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EM TEMPO - 5 de janeiro de 2014

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ANO XXVI – N.º 8.227 – DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

Elenco escolheu a numerologia para ajudar você a calcular seu número pessoal e descobrir como será o ano que acaba de começar. Elenco 20

Móveis multiuso e do tipo dois em um, como mesas de centro que viram mesas de jantar, estão entre as tendências para 2014. Imobiliário 4

Estudos comprovam que a gelatina auxilia na redução de colesterol, triglicérides, controla a glicemia, além de fortalecer os ossos. Saúde F2

Em 1958, Elizabeth Bishop foi a Brasília, então em construção, conheceu índios e escreveu o relato em texto memorável. Ilustríssima G2 e G3

MONTAGEM SOBRE FOTOS: MARIO HENRIQUE SILVA

A FORÇA DO PALANQUE VIRTUAL

Na disputa pelo voto, redes sociais são usadas por políticos como instrumentos mais dinâmicos e eficazes, especialmente após a regulamentação da pré-campanha on-line, liberada recentemente pela Justiça Eleitoral. Pré-candidatos não precisam mais esperar até o início de julho para apresentar projetos e pedir votos na internet. Política A5

CONCURSOS OFERECEM 47 MIL VAGAS Calendário de concursos públicos para 2014 está movimentado, com previsão de 47,1 mil vagas em todo o país, segundo o Ministério do Planejamento. Economia B4 DIEGO JANATÃ

Roteiros regionais nas férias

PF faz buscas em área estratégica Polícia Federal afirma que carro incendiado, encontrado no sul do Estado, não foi identificado e ainda não há sinal dos três homens desaparecidos. Última Hora A2

Economia B3

Bomba-relógio nos postos de gasolina 8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES

Opções não faltam para quem optou por curtir, nas férias, os atrativos turísticos do Amazonas

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

Segundo pesquisa do Instituto de Psicologia da USP, exposição diária a solventes exalados pela gasolina provoca danos neurológicos a frentistas. Dia a dia C2 e C3

TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

PF não confirma que veículo achado seja de desaparecidos Polícia Federal afirma que pelo estado do veículo achado incendiado, não se pode afirmar que seja dos homens que sumiram DIVULGAÇÃO

ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

O

veículo carbonizado que foi localizado no final da tarde da última sexta-feira, 3, no quilômetro 180, distrito de Santo Antônio do Matupi, no município de Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus), vai passar por todos os exames periciais da Polícia Federal (PF) para a confirmação de que o veículo possa ser ou não o mesmo utilizado no dia do desaparecimento do professor Steff Pinheiro de Souza, o representante do Atacadão Manaus, Luciano Ferreira Freire, e o funcionário da empresa Eletrobras Amazonas Energia, Aldeney Ribeiro Salvador. O superintendente da Polícia Federal em Rondônia, o delegado Carlos Gaia, informou que pela situação em que o carro foi encontrado não se pode garantir que seria o mesmo utilizado pelos desaparecidos. “Como o veículo se encontra muito deteriorado não temos como garantir uma afirmação no momento, por isso, uma equipe da perícia

da própria Polícia Federal foi deslocada para o local e vai realizar todos os exames e verificar a hipótese”, disse o delegado. Gaia informou que não há período para a conclusão da perícia e que ainda ontem estaria se deslocando para o município de Humaitá para acompanhar o caso mais

INCERTEZA

Pelo estado de deterioração do veículo encontrado nas proximidades do local onde três homens desapareceram, levam a Polícia Federal a não confirmar que o carro seja das vítimas de perto. Na noite da última sextafeira, 3, a Polícia Federal divulgou uma nota que detalhava o local em que o veículo foi encontrado como de interesse pericial e que a equipe pericial deve realizar os exames pertinentes. A nota informava ainda que nenhum corpo foi encontrado, como também não há

EX-PILOTO DIVULGAÇÃO

identificação do veículo. As investigações e busca dos desaparecidos continuam. Para evitar a continuidade de boatos sobre o desaparecimento, a Polícia Federal relatou que qualquer novidade sobre o caso e quaisquer outras informações serão repassadas para os familiares e imprensa. O caso O representante do Atacadão Manaus, Luciano Ferreira Freire, o professor Stef Pinheiro de Souza e o funcionário da empresa Eletrobrás Amazonas Energia do Distrito de Santo Antônio do Matupi, Aldeney Ribeiro Salvador, estão desaparecidos desde o dia 16 de dezembro. A última vez que eles foram vistos estavam na BR-230 Transamazônica entre os quilômetros 20 e 150 no sentido Humaitá-Apuí (distante 453 quilômetros da capital), empurrando um veículo Gol de cor preta. Segundo informações não oficiais, no local, os três chegaram a lanchar no restaurante e seguiram viagem para Matupi, mais conhecido como quilômetro 180, porém não chegaram ao destino.

Desaparecimento de três pessoas em Santo Antônio do Matupi revoltou moradores de Humaitá

ESTADOS UNIDOS

ASFALTO

Constantino recebe últimos reparos

Hepta campeão mundial de Fórmula 1 se acidentou na França

Chances de Schumacher ficar sem sequelas é quase zero O futuro de Michael Schumacher ainda é uma incógnita para fãs e familiares que torcem e fazem orações por sua recuperação. Mas para médicos especialistas em neurologia, é quase impossível que o heptacampeão da Fórmula 1 escape ileso do acidente de esqui e sobreviva sem sequelas. Especialistas no assunto são unânimes em dizer que as chances de o traumatismo craniano causado pela forte pancada não deixar rastros são quase zero. Essa é a opinião do neurocirurgião e mestre em neurociência Francinaldo Gomes. “É praticamente impossível que não traga graves consequências. É difícil prever até se ele vai sobreviver. E as sequelas podem ser de vários tipos e podem atuar juntas também”, disse. O mesmo pensamento tem Norberto Luiz Cabral, neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia. “É pouco provável que saia ileso”, disse. Os dois médicos apontam diversos tipos de sequelas

comuns nesse tipo de caso, como motora (dificuldade de se movimentar e mexer partes do corpo, como perna e braço), cognitiva (perda da memória e raciocínio lento), psiquiátrica (causar psicoses como depressão) e sensitiva (não sentir determinadas partes do corpo). O paciente também pode passar a apresentar dores que ele nunca sentiu, como fortes dores de cabeça, além de dificuldade de controlar funções fisiológicas, como urina e fezes. De acordo com os médicos, só quando os sedativos forem retirados é possível saber os reais danos que o acidente causou a Schumacher. O ex-piloto sofreu um grave acidente no último domingo, quando esquiava com seu filho de 14 anos em Méribel, na França. O atleta entrou em uma área perigosa da montanha, onde a neve é mais fofa. Ele acabou se chocando com algumas pedras, foi catapultado para longe, e acabou batendo a cabeça em uma rocha.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, voltou às ruas para inspecionar os trabalhos de recapeamento realizado na cidade. Ele acompanhou a aplicação da última camada asfáltica na avenida Constantino Nery, onde destacou que está sendo aplicado pela primeira vez no Estado o composto “binder” com o suplemento de polímero. A obra está em fase final. “O polímero já vem nessa nova mistura asfáltica. Ele serve para dar maior resistência e maior elasticidade ao asfalto e será necessário, principalmente, nos locais onde vão passar os ônibus como nas plataformas do Bus Rapid Service (BRS). No entanto, estamos aplicando o polímero em toda a extensão da Constantino Nery e está é a primeira vez que o

polímero é usado em obras públicas no Estado. Daqui para frente vai ser uma coisa obrigatória”, destacou. Associado ao trabalho de recapeamento, também

BLINDER

Arthur acompanhou a aplicação da última camada asfáltica na avenida Constantino Nery, onde destacou que está sendo aplicado pela primeira vez no Estado o “binder” está sendo realizado o de requalificação da pavimentação de sarjetas e calçadas, que ajudam a dar maior resistência às bordas. Os trabalhos na Constantino Nery

já estão em fase de conclusão. O único trecho que ainda passa por arremates é onde ainda está instalado o Terminal de Integração 1 (T1), o qual será desativado. Na avenida Autaz-Mirim, na Zona Leste, Arhur Neto destacou que os trabalhos haviam começado de forma tímida, mas que agora estão a todo vapor. O recapeamento, que será realizado até a rotatória da Samsung, já está alcançando o viaduto, no São José. “Aqui no coração da Zona Leste estamos com mais de 40 homens trabalhando em ritmo frenético e vamos fazer um belo trabalho, assim como em toda a cidade. Vemos que as pessoas estão conscientes do trabalho que estamos realizando e nos apoiam cada vez mais”, destacou o prefeito. MÁRIO OLIVEIRA/SEMCOM

Avenida Constantino Nery recebe a última camada asfáltica com o composto “blinder”

Tempestade de neve causa 15 mortes A tempestade de neve Hércules que atinge os Estados Unidos desde a quinta-feira, 2, já causou pelo menos 15 mortes. As previsões indicam que nos próximos dias os termômetros poderão descer para mínimos históricos, abaixo dos -20 graus Celsius (°C) em vários Estados. Pelo segundo dia consecutivo, ontem, os ventos fortes e a neve, com o registro de 60 centímetros de altura em algumas áreas, provocaram problemas em voos, levando ao cancelamento de mais de 3 mil e atrasos em 7 mil. Também houve restrições na rede de transportes terrestres e escolas. Edifícios governamentais foram fechados em 22 Estados. Milhares de norte-americanos ficaram sem luz em casa e nos seus locais de trabalho. Também foram registrados acidentes de viação e internações por hipotermia. As baixas temperaturas provocaram a ruptura de canos, o que gerou inundações que forçaram a evacuação de lojas, teatros e hospitais de algumas zonas de Boston. As autoridades norte-americanas têm concentrado esforços nas advertências à população para que se proteja diante da previsão de queda de temperatura. A primeira grande tempestade de neve de 2014 afeta um terço dos Estados Unidos, ou seja, mais de 100 milhões de pessoas, mantendo em situação de emergência Nova York e Nova Jersey, e causando também graves complicações em Massachusetts, Illinois e Pensilvânia.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Protestos de junho, a resposta Demorou, mas as manifestações de junho/julho de 2013 não ficariam sem uma reação que reconhecesse a sua importância. O governo, em suas representações municipal, estadual e federal, tergiversou, dividiu as reivindicações pela metade ou as reduziu até minimizá-las, mas não suportou ter sido surpreendido por uma massa de protestos, vinda de quem se esperava um referendo à verdade midiática de que tudo vai bem, mas dois e dois são cinco. Não se consertou o que estava errado, senão pelo recuo estratégico quanto ao preço da passagem de ônibus, num ano pré-eleitoral e não mais. Neste fim de semana, foi revelado que o governo intensificou o treinamento de dez mil homens para atuar durante a Copa do Mundo, nas 12 cidades-sede, como revelou o diretor da Força Nacional, coronel PM Alexandre Augusto Aragon. A decisão de aplicar um curso de controle de distúrbios civis (como são chamados, na linguagem policial, manifestações e protestos) em 10 mil homens ocorreu após uma análise das últimas manifestações e do histórico das edições do evento. “A violência dos protestos recentes é que assustou. Tivemos muitos policiais feridos no Rio. Isso gerou aprimoramentos”, explicou Aragon, que à frente da Força já dirigiu 42 operações ao mesmo tempo nos 23 Estados e no Distrito Federal. A estratégia de preparação da maior força policial do país (depois dela, segue São Paulo com uma Tropa de Choque de 3 mil policiais) para agir nos protestos esperados de 2014 levou à compra de um minirrobô, que vai espionar militantes do black bloc: pequeno e de borracha, ele se infiltrará durante os atos de violência para realizar filmagens e auxiliar na investigação dos envolvidos. Se o presidente do Senado parar de usar ilegalmente aviões da FAB, os protestos de 2014 talvez não aconteçam.

Magistrados investigados Um balanço do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que, em 2013, o número de processos abertos para investigar magistrados dobrou em relação a 2012. Segundo o CNJ, 24 processos foram instaurados no ano passado. No ano anterior, 11 ações investigaram a conduta funcional de juízes. De acordo com o levantamento, dos 24 processos disciplinares, dez resultaram no afastamento de 13 magistrados. Desde a criação do CNJ, em 2005, 64 magistrados foram afastados das funções, 44 foram aposentados compulsoriamente e 11 receberam censura devido aos atos praticados. Mensagem gratuita A Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei 5.438/13, da deputada Flávia Morais (PDT-GO), que transforma em dispositivo da Lei Geral de Telecomunicações (9.472/97) a obrigatoriedade de que as empresas de telefonia móvel encaminhem gratuitamente as mensagens de texto destinadas aos serviços públicos de emergência. “Poucos privilegiados” Resolução da Anatel, publicada em abril de 2011, já determina que as operadoras transmitam essas mensagens, conhecidas como torpedos ou SMS, sem cobrar nenhum valor dos usuários. No entanto, Flávia Morais alega que “o recurso ainda está disponível para poucos privilegiados”, e por isso entende que seja necessário consolidar a regra em lei. Estrangeiros Outro projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados (PL 6.300/13) autoriza os estrangeiros em situação irregular no Brasil, que tenham entrado no país até o dia 30 de junho de 2013, a requerer o registro provisório. Benefício O projeto beneficia os que entraram clandestinamente no território nacional e os que entraram legalmente, mas se encontram com o prazo de estada vencido. O

registro provisório é geralmente obtido nas unidades da Polícia Federal. Cuidadores de idosos A lista dos candidatos classificados no Processo Seletivo Simplificado (PSS), da Fundação Doutor Thomas (FDT), para contratação de 60 cuidadores de idosos, poderá ser vista a partir de amanhã, na edição de n° 3.323, do Diário Oficial do Município (DOM). Sem confiança

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio encerrou 2013 em queda. O indicador recuou 2,7% em dezembro do ano passado em relação a dezembro de 2012, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Essa foi a quinta queda mensal consecutiva. Situação atual A confiança caiu mais em relação ao momento atual (-7,4%). Os empresários estão menos confiantes em relação às situações atuais da economia (-10,5%), do setor comercial (-4,4%) e de seu próprio negócio (7,4%). Decepção Segundo a CNC, a confiança dos empresários foi afetada pela decepção com o ritmo de crescimento econômico ao longo do ano, pelo encarecimento do crédito e pela desvalorização cambial que contaminou os

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

preços no atacado. Abastecimento O prefeito Arthur Virgílio Neto percorreu vários bairros da Zona Leste, na sexta-feira, 3, para verificar se a água está realmente chegando às casas dos moradores. Ele garantiu que toda a cidade será atendida pelo Proama ainda este ano. Aeroporto O aeroporto Eduardo Gomes só vai ficar completamente pronto daqui a três meses, segundo a Infraero. As obras de reforma e modernização deveriam ter sido entregues em dezembro do ano passado, mas serão concluídas com quatro meses de atraso. Primeira sessão O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Josué Filho, agendou para o dia 16 de janeiro a primeira sessão ordinária e administrativa do ano de 2014. Condição O PSB espera que Marina Silva anuncie publicamente que será vice na chapa do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à Presidência, até o fim deste mês ou meados de fevereiro. A condição que teria sido imposta pela ex-ministra para que isso ocorra é que a sigla abra mão de apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo.

VAIAS

Corinthians

Charge

Congresso Nacional DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para o Corinthans, considerado o melhor time brasileiro dos últimos 6 anos, segundo estudo apresentado pela Pluri Consultoria. Com base nos resultados desde 2008, a equipe paulista acumulou 976,4 pontos.

Para a Câmara e o Senado, que escondem sua folha de pagamentos detalhada, com o nome e o respectivo salário de cada um dos 594 senadores e deputados, além dos mais de 20 mil servidores.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Desastre educacional Verdade universalmente aceita diz que os números não mentem. Os homens, sim, mentem e muito, principalmente quando querem mascarar uma realidade que não lhes é favorável e que torna vulnerável a avaliação da sua ação de gestores. Por isso o governo do país sempre procura divulgar imagens e conceitos que passam a impressão de que um grande país está em via de construção. Nem sempre, entretanto, é possível barrar ou distorcer informações, avaliações e pesquisas que vêm de fontes independentes, que escapam ao controle do poder instituído. Sabemos e todos os brasileiros, se atentarem, podem saber que a educação vai muito mal em nosso país. É um fato que está disponível quando convivemos com nossos filhos, parentes, vizinhos; quando nos pomos diante do televisor; quando acessamos as notícias divulgadas pelos veículos de comunicação. Agora mesmo fomos informados de que, sobretudo em três áreas, está afundando o ensino médio brasileiro: matemática, ciências e leitura. Quem o afirma é o Pisa, o relatório internacional que enfoca o desempenho intelectual de estudantes. Só para dar uma ideia da nossa situação, no que se refere às Ciências, o Brasil colocou-se no 59º lugar entre 65 países. No cômputo geral do relatório, tivemos um rendimento vergonhoso de apenas 0,3%. Sobre esses dados o governo petista, na pessoa do seu ministro Mercadante, não pode lançar o descrédito e nem responsabilizar a “mídia reacionária”. Uma reflexão com um mínimo de profundidade sobre a questão há de levar-nos com certeza a considerar que a maior gravidade se situa na área que o Pisa designa como “Leitura”. Não se trata de “analfabetismo”

no sentido corrente do termo, isto é, de pessoas que não leem porque não foram instrumentalizadas (alfabetizadas) para que pudessem ler. Trata-se sim dos hoje chamados “analfabetos funcionais”, ou seja, de pessoas que sabem ler, alfabetizadas, mas que não conseguem entender o que leem. Se postas a ler uma sentença, fazem-no perfeitamente. Mas se, em seguida, forem interpeladas sobre o que leram, mostram claramente que não lograram o entendimento do que foi lido. Há poucos dias, uma professora formulou uma pergunta aos seus alunos e antecipou-lhe uma introdução elucidativa que dizia: “Com base no que foi lecionado aqui, ontem, o que significa...?” Pois essa simples observação bloqueou o entendimento do quesito. Em outra fonte, que não o Pisa, encontrei a informação de que cerca de 75% da população brasileira, em idade escolar, de qualquer nível, seria constituída de analfabetos funcionais mas, ao conversar com um professor da Ufam, portanto do nível universitário, ouvi, estarrecido, que, pela sua experiência de sala de aula, este percentual, no 3º grau, estaria por volta de uns 80%. Assegurar vagas nas escolas por meio de um sistema de reserva de cotas não vai resolver absolutamente nada, simplesmente porque é a escola que não funciona, a escola e as outras instituições da sociedade, como o são a família, a empresa empregadora, as igrejas, os clubes, enfim, toda a sociedade. O projeto “jornal na escola”, implementado inclusive pelo EM TEMPO, em que o jornal passa a ser material pedagógico, revelouse excelente instrumento contra o analfabetismo funcional, mas nem por isso empresas se interessaram em patrociná-lo.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Assegurar vagas nas escolas por meio de um sistema de reserva de cotas não vai resolver absolutamente nada, simplesmente porque é a escola que não funciona, a escola e as outras instituições da sociedade, como o são a família, a empresa empregadora, as igrejas, os clubes, enfim, toda a sociedade”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Comando supremo

A Força Nacional não é uma força comum. Somos convocados só para momentos de crise, para missões específicas. Cheguei a ter 42 frentes de operações abertas ao mesmo tempo no país. Para a Copa do Mundo, formamos 10 mil homens em doutrinas de ações de choque, e estamos com condições de atuar em todas as 12 cidades-sede ao mesmo tempo

O mapa mais atualizado de nomes para coordenar a reeleição de Dilma Rousseff define o que auxiliares da presidente apelidaram de “comando supremo” da campanha. Além do time operacional, a petista contará, segundo interlocutores, com um triunvirato composto pelo ex-presidente Lula, pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB). O grupo vai tratar das questões mais delicadas, como as relacionadas à formação de alianças. Mão na massa Para executar tarefas do dia a dia, estão escalados, por ora, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o ex-presidente do PT paulista Edinho Silva. Tubo de ensaio Emissários de Dilma têm testado entre petistas o nome da ministra Marta Suplicy (Cultura) para a vaga de Aloizio Mercadante no Ministério da Educação, caso ele deixe a pasta para assumir a Casa Civil. A reação não tem sido positiva. Desce a lenha Preocupados com a eventual indicação de Ciro Gomes (Pros) para um ministério de Dilma, petistas do Ceará fizeram chegar ao Planalto um vídeo do ex-ministro com críticas ácidas ao governo da presidente e ataques ao PMDB de Temer. Não passará Pesquisas em posse do PT concluíram que Eduardo Campos (PSB) não teria êxito, se a eleição fosse hoje, na estratégia de se apresentar como candidato “do Nordeste”. Os levantamentos detectaram rejeição ao pernambucano no Ceará, na Bahia e mesmo na Paraíba, governada pelo PSB. Não passará Os estrategistas de Dilma querem usar a tradicional

rixa existente entre Estados da região para tentar restringir o apelo de Campos a Pernambuco. Só dá ele A direção nacional do PSB decidiu que Campos vai ocupar todas as propagandas regionais de TV e rádio a que o partido terá direito no primeiro semestre deste ano. O objetivo é compensar a desvantagem de exposição que o pernambucano tem em relação a Dilma. Planilha Até o início de dezembro, o governo computou 160 mil inscritos no programa Ciência sem Fronteiras, que tem como objetivo aumentar o intercâmbio de estudantes brasileiros em instituições de ensino superior de diversos países . Planilha Já foram concedidas 60 mil bolsas, sendo 57 mil pagas pelo governo e três mil pela iniciativa privada. A meta é atingir o número de 101 mil bolsas até 2015. SP 40ºC A Prefeitura de São Paulo vai transformar o estacionamento do parque Ibirapuera em uma área de lazer permanente, apelidada de “praia paulistana”, com piscinas infantis, areia e quadras de futevôlei. O acesso de veículos ao parque ficaria fechado

definitivamente, como já ocorre aos domingos. Em conta O plano está pronto, mas depende de patrocínio para ser implementado ainda em 2014. De acordo com a Secretaria do Verde, se isso não ocorrer, o financiamento do projeto será incluído no Orçamento de 2015.

Alexandre Augusto Aragon, diretor da Força Nacional, anuncia que foi treinada uma tropa de choque de 10 mil homens que apoiará as polícias militares nas 12 cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo para conter protestos violentos durante o evento. “A violência dos protestos recentes é que assustou. Isso gerou aprimoramentos”.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Na reserva Com dificuldades para encontrar nomes para a reforma de seu secretariado, Geraldo Alckmin (PSDB) chegou a conversar com antigos integrantes do primeiro escalão do governo paulista. Recentemente, o tucano sondou Francisco Luna, que foi secretário de Planejamento de José Serra.

IONE MORENO

Cantinho Auxiliares de Alckmin estudam oferecer ao PSC a vaga de secretário-adjunto de Justiça. A sigla, que acertou apoio à reeleição do tucano, ocupava cargo na Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, que o governador decidiu extinguir. Despedida Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) vão definir em conjunto os substitutos de até 11 secretários que deixarão o governo fluminense em abril para disputar as eleições.

Tiroteio

Depois de passar 2013, sustentando o destino de vagalume da energia elétrica servida a Manaus, esse poste, que não foi plantado por Lula, meio arriado, recupera-se de uma ressaca para ver se aguenta as emoções (são tantas!) da Copa do Mundo, escorado em um muro da avenida Coronel Teixeira. Promete

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Não é a meta fiscal que causa nervosismo. A própria permanência de Guido Mantega no cargo dá a certeza de que nada vai melhorar.

Arte e mistério

DO DEPUTADO JUTAHY JÚNIOR (PSDB-BA), sobre Guido Mantega ter dito que antecipou o anúncio do superavit primário para acalmar os “nervosinhos”.

O mistério da encarnação do Verbo inspirou ao longo dos séculos artistas de toda natureza e de todas as latitudes. Representações da Anunciação são clássicos da história da arte. Só a linguagem da beleza tem o poder de expressar um mistério que em si mesmo é inefável. Francisco, o papa, ao falar dele diz que é a revolução da ternura. Por isso mesmo Natal é tempo de música, poesia, dança, cores, pinturas, arranjos e tudo aquilo que a busca da beleza pode produzir. Os artistas tem a última palavra quando se trata de exprimir o mistério, quer o da vida, quer o do amor. No dia do Natal fomos brindados com um espetáculo ao redor do teatro municipal de Manaus. O lugar escolhido é símbolo da arquitetura como busca do belo, uma expressão do desejo de viver as artes, a poesia, a música e o teatro em meio à natureza exuberante que cerca a cidade e de onde veio todo o luxo e a opulência que marcaram época, e que nos deixaram o edifício que se integrou a ela e se tornou seu símbolo. Não por acaso o espetáculo se intitulou Glorioso. De extrema beleza e bom gosto, integrou passado e presente, música, dança, arte popular, pirotecnia, profano e religioso, para narrar o mistério da encarnação da Palavra. O povo assistiu a tudo com expressões de espanto e de contentamento e não poucas lágrimas rolaram de pura emoção. Havia sonho no ar, havia esperanças de um mundo melhor e mais humano. Pairava no ar o desejo de que a fraternidade e a igualdade vividas naquela pouco mais de hora e meia de espetáculo se espalhassem como sementes

Contraponto

Contabilidade criativa Na discussão do projeto que altera as bancadas de deputados federais dos Estados, em novembro, Esperidião Amin (PP-SC) protestou quando Simão Sessim (PP-RJ) declarou o resultado de uma votação que rejeitou um requerimento apresentado no plenário: — Presidente, todos ergueram dois braços. O que é isso? Votação duplicada? – disse Amin, rindo. — Chega de brincadeira, pelo amor a Deus! O presidente contou e dividiu por dois. Aqui não é jardim de infância – retrucou Alceu Moreira (PMDB-RS). — Deputado, como professor de matemática que sou, eu contei pela metade – encerrou Sessim. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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num mundo diferente do vivido naqueles momentos de rara beleza. Adultos mas, sobretudo, crianças e jovens exprimiam a grandeza de ser gente e de partilhar da natureza de um ser divino que atrai a si toda a criação com a sua biodiversidade, e com toda a humanidade. São exceção aqueles que, como Herodes, para serem humanos precisam destruir, violentar, humilhar. No decorrer do espetáculo houve uma cena de profundo significado. José ao perceber a gravidez de sua noiva entra em desespero, e sua angústia é vivida em meio ao burburinho de uma cidade oriental com suas tendas e suas vendas, um verdadeiro mercado árabe. Circula freneticamente em meio à indiferença dos vendedores e transeuntes. De repente, vê um menino pedindo esmola, se detém, se compadece e oferece algo aquela criança desconhecida, semelhante a tantas outras abandonadas e órfãs, das quais a história está cheia. A criança então se transforma num anjo e o anjo lhe revela o mistério. Só pode vislumbrar o mistério do amor aquele que ama, que ama concretamente, sem escolher o amado, mas curvando-se diante dos pequenos, dos órfãos, das viúvas, dos estrangeiros, que nas Sagradas Escrituras são os abandonados. Na linguagem de hoje os chamamos de socialmente vulneráveis. Que a beleza, a arte, a poesia, a música, o teatro, com tudo o que a técnica possibilita em termos de espetáculo, nos levem aos pequenos gestos de solidariedade pois ai encontraremos a beleza eterna, o amor infinito, o mistério de Deus.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Havia sonho no ar, havia esperanças de um mundo melhor e mais humano. Pairava no ar o desejo de que a fraternidade e a igualdade vividas naquela pouco mais de hora e meia de espetáculo se espalhassem como sementes num mundo diferente do vivido naqueles momentos de rara beleza”


Política

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

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Palanque virtual, a nova arma da pré-campanha

Tímidos ou habilidosos, pré-candidatos se movimentam nas redes sociais, faltando dez meses para as eleições de 2014

IMAGENS: REPRODUÇÃO FACEBBOK

RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

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ator decisivo na vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2008, o uso das redes sociais como instrumento de campanha política chamou a atenção de vários países, entrou no circuito do Brasil nas últimas eleições, em 2012 e, neste ano, depois das manifestações de junho de 2013, a disputa pelo voto dos internautas deverá ser incrementada. Com a regulamentação da pré-campanha on-line, liberada recentemente pela Justiça Eleitoral, pré-candidatos não precisam mais esperar até o início de julho para disseminarem suas mensagens políticas e pedir votos nas redes sociais (a exemplo do Facebook, Twitter e Instagram). No Amazonas, o senador Eduardo Braga (PMDB), a deputada federal Rebecca Garcia (PP), o viceprefeito Hissa Abrahão (PPS), o vice-governador José Melo (PROS) e o deputado estadual Chico Preto (PMN), cinco précandidatos à disputa do governo do Estado, consolidam suas imagens nas redes sociais, mas ainda patinam longe de um palanque virtual. Braga tem a terceira fanpage mais popular do Senado. Líder do governo federal, ele reúne 147 mil “curtidas” em sua página, ficando atrás somente do senador pré-candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Clésio Andrade, com 319 mil seguidores na rede, e do presidenciável Aécio Neves (PSDBMG), que administra a página desde maio do ano passado e já conta 322 mil seguidores. Mesmo somados, o número de seguidores alcançados por Hisssa, Rebecca, Melo e Chico Preto não supera a popularidade de Braga na rede. À frente de seus possíveis adversários,

o senador alimenta a sua página desde setembro de 2011 e tem uma média de 20 a 25 postagens por mês, com maior intensidade nos últimos 70 dias. Desenvolvida, a página passa por minuciosos cuidados de gestão de mídias digitais, com identidade visual e link para sua conta no Instagram – que possui 1.756 seguidores. Com a ajuda de uma equipe de comunicadores especializados, liderada pelo jornalista Clóvis Horta, com expertise em gestão de crise, Braga faz um discurso motivacional e costuma envolver seus seguidores em debates na rede. Há muitos posts com os pronomes “nosso” e “nós”, convites para o eleitor ver entrevistas e frases de efeito ditas por ele em discursos e programas televisivos, sempre lembrando municípios do interior. O formato é semelhante ao usado pela deputada Rebecca Garcia que, menos expressiva, com 29 mil seguidores, intensificou a presença na rede no último mês. A deputada, que flerta com a possibilidade de receber o apoio do PSDB do prefeito Arthur Virgílio, tem uma única foto ao lado do tucano desde que criou a página, em maio do ano passado. Até mesmo seu possível adversário, o vice-governador José Melo, e o governador Omar Aziz (PSD), de quem saiu do governo onde ocupava uma secretaria estadual para voltar a Brasília e articular sua candidatura, aparecem mais vezes na galeria. A tônica da religião Sempre religioso, com mensagens curtas e pouco carismático, o vice-prefeito Hissa Abrahão reúne 51,6 mil seguidores na página. Desfalcado da equipe de comunicação que o assessorava enquanto titular da Seminf, Hissa ainda mantém “secretário de Infraestrutura” na sua descrição, apesar de ter sido publicamente demitido do cargo no último dia 19 de dezembro. Três dias antes da

demissão, Hissa havia postado uma foto abraçando o prefeito Arthur Neto e o parabenizando pelo seu aniversário. A postagem foi a última aparição de Virgílio na página de Abrahão. À frente da badalada pasta, Hissa alimentava a página religiosamente com sua agenda de vistorias em obras. Nos últimos 20 dias, longe de tratores e capacetes, tem postado fotos de encontros políticos e mensagens motivacionais. Em ambas postagens de Réveillon e Natal, o vice falou neste ano como “o ano das conquistas”. Melo, confiante Quem também tem alavancado sua presença entre os internautas é o vice-governador José Melo, que não deixou de postar na sua página no Facebook, com 36.744 curtidas, em nenhum dia do último mês. Melo, que delegou somente a Deus o poder de tirá-lo da disputa, aparece na foto de capa sorridente, com roupas alinhadas, dando as mãos ao governador Omar Aziz, seu principal e mais forte aliado à disputa. Os dois, iluminados em um ambiente aparentemente festivo, deixam um recado. Com um amplo acervo de fotos ao lado de Aziz e Virgílio, por vezes com Hissa isolado no fundo, Melo posta vídeos, parabeniza secretarias e divulga feitos. Filosofando Declaradamente opositor ao ex-aliado Eduardo Braga e ao projeto do PT, o deputado Chico Preto fala para 21,1 mil pessoas na sua página e é o único que não possui conta no Instagram. Evidenciando seu projeto para as eleições, o parlamentar divulgou recentemente o trecho de uma obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, em que diz “demore o tempo que for para decidir o que você quer na vida, depois que decidir não recue ante a nenhum pretexto, porque o mundo tentará te dissuadir”. Em outra postagem, divulga um vídeo do PMN em que protagoniza a mensagem de “o tempo chegou”.


Política

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Interior do Estado inicia 2014 envolto em crises

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

É assim mesmo: cada artista faz o seu preço” CANTORA BETH CARVALHO, sobre seu cachê quatro vezes menor que o de Carlinhos Brown na virada carioca

Cuba fatura com médicos e sangue no Brasil A sangria desatada do governo federal com a importação de médicos cubanos por R$ 511 milhões recebeu injeção de US$ 16,8 milhões de sangue humano de Cuba na balança comercial dos dois países. Com uma vertente macabra: os doadores cubanos ignoram a exportação do “produto” no mercado internacional, revela a ONG Cuba Archive, integrante do Free Society Project, em Washington, no primeiro relatório de 2014. Doar sangue é mais um “ato revolucionário” na ilha. Sangue bom Os números de Cuba e do Ministério do Desenvolvimento sobre o comércio de sangue humanos e produtos biológicos são de 2011. Pela boca O regime dos Castro convoca a população à “ajuda humanitária internacional” e outros pretextos, em troca de um prato mais sortido. Na fila Diz ainda a ONG que a prática, iniciada nos primórdios sangrentos do regime, criou “doadores permanentes” e troca de favores por sangue. No banco O relatório pede investigação da Organização Mundial de Saúde no comércio, exportação e condições sanitárias da doação de plasma. Herói na ONU, general não alcança título no Brasil Convidado pela Organização das Nações Unidas para chefiar missão de paz na República Democrática do Congo, na África, o general de divisão Carlos Roberto Santos Cruz sequer conseguiu título de general de exército

no Brasil. Ele foi reconhecido internacionalmente após operação para manter estabilidade no Haiti (Minustah), onde comandou as forças da ONU, com direito a prorrogação, entre 2007 e 2009. Tem prestígio O general Santos Cruz comanda tropa de mais de 23,7 mil homens no Congo e tem sido convidado para dar palestras nos EUA e na Europa. Feito histórico Santos Cruz é apontado pela mídia internacional como fator decisivo para derrotar junto ao exército congolês rebeldes do grupo armado M23

Jornalista

Cotado Possível candidato a prefeito de Goiânia em 2016, o deputado Sandro Mabel (GO) é cotado entre peemedebistas para assumir o lugar do colega Gastão Vieira (MA) no comando do Ministério do Turismo. Agenda O ano mal começou e a Central Única de Trabalhadores (CUT) já marcou o primeiro encontro da ‘cumpanhêrada’ em pleno ano eleitoral para lançar ‘a agenda de lutas’: será às 16h, de 15 de janeiro, na sede.

Era um desperdício Ao chegar do Haiti, o general passou a atuar na Secretaria de Assuntos Estratégicos, quando foi convidado pela ONU para a missão no Congo.

Tirano Sem noção, o líder da Coreia do Norte, Kim Jogn-un, é acusado de jogar vivo o tio Jang Song-thaek, ex-número dois do regime, numa jaula com 120 cães famintos. Ninguém sabe o que fez com a mulher do tio.

Chegando a hora Chefe da Casa Civil, a ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) já pediu ao suplente Sérgio de Souza (PMDB-PR) para esvaziar as gavetas do gabinete. A petista pretende voltar ao Senado entre 15 e 17 de janeiro.

Portas abertas Presidente do Solidariedade no Maranhão, o deputado Simplício Araújo defende a filiação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ao partido no Rio, onde poderia sair candidato ao Senado.

Está bem assim Filiado ao PSB a convite do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o ex-deputado Luiz Piauhylino não deseja mesmo retomar sua admirada carreira política. Dedica tempo integral à advocacia.

Probleminha Prevista para entrar em vigor em maio, a resolução que facilita a portabilidade de crédito tira o sono da direção do Banco de Brasília. Sem conseguir baixar taxas de juros, é grande o temor de perder financiamentos de clientes em pleno ano eleitoral e reduzir o lucro.

Passou do limite Líder do PSD, Moreira Mendes (RO), critica a “omissão do governo” sobre os conflitos entre índios e a população. “Tem casos muito piores que esse de Humaitá, e ninguém faz nada. Índio pode tudo neste país”.

O piloto sumiu O sistema de registro de voos de jatinhos no portal da FAB saiu do ar na sexta (3), com o recesso da freguesia política. Mas só o sistema.

PODER SEM PUDOR

Lição de cavalheirismo O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) é um cavalheiro. Certa vez, ao chegar no cinema para a pré-estréia do filme “Olga”, em Brasília, a sala estava lotada, mas logo providenciaram uma cadeira extra, bem desconfortável, ao lado de uma senhora cujo marido havia sido acomodado algumas fileiras acima. Quando sugeriram a troca a Suplicy, o bom senador não deixou por menos: - Agora fiquei numa situação difícil. Se eu fosse seu marido, preferiria estar ao seu lado a ficar numa poltrona mais confortável. Mas é ele quem decide. Não restou opção ao maridão distraído senão sentar-se ao lado da mulher.-

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Pelo menos cinco municípios estão enfrentando problemas neste começo de ano, cujos conflitos começaram em 2013 REPRODUÇÃO

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Desde dezembro, a cidade de Humaitá está em crise entre moradores e índios tenharim ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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inco municípios do Amazonas iniciaram 2014 em meio a uma crise política. Tefé, Maués e Codajás enfrentam um “pé de guerra” entre a população e os seus gestores. Já Humaitá e Boa Vista do Ramos vivem uma questão de violência urbana que tem mantido a população assustada. Na cidade de Tefé a situação está complicada desde o início de dezembro do ano passado, quando a vice-prefeita, Icleia Rego (PMN), rompeu com o prefeito Antenor Paz (PSD), por conta das demissões de servidores públicos. “Nossa cidade vive um momento de tensão. Tivemos um Natal e Ano-Novo triste. Vários pais de família exonerados e sem dinheiro. No Réveillon tivemos uma festa pífia, sem direito à queima de fogos”, reclamou a vice-prefeita. A situação ficou ainda pior quando Icleia assumiu por dois dias a prefeitura em dezembro passado, após Antenor viajar a trabalho a Brasília, e exonerou a primeira-dama do município, Tereza Cristina Paz, que também responde pela secretaria de Finanças de Tefé. “Não estou de acordo com as atitudes do prefeito. E quando vou tomar satisfação com ele sou expulsa da sala dele”. Revoltada,

a população realizou ontem uma manifestação, que caminhou da rua Brasília até a frente da prefeitura do município. Esta é a segunda mobilização em menos de um mês na cidade. Em Maués, segundo informações de moradores da cidade, centenas de famílias passaram o Natal sem receber os seus salários. A situação piorou no Réveillon, quando a prefeitura promoveu uma

INTERESSES

Boa parte dos conflitos tem conotação política. Em Codajás, a briga é pelo poder entre “prefeitos”. Em Tefé, o gestor e sua vice-prefeita estão em guerra. Em Humaitá, o pano de fundo é a posse da terra festa na cidade. “Realizaram uma comemoração com direito a fogos de artifício e shows de bandas. Enquanto isso o servidor público sem receber um direito seu”, comentou um morador da cidade que preferiu não se identificar com medo de represálias. Em Codajás, o conflito acontece entre o recém-reconduzido ao cargo de prefeito do município, Abraham Lincoln Dib Bastos (PSD), e o ex-pre-

feito Joel Gomes de Oliveira (PT). Abraham acusa Joel de ter realizado um repasse de R$ 9 mil dos cofres da prefeitura para sua conta pessoal após ter sido retirado do cargo. Já Joel afirma que Abraham tem “afundado” o município em dívidas. Moradores assustados Em Humaitá, a situação também está muito complicada. Um conflito entre moradores e indígenas tem assustado toda a população. Até agora, três pessoas estão desaparecidas e moradores do município acusam indígenas da etnia Tenharim de terem sequestrado estas pessoas. Em Boa Vista do Ramos, a cidade está revoltada com o segurança particular da prefeitura, Francisco Wagner Moura, que efetuou cinco disparos contra um grupo de jovens que participava de uma festa de Ano-Novo que acontecia na madrugada do dia 1º na orla da cidade. Segundo testemunhas, a confusão começou depois que populares falaram mal do secretário de Finanças do município, Joelson Tavares Straus. “A cidade está enfrentando muitas dificuldades e hostilizaram o secretário o chamando de ladrão. O segurança que o acompanhava sacou a arma e efetuou os disparos”, contou uma testemunha à polícia.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

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Josué FILHO

‘Vou orquestrar O TCE COMO um maestro’ ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ALEAM

DIVULGAÇÃO/TCE

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Já tive a prática em administrações em outros órgãos públicos e a minha administração aqui, à frente do TCE, será como a viagem do comandante experiente, evitando as tormentas, mas navegando e abrindo as velas”

osué Cláudio de Souza Filho é um dos conselheiros com o maior percentual de eficiência na tramitação processual desde que ingressou no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), em 2008. Os números apontam que dos processos que entraram em seu gabinete, uma média de 2,4 mil por ano, apenas 2% ficou para ser julgado no ano seguinte. O desempenho é sempre maior que 95,94%. Com esses índices e por ser o próximo na linha de sucessão, ele foi aclamado o novo presidente da corte do tribunal, em dezembro do ano passado. Ao assumir de fato a cadeira, em 18 de dezembro de 2013, o novo presidente-conselheiro declarou que não irá tirar férias nesses primeiros meses de gestão e administrará o órgão com “os olhos e ouvidos abertos a todos”. Um dos principais focos do tribunal para 2014 serão os gestores municipais. “Já treinamos muito bem os nossos servidores e agora vamos treinar os gestores, para que não errem em suas prestações de contas”, alertou Josué. Outra determinação já acertada para essa gestão será o seu afastamento da cadeira de presidente durante o processo eleitoral deste ano, já que seu filho, o deputado estadual Josué Neto (PSD), irá disputar a reeleição no Parlamento estadual. “Tenho férias acumuladas e irei usá-las neste período que antecede a eleição. Não há como ficarmos isentos diante de um filho”, declarou o conselheiro. Josué, que já foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), da Câmara Municipal de Manaus (CMM), ouvidor-geral Estado e empresário do ramo da Comunicação, afirma que levará toda sua experiência como administrador para o tribunal. Durante entrevista ao EM TEMPO, falou sobre o orçamento do tribunal, que tem R$ 65 milhões em caixa, segundo o ex-presidente Érico Desterro, de como será sua conduta com os colegas conselheiros e também nas articulações para tentar evitar acúmulo de processos

para julgamento. EM TEMPO – Como o senhor irá conduzir o TCE em 2014? Josué Filho – No mesmo ritmo que estava sendo conduzido: com velocidade e eficiência. Porém, não podemos esquecer a qualidade. Por exemplo, se julgarmos 20 mil processos em que 18 mil recorram, apenas dois mil terão sidos finalizados de fato. O que queremos é julgar bem, e para isso, eu e o vice-presidente, conselheiro Ari Moutinho Júnior, contamos com a experiência de todos os nossos pares. Já tive a prática em administrações em outros órgãos públicos, e a minha administração aqui, à frente do TCE, será como a viagem do comandante experiente, evitando as tormentas, mas navegando e abrindo as velas. Creio que em três meses será possível perceber que mudanças nos processos não serão apenas pela velocidade, mas também o bem julgar. EM TEMPO – O senhor recebe o tribunal com R$ 65 milhões no cofre, segundo informou o ex-gestor Érico Desterro. Como será aplicado esse dinheiro? JF – Realmente, o tribunal tem esse saldo na conta, mas também temos contas a pagar. Eu ainda não tenho esse número fechado. Mas, pelo rápido levantamento que fizemos posso garantir que temos um saldo, mas os investimentos ainda serão avaliados. EM TEMPO – A maioria dos processos no TCE é referente à má prestação de contas de gestores. Quais as estratégias para dar maior celeridade a essas pautas? JF – Essa é uma questão que já está sendo avaliada. Precisamos é calibrar a bala do tamanho da caça. Vamos citar como exemplo um prestador de contas de um município pequeno que teve as contas julgadas com ressalva e recebeu uma multa de R$ 32 mil. Sabemos que esse gestor não irá pagar esse valor, e sim irá contratar um advogado por R$ 5 mil para protelar essa dívida. Mas, se eu der o mesmo resultante e colocar uma multa de R$ 8 mil,

ele vai parcelar e pagar. Por experiência administrativa, eu prefiro cobrar uma multa menor, mas que eu receb, a cobrar uma multa alta e nunca ver o repasse desse dinheiro. EM TEMPO – Alguns gestores municipais na hora de prestarem contas argumentam que fizeram de forma incorreta por desconhecimento. Como o tribunal vai trabalhar essa questão? JF – Ninguém chega à prefeitura de paraquedas. Geralmente, antes de assumir uma cadeira no Executivo o cidadão já foi vereador, presidente de Câmara ou secretário municipal e com isso já prestou contas. É mais digno o gestor falar que não tem uma equipe qualificada para fazer o serviço de reenvio dos dados todos os meses. Outra questão é que a primeira prestação de contas só acontece em março, dando um tempo hábil para todos os prefeitos se adequarem. EM TEMPO – Quando o senhor atuou como conselheiros apenas 2% dos processos que estavam sob sua responsabilidade ficaram pendentes. Agora na presidência, o senhor vai cobrar o mesmo rigor dos seus pares? JF - Eu só não zerei os meus processos porque tivemos um episódio no município de Tabatinga em que a Polícia Federa, por ordem judicial, aprendeu os documentos do processo e isso ocasionou um atraso. Não poderia julgar esse recurso no escuro. Agora, admito que tive um bom rendimento quando atuei como conselheiro, mas isso também é fruto do trabalho da minha equipe, que é dedicada e responsável. Espero que os apoiadores dos meus colegas sejam como os meus. EM TEMPO – Quando o senhor foi eleito para a presidência do tribunal, de imediato anunciou que no período eleitoral se afastaria do cargo porque seu filho, deputado Josué Neto, será candidato. JF – É verdade, estou avaliando sim essa questão. Inclusive fui advertido por alguns colegas que não

deveria ter feito esse anúncio, e sim, simplesmente pedir licença quando fosse o período pré-eleitoral. Mas, como é que o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, sendo filho do presidente do TCE vai disputar uma eleição com o pai no ataque? Eu tenho 102 dias de férias não gozadas, e quando chegar o “pega para capar”, acho prudente eu me afastar. Mas, se eu ficar, posso garantir imparcialidade. Nunca fui um pai-coruja que corre atrás de votos para o filho, ele que os busque como meu pai fez comigo. Quando eu era parlamentar sempre disputei entre os mais votados. Das cinco eleições que enfrentei em quatro fui o mais votado. EM TEMPO – Como é a relação pai e filho entre o presidente do TCE e o presidente da Assembleia? JF – Eu tenho vontade de lamber a cria todo dia. Dou muito conselho para o Josué Neto, mas ele não me ouve. Meu filho é um excelente homem, mas paciente demais. Eu já modifiquei mais o tribunal em uma semana do que o Neto em um ano de Assembleia. EM TEMPO – Parte da população aponta o TCE como um órgão leniente e que não fiscaliza corretamente. Como o senhor pretende combater isso? JF – Em primeiro lugar não é essa a questão. A dificuldade é que temos muitos prazos longos nos processos. O recurso de revisão dá um período de 5 anos para se recorrer, e isso prejudica todo um trabalho. Mas, pretendo negociar com a Assembleia, que não vai ser difícil, diminuir esse tempo para pelo menos 2 anos. EM TEMPO – Em 2016 o senhor completa 70 anos e por lei tem que se aposentar da carreira pública. O que o senhor vai fazer após esse período? JF – Vou me aposentar sim da carreira pública, mas vou voltar para área de comunicação, que é a minha maior paixão.

É mais digno o gestor falar que não tem uma equipe qualificada para fazer o serviço de reenvio dos dados todos os meses”

Eu tenho vontade de lamber a cria todo dia. Dou muito conselho para o Josué Neto, mas ele não me ouve. Meu filho é um excelente homem, mas paciente demais”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Congresso esconde lista detalhada de salários A

Câmara e o Senado escondem sua folha de pagamentos detalhada, com o nome e o respectivo salário de cada um dos 594 senadores e deputados, além dos mais de 20 mil servidores. Dois pedidos feitos pelo Congresso em Foco foram negados pela assessoria de imprensa das duas casas e pelas centrais de atendimento ao cidadão do Legislativo. A justificativa é que essa é a única forma prevista em normas internas do Parlamento. Conforme matérias publicadas pelo site, há quase 2 anos, o Congresso concentra supersalários pagos a políticos e servidores – alguns com rendimentos que superaram os R$ 100 mil em um único mês. Dois anos depois das reportagens, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou suspender os pagamentos, mas nem todos os rendimentos de políticos acima do teto são cortados quando eles recebem de duas fontes pagadoras diferentes. Por lei, nenhum político ou funcionário pode ganhar mais de R$ 28 mil por mês. Sem essa lista detalhada, não é possível saber os reais rendimentos dos parla-

mentares e servidores em um determinado mês, já que parte deles recebe dois ou até três contracheques mensais. Também não é possível fazer uma classificação de rendimentos. Foi com base em informações detalhadas como essas – agora negadas, mas fornecidas pelo Congresso ao TCU – que auditores

VENCIMENTOS

Desde 2011, o site jornalístico Congresso Em Foco tem revelado, por meio de matérias, supersalários de congressistas e servidores. Somente o Senado possui 464 pessoas com supersalários daquele tribunal fizeram duas auditorias em 2009 e 2010, que identificaram mais de 1,5 mil funcionários do Congresso com supersalários. O prejuízo causado por essa e outras irregularidades somava R$ 3,3 bilhões a cada 5 anos. De acordo com a Câmara e o Senado, as informações podem ser pesquisadas no próprio site dos órgãos. Mas,

DIVULGAÇÃO

Câmara e Senado se negam a entregar a lista de rendimentos com o nome de cada deputado, senador e servidor da maneira como estão publicadas, é preciso fazer mais de 20 mil pesquisas para obter a lista solicitada pela reportagem. E, em cada, pesquisa, é preciso informar nome, endereço, CPF e digitar um código que impede que robôs e máquinas extraiam esses dados automaticamente. Investigação O Ministério Público investiga se o formato da divulgação de salários do Congresso fere a Lei de Acesso à Informação (LAI), sob o número 12.527/2011. No ano passado, uma pessoa fez uma denúncia sobre a forma de publicidade no Senado. O denunciante afirmou que a casa inibia o acesso às informações, contrariando as intenções da lei. O caso é investigado pelo procurador da República no Distrito Felipe Fritz, que apura se órgãos da administração fazem “exigência indevida de fornecimento de outros dados pessoais além da identificação” para se obter dados públicos. A assessoria da Procuradoria da República no Distrito Federal informou que a investigação tem data de conclusão prevista para março de 2014.

Congresso Nacional, que aprovou a Lei de Acesso, se recusa a passar informações sobre salários


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

ARUIVO EM TEMPO

Economia será marcada pela estabilidade Economia B2

Impasse afeta exploração do gás no campo de Azulão FOTO: DIVULGAÇÃO

Disputa entre Cigás e Petrobras atrasa construção de uma usina que é necessária para início das atividades na região

Caso a usina estivesse pronta, linhão de Tucuruí seria aproveitado para gerar energia elétrica para vários municípios amazonenses, mas por falta de infraestrutura, projeto foi “engavetado” JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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uatorze anos após a descoberta do campo de gás natural de Azulão, em Silves (a 200 quilômetros de Manaus), um novo impasse impede a construção de uma usina termelétrica – orçada em quase R$ 400 milhões -, que é essencial para o início da atividade de exploração do recurso da região em 2014. Divergências jurídicas entre a Petrobras (concessionária que explora a riqueza) e a Companhia de Gás do Estado do Amazonas (Cigás) emperram o processo, impedindo a geração de em torno 5 mil postos de trabalho e a distribuição de energia elétrica para 23 municípios no Amazonas. O plano anunciado anteriormente pela concessionária era o de construir a usina - com capacidade de produção de 100 megawatts (MW) -, próxima ao campo de gás e aproveitar a linha de transmissão de energia do linhão de Tucuruí para distribuir a energia gerada no local para outros Estados e municípios. O projeto ficou “na gaveta” por mais de uma década porque a Petrobras aguardava por infraestrutura de transporte da energia produzida. O objetivo se tornou possível, por meio da interligação do Amazonas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), atual-

mente em fase de conclusão. Com o linhão prestes a entrar 100% em operação em setembro deste ano, a Petrobras apresentou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) para começar o processo de licenciamento ambiental e iniciar as obras, cuja primeira expectativa para o início de produção era 2011. “Não deve haver impedimentos para garantir a licença. Foi realizada, inclusive, uma audiência pública, que é o primeiro passo para o licenciamento”, adianta o presidente do Ipaam, Antônio Ademir Stroski. Crítica Entretanto, mesmo com o processo de licenciamento em curso, a construção da obra trava em outra etapa. Segundo o presidente da Cigás, Lino Chíxaro, o EIA/RIMA apresentado pela Petrobras prevê exclusivamente a venda da energia produzida na termelétrica para o linhão de Tucuruí e, consequentemente, para outros Estados brasileiros. “Não há no projeto nenhuma cláusula que indique aproveitamento da energia de Azulão para os 23 municípios que poderiam ser beneficiados pelo recurso do local. Além do mais, o projeto é tocado apenas pela empresa, sem a participação da Cigás, o que de acordo, com a legislação vigente é irregular”, acusa.

Cláusula prevê empresa autoprodutora O diretor técnico comercial da Cigás, Clóvis Correa Junior, explica que a distribuição do gás natural é competência de cada Estado. Segundo ele, porém, para executar o projeto sem a interferência da companhia, a empresa concessionária teria que ser enquadrada como autoprodutora, o que não ocorre na prática. “A Petrobras precisa ser cliente da Cigás por pelo menos cinco anos e consumir no mínimo 500 mil metros cúbicos de gás de acordo com a Lei Estadual 3.939/2013 para ser

autoprodutora”, defende. Conforme o presidente da Cigás, Lino Chíxaro, em função dos obstáculos, o assunto deverá ser resolvido na dimensão política. “Enquanto a empresa não sentar à mesa para resolver essa questão de Estado, o impasse vai continuar, sem previsão para o início das obras”, afirma. A Petrobras foi procurada pelo EM TEMPO, mas não se pronunciou sobre o assunto. Compromisso Além do aspecto legal, o presidente da Cigás, Lino

Chíxaro, ressalta o fator socioeconômico envolvido no impasse. Segundo ele, em 2004, um termo de compromisso foi assinado entre o governo do Amazonas, a União, a Petrobras, a Eletrobras e a Cigás. Conforme explicou, o tratado prevê a viabilização da produção do gás de Silves para gerar renda e desenvolvimento na região. “O gás é uma riqueza e precisa ser explorado de forma sustentável. Ele deveria ser não apenas um negócio, mas um vetor econômico para os Estados”, opina.

Chíxaro reforça que a eletrificação dos municípios vizinhos deveria constar no projeto. Segundo ele, há uma cláusula que obriga a Petrobras e a Cigás a analisar, por meio de grupos de trabalho, a melhor solução para o aproveitamento de gás natural da área de Silves, no campo de Azulão. “O projeto é importante para o país que ganha com mais energia, mas o recurso é finito e não pode ser todo retirado do Estado sem promover melhorias no local”, completa.

Para presidente da Cigás, Lino Chíxaro, produção de gás no Estado deveria ter finalidade social e não apenas econômica


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Estabilidade marcará a economia local em 2014 FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO

Comércio, indústria e setor primário terão baixo crescimento neste ano em relação a 2013, preveem os dirigentes

Aperto registrado no ano passado pelas atividades econômicas do Estado deverá se repetir em 2014 mesmo com alguns estímulos como a realização dos jogos da Copa do Mundo em Manaus

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JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

nflação, juros altos, greves, manifestações e indefinições políticas foram alguns dos fatores que contribuíram para um 2013 “apertado” para a economia local. Na avaliação de representantes dos principais segmentos econômicos do Estado, a expectativa é de que 2014 seja estável, mas sem grandes crescimentos sobre o ano passado para o comércio, a indústria e o setor primário no Amazonas. Apesar de prever um incremento real de 3% a 5% e nominal de até 10% nas vendas este ano, o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bichara, avalia 2013 como um ano complicado para o segmento comercial no Estado, com aquecimento significativo das vendas apenas a partir da segunda quinzena de novembro. “Os lojistas tiveram um ano cheio de altos e baixos. Em setembro, por exemplo, as vendas chegaram a cair quase 40% em alguns segmentos. Apenas a partir do dia 15 de novembro registramos um crescimento maior nas vendas”, afirma. De acordo com o dirigente

empresarial, o clima de protestos e movimentos grevistas nas instituições bancárias também afetou o desempenho do varejo em Manaus, ao criar incertezas no consumidor. “Trabalhamos para promover a segurança mobilidade e o investimento em eventos cul-

PREVISÃO

Setor industrial deve aprovar maior número de Processos Produtivos Básicos (PPBs), diz Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus (Sinmen-AM) turais no Centro como forma de aumentar o fluxo de pessoas e, consequentemente, as vendas”, avalia Bichara. Em 2014, segundo ele, o movimento estará mais a favor do setor de serviços do que do comércio varejista. “Se tivermos o mesmo desempenho deste ano, com crescimento real mínimo de 3% já temos motivo para comemorar. Isto porque, além da Copa, 2014 também será ano de eleição. Os dois fatores contribuem para desviar a atenção do

consumidor para a compra de bens duráveis”, detalha o presidente da ACA. Copa do Mundo O setor de serviços, por outro lado, será estimulado pelo fluxo de turistas trazidos pelo mundial futebolístico. O segmento é a aposta do titular da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Afonso Lobo, para o aumento de 10% na arrecadação estadual previsto para 2014. Segundo ele, negociações com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel/AM) resultaram na alteração da forma de tributação para o setor de restaurantes, com o intuito de incentivar o ramo de negócios no ano da Copa. “Ao invés de cobrar alíquota de 17% sobre o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), as empresas pagarão 3,5% sobre o faturamento” anuncia. De acordo com a diretoria da Abrasel/AM, a alta carga tributária incidente sobre o segmento corresponde ao maior motivo para a informalidade de negócios no setor e para a não emissão de nota fiscal. Com a mudança, 12.476 empreendimentos em todo o Estado serão beneficiados.

Aumento será ‘zero’ no polo de duas rodas Apesar do bom desempenho esperado para o setor de eletroeletrônicos, em função da produção de televisores para a Copa, segmentos representativos como o de duas rodas não devem crescer no próximo ano. A perspectiva é de 2014 estável sem mudança em relação a 2013, que prosseguiu com seletividade de crédito e retração da atividade econômica. “Com a Copa, os brasileiros tendem a consumir produtos, como televisores, o que pode postergar a decisão de compra de uma motocicleta”, avalia o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian.

Meta é elevar o PIB para 10% Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, 2013 foi um ano de recuperação da trajetória de crescimento da atividade primária amazonense. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário alcançou 7% em 2011, de acordo com números mais recentes do órgão. A perspectiva da Faea é de que nos próximos cinco anos, o PIB do setor alcançará 10% de toda a riqueza produzida no Amazonas. Atualmente, o setor primário conta com 276 mil pessoas na atividade em todo o Estado, segundo dados da Faea. “Grande parte dos produtores rurais, principalmente aqueles nas áreas de várzea, retomou a atividade produtiva após a cheia recorde de 2012, que atingiu diretamente mais de 50 mil produtores. A tendência, agora é

de incremento ano após ano”, avalia Lourenço. De acordo com a estimativa feita pela Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror), o investimento para o setor primário no ano da Copa está calculado em R$ 200 milhões, entre o orçamento destinado pelo governo do Estado e a assinatura de convênios com instituições financeiras. Piscicultura Do aporte projetado por convênios, segundo o titular da secretaria, Eron Bezerra, R$ 40 milhões serão destinados para projetos em piscicultura e manejo de pesca (entre eles a conclusão da segunda indústria para o processamento do pirarucu – o bacalhau da Amazônia). Outros R$ 60 milhões serão aplicados para a construção de duas mil casas populares para produtores rurais e R$ 14,9 milhões para desenvolver a agricultura indígena no Estado.


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ROBERTO CARLOS/AGECOM

Por R$ 135, os turistas podem conhecer o Encontro das Águas, que é considerado como uma das principais atrações turísticas do Amazonas, além de almoçar em flutuante e passear de barco

Passeios regionais são alternativas para férias

Além de agradável, turismo local gera economia para bolso dos amazonenses que optaram em não viajar no início do ano ARQUIVO EM TEMPO/JOEL ROSA

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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uem deixou de lado as viagens de início do ano para outros locais fora do Estado, tem a opção de realizar passeios para curtir as atrações turísticas da região. Por menos de R$ 150, o amazonense pode fazer roteiros regionais que, além de agradáveis, ainda geram economia para o bolso. Guia de turismo desde 1999, Rodolpho Emanuel montou a Amazon Destinations há 3 anos com foco em passeios para desvendar os destinos amazônicos. Segundo ele, cresce a procura por passeios nos meses de férias, principalmente para aqueles mais rápidos, como no caso das visitas às comunidades indígenas. Neste caso, os valores cobrados são de R$ 300 por pessoa com no mínimo dois participantes. Conforme Emanuel, o diferencial da empresa é que os passeios são particulares, ou seja, não há necessidade de fazer montagem de um grupo. A visita à comunidade dos índios Tatuyos, oriundos do Alto Rio Negro, se inicia às 9h, com lanchas saindo dos portos de Manaus, São Raimundo ou do píer do Tropical, sendo que os clientes têm a opção de serem “apanhados” em casa ou nos hotéis onde estão hospedados. A partir daí, a viagem segue pelo rio Negro até Paricatuba, onde começa a interação com os botos rosa. “Eles podem entrar na água, alimentar os botinhos”, ressalta o empreendedor. Depois dessa experiência, os viajantes visitam a comunidade, onde é apresentado um ritual indígena e exposto o artesanato indígena. O passeio demanda quase três

horas e meia de duração. Cartão-postal da região, a excursão para registrar o Encontro das Águas é outro pacote bastante solicitado pelos turistas e residentes locais. Iniciado às 9h com término às 15h, o passeio custa R$ 200 por pessoa, incluso o almoço no restaurante flutuante Rainha do Céu. “Quando possível, as lanchas passam por dentro da floresta alagada”, destaca Emanuel.

Cresce a procura pelos balneários

Opções Na Fontur Turismo, o En-

FLORESTA

O tour de sobrevivência na selva é ofertada para os aventureiros de plantão, que pagam R$ 180 por pessoa para fazer caminhada de quatro horas na mata para conhecer flora e fauna da região Busca pelos “banhos” públicos e privados tem aumentado com a chegada do calor na região

contro das Águas também é aposta dos clientes ávidos por fazer turismo regional. Conforme informações da empresa, o preço para a visita é de R$ 135 por cabeça. O passeio diário tem o ponto de largada do píer do Tropical. A exigência da empresa é quanto a participação mínima de oito pessoas para a realização do passeio, que dura aproximadamente oito horas. Os barcos descem o rio Negro, passam pelo porto de Manaus, seguem ao Encontro das Águas e depois partem para o lago do Janauari, onde os viajantes conhecem as vitórias-régias e os canais de igarapé, além de terem a disposição um almoço a base de cozinha regional no restaurante flutuante Valdeci.

Paintball atrai os adolescentes Para quem curte videogames de ação, os esportes de combate são uma boa pedida nas férias e até mesmo um exercício prático dos jogos para os amazonenses que optarão em não viajar neste ano. De olho neste nicho, as empresas de paintball do Estado veem a procura crescer, principalmente, por parte de grupos de alunos que estão ansiosos por testar sua habilidade de estratégia e velocidade. O socioproprietário da Tribo Radical, Sóstenes Leite, explica que o terreno tem aproximadamente

15 mil metros quadrados. O local foi dividido em dois campos, sendo um de speed (de velocidade, voltado para competição) e o outro, em forma de cenário, para simular uma batalha ou embates, mais estratégicos. Segundo o empresário, ao invés de trabalhar em um ambiente de mata, a empresa conta com um espaço urbano, no qual foi construída uma favela e uma casa grande a ser tomada. “Os participantes pagam R$ 10 a cada 50 bolinhas”, complementa Sóstenes Leite.

Concorrência Na Arena Paintball – que funciona apenas com reservas antecipadas devido à grande demanda –, o proprietário Anderson Bonates criou uma promoção especial para as férias. O preço normal é de R$ 10 a cada 50 bolinhas, mas é possível comprar 150 bolinhas por R$ 25 e 300 bolinhas por R$ 30. De acordo com o empresário, os participantes do esporte encontram um cenário na mata, com carros velhos e casas de bandeira. Vence quem capturar a bandeira do adversário.

Com o calor cada vez mais excessivo na região, a procura também cresce nos balneários locais. Em alguns “banhos”, o usuário paga apenas R$ 5 para se “deliciar” na água. O balneário Maia funciona nos sábados, domingos e feriados, de 8h às 18h. Segundo o proprietário, Jorge Maia, para ter acesso às piscinas – com água de poço artesiano –, os banhistas precisam “contribuir” com um valor de R$ 5. O ambiente conta com uma criação de quelônios, além de lagos determinados a criação de peixes (dentre os quais pirarucu, tambaqui e matrinxã), como parte do projeto de piscicultura que acontece no local. O recanto do Quixito funciona há 5 anos. No balneário, os consumidores têm a possibilidade de curtir piscinas com água natural, em um ambiente rústico que funciona de quarta a segunda-feira, com cobrança apenas nos sábados, domingos e feriados. De acordo com o proprietário, José Valdecir da Silva, o ingresso para adultos custa R$ 8 e o de crianças de 5 a 12 anos está cotado em R$ 5.


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Concursos públicos vão oferecer 47 mil vagas A

pesar do ano de eleições, o calendário de concursos públicos para 2014 está movimentado, com previsão de 47.112 mil vagas em todo país, segundo o Ministério do Planejamento. Segundo a pasta, desse total, 42.353 vagas poderão ser preenchidas em concursos de um modo geral e 4.759 para concursos com a finalidade específica de substituição de terceirizados. Entre os concursos mais esperados do ano estão os da Caixa Econômica Federal, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), dos Correios, da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, da Polícia Federal e da Receita Federal. Seis ministérios tiveram concursos autorizados pelo governo federal. São eles: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério da Educação, Ministério da Fazenda, Ministério da Saúde e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No total, são esperadas mais de 6,5 mil vagas. As polícias também devem oferecer um bom número de vagas em 2014. A Polícia Ci-

vil do Distrito Federal, Polícia Civil do Rio de Janeiro, Polícia Civil de Tocantins, Polícia Militar do Acre, Polícia Militar do Distrito Federal, Polícia Militar do Rio de Janeiro e Polícia Militar de São Paulo podem ter mais de 7,8 mil vagas. Segundo o coordenador pedagógico do site Rota dos Concursos, Larisson Mendes,

CERTAME

Caso homologação do concurso seja feita até três meses antes das eleições, nomeações podem ocorrer em qualquer período do ano. Em âmbito municipal, nomeações ocorrem sem restrições 2014 é um ano que promete para quem pretende conquistar uma vaguinha no serviço público. Os principais motivos são a estabilidade e os bons salários e benefícios. São salários que vão de R$ 2,2 mil a R$ 19 mil, por exemplo, para a Câmara Legislativa. Da mesma maneira que recomenda foco nos estudos durante o final do ano,

ARTHUR CASTRO/AGORA

Mesmo sendo um ano de eleições, em todo o país, serão realizados vários certames, principalmente, na esfera federal o consultor Larisson Mendes também orienta atenção para a escolha dos concursos a serem prestados. “Não fique fazendo concursos para diversas áreas, é importante manter o foco. Não é preciso dar tiro para todos os lados, como muitos iniciantes fazem”, ressalta. Para o consultor, o ideal é escolher seleções da mesma área, que cobram matérias próximas. “Quem tenta uma vaga para a Câmara, por exemplo, pode tentar também o Senado. Se escolheu a Polícia Federal também tem a Polícia Civil. No judiciário tem os tribunais, o Ministério Público. É importante fazer variações dentro das áreas”, destaca. Restrição Como em 2014 haverá eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais, a lei 9.505/97 restringe a nomeação, contratação ou admissão do servidor público nos três meses que antecedem o pleito até a posse dos eleitos. A restrição se refere à esfera em que ocorre a eleição, no caso deste ano, no âmbito estadual e federal.

Caixa Econômica Federal será uma das instituições que realizará concurso público neste ano

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Cumpre acender a poronga! São inquietantes os prognósticos para 2014, especialmente no âmbito da insegurança jurídica, da tramela política, da expectativa de trilar o apito final da Copa e do que fazer com seus rescaldos. Por isso, é sugestivo olhar o retrovisor da História para jogar luz nos caminhos do porvir. Cumpre, portanto, acender a poronga( a lamparina que os seringueiros usavam amarrada na cabeça para coletar o látex na madrugada da floresta) da teimosia e alumiar a obscuridade que os indicadores da economia impõem. Cumpre fazer uma reflexão sobre o papel decisivo daqueles que – em momentos de indefinição e incertezas - abriram picadas da determinação e acreditaram no futuro da Amazônia por ela mesma e daí sua integração nacional e continental. Refiro-me, mais uma vez, à figura do cearense caboco Cosme Fe rreira, um dos mais ilustres e esquecidos integrantes desta galeria de guerreiros, a quem devemos lições de transformação do Amazonas, dos novos caminhos que se abrem ou se podem abrir quando o assunto é a conquista de novas matrizes econômicas. Resgato, pois, um paradigma de resistência e obstinação pela prosperidade geral sobre o qual nos compete meditar, para seguir construindo, interiorizando e consolidando oportunidades. As lições de Cosme Ferreira estimulam a discussão e as propostas por inovação tecnológica, a implantação da bioindústria, entre outras ações e desafios atuais que diversifiquem o parque fabril, com integração urgente e inteligente entre academia e setor produtivo e a revisão de

uso dos recursos das empresas para Pesquisa& Desenvolvimento para regionaliza a qualificação técnica e fomentar novas cadeias produtivas. De tão atual, a poronga de Cosme é de led e digital. Cosme montou seu bunker de resistência na lendária e respeitável Associação Comercial do Amazonas -ACA, onde gerenciava, articulava e promovia a geração de novas matrizes da economia da resistência, com a queda do Ciclo da Borracha. Um visionário que veio ainda criança do Ceará para viver o Amazonas, e marcou a visão de mundo amazônico de muitas gerações nos negócios, crenças e propostas para o desenvolvimento econômico e prosperidade social da região. Pela ACA, trouxe cientistas cearenses e chilenos para combater o “mal das folhas” nas seringueiras, modernizar uso e transporte do látex em lata, e resgatar a dinamização da economia, cultura e desenvolvimento regional. Redator e articulista no “Jornal do Commercio”, pôs na pauta diária a discussão entre academia e economia, em defesa d o cultivo racional da borracha, o que também fez na tribuna e nas comissões da Assembleia Legislativa do Amazonas, como Deputado Estadual e igualmente na tribuna e nas comissões da Câmara Federal. Debateu na teoria e polemizou a prática, denunciando a burocracia e o descaso federal. Um trombone de indignação que ressoa até hoje a negligência e a ingerência federal. Como empreendedor, mirou nas promessas da biodiversidade e potencialidade florestal ao promover e estimular

inovação tecnológica na cultura da seringueira, da castanheira, do guaraná e do pescado. Seus livros detalham essas inquietações e proposições. Ideias e iniciativas para fomentar oportunidades. Numa de suas obras, “Primeiro Centenário da Associação Comercial do Amazonas (18711971)” está descrita a diversidade das iniciativas e conquistas daquela entidade para resgatar a economia estagnada da região, ações descritas em outros livros, a grande maioria relacionada com a batalha da borracha e as alternativas econômicas baseadas no aproveitamento racional dos recursos naturais. É de sua autoria: Em Defesa da Borracha Silvestre Americana (1928); Notas Parlamentares sobre a Constituinte Amazonense (1935); Borracha, Problema Brasileiro (1938); Problemas da Amazônia (1940); A Borracha na Economia Amazônica (1952); Novas Bases para a Política Econômica da Borracha (1953); Novos Ângulos do Problema Amazônico (1954); Economia da Produção (1956); Amazônia em Novas Dimensões (1961); Porque Perdemo s a Batalha da Borracha (1965). Cosme, como não poderia deixar de ser, à luz do poema de sua história, era um refinado poeta, ocupando espaços nos jornais e revistas de Manaus e assento na Academia Amazonense de Letras. E foi com poesia e determinação que fundou a Companhia Nacional de Borracha, Companhia Brasileira de Plantações e a Companhia Brasileira de Guaraná, empresas focadas na convicção visioná-

ria da prosperidade econômica estribada no aproveitamento da biodiversidade amazônica. Precursor da biotecnologia, e um obstinado pela recuperação da economia do látex, Cosme Ferreira mobilizou cientistas e cobrou políticas públicas para materializar seu projeto. A Companhia Nacional de Borracha era uma empresa de beneficiamento, pesquisa e comercialização do látex, onde funcionava um laboratório experimental da Hevea brasi liensis, que ilustra a teimosia e a obstinação desse cearense caboclo em restaurar a economia da goma elástica e de outros produtos da biodiversidade amazônica. Na apresentação de seu livro, Amazônia em novas dimensões (Ed. Conquista, RJ, 1961), escrita pelo historiador e ex-governador do Amazonas, Arthur Cesar Ferreira Reis, eclode uma denúncia de extrema atualidade e gravidade que o livro de Cosme Ferreira provoca e convoca à reflexão: “Não se criou ainda, no Brasil, uma consciência, fora do emotivismo ou do sensacionalismo de romance e de jornal, elaborada com serenidade e com realismo acerca da Amazônia. Temos preferido conhecê-la, quando não nos deixamos dominar pela frase macia, as sentenças euclidianas, pelas mãos dos homens de ciência do estrangeiro, que não se cansam de frequentá-la e de investigá-la com os propósitos de bem servir ao conhecimento humano, mas , também, aos interesses políticos de suas pátrias”. No texto, Cosme revive e reacende a questão amazônica, seus desafios de conhecimento e aproveitamento racional, os

equívocos de sua ocupação, os mitos criados pelo distanciamento e descompromisso da União em relação ao homem da região. As novas dimensões remetem à antropologia amazônica, no sentido renascentista que se contrapõe ao obscurantismo do teocentrismo medieval. No discurso do “Empresário do Ano de 1985”, Petronio Pinheiro, um de seus discípulos mais destacados, a quem Cosme Ferreira acolheu como officeboy em 1937 e o viu chegar a superintendente na Companhia Nacional de Borracha, e depois a sócio, o homenageado assim se refere ao seu preceptor: “Ali, na Associação Comercial demos os primeiros passos, no sentido da identificação das nossas coisas, dos nossos problemas econômicos, das dificuldades que sempre cercam a produção regional, da batalha incessante para contorná-los. Conhecendo e convivendo com figuras exponenciais do mundo empresarial do estado. Trabalhando sob as ordens do eminente e consagrado amazonólogo – Cosme Ferreira Filho, antes de chefe, um autêntico mestre e orientador dos mais jovens e a quem o Amazonas tanto deve.” Cosme, Petronio, Simões, Sabbá, Moysés, Benchimol, Guerreiro, Albuquerque, entre tantos outros, deixaram-nos muitas lições de como transpor abismos e abrir picadas. Entre elas, porém, se destaca a crença em nosso destino, na imensidão de nossas potencialidades, e na capacidade de tomá-lo em nossas mãos, sem esperar por ninguém, nem pela hora, para fazer a vida acontecer a cada dia, a cada novo ano e desafio que se inicia!

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Como empreendedor, mirou nas promessas da biodiversidade e potencialidade florestal ao promover e estimular inovação tecnológica na cultura da seringueira, da castanheira, do guaraná e do pescado


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Municípios mineiros entram em situação de calamidade Exigências Ainda segundo a assessoria, desde então o estado tem cumprido todas as exigências para ter acesso aos recursos, que ainda não foram liberados em função do longo trâmite burocrático que precisa ser percorrido, e demanda em torno de um ano e meio até a liberação dos valores. Os números não batem, porém, com os levantamentos feitos pelos ministérios do Planejamento e das Cidades. Em resposta conjunta à de-

RECURSOS

O reconhecimento, feito pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, é necessário para que os municípios recebam ajuda federal para assistência às vítimas e outras ações emergenciais manda da Agência Brasil, os ministériso salientam que, das propostas iniciais, no valor de R$ 2,38 bilhões, foram aprovados empreendimentos no total de R$ 1,73 bilhão (73% do solicitado), beneficiando 20 municípios. De acordo com os dois ministérios, os recursos para os projetos selecionados no PAC Prevenção, oriundos do Orçamento Geral da União, estão disponíveis desde agosto de 2012, e os recursos para financiamento foram disponibilizados no início do ano passado.

A decretação de situação de emergência e calamidade permite que o governo possa socorrer os desabrigados com urgência

DIVULGAÇÃO

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m portaria, o Ministério da Integração Nacional reconhece situação de emergência em 56 municípios de Minas Gerais castigados pelas chuvas intensas do mês de dezembro, enquanto nos municípios de Sardoá e Virgolândia foi decretado estado de calamidade pública. O reconhecimento, feito pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, é necessário para que os municípios recebam ajuda federal para assistência às vítimas e outras ações emergenciais. Os recursos são repassados por meio do Cartão de Pagamento de Defesa Civil, cuja adesão é providenciada pela prefeitura local. O cartão foi criado em 2011 com o objetivo de garantir agilidade e transparência no repasse de recursos para cidades atingidas por desastres. Além dos recursos emergenciais, a União também destina verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para ações e obras de prevenção e de segurança para populações que vivem em áreas de ocorrência de desastres naturais, o PAC Prevenção. O governo de Minas Gerais, entretanto, se queixa da longa espera para ter acesso aos recursos liberados pelo governo federal. De acordo com a assessoria do governo de Minas, no início de 2012, o estado apresentou 19 propostas de intervenções, que exigiriam investimentos estimados em R$ 2,5 bilhões por parte da União, que selecionou algumas propostas e aprovou a liberação total de R$ 793,2 milhões.

GOVERNO DE MINAS

Pelo menos 56 cidades de Minas Gerais decretaram situação de emergência e calamidade em razão das fortes chuvas

TEMPERATURA

São Paulo tem recorde de calor Escaldante. Sob sol intenso e vento quente, o calor bateu recorde em São Paulo e foi igualmente insuportável no restante da região Sudeste e no Centro-Oeste do país. A capital paulista registrou, na sexta-feira, 3, a tarde mais quente desde outubro de 2012. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), no mirante de Santana, os termômetros registraram 35,4ºC, a nona maior temperatura desde 1943. O recorde de temperatura na cidade, segundo dados do instituto é de

37ºC, registrado em 1999. Apenas em 1998, 1999, 2002 e 2012 foram registrados dias mais quentes do que sexta-feira, em São Paulo. No Rio de Janeiro, enquanto os termômetros chegaram a 40,4ºC, a sensação térmica na zona oeste da cidade chegou a 52ºC. Mesmo assim não foi recorde. A temperatura foi a maior desde 8 de janeiro do ano passado. Onda quente Em Goiânia, Distrito Federal, Belo Horizonte e Vitó-

MASSA DE AR

Segundo meteorologistas, uma massa de ar mida e fria vinda do Sul deverá amenizar o calor no litoral paulista, São Paulo e Rio, nos próximos dias. Há também previsão de fortes chuvas até hoje

ria , a temperatura também esteve acima dos 30ºC. Durante a tarde de sexta, 10 das 4 mil estações meteorológicas ao redor do mun-

do mais quentes estavam na América Latina. Nove delas estavam no Brasil. Isso porque o hemisfério Norte está sob inverno rigoroso e estava noite na África e na Oceania. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a onda de calor no Brasil se deve à permanência de uma massa de ar quente e pouco úmida sobre a região central do Brasil. O fenômeno diminuiu a ocorrência de chuvas desde o início da semana e fez com que o sol de verão elevasse a temperatura.


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‘Carandiru gaúcho’ recebe mais críticas internacionais A

Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu ao Brasil medidas emergenciais para melhorar as condições do Presídio Central de Porto Alegre, uma das maiores cadeias do país. Em 2013, um grupo de entidades integrado por juízes, médicos, promotores e engenheiros havia encaminhado uma representação à organização solicitando algum tipo de intervenção sobre a cadeia. Uma medida cautelar da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, braço da OEA para o setor, pede que o país “assegure condições de higiene”, “proporcione tratamento médico” e reveja procedimentos de segurança da prisão. O documento foi assinado no dia 30 e o prazo fixado para uma resposta é de 15 dias. A comissão afirma que ficou demonstrado que os presos vivem “em situação de gravidade e urgência” e que suas vidas estariam “em grave risco”. Um dos pontos abordados no documento é o trabalho feito por detentos na abertura de portas dentro da prisão. O grupo que recorreu à comissão afirma que os responsáveis pela segurança das alas da cadeia não entram em galerias e que criou-se a fi-

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Medidas emergenciais foram pedidas por entidade americana ao governo com relação ao Presídio Central de Porto Alegre gura dos detentos “chaveiros”. Controle A decisão afirma que o Estado deve “recuperar o controle de segurança em todas as áreas” do presídio e não repasse “funções disciplinares” aos internos. A comissão também questiona a falta de medidas preventivas contra incêndios. O grupo que encaminhou a representação alerta para a possibilidade de uma tragédia de grandes proporções. O presídio abriga 4,5 mil pessoas, o dobro de sua capacidade, e vive uma situação de calamidade. Além da superlotação, um dos principais problemas da prisão é o sistema sanitário, que, devido a vazamentos, obriga os presos a conviverem com resíduos de esgoto. Erguida em 1959, a estrutura do presídio é antiga e dificulta reformas. A prisão é de responsabilidade do governo gaúcho, mas a representação questiona as autoridades brasileiras. Outro lado A Superintendência de Serviços Penitenciários do governo do Rio Grande do Sul diz que ainda não foi notificada da decisão e que não se manifestaria sobre os pedidos.

Péssimas condições do Presídio Central de Porto Alegre chamaram a atenção da Organização dos Estados Americanos (OEA)

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PROGRAMA

O Prouni já alcançou mais de 1 milhão de estudantes com bolsas de estudos em universidades

Economia de R$ 300 mi com ProUni O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que o Ministério da Educação (MEC) tenha economizado mais de R$ 325 milhões em 2013 com alterações legislativas e melhorias na gestão e nos instrumentos de controle do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento ao Estudante de Ensino Superior (Fies). A estimativa está no relatório de monitoramento das auditorias feitas na execução dos programas. Os programas são voltados para as instituições privadas. O ProUni concede bolsas integrais ou parciais a estudantes de baixa renda em instituições particulares de ensino superior e o Fies financia, a juros baixos e condições especiais, cursos para estudantes regularmente matriculados em universidades privadas. O relatório avalia as alterações feitas desde as auditorias de 2008 e de 2009, nas quais foram constatadas diversas falhas. Em 2013, o TCU considerou elevado o grau de implementação das recomendações feitas pelo órgão

e encerrou o ciclo de monitoramento aos programas. Supervisão O monitoramento constatou a implantação do Módulo de Supervisão de Bolsistas, que permitiu ao MEC identificar, analisar e excluir estudantes que não possuíam os critérios para participar do programa. Segundo o relatório, mais de 21 mil bolsistas irregulares foram excluídos entre 2009 e 2012. Somente em 2012, foram excluídos 15.581 alunos o que levou a uma economia estimada em R$ 25,3 milhões no exercício de 2013. Também foram promovidas alterações na legislação do ProUni, que fez com que a isenção fiscal recebida pelas instituições de ensino superior passasse a ser proporcional ao número de bolsas efetivamente ocupadas. A ação acarretou em uma economia de aproximadamente R$ 303,5 milhões. Um dos pontos destacados pelo TCU, em 2008, foi a falta de instrumentos eficientes de avaliação de cursos superiores

e de instituições de ensino superior para evitar a permanência de alunos participantes dos programas ProUni e Fies em cursos mal avaliados. Na época, 34,6% dos cursos no ProUni e 18% no Fies nunca haviam sido avaliados e, segundo o relatório, existia um “grande número” de alunos participantes dos dois programas em cursos com nota inferior a 3. Fiscalização O relatório do tribunal destacou a implantação de uma rotina de fiscalização nas instituições de ensino feita pelo ministério. “A ação melhora a expectativa de controle, o que pode ser considerado uma evolução em relação à situação verificada em 2008, quando isso não ocorria de forma sistemática, propiciando a ocorrência de irregularidades”. Em 2013, foram firmados 517 mil novos contratos do Fies e a previsão para 2014 é que sejam firmados mais 400 mil. Já o ProUni ultrapassou a marca de 1 milhão de bolsas desde o início do programa.


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Mundo

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Papa Francisco está preocupado com a formação dada aos sacerdotes e com os escândalos de ordem sexual dentro da Igreja Católica

Francisco: padres podem se tornar ‘pequenos monstros’ Declaração do pontífice é uma referência a má formação dos sacerdotes e daqueles envolvidos em casos de abuso sexual Monstros “A Igreja deve ser atrativa. Acordai o mundo. Sede testemunhas de um modo diferente de fazer, de agir, de viver”, pediu o papa Francisco aos membros da União dos Superiores Gerais dos Institutos Religiosos Masculinos. Na conversa, no Vaticano, o

COMENTÁRIOS

De acordo com a publicação, o papa argentino fez os comentários durante uma reunião a portas fechadas com 120 superiores de ordens religiosas em 29 de novembro do ano passado, no Vaticano papa dirigiu um aviso aos formadores dos seminários: “Devemos formar o coração. De outro modo, formamos pequenos monstros”. “Cometeremos sempre erros, não tenhamos dúvidas. Mas isto não deve travar-nos, porque há o risco de cometer erros maiores”, apontou Francisco, salientando que a igreja deve

sempre “pedir perdão e olhar com muita vergonha para os insucessos apostólicos causados pela falta de coragem”. “É preciso conhecer a realidade pela experiência, dedicar tempo para ir à periferia, para conhecer verdadeiramente a realidade e a vida das pessoas, caso contrário, prevalecem abstrações ideológicas e fundamentalistas, o que não é saudável”, declarou o pontífice. Pobreza O papa já havia pedido mais cidadania para combater a pobreza e o desemprego, naquela que foi a última celebração litúrgica a que presidiu em 2013, tendo aproveitado a oportunidade para questionar o uso que os católicos dão ao tempo. “Muitas pessoas não encontram trabalho ou realizam trabalhos mal pagos e às vezes indignos. Quem está investido de autoridade tem maior responsabilidade, mas cada um é corresponsável, no bem e no mal”, frisou Francisco, citado pelo site da rádio Vaticano, ao referir-se à cidade de Roma, de que é bispo.

O início da peregrinação do pontífice Terminada a série de celebrações de fim e do início do ano, a 22 de fevereiro chega o consistório para a criação dos novos cardeais. O anúncio dos nomes dos escolhidos deverá ser anunciado no início de janeiro, dando tempo para preparar a grande celebração. Para 27 de abril está marcada a canonização dos papas João 23 e João Paulo 2º. A viagem de Francisco à Terra Santa, em maio, 50 anos após a peregrinação de Paulo 6º, é um acontecimento central de 2014. Em outubro decorrerá o Sínodo dos Bispos, sobre a família.

‘Sinceridade e autenticidade’ Em editorial, o “Financial Times”, um dos mais importantes diários do mundo na área da finança e economia, sublinha que o papa Francisco tem uma “sinceridade e autenticidade que nenhum líder mundial pode igualar”. “Num tempo em que muitos estão profundamente preocupados pela vaidade das celebridades e pela riqueza dos plutocratas, o

papa depressa se tornou o líder global símbolo de compaixão e humildade”, afirma o jornal e completa: “Mas o que é impressionante no papa é como rapidamente se tornou uma autêntica figura de proa para quem está preocupado com o que ele denomina “o ídolo chamado dinheiro” e a “indiferença globalizada neste mundo globalizado”. DIVULGAÇÃO

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papa Francisco alertou que os padres podem se tornar “pequenos monstros” se não forem devidamente treinados. E também advertiu contra a escolha de homens que teriam envolvimento em casos de abuso sexual para o sacerdócio, dizendo que a proteção de fiéis católicos é o mais importante. “Temos de incluir a formação do coração, caso contrário vamos criar pequenos monstros. Depois, esses monstros formam o povo de Deus”, afirmou Francisco, segundo a revista “La Civiltà Cattolica”. De acordo com a publicação, o papa argentino fez os comentários durante uma reunião a portas fechadas com 120 superiores de ordens religiosas em 29 de novembro do ano passado no Vaticano. A íntegra da audiência foi divulgada na última sextafeira, 3, no site da revista “La Civiltà Cattolica”. O Pontífice é citado ainda pedindo que os chefes “acordem o mundo” com o seu trabalho, especialmente com os pobres. O Vaticano não divulgou informações sobre a reunião.

Jornal elogia maneira simples em que se apresenta o papa


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

DIEGO JANATÃ

Perigo para frentistas no combustível Dia a dia C2 e C3

(92) 3090-1041

Inpa leva prêmio Natura por pesquisa de repelente DIVULGAÇÃO

A avaliação das propostas submetidas foi realizada por uma banca científica mista composta por três pesquisadores

Ana Cristina explica que a formulação e dosagens o derivado E-isodilapiol e o óleo foram adicionados conforme dosagens estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para produtos inseticidas, tendo em vista os mesmos apresentarem baixa toxidade em camundongos e mortalidade de insetos adultos (Aedes e Anopheles) em estudos recentes do Grupo de Pesquisas de Malária e Dengue do Inpa. Atividade Ana Cristina Pinto explica ainda os estudos demonstraram que a substância e o óleo essencial “tem alta atividade” contra Plasmodium falciparum (protozoário que

FONTE

A pesquisadora Ana Cristina da Silva Pinto desenvolveu pesquisas sobre ingredientes vegetais obtendo seis formulações de repelentes a partir do óleo de Piper aduncum, a pimenta-de-macaco provoca a malária) da qual gerou a patente por meio da Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (Ceti) do Inpa. “Este prêmio representa uma etapa muito importante na minha vida acadêmica e profissional, pois ter o trabalho reconhecido por uma instituição do porte da Natura é um grande incentivo para continuar desenvolvendo pesquisas dessa natureza no Inpa. Esta pesquisa rendeu duas patentes, uma já aprovada e outra que está em fase de aprovação pelo setor de Inovação do Inpa”, explica a pesquisadora.

Com pesquisa, Inpa foi premiado no Natura Campus de 2013

Oportunidade para divulgação Ana Cristina ressalta que este trabalho vem sendo desenvolvido por ela desde 2003 no Instituto com apoio do grupo de pesquisas a qual pertence com orientação e apoio dos pesquisadores Wanderli Tadei e Adrian Pohlit e do pesquisador Francisco Célio Maia Chaves (da Embrapa-AM). Adrian Polhit também destacou a premiação. “Esse prêmio é uma grande oportunidade para Inpa mostrar este trabalho que é fruto de 10 anos de pesquisas desenvolvidas pela pesquisadora Ana Cristina

sobre plantas da região e que podemos isolar substâncias químicas e dar novos usos com atividade de inseticida, repelentes, antimalárico e antioxidante, ou seja, são tentativas de desenvolver novos ingredientes com grande potencial para gerar no futuro novos produtos que podem beneficiar a população. É um grande avanço para o Inpa”, disse. Nesta primeira edição do prêmio foram inscritos 30 ingredientes de pesquisadores de instituições públicas e privadas da Amazônia Legal.

Pesquisas deverão continuar A pesquisadora Ana Cristina da Silva Pinto, bolsista do PCI/Inpa, receberá um prêmio para fomentar a continuidade de pesquisas relacionadas a ingredientes vegetais. A avaliação das propostas submetidas foi realizada por uma banca científica mista composta por três pesquisadores da Natura e dois pesquisadores brasileiros da área de produtos naturais. Entre os critérios, foram avaliados: a quantidade de ingredientes vegetais desenvolvidos, os aspectos técnicos da pesquisa, incluindo metodologias, processos, rastreabilidade e caracterizações fitoquímicas e biológicas. O vencedor foi aquele que apresentou melhores notas a partir desses critérios. Graduada em Química pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ana Cristina tem mestrado em Química de Produtos Naturais (Ufam) e Doutorado

em Biotecnologia (Ufam). Foi docente por dois anos naquela Universidade. Ela é coordenadora de projetos com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), tem experiência na área de química e biotecnologia. Natura Campus O Natura Campus, criado em 2006, é o programa de relacionamento e construção de redes de colaboração da Natura com a comunidade científica com o objetivo de promover a geração de conhecimento, inovação e valor em rede. Dedicado à formação e o fortalecimento de parcerias, o programa conta com portal na internet em que são lançados desafios, discutidos temas de ciência em blogs temáticos entre outras formas de interação. DIVULGAÇÃO

O

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), por meio do Programa de Capacitação Institucional (PCI), ganhou a primeira edição do Prêmio de Ingredientes Vegetais Amazônicos, promovido pelo Programa Natura Campus com uma pesquisa que usa óleos essenciais de uma planta da Amazônia como repelente e inseticida natural no combate aos mosquitos da dengue (Aedes aegypti) e malária (Anopheles darlingi). O prêmio, no valor de R$ 30 mil, foi lançado em setembro, mas o resultado só foi divulgado no final de dezembro passado e tem como objetivo reconhecer e premiar pesquisadores da Amazônia que contribuem para o avanço da ciência. A pesquisadora Ana Cristina da Silva Pinto, bolsista PCI do Inpa, desenvolveu boa parte das pesquisas sobre esses ingredientes vegetais obtendo seis formulações de repelentes a partir do óleo essencial de Piper aduncum, conhecida como pimentade-macaco, durante a dissertação de mestrado em Química e tese de doutorado em Biotecnologia com pesquisas sobre cultivo na Embrapa, sob orientação do pesquisador e coordenador de Tecnologia e Inovação do Inpa, Adrian Martin Pohlit, e com a coorientação do pesquisador Wanderli Tadei, da Coordenação de Sociedade, Ambiente e Saúde (CSAS) também do Inpa. O trabalho desenvolvido refere-se ao desenvolvimento de formulações de repelentes e inseticidas a base de óleo essencial de Piper aduncum (cultivada e coletada na Embrapa pelo pesquisador Francisco Célio Maia Chaves) e a uma substância chamada E-isodilapiol.

RICARDO OLIVEIRA/ARQUIVO EM TEMPO

A pesquisa desenvolvida no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) obteve formulações de repelentes da Piper aduncum, a pimenta-de-macaco, contra mosquitos da dengue e malária

Árvore da pimenta-de-macaco: alternativa para a saúde


C2

Dia a dia

Perigo ronda as bom ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO

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Entretanto, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcoois e Gás Natural do Estado do Amazonas (Sindcam), Luiz Felipe Moura Pinto, afirma que as informações da pesquisa ainda não foram comprovadas. Diante da gravidade do problema, que é de difícil diagnóstico, o presidente relata que a entidade, juntamente com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), tem estudos sobre a ação do benzeno na vida dos trabalhadores em postos de combustíveis do Estado. “Os níveis de benzeno nos

RISCOS

Alerta dos danos neurológicos provocados por exposição a solventes exalados pela gasolina foi feito em pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia da Universidade de São Paulo

combustíveis causaria dano somente se a pessoa ficasse cheirando diretamente do tanque. Outro ponto importante para ser avaliado é que os frentistas trabalham em ambiente aberto”, enfatiza Luiz Felipe. O presidente da entidade explica ainda que os frentistas amazonenses hoje possuem um piso salarial de R$ 750 e recebem ainda um adicional de 30% de periculosidade. Entretanto, de acordo com a coordenadora Amanda Mamed, a pesquisa serve como alerta para a população, sobretudo, os trabalhadores e para as autoridades, que devem reavaliar as políticas públicas hoje existentes no país.

Danos neurológicos provocados por solventes contidos na gasolina podem afetar frentistas, expostos diretamente ao produto ARTHUR CASTRO/AGORA

s frentistas convivem diariamente com um inimigo. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), a exposição diária a solventes exalados pela gasolina pode provocar danos neurológicos. Para a coordenadora do Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas (CIT / AM), Amanda Mamed, o problema tem que ser avaliado de forma mais rigorosa, contudo, é relevante ressaltar a importância da prática sobre as ações de controle da insalubridade. Os trabalhadores estão expostos a riscos provocados pelo contato com hidrocarbonetos aromáticos por meio dos combustíveis e óleos lubrificantes comercializados em postos e serviços. “Nesses ambientes é possível identificar o contato durante a atividade de abastecimento de veículos e outras atividades, como troca de óleo e lubrificação, por exemplo”, explica a coordenadora. No entanto, no Amazonas, durante o ano de 2013, não foi registrado nenhum caso de intoxicação de funcionários pelo CIT / AM. A técnica em segurança do trabalho Kelly Marques afirma que todo agente químico pode causar danos à saúde. É necessário que a empresa faça o laudo de insalubridade para verificar a quantidade inalada e realizar a capacitação dos funcionários de acordo com a função exercida. “A inalação diária desses agentes químicos afeta diretamente as vias respiratórias e, por conseguinte, os demais órgãos”, diz a coordenadora.

FOTOS: DIEGO JANATÃ

Exposição diária a solventes exalados pela gasolina pode provocar danos neurológicos em quem trabalha com eles

Frentistas podem ficar expostos a solventes de combustíveis

Profissionais garantem integridade da saúde Apesar de trabalhar há mais de 10 anos como frentista, Adriano Silva*, 34, relata que nunca sentiu nada e nem ouviu falar de qualquer colega de trabalho reclamando ou que tenha abandonado o emprego por conta disso. Adriano, no entanto, muda o tom quando falar sobre segurança no trabalho que executa diariamente e relata que não realizou nenhum treinamento

REGISTROS

Apesar do alerta, trabalhadores do setor entrevistados pela reportagem afirmaram que nunca sentiram nenhum problema de saúde nem souberam de relatos de colegas com problemas

para exercer a função, tudo que aprendeu foi acompanhando os frentistas mais antigos no posto de gasolina onde atua. “Sei que nós somos expostos a muitos riscos. Os empresários só querem saber da produtividade, não importa o restante”, enfatiza o frentista. A chefe de pista L. M.*, que é funcionaria de um posto de gasolina BR, possui opinião contrária e não vê problema

algum na profissão. Nesse período em que trabalha não presenciou nenhuma reclamação ou afastamento do emprego por problemas de saúde. “Passei a minha gravidez toda trabalhando, e não senti nada. Hoje o meu filho tem 10 anos e é saudável”, conta a frentista. *identidade trocada ou omitida a pedido do entrevistado


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mbas de combustível Mudança versus valor cobrado

Componentes terão menor quantidade

O que os revendedores de combustíveis não sabem dizer é qual o preço que o consumidor vai pagar nas bombas pela gasolina mais limpa. “Essa gasolina é uma gasolina que deverá custar mais caro na produção. Agora, aumento é uma coisa que fica por conta do governo”,

Até o dia 15 de janeiro, o combustível vendido passará a ter uma menor quantidade de enxofre. Além do teor de enxofre, outros componentes terão seus limites reduzidos. São os hidrocarbonetos olefínicos, os hidrocarbonetos aromáticos e o benzeno (este último somente no caso da gasolina Premium, uma vez que o máximo permitido na gasolina comum já era de 1%). Com o uso do combustível mais limpo, os carros, especialmente os mais antigos, reduzem as emissões de poluentes. A estimativa é diminuir em 94% a presença desse poluente na atmosfera. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) acredita que a qualidade do produto será semelhante ao comercializado em paises como Estados Unidos, Canadá e México.

afirma o presidente do Sincopetro/SP, José Alberto Gouveia. O novo combustível substitui integralmente as gasolinas automotivas comercializadas em todo o território nacional e vai continuar sendo identificado como “gasolina comum” e “gasolina premium” nos postos.

Novo combustível ainda não tem definição sobre valor A ANP anunciou que teor de enxofre dos combustíveis será diminuído até o próximo dia 15


C4

Dia a dia

Parintins resgata fe Trazidos por Sila Marçal em 1915, os cordões se preparam mais uma vez para queima das palhinhas amanhã TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

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arintins (AM) – Em 1915, Parintins tinha apenas três ruas. A rua da frente, a rua do meio, hoje avenida Amazonas, e a rua de trás. Foi nessa Parintins que a jovem Fé de Souza Mendes com 17 anos, vinda da região do rio Uaicurapá, colocou pela primeira vez suas Pastorinhas e deu o primeiro passo em direção à história da cultura do povo tupinambarano. Mas, Fé de Souza Mendes entraria para a história como Sila Marçal. Assim ela se tornou conhecida e a sua brincadeira virou “Pastorinhas de dona Sila”, que por mais de 60 anos anunciou a chegada do Natal e Ano-Novo. “Era muito mais bonito, mais organizado, dia 6 a gente saia nas ruas seguidos por uma multidão, cantando, alegres, não precisava de caixa de som”, lembra Maria Arlece Dutra, filha de dona Sila, que brincou no cordão da mãe como galego, pastor e cigana, a personagem mais lembrada da brincadeira. Depois de dona Sila surgiram outros cordões, todos resultados de promessas. Dona

Maria Isabel Catak, 70, que hoje coordena a pastorinha “As Natalinas”, disse que a brincadeira surgiu depois que sua mãe, a senhora Angelina de Souza Catak encontrou numa gruta no centro da floresta, região de Vila Amazônia (distante da sede do município 30 minutos de barco) uma imagem do Menino Jesus em 1962. “A partir daquele

ORIGEM

A tradição das Pastorinhas em Parintins começou em 1915, com a chegada à ilha, então com apenas três ruas, da jovem Fé de Souza Mendes, que se tornaria conhecida como Sila Marçal

ano, minha mãe colocou o cordão e em 1972, depois que ela morreu, eu assumi a brincadeira e estamos até hoje”, conta dona Maria Isabel. Segundo ela, com o passar do tempo as adolescentes não querem mais brincar na pastorinha. “Querem o boibumbá, mas participar dos cordões, não”.

Maria Arlece Dutra, filha de dona Sila Marçal, que introduziu as Pastorinhas em Parintins em 1915: festa perdurou por anos se


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do bem organizada sem necessidades de caixa de som, atraindo multidões para as ruas da cidade

FOTOS: TADEU DE SOUZA

sta das Pastorinhas

Dona Sila Marçal, nascida Fé de Souza Mendes, em companhia do compositor Nelson Baixinho


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Dia a dia

Magistrados foram Número de processos administrativos disciplinares abertos pelo Conselho Nacional de Justiça dobrou em 2013 GISELLE SOUZA Agência CNJ

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número de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) instaurados pelo Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra juízes e desembargadores mais que dobrou em 2013. É o que mostra o balanço da movimentação processual do órgão ao longo do ano passado. De acordo com o levantamento, ao todo, foram abertos 24 procedimentos para apurar suspeitas de desvios funcionais. Em 2012, a quantidade de ações registradas somou 11. Segundo o balanço das atividades do Conselho, dos 24 processos autuados e distribuídos neste ano, 10 deles resultaram no afastamento cautelar de 13 magistrados investigados. É o caso do PAD instaurado na 175ª Sessão Ordinária, realizada no dia 23 de setembro, para apurar indícios de irregularidades no processo de adoção de cinco irmãos da cidade de Monte Santo, na Bahia. Na ocasião, o Plenário seguiu o voto do correge-

dor nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, e decidiu pelo afastamento cautelar do juiz Vítor Manuel Sabino Xavier Bizerra, por ter atuado em desacordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional e com o Código de Ética da Magistratura. Ele proferiu decisões sem a citação ou intimação dos pais biológicos e sem a participação do Ministério Público. Outro PAD aberto em 2013 foi contra os desembargadores Mário Alberto Simões Hirs e Telma Laura Silva Britto, presidente e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia. Eles foram afastados dos cargos em razão de suspeitas de irregularidades na gestão do setor de precatórios da corte. Os indícios apontam que fraudes teriam gerado um prejuízo acima de R$ 400 milhões. A decisão foi proferida na 178ª Sessão Ordinária, realizada no dia 5 de novembro. Na sessão seguinte, que ocorreu no dia 12 de novembro, o Plenário abriu outro processo administrativo disciplinar contra os dois. Desta vez, por omissões na administração da corte baiana.


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GIL FERREIRA/AGÊNCIA CNJ

m mais processados

Processos contra magistrados no país chegaram a 24 em 2013

Desde 2005, 67 penalidades O levantamento da movimentação processual mostra que, desde que fora instalado em 2005, o CNJ aplicou 67 penalidades que atingiram 64 magistrados (sendo dois deles em mais de um processo). No período, o órgão de fiscalização e planejamento do Judiciário aplicou 44 aposentadorias compulsórias, 11 censuras, seis disponibilidades, quatro remoções compulsórias e duas advertências. Do total, 19 punições foram aplicadas neste ano. Doze delas foram aposentadorias compulsórias, quatro censuras, uma advertência, uma remoção compulsória e uma disponibilidade. Entre os PADs julgados em 2013, destaca-se o que resultou na aplicação da pena de aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao desembargador Bernardino Lima Luz, do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO). Em outubro, o CNJ julgou procedente a denúncia do Ministério Público Federal de que o magistrado teria se utilizado do cargo de corregedor-geral de Justiça para obter vantagem pessoal e para terceiros, favorecido interesse próprio ou alheio,

praticado ato indevido de ofício, patrocinado interesses privados diante da administração pública e participado de associação para a prática de atos ilícitos e ameaças a autoridades públicas. Em outro PAD, julgado em junho, o Plenário aposentou compulsoriamente os desembargadores Osvaldo Soares Cruz e Rafael Godeiro Sobrinho, ex-presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). Os desembargadores eram acusados de envolvimento em um esquema que desviou R$ 14,195 milhões destinados ao pagamento de precatórios. Em setembro, o desembargador Edgard Antônio Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), também recebeu a penalidade máxima aplicada pelo CNJ por ter recebido cópias de documentos sigilosos de inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e tê-las repassado a advogados, em vez de encaminhar o caso aos órgãos competentes para apurar o vazamento dos documentos. O desembargador já havia sido penalizado pelo CNJ com aposentadoria compulsória em outro processo.

Processos Administrativos Disciplinares apuram responsabilidades de juízes por infrações

Última sessão pune juíza baiana Na última sessão do ano, realizada no dia 17 de dezembro, o CNJ decidiu aplicar a pena de disponibilidade à magistrada Rosa Maria da Conceição Correia Oliveira, do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Ela foi condenada por violação aos princípios de independência, imparcialidade, exatidão

e prudência na tomada de decisão em um processo judicial, após liberar, durante um plantão judicial, o pagamento de mais de R$ 13 milhões à parte autora de uma ação que não possuía caráter de urgência. A decisão foi proferida em tempo exíguo e sem que a parte contrária tivesse sido ouvida.

Sobre o processo O PAD destina-se à apuração da responsabilidade de juízes e titulares de serviços notariais e de registro por infração disciplinar no exercício da função. É instaurado por decisão do Plenário. A tramitação é regulamentada pelo Regimento Interno do CNJ e pela resolução 135.

VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

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Dia a dia

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plateia@emtempo.com.br

IONE MORENO

Fan Fest irá custar R$ 10 milhões (92) 3090-1042

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Lei Rouanet

O produtor cultural Adriano Gobeth, a cantora Lucilene Castro e o diretor Dyego Monnzaho aprovam as alterações na lei

com possíveis mudanças Projeto, que está sendo avaliado pela Câmara dos Deputados, prevê que seja publicado no DOU uma avaliação dos recursos utilizados por beneficiados BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO

O

projeto de lei 5339/13, de autoria do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e que está tramitando em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, exige que a Lei Rouanet passe por uma importante mudança na qual, todo recurso destinado a um beneficiário seja publicado no Diário Oficial da União bem como no site oficial do Ministério da Cultural (MinC), após a sua conclusão. Além disso, caso a verba não tenha sido gasta conforme o artista tenho descrito no edital, esse mesmo ficará impossibilitado de receber dinheiro público por até 3 anos. Em Manaus, os artistas viram tal possível mudança como positiva. “Acho ótimo quando tudo é feito com uma maior transparência. Principalmente quando lidamos com incentivo fiscal, pois conseguimos mostrar para toda a sociedade onde está sendo gasto todo o dinheiro fruto das isenções. Além disso, esse tipo de estratégia já é usada pela Funarte, por exemplo e deve ser aplicada em todos os órgãos”, diz Dyego Monnzaho, diretor da Companhia Cacos de Teatro. Ele destaca, ainda, que a punição se faz necessária em todos os casos. “É correto! É uma forma que se encontra para disciplinar o artista e torná-lo mais responsável com o dinheiro público. Todos precisam entender que toda a verba deve ser gasta com o objeto proposto no edital. Precisa haver sim uma transparência com toda essa verba”. A cantora Lucilene Castro também afir-

ma que esse tipo de fiscalização deve ser realizada. “Concordo plenamente. As pessoas precisam ver onde está sendo gasto o dinheiro que vem da isenção de alguma empresa. Aliás, é uma verba que o governo federal deixa de recolher para investir nos artistas. E acho certo também ter essa punição, essa penalidade. Adquirir uma “grana” e não prestar contas é tirar a oportunidade que outras pessoas tenham o acesso a esse benefício”, comenta. Prestar contas O produtor cultural Adriano Gobeth, que tem cinco projetos aprovados pela Lei Rouanet, mas somente dois captados – sendo um total e o outro parcial –, acredita que “a partir do momento que se tem dinheiro público em mãos é preciso sim prestar contas e passar por uma severa fiscalização”. Mas ele vai além e afirma que: “Por se tratar de uma região afastada dos grandes centros, o Amazonas já deveria possuir leis tanto municipais quanto estaduais, nos moldes da Lei Rouanet. No qual o beneficiado pudesse captar recursos, mas sempre passando por um crivo do governo ou da prefeitura. Isso facilitaria bastante no que diz respeito a vendagem do artista local que sempre foi acostumado a ser contratado pelo governo e não correr atrás do que pode ser seu”. Porém, Lucilene vai além e afirma que a Lei Rouanet deve passar por outras mudanças. “Na verdade, toda essa lei precisa de uma reestruturação. No nosso caso, por exemplo. Sabemos da quantida-

de de empresas no Estado que preferem ligar suas marcas a projetos ligados a grandes artistas de repercussão nacional. Enquanto nós artistas menores, ficamos de fora, sem receber incentivo necessário. Sei que já tem algum projeto de lei que pede essa mudança, mas até agora nada foi feito”. Avaliação O projeto de lei propõe também que o ministério divulgue os seguintes dados do projeto cultural beneficiado: nome do projeto e do responsável pela execução, número do registro no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), data da conclusão, recursos captados e justificativa para não haver realizado a avaliação final que, neste caso, passa a ser de autoria da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), ligado ao próprio MinC. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) apurou em auditoria realizada em 2011, havia 8.129 mil prestações de contas de projetos ainda sem análise em um total de R$ 3,8 bilhões em recursos de renúncia fiscal. “A não verificação dessa documentação pode ocultar desvios e outras irregularidades capazes de promover grave lesão aos cofres públicos”, afirmou o senador Álvaro Dias. A reportagem tentou entrar em contato com o secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, para saber sobre a sua opinião sobre a possível mudança, mas foi informado pela sua assessoria de imprensa que o mesmo se encontra viajando.


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Plateia

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RESENHA

‘2001’, de Kubrick, completou 46 anos no dia 1° de Janeiro AUGUSTO SEVERO* ESPECIAL PARA EM TEMPO

PERFIL

Augusto Severo, é músico e psicólogo

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onsiderados por muitos especialistas como a obra prima da Ficção Científica no Cinema, “2001 – Uma Odisséia no Espaço” (MGM, 1968), comemorou, no primeiro dia do ano de 2014, seu 46° aniversário, desde o seu lançamento em 1968. Mais do que só um bom filme de Ficção Científica, “2001” é o resultado direto do encontro de duas mentes fantásticas que contribuíram (e muito!) para nosso Mundo: Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke. Arthur C. Clarke desde criança foi apaixonado por astronomia. Após a guerra, escreveu o artigo que seria a base da construção dos primeiros satélites geoestacionários para telecomunicações mundiais. Ele é autor de quase uma centena de contos, romances e artigos de divulgação científica, mas apenas dois de seus romances foram adaptados para o cinema: “2001: Uma Odisséia no Espaço” e “2010: O Ano em que Faremos Contato”. Stanley Kubrick foi um novayorquino nascido em 1928, que já era cineasta aos 22

anos e aos 25 despontava seu primeiro longa reconhecido pela crítica, “Fear and Desire”, de 1953, tendo sua carreira de fato iniciada com The Killing (No Brasil: O Grande Golpe), de 1956. Em 1965, Kubrick desejou fazer uma fição científica que fugisse da até então moda da época: homenzinhos verdes e monstros gosmentos. Ele acabou conhecendo Clarke por meio de seus elogiados romances “sci-fi”, que apresentavam o universo (e a possibilidade de vida fora da terra) num nível de compreensão muito além do “Somos de Marte e vamos acabar com vocês”. Daí em diante, os dois elaboraram juntos o corpo de “2001”, e em comum acordo, Kubrick assumiria o filme, enquanto Clarke lograria para si a autoria do romance, embora ambos tenham contribuído para realização de tudo. Kubrick, diferente de Clarke, apostou num filme essencialmente visual, com diálogos restritos e muita interpretação inconsciente. Mas o que se destaca de fato no filme é a combinação assustadoramente maestral entre a trilha sonora e a linguagem visual. A introdução do filme, com a forte sinfonia de

Richard Strauss, Also sprach Zarathustra, (o lívro homônimo de Nietzsche é uma das influências diretas do filme) tornou-se por si só um ícone pop. E mais espantosa ainda é a valsa espacial entre um ônibus espacial e uma estação, flutuando à orbita da Terra, embalada pelo Danúbio Azul de Johann Strauss 2, Elevando “2001” a uma obra prima cinematográfica da humanidade digna de ser preservada pela National Film Registry, seleção especial da Biblioteca do Congresso dos EUA. “2001” é tão pioneiro em sua linguagem, seus elementos, sua história, que não há exagero em afirmar que foi influência para praticamente tudo que se sucedeu no cinema após sua exibição. Da ficção científica ao terror,a obra de Kubrick tornou “Ópera” o que estava sendo banalizado, reformulando a discussão sobre vida inteligente fora da Terra a um nível “reflexivo e evolutivo” na compreensão do homem com o universo, e não apenas “comparativo”. Dos seres humanóides primitivos até o super-computador HAL 9000, “pensar” era um processo que colidia inevitavelmente com identificar-se a si mesmo na realidade à sua volta. Para

os humanóides primitivos do filme, isso é o primeiro salto para adquirir uma cultura que permitisse dominar a natureza (e o outro); para HAL, o super computador da Missão Discovery One, era trazer para si a responsabilidade de sucesso da missão espacial, à custo da vida de toda a tripulação se necessário. Neste seu 46° aniversário, o filme de Kubrick possui uma relevância tão significante que é

um desafio “resumir” suas características. O melhor seria lembrar seus momentos, sons, bicromias, planos estáticos, e termos em mente que, em algum momento de nossa história, alguns gênios construiram uma obra que foi capaz de nos atingir através de nossas percepções, conscientes e inconscientes, e dessa forma, elevaram o significado de “ser humano” a um outro patamar.

BALADA

Domingo tem samba no Lappa O primeiro final de semana de 2014 não poderia começar diferente: com feijoada e muito samba de raiz. Neste sábado e domingo, o Lappa Bar está com uma programação animada e divertida para quem ainda está no clima das festas de final de ano. Hoje, o projeto “Escritório do Samba” ganha mais uma edição, a partir das 15h. Entre as atrações estarão as bandas Poxa Vida, Ami-

zade do Samba e bateria da escola de samba Vitória-Régia. Um dos destaques do dia é o chope Brahma que é liberado das 15h às 18h. A entrada custa R$ 25, por pessoa. Fechado E dos dias 5 a 22 de janeiro, o Lappa Bar estará em reforma na área interna. Por isso, ficará fechado para eventos.

SERVIÇO ESCRITÓRIO DO SAMBA Quando: Hoje, às 15h Onde: Lappa Bar - Vierialves Ingressos: R$ 25,00 por pessoa

ARQUIVO EM TEMPO

Uma das atrações da tarde de hoje é a bateria da escola de samba de Manaus Vitória-Régia


Plateia

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GRATUITO

Galinha Pintadinha no shopping Desde o último o sábado, o Shopping Ponta Negra dará início à sua programação de férias. Até o dia 2 de fevereiro, crianças de 1 a 12 anos poderão brincar gratuitamente no espaço “Turma da Galinha Pintadinha”, que estará montado na praça central do centro de compras. Pela primeira vez em Manaus, a Galinha Pintadinha oficial estará em Manaus para tirar fotos com as crianças, que poderão brincar diariamente em um circuito interativo com diversas atividades lúdicas com os personagens do desenho infantil. Funcionamento O espaço vai funcionar todos os dias das 14h às 20h e as crianças terão acessos a jogos educativos em que eles podem montar palavras com os nomes dos personagens, além de cineminha, escorregador, piscina de bolinhas e oficina de pintura. Além disso, os pais também podem participar das brincadeiras, ajudando as crianças nas pintura e desenhos à mão livre. O calendário com os horários da presença da Galinha Pintadinha já está disponível no site do shopping (www.shoppingpontanegra.com.br). De acordo com o gerente de marketing do Shopping Ponta Negra, Rafael Fiedler, o grande diferencial do evento será a interação da “Galinha Pintadinha” com as crianças, que terão acesso ao personagem. “Essa série é um dos maiores fenômenos dos últimos anos e as crianças são muito apaixonadas pelos personagens. Durante as férias, o shopping vai proporcionar a elas um encontro que será realmente inesquecível”. O Shopping Ponta Negra foi inaugurado em 7 de agosto de 2013 e possui 190 opções de loja, além de 10 salas de cinema.

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Fan Fest, da Copa, irá custar R$ 10 milhões

O objetivo do evento é atrair os fãs do futebol para assistir aos jogos do mundial ao som de diversos ritmos. Em Manaus, a festa contará com a presença de atrações locais e nacionais, na Ponta Negra IONE MORENO

A estimativa é atrair um público de 35 mil pessoas por dia

BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO

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altando seis meses para o início da Copa do Mundo de 2014 – onde Manaus será uma das subsedes do evento – algumas novidades já foram reveladas. Dentre elas a realização do Fifa Fan Fest, que será realizado no período de 12 de junho a 13 de julho, no complexo turístico Ponta Negra, que conta com uma área total de 36 mil metros quadrados, e que busca atrair os fãs do futebol para assistir aos jogos do mundial ao som de diversos ritmos. A primeira edição foi realizada em 2006,

durante a Copa do Mundo da Alemanha. Com expectativa de atrair 35 mil pessoas por dia, o Fan Fest será gratuito e aberto ao público em geral, segundo informações da assessoria de comunicação da coordenação da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 – Amazonas. Ainda ao que diz respeito o evento, serão convidadas atrações locais e nacionais com direito a performances artísticos-culturais. Porém, por se tratar de um evento da Fifa em parceria com a Rede Globo, os artistas nacionais ainda não foram confirmados como foi divulgado anteriormente.

Outro destaque do evento, sem dúvida, é a estrutura que será montada ao longo dos 24 dias. Com programação que inicia às 10h e segue até a meia-noite, o público que for até o local contará com um palco principal – leia-se: anfiteatro – que terá um grande telão, além de outros dois telões em pontos estratégicos e que transmitirão os jogos da Copa, praça de alimentação, área para a prática de esportes e outras atividades. Com investimento de R$ 10 milhões, de acordo com o que foi passado à Prefeitura de Manaus, o valor será investido em estruturas que buscam melhor

atender ao público, bem como oferecer segurança, limpeza e higiene, banheiros químicos, praça de alimentação, cercamento de perímetro, logística de artistas e locação de geradores de acordo com o horário de funcionamento do evento. A prefeitura terá patrocínio de nove empresas oficiais ligadas ao evento, que irão adquirir os espaços destinados à divulgação da marca, bem como locação de área. Apenas uma pequena parcela será pago pelo município. Este acordo já havia sido definido pela Fifa em todas as subsedes que receberão o mundial. Ainda segundo o site oficial

da Copa do Mundo de 2014 (www.copa2014.df.gov.br), o Fan Fest em 2010 foi realizado, inclusive, em cidades que não fizeram parte do evento naquele ano, como o Rio de Janeiro, por exemplo. O diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, afirma que a festa proporciona à Fifa e ao COL uma plataforma para fortalecer a experiência dos torcedores na Copa do Mundo, atraindo milhões de pessoas também fora dos estádios. “Nós estamos muito satisfeitos com o entusiasmo mostrado pelas sedes até agora e ansiosos para realizar juntos essa festa espetacular em 2014”.

RESUMO EXPOSIÇÃO - Até o dia 14 de fevereiro estará em cartaz, na Galeria do Centro Cultural Largo São Sebastião, a exposição ‘Euros - do risco ao pixel’, com serviço de audiodescrição. Com o objetivo de promover práticas de acessibilidade, isto é, aumentar a possibilidade e a condição de alcance, para que a PcD visual possa se integrar e ter acesso a cultura e a arte oferecidas no estado, o evento disponibilizará o serviço em mais de 10 obras de artes com canetas interativas (pentop) que proporcionarão a audiodescrição. O horário de visitação é de terça a domingo, das 17h às 21h.

TEATRO INFANTIL - Os clássicos infantis, em versões modernas, fazem parte do Festival “Temporada dos Clássicos”, que o Teatro Manauara, apresenta em janeiro em comemoração aos 20 anos da Cia Metamorfose. Produzidos especialmente para espetáculos contarão histórias dos seres fantásticos que habitam as fábulas infantis. As apresentações acontecem aos sábados e domingos, às 17h. A temporada abre no próximo sábado, dia 11, com o espetáculo “Branca de Neve e os Sete Anões”. Os ingressos custam R$ 20 (meia-entrada) e estão à venda na bilheteria do teatro.

MANAUS PLAZA - Pelo terceiro ano consecutivo o Manaus Plaza Centro de Convenções recebeu o Prêmio Caio Regional, como um dos melhores espaços para a realização de eventos de pequeno e médio porte nas regiões Norte e Centro-Oeste do País. A premiação é referência nacional. O Manaus Plaza Centro de Convenções recebeu o prêmio Jacaré de Bronze, equivalente ao terceiro lugar da premiação nacional. Em 2011 e 2012, o Manaus Plaza Centro de Convenções já havia recebido os prêmios Jacaré de Prata e Jacaré de Ouro, respectivamente, na mesma categoria.


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DIVULGAÇÃO

Ator abandona o seu lado galã Aos 44 anos, texano irá apostar em personagens sombrios e complexos

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Ator texano Matthew McConaughey vai interpretar o machão homofóbico e aidético no longa-metragem “Dallas Buyers Club”

atthew McConaughey, 44, descobriu o segredo do sucesso: o egoísmo. Nos últimos três anos, o texano que um dia foi chamado de “o novo Paul Newman” abandonou a conveniência dos papéis de galã em comédias românticas para se dedicar a personagens sombrios e complexos, como o machão homofóbico e aidético do longa “Dallas Buyers Club” e o detetive filosófico da série “True Detective”, que estreia no Brasil em 12/1, na HBO. “Meu desejo pelos personagens que interpreto é puramente egoísta. Não me importo com o resultado. Se as pessoas gostam do que eu faço, ótimo”, dispara à Folha de S.Paulo o sério McConaughey, indicado ao Globo de Ouro pelo papel no filme. A estratégia tem dado certo. Não procure mais pelo bonitão e mulherengo de “Como Perder um Homem em 10 Dias” (2003), papel que pareceu colar nas escolhas do ator por quase uma década. “Não houve um momento de conversa com Deus ou uma epifania. É uma evolução na minha carreira. Queria ter a mesma felicidade que tenho com minha família na minha profissão”, revela o astro, casado com a modelo brasileira Camila Alves, com quem tem três filhos. Desde que deu uma pausa na carreira, em 2010, McConaughey fez um policial corrupto em “Killer Joe”, de William Friedkin, um foragido de coração mole em “Amor Bandido”, de Jeff Nichols, um dançarino/dono de strip-club em “Magic Mike”, de Steven Soderbergh, e um executivo virulento em “O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese, previsto para 24/1 no Brasil. A procura “amoral” de McConaughey em “Dallas Buyers Club” o levou ao extremo de perder 19 quilos para interpretar um traficante de drogas experimentais entre México

e EUA que ajuda a salvar a vida de milhares de aidéticos -inclusive a do personagem, que contrai o vírus em uma transfusão de sangue. “Não me apoiar em uma certa vantagem física que eu tinha é libertador. Todo o peso que eu perdi do pescoço para baixo, eu ganhei do pescoço para cima”, filosofa. “Apesar disso, eu não dormia mais de três horas durante as filmagens, porque eu estava mentalmente ligado.” É o mesmo caso de “True Detective”, aposta da HBO que terá oito episódios por temporada, criada pelo escritor noir Nic Pizzolatto. Matthew McConaughey e Woody Harrelson interpretam dois detetives que investigam um assassinato com toques de

MUDANÇA

O texano que um dia foi chamado de “o novo Paul Newman” abandonou a conveniência dos papéis de galã em comédias românitcas para se dedicar a personagens sombrios e complexos ocultismo que leva o espectador para três períodos diferentes na vida dos policiais. “Foi como rodar um filme com um roteiro de 440 páginas. Seis meses trabalhando 16 horas por dia e acordando 5h30 da manhã”, diz McConaughey, ao lado do amigo de longa data, Harrelson. “Eu chegava ao set sem saber o que ia fazer, mas Matthew se jogou inteiramente nesta nova experiência na televisão”, recorda-se Harrelson, logo interrompido. “Ei, não é televisão. É HBO!”, gargalha McConaughey pela primeira vez na entrevista ao repetir o bordão do canal. “Vou ganhar uns US$ 200 mil pela propaganda.”

CINEMA DIVLGAÇÃO

Di Caprio é um corretor de ações charlatão em novo filme

Martin Scorsese exagera nos palavrões em filme O novo filme do cineasta Martin Scorsese, “O Lobo de Wall Street”, que traz Leonardo DiCaprio no papel de um corretor de ações charlatão, bateu um recorde curioso: é o filme de ficção com o maior uso do palavrão “fuck” na história. Segundo informações da revista “Variety”, o palavrão é dito 506 vezes ao longo das três horas de filme. O recorde anterior pertencia ao filme “O Verão de Sam” (1999), de Spike Lee, com 435 “fucks” distribuídos em suas 2 horas e 20

minutos de duração. Ambos são filmes de ficção. No geral, o recorde ainda pertence, por razões óbvias, ao documentário “Fuck” (2005), de Steve Anderson -um trabalho jornalístico que se debruça sobre os usos e a origem desse palavrão. Scorsese, porém, parece gostar de incluir a palavra “fuck” em seus filmes: entre os 20 mais bem colocados na lista, ainda estão outras duas produções suas. São elas “Cassino” (422 palavrões) e “Os Bons Companheiros” (300 palavrões).


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MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

DIVULGAÇ

Estilosa Ninguém ganha da Maria Casadevall em nenhuma das novelas atualmente em cartaz ou de todas que existiram até agora. Possivelmente é a única personagem que, passados 100 e tantos capítulos, jamais repetiu uma das suas roupas. É, na opinião da moçada, a primeira e única, a que se veste melhor.

ÃO

TV Tudo

Estilosa 2 A propósito, “Amor à Vida” foi tão importante para Maria Casadevall, como Maria Casadevall também é para a própria novela. Vai levar, com certeza, todos os prêmios de revelação. A única estranheza é como uma funcionária do hospital consegue sustentar todo aquele luxo e onde cabem tantas roupas diferentes. Naquele minúsculo apartamento da história não pode ser. Vai começar A Globo está para dar início aos trabalhos de “Geração Brasil”, substituta de “Além do Horizonte” na faixa das 19h. O toque de reunir de todo o elenco será na segundafeira, 13. É sempre isso... Mais uma vez, uma novela das 19h da Globo, como tantas outras que a antecederam, terá um homem fazendo papel de mulher. Função destinada ao Luís Miranda, com direito a operação para mudança de sexo. Não é por nada... Mas apenas como observação: existe coisa mais feia que homem vestido de mulher?

MÁRIO ADOLFO

Nada contra ninguém. Gosto é gosto, mas convenhamos que não é uma das coisas mais agradáveis de se ver. Só que os autores de novela parece que têm fixação por isso. Dia para isso A direção da Fox fixou para 24 de janeiro a fusão dos canais Bem Simples e Fox Life. Para o Brasil pode ser uma coisa diferente, mas trata-se de algo que já foi feito em outros países. Nenhuma providência Só a partir desta segunda-feira, a direção do SBT vai começar a tomar providências para a estreia do Danilo Gentili. O formato que se pretende é

• A participação do Edson Celulari no “Divertics” ficou para domingo que vem. • Danilo Gentili e Milton Neves viajaram no mesmo avião para Miami, mas acompanhados de turmas diferentes. • Gugu Liberato passou Natal e Ano-Novo com a família no Guarujá...

TVs insistem em ser Globo A televisão, como foco e determinação, deveria se preocupar em atingir todo tipo de público. O panorama que temos aí ainda está muito distante do que se deseja como ideal, porque existe uma Globo, com a sua grade de programação definida e bem-sucedida, enquanto todas as outras sonham em ser iguais a ela. Será que alguém da sua direção já se questionou?

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

• ... Mas nem assim conseguiu escapar do assunto televisão... algo parecido, mas não semelhante, por motivos óbvios, ao “Agora é Tarde” da Band. Só na palavra Também para esta próxima semana deve se definir de vez a situação do Otávio Mesquita. E por se definir de vez, entenda-se, a assinatura de contrato entre as partes. Está tudo conversado, ajustado, mas nada de preto no branco até agora. E tem outra... Que também já é possível confirmar. Está certo o lançamento do programa esportivo “Estádio SBT”. Falta apenas a definição daqueles que serão os seus participantes fixos.

• Uma conversa importante, bem de frente para o mar, aconteceu ainda durante o seu descanso.

C’est fini A programação da tarde é o grande quebracabeça da direção da Globo nos dias atuais. É quase certa a inversão dos horários de exibição da “Sessão da Tarde” como o “Vale a pena ver de novo”, a partir de abril. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@yahoo.com.br

Como se faz um deputado

REGI

ELVIS

GILMAL

“Como se Fazia Um Deputado”, comédia em três atos inscrita por França Júnior satiriza os hábitos correntes da política brasileira em fins do período imperial e refletidas na Velha República. Mostra quais as estratégias e personagens que estavam em jogo na tão conhecida disputa pelo poder. Mas, como se fazia, ou melhor, como se faz um deputado? “Deputado é um sujeito que se destaca do povo. Para o bem e para o mal. Um deputado é, por exemplo, um sujeito que aparece ao lado dos trabalhadores numa greve. É um sujeito que briga para defender o direito dos mais fracos e, às vezes, até apanha da polícia por causa disso.” Assim o professor doutor Francisco Weffort conceitua deputado. É claro que apesar de estarmos diante de um conceito que, na verdade, evidencia um princípio, o deputado em sua grande maioria das vezes (na esmagadora maioria, na verdade) não corresponde a ideia principal e não nos faltam exemplos para tal afirmação. A presença e atuação do deputado, assim como para toda a atividade legislativa, é, para as massas, cercada de confusões, isto porque alguns candidatos insistem em confundir (ou legitimar em sã consciência) justamente o papel do Legislativo com o do Executivo. Peço perdão pelo ar meio professoral de minha arguição e mais ainda pelas observações sumárias aqui aludidas, mas é certo afirmar que, infelizmente, estes tinos conceituais hoje fazem falta no jornalismo (a maior instância de legitimação do sistema político) só encontrando vazão na ciência política. Se cada vez mais publicarmos o sentido e a ideia de deputado, sua função e para quem atua, empreendermos um trabalho didático de ensino de suas idiossincrasias, estaremos contribuindo em uma parte da reforma política que é a parte de educação

para a política, confundida em outros tempos com moral e cívica nos meus tempos de colégio. O deputado não é o cidadão que vai dar casa, passagem aérea, tapar os buracos da rua e manter a sua cidade limpa. Este é o papel do Executivo, no qual, o prefeito e governador são os principais articuladores. O deputado é aquele que legisla, que cria ou veta leis. É ele quem as discute juntamente com a população. Se há leis que garantam o bem-estar social, é o deputado o principal agente neste processo. O deputado surgiu em 1640 na Inglaterra. Numa rebelião provocada pela Câmara dos Comuns, os parlamentares se recusaram a votar os impostos devidos ao monarca Carlos 1º transformando a atividade parlamentar – o que antes, na Idade Média, era uma atividade apenas consultiva – em um “atividade legisladora”. A tradição política brasileira ainda se assenta nos princípios políticos da Velha República, e mais ainda, como nos faz crer França Júnior, da elite imperial de pensamento rural e escravocrata. Na Velha República, o voto censitário deu lugar ao sufrágio universal, excluindo-se evidentemente as mulheres e os analfabetos, grande parte da população brasileira – e as eleições ainda eram fraudadas! Em “Como se Fazia um Deputado” (1882) temos representado o melhor retratoda tradição política brasileira assentada sobre a compra de votos e o casamento por interesse, afinal, “estes casamentos por amor dão sempre em água de barreia”. Veja bem, leitor, que a palavra mais utilizada no presente artigo foi “princípio”. O princípio do deputado, o princípio do conceito de deputado e o princípio moral de sua atuação. São estes os vetores a que devemos ter em mente e é a partir destes, da massificação de suas ideias, que podemos ajudar o povo a sonhar com um Brasil sem corrupção.

Márcio Braz Ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

(..) alguns candidatos insistem em confundir (ou legitimar em sã consciência) justamente o papel do Legislativo com o do Executivo”


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Programação da TV

REPRODUÇÃO

GLOBO

REDE TV

4h Santa Missa Em Seu Lar

6h30 Igreja Int.da Graça

5h Amazônia Rural

7h30 Igreja Int.da Graça

5h30 Pequenas Empresas, Grandes Negócios

21h35 Tv Shopping Manaus 22h35 Dr Hollywood 23h30 Fique Ligado (Reprise) 0h30 É Notícia 1h30 Bola Na Rede

10h Tv Kids

2h Good News Especial

7h30 Esporte Espetacular

10h30 A Questão É

2h30 Igreja Int. Da Graça

10h45 Cinema Especial

11h Igreja Da Graça

12h05 Temperatura Máxima

12h Fique Ligado

14h05 Divertics

13h En Circuito

15h25 Domingão Do Faustão

14h30 A Questão É

6h55 AutoEsporte

18h45 Fantástico

15h Ad & D

21h10 Junto E Misturado 21h55 Domingo Maior 23h35 Sessão De Gala

Horóscopo

20h15 Teste De Fidelidade

9h Rompendo Barreiras

6h05 Globo Rural

Silvio Santos comanda a noite no SBT com o programa dele

8h30 Amazonas Dragway Na Tv

4h Igreja Universal 5h Pesca Alternativa 6h Brasil Caminhoneiro

15h45 Vídeo Mania

7h30 Vrum

2h45 Havaii Five - 0.

17h Mornigng Show –

3h40 Festival De Desenhos

Melhores Momentos

Cinema

3h45 Bíblia Em Foco 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids 8h Amazonas Da Sorte 9h Record Kids 10h Domingo Da Gente 13h15 O Melhor Do Brasil 17h20 Domingo Espetacular 21h15 Série Spartacus 22h15 50 Por 1 23h10 Programação Iurd

3h15 Jornal Da Semana Sbt

6h30 Aventura Selvagem

16h15 Ritmo Brasil

RECORD

SBT

15h30 Tv Kids

1h25 Corujão

17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Sílvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Série 0h Série 2 1h Série 3 2h20 Big Bang 3h Igreja Universal

18h30 Te Peguei Na Tv

8h Amazonas Da Sorte 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Você se irritar com contratempos e modificações que o cotidiano impõe. Sua imaginação concebia que as coisas andassem melhor, em especial nos negócios e relacionamentos.

ESTREIA

TOURO - 20/4 a 20/5 Você pensa de maneira fora do convencional, mas isso pode não funcionar bem neste dia. Procure o pensamento correto e adequado, em vez de se encantar com novidades. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Um dia delicado para você comerciar, viajar, conversar e fazer contatos. A rebeldia e a violência contida em certos pensamentos lhe prejudica. Evite os atritos e os conflitos. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Os problemas de trabalho e relacionamento batem à sua porta, para depois serem abrandados ou resolvidos. Mantenha o foco de seus pensamentos e seus projetos. LEÃO - 23/7 a 22/8 Um dia tão atarefado que parece agitá-lo além da conta, apesar do vívido interesse em alguns assuntos e pessoas ligados ao trabalho. A agitação conduz a erros de avaliação. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Os estudos filosóficos e espiritualistas são estimulados, mas pode haver dispersão dos pensamentos, mesmo que em torno de temas interessantes. LIBRA - 23/9 a 22/10 As solicitações do mundo tiram seu ritmo e fazem você se afastar de suas bases. De tão atarefado neste dia parece que não terá sossego. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A vida a dois ganha mais dinâmica devido aos questionamentos feitos com inteligência e boa vontade. Os interesses conjuntos são despertados, mas é tempo de reavaliação. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Dinâmica forte no cotidiano, mas você tende a desafiar aqueles que discordarem de você. Os esforços podem se perder se as atividades não estiverem bem planejadas. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Tendência a estar muito ativo em diversas tarefas, cuidando de suas coisas ou ajudando outras pessoas. Contudo, você se pode por em conflito com as pessoas que ajuda. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Sua casa é o centro das ações, onde muitas situações se conflitam e podem lhe causar malestar. A pressa e o atrapalho ao se comunicar só fazem prejudicar mais. PEIXES - 19/2 a 20/3 Dificuldades nas atividades de comércio, comunicação e entendimento com as pessoas. As coisas não andam como você esperava e é mais difícil manter o controle e a direção.

Confissões de Adolescente: BRA. 12 anos. Baseado no livro homônimo de Maria Mariana, que também originou a peça teatral e a série televisiva. O filme mostra agora, em 2013, as confissões e confusões de irmãs adolescentes que vivem os amores, dúvidas, decisões e aventuras de sua geração. O difícil rito de passagem dos 13 aos 19 anos. Cinemark 3 – 20h50 (diariamente); Cinépolis 10 – 14h (diariamente); Cinemais Millennium – 20h40 (diariamente); Cinemais Plaza – 19h30 (diariamente). Frozen, Uma Aventura Congelante: EUA. Livre. Acompanhada por um alpinista, a jovem Anna parte numa jornada por perigosas montanhas de gelo na esperança de encontrar a lendária Rainha da Neve e acabar com a terrível maldição de inverno eterno que assola o reino. Cinemark 4 – 11h20, 13h50, 16h30, 19h10, 21h50 (3D/dub/diariamente); Cinemark 6 – 12h30, 15h, 17h30, 20h10 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 8 – 13h20, 15h50, 18h20, 21h (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 1 – 12h30, 15h05, 17h55, 20h40 (3D/dub/diariamente); Cinépolis 5 – 13h30, 16h05, 18h40, 21h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 13h50, 16h10, 18h30, 20h50 (3D/dub/diariamente), 23h10 (3d/dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 3 – 13h10, 15h30, 17h50, 20h (dub/diariamente), 22h10 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 13h11, 15h31, 17h51 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (3D/dub/diariamente), 14h10, 16h20, 18h30 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h40, 18h50, 21h (3D/dub/diariamente), 13h50, 16h, 18h10, 20h20 (dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES Álbum de Família: EUA. 10 anos. Cinépolis 6 – 16h15, 19h, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 14h20, 16h50, 19h20, 22h (leg/diariamente). Até Que a Sorte Nos Separe 2: BRA. 10 anos. Cinemark 1 – 12h40, 15h10, 17h50, 20h30 (diariamente), 23h (somente sexta-feira e sábado), Cinemark 7 – 11h, 13h30, 16h10, 18h50, 21h30 (diariamente); Cinépolis 2 – 13h45, 16h20, 19h05, 21h45 (diariamente); Cinépolis 7 – 14h30, 17h, 19h35, 22h (diariamente), Cinépolis 9 – 13h, 15h30, 18h, 20h30 (diariamente); Playarte 5 – 12h50, 15h, 17h10, 19h15, 21h20 (diariamente), 23h25 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 14h, 16h10, 18h20, 20h30 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 18h31, 20h31 (diariamente); Cinemais Millennium – 15h20, 17h30, 19h40, 21h50 (diariamente), 14h30, 16h40,

18h50, 21h (diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h10, 19h20, 21h30 (diariamente), 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (diariamente). Questão de Tempo: Reino Unido. 12 anos. Cinépolis 10 – 15h (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 16h40, 19h20, 21h50 (leg/exceto terça-feira). Ender’s Game - O jogo do exterminador: EUA. 10 anos. Cinemark 2 – 11h10, 16h40, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 16h30 (leg/diariamente); Playarte 2 – 14h, 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h, 16h30, 19h, 21h35 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h15, 16h30, 18h40, 21h10 (dub/diariamente). A Vida Secreta de Walter Mitty: EUA. 10 anos. Cinemark 2 – 13h40,

19h20 (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 19h10, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 4 – 20h (dub/diariamente), 22h20 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 17h10, 21h40 (dub/diariamente). Minhocas: BRA. Livre. Cinemark 3 – 11h50, 14h (diariamente); Cinépolis 6 – 13h50 (diariamente); Playarte 7 – 12h30, 14h25, 16h20 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado). O Hobbit – A Desolação de Smaug: EUA. 12 anos. Cinemark 5 – 14h30, 18h, 21h20 (dub/diariamente); Cinépolis 4 – 14h45, 21h35 (3D/dub/diariamente), 18h10 (3D/ leg/diariamente); Playarte 9 – 13h30, 16h40, 19h50 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 10 – 14h10, 17h20, 20h30 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Mil-

lennium – 15h10, 18h20, 21h30 (dub/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 18h, 21h15 (dub/diariamente). Última Viagem a Vegas: EUA. 12 anos. Playarte 8 – 18h30, 20h40 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). Crô: BRA. 12 anos. Cinemark 3 – 16h20, 18h30 (diariamente), 23h10 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 19h30 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 21h40 (diariamente). Jogos Vorazes – Em Chamas: EUA. 14 anos. Playarte 8 – 12h50, 15h40 (dub/diariamente). Carrie, a Estranha: EUA. 16 anos. Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h40, 21h50 (dub/diariamente).


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MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Longa ‘Feito gente grande’ mostra o olhar infantil

Com estreia prevista para sexta-feira, filme francês interpreta como as crianças veem os adultos

C

apturar o mundo adulto da perspectiva das crianças e sobrepor a fantasia e a desilusão da realidade é um motivo frequente no cinema francês, de tempos em tempos revisitado em filmes extraordinários e outros mais comuns. “Feito Gente Grande”, com estreia prevista para a próxima sexta, retoma a tradição na forma de crônica de uma etapa na infância de Rachel, uma menina de 9 anos que começa a história escrevendo uma carta para lembrar uma alegria que perdeu. A máquina de escrever na primeira cena, depois carros, telefones, figurinos e canções projetam essa infância num passado recoberto com aura nostálgica, tempo perdido também na forma das coisas. Lá, Rachel segue as ordens da mãe um tanto neurótica e observa o pai cumprir as funções de marido cansado. Na escola, a coleguinha Valérie faz o papel de parceira de jogos e desobediências, oferecendo-lhe um laço entre iguais. Por outro lado, a família desregulada da amiga surge como um campo de experiências novas, mais liberais. Essas e outras situações são abordadas.

DIVULGAÇÃO

Filme mostra a retomada da tradição na forma de crônica de uma etapa na infância de Rachel, uma menina francesa

‘Questões de sempre’ em xeque As duas vão, cúmplices, desafiar a rigidez escolar, expor a hipocrisia moral, brincar com a sexualidade de modo lúdico e sem pudores. Isso torna “Feito Gente Grande” uma produção distinta dos filmes infantis que

os pais escolhem despreocupadamente como diversão. A abordagem aqui não é a do entretenimento que trata o público de qualquer idade como criança. Ao contrário dos bobinhos “O Pequeno Nicolau” e “A

Guerra dos Botões”, exemplos recentes do cinema francês focados em crianças, “Feito Gente Grande” aborda as questões de sempre com menos idealismo e mais ironia, o que o torna um filme muito mais divertido.

SERVIÇO FEITO GENTE GRANDE Direção Produção Estreia no Brasil Classificação Avaliação

Carine Tardieu França, 2012 Dia 10/1 livre bom

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SÉRIE

‘Glee’ tem reestreia no Brasil A morte de Cory Monteith reverbera no quinto ano de “Glee”, que teve reestreia ontem no Brasil. Um dos protagonistas da série, ele foi achado morto, aos 31 anos, pouco antes do começo das gravações, em julho do ano passado. Em um episódio especial (o terceiro da temporada), a série mostra como os coralistas -e principalmente Rachel (namorada do ator na vida real)estão lidando com a morte de Finn Hudson, o ex-atleta boa praça e desengonçado que o ator interpretava. A causa da morte do personagem não é mencionada. A autópsia no corpo de Monteith apontou uma combinação de álcool e heroína em seu organismo. A temporada conta ainda com novidades profissionais para Rachel e com um pedido de casamento para Kurt (Chris Colfer), além de dois episódios apenas com músicas dos Beatles e participações especiais dos cantores Demi Lovato, como uma lésbica, e Adam Lambert.


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Plateia

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Capa

Fotografia de Alan Marques

opiniao@emtempo.com.br

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(92) 3090-1010

Visão inglesa sobre indígenas do Brasil Trecho de ‘Prosa’, de Elizabeth Bishop. Págs. 2 e 3

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Abertura da peça ‘Um Réquiem para Antonio’

A imaginação de Dib Carneiro Neto. Pág. 4


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Tradução

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Entre índios Um texto inédito de Elizabeth Bishop RESUMO Acompanhando em 1958 visita do escritor britânico Aldous Huxley (1894-1963), Elizabeth Bishop (1911-79) foi a Brasília, então em construção, e conheceu índios em MT. O relato “Uma Nova Capital, Aldous Huxley e Alguns Índios”, do qual se extraiu este trecho, está no volume “Prosa”, que a Companhia das Letras neste mês.

ELIZABETH BISHOP TRADUÇÃO PAULO HENRIQUES BRITTO ILUSTRAÇÃO DEBORAH PAIVA

Às oito decolou nossa aeronave, um DC-3 da Aeronáutica brasileira. Era um avião agradável, se a palavra pode ser usada para qualificar um avião; novo, sem os estofamentos e cortinas habituais, porém com bancos de pelúcia azul e encostos reclináveis. Tinha capacidade para 24 passageiros e, embora alguns homens desconhecidos tivessem se juntado a nosso grupo, mesmo assim sobrava tanto espaço que podíamos baixar o encosto do banco à frente para nele apoiarmos os pés, como fazíamos nos trens quando crianças. Lá embaixo, o continente descortinava-se em direção ao oeste, um mapa pardacento, em baixo relevo e tamanho natural. Ao longo das rugas do terreno há árvores; os riachos menores são de um tom opaco de verde-oliva. De vez em quando sobrevoamos um trecho mais elevado, com rochas desmoronadas que lembram fortalezas; talvez tenham sido essas formações, observou Callado (1) que deram origem à lenda da cidade perdida que o coronel Fawcett buscava; aquilo era o território de Fawcett. Depois de algum tempo vimos um rio grande e azul, o Araguaia, correndo para o norte, como fazem todos os rios, para juntar-se ao Amazonas, a mais de 1.500 quilômetros dali. Callado, que estava com um traje de dril cáqui, caminhou pelo corredor dando a cada um de nós um comprimido antimalárico, tirado de um frasco enorme: “É mais para efeito psicológico”, ele explicou, “se bem que pode ser que a gente encontre mosquitos transmissores de malária”. Até ficar quente demais, os homens da Aeronáutica permaneceram com suas elegantes túnicas de lã azul-cinzenta, com bibicos da mesma cor. Eram simpáticos e hospitaleiros, e começaram a nos servir comida de imediato: sanduíches, depois jujubas e, por fim, café adoçado servido em copinhos de papel, ao menos três vezes, mas isso é “de rigueur” em qualquer avião brasileiro, e por vezes até mesmo

nos ônibus. Depois o avião ficou cheirando a laranja, quando um aviador simpático descascou uma bandeja inteira de laranjas para nós. ‘Lá-di’ Começamos a ler trechos dos vários livros que havíamos trazido, trocando de exemplares entre nós; mudávamos de lugar para conversar, como quem troca de parceiros numa dança. A jovem intérprete comeu uma barra de chocolate grande e dedicou-se à leitura de uma revista chamada Lady (que se pronuncia “Lá-di”). Ela entregou a revista a Huxley. Havia uma fotografia dele de página inteira, numa entrevista coletiva recente no Rio; na foto, Huxley protegia os olhos e tinha uma expressão muito triste. A mulher dele ficou indignada com a expressão: “Ah, por que será que eles sempre o fotografam com essa cara! Ele não é assim, não, absolutamente!”. O que mais me incomodou foi a legenda em letras garrafais: DIZ O VELHO HUXLEY” e alguma coisa a respeito da paz mundial. Huxley não sabe português, mas sabe espanhol, e eu temia que ele reconhecesse a palavra “velho”, que é parecida nos dois idiomas. Fiquei a debater comigo mesma se seria melhor explicar ou não dizer nada, e resolvi ficar calada. Afinal, naquele contexto a palavra parecia ter uma conotação afetuosa, ou então tinha apenas o sentido de que ele era famoso há muitos anos. (Nas últimas duas semanas, Huxley estava fazendo sucesso no Rio; nas livrarias havia muitos livros seus, em cinco idiomas, e a imprensa só o tratava com elogios rasgados e grande respeito.) Um dos homens que se juntaram a nosso grupo era um tipo exuberante; não conseguia ficar parado em seu lugar, porém andava de um lado para o outro pelo corredor, com um chapéu de gaúcho, de couro, amarrado embaixo do queixo. O outro era um velho miúdo, com orelhas grandes e olhar melancólico. Fiquei sabendo que ele era o homem que deveria ter me recebido no aeroporto dois dias antes; naquele exato momento, ele confessou, era para estar recebendo um grupo que chegava do Rio, mas em cima da hora resolvera vir conosco. Levava uma prancheta em que a primeira folha ostentava o nome “Aldous Huxley” em letras maiúsculas. Apresentou a prancheta a Huxley e lhe pediu que escrevesse uma mensagem – suas impressões de Brasília, ou qualquer outra coisa – para uma coleção de mensagens de celebridades que vinham conhecer Brasília, que ele estava organizando e que seria guardada num museu a ser construído na cidade. Huxley pegou a caneta e começou a trabalhar e, depois de rasgar duas ou três folhas de papel, produziu algumas frases sobre a experiência interessante de voar do passado (as cidades coloniais de Minas) para o futuro,

a novíssima cidade de Brasília. Dois dias depois, esse texto foi publicado nos jornais do Rio como sendo um telegrama que Huxley enviara ao presidente Kubitschek, dando uma impressão um tanto estranha do estilo telegráfico de Huxley. Couve-flor Agora estávamos voando mais para o norte do que para o oeste, e a paisagem havia mudado gradualmente. Sobrevoamos o rio das Mortes, e depois o rio das Almas. A algumas áreas Callado dava o nome de “matas de couveflor”. De fato, vistas de cima, as árvores da floresta lembram couve-flor, e mais ainda brócolis, se bem que nessa região a mata não seja tão fechada nem tenha um tom de verde tão vivo quanto na Amazônia. Por fim, alguém exclamou: “Olha! Uma aldeia indígena!”. E era mesmo: numa clareira junto a um riacho lamacento, lá estavam cinco telhados de folhas de palmeira trançadas e dois ou três botes pequeninos parados na margem. Logo adiante havia uma pista de pouso, uma fita de vermelho desbotado de três ou quatro centímetros largada sobre a selva. Era o posto de Xavantina, uma referência aos índios xavantes, outrora guerreiros ferozes, conhecidos pelas fotos em que aparecem posando numa perna só, com os cabelos em mechas compridas. Nosso destino, porém, era mais adiante: os iaualapitis do posto Capitão Vasconcelos, à margem de um pequeno afluente do rio Xingu. Callado, que era responsável por esse trecho da viagem de Huxley, começou a ficar um pouco nervoso. Explicou-nos que não deveríamos ter expectativas excessivas em relação aos índios que íamos conhecer; afinal, eles estão num posto, são misturados, por vezes cinco tribos diferentes estão lá ao mesmo tempo, e os que moram no posto em caráter permanente “não são interessantes”, segundo ele, como o são os que vivem em suas aldeias, inteiramente isolados. Alguns deles por vezes usam uma camisa ou uma calça (mas para eles o único motivo compreensível para usar roupas é protegerse dos mosquitos), e um dos homens fora levado ao Rio uma vez, para ver o Carnaval.

CURIOSOS

Mais indígenas vinham nos conhecer, às vezes eles nos apalpando discretamente para saber se éramos homens ou mulheres, já que as mulheres do grupo também estavam de calça

Por fim apareceu outra pista de pouso, e outra clareira à margem de mais um riacho, desta vez de águas límpidas, e os telhados eram ovais. Voamos em círculos sobre uma área com buritis e um pé alto de ipê (2) totalmente florido, sem uma única folha – é uma das mais belas árvores florescentes do Brasil. Enquanto o avião descia, víamos os índios saindo das casas e correndo por uma estrada rústica em nossa direção, e quando desembarcamos já havia cinco ou seis homens a nossa espera, seguidos por mulheres com crianças de colo. Estavam muito satisfeitos por nos ver, sorrindo efusivamente, pegando com avidez nossas mãos, a esquerda ou a direita, para apertá-las; dois ou três dos homens disseram “bom dia, bom dia”, em português. Mais índios chegavam o tempo todo e vinham apertar nossas

mãos, com força ou de leve, sorrindo, com expressões deliciosamente francas e alegres, exibindo os dentes quadrados e espaçados. Iaualapitis Os iaualapitis são de baixa estatura, porém bem proporcionados, os homens quase gorduchos, com músculos lisos, ombros largos e peitos lisos e largos. Andam inteiramente nus, usando apenas colares de conchas e cinturões de contas e conchas; as mulheres usam um “cache- sexe” simbólico feito com uma folha de palmeira dobrada, formando um pequeno retângulo com cerca de quatro centímetros de comprimento, sustentado por um fio fino, feito com a mesma palmeira. Esta peça de vestuário quase invisível é importante; por vezes elas param e viram-se de costas para ajustar o fio. O cabelo é

muito abundante e surpreendentemente fino e lustroso; as mulheres usam-no comprido, com uma franja; os homens adotam um corte em forma de cuia. Seus corpos quase não têm pelos; os fios ocasionais que nascem são arrancados. Em sua maioria, os homens tingem mechas de cabelo ou toda a cabeleira com uma tinta vermelha e grudenta feita com urucum, o único corante, e a única cor, que eles possuem; alguns polvilhavam com urucum as orelhas, o pescoço e o peito, de um vermelho bem vivo. A pele é fina e macia, um tom moreno escuro. Algumas das crianças, meninas, tinham duas linhas negras paralelas traçadas nas pernas, do lado de fora, e a testa de uma delas estava pintada de vermelho vivo, dando a impressão de que ela sofria de uma dor de cabeça terrível. Tanto


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os homens quanto as mulheres levam os bebês no colo, e, além de colares de conchas, muitos usam também contas de vidro azul e branco. Um dos bebês, uma menininha de cerca de dez meses, estava encantadora, vestida apenas com um colar de pérolas falsas de seis voltas. Os índios são limpos e cheiram bem (eles tomam banho de rio várias vezes por dia) – porém as crianças têm o rosto imundo, sujo de lama. Apesar disso, os homens da Aeronáutica pegaram as crianças (inclusive a menina do colar de pérolas) do colo dos pais e ficaram a carregá-las. Havia uma atmosfera simpática de reencontro de velhos conhecidos (3). Callado e os pilotos conheciam a maioria dos homens; alguns deles falavam um pouco de português, e uma conversa simples e repetitiva se manteve incessantemente durante toda a nossa visita. Hu-

xley foi apresentado como “um grande capitão (4)” e deixou que o apalpassem com admiração. Havia muita poeira, e o calor era forte; seguimos pela estrada e chegamos a uma área ampla, com chão de terra batida, onde havia quatro casas. Uma enorme porca preta, com seus filhotes, saiu correndo quando nos viu; havia também muitos cachorros magros. Mais índios vinham nos conhecer, olhar para nós e segurar nossas mãos com suas mãos duras e quentes, às vezes nos apalpando discretamente para saber se éramos homens ou mulheres, já que as mulheres do grupo estavam de calça comprida. Todos os índios estavam nus em pelo, com exceção de um velho com uma camisa do Exército e duas moças com vestidos de algodão estampados de florzinhas vermelhas e brancas. Uma delas, de catorze ou quinze anos,

estava já no final da gravidez; a outra, mais velha, era anã ou corcunda, uma criaturinha estranha e melancólica que víamos a toda hora andando de um lado para o outro durante nossa visita, como se trabalhasse mais do que os outros, ou como se quisesse dar a impressão de que era tão ativa quanto qualquer um. Espanto De repente apareceu um homem branco, de meia-idade, magro, com uma barba de uma semana no rosto claro, trajando calça e camisa, porém descalço. Era o responsável pelo posto Capitão Vasconcelos, Cláudio Villas Bôas, um dos três irmãos que trabalham há muitos anos para o Serviço de Proteção ao Índio. Como o rádio estava quebrado, ele só ficou sabendo de nossa vinda quando ouviu o motor do avião, mas não manifestou o

menor espanto até o momento em que viu Huxley. Foram-lhe apresentados Huxley e Laura. Em português, com uma voz fraca, Villas Bôas exclamou: “Mas é o Huxley? ‘Contraponto’?” (5). E por um momento pareceu prestes a desmaiar. Segurou a mão de Huxley e ficou a falar com ele em português, com os olhos cheios de lágrimas. Nesse momento outro homem branco, vestido e descalço, apareceu, saído do nada, um rapaz alto, bonito, com cara de bebê e uma espessa barba negra. Também ele exclamou, só que com um sotaque de inglês de classe alta: “Huxley! Por essa eu não esperava!”. Era um aluno de pós-graduação de Cambridge, historiador, que havia chegado ao posto um mês antes. Estava preparando uma tese sobre os efeitos do contato entre duas culturas diferentes, e também escrevendo um livro. “Ou melhor”, disse ele, “eu tenho mais é que escrever esse livro, porque ele já está vendido”. Seguindo Villas Bôas, todos nós penetramos no interior escuro de uma das casas; ela estava ligada a outra menor, com paredes que não chegavam ao teto e uma mesa grande; e uma terceira cabana conectada a ela fazia as vezes de cozinha. Huxley subiu numa das redes e deitou-se (parecendo muito bem instalado); Villas Bôas ficou de cócoras a seu lado, à maneira dos índios, e, com duas ou três pessoas atuando como intérpretes, começou a falar com Huxley com uma voz enferrujada e nervosa, como se há anos aguardasse uma oportunidade de falar com ele. Nós nos reunimos em torno deles para escutar, e foi uma cena tensa e comovente: a grande cabana escura, o grupo heterogêneo de brancos vestidos cada um a seu modo, o círculo de índios nus e sorridentes, e Huxley, balançando-se de leve, as pernas compridas tocando o chão, passivo e atento. Villas Bôas disse-lhe que tinha lido todos os seus livros já traduzidos para o português, falou da importância que sua obra tivera para ele e passou a discorrer sobre os livros do avô de Huxley (6). Então falou sobre os anos em que vinha trabalhando no Serviço de Proteção ao Índio, como é difícil ajudar os indígenas, uma batalha perdida contra a doença e a corrupção; mesmo com a ajuda dos médicos do Exército, ele vive com medo de infecções trazidas por forasteiros, pois basta uma pessoa com sarampo, por exemplo, para dizimar várias aldeias. Os índios não são proprietários de terra alguma; não há reservas onde eles possam se refugiar se as terras em que eles vivem forem vendidas. Embora isso provavelmente não vá acontecer tão cedo, o fato é que a terra está sujeita à especulação, e a criação de Brasília fez com que essa possibilidade ficasse mil quilômetros mais próxima. Em toda a região do Xingu, calcula Villas Bôas, só devem restar agora cerca de 3.500 índios. Polaroid Laura Huxley, que havia saído da casa, estava aproveitando sua Polaroid; aqueles índios sa-

biam muito bem o que era uma câmara fotográfica e gostavam de posar, enfileirados, um com o braço no pescoço do outro. Os que estavam do lado de dentro se reuniam em torno de nós, não exatamente pedindo, mas certamente desejando os presentes que sabiam que havíamos trazido, e um pouco constrangidos distribuímos nossos míseros cigarros, fósforos e dropes Salva-Vidas. Uma mulher a toda hora me beliscava de leve, pedindo: “Caramelo? Chocolate? Caramelo?” (7) e lamentei não saber que esses doces eram os prediletos. As redes estavam se enchendo; o homem com o livro “Platão” estava reclinado numa delas, um dos pilotos brincava com um bebê em outra, e o homem do chapéu de gaúcho ocupava uma terceira rede com outro bebê, que agora estava usando o chapéu. Também eu me deitei numa rede e olhei para cima. Os telhados altos são muito bem-feitos, com folhas de palmeira dobradas sobre galhos horizontais, formando camadas superpostas, e a cúpula extensa se sustenta no alto com uma armação de galhos que não foram descascados. Ali havia pombos, que arrulhavam, e um casal de periquitos. Uma espetacular arara azul e amarela, empoleirada na parede da sala de jantar, encarava-nos e falava sem parar em nu-aruaque, imagino – o grupo linguístico a que pertencem os iaualapitis. Alguns mutuns –uma espécie de peru, negro e reluzente, com uma crista que parece um pente com bolas nas pontas e manchas verdes dos dois lados da cabecinha elegante – andavam por entre nossas pernas, a cacarejar. A sombra, as vozes contidas, as carícias e os sorrisos e as redes a balançar-se, tudo inspirava tranquilidade e devaneio, uma sensação terra a terra, até mesmo nostálgica, de estar de novo no chão depois de três horas de voo. Ouvi um índio fazendo perguntas ao aviador na rede ao lado da minha. Ele queria saber o nome de Huxley, qual das mulheres era dele e quantos filhos eles tinham. O aviador respondeu às perguntas; o índio ficou examinando Huxley, a sorrir, repetiu todas as perguntas e recebeu as mesmas respostas. (As conversas com os índios, explicaram-me, têm o andamento de uma geleira. Uma narrativa simples pode se prolongar por horas, até mesmo por dias.) Como sabe todo aquele que já viu fotos de Huxley na capa de seus livros, ele é um homem muito bonito, aristocrático, mas a opinião final do índio, expressa, com muito tato, em voz baixa, foi: “Feio” feio” “. E naquelas circunstâncias Huxley não parecia feio, e sim muito alto, branco, refinado e deslocado. Depois de algum tempo saímos e fomos até o rio, onde alguns dos nossos foram nadar, e os índios, sociáveis, caíram n’água também. Normalmente as aldeias ficam a uma distância de mais de um quilômetro dos rios, para fugir dos mosquitos, e a população inteira atravessa a floresta, enfileirada, todas as manhãs, ou de manhã e à tarde, para tomar banho de rio. Um índio jovem era visitante da tribo dos caiapós, que está

em contato com os brancos há apenas dois anos. (Ainda estão sendo contatadas tribos novas, enquanto outras já são conhecidas há dois séculos.) O visitante usava calça e camisa, cabelo longo escorrido nas costas e amarrado com uma fita branca, e no lábio inferior uma placa oval de madeira, com dez centímetros de comprimento, tingida de vermelho do lado de baixo. Era um rapaz alegre, conversador (“Simpático, mas meio bobo”, Callado observou); quando lhe pediram que posasse para uma foto, teve a delicadeza de despirse. Quando veio nadar conosco uma espécie de nado de peito, jogava água dentro da boca com a placa de madeira, bebendo como se fosse um pato. O rapaz inglês chamava-o de “Ronny”, um nome relativamente parecido com seu nome indígena cheio de vogais. Como estávamos no final da estação da seca, a água do riacho batia apenas na cintura, mas o fundo estava limpo e arenoso, e havia ondulações verdejantes no terreno, trepadeiras e touças de palmeiras delicadas; lembrava as xilogravuras nos livros antigos sobre explorações. O barco de “Ronny” estava na margem, cheio de maços de folhas de palmeiras que ele levaria para sua aldeia. A construção do barco era simples: um tronco de árvore é cortado ao longo do comprimento e escavado com cunhas; a casca da árvore é então rasgada com gravetos, as pontas dobradas para cima, deixa-se a madeira secando e pronto, sem muito trabalho temse uma ótima canoa leve. Depois fomos para a margem, tirando mais fotos. Os índios adoraram as fotos da Polaroid (quem vai à floresta deve sempre levar uma câmara Polaroid e bastante filme) e por um triz não as rasgavam para ver logo como tinham saído; alguém surrupiou com muito jeito do bolso de Huxley algumas fotos que não ficaram boas, guardadas ali por Laura. Uma nuvem de borboletas pierídeas de um amarelo claro pousou, trêmula, na lama úmida à beira-rio, como se fosse o início de uma regata; entre elas havia alguns exemplares magníficos de uma espécie que eu não conhecia, que quando fechava as asas ficava idêntica a uma folha prateada seca e, quando as abria, eram duas faixas de veludo de um tom vivo de vermelho rosado. Huxley ficou entusiasmado com essas borboletas, abaixando-se lá do alto para examiná-las de perto com sua lupa. Então fomos chamados para o almoço: as salsichas que havíamos trazido, uma panela de feijão-mulatinho e duas travessas de arroz mal cozido. (A comida habitual é mandioca; o arroz fora um presente recebido pouco antes.) “Ronny” vestiu as calças e ajudou a nos servir, enchendo de água os canecos de metal, manejando a concha cheia de feijão aguado, enquanto o disco de madeira no lábio subia e descia de modo simpático. Os índios impediram que a arara azul e amarela pulasse sobre a mesa e ficaram bem perto de nós, observando cada bocado e sorrindo enfaticamente cada vez que alguém olhava para eles.

Notas 1. O jornalista e escritor Antonio Callado (1917-97), autor de “Quarup” (1967), membro da comitiva que acompanhava Aldous Huxley (Nota da Redação). 2. Bishop escreve “îpé”.* 3. No original, “OldHome-Week atmosphere”, referência a uma tradição

da Nova Inglaterra, em que antigos moradores de uma cidadezinha retornam a ela por uma semana para reencontrar amigos de infância. (N.T.) 4. Em português no original.* 5. O título do livro está em português no original.*

6. Thomas Henry Huxley (1825-95), biólogo, grande defensor da teoria da evolução de Charles Darwin.* 7. Em português no original.*

*Nota da tradução.


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Imaginação

PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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RESUMO

Ah, a inveja! Abertura da peça ‘Um Réquiem para Antonio’

DIB CARNEIRO NETO ILUSTRAÇÃO ZED NESTI

(Uma noite qualquer do ano de 1825, ano da morte do compositor italiano Antonio Salieri. Um quarto amplo. Quando a peça começa, Salieri está falando sozinho, divagando de forma meio débil e delirante. Wolfgang Amadeus Mozart está ao piano e sua presença ainda não é percebida por Salieri. Toda a peça se passa dentro da cabeça de Antonio Salieri.) Antonio Salieri (velho, abatido, dirigindo-se até a sua cama para deitar, faz um solilóquio inicial) “’ Ah, a inveja... Brota de que órgão do nosso corpo esse sentimento viscoso e gosmento? Não creio que o mais abnegado dos praticantes da ciência e da medicina saiba nos responder ao certo. O coração já é por demais bombeado por todo tipo de artérias emaranhadas e amores difíceis... Prefiro acreditar que bastaria um mero jato de sangue bom para expulsar dali qualquer cancro modorrento como a inveja... O fígado? Também não. O fígado é fábrica de bile: vive ocupado em depurar a mais variada gama de líquidos diabólicos que nos inebriam desde a mais tenra idade. Que ilusão infeliz de que nos salvará de nossas ameaças mais etílicas... O estômago? Não: a inveja, ácida, não se dissolve nem com suco gástrico. É tão corrosiva como se fosse abrindo crateras estéreis na superfície da vida, uma estrada esburacada de insatisfação e de incompletude... Pulmões? Talvez, pois me falta ar toda vez que cobiço o que não tenho... Intestino? Pode ser também, já que a inveja, delgada, se enrosca e se enovela em mim, cada vez mais fétida... Ao menos se eu não tivesse nem olhos nem ouvidos, para ficar pouco exposto a esse sentimento torpe... Quem sabe se eu mesmo me arrancar as pupilas agora mesmo e sangrar meus tímpanos, como nos arroubos dos personagens míticos da velha Grécia, sempre guiados pelas forças da natureza... Mas cegos e surdos não invejam justamente os que têm olhos e ouvidos? Aaaaaaaai de mim! Ah, a inveja que me apodrece os ossos... Se fosse concreta, ela teria o gosto e a consistência daquelas poções fumegantes de bruxas encarquilhadas... Um caldeirão no fogo, unhas de felino, asas de morcego, ranho de hipopótamo, merda de elefante... Oh, deuses do além, preciso com urgência de três bruxas

de rostos desfigurados e de malignas imprecações! Venham sem demora! Venham, moiras! Venham, górgonas! Triturem meu cérebro em vida, oh, vermes insensíveis, para que meus pensamentos fiquem ocos de todo conte-

údo. Para que eu não perca mais um só minuto tentando compreender e compreender e compreender o que parece não comportar nenhuma explicação plausível... Querer ser o outro. Não há melhor exemplo do autoengano que

assola a humanidade. Pois se Deus assim nos fez, Deus assim nos quer. Ou não? Somos o ‘Seu’ exército de soldadinhos de chumbo, cada qual diferente do outro: nunca dois serão iguais, para deleite de um Deus cruel que nos cria

Este é o trecho inicial da peça inédita “Um Réquiem para Antonio”, que estreia no próximo dia 17 no Tucarena (São Paulo), em montagem dirigida por Gabriel Villela. Elias Andreato faz o papel do compositor italiano Antonio Salieri (1750-1825), e Claudio Fontana, o do austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-91), no texto que recupera o tema da relação mítica de inveja entre os dois músicos.

díspares justamente para que desejemos o que não temos... Pois é isso! É de Deus que brota a inveja! É desse Deus que implantam dentro de nós, desse carrasco que instalam em nossas entranhas, é Dele que nasce a inveja! E, por

ironia do criador, é para Ele próprio que ela se volta, pois quem é que não inveja Deus?! Mozart é Deus, estás me ouvindo, Wolfgang? Antonio Salieri quer ser o Deus Mozart, estás me ouvindo ainda, Wolfgang Amadeus?


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