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EM TEMPO - 6 de abril de 2014

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O BRASIL PERDE JOSÉ WILKER

UM INFARTO FULMINANTE MATOU O ATOR E DIRETOR JOSÉ WILKER (FOTO), DE 66 ANOS, EM SUA CASA, NO RIO DE JANEIRO. ÚLTIMA HORA A2

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.316 – DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

ARMA MORTAL

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

SER HUMANO ESTÁ PERDENDO A GUERRA DO TRÂNSITO

28 de março de 2014: 16 mortos na colisão entre um micro-ônibus e uma caçamba, na avenida Djalma Batista, considerado o acidente mais trágico da história do trânsito de Manaus

COM 620 MIL AUTOMÓVEIS E 150 MIL MOTOS CIRCULANDO SOMENTE EM MANAUS, VEÍCULOS SE TORNARAM UMA ARMA PERIGOSA QUE MATOU, HÁ 10 DIAS, 16 PESSOAS NO ACIDENTE DO ÔNIBUS 825. DIA A DIA C1 A C7

Do total de mortes, 48,11% eram pedestres; 36,32% motoqueiros; 9,43% passageiros, e 1,42% ciclistas.

DOMINGO DE

DECISÕES

x x AMAZONENSE Princesa do Solimões enfrenta hoje o Penarol em Itacoatiara. Pódio E2

x

Segunda mulher eleita presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Graça Figueiredo (foto) fala sobre os desafios que a esperam a partir de 4 de julho. Elenco 4 e 5

Stephanie tentou impedir o registro de imagens do EM TEMPO

TRUCULÊNCIA

Às vésperas da comemoração dos 450 anos de Shakespeare, pesquisadores publicam livro com peças em que autor de “Romeu e Julieta” teria colaborado. Ilustríssima G4 e G5

JOSÉ MELO

Estudante agride jornalista

“Vou lutar com todas as forças”

A estudante Stephanie Vilela agiu com truculência ao obrigar a fotógrafa do EM TEMPO, Ione Moreno, a apagar as imagens registradas no 16º Congresso da União Municipal dos Estudantes Secundaristas. Contexto A3

Filho de seringueiro, nascido em Eirunepé, o governador José Melo, empossado na sexta-feira, 4, fala sobre o sonho que esperou mais de 30 anos para realizar e quais as prioridades de sua gestão. Com a palavra A7

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

MARIO OLIVEIRA

Os arquirrivais Flamengo e Vasco fazem um dos duelos finais deste domingo pelos estaduais. Santos e Ituano e Atlético-MG e Cruzeiro também disputam títulos na primeira de duas partidas. Pódio E4 a E6

Motos são um perigo constante Também em 2013, foram registrados 117 acidentes com vítimas fatais e 2.687 com pessoas lesionadas por motos.

IONE MORENO

De janeiro a dezembro do ano passado, pelo menos 256 pessoas morreram vítimas de acidente de trânsito.

Maioria dos óbitos é de pedestres

DIVULGAÇÃO

DIEGO JANATÃ

256 mortes somente em 2013

Nem sempre o esquecimento está, necessariamente, associado à doença cerebral, mas é preciso ficar atento quando as queixas se tornam frequentes. Saúde F4 e F5 TEMPO EM MANAUS

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MÍN.:

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

PERDEMOS ZÉ WILKER Ator moreu em casa no Rio de Janeiro, na manhã de ontem, vítima de um infarto fulminante. Sua última participação em novela foi em Ämor à Vida”

REPRODUÇÃO

Em Bye, bye Brasil (1980), o ator interpretou o artista ambulante Lorde Cigano, que cruza o país em uma caravana

O

ator José Wilker, 66, morreu em sua casa na manhã de ontem, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto fulminante enquanto dormia. Wilker deixa as filhas Isabel, Mariana e Madá. Ele foi casado quatro vezes: com as atrizes Renée de Viel-

mond, Mônica Torres e Guilhermina Guinle e com a jornalista Claudia Montenegro. O último trabalho do ator foi na novela “Amor à Vida”, em que ele interpretou o médico Herbert. Antes, havia atuado em outra novela de Walcyr Carrasco, “Gabriela”. Ao todo, atuou em 29 novelas, incluindo sucessos como “Roque Santeiro”, “O Salvador da Pátria”, “Anos Rebeldes” e “A Próxima Vítima”.

ainda criança para o Recife (PE), com a família. Aos 19 anos, se mudou para o Rio de Janeiro, para cursar Sociologia na PUC, mas abandonou o curso para se dedicar ao teatro. Sua carreira no teatro começou no Movimento Popular de Cultura (MPC) do Partido Comunista, onde ele dirigiu espetáculos pelo sertão e realizou documentários sobre cultura popular. Com uma extensa carreira também no cinema, Wilker atuou em 49 filmes, como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Bye Bye Brasil”, “Jango” e “Giovanni

Vida Nascido em Juazeiro do Norte (CE), em 20 de agosto de 1947, José Wilker de Almeida se mudou FOTOS: DIVULGAÇÃO

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Improtta” - baseado em seu famoso personagem da novela “Senhora do Destino”. O artista dirigiu o humorístico “Sai de Baixo” (1996) e as novelas “Louco Amor” (1983), de Gilberto Braga, e “Transas e Caretas” (1984), de Lauro César Muniz. Durante uma rápida passagem pela extinta TV Manchete, acumulou direção e atuação em duas novelas: “Carmem” (1987), de Gloria Perez, e “Corpo Santo” (1987), de José Louzeiro. O artista ainda escreveu textos para revistas e jornais e comentou a cerimônia do Oscar durante vários anos.

Personagens marcantes do ator Vadinho Malandro que só quer saber de farras, Vadinho deixa Dona Flor viúva, mas volta para atrapalhar o segundo casamento da professora culinarista.

Lorde Cigano Ator esteve em várias coberturas do Oscar como co comentarista

Artista participaria de uma produção britânica Wilker trabalhou até seus últimos dias, e deixou dois longas-metragens prontos, um deles o premiado A Hora e a Vez de Augusto Matraga (2012), adaptação da obra de Guimarães Rosa. Também fora anunciado no elenco de Timeless Eye, coprodução BrasilGrã-Bretanha que será filmada em 2014. Seus principais papéis na televisão incluem personagens célebres em produ-

ções marcantes como Roque Santeiro (1985), O Salvador da Pátria (1989) e A Próxima Vítima (1995), entre outras. Seu Giovanni Improtta de Senhora do Destino (2004) inspirou um longa-metragem homônimo, que ele próprio dirigiu e que estreou nos cinemas em 2013. Entre as minisséries das quais participou está JK (2006), na qual interpretou o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Na nova versão de Gabriela (2012), ele interpretou o coronel Jesuíno Mendonça personagem que ficou marcado pelo bordão “Vou lhe usar”, que se tornou febre nas redes sociais.

É uma das três personagens principais do filme Bye, bye Brasil, que integra a Companhia Rolidei que cruza o país da Amazônia até Brasília.

Roque Santeiro Na novela de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, o personagem principal da fictícia Asa Branca se torna santo, e volta para a cidade, para acabar com o mito.

Giovanni Improta Da novela para as telas, o contraventor sonha com a ascenção social. Mas, se envolve em várias situações embaraçosas e cômicas.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Dá para acreditar? Os homens nunca foram tão cobrados e odiados, ao menos desde a semana passada até ontem. Quando já se esperava uma “greve de sexo” de norte a sul do país ou a promulgação de uma lei que permitisse a castração de estupradores ou sua esterilização química, veio o anúncio de que aconteceu uma falha no processo que “delatava os homens” e que as sentenças de penas máximas estavam suspensas. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal, divulgou sexta-feira 4 uma nota reconhecendo que houve erro – e que erro! – na divulgação que chocou o país ao apontar que a maioria dos brasileiros (65,1%) apoia ataques a mulheres que usam roupa que deixem generosas partes do corpo à mostra. A divulgação desse índice causou comoção. Uma campanha com mulheres nuas percorreu as redes sociais. O instituto pediu desculpas e informou que o erro foi motivado por uma troca de gráficos que inverteu resultados de duas das questões: “Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar” e “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Mesmo sem a correção dos dados, a pesquisa do Ipea não retira a relevância das contestações feitas por psicólogos e militantes da defesa da mulher. Foi observado, com a estatística levantada nos boletins de ocorrência das delegacias especializadas que as mulheres são atacadas quando saem da escola ou do trabalho, quando não estão usando “roupas que mostram o corpo” e pela lógica da pesquisa não mereciam ser atacadas. Em qualquer circunstância, o número das ocorrências de ataques à mulher levam em direção a uma profunda dissonância na educação de homens e mulheres, que são mantidos, ambos, ignorantes uns dos outros. Uma equação que não será resolvida com leis punitivas, que não são cumpridas.

O ‘bruxo’ de volta à cena política Quem está de volta à cena política é o lendário Egberto Batista, considerado o “bruxo” do marketing político. Egberto está morando em Manaus há pelo menos três anos, mas ficou recolhido em sua casa do condomínio Ephigênio Salles. Nos últimos dias, entretanto, botou a cabeça de fora e passou a fazer aparições públicas nas inaugurações do ex-governador Omar Aziz. Descontraído Na cerimônia de saída de Omar e posse de José Melo, Egberto Batista estava no teatro. Descontraidamente, em mangas de camisa. Simpático, como sempre. Vale tudo Para quem não lembra, Egberto Batista é considerado “o cara” para decidir eleições. Nem que para isso tenha que usar artifícios não muito éticos. Implodiu Lula Foi ele quem levou Míriam Cordeiro para a TV, estopim que implodiu a vitória de Lula na eleição de 1989. Nitroglicerina Mãe de Lurian, filha de Lula, Míriam Cordeiro foi o trunfo usado por Fernando Collor de Melo às vésperas do segundo turno da eleição de 1989 para tentar derrotar o candidato do PT. Ela acusou o ex–metalúrgico de ter sugerido o aborto da filha. Destino político O governador José Melo reservou um cantinho do seu discurso para o prefeito Arthur Virgílio Neto. — Em determinado momento, a política nos levou um dia para lá, um dia pará cá. Mas agora estamos do mesmo lado – disse o governador.

Vão em frente Melo garantiu que a parceria que foi feita entre Omar e Arthur vai continuar — Fique tranquilo, Arthur. Vamos estar juntos nos alagados, na periferia, nas frentes de obras. As administrações municipal e estadual vão continuar unidas em busca de um futuro grandioso para a cidade. Coração de mãe O ex-governador Omar Aziz disse na cerimônia do Teatro Amazonas que, entre as tantas obras que seu governo deixou, uma das mais importantes é o Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, que acabou de inaugurar. — Isso vai fazer sorrir o coração de uma mãe que vai ver o filho dependente ser tratado com dignidade. A vida é bela Omar disse que só quem tem esse problema em casa sabe a importância dessa obra. — Eu vejo muitas pessoas saudáveis, reclamando da vida. Não façam isso. A vida é boa, a vida é bela! Truculenta A presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe), Stephanie Vilela, agiu com truculência ao obrigar a repórter fotográfica do EM TEMPO, Ione Moreno, a apagar as imagens registradas durante

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

o 16º Congresso da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Manaus. Desinformada Ela chegou a ferir o braço da repórter e a insuflar seus companheiros para tomar a máquina da repórter. A “líder” estudantil não deve saber o que é democracia, liberdade de expressão e muito menos que a imprensa foi uma grande parceira para o reestabelecimento o estado de direito neste país.

Perguntar não ofende Os paulistas estão precisado de ajuda para concluir a Arena Corinthians, ou isso não é da nossa conta e a gente deixa com eles? Estacionamento De nada adiantou a Prefeitura de Manaus reconstruir o calçadão da avenida Djalma Batista que, por sinal, ficou belíssimo. Ontem, no final da manhã, o espaço estava completamente tomado por carros. Furões Outra coisa que agride na Djalma Batista é assistir as pessoas rasgando a rede de aço que divide a pista, para passar pelos buracos. Principalmente sabendo que as cercas foram colocadas para obrigá-las a atravessar na faixa. Ou a usar as passarelas.

VAIAS

Zé Wilker

Elvis

Presidente da Uespe REPRODUÇÃO

IONE MORENO

Para o grande ator José Wilker, pelo talento, caráter e dedicação à dramaturgia, que o colocou para sempre no coração do povo brasileiro. A televisão, o teatro e o cinema, com certeza, ficaram mais pobres.

Para a presidente da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe), Stephanie Vilela, que agrediu a fotógrafa Ione Moreno, em total desrespeito à democracia e liberdade de expressão.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

O butim do Putin “Butin” é a palavra com que os franceses designam o saque, o produto do roubo ou do assalto de corsários, onde teve origem. Para nós, chegou como “butim”. É a essa palavra que nos remete o recente ato que o presidente da Rússia, Vladmir Putin, praticou na maior “cara de pau” contra a República da Ucrânia, ao anexar ao seu país, literalmente pela força das armas, a península da Crimeia. Não pode justificar o ato pelo fato de que um plebiscito tenha sido realizado, na verdade incentivado e fomentado pela mesma Rússia, embasada no fato de que grande parte da população daquela sub-região tenha origem e ancestralidade no país usurpador. Raízes étnicas falam alto e mais alto ainda fala a ascensão econômica e social que está contida na transmutação da nacionalidade ucraniana para a russa e assim o tornar-se cidadão de uma das maiores potências mundiais, detentora da maior extensão territorial do planeta. A prevalecer a razão das raízes étnicas e culturais, a França que ponha as barbas de molho, uma vez que a maior parcela da população da Alsácia, sub-região do nordeste do país, fronteiriça à Alemanha e à Suíça, tem seus ancestrais germânicos, pratica costumes germânicos e até fala o idioma alemão. Foi com este mesmo pretexto que Hitler invadiu e anexou a Alsácia ao Terceiro Reich. Aliás, sucessivamente a Alsácia-Lorena esteve a oscilar entre os domínios francês e alemão, sossegando apenas após a segunda guerra mundial. Também, ao se servir de argumentos ligados à cultura e à tradição, o mesmo Adolf Hitler anexou a Áustria ao Terceiro Reich, já que não via razões para reconhecer a autonomia de um país nitidamente germânico. Entretanto, nem todos os austríacos

concordavam com isso e até faziam piada ao dizer que a diferença fundamental estava no fato de que cinco alemães juntos faziam uma guerra, enquanto cinco austríacos faziam uma festa. Imagine-se o que seria a Espanha, que colonizou e deu identidade a quase toda a América, resolver reivindicar todos esses países, em nome da ancestralidade, das raízes e da cultura que lhes foram legadas por ela. Portugal também poderia querer assumir a brasilidade que se formou como sua colônia. Na verdade, não apenas a Crimeia, mas toda a Ucrânia sempre fez parte da cobiça e da ambição do governo russo, em função dos seus potenciais econômicos e da sua vocação de produtora de alimentos. No tempo da União Soviética, a Ucrânia foi logo absorvida e se constituiu num valioso butim. Foi lá, aliás, que Stalin perpetrou um dos maiores genocídios de que se tem conhecimento. Enfim, é muito importante que haja uma reação massiva do maior número de países contra esse verdadeiro ato de agressão à soberania ucraniana, que Vladmir Putin, autêntico “senhor da guerra”, por decisão do seu autoritarismo vem a praticar. A coisa tem o cheiro e faz lembrar os tempos em que Adolf Hitler saiu a saltar pela Europa, da Áustria à Checoslováquia, à Polônia, à Holanda, até chegar à França, porque era seu “direito” implementar o Supremo Reich. Joseph Stalin repetiu a manobra, quando constituiu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e adiante foi submetendo as outras nações do leste europeu. Tomara que seja apenas uma eventual, esporádica e acidental coincidência e que prevaleça como verdadeira a crença de que a história não se repete.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

É muito importante que haja uma reação massiva do maior número de países contra esse verdadeiro ato de agressão à soberania ucraniana, que Vladmir Putin, autêntico ‘senhor da guerra’, por decisão do seu autoritarismo vem a praticar. A coisa tem o cheiro e faz lembrar os tempos de Adolf Hitler”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Marcação cerrada

Aos poucos, a igreja foi percebendo que a finalidade desse movimento, desse golpe, que foi para preservar o país do comunismo, foi tomando outra direção. Tortura, arbitrariedade, repressão a todas as formas de expressão. Com o passar do tempo, a igreja foi percebendo seus excessos, seus desvios, então a igreja se opôs

A pedido do Ministério Público Federal, o governo vai contratar um advogado para acompanhar, na Itália, o caso de Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil que fugiu para o país após ser condenado no mensalão. Três escritórios de advocacia estão sendo cotados pelo Planalto, e o acerto deve ser formalizado na semana que vem. O cenário mais provável, para o governo, é que a extradição seja negada, e o petista, obrigado a cumprir pena no exterior. Mercado futuro A permanência de Cid Gomes (Pros) no governo do Ceará e o consequente impedimento de seu irmão Ciro disputar o Senado valorizou os passes da dupla no Planalto. Para depois Ao decidir concluir o mandato, Cid adia o plano da vice-presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e Ciro, de voltar ao Congresso. Assim, articuladores do governo colocam a dupla nos planos para o ministério de Dilma Rousseff, caso ela seja reeleita. Para já Além disso, Ciro fica livre agora para atuar como espécie de coordenador regional da campanha presidencial de Dilma, dedicado aos Estados do Nordeste. Mamulengo Em Pernambuco é popular uma expressão para designar os candidatos-poste, indicados por um líder político sem nunca terem disputado eleição. “Eduardo é bom de botar boneco”, diz um aliado, numa referência aos bonecos gigantes do Carnaval de Olinda. Com... Peemedebistas alertam que o Planalto fica-

rá refém da base aliada caso o início dos trabalhos da CPI da Petrobras seja empurrado para o fim do semestre. ... barriga Às vésperas das convenções partidárias, o governo precisaria da ajuda da legenda para enterrar requerimentos espinhosos, e os peemedebistas cobrarão a fatura na formação das chapas nas eleições estaduais. Cada um... Petistas contam com os ataques de Paulo Skaf (PMDB) ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) como parte da estratégia para levar Alexandre Padilha (PT) ao segundo turno na eleição para o governo de São Paulo ... na sua Embora os coordenadores da campanha digam não ter feito contatos diretos com o peemedebista, um pacto de não agressão não está descartado. Carta... Ainda assim, parte da equipe de Skaf já reúne material que permita acionar a Justiça Eleitoral contra Alckmin e Padilha por propaganda antecipada e abuso de poder político, caso o peemedebista

seja alvo de ações semelhantes por parte de adversários. ... na manga Um exemplo citado em relação ao tucano é o panfleto que foi distribuído pelo governo no feriado de Carnaval tratando da duplicação da Tamoios. Mãozinha O DEM quer regionalizar a exibição de suas inserções nacionais, em maio, para alavancar Alckmin em São Paulo. A sigla pretende colocar deputados federais exaltando programas da pasta que o partido controla no Estado.

Raymundo Damasceno, presidente da CNBB, na esteira dos 50 anos do golpe civil-militar de 1964, avalia que o apoio de lideranças eclesiásticas ao movimento que depôs João Goulart foi um “erro histórico” e que nem todos os danos daquele regime foram devidamente reparados.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

DIEGO JANATÃ

Mãozinha 2 A Secretaria de Desenvolvimento Econômico é responsável pelas Fatecs, vitrine de Alckmin. As inserções estaduais da sigla, que vão para o ar em abril, seguirão a mesma linha. Que hora Em meio à crise de abastecimento de água, a Sabesp perdeu dois quadros para a corrida eleitoral: João Paulo Papa (PSDB), diretor de Tecnologia, e Edson Giriboni (PV), ex-secretário de Saneamento e presidente do conselho de administração, deixaram a estatal para tentar mandatos legislativos.

Tiroteio

Esse vascaíno até parece que estava adivinhando, e já saiu de casa de luto. Pudera: pagar ingresso para ver time reserva? Numa dessas era para se ter os portões abertos, com distribuição de brindes. Ainda mais um jogo de zero a zero, na Arena Vivaldão, a mais linda do Brasil? Vale a pena sair de casa? Pede o dinheiro de volta!

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

A ‘CPI do fim do mundo’ que o PT quer fazer não tem cabimento. Não se pode fazer investigação movida por revanchismo.

Tragédias

DO DEPUTADO DANILO FORTE (PMDB-CE), sobre a proposta de investigação que engloba temas como a Petrobras, o porto de Suape e o cartel do metrô paulista.

Tragédias acontecem e nos surpreendem. Nas últimas semanas duas nos tocaram profundamente, uma distante, mas tornada próxima pela cobertura da mídia: o desaparecimento de um grande avião, aparelho dotado da mais moderna tecnologia. A outra muito próxima de nós, numa das ruas de nossa cidade. Um acidente estúpido e difícil de aceitar. Essas tragédias se juntam a todas as outras que vão se acumulando na nossa história marcada pela dor e pelo desespero. Várias podem ser as nossas reações. Uma delas é a sensação de que poderíamos ter estado lá. Por que essas pessoas e não outras, porque eu não estava lá, ou não passei por aquela rua no momento exato. Um poeta disse que somos todos sobreviventes, que todos já poderíamos ter morrido. Atribuir a Deus a escolha de quem estará ou não no momento da tragédia é tornar pequena e limitada à graça divina e usar critérios muito humanos para interpretar a vontade de Deus. De fato toda tragédia atinge a humanidade inteira. É nestas ocasiões que nos percebemos todos navegantes do mesmo barco, participantes da mesma natureza necessitada de redenção e de misericórdia, porque quando deixada sozinha caminha sempre para a destruição. Ao mesmo tempo o que sempre impressiona é a solidariedade que as tragédias suscitam e fazem florescer fazendo com que sentimentos que parecem adormecidos venham à tona. Impressionou em Manaus o número de doadores de sangue que se apresentaram a presteza dos serviços médicos e paramédicos, a delicadeza com que foram tratadas as famílias no IML e até a volta do prefeito

Contraponto

Bola dividida Em reunião com aliados na véspera do anúncio de sua decisão sobre o impasse das CPIs apresentadas no Congresso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comparou sua posição com a anedota de um juiz que começou a trabalhar em uma comarca do interior. Em seu primeiro dia, prosseguiu Renan, o magistrado recebeu uma petição de um advogado famoso na região e ficou impressionado. No dia seguinte, um advogado ainda mais famoso apresentou uma defesa sobre o mesmo caso. O juiz então ponderou: – Nesse caso, não vai ter jeito. Vai ter que dar empate... Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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de uma viagem internacional que diante da dor passou para segundo plano. Nestes momentos parece que o melhor de nós aparece. Infelizmente outras tragédias virão. Algumas serão frutos de fatalidades, outras previsíveis e evitáveis. Nestes dias fomos alertados para os efeitos das mudanças climáticas. A humanidade vai sobreviver, mas como e a que custo. Continuamos a viver de forma insana consumindo cada vez mais energia, edificando cidades que são depósitos humanos, colocando interesses econômicos acima da vida das pessoas. Temos a impressão de estarmos entrando num beco sem saída, mas ninguém tem coragem de mudar de rota. De maneira cíclica a igreja está terminando mais uma Quaresma. Mais uma vez fomos alertados pelos profetas, e a Palavra mais uma vez foi anunciada com todas as suas exigências. Mas, como sempre, as profecias parecem cair no vazio ou esbarram num sentimento de impotência diante de um mal que não tem fim. No entanto, a solidariedade, o sentimento de pertença, a recusa em aceitar passivamente a destruição são sinais de que não perdemos a esperança, e a Páscoa que se aproxima, proclamando que Cristo ressuscitou, nos dá a garantia de que a história não é uma sucessão de tragédias, mas um crescimento da consciência de sermos humanos e que como tal somos amados por um Amor eterno que nos redime de todas as tragédias e nos faz viver plenamente. Não permitamos que o chocolate, os ovos, as propostas de lazer irresponsável nos impeçam de viver o mistério da Páscoa sob o risco de deixarmos de ser simplesmente humanos.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

De maneira cíclica a igreja está terminando mais uma Quaresma. Mais uma vez fomos alertados pelos profetas, e a Palavra mais uma vez foi anunciada com todas as suas exigências. Mas, como sempre, as profecias parecem cair no vazio ou esbarram num sentimento de impotência”


Política

MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

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Nova gestão é a extensão do governo de Omar Aziz

ROBERTO CARLOS /AGECOM

Leitura é de especialistas ouvidos pelo EM TEMPO. José Melo já teria afirmado esta continuidade em declarações anteriores

José Melo (PROS) tomou posse do cargo de governador na noite da última sexta-feira, em solenidade no Teatro Amazonas. Ele tem oito meses de mandato e vai tentar a reeleição no governo JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO

O

Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e Cidade Universitária. “Ele precisa observar o que está dando certo e estabelecer uma política objetiva. Não será fácil governar sob a perspectiva eleitoral. Ele terá que contar com uma equipe que lhe renda além de fidelidade pessoal, fidelidade programática”, analisou. Articulador de várias candidaturas, Melo agora terá que trabalhar a seu próprio favor, tendo que usar seu portfólio de secretário de Estado por quatro vezes, deputado federal em dois mandatos e mais recente de vice-governador, para

convencer as lideranças e os eleitores de que chegou sua vez de comandar de maneira legítima. A colocação do cientista político, Carlos Santiago, ainda inclui a conquista do apoio de adversários. “Se ele quer sair na frente, deverá mostrar humildade, mudar o tabuleiro, agregar pessoas de diferentes segmentos”, comentou. O deputado estadual Sinésio Campos (PT), líder do governo Omar na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), também ressaltou a experiência de Melo como uma “carta na manga”, frente aos demais adversários.

ALEX PAZUELLO/AGECOM

s próximos oito meses herdados por José Melo (PROS) frente ao governo do Estado devem acontecer como uma extensão do implantado por Omar Aziz (PSD), que deixou o cargo na última sexta-feira para disputar uma vaga no Senado federal. A opinião de especialistas ouvidos pelo Amazonas EM TEMPO tem como base os cenários vividos nas gestões passadas. No mais recente, acorrido em 2010, o então governador Eduardo Braga (PMDB),

passou o “bastão” para Aziz (seu vice na época), que usou os primeiros meses de mandato para dar segmento ao trabalho do então aliado. Para o cientista político Ademir Ramos, mesmo que o governador Melo que é pré-candidato à reeleição - tenha sinalizado mudanças no comando de algumas secretarias, ele não poderá abrir mão de ações iniciadas durante a gestão de Omar Aziz, sob o risco de perder apoio popular. Segundo Ademir, seria arriscado não continuar com as fórmulas usadas em projetos como o Ronda no Bairro, Programa Social e

Ex-governador Omar Aziz (PSD), em seu último ato como chefe do Executivo, na sexta-feira

“Ele conhece profundamente as necessidades do Amazonas e de forma especial as do interior. Recebeu um governo extremamente estruturado, não vejo motivos para que algo dê errado durante o período em que estará a frente do Estado”, disse. Questionado se vai permanecer na função de líder do governo na Aleam, Sinésio desconversou e afirmou que não era hora de falar do assunto. Já seus colegas Chico Preto (PMN) – que é précandidato ao governo - e José Ricardo (PT) são mais cautelosos quanto à administração que se inicia. E

lembram que será preciso verificar com prudência a situação dos projetos e do sistema financeiro deixados por Aziz. “Não podemos projetar o governo de Melo sem detalharmos como ele o está pegando. O que é discurso e realidade? Ele terá dinheiro e tempo para trabalhar?”, questionou Chico Preto. José Ricardo, por sua vez lamentou que o Partido dos Trabalhadores não tenha lançado um nome para a disputa, a quem chama de repetição de cartas. “São 32 anos do mesmo grupo. Por isso, não vejo o que José Melo possa fazer de diferente”, avaliou.

Semana marcada por inaugurações As últimas semanas como vice-governador foram de muita correria para José Melo, que ao lado de Omar Aziz deixou claro o apoio mútuo. Na companhia do ex-governador, ele participou da entrega de apartamentos do Prosamim, lanchas para atendimento de urgência em municípios do interior e a assinatura da ordem de serviço para a construção dos primeiros prédios da Cidade Universitária, esta última agenda ocorrida na véspera de tomar posse do cargo. Tudo em meio a uma intensa articulação política que passa

MARATONA

Omar Aziz e José Melo cumpriram uma maratona apertada e corrida de inaugurações, atos, assinaturas, entregas, solenidades e viagens ao interior nesta última semana de transição de governo por uma possível aliança entre ambos e o ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), além do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB). Melo passou a semana

evitando dar declarações sobre o processo de transição e as eleições. Mas, no dia 27 de março, quando recebeu a notícia de que receberia de Aziz o posto de governador, conforme matéria publicada pelo EM TEMPO, disse estar despreocupado, uma vez que vinha desempenhando a função ao lado de Omar. Na ocasião, reforçou a ideia de continuidade às políticas públicas que o atual governador vinha trabalhando. “O momento não é o ideal para se pensar em candidatura, mas sim de trabalhar”, afirmou.


Política

MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

CPI da Petrobras mobiliza a atenção de cidadãos

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Uma coisa é a relação do PMDB com PT, outra é com o governo” MICHEL TEMER, vice-presidente da República, colocando panos quentes na crise

Vargas fez lobby até para agências de propaganda Os negócios do deputado André Vargas (PT-PR) não se limitam a venda de remédios para o Ministério da Saúde, a serviço do doleiro Alberto Youssef. O vice-presidente da Câmara também é apontado como padrinho da agência de publicidade Borghi/Lowe, que divide com outras três a conta de R$ 220 milhões da propaganda do Ministério da Saúde, além de partilhar a conta anual de R$ 400 milhões da Caixa Econômica. A ‘explicação’ A agência Borghi/Lowe, em Brasília, é dirigida pelo paranaense Ricardo Hoffmann, muito ligado ao deputado André Vargas. Esquema paranaense Na Caixa, André Vargas influenciou também na escolha da agência Heads, paranaense como ele. E Clauir Santos, o chefe de marketing da CEF. Amigos e sócios A Polícia Federal acredita que os amigos paranaenses André Vargas e Youssef são também sócios, compartilhando jatinho e outras benesses. Venda milionária Vargas interferiu para o Ministério da Saúde adquirir R$ 150 milhões em remédios do laboratório Labogen Química Fina e Biotecnologia. Doleiro deve depor na Justiça do Paraná este mês Considerado um dos maiores atores do mercado ilegal de compra e venda de dólares do país, Alberto Youssef – preso novamente há dias na operação Lava a Jato – deve depor nas próximas semanas na Justiça Federal do Paraná

sobre o escândalo de 2003 envolvendo a Copel - Companhia Paranaense de Energia e a Olvepar Indústria e Comércio S.A. As oitivas estão marcadas para 14, 17 e 21 de abril, em Curitiba. Lavagem de dinheiro A Justiça Federal apura desvio de R$ 10 bilhões envolvendo a cessão de créditos tributários e transferência ilegal de dinheiro ao exterior. Investigação João Arruda (PMDB-PR) pediu para a Comissão de Fiscalização e Controle que um representante da Câmara acompanhe o depoimento de Youssef. Homem-bomba Youssef foi preso pela PF sob suspeita de comandar esquema ilícito no Ministério da Saúde e de pagar propina a dirigentes da Petrobras. Como Demóstenes Demóstenes Torres foi cassado sob a acusação de haver mentido, no plenário do Senado, sobre sua ligação ao bicheiro Carlos Cachoeira. A oposição acha que merece destino idêntico o deputado André Vargas (PT-PR), que mentiu três vezes sobre suas relações com um criminoso. Apagando a história No rescaldo dos 50 anos do golpe militar, o PCdoB apresentou projeto que anula mandato dos presidentes eleitos indiretamente pela ditadura. São eles: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. Papo fiado Responsáveis pela articulação política do governo, Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (SRI) ainda não chamaram o PTB para

Jornalista

Ouvidoria do Senado recebeu muitos telefonemas e manifestações de populares defendendo a investigação

JONAS PEREIRA/AGÊNCIA SENADO

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conversar sobre indicação do partido para cargo na Caixa Econômica. PT com PSDB Apesar do veto do PSDB, o deputado tucano Reinaldo Azambuja ainda discute sobre desistir de disputar o governo de Mato Grosso do Sul e sair candidato ao Senado na chapa do senador Delcídio Amaral (PT). Mal na fita O DEM decidiu apostar no deputado Davi Alcolumbre (AP) para enfrentar o cacique peemedebista José Sarney na disputa ao Senado. O ex-presidente teria alta rejeição nas pesquisas. Marajá Cargo comissionado na Câmara Municipal de Fortaleza desde 2008, Carlos Régis Borba Benevides – filho do deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) – exibe em perfil atribuído a ele no Facebook a vida de rei que leva, com viagens de jatinho ao exterior, mulheres, carrões etc. Justiça falha O deputado Francisco Escórcio (PMDB) critica que o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão ainda não julgou prestação de contas de Waldir Maranhão (PP), das eleições de 2010: “O jeito vai ser apelar ao CNJ”. Sorte ao inimigo A primeira pessoa que a deputada distrital Liliane Roriz encontrou, após anúncio de que seria vice na chapa de José Roberto Arruda no DF, foi a atriz Mariane Vicentini, ex-mulher dele, que nem desejou sorte. Pensando bem... ...conselho e comissão, os males da Petrobras são.

Senadores da oposição e situação discutindo sobre a instalação da CPI da Petrobras na casa

A

Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras foi o assunto que gerou o maior número de manifestações por meio do Alô Senado nesta semana. Alguns cidadãos têm exigido um posicionamento dos congressistas em relação à possibilidade de instauração de uma CPI que investigue as suspeitas de superfaturamento e evasão de divisas na compra da refinaria de Pasadena pela estatal. Houve quem registrasse na central de atendimento congratulações aos senadores que assinaram o requerimento para a abertura das investigações. De acordo com Marcos Carvalho, de Guarapari (ES), “o caso deve ser apurado severamente, a fim de que a sociedade tome conhecimento pleno dos fatos”. Alberto Waldecir Teixeira Silva, de Mãe do Rio (PA), ressaltou a importância dessa CPI. A seu ver, um processo de investigação “evidenciaria a boa-fé do Congresso Nacional para com

os interesses públicos”. Os desdobramentos do conflito entre governo e oposição em torno da CPI receberam atenção de cidadãos que acompanham as atividades do Senado. Com a decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de rejeitar questões de ordem do governo e da oposição, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) terá de avaliar a possibilidade de abrangência da CPI, isto é, se, além da Petrobras, também serão investigados contratos dos metrôs de São Paulo e do Distrito Federal. Segundo José Alves de Araújo, de Bocaiúva/MG, é necessário “que se crie outra CPI que investigue o cartel do metrô”. Josias Dias Bastos, do Rio de Janeiro, acredita que a CPI da Petrobras deveria ser mais ampla ainda do que pretende o governo e inquirir, também, o investimento público na construção de estádios, principalmente na construção do estádio do Distrito Federal, que teve seu

valor final “em R$ 2 bilhões”. Bastos defende a investigação de “empréstimos sigilosos” do BNDES a Venezuela e a Cuba e outros países. Outra sugestão dele é que “as investigações sobre contratos metroviários se expanda para todos os Estados, principalmente o Rio de Janeiro e sua atual gestão”. Manifestações O projeto que previne e reprime a violência nas manifestações públicas coletivas, dobrando a pena nos casos de associação criminosa formada para praticar atos de vandalismo, foi igualmente assunto de muitas mensagens no Alô Senado. Trata-se do projeto PLS 451/2013. Flavio Stoffels, de Caxias do Sul (RS), acha incoerente que as penas para manifestantes de rua, “que protestam, em grande parte, contra políticos corruptos”, sejam dobradas, ao passo que “os condenados por corrupção têm suas penas abrandadas por conta das brechas da legislação brasileira”. WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO

PODER SEM PUDOR

Memória de eleitor bebum Na campanha de 1998, o delegado Onofre de Moraes era candidato a deputado distrital, em Brasília, quando um colega policial disse que havia arranjado um eleitor para ele, no bar da esquina. Diante do homem, que estava bêbado, Onofre tentou um exercício para que ele se lembrasse em quem ia votar: - Você vai votar no... o... o... O homem gritou: - ...O... O... Oriz! Referia-se, claro, ao governador Joaquim Roriz, que venceria a eleição. Presidente da CCJ, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) vai analisar pedidos na terça-feira

VOTAÇÕES

Esforço concentrado na Câmara A Câmara dos Deputados começa sua semana de esforço concentrado de votações com sessão extraordinária marcada para as 18h de amanhã. Na pauta, temas como o enquadramento da corrupção na lista de crimes hediondos (PL 5900/13); o fim do auto de resistência (PL 4471/12); quatro propostas da CPMI da Violência contra a Mulher (PLs 6293/13, 6294/13, 6295/13 e 6296/13); e a regulamen-

tação dos direitos dos empregados domésticos (PLP 302/13). Antes, porém, os deputados precisam liberar a pauta, trancada por três medidas provisórias e um projeto de lei do Executivo com urgência constitucional. A primeira MP que precisa ser votada é a 628/13, que autoriza a União a conceder crédito de R$ 24 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para finan-

ciamentos de longo prazo ligados principalmente a programas de investimentos governamentais. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), decidiu, com base na lei complementar 95/98, sobre formatação de leis, retirar do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) todas as mudanças aprovadas pela comissão mista por considerar que são temas estranhos ao assunto original.

Pedidos estão na CCJ do Senado Com quatro pedidos de instalação de CPIs para investigar a Petrobras, o presidente do Senado, Renan Calheiros, enviou o requerimento da oposição, que conseguiu assinaturas suficientes para a criação da comissão, para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da casa. O presidente da CCJ, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), escolheu na última sexta-feira, o senador

Francisco Dornelles (PP-RJ) para relatar os recursos que questionam a abrangência da CPI da Petrobras. A comissão vai se reunir extraordinariamente na terça-feira para apreciar as questões de ordem apresentadas pela base e pela oposição sobre a comissão. A expectativa é que o plenário da casa decida o destino das CPIs no dia seguinte ao encontro da CCJ. A oposição no Senado, li-

derada pelo presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), conseguiu 29 assinaturas das 27 necessárias. O grupo quer ainda transformar a CPI em mista, com a presença de membros da Câmara dos Deputados. Naquele Legislativo também já estão sendo colhidas assinaturas para que seja instalada mais uma comissão para investigar denúncias envolvendo a Petrobras.


Com a palavra

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JOSÉ MELO

‘Esperei 32 ANOS por ESTE MOMENTO’ FOTOS: DIEGO JANATÃ

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Vou fazer aquilo que faço todos os dias, que é ajudar o governo. Como todos sabem, o Omar Aziz me permitiu governar junto dele e ajudá-lo a criar todos esses avanços que o Estado obteve nestes 3 anos e três meses de gestão conjunta”

economista José Melo de Oliveira recebeu na última sexta-feira a faixa de governador do Estado do Amazonas. Vice-governador por um mandato, deputado federal por duas legislaturas e deputado estadual, além de atuar em várias secretarias, Melo declarou que, ao assumir o maior posto na esfera política do Amazonas, realiza um sonho. Conhecido no meio político como professor, José Melo, 67 anos, foi alfabetizado apenas aos 11 anos de idade, quando a sua família saiu do município de Eirunepé para morar em Manaus. Iniciou sua vida pública em 1967, lecionando em escolas estaduais, foi delegado do Ministério da Educação e Cultura, secretário de Cultura e Desporto do Amazonas e também esteve à frente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam) e da Secretária de Estado de Coordenação do Interior. Foi também presidente da Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias (SNPH) e Secretário de Governo (Segov). No ano passado, pediu desligamento do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), para fundar e presidir o Partido Republicano da Ordem Social (PROS) no Amazonas e, no início deste ano, se lançou como pré-candidato ao governo do Amazonas. “Esse é o grande projeto de qualquer político e estou emocionado em assumir essa cadeira. Esperei 32 anos por este momento”. Após sua posse, Melo concedeu sua primeira entrevista coletiva. Falou sobre o futuro do secretariado estadual, dos principais desafios políticos, da sua candidatura para as eleições, da dedicação que irá depositar no setor da Educação, sua “menina dos olhos”, e também no difícil desafio de substituir Omar Aziz (PSD). EM TEMPO – Qual será sua primeira ação como governador? José Melo – Vou fazer aquilo que faço todos os dias, que é

ajudar o governo. Como todos sabem, o Omar Aziz me permitiu governar junto dele e ajudá-lo a criar todos esses avanços que o Estado obteve nestes 3 anos e três meses de gestão conjunta. Será uma missão difícil, pois a administração do Omar foi eleita a melhor do país, mas irei lutar com todas as forças para dar continuidade a tudo isso. EM TEMPO – Qual será o seu maior desafio? JM – Teremos muitos, mas o frio na espinha de substituir o Omar Aziz é o maior deles. Quero fazer um governo pelo menos do mesmo patamar que o dele. EM TEMPO – Nos últimos meses observamos uma parceria muito grande entre o governo e Prefeitura de Manaus. Será dada continuidade a essa ação conjunta? JM – Vou continuar com essa parceria com certeza. Também irei dar segmento às parcerias com as prefeituras do interior, que são muito importantes. Farei o que for possível para transformar o Amazonas em uma cidade de muito orgulho. Com a Copa do Mundo seremos vitrine ao restante do mundo e com uma cidade mais preparada poderemos ter muito mais recursos e investimentos no setor turístico. EM TEMPO – E sua prioridade nestes primeiros meses? JM - Tudo é prioridade, mas o que mais me engrandece é a Educação, porque só ela é capaz de mudar a vida de um povo e tirar os grilhões das pessoas e dar o sagrado poder de liberdade. Com todo respeito ao resto, a Educação é a minha paixão. EM TEMPO – Quais serão os principais projetos para a Educação? JM – O Estado tem algo em torno de R$ 4 bilhões de obras em andamento, são investimentos que vão desde estradas vicinais a escolas de Tempo Integral. A minha grande modificação é que quero me reunir com o sindicato dos professores para tratarmos

da data-base para categoria, como também outros avanços. Os professores têm uma pauta de reivindicação, a qual eu tenho um enorme carinho e vamos verificar os caminhos e os recursos necessários para que possamos avançar neste segmento. Eu estou governador, mas na minha consciência eu sou professor. EM TEMPO – E como o senhor pretende atuar na batalha da votação da Zona Franca de Manaus? JM – Essa é uma luta constante de todos. E vamos continuar contando com o apoio da bancada federal, com a Federação das Indústrias, com o prefeito de Manaus, Arthur Neto, que foi fundamental nesta primeira vitória, pois é um parlamentar respeitado em todo o Brasil. Ele administrou com grande sabedoria o seu partido, o PSDB, que pela primeira vez votou unido. É e assim que vou fazer, estarei pedindo inclusive à presidente Dilma Rousseff na próxima semana, em uma conversa já agendada, que ela nos ajude. Tenho certeza que juntos iremos sair vitoriosos da votação deste segundo turno. Nesta votação do primeiro turno conseguimos deixar claro para todos os parlamentares que a Zona Franca de Manaus não é apenas um modelo econômico importante para o Amazonas, e sim para todo o Brasil.

da Agência de Desenvolvimento Sustentável, pediram para sair dos cargos, pois serão candidatos nas próximas eleições. EM TEMPO – Especulouse sobre a saída de Robério Braga e outros secretários do PMDB... JM – Robério Braga é extremamente talentoso, não tem porque tirá-lo. Se o Amazonas hoje ocupa destaque mundo afora pelo ressurgimento das cinzas da cultura, isso se deve muito às políticas públicas implantadas pelo Robério. A outra pessoa, que é secretário estadual do PMDB, Miguel Capobiango, que é meu amigo e também muito competente, com trabalho incomum, só sairá do meu governo se quiser. EM TEMPO – O senhor é apontado como uma grande força entre os prefeitos do Amazonas. Pretende conversar com eles para formar futuras alianças? JM – Não. Nos próximos 90 dias eu irei ficar só no trabalho. Portanto, aviso, inclusive àqueles que me procurarem, que irei falar e tratar apenas de questões voltadas ao desenvolvimento dos municípios.

EM TEMPO – E sobre os secretários estaduais, teremos mudanças? JM – Os secretários permanecem. Não existem novos secretários. Vou continuar com a mesma equipe, formada por parceiros, amigos e companheiros, que nos ajudaram muito durante todo esse tempo.

EM TEMPO – Como o senhor vai fazer para cumprir a legislação eleitoral sendo candidato à reeleição do mandato? JM – A legislação eleitoral não engessa, ela impõe aos governantes regras éticas, caso contrário, os gestores pegariam os recursos públicos e investiriam nos seus sonhos. Precisamos investir o dinheiro do povo em benefícios para o povo e não em prol de uma campanha eleitoral. Acho isso absolutamente correto.

EM TEMPO – Mas, alguns do primeiro escalão pediram afastamento para se candidatarem nas próximas eleições. Como ficarão essas substituições? JM – Na verdade eles se apresentaram para o Omar Aziz. Mas pelo que sei, o Eron Bezerra, da Secretaria de Produção Rural, a Alessandra Campelo, da Secretaria de Esportes e Juventude, e o Raimundo Valdelino Cavalcante,

EM TEMPO – Qual a mensagem que o senhor deixa para a população de Manaus, agora como governador? JM – A mensagem que eu deixo é de esperança e de muita fé. Juntos, conseguimos construir este Amazonas que o Omar nos entrega e, certamente, se continuarmos nesta parceria, vamos seguir em frente. Que nunca falte fé, esperança e alegria no coração de ninguém.

Os secretários permanecem. Não existem novos secretários. Vou continuar com a mesma equipe, que é formada por parceiros e amigos, que nos ajudaram muito durante todo esse tempo”

Nos próximos 90 dias eu irei ficar só no trabalho. Portanto, aviso, inclusive àqueles que me procurarem, que irei falar e tratar apenas de questões voltadas ao desenvolvimento dos municípios”


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Política

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Egberto Batista já está dando expediente no AM Marqueteiro conhecido nos bastidores da política como “bruxo” tem sido visto na companhia de Omar Aziz e José Melo

RICARDO OLIVEIRA

Marqueteiro político e empresarial e com um currículo de grandes campanhas nacionais, Egberto Batista (à dir.) parece já estar inserido na pré-campanha no Amazonas ao cargo majoritário RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

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esponsável pela coordenação de campanhas para o ex-senador Gilberto Mestrinho (já morto), o exprefeito Amazonino Mendes (PDT) e o senador Alfredo Nascimento (PR), o famoso marqueteiro Egberto Batista já está em cena para as disputas eleitorais deste ano. Com bloquinhos em mãos, o consultor internacional para assuntos políticos e empresariais esteve ao lado do pré-candidato ao Senado, Omar Aziz (PSD), durante as entregas de obras e eventos que antecederam a sua desincompatibilização do governo. Conhecido no meio político como “bruxo”, o irmão do ex-senador pelo Amazonas Gilberto Miranda, afastado

do Congresso Nacional em 2005 sob fortes escândalos, Egberto Batista teve a primeira aparição registrada pela reportagem na noite da última quarta-feira, quando chegou junto com Omar Aziz à cerimônia de posse de Cleinaldo de Almeida Costa, eleito reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), redemocratizada pelo ex-governador. No evento, Amazonino Mendes (PDT), figura íntima a Egberto, compôs o palanque de Omar ao lado de José Melo (PROS) e de Cleinaldo Costa. Batista coordenou campanhas vitoriosas para o ex-prefeito nas eleições de 1994 e 1998 e também nas eleições de 2004 e 2006, tendo sido derrotado nestas últimas duas. Antes de iniciar o esperado discurso após um longo período distante dos palanques, Amazonino cum-

primentou, de longe, seu velho amigo e consultor. Na manhã do dia seguinte, quinta-feira, Batista chegava novamente junto com Omar no evento em que o então governador fez entregas para a área da saúde na Zona Oeste. O marqueteiro, que foi Secretário de Desenvolvimento Regional no governo do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, poderosa pasta que à época comandava a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), passeou pelo ambiente, conversou com secretários e anotou o telefone de uma popular que acompanhava o evento. Abordada pela reportagem, a moradora das proximidades do local informou que Egberto a havia convidado para trabalhar como cabo eleitoral na campanha de Omar pela única vaga do Amazonas no Senado. Ela não quis se identificar, mas

disse que aceitou com muita “animação” o convite de Egberto. “Eu sempre trabalhei para o Omar. Quero repetir neste ano. Ele é nosso candidato”, disse.

MARKETING

Irmão do ex-senador Gilberto Miranda, Egberto Batista coordenou a campanha de Fernando Collor, em 1989, à Presidência da República. No Estado, ele diz ser fiel amigo de Amazonino Mendes Questionado sobre a presença de Egberto junto à comitiva oficial do ex-governador Omar Aziz nos eventos, o secretário de Governo e titular da Casa Civil, Raul Zaidan, afirmou que os convites não

partiram da Segov e que não sabia os motivos da presença do marqueteiro. O mesmo posicionamento foi registrado pela equipe de cerimonial do governo, responsável pelo envio de convites. Egberto marcou presença também no último ato de Omar Aziz à frente do Executivo estadual, na sexta-feira, quando assinou a ordem de serviço para o início das obras da primeira etapa da Cidade Universitária da UEA, no KM 7 da AM 070, no município de Iranduba, uma das “meninas dos olhos” do pré-candidato. No canteiro de obras, a maioria presente era de secretários e assessores, que aproveitaram a ocasião para fazer fotos junto ao ex-governador, num clima de despedida. Orientações O comportamento de Batista no local era de total integra-

ção à alta cúpula do governo. Ele sugeria fotos, coordenava a imprensa e conversava constantemente com José Melo, que, horas mais tarde, recebeu a faixa de governador em cerimônia solene realizada no Teatro Amazonas. Egberto Batista, que tem registros de participação nas articulações nacionais que resultaram na fundação do partido de Omar, o PSD, disse que não concede mais entrevistas e que “só trabalha entre amigos”. Ele não confirmou qualquer contratação para coordenar campanhas para Omar ou José Melo, mas fez constatações sobre o atual cenário político do Estado. Para ele, a desincompatibilização de Omar representa um passo à frente nas conversas, mas, segundo o marqueteiro, ainda falta outra peça: a configuração do palanque tucano.

Apoio dá sinais de ampla aliança

Casos memoráveis no currículo

Ele se referia ao prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), que permanece distante da decisão pelo nome que apoiará à sucessão estadual e que receberá o presidenciável, senador Aécio Neves (PSDB-MG), nos palanques amazonenses. A relação entre Virgílio e Batista, no entanto, não tem registros amigáveis. Em 2009, quando era senador, o tucano

Seu nome sempre é ligado ao chamado “caso Lurian”, quando uma ex-namorada de Luiz Inácio Lula da Silva, Mirian Cordeiro, foi à TV, em 1989, em rede nacional para denunciar que o então adversário de Collor na disputa pelo Planalto queria que ela abortasse sua filha, episódio no qual nega participação. Mais tarde, eleito, Collor emplacava Egberto na bancada

subiu à tribuna do Senado para se defender de uma reportagem publicada pela revista “Isto é” em que era acusado de irregularidades no pagamento de viagens internacionais. Virgílio, na ocasião, atribuiu os ataques aos irmãos Egberto e Gilberto. A aproximação de Egberto a Omar e, por tabela, a José Melo, pode trazer novos sinais da composição que

terá o grupo nas eleições deste ano. Fiel seguidor de Amazonino, Egberto nunca escondeu que suas decisões passam pelo aval do exprefeito. Em uma rara entrevista concedida a um jornal amazonense, em 2010, Egberto finalizou o discurso afirmando: “Sempre estive e estarei ao lado do Amazonino. Quem for seu candidato será o meu também”.

de ministros. Em 2004, quando coordenava a campanha de Amazonino à Prefeitura de Manaus, Egberto foi tido como o responsável pelo “caso Soraya”, uma médica que afirmava ter tido um filho com o então candidato a prefeito, Serafim Corrêa (PSB), uma réplica da estratégia adotada 15 anos antes na campanha presidencial.

O marqueteiro é habituado a frequentar altos escalões do poder. Seu irmão, filho de família pobre de São José dos Campos, em São Paulo, ex-professor de natação, Gilberto Miranda, tem o pré-candidato ao governo do Estado paulista, Gilberto Kassab, o ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana Sarney, como padrinhos de casamento.


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

economia@emtempo.com.br

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Iranduba: falta política para o ecoturismo Economia B4 e B5

Start-ups de Manaus rumo ao cenário internacional EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

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os últimos mapas brasileiros sobre o incentivo a empresas nascentes de base tecnológica - os startups - construído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Estado do Amazonas não aparece com nenhuma iniciativa de aceleradoras de start-ups selecionada pelo programa Start-up Brasil. Mas, segundo empresários do seguimento, esse cenário está prestes a mudar, uma vez que, projetos iniciados no ano passado estão próximos de ser apresentados ao mercado, de forma escalonada, o que permitirá a eles um alcance mundial. A afirmação é possível, uma vez que, produtos tecnológicos, que estão sendo materializados pela aceleradora Fabriq Centro de Soluções terão pré-lançamento realizado na Feira do Empreendedor. O evento que é promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SebraeAM) será realizado entre os dias 24 e 27 de abril deste ano, no Clube do Trabalhador Sesi, com objetivo de fomentar o empreendedorismo no Estado. Segundo o diretor-executivo da Fabriq, Fredson Encarnação, a empresa apresentará no seu stand produtos de nichos de mercado pouco explorados, oriundas de três start-ups selecionadas pela aceleradora. Batizadas pelos nomes Agiis, Efisis e Praquerumo, as empresas nascentes, que são formadas por jovens empreendedores, após a feira, terão um prazo de seis meses para apresentarem os seus produtos finais ao mercado. Encarnação informa que a Agiis trabalha hoje sobre um aplicativo de votação eletrônica, baseada num conjunto de automação que integrará TVs e tablets, cujo mercado envolve clientes que precisam tomar decisões baseadas em votos. A Efisis, por sua vez, de acordo com o empresário, está desenvolvendo um kit integrado de hardware e soſtware de monitoramento do consumo de energia (elétrica, água, GLP, ar

RICARDO CASTRO/FABRIQ

Produtos tecnológicos de empresas nascentes, apoiadas por aceleradora, serão pré-lançados na Feira do Empreendedor comprimido, óleo e vapores), que permitirá às organizações tomarem medidas voltadas para eficiência energética, com ganhos de economia e preservação ambiental. Já o start-up Praquerumo avança com a construção de uma plataforma multilateral on-line, a qual incentivará a comercialização de serviços de turismo de experiência e de aventura, que começará pela Amazônia. Conforme o empresário, este novo canal será

INOVAÇÃO

Um start-up é na sua essência, segundo o Sebrae, um empreendimento em fase de constituição, com baixo custo inicial, e com expectativas altamente escaláveis sobre produtos de base tecnológica Jovens empreendedores motivados por empresa aceleradora trabalham na construção de produtos tecnológicos de alcance mundial

lançado nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola. De olho, no mapa da MCTI, que oferece recursos de até R$ 200 mil à aceleradoras, a Fabriq que iniciou a sua fase de posicionamento no terceiro trimestre de 2013, e no segundo chegou a entrevistar até 37 start-ups, tem como plano de expansão a meta de acelerar dez empresas, até o final deste ano. Para o empresário, o primeiro retorno da aceleradora não é financeiro, o que deve ocorrer a partir de 2015. “Estamos trabalhando muito mais para o fortalecimento do ecossistema de inovação e para criar uma plataforma de trabalho sólida, que nos permita fazer dele uma referência em termos de inovação”, sustenta.

Ecossistema local de inovação O gerente de projetos do start-up Dona Now, Daniel Goeteneur, avalia que o ecossistema de inovação tecnológica local está em fase de amadurecimento. Para fortalecê-lo, empreendedores vão atrás de experiências avançadas como o porto digital de Recife (PE), e o Vale do Silício, no Estado da California (EUA). Para Goeteneur, sinal de que o ecossistema começa a ganhar força é a realização de grandes eventos como o Start-up Weekend. De cará-

ter global, o encontro que começou na sexta-feira, encerra hoje, na Escola Superior de Tecnologia, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), avenida Darcy Vargas, Zona Centro-Sul. Goeteneur lembra que não há um marco de quando os start-ups começaram a surgir em Manaus. “Fato é que, em 2011, pequenos eventos começaram a ser organizados e pessoas passaram a se reunir. Com isso criou-se o ecossistema local de inovação tecnológica”, explica.

Site com foco turístico da Praquerumo em fase de conclusão

Primeira aceleradora do Norte Para chegar ao formato de aceleradora, a Fabriq antes atuou 12 anos como negócio de desenvolvimento de inovações para clientes públicos e privados. A adaptação segundo Encarnação veio após cursar MBA internacional em inovação. “Daí decidimos desenvolver inovações em parceria com jovens empreendedores”, conta. Segundo ele, ao avaliar a capacidade instalada, a experiência empresarial e a rede de relacionamentos disponível, os sócios constataram que havia condições para lançarem a primeira aceleradora do Norte do país. “Inquietava-nos o fato de que apenas nossa região não constava neste mapa da inovação do programa Startup Brasil”, observa.


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

Brasil tem o pior retorno de impostos em benefícios O

Brasil está entre os 30 países de maior carga tributária do mundo, mas continua oferecendo os piores serviços para a população em termos de saúde, educação, transporte, segurança, saneamento, pavimentação das estradas e outros. A constatação é do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que lançou na semana passada, a quinta edição do estudo “Carga Tributária/PIB X IDH” , disponível no site www. ibpt.org.br. Referência na análise e estudos sobre a carga tributária brasileira, o IBPT considerou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2012 e a carga tributária brasileira, do mesmo ano, para criar o Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (Irbes), que mede a contrapartida dada ao contribuinte pelos impostos que paga ao governo federal, estaduais e municipais. Os Estados Unidos ocupam a primeira colocação no ranking, oferecendo melhor retorno aos cidadãos, seguido da Austrália, Coreia do Sul e Irlanda. O Brasil aparece na 30ª colocação, atrás de nações vizinhas, como Uruguai

e Argentina, classificados na 13ª e 24ª posição, respectivamente, em termos de retorno aos contribuintes. ”A Bélgica, que tinha uma carga tributária de 44% em 2011 e ocupava a 25ª colocação no ranking do estudo anterior, passou a ser o 8ª país com melhor retorno à sua população e reduziu sua carga para 30,70%. O Brasil, no entanto, permanece como o último colocado e, apesar de registrar sucessivos recordes de arrecadação de tributos, ainda não oferece condições adequadas para o desenvolvimento da sociedade”, observou o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike. De acordo com Olenike, os brasileiros se lembram que pagam tributos apenas nesta época de entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). “No entanto, mesmo aqueles que são isentos da declaração pagam o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), taxas de serviços públicos, além dos tributos embutidos em produtos e serviços que consomem durante todo o ano”, alertou o executivo.

DIEGO JANATÃ

Apesar de possuir uma das maiores cargas tributárias do mundo, país está longe de prestar serviços adequados à população

Entre 30 países avaliados, Brasil está em último lugar do ranking, que é liderado pelos Estados Unidos, conforme estudo do IBPT

Tributos embutidos em tudo praticamente Depois do trabalho, três amigas voltam juntas para casa e, durante todo o trajeto, elas têm uma outra companhia: os impostos. Os encargos estão no lanche rápido (de 32,31%) e

na passagem do ônibus (de 33,75%), que são pagos sem perceber. “Tudo está embutido, na verdade, porque nós temos pouco conhecimento e não sabemos que em tudo há o imposto e

nós pagamos”, disse Adriana Carvalho, que é funcionária de uma creche. Nem mesmo dentro de casa as pessoas deixam de pagar imposto. Quando acende a luz ou fala ao tele-

fone ou, ainda, quando abre a torneira. Em todas essas contas, a carga de tributos é altíssima. E o mais grave: segundo uma pesquisa, o Brasil é o pais que oferece o pior retorno para a sociedade.

Vitrine Tech economia@emtempo.com.br

Controles ‘inteligentes’ Embora seja uma tendência nova, a moda que deve crescer na área de brinquedos é o conceito de controlar objetos pelos sinais do smartphone. Empresas como HappyCow e BeeWi lideram essa transição para celulares e tablets.

Galaxy S5 chega ao mercado brasileiro Os fãs brasileiros dos produtos da Samsung se preparem. O Galaxy S5 será lançado, oficialmente, no próximo dia 12, no Brasil. Porém, a pré-venda do smartphone top de linha da empresa sul-coreana iniciou no último dia 4, quando passou a ser reservado em lojas virtuais de operadoras como a TIM, Oi e Claro a preços promocionais. No entanto, o celular no plano pré-pago será comercializado a R$ 2,6 mil no país. Parecido fisicamente com o S4, o Galaxy S5 possui tela e bateria (com rendimento 20% maior) consideradas como as melhores que já foram usadas em smartphones. Além das características avançadas em relação aos modelos anteriores, o novo aparelho possui detector de choro de criança, leitor de batimentos cardíacos, leitor biométrico e é resistente a água e a poeira.

App de culinária Aplicativo para smartphones e tablets com dicas de alimentação saudável, o App Cozinha Brasil colocou o Sesi Amazonas entre as seis instituições selecionadas no Estado para participar do edital Inova Talentos 2014. A aplicativo terá também dicas de qualidade de vida, ergonomia, orientações para práticas desportivas e de lazer e a geração de indicadores de desempenho.

Clicks * Entre 2 a 6 de junho acontecerá o WWDC, sigla em inglês para Conferência Mundial com Desenvolvedores, evento anual da Apple que conta com anúncio de novidades da empresa e informações importantes para os desenvolvedores.

área de tecnologia.

* Estão abertas as inscrições do 5º Curso Exame PME, que acontece nos dias 8 e 9 de abril, em São Paulo. O evento é voltado para pequenos e médios empreendedores, incluindo os da

* O Bosque da Ciência, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), completou 19 anos de contribuição à ciência na região no último dia 1º de abril.

*O mercado brasileiro de telefones celulares fechou 2013 com recorde de vendas com 67,8 milhões de unidades comercializadas, segundo estudo da consultoria IDC.

Rindo à toa Meio de relacionamento para alguns, diversão para outros, o Facebook é uma máquina de fazer dinheiro para Mark Zuckerberg. O criador da rede social foi o que mais lucrou em 2014 entre os executivos da área de tecnologia, segundo ranking da Bloomberg. Nadando em dinheiro Zuck, como é chamado, ar-

Falhas no Xbox One Um garoto de 5 anos dos Estados Unidos descobriu uma falha de segurança no console Xbox One que permitiu o acesso a conta da Microsoft de seu pai sem a senha correta. A vulnerabilidade foi encontrada na tela de verificação de senhas do Xbox One. Após errar a palavra-chave, bastou ele apertar algumas vezes a barra de espaço para obter acesso à conta do pai. Kristoffer foi recompensado ainda com US$ 50, quatro jogos gratuitos e uma assinatura de um ano da Xbox Live.

recadou US$ 3,4 bilhões desde o dia 1º de janeiro até 1º de abril, mais que Bill Gates, o homem mais rico do mundo. O dono da Microsoſt ganhou US$ 1,5 bilhão no mesmo período e ficou em terceiro lugar, junto com Steve Ballmer, seu parceiro de empresa. Em segundo lugar foi o CEO da Oracle, Larry Ellison, que arrecadou, neste ano, US$ 2,6 bilhões. Incentivo aos ‘hackers’ Falando em Microsoft e Facebook, as duas empresas vão pagar US$ 5 mil para o usuário que encontrar vulnerabilidades na internet e bugs nos programas das companhias. O valor pode ser maior.

Aplicativo facilitará a vida dos assessores

Licitação contestada A Asssociação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) pediram à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para adiar o processo de licitação da faixa de 700 mega-hertz, que será destinada à tecnologia 4G. A previsão é que o edital do leilão seja aprovado neste mês, e a disputa deve ocorrer em agosto. As entidades alegam que é preciso fazer estudos adicionais sobre as possíveis interferências no uso da faixa.

A Uplink Conteúdo Digital, que é de Manaus, desenvolverá um aplicativo que usará o serviço de nuvens para facilitar a vida dos gestores de assessorias de comunicação sobre o clipping diário de jornais. O aplicativo será desenvolvido depois que a empresa conquistou a aprovação no Programa de Subvenção Econômica à Inovação Tecnológica em Micro e Pequenas Empresas no Estado do Amazonas (Tecnova Amazonas), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).


Economia

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Trabalhadores de hotéis com esperança na Copa ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

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urante o período da Copa do Mundo, Manaus receberá aproximadamente 88 mil estrangeiros, de acordo com dados da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur). De olho nesses números, funcionários da “linha de frente” da rede hoteleira manauense como garçons, camareiras, recepcionistas e mensageiros aguardam pela generosidade dos turistas e esperam lucrar uns trocados a mais na época do mundial. O garçom Francisco Nascimento ainda não decidiu se continuará no hotel em que trabalha no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, ou se mudará para um bufê que prestará serviços especiais durante a Copa, o que ele sabe é que em qualquer uma das duas opções ele poderá lucrar com o mundial. “Estou animado. Apesar de não ter a certeza de onde estarei trabalhando no mundial”, revela. Segundo o garçom, o hotel onde trabalha está com 60% dos leitos reservados para o período da Copa. Para estar apto a recepcionar os turistas de forma satisfatória durante o evento, Francisco, que pela primeira vez trabalha em hotel, aguarda a realização de uma reciclagem prometida pela empresa. “Além da especialização, teremos também um curso básico de inglês. Estou animado porque receberemos

certificados direto de Brasília”, comemora. Orgulhoso do trabalho realizado em outros lugares, por onde deixou a sua marca e conquistou clientes, além de garçom, Francisco é soldador, mas está decidido que seguirá “puxando bandeja” durante o mundial. Para chegar ao hotel onde presta serviço hoje, ele relembra como foi a trajetória. “Fui indicado para fazer um coffee break em 2012. A dona do hotel gostou do

VISITANTES

278 MIL

é o número de brasileiros e estrangeiros que virão a Manaus durante a Copa, conforme Amazonastur meu trabalho e me chamou para continuar pelos próximos meses. Depois sai e resolvi me dedicar à solda. Mas, hoje estou de volta e vou aguardar até a Copa”, afirma. Otimista, ele não sabe ao certo quanto pode ganhar de gorjeta durante a Copa do Mundo, uma vez que, durante

FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO/REINALDO OKITA

A expectativa sobre o número de visitantes possibilitará, além do lucro de empresários, um ganho a mais em gorjetas estes dois meses de trabalho no hotel, já percebeu que o lugar abriga mais viajantes que vêm a Manaus por motivo de trabalho do que turismo. Apesar disso, ele relata que já experimentou da “generosidade estrangeira”. “Já ganhei um dólar de gorjeta de um mexicano”, lembra. Experiência O recepcionista Ricardo Luiz trabalha há 10 anos no Líder Hotel, localizado na avenida 7 de Setembro, Centro, Zona Sul de Manaus. Ele exerce a atual função há 6 anos, e antes atuou como mensageiro durante quatro meses e por isso conhece bem os costumes dos estrangeiros. “Pouca coisa a gente recebe de gorjeta, pois eles (estrangeiros) mesmos gostam de carregar a bagagem”, comenta. Para Ricardo, não é fácil prevê o quanto de lucro deverá ter durante o período do Mundial, já que é primeira vez que Manaus recebe um evento dessa dimensão. “Estamos com uma boa expectativa, nossa cidade vai receber bons jogos”, avalia. Sobre as gorjetas, ele diz que os turistas estrangeiros chegam com o dinheiro cambiado ao hotel e já pagam em reais. Ele ainda sonha em receber gorjeta de uma moeda de outro país e lembra do “maior agrado” já recebido durante o seu trabalho. “Fiquei espantado. Foi R$ 50 de um turista americano”, recorda. “Acredito que venha muitos gringos e por isso poderemos ganhar um trocado a mais e com certeza vai rolar um dólar”, acrescentou.

Recepcionistas de hotéis estão se preparando para atender turistas estrangeiros no idioma inglês

Jogos da Copa com 92% de reservas

Garçons esperam boas gorjetas da Copa nos hotéis e nos bufês

Mais brasileiros que estrangeiros

Camareiras são as responsáveis por todos os cuidados sobre os quartos

Segundo as informações da Amazonastur, além dos 88.483 estrangeiros que Manaus receberá durante a Copa do Mundo, cerca de 190.240 brasileiros visitarão a cidade. No mesmo levantamento, o órgão aponta que por jogo 22.118 estrangeiros estarão na capital e 47.560 brasileiros terão a oportunidade de conhecer os encantos da capital amazonense. De acordo com o presidente da Associação Brasi-

leira da Indústria de Hotéis do Amazonas (Abih-AM), Roberto Bulbol, a estada das pessoas que virão de fora do Estado não será muito longa. “Nossa expectativa é que o período de permanência desses turistas seja de 26 a 34 dias. Cada um passará no máximo de três dias e meio aqui e seguirão para outras cidades da Copa. Em poucos casos vão alongar esse período”, esclarece.

Segundo Bulbol, a procura para o primeiro jogo entre Inglaterra e Itália, e para o terceiro, entre Portugal e Estados Unidos alcançaram 92% de reservas na rede hoteleira de Manaus. Entretanto, as partidas entre Croácia e Camarões e a de Honduras e Suíça estão apenas com 60% de leitos reservados. Para o presidente da Abih-AM, a dificuldade logística para chegar a Manaus desfavorece e prejudica na hora da escolha dos turistas sobre os seus destinos. “O problema de acesso a Manaus é um complicador. Os voos são longos e as conexões desgastantes. A própria Fifa devolveu cerca de 6% das reservas que tinham conosco”, avalia.


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Economia

Ecoturismo de Irandub Empresários e moradores reclamam da falta de uma política de incentivo a negócios voltados ao turista estrangeiro JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO

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om potenciais econômicos na produção cerâmica, no ecoturismo e nos sítios arqueológicos, o município de Iranduba, localizado na Região Metropolitana de Manaus (RMM), promete ser um dos primeiros lugares a serem visitados pelos turistas, durante a Copa do Mundo. No entanto, a 67 dias do mundial, a reportagem do EM TEMPO percorreu os principais pontos turísticos da cidade e constatou um cenário desfavorável. Moradores e empresários reclamam que o município enfrenta dificuldades para consolidar uma política que incentive a implantação de negócios que atendam de forma satisfatória os visitantes, em especial estrangeiros que não dominam a língua portuguesa. A baixa oferta de cursos, para qualificar os microempresários e seus funcionários, é uma das principais reclamações de quem aposta suas economias na construção de pousadas, restaurantes e balneários instalados ao longo da rodovia AM-070, que liga Iranduba a Manaus. O empresário Rogério Brandão, 35, e sua esposa Marizete Brandão, 34, concordam que o atendimento ao turista, principalmente pela dificuldade em lidar com os estrangeiros, vai ser complicado, já que a maioria

dos donos e funcionários de pousadas e hotéis não possuem conhecimento em outras línguas. “Se tivéssemos acesso a cursos específicos dentro da comunidade, estaríamos bem mais preparados”, comentou Rogério. Ele é dono da pousada e restaurante Brandão, localizada na avenida Rio Madeira, no centro de Iranduba. A deterioração da estrutura viária como os ramais de acesso às comunidades e das vias da sede do município é outro fator que desfavorece o

SERVIÇO

Dos poucos trabalhos voltados ao turismo, o Centro de Atendimento ao Turista de Iranduba (CAT-Iranduba) expõe, por enquanto, artesanato, além de informações detalhadas dos pontos turísticos município para esse momento histórico. O cenário é de ruas esburacadas com trechos longos sem asfalto, ausência de meio-fio, calçadas e sistema de esgoto precário que não ajuda aqueles que procuram algo para comer no lugar. Na feira localizada no distrito do Cacau Pirêra, o entra e sai de compradores é acompanhado ao de cães, gatos

e roedores que dividem o espaço com as mercadorias. “É triste, mas é nisso que se transformou a nossa feira. Os que trabalham aqui têm boa vontade para atender, procuram ofertar os melhores produtos, mas não contam com a ajuda de ninguém para mudar essa triste realidade”, lamentou a vendedora Maria Fernandes. Abandono Entregue à população em abril de 2012, o mirante de Iranduba, idealizado para ser o carro-chefe do turismo local, encontra-se atualmente em ruínas. São mais de dez quiosques que deveriam servir ao lazer de turistas e moradores. Sem as janelas, com as pedras de mármore quebradas e o forro descomposto, o mirante, que reserva uma vista deslumbrante para o rio Solimões e para o porto (que está em fase de finalização), é visivelmente um ponto de encontro para usuários de entorpecentes. O prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PTB), disse que existe um projeto que visa à revitalização do mirante e que espera o fim do período de chuva para iniciar os trabalhos. Sobre as outras problemáticas, o prefeito pediu para falar com os secretários de Infraestrutura, André Lima, e o de Turismo, Eutranei Lopes, contudo, os dois não foram encontrados.

Longe do quadrilátero da Copa do Mundo, o distrito do Cacau-Pirêra, localizado na orla do rio Negro, em Ira


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ba sem infraestrutura DIEGO JANATÃ

randuba, vive em estado de abandono

REPRODUÇÃO

A mesopotâmia brasileira Com aproximadamente 100 sítios arqueológicos, conforme dados do Projeto Amazônia Central (PAC), o município de Iranduba é considerado por arqueólogos a mesopotâmia brasileira. Um desses locais é o sítio arqueológico Hatahara, descoberto em meados de 1997. Ele possui 16 hectares, fica na área urbana e acrescenta valor histórico para a cidade. O sítio arqueológico mais famoso é localizado no terreno da indústria de Pisos da Amazônia, no ramal da Areia Preta. No lugar, os arqueólogos encontraram

vestígios que datam de pelo menos quatro fases arqueológicas. Entre os utensílios encontrados no Hatahara estão urnas funerárias, vasos e utensílios de cerâmica. Segundo a arqueóloga do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Elen Caroline, o local é usado principalmente como campo de exploração de pesquisadores e estudantes, mas, caso haja interesse da população em conhecer as instalações, é possível submeter a intenção aos responsáveis pela indústria. REPRODUÇÃO

Praias de Iranduba, na orla do rio Negro, como a de Açutuba, revelam o potencial do município

Natureza de belas paisagens Mesmo sem a devida atenção do homem, a natureza em Iranduba é generosa e teima em mostrar belas paisagens. Único município localizado entre os rios Negros e Solimões, ele detém dois ecossistemas; o do rio Negro com praias, cachoeiras e florestas abundantes e do rio Solimões com extensa área de várzea.

O arquipélago de Anavilhanas é outra marca registrada, tendo 25% das suas ilhas pertencentes ao município. Praias como a de Açutuba, Paricatuba e Grande são os destinos preferidos dos visitantes, principalmente do manauense. Consolidados como polos de confecção artesanal, os lagos de Janauari e Acaja-

tuba também são bem frequentados. Nessas comunidades é possível encontrar restaurantes, que trabalham especialmente com a gastronomia amazonense. O último levantamento realizado pela prefeitura indica a existência de 19 hotéis no município, como o Ariaú Amazon Towers e de 19 restaurantes.

Sítios arqueológicos, como o Hatahara, abertos a visitas


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País

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#vaitrabalhardeputado vira tema de campanha nacional

Baixa produtividade do Congresso deve se agravar em ano de Copa e eleições. Povo nas ruas cobra serviço dos parlamentares

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os últimos três anos, a produtividade do Congresso apresentou queda significativa na quantidade de propostas aprovadas. Em 2011, foram 220 projetos, contra 204 e 186 nos dois anos seguintes, respectivamente. E a tendência é de que, em 2014, o volume de trabalho despenque ainda mais, devido ao recesso parlamentar, à Copa do Mundo e às eleições de outubro. Para piorar a situação, as Vossas Excelências não têm priorizado assuntos que dominaram a pauta de reivindicações dos milhares de manifestantes que ocuparam as ruas do país nos protestos de junho passado: foram concluídas as votações de apenas 12 matérias relacionadas à educação e de somente três que tratam de maior transparência e controle de gastos públicos. Outro dado alarmante diz respeito à velocidade de tramitação das propostas, geralmente inversamente proporcional à urgência das mudanças cobradas pela sociedade. O tempo médio até a conclusão de uma matéria, atualmente, é de cinco anos. Os projetos que mais demoram para ir à votação são justamente os de iniciativa dos próprios parlamentares: enquanto uma proposta do Executivo leva, em média, dois anos, as do Legislativo levam seis. Os dados constam na pesquisa Balanço da Produção do Congresso Nacional em 2013”, elaborada pela Queiroz Assessoria Parlamentar e Sindical. Segundo o analista político Antônio Augusto de Queiroz, o principal problema não é a quantidade, mas a qualidade do

AG/ABR

que se aprova no parlamento. Produz bastante? “No Brasil, há uma cultura de que tudo tem que ser regulamentado por lei, então há essa expectativa em relação ao Congresso. Na verdade, o Congresso brasileiro produz bastante, com uma média de 200 proposições votadas por ano. O problema é a falta de foco nas questões que são primordiais para o país”, diz. “Temos um Congresso incapaz de fazer as reformas política e tributária. São temas urgentes para o país e que simplesmente não têm espaço. A maioria das propostas é de pouca relevân-

PRODUTIVIDADE

Em 2011, foram 220 projetos, contra 204 e 186 nos dois anos seguintes, respectivamente. E a tendência é de que, em 2014, o volume de trabalho despenque ainda mais, devido ao recesso parlamentar

Congresso vazio é o retrato de 2014: o volume de trabalho despenca ainda mais, devido ao recesso parlamentar, à Copa e às eleições

cia, de caráter ornamental, e os temas realmente importantes acabam ficando a cargo do Executivo”, completa. Só às terças Com pouco trabalho e muito dinheiro no bolso, os deputados distritais resolveram trabalhar apenas à terças-feiras. A regalia dos parlamentares custa caro aos contribuintes. Trabalhem ou não, os salários chegam a R$ 20 mil. Em média, cada um dos 34 dias de expediente até o fim do ano custará R$ 1,8 milhão.

‘A democracia não tem preço, mas o Congresso...’ A conta dos deputados federais e senadores também merece destaque, apesar da alta remuneração, a produtividade só diminui. “A democracia não tem preço, mas o Congresso custa muito caro”, a afirmação é do fundador da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco. Para Gil, o principal gasto

AMPARO

Medicamentos à base de maconha A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nota sobre a importação de medicamentos sem registro no Brasil. O comunicado veio um dia depois que a 3ª Vara Federal do Distrito Federal autorizou uma mãe a importar um remédio com princípio ativo do canabidiol, substância derivada da maconha. O medicamento não tem venda permitida no país. Segundo a Anvisa, medicamentos sem registro no Brasil podem ser importados por pessoa física. O procedi-

mento é possível por meio de pedido excepcional de importação para uso pessoal. Os pedidos devem ser protocolados na agência, onde serão analisados pelos técnicos que levam em conta aspectos como a eficácia e a segurança do produto e se eles estão devidamente registrados em seus países de origem ou em outros países. A importação, conforme a Anvisa, também é possível em relação a medicamentos classificados como substância de uso proscrito, como é o caso da maconha.

está concentrado no funcionalismo, uma vez que não há fiscalização efetiva nos órgãos legislativo e executivo. “O cidadão precisa se conscientizar de que esses parlamentares são nossos empregados. Nós mantemos a estrutura da Câmara. Temos que cobrar resultados e saber o que eles

estão fazendo com o nosso dinheiro. Precisamos que os políticos se sintam pressionados para que entendam que esses privilégios não fazem mais sentido”, completou. Mais custos Em 2013, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal

gastaram juntos R$ 8,5 bilhões, o equivalente a R$ 23 milhões por dia. O valor é semelhante a todo o orçamento autorizado para a cidade de Belo Horizonte (MG) em 2012 – R$ 8,8 bilhões e aos dispêndios integrais de seis ministérios: Cultura, Pesca, Esporte, Turismo, Meio Ambiente e Relações Exteriores.

FAVELA AE

“A sua importação pode ser solicitada para uso pessoal. Também é possível que uma empresa interessada solicite o registro do produto no Brasil. Nas duas situações, os pedidos são analisados pela área técnica da Anvisa”, informou. Pedidos A agência destacou ainda que, até o momento, não registrou nenhum pedido de registro de medicamento com substância proscrita, nem pedido de importação para uso pessoal. Militares tomaram o Complexo da Maré após onda de ataque às unidades de polícia

Efetivo vai quintuplicar na Maré Moradores do Complexo da Maré, no Rio, terão 400 militares do Exército e da Marinha policiando suas vias 24 horas por dia. A ocupação pelas Forças Armadas começou ontem, com a chegada de 2,5 mil militares da brigada paraquedista e fuzileiros navais ao complexo de favelas na Zona Norte. Mas esse é o efetivo para o início da ocupação, quando é preciso percorrer toda o complexo e fazer um mapeamento. No dia seguinte, para a manutenção do trabalho, o efetivo é reduzido.

A partir de domingo, a cada dia, 1,6 mil homens se revezarão em turnos de seis horas, um aumento significativo se comparado com os 300 policiais militares que se revezaram durante a semana nas 15 favelas do complexo. Como a escala de trabalho dos policiais militares prevê turnos de 24 horas de trabalho e 72 horas de folga, na prática, havia na favela 75 PMs na favela diariamente. Foi o que aconteceu na semana passada. No domingo, 1.180 homens das polícias civil, militar e fe-

deral, ocuparam as favelas, mas no dia seguinte o efetivo foi reduzido. Além do general Roberto Escoto, que irá comandar a Força de Pacificação, todos os coronéis e militares irão amanhã ao complexo para conhecer as área e buscar bases para a Força na comunidade. Desde ontem, militares do Exército já faziam um levantamento na favela. Nesse primeiro momento da ocupação, as buscas vão se concentrar em casas que eram utilizadas por traficantes de drogas.


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Trabalho escravo e assédio moral em cruzeiro de luxo Segundo o MPT-BA, a caracterização de escravidão de tripulantes do MSC Magnifica se deu em razão de jornadas exaustivas DIVULGAÇÃO

Investigações sobre trabalho escravo em cruzeiros de luxo, no litoral brasileiro, acontecem desde novembro de 2013, após denúncias recebidas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

A

Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou um grupo de 11 pessoas em condições de trabalho análogas às de escravos no cruzeiro de luxo MSC Magnifica, pertencente à MSC Cruzeiros. O flagrante aconteceu em fiscalização conjunta envolvendo diferentes órgãos realizada no porto de Santos, no litoral de São Paulo, entre os últimos dias 15 e 16 de março, e o resgate foi feito nesta semana em Salvador (BA), cidade para onde o navio seguiu depois da primeira abordagem. Segundo a fiscalização, a empresa se recusou a pagar as verbas rescisórias e a reconhecer o resgate. Procurada, a empresa afirmou em nota que “repudia as alegações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego” e que “não recebeu nenhuma prova ou qualquer auto de infração”. As investigações sobre trabalho escravo em cruzeiros de luxo no litoral brasileiro acontecem desde novembro do ano passado, quando denúncias recebidas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) foram encaminhadas à Comissão Nacional de Combate ao Trabalho

DIVULGAÇÃO/MPT-BA

Escravo (Conatrae), da qual a organização faz parte. Trabalho exaustivo A caracterização de escravidão de tripulantes do MSC Magnifica se deu pela submissão do grupo a jornadas exaustivas sistemáticas, maus tratos e assédio moral. Há relatos de jornadas superiores a

FLAGRA

Flagrante aconteceu em fiscalização conjunta envolvendo diferentes órgãos realizada no porto de Santos, no litoral de São Paulo, entre os últimos dias 15 e 16 de março, e o resgate foi feito em Salvador (BA) 14 horas. “Não temos a menor dúvida de que se trata de trabalho escravo”, explica Alexandre Lyra, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), do MTE. “Além da escravidão, constatamos fraudes no cartão de ponto e na contratação dos trabalhadores. A situação é grave”, resumiu. DIVULGAÇÃO

Outras denúncias Além do MSC Magnifica, outro navio da empresa foi fiscalizado, o MSC Preziosa, mas apesar de também terem sido constatadas infrações trabalhistas, não houve flagrante de trabalho escravo. Desde o começo do ano o MTE monitora os cruzeiros que atravessam o litoral. Além de auditores fiscais do MTE e procuradores do MPT, a operação que resultou no flagrante envolveu também representantes da SDH/PR, da Advocacia Geral da União (AGU) e da Capitania dos Portos, bem como agentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Em Salvador, a Defensoria Pública da União também acompanhou a ação. “É preciso dar uma resposta a essa situação. Não é possível que embarcações venham para águas brasileiras para praticar esse tipo de abuso com os trabalhadores”, diz o procurador Rafael Garcia, do MPT da Bahia. Entre os trabalhadores resgatados há até tripulantes com nível superior e, no entendimento do MPT, a empresa está resistindo ao pagamento das rescisões por temer uma série de ações e reivindicações.

Imponência e ostentação impressionam Ao longe, os navios impressionam por seus números: são pelo menos 60 metros de altura, o mesmo que um prédio de 20 andares, e 300 metros de comprimento. A bordo, estão cerca de 4.070 passageiros, junto a uma tripulação de 1.305 pessoas, contando funcionários de limpeza, hotelaria, restaurante e oficiais de navegação. O valor mínimo de uma passagem para uma semana de viagem não sai por menos de R$ 1 mil. Os valores cobrados contrastam com as condições constatadas que se escondem no interior de empreendimentos de tal proporção. A quantidade de brasileiros empregados nesses navios preocupa as autoridades. Fiscais do MPT-BA e Polícia Federal na abordagem a cruzeiro

INUNDAÇÕES

Plano contra doenças em Rondônia

Com as inundações, população fica vulnerável às doenças

A Secretaria de Saúde de Rondônia (Sesau) está elaborando um plano de ação para combate às doenças causadas pela inundação das águas do rio Madeira. O nível do rio estava em 19,59 metros na sexta-feira, 4, mas chegou a alcançar 19,70 metros, a máxima histórica. As informações são da Agência Brasil. As enchentes potencializam a ocorrência de doen-

ças infecciosas transmitidas pela água, pelos alimentos contaminados e pelos insetos vetores, além dos acidentes provocados pelos animais peçonhentos, que neste período abandonam as áreas alagadas em busca de refúgio. Em fevereiro, a Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) emitiu alerta aos sistemas de saúde para que monitorassem os casos de

leptospirose, cólera, febre tifóide, hepatite A, dengue, malária, acidentes com animais peçonhentos, afogamentos, intoxicações e doenças diarreias agudas, causadas por bactérias, vírus e parasitas. Segundo a diretora-executiva da Agevisa, Tânia Medeiros de Castro Souza, a Sesau tem um comitê para a enchente que faz reuniões com os médicos e agentes

de saúde, orientando-os sobre os procedimentos adotados pela secretaria e também entregando material impresso informativo que é distribuído para a população. “Hoje o nosso comitê está reunido, também com os médicos de fronteira, com a participação do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), para traçar esse plano”, disse Tânia.


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Mundo

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Milhares de chilenos voltam para casa após terremoto Segundo informações dos Comitês Regionais de Operações de emergência pelo menos 900 mil pessoas haviam deixado suas casas após abalo sísmico AFP

EMBAIXADORES

Por telefone, russos brincam em anexação de ‘Miamiland’ Na gravação de uma conversa telefônica vazada na internet , dois homens identificados como embaixadores russos discutem que partes do mundo a Rússia vai anexar após a Crimeia. A veracidade da conversa não pôde ser confirmada. Postada no YouTube, a conversa dura cinco minutos carregados de palavrões. Os dois homens seriam Igor Chubarov, embaixador na Eritreia, e Sergei Bakharev, embaixador no Zimbábue e em Malaui. “Temos a Crimeia, mas isso não é tudo, pessoal! No futuro, anexaremos a Catalunha e Veneza, e também a Escócia e o Alasca”, diz voz atribuída a Chubarov, entre gargalhadas. Chubarov afirma em seguida que a Rússia vai atrás de “todos esses países da fronteira”, como a Estônia, além da Romênia e da Bulgária. Mas depois ambos con-

cluem que é melhor deixa Bulgária, Romênia e “toda a merda báltica” para a União Europeia, e Bakharev sugere que seria mais interessante ir atrás da Califórnia ou de Miami. “Exatamente, ‘Miamiland’ tem 95% de cidadãos russos”, diz Chubarov. “Temos todo direito de fazer um referendo.” Vazamento Não é a primeira vez que conversas entre diplomatas sobre a crise na Ucrânia vazam na internet. Em um telefonema com o embaixador dos EUA em Kiev, a secretária assistente de Estado americana Victoria Nuland afirmou “f... a União Europeia”, a respeito das diferenças sobre como lidar com o caso. Mais tarde, Nuland confirmou o teor da conversa. A Rússia anexou a Crimeia, até então uma região autônoma da Ucrânia, após referendo em março. DIVULGAÇÃO

Milhares de pessoas foram retiradas das zonas baixas do litoral chileno após alerta de tsunami provocado pelo terremoto de 8,2 graus

M

ilhares de pessoas retiradas de zonas baixas do litoral chileno devido a um terremoto foram autorizadas a regressar para casa aos poucos neste final se semana, após a suspensão de um alerta de tsunami. Mais de 900 mil pessoas haviam deixado suas casas, segundo informações dos Comitês Regionais de Operações de emergência. Os primeiros relatos indicam que, apesar das seis mortes registradas e da magnitude 8,2 do sismo, a maior do ano no mundo, os danos registrados foram limitados. Uma série de tremores antes do grande terremoto fez com que a população abandonasse

as praias, estocasse mantimentos e se preparasse para uma eventual desocupação. O tremor teve seu epicentro no mar, em frente à costa norte do Chile. O alerta de tsunami foi retirado às 6h41. Ondas de mais de dois metros, no entanto, atingiram algumas partes do litoral, provocando deslizamentos de terra, que bloquearam estradas próximas à cidade de Arica. Desespero Imagens da TV chilena mostraram a população abandonando as regiões costeiras, de forma ordenada, formando longas filas de automóveis. Prédios foram destruídos e milhares de pessoas ficaram sem luz. Em um su-

permercado, produtos desabaram das prateleiras, e os clientes tiveram de sair às pressas. Incêndios foram registrados em Iquique. “Estamos indo embora com as criança e com o que podemos, mas está tudo entupido de gente saindo dos prédios na praia”, disse Liliana Arriaza, 32, que estava partindo de carro com seus três filhos. Na manhã da quarta-feira, 2, a energia começou a ser restabelecida nas zonas afetadas, segundo informações da Oficina Nacional de Emergência de Chile (Onemi). Segundo o diretor nacional da entidade, Ricardo Toro, 50% da luz já havia voltado em Arica e 30% em Iquique. Os aeroportos do norte do país tiveram

suas atividades interrompidas depois do terremoto, mas já estão voltando a operar. Ameaças “O governo do Chile tem se empenhado em conscientizar as pessoas que moram no litoral sobre a ameaça de tsunamis e o que fazer caso um se aproxime”, disse Steven Godby, especialista em gestão de desastres da Universidade Nottingham Trent, na Inglaterra. “Várias simulações de tsunami ocorreram desde o tsunami que matou mais de 500 chilenos em fevereiro de 2010, e terremotos recentes na região ajudaram a manter a ameaça firmemente na cabeça das pessoas”, acrescentou.

Embaixadores russos foram flagrados em conversas telefônicas


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 6 DE ABRIL DE 2014

diadia@emtempo.com.br

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Médico deixa folga para ajudar Dia a dia C5

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Imprudência é apontada pelos órgãos de trânsito ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Presidentes do Detran-AM, Manaustrans e SMTU chamam a atenção para a falta de consciência dos motoristas

TRÂNSITO VIOLENTO

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ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

mprudência é a principal causa da maioria dos acidentes que ocorrem no trânsito. Há anos, os órgãos que trabalham com as leis e organizações do sistema procuram de alguma forma conscientizar os motoristas, e um dos meios utilizados são as campanhas educativas. Mas, as estatísticas ainda demonstram que esses condutores continuam a descumprir as leis e contribuem para transformar o trânsito em uma fonte de morte, até mais que uma guerra. O acidente registrado em Manaus no último dia 28, ocorrido na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul impactou a população local, que nos últimos dez dias tem pedido uma resposta emergencial para o trânsito da capital. Conforme o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) de janeiro a dezembro do ano passado, 256 pessoas morreram em acidentes de trânsito. Desses dados 48,11% eram pedestres; seguidos de motoqueiros (36,32%); motoristas (9,43%); passageiros (4,72%), ciclistas (1,42%) e 44 vítimas não identificadas. Para agilizar a elboração de novas leis e punir as pessoas que continuam a desobedecer as normas do trânsito, o diretor presidente do

Medidas O uso obrigatório de tacógrafos nos veículos pesados e nas motocicletas empregadas em mototáxi e frete; a cassação de alvarás de funcionamento daqueles estabelecimentos que permitem o consumo de bebida alcoólica nas lojas de conveniência; e uma parceria com o órgão que cuida do trânsito na esfera municipal (Manaustrans) foram algumas das sugestões apontada pelo ex-vereador e ex-presidente da Casa Legislativa. “Nas operações que o De-

Fiscalização atuante orienta o trânsito O Manaustrans diariamente convive com acidentes, e de acordo com o presidente do órgão, Paulo Henrique Nascimento Martins, quase todos ocasionados por imprudência, que ocorre em qualquer rua, e até mesmo em rodovias. Em visita a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) na última quinta-feira (3), Paulo Henrique desabafou ao dizer que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) não possui o número de funcionários suficientes para atuar com mais vigor na legislação em geral, assim como o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) não sabe da situação em que

o trânsito se encontra. “Quando os órgãos de base deveriam ser os primeiros a fazer a mobilização para mudarmos esses dados, todo o serviço cai nas costas dos Estados e principalmente dos municípios. Os municípios não recebem recursos suficientes para realizar todo o processo necessário de fiscalização”, argumenta Paulo Henrique. Segundo o presidente do Manaustrans, um dos problemas de não haver fiscalização é o aumento do número de carros que circulam em Manaus. No ano de 2005 o instituto constatou 300 mil carros circulando na capital, e em 2012, haviam

RESTRIÇÃO

Por determinação do Manaustrans a partir de amanhã (7), veículos que pesam de 8 a 16 toneladas terão o tráfego restrito na avenida Constantino Nery, das 6h às 9h e das 16h às 20h tran realiza, constatamos que uma boa parte dos veículos pesados ou não tinham tacógrafo ou o medidor não funcionava”, explica Feitoza, justificando a necessidade do instrumento. Outra medida por ele é a de que todas as empresas proprietárias de veículos pesados a cada dois meses encaminhe ao órgão um relatório da frota, contendo os dados dos aparelhos, para que haja um controle. As multas aplicadas, para Feitoza, devem conter um valor mais significante, assim como o número de pontos perdidos na carteira.

620 mil veículos. Recursos Para ele, é necessário colocar um número maior de agentes de trânsito nas principais vias de Manaus, com a finalidade de dar maior fluidez ao trânsito. Conforme Paulo Henrique, a partir do momento em que o órgão coloca os agentes nas operações, a fiscalização diminui, o que resulta em infrações, no locais de proibidos. Outra forma de melhorar a fiscalização, de acorco dom ele, será a implantação de radares móveis na cidade. “Uma forma de infraestrutura defensiva, que vamos im-

IONEMORENO

Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), Leonel Feitoza, esteve na última semana na Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde expôs alguns quesitos considerados de urgência e que devem ser implantados.

Transporte público é a solução Ao se pronunciar sobre a questão do trânsito, o titular da Superintendência Municipal de Transporte Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, chama a atenção para o fato de que quando ocorre um acidente que tem um forte impacto e abala a sociedade, a primeira coisa que todos fazem é procurar um culpado. “O trânsito é feito por todos nós. Precisamos que as pessoas tenham a consciência disso e parem de pensar que é apenas o governo. As leis estão aí para serem cumpridas e até melhoradas. A grande arma são as desobediências das leis. É preciso que a sociedade reflita”, argumenta. O acidente do dia 28 de março, para ele teve a imprudência dos dois veículos. A caçamba por excesso de velocidade e o microônibus

Pedro Carvalho destaca a falta de consciência dos motoristas

plantar na cidade de Manaus, pois uma boa parte dos motoristas cumpre a velocidade próxima aos radares, e com a estrutura móvel o processo será mais rígido”, explica. O titular do Manaustrans faz um apelo aos cidadão de Manaus, para que também fiscalizem o trânsito da cidade, e ajudem a torná-lo melhor. “Temos 2 milhões de pessoas fiscalizando a toda hora. Caso uma delas veja uma imprudência, tire uma foto, passe uma mensagem para qualquer meio das mídias digitais do Manaustrans que na hora vamos ao local e se possível puniremos a desobediência”, ressalta.

com o número de passageiro acima do permitido. “Os maiores acidentes acontecem nas pistas retas e mais largas. O desrespeito com as leis são da forma mais agressiva que possamos imaginar, desde a falta de educação entre os motoristas como também os gestos obscenos”, observa. Para Carvalho, uma forma de tentar melhorar seria a utilização do transporte público. “Se cada membro de uma família tiver um carro, no futuro não teremos como se locomover na capital, pois hoje o número de veículos que circula, 71% deles são de automóveis e 2,5 % são de ônibus. É necessário um investimento no sistema de transporte público. Manaus não tem pista exclusiva para ônibus”, afirma.


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DIEGO JANATÃ

Cena comum, o corpo atirado ao lado da motocicleta

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Na maioria dos casos, o motoqueiro está sem o capacete

Uma das mais graves infrações é transportar crianças na garupa

A morte viaja em 2 rodas Em 2013, foram registrados 117 acidentes na capital com vítimas fatais e 2.687 com vítimas lesionadas. Hoje existem 150 mil motocicletas transitando. “É um número muito alto”, diz o diretor do Detran, Leonel Feitoza

TRÂNSITO VIOLENTO MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

O

publicitário Marcus dirigindo seu carro em direção ao retorno da alameda Cosme Ferreira, para entrar no conjunto Tiradentes, aguarda alguns segundos, o semáforo abre e ele acelera o Lancer Mitsubishi recém-saído da concessionária. Inesperadamente um motoqueiro surge em alta velocidade, avança o sinal fechado e acerta a frente do carro, sendo atirado, também, há mais de cinco metros da colisão. Estava sem capa-

cete e, quem viu o acidente – pela violência do choque – jurava que o motociclista tinha morrido. No socorro, descobre-se que o rapaz está completamente alcoolizado e não diz coisa com coisa. O irmão do motorista do Lancer chama uma ambulância do Samu e ele é levado para o hospital João Lúcio. O rapaz segue a ambulância, preocupado com o estado de saúde do motoqueiro. No pronto-socorro, ele é atendido e dado como fora de perigo. Na conversa com o irmão do motorista do Lancer, admite que errou, dá um número de seu celular, o endereço onde mora e promete que vai pagar os donos causados ao veículo. Dias depois descobre-se que o celular não existe, o endereço era falso e que o motoqueiro tem cinco passagens pela polícia: duas por roubo e três por crimes no trânsito, inclusive um homicídio. A narrativa revela apenas um, entre centenas de casos que acontecem todos os dias nas ruas de Manaus. São crimes que vão da corriqueira infração ao assassinato por pistolagem e assalto, passan-

do por atos de violência e abuso no trânsito, que colocam em risco a vida de pessoas inocentes que nada têm a ver com a loucura dos motoboys, mototaxistas ou motoqueiros selvagens. A não ser que estavam na hora e no local errado, quando um deles protagonizou mais um ato de violência no trânsito de Manaus. “Infelizmente as estatísticas mostram que o maior número de acidentes no trânsito é liderado pelos mototaxistas –, revela Leonel Feitoza, diretor-presidente do Departamento de Trânsito no Amazonas (Detran- AM). Os números dessa estatística são impressionantes, mas não causam nenhum espanto em quem conhece o trânsito de Manaus. Não raro, é possível encontrar um motoqueiro estendido no chão. “Isso é quase diariamente”, diz Leonel, revelando que em 2013 foram registrados 117 acidentes com vítimas fatais e 2.687 com vítimas lesionadas. “Hoje, na cidade de Manaus existem 150 mil motocicletas transitando, é um número muito alto”, diz o

diretor do Detran. Na hora do rush, motoqueiros andam “voando”, costurando os outros carros, passando por cima de canteiros, usando rampas para cadeirantes como retorno, carregando crianças na garupa, esquecendo o uso do capacete, furando sinal vermelho e até trafegando sobre as calçadas, para fugir do engarrafamento. É uma barbárie o que você vê no dia a dia das ruas de Manaus. Leonel informa que nos próximos meses o Detran-AM vai lançar um curso de reciclagem no centro de treinamento da Moto Honda da Amazônia, na Colônia Japonesa, próximo ao conjunto Petros. “A empresa vende motocicletas, mas está preocupada com o índice alarmante de acidentes. Por isso está fazendo sua parte para tentar conscientizar os mototaxistas”, diz Leonel. O diretor do Detran também esteve na Câmara Municipal solicitando aos vereadores uma lei, para que as motocicletas venham com tacógrafo e que o Detran possa monitorar a velocidade com que os motoqueiros andam pela cidade.

O malabarismo que coloca em risco a vida das pessoas Não só em Manaus, mas em quase todo o Brasil os mototaxistas ignoram o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), principalmente no artigo que proíbe o transporte de menores de 7 anos de idade em motocicletas. Essa é apenas uma das infrações. No dia a dia, eles fazem malabarismos para levar, ao mesmo tempo, dois e até três passageiros, entre eles crianças e bebês que viajam geralmente entre dois adultos. Trafegar com crianças na garupa é uma infração grave. O artigo 244 do CTB determina que esse tipo de transporte configura uma infração de trânsito de natureza gravíssima, com multa, perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), suspensão do di-

reito de dirigir e recolhimento da CNH. Não é difícil de encontrar cenas como essas. Ou mesmo a de dois adultos na garupa, ou motociclistas usando rampa de cadeirante, a exemplo do que acontece diariamente na avenida Efigênio Salles. Mas a maior das infrações é a falta de uso do capacete, a principal causa das mortes em acidentes envolvendo motocicletas. De acordo com Leonel Feitoza, em 2013 foram registradas 702 infrações somente pela falta do uso do capacete, 531 multas por transportar crianças na garupa e 374 por excesso de passageiros. “Quase sempre, mais de 200 motocicletas são recolhidas nas operações de fim de semana”, diz Leonel.

“Essa ninguém me contou, eu mesmo vi” Na quarta-feira passada, quando seguia para o trabalho pela avenida Efigênio Sales, o diretor do Detran, Leonel Feitosa, viu, nas proximidades do Clube da OAB/AM, uma motocicleta trafegando com uma senhora sem capacete e um bebê na garupa. De imediato ele mandou o motorista interceptar a moto, desceu do carro e disse ao piloto que ele estava errado e que seria autuado. Ao ouvir isso, a mulher passou a vociferar uma série de impropérios contra o diretor: “Isso que o senhor está fazendo é uma palhaçada!”, disse ela com o dedo apontado contra Leonel. “Minha senhora, nós estamos cuidando da segurança de seu filho”, ponderou o diretor. “Do meu filho cuido eu!”, respondeu

a mulher. O diretor do Detran disse que conta essa história para mostrar o grau de consciência da população. Segundo ele, de nada vão adiantar as campanhas de educação no trânsito, enquanto o povo não tiver boa vontade para ajudar e mudar o quadro que preocupa a todos na sociedade.

Hoje existe muita facilidade para adquirir motos em Manaus

É fácil e barato comprar uma moto em Manaus

Leonel Feitoza: campanha para tentar conscientizar os motociclistas

A quantidade de motocicletas que circulam em Manaus já ultrapassa 140 mil. Em 2013, era de 130,6 mil de acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). A tendência é aumentar cada vez mais, se for levado em consideração as facilidades para se obter o veículo. Para vender um número cada vez maior de motos, as empresas abrem grupos de consórcio de até R$ 157 a parcela mensal, no caso da 150 Titan — a álcool e gasolina –, vendida ao preço de R$ 8,9 mil. “É uma das mais procuradas”, de acordo

com um dos vendedores da loja Canópolis, no Alvorada. “Ao entrar no consórcio, o comprador pode dar um lance de R$ 3,5 mil e no prazo de um mês já vai estar recebendo sua moto”, explica o vendedor. Mas existe ainda a opção de parcelamento em até 10 vezes no cartão ou financiada pelo banco. Há também motocicletas mais baratas, como a CG Pam 125 cilindradas – carburador e gasolina–, que custa R$ 6,6 mil, com a parcela do consócio somente de R$ 113. Nesse caso, com um lance de apenas R$ 2,6 mil, o motociclista já sai da loja pilotando sua moto.


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Voluntários do acidente TRÂNSITO VIOLENTO IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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ordialidade ao atender os clientes, destreza para abastecer os veículos e, claro, toda atenção ao troco. Sem grandes novidades, era só mais uma sexta-feira de trabalho para a frentista Tatiana Faray em um posto situado numa das avenidas mais movimentadas de Manaus. Em questão de segundos, a rotina da trabalhadora, assim como dos passageiros do micro-ônibus da linha 825 mudou completamente. A colisão contra uma caçamba que avançou na contramão e causou a morte de 16 passageiros, comoveu toda a população e motivou a mobilização não somente de paramédicos, bombeiros ou policiais, mas de

pessoas que solidárias com a situação, buscaram uma forma de ajudar. Mas, o que leva uma pessoa a abandonar seus planos e doar seu tempo ao socorro de indivíduos completamente desconhecidos? Faray foi uma das dezenas de voluntários que abortaram a programação daquela sexta-feira e mesmo sem experiência em primeiros socorros, se sensibilizaram e tentaram ajudar as vítimas da rota 825. Acidente Era exatamente 19h40, quando a avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul, parou. Após o choque entre os veículos, nenhum grito de socorro, gemido de dor ou uma buzina desconcertada. “Depois que bateu, saiu uma fumaça preta e um silêncio total, ninguém gritou, nem pediu socorro. A gente pensou que tinha morrido todo mundo. Até os carros da Djalma pararam. Foi quando comecei a passar mal e meu colega me ajudou, me deu água”, lembra a frentista. Após tentar se acalmar, Tatiana correu até o local em direção ao micro-ônibus e começou, junto a outras testemunhas, a busca por sobreviventes. “Vi um homem vivo, ao lado do motorista da caçamba, e gritei alto que o rapaz estava pedindo socorro, porque ele estava erguendo

o braço. Até então não tinha visto ninguém se mexendo. Daí um senhor do meu lado disse que não poderíamos fazer nada, a não ser esperar os bombeiros”, afirmou. Ela também alertou que a cobradora do coletivo estava viva e acompanhou o resgate da estudante de psicologia que estava grávida de oito meses, Gabriela Teles Messias, 26. Faray não consegue conter as lágrimas ao lembrar o socorro prestado para Gabriela. “Os únicos que eu vi que estavam vivos foi o passageiro da caçamba, a cobradora, e uma senhora sentada ao lado da grávida. Peguei nela, mas fiquei emocionada, quando vi a grávida e o médico passando a mão na barriga dela, tentando salvar o bebê, mas ele também não resistiu”, lamentou. Do momento do acidente até a 0h, Faray se envolveu no apoio aos socorristas oferecendo água e o que poderia ser disponibilizado da estrutura do posto, além de tentar acalmar os sobreviventes. “Não pensei duas vezes, os bombeiros vieram pedir água e ajudamos a liberar. Não tinha ninguém que conhecia, mas eu pensava que ao mesmo tempo eu poderia estar lá ou a minha família. Fiquei até meia-noite e só fui embora porque um colega me levou para casa. Se não, eu ia ficar até de manhã”, disse.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Carona solidária, palavras de conforto, auxílio às equipes de resgate foram algumas das ações encontradas por populares para, de alguma forma, prestar solidariedade às vítimas do acidente da última sexta-feira, dia 28

Além de impactar a cidade, o acidente levou populares a pôr em prática a solidariedade

Jornalista presta carona solidária Momentos após a colisão, imagens do estrago dos veículos e das vítimas foram rapidamente compartilhadas nas mídias sociais. E, foi pelo WhatsApp (aplicativo de mensagens) que a jornalista Cristiane Batista soube do ocorrido. “Mandaram-me várias fotos, mas não abri nenhuma para não ficar comovida. Não curto essa coisa de sensacionalismo. A única coisa que compartilhei foi

o pedido do Hemoam, para doação de sangue. O post recebeu três curtidas, mas no meu ‘in box’ recebi umas 50 mensagens”, revela. Ao perceber o interesse, a jornalista se ofereceu para levar os doadores à Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), na avenida Constantino Nery, no bairro Chapada, Zona Centro-Sul. “Não cheguei a ir ao lo-

cal do acidente. Fui só no hospital 28 de Agosto, mas percebi que não ia ter função lá e me ofereci para levar os doadores ao Hemoam. Aí um amigo foi chamando o outro e acabei dando carona para pessoas que nunca tinha visto na vida”, disse. Cidade Nova, Compensa, Alvorada, Centro foram os bairros por onde a jornalista rodou até o meio-dia de sábado (29) levando os doadores até a fundação.


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Acidente mobiliza doação de sangue na FHemoam TRÂNSITO VIOLENTO MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO

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a manhã seguinte ao acidente que vitimou 16 pessoas, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), localizada na avenida Constantino Nery, bairro Chapada, Zona Centro-Sul, recebeu aproximadamente 600 doadores, que se mobilizaram em prol dos feridos que continuam internados. De acordo com profissionais que trabalham na instituição, o volume de voluntários foi recorde – principalmente para uma manhã de sábado. A economista, Jordana Vieira Pacheco, 29, foi uma das

pessoas que se sensibilizaram e compareceram ao local para doar sangue. “Fiquei bastante compadecida com a situação das famílias. Me coloquei no lugar delas. É o que posso fazer, pois acredito que não basta apenas ficar mandando mensagem de solidariedade e luto nas redes sociais e não fazer nada. Cada um faz um pouquinho e acaba virando um “montão”, disse, acrescentando que é doadora registrada há dois anos. O sangue coletado no final de semana ajudou os sobreviventes do grave acidente que aconteceu na noite da última sexta-feira (28), e que continuam internados no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, no bairro Adrianopólis, Zona Centro-Sul e no HPS Dr. João Lúcio, no bairro São José, na Zona Leste de Manaus. Os interessados em colaborar com a doação de sangue, deve comparecer de segunda a sextafeira, entre 7h30 e 18h, à sede da FHemoam. Todos que tiverem entre 18 e 65 anos, peso acima de 50 quilos, saudáveis e que não tenham tido doença infecciosa recente podem doar. O doador deve estar bem alimentado e levar o documento de identidade para realizar a coleta.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Comovidos com a tragédia, doadores e não doadores foram até o órgão para ajudar a salvar as vítimas

Jordana preferiu doar sangue para ajudar às vítimas, ao invés de ficar compartilhando fotos e mensagens sobre o acidente


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‘Não sou um heroi, sou um apaixonado pela profissão’ TRÂNSITO VIOLENTO NÁIS CAMPOS Equipe EM TEMPO

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ifícil é admitir, mas é fácil considerar a frase “não me acho um herói, tudo que faço faz parte de um trabalho que pratico de coração” como um exemplo que vai além do altruísmo e do amor pela profissão. Dita sem nenhuma vaidade, a menção é do coordenador do Serviço Móvel de Urgência (Samu), Enzio Nobre Monteiro, 37, após o trágico acidente que vitimou, no dia 28 de março, 16 pessoas e deixou outras 17 feridas no choque entre uma caçamba e um micro-ônibus da linha 825 (bairro da Paz/ Redenção), na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul. O ato, considerado heróico do médico se deu na tentativa “quase desesperadora” de salvar Gabriela Messias, grávida de seis meses. “Nesses casos, em que envolve duas vidas há um apelo maior: imaginem a expectativa e o trauma da família dessas duas vítimas?”, questiona Enzio. Outro fato que contribuiu para reverberar a “fama” do coordenador do Samu no socorro às vítimas do acidente

se deu em razão do médico já está fora do seu horário de expediente e se preparando para jantar com a namorada em um restaurante no Parque 10 de Novembro - a uns 500 metros do local do acidente. “Ao saber da notícia, via rádio da central por volta das 20h, tinha a exata noção de que se fosse no meu carro não conseguiria chegar com maior rapidez devido ao grande congestionamento que se formou em conseqüência da colisão entre os veículos. Atravessei a avenida Mário Ypiranga e me dirigi à Delegacia da Mulher onde encontrei duas guarnições da Policia Militar que me auxiliaram a chegar bem mais rápido”, relata. Na cena do acidente, Enzio Monteiro encontrou corpos e vítimas lesionadas e a notícia de uma grávida com parada cardiorrespiratória. Com a ajuda de outros membros da equipe do Samu, o médico tentou reanimar a jovem sem sucesso. “Decidi fazer uma cesariana de emergência dentro de uma ambulância, mas o bebê também não conseguiu sobreviver”, lamenta. Com um dos dedos quebrados após o socorro à grávida e outra mulher que estava presa às ferragens do micro-ônibus com traumatismo craniano, Enzio afirma que o “dedo pendurado” não fez a menor diferença no salvamento das pessoas. “Fizemos todo o procedimento padrão, como oxigenação, por exemplo, mas a senhora também faleceu. Foi nesse momento que percebi meu dedo inchado e torto, então providenciei uma imobilização no ligamento”, descreve Enzio que só saiu do local do acidente depois de atender as últimas vítimas lesionadas, por volta da meia-noite.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Coordenador do Samu lembra de uma série de fatos ocorridos na assistência às vítimas, como a fratura de um dedo

Coordenador do Samu não mediu esforços para socorrer vítimas e auxiliar colegas que, ao contrário dele, estavam de plantão

Cotidiano do Samu é revelado Para o secretário municipal de Saúde, Evandro Melo (que deixou a pasta para fazer parte da nova equipe do governador José Melo), o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no dia do acidente demonstrou o dia-a-dia das equipes que atendem emergência 24 horas. “O Samu Manaus está preparado para atender acidentes de múltiplas vítimas. Isso é fruto de trei-

Dispensando o rótulo de heroi, médico Enzio Monteiro se diz um apaixonado pela profissão

Médico suspende descanso Não foi a primeira vez que Enzio Monteiro teve que “cancelar” uma folga depois de um dia de expediente de trabalho para socorrer vítimas de acidente. O médico lembra que, no início da carreira, quando servia na Marinha do Brasil, teve que suspender o descanso para auxiliar as vítimas da queda do avião Brasília, de prefixo PT-WRO, da Rico Linhas

Aéreas, que caiu na noite de 16 de maio de 2004 a 40 quilômetros da cabeceira da pista do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, no Tarumã, Zona Oeste. “Só que naquele episódio as coisas eram bem diferentes, pois não se tratavam de corpos e, sim, de pedaços de 33 pessoas”, recorda. Mas, o trabalho do Samu, friza Enzio, vai além de ocor-

rências que envolvam pessoas mutiladas ou mortas por acidentes de veículos ou aeronaves. “Por meio da nossa central de atendimento (192) prestamos uma série de orientações, como por exemplo o dia em que uma mãe ligou desesperada e que, por meio de nossa ajuda, salvou o filho que havia se sufocado com o próprio vômito”.

namentos, capacitações e investimentos permanentes nas pessoas. O Samu está de parabéns, porque agiu de forma rápida. Mandamos 15 ambulâncias e mais de 45 funcionários do Samu foram atender às vítimas, inclusive voluntários. Tudo para salvar vidas”, declara o secretário. E, com a Copa do Mundo chegando, Evandro Melo disse que o Samu estará a postos para atender

qualquer tipo de ocorrência, até ataques biológicos e grandes catástrofes, por exemplo. “Nossos médicos, enfermeiros, condutores, reguladores, auxiliares e técnicos de enfermagem, ou seja, toda a equipe do Samu está preparada para qualquer tipo de eventualidade que possa acontecer durante a Copa do Mundo. A população pode ficar tranquila”, assegura ele.


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DIEGO JANATÃ

Transporte executivo não obedece às normas Passageiros transportados em pé e veículos parando para embarque e desembarque de pessoas em qualquer lugar são práticas comuns dos micro-ônibus, no trânsito

TRÂNSITO VIOLENTO ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

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transporte executivo esteve no centro das atenções nos últimos dias devido à tragédia envolvendo um micro-ônibus que fazia a linha 825 (Redenção-Bairro da Paz) e uma caçamba, quando vitimou 16 pessoas. Apesar do fato, usuários do sistema de transporte público e motoristas continuam desrespeitando as orientações quanto ao número máximo de passageiros permitidos e aos pontos de paradas estabelecidos. Como a fiscalização não incomoda, a situação se repete todos os dias. O militar aposentado Sebastião Braga, 70, não costuma

pegar os micro-ônibus e diz preferir o ônibus coletivo por questões de segurança. Para ele, o desrespeito dos motoristas causa danos ao trânsito. “Vivem parando fora dos locais permitidos e isso acaba trazendo perigo para a vida de quem está dentro e de quem dirige outros veículos. Se a fiscalização apertasse a situação melhorava”, acredita. Moradora do conjunto Castanheira, na Zona Leste, a universitária Gisele Vasconcelos depende do transporte alternativo para ir ao shopping, por exemplo. “Como não tem ônibus no meu bairro, só nos resta essa alternativa”, lamenta. Usuária das linhas 821 e 823, ela afirma que os executivos sempre param fora dos locais permitidos para embarque e desembarque de passageiros. Para ela, tanto passageiros como motoristas tem culpa sobre a questão de parar fora dos pontos adequados. A universitária destaca que é comum os executivos andarem com a capacidade acima do permitido. “Já cansei de andar nesses executivos lotados, dia de semana vive cheio, eles só param de pegar passageiro quando não dá mais ninguém. No fim de semana é mais tranquilo”, aponta. “Não vale a pena, pagarmos

R$ 4,20 para usarmos um executivo lotado e arriscarmos nossas vidas”, acrescenta. Para alguns, o transporte executivo acaba se tornando uma alternativa, já que o sistema de transporte coletivo não oferece qualidade e conforto ao cidadão. A universitária Jhose Helly, 27, é uma delas que, por falta de opção, acaba pagando mais caro por condições

CAMPANHA

Para Waldiriza, deve ser feita uma campanha de educação, em cima da necessidade de se cumprir a lei. Ela salienta que os motoristas são orientados a andar somente com passageiros sentados melhores de locomoção. “Faço uso do alternativo quando o ônibus coletivo demora muito a passar ou quando está próximo ao horário de pico. Nesse momento o coletivo se encontra cheio demais. Geralmente está superlotado com usuários até na escada”, descreve. Segundo ela, é preciso rigor na fiscalização e punição severa, e os riscos ao andar de transporte executivo são os

mesmos quando se pega transporte coletivo. Conforme Jhose, se o sistema de transporte coletivo oferecesse melhores condições não teria porque o cidadão pagar mais caro para andar nos executivos. Educação A presidente da Federação das Cooperativas de Transporte do Estado do Amazonas (Fecootram) e motorista de executivo, Waldirizia Melo, reconhece que a lei não é cumprida, mesmo com a entidade orientando aos seus federados uma atuação dentro das regras. Mas faz questão de deixar claro que não foi por superlotação que 16 pessoas morreram na tragédia ocorrida no final do mês passado. “Nosso treinamento é para fazer o certo, em pé não pode, somente sentados. O que eles sempre comentam é que na hora do pico é impossível não parar quando não há mais cadeiras, principalmente nas Zonas Norte e Leste. Seria uma falta de educação com o passageiro e por estar pagando ele quer entrar. A parte operacional, o dia a dia quem sabe é o motorista”, alega Walderizia. Para ela, métodos para educar os usuários do transporte executivo e até mesmo motoristas devem ser experimentados.

Parar em locais inadequados é prática comum dos micro-ônibus


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Alternativa que deu certo FOTOS; DIVULGAÇÃO

Há 5 anos, o Trânsito Manaus mantém motoristas – inclusive pedestres – informados sobre as condições de tráfego em Manaus, oferecendo alternativas para quem quer evitar engarrafamentos ou fugir de ficar preso em uma via, por conta de acidentes A equipe do Trânsito Manaus no lançamento do guia Ônibus Manaus

TRICIA CABRAL Equipe EM TEMPO

A

quela frase “quem dirige em Manaus dirige em qualquer lugar” virou mesmo clichê. Manaus, às vezes, lembra aquela bagunça que se vê nas ruas da Índia. Onde deveriam se formar duas filas de veículos, motoristas conseguem “inventar” quatro. Sem falar que muitas vezes o condutor que faz sinal para dobrar para a esquerda – isso quando faz sinal – joga o carro para a direita.

ter, depois partiram para o Facebook– onde têm mais de 118 mil seguidores – e ainda contam com um site, o transitomanaus. com.br. Diariamente, a equipe mantém motoristas e pedestres informados sobre as condições do tráfego na cidade, oferecendo alternativas para quem quer evitar engarrafamentos ou fugir de ficar preso no trânsito por conta de algum acidente. Também são eles que, muitas vezes, informam um grave acidente em alguma via, como a tragédia do ônibus 825, que matou 16 pessoas há 9 dias. “No dia do acidente, recebemos mais de 500 mensagens em uma hora. Tentamos informar mais sobre o trânsito do que o acidente. Porém, depois das notícias negativas, mudamos nossa logomarca para ‘luto’ e fizemos um pequeno ato com 600 pessoas no local“, conta Luiz Leal, CEO do Trânsito Manaus.

Recurso mais recente faz sucesso

DICAS DE SEGURANÇA O Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi) recomenda uma série de cuidados necessários que o motorista deve seguir. Confira Manutenção preventiva O motorista deve realizar revisões periódicas do veículo, principalmente antes viajar, para verificar as condições dos freios, suspensão, alinhamento, pneus, estepes, injeção eletrônica, carga de bateria, líquido de arrefecimento, faróis e lanternas. Álcool e fadiga Além de proibido, dirigir sob efeito de álcool coloca em risco a vida de todos que trafegam na estrada. Se o motorista estiver com sono, também é uma condição perigosa que deve ser evitada. E, se estiver tomando medicação, é preciso verificar antes se ela apresenta restrições para dirigir. O motorista precisa manter o foco na estrada e não dispersar a atenção com o uso de telefone celular e consumo de alimentos, ou outros fatores. Alta velocidade Em uma situação de colisão, o fator “alta velocidade” aumenta a gravidade do acidente, portanto é imprescindível respeitar os limites de velocidade sinalizados. Com o veículo em alta velocidade, o motorista precisa de um espaço maior para frear bruscamente ou desviar do carro da frente. No caso de chuva, esta distância (e cautela de modo geral) deve ser dobrada. À medida que a visibilidade na estrada diminui, é prudente reduzir a velocidade.

Apesar dos contratempos do dia a dia, Luiz Leal acredita que existem cidades piores, como as da Índia. “O que falta em Manaus é educação de base e novas campanhas, mas com discurso diferente”, comenta. Outro recurso também criado pela equipe é o Ônibus Manaus – onibusmanaus.com.br. “É site e aplicativo para informar sobre os itinerários da cidade. Já chegamos a 1,3 milhão de acessos no site e 35 mil downloads do aplicativo criado para smartphones e tablets”, explica. No site, o usuário digita qual coletivo deseja saber se vai circular em determinada via, o percurso e que linhas utilizar de um bairro para outro. No Facebook, o Ônibus Manaus já tem mais de 3,6 mil curtidas. Mais uma alternativa para quem não tem carro – ou tem e não quer usá-lo – e precisa circular na cidade utilizando o transporte coletivo. (TC)

Distância segura Manter o mínimo de distância segura em relação ao veículo da frente é essencial para prevenir acidentes nas estradas. A regra dos três segundos é uma maneira que auxilia o condutor na contagem dessa distância. Quando o veículo da frente passar por um poste ou árvore, devese começar a contar – 1.001, 1.002 e 1.003. Caso o veículo passe pelo mesmo poste/árvore antes do 1.003, quer dizer que o condutor ultrapassou o limite mínimo de segurança segura. Essa contagem da distância deve ser aumentada em casos de descida e pista molhada. Algumas rodovias têm marcações na pista indicando a distância segura. Ultrapassagem Jamais realizar ultrapassagem pela direita, pois os riscos de envolvimento em um acidente grave são maiores. Utilizar a sinalização antes de uma ultrapassagem é extre-

Aplicativo Ônibus Manaus informa sobre os itinerários na cidade

mamente importante. Por exemplo, se um motorista de caminhão não notar que um veículo está passando, pode retirá-lo da estrada. Cinto de segurança O uso do cinto de segurança é imprescindível para a segurança dos ocupantes do veículo, pois reduz os riscos de fatalidades em acidentes de trânsito. Deve ser usado por todos os ocupantes, inclusive pelos passageiros do banco traseiro, estabelecido por regulamentação de trânsito. De acordo com uma avaliação realizada pelo NHTSA (NationalHighwayTransportationSafetyAdministration), dos Estados Unidos, o condutor que usa o cinto de segurança tem o índice de risco de fatalidade reduzido em 45%, em relação ao condutor que não usa. O Cesvi estima que, se houver um aumento de 10% na taxa de adesão ao uso do cinto de segurança, é possível reduzir 1,6 mil mortes por ano no país. Crianças no carro Os adultos precisam estar atentos aos equipamentos de segurança adequados à idade, peso e altura da criança, as popularmente chamadas cadeirinhas. O Contran (Conselho Nacional de Trânsito), em 2008, regulamentou a obrigatoriedade do uso de dispositivos de retenção no transporte de crianças de até 7 anos e meio em automóveis. O não cumprimento dessa regulamentação resulta em infração gravíssima. Bagagem Objetos e bagagens devem ser transportados no porta-malas. Em uma colisão, o objeto solto pode ser arremessado no interior do veículo e seu peso é multiplicado por 50 vezes, ou mais, dependendo da velocidade. É preciso estar atento quando o veículo estiver com maior carga (passageiros e bagagens) do que o usual. Nessas condições, é necessário um maior espaço para frenagens e ultrapassagens (aceleração menor), e as curvas precisarão ser realizadas em velocidades menores. Pedestres O índice de sobrevivência a um atropelamento com velocidade superior a 80 km/h é praticamente nulo. É importante evitar trafegar no acostamento e reduzir a velocidade em trechos em que há travessia de pedestres.

FONTE: CESVI BRASIL E TRÂNSITO MANAUS

TRÂNSITO VIOLENTO

Às vezes se tem a impressão de que a cidade possui mais veículos do que ruas. Ok. Nem só de mazelas vive o trânsito da capital do Amazonas. Hoje em dia já é possível atravessar na faixa de pedestre sem ser atropelado. São mais de 600 mil automóveis circulando em uma Manaus, cuja engenharia de trânsito deixa muito a desejar. Por sorte, a atual administração municipal está tentando amenizar o caos no trânsito. A faixa azul, a entrega das plataformas do BRS (Bus Rapid Service), os novos redutores de velocidade (radares) e os recuos construídos para a parada dos coletivos são algumas das soluções imediatas que têm tudo para dar certo. Paralelamente, um grupo de jovens conseguiu se tornar referência quando o assunto é trânsito. São os profissionais do Trânsito Manaus, que começaram a operar em 2009 via Twit-


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Dia a dia

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plateia@emtempo.com.br

Banda Suicidal Tendences em Manaus (92) 3090-1042

Ritual de celebração

à vida

Ateliê 23 escolheu o texto “Oração”, para encerrar sua trilogia em homenagem ao dramaturgo espanhol Fernando Arrabal LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

O

texto escolhido pelo grupo teatral Ateliê 23 – Casa de Criação para encerrar a “Trilogia Arrabal”, com montagens baseadas em obras do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, chama-se “Oração”, e a temporada de estreia será nos dias 31 de maio e 1º de junho, no Les Artistes Café-Teatro. As peças anteriores foram “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” e “Fando e Lis”. O diretor do grupo, Taciano Soares, adianta que, depois da Copa do Mundo da Fifa, pretende encenar as três produções numa mesma temporada. “Queremos apresentar ao público essa diversidade de perspectivas, que demos as nossas releituras”, diz. As peças da “Trilogia Arrabal” foram produzidas com recursos dos prêmios ProArte, do governo do Estado, e Ar Cênico, da Prefeitura de Manaus. Assim como os espetáculos anteriores, “Oração” é uma releitura do texto original. “A partir da fala, que é o essencial, chegamos na nossa concepção, que quase sempre é completamente diferente do que o autor propôs ou de outras montagens mais tradicionais”, observa Taciano. “Nós mantemos a essência do texto e fazemos a nossa própria leitura”. O diretor conta que, no texto original, o casal Fídio e Lílbe mata uma criança e, a partir de então, busca ser bom conforme os preceitos cristãos. “Na nossa montagem, os dois dançam e atuam a geração e a morte desse filho e o grande exercício tem sido trabalhar o fanatismo religioso por meio dos corpos, da dança ritual”, diz Taciano. Na perspectiva da companhia, Fídio e Lílbe – interpretados, respectivamente, por Jhonatas Alves e Déborah Ohana – são Adão e Eva e, como primeiros seres criados, não possuem identidade própria. “Isso significa que Jhonatas não interpreta Fídio; ele interpreta Lílbe, e Déborah interpreta Fídio. Essa troca de gêneros é fundamental para amarrarmos a ideia de que os dois são a mesma coisa. E isso vai se refletir na maquiagem e no figu-

rino, porque a identidade deles vai ser construída para que se confunda”, explica o diretor. Ele adianta também que todos os elementos da montagem – atores, adereços, os cenários de Laury Gitana e a trilha sonora dirigida por Ediel Castro – passarão por transformações ao longo da encenação. Fisicalidade Taciano Soares explica que os textos da “Trilogia Arrabal” não foram selecionados por ordem cronológica. “Foram escolhidos por uma questão de adaptação para o que queríamos pesquisar, que era a fisicalidade dentro da perspectiva do teatro do absurdo”, afirma. O diretor conta que, em seus processos de criação, gosta de valorizar o trabalho físico do ator – uma postura herdada do grupo que fundou anteriormente, a Cia. Cacos de Teatro. “A Cacos é extremamente física e de performance, e o Ateliê 23 surgiu há um ano de uma necessidade pessoal de me experimentar em novos lugares”, diz. Foi quando voltou do mestrado que estudava na Bahia que Taciano decidiu trabalhar como diretor. “Para que eu pudesse fazer isso da melhor maneira possível, procurei textos que chamassem a minha atenção como ator, que é minha arte principal. Sou apaixonado pelo Arrabal e esses três textos especificamente são os que eu, como ator, interpretaria com grande prazer”, justifica. Para Taciano, esse trabalho físico presente nas montagens do Ateliê 23 é o que o grupo oferece de novo para a cena teatral da cidade. E em “Oração” essa atividade é evidenciada pelo caráter de ritual da produção. “O espetáculo é um grande ritual de celebração à vida. É muito dançado. Não afirmamos que é um espetáculo de teatro e dança porque existe um estudo muito mais específico para isso. É teatro com dança e o Eric Lima (responsável pelos figurinos e pelos movimentos) coreografa as células para os atores dançarem dentro de uma perspectiva de interpretação”, comenta.

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FABIELLE VIEIRA/DIVULGAÇÃO

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DIVULGAÇÃO

Atores trocam gêneros para a interpretação do espetáculo

SERVIÇO PEÇA “ORAÇÃO”, DO ATELIÊ 23 – CASA DE CRIAÇÃO Onde Les Artistes Café-Teatro (avenida 7 de Setembro, 377, Centro) Quando 31 de maio e 1º de junho, às 20h Quanto Entrada gratuita


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>> Mercado italiano . Em buscar de promover o destino Amazonas e Manaus, como cidade-sede da Copa do Mundo 2014 Fifa, o governo do Estado, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), está na Itália realizando ações em Nápoles, Milão e Roma. . A ação conta com a parceria da TAP Itália e da operadora de turismo Just Brasil. A top Gisele Bündchen desfilando para a Colcci na São Paulo Fashion Week

. Os trabalhos de promoção das potencialidades turísticas do Amazonas, em especial de Manaus e do Festival de Parintins, começaram na noite de quinta-feira, quando a Amazonastur realizou um workshop para mais de 60 operadores e jornalistas do setor em Nápoles.

>> Vitrine

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Objeto de desejo . A revigoração da célebre marca francesa Yves Saint Laurent – que agora usa apenas Saint Laurent Paris – criou linhas que fazem parte do objeto de desejo de qualquer antenada (o) do mundo fashion.

>> . Raissa Leite estreia idade nova neste domingo. >> . Alexandre Prata está dando uma circulada no Rio. >> . Amanhã os cumprimentos vão para César Catingueira, Monique Lasmar, Derla Rodrigues, Emily Araújo e Deborah Camely, que estarão aniversariando. >> . O escritor Paulo Queiróz lançou ontem o livro “Águas Viajantes”.

>> O rei açaí

. Que tal experimentar as delícias das culinárias japonesa e peruana feitas, exclusivamente, por um chef internacional? Então, prepare-se. Pela primeira vez em Manaus, o chef Daniel Vassalo desembarca, direto de Miami, para comandar a cozinha do bar e restaurante Bodega da Vila nos dias 14 e 18 deste mês. . Ele irá lançar o projeto “Masterchef”. O público que for prestigiar o “Masterchef” não vai apenas saborear uma boa comida, mas sobretudo participar de um evento gastronômico que visa apresentar a fusão das culinárias japonesa e peruana. A ideia dos realizadores é difundir a riqueza dos sabores da cozinha internacional. Imperdível o ceviche do evento. Vale conferir.

>> . Hoje a partir das 10h, lançamento do livro “Poucas e Boas – Crônicas e Reportagens” da jornalista Mazé Mourão, no Caesar Business.

. Além das peças slim que têm encantado o mundo, as novas bolsas como esta (foto) faz babar as fashions victims de plantão!

>> Gastronomia

>> . O time feminino AAA da cidade já está agendando o evento, que irá comemorar o aniversário deste colunista, no próximo dia 24, no Classic Eventos. Será um chic-sunset a partir das 17h. Festa cheia de charme!

. Os turistas que virão ao Amazonas durante a Copa do Mundo de Futebol já tem um item imperdível para o cardápio local. . Na cartilha que a Fifa lançou dando dicas aos turistas, um dos itens é: “experimente o açaí”.

Maysa Antony enchendo de charme evento no Le Rêve

. Boa pedida foi o quiosque do Waku Sessi instalado no aeroporto internacional Eduardo Gomes, onde os visitantes poderão encontrar açaí de ótima qualidade. Boa!

A chic Othília Vieitas em tarde que reuniu lulus fino trato

TEATRO DIVULGAÇÃO

“Le Solo Palhaço” possui menos cenas dramáticas e elementos cênicos que obra anterior

Descobrindo amor e desilusão LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

Definida pelo ator Hely Pinto como uma farsa circense, a peça “Le Solo Palhaço”, da Companhia Língua de Trapo, será encenada hoje, às 18h, com entrada franca, no Teatro Jorge Bonates (rua Recife, sede da Sead, bairro Flores). A montagem marca os 20 anos de carreira do artista e foi produzida com apoio do edital Ar Cênico, da Prefeitura de Manaus. Hely esclarece que “Le Solo Palhaço” segue a mesma estrutura de outro espetáculo do grupo, “O Circo da Ilusão” (2009), porém, com menos situações dramáticas e elementos cênicos. O protagonista é Tolo, um homem humilde e simples que, durante a

Grande Depressão de 1929, entra para um circo. “Ele se descobre dentro desse mundo circense, onde encontra sentimentos como o amor pela equilibrista e também a desilusão”, adianta Hely, que interpreta o personagem principal. O enredo é narrado sem diálogos, mas utiliza-se muito o “dramelô”, um jeito de falar meio embolado, que não deixa claro nenhuma palavra, mas que comunica o suficiente para despertar a compreensão da plateia. “As pessoas entendem muito bem e acaba sendo uma linguagem universal. Acho que esse é o grande destaque desse espetáculo, conseguir alcançar todas as classes e até estrangeiros”, observa o ator, que ainda é responsável pela cenografia, direção e roteiro

da montagem. Também estão no elenco os atores Magda Carvalho (Equilibrista), Denis Carvalho (Dono do Circo), Israel Castro (Bufão Gripado), Pablo Rodrigues (Bufão Zangado) e Mirna Pinto (Domadora de Cavalos). Antes de fundar a Língua de Trapo, o amazonense Hely Pinto trabalhou em grupos de teatro do Serviço Social do Comércio e nas companhias Apareceu a Margarida, Baião de Dois e Amazônia ArteMythos. É técnico em Artes Cênicas pela Fundação Rede Amazônica e já participou de cursos com os atores Matheus Nachtergaele, Marcélia Cartaxo, Chico Diaz e Lauro Góes, além de workshop com José Celso Martinez Corrêa e oficina de teledramaturgia com Reinaldo Boury, da Globo.


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Reencontro com a cultura local como na primeira vez N

as mãos, uma fotografia desgastada pelo tempo mostra, em preto e branco, 41 pessoas. Na memória, nomes, histórias e a lembrança viva dos dois meses de viagem e passeios que desfrutou com o grupo de turismo que veio de São Paulo para conhecer Manaus. Era 1953. “Essa cidade era linda, encantadora. Todos nós nos apaixonamos por esse lugar. Voltar aqui, pela segunda vez na vida, é um privilégio”. A declaração apaixonada por Manaus é da paulista Alzira Miranda Paz, com 87 anos de vida muito bem vividos. E a primeira reverência que fez a cidade que havia visitado há 60 anos, foi ao Teatro Amazonas (TA). Formada em piano, ela se emociou e arrancou lágrimas de guias e coordenadores do TA, ao entrar no que chama de “templo da cultura”. Começou pela cochia, atrás do grande palco, de frente para a plateia vazia de pessoas, mas cheia de história. Olhou, caminhou devagar pelos corredores e frisas, e voltou a se encantar com a beleza do momumento. “Isso é grandioso. E é maravilhoso ver que está tudo igual, muito bem cuidado”, disse. Na platéia pode ver um trecho do ensaio de artistas para o 18º Festival Amazonas de Ópera, que começa dia 20 deste mês. Depois, lentamente subiu as escadas com tapetes bordô. No Salão Nobre do TA, olhou o largo São Sebastião da sacada. Depois, fez um pausa, se encostou em uma das colunas e contou a aventura que foi vir a capital do

LAYLA LOPES/DIVULGAÇÃO

Turista de São Paulo, que há 60 anos visitou o Teatro Amazonas, volta a Manaus e se encanta novamente com a obra Amazonas, no ano de 1953. “Viemos numa excursão do Turim Club, em um navio que também trazia cargas para a cidade. Foram dois meses de viagem. Inesquecíveis.” Belezas naturais Em Manaus, além do TA, Alzira conheceu o então Bosque do Tarumã e banhou-se nas águas frescas e límpidas do então Balneário do Paque Dez. Com os padrinhos, visitou o Roadway, a Catedral, o prédio da Alfândega e o mercado municipal Aldolpho Lisboa. “Linda a restauração que fizeram ali. Continua maravilhoso, como na época em que o vi a primeira vez”, comentou sobre o mercado.

LEMBRANÇAS

Teatro Amazonas, Hotel Amazonas, porto de Manaus, mercado Adolpho Lisboa e os balneários urbanos de Manaus são algumas das lembranças que vieram à tona na memória de dona Alzira Sabendo que retornaria ao Teatro Amazonas, Alzira carregava consigo a fotografia que registra sua primeira visita ao local

Com olhar saudosista lembrou de ter ficado com os padrinhos uma noite na suíte presidencial do Hotel Amazonas, cujos quartos tinham quadros de Roberto Burle Marx. “Era lindo, com vista para o rio (Negro) e muito luxuoso.” As lembranças ganharam um acrescimo quando Alzira foi surpreendida pela passagem do secretário de Cultura do Amazonas e autor de vários livros sobre a história de Manaus, Robério Braga.

O valor da preservação do patrimônio Por quase meia hora, Braga e a turista conversaram sobre a Manaus dos anos 50, suas belezas naturais e aquelas que a mão do homem construiu. Recordaram de nomes de personalidades da época. E de tudo que Alzira visitou, o que segue intacto, tal qual

sua memória, é o Teatro Amazonas. “Uma visita dessas nos emociona e nos presenteia. É gratificante ver que o trabalho que fazemos com o patrimônio cultural e histórico de Manaus pode fazer parte da vida de pessoas de diferentes parte do Brasil

e do mundo e em diferentes tempos”, comentou o secretário. Alzira, apaixonada pela cultura, marcou tanto em sua segunda visita ao TA que foi convidada a voltar. Dessa vez, para sentar na plateia e assistir ao Festival Amazonas de Ópera. “Não

posso recusar um convite desses. Farei o possível para vir”, disse. Com lágrimas escondidas atrás dos óculos, Alzira Miranda se afastou, virou-se uma última vez, posou para foto e despediu-se do Teatro Amazonas, o teatro da sua história.


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RESENHA

O terror do inexplicável CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO

PERFIL

César Augusto Oliveira é jornalista e editor do EM TEMPO

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inda me lembro de quando assisti ao filme “Os pássaros” (The birds, 1963), de Alfred Hitchcock, pela primeira vez. Foi na década de 1980, quando a Rede Globo exibia o Festival Hitchcock, que entre outros incluiu “Psicose”, “Frenesi” e “´Topázio”. Como eu era um moleque ainda, não conseguia ficar acordado até a hora do filme, mas descobri que meu irmão mais velho o havia gravado em VHS. Na primeira oportunidade, lá estava eu assistindo ao drama de Melanie Daniels (Tipi Hedren), filha do dono de um grande jornal californiano, aprisionada na pequena cidade de Bodega Bay, na Califórnia, por uma série de repentinos e inexplicáveis ataques de todas as espécies de pássaros. Ao final do filme, fiquei totalmente mudo e assustado, reação que tenho até hoje. Muitos não gostam da obra principalmente por dois motivos: efeitos especiais ultrapassados e um final sem explicação nenhuma. Digo que para assistir ao “Os pássaros”, adaptado de

um conto de Daphne DuMaurier, é preciso se transportar para a época em que o filme foi produzido. Na década de 1960, não havia efeitos espetaculares, mas o que vemos em “Os pássaros” foi um avanço para aqueles anos: cenários pintados de uma realidade impressionante, pássaros empalhados em meio a pássaros reais e montagens hoje muito óbvias. Para o público de 1963, era assustador. Hoje, é fichinha, mas Hitchcock estava à frente de seu tempo, e é algo a ser levado em consideração. Quanto ao final, a questão é: existe algo mais apavorante que testemunhar ataques de aves até então inofensivas e não conseguir encontrar a razão para isso? Essa foi a finalidade do diretor. Não é preciso ter uma explicação. Cada um que se apavore com suas teorias. O mundo se tornara um caos e nada mais tinha a aparência de inofensivo. O bom humor de Hitchcock ficou evidente desde o início, no encontro casual entre Melanie e o advogado Mitch Brenner (Rod Taylor) em uma loja de pássaros em São Francisco. Ele a reconhece como a socialite que sempre saía em colunas de fofo-

cas por seu comportamento, digamos, incomum e escandaloso, e resolve pregar uma peça fazendo-a passar por uma verdadeira “saia justa” na lojinha. Em meio a discussões ferinas e encanto mútuo, Melanie vai à procura do advogado em seu refúgio dos finais de semana: a pequena Bodega Bay, onde Mitch tem uma fazenda na qual moram sua mãe viúva Lydia (a saudosa Jessica Tandy) e a irmã menor, Cathy (Veronica Cartwright, a Lambert de “Alien - o oitavo passageiro”). Na cidadezinha também mora a professora Annie Hayworth (a bela Suzanne Pleshette), ex-namorada de Mitch, que se mudara para o lugar somente para ficar perto do advogado. Começa uma série de sutis conflitos entre Melanie e Lydia, uma mãe protetora e desconfiada. É quando iniciam gradualmente os ataques dos pássaros: primeiro contra Melanie em um barco, depois na festa de aniversário de Cathy, posteriormente na escola (uma das sequências mais tensas que já vi) até, finalmente, a família Brenner e Melanie ficarem encurralados na fazenda do advogado por

milhares de pássaros. Cada um que explique suas metáforas. Uma das melhores sequências é a do ataque à Bodega Bay. Ficou clássica entre os cinéfilos e admiradores de Hitchcock a cena em que a explosão de uma bomba de gasolina é vista de cima, do ponto de vista dos pássaros, que aos poucos começam a encher a tela, unindo-se para arremeterem contra os moradores da cidade. Uma pena que haja quem, hoje em dia, repudie essa obra-prima do cinema por motivos superficiais - para não usar um termo mais agressivo. Houve uma sequência do filme, um pecado terrível que não deu certo, trazendo novamente Tipi Hedren no elenco – sem relação alguma com sua personagem do original. Essa pseudocontinuação é tão ruim que nem lembro do enredo, fora a presença da atriz, mãe de Mellanie Grifith. O original, primeiro e único, tem lugar eternamente reservado na minha coleção.

Até hoje ‘Os pássaros’ merece lugar de destaque entre as obras-primas do cinema mundial por trabalhar com maestria o medo inspirado pelo irracional, representado pelos ataques assassinos de aves contra humanos”

METAL

Ingressos à venda para ‘Suicidal’ A banda norte-americana de crossover thrash Suicidal Tendencies toca em Manaus, pela primeira vez, no dia 11. O show será realizado na quadra da Aparecida (rua Ramos Ferreira, 102, Aparecida), a partir de 19h, com produção local da Black River. O primeiro lote de ingressos custa R$ 120 e esse valor pode ser parcelado em até três vezes no cartão de crédito. A Suicidal Tendencies foi formada em 1981, na cidade de Los Angeles, Califórnia, e tem 12 álbuns gravados. O mais recente, “13”, foi lançado no ano passado e traz o hit “Smash It!”. Atualmente, o grupo é formado

por Mike Muir (vocais), Dean Pleasants (guitarra), Thomas Pridgen (bateria), Tim “Rawbiz” Williams (baixo) e Nico Santora (guitarra). O único membro original que continua na banda é o vocalista. O som da banda possui influências de estilos como o heavy e o thrash metal, além de funk e até hip hop. O crossover thrash é resultado da mistura de hardcore com thrash metal e os integrantes já foram considerados até os criadores do gênero skate punk. Entre os principais hits da banda estão “Institutionalized”, “Possessed to Skate”, “Trip At

The Brain”, “How Will I Laugh Tomorrow”, “Waking The Dead”, “You Can’t Bring Me Down”, “Send Me Your Money”, “Nobody Hears” e “Love Vs. Loneliness”. Os shows de abertura são das bandas Eisenhower, Protestantes HC e ILAI. Os pontos de venda de ingressos são as lojas Daray (Amazonas Shopping), Rocket Ride (avenida Djalma Batista, ao lado do China in Box), Soturna (rua Henrique Martins, Shopping Popular), Disco Laser Junior (rua Henrique Martins, 268, Centro), Sagaz Skate Shop (rua Ferreira Pena, 120) e Posto Shell Arena (Pedro Teixeira com Constantino Nery).


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Pilotando Mônica Apor e André Vasco gravaram piloto de um novo programa na Bandeirantes. Ainda como parte de uma série de testes que a emissora vem realizando para encontrar aquilo que melhor se ajuste à faixa das 8 da noite nos domingos.

DIVULGAÇÃO

Etapa concluída “Geração Brasil”, nova novela da dupla Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, substituta de “Além do Horizonte” na Globo, teve concluídas todas as suas externas nos Estados Unidos. Trabalhos realizados no estado da Califórnia, em São Francisco e no Vale do Silício. A ordem agora é acelerar os estúdios e a cidade cenográfica. Remodelada Viviane Araújo está certa na novela do Aguinaldo Silva. A sua escalação já é uma etapa vencida. A próxima é a preparação que ela será submetida agora, para se ajustar ao que exige a sua personagem. Testes de cabelo, maquiagem e figurinos serão iniciados já nesses próximos dias. A ideia é apagar a imagem da “Fazenda”.

MARIO ADOLFO

Nas ondas O canal OFF vai estrear este mês cinco programas, dentre eles, o “Projeto Scooby”, do surfista Pedro Vianna, marido da atriz Luana Piovani. Fernando de Noronha, Indonésia, Marrocos e Portugal foram os locais escolhidos para as gravações, além de Rio de Janeiro, onde o surfista mora. Em estudos Este 2014 será o último ano de “A Grande Família”, algo que já está decidido e conhecido há muito tempo.

A forma de terminar é que ainda está em questão. Não há até agora uma ideia formada sobre como encerrar melhor a história.

• O filme “Orgulho de ser brasileiro”, do Adalberto Piotto, já está disponível no NOW, serviço de vídeo on demand da NET... • ... Em breve, estará no no NetFlix. • Gugu Liberato virou frequentador assíduo da sua padaria na rua Augusta... • ... E o que mais gosta é de fazer merchandisings das coxinhas da casa. • A direção da Band tenta pilotar alguns movimentos na programação, que possam culminar em aumento de audiência... • ... Existem duas ou três novidades que ainda serão anunciadas com este propósito. • Está confirmado: em maio, entre a primeira e segunda semanas, estreia o novo programa do César Filho nas manhãs do SBT.

SBT estreita relações O SBT enviou Fernando Pelégio, Murilo Fraga, Reynaldo Boury, Ricardo Mantoanelli e Raimundo Lima, respondendo respectivamente pelo Artístico, Programação, Novelas e Técnica, ao México para promover encontro com pessoas dos mesmos setores na Televisa. Durante cinco dias, representantes de ambas as partes discutiram metodologias de trabalho, com vistas a uma parceria.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Equipe do Fox Sports está com uma expectativa de audiência bem interessante, com a transmissão de Flamengo e Léon, quarta-feira, às 19h45, no Maracanã. Por outro lado, a equipe do Esporte Interativo comemora a aquisição dos direitos para a transmissão dos jogos da Série C do campeonato brasileiro. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Rebanhos perdidos

REGI

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A visita do papa no Brasil, ano passado, pode ser entendida como um grande evento da igreja católica, uma expressão de fé, a catarse de um povo etc. Mas também pode se tratar de uma estratégia da Igreja Católica no sentido de arrebatar os rebanhos perdidos, não exatamente para as igrejas evangélicas, mas, sobretudo, para uma outra congregação em crescente expansão: a dos ateus. No Censo do IBGE de 2010, 15,3 milhões de brasileiros declararam não ter religião correspondendo a 8% da população daquele ano. Destes, 615,1 mil declararam ser ateus e 124,4 mil são agnósticos. A cidade de Chuí no Rio Grande do Sul foi a que apresentou os maiores índices de pessoas não religiosas. O IBGE também destaca que 2,606 milhões de pessoas entre 30 a 39 anos são ateus, cujo crescimento tem sido relativamente equânime a dos evangélicos e da queda dos praticantes da Igreja Católica Apostólica Romana. Em meio aos inúmeros escândalos surgidos ano passado envolvendo um oficial suíco e um dos principais assessores do papa Francisco num suposto caso amoroso (ou só sexual, de repente) e ainda, o de desvios de verba no Banco do Vaticano - bem parecido com o famoso caso do Banco Ambrosiano – a escolha de Francisco em vir ao Brasil não foi apenas por sermos o maior país católico do mundo - quer dizer, este fator é determinante mas não determinou a visita. O baixo índice de católicos num país continental como o Brasil preocupa o Vaticano que pretendeu, com a visita, assegurar o rebanho restante e angariar novos adeptos através da veiculação da figura de um papa carismático, humilde e trabalhador.

A Rede Globo vendeu bem essa imagem. Em boa parte da programação a visita do papa foi amplamente destacada e o jornalismo (ou aquilo que a Globo chama de) esqueceu de noticiar os vários protestos reivindicatórios sobre a visita, o que fere a ética jornalística em apresentar versões sobre os fatos – o capitalismo não cansa de se repetir. Não é de se surpreender com a força que a Igreja Católica ainda exerce sobre o ethos nacional. Alguns princípios se mantêm em voga, mesmo para aqueles que a rejeitam. A ressignificação de uma instituição como a família, por exemplo, na qual os direitos civis já vem assegurando sua permanência (casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção por pais gays etc) não tem sido visto com bons olhos pela igreja que se mantém rígida e inflexível. Mas a Idade Média nos ensinou muita coisa. E somente há poucos anos o papa João Paulo 2º pediu perdão pelos atos de genocídio praticados pela igreja de Pedro onde vários “adoradores do pecado” foram à fogueira, excomungados e açoitados em público. Os próprios atores de teatro sofreram com a mentalidade católica como nos explica Jean Duvignaud em “Sociologia do comediante”. Os atores eram conhecidos por enlevar o prazer, um atributo da carne e não do espírito, e Racine foi muitas vezes criticado por incitar os homens “contra a moral e os bons costumes”. Na família ocidental, a figura do pai (ou papa) configura-se no modelo padrão e são muitas as obras que discriminam sua influência para os certames da economia e política, por exemplo. Pois é... “Papa don’t preach, I’m in trouble deep”.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social, membro do Navi (Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Política Cultural)

Não é de surpreender a força que a Igreja Católica ainda exerce. (...) A ressignificação da família não tem sido vista com bons olhos pela igreja que se mantém rígida e inflexível”


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Programação da TV

DILVULGAÇÃO

SBT 5H 6H 7H 7H30 8H30 9H 10H 14H 18H 18H45 19H 23H 0H 1H 2H 3H20 4H

JORNAL DA SEMANA IGREJA UNIVERSAL BRASIL CAMINHONEIRO AVENTURA SELVAGEM VRUM SORTEIO AMAZONAS DA SORTE DOMINGO LEGAL ELIANA RODA A RODA JEQUITI SORTEIO DA TELESENA PROGRAMA SILVIO SANTOS DE FRENTE COM GABI TRUE BLOOD CHASE A PERSEGUIÇÃO ALCATRAZ BIG BANG IGREJA UNIVERSAL

GLOBO

A diversão do “Roda a Roda Jequiti” está na programação da tarde de hoje, no SBT

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 É tempo de você apostar em aspectos de sua pessoa que precisam ser renovados em profundidade. Não queira requentar o que já foi em sua vida, pois ela precisa ser outra.

5H SANTA MISSA 6H AMAZÔNIA RURAL 6H30 PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS 7H GLOBO RURAL 7H55 AUTO ESPORTE 8H30 ESPORTE ESPETACULAR

Cinema

11H MUNDIAL DE FÓRMULA 1H GRANDE PRÊMIO DO BAHREIN 12H50 TEMPERATURA MÁXIMA 15H FUTEBOL 2014H CAMPEONATO CARIOCA - VASCO X FLAMENGO 17H DOMINGÃO DO FAUSTÃO 19H45 FANTÁSTICO 22H05 SUPERSTAR (ESTRÉIA) 23H10 TUFH EM BUSCA DE CAMPEÕES 0H10 FESTIVAL LOLLAPALOOZA 1H30 SESSÃO DE GALA 3H CORUJÃO 4H35 FESTIVAL DE DESENHOS

12H30 SÓ RISOS 12H35 BAND ESPORTE CLUBE 14H GOL, O GRANDE MOMENTO DO FUTEBOL 14H30 FUTEBOL 2014 – AO VIVO 16H50 3º TEMPO 19H SÓ RISOS 20H POLÍCIA 24H 21H PÂNICO NA BAND 0H CANAL LIVRE 1H MINUTO DA COPA – BOLETIM 1H05 ALEX DENERIAZ 1H40 SHOW BUSINESS - REAPRESENTAÇÃO 3H IGREJA UNIVERSAL

BAND 5H POWER RANGER – RPM 6H DESENHO 6H30 SANTA MISSA NO SEU LAR 7H30 SABADÃO DO BAIANO 8H DESENHO 9H30 POPEYE 9H45 INFOMERCIAL – POLISHOP 10H15 POWER RANGERS – SUPER PATRULHA DELTA 10H45 VERDADE E VIDA 11H MINUTO DA COPA - BOLETIM 11H05 PÉ NA ESTRADA 11H30 COPA PETROBRAS DE MARCAS – AO VIVO

RECORD 4H45 5H 5H30 8H30 9H 10H 11H 14H15 18H20 22H15 23H15 0H15

BÍBLIA EM FOCO SANTO CULTO EM SEU LAR DESENHOS BÍBLICOS RECORD KIDS AMAZONAS DA SORTE RECORD KIDS DOMINGO SHOW O MELHOR DO BRASIL DOMINGO ESPETACULAR SÉRIE: SPARTACUS RIO VERÃO FESTIVAL PROGRAMAÇÃO IURD

Cruzadinhas

PRÉ-ESTREIA

TOURO - 20/4 a 20/5 Tente sair dos mesmos erros de sempre, procure ao menos não ir pelas mesmas velhas trilhas sem saída. Procure solução nova para os problemas, mesmo que envolva risco. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Procure ser mais amigo de seus amigos. Não é hora de se separar deles. Você precisa se inserir nos conjuntos dos quais participa, aceitando em parte se dissolver. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Uma mudança no rumo de sua atividade profissional e das responsabilidades sociais está por acontecer. Procure entender a necessidade dessa mudança forte de direção. LEÃO - 23/7 a 22/8 A vida lhe coloca a oportunidade de uma mudança profunda em seus valores éticos e espirituais. É hora de assumir novos valores e colocá-los em prática em suas atitudes. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Livrar-se de algo, de uma vez por todas, é o que lhe é proposto nesta Sexta-feira Santa, liberando caminho para renascer, para renovar. Primeiro morrer, depois renascer. LIBRA - 23/9 a 22/10 A maneira de você se relacionar com as pessoas está na culminância de uma mudança. É preciso dialogar e se colocar, sem impor sua maneira de pensar e de entender. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 É hora de firmar outro ritmo no trabalho e nos hábitos pessoais, como quem se ajusta ao caminho, pois tudo está mudando ao seu redor. Não insista na velha maneira de ser. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 É momento de aceitar ingressar em um novo caminho pessoal. Algo precisará mudar nos sentimentos e nas relações afetivas, em definitivo. Não requente as velhas velharias. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Momento de definição profunda para uma nova situação familiar. Isso irá abrir novas possibilidades, e você estava precisando muito disso. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 O modo de se entender com as pessoas está mudando. Apenas impor as ideias, sem escutar ao outro, estava lhe bloqueando. Aprende a ouvir as pessoas, mais e mais. PEIXES - 19/2 a 20/3 É tempo de você ter nova atitude em sua maneira de lidar com dinheiro. As mudanças são inexoráveis. Novas situações vão acontecer, e você não deve tentar impedir.

Capitão América 2 – O Soldado Infernal: EUA. 12 anos.

A história se passa 2 anos após os eventos mostrados em “Os Vingadores - The Avengers”. Steve Rogers luta para cumprir seu papel no mundo moderno, em parceria com Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, para derrotar um poderoso e misterioso inimigo na cidade de Washington dos dias atuais. Cinemark 6 – 0h01 (3D/dub/somente quarta-feira).

ESTREIA Noé: EUA. 14 anos.

Em um mundo dominado pelo pecado, Noé (Russell Crowe) recebe uma missão divina: construir uma arca para salvar toda a criação de Deus de um dilúvio. Um grupo de opositores a Noé, porém, tenta se apossar da Arca em nome da defesa da raça humana e, ao mesmo tempo, luta para cooptar para o seu lado Ham (Logan Lerman), o primogênito de Noé. Cinemais Millennium – 14h, 16h40, 19h20, 22h (3D/dub/diariamente); 13h30, 16h10, 18h50, 21h30 (dub/diariamente); 15h, 18h20, 21h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h40, 20h30 (3D/dub/diariamente); 14h, 16h40, 19h20, 22h (dub/diariamente); 15h20, 18h40, 21h20 (dub/diariamente); Cinemark 3 – 19h10, 22h10 (dub/diariamente), 20h10 (3D/dub/diariamente), Cinemark 4 - 23h20 (3D/dub/somente sábado), 11h10 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h10, 17h10 (3D/dub/diariamente), Cinemark 6 – 12h10 (3d/dub/somente sábado e domingo), 15h10, 18h10, 21h10 (3d/dub/diariamente), 0h20 (3D/dub/somente sábado); Cinépolis 1 – 18h10, 21h10 (3D/leg/diariamente), Cinépolis 5 – 13h, 19h (3D/dub/diariamente), 16h, 22h (3D/leg/diariamente), Cinépolis 8 – 13h30, 16h30 (dub/diariamente), 19h30, 22h30 (leg/diariamente); Playarte 6 – 12h50, 15h35, 18h20, 21h05 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 14h20, 17h10, 20h (leg/diariamente), 22h45 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 1 – 14h50 (3D/dub/diariamente), 20h30 (3D/leg/diariamente), 23h15 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado).

Toque de Mestre: EUA. 14 anos.

Antes da apresentação que marca seu retorno, um pianista que sofre de medo do palco descobre um bilhete assustador em suas partituras. A ameaça afirma que ele terá que fazer o melhor concerto de sua vida, sem um único erro, se quiser salvar a si mesmo e também sua esposa. Cinépolis 2 – 19h10, 22h10 (leg/diariamente), Cinépolis 10 – 22h15 (leg/diariamente); Playarte 3 – 13h20, 15h15, 17h20, 19h10, 21h10 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES Rio 2: EUA. Livre. Cinemais Millennium – 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (dub/diariamente); 14h20, 16h30, 18h40, 20h50 (3D/dub/diariamente); 13h50, 16h, 18h10, 20h20 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (dub/diariamente); 13h30, 18h20 (3D/dub/diariamente); 14h40, 16h50, 19h, 21h10 (dub/diariamente); Cinemark 1 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h15, 19h40 (dub/diariamente), Cinemark 3 – 11h45 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h15, 16h40 (3D/dub/diariamente), Cinemark 5 – 13h, 15h30, 18h, 20h30 (3D/ dub/diariamente), 23h (3d/dub/somente sábado), Cinemark 7 – 11h20 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (3D/dub/diariamente), 23h50 (3D/dub/somente sábado); Cinépolis 1 – 15h10 (3D/dub/diariamente),

Cinépolis 3 – 14h10, 17h10, 20h10 (dub/ diariamente), Cinépolis 4 – 16h45, 19h15, 21h45 (3D/dub/diariamente), Cinépolis 6 – 13h45, 16h15, 18h45. 21h15 (dub/diariamente), Cinépolis 7 – 14h15, 17h45, 20h15 (dub/diariamente), Cinépolis 9 – 15h30, 18h, 20h30 (dub/diariamente), Cinépolis 10 – 14h30, 17h, 19h45 (dub/diariamente); Playarte 5 – 12h50, 14h55, 17h, 19h10, 21h20 (dub/diariamente), Playarte 5 – 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 13h40, 15h50, 18h, 20h10 (dub/diariamente), 22h20 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 1 – 12h40, 17h40 (dub/diariamente). S.O.S. Mulheres ao Mar: BRA. 12 anos. Cinemais Millennium – 15h10, 17h30, 19h30, 21h50 (diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 17h10, 19h10,

21h30 (diariamente); Cinemark 2 – 14h, 19h (diariamente); Cinépolis 2 – 13h10, 16h10 (diariamente); Playarte 4 – 12h50, 14h50, 16h50, 18h50, 20h50 (diariamente), 22h50 (somente sexta-feira e sábado). Namoro ou Liberdade?: EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (dub/diariamente); Cinemark 8 – 15h45, 18h20, 20h45 (dub/diariamente); Playarte 8 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). Alemão: BRA. 16 anos. Cinemark 1 – 22h20 (diariamente); Playarte 8 – 13h55, 16h10, 18h25 (diariamente). 300 – A Ascensão do Império: EUA. 16 anos. Cinemais Millennium – 14h40,

16h50, 19h, 21h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h30, 19h40, 21h50 (dub/diariamente); Cinemark 2 – 16h15, 21h30 (dub/diariamente), 0h (dub/somente sábado), Cinemark 8 – 13h15, 23h10 (dub/diariamente); Playarte 9 – 13h50, 16h, 18h10 (3D/dub/diariamente), 20h20 (3D/leg/diariamente), 22h30 (3e/leg/somente sexta-feira e sábado). Namoro ou Liberdade?: EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (dub/diariamente); Cinemark 8 – 15h45, 18h20, 20h45 (dub/diariamente). Doze Anos de Escravidão: EUA. 14 anos. Playarte 8 – 20h40 (leg/diariamente); 23h15 (leg/somente sexta-feira e sábado).


Plateia Pla

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jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Borbulhas de amor

Mário Bernardino e sua Cláudia

::::: Impressionante

Os queridos Nejmi e Omar Aziz em momento descontração “in family”. Nejmi Jomaa Aziz é mesmo uma mulher altiva. Acompanhou Omar em todas as grandes batalhas que o ex-governador travou em sua administração. Esteve com ele no Ronda no Bairro, Arena da Amazônia, Festival de Parintins, Prosamim, enchentes, seca, entrega de moradias e em outras tantas ações indispensáveis do governo de oportunidades. Foi e é exemplo de personalidade. Para ficar na história. O empresário Juca Semen

Nem bem Manaus saiu de uma semana fatídica no trânsito – onde mais de 15 vidas foram ceifadas em um trágico acidente – é possível constatar que o fato não serviu de lição. Basta dar uma volta pelas ruas e avenidas da cidade para presenciar verdadeiros absurdos provocados ao volante. Avanços de sinais vermelhos, ultrapassagens perigosas, carretas, ônibus e caçambas disputando as faixas e o velho jeitinho brasileiro nas calçadas mostram que o perigo é constante. Pela fé!

Neuza Marques

Foram duas horas de show com repertório do tipo inesquecível-nostálgico, que embalou todo o público – que não era pouco – no Dulcila da Ponta Negra. Do que estou falando? Do show irretocável do ótimo Fagner, na última quinta-feira. O evento foi alinhavado pelo gente-boa Juca Semen, que vem acertando em cheio nos últimos eventos. Confira os confetes-com-flashes.

FOTOS: JANDER VIEIRA

Jander Vieira

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O astral da noite: Fagner

::::: E o porto? Mesmo sendo um dos cartõespostais de Manaus e orgulho da engenharia que por aqui aportou no período áureo da borracha, o porto de Manaus continua abandonado. Na verdade, a estrutura ficou pior porque parte dos galpões foram desmontados para servir de abrigo para o que seria a infeliz ideia do camelódromo de Manaus. Com a Copa, é melhor desviar os navios para um ponto alternativo, afinal, com o Booth Line em ruínas e a estrutura do porto carcomida, o local não vende bem a cidade. Se é que vocês me entendem...

::::: Noite estrelada

Andréa Medeiros e George Tasso

GRATUITO

Rock e música regional em espaços públicos Hoje, a banda Ideologia Rock vai apresentar releituras de “Será” e “Tempo Perdido” da Legião Urbana, além de clássicos dos anos 80 e 90. Formada há 8 anos, a banda recebeu o Prêmio Amazonas Rock Brasil em 2008 e no ano seguinte foi eleita a Melhor Banda Pop/ Rock no Prêmio Fest Rock Chaminé, evento promovido pela SEC em parceria com a Ordem dos Músicos do Brasil. O show acontece no Centro Cultural Usina Chaminé, a partir das 18h30. A cantora Lucilene Castro ganha o palco do Teatro da Instalação, hoje, com a temporada “Cantos da Amazônia”.

Mirian Laredo e Jorginho Pereira

Porfírio Lemos e Eliane Moreira DIVULGAÇÃO

Meg Hoaegen, Lúcia Viana, Nathalie Sobral, Menga Junqueira, Maria do Carmo Magalhães e Eliane Schneider

O show apresenta diversos ritmos produzidos na região, como carimbó, toadas e marabaixo. No repertório, canções de Eliakin Rufino (Pimenta com Sal), Chico da Silva (Amazonas) e Nilson Chaves (Sabor Açaí), além de Waldemar Henrique, Pinduca e Lucinha Cabral. O espetáculo apresenta poesia, dança e música juntos. A concepção é da própria cantora, com arranjos e direção musical de Célio Vulcão, poemas de Elson Farias, Luiz Bacellar e coreografias do bailarino Branco Souza. “Cantos da Amazônia” tem uma hora e 15 minutos de duração, com entrada gratuita.

Eliakin Rufino é um dos homenageados por Lucilene

A Boucheron, consagrada pelos seus perfumes masculinos e femininos, símbolo do luxo e da sofisticação, aterrissará na cidade. A grife francesa, fundada há mais de 150 anos, chegará às prateleiras das lojas Top Internacional, na próxima terça-feira. Um coquetel para somente 13 sobrenomadas marcará a chegada da marca famosa, na loja do Manauara Shopping.


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Plateia

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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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A equação de Gandhi

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Torturadores de pijamas

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Alfredo Sirkis diz por que não mexer na Lei da Anistia. Pág. 3

Shakespeare radiografado

Nos 450 anos do bardo, sua obra ganha nova ossinatura. Págs. 4 e 5

4

Arquitetura da caipirinha

5

Do arquivo de Helena Solberg

Diário de Tóquio. Pág. 6

Rio de Janeiro, 1960. Pág. 7

Capa

ilustração de Guto Lacaz


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO LANÇAMENTO | LIVRO POESIA O poeta e professor de literatura brasileira da USP Alcides Villaça lança nesta semana ‘Ondas Curtas’, que traz 71 poemas recentes. Haverá leitura comentada e sessão de autógrafos. Espaço Revista Cult | tel. (11) 3032-2800 | qua. (9), às 19h grátis | Cosac Naify | R$25 | 112págs. DIVULGAÇÃO

LIVRO | TUDO SOBRE A CASA Diante da pletora de informação disponível a dois cliques de mouse, parece pretensioso que um livro relativamente enxuto possa reivindicar o título “tudo sobre”. Mas esta obra, que consumiu dez anos de trabalho de Anatxu Zabalbeascoa, historiadora e crítica de arquitetura do jornal espanhol “El País”, se coloca bastante à altura da tarefa. O caráter enciclopédico do volume --que, como uma casa, se divide em cômodos: banheiro, cozinha, sala de jantar, dormitório, jardim e sala- nos recorda que, mais importante do que acessar as informações, é associá-las de forma inteligente. As simpáticas ilustrações de Riki Blanco e a diagramação arejada tornam-no sedutor a um público mais amplo que o de estudantes de arquitetura (os quais, aliás, muito poderão se beneficiar dele), chegando a qualquer um que procure conhecer, por meio dessa unidade mínima que é o lar, boa parte da história das civilizações. (Francesca Angiolillo) trad. Maria Alzira Brum Lemos | Gustavo Gili | R$ 99 | 224 págs.

LITERATURA | PRIMAVERADOS LIVROS A 10ª edição do evento, organizado pela Libre (Liga Brasileira de Editoras), terá saraus com 15 coletivos de cultura e literatura da periferia da cidade, como a Cooperifa, shows, exibições de filmes, lançamentos de livros e vendas de títulos com desconto. Praça Dom José Gaspare | Biblioteca Mário de Andrade | libre.org.br | de qui. (10) a dom. (13), das 9h às 21h

EXPOSIÇÃO | MARCELO GANDHI O artista nascido no Rio Grande do Norte e radicado em São Paulo expõe ‘Cowboy+Xerife+Deus = Minotauro Desenho+Pintura+Objeto= Sacanagem’, com obras em que mistura desenho, pintura e performance para falar da vida urbana e do universo pop. Galeria Tato | tel. (11) 98171-2121 | seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 10h às 16h | grátis | até 3/5

‘#06’, da série Paisagens Distópicas (2014), de Marcelo Gandhi

POP

ERUDITO

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LIVRO MARY SHELLEY A autora de ‘Frankenstein’ morreu em 1851, mas seu livro ‘Maurício ou a Cabana do Pescador’ só foi descoberto em 1997, em um castelo na Itália. A história para crianças escrita em 1820, dedicada a Laurette Tighe, filha de amigos do casal Mary e Percy Bysshe Shelley, trata em tom melancólico da separação de pais e filhos. trad. Luciana Viégas | Graphia | R$ 35 | 52 págs.

DEBATE | O MUSEU DESAPARECIDO A rede criada pelos nazistas para o roubo sistemático de obras de arte, desde a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha até o fim da Segunda Guerra, é o tema do livro do porto-riquenho Héctor Feliciano. Considerada uma das principais obras a esse respeito, ela terá lançamento em São Paulo com debate entre seu autor e o editor da ‘Ilustríssima’, Cassiano Elek Machado. O evento é promovido pela editora WMF Martins Fontes, pela Folha e pela Livraria da Vila. Livraria da Vila – shopping Pátio Higienópolis | tel. (11) 36600230 | ter. (8), às 19h30 | grátis trad. Silvana Cobucci Leite | WMF Martins Fontes | R$ 47,50 | 432 págs.

MASAO YAMAMOTO/DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | ROESLER HOTEL O projeto criado em 2004 monta em sua 26ª edição a mostra ‘Spectres’, com curadoria do historiador da arte francês Matthieu Poirier,em que a questão central é a fugacidade da luz. São obras de artistas como James Turrell, Julio Le Parce e Hiroshi Sugimoto. Galeria Nara Roesler | tel. (11) 30632344 | seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 11h às 15h | grátis | até 5/7

FOTOGRAFIA | MASAO YAMAMOTO A Galeria Marcelo Guarnieri, de Ribeirão Preto, inaugura seu endereço paulistano com individual da qual constam livros, fotografias e instalação do artista japonês, que tem trabalhos no Museu Victoria & Albert, de Londres, e na Maison Européenne de la Photographie, em Paris. Galeria Marcelo Guarnieri | tel. (11) 3083-4873 | seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 10h às 17h | grátis | até 17/5

LIVRO | HERMANN BROCH Publicado pela primeira vez no Brasil, ‘Espírito e Espírito de Época: Ensaios sobre a Cultura da Modernidade’ reúne seis textos do autor da trilogia ‘Os Sonâmbulos’ sobre, entre outros, James Joyce e o kitsch nas artes. trad. Marcelo Backes | Benvirá | R$ 49,90 | 264 págs. ‘Nakazora #1419’ (2000), de Masao Yamamoto

ESTRANGEIRO ARQUIVO PESSOAL

Folha.com

Ilustríssimos desta edição ALEXANDRE VIDAL PORTO, 49, é colunista da Folha, diplomata e lança neste mês o romance “Sérgio Y. Vai à América” (Companhia das Letras). ALFREDO SIRKIS, 63, é autor de “Os Carbonários” (Record) e deputado federal pelo PSB-RJ. GUTO LACAZ, 65, é arquiteto e artista plástico. HELENA SOLBERG, 75, é cineasta e terá retrospectiva no É Tudo Verdade, até 14/4. O festival lança o livro “Helena Solberg – Do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo”. JOÃO MONTANARO, 17, é quadrinista e cartunista da Folha. NELSON DE SÁ, 53, cotradutor da versão de “Hamlet” encenada pelo Oficina, escreve sobre teatro na “Ilustrada” e no blog Cacilda.

LITERATURA Entrevista feita pela cineasta Helena Solberg em 1960 com o escritor Graham Greene FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ARTES PLÁSTICAS Algumas das obras expostas na mostra Spectres >>folha.com/ilustrissima


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Política

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Tiro no pé Por que rever a Lei da Anistia é um erro RESUMO Julgamento de crimes cometidos pelo Estado ocupa centro do debate nos 50 anos do golpe no Brasil. Para deputado e exguerrilheiro, é improvável e incongruente levar à prisão “militares de pijama” por fatos daquela época quando foco deveria ser fazer cessar a tortura, vigente desde antes do regime militar e ainda existente.

ALFREDO SIRKIS

Foi francamente irônico o resultado da recente pesquisa do Datafolha sobre a Lei da Anistia. Há uma maioria favorável a revê-la para poder julgar os torturadores e uma

maioria, maior ainda, para rejulgar a nós, ex-guerrilheiros pelas ações que cometemos. Por um instante me vi, com meus 63 anos, no tribunal, respondendo pelos dois sequestros de embaixadores dos quais participei, aos 19, e que propiciaram a libertação de 110 presos políticos, alguns eventualmente destinados à Casa da Morte. Na época fui condenado duas vezes à prisão perpétua (com mais 30 anos de lambuja para a encarnação subsequente) pelas auditorias militares. Costumo dizer que, daquilo tudo, não me orgulho nem me envergonho. Mas já tive pesadelos horrendos: a organização me ordena a executar o embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher – um sujeito boa-praça que não gostava da ditadura – porque tinham se recusado a libertar todos nossos presos. Tenho uma pistola na mão, mas não quero me tornar um assassino. Acordo coberto de suor frio. Graças a Deus, aquilo terminou bem, e nossos 70 companheiros foram mandados a Santiago do Chile porque consegui convencer nosso comandante, Carlos Lamarca, a aceitar a

recusa de alguns dos presos “estratégicos” e negociar a sua substituição por outros que a ditadura Médici aceitava soltar. Hoje vejo num sequestro desse tipo, de um diplomata inocente, ameaçado de execução, mesmo sob uma ditadura, um ato no limite do terrorismo, no que pese o nosso desespero de então. Em alguns casos, esse limite foi ultrapassado. Penso no marinheiro inglês metralhado na praça Mauá, na bomba de Guararapes ou na execução daquele militante que queria deixar uma organização. Balança É possível equiparar esse punhado de atos criminosos à tortura generalizada, institucionalizada, sancionada desde o nível presidencial que se abateu não apenas sobre nós, resistentes armados, como sobre opositores sem violência, como no caso do PCB, e milhares de “simpatizantes” e outros, presos por equívoco? Claro que não; mas essa anistia “recíproca” foi resultado de uma correlação de forças dos idos de 1979, um acordo político que permitiu a libertação dos

presos e nossa volta do exílio. O primeiro problema de rever essa lei para poder julgá-los, 40 e tantos anos depois dos fatos, é a repercussão sobre outros complicados processos de redemocratização pelo mundo afora. Frequentemente, para remover um regime de força, é preciso pactuar com os que ainda ocupam o poder e ainda têm enorme capacidade de fazer dano. As torturas e execuções na África do Sul e na Espanha não foram menores do que no Brasil – é o mínimo que se pode dizer – mas lá a opção foi não colocar os antigos repressores nos bancos de réus. Na África do Sul, a lógica da Comissão da Verdade foi reconstituir os fatos e obter dos responsáveis pelo odioso apartheid a confissão, não com vistas à condenação penal, mas à expiação moral e a superação conjunta de tudo aquilo. Também foram colocados na mesa para uma catarse de superação coletiva certos episódios sangrentos dentro da maioria negra. Fim de carreira Confesso que senti satisfação

ao ver o general Jorge Rafael Videla terminar a vida numa prisão argentina. Penso, no entanto, que a razão decisiva para julgar (uma parte) dos comandantes daquele regime assassino foi o prosseguimento das conspirações militares já no período democrático, com quarteladas durante os governos de Raul Alfonsín e Carlos Menem. No Chile, alguns poucos foram julgados, mas o general Augusto Pinochet Ugarte continuou comandando o Exército por um bom tempo na transição e só sofreu embaraço jurídico no Reino Unido, jamais no Chile. Não há uma formula única, “correta”. No que pese o sentimento de busca de justiça das vítimas e seus familiares – que respeito profundamente, à diferença daqueles que querem apenas surfar politicamente na causa – trata-se de uma decisão jurídica, por um lado, e de uma questão política, por outro. Juridicamente, o STF já se pronunciou a esse respeito. Politicamente, vejo a revisão como contraproducente e concordo plenamente com a presidente Dilma Rousseff quando se manifesta contrária

à anulação da anistia. Narrativas Desde os anos 80, vem prevalecendo, grosso modo, a narrativa da esquerda sobre os “anos de chumbo”. Os verdugos dos porões do DOI-Codi viveram vidas existencialmente miseráveis. Uma parte, desproporcional, já morreu de morte morrida; outros tornaram-se criminosos comuns, bicheiros, contrabandistas. No estamento militar há um sentimento geral de condenação àquela máquina de torturas e execuções – que acabaram inclusive atentando fortemente contra a hierarquia militar e sujando a imagem das Forças Armadas –, embora sem nenhuma propensão a aceitar a narrativa da esquerda. Não iremos convencer os militares a adotar, agora, um maniqueísmo reverso ao deles, na época. Por todo ordenamento jurídico brasileiro, hoje seria totalmente impossível – a não ser que se viesse a adotar toda uma nova legislação de exceção – condenar esses militares de pijama, na maioria septuagenários ou octogenários, a servir penas na prisão.


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Teatro

3 Batalha nas coxias A academia se ouriça para ampliar número de peças de Shakespeare RESUMO Às vésperas da comemoração dos 450 anos do nascimento de William Shakespeare, pesquisadores publicam livro com peças em que autor de “Romeu e Julieta” teria colaborado. Os textos, que teriam sido escritos a várias mãos ou sofrido alterações posteriores pelo bardo, reacendem debate em torno de seu cânone.

NELSON DE SÁ ILUSTRAÇÃO GUTO LACAZ

“Sai, perseguido por um urso” é uma das rubricas mais conhecidas de William Shakespeare (1564-1616). A indicação de cena, que faz parte da peça “Conto de Inverno”, expõe uma face menos difundida do teatro londrino de então, acentuadamente popular: o vínculo com espetáculos de animais. Ela reaparece noutra peça, aumentada e representada pela companhia teatral de Shakespeare na mesma época (c. 1610), “Mucedorus”. Esta foi considerada a comédia mais popular na cidade, na virada do século 16 para o 17. Entre as tragédias, a de maior apelo era “The Spanish Tragedy”, a qual também foi ampliada, em 1602. Shakespeare não é o autor original de nenhuma das duas, mas teria escrito esses acréscimos – inclusive a rubrica do urso. É o que propõe “William Shakespeare & Others - Collaborative Plays” [St. Martins Press, 782 págs., R$ 96,30, sob encomenda], que reúne dez peças e ensaios, de vários autores, sobre elas. O livro, publicado no final do ano passado na Inglaterra, em associação com a Royal Shakespeare Company (RSC), reúne o trabalho de seis editores, liderados por Jonathan Bate, da Universidade de Oxford. Desde então, o volume vem motivando ondas de apoio e também controvérsia na comunidade acadêmica shakespeariana. Um dos editores, Will Sharpe, da Universidade de Birmingham, assina no livro o ensaio “Authorship and Attribution” (autoria e atribuição), no qual detalha as técnicas usadas para identificar as peças colaborativas de Shakespeare. Sharpe diz que os chamados “estudos de atribuição” são o reverso de uma discussão ainda mais controversa, a da “questão autoral” – que não propõe colaboradores para o dramaturgo, e sim alternativas a ele. Essa causa refluiu nos últimos anos, depois de inspi-

rar até uma superprodução hollywoodiana, “Anônimo” (2011), dirigida por Roland Emmerich, que defendia outro autor para as peças, o conde de Oxford – e que foi um fracasso de bilheteria. Agora, nos 450 anos de Shakespeare – a serem comemorados no próximo dia 23, data convencionada, embora não comprovada, de seu nascimento – a aposta são “estudos de atribuição” como os coligidos em “Collaborative Plays”. Além do cânone de 38 peças, um quarto delas reconhecidamente escritas tendo o dramaturgo como colaborador, buscam-se novos textos que o teriam como coautor. James Shapiro, professor da Universidade Columbia que publicou um livro influente rebatendo as tentativas de revogação de autoria, “Quem Escreveu Shakespeare?” [Nossa Cultura, 356 págs., R$ 59], recorda que por muito tempo os acadêmicos se mantiveram afastados do tema das coautorias shakespearianas. Por exemplo, quando começou a dar aulas nos anos 1980, abordando peças como “Titus Andronicus” e “Timão de Atenas”, ele não fazia ideia de que tinham sido escritas por Shakespeare com os colegas George Peele e Thomas Middleton, respectivamente. Agora, sabe-se que ele trabalhou com colaboradores tanto cedo na carreira (“Titus”) como mais tarde (“Timão”). Para Shapiro, o novo livro é uma edição marcante e rica das peças, permitindo revisitar de uma maneira nova a pergunta “O que é shakespeariano?”. Cânone Nem todos veem assim. Gary Taylor, da Universidade Estadual da Flórida, foi um dos editores de “The Oxford Shakespeare” em 2005 (Oxford University Press), no qual se incluíram pela primeira vez, entre as obras

ADICIONAL

Além do cânone formado por 38 peças, um quarto delas reconhecidamente escritas tendo o dramaturgo como colaborador, buscam se novos textos que o teriam como coautor

completas, textos como “Sir Thomas More”. Num artigo para o “Washington Post”, há dois meses, ele acusou a equipe de “Collaborative Plays” de ir longe demais ao tentar acrescentar dez novas peças ao cânone. Taylor elogia o ensaio “excelente” de Will Sharpe, que reconhece que quatro das peças reproduzidas provavelmente não são de Shakespeare. Mas questiona o editor principal, Bate, que, em seu ensaio no livro, justifica a inclusão das quatro peças por terem sido atribuídas ao dramaturgo na época. Para Taylor, a explicação é frágil, pois muitas outras peças foram publicadas como sendo de autoria de Shakespeare e mesmo assim não foram incluídas no volume. Questionado, Sharpe responde que a equipe chegou a discutir, antes da publicação, se a expressão peças colaborativas poderia ser enganadora (“misleading”). “O título guarda-chuva ideal seria ‘Shakespeare Apócrifo’, porque é isso o que as dez peças têm em comum, mas é o nome do livro clássico de C.F. Tucker [‘Shakespeare Aprocrypha’, 1908, que lista e analisa 42 textos] e então seria necessário editar toda peça já atribuída a Shakespeare, uma tarefa imensa.” Ele acrescenta que não se deve sobrevalorizar o título, porque, quando se começa a ler, fica evidente que o volume não atribui todas as peças a Shakespeare. “Nós não estamos fazendo reivindicações sensacionalistas e falsas sobre autoria”, diz, contrariado, apesar dos elogios de Taylor a seu ensaio de 104 páginas. Parte das críticas deve ser contextualizada pela corrida – agora escancarada – para comprovar e estabelecer o que mais deve ser incluído no cânone. Outras edições de obras completas, inclusive “RSC Shakespeare: The Complete Works”, editada pelo mesmo Bate em 2007, vêm acrescentando peças à lista. A popular e prestigiosa coleção Arden somou “Double Falsehood”, originalmente “Cardenio”, à sua lista em 2010. Das dez peças de “Collaborative Plays”, cinco são identificadas por Sharpe como “quase certamente ou muito provavelmente” escritas por Shakespeare, em colaboração com outros autores: “Sir Thomas More”, “Edward III”, “Arden of Faversham”, “The Spanish Tragedy” e “Double Falsehood”. “Mucedorus”, a sexta, “vale a pena ser considerada”. As demais seriam “muito improváveis ou quase impossíveis”: “A Yorkshire Tragedy”, “The London Prodigal”, “Locrine” e “Thomas Lord Cromwell”. Corrida O esforço centenário de distinguir entre o Shakespeare canônico, aquele encontrado na primeira edição das peças logo depois sua morte (o “First Folio”, com 36 obras), e o apócrifo, com textos deixados de fora, nunca se repetiu com outros autores

elisabetanos, segundo Peter Kirwan, da Universidade de Nottingham, também coeditor do livro. Teria sido uma forma de afastar o dramaturgo do “mundo bagunçado” daquele início da dramaturgia moderna, no qual peças atribuídas a nomes como Ben Jonson (1572-1637) têm sua autoria dissolvida em colaborações, revisões etc. Nas últimas décadas, porém, progrediu muito a compreensão sobre autoria nos séculos 16 e 17, graças aos exames com apoio de computador. Cresceu também a aceitação de que, como em filmes e séries de televisão na Hollywood de hoje, naquele momento as peças eram escritas e reescritas por muitas mãos, em ritmo industrial. E novas trilhas são abertas. Meses antes de “Collaborative Plays” chegar às livrarias, um professor da Universidade do Texas, Douglas Bruster, publicou ensaio afirmando que 325 versos acrescentados a “The Spanish Tragedy” para uma encenação pela companhia de Shakespeare têm características que derivam de dificuldades de leitura, por parte dos tipógrafos, dos manuscritos do dramaturgo (revista quadrimestral “Notes & Queries”, Oxford, agosto de 2013). A peça é quase unanimemente atribuída a Thomas Kyd (1558-94), mas aquelas centenas de linhas seriam colaborações shakespearianas. Agora Bruster pretende editar sua própria versão das obras completas, prevista para 2016 e intitulada “Bankside Shakespeare”, já com as passagens adicionais. Ele não está sozinho na corrida editorial. Maior referência contemporânea no desenvolvimento de mecanismos de atribuição de autoria, MacDonald P. Jackson, da Universidade de Auckland, da Nova Zelândia, lança daqui a três meses uma edição de “Arden of Faversham” que vai propor

FEITOS

O esforço centenário de distinguir entre o Shakespeare canônico e o apócrifo, com textos até então deixados de fora, nunca se repetiu com outros autores elisabetanos que se tem registro


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expressamente acrescentar a peça ao cânone shakesperiano, a partir de juízo formado com técnicas estilométricas e testes quantitativos. A equipe de editores de “Collaborative Plays” não esconde ter se baseado, em parte, nos perfis de dramaturgos elisabetanos desenvolvidos por Jackson nos anos 1970 e lista as seis “marcas estilísticas” centrais adotadas para indicar colaboração nas peças analisadas: contrações preferidas (como “I’ll” em vez de “I will”), formas verbais (como “hath” em vez de “has”), métrica, palavrões, preposições e pronomes. Jackson e seus colegas trabalhavam de início manualmente, mas dos anos 1990 para cá, sublinha o livro, “esse trabalho hercúleo se tornou relativamente fácil”, com os textos do período elisabetano sendo absorvidos por bases de dados computadorizadas, munidas de funções de busca sofisticadas, que podem ser feitas em segundos, quando antes tomavam anos, “talvez décadas”. Daí a concorrência crescente pela revisão do cânone shakespeariano, agora potencializada pela proximidade das efemérides – além dos 450 anos de natalício, aproximam-se os 400 anos de morte, a serem lembrados em 2016. Três peças Apanhado no redemoinho acadêmico e editorial, Will Sharpe diz que o objetivo central do novo livro é apenas trazer para a boca de cena e para o público, um debate sobre as contribuições de Shakespeare que já acontecia em publicações universitárias e em bibliotecas. Não se deve procurar na obra uma grande revelação, embora a imprensa londrina tenha feito exatamente isso. O “Observer”, por exemplo, publicou em outubro uma reportagem intitulada “Shakespeare’s fingerprints found on three Elizabethan plays” (digitais de Shakespeare são encontradas em três peças elisabetanas). O texto referia-se a “The Spanish Tragedy”, “Arden of Faversham” e “Mucedorus”. Com relutância, Sharpe admite que talvez a maior revelação potencial seja mesmo “The Spanish Tragedy”, por ser um clássico da Renascença inglesa, a primeira grande tragédia popular do palco elisabetano, enfim, “a melhor peça” dentre as dez editadas agora. Um texto que, firma o editor, merece ser mais representado do que é – o que certamente acontecerá se forem estabelecidos os adendos shakespearianos. Argumento semelhante vale para “Arden”, uma tragédia doméstica muito à frente de seu tempo, sobre uma cidade inglesa comum, sobre pessoas comuns e um assassinato, “uma grande peça para remontar”. Não por coincidência, a mesma RSC que coedita o livro prepara uma produção da obra para o final deste mês, em Stratford-upon-Avon, cidade natal de Shakespeare (veja destaques da programação de comemoração dos 450 anos ao lado). “Mucedorus” seria um caso diferente, até porque “precisa de mais investigação”. Muito do estudo sobre atribuição no livro é dedicado a ela, que foi a peça mais publicada no período, anonimamente, com 17 edições entre 1598 e 1668. Há “provas linguísticas ins-

tigantes” que sugerem que Shakespeare se envolveu nos trechos adicionais, acrescentados quando sua companhia encenou o texto e ele era o dramaturgo-chefe. Também os temas são similares àqueles das peças que escreveu então, como “Conto de Inverno” e “Cymbeline”, mas Sharpe prefere esperar, em vez de ser assertivo, justificando que há um livro programado para sair em 2016, escrito por MacDonald Jackson, sua principal referência. “Aguardamos esse estudo com grande interesse”. O original de “Mucedorus” é usualmente atribuído aos chamados “university wits”, dramaturgos com formação em Oxford ou Cambridge. Robert Greene e Thomas Lodge – este um escritor que curiosamente viveu alguns meses em Santos, no colégio jesuíta, em 1591/92 – são as apostas mais citadas por acadêmicos, mas não há prova que ampare uma autoria. Santo graal Por mais convincentes que sejam os levantamentos de estilometria e outros utilizados em “Collaborative Plays”, como um novo soſtware para localização de autoplágios, o resultado obtido por meio deles é só um aumento na probabilidade de determinada autoria, não uma prova definitiva, física. A exceção é “Sir Thomas More”, peça que sobreviveu apenas como manuscrito, com várias caligrafias, sem ter sido editada ou sequer encenada na época em que foi escrita. Uma cena escrita na letra apelidada de “hand d”, caligrafia d, vem sendo examinada desde o final do século 19 como possível Santo Graal dos “estudos de atribuição”. Sir Edward Thompson, primeiro diretor do Museu Britânico e importante paleógrafo, especialista em escritas antigas, proclamava já em 1916 que era, sim, da pena de Shakespeare. Os estudos acumulados desde então permitem afirmar hoje, segundo Sharpe, que há quatro características ortográficas das seis assinaturas conhecidas de Shakespeare que são totalmente únicas, não localizadas em qualquer outro documento, exceto pela passagem da caligrafia d, em que são encontradas todas as quatro. São elas: um “a” com esporas, uma forma única de “w”, um floreio estranho no “k”

CERTEZA

Por mais convincentes que sejam os levantamentos de estilometria e outros usados no livro, o resultado obtido por meio deles não é uma prova definitiva da autoria das produções literárias

e traços superiores também únicos no “m” e no “w” de uma das seis assinaturas. As formas das letras são “muito, muito idiossincráticas”, diz Sharpe. Combinadas com as provas de ortografia, de contração e colocação de palavras, de repetição de imagens, entre outras, construíram uma causa mais forte para “Sir Thomas More” do que para as outras. No manuscrito guardado hoje na Biblioteca Britânica, a peça é um volume disforme, com vários pedaços de papel colados, conformando uma ordem aparente. Com abundantes revisões, inserções e cortes, “é um dos mais fascinantes exemplos de um documento teatral em elaboração”, segundo descrição em “Collaborative Plays”. No enredo, uma passagem creditada a Shakespeare mostra como o humanista Thomas More (1478-1535) contém uma revolta de artesãos e aprendizes em Londres, contra imigrantes. Ele questiona se, forçados a viver na França ou em Portugal: “Vos agradaria nação tão primitiva, que irrompesse com uma violência hedionda [...] ou vos chutasse como cães? [...] Eis vossa desumanidade horrenda” (leia a tradução de Alípio Correia de Franca Neto à pág. 8). No palco Numa resenha elogiosa a “Collaborative Plays”, a revista “Around the Globe” (Shakespeare’s Globe, primavera de 2014) afirma que a coletânea permite vislumbrar um mundo em que a autoria era comunal e complexa, avançando assim na compreensão de que Shakespeare foi de fato “um homem de teatro”. As últimas 36 páginas do livro são dedicadas a depoimentos de encenadores e atores que trabalharam com as peças. Terry Hands, que foi diretor-artístico da própria RSC e montou “Arden of Faversham”, afirma não ver qualquer sinal do dramaturgo no texto. Mas acrescenta que uma das cenas, com a destruição de um missal, um livro de orações para missa, “é mais audaciosa até”do que a queima do Corão em “Tamburlaine”, de autoria de Christopher Marlowe (1564-93). Ele pergunta por que não se pode “celebrar uma peça marcante de um autor que não tenha escrito mais nada”. Em outras palavras: Por que uma boa peça, como “Arden”, precisa da assinatura de Shakespeare? O diretor brasileiro Ron Daniels concorda. “Pois é, a indústria shakespeariana não para. Cada um de nós procura ganhar a vida, publicando livros, desenvolvendo teorias e montando peças. Para mim, só o que importa é descobrir uma maneira de encenar essas peças para que tragam sentido às nossas vidas. Que importa quem as escreveu? Que diferença faz?” Questionado, ele responde que talvez seja oportunismo procurar novas peças nos 450 anos do dramaturgo, mas acrescenta que “tudo bem: quanto mais Shakespeare, melhor”. Quanto à autoria colaborativa, insiste que é só curiosidade acadêmica. “Para o ator, para o diretor, o que importa é a vida que as peças têm no palco”. Daniels foi colega de Hands na RSC e assistiu à sua montagem, no início dos anos 1980. “Se bem me lembro, ‘Arden’ é um melodrama doméstico muito gostoso”.


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Diário de Tóquio O MAPA DA CULTURA

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O puxadinho do Pritzker Uma caipirinha para o “Nobel” da arquitetura

ALEXANDRE VIDAL PORTO

O Prêmio Pritzker é a suprema consagração no campo da arquitetura. Desde 1979, é concedido a um arquiteto vivo, cujo trabalho “represente contribuição significativa para a humanidade”. Gente como Luis Barragán, Oscar Niemeyer e Zaha Hadid ganharam o prêmio. Neste ano, foi a vez de o japonês Shigeru Ban receber a distinção. Na embaixada do Brasil em Tóquio, essa notícia foi recebida com especial alegria. É que, durante um almoço, três meses atrás, Ban aceitara participar de um projeto de intervenção no prédio da representação, desenhado pelo bra-

sileiro de origem nipônica Ruy Ohtake na região de Aoyama. Ban é conhecido por sua consciência social e pela sustentabilidade dos materiais que utiliza. Sua proposta consiste em uma estrutura de tubos de papelão reciclável, que cria um pequeno pavilhão sobre o pátio e a escadaria em frente ao prédio da embaixada. A ideia é oferecer ao público japonês um espaço de convivência e abrigar pequenos shows e atividades culturais durante a realização da Copa do Mundo no Brasil. A estrutura será montada pela comunidade brasileira e financiada pela iniciativa privada. Trata-se de um dos primeiros projetos de Shigeru Ban depois de receber o Pritzker. Por essa razão, deverá ser objeto de curiosidade internacional. Como se trata de uma ação entre

amigos, o arquiteto, que adora caipirinha, havia-se voluntariado para também organizar uma degustação da bebida numa área do pavilhão que ele chamara de “Shigeru Bar”. Resta ver se a agenda do mais recente Prêmio Pritzker permitirá a realização dessa atividade paralela. Baleia halal Recebo de uma empresa japonesa convite para participar de uma degustação de carne de baleia halal. A denominação atesta que a carne foi obtida e manuseada de acordo com os preceitos islâmicos e que, portanto, é própria para o consumo de muçulmanos. O convite informa que a carne provém de baleias pescadas pelo navio Nisshin Maru, que tem um clérigo islâmico a bordo para supervisionar a morte dos

cetáceos. Informa também que os ensinamentos do profeta Maomé fazem alusão à iguaria e que a carne de baleia é um dos alimentos oferecidos por Alá aos que chegam ao paraíso. No menu da degustação: bife, sashimi e curry de baleia. A empresa reconhece que a pesca de baleias é “objeto de debate”, mas pede a compreensão dos convidados para o fato de que o evento se realiza “não como ato político, mas como ato cultural”. Para as baleias que estão sendo degustadas, será que isso faz diferença? Sakura em tudo Não se fala em outra coisa. O inverno em Tóquio foi longo, mas acabou. A onda agora é o hanami (ver as flores). É a estação da floração das cerejeiras, das sakuras. Elas estão por toda parte, cobrindo a capi-

tal de branco e cor-de- rosa. Durante as duas semanas da florada, os parques viram área de celebração. As pessoas se reúnem e disputam espaço sob as árvores e suas flores. Parece praia uma lotada. O comércio lucra com isso. As sakuras estão na decoração das vitrines e em produtos tradicionais. Mas também estão em produtos de marcas ocidentais. O McDonald’s anuncia um refrigerante e a Häagen Dazs oferece sorvete no sabor sakura. O objeto de desejo dos fashionistas da cidade é uma bolsa com estampa de flores de cerejeira, de edição limitada, feita pelo artista Takashi Murakami anos atrás para a grife Louis Vuitton. Planejar dá certo Na região de Akihabara, o “joshi kosei osanpo”

é oferecido abertamente. Trata-se de um serviço que consiste em passear na companhia de uma colegial uniformizada. O preço por 30 minutos de passeio é de cerca de US$ 50. Se quiser tirar uma foto do encontro, paga-se mais cerca de US$ 10. Se quiser andar de mãos dadas, mais US$ 15. Os encontros não envolvem sexo necessariamente, mas muitas dessas colegiais são adolescentes. Por isso, as autoridades resolveram intervir. Desde o começo de abril o “joshi kosei osanpo” não será mais tolerado. Essa é a primeira ação de um programa para a eliminação da prostituição infantil antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, cujos trabalhos de preparação já estão em curso. É assim que as coisas dão certo.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Segundo sexo no Brasil ARQUIVO PESSOAL

Rio de Janeiro, 1960

Recorte do jornal “o Metropolitano”, com foto de Solberg (esq.) e Beauvoir

HELENA SOLBERG

Eu estudava na PUC e achava o mundo algo altamente excitante. Considerava-me uma existencialista, ou achava que era. Lia avidamente Camus, Sartre e Simone de Beauvoir. Assistia aos filmes da nouvelle vague e do neorrealismo italiano, sonhava fazer cinema e estava sempre atenta aos filmes dos diretores brasileiros que despontavam e que formariam o cinema novo. Éramos jovens e tínhamos a intuição de que o futuro nos traria um papel de importância, para o qual devíamos nos preparar. Mal sabíamos o que viria. Em 1958, com 19 anos, fui trabalhar em um jornal estudantil, “O Metropolitano”, na época um suplemento do “Diário de Notícias”. Foi o meu primeiro emprego. Como repórter, eu tinha que correr atrás dos assuntos do momento. Por ser mais ou menos versada em francês e inglês, cabia a mim entrevistar visitantes estrangeiros que aqui chegavam; e foi assim que conheci Simone de Beauvoir, além de figuras como Graham Greene

e Aldous Huxley. A entrevista com Simone de Beauvoir foi marcada para depois de sua palestra na Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio. Lembro-me de ficar surpresa com sua aparência bastante conservadora comparada com a da musa do existencialismo, a exótica e sensual Juliette Gréco. Na época Simone teria por volta de 60 anos. Usava os cabelos presos em um coque severo. Tinha pele muito clara e um rosto lavado, meio bretão. Eu fui toda vestida de negro, em pleno verão carioca, usando um penteado à Juliette. Quando revejo minha foto com ela, na entrevista, imagino que um leitor desavisado poderia se perguntar quem era quem. O salão nobre estava lotado de estudantes curiosos que, por duas horas, ouviram respeitosamente a exposição sobre seu controvertido livro “O Segundo Sexo” (lançado anos antes na França e então saindo no Brasil). Na época, lê-lo até o fim me exigiu grande esforço e disciplina; só vim a realmente apreciá-lo anos depois. O ponto mais controvertido de sua tese poderia ser resumido na frase

que abre o segundo volume: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Simone colocava assim a ênfase no processo de socialização do indivíduo, mais do que no destino biológico. A mulher não poderia estar condenada a somente repetir a vida com o seu corpo, “o projeto do homem não é o de se repetir no tempo, mas sim de reinar sobre o momento e de forjar o futuro”. Questionada se seria possível comparar os preconceitos que condicionam a situação da mulher com os preconceitos raciais, respondeu que “ambos têm em comum terem sido criados por uma ideologia ‘a posteriori’ para justificar essa situação”. Depois fomos tomar um café juntas. Nervosa – e no afã juvenil de querer parecer informada –, não parava de expor meus conhecimentos sobre o existencialismo. Simone ouvia em silêncio. Finalmente, com um sorriso discreto, disse: “Fale-me um pouco de você”. E de entrevistadora passei a ser entrevistada (uma técnica que aprendi então e que me tem sido extremamente útil ao longo dos anos).

O foco era minha formação burguesa, que a interessava para entender o país que visitava. Intimidada, respondia da melhor maneira possível, sentindo-me examinada por seu olhar agudo, que lia nas entrelinhas, nas hesitações, nos silêncios. Durante muito tempo, temi que um dia publicassem suas impressões do Brasil e que eu fosse denunciada como uma prova viva de que o segundo sexo no país ainda tinha uma longa caminhada pela frente. Anos depois, em um diário, falando sobre a viagem, ela escreveu: “Durante dois meses, amei o Brasil. Amo-o ainda. Naquele momento, porém, quase cheguei ao ponto de gritar contra a seca, a fome, contra toda aquela angústia, aquela miséria”. Fiquei pensando em uma jovem e uma senhora conversando em um fim de tarde. A jovem não imaginava o que estava por vir. Para ela o futuro parecia promissor. A senhora viu mais longe e, em seu diário, antecipou uma tempestade que se aproximava. E pensar que 1964 mudaria nossas vidas


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EM TEMPO - 6 de abril de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu