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EM TEMPO - 9 de fevereiro de 2014

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R$

2,00 PREÇO DESTA EDIÇÃO

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ADAIL ESTÁ NA CADEIA

MODA

A sucessora de Gisele Bündchen

Policiais do Grupo Fera conduzem Alzenir Cordeiro e Anselmo do Nascimento presos em Coari e encaminhados a Manaus

A modelo Miranda Kerr (foto), uma das mais bem pagas do mundo, segundo a revista “Forbes”, vai substituir Gisele Bündchen como o novo rosto de uma marca de roupas para nova campanha primavera/verão em todo o mundo. Última Hora A2

CONCERTO

Sinfonia nas estrelas

DIVULGAÇÃO

O PREFEITO DE COARI, ADAIL PINHEIRO, SE APRESENTOU, NA TARDE DESTE SÁBADO, NA DELEGACIA GERAL DA POLÍCIA CIVIL. OUTROS CINCO ACUSADOS DE INTEGRAR A REDE DE PEDOFILIA DESEMBARCARAM EM MANAUS PARA CUMPRIR A PRISÃO PREVENTIVA DECRETADA PELA JUSTIÇA. A DEFESA DE ADAIL VAI ENTRAR COM PEDIDO DE HABEAS CORPUS. ÚLTIMA HORA A2

LUTO NO FUTEBOL

Atacante Maicon morre em acidente

CARIOCA

Vasco joga em boa fase

O atacante brasileiro Maicon Pereira de Oliveira morreu, ontem, aos 25 anos, vítima de um acidente de carro em Donestsk, na Ucrânia. Ele estava emprestado ao Illichivets Mariupol. No Brasil, jogou no Flamengo e no Fluminense. Última Hora A2

O Vasco da Gama tenta se manter invicto, hoje, contra o Nova Iguaçu, no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Pódio E3

DIVULGAÇÃO

DIEGO JANATÃ

As orquestras Amazonas Filarmônica e de Câmara do Amazonas têm se dedicado a concertos mais populares, cujo destaque é “Música no Espaço”, que prioriza canções que fizeram sucesso nos cinemas. Plateia D3

PAULISTÃO

Timão quer fugir da crise

“Música no Espaço” terá nova apresentação esta noite

O OUTRO LADO

Impressões digitais de Edward Snowden

Ilustríssima G3

Pódio E5

O atacante tinha 25 anos e atuava na Ucrânia desde 2009

NICOLAU

ALIMENTAÇÃO

“Tenho a Limão consciência queima tranquila” calorias Com a palavra A7

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

Saúde F2

OPÇÃO

GARGALO

Belém é a Desordem, preferida teu nome é de Hatoum Vieiralves Plateia D1

Dia a dia C6 e C7 TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

34

MÍN.:

23

DIEGO JANATÃ

ANO XXVI – N.º 8.262 – DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 201 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO


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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014

Adail se entrega e defesa diz que prisão é ilegal O

prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PR), se entregou à Polícia Civil às 13h20 de ontem, após sua defesa conseguir um pedido de aquartelamento para resguardar a sua integridade física, expedido pelo relator do processo no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Djalma Martins. Após 30 minutos na Delegacia Geral da PC, na avenida Pedro Teixeira, D. Pedro, Zona Centro-Oeste, ele foi transferido para o quartel do Policiamento Montado “Coronel Bentes”, no mesmo bairro, onde deve ficar custodiado. Seu advogado, Alberto Simonetti Cabral Neto, afirmou que iria ingressar, ontem mesmo, com um pedido de habeas corpus em favor do seu cliente. Adail entrou sem ser visto pela imprensa, que estava acampada na sede da Delegacia Geral desde o início da manhã de ontem. Conforme informações da assessoria de imprensa do órgão, ele entrou pela porta dos fundos acompanhado de seu advogado. O prefeito teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na tarde da última sexta-feira, pedida pelo Ministério Público do Estado (MPE). No momento em que se entregou na Delegacia Geral, de onde foi transferido para o quartel do Policiamento Montado “Coronel Bentes”, o prefeito Adail Pinheiro estava “tranquilo e confiante de que a Justiça vai entender que essa prisão é ilegal e desconstituir a custódia” para que ele possa se defender em liberdade.

Foi o que disse ao EM TEMPO o advogado de defesa Simonetti Neto, que já aguardava pelo prefeito na Delegacia Geral, antes que ele decidisse se entregar. “Conversei com ele na sua chegada, ele está confiante”, disse o advogado. De acordo com Simonetti, Adail está em uma cela comum com outros

ACUSADOS

Três dos cinco presos são funcionários da Prefeitura de Coari e acusados de participar de uma quadrilha de exploração sexual de crianças e adolescentes em Coari, sob o comando de Adail Pinheiro Os acusados Erimar Oliveira (de óculos) e a funcionária pública de Coari, Alzenir Maia (no detalhe), na chegada, ontem, na DG

custodiados, porque no quartel não existe cela individual. A defesa revelou também qual será o próximo passo: — Ainda hoje (ontem) vou começar a trabalhar para entrar com um pedido de habeas corpus – adiantou Simonetti, que não soube explicar se Adail poderá receber visitas. “Isso é uma questão administrativa da direção do presídio”, acrescentou. Simonetti disse que a prisão do prefeito é o resultado de “uma montagem com testemunhas e situações inexistentes”. — Quem está por trás de tudo isso está conseguindo envolver o Ministério Público e a Justiça, poiados, principalmente, pela imprensa que, embora esteja cumprindo seu dever de informar a sociedade, contribuiu para que uma decisão de prisão preventiva fosse tomada em 40 minutos.

FOTOS: POLÍCIA CIVIL

ISABELLE VALOIS E MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

DIEGO JANATÃ

O prefeito de Coari se apresentou à polícia às 13h20 de ontem e, meia hora depois foi transferido a um quartel na cidade

Elias Nascimento

Erimar Oliveira

Também ontem, pela manhã, os outros cinco acusados de integrar uma quadrilha de aliciamento de crianças e adolescentes em Coari foram presos naquela cidade, trazidos a Manaus e encaminhados no início da tarde para o Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no quilômetro 8 da rodovia BR-

Alzenir Maia Cordeiro

174 (Manaus – Boa Vista). Os acusados foram todos presos em cumprimento ao mandado de prisão preventiva expedido pelo desembargador Djalma Martins. Eles foram presos pela Força Especial de Resgate e Assalto (Fera), sob a coordenação dos delegados Ana Oliveira e Rafael Costa e Silva.

Entre os presos está o chefe de gabinete do prefeito, Eduardo Jorge de Oliveira Alves; o secretário de Terras e Habitação, Francisco Erimar Torres de Oliveira; a funcionária pública Alzenir Maia Cordeiro, conhecida como “Show”; e os irmãos Anselmo do Nascimento Santos e Elias do Nasci-

mento Santos. Após a prisão dos cinco, todos passaram, ainda em Coari, pelo exame de corpo de delito e em seguida foram transferidos para Manaus, em avião do governo do Estado, desembarcando na capital às 11h, no terminal 2 do aeroporto internacional Eduardo Gomes (Eduardinho).

NA UCRÂNIA DIVULGAÇÃO

Kerr ‘rouba’ lugar de Bündchen Ainda assim, Bündchen, continua imbatível pois tem liderado a lista nos últimos sete anos, lucrando aproximadamente 45 milhões de dólares por ano. Miranda vai pertencer à lista de nomes de celebridades que posaram para a marca sueca, juntando-se a personalidades como Beyoncé e David Beckham. DIVULGAÇÃO

pe no Instragram e pediu aos seguidores que continuassem a acompanhar a sua página para saberem mais novidades. Ao substituir a modelo brasileira, uma das mais bem pagas do mundo segundo a revista Forbes, Miranda dá mais um passo na sua carreira e aproxima-se do sucesso de Gisele.

Anselmo Nascimento

Integrantes são presos em Coari pelo ‘Fera’

CONTRATO

Miranda Kerr ocupará o lugar de Gisele Bündchen como o novo rosto de uma marca de roupa para a nova campanha primavera/verão em todo o mundo. A mudança coincide com o primeiro investimento da marca H&M na Austrália e nas Filipinas. A modelo, de 30 anos, divulgou a notícia através de um videocli-

Eduardo Alves

Atacante Maicon Pereira, de 25 anos, jogava na Ucrânia e já tinha passado pelo Flamengo

Acidente mata jogador brasileiro O atacante brasileiro Maicon Pereira de Oliveira, 25, que pertencia ao Shakhtar Donetsk e estava emprestado ao Illichivets Mariupol, morreu neste sábado vítima de um acidente de carro em Donestsk, na Ucrânia. A informação foi divulgada no site oficial do clube ucraniano. Maicon estava no futebol ucraniano desde 2009. Ele tem no currículo passagens pelas categorias de base de Modelo australiana de 30 anos vai substituir a top Gisele Bündchen em campanha de roupa

Flamengo e Fluminense. O site do Shakhtar Donetsk não divulgou maiores detalhes sobre o acidente que envolveu o brasileiro. A equipe publicou uma nota informando e lamentando a morte do atleta. “Maicon era um jogador talentoso, uma pessoa aberta e amigável que amava a vida e sabia como trazer para ela positivismo e alegria. Esta morte trágica, prematura e

sem sentido arrancou de nosso convívio uma pessoa maravilhosa. Maicon tinha apenas 25 anos”, diz a nota. De acordo com o site do Shakhtar Donetsk, dez brasileiros fazem parte do elenco da temporada 2013/2014: Ismaily (zagueiro), Wellington Nem, Fred, Bernard, Fernando Douglas Costa, Taison, Alex Teixeira, Ilsinho, Dentinho e Luiz Adriano.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

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Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

As pedras do caminho Enquanto Dilma Rousseff tropeça no programa Mais Médicos, que o seu governo inventou como um dos suportes para a própria reeleição, o lado “oposicionista” da eleição presidencial deste ano também sofre os seus revezes. O senador (MG) Aécio Neves, presidenciável já definido do PSDB, precisará dosar seu discurso quando tratar de “mensalão”, um dos seus posicionamentos críticos ao PT de Dilma e Lula. E Eduardo Campos, governador de Pernambuco, candidato do PSB à Presidência da República, não consegue dialogar com sua aliada (?) Marina Silva, nem com seus interlocutores, eventuais eleitores, das redes sociais. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou, na sexta-feira 7, as alegações finais do “mensalão tucano”, em que pede 22 anos de prisão e multa de R$ 451 mil para o deputado federal do PSDB Eduardo Azeredo, pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, na campanha de reeleição para governador de Minas Gerais, em 1998. Isso mesmo: 1998, há 16 anos (o do PT aconteceu depois e já foi julgado). O pernambucano Campos tem à sua sombra a “sonhática” Marina Silva, que vive colocando empecilhos “pouco éticas” nas alianças tentadas pelos pessebistas. Também na sexta-feira, o candidato do PSB teve seu primeiro diálogo com os internautas, mas não foi bem na prova: escolheu não responder a perguntas do tipo: como você pretende montar um discurso de oposição após ter participado por 10 anos do governo do PT?; por que o governo de Pernambuco dá tablet para adolescentes cujas escolas estão com o teto caindo?; por que não deixa a Marina Silva como cabeça de chapa, [se ela teria] maiores chances de ganhar? Silêncio. Pelo andar das obras nas arenas, a disputa política começa mesmo junto com o primeiro jogo da Copa. Nas ruas, provavelmente.

Cão no couro O desembargador Djalma Martins é um criador de frases e costuma citar poetas e grandes pensadores. Mas ontem, disparou algumas ácidas ao observar a multidão de jornalistas rondando seu gabinete. Ao abrir a porta e ver uma repórter com ares de quem não era da imprensa local, o desembargador ficou curioso: — Da onde a senhora é? — Sou do “Fantástico”! — Vocês estão com o cão no couro! Bola cheia — Ela tem uma trajetória de vida pública muito significativa, especialmente para o PCdoB, onde tem feito um trabalho de valorização da ação política das mulheres. A frase é do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) ao comunicar que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) é a nova líder do PCdoB no Senado. Poderosas Arruda observou que a bancada do PCdoB na Câmara já é proporcionalmente a que tem o maior número de mulheres. E ressaltou a importância de uma mulher exercer a liderança do Partido, que pretende aumentar a sua representação de mulheres na Câmara e no Senado. Braga elogia O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), cumprimentou a nova líder do PCdoB. O senador também elogiou o desempenho dos senadores da legenda dentro da base governista. Vaquinha O presidente nacional do PT, Rui Falcão – que se encontra em Manaus –, protocolizou no STF pedido de explicações ao ministro da corte, Gilmar Mendes, por ele ter levantado suspeitas sobre as arrecadações das “vaquinhas” dos petistas presos pelo mensalão. Sílvio Santos O

apresentador

Silvio

Santos se submeteu há três meses a uma cirurgia para retirar um câncer de pele na perna direita. Era uma ferida que se transformou em um tumor. Deu na “Veja” A notícia do câncer do patrão do SBT está sendo publicada na revista “Veja São Paulo”, em edição que circula a partir deste sábado, 8. Segundo a publicação, o apresentador estaria curado. Perguntar não ofende O vereador Mário Frota (PSDB) questiona: Por que só agora, depois que a TV Globo noticiou, os deputados acordaram para o caso Adail Pinheiro? Omissão Frota disse que questionase a morosidade do Judiciário e do Ministério Público. — Mas ninguém discute o porquê da demora dos deputados estaduais em investigar, via CPI, os crimes do prefeito Adail Até quando? Manaus é uma das poucas cidades onde contêineres ainda circulam – a qualquer hora do dia – em meio ao trânsito, tornando o trânsito lento e colocando em risco a vida das pessoas. Nos grades centros, o trafego dos caminhões fica restrito a algumas ruas e o estacionamento é proibido em todas as ruas.

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

Metralhadora Um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, bateu pesado nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Stédile questiona o fato de a reforma agrária não ter apresentado resultados significativos na atual gestão. Oligarquias Segundo o líder sem-terra, a reforma agrária só não tem avanços porque a presidente está “alinhada com as oligarquias”. — O governo Lula barrou as privatizações. Já o governo Dilma usa um sofisma: em vez de privatização, concessão. Na minha opinião, uma vergonha. Na plataforma A partir de hoje, oito linhas de ônibus, oriundas das zonas Norte e Leste da cidade, passarão a realizar o embarque e desembarque de passageiros nas oito plataformas do sistema BRS (Bus Rapid Service) localizadas na avenida Constantino Nery. Mais veloz É o primeiro passo na implantação do sistema que permitirá que os ônibus do transporte coletivo circulem com mais velocidade. Assim, haverá diminuição do tempo de espera nos pontos de parada.

VAIAS

Maicon Oliveira

ELVIS

Parentes dos envolvidos DIVULGAÇAO

REPRODUÇÃO

Para a carreira brilhante que o jogador Maicon Oliveira, do Shakhtar Donetsk, vinha desenvolvendo e que foi interrompida tragicamente por um acidente de carro na Ucrânia, neste sábado.

Para parentes dos envolvidos no caso Adail que, ao chegar em Manaus – para cumprir prisão preventiva – tentaram agredir os jornalistas que estavam no aeroporto para cumprir sua missão de informar.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Do relativismo ético Como construir, aceitar e incorporar à vida do homem e da sociedade por ele engendrada uma moral que se fundamente numa ética relativista, ou seja, que estabeleça a priori que seus princípios, seus critérios e os valores em que se fundamente sejam, desde o início, tidos e postos como relativos. Que podem, portanto, ora valer e ora não valer, ora viger e ora não viger, conforme se alterem as condições socioculturais da ambiência em que venham a se produzir. Do ponto de vista filosófico, aí já se encontra uma nítida contradição, pois não há como saber, segundo sua própria tese, quando seus fundamentos devem ser considerados validados pela relatividade cultural ou por ela mesma desvalidados. Afinal, seria viável construir um corpo doutrinário, por essência normativo e, ao mesmo tempo, estabelecer sua relatividade, isto é, afirmar que sua validade ocorrerá ou não, conforme se deem ou não se deem certas condições determinadas pelo “hic et nunc”, o aqui e agora circunstanciais do espaço e do tempo? A importância e a relevância do tema me vieram à cabeça após a leitura da interessante entrevista do pensador inglês Jonathan Sacks veiculada recentemente na “Veja”. Sacks, que além de filósofo é rabino, considera como duas as raízes da atual civilização ocidental: o judaísmo, que também engendrou o cristianismo e a cultura helênica, especificamente ateniense, fonte do nosso pensamento filosófico. Segundo esse filósofo, a moral que se estabeleceu na nossa cultura, ou o que ainda resta dela, tem raiz na Bíblia, o livro santo dos judeus e também dos cristãos, enquanto o relativismo ético, que cada vez mais se expande no ocidente, seria uma herança da civilização grega. Neste ponto o pensador inglês

seria questionável. Melhor seria dizer que, enquanto a moral judaica tem fundamentos na transcendência da religião hebraica, a ética herdada dos gregos apoia-se na reflexão filosófica e acaba por se constituir numa moral humanística. Nem por isso justifica-se debitar aos helênicos o relativismo ético que atualmente ameaça as mais importantes instituições das nossas sociedades. Melhor seria considerar como responsável o crescente antropocentrismo que se estabeleceu e que tem como maior consequência o exagero da importância, do valor e das prerrogativas do ser humano, como se ele mesmo fosse absoluto. Seja como for, ou como tiver sido, o relativismo ético pretende outorgar ao ser humano o direito e o poder de estabelecer o que se deva considerar ora como moral, ora como imoral. Sabemos que nenhuma nação se consolida e se mantém, se não tiver como substrato um pacto social acordado, o qual, quando escrito, costuma tomar o nome de Constituição e, quando apenas conveniado pela tradição, designa-se como Instituto Consuetudinário. Quando, no plano moral, não se institui um código de valores compartilhado por todos, o que vai inevitavelmente ocorrer é o enfraquecimento dos relacionamentos humanos, onde primeiramente tende a se dar a dissolução da família. Casamento, fidelidade intrafamiliar, linha educacional dos filhos, hierarquia e autoridade passam a ser liberados para que cada um estabeleça como lhe parecer melhor. Aí o aborto, o descompromisso com os idosos, os relacionamentos sucessivos e promíscuos, podem parecer legítimos, apoiados nos “direitos e nas liberdades individuais”.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Sabemos que nenhuma nação se consolida e se mantém, se não tiver como substrato um pacto social acordado, o qual, quando escrito, costuma tomar o nome de Constituição e, quando apenas conveniado pela tradição, designa-se como Instituto Consuetudinário”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Rede antigrampo

A ordem do major do quartel foi esta: ‘Olha, você vai pegar o carro, levar em um ponto bem distante daqui, vai tocar fogo no carro para dizer que o carro foi interceptado por terroristas e vem para cá’. Pararam o carro, abriram o tanque de gasolina e metralharam o carro. Mas o carro custou a pegar fogo

Meses depois da crise provocada pela revelação de que a agência norte-americana NSA espionou autoridades e cidadãos brasileiros, o governo federal acelerou o projeto de construção de um cabo submarino de fibra ótica entre Brasil e Europa. A ideia é defendida há tempos pela comunidade científica, mas virou prioridade depois que Edward Snowden denunciou que o governo Barack Obama monitora todas as informações que saem dos cabos submarinos brasileiros para os EUA . Agenda O acordo para a construção pode ser assinada ainda neste mês em possível reunião entre Brasil e União Europeia, em Bruxelas. No forno Os embargos infringentes de Delúbio Soares no mensalão estão prontos para análise do plenário do STF. Falta o relator, Luiz Fux, pedir para que eles sejam incluídos na pauta. Peixe... Ideli Salvatti (Relações Institucionais) está tão escanteada da articulação política que, após a reunião em que o PMDB decidiu abrir mão de indicar novos ministros, ligou para um peemedebista da Esplanada para saber o que estava havendo. ...fora da água Do outro lado , ela ouviu: “Ministra, está tudo nos jornais”. Aloizio Mercadante, novo titular da Casa Civil, foi indicado pela presidente para assumir o comando das negociações com os aliados e deve conversar novamente com Michel Temer na terça-feira. Oráculo Dilma Rousseff vai conversar com Lula na segundafeira sobre o espaço do PMDB no primeiro escalão. Os peemede-

bistas, no entanto, atribuem ao ex-presidente a ideia de oferecer a Integração Nacional a Eunício Oliveira (PMDB-CE). Calendas Quem acompanha a negociação com os partidos aliados, que desandou na última semana, aposta que a presidente só resolverá a segunda parte da reforma na última semana do mês. Cara... Rui Falcão e Anthony Garotinho (PR-RJ) têm encontro marcado na próxima quarta-feira, em Brasília. A cúpula petista tenta convencer o deputado a ajudar a candidatura de Dilma no Rio.

Raymundo Ronaldo de Campos, coronel reformado do Exército, ajuda a desmontar uma versão sustentada durante 43 anos pelo regime militar para encobrir o sequestro e morte, depois de brutalmente espancado em um quartel da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, do engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva, em 1971.

o prazo legal, em 5 de abril. Seca O Ministério do Meio Ambiente e o governo paulista decidiram adiar a discussão sobre a renovação da outorga do Sistema Cantareira devido à falta de água em São Paulo. O contrato atual vence em agosto.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Seca 2 O governo federal e o Palácio dos Bandeirantes também decidiram criar um comitê gestor de recursos hídricos para monitorar o nível de água no Estado. O grupo vai trabalhar de forma integrada e permanente.

... e coroa Em conversas recentes, Garotinho disse a Falcão que só dará palanque à petista no Estado se o PT fizer uma manobra que leve o PC do B ou outra sigla da base a apoiar a candidatura do PR ao governo fluminense.

Escudo Prevendo novos ataques de Alexandre Padilha (PT) a Alckmin na área da segurança, o Palácio dos Bandeirantes compilou novos dados para defender o tucano. O governo vai enviar ao PSDB números que mostram queda dos homicídios no Estado nos últimos 20 anos.

Em etapas Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu que os diretores de empresas públicas que vão disputar as eleições não precisarão deixar os cargos na reforma do secretariado, prevista para este mês. Eles poderão ficar até

Dominado A empresa de propaganda que registrou o site das caravanas de Padilha já reservou outros dois domínios que devem ser usados na campanha: seligasp.com.br e vote padilha13.com.br.

Tiroteio

DIEGO JANATÃ

Quando os muros da cidade aprendem a ler e escrever, é porque algo ainda está vivo nos porões da sociedade, de olho fixo no lado mais alto da pirâmide social e da cadeia alimentar: o mês de junho inaugura as fogueiras de São João no asfalto e ilumina o coro dos rebeldes, que se atrapalham na escolha da melhor causa, entre as tantas que se oferecem

Dom trianiSérgio Eduardo Casopiniao@emtempo.com.br

Os generais tucanos ironizam a solidariedade dos petistas, mas abandonam sem pestanejar seus soldados feridos. Coitado do Azeredo. DO DEPUTADO VICENTE CÂNDIDO (PT-SP), sobre o julgamento do mensalão mineiro e a reação do PSDB às acusações contra Eduardo Azeredo (MG).

Contraponto

Vinde a mim as criancinhas Na cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Educação, Aloizio Mercadante e seu sucessor, José Henrique Paim, trocaram diversos elogios. – Paim é um exemplo de funcionário público – disse o novo titular da Casa Civil. – Volte ao MEC quando quiser... Eu, pelo menos, vou visitar muito a Casa Civil – replicou Paim. E completou, entregando a estratégia que usará com o ex-chefe para obter recursos para a pasta: – Quando as coisas estão difíceis, a gente faz o apelo às crianças: isso libera os recursos e acelera o processo! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Fome e miséria O papa lançou uma campanha contra a fome e a miséria. Ao tomar conhecimento de tal iniciativa, me perguntei se era realmente necessária. Quem estiver interessado em números facilmente tem acesso a eles nos sites de organismos internacionais. Mesmo se muito discretamente, os meios de comunicação não podem deixar de publicar as grandes tragédias humanitárias provocadas por cataclismos naturais e pela loucura da guerra em muitas partes do mundo, onde tiranos persistem em manterse no poder a custa da vida de milhares de pessoas. A existência de campos de refugiados e a fuga migratória em massa não passam despercebidas. Portanto, não seria necessária uma campanha que visasse simplesmente comover as pessoas com números e imagens. Não penso também que seja necessária uma campanha para apresentar soluções técnicas para produção e distribuição de alimentos. Elas existem. Também isto não é função da igreja. Soluções políticas também estão à disposição. Com todos os seus limites e defeitos, necessitando sempre de reformas, a democracia representativa tem se mostrado um modelo eficaz de governo e quando funciona garante as liberdades individuais, os direitos humanos, e possibilita através da arrecadação de impostos uma distribuição mais justa da renda e a execução de políticas públicas que levem a cidadania plena de todos. Também temos economistas e escolas econômicas suficientes para explicar, sugerir soluções, criar mecanismos de estabilidade econômica, gerar renda, criar empregos. Qual seria então a novidade e a necessidade de tal cam-

panha? A necessidade é clara. Apesar de toda a tecnologia disponível, apesar de todos os discursos pronunciados, apesar de toda retórica, grande parcela da humanidade vive na miséria absoluta e passa fome ou come mal. Não se trata de números e estatísticas, mas de gente de carne e osso, e um ser humano que não vivesse plenamente a sua humanidade já nos deveria deixar incomodados. Em geral não é preciso ir muito longe para descobrir famintos. Quando não moramos em condomínios fechados eles vem bater a nossa porta quase que diariamente. O que está acontecendo e o que é necessário superar é a globalização da indiferença. A ética começa quando me preocupo com os outros e com as consequências de minhas ações e omissões na vida dos outros. É preciso então superar a indiferença e globalizar a solidariedade. É urgente assumirmos as nossas responsabilidades. Quando era menino e queria jogar um pedaço de pão, minha mãe me fazia beijá-lo e rezar uma Ave Maria por aqueles que não tinham o que comer. Penso que entendi a intenção do papa. Nestes tempos de globalização, de informação em tempo real, é necessário globalizar também a solidariedade para que nossas decisões desde as pessoais até as tomadas nos mais altos escalões sejam éticas, isto é, sejam responsáveis e levem em conta todas as pessoas e todos os povos, de maneira especial os mais frágeis. Do contrário nosso mundo será cada vez mais monstruoso e deformado, com uma humanidade ferida nos seus membros e indigna deste nome.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

O que está acontecendo e o que é necessário superar é a globalização da indiferença. A ética começa quando me preocupo com os outros e com as consequências de minhas ações e omissões na vida dos outros. É preciso então superar a indiferença e globalizar a solidariedade”


Política

MANAUS, DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014

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CMM reabre atividades com mensagem do prefeito

A prioridade neste primeiro trimestre, informou o presidente Bosco Saraiva, é a votação dos vetos ao Plano Diretor de Manaus ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM

Após quase dois meses de recesso, vereadores retomam amanhã atividades legislativas na casa ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

C

om a leitura da mensagem anual pelo prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), os 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), retornam amanhã as atividades legislativas de 2014. No texto, o tucano deverá focar na prestação de contas de seu mandato referente ao ano passado e as metas da prefeitura para este ano. Além de Arthur e dos parlamentares, a solenidade deve contar também com a presença do governador Omar Aziz (PSD), que retribui o gesto de Arthur, que na última

terça-feira, prestigiou a leitura da mensagem do governador, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). Considerado pelo presidente do Legislativo municipal, vereador Bosco Saraiva (PSDB), como um ano atípico, por conta dos jogos da Copa do Mundo no Brasil, tendo Manaus como uma das subsedes, os trabalhos na casa legislativa devem manter o mesmo ritmo do ano passado. “Tivemos um 2013 excelente, e apesar do prejuízo causado ao calendário por conta dos jogos em Manaus e do Brasil no mundial, nossa ideia é de não cancelar nenhuma sessão por falta de quorum”, afirmou.

De acordo com ele, a CMM vai seguir o que o governo e a prefeitura decidirem com relação aos pontos facultativos nos dias de jogo. Os trabalhos começam com algumas prioridades a serem colocadas em pauta por Saraiva, que devem ser discutidas ainda neste mês. Dentre elas estão a discussão e votação dos cinco vetos do prefeito ao novo Plano Diretor de Manaus. Os artigos vetados serão lidos em plenário para conhecimento de todos e encaminhados à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) que dará parecer contrário ou favorável aos vetos e encami-

ARLESSON SICSÚ/SEMCOM

Arthur Neto irá fazer a leitura da mensagem anual com prestação de contas de seu mandato

nhará a decisão para votação. A casa terá o prazo de 30 dias úteis para finalizar todo o processo, a contar da data da primeira sessão ordinária, conforme o artigo 208 do Regimento Interno. A reforma da Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman) e o Regimento Interno da casa também são prioridades apontadas pelo presidente da Câmara. A expectativa é que estes projetos entrem em pauta já na terça-feira, primeiro dia útil de sessão plenária. Uma emenda da Lei Orçamentária Anual (LOA) e uma do Plano Plurianual (PPA) também receberam veto e serão analisadas pelos

vereadores nesse retorno. Outra prioridade do presidente da CMM deverá ser a criação dos cargos para o concurso da TV Câmara. Saraiva está aguardando somente o parecer da Procuradoria Geral do Município (PGM) para encaminhar a matéria ao plenário. Recesso branco, fora Além dos jogos do mundial, este ano também é eleitoral e muitos vereadores devem disputar uma vaga na Aleam. Mesmo assim, disse Bosco Saraiva, está descartado o “recesso branco” no plenário. Ele acrescentou ainda que as sessões não deverão ser

canceladas ou suspensas no período da campanha eleitoral, que começa no segundo semestre deste ano. “Algumas informações que chegaram até mim, dão conta de que não mais de um terço dos vereadores devem disputar o pleito deste ano, o que não compromete em nada os trabalhos da casa”, destacou. Bosco Saraiva, inclusive, é um dos que deverão disputar uma das 24 cadeiras da Aleam. Ele mesmo já declarou algumas vezes que o partido tem um projeto para lançá-lo candidato. *Com informações da assessoria da CMM


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Política

MANAUS, DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014

GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Até os adversários reconhecem a sua honestidade”

Jornalista

JOÃO PEDRO STÉDILE,SENADOR AÉCIO NEVES (MG) em defesa de Eduardo Azeredo (PSDB), acusado no STF

Prefeituras: folha é o dobro dos investimentos Prefeitos das principais capitais gastam com pessoal mais do que investem em obras que beneficiam a maioria da população. Campeão nesse tipo de disparidade em 2013, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), gastou R$ 1,83 bilhão com salários e nove vezes menos em investimentos: R$ 203 milhões. Em Belo Horizonte, a folha de R$ 2,92 bilhões corresponde a quase o triplo dos R$ 1,16 bilhão investidos. Bah, tchê! Vice-líder dessa inversão de valores, Porto Alegre recebeu R$ 382 milhões em investimentos, em 2013, e gastou R$ 2,4 bi em salários. Mais de R$ 0,20 Os R$ 2,6 bilhões reservados para investimento, na cidade de São Paulo, são 3,4 vezes menos que os R$ 8,91 bilhões com pessoal. Cidade maravilhosa O infortúnio dos cariocas é semelhante ao dos paulistanos: para R$ 2,8 bilhões investidos, o Rio pagou R$ 8,4 bilhões ao funcionalismo. Inchaço caro No total, as prefeituras das cinco maiores cidades do país gastaram em 2013 cerca de R$ 24 bilhões em salários e outros benefícios. ‘Boca’ da ONU no Brasil só presta contas a Fidel Intermediária do programa Mais Médicos no Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde é uma caixa-preta instalada na ONU, que parece ter perdido a chave. A “cooperação técnica” com o Mais Médicos renderá cerca de US$ 151,2 milhões anuais ao regime

comunista de Cuba, segundo cálculos da ONG americana de direitos humanos Cuba Archive, que denuncia um “apartheid hospitalar” na ilha, privilegiando o “turismo de saúde” para ricos e clínicas top aos ditadores. ‘Mensalón’ As “parcerias” internacionais entregam US$ 8 bilhões anuais à ditadura Castro, diz a ONG, para custear a repressão e mascarar a bancarrota. Escravos de jaleco Nas barbas da ONU, a Opas viola a Organização Internacional do Trabalho e tratados contra o tráfico de pessoas e trabalho escravo. ‘Compañeros’ A sede da Opas em Cuba é um oásis capitalista, com trinta e um dirigentes, quatro secretárias, quatro motoristas e três seguranças. Monstro de Coari O Tribunal de Justiça finalmente decretou a prisão do Adail Pinheiro, o prefeito agora conhecido como “monstro de Coari”, suspeito de exploração sexual de crianças de até 9 anos de idade no município. Trabalho escravo O Conselho Regional de Medicina do Piauí se solidarizou e vai abrigar os médicos cubanos que abandonarem o programa Mais Médicos, do governo Federal. Para o CRM, são vítimas de mão de obra escrava. Liberdade Instalada no apartamento funcional do deputado Abelardo Lupion (DEM), em Brasília, a cubana Ramona Rodriguez ganhou até motorista. E agora exerce, pela primeira vez na vida, o direito

de ir e vir. Libera geral A decisão do PMDB da Câmara de abrir mão de indicar nomes para ministro diminui a margem de manobra do vice Michel Temer, que terá de recuar a pressão nos Estados pela reedição da aliança com o PT. Mofou geral Dirigentes do PT acham que o governador Eduardo Campos (PSB) tem subido “demais” o tom nos discursos contra o governo Dilma, do qual ele fez parte até o ano passado, chamando-o por exemplo de “mofado”. Um cavalheiro Dilma se diverte com “pedidos de casamento” da senadora Kátia Abreu (TO) ao colega Waldemir Moka (MS), ambos do PMDB. Moka brinca: “Kátia quer um capataz para suas fazendas, e não um marido”. Topa tudo Relator da reforma política, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) apoia o voto de ministros do STF para acabar com o financiamento de empresas: “O dinheiro é que decide as ideias, hoje, nas eleições”. Duas medidas O deputado Ruy Carneiro (PSDB) critica o governo Dilma por destinar R$ 2 bilhões do BNDES para Cuba, enquanto a Paraíba só recebeu R$ 352 milhões em 2013: “Com 10%, resolveríamos o Porto de Cabedelo”. Pensando bem... ...para evitar apagões, Dilma deve estar preparando uma Medida Provisória impedindo raios de caírem na rede elétrica.

PODER SEM PUDOR

Mui amigo Candidato a deputado federal em 1978, Esperidião Amin visitou em Lourdes (SC) um amigo e eleitor que era agiota detestado na cidade. O homem ficou tão feliz que até colocou uma faixa de Amin na frente de casa. Eleitores reagiram: “O voto dele ou o nosso”. Amin não contou conversa, voltou à casa do homem: - Meu amigo, pensei melhor e não quero ser egoísta. Já tenho muitos votos. Troque minha faixa pela do Angelino Rosa, que também é do nosso partido. Amin foi eleito e Angelino derrotado.

CONGRESSO

Conselho se reúne amanhã O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional terá sua primeira reunião do ano amanhã, às 14h. Na pauta consta a avaliação da proposta de Regulamento de Gestão da Qualidade das Prestadoras dos Serviços de Televisão por Assinatura (RGQ-TV por assinatura), enviado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Será apresentado o relatório do conselheiro Roberto Franco para substituir o antigo Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ-televisão por assinatura), de 2005. A proposta busca modernizar os instrumentos

de proteção aos usuários e assinantes dos canais por assinatura a partir do estabelecimento de metas de qualidade que devem ser cumpridas pelas prestadoras do serviço, além de oferecer à Anatel instrumentos que permitam o acompanhamento e gestão do cumprimento das diretrizes. Entre os indicadores de qualidade, encontra-se a determinação de que não pode ser superior a 2% a relação entre a quantidade de reclamações recebidas pela prestadora e o total de assinantes no mês. Da mesma forma, não pode ser superior a 2% o índice que registra as

reclamações recebidas pela própria prestadora e aquelas recebidas pelos canais de atendimento da Anatel. O novo regulamento prevê a realização de pesquisas de satisfação com os usuários dos canais por assinatura para que se registre a percepção dos consumidores a respeito da qualidade do serviço prestado. As pesquisas vão compor uma série histórica onde poderão ser comparados os resultados ao longo do tempo. O descumprimento das normas previstas no Regulamento de Gestão da Qualidade acarretará sanções às operadoras de TV no país.

Líder do PSDB no senado, Álvaro Dias (PR), disse que vai votar contra o projeto da casa

Pauta do Senado inclui projeto sobre terrorismo Matéria está com tramitação trancada na casa devido à MP 626/2013, que abre crédito extraordinário para o Fies

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rancada pela MP 626/2013, que abre crédito extraordinário para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), a pauta do Senado para a próxima semana inclui poucas proposições, com destaque para o projeto que define o crime de terrorismo. Críticos do texto apontam uma intenção do governo de reprimir manifestações populares durante a Copa do Mundo de 2014. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 499/2013, elaborado pela comissão mista de consolidação das leis, foi aprovado no final de 2013. O texto traz a seguinte definição para o terrorismo: provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa à vida, à integridade física, à saúde ou à liberdade da pessoa. O projeto estabelece pena de 15 a 30 anos de reclusão. Em entrevista à Agência Senado, na última quintafeira, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que votará contra o projeto. Para ele, o país não precisa ter uma legislação especial somente em razão dos interesses da Federação Internacional de Futebol (Fifa). “Se há falcatruas do governo, se se pratica corrupção, se há irregularidades, se há incompetência, o povo brasileiro tem o direito, sim, de

se manifestar e isso não é terrorismo”, argumentou. O relator do projeto, senador Romero Jucá (PMDBRR), nega que a intenção do texto seja reprimir manifestações sociais. Para ele, ações como as de manifestantes que promovem danos ao patrimônio público e privado ou atos de violência já estão previstas no Código Penal. “Relacionar tal projeto aos movimentos sociais é um

DEFINIÇÃO

O PLS 499/2013 define como terrorismo provocar ou infundir terror ou pânico generalizado, mediante ofensa à vida, à integridade física, à saúde ou à liberdade da pessoa. Pede ainda pena de 15 a 30 anos equívoco. Nossa intenção é dar ao país uma lei moderna e dura contra o terror. Nada tem a ver com movimentos sociais”, disse. Máquina pública Também na pauta da próxima semana está a PEC 34/2013, do senador José Agripino (DEM-RN). O texto torna mais difícil a aprovação na Câmara e no Senado de projetos que ampliem a

estrutura da administração pública federal. A proposta prevê que órgãos públicos só poderão ser instituídos se autorizados em lei complementar, e não mais em lei ordinária, como atualmente. Para ser aprovado, um projeto de lei complementar exige maioria absoluta (pelo menos 41 votos no Senado e 257 na Câmara). A aprovação de projeto de lei ordinária requer maioria simples – a maioria dos presentes em uma sessão. Além da PEC, a pauta tem, ainda, a Medida Provisória (MP) 626/2013, que tranca as votações. O texto abre crédito extraordinário de R$ 2,53 bilhões para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O programa oferece financiamento com juros baixos para estudantes em instituições de ensino superior privadas. Segundo o Executivo, o Fies é um dos principais instrumentos do governo federal para ampliar o acesso à universidade. Com a queda da taxa de juros do financiamento, a ampliação dos prazos de carência e a criação de um fundo que permitiu a dispensa de fiador para estudantes de baixa renda, o governo diz ter havido crescimento exponencial na demanda nos últimos três anos.

Dívida dos Estados e municípios Outro projeto que é objeto de controvérsia, a mudança no indexador das dívidas dos Estados e municípios com a União (PLC 99/2013), só deve voltar ao plenário em março, por ter sido enviado a duas comissões temáticas para exame de emendas. A proposta poderia ter sido votada nesta semana, mas

o governo conseguiu adiar a definição, com a base impedindo a retirada das emendas apresentadas pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O argumento do governo é de que o momento atual não é adequado para a mudança, que, por reduzir os encargos das dívidas dos Estados e municípios,

afetará os recursos à disposição da União. Muitos senadores, especialmente os representantes de Estados com dívidas consideradas “impagáveis”, cobram do governo o cumprimento de um acordo firmado no fim do ano passado para a votação imediata do projeto no reinício dos trabalhos legislativos.


Política

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Ricardo NICOLAU

‘Vou ENFRENTAR de cabeça ERGUIDA’

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Sempre respeito as instituições, mas o trabalho do Ministério Público neste caso foi feito de forma equivocada. Não houve uma análise da obra. O órgão veio aqui quando se tinha apenas 20% da construção pronta e fizeram um relatório superficial”

leito o mais jovem presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) em 2011, o deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) saiu da principal cadeira da casa legislativa para ocupar a vaga de réu na Justiça local, no processo que investiga um superfaturamento na construção do edifício-garagem da instituição, inaugurado em fevereiro de 2013. Vivendo um período conturbado em sua trajetória política, Nicolau declara inocência nas acusações e diz que irá se defender de tudo com a cabeça erguida. Filho de político, do exdeputado federal Luiz Alberto Nicolau, o parlamentar iniciou a vida política em 1996, numa cadeira como vereador na Câmara Municipal de Manaus. Em seguida, assumiu, pela primeira vez, o mandato de deputado estadual. No período de 2003 a 2006, retornou as atividades empresariais, somente retornando à política em 2007, quando foi eleito deputado estadual. Em 2010, foi reeleito deputado estadual pelo PRP, sendo o quinto candidato mais votado. No dia 1º de fevereiro de 2011, tomou posse no seu terceiro mandato na ALE, e foi eleito o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas. Nesta semana, o deputado recebeu a equipe do EM TEMPO para esclarecer as acusações que responde na Justiça. Falou sobre a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), que o acusam de desviar R$ 5,5 milhões durante a construção da obra, seus projetos políticos e também do apoio que vem recebendo da família para enfrentar essa situação. EM TEMPO – O Ministério Público lhe acusa de desviar verba na construção do edifício-garagem da Aleam. O que o

senhor tem a dizer sobre essas denúncias? Ricardo Nicolau – Sempre respeito as instituições, mas a condução do trabalho do Ministério Público neste caso foi feito de forma equivocada. Não houve uma análise da obra. O órgão veio aqui quando se tinha apenas 20% da construção pronta e fizeram um relatório superficial. Todos esses dados foram fornecidos por nós, comprovando que não tínhamos o que esconder. Porém, não foram acatadas as mudanças que foram feitas do projeto após aquela vistoria. Uma obra como a que fizemos, de quase 15 mil metros quadrados, teve vários aditivos e isso não foi acatado por problemas formais. Vamos ao fórum competente fazer todos estes esclarecimentos. Estou de consciência limpa. EM TEMPO – Na semana passada o senhor apresentou no plenário da casa um laudo elaborado por engenheiros da Ufam, que descarta o superfaturamento nas obras da Aleam. Porque isso só foi divulgado agora? RN - Esse trabalho de análise levou três meses para ser finalizado. Os engenheiros responsáveis vieram aqui na obra várias vezes, avaliaram bastante até concluir que não ocorreu nenhum problema em relação ao quantitativo de valores. Uma breve comparação com obras públicas que estão sendo entregues percebemos que não teve nenhum valor absurdo. Essa construção foi uma necessidade para a casa, nossa capacidade de estacionamento estava esgotada. Fizemos uma obra em harmonia com a estrutura atual do prédio da Assembleia. Não poderia construir uma estrutura inadequada. Mas, não foram utilizados nenhum material fora do comum. Usamos as mesmas pastilhas do prédio principal, assim como os vidros espelhados.

EM TEMPO – Ainda na presidência da casa, o senhor fechou uma parceria para que o estacionamento fosse utilizado para os jogos da Copa do Mundo. RN – É verdade. Selamos esta parceria e não tenho dúvidas que este estacionamento oferecerá a melhor estrutura de logística, com espaço adequado também na parte de segurança. Seria absurdo construir um estacionamento para servir apenas para alguns jogos, por isso oferecemos a nossa estrutura pronta para o evento. EM TEMPO – Após denúncias, a oposição da casa chegou a cogitar seu afastamento do cargo de corregedor-ouvidor da Assembleia. Existe alguma possibilidade disto acontecer? RN – Nenhuma, pois não existe nenhum processo interno contra mim. Não tenho porque fazer isso. Tenho minha consciência para atender e aceitar essa situação. EM TEMPO – O senhor acredita que essas acusações possam atrapalhar seu desempenho eleitoral, já que estamos em um ano de eleição? RN – Acredito que não. Eu não caí de paraquedas no meio político. As pessoas que me conhecem não tem dúvida da minha conduta profissional e pessoal e eu tenho como comprovar qualquer coisa. O que há na política é inveja e maldade e pessoas querendo construir aquilo que alguns construíram. E modéstia à parte, em 2 anos como presidente da Assembleia desempenhei um bom trabalho, com resultados positivos não só na parte de infraestrutura, mas também na área de tecnologia e segurança. Fizemos um concurso público e batemos recordes de aprovação de projetos. E ainda pagamos muitas dívidas e deixamos

no caixa R$ 18 milhões sem nenhum comprometimento de pagamento. EM TEMPO – E para este ano, quais seus planos políticos? RN – Eu dependo do meu partido para saber qual posição serei escalado. Sou político e serei candidato, o que falta apenas é definir qual cargo. EM TEMPO – Na semana passada o senhor foi um dos parlamentares que assinou o pedido de instalação da CPI da Pedofilia. Qual resultado o senhor espera disso? RN – Desejo que essa CPI possa fazer um trabalho diferente e que efetivamente consiga diagnosticar o problema da pedofilia no Estado. Que não seja uma bandeira política. Espero que também as investigações atinjam o interior e a capital e apontem quem são os aliciadores e quem se usufrui desta exploração. Este problema parece que é uma epidemia em todas as classes sociais. Tão ruim ou até mais que as drogas e que precisa se ter coragem para colocar um ponto final. Desejo também que aqueles que estiverem participando destes crimes sejam penalizados. EM TEMPO – Diante de todas essas denúncias que o senhor está sendo apontado, como está reagindo a sua família sobre o fato? RN – Todos os meus familiares e amigos estão indignados com a forma que isto está sendo conduzido, mas tenho recebido um apoio muito grande de todos, e isso tem me dado força e tem sido o combustível para que eu siga em frente. E quem tem coragem de enfrentar serão sempre os mais perseguidos. Eu não tenho medo de perseguição e nem me falta coragem para encarar qualquer desafio. Vou fazer isso de cabeça erguida.

O que há na política é inveja e maldade e pessoas querendo construir aquilo que alguns construíram. E, modéstia à parte, em 2 anos como presidente, desempenhei um bom trabalho”

Eu não tenho medo de perseguição e nem me falta coragem para encarar qualquer desafio. Vou fazer isso de cabeça erguida”


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Política

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Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 9 DE FEVEREIRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Mercado local tem absorvido estrangeiros Economia B4 e B5

Empreendedorismo como a ‘profissão do século 21’ Jovens de 18 a 34 anos são os responsáveis pelo maior número de novas empresas abertas no Brasil nos últimos anos

EMERSON QUARESMA Especial EM TEMPO

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nanda Carvalho, 22, é psicóloga, Danilo Egle, 31, é relações públicas, Janaina Chagas, 29, é advogada. Pessoas de formações diferentes, mas que têm em comum entre eles a juventude e a decisão de vida por seguir outro rumo que não aquele para os quais se formaram na faculdade: optaram por seguir seus instintos empreendedores. Em nível global, esse quadro foi desenhado pelo executivo e conferencista Max Gehringer, na sua passagem por Manaus, no final de janeiro, quando disse ao EM TEMPO que o “empreendedorismo é a profissão do século 21”. Ele salientou que cada vez mais jovens brasileiros estão deixando de lado a busca por carreiras em multinacionais para tomarem conta do próprio negócio. A jovem Ananda, que hoje é presidente da Associação de Jovens Empresários do Amazonas (AJE-AM), corrobora com a afirmação de Gehringer ao lembrar que a faixa etária dos brasileiros que mais abriram novos negócios está entre os jovens de 18 a 34. Segundo ela, esse é o dado da última pesquisa Global de Empreendedorismo, realizada

no Brasil em 2012. Ela salienta que 60% dos novos empreendedores estão cursando o ensino superior, e a diferença entre os gêneros masculino e feminino está equilibrada.

APOSTA

“Hoje quem quer empreender tem que correr muito para abrir a empresa. E para conseguir capital de giro num banco, que geralmente não aposta no jovem” Ananda Carvalho, presidente da AJE

Proprietária da franquia Açaí no Ponto e de mais duas empresas (Framing Soluções Empresariais e Interactive Mobile) ela coordena os trabalhos da AJE, que tem como associadas o total de 40 em-

presas dos setores da indústria, comércio e serviços. A AJE, de acordo a jovem, é ligada a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), entidade que conta com 32 mil jovens empresários. A presidente da AJE defende que os ensinos públicos e particulares, principalmente do nível superior, precisam incentivar o lado empreendedor dos jovens. “As barreiras que enfrentamos no Brasil começam nas escolas, onde não somos capacitados para empreender”, avalia. Para contrapor esse quadro, Ananda informa que a AJE está trabalhando projetos de formação como o Empreendedor do Futuro, voltado para estudantes do primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. “A nossa associação está autorizada a implantar essa metodologia nas escolas. Os diretores podem nos procurar pelo e-mail: presidencia@ajeam.com.br”, sugere. Outro projeto que está em fase de constituição é o Minha Primeira Empresa, de autoria da Conaj. Segundo a Ananda, esse programa para o qual está fechando parceria pública, buscará colocar em um só lugar todas as condições para que o jovem consiga montar o seu primeiro empreendimen-

to, com responsabilidade. Inovação Danilo Egle é outro jovem incomodado com o status de empregado. Ele queria na vida

ESTRATÉGIA

“Nunca gostei de ser empregado. Fazer parte de uma organização, onde não se pode interferir ou sugerir novas estratégias não é algo que me faz feliz” Danilo Egle, diretor-executivo da Uplink

um desafio maior do que a carreira de professor universitário. Hoje diretor-executivo da empresa de comunicação Uplink Conteúdo Digital, Danilo disse que conta nos dedos de uma mão os empregos que

teve até conseguir libertar o seu lado empreendedor. Natural de Recife (PE), Danilo mora em Manaus desde 2001, onde abriu sua primeira empresa em 2004. No ano de 2012 criou com o seu sócio Márcio Noronha, 37, a empresa de comunicação. O empresário, no entanto, tinha que dividir sua atenção entre a empresa e as aulas como professor do curso de relações públicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo Danilo, a Uplink começou como uma prestadora de serviços de produção multimídia que alimentaria sites e redes sociais dos clientes. “Mas, ao percebermos a oportunidade de fazer parte do projeto de incubação da Fucapi Incubadora de Tecnologia, refletimos sobre a possibilidade de investir em inovação”, comenta. Carência A advogada Janaina Chagas é daquelas mulheres que busca autonomia e gosta de tomar decisões. Está sempre se ocupando com algo novo a procura de atingir metas. Em sociedade com o seu irmão, buscou no ano passado, uma franquia, para prestar serviço de pintura de alto padrão. Contudo, o seu instinto exigiu que fosse além daquilo que a empresa da cidade de Soro-

caba (SP) oferecia. Tomou a decisão de desenvolver o seu próprio empreendimento, ampliando o seu serviço de pintura decorativa para o de serviços de manuten-

LIDERANÇA

“Sempre fui muito de ter autonomia para tomar as minhas decisões, criar, liderar. Gosto de inovar e prezo pela organização e estabelecimento de metas” Janaina Chagas, sócia-proprietária TopService

ção predial com a TopService – Soluções e Serviços. “Identificamos a carência desse tipo de serviço em Manaus e entramos no mercado com o diferencial da pontualidade e da qualidade”, afirma.


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Economia

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Trabalhadores lesados Alfredo MR Lopes na hora da aposentadoria alfredo.lopes@uol.com.br

Pesquisa realizada pela ASBP revelou que a maioria da população desconhece o direito às verbas indenizatórias DIVULGAÇÃO

Para evitar perdas com rescisão, aposentados e pensionistas devem buscar auxílio jurídico

U

ma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Apoio aos Aposentados, Pensionistas e Servidores Públicos (ASBP), constatou que milhões de trabalhadores são lesados ao requerer a aposentadoria por tempo de serviço e/ou por idade. Esta prática acontece porque a maioria da população não sabe que mesmo ao aposentar-se, tem direito às verbas rescisórias: indenização dos 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), aviso prévio com reflexo no 13º salário e férias de mais um terço. A aposentadoria por tempo de serviço e por idade não põe fim ao contrato de trabalho. Se for da vontade, o cidadão pode continuar trabalhando, mesmo após a aposentadoria. Se o trabalhador não solicitar a demissão por escrito, o seu contrato de trabalho continua vigente, neste caso, se for impedido pelo empregador de continuar, é caracterizada a demissão imotivada, da qual dá direito ao trabalhador de receber as verbas rescisórias. Dos servidores públicos aposentados pelo Institu-

to Nacional de Seguridade Social (INSS), pesquisados pela ASBP, impedidos de continuar trabalhando, 100% declararam não ter recebido as verbas rescisórias. Do serviço privado, a metade dos entrevistados (50%), declararam estar na mesma situação.

TOTALIDADE

Dos servidores públicos aposentados pelo INSS, 100% afirmaram que não receberam as verbas rescisória como os 40% dos FGTS, aviso prévio e um terço das férias, conforme a legislação O advogado especialista em direito do trabalho e diretor jurídico da ASBP, Evaldo Oliveira, alerta que o prazo máximo para recorrer à justiça, é de até dois anos após o último dia de trabalho. Ele esclarece ainda que este direito é somente para as aposentadorias por tempo de trabalho e/ou por idade, não cabendo para os

demais tipos. Os casos de demissão por justa causa e contrato de trabalho por tempo determinado, também não possuem o direito. Orientação O trabalhador aposentado nesta situação deve procurar imediatamente seu advogado, sindicato ou associação para orientá-lo. Para Oliveira, os tribunais têm entendido que, em se tratando de prestação de serviço público, a aposentadoria, seja ela de qual modalidade for, põe fim ao contrato de trabalho em curso, sem gerar o efeito de demissão imotivada, negando o direito à indenização dos 40%. “Mas não desistiremos nunca desta luta, é um direito do trabalhador aposentado e temos certeza que a vitória chegará”, destacou o advogado. A ASBP presta esclarecimentos gratuitos para qualquer cidadão. Porém, é necessário o agendamento prévio em uma das unidades, endereços e telefones disponíveis no site da entidade em www.asbp.org.br.

As águas, os duendes e a nova ZFM

Em clima de escassez do precioso líquido, racionamento em vários Estados - no interior paulista quem for flagrado no desperdício de água paga multas pesadas – o Brasil segue fechando a tramela depois que o ladrão arromba a porta pra fazer a própria festa. Sem planejamento nem água nas represas, é automática a redução na oferta de energia, e o estrago da irrigação precária é fatal ao agronegócio. Pois bem, com a instalação de laboratórios de Aquicultura e Pesca Fluvial, Eco-Hidroinformática, Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata; Educação Ambiental e Laboratório de Micro-organismos ambientais e patogênicos na água, entre outros, no Parque Tecnológico de Itaipu, no município de Foz do Iguaçu, foi criado o Instituto Nacional das Águas, através de Lei 12954/14, sancionado pela Presidência da República, nesta quarta-feira. A iniciativa, que foi debatida no Congresso, onde a região conta com uma bancada parlamentar descoordenada e servil, não inclui manifestação nem representação da Amazônia, 60% do território nacional, e com um quinto da água potável do planeta, segundo o IBGE, entre outros acervos. É esta região, ademais, que abriga o aquífero Alter do Chão, um reservatório que alcança o Estado do Amazonas, Pará e Amapá, com 86 mil km³ contra 46 mil km³ pertencentes ao aquífero Guarani, sem a plataforma de rochas que o recobre, complicando o acesso. Alter do Chão, entretanto, é configuração arenosa e acessível como reserva estratégica, segundo pesquisas da Universidade Federal do Pará. De quebra, há três anos, estudos do Observatório Nacional, à frente o cientista Valiya Hamza, orientador da tese de Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, mostraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do rio Amazonas a uma profundidade de 4 mil metros com mesmo sentido de fluxo. É o rio Hamza, em homenagem ao pesquisador indiano, que trabalhou dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980. A descoberta acontece pouco depois dos geólogos italianos acharem um rio subterrâneo que corre embaixo de Roma, mais extenso que o Tibre - o terceiro maior da Itália, com 392 quilômetros. O alerta sobre a criação da façanha federal do Instituto das Águas foi dado pelo físico Ennio Candotti, do Museu Amazônia, que também perguntou sobre o silêncio obsequioso da comunidade local – parlamentares, cientistas e jornalistas incluídos - sobre a iniciativa dos estudos de viabilidade para a construção de uma hidrelétrica nas corredeiras do Alto Rio Negro. Contrato já firmado pela Empresa de Pesquisa Energética do Ministério das Minas e Energia – que não dá colher de chá para energia solar - com a consultoria IGPlan, realiza até novembro próximo “serviços técnicos especializados para elaboração de estudos para o diagnóstico socioambiental e dos usos múltiplos da água da bacia do rio Negro, desde a região das cabeceiras inseridas no território nacional até a confluência com o rio Amazonas”. Casa de Mãe-Joana! Aí estão concentradas as principais etnias do Estado e os maiores parques de conservação ambiental. E para os amantes da flora, o bioma dessa bacia guarda 75% das bromélias e orquídeas catalogadas no planeta! O principal município do Alto Rio Negro é São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), com 90% de população indígena. A virtual hidre-

létrica e a criação do Instituto Nacional das Águas sem a inclusão, ou debate estratégico, científico ou pecuniário com a comunidade da Pátria das Águas, como definiu a Amazônia o poeta Thiago de Melo, dão mostras da abordagem rasteira, irresponsável – posto que desprovida de conhecimento e compromisso – que descreve historicamente o olhar para a Amazônia da União federal. A definição de gabinete das 29 hidrelétricas no bioma amazônico, sete já em andamento, faz lembrar a iniciativa do projeto de um megalaboratório, laboratório nacional, chamado BioBrasil, que ainda circula nas rodas políticas para definição da paternidade eleitoral, a ser construído, possivelmente, em Salvador, para utilizar o banco nacional de germoplasma. Pois é, nesse baile de alegorias nutracêutica, que já contabiliza meio bilhão de reais de recursos do BNDES, o portfólio genético da Hileia foi barrado. E o poderoso grupo de trabalho ministerial que libera o Processo Produtivo Básico demorou mais de quatro anos para liberar o PPB de um laboratório que se recusou a entrar na festa. A iniciativa empresarial foi desenhada com os paradigmas do plano de negócios da criação da Bioamazônia, há 14 anos, sem a floresta, porém. Manter a floresta em pé, o imperativo categórico dos duendes malignos do imobilismo, é uma conversa mais obscena do que aparentemente se revela. Seus arautos integram o mesmo grupo de duendes que boicotam a modernização portuária da economia nacional e tem argumentos de sobra para estimular a estratégia ideológica, mercadológica e intercontinental do porto cubano de Mariel. “Não é porque você é paranoico que as pessoas param de lhe perseguir”, diziam os psiquiatras da Contracultura nos anos 60 da Guerra Fria. O projeto cubano – esboçado pela rapaziada arrojada do Itamaraty - foi aplaudido por setores da mídia europeia, que revelaram uma inconfidência guardada há sete chaves em alguns escaninhos do Planalto Central: além de recursos do BNDES, a área alfandegada de Mariel, 50 vezes maior que a área da ZFM, vai receber uma ZFM, sim, e com base ecológica, muito parecida com aquela que um dia o ministro do Desenvolvimento recomendou para os empresários locais. Além da modernização portuária, torcida e muita macumba pela suspensão do embargo americano, comércio à moda panamenha etecetera e tal, Cuba terá uma ZFM. Havana e adjacências têm mais farmacêuticos do que médicos desempregados. Estes já trabalham nos sertões nordestinos e amazônicos, com baixo custo e muito impacto popular. Na Zona Franca de Mariel, ó, - o dedo em forma de Ok para sinalizar aprovação! - dá-lhe biotecnologia com as ervas importadas da Amazônia! Quanto ao Amazonas, bem, pela fragilidade de sua infraestrutura e baixa competitividade, por enquanto, que se volte para sua vocação de “base ecológica”, necessariamente extrativista pela ausência crônica de formação biotecnológica visando agregação de valor. E que aumente sua pauta de exportação! O ecológico, tudo indica, nada tem a ver com a utilização dos recursos de P&D para a qualificação do perfil farmacológico, focado na utilização dessa imensurável bagagem genética que a Natureza aqui deixou e que o descuido de nossa representação política e ausência de lideranças regionais esnobam a cada dia, protelando a poesia da transformação. Valei-nos, a Virgem Maria, Nossa Senhora da Conceição!

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Seus arautos integram o mesmo grupo de duendes que boicotam a modernização portuária da economia nacional e tem argumentos de sobra para estimular a estratégia ideológica, mercadológica e intercontinental do porto cubano de Mariel”


Economia

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Madeireira alemã investe R$ 300 milhões em Envira

Empresários pretendem iniciar as suas operações, com apoio do Estado, no mês de abril, o que irá gerar 120 empregos VALDO LEÃO/AGECOM

HENRIQUE XAVIER EM TEMPO ONLINE

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lima chuvoso, dificuldades na autorização dos planos de manejo e logística em relação à capital não representaram problemas suficientes para que um grupo de empresários alemães da cidade de Darmstadt resolvesse investir, com apoio do Estado, no setor madeireiro do município de Envira (a 1.206 quilômetros de Manaus). O empreendimento que vai injetar R$ 300 milhões no município, a partir da exploração sustentável da madeira, com vista no mercado interno de países europeus, pretende iniciar suas operações já no próximo mês de abril, com a geração de 120 empregos diretos. A informação foi divulgada pelo prefeito de Envira, Ivon Rates, e pelo vice-governador José Melo, os quais ficaram satisfeitos com o reaquecimento da economia do município, a partir da entrada em operação da linha extrativista, prevista para o próximo mês de abril. “O município ganhará muito com esse empreendimento e os empregos diretos que ele vai gerar”, salienta Melo. O vice-governador afirma que os técnicos ambientais do Estado avaliaram com cuidado a proposta técnica apresentada pelo grupo estrangeiro. Ela contém critérios como a implantação de um sistema de gestão e desempenho de qualidade das operações florestais, o grau de processamento local do produto, o uso de inovações tecnológicas e os

investimentos efetivos destinados à comunidade local. Segundo Melo, o plano de manejo, obrigatório para ordenar a atividade madeireira e promover uma economia florestal de base sustentável, fortalece a venda de madeira legal de origem rastreada, aumenta a oferta de empregos, eleva a renda da população e a arrecadação regional. “A política de concessão florestal traz a presença forte do Estado para áreas que ainda são remotas. O manejo florestal se compatibiliza com os objetivos da administração estadual de sempre oferecer

TERRAS

Mais de 250 famílias de produtores rurais de Envira receberam, títulos de propriedade da terra. A entrega foi feita pelo governo do Estado durante visita técnica do vice-governador, José Melo. oportunidade e renda para a população”, opina Melo. Rates explicou que o grupo alemão fez questão de acrescentar o nome Envira à marca, que deverá chegar a países como França, Bélgica e Alemanha. “Os investimentos vão representar uma alternativa a mais para a nossa economia. Isso soma dividendos para melhorar a arrecadação. Acredito que a melhor gestão dos recursos naturais é feita pelo manejo”, considera.

José Melo ao lado de Ivon Rates, afirma que técnicos ambientais do Estado avaliaram com cuidado a proposta dos investidores

ONG SAMAUMA

Manejo sustentável é principal modelo econômico de Envira para arrecadação municipal

Na rota dos novos investimentos O vice-governador, José Melo, lembra que no ano passado a falta de projetos para exploração dos recursos madeireiros em Envira gerou uma falta do produto no mercado local. O que, segundo Ivan Rates acarretou na elevação de 30% em média nos preços. Com isso, o metro cúbico da madeira saltou de R$ 1,2 mil para R$ 1,8 mil, impactando diretamente o preço final da construção civil.

O prefeito do município disse que o processo junto aos investidores estrangeiros começou no ano passado. “As negociações para atrair esses novos investidores começaram em 2013, um ano que foi muito complicado para a economia como um todo”, frisa. Rates lembrou que foi um ano no qual as pessoas decidiram não comprar madeira. “Quando decidiram investir já estava muito tarde. Não havia mais

tempo hábil para extração. Este ano, Envira já está na rota dos novos investimentos”, enfatiza Rates. Após ter acumulado um crescimento de 140% entre 2009 e 2011, o setor madeireiro teve um crescimento de apenas 6% em 2012 e viu esses valores decrescerem 22,85% no ano passado. A falta de extração e consequentemente de matériaprima fizeram o preço do produto disparar.


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Economia

Estrangeiros ganham op Empresários amazonenses contratam trabalhadores de outras nacionalidades para atender a demanda dos novos clientes do mundo antes, durante e depois da Copa. JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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clima de Copa do Mundo que começa a contagiar Manaus está criando oportunidades aos trabalhadores de origem estrangeira que vivem na capital amazonense. Por conta da necessidade de mão de obra bilíngue, para receber os clientes de outros países que virão prestigiar os jogos das suas seleções, os empresários de bares e restaurantes, por exemplo, estão contratando colaboradores africanos, europeus e sul-americanos para atuarem nas funções de garçom, recepcionista e até cargos de supervisão nos estabelecimentos locais. O gerente do restaurante Sabor a Mi, Leonardo Menezes, conta que há um ano a empresa integrou os primeiros estrangeiros à sua equipe de trabalho. Atualmente, dos 26 funcionários do estabelecimento, três são de outras nacionalidades, sendo um português e dois haitianos. Leonardo explica que as contratações não foram feitas diretamente em função dos jogos da Copa, mas avalia que a fluência de outros idiomas tem facilitado o ingresso desses profissionais no segmen-

to. “O maitre – que coordena o serviço de garçons – do restaurante é de Portugal, e fala um inglês muito bom. Já os haitianos trazem com eles o dialeto francês”, disse. Segundo Menezes, além do idioma, o candidato preciso ter no currículo uma especialização sobre vinhos, ou experiência anterior na função. Ele

HAITIANOS

Atualmente 2,5 mil haitianos vivem em Manaus e 1,6 mil estão empregados. Peruanos, colombianos e cubanos também compõem a lista de pessoas de outros países que atuam na capital amazonense. disse que só vê vantagens na diversidade de línguas estrangeiras no seu negócio, e como empresário não faz qualquer restrição quanto à nacionalidade do interessado. “Se a pessoa tiver o perfil que procuramos, for esforçado, curioso, interessado em se comunicar bem com os clientes, não importa seu lugar de origem. Nossa preocupação é a qualidade do serviço prestado”, ressalta.

Desafios O proprietário do restaurante de comida regional Tambaqui de Banda, Mário Valle, também aposta na diversidade de seu quadro funcional para proporcionar atendimento diferenciado. Entre seus colaboradores, estão dois haitianos e um colombiano. Valle esclarecer que a procura, em geral, parte do próprio candidato estrangeiro, que precisa se estabelecer financeiramente ao chegar a Manaus. “Eles vêm ao restaurante e nós analisamos o currículo. Se estiver apto, o candidato passa por um período de experiência”, detalha. Mário conta que nem sempre a experiência com que o procura é positiva. Ele chegou a tentar por quatro vezes seguidas até conseguir fixar um trabalhador de outro país em seu empreendimento. De acordo com o empresário, de modo geral os aspirantes são excelentes na variação de outras línguas estrangeiras, o que os tornam “coringas” no atendimento a franceses, espanhóis ou norte-americanos. “Porém, nem todos se adaptam ou seguem as regras, assim como os brasileiros. Ocorre que comandar pessoas é sempre um desafio”, observa Valle.

O português Thiago Rodrigues diz que, mesmo sem a Copa do Mundo, oportunidades não faltam em Manau


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aus para estrangeiros e brasileiros que dominam outros idiomas

Idioma conta muito para se estabalecer O português Thiago Rodrigues, 31, que é o maitre do restaurante Sabor a Mi. Ele mora em Manaus com a família há dois anos. Começou como garçom, trabalhou em hotéis e voltou ao restaurante para a atual função . “Tem muita oferta, principalmente, se o candidato é especialista em alguma função, e fala outros idiomas”, opina. O colombiano Pablo Quijano, 35, trabalha há dois anos e seis meses como garçom no restaurante Tambaqui de Banda. Ele conta que, antes de chegar a Manaus morou no município de Tabatinga (a 1.100 quilômetros de Manaus). Quijano começou como auxiliar de cozinha. Aos poucos, a administração do restaurante percebeu o empenho do colombiano e por isso deu a ele novas oportunidades. “Trabalhei com empenho, diminuí o ‘portunhol’. Ampliei os conhecimentos sobre cozinha e atendimento ao público”, enumera.

Cursos para qualificar o serviço O empresário do segmento de serviços e vicepresidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas (Abrasel-AM), Mário Valle, explica que a presença de profissionais oriundos de outros países tende a crescer na cidade, mesmo após a Copa do Mundo. Em atenção a esta nova realidade, ele afirma que a própria categoria empresarial trabalha com a possibilidade da abertura de cursos

para aperfeiçoar a mão de obra desse mercado. De acordo com Valle, a parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) está bem próxima de ser confirmada para a abertura dos cursos de formação de garçons e auxiliares, com atenção especial aos estrangeiros. “Não quer dizer que estamos dando preferência a um ou outro trabalhador, mas sim dar oportunidades de qualificação a todos”, afirma.

Procura Valle diz ainda que a burocracia para que estrangeiros consigam permissão para trabalhar em terras brasileiras impede uma procura maior por parte deles. O comerciante lembra que os haitianos são um caso especial para os governos federal, estadual e municipal, os quais facilitaram os trâmites na expedição das suas carteiras de trabalho, por conta do desastre natural que assolou aquele país. DIVULGAÇÃO

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

portunidade de trabalho

Mão de obra estrangeira é absorvida principalmente por bares e restaurantes de Manaus


País

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Cinegrafista teria sido atingido por um rojão receberão todas as imagens coletadas pela polícia, inclusive as feitas por emissoras de televisão, para tentar elaborar um desenho em que conste o local exato onde estava o cinegrafista e a possível trajetória que o artefato fez antes de atingi-lo. “A partir disso, vamos conseguir reduzir a área em que

CONVICÇÃO

O delegado responsável pelas investigações, Maurício Luciano, disse ter convicção de que o artefato foi jogado por um manifestante e não pela PM. Ele acompanhou a perícia feita no local do crime estava a pessoa que fez o lançamento (do explosivo). Vamos definir se estavam presentes policiais militares, se só havia manifestantes, se havia pessoas mascaradas. Num primeiro momento, é preciso fazer essa definição”, explicou Veloso. Saúde O cinegrafista Santiago Idílio Andrade permanece em esta-

do grave. O jornalista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar, passou por uma cirurgia na madrugada de sexta-feira (7), e está no Centro de Terapia Intensiva (CTI). De acordo com informações publicadas nas redes sociais do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, a autoria do ataque não foi confirmada. “Mas se sabe que o profissional não tinha equipamentos de segurança que a empresa deveria garantir, como capacete”. Na mesma noite do atentado, dirigentes do sindicato estiveram no hospital Souza Aguiar, acompanhando o caso. A informação é que ele foi atingido no ouvido e nuca e chegou à unidade com afundamento de crânio. Além de Andrade, mais seis pessoas foram levadas para o hospital depois do protesto contra o aumento da passagem de ônibus de R$ 2,75 para R$ 3. Em nota, o Grupo Bandeirantes de Comunicação disse que acompanha a evolução do quadro do jornalista, junto a parentes dele no hospital, e que registrou o caso na 5º Delegacia de Polícia. Este é o segundo caso de cinegrafista da Band ferido durante conflitos.

CASO RAMONA AGÊNCIA BRASIL

RUBENS PAIVA

Depoimento pode ajudar a esclarecer em que local foi deixado o corpo do ex-deputado

CEV-RJ apresenta novas provas A Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-RJ) apresentou documentos que comprovam que os órgãos de repressão do governo militar deram informações falsas sobre o caso do ex-deputado Rubens Paiva, dado como desaparecido em 20 de janeiro de 1971. De acordo com o presidente da comissão, Wadih Damous, o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos, em depoimento à comissão em novembro, informou que a versão oficial de que Paiva foi resgatado por guerrilheiros no Alto da Boa Vista e desapareu na mata, não é verdade. “O coronel Raymundo revela que lhe foi atribuída a missão de montar esse cenário. O então comandante do (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna)

Policial mostra rojão de vara semelhante ao que teria atingido o cinegrafista durante o protesto

DOI-Codi, o major (Francisco) Demiurgo (Santos Cardoso), determinou a ele que levasse o Volkswagen até determinado ponto no Alto da Boa Vista e lá fizesse o que ele fez, com os dois sargentos que o acompanhavam: tentaram incendiar o carro com tiros de pistola, não conseguindo, riscaram um fósforo e tacaram no tanque de combustível, o carro pegou fogo e explodiu. A partir daí montou-se a farsa que perdurou 43 anos”. Segundo o depoimento de Campos, o ex-deputado teria sido morto sob tortura. “Essa farsa foi justificada pelo comandante, que interpelado pelo próprio coronel Raymundo, disse que era preciso montar aquela história porque um prisioneiro havia sido morto em interrogatório no DOI-Codi”, informou Damous.

Cubana será ouvida pelo MPT A médica cubana Ramona Rodriguez falará na próxima segunda-feira (10), no Ministério Público do Trabalho (MPT), sobre seu trabalho no programa Mais Médicos. O depoimento fará parte do inquérito aberto em agosto de 2013 pelo MPT, para investigar a legalidade da relação de trabalho entre os médicos do programa e o governo. Em nota, o MPT informa que, ao final do inquérito, exigirá para os profissionais cubanos tratamento isonômico aos dos demais médicos contratados pelo programa. A previsão é que, até o fim deste mês, o Ministério Público do Trabalho conclua o inquérito e apresente um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para que o governo “corrija as ilegalidades” do programa. Durante a investigação, o MPT

fez visitas às unidades do programa e analisou contratos dos profissionais. Caso o governo não aceite o termo, o MPT vai buscar na Justiça o cumprimento da lei. De acordo com a assessoria de imprensa do MPT, a expectativa é que com o depoimento da médica cubana, o MPT possa ter acesso aos termos do contrato entre a Organização PanAmericana da Saúde (Opas) e o governo cubano, documento que não foi apresentado pelo Ministério da Saúde. Em novembro de 2013, em relatório parcial do inquérito, o procurador Sebastião Caixeta adiantou que há fortes indícios de que o formato do Mais Médicos tem irregularidades. Na época, o relator do inquérito disse que há, no mínimo, “desvirtuamento de uma autêntica relação de trabalho”. A

investigação também abrange a relação de trabalho entre os médicos inscritos individualmente e o governo, já que eles são pagos com bolsas, sem relação trabalhista. Desde o lançamento do programa, em julho do ano passado, a relação entre os médicos e o Ministério da Saúde tem gerado duras críticas das entidades representantivas da categoria. Os profissionais do programa inscritos individualmente recebem bolsa-formação no valor de R$ 10 mil para trabalhar na atenção básica de regiões carentes que não conseguem atrair médicos. Eles não têm vínculo empregatício com o Ministério da Saúde, pois, segundo a pasta, participam de uma especialização na atenção básica nos moldes de uma residência médica. AGÊNCIA BRASIL

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técnico em explosivo Elington Cacella, do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil do Rio, afirmou na tarde da última sexta-feira (7) que o artefato que atingiu o repórter cinematográfico Santiago Ilídio Andrade, 49, da TV Bandeirantes, é um “rojão de vara” à venda em qualquer loja de fogos de artifício. A declaração foi dada em entrevista coletiva concedida à imprensa após o Esquadrão Antibombas periciar o local do crime, analisar imagens e testar o mesmo modelo de explosivo. “Esse tipo de artefato se assemelha a um foguete. Inicialmente, ele tem uma carga de propulsão. Essa carga vai queimar, fazer a projeção do artefato e no final dela tem uma carga explosiva de arrebentamento”, explicou o perito. “Infelizmente, essa carga explodiu no momento em que atingiu o repórter (cinematográfico)”, acrescentou. As investigações sobre o artefato explosivo que atingiu o cinegrafista seguem duas linhas periciais, além dos depoimentos das testemunhas, informou o chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso. Os peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE)

AGÊNCIA BRASIL

A informação é do Esquadrão Antibombas, que periciou o local em que ocorreu o atentado contra Santiago Andrade

No depoimento, consta que o coronel não viu Rubens Paiva em nenhum momento e só soube o nome do preso político que havia morrido quando retornou da missão, sem ter recebido nenhum detalhe das condições da morte nem do destino do corpo. Segundo o presidente da CEV-RJ, as conversas com o coronel Campos duraram dez meses, até ele concordar em prestar um depoimento formal. As informações só foram reveladas agora porque poderiam atrapalhar as investigações, além do coronel não ter autorizado, a princípio, a divulgação das informações, mudando de ideia depois. Damous diz que foram citadas pessoas ainda vivas, que poderiam esclarecer aonde está o corpo de Rubens Paiva. Ramona será ouvida pelo MPT, sobre o contrato do Mais Médicos, que a trouxe ao país


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Doadores de fígado são escassos, alertam médicos A

carência de doadores de fígado no Brasil é preocupante. O alerta é de médicos especialistas e dos próprios transplantados. Eles apontam que o país conta com número muito abaixo do ideal para suprir a demanda de transplantes de doadores não vivos em adultos. De acordo com o membro do corpo clínico do serviço de transplante de órgãos e cirurgia de fígado do departamento de gastroenterologia do hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Wellington Andraus, apenas 35% dos transplantes de fígado necessários são feitos no país. “Uma estimativa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos aponta que seriam necessários 25 transplantes por milhão de habitantes por ano no Brasil e conseguimos apenas oito transplantes por 1 milhão de habitantes por ano. Apenas um terço dos transplantes são efetuados, os outros, 65% das pessoas que precisam deste procedimento morrem na fila”, lamentou ele. Segundo o médico a situação é ainda mais grave em São Paulo, onde há maior fila de pacientes na lista de espera do país, em números relativos e absolutos. Ele ressaltou que a escala Meld-Modelo para doença hepática terminal - que pontua a gravidade da doença hepática crônica, em pacientes hospitalizados em São Paulo está entre 32 e 33 (83% de mortalidade. “Em países como os Estados

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De acordo com especialistas, Brasil não dispõem de número ideal para suprir a demanda de transplantes de doadores Unidos e os da Europa essa escala está em torno de 20 (76% de mortalidade). O problema prosseguiu o cirurgião é multifatorial, como carência de serviços de saúde em regiões pobres do país, precariedade do sistema de saúde em alguns hospitais, entre outros. Existem duas modalidades possíveis para transplante hepático: doadores falecidos por morte encefálica e intervivos (família ou aparentados compatíveis que doam para o paciente com fígado doente).

A colaboradora da Associação Brasileira dos Transplantados de Fígado e Portadores de Doenças Hepáticas (Transpática) e coordenadora de casa de apoio de transplante em São Paulo, Andrea Teixeira Soares acredita que é possível melhorar mais a captação dos órgãos de doadores com morte encefálica. “A maioria dos hospitais tem pouca estrutura. Muitas vezes, falta leito para manter o doador que já está em morte cerebral, falta incentivar as equipes a notificarem, pois muitos doadores morrem sem serem notificados”, comentou ela que é transplantada há 14 anos e precisou esperar dois anos na fila por um novo fígado. Andrea Soares ressaltou a importância das campanhas de conscientização.“Não bastam campanhas pontuais, são necessárias campanhas constantes que esclareçam às famílias como é o processo de doação e explicar que a morte encefálica é irreversível”, disse.

VÍRUS C

Os problemas mais comuns com o fígado que acabam gerando a necessidade do transplante no Brasil são ocasionados predominantemente pelo vírus C, responsável por alto índice de cirrose Andraus explicou que o ideal é que não seja necessária a doação de intervivos, para evitar risco cirúrgico para as pessoas saudáveis. “A estimativa é que ocorrem 50 a 60 mortes encefálicas por milhão de habitantes por ano. Se conseguíssemos 25, já estaríamos atendendo às nossas necessidades”, comentou ele ao admitir que praticamente nenhum país tem autossuficiência em doadores. “Só que aqui essa relação está muito pior do que a de outros países, inclusive, da América do Sul”, explicou.

Em setembro do ano passado, o Ministério da Saúde lançou uma campanha de doação de órgãos

MACONHA AGÊNCIA BRASIL

A poposta alega que o mercado não regulado da droga gera violência, crimes e corrupção

Proposta quer que Senado legalize Quase 16 mil pessoas querem que o Senado Federal vote projeto de iniciativa popular para regulamentar o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha. Se o número de apoiadores da proposta chegar a 20 mil, o projeto começará a tramitar no Congresso. A proposta prevê legalizar o consumo da maconha, como já ocorre com bebidas alcoólicas e cigarros. Também permite o cultivo caseiro, o registro de clubes de cultivadores e o licenciamento de estabelecimentos de cultivo e venda no “atacado e varejo”. Os autores defendem sua aprovação com o argumento de que mercado não regulado

da maconha gera “violência, crimes e corrupção”. Desde o ano passado, o site do Senado permite, no portal e-Cidadania, que qualquer pessoa sugira projetos ao Congresso. Mas, para que tramitem, é preciso do apoio mínimo de 20 mil internautas. O projeto fica quatro meses no site. Se atingir o número mínimo, vai para análise da Comissão de Direitos Humanos da Casa - que tem a prerrogativa de não deixá-la tramitar ou transformá-la em uma proposta legislativa real. “É importante destacar, pois, que se trata de proposta de projeto de lei ou de emenda à constituição. Ficará a juízo dos Senadores a conversão

Saída é conscientizar as pessoas

da ideia em proposição, bem como sua posterior aprovação ou rejeição”, explica André Kiepper, Analista de Gestão em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, responsável pelo encaminhamento da ideia no portal. Uruguai Em dezembro de 2013, o Senado uruguaio aprovou o projeto de lei que regulariza a produção e a venda de maconha no país. Agora a proposta foi sancionada pelo presidente José Mujica. Com isso, o país sul-americano se tornou a primeira nação do mundo a controlar e regulamentar o uso da droga.


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Mundo

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Contrabando no alvo de Colômbia e Venezuela

Países assinaram acordo para agirem em conjunto contra a venda ilegal de produtos - alimentos e gasolina -, na fronteira

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Colômbia e a Venezuela firmaram acordo para combater o contrabando na fronteira comum. Os chanceleres Elías Jaua, da Venezuela, e María Ângela Holguín, da Colômbia, reuniram-se no Estado de Zuila, Oeste da Venezuela, e acertaram detalhes da operação. Com vasta fronteira, equivalente a mais de 2 mil quilômetros (2,219), o contrabando de alimentos e de combustível têm afetado a economia e a segurança na região. Os dois países se comprometeram a atuar em conjunto. Do lado da Venezuela, bens produzidos no país, como carregamento de combustíveis (mais barato) que forem levados ilicitamente serão repatriados e devolvidos ao território. O comércio entre eles sempre foi intenso, e a Colômbia é um dos maiores fornecedores de produtos alimentícios para o país. O que preocupa os dois governos é o crescimento do mercado ilegal. Com o peso colombiano mais forte que o bolívar, alguns comerciantes passam ilegalmente produtos para comercialização na Colômbia.

AFP

Segundo Jaua, o governo venezuelano fornecerá para a Colômbia uma lista com os nomes dos produtos que estão proibidos de serem exportados na Venezuela. “Esse bens são, principalmente, alimentos, que servem para abastecer a população e não para servir ao contrabando”, explicou o ministro.

MOEDA

Com o peso colombianoa mais forte que o bolívar, alguns comerciantes passam ilegalmente produtos para comercialização na Colômbia. A Venezuela fornecerá uma lista com os produtos Em contrapartida, o governo colombiano adotará medidas. A ministra Holguín informou que será criado um centro binacional de coordenação para as operações de busca, apreensão e controle nas regiões fronteiriças dos países. Além disso, haverá um sistema de intercâmbio de informações para investigar e criminalizar estruturas ilegais

e esquemas de contrabando. ‘Dólares colombianos’ Outra medida adotada será a identificação dos venezuelanos que usam cartão de crédito para fazer compras “fictícias na Colômbia”, com o objetivo de trocar pesos colombianos por dólares. Do lado colombiano, não há controle cambial e, por isso, especuladores atravessam a fronteira, usam o cartão para comprar dólares e levar a moeda americana para a Venezuela. Com o mercado paralelo do bolívar, a moeda venezuelana sofre forte desvalorização e pressiona ainda mais a inflação no país. No câmbio paralelo, US$ 1 pode valer até 50 bolívares, quase dez vezes mais que o valor estipulado no câmbio oficial. O encontro entre Jaua, Holguín e membros do gabinete de ambos os governos foi acordado na semana passada pelos presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Colômbia, Juan Manuel Santos, após reunião em Havana, Cuba, no contexto da 2ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Gasolina barata na Venezuela é um produto contrabandeado na fronteira dos dois países

ARGENTINA

Vice se esclarece sobre corrupção O vice-presidente argentino Amado Boudou compareceu ao tribunal de Comodoro Py, para prestar esclarecimentos ao juiz Ariel Lijo sobre as acusações de corrupção no chamado Caso Ciccone. Boudou tomou essa decisão um dia depois da promotoria pedir ao juiz Lijo para que o vice fosse interrogado e acusado formalmente. “Não tenho nada a ver (com isso). Vim explicar que tudo isso é mentira”, afirmou Boudou na saída do tribunal. A investigação conduzida pelo Ministério Público diz que Boudou teria ajudado a salvar da falência a gráfica Ciccone (hoje rebatizada de Companhia de Valores Sudamericana). A gráfica teria recebido aportes financeiros de uma empresa ligada a Boudou quando ele era ministro da Economia no primeiro mandato de Cristina Kirchner. Recuperada financeiramente, a Ciccone conseguiu um

contrato com o governo para imprimir notas de cem pesos e, depois, material de propaganda para a segunda eleição de Cristina. A empresa era controlada pela sociedade Old Fund, presidida por Alejandro Vanden-

ACUSAÇÕES

Em 2012, a ex-mulher de Vanderbroele, Laura Munoz, acusou o ex-marido de ser testa de ferro de Boudou. Segundo ela, Vanderbroele teria admitido ter negócios ilegais com o então Ministro da Economia broele, que foi advogado e é amigo do sócio de Boudou, José Maria Nunez Carmona. Boudou também é investigado por enriquecimento ilícito seu patrimônio aumentou 69% entre 2009 e 2010. O vice entregou duas car-

tas ao juiz explicando sua participação no processo de recuperação da Ciccone. “Vim me colocar inteiramente à disposição para qualquer esclarecimento. Sou o principal interessado nessa causa.” O juiz ainda não respondeu à solicitação da promotoria. A Casa Rosada se pronunciou sobre a acusação ao vice-presidente durante a manhã. O chefe de gabinete da Presidência, Jorge Capitanich, afirmou que Boudou é “vítima de um linchamento da mídia”. Ele disse que é preciso seguir todos os passos do processo e respeitar o princípio de “presunção de inocência” do vice. Na semana passada, a oposição voltou a pedir a saída de Boudou do governo de Cristina Kirchner. “Se eu fosse Boudou, teria renunciado. Se é processado, tem que renunciar sim ou sim. E também para liberar [dessa responsabilidade] a presidente”, disse o deputado Felipe Solá, da Frente Renovadora. AFP

Amado Boudou nega as acusações, apesar dos indícios de que ele teria beneficiado o amigo


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Carros roubados vão para interior Dia a dia C4-C5

Das lágrimas ao sorriso

A musa da agremiação Aparecida, Priscila Carla Uchoa, sofreu um choque anafilático que a deixou na cadeira de rodas. Em recuperação, a sambista não se afastou do Carnaval e tem encontrado força extra no samba WALTER JUNIO Equipe do AGORA

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uando eu não puder mais pisar na avenida. Quando as minhas pernas não puderem aguentar…”. Este trecho de um dos maiores sucessos da sambista Alcione (“Não Deixe o Samba Morrer”) pode resumir um pouco da história da fisioterapeuta e musa de bateria da Escola de Samba Aparecida, Priscila Carla Uchoa, 29, vivida nos últimos 344 dias. A bela morena tem contado com a força da mãe, dos amigos e do samba para dar a volta por cima e retornar ao cotidiano normal. Há quase um ano, Priscila praticamente morreu devido a um erro médico ocorrido em um grande hospital de Manaus. Ela ficou tetraplégica, muda e cega por alguns meses devido a um choque anafilático causado por medicação errada. Uma dor de cabeça somada à dormência do lado esquerdo do corpo mais a negligência médica culminou em um dos piores momentos da fisioterapeuta. “Eu praticamente morri devido ao erro médico. Avisei que não podia tomar três

remédios e eles aplicaram os ditos remédios. Fiquei tetraplégica, enfartei e fiquei internada por mais de sete dias. Saí do hospital tetraplégica. Morri e renasci. Ainda não foi a minha vez e nem será”, disse. Priscila, que é conhecidíssima no Carnaval amazonense uma vez que em 20 anos de carreira desfilou em várias escolas de samba da capital, ressaltou que pensou em morrer ao se ver nessa situação. A fisioterapeuta, agitada e “plugada nos 220 volts” não se mexia, não falava e nem enxergava. “Eu tentava abrir o olho e não conseguia. Tentava falar e não conseguia. Tentei andar, mas caí. Foi quando eu pedi para Deus me levar, pois parecia ter chegado o meu fim naquele momento. É muito difícil para uma pessoa normal passar a depender de tudo, das pessoas. Foi cruel”, relembrou. Apaixonada pela escola de samba Aparecida, ela disse que a esperança e a força em viver vieram à tona quando passou a falar e enxergar novamente. “Foi quando percebi que com tratamento e ajuda de Deus eu iria vencer tudo aquilo. Aquela dificuldade iria passar. Foi neste momento que

pessoas que eu não esperava, me ajudaram”, destacou. Os sambistas amazonenses e os colegas de trabalho ajudaram a fisioterapeuta com recursos arrecadados em feijoadas e eventos carnavalescos. Priscila relembrou que em março do ano passado, mesmo na cadeira de rodas, acabou quebrando um tabu da escola Aparecida. “A Grande Família fez uma feijoada na quadra dela para mim. E nesse dia aconteceu algo jamais feito pela Aparecida. A minha escola levou o mestre Zé Carlos e a Universidade do Samba (bateria da Pareca) para a quadra da escola A Grande Família. Nunca a Aparecida tinha entrado naquele lugar. E por mim, ela foi tocar. Aquilo foi um sonho maravilhoso que me motivou ainda mais na recuperação. Foi uma festa linda”, contou a sambista. Priscila afirmou que, mesmo afundada no problema, não abandonou a esperança de viver. Guerreira e dedicada, ela não perdeu a alegria estampada no lindo sorriso e nem a autoestima. A fisioterapeuta contou que apesar de estar impossibilitada de andar, continuou os estudos e se formou

Força da mãe e do samba Ela atribui toda essa fase de conquistas à mãe Katia Uchoa, aos amigos e, principalmente, ao samba. “O samba é a minha inspiração, a alegria para eu tentar sair da rotina do dia a dia que é ficar em casa. Minha vida não é fácil com fisioterapia pela manhã e à noite. Eu só tenho a agradecer a minha mãe que é minha guerreira, que está comigo 24 horas por dia, às pessoas que estão do meu lado e a todas as agremiações que fizeram e fazem por mim”, disse.

Priscila disse que quando chega aos ensaios da Pareca e nos eventos de Carnaval não se sente inferior a ninguém. “Não quero que me vejam como a coitadinha, e sim como a Priscila do Carnaval, da ciranda e do boi. Estou feliz, viva e recuperando a minha saúde. Eu tenho mais a agradecer do que reclamar. Eu sei que vou sair dessa”, disse. Priscila adiantou que a direção do Carnaval em Manaus promete lhe fazer uma homenagem

com o título de Rainha das Rainhas. “É uma honra imensa receber essa homenagem. Sou a única rainha com o maior número de títulos na capital. E mesmo na cadeira de rodas, eu farei o esforço para desfilar em todas se me for concedido o título”, adiantou.

na sua área: fisioterapia. “Não parei mais de ter esperanças. Sei que isso é uma fase na minha vida e eu vou sair dessa vitoriosa. Minha formatura eu passei de cadeira de rodas. A minha força é tanta que já estou terminando a minha pós-graduação em dermatofuncional. A tristeza bate, mas eu tenho que continuar. Não posso desistir”. A musa de bateria revelou ainda que o acidente fez com que ela sentisse e vivenciasse a dor de um paciente. “Sinto cada dor das diferentes patologias e o desespero de querer voltar a ter uma vida normal. Sentir que você tem vontade de fazer tudo, mas que tem uma limitação. Por isso eu posso entender a vida de um paciente”, declarou a bela sambista, que ressaltou que não sabe o tempo exato quando voltará a andar. “Pode ser daqui a um mês, um ano.

Não importa. O importante é que eu vou ficar boa e sair dessa”, completou. No próximo dia 28 de fevereiro completará um ano do choque anafilático que deixou Priscila Carla paraplégica. Quase 365 dias depois, a morena já dá os primeiros passos em busca da volta dos movimentos das pernas. “Mas não posso forçar”, frisou.

Uma luta de todos no Carnaval Para o carnavalesco da Pareca, o jornalista Saulo Borges, a agremiação tem muito carinho e respeito por Priscila. Borges disse que toda a diretoria da escola acredita na recuperação dela e na garra que ela passa para a Aparecida em querer voltar a andar. “A gente eleva o pensamento a Deus em oração para que Ele nos ajude nesta luta, pois a luta dela é de todos do samba. Quem garante que até o desfile ela não estará andando?”, comentou o carnavalesco.

Priscila Carla Uchoa, musa da bateria da Aparecida: “Estou feliz, viva e recuperando a minha saúde”

ARTHUR CASTRO/AGORA

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Natureza, cari A internação involuntária de dependentes químicos para recuperação acaba sendo a melhor saída para a reestruturação das famílias abaladas pelo vício em entorpecentes. Recuperando a força de vontade, internos conseguem vencer a dura batalha IVE RYLO Equipe EM TEMPO

U

m problema de família foi o que André*, 40, revelou ter usado como pretexto para iniciar o consumo de cocaína. Quando a sensação de euforia causada pela substância começou a interferir negativamente, a família do engenheiro viu na internação involuntária uma saída para tentar resgatar a saúde do rapaz. Em menos de ano de consumo, o desempenho profissional e o convívio com a família e amigos de André foram prejudicados. Ele foi obrigado pela família a iniciar tratamento em uma clínica em São Paulo, que não trouxe o resultado esperado. Algum tempo depois, a família optou por mais uma tentativa. “Minha família que me internou, e na segunda vez aceitei o tratamento e foi bom, se não aceitar não resolve. A clínica tem um método diferente das outras de São Paulo, pois tratam com mais carinho. Em São Paulo é mais rigoroso”, afirmou. Com o fracasso da primeira internação, André partiu sem esperança para a segunda tentativa. “Partiu da família, mas eu precisava aceitar, a pessoa quando está usando só começa aceitar depois do tratamento”, analisou. Após quatro meses internado, André passa agora por um período de ressocialização acompanhado pelos profissionais da clínica. “É interessante o sistema daqui, o apoio que temos du-

rante o período de moradia assistida que nos ajuda a nos inserir na vida pessoal de novo”, disse. Além de abraçar o tratamento, André ressaltou a importância do apoio da família em acreditar na recuperação. “Minha família ajuda muito. Graças a Deus estou bem, voltei a trabalhar e o trabalho está indo bem. Tenho um filho que está muito feliz. Todos eles estão vendo que funcionou, que valeu a pena”, observou.

RESPALDO

Cerca de 80% dos pacientes que chegam à clínica de Reabilitação Psicossocial Clara Luz são conduzidos por terceiros. A internação involuntária é assegurada pela lei 10.216, de 6 de abril de 2001 Estratégias A busca pela internação involuntária não é uma decisão exclusiva da família de André, cerca de 80% dos pacientes que chegam à clínica de Reabilitação Psicossocial Clara Luz são conduzidos por terceiros. A modalidade - que assim como a internação compulsória ainda traz pontos polêmicos que dividem a opinião pública - é assegurada pela lei 10.216, de 6 de abril de 2001. A lei dispõe sobre a internação psiquiátrica mediante laudo médico que caracterize os motivos e somente indicada quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes. Diferente da internação voluntária, onde há o consentimento do usuário,

a involuntária parte do interesse de terceiros. “Nessa modalidade, o dependente não tem a capacidade de decidir por si só. Hoje, a lei 10.216 possibilita que as famílias que têm interesse em internar um parente consigam. Eles assinam um contrato conosco, e nós partimos para o procedimento judicial, de legalizar a situação em 72 horas e, em seguida, a clínica realiza o procedimento de abordagem e internação para proporcionar tratamento a essas pessoas”, explicou o diretor de marketing da clínica, André Schramm. A internação involuntária, segundo a diretora ambulatorial e psicóloga Caroline Reis, dá para a família o respaldo de intervir na tentativa de resguardar a integridade física da pessoa que não tem condição de decidir por si próprio. Contudo, apesar da internação partir do desejo da família, o tratamento só poderá surtir efeito com a vontade do dependente. “Acredito que a internação é involuntária, mas o tratamento em si tem que ser voluntário. Eles chegaram até lá contra a vontade, compulsivos com o uso de droga e não vendo problema nenhum nisso. A partir do momento que vão se desintoxicando, conseguimos motivá-los a querer o processo de transformação, o que a maioria quer. Percebemos que no decorrer do nosso tratamento, eles começam a ter uma tomada voluntária, onde começam a reconhecer o dano que as substâncias causavam na vida deles. Ressalta-se ainda que, o acompanhamento familiar é de suma importância para a eficácia do tratamento”, apontou Reis.

Polêmica e falta de informação Para o diretor administrativo e um dos idealizadores do projeto, Bruno Brandão, a internação involuntária ainda levanta polêmica por conta da desinformação. Segundo ele, livrar-se da dependência química vai além da força de vontade da pessoa. “Pacientes que precisam de internação involuntária também apresentam outras comorbidades psiquiátricas em conjunto. Temos pacientes que, além do uso de droga, são esquizofrênicos, bipolares. Essa é uma problemática muito comum da dependência química”, apontou. Para ele, ignorar as outras doenças pode influenciar negativamente no processo de recuperação do dependente químico. “Procuramos também agir de forma direta nas comorbidades e isso facilita o processo. Essa atenção ao tratamento é necessária, pois ao deixar o processo de tratamento de uma clínica, a pessoa pode voltar a usar não porque quer, mas porque outra comorbidade pode influenciar de forma negativa em seu comportamento. Cada caso é um plano terapêutico diferente”, analisou.

*Nome fictício

O início de um sonho comum A ideia de criação da clínica de reabilitação partiu de um sonho em comum de dois amigos. “O meu amigo e sócio, José Roberto Pinheiro, falou do sonho que já havíamos conversado em outro momento. Ele viu que eu partilhava da ideia, e me convidou para sonhar junto”, lembrou-se Bruno Brandão.

O projeto que seria iniciado um ano e meio após essa conversa deu partida quatro meses depois. A partir daí, a dupla foi reunindo várias pessoas que tinham o mesmo interesse pelo assunto e o desejo em tentar construir algo diferente. “Nasceu daí, e foi formando uma rede de pessoas que se viram

próximas ao projeto, ou porque são dependentes químicos em recuperação ou tem algum tipo de ligação com contexto. Acredito que somos pessoas com interesse pelo assunto e que enxergam a necessidade de um trabalho mais especializado com pé no chão”, afirmou Bruno.

Espaço da clínica na rodovia AM-010: projeto surgiu de um sonho compartilhado O contato com a natureza e o apoio podem assegurar o sucesso da internação involuntária


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inho e apoio

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FOTOS: DIEGO JANATÃ

“André”, um dos internos do centro de recuperação Clara Luz: depois das dificuldades com o tratamento fora do Estado, surgiu a oportunidade de reabilitação com a internação involuntária

O retorno gradual para a vida Em atividade desde junho de 2013, a clínica possui três estabelecimentos: a sede de campo, no recanto São Sebastião, localizado no quilômetro 36 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara). A residência assistida, local onde as pessoas em recuperação retornam gradativamente ao convívio social, instalada em um condomínio no bairro de Flores, Zona Centro-Sul de Manaus, e o atendimento ambulatorial e

escritório, local que também fornece assistência aos familiares do dependente químico, na rua Saldanha Marinho, Centro, Zona Sul. A colaboradora Cleia Pomar explicou que os trabalhos realizados pela Clara Luz vão além daqueles oferecidos por comunidades terapêuticas, uma vez que se buscou desenvolver um projeto de especialização de internação involuntária para tratar dependentes químicos

de álcool e outras drogas com amor, cuidado e respeito. “Para dar suporte a esse trabalho, reunimos profissionais de diversas áreas, como médicos, psicólogo, psiquiatra, assistente social, nutricionista, educador físico, enfermeiro, monitores e também uma postura de amor e respeito aos nossos clientes”, afirmou. Os telefones de contato da clínica são 9391-6608, 9389-6046 e 9111-5383.

Internação em até quatro meses O período de internação em instalações da rodovia AM-010 pode variar de quatro a seis meses, dependendo do caso. Lá, onde o dependente não sofre interferência do mundo externo, são realizadas atividades previstas no plano terapêutico individualizado. Após o término,

os pacientes são transferidos para uma casa em Manaus, onde retornam paulatinamente a realizar suas atividades normais e ao convívio em sociedade. Nesse período intermediário, eles permanecem na moradia assistida por dois meses. Após a moradia assistida,

o tratamento se estende por mais 12 meses, quando o paciente retorna ao seio familiar e reassume sua rotina. De acordo com a psicóloga Caroline Reis, a proposta é dar condições para que o dependente consiga ter suporte para que retorne ao convívio social.


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Aborreciment

Ter um carro roubado é apenas o primeiro de uma série de transtornos que o motorista enfrentará até, com alguma sorte, recuperá-lo - e em outro Estado ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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ada vez mais os veículos roubados e furtados na capital por quadrilhas organizadas são destinados para o interior do Estado ou até mesmo para outros estados. Fato confirmado pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos, que ainda sem o mapeamento das rotas adotadas pelas quadrilhas, recuperam por semana em média cinco carros e motos que foram transferidas para outros lugares. Foi o que aconteceu no último domingo (2), quando o empresário Ian Brito, 31, foi até Juruti (PA) para fazer o reconhecimento do seu veículo que havia sido roubado sete meses antes no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. Ele estava em uma produtora quando três indivíduos armados entraram no local apontando a arma para o recepcionista e ordenando que a chave do carro, de modelo Saveiro, que estava em frente ao lugar, fosse entregue. “Como observei que eles estavam armados, fiquei assustado e entreguei a chave antes que eles

atirassem contra outra pessoa, mas o carro disparou o alarme e, por causa disso, os suspeitos voltaram e me ameaçaram, me jogaram no chão colocaram o revólver na minha cabeça e ainda passaram por cima do meu corpo e nesse meio tempo tentava explicar que eles só tinham que apertar um botão para o alarme parar”, relatou. Depois do susto, Ian Brito procurou uma guarnição da Ronda no Bairro da Polícia Militar de Manaus, e contou todo o ocorrido. O empresário foi encaminhado à Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV) onde realizou o Boletim de Ocorrência (BO) sobre o roubo do seu carro. “Ainda na mesma noite em que meu veículo foi roubado, fiz todos os procedimentos para que a polícia iniciasse o processo de busca, mas infelizmente comecei a perder a esperança e nisso se passaram sete meses sem nenhuma ligação ou retorno sobre meu carro”, disse Brito. Na semana passada, Brito foi surpreendido com a primeira ligação que informava que a polícia tinha uma pista de onde estava o seu carro,

provavelmente em Juruti (PA). “A ligação foi feita do sargento da Polícia Militar do Pará que informava que estavam fazendo um monitoramento do meu carro que tinha localizado, mas ainda precisavam de um pouco mais de tempo”, contou.

ROUBO

O empresário Ian Brito, 31, foi até Juruti (PA) na semana passada para fazer o reconhecimento do seu veículo que havia sido roubado sete meses antes no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus Segundo informações concedidas pelo sargento, o carro estava em posse de um oficial de Justiça que abusa de sua autoridade na cidade, mas que a polícia não tinha mandado de busca na casa dele e aguardava que o mesmo saísse para que o carro fosse recuperado. “Na sexta-feira (31) recebi outra ligação do policial que pedia que eu me deslocasse ao município para fazer o reconhecimento do automóvel

e pudesse retornar com meu veículo para Manaus, fiquei feliz, mas tive que andar escoltado, pois acabei recebendo ameaças”, relatou. O oficial informou para polícia que tinha comprado o veículo por R$ 12 mil, mas não sabia informar de que forma o Saveiro tinha entrado no Estado. Dados Os últimos dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), de janeiro a julho de 2013, registravam 10,4 roubos de veículos em média diária na capital. Nesse mesmo período, 2.201 automóveis, caminhões, caminhonetes, ônibus e motocicletas foram roubados. Com 469 casos no período, os automóveis corresponderam a 21,3% (469) dos roubos notificados, seguidos pelas motocicletas com 17,2% (379) das ocorrências. Nos sete primeiros meses do ano, 994 veículos roubados foram recuperados em Manaus, número 25,7% menor em comparação com o mesmo período do ano de 2012, quando 1.339 veículos foram encontrados e devolvidos aos proprietários.


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tos sem fim

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ERLON RODRIGUES/AGORA

No primeiro semestre de 2013, 994 carros roubados foram recuperados e entregues para seus proprietários

Multas geradas pelos ladrões

O que fazer no caso de roubo

Outro caso aconteceu com o eletrotécnico Osmar Marcos Rylo, 51. Seu filho de 22 anos tinha ido à casa de sua namorada há dois anos no conjunto Augusto Montenegro, na Zona Centro-Oeste, quando foi abordado por dois indivíduos armados que o obrigaram a descer do carro. “Eles levaram tudo que estava com ele, além do carro. Quando o liberaram, meu filho entrou em contato comigo e fomos procurar a polícia para fazer todos os procedimentos, pois pagávamos o seguro do veículo”, detalhou. Com todos os registros, a família de Rylo conseguiu contato com a seguradora que financiou outro veículo, mas o transtorno da perda do carro anterior permanece. “Na semana passada recebi uma multa em minha casa do carro roubado, sendo de falta grave, e os pontos devem ir para a minha carteira. Infelizmente é

O que fazer quando o carro é roubado? Primeiro, a vítima deve ligar para a polícia e informar o roubo/ furto. Com isso, você estará avisando as polícias Militar e Civil que o seu veículo foi roubado, e se ele for visto ou parado em alguma blitz em todo o Estado, será tomada uma ação. Ligar para o 190 e informar o caso é a primeira providência a tomar, pois assim com agilidade, todas as rondas, viaturas e blitz terão a informação que o seu veículo (marca, modelo e placa) foi roubado. Após informar a polícia sobre o roubo, faça o bo-

mais um problema que terei que resolver, porque os órgãos responsáveis não repassam informações, e até eu comprovar que o carro não está mais em meu poder vou continuar recebendo as multas”, desabafou. O eletrotécnico disse que não sabia que há mais de dois anos um carro roubado ainda conseguisse circular pela cidade, mesmo após registros. “Parece-nos que falta mais fiscalizações para que realmente o número de veículos roubados diminua, pois senão a dor de cabeça continua”, disse. Rylo também questionou a falta de comunicação entre as delegacias, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) e também com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran- AM), por não darem baixa na documentação do carro, fazendo com que e as multas continuem a surgir no seu nome.

letim de ocorrência (BO) para registrar o caso. Este será útil caso o ladrão utilize o seu carro para atos criminosos, para comprovar para a seguradora do veículo que o mesmo foi roubado, e até mesmo para a isenção de multas caso haja mais alguma infração cometida pelo criminoso. Informe exatamente como ocorreu o roubo/furto, e lembre-se de informar no BO todos os objetos de valor e todos os documentos que estavam no veículo. Não se esqueça de dar informações particulares sobre o veículo tais como personalizações ou adesivos. DIVULGAÇÃO

Proprietários devem agir com calma em caso de roubo


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Um gargalo cham FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Até casos de agressão física contra quem reclama dos imprudentes e irresponsáveis já foram observados. Região tem grande movimento por conta do comércio, que nem oferece espaços adequados para estacionamento IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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esrespeito às normas de trânsito e dificuldade em estacionar ou mesmo trafegar não é um “privilégio” das avenidas ou ruas de bairros periféricos. Prova disso é a desordem generalizada que se revela nas ruas do conjunto Vieiralves, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, principalmen-

te nos horários de pico. Condutores que não respeitam a sinalização, carros estacionados dos dois lados de vias estreitas, a grande movimentação motivada principalmente pelo comércio e clínicas - que muitas vezes não oferecem estacionamentos com vagas suficientes - contribuem para o caos na área. Uma das principais vias do bairro, a avenida Maceió abriga um

dos inúmeros gargalos facilmente encontrados no espaço. Ela atravessa duas avenidas de fluxo intenso, a João Valério e Salvador, o que proporciona certa retenção no tráfego em horários de pico. Com a concentração de lojas, escritórios, bares e clínicas que não oferecem estacionamento suficiente, grande parte das ruas do bairro são transformadas

em uma grande “garagem a céu aberto”, como é possível observar nas ruas Acre, Rio Purus e Rio Içá, onde há diariamente veículos estacionados em ambos os lados da pista, restando ao tráfego apenas um espaço estreito. “Não tem onde estacionar e a gente é obrigado a deixar o carro na rua. Vou ali rapidinho buscar um exame e só

tive como deixar o carro na rua”, salientou o mecânico Raimundo Teixeira. Além do estacionamento nas vias, o tráfego das ruas Rio Purus e Rio Içá é ainda mais lento por conta do grande número de veículos que trafegam pela avenida João Valério, onde as ruas desembocam. “Todo dia é esse congestionamento. Começa mais ou menos às 16h e vai até as 18h. Não tem para onde

Na avenida Djalma Batista, fluxo de veículos vindos do Vieiralves estimula a bagunça

ir”, lamentou o segurança João Pereira. O vaivém desordenado dos veículos que disputam um espaço na avenida João Valério é um show à parte. Com o fluxo intenso, principalmente nos horários de pico, a confusão é generalizada principalmente quando os motoristas optam por cruzar a avenida e ir na direção da rua Pará.


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amado Vieiralves Infrações por todos os lados Deixar a rua Rio Branco também não é tarefa fácil, principalmente para quem deseja acessar a avenida Djalma Batista que possui vários pontos de lentidão. “Se não for esperto, não entra não, porque o pessoal não dá vez. Se marcar, já era”, ressaltou o universitário Plínio Marques. A sinalização seja vertical ou horizontal não reprime as infrações, principalmente quando o assunto é estacionar em local proibido. A equipe do EM TEMPO flagrou dois carros estacionados em frente a placas de estacionamento proibido, na avenida Maceió e na rua Acre. Na Maceió, não contente em estacionar em local proibido, o condutor também resolveu obstruir a calçada. A calçada na rua Rio Jamari parece ser ponto disputado para o estacionamento. Nem mesmo as garagens das residências, com placas indicando a entrada e saída de veículos, intimidam os condutores de

estacionarem obstruindo a passagem. Houve casos, na rua Rio Jutaí, de moradores e motoristas partirem para a agressão física pela disputa de espaço. “Ainda existem moradores no bairro. E, frequentemente, eles têm a (entrada da) garagem das

INFRATORES

A equipe do EM TEMPO flagrou na última quinta-feira dois carros estacionados em frente a placas de estacionamento proibido, na avenida Maceió e na rua Acre, ambas no Vieiralves casas ocupadas, o que gera conflito. Eles têm que sair atrás do dono do carro, reclamam e normalmente os motoristas deixam os carros para ir a estabelecimentos comerciais. O Manaustrans já foi chamado pra retirar carros da frente de casa”,

disse uma moradora da área que pediu para não ter o nome divulgado. Por meio da assessoria, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) informou que no Vieiralves os maiores problemas encontrados referem-se ao estacionamento irregular em área com placa de proibição ou sobre a calçada, situação em que os agentes fiscalizam e autuam os condutores.

Congestionamento em uma das ruas secundárias do conjunto: pouco espaço para muito carro

Fiscalizações Diariamente, os agentes realizam fiscalizações no bairro. E, neste ano, técnicos do instituto iniciaram estudos na área com a finalidade de melhorar a fluidez do tráfego na área. Assim que forem concluídos, serão divulgados. A assessoria solicitou que moradores ou comerciantes acionem o Manaustrans quando a situação de irregularidade ocorrer, por meio do telefone 0800 092 1188. Flagrante na avenida Maceió: placas proibitivas são totalmente ignoradas pelos infratores

SAÚDE DIVULGAÇÃO

Remédios caseiros baseados em ervas nunca deixaram de ter importância na medicina

O poder que vem da natureza Você já deve ter ouvido histórias de parentes ou amigos mais velhos que em épocas passadas utilizavam as ervas como medicina paliativa, ou até mesmo para tratar doenças mais graves. Quem nunca se sentiu melhor do estômago após um chá de boldo, ou sentiu-se mais calmo com um chá de camomila? Todas as receitas eram, e são, uma forma de medicina, a caseira. Mesmo com a grande quantidade de médicos especializados para cada área da saúde sempre houve a famosa medicina caseira, com técnicas rústicas utilizadas pelas matriarcas de cada família. Nos dias de hoje é muito comum falar sobre tratamentos para combater doenças com plantas medicinais, e na importância que elas exercem na vida das pessoas. O que poucos talvez conheçam é que por meio de pesquisa-

dores foi possível certificar os altos níveis de princípios ativos encontrados na composição das ervas medicinais dentro da Amazônia. No que diz respeito para

FINALIDADE

O programa Ciência na Escola, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisas do Estado do Amazonas (Fapeam), auxilia projetos que incentivam pesquisas na área biológica educação ambiental e científica dentro das escolas, o programa Ciência na Escola (PCE), financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisas do Estado do Amazonas (Fapeam), auxilia projetos que incentivam pesquisas na área biológica e

estimulam jovens cientistas a trilhar caminhos brilhantes dentro da pesquisa. De acordo com o coordenador do projeto Plantas e Ervas Medicinais no Ramal do Brasileirinho, Raimundo Nonato, os alunos começaram a criar interesse pelo tema influenciados por seus pais e avós que sempre utilizaram ervas como remédios. “Nós trabalhamos o projeto em nossa escola juntamente com a comunidade. Os moradores daqui sempre utilizam ervas medicinais contra doenças em seu cotidiano. Realizamos pesquisas de campo, históricas, visitas aos sítios de moradores, plantações de mudas nos canteiros da escola, exposições e depoimentos do poder das plantas pelos próprios moradores e sentimos felizes em difundir estes conhecimentos para outras pessoas que não tinham conhecimento”, avalia o coordenador.


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Como interditar pessoas No ano passado, as varas de família da Justiça amazonense receberam 730 solicitações para interdição de adultos, principalmente de incapacitados por senilidade, muito idosas e com comprometimento de discernimento e saúde mental

A

s nove varas de Família e Sucessões da comarca de Manaus receberam em 2013 um total de 730 ações de interdição de adultos. As situações mais comuns envolvem pessoas incapacitadas por senilidade, muito idosas e com comprometimento de discernimento e sanidade mental, além de pessoas que já não têm mais condição de locomoção pelo estado físico debilitado. De acordo com o juiz Dídimo Santana Barros Filho, titular da 5ª Vara de Família e Sucessões, outra situação frequente é de pessoas com transtornos mentais que determinem incapacidade e por isto não podem administrar a própria vida. Ele diz que nesses casos, normalmente um parente mais próximo, quase sempre a mãe ou, na falta dela, uma irmã ou irmão que fica cuidando dessa pessoa, requer a interdição. Embora não muito comuns, doenças também podem ser o motivo de ações, independentemente da idade ou da situação psicológica do cidadão. “São aquelas doenças que causam internação em UTI, como pessoas que têm um AVC; neste caso também normalmente vem o pedido de interdição, quase sempre pelo marido, esposa, filho ou mais próximo, para poder movimentar conta bancária e

DIVULGAÇÃO

providenciar o pagamento das despesas que normalmente aquela pessoa faria”, explica o juiz. Ele relata que às vezes a pessoa já está recebendo benefício e é preciso administrar os recursos, seja o salário, seja o benefício. Curatela Dídimo explica que o procedimento começa com o pedido de interdição, juntando os documentos que comprovem a situação – às vezes com o laudo do INSS, quando a pessoa já tiver passado pela perícia – e justifiquem a decretação de interdição. Depois disto o juiz marca uma audiência, se for possível, dependendo do estado do interditando, para interrogá-lo e fazer um exame. Justificada a interdição, é aberto um prazo para que o interditando se defenda. Mas, na maioria das situações, segundo o juiz Dídimo, o advogado ou a Defensoria Pública pede que seja nomeado liminarmente um curador, para que este cuide dos interesses do interditando enquanto o processo se desenrola. Os cartórios que receberam maior quantidade de ações de interdição foram a 5ª e a 8ª Varas de Família, no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro de São Francisco, com mais de 180 pedidos cada, protocolados pela Defensoria Pública.

Em 2013, o Tribunal de Justiça do Amazonas recebeu 730 pedidos de interdição, que pode incluir portadores de distúrbios mentais


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plateia@emtempo.com.br

DIEGO JANATÃ

Concertos locais com toque popular Plateia 3

(92) 3090-1042

FOTOS:PAULO LIEBERT/AE

‘Belém é a capital

que mais me atrai’ O amazonense Milton Hatoum, um dos homenageados da 18º Feria Pan-Amazônica do Livro, fala dos projetos novos A paraense Dira Paes estará no filme “Órfãos do Eldorado”

BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO

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esponsável por importantes obras literárias como “Órfãos do Eldorado”, “Dois Irmãos” e “Relato de Um Certo Oriente”, o escritor amazonense Milton Hatoum será um dos homenageados na 18ª Feira PanAmazônica do Livro, que acontecerá dos dias 30 de maio a 8 de junho, em Belém, no Pará. Além dele, o evento contará com outros dois homenageados: o cantor e compositor baiano Dorival Caymmi e o país árabe Qatar. O encontro conta, ainda, com palestras, oficinas, seminários e exposições. Segundo Milton Hatoum, o anúncio da homenagem foi recebido com satisfação. “Na verdade, é uma honra receber algo de um evento tão importante para a nossa região. Principalmente por envolver um país como o Qatar, que já teve vários

livros de poetas e romancistas árabes traduzidos para o português. E mais importante, ainda, é porque essas obras estarão circulando entre o público em geral. Um exemplo disso é o livro do escritor sírio Adonis, lançado recentemente pela Companhia das Letras, no qual assino o prefácio”, comenta. Vale destacar que o nome verdadeiro de Adonis é Ali Ahmad Said Esber, sendo ele responsável por severas críticas ao sistema político dos países árabes. Durante sua passagem pelo evento, Hatoum afirma que participará da abertura, mesmo não sendo adeptos de solenidades. “Vou ser homenageado. Portanto, nada mais justo do que fazer parte da maratona que estão preparando para mim. E como disse, é uma feira importante e que deve ser tratada como tal. Sem falar que estarão importantes escritores de outras nacionalidades que todos os anos marcam presença no evento”. Porém, os laços com o Estado vizinho vão muito além dessa futura homenagem. O escritor, em 19 de dezembro de 2013, recebeu – ainda que estivesse ausente – uma comenda honorífica da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alep). “Infelizmente não pude estar presente na solenidade e nem sei se merecia tal título. Aliás, não sei se mereço qualquer coisa que seja. Porém, fiz muitos amigos em Belém. Dentre eles o escritor e filósofo Benedito Nunes. Ele foi um dos primeiros a falar sobre o “Relato de Um Certo

Oriente” e escrevemos juntos o “Crônicas de Duas Cidades – Belém e Manaus”, lançado em 2006 e que, talvez, seja republicado pela Companhia das Letras”, adianta. Hatoum destaca que sua admiração pelo Pará não tem fim. “Belém hoje é a capital que mais me atrai em todos os sentidos. Seja pela paisagem urbana, pelo lado cultural que é muito forte, pelas pessoas... Já São Paulo – onde reside atualmente – é feia. Apesar de possuir uma

MEDALHA

O escritor amazonense, em 19 de dezembro de 2013, recebeu – ainda que estivesse ausente – uma comenda honorífica da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alep), fortalecendo a ligação cultural de vanguarda, toda semana enfrenta algum problema. Cresceu muito e sem planejamento, assim como diversas capitais brasileiras”, argumenta o escritor que mora fora de Manaus há 15 anos.

sobre o assunto. As últimas notícias que obtive foi que algumas cenas serão gravadas em Manaus entre agosto e setembro deste ano, segundo o diretor Luiz Fernando Carvalho, e que um dos irmãos será interpretado pelo Wagner Moura. Já o resto das imagens serão realizadas diretamente no Projac”. Outra obra sua também conta com adaptação audiovisual, mas neste caso, “Órfãos do Eldorado” irá para as grandes telas. “Boa parte das gravações aconteceram no Pará e tive a oportunidade de acompanhar algumas delas. Os papéis principais são da Dira Paes e do Daniel de Oliveira. Creio que o lançamento do filme deva acontecer ainda este ano. Estamos aguardando”. Manaus Apesar de ter visitado sua cidade natal

Televisão Quando questionado sobre o andamento da produção da minissérie “Dois Irmão”, da Rede Globo e homônima ao livro de Hatoum, ele afirma não saber de muitos detalhes. “Eles são detentores dos direitos autorais há 6 anos, mas sei pouca coisa

Novo romance está sendo escrito Apesar de não ter planos para lançamentos de novos livros para este ano, Milton Hatoum adianta que está escrevendo um romance há anos e que ainda está sem título. “Ele

conta, mais ou menos, a minha passagem de Brasília a Paris, de 1968 a 1980. É algo meio autobiográfico”, adianta. Além disso, ele segue com suas palestras em todo o

Brasil e participando de encontros literários como o que acontecerá no próximo dia 15 abril na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.

Daniel Oliveira também estará no filme

há pouco tempo, o escritor afirma que já está com saudade e que pretende retornar em breve. “Nas próximas semanas devo desembarcar em Manaus. Belém e Manaus me deixam muito saudoso em graus diferentes, mas fazem parte da minha vida”, questionando, logo em seguida, se a capital já está arborizada. Após responder que a atual prefeitura está plantando novas mudas, Hatoum deixa uma sugestão aos atuais governantes: “Que tal os vereadores colocarem em prática um projeto igual o realizado em São Paulo chamado “Cidade Limpa”? Basta retirar aquelas placas horrorosas que poluem visualmente os prédios. Bem que poderiam padronizar tudo, né? Seria uma coisa rápida e importantíssima a ser feita”.


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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

INTERINO: FERNANDO COELHO

Menga Junqueira, Eliane Shnneider e Odenir Machado

>> Celebrando Márcia . Márcia Martins, uma das amigas mais especiais da coluna, foi alvo de cumprimentos por conta de seu aniversário na noite da última quarta-feira. O evento, superbadalado, diga-se de passagem, reuniu importantes nomes da cena social da cidade.

Mônica Mello e Jéssica Tayah

. O cenário escolhido foi o badalado ateliê Tânia Castro, que recebeu ambientação produzido pela Bothanich, dando um ar disco ao local com todos os detalhes necessários para uma grande festa. . O Zefinha Bistrô, da competente e também querida Selma Reis, foi o responsável por servir um menu delicioso abrilhantando o evento. Noite regada a muito champanhe servido geladíssimo e alto astral. FOTOS: MAURO SMITH

Jaqueline Chagas e Kátia Sebben

Juliana Ribeiro e Gisela Bolognese

Evelise Pessoa, Lúcia Viana e Roseane Lima

Anne Cavalcanti e Alessandra Figliuolo

Márcia Martins aniversariante da temporada

Selma Reis e Sandra Lúcia Saraiva


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Acordes mais populares O sucesso do concerto “Música no Espaço” é o auge de uma postura das orquestras do governo do Estado de destacar nos seus repertórios composições mais conhecidas pelo público, mas sem deixar de investir em obras clássicas Luiz Otavio Martins Equipe EM TEMPO

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omumente associadas a repertórios eruditos, as orquestras Amazonas Filarmônica e de Câmara do Amazonas têm reservado espaço há alguns anos em seus concertos para composições mais populares. Mas o auge dessas experimentações até o momento foi o evento “Música no Espaço”, em que os músicos da Filarmônica e do Coral do Amazonas interpretaram obras de Johann Strauss (“Assim Falava Zaratustra”), Gustav Holst (“Os Planetas”) e John Williams (“Star Wars Suite”). “Música no Espaço” estreou no dia 30 de janeiro, no Teatro Amazonas, e voltou ao palco no último dia 2. Hoje, haverá mais uma apresentação, no mes-

mo local, às 20h (com ingressos esgotados), e, a pedidos, outras duas estão previstas para o mês de março. Marcelo de Jesus, regente adjunto da Amazonas Filarmônica, conta que já imaginava que o concerto teria mais de uma apresentação, mas não que a receptividade fosse tão grande. Na avaliação dele, esse sucesso tem dois lados. “É muito bom porque a gente dialoga pouco com o público jovem que ainda tem aquele preconceito de que esse tipo de música é para gente mais velha. E eu não suporto essa ideia. Então, acho que esse repertório é o ideal para você buscar esse público”, analisa Marcelo, que também é regente titular e diretor artístico da Orquestra de Câmara. “O outro lado é que as pessoas passam a querer que a gente só toque isso. Mas em tudo a gente tem que buscar um equilíbrio”. O maestro considera iniciativas como essa um processo de formação, porém, não de caráter educativo, mas sim, de sensibilização da plateia. Titular da Or-

Maestro Davi Nunes, da Oquestra de Violões: “Tudo é arte, tudo é música”

questra de Câmara do Amazonas desde que o grupo foi criado, em 2002, Marcelo conta que há quatro anos tiveram início essas experimentações além da área clássica e erudita, com a inclusão do tema do filme “As Horas”, assinado por Philip Glass, em um dos concertos da “Série Guaraná”. “Hoje em dia, você tem que absorver o seu tempo e isso tem que se traduzir na sua arte”, opina, sem deixar de enfatizar que essa abertura de repertório das orquestras vai ser sempre pontuada com obras clássicas. Marcelo adianta que o próprio Festival Amazonas de Ópera deste ano vai contar com uma temática mais popular. “Já que é o ano da Copa do Mundo, então estaremos com um repertório bem tradicional”, revela. E diz que o público pode esperar também concertos embalados com temas para videogames, com a música de “O Senhor dos Anéis” e ainda a trilha sonora que Philip Glass compôs em 1998 para o filme “Drácula”, de 1931. “Quero apresentar em uma sessão com clima macabro, à meianoite, quem sabe no Teatro da Instalação”, comenta. Identificação do público A Orquestra de Violões do Amazonas investe em repertórios popular e erudito, e nos últimos anos tem aberto cada vez mais o leque de estilos mais conhecidos pelo público ao interpretar desde composições do grupo Raízes Caboclas até “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. O maestro Davi Nunes conta que essa inclusão de obras mais familiares acontece porque o público se identifica com

essas canções. No comando da orquestra desde 2009, Davi – que entrou no grupo no ano de sua formação, em 2000 – observa que existe plateia tanto para os concertos populares quanto para os eruditos. “É uma característica do violão abranger esses dois estilos. Há tempos que o instrumento traz também a cultura da música erudita porque existem inclusive peças compostas especificamente para o violão”, explica. Assim como acontece com a Orquestra de Câmara, existe uma busca por equilíbrio de repertório na Orquestra de Violões. “Se tocarmos o ano inteiro só música de ópera ou só música popular, o público enjoa. Então temos que manter um equilíbrio e abranger os estilos em geral”, afirma o maestro. Ele revela que, este ano, o grupo tocará obras de Bach e Vivaldi, além de chorinhos, sambas e toadas antigas, estas como parte do trabalho de resgate executado pela orquestra. “O resgate é uma questão muito importante para mim. Sou muito ligado ao passado e acredito que somos o que somos porque temos uma história”, analisa Davi Nunes. Outro momento desse trabalho foi o repertório de modinhas e lundus, que deverá ser reapresentado no próximo ano. Davi comenta que antes mesmo de assumir o comando da Orquestra de Violões já pensava em mudar a cara do grupo, ao investir em repertórios temáticos e na participação de convidados, por exemplo. E também gostou da ideia do concerto “Música no Espaço”. “Tudo é arte, tudo é música”, afirma

O concerto atrai inclusive crianças

Muitos fãs de “Star Wars” apareceram fantasiados


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RESENHA

A fórmula perfeita para o erudito e popular PERFIL

Marcelo Brasil é jornalista

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objetivo sempre constante da Orquestra Filarmônica do Amazonas em querer mostrar que música clássica também é popular parece ter encontrado, enfim, a fórmula perfeita: misturar em um mesmo concerto as peças clássicas com as músicas cultuadas pela geração millennials ou 90’s. Diante disso, não é de estranhar que hoje, pleno domingo, o Teatro Amazonas servirá, logo mais às 19h, pela terceira vez, de palco do concerto “Música no Espaço”, sob performance da Orquestra Filarmônica do Amazonas, onde a segunda parte do espetáculo inclui músicas do cult filme “Star Wars”, ícone da década de 70. A sucessão de apresentações vai seguir ainda por mais dois outros concertos programados para acontecer em março, segundo informações da realizadora do evento, a Secretaria de Estado de Cultura. Tudo isso por causa dos pedidos cada vez mais insistentes do público. Da primeira à terceira apresentação, todos os ingressos e lugares gratuitos se esgotaram em tempo recorde. Como se não bastasse, o show vale a pena. Sim, é um show! Com a coordenação e regência do maestro

Marcelo de Jesus, “Música no Espaço” é um espetáculo todo pensado e bem montado, a começar pela produção. E o melhor: não se resume apenas ao ápice espaço dedicado ao “Star Wars”. Para começar, ao desligar as luzes, frisas e camarotes recebem iluminação especial, ou melhor, espacial. As pequenas luzes ficam parecendo estrelas do céu, o que deslumbra ainda mais o cenário do teatro. Daí, a abertura do concerto já descontrai a plateia, no primeiro momento, onde o palco do Teatro se transforma em uma grande tela de cinema, mudando a abertura clássica de Guerra nas Estrelas com o aviso costumeiro da casa de espetáculo que alerta sobre desligar os celulares e não usar flashes ao tirar fotos. Em seguida, vem a Filarmônica interpretando o tema de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick e Arthur Clarke, no mesmo compasso das cenas do filme épico que também passa na tela em pleno Teatro Amazonas. Ou seja, cena de cinema. De repente, a interpretação da suíte “Os Planetas”, do compositor inglês Gustav Holst, surpreende olhos, ouvidos e suscita curiosidade. Os ouvidos porque a mú-

sica é incrivelmente linda e envolvente; os olhos porque a produção do espetáculo “casa” com imagens maravilhosas na grande tela atrás da orquestra como se fosse um videoclipe e curioso porque faz uma homenagem aos planetas Mércurio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, menos a Terra. Mesmo assim, é performance para sorrir e chorar, principalmente, quando a Filarmônica pesa a mão na hora de Marte como o planeta da guerra e, logo depois, tem o poder de suavizar o espírito quando toca “Vênus, a mensageira da paz”. Chegada a hora da trilha sonora de “Star Wars”, com a interpretação da Orquestra Filarmônica, o público vibra. Não só pelas composições totalmente conhecidas do norte-americano John William que traz, entre outras, “Yoda´s Theme” e “The Imperial March” (O tema do assombroso Darth Vader), mas pela produção do momento – traduzindo: uma orquestra clássica tocando e na vibe do público cativo de Guerra nas Estrelas, ou seja,

com músicos e corais fantasiados de Darth Vader onde o maestro troca a batuta pela espada de Jedi, que ainda muda de cores conforme a música executada. É mesmo um momento para gravar para sempre na memória. Os fanáticos pela série agradecem. Tanto que a plateia responde com gritos, com espadas de Jedi também acesas e muitas máscaras dos eternos personagens da trilogia inesquecível. Bom, chance para tirar suas conclusões ainda haverá duas, marcadas para o próximo mês de março, ainda sem data definida, com ingressos a serem vendidos apenas nos dias confirmados do espetáculo. Resta aguardar!

A Filarmônica interpretando o tema de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick e Arthur Clarke, no mesmo compasso das cenas do filme épico que também passa na tela em pleno Teatro Amazonas. Ou seja, cena de cinema”

‘Minigarrafinhas de Todo o Mundo’ ganham mais postos

Ketlen Nascimento faz show hoje em praça de alimentação

Quadra da Aparecida tem ‘Ensaio show da bateria’

Os colecionadores de Manaus passam a ter maior comodidade para realizar as trocas da promoção “Minigarrafinhas de Todo o Mundo”, promovida pela Coca-Cola. A marca está ampliando o número de postos de troca na cidade, somando mais de 150 locais onde os interessados poderão encontrar os itens colecionáveis. Além de mercadinhos e padarias, as trocas também podem ser realizadas em shoppings e grandes redes de supermercados. Os endereços estão disponíveis para consulta no site da promoção: http://cocacola.com.br/minigarrafinhas.

Hoje, uma artista que já conquistou o público do Plaza com seu carisma e talento, Ketlen Nascimento, comandará a programação das 18h30 às 20h30, do Manaus Plaza Shopping. Ela antecipa que o show de domingo reserva muita Música Popular Brasileira e canções regionais para o público. “Vou fazer uma seleção especial que inclui sucessos de grandes nomes da música brasileira como Nando Reis, sem deixar de prestigiar, claro, os compositores locais”, destaca a cantora e compositora que também se dedica, aos preparativos do seu segundo álbum.

Hoje é dia de “Ensaio Show da bateria nota dez”, na quadra da Escola de Samba Aparecida. As bandas convidadas são a Samba Kiss e Auzier do Samba. Os ingressos de pista custam R$ 10 e o lugar no camarote é R$ 20. Para aqueles que preferem ficar pertinho do palco – que funciona com visão de 360º -, a melhor opção é a mesa, que sai por R$ 70 com quatro lugares. Além de numeradas, esta última conta com serviço de bar diferenciado, com cardápio de petiscos e garçonetes exclusivas.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo

Destaque – 2 A outra é que os seis capítulos exibidos até agora exibiram uma fotografia diferente da que normalmente se vê na maioria das novelas. Mas muito comum em todos os trabalhos do diretor Jayme Monjardim.

DIVULGAÇÃO

Destaque - 1 Quem assistiu “Em Família” na sua primeira semana, por certo ainda não tem uma posição firmada sobre a novela. É muito cedo. O trabalho está apenas começando e recomenda o bom juízo, sob o risco de queimar a língua, esperar um certo tempo. Isso é uma coisa.

Vontade do freguês Na arte de se transformar, difícil encontrar alguma outra atriz parecida com a Deborah Secco. Por causa de um filme, para viver uma soropositiva, ela perdeu quase 12 quilos. Foi ao limite da magreza. Agora, por causa de outro, “A Estrela do Diabo”, teve que engordar 8 quilos. Lançamento previsto para setembro.

Otimismo A direção do Viva abriu mesmo negociação com Globo, para apresentar os conteúdos da Xuxa. A própria apresentadora está envolvida na questão. Há um certo otimismo em torno. O Viva se posiciona dizendo que, se tudo correr bem, a exibição poderá começar ainda este ano.

gue Bom”, como a Mulher Mangada, e atualmente no elenco do humorístico “Divertics”, ela fará “Geração Brasil”, de Filipe Miguel e Izabel de Oliveira. É a substituta de “Além do Horizonte” na faixa das 19 horas.

Faixa das 7 Ellen Rocche acaba de fechar mais uma novela na Globo. Depois de “San-

Agenda Alinne Moraes, grávida de cinco meses do seu primeiro filho, fruto do relacionamen-

MÁRIO ADOLFO

to com o cineasta Mauro Lima, não descuida da agenda de trabalhos. Ela já confirmou participação especial no longametragem “Todo Amor”, com direção de Marcos Bernstein, ainda sem data de filmagens Os protagonistas serão Gregório Duvivier e Marjorie Estiano. Bernstein, que também é o autor de “Além do Horizonte”, na Globo.

• Convenhamos que a Net não foi nada feliz com a mudança dos canais... • ... Virou uma confusão que ninguém entende. Quem já tinha acostumado com os números antigos, está encontrando dificuldades para se ajustar às novidades... • ... Em todo caso, convém deixar os avisos com os esclarecimentos por muito tempo. • Bruna Marquezine, desde de pequenininha, sempre foi uma boa atriz. Só que agora está muito melhor. Amadurecida. Dominando a cena. • Pessoal da Rede TV! já está se armando para a cobertura da Série B do campeonato brasileiro... • ... A dupla, Américo Martins e Luciano Borges, trabalhando quase que em tempo integral em cima disso. E, como bom incentivo, foram avisados que três cotas de patrocínio já foram vendidas.

As comparações de audiência Esse negócio chamado audiência continua mexendo com a cabeça de boa maioria. É absolutamente normal para uma novela que está começando não registrar os mesmos números que o encerramento da outra. Até poderia se compreender uma comparação entre as duas, considerados os números de um mesmo período de exibição, mas a que ou a qual lugar leva isso?

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Tiago Leifert e Leo Bianchi participam do “Esporte Espetacular” neste domingo, em mais uma edição da “Descida das Escadas de Santos”, em São Paulo. A competição vai acontecer durante o programa, que terá, ainda, a volta de Glenda Kozlowski à apresentação. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br

A poesia amazonense: um lampejo político

ELVIS

REGI

GILMAL

Sem sombra de dúvidas o Amazonas possui um dos mais talentosos grupos de poetas do Brasil. Alguém já havia dito que, historicamente, sempre tivemos uma tendência à poesia, não importando, num primeiro momento, se esta é boa ou ruim. Dentre todas as categorias literárias, a poesia é a que mais engendrou atenção e dedicação por parte de nossos conterrâneos. Os mais destacados poetas amazonenses são justamente os que romperam a fronteira do regionalismo e do beletrismo literário e construíram uma poesia afinada com o seu tempo, funcional e passando ao largo dos adoradores de gramática. Aos novos pesquisadores – do qual me incluo - uma tarefa tornase imprescindível: revisar criticamente nossa historiografia, nossa, digo, brasileira, quase sempre, na esmagadora maioria dos casos, regionalista e centrada na região sudeste do país. As outras regiões figuram em muitos estudos como nota de rodapé e, quando muito, um parágrafo à parte. Com as exceções de praxe, claro. Não se pode ficar impune diante dos sonetos vibrantes e dos haicais certeiros e criativos de Luiz Bacelar, um dos mais brilhantes poetas brasileiros; ou dos versos singelos e bem construídos de Elson Farias, que toca na raiz de nossa identidade, porque brasileira, mas sem o perigo do regionalismo, característica mais que marcante de muitos dos nossos. Aldísio Filgueiras, o mais torto dos poetas amazonenses, seria um escândalo se o analfabetismo de muito dos nossos fosse pelo menos funcional, incapaz de entender uma vírgula justaposta em seus versos. Basta ler “Malária e outras canções malignas” para se comprovar a forma com que ataca e desconstrói

a cidade (as muitas, mas Manaus especificamente), num caso singular de amor e sublimação. Acometido pela febre alta da malária, o narrador destila versos conscientes (às vezes), paranóicos, sarcásticos e cheios de delírio sobre a cidade. Ele delira a cidade porque a cidade assim o delira. Com suas imagens cheias de cores e luz, Thiago de Melo é o arauto de boas-vindas, a alvíssara dos novos tempos e o esplendor de um amanhecer com alguma esperança. O mais lido poeta amazonense, com projeção internacional, Thiago de Melo com seus versos cândidos e cheios de vivacidade, nos levam a um outro patamar que se não tomarmos cuidado corremos o risco de nos perdemos, afinal, a esperança é a última que morre, mas morre. Aníbal Beça em “Suíte para os habitantes da noite” constrói uma poesia estudada, pensada e versificada numa métrica rígida, popular, com seus choros, cavaquinhos e violões. Também adepto dos haicais, estilo de origem japonesa, Beça recompõe a natureza com seus fluidos, pássaros, luas e tempo - como também experimentou Luiz Bacellar que trouxe a novidade de situar, em alguns casos, imagens e sentimentos amazônicos. Se um dos papeis de nossos pesquisadores é revisar criticamente nossa historiografia é fato que teríamos uma análise mais condizente e realmente “brasileira” fugindo da condenação terminológica a que muitos estudiosos - por omissão ou mesmo pela tradição mental do período em que escreveram – insistem em alcunhas do tipo “o maior poeta brasileiro” ou a engendrar uma lista dos “cem maiores da literatura brasileira” sem ao menos conhecer sequer 40% da produção literária nacional.

Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.

Hora de olharmos para o passado e percebermos os estigmas de nossa colonização e os efeitos diretos no processo de nossa formação cultural”


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Programação da TV

REPRODUÇÃO

GLOBO 4h - Santa Missa Em Seu Lar 5h - Amazônia Rural 5h30 - Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h05 - Globo Rural 6h55 - Auto Esporte 7h30 - Esporte Espetacular Descida Das Escadas De Santos / Largada Tour Brasil - Compacto). 10h45 - Temperatura Máxima 12h05 - Sai Do Chão 14h05 - Divertics 15h00 Futebol 2014: Campeonato Carioca - Vasco Da Gama X Nova Iguaçu 17h00 Domingão Do Faustão 18h45 - Fantástico 21h15 Big Brother Brasil 22h00 - Domingo Maior 00h15 Flash Big Brother Brasil 1h25 - Corujão 2h45 - Havaii Five - 0. 3h40 - Festival De Desenhos

RECORD Silvio Santos comanda o domingo no SBT apresentando dois programas hoje

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Fascínio por alguma pessoa ou situação que lhe suscita a criatividade e o amor. Poderá alterar toda a rotina em nome desse fascínio. Os sentimentos surgem com força. TOURO - 20/4 a 20/5 Bom momento para a vida em família, para resolver pendências e para fazer um bom uso de seu dinheiro e recursos para investir e cuidar destes assuntos. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você está altamente apaixonado e apaixonante. Dirija sua paixão para algo positivo e que propicie felicidade. As relações humanas e afetivas estão altamente estimuladas. CÂNCER - 22/6 a 22/7 As pessoas e ambientes fora do convencional atraem muito você. Poderá se fascinar por algum interesse ou pessoa. Os assuntos intelectuais e culturais estão favorecidos. LEÃO - 23/7 a 22/8 As pessoas e ambientes fora do convencional atraem muito você. Poderá se fascinar por algum interesse ou pessoa. Os assuntos intelectuais e culturais estão favorecidos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Algum trabalho lhe atrai e faz parecer que algo de espetacular vai acontecer - sem exageros, há algo de bom por acontecer: você vai ter mais liberdade no trabalho. LIBRA - 23/9 a 22/10 Uma visão romântica do futuro favorece o entendimento na vida a dois. Também as parcerias de trabalho são favorecidas por alimentarem esperanças e sonhos conjuntos. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O trabalho está favorecido por bons relacionamentos e pelo suporte e apoio que certas pessoas irão lhe prodigalizar. Aproveite o bom momento para fazer algo legal. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Forte atração amorosa e sexual por alguma pessoa, talvez até mesmo pela pessoa amada. Urano é não-convencional: simboliza uma atração fora do que poderia esperar. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As relações de trabalha causam fascínio e frisson, mas podem também ser produtivas. Entusiasmo e inspiração favorecem as atividades criativas. Nada de rotinas vazias, hoje. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você é capaz de comunicar seus sentimentos e desejos na vida amorosa, de tal modo que se encanta ainda mais com seu amor. Uma forte paixão rasga todas as razões. PEIXES - 19/2 a 20/3 Os encantos de sua família surgem espontânea e inesperadamente aos seus olhos. Mas algo também se modifica na relação com os familiares. Bom momento para negócios.

3h45 - Bíblia Em Foco 4h - Santo Culto Em Seu Lar 4h30 - Desenhos Bíblicos

Cinema

7h - Desenhos Bíblicos 7h30 - Record Kids 8h - Amazonas Da Sorte

19:00 – Minusculos 19:10 – Caçadora De Relíquias 20:00 – Só Risos

9h - Nosso Encontro 10h15 - Record Kids 11h00 - Domingo Da Gente 13h15 - O Melhor Do Brasil 17h20 - Domingo Espetacular

21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre 01:00 – Minuto Da Copa – Boletim 01:40 – Show Business-reapresentação 02:30 – Igreja Universal

21h15 - Série Spartacus 22h15 - 50 Por 1 23h10 - Programação Iurd

BAND 4h – Sochi 2014 – Olimpíadas De Inverno 05:30 – Santa Missa No Seu Lar 06:30 – Sabadão Do Baiano 07:00 – Desenho 08:30 – Mackenzie Em Movimento 08:45 – Infomercial – Polishop 09:45 – Verdade E Vida 10:00 – Minuto Da Copa - Boletim 10:05 – Pé Na Estrada 10:30 – De Olho No Futebol - Boletim 10:35 – Sochi 2014 – Olimpíadas De Inverno 12:15 – Band Esporte Clube 14:00 – Gol, O Grande Momento Do Futebol 14:30 – Futebol 2014 – Ao Vivo 16:50 – Terceiro Tempo

SBT 3h15 Jornal Da Semana Sbt 4h Igreja Universal 5h Pesca Alternativa 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Aventura Selvagem 7h30 Vrum 8h Amazonas Da Sorte 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Sílvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Série 0h Série 2 1h Série 3 2h20 Big Bang 3h Igreja Universal

Cruzadinhas

ESTREIA Operação Sombra – Jack Ryan EUA. 14 anos. Um jovem oficial da Marinha converte-se em analista financeiro, e passa a trabalhar em Moscou. No trabalho, ele descobre um complô para desvalorizar a moeda americana. Assim, ele deve correr para salvar a economia de seu país contra os terroristas russos. Dirigido por Kenneth Branagh e com Keira Knightley e Kevin Costner no elenco. Cinemark 1 – 19h (dub/diariamente), 13h50, 16h20, 21h40 (dub/diariamente); Cinépolis 4 – 15h, 20h (dub/diariamente), 17h30, 22h30 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h50, 16h, 18h10, 20h20 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Trapaça: EUA. 14 anos. O filme conta a história do vigarista Irving Rosenfeld (Christian Bale) que, junto com sua sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams), são forçados a colaborar com Richie DiMaso (Bradley Cooper), um agente do FBI que infiltra Rosenfeld no mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio também se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Tudo parece ocorrer bem, até que a esposa de Rosenfeld, Rosalyn (Jennifer Lawrence), decide aparecer e mudar as regras do jogo. Cinemark 8 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 17h20, 20h30 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 15h30, 18h40, 21h50 (leg/diariamente); Cinépolis 9 – 13h, 16h, 19h15, 22h15 (leg/diariamente). Uma Aventura Lego. EUA. Livre. A aventura animada em 3D conta a história de Emmet, uma minifigura Lego seguidora de regras e perfeitamente comum, que é erroneamente identificada como a pessoa mais extraordinária e a chave para salvar o mundo. Ele é recrutado para integrar uma sociedade de estranhos e seguir uma jornada épica para deter um tirano, uma viagem divertida para a qual Emmet vai totalmente despreparado. Cinemark 5 – 12h50, 15h20, 18h, 20h45 (3D/dub/diariamente), 23h15 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 6 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 16h40, 19h10 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 14h40, 17h20 (3D/ dub/diariamente); Cinépolis 5 – 13h45, 16h10, 18h45, 21h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 12h40, 14h50, 17h (3D/dub/diariamente); Playarte 6 – 13h40, 15h55, 18h10, 20h25 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Hércules: EUA. 14 anos. Desesperada para libertar seu povo do domínio de seu vingativo marido, a Rainha Alcmena (Roxanne McKee) reza para os deuses em busca de orientação. Zeus, o senhor do Olimpo, lhe dá um filho, Hercules (Kellan Lutz). Enquanto a verdadeira identidade do menino permanece secreta, o rei Anfitrião (Scott Adkins) demonstra o ressentimento pela ilegitimidade de Hercules protegendo sempre o filho mais velho, Íficles (Liam Garrigan). Hercules se apaixona pela Princesa Hebe (Gaia Weiss), mas o casal é subitamente separado quando o pai anuncia o casamento de Íficles com a princesa, num arranjo político. Tentando fugir com Hebe, Hercules é capturado pelos guardas do pai e enviado à guerra para morrer. Mas ele desafia a morte, e na companhia do capitão Sotiris (Liam McIntyre) volta à Grécia para derrotar a tirania de Anfitrião, libertar seu povo, recuperar seu grande amor e ocupar o lugar de um dos maiores heróis da história. Cinemark 7 – 13h20, 15h50, 18h20, 21h (3D/dub/diariamente), 23h30 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 6 – 14h45, 19h40 (dub/diariamente), 17h15, 22h (leg/diariamente); Playarte 9 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES Trem Noturno Para Lisboa: EUA. 14 anos. Playarte 3 – 21h (leg/diariamente), 23h15 (leg/somente sexta-feira e sábado). Quarenta e Sete Ronins: EUA. 14 anos. Cinemark 4 – 18h40, 21h20 (3d/dub/diariamente); Cinépolis 7 – 13h30, 19h (dub/diariamente), 16h20, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 8 – 12h50, 15h15, 17h40 (leg/diariamente), 23h25 (leg/somente sexta-feira e sábado). A Menina Que Roubava Livros: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 14h, 19h30 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 16h20, 19h30 (leg/diariamente); Cinépolis 10 – 18h20 (dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente). O Lobo de Wall Street: EUA. 16 anos. Cinépolis 1 – 20h35 (leg/diariamente); Playarte 8 – 20h (leg/diariamente). O Herdeiro do Diabo: EUA. 12 anos. Cinemark 6 – 22h (dub/diariamente). Frankstein – Entre Anjos e Demônios: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 12h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 17h30, 19h45, 22h10 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 19h10, 21h10 (3D/dub/diariamente), 23h10 (3D/leg/diariamente), Playarte 2 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (leg/diariamente), 23h30 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 14h, 16h, 18h, 20h05 (dub/diariamente), 22h10 (dub/somente sexta-feira e sábado). Ninfomaníaca: DIN. 18 anos. Cinépolis 3 – 22h35 (leg/diariamente).

Muita Calma Nessa Hora 2: BRA. 12 anos. Cinemark 2 – 11h40 (somente sábado e domingo), 17h10, 22h25 (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 13h15, 15h35 (diariamente); Playarte 7 – 13h10, 15h05, 17h, 18h55, 20h50 (diariamente), 22h45 (somente sexta-feira e sábado). Tarzan – A Evolução da Lenda: ALE. Livre. Cinemark 3 – 15h (3D/ dub/diariamente); Cinemark 4 – 11h10 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h40, 16h10 (3D/dub/diariamente); Playarte 3 – 13h, 15h, 17h, 19h (dub/diariamente). Caminhando com Dinossauros – O Filme: EUA. Livre. Cinépolis 3 – 14h (dub/diariamente). Frozen, Uma Aventura Congelante: EUA. Livre. Playarte 4 – 12h40, 14h50, 17h (dub/diariamente). Até Que a Sorte Nos Separe 2: BRA. 10 anos. Playarte 4 – 19h10, 21h20 (diariamente), 23h25 (somente sexta-feira e sábado).


::::: Agende! O R2 Universo Cultural, fincado no Parque das Laranjeiras, retorna suas atividades no próximo dia 14, a partir das 21h, com a apresentação do “Especial Los Hermanos”, que terá as bandas Camelos Barbados, Graúna e Supernova. O local também oferecerá Espaço Gastronômico, apresentações culturais e exposições de artes.

Jander Vieira

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Fucapi Incubadora Acompanhando o desenvolvimento do setor de biocosméticos, a Fucapi Incubadora de Tecnologia implantou em sua unidade a primeira microempresa de biocosméticos. Trata-se da empresa Aroma Natural da Amazônia, que atua no segmento desde 2010, tendo como carro-chefe os sabonetes de mulateiro, hoje, a empresa tem em sua linha mais de 40 produtos. Todos comésticos naturais com a exclusividade e o cuidado de um produto genuinamente regional, tudo isso com o apoio da FIT.

Adriane Antony – esbanjando educação indispensável e chiqueria idem – com a queridinha Juliana Lemos nos redutos do Studio JH, famosa joalheria do Vieiralves

::::: Chandon será a bebida oficial Janete Carvalho vai emprestar seus dotes culinários para brindar com uma feijoadíssima do tipo original a sessão parabéns deste colunista. Quando? No próximo dia 15, ao meio-dia e 33 minutos, com set list carnavalesco do DJ Sidney Almada, bolo assinado pela Doçuras da Gaby e delícias irresistíveis da Blend Chocolateria. E para brindar com comodidade as convivas o serviço de valet da VIParking. Que tal?

::::: Sala de espera Júnior Vieira, Walfia Lira, Diane Vieira, Lívia Mendes, Yukie Lima e Ana Gurgaz estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Gibele Braga Alfaia é uma camaleoa. A fotógrafa-empresária, dona de uma aura chique de verdade, desfila com visual todo moderno assinado pelo mago das tesouras Matheus Leite, do D&A. O presidente da CMM, vereador Bosco Saraiva, convida para conferir a solenidade de abertura dos trabalhos da 2ª Sessão Legislativa da 16ª Legislatura. Na ocasião, o prefeito Arthur Neto fará a leitura de sua mensagem anual, no próximo dia 10, às 9h.

O Dulcila da Ponta Negra receberá o clima circense para festejar o primeiro aninho de Euler Ribeiro Neto, bambino de Juliana e Euler Filho, no próximo dia 14, a partir das 19h. Amanhã, a jornalista Lívia Nadjanara vai ganhar festinha intimista pelo seu niver. Em alta: a presidente da Petrobras, Graça Foster, foi apontada pela revista “Fortune” como a quarta mulher de negócios mais poderosa do mundo, em lista divulgada, esta semana, na cidade de Nova York. O ranking da “Fortune” conta com 50 executivas. Foster é a única gestora da América do Sul a figurar com destaque no

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Plateia

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mailing da publicação americana. Frederico Mar é a atração deste domingo na praça de alimentação do Millennium Shopping, das 12h30 às 14h30. Janice Honorato agendou um badalado coquetel, no dia 3 de abril, no Studio JH do Vieiralves. Trata-se do lançamento da coleção de pedras preciosas da joalheria. Só para as finas de plantão. A liquidação Código Verde-Amarelo, do Manauara Shopping, está de volta. E desta vez serão milhares de produtos com até 70% de desconto em todos os segmentos. A liquidação segue até hoje, viu?

Nejmi Jomaa Abdel Aziz e sua impressionante elegância. Bastante honrada pelo governador Omar Aziz, a primeira-dama e presidente do Fundo de Promoção Social acompanhou a abertura dos trabalhos legislativos com simpatia e carisma invejável – no início da semana

::::: Aterrissando em Manaus Riolax, especializada na fabricação de banheiras de hidromassagens, ofurôs e spas do tipo chics, chega a Manaus, no próximo dia 25, com a proposta de aliar qualidade de vida, requinte, saúde e bem-estar em um só produto. Com investimentos de mais de R$ 250 mil, o showroom será instalado na badalada João Valério, no coração do Vieiralves. O responsável pela chiqueria em Manaus é o visionário empresário Charles Garcia. Com missa em Ação de Graças agendada para o dia 1° de abril, na capela Nossa Senhora Auxiliadora, seguida de recepção no endereço da bisavó, no Centro, a bonita Bruna Sampaio Santoro dá o start para as comemorações de seu début. A festa será no dia 25 de abril, no Diamond.


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

Capa

pintura sobre papel de Deco Farkas

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A vídeo-arte pioneira de Rafael França

2

Um belo dia resolvi mudar

E outras 9 indicações culturais. Pág. 2

Os anos de aprendizado de Edward Snowden. Pág. 3

O novo tsar da música erudita

O regente da Rússia se chama Valery Gergiev. Págs. 4 e 5

4

Diário de Berlim

5

Do arquivo de Walter Carvalho

6

A Alemanha recorda a ‘catástrofe original’. Pág. 6

Rio de Janeiro, 1984. Pág. 7

Ouro e prata choveram sobre ele

A imaginação turca de Lérmontov. Pág. 8


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 10 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

CURSOS| MARIA ANTONIA O centro cultural promove cursos sobre música e literatura neste mês. “Sonata em Diálogo”, ministrado por Sidney Molina, crítico da Folha, analisa os diálogos entre o universo musical desse tipo de composição e outras artes ou formas de conhecimento, como o teatro, o cinema e a filosofia. Já “Ulysses para Leitores”, com o editor André Conti, comenta e propõe leituras alternativas à obra-prima de James Joyce. ‘Sonata em Diálogo’ | de ter. (11) a 20/2 | ter. e qui., das 16h às 18h | R$ 200 ‘Ulysses para Leitores’ | de ter. (11) a 20/2 | ter. e qui., 20h às 22h | R$ 200

EXPOSIÇÃO | DANIEL FEINGOLD O artista carioca apresenta oito telas e 30 fotografias na galeria Raquel Arnaud. As pinturas incluem diferentes projetos de Feingold, desde trabalhos monocromáticos com referências religiosas a obras com cruzamento de cores diversas e linhas. Já as fotografias são parte da série “Homenagem ao Retângulo”, abstrações geométricas em preto e branco produzidas no Jardin des Plantes, em Paris. de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 12h às 16h | grátis | até 8/3

EXPOSIÇÃO | STEPHEN DEAN O artista franco-americano exibe iconografia marcada por cores saturadas, uma das constantes de sua carreira. A série “Juggler” traz 14 composições geométricas montadas com papel (craſt ou de alumínio preto) e discos de vidro dicroico desenvolvidos pela Nasa, que mudam de cor de acordo com a luz e o movimento do espectador. Os experimentos pictóricos seguem no vídeo “Olé”, imagens de manchas vermelhas, amarelas, verdes e azuis em movimento. Casa Triângulo | de ter. a sáb., das 11h às 19h | grátis | até 15/3

1

EXPOSIÇÃO | RAFAEL FRANÇA Entre a morte e a vida, o silêncio e o ruído, o amor e o ódio, a obra do artista se estrutura como membrana plástica e permeável. Não isola um conceito de seu oposto e também evita assumir lados. Morto em decorrência da Aids aos 33, em 1991, ele foi um dos pioneiros da videoarte no país. Se seus quadrados negros sobre fundos brancos mal obedeciam limites e contornos impostos pela folha de papel, também seus vídeos extrapolavam noções de ficção e realidade. Talvez daí a força duradoura de obras como “Without Fear of Vertigo”, em que o suposto cúmplice de um suicídio evita se confessar diante da câmera, ou “O Silêncio Profundo das Coisas Mortas”, em que homens relembram suas histórias fracassadas de amor com outros homens, entremeadas por cenas do Carnaval do Rio. Nesse ponto, a definição rala do VHS tinge tudo de um cinza involuntário, revelando o artifício por trás da mise-en-scène. São faróis dos automóveis que se arrastam pela tela, falhas que distorcem a imagem e tudo aquilo que corrobora o que o curador de sua mostra na galeria Jaqueline Martins, Vitor Butkus, chama de “gagueira” de “imagens esburacadas”. O que surge nesta mostra e na individual que o MAC- USP dedica a sua obra em março é o retrato por inteiro de um artista que lutou para entender a natureza perecível da imagem. (Silas Martí) Abertura na quarta (11), às 19h | de seg. a sex. , das 12h às 19h; sáb., das 12h às 17h | grátis | até 15/3

POP

ERUDITO

EXPOSIÇÃO | MARCELO GRASSMANN A Estação Pinacoteca inaugura mostra com 90 gravuras do artista plástico, morto no ano passado, aos 88 anos. Os trabalhos, criados entre 1944 e 1969, indicam, por meio de experimentos com a xilogravura, a litografia e a gravura em metal, os diferentes rumos traçados por Grassmann na construção de sua obra. abertura no sáb. (15), às 11h | de ter. a dom., das 10h às 17h30 | R$ 6

FOTOS DIVULGAÇÃO

LIVRO | A NOVA PESTE E OUTROS ENSAIOS Advogado e ex-ministro da Cultura (1993-94), Luiz Roberto Nascimento Silva agrupa neste volume textos sobre arte, religião, ciência e economia. O ensaio que dá título ao livro enfoca os impactos da internet no mundo contemporâneo. O estudo sobre o legado de “Fausto”, de Goethe, é outro destaque do trabalho. José Olympio | R$ 35 | 114 págs.

Still do vídeo ‘Silêncio Profundo...’

LIVROS | RAY BRADBURY Dois dos principais trabalhos do mestre da ficção científica (19202012) ganham nova edição pela Biblioteca Azul. “As Crônicas Marcianas” narram com humor a colonização de Marte. “A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos” levam terror e paranoia às terras alienígenas. ‘As Crônicas Marcianas’ | trad. Ana Ban | R$ 39,90 (296 págs.) ‘A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos’ | trad. Deisa Chamahum Chaves | R$ 34,90 | 192 págs.

LIVRO | ELIZABETH BISHOP “Prosa” reúne boa parte da produção (entre contos, memórias, artigos, resenhas e cartas) da poeta americana (1911-79), um dos grandes nomes da literatura do século 20. Bishop viveu no Brasil nos anos 1950 e 1960, experiência refletida em alguns dos artigos. Em conjunto, os textos lançam luz sobre momentos cruciais da vida e da obra da escritora. trad. Paulo Henriques Britto | Companhia das Letras | R$ 47 | 344 págs.

DVD | O CINEMA DE MIZOGUCHI Um dos artistas mais prolíficos e cultuados do cinema, o japonês Kenji Mizoguchi (1898”’1956) tem cinco de seus filmes restaurados e reunidos em uma caixa. O grande destaque é “Contos da Lua Vaga” (1953), fábula premiada no Festival de Veneza sobre a jornada de dois fazendeiros no Japão do século 16. O disco traz mais de uma hora de extras, incluindo um depoimento do crítico Sérgio Alpendre. Versátil | R$ 69,90

LIVRO | NOWTOPIA O escritor e ativista americano Chris Carlsson apresenta exemplos cotidianos de “utopistas reais”, pessoas dedicadas a desenvolver formas alternativas e mais artísticas de trabalho, fora da lógica do mercado. Carlsson é um dos idealizadores do Massa Crítica, grupo que prega o uso de bicicletas e a ocupação do espaço público. trad. Roberto Catauto | Tomo Editorial | R$ 39 | 320 págs. | Lançamento na terça (dia 11), às 19h30, na Laboriosa 89 ‘Juggler 1’, de Stephen Dean

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição REPRODUÇÃO

ANDRÉ DAHMER, 39, é quadrinista. BORIS SCHNAIDERMAN, 96, é tradutor, escritor e ensaísta, autor de “Guerra em Surdina” (Cosac Naify). DECO FARKAS, 28, é artista plástico.

nalista. Traduziu do russo “Memórias de um Caçador” (Ed. 34), de Ivan Turguêniev.

é autora de “A Cozinha Venenosa - Um Jornal contra Hitler” (Três Estrelas).

LUKE HARDING, 45, é jornalista do “The Guardian”. Escreveu, entre outros, “Arquivos Snowden”, que a Leya lança agora no Brasil.

SERGEI PARADJANOV (1924-90), cineasta e artista plástico de origem armênia nascido na Geórgia.

FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA, 66, é professor de filosofia da USP e da Faculdade de São Bento. Escreveu, entre outros, “Ética e Literatura em Sartre” (ed. Unesp).

ROZ CHAST, 59, é cartunista da revista “The New Yorker”.

IRINEU FRANCO PERPETUO, 42, é jor-

SILVIA BITTENCOURT, 47, jornalista,

MIKHAIL IÚRIEVITCH LÉRMONTOV (1814-41), poeta e romancista russo.

WALTER CARVALHO, 66, é diretor de fotografia e cineasta. Dirigiu, entre outros, os documentários “Janela da Alma” (2001, com João Jardim) e “Raul - O Início, o Fim e o Meio” (2012).

VÍDEO Do artista plástico Rafael França, na galeria Jaqueline Martins FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha IMIGRANTE IDEAL Imagens de despachos de visto, de Getúlio Vargas >>folha.com/ilustrissima


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Biografia

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O pulo do Snowden As impressões digitais do delator RESUMO O livro “Os Arquivos Snowden” traz novidades sobre o exanalista da NSA que divulgou documentos secretos dos EUA e hoje vive em asilo temporário na Rússia. As pegadas deixadas na rede por Snowden mostram seu passado republicano, pró-Guerra do Iraque e opositor do vazamento de informações confidenciais.

LUKE HARDING

No fim de dezembro de 2001, alguém que se autodenominava TheTrueHOOHA lançou na internet uma questão. TheTrueHOOHA era um americano de 18 anos, com incríveis habilidades em TI e uma inteligência afiada. Sua verdadeira identidade era desconhecida. À época, todos os que postavam comentários no Ars Technica, um famoso site sobre tecnologia, o faziam anonimamente. TheTrueHOOHA queria montar seu próprio servidor. Era uma manhã de sábado, pouco depois das 11h. Ele escreveu: “É minha primeira vez. Sejam gentis. Eis o meu dilema: quero hospedar meu servidor. De que preciso?”.Em seguida, participantes habituais do Ars inundaram o site de sugestões úteis. O internauta respondeu: “Ah, que vasto tesouro de conhecimento geek é o Ars”. TheTrueHOOHA viria a se tornar um prolífico contribuinte do site. Ao longo dos oito anos seguintes, assinaria quase 800 comentários. Descrevia-se de maneiras diversas: como um desempregado, um soldado fracassado, “editor de sistemas” ou como alguém que tinha livre acesso ao Departamento de Segurança dos Estados Unidos. Sua casa ficava na Costa Leste do país, no Estado de Maryland, perto de Washington. Mas, com 20 e poucos anos, ele já era um homem internacionalmente misterioso. Aparecia na Europa – em Genebra, Londres, Irlanda, Itália e Bósnia. Tinha ido à Índia. Apesar de não ter diploma

universitário, tinha um conhecimento impressionante sobre computadores. Politicamente, parecia ser um republicano ferrenho. Demonstrava uma grande crença nas liberdades individuais, defendendo, por exemplo, os australianos que cultivavam pés de cannabis. De tempos em tempos, sabia mostrar-se detestável. Chamou, por exemplo, um camarada do site Ars de “cuzão”; outros, que discordaram de suas visões “8 ou 80” sobre a seguridade social, eram “uns retardados de merda”. Os comentários dele nos chats cobriam uma vasta gama de assuntos: games, garotas, sexo, Japão, o mercado de ações, sua desastrosa passagem pelo Exército americano, suas impressões negativas sobre aspectos multirraciais do Reino Unido (ele disse ter ficado chocado com o número de muçulmanos no leste de Londres e chegou a escrever “Achei que havia desembarcado no país errado” foi aterrorizante”), ou a alegria de ter uma arma (“Tenho uma Walter P22. É minha única arma, mas sou louco por ela”, escreveu em 2006). A seu modo, seus comentários compõem um “Bildungsroman”, um romance de formação. Então, em 2009, as participações dele foram perdendo o gás. Em fevereiro de 2010, ele mencionou algo que o perturbava: a vigilância intrusiva exercida pelo governo. “A sociedade realmente parece ter desenvolvido uma obediência cega a certas figuras assustadoras” Será que tivemos de dominar as dificuldades desse terreno acidentado para chegar até aqui e parar? Ou foi uma mudança de maré relativamente súbita que não conseguimos perceber por conta do sigilo governamental?” A última postagem de TheTrue HOOHA é de 21 de maio de 2012. Depois disso, sumiu; virou uma assinatura eletrônica perdida em meio à vastidão do espaço cibernético. Ele era, agora sabemos, Edward Snowden. Família Edward Joseph Snowden nasceu em 21 de junho de 1983. Seu pai, Lonnie Snowden, e sua mãe, Elizabeth – ou Wendy –, eram namoradinhos de escola que se casaram aos 18 anos. Lon era oficial da guarda costeira dos EUA; Snowden passou seus primeiros

anos em Elizabeth City, na costa da Carolina do Norte. Ele tem uma irmã mais velha, Jessica. Quando Snowden era pequeno – um garoto louro e sorridente –, ele e a família mudaram-se para Maryland. De acordo com o pai, Snowden desandou na escola quando ficou doente, aparentemente vítima de mononucleose infecciosa. Perdeu “quatro ou cinco meses” de aulas na adolescência. Outro fator prejudicou seus estudos: seus pais estavam se separando. Snowden não conseguiu terminar o ensino médio. Em 1999, aos 16 anos, ele se inscreveu no Anne Arundel Community College, onde frequentou cursos de computação. Em seguida ao divórcio dos pais, Snowden dividiu o apartamento com um amigo e depois foi morar com a mãe, em Ellicott City, a oeste de Baltimore. Ele cresceu sob a gigantesca sombra de uma agência governamental. Da porta da frente da casa de sua mãe até lá são 15 minutos de carro. Meio escondido pelas árvores, há um grande prédio esverdeado em forma de cubo. Uma placa na saída da rodovia Baltimore-Washington informa: “NSA, próxima à direita. Somente funcionários”. A instituição tem 40 mil funcionários. É o maior empregador de matemáticos do país. Para Snowden, porém, a probabilidade de ingressar nesse universo era pequena. Aos 20 e poucos anos, sua atenção se voltava para computadores. Para ele, a internet era “a invenção mais importante da história da humanidade”. Conversava on-line com pessoas “com todo tipo de opinião, gente que jamais teria encontrado sozinho”. Não era só um nerd: mantinha-se em forma, praticava kung-fu e, segundo um registro no Ars, “namorava garotas asiáticas”. A invasão do Iraque liderada pelos EUA, em 2003, levou Snowden a cogitar uma carreira militar. “Queria lutar no Iraque porque, como ser humano, sentia a obrigação de ajudar a libertar as pessoas da opressão”, ele disse. Em face disso, o serviço militar representava uma alternativa atraente: recrutas sem experiência prévia poderiam se tornar soldados de elite. Em maio de 2004, ele se alistou. Apresentou-se em Fort Benning, na Geórgia. Foi um desastre. Snowden estava em

boa forma física, mas era um soldado improvável: era míope e tinha os pés estranhamente estreitos. Em um treinamento da infantaria, Snowden quebrou as duas pernas. Depois de mais de um mês de incertezas, o Exército o dispensou. Espionagem Em 2005, de volta ao lar, Snowden conseguiu um emprego como “especialista em segurança” no Centro de Estudos Linguísticos Avançados, na Universidade de Maryland (ao que tudo indica, começou como guarda de segurança, depois passou para a tecnologia da informação). Snowden estava trabalhando para um braço secreto da NSA no campus da universidade. Graças, quem sabe, ao seu curto histórico militar, ele havia se infiltrado no mundo da espionagem americana, mesmo que ainda no baixo escalão. O centro tinha colaboração estreita com a comunidade da inteligência americana, provendo treinamento linguístico. Em meados de 2006, conseguiu um emprego no setor de tecnologia da informação na CIA. Ele rapidamente ia percebendo que suas habilidades excepcionais em TI abriam todos as portas do governo. “Esse negócio todo de diploma é besteira, pelo menos no mercado interno. Se você ‘realmente’ tem 10 anos de experiência em TI... você PODE, SIM, conseguir um emprego muito bem pago em TI”, ele postou, em julho de 2006. Em 2007, a CIA o enviou para Genebra, em sua primeira missão internacional. A Suíça representava um despertar e uma aventura. Ele tinha 24 anos. Seu trabalho era manter a segurança da rede de computadores da CIA e cuidar da segurança do computador dos diplomatas americanos. Ele era funcionário de tecnologia da informação e sistemas. E também cuidava da manutenção do ar-condicionado e do aquecimento. Em Genebra, Snowden entrou em contato com todo tipo de pontos de vista. Certa vez, ele deu carona até Munique a um cantor estoniano chamado Mel Kaldalu. Os dois haviam se conhecido em um evento do movimento Free Tibet; não eram íntimos, mas eram próximos o bastante para que Snowden lhe oferecesse uma carona. Os dois conversaram durante horas na autoestrada

vazia. Snowden defendeu que os EUA deveriam atuar como a polícia do mundo. Kaldalu discordou. “Ed é um cara inteligente”, diz o cantor. “Talvez até meio teimoso. Ele é extrovertido. Gosta de discutir as coisas. É autossuficiente e tem opiniões próprias.” O cantor estoniano e o técnico da CIA conversaram sobre a dificuldade que os ativistas pró-Tibete tinham para obter vistos chineses. Snowden se mostrou cético quanto ao sucesso das Olimpíadas de Pequim. Kaldalu disse que a ocupação israelense da Palestina era moralmente questionável. Snowden disse que compreendia esse ponto de vista, mas que via o apoio dos EUA a Israel como a opção “menos pior”. Kaldalu sugeriu uma abordagem “desconstrutiva”. O par também conversou sobre como a velocidade das mudanças tecnológicas poderia afetar a democracia e a maneira como os povos se autogovernavam. À época, a figura que mais personificava as visões de direita de Snowden era Ron Paul, o mais famoso expoente do libertarismo americano. Em 2008, Snowden apoiou a candidatura de Paul à Presidência. Também se interessou pelo candidato republicano John McCain. Não apoiava Obama com o mesmo entusiasmo, mas tampouco fazia objeções a ele. Uma vez que Obama tornou-se presidente, Snowden passou a detestá-lo intensamente. Criticava as tentativas da Casa Branca de banir alguns tipos de armas. Mas outro assunto irritou-o ainda mais. O Snowden de 2009 investia contra os funcionários do governo que vazavam informações secretas para os jornais – o pior crime concebível, na sua visão apoplética. Em janeiro daquele ano, o “New York Times” publicou um relatório sobre um plano secreto de Israel para atacar o Irã. O jornal sustentava que sua reportagem se baseava em 15 meses de entrevistas com autoridades dos governos dos Estados Unidos, Israel e de países europeus, além de inspetores internacionais nucleares. Nota:: É uma versão modificada a partir do texto da edição brasileira de “The Snowden Files”, que chega às livrarias nesta semana como “Os Arquivos Snowden” (trad. Bruno Correia e Alice Klesck, Leya, R$ 39,90, 288 págs.).


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Música Erudita

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O maestro soberano RESUMO Nome que mais faturou na música russa em 2012, o regente do novo Mariinski de São Petersburgo, alcançou, como diz a revista “New Yorker”, poder mundial “não atingido por nenhum músico clássico vivo”. Amigo do presidente Putin, o maestro rege 200 espetáculos ao ano, como a imponente conclusão dos atuais Jogos de Sochi.

IRINEU FRANCO PERPETUO ILUSTRAÇÃO DECO FARKAS

Para o “grand finale” do megaevento que concebeu como vitrine internacional de seus 15 anos como homem-forte do país, o presidente Vladimir Putin escalou o maestro que ungiu como o tsar musical da Rússia: Valery Gergiev. No encerramento da Olimpíada de Inverno de Sochi, daqui a dois domingos, Gergiev deverá reger um coro (à Villa-Lobos) de mil crianças, provenientes de todas as regiões da Rússia. No mês passado, o maestro fez um ensaio privado do coro para Putin, com um repertório formado por hits dos tempos soviéticos. Não foi o primeiro nem o último ou mais significativo dos agrados do regente a seu patrono político. Com apenas um ano de idade de diferença, e uma ligação de duas décadas, Gergiev, 60, e Putin, 61, são tão próximos que até já se disse que um é padrinho dos filhos do outro (boato que o regente desmentiu em carta ao jornal londrino “The Daily Telegraph”, em 2008). Todo tsar precisa de uma coroação, e pode-se dizer que, simbolicamente, a de Gergiev (pronuncia-se “guérguiev) aconteceu em 2 de maio passado – não por acaso, a data de seu 60º aniversário. Na ocasião, o embaixador musical da Olimpíada de Sochi abriu seu novo teatro de ópera, o Mariinski 2, em São Petersburgo – uma empreitada de 22 bilhões de rublos (cerca de R$ 1,5 bilhão), despesa que chama ainda mais a atenção se levarmos em conta o quadro geral de austeridade e contenção de gastos que impera na Europa e nos EUA. A história da construção de uma segunda casa para o teatro Mariinski começou em 2003, quando o francês Dominique Perrault (famoso pelo projeto da Biblioteca Nacional da França,

em Paris) venceu um concurso de arquitetura com um plano arrojado, que previa uma cúpula de vidro dourado e o uso de mármore negro no interior. As ideias de Perrault logo se revelaram delirantes demais. Entre a planta e o código de construções do país verificaram-se nada menos que 286 incompatibilidades. As condições naturais, ao que parece, também não haviam sido levadas em consideração pela firma francesa. O clima não se alinhava ao projeto, e o solo da área era tão instável que chegou a ser comparado ao smetana – o creme azedo que é parte fundamental da culinária russa. Por fim, a própria cúpula de vidro se mostrou impraticável. Diante de tamanhas vicissitudes, Putin (à época, primeiro-ministro) resolveu intervir, anunciando, em 2009, um novo concurso para a construção do Mariinski 2. O trabalho de Perrault foi completamente descartado, e uma nova empresa, a canadense Diamond Schmitt Architects, assumiu o projeto. A mudança não pôs fim à contenda. Em uma cidade que se orgulha de sua arquitetura dominada por palácios do século 18, nada mais complicado para o novo prédio do que ganhar o coração dos habitantes, que comparam o local a um shopping center – ou a um hangar, como fez o cineasta Aleksandr Sokúrov (em cujo filme “Arca Russa”, de 2002, Gergiev aparece, regendo uma orquestra). Arquitetos locais criticaram a aparência do edifício, e Mikhail Piotrovski, diretor de uma das glórias da cidade, o Museu Hermitage, viu-se compelido a escrever uma carta aberta, pouco antes da inauguração da casa, pedindo a seus concidadãos que esperassem pela finalização da obra antes de clamarem por medidas radicais – chegou a circular uma petição, assinada não apenas pelos habitantes locais mas também por intelectuais moscovitas, advogando a demolição do Mariinski 2. De fato, o exterior do prédio, em calcário bege, alternado com janelas do teto ao chão, não chega a chamar a atenção ou impressionar com sua geometria regular e relativamente austera. Kitsch Não há nada de austero, porém, do lado de dentro do edifício, de uma suntuosidade que não parece exagero chamar de kitsch: assoalhos de mármore imperador, lustres de cristal Swarovski, uma escada de vidro de 33 metros e 1.200 metros quadrados de ônix a circundar as paredes. Cobrindo uma área de 79.114 metros quadrados, o Mariinski 2 pode abrigar 2.000 espectadores. Possui sete andares

acima do palco e três abaixo, além de toda a parafernália de última geração para espetáculos de ópera, balé e concertos. Projetada por Jürgen Reinhold, da firma alemã Müller-BBM, a acústica também é um dos pontos fortes da casa. O suntuoso concerto de gala, transmitido pela TV russa, e visto ao vivo em diversos países (Brasil inclusive), com a participação de nomes como o tenor espanhol Plácido Domingo e a mezzo- soprano russa Olga Borodina, a excelência técnica do teatro e a qualidade de sua programação acabaram por silenciar as críticas. Uma ponte sobre o canal Kriúkov liga o Mariinski 2 ao prédio antigo, de 150 anos atrás. A construção do novo teatro não implicou a desativação do anterior; as forças da casa atuam simultaneamente em ambos os edifícios, bem como na Sala de Concertos de 1.200 lugares e acústica excepcional construída alguns metros adiante, na Úlitsa Dekabrístov (rua dos Decembristas), em 2006, substituindo o velho depósito de cenários e figurinos do Mariinski, destruído por um incêndio anos antes. Não é incomum, assim, os cor-

pos do Mariinski darem pelo menos três apresentações diárias na cidade, entre óperas, balés e concertos, além das turnês. Um exemplo concreto: na semana entre 14 e 21 do mês passado, houve 22 performances nos três palcos do Mariinski em São Petersburgo, incluindo balé (“Romeu e Julieta”, de Prokófiev), óperas (“Don Carlo”, de Verdi, e “Madama Butterfly”, de Puccini) e concertos (a cantata “Carmina Burana”, de Orff). Enquanto isso, no mesmo período, a trupe do teatro apresentava as óperas “Iolanta”, de Tchaikóvski, e “Don Quichotte”, de Massenet, além da “Sinfonia nº 9”, de Mahler, em Israel – fazendo ainda um concerto no Fórum Econômico Mundial de Davos, com o tenor peruano Juan Diego Flórez. Parece muito, mas não é tudo. Nessa mesmíssima semana, a companhia de balé do Mariinski estava em Copenhague, na Dinamarca, com dois espetáculos: “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikóvski, e outro unindo “Chopiniana” (com música de Chopin), “Scheherazade” (Rimski-Kórsakov) e “O Pássaro de Fogo” (Stravinsky). ritmo frenético O responsá-

vel por esse ritmo frenético de atividades é Gergiev, um “workaholic” que, aliando autoridade, empreendedorismo, caráter visionário, energia e habilidade política, fez não apenas da Filarmônica de São Petersburgo a principal instituição musical da cidade como ainda tornou o Teatro Bolshoi, de Moscou, o símbolo máximo da música clássica na Rússia. Ao elegê-lo uma das cem personalidades mundiais de 2010, a “Time Magazine” festejou seu “estilo de regência intenso e visceral”, que faz dele “um dos artistas mais dinâmicos em atividade hoje”. Empregando uma batuta diminuta, do tamanho de um lápis, e uma peculiar técnica de regência que inclui um tremelicar de dedos, como se suas mãos fossem borboletas, Gergiev é o atual titular da Orquestra Sinfônica de Londres, até o final de 2015, quando assume, com um contrato de sete anos, a Filarmônica de Munique. Admirado pelo caráter enérgico e arrebatado de suas interpretações, ele aparece com regularidade no Metropolitan de Nova York, onde regeu o barítono paulista Paulo Szot.

Fará também parceria com outro brasileiro: o pianista Nelson Freire, por quem tem especial predileção , tocará o segundo concerto para piano e orquestra de Brahms em turnê da orquestra do Mariinski no Japão, em outubro. Ao Brasil o maestro deve ir incógnito, neste ano, acompanhado do pianista Denis Matsúev, com objetivos nada musicais – quer só ver partidas da Copa do Mundo. Conhecendo a rotina de Gergiev, é difícil imaginar que consiga tempo para futebol – ou para qualquer coisa que não seja a música. Na ponta do lápis: entre novembro de 2012 e dezembro de 2013, ele regeu 211 apresentações pelo planeta. Para exemplificar uma semana típica do maestro: de 22 a 31 de dezembro do ano passado, dirigiu nada menos do que 11 récitas na cidade, incluindo três óperas diferentes de Verdi (“Macbeth” e novas produções de “Othello” e “Il Trovatore”). Às vezes havia duas performances no mesmo dia: em 30 de dezembro, este repórter viu Gergiev reger o nonagenário pianista Menahem Pressler, na Sala de Concertos, às 15h30, e sair às 17h, para


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uma récita de “Othello”, às 19h, no Mariinski 2. Contramão Claro que há críticas. Em uma época que favorece como modelos de comportamento regentes “humanistas” como Claudio Abbado (1933-2014) e Sir Simon Rattle, 59, em detrimento de “autocratas”, a exemplo de Arturo Toscanini (1867-1957) e Herbert von Karajan (1908-89), a concentração de poder nas mãos de Gergiev parece ir a contrapelo da história. Em novembro de 2012, o sindicato dos bailarinos do Mariinski enviou uma carta ao Ministério da Cultura, acusando a direção do teatro de violação de leis trabalhistas. Ataca-se o regente por supostamente desprezar a dança e ameaçar os músicos da orquestra, afirmando que os de desempenho ruim terão de tocar nos balés. Em novembro passado, ao escrever, na revista “New Yorker”, que Gergiev “alcançou um nível de poder mundial provavelmente não atingido por nenhum outro músico clássico vivo”, o crítico Alex Ross queixou-se da qualidade “desigual” das performances, já que “sua agenda raramente permite en-

saios adequados”. Não permite mesmo. “Com Gergiev, você nunca passa a obra inteira”, confessou-me, com um sorriso de admiração e cumplicidade, o pianista Nikolai Lugansky, no dia em que protagonizou, com o regente, um inesquecível programa Rachmaninov (“Concerto para piano nº 2” e “Danças Sinfônicas”). Em sua própria defesa, o maestro costuma dizer que não precisa de 12 horas repassando cada “pizzicato” do repertório com uma orquestra que conhece bem. Pela lógica, a falta de ensaios deveria acarretar eventuais quedas de concentração, intensidade e qualidade artística. Entre os frequentadores locais, os mais nostálgicos gostam de falar em “decadência” no nível do Mariinski – o que aqui, tal qual ocorre com o público de ópera do mundo inteiro, normalmente significa saudade dos grandes cantores do passado. Contudo, nem os desafetos de Gergiev negam seus dotes musicais; na Rússia costumam referir-se a ele como “gênio mau”. Após um mês e meio acompanhando suas apresentações na Rússia, rendi-me à versatilidade de um músico

capaz de fazer aparentemente tudo a que se propõe, e não só com compositores russos. Seu Mozart é tão sedutor quanto seu Mahler, embora por razões distintas, e ele parece tão à vontade nas obras- primas do repertório sinfônico quanto acompanhando óperas. Não por acaso o folclore em torno do regente é vasto. Diz a lenda que ele frequentemente é arrancado da cama para pegar voos em cima da hora; que ensaia em uma cidade pela manhã para reger um concerto em outra à noite; que suas secretárias, assustadas com sua rotina alucinante, durariam poucos meses no emprego. Como consequência, atrasos – de até meia hora – já se tornaram praxe em suas performances. O público russo reage como as plateias brasileiras de teatro infantil: com aplausos compassados, pedindo para o espetáculo começar. início Pupilo do mítico Iliá Mússin, Gergiev venceu, aos 23 anos, o Concurso Karajan, em Berlim. Ainda era aluno do Conservatório de Leningrado quando recebeu, em 1978, o convite para ser assistente de Iuri Temirkánov no então Teatro Kírov (assim chamado em

homenagem a Serguei Kírov, líder bolchevique cujo misterioso assassinato, em 1934, serviu de pretexto a Stálin para desencadear um sangrento período de expurgos). Em 1988, aos 35 anos, ascendeu à chefia da companhia de ópera. Eram os tempos da “glasnost” e da “perestroika”, de Mikhail Gorbatchov, em que uma estimulante abertura política foi acompanhada do enfraquecimento do poder do Estado e de sua capacidade de investir nas mais diversas áreas – inclusive na cultura. Gergiev resolveu buscar no exterior as divisas que faltavam em casa e fez das turnês o meio de sobrevivência da trupe. Deu ar cosmopolita ao Mariinski, providenciando para que as óperas do repertório internacional não fossem mais cantadas em russo, e sim em seus idiomas originais – as produções de títulos russos passaram a ser acompanhadas de projeções de legendas em inglês. O ápice da nova orientação foi a primeira montagem na história dos palcos russos de uma versão cantada no original alemão da tetralogia “O Anel do Nibelungo” , de Wagner, em 2003 – uma produção que rece-

beu aplausos não apenas no âmbito doméstico mas também em Londres (Covent Garden), Nova York (Metropolitan) e na própria Alemanha. Agora, o “Anel” está sendo paulatinamente lançado em disco, no âmbito de mais uma iniciativa de Gergiev: o selo próprio da companhia. Cantores O que continua 100% eslava é a companhia estável de cantores, uma das joias do teatro. Em comparação aos tempos soviéticos, a diferença é que, com a liberdade de ir e vir, as melhores vozes da Rússia agora podem também ser apreciadas internacionalmente. A companhia de ópera do Mariinski conta hoje com mais de uma centena de cantores, com destaque para Anna Netrebko, a soprano que foi descoberta por Gergiev aos 23 anos, quando era estudante do conservatório (e, reza a lenda, lavava o chão do teatro). Dentre os destaques, vale mencionar o tenor Vladímir Galúzin e as vozes graves que historicamente são a glória da Rússia, como as mezzosopranos Larissa Diadkova e Ekaterina Semêntchuk, os barítonos Vassili Guerello e Nikolai Putílin, e os baixos

Evguêni Nikítin, Guennadi Bezzubenkov e Ildar Abdrazákov. De chefe da trupe operística, Gergiev subiu, em 1996, a diretor artístico do Mariinski. Em alguns anos, a ascensão de um político de São Petersburgo à mais alta esfera de poder federal transformaria sua sorte de vez. A União Soviética, país em que Gergiev nasceu e cresceu, acabou em 1991. No mesmo ano, São Petersburgo extirpou Lênin de seu nome, retomando a denominação anterior e, em janeiro do ano seguinte, o Kírov voltou a ser o Teatro Mariinski (em honra à tsarina Maria Aleksândrovna, mulher do tsar Alexandre 2º, que governava a Rússia na inauguração da casa, em 1860, e que aboliria a servidão em 1861). O referendo em que os cidadãos de Leningrado decidiram chamar sua cidade de São Petersburgo aconteceu simultaneamente às primeiras eleições diretas da Rússia póssoviética. O pleito presidencial foi vencido por Boris Ieltsin; o municipal, pelo siberiano Anatoli Sobtchak, mentor e professor do sucessor de Ieltsin, que teria papel-chave na ascensão e consolidação de Gergiev e seu teatro: Vladimir Putin. Foi como conselheiro de assuntos internacionais do prefeito Sobtchak que o antigo tenente- coronel do KGB começou sua carreira política. Também fazia parte da equipe Dmitri Medvédev, que se tornaria amigo de Putin. Ambos se revezariam nos anos seguintes nos cargos de presidente e primeiro-ministro da Rússia. Em 1999, Putin herdou a chefia do país de um Ieltsin combalido e desacreditado e, desde então, encontrou em Gergiev o parceiro ideal na construção do protagonismo musical de sua cidade natal – para alegria dos petersburgueses, que gostam de se ver como mais aristocráticos e refinados do que os moscovitas. O mandatário vem patrocinando todos os sonhos do maestro: a Sala de Concertos e o Mariinski 2 foram construídos integralmente com dinheiro federal. Não por acaso, Gergiev passou a se mostrar atuante na vida social do país. Em 2004, depois do massacre na escola de Beslan, na Ossétia do Norte, ele apareceu na televisão do país, pedindo paz. Nascido em Moscou, mas criado na Ossétia, Gergiev considera-se ossetiano, e foi à região em 2008, durante o conflito entre Rússia e Geórgia, tomando partido dos russos e regendo um concerto em prol das vítimas da guerra, em Tskhinvali. Mais recentemente, resolveu doar fundos das bilheterias de concertos do Mariinski às vítimas dos atentados de 29 e 30 de dezembro de 2013, em Volgogrado. Além disso, já demonstrou várias vezes apoio a Putin, chegando a gravar um vídeo na última campanha presidencial russa, em 2012. Isso tem levado, no Ocidente, a uma série de manifestações contra o maestro por parte de grupos LGTB, devido à legislação antigay do país. Gergiev já declarou ser contra qualquer tipo de descriminação, negando-se, porém, a criticar tanto as leis russas quanto Putin. Tamanha lealdade só parece reforçar o poder daquele que, de acordo com a versão russa da revista “Forbes”, foi o músico do país que mais faturou em 2012: US$ 16,5 milhões (R$ 40 milhões), superando os astros do pop. Dinheiro investido, entre outras coisas, em peru e filantropia. Gergiev é dono de 15% da Evrodon, maior produtora de carne da ave da Rússia.


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Diário de Berlim O MAPA DA CULTURA

SILVIA BITTENCOURT

A Alemanha inaugurou a maratona de eventos em torno dos cem anos da Primeira Guerra Mundial – a “catástrofe original” do século 20, como definiu o historiador americano George F. Kennan. O Arquivo Literário de Marbach, um dos mais importantes do gênero, no sul do país, deu a largada e vem apresentando várias preciosidades escritas, sobretudo em agosto de 1914, quando a guerra estourou. “Nunca na história escreveu-se tanto como naquele agosto de 1914”, afirmam os organizadores. Ali estão anotações de Robert Musil e Ernst Junger, redigidas no front. Ou cartas e diários de quem ficou, como Arthur Schnitzler, Hermann Hesse e Franz Kafka. Este escreveu, em 2 de agosto de 1914, uma frase que aqui se tornou célebre: “A Alemanha declarou guerra à Rússia – à tarde, natação”. Um dos destaques é o poeta expressionista e

professor Ernst Stadler, nascido na Alsácia (hoje na França), mas que escrevia em alemão. “No dia anterior, aula cancelada. De manhã, compras: um revólver”. Assim ele iniciou seu diário de guerra, em 31 de julho, três meses antes de tombar na Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. Na trincheira Marbach também vai tratar da leitura na zona de batalha. Mais de 10 milhões de livros foram doados e enviados para os soldados nas trincheiras – quase o mesmo número de militares mortos no conflito. A exposição traz uma “biblioteca das tropas”. Os livros eram depositados em caixotes especiais e transportados com as cozinhas de campanha. Muitos deles eram editados num formato menor, para o front. Enquanto nos primeiros anos da guerra os soldados ainda se interessavam por clássicos e obras de não ficção, na segunda metade do conflito eles preferiram livros mais triviais, sobretudo de

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Nadando na 1ª Guerra

Lazeres e leituras do conflito literário

conteúdo erótico. Arte e horrores Em Berlim, várias ações destacarão as artes plásticas, a fotografia, a música e até a moda nos tempos da Grande Guerra. É o caso da exposição que acontecerá, no próximo semestre, na Biblioteca das Artes, mostrando como as vanguardas artísticas da época libertaram as mulheres do espartilho e das saias longas. O evento mais aguardado, porém, é uma megaexposição no Museu Histórico, a partir de junho, que promete apresentar um “retrato eficaz” do horror do conflito, que deixou 17 milhões de mortos, entre militares e civis, dentro e fora da Europa. Tendo como foco fatos ocorridos em 15 cidades (entre elas Berlim, São Petersburgo e Verdun), ela destacará a evolução das técnicas armamentistas, como o gás tóxico e o lançachamas, em direção a um “massacre industrializado”. Não podiam

faltar novos livros sobre o assunto. O destaque é o bestseller recém-lançado “Der Grosse Krieg “’ Die Welt 1914-1918” (grande guerra “’ o mundo entre 1914 e 1918), um calhamaço de 900 páginas no qual o cientista político berlinense Herfried Münkler faz um panorama monumental do conflito. Ele considera a Primeira Guerra um “laboratório”, onde teriam sido desenvolvidas novas tecnologias, estratégias e ideologias. Seguindo a linha do pesquisador australiano Christopher Clark, autor do também bestseller “Sleepwalkers” (“os sonâmbulos”, de 2012, ainda inédito no Brasil), Münkler rebate a teoria da culpa exclusiva da Alemanha, que prevaleceu durante décadas. Diz que os atores políticos da época teriam caído na “armadilha da fatalidade”, como se a guerra fosse inevitável. “É assustador o amontoado de cálculos errados e acasos que levou ao confronto”, escreve.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 O sorriso guardado de Coutinho

WALTER CARVALHO/ACERVO PESSOAL

Rio, 1984

Elizabeth Teixeira (ao centro), cercada por seus filhos e netos, e Eduardo Coutinho (de braços cruzados)

WALTER CARVALHO

Tinha 14 anos quando conheci Eduardo Coutinho. Na época dividia meu tempo entre o colégio e o campo de peladas na minha João Pessoa, em 1962. Vladimir Carvalho, meu irmão, já ingressado no cinema como documentarista, hospedou em nossa casa o cineasta. Coutinho passava pela Paraíba com a chamada UNE Volante, do CPC (Centro Popular de Cultura). Vladimir se encarregou de levá-lo para conhecer dona Elizabeth, viúva do líder camponês João Pedro Teixeira, e seu filho Abraão. Coutinho tinha o projeto de filmar “Cabra Marcado para Morrer”, sobre o assassinato de Teixeira. As filmagens foram interrompidas em 1964, após o golpe militar. O documentário só seria lançado em 1984, tornando-se um dos ícones do cinema brasileiro. Vi em minha casa pela primeira vez – e ainda hoje, na semana de sua morte, trago na memória – aquela figura magra, de rosto recortado e óculos espessos, que fumava muito e falava sem parar sobre as questões que envolviam a história do filme. A cada final de frase colocava a expressão “compreende...”, que em geral dizia duas vezes, com um leve sotaque do sul, puxado pelo erre forte dos paulistas. Minha mãe e eu, depois que Coutinho deixou nossa casa, ficamos os dois a repetir a expressão “compreende..., compreende...”

entre nós, de forma engraçada. O tempo passou e seis anos depois fui morar no Rio para tentar o vestibular na Escola Superior de Desenho Industrial, da UERJ. Nessa época, meu irmão Vladimir me levou para conhecer a Cinemateca do MAM, onde me apresentou a Cosme Alves Neto, diretor da instituição no período. Na Cinemateca avistei Coutinho pela segunda vez e pude me aproximar da figura carismática que continuava falando rápido, “compreende...”, acendendo um cigarro após outro, carregando no ombro a famosa bolsa de couro cru comprada nos confins da Paraíba. Aos poucos nos aproximamos e lembro claramente que logo ele procurou saber dos companheiros do João Pedro Teixeira e de dona Elizabeth, que naquela ocasião vivia ainda na clandestinidade. Alguns anos se passaram e sempre me encontrava com Coutinho, embora ainda envolvido com minha escola, enquanto trabalhava como “graphic designer” no próprio Museu de Arte Moderna. Em 1984, eu já estava completamente mordido pela fotografia e com alguns filmes no currículo. Recebi, pouco depois da estreia de “Cabra Marcado”, um telefonema de Coutinho, me convidando para registrar o encontro de dona Elizabeth e seus filhos no Rio. Seria um momento histórico, pois ela não os via havia mais de 20 anos. Fomos, no carro de uma amiga, para Ramos, bairro onde morei na casa de uma tia, em

1968. Minha presença ali era útil, pois era o único que conhecia as ruas do local. O mês era maio, o sol límpido iluminava a praia de Ramos, ofuscando a Ilha do Governador no sentido oposto. O clima quente era suave naquela época do ano. Nossos corações batiam apressados, na expectativa do que iríamos presenciar logo mais. Fomos primeiro à casa de uma das filhas. Ela levou um grande susto, tamanha a surpresa de ver a mãe fragilizada e em lágrimas. Caminhamos em grupo rua afora para o encontro mais importante daquele dia: a mãe, o filho José Eudes, as irmãs Marta e Marinês, Coutinho e a criançada da família. Batemos palmas à moda nordestina para anunciar a visita. O que vi, com a tarefa de fotografar, foi uma cena de extrema emoção, todos se abraçavam e choravam sem dizer uma palavra, impulsionados pelo sentimento de uma família despedaçada. Eduardo Coutinho, contido, mas profundamente emocionado, presenciou a cena com distanciamento, mas havia em seu semblante, entre um cigarro e outro, um sorriso guardado por ter cumprido mais uma tarefa de aproximar aquelas pessoas, que ele mesmo havia revelado para o mundo com seu filme. Sempre falávamos dessa aventura em nossos encontros, lamentando o nosso erro em não ter filmado. Coutinho dizia que o “Cabra Marcado” poderia continuar ali outra fase. E ria ao comentar aquela nossa incursão: “Nós não somos documentaristas”.


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Imaginação © MUSEU SERGEI PARADJANOV, IEREVAN, ARMÊNIA

PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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Esboço para o filme ‘Achik-Kerib’ (1988)

Achik-Kerib História turca

RESUMO O trecho reproduzido corresponde ao início do conto recolhido da tradição oral por Lérmontov quando o escritor esteve no Cáucaso – o original é datado de 1837. Esse mesmo conto serviu de base ao filme homônimo de Sergei Paradjanov, que se tornaria a última produção concluída pelo cineasta georgiano de origem armênia e para cuja preparação foi feito o desenho nesta página. O “AchikKerib” é uma das narrativas estudadas por Jerusa Pires Ferreira em “Matrizes Impressas do Oral - Conto Russo no Sertão”, livro que trata da “tradição oral, das mitopoéticas e do conto popular universal, passando à recriação desses textos por grandes escritores”, conforme descreve sua autora. O volume deve sair pela Ateliê Editorial em março.

M. I. LÉRMONTOV TRADUÇÃO BORIS SCHNAIDERMAN ILUSTRAÇÃO SERGEI PARADJANOV

Muitos anos atrás, na cidade de Tíflis (1), vivia um turco rico; Alá lhe deu muito ouro, porém mais valioso que o ouro era sua filha única Magul-Meguéri. São belos os astros do céu, mas atrás dos astros vivem anjos que são ainda mais belos e assim Magul-Meguéri era a mais bela das jovens de Tíflis. Vivia também em Tíflis o pobre Achik-Kerib; o profeta não lhe dera nada além de um grande coração e o dom das canções. Tocando saaz e celebrando os antigos cavaleiros do Turquestão ele ia de um casamento a outro, para alegrar os ricos e felizes; num desses casamentos ele viu Magul-Meguéri e eles se apaixonaram. O pobre Achik tinha pouca esperança de obter a sua mão, e se tornou tão triste como um céu de inverno. Um dia ele estava deitado num vinhedo e finalmente adormeceu; nessa hora passaram por ele Magul-Meguéri e suas amigas; uma delas, ao ver Achik adormecido, ficou para trás e aproximou-se dele. “Por que ficas dormindo embaixo de uma videira” – cantou ela – “levanta-te, insano, a tua gazela está passando”; ele acordou e a moça fugiu como um passarinho; Magul-Meguéri tinha ouvido a sua canção e começou a censurá-la: “Se tu soubesses” – respondeu a outra – “a quem cantei esta canção, me agradecerias: é o teu Achik-Kerib”; “Leva-me até ele” – disse Magul-Meguéri; e elas foram. Vendo seu rosto tristonho, MagulMeguéri começou a interrogá-lo e a consolar: “Como não vou me entristecer” – respondeu Achik-Kerib – “eu te amo e

tu nunca serás minha.” “Pede a minha mão a meu pai e meu pai vai celebrar nosso casamento com o dinheiro dele e me dará tanto que será o suficiente para nós dois”. “Está bem” – respondeu ele – “admitamos que Aian-Agá não poupe nada para sua filha; mas quem sabe se depois tu não vais me censurar porque eu não tinha nada e fiquei te devendo tudo. Não, minha doce Magul-Meguéri; eu coloquei um penhor sobre a minha alma; comprometo-me a peregrinar sete anos pelo mundo, conseguir riquezas ou morrer nos desertos distantes; se concordas com isso, decorrido esse prazo serás minha”. Ela concordou, mas acrescentou que, se no dia marcado ele não voltasse, ela se tornaria esposa de Kurchud-Bek, que há muito pedia sua mão. Achik-Kerib foi ter com sua mãe; tomou a bênção, beijou a irmãzinha, pendurou no ombro a bolsa, apoiou-se num cajado e peregrinou, saiu da cidade de Tíflis. E eis que um cavaleiro o alcança e ele vê que é Kurchud-Bek. “Boa viagem” – grita-lhe Bek – “aonde quer que vás, peregrino, sou teu amigo”; Achik não ficou contente de ver o amigo, mas não havia nada a fazer, caminharam juntos por muito tempo até que encontraram um rio. Nem ponte nem vau; “Nada na frente” – disse Kurchud – “eu vou te seguir”. Achik tirou a roupa e nadou; chegando à outra margem, olhou para trás e – Oh, desgraça! Oh, Alá onipotente! – Kurchud-Bek tinha apanhado a sua roupa, galopando de volta a Tíflis, e somente a poeira turbilhonava atrás dele, feito cobra em campo liso. Kurchud-Bek leva a roupa de Achik a sua velha mãe: “Teu filho se afogou no rio profundo, aqui está a sua roupa”;

numa angústia indescritível, a mãe caiu sobre a roupa do filho amado e passou a molhá-la com lágrimas ardentes; depois apanhou-a e levou à sua noiva prometida Magul-Meguéri. “Meu filho se afogou,” – disse ela – “Kurchud-Bek trouxe a roupa dele, estás livre”. Magul-Meguéri sorriu e repondeu: “Não acredites; tudo são invenções de Kurchud-Bek; antes que passem sete anos ninguém será meu esposo”. Ela tirou da parede o saaz e começou a cantar tranquilamente a canção predileta de Achik-Kerib. Neste ínterim, o peregrino chegou descalço e nu a uma aldeia; gente boa vestiu-o e alimentou-o; ele, para recompensá-los, cantou umas canções maravilhosas; assim foi passando de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, e sua fama se espalhou por toda parte. Chegou finalmente a Khalaf; como de costume, entrou num café, pediu um saaz e pôs-se a cantar. Nessa época vivia em Khalaf um paxá, grande apreciador de cantores; muitos foram levados a sua presença, mas ele não gostou de nenhum; os seus servos se esfalfaram, correndo pela cidade; de repente, passando por um café, ouviram uma voz surpreendente; eles então: “Vem conosco à presença do grande paxá” – gritaram – “ou vais responder com a tua cabeça”. “Eu sou um homem livre, peregrino da cidade de Tíflis – se quiser irei, se não quiser, não. Canto quando me dá na veneta e o vosso paxá não é meu chefe”. Apesar disso, eles o agarraram e o levaram à presença do paxá. “Cante” – disse o paxá, e ele cantou e nessa canção ele celebrava a sua querida Magul-Meguéri; e essa canção agradou tanto ao orgulhoso paxá que ele deixou em seu palácio o pobre Achik-Kerib. Ouro

e prata choveram sobre ele, brilharam nele ricos trajes; Achik-Kerib passou a viver em felicidade e alegria e tornouse muito rico. Se ele esqueceu ou não a sua MagulMeguéri, não sei, mas o tempo ia correndo, o último ano estava próximo do fim, e ele nem se preparava para a partida. A formosa Magul-Meguéri começou a desesperar: nesse tempo, um mercador estava saindo com uma caravana de Tíflis, com quarenta camelos e oitenta escravos: ela chama o mercador à sua casa, e lhe dá uma bandeja de ouro: “Toma esta bandeja” – diz ela – “e em qualquer cidade que chegues expõe a bandeja em tua venda e declara em toda parte que aquele que se declarar dono da bandeja há de recebê-la, e de sobra o seu peso em ouro”. Partiu o mercador e em toda parte cumpria o encargo de Magul-Meguéri, mas ninguém se declarava dono da bandeja de ouro. Ele já tinha vendido quase toda a mercadoria e chegou com as restantes a Khalaf e proclamou em toda a parte a incumbência de Magul-Meguéri. Ouvindo isso Achik-Kerib chega correndo ao caravançará e vê a bandeja de ouro na venda do mercador de Tíflis. “É minha” – disse ele, agarrando-a com a mão. “Está certo, é tua” – disse o mercador. “Eu te reconheci, Achik-Kerib: vai quanto antes a Tíflis, a tua Magul-Meguéri mandou te dizer que o prazo está terminando e que, se não chegares no dia marcado, ela se casará com outro”. Desesperado, Achik-Kerib agarrou a cabeça: faltavam apenas três dias para a hora fatal. Nota 1. Hoje Tbilisi, capital da Geórgia.


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