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EM TEMPO - 9 de março de 2014

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2,00 DE ASSINANTE

VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.288 – DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

CHICO BATATA/AGECOM

GOL DE PLACA

INAGURAÇÃO

DIEGO JANATÃ

PR

O formato do estádio, um cesto, foi inspirado no artesanato indígena de palha da floresta. O estádio de Manaus é o oitavo a ficar pronto para a Copa do Mundo no Brasil

A ARENA DA AMAZÔNIA VIVALDO LIMA INAUGURA HOJE, INICIANDO UMA NOVA ERA NO FUTEBOL AMAZONENSE.

NACIONAL X REMO

NACIONAL-AM E CLUBE DO REMO-PA FAZEM O PRIMEIRO TESTE EM JOGO VALENDO PELA COPA VERDE, ÀS 18H30.

PONTAPÉ INICIAL

DETENTOR DO CINTURÃO DOS MÉDIOS DO UFC, O AMAZONENSE JOSÉ ALDO DARÁ O PONTAPÉ INICIAL NA PARTIDA. PÓDIO E2 E E3

A presidente Dilma inaugurou simbolicamente a arena em fevereiro

AVIÃO DESAPARECE COM 239 A BORDO

POLÍTICA

DOMINGO

DIVULGAÇÃO

Serafim diz não a cargo no Executivo

A primeira-dama Nejmi Aziz (foto) é um fenômeno das redes sociais. Mais de 200 mil pessoas curtem sua fan page, enquanto no Twitter e no Instagram ela possui 177 mil e 50 mil seguidores, respectivamente.

Boeing 777-200 saiu de Kuala Lampur em direção a Pequim com 239 pessoas a bordo. Aviões envolvidos nas buscas acharam rastros de óleo no mar da China. Última Hora A2

Parentes de passageiros se desesperam no aeroporto de Pequim

O campeão do UFC José Aldo retorna à arena para a inauguração

Com a palavra A8 CRISE

A Venezuela sem Chávez 1 ano depois

Cientista ientista político aborda as origens e o desenvolvimento da tática dos “black blocs” e começa a traçar um perfil de seus participantes, com base em pesquisa histórica e entrevistas com ativistas.

Mundo B8

Última Hora A2

Oportunidades de trabalho Concursos&Empregos

Um estudo da Harvard School of Public Health aponta que mulheres que consumiam morangos tinham menos chances de infartos do miocárdio, graças a uma substância chamada antocianina.

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

HERICK PEREIRA

Dois mortos em temporal 8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES

TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

Chuva causa destruição e duas mortes, em Manaus Duas pessoas morreram em consequência do temporal que castigou a cidade na madrugada de sábado para domingo

FOTOS/ DIEGO JANATÃ

EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

A

forte chuva que atingiu Manaus na noite de sexta e seguiu até a manhã de sábado casou o óbito de duas pessoas. O primeiro registrado foi o do morador do bairro Campos Salles, Zona Oeste, identificado como Adilson Maria de Oliveira, 54, e o segundo foi de o de Lucas Matheus, um menino de 4 meses, morador do bairro Petrópolis, Zona Sul. O primeiro se deu por conta do desabamento do muro sobre a casa da vítima, localizada à rua Sabiá, por volta de 1h30. O Segundo óbito, de acordo com o assistente técnico da Defesa Civil do município, Ednaldo Afonso, ocorreu por volta das 8h30, depois de um desbarrancamento de terra que atingiu a parede do quarto onde a criança dormia com o pai Marinaldo Siqueira Graça, 28, que ferido foi levado ao pronto-socorro João Lúcio, na Zona Leste de Manaus. A Defesa Civil interditou parte da casa, segundo Afonso, por conta do risco de novos desbarrancamentos. O técnico observou que o barranco que fica por trás de muitas casas tem uma altura aproximada de dez metros. E por conta disso o órgão deverá voltar hoje ou amanhã para avaliar a região e o risco sobre outras residências. Os moradores da localidade estavam revoltados com o acontecimento e com a demora no atendimento da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Conforme afirmou a dona de casa Ivanete Lira da Costa, 42, a própria comunidade foi que se reuniu para ajudar a família da criança. “A Defesa Civil só apareceu 50 minutos depois. Os bombeiros não chegaram nem a tempo de resgatar a criança”, lamentou. A dona de casa lembrou a situação das famílias da localidade vive sobre risco de constantes desmoronamentos, uma vez que chuvas como essa, ao atingir a região, transformam a queda em cachoeira, com a água acumulada que desce da rua Nossa Senhora da Conceição.

O desmoronamento de terra atingiu a parede do quarto da criança, Lucas Matheus, que dormia com o pai Marinaldo Siqueira, que sobreviveu aos ferimentos

Diversos bairros foram atingidos De acordo com dados da Defesa Civil de Manaus, até o meio-dia de ontem foram registradas pelo número de emergência 199, o total de 61 ocorrências entre deslizamentos de barranco, alagamentos, desabamento de casa e tombamento de muro. O órgão enumerou 11 alagamentos nos bairros União, Nossa Senhora de Fátima II, Mutirão, Novo Reino II, Santa Luzia, Praça 14, Armando Mendes, Nova Esperança, Colônia Santo Antônio e

REUTERS

Santo Agostinho. Foram registrados ainda dez deslizamentos de barrancos nos bairro Tancredo Neves, Nova Floresta, Praça 14, Nova Vitória e Colônia Oliveira Machado; um risco de desabamento de muro no Japiim I, um tombamento de árvore no Japiim I, dez desabamentos parciais de casas nos bairros Distrito, Redenção, Alvorada, Compensa II, São Francisco, Santo Agostinho, Armando Mendes, Colônia Antônio Aleixo, e Petrópolis, um desabamento de muro no

São Geraldo e três riscos de desabamentos de casa nos bairros Zumbi, Nova Esperança e São Jorge. Muita água Em dez horas a Defesa Civil registrou 200 milímetros de chuva nas ruas da cidade, o que corresponde a 200 litros de água por metro quadrado. Segundo o chefe da Casa Militar, coronel Fernando Farias, os pontos que inspiram mais cuidados foram aqueles que ficam próximos de igarapés, que acabaram transbordando.

O perigo foi maior para moradores de áreas de risco

TRAGÉDIA

Avião desaparece no mar da China

Familiares dos passageiros desesperados por notícias

Uma busca conjunta está sendo realizada por diversos países nas águas entre a Malásia e o Vietnã, no mar do Sul da China, após um avião da Malaysia Airlines que voava para Pequim desaparecer com 239 pessoas a bordo. Nenhum destroço havia sido encontrado até o fechamento dessa edição, mas o governo vietnamita disse que detectou duas manchas de óleo de 15 quilômetros no mar. Embora elas sejam similares ao que seria combustível de um avião, não há confirmação de que estão relacionadas com a aeronave desaparecida. A companhia aérea informou em um comunicado que o voo MH370 desapareceu

às 2h40 de sábado (15h40 de sexta-feira, em Brasília) depois de sair de Kuala Lumpur. Esperava-se que ele pousasse em Pequim às 6h30 (19h30 em Brasília). O ministro dos Transportes da Malásia disse que não havia nenhuma informação sobre destroços e condenou especulações. “Estamos fazendo tudo em nosso poder para localizar o avião”, Hishammuddin Hussein disse a jornalistas em Kuala Lumpur. “Nossa esperança é que as pessoas entendem que estamos sendo o mais transparente possível, estamos dando informações o mais rápido que podemos, mas queremos ter certeza de que

as informações foram verificadas”, acrescentou. O presidente-executivo da Malaysia Airlines, Ahmad Jauhari Yahya, afirmou que o foco era ajudar as famílias dos desaparecidos. Ele disse que 80% das famílias foram contatadas. O avião saiu do radar ao sul do Vietnã, de acordo com um comunicado no site do governo vietnamita. Rastros Os aviões vietnamitas envolvidos nas buscas pelo Boeing identificaram rastros de combustível no mar da China Meridional, segundo uma autoridade militar vietnamita. “Dois de nossos aviões detectaram dois rastros

de combustível de cerca de 15 a 20 km, em paralelo e a cerca de 500 metros um do outro”, declarou ao vivo à televisão estatal o general Vo Van Tuan, acrescentando que navios foram enviados para o local. Ontem pela manhã, a Marinha do Vietnã informou que o avião teria caído próximo do litoral da ilha vietnamita de Tho Chu, no sul do país. O Alto Comando da Marinha vietnamita acrescentou em comunicado que o avião teria caído nas águas do Golfo da Tailândia, entre a Malásia e o Vietnã, a cerca de 300 quilômetros da ilha de Tho Chu, na província vietnamita de Kien Giang. A companhia aérea não confirmou nada.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Enquanto isso, no Planalto A presidente Dilma Rousseff convocou a cúpula do PMDFB para uma discussão, neste domingo, sobre o que é mesmo que o partido quer para não perturbar as boas relações que tem mantido com a opinião pública brasileira, ao menos segundo as pesquisas de opiniões de vários órgãos especializados. Na pauta, o espaço peemedebista na reforma ministerial e os problemas nas alianças estaduais. O encontro de Dilma com o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi confirmada sexta-feira, durante reunião do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) com o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), que contou ao final com a presença do chefe de gabinete da presidente, Giles Azevedo. A esperança (a última que morre) é de que se chegue a um acordo e se coloquem panos frios em muitas cabeças quentes. Não basta a entrega de ministérios. Como os partidos não têm uma “programática” (na linguagem de Marina Silva) não existe unidade partidária nacional. Cada Estado é uma realidade diferente a que o partido, por necessidade de poder a qualquer custo, precisa atender, não interessa com quem se alie (um “inimigo” nacional não anula uma amizade – ou um simples contrato de negócio político – regional). O Planalto e o PMDB só contam com aliança sem atritos no Distrito Federal, no Pará, em Sergipe e no Amazonas, onde o líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB) é candidato ao governo do Estado. É assim que se faz política e se governa nos vários “Brasis” do Brasil: como se eles não existissem. A casa-grande está cada vez mais distante das senzalas. Não é à toa que cantam e decantam os quilombolas, uma miragem de resistência. PT e PMDB talvez acertem as contas: eles sabem quem paga.

Um toque de classe na arena Na abertura da Arena da Amazônia, neste domingo, o Hino Nacional será tocado e cantado pela Orquestra Amazonas Filarmônica, Orquestra Experimental do Amazonas e Coral do Amazonas, acompanhados pelo público. Ao todo serão 220 artistas interpretando ao vivo o hino do Brasil. Sem dúvida, foi uma grande sacada unir o erudito e o popular, provando que a música é uma linguagem universal e que não diferencia, mas une as pessoas. Sem elitismo Para o secretário Robério Braga, da Cultura, isso comprova que não existe elitismo quando se fala de música, de arte. — A linguagem artística é para todos e alcança todos. Maior do Norte A maior parte dos músicos da Orquestra Experimental do Amazonas e os Integrantes do Coral do Amazonas são ex-alunos e alunos do maior projeto de inclusão sociocultural do Norte do Brasil, o Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro. Claudio Santoro Criado e mantido pelo governo do Amazonas, oferece aulas gratuitas de diferentes segmentos da arte para 55 mil estudantes. — O projeto Cláudio Santoro muda o cenário de que viver de arte é algo impossível. No Amazonas, a cultura e a arte geram emprego, renda e oportunidades – diz o governador Omar Aziz. Prestação de contas A senadora Vanessa Grazziotin lançou esta semana mais uma ferramenta de prestação de contas de seu mandato. Ela passou a disponibilizar um aplicativo para celular com acesso aos seus perfis nas redes sociais e ao seu site. Acesso é 0800 O aplicativo desenvolvido pela equipe da senadora comunista é gratuito e não custou nada para o Senado. Segundo Vanessa, a transparência das ações dos parla-

mentares deve estar ao alcance de todos.O aplicativo pode ser baixado no link App.vc/senadora_vanessa O povo quer saber E se por acaso o sr. Alírio Parisotto – suplente do senador Eduardo Braga –, assumir a vaga, o Rio Grande do Sul terá quatro senadores? Já vimos esse filme O que talvez esteja prestes a acontecer, já aconteceu no passado. Quando o então senador Amazonino Mendes, em 1992, renunciou para se eleger prefeito de Manaus, o empresário paulista, também milionário, Gilberto Miranda, herdeu seis anos de Senado. Notícia segura Pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República revela: Os jornais impressos do Brasil apresentam as informações com maior nível de confiança, quando comparados a outros meios de comunicação, como TV, internet, rádio e revistas. A pesquisa foi divulgada ontem. Jornal impresso De acordo com o levantamento, 53% dos entrevistados que usam jornal impresso afirmaram confiar sempre ou muitas vezes nas notícias veiculadas. Rádio e TV

APLAUSOS

Não é de hoje Os problemas da BR-174 vinham se acumulando há muito tempo. Estavam lá, mas ninguém, nem mesmo os deputados – pagos para fiscalizar leis e direitos civis –, cobraram ou alertaram para a situação. Finalmente Só agora, quando a erosão acelerada pelas chuvas começa a devorar trechos das estradas, começa a grita de alguns setores, como se os problemas estivessem surgindo hoje. Descobriu a pólvora Um dos parlamentares que somente na quinta-feira denunciou a situação de risco da BR-174 é o deputado Sidney Leite (PROS). Ele cobrou providências do Dnit sobre a situação da BR174, interditada desde o último domingo. Já era tempo O deputado admitiu a gravidade do problema. E que a rodovia está com “vários problemas em boa parte dos seus trechos e não podemos ficar dependendo de ações paliativas”. — Precisa sim, de investimentos de recuperação para que toda a BR esteja transitável — deduziu Leite.

Se a situação da BR-174 vem se acumulando há tempos, por que só agora o deputado Sidney Leite colocou a boca no trombone?

VAIAS

Para sempre Senna

regi@emtempo.com.br

e chega a 40% entre os leitores de revistas.

Perguntar não ofende

A porcentagem cai para 50% quando o universo em questão são as notícias exibidas no rádio, 49% no caso da televisão

Regi

Racismo DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Aos marketeiros da Williams, que tiveram a ideia de colocar a imagem do piloto brasileiro Ayrton Senna em seus carros, nesta temporada de Fórmula 1. Tão importante quanto a imagem são os dizeres: “Ayrton Senna Always”.

Para os casos de racismo nos estádios brasileiros, que envolveram nesta semana o jogador Arouca, do Santos, e o árbitro Márcio Chagas, e que envergonham toda a população brasileira e sua identidade de povo miscigenado.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Francisco ou Putin Há escolhas que, de tão difíceis e dramáticas, se constituem em verdadeiras torturas que, mesmo depois de realizadas, continuam a atormentar àquele a quem foram postas, pois que nunca saberá se a decisão tomada foi a melhor, a mais justa, a mais ética, mais adequada. Lembro-me de um filme que assisti faz muitos anos e que concretizou uma dessas situações em que ninguém gostaria de se ver. Seu título, “A Escolha de Sofia”, pautado no romance homônimo de William Styron, tem como mais trágico momento o instante em que a Sofia é exigido que escolhesse qual dos seus dois filhos deveria ser mandado à câmara de gás e qual deveria ser poupado. Sua angústia, no filme, dura cerca de um minuto, até que o oficial manda que levem as duas crianças e Sofia escolhe salvar ao menos uma delas e entrega a garotinha ao carrasco. Quem viu o filme ou leu o livro jamais esquecerá essa situação, e a expressão “escolha de Sofia” passou a ser emblemática em vários idiomas. Na frieza da Lógica uma situação como essa é designada como “dilema” e sempre traz em si uma considerável tensão. No insuperável “Dom Quixote de La Mancha”, há um momento em que o “Cavaleiro da Triste Figura” e seu sempre escudeiro Sancho Panza são encurralados por salteadores, quando atravessavam uma ponte e estes lhes propõem também um dilema: “Digam uma verdade inquestionável ou mataremos a ambos”. Se não me falha a memória, é Sancho, que sempre carrega consigo o bom senso e mantém os pés no chão, quem responde: “Vocês vão nos matar”. Eis o dilema posto. Se matassem, teria sido dita a verdade e, portanto, não deveriam morrer. Se não matassem, teria sido dita uma

mentira e por isso deveriam morrer. Diante do incômodo da situação, nada restou aos bandidos, senão abandonarem a empreitada. Dentre as habituais “pegadinhas” que tanto agradavam aos gregos antigos, há a famosa proposição que reza: “Epiménides, cretense, disse: todos os cretenses mentem”. Ora, se verdade, como Epiménides era também cretense, então todos os cretenses não seriam mentirosos; se mentira, então a verdade seria que os cretenses não mentem e, portanto, Epiménides, ao mentir, teria dito a verdade. Como se vê, os dilemas existem, são incomodativos e envolvem situações de difícil solução, mas, felizmente, nem sempre as escolhas são desse tipo. Pelo contrário, com certeza a imensa maioria das decisões é como a balança da justiça, que sempre pende para um dos lados, mercê dos méritos que geralmente não se equivalem e superam uns aos outros em razão dos seus pesos intrínsecos. Exemplo maior do acima dito está nos noticiários de alguns jornais, que vêm de divulgar que estão ora propondo à Academia de Ciências da Suécia, referentemente ao Nobel da Paz, os nomes do papa Francisco e do presidente Vladimir Putin, da Rússia. Nada mais perspícuo quanto o antagonismo dessas duas figuras. Francisco busca a emulação do “poverello”, o Santo de Assis, que se notabilizou pela mansidão, pelo amor que espalhou no mundo em que viveu. Putin, certamente tem como modelo alguém como Átila ou outro guerreiro emérito, conforme se vê no seu autoritarismo militarista. Autêntico Senhor da Guerra. Se a paz é o paradigma, nunca terá sido tão fácil fazer essa escolha. Pelo menos enquanto não entrar na disputa o próprio Francisco de Assis.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

‘A Escolha de Sofia’, pautado no romance homônimo de William Styron, tem como mais trágico momento o instante em que a Sofia é exigido que escolhesse qual dos seus dois filhos deveria ser mandado à câmara de gás e qual deveria ser poupado. Sua angústia, no filme, dura cerca de um minuto”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

À mesa com o PIB

Apoio a posição do líder Eduardo Cunha, de consultar a antecipação das convenções e não mais apoiar a reeleição da presidente Dilma. O PT voltou a ser arrogante e intransigente, e esqueceu que, no passado, esta mesma postura fez com que amargassem grandes derrotas. Diante de tanta prepotência, o melhor é seguirmos independentes

Num gesto para acalmar o empresariado, que intensificou as críticas a Dilma Rousseff, Guido Mantega (Fazenda) convidou 17 pesos-pesados do PIB para almoço em São Paulo na terça-feira. O ministro pretende ouvir mais do que falar. Em vez de exibir números, dará a palavra a cada um dos presentes para críticas e sugestões sobre a condução da economia. A lista inclui nomes como Benjamin Steinbruch (CSN), Murilo Ferreira (Vale), Jorge Gerdau Johanpeter e Raul Calfat (Votorantim). Argamassa Estarão presentes ainda representantes de Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Camargo Correa, quatro das principais empreiteiras do país. O setor concentra críticas a Dilma Rousseff e abriga defensores da tese do “volta Lula”. Time O almoço, que será na sede do Banco do Brasil, na avenida Paulista, também reunirá expoentes dos “campeões nacionais”, que obtiveram incentivos do BNDES no governo Lula para expandir seus negócios, como Marcos Jank, da Brasil Foods, e Joesley Batista, do grupo JBS. Imersão Mantega já inicia amanhã sua agenda de aproximação com o setor produtivo: receberá a diretoria da Anfavea, também em São Paulo. Na quarta, será a vez de ouvir os principais representantes do varejo. Na semana que vem, o ministro terá um encontro com os bancos. Vai Em seminário sexta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, reproduziu duas frases que costuma ouvir de Lula sobre um possível retorno em 2018. A primeira: “Se me aborrecerem

muito, eu volto”. Falcão fez a ressalva de que amenizara o vocabulário. Não vai Quando quer negar a possibilidade de disputar de novo a Presidência, segundo o dirigente petista, Lula costuma se comparar ao ex-piloto Michael Schumacher: “Não posso fazer igual a ele, que foi sete vezes campeão, mas, na volta, não fez sequer uma pole position”. Gravando! A pressa do PSB por formalizar a chapa de Eduardo Campos e Marina Silva, com a tradicional imagem dos dois juntos, com os braços erguidos, é usar a informação de que a exsenadora será vice do candidato à Presidência no programa de TV da sigla, no dia 27. Da paz Partidos que decidiram se retirar do “blocão” de deputados insatisfeitos, como o PP e o PDT, se comprometeram a não impor derrotas ao governo nas votações desta semana. Dominado Por isso, o Planalto não enxerga riscos de aprovação da comissão externa que investigaria negócios feitos pela Petrobras, articulada pelo grupo ligado a Eduardo Cunha

(PMDB-RJ). É nosso Parlamentares do PMDB definiram nova forma de pressionar o governo, em desagravo ao líder do partido, eleito “inimigo número um” pelo Planalto depois que elevou o tom dos ataques ao PT, após o Carnaval.

Sandro Mabel, deputado (PMDB-GO), concorda com a posição de dissidência do líder do partido na Câmara e reforça os ataques que tem feito ao governo. Ele propõe antecipar a convenção do partido para discutir o futuro da legenda nas eleições de outubro.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

R.S.V.P. O grupo do líder peemedebista diz ter força suficiente para que sejam aprovados nas comissões da Câmara pedidos de convocação de ministros de Dilma.

FOTO LEITOR

Logo ali Petistas e peemedebistas identificaram elemento extra na crise entre os dois partidos: a antecipação da disputa pela presidência da Câmara, em 2015. Deputados enxergam movimentação de André Vargas (PT-PR) para comandar a Casa e reação da cúpula do PMDB. Todos por um A bancada do PMDB na Câmara chegou a sugerir nos bastidores que Vital do Rêgo (PMDB-PB) não aceite o convite para assumir o Ministério do Turismo. Apesar disso, os próprios deputados duvidam que o senador vá recusar o convite.

Tiroteio

É provável que se as caçambas não servissem para nada, não teriam sido inventadas nem serviriam de suporte à imbatível expansão imobiliária, mas embora exista uma legislação que regula o seu tráfego pela cidade, há, sim, um evidente abuso e falta de fiscalização. Essa aí tombou e matou. Que sejam úteis, mas a seu tempo.

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Dilma desmontou o setor elétrico com a MP 579, e não por falta de aviso. Agora o contribuinte que pague a conta do remendo.

Conhecer Jesus

DE ELENA LANDAU, consultora do setor elétrico, sobre o governo socorrer as distribuido-

Na primeira oração do primeiro domingo da quaresma, tempo em que os fiéis são chamados à conversão seguindo três caminhos, o do jejum, o da oração e o da esmola, o presidente da celebração faz um pedido em nome de toda a assembleia. O pedido é que durante este tempo privilegiado progridamos no conhecimento de Jesus Cristo. De uma forma ou outra todos conhecemos Jesus, ouvimos falar dele, sabemos como foi o seu nascimento, já ouvimos e até assistimos representações teatrais e cinematográficas da sua paixão. Invocamos o seu nome e pedimos sua proteção e o nome de Jesus está por toda parte. Muitos se encontraram com Ele e tiveram suas vidas transformadas por este encontro. Para outros a sua presença é natural, vem desde a infância e nunca foi colocada em questão. Haveria então lugar para progredir no seu conhecimento? É preciso lembrar que Jesus é uma pessoa, e como tal será sempre um mistério. Além do mais é uma pessoa divina que acreditamos ter assumido a natureza humana. Pessoas sempre nos surpreendem, relacionamentos pessoais são dinâmicos e vão se tornando cada vez mais exigentes e desafiadores. Jesus veio para salvar e redimir, isto é fazer com que alcancemos a liberdade e a dignidade para a qual fomos criados. Nós também mudamos, amadurecemos, vamos superando medos e barreiras, ou ao contrário vamos nos deixando escravizar por tantas realidades que tiram o brilho da nossa existência. Por isso pedimos a Deus o progresso na vida de fé que na perspectiva cristã é a adesão ao seu Filho e ao Reino que Ele anunciou.

ras de energia para arcarem com custo extra das termelétricas.

Contraponto

Bate-pronto Ao chamar Romário (PSB-RJ) para discursar, Vitor Penido (DEM-MG) equivocou-se ao tratá-lo por vascaíno. – Presidente, só para fazer uma correção: apesar de ter um grande carinho e respeito pelo Vasco, meu time de coração é o América – registrou Romário. – Desculpe-me. Falei porque sou vascaíno – justificou, ao que foi interrompido por Mandetta (DEM-MS). – E o meu Botafogo, deputado Romário? – V. Exa. também tem bom gosto, tenho muito carinho pelo Botafogo, até porque foi o time em que eu mais fiz gols na minha carreira – provocou, arrancando risos. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Como então conhecê-lo melhor? É necessário voltar ao Jesus histórico. Para isto foram escritos os Evangelhos. O conhecimento, a meditação e a leitura orante do testemunho dos evangelistas nos impedem de manipular o nome de Jesus. Suas frases desconcertantes, seus gestos, seus olhares e seus sinais devem sempre ser lembrados. É preciso acompanhá-lo no caminho da cruz, no lava pés e no grande sinal da eucaristia. Mas Jesus fez questão de dizer que o acolheríamos e o encontraríamos nos famintos, nos doentes, nos prisioneiros, nos estrangeiros, nos pequenos. Por isso quaresma também é tempo de Campanha da Fraternidade. Este ano, somos chamados a olhar de frente os milhões de pessoas que são traficadas, escravizadas, vendidas e compradas como mercadoria. O conhecimento de Jesus cresce à medida em que conhecemos a humanidade e não quando fugimos dela ou nos refugiamos em espiritualismos alienadores que podem nos dar uma sensação de bem estar religioso, mas que nos afastam do Cristo e da sua Cruz ainda presentes no mundo. Mergulhando na humanidade como Jesus o fez vamos encontrá-lo e conhecê-lo e com Ele anunciaremos o Reino que é liberdade e projeto de libertação. Olhemos de frente e com coragem para a realidade que nos circunda, arregacemos as mangas para transformá-la, sejamos homens e mulheres livres que não se contentam com nada menos do que a liberdade e que querem esta liberdade para todos. Conheçamos melhor aquele que disse que a Verdade nos libertaria. A Verdade é Ele e precisamos deixar-nos transformar por ela.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

O conhecimento de Jesus cresce à medida em que conhecemos a humanidade e não quando fugimos dela ou nos refugiamos em espiritualismos alienadores que podem nos dar uma sensação de bem estar religioso, mas que nos afastam do Cristo e da sua Cruz ainda presentes no mundo”


Política

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

A5

O prazo de Omar se esgota ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

A

menos de 30 dias da decisão que promete mudar o cenário préeleitoral, as especulações em torno do futuro político do governador Omar Aziz (PSD) e sobre seu apoio nestas eleições se acentuam a cada dia. Omar, considerado peça-chave no tabuleiro da sucessão estadual, tem até o próximo dia 5 de abril para decidir se renuncia ao cargo de governador para concorrer ao Senado, ou se fica até o final do seu mandato. Além disso, para quem deve direcionar seu apoio também tem tirado a tranquilidade dos aspirantes ao governo. Um dos interessados na renúncia de Omar, o senador Eduardo Braga (PMDB), continua estudando possibilidades de conquistar o apoio do governador à sua candidatura para governo do Estado. Há dez dias, ele viajou junto com o líder do PSD no Amazonas e o prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), para inaugurar novos serviços na área de saúde e segurança por municípios do Alto Solimões. Hoje, os três devem se reunir novamente, na inauguração da Arena da Amazônia, marcada para esta noite, que terá ainda a partida entre Nacional (AM) e Remo (PA). Procurado,

Braga preferiu não comentar nada sobre o encontro no interior e prefere “aguardar para ver no que vai dar”. Outra peça importante no tabuleiro, o vice-governador José Melo (PROS) despista sobre suas conversas com Omar. “Ultimamente temos conversado somente sobre trabalho”, disse. Questionado sobre a decisão do governador em renunciar ou não, o pré-candidato diz não saber de nada, mas torce

REGRAS

Conforme a Lei Complementar 64/90, todo filiado a partido político que irá disputar eleição e que detenha cargo público terá que se desincompatibilizar de suas respectivas funções seis meses antes do pleito para que Omar o apoie. “Não sei dizer o que ele vai fazer, mas tem toda liberdade de tomar a decisão que achar a melhor. Estou torcendo para ele me apoiar”, declara Melo, que também é pré-candidato à sucessão de Aziz. Ele também revelou que mantém conversas constantes com Arthur Neto. “Eu, Omar e Arthur temos conversado muito sobre o trabalho conjunto realizado em Manaus entre o

governo e a prefeitura. O Arthur tem me convidado para alguns eventos do município e vice-versa”, ressaltou. Melo revelou que também tem mantido conversa com a deputada federal Rebecca Garcia (PP) – outra pré-candidata – com quem falou por telefone na última semana. Omar Aziz tem evitado falar sobre sua decisão, cujo prazo está expirando. No final do ano passado, interlocutores do governador chegaram a afirmar que ele permaneceria no governo até dezembro de 2014. Ele mesmo chegou a admitir esta possibilidade. No entanto, tem se esquivado de tocar no assunto. Procurado pela reportagem, até o fechamento desta edição, o governador não havia dado retorno sobre seu posicionamento. Desejo de ser candidato Também de olho na cadeira do Palácio da Compensa, o vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão (PPS), é outro pré-candidato a sucessão no governo do Estado. Presidente do diretório do partido na capital, ele tem visitado vários municípios nas últimas semanas, “para consolidar o partido no Amazonas”. Hissa espera contar com o apoio de Arthur e acredita que o PPS caminhará com o PSDB do prefeito e com o PSDC, liderado no Amazonas pelo dirigente Cícero Alencar.

ARQUIVO EM TEMPO

Grupo ensaia ‘nova’ política

Vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão ainda alimenta desejo de disputar o governo

Sobre as conversas que têm mantido com Chico Preto (PMN), Marcelo Ramos (PSB) e Rebecca Garcia, todos pré-candidatos ao governo, Hissa Abrahão destaca a possibilidade do surgimento de um novo grupo político. “É o ensaio de uma nova geração que quer a renovação política no Amazonas. Vamos lançar um manifesto com alternativas para o Estado. Chega de política baseada no ‘caciquismo’. Pode aparecer uma nova aliança política, não partidária”, salientou o vice-prefeito. De acordo com o deputado estadual Chico Preto, o objetivo da reunião com os outros pré-candidatos foi de “encontrar pessoas com pensamentos próximos, que lutam e pensam de formas parecidas, que tenham o sentimento de indignação em comum”, ressaltando que no Amazonas o PMN terá liberdade para fazer alianças, dentro de algumas lógicas, como a de não estar alinhado ao palanque da presidente Dilma Rousseff

(PT) no Estado. Para Chico Preto é importante que não haja vaidade entre eles. “Não podemos partir do pressuposto de que um é mais e outro menos”, opinou. Contudo, ele faz questão de deixar claro que ainda não é o momento de pensar em formação de chapa. “Vamos identificar aquilo que nos une e trabalhar em possibilidade de composições. Estamos na fase de discussões, observando o que cada um pensa para saúde, educação, segurança e desenvolvimento do Estado”, frisou Chico Preto. Análise social Para o antropólogo e cientista político Ademir Ramos, a avaliação positiva das gestões do governador Omar Aziz e do prefeito Arthur Neto ainda repercute, despertando o interesse de alguns précandidatos à sucessão do governo do Estado em contar com estes apoios. Segundo ele, o atual cenário apresenta Omar como um grande estrategista, que irá aguardar até abril para mexer as peças

ALEX PAZZUELO/AGECOM

O governador do Estado tem exatos 27 dias para decidir se fica no mandato até dezembro deste ano ou se entrega o cargo para disputar a única vaga no Senado que o Amazonas terá direito nestas eleições. A exigência atende à Lei Eleitoral

no tabuleiro. “O Omar é um grande estrategista. Ele está no tabuleiro e tem dois grandes trunfos contra o Eduardo Braga: Melo e Arthur”, destaca Ramos, enfatizando que Braga é o adversário, mas que uma reaproximação entre ele e Omar pode acontecer. “Ele vai tomar decisões a partir de abril e está agindo de acordo com as regras do jogo. O processo sucessório passa pelo Omar”, afirmou. O governo de Omar foi avaliado positivamente por 74% dos amazonenses em recente pesquisa nacional que o coloca como o governador mais bem avaliado do país. Da mesma maneira, o prefeito Arthur aparece como o melhor avaliado entre os prefeitos do país, com 76% de aprovação da sua administração. “Pesquisa é pesquisa. É uma consulta popular que referenda ou não determinada aceitação do agente público. As pesquisas foram favoráveis, não só pela aceitação, como pelo trabalho realizado por eles”, finalizou.

Omar Aziz tem resistido às pressões de anunciar seu apoio nesta eleição e se deixa o mandato


Política

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

ALE aprova 23 projetos. A maioria do governo

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Você não está acima da lei, lindona” DEPUTADO BETO ALBUQUERQUE (RS), líder do PSB, em twitter dirigido a “Dilma Bolada”

Médicos cubanos continuam fugindo para os EUA Pelo menos mais três cubanos tomaram oficialmente chá de sumiço do programa “Mais Médicos”, do Ministério da Saúde, que já drenou quase R$ 1 bilhão para ajudar a financiar a ditadura da família Castro. O governo brasileiro ignora o paradeiro dos três e, para o bem deles, o governo de Cuba também. Eles receberam ajuda de ONGs, que lhes conseguiram passaportes e visto de entrada nos Estados Unidos. Adiós, Brasil Há a suspeita de que outros 17 médicos cubanos, sumidos dos seus locais de trabalho, também estejam a caminho dos Estados Unidos. Estado policial ONGs americanas se surpreenderam: médicos cubanos não querem ficar no Brasil. Temem ser sequestrados e repatriados à força. Fiel da balança O PT anda tenso em Minas: prefeitos do PMDB preferem a candidatura de Clésio Andrade ao governo ou apoiar Pimenta da Veiga (PSDB). Biu 2014 Aspirante ao governo de Alagoas, o senador Benedito de Lira (PP) tenta obter apoio do governador Teotônio Vilela (PSDB). Está animado. OAB se une a ação no STF para liberar biografias A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, admitiu o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil como amicus curiae (amigos da causa) na Ação Direta de Inconstitucionalidade que pretende liberar a

publicação de biografias não autorizadas no Brasil. A OAB defende a ação em nome do direito à informação, como já o fizeram entidades como a Academia Brasileira de Letras (ABL). É pra já Segundo o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, o caso das biografias deverá ser julgado ainda no primeiro semestre deste ano. Esperança O ministro Joaquim Barbosa arrefeceu as conversas sobre disputar o Senado pelo PV, no Rio. Mas o partido mantém a oferta e a esperança. Verdes O PV planeja lançar oficialmente a candidatura do ex-deputado Eduardo Jorge à Presidência no próximo dia 22, em São Paulo. Fica pra próxima Cotado inicialmente para suceder Aguinaldo Ribeiro (PB) nas Cidades, o presidente do PP, Ciro Nogueira, diz já ter escolhido outro nome ao cargo: “Preciso de autonomia no partido para discutir aliança eleitoral”. Vice de poste Os deputados Mário Negromonte (PP), João Leão (PP), Alice Portugal (PCdoB) e Marcelo Nilo (PDT) estão em queda de braço pela vaga de vice na chapa de Rui Costa (PT) ao governo da Bahia. La garantia soy yo A célebre correspondente americana da CNN, Christiane Amanpour, contou que Nicolás Maduro lhe disse que vai garantir a segurança dos jornalistas na Venezuela. Após agredi-los, prendê-los

PODER SEM PUDOR

Greca, o asteca Certa vez, na Câmara Municipal de Curitiba, um opositor atacou assim o grupo político do qual fazia parte Rafael Greca, ex-ministro do Turismo de FHC:� - Esse Jaime Lerner e seus astecas... “Assecla” do então prefeito, Greca devolveu, na bucha:� - Quem me dera estar entre incas e maias!

Jornalista

Produção é referente ao primeiro mês de atividade legislativa deste ano. Dados são do Portal de Transparência da casa ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ALEAM

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e persegui-los. Alvo eleitoral De olho em ganhar espaço no Nordeste, o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) transferiu de Recife para Salvador o encontro com a Rede, no dia 22, para discutir seu programa de governo. Cama de pregos Ao contrário do que tem espalhado a cúpula do PMDB, o presidente do partido em Minas, Saraiva Felipe, garante que não está fechado apoio a Fernando Pimentel (PT) ao governo: “Aqui é uma cama de pregos”. Estado de sítio A proliferação de blocos carnavalescos criou um impasse jurídico nas cidades, com a restrição ao direito de ir e vir de moradores que ficam sitiados nos prédios. Ruas ficam bloqueadas até para ambulâncias. Abraço de afogados O governador da província de Beni acusa na imprensa as represas brasileiras de Jirau e Santo Antônio de inundar oito cidades na região: estariam obstruindo o curso das águas dos rios. O Brasil admite o erro. Climão O deputado Fábio Trad (PMDB-MS) critica o duelo público entre o líder Eduardo Cunha (RJ) e presidente do PT, Rui Falcão: “Essas caneladas mútuas só acirram ânimos, que estão chegando a um ponto sem volta”. Pensando bem... ...o Brasil não poderia importar garis de Cuba em caso de greve geral: é impossível jogar fora o que não se tem na ilha dos Castro.

Deputados em plenário no dia 26 de fevereiro, quando aprovaram oito projetos de leis na casa RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

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om 23 projetos aprovados neste início de ano, a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) quebrou uma tradição em vigor há 3 anos: a de não aprovar nenhum projeto durante as quatro primeiras semanas do calendário legislativo, período que registra lentidão nas Assembleias e Câmaras do país. Pautada pelo governo, o resultado atual tende a sofrer um abalo com a Copa do Mundo, em junho e julho, e as eleições, em outubro, que poderão esvaziar o plenário, fator que preocupa a presidência da casa. A produtividade histórica, no entanto, é resultado da quantidade de propostas enviadas em sua maioria pelo Executivo e não da demanda dos parlamentares. Dos 23 projetos

aprovados desde o início das atividades, em 5 de fevereiro deste ano, 15 foram enviados pela Casa Civil, um pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), quatro do Ministério Público do Estado (MPE) e somente três foram de autoria parlamentar, todos da deputada Conceição Sampaio (PP). A última semana não foi contabilizada pela reportagem, por conta do recesso de Carnaval. Assuntos de repercussão que tiveram promessa de votação para o início deste ano continuam encalhados. Entre eles, estão as revisões da Constituição do Estado e do Código de Ética da Aleam, além da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento Impositivo. Durante a primeira semana de atividades, o presidente, deputado Josué Neto (PSD), havia prometido que o Código de Ética,

em “revisão” desde 2010, teria avanço até o fim de fevereiro, mas até agora não há sinal de movimentação na matéria. Apesar de ter tentado evitar pautas polêmicas na largada do ano eleitoral, a casa não se livrou de ter iniciado as atividades com o alvoroço do pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, alavancado pela passagem da presidente de semelhante comissão na Câmara Federal, deputada Érika Kokay (PT-DF), pelo Estado no mês passado. A proposta agora ganha tempo na procuradoria-geral da Aleam. Aprovada sem maiores discussões, a lei enviada pelo TCE-AM para a perpetuação do cargo de procurador-geral do Ministério Publico de Contas (MPC) será revogada a pedido do presidente do tribunal, conselheiro Josué Filho.

Ano movimentado preocupa Josué As duas sessões de votação realizadas atenderam a muitos ajustes necessários por outros órgãos. O governo indicou nomes para os Conselhos de Defesa do Consumidor (Condecon) e do Trânsito (Cetran), extinguiu a Secretaria de Governo (Segov), anexando-a a Casa Civil, além de movimentar projetos para a área da saúde. O MPE pediu aprovação de ajustes no seu regimento. O tensionamento eleitoral que impediu que projetos

sensíveis avançassem na casa em 2013, como o Orçamento Impositivo, deve fazer com que o Legislativo, tendo em vista a proximidade das eleições, deixe de lado as votações mais relevantes e amplie o estoque de propostas remanescente de 2013. Até a Copa do Mundo, que inicia em 12 de junho, a Aleam terá 12 semanas de trabalho, com 45 dias de expediente. A partir das convenções partidárias, também em junho, deve iniciar o chamado “re-

cesso branco” na casa. A preocupação com o esvaziamento do plenário em ano eleitoral foi registrada por Josué durante no fim de 2013. O presidente pediu que os parlamentares, todos candidatos à reeleição, “se esforcem” para manter o ritmo da casa. O EM TEMPO levou em consideração projetos de lei, projetos de lei complementar e projetos de decreto legislativos aprovados pelo plenário.


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Política

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Com a palavra

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Serafim CORRÊA

‘Meu MOMENTO no EXECUTIVO passou’ ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

VALÉRIA COSTA Equipe EM TEMPO

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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

erto de completar 67 anos de vida e com quase 30 anos de carreira política, o economista e advogado Serafim Corrêa se prepara para enfrentar um novo desafio na sua caminhada partidária. Ele deve sair candidato a deputado estadual ou mesmo federal nestas eleições, se assim o PSB decidir. Ele, que já foi vereador e prefeito de Manaus, também anuncia que está saindo de cena da disputa de cargos majoritários. Reconhece que seu tempo passou e que é tempo de novas gerações ascenderem. Manauense, esse filho de português se emociona quando fala da ingratidão aos expoentes do Estado de outrora e se arvora quando fala da ineficiência de nossos representantes na defesa do modelo Zona Franca de Manaus. Fiel escudeiro do presidenciável Eduardo Campos, governador de Pernambuco, seus olhos brilham quando discorre sobre o programa de governo elaborado pela aliança PSB-Rede com a participação do PPS. Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao EM TEMPO na semana passada. EM TEMPO – Recentemente, o senhor se formou advogado. Por que decidiu ingressar numa outra carreira depois de tantos anos como economista? Serafim Corrêa - Uma coisa não exclui a outra. E eu entendo que o profissional que quer atuar na área tributária, tem que ter conhecimentos em contabilidade, eu sou técnico em contabilidade; de economia, eu sou economista; e de direito, e eu agora sou advogado. Então, o profissional precisa ter pelo menos a visão dessas três áreas.

Eu darei minha contribuição. Não mais no Executivo. Acho que esse momento, ele passou. Está na hora de uma nova geração ascender. Não serei candidato a nenhum cargo no Executivo”

EM TEMPO – Além dessas profissões e conhecimentos acadêmicos, o senhor também é político... SC - Exatamente. Termina que todas essas profissões são boas, gratificantes. Agora, política é apaixonante. E não tem porta de saída. Ela só tem porta de entrada. Depois que você entra você não consegue sair. É importante que você na política possa contribuir para legar uma cidade, um Estado e um país melhor para seus filhos e netos. EM TEMPO – O PSB caminha para um novo momento de sua história com a formalização da aliança com a Rede Sustentabilidade. Qual o projeto de vocês? SC – Nós queremos discutir políticas para o Brasil. Discutir saídas. Nós trabalhamos um programa de governo em que levantamos cinco desafios para o país: Estado e

Democracia de alta intensidade; Economia para o desenvolvimento sustentável; educação, cultura e Inovação; políticas sociais e qualidade de vida e; novo urbanismo e o pacto pela vida. O problema da energia no país tem que ser debatido e isso não vem acontecendo nas últimas eleições. O Amazonas e o Brasil não terão futuro com problemas de energia. Manaus vai sediar um encontro no dia 26 de abril, com as presenças do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva, da Rede e representantes da aliança de seis Estados do Norte: Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Roraima e Rondônia, onde falaremos sobre esse programa de governo. EM TEMPO – Essa aliança PSB-Rede aliado ao PPS em nível nacional vai se repetir no Estado nestas eleições? SC – Aqui nós temos todas as alternativas. Podemos ter alianças. Podemos sair sozinhos. Não descartamos nenhuma hipótese. Nós vamos oferecer ao Amazonas uma opção. Teremos tempo para isso. Não tem porque nos precipitar EM TEMPO – Mas, existe a possibilidade de o PSB fechar em torno de uma eventual candidatura do vice-prefeito Hissa Abrahão, do PPS? SC - Não está excluído nenhuma hipótese não há veto. Mas, não tem ainda definição. Não vamos nos precipitar para não ferir suscetibilidades. Não queremos isso. EM TEMPO – Está certa a candidatura do deputado Marcelo Ramos ao governo pelo PSB? SC – Existe essa possibilidade. O deputado Marcelo Ramos é um grande quadro do PSB e tem futuro na política. Outros jovens políticos também têm futuro, inclusive dentro dos nossos quadros, como Marcelo Serafim e Elias Emanuel. EM TEMPO – Havia uma movimentação para que o senhor saísse candidato a deputado federal. Entretanto, nas últimas semanas está forte o rumor de que sairá candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado. Isso procede? SC - Isto não está resolvido. Mas, eu sou partidário, vamos fazer aquilo que seja o melhor. Eu darei a minha contribuição. Não mais no Executivo. Acho que esse momento, ele passou. Está na hora de uma nova geração ascender. Não serei candidato a nenhum cargo no Executivo. Serei a um cargo legislativo, que pode ser a deputado federal ou estadual. São cargos relevantes e tem espaço para você contribuir com seu Estado e com seu país. EM TEMPO – O senhor fez

uma revelação muito forte, de que seu tempo para disputa majoritária passou. Por quê? SC - Lá trás, em 1996, chegamos à conclusão que era o momento de lançar uma candidatura a prefeito. Fizemos uma aliança com PSDB e PCdoB. Ninguém acreditava, mas nós chegamos ao segundo turno. Em 1998, numa aliança apoiamos o então candidato Eduardo Braga. Em 2000 fui candidato a prefeito. Em 2002, fui candidato a governador exatamente para dar palanque ao Garotinho (Anthony), que era nosso candidato a presidente da República. Em 2004, fui eleito prefeito. Em 2008, não consegui me reeleger. Em 2010, disputei a eleição majoritária na chapa com o Alfredo Nascimento. Em 2012, terminou havendo a reedição da disputa ao Senado, que polarizou o pleito e fiquei de fora. A política é como a vida: a fila anda. Eu lembro que em 2006, quando Gilberto Mestrinho (ex-senador morto em 2009) perdeu a reeleição, um dia depois fui lá fazer uma visita a ele. Quando cheguei lá ele me disse: Serafim eu estou há 50 anos nisso. Entrei na política em 1956, portanto, 50 anos depois, venceu meu tempo. O político, quando chegar aos 30 anos na política, ele tem que se preparar para sair. E nós temos que nos preparar para essa passagem, com serenidade e equilíbrio. Ninguém vai morrer amanhã, não é isso. Mas você tem que começar a ver onde você joga melhor, onde você contribui melhor.

Então, o que ocorre? Em 2002, eu lancei um livro “ZFM: História, Mitos e Realidade. Doze anos depois, nós ainda não conseguimos explicar ao Brasil o que é a ZFM, um projeto que serve muito mais ao Brasil do que ao Amazonas. E isso é facilmente demonstrado pelos números. Não temos tido interlocução. Não temos sido competentes para construir alianças. Não temos aliados importantes no cenário nacional. E nós amazonenses padecemos de um mal que nos faz muito mal, que é de sermos ingratos. Veja um exemplo: o projeto de refundação da Ufam foi do deputado Arthur Virgílio Filho, sancionado pelo presidente João Goulart e pelo primeiro-ministro Tancredo Neves à época. Para ver como o Amazonas é ingrato com seus filhos: o dr. Arthur Virgílio não foi convidado para a aula de instalação da Ufam (neste momento Serafim se emociona). Então é essa a nossa postura. Não temos hoje uma liderança inserida no contexto nacional. O Gilberto, o Jefferson Péres, o Bernardo Cabral eram inseridos no contexto nacional. Se tiram a ZFM daqui, isso vira o quê? Nem porto de lenha, porque aqui não tem mais navios a vapor.

EM TEMPO – A aliança entre PSB-Rede-PPS está consolidada, mas quanto ao PP, da deputada Rebecca Garcia? A sigla estaria inserida nesSe contexto, num eventual palanque ao presidenciável Eduardo Campos? SC - Houve uma conversa, mas eu diria que hoje isso está excluído. Pelo que vejo nos jornais, houve um entendimento entre ela e o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Então, a tendência é Rebecca apoiar o Aécio, ser o palanque dele aqui no Amazonas. Na hora em que ela é palanque dele aqui não pode ser palanque de outro.

EM TEMPO – E o que está faltando para os políticos do eixo Sul-Sudeste entender a importância da ZFM? SC - Primeiro falta a gente se dispor a explicar. A renúncia fiscal é a maior balela do mundo. A renúncia é de um imposto que está embutido no produto. Ora, esse produto é consumido por quem? Pelo Sul e Sudeste na sua maioria. Então, a renúncia fiscal é em favor do consumidor e não da cidade onde está localizada a produção. O deputado Júlio César (PSD-PI) foi à tribuna da Câmara, enquadrou toda a nossa bancada e ficou todo mundo calado. Ninguém soube responder. Ele só falava em renúncia fiscal. Vendese a imagem de que a renúncia é um monte de dinheiro que pegam e distribuem para quem mora em Manaus. A renúncia fiscal é tirar imposto de produtos fabricados aqui, mas que são vendidos para lá por um preço menor.

EM TEMPO – O senhor defende a ZFM e, mais uma vez ela é alvo de ataques... SC - A ZFM surgiu para superar as desvantagens geográficas e de infraestrutura. Então, dar incentivo, cobrar menos imposto para poder compensar os gastos que tem por ser longe e por ter uma infraestrutura deficiente. Muito bem. Longe, nós vamos continuar a ser sempre. Mas, isso hoje não é mais impedimento. O que é impedimento? É você ter uma energia instável, comunicações instáveis. Não ter um transporte regular, não ter um porto e um aeroporto em condições.

EM TEMPO – Qual a mensagem que o senhor passa para os jovens que aspiram entrar na carreira política? SC - Que entrem. A minha geração demorou a entrar na política. Eu fui ser candidato pela primeira vez aos 39 anos. Nós vivemos 21 anos de ditadura militar. As pessoas tinham medo e a política ficou carimbada naquele período como uma coisa ruim. As pessoas precisam entender que a política é uma coisa boa. Agora tem falhas, mas não dá para estigmatizar a política. Ela impõe preços, na sua relação familiar e pessoal.

Podemos ter alianças. Podemos sair sozinhos. Não descartamos nenhuma hipótese. Nós vamos oferecer ao Amazonas uma opção. Teremos tempo para isso”

Vende-se a imagem de que a renúncia é um monte de dinheiro que pegam e distribuem para quem mora em Manaus. A renúncia fiscal é tirar imposto de produtos fabricados em Manaus”


MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

economia@emtempo.com.br

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RICARDO OLIVEIRA

Caderno B

Economia

A farinha nossa de cada dia deve baratear Economia B4

2014 é para profissionais da construção e serviços JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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movimento na economia amazonense gerado pela Copa do Mundo e a expectativa de negócios lucrativos para os próximos anos promete agitar o mercado de trabalho da capital amazonense em 2014. De acordo com especialistas ouvidos pelo EM TEMPO, o crescimento deve estimular as empresas a contratar funcionários qualificados em áreas específicas, antes e depois do mundial. Engenheiros, profissionais da construção civil e do setor de serviços estão entre as profissões “em alta” para este ano. O coordenador do Sistema Nacional de Emprego no Amazonas (Sine-AM), Arilson Vieira, afirma que 2014 será o ano da Engenharia, em todas as esferas. Segundo ele, os profissionais qualificados na área, tanto no nível técnico quanto no superior, terão espaço garantido no mercado de trabalho local. “Acompanhamos o crescimento da demanda e sabemos que ela pede profissionais de todas as engenharias. As principais são a civil, a naval e a de produção”, enumera. Segundo ele, os profissionais são esperados pelo mercado não apenas pela proximidade da Copa, como é o caso da Engenharia Civil, mas serão procurados por empregadores de diversas áreas pela existência das vagas. “A contratação desses profissionais ainda é pontual porque o número de trabalhadores da área é pequeno se comparada com a demanda. As vagas existem,

MARCELL MOTA ARQUIVO EM TEMPO

Com empresas estimuladas pela lucratividade dos negócios, as contratações de pessoal devem seguir até depois da Copa basta que o profissional esteja preparado”, argumenta. Para Vieira, além dos engenheiros, nesse ano de mundial de futebol, o segmento da construção civil continuará demandando muitos profissionais de arquitetura, mestres de obra, pintores e pedreiros. Conforme explica o dirigente, embora a maior parte das grandes obras da Copa esteja em fase de finalização, a construção de hotéis e prédios comerciais deverá responder pelas contratações anunciadas. “Obras públicas como o Hospital da Zona Norte e a ampliação da Avenida das Torres também vão exigir profissionais”, acrescenta. Serviços A diretora do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), Joésia Paheco, por sua vez, acredita que este ano será favorável aos profissionais de prestação de serviços. Ela aposta em todos às funções ligadas aos setores de alimentação, principalmente dos restaurantes, do atendimento ao público e hotelarias. “Há mercado para atendentes, garçons, recepcionistas, agente de informações turísticas, entre outros”, elenca. Joésia aponta que os profissionais com domínio de outros idiomas e noções de atendimento ao cliente, além da qualificação necessária terão oportunidades em qualquer área do segmento. Segundo a diretora, a boa fase do setor também deve puxar a expansão do comércio local. “O segmento também vai precisar de profissionais variados, como promotores de venda e operadores de caixa”, cita.

A engenharia, segundo especialistas, demandará de muitos profissionais do setor da construção civil para obras públicas e privadas

Polo naval começará a contratar técnicos ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Conteúdo digital na lista

Além das profissões demandadas no ano da Copa, algumas especialidades se configuram como “promessas” para os próximos anos. De acordo com a diretora do Cetam, Joésia Pacheco, segmentos específicos no Amazonas tem ganhado destaque e em breve devem exigir profissionais qualificados para ocupar as vagas.

Um deles é o cargo de técnico naval. Para a diretora, o empenho do governo do Estado construir o chamado Polo Naval no Amazonas vai exigir a presença do profissional apto a realizar funções técnicas na concepção e acompanhamento de projetos navais, seja para a construção ou reparo de embarcações. Outra profissão, segundo

ela, é a de técnico de mineração. “A inauguração na última semana de uma fábrica para o beneficiamento do calcário – mineral usado na agricultura - demonstra um horizonte favorável para o mercado de mineração no Estado”, estimou. O presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-am),

Marcus Evangelista, acredita que, na área de economia, as consultorias – empresas que desenham projetos para investidores – precisam com urgência de projetistas (profissionais aptos a escrever projetos de investimento industrial. “O profissional que dominar essa área terá sempre espaço no mercado de trabalho”, opina.

De acordo com a Associação Brasileira de Recursos Humanos no Amazonas (ABRH-AM), as profissões do futuro no Estado estão ligadas à tecnologia. Curadores de conteúdo digital e condutores de drones (aviões não tripulados) figuram entre as novas possibilidades de mercado nos próximos anos. A biotecnologia também está entre os setores promissores. Pesquisa realizada pela Michael Page – empresa especializada em recrutamento de executivos – no final do ano passado, listou as profissões que serão as

grandes apostas no mercado brasileiro para este ano. Entre elas está o marketing como segmento mais promissor no ano da Copa. O estudo realizado em dezembro de 2013, nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife e apontou o marketing digital, o planejamento comercial e o marketing de vendas como as três áreas de maior destaque em 2014. Também figuraram na lista as profissões engenheiro de orçamento, geocientistas (geofísico, geólogos).

BRENO FREITAS ARQUIVO EM TEMPO

Amazonas acompanha febre nacional do marketing on-line

Os profissionais do setor serão chamados para acompanhar a formatação de projetos, construção e reparos de embarcações


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

Pedidos de correção do FGTS registram aumento

Valores defasados obrigaram trabalhadores a solicitarem revisão do cálculo do benefício obtido a partir de 1999

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ecentemente tem se observado uma procura muito grande de trabalhadores à Justiça em busca de corrigir os valores de direito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A demanda tem sido motivada por uma série de sentenças favoráveis ao pedido. Desde 1999, o FGTS dos trabalhadores brasileiros está sendo corrigido de forma errada, o que prejudicou milhões de brasileiros que foram lesados com os valores que deviam receber por direito (que estão defasados em quase sua metade), e que devem buscar este direito na justiça. De acordo com o advogado previdenciário, Guilherme de Carvalho, há um trabalho na tese na qual se reivindica a reposição das perdas devido a correção errônea pela Taxa Referencial (TR), aplicada sobre o FGTS. Os cálculos corretos indicam que a mesma conta deveria ter a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que normalmente é maior. “Desta forma, a defasagem chega à 88,3%”, afirma o advogado. O FGTS tem como objetivo proteger o trabalhador e possibilitar-lhe a formação de um patrimônio, incen-

DIVULGAÇÃO

tivar a aquisição da casa própria e dar-lhe segurança em caso de dispensa sem justa causa. Contudo, da forma que vem sendo calculada com base na TR, está defasando os valores de direito a serem recebidos pelos trabalhadores. A TR não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, já que não é capaz de espelhar o processo inflacionário

GESTÃO

Criado em 1966, FGTS é administrado por um Conselho Curador que é tripartite, composto por entidades representativas dos trabalhadores, dos empregadores e representantes do governo federal Nos últimos 15 anos, trabalhadores brasileiros foram lesados devido à forma como era feita o cálculo para obtenção do FGTS

brasileiro. Família Aqueles que têm parentes falecidos que tinham conta do FGTS também podem, com legitimidade, pedir a correção, viúvas, viúvos, filhos e filhas de falecidos estão dentro deste rol de pessoas. Há possibilidade também de ingresso de ações coletivas para economia processual, com até 10 ou 20 autores por ação.

Perda de quase 50% com método antigo Os cálculos são simples, se um trabalhador tinha R$ 1 mil na conta do FGTS no ano de 1999 , hoje ele tem apenas R$ 1.340,47, por causa das taxas de reajustes aplicadas. Mas se os cálculos fossem feitos com

os cálculos corretos o mesmo trabalhador deveria ter na conta R$ 2.586,44. Enfim, o trabalhador tem o direito de R$ 1.245,97 a receber do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), pois a variação da

TR aplicada foi muito abaixo da correta. De acordo com o advogado Guilherme de Carvalho, esta correção é cabível para todos que tem ou tiveram conta no FGTS, ou seja, foram registrados

pela CLT. “A correção que se pede é desde 1999 até os dias atuais. Aqueles que já sacaram o valor em algum período depois de 1999 também terão direito, mas a um percentual menor, até o saque somente”, conta.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Amabras, a licitação da Amazônia É meio difícil de acreditar, mas caso seja aprovado na Comissão Especial que o analisa, o projeto do deputado federal Sergio Zveiter (PSDRJ) nem precisa ir a plenário para virar Lei. O tal projeto, de número 5.692/2013, abre as riquezas da Amazônia à exploração de empresas estrangeiras, através de licitação (sic!). De acordo com o texto, o projeto “...dispõe sobre o monopólio da União na exploração das riquezas da Amazônia, com a criação do Conselho Nacional de Política da Amazônia e da Agência Nacional de Exploração dos Recursos Naturais da Amazônia, garantindo a proteção ao meio ambiente e a soberania nacional, e dá outras providências.” O modelo pretendido pelo deputado é copiado do “Petróleo é nosso”, da era Getúlio, quando a ONU, digo, os EUA, queriam arrepiar com a criação da Hileia Amazônica, para abiscoitar os recursos naturais da floresta. Nos dias de hoje, uma campanha nacionalista que não faz sentido em contexto global de relações multilaterais e universais. Naquele momento, faz 60 anos, nem se cogitava que áreas estratégicas fossem abertas para a exploração do cartel petrolífero estrangeiro através de licitações. O projeto do nacionalismo extemporâneo tramita em caráter conclusivo, podendo engordar a

legislação e proposições para a Amazônia produzidas - em temporada de caça e captura de sufrágios - por um Brasil distante que ignora dois terços de sua territorialidade e insiste em não debruçar-se sobre sua identidade, apropriação e destino. Amabrás, a Companhia da Amazônia Brasileira, com todo respeito ao parlamentar que a propõe, mais parece uma animada conversa de botequim em Ipanema com a seriedade que o ambiente sinaliza e a ressaca que esse tipo de prosa tem provocado na contabilidade do besteirol que tem monopolizado o discurso político nacional. Faz lembrar outra farra de Ipanema, pela liberação da maconha, em que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, baseado em punho, condenava a construção da BR-319, alegando a ameaça que isso representava para gralhas e macaco-de-cheiro em extinção. O projeto de Lei do parlamentar estabelece o monopólio da União na exploração das riquezas da Amazônia e cria a Agência Nacional de Exploração dos Recursos Naturais da Amazônia, o Conselho Nacional de Política da Amazônia e a Companhia da Amazônia Brasileira, a messiânica Amabras S/A. Haja cargo comissionado...Tenha santa paciência! Nos argumentos do parlamentar, em

cuja biografia não aparece qualquer atividade relacionada à Amazônia, nem há notícia de suas andanças pelo beiradão desse fim de mundo sem fim, “...é necessário que, com a máxima urgência, se estabeleça o monopólio da União para a exploração, economicamente sustentável, de toda riqueza contida na Região Amazônica, constituindo-se uma empresa estatal capacitada para esse fim”. Com um currículo político que inclui atividades ligadas ao desporto, Sérgio Sveiter, um advogado nascido no Rio de Janeiro, que não sabe a distinção entre carimbó, xaxado e toada, saltou de juiz de futebol para presidente na magistratura desportiva carioca, com passagens pela OAB-RJ e secretarias estaduais ligadas ao Trabalho e Cidadania. Não deixa de ser louvável seu arroubo amazônico, apesar de contraditório, posto que nas premissas ele “não pode entregar” as riquezas da Amazônia, mas nas conclusões de seu projeto institui o sistema de concessões e estabelece que as multinacionais podem participar e explorar a região. Como objeto nebuloso de cobiça, uma esfinge às avessas, a Amazônia permanece assim, desintegrada do contexto da brasilidade, à mercê de soluções messiânicas e intervenções miraculosas, de

projetos debatidos ao sabor reativo das pressões externas que já chegaram à inutilidade de criar um ministério para a Amazônia, como se uma pasta - uma brisa desvairada, desconectada de uma política de interatividade nacional e global - fosse capaz de administrar esse reino de surpresas e de promessas de transformação. Refém de um pacto federativo capenga que ninguém se atreve a debater, nem modernizar, à luz das novas relações e alternativas de integração e interação geopolítica e transnacional, a Amazônia é uma encrenca a mais para um Brasil incapaz de decifrar suas potencialidades e assumir sua gestão de riquezas em todas as direções. Daí a sequência de propostas inócuas, que a deixa na dependência de emendas, canetas e canetadas, negociações políticas e acordos eleitorais. Defendemos, os nativos e chegados, outra coisa: a gestão pública da Amazônia, desde que ela possa começar pela mobilização dos atores locais, no compromisso de atrelar pesquisa e desenvolvimento como fator de transformação, e que as empresas possam trabalhar em afinidade com a academia, sem que isso represente interferência em sua autonomia. Sem descuidar a pesquisa básica, os institutos de Matemática,

Física e Antropologia, é óbvio! O que está em jogo, de costas para juízes oportunista e cartolas de plantão em temporada eleitoral, é investir ou não na qualificação dos jovens, e assegurar que a Universidade possa contribuir para decifrar, na biblioteca da biodiversidade, as novas matrizes econômicas da prosperidade. E esses novas fábricas da reinvenção dos paradigmas amazônicos sejam erguidas sobre as pilastras de um novo modo de saber e fazer, com a bagagem de quem aqui vive, estuda, trabalha, resiste e insiste em consolidar respostas e soluções pra valer. Refutamos, pois, o imperativo de tratar a floresta, suas riquezas, suas leis e potencialidades como os indianos tratam suas vacas na sacralidade da preservação estéril. Queremos e devemos fazer das toxinas, enzimas, fungos e bactérias a indústria do rejuvenescimento, caro Candotti, a produção em série da cosmética que prolonga a vida e partilha a beleza que a fotossíntese vai alumiar, com a poronga de uma nova atmosfera sustentada pela obstinação dos fitoterápicos, a nutracêutica da perenização estética a partir dos produtos verdadeiramente naturais, com o logo lbertário e integrado na socioeconomia nacional, produzida na Zona Franca do Brasil.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Faz lembrar outra farra de Ipanema, pela liberação da maconha, em que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, baseado em punho, condenava a construção da BR-319, alegando a ameaça que isso representava para gralhas e macacode-cheiro em extinção


Economia

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

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Mulheres ocupam hoje 52% das funções do mercado Mais do que comemorar, elas ainda enfrentam barreiras como a desigualdade salarial com homens do mesmo setor

IONE MORENO

ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

E

las estão em toda parte. Deixaram para trás o estigma de “sexo frágil” e assumiram papéis de relevância no comércio, na indústria e no setor de serviços em todo o país. Estamos falando das mulheres, que ocupam hoje cargos anteriormente monopolizados pelo gênero masculino. A história mudou e elas já representam, aproximadamente, 52% das funções do mercado de trabalho no Brasil. As mulheres provaram suas competências e mostraram que vieram para ficar. Um dos segredos para explicar o espaço alcançado por elas no mercado, ocupando cargos relevantes é a persistência, como revela a gerente da loja Tropical Multilojas, Amanda Pereira, 37. “Cada vez mais estamos invadindo o mercado de trabalho em todas as áreas. Desta forma podemos competir e mostrar o nosso potencial. Mesmo em situações difíceis, nós mulheres somos persistentes e nunca desistimos dos nossos ideais”, salienta. Há 22 anos no comércio, Amanda já tem nove anos na

carteira como gerente de loja. Ela acredita que nos dias de hoje, com direitos e deveres cada vez mais igualados aos dos homens, as mulheres conseguem competir e alcançar os cargos de maior relevância no mercado pela competência, independentemente do sexo. A gerente observa que, apesar do bom momento para o

EMPREGOS

Dados de 2012 da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Amazonas (SRTE-AM) revelam que dos 616,3 mil postos de empregos formais do Estado, 260,7 mil eram ocupados por mulheres gênero, ainda há muita resistência de alguns segmentos para a contratação de mulheres. “Mas são barreiras que ultrapassaremos com o tempo”, comenta. Para a chefe de produção da empresa Masa da Amazônia, Rosângela Santos, 46, a palavra é determinação. Ela atua na área industrial há 31 anos e somente nessa empresa já

chegou aos 19 anos. “Sou chefe de produção há cinco. Iniciei na Masa na função operacional e busquei crescimento profissional. Graças a minha determinação eu alcancei os espaços almejados”, lembra. Rosângela avalia que a diferença entre o sexo masculino e feminino, no campo da gestão, está na dedicação “e o dom de saber ouvir”. Para ela, a liderança somada à autoridade “move montanhas”, mas só consegue chegar nesse patamar aquelas que sabem se comunicar com os colegas de trabalho e, acima de tudo, buscar se qualificar para assumir essas responsabilidades. Um ponto em comum nas falas de Amanda e Rosângela é que, apesar do avanço da participação feminina, no ambiente de trabalho no Brasil, ainda existem muitos desafios a serem superados. Ao enumerar esses desafios elas citam a dupla jornada de trabalho como um ponto importante e que deve ser levado em consideração na disputa pelos cargos de chefia, já que os afazeres domésticos, o cuidado com os filhos e a manutenção do relacionamento familiar exigem cuidados especiais por parte delas.

Além dos empregos formais, mulheres como Márcia Regina se lançam como empreendedoras

Mais cuidado que o concorrente O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Filho, diz que hoje as mulheres ocupam pouco mais da metade das funções e cargos do mercado de trabalho no Brasil, porque elas têm demonstrado mais capacidade que o homem por

dois motivos. “O primeiro é que ela é mãe. O outro é que, além disso, a mulher ainda trabalha com dedicação”, frisa. A sócia proprietária da Tapajós Tecidos, Socorro Campos, 50, é uma empreendedora. Ela abriu o seu primeiro empreendimento

comercial depois de vender retalhos de tecidos em Santarém (PA). Hoje a sua empresa em Manaus emprega cem funcionários. Depois da loja de tecidos, a empresária abriu com a filha o Tacacá da Tia Socorro, que emprega 32 funcionários.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 9 DE MARÇO DE 2014

Preço da farinha do Uarini deve baixar no mercado A possibilidade se abre com a estimativa de crescimento de 15% da produção de mandioca no interior do Amazonas

AUGUSTO BANEGA ARQUIVO EM TEMPO

Técnicos afirmam que produção ainda sofre com os efeitos da cheia história de 2012, e que preço da farinha no mercado tem incentivado produtores a plantarem mandioca na várzea e na terra firme EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

P

roduto imprescindível no acompanhamento de pratos regionais como o tambaqui assado ou a caldeirada, a farinha do Uarini pode ficar 10% mais em conta nas prateleiras dos supermercados e feiras para o consumidor amazonense. A queda no preço, porém, depende de alguns fatores. Para superar os problemas causados pela cheia de 2012 e 2013 e um ataque de pragas na produção de mandioca dos municípios de Uarini e Tefé, respectivamente, a 565 e 523 quilômetros de Manaus, um esforço conjunto dos produtores e do poder público tornou possível o aumento do cultivo da mandioca desde o ano passado. A “força-tarefa” gerou uma expectativa de crescimento na produção da farinha de 15% para o segundo semestre de 2014. “Combatemos as pragas, a situação foi contornada e agora apenas monitoramos. Se não tivéssemos providenciado o combate de forma imediata, teríamos nova queda na produção de farinha depois daquela causada pela grande cheia de 2012”, explica o diretor de assistência técnica e extensão rural do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam), engenheiro agrônomo José Ramonilson de Souza. Segundo ele, o processo de queda no preço, não apenas so-

bre a farinha ova, mas também a respeito das farinhas d’água e seca, para o consumidor é certo, muito embora lento, por conta do processo produtivo e ainda pelos efeitos causados pelos fenômenos naturais. Por conta desses fatores, na avaliação do engenheiro agrônomo, a diminuição no preço final do alimento é considerada pequena em razão do aumento substancial ocorrido nos últimos anos. “Neste ano, teremos preços de farinha

REGIONALIZAR

700 TONELADAS

de farinha são adquiridas anualmente pela ADS para o Programa de Regionalização da Merenda Escolar não muito baixos. Deve cair, no máximo, 10% na prateleira porque ainda sentimos as consequências da cheia, que prejudicou a produção da mandioca”, frisa. Para contrapor os prejuízos, o governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e do Idam, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), iniciou a montagem de unidades de multiplicação de manivas/semente para dispo-

nibilizar ao produtor rural, nos municípios de Manacapuru e Novo Airão, a 68 e 115 quilômetros de Manaus. Mecanização De acordo com o engenheiro agrônomo da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Marco Petillo, a principal demonstração de crescimento da produção de mandioca para o beneficiamento que gera a farinha ocorre no município de Uarini, com a mudança gradual da mão de obra tradicional para a mecanizada. Petillo afirma que pelo menos três produtores iniciaram os trabalhos no ano passado. Segundo ele, esses produtores conseguiam até 18 toneladas de raiz por hectares no sistema tradicional, que beneficiadas geravam aproximadamente duas toneladas de farinha. Com a mão de obra mecanizada eles saltaram para 40 toneladas de raiz, o gerou em 2013 aproximadamente 7,5 toneladas de farinha ova. “Para atender ao Estado, esse volume é pequeno. Mas se implantasse esse sistema nos municípios produtores, conseguiríamos baixar os custos de produção e consequente o valor de comercialização”, comenta o engenheiro agrônomo. Segundo diretor da ADS, Luiz Otávio, o órgão tem feito o acompanhamento do sistema de produção da farinha no município de Uarini, orientando sobre a mudança do sistema tradicional para o mecanizado.

70% da farinha vem de fora Os principais produtores de farinha no Amazonas são os municípios de Tefé, Uarini, Alvarães, Carauari, Eirunepé e Guajará, conforme explicou o engenheiro agrônomo Marco Petillo. No entanto, segundo ele, os responsáveis por 70% do abastecimento do produto nas feiras e mercados de Manaus são os Estados do Pará e Paraná. De acordo com Petillo, as implicações da cheia de 2012 e da enchente que veio em seguida contribuíram para a queda no volume do produto no Amazonas. Porém, segundo o engenhei-

ro, o principal influenciador nos valores, que chegaram a R$ 14 o quilo da farinha ova, foi o estrangulamento da produção nesses dois Estados, por conta da baixa do preço do produto final nessas regiões, à época. “Com o preço comercial muito baixo, as grandes empresas do Pará e do Paraná deixaram de produzir a farinha. Do pouco que produziram, elas venderam tudo para a Região Nordeste. O pouco que sobrou de estoque e da produção amazonense sofre com a elevação o preço nas prateleiras”, lembra Petillo.

Para o engenheiro agrônomo, o esforço interno do Amazonas para conseguir alcançar a autossuficiência da farinha poderá ajudar na baixa do preço sobre o produto final neste ano, mas de forma moderada. A queda significativa só será sentida quando a produção do Pará e do Paraná voltar ao nível anterior. “Houve várias implicações à época. Como o preço do produto muito baixo, muitas empresas deixaram de produzir naquele ano. Isso explica que a alta no preço não foi culpa apenas da nossa produção”, conta o engenheiro.

Nova cheia prejudicaria crescimento O presidente Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, concorda que para 2014, a perspectiva da produção de farinha é de crescimento. Contudo, o incremento só será possível, caso as águas do rio Solimões não subam da mesma forma que acontece com as do rio Madeira e Purus. “Em 2013, não tivemos uma cheia acima da

anormalidade. Foi um ano de recuperação das áreas de plantio, principalmente nas áreas de várzea e do material de propagação do plantio que são as manivas/ sementes”, afirma. Para Lourenço, o atual preço da farinha no mercado amazonense é fator estimulante para o plantio da mandioca, inclusive, nas áreas de terra firme onde a produção é baixa. “O pro-

dutor tem o incentivo do governo do Estado, por meio do Idam, para a produção de farinha”, lembra. O presidente da Faea observa que é importante levar em consideração que o crescimento do preço da farinha nos últimos anos foi um quadro a nível nacional, principalmente porque a região produtora do alimento, o Nordeste, sofreu com a forte estiagem.


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Mulheres querem ter mais poder de decisão individual Especialistas avaliam, na semana do Dia Internacional da Mulher, os ganhos de poder do público feminino brasileiro

O

chamado “empoderamento” (ganho de poder) econômico das mulheres é discutido por especialista na semana do Dia Internacional da Mulher, 8 de março (ontem) e a conclusão é de que a autonomia econômica é importante, mas é fundamental que a mulher tenha também maior capacidade de decisão no âmbito pessoal e da sociedade. “Com a maior presença no mercado de trabalho, evidentemente que elas alcançam maior empoderamento e autonomia. O econômico tem papel importante, mas a mudança fundamental também vai para outros âmbitos, ela também necessita ter mais desenvolvimento na área pessoal, em relação à sua sexualidade, ao tipo de profissão que quer seguir”, disse a secretária executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Lourdes Bandeira. Ana Carolina Quirino, representante da ONU Mulheres, um órgão das Nações Unidas, compartilha a avaliação. “O empoderamento feminino não se restringe a acessar

DIVULGAÇÃO

recursos e oportunidades econômicas, deve considerar também a capacidade das mulheres de influenciar as decisões econômicas e políticas”. Avanços A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, considera que o Brasil tem avançado muito nas últimas décadas e que o Estado brasileiro tem construído políticas afirmativas efetivas para garantir mais espaço às mulheres. “Nas nossas políticas públicas de inclusão da mulher do mercado de trabalho, isso também tem acontecido. No caso do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), voltado ao público do cadastro único, quase 70% são mulheres; no Crescer (programa de microcrédito produtivo), que é uma linha de crédito para empreendedores, são mais de 70% de mulheres. Estamos conseguindo não só valorizar a mulher no mercado de trabalho, mas garantir que ela tenha uma inserção privilegiada”, disse a ministra.

De acordo com os especialistas, as mulheres já alcançaram o empoderamento e autonomia com maior presença no mercado

DEBATE

DIREITOS HUMANOS

‘Situação do setor elétrico é delicada’

AE

Baixo nível dos reservatórios tem preocupado os representantes do setor elétrico brasileiro

Representantes de grandes consumidores de energia elétrica, distribuidoras e transmissoras entregaram carta ao Ministério de Minas e Energia, na qual manifestam preocupação em relação ao nível dos reservatórios das hidrelétricas. Segundo o Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), a situação atual do setor elétrico é delicada e merece cautela. “Nesse cenário de escassez de recursos hidráulicos e de recursos térmicos com capacidade instalada limitada, em nossa opinião, a situação merece cautela. Qualquer proposição deve ser tecnicamente embasada para que se possa encontrar, em conjunto com os agentes, soluções para fazer frente ao atual quadro de dificuldades e, adicionalmente, preservar o fluxo de pagamento ao longo da cadeia entre produção e consumo, dando estabilidade ao setor”,

As associações representativas dos segmentos de geração, transmissão, comercialização, distribuição e consumo de energia também pediram para participar das reuniões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que se reúne mensalmente para avaliar o setor. Alegam que “o atendimento ao pleito estreitaria a interlocução com as associações e permitiria aos agentes participar de forma efetiva nas questões que envolvem o setor elétrico brasileiro”. Carta Entre as entidades que assinam a carta estão a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) e a Associação Brasileira de Geradoras Ter-

Defesa Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estava em 34,68% ontem (6). O sistema abrange cerca de 70% dos reservatórios do país. No final de janeiro, o nível estava em 40,3%. Apesar da falta de chuva e do baixo nível dos reservatórios, o governo afirma que não haverá problema de abastecimento de energia no país. Recentemente, o CMSE informou que o sistema elétrico brasileiro está estruturalmente equilibrado, e que, “a não ser que ocorra uma série de vazões pior do que as já registradas, evento de baixíssima probabilidade, não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia no país, em 2014”. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também já disse que não haverá problemas de abastecimento “em

Governo apoia projetos durante a Copa Vinte organizações que trabalham na defesa dos direitos humanos foram selecionadas pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos para o edital Megaeventos Esportivos e Direitos Humanos, em parceria com a Fundação Ford, entidade sediada em Nova York, nos Estados Unidos, que financia programas de promoção da democracia e redução da pobreza no mundo. A coordenadora de Projetos do Fundo Brasil, Maíra Junqueira, disse que desde 2011 a organização vinha observando aumento de projetos que discutem e questionam o modelo de direitos das cidades, “principalmente em função de obras de infraestrutura, tanto nos centros urbanos, como em áreas mais rurais”. O edital lançado no início deste ano tem foco nas grandes áreas metropolitanas que vão sediar os jogos da Copa do Mundo de Futebol, com o objetivo de minimizar o impacto que o evento pode acarretar

IMPACTOS

O edital lançado no início deste ano tem foco nas grandes áreas metropolitanas que vão sediar os jogos da Copa do Mundo de Futebol, com o objetivo de minimizar os impactos provocados pelo evento

para as populações e como as relações de direitos humanos estão sendo afetadas pelas obras que estão em andamento nas cidades-sede. Informações A ideia, disse Maíra, “é que essa população consiga se informar melhor sobre seus direitos, consiga defender seus direitos para saber o que pode ou não fazer, e tente fazer com que as políticas sejam respeitadas”. Em razão da proximidade da

Copa, que começa no dia 12 de junho e termina no dia 13 de julho, o edital terá prazo mais curto para execução dos projetos, explicou. As organizações terão até o final de dezembro para concluir os trabalhos a que se propuseram. Cada organização receberá até R$ 30 mil, em duas parcelas. Os recursos são oriundos da Fundação Ford. Relatórios O Fundo Brasil de Direitos Humanos acompanhará o desenvolvimento dos projetos, por meio de relatórios parcial e final de atividades e relatórios financeiros. Em agosto ou setembro, haverá um encontro entre o grupo, em São Paulo. “Será um momento de informação e planejamento do pós-Copa”, destacou a coordenadora. No caso do Rio de Janeiro, o edital engloba também os impactos negativos e as violações de direitos humanos vinculados às Olimpíadas de 2016, que ocorrerão na capital fluminense. AE


País

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TV é o meio de comunicação preferido e a internet é o 2º A

televisão é o meio predileto de comunicação dos brasileiros (76,4%), seguido da internet (13,1%). Os dados fazem parte da Pesquisa brasileira de mídia 2014 - Hábitos de consumo de mídia pela população brasileira, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. Com o objetivo de saber por quais meios de comunicação o brasileiro se informa e também para subsidiar a elaboração da política de comunicação do governo federal, o Ibope Inteligência ouviu 18.312 pessoas em 848 municípios entre os dias 12 de outubro e 6 de novembro do ano passado. O levantamento custou R$ 2,4 milhões. Segundo a pesquisa, apesar de os usuários de internet passarem mais tempo navegando que os telespectadores passam assistindo a programas na TV, o alcance da televisão é muito maior que o da web nos lares brasileiros: só 3% dos entrevistados disseram não assistir nunca a televisão. No caso da internet, 53% dos entrevistados afirmaram não ter o hábito de acessar a rede

ALBERTO CESAR ARAUJO

Pesquisa realizada em 848 municípios brasileiros vai amparar a elaboração da política de comunicação do governo federal mundial de computadores. Sondagem De acordo com a sondagem, de segunda a sexta-feira, os internautas ficam, em média, três horas e 39 minutos na internet, enquanto os telespectadores passam três horas e 29 minutos vendo TV. Os que

PESQUISA

De acordo com a pesquisa, o Ibope Inteligência ouviu 18.312 pessoas em 848 municípios entre os dias 12 de outubro e 6 de novembro do ano passado. O levantamento custou R$ 2,4 milhões Apesar de os usuários de internet passarem mais tempo navegando, o alcance da televisão é muito maior que o da web

ouvem rádio nesse período dedicam três horas e sete minutos a esse hábito e os que leem jornais impressos, uma hora e cinco minutos. Ainda segundo a pesquisa, enquanto 21% dos entrevistados com renda familiar de até um salário mínimo acessam a rede semanalmente, o índice sobe para 75% entre os que têm renda superior a cinco salários mínimos.

Jornal impresso tem mais credibilidade, diz Ibope Os mais escolarizados também levam vantagem na pesquisa do Ibope: 87% dos entrevistados com nível superior disseram que têm acesso à internet pelo menos uma vez por se-

mana. Por outro lado, só 8% dos entrevistados que cursaram até a 4ª série acessam a rede mundial de computadores ao menos uma vez por semana. Outro dado da pesquisa

revela que 75% dos entrevistados nunca leem jornais e 85% nunca leem qualquer revista. Apenas 6% dos brasileiros entrevistados disseram ler jornais diariamente.

Mesmo em baixa, o jornal impresso é o veículo apontado como de maior credibilidade: 53% das pessoas consultadas responderam que confiam sempre, ou muitas vezes, nos jornais.


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Mundo

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Um ano sem Hugo Chávez, Venezuela mergulha no caos No primeiro ano de morte do líder venezuelano, país enfrenta o acúmulo de problemas na economia e o furor da população

N

a semana que a Venezuela lembrou do primeiro ano de morte de Hugo Chávez, em 5 de março de 2013, o país enfrentou o acúmulo de problemas na economia, um foco de reclamação de parte da população. À frente do governo, Nicolás Maduro, eleito em 14 de abril do ano passado, procurou aplicar uma série de medidas econômicas para principalmente fortalecer o país, corrigir e equilibrar as contas, além de combater o que ele chama – assim como o próprio Chávez chamava – de “guerra econômica”. Além das complicações, Maduro herdou o preço de governar um país com as maiores reservas de petróleo do mundo. Um tesouro que ao mesmo tempo em que significa uma confiável fonte de ingressos por mais de 100 anos, promove uma espécie de “vício”, refletido num padrão de consumo irreal e no ainda insuficiente desenvolvimento da indústria nacional. Tudo a um ritmo que a produção da indústria petroleira não consegue acompanhar. A Venezuela ainda depende muito da importação para alimentar o consumo interno, porém, com uma moeda nacional desvalorizada frente ao dólar, o resultado final acabam sendo preços mais altos no mercado. À essa equação se acrescenta o que, de acordo com Maduro, é um dos principais combustíveis dessa “guerra”: a especulação. Tanto que ele chegou a dizer no final do ano passado que, “se não houvesse essa bolha especulativa induzida e ativada pela guerra econômica, a inflação seria negativa”. A especulação funcionaria da seguinte forma: com os dólares preferenciais disponibilizados pelo governo, alguns importadores, em vez de venderem no país a totalidade dos produtos que poderiam ser comprados, com uma margem de lucro justa, adquirem somente parte do carregamento. Com o resto

AP

do dinheiro, usam em atividades especulativas. E os itens comprados, como são insuficientes para a demanda, têm o valor aumentado. Pior: alguns empresários simplesmente retêm a mercadoria, de acordo com o governo, com o intuito de provocar desabastecimento. Daí então as filas quilométricas e a escassez. Protestos Entre as principais reclamações dos manifestantes durante os protestos que começaram na segunda semana de fevereiro, estavam a inflação e a escassez de produtos. De fato, é bastante difícil encontrar itens como farinha de milho pré-cozida, açúcar, óleo e papel higiênico

HERANÇA

Além das complicações, Maduro herdou o preço de governar um país com as maiores reservas de petróleo do mundo: um tesouro que ao mesmo tempo significa fonte de riqueza e de pobreza nas prateleiras dos mercados da capital venezuelana. Se a oposição culpa o governo por incompetência, chavistas acusam alguns estabelecimentos de fazer especulação. E os protestos, que haviam começado com uma série de reivindicações de cunho econômico, as quais Maduro prometeu combater, inclusive com a criação de uma comissão da verdade, sugerida pelo empresário Lorenzo Mendoza, acabaram virando focos de violência. Com isso, perderam bastante apoio popular. De acordo com um estudo da consultoria International Consulting Services (ICS), 85,4% dos entrevistados se mostrou contra a continuação das ações violentas. DIVULGAÇÃO

O país deixado por Hugo Chávez (à esq.) ao herdeiro, o presidente Nicolás Maduro, está mergulhado em uma crise econômica

DESABAFO

APÓS UM ANO

Francisco implementa suas reformas à frente da igreja

Papa Francisco comemora um ano de pontificado no dia 13

Desde a eleição do Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio ao papado, em 13 de março de 2013 (na próxima quinta-feira completa um ano), o assunto que corre mundo afora é a Reforma da Igreja. O tom dado à conversa por vezes segue linhas ideológicas ou desinformação. O papa Francisco, como todos os papas da história, está imprimindo sua própria marca ao governo da igreja, o que não deixa de ser um processo de continuidade com o esforço da Instituição em se renovar diante das novidades do próprio tempo. O arcebispo do Rio de Janeiro, dom João Orani Tempesta, que esteve recentemente em Roma para receber o título cardinalício, destaca a continuidade e a originalidade do novo papa em prosseguir uma reforma já iniciada em

outros pontificados. “Há uma continuidade na doutrina, na fé, naquilo que é essencial na igreja, e a maneira de fazer, falar e explicar são próprias de cada papa; no caso do papa Francisco, com sua proximidade, com suas falas diretas, com suas maneiras comparativas de falar, vai anunciado uma igreja querigmática” O cardeal destaca também que as mudanças são sempre necessárias, e o que chama a atenção em Francisco é o modo como as está realizando. Entre as novidade de Francisco está o grupo de oito cardeais, escolhido para representar as diferentes realidades eclesiais no mundo. O chamado “Conselho de Cardeais”, foi criado pelo Pontífice, em abril de 2013, com o objetivo de obter auxílio no governo da Igreja e no projeto de reforma da Cúria Romana.

EUA teria pedido minha execução, afirma Snowden O ex-técnico da CIA Edward Snowden denunciou ao Parlamento Europeu que autoridades do governo dos Estados Unidos pediram sua “execução”, que os serviços secretos russos o contataram para ter informações sobre a espionagem americana e que ainda há muitos programas secretos não revelados. Snowden fez as afirmações em resposta por escrito enviada à Comissão de Liberdades Civis do Parlamento, que investiga o escândalo de espionagem em massa de Washington na Europa. No texto, o ex-espião, que garante não ter qualquer apoio financeiro para suas atividades, reitera à comissão: “Oficiais do governo americano (...) pediram minha execução”. Em outro ponto, Snowden afirma que “certamente” os serviços secretos russos se aproximaram dele quando

o escândalo veio à tona, mas “estavam decepcionados” porque “não levei comigo nenhum documento de Hong Kong”. Snowden acrescenta que o governo dos Estados Unidos reconheceu que “não há provas de qualquer relação” entre ele e a inteligência russa e que também não está em contato com as autoridades chinesas. Declaração A declaração à comissão do Parlamento Europeu encarregada de investigar o escândalo acontece após vários meses sem acordo sobre seu formato e após uma videoconferência ser descartada. Snowden, que está asilado na Rússia, anuncia que fará novas revelações sobre operações de espionagem em massa de cidadãos europeus, quando as circunstâncias forem “seguras”.


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diadia@emtempo.com.br

GLÁUCIO DOTTMAR/AGÊNCIA CNJ

Caderno C

Dia a dia

Divórcio tem cartilha para orientação Dia a Dia C6

(92) 3090-1041

Projetos para o turismo esbarram em problemas ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

Atrasos de obras e questões trabalhistas deixaram o porto e o aeroporto de Manaus inacabados para a Copa do Mundo

ntervenções, paralisações, obras atrasadas, engavetadas e outras sendo iniciadas agora. Este é o cenário atual de Manaus às vésperas da Copa de 2014. Em meio a grandes tumultos, a capital corre contra o tempo para entregar antes do campeonato mundial as obras que estão na matriz de responsabilidade, compromisso firmado pelas 12 cidades que sediarão o torneio. Áreas de prioridades de infraestrutura como aeroporto, portos, mobilidade urbana, hotelaria e estádios estão em fase de conclusão e deverão ser entregues antes do início dos jogos, que ocorrem em junho e julho próximos. Em janeiro passado, o aeroporto internacional Eduardo Gomes teve parte de suas obras interditadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) devido a irregularidades encontradas na segurança dos operários. Problemas com parte elétrica, máquinas de serra expostas, isolamento inadequado e falta de equipamentos de proteção fizeram com que algumas partes das obras do terminal aéreo fossem paralisadas, sendo liberadas pelo MPT no dia 3 de fevereiro, após ter todas as irregularidades resolvidas. Com orçamento de R$ 444,46 milhões disponibilizados pelo governo federal, a primeira parte do aeroporto foi entregue recentemente e já precisa de reparos. O estacionamento possui rachaduras no concreto, parte da iluminação está com a estrutura solta e em parte do subsolo, precisamente no estacionamento, o sistema de drenagem está causando transtornos em dias de chuvas.

Segundo a assessoria da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), as obras do aeroporto já estão 83,69% concluídas. Quanto aos danos encontrados no estacionamento e na iluminação do terminal, a assessoria informou que serviços de recuperação já estão sendo feitas pelo consórcio que atua, e que até a entrega do aeroporto tudo estará em perfeito estado. Obras Com previsão de entrega somente para setembro deste ano, o aeroporto de Manaus teve no dia 15 de janeiro parte de suas obras entregues pela Infraero, contemplando o saguão de embarque, de desembarque internacional, balcões de vendas, reservas e informações (BVRIs) das companhias aéreas, área da alfândega no desembarque internacional e uma parte da área do estacionamento, localizada no nível de desembarque, com mais 400 vagas. Essa entrega corresponde cerca de 70% do total das obras no terminal de passageiros e 75% do estacionamento no nível superior e térreo e via principal no nível térreo e superior. No dia 27 de fevereiro foi iniciada a operação assistida do novo desembarque doméstico. Durante a atividade, que deverá durar até o próximo final de semana, serão monitorados o funcionamento das esteiras e escadas rolantes, as sinalizações e os banheiros, visando corrigir e ajustar o que for necessário. Até o início do campeonato mundial, serão entregues 38 balcões de check-in, sala de embarque internacional, ampliação do embarque doméstico, parte do conector e parte da praça de alimentação.

Memorial está sem previsão Com orçamento de R$ 48 milhões e projetado por Oscar Niemeyer, o Memorial Encontro das Águas, localizado entre os rios Solimões e Negro, seria construído no mirante da Embratel e teria 9 mil metros de área construída. O monumento seria palco para a realização do Fan Festival, mas como o projeto não saiu do papel e não ficará pronto para receber os turistas que estarão na capital amazonense no mundial de 2014, o evento realizado para a abertura dos jogos teve que ser transferido para o anfiteatro da praia da Ponta Negra. Devido à falta de licenciamento ambiental, e por ser um patrimônio históri-

IRREGULAR

O Memorial Encontro das Águas foi projetado por Oscar Niemeyer com orçamento de R$ 48 milhões e 9 mil metros de área construída, mas problemas legais impediram avanço da obra co, a Unidade Gestora da Copa (UGP) informou que devido o tombamento discutido pelo Supremo Tribunal Federal com governo estadual, a sede do memorial não ficará pronta a tempo para a Copa. Continua na página C2 ROBERTO CARLOS/AGECOM

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GERSON FREITAS Especial para o EM TEMPO

JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

Por causa de irregularidades identificadas pelo MPT, obras no aeroporto internacional Eduardo Gomes sofreram uma paralisação que comprometeu o prazo de entrega do novo terminal aéreo

Novo porto permitirá maior capacidade para receber cruzeiros

Porto pronto apenas em 2015 Incluído no pacote de obras para a Copa de 2014, uma das principais portas de entrada na capital, o porto de Manaus terá sua revitalização concluída somente em 2015. Com investimentos de R$ 71,1 milhões, o terminal portuário, como outras obras previstas para a Copa de 2014, não ficará antes do mundial. As obras que estavam previstas para começar em junho de 2011, e que estão sendo executadas pela PRI Engenharia, empresa que assinou contrato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), só tiveram inicio em 2013,

adiando a data de entrega e tirando definitivamente o porto como obra para o legado deixado pelo mundial. No pacote de obras previsto para a melhoria do porto de Manaus, estão incluídas adaptações nos armazéns do terminal hidroviário de passageiros e de bagagens, recuperação das pontes de acesso dos dois cais flutuantes, aumento do cais, urbanização do estacionamento e uma passarela coberta. Depois da reforma o porto receberá por dia cerca de 1,5 mil passageiros e terá a capacidade para receber até oito navios cruzeiros.

Memorial seria o palco da Fan Fest, evento da Copa


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Espaços verdes da cidade estão quase concluídos FOTOS: SEMMAS/DIVULGAÇÃO

Parques municipais estão com obras a todo o vapor para receber os turistas, enquanto hotelaria também tem avanços

Obras em andamento no Parque Municipal do Mindu, na Zona Centro-Sul de Manaus: local está com trabalhos de recuperação acelerados, estando com previsão de conclusão até maio próximo GERSON FREITAS Especial para o EM TEMPO

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nquanto as obras previstas para incentivar o turismo seguem um tanto quanto em tropeços, as reformas no Parque Municipal do Mindu estão a todo vapor nas partes do calçamento dos passeios da praça Samaúma, que dá acesso ao anfiteatro já entregue. A primeira etapa do beiral, dentro do processo de empalhamento do chapéu de palha, também já foi concluída. O parque agora passa pelos trabalhos de pintura e revitalizações das sustentações do chapéu de palha, dos bancos, estruturas de ferro, teto e partes do assentos do anfiteatro. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), a primeira etapa do calçamento já está sendo batida, e toda a parte de passeios públicos receberá nova concretagem, bem como trilhas e acessos a novas estruturas que estão sendo criadas para melhor atender ao turista e aos frequentadores do parque, a exemplo do Centro de Atendimento ao Visitante, que funcionará ao lado do novo orquidário. De acordo com a secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Kátia Schweickardt, a intenção da Prefeitura de Manaus é entregar os Parques da Copa – Mindu, Ponte dos Bilhares e a RDS do Tupé – revitalizados até o final de maio. A secretária vem acompanhando o andamento das obras por meio de visitas aos canteiros e relatórios encaminhados pelos gestores das unidades. Com investimentos de R$ 251.446,33 destinados à ampliação e qualificação dos Centros de Atendimento ao Turista na capital, anunciados pelo Ministério do Turismo, o

projeto que atenderia a central da praça Tenreiro Aranha e a construções de mais dois novos postos, sendo um na Ponta Negra e outro na rodoviária, ainda não saíram do papel. Hotelaria Na parte de hotelaria, Manaus conta atualmente com 103 hotéis adequados para receber turistas durante a realização do evento. Dados fornecidos pela Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) os hotéis contam com

PRAZO

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade pretende realizar a entrega dos Parques da Copa (Mindu, Ponte dos Bilhares e a RDS Tupé) até antes do evento, em maio Passeios públicos dos parques receberão concretagem e novas trilhas e acessos para os visitantes locais e de outros Estados

5.989 apartamentos e 11.880 leitos, e a expectativa da é que a inauguração de três hotéis que estão em fase de acabamento, acrescentem mais 1.784 leitos ao total disponível em Manaus. Além das instalações oficiais, a Amazonastur dará apoio às hospedagens alternativas, como motéis de luxo e barcos de turismo. Quatorze motéis e 34 barcos foram aprovados para serem incorporados o setor, com 1.138 e 900 leitos, respectivamente. Segundo a empresa, aproximadamente 80 mil turistas deverão visitar o Amazonas este ano. Somente a praia da Ponta Negra foi o ponto turístico entregue antes do jogos da Copa de 2014, já na gestão do prefeito Arthur Neto, em dezembro de 2013. O complexo turístico entrou em obras ainda na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes.

Secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Kátia Schweickardt, acompanha as obras nos parques municipais


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Construção de hidrelétrica deixa em alerta sul do AM P

elo menos quatro municípios do sul do Amazonas estão sofrendo impactos ambientais ocasionados pela construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Santo Antônio, em Rondônia. A informação é do prefeito do município de Canutama (a 619 quilômetros de Manaus), Ocivaldo Amorim, que afirma que 2% dessa região já está alagada. Segundo o prefeito, 50% a 70% das zonas urbana e rural, respectivamente, irão inundar quando a UHE atingir capacidade máxima de operação. A construção da UHE de Santo Antônio, iniciada em 2008, é considerada um empreendimento de grande porte que envolve o represamento do rio Madeira. Com a implantação, dois problemas surgiram: o alargamento do rio em virtude da elevação do lençol freático, volume das águas, e, em consequência, a inundação de parte do território do Amazonas. Em agosto de 2013, o deputado estadual Sidney Leite (PROS) já havia denunciado o caso na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). Segundo o parlamentar, nas terras

amazonenses a represa deixou áreas alagadas, gerando também impactos sociais. Leite esteve na região acompanhado do prefeito Amorim e da secretária de Estado de Desenvolvimento Sustentável, Kamila Amaral. A equipe visitou áreas antes ocupadas apenas por pequenos igarapés, que hoje formam imensas áreas alagadas e com a vegetação morta. O município de Canutama está em situação de emergência por conta da cheia do rio. Para o deputado, a questão dos limites territoriais é outro ponto que precisa ser melhor esclarecido, uma vez que o consórcio responsável pelas obras da usina afirma que o território alagado pelo Madeira pertence a Rondônia, mas a população que reside nos assentamentos dessa região é considerada amazonense, atendida por políticas públicas do Amazonas. Com base nesses impasses, o parlamentar irá entrar com quatro pedidos de providências junto ao Ministério Público Estadual (MPE), Secretaria de Estado de Política Fundiária (SPF), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Casa Civil.

DIVULGAÇÃO

Estrutura de Santo Antônio, em Rondônia, pode causar impactos ambientais em Canutama e outros municípios da área

O represamento do rio pela hidrelétrica de Santo Antonio deixou áreas alagadas na região, com muitas árvores mortas

Preocupação com inundações Outra questão que tem alarmado os moradores do município de Canutama, segundo o prefeito Ocivaldo Amorim, é a informação que vem sendo divulgada em Rondônia, de que a administração da UHE Santo Antônio irá construir um canal para que a água do rio Madeira, atualmente cotada em 18,73 metros, corra pelo rio Mucuim. “Caso isso aconteça, irá alagar outra parte de Canutama destruindo a vegetação local”, explicou o prefeito. A água do rio já alagou pelo menos 10 quilômetros do município de Canutama. A proposta de Amorim é que haja uma audiência pública envolvendo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS) e o Instituto de Proteção da Amazônia (Ipaam), para discutir a realidade da região.

“É preciso que os técnicos do Ipaam venham aqui, uma vez que a administração de Santo Antônio nega que haja interferência da usina quanto ao nível das águas do rio

CHEIA

As águas do rio Madeira já alagaram pelo menos 10 quilômetros do município de Canutama, causando alarme entre a população que teme que a situação piore com a construção da usina hidrelétrica Madeira”, comentou. O deputado estadual Sidney Leite encaminhará ao Ipaam, amanhã, um requerimento solicitando providências, urgentes, por parte do órgão sobre a situação.

Impactos Os possíveis impactos causados pela construção da UHE de Santo Antônio e ainda a UHE de Jirau serão analisadas pelos governos do Bolívia e do Brasil. Em nota divulgada à imprensa, o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, informou que no dia 7 de abril participará de uma reunião com o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, para discutir essa questão. Avaliação Segundo informações divulgadas pelo Itamaraty, os dois países estão avaliando a situação da cheia histórica do rio Madeira, que já deixou 60 mortos e pelo menos 60 mil famílias afetadas na Bolívia e mais de 2 mil famílias desabrigadas em Porto Velho (RO).


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Dia a dia

Cidade passa por Jogo inaugural da Arena da Amazônia, neste domingo, será a verificação dos esquemas de segurança, trânsito e transporte público que vêm sendo preparados pelo governo do Estado para a Copa do Mundo

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or se tratar do primeiro jogo-teste da Arena da Amazônia Vivaldo Lima antes da Copa do Mundo 2014, o jogo inaugural do estádio, neste domingo, seguirá os mesmos moldes do padrão estabelecido pela Fifa durante o Mundial. O governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Manaus, preparou todo um esquema que pretende testar a funcionalidade do estádio e a operacionalidade da segurança, mobilidade do trânsito, transporte público, entre outros. “O que eu estou preocupado agora é que a gente coloque tudo para funcionar, de modo que possamos corrigir, imediatamente, aquelas falhas que porventura possam acontecer”, disse o governador em entrevista na última visita que fez à arena. Segundo ele, os jogos testes – haverá mais dois – servem justamente para testar a funcionalidade do estádio e de todo o operacional para os quatro jogos da primeira fase da Copa 2014 em Manaus, que serão realizados em junho: Inglaterra x Itália (dia 14), Camarões x Croácia (dia 18), Estados Unidos x Portugal (dia 22) e Honduras x Suíça (dia 25). O jogo inaugural da Arena será um clássico regional entre o Nacional, de Manaus (AM) e o Clube do Remo, de Belém (PA), pela Copa Verde. A partida inicia às 18h30, mas a operação já vai estar nas ruas pela manhã com a Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) e o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) iniciando, às 7h, a interdi-

ção de trechos da avenida Constantino Nery (no bairro Chapada), Loris Cordovil (no Alvorada) e Pedro Teixeira (no Dom Pedro). Em todo o perímetro de segurança da arena serão instalados 22 postos de verificação onde terão acesso apenas os torcedores, veículos credenciados e moradores das proximidades do estádio – conforme a demarcação de um quilômetro de distância do estádio estabelecida pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-AM) junto aos órgãos municipais e federal. Nesse perímetro, 2,1 mil policiais militares estarão mobilizados para a segurança do evento. Barreiras Na avenida Constantino Nery serão estabelecidas quatro barreiras de segurança. Um na altura da Rodoviária restringindo o acesso de pessoas e veículos em todo esse trecho até o cruzamento com a Darcy Vargas, onde será montada outra barreira (próximo ao Sírio Libanês). A rua da Indústria, que dá acesso da Djalma Batista para a Constantino, também será interditada por barreira policial. Na Pedro Teixeira, a interdição inicia no cruzamento com a Darcy Vargas, próximo à praça de alimentação do Dom Pedro, se estendendo até a esquina com a Djalma Batista (em frente à sorveteria Happy Ice). Na Loris Cordovil, duas barreiras serão montadas interditando o trecho a partir do SPA da Alvorada até a esquina com a Constantino (em frente ao restaurante Picanha Mania).

Mapa mostra como ficará a região ao redor da Arena da Amazônia neste domingo, para o jogo inaugural

Acesso ao local será rigoroso e permitido somente a torcedores SEMCOM/DIVULGAÇÃO

Para chegar ao local do jogo, a prefeitura recomenda utilização do transporte coletivo e atenção nas mudanças no trânsito

O acesso ao perímetro de segurança da arena só será permitido aos torcedores mediante a apresentação de ingresso e comprovante de residência, no caso de morador da área. Apenas veículos credenciados terão permissão para passar das barreiras. Os carros credenciados deverão utilizar a pista do sambódromo como estacionamento. Para a entrada de pessoas aos ambientes internos do estádio será necessário apresentar o ingresso (no caso de torcedor) ou credencial de serviço nos demais casos. Não será permitida a entrada de mochilas e bolsas grandes, guarda-chuvas, bandeiras e/ ou cartazes com mais do que dois metros de comprimento, mastros e instrumentos musicais, fogos de artifícios, garrafas, comidas (salvo os alimentos específicos para diabéticos), bebidas alcoólica e não alcoólicas, nem cigarros no estádio. A arena é equipada com o serviço de quatro lanchonetes que estarão disponíveis duran-

te todo o evento esportivo. Todos os banheiros do estádio poderão ser utilizados. De acordo com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), 80 linhas de ônibus, com 185 veículos, atenderão aos moradores das cinco zonas da cidade. As linhas que passam pela avenida Constantino Nery no sentido Centro-bairro serão desviadas para a Djalma Batista pela rua Pará e para o bairro Dom Pedro pela rua Theomário Pinto. Os pontos de embarque e desembarque serão: na avenida Darcy Vargas, nas paradas em frente à Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) e Amazonas Shopping; na avenida Djalma batista, no sentido Centro-bairro: Bola do Eldorado, retorno em frente à reitoria da UEA, e outros dois no sentido bairro-Centro: as paradas em frente à construtora Andrade Gutierrez e loja Kawasaki. A recomendação do órgão de trânsito municipal é para que o público dê preferência ao transporte público.


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r ‘prova de fogo’ AGECOM/DIVULGAÇÃO

Recepção do Amazonas Bilíngue Para reforçar o serviço de voluntariado, 20 estudantes da rede pública estadual, inseridos no programa Amazonas Bilíngue, desenvolvido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), recepcionarão turistas e prestarão informações sobre o Estado do Amazonas e sobre a arena, em inglês e português, para jornalistas, convidados e ao público em geral.

A participação dos 20 jovens é parte do projeto de ensino e aprendizagem do programa Amazonas Bilíngue e busca, além de servir à população com serviços de informação e receptividade ao turista, contribuir com a busca pelo conhecimento e aperfeiçoamento da língua estrangeira dos jovens. Leia mais sobre o jogo Nacional x Remo na página 3 do caderno Pódio DIVULGAÇÃO

Jovens do programa irão atuar no local como voluntários

Voluntários ajudarão na orientação nas dependências da arena

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) selecionou 300 voluntários, entre servidores e estudantes da instituição para prestarem orientações aos torcedores dentro do estádio. Os voluntários passaram por quase 8 horas de treinamento teórico e prático para ajudar os torcedores a localizarem seus assentos, banheiros, lanchonetes etc. Além de um certificado de participação do evento-teste para a Copa do Mundo, os voluntários receberão alimentação e transporte. Além dos policiais militares fixos nos pontos de vistorias, outros 500 estarão espalhados no entorno do estádio. Alguns desses farão o policiamento velado, junto com outros 200 investigadores da Polícia Civil, no combate à atuação de cambistas. Dentro da Arena da Amazônia, 70 policiais estarão presentes no campo de jogo e nas arquibancadas. Também estarão dispo-

níveis dentro do estádio policiais do esquadrão antibombas e do pelotão de choque, que serão acionados apenas caso haja alguma necessidade. Ainda dentro do estádio estarão presentes homens do Corpo de Bombeiros e ambulâncias do Serviços de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Monitoramento O esquema de segurança contará ainda com 19 câmeras na área interna e externa do estádio, além de duas plataformas móveis elevadas, equipadas com 18 câmeras, cada uma. Toda a operação policial será monitorada por Centros de Comando e Controle – um local, que irá funcionar na Arena Amadeu Teixeira, onde todos os representantes de órgãos envolvidos na operação estarão presentes, e outro regional, instalado no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops).

Esquema de segurança e conforto para o público inclui monitoramento por câmeras na arena e diversas restrições


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Tribunais recebem 20 mil cartilhas sobre divórcios O

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai distribuir entre os tribunais de todos os Estados as “Cartilhas do Divórcio”, com a intenção de ajudar pais e filhos durante o fim do casamento. Serão 20 mil publicações, sendo 10 mil com mensagens direcionadas aos casais que estão se separando e outras 10 mil com foco nas crianças e nos adolescentes que vivenciam o período de separação dos pais. No ano passado, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) recebeu 6.353 processos de divórcio somente nas Varas de Família e Sucessões da Comarca de Manaus. Esse número deve ser maior porque se o divórcio for consensual e não envolver interesse de criança ou adolescente, o casal pode dissolver o casamento diretamente nos cartórios extrajudiciais. A distribuição das cartilhas, neste primeiro trimestre do ano, é resultado de uma parceria entre o CNJ e a Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça. As publicações serão encaminhadas às Varas de Família e aos Núcleos

Permanentes de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos dos Tribunais para ajudarem na reorganização familiar durante o processo de divórcio. O lançamento das cartilhas ocorreu em agosto do ano passado, em Brasília. Na última sexta-feira (7), o juiz de Direito Luís Cláudio Chaves, titular da 4ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Manaus, em entrevista ao programa Bom Dia Amazônia, da TV Amazonas, destacou a importância deste material para auxiliar pais e filhos em um momento tão delicado de suas vidas. “As publicações abordam, entre outros assuntos, os efeitos negativos que o conflito intenso dos pais acarreta aos filhos; as boas práticas parentais, ou seja, o que os pais podem fazer para ajudar os filhos a superarem as dificuldades que são comuns na fase do divórcio; as questões jurídicas importantes a serem enfrentadas pela família, como a guarda compartilhada, entre outras”, explicou o juiz. “É importante que se diga que a cartilha também visa conscientizar os pais a não usarem o processo de

GLÁUCIO DOTTMAR/AGÊNCIA CNJ

Publicações visam conscientizar os pais para o melhor interesse dos filhos, evitando a utilização do ato para gerar conflitos divórcio para atingir o outro, porque, no final, isso só acarreta sofrimento para toda a família, principalmente para os filhos”, acrescentou. Ele destacou que as crianças e adolescentes, durante o processo de divórcio, têm sentimentos de culpa, raiva, choque, confusão, vergonha, saudades, tristeza e ansiedade. O juiz enfatizou que a reação dos filhos no enfrentamento desse processo depende muito de como os pais lidam com todas essas mudanças. Informações As cartilhas, organizadas pela juíza de Direito Vanessa Aufiero da Rocha, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), e publicadas em agosto de 2013, foram elaboradas com base na experiência de alguns Estados brasileiros como Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e de países como Estados Unidos e Canadá, com o intuito de ajudar famílias fragilizadas que procuraram o Judiciário para a solução de seus conflitos no âmbito familiar. A cartilha direcionada aos pais possui 124 páginas; a dos filhos, 72.

Cartilhas foram lançadas no ano passado e agora chegam aos tribunais de todos os Estados


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Artigo de especialista da FCecon ganha destaque REPRODUÇÃO

Sidney Chalub participou com outros cinco cirurgiões de publicação sobre apendicectomia em revista indiana Sidney Chalub afirma que apendicectomias minimamente invasivas permitem recuperação rápida

U

m artigo de autoria de seis cirurgiões brasileiros, um deles dos quadros da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), o doutor em tumores de fígado Sidney Chalub, ganhou destaque na edição de janeiro de 2014 da publicação indiana Journal of Minimal Access Surgery (JMAS), especializada em inovações cirúrgicas minimamente invasivas. A técnica, conhecida como apendicectomia, que começou a ser utilizada em 2010, no Amazonas, consiste na retira-

da do apêndice, em decorrência de apendicite, a partir de uma incisão de um centímetro, a qual é possível a partir de uma videolaparoscopia – cirurgia que utiliza pinças e uma microcâmera. Nela, é feita uma pequena abertura abaixo do umbigo, de aproximadamente um centímetro, para a retirada do apêndice, e outra no próprio umbigo do paciente, para a entrada de uma pinça e da microcâmera. A vantagem, segundo Chalub, está na recuperação rápida do paciente, que recebe alta, geralmente, em 24 horas.

Além disso, do ponto de vista estético, o resultado também é satisfatório, uma vez que o procedimento deixa uma cicatriz quase imperceptível. A cirurgia que motivou o artigo, e que teve duração de cerca de 60 minutos, foi realizada a partir de uma parceria entre profissioanis médicos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). A produção da publicação contou com a colaboração dos médicos especialistas José Gustavo Olijnyk, Guilherme Gonçalves Pretto,

Omero Pereira da Costa Filho, Fernando Koboldt Machado, e Leandro Totti Cavazzola. Cirurgias Segundo Sidney Chalub, embora este procedimento específico tenha sido realizado em unidade de saúde privada do Amazonas, ele destaca que a técnica laparoscópica já é utilizada em pacientes da FCecon, unidade de referência no tratamento do câncer na Amazônia Ocidental, a partir de procedimentos voltados à retirada de tumores malignos. Entre eles, estão as cirurgias

de retirada de próstata minimamente invasivas, realizadas pela equipe do Serviço de Urologia do hospital. Chalub destaca que também estão inseridas no contexto das cirurgias minimamente invasivas na unidade de tratamento oncológico as cirurgias de estômago, intestino, pâncreas, suprarenal (acima dos rins) e de baço, com aberturas mínimas e menos agressivas aos pacientes. “Neste tipo de cirurgia oncológica, as principais vantagens para os pacientes são a recuperação mais rápida, redução dos ris-

cos de infecção e menos dor no pós-operatório”, assegura. Além dos serviços de urologia e de cirurgia oncológica – pélvica e abdominal -, os de ginecologia e de cabeça e pescoço também utilizam este tipo de técnica inovadora em parte dos procedimentos, informou o diretor-presidente da FCecon, pneumologista Edson de Oliveira Andrade. A FCecon está implantando uma sala inteligente específica para a realização de cirurgias minimamente invasivas, orçada em aproximadamente R$ 3 milhões.


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Doenças bucais dificultam tratamento contra câncer O

surgimento de doenças bucais ainda é uma das maiores dificuldades de pacientes em tratamento contra o câncer. Com o sistema imunológico debilitado e expostos a medicamentos agressivos, esses pacientes acabam desenvolvendo graves infecções e inflamações. De acordo com a dentista Perla Assayag, que tem mais de 20 anos de experiência com esse tipo de tratamento, não são apenas os pacientes com câncer de boca que precisam do acompanhamento integral de um dentista. “Nosso papel com os pacientes que estão fazendo quimioterapia ou radioterapia é minimizar ao máximo seu sofrimento, já que durante esse período eles acabam desenvolvendo doenças bucais e sentem dores severas, independente da região do corpo atingido pelo câncer”, explicou. Segundo Perla, durante o período de tratamento, os pacientes com câncer são expostos a condutores de possíveis infecções. “Isso acaba refletindo diretamente na evolução do tratamento e na qualidade de vida dessas pessoas, que já estão pas-

sando por situações muito delicadas e dolorosas”. Mesmo precisando de acompanhamento odontológico, os pacientes precisam ter o cuidado de buscar profissionais que tenham a especialização adequada, pois precisam de cuidados especiais e muito delicados. “Muitas vezes eles estão

CUIDADOS

Segundo a dentista Perla Assayag, não são apenas com câncer de boca que precisam do acompanhamento integral de um dentista, mas sim aqueles que estão lutando contra qualquer tipo da doença com tubos na boca e região da garganta, não podem tomar qualquer remédio e tem a sensação de dores aumentadas. Precisamos tomar todos os cuidados e tentar, de alguma maneira, melhorar a situação de bem estar dessa pessoa. Nossa principal função, como especialista, é minimizar ao máximo as dores desse paciente”, pontuou.

Perla faz parte da equipe da empresa “Dentista em Casa”, que atende pacientes com dificuldades de locomoção e que não podem ir a um consultório dentário tradicional. A equipe atende na casa do paciente e também em hospitais, nos ambientes ambulatoriais e de UTI, com equipamento próprio e especial para esse tipo de procedimento. Os tratamentos são de baixa e alta complexidade e vão desde restaurações até cirurgias mais invasivas. Além dela, a dentista Fernanda Portela também conta com esse tipo de especialização. Juntas, elas estão agora participando do curso “Odontologia hospitalar com ênfase em pacientes oncológicos”, ministrado no Hospital Santa Catarina, em São Paulo (SP). O curso tem duração de quatro meses e vai aumentar, ainda mais, o know how das duas profissionais. Pacientes e familiares que queiram obter maiores informações sobre esse tipo de atendimento, podem ligar para os telefones 9512-1114, 8217-3117, 9982-6495 e 8429-4444 ou acessar o site www.dentistaemcasa.com.br.

GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO

Pacientes ficam mais propensos a infecções e inflamações bucais por estarem com sistema imunológico debilitado

Problemas bucais podem dificultar mais o tratamento de pacientes com câncer, afirma dentista


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plateia@emtempo.com.br

Sai o resultado do ProArte local (92) 3090-1042

Plateia 3

Por trás da

Gina Indelicada Criada pelo publicitário Henrique Lopes, a personagem fictícia foi criada em 2012 e acumula quase 4 milhões de seguidores em sua página no Facebook

BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO

S

arcasmo, sensatez e uma boa dose de bom humor. A fórmula não poderia ter dado mais certa. Acumulando a marca de quase 4 milhões de seguidores no Facebook, a personagem fictícia Gina Indelicada é sinônimo de sucesso e, claro, boas gargalhadas. Sempre disposta a responder as perguntas mais bizarras – ou curiosas, como queiram – ela não poupa conselhos sinceros e muitas vezes polêmicos. Criada pelo publicitário Henrique Lopes – Ricck Lopes, para os íntimos – ela (ou ele) estará em Manaus pela primeira vez no dia 21 de março, tocando na festa “Valei-me 3.0”, no República Real. Segundo o Henrique Lopes, a Gina surgiu “do nada”. “Na verdade, tinha vontade de criar essa personagem e com essas características. Um dia estava em casa com amigos, olhei para caixa de palitos e tive a ideia. Prin-

cipalmente pelo rosto mais tranquilo e que não condiz com o que ela escreve. O resultado foi imediato”, conta ele, deixando claro que todas as perguntas são feitas pelos próprios seguidores. “Já existiram situações em que as pessoas deletaram seus perfis após as respostas da Gina. Sobre o que é respondido, sempre pergunto a opinião de amigos para saber se determinada coisa vai ter graça ou não”. Ele afirma, ainda, ter uma certa semelhança com a personagem. “Tenho a cara de bonzinho, mas sou muito sarcástico”. Criador O sucesso, obviamente, aguçou não apenas a curiosidade das pessoas, mas também da mídia. Todos queriam saber quem era o responsável pela ideia. Porém, após conjecturas de que Lopes estaria se escondendo por medo ser processado pela marca, ele decidiu que seria hora de revelar quem estava por trás de Gina. “Confesso que

foi a melhor coisa que fiz. Fiquei na página principal do “Globo.com” por uma semana. Não esperava esse sucesso. Hoje, não consigo passar despercebido. Muitas vezes estou andando na Paulista ou na Augusta (ruas de São Paulo) e as pessoas me reconhecem. Eu adoro. Sempre sou muito receptivo, gosto de conversar”, diz. Aliás, essa é característica de um bom taurino. E como não poderia deixar de ser, sua vida profissional mudou completamente. “Eu estava no 3º período da faculdade, nem estagiava. Depois desse “boom”, recebi várias propostas de emprego e aceitei o da empresa que estou até hoje (CuboCC). Cresci e estou conquistando cada vez mais meu espaço. Sei que boa parte disso devese a Gina, mas muito é do meu talento, meu mérito”. Sobre a conta bancária, ele garante que continua do mesmo jeito. “Não mudou nada nesse quesito”, ri.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Caderno D

Plateia

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Henrique Lopes é o criador do perfil virtual

Sucesso na internet E para quem acha que a Gina Indelicada foi o primeiro sucesso de Henrique Lopes na internet, está muito enganado. O jovem mineiro já havia conquistado diversos internautas e até mesmo celebridades como a cantora Cláudia Leitte e o cantor Kaká com o perfil no Twitter “@VouConfessarQue”. “Ele teve uma longa duração. Era o terceiro perfil mais retuitado do mundo. Mas percebi que as pessoas estavam migrando para o Facebook e decidi acabar com ele”, explica.

Ele no comando das picapes Atualmente, Lopes viaja o país tocando em festas com diversos temas. “Nunca tive a pretensão de ser DJ. Tanto que só aceitei o primeiro convite depois de 1 ano e foi uma coisa louca. Não quis mais parar de tocar”. Seus sets são repletos de músicas

“rebolativas”, como ele mesmo fez questão de exemplificar. “Vai do pop até “bagaceira”, como Valesca Popozuda. E estou muito feliz de conhecer Manaus, uma realidade distante da minha. Os manauenses podem esperar uma noite como nunca viram”, finaliza.

SERVIÇO FESTA “VALEIME 3.0”

Sem patrocínio da marca E pela sinceridade de Gina, muitas vezes a interpretação dos internautas é contrária a de Lopes. Um dos exemplos foi: “Burro é o homem que troca uma mulher que é dele, por uma mulher que é de todos”, no qual a seguidora subentendeu que a mulher era um objeto do homem. “Isso acontece, é inevitável. Mas não lido com isso. Tenho dó de quem não consegue entender as coisas que são escritas. Só desejo que elas voltem para o ensino médio e aprendam sobre

interpretação de texto”. Lopes conta que chegou a participar de uma reunião com Alfredo Rela Net, responsável pela marca de palitos, mas garante que não é patrocinado pela empresa. “Nossa conversa foi basicamente para tratar sobre o uso da imagem. Nada além disso. Não recebo dinheiro deles ou qualquer coisa do tipo. Foi somente para dizer que eu poderia usá-la sem receber um processo”.

Quando: Dia 21 de março, a partir das 22h Onde: República Real (avenida Djalma Batista, 705, Chapada) Quanto: R$ 25, venda na Forum (Manaura Shopping) Criador do “Gina Indelicada” mostra o seu lado DJ em Manaus, no dia 21


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>> Villa Mix

>> Arena

. O maior festival de música sertaneja do Brasil está de volta a Manaus. O Villa Mix, evento que reúne alguns dos principais nomes do sertanejo é uma realização da Fábrica de Eventos e terá como atrações: Zezé di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Gusttavo Lima e Israel Novaes.

. A Secretaria de Estado de Segurança, em parceria com a Unidade Gestora do Projeto Copa e com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus são responsáveis pelo esquema de segurança e mobilidade urbana para o jogo de inauguração da Arena da Amazônia, entre Nacional, de Manaus, e Remo, de Belém (Pará). Serão 2,1 mil policiais militares dentro e no entorno do estádio para dar segurança aos torcedores que forem assistir ao jogo.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

. O Villa Mix será realizado no Centro de Convenções (sambódromo), no dia em 5 de abril e promete inovar no conceito de “ver show” em Manaus, isso porque entre as novidades está a área VIP Extra, um local onde o público poderá ter acesso direto aos artistas que se revezarem no palco.

FOTO 6: André, Ana Luiza e Tereza Becil no camarote Amazônia na Sapucaí

Pedro Monteiro e Renata Ruiz no baile do Glamurama no Rio de janeiro

Os italianos Santo e Giovanna Deodato no Baile da Cidade na Hípica do Rio de Janeiro

Waltinho Oliva Pinto e Waisser Botelho na badalada feijoada King que movimentou a Barra no Rio de Janeiro

. Serão montados quatro pontos de contenção na avenida Constantino Nery e ruas adjacentes, que serão interditadas para a realização da partida. Cada ponto terá a presença de 60 policiais militares, que trabalharão em turnos de seis horas. . A partir das 7h de hoje, será iniciada a interdição das vias. Foi delimitado um perímetro de um quilômetro para essa interdição no entorno da Arena da Amazônia.

>> Estreia na ponta dos pés Karine e Orsine Oliveira no setor chique da Sapucaí

Com exclusividade para coluna, um dos registros do recente ensaio fotográfico com o bailarino Marcelo Mourão na Arena da Amazônia. Pelas lentes da fotógrafa Ruth Jucá, o amazonense escolheu o cenário por ser o mais novo ícone do Estado do Amazonas. O artista, que reside em Nova York e é o primeiro bailarino do American Ballet Theater, foi o primeiro manauense de renome internacional a pisar no gramado do local, que será um dos palcos da Copa do Mundo de 2014.

Diógenes Queiros de Fred Mercury no badalado baile do Glamurama

Marilia e Murad Aziz no camarote exclusivo da Grande Rio FOTO 8: Chico Recarey e Tonia Seixas na Sapucaí

>> Chocolates

>> Animação estrelada

>> Livro

. A Páscoa está chegando e o Messer Núcleo de Gastronomia, localizado no Parque 10, oferecerá cursos para preparação de ovos de chocolate, recheio com trufas, chocolate com sabor, ovos estampados, esculturas de chocolate, ornamentação de mesa e muito mais.

O longa-metragem infantil “O Reino Perdido” será exibido gratuitamente neste sábado e domingo, a partir das 17h, no Parque Cidade da Criança. A animação conta com as vozes de Amanda Seyfried, Josh Hutcherson e do roqueiro Steven Tyler. É bom ressaltar que serão exibidas três sessões por dia.

. Quem gosta de poesia deve ficar de olho no “A Cidade por Bandeira”, novo lançamento da Editora Batel que acaba de chegar às livrarias. Com curadoria de Elza Kawakami, a obra reúne trechos selecionados da obra de Manuel Bandeira, linkados a belas imagens do Rio de Janeiro clicadas pelo fotógrafo Benoit Fournier, francês radicado no Rio.

. As aulas serão realizadas a partir da próxima quarta-feira, dia 12, até sexta-feira, dia 14, sob o comando da expert no assunto, Veroka Marques, que é chef de cozinha e professora especializada em elaboração de doces. O curso está aberto ao público em geral e também é uma oportunidade para quem quer ganhar uma renda extra com a venda dos ovos.

Outra opção para quem estiver no local, é se aventurar na tirolesa recém-inaugurada e que conta com uma equipe de segurança. Vale ressaltar que todos passaram por uma série de treinamentos e o espaço foi devidamente aprovado pelo Corpo de Bombeiros.

. Com a junção das imagens, textos e o projeto gráfico de Gueko Hiller, a obra tenta passar uma experiência sensorial, provocada pela visão de pessoas que escolheram o Rio de Janeiro como casa.

CONCERTO DIEGO JANATÃ

Além do repertório com canções dos filmes, músicos da orquestra usam figurino especial

‘Star Wars’ com ingressos à venda O concerto “Música no Espaço”’, que lotou o Teatro Amazonas em três edições, voltará ao palco principal do Estado com mais duas apresentações nos dias 29 e 30 de março, às 20h e 19h respectivamente, em eventos promovidos pelo governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Cultura. Os valores dos ingressos devem ser os mesmos das edições anteriores: R$ 20 para plateia e R$ 10 para frisas/camarotes e poderão ser adquiridos na bilheteria do teatro, a partir das 9h de amanhã. De acordo com o titular da SEC, Robério Braga, o sucesso do espetáculo foi surpreendente. Para ele, concertos menos tradicionais como este representam uma democratização da manifestação artística. “Fiquei bastante entusiasmado. Adorei a apresentação, pois estamos atraindo um público mais jovem, que começou a ver que a música erudita está nos comerciais,

nos filmes, na televisão e nas bandas de rock”, sintetizou. Assim como nas apresentações anteriores, a Orquestra Filarmônica do Amazonas, sob a regência do maestro Marcelo de Jesus, promete muitas

VALORES

Os valores dos ingressos serão R$ 20 para plateia e R$ 10 para frisas e camarotes e poderão ser adquiridos na bilheteria do teatro, a partir das 9h de amanhã. Demais setores são gratuitos surpresas e elementos cênicos em sua apresentação. “A grande aceitação do público nos abre para novas possibilidades e inovações no futuro próximo”, revelou o regente. O concerto começa com “Assim falava Zaratustra” do alemão Richard Strauss e escolhida para a cena de abertura do filme clássico “2011,

Uma Odisseia no Espaço”, sendo considerada atualmente uma das mais conhecidas trilhas sonoras do cinema de todos os tempos. A segunda parte tem como tema o Universo pela visão e sensibilidade do compositor inglês Gustav Holst em sua suíte “Os Planetas”, na qual elemento do Sistema Solar tem uma identidade própria e exclusiva. Por fim, devidamente caracterizados, os integrantes da Filarmônica voltam ao palco para a “Star Wars Suite”, do norte-americano John Williams. Composta para a série de filmes “Guerras nas Estrelas”, as peças – incluindo “The Imperial March (Darth Vader’s Theme)” – fazem parte da cultura pop mundial ao mesmo tempo em que são consideradas pelos especialistas algumas das mais virtuosas obras para orquestra nas últimas décadas. Para mais informações sobre ações promovidas pela SEC acesse facebook.com/ culturadoamazonas.


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Villa Mix chega com inovações Realizado pela Fábrica de Eventos, festival terá Zezé di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan e outros

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A área mais VIP do Villa Mix oferecerá, além da sensação de estar “dentro” do palco outras comodidades aos privilegiados que estiverem ali, tais como open bar até as 4h - com chopp Brahma, vodka, whisky 8 anos, caipirinha, caipiroska, água e refrigerante -, lounge com ar condicionado, open food, entre outras comodidades. O espaço pode ser adquirido em até 3x no cartão de crédito pelo site www.fabricaingressos.com. Outro ponto que merece destaque é o palco por onde Zezé di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Gusttavo Lima e Israel Novaes irão se revezar durante as apresentações. De acordo com, Bete essa será a primeira vez que Manaus terá um palco com dimensões dos palcos utilizados pelos grandes artistas internacionais que vem ao Brasil. “O palco será completamente novo, com uma estrutura nova e com medidas nunca antes utilizadas em Manaus. Ele terá 20 metros de frente, por 18 metros de fundo e 12 metros de pé direito. É o tamanho de um palco utilizado artistas renomados internacionalmente e que agora será

utilizado nos grandes eventos da Fábrica também. Esse será o maior palco já montado em Manaus”, afirma ela. Manaus será a segunda cidade do Brasil a receber, em 2014, o Villa Mix. A primeira será Cuiabá (MT), onde o maior festival de música sertaneja do país abre a programação deste ano em 22 de março. O Villa Mix nasceu em Goiânia há cinco anos e há três excursiona por algumas das principais capitais brasileiras.

Evento, que nasceu em Goiânia, reúne os grandes nomes do sertanejo brasileiro, como Zezé di Camargo e Luciano

SERVIÇO VILLA MIX Quando: 5 de abril Onde: Centro de Convenções (sambódromo) 1º Lote Ingressos: Pista (estudante) – R$ 60 Camarote – R$ 200 por pessoa Área VIP – R$ 250 Área VIP extra – R$ 450 (feminino) e R$ 500 (masculino) www.fabricaingressos.com

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

maior festival de música sertaneja do Brasil está de volta a Manaus. O Villa Mix, evento que reúne alguns dos principais nomes do sertanejo é uma realização da Fábrica de Eventos e terá como atrações: Zezé di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Gusttavo Lima e Israel Novaes. O Villa Mix será realizado no Centro de Convenções (sambódromo), no dia em 5 de abril e promete inovar no conceito de “ver show” em Manaus, isso porque entre as novidades está a área VIP Extra, um local onde o público poderá ter acesso direto aos artistas que se revezarem no palco. Na área VIP extra o público fica entre a estrutura da passarela, por onde os artistas passam, e o palco, permitindo maior proximidade e interação com os artistas. “Na área VIP extra somente 400 felizardos terão a possibilidade de ficar mais próximo do artista e curtir, ainda mais de perto às apresentações. Nas edições do Villa Mix pelo País esse formato tende a ser reproduzido, e aqui em Manaus isso irá acontecer nesta edição”, afirma a proprietária da Fábrica de Eventos, Bete Dezembro.

Um dos projetos aprovados foi o “Quatro Elementos” do qual Alberto César Araújo faz parte

EDITAL

Proarte divulga selecionados Na última sexta-feira, dia 7, foram divulgados os selecionados pelo Programa de Apoio às Artes (Proarte) edições 2013/2014. A iniciativa, que é do governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), disponibilizou a quantia de R$ 4,8 milhões que serão gastos na realização de diversos projetos nas categorias música, teatro, circo, dança, cultura indígena, cultura popular, cinema, artes visuais, bolsa apoio, circo, vídeo, literatura, pesquisa artística e cultural. A seleção contou com duas etapas. A primeira consistia na inscrição do projeto por meio do site da secretaria destinado aos editais públicos (www.editaisculturamazonas.com) e no Centro Cultural Povos da Amazônia. Já a segunda, era baseada na entrega de documentação exigida pela própria Sec juntamente com a importância de cada programa. Vale res-

saltar que os selecionados terão até 12 meses para colocar em prática seus projetos e os valores variavam de R$ 5 mil a R$ 40 mil,

VERBA

Ao todo serão disponibilizados R$ 4,8 milhões para as mais diversas áreas culturais como dança, circo, teatro, cultura popular, literatura, artes visuais, pesquisa artística e música dependendo da categoria. Um dos selecionados, o fotógrafo do EM TEMPO, Alberto César Araújo, teve o projeto “Quatro Elementos” aprovado na categoria artes visuais. O valor de R$ 10 mil será empregado em uma exposição, em um espaço gerido pela própria SEC (com data

e local a definir) e mostrará os quatro elementos da natureza – terra, fogo, água e ar – em fineart. Além das fotos de Araújo, a mostra contará com imagens de Danielo Mello, Raphael Alves, Gedeon Santos. Todos fazem parte do coletivo Foto Amazonas. Na categoria música estão nomes conhecidos do grande público como Lucilene Castro (“Hotel Cassina” – R$ 7 mil), Ednelza Sahdo (“Uma Saudade, Uma Rosa... Um Beijo!” – R$ 10 mil), Márcia Siqueira (“Ritual” – R$ 35 mil) e Elisa Maia (“Turnê Norte de Lançamento da cantora Elisa Maia”- R$ 35 mil). Já no teatro importantes artistas como Narda Teles (“A Menina dos Brincos de Ouro” – R$ 25mil), Michel Guerrero (“Que Diabo Deu Em Barbie Jane?” – R$ 25 mil) e Arnoldo Barreto (“Vestido de Luxo” – R$ 25 mil). Mais informações podem ser obtidas por meio do www. editaisculturamazonas.com.


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RESENHA

Equilíbrio perfeito entre música e performance LUIZ OTAVIO MARTINS Equipe EM TEMPO

PERFIL

Luiz Otavio Martins é jornalista

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show “The Truth About Love”, da cantora norteamericana P!nk, tem teatro, coreografias, humor, acrobacias, troca de roupas, caras e bocas. Entretanto, no final das contas, como a própria artista diz numa das entrevistas para os extras de seu novo DVD/Bluray, tudo diz respeito à música. E é verdade. Essa nova produção da cantora equilibra muito bem os aspectos visual e musical, bem mais até do que as incursões pelos palcos de outras colegas suas do cenário pop recente. Ou seja, é fácil ficar admirado com os dotes físicos e com as habilidades circenses de P!nk após assistir ao show, mas também sobram “uaus!” para a performance de sua banda. O registro em vídeo foi gravado em Melbourne, na Austrália, e a base do espetáculo é o sexto CD da artista, lançado em 2012, também chamado “The Truth About Love”. A turnê percorreu cidades da América do Norte, Europa e Austrália de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014.

As músicas da primeira parte – “Raise Your Glass”, “Walk Of Shame”, “Just Like A Pill”, “U + Ur Hand” e “Leave Me Alone (I’m Lonely)” – mostram o lado mais rock do que pop de P!nk. E imediatamente abrem espaço para um dos pontos altos do show: a discussão física entre a cantora e o dançarino Colt Prattes na balada “Try”. É basicamente a mesma coreografia do ótimo videoclipe (que por sua vez foi levada para os palcos do “American Music Awards” e do programa de TV alemão “Wetten, Dass..?”), com a mesma dose de sentimento. E esse bloco é para comover mesmo. Primeiro com a interpretação de P!nk para o hit “Wicked Game”, lançado em 1989 por Chris Isaak, sem tomar liberdades no arranjo e melodias originais, e depois com a apresentação de “Just Give Me A Reason”, baladona em que divide os vocais com o cantor (no telão) Nate Ruess, vocalista da banda Fun. Igualmente inesquecível é a impressionante performance para “Sober”, single do álbum “Funhouse”, de 2008. A cantora e seus dançarinos acrobatas mostram suas habilidades suspensos numa instalação circular DIVULGAÇÃO

– sem o auxílio de cabos de segurança. A irreverência que é marca registrada de P!nk desde o início de sua carreira dá as caras em composições c o m o “Slut Like You”, mas a artista também t e m p e r a um set acúst i c o com a ternura de “Time Aſter Time”, um dos maiores sucessos de Cyndi Lauper. Muitos podem imaginar que, desde que P!nk começou a investir em números circenses, suas apresentações tenham ficado mais repetitivas nesse aspecto. Em outras ocasiões pode até ter existido uma certa overdose. O novo espetáculo, porém, equilibra bem os elementos que com-

põem o universo ora explosivo, ora intimista da artista – com ou sem performances suspensas no ar. No Brasil, o vídeo “The Truth About Love Tour: Live From Melbourne” está disponível somente em DVD, mas inclui os mesmos extras da edição importada em Blu-ray, entre eles o documentário com os bastidores da turnê.

Essa nova produção da cantora equilibra muito bem os aspectos visual e musical, bem mais até do que as incursões pelos palcos de outras colegas suas do cenário pop recente”

HOJE

‘Mistura nutritiva’ agita o Gargalo

Realizada pelos formandos de nutrição, festa terá três atrações de samba, na tarde de hoje

Os formandos de nutrição da Faculdade Fametro promovem hoje, a partir das 15h, no Gargalo Sport Beer (rua Rio Branco, 12, Vieiralves), a festa “Mistura nutritiva”, com as bandas Cuka Fresca, Pegada Sertaneja e grupo Calçada do Samba. Um dia de muita música é a proposta do evento, abrindo a tarde, o grupo Calçada do Samba traz muita ginga no pé com samba, pagode e samba de raiz. Em seguida o Cuka Fresca faz um revival de

músicas que embalaram as noites das décadas de 80, 90 até a atualidade. Encerrando a noite é a vez do sertanejo com a banda Pegada Sertaneja que vai do sertanejo universitário até o tradicional. A produção do evento será da Arrecadar Produções e eventos e segundo o empresário Hans Yung, a “Mistura nutritiva” será diferente e o repertório que será baseado nas músicas preferidas dos universitários. “Trabalhamos sempre em cima do gosto

musical, e buscamos melhorar cada evento e sempre apresentando misturas inusitadas, o que faz da festa um diferencial”, afirma. Como todos os eventos de formandos, parte do dinheiro arrecadado será revertido para o pagamento da festa de formatura. Os ingressos custam R$ 25 (individual) com chope liberado das 15h às 18h. Outras informações e reservas podem ser feitas pelos fones: (92) 8144-0316 ou 9508-3451


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Liberado Emiliano Queiroz encerrou seu trabalho na série “Doce de Mãe”, e passa a ser exclusivo das gravações de “Meu Pedacinho de Chão”, próxima novela das seis na Globo. Padre Santo é o seu personagem

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Atraso Apesar de todos os esforços, a novela “Em Família” tem ainda um ritmo bem conturbado em suas gravações, porque tudo continua sendo feito em cima da hora. Um problema que teve início desde o enxugamento da primeira fase, com o salto de alguns capítulos. Não basta uma? Todos os indicativos, em relação à personagem da Viviane Pasmanter em “Em Família”, é que ela será uma pessoa muito do mal. Alguém na linha da Carminha da “Avenida Brasil” ou Félix, antes de virar santo, em “Amor à Vida”. Toda novela que se preze tem que ter alguém do tipo. A pergunta que se faz é: precisava da cobra vir junto? Não era suficiente só ela?

REGI

• A TV Gazeta de São Paulo estreia amanhã, dia 10, às 23h30, o programa “Hora do Voto”, com Maria Lydia. • Priscila Fantin, após “Malhação”, na Globo, agora grava participação na série “As Canalhas”, do GNT. • Ela vai aparecer no episódio “Júlia, a secretária ambiciosa”. • O carioca Kevin White, que canta em inglês, já emplacou dois trabalhos nas trilhas de novelas da Globo. • Longe da TV, após “Amor à Vida”, Mateus Solano tem como próximo compromisso no vídeo o evento “Melhores do Ano”, do “Domingão”, dia 16. • Já a partir do dia 25, Mateus ficará por conta da divulgação do filme “Confia em mim”.

Nova temporada A 3ª temporada da série “Tabu Brasil” tem estreia prevista para abril, no Nat Geo, com os temas matrimônios, partos polêmicos, humanização dos pets, superdotados, obesidade, adoção e prisão feminina. Entre as ações para promover a volta do programa, o canal colocou um grande painel de grafite num cruzamento próximo ao terminal Bandeira e à 9 de Julho, no centro de São Paulo. O desenho foi concebido e realizado pelos grafiteiros Paulo Ito e Deco Farkas.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Primeiro encontro Amanhã, 10, Jô Soares já tem reunião marcada com sua equipe na Globo em São Paulo, para falar sobre a nova temporada do seu programa que voltará ao ar dia 17. Jô vai encontrar um “cenário” diferente nessa sua volta ao ar, com o Danilo Gentili no SBT e o Rafinha na Band, no comando de talk-shows diários.

• A música “The Reason of My Smile” integrava a trilha de “Flor do Caribe”, enquanto “One Of A Kind” está na novela “Em Família”.

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

A desestatização da cultura

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

Em “Ensaios sobre a Cultura e o Ministério da Cultura”, o economista Celso Furtado, nesta coletânea de conferências e palestras, tem nos como estimulado a um debate não exatamente novo no campo das políticas públicas para a cultura no Brasil, mas certamente uma novidade em se tratando do assunto em Manaus. A ideia de desestatizar alguns setores produtivos culturais de massa como o Boi Manaus, o Carnaboi e o desfile das escolas de samba de Manaus foi apontado como um dos itens a serem discutidos já para o ano de 2015 e, segundo alguns, um dos fatores de “desestímulo” do Carnaval 2014. Não se sabe ao certo quem começou o imbróglio, mas aspectos como a baixa participação popular, carência de recursos, dificuldades de organização jurídica das escolas, problemas judiciais, enfim, todo um conjunto de infortúnios ocasionou no inédito e inesperado resultado final em que todas as escolas do grupo especial foram consagradas campeãs, uma forma de solidariedade ao momento presente. Polêmicas à parte, os próprios presidentes foram coniventes com a proposta (com exceção de um), certo ou não, foi feito e tá falado. Agora, qual o papel do Estado no fomento, apoio ou salvaguarda das manifestações folclóricas e demais expressões culturais? Que tipos de manifestações devem ser consideradas pelo Estado de “interesse público”, interesse este acima de todos os interesses com vistas ao bem da coletividade? É certo que é dever do Estado se importar com tudo aquilo que não pode ser vendido ou privatizado. Pode se vender ou privatizar o Boi Manaus ou o Carnaboi, por exemplo, mas não podemos vender as toadas, a dança, a história, a culinária típica, as cores, o artesanato, as “rixas” bovinas, em suma, isso é dever do Estado de valorizar, promover e preservar. Neste

sentido, uma comissão formada pelos bois poderia assumir a organização da festa, a captação de recursos (obtida através da Lei de Incentivo à Cultura de Manaus) – que está em vias de implantação - ou pela Lei Rouanet, e o Estado entra com a promoção turística, o apoio operacional (segurança, policiamento, saúde etc), divulgação e regulação de alguns itens como programas de sensibilização ao empresariado local com vistas a participação nas respectivas leis e/ou criação de novas renúncias fiscais através da Suframa, por exemplo. O mesmo pode ser estendido para as próprias escolas de samba. Pequenos empreendimentos como uma padaria ou açougue poderiam contribuir através da produção de fantasias ou mesmo com a compra de outras e/ou alas inteiras. O empresário confeccionaria a mesma a partir do protótipo dado pelo carnavalesco e a venderia a fantasia já com a mais-valia incidida no preço da roupa, taxa estipulada pela própria escola. Em suma, o Estado não pode oferecer prebendas e concessões àquilo que já é ou tem princípios mercadológicos, oferta e procura, mais-valia e lucro onde determinados grupos se beneficiam economicamente (dinheiro em troca, digo) como empresas de bebidas, vendas de abadás ou tururis etc. O Estado deve proteger e investir naquilo que é imaterial, que é um bem comum a coletividade. São muitas as estratégias para o incremento desse sistema produtivo do carnaval e do Boi Manaus/Carnaboi. Cada um, poder público e sociedade civil, deve fazer a sua parte para juntos firmarmos um pacto de ressignificação das festas onde o poder público atue apenas com o que deve atuar, ou seja, como o regulador deste processo (parte do fomento, divulgação, apoio e promoção), e já estamos em tempo de promover uma mudança de paradigma. Chegou a hora.

Márcio Braz

*ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural de Manaus

Polêmicas à parte, os próprios presidentes foram coniventes com a proposta (com exceção de um), certo ou não, foi feito e tá falado”


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REPRODUÇÃO

Programação de TV SBT 5h Jornal Da Semana 6h Igreja Universal 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Aventura Selvagem 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas Da Sorte 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio Da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h De Frente Com Gabi 1h Crimes Graves 2h Alcatraz 3h20 Big Bang 4h Igreja Universal

GLOBO

O programa Silvio Santos é um dos principais ibopes durante os domingos na televisão

Horóscopo

5h Santa Missa 6h Amazônia Rural 6h30 Pequenas Empresas, grandes Negócios 7h Globo Rural 7h55 Auto Esporte

Cinema

8h30 Esporte Espetacular 11h50 Temperatura Máxima 13h40 Divertics 15h Futebol 2014: Campeonato Carioca - Duque de Caxias x Fluminense 17h Domingão do Faustão 19h45 Fantástico 22h05 Big Brother Brasil 14 22h50 TUF: Em Busca de Campeões 0h55 Sessão de Gala 2h Corujão

RECORD 4h45 Bíblia Em Foco 5h Santo Culto Em Seu Lar 5h30 Desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids 9h Amazonas Da Sorte 10h Domingo Da Gente 14h15 O Melhor Do Brasil 18h20 Domingo Espetacular 22h15 Spartacus 23h15 50 Por 1 1h10 Programação Iurd

BAND 5h Power Ranger Dino Trovão 6h Desenho 6h30 Santa Missa No Seu Lar 7h30 Sabadão Do Baiano 8h Desenho 9h30 Mackenzie Em Movimento 9h45 Infomercial 10h15 Power Rangers Super Patrulha Delta 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro 11h05 Minuto Da Copa 11h10 Pé Na Estrada 11h35 De Olho Na Copa 11h40 Band Folia 2014 I 12h45 Brasil Open 16h55 Minuto Da Copa 17h Sessão Livre 19h Só Risos 20h Polícia 24 Horas 21h Pânico Na Band 0h Band Folia Ii 2h30 Igreja Universal

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Você está mais envolvente e sedutor, o que facilita a atração pelas pessoas. Os encontros podem ter uma conotação amorosa, mesmo em relações circunstanciais. TOURO - 20/4 a 20/5 A comunicação afetiva está dificultada, apesar de você estar mais desejoso por satisfação, inclusive no amor. É preciso encontrar as condições adequadas. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Situações encantadas podem acontecer, mas de modo incontrolável. Você pode vir a sentir uma atração especial por um amigo ou alguém de seu ambiente social. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Você encontra falhas no procedimento de trabalho e precisa cuidar delas, mesmo que isso lhe custe um pouco. O entusiasmo pelo trabalho favorece dedicar-se como é preciso. LEÃO - 23/7 a 22/8 Os afetos buscam maturar e se estabilizar. Para isso acontecer, você terá que seguir seus sentimentos mais do que as seduções fáceis que o ambiente apresenta. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Você pode dar passos ousados no trabalho, melhorando certas condições e passando a fazer uso de recursos antes não disponíveis. Mas terá que partir de algo que lhe falta. LIBRA - 23/9 a 22/10 A troca de ideias com algumas pessoas leva a momentos de intenso fascínio. Você se seduz facilmente com conversas interessantes. Veja se realmente elas lhe interessam. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 As condições materiais que o mundo lhe apresenta podem trazer hoje algo agradável e mesmo apaixonante. Você pode usufruir de algo muito agradável. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 O dia vale pelo encanto presente na afeição com pessoas especiais. Os sentimentos amorosos são intensos, podendo mesmo ser em relação a alguém do ambiente social. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Você gosta de certos aspectos do trabalho aos quais pode não estar conseguindo se dedicar. Mas hoje talvez consiga fazer algo para conseguir se dedicar como gostaria. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Um dia para conhecer ambientes e ideias novos e legais. Encontros fora do esperado podem ocorrer. Não precisam ser encontros amorosos, mas podem ser também. PEIXES - 19/2 a 20/3 A amorosa Vênus em tensão com o Sol indicam encontros amorosos gratificantes e intensos. No trabalho, algum apoio pode favorecer a solução de problemas.

ESTREIAS Walt – Nos Bastidores de Mary Poppins: EUA. Livre. Durante quatorze anos, Walt Disney tentou adquirir os direitos de Mary Poppins da escritora australiana P.L. Travers. Quando o acordo foi finalmente fechado e o filme foi terminado, a autora mostrou-se muito descontente com o resultado final, especialmente no que diz respeito às cenas em animação. Cinemark 3 – 17h50, 20h40 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 6 – 13h15, 18h45 (dub/diariamente), 16h, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 2 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (leg/diariamente), 23h25 (leg/somente sexta-feira e sábado). Tinker Bell - Fadas e Piratas: EUA. Livre. Nova aventura da fada Tinker Bell, após Tinker Bell e o Segredo das Fadas (2012). Cinemark 3 – 11h50 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h50, 16h (3D/dub/diariamente); Cinépolis 10 – 13h20, 15h25, 17h25 (dub/diariamente). 300 – A Ascensão do Império: EUA. 18 anos. Baseado em Xerxes, quadrinhos de Frank Miller, e narrado no estilo visual de tirar o fôlego do megasucesso “300”, o novo capítulo da épica saga leva a ação a um inédito campo de batalha – o mar – à medida que o general grego Themistokles (Sullivan Stapleton) tenta unir a Grécia ao liderar o grupo que mudará o curso da guerra. “300: Rise of an Empire” coloca Themistokles contra as enormes forças Persas, lideradas por Xerxes (Rodrigo Santoro), um mortal que virou deus, e por Artemesia (Eva Green), uma vingativa comandante da marinha persa. Cinemark 1 – 18h20 (dub/diariamente), 13h10, 15h45, 21h (dub/diariamente), 23h40 (dub/ somente sexta-feira e sábado), Cinemark 6 – 11h20 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h40, 16h20, 19h, 21h40 (3D/dub/diariamente), Cinemark 7 – 12h40, 15h10, 17h40, 20h20 (3D/dub/diariamente), 23h (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 1 – 14h35, 17h10, 19h50, 22h35 (3D/leg/diariamente), Cinépolis 5 – 15h, 20h (3D/leg/diariamente), 17h30, 22h30 (3D/leg/diariamente), Cinépolis 7 – 14h, 19h (dub/diariamente), 16h30, 21h35 (leg/diariamente); Playarte 1 – 16h40, 18h50 (3D/dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente), 23h10 (3D/leg/somente sábado e domingo), Playarte 5 – 14h, 16h10, 18h20, 20h30 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 13h30, 15h40, 17h50, 20h (dub/diariamente), 22h10 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 17h51, 20h01 (dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES Justin e a Espada da Coragem: EUA. 10 anos. Playarte 1 – 14h40 (3D/dub/somente sábado e domingo). Tudo Por Um Furo: EUA. 14 anos. Cinépolis 10 – 19h30 (dub/diariamente), 22h15 (leg/diariamente). As Aventuras de Peabody e Sherman: EUA. Livre. Cinemark 4 – 12h30, 15h, 17h30, 20h (3D/dub/ diariamente), Cinemark 5 – 12h10 (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h10 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 13h50 (dub/diariamente), Cinépolis 4 – 13h, 15h15, 17h45 (3D/ dub/diariamente); Playarte 1 – 12h40 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h40 (3D/dub/exceto sábado

e domingo), Playarte 3 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20 (dub/diariamente), Playarte 4 – 19h20, 21h30 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Sem Escalas: EUA. Livre. Cinemark 2 – 16h30, 19h10, 21h50 (dub/ diariamente), 0h15 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 9 – 14h30, 19h45 (dub/diariamente), 17h, 22h20 (leg/diariamente); Playarte 4 – 19h20, 21h30 (dub/ diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Pompeia: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 14h (dub/diariamente), Cinemark 4 – 22h15 (dub/diaria-

mente); Cinépolis 4 – 20h15, 22h45 (3D/leg/diariamente). Robocop: EUA. 14 anos. Cinemark 5 – 19h30, 22h25 (dub/diariamente), Cinemark 8 – 13h, 15h30, 18h30, 21h20 (dub/diariamente), 0h (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 13h05, 15h50, 18h40 (leg/diariamente), 21h30 (leg/exceto terça-feira), Cinépolis 8 – 13h30, 19h30 (dub/diariamente), 16h45, 22h10 (leg/diariamente); Playarte 9 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h10 (dub/ diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 13h10, 15h30, 17h50, 20h10 (leg/ diariamente), 22h30 (leg/somente sexta-feira e sábado).

Hércules: EUA. 14 anos. Playarte 3 – 21h20 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Trapaça: EUA. 14 anos. Cinépolis 3 – 20h40 (leg/diariamente). Uma Aventura Lego: EUA. Livre. Playarte 7 – 13h30, 15h40 (dub/diariamente). O Lobo de Wall Street: EUA. 16 anos. Cinépolis 3 – 20h55 (leg/ diariamente). Frankstein – Entre Anjos e Demônios: EUA. 14 anos. Playarte 8 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente).23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado).


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Tatiana Cury, Roseane Mota, Sueli Alexandre e Carlos Eduardo De’Carli estão trocando de idade hoje.

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: É chegado o dia! Hoje, acontece a inauguração do estádio mais lindo do Brasil. Lógico que a coluna está falando da minha, da sua, da nossa, Arena da Amazônia. De anfitrião: o melhor governador do país, Omar Aziz, acompanhado pela atuante primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz. E no campo, às 18h30, a partida Nacional (do Amazonas) versus Remo (do Pará), pela Copa Verde. A belezura futebolística sediará três jogos da fase da Copa e é o oitavo estádio a ser inaugurado para a competição mundial. Aplausos!

Amanhã, Léa Macedo, Cris Bentes, Teca Loyola e Demetrio Pinheiro estão aniversariando. Os cumprimentos da coluna. As mulheres das instituições Martha Falcão receberam justíssima homenagem (ontem) pela passagem do Dia Internacional da Mulher. Uma “Manhã de Beleza” com uma programação voltada para professoras e colaboradoras, com destaque para a saúde feminina - prevenção contra o câncer do útero, DSTs e orientações sobre métodos contraceptivos.

O rei do Carnaval carioca Jorge Francisco, o Chiquinho, com dona Janete, ótimos anfitriões, no espaço da badalada grife Babado da Folia

Nelson Nunes ganha hoje almoço de aniversário da sua Dirce, no casarão da General Glicério. O longa-metragem infantil “O Reino Perdido” será exibido gratuitamente hoje, a partir das 17h, no Parque Cidade da Criança. A animação conta com as vozes de Amanda Seyfried, Josh Hutcherson e do roqueiro Steven Tyler. É bom ressaltar que serão exibidas três sessões durante o domingo. Era Uma Vez... Hoje, no Teatro Manauara, “A Turminha da Floresta” comandará sessão magia com as aventuras do Zé Caboquinho, às 17h. No anexo do prédio da OABAM, a partir de amanhã até o próximo dia 14, acontece uma programação toda especial para celebrar a Semana da Mulher Advogada CAAAM, na sede da instituição.

Ivania e Hugo Levy também foram conferir o auê carioca na Sapucaí, no espaço VIP, do Babado da Folia

::::: Expansão Na contramão do mercado amazonense que cada vez mais traz novas franquias para o Estado, a rede local Waku Sesse avança para o sudeste do país. O delicioso açaí da grife gastronômica estará presente em duas cidades do interior de São Paulo e um centro de distribuição em Taboão da Serra. A meta é chegar até o final do ano em Minas Gerais e Rio de Janeiro. É um produto “Made in Amazonas” e um bom exemplo de que a economia baseada nos produtos da floresta pode render bons dividendos para o mercado local. Muito bem.

::::: Perigo!

::::: Alerta

Como o período de cheia se aproxima e temos uma enorme bacia de igarapés, que cortam Manaus, é preciso cuidado redobrado com a poluição, que insiste em inundar de garrafas PETs e outras sujeiras o leito de nossos combalidos braços de rio. Nas aéreas atingidas pelo Prosamim, a qualidade de vida da população e dos igarapés melhorou. Pena que a realidade ainda não é a mesma para todos os espaços urbanos onde passam os igarapés. Não jogar lixo neles já é um grande começo, viu?

Uma prática deixa motoristas de cabelos em pé no trânsito de Manaus. Tudo bem que as faixas de pedestres devem ser respeitadas, mas é bom lembrar aos transeuntes que faixa embaixo de sinal, só está liberada para passagem assim que o sinal abrir para o pedestre. Não são poucos os exemplos de pessoas, que estendem o braço, exigindo a parada do veículo em pleno sinal verde para o condutor. É bom o Detran-AM explicar isso direitinho. Pela fé!

DANÇA DIVULGAÇÃO

Novo espetáculo, que estreiou na noite de ontem, tem a assinatura de Mário Nascimento

CDA reapresenta ‘Vazantes’, hoje A relação entre o urbano e o meio ambiente e os movimentos e inquietações inerentes ao ser humano semelhantes a periodicidade dos rios, em pleno coração da maior floresta do mundo, é o tema de “Vazantes”, espetáculo de dança e multimídia estrelado pelo Corpo de Dança do Amazonas (CDA), do governo do Amazonas, que teve estreia ontem e será reapresentado hoje, às 20h, no Teatro Amazonas. O espetáculo, promovido por meio da Secretaria de Estado de Cultura, marca o retorno das atividades do CDA nos palcos em 2014. Esse será o segundo trabalho do grupo com o premiado bailarino e coreografo Mário Nascimento, idealizador e diretor do projeto. Em “Vazantes”, o público poderá conferir pela primeira vez o encontro de diferentes linguagens que aparentemente não se relacionam com a dança, mas que de forma surpreendente se fundem com maestria no palco com a trilha sonora

pré-gravada com a Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA), regida pelo maestro Marcelo de Jesus e a leitura urbana e eletrônica do DJ Tubarão, além de um telão multimídia, que exibirá vídeos gravados em diversos locais da cidade e da floresta no qual os bailarinos da imagem e os do palco irão interagir entre si. “Será a primeira vez que o CDA irá trabalhar com estes novos elementos ao mesmo tempo. E a realização destas intervenções, cada vez mais positivas e frequentes, abre uma série de novas possibilidades para todos os artistas do Estado”, avaliou a diretora artística do Corpo de Dança do Amazonas, Monique Andrade. De acordo com Monique, após esta primeira temporada de estreia no Teatro Amazonas, o CDA – que já tem uma extensa agenda de apresentações e diversos espetáculos para o primeiro semestre confirmados – aguarda a confirmação de novas datas para retomar

RA NDER VIEI FOTOS: JA

::::: Sala de Espera

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o espetáculo. Rio Amazonas Com diversos trabalhos realizados no Brasil e no exterior, o mato-grossense de nascimento, radicado em São Paulo e atualmente fundador, diretor artístico e coreógrafo da companhia de dança que leva seu nome e está sediada em Belo Horizonte (MG), Mário Nascimento é a mente por trás de “Vazantes”. Encantado desde sua primeira passagem pelo Estado para produção de “Cabanagem”, em 2010, ele mergulhou na cultura, sabores e sons regionais para criar o projeto. “Minha impressão quando cheguei em Manaus pela primeira vez foi a mesma de muitas pessoas com quem conversei: surpresa e alegria enorme por perceber que no coração da floresta existe uma cidade rica em todos os sentidos, pulsante, vibrante e que tem estilos, tempos e movimentos próprios, assim como o rio Amazonas”.

A aniversariante da temporada, Enjem Jomaa, faz jus ao ditado: filho de peixe, peixinho é. Principalmente nos quesitos educação, finesse, estilo próprio e beleza. Herdados da mamma Nejmi Jomaa Aziz, que além de primeira-dama do Amazonas e presidente do Fundo de Promoção Social é uma mãe presente e ativa na vida dos seus bambinos. Prova disso são seus posts nas redes sociais. Vida longa e muita prosperidade ao longo dos seus caminhos, Emjen. Papai do céu lhe reserve tudo de melhor, viu?


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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FHC revê o regime militar

E outras nove indicações culturais. Pág. 2

O escritor brasileiro é um ornitorrinco

J. P. Cuenca de olho nos passos desse raro animal. Pág. 3

Que bloco é esse?

Os primeiros passos dos black blocs. Págs. 4 e 5

4

Preços congelados e fiscais aplicados Diário de Buenos Aires. Pág. 6

Do arquivo de Evanildo Bechara

5

Rio de Janeiro, 1943. Pág. 7

6

A imaginação de Valter Hugo Mãe. Pág. 8

Dentro do diamante líquido

Capa

desenho a naquim de Rafael Coutinho


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 10 INDICAÇÕES

BRASILEIRO SEMINÁRIO | 1964: 50 ANOS DEPOIS As professoras da USP Angela Alonso (sociologia) e Miriam Dolhnikoff (história) organizam, pelo Cebrap, um ciclo sobre o golpe militar. Os debates comentam a crise política e econômica que cercaram o governo de João Goulart, os aparatos da repressão e a produção cultural do período. No dia 25, às 19h, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo Francisco de Oliveira e o filósofo José Arthur Giannotti fazem um balanço do regime militar. Sesc Consolação | ter. (11), qua. (12), sáb. (15) e dia 25 | inscrições pelo site www. sescsp.org.br | informações em www. cebrap.org.br

FOTOS DIVULGAÇÃO

LIVRO | RONALDO BRESSANE “Mnemomáquina”, do escritor e jornalista paulistano, é um romance de ficção científica editado com métodos mais do que centenários. A edição tem apenas 40 exemplares; capa em tecido escarlate, como os códices do século 14; e impressão em clichês tipográficos (técnica do século 18). O título refere-se a um invento, utilizado por seita anarcoterrorista, capaz de prever o futuro. O volume traz ilustrações de Eva Uviedo. Demônio Negro | R$ 50 | 340 págs | Lançamento hoje, na Feira Plana (no MIS), a partir das 12h

CURSOS | AUGÔSTO AUGUSTA Misto de livraria e galeria informal, o local oferece também uma série de cursos. A partir de terça (dia 11), o professor de literatura brasileira na USP João Adolfo Hansen comenta dez dos principais livros brasileiros do século 20 --tais como “Serafim Ponte Grande” (1933), de Oswald de Andrade, e “A Paixão Segundo G.H.” (1964), de Clarice Lispector. de 11/3 a 13/5 | às terças, das 10h30 às 12h30 | R$ 380

REVISTA | IDE - PSICANÁLISE E CULTURA “Massa e Poder” é o tema do número 57 da revista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Os artigos, inspirados pelas manifestações que começaram em junho do ano passado, buscam nos fenômenos sociais a interface entre o individual e o coletivo. O psicanalista Joel Birman, por exemplo, escreve sobre as diferenças entre os conceitos de “multidão” e “massa”. Já o escritor Julián Fuks relata os protestos a partir de suas experiências como manifestante. Lançamento no sáb. (dia 15), às 11h30, na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo | R$ 35 | 230 págs.

ARTE CÊNICA | MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO DE SÃO PAULO Demorou para chegar e perigou não passar por São Paulo. Mas “Sobre o Conceito de Rosto no Filho de Deus” (2011), espetáculo do italiano Romeo Castellucci que cumpriu turnê por importantes capitais do mundo, aterrissa em São Paulo. A peça abriu a primeira Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, ontem, e será novamente apresentada hoje (no Auditório Ibirapuera, às 19h). O festival promete sanar essa e outras lacunas nos palcos da cidade, carente de um evento que pescasse pelo mundo obras com olhares novos sobre o fazer teatral. Organizada por Antonio Araújo (Teatro da Vertigem) e Guilherme Marques (Centro Internacional de Teatro Ecum), a mostra ocupará, com 11 espetáculos, 10 salas da cidade. Um dos destaques é a performance “Eu não Sou Bonita” (dias 13, 15 e 16), da espanhola Angélica Liddell, sobre suas memórias de abuso sexual na infância. (Gustavo Fioratti) até 16/3 | grátis (retirar ingressos uma hora antes) | programação em www.mitsp.org

POP

ERUDITO

EXPOSIÇÃO | FRANCISCO MARINGELLI O artista, mais conhecido por suas xilogravuras, inaugura sua primeira exposição exclusivamente de pinturas. As 25 obras de “Pinturas de Ateliê: Território do Efêmero” enfocam o próprio processo de criação de uma tela. galeria Mezanino | de ter. a sex., das 14h às 20h; sáb, das 11h às 18h | grátis | até 12/4

LIVRO | MARIA LYNCH Com formato que remete a um caderno de rascunho, o livro “Desenhos/Drawings” reúne imagens abstratas que testam os limites da cor e da linha. O volume é acompanhado por um ensaio bilíngue do crítico Paulo Sergio Duarte sobre a artista carioca. Cosac Naify | R$ 40 | 104 págs.

LIVRO | TRATADO SOBRE O TEMPO O volume organizado pelos professores Fernando Rey Puente (Departamento de Filosofia da UFMG) e José Baracat Júnior (Língua e Literatura Grega da UFRGS) colige, em traduções inéditas, trechos de textos de Aristóteles, Plotino e Santo Agostinho sobre a passagem do tempo. trad. Fernando Rey Puente, José Baracat Júnior, Claudiberto Fagundes| Editora UFMG | R$ 25 | 156 págs.

DVD | HATARI! John Wayne vive Sean Mercer, líder de um grupo que caça animais na África nesta clássica aventura de 1962 que sai agora em DVD. A trupe encara rinocerontes enfurecidos e zebras ariscas, mas nada que se compare ao perigo, físico e sentimental, representado pela fotógrafa Dallas, interpretada por Elsa Martinelli, pronta a laçar Sean a qualquer instante. Um dos principais trabalhos do diretor americano Howard Hawks, “Hatari!” sintetiza com perfeição seus principais temas: a relação homem-mulher, a amizade e o senso de dever profissional. New Line Home Video | R$ 37,90

CONFERÊNCIA | LILIAN THURAM Após pendurar as chuteiras, Thuram, vítima de preconceito racial em sua carreira, criou uma fundação para promover a edução e combater o racismo. O ex-jogador de futebol, campeão do mundo pela seleção francesa em 1998, participa esta semana de uma série de eventos no Brasil, organizados pelo MAR (Museu de Arte do Rio). A abertura, na terça (dia 11), acontece no Teatro Maison de France. Ele também se encontrará com alunos da UFRJ, da rede municipal de ensino e com jovens escritores negros. de ter. (11) a sáb. (15) | programação e inscrição para a conferência de abertura em www.museudeartedorio.org.br.

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição ZÔ GUIMARAES/FOLHAPRESS

ANA PRATA, 32, é artista plástica. CACO GALHARDO, 46, cartunista e ilustrador, é autor de “Dom Quixote em Quadrinhos” (ed. Peirópolis). EVANILDO BECHARA, 86, linguística e filólogo, é membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu “Moderna Gramática Portuguesa” (Lucerna/Nova Fronteira). FRANCIS DUPUIS-DÉRI, 46, pesquisador canadense, é professor do departamento de ciência política da Universidade do Québec em Montréal. Publica no Brasil “Black Blocs” (Veneta).

GUILHERME MIRANDA, 26, é tradutor. JOÃO PAULO CUENCA, 35, é escritor e colunista da Folha, autor de “O Único Final Feliz para uma História de Amor É um Acidente” (Companhia das Letras) e “O Dia Mastroianni” (Agir). LUCAS NEVES, 29, é jornalista. RAFAEL COUTINHO, 33, é quadrinista e artista plástico. VALTER HUGO MÃE, 42, é escritor português nascido em Angola. Publicou “A Máquina de Fazer Espanhóis” (Cosac Naify), vencedor do Prêmio Portugal Telecom de 2012, e “O Remorso de Baltazar Serapião” (Ed. 34).

CAROLINA DE JESUS Documentário pela passagem do centenário da autora do livro “Quarto de Despejo” HOWARD HAWKS Trailer de “Hatari!” (1962), longa do diretor protagonizado por John Wayne EXPOSIÇÃO Pinturas de Francisco Maringelli na galeria Mezanino >>folha.com/ilustrissima


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Literatura

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O ornitorrinco e a agente literária O ‘autor local’ escreve para o mundo RESUMO O escritor J. P. Cuenca responde a texto de Luciana Villas-Boas publicado na “Ilustríssima” de 23/2, no qual a agente apontava a obsessão do autor nacional em obter projeção no exterior, antes de consolidarse no Brasil. Para Cuenca, dimensionar a pretensão artística pela demanda do leitor médio é mediocrizar a literatura.

J. P. CUENCA

Foi numa sala de embarque que li “A Tradução, essa Faminta Quimera - Para Quem Escreve o Autor Local?”, artigo de Luciana Villas-Boas publicado nesta “Ilustríssima” há dois

domingos. Estava nos Estados Unidos para divulgar a tradução de um romance, convidado pelas universidades de Stanford, UCLA, Princeton, Yale, Brown, Illinois, Indiana e NYU. Apesar da lista elegante, foram leituras de alcance restrito, para turmas de pós-graduação. Ainda não cheguei ao sofá da Oprah ou à lista de mais vendidos do “New York Times”. Foram necessários três anos e meio para que se esgotasse a primeira fornada, de 3.000 exemplares, de meu livro mais recente, que agora terá nova edição. Embora não seja um estrondo comercial, “O Único Final Feliz para uma História de Amor É um Acidente” (Companhia das Letras, 2010) já chegou às livrarias de Portugal, Espanha, Alemanha, Argentina, França e EUA, ainda que em distribuição restrita. Até junho, será editado na Finlândia e na Romênia. O mérito é de cada um dos tradutores que se apaixonou pelo livro, normalmente propondo a tradução e antecipando-se a acordos editoriais. É da agência e dos editores estrangeiros que acreditaram nas excentricidades deste escritor. Mas

nada disso seria possível sem o programa de traduções da Fundação Biblioteca Nacional. Sua retomada foi fundamental para a difusão da nossa literatura no exterior nos últimos anos. (Importante lembrar que não se trata de invenção brasileira. Muitas das traduções que consumimos no Brasil são fruto de iniciativas similares, já bastante tradicionais em mercados como a Europa.) Diferentemente de VillasBoas e de Raquel Cozer, que também publicou texto na penúltima edição deste caderno, não sou grande conhecedor dos números de exemplares vendidos meus ou dos meus colegas de geração – numa mesa de literatos brasileiros dos anos 10, falar disso é tabu maior do que teorizar sobre a própria produção (ou do que confessar a inveja que temos dos escritores gaúchos). Por isso não tenho o número total de vendas do meu livro fora do Brasil, mas desconfio que seja maior que o doméstico. Se contarmos pelas tiragens, ele foi impresso três ou quatro vezes mais no exterior. Também foi mais resenhado fora.

Agora a imprensa argentina e francesa começam a falar dele, apontando aspectos que a crítica brasileira, portuguesa ou alemã não tinham levantado. E o romance começa a ser lido com atenção por alguns estudantes estrangeiros. Essas novas camadas de leitura jogam luzes diferentes à obra e oxigenam o seu autor. Em termos absolutos, são números ainda pequenos. É um começo e uma aposta. Deixo, no entanto, ao departamento comercial das editoras e agências o papel de julgar produção literária e sua repercussão ao longo da história por desempenho das vendas. Estouro Ao contrário do que alguns colegas e editores sugerem, não acredito que um escritor deva moldar sua literatura com o objetivo de ser acessível e virar um “estouro de mercado”. Num país que transformou autores como Guimarães Rosa e Clarice Lispector em cânone, dimensionar pretensão artística sob a demanda do leitor médio seria fruto de uma inversão lógica que, no limite,

nos levaria ao grunhido. Continuo a escrever exatamente o que quero, mas sempre me disponho ao embate. Nos últimos anos tive a sorte de vender livros em vilarejos ao norte da Alemanha, em balneários caribenhos, em Macau e no MeioOeste americano. Também o fiz em dezenas de cidades do meu país, de Foz do Iguaçu ao interior do Maranhão. O trabalho de arregimentar novos leitores – para mim e para a literatura brasileira – é um corpo a corpo ao qual tenho dedicado boa parte do meu tempo na última década, dentro e fora do Brasil. É o foco do meu trabalho? Não. Escrevo para isso? Não. Ganho dinheiro com isso? Aqui, pouco. No exterior, nenhum. Mas esses encontros ajudam a entender o que faço. E, ainda que entre a espetacularização da figura do escritor e uma difusão efetiva do hábito da leitura exista um abismo por trás de uma cortina de fumaça de boas intenções, com sorte ganho um ou outro leitor ao final dessas performances. Por isso, continuo. Cada leitor é tão importante quanto o próximo. “20 leitores

locais são mais preciosos que uma edição na Bulgária”? Não. A não ser que a edição búlgara tenha menos de 20 exemplares vendidos. O “autor local”, como Luciana Villas-Boas gosta de chamar, escreve para o mundo, onde buscará seus leitores. Nem mesmo o seu país irá reconhecê-lo se ele não tiver essa pretensão. Luciana Villas-Boas começa seu artigo com uma assertiva meio grosseira: “O autor brasileiro é vidrado numa tradução”. Depois, ao traçar com detalhe os motivos do divórcio entre literatura e sociedade nas últimas décadas, dá a dica que poderia explicar nossa estranha obsessão, mas deixa a ponta meio solta. O autor brasileiro não é vidrado numa tradução por “cultivar o sonho colonizado e aprisionador do ‘sucesso no Primeiro Mundo’”, como o texto diz. Ele é vidrado numa tradução porque quer ser lido. E porque nasceu num país que tem lido muito pouca literatura contemporânea. A tiragem inicial média de um romance em Portugal é a mesma do Brasil, ainda que nossa população seja 20 vezes maior.


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Política

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Por trás das máscaras

Um perfil histórico dos black blocs RESUMO A série em que a “Ilustríssima” adianta lançamentos editoriais traz excerto de “Black Blocs”, a sair pela editora Veneta no fim do mês. No livro, cientista político aborda as origens e o desenvolvimento da tática e enceta traçar um perfil de seus participantes, com base em pesquisa histórica e entrevistas com ativistas.

FRANCIS DUPUIS-DÉRI TRADUÇÃO GUILHERME MIRANDA ILUSTRAÇÃO RAFAEL COUTINHO

O que distingue a tática dos black blocs nãoé o recurso à força, tampouco o uso de equipamentos defensivos e ofensivos em passeatas e manifestações – ainda mais porque muitos black blocs já protestaram pacificamente sem qualquer equipamento. Na verdade, o que diferencia essa tática de outras unidades de choque é sobretudo sua caracterização visual – a roupa inteiramente preta da tradição anarcopunk – e suas raízes históricas e políticas nos Autonomen, o movimento “autonomista” em Berlim Ocidental, onde a tática do black bloc foi empregada pela primeira vez, no início dos anos 1980. Esse autonomismo (1) surgiu na Alemanha e depois se espalhou para a Dinamarca e a Noruega. As origens ideológicas dos Auto-nomen são variadas – marxismo, feminismo radical, ambientalismo, anarquismo – e essa diversidade ideológica era vista em geral como garantia de liberdade. Na Alemanha Ocidental, as feministas radicais tiveram um impacto profundo nos Autonomen, injetando um espírito mais anarquista no movimento, que, no resto da Europa Ocidental, era mais marcado pela influência marxista-leninista. As feministas buscavam redefinir a política, estimulando a autonomia em várias esferas: a individual por meio da rejeição à representação, de modo que as pessoas falassem por si mesmas, e não em nome do “movimento” ou de todas as mulheres; a de gênero, por meio da criação de coletivos exclusivamente de mulheres; a decisória, por meio da adoção de tomadas de decisões consensuais; e a política, por meio da independência de órgãos institucionalizados (partidos, sindicatos etc.), por mais progressistas que fossem. Os Autonomen praticavam uma política igualitária e participativa “aqui e agora”, sem líderes ou representantes; a autonomia individual e a autonomia coletiva eram, em princípio, complementares e

igualmente importantes. Os grupos autônomos alemães expressavam-se politicamente por meio de campanhas contra o pagamento de aluguéis e reapropriações de centenas de edifícios, que eram transformados em lares e espaço para atividades políticas. Muitas dessas ocupações davam comida e roupa de graça e abrigavam bibliotecas, cafés, salas de reunião e centros de informações conhecidos como “infoshops”, assim como espaços para shows e galerias de arte onde músicos e artistas socialmente engajados podiam apresentar seu trabalho. O mesmo movimento ocupou universidades e enfrentou neonazistas que perseguiam imigrantes, assim como policiais que protegiam usinas nucleares. Nessas ocasiões, os Autonomen usavam capacetes, escudos improvisados, bastões e projéteis. República livre Não se sabe ao certo quando o termo “black bloc” foi utilizado pela primeira vez. Alguns afirmam que foi em 1980, quando um chamado pela mobilização anarquista de Primeiro de Maio em Frankfurt pedia às pessoas que “[se juntassem] ao Black Bloc”. Outra história localiza o surgimento do termo meses depois, quando a polícia avançou para desmontar a República Livre de Wendland, um acampamento em protesto contra a abertura de um depósito de lixo radiativo em Gorbelen, Baixa Saxônia. Nos dias seguintes, foram organizadas manifestações em solidariedade, sendo a mais famosa a “Black Friday”, na qual, segundo consta, todas as pessoas estavam vestidas com jaquetas de couro preto e um capacete de moto, com os rostos cobertos por bandanas pretas. As reportagens sobre o evento faziam referência ao Schwarzer Block (isto é, black bloc). Outros ainda defendem que o termo foi cunhado em dezembro de 1980 pela polícia de Berlim Oriental. Tendo decidido pôr fim às ocupações, as autoridades municipais haviam autorizado a polícia a conduzir uma série de despejos extremamente violentos. Diante da ameaça iminente de uma ação brutal da polícia, diversos Autonomen com máscaras e roupas pretas foram às ruas para defender suas ocupações. Nesse cenário, chegou a haver ação jurídica contra a “organização criminosa” conhecida como “o Black Bloc”. Mas a ação da procuradoria perdeu, e as autoridades admitiram que a organização nunca existira. Depois, em 1981, foi impresso um panfleto intitulado “Schwarzer Block”, com a seguinte explicação: “Não existem programas, estatutos ou membros do Black Bloc. Existem, porém, ideias e utopias políticas, que determinam nossas vidas e nossa resistência. Essa resistência tem muitos nomes, e um deles é Black Bloc”. Um grande black bloc se formou em Hamburgo em 1986 para defender as ocupações

da rua Hafenstrasse. Cerca de 1.500 black blockers, apoiados por outros 10.000 manifestantes, enfrentaram a polícia e salvaram a ocupação. “Foi uma grande vitória”, afirmou um ativista do movimento autônomo, “provando que era possível evitar despejos (2)”. A mobilização na rua aconteceu em colaboração com ações clandestinas contra as ameaças de despejo e ataques da polícia: pequenos grupos incendiaram mais de dez lojas, casas de políticos e prédios municipais. Black blocs também apareceram em manifestações contra a visita do presidente norte-americano Ronald Reagan a Berlim Ocidental em junho de 1987. E, quando o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) se encontraram em setembro de 1988, também em Berlim Ocidental, um black bloc participou dos protestos. Em algumas manifestações, Autonomen usando capuzes pretos caminhavam nus nas ruas – o espetáculo paradoxal de um black bloc altamente vulnerável. Hoje, a Alemanha tem os maiores black blocs (muitas vezes chamados de blocos autônomos). O serviço de segurança do país, Bundesamt für Verfassungsschutz [Escritório Federal para a Proteção da Constituição], estima – talvez com demasiada precisão – que os black blockers do país cheguem a 5.800. Nas manifestações anticapitalistas anuais de Primeiro de Maio em Berlim, os black blocs reúnem de 2.000 a 4.000 pessoas vestidas inteiramente de preto, envoltas por faixas e vestindo jaquetas de moletom com capuzes (jaquetas de couro saíram de moda) e óculos escuros (agora que as máscaras foram proibidas na Alemanha). Turistas Essas manifestações se tornaram tão famosas entre as redes militantes europeias que muitos Autonomen se queixam de “turistas ativistas”, que buscam protestos como oportunidades para farrear, são indiferentes à realidade local e, pior de tudo, saem da cidade com a mesma rapidez com que chegaram a ela. Não é raro que essas pessoas comprem cerveja ao longo da manifestação e atirem os vasilhames vazios na polícia, sendo repreendidas ou até mesmo tratadas com violência por Autonomen “straight edge” (que defendem a abstinência de tabaco, álcool e drogas em geral). Mesmo assim, no ano passado, viam-se em Kreuzberg, bairro de Berlim, pôsteres em inglês – voltados, portanto, para turistas ativistas – convidando as pessoas a entrar em um “bloco anarquista/autônomo”. Surgiram muitas outras ocasiões para a formação de black blocs, como os chamados para enfrentar os neonazistas reunidos em Dresden a fim de lembrar, em 11 de fevereiro, o bombardeio da cidade durante a 2ª Guerra Mundial. Em razão do tamanho e

do dinamismo do movimento autônomo alemão, várias redes podem enviar chamados simultâneos para a formação de blocos autônomos. Os blocos nascidos na rede de ação antifascista são compostos principalmente por homens cuja atitude é mais belicosa. As mulheres são a maioria nas redes antirracistas, nas quais questões de diversidade e inclusão têm mais importância. Coloridos Nos últimos anos, foram convocados blocos multicoloridos, com o argumento de que pode ser insensível, do ponto de vista cultural, associar o negro a anonimato e uso da força.

Um desses comunicados foi feito em 1º de abril de 2012, para uma manifestação em Eisenach contra o encontro de fraternidades nacionalistas xenofóbicas. O pôster mostrava dois personagens vestidos ao estilo dos black blocs, mas um estava de roxo e o outro, de rosa. Apesar disso, a maioria dos participantes apareceu de preto, e alguns dos antifascistas chegaram a fazer comentários homofóbicos e sexistas contra companheiros que usavam cores mais extravagantes. No acampamento No Border, realizado em Estocolmo em junho de 20 da política de imigração europeia, foi emitida outra convocação para um

bloco colorido – atendida porém só por pouquíssimos ativistas suecos e alemães. Também é importante mencionar que, nos anos 2000, surgiram grupos autônomosnacionalistas ou de ação antiantifascista de extremadireita, que, em marchas neonazistas, se apropriaram do estilo dos black blocs: óculos escuros, capuzes, muitas faixas, música eletrônica. Blocos como esses chegaram a reunir cerca de mil fascistas em grandes manifestações. Tática Como a tática dos black blocs migrou da Berlim Ocidental dos anos 1980 para a Seattle de


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1999? Os sociólogos Charles Tilly, Doug McAdam e Dieter Rucht, especialistas em movimentos sociais, mostram como repertórios de ações coletivas consideradas eficazes e legítimas para a defesa e a promoção de uma causa circulam entre períodos e lugares diferentes. Eles são transformados e disseminados ao longo do tempo e entre fronteiras, de um movimento social para outro, segundo as experiências dos militantes e as mudanças na esfera política. A tática dos black blocs se disseminou nos anos 1990, sobretudo através da contracultura punk e de extrema-esquerda ou ultraesquerda, via fanzines, turnês de bandas punks e contatos pessoais entre ativistas em viagens. Acredita-se que tenha surgido pela primeira vez na América do Norte em janeiro de 1991, durante uma manifestação contra a primeira Guerra do Iraque. O prédio do Banco Mundial foi alvejado, e janelas foram quebradas. Um black bloc foi organizado depois, no mesmo ano, em San Francisco, em uma manifestação no dia do Descobrimento da América, denunciando os 500 anos de genocídio perpetrado contra as nações indígenas, e outro surgiu numa marcha, em Washington, pelo direito das mulheres de mandar em seus corpos. Jornais anarquistas como o “Love and Rage” ajudaram a tornar a tática black bloc conhecida em toda a comunidade anarquista norte-americana. A tática também foi usada no início dos anos 1990 por membros da Anti-Racist Action (ARA), movimento antiautoritário e antirracista nos Estados Unidos e no Canadá, dedicado ao confronto direto com neonazistas e seguidores da Supremacia Branca. Ativistas da seção de Toronto da ARA foram a Montreal em 22 de setembro de 1993, onde se reuniram em um pequeno black bloc em protesto contra a reunião (posteriormente cancelada), que teria dois prefeitos franceses direitistas, da Frente Nacional, como oradores convidados. O resultado foi um confronto violento com a polícia, uma torrente de bombas de tinta contra o restaurante que havia recebido os “frontistes” e uma perseguição pelas ruas em que os manifestantes foram

atrás dos cerca de 30 skinheads neonazistas que haviam vindo proteger o lugar. Em 24 de abril de 1999, um black bloc de aproximadamente 1.500 pessoas participou de uma passeata na Filadélfia exigindo a liberação de Mumia Abu-Jamal, um dos fundadores da divisão local dos Panteras Negras, que havia sido acusado de matar um policial em 1981 e condenado à morte. Mídia Foi em 30 de novembro de 1999, durante as manifestações contra a reunião da OMC em Seattle, que a mídia exibiu a imagem do black bloc para o mundo. Nos EUA, ao longo da década, a polícia vinha usando spray de pimenta contra manifestantes não violentos e fazendo prisões em massa, durante ações de desobediência civil realizadas por ambientalistas radicais da Costa Oeste. Imaginando que a atitude se repetiria, os black blockers optaram por uma tática móvel que evitaria prisões em grande escala e ataques de spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Na manhã de 30 de novembro de 1999, a polícia atacou os grupos de ativistas não violentos que vinham bloqueando a entrada do centro de convenções desde as 7 horas, e os estoques de gás estavam acabando. Às 11 horas, o black bloc entrou em ação em uma área distante do centro de convenções. O bloco estilhaçou as janelas de alguns bancos e empresas internacionais e desapareceu antes que a polícia pudesse reagir. A mídia cobriu extensamente a aparição dos black blocs em Seattle, ajudando a difundir suas características distintivas: roupas pretas, máscaras nos rostos e ataques contra alvos econômicos e políticos. Os principais meios de comunicação apresentaram uma visão bastante negativa dos black blocs; a discussão sobre suas ações foi mais equilibrada na mídia alternativa, especialmente na rede on-line independente Indymedia, na qual se podiam ler comunicados dos black blocs e ver fotos e vídeos de suas ações (3). Fascinadas por essas imagens e convencidas pelos argumentos a favor da legitimidade e da eficácia da tática, algumas pessoas passaram a se identifi-

car com essa forma de ação e decidiram organizar seus black blocs na primeira oportunidade – por exemplo, caso fosse anunciada a realização de uma grande cúpula econômica internacional em sua cidade. Na realidade, o protesto em Seattle foi parte de um grande movimento transnacional – conhecido por diversos nomes, entre eles movimento antiglobalização ou “alterglobalização”, ou “movimento dos movimentos” – que aproveita cúpulas feitas pela OMC, pelo FMI, pelo G8, pelo G20, pela UE, e assim por diante, para organizar vários dias de conferências e ações perto da cidade anfitriã. Esse movimento amplo e heterogêneo se expressa por meio de diversas ações nas ruas. As principais organizações sociais democráticas (sindicatos trabalhistas, sindicatos rurais, federações feministas, partidos políticos de esquerda, entre outras) fazem uma passeata “unitária” supervisionada por unidades policiais vigorosas. Enquanto isso, diversos grupos militantes conduzem ações violentas. Os black blocs se organizam nessas ocasiões, às vezes marchando pacificamente, mas dispostos a recorrer à força física, dependendo do contexto e da sua força relativa. Os black blocs também se envolveram em mobilizações não diretamente relacionadas ao movimento alterglobalização; foi o caso das cúpulas da Otan de 2003 e 2009 em Praga e Estrasburgo, respectivamente, e da Convenção do Partido Republicano em Nova York, em agosto e setembro de 2004. A tática dos black blocs pode adquirir um sentido especial que varia dependendo do contexto local. Por exemplo, no México dos anos 1990, os anarcopunks se interessavam especialmente pelo visual dos black blocs, sobretudo pelo uso das máscaras, uma vez que essa também era uma característica do Exército Zapatista de Libertação Nacional – embora a relação dos anarcopunks com os zapatistas fosse ambivalente. Perfil É difícil fazer um perfil sociológico preciso dos homens e mulheres que participam de black blocs: não só porque eles usam disfarces mas porque cada black bloc é diferente do outro. Ainda assim, minhas

observações sugerem que eles são compostos sobretudo por jovens (embora alguns membros tenham mais de 50 anos) e homens (em alguns casos, apenas 5% dos black blockers são mulheres). Mesmo nas redes antifascistas e antirracistas do Ocidente, os membros do black bloc são majoritariamente de origem europeia, quase não havendo negros ou hispânicos. É claro que também se pode dizer o mesmo de outras redes políticas da esquerda do Primeiro Mundo, mas as ações diretas específicas dos black blocs são mais arriscadas para imigrantes e negros, porque a repressão contra eles pode ser bem maior. O sociólogo francês Geoffrey Pleyers identificou entre os participantes de black blocs tanto jovens com baixos níveis de consciência política em busca de emoção como ativistas altamente politizados. É fato que algumas pessoas entram em black blocs sob a influência de amigos ou pelo simples desejo de extravasar a raiva reprimida, mas ninguém pode forçar outra pessoa a adotar essa tática, que se baseia no respeito à autonomia de todos que dela participam. Nem todos os participantes de black blocs são anarquistas autodeclarados. No Egito, por exemplo, podem ser ativistas políticos, torcedores de futebol ou fãs de bandas de heavy metal. Entretanto, como diz o professor Mark LeVine, a Tahrir [praça no Cairo que concentrou os protestos que levaram à derrubada de Hosni Mubarak, em 2011, e continuou a receber protestos contra o governo da Irmandade Muçulmana] “continua sendo em muitos aspectos o símbolo das ideias de horizontalismo e auto-organização que estão no centro da teoria e da prática do anarquismo moderno”. Em seus comunicados, manifestos e entrevistas, muitos black blocs ressaltaram a diversidade de seus membros. Em “Letter From Inside the Black Bloc” (carta de dentro do black bloc), por exemplo, publicada alguns dias após as manifestações contra a Cúpula do G8 de 2001, em Gênova, Mary Black escreve: “A maioria das pessoas que usaram as táticas black bloc tem trabalhos diurnos voluntários. Alguns são professores, sindicalistas ou estudantes. Alguns não têm empregos em tempo integral, mas passam a maior parte do tempo trabalhando para mudar suas comunidades. Eles começam

projetos de jardins urbanos e bibliotecas móveis; cozinham para grupos como Food Not Bombs. São pessoas pensantes e atenciosas que, se não tivessem ideias políticas e sociais radicais, seriam comparadas a freiras, monges e outros que levam a vida servindo”. “Existe uma grande diversidade no que somos e no que acreditamos. Conheço pessoas de black blocs que vêm da Cidade do México mas também de Montreal. Acredito que o estereótipo está certo ao dizer que a maioria de nós é jovem e branca, embora eu não concorde com a ideia de que somos uma maioria de homens. Quando estou vestida de preto da cabeça aos pés, com roupas pretas largas, com o rosto coberto, a maioria das pessoas pensa que sou homem. O comportamento dos ativistas dos black blocs não é associado a mulheres, por isso repórteres costumam supor que somos todos homens”. Esses relatos parecem ser motivados por um desejo sincero de retratar os black blocs de maneira correta e, ao fazer isso, rebater acusações de que eles não passam de jovens delinquentes sem qualquer consciência política. Autorrepresentações como essa procuram desmentir uma crítica muito frequente contra os black blocs: a de que é impossível para um ativista fazer duas coisas ao mesmo tempo ou até uma depois da outra – ou seja, tomar parte em protestos violentos e também se organizar em movimentos globais ou locais que ajudem as pessoas exploradas e marginalizadas. Legitimação Afirmações como a de Mary Black também são ações de legitimação. Em 2011, após protestos contra medidas de austeridade em Londres, quando um participante do black bloc, identificando-se como um “trabalhador mal pago do setor público”, disse a um repórter do “Guardian”: “Vimos muitos enfermeiros, trabalhadores da área de educação, tecnologia, desempregados, estudantes e assistentes sociais no bloco”. Outro afirmou: “Você teria uma surpresa incrível com as pessoas que usam as táticas do black bloc, em termos de idade, gênero, profissão. A mídia gosta de pintar um quadro de hooligans e bandidos, homens irracionais em fúria. Simplesmente não é verdade. Existem mulheres e provavelmente transgêneros também. Alguns dos anarquistas assustadores trabalham em empregos de assistência social e saúde mental. Isso não vem da bandidagem”. O retrato inesperado que surge desses relatos é o de um grupo de cidadãos responsáveis e sensatos, de ambos os sexos. Durante a greve estudantil no Quebec de 2012, os principais meios de comunicação denunciaram a suposta infiltração de black blocs em manifestações estudantis. Aqui está o que um grupo de “anarquistas entre muitos” respondeu a essa afirmação em seu “Manifeste du Carré Noir” (manifesto do quadrado negro): “Somos homens e mulheres. Somos estudantes. Somos trabalhadores. Somos desempregados. Estamos furiosos. Não estamos cooptando uma greve. Fazemos parte do movimento desde o começo, uma de suas facetas, junto com todos os outros [“ ] Não nos infiltramos em manifestações; ajudamos a organizá-las, fazemos com que elas nasçam. Não estamos sabotando a greve; somos parte integral dela, ajudamos a organizá-la, fazemos seu coração pulsar”. Muitas das pessoas que

entrevistei eram ou haviam sido estudantes de ciências sociais (no entanto, tais encontros tem relação natural com o fato de eu mesmo fazer parte do mundo acadêmico). Em várias ocasiões, seus projetos de pesquisa tratavam da importância política e das consequências de manifestações e ações diretas, o que sugere que seu envolvimento político se baseava em pensamentos políticos mais profundos. Segundo o comunicado divulgado pelo black bloc de Seattle em 1999, a maioria dos membros “estuda os efeitos da economia global, da engenharia genética, da extração de recursos, do transporte, das práticas trabalhistas, da eliminação da autonomia indígena, dos direitos animais e dos direitos humanos, e há anos praticamos ativismo nessas áreas. Não somos mal informados nem inexperientes”. Em sua maioria, as pessoas que entrevistei a respeito dos black blocs eram ativistas experientes ou que atuavam em diversas comunidades ou organizações políticas (contra os neonazistas, o racismo, a brutalidade policial e assim por diante), ou que ajudavam a produzir jornais políticos. Vale repetir, porém, que não existe um perfil homogêneo dos militantes por trás das máscaras. Ser fã de música punk não é suficiente para fazer de alguém um candidato óbvio a black blocker. Por outro lado, um black blocker pode não gostar de música punk ou estudar em uma universidade. Muitos black blockers dizem que o uso da força resulta de uma avaliação política baseada em frustrantes experiências pessoais com ações não violentas, que passaram a ver como, no mínimo, inadequadas. Um militante veterano que havia se juntado a muitos black blocs me disse: “Todos os homens e mulheres que conheço que participaram de black blocs são ativistas, alguns muito experientes. Eles ficaram um tanto desiludidos porque chegaram à conclusão de que os métodos pacíficos são muito limitados e jogam a favor dos poderes no comando. Então, para deixarem de ser vítimas, eles acharam melhor usar a violência”. (4)

As notas a seguir foram editadas pela Redação, sendo suprimidas aquelas essencialmente bibliográficas e mantidas as necessárias à contextualização: 1. Não confundir com movimentos autonomistas, pró-reconhecimento de culturas nacionais ou regionais distintas. 2. BB4, entrevistado pelo autor em Montreal em 26.nov.03. Morador de Amsterdam, ele tinha 42 anos na época e havia participado de black blocs durante a década de 1980 e no movimento de ocupação na Alemanha e na Holanda. 3. O primeiro centro da Indymedia foi fundado durante a Batalha de Seattle. Ele reuniu estudantes, trabalhadores comunitários e ativistas. Desde então, inúmeras cidades passaram a ter sites ligados à Indymedia. Qualquer pessoa pode publicar textos e imagens diretamente neles. Embora não seja inteiramente dedicada ao tema, a rede Indymedia continua sendo uma das fontes mais úteis para obter detalhes sobre os protestos alterglobalização. 4. BB2, entrevistado pelo autor. Tradução nossa. A mesma observação foi feita por militantes franceses em Clément Barette, “La Pratique de la Violence Politique par l’Émeute: le Cas de la Violence Exerceé lors des Contre-sommets” (Université de Paris I – Panthéon-Sorbonne, 2002), 93.


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Diário de Buenos Aires O MAPA DA CULTURA

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Os fiscais de Cristina Preços congelados, bebidas amargas

LÍGIA MESQUITA

A Argentina vive dias semelhantes aos que os brasileiros conheceram nos anos 1980, quando a famosa campanha “Eu Sou Fiscal do Sarney” transformou cidadãos em responsáveis pelo controle de preços congelados do Plano Cruzado. Esse mesmo apelo para que a população fiscalize os valores praticados nas gôndolas virou o mantra de Cristina Kirchner nos últimos dois meses. Desde que economia argentina voltou a entrar em alerta vermelho, em janeiro, quando o peso teve sua maior desvalorização em 12 anos, a presidente pede para os argentinos denunciarem qualquer remarcação nos preços congelados de 194 produtos. Para isso, convoca os ci-

dadãos a marcharem aos supermercados para fiscalizar essa lista, como se isso fosse resolver o problema da inflação (entre 27% e 28%, em 2013) do país. “Cada argentino, achando simpática ou não suportando a presidente, cuide de seu bolso! Não permitam que ninguém os roube”, discursou Cristina na semana passada, no Congresso, voltando ao tema mais uma vez. Nessa cruzada, os “Fiscais da Cristina” não usam adesivos ou bótons, como os do Sarney. “À paisana”, eles fazem seu trabalho com aplicativos de celular que leem os códigos de barras e automaticamente denunciam eventuais infratores. Eu só quero é ser feliz Durante a invasão de “blockbusters” nos cinemas na temporada pré-Oscar, uma produção nacional está conseguindo o feito de ficar quase dois meses em cartaz nos cinemas. “O Mistério da Felicidade”, novo longa do

cotidiano que constroem a partir dele uma ideia de felicidade. Na busca de Santiago e Laura, os protagonistas entendem que, mais do que uma meta a ser alcançada, a felicidade está no caminho que percorremos até ela.

diretor Daniel Burman (“O Abraço Partido”, premiado no Festival de Berlim de 2004), já fez mais de 600 mil espectadores. Na história, Santiago (Guillermo Francella) e Eugenio (Fabián Arenillas) são amigos e sócios em uma loja de eletrodomésticos. Não ficam um dia sem se ver até que Eugenio desaparece. Ao lado de Laura (Inés Estévez), mulher de Eugenio,

Santiago inicia uma busca por seu paradeiro e tenta entender por que o amigo abandonou uma vida tão “feliz”. Nesse processo, descobre que não conhecia de verdade o sócio, nem sabia quais eram os sonhos dele – nem seus próprios. Burman consegue mostrar, com delicadeza, como muitas vezes as pessoas se acomodam tanto a seu

Coleção de sorrisos Buenos Aires tem um museu dedicado a charges e quadrinhos que pouca gente conhece, o MuHu (Museu do Humor), inaugurado em junho de 2012. Estão lá trabalhos publicados na Argentina nos últimos dois séculos, mostrando que nem só de Quino e sua Mafalda vive o humor gráfico do país. Até o dia 16 deste mês está em cartaz uma exposição com 60 trabalhos de Calé (1925-63), pseudônimo de Alejandro del Prado, considerado o cartunista que melhor traduziu a alma do portenho nos anos 1950 e 1960. Calé publicou durante anos a tira “Trapos

ao Sol”, na qual mostrava uma Buenos Aires classe média, sem refinamento, com sua paixão pelo futebol e pelo tango. A casa “art déco” dos anos 1920 que abriga a instituição, de frente para o rio da Prata, pode ofuscar a visita de quem prefere a arquitetura aos quadrinhos. De 2003 a 2013, o consumo do Fernet aumentou 405% na Argentina. A mistura da bebida alcoólica amarga de origem italiana com Coca-Cola é uma espécie de caipirinha dos “hermanos”. No ano passado, foram vendidas 4,9 milhões de caixas do aperitivo, e o consumo per capita da bebida alcançou 1,5 litros, segundo levantamento da consultora argentina Abeceb. O “bitter” é tão famoso que já há pleitos para a criação do Dia Nacional do Fernet e para a inclusão dessa palavra no dicionário da Real Academia Espanhola. Por ora, ninguém engoliu essa.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Na Glória, encontrei o mestre EVANILDO BECHARA

Aquela tarde de sexta-feira de 1943 seria igual às outras em que meu tio-avô, de folga da labuta semanal, se dedicava a faxinas nos quartos externos do grande quintal de sua residência, numa tranquila rua da Boca do Mato, entre o Méier e o Engenho de Dentro. Militar que era, servira em mais de um Estado do país, indo sempre com a casa às costas, retornando com lembranças e bugigangas que eram esquecidas em malas e velhos baús. De uns tempos àquela quadra elas precisariam ser despachadas para instituições de caridade. Dessas faxinas eu participava ativamente, ajudando meu tioavô na tarefa de separar o que podia retornar às malas e o que se destinava aos asilos. No meio da faxina, ele virouse para mim com um livro na mão, dizendo: “Você, que quer ser professor de português, fique com este”. Antes do repouso, tomei do

quer idioma”. Jamais havia visto o idioma português inserido no plano largo da linguagem e do falante, plano para o qual aquele desconhecido acabara de me estimular a caminhar. No dia seguinte, corri à Livraria Central e adquiri tudo o que escrevera Said Ali sobre nosso idioma: “Dificuldades da Língua Portuguesa”, “Gramática Histórica”, “Gramática Secundária”, “Gramática Elementar”, “Meios de Expressão e Alterações Semânticas”. Após quase um ano dessa descoberta, fui a pouco e pouco entendendo seus escritos, mesmo as “Dificuldades”, que, no parecer juvenil, elegi o mais profundo livro de pesquisa entre os muitos que já então integravam minha biblioteca. Certa feita, assaltou-me uma dúvida no entendimento acerca de um ponto da “Gramática Histórica”. Estaria vivo Said Ali? Onde residiria? O catálogo telefônico informoume que morava no Rio, na rua da Glória. Aventurei o número indicado, e uma voz feminina me garantiu que o professor me receberia no dia e hora aprazados. Esse encontro, eu aos 16 e ele aos 83 anos, está

vivo na memória, e marcou um desvio de rota na minha caminhada ao magistério. Figura serena de religiosidade bíblica, de copiosa barba branca, recebeu-me com simpatia, e desde logo o ouvia dissertando sobre o quanto o nosso idioma precisava de investigadores. A emoção do momento só me permitiu confessar-lhe o sonho de ser professor, apesar da profecia do meu tio de estar querendo abraçar uma carreira de fome e sacrifício. Na mesma semana, numa segunda visita, lá estava à minha disposição uma pilha de livros selecionados por Said Ali para enriquecer meu arsenal bibliográfico. De 1944 a 27 de maio de 1953, quando faleceu, nossos encontros foram semanais, ocupados com leitura dos clássicos portugueses dos séculos 15 a 19 e digressões sobre temas linguísticos e filológicos. Do seu mandamento de investigação científica, dois artigos me foram logo recitados: 1)”Nunca aceite uma exemplificação sem que se levante, vá à fonte citada e veja se confere a informação”; 2)”Nunca

ZÔ GUIMARÃE S/F

livro que me fora ofertado e li: “Lexeologia do Português Histórico” (1921), de M. Said Ali. Estranhei o título, pois esperava ver nele a palavra “gramática”, como via sempre nos compêndios que me inculcara meu excelente mestre de língua portuguesa, no então curso ginasial: Odeval Machado. Se o título não me era comum, o autor passava desconhecido a um ginasiano de 15 anos. Tudo me levou a abrir o livro e ler, com pouco entusiasmo, os primeiros parágrafos do prólogo. Mas, ao chegar ao terceiro, facilmente se confirmou a impressão de que estava diante de uma outra visão sobre a língua. Eis o trecho que mais me tocou: “Não dissocio do homem pensante e da sua psicologia as alterações por que passou a linguagem em tantos séculos. É a psicologia elemento essencial indispensável à investigação de pontos obscuros. As mesmas leis fonéticas seriam inexistentes sem os processos de memória e da analogia. Até o esquecimento, a memória negativa, é fator, e dos mais importantes, na evolução e progresso de qual-

OLHAPRESS

Rio, 1943

aceite tranquilamente uma lição só pelo fato de ter sido emanada de um mestre, ainda que esse mestre seja eu. Só aceite quando se convencer”. Esses e outros mandamentos fundamentaram minha formação de investigador. Tudo isto para declarar o quanto devo a esse amigo inesquecível e a esse mestre in-

Exemplar de obra de M. Said Ali com dedicatória ao ‘collega’ Bechara

comparável, sempre presente nas vitórias que a vida me concedeu. E paro por aqui, porque mais de uma vez, no meio de nossos encontros semanais, me avisava: “Se você, quando eu morrer, escrever minha biografia, eu, de pirraça, não vou lê-la”.


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RESUMO Este trecho integra a primeira parte de “A Desumanização”, sexto romance de Valter Hugo Mãe, a sair pela Cosac Naify em abril. Português nascido em Angola, o escritor declara ter um fascínio de longa data pela Islândia, o que determinou a ambientação do novo livro, no qual narra a história de uma menina assombrada pela morte da irmã. “Um homem não é independente a menos que tenha a coragem de estar sozinho”, frase do islandês Halldór Laxness (Nobel de Literatura de 1955), é a epígrafe da obra.

Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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Tudo na Islândia pensa

VALTER HUGO MÃE ILUSTRAÇÃO ANA PRATA

O meu pai declarou: a Islândia pensa. A Islândia é temperamental, imatura como as crianças, mimada. Tem uma idade geológica pueril. É, no cômputo do mundo, infante. Por viver a infância, decide com muito erro, agressiva e exuberantemente. Não te aproximes demasiado das águas, podem ter braços que te puxem para que morras afogada. Não subas demasiado alto, podem vir pés no vento que te queiram fazer cair. Não cobices demasiado o sol de verão, pode haver fogo na luz que te queime os olhos. Não te enganes com toda a neve, podem ser ursos deitados à espera de comer. Tudo na Islândia pensa. Sem pensar, nada tem provimento aqui. Milagres e mais milagres, falava assim. E tudo pensa o pior. Eu, instável na convicção de que as palavras salvariam, enfurecia-me por me apertar ainda o peito e a tristeza trazer uma paralisação constante dos gestos e das ideias. Dizer Sigridur não fazia companhia. O meu pai fazia companhia mas não diríamos o nome da Sigridur com tanta matéria que o seu corpo se refizesse diante de nós. Éramos imbecis. Valíamos nada. Queria uma palavra alarve, muito gorda, uma que usasse todo o alfabeto e muitas vezes, até não se bastar com letras e sons e exigisse pedras e pedaços de vento, as crinas dos cavalos e a fundura da água, o tamanho da boca de deus, o medo todo e

a esperança. Uma palavra alarve que fosse tão feita de tudo que, quando dita, pousasse no chão definitivamente, sem se ir embora para que a pudéssemos abraçar. Beijar. Beija a tua irmã, porque não a entendes mas ela sabe o que faz. Pensei. Está morta, sabe tudo. O meu pai escrevia os seus poemas e fervia de se pôr no papel. Inventava poemas como se não fosse o seu autor. Pasmava diante deles, incrédulo, com dificuldade em entender de onde surgiam as palavras, como era possível que o explicassem. E eu achava que não explicavam nada. Eu queria olhar para as folhas e ver a Sigridur a correr, a molhar-se nos tanques de água quente. Não queria ver a caligrafia aprumada do meu pai e as suas rimas fracas, esforçadas. Queria que as folhas fossem um barco que nos tirasse a todos dali, ou que abrissem uma estrada segura até ao outro lado do mundo e tivessem rodas velozes e janelas a mostrar as vistas. Íamos a Bildudalur. Passávamos a estranha marca na montanha e dizíamos que havia sido onde deus se sentara a lavar os pés. Contava-se que deus se sentara pelos fiordes e, de rabo tão pesado, a rocha cedera como se fosse um monte de areia. Outras pessoas achavam que aquilo era do diabo, descansando de andar a acender caldeiras, regurgitando as almas dos infelizes para dentro das crateras fundas dos vulcões, enchendo os vulcões do estranho ódio que o fogo continha. Jurava o meu pai: é um estranho ódio que o fogo contém. Deve vir dos mal mortos. Os zangados. O fogo odeia. Insistia ele. É essencial que seja assim. Mas os pés quentes do diabo teriam seco o mar. Eu achava que a marca grande na montanha era do rabo de deus. Porque o mar continuava fresco e sem receios. Muito fundo. O

mar era um diamante líquido. Eu respondia: o mar também pensa. O meu pai sorria. Os peixes nadavam dentro de um diamante. No sangue de cristal. Em Bildudalur, ajeitados para as compras e para as vendas, reparávamos sempre em como as pessoas pareciam limpas. Como se tivessem trabalhos mais lentos, onde se sujassem mais devagar. Estavam sempre mais bonitas. Os rapazes, sendo poucos, eram lindos. Muito perfeitos. Calavam-se na rua. O oposto do Einar. Pensei: sou tão esperta que nunca precisarei de namorar com o Einar. Não te preocupes, mana. Podes morrer feliz. Mas a Sigridur já estava morta. Pouco adiantava que a tentasse convencer da minha integridade ou bizarra esperança. Pescávamos à linha, no regresso. Atirávamos os anzóis sem isco. Os peixes mordiam imediatamente como se tivessem fome de anzóis. Abundavam para nossa segurança. Pesquei apenas bacalhaus. Quando algum mais pequeno subia, soltávamolo. Cuspíamos-lhe na boca ferida e deitávamo-lo à água. Ia avisar os outros de que os pescadores daquele barco eram boa gente. Ensinavam os peixes pequenos a esperar a altura de morder. Era como dizer que lhes ensinavam a altura de morrer. Não lamentei o sofrimento dos bacalhaus que pesquei a debaterem-se no pequeno tanque. Estavam maduros para nós, maduros para eles próprios, para morrerem. Não seria nada o peixe de que mais gostava, mas comer não se dava a requintes. Era uma tarefa que devia desempenharse com humildade. O pequeno tanque branco, pensei, podia ser uma página. Os peixes debatendo-se podiam ser um poema. Chamei o meu pai. Disse-lhe que os poemas deviam ser assim, como caixas onde estivesse tudo contido e onde, por definição, pudéssemos entrar também. Caixas gigantes, se fosse necessário. Adequadas ao tamanho do que se quisesse dizer. Do que se quisesse guardar. E os peixes como versos que podemos tocar. Pai. Que podemos tocar. Esses versos convencem-

me, os outros, não. Sonhei que me deitava encostada à Sigridur na sua caixa de ir à terra. Encostada, sem grande espaço, apenas o suficiente para assistir, ver, tomar conta. Saber tudo o que aconteceria. Tocar. Ela estendida como um verso. Naquele dia, uma baleia quase bateu no barco. Entravam muitas para comer os camarões e o nosso mar emparedado parecia até pequeno. Víamos-lhes os rabos a fazer força para que se afundassem em velocidade. O cantinho interior do Arnarfjordur era um guarda-joias culinário. Os camarões guardavam-se ali tão preciosos quanto se encurralavam. Pescávamos em sossego enquanto milhares ou milhões de criaturinhas morriam sem piedade. Dentro do diamante líquido nadavam criaturas que se matavam umas às outras.


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EM TEMPO - 9 de março de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu