SERGIO BARZAGHI/GAZETA PRESS
MANAUS, QUARTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2014
esportes@emtempo.com.br
DECEPÇÃO Seleção brasileira é humilhada pela Alemanha por 7 a 1 e frusta a torcida que planejou festejar o hexacampeonato em casa. Essa foi a maior goleada que o Brasil sofreu na história das Copas do Mundo. Pódio E4 e E5
Argentina e Holanda duelam de olho na final Pódio E7
Torcida manauense sofre com vexame do Brasil Pódio E9
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MANAUS, QUARTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2014
CHARGE
HERÓIS DA COPA * MARCUS VINÍCIUS PESSOA
Lothar Matthäus Lothar Matthäus foi um dos grandes nomes do futebol mundial nas décadas de 80 e 90. Técnico, eficiente e com uma postura de liderança invejável, conquistou todos os títulos possívies para um jogador de futebol. Um gênio da bola que por muito tempo carregou a fama de egocêntrica. Matthäus iniciou sua carreira no Borussia Monchengladbach. Suas atuações regulares garantiram suas primeiras convocações para a seleção alemã ocidental, conquistando de cara, em 1980, o título da Eurocopa. Em 1984 conseguiu uma transferência para o Bayern
München onde conquistou três Bundesligas e uma Copa da Alemanha. Após um decepcionante vice-campeonato na Copa do México, Matthäus aceitou uma proposta da Internazionale de Milão, para onde foi com status de estrela. Comandou a equipe na conquista do scudetto, encerrando um jejum de 9 anos. Naquela temporada o time ainda venceu a Supercopa Italiana e Matthäus ainda faturou o título de melhor jogador do mundo pela Fifa, na primeira ocasião em que a entidade realizou a premiação. A consagração máxima viria na Copa de 1990, na Itália. Como capitão da seleção,
no auge da forma física e técnica, Matthäus jogou o fino, marcou quatro gols e comandou a Alemanha até a conquista do tricampeonato contra a Argentina. O craque voltou para Bayern, onde jogou até 2000. Saiu do clube pelas portas dos fundos após uma polemica batalha judicial. Disputou algumas partidas no Metro Stars, dos EUA, até encerrar a carreira aos 39 anos de idade. Matthäus é o jogador que disputou mais Copas do Mundo, com cinco participações. Depois de deixar os campos também atuou como treinador. Em 2006 treinou por um mês o Atlético-PR.
* MARCUS VINÍCIUS PESSOA É REDATOR PUBLICITÁRIO
Tabela da Copa do Mundo
6
ARTILHARIA
JAMES RODRÍGUEZ
COLÔMBIA
GOLS
49
1
CHILE
1
57
SEGUNDA 30/0613h00 Brasília - Mané Garrincha
SEXTA 04/07 13h00 Rio de Janeiro - Maracanã
SEXTA 04/07 17h00 Fortaleza - Castelão
SÁBADO 28/0613h00 Belo Horizonte - Mineirão BRASIL
OITAVAS DE FINAL
QUARTAS DE FINAL
OITAVAS DE FINAL
BRASIL
2
0
FRANÇA
COLÔMBIA
1
1
ALEMANHA
58
2
FRANÇA
0
NIGÉRIA
53
PÊNALTIS: BRASIL 3 X 2 CHILE
SÁBADO 05/0713h00 Brasília - Mané Garrincha
SÁBADO 05/07 17h00 Salvador - Fonte Nova SÁBADO 28/0617h00 Rio de Janeiro - Maracanã
50
59
COLÔMBIA
2
URUGUAI
0
HOLANDA
0
1
ARGENTINA
COSTA RICA
0
0
BÉLGICA
PÊNALTIS: HOLANDA 5 X 3 COSTA RICA
SEMIFINAL
51
HOLANDA
2
MÉXICO
1
61
DOMINGO 29/0617h00 Recife - Arena Pernambuco
52
COSTA RICA
1
GRÉCIA
1
63
2
ALEMANHA
1
ARGÉLIA
54
QUARTA 09/07 17h00 São Paulo - Itaquerão
TERÇA 08/07 17h00 Belo Horizonte - Mineirão DOMINGO 29/0613h00 Fortaleza - Castelão
SEGUNDA30/0617h00 Porto Alegre - Beira-Rio
60
BRASIL
1
ARGENTINA
ALEMANHA
7
HOLANDA
3º LUGAR
FINAL
SÁBADO 12/07 17h00 Brasília - Mané Garrincha
DOMINGO 13/07 16h00 Rio de Janeiro - Maracanã
BRASIL
ALEMANHA
PERDEDOR JOGO 62
VENCEDOR JOGO 62
62
TERÇA 01/0713h00 São Paulo - Itaquerão
1
ARGENTINA
0
SUÍÇA
55
TERÇA 01/0717h00 Salvador - Fonte Nova
64
2
BÉLGICA
1
ESTADOS UNIDOS
56
PÊNALTIS: COSTA RICA 5 X 3 GRÉCIA
Paulo Vinícius Coelho
COLUNISTA DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
Autópsia
Há tempos, discute-se o que se passa no futebol brasileiro. O tombaço no Mineirão deve servir ao menos para pensar sobre isso Há tempos, discute-se o que se passa no futebol brasileiro. O tombaço no Mineirão deve servir ao menos para pensar sobre isso. O Brasil olhou para o lado quando sofreu o primeiro gol, olhou para baixo envergonhado depois de levar o quinto e a única coisa possível a fazer é tentar olhar para a frente. Difícil! Ontem, a seleção sofreu sua maior goleada em cem anos de história. Antes, 1 x 6 para o Uruguai em 1920. Um tombaço! Logo depois de a Holanda ser desclassificada nas eliminatórias da Copa
do Mundo de 1986, houve um congresso para discutir a derrota. Técnico do Ajax, Johan Cruyff xingou Rinus Michels, coordenador da federação, e Leo Beenhaker, o técnico da seleção. Três anos depois, a Holanda foi campeã europeia. Há tempos, discute-se o que se passa no futebol do Brasil. Por que não se revela como antes, por que o toque de bola não é mais nosso. O tombaço do Mineirão tem de servir pelo menos para pensar sobre isso. O tamanho do tombo tem a ver com outras coisas. Com a decisão de Felipão
de escalar Bernard e despovoar o meio de campo. A escalação agradou muita gente, mas o resultado foi trágico. Faltou atenção à bola parada, de onde nasceram 50% dos gols alemães na Copa. Também cuidado com Toni Kroos, o maestro. Sem meio de campo para prender a bola nem para marcar Toni Kroos, a Alemanha não teve piedade. Ou melhor, teve depois de marcar o quinto gol, porque o placar poderia ser ainda pior. Não se pode atribuir só para as ausências de Neymar e do capitão Thiago Silva a tragédia do Mineirão.
Nem dizer que o vexame não tem nada a ver com isso. Em parte tem. Seria possível sair da Copa do Mundo com um ambiente muito favorável à reconstrução do futebol doméstico. Sofrer a 11ª maior goleada das Copas torna tudo muito pior. É preciso fazer a autópsia. Entender qual parte do vexame tem a ver com o abalo emocional, com falhas táticas ou com as ausências de Neymar e Thiago Silva. Qual parte tem a ver com um processo de renovação total necessário para que o futebol do Brasil sobreviva.
O Brasil olhou para o lado quando sofreu o primeiro gol, olhou para baixo envergonhado depois de levar o quinto e a única coisa possível a fazer é tentar olhar para a frente. Difícil!
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MANAUS, QUARTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2014
Mercado da bola FOTOS: DIVULGAÇÃO
Técnico posa com o cachecol do seu novo time
No Galatasaray, Prandelli
dispara contra Balotelli Técnico que treinou a Itália na Copa já tem novo emprego. Em sua apresentação na Turquia disparou contra o atacante da Azzurra
O
técnico italiano Cesare Prandelli assinou ontem (8) contrato com o Galatasaray, da Turquia. O comandante ficará no cargo até 2016 e chega para substituir seu compatriota Roberto Mancini, que deixou o clube ao final da última temporada. Prandelli pediu demissão da seleção italiana logo após a frustrante eliminação na Copa do Mundo de 2014. A equipe se despediu do torneio
Talisca, exBahia, chega ao Benfica Reforço do Benfica para a próxima temporada, Anderson Talisca não escondeu a ambição por grandes conquistas com a camisa dos encarnados. O meia de 20 anos era o grande destaque do Bahia, clube onde foi revelado, ao longo de 2014. “Podem esperar muito por mim. Sei da importância da torcida para o clube, é um time de massa, como o Bahia, e sei que vamos ser fortes em todas as competições. Venho para fazer história, ajudar o time a conquistar títulos, como foi no Bahia”, disse o jogador à Benfica TV. Revelado em 2013, Talisca foi o grande destaque do título do Campeonato Baiano, vencido pelo tricolor no início do ano. O sucesso do meia se estendeu ao Brasileirão, com o jogador sendo um dos poucos elogiados em meio ao início ruim do Bahia na competição. O clube de Salvador é apenas o 16º colocado em nove rodadas disputadas.
ainda na primeira fase, ao ser derrotada por Costa Rica e Uruguai, times que ficaram com as vagas do grupo para a fase seguinte. “A história do clube é muito importante, mas é preciso falar sobre os projetos do futuro do que os do passado. Nosso objetivo não é apenas jogar um futebol bonito e criar uma equipe vencedora. A ideia é montar um time com união entre diretoria, atletas e fãs. Temos jogadores fortes,
e acrescentando mais alguns, teremos uma equipe de qualidade”, disse o técnico. As pretensões do clube turco para a próxima temporada são elevadas. Após um alto investimento no ano passado, o Galatasaray não teve o resultado esperado, ficando com o vice-campeonato turco e sendo eliminado nas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa. A saída de Mancini, no entanto, foi um desejo do próprio treinador.
Inter contrata Dodô, ex-Timão O lateral-esquerdo Dodô, ex-Corinthians, foi anunciado como reforço da Internazionale. O jogador, que disputou a última temporada pela Roma foi contratado por empréstimo de dois anos, com opção de compra ao fim Aos 22 anos, Dodô enfrentou lesões que atrapalharam sua carreira. Ainda assim foi presença constante na última tem-
porada no time da capital da Itália, participando de 15 jogos como titular na boa campanha do clube no Campeonato Italiano. O comunicado do Inter não menciona valores, mas acredita-se que a Roma recebeu 1,2 milhão de euros pelo acerto até 2016, sendo que os nerrazzurri ficam com opção de compra em definitivo no valor de 7,8 milhões.
Lateral se apresentou e já treinou com os companheiros
Na equipe, Prandelli irá reencontrar o volante brasileiro Felipe Melo, com o qual trabalhou na Fiorentina. Ele comandou a Viola entre 2005 e 2010, em seu mais bem sucedido trabalho como técnico. Estava à frente da seleção italiana desde 2010, levando o time ao vice-campeonato da Eurocopa de 2012. Disparada Cesare Prandelli se mostrou contido na tradicional coleti-
va de imprensa de apresentação, evitando falar sobre seu último trabalho. Terminado o evento, entretanto, em entrevista a jornalistas italianos, o comandante não resistiu e desabafou sobre sua passagem pela Azzurra. O primeiro alvo de Prandelli foi Mario Balotelli. Um dos mais massacrados pela imprensa italiana pelo fracasso no Mundial, o atacante também entrou na mira do ex-técnico.
“É um jogador que tem ótimas fotos, mas não é um campeão”, disparou, ironizando a ativa participação do centroavante do Milan nas redes sociais e nos tabloides europeus. Prandelli também não aliviou em relação a Giuseppe Rossi, atacante ítalo-americano que sequer foi convocado para a competição. “Foi o que mais me decepcionou do ponto de vista humano”, declarou o treinador.
City contrata goleiro argentino O Manchester City confirmou ontem (8) a contratação do goleiro Willy Caballero, que estava no Málaga, da Espanha. O argentino já havia trabalhado com o técnico do Citizens, Manuel Pellegrini, no próprio clube espanhol, entre 2011 e 2013. “Estou me transferindo para uma grande equipe, que já conta com um grande goleiro. Eles têm um grande jogador, que é o Joe Hart. Mas vou dar meu melhor nos treinamentos para tentar conquistar a camisa 1”, disse o argentino de 32 anos, que não foi convocado para Copa do Mundo, na chegada a Manchester. Hoje titular absoluto do City e da seleção inglesa, Hart viveu momentos de instabilidade nas duas últimas temporadas. Entretanto, se recuperou e terminou o último ano em alta. Nesse meio tempo, o time inglês chegou a cogitar trazer um nome de peso para a posição, o que acabou descartado com a evolução do inglês. Cabellero chega para repor a saída do reserva imediato Costel Pantilimon, que deixou o City para acertar com o Sunderland nas últimas semanas.
É a terceira contratação do atual campeão inglês, que também trouxe o lateral Bacary Sagna, do Arsenal, e o volante Fernando, do Porto, nesta janela de transferências.
Caballero estava no Málaga (ESP) e agora jogará na Inglaterra
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Brasil deixa a
e é humilhado p
Maior derrota da seleção brasileira na história das Copas do Mundo fez o torcedor entender o sentimento do Marac eliminação, a partida marcou também o revés mais elástico de um escrete em uma semifinal de Copa do Mundo. Jo
A
máscara caiu. Diante de milhares torcedores fantasiados de Neymar, a seleção brasileira não transformou em realidade a ilusão de que poderia ser bem-sucedida sem o seu principal jogador. Foi humilhada pela Alemanha com uma histórica derrota por 7 a 1, ontem (8), no mesmo Mineirão onde já havia sofrido para superar o Chile nos pênaltis, e está fora da disputa pelo título da Copa do Mundo em casa. Os gols foram marcados por Muller, Klose (o maior artilheiro dos Mundiais), Kroos (2), Khedira e Schurrle (2). Oscar fez o de honra. Se queria apagar a derrota para o Uruguai na final da primeira Copa do Mundo realizada no Brasil, há 64 anos, o Brasil conseguiu de forma vexatória. Perdia por 4 a 0 em 25 minutos de jogo. Em um Mineirão que virou Mineirazo, viu os seus torcedores reagirem com um choro que a psicóloga Regina Brandão nem o melhor de seus colegas seriam capazes de conter. A revolta nas arquibancadas também foi extra-
vasada com irônicos gritos de “olé”, vaias (principalmente para o centroavante Fred), insultos e brigas. Com a derrota na decisão da Copa do Mundo de 2002 muito bem vingada, a Alemanha agora se prepara para jogar a decisão do Maracanã às 15h (de Manaus) de domingo, contra o vencedor do confronto entre Holanda e Argentina. Ao Brasil, restará a disputa de terceiro lugar diante do perdedor da outra semifinal, às 16h de sábado, no Mané Garrincha. O massacre Com a surpresa Bernard, o escolhido de Felipão para reanimar o time com a sua “alegria nas pernas”, o Brasil foi ao campo. A animação até deu certo nos primeiros minutos, com a pressão inicial imposta pela seleção brasileira. O lateral esquerdo Marcelo foi o primeiro a incomodar com um chute de fora da área. Oscar se incumbiu de cobrar os escanteios antes batidos por Neymar. E Hulk continuou a mostrar apenas vontade, assim como Bernard, enquanto Fred se manteve
nulo em campo. O Brasil até pareceu assustar inicialmente a Alemanha, mas esbarrou mais uma vez na falta de criatividade do meio campo e a inoperância do seu camisa 9. O primeiro gol alemão saiu aos 10 minutos. Em uma cobrança de escanteio de Kroos, Muller apareceu livre de marcação dentro da área e só teve o trabalho de escorar a bola, para inaugurar o placar. O gol foi a senha para a seleção brasileira se desesperar de vez. A torcida pareceu prever o inacreditável e passou a berrar logo cedo: “Eu acredito!”. Jogando de rubro-negro, a Alemanha tinha muito mais confiança. Afinal, contava com total liberdade para trocar passes. Foi assim que transformou a vitória parcial em goleada em menos de cinco minutos. A come-
çar por uma bela jogada de Kross, que encontrou Klose, que parou em Júlio César no primeiro chute e mostrou o oportunismo do maior artilheiro da história das Copas para ficar com o rebote e conferir, aos 22. Àquela altura, alguns torcedores já começavam a chorar, como fizeram os jogadores de Felipão contra o Chile. O trauma emocional seria ainda maior. Já aos 23 minutos, Lahm fez um cruzamento rasteiro para a área do Brasil, onde Muller não conseguiu concluir. Kross, sim, 3 a 0. O marcador dilatado fez o Brasil ficar tonto em campo. A ponto de Fernandinho perder perigosamente uma bola para Kross a dois passos da meia-lua. O alemão tirou proveito e tabelou com Khedira antes de concluir na saída de Júlio César. O massacre dos times visitantes, cada vez mais em casa, estava configurado. Com apenas 25 minutos de partida. Se os atletas do Brasil não sabiam como reagir, os
torcedores muito menos. Alguns choravam copiosamente, borrando as pinturas verde e amarela em seus rostos. Outros preferiram deixar o Mineirão mais cedo. E os mais revoltados desabafaram com coros de “raça”, insultos para o ar, brigas entre si e ameaças de violência generalizada. A tensão era tamanha que os seguranças da Fifa fizeram um cordão de isolamento onde estava concentrada a maior parte da torcida da Alemanha. A coisa ficou aos 29 minutos. Khedira avançou sem marcação pelo meio, tocou para Ozil, recebeu de volta e concluiu no canto direito de Júlio César para também participar da festa germânica no Mineirão.
O meia Oscar sendo consolado pelo capitão da Alemanha Lahm ao final da partida
JUCA KFOURI
COLUNISTA DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
O inferno de Dante Jamais a seleção brasileira sofreu um massacre semelhante, nunca foi tão humilhada DA ESTRELA de David Luiz para o inferno de Dante, e de seus companheiros, foi um passo. Ou melhor, cinco. Cinco passos, cinco passes, cinco gols em menos de meia hora numa semifinal de Copa do Mundo em casa! Entre tantas exclusividades que o futebol brasileiro amealhou em sua portentosa história, agora há mais uma, acachapante. Claro que a culpa não foi de Dante, mas ele, e Bernard, foram as novidades de Felipão que agora apanhará feito boi
ladrão porque resolveu atacar em vez de defender. A vida é assim. Nós, brasileiros, que detestamos a prudência dos três volantes, regredimos tanto no futebol jogado por aqui que invertemos as prioridades. Se o cartola da CBF falou em ir para o inferno em caso de derrota, esperemos que de lá ele não volte e que os que ficarem entendam que a derrota tem de servir para fazer desta merecida lição a base para novos tempos como os alemães fizeram depois
da Copa deles, em 2006, no saneamento das finanças dos clubes, na presença dos torcedores nos estádios, na execução do jogo limpo e na punição aos corruptos. Os 5 a 0 do primeiro tempo, como uma homenagem aos pentacampeões, um gol para cada título,soaram tão espantosos que ensinaram que a humilhação dói menos que o golpe inesperado, como o de 1950, no Maracanã. Convenhamos que por mais que o futebol permita tudo, que piores ganhem de melhores e que
a esperança é sempre a última que morre, se a frustração de 50 foi uma surpresa, a derrota de agora era meio que inevitável, mas não por 7 a 1, algo tão inverossímil que parece mesmo conta de mentiroso. Castigo pior só o de ter de conviver com o Brasileirão daqui a uma semana. Que Dilma Rousseff, ao menos, comece desde já a reforma que prometeu ao Bom Senso FC. O resto, como diria Felipão, que vá para o inferno.
A vida é assim. Nós, brasileiros, que detestamos a prudência dos três volantes, regredimos tanto no futebol jogado por aqui que invertemos as prioridades
MANAUS, QUARTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2014
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a máscara cair
pela Alemanha
anazo em 1950. Mais do que uma gadores choraram após o apito final
FICHA TÉCNICA BRASIL ALEMANHA
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Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG) Árbitro: Marco Rodríguez (MEX)
Apertado por perguntas agressivas na entrevista concedida após a pior derrota do Brasil na história das Copas, Luiz Felipe Scolari assumiu a responsabilidade. Não foi além dessa frase, porém, negando que suas questionadas escolhas na escalação da seleção tenham sido decisivas na vitória por 7 a 1 da Alemanha na semifinal do Mundial, em Belo Horizonte. “Vou me arrepender de quê? A gente imaginava que, com a volta do Oscar, do Hulk e do Bernard, poderíamos fechar o setor de meio também. Estava tudo organizado até a hora do gol. Depois é que nos desorganizamos, fiamos um pouco em pânico, e as coisas foram acontecendo para eles. E deram tudo errado para nós. Não tenho que me arrepender da escolha que fiz. É uma escolha que o técnico faz e precisa arcar com as conseqüências”, afirmou. Sem Neymar, Felipão optou pela entrada do atacante Bernard. Não ganhou
valor significativo na frente e, sem Paulinho, Ramires, Hernanes ou Willian no meio-campo, viu a Alemanha construir o massacre dominando totalmente o setor. Aos 28 minutos do primeiro tempo, o placar já apontava 5 a 0. “Foi um gol atrás do outro. Foi um branco total que deu. Nós tentávamos falar para o pessoal se organizar, ficar um pouquinho, porque aquilo foi uma pressão. Naquele momento, não tinha o que fazer, trocar um ou dois. Quando a gente está em pane, não vale a pena. Então, esperei”, disse. David Luiz chora e lamenta tristeza do povo. Assim que o árbitro Marco Rodríguez trilou o apito de misericórdia e encerrou a vitória da Alemanha por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo, vários jogadores do Brasil se permitiram chorar. Oscar se deitou no gramado, Luiz Felipe Scolari se dividiu entre consolar seus atletas e parabenizar os adversários. David Luiz derramou lágrimas
de esguicho. “Só queria dar alegria ao meu povo. Minha gente sofre tanto. Infelizmente, não conseguimos. Desculpa a todo o mundo, todos os brasileiros. Só queria ver meu povo sorrindo. Todos sabem quanto eu queria ver
Foi um gol atrás do outro. Foi um branco total que deu. Naquele momento, não tinha o que fazer, trocar um ou dois. Quando a gente está em pane, não vale a pena. Então, esperei Luiz Felipe Scolari, técnico do Brasil
o Brasil inteiro feliz por causa do futebol”, disse. Lágrimas à parte, David Luiz não fugiu do óbvio ao reconhecer a superioridade da Alemanha. “Foram melhores. Eles se prepararam melhor e fizeram um melhor jogo.
Tomamos quatro gols em seis minutos ou algo assim. É um dia de muita tristeza, mas de muito aprendizado também na vida”, afirmou. Vexame supera 1950 e é a maior derrota da história. Nem o mais otimista dos torcedores alemães esperava um triunfo tão expressivo sobre o Brasil. O placar de 7 a 1 superou a maior derrota sofrida na história canarinha. Antes disto, o revés mais amargado pela equipe verde e amarela ocorreu no Campeonato Sul-americano de 1920, quando o Uruguai triunfou por 6 a 0. Os destaques do massacre celeste foram Romano e Pérez, cada um com dois gols. Urdinaran e Cámpolo também foram às redes. Em Copas, o maior marcador sofrido pelo Brasil ocorreu final do Mundial de 1998, quando a anfitriã França aplicou o placar de 3 a 0 e ficou com o título. Na ocasião, as redes do inflamado Stade de France foram balançadas por Petit e Zidane, duas vezes. VIPCOMM
EDMUNDO/AGÊNCIA ELEVEN/GAZETA PRESS
Felipão assume responsabilidade do vexame
Brasil: Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo e Fernandinho (Paulinho); Bernard, Oscar e Hulk (Ramires); Fred (Willian) Técnico: Luiz Felipe Scolari Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker) e Howedes; Schweinsteiger e Khedira (Draxler); Muller, Kroos e Ozil; Klose (Schurrle) Técnico: Joachim Low
Gol do Brasil: Oscar, aos 44 minutos do segundo tempo Gols do Alemanha: Muller, aos dez, Klose, aos 22, Kroos, aos 23 e aos 25, e Khedira, aos 28 minutos do primeiro tempo; Schurrle, aos 23 e aos 33 minutos do segundo tempo
Felipão mexe no intervalo Tentando evitar um vexame ainda maior, o Felipão pôs Paulinho e Ramires nas vagas de Fernandinho e Hulk. Joachim Low, por sua vez, poupou Hummels e mandou Mertesacker ao gramado. Nas investidas brasileiras, a Alemanha provou não ter bons jogadores só no setor ofensivo. O goleiro Neuer trabalhou bem e conteve algumas investidas de Paulinho e Oscar. Aos 12 minutos, Klose deu lugar a Schurrle e saiu aplaudido. Seu substituto o homenageou com um gol. O jogador do Chelsea ficou com a bola após uma jogada trabalhada por Lahm e Khedira e bateu
rasteiro, perto da marca do pênalti, para ser mais um a superar Júlio César. Felipão, então, gastou a sua última alteração. Sacou Fred, para alívio da torcida, e fez Willian participar do show alemão. Que prosseguiu aos 33 minutos, outra vez com Schurrle. O atleta recebeu um ótimo lançamento da esquerda, dominou bem e bateu com força, no ângulo, para dilatar o placar histórico no Mineirazo. Incríveis 7 a 0. Aos 44 minutos, a seleção brasileira fez o seu gol de honra. Oscar recebeu lançamento longo, fintou Boateng e completou na saída de Neuer.
O zagueiro David Luiz desolado enquanto os jogadores da seleção alemã comemoravam o sétimo gol da goleada de 7 a 1
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“Foi um pouco louco”,
diz Müller sobre massacre Atacante se mostrou extasiado após o resultado obtido por sua seleção diante dos donos da casa escanteio. Em seguida, os germânicos dominaram totalmente os donos da casa, em Belo Horizonte (MG), e garantiram a classificação para a final da Copa do Mundo com um placar histórico. Recorde O grande público que compareceu ao estádio Mineirão para ver a seleção brasileira chegar a mais uma final de Copa do Mundo viu a Alemanha bater um recorde histórico. A vitória germânica por 7 a 1 de ontem, passou a representar a maior goleada em semifinais da
GOLEADA
A goleada aplicada pela Alemanha diante da seleção brasileira é a maior na história das semifinais de Copa do Mundo e a maior sofrida pelo Brasil. Triunfo colocou os alemães na final do Mundial de 2014 competição mais importante do futebol mundial. Antes de a bola rolar na capital mineira, o placar mais elástico em semifinais de Copa do Mundo era 6 a 1. Já na primeira edição, em 1930, os dois jogos desta fase tiveram este resultado: as vitórias de Argentina e Uruguai sobre Estados Unidos e Iugoslávia, respectivamente. Depois do primeiro Mundial, apenas uma seleção havia conseguido repetir esse feito. Em 1954, na Copa realizada na Suíça, a própria Alemanha, que conquistaria o primeiro título de sua história após a decisão contra a Hungria,
aplicou o mesmo placar elástico sobre a Áustria. Desta forma, os germânicos batem o próprio recorde com o resultado de ontem. Mesmo diante da torcida brasileira, o time comandado por Joachim Löw não sentiu a pressão e abriu o placar já no início do confronto. Ainda no primeiro tempo, a Alemanha aproveitou um ‘apagão’ na equipe de Felipão e ampliou a vantagem. Mesmo antes de chegar aos 30 minutos da etapa inicial, o time alemão vencia por 5 a 0. Ainda assim, a equipe europeia preferiu não amenizar na volta do intervalo. Ao aproveitar a fragilidade de um apático time brasileiro, marcou ainda mais dois gols. O gol verde e amarelo no fim não diminuiu o feito. Com o resultado histórico, a Alemanha chega à oitava final de sua história, passando a ser o país que conseguiu este feito por mais vezes. Agora, os germânicos esperam o vencedor do confronto entre Argentina e Holanda, que entram em campo hoje, às 16h, na Arena Corinthians.
2002, o atual camisa 11 da Alemanha fez logo três no massacre de 8 a 0 sobre a Arábia Saudita. Anotou outro no empate por 1 a 1 com a Irlanda. E mais um na vitória por 2 a 0 sobre Camarões. Sem gols no mata-mata, foi vice-campeão, superado pelo Brasil de Ronaldo. Klose assinalou mais dois na abertura da Copa de 2006, em casa, com triunfo de 4 a 2 sobre a Costa Rica. À sua conta pessoal, acrescentou dois contra o Equador. E marcou um gol salvador no empate por 1 a 1 nas quartas
Alemães foram aplaudidos de pé
de final contra a Argentina, batida nos pênaltis. Na largada de 2010, contribuiu uma vez no passeio de 4 a 0 sobre a Austrália. Abriu a goleada de 4 a 1 sobre a Inglaterra nas oitavas de final. Marcou outros dois no histórico placar de 4 a 0 sobre a Argentina, nas quartas. Com a participação no jogo contra o Brasil, Klose chegou a 23 jogos na história das Copas e igualou a marca do italiano Maldini. À frente de Klose agora estão apenas o compatriota Matthaeus, com 25. WAGNER CARMO/STR/GAZETA PRESS
O atacante Miroslav Klose aos 36 anos marcou um gol no duelo contra o Brasil e se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Ele chegou aos 16 gols e superou Ronaldo, que era o maior goleador antes do início do Mundial, com 15. O alemão já havia marcado um gol no empate contra Gana por 2 a 2, em jogo realizado no dia 21 de junho, no Castelão, em Fortaleza (CE). Apenas Klose, o também alemão Uwe Seeler e Pelé marcaram em quatro edições de Copas. Na sua estreia, em
Atacante Thomas Müller saboreou um prato com macarrão após vitória
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Klose marca e passa Ronaldo
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U
m dos principais jogadores da Alemanha, Thomas Müller marcou um gol na vitória por 7 a 1 sobre o Brasil, ontem. O jogador relatou sua surpresa com o placar final e desabafou contra as críticas que sua equipe recebeu anteriormente nesta Copa do Mundo, admitindo ter encontrado muito espaço na defesa do time dirigido por Luiz Felipe Scolari. “Não esperávamos o que vivemos aqui hoje (terça), mas é possível ver como as partidas são todas diferentes. Nós nos lembramos da partida contra a Argélia, que foi difícil, mas hoje tivemos bolas rápidas e encontramos mais espaço em relação às seleções que em geral se defendem mais. Não sei o que dizer, mas jogamos com coletivo e vamos nos manter unidos, pois temos de lutar com nossa vida na final, pelo troféu”, comentou. A partida citada por Müller, contra a Argélia, só foi vencida pela Alemanha na prorrogação, por 2 a 1, pelas oitavas de final. Em seguida, os alemães ainda passaram pela França nas quartas, antes de humilharem o Brasil no Mineirão, pela semifinal. “Eu consigo acreditar no que acabei de viver, mas foi um pouco louco e vamos aproveitar. Nós jogamos bem, melhor do que contra a Argélia, quando ouvimos muitos dizerem que tínhamos problemas, mas agora vencemos e as pessoas estão falando bem de nós”, acrescentou. Müller marcou o primeiro gol da Alemanha na vitória sobre o Brasil, aproveitando falha do sistema defensivo brasileiro na cobrança de
Atacante marcou seu 16º gol em Copas do Mundo e se tornou maior artilheiro da competição
Jogadores alemães saíram aplaudidos do Mineirão por toda torcida brasileira presente
Nem mesmo o mais otimista dos alemães esperava o passeio de bola da Alemanha em cima do Brasil em pleno Mineirão, mas foi exatamente isso que os torcedores europeus presenciaram no Gigante da Pampulha. A alegria dos comandados de Joachim Löw contrastou com o abatimento dos jogadores do Brasil e de milhões de brasileiros. Com 30 minutos de jogo, a Alemanha já vencia o Brasil
por 5 a 0, o que motivou vários torcedores a deixarem o estádio mais cedo. O resultado inesperado ainda provocou alguns focos de confusão dentro do Mineirão, mas que foram rapidamente controlados pela Polícia Militar. Durante os 90 minutos, um dos poucos momentos de aplausos do torcedor brasileiro foi na substituição do avante Klose, autor de um dos gols da Alemanha, o que torna o atacante o maior ar-
tilheiro da história das Copas do Mundo, ganhando o reconhecimento do público. Aos 24 minutos do segundo tempo, quando André Schurrle anotou o sexto gol da Alemanha, a torcida brasileira se rendeu definitivamente ao futebol mágico dos alemães e aplaudiu ao espetáculo de pé. No fim, novos aplausos e gritos de olé para a Alemanha, encerrando de forma melancólica as chances de título do Brasil.
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Holanda e Argentina brigam por vaga na final O confronto de hoje decide mais que um lugar na final da Copa do Mundo de 2014. O vencedor terá a chance de derrotar os germânicos, para quem já perderam títulos mundiais
ETA PRES S E/STR/GAZ EDU AND RAD
Lionel Messi espera decidir novamente para a Argentina, assim como tem feito durante todo o Mundial
disse Sabella. Em termos de escalação, as duas equipes abusam do mistério. Na Argentina a principal incógnita é quanto ao substituto do meia Ángel Di Maria, vetado por conta de lesão muscular na coxa direita. Enzo Pérez e Maxi Rodríguez disputam posição. Mesmo recuperado de lesão na coxa esquerda, o atacante Sergio Agüero será opção no banco de reservas. A melhor notícia fica por conta do retorno do lateral esquerdo Marcos Rojo, que cumpriu suspensão diante dos belgas e reaparece na vaga de José Basanta. Pelo lado da Holanda, Louis van Gaal também não quis antecipar seu time, porém, a tendência é que seja mantida a base que atuou diante da Costa Rica, já que o treinador elogiou o volume de jogo dos seus comandados. A dúvida fica quanto ao retorno do volante Nigel De Jong, que estava lesionado, mas treinou normalmente ontem, na vaga de Memphis Depay. A Argentina luta para chegar à quinta final de Copa do Mundo de sua história. O time foi derrotado em
1930 e 1990, ganhando o caneco em 1978, justamente em uma final com a Holanda, e em 1986, sua última conquista. Já os holandeses jamais ganharam o Mundial. Além de 1978, eles deixaram a taça escapar por suas mãos em outras duas decisões. Em 1974, com o famoso estilo Carrossel, foram superados pela Alemanha, enquanto que na edição passada, em 2010, na África do Sul, a Espanha foi o algoz da Laranja Mecânica.
DJALMA VASSÃO/GAZETA PRESS
falta aos argentinos sobra aos holandeses, que têm conseguido mostrar um futebol envolvente. O mesmo, porém, não foi suficiente no empate sem gols com a Costa Rica. Naquela ocasião a Laranja Mecânica só conseguiu avançar nas cobranças de pênaltis. Independente do que fizeram até aqui, argentinos e holandeses têm tudo para fazerem um grande jogo na capital paulista. Pelo menos essa é a opinião de Louis van Gaal, técnico do time europeu. “A expectativa é de uma partida muito equilibrada, mas excelente em qualidade. Basta olhar para os dois elencos que vamos perceber que o talento salta aos olhos. Esse fator é algo que sempre empolga os participantes e envolvidos nesta partida. Da minha parte, mesmo sabedor das dificuldades que encontraremos, estou otimista de que podemos passar se mais uma vez colocarmos em prática o que foi pensado”, disse Van Gaaal. Alejandro Sabella, comandante da Argentina, concorda com o colega holandês, mas não vai se surpreender se a partida for decidida no tempo extra. “É um jogo de poucas previsões, pois são dois times que chegaram por méritos a esta etapa da competição. Nós brigamos demais para sermos semifinalistas. Ganhamos de adversários de bom nível e estamos a dois passos de atingirmos o objetivo a que nos preparamos há alguns anos. Justamente por isso, que Argentina e Holanda devem protagonizar um jogo muito equilibrado e decidido nos detalhes”,
Arjen Robben é para muitos o melhor jogador da Copa do Mundo e pode confirmar isso na semifinal
Dor estomacal derruba holandeses
Parar a Argentina e não Messi
Dois jogadores da Holanda enfrentaram problemas estomacais na véspera da partida com a Argentina, pela semifinal da Copa do Mundo. Um deles é o atacante Van Persie, capitão e um dos artilheiros do time neste Mundial, com três gols. O outro é o lateral direito Janmaat, que começou como titular e depois foi
Se há uma coisa que a Holanda não quer é tornar o craque Lionel Messi maior do que ele já é. O técnico Louis van Gaal fez questão de não dar nenhuma pista sobre como pretende anulá-lo. “Nós estamos jogando contra a Argentina. Nós não nos referimos a jogadores individualmente, sempre aos times. Te-
para o banco. Por causa disso, a Holanda treinou com 11 contra nove na parte fechada de seu treinamento na manhã de ontem (8), no Pacaembu. Van Persie só terá sua escalação confirmada horas antes da partida, que começa às 16h (de Manaus) no Itaquerão. Os problemas com os dois jogadores se somam à duvida sobre
o volante De Jong, que, machucado na perna, era tido como fora da Copa. Ele correu hoje com os companheiros, e sua participação na partida não está descartada, ainda que os próprios holandeses considerem isso um “milagre”.
O atacante Van Persie é dúvida para o jogo decisivo contra os hermanos
mos um plano para a Argentina”, disse. Ao mesmo tempo, reconheceu o valor do jogador do Barcelona, mas lembrou que ele não é o mesmo quando veste a camisa da seleção argentina. “Ele foi eleito o melhor do mundo, há uma razão para isso. Em princípio, ele sempre teve dificuldade em mostrar isso (o mesmo futebol do Bar-
celona) com sua seleção. Ele quer mudar isso nesse torneio, e nós queremos impedi-lo”, afirmou. Messi é o artilheiro da argentina neste Mundial, com quatro gols. O treinador holandês disse considerar que não há favorito para a partida. “Temos que ter sorte e a moeda cair para o nosso lado”, completou o técnico Loius Van Gaal.
FICHA TÉCNICA HOLANDA ARGENTINA Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP) Horário: 16h (de Manaus)
BRUNO TURANO/AGÊNCIA ELEVEN/GAZETA PRESS
Árbitro: Cuneyt Cakir (Turquia)
HOLANDA: Jasper Cillessen, Stefan De Vrij, Ron Vlaar e Bruno Martins Indi; Dirk Kuyt, Nigel De Jong (Memphis Depay), Georginio Wijnaldum, Wesley Sneijder e Daley Blind; Arjen Robben e Robin van Persie Técnico: Louis van Gaal ARGENTINA: Sergio Romero, Pablo Zabaleta, Ezequiel Garay, Martín Demichelis e Marcos Rojo; Javier Mascherano, Lucas Biglia, Enzo Pérez (Maximiliano O estrategista Louis Van Gaal diz saber como parar a seleção da Argentina e Messi
PIERVI FONSECA/ AGIF/GAZETA PRESS
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olanda e Argentina fazem a segunda semifinal da Copa do Mundo de 2014 hoje (9) quando se enfrentam às 16h (de Manaus), na Arena Corinthians, em São Paulo (SP). Os argentinos eliminaram a Bélgica nas quartas de final, com um magro triunfo por 1 a 0. Resultado que mais uma vez fez os críticos reclamarem do futebol dos platinos, que ainda não encantaram. A alegria que
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Holanda tem vantagem no retrospecto do confronto H
olanda e Argentina farão um clássico do futebol mundial hoje (9), na Arena Corinthians, em São Paulo (SP). O histórico do confronto é muito rico dentro de Mundiais, com ampla vantagem dos holandeses. Porém, no maior encontro entre ambos, na grande final de 1978, os argentinos conquistaram o primeiro título de sua trajetória e a única vitória sobre a Laranja Mecânica. O primeiro duelo foi um amistoso, em maio de 1974, quando a Holanda goleou por 4 a 1. O resultado seria uma prévia do que aconteceria um mês depois, na segunda fase da Copa do Mundo daquele ano. Atuando no Park Stadion, em Gelsenkirchen, na Alemanha, os holandeses atropelaram os argentinos com um massacrante 4 a 0. Quatro anos mais tarde, em 1978, a Argentina deu o troco jogando em casa e justamente na grande final. Com o Carrossel envelhecido e sem Cruyff, os argentinos conquistaram o caneco. Mario Kempes abriu o placar no primeiro tempo, mas a oito minutos do fim do jogo, Nanninga conse-
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Em oito duelos entre as seleções, a Holanda tem larga vantagem ao vencer quatro vezes os argetinos e perder apenas uma guiu o empate, forçando a prorrogação. Empurada pela torcida, a Argentina fez dois gols no tempo extra, com Kempes, novamente, e Bertoni. Essa foi a única vitória argentina contra a Holanda até hoje. Título Mundial O reencontro entre os dois times em Mundiais aconteceu somente vinte anos depois, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1998, na França. A Holanda era liderada por Bergkamp. O primeiro tempo foi equilibrado e terminou empatado em 1 a 1. Kluivert, atualmente auxiliar técnico de Van Gaal, abriu o marcador, mas Claudio López empatou. No último minuto do segundo tempo, em um lance de genialidade, Bergkamp anotou o gol do triunfo europeu e mandou os argentinos de volta para Buenos Aires mais cedo. O último encontro em Copas do Mundo aconteceu ainda pela fase de grupos do Mundial de 2006, na Alemanha. O jogo foi morno, com os dois times já garantidos nas oitavas de final e preservando alguns jogadores. O resultado não poderia ser diferente: 0 a 0.
Mario Kempes foi autor de dois gols na vitória da Argentina por 4 a 2 diante da Holanda, na final da Copa do Mundo de 1978
RELAÇÃO DE TODOS OS CONFRONTOS ENTRE OS SEMIFINALISTAS DE HOJE 26/5/1974
Amsterdã (Holanda)
Holanda 4 x 1 Argentina
Amistoso
26/6/1974
Gelsenkirchen (Alemanha)
Argentina 0 x 4 Holanda
Copa do Mundo
25/6/1978
Buenos Aires (Argentina)
Argentina 3 x 1 Holanda
Copa do Mundo
22/5/1979
Berna (Suíça)
Holanda 0 x 0 Argentina
Amistoso
4/7/1998
Marselha (França)
Holanda 2 x 1 Argentina
Copa do Mundo
31/3/1999
Amsterdã (Holanda)
Holanda 1 x 1 Argentina
Amistoso
12/3/2003
Amsterdã (Holanda)
Holanda 1 x 0 Argentina
Amistoso
21/6/2006
Frankfurt (Alemanha
Holanda 0 x 0 Argentina
Copa do Mundo
Parte dos torcedores deixaram a FFF à medida que os gols saíam
Vexame histórico e tristeza em toda a torcida brasileira
Apesar de terem avançado às semifinais da Copa do Mundo, ontem os jogadores não “entraram” em campo e foram goleados ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
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derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo pegou de surpresa os torcedores que lotavam a Fifa Fan Fest, no Complexo da Ponta Negra. No intervalo do jogo, quando o Brasil já perdia de 5 a 0, um grande público decepcionado deixou o local. O clima só voltou a melhorar no fim do jogo quando a banda de rock Biquine Cavadão entrou no palco. Um dos torcedores que deixou o local no meio do jogo foi o industriário Marcelo Dias Reis, 33, que acompanhado dos amigos disse que a goleada da Alemanha já estava sendo humilhação. “Somos os donos da casa e não aceitamos passar essa vergonha, em menos de 20 minutos
foram mais que três gols. Eu vou para minha casa diante de tanta vergonha”, comentou. No fim do primeiro tempo, o público de 25 mil pessoas que lotavam a praia ainda acreditava na vitória do Brasil. A costureira Diana Laredo Maciel, 45, disse que apesar da situação vergonhosa, ela ainda tinha esperança em uma revanche da seleção. “O brasileiro está acostumado a sofrer, acho que vamos virar no segundo tempo”, torcia. Já nos últimos 20 minutos finais de jogo, o clima era outro. Mesmo com o gol da seleção brasileira, a torcida já demonstrava decepção e clima de choro. “Nossa seleção fez vergonha e entregou o jogo de bandeja. Vinha jogando mal desde o início da Copa e ganhando na sorte, e quando pegou um time mais preparado passou esse ve-
xame”, destacou o comerciante Dênis Oliveira. O clima só voltou a melhorar quando a banda de rock nacional Biquíni Cavadão subiu ao palco e levantou o público. O vocalista da banda, Bruno Gouveia, ao iniciar o show disse que esperava comemorar uma notícia feliz com o seu público, mas infelizmente a sorte não foi da seleção, mas ainda assim, eles iriam apresentar um show para fazer o público delirar e esquecer a derrota. “Infelizmente não deu para a nossa seleção, mas a vida continua e daqui a quatro anos tentaremos novamente. Vou curtir o show do Biquíni e aproveitar o resto da minha noite de folga”, disse a frentista Kêmela Santos. Largo desanimado No largo São Sebastião, re-
duto de encontro entre torcedores e estrangeiros, o clima também não era dos melhores já no primeiro tempo. Um público de quase 10 mil pessoas que foi acompanhar o jogo no local saiu de lá decepcionado. Entre os torcedores estava a estudante Larissa Meireles Roxana, 17, que acompanhada de amigos decidiu voltar para casa antes do fim do jogo. “Não quero mais ver tanta vergonha. Vamos voltar para casa porque a festa acabou. Nem quero mais acompanhar o jogo de sábado, onde o Brasil vai disputar o terceiro lugar”, falou decepcionada. Uma pequena torcida de alemães que foi acompanhar a transmissão no largo se destacava na vibração de cada gol, mas apesar do placar otimista, o grupo preferiu se manter cauteloso até o fim do jogo.
Otimismo antes do jogo Antes de iniciar a partida, o clima entre os torcedores era outro. O público apostava em uma vitória da seleção até de 4x1. Entre os mais entusiasmados estava Robervaldo Rocha, morador do Centro que foi acompanhar a partida no largo com uma bandeira do Brasil gigante e uma imitação da taça. “Fiz todo o meu ritual para a vitória e vim com a mesma blusa do jogo passado e com a taça na mão. Vou inclusive acompanhar a partida do mesmo local que assisti no último jogo”, comentou. O jogador Neymar,
Torcedores estavam incrédulos com o que viam em campo
RITUAL
Muitos torcedores mantiveram o ritual de assistir ao jogo usando as mesmas roupas, adereços e assistindo no mesmo lugar. Pena que nada disso deu certo e o Brasil perdeu feio mesmo não estando no campo, também ganhou homenagens. Cartazes com a foto do jogador e palavras de incentivo eram vistos no local.
O jeito foi baixar a cabeça e lamentar a derrota sofrida
FOTOS: IONE MORENO
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Nem eles acreditavam em vitória tão fácil sobre Brasil
FOTOS: DIEGO JANATÃ
Residentes alemães em Manaus acreditavam em jogo apertado e ficaram surpresos quando os gols começaram a sair
Torcedores ficaram incrédulos com a facilidade com que os gols saíam
DENY CÂNCIO Especial EM TEMPO
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s torcidas brasileira e alemã eram unânimes em afirmar que o jogo entre as duas seleções seria difícil e apertado, pelo menos era nisso que acreditavam até os primeiros 15 minutos da partida. Após esse tempo, o que se viu nos rostos dos torcedores era um sentimento de incredibilidade, dos dois lados, sobre o que
acontecia no estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Os inacreditáveis 7 gols a favor da Alemanha e apenas 1 pelo lado brasileiro não eram esperados nem mesmo pelo mais confiante torcedor alemão. Mas como a seleção brasileira não fez a sua parte, coube aos torcedores alemães aproveitarem cada gol e festejarem nos bares com temática alemã existentes em Manaus. O empresário alemão Rolf Jost, dono do Frankfurt Bar, localizado na Rua Paul Adam, 344,
Parque Dez, Zona Centro Sul, afirmava que sua torcida era pela equipe germânica, mas que também ficaria feliz se o Brasil vencesse o jogo. “Moro há 20 anos em Manaus. Vou torcer pela Alemanha, mas vou ganhar de qualquer jeito porque também ficarei feliz se o Brasil vencer”, afirmou. Para Jost a Alemanha jogou melhor a Copa toda e a seleção canarinho sentiria a ausência dos jogadores Neymar e Thiago Silva. “A Alemanha está b e m mais pre-
IONE MORENO
Torcedores festejaram muito a vitória sobre os donos da casa por 7 a 1
Prefeito acompanhou derrota da seleção na Fifa Fan Fest
parada que o Brasil, cresceu muito nos últimos jogos, aliás ambos estão calibrados. Diante da Franca, a Alemanha fez um ótimo jogo e tenho certeza que hoje não será diferente. Acho que a seleção sem Neymar e Thiago Silva não conseguirá ter uma boa atuação, por isso aposto que a partida será 2 a 1 para a Alemanha”, comentou o empresário. No espaço, algumas famílias alemãs já se acomodavam para acompanhar a semifinal, dentre estas, a do alemão Valter Sass, 65. Desde que decidiu morar em Manaus, aprendeu a amar a cultura brasileira, por isso dizia estar com o coração bem dividido entre as duas seleções. ‘‘Naturalmente torço pela Alemanha, mas fico dividido pelo carinho que tenho pelo
Brasil e sua cultura’’, falou. Ele também destacou os pontos fortes das equipes e acrescentou que, por ser mata-mata, a partida seria bastante complicada. “Brasil joga em casa, isto se torna vantagem, ter o apoio da torcida é sempre muito importante. A saída de Neymar deverá ser uma motivação para a seleção vir com mais garra e ganhar. O meu país tem uma boa zaga e com jogadores experientes’’, pontuou. Durante o jogo entre Brasil e Alemanha, a torcida reunida no Porão do Alemão, localizado na Estrada da Ponta Negra, São Jorge, Zona Oeste, indicava grande concentração de brasileiros, de alemão mesmo somente a fachada do espaço. Vestido com a camisa verdeamarelo e rodeado dos amigos, o técnico de informática
Luis Felipe, 24, comentava que seria uma vitória sofrida ao analisar o perfil do adversário. ‘‘Será jogo difícil, por que a Alemanha tem time com estrutura técnica, mas não posso deixar de torcer pela seleção brasileira’’, disse. Na cervejaria Biergarten Manaus, Av. do Turismo, Zona Oeste, a torcida manauense não aguentou ver a seleção brasileira ser humilhada. Lamentando o desempenho do time de Luiz Felipe Scolari, torcedores deixaram o local que exalta a gastronomia alemã. ‘‘Esperava uma vitória apertada do Brasil, como ele fez em todos os jogos da Copa. Pensei que entrariam em campo com garra e motivação e o que vi foi o desequilíbrio, deixando a Alemanha ganhar gosto pelo jogo e o resultado foi um gol atrás do outro. Desisti de assistir ao jogo’’, lamentou o estudante Emerson Oliveira,18.
LAMENTÁVEL
Prefeito ressalta ‘espírito’ esportista O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, lamentou a derrota por 7 x 1 da seleção brasileira diante da Alemanha, em partida válida pela semifinal da Copa do Mundo. Ele assistiu ao jogo junto com o governador do Estado, José Melo, na Fifa Fan Fest, e apesar da goleada sofrida, disse que Manaus e todos os mais de 18 mil torcedores que acompanharam o jogo foram vencedores porque mantiveram vivos o patriotismo e o espírito esportista. “Eu preferiria perder por 12 a 0 atacando desesperadamente do que perder de 5 a 0 do jei-
to que estávamos no primeiro tempo. Agora, o importante é que o Brasil é pentacampeão e a Alemanha vai lutar pelo tetra. O Brasil vai se recuperar e vamos torcer para que ele fique em terceiro lugar contra Holanda ou Argentina porque tem uma tradição muito bonita. Essa derrota é passageira. Fica sempre um trauma, mas vai passar. Quem sabe não conquistamos o terceiro lugar e nos recolocamos entre os melhores do mundo”, comentou. De acordo com o prefeito, Manaus vai continuar prestigiando a Copa e fazendo a festa
bonita na cidade e na Fan Fest como tem feito. Arthur Neto destacou que durante todos esses quase 30 dias de jogos não foram registrados incidentes graves e para ele é fundamental que os torcedores manauaras continuem até a final do mundial mostrando hospitalidade e espírito esportista. “Manaus foi a melhor sede de Copa. A Fifa se arrepende de não ter tido mais jogos aqui. Tive a notícia de que teve depredação e muito confusão em outras Fan Fest, mas aqui não temos nada disso. Aqui, tudo é festa, é alegria. Nós as-
similamos a derrota. A seleção perdeu vergonhosamente no primeiro tempo e depois, honrosamente no segundo tempo porque a Alemanha é a melhor. A nossa seleção perde e ganha. Esse povo aqui vai vencer sempre”, afirmou. O governador do Estado, José Melo, que também acompanhou a partida na Fan Fest, chegou a comentar que não seria uma partida fácil para o Brasil. Ele disse que não imaginava que o jogo entraria para a história como o de maior goleada sofrida na história de todas as Copas.
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Eles trabalham na hora do jogo Enquanto a maioria ganha folga nos jogos do Brasil, há quem trabalhe e só consiga ver alguns lances da partida
FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Na delegacia de Iranduba, os policiais que estavam de serviço se reuniram em frente à TV instalada no pátio da central
THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
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a tarde de ontem (8), enquanto a maioria dos torcedores brasileiros assistia, sem querer acreditar, a goleada que a seleção canarinho estava levando da forte Alemanha por 7 a 1 –, um pequeno grupo formado por vários profissionais trabalhavam para garantir a diversão dos demais. Sem poder abandonar o serviço para torcer pela equipe comandada pelo treinador Luiz Felipe Scolari, esses trabalhadores, quando tinham tempo, corriam para a frente da televisão mais próxima para empurrar o time do Brasil. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Vitória Paz, que fica no distrito de Cacau Pirêra, estava funcionando normalmente enquanto a seleção brasileira lutava contra a Alemanha para garantir uma vaga na final da Copa do Mundo Fifa 2014. Preparada para atender qualquer emergência estava a enfermeira Marcela Freitas Dias, 33, que pela terceira vez nesse Mundial ficava de plantão durante uma partida do Brasil. “Isso faz parte do meu trabalho. Claro que fico triste por não estar com minha família, mas amo o que faço e me alegro em poder trabalhar nesse período”, disse Marcela que admite que, enquanto não aparece nenhuma urgência, ela e seus companheiros de trabalho dão uma espiadinha na televisão que foi instalada na entrada do local.
Na delegacia Outro serviço que não pode parar é o da segurança pública. Na delegacia da Polícia Civil de Iranduba, os policiais que estavam de serviço se reuniram em frente à televisão que foi instalada no pátio da central para apoiar a equipe do Brasil. O delegado Jeff MacDonald, 31, só era confiança antes de a bola começar a rolar, porém, lembra que as obrigações vêm antes do lazer. “A equipe aqui sempre está em alerta. Quando aparecer
Um olho no posto, outro no jogo A frentista Emili dos Santos Oliveira, 19, admite que já se acostumou a não ver o jogo da seleção brasileira em sua casa com a família. Ela assistiu a todos os jogos da equipe no Mundial no posto de gasolina em que trabalha. “O posto não para durante a partida. Quando tenho um tempinho, vou à loja de conveniência para ver um lance ou outro. Geralmente volto correndo
porque chega um cliente. O fato mais engraçado aconteceu contra a Colômbia. Ouvi os fogos de artifícios e saí correndo para ver. Quando cheguei, comecei a ouvir buzinas e percebi que já havia algumas motos esperando para abastecer. Voltei rapidamente ao meu lugar”, disse Emili, que acreditava que o Brasil venceria o confronto contra a Alemanha por 2 a 0. A enfermeira Marcela ficou de plantão na partida do Brasil
Claro que fico triste por não estar com minha família, mas amo o que faço e me alegro em poder trabalhar nesse período
Mineira no interior do Amazonas
Marcela Freitas Dias, enfermeira
um procedimento, atendemos e tomamos todas as providências necessárias para resolvê-lo. Após isso, se tiver um tempo livre, nos reunimos para ver a partida. Sempre ficamos na torcida pelo Brasil”, citou o delegado, que revela que o trabalho aumenta ao término das partidas devido ao alto número de pessoas embriagadas. Geralmente, a polícia é acionada devido a brigas em bares e problemas entre marido e mulher.
A frentista Emili se habituou a não ver os jogos do Brasil
Dona da sorveteria Expresso Ki-Delícia que fica localizada na praça dos três poderes em Iranduba, a mineira Gleice Degasperi, 39, mostrava empolgação durante o jogo da seleção. A empresária fez questão de enfeitar todo o seu estabelecimento para demonstrar a confiança que tem na ‘família Scolari’ e entrar no clima festivo da Copa. Acompanhando a partida pelo telão que a prefeitura do município colocou na praça, Gleice não se incomoda com a chegada dos clientes durante a partida. “Não atrapalha muito. Gosto porque acabo ven-
dendo meu produto, mas as vendas aumentam ao término do jogo. Única coisa que lamento é não estar no estádio nessa semifinal. O Neymar vai fazer falta, porém acredito que o elenco pode suprir a falta que ele fará”, disse a torcedora que nasceu e foi criada em Belo Horizonte, cidade que sediou o confronto de ontem. Aproveitando a Copa do Mundo da melhor maneira possível, a empresária afirma que não gostaria que a competição acabasse no próximo domingo. “Poderia durar mais um tempinho. A competição foi muito alegre e trouxe animação para os brasileiros”, finalizou.
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Chefão de esquema vai continuar ‘trabalhando’ Fifa e credenciá-los como acomodações oficiais para o torneio. A Fifa ainda negou que o britânico já tenha sido funcionário da entidade, ainda que ele tenha atuado em questões de interesse da federação. Suspeito Sobre a possibilidade de
VAI FICAR
A porta-voz da entidade, Delia Fischer, disse que, em princípio, a federação não irá pedir que o britânico seja suspenso de suas atividades de diretor-executivo da Match Services ou afastado das funções cassar a credencial do executivo, a porta-voz afirmou que a Fifa ainda precisa receber mais informações sobre o caso das autoridades brasileiras e lembrou que Whelan é apenas suspeito de liderar a quadrilha. A Match Services anunciou, após Whelan ser liberado pela polícia graças a um habeas corpus e o pagamento de fiança,
que o dirigente continuará trabalhando na organização da Copa. “A Match continuará a apoiar totalmente todas as investigações policiais, as quais acreditamos que irão exonerar Ray completamente. Enquanto isso, Ray Whelan e todos os colaboradores da Match irão continuar a trabalhar em nossas áreas operacionais para entregar uma Copa do Mundo de sucesso”, disse a Match, em comunicado assinado pelo assessor de imprensa Andreas Herren. A Match tem contratos com a Fifa até 2023, após a Copa do Qatar. Também tem direitos de vender pacotes para Mundiais femininos e para as duas próximas edições da Copa das Confederações. No último contrato, prometeu repasse mínimo de US$ 300 milhões ao órgão. “Precisamos de mais informações antes de tomarmos qualquer decisão. Como em todo o acordo comercial, os contratos serão reavaliados assim que chegarem ao fim”, completou Fischer, quando questionada se a Fifa romperia vínculo com a empresa depois do escândalo.
Apesar de não ser favorita diante da gigante Alemanha, nem a seleção brasileira imaginava tamanho vexame
HASHTAG
Copa é um dos tópicos mais citados na internet
É O FIM
Pré-frio, Jagger torceu pelo Brasil contra a Alemanha O cantor britânico Mick Jagger voltou a acompanhar um jogo da Copa do Mundo do estádio e mais uma vez seu pé-frio prevaleceu. E, para a tristeza dos brasileiros, ele mais uma vez resolveu acompanhar o Brasil e torcer para a equipe de Felipão contra a Alemanha, que perdeu por um humilhante placar de 7 a 1. Conhecido por ser azarado, o cantor levou o garoto Lucas, seu filho com a apresentadora Luciana Gimenez, para acompanhar a semifinal do Mundial. Coincidentemente, em 2010, nas quartas de final contra a Holanda, ele também estava na torcida pelo Brasil na África do Sul.
o próprio rosto sobre o do jogador, mantendo a camisa da seleção e os cabelos encaracolados do craque. A aposta era que David Luiz, que conquistou fãs pela gentileza e sensibilidade, levasse a seleção para a final. Nas pesquisas feitas no Google no país, o jogo de hoje, Holanda e Argentina aparece em segundo lugar. As duas seleções se enfrentam em São Paulo, na Arena Corinthians, o Itaquerão. Foram mais de 20 mil pesquisas. Entre as três seleções, Alemanha, Argentina e Holanda, está o futuro campeão da Copa. Na segunda-feira (7), o termo mais procurado foi Copa do Mundo semifinal, com mais de 200 mil pesquisas. A Copa perde nas pesquisas no Google para a restituição do Imposto de Renda, com mais de 50 mil pesquisas. A Receita Federal disponibilizou ontem a consulta ao segundo lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física 2014.
Apesar de esse ser o primeiro jogo de Mick Jagger no estádio nesta Copa, ele já havia mostrado seu péfrio neste Mundial. Ele che-
NO MINEIRÃO
Conhecido por ser azarado, o cantor levou o garoto Lucas, seu filho com a apresentadora Luciana Gimenez, para acompanhar a semifinal do Mundial gou a fazer comentários a favor de Itália e Inglaterra, ambas eliminadas ainda na fase de grupos. GETTY IMAGES
Com a seleção brasileira na semifinal, a Copa do Mundo da Fifa ficou entre os tópicos mais comentados na internet. No Twitter, entre as tendência no Brasil estão #EuAcreditoBrasilRumoAoHexa, #VibePositivaProBrasil e Brazil or Germany – Brasil ou Alemanha. As duas seleções enfrentaramse no Mineirão, em Belo Horizonte, e para tristeza geral, a seleção brasileira perdeu pela vexatório placar de 7 a 1. Antes do jogo, nas redes sociais, os usuários incentivaram os brasileiros, lamentaram por Neymar, que não participou da partida por causa de uma lesão na coluna, e torceram para outros ídolos da equipe, como David Luiz. No Twitter, também ficou entre os dez tópicos mais comentados a hashtag #DavidLuizC4pitaoHoje MaisQMerecido – David Luiz, capitão hoje mais que merecido. Os usuários do Facebook apostaram em montagens com David Luiz para dar sorte. Muitos colocaram
Ray Whelan foi liberado pela polícia graças a um habeas corpus e o pagamento de fiança
JEFFERSON BERNARDES/VIPCOMM
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reso na segunda-feira (7) sob a suspeita de liderar uma quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos para a Copa, o inglês Ray Whelan tem aval da Fifa para continuar trabalhando livremente na organização do Mundial. A porta-voz da entidade, Delia Fischer, disse que, em princípio, a federação não irá pedir que o britânico seja suspenso de suas atividades de diretor-executivo da Match Services ou afastado das funções que normalmente desempenha. “Ray Whelan é funcionário da Match Services e apenas a Match Services pode decidir o que ele fará ou não a partir de agora”, afirmou. Quando questionada se o britânico continuaria então tendo acesso aos ingressos do Mundial, Delia respondeu que a área do empresário é a de “acomodações”, não a venda de entradas ou de pacotes de hospitalidade. Whelan passou os dois últimos anos no Brasil. Seu principal papel na organização da Copa era observar quais hotéis atendiam aos critérios exigidos pela
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Mesmo sob investigação, Fifa dá aval para Ray Whelan continuar na organização da Copa do Mundo do Brasil
Mick Jagger voltou a “zicar” o Brasil na Copa do Mundo
ESPECIAL COPA 2014 EDIÇÃO Michele Gouvêa Tricia Cabral
REPORTAGENS DE HOJE Deny Câncio Isabella Siqueira Thiago Fernando
REVISÃO Gracycleide Drumond João Alves
DIAGRAMAÇÃO Kleuton Silva, Leonardo Cruz, Mario Henrique Silva e Pablo Filard
TRATAMENTO DE IMAGENS Adriano Lima