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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.400 – DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
SÃO JÚLIO
THIAGO BERNARDEES/FRAME
SALVA BRASIL
Júlio César, apontado como responsável pela eliminação do Brasil para a Holanda, na Copa de 2010, se redime ao defender dois pênaltis que colocaram o Brasil nas quartas de final
O Brasil venceu o resistente Chile no primeiro jogo do mata-mata e avança às quartas de final. Foi uma vitória dramática, com empate no tempo normal por 1 a 1. “São” Júlio César fez milagres, se redimiu da falha na Copa do Mundo de 2010 e defendeu duas cobranças de pênaltis, garantindo a vitória brasileira (3 a 2) sobre a “La Roja”. No entanto, o alerta vermelho está ligado. Para conquistar o hexacampeonato, a seleção precisa melhorar muito. Ontem, foi salva pela sorte. Pódio Jornal da Copa D4 e D5
LUIZ MAXIMIANO
QUARTAS DE FINAL
Colômbia vence e pega o Brasil No retorno do Uruguai ao Maracanã, brilhou a Colômbia, que venceu com dois gols de James Rodríguez. Agora, pega o Brasil, sexta-feira, na semifinal. Pódio Jornal da Copa D6
James Rodríguez fez mais dois e agora é o artilheiro da Copa com cinco gols
É
Torcida respira aliviada A torcida brasileira respirou aliviada depois de momentos dramáticos. A festa explodiu assim que Jara perdeu o pênalti. Pódio Jornal da Copa D9
D O M I N G O DIVULGAÇÃO
H O J E
BRASIL
Quem vai a Parintins não resiste ao delicioso bodó, principalmente quando vem mergulhado no tucupi. O prato é uma atração à parte do Festival Folclórico.
Livros e documentários sobre as mobilizações de rua pelo país há 1 ano traçam retrato de movimentos que tiveram particularidades em cidades como Rio e São Paulo.
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.
Idosos que bebem chá-verde regularmente têm menor risco de fragilidade física e incapacidade funcional. Pelo menos é isso que comprova um estudo japonês. TEMPO EM MANAUS
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Bois encerram festival FOTOS: IONE MORENO
Última noite do 49º Festival Folclórico de Parintins traz novidades nas apresentações de ambos os bois-bumbás, Caprichoso e Garantido, que prometem aprofundar ainda mais no universo de cada tema escolhido para este ano
Bumbá vermelho e branco revela alegorias que vão desfilar em sua terceira apresentação IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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a última noite do 49º Festival Folclórico de Parintins, hoje, o Caprichoso inicia o embate e vai revelar os mistérios da floresta com o “Reino das Encantarias”. O Garantido encerra o festival com a celebração da diversidade religiosa do povo brasileiro, resultado da contribuição cultural de indígenas e africanos. Na primeira noite, o bumbá azul e branco deu asas à imaginação e povoou a arena com seres encantados e sagrados presentes na memória dos povos nativos. Sempre reverenciando o poder do pajé e suas viagens ao mundo espiritual durante os rituais xamânicos. A noite foi de reestreia para o veterano Arlindo Júnior no posto de apresentador, da Sinhazinha Karyne Medeiros e a substituição de Edilson Santana, por Júnior Paulain como amo do boi. Além de cenas inusitadas, no compartilhamento da arena entre Arlindo Júnior e o levantador David Assayag, “arquiinimigos” em um passado não muito distante. A primeira alegoria trouxe criaturas encantadas, acompanhada de uma cobra grande, com mais de 20 metros de comprimento, que representava a mediação do sol e lua - conforme a lenda do povo mawé. Além da boiúna, do grande Tupana, o Deus do bem e criador dos primeiros astros, representado por um boneco de cerca de 20 metros de altura, que trouxe consigo a rainha do folclore, Brena Dianná. Outra alegoria que chamou a atenção foi a “Morada dos Encantados”, dos artistas Kennedy Moraes e Ney Meireles. Eles construíram uma árvore rodeada de seres encantados. Dela, surgiu a sinhazinha, o amo e o boi, que apareceu na copa da árvore. Após o surgimento dos itens,
a arena foi tomada por 100 bailarinos, com idade de 8 a 19 anos, do Liceu de Artes do Caprichoso. Esta foi a primeira vez na história do boi que os bailarinos utilizaram sapatilha de ponta no espetáculo. A coreografia do grupo foi elaborada pelos artistas Irian Butel, Gledson Oliveira, Neta Ribeiro e Idelin Menenzes. “Nosso desafio maior foi unir o clássico ao popular. A reunião deles prova que a arte não tem fronteira e te emociona”, disse Butel. A grandiosidade e riqueza de detalhes compuseram a alegoria do ritual indígena, de Ozeas Bentes. Nela, quatro pajés fumavam enormes cachimbos, que se transformavam em gaviões,
Garantindo a ‘brasilidade’ De acordo com a programação divulgada pela agremiação, o primeiro carro a ocupar a arena será “Brasilidade”, construído pela equipe do artista Antônio Cansanção. Seguido da Lenda Amazônica com a alegoria “Naiá, flor das águas”, de Francinaldo Guerreiro. A figura típica regional será representada pelo carro “O Vaqueiro”, de Vandir Santos. E, no quesito ritual indígena, a alegoria “Couro dos Espíritos”, de Jair Mendes Filho, deve ser a última a entrar na arena. Na noite de estréia, o bumbá vermelho e branco defendeu a tolerância e o respeito à fé herdada pelos brasileiros dos pri-
COMBATE
O novo amo do boi azul, Júnior Paulain, que no ano passado era apresentador, aprova a apresentação do bumbá. Ele busca combater o contrário com os versos cada vez mais fortes
Noite de duelo com versos Já na primeira noite, o amo do Garantido, Tony Medeiros, não “refrescou” para o estreante do contrário e o presenteou com versos satirizando a nova fase de Júnior Paulain, como amo. “Foi uma noite muito proveitosa e estamos em busca do bicampeonato”, afirmou emocionado Medeiros. “Celebração da fé” foi a toada defendida e criada pelo levantador, Sebastião Junior. “Como irei concorrer com música da minha autoria, fico mais tranqüilo e aliviado. Conheço a música, a letra, sei os traços, diferente de ter que decorar”, salientou o artista. Diferente do boi azul,
lobos e seres encantados. Conforme o ritual Anag’wag, o fumo é utilizado pelos pajés como uma ponte com os espíritos protetores e, assim escolher o padrinho dos recém-nascidos da tribo. Incidente Um contratempo sofrido pela agremiação foi o problema na alegoria que trazia a porta estandarte Raíssa Tupinambá. Nervosa com o susto, ela foi atendida fora da arena por uma equipe, mas logo retornou para o centro do espetáculo. Há 20 minutos de encerrar o tempo limite, apenas a marujada e o apresentador Arlindo Junior permaneciam na arena. O que fez Arlindo conceituar a estreia do boi como uma “apresentação enxuta”.
meiros habitantes que colonizaram o país, exibindo imagens de Nossa Senhora do Carmo, símbolo de religiosidade da fé católica, acompanhada de Oxalá, entidade presente nas religiões de matriz afro e do Pajé, líder espiritual dos indígenas. Da indumentária da santa, surgiu a rainha do folclore, Patrícia de Góes. Um Boi Garantido “tamanho família” sobrevoou a arena de carona em um inseto gigante. A última alegoria foi uma escultura que representava o Pajé dos Pajés e, por pouco, não encostou na estrutura de ferro do bumbódromo. Do carro surgiu o pajé André Nascimento.
Boi Garantido aposta em tocar o coração dos brincantes
que deixou a arena sem pressa, houve momentos que os integrantes do Garantido desconfiaram que o espetáculo poderia ultrapassar o tempo previsto no regulamento, correspondente a 2h30. Contudo, a agremiação conseguiu seguir a norma e também abandonou o espaço no tempo previsto. Ao fim, o coordenador da comissão de arte, Fred Goes, mostrou-se satisfeito com o resultado. “Não temos como ensaiar este espetáculo todo. Na hora uma coisa ou outra não sai como esperado, mas não considero anormal, o importante é que emocionamos o público”, acredita.
Efeitos especiais marcam apresentação mística do Caprichoso
SOUL
POLÍCIA
Três mortes registradas na sexta A aposentada Maria Luisa Nascimento Reis, 89, foi atropelada na tarde de sexta-feira (27), quando tentava atravessar a rua Ajuricaba, no município de Novo Airão (a 115 quilômetros de Manaus). A vitima morreu no local. O motorista fugiu após o acidente e ainda não foi identificado. De acordo com a Secre-
“Reino das Encantarias” é o subtema para a última noite de espetáculo do boi-bumbá azul
taria de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), um detento morreu no início da noite de sexta, dentro do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), após uma briga entre presos, pouco depois dos internos terem sido recolhidos de volta às celas. O nome e idade do detento morto não foram divulgados. O ajudante de pedreiro
Fábio Cardoso da Silva, 29, ‘Nenê’, foi assassinado na mesma noite, na rua Polivalente, bairro Japiim, Zona Sul de Manaus. Segundo testemunhas, o criminoso desceu de uma motocicleta, disparou quatro tiros e fugiu. A vitima ainda chegou a ser levada para o hospital 28 de Agosto, mas não resistiu aos ferimentos.
Morre o cantor Bobby Womack O cantor americano de soul music, Bobby Womack, morreu nesta sexta-feira (27), aos 70 anos de idade, nos Estados Unidos. Um representante de sua gravadora, XL Recordings, confirmou a morte à revista americana especializada em cultura, arte e comportamento, “Rolling Stone”, mas disse que as causas ainda eram desconhecidas. Womack tocou guitarra em
gravações de artistas mundialmente reconhecidos. entre eles, destacam-se nomes como os de Elvis Presley, Aretha Franklin, Marvin Gaye, Jimi Hendrix e Janis Joplin e, além disso, Bobby Womack foi o autor do primeiro sucesso da banda inglesa The Rolling Stones, um cover de “It’s All Over Now”. No ano de 2010, o cantor participou do projeto Gorillaz, de Damon Albarn,
vocalista do grupo Blur, que coproduziu seu último disco “The Bravest Man in the Universe”. O cantor amerciano esteve pela primeira vez no Brasil no ano passado. Na ocasião, ele veio como convidado a participar do festival Back2Black. Neste ano, Bobby Womack tocou no prestigiado festival de jazz da cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos.
Opinião
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Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Gente, olha o respeito! O brasileiro respeita mais jogador de futebol do que político, por uma questão de fidelidade. É certo que o jogador não tem mais aquele tipo de religiosidade com o seu time – “uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, ou nacionalino, rio-negrense etc. – e está cada vez mais atualizado com as leis do mercado – quem dá mais leva. É o que acontece com o político, quando se aproxima o “campeonato” das eleições. Não se vê, nunca se viu, embora algum dia ainda se testemunhe, jogador abandonar a disputa se “vender” para o adversário. Não foi à toa que os brasileiros adotaram a filosofia da vaca – mascando chicletes e andando – com relação vendas, trocas e aluguéis de políticos e siglas que aconteciam durante a Copa do Mundo. Não se deu a mínima. O índice de quem não sabe em quem votar e de quem não votar em nenhuma hipótese continua alto. Até porque não existe em que ou em quem focar, diferente do futebol, em que o torcedor está sempre de olho e exerce cobrança em cima do lance. Os cartolas da política seguem o padrão ético da Fifa, que não tem camisa nem torcida organizada que não seja patrocinada pelo dinheiro público. Além de uma arrogância de fazer inveja aos mais impiedosos coronéis de barranco. Quando um jogador sai do Brasil para jogar no primeiro ou no último dos mundos, sabe-se que ele está “vencendo na vida”, sem nenhuma hipocrisia. O político vence na vida, mas sob sigilo de Justiça: ele é eleito na favela, com a feijoada dos amigos, e mais do que de repente, começa a falar em vinho francês, embora ainda tenha a boca suja de açaí. A Copa do Mundo, ao contrário do que se comenta, não está alienando o povo brasileiro da política. O povo brasileiro está jogando futebol. A política é que sempre esteve divorciada do povo, que já nem pode mais ir aos estádios.
A Copa engoliu o boi O Festival de Parintins não repetiu o sucesso de público dos outros anos. Pode até melhorar, mas até a primeira noite a ilha ainda estava meio que esvaziada, se comparada aos anos anteriores. Os comerciantes foram os que mais reclamaram: — Este ano a Copa do Mundo engoliu o boi! Estreia no boi A deputada Rebecca Garcia (PP) fez ontem, no bumbódromo de Parintins, a sua primeira aparição pública ao lado do pré-candidato Eduardo Braga (PMDB-AM), ao governo do Estado. Passado Rebecca estava irradiando felicidade e, se alguma vez teve alguma rusga contra o senador, isso é coisa do passado. Maltratada Um jornalista ligou para a CONTEXTO e lamentou. — Dá pena encontrar Parintins assim. A cidade está maltratada e no abandono. Tábua de pirulito De acordo com o repórter, a ilha está cheia de buracos e poças de lama. — Aonde a gente vai, os moradores reclamam que a cidade está jogada às traças! Salve simpatia O calor humano, a simpatia e a solidariedade do manauense continuam sendo divulgados no mundo agora. O texto de uma reportagem publicada no exterior cita como exemplo uma cena interessante. Salve simpatia 2 Um canadense perdeu a
carteira com documentos, cartões de crédito e dinheiro, recebeu o objeto de volta em menos de 20 minutos. O fato surpreendeu a todos, inclusive a quem anunciou a perda no microfone do largo. Fascínio Do zagueiro da Bélgica, Nicolas Lombaerts: — O Brasil é um país legal. A coisa mais bonita do Brasil é a natureza. Eu gostaria de visitar a Amazônia, mas infelizmente não temos tempo de conhecer muitas coisas. Socialistas O presidente do Partido Socialista Brasileiro do Amazonas (PSB-AM), Marcelo Serafim, participou, nesta sexta-feira, em Brasília, do Congresso Nacional dos segmentos do partido que aconteceu na Ala das Comissões da Câmara Federal, durante o dia todo. Crime genético Uma companhia de petróleo e um instituto médico estadunidense teriam extraído, sem autorização, pelo menos 3,5 mil amostras de sangue de 600 indígenas equatorianos com características genéticas únicas, segundo uma investigação do governo equatoriano. O crime aconteceu na década de 70, mas só agora veio à tona.
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
DNA vendido A denúncia foi feira pelo portal Vermelho, do partido Comunista do Brasil (PCdoB). O Equador ratificou a acusação contra as entidades norte-americanas que também teriam vendido o DNA dos indígenas amazônicos a oito países. Década de 70 O portal confirma que o presidente equatoriano, Rafael Correa, afirmou, no último dia 20 de junho, que as amostras foram retiradas a partir da década de 1970, “em parceria com uma petroleira que operava nestes territórios, a Maxus”. Acusados Estão envolvidos no caso a Escola de Medicina da Universidade de Harvard e o americano Instituto Coriell dedicado à pesquisa médica. Isto é que é Coca-Cola do Brasil espera que a Copa do Mundo deixe como legado a ampliação do uso do PET reciclado para 100% de sua produção de garrafas. Sustentabilidade A empresa é parceira da Fifa em ações de sustentabilidade durante o torneio de futebol. E desenvolve, pela primeira vez no evento, a reciclagem de todo resíduo descartado dentro dos estádios, nas 12 cidades-sede.
VAIAS
Politicamente correto
Regi
Prefeitura de Parintins DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
Para o manauense anônimo que encontrou uma carteira recheada de Euros, documentos e cartões de crédito, no largo São Sebastião durante a farra da Copa e devolveu ao seu dono, um turista canadense.
Para a Prefeitura de Parintins que, em plena a semana de festival folclórico – quando a ilha recebe milhares de turistas —, deixou a cidade abandonada, cheia de buracos e de lixo. Uma vergonha!
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
A pedagogia da Copa E a Espanha, quem diria, de campeã da Europa e do Mundo, como a Greta Garbo, também acabou em Irajá. Mas isso faz parte do jogo e tem acontecido com as melhores famílias, ou ainda com as melhores seleções. Neste caso específico, acho que houve um erro de planejamento que, em longo prazo, veio a manifestar seus resultados somente agora, porque somente agora toda a constelação de fatores se juntou, se articulou e gerou a situação a que assistimos. Como a Alemanha está na moda (e parece que segue em frente na Copa), atrevo-me a dizer que se produziu a “gestalt” que veio para aniquilar o sonho espanhol do bicampeonato. Há 4 anos, a Espanha formou um time competitivo e logrou faturar o troféu mundial da Fifa. Depois disso, empolgada, sonhou em centralizar em seu território “la crème de la crème” do futebol mundial e começou a importar, literalmente a peso de ouro, o que havia de melhor e mais refinado mundo afora porque, mesmo enfrentando uma crise econômica, ainda é um país do primeiro mundo, com uma população louca por futebol, disposta a lotar os estádios e a sustentar os seus clubes. Resultado previsível: a Espanha se tornou a Meca visada pelos melhores jogadores de todo o mundo e passou a apresentar o mais requintado jogo, utilizando material importado e esquecendo-se de investir na “prata da casa” e de atentar para a necessidade de formar equipes genuinamente espanholas. Enquanto pôde dispor de todas as estrelas que comprou, faturou os torneios que disputou, inclusive a cobiçada “Champions League”. Mas eis que chegou a Copa da Fifa, quando cada país pode inscrever
somente jogadores nacionais ou naturalizados. Nesse momento Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo e tantos outros foram requisitados por seus próprios países e a seleção espanhola sofreu uma perda de qualidade enorme, precisamente porque não produziu os jogadores nacionais de que iria necessitar. E como não plantou, não pôde colher. Realmente muito triste o espetáculo que a Espanha apresentou ao mundo. Não que o mundo não o merecesse, mas a Espanha sim, não merecia dar tamanho vexame. Ora, direis certamente que outras seleções de larga tradição também decepcionaram pelo desempenho que apresentaram, mas as outras não se encontravam na mesma situação porque não eram detentoras do título mundial e nem tinham a condição de ostentar o rótulo que já foi do Brasil, de abrigar o melhor futebol do mundo. A Espanha não estava necessariamente obrigada a sagrar-se bicampeã mundial, mas estava sim obrigada a desempenhar um papel mais adequado à sua condição no concerto do mundo futebolístico. Pelo menos evitar as goleadas vergonhosas e retardar sua eliminação até uma etapa mais à frente. Como diz a voz do povo, quem logra atingir altos patamares obriga-se a cuidar-se mais, pois lá de cima a queda costuma ser mais trágica. Sabemos muito bem disso porque em alguns momentos criamos grandes expectativas que não conseguimos cumprir. Não dá para esquecer 1966. Nem 1950. Mas o mundo é uma bola e sempre está a dar voltas. Assim, a Espanha um dia voltará a ser realmente competitiva. Até lá, vamos lembrar que ela é a pátria de Dom Quixote, o que está longe de ser pouca coisa.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
A Espanha não estava necessariamente obrigada a sagrarse bicampeã mundial, mas estava sim obrigada a desempenhar um papel mais adequado à sua condição no concerto do mundo futebolístico. Pelo menos evitar as goleadas vergonhosas e retardar sua eliminação até uma etapa mais à frente”
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Opinião
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Frase
Painel
BERNARDO FRANCO MELLO (INTERINO)
Agenda eleitoral
Nós precisamos de uma reforma política. É preciso trabalhar para moralizar a questão da política. Estamos vivendo um momento de muito descrédito da política brasileira. Aos olhos do povo parece uma coisa vergonhosa. (...) Negar a política é a pior coisa que pode acontecer. A desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta. Temos que gostar e praticar a política.
Candidato à reeleição, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), turbinou as viagens oficiais para se aproximar do eleitorado do interior. Nos últimos cem dias, ele marcou compromissos em 89 municípios. No mesmo período do ano passado, esteve em apenas 52 cidades. O aumento é de 71%. Há duas semanas, o tucano viajou 880 km só para inaugurar uma unidade de Poupatempo em um shopping de Barretos e voltar à capital. Sua campanha será lançada oficialmente hoje.
Maratona Em um mesmo sábado de março, Alckmin visitou sete cidades do interior. Em três delas, entregou apenas um ônibus escolar.
verno. O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, é um dos que dizem ter desistido de disputar vaga na Câmara.
cial de Alckmin.
Mais um Aliados de Gilberto Kassab (PSD) ainda consideram possível arrastar o PV para o palanque Na bronca Os dedo candidato do PMDB Saindo da toca ao governo paulista, putados estaduais do PSB redigiram maniApenas 11% dos even- Paulo Skaf. festo contra a decisão. tos oficiais do tucano Pelo braço O vice- Eles queriam apoiar nos últimos cem dias Michel o aecista Pimenta da foram realizados no presidente Palácio dos Bandei- Temer (PMDB) pro- Veiga (PSDB) e acurantes. No mesmo pe- mete rodar o interior sam a cúpula da leríodo do ano passado, do Estado com Skaf. genda de se dobrar a 20% das solenidades Quer acelerar o enga- Marina Silva. aconteceram na sede jamento de prefeitos e O retorno Absolvievitar que eles sejam do governo. seduzidos pelo gover- do no julgamento do mensalão, o ex-depuConsolação Des- nador. tado Paulo Rocha (PTpejado da direção do Rede furada O PSB PA) voltará a concorrer Procon para dar lugar a um afilhadode Cel- mineiro sofre uma de- ao Senado. Em 2010, so Russomanno (PRB), bandada de candida- ele teve os votos anuPaulo Arthur Góes ga- tos a deputado após lados por ser considenhará um novo cargo. o anúncio de que terá rado ficha-suja. Será assessor espe- chapa própria ao go-
Tiroteio
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, em discurso a militantes petistas na Bahia, ontem, reconheceu que é preciso fazer a reforma política que o PT há dois anos no poder não fez.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ
A Arena da Amazônia Vivaldo Lima, a Arena Vivaldão, tornou-se tão autossuficiente que nem os estádios (não arenas) construídos para os treinos das seleções que jogaram em Manaus precisaram ser usados. Os times já chegaram treinados, para não haver atrasos. E os estádios não foram abertos nem para um joguinho inocente para matar o tempo
Dom Sérgio Eduardo Castriani É interessante ver que na democracia defendida pelo governador de Minas dois diretórios estaduais valem mais do que 25. DO DEPUTADO DUDU DA FONTE (PP-PE), em reposta a Alberto Pinto Coelho, que considerou antidemocrática a decisão do partido de apoiar Dilma Rousseff.
Contraponto
Eu também quero! Em 1998, quando se candidatou ao governo paulista, Paulo Maluf prometeu dar carros populares a todos os jogadores da seleção se o Brasil vencesse a Copa. – É uma tradição minha desde 1970 – gabou-se. Após o tricampeonato no México, o então prefeito doou 25 Fuscas aos jogadores e para uma parte da comissão técnica. Tudo com dinheiro público, é claro. – O Maluf foi pé-quente em 70, espero que também seja agora – animou-se o técnico Zagallo, acrescentando que o incentivo também deveria valer para ele. Faltou um detalhe: o Brasil perdeu a final para a França. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Pedro No Dia de São Pedro acontecem procissões fluviais para homenagear o mais famoso dos pescadores. Homens e mulheres que se dedicam e vivem desta que é das mais antigas atividades humanas se identificam com este Galileu que foi elevado a pedra da Igreja pelo próprio fundador, o Cristo Jesus. Pescadores são homens acostumados às intempéries, enfrentado tanto as calmarias quanto os temporais. São pessoas que sabem conviver tanto com a pesca abundante ou com o insucesso de uma pesca frustrada. Conhecem o tempo e as estações, vivem ao ritmo das águas. Acostumados ao silêncio da espera podem ser impulsivos e corajosos. Em geral são pobres. Como os garimpeiros e outros coletores. Vendem tudo o que conseguem com um esforço insano e às vezes nada tem em casa para comer. Trabalham incansavelmente. Conheci comunidades de pescadores no Solimões que depois de terem feito a limpeza do leito do rio, num trabalho inimaginável e impossível de se descrever, se revezam dia e noite lançando as redes, não se importando com as condições climáticas. Ultimamente as leis trabalhistas contemplaram os pescadores e durante o período do defeso são considerados desempregados e com direito a receber o seguro. Mas se isto ajuda não diminui as exigências da profissão tanto para os que vivem em comunidades ribeirinhas quanto para aqueles que passam dias e semanas nos barcos de pesca, vivendo em espaços exíguos e com limitadas condições de higiene e alimentação. A Organização das Nações Unidas reconheceu recentemente a
importância da pesca artesanal para a alimentação da humanidade, e ainda constatou que grande parte dos pescadores são mulheres. Para quem vive no meio das águas nada mais natural que reconhecer a importância desta imensa legião de pescadores. Conhecendo a sua vida conseguimos vislumbrar as razões de Jesus ao transformar Pedro em pescador de homens. Acostumado às longas esperas, não desanimaria diante dos fracassos aparentes, nem mesmo os pessoais como demonstrou ao se arrepender de ter negado o mestre. Depois da morte de Jesus volta a pescar, e na atividade retomada encontra o ressuscitado que vai confirmá-lo na missão. E a sua missão será a de confirmar seus irmãos na fé, a de incentivá-los na obra evangelizadora, a conserválos na unidade. Esta é a missão do papa. É Dia de São Pedro é também Dia do Papa. Nos subterrâneos da Basílica dedicada ao pescador estão seus restos mortais. É o fato de ele ter sido sepultado naquele lugar que justifica tudo o que foi construído nos últimos séculos. A Igreja católica acredita que Pedro é fundamento, é Pedra de um edifício que se é espiritual é também humano. Obra do Espírito, também acontece pela ação de homens e mulheres concretos que são as pedras vivas desta construção. É bom não esquecer que a história da igreja começa com um punhado de homens e mulheres muito humanos, entre eles um pescador muito parecido com os pescadores de todos os tempos, inclusive os que hoje continuam pacientemente a consertar e lavar redes à margem de toda agitação das grandes metrópoles.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Dia de São Pedro é também Dia do Papa. Nos subterrâneos da Basílica dedicada ao pescador estão seus restos mortais. É o fato de ele ter sido sepultado naquele lugar que justifica tudo o que foi construído nos últimos séculos. A Igreja Católica acredita que Pedro é fundamento”
Política
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Cenário das eleições no Amazonas está definido
A deputada Rebecca Garcia tentou emplacar sua candidatura, mas recuou para ser vice de Braga RAPHAEL LOBATO Equipe Em Tempo
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Herique Oliveira vai disputar o pleito como candidato a vice-governador na chapa de José Melo
apresenta desejo de mudanças radicais no governo. Os nomes agora abrigados nos grupos do PMDB e do Pros, partidos antes alvos das críticas dos expostulantes ao governo, eram vistos pela comunidade política como capazes de fortalecer a possibilidade de um eventual segundo turno nas eleições.
zadas ao longo da semana que passou. “É óbvio que uma parcela dos eleitores da Rebecca, do Hissa e do Chico, que desejam mudanças, devem migrar para mim. Nós estaremos no segundo turno”, prognosticou. Ramos não ataca as adesões realizadas por falta de sucesso nas negociações partidárias. “Eu lamento as decisões deles. Eram candidaturas de pessoas jovens, com novas formas de ver e de fazer política, que dariam grande contribuição às eleições. Eu poderia comemorar do ponto de vista eleitoral, mas quem perde com tudo isso é a democracia”, afirmou, enquanto embarcava para Brasília, onde participa neste final de semana de uma maratona de eventos do PSB/Rede nacional. O sociólogo e cientista político Mário Barroso, no entanto, afirma que a incorporação dos partidos pode dar mais força à polarização entre Melo e Braga e associar o nome dos candidatos a políticos que possuem eleitorados diferentes. “Não vai ser tão fácil para outros candidatos adquirirem os votos desses que foram incorporados. Há uma empatia pessoal e fraterna do eleitor com esses nomes, fenômeno que é intransferível”, disse o analista.
Otimismo “Não há dúvidas de que os recuos dessas três pré-candidaturas podem vir a fortalecer o palanque dos candidatos que permanecem como alternativas para o eleitor insatisfeito. Os três (Rebecca, Henrique e Hissa) se apresentavam como a novidade e agora devem ver esse voto migrando para outras candidaturas não associadas a cenários exaustos”, disse o professor de Ciências Sociais e cientista político da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico. O recuo destas candidaturas deverá agregar cerca de um minuto à campanha de Marcelo Ramos, aumentando a exposição do deputado - lançado em chapa isolada - na TV e rádio para cerca de dois minutos e meio. Ramos admite que a dobradinha PSB/Rede recebeu com ânimo as notícias oficiali-
Negociações fracassaram Foi um caminho de diversas tentativas de composições com o PSDB antes de Hissa, Rebecca e Henrique Oliveira resolverem aderir aos projetos do PMDB e do Pros. O PSDB do prefeito de Manaus, Arthur Neto, foi o principal alvo da deputada, que tentou garantir o apoio dos tucanos aproximandose do presidenciável Aécio Neves. Mas isso não garantiu Virgílio na aliança, que anunciou na semana passada o apoio a José Melo. Ao lado de Braga, Rebecca minimizou os 2 anos em que esteve rompida com o senador. “Nunca deixei de fazer parte desse grupo, estive afastada por conta do trabalho”. Os tucanos também foram alvos de Hissa Abrahão, exonerado do cargo de secretário municipal de Infraestrutura (Seminf) por Virgílio, em dezembro de 2013. “Precisamos estar ao lado de alguém que nos dê valor e que nos trate com respeito”, disse ele, ao declarar adesão
DEFINIÇÃO
Na última quinta-feira, o Pros e o PMDB, partidos que trabalham pela polarização do pleito definiram o arco de alianças e os respectivos pré-candidatos a vice para estas elei;cões ao bloco de Braga. Do partido aliado aos tucanos, Henrique Oliveira já não contava com o apoio de Virgílio e chegou a fazer tentativas de composição com o PSC do presidenciável Pastor Everaldo. Tendo por diversas vezes considerado a chapa “puro sangue”, ele afirmou que a decisão foi baseada na busca por representar o povo. “É escolha para a busca do poder, o poder de ajudar o povo que mais necessita o poder de participar da administração desse Estado”, afirmou.
Anteontem, o vice-prefeito Hissa Abrahão oficializou o ingresso do PPS ao bloco do PMDB
DANILO MELLO/ALEAM
DIVULGAÇÃO
prazo das convenções partidárias, determinado pela Legislação Eleitoral, termina somente amanhã, mas no Amazonas o cenário para a campanha eleitoral já está praticamente definido. Tudo foi acertado nesta semana que passou, com intensas movimentações por parte dos dois principais pré-candidatos ao governo e manobras políticas para garantir apoios e uma sonhada polarização do pleito. E a tática para neutralizar potenciais adversários deu certo. Quatro aspirantes ao governo - os deputados Chico Preto (PMN), Henrique Oliveira (SDD), Hissa Abrahão (PPS) e Rebecca Garcia (PP) - recuaram de suas candidaturas, após meses batendo o pé e garantindo com um discurso único de que sairiam candidatos a qualquer custo. Três deles não resistiram ao cenário e se aliaram, na semana passada, aos pré-candidatos majoritários José Melo (Pros) e Eduardo Braga (PMDB), contribuindo, dessa forma, à polarização destas eleições. Essas mudanças foram recebidas com ânimo pelo PSB
do deputado Marcelo Ramos, que agora vê mais chances de captar os votos do eleitorado insatisfeito e forçar um possível segundo turno. O socialista homologou sua candidatura ao governo no último dia 20. Ao grupo peemedebista, aderiram o vice-prefeito Hissa Abrahão e a deputada federal Rebecca Garcia, então pré-candidatos por seus respectivos partidos. Abrahão anunciou anteontem que vai disputar na chapa de Braga ao mandato de deputado federal. Rebecca, após um fugaz rompimento de 2 anos com o senador, aceitou ser candidata a vice-governadora na aliança. Enquanto isso, Henrique Oliveira, que adotava o discurso da renovação e da terceira via no pleito, negociou apoio de seu partido à reeleição de Melo e ainda a vaga de vice-governador na chapa. Já Chico Preto dá sinais de que também deve recuar do projeto majoritário para uma candidatura proporcional a deputado federal. Em comum entre Hissa, Rebecca e Henrique estava a busca por se emplacar como candidatos da renovação, concentrando discursos para captar os votos do eleitorado desanimado com a política e que
GUSTAVO LIMA/CÂMARA DOS DEPUTADOS
EUGÊNIO PACELLI/CÂMARAT DEPUTADOS
Alianças viabilizadas na semana passada trabalham para uma polarização, mas também podem forçar migração de votos
O deputado Chico Preto (PMN) deve recuar de sua candidatura para disputar a Câmara Federal
A6
Política
MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 30 DE JUNHO DE 2014
Senado libera servidores para aproveitar ‘feriado’
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Já fui tudo que podia ser. Agora quero cuidar da minha vida” ROSEANA SARNEY, governadora do Maranhão, sobre o fim da sua carreira política
Cortes deixaram Itamaraty vulnerávela invasões A vulnerabilidade do Ministério das Relações Exteriores, que permitiu recente invasão de hackers, destruiu a confiança nas comunicações da casa. O problema decorre da falta de investimentos e dos constantes cortes de recursos ordenados pela presidenta Dilma. Embaixadas e consulados agora preferem trocar informações de Estado, reservadas, por meio de Gmail, Hotmail ou Yahoo, que acham mais confiáveis. Torniquete Dilma materializa seu pouco-caso por diplomatas cortando-lhes as verbas, como se pretendesse matar o Itamaraty de inanição. Antiga covardia Diplomatas morrem de medo de retaliações, e tratam os números da pindaíba, na área de tecnologia, como “segredo de Estado”. Nem a pau, Juvenal O Itamaraty avisou que só forçado pela Lei de Acesso à Informação dirá os valores destinados ou retirados da sua área de tecnologia. Amor com amor se paga O desprezo de Dilma pelos diplomatas é correspondido. Referem-se a ela, no serpentário, até por e-mail, com apelidos impublicáveis. Bolsa Família custou R$ 2,1 bilhões só em maio Em pleno ano eleitoral, o governo Dilma havia distribuído até abril R$ 8,45 bilhões a famílias “em condição de pobreza e extrema pobreza”, segundo dados do Portal Transparência. Somados os gastos de maio à conta da
Bolsa Família, o total dispara para R$ 10,54 bilhões. A Bahia, do correligionário petista Jacques Wagner, não é o maior Estado, mas foi o que mais recebeu verbas do programa em 2014: R$ 1,36 bilhão. Ano de gastos Se continuar no mesmo ritmo, Dilma deve gastar com o Bolsa Família, no seu último ano de governo, quase o dobro do governo Lula. Lavanderia Brasil Habituados ao sistema selfservice, comum no exterior, gringos relutam em confiar as roupas a lavanderias convencionais para pegar depois. Cuco! Coca! Até o relógio vira à esquerda na Bolívia. O presidente cocalero Evo Morales mandou trocar os polos Sul-Norte. Já poupa folha de coca. Fica para depois O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), sentou em cima da indicação de Bruno Dantas para ministro do Tribunal de Contas da União. A votação na Câmara deve ficar para o segundo semestre. Dantas é uma indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros. Cara feia Nem a animação da União da Juventude Socialista, durante a convenção nacional do PCdoB, conseguiu desfazer a cara amarrada do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). Dislexia Dilma confundiu o nome do deputado constituinte Haroldo Lima (BA), um dos históricos do PCdoB, e o chamou de “Haroldo Silva”. Foi corrigida pela plateia. Lima presidiu a Agência Nacional
Jornalista
Hasta la vista Alívio em Cuba, Fidel já tem substituto: o jornal oficial do partido comunista, o Granma, anunciou a descoberta de restos fósseis do período cretáceo, de 100 milhões de anos, na província Ciego de Ávila. Jogo duplo Aliados de José Serra, que deseja sair para o Senado, veem o dedo do governador Geraldo Alckmin na candidatura avulsa do PTB. Alckmin trabalharia nos bastidores para manter comando do tucanato paulista. Vendendo partido O presidente do PRB-AL, Galba Novais, será denunciado por traição. O ex-deputado Euclides Mello o acusa de se vender ao governo tucano de Alagoas em troca de um cargo na secretaria estadual de Pesca. Projeto verde O PV sonha eleger ao menos quinze deputados, a mesma bancada que tinha antes da crise aberta com a saída da ex-senadora Marina Silva, que deixou o partido para a tentativa frustrada de fundar a Rede. Comilança O Alvorada e o Planalto reservaram R$172,1 mil para renovar a cristaleira: além de panelas, pratos e utensílios diversos para a cozinha moderna, terá 10 kits-lavabo, “elegantes, de geometria em movimento”. À moda da casa Morder ela ainda não mordeu. Mas assessores vítimas dos esculachos sussurram nos corredores do Planalto o nome de “Dilma Suárez”.
O papel de Polidoro Essa história de ser carregado nos braços do povo dá boas fotos, mas em geral não agrada aos políticos. É incômodo e quase sempre provoca quedas ou machucões, digamos, nas partes ilustres. Juscelino Kubitscheck resolveu o problema. Contratou um crioulo enorme, Polidoro, a quem deu instruções claras de como proceder. Assim, nas campanhas para governador de Minas ou para presidente, quando JK desembarcava em qualquer lugar, e antes que qualquer eleitor mais entusiasmado o fizesse, Polidoro metia a cabeça entre as suas pernas, levantava-o com jeito e sem dificuldades e gritava: - Viva o dr. Juscelino! Polidoro é o auxiliar que mais aparece nas fotos de campanha de JK.
NESTA SEMANA
LDO será discutida na Câmara do Rêgo (PMDB-PB). Após a aprovação desse texto, será aberto o prazo para a apresentação de emendas à LDO 2015. Conforme a Constituição, a LDO deve ser aprovada até 17 de julho pelo Plenário do Congresso. Caso contrário, os trabalhos na Câmara e no Senado não poderão ser interrompidos para o recesso parlamentar nas duas últimas semanas
DIVULGAÇÃO
de Petróleo.
PODER SEM PUDOR
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) marcou duas reuniões para a próxima semana, a fim de votar o relatório preliminar da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015 (PLN 3/14). O primeiro encontro ocorrerá na terça-feira (2), às 14h30; o segundo, na quarta (3), às 15 horas. O parecer preliminar foi divulgado no mês passado pelo relator, senador Vital
Casa decidiu liberar os parlamentares para as convenções partidárias em seus Estados, criando o “recesso branco”
de julho. A oposição já anunciou que pretende se manter em obstrução, na Câmara, para cancelar o recesso. A LDO é uma lei anual que disciplina a elaboração da proposta orçamentária. A norma traz ainda as metas fiscais que o governo pretende alcançar no ano seguinte. No texto, o Executivo propõe salário mínimo de R$ 779,79 para 2015.
Servidores do Senado ganharam um “feriadão” de cinco dias por conta das convenções e da Copa
C
om senadores em “recesso branco” liberados para as convenções dos partidos nos Estados e a Copa do Mundo, os servidores do Senado também conquistaram um “feriadão” de cinco dias, mesmo sem nenhum feriado oficial no calendário do país. Os funcionários não tiveram expediente na quinta (26) e nem terão na segunda (30) porque há jogos da Copa em Brasília, mas também foram liberados de trabalhar nesta sexta (27). O Senado optou por não realizar expediente em dias de jogo na capital seguindo recomendação do governo do Distrito Federal para evitar congestionamentos no trânsito. O modelo também é seguido pelo Judiciário e Executivo, mas os outros poderes mantiveram expediente normal hoje. A justificativa do Senado é que a instituição precisa passar por uma série de manutenções em sua rede elétrica, por isso aproveita
para liberar servidores em dias com menor fluxo de trabalho. Não há expediente na instituição nesta sexta, com estacionamentos vazios e portas fechadas. Os senadores, que também prometiam realizar uma se-
FERIADÃO
A folga na Copa tem como objetivo liberar os congressitas para assistirem jogos, especialmente em suas bases eleitorais. Presidente do Senado, Renan Calheiros ainda tentou justificar o ato mana de votações a partir de terça (1), transferiram os trabalhos para o dia 15 de julho. Até outubro, os congressistas terão apenas uma semana de trabalhos por mês, liberados para as tradicionais campanhas eleitorais. Como não há sessões deliberativas (com votações) no
plenário, não há corte nos salários. Todos ficam autorizados a não registrar presença sem perder parte dos R$ 26,7 mil que recebem mensalmente, mantendo também os demais benefícios -entre eles as cotas mensais que chegam a R$ 44,2 mil para exercício da atividade parlamentar. É tradição no Congresso reduzir o ritmo de trabalhos em razão das eleições, mas este ano o “recesso branco” foi antecipado em razão da Copa do Mundo. Desde o dia 5 de junho não há mais votações no Senado. Em julho, os senadores entram oficialmente em recesso e só retomam normalmente as atividades em outubro. A folga na Copa tem como objetivo liberar os congressistas para assistirem jogos, especialmente em suas bases eleitorais. Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), justificou a paralisia com o argumento de que o Congresso tem que se adequar aos “eventos internacionais” no país.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014
A7
Yara LINS
‘Minha TRAJETÓRIA SERÁ pautada na CELERIDADE’
R
A mulher atual também está voltada para a vida profissional, passando a buscar seu espaço num mercado competitivo. Mais independentes e preparadas, as mulheres passaram a ocupar cargos importantes, ganhando espaço nesse segmento”
ecém-empossada no cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), a contadora e advogada Yara Amazônia Lins Rodrigues dos Santos é a segunda mulher, em 69 anos de história do tribunal, a assumir uma cadeira no colegiado. Com quase 40 anos de atuação no TCE-AM, a escolha de Yara pelo governador José Melo (Pros) – por meio de uma lista tríplice - teve como determinante a sua experiência no órgão e por merecimento dentre a classe de auditores da instituição. Seu nome foi referendado, por unanimidade, pela Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Yara foi nomeada oficialmente para o cargo em solenidade no último dia 17 e, conforme frisou, pretende atuar na função por muitos anos. Entre as primeiras pautas a serem avaliadas pela nova conselheira está a relatoria das contas da Copa do Mundo e a presidência da Segunda Câmara. Filha dos tabeliães Terezinha de Jesus Lins Rodrigues e José de Araújo Rodrigues, Yara Lins é casada com o médico cardiologista Fausto Vieira dos Santos com quem tem três filhos. Na última sexta-feira, a nova conselheira do TCE concedeu entrevista ao jornal EM TEMPO, onde falou sobre sua carreira pública, a presença das mulheres na vida pública e a atuação da instituição nas eleições deste ano. EM TEMPO - A senhora
FOTOS: DIEGO JANATÃ
é funcionária de carreira do TCE desde 1975. Como foi seu ingresso na instituição? Yara Lins - Fui nomeada em 31 de outubro de 1975, obedecendo à legislação então vigente. Dentro tribunal exerci diversas funções, entre elas a de técnico de Controle Externo; inspetora de Controle Externo e secretária de administração. Em seguida, fui promovida ao cargo de auditor-adjunto, atuando como assessora técnica da presidência e assessora direta da presidência. No ano de 2002, passei à função de auditor, onde atuei nas relatorias das contas dos gestores públicos do Estado. Por diversas vezes, nos últimos anos, exerci a função como conselheirasubstituta, tendo direto a voto nas sessões ordinárias. EM TEMPO - A senhora é a segunda mulher a assumir uma vaga no colegiado do Tribunal de Contas. A presença de mulheres ainda é escassa nessa função, por quê? YL - A mulher atual também está voltada para a vida profissional, passando a buscar seu espaço num mercado competitivo. Mais independentes e preparadas, as mulheres passaram a ocupar cargos importantes, ganhando espaço nesse segmento. EM TEMPO - A senhora já foi conselheira convocada de alguns de seus pares, mas agora será de fato e direito. Como será a sua atuação?
YL - Continuarei atuando de acordo com a lei e com a Justiça em todas as causas a mim destinadas. EM TEMPO - O TCE é um órgão de controle. Como será a sua contribuição para a fiscalização nas ações da instituição? YL – Irei atuar sempre de acordo com as Constituições Federal e Estadual e com o regimento interno do Tribunal de Contas. EM TEMPO - O que a senhora leva como experiência de auditora para o cargo de conselheira? YL - Como auditora fui relatora de todas as matérias afetas à competência do tribunal, o que me deu conhecimento de causa. Inclusive atuei como relatora das contas do governador no exercício de 2005. Uma pessoa que já atuou, por 12 anos, nas Câmaras e no Tribunal Pleno, já adquiriu a experiência necessária para atuar como titular do cargo. EM TEMPO - Existe um grau de parentesco seu com políticos da cidade. Como a senhora vai trabalhar sua imparcialidade nesse caso? YL - Me sinto à vontade para atuar com independência, ética e imparcialidade, principalmente porque fui indicada para o cargo de conselheira dentro do percentual legal da classe de auditor, que é de carreira, previsto constitucionalmente. EM TEMPO - Há servi-
dores na casa que contestam a indicação da senhora para o colegiado. Como avalia essa situação? YL - Desconheço essa informação até porque como servidora de carreira conheço a grande maioria dos servidores, tendo inclusive ido pessoalmente aos setores para convidá-los à minha posse. Ademais, sempre fui bem quista porque sabedora dos problemas e dificuldades que os nossos servidores enfrentam no dia a dia, sempre procurei defender medidas favoráveis a eles e manterei essa mesma postura como conselheira. Um exemplo do que estou falando foi o fato de no ato de minha posse ter havido além da presença maciça de funcionários ativos e inativos, o que demonstra o carinho dos servidores com a minha pessoa, queima de fogos por eles oferecida. EM TEMPO - Com esse tempo todo no serviço público, a senhora já pensa em sua aposentadoria? YL - Não penso nisso. Estou mais voltada aos novos desafios do cargo de conselheira que são muitos. EM TEMPO - Além do serviço prestado, qual a herança que a senhora quer deixar para a Corte de Contas? YL - Como conselheira, minha trajetória continuará pautada pela celeridade, transparência e justiça. Sempre voltada de forma positiva ao enaltecimento desta casa, seus membros e servidores, além dos anseios sociais.
Como conselheira, minha trajetória será pautada pela celeridade, transparência e justiça. Sempre voltada de forma positiva ao enaltecimento deta casa, seus membros e servidores”
Política
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MANAUS, DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014
Sustentabilidade da Produção de Petróleo da Petrobras no Patamar de 4 milhões de barris por dia. O Governo Federal autorizou no último dia 24 de junho a contratação direta da Petrobras para a produção de volumes excedentes em 4 (quatro) áreas do pré-sal, nos termos da Lei da Partilha de Produção de Petróleo, promulgada em dezembro de 2010, que dispõe sobre a exploração e a produção no pré-sal brasileiro. Esse volume excedente se somará aos 5 bilhões de barris já contratados em 2010 pela Petrobras sob o regime de Cessão Onerosa. As áreas do pré-sal que terão excedentes contratados são Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi. Com volume estimado entre 9,8 e 15,2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), segundo a Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis, essas áreas gigantes possuem baixo risco exploratório. ES
Área do Pré-sal brasileiro
Baleia Anã Cachalote
Baleia Franca Argonauta Ostra
Jubarte Baleia Azul
Esta contratação direta representa uma excelente oportunidade para a Petrobras, pois se trata de áreas com grande potencial de acumulação de petróleo já conhecido e comprovado pela companhia, a saber:
Abalone
Caxaréu Pirambu
Mangangá
Nautilus Catuá
Frade
MG
Albacora
Roncador Marlim
RJ
Albacora Leste
Marlim Leste
Bonito
Marlim Sul Barracuda
Tartaruga Verde Tartaruga Mestiça
Te ca b
Carapiá Área de Iracema BM-S-50
Merluza
m 100
Carcará
Áreas
Sul de Lula
Lapa
Júpiter
4. NE Tupi
Lula
Sapinhoá
m
Estrela do Mar
Iara 2. Entorno de Iara
Parati
Guaiamá
00
Baúna
Libra
3. Florim
Lagosta
Bem-te-vi
Tubarão
Partilha de Produção
1. Búzios
Bacia de Santos
m
Tambuatá
Pirapitanga
hã o
50
Cessão Onerosa
Tambaú
Me xil
Mexilhão
• Projetos de desenvolvimento da produção em andamento, com conhecimento dos reservatórios, das tecnologias associadas, da disponibilidade de bens e serviços e do excelente potencial de produção de até 35 mil barris por dia por poço.
0m
00
2.
Concessão
Papa-Terra
Uruguá
1–
Bacia de Campos
Xerelete
2–
perj
Ro ta
Carataí Maromba
Ro ta
SP
Caratinga / Carimbé Espadarte
Rota 3 – Com
• Áreas com 17 poços perfurados e 12 testados, com ótimos resultados: 100% de sucesso exploratório, todos com presença de petróleo; e
1.0
A8
Caramba
Sul de Guará
Peroba
Excedentes da Cessão Onerosa (bilhão de boe)
1. Búzios
entre 6,5 e 10,0
2. Entorno de Iara
entre 2,5 e 4,0
3. Florim
entre 0,3 e 0,5
4. Nordeste de Tupi
entre 0,5 e 0,7
Tabela: Resolução CNPE nº 1, 24/06/2014
������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� baixo risco. O acesso aos Excedentes da Cessão Onerosa permite à Petrobras cumprir e até elevar suas metas de produção a partir de 2020, reduzindo os riscos de sua participação em sucessivas campanhas exploratórias na busca de reposição de suas reservas. Além do que, esta contratação direta traz como importante benefício a consolidação da indústria nacional. O setor naval brasileiro, por exemplo, cresce em maturidade ano após ano e está preparado para atender as encomendas das atuais e das novas plataformas.
Plataformas para Produção de Petróleo Previstas no Plano de Negócios e Planejamento Estratégico da Petrobras 9 Unidades Concluídas
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Cid. São Paulo ���������������
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ECO
ECO
Cid. Itajaí �����
ES Águas Profundas
ECO
ECO
ECO
ECO
ECO
Cid. Paraty Piloto Lula NE
������������ Lula Alto
P-71 Iara NW
Cessão Onerosa Excedentes da Cessão Onerosa (ECO) �������������������������������������� Unidade Concluída em 2013 com 1º óleo em 2014
P-63 Papa-Terra
P-58 Norte Pq. �������
Cid. Saquarema Lula Central
Tartaruga Verde e Mestiça
Revitalização Marlim I
P-55 Rocandor III
P-62 Roncador IV
P-66 Lula Sul
P-69 Lula Oeste
SE Águas Profundas I
Libra
ECO
P-58 Norte Pq. �������
P-61 Papa-Terra
P-67 Lula Norte
P-70 Iara Horst
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Espadarte III
ECO
Maromba I
SE Águas Profundas II
P-62 Roncador IV
TAD Papa-Terra
Cid. Caraguatatuba Lapa
P-68 Lula Ext. Sul e CO Sul de Tupi
P-61 Papa-Terra
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P-74 ��������
P-76 ��������
P-72 NE de Tupi
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Revitalização Marlim II
TAD Papa-Terra
Cid. Mangaratiba Iracema Sul
P-75 ��������
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P-73 Entorno de Iara
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Florim
2013
Cid. Itaguaí Iracema Norte
2014 2015
2016 2017 2018 2019
2020 2021
ECO
2022 2023 2024
2025 2026
2027
2028 2029
2030
Financiabilidade da Companhia com a Contratação Direta dos Volumes de Petróleo Excedentes. ������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� R$ 78,5 bilhões. O bônus de R$ 2 bilhões a ser pago ao governo para ter direito a produzir nestas áreas não exigirá novas captações no ano. • Complementarmente aos R$ 2 bilhões, serão desembolsados R$ 13 bilhões de 2015 a 2018, a título de antecipação de óleo lucro da União, que não impactam materialmente os indicadores de endividamento da Companhia nesse período, os quais iniciarão sua trajetória de queda com o crescimento da produção de petróleo já em 2014. �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� ����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� frente aos atuais 2 milhões. Assim, os indicadores de endividamento permanecerão bem abaixo dos limites estabelecidos pelo Conselho de Administração. A contratação direta do Excedente da Cessão Onerosa, em regime de Partilha de Produção, está alinhada ao Plano Estratégico 2030, aprovado pelo ����������������������������������������������������������������������������������������������“Produzir em média 4,0 milhões de barris de óleo por dia no período 2020-2030, sob titularidade da Petrobras no Brasil e no exterior, adquirindo direitos de exploração de áreas que viabilizem este objetivo”.
Escolha Fundamental do Plano Estratégico 2030 da Petrobras (aprovado CA 25/02/2014) Produzir em média 4,0 milhões de barris de óleo por dia no período 2020-2030, sob titularidade da Petrobras no Brasil e no exterior, adquirindo direitos de exploração de áreas que viabilizem este objetivo. E&P
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Vinte anos de Plano Real no Brasil Economia B3, B4 e B5
Lava a jatos em Manaus, negócios em crescimento
Empreendimentos de lavagem de veículos são cada vez mais presentes na cidade, principalmente em região de condomínios FOTOS: DIEGO JANATÃ
Entre um posto lava a jato e outro de Manaus, os valores pelo serviço de lavagem de veículos de pequeno porte e os pesados variam de R$ 25 a R$ 300, o que depende da escolha do cliente JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
C
om uma frota de veículos que ultrapassa a marca de 600 mil, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Manaus se confirma como mercado promissor para o segmento de lava a jato, que por sua vez são empreendimentos que surgem pelos bairros da cidade, em quantidades não registradas pelos órgãos competentes. A busca pela comodidade de ter o veículo limpo está aliada aos serviços oferecidos pelos empresários do ramo, que investem no diferencial para conquistar a clientela exigente. As alternativas e os preços são sugestivos, e variam com a necessidade de cada proprietário de veículo. A empresária do lava a jato Universitário, localizado na rua Baia, Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul, Juliana Braga, 28, confirma que o mercado na cidade é de fato promissor. Para ela, os resultados são possíveis aos proprietários de lava a jato comprometidos com as atividades diárias do serviço, um grupo de colaboradores assíduos e de
boa conduta, além de visão empreendedora para investir em bons equipamentos e preservação do meio ambiente. “É importante focar na qualidade dos serviços e ter disponibilidade. No primeiro ano não tem lucro, mas, com afinco dá para se firmar no segmento”, avalia. Juliana e o esposo Alfredo Assunção, 29, investiram aproximadamente R$ 9 mil para estruturar o empre-
POSTURA
O Código de Posturas do Município (CPM) veda à população manauense a instalação de equipamentos destinados a lavagem de veículos ou lava a jatos em logradouros públicos urbanos endimento, que é bastante procurado por conta do horário de serviço diferenciado que oferece aos clientes, em sua maioria, moradores dos condomínios residenciais instalados no bairro. No lava a jato é possível encontrar serviços que variam entre R$ 30 (para carros básicos) a R$ 45 (pick-up). Num serviço
de lavagem completa, carros modelo sedam, por exemplo, são lavados, aspirados e encerados por R$ 40. Com foco nos clientes mais atarefados, o lava a jato universitário abre às 8h e fecha às 23h, nos sete dias da semana. Para suprir a demanda, que segundo Juliana sofreu uma baixa neste mês, por conta do período de férias, ela conta com a colaboração de um funcionário fixo e mais seis prestadores de serviços que trabalham em dois turnos. “Também procuramos estar presentes nas redes sociais e em sites de compra coletiva. O objetivo é tornar o negócio conhecido, e as mídias são uma ótima ferramenta”, ressalta. Juliana que está no negócio há quatro meses, afirma que a sobrevivência do negócio depende entre outras coisas, da localidade escolhida para o empreendimento. “Quem quiser apostar no segmento precisa procurar um bom ponto. E pela nossa experiência, os lugares próximos a condomínios são excelentes. Pelo que observo, uma área da cidade onde existem muitos deles e poucos pontos de lavagem é a na avenida Torquato Tapajós. Penso que ali existe uma demanda que ainda sofre com a falta de opções”, aponta.
Atendimento vip e lanchonete Há mais tempo no mercado, a empresária Andreia Michele, 30, é responsável pelo Recife Lava a Jato, localizado no conjunto Cofasa, bairro Nova Esperança, Zona Oeste. Segundo ela, com investimento de aproximadamente R$ 80 mil, o lugar oferece atendimento vip, com sala de espera e lanchonete. O empreendimento oferece serviços de R$ 25 a R$ 50. O menor valor compreende aos serviços de lavagem e aspiração e o maior inclui polimento
com cera e lavagem de motor. Segundo Andreia, a proposta do negócio tem garantido resultados, uma vez que, a média de atendimentos diários é de 30 veículos, entre os de duas e quatro rodas. No conjunto Vieiralves, Zona Centro-Sul, o lava a jato 1ª Opção Car Wash, atende pelo menos 70 clientes por dia. No espaço que passa por obras de ampliação, que incluirá sala de espera e lanchonete, trabalham nove funcionários.
Felipe Pinheiro, 26, e Kleber Santos, 35, são sócios e trabalham para colher os frutos do investimento estimado em R$ 60 mil. Localizado na avenida Rio Mar, o 1ª Opção Car Wash funciona todos os dias, das 8h às 19h. “Nossos preços variam entre R$ 25 e R$ 300. O valor depende do que o cliente deseja. Oferecemos desde uma limpeza simples, somente com lavagem e aspiração, até polimento com produtos especiais”, explicou.
Investimento em postos lava a jatos variam de R$ 9 mil a R$ 80 e dependem de dedicação
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014
Yamaha traz fabricação da Super Ténéré para o PIM A
fabricante de motocicletas Yamaha apresenta a versão 2014/2015 da família Ténéré que a multinacional passou a fabricar no Brasil, entre elas, a XT 1200Z Super Ténéré, que é de responsabilidade da linha de produção da fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM). Com inúmeros diferenciais na nova versão da família, além da Super, a Yamaha lançou a XTZ 250 Ténéré e a XT 660Z Ténéré, as quais ficaram disponíveis em toda rede de revenda Yamaha a partir da segunda quinzena de junho. A Super Ténéré conta com motor bicilíndrico, com o ganho de dois cavalos na nova versão, que totaliza 112 cavalos. Ela vem com controle de tração, sistema de freios ABS linear (com capacidade de infinitos ajustes de pressão hidráulica) adotado para dar suporte à frenagem quando elas devem ser feitas bruscamente ou ao encontrar mudanças repentinas de terreno. A motocicleta, em ambas as versões, conta com nova mesa de alumínio, mais leve, bagageiro triplo e computa-
dor de bordo (que traz informações no painel de LCD como o consumo médio e instantâneo de combustível, temperatura do líquido refrigerante, temperatura de entrada de ar, odômetro total e dois parciais, D-Mode e tomada de 12 Volts). A altura do banco e do parabrisa é regulável manualmen-
INPIRAÇÃO
Há décadas, Ténéré é sinônimo de modelos robustos, inspiradas na região homônima no meio do deserto do Saara, palco dos primeiros Rallys Paris-Dakar, a competição off-road mais difícil do mundo te, dispensando a utilização de ferramentas. O para-brisa foi redesenhado para providenciar mais proteção contra o vento e menos poluição sonora. A posição do guidão está 10mm mais próxima ao piloto deixando a pilotagem ainda mais confortável. Construída para aventura, a versão 2015 tem câmbio de 6 marchas e o sistema ex-
DIVULGAÇÃO
Motocicleta de 112 cavalos conta com motor cilíndrico, controle de tração, freios ABS, piloto automático e computador de bordo clusivo YCC-T (Yamaha Chip Controlled Throttle) que entrega um controle otimizado de aceleração e torque, extraindo o máximo do tempo de ignição, injeção de combustível, providenciando uma resposta suave, trazendo uma sensação de mais controle ao piloto. O Drive “D”-Mode foi recalibrado para providenciar uma diferença mais notável entre o Touring “T”– Mode e o Sport “S”- Mode. Deluxe Na versão Deluxe, além de todos os diferenciais de série do modelo, a big-trail da Yamaha conta com suspensão eletrônica controlada no comando situado no guidão, com quatro posições pré-programadas e outras 14 ajustáveis, fazendo a moto se adaptar para cada piloto. Outro diferencial da versão mais completa é o aquecedor de manopla pensado para também trazer conforto nas condições mais adversas. A Super Ténéré, também conta com freios ABS e UBS (que permite frear as duas rodas no mesmo instante). Juntos eles oferecem um controle excepcional durante a frenagem da motocicleta.
Construída para aventuras, a versão 2015 da Super Ténéré possui câmbio de seis marchas
Economia
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Os 20 anos do Plano Real Após longo período de intranquilidade, o brasileiro se surpreendeu com o nascimento da nova moeda, que hoje continua bem vista aos olhos de empresários e trabalhadores que cobram do próximo governo mais atenção sobre o plano EVOLUÇÃO DA MOEDA BRASILEIRA NOME CRUZEIRO
COTAÇÃO 1000 réis
CRUZEIRO NOVO CRUZEIRO
Cr$1000
CRUZADO CRUZADO NOVO CRUZEIRO CRUZEIRO REAL REAL
Cr$ 1000 Cz$ 1000 Cr$ 1000 CR$ 2.750
Do Cruzeiro ao Cruzado, o Real
SÍMBOLO DATA DE VIGÊNCIA Cr$1 *01.11.1942 **02.12.1964 NCr$1 *13.02.1967 NCr$ para Cr$ *15.05.1970 **16.08.1984 Cz$1 *28.02.1986 NCz$1 *16.01.1989 NCz$ para Cr$ *16.03.1990 CR$ 1 *01.08.1993 R$ 1 *01.07.1994 * COM CENTAVOS / ** SEM CENTAVOS
REPRODUÇÃO
O
s benefícios vivenciados pelos brasileiros após a implantação do Plano Real, no dia 1º de julho de 1994, são reconhecidos e comemorados pelo brasileiro. Pessoas comuns e especialistas no assunto são categóricas em reconhecer o sucesso da moeda, que trouxe tranquilidade para os lares e unidades fabris do país, com o controle da hiperinflação, ampliação do poder de compra e o aquecimento da produção de bens e serviços. A realidade dos anos 1980, quando a população era submetida a reajustes diários dos preços e empresários ficavam reféns da “ciranda financeira” para preservar seus investimentos mudou com o fim do congelamento dos preços e do confisco das poupanças. Entretanto, passadas duas décadas da concepção do Real, as preocupações com a estabilidade da economia ainda fazem parte da rotina dos principais nomes do empresariado amazonense. O presidente do Centro das Indústrias do Estado Amazonas (Cieam), Wilson Périco, defende que o modelo é um dos mais corajosos já tomados por governos do mundo. No entanto, ele avalia que precisa ser de fato dominado pelos atuais representantes políticos, devendo ser uma das principais preocupações do próximo governo. Para ele, o momento é de apreensão, pois, há uma sinalização evidente de que a atual administração não possui total controle da inflação. “O governo não consegue se quer atingir as próprias metas de controle inflacionário. Uma coisa é prever inflação de 6%, outra totalmente diferente é prever 4,5% e ela bater os 6%”, reflete.
Na avaliação do presidente da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio), José Roberto Tadros, as pessoas se habituaram às taxas inflacionárias reduzidas e não aceitam mais que essa zona de conforto sofra a mínima ameaça. O empresário lembra que o distúrbio econômico que antecedeu o Plano Real, e que imperou durante o Cruzado, chegou a impor a população uma inflação de mais de três dígitos. Outro detalhe importante vivido, durante os conflitos que antecederam o Real, era a
AÇÚCAR
A primeira moeda brasileira foi o açúcar, que, em 1614, passou a valer como dinheiro por ordem do governador Constantino Menelau. O fumo, o algodão e a madeira também tinham essa função falta de confiança do mercado internacional em relação ao Brasil. Tadros destacou que a estratégia para se obter essa confiança, passou também pelo arrocho fiscal, renegociação da dívida externa acumulada de forma mais expressiva durante o governo de Juscelino Kubitschek. “Juscelino foi um grande presidente, mas pagamos um preço pelo progresso erguido durante o seu governo. E para nos recuperarmos, além dos cortes de gastos e redução do tamanho do Estado, o plano real também teve que contar com as privatizações. Agora a economia não tem demonstrado grande desenvolvimento, e não deve crescer enquanto não forem pensadas políticas claras que lhe sustente de forma efetiva”, analisa Tadros.
Antes do Real, o Brasil viveu série de mudanças na unidade monetária. Começou em 1942 com o Cruzeiro, que substitui a moeda portuguesa “Real”, comumente chamada no plural como “Réis”, durante o Período Colonial. Vinte e dois anos depois, em 1964, o centavo, que correspondia à centésima parte do Cruzeiro foi extinta. Em 1967, o governo instituiu o Cruzeiro Novo como unidade monetária transitória. Três anos depois o país viu retorno do centavo, em 1970, que em 1984 voltou a ser extinto. Quarenta e quatro anos depois do Cruzeiro, em 1986, o governo instituiu o Cruzado como a nova unidade monetária do Brasil, sem o centavo, que foi incluído somente em 1989 pelo Conselho Monetá-
rio Nacional, com a instituição do Cruzado Novo. No ano seguinte, 1990, o governo voltou ao Plano Cruzeiro, mantendo o centavo, quando carimbou as cédulas de Cruzado com as suas devidas equivalências. No mês de agosto de 1993, em substituição ao Cruzeiro, nasceu o Cruzeiro Real, que também contou com a manutenção do centavo. Para o alívio do brasileiro, em 1994, o governo criou novo plano com o nome da mesma moeda que circulava no Período Colonial. O Real, quando instituído como unidade do sistema monetário a partir de 1º de julho daquele ano, nasceu com R$ 1 equivalendo CR$ 2.750 (dois mil, setecentos e cinquenta cruzeiros reais), à época.
Salários em descompasso Desde 1942 até 1993 o país viveu entre o Cruzeiro e o Cruzado DIVULGAÇÃO
JOELMA MUNIZ E EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
A partir de 1994, a Casa da Moeda passou a imprimir o Real
O alívio de viver um período econômico com uma inflação mais estabilizada é comemorado pelo presidente do Sindicato dos Bancários do Amazonas, Nindberg Santos. O sindicalista comentou que a pressão do trabalhador nos anos 1980 era desumana e cruel. Contudo, Nindberg diz que atualmente “mesmo com o recuo inflacionário, os patrões teimam em continuar praticando salários que estão em descompasso com o atual poder econômico do país”. Com uma vida voltada
para as questões econômicas e políticas, Serafim Corrêa, que é auditor fiscal, professor e economista formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), disse que um dos principais legados do plano real é a estabilidade financeira vivenciada pelas famílias brasileiras. “A nova geração não consegue nem mensurar o que seus pais e avós viveram. A inflação é um imposto cruel, sobretudo, para os pobres que tem seus salários ainda mais penalizados com a alta dos preços”, enfatizou.
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Economia
O real poder do co Consumidores amazonenses contam como era a realidade de compra antes e depois da adoção do Plano Real SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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pós 20 anos da criação do Plano Real, os amazonenses revelam como o cenário de consumo das famílias brasileiras mudou. Conforme os relatos, com o fim da hiperinflação, houve um forte ganho de renda da população, especialmente das famílias mais pobres, as que mais sofriam com a perda do poder aquisitivo e, que passaram a comprar mais com a nova moeda. Antes de 1994, comprar um eletrodoméstico era algo difícil, enquanto que fazer um financiamento era quase impossível. A população brasileira enfrentava um momento complicado com um regime de alta inflação que fazia os preços dos alimentos e produtos subirem de forma desordenada e desenfreada. “Era difícil comprar qualquer produto naquela época, pois tudo era caro e não existia cartão de crédito. Só comprava quem tinha muito dinheiro ou crédito nas lojas. Se a pessoa não tivesse o nome limpo na praça, ela não conseguia comprar nada”, revela o aposentado Laudemio Freire da Silva, 74.
Laudemio diz que apenas um homem “bem de vida” que morava próximo a sua casa tinha TV. De acordo com ele, só conseguiu comprar os eletrodomésticos para sua residência depois que obteve crédito aprovado numa loja de departamento da cidade. Outro que relata a dificuldade de fazer compras antes de o real ser a moeda corrente do país é o motorista Raimundo Oliveira Sobrinho, 51. Há 20 anos, quando o Plano Real começou a funcionar, ele era casado e tinha duas filhas, e para sustentar a família, trabalhava, mas com o dinheiro que ganhava só conseguiu comprar uma geladeira. “Só comprei um aparelho de televisão aos 35 anos, depois que o Real já circulava no mercado”, destaca. Raimundo relata que quase ninguém tinha uma televisão colorida em casa, isso porque poucas pessoas conseguiam comprar e carro nem se sonhava, visto que só fazia financiamento quem tinha um bom patrimônio, o que dificultava ainda mais as vidas das famílias mais pobres, uma vez que, o salário mínimo era pequeno demais.
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onsumo brasileiro DIEGO JANATÃ
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Moeda pouco desvalorizada
Laudemio Silva realizou sonho da TV nova com Plano Real
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Adquirir eletrodoméstico antes do Real era tarefa difícil para pessoas de menor poder aquisitivo
Com o Real o poder de compra das famílias aumentou e houve forte demanda de consumo. Mas, ao longo do tempo, o dinheiro se desvalorizou no mercado. “Quando o real entrou em circulação, íamos com R$ 10 na feira e comprava frango, farinha, arroz e sobrava dinheiro. Hoje não dar para comprar quase nada com mesmos R$ 10”, frisa Raimundo Sobrinho. Por sua vez, Maristela dos Santos declara que o Real está desvalorizado em relação ao período em que foi implantado. Segundo ela, com R$ 1 comprava ovos e manteiga. Agora com o
mesmo valor, mal compra os ovos. “Se o dinheiro valesse como antes, seria uma moeda boa”, defende. Segundo a economista Mirlene Magalhães, quando o Real foi lançado o valor dele era igual à de um dólar. Mas depois de 4 anos, o governo não teve condições de manter o mesmo valor. “O governo trabalhava com reservas cambias e quanto mais recolhia dólares mais entregava Real ao mercado, ou seja, aumentou o volume de reais em circulação no país, o que causou a desvalorização do dinheiro. A inflação também influenciou”, explica. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Produtos eram artigos ‘de luxo’ Nem só os eletrodomésticos eram caros. A dona de casa Maristela Socorro Vital dos Santos, 54, conta que havia disputa nos supermercados por uma lata de leite. “Eu tinha duas filhas pequenas e precisava comprar leite para elas. Ficava no corre-corre também. Às vezes, ia ao
supermercado de manhã e tinha leite, já a tarde não tinha mais. Ou o valor tinha sido elevado ou estava mais caro”, comenta. O crédito nas lojas era a melhor forma para as pessoas conseguirem comprar algum produto. Maristela conta que comprou alguns eletrodomésticos
com várias prestações, o que encarecia o produto, já que os juros eram altíssimos para esse tipo de compra e ainda sofria com a demora na entregar da mercadoria. “Uma vez, disse que o meu fogão havia explodido para ver se eles entregavam logo”, confessa ela.
Troca de unidade monetária favoreceu o consumo no país
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Lei da Palmada desobriga o servidor de denunciar abuso A
presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei da Palmada, que proíbe o uso de castigos físicos como forma de disciplinar crianças e adolescentes. A decisão foi publicada na edição de sexta-feira (27) do Diário Oficial da União. A norma prevê que familiares, agentes públicos e demais encarregados de cuidar de crianças que descumprirem a lei vão ser encaminhados para programa oficial ou comunitário de proteção à família, tratamento psicológico ou psiquiátrico e advertência. Ainda segundo o texto, a União, os Estados e os municípios deverão atuar de forma articulada na elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico. Veto O único veto de Dilma foi ao artigo 245, que previa multa de três a 20 salários-mínimos para profissionais da saúde, da assistência social, da educação ou qualquer funcionário público que deixassem de “comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento envolvendo suspeita ou confirmação de castigo físico, tratamento cruel ou degradante
ou maus-tratos contra criança ou adolescente”. Ao justificar o veto, a presidente afirmou que ampliar o rol de profissionais sujeitos à obrigação de comunicar abusos “acabaria por obrigar profissionais sem habilitações específicas e cujas atribuições não guardariam qualquer relação com a temática”.
ARTICULAÇÕES
Ainda segundo o texto, a União, os Estados e os municípios deverão atuar de forma articulada na elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico ‘Aplausos’ Para Jones Figueirêdo Alves, desembargador decano do Tribunal de Justiça de Pernambuco e diretor nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família, a lei merece “aplausos”. Para que ela seja efetiva, no entanto, é preciso uma “devida gestão de conflitos”, afirma. Afinal, acrescenta o desembargador, existem muitas leis
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Ao sancionar lei que pune maus-tratos a crianças e adolescentes, Dilma vetou artigo que obrigava servidores de delatar casos que protegem a criança, a partir do próprio Estatuto da Criança e do Adolescente. “A proteção à família, requer, sempre, uma educação continuada do não à violência, sob todas as formas, abstraindo-se a ideia do ‘castigo imoderado’, pela ordem substancial da afetividade, como instrumento de educação”, completa. Pedagogia Para o advogado Adriano Ryna, especialista em direito de família, a norma tem função pedagógica e “trata-se de um reflexo da constitucionalização dos princípios que regem as relações familiares deste século”. “A profilaxia da violência dentro da esfera familiar é o primeiro passo para reduzi-la em toda a sociedade”, acrescenta. Sobre o artigo vetado, o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e fundador da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou que se trata de um “retrocesso”. “Esse artigo poderia gerar a responsabilização de gestores públicos por omissão em denunciar violência contra crianças acabou sendo excluído da legislação”, afirmou.
Lei federal ampara crianças e adolescentes de castigos físicos usados como forma de disciplina
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Documentário mostra vida de exploradas sexualmente De acordo com uma organização, a maioria dos 27 milhões de escravizados no mundo é crianças ou jovens. Tráfico é denunciado em documentário brasileiro
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Filme mostra a realidade do tráfico e da exploração sexual
e a esmola é demais, o santo desconfia” é a frase de alerta em campanha da Organização Não Governamental (ONG) contra o tráfico de pessoas 27 Brasil. Para mostrar a realidade das vítimas nas
cidades-sede da Copa do Mundo, a ONG produziu o documentário R$ 1 – O Outro Lado da Moeda, com depoimentos de mulheres e meninas enganadas por falsas promessas. De acordo com a organização, a maioria dos 27 milhões de escravizados no mundo
é crianças ou jovens. “O tráfico de pessoas tem várias faces, mas na questão sexual, o início da cadeia é a exploração sexual de crianças e adolescentes”, disse a diretora executiva da 27 Brasil, Tatiane Rapini. “Há casos em que o pai vende a própria filha ou a
menina é enganada com falsas promessas, como a de que vai ser modelo”, completou. Pessoas também podem ser traficadas para o trabalho forçado e para a retirada de órgãos, atividades que movimentam US$ 32 bilhões por ano.
Traficantes usam ‘iscas’ para atrair A falta de informação sobre a exploração de crianças e adolescentes, que é crime hediondo, aumenta a vulnerabilidade de vítimas. Somada à falta de acesso a políticas públicas, faz com que “acreditem que podem melhorar de vida”. No Brasil, na maioria das vezes, as meninas acabam traficadas para outras regiões do país, não necessariamente para o exterior. O fluxo é maior do Norte e Nordeste para o Sudeste, mas há também do Sul para o Norte. “Manaus tem um histórico de muitas questões (de exploração), inclusive, nas populações ribeirinhas. Nossas organizações parceiras reportam casos de meninas indígenas que sofrem, são levadas e vendidas, é complicado”, acrescenta Tatiane. Em entrevista à Agência Brasil, a lider Maria Alice da Silva Paulino, da etnia karapãnam confirmou o problema nas aldeias.
Produtores trazem alerta à população Com a exibição do R$ 1 – O Outro Lado da Moeda em áreas públicas, a 27 Brasil quer alertar as possíveis vítimas e estimular a sociedade a denunciar às polícias, ao Conselho Tutelar ou ao Disque 100. A entidade indica que são os próprios brasileiros o público-alvo da exploração. “É duro dizer isso, mas quem procura essas meninas menores de idade são homens casados, atrás de uma aventura. Ou seja, pessoas normais”, esclareceu Tatiane. O documentário faz referência a meninas que acabaram exploradas sexualmente por apenas R$ 1, por um pacote de biscoito ou por ofertas como a de uma casa. Já foi exibido em Brasília, no Lixão da Estrutural, em Belo Horizonte, na Fifa Fan Fest e segue em direção a Fortaleza. Chega à cidade-sede da final do campeonato, o Rio, em 11 de julho.
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Mundo
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Florestas podem reduzir pobreza, justifica a FAO Orgão das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura salienta o importante papel das florestas na redução da pobreza e na promoção do desenvolvimento rural
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Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) salientou nesta semana o importante papel das florestas na redução da pobreza e na promoção do desenvolvimento, apelando aos governos que apostem em políticas que potenciem estas contribuições. Em relatório apresentado em Roma, por ocasião da 22ª Sessão do Comitê da FAO para as Florestas, a organização internacional defendeu que os países devem apostar em políticas destinadas a manter e a potencializar as contri-
buições das florestas para os meios de subsistência, a alimentação, a saúde e a energia. Para isso, a FAO defende que os países devem colocar “as pessoas no centro das políticas florestais”. Dependência O documento, intitulado O Estado das Florestas do Mundo (Sofo, da sigla em itálico), salienta que “uma parte significativa da população mundial depende, muitas vezes em grande medida, dos produtos florestais para satisfazer as suas necessidades básicas de energia, habitação e alguns aspectos de
cuidados de saúde primários”. “Esta edição do Sofo incide sobre os benefícios socioeconômicos provenientes das florestas. É impressionante ver como as florestas contribuem para as necessidades básicas e os meios de vida rurais. As florestas também sequestram carbono e preservam a biodiversidade”, afirmou o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, citado na mesma nota informativa. No entanto, o relatório concluiu que, em muitos casos, estes benefícios socioeconômicos, que passam pela redução da pobreza, pelo desenvolvimento rural e pela criação
de economias mais verdes, “não são abordados de forma adequada pelas políticas florestais”. Alertas O documento alerta igualmente que o papel das florestas para a segurança alimentar, considerado pela FAO como “essencial”, também é frequentemente esquecido. “Deixem-me dizer isto claramente: não podemos garantir a segurança alimentar ou o desenvolvimento sustentável sem a preservação e a utilização responsável dos recursos florestais”, reforçou José Graziano da Silva.
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 29 DE JUNHO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
IONE MORENO
A culinária que agita Parintins Dia a dia C4 e C5
O amor em quatro patas ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Enquanto por todos os cantos da cidade aparecem cada vez mais cães e gatos abandonados por pura insensibilidade ou mesmo crueldade, surgem pessoas que adotam como missão de vida cuidar e dar amor a bichos de estimação
Mauro Gomes com alguns de seus “hóspedes” permanentes: ação em favor de animais abandonados ou maltratados ganhou repercussão nas redes sociais, aumentando a adesão de mais protetores
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triste realidade de caminhar pelas ruas de Manaus e observar um cão ou gato maltratado, muitas vezes machucado e, certamente sem dono assusta pelo estado degradante do animal. Ainda que tenham donos, há animais que não escapam de maus tratos, são presos a correntes curtas, deixados em espaço sujo, sem água e sem alimento e até espancados por quem deveria cuidar e amar. E contra estes maustratos que entram em ação os “protetores anônimos”, pessoas de bom coração que decidiram estender a mão e oferecer abrigo a esses bichinhos marcados pelo sofrimento. Eles recolhem e cuidam das sequelas do abandono e assim oferecem bem-estar no resto de vida sofrida ainda restadado. Dando atenção a essa dor, o biólogo Mauro Gomes Magom ganhou notoriedade como “salvador de animais” nas redes sociais: ao saber do caso de um cachorro que havia sido pintado de verde e amarelo, tomou a iniciativa de averiguar o caso no bairro Terra Nova, Zona Norte de Manaus. “Fui até o local e não encontrei o cachorro, populares comentaram que o dono havia saído com ele ao saber da repercussão pelo Facebook”, comenta Mauro. Incomodado, ele diz que retornou ao endereço e flagrou o cão Beethoven pintado com nova pintura em comemoração à Copa do Mundo. “Fiquei sabendo que o cachorro tinha dono, e o próprio havia pintado o animal. Conversei com ele sobre o risco de intoxicação e acionei a polícia. O dono se prontificou a assumir uma
guarda responsável, e no processo o animal está sob a minha vigilância. Eu o entendo como dono do animal, e que tem a nova chance de oferecer cuidado”, frisa. Registrada no Facebook, a imagem teve mais de 3 mil compartilhamentos e 5 mil curtidas. Mauro percebe que ganhou fama na internet com essa boa ação e toda notoriedade recebida ele transfere a causa. “Fiz porque gosto de animais, não fiz o dever sozinho, o 19º Distrito de Polícia deu apoio ao chamado, e a lei se cumpriu neste caso. No meu perfil, fui procurado por diversas pessoas me parabenizando pela luta e me orgulho por ter motivado tantos pela minha atitude, e tento intensificar minhas ações e por meio delas conscientizar a sociedade”.
PRINCÍPIO
Ao saber do caso de um cachorro pintado de verde e amarelo por seu dono, o biólogo Mauro Gomes ganhou notoriedade nas redes sociais ao tomar a iniciativa de averiguar o caso de maus-tratos Misericórdia A mesma sociedade que o aplaudiu não imagina que esse protetor, agora famoso nas redes sociais, nos últimos 6 anos abraçou decisivamente resgate de animais de convívio urbano como missão pessoal. “Na verdade, faço mais regastes do que minha capacidade financeira. Nas minhas redes sociais, diariamente recebo pedidos para ajudar algum animal, são muitos casos. Pena que nem todos consigo resolver”.
Carinho devolvido triplicado
Dar carinho traz paz de espírito
Mas o que leva um cidadão a dedicar tempo, parte de sua renda e muito afeto para resgatar animais abandonados e maltratados? Mauro responde que é a retribuição em ver o animal novamente sadio e intervir numa morte antecipada. “O que move esta ação é o amor. Quem dera se soubesse o quanto é gratificante a consideração que bicho retribui a você, e como ele entendesse a sua intervenção na morte, o carinho que ele te devolve é triplicado. Além disso, contar a história de um sobrevivente não tem preço”, explica. Provavelmente essa paixão vem desde criança construída por um fato contado por sua avó. “Parte da infância morei com minha avó numa casa de palafita no interior. Cai na água e estava me afogando, e quando ela olhou para o rio, eu estava sendo puxando pelo cão para a margem. Isso me fixou que animal é coisa do bem”, conta. Nem sempre é fácil, e chegam a enfrentar dificuldades para salvar os que correm risco de morte, como custo com os cuidados veterinários, afeto e alimentação. O bom é que ele não atua sozinho e conta com a família, amigos e ex-alunos. “Há 6 anos tenho feito estes socorros, e quando adotei esta missão, reuni minha família para dar a notícia. Aqui todos amam animais, e nos tornamos uma equipe. No meu carro, tenho aparatos e equipamentos para fazer pequenas intervenções. Certa vez, prestei socorro ao gato que estava desfalecendo, fiz
Outra cidadã que afirma ter satisfação pessoal em resgatar animais é a empresária Jaqueline Canizo. “Ser capaz de fazer o bem e dar carinho e amor traz paz de espírito. A recompensa não é material. A gratidão de um animal curado não dá nem para descrever. Só salvando uma vida pra saber”. Ela relembra que seu primeiro salvamento custou o pagamento da conta de luz: o dinheiro foi usado para o tratamento de um cachorro de porte grande deitado no meio da rua. “Estava no carro a caminho do banco para pagar a conta, quando avistei o animal, parei o carro e com a ajuda de pessoas levei numa clínica, onde usei o dinheiro da conta de luz. Infelizmente o animal teve que ser sacrificado, pois estava muito mal. Fiquei arrasada e chorei na clínica veterinária, outros pacientes questionaram se o cachorro era meu. Nunca havia passado por isso, o consolo foi que aliviei o so-
massagem cardíaca, e como não resolveu fiz respiração boca a boca. Não aceitei perder aquela vida”, acrescenta Magom. “Esse nosso cuidado atraiu outros que amam animais urbanos, até ex-alunos me ajudam. E diariamente mantemos contato e nos revezamos na limpeza e alimentação, nos titulamos como ‘Patas Love’, somos cidadãos comuns que nos unimos para pagar o preço para salvar a vida destes animais”. Desde que adotou essa missão, houve muitos socorros pedidos pelas redes. O mais marcante foi o clamor pelo resgate de uma cadela abandonada e ferida após ter sido atropelada. “Ela foi encontrada debilitada e com o osso da pata exposto. Quando vi a publicação no Facebook, partiu meu coração e fui ao encontro. Hoje, vejo como é gratificante ver a Princesa (nome da cadela adotada) sadia e feliz. Ela tem três patas é a nossa estrela”. Não é apenas a Princesa que foi adotada pela família. Na casa de Magom há vários gatos e cachorros, todos de rua e sem raça definida, recuperados do abandonado. “Dos gatos que temos, dois são cegos, outro parcialmente e um filhote nasceu paraplégico. Os cães estavam na rua, desnutridos. Há casos que recebemos, cuidamos e conseguimos doadores; outros aos quais nos apegamos tanto ficam aqui. Um cão vive pouco, e ninguém o aceitou por ser um animal sem raça e tem como único histórico a sobrevivência da rua”.
frimento dele”, relembra. Canizo pontua que o cidadão ao adotar um animal deve ter ciência de que se torna responsável pelo seu bem-estar ao formar laços efetivos. “Há 12 anos, comprei um poodle e observei que ele começou a ter ataques de epilepsia ainda filhote. Esta situação me revelou o quando eles são dependentes de nós e precisam de cuidados especiais. Eu já tinha tido outros cachorros, mas ele me tocou de forma diferente”. Essa revelação recebida pela vida do poodle Johnnie motivou Jaqueline a se incluir na luta de fazer valer os direitos dos animais, conscientizar a população sobre a posse responsável e estimular a adoção de animais resgatados em condições de perigo. ‘‘Há 3 anos, decidi formar a Organização Não governamental (Ong) ComPaixão, o Johnnie me fez entender o quanto os animais dependem de nós”, diz a fundadora da ComPaixão. ARQUIVO PESSOAL
DENY CÂNCIO Especial para o EM TEMPO
Magom e seus gatos: agregando bichinhos rejeitados
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Dia a dia
Catedral de Parint Infiltrações nas paredes e falta de segurança na torre são alguns dos problemas que afetam a igreja de Nossa Senhora do Carmo, belo conjunto arquitetônico que se destaca na Ilha Tupinambarana. Fiéis e turistas cobram reparos
Vista frontal da catedral Nossa Senhora do Carmo, na principal avenida de Parintins: o templo é um dos marcos da ilha dentro e fora do festival e agora tem sua integridade ameaçada
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IVE RYLO Equipe EM TEMPO
nfiltrações no teto, imagens descascando e falta de segurança são as reclamações dos devotos que frequentam a catedral de Nossa Senhora do Carmo, a segunda maior do Norte, que é considerada patrimônio cultural brasileiro, de acordo com tombamento previsto no artigo 7º do decreto-lei 25/37. Por ano, o imponente prédio da catedral atrai milhares de devotos de todos os municípios do Amazonas durante as festividades da santa em julho, principalmente dos municípios Nhamundá e Boa Vista do Ramos, além de turistas o ano inteiro. O local recebe manutenção e higienização da arquidiocese com frequência, contudo os devotos reclamam de abandono por parte do Estado. “Todos os anos são milhões para a festa do boi, mas acredito que como a catedral é um patrimônio tombado deveria ter mais atenção do governo”, afirmou uma devota que pediu para não ter o nome revelado. Para o funcionário público
José Queiroz, 45, a catedral deveria receber mais atenção das autoridades. “Ela conta a nossa história e deveria ser mais bem cuidada pelos nossos governantes, assim como o festival dos bois que é um espetáculo lindo e que também deve ter atenção”, afirmou. No ano passado, foram investidos no Festival Folclórico de Parintins de R$ 12 milhões do governo do Amazonas, tanto no patrocínio dos bois como na operacionalização da festa. Não é difícil constatar fundamento na reclamação dos fiéis. Só é entrar na igreja que é possível perceber a infiltração prejudicando a pintura das paredes. A falta de patrulhamento no local também preocupa os frequentadores do local. “Há muitos assaltos no entorno da igreja. Muita gente que vem aqui visitar a catedral acaba sendo assaltado e o policiamento é raro. Só é ostensivo no período do festival. Não temos segurança nem municipal, nem estadual”, disse a moradora Joana Martins, 47. Os turistas reclamam também que a torre com 42 metros
de altura construída ao lado da catedral, fechada este ano para visitação, também não possui por dentro um corrimão específico para o local, que dê segurança aos visitantes. Sobre a catedral Em 1960 iniciou a construção da catedral com a bênção da pedra fundamental. Três anos depois, as obras estavam adiantadas e foram projetadas pelo engenheiro Giovanni Butori. Em 1977, foram feitas nas paredes interiores pinturas religiosas pelo irmão Miguel Pascal. O templo mede 75 metros de comprimento por 50 de largura, com 22 metros de altura. Possui sete portas de acesso. No seu interior há mármore nobre trazido de Milão, na Itália, e vitral que compõe o altar do Santíssimo e a Cruz da Penitência. Nas colunas distribuídas pela estrutura há representações sacras de santa Teresinha, são Sebastião, são José e santa Rita de Cássia, entre outros. A torre foi construída em março de 1980 e possui 42 metros de altura, proprocionando aos visitantes uma visão panorâmica da cidade.
Infiltrações em uma das paredes internas do templo religioso: ausência de boa manutenção
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ntins pede socorro
FOTOS: IONE MORENO
Uma das pinturas da igreja apresenta claros sinais de destruição causada por infiltrações e falta de manutenção correta: patrimônio cultural, a catedral corre o risco de sofrer mais danos
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Dia a dia
Ilha de todas as Para quem chega à Ilha Tupinambarana, a busca por um cardápio diferente pode trazer surpresas, como os pratos feitos pelo chef “Wal”, que retornou à cidade no ano passado e faz sucesso com as receitas que divide com a mãe
FOTOS: IONE MORENO
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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e dentro da arena a atuação dos bumbás é questionável e motivo de disputa acirrada, fora dela não tem para ninguém: a linguiça preparada pelo chef Waldenilson Evangelista Garcia, 46, “Wal” para os amigos, conquista os mais radicais torcedores. Com carne, pedaços de bacon e, claro, segredos preservados a sete chaves, é feita a linguiça que já virou preferência na ilha, tal como indica o slogan impresso sobre a porta do estabelecimento: Churrasquinho Kero Mais, “O sabor que virou mania”. É de um local discreto e improvisado, na avenida Amazonas, que exala o aroma das maravilhas culinárias do chef Waldenilson. Atraídos pelo cheiro e pela apresentação dos pratos, a clientela disputa as mesas e cadeiras distribuídas pela varanda da casa onde ele mora com a mãe, a sorridente dona Irinilda Evangelista Garcia, 75, e o restante da família, enquanto aguardam a preparação do prato. No local, aberto em 8 de março de 2013, data que ficou registrada na memória de
“Wal”, ele começou oferecendo churrasco de carne e de frango. “Tenho peito de frango e carne que não contêm gordura nem muito sal. Tenho preocupação com o preparo e a escolha das carnes. A pessoa escolhe se quer que coloque manteiga ou não”, salientou. A criação da linguiça, a queridinha da clientela, surgiu por incentivo dos amigos e
RECEITA
Com carne, pedaços de bacon e, claro, segredos preservados a sete chaves, é feita a linguiça que já virou referência na ilha, tal como indica o slogan “O sabor que virou mania” de olho no gosto dos clientes. “Tinha uma senhora em frente de casa que fazia e meus amigos diziam que era para eu estar há muito tempo aqui. Eu preparo a linguiça cortadinha e vou acrescentado os segredos. Além de carne, só um pouco de bacon para dar perfume, porque o pessoal não gosta muito. Todo mundo gostou, ela sai mais que churrasco”, observou.
O apoio ao item principal é dado pelo arroz, macarrão, farofa, salada, purê de batata e o vatapá. O toque especial fica a cargo do “molho diferente”, também inventado pelo chef. “Não faço vinagrete, faço um molho diferente com tomate, catchup e outros ingredientes. Coloco o molho em cima da carne ou sirvo à parte”, disse. O profissional tem grande preocupação com o visual do prato, para ele é de suma importância que além de saudável e gostoso, esteja bonito. “Quando os clientes veem o prato pronto, se admiram. Tenho preocupação na apresentação”, afirmou. Os valores de cada uma das “obras de arte” variam de R$ 8 a R$ 9. Os experimentos do chef parintinenses não param na linguiça. Sempre curioso, “Wal” resolveu inovar e variar o menu aos domingos. Pirarucu a casaca, salpicão, creme de camarão, suflê de camarão com requeijão e batata palha, lasanha com creme de frango, filé ao molho madeira - substituído às vezes pelo molho barbacue, acrescido de azeitonas e passas - servido com arroz primavera. Mas tudo feito com ingredientes diferentes, fruto da experiência do chef.
A linguiça especial criada pelo chef de cozinha, com segredos que contribuem para o sabor
Cinco horas ‘preso’ na cozinha “No pirarucu à casaca, por exemplo, eu trabalho com o filé fresco e frito no azeite. Todo mundo pergunta como consigo fazer com pirarucu fresco”, afirma “Wal”. Mistérios do chef. Aos domingos, para preparar tudo, ele fica cerca de cinco horas na cozinha e conta com o auxílio da mãe. “Ele sempre foi muito bom, sabe lavar, passar, cozinhar, costurar na mão. Sempre foi muito observador, ficava me vendo em casa fazendo as coisas e depois ia me ajudar. O pai dele foi cozinheiro em um navio de japonês e sabia fazer muitos pratos”, disse a mãe. E, quando o menino começou a “dar pitaco” na cozinha de dona Irinilda... “Achei 10, eu abraço ele”, disse, emocionada. Ao contrário dos outros 11 irmãos, “Wal”, quan-
do criança, tinha o corpo franzino, era magrinho demais, e para o pai - que na época trabalhava como mestre de obra - não teria estrutura física suficiente para trabalhar no setor da construção. Por isso, restava ao menino ficar em casa auxiliando a mãe nos serviços domésticos. “Ele pegava receitas em revista e jornal, pedia para eu pedir dinheiro do pai, para a gente comprar ingredientes e tentar fazer a receita”, lembra dona Irinilda. A criança guardava as receitas na memória e fazia, assim como é hoje ainda, do jeito dele. A avaliação das criações ficava na responsabilidade da família que se reunia nos fins de semana. “No domingo, a família grande se reunia e eu cozinhava. Além da minha mãe, meu pai também
era cozinheiro de navio de japonês e eu sempre era curioso e fui aprendendo com ele. Tinha minha tia que sempre fazia doce e minha avó que fazia aquelas merenda gostosas de ‘vó’ e eu ia aprendendo tudo isso”, recordou-se. O menino cresceu e a intimidade na cozinha só aumentava. “Ele se formou no magistério fez concurso mais nunca foi chamado e gostava de ficar na cozinha. Até que conhecemos uma família na vizinhança. Eu lavava para a senhora e ela ‘se deu comigo’. Um dia, ela me pediu uma pessoa para cozinhar. Eu disse que se ela quisesse, tinha o ’Wal’ que ‘não faz muito não, mas quebra o galho’”, disse dona Irinilda. Após esta conversa e aos 17 anos, ’Wal’ trabalhou por 7 anos com essa família.
A variedade da comida é o que chama atenção quando o assunto é culinária em Parintins
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cores e sabores Do estágio ao sucesso
Após a experiência, o aprendiz de chef trabalhou no banco, em um hotel e depois voltou a cozinhar para uma família em Manaus. “Eles me incentivaram a estudar. Então fiz o curso de gastronomia no Ciesa”, disse “Wal”. Em 2007, conseguiu junto com uma amiga do curso um estágio em um hotel para adquirir mais experiência. Nesse período pediram que ele preparasse um cardápio. “Eu disse que faria, então conversei com meu subchefe do estágio e ele disse ‘presta atenção no que você vai vendo por aqui que você vai tendo uma ideia’. Daí eu fiz e o coordenador aprovou”, recordou. Passados os dois meses, “Wal” acabou ficando por mais 2 anos. “Já tinha terminado o curso e o estágio e voltei para Parin-
tins. Um dia me ligaram do hotel, perguntando se eu estava disponível para trabalhar porque estavam precisando de uma pessoa. Conversei com meus pais e eles disseram ‘se você quiser ir amanhã, já vai logo’”, divertiu-se. Com 2 anos de trabalho, Wal foi “reconhecido” pela primeira família com quem trabalhou aos 17 anos de idade, dentro do hotel. “Perguntaram-me quanto eu ganhava. E eu respondi ‘segredo de Estado’”, riu. O chef aceitou a proposta e voltou a cozinhar para a família. “Sempre cozinhei para eles, e quando tiveram filhos fazia comida do aniversário das crianças. Durante a semana, fazia um prato para cada porque sabia o que eles gostavam, eram pratos diferentes todos os dias”, lembrou.
Uma história de idas e vindas Problemas de saúde fizeram “Wal” voltar para Parintins em 2011. No ano seguinte, retomou o trabalho junto à família em Manaus. Contudo, em 2013, adoeceu novamente e, após incentivo da mãe retornou à ilha. “Minha mãe disse ‘meu filho, melhor coisa que você faz é ficar aqui (em Parintins), em Manaus você é só, quem vai te ajudar? Então, falei para a família que iria embora cuidar dos meus coroas”, lembrou. Foi aí que dona Irinilda Evangelista Garcia entrou em campo mais uma vez. “Ele foi para Manaus, trabalhou com uma família 20 anos, eles o fizeram estudar. Já faz um ano e nove meses que ele voltou. Quando ele adoeceu, eu disse para ele voltar e ele perguntou ‘a senhora garante me ajudar?’. E eu respondi, ‘mas com quem você está falando?’”, questionou a mãe. De volta à ilha, sob os cuidados da mãe e o incentivo dos amigos, “Wal” – mesmo com certa dúvida - não abandonou a paixão e voltou a criar na cozinha. “Os amigos disseram que por aqui não tinha um ‘movimento de comida’, então planejei tudo. Cheguei em janeiro de 2013, e no dia 8 de março e segui os conselhos dos amigos e coloquei tacacá e mungunzá para vender”, disse. Insatisfeito, o chef experimentou oferecer a freguesia, ainda discreta, churrasco. Foi então que a varanda da casa de dona Irinilda começou a chamar atenção. “Todo mundo chegava e perguntava se tinha linguiça. Ou então, se eu trabalhava com calabresa. Então percebi que o povo gostava”, observou. Aos domingos ele pensou em variar o cardápio
e dona Irinilda, mais uma vez deu aquele conselho, que só mãe é capaz de oferecer. “Minha mãe deu a ideia de fazer ‘aquelas comidas gostosas’ que eu fazia. Então comecei com lasanha, pirarucu e salpicão”, disse. A novidade, claro, causou estranhamento da clientela acostumada com o churrasquinho light e a linguiça “sensação da ilha”. “As pessoas perguntavam pelo churrasco e eu dizia que tinha apenas prato sortido. Daí elas perguntavam o que era. E eu explicava e dizia que era comida variada que a gente faz uma porção, faz um PF (prato feito). As pessoas pediam para
APOIO
Entre problemas de saúde e viagens entre Manaus e Parintins, “Wal” decidiu ficar na ilha sob os cuidados de dona Irinilda, e hoje o negócio é bem-sucedido na área gastronômica
olhar, eu servia ou fazia para viagem. Preparava tudo e, graças a Deus, deu certo e fui levando, com incentivo dos amigos”, apontou. Com muita simpatia e o dobro de humildade, “Wal” vê ao lado da mãe a varanda cheia de clientes famintos por novidades e por desvendar seus segredos culinários. “Os filhos de cliente sempre vem e dizem: ‘Tio, o senhor não quer passar o segredo do seu molho para nós? Porque a mamãe ainda não acertou fazer desse jeito lá em casa’. E, eu digo: ‘É assim mesmo’”, divertiu-se. Afinal, o segredo é a alma do negócio.
“Wal” e a mãe Irinilda, a grande incentivadora e conselheira de sua trajetória profissional: de mãos dadas para o sucesso
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Dia a dia
Norte lidera insc Somente o Amazonas tem 184 mil inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio, cujas provas serão aplicadas nos dias 8 e 9 de novembro em todo o território nacional
O
s Estados da Região Norte do país registraram um crescimento de 27,36% no percentual de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), superando o índice apresentado pelas demais regiões brasileiras. Em todo o Brasil, foram contabilizadas 8.721.946 inscrições. No Estado do Amazonas, o número de inscritos corresponde a 184.864, um índice bem maior se comparado ao de 2013, que registrou 173 mil inscrições. Segundo a diretora do Departamento de Políticas e Programas Educacionais da Seduc (Deppe), Vera Lúcia Lima, esse aumento considerável no número de inscrições deve-se à intensa divulgação sobre o Enem. “O crescimento do número de inscritos na região norte é decorrente da divulgação que foi feita dentro das escolas, que abriram espaço através do acesso à internet para que os alunos pudessem realizar as inscrições, contando ainda com o apoio da mídia local”, afirmou a diretora. Além disso, o governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC) ampliou para 56 o número de municípios do
Amazonas onde serão aplicadas as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2014. No ano passado, 43 municípios aplicaram as provas no Estado. Essa decisão, ainda de acordo com a diretora Vera Lúcia, contou muito para a evolução do número de inscritos.
EXPLICAÇÃO
Segundo a diretora do Departamento de Políticas e Programas Educacionais da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Vera Lúcia Lima, o aumento deve-se à intensa divulgação sobre o Enem “O aumento no número de municípios que aplicarão as provas do Enem influencia diretamente no crescimento das inscrições, fator que favorece, inclusive, os estudantes do interior que não precisarão se descolar de seu município de origem para realizar a prova”, explica Vera Lúcia. Preparação Na rede pública estadual do
Amazonas, conforme o Departamento de Políticas e Programas Educacionais (Deppe), os alunos são beneficiados pelo “Aulão do Enem”, que acontece todos os sábados durante o ano letivo, sendo finalizado na semana anterior à realização das provas do Enem. O programa tem a proposta de preparar os estudantes para as avaliações, sendo disponibilizadas aulas com os conteúdos de cada área de conhecimento que constam no exame, além de simulados para que os participantes tenham a chance de se preparar e obter um bom desempenho. Provas O Enem possibilita, dentre outros benefícios, o ingresso ao ensino superior e certificado de conclusão do ensino médio, abrindo muitas portas para os estudantes. A evolução nos índices de participação no exame tem apresentado uma evolução significativa no país, sendo registrados 0,2 milhões de participantes (1998) e 8,7 milhões em 2014. As provas do Enem acontecerão nos dias 8 e 9 de novembro, iniciando sempre às 13h, pelo horário de Brasília.
Estudantes da rede estadual de ensino do Amazonas: Estado teve 184 mil inscritos para o Exame Na
JUSTIÇA ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
De acordo com censo do CNJ, mulheres da magistratura tem mais problemas no trabalho
Juízas tem mais dificuldades Cerca de um terço das magistradas (29%) considera que enfrenta mais dificuldades no exercício da magistratura que seus colegas homens. De acordo com o Censo dos Magistrados, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no fim de 2013, dos cerca de 10,8 mil magistrados que responderam à pesquisa, apenas 36% são mulheres, embora representem 56% dos servidores. Apesar de a maioria das magistradas consultadas (87%) considerar imparciais os concursos para a magistratura, uma vez su-
perada a fase do ingresso à carreira, 14% delas relataram ter mais problemas nos processos de remoção e promoção em relação aos juízes; na Justiça Federal, o índice dobra (28%). No exercício da função, parte das mulheres admitiu que o fato de serem do sexo feminino já proporcionou reações negativas de jurisdicionados (25%) e de outros profissionais do Sistema de Justiça (30%). De acordo com duas em cada três magistradas que opinaram na pesquisa do CNJ, a vida pessoal delas é mais afetada pela carreira
que a dos colegas do sexo masculino. O percentual de juízes que têm filhos é ligeiramente maior (78%) que o das juízas (71%). Pesquisa O objetivo do estudo foi identificar o perfil da magistratura brasileira, razão pela qual o questionário consultou os magistrados brasileiros sobre informações pessoais e profissionais. Dos 16.812 magistrados em atividade no país, 10.796 responderam ao questionário eletrônico proposto pelo CNJ, o que indica índice de resposta de 64%.
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crições no Enem EDUARDO CAVALCANTE/SEDUC
Carauari ganhará novo Ceti Distante 778 quilômetros de Manaus, o município de Carauari será contemplado neste segundo semestre de 2014 com um Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti). Conduzida pelo governo do Estado a obra educacional já tem 87% de suas obras avançadas. De acordo com o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva, o primeiro Ceti de Carauari contará com 24 salas de aula, laboratório de ciências, laboratório de informática, ambientes administrativos, sala para atividades de dança e de música (com aplicação de revestimento térmico e acústico nas salas), refeitório, auditório, campo de futebol, quadra poliesportiva e piscina. A previsão, segundo o secretário Rossieli Silva, é que o empreendimento educacional seja inaugurado no próximo mês de setembro. Orçado em R$ 14 milhões, o projeto arquitetônico é um referencial em educação pública e terá estrutura inteligente, com aproveitamento
acional do Ensino Médio deste ano, número bem superior ao do ano passado, quando foram registradas 173 mil inscrições no Enem
SEDUC
Concurso já tem 22 mil candidatos Com o processo de inscrições iniciado no último dia 20 de junho, o concurso público da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) encerrou a primeira semana de cadastro contabilizando 22.240 candidatos registrados. Com o certame o governo do Estado oferecerá 7.043 vagas para capital e interior do Amazonas. Do contingente de inscrições registradas, 9.518 são para cargos de nível superior, 6.190 para cargos de nível médio e 6.532 para cargos de nível fundamental. Conforme a comissão organizadora do certame, os registros realizados via internet devem ser efetivados, mediante o pagamento de taxa de inscrição até o dia 17 de julho. Organizado pela Fundação Getúlio Vagas (FGV), o concurso público prosseguirá com as inscrições abertas até o dia 16 de julho. Os interessados a concorrer a uma das vagas podem realizar suas inscrições no site da FGV: http://fgvprojetos. fgv.br/concursos/seduc-am ou ainda por meio de link disponibilizado no portal da Seduc na internet: www.educacao.am.gov. br. Nos mesmos endereços ele-
trônicos foram disponibilizados os editais para acesso. Professores Conforme o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva, o maior contingente de vagas será disponibilizado para o cargo de professor, somando 5.495, subdivididas em 4.623 para professores que optarem pelo regime de 20 horas semanais e mais 1.322 para professores de 40 horas. Além de vagas para professores, serão oferecidas 826 vagas para pedagogos, 785 vagas para o cargo de merendeiro, 85 vagas para assistentes técnicos, 60 vagas para assistentes sociais, 52 vagas para psicólogos, 52 para bibliotecários, 50 para nutricionistas, 21 vagas para engenheiros, 5 vagas para contadores, 3 para fonoaudiólogos e ainda 2 para estatísticos. Para os cargos de professor e pedagogo, o salário inicial será de R$ 1.566,90 (para o regime de 20 horas semanais) e de R$ 3.133,80 (para o regime de 40h). Para os demais cargos de ensino superior, que abrangem assistentes sociais,
bibliotecários, contadores, estatísticos, engenheiros, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogo a remuneração inicial será de R$ 2.350,38. Para o cargo de assistente técnico (classificado como de ensino médio) a remuneração será de R$ 1.234,49. Para o cargo de merendeiro (ensino fundamental) será de R$ 1.036,27. Cronograma – As provas do concurso público serão aplicadas no dia 31 de agosto e serão aplicadas simultaneamente na capital e nos 61 municípios do interior do Estado. Para os cargos de merendeiro, além das prova objetiva, ocorrerão provas práticas, que serão realizadas entre os dias 25 de outubro e 2 de novembro de 2014. A divulgação do resultado final do concurso com a homologação dos selecionados em Diário Oficial está prevista para ocorrer no dia 27 de dezembro de 2014. Conforme o site da FGV, maiores informações sobre o concurso podem ser obtidas pelo telefone 0800-2834628 e pelo e-mail concursoseduc.am@fgv.br. EDUARDO CAVALCANTE/SEDUC
O cargo de professor é o mais procurado pelos candidatos no concurso da Secretaria de Educação
da iluminação, ventilação natural, além de sistema de segurança eletrônica (com câmeras de monitoramento) atendendo às normativas de segurança e acessibilidade destinada às pessoas com deficiência de natureza física e motora.
RECURSOS
De acordo com o secretário da Seduc, primeiro Ceti de Carauari contará com 24 salas de aula, laboratórios de ciências e de informática, sala para atividades de dança e música e outros Além de Carauari, demais localidades serão contempladas com Centros de Educação de Tempo Integral. “Dentre as quais: Autazes, Borba, Carauri, Coari, Humaitá, Itacoatiara, Manacapuru, Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, além de Manaus. Em todas estas localidades os trabalhos estão adiantados.
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FCecon implanta ISO 9000 Com a melhoria do modelo de gestão, um dos benefícios é que a fundação poderá ser credenciado como hospital de ensino junto aos ministérios da Saúde e da Educação, promovendo ampliação no leque de projetos inseridos na área
A
Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), está em fase de implantação de normas da ISO 9000, para melhorias do modelo de gestão. Entre os benefícios que serão possíveis, a partir da medida, está o credenciamento, junto aos ministérios da Saúde (MS) e da Educação (MEC), como hospital de ensino, promovendo uma ampliação no leque de projetos inseridos nesta área específica. Segundo o diretor-presidente da instituição, pneumologista Edson de Oliveira Andrade, a expectativa é que o credenciamento como hospital de ensino resulte no aumento do número de residências médicas no hospital, já que, atualmente, a maioria das bolsas é paga com recursos do governo do Estado. “A partir do credenciamento, a FCecon passará a receber recursos do governo federal para projetos na área da educação. Inserem-se neste contexto as residências médicas, pois, atualmente, apenas algumas recebem incentivos federais”, destaca. Ele ressalta, ainda, que a certificação ISO 9000, cujas normas serão implantadas na FCecon até o final deste ano, período em que estima-se que a instituição seja certificada, otimizarão os serviços da instituição e prepararão a fundação para que ela atenda a todos os critérios exigidos para o credenciamento como hospital de ensino. Hoje, a FCecon dispõe das seguintes residências médicas em seu programa: cancerologia clínica, cancerologia cirúrgica, cirurgia de cabeça e pescoço, mastologia e radiologia e diagnóstico por
FCECON/DIVULGAÇÃO
imagem. As duas últimas foram lançadas este ano de forma inédita no Estado e a ideia é que o programa seja ampliado ainda mais nos próximos anos. “Isso possibilitará que os acadêmicos de medicina e também de outros cursos, como o de enfermagem, não precisem mais deixar o Amazonas para se especializarem, aumentando assim o número de profissionais no Estado”, frisou. Visitas técnicas A empresa contratada e que ficará responsável por traçar o plano de metas e adequações dentro do projeto da ISO 9000 é a M & V Consultoria e Assessoria Empresarial. A
PROJEÇÃO
Segundo o diretorpresidente da FCecon, Edson de Oliveira Andrade, a expectativa é que o credenciamento como hospital de ensino resulte no aumento do número de residências médicas ideia é que, a partir de uma série de visitas técnicas, iniciada este mês, além de reuniões setoriais, seja possível levantar as diretrizes e metas a serem alcançadas para a melhoria dos serviços oferecidos e, ainda, os indicadores relacionados aos mesmos. O padrão do sistema que será implantado será internacional, agregando mais qualidade e ganhos aos serviços ofertados. Inicialmente, a ideia é que haja investimentos futuros, principalmente nas áreas de qualificação e treinamento de pessoal, o que será de conhecimento dos gestores após traçado um diagnóstico da unidade hospitalar.
A Fundação Cecon passará por um processo de modernização de gestão por meio da ISO 9000, a cargo da M & V Consultoria
GACC DIVULGAÇÃO
Ação dos voluntários com as crianças do GACC serve como apoio no tratamento da doença
Voluntários estimulam crianças Atuar no voluntariado não traz benefícios apenas para quem está recebendo a doação, mas principalmente, para quem as pratica. Nessa filosofia, um grupo de fisioterapeutas e acadêmicos do curso em Manaus oferece atendimento gratuito para crianças em tratamento contra o câncer na capital. O trabalho é coordenado pelo fisioterapeuta Daniel Xavier, que tem sua história pessoal de luta contra a doença e presidente do Instituto Amazonense de Aprimoramento de Ensino em Saúde (Iapes). Atualmente, os voluntários atendem crianças do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (Gacc), que tem sede no Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus. Para elas, uma chance única de melhorar os movimentos e a independência motora, perdida na maioria das vezes devido ao agressivo tratamento contra a doença. “É muito gratificante ajudar essas crianças que já tem a vida e a rotina bem atingidas por conta da doença. Para nós, o ganho é ainda maior, porque estamos fazendo nosso papel humanitário de ajudar ao
próximo”, afirmou. Os atendimentos são feitos aos sábados, com apoio de profissionais fisioterapeutas e acadêmicos voluntários. De acordo com Daniel Xavier, o trabalho melhora a qualidade de vida das crianças, que têm suas habilidades de movimento recuperadas. “Todas as crianças que atendemos já passaram por processos agressivos no tratamento contra o câncer. Além da quimioterapia, algumas tiveram membros amputados”, destacou. Ele destaca que a criança que tem o diagnóstico de câncer e passa pelos tratamentos vai precisar constantemente da fisioterapia. “Dependendo do tratamento, a criança perde algumas funções de movimento, que só podem ser resgatadas com o trabalho fisioterapêutico”, disse. “Algo mais” Para o fisioterapeuta Daniel Glória, que também participa da ação voluntária, além da parte técnica, o profissional que lida com a recuperação de crianças atingidas pelo câncer, precisa ter algo mais. Ele destaca
que os resultados da fisioterapia só serão alcançados de forma satisfatória se o vínculo entre fisioterapeuta e paciente for instalado desde o início do diagnóstico, de tal forma que seja criada uma relação de confiança e de aceitação ao tratamento. “A abordagem deve ser atraente e adequada à faixa etária para que o paciente aceite o tratamento como algo prazeroso, e não como um sacrifício”, disse. Mortes No Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, para todas as regiões, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Atualmente, em torno de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado
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Capa
pintura de Deco Farkas
opiniao@emtempo.com.br
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A viagem de Thomas Mann
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Protestos na prateleira
(92) 3090-1010
E outras 7 indicações culturais. Pág. 2
As análises, em livros e filmes, de junho de 2013. Pág. 3
É proibido conduzir
No país das highways, o uso do carro patina. Págs. 4 e 5
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Todos os gringos são como Mick Jagger
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Do arquivo de Maria Bonomi
Diário do Rio. Pág. 6
Xangai, 1974. Pág. 7
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Ilustríssima Semana O MELHOR DA CULTURA EM 8 INDICAÇÕES
LIVRO QUADRINHOS MUDO | A PIOR NOTÍCIA O livro de Blanquet, que também faz animações, conta uma história tenebrosa de horror à moda de um teatro de sombras – e sem falas. Suas cenas têm violência, bruxas e ratos, aos quais é preciso seguir atentamente para construir a narrativa. A Bolha | R$ 65 | 120 págs.
REPORTAGEM | MENINAS EM JOGO A HQ eletrônica de De Maio e Andrea Dip, da agência Pública, é fruto de uma reportagem investigativa. Em cinco capítulos, o tema é a rede de exploração sexual de crianças e adolescentes no Ceará em torno do evento da Copa do Mundo. apublica.org/2014/05/hq-meninas-em-jogo
EVENTO | GUILHERME DE ALMEIDA A casa do poeta modernista, (18901969) transformada em museu, homenageia-o no mês de seu nascimento com uma programação de palestras, debates e teatro. Em questão, a influência da cultura japonesa em seu trabalho e sua tradução de obras do jesuíta José de Anchieta. Casa Guilherme de Almeida | tel. (11) 3672-1391 | de 1º a 5/7 | grátis | casaguilhermedealmeida.org.br
EXPOSIÇÃO | MARCELO CIPIS A individual “Salve!” mostra pinturas, esculturas e desenhos inéditos do paulistano inspirados na publicidade. Além disso, há, ao final, 316 desenhos lacrados do artista, dos quais só é possível ver o invólucro. Galeria Emma Thomas tel. (11) 3063-2149 | seg. a sex., das 11h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 12/7
FANTASIA | O MUNDO DE EDENA “A Deusa”, o terceiro volume da saga do francês Moebius, mantém o clima de onirismo que marca os primeiros, “Na Estrela” e “Os Jardins de Edena”, inspirado nos escritos de Carlos Castañeda. O quarto volume sai no próximo mês; o quinto, previsto para setembro, foi publicado na França em 2001, seguido por um álbum-epílogo. trad. Fernando Scheibe | Nemo | R$ 49 | 88 págs. VINHOS | OS IGNORANTES O quadrinista francês Étienne Davodeau fez uma troca com o vinicultor Richard Leroy, do vale do Loire: ele o ensinaria sobre vinhos e, em troca, aprenderia sobre quadrinhos. O relato do período de experiência deu origem a essa história; ao final, uma lista dos livros lidos e dos vinhos degustados. trad. Monica Stahel | WMF Martins Fontes R$ 49,80 | 272 págs.
MUDO | A PIOR NOTÍCIA O livro de Blanquet, que também faz animações, conta uma história tenebrosa de horror à moda de um teatro de sombras – e sem falas. Suas cenas têm violência, bruxas e ratos, aos quais é preciso seguir atentamente para construir a sua própria narrativa. A Bolha | R$ 65 | 120 págs.
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LIVRO | THOMAS MANN O volume “Travessia Marítima com Dom Quixote” traz dez ensaios do autor de “Morte em Veneza” sobre temas como literatura, ética e casamento. A publicação, que integra a série Thomas Mann - Ensaios & Escritos, conta ainda com um diário de viagem e o prefácio do autor para “O Castelo”, de Kafka. trad. Kristina Michahelles e Samuel Titan | Zahar | R$ 49,90 | 168 págs.
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Política
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Os papéis de junho Primeiros balanços dos movimentos RESUMO Conjunto de livros e documentários sobre as mobilizações de rua que eclodiram pelo país há um ano traça retrato de como, apesar de manterem eixo comum, movimentos tiveram particularidades em cidades como Belo Horizonte, Rio e São Paulo. Obras também buscam raízes históricas de novas formas de ativismo social.
PABLO ORTELLADO
A arrebentação de mobilização social no país em junho de 2013 foi acompanhada também de uma pequena onda editorial. Tratam-se não apenas de análises dos movimentos de junho mas de livros que buscam discutir questões como as novas formas de ativismo e que, juntos, ajudam a compreender o que há de diferente no horizonte político brasileiro. Embora a maior parte dos estudos sobre junho esteja dispersa em coletâneas e revistas acadêmicas, algumas análises de maior fôlego ganharam o formato livro. São ainda pouco diversas em comparação com as dos periódicos, mas têm o mérito de já contemplar as particularidades locais deste fenômeno. De certa maneira, a emergência das mobilizações pode ser traçada a partir da história do Movimento Passe Livre e das revoltas de transporte que têm acontecido regularmente pelo menos desde a chamada Revolta do Buzu, em Salvador, em 2003. De lá para cá, jovens têm, de tempos em tempos, bloqueado ruas das grandes cidades do país exigindo a revogação do aumento das passagens de ônibus. Por outro lado, particularidades dos protestos nas diferentes cidades do Brasil mostram que é preciso olhar para o que há de específico em cada lugar. Em comum, vemos apenas os traços gerais de mobilizações marcadas por formas de organização horizontal, pela crítica das instituições representativas e pelo emprego de formas de ação direta, como protestos de rua e ocupações. “Nas Ruas: a Outra Política que Emergiu em Junho de 2013” [Letramento, 264 págs., R$ 59,90], do antropólogo Patrick Arley e do sociólogo Rudá Ricci, tenta explicar o processo que forjou as manifestações de junho de 2013 em Belo Horizonte. Além do registro fotográfico dos protestos, feito por Arley, o livro também resgata os esforços dos ativistas que, desde o começo dos
anos 2000, tentam construir um novo movimento social, fora do ciclo de lutas que tinha levado à formação do PT. O livro narra o surgimento de coletivos de ativistas, festivais de contracultura e ações que misturam arte e política. É nessa tradição que o texto de Ricci enxerga a gênese do junho mineiro. Se essa tradição contracultural um pouco ligada ao anarquismo será a responsável pelas novas formas sociais que ficaram mais visíveis em junho, ela também é responsável por suas limitações. Em Belo Horizonte, o movimento se caracterizou por construir uma bem estruturada e relativamente longeva Assembleia Popular Horizontal, que se dividiu em diversos grupos de trabalho para discutir os problemas da cidade. Ao mesmo tempo em que aprofundou o debate público e construiu uma experiência viva de democracia direta, ela enfrentou obstáculos para converter essa vitalidade comunitária em mudança por meio das instituições políticas, em parte por dificuldade dos manifestantes, em parte por dificuldade dos governos estadual e municipal em reconhecer as particularidades das novas formas organizativas do movimento social. Potência No Rio, o processo foi mais conturbado e potente na sua desestrutura e multiplicidade, como argumenta o ativista Bruno Cava em “A Multidão Foi ao Deserto: as Manifestações no Brasil em 2013 (Jun-Out)” [Annablume, 156 págs., R$ 40]. O movimento carioca se caracterizou por ações pontuais e “ad hoc” que produziram ora manifestações multitudinárias, ora ações menores, como as ocupações contra o governador Sérgio Cabral ou a Câmara de Vereadores. Se a experiência de Belo Horizonte após a primeira onda de protestos foi marcada pela organização da Assembleia Popular Horizontal, o pós-junho no Rio se notabilizou por grandes atos em apoio à greve dos professores da rede pública. A mistura de ação sindical e apoio popular parece fazer a ponte entre a ida às ruas de junho de 2013 e as greves de trabalhadores de maio e junho de 2014. Os protestos de São Paulo, por sua vez, destacaramse pela centralidade da luta contra o aumento das passagens de ônibus e metrô e pelo papel estratégico ocupado pelo Movimento Passe Livre. “#VemPraRua” [Breve Companhia/Companhia das Letras, 37 págs., R$ 4,99], ebook de Piero Locatelli, narra em tom de relato jornalístico as vivências do autor durante a campanha contra o aumento das passagens de 2013. Escrito e lançado ainda no calor dos acontecimentos, o livro do repórter da revista “Carta Capital” tem o mérito de
acompanhar de perto o principal ator político em São Paulo e descrever com um olhar externo, mas ao mesmo tempo simpático, o desdobrar da crise de junho. O livro mostra, dia a dia, como o movimento preparou as suas manifestações e como os governos reagiram à crescente onda de insatisfação que levaria à revogação do aumento das passagens. A leitura conjunta dos três livros mostra como os processos das diferentes localidades estão interligados mas também como cada cidade teve um junho com coloração local. É pena que ainda não tenham surgido análises em livro do processo em Fortaleza, organizado em boa medida ao redor da luta contra a destruição de parte do Parque do Cocó, ou sobre os protestos em Porto Alegre, protagonizados pelo Comitê de Luta por um Transporte Público. Ativismos Os protestos de junho também geraram interesse editorial por livros que tentam explicar as novas formas de ativismo. “Black Blocs” [trad. Guilherme Miranda, Veneta, 270 págs., R$ 34,90], do sociólogo canadense Francis Dupuis-Déri, é o primeiro título publicado no Brasil analisando com seriedade e de forma sistemática esse fenômeno. O livro tenta entender a gênese dos black blocs no movimento social alemão dos anos 1980, sua reconfiguração durante os protestos contra a Organização Mundial do Comércio em Seattle, em 1999, e sua posterior difusão mundial, de Atenas a São Paulo, passando pelo Cairo, pela Cidade do México e por Gênova. A obra não apenas narra a história dos primeiros black blocs como retoma as discussões em torno dos ativistas que adotavam essa tática e outros atores políticos. Como o autor deixa claro na introdução, o objetivo não é proteger a tática das críticas, mas fornecer subsídios históricos e conceituais para que o debate possa ser realizado com seriedade. “Bela Baderna” [trad. Gabriela Vuolo e Tica Minami, Edições Ideal, 168 págs., R$ 25,90], organizado por Andrew Boyd e Dave Oswald Mitchell, também busca contribuir para o debate em torno de novas formas de ativismo. O volume se constituiu como uma espécie de catálogo, reunindo de maneira sistemática diferentes táticas, princípios e teorias empregadas pelos movimentos que estão na interface entre o novo ativismo e a contracultura. Táticas como o teatro de guerrilha e “flash mobs” e princípios como o da não violência e a visibilização são discutidos de maneira objetiva e orientada ao sucesso de ações e campanhas ativistas. O livro traz ainda uma seleção de estudos de casos em que essas táticas, princípios e teorias foram postos em prá-
tica – incluída aí uma análise de junho de 2013 no Brasil. Embora seja uma tradução da versão pocket do livro original norte-americano e a maior parte dos exemplos evocados venham da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, o livro tem o mérito de sistematizar e organizar para o leitor muito do que tem surgido no novo ativismo social. Filmes Passado um ano, a produção audiovisual sobre os protestos de junho também começa a vir a público. Um dos primeiros filmes lançados foi “A Partir de Agora”, documentário de Carlos Pronzato, disponível no YouTube. O diretor teve um papel importante na gênese do Movimento Passe Livre com o documentário “Revolta do Buzu” (também no YouTube), que relatava como a revolta espontânea dos jovens do ensino médio de Salvador contra o aumento das passagens de
ônibus havia sido apropriada pela UNE (União Nacional dos Estudantes) em negociações com a prefeitura. A leitura da revolta de Salvador proposta pelo documentário influenciou muito os ativistas de Florianópolis que fundariam o MPL. No filme sobre junho, Pronzato segue analisando a trajetória do Passe Livre e das mobilizações contra o preço dos transportes e argumenta que estaria ali a origem dos protestos de 2013. O filme tem poucas cenas das manifestações e se constrói em torno de depoimentos de ativistas do movimento e de analistas próximos a ele. Já o filme “Junho - O Mês que Abalou o Brasil”, de João Wainer, em cartaz nos cinemas, se constrói em torno das muitas imagens dos protestos que foram capturadas para a cobertura da “TV Folha”. Em formato de reportagem, o filme [produzido pela Folha] também se concentra nos protestos de São Paulo e no pro-
tagonismo do MPL, embora, em comparação com o filme de Pronzato, contenha maior diversidade interpretativa. Enquanto no documentário de Pronzato as análises e depoimentos estão no centro da narrativa, ilustradas por cenas de rua, no documentário de Wainer há um esforço por deixar as imagens dos protestos conduzirem a narrativa – e, quando as imagens não são suficientes, elas são complementadas por depoimentos. Além disso, o documentário de Pronzato é um filme engajado, de movimento, enquanto que o de Wainer busca o equilíbrio jornalístico. É preciso ainda aguardar a disposição dos distribuidores para vermos no circuito exibidor de cinemas o panorama mais completo da produção audiovisual sobre os protestos de junho, que inclui ainda “20 Centavos”, de Tiago Tambelli, e “Rio em Chamas”, filme coletivo produzido por Daniel Caetano, disponível no Vimeo.
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Urbanismo
3 O declínio de uma paixão
Poderá o carro tornar-se o novo cigarro? RESUMO Nos EUA, o carro perde espaço não apenas como meio de locomoção, mas também como objeto de desejo e expressão de um certo modo de vida. Demografia e economia, além da questão ambiental, fazem com que menos jovens tirem carteira de motorista e cidades invistam em sustentabilidade para atrair moradores.
RAUL JUSTE LORES ILUSTRAÇÃO DECO FARKAS
Dois Rolls Royces estão expostos, ao lado de duas Maseratis, no saguão principal do Tysons Galleria. Os carros fazem parte de uma promoção do centro comercial, vizinho do
Tysons Corner Center, que, ao ser inaugurado, em 1968, era o maior shopping do mundo. Os dois centros de compras são o coração do distrito empresarial de Tysons Corner, a 18 km de Washington, cercados por sedes de consultorias como KPMG e Deloitte, do banco Morgan Stanley, do jornal “USA Today” e de companhias de tecnologia. Mais de 100 mil pessoas trabalham ali. Tysons, porém, está em crise. Apesar dos shoppings e dos arranha-céus, poucos querem morar no distrito, que parece uma versão muito mais rica, embora igualmente desolada, da paulistana Marginal Pinheiros. Calçadas quase inexistentes, prédios separados por estacionamentos intermináveis, avenidas congestionadas e viadutos, muito viadutos. Atacadões e lojas enormes, caixotes fechados à rua, ladeiam as quatro autoestradas que levam ao distrito. Como para atravessar a Marginal, o pedestre precisa escalar passarelas, passar por entre os carros ou cruzar os estacionamentos sem uma única árvore: é raríssimo encontrar alguém
caminhando ali. Só o rio ficou faltando em Tysons: os dois riachos da área foram canalizados e cobertos por asfalto. O trânsito é o pior da região metropolitana de Washington, que, por sua vez, desbancou Los Angeles como a de pior trânsito em todo o país. Diante desse quadro, empresas discutem a conveniência de manter sedes ali. Se, na última década, a região metropolitana de Washington ganhou quase 1 milhão de novos moradores, chegando a 5,8 milhões, Tysons passou de 18 mil habitantes em 2000 para 19 mil no ano passado. Nos últimos dez anos, 20 mil empregos se mudaram de lá, especialmente para o centro de Washington, onde há cafés, restaurantes e calçadas largas – que atraem universitários, recém-formados e casais mais velhos cujos filhos já saíram de casa. Gente que vai ao trabalho de bicicleta ou a pé (algo comum a 15% da população da capital americana). Retrofit Tysons é vítima do declínio da cultura das quatro rodas no país que criou a linha de montagem,
o mercado automobilístico de massas, as highways e que, em filmes e seriados, glamorizou a vida nos subúrbios. Os proprietários de prédios e terrenos dali preparam um bilionário retrofit para reduzir – quem diria – o espaço para carros e tentar tornar a vizinhança amigável aos pedestres. A reação do mercado – e Tysons é só um exemplo – tem sido adotar a linguagem de urbanistas. Jaime Lerner, arquiteto e ex-prefeito de Curitiba que priorizou o transporte coletivo na capital paranaense, chamou o carro de “cigarro do futuro” em seminários organizados pelo “New York Times” e pela Folha. “Você poderá continuar a usar, mas as pessoas se irritarão por isso”, afirmou. Depois de décadas em que o modelo curitibano, que privilegia corredores de ônibus, vem sendo copiado no exterior, é ainda lentamente que ganha adeptos no país, com a adoção de corredores e ciclovias e a discussão de limitar, no Plano Diretor de São Paulo, a oferta de vagas de garagem. O escritor e empresário australiano Ross Dawson tem opi-
nião parecida à de Lerner. “Um dia as pessoas vão olhar para trás e se perguntar como era aceitável poluir tanto, da mesma forma como hoje pensamos sobre o tempo em que cigarro era aceito em restaurantes, aviões e lugares fechados.” Em um país onde a carteira de motorista é um RG extraoficial, 20% dos jovens americanos entre 20 e 24 anos de idade não têm hoje habilitação – e o mesmo vale para 40% dos americanos de 18 anos. Em ambos os casos, o número de jovens que não dirigem dobrou entre 1983 e 2013, segundo estudo da Universidade de Michigan. Desde 2001, o número de quilômetros dirigidos nos EUA vem caindo. Na última década, o número de americanos que vai diariamente ao trabalho de bicicleta aumentou 60%, chegando a 900 mil. Em várias cidades americanas, mais de 10% das viagens de casa ao trabalho são feitas a pé ou de bicicleta, como em Boston (17%), Washington (15,2%), San Francisco (13,3%), Seattle (12,6%) e Nova York (11%) – na maior cidade americana, 60% das viagens
são em transporte público. Houve investimentos pesados para que isso acontecesse. A gestão do prefeito Michael Bloomberg em Nova York (2002-13) reduziu pistas para carros na Broadway e na Times Square e criou 450 km de ciclovias. Mesmo cidades menos densas, como Denver e Houston, criaram redes de bondes modernos (como os “tram” alemães e suíços, ou metrôs de superfície) na última década. O uso do transporte coletivo nos EUA em 2013 foi o maior já registrado desde 1956, segundo a Associação Americana de Transporte Público, com 10,7 bilhões de viagens. Foram oito anos de crescimento consecutivo, a partir de 2005. O número de viagens em trens urbanos e bondes aumentou acima de 20% só no ano passado em cidades como Salt Lake City (Utah), Austin (Texas), Filadélfia (Pensilvânia) e New Orleans (Louisiana). demografia Diferentemente do que se possa pensar, o cuidado com o ambiente não é a principal motivação do refluxo automobilístico. “Há diversas razões econômicas e demográ-
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ficas que precedem a preocupação ambiental na mudança da relação dos mais jovens americanos com o carro”, diz Christine Barton, diretora do Boston Consulting Group, empresa de consultoria que coordenou um estudo sobre a crise da paixão americana pelo automóvel. “Os jovens se casam muito mais tarde e têm menos filhos que nos anos 1950 ou 60. O subúrbio americano, idealizado para a vida sobre quatro rodas, dependia de famílias numerosas, nas quais o pai tinha um emprego para toda a vida”, explica. “Hoje as pessoas mudam de emprego com mais frequência, e os jovens preferem áreas urbanas vibrantes, cercadas de opções de trabalho e entretenimento, com cafés e bares onde possam trabalhar com seu laptop, em vez de viver na lonjura suburbana”. O olimpo da economia americana também se deslocou, como atesta a decadência de Detroit, berço da indústria mundial do carro, que encolheu de 2 milhões de habitantes nos anos 1970 a 700 mil hoje e cuja prefeitura está oficialmente falida. A General Motors, por várias décadas a maior empresa americana, hoje ocupa o sétimo lugar no ranking da revista “Fortune”. No novo topo, encontram-se empresas de tecnologia, como Google e Apple. Mesmo na cultura pop, já há registros dessa inversão. A Nova York violenta de “Taxi Driver” e de seriados policiais foi substituída pela de personagens que adoram bater perna, de “Sex and the City” a “Friends”. O subúrbio idealizado de antes, com quintais e carrões na garagem, virou cenário de famílias problemáticas, de “Desperate Housewives” a “A Sete Palmos”. Mesmo se a questão impacto ambiental não é a central, ela é uma variável na equação. Aqueles que colocam o aspecto verde no cerne da opção antiautomóvel não se limitam à superfície do debate. Veículos elétricos, por exemplo, não convencem quem chama carro de cigarro do futuro. “É importante entender que, ainda que sejam veículos com zero emissão de carbono, os carros elétricos poluem”, diz o australiano Dawson. Ele recorda que, em um grande número de países, a geração de energia elétrica depende de combustíveis fósseis. “A poluição continua a acontecer em outra ponta, o que não ocorre com a bicicleta – e muito menos com o transporte coletivo”. Nos Estados Unidos, 60% das emissões de carbono devidas a meios de transporte vêm dos automóveis – isso significa 20%
de toda a emissão gerada no país. Os carros emitem mais carbono que todas as residências e fazendas americanas juntas, segundo a Agência de Proteção Ambiental. Em abril passado, pela primeira vez em 30 anos, o governo americano criou novas regras para reduzir a emissão de carbono pelos automotores – a adequação custará às montadoras US$ 1.000 por veículo, a partir de 2016. Gadgets Para o jornalista Greg Lindsay, professor visitante do Centro de Política dos Transportes da Universidade de Nova York, “hoje os celulares tomaram o lugar dos carros como elementos de aventura”. Na opinião de Lindsay, os gadgets são capazes de gerar entusiasmo muito maior do que o suscitado por “um novo modelo de carro qualquer”. O mercado não tardou em assimilar a tendência: apostar no declínio do carro, de símbolo de status a mero meio de locomoção, tornou-se um negócio lucrativo. Na década passada, empresas de compartilhamento de veículos, como ZipCar e Car2Go, se popularizaram em grandes cidades americanas. Nesse tipo de serviço, pagase pelo uso de um veículo por determinado período, ao fim do qual ele é estacionado em um lugar público, para que outro usuário possa tomá-lo. Esses carros compartilhados, que não servem para impressionar o vizinho, são modestos – mais semelhantes ao típico compacto europeu que aos espaçosos utilitários americanos. De todos os negócios surgidos dessa nova fase, o mais promissor é o aplicativo Uber, avaliado em US$ 18 bilhões após o último aporte de capital de investidores neste mês, o que faz dele a empresa iniciante mais valiosa do mundo. O aplicativo, que conecta usuários e motoristas cadastrados em seu sistema, foi lançado há quatro anos em San Francisco e, no ano passado, ampliou sua operação para 120 cidades em 38 países (no Brasil, por ora funciona apenas no Rio, segundo o site da start-up). O carro é chamado pelo aplicativo, e o usuário pode controlar onde o automóvel está circulando e quanto tempo levará para chegar. O pagamento da corrida é debitado em um cartão de crédito também registrado no aplicativo, que permite organizar caronas e grupos. Para Farhad Manjoo, especialista em tecnologia do “New York Times”, o Uber pode “alterar a maneira como usamos o trans-
porte tanto quanto a Amazon fez com nosso jeito de comprar”. “Seu soſtware é fácil de usar e uma montanha de dados permite localizar a demanda, de forma a reduzir a espera, o tempo de pagamento e, principalmente, a longa busca por estacionamento.” Na opinião do colunista, o Uber pode “realizar o sonho” dos estudiosos que sonham em reduzir o índice de propriedade de automóveis”. Como o pacote mais acessível do Uber, o UberX, já é 30% mais barato que uma corrida de táxi convencional, o serviço tem se popularizado nas cidades americanas. Taxistas em diversas cidades europeias fizeram protestos e greves contra o aplicativo, que veem, na prática, como concorrência desleal. Uma vez que o número de licenças para táxis costuma permanecer inalterado por anos em diversas cidades, o Uber se transformou na primeira concorrência de verdade ao táxi tradicional. “Com menos carros, o custo de vida em áreas urbanas deve ser reduzido, assim como as emissões produzidas por milhões de carros procurando estacionamento. O espaço hoje ocupado por garagens e estacionamentos pode ser realocado para usos mais valorizados, como habitação”, escreveu Manjoo. Para David King, professor de planejamento urbano na Universidade Columbia, “em muitas cidades e até em subúrbios, vem se tornando mais fácil ter uma vida sem carro ou com uso light do automóvel”, diz. “Em vez de um carro por pessoa, poderemos ter famílias inteiras com um só veículo, usando outros compartilhados”. Polarização Mas, em tempos de polarização extrema da política americana, o debate sobre a posse do automóvel se tornou ele também um tema controverso. “Ciclovias, cidades mais densas, com menos carro e mais calçada, espaço público e transporte coletivo estão em alta no nordeste e noroeste americanos e em quase todas as grandes cidades do país”, diz Karen Seto, professora de geografia e urbanização da Universidade Yale. “São as cidades de sempre, de Seattle, Portland e San Francisco a Washington, Nova York, Boston e Chicago”, diz. “Mas no Texas, no sul, em boa parte do interior e nas cidades pequenas, o subúrbio, as casinhas iguais, a cidade espalhada sem transporte público, o shopping center e a vida centrada no carro continuam a imperar”, ressalta. Nas cidades texanas de Ar-
lington e Mansfield, na região metropolitana de Dallas, políticos ligados ao movimento ultraconservador Tea Party fizeram protestos contra a construção de ciclovias, qualificando-as como “uma agenda verde imposta pela ONU” com a intenção de “mudar o estilo de vida tradicional americano”. Pesquisa divulgada no início do mês pelo instituto Pew comprova essa polarização sobre rodas. Instados a definir como seria “a comunidade ideal”, conservadores responderam “cidade pequena” ou “área rural”. Os democratas responderam “cidades”.
“Subúrbios”, apesar de na prática concentrarem mais habitantes que os centros das grandes cidades e que as zonas rurais juntos, não ficaram em primeiro lugar em nenhum dos dois grupos. Apenas 4% dos conservadores disseram que preferem morar em uma cidade; e somente 11% dos democratas em uma área rural. O estudo do Pew, que ouviu 10.013 pessoas nos EUA, indica que “americanos que vivem em regiões de maioria republicana ou democrata estão vivendo em mundos diferentes em parte porque eles buscam tipos de comunidades muito diferentes,
em termos geográficos e sociais”, segundo os autores da pesquisa. Os democratas ou que se definiram como “de esquerda” preferem uma comunidade “com casas menores, onde seja possível percorrer a pé os trajetos até lojas, restaurantes e escolas”. Entre os que se disseram conservadores ou republicanos, a maioria preferiu “casas grandes” e escolas, restaurantes e lojas “mais distantes”. “Diversidade étnica e racial” são fatores importantes para determinar o lugar de habitação, na opinião de 75% dos democratas – só 20% dos conservadores concordaram.
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Diário do Rio
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O MAPA DA CULTURA
Os gringos e a paisagem A invasão boleira e seu efeito sobre o carioca
ALVARO COSTA E SILVA
Dezoito dias de Copa: tempo suficiente para o carioca recuperar o tom “blasé” que caracteriza seu comportamento como anfitrião. Depois de certo frenesi diante das levas e mais levas de torcedores (a maioria marmanjos coloridos e barulhentos), que continuam a invadir a cidade, a rotina vai se estabelecendo. Os gringos viraram todos Mick Jagger. Explica-se: reza a lenda que, em 1968, o líder do Rolling Stones, então no auge da popularidade, e não o notório pé-frio em que se transformou, adentrou o Antonio’s, braço dado com a namorada Marianne Faithfull. Ninguém no bar, o mais badalado da época,
deu a mínima. A roda de profissionais do copo continuou os trabalhos, como se nada tivesse acontecido. Até que um bebum levantou-se, pegou o chapelão psicodélico do Mick e fez um “barata-voa”. Hoje somos mais educados e ensinamos direitinho o caminho do Corcovado e do Pão de Açúcar. Sem zoeira. Graças aos deuses do futebol, os turistas trouxeram uma alegria e um bom humor que andavam ariscos na cidade. Todos os destinos, no entanto, levam ao Maracanã, palco da final. O velho estádio só existe na fotografia na parede – e como dói! – mas bem perto dali um pouco do clima verdadeiramente esportivo resiste. Num botequim, que não podia ser em outro lugar. Fundado na década de 1950,
o Bode Cheiroso é um clássico, à rua General Canabarro, 218. Quase ninguém o conhece pelo nome oficial: Bar Macaense. Tampouco servese bode no local: o forte são as sardinhas. As galeras costumam ali se reunir, em confraternização antes e depois dos jogos, naquela base: “Se você perder, paga as cervejas”. Bigode, garçom já aposentado, criou o mais apreciado “chá de macaco” do Rio, cuja receita é conhaque São João da Barra, licor de mel Dubar, um limão com casca e sem miolo, açúcar e gelo. Tudo batido. Beba sem susto. O samba contra-ataca Parece que, para gostar de futebol, é preciso ter ouvido de lata. Das músicas patrocinadas da Copa, não escapa uma.
Sorte que artistas espontâneos – como Luciana Rabello – ainda insistem. Com 37 anos de dedicação ao choro, a cavaquinista apresenta o primeiro CD em que aparece cantando, com voz firme e afinada. “Candeia Branca” (Acari Records, R$ 30) é um disco de “samba de regional”, com arranjos de Maurício Carrilho para composições de Luciana e letras de Paulo César Pinheiro. Sem pachecadas nem exotismos de sala VIP, é a melhor trilha para o Mundial no Brasil. No túnel do tempo Por que, no meio de tanto lixo, nenhum chorinho para nos livrar a cara? O gênero musical carioca por excelência acaba de ganhar um estudo definitivo. “O Baú do Animal” (Folha Seca, R$ 30, 278 págs.), do bandolinista e
maestro Pedro Aragão, é um volume curioso porque é sobre outro livro, mais curioso ainda: “O Choro”, de Alexandre Gonçalves Pinto, apelidado o Animal, publicado originalmente em 1936. Durante anos o estilo arrevesado e os estranhos causos relatados pelo Animal foram desconsiderados por pesquisadores. Até que Aragão nos presenteasse com análises inéditas que são como a decifração de mensagens enviadas em garrafas pelo túnel do tempo sobre as fontes populares da música mais sofisticada da cidade. O último filme A Cinelândia nasceu quando a praça no fim na avenida Rio Branco começou a concentrar as melhores salas de cinema. A partir dos anos 1980, elas foram desapare-
cendo. O Odeon, construído em 1932, é o último dos moicanos. Não se sabe por quanto tempo mais. No início do mês fechou as portas “para manutenção”, e o grupo que o administra não dá previsão para reabri-las. Falta grana. Foi em suas poltronas que o autor deste diário assistiu não só a inúmeros filmes como também a um musical histórico, em 2002: “O Samba é Minha Nobreza”, produzido por Hermínio Bello de Carvalho, com Roberto Silva, Cristina Buarque, Teresa Cristina, Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta, Marcos Esguleba, entre outros, no palco. Com não menos emoção, viu também lá os gols de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo contra a Inglaterra, na Copa de 2002. Lances lindos, dignos do telão.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
5 A guia de Xangai China, 1974
MARIA BONOMI
PR OD UÇ ÃO
Descoberta Apesar do encantamento, algo não estava dando certo. Eu ali me encontrava para ver a xilografia milenar da China e descobrir como e onde era praticada. Quais os artistas, quais os temas? Silêncio. Os roteiros impostos não respondiam. Certamente existiriam vozes e linguagens além do ateliê socializado dos especialistas em pássaros, árvores, arados, punhos cerrados etc. Não podia ser só aquilo. Debaixo do sol do meiodia, sentei no túmulo de um poeta famoso no cemitério
RE
Era proibido, mas, em 25 de abril de 1974, eu celebrava, em Xangai, a Revolução dos Cravos, que eclodia em Portugal. Agregada pelo diplomata Azeredo da Silveira, futuro chanceler e colecionador entusiasta de meu trabalho, estava em viagem oficiosa de representação do Brasil à China, ainda liderada por Mao Tse-tung e Chou En-lai, que visitamos em Pequim. Eu realizava o sonho de buscar as fontes da gravura na xilografia milenar chinesa, a “arte chim da xilo”, conforme o poema que Haroldo de Campos me dedicou. Eu tinha recusado uma sala especial na Bienal de São Paulo de 73 e optara por exibir o curta “Detritos”, que fizera com Thomas Farkas, em mais um protesto contra a ditadura, à qual me opus desde o início. Ao receber o prêmio de melhor gravador nacional, aproveitei a presença do marechal Castelo Branco para lhe entregar um documento que pedia a revogação da prisão preventiva dos professores Mário Schenberg e Fernando Henrique Cardoso, entre outros. Entramos na China a pé, a partir de Hong Kong, como hóspedes espartanos do país. Nosso grupo era bastante heterogêneo: médicos, funcionários graduados, Baby Cerquinho (primeira mulher de Caio Prado Júnior) e vários empresários. Em Xangai, Ian Schultz (do Banco Francês e Brasileiro) lembrou-me de que estávamos hospedados no hotel que tinha sido cenário de “A Dama de Xangai”, de Orson Welles, com Rita Hayworth. Viajamos de ônibus, trem e avião por todo o espaço permitido. Das paragens surpreendentes nasceram alguns de meus trabalhos: da Grande Muralha, a xilografia “Muro Muralha Passo”; do encontro com uma enorme pedra de jade, esculpida por quatro gerações, surgiu “Pedra Robat”; na mesma noite em que visitamos Hangzhou (cidade às margens de um lago a cerca de 180 km de Xangai), comecei os desenhos da litografia “Hangzhou”, que viria a ser um grande sucesso entre colecionadores. Eu não parava de desenhar.
de Xangai e anunciei que entrara em greve de fome. Não me moveria de lá até que pudesse conhecer artistas originais que praticassem a linguagem da tradição de origem chinesa livremente, como eu. Grande rebuliço. Sem entender, os companheiros de viagem se foram para mais uma cerimônia do chá e passeios. Anoitecia. Eis que surge uma guia uniformizada e, em português (brasileiro) mais do que perfeito, se apresenta como alguém que entendia as minhas solicitações, prometendo que tudo faria para me ajudar. Não lembro seu nome, mas apenas o número bordado na gola em fios de prata: 42. Tinha um aspecto confiável, talvez a minha idade. Escoltou-me para o hotel, de bicicleta, conversando fluentemente. Até cantou canções do recente Carnaval brasileiro. Prometeu voltar no dia seguinte. Reapareceu cedo, informando que naquela tarde eu teria um encontro “privado” com dois artistas gravadores “autores”, jovens mestres “independentes”, os “únicos do país”. Exultei com o resultado do meu protesto. Reconhecida, comecei a falar pelos cotovelos sobre o Brasil: estávamos numa ditadura ferrada, pessoas presas, torturadas, mortas, exiladas e perseguidas, sobretudo artistas e intelectuais. Ela tinha provado ser uma amiga, eu podia me abrir. Enquanto falava, 42 começou a brincar com as roupas de minha mala. Disse-lhe para pegar o que quisesse. Foi discreta, mas levou o quanto pôde ocultar nos bolsos. Fui conduzida por ela a um local distante, onde me foram revelados Wu Biduan e Gu Yuan (1919-1996) – que
‘Pedra robat’ (1974), xilogravura de Maria Bonomi
se tornaram grandes mestres da xilogravura chinesa –, e aconteceram perguntas e respostas profissionais da mais alta qualidade. Daí resultou minha série “Como se Fossem Palavras”, cinco imagens xilográficas de ideogramas aleatórios. Agradecida, me despedi de 42 prometen-
do lhe enviar discos de Chico e Bethânia. De volta ao Brasil, fui convidada a proferir uma palestra sobre a arte da China contemporânea no MAM de São Paulo, então sob direção de Diná Lopes Coelho. Como é notório, na ocasião fui aprisionada, encapuzada e amarrada sob
mira de revólver e atirada em um carro que percorreu a cidade por horas. Fui parar no quartel da rua Tutoia para os interrogatórios. No meio da noite, um carcereiro armado me lançou uma pasta: “Tome e leia. Você vai pegar 30 anos de cadeia”. Em pânico, abri o
documento e pude ler, quase em transcrição literal, todas as confidências que fizera à guia 42 no hotel em Xangai, sublinhando, naturalmente, os detalhes da minha versão da situação política e militar do nosso país desde 1964: 42 sempre soube o que queria.
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