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EM TEMPO - 8 de dezembro de 2013

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VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.201 – DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 201 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

FOTOCOM

DIVULGAÇÃO

FIFA REABRE VENDA DE INGRESSOS PARA COPA

Com o sorteio das chaves definido, os manauenses terão a chance de assistir aos principais jogos da primeira fase da competição, e ver de perto ídolos como Cristiano Ronaldo e Pirlo.

VASCO E FLUMINENSE

À BEIRA DO ABISMO Os dois times cariocas buscam uma combinação de resultados para evitar a queda para a segunda divisão. Do outro lado, o Botafogo precisa ir com tudo para garantir vaga na Libertadores. Pódio E6 e E7

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Inglaterra, Itália, Camarões, Croácia, Estados Unidos, Portugal, Honduras e Suíça farão pelo menos uma partida na Arena da Amazônia, pela Copa do Mundo de 2014.

O craque Cristiano Ronaldo defenderá Portugal contra os EUA, na Arena da Amazônia

As vendas dos ingressos para os jogos da Copa terão início às 7h deste domingo, no site da Fifa, até 30 de janeiro. Torcedores de outras nacionalidades terão direito à compra. Pódio E2 e E3

TUBBY X LULU

A GUERRA DOS SEXOS NA REDE DIVULGAÇÃO

Dia a dia C2 e C3

Rombo na Câmara é de R$ 8 MILHÕES O aumento de 127% nas despesas da Câmara Municipal de Manaus (CMM) neste ano, já resulta no acúmulo de um déficit de R$ 8,109 milhões nas contas da casa, forçando um acordo com a prefeitura para o pagamento do salário dos servidores neste mês. Política A5

MANAUS

ÁFRICA

PLANOS

O palpite infeliz de Parreira

Briga pela herança de Mandela

Saúde jogada na privada

“Também não gostaria de jogar em Manaus. Calor é muito grande, temperatura, umidade, deslocamento, viagem”. A frase é do auxiliar técnico Carlos Alberto Parreira (caricatura), que embarcou na onda do técnico britânico Roy Hodgson. Contexto A3

Família de Nelson Mandela briga pelo controle das empresas fundadas pelo expresidente. Mundo B8

Situações antes enfrentadas na saúde pública agora predominam no sistema privado. Dia a dia C6 e C7

Livros de arte em destaque

Plateia D1

IBGE oferece 7,8 mil vagas

Concursos & Empregos

8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES

Prato saudável é mais caro

Economia B3

Lulu e Tubby viraram febre na internet, mas são questionados por invadir a privacidade alheia

De volta às aulas A revista Elenco traz edição especial “Volta às Aulas”, com dicas e temas que interessam a pais e alunos. Elenco Volta às Aulas

HOJE É DOMINGO O chá que faz milagre O chá de hibisco impede o acúmulo de gordura no organismo, diminui o colesterol ruim e controla a pressão arterial. Saúde F2

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

Uma época de talentos Luiz Carlos Miele relembra a apresentação do espetáculo “Elis com Miele & Bôscoli”, na São Paulo de 1969. Ilustríssima G8 TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

A2

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Traficantes de Roraima são capturados no AM O

trio formado por Antônio Cláudio da Silva Melo, Célio Isnar dos Santos e Vagner Silva dos Santos “Galo Cego” foi preso, na noite da última sexta-feira, após denúncia informando que eles eram responsáveis por transportar drogas de Boa Vista, em Roraima, para Manaus. Segundo o delegado plantonista do 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Robson Almeida de Siqueira, o trio estava em frente à delegacia no momento em que um homem passou e informou que os três, que estavam do outro lado da rua em um veículo Saveiro de cor branca, transportavam em média 200 quilos de cocaína e mais uma quantia de R$ 100 mil. Os policiais resolveram fazer a abordagem do veículo em que só encontraram três documentos de identidade. Quando levados para o 14º DIP, descobriram que os documentos eram falsificados. Preocupado, Antônio informou que era foragido da Justiça roraimense. Célio contou que morava no conjunto Cidade de Deus. A polícia foi até a

residência do suspeito onde encontrou uma pistola. Com a identificação verdadeira dos suspeitos, a polícia descobriu que o trio era foragido da justiça pelo crime de tráfico de entorpecentes, e que são mais conhecidos em realizar o translado da droga para a capital.

ASSASSINATO

Estudante Alessandro dos Santos, 18, foi morto, ontem, com tiro na cabeça. O crime ocorreu na rua Igarapé Araçá, Armando Mendes, Zona Leste. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos Cadeia O presidiário Joel Nunes Martins, 26, que estava foragido do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde cumpre pena por roubo em regime semiaberto foi recapturado por volta das 23h da última sexta-feira, no beco Girau, no Bairro Coroado 2, Zona Leste de Manaus. Policiais da 11ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) localizaram o presidiário em

atitude suspeita na entrada do beco, durante ronda na área. Segundo a assessoria da polícia Civil, Joel não portava nenhum tipo de entorpecente ou objetos roubados. Porém, como ele não estava com nenhum documento de identificação, os policiais teriam solicitado o registro dele no sistema da polícia e identificado que ele era procurado. O presidiário foi encaminhado para o 9º Distrito Integrado de Polícia e deve ser recolhido ainda hoje ao complexo penitenciário. Drogas Também no 9º DIP, outro caso, desta vez envolvendo tráfico de drogas, foi registrado na noite de sexta-feira. A cozinheira Graça Ramos da Silva, 47, foi presa por volta das 19h, no beco São Lucas, no bairro Ouro Verde, Zona Leste. A suspeita foi localizada após policiais da 11ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) terem recebido denúncia anônima de que Graça vendia drogas em sua residência. Após abordarem a suspeita na porta de casa, os policiais encontraram 147 trouxinhas de cocaína e R$ 355 no local. A cozinheira será encaminhada para a cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa.

COMÉRCIO DIEGO JANATÃ

CENTRO

Ruas da área central da cidade começam a ficar agitadas com as compras do fim de ano

Movimento aquece para o Natal JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

Lojas abertas até mais tarde, ruas movimentadas com o grande número de carros, calçadas lotadas de consumidores. Após um pequeno atraso, ontem, o comércio do centro da cidade demonstrou aquecimento com a procura do público pelos presentes natalinos. Com as lojas abertas, inclusive aos domingos em horário estendido, o manauense aproveitou o sábado para ir às compras. A dona de casa Maria Aparecida Silva, 45, se espantou com o número de pessoas na avenida Eduardo Ribeiro. “Pensei em vir ao Centro adiantar as compras porque ainda estamos no início de

Enquanto um dos bandidos esconde o rosto o outro faz pose, mesmo algemado pela polícia

dezembro, mas me assustei ao ver a quantidade de pessoas. Vou comprar o máximo possível agora para não ter que voltar muitas vezes depois”, contou. O gerente de Vendas da loja Aleny Calçados, Manoel Fonseca, disse que o movimento está satisfatório para o período. “Começou a melhorar mesmo ontem (sexta-feira). Antes, as vendas não estavam dentro do esperado”, ressaltou. Agora, com o público nas ruas, Manoel acredita que a expectativa e vendas da loja para as festas de fim de ano pode se tornar realidade. “Nossa estimativa é de crescer de 12% a 13% nas vendas do mês de dezembro, principalmente na semana do Natal”, projetou.

Já a gerente de vendas de uma das unidades da loja de confecções Tropy, na avenida Eduardo Ribeiro, Katherine Costa, o movimento ainda pode ficar melhor. “Agora, por exemplo são 11horas e temos bastantes compradores na loja, mas ela não está lotada para um sábado de mês de Natal. Esperamos que após o dia 15, o público compareça muito mais”, apostou.

MANDELA

OMC conclui o primeiro acordo mundial da história A Organização Mundial de Comércio (OMC) concluiu, ontem, em Bali, na Indonésia, o primeiro acordo comercial global em quase 20 anos. É um pacote modesto, que inclui apenas alguns temas da ambiciosa Rodada Doha. Ainda assim, representa um fôlego para a credibilidade da OMC. Cuba e os países “bolivarianos” -Venezuela, Bolívia, Nicarágua- bloquearam o acordo até o último minuto, reclamando que não fazia sentido aprovar um acordo para facilitar o comércio, enquanto os Estados Unidos têm um embargo contra os cubanos. Mas acabaram cedendo. O pacote de dez textos é dividido em três temas: desburocratização do comércio, agricultura e promoção do desenvolvimento dos países pobres. As estimativas otimistas calculam que o acordo pode gerar um incremento de US$ 1 trilhão do comércio global -se as medidas para tornar portos e aduanas mais eficientes foram totalmente implementadas.

Cortejo será de três dias

“É um acordo ambicioso. Se não fosse, não teria sido tão difícil de fechar”, disse o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo.

Os restos mortais do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela passarão em cortejo fúnebre nos três dias em que ele será velado em Pretória, informou o Serviço de Informação do governo. No período, o corpo também ficará exposto na sede do governo do país. Mandela morreu, no último dia 5, aos 95 anos, após complicações provocadas por histórico de infecções pulmonares. Após o anúncio da morte, milhares de sul-africanos lembraram sua memória com flores e gritos de guerra contra o regime do apartheid em diversas cidades do país.

Embate O grande duelo do acordo foi entre Índia e Estados Unidos sobre os programas de segurança alimentar dos países pobres. O governo indiano enfrenta eleições em quatro meses e não poderia “abandonar” 600 milhões de pequenos produtores rurais que dependem da compra de arroz e grãos pelo Estado. Já os EUA queriam garantias que os programas não se tornariam um “cheque em branco” para subsidiar. Os indianos, que resistiram às pressões internacionais, conseguiram o que queriam. A cláusula de paz - espécie de “trégua” para que subsídios dos programas de segurança alimentar dos países em desenvolvimento não sejam questionados na OMC-, vai durar até que os países cheguem a uma solução permanente para os programas de segurança alimentar. DIVULGAÇÃO

ISABELLE VALOIS E JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

ISABELLE VALOIS

Antônio Melo, Célio Isnar dos Santos e Vagner dos Santos são foragidos da Justiça e foram presos, ontem, em Manaus

Previsão Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Manaus, a expectativa de vendas do comércio da capital no período natalino deste ano é de 8% na semana que antecede o Natal e de 7% na semana do Réveillon. Embaixador Roberto Azevêdo comandou debates na Indonésia

Comitiva A presidente Dilma Rousseff vai ao funeral do líder africano Nelson Mandela acompanhada de todos os ex-presidentes do Brasil vivos. José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva foram convidados e aceitaram viajar à África do Sul. As informações são do Blog do Planalto. Esta será a primeira vez que os cinco se reúnem para um evento internacional.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Ensaio geral da mediocridade O ano eleitoral de 2014 promete ser um razoável Mundial de Futebol: enquanto técnicos de seleção medem a temperatura e a sensação térmica das cidades, onde seus jogadores se arriscarão a ser campeões, no campo da política a bola escorre pelas laterais, e a torcida agradece a liberação da cerveja para “matar” o calor. A minirreforma eleitoral é um desses recursos que o Congresso Nacional traz nas mangas, sempre que pretende driblar a opinião pública, que a essa altura do campeonato se manifesta por convulsões, logo controladas pelo spray de pimenta e as balas de borracha, que não matam (?), mas maltratam – um fotógrafo ficou cego, depois que uma dessas “perdidas” encontrou o seu rosto. Neste fim de semana, as duas forças mais emblemáticas desses tempos de mesquinharia, o PT e o PSDB, parecem disputar, diante de uma “opinião pública” entediada, a honra ao mérito de quem fraudou menos, quem desviou menos os recursos públicos, quem tem mais direito a uma prisão domiciliar ou não. E só. Só essas figurinhas carimbadas existem. Para eles o Brasil é um país de ficção, menos pelos recursos que não se exaurem por mais explorados que sejam. O PSDB já se resignou a não defender quem teria (ou não) patrocinado um mensalão tucano. Aécio Neves: “A nossa posição é a seguinte: averigue-se e puna-se. Qualquer pessoa. Seja do PSDB, seja sem partido, seja de outros partidos”. Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, classifica as investigações sobre o cartel nas licitações dos governos tucanos em São Paulo como mais graves do que o mensalão, assim, nos termos em que registraram as agências de notícias: “São muito, muito maiores, do que os recursos públicos em jogo no caso do mensalão”. Então, 2014 pode, sim, ser pior do que 2013.

Parreira e o palpite infeliz Os amazonenses não estão querendo só o fígado do técnico inglês Roy Hodgson. Agora estão querendo, também, o do auxiliar técnico do Brasil, Carlos Alberto Parreira, que se solidarizou ao técnico britânico, que manifestou o desejo de evitar uma partida em Manaus, onde terá de enfrentar a Itália. O que chamou a atenção, segundo Parreira, foi o grupo com três campeões do mundo. — É o mais difícil, sem dúvida alguma. Eu também não gostaria de jogar em Manaus. O calor é muito grande, temperatura, umidade, deslocamento, viagem. Mas é uma sede da Copa e não tem como evitar —, observou. Rio 40º Do técnico inglês dá até para tentar entender, afinal, ele mora em um pais de clima frio, desconhece a nossa cultura e nunca colocou o pé na Amazônia. Mas, como brasileiro, Parreira deveria respeitar a Amazônia, o maior patrimônio da humanidade. Até porque ele mora no Rio de Janeiro, Estado que no verão também beira os 40º C. O gringo também O treinador da seleção dos Estados Unidos, Jurgen Klinsmann, que enfrentará Portugal, dia 22 de junho, em Manaus, também criticou a escolha de Manaus como sede. Desafortunada Segundo o gringo, o mundo inteiro quer evitar Manaus, não há dúvida disso. — Acredito que não deveria ter sido sede. Foi uma decisão desafortunada, tanto pela demora do voo, como pelas circunstâncias que existem na cidade –, afirmou Klinsmann. Mandiba Logo após a divulgação da notícia da morte, nesta quinta-feira (5), do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, senadores começaram a manifestar seu pesar por meio das re-

des sociais. Todos fizeram questão de declarar sua admiração pelo homem que combateu o apartheid. Mandiba 2 O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), também manifestou-se por meio do Twitter: — O mundo lamenta a morte de Nelson Mandela, um dos maiores defensores da democracia e da igualdade da nossa história –, disse. Armas de fogo Falando em Eduardo Braga, ele é um dos integrantes da Comissão Especial de Segurança Pública, que promove nesta quarta-feira, 11, um amplo debate sobre a regulamentação de atividades potencialmente nocivas à segurança dos cidadãos, como o controle de armas de fogo e a segurança de estabelecimentos comerciais. Tijolaço Prefeitura de Manaus fechou a entrada da boate Remulos Club, na rua Lobo D’Almada, com um muro de alvenaria. O “tijolaço” aconteceu na sexta-feira. Motel não A ação é um prosseguimento da operação Centro

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

Seguro 4. E teve como objetivo impedir que a boate – que também funcionava como motel –, seja aberta sem autorização. Saúde humana A Divisão de Vigilância em Saúde (DVisa) também fechou a Remulus porque constatou risco iminente à saúde humana. Parlamento Amazônico O deputado estadual Adjuto Afonso (PP) participou, na sexta-feira, do 4º Encontro Anual do Parlamento Amazônico, O debate aconteceu na Assembleia Legislativa do Acre, em Rio Branco. Quem foi Idealizado pelo presidente do Parlamento Amazônico, deputado acriano Luiz Tchê (PDT), o encontro reuniu autoridades da Suframa e parlamentares da Amazônia Legal. Livre comércio Entre os temas debatidos no encontro, segundo Adjuto, as áreas de livre comércio nos Estados Amazônicos localizados na região de fronteira. Ele disse que a única cidade a ser beneficiada no Amazonas será Tabantiga, que faz fronteira com Letícia (Colômbia).

VAIAS

Árvore de Natal

Charge

Parreira REPRODUÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para a árvore de Natal armada na praça do Congresso, de responsabilidade da Secretaria de Cultura, confeccionada sob o signo do bom gosto e da competência.

Para o auxiliar técnico Carlos Alberto Parreira, que embarcou na onda que tenta diminuir Manaus como sede da Copa 2014, esquecendo-se que vive em um país tropical.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Histórias não registradas Conversando “miolo de pote” com a prima querida, nascida e criada no Rio de Janeiro, fora da minha vista havia muitos anos, regozijava-me com seu riso solto e ruidoso, a cada “causo” contado, todos eles ligados ao “folclore baré”, geralmente impregnado da leseira, também baré. Quebrou o ritmo do papo a sua insistente sugestão de que eram fatos que precisavam ser registrados em livro. Na verdade, acho eu, não mereceriam um livro e nem um livro os mereceria. Quem sabe, quando muito, poderiam passar de miolo de pote a miolo de um folheto de cordel, daqueles que os nordestinos produzem em abundância. De qualquer forma, como a uma prima fraterna que esteve indelevelmente presente na minha história de vida não é possível simplesmente recusar algo, cedo aqui ao seu capricho e registro alguns desses episódios hilários, a priori pedindo perdão a algum familiar dos personagens que venha a se ofender. Fique a certeza de que não houve outra intenção, senão a de agradar à prima. EPISÓDIO I – O barbeiro Colares, lá da Rua Henrique Martins, que tinha entre os seus clientes o interventor Álvaro Maia, soube que o governante viajaria à Itália e seria recebido, no Vaticano, por Sua Santidade, o papa Pio 12. Como o barbeiro tinha um filho ordenado padre, esperou a costumeira visita de Álvaro para pedir-lhe que intercedesse junto ao papa a fim de conseguir para o filho uma promoção a bispo. O “Cabeleira”, como bom político, prometeu fazer o pedido, mas naturalmente, logo esqueceu o prometido. Quando retornou, Álvaro Maia foi cobrado na primeira visita à

barbearia e não hesitou: – “Ocorreu, Colares, que quando me ajoelhei para beijar o anel do papa, S.S. passou a mão na minha cabeça e falou: – Álvaro, que cabelo mal cortado! Com isso, não tive mais condição para fazer o pedido...”. EPISÓDIO II – Gilberto Mestrinho, governador, dava uma entrevista numa televisão em São Paulo a uma jornalista e defendia a caça aos jacarés, a fim de incrementar a exportação das valiosas peles. Arguido sobre o risco de extinção da espécie, afirmou com segurança que só no lago de Nhamundá havia 38 mil jacarés. Prosseguiu a entrevista e a moça perguntou sobre os yanomamis, que já tinham sido cerca de 50 mil e hoje seriam menos de 3 mil. Foi quando o governador perguntou sobre quem tinha contado esses índios e a jornalista prontamente respondeu: – “A mesma pessoa que contou os seus jacarés”. EPISÓDIO III – Cônego Alcides Peixoto, como de praxe, escolheu um caboclo encorpado para ser o Jesus na Paixão de Cristo, que encenava anualmente na praça da Igreja, em Itacoatiara. Dadas as instruções, quando, sob o sol insuportável, antes da morte, o Cristo pediu água, o lanceiro embebeu a esponja em cachaça para dar forças ao ator, espetou-a na lança e gritou: – “Queres água, toma fel”. Jesus sugou a esponja e gemeu do alto da cruz: – “Mais fel!”. EPISÓDIO IV – Ah, prima, esqueci daquele governador que pediu sal ao Rio Grande do Norte e, ao receber em seu lugar uma carga de cal, lamentou publicamente: - “P... esqueci a cedilha”. Aí vai, querida prima, alguma coisa do que pediste. O que foi possível, depois de muito espremer, botar neste exíguo espaço.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Quebrou o ritmo do papo a sua insistente sugestão de que eram fatos que precisavam ser registrados em livro. Na verdade, acho eu, não mereceriam um livro e nem um livro os mereceria. Quem sabe, quando muito, poderiam passar de miolo de pote a miolo de um folheto de cordel”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Gigante engessada

Todos os preparativos, formação tática, logística, a preparação mesmo do torneio começa efetivamente quando você define os adversários. (...) Se eu tivesse que escolher, tecnicamente Manaus não seria sede. Turisticamente é muito bonita, mas, tudo bem, foi incluída.

O Palácio do Planalto calcula que a Petrobras enfrentará dificuldades para retomar seu ciclo de investimentos em 2014 e, por isso, teme que a credibilidade da empresa continue abalada no ano eleitoral. O governo aponta que o grande volume de recursos necessários para o início das operações no campo de Libra será um obstáculo para a retomada da produção de petróleo nas plataformas da estatal que precisaram passar por serviços de manutenção ao longo de 2013. Escalação O presidente nacional do PT, Rui Falcão, será o coordenador-geral da campanha de Dilma Rousseff à reeleição. O deputado estadual de São Paulo Edinho Silva, sondado para a tesouraria, disse que aceitará a incumbência, se for uma “missão”, mas que prefere participar da articulação política. Majestade Pelé chegou atrasado à cerimônia do sorteio da Copa de 2014, na sexta-feira, e foi até seu lugar no auditório sob uma chuva de aplausos. O ex-jogador acenou para a plateia, em agradecimento, mas não percebeu que boa parte dos espectadores aplaudia Nelson Mandela, que era homenageado no telão atrás dele. Virada Michel Temer recomendou aos dirigentes do PMDB do Paraná que abram conversas com a pré-candidata petista ao governo do Estado, Gleisi Hoffmann (Casa Civil). O vice-presidente tenta desarticular a tentativa de construção de uma aliança dos paranaenses com o governador Beto Richa (PSDB). W.O. Reservadamente, a cúpula do PMDB já admite a pos-

sibilidade de apoiar Lindbergh Farias (PT) ao governo do Rio, caso Luiz Fernando Pezão não decole até junho. Vamos ver A sigla acredita que o vice-governador será pressionado a desistir se não subir nas pesquisas após assumir o comando do Estado, em março, quando Sérgio Cabral deve deixar o cargo para tornálo mais conhecido. Gás Os comerciais da Prefeitura de São Paulo até o fim do ano devem destacar o Bilhete Único Mensal, bandeira de campanha implementada nas últimas semanas e cuja divulgação foi considerada tímida por aliados do prefeito Fernando Haddad.

Carlos Alberto Parreira, ex-treinador e atual coordenador técnico da seleção brasileira, após sorteio dos grupos para o Mundial do Brasil, disse que não escolheria a Manaus como uma das sedes para a Copa. Ele acha que é muito difícil jogar sob altas temperaturas e que “a distância também atrapalha”.

decisão abrirá espaço para que o vice Alberto Coelho, do PP, assuma o governo na reta final. Linha O PP ainda deve indicar o presidente da Assembleia mineira, Dinis Pinheiro, para vice na chapa do PSDB ao governo, que deverá ser encabeçada pelo ex-ministro Pimenta da Veiga.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Arremate Com tantas concessões, os aecistas esperam que o partido fique “solteiro” nacionalmente, sem dar o tempo de TV a Dilma. Diretórios importantes, como Rio e Rio Grande do Sul, também preferem repetir a neutralidade na disputa presidencial das últimas eleições.

Ponte O novo presidente estadual do PT, Emídio Souza, conversou longamente com Haddad na quinta-feira. O partido incumbiu o exprefeito de Osasco de ser o interlocutor com o prefeito.

Nem aí Cid Gomes (Pros) ignora a pressão de PMDB e PT para que anuncie logo o candidato que apoiará à sua sucessão no Ceará. “Não vou pensar nesse assunto agora. Quem define candidato com antecedência é oposição”.

Agulha Depois de muito hesitar, o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), foi convencido por Aécio Neves a se candidatar ao Senado. Além de ser favorito na disputa, a

Na rua Enquanto “administra a angústia” dos aliados, o governador promete vistoriar uma a uma as obras da Copa. O monotrilho não deve ficar pronto a tempo.

Tiroteio

FOTO LEITOR

Quando não havia praça nem feira na “Panair”, dava para assistir ao pouso dos “asas duras” no rio Negro, sem pagar ingresso e com a mesma emoção de quem vê a seleção da Inglaterra jogando e perdendo no “ninho de pássaro” ou “bordado de índio” ou Arena da Amazônia, num futuro próximo. Mas a praça foi criada e... nada.

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

A história de Nelson Mandela deveria levar os condenados do mensalão a pensar duas vezes antes de se dizerem presos políticos.

Imaculada

DO SENADOR PEDRO TAQUES (PDT-MT), sobre a trajetória do líder sul-africano, morto na quinta-feira, que ficou 27 anos preso por lutar contra o apartheid.

Para o cristianismo, desde os seus primórdios, sempre foi evidente que a mãe de Jesus é santa e imaculada. Podemos divergir na maneira de compreender como se deu a ação de Deus na sua vida. Para nós católicos, é dogma de fé que desde a sua concepção, a virgem mãe foi preservada do pecado que chamamos de original, realidade que todo ser humano traz ao nascer quando se torna parte da humanidade de quem recebe a natureza. Daí invocarmos Maria como a Imaculada Conceição. O Amazonas cristão nasce sob o manto da Imaculada. Desde o início do anúncio da Boa Nova nestas terras e a consequente implantação da igreja, Maria acompanhou essa cultura que se formou em meio a tanto sofrimento, exploração e extermínio, mas cheia de sonhos, de esperanças, generosidade e partilha. Nossa civilização amazônica, se assim pudermos dizer, não poderia ter outra padroeira. Somos uma terra feminina na sua exuberância, fertilidade e beleza. Natureza é nascimento, origem, fonte. As imensidões das águas que trazem vida em abundância remetem continuamente às origens, à criação, ao renascimento. Nossa proteção vem de uma mulher louvada no momento da sua concepção livre do pecado e libertadora, menina que se transforma em profetisa, humilhada que se torna bem aventurada, transformando medo em coragem e a levando a proclamar que Deus prefere os humildes, despede os ricos de mãos vazias e derruba os poderosos de seus tronos. Numa terra de figuras poderosas e de massas humilhadas

Contraponto

Easy rider Em ato no Palácio do Planalto para assinatura de decreto que regulamenta a aposentadoria de pessoas com deficiência, Garibaldi Alves Filho (Previdência) acenou para secretário-executivo de sua pasta, Carlos Gabas. — Quero agradecer ao Carlos Gabas, que foi colocado no ministério para me vigiar, mas que acabou se tornando um grande amigo – brincou o ministro. A presidente Dilma Rousseff, que passeou de moto por Brasília em agosto na garupa de Gabas, cochichou para o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN): — O Gabas está mais para Vigilante Rodoviário. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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surge a figura frágil da concebida, da imaculada, como certeza e sonho de que a humanidade sonhada por Deus é diferente daquela vivida nos porões da humanidade, e que os abusados, os vilipendiados são olhados pelo criador com o mesmo amor que preservou a sua mãe do pecado. O pecado tem limite, e esse limite é o amor redentor do seu Filho. Ele não destrói a humanidade que continua a ter forças e possibilidades de pisar sobre o dragão da maldade e destruí-lo. Nesta terra em que as mulheres indígenas no seu silêncio digno e impressionante conservaram a dignidade ultrajada pelo invasor, nesta terra de meninas abusadas e de inocência perdida, mas também de mulheres fortes, matriarcas, educadoras, magistradas, médicas, mães no sentido pleno, reina a Imaculada, ideal de vida, ligação com raízes que mergulham nas águas profundas e onde permanece o encanto, o sonho, a dignidade perdida. Dirigindo o olhar para sua imagem deixemo-nos embalar pela música e pela arte que ela suscita e peçamos que esta terra e estas águas sejam lugar de humanidade renovada, redimida, impregnada da beleza de nossas florestas e da vida de nossos rios, lagos, paranás e igarapés. Que a Imaculada Conceição não permita que nos conformemos com nada que seja menor que o sonho de uma humanidade verdadeiramente humana. O Amazonas pode ser berço de uma nova civilização como o é a flor da vitória-régia, que brota radiante e imaculada das raízes mergulhadas na lama e de folhas imensas que no reverso são espinhentas como que para vencer o mal original.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Natureza é nascimento, origem, fonte. As imensidões das águas que trazem vida em abundância remetem continuamente à criação, ao renascimento. Nossa proteção vem de uma mulher louvada no momento da sua concepção livre do pecado , menina que se transforma em profetisa”


Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

A5

CMM acumula dívida de R$ 8 mi e busca soluções

Esse valor é remanescente de um déficit herdado da gestão anterior, de R$ 23 milhões, sendo que 65% já foi liquidado TIAGO CORRÊA/DIRCOM/CMM

O aumento em mais três vagas de vereadores nesta legislatura, reajustes salariais, de verbas de gabinetes e da Ceap contribuiu com um impacto de 127% nas despesas da casa este ano RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

O

aumento em 127% nas despesas da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em 2013, sem que houvesse fundos para a inflação no planejamento orçamentário anual, já resulta no acúmulo de um déficit de R$ 8,109 milhões nas contas da casa. O sinal vermelho ameaçou o pagamento do último salário dos servidores, a ser creditado no próximo dia 23 de dezembro, que deverá ser viabilizado por meio de uma articulação financeira com a Prefeitura de Manaus. O acordo irá ajudar as contas do Legislativo municipal, mas não garantirá a liquidação da dívida até o fechamento deste ano, nem evitará expressivos cortes de gastos em 2014. Para a gestão deste ano, a CMM contava com um orçamento de R$ 101,198 milhões (4,5% da receita líquida do Município). O valor foi base para o planejamento financeiro anual da casa, mas não integrou os novos gastos que seriam anexados à folha de pagamento ao longo deste

ano. No fim de dezembro de 2012, ainda na gestão do ex-presidente da instituição, vereador Isaac Tayah (PSD), foram aprovados projetos que aumentaram em 60% as despesas referentes a verbas de auxílio, benefício e salários. No grupo de projetos-bomba aprovados nessa última sessão estavam os aumentos da verba de gabinete, que passou de R$ 40 mil para R$ 60 mil; do salário parlamentar, que subiu de R$ 7 mil para R$ 15 mil; o aumento da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), de R$ 8mil para R$ 14 mil; além do aumento da bancada de vereadores, que neste ano passou de 38 para 41 parlamentares. Os reajustes tiveram efeito cascata no orçamento da casa, visto que resultou na contratação de novos colaboradores comissionados para os gabinetes e na suplementação das folhas de pagamento. No balanço anual, os gastos com essas finalidades saltaram de R$ 38,119 milhões em 2012 para R$ 61,192 milhões neste ano, abrindo as portas para que as finan-

ças da Câmara já entrassem no ano legislativo com uma dívida de R$ 23 milhões. Em outra perspectiva, para que a CMM fechasse o ano no azul, dentro do atual quadro de gastos, seria necessário um orçamento 22,7% maior, ou seja, de R$ 124 milhões. Entretanto, o valor é acima

ORÇAMENTO

112 MILHÕES

É a previsão orçamentária da Câmara Municipal de Manaus para o exercício financeiro de 2014 do limite previsto pela Lei Orçamentária Anual (LOA). Segundo o presidente do Parlamento municipal, vereador Bosco Saraiva (PSDB), iniciar o mandato legislativo na presidência com a dívida milionária foi uma tarefa “assombrosa”. Ao longo do ano, a casa liquidou 65,2% da dívida, restando R$ 8,109 milhões. O

presidente atribuiu à quitação a um “incansável” trabalho em conjunto com as diretorias de finanças e administração, que, segundo ele, articularam cortes de gastos e o máximo de economia. Bosco afirmou que, apesar da ordem de cortar gastos ter prevalecido neste ano, alguns investimentos foram possíveis. Ele citou que houve compra de materiais de informática e admissão de concursados. “Ficamos privados de fazer investimentos, mas cumprimos com nossas responsabilidades e ainda pudemos realizar algumas melhorias e, o que parecia improvável, diminuímos o déficit”, afirmou. O diretor de Finanças da CMM, Antônio Santino, afirmou que mesmo o aumento de R$ 10 milhões no orçamento da instituição para 2014, previsto para R$ 112,5milhões, não será o bastante para aliviar as contas. Ele estima que o orçamento ideal dentro do atual quadro financeiro seria de R$ 120 milhões. Diante do cenário, Santino informou que cortes de pessoal e de investimento estão previstos para 2014.

Incremento na receita da casa Para garantir o fechamento do ano em dia com a folha de pagamento, liquidar parte da dívida e aliviar o saldo negativo de 2014, a diretoria financeira da CMM articulou com a Secretaria Municipal de Finanças (Semef) a inclusão de receitas no duodécimo repassado pela prefeitura à casa legislativa. O suplemento foi autorizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) no último dia 27 de novembro. A partir da medida, será incluso no percentual de repasse do duodécimo da prefeitura à Câmara, realizado no dia 20 de todo mês, as arrecadações com multas e juros decorrentes das receitas tributárias do IPTU, ITBI e ISS. O primeiro repasse já deverá ser do acumulado dos últimos 5 anos. De acordo com Santino, até a próxima quarta-feira o levantamento será finalizado e o primeiro repasse da verba deverá ser efetivado

ainda neste ano, garantindo o pagamento da folha de pessoal e outras contas. Bosco acrescentou que a articulação financeira deverá ainda liquidar cerca de R$ 2 milhões da dívida, restando R$ 6 milhões em décifit, que, segundo ele, serão somados com novas previsões de gastos, aumentando a dívida em até R$ 8 milhões. “Não adianta chorar agora, fui informado sobre a situação quando já não podia fazer nada, veio de outra gestão. Portanto, nós sabíamos desse desafio e vamos até o final. Em 2014, se tivermos que fazer cortes, o faremos, para garantir a nossa responsabilidade fiscal. A garantia é de que entregarei o mandato livre de dívidas”, afirmou Bosco. A reportagem procurou o ex-presidente da instituição, Isaac Tayah, para repercutir sobre a dívida deixada a seu sucessor, mas ele não atendeu às ligações telefônicas.


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Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Comissões do Senado realizaram 86 reuniões

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

O Estado é mais cego do que eu” SÉRGIO SILVA, fotógrafo que perdeu um olho após um tiro de borracha durante protesto

Dilma não cogita convidar Joaquim ao funeral A presidente Dilma já confirmou que vai às cerimônias fúnebres do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, símbolo da luta contra a intolerância racial, mas não se cogita um convite ao ministro Joaquim Barbosa, o primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal, para integrar sua comitiva. O Palácio do Planalto limitou-se a informar a esta coluna que a comitiva à África do Sul “ainda não foi definida”. Grandeza Experiente senador governista observou, sem muita convicção: “Se Dilma tiver grandeza, convida Joaquim Barbosa para a comitiva”. Incompatibilidade Como Lula já avisou que acompanhará Dilma, dificilmente Joaquim Barbosa faria parte da comitiva. Ele detesta o presidente do STF. Surpresa Lula considera Joaquim Barbosa um “ingrato” por tê-lo surpreendido com sua independência, na relatoria do processo do mensalão. Sugestão Então presidente, Lula queria nomear um negro para o STF. Joaquim Barbosa foi sugerido por frei Betto, que o conhecera casualmente. Licitação do Metrô de Fortaleza sob suspeita O Ministério Público e o Tribunal de Contas da União emitiram pareceres contrários ao vencedor da licitação de R$ 2,49 bilhões para a linha leste do Metrô de Fortaleza. O edital bilionário exige da empresa concorrente e do profissional encarregado experiência na construção de túneis

e capital de 10% do valor da obra. As empresas do consórcio Cetenco-Acciona, que venceu, não se encaixariam nos pré-requisitos. Pressa O governador Cid Gomes (PROS) se apressou para assinar o contato mesmo sem o consórcio vencedor demonstrar habilitação para a obra. Bilhões A Comissão Central de Concorrências do Ceará ignorou as exigências do edital e aprovou a proposta do consórcio e Cetenco-Acciona. Sem controle O processo recebeu parecer desfavorável da Secretaria de Controle Externo do TCU, que atestou a irregularidade na licitação. Água e óleo Na Rede, cresce a pressão para o PSB inverter chapa e lançar Marina Silva à Presidência. Aliados dela acusam Eduardo Campos de querer capitalizar votos “por osmose”, sem adotar o discurso da nova política. Pronto para briga Um poço de mágoas com PMDB por “forçar a renúncia” do mensaleiro José Genoino, a bancada do PT já levanta quatro possíveis nomes para disputar a presidência da Câmara, em 2015: André Vargas (PR), Arlindo Chinaglia (SP), Cândido Vaccarezza (SP) e Marco Maia (RS). Agiu sozinho Familiares do ex-ministro José Dirceu disseram a petistas que também foram pegos de surpresa com as notícias de que o mensaleiro ganharia R$ 20 mil para trabalhar no hotel St. Peter, cujo dono é um “laranja”.

Jornalista

Submerso Pressionado até por aliados no PSDB, o ex-governador José Serra (SP) diminuiu as agendas e viagens país afora para não azedar ainda mais as relações com a bancada e o desafeto Aécio Neves (MG). Rebordosa Além de Paulo André, zagueiro rebelde que anda mal das pernas no Corinthians, outro com problemas é Martinez, do Náutico, que tentou liderar greve por salários. O presidente do Náutico, Paulo Wanderley, avisou: “O único clube onde ele vai jogar em 2014 é o Bom Senso FC”. Economiza combustível A Polícia Federal estava na torcida que o ministro Joaquim Barbosa (STF) expedisse transferência de Kátia Rabello e Simone Vasconcelos ao presídio de Belo Horizonte junto à prisão de Vinícius Samarane. Queria aproveitar a viagem de avião para já trazer o mensaleiro. Sem noção O plenário do Senado é o refúgio dos senadores, que ficam protegidos do assédio de lobistas, pedintes e de chatos como Valmir Amaral (DF). Mas, o amigo de Renan Calheiros foi senador e aproveita o direito de acesso ao plenário para fazer lobby por CPI contra o governo do DF. Pergunta no hotel Se o gerente do hotel St. Peter ganharia R$ 20 mil, quanto recebe o laranja dono do prédio?

Ameaça de carregador Carroceiro e aspirante a vereador, Braz Batista da Silva chegou revoltado no comitê do saudoso Marcos Freire, à procura de Bayron Sarinho, que o contratara para carregar “espontaneamente” o senador nos comícios. - Dr. Byron, se não me pagar hoje, não carrego mais. E se não pagar certo daqui pra frente, eu jogo o senador no canal, em Casa Amarela... Marcos Freire perdeu a eleição, mas Braz recebeu o dele.

NO BRASIL

Eleitores filiados são 15 milhões A legenda com o maior número de filiados é o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB): 2.355.183 (15,42%) inscritos. O Partido dos Trabalhadores (PT) ocupa a segunda posição, com 1.589.574 (10,41%) filiados. As agremiações que têm o menor número de inscritos são as duas que conseguiram o registro no TSE em 24 de setembro deste ano: O Solidariedade conta com 4.808 (0,031%) filiados e

DIVULGAÇÃO

De plantão O deputado mensaleiro Pedro Henry (PP) obrigou seu advogado, José Antônio Alvarez, a dar plantão neste fim de semana em Brasília após parecer da Procuradoria-Geral da União pedindo sua prisão imediata.

PODER SEM PUDOR

Já está disponível no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sistema Filiaweb, a lista com os dados atualizados dos 15.264.775 eleitores filiados a partidos políticos até outubro deste ano. A filiação é uma das exigências para se concorrer às Eleições 2014. Além dos nomes dos eleitores filiados, as relações contêm a data de filiação e o número dos títulos e das seções eleitorais em que cada um está inscrito.

Dados são referentes ao mês de novembro deste ano, cujo levantamento é feito pela secretaria-geral da mesa diretora

o Partido Republicano da Ordem Social (PROS) filiou 4.461 (0,029%) eleitores. Os partidos encaminharam a lista de filiados ao TSE em outubro, como determina a lei nº 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos). Após receber a relação dos filiados, a Justiça Eleitoral pesquisou as duplicidades, ou seja, identificou as pessoas que estavam ligadas a mais de uma legenda, o que não é permitido pela legislação eleitoral.

Senadores se dividiram, este ano, entre as sessões plenárias e os debates nas comissões da casa

U

ma proposta que facilita a formação profissional e a contratação de adolescentes carentes está entre as 132 matérias aprovadas em uma das 86 reuniões realizadas pelas comissões permanentes e subcomissões do Senado em novembro. De acordo com a resenha mensal elaborada pela secretaria-geral da mesa, por meio da Secretaria de Comissões (SCOM), entre as 86 reuniões, 41 foram audiências públicas para discussão de temas diversos. Nesse mesmo período, 69 requerimentos foram aprovados. Das 132 matérias apreciadas nesse período, 50 foram em decisão terminativa e seguem direto para análise da Câmara ou sanção da Presidência da República, sem a necessidade, portanto, de serem apreciadas em plenário, a não ser que haja recurso nesse sentido de pelo menos nove senadores. No total acumulado do ano legislativo, ou seja, de 4 de fevereiro a 30 de novembro, as comissões e subcomissões

permanentes realizaram 646 reuniões, entre elas 298 audiências públicas; e analisaram 1.076 matérias (459 delas em decisão terminativa) e 706 requerimentos. O projeto que facilita a formação profissional e o emprego para adolescentes carentes (PLS 352/2008) dá prioridade na concessão de vagas na aprendizagem de adolescentes em situação de risco social e pessoal, em cumprimento de medidas socioeducativas e para aqueles cujas famílias sejam atendidas pela assistência social devido à condição econômica. Ainda na área do trabalho, várias outras propostas foram aprovadas em novembro, entre as quais a que concede aposentadoria especial aos 25 anos de serviço ao trabalhador da construção civil, desde que tenha atuado em condições que prejudiquem sua saúde ou integridade física (PLS 228complementar); e a reserva de vagas para mulheres vítimas de violência doméstica nos cursos técnicos oferecidos pelos

serviços nacionais de aprendizagem do Sistema S (PLS 233/2013). Foi aprovada ainda matéria que autoriza empregadores pessoas físicas a formar consórcio para contratação de trabalhadores no meio urbano (PLS 478/2012). No setor de Educação, as comissões aprovaram o Plano Nacional de Educação (PNE), para melhorar o ensino no país e erradicar o analfabetismo (PLC 103/2012). Entre as várias propostas aprovadas nesta área, destacam-se ainda a dedução, do custo total do curso superior, da parcela referente à disciplina não cursada ou cursada com aprovação, cujos créditos foram aproveitados (PLS 314/2012); o incentivo às cidades que celebrarem convênios para a qualificação profissional de beneficiários do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) que não estejam no mercado de trabalho (PLS 9/2010); e o acesso universal da comunidade às bibliotecas públicas, e não só aos alunos da instituição geralmente responsável pelo acervo (PLS 156/2013).


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

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Pedro PAULO

‘Em 10 ANOS A CIDADE será melhor”

FOTOS: DIEGO JANATÃ

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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Depois que o anteprojeto chega à Câmara, você tem que fazer uma análise diferente. É preciso montar toda uma metodologia, inclusive das próprias audiências, só que já baseado em um anteprojeto de lei. No Executivo, você não tem esse anteprojeto”

arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro está por dentro do polêmico projeto do Plano Diretor, cuja discussão aflora os sentidos dos parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Há dez anos como funcionário do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), o arquiteto de 44 anos, que já passou por vários setores do órgão, como a própria vicepresidência, foi colocado à disposição da Câmara para coordenar a revisão da propositura. De acordo com ele, embora o Plano seja definido, os resultados devem ser conquistados apenas em 10 ou 20 anos e a partir do planejamento e implementação por parte dos poderes públicos e também da contribuição da população. “Somente assim será possível daqui a 10 anos termos uma cidade diferente e melhor”. Em entrevista ao Amazonas Em Tempo, Pedro contou um pouco sobre a profissão, tão importante para a resolução de problemas de questão urbana. Por sinal, é justamente a experiência que o permite acreditar que tanta a questão de mobilidade urbana, como déficit habitacional, devem ter seu esclarecimento. “Eu não posso como profissional, arquiteto e urbanista, dizer o contrário”. EM TEMPO - Como foi esse trâmite para o senhor ser cedido à Câmara? Pedro Paulo - Na realidade, o processo do Plano Diretor iniciou em 2009, na gestão do Bosco Saraiva, que era o presidente do Implurb à época. E eu acompanhei todo o processo. Não só participei com a equipe como um todo, organizamos as audiências, questão da metodologia, que foi em conjunto com a Fucapi. E aí deram todas essas audiências e por fim, agora na gestão do atual prefeito, o próprio presidente da Câmara (Bosco Saraiva) me convidou para fazer parte desta coordenação. E como eu acompanhei todo o processo e sei das histórias, da questão da documentação, do que existe. Então, logicamente, aceitei até mesmo por ser um trabalho um pouco diferente do que eu estava acostumado. EM TEMPO - E quais eram essas diferenças? PP - A diferença é que depois que o anteprojeto chega a Câmara, você tem que fazer uma análise diferente. É preciso montar toda uma metodologia, inclusive das próprias

audiências, só que já baseado em um anteprojeto de lei. Até então, no Executivo, você não tem este anteprojeto. Nós temos uma lei vigente e através das audiências você vê o que realmente consegue filtrar ou encaixar. No Legislativo não. Você já tem esse anteprojeto e trabalha em cima dele. E está sendo uma experiência interessante porque você começa a ver as outras nuances, que é exatamente esta questão do Legislativo, a discussão dos vereadores com a comunidade e com os grupos que têm. Cada grupo defende o seu interesse. EM TEMPO - Mas como isso influencia no seu trabalho, especialmente quando o senhor veio do Executivo e as bancadas se dividem em oposição e governistas? PP - Aí é que está o desafio. É exatamente você equilibrar e conseguir pesar e analisar o que vai ser melhor para a cidade. Que cada grupo tem seu interesse, isso é fato, mas você tem que analisar e, lógico, ver o que vai impactar de positivo ou negativo na cidade, na questão da legislação. Porque não adianta criar uma legislação que não vai ser cumprida, como diversas leis que já existem por aí. E a segunda questão se refere ao fato de que nós sempre queremos o melhor plano para a cidade. Mas se você não aplicá-lo realmente e segui-lo, tanto gestores quanto cidadãos comuns, não vai adiantar de nada. As pessoas exigem demais, mas assim como se exige tem que dar uma contrapartida. Por exemplo, você não deve ocupar calçadas com nada, tem que deixá-la livre. Você tem que cuidar da calçada pela lei, no Código de Posturas. Mas as pessoas não cuidam, ocupam a calçada, fazem de estacionamento, colocam qualquer tipo de mobiliário, de empecilho. Então o que eu quero dizer é que, para termos uma cidade melhor, nós precisamos ter uma legislação muito bem amarrada. Mas, nós temos que ter pessoas que vão dar prosseguimento, realmente obedecer, aplicar e implementar. Porque o nosso Plano é muito bem estruturado. Muitas pessoas falam diversas coisas, mas ele é muito bem estruturado, foi o primeiro Plano após a criação dos Estatutos das Cidades (Lei 10.257, de 10 de julho de 2001, que regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal e estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras previdências). Em 2001 o estatuto foi sancionado e logo em 2002 nós tivemos o nosso Plano. Agora é uma revi-

são, nós não estamos criando um novo Plano. É isso que as pessoas têm que entender. Já se passaram pouco mais de 10 anos. A cidade mudou. Nós temos um problema gravíssimo de mobilidade, o déficit habitacional é muito grande. Mas acredito que todos esses problemas podem ser resolvidos. Eu não posso como profissional, arquiteto e urbanista, dizer o contrário. EM TEMPO - Que tipos de projetos poderiam vir a Manaus para solucionar a questão de mobilidade urbana? PP - Uma coisa que eu acredito é que primeiramente tem que se fazer um plano de mobilidade. Aprovado o Plano Diretor, um dos primeiros planos que devem ser feitos é exatamente este de mobilidade e o do Centro Histórico. Na verdade não é que sejam os mais importantes, mas devem ser feitos por primeiro porque a problemática é muito grande. Partindo do princípio do plano de mobilidade, então você tem que começar a planejar e implementar. E o que acontece e as pessoas não entendem, que planejamento urbano você não consegue fazer em um ano, em dois anos. Você consegue ter resultados em dez anos, vinte anos. Isto é fato. O Plano de mobilidade tem que ser seguido à risca e existem diversas experiências, não sé no Brasil como no mundo. Você me perguntou de qual tipo, mas eu só posso garantir que tem que ser um tipo de transporte massivo, no qual você tem que transportar um número X de pessoas. No caso de implantar o BRT [Bus Rapid Transit], que significa um transporte coletivo com sistema de metrô, ou seja, com horários bem definidos, precisa ter primeiro uma via segregada, porque os ônibus biarticulados precisam manter uma velocidade regular. Por que no metrô você consegue marcar exatamente a hora? Porque ele não tem obstáculo, ele vai de estação a estação livre. Aí é que está a sacada do BRT. Por exemplo, por que não funcionou na época do Alfredo, porque não fizeram a via segregada e não implantaram o sistema. O que é implantar o sistema? O mesmo sistema que tem no metrô, lógico com as devidas proporções, você vai ter que implantar no BRT, para saber a questão de horários, onde estão as ultrapassagens, qual o biarticulado ou triarticulado que pode ultrapassar o outro, com um sistema georreferenciado.

EM TEMPO – O novo Plano Diretor ainda não foi aprovado, mas existem obras da prefeitura que estão em andamento, como as calçadas da Djalma Batista. Isto não pode comprometer a proposta que ainda vai ser definida? PP - Isto não compromete porque o Implurb, como instituto de planejamento, tem esta prerrogativa de planejar. Então o que está sendo executado segue as normas, onde você deixa uma faixa acessível, encaixa as rampas, deixa a área verde. Tudo isso porque não adiantaria nada a prefeitura pregar uma coisa na lei e fazer outra. Posso garantir que estes projetos estão exatamente adequados conforme o que está se pregando. EM TEMPO - O prefeito, Arthur Neto, defendeu a verticalização da cidade e declarou que era “contra a provincianização de Manaus”. Qual a sua avaliação sobre este assunto, que se transformou em uma polêmica? PP - Eu vou ser bem sincero. Eu estou muito seguro quanto à questão do gabarito dos prédios. Tenho dúvida nenhuma que tem que ser de 25 pavimentos. As pessoas dizem que queremos transformar Manaus em um paredão de concreto, mas isso não é verdade, porque temos uma coisa chamada afastamento: onde, se eu construo um prédio aqui, vou ter que deixar uma distância para o outro de tantos metros. Isso para mim é mito. Outro mito é que vamos começar a construir tanto que iremos transformar Manaus em ilhas de calor. Isso também é mito porque Manaus já está uma ilha de calor, nós não vamos transformá-la, ela já está. Vou dar um exemplo muito claro: ande meio-dia na Getúlio Vargas e no mesmo horário na André Araújo. Para se ter uma ideia, em toda a extensão da André Araújo temos seis prédios, somente seis, e é uma ilha de calor. E o que se explica isso: simples, é arborização e não o gabarito. E outra coisa, para implantar um prédio não pode ser em qualquer terreno, tem que ser um adequado o suficiente para implantar uma torre, porque você implanta uma torre e deixa um afastamento de um lado e de outro. Então não é qualquer lote. Para construir um prédio, o lote tem que ter no mínimo 40 metros de largura. Então jamais teremos um prédio um do lado do outro. É só observar a Ponta Negra, que tem vários prédios.

Tem que se fazer um plano de mobilidade. Aprovado o Plano Diretor, um dos primeiros planos que devem ser feitos é exatamente este de mobilidade e o do Centro Histórico”

Estou muito seguro quanto à questão do gabarito dos prédios. Tenho dúvida nenhuma que tem que ser de 25 pavimentos. Dizem que queremos transformar Manaus em um paredão de concreto”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

RICARDO OLIVEIRA

Proposta quer movimentar o lazer no Centro Economia B4 e B5

Duplicação de rodovia prejudica empresários IONE MORENO

Eles reclamam que obras de revitalização da AM-070, em Iranduba, comprometem negócios instalados ao longo da estrada

A

ntes da “chegada do progresso” com a duplicação da rodovia estadual Manoel Urbano (AM-070, que liga Manaus aos municípios de Iranduba e Manacapuru), os empreendimentos instalados nos limites da estrada sofrem os primeiros impactos da mudança. Ao “ceder” uma parte de seus terrenos ao governo estadual, alguns empresários passaram a conhecer a face perversa do desenvolvimento, amargando os prejuízos de início das obras. A indústria LAM Látex da Amazônia Ltda., primeira fábrica de preservativos do Amazonas, foi uma das “vítimas”. A obra comprometeu uma parte pequena do terreno, justamente onde estava localizado o galpão da empresa, o que resultou na paralisação da produção, com capacidade de 4,5 milhões de camisinhas por mês. “A fábrica foi desapropriada. Não tem mais utilidade industrial”, informa o gerente-geral do lugar, Marcos Sales. Ele comenta que a empresa ainda conta com uma fatia do terreno de aproximadamente 6,5 hectares, que deve ser utilizada para a construção de um novo depósito. Entretanto, os dirigentes esperam o cumprimento da promessa da presidente Dilma Roussef sobre a ampliação dos benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM) à Região Metropolitana de Manaus (RMM). “Se isso acontecer,

como ainda temos a área remanescente, vamos nos instalar no nosso terreno. Caso contrário, vamos para Manaus”. O terreno da Cerâmica João de Barros que teve que ser desapropriado para o andamento do projeto, compreendia 50% dos fornos da fábrica, explica um dos quatro sócios-proprietários da

ORIENTAÇÃO

Conforme informações da assessoria da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), devido ao excesso antecipado de chuvas, o ritmo de obras está reduzido, mas há prioridade na terraplenagem empresa, Henrique de Oliveira Silva. Segundo ele, a olaria tinha uma capacidade de produção de 800 milheiros por mês. Henrique, também salienta que existe o problema de acesso que dificulta até mesmo a entrada de material como lenha, necessária para o funcionamento dos fornos. Ele ressalta que o Estado indeniza os terrenos desapropriados, mas, ainda assim, o valor pago não representa as despesas reais resultantes da redução do lugar. Diante dos percalços da obra a produção está paralisada desde outubro e deve manter o cenário até janeiro, em virtude do período antecipado de chuvas. Por sinal, todo este transtorno resultou na redução

da mão de obra da fábrica, que perdeu aproximadamente 50% dos seus funcionários, de 49 ficaram 23. “A empresa faz sacrifícios, continua pagando esses restantes que sobraram em virtude de todo dinheiro que já foi investido. São trabalhadores com 4 a 5 anos de empresa, que foram treinados por nós”, pontua. A esperança é que o projeto seja concluído rapidamente para dar oportunidade a “colher os louros”. Embora detalhe que essa fase inicial é de bastante angústia, Henrique acredita que será beneficiado quando a obra for concluída, tanto economicamente quanto mercadologicamente. Ritmo de obras A rodovia faz parte da estratégia para o escoamento da produção dos municípios de Iranduba (a 27 quilômetros da capital), Manacapuru (a 69 km) e Novo Airão (a 115 km). Do trecho da cabeceira da ponte Rio Negro até Manacapuru, a estrada Manoel Urbano terá 78 quilômetros duplicados. As obras iniciaram em abril. O primeiro trecho da fase inicial compreende a saída da ponte Rio Negro até a entrada de Iranduba, com a realização de serviços de topografia, drenagem, lançamento de tubos e a terraplenagem para nivelamento da pista antes da pavimentação. Os primeiros 15 quilômetros de trecho da intervenção foram liberados para operação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan),

‘Plano B’ para fugir do prejuízo A proprietária da São Francisco Materiais de Construção, Ivanete Torres Ferreira, declara que a ausência de um acesso dificulta os clientes de entrarem no estabelecimento, especialmente nesta época de chuvas. A loja de 11 x 12 metros quadrados foi destruída e teve que ser reerguida em um ambiente menor, na parte de trás do terreno, reduzindo em pelo menos 30% a capacidade de estoque de material. Ela explica que a estrutura provisória foi construída 17 dias antes

da data prevista para derrubada da loja, devido ao aviso do poder público. Segundo Ivanete, como muitos clientes desconhecem o novo espaço, as vendas tiveram um recuo. “Não tem espaço para colocar todas as mercadorias para vender e, além disso, nossos clientes pensam que estamos com as portas fechadas, já que a loja derrubada ficava de cara para a pista e esse improviso fica na parte traseira do lote”, lamenta. O proprietário do balneário Nascente, no km 14, Rober-

to Duarte, o “Biti”, também reclama dos impactos desta fase inicial. Segundo ele, o estacionamento do lugar virou uma lama e parte das águas também foram tomada pelo barro. Do terreno de 186 metros x 176 metros, ele perdeu 186 metros de frente por 35 de fundo com a desapropriação. Na tentativa de manter os clientes, Biti investe em chuveiros, mangueiras e rampas para auxiliar os banhistas, o que resultou no gasto da indenização, em torno de R$ 50 mil. IONE MORENO

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

Material de construção: clientes não param por acreditar que o lugar fechou as portas


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Agricultura familiar terá aporte para infraestrutura A

proximadamente R$ 640 mil serão destinados a associações e cooperativas de agricultores familiares de seis Estados para investir em infraestrutura. O montante é da primeira parcela dos recursos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do primeiro edital de chamada pública do acordo entre a instituição e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O valor irá contemplar 13 associações e cooperativas de São Paulo, Piauí, Amapá, Goiás, Amazonas e do Paraná. Nos próximos dias, a Conab fará um novo pedido de liberação dos recursos para o BNDES. Serão pelo menos R$ 740 mil para atender outros 15 projetos contemplados. Parceria O acordo entre Conab e BNDES tem por objetivo apoiar projetos que contribuam para o fortalecimento social e econômico de organizações produtivas rurais de base familiar, fornecedoras de alimentos para o Programa de Aquisição de

Alimentos (PAA) ou para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Também podem participar organizações que operam a Política de Garantia de Preço Mínimo dos Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio). Neste caso o projeto apresentado deve envolver produtos alimentícios.

ACORDO

Conab e BNDES irão investir R$ 15 milhões no fortalecimento da produção rural de base familiar, conforme o segundo edital de chamada pública relativo ao acordo entre as duas instituições

O primeiro edital de chamada pública do acordo recebeu a inscrição de 1.633 projetos de todo o país. Nesta primeira etapa, estão sendo liberados R$ 5 milhões para investimentos em infraestrutura, incluindo a compra de equipamentos, itens de armazenagem, veículos, estruturação, entre

ARQUIVO EM TEMPO

Treze associações e cooperativas de seis Estados, entre eles, o Amazonas, receberão parcela de em torno R$ 640 mil outros. Cada associação obterá apoio não reembolsável de até R$ 50 mil. Edital O segundo edital de chamada pública relativo ao Acordo de Atuação Conjunta entre Conab e BNDES foi anunciado semana passada, na Ilha de Marajó, no Pará. O edital, que será publicado nos próximos dias, prevê duas faixas de apoio: uma de R$ 70 mil, destinada apenas a produtores familiares de base agroecológicas e a associações e cooperativas formadas exclusivamente por mulheres; e outra de R$ 50 mil, voltada para os demais interessados. Recursos Nesta segunda chamada, os recursos estão vinculados à quantidade de beneficiários que o projeto irá atender. Os recursos devem ser aplicados para solucionar gargalos operacionais das organizações produtivas, permitindo expandir suas atividades, aprimorar as condições de trabalho no meio rural e proporcionar ampliação da renda dos produtores.

Agricultores do Estado estão entre os contemplados com liberação de verbas para plantio local

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

O pesadelo do sofisma fiscal Na Grécia antiga, os sofistas se destacaram por recorrer à Sofia - o conhecimento, o saber, a sabedoria... - para desenvolver a falácia, um raciocínio capcioso para induzir o interlocutor ao engano. Trata-se de um silogismo aparente usado para defender algo falso e confundir o contraditor. Platão recomendava manter a vigilância para não confundir sofisma, o silogismo aparente, com os paralogismos que decorrem da ignorância, enquanto a sofística é vetor. Aos sofistas não interessa esclarecer, apenas doutrinar e impor seus dogmas. A reflexão se depreende do Pesadelo Fiscal, de Ricardo Mioto, publicado na Folha de São Paulo, do último dia 6, ao pontuar e parear a Zona Franca de Manaus com o Simples: as duas das principais formas de desoneração do governo federal. O Simples, porém, segundo Mioto, beneficia muito mais trabalhadores do que a ZFM. Ele baseia sua falácia nos estudos do economista José Roberto Afonso, que presta serviço ao Senado Federal nos momentos em que é preciso demonstrar aquilo que o jogo politico daquela Casa prioriza. Na contabilidade do tal sofisma, “cada emprego gerado pela zona franca nas fábricas de Manaus custa impressionantes R$ 191 mil em renúncia fiscal ao ano. Em comparação, esse valor é

de R$ 2.800 no caso do Simples.” A partir dessa premissa falaciosa, a con clusão é a mesma que recomenda e insiste no repensar da Zona Franca de Manaus. É um jogo de cartas marcadas, que emerge em clima de turbulências ou de aparente calma, a dos pântanos. Basta conferir o boicote articulado por interesses inominados para protelar a liberação do PPB, na burocracia federal, o ritual que (des) autoriza o manual de instrução do processo produtivo para as empresas usufruírem de benefícios fiscais da ZFM. Um boicote sombrio, de servidores de terceiro escalão, que se consideram mais real que o Rei e mais legal que a Lei e estão a serviço sabe-se lá de quem. Os dados da Receita Federal sobre a renúncia fiscal do país são eloquentes e contundentes. Por região geográfica, na Amazônia, 2/3 do território nacional, com todos os incentivos regionais, onde há mais necessidade de investimento para aliviar as disparidades econômicas do país, a renúncia fiscal em 2012, foi de 17,9%, equivalente a R$ 26, 02 bilhões. No Sudeste, com 48,4% o ralo da renúncia consome R$ 70,65 bilhões no mesmo ano. A mesma disparidade se constata na distribuição de verbas do BNDES para manter os atuais patamares de desigualdade regional. É

o mesmo BNDES que, há cinco anos, embroma a distribuição dos recursos do Fundo Amazônia, constituído em 2008, com o objetivo de captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento, combate ao desmatamento, promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia. São quase 300 consultores – a maioria distante da realidade local - para desfiar uma lista infinita de restrições de uma burocracia perversa. Na lista dos impedidos com projetos vitais estão INPA, Embrapa, entre outras instituições empenhadas em reduzir o distanciamento federal e a indiferença crônica. Este sim é um pesadelo, o do descaso. Em cinco anos, menos de 20% de desembolso e mais de um ano para responder por que não apoia determinados projetos. É mais fácil descolar recursos para o ag ronegócio ou mineração na Amazônia que projetos de economia sustentável. O raciocínio de combate à Zona Franca alega sustentação nos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), para afirmar que a mãode-obra ocupada efetiva d 110.830 pessoas em agosto, em agosto último, custa R$ 119 mil/por emprego, para a renúncia fiscal envolvida. O sofisma não abate do custo de cada funcionário os

54% de repasse aos cofres federais de toda riqueza produzida na ZFM, segundo estudos da FEA/USP. A falácia do montante da renúncia fiscal dividido pelo número de empregos ignora a história, o alcance e a efetividade dos benefícios da ZFM. E omite que não há custeio público na ZF M, há renúncia, onde o governo deixa escapar por um lado sua compulsão arrecadatória e ganha por outro, fazendo da renúncia medida compensatória aos próprios cofres, numa operação fácil e tecnicamente demonstrável. Parece não interessar na demonstração do silogismo aparente do pesadelo fiscal que Manaus, sozinha, comparece com quase 60% dos impostos recolhidos pela União na Região Norte. E o Amazonas é um dos 8 estados da federação que mais recolhe do que recebe recursos. A exportação de recursos para União Federal arrecadou em 2012 R$ 8.958,75 bilhões e recebeu de volta apenas R$ 2.535,89 bilhões, uma informação que escapa aos desafetos da ZFM. As empresas só passam a usufruir dos benefícios fiscais a partir do momento em que seus produtos entram n o mercado. A Zona Franca é de Manaus, mas ela atua em toda a Amazônia Ocidental e inclui AmapáSantana, área em que são aplicados os

incentivos da sigla ZFM. E que R$ 18 bilhões são arrecadados em forma de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). A rigor , a renúncia fiscal real seria de apenas R$ 6 bilhões. A ZFM não beneficia só o Amazonas, mas o Brasil, os brasileiros que consomem os produtos fabricados aqui. Portanto, é preciso rever o discurso raivoso da renúncia, e olhar de outro prisma a paranoia da prorrogação. E se as empresas aqui instaladas, comprovadamente arrecadam menos que em outros arranjos industriais do país, elas patrocinam duas vezes o orçamento da UEA, no fundo criado para sua manutenção, pagam os programas regionais de Pesquisa e Desenvolvimento e os fundos estaduais de turismo e fomento municipal, que permitiram, por exemplo, financiar os projetos de cadeias produti vas no interior. São mais de R$ 2,3 bilhões de investimentos, entre P&D, Universidade, turismo e programas de agroindústria para população ribeirinha. É, pois, nesse contexto, que inclui a guarda do bioma amazônico, irrisório, muito discreto o peso da tal renúncia. Por tudo isso e a partir dessas premissas objetivas, a quem interessa a demonstração falaciosa desse pesadelo da difamação fiscal?

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaista

Este sim é um pesadelo, o do descaso. Em cinco anos, menos de 20% de desembolso e mais de um ano para responder por que não apoia determinados projetos


Economia

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Alimento saudável pesa no bolso do manauense

ALEXANDRE FONSECA

Quem opta por uma alimentação mais balanceada muitas vezes acaba pagando mais caro que os pratos tradicionais

O empresário Márcio Villas com algumas das opções do Suco Saúde, que alia preço e sabor

JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

P

erder peso, manter a forma e garantir uma vida saudável não é nada fácil. Somado aos desafios do exercício físico, quem quer fazer as pazes com a balança tem que mudar radicalmente a alimentação, atitude que além de complicada pode pesar no bolso, principalmente para as pessoas que se alimentam fora de casa. A troca dos “fast food” como sanduíches, pizzas e refrigerantes para alimentos mais naturais, como pães, massas e cereais integrais, sucos naturais de frutas e pratos com saladas variadas pode sair até pelo dobro do preço e emagrecer a renda mensal. A comerciante Raycilene Alves, 49, que há sete, resolveu mudar a alimentação para um cardápio mais saudável, conta que precisou adequar além dos costumes, os gastos do dia a dia. “A primeira mudança foi parar de almoçar na rua e passar a fazer as refeições em casa. Quando não tem jeito e preciso fazer um lanche fora de casa, opto por sanduíches

naturais com pão integral e salada de frutas, opções estas que podem sair até 30% mais caras se comparadas com os lanches de rua tradicionais como coxinha e x-salada”, compara a comerciante. Na busca por mais qualidade de vida, ela relata que foi preciso levar as mudanças para dentro de casa. Marido e filhos, e até mesmo parentes próximos entraram na “onda” da alimentação natural. “Para eles me acompanharem, mudei o cardápio das refeições. O café da manhã que saia em média por R$ 25, com a compra diária de pães, queijo e presunto, por exemplo, ficou um pouquinho mais caro, em torno de R$ 30 a R$ 35 com a substituição por frutas frescas, sucos naturais e shakes”, destaca Raycilene. A cabeleireira Gláucia Valentim, 35, também mudou radicalmente a dieta dela e da família e lembra que no início o orçamento mensal dobrou, passando de R$ 400 para R$ 800. “Precisei incluir na lista de compras, arroz e macarrão integral, proteína de soja, mais frutas como limão e abacaxi e muitas verduras para salada,

que em Manaus, nem sempre são baratas”, observa. Em contra partida, Gláucia diz que a nova alimentação, eliminou outros gastos. “Nós gostávamos muito de ir à churrascaria, programa que não saia por menos de R$ 150 a cada final de semana. No fim, acredito que um gasto compensou o outro, com

MARMITA

Uma opção para quem quer economizar no bolso e garantir uma comida ideal - mas desde que disponha de tempo suficiente -, é a de preparar a própria marmita para levar para o trabalho a diferença de que agora a saúde da minha família está garantida”, comemora. Valor dobrado A nutricionista Socorro Carvalho, que acompanha de perto pacientes em busca de mais saúde, estima que uma alimentação balancea-

da e rica em vitaminas sai pelo menos 50% mais cara e pode chegar a um valor 100% maior, dependendo da marca dos produtos adquiridos. “Almoçar em um restaurante do tipo ‘self-service’ é bem mais barato, mas é pobre em opções. Já um prato de salada, em um lugar especializado, com variedade de legumes e verduras não sai por menos de R$ 20. A compra do supermercado também pode dobrar com as substituições dos produtos. Ou seja, quem quer ter saúde, desembolsa mais, seja comendo em casa ou na rua”, pontua. Uma saída, indicada pela especialista é procurar feiras de produtos orgânicos espalhadas pela cidade, para suavizar os gastos do mês. Optar por restaurantes que oferecem opções mais lights no cardápio, também é outra solução apontada pela nutricionista. “Para quem tem um tempinho a mais disponível, uma boa alternativa é a chamada ‘marmita’. Preparar o próprio alimento e levar para o trabalho pode ajudar a garantir a saúde e a economia no mês”, sugere.

Opções saudáveis e viáveis De olho na crescente demanda de manauenses que buscam um corpo mais saudável, mas com uma rotina agitada o proprietário do Suco Saúde, Márcio Villas, inaugurou há três meses, no conjunto Vieiralves, um espaço onde o cardápio é leve também para o bolso. No local que atrai até 90 pessoas por dia, é possível encontrar pratos promocionais como o que leva 100 gramas de filé de frango e três opções por R$ 11 ou um prato de salada em camadas por R$ 14 e os sucos que dão nome ao lugar como o “adeus gripe” e o “suco para o colesterol”, por R$ 9 (copo de 400 ml). Ele conta que a ideia surgiu depois de uma pesquisa de mercado em Manaus, na qual verificou que este ramo era escasso ou muito caro, na cidade. Entre os diferenciais do negócio, Márcio relaciona o cardápio criado por uma nutricionista e a opção do

cliente de levar o receituário médico para que o restaurante prepare a dieta. Para quem não tem tempo nem mesmo de ir a um restaurante ou preparar a comida em casa, o biólogo Felipe Guimarães, oferece o “Almoço de Amanhã”. O pedido pode ser feito no dia anterior pelo Facebook ou pelo e-mail querorango@gmail. com, até as 9h do dia da entrega. Os pratos são vegetarianos e cada dia da semana possui uma opção diferente. As quentinhas são individuais e custam R$ 10. Felipe teve a ideia após ouvir as reclamações de amigos sobre a falta de opções mais saborosas e menos pesadas de almoço em Manaus. O empreendedor possui 250 clientes cadastrados e faz uma média de 10 entregas por dia. Por enquanto, elas se restringem ao bairro Coroado, avenida André Araujo e Ephigênio Sales (V8).


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Economia

Proposta quer ‘a Emenda ao Plano Diretor pretende atrair turistas e movimentar a economia da área central de Manaus com novos bares, restaurantes, cinemas e casas de shows JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

O

centro de Manaus poderá ganhar uma área especial repleta de bares, restaurantes, casas de shows, teatros e até cinemas. A ideia integra duas emendas para compor o Plano Diretor da cidade e promete, além de dar vida à área central da capital amazonense, movimentar a economia local. De acordo com a proposta, os empresários, em especial do setor de bares e restaurantes de Manaus podem ser beneficiados com a isenção parcial ou total de tributos municipais – como o Imposto sobre a Propriedade Territorial e Urbana (IPTU), o Alvará de Funcionamento e o Imposto Sobre Serviços (ISS) – para se instalar nas ruas paralelas e transversais à avenida Epaminondas, e movimentar o comércio de entretenimento da referida área. De autoria do vereador Edinailson Rozenha, a proposta pretende transformar o Centro de Manaus em um reduto de entretenimento seguindo o exemplo de outras capitais do país, como é o caso de Vila Madalena (SP) e a Lapa (RJ).

“Se der certo, vamos incentivar o retorno do empresário a um Centro revitalizado, movimentar o turismo e também levar o manauense para se divertir na área central, tudo isso gerando emprego e renda para a população”, defende. Ele conta ter desenvolvido o texto das emendas após observar o novo “fôlego” dado à rua Japurá, no Centro, após a instalação de dois bares no local. “Os bares, literalmente, mudaram a cara do lugar e caíram no gosto de turistas e também da população local”, observa. A idéia tomou forma em outubro deste ano, quando foi definido o quadrilátero formado pelas Ruas Japurá, 7 de Setembro, Luiz Antony e Getúlio Vargas para a fixação dos empreendimentos interessados e aguarda aprovação para concessão dos benefícios e regulamentação das regras até o próximo dia 18 deste mês. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (AbraselAM), Janete Fernandes aprova a iniciativa, mas faz algumas considerações. Segundo ela, a área escolhida pelo parlamentar é muito extensa e pode dificultar a concretização do

projeto. “Acho que uma única rua ‘gourmet’, com restaurantes de diferentes culinárias, seria um ponto de partida razoável, como forma de teste. Mas a intenção de movimentar o Centro e sua economia é muito positiva”, opina. Outro ponto que precisa ser acertado com mais clareza, ressalta Janete, é a questão dos incentivos oferecidos. Ela calcula que 32% do faturamento de um estabelecimento do setor de bares e restaurantes é direcionado para o pagamento de impostos. Entretanto, ela pontua que as isenções oferecidas apresentam vantagem relativa ao empresariado. “Os tributos que mais pesam são os federais e o estaduais como os 11,9% do ICMS e os 20% de INSS na folha de pagamento”, pondera. Ela destaca ainda o alto preço do aluguel na área, e questões de infraestrutura que precisam ser resolvidas como segurança, iluminação e áreas para estacionamento. “O Centro é problemático em todos esses quesitos e além deles há o custo para a abertura do negócio em si, que custa em média R$ 1 milhão, para um restaurante que empregue 50 funcionários, por exemplo”, detalha.


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Turismo principal beneficiado

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Amazonas (Abih-AM), Roberto Bulbol, salienta que se der certo, a proposta vai criar os chamados corredores turísticos, ordenando o Centro e beneficiando os hóspedes dos hotéis e a classe empresarial. “Se o poder público incentivar o empresário do setor de alimentação a voltar ao Centro, a iniciativa vai ‘puxar’, a abertura de outros negócios, como teatro, casas noturnas e até cinemas”, observa. Para Bulbol a medida enal-

tece o turismo, tendo em vista que 60% das unidades habitacionais – quartos - dos hotéis de Manaus estão localizadas no Centro. “É um público muito grande disposto a consumir produtos e serviços”, complementa. Mais espaços A proprietária do restaurante Kilomania, localizado na ru Ramos Ferreira, Lilian Guedes, defende que tanto o amazonense quanto o turista gostam de comer na rua e que levar bares e restaurantes para o Centro e oferecer espaços a céu aberto

podem ser uma boa opção. “Espalhar mesas e cadeiras pelas calçadas sempre atrai público e dá um ar leve ao espaço”, comenta. Já o dono da Pizzaria Scarolla, José Martins sugere mais áreas de estacionamento para os clientes. “Se fosse possível entrar em um acordo coma Prefeitura para liberar mais pistas para estacionamentos, como o lado direito da rua 10 de Julho, por exemplo, os clientes não enfrentariam dificuldades para achar vaga e frequentariam mais essa área”, argumenta. IONE MORENO

ARQUIVO EM TEMPO

agitar’ o Centro

Proposta, além de transformar a área, movimentará a economia local Em algumas áreas do centro de Manaus a arquitetura do lugar também é uma atração


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País

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Brasil reduziu pobreza, mas violência continua em alta A

redução de desigualdades no Brasil e na América Latina não levou a redução da violência. “O diagnóstico correto seria: menor desigualdade tende a menos violência”, diz o sociólogo e cientista político Emir Sader. “O maior paradoxo é estarmos em um país que diminuiu a pobreza, mas tem intensificado a violência”, acrescentou. Esse ponto de vista será posto para debate na próxima sextafeira, 13, no Fórum Mundial de Direitos Humanos. O evento acontecerá em Brasília de 10 a 13 de dezembro. Sader fará parte da mesa Por uma Cultura de Direitos Humanos, junto com a professora argentina Alicia Cabezudo e a presidenta da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e Cidadania de Cabo Verde, Zelinda Cohen. O debate será sobre o papel da educação em direitos humanos para o desenvolvimento e emancipação do cidadão. O cientista político, um dos organizadores do Fórum Social Mundial, analisa a América Latina à luz dos modelos políticos que regem os países. Em uma das últimas colunas publicadas em seu blog, ele diz que “para o bloco do governo

a questão central do Brasil é a da desigualdade, da pobreza, da miséria” e acrescenta que “mesmo quando a economia brasileira sofre um processo de estagnação, como acontece atualmente, o governo não apenas manteve, como estendeu e aprofundou as políticas sociais, revelando como se revertia a forma tradicional de encarar

MAPA

Segundo o levantamento, agressões e ameaças são os mais comuns, com 14,3% dos entrevistados tendo sofrido situações do tipo nesse período. Em seguida, aparecem relatos de discriminação (10,7%) desenvolvimento econômico e distribuição de renda”. Ele diz que apesar da ênfase na questão social, a violência aumenta. Prova disso é o levantamento feito pelo país em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado na quinta-feira, 5. Os dados mostram que três em cada 10 brasileiros que vivem em

ABR

De acordo com o sociólogo Emir Sader, o país vive um paradoxo que diminui a pobreza, mas tem intensificado a violência cidades com mais de 15 mil habitantes dizem ter sofrido ao longo da vida algum tipo de crime ou ofensa. Crimes mais comuns Segundo o levantamento, agressões e ameaças são os mais comuns, com 14,3% dos entrevistados tendo sofrido situações do tipo nesse período. Em seguida, aparecem relatos de discriminação (10,7%), furtos de objetos (9,8%) e fraudes (9,2%). “Houve um aumento de interesse por direitos humanos, mas nos círculos pequenos. Na sociedade isso não chega”. Para o cientista político, a fraqueza brasileira é a falta de espaço de socialização, principalmente nos setores mais pobres. “O sistema educacional não desempenha esse papel. A escola não é espaço de socialização. O jovem acaba socializando na rua”, onde, segundo ele, tem contato com o consumismo e outros valores que podem levar à prática de violência. Perguntado sobre as manifestações de junho e julho e a reivindicação de direitos sociais, como saúde e educação, ele diz que, em última instância, as melhorias sociais podem levar à redução da violência.

Para sociólogo não basta reduzir os índices de pobreza se o país não diminui a onda de violência


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Mundo

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Mundo

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Família de Mandela trava disputa por nome e fortuna N

elson Mandela, símbolo da reconciliação sul-africana, parece ter falhado na união de uma só família: aquela que leva seu sobrenome. Há muitos anos, a família Mandela - composta de seis filhos, 17 netos, 12 bisnetos, duas ex-mulheres e vários sobrinhos - disputa por poder, herança, nome, fortuna e legado por meio de ações judiciais e brigas públicas. Em sua autobiografia, “Longa caminhada até a liberdade”, o homem que derrotou o apartheid reconhece que seu compromisso com o povo o levou a descuidar daqueles que estavam mais próximos. “Um homem envolvido na luta era um um homem sem vida familiar”, escreveu. Mas Madiba, como era chamado em seu país, provavelmente nunca imaginou as cenas de mesquinharia que seus descendentes seriam capazes de provocar. Uma saga de brigas, acusações e inveja que levou Desmond Tutu, também ganhador do prêmio Nobel da Paz, a pedir respeito a seu amigo. “Podemos, por favor, não pensar em nós mesmos? Isso é como estar cuspindo na cara

de Madiba”, disse o arcebispo da Igreja Anglicana ao tentar apaziguar uma disputa. O último e mais marcante capítulo da novela aconteceu em junho deste ano, quando a Justiça ordenou transferir os corpos de três filhos do ex-presidente a Qunu, cidade natal de Mandela. Mandla, neto e atual representante do clã,

DESCUIDADO

Em sua autobiografia, “Longa caminhada até a liberdade”, o homem que derrotou o apartheid reconhece que seu compromisso com o povo o levou a descuidar daqueles que estavam mais próximos havia retirado os corpos para enterrá-los em Mvezo. Mandla, membro governante do Congresso Nacional Africano (CNA) no parlamento, havia feito essa mudança com o propósito de poder sepultar rapidamente seu avô em sua cidade. Ele tomou a decisão sem consultar os outros familiares, nem mesmo a filha mais velha de Mandela, Makaziwe,

XAXAXA

Brigas judiciais e confusões públicas dos familiares de Mandela são encaradas como uma “novela de horror” pelos sul-africanos que deseja que seu pai seja enterrado em Qunu, a 700 quilômetros de Johannesburgo. Ela foi a responsável por reunir outros 16 familiares para reaver os corpos ao local onde haviam sido sepultados. Irritação geral O episódio irritou os sulafricanos, que encheram as redes sociais de mensagens em protestos. A mais replicada no Twitter foi: “Talvez Mandla seja um Mandela, mas está longe de ser Nelson”. Desde abril, 17 membros da família, liderados por Makaziwe, iniciaram uma ação na Justiça para conquistar o direito de controle das empresas fundadas por seu pai. Tratam-se da Harmonieux Investement Holdings e da Magnifique Investment Holdings, que geram mais de US$ 1 milhão por ano. Esta é apenas uma das brigas judiciais em torno da herança de Mandela, que arrecadou muito dinheiro graças às vendas de seus livros e memórias, além de aquarelas e desenhos feitos por ele na prisão de Robben Island, onde ficou 18 dos 27 anos que passou encarcerado. Grande parte dessa fortuna foi doada por Mandela a instituições de caridade.

Após morte do líder sul-africano, familiares brigam por nome, fortuna e legado de Mandela


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

DIVULGAÇÃO

Aplicativos da guerra dos sexos Dia a dia C2 e C3

Em Manaquiri, estudantes aprendem a fazer cultivos

GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO

Curso que começa amanhã mostrará técnicas de produção, plantio e cuidados de plantas com valor econômico para a região

do Inpa ao Centro de Treinamento irá dar a oportunidade de que eles convivam com os pesquisadores e que tenham uma troca de conhecimento. Manaquiri tem muita área verde, então essa é a oportunidade dos alunos verem em que se identificam, buscar se profissionalizar e retornar ao município para desenvolver atividades que possam ajudar na economia”, afirma Juan Revilla, um dos professores responsáveis pelo curso de férias.

FORMAÇÃO

O curso tem o objetivo de aperfeiçoar e capacitar estudantes das redes públicas municipal e estadual e produtores rurais de Manaquiri, por meio de técnicas de produção, plantio e cuidados Curso de férias Foram selecionados 50 estudantes para o curso tendo como base um formulário preenchido especificando a área de conhecimento em que tinham mais afinidade (Ciências Naturais, Agronomia, Turismo, Biologia e Ciências Florestais). Serão cinco turmas que passarão 8 horas por dia (durante cinco dias) tendo aulas práticas e teóricas ministradas por professores e servidores do Inpa.

Alunos receberão apoio total e certificados Os alunos do curso receberão transporte, alimentação e certificado de participação com carga de 40 horas. Os assuntos abordados

no curso serão: filosofia do uso sustentável da floresta amazônica, tendências econômicas da Amazônia, produção de mudas, preparo e canteiro, plantio em

sacos de mudas, plantio no campo e tipos de plantio. “O trabalho é muito direcionado a aproveitar e valorizar a floresta como variadas formas de uso: ali-

mentos, cosméticos e até o uso medicinal. A intenção é que eles aprendam que a floresta tem mais valor em pé do que derrubada”, explica Revilla. DIVULGAÇÃO

C

om a proposta de dar aos estudantes de ensino médio da rede pública a oportunidade de experimentar áreas do conhecimento profissional que poderão ser desenvolvidas na região, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) inicia amanhã, o primeiro “Curso de Férias: produção de mudas, plantios e cuidados” no município de Manaquiri, interior do Amazonas. Elaborado por pesquisadores e técnicos do laboratório de Inventário Florístico e Botânica Econômica da Coordenação de Biodiversidade do Inpa (CBIO/Inpa), o curso tem o objetivo de aperfeiçoar e capacitar estudantes do ensino médio das redes públicas municipal e estadual e produtores rurais de Manaquiri, por meio de técnicas de produção, plantio e cuidados, tendo em vista a melhoria na qualidade de vida e o nível de conhecimento científico na área de pesquisa e no desenvolvimento tecnológico do município. Será a junção do conhecimento técnico/científico com a experiência popular. O curso será realizado no Centro de Treinamento de Produtores Rurais em Negócios Sustentáveis, localizado no quilômetro 8 da rodovia AM-354, em Manaquiri. “Eu vejo que o município tem muita carência de orientadores e os moradores não têm muitas opções de convivência com outras áreas. A chegada


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Dia a dia

Uma grande ba ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO

A

moda de dar nota para pessoas por meio de aplicativos chegou ao Brasil como um furacão. O Lulu – ou Onlulu - já é o líder de downloads da App Store e Google Play, mas parece que esse tipo de aplicativo não vai muito longe. E foi o que ocorreu na tarde da última quarta-feira (4), quando a 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG), emitiu uma liminar que proíbe o aplicativo “Tubby” de ser disponibilizado em todo o Brasil. Um grupo de mulheres, baseadas na Lei Maria da Penha (11.340/06), entrou com uma ação alegando que o aplicativo promove a violência contra a mulher. Outra questão que já estava sendo bastante polemizada é a ilegalidade civil desses aplicativos – Onlulu e Tubby – por invadir a privacidade e muitas vezes ferir a honra das pessoas. De acordo com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção Amazonas, Alberto Simonetti, a própria Constituição Federal, em seu quinto artigo, garante liberdade de expressão, porém veda o anonimato. E os aplicativos avaliam homens e mulheres no anonimato. As pessoas que se sentirem prejudicadas devem notificar o Facebook para retirada do ar. Depois, se

assim entenderem, podem entrar com as medidas judiciais cabíveis, aconselha o presidente da OAB-AM. A decisão fica a critério de cada juiz, que avaliar os danos causados. Para o advogado Diego Padilha, o aplicativo utiliza a imagem dos homens e mulheres sem autorização, expondo sua honra e sua imagem. “Você não pode interferir na vida privada de uma pessoa, tanto que para realizar uma escuta telefônica é preciso ordem judicial. Esses tipos de aplicativos são ilegais”, afirma o advogado. Dependendo da avaliação, se um usuário é exposto de forma mais agressiva, mais contundente, isso pode gerar um pedido de indenização. No Brasil há a possibilidade da quebra de confidencialidade. Em tese, haveria a possibilidade de quebra de sigilo, tanto com o Lulu e Tubby quanto com o Facebook, que se conecta ao serviço. Existe ainda outro problema: os homens não podem optar por entrar ou não no Lulu. Eles têm opção apenas por sair do aplicativo. “A autorização nos termos de uso do Facebook não é o suficiente para que as informações dos usuários sejam utilizadas em outros aplicativos quando se trata do direito à privacidade e dignidade. Nesses casos, é necessário um consentimento específico”, afirma Padilha.

FOTOS: REPRODUÇÃO

Aplicativos que permitem a internautas avaliarem perfis de usuários do sexo oposto dividem opiniões sobre invasão de privacidade e exposição pública

Aplicativo permite que mulheres façam avaliações sobre os homens que fazem parte de sua lista de amizades no Facebook

App é uma faca virtual de dois gumes

Notas atribuídas podem desagradar muitos dos avaliados

Segundo o Facebook, o Lulu não viola as políticas de privacidade da rede social por usar a lista de amigos das usuárias. A rede social usa somente as informações básicas, nome de perfil, foto do perfil e lista de amigos. O usuário, ao se cadastrar, concorda em compartilhar essas informações com aplicativos de terceiros. Para a analista de mídias sociais Lucia Gonçalves, 27, esse é um dos assuntos mais comentados nas mesas de bar, é só uma maneira descontraída de até mesmo ajudar

muitos homens na paquera. “Já avaliei amigos para que eles se dessem bem. E os ‘ficantes’ para dizer o que a nunca antes tive coragem de dizer”, explica a analista, que se diverte com o aplicativo. Agora quando se fala em revanche masculina, muitas mulheres revelam que a existência do Tubby não assusta. A estudante universitária S.P., 24, afirma que ‘já arregou’. “Você arregou!” é a mensagem que aparece quando é feito o descadastramento. A versão masculina do apli-

cativo promete vir com hashtags do tipo #elaengoletudo #GostaDeTapaNaCara, #ComeriaTodinha #JeitoDeSafada #ChupariaInteira, entre outras mais muito ofensivas, com um grande apelo. “Quando vi as hashtags me descadastrei. Os homens, ou melhor, os brasileiros, têm a mente muito fértil, e quando o assunto é mulher eles não perdoam e nem mesmo as próprias mulheres. Posso até me cadastrar depois. A curiosidade é maior”, explica a universitária.

Alguns homens não se incomodam com o aplicativo, como é o caso do empresário Rafael Oliveira, 33, que acredita que esse aplicativo seja uma grande brincadeira. “Nem sei se estou nessa lista, mas não me incomodo. Acho esses aplicativos uma perda de tempo”, explica o empresário. Os aplicativos deram origem a uma nova forma de negócio: uma página na internet passou a vender avaliações positivas para que homens insatisfeitos com suas notas elevassem um pouco sua média.


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talha dos sexos Chances para crimes virtuais O uso da internet já não é mais uma novidade em nosso cotidiano, simultaneamente com o benefício desse serviço surgiram os crimes virtuais, porém, o ordenamento jurídico pátrio não acompanhou a velocidade de crescimento do uso da tecnologia. Somente ano passado entrou em vigência a lei 12.737/2012, sobre crimes na internet, alterando o Código Penal para tipificar como infrações uma série de condutas no ambiente digital, principalmente em relação à invasão de computadores, além de estabelecer punições específicas, algo inédito até então. O Brasil está entre os dez países que mais utilizam a internet, em um mercado promissor e crescente, com uma legislação para amparar os usuários desse serviço. Existe uma infinidade de crimes virtuais, muitos ainda nem conhecidos realmente.

Publicidade do app Tubby, uma resposta masculina ao Lulu

Avaliações feitas por usuários O apliativo Onlulu, lançado há duas semanas no Brasil, já virou uma febre entre as mulheres, com mais de 5 milhões de downloads. O Lulu permite que apenas mulheres avaliem os homens usando suas informações de login do Facebook. As usuárias podem ver e avaliar apenas seus próprios amigos, e os garotos que receberam avaliações podem apenas ser vistos e qualificados por suas amigas. Os homens não têm acesso às avaliações, que recebem sempre de forma anônima. Elas são feitas a partir de questões de múltipla escolha sobre o senso de humor de um garoto, as boas maneiras, a ambição, o nível de comprometimento e a aparência. Elas também podem

escolher entre uma lista de melhores e piores qualidades, como #FazRirAtéChorar ou #SafadoNaMedidaCerta. Se um homem não quer receber avaliações das mulheres da sua vida no Lulu, ele pode enviar um e-mail e pedir a remoção do seu perfil do site ou ainda entrar no site oficial do aplicativo. Na semana que passou foi anunciado o lançamento do Tubby, uma espécie de revanche masculina. O aplicativo promete não ser uma cópia do Lulu com fotos de mulheres. Com o slogan “sua vez de descobrir se ela é boa de cama”, o site que anuncia o aplicativo já teve mais de 300 mil acessos em menos de 24 horas e causou polêmica com hashtags muito mais picantes. Hashtags do aplicativo são ousadas, mas as do novo concorrente superam por serem picantes

Muitas mulheres veem o aplicativo apenas como uma brincadeira entre as várias oferecidas nas redes sociais, mas a polêmica ainda vai longe com o lançamento da “versão masculina” do app


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Dia a dia

Patrimônio do E Imóveis históricos ou de importância para a cultura estão esquecidos no interior do Amazonas, sujeitos à degradação provocada pelo tempo, mas iniciativas tentam mudar essa triste situação ADRIANA PIMENTEL Especial EM TEMPO

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Amazonas possui um dos mais ricos registros históricos do país, porém vários monumentos da região estão em situação de abandono. Parte da história do Estado pode desaparecer. E de quem seria a culpa? O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, tem responsabilidade e gestão apenas em alguns desses locais, sendo que a imensa maioria dos prédios e

demais espaços são de responsabilidade das administrações municipais, a quem cabe desenvolver políticas específicas e de acordo com seus próprios planejamentos culturais, de turismo e de preservação. Entretanto, de acordo com a arquiteta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Amazonas (Iphan-AM), Márcia Honda, uma das dificuldades para a manutenção do patrimônio do Estado são as distâncias dos municípios. “A questão não é só restaurar e tombar a logística. Tem que

haver uma fiscalização constante nesses patrimônios. Nós teríamos que ter uma representação para poder realizar o trabalho”, explica a arquiteta. Muitas das prefeituras municipais não possuem estrutura nem mesmo para a preservação destes locais. Barcelos é um dos exemplos desse descaso. A cidade foi fundada em 1728, sendo uma das mais antigas missões dos padres salesianos no rio Negro. Foi a primeira capital da província do Amazonas. Nesse período foi construído ainda um modesto hospital, um colégio

e um seminário. Todas as três edificações continuam preservadas, porém não estão em seu formato original. Em 2011, o antigo hospital salesiano – que hoje abriga uma pousada e a rádio Rio Negro – passou por reformas sem auxilio técnico, o que causou verdadeira revolta entre a população, com protestos e manifestações em frente à prefeitura. A obra modificou a estrutura original do telhado. No município de Iranduba, encontram-se também muitas construções de forte importância histórica e social,

como o antigo leprosário da comunidade de Paricatuba. Atualmente, o local está totalmente abandonado. Entretanto, de acordo com o secretário estadual de Cultura, Robério Braga, nos últimos meses foi concluído e aprovado o projeto de recuperação e restauração da área do antigo leprosário de Paricatuba, que aguarda apenas a sanção do governador Omar Aziz para o tombamento. Para Braga, é importante ressaltar que o patrimônio histórico é responsabilidade não apenas do poder público,

mas também da sociedade. “A maior dificuldade que encontramos para restaurar, preservar e manter estes espaços após uma iniciativa destas é a conscientização da própria sociedade”, afirma o secretário. Um exemplo é a ponte da avenida 7 de Setembro, na capital. O governo do Estado já reformou o espaço três vezes nos últimos anos, e mesmo assim continuam roubando fios, lâmpadas e até pedaços de ferro da estrutura original da ponte, apesar das constantes vistorias e manutenção do local.

Outro município que recebeu apoio foi Humaitá, a 590 quilômetros da capital amazonense, que compõe um dos principais conjuntos arquitetônicos do Estado, remanescente do período áureo da borracha. Muitas obras de restauração já foram concluídas no município. No próximo mês está prevista a entrega da reforma de dois outros prédios. Atualmente, uma fonte de água, também instalada e datada da Belle Époque naquele município está em Manaus passando por um completo processo de restauração junto à Secretaria de Estado da Cultura. Em Barreirinha, município localizado a 331 quilômetros em linha reta de Manaus, a casa do poeta Thiago de Mello é tombada, fato que permite uma série de ações preservacionistas e culturais no local. Já na cidade de Itacoatiara, as imagens e a própria igreja do município também

estão sendo restauradas. Mais importante que o resgate material é o resgate histórico. O contato com as peças originais nos traz de volta momentos que repercutiram diretamente no desenvolvimento de nossa cultura

CUIDADOS

Exemplo de cuidado com o patrimônio vem de Barreirinha, onde a casa do poeta Thiago de Mello é tombada, fato que permite uma série de ações preservacionistas e culturais no local Registro O patrimônio histórico está dividido em dois segmentos: o material (prédios, por exemplo) e o imaterial (práticas, costumes, celebrações, formas de expressão musical, cênica, lúdica

e de expressão em geral, entre tantas outras), Estes dados e informações – arquivados em imagens, sons, CDs, livros e filmes, entre outras mídias – estão à disposição, gratuitamente, da população em diversos espaços culturais mantidos pela secretaria em todo o Estado. É importante lembrar ainda que o Festival Folclórico de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), realizado no último final de semana de junho, e o Gambá, ritmo encontrado em diversos municípios do interior como Tefé e Maués, respectivamente a 523 e 276 quilômetros da capital, foram tombados e hoje fazem parte do patrimônio cultural imaterial do país. Segundo o secretário Robério Braga, nos patrimônios materiais/monumentos sob responsabilidade do governo, existem vários projetos de conservação finalizados, em andamento ou a serem iniciados.

ARQUIVO EM TEMPO

Municípios conseguem apoio

Em Barcelos, primeira capital da província do Amazonas, patrimônio tem grande importância


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Estado em risco Iphan inicia inventários no interior

O Iphan-AM realizou ano passado o inventário do primeiro município do interior: Itacoatiara. Ali, foram inventariados 70 bens edificados com a participação de agentes comunitários, entre eles artistas, gestores públicos e outras pessoas interessadas no tema do patrimônio cultural. Todos participaram de palestras sobre o assunto e instruções para o preenchimento das fichas do Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão, e puderam agir de

maneira eficaz como agentes, contribuindo atentamente para a preservação do patrimônio cultural. O instituto pretende continuar com o projeto. Na busca pela preservação do patrimônio histórico, inúmeros bens móveis e imóveis estão sendo recuperados por meio de políticas de preservação criadas por entidades públicas e privadas. Medidas como essas trazem a possibilidade do estabelecimento de novos

usos desses bens, sejam eles comerciais ou residenciais. Um exemplo é a Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, no município de Borba, a 151 quilômetros de Manaus, que foi tombada pelo Estado. A igreja teve seu interior e exterior totalmente reformados, inclusive com recuperação de pinturas e das imagens religiosas que foram trazidas para Manaus e restauradas por técnicos da Secretaria de Cultura. Em Paricatuba, prédio antigo deve passar por recuperação na estrutura para tombamento

TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

Parintins (AM) – O prédio abandonado em Parintins e que hoje é motivo de manifestações nas ruas da velha Tupinambarana é a Casa da Cultura Alzira Saunier. A obra foi iniciada em abril de 1996, no segundo mandato do ex-prefeito Raimundo Reis. O convênio firmado com o Ministério da Cultura era no valor de R$ 400 mil, sendo que a contrapartida da prefeitura foi estipulada em R$ 40 mil. Em dezembro daquele ano, após a eleição municipal, a obra foi paralisada e os prefeitos seguintes ignoraram completamente a sua conclusão. “Isso é um desrespeito com o dinheiro público, com a cultura e com o povo de Parintins’, diz a universitária Lane Oliveira Santos. Por telefone, o ex-prefeito Raimundo Reis disse ao EM TEMPO que deixou 80% da obra concluída, dinheiro na

conta do município e o material no almoxarifado. “Não sei por que meu sucessor não concluiu”, disse. O sucessor de Reis foi o ex-prefeito Carlinho da Carbrás. Mesmo não tendo sido concluída, há um documento no Ministério da Cultura dando

RUÍNAS

A obra da Casa da Cultura Alzira Saunier foi iniciada em abril de 1996, com custo de R$ 400 mil em convênio com o Ministério da Cultura, mas nunca foi finalizada e o imóvel está abandonado conta de que a obra foi acabada e inaugurada. “Isso é uma mentira deslavada”, disse a professora Fátima Guedes. Movimentos Há cerca de três meses o movimento “Parintins sem

fantasia” decidiu ocupar a obra inacabada e transformála numa espécie de QG dos movimentos populares. Após a ocupação, os membros solicitaram uma audiência pública para cobrar a conclusão da obra e a punição para os responsáveis pelo seu não acabamento. Durante a audiência, o professor Aleksander Medeiros, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), pediu, em nome dos manifestantes, que o local fosse cedido oficialmente para os movimentos sociais. A controladora-geral do município, Eliane Melo, informou que a obra, segundo informações da Justiça, estaria sob júdice, o que não permite a cessão do local, mas confirmou uma audiência com o prefeito Alexandre da Carbrás para discutir a questão. O prefeito, por sua vez, disse que já conversou com o governador Omar Aziz sob a possibilidade de conclusão da obra.

TADEU DE SOUZA

Restauração parada desde 1996

Patrimônio cultural de Parintins está abandonado há anos, gerando protestos da população

IONE MORENO

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Dia a dia

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Saúde privada Problemas geralmente relacionados à área pública do setor começam a irritar clientes que questionam os valores praticados e o desempenho dos profissionais ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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emora em agendar uma consulta médica, atendimento irregular, falta de previsão para realização de cirurgias e problemas com agendamento são alguns itens do sistema de saúde pública que colaboram para o cidadão procurar planos privados de saúde para evitar o transtorno, mas as falhas dos planos particulares são cada vez mais denunciadas pelos clientes. Há casos de o plano de saúde ter por base mensal um valor cobrado em torno de R$ 1 mil, valor que deveria garantir boa qualidade de serviços. No entanto, a avaliação é contrária. A empresária Ana Deizy Nogueira, 38, que há 7 anos tem contrato com a Unimed, mensalmente paga cerca de R$ 1,2 mil por incluir no plano seu esposo e sua filha. Há duas semanas, ela passou por constrangimento por falha do sistema para a marcação de uma ressonância magnética. “Quatro meses foi o prazo que me repassaram para o agendamento do exame, mas

na semana passada fui à central da Unimed para tentar marcar a ressonância. Quando cheguei, por volta das 14h, o sistema estava fora do ar, então resolvi ficar com a senha para voltar depois para a central. Às 18h30 o sistema ainda estava fora do ar e as funcionárias informaram que só iriam conseguir realizar o

PREJUÍZO

A empresária Ana Deizy Nogueira sofreu para pegar a autorização para um exame, e na hora do atendimento descobriu que a operadora estava inadimplente com a clínica agendamento no dia seguinte”, contou a empresária. Preocupada com o retorno ao médico sem o exame considerado de urgência, Ana Deizy resolveu no dia seguinte ir à Prodimagem, que é conveniada da Unimed, para tentar realizar o exame. Por não ter conseguido a liberação do dia anterior, enquanto aguardava na clínica

a empresária pediu que seu motorista voltasse à central para novamente tentar a liberação do exame. O local estava lotado de pessoas à espera do agendamento de consultas e liberação de exames, e o motorista passou quase toda a manhã no aguardo. “Quando ele chegou na Prodimagem, já estava quase encerrando o atendimento, mas consegui colocar meu nome para o exame. Depois de alguns minutos, o próprio médico me chamou em particular e informou que a clínica não estava mais fazendo nenhum exame pelo convênio da Unimed, pois eles estavam inadimplentes havia mais de quatro meses e que a única forma era pagar para fazer o exame”, desabafou. Sem alternativa, a empresária desembolsou cerca de R$ 700 para o pagamento do exame. “O médico mostrou um documento da própria direção onde informava que não realiza mais nenhum exame pelo convênio com a Unimed, e ainda me entregou uma cópia, pois vou procurar meus direitos, tendo em vista que pago o plano de saúde para evitar esse tipo de situação”, explicou.

Na Central de Serviços Unimed, ausência de sistema trouxe constrangimento para cliente

GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO

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MICHELL MELLO/ARQUIVO EM TEMPO

aborrece clientes Médica deixa paciente à espera para saber informações. “Ela me disse que a médica já estava chegando, mas teria que aguardar mais um pouco”, relembrou. Por ter agendado uma consulta para o seu pai no oſtalmologista, por volta das 14h a jornalista desistiu de esperar e foi à procura novamente da recepcionista, que dessa vez informou que a médica se encontrava na maternidade acompanhando seus pacientes, e que demoraria mais um pouco. Lenise desistiu da consulta e espera conseguir um novo atendimento para o próximo ano. A assessoria da Unimed informou que está investindo em tecnologia e segurança para agilizar o atendimento aos seus usuários e prover segurança aos prestadores de serviços. “Nessa transição, estão ocorrendo variações no novo sistema, o que ocasiona certa demora em algumas liberações de procedimentos. A Unimed Manaus já está solucionando os problemas e espera em 30 dias normalizar completamente o atendimento”, informou a assessoria. HUDSON FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO

Com a jornalista Lenise Collares Ipiranga, 50, a situação foi diferente, mas do mesmo modo revela outras irregularidades do plano de saúde. Lenise, que desde 2001 tem o plano de saúde da Unimed, paga em média de R$ 525 mensais, e em setembro passado, ao sentir dormência nos dedos polegar e indicador, marcou uma consulta com uma reumatologista, dos três credenciados. Como chegou 10 minutos após a hora marcada, Lenise não foi atendida e teve que novamente remarcar a consulta para o dia 3 de novembro. A jornalista, para evitar outro problema, chegou às 11h para a consulta que estava agendada para as 13h. “Quando cheguei à clínica havia uma pessoa esperando para consulta, mas conforme o horário passava outras senhoras chegavam. Deu o horário da consulta e já havia mais de 30 pessoas no consultório, esperando o atendimento, porém a médica ainda não havia chegado”, contou. Por volta das 13h40 Lenise procurou a recepcionista

A falta de cobertura a alguns exames também é criticada Reclamações dos usuários indicam insatisfação com valores cobrados nos planos de saúde e de problemas no atendimento


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Zona de Transição causa preocupação para o Inpa O

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) está preocupado com a proposta contida no Plano Diretor de Manaus em transformar a área do entorno da Reserva Florestal Adolpho Ducke em área de transição. Em documento apresentado no workshop “Reserva Ducke e o Plano Diretor de Manaus”, esta semana, o instituto aponta que se “deve ao máximo evitar o isolamento das margens” (área do Puraquequara e zona rural além da reserva), como aconteceu com os lados circundados pelos bairros Cidade Nova e Santa Etelvina, ao Norte de Manaus. Pesquisadores, estudantes, comunitários e vereadores participaram do debate. “O jogo não está totalmente perdido, pois mesmo visíveis ou perceptíveis, os dois lados mais distantes desse quadrado (no mapa se vê a reserva com um grande quadrado de 10 por 10 quilômetros de lado) fazem parte da zona rural, ainda florestal, do município”, disse o pesquisador do Inpa, o ecólogo José Luís Camargo, coordenador científico do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), em documento que também representa o posi-

cionamento do Instituto. De acordo com Camargo, o crescimento desordenado da malha urbana da cidade de Manaus, em poucas décadas desmembrou, fragmentou e extirpou florestas que estavam pelo caminho. Poucos fragmentos urbanos resistiram, mas de forma isolada, como os do Inpa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Sesi e do aeroporto ou BIS. Apesar disso, os fragmentos florestais são encarados como bons prestadores de serviços ambientais a uma região e para a sua população associada. O PDBFF se dedica a estudar e monitorar os efeitos da fragmentação florestal nos remanescentes florestais na Amazônia nos últimos 35 anos. De acordo com o documento, nas pesquisas foi descoberto que após o desmatamento e a consequente fragmentação florestal, as bordas florestais criadas expõem a floresta remanescente a mudanças bruscas na estrutura e composição. Isso torna a floresta mais vulnerável aos fortes ventos associados a tempestades, e como conseqüência à queda de árvores, a criação com maior frequência de clareiras e ao surgimento de bosques secundários.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

Instituto diz que é preciso, ao máximo, evitar o isolamento das margens da reserva Ducke, onde proposta prevê mudanças

Preocupação com isolamento das margens ao redor da reserva Ducke foi debatida esta semana

Fragmentos podem gerar colapso “A fragmentação, portanto, ao longo do tempo leva o fragmento a um colapso de biomassa”, aponta José Camargo. Além de muitas espécies de árvores ficarem mais vulneráveis em fragmentos florestais, a fauna diretamente associada a essas árvores pode diminuir suas populações ou mesmo correr perigo de extinção local. “Praticamente metade das espécies de pássaros dos fragmentos florestais estudados ao norte de Manaus desapareceu em pouco tempo após a fragmentação ter ocorrido. Espécies de macacos, onças ou outros mamíferos que dependem de uma área contínua grande para sobreviver tendem a desaparecer também”, diz o documento.


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teia Plateia MANAUS,, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

plateia@emtempo.com.br

DIVULGAÇÃO

Raidi Rebelo concorre a pr io de DJ prêm prêmio Plateia 3

(92) 3090-1042

Mais livros de arte em Manaus N

ão é de hoje que artistas amazonenses tem dificuldade em encontrar na capital do Amazonas livros direcionados para dança, teatro, artes plásticas e outras vertentes das artes em geral. Na busca de preencher essa lacuna, a Anadarco Editora – oriunda de São Paulo – chega a Manaus, por meio do Casarão de Ideias, com interesse no mercado artístico local e com a pretensão de lançar, em breve, uma obra produzida no Estado. Responsável pela parceria com a editora e também pelo próprio Casarão, João Fernandes conta que a ideia de trazer a Anadarco para Manaus, surgiu a partir de uma visita do próprio artista ao estúdio da empresa. “Estava em São Paulo para participar de um evento e tive a oportunidade de adquirir alguns livros do acervo na Livraria da Ana. Então, houve a sugestão de nos tornarmos representantes, tendo em vista a dificuldade em encontrar publicações voltadas para esse público”. A primeira remessa de livros já se encontra à venda no próprio Casarão. Entre os títulos disponíveis estão a “Coleção Pesquisa em Arte”, “Festival Internacional de Dança – FID”, “Coleção Corpo em Cena”, “Arte Cênica Sem Fronteira”, “Transpensamento – Corpo e o Diálogo Com os Novos Espaços”, “O Papel da Mídia Impressa no Debate das Artes”, entre outros. “Nossa ideia é atrair cada vez mais o público que gosta de artes para o local, tomar um café e

desfrutar da riqueza dessas obras”, comenta. Vale ressaltar que, caso o interessado queira um livro que não está disponível no Casarão, é possível ter acesso a um vasto catálogo com diversos títulos. “Isso não será um problema. Poderemos pedir o livro e, consequentemente, ele terá certo limite de espera, mas com a certeza de que a obra chegará. Acho que está na hora de acabar com a sistemática das livrarias de Manaus que disponibilizam os livros sempre na última prateleira virando a esquerda”, brinca. Os valores das obras

TÍTULOS

Entre os títulos disponíveis de livros de arte estão a “Coleção Pesquisa em Arte”, “Festival Internacional de Dança – FID”, “Coleção Corpo em Cena”, “Arte Cênica Sem Fronteira” entre outros O diretor do Casarão de Ideias e professor João Fernandes é o representante da editora Anadarco no Amazonas

variam de R$ 28 a R$ 40. Publicação Fernandes adianta que, com o início dessa parceria, existe sim, um interesse por parte da Anadarco Editora em publicar uma obra que seja 100% amazonense. “Somos responsáveis por realizar o projeto ‘Cenas Autorais’, que vem justamente de encontro com a discussão de livros amazonenses voltados as artes. Portanto, queremos realizar um concurso – no qual está sendo resolvido o regulamento – para que o vencedor tenha um livro publicado por meio da editora”, explica.

Livros específicos de arte, como a coleção “Corpo e Cena”, passam a ser vendidos em Manaus FOTOS: DIVULGAÇÃO

BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO

IONE MORENO

A Anadarco, responsável por publicar livros direcionados ao mundo das artes, chega em Manaus por meio do Casarão de Ideias, dirigido pelo artista João Fernandes e poderá lançar, em breve, publicação de um autor local

Karin Thrall é uma das diretoras da Anadarco Editora

Na busca por um novo público Uma das diretoras da Anadarco Editora, Karin Thrall afirma que o primeiro contato com o Amazonas, por assim dizer, veio por meio de João Fernandes. “Tivemos o prazer de conhecê-lo durante o Rumos, evento realizado pelo Itaú Cultural. Eles nos perguntou se tínhamos interesse em vender nossas publicações na região Norte e achamos fantástico”. Ela explica, ainda, que sabe da necessidade desse tipo de obra para o Norte e que, mesmo tendo em mente que o público é restrito, pretende continuar com a parceria. “Temos plena consciência de que as pessoas que se interessam pela nossa publicação ainda são poucas, mas queremos ver

isso crescer. E isso só será possível se começarmos investir cada vez mais nesse segmento”, conta. Sem data marcada para vir a Manaus, Thrall adianta que uma boa oportunidade seria a participação no “Cenas Autorais”. “Como o João já disse, estamos com esse projeto de realizar um concurso e publicar algo vindo do Amazonas. Muitas pessoas estão estudando artes e nada mais justo do que colocar esses estudos para o mundo ver e conhecer. A maioria das obras, atualmente, é estrangeira, queremos aumentar o número de brasileiros que possuem livros publicados nesse segmento. E ir a Manaus seria muito importante nesse processo”, finaliza.


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FOTOS: MAURO SMITH E CÉSAR CATINGUEIRA

Fernando Coelho Jr.

Alessandra e Cristiano Brandão

fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Festa de fim de ano movimentou a society . Com entradas do tipo ‘vieiras ao champagne’, ‘caldinho verde’, ‘ostras gratinadas’ e ‘mini porção de bacalhau ao Zé do Pipo’ e pratos quentes como ‘arroz de polvo’, ‘filé-mignon recheado com chouriço ao molho de cebola roxa e vinho’, ‘bacalhau à portuguesa’ e ‘carne de porco à alentejana’, foi assim o jantar da festa de confraternização de fim de ano assinada por esta coluna, na noite de quarta-feira no Diamond, que agitou o society de Manaus, no evento anualmente promovido por este espaço, que reúne boa parte do elenco VIP da cidade, dando um start para a temporada de festas do mês de dezembro. . E foi um festão lindo! Ambientação assinada pelo decorador de eventos Denis Martins nas cores de Portugal – o tema especial da festa deste ano – com imensos lustres em formato de bolas gigantes douradas, tecidos nas tonalidades verde, vermelho e branco, espelhos em formato de brasão e muitos outros itens que vestiram o Diamond – sem dúvida o mais bem montado espaço de festas de Manaus - como um palácio lisboeta, um luxo! . O cantor Felício deu um show à parte ao microfone, as vezes sendo confundido com CD, de tão eximias suas interpretações. A dança ‘Rancho Luso Brasileiro do Amazonas’ apresentou um número português na pista. E a noite teve emoções! O sorteio de dois bilhetes para Lisboa saíram para Hélio Marques e Marcos Barbosa, os sortudos da noite! A coluna agradece a todos os apoiadores e os que se fizeram presentes em mais essa supernoitada! Ora, pois!

Norma Araújo, Ana Auzier e Tereza Cristina Garcia

Lourdes e Juca Semem e o filho

Sandra Lucia Saraiva, Lucia Viana, Menga Junqueira e Eliane Schneider

Marcelo e Marinildes Lima

Delza e Elci Simões

Liana Mendonça de Souza e a filha Adiene Vieiralves

Charufe Nasser e Dorinha Antony

Eymar e Hebe Pereira e Julio Verne e Helena do Carmo Ribeiro

Ana Leitão e Maria do Carmo Magalhães Najla e Jorge Akel

Gizella Bolognese e Ednéa Ribeiro

Alaíde e Osmeth Duk

Martha e Clóvis Cruz Jr.

Isabel e Alexandre Prata e Adriane Antony Gonçalves

Ivan e Seonize Tomaz

Marlene e Alcides Garcia Jr.

A bela Alessandra Brandão

Marcia e Serginho Martins

Ana Paula e Ana Montenegro

Jéssica Sabbá Tayah

Leda Follmer e a filha Juliana

Graziela e Francisco Nogueira

Denise e Paulo Rezende

Zélia e Marcelo Peixoto

Rosiane Lima e o filho

Renata Braga, Elizeth Lange e Carla Braga

>> Vitrine >> O top colunista Alexandre Prata comanda coquetel moderno terça-feira na Osklen do Shopping Ponta Negra. >> Elita e José Grosso estão com sorriso de orelha a orelha com o nascimento do neto Arthur. >> Alberto Lotado convida para sua festa, no dia 19 no Taj Mahal, comemorando 19 anos de colunismo, com a entrega do prêmio Status Manaus. >> A sociedade de Manaus está de luto pelo falecimento da querida Alzira Verdade, conhecida nas altas rodas como ‘Madame Verdade’, que foi estilista premiadíssima. >> No almoço de sextafeira Chez Charufe Nasser, em mesas diferentes: Dorinha Antony, Francis-

quinha Negreiros, Detiva Coelho, Marilena Perales, João Braga Neto, José Alves Pacifico, Mariana Normando, Roberto Imbiriba Salgado, Ilça e Félix Valois Coelho, Kazune Abrahim, Luis Maximino de Miranda Corrêa, que estava aniversariando, Totó Coelho, entre outros. >> Daniele e Fabiano Almeida festejam o aniversário da filha Maria Eduarda, hoje, no conjunto dos Bancários 1, com temática do fundo do mar. >> A P&G, maior empresa de bens de consumo do mundo, orquestra almoço de confraternização, no dia 11, no Morada Buffet. >> Cumprimentadíssimo na sexta-feira pelo seu aniversário o senador Eduardo Braga.

>> Mantenedoras do Grupo Literatus, Eliana Pinheiro e Elaine Saldanha receberam a ‘Medalha de Ouro Garcitylzo do Lago Silva, sexta-feira, no plenário Adriano Jorge, da Câmara Municipal de Manaus, por meio de propositura do vereador Luiz Mitoso. >> A bela Thaisa Batista estreia idade nova neste domingo. Cumprimentos da coluna. >> O presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador Bosco Saraiva está convidando para a sessão solene de outorga da Medalha de Ouro Altair Ferreira Thury ao desembargador Kid Mendes de Oliveira, em memória, de propositura dos vereadores Luiz Alberto Carijó e Therezinha Ruiz, no próximo dia 12, na sede do Poder Legislativo municipal.


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DJ concorre mais uma vez em premiação nacional LUIZ OTAVIO MARTINS Equipe EM TEMPO

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DJ Raidi Rebello foi indicado pela quarta vez ao prêmio DJ Sound Awards, na categoria “DJ Flashback”. Ele já foi eleito o melhor dessa modalidade em duas ocasiões, em 2010 – ano em que a categoria foi criada – e em 2012. Este ano, Raidi também está confirmado no line-up do evento, cuja festa onde serão conhecidos os vencedores vai ser realizada na boate I9 Music, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, no próximo dia 19. O DJ Sound Awards é promovido pela revista “DJ Sound”, publicação brasileira voltada para a música eletrônica. Raidi conta que é especializado em flashback, principalmente em hits das décadas de 1970, 80 e 90, há cerca de 12 anos. Ele observa que para uma premiação como essa da “DJ Sound” é preciso ter um bom público para ganhar votos e ser classificado. Depois de ficar entre os cinco melhores, o DJ é analisado por uma equipe da revista. O manauense acredita que o que torna suas chances de sair como vencedor é o fato de ter seu nome à frente das

diversas festas de flashback que apresenta, em Manaus e pelo interior do Amazonas. A rotina de trabalho do DJ tem sido bem puxada. “De maio para cá, acho que este fim de semana vai ser o primeiro que eu vou ficar quieto”, revela, acrescentando que fez 32 apresentações no interior onde, segundo ele, o públi-

PRÊMIOS

No currículo, Raidi Rebello também já foi eleito o Melhor DJ de Manaus (em 1983, 84, 85, 88, 89 e 90), ganhou o Prêmio ASA de Radialista do Ano (1993) e o de Melhor Locutor Jovem (1995) co que curte as músicas de flashback é bastante cativo. “A festa ‘Studio Disco’ abre muitas portas para o interior. Nos anos 80 e 90, muita gente veio do interior para estudar e morar em Manaus, onde eu tocava nos clubes Cheik e Bancrevea. Isso me ajudou bastante a ter uma aceitação no interior porque mais tarde essa turma voltou para suas

cidades”, conta. Com 35 anos de carreira, Raidi Rebello observa que a profissão de DJ ganhou um glamour muito grande nos últimos anos e acabou aparecendo para a mídia graças às grandes festas regadas a e-music. “Antigamente, o artista não era reconhecido como quem fazia o público frequentar as discotecas. Acreditava-se que as pessoas iam por causa do ambiente, da decoração”, analisa. Entre 2001 e 2002, Raidi começou a investir nas festas de flashback e, em 2003, ele afirma que já havia parado de tocar músicas atuais. “Essa minha opção pelo flashback surgiu porque adoro essas canções. Muitas foram lançadas por mim nos anos 80 e 90. E eu toco não apenas por uma questão financeira, mas também porque gosto”, justifica. Para o DJ, muitos profissionais hoje em dia investem em músicas eletrônicas mais conceituais que não tocam na programação das rádios, e acabam perdendo público. “Acredito que a música eletrônica ficou cada vez mais voltada para um público elitizado, que só aumenta quando acontece algum festival”, opina.

DIVULGAÇÃO

Pela quarta vez, Raidi Rebello disputa a categoria “DJ Flashback”, no DJ Sound Awards, já conquistada por ele

Com 35 anos de carreira, o DJ Raidi Rebello virou referência local no estilo flashback

Currículo acumula oito prêmios Nascido em 1959, Raidi começou a atuar como discotecário em 70. Ao fim dessa década, já era profissional e comandava o som na boate Midsom, no Centro . Em 1982, foi convidado para tocar na reabertura da boate Uirapuru, do Hotel Tropical, mais tarde conhecida como Danceteria Studio Tropical.

As discotecas dos clubes Cheik (de 1986 a 1994) e Bancrevea (de 1994 a 1998) também foram marcos na carreira do DJ, que passou também pelas boates Mikonos, Spectron Disco e Crocodillos. A partir de 2003, investiu nas festas especiais como “Noite do Flashback”, “Festa da Amizade” e “Studio

Disco”, com apresentações por todo o Amazonas e no Estado do Pará, com destaque para a música e exibições de vídeos em telões. Raidi Rebello também já foi eleito o Melhor DJ de Manaus (em 1983, 84, 85, 88, 89 e 90), ganhou o Prêmio ASA de Radialista do Ano (1993) e o de Melhor Locutor Jovem (1995).


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RESENHA

PERFIL

César Augusto é jornalista e editor do Dia a dia

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s histórias de terror do escritor norte-americano Stephen King sempre foram um prato cheio para o cinema, mas poucas adaptações conseguiram igualar ou superar o impacto da obra publicada. Desse universo de vampiros, monstros, demônios, serial killers e paranormais surgiram obras primas das telonas como “Carrie, a estranha” (1976) e “O iluminado” (1980), mas também verdadeiros desastres como “Comboio do terror” (1987) e “A hora do lobisomem” (1985). Entre os dois extremos achamos adaptações nem tão impactantes, mas satisfatórias, como “Christine” (1982), “Cujo” (1983) e “Na hora da zona morta” (1983) - título bem tosco para a adaptação cinematográfica de “Zona morta”, a qual eu tive o prazer de encontrar nas minhas garimpagens em lojas de DVDs e blu-rays. “Zona morta” é um dos meus preferidos por tra-

zer o ótimo Christopher Walken como protagonista e, ao lado das adaptações de “Carrie” e “O iluminado”, ter seu roteiro bem enxuto com relação à obra escrita, eliminando personagens e situações sem comprometer a essência da história. No filme dirigido por David Cronenberg, Johnny Smith (Walken) é um simples professor, noivo de Sarah Braknell (Brooke Adams), que sofre um acidente automobilístico quando deixa a namorada em casa certa noite. Ele entra em coma e desperta somente cinco anos depois, apenas para enfrentar a dura realidade de que Sarah casara com outro e de que ele agora adquirira o dom de descobrir o passado e ver o futuro das pessoas apenas com um toque de sua mão. As premonições de Johnny acabam sendo um peso insuportável, pois é visto como charlatão por alguns e uma esperança para outros. Ao ajudar um xerife (Tom Skerrit) a eluci-

dar o mistério de uma série de assassinatos de mulheres na cidade de Castle Rock, Johnny acaba ficando mais conhecido e busca se isolar. No entanto, ao entrar em contato com um candidato ao senado norte-americano, Greg Stillson (Martin Sheen), acaba prevendo uma situação que poderá jogar o planeta em uma nova grande guerra mundial, sem saber como poderá detê-lo. Para piorar tudo, Sarah é uma das integrantes do comitê de campanha de Stillson, aumentando a angústia de Johnny, que nunca deixou de amá-la.

“Zona morta” não tem o apuro técnico visual de “Carrie” ou “O iluminado” e nem o absurdo sobrenatural de “Christine”, por isso a considero a adaptação mais “pé no chão” de um livro de King. Ao lado de “Cemitério maldito” (1989), de Mary Lambert, e bem enxuta – a obra original narra o que aconteceu ao redor de Johnny nos seus cinco anos de coma, além da história da ascensão de Greg Stillson, um psicopata assustador capaz de torturar e matar um pobre cachorro. Ainda assim, nada deixa a desejar.

DIVULGAÇÃO

Paranormalidade e angústia

‘Na hora da zona morta’, de 1983, é uma das melhores e mais enxutas adaptações de um livro de Stephen King, em que um vidente enfrenta a angústia pelo seu dom adquirido”


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

TV Tudo Poder da vitrine Na Globo, essa proposta de movimentar o elenco em diferentes plataformas foi comemorada por atores e apresentadores. Claro, nem tudo são flores. Como a exposição na Internet e na TV paga Multishow, por exemplo, é infinitamente menor, sem níveis de comparação, muitos, na verdade, gostariam mesmo é de ser lembrados para novelas, séries e minisséries da Globo aberta. Altos e baixos O recente grupo de discussão solicitado pela Globo para avaliar “Malhação”, revelou, como fator positivo, o lado família explorado na trama, através dos personagens de Isabela Garcia e Tuca Andrada. Algo muito elogiado pelos participantes desses grupos. No entanto, houve críticas em relação ao quadro escolar, da pouca identificação com o lado aqui de fora, e isso será corrigido muito em breve. Empolgação Otávio Müller está trabalhando como diretor na série “A mulher da sua vida”, dividindo a função

GLOBO

com José Alvarenga. O trabalho de Müller já recebe elogios da equipe do programa, e existe a torcida para que ele possa continuar exercendo essa função também no ano que vem, na paralela de gravações da série “Tapas & Beijos”, em que vive o personagem Djalma. Trajetória do Luciano O livro sobre a trajetória de Luciano do Valle não foi colocado de lado. Vai sair, sim. Só que houve uma mudança em relação ao que foi anunciado. Em vez de Patrícia Maldonado, quem está tocando o projeto, responsável por ele, é a própria mulher do locutor esportivo, Flávia Comin. Segundo episódio A Globo vai apresentar hoje o segundo episódio da nova temporada do humorístico “Junto & Misturado”. O plano inicial, como se sabe, prevê a exibição de 5 programas. E dificilmente passará disso, devido aos índices de audiência, que não estão correspondendo. Logo mais, será um teste importante.

Anitta na novela Pre-pa-ra: a participação especial da cantora Anitta em “Amor à Vida” vai acontecer no dia 12, quinta-feira. Contratação A comediante Renata Gaspar Pinto, que participou da série “Descolados” e do programa “Saturday Night Live”, dentre outros trabalhos, acaba de ser confirmada no elenco da série “Doctor Pri”, de Aguinaldo Silva, na Globo. Com direção de Marcos Schechtman, a produção terá início de gravações em janeiro e sua estreia está prevista para março.

Bate–Rebate • Hoje acontece o show de encerramento da campanha Direito de Viver, na Rede TV!. • Nova temporada da série “A Lei e O Crime”, de Marcilio Moraes, só irá ao ar no segundo semestre de 2014. • Depois do Rio, agora, a produção, novamente entregue ao diretor Alexandre Avancini, será ambientada em São Paulo. • “Doctor Pri”, de Aguinaldo Silva, promoverá alguns lançamentos. • Como é o caso da atriz Aline Jones, que foi muito bem nos testes realizados. • E quem está na mira do mesmo Aguinaldo, para um dos episódios dessa série, é Tony Ramos, atualmente em “A Mulher do Prefeito”.

Projetos e futuro dos Cassetas O casseta Cláudio Manoel tem trabalhado em projetos para essa nova fase de produção na Globo, que inclui conteúdos inéditos também para internet e canais da Globosat. Já em relação aos demais companheiros do “Casseta & Planeta”, os planos, por enquanto, permanecem inalterados na Globo. Nada de novo programa. De acordo com o Cláudio, agora, cada um vai desenvolver seus próprios projetos.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini “Amor à Vida”, novela do Walcyr Carrasco, meio que virou uma história onde ninguém é de ninguém. O bom José Wilker, por exemplo, mal chegou e já colocou três na sua conta - Carolina Kasting, Eliane Giardini e Bárbara Paz. Sempre lembrando que a novela ficará no ar até o fim de janeiro. Então, essa listinha ainda corre o sério risco de sofrer alterações. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br

A dramaturgia de Benjamin Lima – Final Tanto “O homem que marcha” quanto “O homem que ri” que, conforme falamos ao longo destes artigos, guardam íntimas relações, são peças teatrais escritas no mesmo período e montadas em épocas distintas. Também é possível perceber, neste caso, que poderíamos relacionar a personagem Belmiro, o homem outrora triste e infeliz e sua transformação no homem que ri, com a “vitória” de Benjamin Lima nesta batalha moral contra os impugnadores de sua peça anterior. Embora, como já apresentamos, foi possível fazer uma ligação entre uma coisa e outra, entre o real e o ficcional, entre a censura de O “homem que marcha” e a farsa irônica anti-moralista de “O homem de ri”, é também no modelo de composição de peças teatrais do período que Benjamin Lima foi se inspirar pra produzir esta peça teatral. Expressões francesas compõem todo o percurso narrativo, a estrutura baseada nos três atos também são identificáveis, o tema do adultério e vingança é similar em todas as outras peças estudadas. Seria de todo inútil apontarmos os aspectos semelhantes entre as peças, pois já afirmamos que a composição entre as peças são idênticas e com características já apresentadas, mas as histórias se diferenciam e, de todo modo, alguns pontos devem ser elucidados. Os artigos aqui apresentados procuraram elucidar, por meio das peças teatrais de Benjamin Lima, aspectos significativos de sua trajetória intelectual, e somente neste sentido e diante desta limitação estes artigos podem ser entendidos e analisados. De algum modo procuramos contextualizar essas peças, afinal, à me-

dida que são escritas, a história e uma sequência de fatos políticos, econômicos, culturais e sociais vão se desenvolvendo. Qual a formação do público brasileiro? Quais as peças de maior sucesso? A relação das obras de Benjamin Lima com as de Nelson Rodrigues, cujos temas ligados à traição obedecem a lógicas diversas, certamente por razões espaciais e de mudanças no cenáculo teatral brasileiro e mundial. Os caminhos engendrados pelo movimento modernista não foram suficientes para entusiasmar os palcos brasileiros com suas lições. Benjamin Lima se encaixa exatamente no estudo de autores cooptados pelo poder, e o exercício constante de cargos públicos nos comprova esta assertiva, conforma análise. O curioso é que Benjamin Lima conseguiu se lançar de um bloco político ligado à fração aristocrata a outro pertencente ao Estado Novo, governado pelo ditador Getúlio Vargas. O “anatoliano” Benjamin Lima, título sem dúvida condizente com sua trajetória, assim foi descrito por Péricles de Moraes em sua última visita ao dramaturgo, quase ao fim da vida:“[...] contemplei-o de soslaio [...] era uma ruinaria. [...] o busto escanifrado, o pijama de flanela, debruado em seda, deixando transparecer as tíbias descarnadas que mal lhe sustentavam o corpo”. Apesar desta aparência, o olhar e a lembrança eram vívidas, bem como nunca deixou de mandar suas crônicas ao Jornal do Brasil. A doença, responsável pela reconversão de Benjamin Lima à carreira de escritor, agora agia de forma intempestiva e mais agressiva. Benjamin Lima falece em 9 de janeiro de 1948 na cidade do Rio de Janeiro.

Márcio Braz* *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

Os artigos aqui apresentados procuraram elucidar, por meio das peças teatrais de Benjamin Lima, aspectos significativos de sua trajetória intelectual, e somente neste sentido os artigos podem ser analisados”


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Programação de TV

DIVULGAÇÃO

SBT

GLOBO

RECORD

03:15h Jornal da semana Sbt

3h55 Santa Missa em Seu Lar

3h45 Bíblia Em Foco

04:00h Igreja Universal

4h55 Amazônia Rural

4h Santo Culto Em Seu Lar

05:00h Pesca Alternativa

5h25 Pequenas Empresas, Grandes

4h30 Desenhos Bíblicos

06:00h Brasil Caminhoneiro

Negócios

06:30h Aventura Selvagem

6h Globo Rural

7h Desenhos Bíblicos

07:30h Vrum

6h55 Auto Esporte

08:00h Sorteio Amazonas da Sorte

7h30 Esporte Espetacular – Espe-

(Local)

cial 40 anos

09:00h Domingo Legal

10h40 Temperatura Máxima

13:00h Eliana

12h Sintonize - Especial sertanejo.

17h30 Domingo Espetacular

17:00h Roda a Roda Jequiti

13h10 Divertics

21h Especial Final De Ano

17:45h Sorteio da Telesena

15h Futebol 2013: Campeonato

22:15 Tela Máxima

18:00h Programa Silvio Santos

Brasileiro - Atlético PR x Vasco da

23h10 Programação Iurd

22:00h De Frente Com Gabi

Gama

23:00h Série: True Blood

17h Domingão do Faustão

00:00h Série: Divisão Criminal/ The

18h55 Fantástico

Closer

21h25 Junto e Misturado

01:00h Série: Cidade do Crime//

22h Domingo Maior

Southland

23h50 Sessão de Gala

02:20h Big Bang

1h35 Corujão

03:00h Igreja Universal

3h15 Festival de Desenhos

BAND 04:00 – Popeye 05:30 – Santa Missa No Seu Lar 06:30 – Sabadão Do Baiano 07:00 – Conexão Cargas 08:30 – Oscar - Desenho 08:30 – Mackenzie Em Movimento 08:45 – Infomercial – Polishop 09:45 – Verdade E Vida 10:00 – Pé Na Estrada 10:30 – Minuto Do Futebol - Boletim 10:35 – Copa Petrobras De Marcas 11:00 – De Olho No Futebol - Boletim 11:35 – Band Esporte Clube 14:00 – Gol, O Grande Momento 14:30 – Futebol 2013 Campeonato Brasileiro 16:50 – Terceiro Tempo 19:00 – Oscar - Desenho 19:10 – As Caçadoras De Relíquias 20:00 – Só Risos 21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre 01:00 – Minuto Do Futebol – Boletim 01:05 – Alex Deneriaz 01:40 – Show Business-reapresentação 02:30 – Igreja Universal

8h Amazonas Da Sorte 9h Record Kids 10h Domingo Da Gente 13h15 O Melhor Do Brasil

O humorístico “Divertcs” vai estrear hoje, na TV Globo

Horóscopo

Cinema

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ

ESTREIA

ÁRIES - 21/3 a 19/4 É tempo de colocar sua marca naquilo que faz. Não poupe esforços, mas concentre-se no que é vital. Os empreendimentos pessoais e as ações criativas estão favorecidos.

Última Viagem à Vegas: EUA. 12 anos. Billy (Michael Douglas), Paddy (Robert De Niro), Archie (Morgan Freeman) e Sam (Kevin Kline) são amigos desde a infância e hoje são senhores de idade. Quando Billy, o solteirão do grupo, decide enfim pedir em casamento sua namorada de trinta e poucos anos, ele e os amigos resolvem viajar até Las Vegas para reviver a juventude e curtir uma tremenda despedida de solteiro. O que eles não imaginavam é que a Las Vegas atual seria bem diferente da cidade que eles conheceram décadas atrás. Cinemark 1 – 13h30, 16h, 18h30, 21h (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 13h30, 19h10 (leg/diariamente); Cinépolis9 – 16h30, 21h15 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h30, 17h40, 19h50, 22h (dub/diariamente).

TOURO - 20/4 a 20/5 Bom momento para construir uma casa ou um lar mais sólido, no sentido literal ou figurado. Pode construir relações familiares mais sólidas, limpando o que for preciso. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 É favorável pensar em trabalhar em conjunto com as pessoas. O momento favorece também consolidar as relações de amizade. Os bons esforços resultarão em algo bom. CÂNCER - 22/6 a 22/7 O trabalho e os negócios ganham forma mais definida. As responsabilidades no trabalho estão a seu favor. Ao dar conta delas, você irá prosperar e consolidar sua posição. LEÃO - 23/7 a 22/8 Mantenha firme a direção e as grandes mudanças são facilitadas. Sua mente está imaginativa e inspirada, e você poderá dar encaminhamento criativo às questões. VIRGEM - 23/8 a 22/9 As relações e a boa comunicação se consolidam, mesmo que em meio a um caminho árduo. Não queira chegar logo à solução sem ter percorrido toda a estrada. LIBRA - 23/9 a 22/10 Procure perceber como você gosta de ajudar os amigos, seus companheiros e as pessoas do ambiente social. É um dia para dar e receber a ajuda de um jeito especial. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Você precisa dar conta das responsabilidades básicas, se quiser que seu trabalho se desenvolva. As questões materiais são as principais a serem cuidadas por você. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Momento para você absorver em seu comportamento, os ensinamentos e os valores que você julgue corretos e coerentes. Supere as velhas dificuldades e se renove por completo. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Você está mais confiante para superar as dificuldades e para fazer frente a compromissos assumidos. Resolver o passado está facilitado, e isso lhe permitirá dar um passo adiante. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento favorável para fortalecer os projetos e intenções comuns com seu parceiro de vida e com possíveis sócios. Mesmo que dê trabalho, este é um trabalho que vale a pena. PEIXES - 19/2 a 20/3 O bom aspecto do dia favorece os resultados práticos no trabalho e a execução de tarefas de responsabilidade e rigor. Sua construção profissional se solidifica e ganha força.

Como Não Perder Essa Mulher: EUA. 16 anos. Jon mora sozinho e tem orgulho da vida que leva, sem se prender a alguém. Por mais que goste bastante de sexo, ele segue a filosofia de que nenhuma relação sexual é tão boa quanto pornografia, já que lá ele encontra exatamente o que quer. Entretanto, sua vida muda após conhecer numa boate aquela que seria a mulher nota 10: Barbara. Ele tenta levá-la para casa, mas ela faz jogo duro e nada acontece. É quando Jon percebe que terá mudar sua tática habitual, aceitando namorála e se submeter aos seus caprichos, caso queira ter algo com ela. Cinemark 5 – 12h, 14h20, 16h40, 19h, 21h10 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 16h10, 21h55 (leg/diariamente); Cinépolis 9 – 14h15, 19h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h50, 17h10, 19h15, 21h20 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h50, 19h, 21h (dub/diariamente). Carrie, a Estranha: EUA. 16 anos. Carrie retrata um grande desastre ocorrido na cidade americana de Chamberlain, Maine, destruída pela jovem Carietta White. Nos anos anteriores à tragédia, a adolescente foi oprimida pela sua mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Além dos maus tratos em casa, Carrie também sofria com o abuso dos colegas de escola, que nunca compreenderam sua aparência, nem seu comportamento. Um dia, quando a jovem menstrua pela primeira, ela se desespera e acredita esta morrendo, por nunca ter conversado sobre o tema em casa. Mais uma vez, ela é ridicularizada pelas garotas do colégio. Aos poucos, ela descobre que possui estranhos poderes telecinéticos, que se manifestam durante sua festa de formatura, quando os jovens mais populares da escola humilham Carrie diante de todos. Cinemark 8 – 12h10, 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (dub/diariamente), 0h (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 10 – 13h15, 18h (dub/diariamente), 15h40, 20h30 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 15h20, 17h30, 19h40, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 17h10, 19h15, 21h30 (dub/diariamente). Linha de Frente: EUA. 16 anos. Jason Statham é um ex-agente do departamento de narcotráficos, Phil Broker, um homem de família que sai de cena com sua filha para tentar fugir de seu passado conturbado. No entanto, o entorno de Broker se revela nada tranquilo quando ele descobre que o submundo das drogas e a violência assombram a pequena cidade. Logo, um chefão sociopata do tráfico de metanfetamina, Gator Bodine (James Franco), coloca Broker e sua filha em perigo, forçando o ex-agente a voltar à ativa para salvar sua família e a cidade. Cinépolis 6 – 15h15, 17h35, 20h, 22h20 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 15h30, 17h40, 19h50, 22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES

A Floresta de Jonathas: BRA. 12 anos. Playarte 4 – 12h50, 14h50, 16h50, 18h50, 20h50 (diariamente), 22h50 (somente sextafeira e sábado). Infectados: EUA. 12 anos. Cinépolis 13h (dub/diariamente). Crô: BRA. 12 anos. Cinemark 6 – 12h40, 14h50, 17h10, 19h30, 21h50 (diariamente); Cinépolis 1 – 18h10 (dub/diariamente); Cinépolis 4 – 14h (exceto dia 12/12/), 16h35, 18h45, 21h (diariamente), 14h (Cine Materna – somente dia 12/12); Playarte 6 – 13h30, 15h25, 17h20, 19h15, 21h10 (diariamente), 23h05 (somente sexta-feira e sábado); Playarte 7 – 19h16, 21h11 (diariamente); Cinemais Millennium – 15h, 17h15, 19h10, 21h10 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 19h40, 21h50 (diariamente).

Um Time Show de Bola: ARG/ESP. Livre. Cinemark 3 – 12h30, 17h30 (dub/ diariamente); Cinépolis 1 – (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 15h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 10 – 13h30, 15h45, 18h (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40 (dub/diariamente). Vovô Sem Vergonha: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 19h50, 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis 7 – 12h30 (leg/somente sábado e domingo), 14h45, 17h, 19h20, 22h (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (leg/diariamente), 23h15 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h, 21h (leg/diariamente). Jogos Vorazes – Em Chamas: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 20h (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 7 – 12h20, 15h30,

18h50, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 5 – 18h15 (dub/diariamente), 15h (leg/diariamente), 21h30 (exceto dia 12/12); Playarte 1 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente), 23h25 (leg/somente sexta-feira e sábado). Playarte 2 – 19h40 (leg/diariamente). 22h35 (leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 8 – 19h (dub/diariamente), 22h (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 10 – 20h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 18h40, 21h30 (dub/ diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 18h20, 21h10 (dub/diariamente).

(dub/diariamente). Thor 2 – O Mundo Sombrio: EUA. 10 anos. Cinemark 4 – 18h10, 20h50 (3D/ dub/diariamente), 23h30 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 12h50, 15h20 (dub/ diariamente); Playarte 9 – 13h, 15h25, 17h50 (dub/diariamente), 20h15 (leg/diariamente), 23h45 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza – 17h, 19h20, 21h35 (dub/ diariamente).

Capitão Phillips: EUA. 14 anos. Cinépolis 1 – 20h40 (leg/diariamente).

Meu Passado Me Condena: BRA. 12 anos. Cinemark 3 – 15h (diariamente); Playarte 7 – 13h, 15h05, 17h10 (diariamente), 23h10 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza – 16h40, 21h20 (diariamente).

Bons de Bico: EUA. Livre. Cinemark 2 – 13h, 15h05, 17h20 (dub/diariamente); Playarte 2 – 13h40, 15h40, 17h40 (dub/ diariamente); Playarte 8 – 13h, 15h, 17h

Sobrenatural – Capítulo 2: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 14h45, 17h, 19h20, 21h35 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h20, 18h50 (dub/diariamente).


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

::::: Verdadeiro absurdo

::::: Sala de Espera

Jander Vieira

Hoje, Aline Maria Fernandes Aquino vai ganhar sessão parabéns com almoço divertido no Parque Tropical, a partir das 10h. Bom dia, flor do dia!

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Alou!

Na próxima terça-feira, no JH Studio – antiga joalheria da querida Jéssica Sabbá, no Vieiralves – o colunista estará recebendo um grupo de elegantes sobrenomadas, amantes das joias indispensáveis, para um dia inteiro de lançamento das preciosidades da empresária Janice Honorato regado a champanhe e chocolates. Um encontro do tipo seleto para somente 20 convidadas. Que tal?

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas está comandando, até o próximo dia 10, campanha “Natal do Idoso” em prol da Casa São Vicente de Paulo. São aceitas doações de roupas, sapatos e produtos de limpeza. Os donativos podem ser entregues na sede da SDS, no Parque 10. Vamos ajudar! Hoje é o último dia do “Outlet de Natal da Manazinha”, assinado pela apresentadora Norma Araújo, no Manaus Plaza Centro de Convenções. São 70 lojas com descontos de até 70%, a partir das 10h às 22h. Calvin Klein, Capodarte, Richards, Liz, Lilica &Tigor, Contém 1g, para citar algumas. E viva, Nossa Senhora da Conceição e o Dia do Colunista, datas superespeciais comemoradas hoje!

::::: Happy hour de Natal No próximo dia 16, a coluna estará em festa juntamente com 120 das pessoas mais celebradas. Isso mesmo, apenas 120, podendo chegar às 130. Afinal, o editor deste espaço presa por qualidade e não por quantidade... E você, que for convidada, marque presença! Onde? No Zefinha Bistrô, a partir das 19h03. A regra, “filha de sereia sereiazinha é” – desejada por muitas – vale para ela, filha da linda Marianna Rebelo Garcia: a bambina Lola em mais uma aparição toda estilosa no Shopping Ponta Negra

EIR PER

Como conselho é bom e não se paga por ele, aqui vai uma dica do editor deste espaço: evite andar distraído com seu celular de última geração em ruas de pouco trânsito nesta época. Os larápios estão à solta para “ganhar” presentes e você certamente não irá querer ser o “Papai Noel” dessas criaturas, não é?

A

::::: Todo cuidado

ICK

Carlos Rosas, Jorge Ayub e Marilua Bampi estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

A festejadíssima Lúcia Viana com a nora Rayssa Almeida e o filho Maurício Ghidalevich, na sessão parabéns dela que congestionou o Vieiralves

Alguém precisa avisar aos gerentes de inúmeras agências bancárias, entre elas o Bradesco do Boulevard Álvaro Maia, que o fim de 2013 chegou e o fluxo de gente procurando os serviços daqueles caixas eletrônicos é enorme. Na citada agência, mais da metade das engenhocas não ofereciam serviço de saque ou depósito na última sextafeira. Um transtorno.

HER

Também hoje, Maria Eduarda Almeida festeja seu niver com barbecue no Espetinho & Cia. Quem convida são seus pais Daniele e Fabiano Almeida.

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O samba do “caboco doido” está formado. É definitivamente impossível dirigir pela Djalma Batista em hora de pico com a falta de marronzinhos para colocar ordem nas filas duplas em frente as faculdades e centros de compras, com os irresponsáveis que se desvencilham dos carros para atravessar de um lado a outro da avenida. Para que serve aquela monstruosa passarela? Com muito trabalho e amor, a primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz vem cumprindo seus compromissos com o Fundo de Promoção Social. Em breve, a Inspetoria Salesiana do Pró-Menor Dom Bosco de Manaus vai receber um micro-ônibus, que dará suporte às atividades da instituição, atendendo mais de 800 jovens na capital


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013


MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

3

opiniao@emtempo.com.br

1

Os poemas do adolescente Vinicius

2

As curvas da estrada de Kerouac

(92) 3090-1010

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

O autor de ‘On the Road’ visto sob muitos ângulos. Pág. 3

As Farc contra a parede

Viagem ao coração da guerrilha colombiana. Págs. 4 e 5

4

Diário de Buenos Aires

5

Do arquivo de Miele

Todos seguemo cãozinho de Cristina ‘paz e amor’. Pág. 6

São Paulo, 1969. Pág. 8

Capa

ilustração de Eduardo Anizelli


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE DEZEMBRO DE 2013

Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

1

ADRIANO FRANCO/DIVULGAÇÃO

BRASILEIRO EXPOSIÇÃO| JOSÉ RUFINO Paulo, reúne objetos,desenhos e gravurasdo artista paraibano. Elementos orgânicos como raízes, galhos e troncos e odiálogo entre memória e esquecimentosão recorrentes emseus trabalhos. abertura na ter. (dia 10), às 19h | de ter. a dom., das 10h às 19h | até 5/1 | grátis

LIVRO | JOSÉ LINS DO REGO “Flamengo É Puro Amor” resume bem a paixão desenfreada que o escritor José Lins do Rego (190157), de “Menino de Engenho” e “O Moleque Ricardo”, devotava a seu time e ao futebol em geral. “Amo-o como um dos mais ardentes amores de minha vida”, escreveu certa vez sobre o clube. O livro, em nova edição, compila 111 crônicas, de 1945 a 1957, nas quais Lins do Rego, com a habilidade de um craque, retrata as glórias e tristezas de um torcedor. seleção de Marcos de Castro | José Olympio | R$ 32 | 240 págs.

LIVRO | PENSAR FILOSOFIA Este segundo volume da série organizada pelo ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento enfoca o debate filosófico contemporâneo. O livro traz textos das conferências do historiador Robert Darnton e do crítico literário Fredric Jameson, entre outros pensadores, e entrevistas com os filósofos Peter Singer e José Arthur Giannotti, além de ensaio visual feito pelo artista Felipe Cohen. org. Eduardo Wolf | Arquipélago Editorial | R$ 36 | 240 págs.

Obra de José Rufino na exposição do MuBE

LIVRO | LUCAS LENCI Entre 2007 e 2012, o fotógrafo Lucas Lenci percorreu e retratou cidades de vários países. O trabalho ganha agora as páginas do livro “Desaudio”, composto por 27 imagens de lugares como Tóquio, Nova York e Maldivas, e texto do também fotógrafo Cássio Vasconcellos. Em cada foto perpassa uma certa melancolia, resultado da busca de Lenci por espaços vazios ou de poucas figuras humanas. Estúdio Madalena/Terceiro Nome | R$ 85 | 60 págs.

LIVRO | ARISTÓTELES “Sobre a Alma” integra a coleção de obras completas do filósofo grego publicada pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda de Portugal. No Brasil, a série é adaptada pela WMF Martins Fontes. Neste livro, Aristóteles investiga o conceito de psykhé (o “princípio vital”) - definido, em termos metafísicos, como forma e ato de um corpo vivo. A portuguesa Ana Maria Lóio, tradutora da obra, escreve que o texto é “extraordinariamente inovador, tanto no que diz respeito ao método de investigação como às doutrinas propostas”. Luzia Aparecida dos Santos (adaptação) | WMF Martins Fontes | R$ 29,80 | 168 págs.

LUCAS LENCI

SEMINÁRIO | DIÁLOGO DAS CIVILIZAÇÕES Evento organizado pela artista plástica Denise Milan e pela professora do departamento de filosofia da USP Olgária Matos enfoca o cosmopolitismo do espírito e a relação das tradições das culturas cristã, árabe e judaica da Idade Média com o mundo contemporâneo. Entre os convidados internacionais estão o historiador libanês Youssef Rahme e o diplomata francês Anis Nacrour. amanhã (dia 9), na Biblioteca Mário de Andrade, e terça (dia 10), na Tenda Cultural Ortega y Gasset, na USP | grátis | www.dialogodascivilizacoes.wordpress.com

POP

ERUDITO

LIVRO | LUIZ COSTA LIMA Em “Frestas: a Teorização em um País Periférico”, o crítico literário revisita e sintetiza temas expostos em alguns de seus livros mais recentes, como “O Controle do Imaginário e a Afirmação do Romance” e “A Ficção e o Poema”. O amplo escopo teórico do título abarca a Grécia Antiga, os filósofos Nietzsche e Heidegger e o panorama intelectual brasileiro nos últimos 50 anos. Contraponto | R$ 74 | 520 págs.

COLEÇÃO | VINICIUS DE MORAES Publicado originalmente em 2002, o “Arquivinho Vinicius de Moraes” (compilação de imagens, cartas e manuscritos) ganha reedição comemorativa em homenagem ao centenário do poeta e compositor. As novidades são a versão fac-símile de um caderno de 1931, com poemas de adolescência, e um CD no qual Miúcha interpreta sucessos de Vinicius. Bem-Te-Vi | R$ 225

CINEMA | MAURICE PIALAT Festival apresenta todos os longas, e alguns curtas, do cineasta francês (1925 - 2003). Pialat fez dos personagens transgressores e deslocados o centro de sua breve (apenas dez longas) e vigorosa obra. “Sob o Sol de Satã” (1987), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, e “Van Gogh” (1991) são alguns dos destaques da mostra. CCBB - SP | de qua. (dia 11) a 29/12 | de R$ 2 a R$ 4 | www.bb.com.br/cultura

ESTRANGEIRO

‘Rua 48, Nova York’ (2012), foto do livro ‘Desaudio’

Folha.com COLÔMBIA Ensaio fotográfico de Eduardo Anizelli, no Catatumbo

Ilustríssimos desta edição VICTOR MORIYAMA - 27.JUN.2013/FOLHAPRESS

BRUNO DUNLEY, 29, é artista plástico; participa da exposição “Alémdo Ponto e da Linha”, em cartaz no MAC- USP CLAUDIO WILLER, 73, é poeta, ensaísta e tradutor. Publicou “Geração Beat” (L&PM Pocket, 2009), “Manifestos 1964-2010” (Azougue, 2013) e a tradução do “Livro de Haicais”, de Jack Kerouac (L&PM, 2013), entre outros. DIRCE WALTRICK DO AMARANTE, 43, é tradutora, professora de artes cênicas na UFSC e autora de “Para Ler Finnegans Wake de James Joyce” (Iluminuras). EDUARDO ANIZELLI, 31, é fotógrafo da Folha.

FLÁVIA MARREIRO, 33, é repórter da Folha. LÍGIA MESQUITA, 31, é correspondente da Folha em Buenos Aires. LUIZ CARLOS MIELE, 75, é cantor e produtor musical. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.). GERTRUDE STEIN (1874-1946), escritora americana, autora de “A Autobiografia de Alice B. Toklas” (Cosac Naify), terá suas peças publicadas no Brasil em janeiro.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha >>folha.com/ilustrissima


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Crítica

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Kerouac, o biografável Diferentes versões da vida do andarilho Jack JEROME YULSMAN/GLOBE PHOTOS/ZUMAPRESS.COM

RESUMO Com uma vida intensa, que se confunde com sua criação literária, Jack Kerouac (1922-69) é o escritor biografável por excelência: há mais títulos sobre ele do que livros escritos pelo autor de “On the Road”. Uma das principais obras desse cunho, “O Livro de Jack”, misto de mosaico de depoimentos e crítica, sai agora no Brasil.

CLAUDIO WILLER

No seu prefácio a “O Livro de Jack”, que escreveu com Lawrence Lee, Barry Gifford observa que seu intuito era “conduzir o público à leitura dos 11 romances de Kerouac, quase sempre ignorados, e de seus demais trabalhos”. Em 1978, quando da publicação original deste “O Livro de Jack – Uma Biografia Oral de Jack Kerouac” [trad. Bruno Gambarotto, Biblioteca Azul, R$ 49,90, 496 págs.], beat e contracultura pareciam coisa do passado. Hoje não mais. “On the Road”, de Kerouac (traduzido como “Pé na Estrada” por Eduardo Bueno, com sucessivas reedições, desde 1984), se firma cada vez mais como a narrativa mais influente da segunda metade do século 20. Outros títulos merecem ser lembrados, como “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger, ou “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez. No entanto, estes não ultrapassaram o sistema literário. Com “On the Road”, Kerouac o extrapolou. Junto com “Uivo e Outros Poemas”, de Allen Ginsberg, promoveu o aparecimento dos beatniks e dos hippies. Seu chamado à aventura inspirou outros a saírem estrada afora. Foi decisivo para figuras do porte de Bob Dylan, que fugiu de casa após lê-lo; também para Francis Ford Coppola e para Lou Reed, entre tantos que integraram o cordão de autores e personalidades influenciados por Kerouac e pela geração beat. Não obstante, desde seu lançamento, em 1957, “On the Road” vem sendo atacado por críticos, pelo culto à espontaneidade, desordem formal, apologia da libertinagem. Recebeu objeções pautadas pela correção política, que apontaram hedonismo, sexismo e imediatismo. Os autores da geração beat chegaram a ser acusados de iletrados. Na verdade, eles foram um exemplo de crença extrema na criação literária, atribuindo-lhe valor mágico, como fonte de acontecimentos, e não só de textos. Bibliografia Felizmente, cresce uma bi-

bliografia crítica pertinente. Ela é representada, entre outros exemplos, pelos ensaios de Howard Cunnell, Penny Vlagopoulos, George Mouratidis e Joshua Kupetz que precedem a edição de “On the Road “’ O Manuscrito Original [trad. Eduardo Bueno e Lúcia Brito, L&PM, R$ 24,50, 464 págs.]. Junto com os ensaios, vieram as biografias. Em número de títulos, elas superam aqueles da extensa obra de Jack Kerouac. Personagem de si mesmo, com uma vida intensa que se confundiu com a criação literária, ele é o escritor biografável por excelência. O estudo biográfico pioneiro é o de Ann Charters, “Kerouac: a Biography” [St. Martins Press, R$ 62,30, 432 págs.]. Lançada originalmente em 1973, a obra descerrou cortinas ao relatar a intrincada vida sexual do escritor e de Neal Cassady com Carolyn Cassady, Luanne Henderson e outros parceiros – inclusive Allen Ginsberg. Charters trouxe à luz cenas como esta, ocorrida em Denver, em 1947: decidida a retornar à Califórnia, Carolyn, já companheira de Cassady, com quem se casaria e teria filhos, passa por seu apartamento para despedir-se; ao abrir a porta, encontra-o deitado em companhia de Luanne e Ginsberg, um de cada lado da cama. Em seguida vieram outras. “Memory Babe” [University of California Press, 767 págs., esgotado], de Gerard Nicosia, é de 1983 e continua a ser a mais completa dessas biografias, como o reconhecem outros estudiosos, a exemplo de Barry Miles – seu “Jack Kerouac “’ King of the Beats” [trad. Roberto Muggiati, Cláudio Figueiredo, Beatriz Horta, ed. José Olympio, R$ 50, 420 págs.], de 1998, saiu no Brasil em 2012. “Visions of Kerouac” [Ithaca Press, 235 págs., esgotado], de Charles E. Jarvis, é de 1974. O livro teve sua faísca inicial em 1968, quando, aproveitando uma estada em Lowell, cidade natal do escritor e dele próprio, Jarvis se pôs a gravar falas do alcoólatra terminal e o acompanhou pela noite, assombração percorrendo uma cidade fantasma. Já “Subterranean Kerouac” [St. Martins Press, R$ 91,70, 448 págs.], de Ellis Amburn, publicado em 1998, faz incidir o foco sobre a complicada vida sexual do escritor. E há que lembrar os depoimentos: Ginsberg escreveu, em 1974, “Visions of the Great Rememberer” [Mulch Press, 71 págs., esgotado]; em “Off the Road” [Overlook, e-book, R$ 22,21], de 1990, Carolyn Cassady polemizou com Gerard Nicosia. Joyce Johnson, companheira de Kerouac na época do lançamento de “On the Road”, publicou o premiado “Minor Characters” [Penguin, e-book, R$ 35,58] em 1984. Por fim, “Memórias de uma Beatnik” [trad. Ludimila Hashimoto, Veneta, R$ 24,90, 216 págs], de Diane di Prima, lançado no Brasil neste ano, relata uma performance de sexo tântrico entre a poeta beat e Jack – biógrafos não sabem precisar se Di Prima ficcionalizou os fatos ou se eles fizeram tudo aquilo.

Coral Obra polifônica, coral de vozes díspares, mas não dissonantes, “O Livro de Jack” acompanha a vida toda de Kerouac. Barry Gifford e Lawrence Lee partem de um amplo espectro de entrevistados, que inclui desde personagens qualificados, como Allen Ginsberg, William Burroughs e Gary Snyder, e participantes ativos, como o delinquente Herbert Huncke, até figuras secundárias, mas que trazem depoimentos reveladores: o parceiro de sinuca de Cassady, Jim Holmes, e o casal Al e Helen Hinkle (Ed e Galatea Dunkel em “On the Road”). Não há nada de panegírico: por mais que a importância de Jack Kerouac seja admitida, isso não impede críticas. Mais do que isso, há objeções a Neal Cassady, caracterizado como psicopata por Burroughs e John Clellon Holmes e detestado por ex-colegas de Denver. Lee e Gifford, este último também autor do romance “Wild at Heart” (filmado por David Lynch), não se limitaram a ir atrás de personagens e recolher depoimentos. Comentários e apresentações de cada capítulo compõem não só uma biografia mas uma avaliação crítica de Kerouac, que os autores souberam conduzir, abordando questões relevantes – por exemplo, seu misticismo, ou sua formação literária, com momentos decisivos como a visita dele e Ginsberg a Burroughs. Os biógrafos esclarecem como Kerouac escrevia – espontaneamente, mas nem sempre: foi dele a iniciativa de reescrever várias vezes “On the Road”, e uma de suas obras mais complexas, “Doctor Sax”, foi sendo elaborada de 1948 a 1958. Corrigem a injustiça com relação ao crítico Malcolm Cowley, acusado por Kerouac de normalizar seu texto. Mas sancionam um erro: o rolo em que datilografou “On the Road” não era de papel para telex dado por Lucien Carr: esse seria usado em outras ocasiões, mais tarde. É claro que muita coisa relevante foi deixada de fora. Mas a crise a partir do final de 1957, o modo como Kerouac se desestruturou e seus sombrios anos finais de vida estão bem relatados. Além da informação biográfica, há discussão literária, destacando a poesia de “Mexico City Blues” e os complexos “Visões de Cody” e “Doctor Sax”. O livro subestima, no entanto, “Os Vagabundos Iluminados” – basta confrontar com a leitura de Regina Weinreich, no prefácio do recente “Livro de Haicais” (L&PM 2013, tradução minha) – e a prosa poética de “Anjos da Desolação” (trad. Guilherme da Silva Braga, L&PM, 2010). E, principalmente, faz pouco, injustamente, de seu canto de cisne, “Vanity of Duluoz”, já de 1967, quando ele estava às vésperas da morte. A edição brasileira vem com prefácios de Walter Salles e Gifford, atualizando-a. Mas faltam as fotografias que ilustram a edição original. Houve dificuldades com a negociação de direitos, informa o editor, e aquelas foram substituídas

Jack Kerouac e sua então namorada Joyce Johnson em Nova York, em 1958

por outras, que deveriam ter recebido legendas. Para ver as caras de Luanne Henderson e Herbert Huncke, ou do casal Hinkle, será preciso baixar a edição eletrônica de “Jack’s Book” ou ir à página de internet dedicada a Ginsberg (allenginsberg.org). Foram mantidos o roteiro de pseudônimos e nomes reais dos personagens das narrativas de Jack Kerouac, além do índice remissivo e da bibliografia – mas deveriam ter sido consignados os títulos já publicados no Brasil. Verdade “O Livro de Jack” remete à questão da verdade biográfica. No prefácio, Gifford provoca, citando Freud: “Para ser

biógrafo, você precisa ocuparse de mentiras, acobertamentos, hipocrisias, falsidades e mesmo apagar sua falta de compreensão, pois a verdade biográfica é impossível e, se a ela chegássemos, não poderíamos utilizá-la... A verdade não é possível, a humanidade não a merece”. Contrapõe a esse julgamento categórico um comentário de Ginsberg: “Meu Deus, é como o ‘Rashomon’ – todo mundo mente, e a verdade vem à tona!”. Mas a melhor resposta à questão da “verdade” é dada por Gary Snyder: “Jack era, em certo sentido, um mitógrafo norte-americano do século 20”. Seus personagens e episódios se tor-

nariam “parte da mitologia dos Estados Unidos na qual estava trabalhando”. O que importa não é reproduzir a realidade, mas sim criar novos mitos, que se projetam no mundo e o transformam. Essa argumentação jamais seria entendida pelos que se pretendem donos de suas imagens. Se fosse no Brasil e a família Sampas, sucessores de Kerouac, adotasse o desastrado discurso contra as biografias que dominou o noticiário nacional recentemente, boa parte da bibliografia aqui mencionada não alcançaria seus leitores. O que sobraria de “O Livro de Jack” se o personagem-tema fosse algum Roberto Carlos?


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Reportagem

3 Os clarões de Catatumbo Uma expedição à zona do fogo cruzado colombiano RESUMO A Folha visitou a região de Catatumbo, no nordeste da Colômbia, um dos principais focos do conflito armado entre as guerrilhas, entre elas as Farc, e o governo. Dividida pela violência de ambas as partes, a falta de infraestrutura e os altos rendimentos do narcotráfico, a região espelha os entraves ao processo de paz no país.

FLÁVIA MARREIRO FOTOS EDUARDO ANIZELLI

Em 18 de março de 2011, pouco depois das 5h, Eloína Velázquez passava o “tinto”, como chamam o café preto na Colômbia, quando começaram os disparos dos guerrilheiros das Farc contra o posto policial do povoado de Las Mercedes, a metros da sua cozinha. “Segui coando. O neto saiu correndo, e o velho também, de roupa de baixo”, conta a mulher de 66 anos, quase sem mover a cadeira de balanço de fios plásticos coloridos, rádio de pilha no colo sintonizado numa estação católica. A poucas quadras dali, em frente ao posto policial, uma pilha de sacos de areia serve de trincheira contra os cilindros de ferro carregados de explosivos que os guerrilheiros lançam de tempos em tempos das montanhas próximas. A barricada no meio do povoado evidenciava, numa terça-feira de novembro, que o conflito seguia, enquanto as Forças Armadas Revolucioná-

rias da Colômbia e o governo do país negociavam em Havana. Na capital cubana, as duas partes tentam há um ano pôr fim a cinco décadas de enfrentamento, encontro que alguns analistas classificam como o mais promissor de paz nas últimas décadas. “Para mim, é uma enganação”, avalia a dona de casa Eloína, mãe de cinco filhos que passaram pelo Exército. Antes de destruir sua casa, a guerra já havia matado um deles, Elmes, 26, em 2007. Quando em serviço, ele foi vítima de uma granada arremessada por um integrante das Farc. “Desde então não escuto as estações de notícias”. O desdém dela pelas negociações de paz – que se realizam sem um cessar-fogo no terreno, uma novidade na história da Colômbia – era compartilhado por Gladys, dona de uma pequena loja na praça principal, pelo aposentado Ramiro, 72, ou pelo pedreiro Héctor, 63, moradores com quem a Folha conversou. O trio, que ainda vive perto do posto da polícia, encena todas as noites um ritual insólito: deixa suas casas para dormir no outro lado da cidade, o mais longe possível da mira das Farc. Ao pôr do sol, a cidade ganhou ares sombrios. Na praça principal e nos quarteirões próximos à polícia, tudo ficou às escuras (os policiais proíbem iluminação para não se expor). A única luz vinha de dentro da igreja – onde a missa não havia terminado –, vigiada de longe por um policial. Na porta do templo, uma mensagem do Evangelho de Lucas chocava por soar não profética, mas cotidiana: “Um dia tudo será destruído”. Catatumbo Las Mercedes foi a primeira parada de uma viagem de cinco dias que a Folha e uma equipe da TV estatal russa fizeram, a convite do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pela zona de Catatumbo, nordeste

da Colômbia. Os povoados de Filo El Gringo e San Pablo e a cidade de El Tarra, ruidoso centro comercial da região, completariam o quadro de populações visitadas, no meio do fogo cruzado, na zona que é estratégica para o conflito armado e que provavelmente será um desafio no futuro, caso a paz seja assinada. Catatumbo quer dizer “luz constante” na língua de um povo indígena da região. Provável referência aos clarões dos relâmpagos frequentes na zona, a palavra parece evocar a força sonora dos trovões que sucedem os raios – e, há três décadas, também das bombas. “Nesta zona há a modalidade mais dura do conflito. Nela se conjugam três coisas: guerrilha, narcotráfico e a intenção do Estado de se consolidar institucional e militarmente. Não é fácil atuar sob pressão”, disse Jorge Mario Arenas, 42, o enérgico prefeito de El Tarra, quando recebeu a Folha. As aflições do prefeito, uma das poucas vozes otimistas com o processo de paz que a reportagem encontraria em Catatumbo, têm raízes geográficas, geopolíticas e econômicas na região. A Cordilheira Oriental, um desdobramento dos Andes, corta a área, que faz divisa ao leste com a Venezuela. O refúgio nas montanhas e a possibilidade de cruzar facilmente a fronteira de controles frouxos ou nulos transformaram a região numa importante retaguarda e centro logístico para as Farc a partir de 2002, quando começou a ofensiva militar deflagrada na gestão Álvaro Uribe (2002-10). Segundo o governo, é na região – ou em partes contíguas já em território venezuelano – que se esconde Rodrigo Londoño, 54, “Timoleón Jiménez” ou “Timochenko”, atual chefe máximo das Farc. Não por acaso, Catatumbo é a única zona do país onde atuam as três guerrilhas ativas

na Colômbia. Além das Farc, ocupam os montes e se infiltram nas cidades o ELN (Exército de Libertação Nacional) e os remanescentes do EPL (Exército Popular de Libertação), sendo seu chefe, Megateo, hoje o homem mais procurado da Colômbia. Os três grupos atuam em várias fases da cadeia do narcotráfico, às vezes associados entre si, em outras com apoio de redes criminosas. A cocaína, principal fonte de financiamento das guerrilhas, é um motor econômicos da zona, produtora de folha de coca. Nos cálculos do coronel Jorge Alberto Mendoza Quiroga, 43, cerca de 550 guerrilheiros se espalham pelas montanhas. Número 2 da força-tarefa conjunta Vulcão, que desde 2011 tem 11 mil soldados na área, Mendoza diz que a desproporção entre os números de soldados e de guerrilheiros não deveria causar pasmo. “Um terrorista pode afetar centenas de pessoas.” Entre os trabalhos da tropa, diz o coronel, está a defesa do oleoduto que cruza a região rumo ao norte e das demais instalações da Ecopetrol, a estatal petroleira colombiana – desde os anos 1930 a região se dedica à exploração de petróleo. Quase diariamente, as guerrilhas tentam explodir o tubo. Zona roja O oleoduto, visível em alguns trechos da estrada, é um dos sinais mais claros da presença

PODERIO

Catatumbo é a única zona de todo o país onde atuam as três guerrilhas ainda ativas: as Farc, o ELN (Exército de Libertação Nacional) e o EPL (Exército Popular de Liberação)

do Estado colombiano em Catatumbo. Como se trata de uma das chamadas “zonas rojas” (vermelhas) do conflito, o governo investe com parcimônia ali, enquanto não se dá a “consolidação” militar da área. Se o número de pobres na Colômbia é alto até mesmo para a América Latina (34,2%), na região alcança média de 40,4%. As “obras de impacto” e pequenas ações sociais ficam a cargo do Exército e do assistencialismo provido pela Ecopetrol e por organizações como a Cruz Vermelha Internacional ou a católica Cáritas. Nas estradas, mesmo trechos de poucos quilômetros só são vencidos após horas de percurso a bordo de veículos de tração reforçada. A rota cheia de barrancos que leva a El Tarra, uma das principais cidades da zona, com 13 mil habitantes, termina numa ponte decrépita sobre o rio do mesmo nome. Quando a Folha chegou ao local, era quase noite. Enquanto caminhões com mercadorias descarregavam do outro lado da ponte, uma explosão se fez sentir. “Sim, é uma bomba”, esclareceu a canadense Stéphanie Ferland, a delegada da Cruz Vermelha Internacional responsável por Catatumbo. Na entrada da cidade, soldados pararam a comitiva. A “hostilidade”, eufemismo para a bomba ouvida pouco antes, poderia causar atrasos. Mas o que os homens do coronel Mendoza queriam era ajuda. Explicaram a Ferland que um homem havia sido picado por uma cobra e que não havia soro antiofídico nem transporte para levá-lo ao hospital mais próximo. El Tarra poderia estar no Norte ou no Nordeste do Brasil. A diferença mais flagrante entre a localidade e uma similar brasileira estava estampada nas paredes. Ao redor da praça principal, em comércios e casas particulares, inscrições feitas com estêncil serviam para explicitar que ali, como em boa

parte de Catatumbo, vigia o controle tácito das guerrilhas, notadamente das Farc e da ELN, a despeito de quantos soldados houvesse na entrada ou em postos. “O governo e os generais não estão reportando o total dos subalternos mortos e feridos nas selvas”, sustentava um texto num dos muros, subscrito pelas Farc-EP, sendo a última parte da sigla uma abreviação de “Exército Popular”. Quem vende qualquer coisa em todo Catatumbo paga taxas e uma espécie de pedágio aos grupos guerrilheiros para entrar. As taxas mais pesadas são cobradas dos fornecedores de gasolina, em geral contrabandeada da Venezuela, e dos de cerveja. Em alguns povoados, as Farc e o ELN repartem os dividendos da cobrança da “vacuna”, vacina em espanhol. “Se não abasteço com eles, queimam meus veículos”, contou o dono de uma frota de transporte de passageiros em Las Mercedes, pedindo que seu nome fosse ocultado. Em El Tarra, o controle abarca até mesmo serviços de infraestrutura. Uma operadora de celular foi impedida de se instalar na cidade neste semestre porque se recusou a pagar a “vacuna”. Já a prefeitura teve de desistir, ao menos por ora, de trazer internet via fibra ótica para a cidade. “Quando a fibra chegou a 15 km daqui, a guerrilha


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disse que não, que a internet ia desviar os jovens do espírito de luta”, contou, contrariado, Yeisson Claro, 27, secretário de governo de El Tarra. As restrições também se aplicam aos demais meios de comunicação da cidade. “Aqui não damos notícias sobre um lado nem sobre o outro”, expressa Diana Quintero, 29, locutora de um programa matinal da rádio católica. Mãe de uma adolescente de 12 anos, Quintero diz temer pelo futuro da filha. Há uma regra não escrita da guerrilha que proíbe as moças de

se relacionarem com soldados. “Uma menina de 15 anos que morava perto da prefeitura foi morta. Matam uma e com isso mandam o recado”. Capacetes Pouco depois das 21h, não se via, nas ruas principais de El Tarra, policiais ou soldados. Até que seis homens do Exército surgiram a caminho da praça principal, observados pelos moradores. Apesar das metralhadoras e dos capacetes, andavam mais cautelosos do que imponentes.

“Caminham como os americanos ao patrulhar Bagdá. É como se fosse um território ocupado, não seu próprio país”, comentaria, depois, Aleksander Sladkov, ex-oficial e apresentador de um programa militar na TV estatal russa que nos acompanhava na viagem. A madrugada seria de mais “hostilidades”, que derrubariam por dois dias o sinal de celular em El Tarra. O britânico Jeremy McDermott, da Fundação InSight Crime, “think tank” voltado ao estudo do crime organizado nas Américas, usa outra imagem para descrever os soldados locais: “Para mim, que fui do Exército, a situação lembra a guerra com a Irlanda do Norte”. O problema para os policiais e soldados, e também para a população civil, é que em cidades como El Tarra o perigo pode vir de qualquer lado, de dentro de lojas, de uma bola de futebol recheada de explosivos ou de uma lata de lixo. “Há uma nova fase. A guerra não é mais de guerrilheiros de uniforme e emboscadas tradicionais. As Farc recrutam cada vez mais milicianos, que moram nas cidades, não raro têm emprego e são muito mais baratos”, diz McDermott. Na maioria das vezes, são esses milicianos que, em roupas civis, colocam a bomba onde estão os soldados e atuam como franco-atiradores contra homens isolados do Exército. “As emboscadas que víamos aqui nos anos 1990, com até mais de mil guerrilheiros atacando postos policiais, já não acontecem”, afirma o britânico. As fronteiras pouco claras entre combatentes e não combatentes e o uso, pelas duas partes armadas, dos civis como “escudo” aumentam muito os riscos humanitários do conflito – a Colômbia só perde para o Afeganistão em número de minas terrestres. Roberto Sarno, chefe do escritório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha que supervisiona

Catatumbo, lamenta: “Ao colocar na cidade um posto policial, alvo militar legítimo do ponto de vista do direito internacional humanitário, põe-se em risco a população civil. Já o outro grupo armado lança ataques sem cumprir o princípio de distinguir civis e combatentes”. A nova fase da guerra, que já provocou desde os anos 1960 a morte de 300 mil pessoas e o deslocamento de 5 milhões de pessoas (10% da população atual da Colômbia), responde à mais recente mudança estratégica das Farc em quase meio século de luta na selva. A guerrilha, de inspiração marxista-leninista, foi fundada em 1964. Nos primeiros anos, as Farc dividiram o protagonismo com outros grupos guerrilheiros. Nos anos 1980, ensaiaram um processo de paz que desaguaria, porém, no extermínio e assassinato seletivo de cerca de 3.000 militantes e ao menos 8 congressistas da União Patriótica, seu braço político de então, por grupos de extrema direita. O auge de seu poder de fogo foi entre o fim dos anos 1990 e o começo dos 2000, quando se consolidaram decididamente no negócio do narcotráfico e aplicaram o dinheiro na guerra. Nas negociações de paz sob o governo Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002, obtiveram do governo concessão para dominar um território do tamanho do Estado do Rio de Janeiro, livre da presença de militares. A tentativa fracassaria, e a opinião pública passaria a desconfiar profundamente da guerrilha, que nessa época intensificou a prática de sequestros de políticos e estrangeiros. Os anos 2000 foram de revés para as Farc. No governo Uribe, com o Exército modernizado e orientado pelos EUA, a guerrilha veria seu contingente cair pela metade, até o mínimo histórico atual, de 7.200 homens. A morte do fundador, Manuel Marulanda, o “Tirofijo”, em 2008, e de outros cabeças da guerrilha empurraria a insurgência para a situação presente. Hoje, analistas veem uma inclinação para a saída negociada, dizendo que os guerrilheiros desistiram do plano, obsoleto e impraticável, de conquistar o poder pelas armas. “Houve mudanças muito profundas tanto na guerrilha como no Estado e no contexto internacional desde a última tentativa de paz. E todas essas mudanças tornam mais factível um acordo agora”, disse Rodrigo Pardo, ex-chanceler do governo Samper (1994-98), na sede da

TV RCN, em Bogotá, da qual ele é diretor de jornalismo. O prazo vislumbrado para um acordo, que se acredita que irá incluir o ELN, é depois das eleições presidenciais, em maio. Nelas, o atual mandatário, o pragmático Juan Manuel Santos, é um favorito sem brilho, liderando com apenas 23% das intenções de voto, apesar do crescimento da economia (a estimativa é de 4% em 2013). “Creio que na mesa de negociação, o processo de paz é irreversível. Na rua, não estou tão seguro”, diz Antonio Navarro, 65, ex-chefe guerrilheiro do grupo M19, que se desmobilizou nos anos 1990. “Não há consenso sobre a paz negociada. Há setores políticos importantes que se opõem. A opinião pública está muito menos disposta que antes a fazer concessões que são necessárias em uma negociação”, segue ele, que foi governador do Estado de Nariño, no sul. Navarro se refere ao rechaço da maioria da população à possibilidade de que as Farc possam participar da política e paguem penas mais brandas por seus crimes em troca de deixar as armas. Um acordo sobre a participação política da guerrilha no futuro, fechado em outubro em Havana, sugere isso, ainda que não entre em detalhes. Enquanto isso, as Farc, odiadas na maioria do país, agem para voltar a ter militância, investindo em três grupos: o PC3 (Partido Comunista Clandestino Colombiano), seu próprio movimento bolivariano e a rede de milicianos. Sinal dos tempos, a União Patriótica acaba de conseguir na Justiça o direito de voltar a ser um partido, depois do massacre dos anos 1980. “O acordo sobre a participação política remove um dos obstáculos principais. No entanto nada está concluído até que o novo cenário político se estabeleça, com as eleições legislativas de março e a presidencial de maio”, diz Javier Ciurlizza, do centro de estudos Crisis Group, lembrando que um triunfo parlamentar do “uribismo” pode “afetar seriamente o processo”. A maior parte da “legislação da paz” sairá do novo Congresso. Coca Se as incertezas políticas sobre o processo de paz ecoam em Bogotá, as econômicas e operacionais saltam aos olhos em Catatumbo. Na semana passada, as Farc e o governo começaram a abordar a questão do narcotráfico, e a guerrilha defendeu uma discussão sobre a legalização. Dias antes, a Folha visitava um plantio cocaleiro próximo de El Tarra – em Catatumbo, são 4.500 hectares de coca, cultivo que cresceu 29% entre 2011 e 2012, segundo a ONU, contrário à média do país (queda de 25%). Diego, de 12 anos, sentou para contar à reportagem sua experiência como “raspachin”, o nome dado a quem “raspa”, colhe as folhas de coca. Enquanto arrancava pequenos pedaços de pele da mão, ferida pela “raspagem”, disse ter ganhado o equivalente a R$ 300 em oito dias de trabalho, em meio período. É quase metade de um salário mínimo colombiano. “Quero comprar uma moto.” Diego não pensa muito antes de responder que um de seus maiores desejos, além de ver a seleção colombiana jogar no Brasil no ano que vem, é mudar para um lugar onde não haja Exército, que ora arranca o plantio de coca de seus pais e parentes, ora acusa algum deles de colaborar com a guerrilha. “Bateram em um tio meu”, diz. Se a atividade guerrilheira atormenta, a dos militares tampouco traz tranquilidade a uma região traumatizada pelos massacres efetuados por grupos

paramilitares, com apoio tácito do Exército, entre 1999 e 2004, quando estima-se que tenham morrido 5.000 pessoas. “É um processo. Nós entendemos que as pessoas ainda tenham esse pensamento. Mas, pouco a pouco, fomos avançando, nos aproximando da população”, disse à Folha o coronel Mendoza. É nesse caldeirão que o Estado colombiano tem de mexer para livrar a zona do narcotráfico sem jogar milhares na miséria. Cada arroba de folha de coca (cerca de 15 quilos) colhida na zona vale o equivalente a R$ 8. São necessárias cerca de 9 arrobas para produzir um quilo de pasta base para a cocaína, que salta para cerca de R$ 1.800. É esse o produto que os cocaleiros da zona vendem a narcotraficantes autorizados pela guerrilha ou para a própria guerrilha. Se o comprador for dono de laboratório para cristalizar a cocaína, o lucro se multiplica muitas vezes. E, se tiver contatos para fazer a droga chegar até os EUA, o quilo terminará valendo R$ 184 mil. É por causa dessa quantidade de dinheiro que circula nas mãos dos guerrilheiros, especialmente os das Farc, que faturam ao menos US$ 200 milhões anuais, que muitos especialistas temem que em algumas frentes insurgentes, como a que atua em Catatumbo, haja o risco de fratura. Em vez de entregar as armas, eles se manteriam nas montanhas, já desligados da guerrilha, para seguir com o negócio ilegal. Numa empreitada tão lucrativa, se há desmobilização, rapidamente o crime organizado se molda para ocupá-lo. Na ponta dos produtores de coca, a situação tampouco é fácil. Os cocaleiros ouvidos pela Folha classificaram de não realistas as propostas de cultivos lícitos para substituir a coca numa região pobre e de infraestrutura quase nula. Uma tentativa de erradicação na zona, em junho, deflagrou uma onda de protestos por investimentos do governo. De um lado, a polícia reagia com violência; de outro, havia a coerção das guerrilhas para engrossar as manifestações. Os protestos se espalhariam pelo país, com pequenos produtores da economia legal cobrando apoio do governo ante a enxurrada de importações induzidas pela abertura da economia nos últimos anos. As manifestações derrubaram a aprovação de Santos e expuseram o malestar geral no campo. “Sou evangélico, sei que não está correto plantar coca, mas isso de plantios alternativos não dá certo. Eles arrancaram minha mata no ano passado, já plantei de novo”, contou um cocaleiro que não quis se identificar. “Foi só com a coca que eu consegui juntar algo”. Após se despedir de El Tarra, a última parada da Folha em Catatumbo foi no povoado de San Pablo. Era um sábado ensolarado, mas o lugarejo parecia tenso. Circulava um relato de que uma pessoa havia sido assassinada pela guerrilha, dias antes. O padre Gregório Salazar Paz, 44, que ajuda vítimas do conflito, recebeu a reportagem com o semblante cansado, mas demonstrando convicção. “Não tem sentido servir em um lugar onde tudo vai bem”. Era a última oportunidade de perguntar sobre o processo de paz, e o padre não trouxe elementos novos. “Em vez de nos encher de militares, deveriam nos cercar de investimentos em saúde e em educação. A sagrada escritura diz que a paz é fruto da justiça”. Na fachada da igreja e em vários outros muros, notamos o recado da guerrilha, feito a spray: “Feliz Natal e Próspero Ano Novo, é o que lhes desejam as Farc-EP”.


G6

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Diário de Buenos Aires

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O MAPA DA CULTURA

Simón, o cão pop chavista Beijos gay e Franciscos à farta na terra do papa

jovem kirchnerista.

LÍGIA MESQUITA

O cachorrinho Simón, novo animal de estimação de Cristina Kirchner, virou a estrela do noticiário político da Argentina nas últimas semanas. O filhote de mucuchíe, o cão nacional da Venezuela, foi apresentado em um vídeo na internet pela presidente. Logo se transformou em sátira na TV e ganhou dezenas de milhares de fãs na internet. Simón, presente de Adán Chávez, irmão do ex-presidente Hugo Chávez, virou o símbolo da “Cristina paz e amor”, que voltou ao trabalho depois de 47 dias de licença para se recuperar de uma cirurgia que retirou um coágulo de sua cabeça. No pitoresco vídeo de sete minutos em que a mandatária oficializa seu retorno ao comando da Casa Rosada, o cachorro rouba a cena durante 120 segundos. Com ele no colo, a sisudez de

Cristina deu espaço a afagos e tiradas cômicas. Quando o filhote mordisca sua mão, ela diz: “Não, Simón, senão vão acusar os chavistas de maus”. Uma hora depois de tanta fofura, Cristina anunciaria a troca de alguns ministros. Simón também vem dando suas mordidas no Twitter. Faz sucesso nos comentários e no perfil criado com seu nome (@SimonCFK). Na descrição, o cão “se diz” a serviço de Cristina, “chefe do ‘perrojeto’”

(mistura de “perro”, cachorro em espanhol, e projeto) nacional e popular. Porre peronista E, no período em que Cristina esteve convalescente, que coincidiu em parte com as eleições legislativas do país, a marcha peronista foi ouvida com mais força no Perón Perón. No bar temático portenho, inaugurado há três anos em Palermo, basta que o hino em homenagem ao ex-presidente

Juan Domingo Perón seja tocado ou entoado em imagens antigas na TV para o local se transforme num karaokê. Os comensais erguem seus copos, que podem estar cheios com o vinho Justicialista, nome do partido peronista, ou com a cerveja Evita, e gritam: “Viva Perón!”. O local, que conta com muitas fotos de Perón e um altar para Evita, também tem homenagens ao casal Néstor e Cristina Kirchner – não à toa é frequentado pela militância

Não chorem por mim A separação de um casal na novela “Farsantes” (Canal 13) provocou revolta nas redes sociais. A história de amor de maior sucesso na televisão argentina neste ano, a de Guillermo (Júlio Chávez) e Pedro (Benjamín Vicuña), chegou ao fim por “problemas de agenda” do intérprete deste último. O romance entre os dois advogados, sócios, que deixam suas mulheres para viver uma paixão arrebatadora conquistou a audiência no país. Enquanto no Brasil as novelas ainda discutem se podem ou não exibir um beijo gay, em “Farsantes” teve até cena velada de sexo. Como a trama inicialmente iria ao ar uma vez por semana e depois virou atração diária, o chileno Vicuña alegou ter outros compromissos e pediu para sair. Há um mês, seu personagem foi assassinado pela mulher, que não aceitava a separação. Até hoje os fãs reclamam da

solução encontrada, dizendo que os advogados poderiam ficar juntos no final. Vicunã chegou a tuitar que também não concordava com o desfecho escolhido para a novela. Nesse contexto saudosista, sobrou para o ator Guillermo Pfening, que interpreta o novo par romântico de Guillermo. Na semana passada ele foi atacado pelos admiradores de Vicuña no Twitter, que o chamaram de “insípido e insuportável”. Ao que ele respondeu: “Puxa-sacos”. Mil filhos de Francisco De janeiro até o dia 31 de outubro, 976 bebês foram chamados de Francisco em Buenos Aires. O nome do papa argentino, eleito em março, saltou da 21ª posição em 2012 para a 11ª no ranking de registros. Os pais de meninas também quiseram homenagear o sumo pontífice, mas preferiram a versão em italiano do nome: Francesca. O nome saltou da 40ª para a 21ª posição no ranking, com 343 registros – contra 78 de Francisca.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIA

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Um talento de arrepiar São Paulo, 1969

FOLHAPRESS

LUIZ CARLOS MIELE

Em novembro de 1969, eu voltei a São Paulo para a apresentação do espetáculo “Elis com Miele & Bôscoli”, no teatro Maria Della Costa. Tínhamos terminado a temporada carioca de quatro meses e iriamos iniciar o mesmo período na capital paulistana. Levamos a sério o ditado “antes só que mal acompanhado”. Estavam conosco Roberto Menescal na guitarra e direção musical, Wilson das Neves (hoje uma estrela do samba) na bateria, Zé Roberto Bertrami no teclado, Jurandir no baixo e Hermes na percussão. Elis ensinou a todos nós que palco “a gente só divide com quem gosta muito”. Eu realmente a adorava. E ela sempre me honrou com a maior amizade e consideração.

Tanto que, nas páginas do programa do show, o texto dela sobre mim assim dizia: “Miele, força de leão, coração de beija-flor. Dorme entre oito pastores alemães. Acorda de smoking. Janelas abertas. Corpo fechado. O Luiz artista, bom de bola, de papo, de copo. De copas, o rei de copas. O barba. O Barrabás. O mielofone. Mais motivos pro Miele estar no show? Eu adoro o Miele”. Bem, a história de dormir entre os oito pastores alemães é mais ou menos verdade. E ela também inventou outra história saborosa, que contou no palco. Disse que certa noite pediu que eu não bebesse nada depois do show de sexta-feira, pois teríamos duas sessões no sábado. Fui então pra casa obediente, sem beber. Mas chegando lá, os cachorros não me deixaram entrar. Como era uma das raras vezes em que me viam sóbrio, não me reconheceram. Nosso show era bem descon-

traído, permitia esse tipo de brincadeira. E Elis se divertia muito, dançava, sapateava (um pouquinho, de mentira, como eu), imitava o Carlitos, vestida e maquiada como ele. Depois, ia tirando a maquiagem e o bigodinho, o chapéucoco, e cantava “Minha”, do Francis Hime e do Ruy Guerra. Era de arrepiar. A grande maioria da crítica elogiou nosso show. Nós tínhamos a segunda maior bilheteria de teatro em São Paulo. Ficamos quatro meses em cartaz. A produção ficou a cargo do Zé Nogueira – grande especialista em uísque, peladas de futebol e Adoniran Barbosa. Acho até que foi por conta dessa amizade que a Elis gravou “Tiro ao Álvaro” depois. Elis era superprofissional. Todos tinham que chegar cedo ao teatro. Durante nossas apresentações, mesmo quando não estava em cena, nunca me afastava no palco. Ficava

na coxia, ouvindo Elis e sua musicalidade extraordinária. De tantos artistas que Ronaldo Bôscoli e eu produzimos (nossa dupla realizou 86 shows), Elis foi a única cujo talento sempre me surpreendeu. Também tive o prazer de ser o diretor de seus especiais na TV Globo, mas, infelizmente, quando ela rompeu com o Bôscoli, era natural que eu também me afastasse de seu convívio pessoal. Não foi mais possível estar no palco ao seu lado, ou na produção de seus espetáculos, e assim passei para a plateia de seus maravilhosos shows. Mas, repito, não sou fã, sou devoto de Elis Regina. E, agora, estou perto dela novamente, como um dos personagens do espetáculo em sua homenagem, “Elis, a Musical”, em cartaz no Rio. Elis foi a estrela maior que eu conheci, ao lado de quem fui tão feliz no teatro Maria Della Costa. Ave Elis.

Miele e Elis Regina em programa de TV, em 1971


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EM TEMPO - 8 de dezembro de 2013 by Amazonas Em Tempo - Issuu