semifinal da Copa do Mundo, a Holanda foi eliminada pelos Hermanos nos pênaltis. Agora, resta à Laranja Mecânica disputar o terceiro lugar com o Brasil. Mas o técnico Van Gaal considera o duelo desnecessário, pois acredita que as seleções que perdessem no Mundial não deveriam jogar pelo terceiro e quarto lugares, já que só há um prêmio, que é a taça. “Acho que esse jogo nunca deveria ser jogado. Digo isso há 10 anos, mas vamos ter de jogar. Você tem a chance de perder duas vezes seguidas e, se isso acontecer, você vai para casa como um perdedor, mesmo depois de ter feito uma Copa do Mundo maravilhosa”, criticou o treinador. Van Gaal também se vê em desvantagem contra o Brasil por ter menos tempo para recuperar o elenco. “É injusto também porque
temos um dia a menos para nos recuperar, isso não é fair play. Não são condições justas de jogo”, reclamou o comandante. Na Copa de 1998, os holandeses perderam a semifinal para o Brasil e disputou a
DE NOVO
Na Copa do Mundo de 1998, os holandeses perderam a semifinal para o Brasil e disputaram a terceira posição com a Croácia. Acabaram perdendo por 2 a 1. Agora a Laranja encara os donos da casa terceira posição com a Croácia, perdendo por 2 a 1. Como precisa seguir o cronograma da Fifa, a equipe embarcou para Brasília na noite ontem (10), onde enfrenta a seleção brasileira no próximo sábado, às 16h (de Manaus), no estádio Mané Garrincha.
Nada de ressaca na Holanda A Holanda deu adeus ao sonho de seu primeiro título mundial após perder para a Argentina nos pênaltis. Entretanto, isso não diminuiu o ritmo para o dia seguinte. Na manhã de ontem (10), os jogadores já pegavam duro no batente mais uma vez. O técnico do time, Louis Van Gaal, não deu descanso a nenhum atleta e colocou todos pra treinar no gramado do Pacaembu. A ação pode até parecer antagônica ao discurso do treinador, que chegou a dizer que não deveria existir disputa pelo terceiro lugar em uma Copa.
Robben aponta título alemão O atacante Robben, da seleção holandesa, disse que não vê possibilidades de a Argentina vencer a Alemanha na final da Copa do Mundo, no próximo domingo (13), no Maracanã, e levar o título para a casa. “A Alemanha será campeã do mundo, eu tenho certeza. A Argentina não tem chance”, disse Robben em entrevista para a revista alemã Kicker. A Alemanha luta pelo seu quarto título mundial. Ganhou em 1954, 1974 e 1990. A Argentina, por sua vez, luta pelo tri. Foi campeã em 1978 e 1986. Sobre a eliminação da Holanda, Robben falou em azar. A equipe comandada pelo téc-
Pênaltis não são apenas um jogo de pura sorte. Nós mostramos isso contra a Costa Rica. Nós fizemos um bom trabalho naquela partida Arjen Robben, atacante holandês
nico Louis van Gaal caiu nos pênaltis diante da Argentina, depois de empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. “Pênaltis não são apenas u m
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DIVULGAÇÃO
Atacante do Bayern de Munique Arjen Robben, da Holanda, foi um dos destaques da Copa do Mundo de 2014 e marcou três gols
Apesar de se declarar contrário a disputa, Van Gaal treinou a equipe em busca do terceiro lugar
jogo de pura sorte. Nós mostramos isso contra a Costa Rica (nas quartas de final). Nós fizemos um bom trabalho naquela partida. Nós tivemos também uma má sorte, infelizmente. Isso faz parte do futebol”, afirmou.
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Técnico alemão prega respeito ao adversário da final da Copa
SERGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
Löw elogia time argentino Técnico da seleção da Alemanha destaca força da zaga argentina. Já Klose, não quer deixar escapar mais um título mundial, uma vez, que viu o sonho “escorregar pelas mãos” em 2002, quando o time alemão perdeu para o Brasil
Futevôlei para descontrair No antepenúltimo treino antes da decisão da Copa contra a Argentina, os alemães resolveram jogar um esporte bem familiar aos brasileiros, o futevôlei. No jogo recreativo que praticaram na tarde de ontem (10), em Santa Cruz Cabrália (BA), a rede fica baixa, como no tênis, e não alta, como no vôlei e no futevôlei. Esta variante é praticada em algumas partes do Brasil, às vezes com o nome de “pébol”, noutras com o nome de “pênis”, tênis com os pés. O zagueiro Hummels e o atacante Klose foram os únicos jogadores de linha que não participaram da brincadeira. Ficaram pedalando na bicicleta ergométrica. Segundo o auxiliar técnico da Alemanha, Hansi Flick, todos os jogadores estão à disposição para a final.
“A Argentina é defensivamente forte, compacta e bem organizada. No ataque, possuem jogadores de destaque, como Messi e Higuaín. Por isso, precisamos nos preparar bem e olhar para frente, sempre”, expôs o comandante, em entrevista ao site da Federação Alemã de Futebol. Relacionado para a entrevista coletiva da Alemanha, o atacante Miroslav Klose não escondeu seu desejo em conquistar a Copa do Mundo.
Para ele, a longa sequência de anos nos quais a Alemanha chegou às últimas fases, mas viu o título escapar ainda está engasgado em sua garganta. “Conhecendo o adversário, agora é a hora de fazer as correções. Acho que é a nossa vez de levar a Copa do Mundo para a Alemanha. Realmente é uma questão bastante emocional. Todos que me conhecem sabem que o meu foco agora é o jogo contra a Argentina”,
Kroos lídera ranking de eficiência O meia Toni Kroos, da Alemanha, assegurou a liderança do ranking de eficiência da Fifa após a disputa das semifinais da Copa do Mundo de 2014. A média do jogador, que anotou dois gols e teve participação decisiva na goleada de 7 a 1 sobre o Brasil, chegou a 9,79. O segundo colocado ainda é Karim Benzema, da França, com 9,74 de média. Robben, da Holanda, Thiago Silva e Oscar, do Brasil, completam a lista dos cinco melhores colocados. O ranking leva em conta estatísticas como: passes, gols, desarmes e finalizações em cada partida da Copa do Mundo de 2014, contabilizando médias
para cada atleta ao longo da competição. Ainda haverá, no entanto, notas para a final e a disputa do terceiro lugar, o que pode trazer mudanças na lista. Levando em consideração os melhores de cada posição, a seleção da Copa pelo ranking de eficiência tem três alemães, três holandeses, três brasileiros, um francês e um colombiano. Curiosamente, não há nenhum representante da finalista Argentina. O “time ideal” seria formado por Neuer (ALE); Thiago Silva, David Luiz (BRA), De Vrij (HOL) e Hummels (ALE); Kroos (ALE), Oscar (BRA), James Rodríguez (COL) e Wesley Sneijder (HOL); Benzema (FRA) e Robben (HOL).
declarou. Klose, de 36 anos, defende a seleção alemã desde 2001. De lá para cá, esteve presente no vice-campeonato mundial de 2002, na Coréia/ Japão, e nos terceiros lugares de 2006, na Alemanha, e 2010, na África do Sul. Respeito a Ronaldo Maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols, o atacante alemão Miroslav Klose procurou afagar Ronaldo, segundo maior gole-
ador em Mundiais, com 15 tentos. “O que tenho para dizer é o mesmo que dissera antes de quebrar seu recorde: que ele é uma lenda do futebol. Jogo na Itália, e muitos por lá dizem que ele é o maior que já viram em campo, é o mais completo atacante. Não só isso, mas ele também é grande figura humana. Quando fiz o 15º gol (contra Gana), ele me mandou uma mensagem dizendo: ‘Bemvindo ao clube’. O que posso
dizer agora é que é muito bom estar no clube dos 16 e convido todos a se juntarem a ele”, brincou o centroavante da Lazio. Klose defendeu que a Alemanha se blinde contra a euforia pela goleada e disse que seu recorde de nada adiantará caso seu time não vença a Argentina. “Sim, fomos banhados por glória após jogo contra Brasil, mas são apenas 24 horas. Em 2002 já perdi uma final, sei como é terrível”, disse.
Toni Kross recentemente se transferiu para o Real Madrid
EDSON RUIZ / STR/GAZETA PRESS
N
o domingo, às 16h (de Manaus), o estádio do Maracanã será palco de uma final de Copa que já se repetiu outras duas vezes na história: Alemanha e Argentina. Após a goleada por 7 a 1 sobre a seleção brasileira, o técnico Joachim Löw manteve o discurso sério e elogiou os albicelestes, que triunfaram nos pênaltis sobre a Holanda, após um empate sem gols ao longo de 120 minutos.
E7 MARCELO FERRELLI/GAZETA PRESS
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
Lateral Pablo Zabaleta deixou o campo sangrando na última partida diante da Holanda
Sabella
Os elogios voltados somente a Messi e aos companheiros de ataque também chegaram aos defensores, após exibições seguras
transforma zaga argentina substituído por Martin Demichelis, zagueiro que saiu de um ostracismo de três anos sem ser convocado para virar titular antes das quartas de final contra a Bélgica. Sem ser teimoso, Sabella percebeu que os passes errados e a lentidão de Fernando Gago estavam atrapalhando a armação e sobrecarregando Javier Mascherano na cabeça de área. Entrou Lucas Biglia para fechar a marcação no meio-campo. “Alejandro sempre ressalta a importância de que a gente jogue com inteligência tática.
Argentina transfere favoritismo Ex-jogador do Bayern de Munique (ALE), Martin Demichelis já foi companheiro ou adversário de todos os jogadores da seleção alemã. Ele não se furta de enumerar, um por um, os motivos para acreditar que a Alemanha é favorita para a final da Copa do Mundo, no domingo. “Eles terão um dia a mais para descansar. Na semifinal, jogaram 30 minutos menos. Estão com um trabalho que vem acontecendo há mais tempo. Conheço a equipe alemã de A a Z. Acho que eles são favoritos”, resumiu o zagueiro. Atirar o favoritismo para o adversário é um dos truques mais antigos do futebol. Mas os jogadores de Alejandro Sabella estão felizes em vestir a carapuça. Até porque sabem que a torcida
brasileira vai apoiar maciçamente os alemães. “Eles vêm de uma grande vitória e estão mostrando excelente futebol. Vamos estudar o que é possível fazer”, explicou o volante Lucas Biglia. A Alemanha ganhou os últimos três confrontos contra a Argentina. A final de 1990 e as quartas de final de 2006 e 2010. A freguesia recente é mais um motivo para os europeus serem apontados como favoritos ao título na visão dos argentinos. “Os 7 a 1 que aplicaram no Brasil não nos assusta, mas causa respeito. Não quero falar em vingança. Eles têm o retrospecto de boas vitórias contra a Argentina e temos de lidar com isso. Temos de superar”, discursou o volante Mascherano.
O capitão e principal líder da equipe, Javier Mascherano, não quer nem saber de favoritismo
Saber ocupar os espaços é fundamental. Movimentar-se bem e preencher os vazios do campo”, ressalta Mascherano, em frase que cairia bem na boca do próprio chefe. A Argentina também foi “beneficiada” com a entrada de Ezequiel Lavezzi. Quando Sergio Agüero sofreu lesão na coxa, contra a Nigéria, o atacante do Paris Saint-Germain herdou a vaga na equipe. Aceitou se sacrificar pela causa, sempre voltando para acompanhar o avanço do lateral adversário. Contra a Holanda, Enzo Pérez ofereceu ajuda a Zabaleta na
marcação a Robben e força física para puxar os contraataques.Ninguém está imune à volta para auxiliar a defesa. Nem mesmo Lionel Messi. Há um preço físico para isso. Higuaín foi substituído na metade do segundo tempo diante da Holanda. Lavezzi aguentou os 90 minutos, mas, na prorrogação, estava exaurido e teve de dar lugar a Maxi Rodríguez. Zabaleta era a imagem do cansaço na saída do estádio. A Argentina vai à final após disputar duas prorrogações a partir das oitavas de final (contra Suíça e Holanda). A
Angel Di María realiza treino leve Após sofrer lesão de grau 1 na coxa direita nas quartas de final da Copa do Mundo e ter sua participação no restante do Mundial considerada improvável pela imprensa argentina, o meia Angel Di María voltou a treinar na tarde de ontem, na Cidade do Galo, em Belo Horizonte (MG). A esperança da albiceleste em contar com o craque aumenta para a final. O jogador do Real Madrid e da seleção argentina se contundiu aos 33 minutos da primeira etapa, no jogo contra a Bélgica, ao chutar com força uma bola enfiada por Messi. O meia até tentou voltar para o jogo, mas sentiu muitas dores, e Enzo Pérez precisou entrar em seu lugar. Mesmo com algumas especulações sobre sua saída da Copa, o médico da equipe Martínez tratou de diminuir a intensidade da lesão: “É uma das mais leves entre as lesões musculares”. Com a classificação à final conquistada contra a Holanda, nos pênaltis, na última quarta-feira, Di María procura entrar em ritmo para jogar a decisão de domingo
contra os bávaros e voltou a campo ontem. Inicialmente o craque argentino apenas trotava, mas depois aumentou a velocidade de sua corrida. Enquanto isso, os atletas que atuaram contra a “Laranja M e c â n i c a” fizeram exercícios regenerativos. Os reservas participaram de um treino tático com bola. Os hermanos voltam a treinar hoje, na Cidade do Galo, em atividades fechadas à imprensa. Às 11h de sábado, Messi e companhia viajarão ao Rio de Janeiro, e devem fazer um leve treino no Maracanã, no mesmo dia. O clima entre os atletas é de muita animação, mas eles sabem que superar a força da Alemanha não será nada fácil e, por isso, o técnico Alejandro Sabella tenta conter à euforia de seus comandados.
Alemanha passou por isso apenas contra a Argélia. “Todo mundo está cansado. Eles terem um dia a mais de descanso é uma vantagem, claro. Mas estamos a uma partida do maior momento de nossas vidas. Vamos entregar tudo em campo. Fazer o que Alejandro pedir”, garantiu Higuaín. Não deixa de ser irônico que a Argentina tenha chegado na Copa do Mundo apoiada em um ataque com Di María, Aguero, Messi e Higuaín. Mas pode voltar para casa campeã por causa de sua criticada defesa. Di María apenas correu ao redor do campo
MARCELO FONSECA/GAZETA PRESS
caiu nas quartas de final. “Não é questão de ser ofensivo ou defensivo. É questão de ser equilibrado. Conseguir chegar ao ataque e correr poucos riscos atrás. Quem faz isso bem tem grandes chances de ganhar um jogo de futebol”, explica o lateral Pablo Zabaleta. Para acertar a seleção defensivamente, o treinador foi mudando a escalação durante o torneio. Contou também com a “ajuda” de contusões. Federico Fernández era a peça mais insegura da linha de quatro na retaguarda. Foi
EDU ANDRADE /STR/GAZETA PRESS
O
técnico Alejandro Sabella transformou, com a Copa do Mundo em andamento, uma defesa de qualidade suspeita em uma das melhores do Mundial. Criticada desde o momento da convocação, em maio, a zaga argentina tem apenas três gols sofridos em seis partidas. Mais do que isso: nas oitavas, quartas e semifinal, não foi vazada nenhuma vez. A Alemanha, adversária da final de domingo (13), no Maracanã, levou quatro gols até agora na competição. A Costa Rica sofreu apenas dois, mas
DANILOBORGES/PORTALDACOPA
E8 Ministro dos Esportes falou sobre a importância de profissionalizar o esporte
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
Ministro defende intervenção estatal no futebol após 7 a 1 Aldo Rebelo acredita que o Estado deve ter mais participação nas decisões da CBF e falou sobre a criação de novas leis
O
ministro do Esporte, Aldo Rebelo, classificou a derrota por 7 a 1 sofrida contra a Alemanha, na semifinal da Copa, como uma “marca profunda”, cobrou mudanças na estrutura do futebol brasileiro e defendeu uma intervenção estatal para que essa revolução aconteça. “O futebol brasileiro precisa de mudanças. A derrota para a Alemanha expõe, evidencia mais essa necessidade”, afirmou durante entrevista coletiva organizada pela Fifa e o COL (Comitê Organizador Local) do Mundial no Maracanã, ontem (10). Rebelo defendeu ainda que essa revolução pela qual o es-
porte precisa passar deve ter o governo como protagonista, com a criação de leis e pressão sobre dirigentes esportivos.Segundo o ministro, o governo não pretende nomear cartolas, mas quer ter um papel mais ativo na CBF e em outras federações esportivas. “O Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte. A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e poder de intervenção. Se depender de mim, não teríamos tirado o Estado completamente dessa atribuição. Se depender de mim, também, parte dessa atribuição deve voltar”, falou. O regulamento da Fifa proíbe a ingerência dos governos nos rumos das federações nacionais filiadas à entidade. A federação nigeriana, por exemplo, foi suspensa na quarta-feira (9) porque o Estado decretou o afastamento de toda a cúpula da entidade depois da queda nas oitavas de final da Copa do Mundo. Proposta
Entre as possibilidades de intervenção estatal nos rumos do futebol brasileiro, o ministro citou a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. O projeto do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) propõe um refinanciamento das dívidas dos clubes em troca do que Rebelo chamou de ações de “modernização dos times”, como o rebaixamento para quem não prestar contas das dívidas e punições para quem não manter salários dos atletas e funcionários em dia. Rebelo também pediu por uma legislação que permita que jovens menores de 14 anos possam morar em centros de treinamento dos clubes (o que é proibido hoje) e adoção de medidas que diminuam o fluxo de garotos brasileiros indo jogar, ainda nas categorias de base, no exterior. “Nós importamos mão de obra e exportamos da Europa serviços do futebol. Não pode ser assim. Exportamos nossos craques, muitos ainda em formação. Fiquei sabendo que parte importante da nossa geração sub-15 já está no exterior. Nossa legislação facilita isso”.
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MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
Mais de 10 chefes de Estado na final Além da presidente Dilma Rousseff, estão confirmados Angela Merkel, Vladimir Putin, Jacob Zuma, entre outros líderes cionais. Já estão confirmadas as presenças dos presidentes da África do Sul, Jacob Zuma; da Rússia, Vladimir Putin; do Congo, Denis Sassou-Nguesso; da República Democrática do Congo, Joseph Kabila; da Hungria, János Áder; do Haiti, Michel Martelly, e da chanceler alemã, Angela Merkel. A presença dos chefes de Estado do Gabão, de Trinidad e Tobago, Antígua e Barbuda, Guiné Equatorial e da
Finlândia já é quase certa, faltando acertar os últimos detalhes da visita ao Brasil. Antes de iniciar o jogo, a partir das 14h (Brasília) ocorrerá a cerimônia de encerramento, com apresentações da colombiana Shakira, de Ivete Sangalo, Alexandre Pires, Carlinhos Brown, do guitarrista mexicano Carlos Santana e do rapper haitiano Wyclef Jean, além da Escola de Samba Acadêmicos do Gran-
de Rio, que homenageará a subsede da final. Visitas No período entre 12 e 18 de julho, o país receberá quase 30 chefes de Estado, além do presidente da Comissão Europeia, José Manuela Barroso. Após a final da Copa, os chefes de Estado do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), terão uma reunião
de cúpula em Fortaleza, na terça-feira (15). No dia seguinte, eles se reunirão com os presidentes dos países da América do Sul. Barroso terá compromissos em Brasília no dia 18 de julho. Durante a Copa do Mundo, a chanceler alemã, Angela Merkel; a presidente do Chile, Michelle Bachelet; o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o
vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, passaram pelo Brasil para apoiar suas seleções, alguns deles aproveitaram a ocasião para se encontrar também com a presidente Dilma. No dia 12 de junho, abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, Dilma também ofereceu um almoço aos chefes de Estado que vieram assistir ao jogo entre Brasil e Croácia.
HOMENAGEM
Cristo será iluminado com as cores dos finalistas Alemanha e Argentina se enfrentam na final da Copa do Mundo no próximo domingo (13) no Maracanã e o Rio de Janeiro vai homenagear os dois países iluminando o seu maior cartão-postal com suas cores. Amanhã (12), das 19h às 21h, o Cristo Redentor refletirá combinações de vermelho, preto e amarelo e azul e branco. As torcidas das duas seleções definirão quais cores permanecerão por mais tempo iluminando a estátua no alto do Corcovado. Para isto basta os usuários do Twitter escreverem “Alemanha” ou “Argentina” com a hashtag #ArmsWideOpen (braços abertos, em português) em suas postagens na rede social. Os votos estão sendo Torcedores podem escolher quais cores permanecem por mais tempo no Twitter
contabilizados desde o término da partida en-
MAIS TEMPO
Os votos estão sendo contabilizados desde o término da partida entre a Argentina e a Holanda, na quarta-feira (9). O time que receber mais votos fica com as suas cores mais tempo refletidas no Cristo tre a Argentina e a Holanda, na quarta-feira (9). O time que receber mais votos fica com as suas cores mais tempo refletidas no Cristo Redentor. A iluminação pode mudar no intervalo previsto de acordo com os votos recebidos em tempo real.
DIVULGAÇÃO
M
ais de dez chefes de Estado assistirão à final da Copa do Mundo, domingo (13), entre Alemanha e Argentina, no estádio do Maracanã, às 16h (hora de Brasília), ao lado da presidente Dilma Rousseff e do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Antes, às 13h (Brasília), a presidente oferecerá um almoço às autoridades interna-
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MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
‘O futebol brasileiro precisa de mudanças’ O
ministro do Esporte, Aldo Rebelo, classificou ontem (10) a derrota por 7 a 1 sofrida contra a Alemanha, na semifinal da Copa, como uma “marca profunda”, cobrou mudanças na estrutura do futebol brasileiro e defendeu uma intervenção estatal para que essa revolução aconteça. “O futebol brasileiro precisa de mudanças. A derrota para a Alemanha expõe, evidencia mais essa necessidade”, afirmou o ministro, durante entrevista coletiva organizada pela Fifa e o COL (Comitê Organizador Local) do Mundial no Maracanã. Segundo o ministro, o tamanho da goleada que tirou da seleção a possibilidade de ser hexa em casa foi um acidente, que não aconteceria novamente se as duas equipes se encontrassem mais uma vez, mas que merece ser analisado para o bem do futuro do futebol brasileiro. “Precisamos examinar o motivo e a causa do acidente. É uma marca profunda. A melhor reação
é ver as causas mais duradouras daquele desastre. Precisamos extrair lições para que o Brasil reponha a seleção no status que ela deve ter. As mudanças são necessárias”. Rebelo defendeu ainda que essa revolução pela qual o esporte precisa
SEM PALAVRAS
Segundo o ministro, o tamanho da goleada que tirou da seleção a possibilidade de ser hexa em casa foi um acidente, que não aconteceria novamente se as duas equipes se encontrassem mais uma vez
passar deve ter o governo como protagonista, com a confecção de leis e pressão sobre dirigentes esportivos. O presidente da CBF, José Maria Marín, e o presidente eleito da federação, Marco Polo del Nero, ainda não foram a público falar sobre a eliminação brasileira. Já o técnico da seleção, Luiz
Felipe Scolari, disse que “o trabalho não foi de todo ruim”. Segundo Rebelo, o governo não pretende nomear cartolas, mas quer ter um papel mais ativo na CBF e em outras federações esportivas. “O Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte”. “A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e poder de intervenção. Se depender de mim, não teríamos tirado o Estado completamente dessa atribuição. Se depender de mim, parte dessa atribuição deve voltar”.
Para o ministro Aldo Rebelo, o tamanho da goleada que tirou da seleção a possibilidade de ser hexa em casa foi um acidente
Regulamento O regulamento da Fifa proíbe a ingerência dos governos nos rumos das federações nacionais filiadas à entidade. A federação nigeriana, por exemplo, foi suspensa na quarta-feira (9) porque o Estado decretou o afastamento de toda a cúpula da entidade depois da queda nas oitavas de final da Copa do Mundo.
SECANDO A ARGENTINA
Tricia Cabral
Germânicos desde criancinha que a seleção brasileira no Mundial. Independentemente da rivalidade entre Brasil e Argentina, Marina afirma que torcerá pelo time europeu porque foi conquistada pela competência dos
SIMPÁTICOS
A equipe alemã conquistou muitos torcedores no Brasil ao demonstrar respeito pela seleção brasileira depois da vitória por 7 a 1 na semifinal, terçafeira (8) no Mineirão, em Belo Horizonte
alemães em campo e pela simpatia dos jogadores. “Eu gosto dos alemães, acho que eles têm carisma e jogam muito bem”. Além disso, a equipe alemã conquistou muitos torcedo-
res no Brasil ao demonstrar respeito pela seleção brasileira depois da vitória por 7 a 1 na semifinal, terça-feira (8) no Mineirão, em Belo Horizonte. “Eles são lindos e educados. Sem dúvida, vou torcer pelos alemães, até por que não quero ver a Argentina tricampeã de jeito nenhum”, afirma a estudante Babriela Barbosa. Por outro lado, há um grupo de brasileiros que quer ver a taça do Mundial ficar na América Latina. “Essa rixa não faz sentido. Eles são nossos vizinhos, é claro que vou torcer para eles. Eu e toda a minha família”, defendeu Renato Lira, professor de educação física. Argentinos e alemães decidem a Copa do Mundo domingo, às 15h, no Maracanã, no Rio de Janeiro. Um dia antes, em Brasília, Brasil e Holanda enfrentam-se na disputa do terceiro lugar.
Danke, Alemanha!
MARCELO CAMARGO/ABR
Na partida final da Copa do Mundo neste domingo (13), no Rio de Janeiro, entre a tricampeã Alemanha e a bicampeã Argentina, há brasileiros que vão torcer para os hermanos, mas a maioria vai engrossar a torcida do time europeu, levando em conta a antiga rivalidade entre o Brasil e o país vizinho. “Final da Copa do Mundo: Brasil será Alemanha”, diz uma torcedora em sua página do Facebook, acompanhada por vários torcedores brasileiros, que manifestam a mesma intenção. Outros brasileiros confessam que são “alemães desde pequenininhos” para torcer contra a Argentina. A estudante de direito Marina Alves lembra que cresceu considerando a Argentina rival do Brasil no futebol, mas reconhece que o país vizinho está jogando melhor
tricia@emtempo.com.br
Maioria dos brasileiros engrossa a torcida do time europeu em razão da rivalidade com hermanos
A primeira ideia do que era uma Copa do Mundo veio até mim no ano de 1986. Mas minha infância e ignorância não me deixaram conhecer os craques que representaram o Brasil naquele Mundial. Pelo menos não sofri. A única coisa que me lembro daquela época era de um “tal” de Zico, cujo nome minha avó repetia insistentemente. Aliás, foi esse “Galinho de Quintino” que me fez ver com outros olhos um time rubro-negro chamado Flamengo, com o qual simpatizei graças a minha avó. Quanto às Copas, só fui me interessar para valer em 1990, quando vi a então Alemanha Ocidental, do ex-jogador e técnico Franz Beckenbauer, ser tricampeã um ano depois da queda do muro de Berlim. A partir dali passei a admirá-los. Só não torço para os alemães se o adversário, obviamente, for o Brasil. Um exemplo é a Copa de 2002, quando vencemos os germânicos com todas as honras e conquistamos o penta. Nem observara eu que tanto a Alemanha quanto o Flamengo carregavam o rubro-negro na camisa. Na verdade, foi nesta Copa realizada no Brasil que percebi o segundo uniforme da seleção germânica. Sim. Sou leiga em futebol. Perdão, Brasil. Jogadores como Podolski, Schweinsteiger, Klose, Khedira, Hummels, Neuer são tão meus ídolos no futebol quanto Zico. Há umas duas
Copas também havia outro craque, Michael Ballack, igualmente admirado... e lindo de morrer. O que eu identifico nesses caras? Foco, garra, profissionalismo, vontade de vencer. Quanto ao Brasil, queria eu não ser fã só do Neymar. Gostaria de admirar a seleção por completo, mas não consigo. Pelo menos por enquanto. Esse luto moral pelo qual nós, brasileiros, estamos passando, parece muito pior do que o pênalti que o Zico perdeu naquela Copa em que eu era alienada. Pude ver, muito tempo depois, que a geração do Zico, sim, era guerreira e merecia – mais do que as duas brasileiras que conquistaram campeonatos posteriormente – levantar a taça. Não deu. Nem sempre vai dar. Mas valeu a luta. No caso do episódio recente – o massacre de 7 a 1 sobre a seleção brasileira –, acho que precisamos, daqui para a frente, nos espelhar em seleções como Alemanha, Holanda e Argentina, e tentar recuperar o Brasil vitorioso que há em nós. Quanto ao Flamengo sem Zico, talvez tenha havido posteriormente outros craques isolados, mas nenhum como ele. Por esse e outros motivos não me sinto na “obrigação” de torcer mais por nenhum time brasileiro. Como dizia um certo torcedor do Fluminense, o mestre Nelson Rodrigues, “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”. Danke, Deutschland! (Obrigada, Alemanha!).
Tricia Cabral, Jornalista, autora do livro “Cinema Rebelde” e fã da seleção alemã
No caso do episódio recente – o massacre de 7 a 1 sobre a seleção brasileira –, acho que precisamos, daqui para a frente, nos espelhar em seleções como Alemanha, Holanda e Argentina, e tentar recuperar o Brasil vitorioso que há em nós”
VALTER CAMPANATO/ABR
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, cobra mudanças após o massacre de 7 a 1 e defende intervenção estatal no futebol
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MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
Copa do Mundo deixará legado ao futebol feminino
DIVULGAÇÃO
Mundial feminino será sediado no Canadá no ano que vem e, pela primeira vez, 24 equipes irão participar da disputa da Copa
A
segunda Copa do Mundo organizada pelo Brasil está chegando ao fim e o próximo torneio com essa dimensão a ser promovido pela Fifa será a competição feminina de 2015. A apresentação do cartaz oficial do torneio que será sediado pelo Canadá foi feita ontem, durante a coletiva diária de imprensa organizada pela entidade máxima do futebol no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo ressaltou a importância da infraestrutura deixada pelo Mundial de 2014 para o desenvolvimento do futebol feminino no país, como o Centro de Treinamento em São José dos Campos (SP), utilizado pelo atual campeão nacional. “Eu tenho uma visão otimista da perspectiva do futebol feminino no Brasil. Contamos com ações importantes para isso. Gostaria que um dos legados da Copa fosse para o futebol feminino. Criamos uma diretoria da modalidade, convidamos uma atleta com trajetória vitoriosa, que é a Michael Jackson, criamos um grupo de trabalho na Secretaria de Futebol e temos contribuições importantes. Estamos construindo um Centro de Treinamento em Foz do Iguaçu, com R$ 17 milhões captados pela lei de incentivo ao esporte, e temos outro que foi reformado para ser opção de base de alguma equipe no Mundial de 2014, em São José dos Campos”, pontuou. O incentivo aos campeonatos nacionais de base também foi lembrado por Aldo Rebelo como uma maneira de
fortalecer o futebol feminino. “Promovemos os campeonatos escolar e universitário de futebol feminino como uma forma de incentivar a base da modalidade. Além disso, a Caixa Econômica Federal vai continuar apoiando o campeonato brasileiro e esperamos que os clubes assumam suas parcelas de responsabilidades”, cobrou. Membro do Comitê Executi-
Eu tenho uma visão otimista da perspectiva do futebol feminino no Brasil. Contamos com ações importantes para isso Aldo Rebelo, ministro dos Esportes
vo e da Comissão de Futebol Feminino da Fifa, Lydia Nsekera acredita que o Brasil é o país que pode promover ainda mais o futebol feminino pelo mundo. “Temos uma força tarefa para o futebol feminino, para que as 209 confederações filiadas à Fifa desenvolvam o esporte, também como uma importante ferramenta para a educação, desde a base. E o Brasil é o país que pode promover o futebol feminino. Em alguns dias teremos a final da Copa e um legado importante é que usaremos recursos gerados pelo torneio para o desenvolvimento do futebol feminino, com o fortalecimento da liga brasileira”, afirmou.
Jogadora Marta falou sobre as perspectivas quanto ao Mundial Feminino da Fifa, que pela primeira vez terá 24 equipes participando
Marta é uma das maiores entusiastas Eleita cinco vezes a melhor jogadora do planeta, Marta, que também é embaixadora da Copa do Mundo de 2014, disse que ainda falta uma mudança na cultura do brasileiro em relação ao futebol feminino. “São dois anos consecutivos de campeonato brasileiro e a divulgação ainda é pequena, mas temos que dar continuidade ao trabalho que está sendo desenvolvido para avançarmos. Acredito que uma das dificuldades ainda é a cul-
tura do povo voltada apenas para o futebol masculino, mas trabalhamos para aumentar o interesse e que, ao invés de exportarmos jogadoras, importemos as estrangeiras. Essa é a nossa esperança para o futuro”, comentou a camisa 10, que espera conquistar o título mundial no próximo ano e realizar uma boa preparação para as Olimpíadas de 2016 no Brasil. A Copa do Mundo de futebol feminino de 2015 também
será uma plataforma para o Canadá lançar a candidatura como sede do Mundial masculino de 2026, segundo Victor Montagliani, presidente do Comitê Organizador do país. “Quando você sedia uma Copa sabe que esta será uma experiência única. O Canadá é uma nação emergente no futebol, temos 800 mil jogadores registrados, sendo 350 mil mulheres. Então, o torneio feminino será uma grande oportunidade para ce-
lebrarmos o futebol no país e termos uma plataforma de lançamento para nos candidatarmos a sede da Copa do Mundo masculina em 2026”, projetou. O torneio no próximo ano terá seis cidades-sede (Edmonton, Moncton, Montreal, Ottawa, Vancouver e Winnipeg) que vão da costa do Atlântico a do Pacífico, passando por cinco fusos. Pela primeira vez, 24 equipes participarão da disputa.
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ESTRATÉGIA
Manter jogadores no país para garantir espetáculo A presidente Dilma Rousseff defendeu, em entrevista à rede de TV CNN, a “renovação” do futebol brasileiro, que deve, segundo ela, parar de ser apenas um exportador de jogadores para times estrangeiros. Depois da derrota da seleção brasileira diante da Alemanha, no Mineirão, na terça-feira (8), ela descartou que as arenas construídas para Copa do Mundo resultaram em gastos dispendiosos, mas disse crer que manter os jogadores nos torneios nacionais ajudará a encher os estádios. “Quando eu falei antes que o futebol brasileiro deve ser renovado, o que eu quis dizer é que o Brasil não pode mais ser apenas exportador de jogadores. Exportar jogadores significa que estamos abrindo mão de nossa principal atração, que pode ajudar a lotar os estádios”, disse. “Até porque, qual é a maior atração que os estádios no Brasil podem oferecer? Deixar a torcida ver os craques. Há anos, muitos jogadores
brasileiros têm ido jogar fora, então renovar o futebol no Brasil depende da iniciativa de um país que é tão apaixonado por futebol”, continuou. Questionada se o país vendido como a sede da Copa do Mundo é diferente do Brasil real - onde as pessoas estão nas ruas pedindo mais educação e infraestrutura - e se a derrota da seleção poderá impactar na avaliação da população às vésperas das eleições presidenciais, disse que “esse Brasil que estão descrevendo não tem nada a ver com o Brasil real”. “O Brasil real é um Brasil que, de 2003 até hoje, tirou 36 milhões da pobreza, levou à classe média 42 milhões de pessoas. Quarenta e dois milhões de pessoas, para a gente colocar uma dimensão, equivale à Argentina (...). Essas pessoas que chegaram à classe média querem, de fato, melhor educação e melhor saúde. Nós estamos nos esforçando imensamente para esse processo”.
Presidente defende que grandes jogadores sejam mantidos no país para que as arenas continuem sendo lotadas por torcedores
Dilma pede apoio à equipe brasileira Dilma disse não acreditar que o humor dos brasileiros ao final da Copa do Mundo pode impactar o humor nacional prolongadamente. Nessa mesma entrevista, cuja primeira parte foi transmitida na quarta-feira (9) pela CNN International, Dil-
ma disse compartilhar da dor dos torcedores, mas tentou dissipar o pessimismo resultante da partida. A candidata e os estrategistas de sua campanha tentam avaliar o impacto, na campanha eleitoral, do vexame em campo. E discutem como reagir a ele.
Para minimizar esse efeito negativo, Dilma e seus auxiliares buscaram, logo depois da derrota, fazer manifestações de apoio à equipe brasileira. “Não podemos ficar crucificando nossos jogadores”, diz um assessor presidencial. Além
disso, a estratégia palaciana será seguir mostrando que a Copa, na visão do governo, foi, sim, um sucesso. O fracasso aventado pela oposição na logística da Copa não aconteceu. O evento ganhou apoio da população e dos torcedores estrangeiros.
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FOTOS: ERBS JR/FRAME
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 11 DE JULHO DE 2014
Torcedores continuam acampados no sambódromo do Rio de Janeiro
Seleção da Argentina terá a companhia de Maradona
Ídolo argentino, Diego Maradona está no mesmo hotel em que a seleção Argentina irá se concentrar para a partida de domingo
A
Argentina vai ter a companhia de Diego Maradona antes da final da Copa do Mundo. A delegação chega ao Rio de Janeiro neste sábado (12) de manhã e ficará hospedada em um hotel na Barra da Tijuca onde também está o ex-camisa 10. Maradona acompanha
o torneio com a credencial de jornalista. Ele participa diariamente do programa “De Zurda”, transmitido pela emissora estatal venezuelana TeleSur e retransmitido pela TV Pública da Argentina. Durante todo o Mundial, foi criada a expectativa de os jogadores receberem a visita
de Diego durante a estada na Cidade do Galo, em Vespasiano (27 km de Belo Horizonte), onde a seleção fez os treinamentos para o torneio. Mas ele não apareceu. A coincidência pode gerar um desconforto para os dirigentes da Associação de Futebol Argentino (AFA). Após a
vitória sobre o Irã, ainda na fase de grupos, o presidente da entidade, Julio Grondona, chamou Maradona de “péfrio” porque o gol de Messi só aconteceu após o ex-atleta ter ido embora. A resposta do campeão mundial de 1986 foi irada. Ao vivo, em seu programa televisivo, fez um gesto
BRASIL PÓS COPA
FOTOS: DIVULGAÇÃO
ESTUDANTE DE JORNALISMO
Mais de 170 ganenses pediram para permanecer no país após o fim da Copa do Mundo 2014
Segundo o delegado Noerci Melo, chefe da delegacia da PF em Caxias do Sul, os ganeses têm sido atraídos para a região serrana do estado devido a promessa de emprego. Na cidade, acrescentou o delegado, os estrangeiros encontram abrigo em igrejas e apoio de políticos locais. “A região da Serra Gaúcha é tida como local que há emprego. Mas agora já está saturado. A gente percebe hoje andando pelo centro da cidade que muitos haitianos, senegaleses, estão vendendo relógios, CDs piratas e outros. Como a região tinha um atrativo d o emprego, eles vieram para cá”, disse o delegado. Conforme Melo, desde o início da Copa, a demanda por pedidos de asilo cresceu substancialmente. “A gente direcionou nossos esforços para atender e não deixar os estrangeiros irregular. A partir de hoje, no entanto,
ção argentina na conquista do último título mundial do país, em 1986, justamente contra a Alemanha, rival deste ano. Lesionado, estava em campo quatro anos mais tarde, quando os alemães se vingaram na segunda decisão seguida entre as duas equipes.
Loic Koutana,
Torcedores ganeses pedem refúgio
Com visto de turistas para acompanhar a Copa do Mundo, 178 ganeses apresentaram pedido de refúgio à Polícia Federal (PF) em Caxias do Sul (RS), entre quinta-feira (3) e ontem, 10. A PF na região, no entanto, estima que mais de mil ganeses devem fazer o pedido para continuarem no Brasil definitivamente após o encerramento do Mundial.
obsceno para o dirigente. Mas para integrantes supersticiosos da comissão técnica, como o diretor de seleções Carlos Bilardo e o técnico Alejandro Sabella, a presença de Maradona no mesmo hotel pode ser vista como sinal de boa sorte. Ele era o capitão da sele-
vamos ter que limitar o número de atendimentos. Conseguimos dar atendimento diferenciado, mas não por muito tempo. Agora, vamos receber 20 pedidos de refúgio por dia. Antes, vínhamos atendendo uma quantia bem maior, cerca de 65 diariamente”, informou o delegado. Com o pedido de refúgio, os ganeses conseguem a Carteira de Trabalho e podem buscar emprego no país. De acordo com a Lei 9.474, de 22 de julho de 1997, que criou o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), o estrangeiro que chegar ao território nacional poderá expressar sua vontade de solicitar reconhecimento como refugiado a qualquer autoridade migratória que se encontre na fronteira. Conforme o Itamaraty, todos os vistos emitidos com base na Lei Geral da Copa foram dados somente aos estrangeiros que comprovaram ter adquirido ingressos para os jogos do torneio. Os vistos especiais para a Copa têm validade de 90 dias.
Quem são os estrangeiros e por que Manaus Ao contrário do que se poderia pensar, os europeus são mais numerosos no Brasil. Os alunos do último ano de estudo, famílias recompostas, viajantes, aposentados à procura de calor e descanso, pessoas em busca de uma nova carreira profissional, grupos de amigos em férias... Tudo o que eles querem tentar é a sorte no maior país latino. Segundo dados do Observatório Estatístico da Imigração, o Brasil é o décimo destino europeu favorito entre portugueses, franceses e alemães. Mas por que Manaus? A maioria dos indivíduos instalados em Manaus chega até aqui para mudar radicalmente suas vidas. Este é o caso de Mathieu. Francobrasileiro, esse jovem de 27 anos, nascido em São Paulo, passou a maior parte de seus estudos em marketing na Europa, depois de ter decidido voltar ao Brasil para se reconectar com suas raízes. No momento Mathieu trabalha no bar Copacabana, mas pretende iniciar o seu próprio negócio em marketing e se estabelecer em poucos anos em São Paulo. Outro perfil atípico de famílias que buscam reconstruir-se no Brasil é do Stephane, 32, que se instalou em Manaus, com sua
esposa brasileira, seguindo uma proposta de trabalho da empresa parisiense de equipamento óptico oſtálmico. O mesmo ocorreu na vida de David, 38, esse jovem pai de um menino de 7 anos, que deixou a Bélgica para estabelecer-se em Manaus com a esposa Helene. “No momento, não me arrependo de ter que começar uma nova vida aqui. O que nos agrada é a alegria de viver aqui”, disse. Mas nem todo mundo veio a Manaus para trabalhar. De fato, João Batista, 27, e Charlie, 28, da Suíça, vieram exclusivamente para o turismo. “É verdade que a Copa do Mundo trouxe-nos aqui este ano. Pagamos um bilhete especial, como a maioria dos turistas, que nos permite fazer um circuito e visitar todo o Brasil. Já visitamos Brasília, Belém, Rio de Janeiro, São Paulo e agora estamos aqui em Manaus. Recomendamos a todos os nossos amigos para virem a Manaus, porque nada melhor que uma estada na Floresta Amazônica”. Apesar da derrota da França e da maioria dos países europeus, nenhum turista tem a intenção de interromper a sua viagem e voltar para a Europa por enquanto.
Loic Koutana, 19 anos, é estudante de jornalismo na Sorbonne, em Paris, uma das mais conceituadas instituições do setor. O parisiense com raízes inicia uma maratona de colaborações com o jornal Amazonas EM TEMPO, onde cumpre seu estágio
A maioria dos indivíduos instalados em Manaus chega até aqui para mudar radicalmente suas vidas. Mas nem todo mundo veio para Manaus para trabalhar, há os que vieram para assistir à Copa”
ESPECIAL COPA 2014 EDIÇÃO Michele Gouvêa Tricia Cabral
REPORTAGENS Bruno Mazieri, Thiago Fernando,
REVISÃO Dernando Monteiro Gracicleide Drummond
DIAGRAMAÇÃO Kleuton silva, Leonardo Cruz, e Marcelo Robert
TRATAMENTO DE IMAGENS Adriano Lima