BRAGA SAI NA FRENTE IONE MORENO
EVITANDO CONFIRMAR SUA CANDIDATURA AO GOVERNO, O SENADOR EDUARDO BRAGA SE REUNIU NESTE SÁBADO (28) COM AS LIDERANÇAS DO PMDB DA CAPITAL E DO INTERIOR DO ESTADO. MESMO SABATINADO PELOS JORNALISTAS, O LÍDER DO GOVERNO DILMA EVITOU FALAR EM CANDIDATURA, MAS FICOU CLARO QUE O OBJETIVO DO ENCONTRO TEVE COMO PANO DE FUNDO A SUCESSÃO DE OMAR AZIZ. ÚLTIMA HORA A2
Candidato majoritário não é candidato de si próprio Eduardo Braga, senador
Embora Eduardo Braga não confirme, a informação de que é candidato ao governo foi assunto nos bastidores da reunião com representantes dos diretórios ontem
R$ EXEMPLAR
2,00 DE ASSINANTE
VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO
O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
DOMINGO
‘Esquenta’ no samba Plateia D3
RICARDO OLIVEIRA
DIVULGAÇÃO
ANO XXV – N.º 8.138 – DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
DIVULGAÇÃO
VIDA E OBRA
Thiago, o poeta da floresta Aos 87 anos e preparando novos livros, escritor repassa sua trajetória. Ilustríssima G4 e G5 DIVULGAÇÃO
Consumo de açúcar deve ser desencorajado porque é viciante, diz médico. Saúde F2
Elenco 20
Novas siglas despertam ‘costuras’ Política A5
Uma droga perigosa
Mochila certa faz diferença
ALIANÇA
EXPLORAÇÃO
3,5 milhões de menores trabalham
Pressionado, Inter enfrenta Cruzeiro Dezesseis pontos atrás do Cruzeiro, o Internacional precisa vencer para encostar no rival Grêmio, que tem 39 pontos e está no G4. Enquanto isso, a Raposa aposta em Borges (foto). Pódio E8
O poeta se divide entre Manaus e sua terra natal, Barreirinha
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.
No Brasil, 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando. País B7
TEMPO EM MANAUS
MÁX.:
31
MÍN.:
24
A2
Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Novas lideranças são aposta do PMDB para as eleições
Reunião do partido com lideranças locais deu pistas de que a legenda prepara as bases para as disputas do pleito do ano que vem IONE MORENO
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
O
PMDB deve lançar candidatura própria ao governo nas eleições de 2014. Embora o presidente estadual do PMDB, o senador Eduardo Braga, não confirme, a informação foi assunto nos bastidores da reunião com representantes dos diretórios na manhã de ontem. Por congregar lideranças de todo o Estado, o encontro deu pistas de que o partido já prepara as bases para a disputa do próximo pleito. Como estratégia o grupo planeja apresentar rostos novos com o incentivo, desde já, da renovação das lideranças. A informação foi repassada pelo superintendente da Funasa, o professor Gedeão Amorim, que apontou a necessidade de renovação do partido. “Esse encontro é para começarmos a pensar numa renovação partidária, estamos com lideranças bastante batidas, com concepções que não correspondem ao momento que estamos vivendo e é intenção do senador que se comece dar mais organicidade ao partido para ajudar na identificação de novos líderes”, disse. Ele também apontou que pode concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. “O
senador tem me animado para que eu retome o projeto para deputado federal”, apontou. Negativa O senador não confirmou que deverá disputar a vaga ao governo. “Candidato majoritário não é candidato de si próprio. Candidatos majoritários dependem de muitas circunstâncias, caso contrário é candidato de si próprio e fadado, muitas vezes, ao insucesso. Os políticos só podem ser vistos como construtores de um futuro melhor se representarem ideias e propostas, e não essa coisa de ‘eu to na fila, é minha vez’”, afirmou. Para o presidente do diretório municipal do PMDB, vereador Marcel Alexandre, a candidatura de Braga para o governo é necessária e vista por bons olhos pelos membros do partido. “O senador é, até então, um dos melhores nomes para o governo. Como presidente do diretório municipal torço para que ele seja candidato, mas respeito a visão política geral. Hoje ele ocupa um lugar estratégico no quadro da política nacional e trazê-lo para o Estado é necessário”, disse. Marcel também pode ser um dos “rostos novos” a disputar a eleição para o cargo de deputado estadual.
FEIRA DA PANAIR
PROTESTO ISABELLE VALOIS
Batalhão Ambiental apreendeu pescado na feira da Panair
Operação da PM apreende uma tonelada de pirarucu ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
Após uma denúncia anônima, o Batalhão de Policiamento Ambiental do Amazonas realizou a apreensão de mais de uma tonelada de carne: entre pescado, carne de caça e quelônios. A ação aconteceu às 3h de ontem, na feira e porto da Panair, localizado no bairro Educandos, Zona Sul. De acordo com o soldado que participou da apreensão, Aderlan Alima, o batalhão havia recebido uma denúncia que informava que a embarcação, identificada pelo nome de Novo Zé Alberto, havia saído do município de Codajás (distante a 240 quilômetros da capital) com destino a Manaus, e transportava carne de pesca e caça ilegais. A guarnição do batalhão foi até o local aguardar a embarcação e comprovou que o irmão do proprietário do barco, identificado por Waldemar Pereira, 45, transportava aproximadamente uma tonelada de pirarucu, 90
Braga afirmou que “candidato majoritário não é candidato de si próprio” para justificar especulações sobre sua candidatura ao governo
quilos de tucunaré com o tamanho impróprio para a comercialização, 80 quilos de tambaqui roelo, dois quelônios, além de carne da caça. No momento da apreensão, a guarnição do Batalhão Ambiental foi informada que um feirante também estaria cometendo crime ambiental, com a comercialização irregular de pirarucu. Dentro da feira, os policiais confirmaram a denúncia e realizaram a apreensão de mais 229 quilos de pirarucu, com o feirante identificado por Raimundo Arcênio da Silva, 50. Os dois responsáveis pelo material apreendido foram encaminhados para o 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Na delegacia ambos assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e depois foram liberados para responder pelo crime em liberdade. Todo o material também foi apresentado na delegacia e em seguida doado a instituições de caridade.
LOTERIAS
Rohani enfrenta fúria dos iranianos Ao desembarcar ontem em Teerã vindo de Nova York, o presidente Hassan Rohani foi alvo de ovos e mesmo de um sapato lançados em protesto contra a conversa telefônica de 15 minutos que ele manteve na sexta-feira, 27, com seu colega americano Barack Obama. O telefonema foi o primeiro contato direto entre presidentes dos EUA e do Irã desde 1979. Rohani deixou o aeroporto de Teerã acenando a partidários, de pé e com o teto solar de sua limusine aberto. Centenas de pessoas faziam festa para o líder reformista. Logo em seguida, porém, um grupo de manifestantes começou a atirar ovos no presidente, obrigando os seguranças de Rohani a abrir um guardachuva para lhe proteger. Um
sapato também foi jogado em direção ao líder – um sinal ofensivo no mundo muçulmano, onde calçados são vistos como objetos impuros. O grupo de simpatizantes do presidente gritava “Vida longa a Rohani, um homem de mudança”, enquanto radicais, em menor número, cantavam “nosso povo está desperto e odeia a América”. Aparentemente, os dois lados trocaram agressões, mas não há registro de feridos. Seguranças, em seguida, colocaram Rohani de volta dentro do veículo, que, ao partir em velocidade, quase atropelou um manifestante. Recepção A recepção ao novo presidente iraniano é mais um sinal de como uma possível mudan-
ça nos termos da relação com os EUA é tema que provoca divisões profundas dentro da república islâmica. Rohani evitou se encontrar pessoalmente com Obama à margem da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Mas, antes de tomar o avião de volta a Teerã, teve uma histórica conversa de 15 minutos com o líder de um país conhecido entre iranianos como “o grande Satã”. O chanceler do Irã, Mohamad Javad Zarif, teve também uma reunião com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry. Os dois foram encarregados por Obama e Rohani de conduzirem as negociações nucleares e deverão se encontrar no mês que vem em Genebra, tentando alcançar um acordo definitivo sobre o tema.
MEGA-SENA Concurso nº 1533 (25/09/2013) 13
21
29
34
47
57
TIMEMANIA Concurso n. 480 (26/9/2013) 10 12 28 35 38 60 68 Time do coração SANTOS/SP
LOTOFÁCIL Concurso n. 961
(27/09/2013)
01
02
03
04
05
07
09
11
12
15
18
20
21
22
25
QUINA Concurso n. 3302 (27/09/2013) 31
34
36
50
77
AP PHOTO
LOTOMANIA Concurso n. 1386 (25/09/2013) 07
25
28
31
33
36
43
67
71
44
45
55
80
82
83
90
92
93
95
97
DUPLA DUPLA-SENA Concurso n. 1215 (27/09/2013) Primeiro sorteio
03
05
21
23
34
39
29
38
42
Segundo sorteio 08
14
24
FEDERAL Extração nº 04800 (25/08/2013)
Recepção do presidente iraniano é mais um sinal de como uma relação com os EUA será difícil
Prêmio
Bilhete
Valor (R$)
1º
60.829
250.000,00
2º
45.840
17.100,00
3º
66.070
16.600,00
4º
12.439
16.100,00
5º
42.204
15.200,00
FONTE: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Ainda a PEC da Música Está marcada pelo presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para o dia 1º de novembro, em Brasília, uma sessão solene para o ato de assinatura da promulgação da PEC da Música, aquela que decepcionou a excessivamente otimista bancada amazonense e pode arruinar a vida de muitos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus. A “vitória” foi, literalmente, cantada por cantores, compositores e músicos seduzidos por uma ilusão: a de que o preço dos CDs e DVDs cairão o bastante, para competir com a produção pirata, cujo efeito é devastador no mercado. Se o CD ou DVD chegar a R$ 10 ou R$ 15 sempre encontrará um similar pirata ao custo de R$ 2. O autor da PEC, deputado tucano do Rio de Janeiro, Otávio Leite, tenta soprar na mordida, apostando que um custo menor aumentará a procura por CDs e DVDs, produzidos pelas quatro e únicas fábricas, instaladas no Polo Industrial de Manaus. Mesmo o artista mais ignorante das questões de mercado sabe que isso não é verdade: ele sempre precisará aumentar o número de shows para “repor” a defasagem em seu orçamento produzida pela queda na vendagem do produto gravado. Por isso, a comemoração se dará no vazio: em novembro já terá passado a euforia dessa enganosa vitória. O que sobra dessa batalha inglória é a falta de autoestima dos amazonenses. Sempre dispostos a abraçar quem lhes cospe no prato. A cantora Sandra de Sá está chegando a Manaus para provar isso. Uma das entusiastas da PEC da Música, ela acredita que “quanto mais barato, mais vai se vender e todo mundo vai ganhar. É simples assim. E vai ser vendido um produto de qualidade”. Se ela acreditasse mesmo nisso, não viria a Manaus por um cachê no Festival Amazonas de Música. E se os amazonenses gostassem mais de si próprios escolheriam melhor companhia.
‘Ide e multiplicai-vos!’ A reunião de ontem do PMDB é uma clara evidência de que a campanha à sucessão no governo do Estado já começou para o senador Eduardo Braga. Eduardo, que é candidatíssimo ao governo do Amazonas, disse que o encontro com as lideranças da capital e do interior do Estado tinha como objetivo analisar o cenário político. Mas o pano de fundo foi um recado claro: “Ide e multiplicai-vos”. A reunião aconteceu no Classic Eventos, na Ponta Negra, e ocorreu justamente uma semana antes do fim do prazo para mudanças partidárias. Prós e contras Já está rolando nos bastidores o perfil dos novos partidos. O Pros, como o próprio nome indica, será a favor do governo. Deste e, com certeza, dos próximos. Já o Solidariedade está com um pé na oposição. E, pela reputação de seu fundador, o sindicalista Paulo Pereira da Silva, é provável que apoiará candidatura presidencial do senador Aécio Neves, do PSDB. 25 anos O presidente do Senado, Renan Calheiros, marcou para o dia 29 de outubro a sessão especial para comemorar os 25 anos da Constituição. Volta à casa Esta semana, aliás, presente no Senado para a inauguração do novo e moderno restaurante da Câmara Alta, pertencente à CNC, Bernardo Cabral foi levado ao plenário pelo primeiro-secretário, senador Flecha Ribeiro. Matou saudade Surpreso, Bernardo foi convidado por Calheiros para sentar-se junto dele. O ex-senador, ex-ministro e relator-geral da Constituição acabou sendo homenageado por diversos senadores, a começar pelo próprio Renan. Desafinada Da cantora Rosemary rebatendo as críticas dos se-
nadores amazonenses sobre os prejuízos que a PEC da Música deverá causar à Zona Franca de Manaus. – Os senadores Alfredo Nascimento, Eduardo Braga e Vanessa Grazziotin precisam entender que a PEC não irá prejudicar em nada a economia da Zona Franca de Manaus. Made in Manaus Rosemary garantiu que todos os artistas continuarão a prensar seus CDs e DVDs nas fábricas instaladas em Manaus. – O que nós não queremos são impostos tão altos que tornam inviável produzir nossa arte de forma independente –, disse a cantora. Ratada O caso do rato na CocaCola está criando o maior quiproquó. Depois de rumores envolvendo um engradado do refrigerante com ratos nas garrafas e um consumidor que teria ficado com sequelas graves por ter ingerido o líquido, a marca decidiu postar nas redes sociais um vídeo intitulado “Conheça a verdade sobre a CocaCola”. Queimação O caso de Wilson Batista Rezende com a empresa foi noticiado pela TV Record no início do mês e desde então tem sido alvo de críticas na web. Segundo ele, por ter sofrido uma intoxicação por veneno de rato, seus músculos sofrem espasmos regular-
APLAUSOS
elvis@emtempo.com.br
mente. O homem teria tido boca, esôfago e estômago “queimados” pelo líquido. Conheça a verdade O vídeo da Coca-Cola, que já foi compartilhado mais de 1.500 vezes, mostra a linha de produção e enfatiza o rigoroso controle de qualidade da empresa. No post, a empresa convida as pessoas a visitarem as fábricas: “Conheça a verdade sobre Coca-Cola: agende uma visita a uma de nossas fábricas”. Galaxy dourado Depois que a Apple revelou o iPhone 5S e sua nova cor champanhe, agora é a vez da Samsung anunciar que irá lançar uma edição dourada do smartphone topo de linha Galaxy S4. Marrom e rosa A edição virá em duas versões: marrom dourado e rosa dourado. A Samsung não especificou o preço nem a data de lançamento para o S4 dourado no Brasil. BR-319 Em aparte ao pronunciamento da deputada Marinha Raupp (PMDB-RO), o deputado Átila Lins (PSD-AM) disse que tem trabalhado intensamente pela pavimentação da BR-319, interligando Manaus a Porto Velho. – Sou conhecedor de que o trecho entre essa cidade e Humaitá já está pavimentado e, também, a conclusão da ponte sobre o rio Madeira.
VAIAS
Rádio Senado
Charge
Falsos latifundiários DIVULGAÇÃO
IONE MORENO
Para a rádio Senado, que chegou em Manaus e melhorou muito a opção musical. Através da 106,90 o ouvinte tem a grata surpresa de ouvir Tom Jobim, por exemplo, que é o músico do século 20 e quase ninguém toca.
Para falsos latifundiários, que ficam prometendo doar terras em Iranduba criando uma expectativa para os invasores e reacendendo a indústria da invasão, que tanto mal tem causado ao meio ambiente.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Uma velha questão Entre as mais antigas discussões e mais empedernidas disputas de quantas têm atormentado e polarizado os espíritos, está aquela que consiste em tentar separar e identificar o que advém da própria natureza do animal homem e aquilo que lhe é agregado depois, pela via da aculturação, da assimilação e da recepção de tudo o que lhe chega da ambiência ampla. Tal distinção conduz a uma óbvia necessidade de identificar o que é natural e inerente e o que é adquirido. Como costumam colocar aqueles que se envolvem na disputa, a questão se concretiza na ambivalência da dicotomia entre os conceitos que na língua inglesa se expressam como “nature x nurture”. O núcleo do problema é saber o que, no ser humano que conhecemos hoje, é determinado pela herança da sua bagagem genética, que constitui a sua natureza (nature) e de toda a espécie, e o que lhe foi agregado de fora para dentro, mas acabou por integrarse e a fazer parte também do seu ser (nurture). Antropólogos, biólogos, psicólogos e sociólogos há muito que se debruçam sobre o problema, ora priorizando o primeiro termo, ora o segundo, do dilema. Situações especiais foram aproveitadas como ocasiões de observação e como oportunidades para inferências supostamente sustentadas pela realidade. Foi o caso, por exemplo, dos exaustivamente discutidos episódios dos “meninos-lobos”, sobretudo daquele que teria ocorrido na Índia, lá pelo começo do século20. O caso de Amala e Kamala nos fala de duas meninas que teriam sido criadas numa alcateia com a qual aprenderam a se locomover
como lobos, a comer carne crua e podre, a se comunicar por uivos etc. Outros casos assemelhados foram relatados no Camboja e na Rússia. Aceitos os relatos, a ilação é imediata: o próprio potencial genético seria obstruído, sufocado e modificado, se houvesse a submissão a uma situação e a um meio ambiente que não fosse compatível com aquilo que se criou e se estabeleceu como humano. Discutam-se a autenticidade e a historicidade dos casos, mas a verdade é que nenhuma dessas crianças sobreviveu entre os humanos por mais de dois anos e fica estabelecido que, vivendo desde sempre no meio de outras espécies, o humano se dilui e o não humano se institui. Na segunda metade do século 19, e isso é fato histórico, um menino foi trancado num porão e recebia apenas alimento e água de alguém que não se apresentava a ele e que nunca se soube quem era. Um dia, já rapaz, foi posto numa praça, em plena madrugada, na cidade de Nuremberg que, ao nascer do dia, se assombrou com aquela figura insólita, que não falava nem se comportava como gente. Este foi o caso de Kaspar Hauser, que aos poucos adquiriu características humanas e foi depois encontrado morto, assassinado por alguém que, como aquele que o criou, nunca foi identificado. Sua história foi magistralmente narrada no filme de Werner Herzog. Todos esses fatos falam da importância dos elementos culturais que se agregam à estrutura biofísica para gerar o humano, cuja personalidade nasce na conjunção de um temperamento (nature) e um caráter (nurture).
João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO
O núcleo do problema é saber o que, no ser humano que conhecemos hoje, é determinado pela herança da sua bagagem genética, que constitui a sua natureza (nature) e de toda a espécie, e o que lhe foi agregado de fora para dentro, mas acabou por integrarse e a fazer parte também do seu ser (nurture)”.
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Tratamento de choque
As últimas e únicas quatro empresas que prensam CDs e DVDs estão no Amazonas. O grande incentivo à ampliação da produção musical no país vai gerar o aumento dos pedidos de prensagem de músicos brasileiros. E ao contrário do que proclamam, esse movimento trará mais receita para o Estado
O governo deve ingressar a partir desta semana com ações civis na Justiça Federal para responsabilizar os representantes dos Conselhos Regionais de Medicina que não estão concedendo registro para profissionais estrangeiros atuarem no “Mais Médicos”. A estratégia, a cargo da Advocacia-Geral da União, será paralela aos pedidos de liminar para forçar a concessão de licenças de trabalho. A AGU e o Ministério da Saúde vão se reunir para bater o martelo sobre a nova ofensiva judicial. Para gringo Aécio Neves fará a palestra de abertura da conferência do BTG Pactual para investidores no dia 8, em Nova York. O evento é tradicionalmente aberto por ex-presidentes, como Lula, o francês Nicolas Sarkozy e o colombiano Álvaro Uribe. Para gringo 2 Há cerca de 600 investidores inscritos para a conferência, predominantemente interessados nos mercados da América Latina. Cerca de cem empresas estarão representadas no evento. São Brizola De Carlos Lupi, presidente do PDT, sobre a intensa troca de partidos deflagrada pela criação do Pros e do Solidariedade: “O PDT é como uma igreja. Entra quem quer e sai quem quer, mas quem quiser ficar precisa ter profissão de fé”. Uns vão... Dilma Rousseff quer conversar com Eduardo Campos nesta semana, mesmo considerando irreversível a saída do PSB do governo. O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) deve ser nomeado para o lugar de Fernando Bezerra (Integração). ...outros ficam Após falar
com Campos, a presidente deve chamar Cid Gomes e acertar com ele como seu grupo será representado no governo. O expessebista tem dito que não quer cargos. Ascensão social O deputado Givaldo Carimbão (AL), um dos expoentes do chamado baixo clero, com passagem por diversos partidos, deve ser o líder do Pros na Câmara. Repelente Dirigentes da Rede estão irritados com o assédio do presidente do PEN, Adilson Barroso. Dizem que o líder do partido divulgou versões fantasiosas sobre uma suposta aproximação de sua sigla com Marina Silva. Ensaiado O deputado Fernando Francischini, que estava no PEN e ameaçava voltar ao PSDB, foi convencido pelo tucano Beto Richa a se filiar ao Solidariedade. O governador do Paraná fez a manobra para garantir o apoio da nova sigla a sua reeleição. Balanço Wagner Montes (PSD-RJ) está com um pé no PMDB. Lideranças do Rio conversaram com Michel Temer,
que deu aval para nova filiação. O deputado estadual deve tentar a reeleição e será o puxador de votos da sigla. Sem... Articuladores da campanha de Alexandre Padilha (Saúde) ao governo de São Paulo levantaram informações sobre a cobrança de pedágio nas estradas paulistas, assunto considerado obrigatório na disputa com Geraldo Alckmin (PSDB).
Otavio Leite, deputado federal (PSDB-RJ), autor da Proposta de Emenda à Constituição 123/2011, conhecida como PEC da Música, que derruba empregos no Polo Industrial de Manaus, garante que o texto aprovado pelo Senado também vai gerar benefícios ao Amazonas.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
...parar Os petistas pretendem levantar um debate sobre a redução da taxa de retorno das concessionárias. Supersincero O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), decidiu interagir até com os eleitores mais críticos em sua página no Facebook, sem rodeios. “Felizmente os soteropolitanos não pensam como você”, escreveu para um cidadão que reclamou do sistema de transportes. Tour Ricardo Lewandowski receberá esta semana o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que visita o Brasil. O ministro ocupa a presidência do Supremo Tribunal Federal devido a uma viagem de Joaquim Barbosa aos Estados Unidos.
Tiroteio
O que já era confuso ficou ainda mais caótico em Iranduba, durante o despejo dos invasores índios e não índios. Dava para ver daqui de Manaus o corre-corre e ouvir o disse me disse. No meio da poeira até a musa da invasão ficou sem rumo. Ela própria representante de uma tribo de viquingues, sem um bronzeado sequer.
Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Mais uma vez, o PSDB busca um álibi para fugir das investigações e evitar a apuração de fraudes bilionárias no metrô e na CPTM.
Protagonismo juvenil
DO DEPUTADO ESTADUAL LUIZ CLAUDIO MARCOLINO (PT-SP), sobre o pedido de investigação feito pelo PSDB sobre as relações entre o Cade e os petistas.
Na década de 70 do século passado, depois que o regime de exceção tinha desarticulado as organizações juvenis surgiram, na igreja, por todo o Brasil, os encontros e os grupos de jovens. Aos poucos muitos foram percebendo que para serem eficazes deveriam ser menores, com um número de participantes que possibilitasse relacionamentos interpessoais, mas sobretudo ajudassem os jovens a ser protagonistas e gradualmente se formassem tanto na vida de fé quanto na cidadania. Esses pequenos grupos passaram a utilizar nas suas reuniões o método Ver-Julgar e Agir que vinha das décadas anteriores. Esse método tem o mérito de partir da análise da realidade utilizando-se do arsenal teórico oferecido pelas ciências humanas, de maneira especial a sociologia e a história. O Julgar além de análises que também se utilizam da filosofia entre outras ciências humanas, leva a uma leitura bíblica contextualizada e exigente. O Agir parte para as consequências práticas e as exigências de transformação da sociedade levando a uma junção entre fé e vida. Os jovens foram então desafiados a se comprometer nos grêmios estudantis, nos sindicatos, nos partidos políticos, nas pastorais sociais que iam surgindo, mas também na catequese, na liturgia, na vida religiosa consagrada e no ministério presbiteral. Os grupos também aprenderam a avaliar e a celebrar a caminhada que iam fazendo. Os jovens se iniciavam na dinâmica de grupo, no exercício da liderança, na arte de argumentar, de redi-
Contraponto
Adaptação urbana Na votação do projeto de lei que regulamentou a profissão de vaqueiro, aprovado na quarta-feira pelo Senado, o plenário foi tomado por profissionais com indumentária completa: chapéu de couro, gibão e berrante. O senador catarinense Casildo Maldaner (PMDB), ao ser convidado a colocar o tradicional chapéu, chamou o objeto de “capacete”, sendo imediatamente corrigido pelo colega Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Maldaner não se fez de rogado: - Não deixa de ser um capacete, já que o vaqueiro é o operário da caatinga - brincou. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
3090-1001 circulacao@emtempo.com.br
Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
www.emtempo.com.br
@emtempo_online
Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br Editora-Chefe Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br EM TEMPO Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
/amazonasemtempo
/tvemtempo
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
gir, de organizar assembleias e eventos. Algumas figuras de assessores surgem nesse momento. Entre esses, um padre irlandês, Jorge Boran, que desde a sua chegada ao Brasil no final dos anos sessenta se envolvera com os movimentos e encontros de jovens. Os grupos foram se organizando e com o patrocínio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil surgiu oficialmente a Pastoral da Juventude. Nos últimos quarenta anos, a partir dos seus pilares que são o seguimento de Jesus Cristo, o protagonismo juvenil, o grupo de base, o uso do método VerJulgar e Agir, a ligação fé e vida e a organização, a PJ como é carinhosamente chamada tem formado gerações de lideranças, muitas atuando na Igreja, mas a maior parte na sociedade, fazendo a diferença e vivendo os valores evangélicos na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. A atual campanha contra o extermínio de jovens que a PJ já vem fazendo há alguns anos , julgada sensacionalista e exagerada por alguns, mostra-se profética quando a sociedade se confronta com a morte violenta de jovens ou assassinados ou massacrados no trânsito que reflete as mazelas da sociedade. A PJ está viva e atuante. São milhares de grupos em todo o Brasil. Inspirando-se nas Comunidades Eclesiais de Base querem continuar a anunciar o Reino no seguimento de Jesus de Nazaré, comprometidos com a transformação deste mundo tão marcado pela morte e pela dor num mundo que aponte para a civilização do amor.
Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
A atual campanha contra o extermínio de jovens que a PJ já vem fazendo há alguns anos, julgada sensacionalista e exagerada por alguns, mostra-se profética quando a sociedade se confronta com a morte violenta de jovens ou assassinados ou massacrados no trânsito”.
Política
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
A5
Norma interna do PMDB é preventiva, diz dirigente Na última terça-feira, a direção nacional do partido baixou uma portaria dificultando a saída de filiados para outros partidos
DIVULGAÇÃO
O secretário-geral do partido no Amazonas, Miguel Capobiango, defendeu a medida adotada pelo PMDB e reforçou que é preventiva, já que o desejo da legenda é se fortalecer e não perder mandatos THIAGO GONÇALVES Equipe EM TEMPO
N
a semana em que se encerra o prazo para as filiações partidárias e troca-troca de legenda, o comando nacional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) baixou uma portaria interna em que dificulta a saída de filiados detentores de cargo eletivo municipal, estadual ou federal, para ingressarem em outros partidos. No Amazonas, onde a legenda comanda 17 prefeituras, os diretórios municipais já estão sendo notificados sobre a resolução que proíbe que as executivas regionais - municipais e estaduais -
decidam sobre a saída de filiados detentores de cargo eletivo municipal, estadual ou federal, para se filiarem a outras siglas. Pela resolução divulgada internamente na última terça-feira, somente a executiva nacional poderá decidir sobre os processos de desfiliação e em relação à existência ou não de justa causa nos pedidos feitos por detentores de cargo eletivo. O ato tem como viés resguardar os mandatos eletivos do partido, conforme ressaltou o secretário-geral do PMDB no Estado, Miguel Capobiango. “A decisão foi tomada exatamente como ação preventiva e deixa clara a regra aos filiados detento-
res de mandados eletivos que acham que podem tudo”, observou. Capobiango ressaltou que existe uma preocupação da legenda de cada vez mais se fortalecer no Estado ao invés de perder mandatos. A norma peemedebista dificulta as saídas de parlamentares, prefeitos ou governadores para legendas já existentes e as eventuais baixas para novas siglas não necessitam de apresentação de justificativa. A medida, entretanto, não alcançou o vice-governador do Amazonas, José Melo (sem partido), que ingressou com pedido de desfiliação do PMDB um mês antes, dia 23 de agosto. Ele, que deixou o partido sob a alegação de ARQUIVO EM TEMPO
Deputado está esperançoso com seu futuro político no Sustentabilidade, que vai comandar
BANCADA
No Amazonas, o PMDB possui 17 prefeitos, um vereador de Manaus, quatro deputados estaduais e um senador da República. A portaria editada pela sigla foi a forma de resguardar os mandatos conquistados que foi discriminado na legenda comandada pelo senador Eduardo Braga, aguarda o julgamento da ação de desfiliação por justa causa impetrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Na semana passada, o advogado do partido no processo, Caupolican Padilha,
reiterou que o PMDB-AM pediu para que fosse decretada a perda do mandato do vicegovernador José Melo, visto que foi eleito pelo partido. Conforme ele, essa será uma consequência natural, caso o TRE-AM julgue improcedente a ação de Melo. Na ação, o ex-peemedebista justifica que não era convidado para participar de reuniões do partido, que não tinha direito às inserções de rádio e TV, além de não ter espaço na mídia da legenda, o que contrariava a sua posição como vice-governador do Estado. Conforme norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), detentores de cargo eletivo não perdem o mandato quan-
do provam que a desfiliação partidária tem justa causa, como no caso de grave discriminação pessoal. Quando não há justa causa, o partido pode recorrer à Justiça eleitoral e pedir o mandato de volta. Campanha A Executiva Nacional do PMDB planeja a realização de uma campanha de filiações que venha a oxigenar os quadros peemedebistas. Para tanto, ainda este mês será feito um levantamento do atual número de diretórios municipais visando à atualização do conjunto de filiados ao partido, informação esta que será apresentada na próxima reunião da Executiva Nacional.
Novas siglas trazem ‘esperanças’ Em meio às negociações de futuras alianças políticas, a possibilidade das mudanças é mais evidente pelo surgimento de novas legendas, que além de desencadear a saída dos parlamentares insatisfeitos, podem lhes garantir a manutenção dos seus mandatos, tempo de televisão e recursos do fundo partidário. Na semana passada, o TSE aprovou o registro de duas novas siglas que prometem fisgar os “bons de votos”. O Partido Republicano da Ordem Social (PROS), liderado pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), e o Solidariedade (SDD), que tem como presidente Eurípedes Júnior, ex-vereador de Planaltina (GO). No Amazonas, capitaneado pelo deputado federal, Henrique Oliveira (PR), o Solidariedade prepara a sua conjuntura política e está na
fase das fundações da executiva estadual e dos diretórios municipais, conforme informou o deputado. “Estamos conversando com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças políticas do Estado”, disse. “Estamos dando entrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) com a executiva estadual e, a partir de segunda-feira (amanhã) os diretórios municipais começam a ser fundados”, acrescentou. Comandante Henrique Henrique, que deverá comandar a direção regional, informou que apresentará a sua carta de desfiliação ao Partido da República (PR) amanhã. A partir dessa etapa, ele terá 24 horas para se filiar ao Solidariedade, sem que cometa infidelidade partidária. O deputado alegou que deixa o PR pela possibilidade de concorrer ao governo
do Estado, sendo que no seu entendimento não teria direito à legenda para disputar a eleição. “A presidência do partido tem uma aproximação muito forte ao senador Eduardo Braga, que também é cogitado para disputar o governo do Amazonas”, comentou. No comando do PR está o senador Alfredo Nascimento. No Estado, outra expectativa é sobre a criação da Rede Sustentabilidade, partido que a ex-ministra Marina Silva tenta criar para disputar a Presidência da República, que segundo ela deve ter o seu registro eleitoral aprovado pelo TSE devido à sua “legitimidade social”, até o prazo final. O dia 5 de outubro é a data fatal para as trocas partidárias, um ano antes das eleições de 2014, sem que os filiados corram o risco de perderem os seus mandatos e o direito de disputar a eleição.
Política
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Número de congressistas investigados bate recorde
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Eles têm que saber perder” EDUARDO CAMPOS, presidenciável do PSB, e as criticas dos irmãos Cid e Ciro Gomes
Empresas contestam licitação milionária da Caixa Mais uma licitação milionária da Caixa Econômica Federal dá confusão e provoca questionamento na Justiça: a concorrência para escolher três empresas de promoção de eventos, que dividirão uma verba de R$ 150 milhões por ano. O contrato é de 5 anos. Duas das vencedoras, as minúsculas Fermento e Flap, apresentaram portfólio de clientes que não seria “real”, segundo contestou a B Ferraz, tradicional no setor. Muito estranho A Fermento nem sequer tem página na internet. A outra, Flap, também sem site operacional, funciona numa salinha na 112 Norte, em Brasília. Repeteco A terceira empresa vencedora, Latin, que já presta serviços à Caixa, disponibiliza em seu site uma lista com dezenas de clientes. Humm... Empresas estranharam decisões da presidente da comissão de licitação da Caixa, Sônia Mariquito, funcionária prestes a se aposentar. Medidas cabíveis A Caixa informou que adotará “todas as medidas cabíveis”, caso se comprove alguma irregularidade no decorrer da licitação. Henrique Alves avalia disputar o governo do RN Durante jantar recente com políticos conterrâneos, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB), tentou “tomar o pulso” dos possíveis candidatos ao governo do Rio Grande do Norte. Ouviu seu nome, é claro. Pressionado pelo primo, ministro Garibaldi
Alves (Previdência), Henrique considera sair candidato a governador, mas para isso quer costurar aliança com PT e partidos da oposição. Concorrentes O vice-governador Robinson Faria (PSD) e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) também são prováveis candidatos ao governo potiguar. Volta por cima Com o fracasso do governo de Rosalba Ciarlini, o presidente do DEM, José Agripino, sonha costurar um chapão com o PMDB-RN para 2014. Pindaíba Prefeito de Natal, Carlos Eduardo (PDT) pressiona deputados a descolar o empenho de R$ 20 milhões para obras da Copa de 2014. De oligarquias O presidenciável Eduardo Campos (PSB) criticou, há dias, o longo domínio político da família Sarney no Maranhão, mas esqueceu que durante 18 anos, nos últimos 50 anos, o Estado de Pernambuco foi governado por ele ou pelo avô, o saudoso Miguel Arraes. Não se vá O PMDB corre contra o tempo para tentar reverter a decisão de 15 deputados de abandonar o partido, levando fundo partidário e tempo de TV. A saída de cinco deputados já é dada como inevitável. Última chance Marina Silva apela a todos os santos para tirar do papel o seu partido Rede. Tem entregado a ministros do TSE um CD com as assinaturas, em ordem alfabética, para mostrar que não há duplicidade nos nomes. Truculência Como no caso do jato da
PODER SEM PUDOR
O poder engorda? Nomeado ministro do Trabalho de João Goulart, logo Almino Afonso (PTB) ganhou uns quilos a mais. O deputado José Maria Alkimin (PSD) não perderia a chance de alfinetar o adversário, ao encontrá-lo na Câmara: - Vejo que o poder lhe faz muito bem... O poder engorda mesmo... Almino parou, olhou Alkimin de cima a baixo, e respondeu: - A tese é pelo menos discutível. Você sempre esteve no poder ou perto dele e, mesmo assim, continua magro como um palito!...
Jornalista
Levantamento feito pelo site jornalístico Congresso em Foco mostra que 224 parlamentares respondem a processo judicial ZECA RIBEIRO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
A6
FAB do ministro Celso Amorim (Defesa), o regime do cocaleiro Evo Morales submeteu a cães farejadores Luis Vásquez Villamor, advogado do senador Molina, refugiado no Brasil. E o prendeu por 8 horas no aeroporto, impedindo-o de embarcar para o Brasil. Sangue no olho O ministro Joaquim Barbosa pegou de surpresa membros do Conselho Nacional de Justiça, em sua mais recente reunião, ao colocar em pauta só processos cabeludos, levando à punição de oito magistrados. Marcou bobeira O presidente do Senado, Renan Calheiros, precisa explicar por que não suspendeu antes o pagamento de supersalários a 456 marajás. Se estava disposto, como demonstrou, a adotar tão prontamente a decisão do TCU, ordenando o fim da farra, deveria ter tomado a iniciativa antes. Metralhadora O DEM atira para todos os lados, a fim de filiar quadros de olho em 2014. O partido convidou o senador Alvaro Dias (PSDB) e seu irmão, Osmar Dias (PDT), que atuam em campos opostos no Paraná. Dona Encrenca Mulher do governador paraibano Ricardo Coutinho (PSB), Pâmela Bório chamou de “covardes, aristocratas retrógrados, representantes do clientelismo”, no Twitter, os deputados que tiveram a ousadia de votar contra seu título de cidadã paraibana. Juros bilionários Dos cinco maiores gastos do governo em 2013, três são classificados como pagamentos de juros da dívida pública: mais de R$ 578 bilhões.
Levantamento mostra que dos 594 congressistas, 224 respondem a algum processo na Justiça
N
unca tantos congressistas estiveram sob a mira da Justiça. De cada dez parlamentares, quatro estão pendurados no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de participação em crimes. É o que revela levantamento exclusivo, que ocupa 20 páginas da sétima edição da revista Congresso em Foco, à venda nas principais bancas do Brasil e divulgado na semana passada. A versão também está disponível em versão digital. São 224 deputados e senadores que respondem a 542 inquéritos e ações penais. Um recorde, desde que o site Congresso em Foco começou a fazer, de maneira pioneira, esse tipo de pesquisa, em março de 2004. O número supera em 17% o total de congressistas apurado em nosso levantamento anterior, publicado na terceira edição da revista, em junho do ano passado. Na época, 191 parlamentares estavam sob investigação no Supremo, único foro competente para julgar crimes cometidos por deputados, senadores e outras autoridades. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e os deputados Paulo César Quartiero (DEM-RR) e Lira Maia (DEM-PA) são
os parlamentares com mais pendências no STF atualmente. Cada um deles é alvo de 13 acusações, considerando ações penais e inquéritos. A bancada federal de sete Estados – Acre, Alagoas, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima – tem mais da metade de seus integrantes sob suspeita. No caso do Mato Grosso, 91% dos parlamentares aguardam julgamento
PENDURADOS
Dos 11 congressistas do Estado em Brasília, seis aparecem no levantamento e respondem a processos no STF: os três senadores e os deputados Henrique Oliveira, Sabino Castelo Branco e Silas Câmara de ações ou inquéritos no Supremo. Dentre os partidos, a liderança é do PMDB: 54 dos seus cem congressistas estão às voltas com pendências criminais no STF. A pesquisa foi realizada entre 13 de junho e 14 de agosto de 2013. Crimes graves Entre as acusações que re-
caem sobre os parlamentares, há desde crimes graves como homicídio, corrupção e envolvimento com o narcotráfico até denúncias relativas a irregularidades – por vezes, de caráter formal – em campanhas eleitorais. Além de trazer a lista completa dos senadores e deputados federais que respondem a acusações no Supremo, a reportagem traz uma série de gráficos mostrando a evolução dos processos contra congressistas desde 2005; a incidência de denúncias nas principais bancadas dos sindicalistas, ruralistas e evangélicos; e a distribuição das acusações por Estados e por partido. Respostas A reportagem também busca respostas para as causas do acúmulo de processos contra políticos no STF. O tema é analisado por juristas e cientistas políticos, que associam o fenômeno principalmente às falhas do sistema judiciário brasileiro e à ineficácia do chamado foro privilegiado, que faz do Supremo o foro exclusivo para julgar crimes de deputados e senadores. O tribunal, na opinião de um dos seus ministros, Marco Aurélio Mello, “está inviabilizado” pela sobrecarga de processos judiciais.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
A7
Leny PASSOS
‘A DOAÇÃO É a continuidade DE VIVER em alguém’
FOTOS: ALEXANDRE FONSECA
ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
Para córnea temos em torno de 300 pessoas, mas as doações são mais rápidas. A expectativa é que até o fim de 2014 possamos zerar essa espera”
Em 2014, vamos caminhar para doação de coração e fígado. No caso do fígado, a estrutura está sendo montada no hospital Adriano Jorge”
Na última sexta-feira foi comemorado o “Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos” e a data chegou num momento especial para a central de transplante do Amazonas, onde faltam apenas oito pessoas para que o Estado alcance o número de mil doadores de córneas. A expectativa é que até o fim de 2014, a fila de espera se esgote e seja possível até montar um estoque de córneas na região. Na busca de sensibilizar a população sobre a importância da doação, a central, coordenada pela médica hematologista Leny Passos, promoveu nesta última semana um grande ato de mobilização na cidade para tentar diminuir a barreira do preconceito e da falta de conhecimento. Mas, apesar dos esforços ainda há muito que fazer. Atualmente, segundo dados da central, existem 400 pessoas no Estado à espera de um rim e outras 300 na fila aguardando uma córnea. Para o próximo ano, está previsto um ato ainda inédito nos centro médicos da cidade: o início dos transplantes de rim e coração. Porém, os trabalhos já iniciam com uma fila de 300 pessoas que aguardam um transplante de fígado e outras cem, para o coração. “Nossa maior dificuldade ainda é a rejeição das famílias em aceitar esse procedimento em um momento de muita dor. A nossa campanha é justamente para esclarecer que esse procedimento é algo seguro e que pode salvar vidas”, diz Leny. EM TEMPO – Quais são os tipos de doações realizadas no Amazonas? Leny Passos – Em 2002 iniciamos o processo de doação de intervivos, onde uma pessoa
poderia doar o rim para um parente ou uma pessoa que desejasse. Em 2004, começouse o transplante de olhos e em seguida se fundou o Banco de Olhos, que é coordenado pela doutora Cristina Garrido. Já em 2011, iniciamos o transplante de doadores falecidos com morte encefálica para rim e córnea. Para ano que vem vamos caminhar para doação de coração e fígado. No caso do fígado, a estrutura está sendo montada no hospital Adriano Jorge e do coração, será no Francisca Mendes. EM TEMPO – Como está a fila de espera hoje? LP- Para córnea temos em torno de 300 pessoas, mas as doações são mais rápidas. Um doador pode servir duas pessoas. A expectativa é que até o fim de 2014 possamos zerar essa espera. Na semana que vem, vamos completar mil doares. Já para o rim, temos 400 pessoas na lista de espera. E, quando iniciarmos os transplantes de fígado, terão 300 pessoas no aguardo. No coração, serão cem pessoas. EM TEMPO – O Ministério da Saúde iniciou uma campanha nacional de doação na última segunda-feira. Como está sendo feito esse trabalho no Amazonas? LP - Este ano realizamos uma amostra em todas as escolas públicas do Estado com a promoção de um concurso de desenho e histórias em quadrinhos sobre doação de órgãos. Só no Município de Manaus conseguimos envolver mais de 64 mil alunos. E esse aprendizado, os estudantes levam para toda família. Também estamos promovendo campanhas educacionais em centro de compras da cidade na busca de esclarecer a população so-
bre a doação, além é claro de toda campanha publicitária que ocorre em todo país. Estamos indo também aos hospitais realizando uma mobilização com médicos, enfermeiros e familiares de paciente internados. EM TEMPO – E essas campanhas têm apresentado resultado? LP – Nossa proposta não é promover uma campanha de resultado imediato e, sim a médio e longo prazo. O fato de colocarmos esse assunto em pauta entre as famílias já é fruto do trabalho desta campanha, pois se esse assunto for conversado dentro de casa e todos souberem do interesse de cada um sobre a doação fica mais fácil para família decidir sobre o caso. EM TEMPO – As pessoas ainda temem em autorizar a doação de órgãos por medo do diagnóstico médico de morte cerebral está errado. Como se chega a uma certeza? LP – Antes de ser efetuada a doação, a legislação obriga que seja feito dois exames clínicos e um de imagem para atestar que aquele paciente teve morte cerebral, que é quando o sangue para de circular na cabeça, impossibilitando as conexões entre o corpo e o resto do corpo. Esses exames são feitos por dois médicos diferentes, e apenas após esses diagnósticos é que vamos ter um diálogo com as famílias. EM TEMPO – Qual a principal dificuldade para o aumento de doadores? LP – O desconhecimento das pessoas, mas estamos construindo uma ideia de doação e bondade nas pessoas. É difícil se falar sobre algo que envolva morte, mas é a lei da vida.
Precisamos que todos tenham consciência da importância da doação e ver que essa doação é uma continuidade de viver em alguém. EM TEMPO – E como está o índice de rejeição do Amazonas? LP – Infelizmente ainda é alto. Muitas famílias ainda não autorizam algumas doações. Por isso, temos como objetivo manter uma campanha contínua. Atualmente, aqui no Estado, em cerca de 45% dos casos de morte cerebral as famílias não aceitam a doação. Enquanto no país, esse índice está em 30%. EM TEMPO – Qual a história mais emocionante de doação que a senhora já presenciou? LP – Toda doação me emociona, mas teve uma que me marcou. Foi o caso de uma senhora de idade que tem pouco estudo e mora em uma comunidade no meio da estrada. Ela perdeu a nora, que após meses internadas teve morte cerebral. Explicamos para essa senhora sobre o processo de doação, e ela convenceu toda família a fazer essa doação. Seis meses depois, a neta desta mesma senhora, de 12 anos, sentiu uma forte dor de cabeça e foi trazida para Manaus, mas a adolescente também acabou tendo morte cerebral. Ficamos até mesmo constrangidas de abordar a mesma família. Mas, para nossa surpresa a mesma senhora decidiu fazer a doação. Ela é uma mulher muito especial. Por um gesto de uma senhora simples e sem muito estudo, oito pessoas foram salvas. O que demonstra que nem sempre as pessoas mais esclarecidas e de dinheiro são as que irão dizer sim para doação.
Muitas famílias ainda não autorizam algumas doações. Por isso, temos como objetivo manter uma campanha contínua. Atualmente, no Estado, em 45% de morte cerebral, as famílias não aceitam a doação. Enquanto no país, esse índice está em 30%”
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
DIVULGAÇÃO
Curso capacita para advocacia pública no AM Economia B4
Pesca esportiva se
FOTOS: DIVULGAÇÃO
consolida no Amazonas
Estado se destaca como um polo de referência mundial, que atrai os amantes da prática no país e no exterior
Adeptos da pesca esportiva chegam a desembolsar até R$ 8 mil para poder praticar o hobby nos rios que cortam o território amazonense
ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
F
avorecido pela falta de “concorrência” no país, o Amazonas se consolida como um polo da pesca esportiva no território nacional. Até o final do ano, a estimativa é de que quase 9 mil turistas passem pela região para desfrutar da atividade, que é uma das principais fontes de fomento para municípios do interior. O aquecimento do mercado pode ser verificado nos números. Até o último mês de setembro, o crescimento registrado foi de 10% em relação ao mesmo período de 2012, de acordo com dados da empresa de Turismo do Estado do Amazonas (Amazonastur). A previsão é que a pesca esportivo deverá movimentar em torno de R$ 35 milhões até o final do ano. Animados com a legião de turistas que visitará o Estado, alguns empresários estimam incremento de até 80% nesta temporada, que vai entre setembro deste ano a março de 2014, na comparação com a estação anterior. Com 8 anos de atuação neste segmento, o empresário Jackson Alencar, proprietário da Jacktur Viagens e Turismo, afirma que o mercado da pes-
ca esportiva está aquecido no Amazonas. Segundo ele, nos nove primeiros meses do ano, foi possível ele registrar um aumento de 70% nos negócios em relação ao mesmo período do ano passado. “O crescimento vai continuar nos próximos meses”, revela. Atualmente, de acordo com a Empresa de Turismo do Estado do Amazonas (Amazonastur), a maioria dos “amantes” estrangeiros da pesca esportiva na região vem dos Estados Unidos e da Europa, enquanto o turista nacional é oriundo principalmente de São Paulo. Tucunaré O foco na região nesta época do ano é o tucunaré, cujo peso pode ultrapassar os 13 quilos. Porém, no período de cheia, os peixes de couro são os preferidos. Para evitar surpresas, alguns empresários cobram pagamento adiantado. “Os interessados só embarcam mediante a quitação do pagamento do pacote”, declara Jackson Alencar. Segundo a Amazonastur, o governo tem adotado políticas para promover os principais destinos de pesca do Estado, em especial, Barcelos que é um dos seis municípios brasileiros que se destacam pela pesca esportiva.
Balbina é opção para manauense Enquanto as regiões mais distantes da capital amazonense atraem os turistas estrangeiros, o lago de Balbina (a 180 quilômetros de Manaus) é o destino preferido dos manauenses. Com menos de 5% do que é gasto em Barcelos, por exemplo, o morador de Manaus pode passar o dia inteiro pescando no município vizinho espécies como o tucunaré, piranha e aruanã. Por apenas R$ 350, o visitante pode praticar a pesca
esportiva na comunidade Boa União, no ramal Rumo Certo, no quilômetro 165 da estrada que vai até Balbina. “O valor é da diária, gasolina e piloteiro”, frisa o empresário Jackson Alencar. Além de Barcelos e Presidente Figueiredo, a pesca esportiva é praticada em Autazes, Borba, Careiro, Humaitá, Itacoatiara, Itapiranga, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã, Nova Olinda do Norte, São Sebastião do Uatumã e Santa Isabel.
Atividade é uma importante fonte de renda do interior do AM
Preço do pacote é ‘salgado’ Os operadores cobram, em média, R$ 8 mil pela estada de uma pessoa durante uma semana no município de Barcelos (a 399 quilômetros de Manaus), que é um dos principais destinos da pesca esportiva no Brasil. Este valor engloba a viagem aérea, hospedagem em barco hotel, alimentação, lancha para pesca com gasolina e o piloteiro (guia de pesca). Conforme a Amazonastur, é possível achar preços que variam de R$ 2,5 mil a R$ 6
mil. “Os pacotes são feitos para grupos de até 12 pescadores que ficam cinco dias pescando embarcados e dois em trânsito. A maioria não pernoita na capital”, frisa a Amazonastur, por meio da assessoria de imprensa. Segundo o órgão, a temporada de pesca dura de setembro a março. Há quase 50 operadoras que vendem pacotes de pesca esportiva para o Amazonas. Em torno de 25 barcos hotel operam na região do Médio Rio Negro. Barcelos é um dos destinos mais procurados pelos turistas
Peixe tradicional da região, o tucunaré é uma das espécies mais procuradas pelos estrangeiros que visitam o Amazonas para desfrutar momentos de lazer com pescaria na região
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Alfredo MR Lopes
Tendência é que uso de cartões pré-pagos venha a crescer dentro das empresas corporativas
alfredo.lopes@uol.com.br
A economia Curupira GAÇÃO
DIVUL
Cartões são usados para pagar direitos trabalhistas Pré-pagos já constituem hoje um meio eficiente para fazer pagamento de benefícios como alimentação e transporte
D
epois de se consolidar como o meio de pagamento ideal para benefícios como alimentação e transporte, os cartões pré-pagos começam a ser usados também para o salário de temporários e de setores de grande turnover de mão de obra. “O pré-pago reduz o custo de bancarização do temporário e elimina a insegurança do pagamento de salário em dinheiro”, explica o presidente do Grupo Setorial de Pré-Pagos (GSPP), Antonio Jorge de Castro Bueno. “Com a chegada do final do ano, quando explode o número de vagas temporárias no comércio e na indústria para atender o pico de vendas do período, devemos ter maior adesão ao produto”, afirma. Os pré-pagos salariais são
cartões do tipo aberto, ou seja, que podem ser usados para o pagamento de compras em milhares de estabelecimentos, além de permitir o saque
VANTAGENS
O uso de cartões tem aumentado em função da celeridade, redução dos custos com bancos e também por uma questão de segurança que a ferramenta de plástico proporciona ao mercado de trabalho em dinheiro. “Eles aumentam a segurança para o trabalhador também, pois em caso de perda ou roubo, o cartão pode ser cancelado, protegendo o valor nele depositado”, enfa-
tiza Bueno. No final do ano, os pré-pagos já são usados por muitas empresas para substituir a tradicional cesta de final de ano. “Com um cartão que permita compras em supermercados, o empregador acaba com a difícil logística das cestas e ainda dá ao trabalhador a chance de escolher os produtos que prefere”, detalha o executivo. Crescimento O GSPP - grupo que reúne as empresas não financeiras que atuam no segmento de pré-pagos -, estima que a participação deste arranjo de pagamento respondeu por 4% do consumo privado em 2010, mas alcançará 10% em 2020. Os R$ 84,6 bilhões transacionados em 2012 alcançarão R$ 117 bilhões em 2017.
A primeira menção literária ao mito do Curupira foi feita pelo padre José de Anchieta, em 1560, ao descrevê-lo “... sempre com os pés voltados para trás e de prodigiosa força física, engana caçadores e viajantes, fazendo-os perder o rumo certo, transviando-os dentro da floresta, com assobios e sinais falsos.” O mito se presta a ilustrar o debate sobre TSA, as famigeradas e inconstituci onais taxas de serviços administrativos, cobradas pela Suframa, e que voltou às manchetes do país com o resultado judicial milionário, em favor da Gradiente, quanto ao recolhimento indevido. O volume é robusto e foi fruto de uma ação coletiva impetrada pelo Cieam, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas, no bojo de um conflito entre a direção da entidade na época e o ex-superintendente da Suframa Mauro Ricardo Costa(1996 a 1999). A ação obteve êxito, propiciando que empresas recuperem na Justiça os valores recolhidos. Um conflito estéril ao interesse público, pois as tais taxas não alcançaram a destinação então pretendida de atender atividades geradoras de emprego e renda nos municípios alcançados pela ação da Suframa. A Gradiente é apenas um, e o primeiro desta safra, das dezenas de ações que correm na Justiça e que, certamente, sairão vitoriosas. Mesmo assim, na lógica da economia Curupira, o governo federal, através da Suframa, editou outra lei, igualmente inconstitucional, para seguir cobrando a tal TSA, sem que as entidades voltassem a questionar o ilícito. Essa cobrança de taxa não pode ter base de cálculo idêntica à de impostos, diz a Constituição Federal, no Art. 145, inciso 2 e § 2º. E a ilicitude já foi anotada pela subprocuradora geral da República, em parecer nos autos do RE-e 556854, no Supremo Tribunal Federal. Desde então, apesar da insistência de Mauro Costa, o volume recolhido passou a ser integralmente tragado pela gulosa máquina tributária, o caixa único do Tesouro. Além de andar para trás, a lógica Curupira passou a assobiar com falsos alertas e promessas de devolução ou utilização obscura em arraiais de vizinhos ou companheiros empobrecidos. A um custo adicional de 2% em média sobre valor de cada item com base de cálculo no valor CIF das importações em moeda americana, a TSA virou item da cangalha fiscal e burocrática. Quem suporta trabalhar 5 meses por ano para pagar imposto e gerenciar 30 novas normas tributárias editadas por dia no Brasil, o equivalente a 1,25 por hora? E o que é pior: sem a contrapart ida de equipamentos e serviços públicos de qualidade. Apesar da indignação nacional com os penduricalhos jurídicos, que legitimam qualquer coisa e relativizam ilícitos absolutos, a posição das entidades é ouvir a justiça, e tentar por fim a esta mitologia institucionalizada. Como continuar pagando uma taxa que deixou de ser usada para os fins relevantes em nome dos quais foi constituída? Há acolhida sobre a continuidade do recolhimento caso se resgate a utilização desses recursos nas finalidades originais de sua cobrança pela Suframa. E há a recusa peremptória de recolher as referidas taxas para contingenciamento dos últimos anos,
na direção de usos e abuso s alheios ao interesse da população dos municípios alcançados pela Zona Franca de Manaus, e das áreas de livre comércio na Amazônia Ocidental e no Estado do Amapá. Recentemente, na publicação do IDH, os indicadores de Desenvolvimento Humano da ONU, nessas áreas foram flagrados os piores municípios do ranking nacional. Só no Amazonas existem 11 das 50 piores cidades em IDH do país. Consultar a Justiça significa aferir a equidade, à luz do interesse do cidadão, deste constrangimento fiscal que congela recursos de relevante destinação em nome de desculpas inaceitáveis a despeito do continuo sucateamento da Suframa, esvaziamento de suas funções, escassez de seu custeio e exercício de atribuições. É bem verdade que precisamos assumir que não fizemos o dever de casa. Há muito amadorismo e improvisação na gestão dos recursos públicos. Entretanto, é impossível cobrar do modelo ZFM, e da autarquia que o gerencia, posturas arrojadas se este modelo foi transformado em escoadouro de recursos para a compulsiva arrecadação fiscal federal? O Estado do Amazonas, acusado de usufruir de generosa renúncia fiscal, possui a terceira maior carga tributária do país para os empresários de pequeno porte, que tem de reservar 7,8% de seu faturamento para o pagamento de impostos. Não é à toa que as instituições públicas estão sendo, pouco a pouco, dilapidadas a nossa frente, sem qualquer reação daqueles que ainda possuem condições de fazer alguma coisa. Nesta semana, o Brasil lançou uma ofensiva nos EUA para captar investidores para sua infraestrutura. O encontro aproveitou a passagem da presidente Dilma Rousseff por Nova York, para reunir mais de 300 investidores americanos, canadenses e europeus que ouviram de autoridades brasileiras detalhes sobre o programa brasileiro de concessões. Eles ouviram da presidente a promessa de que respeitará, religiosamente, tudo o que for combinado. Como levar adiante essa certeza da combinação das regras antes do apito inicial, se o modelo ZFM há empresas com projetos aprovados no conselho de administração da Suframa e estão há mais de 2 anos aguardando a liberação do processo produtivo básico? É indiscutível que “... há muito interesse no Brasil”, como afirmou o presidente da instituição financeira que organizou o encontro, ao destacar que a carteira administrada pelos investidores que participaram do almoço é de cerca de US$ 10 trilhões. Na economia Curupira, os custos arcados pelas empresas com taxas, impostos e emolumentos são os maiores do mundo e os funcionários da área tributária se transformaram em sumidades, com salários mais altos do que a contratação de um cientista. E quando os burocratas fazem a lei, ele próprio vira juiz, e sua repartição uma Corte Suprema. Com direito a imunidade funcional, como a daquele técnico que senta sobre uma licença de PPB, do qual depende a produção, o emprego e a renda de muita gente, meses e anos a fio, e nada acontece, ou fiscal que se compraz em travar a liberaç o de navios lotados de contêineres, à espera de sua volta de seu almoço que começou há quatro horas... Valha-nos o beato José de Anchieta!!!
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta
Há acolhida sobre a continuidade do recolhimento caso se resgate a utilização desses recursos nas finalidades originais de sua cobrança pela Suframa
Economia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
B3
ZFM continua atrativa aos investidores estrangeiros Mesmo com as ameaças, polo industrial recebeu este ano mais de US$ 10 bilhões em investimentos vindos do exterior IONE MORENO
Recursos deverão ser ampliados
Empresários japoneses lideram o fluxo de aportes aplicados na ZFM, seguidos pelos sul-coreanos e dos norte-americanos JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
M
esmo com as crises de mercado e o clima de insegurança jurídica provocada pela “guerra fiscal” entre os Estados, a Zona Franca de Manaus (ZFM) continua sendo um polo de atração do investidor estrangeiro. Na ponta de lança dos investimentos estão os asiáticos e os norte-americanos,
que juntos deixaram mais de 70% dos recursos aplicados no principal modelo de desenvolvimento do Estado. Somente em 2012, foram investidos US$ 10 bilhões no Polo Industrial de Manaus (PIM) para a melhoria de fábricas, compra de equipamentos e modernização de processos industriais dos quais US$ 7 bilhões partiram de países como Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul. O montante investido ao lon-
go do ano passado registrou crescimento de 23,9% em relação ao total de capital “gringo” aplicado em 2011 (US$ 5,6 bilhões) nas fábricas do parque amazonense, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Japão Segundo o levantamento da autarquia, o Japão foi o campeão das apostas no modelo ZFM em 2012. Foram US$
2,5 bilhões aplicados em 34 fábricas, distribuídas entre os segmentos de duas rodas (13 fábricas), eletroeletrônico (6), polo relojoeiro (2), polo mecânico (8) e polo químico (2). Além delas, três fábricas, uma do setor metalúrgico, outra do setor do termoplástico e mais uma voltada para o beneficiamento da borracha também receberam a injeção de capital. A Moto Honda liderou os investimentos com US$ 1,7 bilhão.
Embora os números referentes aos investimentos estrangeiros deste ano ainda estejam em aberto, conforme os indicadores da Suframa, até julho, o investimento geral feito pelas empresas ativas no PIM somam US$ 10, 5 bilhões. O valor ultrapassa o montante aplicado em 2012. O secretário executivo adjunto da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), Appio Tolentino, analisa que a tendência é os investimentos estrangeiros aumentarem este ano. “Acreditamos que para 2013, a média entre os grandes investidores como o Japão será de US$ 3 bilhões”, projeta. Segundo ele, a área de tablets, smartphones e televisores, além de empreendimentos novos, como o da Polimix, voltada para a produção de cimento, e prospecções para o novo polo naval devem ‘coman-
dar’ os investimentos vindo do exterior este ano. “A confiança do empresário estrangeiro na ZFM deve sobrepor as turbulências do mercado”, complementa. Ousadia O diretor da Flextronics, (empresa componentista de capital norte-americano), Ocimar Melloni, conta que apenas em 2012, a fábrica gastou US$ 9 milhões na compra de máquinas injetoras mais modernas que pudessem tornar o processo mais eficiente. “O ano passado foi muito difícil para todos, em especial, para os componentistas. Como não podíamos mais aumentar o preço em função dos valores praticados por países asiáticos, optamos por investir, ação que valeu a pena, uma vez que em meio a turbulências, garantimos a frente dos negócios ao produzir 50% das peças injetadas consumidas no PIM”, conta.
B4
Economia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Curso da PGE capacitará para a advocacia pública HENRIQUE XAVIER Equipe EM TEMPO Online
C
om apenas 25 vagas ofertadas, das quais duas são destinadas para pessoas com deficiência, em torno de 450 candidatos confirmaram a inscrição no primeiro exame de seleção de candidatos ao programa de “Residência Jurídica” da Procuradoria Geral do Amazonas (PGE-AM). O certame é destinado a bacharéis em direito e dará diploma de pós-graduação lato sensu com título de especialista em assistência jurídica. Quem não se inscreveu, ainda dá tempo. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 9 de outubro, das 8h às 12h, na sede da PGEAM, na rua Emílio Moreira, 1.038, bairro Praça 14, Zona Sul, mediante pagamento da taxa no valor de R$ 80. Segundo o procurador do Estado e diretor da Escola Superior de Advocacia Pública (Esap), Ticiano Alves e Silva, responsável pela execução do programa, o curso tem o objetivo de desenvolver competências e habilidades nos profissionais do direito que desejam seguir no exercício
jurídico. Ele destaca que a residência jurídica também vai capacitar os bacharéis para uma melhor compreensão do papel social e missão institucional da PGE-AM. “Em linhas gerais, o curso será como um aperfeiçoamento para aqueles que desejem conhecer um pouco mais da parte prática no ramo da advocacia públi-
BENEFÍCIOS
As provas do certame exclusivamente discursivas -, serão aplicadas no próximo dia 6 de outubro para os bacharéis em direito. Os aprovados receberão uma bolsa-auxílio no valor de R$ 2 mil ca. Estamos orgulhosos em sermos os pioneiros de um programa tão importante formalizado em lei, que trará grandes vantagens para os aprovados”, assevera. De acordo com o edital da seleção, as aulas serão ministradas na sede da procuradoria, às sextas-feiras, em horário a ser definido pela Esap, enquanto as atividades
DIVULGAÇÃO
Inscrições para preencher as 25 vagas ofertadas no exame de seleção dos bacharéis em direito vão até o dia 9 de outubro práticas serão realizadas de segunda-feira à quinta-feira, em horário a ser definido pelo orientador do aluno-residente. O exame será realizado em prova única de caráter dissertativo, cuja duração será de quatro horas no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), no dia 20 de outubro. TCE-AM O presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCEAM), Érico Desterro, que é membro da banca examinadora, explica que a residência judicial proporciona também um aprendizado da prática vivencial com contato mais direto com as atividades da Justiça pública. Segundo ele, ao optar pela residência jurídica, o bacharel vai aliar teoria e prática ao currículo acadêmico, experiência imprescindível para quem deseja concorrer a vagas em concurso na própria PGE ou em outros órgãos públicos. “O aluno vai ver como se faz o atendimento ao público, as petições, os recursos. Ele vai poder acompanhar os procuradores e até colaborar em audiências que serão presididas pelo magistrado orientador”, enfatiza Desterro.
Para o procurador Ticiano Silva, o curso desenvolverá competências dos profissionais do direito
Economia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
B5 ALEXANDRE FONSECA
Facebook lidera acesso às redes sociais no país
Comunidade virtual foi visitada por 70% dos brasileiros que entraram nos principais sites de relacionamento em agosto
O
Facebook atingiu 70,10% de participação de visitas e manteve a liderança entre as redes sociais mais visitadas no último mês de agosto no Brasil, de acordo com dados da Hitwise, ferramenta líder global de inteligência em marketing digital da Serasa Experian. Em comparação com agosto de 2012, houve alta de 13,05 pontos percentuais. O Facebook é o primeiro colocado do ranking desde janeiro do ano passado. Em agosto de 2013, o YouTube apareceu em segundo lugar na preferência do usuário de internet, com 17,63% de participação de visitas, com queda de 0,32 ponto percentual no ano contra ano. O Ask.fm, com 1,59% de participação de visitas, ficou em terceiro lugar, seguido de Yahoo! Respostas Brasil (1,49%), Twitter (1,45%) e do Orkut (1,34%). Em sétimo lugar no ranking de agosto de 2013 ficou o Badoo (1,07%), seguido de Google + (0,99%), Bate-papo UOL (0,80%), e Instagram (0,45%). Duração O tempo médio de visitas ao Facebook foi de 27 minutos e 12 segundos em agosto de 2013, enquanto no YouTube, os usuários gastaram
Participação do Estado é inferior a 1% A região do Brasil que contou com a maior participação de visitas às redes sociais no período de 12 semanas terminado em 31 de agosto foi o Sudeste, com 57,22%. Em segundo lugar, aparece a Região Sul (18,49%), seguida de Nordeste (12,58%), Centro-Oeste (8,11%) e Norte (3,61%). Já os Estados do país com a maior participação de visitas às redes sociais no mesmo período foram São Paulo (34,32%), Rio de Janeiro (12,73%), Minas Gerais (10,18%), Paraná (7,48%) e Rio Grande do Sul (7,14%). Na sequência, aparecem Santa Catarina (5,19%), Bahia (3,66%), Goiás (2,44%), Espírito Santo (2,13%), Distrito Federal (2,09%), Pernambuco (2,02%), Ceará (1,71%), Mato grosso (1,28%), Mato Grosso do Sul (0,99%), Pará (0,98%), Paraíba (0,86%), Rio Grande do Norte (0,81%), Maranhão (0,68%). Amazonas Os Estados que ficaram nas últimas posições foram puxados pelo Amazonas (0,67%), que foi seguido por Sergipe (0,63%), Alagoas (0,53%), Rondônia (0,46%), Piauí (0,40%), Tocantins (0,27%), Acre (0,18%), Roraima (0,09%) e Amapá (0,08%).
22 minutos e 53 segundos na navegação, em média. O Ask.fm teve tempo médio de visitas de 19 minutos e 58 segundos em agosto. Idade Dentre a população adulta do Brasil, as pessoas que mais acessaram as redes
sociais no período de 12 semanas terminado em 31 de agosto de 2013 têm entre 25 e 34 anos (27,38%). Elas são seguidas pelo grupo de adultos com idade que vai de 18 a 24 anos (23,36%), 35 a 44 (20,25%), mais de 55 (15%) e entre 45 e 54 anos (14,02%).
Usuários passaram média de 27 minutos e 12 segundos no Facebook no mês passado no Brasil
B6
País
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Lei Maria da Penha não fez reduzir mortes de mulheres A
Lei Maria da Penha não teve impacto sobre a quantidade de mulheres mortas em decorrência de violência doméstica, segundo constatou um estudo sobre feminicídio, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. De acordo com os dados do instituto, entre 2001 e 2006, período anterior à lei, foram mortas, em média, 5,28 mulheres a cada 100 mil. No período posterior, entre 2007 e 2011, foram vítimas de feminicídio, em média, 5,22 mulheres a cada 100 mil. Entre 2001 e 2011, estimase que, no total, cerca de 50 mil crimes desse tipo ocorreram no Brasil, dos quais 50% foram cometidos com o uso de armas de fogo. O Ipea também constatou que 29% desses óbitos ocorreram na casa da vítima, o que reforça o perfil das mortes como casos de violência doméstica. Feminicídio é o homicídio de mulheres em decorrência de conflitos de gênero, geralmente cometidos por um homem, parceiro ou ex-parceiro da vítima. Esse tipo de crime costuma implicar situações de
AG_ABR
Estudo do Ipea constata que lei não teve impacto sobre a quantidade de mulheres mortas em decorrência de violência abuso, ameaças, intimidação e violência sexual. Para o Ipea, o decréscimo em 10 anos é “sutil” e demonstra a necessidade da adoção de outras medidas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, à proteção das vítimas e à redução das desigualdades de gênero. Em relação ao
NÚMEROS
De acordo com o Ipea, entre 2001 e 2006 foram mortas, em média, 5,28 mulheres a cada 100 mil. Entre 2007 e 2011, foram vítimas de feminicídio, em média, 5,22 mulheres a cada 100 mil perfil das principais vítimas de feminicídio, o Ipea constatou que elas são mulheres jovens e negras. Do total, 31% das vítimas têm entre 20 e 29 anos e 61% são negras. No Nordeste, o percentual de mulheres negras mortas chega a 87%; no Norte, a 83%. Entre os Estados brasileiros, o Espírito Santo é o que mais registrou assassinatos de mulheres entre 2009 e 2011, 11,24 a cada 100 mil.
Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro
País
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Crianças somam 3,5 milhões de trabalhadores no Brasil
LUTA
Tribo ianomâmi vive sob ameaça de garimpeiros
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostra que, apesar de ligeira queda, o país ainda apresenta números elevados de trabalho entre crianças e adolescentes
tar mosquitos e esquentar as tapiocas. Eles falam pouco, com o olhar preocupado e gestos elementares sobre barrigas inchadas pela verminose, os pés muitas vezes corroídos pelos vermes. Mais de uma centena de ianomâmis vão todos os dias até essa pequena colina na serra de Surucucus, no oeste do Estado de Roraima, para serem tratados por uma equipe de médicos voluntários. Eles chegam a pé após quatro dias de caminhada, muitas vezes, ou em um pequeno avião monomotor fretado pelos Expedicionários da Saúde (EDS), uma impressionante ONG de Campinas, perto de São Paulo.
Povo ianomâmi reclama de invasões e agressões
o Brasil, 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhavam no ano passado, indica a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na última sexta-feira, 27 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que houve queda de 0,3 ponto percentual, ou 156 mil pessoas, mantendo a tendência dos anos anteriores. Em 1992, 19,6% das crianças e adolescentes trabalhavam, proporção que caiu para 12,6% em 2002 e para 8,3% em 2012. Três milhões, a maioria, estava na faixa de 14 a 17 anos, idade em que o trabalho é permitido na condição de jovem aprendiz. Os dados da Pnad mostram que 24,8% dos adolescentes de 15 a 17 anos trabalhavam no ano passado. Em 2002 eram 31,8%, proporção que chegou a 47% em 1992. Entre 10 e 13 anos, eram 473 mil pessoas ocupadas. Na faixa de 5 a 9 anos, 81 mil crianças trabalhavam em 2012. Nas três faixas, os homens são maioria. A maior queda ocorreu na faixa de 10 a 13 anos, com 142 mil crianças a menos trabalhando, 23% do total.
REPRODUÇÃO
N
ABR
É uma luta silenciosa, difícil, que se passa no coração da densa floresta amazônica, ao longo da fronteira venezuelana, nos planaltos brasileiros de noites frescas e dias banhados de suor. Somente as crianças, “vestidas de sol”, como dizem pudicamente os padres missionários, parecem não dar nenhuma importância ao espetáculo ao redor. Em toda parte se vê o cansaço nos rostos. Há cerca de 20 homens e mulheres sentados sob uma grande lona, protegidos em uma tentativa de sombra. Mais abaixo, outros se amontoam dentro das tendas, dormindo em redes ou agachados em torno de uma fogueira que foi acesa para espan-
B7
Os dados da Pnad mostram que 24,8% dos adolescentes de 15 a 17 anos trabalhavam em 2012
Região Centro-Oeste dispara Quanto às regiões, o Norte teve a maior queda, passando de 10,8% para 9,7% das crianças e adolescentes ocupados. No Centro-Oeste, houve aumento de 7,4% para 8,5%. O rendimento médio mensal domiciliar por pessoa dos trabalhadores de 5 a 17 anos ficou em R$ 512, enquanto o dos que não trabalham foi
R$ 547. Na faixa entre 5 e 13 anos, a principal atividade é na área agrícola, com 60,2%. Quanto ao rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro, chegou a R$ 1.507 em 2012, um ganho real de 5,8% em relação aos R$ 1.425 de 2011 reajustados pela inflação. Entre as regiões brasileiras, o Centro-
Oeste apresentou aumento de 4,8% em relação a 2011 e registrou a maior média de rendimentos de trabalho (R$ 1.803). O Nordeste mantevese com os piores rendimentos (R$ 1.044), apesar de ter sido a região com maior aumento no período (8,1%). A Região Norte teve o menor aumento (2,1%).
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
A cortina da espionagem caiu, diz Antonio Patriota Ex-chanceler se refere aos argumentos apresentados pelos EUA de que o monitoramento no país visava combater o terrorismo
A
provado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) para o cargo de representante permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), o ex-chanceler Antonio Patriota disse, em audiência no Senado, que a “cortina da espionagem caiu”. Ele se referiu aos argumentos apresentados pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de que o monitoramento feito pelos Estados Unidos nas comunicações, inclusive internet, visava combater terrorismo e proteger vidas de cidadãos daquele país. Questionado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Patriota disse que essa explicação de Kerry “caiu por terra” diante da espionagem norte-americana na Petrobras e em representações diplomáticas brasileiras, entre elas a Missão Permanente junto às Nações Unidas. De acordo com o ex-chanceler, a posição do Brasil à margem de movimentos terroristas não fornece pretexto para o monitora-
AE
mento de suas representações diplomáticas. Para o diplomata, cuja indicação será agora votada pelo plenário do Senado, o momento é de “consolidar ganhos, apontar falhas e propor caminhos”. Ele observou que os pactos sobre direitos civis e a Declaração dos Direitos Humanos protegem a privacidade, e a Convenção
POSIÇÃO
De acordo com o ex-chanceler Antonio Patriota, a posição do Brasil à margem de movimentos terroristas não fornece pretexto para o monitoramento de suas representações diplomáticas de Viena impede a violação da correspondência das missões diplomáticas. Entretanto, no campo da internet, acrescentou, há “caminhos a percorrer”, porque a governança da rede está a cargo da Icann, empresa privada sediada na
Califórnia (EUA), responsável pela coordenação global do sistema de identificadores exclusivos. O ex-chanceler afirmou que os países desenvolvidos opõem grande resistência a qualquer proposta de gestão multilateral da internet, mas, com as revelações sobre a espionagem, ele previu que a situação poderá mudar. Defesa Em resposta ao senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o ex-chanceler disse que o Brasil se orgulha de ter introduzido um conceito que passou a ser discutido pelo Conselho de Segurança da ONU, a partir de 2011, que é o da “responsabilidade ao proteger”. Patriota afirmou que esse conceito não substitui o de “responsabilidade de proteger”, que justificou intervenções das Nações Unidas para evitar a continuidade de genocídios como os de Ruanda e Srebrenica (Bósnia). Mas, conforme o ex-chanceler, a “responsabilidade ao proteger” não atribui às forças responsáveis pela intervenção.
Patriota diz que os países desenvolvidos opõem resistência à proposta de gestão da internet
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
ALEXANDRE FONSECA
Lixo aparece com a baixa das águas Páginas C4 e C5 MICHELL MELLO/PROURBIS
Transformação silenciosa No bairro Jorge Teixeira, enquanto a infraestrutura é recuperada, crianças e adolescentes recebem aprendizado sobre questões importantes para sua formação
E
nquanto o processo de revitalização do bairro Jorge Teixeira se acelera, com recuperação de vias, infraestrutura e habitações para os moradores da Zona Leste, o Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Prourbis) continua incentivando, também, uma transformação silenciosa: a formação cidadã das crianças e adolescentes do bairro. Em meio a concreto, barro e outras estruturas que demonstram o avanço do processo de reurbanização do Jorge Teixeira, o programa cumpre a missão de oferecer aos pequenos moradores oportunidades de aprendizados que poderão aplicar no seu cotidiano e no convívio com a comunidade. É o que vem acontecendo com os alunos das escolas municipais Themístocles Gadelha, Paulo Pinto Nery e
Professor Álvaro Vale. Eles aprendem noções sobre meio ambiente e aplicam em casa, multiplicando o aprendizado obtido na sala de aula com os pais e familiares”. Em casa, esse aluno funciona como um multiplicador de informação. Ele pode orientar o pai e a mãe sobre como armazenar o lixo corretamente e o horário certo para que seja despejado. Esse aluno que hoje aprende com o Prourbis vai crescer um adulto mais consciente”, disse o coordenador. É o que já está fazendo, em casa, o estudante da escola municipal Themístocles Gadelha, Manoel Antônio Galvão da Silva Jr., 10, que já está ensinando o que aprendeu em sala de aula para os pais. “Eu acho importante ensinar isso lá em casa porque, assim, minha mãe vai poder separar o lixo e jogar no horário certo. Isso é importante para todo mundo. Se todo mundo aju-
dar não vamos poluir tanto os nossos igarapés e o lixo não vai causar tanta doença”, disse o aluno. Outra estudante que aprendeu bem a lição atra-
A gente também conscientiza os adultos que não devem jogar lixo na rua porque esse material entope os bueiros e inunda Suzy Gabriela Araújo, 14 anos, estudante
vés das ações do Prourbis foi a estudante Camille de Oliveira Pereira, 11, da escola municipal Álvaro Valle. “Eu gostei e achei muito interessante porque aprendi que é importante reciclar o lixo,
não jogar o lixo nos igarapés e esgotos e mais outras coisas importantes. Foi bom porque todos nós, que moramos no Jorge Teixeira, temos que ajudar a salvar o meio ambiente de nosso bairro”, disse a aluna. Outra atividade que ajuda a conscientizar os pequenos são os mutirões de lixo, promovidos em parceria com a escola, com o apoio da comunidade e dos órgãos de limpeza pública. Os alunos arregaçam as mangas e percorrem as ruas adjacentes às escolas municipais para coletar materiais recicláveis, previamente separados pelos moradores do bairro. “A gente também conscientiza os adultos que não devem jogar o lixo na rua porque esse material entope os bueiros e provoca inundação quando chove”, disse a aluna da escola municipal Themístocles Gadelha, Suzy Gabriela Araújo, 14.
Alerta sobre drogas faz parte do projeto As crianças e adolescentes do bairro não recebem orientações apenas relacionadas ao meio ambiente. O Prourbis também incentiva o combate às drogas nas comunidades e, por meio de parcerias com a Polícia Militar, já realizou palestras de conscientização junto a esse público. Através
de uma linguagem simples, direta e franca, os adolescentes e jovens receberam orientações sobre os perigos que as drogas trazem para a saúde e como essas substâncias ilícitas podem destruir a vida de uma pessoa. Os alunos foram orientados a tomar cuidado, inclusive,
com as redes sociais, onde já é possível encontrar pessoas que se comunicam com os jovens e adolescentes para vender drogas. Hoje, os adolescentes se mostram mais conscientes sobre o assunto. “Aprendi que as drogas só trazem prejuízos para as nossas vidas,
podem até nos matar. Ela está em todos os lugares. Na rua, perto de casa, perto da escola, tem gente querendo viciar as crianças e adolescentes para ganhar dinheiro. Temos que ter cuidado e não podemos cair na conversa dos outros”, disse a adolescente, Tainá Batista, 12.
C2
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Antigo parque está preste No bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus, local pleiteado pela comunidade para área de lazer está sendo ocupado gradualmente por barracas de vendedores, após parte da área ser destinada a um distrito policial FOTOS: ALEXANDRE FONSECA
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
A
pós acompanhar parte do antigo Parque Amazonense, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, se transformar em um distrito de polícia, a comunidade testemunha agora a área de lazer sofrer novas baixas. O surgimento de algumas barracas que vendem alimentos e até mesmo implantação de brinquedos infantis, como pulapula, em frente ao canteiro de obra da delegacia, tem levado preocupação aos moradores. Um desrespeito ao espaço público: assim foi definida a ação dos novos ambulantes por um morador do bairro, que pediu para não ter o nome divulgado. “Isso é um absurdo. Aqui sempre foi nossa área de lazer. Eu jogo bola aqui e minha mãe caminha aqui. Primeiro constroem uma delegacia no meio do campo, depois vêm as barracas. Precisamos de uma área de convivência, algo que seja bom para todos”, disse. O presidente da Associação dos Moradores do bairro Nossa Senhora das Graças, Sérgio Leal, explicou que o interesse da comunidade é transformar o espaço em um centro de esporte e lazer. “Eu sou contra a implantação dessas barracas, que é uma coisa fora de esté-
tica, numa praça em frente à delegacia. Essas pessoas não pensam no coletivo, não têm visão mais ampliada da comunidade, só pensam na questão benéfica para eles. Esse local tem que ser voltado para a comunidade, com espaço para esporte, lazer e cultura, para tirar as crianças da ociosidade. A gente sabe que criança sem esporte e sem lazer, o futuro é a delegacia”, afirmou. Projeto Antes mesmo da implantação da delegacia, o presidente Sérgio Leal explicou que os moradores tinham um projeto para transformar o espaço e já haviam solicitado dos governantes a desapropriação da área em favor da comunidade. No local, foi idealizada a construção de uma quadra poliesportiva, um campo em tamanho oficial, campo society, quadra de futevôlei, piscina para oferecer aulas de natação e hidroginástica para crianças e idosos, pista de caminhada, a sede da associação e da liga esportiva. “Aqui tem ainda 9 mil metros quadrados, dá para fazer muita coisa. Nós nunca quisemos tirar a delegacia, e sim brigar pelo restante. Esse espaço faz parte da história do futebol amazonense e, construir uma delegacia no campo é uma coisa meio sem sentido”, refletiu.
Três barracas já foram erguidas em uma lateral do campo do antigo Parque Amazonense, atrás do distrito policial em obras
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
C3
es a virar feira clandestina Lugar para lazer improvisado Há décadas, a área que mede aproximadamente 11 mil metros quadrados vem sendo utilizada pela comunidade para a prática de esportes. Duas quadras de futebol e uma de vôlei foram instaladas, de maneira improvisada, no local. O espaço também é aproveitado para caminhadas, corridas, futevôlei, além de ser o ponto de encontro na “pelada do fim de semana”. Festas juninas e confraternizações de fim de ano também são realizadas pelos moradores no espaço que
Distrito policial deveria ser concluído hoje
já foi uma hípica e estádio de futebol no passado. “Estamos lutando para desapropriar o restante e fazer uma área voltada para a comunidade, não estamos visando lucro. De vez em quando nos encontramos com a Rebecca Garcia. Já entregamos o projeto e até agora não tivemos resposta nenhuma. Depois da construção da delegacia vejo como obrigação do governo fazer um complexo de esporte, que é possível, mas parece que não querem”, lamentou Leal.
Placa erguida com informações da construção do distrito policial: prazo para conclusão das obras terminava neste domingo
Distrito policial em obras: ocupação do espaço de lazer
Ao ser informada sobre a investida dos ambulantes, a Secretaria Municipal de Feira, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab) disse que a denúncia foi encaminhada ao diretor do Departamento de Mercados e Feiras, Sebastião
Mendes, que irá enviar uma equipe ao local. Os comerciantes serão notificados e orientados a comparecer na secretaria. Segundo informação, não cabe à Sempab multar os camelôs que trabalham de forma irregular. A secretaria
notifica e orienta os comerciantes a se retirarem do local e comparecer na Sempab para regularizar sua situação. DIP A construção do 22º DIP dentro do Parque Amazo-
nense iniciou no dia 29 de maio e a previsão de término era para este domingo. O prédio, que deverá medir 50 metros de frente por 40 metros de fundo, foi orçado em R$ 2.550.908,13. A empresa responsável pela obra é a Politrade.
C4
Dia a dia
A sujeira que em FOTOS: ALEXANDRE FONSECA
Vazante começa a revelar o resultado da falta de educação ambiental e da necessidade de políticas mais rigorosas
Cena em igarapé de Manaus durante a última semana: vazante começa a mostrar muito mais sujeira que fica oculta sob as águas, reflexo principalmente da falta de conscientização ambiental IVE RYLO Equipe EM TEMPO
S
eja cheia ou vazante, sem considerar a cota, o cenário dos igarapés que cortam a cidade pouco se altera. É que comumente, um tapete de lixo toma as margens e o leito do rio. Somente neste período de vazante, 25 toneladas de resíduos foram retirados dos rios por equipes da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). De janeiro a julho
foram 5.282 toneladas, em 36 igarapés. Embalagens plásticas, carcaças de geladeira, fogão, sofá e condicionador de ar, peças de isopor, alumínio, papelão e até mesmo corpos de animais mortos são descartadas sem cuidados pela população. Na época da vazante, o lixo descartado no rio se acumula na terra e adornam as margens. Para a manicure Daiane Carvalho, 23, o pior é certamente o mau cheiro que é forte durante a seca. “O fedor de esgoto e de
animal morto é muito grande. E nós ainda temos que limpar embaixo do assoalho que fica cheio de lixo”, reclama. No beco Santa Teresinha, à margem do igarapé do São Jorge, no bairro de mesmo nome, ela mora há 8 anos com o marido e duas filhas de 8 e 2 anos de idade. Além do mau cheiro, é comum as crianças adoecerem por conta da falta de higiene nas proximidades. “Elas já tiveram diarreia e vômito. Eu nunca adoeci. Elas não pisam, nem bebem a água,
mas acho que só por causa do fedor”, afirmou. Na beira do barranco, o lixo não é o único problema que a família tem que enfrentar. Na enchente de 2011, o compartimento da cozinha da casa de madeira desmoronou e a família teve apenas um quarto, construído no andar de cima, para se abrigar. As marcas da cheia ficaram registradas na parede da casa. “As coisas ficaram todas em cima da maromba e a gente se mudou para o quarto. Todo ano quando
chove muito a gente não dorme com medo da casa desabar de novo”, lembrou. A promessa de que pelo menos as margens do igarapé do bairro Glória, Zona Oeste, voltem a ser como antes animam o motorista Luis Alberto Sampaio, 48. “Quando tinha 11 anos essa água era transparente de tão limpa. Eu nadava aqui. Lembro que tinha duas jangadas e uma serraria do outro lado da margem. As pessoas atravessavam de jangada, mas a gente preferia nadar”, lembra.
Ele testemunhou em 30 anos a transformação do espaço. “As pessoas foram vindo, construindo as casas e começaram sujando quando jogavam os dejetos do banheiro no rio, depois veio o lixo. E, se virou no que temos hoje, cheio de sujeira, animal morto, rato e de caramujo africano”, afirma. E as crianças são as que mais sofrem com a falta de higiene das famílias. “Quando morava aqui era comum ver casos de diarreia, hepatite e dengue entre as crianças”, reclama.
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
C5
merge das águas Doenças que começam a proliferar É grande a quantidade de doenças contagiosas que “surgem” no período da vazante. O contato com a água contaminada dos rios e com o lixo pode trazer hepatite A e E, leptospirose, gastroenterites, febre tifoide, verminoses, dermatites (doenças de pele) e doenças diarreicas. “Ocorre também a exposição a animais peçonhentos ocasionando acidentes ofídicos. Outro risco ao qual as populações das zonas rurais se expõem são os desbarran-
camentos, queda de terra, ou barrancos, nesse período”, aponta a gerente da vigilância ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a enfermeira Márcia Larissa Menezes. Ela observa que neste período o risco de contaminação é maior, principalmente por conta do contato com a água imprópria para consumo dos igarapés. “Há alta concentração na água de coliformes fecais, o que favorece o surgimento de infecções a
partir do contato com a água contaminada”, afirma. Além da contaminação ocasionada por coliformes fecais, a enfermeira salienta que durante a vazante surgem os criadouros naturais do mosquito transmissor da malária, o Anopheles darling. “Orientamos que as pessoas que moram em áreas afastadas da zona urbana, nas periferias da capital, que utilizem como medidas de prevenção o uso de mosquiteiros, repelen-
tes, telas nas residências e evitar banhos em igarapés ao entardecer e ao anoitecer. Aos primeiros sintomas procurar uma unidade de saúde para a realização da gota espessa”, explica. Outros cuidados são necessários para evitar a desidratação observada em casos de diarreias, como o uso de hipoclorito na água de consumo, uso de SRO (soro de reposição oral), aponta Menezes. “É importante realizar a limpeza das
casas (assoalhos) com água sanitária e sabão em pó para remoção de agentes infecciosos que possam estar presentes no piso. Além dos cuidados com o descarte do lixo, evitando jogar em rios e igarapés”, salienta. Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), nos primeiros sete meses de 2013, foram 26.363 casos de doença diarreica aguda, seguido de hepatite A, com 135 notificações.
Ações da prefeitura municipal Orientações para não adoecer no período de vazante estão sendo repassadas pelas equipes de estratégia de saúde da família da Semsa. O grupo ensina a purificar a água para consumo com o uso de hipoclorito de sódio e, distribui soro para hidratação.
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Dejetos no igarapé da região do São Jorge, Zona Oeste de Manaus
Plásticos são os principais restos encontrados na baixa do nível dos igarapés
População contribui para a sujeira
C6
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Maraã inicia festas do pirarucu e do boto dia 3 Município realiza eventos de 3 a 6 de outubro, tendo como atrações a banda Sayonara e o cantor gospel Kleber Lucas
O
município de Maraã (a 632 quilômetros de Manaus) lança a 1ª Festa do Pirarucu e volta a realizar a Festa do Boto, neste ano. Ambas acontecerão simultaneamente nos dias 3, 4, 5 e 6 de outubro, tendo como atrações principais a banda Sayonara e o cantor gospel Kleber Lucas. De acordo com o prefeito de Maraã, Cícero Lopes da Silva (PMDB), a intenção é resgatar a cultura do município com a Festa do Boto e valorizar o produto que dá visibilidade à região, o pirarucu. A Festa do Boto estava há 3 anos sem ser realizada. “Queremos resgatar essa festa e começar a divulgar Maraã, atraindo turistas para a região”, afirmou Cícero. Durante os quatro dias, haverá atividades diversas, como a disputa entre as agremiações Boto Tucuxi e Boto Vermelho, a pesca esportiva e a demonstração de como transformar pirarucu em bacalhau. É em Maraã que está localizada a primeira fábrica de Bacalhau da Amazônia, produzido a partir do pirarucu. A fábrica foi inaugurada em agosto de 2011 e tem se tornado o ponto forte da economia do município. “Durante
DIVULGAÇÃO
a festa, vão ser pescados mais de 3,2 mil pirarucus. Temos as maiores reservas de pirarucu e comunidades pesqueiras com lago planejado e pronto para a pesca a partir de outubro”, disse o prefeito, acrescentando que poderão ser pescados, também, tucunaré e surubim. A 1ª Festa do Pirarucu também elegerá uma rainha e será palco para o anúncio oficial de que, a partir de 2014, o município entrará no calendário da pesca esportiva nacional. “Temos o lago do Comapi e vamos fazer um calendário de pesca esportiva, que terá atividades a partir de 2014, para atrair turistas brasileiros e estrangeiros. Queremos alavancar as visitas ao município e mostrar o nosso potencial”, afirmou Cícero Lopes. Com as duas festas, o prefeito Cícero Lopes da Silva disse que a expectativa é que Maraã receba de 5 mil a 10 mil visitantes nos três dias. Entre os turistas brasileiros e estrangeiros, a estimativa é de que sejam mil a visitarem Maraã. Segundo Cícero, já estão sendo comercializados pacotes de viagens com saídas dos municípios vizinhos Coari, Uarini e até de Tabatinga.
Vista da orla de Maraã, município que a partir do próximo ano, segundo seu prefeito, entrará no calendário da pesca esportiva
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Dia a dia
C7
C8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Benefícios das toxinas se tornam tema de debates O
uso de uma toxina da Amazônia chamada curare, que é aplicada em cirurgias, foi um dos exemplos demonstrados pela professora e pesquisadora Celia Regina Carlini para indicar o potencial da Amazônia na área de bioquímica. A palestra ocorreu durante a 30ª reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA) ocorrida na última sexta-feira (27) na sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Manaus. Carlini afirmou que o uso da substância curare é usada pelos índios na caça e pesca. Ainda de acordo com ela, a aplicação pode se dar no relaxamento muscular em cirurgias. A pesquisadora destacou ainda o potencial da Amazônia. “A Amazônia tem um potencial enorme. Um vasto celeiro a ser explorado. Conhecer como uma toxina funciona permite desenvolver aplicações delas que vão desde o uso laboratorial, terapêutica e agrícola”, disse. Integração O secretário executivo do
GEEA e pesquisador do Inpa, Geraldo Mendes, afirmou que a palestra de Carlini colabora para uma visão interdisciplinar da ciência. “As pesquisas avançadas precisam ser acompanhadas de um envolvimento coletivo do pesquisador, técnico, professor, jornalistas e a população. Precisamos cada vez mais integrar”, afirmou. O GEEA foi criado pela direção do Inpa em 2007 e tem o objetivo de constituir um fórum permanente e multidisciplinar para a análise de questões relevantes para a Amazônia e a socialização da ciência por meio de uma linguagem acessível. O grupo é formado por pesquisadores, professores, empresários e gestores. O grupo se reúne, geralmente, a cada dois meses para debater um tema escolhido previamente e apresentado por um especialista de renome. O grupo publica por meio da editora Inpa, uma série de livros que trazem as análises dos temas abordados que estão disponíveis on-line para os interessados, com link de acesso pelo site do instituto (www.inpa.gov.br).
DIVULGAÇÃO
Pesquisadora destaca o papel da Amazônia para o avanço das pesquisas no setor durante evento no Inpa, na última sexta
O curare, utilizado por indígenas, pode ter aplicação para relaxamento muscular durante cirurgias, afirma pesquisadora
MANAUS,, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
plateia@emtempo.com.br
(92) 3090-1042
é i Le
o c u o p
a d i c e h n
co
Cobrança de taxa que incide sobre o valor do cachê dos artistas gera polêmica entre Ordem dos Músicos e produtora de eventos local GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
“S
er produtor de eventos não é fácil em Manaus”. “Fazer eventos em Manaus é um desafio”. Estas são algumas das declarações mais comuns entre empresários e pessoas vinculadas ao setor na capital amazonense, sobretudo para quem se dedica a oferecer ao público atrações nacionais e internacionais. Aliado a todas as dificuldades logísticas que o Estado do Amazonas representa para a importação cultural, existem alguns aspectos legais que ainda são pouco ou quase nada conhecidos por quem produz eventos. Um dos pontos mais emblemáticos é a lei 3.857/1960, que “cria a Ordem dos Músicos do Brasil e dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de músico e dá outras providências”. Entre essas outras providências, está o que rege o artigo 53, que diz que “os contratos celebrados com os músicos estrangeiros somente serão registrados no órgão competente do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, depois de provada a realização do pagamento pelo contratante da taxa de 10% (dez por cento) sobre o valor do contrato e o recolhimento da mesma ao Banco do Brasil em nome da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) e do sindicato local, em partes iguais”, ou seja, 5% para cada entidade de classe. E mais, no mesmo artigo consta que, no caso de contratos celebrados com base, total ou parcialmente, em percentagens de bilheteria, o recolhimento previsto será feito imediatamente após o término de cada espetáculo. Recentemente, a fiscalização e aplicação da lei foi motivo de confusão envolvendo a produtora de eventos Black River e a OMB, durante a passagem da banda alemã de thrash metal, Destruction, que fez show no dia 14 de setembro, em Manaus. De acordo com o sócioproprietário da empresa promo-
tora do evento, Márcio Barroso, a entidade federal teria tomado uma atitude abusiva durante a cobrança da taxa e chegou a cogitar que a OMB estaria praticando estelionato (artigo 171 do Código Penal brasileiro, sobre “obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio”). “Eles chegaram a mandar a Polícia Federal ao evento porque nos recusamos a pagar”, disse. O presidente da OMB-AM, Oziel Maduro, confirma ter acionado a PF, mas nega que a entidade tenha assumido postura abusiva contra a empresa. “Não ocorreu a cobrança. Enviamos um ofício informando da necessidade do pagamento da taxa, inclusive com todo respaldo
DESCONFORTO
A polêmica entre a produtora local Black River e a Ordem dos Músicos se deu no último dia 14 de setembro durante apresentação da banda alemã Destruction, realizada em Manaus
da lei. O empresário devolveu o documento ao funcionário informando o número do próprio telefone celular no verso. Entrei em contato e ouvi diversos impropérios, inclusive sobre seu status na sociedade, como fundamento para o fato de não querer pagar”, conta. Questionado sobre os motivos pelos quais a OMB-AM não cobrou a taxa em eventos anteriores da mesma produtora, o presidente alegou que a entidade não possui quadro efetivo para fiscalizar o cumprimento da lei. “Infelizmente, temos que contar com a divulgação desses eventos para que possamos tomar conhecimento de que ele vai acontecer”, afirma. Em outros eventos com artistas internacionais, incluindo os públi-
cos, também recebem o mesmo tratamento. Um dos exemplos é o Festival Amazonas Jazz (FAJ), promovido pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC), que conta com um alto volume de músicos estrangeiros como atração. “Acho que essas porcentagens a serem pagas, diante da lei, são válidas e não é isso que atrapalha o andamento de shows internacionais em Manaus ou no Estado”, diz o secretário Robério Braga. O empresário Adriano Gobeth, que esteve envolvido com a promoção de shows internacionais de grande visibilidade em Manaus, como Iron Maiden e Scorpions, afirma que cumpriu todas as obrigações impostas. “O que acontece é que é preciso estar atento à forma como é feita a cobrança. Tivemos, em outra administração, uma situação em que a OMB-AM queria proibir a execução do show. Inadmissível, porque muitas vezes o produtor desconhece a existência de determinada obrigatoriedade. Outra questão é que os 5% de cada entidade devem incidir apenas sobre o valor do cachê efetivo do músico. Não pode ser tributado sobre o valor total da produção, que envolve uma série de fatores, como alimentação, passagens, pagamento de roadies, técnicos etc”, pondera o empresário.
Márcio Barroso afirma que a OMB-AM tomou uma atitude abusiva ao cobrar taxa
Robério Braga acredita que a cobrança é válida e não atrapalha os eventos
F
Caderno D
Plateia teia
OT
O
D S:
IVU
LG A
ÇÃO
Oziel Maduro nega que a entidade tenha assumido postura abusiva
D2
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
>> $$$...
>> Vitrine
. A música venceu a moda, o cinema e o esporte. No topo da lista dos casais mais ricos do mundo, divulgada pela revista “Forbes”, estão Beyoncé e Jay-Z.
Fernando Coelho Jr.
. Só no último ano eles faturaram US$ 95 milhões entre os meses de junho de 2012 e junho de 2013. Bateram Gisele Bündchen e Tom Brady, e Angelina Jolie e Brad Pitt. Uau! . Segundo a publicação, Beyoncé ganhou US$ 8 milhões a mais do que o maridão. Para cada apresentação de sua nova turnê, “The Mrs. Carter Show”, ela cobrou US$ 2 milhões. Os negócios de Jaz-Z são muitos, mas o grande destaque foi a venda de sua parte na equipe de NBA Brooklyn Nets e a criação de sua agência esportiva. A brasileira Gisele Bündchen e o jogador do New England Patriots, Tom Brady, ganharam cerca de US$ 80 milhões no último ano. Já o casal Jolie e Pitt, cerca de US$ 37 mi. Em seguida estão Ashton Kutcher e Mila Kunis (US$ 35 com o rapper Kanye West (US$ milhões) e Kim Kardashian 30 milhões). A primeira-dama Nejmi Aziz é só felicidade. O motivo vem do balanço da primeira etapa de vacinação contra o HPV no Estado, onde mais de 90 mil meninas, entre 11 a 13 anos de idade, foram imunizadas. O esforço e o trabalho de sensibilização prosseguem com a mesma intensidade para a próxima fase, no mês de outubro.
Marcia Martins comparecendo em coquetel na cena social de Manaus
fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Inaugurações . O governador Omar Aziz anunciou para o próximo dia 10 de outubro a abertura da licitação para a construção da orla de Novo Airão. A obra faz parte de um pacote de investimentos anunciados pelo governador com o objetivo de alavancar o turismo naquele município. . Omar Aziz esteve em Novo Airão na manhã de sexta-feira para inaugurar o sistema viário da cidade, que teve cem por cento de suas ruas asfaltadas e sinalizadas. . Durante a visita, que foi comemoradíssima pela população, ele também reinaugurou as escolas Joaquim de Paula, Danilo de Matos Areosa e Balbina Mestrinho, que foram reformadas e passaram a funcionar em tempo integral; entregou tablets para professores do ensino fundamental e lousas digitais para as escolas. As três escolas foram reformadas e ampliadas e passam a funcionar em sistema de tempo integral. Com essa ação, Novo Airão é o primeiro município do Amazonas em que todas as escolas estaduais são de tempo integral. Maravilha. Aplausos para o governador Omar!
>> Cor-de-rosa . Com o tema “O tempo corre contra o câncer de colo de útero e da mama”, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), lança oficialmente dia 1º de outubro, às 17h, na Ponta Negra, a campanha Outubro Rosa, que já conta com a adesão de 16 municípios do Estado e 21 instituições e entidades na capital.
Bruna e Cristiane Dantas enchendo de charme evento cinco estrelas na cidade
. Na ocasião, serão iluminados de rosa - cor-símbolo da luta contra os cânceres de mama e colo uterino, os tipos que mais atingem as mulheres amazonenses - o chafariz Dança das Águas, o anfiteatro e os demais espaços do local. Os holofotes também emitirão luz rosa, chamando a atenção da população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para garantir o sucesso no tratamento e reduzir a mortalidade. No Brasil, ele acontece simultaneamente em várias cidades brasileiras durante todo o mês de outubro.
>> Badaladíssimo o almoço de sexta no restaurante de Charufe Nasser com iguarias sensacionais. Em mesas diferentes, Adriane Antony, Alexandre Prata, Jéssica Tayah, Alessandra Brandão, Marilena Perales, Nelsinho Martins, Jorge Roldão, Claudio Nina, entre muitos outros. >> A sociedade de Manaus está de luto pela morte de Thomé Mestrinho, figura muito querida nas altas rodas da cidade. A coluna envia os votos de pesar à família. >> Inaugurado o Labib’s Express Delivery, que entrega em domicílio delícias árabes, de terça a domingo, até a meia-noite. Cardápio especial. Vale conferir. >> Na lista de aniversariantes deste domingo: Nise Lobo, Jorge Vasquez e Kleber Souza. Cumprimentos da coluna.
O governador Omar Aziz inaugurando escola em Novo Airão, onde foi recebido com entusiasmo pela população local
>> Objeto de desejo . Para quem curte exclusividade e objetos que remetem ao luxo, a Apple criou o novo exemplar iPhone 5. . Trata-se do modelo 5S na cor ouro, très chic! Corra em busca do seu!
>> Neste domingo, às 7h, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Manaus (Apae) realiza a 1ª Corrida da Bondade Delphina Rinaldi Abdel Aziz, no Centro Social Urbano do Parque 10. A prova terá percurso de 6 km e marcará os preparativos da 37ª Feira da Bondade e a 1ª Feira de Negócios. >> Amanhã, Letizia Barros está no alvo de cumprimentos pelo seu aniversário. >> De 1º a 5 de outubro acontece o evento anual “Trunk Show”, da H. Stern Joalheiros. >> A querida Kelly Tadros estreia idade nova nesta segunda-feira. Cumprimentos especiais. >> Está sensacional a nova loja Top Internacional do Amazonas Shopping. Tipo magazine, tem objetos de beleza, decoração e eletrônicos. Muito boa.
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
D3
Hoje é dia de esquenta para o Samba Manaus E
nquanto a maratona do samba não chega, os sambistas de plantão podem aproveitar mais um domingo de Esquenta do Samba Manaus 2013, no “Escritório do Samba”, projeto que é sucesso no Lappa Bar, Conjunto Vieiralves. A partir das 15h, com chope liberado até as 18h, a casa é o endereço certo para um programa descontraído, com público em alto estral e música de qualidade. Para hoje, três atrações vão comandar a festa: Tayna Pimentel, cantora cearense que apresentou um vasto repertório de sucessos nacionais da MPB no domingo passado, e as bandas Azaração & Curtição e Amizade do Samba. A cantora Tayna retorna ao esquenta deste domingo com a mesma pegada da semana passada, testada e
aprovada pelo público. O repertório eclético é a marca registrada da artista. “Quem gosta de samba também tem bom gosto para apreciar outras vertentes da música brasileira”, afirma. Também comandam o agito, as bandas Azaração & Curtição e Amizade do Samba, ambas formadas por jovens talentos amazonenses. Adeptos do pagode e do samba de raiz, os músicos vão apostar em hits afinados com os sucessos dos artistas confirmados na 13ª edição do Samba Manaus. Para o empresário da banda Amizade do Samba, Marcondes Rodrigues, o “esquenta” é uma prévia do que será o festival de samba. “A banda tem um repertório bem amplo e toca um pouco de tudo, desde samba, pagode até uma composição mais ‘light’, mas a intenção do Esquenta é exatamente situar a
TEATRO
Ator André Lucas ‘revive’ seu pai Chico Anysio, hoje terpretar a personagem Seu Aranha, o policial ao qual ele próprio se referia como “puliça”, que foi um dos alunos da “Escolinha do Professor Raimundo”, na TV Globo, no período de 1993 a 1995 e em 2001. Além da temporada de espetáculos que se inicia, André Lucas revela que deve lançar um CD em março de 2014. “É um álbum com piadas do meu pai, e vem com o título “Tal pai, tal filho”, que foi um dos shows que realizamos juntos. A capa do CD, inclusive, está pronta e é assina pelo (cartunista) Ziraldo”, disse em entrevista ao EM TEMPO, no início do mês.
SERVIÇO ESPETÁCULO ‘REVIVE’, COM ANDRÉ LUCAS Quando: Hoje, às 19h Pontos de Bilheteria do venda: Teatro Direcional Ingressos: R$ 50 (meia) R$ 100(inteira)
REPRODUÇÃO
O filho de Chico Anysio, o humorista André Lucas faz uma homenagem ao pai hoje, no espetáculo que será apresentado no Teatro Direcional, a partir das 19h. O show tem referência de toda a trajetória de Chico Anysio, em 50 anos de carreira. Obviamente, um resumo de criações imortalizadas pelo teatro e pela televisão. Além de recontar as histórias que julga mais emblemáticas e engraçadas da vida artística do pai, André Lucas ainda solta a voz imitando algumas das personagens mais famosas de Chico. A performance tem aproximadamente uma hora e 15 minutos de duração. André Lucas, com 25 anos de profissão, está entre os filhos mais famosos de Chico Anysio, ao lado de nomes como Nizo Neto (que também exerce a atividade de dublador), Lug de Paula (Seu Boneco) e Bruno Mazzeo. Embora tivesse a televisão praticamente como residência desde pequeno, André Lucas ficou popular ao in-
O ator se apresenta hoje, a partir das 19h, no Direcional
galera no melhor do festival de samba do mundo, que é o Samba Manaus. Por isso, o repertório da banda será mais direcionado ao que vai acontecer na festa”, explica. Ele ressalta ainda a importância de participar do Esquenta como uma oportunidade para os músicos mostrarem do que são capazes. “A banda reúne cinco músicas próprias gravadas e estão no mercado há 2 anos. Eles tocam todos os sábados no Lappa e, neste domingo, vão arrebentar também no domingo”, acrescenta. Com uma carreira promissora, a banda local pretende lançar o primeiro CD até dezembro deste ano. Samba Manaus 2013 Nos dias 11 e 12 de outubro acontece a 13ª edição do Samba Manaus, no sambódromo. Neste ano, o evento vai trazer 12 atrações para
WELINGTON UCHOA
Atrações locais agitam os “samba-maníacos” no terceiro domingo do Esquenta no Escritório do Samba, no Lappa Bar dividir o palco nas duas noites de shows. Estarão presentes artistas de destaque nacional, como Jeito Moleque, Sorriso Maroto, Arlindo Cruz, Péricles, Turma do Pagode, Bom Gosto, Raça Negra, SPC, Revelação, Exaltasamba, Belo, Thiaguinho e Neguinho da Beija-Flor e bateria da escola de samba Beija-Flor do Nilópolis (RJ).
SERVIÇO ESQUENTA NO ESCRITÓRIO DO SAMBA Quando: Todos os domingos, a partir das 15h Onde: Lappa Bar (rua Rio Mar, 98, conjunto Vieiralves, Nossa Senhora das Graças) A cantora Tayna Pimental é uma das atrações do esquenta, hoje
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
RESENHA
Purgatório na Terra PERFIL
CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO
César Augusto, jornalista e editor do caderno Dia a dia do EM TEMPO
N
a Irlanda da década de 1960, três jovens são enviadas a um convento por diferentes razões. Margaret (Anne-Marie Duff) foi estuprada por um primo em um casamento e acaba sendo apontada como culpada. Bernadette (Nora-Jane Noone) é órfã e belíssima, e seu fascínio sobre os homens é visto como ameaça. Rose (Dorothy Duffy) é mãe solteira. Por conta de seus “pecados”, chegam à instituição Irmãs Magdalena, dirigida com mão de ferro pela irmã Bridget (Geraldine McEwan, excelente atriz conhecida por interpretar Miss Marple, a velhinha detetive criada por Agatha Christie, em várias adaptações para a televisão). Ali, trabalham
sob um regime praticamente de escravidão, na lavanderia do asilo católico. Esse é o tema de “Em Nome de Deus” (The Magdalene Sisters), filme irlandês de 2002, dirigido por Peter Mullan, um ótimo exemplar do cinema europeu. Na película, uma vez no convento, Margaret, Rose e Bernadette passam por humilhações gratuitas e castigos físicos à mínima desobediência. Em uma das cenas, as internas são enfileiradas nuas após o banho por duas freiras, que as ridicularizam ao tecerem comentários jocosos sobre os seios e partes íntimas de cada uma, uma crueldade de dar nos nervos. As três jovens tentam de todas as formas fugir do inferno dirigido pela severa irmã Bridget – uma oportunista que não se intimida de explorar a mão de obra das
internas para lucrar. Nesse purgatório, as internas conhecem Crispina (Eileen Walsh, em um desempenho comovente), outra jovem vítima da “punição” imposta por sua família por – como Rose – ser mãe solteira. Um tanto infantil e muito ingênua, Crispina acaba sendo a maior vítima dos abusos no convento, inclusive cedendo ao assédio sexual de um padre (a vingança contra esse ato, tramada por Margaret, acaba sendo uma das cenas mais divertidas e ao mesmo tempo tensas do filme). Enquanto a irmã Bridget lucra com suas escravas da lavanderia, as três amigas se empenham em não enlouquecer em meio ao turbilhão de tormentos que se desenvolve ao seu redor, planejando incansavelmente sua fuga. Vi pela primeira vez o filme
na TV paga, e ele merece sempre ser revisto. As interpretações de todo o elenco são emocionantes, com destaque para Geraldine e seu olhar frio e palavras enérgicas contra as amedrontadas internas. É um exemplo perfeito de que o bom cinema não é somente feito de arrasa-quarteirões da indústria cinematográfica norte-americana. O Velho Mundo continua mandando bem na sétima arte – tanto é que muitas de suas produções foram refilmadas nos Estados Unidos, como os suecos “Deixe ela entrar” e “Millenium”, sempre com qualidade inferior (ainda que não de todo ruim). Esperemos que o mesmo nunca aconteça com “Em nome de Deus”, uma obra-prima da Irlanda, um país com produção cinematográfica ainda pouco conhecida.
UNIMED DIA CORACAO
“Em Nome de Deus” expõe a hipocrisia e o oportunismo na história de jovens torturadas por freiras em um convento irlandês”
Plateia D5
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate–rebate
TV Tudo Gravação aqui Uma versão do game show “Os Incríveis” começou a ser gravada aqui no Brasil para exibição em outros países da América Latina, nos canais NatGeo, com estreia possivelmente em outubro. Para este trabalho foi chamado o apresentador chileno Rafael Araneda. “Casos” na espera O programa “Casos de Família”, do SBT, apresentado por Christina Rocha, está entrando às segundas e quartas-feiras, mas com gravações antigas. A equipe continua na espera de uma decisão sobre o futuro. Se voltará ou não a ser produzido. Tecnologia O pessoal que acompanha “Malhação” na Globo, agora, também pode seguir o programa através de seu novo aplicativo – o “app”. Disponível para download em tablets e smartphones, ele oferece quizzes sobre a história, conteúdo exclusivo da trama e bastidores, entre outros serviços. Convite houve Gugu Liberato declarou que, oficialmente,
LOURIVAL RIBEIRO/SBT
Triângulo amoroso Paulo Leal, que já começou a gravar, vai ser a novidade dos próximos capítulos de “Chiquititas”, no SBT. Doutor Fernando é o seu personagem e irá formar um triângulo amoroso com Manuela do Monte e Guilherme Boury.
não foi procurado por ninguém e nem mesmo convidado pelo SBT para o próximo Teleton. Não é bem assim. O próprio Ratinho, tomando à frente, já fez isso, no ar, em um recente programa. Se ele estava autorizado ou não, aí já é outra história. Ânimos acirrados Não é nada amistoso o clima entre a técnica da Rede TV! e o apresentador João Kleber. Na última semana, os problemas voltaram a se repetir durante as gravações, desta vez com os câmeras. Parada técnica Pedro Bial terá um mês, ou pouco mais que isso, de
folga, entre o encerramento das gravações do “Na Moral” e o início dos trabalhos do “Big Brother Brasil”. É o tempo certo para se desligar de um e entrar em contato com as coisas do outro. Vento a favor É de se considerar a boa fase da atriz Carol Castro. Foi, com todo merecimento, a vencedora da última edição da “Dança dos Famosos”, do “Domingão do Faustão”, numa final bem disputada com Bruna Marquezine e Tiago Abravanel. Não bastasse, em “Amor à Vida”, no papel da advogada Silvia, ela tem um dos seus melhores e mais corajosos desempenhos na TV.
Márcio Braz plateia@emtempo.com.br
‘O crisântemo e a espada’: Ruth Benedict e a guerra O livro “O Crisântemo e a Espada” da antropóloga Ruth Benedict, uma das principais discípulas de Franz Boas, foi (e ainda é) motivo de polêmica no meio acadêmico. A autora fora contratada, em plena Segunda Guerra Mundial, pelo governo americano a fim de realizar um estudo substancial a respeito dos costumes japoneses. O Japão – que representava junto com Itália e a Alemanha o chamado “Eixo”- era o principal alvo americano, logo, estes precisavam saber não apenas de suas táticas de guerra, mas sobretudo como são construídas, o que os motiva e em que bases são formuladas estas táticas. A autora nos informa sobre as dificuldades na realização de sua pesquisa. O primeiro motivo é óbvio: o Japão estava em guerra com os Estados Unidos o que já caracteriza um entrave diplomático. Neste sentido – e tensionandoo frente às técnicas do trabalho antropológico – a tarefa não seria fácil, pois Benedict não teria o privilégio do trabalho de campo, da observação participante e da construção da etnografia. O objetivo da pesquisa diz respeito aos “hábitos esperados e tidos como consagrados no Japão. Diz respeito às situações em que todo japonês pode contar com cortesia e as situações em que não pode, trata de quando sente vergonha, quando sente embaraço, procura observar o que ele exige de si próprio”. Como metodologia de trabalho, Benedict se serviu de entrevistas com japoneses que moravam nos Estados Unidos (e que foram criados no Japão), bem como de exibição de filmes de propaganda e filmes históricos japoneses além de filmes sobre a vida contemporânea em
Tóquio e nas aldeias. Estes filmes eram comentados com japoneses que haviam visto esses filmes. Outra ferramenta metodológica foi a vasta literatura sobre o Japão onde “homens e mulheres da Europa e da América haviam registrado suas experiências vividas e os próprios japoneses escreveram autorrevelações realmente extraordinárias” A autora também fez uso do método comparativo, comparando a nação japonesa com outras nações asiáticas que fazem parte do mesmo universo cultural, como a chinesa. Esta etapa se mostra bastante interessante, pois se trata da aplicação direta do difusionismo e do trabalho com territórios e localidades específicas cumprindo bem a ideia boasiana de estudos geográficos precisos, afinal, diz Benedict, “uma tribo poderá compartilhar noventa por cento de seus hábitos formais com as suas vizinhas, e no entanto, tê-las readaptado, de modo que se ajustem a um modo de vida e a um conjunto de valores que não seja compartilhado com povo algum circunvizinho”. Uma ideia inicial desta comparação se dá em alguns aspectos semelhantes com a China como no caso do devotamento filial que se constitui numa lei ética comum nestes dois países, bem como o confucionismo, o budismo e a cultura secular chinesa. Na China, “cada qual deve lealdade a toda extensão do seu clã”. O uso de sobrenomes que na China, segundo a autora, existiam cerca de 450 mil sobrenomes, todos pertenciam mesmo que num grau distante a um desses clãs. No Japão, até a metade do século 19, somente “nobres e famílias guerreiras (samurai) podiam usar sobrenomes”.
Márcio Braz ator, diretor, cientista social, membro do Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Política Cultural
O objetivo da pesquisa diz respeito aos “hábitos esperados e tidos como consagrados no Japão. Diz respeito às situações em que todo japonês pode contar com a cortesida e a situações em que não pode”
• Estreia amanhã, no GNT, às 21 horas, nova temporada do “Vamos combinar seu estilo”, com Mariana Weickert. • Eduardo Zebini, mesmo sem se descuidar dos assuntos do dia a dia, está com todas as atenções voltadas para o segundo canal do Fox Sports. • Se nada atrapalhar os seus planos, a emissora estará no ar bem no comecinho do ano... • Mas esta e outras novidades serão anunciadas no encontro que a emissora vai promover com a imprensa e convidados nesta terça-feira, em São Paulo. • Carolina Ferraz também já está inteiramente envolvida com os primeiros trabalhos de “Além do Horizonte”, título provisório da próxima novela das 19h, na Globo. Que tem a sua estreia prevista para o dia 4 de novembro. • Entres os próximos dias 4 e 6, sexta até domingo, o canal Universal irá exibir uma maratona de filmes de ação. • Títulos como “O Sequestro do Metrô 123”, “Miami Vice”,”O Livro de Eli” e “Colateral”, entre outros.
C’est fini A nova programação dos canais fechados da Band continua merecendo a atenção, em tempo integral, de Diego Guebel e Claudia Saad, os responsáveis por desenvolver este trabalho. Acredita-se, salvo qualquer acidente de percurso, que a organização e implantação de tudo deve levar mais uns três meses.
Papinha irá dirigir Heloisa Périssé Os diretores Rogério Gomes, o Papinha, e Mauro Farias serão os responsáveis por uma nova série de humor na Globo, com Heloisa Périssé à frente do elenco. No programa, sob o título “A Segunda Dama”, além de atuar, nos papéis das gêmeas Maralí e Analu, ela ainda está escrevendo os episódios, no total de 12, com supervisão do João Emanuel Carneiro. Por causa deste novo trabalho, Heloísa foi obrigada a deixar a novela “Joia Rara”, onde já tinha escalação garantida.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Programação da TV
REPRODUÇÃO
RECORD 4:45 BÍBLIA EM FOCO 5:00 SANTO CULTO EM SEU LAR 5:30 DESENHOS BÍBLICOS 8:00 RECORD KIDS - PICA PAU 9:00 AMAZONAS DA SORTE 10:00 RECORD KIDS 11:30 TUDO A VER 14:15 O MELHOR DO BRASIL - PGM 411 - AO VIVO 18:30 DOMINGO ESPETACULAR 22:00 A FAZENDA 6 22:45 TELA MÁXIMA “The Rock - O Justiceiro” 00:10 PROGRAMAÇÃO IURD
BAND
O apresentador Faustão comanda programa aos domingos
Horóscopo
10h05 Auto Esporte 10h25 Esporte Espetacular 11h35 Temp. Máxima. 13h20 Esquenta 15h00 Futebol 2013: Campeonato Brasileiro - Bahia x Vasco da Gama. 17h00 Domingão do Faustão 19h45 Fantástico 22h05 Revenge - Capítulo Especial 23h40 Rock In Rio V: Melhores Momentos 3h40 Hawaii Five-0
11:30 – MINUTO DO FUTEBOL 11:35 – PORSCHE CUP 12:30 – DE OLHO NO FUTEBOL 12:35 – BAND ESPORTE CLUBE 14:00 – GOL, O GRANDE MOMENTO 14:30 – FUTEBOL 2013 Campeonato Brasileiro 16:50 – TERCEIRO TEMPO 19:00 – A CAÇADORA DE RELÍQUIAS 20:00 – QUEM FICA EM PÉ? 21:00 – PÂNICO NA BAND 00:00 – CANAL LIVRE 01:00 – MINUTO MISS 01:02 – MINUTO DO FUTEBOL 01:05 – ALEX DENERIAZ 01:40 – SHOW BUSINESS 02:30 – EL, ARNOLD! 03:10 – COPA DO MUNDO DE BEACH SOCCER DA FIFA
4h25
REDE TV!
Brasil X Senegal 04:30 – IGREJA MUNDIAL
5:00 – IGREJA MUNDIAL 5:50 – POPEYE 6:30 – SANTA MISSA NO SEU LAR 7:30 – SABADÃO DO BAIANO 8:00 – CONEXÃO CARGAS 8:30 – AÇÃO NA TV 9:30 – MACKENZIE EM MOVIMENTO 9:45 – INFOMERCIAL – Polishop 10:45 – VERDADE E VIDA 11:00 – IRMÃOS CAMINHONEIRO 11:05 – PÉ NA ESTRADA
GLOBO 4h35 Santa Missa 5h35 Amazônia Rural 6h05 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h35 Globo Rural 8h00 Mundial de Fórmula 1: Grande Prêmio da Cingapura
Cinema
Festival de Desenhos
6:30 07:30 08:30 09:00 10:00 10:30 11:00 12:00 13:00 14:00 15:30 16:00 16:45 17:15 18:00
IGREJA INT.DA GRAÇA IGREJA INT.DA GRAÇA A VOZ DO SERVIDOR TV KIDS BLITZ TOP TV A QUESTÃO É IGREJA DA GRAÇA FIQUE LIGADO TV KIDS EN CIRCUITO A QUESTÃO É TV KIDS VÍDEO MANIA RITMO BRASIL MORNING SHOW – Melhores
Momentos 19:30 21:15 22:35 23:35 00:30 01:30 02:30
TE PEGUEI NA TV TESTE DE FIDELIDADE TV SHOPPING MANAUS DR HOLYWOOD É NOTÍCIA BOLA NA REDE IGREJA INT. DA GRAÇA
SBT 3:45 JORNAL DA SEMANA SBT 5:00 IGREJA UNIVERSAL 6:00 PESCA ALTERNATIVA 7:00 BRASIL CAMINHONEIRO 7:30 AVENTURA SELVAGEM 8:30 VRUM 9:00 SORTEIO AMAZONAS DA SORTE (LOCAL) 10:00 DOMINGO LEGAL 14:00 ELIANA 18:00 RODA A RODA JEQUITI 18:45 SORTEIO DA TELESENA 19:00 PROGRAMA SILVIO SANTOS 23:00 DE FRENTE COM GABI 00:00 SÉRIE: TRUE BLOOD 01:00 SÉRIE: O MENTALISTA // THE MENTALIST 02:00 SÉRIE: CIDADE DO CRIME// SOUTHLAND 03:20 BIG BANG 04:00 IGREJA UNIVERSAL
Cruzadinhas
GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Uma forte pressão em seu interior pode levá-lo a atirar tudo para o alto. Não é o caso, realmente. Aguente a pressão até se delinear direito o que é para ser feito com sua vida. TOURO - 20/4 a 20/5 A luta contra obstáculos e dificuldades da vida atrai sua atenção mais do que em outros tempos. Você tem que se libertar de algumas situações. Monte uma estratégia para isso. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você deseja aparecer junto ao seu meio social e profissional. Você quer mostrar uma força ou poder especial. Pois então prepare-se convenientemente para isso. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Boa disposição para o trabalho e para os embates na carreira profissional. Atenção à tendência para se entusiasmar demais com promessas ou resultados prematuros. LEÃO - 23/7 a 22/8 A Lua em Áries estimula o idealismo e a aspiração por se elevar em pensamento e em conduta. Cultivar a nobreza de espírito faz alcançar os melhores aspectos de seu caráter. VIRGEM - 23/8 a 22/9 A disposição para mostrar coragem e arrojo é grande. Você tem que lidar com situações decisivas, que estão em um certo limiar. O melhor disto é a libertação que pode advir. LIBRA - 23/9 a 22/10 A Lua no signo oposto ao seu, Áries, indica ênfase nos relacionamentos e nas pessoas que lhe acompanham. Começa um tempo decisivo para seu casamento e parcerias. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A Lua estimula o trabalho mais individualista, no qual você avança por meios próprios e por decisão sua. Não obstante, seja cooperativo com aqueles com quem trabalha. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Os sentimentos amorosos se avivam ainda mais. Há um forte impulso à renovação e à criatividade. Você se mostra muito galante, apaixonado e cheio de boas intenções. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A renovação familiar é seu foco neste momento: uma nova casa, um novo lar, uma nova família. Um espírito investigador está presente e faz você pesquisar suas origens. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Um dia para ser verdadeiro ao se comunicar. Assim, você prepara o terreno para as inovações que estão a caminho em sua vida. Momento de pequenas grandes mudanças. PEIXES - 19/2 a 20/3 A preocupação com questões materiais e financeiras cresce. Você quer renovar esta área de vida. As condições ainda não estão prontas para isso. Atue com sentido estratégico.
ESTREIA O Tempo e o Vento: BRA. 14 anos. O filme conta a história da família Terra Cambará durante dois séculos, começando nas Missões e seguindo pelo século 20. Sob o ponto de vista desta família, passa a história do Rio Grande do Sul e o drama de seu povo, na cidade fictícia de Santa Fé. Cinemark 4 – 12h10 (somente sábado e domingo), 14h50, 17h50, 20h50 (diariamente), 23h40 (somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 6 – 13h15, 16h, 18h45, 21h35 (diariamente); Playarte 3 – 13h10, 15h40, 18h10, 20h40 (diariamente), 23h10 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h10, 16h45, 19h25, 21h50 (diariamente). Família do Bagulho: EUA. 12 anos. Um traficante de drogas veterano tem em mãos a chance de receber do México um grande carregamento de maconha. Para fechar negócio, ele resolve criar uma família falsa, de forma que ninguém desconfie do que está realmente acontecendo. Cinemark 1 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 16h30, 19h, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis 9 – 14h, 19h20 (dub/diariamente), 16h40, 22h (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h35, 15h50, 18h05, 20h20 (dub/diariamente), 22h35 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 17h10, 19h30, 21h50 (dub/diariamente).
O Renascimento do Parto: BRA. 10 anos. A realidade médica e obstétrica mundial encontra-se em grave condição não por aspectos de infraestrutura, mas devido a questões éticas e de coerência. De fato, o número de cesarianas e partos com intervenções traumáticas é alto demais para o nível recomendado. Alguns especialistas relatam suas experiências e questionam a opção médica dominante na hora do parto, além de outros elementos científicos que envolvem o futuro do homem. Cinemark 6 – 22h20 (diariamente). R.I.P.D. Agentes do Além: EUA. 12 anos. Um policial morto recentemente se junta a uma equipe de oficiais mortos-vivos que trabalham para o Departamento Descanse em Paz. Ele tentará encontrar o homem que o assassinou. Cinemark 7 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 14h, 18h30 (dub/diariamente), 16h10, 21h (dub/diariamente), 23h20 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 4 – 13h, 17h35, 22h25 (3D/dub/diariamente), 15h15, 20h (3D/leg/diariamente); Playarte 1 – 19h30, 21h30 (3d/leg/diariamente), 23h30 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 17h10, 21h20 (leg/diariamente), 15h, 19h15 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h30, 18h50, 21h (dub/diariamente). Sem Dor, Sem Ganho: EUA. 18 anos. Um grupo de fisiculturistas se envolve em uma série de extorsões e assassinatos. Playarte 2 – 18h15, 20h50 (dub/ diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h30, 18h40, 21h10 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Elysium: EUA. 12 anos. - Cinemark 8 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 3 – 13h30, 16h15, 19h10, 22h20 (leg/diariamente), Cinépolis 5 – 12h50 (dub/diariamente), 15h25, 18h15, 20h50 (leg/diariamente); Playarte 6 – 13h45, 16h, 18h15, 20h30 (dub/diariamente), 22h45 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h20, 17h30, 19h40, 22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 19h10, 21h35 (dub/diariamente). As Bem Armadas: EUA. 12 anos. Cinemark 5 – 14h30, 17h10, 19h50, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis 8 – 13h45, 19h (dub/diariamente), 16h20, 21h50 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h15 (dub/diariamente), 22h35 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (leg/diariamente);
Cinemais Plaza – 14h20, 16h40, 19h, 21h20 (dub/diariamente). Invocação do Mal: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 11h55 (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 7 – 14h15, 19h45 (dub/diariamente), 17h10, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 7 – 13h50, 16h05, 18h20, 20h35 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h20, 16h40, 19h, 21h15 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h35, 17h, 19h15, 21h30 (dub/diariamente). Aviões: EUA. Livre. Cinemark 6 – 12h40 (dub/somente sábado e domingo), 15h, 20h (dub/diariamente), 17h30 (3D/dub/ diariamente); Cinépolis 1 – 14h20, 17h, 19h40 (3D/dub/diariamente), Cinépolis 10 – 12h40, 15h05 (dub/diariamente); Playarte 4 – 13h40, 15h40, 17h40 (dub/
diariamente); Cinemais Millennium – 14h, 16h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h15, 16h20 (dub/diariamente). Dose Dupla: EUA. 16 anos. Cinépolis 10 – 18h (leg/diariamente). Rush – No Limite da Emoção: EUA/ING. 14 anos. Cinépolis 10 – 20h30 (leg/diariamente). O Ataque: EUA. 12 anos. Cinépolis 2 – 18h30, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 18h40, 21h15 (dub/diariamente). Jobs: EUA. 12 anos. Playarte 9 – 17h30, 20h05 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Se puder... Dirija!: BRA. 12 anos.
Playarte 4 – 19h40, 21h30 (diariamente), 23h20 (somente sexta-feira e sábado).
Os Estagiários: EUA. 12 anos. Cinépolis 2 – 13h10, 15h40 (leg/ diariamente); Playarte 8 – 13h40, 16h05, 18h30, 20h55 (leg/diariamente), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza – 14h10, 16h35, 19h25, 22h (dub/diariamente). Percy Jackson e O Mar de Monstros – Livre: Playarte 2 – 13h45, 16h (dub/
diariamente); Cinemais Millennium – 18h50, 21h (dub/diariamente). Gente Grande 2 – 12 anos: Cinemark 2 – 18h, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado; Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h40, 21h40 (dub/diariamente). Os Smurfs 2 – Livre: Playarte 9 – 13h10, 15h20 (dub/diariamente).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
FOTOS: MAURO SMITH
::::: Cintilante Uma noite de pura emoção, delícias e muito riso. Assim foi a celebração pilotada pelo titular da coluna no Diamond para brindar seus 20 anos de carreira. Jantar sem retoques, com champanhe, delícias da Blend Chocolateria, sorteios como o relógio da H.Stern, bolo da Gaby Doçuras passando pelas inúmeras homenagens e lançamentos dos indispensáveis produtos da Hitech Import.
Tina e Júlio Guimarães
D7
Maria Magalhães, Teca Freitas e Zenaldo Mota
Gracinha e Marco Antônio Villela
Eduardo Brandão, Marcelo Mota, Angela Bastos, Sandra e Alberto Saraiva
Gaby mais Socorro e Leoclecio Ferreira
Alberto Chã Filho Karyne e Orsine Jr.
Laura e Léa Macedo Antônio Silva e sua Norma
Karla Moreno e Amanda Abrahão
Alberto Castelo Branco e sua Gê
Thalita Santoro mais Messias e Lica Sampaio
Lucimar Augusto e Sônia Jinkings
Eduardo e Paulo Guerra
Marco Bolognese e sua Gizella
Jander Vieira
Evelise Pessoa Eliane Schneider
jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Carlos Hebron e sua Kamila
Denize Santana
Adriana Reis Batista e Gustavo Mendes
Márcia e Sérgio, Sandro e Larissa emoldurando Alberto Martins
Marilene Lopes e Andréa Aziz
Rebeca e Ricardo Novelleto
Lais e Gilce Jatahy
Álvaro Mello e sua Mônica
Baby Rizzato
Lúcia Barros e Camila Modesto Helena e Verne Ribeiro Raul Sampaio e Ana Rebelo Euler Ribeiro e sua Ednea
Farah e Marcelo Raman Neves
Ju e Charles Garcia
Socorro Coimbra e José Fonseca
Adlinez Moreno e Alexandre Leão
Martha e Andréa Medeiros
Jorginho Pereira e Mirian Laredo com Helena Brito e Carlos Miguel Castro
Olga e Beto Ribeiro
Valdenice, Anselmo e Helen Garcia
Alberto Castelo Branco e sua Gê
Maria Mestrinho e Mário Adolfo
Hiel Levy e sua Beth Nívia Barroso e François Harb Filho
Waisser Botelho
Zenilde Pacífico e Darclei Paula
Paula e Amadeu Soares
Juliana Follmer, Lúcia Viana, Dacy Venâncio, Jack Chagas, Rosiane Lima e Elizeth Lange
Naira e Antônio Norte Filho
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
1
A música que vem da natureza
2
Ordem e progresso
3 4 5 6
opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
E outras 9 indicações culturais. Pág. 2
Carnaval não traz libertação, diz Slavoj Zizek. Pág. 3
O poeta e o rio da sua aldeia
Na Amazônia, Thiago de Mello revê a vida. Págs. 4 e 5
Diário de Pequim
Censores à paisana nas plateias chinesas Pág. 6
Do arquivo de Roberto Menescal Arraial do Cabo, 1961. Pág. 7
Se me concentro bastante, o clima muda
A imaginação de Andrés Neuman. Pág. 8
Capa
pintura de Deborah Paiva
G2
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 10 INDICAÇÕES
DEBATE | ADÉLIA PRADO O projeto Primeira Página recebe, em São Paulo, a escritora mineira, cuja obra aborda a religiosidade e aspectos da condição feminina. O evento mensal busca inserir o leitor no universo criativo de um grande autor brasileiro por meio de leituras dramáticas e conversa informal. Participam as atrizes Clarice Abujamra e Walderez de Barros. 1/10, às 20h | Tuca | R$ 50 | primeirapagina.art.br
LIVRO | A CIDADE, O INQUISIDOR E OS ORDINÁRIOS O mineiro Carlos de Brito e Mello (1974) volta ao romance quatro anos após sua aclamada estreia com “A Passagem Tensa dos Corpos”. Neste novo livro, um auto satírico, o inquisidor do título passeia pela cidade apontando as falhas dos habitantes, que se tornam eles mesmos difamadores. Companhia das Letras | R$ 49,50 | 472 págs.
EXPOSIÇÃO | IRAN DO ESPÍRITO SANTO O artista paulista apresenta 120 trabalhos em materiais como carvão, caneta, pastel, aquarela e grafite. A exposição Desenhos (1985-2013) traça um panorama de sua produção sobre papel. Galeria Fortes Vilaça | ter. a sex., de 10h às 19h; sáb. de 10h às 18h até 9/11 | grátis
FOTOS: DIVULGAÇÃO
LIVRO | O BRASIL NA HISTÓRIA Lançado originalmente em 1930, o livro de Manoel Bomfim (1868-1932) busca combater a ideia de historiografia vigente em seu tempo, baseada em hipóteses étnicas e climáticas. Em defesa das tradições, valoriza a miscigenação e a cultura, prenunciando autores como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Topbooks/ PUC-Minas | R$ 63,90 | 486 págs.
LIVRO| DALTON TREVISAN “Tudo a que tenho direito. Quer mais? Minha Modigliani nua de bolso”, diz o amante do conto “Amor, Amor, Abre as Asas”. Em “Novos Contos Eróticos”, o vampiro de Curitiba reúne 30 histórias provocantes com personagens que vão de travestis a professor e aluna, do romantismo à violência, das ruas de sua cidade a qualquer lugar do mundo. Record | R$ 29,90 | 214 págs.
1
‘Jacket’, 1993
LIVRO | RAYMOND WILLIAMS Nas entrevistas conduzidas por Perry Anderson, Anthony Barnett e Francis Mulhern entre 1977 e 1978, o teórico do materialismo cultural fala sobre sua vida e sua obra. Em “A Política e as Letras”, Williams (1921-88) revê seu trabalho de crítica literária e cultural, além de seus romances, roteiros e peças. trad. André Glaser | Editora Unesp | R$ 58 | 480 págs.
POP
ERUDITO
BRASILEIRO
LIVRO | A GRANDE ORQUESTRA DA NATUREZA O músico e especialista em bioacústica Bernie Krause, que trabalhou em filmes como “Apocalipse Now”, narra suas aventuras para registrar e preservar os sons da natureza e mostra como eles influenciam a expressão musical humana. Para ler ouvindo, paisagens sonoras descritas a cada capítulo estão disponíveis em bit.ly/orquestranatureza. trad. Ivan Weisz Kuck | Zahar | R$54,90 | 248 págs. LIVRO | A TIRANIA DAS DIETAS A imperatriz Sissi fazia, Lorde Byron fazia, Kafka e Maria Callas faziam. Desde os mais remotos tempos, nobres e plebeus lutam contra o peso. Só beber vinagre, engolir vermes, mastigar e depois cuspir: a historiadora britânica Louise Foxcroſt conta as dietas usadas ao longo de 2 mil anos pelos que perseguem a noção de corpo ideal. trad. Luís Carlos Borges | Três Estrelas | R$ 42 | 280 págs.
LIVRO | E.T.A. HOFFMANN Após aprender a segurar a pena e a não sujar as patas no tinteiro, Murr declara: “Escrevi vários textos amáveis e, assim, fui me tornando o homem cordial que hoje sou” – um homem de patas, o escritor petulante de “Reflexões do Gato Murr” de Hoffmann (1776-1822). A edição traz ainda as ilustrações dos anos 1920 de Maximilian Liebenwein (1869-1926). trad. Maria Aparecida Barbosa Estação Liberdade | R$ 49 | 440 págs. ‘Canivetes Suíços I (Expedição)’, 2013
ESTRANGEIRO
EXPOSIÇÃO | PEDRO REYES A primeira individual do artista mexicano (1972) no Brasil apresenta cinco instalações inéditas. Reyes, que lida com temas como corpo, convivência e violência, já expôs no Guggenheim de Nova York e participou da Bienal de Veneza (2003). Galeria Luisa Strina | seg. a sex., de 10h às 19h; sáb. de 10h às 17h até 26/10 | grátis
Folha.com
Ilustríssimos desta edição LETICIA MOREIRA - 08.07.11/ FOLHAPRESS
ANDRÉS NEUMAN, 36, escritor argentino, autor de “O Viajante do Século” (Alfaguara), mantém o blog literário “Microrréplicas”. CLAUDIO LEAL, 31, é jornalista.
MARCELO NINIO, 47, é correspondente da Folha em Pequim. MARIA ALZIRA BRUM LEMOS, 49, é escritora e tradutora, autora de “A Ordem Secreta dos Ornitorrincos” (Amauta).
FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha
ROBERTO MENESCAL, 75, é compositor.
PEDRO REYES Conheça obras do artista mexicano expostas em São Paulo
VERIDIANA SCARPELLI, 34, é ilustradora.
>>folha.com/ilustrissima
RICARDO MIOTO, 23, é jornalista da Folha. CLAUDIUS CECCON, 75, é arquiteto e cartunista. DEBORAH PAIVA, 62, é artista plástica.
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial
G3
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
2
Entrevista SLAVOJ ZIZEK
‘Eu não sou um daqueles esquerdistas loucos’ O filósofo contra o relativismo cultural RESUMO Autor de novo livro sobre o totalitarismo, o esloveno relativiza a sua crítica à democracia liberal, dizendo que ainda é melhor ser controlado nos EUA do que na China. Dizendo-se excluído da grande mídia por ser taxado de radical, afirma que não se pode comparar a União Soviética de Josef Stálin à Alemanha de Adolf Hitler.
RICARDO MIOTO
O filósofo esloveno Slavoj Zizek, 64, conhecido tanto pelo jeito informal quanto pelo elogio à violência como forma de ação política, diz ser mal interpretado quando tomado como um defensor do terrorismo ou crítico ferrenho à social-democracia. Em entrevista à Folha, ele critica a opressão nos países ocidentais, demonstrada pelas revelações sobre espionagem, mas também o relativismo cultural da esquerda. Lançando agora “Alguém Disse Totalitarismo? Cinco Intervenções no (Mau) Uso de uma Noção” [trad. Rogério Bettoni, Boitempo, R$ 39, 184 págs.], Zizek defende ainda a dissociação entre a violência na Alemanha nazista e na União Soviética sob Stálin. Para o filósofo, o caso soviético foi um desdobramento trágico de um propósito original nobre, enquanto os nazistas sempre desejaram aquilo que colheram. Leia a seguir trechos da entrevista. Folha - O senhor faz uma crítica muito forte à democracia liberal. Diz, no novo livro, que os partidos de esquerda erraram ao aceitá-la e que não tem medo de ser visto como antidemocrático ou totalitário. Slavoj Zizek - Veja bem, não estou dizendo que a democracia liberal seja algo ruim. Claro que eu prefiro isso a uma ditadura aberta. Mas a democracia liberal tem as suas limitações. Em primeiro lugar, seus mecanismos tradicionais não são fortes o suficiente para controlar problemas ecológicos e econômicos. Em segundo, veja o que as revelações recentes sobre espionagem nos dizem. É fácil ver o jeito como somos oprimidos e controlados em um Estado abertamente autoritário, como a Rússia ou a China. Se alguém diz “na China, nossa liberdade é limitada”, meu Deus, você está falando o óbvio! Mas o fato é que, na democracia liberal, também somos
muito controlados e oprimidos, embora a maioria das pessoas tenha a sensação de que suas vidas são livres. Isso não quer dizer que todo controle seja igual. Claro que, nesse sentido, prefiro os EUA à China. O que teria acontecido com Bradley Manning [soldado do Exército americano condenado por vazar documentos ao Wikileaks] se ele fosse chinês ou russo? Na China, teriam prendido até a sua família. Qual seria a alternativa às democracias liberais? Bom, não é um problema simples. Não concordo com quem diz que bastaria que um Hugo Chávez assumisse o comando e tudo se resolveria... Não é só uma questão de imperialismo americano ou algo assim, é toda nossa organização social, tecnológica. Você vai se surpreender, mas sou contra ficar esperando uma revolução. O Brasil, apesar de todas as limitações, mostra que é possível melhorar as coisas. Se os pobres estão melhor, se a classe média se fortaleceu, é cínico dizer: “Ah, mas são as mesmas velhas relações capitalistas”. Eu discordo daquela esquerda que nega isso, para quem a social-democracia é um compromisso com a burguesia que só atrapalha a revolução autêntica. Mas isso não significa que não exista uma problemática tendência neutralizante da democracia liberal. Mas o sr., como intelectual e escritor, não utiliza justamente a liberdade da democracia para expor suas ideias e convencer as pessoas? Veja, não sou daqueles que dizem “nossa liberdade é ilusão, vamos jogá-la fora”. A liberdade é muito preciosa. Mas você pergunta sobre a minha condição pessoal. Não é que eu possa publicar tudo que eu queira. Recentemente recebi muitos ataques. Na “New Republic”, no “New York Times”. O “The Telegraph”, na Inglaterra, disse que eu era um fascista de esquerda. Fui acusado até de defender um novo holocausto. E o espaço para responder, quando existe, é mínimo. A liberdade deles de criticar não é a mesma que o sr. tem para opinar? Mas há a proporção, é diferente. Publicar na mídia marginal, em pequenas editoras, é fácil, mas a grande mídia é muito fechada. Não sou só eu. Veja Noam Chomsky. É um intelectual extremamente conhecido, mas você nunca o viu na grande mídia americana. E não estou falando da Fox News. Você nunca viu Chomsky ser convidado a falar na CNN, mesmo no “New York Times” ele é boicotado. Claro que você pode falar que Chomsky é
livre para fazer o que quiser, mas há essa exclusão do espaço público. Vejo seu nome na grande mídia. Sim e não. Há três ou quatro anos, publicaram aqui e ali sobre mim no “New York Times”. Agora não mais. Na França, há dois ou três anos, escrevia regularmente para o “Le Monde”. Agora estou fora, fui considerado radical demais. Na Alemanha foi parecido. Não é paranoia minha. Não estou dizendo que haja conspiração, mas que, se você passa de determinado um ponto, decidem que isso é demais. Eu fico me perguntando que limite é esse. Sempre fui muito crítico à esquerda, escrevo muitas críticas a Stálin. Sobre Stálin, o senhor defende que não há como comparar a União Soviética de Stálin com a Alemanha nazista de Hitler. Veja, a União Soviética stalinista foi horrível. A quantidade de assassinatos, o sofrimento. O que eu digo é que Stálin e Hitler não foram iguais. A prova, para mim, é a existência de dissidentes. Stálin teve a todo tempo de lutar contra quem o questionava. Muita gente dizia que Stálin tinha traído o comunismo autêntico, Trótski é um exemplo. Desculpe, mas não havia ninguém assim no nazismo, nenhum grupo questionando Hitler, dizendo que ele era um traidor do nazismo autêntico. Na União Soviética, algo que originalmente era para dar na libertação do povo – a Revolução de Outubro – terminou em um pesadelo. Mas o objetivo inicial era outro. O nazismo era diferente. Os nazistas conseguiram exatamente o que eles queriam. Mas o sr. escreve que não vê contradição entre violência e política. Esse é um ponto importante a esclarecer. Há uma violência no mundo para permitir que as coisas continuem como são. Violência para mim não envolve só armas, polícia, gangues. Há, por exemplo, a violência social, a violência econômica – uma crise financeira brutal que acaba com empregos e economias de milhões não é uma violência? Para entender o terrorismo, por exemplo, você tem de entender esse tipo de violência. Não estou dizendo que uma coisa justifica a outra. Mas a violência econômica ou social tem consequências. Que relação há entre essa forma de ver a violência e a crítica que o sr. faz à noção de direitos humanos? Eu não sou um daqueles esquerdistas loucos, que acham que os direitos humanos são apenas uma ideologia do imperialismo. Eu concordo
que, em algumas situações, direitos humanos podem ser importantes. Eu não compro o relativismo de esquerda que diz que nós não deveríamos impor uma noção ocidental de direitos humanos. Isso justifica qualquer coisa. Se estão arrancando os clitóris das mulheres, dizem “é a cultura deles, não deveríamos intervir”. É nesse sentido que critico a tolerância. O que me incomoda é que as decisões de intervenção em nome dos direitos humanos são arbitrárias. Agora se fala muito na Síria. Mas, se você quiser ver sofrimento de verdade, vá ao Congo. Em dez anos, morreram 4 milhões de pessoas. O Estado não funciona, os poderosos aterrorizam a população enquanto vendem minerais preciosos a empresas ocidentais. Esse é o pesadelo verdadeiro sobre direitos humanos. Mas ninguém se importa. Os países estão fazendo negócios lá – e não só os EUA mas também a China, vários outros –, então ninguém dá bola. Eu fui a Ramallah, na Palestina, e falei: “Vocês sofrem com Israel, mas, para as pessoas do Congo, mudar para cá seria um sonho”. Decide-se fazer intervenções por motivações geopolíticas e econômicas. Aí, de repente, surgem milhões de imagens terríveis do lugar. Agora lemos todos esses artigos sobre como o Irã é opressivo para as mulheres. Mas o Irã é um paraíso feminista perto da Arábia Saudita, e não se fala sobre isso. O sr. diz que o totalitarismo é mal compreendido. Em que sentido? Eu não gosto do termo totalitarismo. Ele tem sido usado de maneira muito genérica. Do mesmo jeito que, nos anos 1960, manifestantes de esquerda diziam que os Estados Unidos eram fascistas. Meu medo é que o mesmo
aconteça com o termo “totalitário” e ele acabe sem sentido, banalizado. Veja como Hannah Arendt usava o termo. Ela é muito específica: apenas nazistas e soviéticos – e estes somente por alguns anos – foram totalitários. O que muda agora dizer que Assad é totalitário? Claro que ele é um cara mau. Mas totalitário? Ao falar isso, uma análise real de como funciona o regime, das suas particularidades, se torna difícil. O sr. defende muito a ordem, acha que o mundo é melhor quando tudo está organizado. Seria, nesse sentido, um totalitário? Nesse sentido, sim. Esse é, aliás, o meu problema com o Brasil. Rio, Carnaval, Bahia, eles dançam muito, se divertem muito, por mim iriam a um gulag [risos]. A sério: eu não acho que desordem, Carnaval, seja libertação. O problema das nossas sociedades é que elas são muito caóticas. É isso que os americanos não entendem: se você quiser ser um ser humano verdadeiramente livre – ir aonde você quiser, encontrar quem você quiser –, você precisa de uma estrutura muito rígida de ordem pública, de boas maneiras. Sem isso, nossa liberdade é sem sentido. Liberdade e ordem andam juntas. Veja a economia soviética. Não é que ela fosse superorganizada. É o contrário. Por baixo da superfície planejada, nada funcionava, um grande improviso. A União Soviética era autoritária, mas ela não era organizada. O que ela precisava não era de mais caos, mas de mais ordem. Para isso, acho que precisamos de mais Estado, de poderes internacionais. Os problemas que confrontamos não serão resolvidos nesse nível estúpido de comunidades locais, democracia local.
CLAUDIUS CECCON/ cartum
G4
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Perfil
3 O poeta da floresta A história de Thiago de Mello e a de suas casas amazônicas RESUMO Aos 87 anos e preparando novos livros de prosa e poesia, o escritor e diplomata repassa sua trajetória. Ele, que ao voltar do exílio em 1977 regressou também ao seu Amazonas natal, levou a reportagem a conhecer as casas que Lucio Costa projetou para ele e que, entregues ao poder público, se deterioram na floresta.
CLAUDIO LEAL ILUSTRAÇÃO DEBORAH PAIVA
Os gaviões espreitam o poeta e guincham entre as copas das árvores, no barranco do rio Andirá. Corpo nas águas escuras, enfiado num calção de rapazote, Thiago de Mello impõe silêncio e indica o ninho, imita-lhes os chiados. E celebra: “Ela veio me ver, rapaz. Não disse que a gaviã me conhecia? Bem, ao menos inventei que me conhece. Querida gaviã!”. A Freguesia do Andirá possui pouco mais de 4.000 habitantes, esse casal de gaviões e três acapuranas geminadas, com flores rosadas, em frente à casa do poeta. Distrito de Barreirinha (AM), a 331 km de Manaus, o vilarejo fica próximo dos índios maués. Em agosto, Amadeu Thiago de Mello, 87, revisou um livro de inéditos, “Ajuste de Contas”, a ser lançado no primeiro semestre de 2014 pela Global, de São Paulo. “Se eu não deixar alguns dormindo, vão beirar uns cem poemas”, avisa. Escreveu-os no Chile, na Bolívia, no Peru, na ilha de Páscoa, em Portugal, na França, na Alemanha, na Espanha e na Amazônia, onde mora desde que retornou do exílio, em outubro de 1977. Na floresta, desafia as complicações coronarianas e prepara um livro de memórias, “Eu E Os Outros Comigo”, e mais dois de prosa, um deles ao estilo dos cronistas antigos: “Livro narrativo da situação quase desdenhável do meu corpo, ao qual devo tanta felicidade, escrito com a ajuda fascinante da memória e certas impertinências da imaginação”. Haverá ainda um volume de conversas com o músico Manduka, “pássaro-cantor que se calou” – seu primogênito
morreu em 2004, aos 52 anos, vítima de um acidente vascular cerebral. Alguns poemas estão zangados, adverte Thiago, tornando à superfície do rio, cabelos de caboclo molhados. “Manuel Bandeira era um danado”, retoma. “Ele me dizia: ‘Às vezes um poema fica zangado. É só dar atenção que a zanga passa’.” Na estrofe final do inédito “Cântico de júbilo”, Thiago ausculta suas batidas de octogenário: “Como fulgor de aurora, me levanta/ a alegria de ouvir meu coração/ batendo firme, cântico de júbilo,/ por me ver perseguir, perseverante./ Ele não sabe que algo se germina,/ conspira escuro contra esse fervor./ Nem poderá prever o instante certo/ do seu silêncio. Que não seja perto”. Templo Um apartamento no centro de Manaus é seu único pouso urbano. Em Barreirinha, sozinho ou ao lado da mulher, a poeta Pollyanna Furtado, 32, Thiago se dedica a poemas, leituras, música e banhos de água doce. Nos cinco dias em que a reportagem o visitou, esteve acompanhado somente por Luís Carlos, 49, caseiro e guardião de seu templo na floresta. Nas cheias, o Andirá sobe acima da metade dos pilotis de 2,25 metros das casas – além da residência do escritor, há outras duas construções nas laterais, repletas de livros. O projeto é um dos cinco que o arquiteto e urbanista Lucio Costa (1902-98), autor do Plano Piloto de Brasília, fez no Amazonas – todos para o poeta. Na casa da Freguesia, traçou uma varanda de madeira, de onde Thiago conversa “com as acapuranas e com o rio”. O “vago mago”, como o
TERRA
Um apartamento no centro de Manaus é seu único pouso urbano. Em Barreirinha, só ou com a mulher, a poeta Pollyanna Furtado, 32, ele se dedica a poemas, música e banhos de rio
definiu o chileno Pablo Neruda, conhece os sortilégios medicinais. Três vezes ao dia, bebe o chá de unha-de-gato, para enfrentar sua neuropatia. Adiciona ao guaraná dos maués uma colher de mirantã, o pó usado no tratamento de nevralgias e fraquezas do estômago. Seus amigos podem receber, pelo correio, pacotes de ervas amazônicas. Assim fez com o jornalista Armando Nogueira (1927-2010), que usou a unha-de-gato para fortalecer o sistema imunológico durante o tratamento para o câncer. Ouve Mozart no café da manhã; no quarto de música, além de fotografias de Pixinguinha, Tom Jobim, Gilberto Gil, Villa-Lobos e Pablo Milanés, há um mural de mulheres amadas, cujos rostos são contemplados no momento de escolher um disco ou de mexer os gelos do uísque. Dez casamentos, “uns de papel, outros só de amor”, e quatro filhos: além de Manduka (com Pomona Politis, sua primeira mulher), é pai de Carlos Henrique (com Ayla), 54, Isabella (com Maria de Lourdes), 43, e Thiago Thiago (com Ana Helena), 32. A coletânea de traduções “Poetas da América de Canto Castelhano” (Global, 2011) testemunha suas andanças na América Latina. Depois de Jorge Amado, Thiago talvez seja o escritor brasileiro que mais conquistou amizades com artistas, políticos e grandes autores do continente. Do colombiano Gabriel García Márquez, recebeu, numa dedicatória de 1978, o epíteto de “guru grande”. Do argentino Jorge Luis Borges, ganhou um ensinamento, numa entrevista realizada em Buenos Aires, em 1981: “Deveríamos talvez falar com todas as pessoas como se já estivessem mortas, deveríamos tratá-las com a máxima bondade”. Nas paredes, há lembranças de encontros com Ernesto Cardenal, Fidel Castro, García Márquez, Borges, Mario Benedetti, Pablo Neruda, Salvador Allende e Violeta Parra. Em qualquer desvio de papo, sorri lembrando uma advertência de Neruda, na Isla Negra, onde vivia o Nobel chileno: “’Compañerito’, a árvore de tua conversa tem muitos ramos”. Órfão “Eu morrendo ou o Thiago morrendo, o que sobreviver vai se sentir muito órfão”, diz Carlos Heitor Cony, amigo do poeta há mais de 60 anos. O romancista e colunista da Folha conheceu Thiago de Mello no Rio, para onde o amazonense se mudou no ano de 1941.
G5
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Thiago foi batizado como escritor em 1952 por uma crítica de Álvaro Lins, que assinava um influente rodapé literário no jornal “Correio da Manhã”. Seu livro de estreia, “Silêncio e Palavra” (1951) o vinculou à Geração de 45, a mesma de Lêdo Ivo e João Cabral de Melo Neto, e encantou o crítico: “Poetas principais de nossa literatura moderna: estou tentado a pedir-vos um lugar, ao vosso lado, para o poeta de Silêncio e Palavra. Com 26 anos e um só livro publicado, o sr. Thiago de Mello bem demonstra, todavia, que já se acha em condições de situar-se na primeira linha da nossa poesia contemporânea”. Impulsionado pela acolhida, rejeitou o conselho dado por Drummond, logo ao conhecêlo no final dos anos 1940, no Ministério da Educação: “Não faça isso, ninguém vive de poesia no Brasil”. Abandonou o curso de Medicina, ingressou na diplomacia e seguiu fiel à literatura, lançando “Narciso Cego” em 1952, “A Lenda da Rosa” em 1956 e “Vento Geral” em 1960. Assemelhava-se, recorda Cony, a “um personagem de Proust no Rio”. “Vestia-se elegante, ternos bem cortados. Era cronista do jornal ‘O Globo’ e editado de José Olympio”. No exterior, atuaria como adido cultural na Bolívia e depois no Chile até o golpe de 1964. Na Hipocampo, criada com o também poeta Geir Campos na década de 50, editou 20 obras em dois anos, incluindo Drummond, Cecília Meireles, Jorge de Lima e o primeiro livro de Paulo Mendes Campos, “A Palavra Escrita”. Eram edições artesanais, distribuídas aos assinantes do selo, em que as folhas soltas eram “envelopadas” dentro das capas. Esse aspecto desagradava Rubem Braga, que mandava costurar seus exemplares. Dos tempos à frente da Hipocampo, o poeta guarda uma anedota envolvendo Guimarães Rosa, que lançou pelo selo “Com o Vaqueiro Mariano” (1952). Ao regressar da tipografia, em Niterói, Thiago avisou a Rosa que estava tudo rodado. “Não me diga essa desgraça!”, dramatizou o mineiro, sob a luz de um lampião de Copacabana. “Eu pago seus custos, os papéis, as tintas! Preciso trocar um verbo. O pelo da vaca banhado de lua não reluz, obluz! Obluz!” No Rio, o amazonense tor-
nou-se íntimo também do romancista José Lins do Rego e do poeta Manuel Bandeira. Sempre a chamá-lo de “o sacana do De Mello”, Zé Lins fez dele quase um irmão mais novo. Em 1957, nos últimos três meses de vida do autor de “Menino de Engenho”, assumiu o posto de acompanhante de quarto no hospital. A amizade com Bandeira gelou dois meses depois do golpe de 1964, com a publicação de “Os Estatutos do Homem”, poema traduzido para mais de 30 línguas e incorporado ao livro “Faz Escuro Mas Eu Canto” (Civilização Brasileira, 1965). Saiu dedicado a Cony. Em 11 de junho, Bandeira enviou uma carta de rompimento, em que defendia o golpe e repreendia Thiago pela dedicatória. “Chorei quando ele me pediu por escrito que eu não o considerasse mais seu amigo. Uma surra. Aproveitou para machucar o Cony, o primeiro dos intelectuais brasileiros a escrever contra a ferocidade dos militares”, lembra o poeta na floresta. “Devolva essa carta... Ela queimará as suas mãos pelo resto da vida”, recomendou Neruda ao adido cultural brasileiro no Chile, seu camarada desde 1960. “Havia aí um problema pessoal entre mim e Bandeira”, revela Cony, ao lembrar do episódio: “Não rompeu com o Thiago só por ideologia. Bandeira tinha sido padrinho de casamento de uma moça que se separou do marido para casar comigo. Ele me chamou de canalha, uma coisa violenta. Não respondi devido ao respeito que tenho pelo Bandeira, que acho o melhor poeta brasileiro”. De volta ao país, em 1965, após a renúncia à carreira diplomática no Chile, Thiago e suas irmãs visitaram o briguento, com o qual costumavam ter sessões musicais. Numa reconciliação, Bandeira recitou de cor o “Poema Perto do Fim”, de “Faz Escuro Mas Eu Canto”. Abraçado ao jovem poeta, sussurrou: “Esqueça aquela carta...”. Naquele ano, na prisão, Thiago aproximou-se ainda mais de Cony – ambos “recémchegados” de um protesto de artistas e intelectuais contra a ditadura, em frente ao hotel Glória, no dia de uma conferência da Organização dos Estados Americanos no Rio. No quartel do Exército, o homem do Andirá queixou-se em dó de peito: “Sou índio, preciso tomar banho de rio”.
RAÍZES
No retorno do exílio, Thiago de Mello anunciou que voltaria à Amazônia, para servir à causa ecológica e aprender com os locais. Dias depois, Lucio Costa ligou: “Venha buscar a sua casa”
Mercês Não há vento. Nas águas mornas do rio Andirá, o poeta cantarola “Les Feuilles Mortes”, de Jacques Prévert, e divaga: “Quero comemorar os meus 90 anos. O que vier, como diria Dom Quixote, serão mercês”. E mergulha. Há cinco anos desvia-se da cidade para a casa da Freguesia. Para chegar lá, pega um avião noturno de Manaus a Parintins, onde dorme numa pousada e embarca de manhã na voadeira Nina, do barqueiro Getúlio. A lancha encosta na entrada de sua casa. No lar ou em trânsito, veste-se de branco. “Sempre gostei de roupa branca”, contou. “Mas, no exílio, eu usava era o cinza do capote, para não morrer de frio!” “Entre a ilha e a mata, dobra à direita pro Igarapé do Pucu”, reforça com o condutor do barco Nicodemos, que nos leva a Barreirinha. Na saída no porto, equilibra-se numa tábua. Mototaxistas se oferecem para levá-lo ao mercado, sem cobrar nada. De lá, carregando frutas e ovos, leva a reportagem a visitar as antigas moradias, projetadas por Lucio Costa, “o homem mais delicado que já conheci”. Apresentados por Drummond em 1948, não se afastariam mais. No retorno de Portugal (a última parada do exílio), em 1977, Thiago havia anunciado, em entrevista, que voltaria a morar na Amazônia, para servir à causa ecológica (lançaria “Mormaço na Floresta”, em 1986, e “Amazonas, Pátria da Água”, em 1991) e aprender com os locais. Passados alguns dias, Lucio ligou: “Venha buscar a sua casa”. O arquiteto, cuja mãe, Alina, era amazonense, assim anota o fato em “Registro de uma Vivência” (1995): “Finalmente, numa como que volta às origens, dei o risco da casa que, em Barreirinha, no coração da Amazônia, o poeta nativo constrói com zelo e amor”. Nos anos posteriores, sairiam da prancheta ainda uma biblioteca e um “torreão”, com janelas quebra-vento, para servir de local de trabalho. O conjunto, erigido em 1978, foi nomeado Porantim do Bom Socorro. Em 1992, o então chanceler Fernando Henrique Cardoso convidou o poeta a reassumir o posto de conselheiro cultural no Chile, “para pagar uma dívida da pátria”. Com a mudança de domicílio, o governo do Amazonas comprou os três imóveis e repassou-os à prefeitura de Barreirinha. “Thiago era adorado pelos meios culturais e políticos de Santiago. A ele nunca faltou coragem para receber de braços abertos os exilados brasileiros. Sua condição de
adido cultural da embaixada e seu sentimento fraterno e democrático serviram de apoio a muitos de nós. Thiago morava na casa que era do Neruda (hoje é museu), o que já mostra o quanto ele era bem relacionado por lá. Foi em sua casa que conheci Salvador Allende”, rememora o ex-presidente FHC. Nos anos 90, Lucio Costa projetou ainda uma nova casa, à beira do Paraná do Ramos, um braço do Amazonas, e inflou a generosidade: uma cama pensada especialmente para o quarto do poeta harmonizava-se às medidas de uma janela, para que Thiago, deitado, pudesse ver o rio de sua aldeia. Memorial A casa do Paraná do Ramos foi o ponto inicial do roteiro. Nela funciona precariamente um Memorial Thiago de Mello, mas, no acervo, não restou nenhuma obra do homenageado. O secretário municipal de Cultura, Aderaldo Tavares, relata que a luz esteve cortada até janeiro, quando ele assumiu o cargo. Tavares afirma que encontrou as casas “totalmente abandonadas”. “Conseguimos abrir para os estudantes que procuram o Memorial. Já solicitamos ao governo um projeto de restauração de todas as casas. Tivemos uma resposta de que vai ser feito”, ressalta. Por e-mail, a Secretaria da Cultura do Estado informa que a casa do Paraná do Ramos é a única das construções de Lucio Costa que foi “incorporada ao patrimônio do Estado”. “Além de recuperada, foi transformada em espaço de cultura e concedida em comodato à Prefeitura do município de Barreirinha, responsável até então pelo imóvel.” No segundo andar do que deveria ser seu memorial, Thiago recolhe do chão os desenhos originais de Lucio. Vai levá-los para restauro. A cama, quebrada, foi confinada a um quarto minúsculo. “Uma das maiores tristezas que já tive em minha vida é isso acontecer na terra onde nasci. É a expressão da cultura do Brasil”, diz, indignado. “Eu não devia ter voltado”. Vamos depois ao Porantim do Bom Socorro. O sítio não possui segurança. Construída com madeira, a casa tem poças d’água, escadas vacilantes, infiltrações, marimbondos. Lucio Costa traçou apenas o corrimão esquerdo da escada, mas a prefeitura acrescentou o direito e jogou um piso ladrilhado sobre a terra batida. Demolida, a biblioteca virou um prédio de concreto. O torreão está pichado com palavrões. “Demoliram a biblioteca em que trabalhei! Demoliram!”, lamenta Thiago, ao verificar o avanço da degradação. Cerca de 2.000 livros foram roubados ao longo de uma década, durante suas viagens e ausências. Folhas de edições antigas foram encontradas nas bordas de fossas. “Na volta do Chile [em 1996], sentei na calçada e chorei lágrimas de esguicho, como dizia Nelson Rodrigues. Como fizeram isso? Nunca mais piso aqui”, jura Thiago. No barco, muda de ideia e se diz decidido a lutar pela restauração e pelo tombamento dos prédios. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, não há “registro de pedido de tombamento desses imóveis”. “Mais que o tombamento, deve-se garantir a preser-
vação das obras. O tombamento é um instrumento extremo, que não garante a preservação da obra em sua integridade”, defende a professora e arquiteta Ana Luiza Nobre. Nobre, professora da pósgraduação em arquitetura da PUC-RJ e ex-diretora da Casa de Lucio Costa, no Rio, define as casas como “exemplares raros de inflexão da linguagem arquitetônica moderna – em seu caráter por princípio universalizante – a uma situação muito específica, do ponto de vista cultural, climático etc”. Daí, diz ela, seu “valor inestimável para o quadro da arquitetura no Brasil”. A professora recorda que Lucio Costa havia adotado procedimentos semelhantes num projeto dos anos 1940, o Park Hotel de Nova Friburgo, na região serrana do Rio, em que usou estrutura de madeira. “O contexto amazônico é determinante e se soma ao fato da casa ter sido projetada para um poeta, produto do encontro de dois artistas.” Na Freguesia, fora da zona urbana, em sua atual casa (a única bem conservada do conjunto de construções de Lucio Costa), Thiago explica a demora de 17 anos para denunciar o início da depredação: “Sou filho de Barreirinha. Sou um homem de bem. Para falar, eu teria que envolver meu povo”. Voltar às origens amazônicas é um gesto corajoso, avalia o romancista Milton Hatoum, julgando que a província pode ser cruel com os que regressam. “Mas, quando você fica longe do seu lugar, às vezes sua literatura esmorece”. O amazonense Hatoum destaca o engajamento de Thiago nas manifestações contra as “barbáries urbanas” em Manaus. Dores A destruição de casas e livros reaviva dores da ditadura chilena. “Perdi muita coisa de grande valor quando a casa em que eu morava foi invadida pelos primatas de Pinochet, três dias depois do golpe, em setembro de 73. Eu era refugiado, desde 1970, ano da eleição do meu Salvador Allende, a cujo governo servi como diretor de comunicação da Reforma Agrária”, narra Thiago. Ele lembra ter retornado um mês após o golpe à casa onde vivia, no bairro santiaguino de Vitacura, para constatar que não havia mais quadros. Uma fogueira de livros ardeu no jardim, segundo a proprietária. Conta que sumiram com as provas de uma obra que escrevia sobre a ilha de Páscoa. E jamais reencontrou uma pasta de pelica que guardava as cartas de Bandeira e Neruda. “Hoje vai ter canto do rio”, pressente o poeta, ao ver a agitação fluvial. A noite da Amazônia está crivada de sons de pássaros. Recolhido entre os livros, chora ao lembrar de todas as casas devastadas. O poeta ressurge purificado para a despedida, duas noites depois. O banho de cheiro da vizinha dona Coló derramou ervas e aromas sobre seu corpo: mucuracaá, pinhão, canela, arruda, sândalo, cuiamansa, rosa branca grande, galhotinha, manjericão e patchuli. À beira-rio, Thiago limpa a gaita para tocar uma música de Garoto. Há um bom tempo não ouvia “Terra”, de Caetano Veloso, canção que o faz sentir como se “dirigindo o planeta”. Golpeia o ar no refrão, como rédeas: “Terra”. Sob a luz lunar, o vago mago obluz.
G6
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Diário de Pequim O MAPA DA CULTURA
4
Miniteatro do absurdo Os censores chineses e sua obsessão por sexo
MARCELO NINIO
Há três anos, quando esperavam a permissão para abrir as portas, os diretores do teatro experimental Troia decidiram testar os limites do público e da amordaçada cultura chinesa. Ainda fora do radar da censura, montaram uma produção quase clandestina de “Os Monólogos da Vagina”. O megasucesso da autora norte-americana Eve Ensler, que aborda sem pudores a sexualidade feminina, deveria ter só três apresentações. A reação do público foi tão efusiva que ele foi encenado dez vezes, até chamar a atenção da censura e ser retirado de cartaz. Situado num novo distrito artístico de Pequim, o Troia é um “miniteatro”, como são conhecidos os espaços de vanguarda à margem da cena dominada por peças subsidiadas pelo Estado. Os miniteatros tem atra-
ído cada vez mais público, principalmente o jovem, sedento por narrativas que rompam com o tradicional. O interesse atiçou a censura, que nos últimos meses começou a enviar agentes à paisana aos miniteatros. Responsável por submeter os textos do Troia à censura, Chen Mo Xian, 24, se irrita com o tom paternalista dos comentários que recebe de volta, quase sempre escritos com caneta vermelha. “Os censores são obcecados por sexo”, disse à Folha. “Eles mandam recadinhos com lições de moral”. Chen não se dá por vencido. Muitas vezes envia uma versão comportada para a censura e a verdadeira para o palco. O truque já foi descoberto duas vezes por censores à paisana, que ameaçaram fechar o teatro. Outra estratégia é mudar a linguagem sem alterar a mensagem. “O público sempre entende”, diz.
Moda é cultura A ministra da Cultura, Marta Suplicy, não escondeu seu encanto com uma exibição em Pequim que conta a história da moda chinesa nos últimos 30 anos. Longe da polêmica que gerou no Brasil ao liberar recursos da Lei Rouanet para estilistas famosos, a ministra estava à vontade para extravasar sua convicção de que moda também é cultura. A exposição tenta mostrar que o estilo chinês não se limita à imitação de grifes estrangeiras. Uma das estilistas mais faladas da exibição é Ma Ke, que recebeu um empurrão na mídia local ao ter suas criações usadas pela primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, uma famosa cantora. Peng virou modelo nacional de glamour ao aparecer – com destaque e elegância incomuns para uma primeira-dama chinesa – ao lado do marido, o presidente Xi Jinping,
desde que ele assumiu o cargo, em março. Mas ousadia tem limite. Peng prefere modelos clássicos, em nada parecidos com a extravagante armadura inspirada nos guerreiros de terracota exibida por Ma Ke na exposição de Pequim. Lua minguante Depois de amanhã os chineses entram em pausa durante uma semana para o feriado de meio de outono, o mais longo de seu calendário ao lado do Festival da Primavera (Ano Novo). Mas neste ano, a principal tradição da temporada, o ato de presentear com pequenos bolos recheados, foi abatida pela cruzada anticorrupção do governo. Conhecido como “bolo da lua”, a guloseima cabe na palma da mão mas pesa no estômago, por sua massa pesada e o recheio idem. A tradição, que remonta à dinastia Yuan (1271-
1368), virou um símbolo de extravagância, com bolinhos chegando a custar até R$ 2.000 em caixas luxuosas que incluem joias e outros mimos. Em muitos casos, o bolo da lua é usado como propina – o que explica a ordem do governo de vetar o uso de verbas públicas para a compra do doce. Hollywood chinesa Uma constelação de astros internacionais do cinema desembarcou na cidade costeira de Qingdao no último fim de semana, a convite do bilionário Wang Jianlin, o homem mais rico da China. Era o lançamento do mega estúdio planejado por Wang para competir com Hollywood. Quem é do ramo prevê uma revolução. “Hollywood chinesa é uma contradição em termos. Ou é Hollywood ou é chinesa”, disse à Folha o ator austríaco Christoph Waltz, ganhador de dois Oscars por filmes de Quentin Tarantino.
G7 G
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
5 O barquinho que se
tornou ‘O Barquinho’ Arraial do Cabo, 1961 ACERVO PESSOAL
ROBERTO MENESCAL
Com 14 anos, ganhei um material para mergulho. Coisa muito simples, uma máscara de mergulho, um pé de pato e um canudo para respirar na superfície. Como sou capixaba, mesmo morando no Rio de Janeiro, era no Espírito Santo que passava todas as férias. Fiquei apaixonado pelo mar e pela caça submarina, tornando-me um terrível predador, querendo caçar todos os grandes peixes que via. Aos 17 anos, comecei em Vitória a tocar violão, e no fim dessas férias, voltando ao Rio com essa novidade, descobri que Nara Leão, minha namoradinha nessa época, também tinha começado a tocar o instrumento em suas férias em Campos do Jordão. Foi uma maravilha, pois quase todas as noites eu ia a seu apartamento para tocarmos. Sempre aparecia alguém para cantar e tocar com a gente, e assim foi-se armando um grupo que em dois anos começou a compor suas músicas e se tornou o que foi chamado de “a turma da bossa nova”. A turminha da gente de vez em quando ficava chateada comigo, pois várias vezes fugi de entrevistas e mesmo de alguns shows porque tinha pescaria marcada. Claro que minhas histórias de pescador, comprovadas por fotos, faziam sucesso nos nossos encontros e cada vez mais minhas músicas nasciam do mar. Um dia em 1961 resolvi levá-los para um passeio de fim de semana. Pegamos um barco alugado em Arraial do Cabo (RJ) e começamos nossa aventura. O dia estava lindíssimo, com águas claras e quentes, e as poucas ondas, apesar de assustarem a moçada, não prejudicaram nosso passeio. Comecei a mergulhar e a pegar lagostas, badejos e outros peixes, deixando de boca aberta a turma, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, o pessoal do Tamba Trio, algumas das meninas que nos acompanharam e minha futura mulher, Yara. Levei-os para um lugar mais raso onde todos desajeitadamente fizeram o batismo no fundo do mar. Lá pelas 15h, desligamos o motor e fomos fazer um lanche, deixando que o barco deslizasse à vontade por aquele lindo dia. Quando fomos ligar o motor para continuarmos o nosso passeio, ele não quis pegar de jeito nenhum, apesar das dezenas de tentativas que fizemos, até acabar a bateria. Claro que o pavor crescia cada vez que víamos o quanto estávamos longe da
Ronaldo Bôscoli (1928-94) e Menescal (à dir.) após pescaria em 1961
ilha. Fiquei tentando acalmar a turma enquanto tentava fazer o motor pegar, girando uma manivela. Para tentar mostrar que tudo ia correr bem, eu cantarolava junto ao barulho que o motor fazia nessas tentativas de funcionamento. De repente, perto das 18h,
vimos uma grande embarcação de pesca vindo do horizonte em direção a Cabo Frio. Amarramos algumas roupas coloridas aos remos e fizemos sinais para que nos vissem. Em poucos minutos eles mudaram o rumo. Os pescadores vindo da Bahia nos
deram todo o apoio e começaram a nos rebocar em direção ao Arraial do Cabo. Neste mesmo momento, Bôscoli e eu fizemos de brincadeira o verso: “O barquinho vai, e à tardinha cai”, refrão que fomos cantando até nossa chegada ao cais, enfim são e salvos!
No dia seguinte, no apartamento de Nara Leão em frente ao mar de Copacabana, Bôscoli me perguntou: “Beto, como foi aquela melodia que você fez ontem no barco?”. Respondi cantando: “O barquinho vai, à tardinha cai”. Ele me disse “não, essa eu me lembro, estou falando
daquela quando você tentava fazer o motor pegar”. “Ronaldo”, falei, “não me lembro exatamente, mas foi uma coisa meio sincopada, igual ao barulho de um motor falhando, tá, tá, tá, tá...”. Então começamos a compor esse que se tornaria nosso maior sucesso, “O Barqu
G8
MANAUS, DOMINGO, 29 DE SETEMBRO DE 2013
Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
6
Lito
ANDRÉS NEUMAN TRADUÇÃO MARIA ALZIRA BRUM LEMOS ILUSTRAÇÃO VERIDIANA SCARPELLI
Chegamos a Veracruz de los Aros e então volta a acontecer. O céu fica nublado. Assim. De repente. No início achei que era coincidência. Não. Não mesmo. Fiz um monte de testes. E acontece. Se eu me concentro bastante, o clima muda. Não sei bem se esse poder é coisa minha ou do Pedro. Mas que acontece, acontece. Talvez seja por isso que o caminhão se chama assim. São Pedro não era o que andava por aí com as chaves do céu? Me preocupava que meu pai risse de mim e tudo mais. Conheço-o muito bem. Ainda bem que agora me leva muito mais a sério. É o bom de ter dez anos e compartilhar caminhão. Então lhe contei minha descoberta. E meu pai fez o teste. E viu que era verdade. Depende do estado de ânimo. Se tudo corre bem, temos sol. Quando começo a me aborrecer, fica um pouco nublado. Se fico ansioso, há vento. Se fico bravo e choro, chove. Outro dia, por exemplo, meu pai ficou furioso porque coloquei os braços para fora da janela. Fico com medo quando meu pai grita assim comigo. E nessa noite houve relâmpagos. Tem que ter paciência, é claro. O céu não muda na hora que eu penso. É como diz o meu pai: é preciso dirigir muito para se mover um pouco. Mas, se a gente insiste, chega. Como a hora do almoço. Digito no telefone do meu pai: Oi ma td bem? Aki sup bem! Hj passamos em mtos lgares incrvs n se preokpe o pa n corre :-) mtos bjs t amo Minha mãe responde: Meu querido, muito obrigada pela mensagem. A mamãe está bem, mas com muita saudade. Tome cuidado ao subir e descer do Pedro. Hoje fui à piscina. Você é o meu sol, beijinhos para o pai. A mãe não sabe usar o telefone, rio. Como não? – diz o meu pai. Se ela o usa todos os dias. E tem telefone desde antes de você nascer, artrópode resmungão. Certo, respondo, mas não
sabe, não. Sempre manda mensagens com 20 ou 30 letras a mais. Assim fica mais caro. E ela desperdiça umas cem letras. Em algumas coisas, diz meu pai, não é preciso economizar. E você, continuo, também não sabe. Ah, caramba, desculpe, diz ele, por quê? Veja só, digo, em que parte do menu estão os jogos? Isso é trapaça, reclama ele. Pergunte por alguma coisa que me interesse usar. Está bem, está bem, respondo. Como se faz uma cópia da sua lista de contatos? Ele fica calado. Está vendo só? – digo. Depois levanto os braços e solto ar como se acabasse de marcar um gol. Artrópode! – diz meu pai. Paramos outra vez em um posto de gasolina. Meu pai quer que eu faça xixi com frequência. Como se fosse um menino de oito ou nove anos. Diz que não é bom segurar. Que convém mijar desde o começo. E eu, como bebemos tanta coca-cola, afinal alguma coisa mijo. Descemos. O sol não me deixa ver bem. Meu pai está de óculos escuros. Aponta para umas portas de metal. Franzo o nariz para vê-las. Quem chegar por último ao banheiro, grito, limpa os vidros do Pedro. Meu pai ri e diz que não com a cabeça. Tem medo de que eu ganhe, né? – provoco. Tenho medo de que com o esforço você se mije pelo caminho, responde. Medroso, medroso! – recrimino. Urso, urso! – ele brinca. Não seja malvado, reclamo. E você não seja tão competitivo, diz ele. Paro de caminhar. Levanto a cabeça. Coloco uma mão nas sobrancelhas e lhe peço: por favor, por favor, por favor. Meu pai fica parado. Sussurra. Olha para a frente. Põe a mão na cintura. Volta a suspirar. Você conta, diz em voz baixa. Grito: um, dois! Depois a única coisa que ouço é o barulho da sola dos meus tênis. Toco a porta do banheiro. Eu. Primeiro. No início penso que meu pai me deixou ganhar. Isso sempre me dá raiva. Desta vez é diferente. Porque ele correu mesmo e está todo agitado. É verdade que no ano passado meu pai teve aquele vírus. E ainda não está como antes. Ele diz que sim. Eu sei que não. Mas agora tem menos barriga. De modo que deveria ser mais rápido
do que quando estava gordo. Não sei. Ganhar, ganhei. Este verão está sendo incrível. Assim que começarem as aulas vou procurar o idiota do Martín Alonso, que sempre me ganha na corrida. Saio do banheiro. Meu pai não. Ultimamente demora bastante. E quando eu demoro um pouco, ainda reclama. Também. Com o que sai dele não é de se estranhar. Meu pai caga muito e duro. Prestei atenção. Finalmente aparece. Está com o rosto e a camisa molhados. Boa ideia. Também quero. Atravessamos Sierra Juárez. Meu pai não encontra a rádio que ele gosta. Então me deixa escolher a música. Estou contente e a temperatura sobe. Isso prova mais uma vez os poderes do Pedro. Pensei bem e percebi que deve ser ele. Melhor dizendo, somos nós dois. É preciso que o caminhão ande e eu esteja dentro para que a coisa funcione por completo. Meu pai olha o mapa todo o tempo. Tudo bem? – pergunta. Ótimo, respondo. Já deveríamos estar em Fuentevaca, diz ele. Pedro está cansado e vai mais lento, rio. O meu pai não acha graça. As piadas dele são piores. Ligo o telefone para jogar um pouco. Escolho o golfe. Ainda não entendo bem as regras. Mas cada vez faço mais pontos. Lito, diz meu pai, esta noite é melhor dormirmos em um hotel, viu? Parece que há um aqui perto. Precisamos tomar banho. E descansar bem. Porque amanhã (a bolinha faz um efeito muito estranho, aumenta, voa até acima de tudo como se atravessasse a tela, desaparece, o contador de metros continua subindo, as árvores se inclinam um pouco à direita, o vento de lado complica a jogada, a bolinha volta, fica pequena, cai em câmara lenta, ricocheteia uma, duas, três vezes, balança cada vez mais devagar, como será jogar na serra? Existirá o golfe de montanha? A bolinha toca o green, se aproxima, já aparece a bandeirola, mas que toque, senhoras e senhores! Desloca-se mais alguns metros, não, acho que não vai chegar), ei, filho, ei, está me ouvindo ou não? Sim, sim, respondo.
RESUMO O trecho aqui publicado é parte do romance “Falar Sozinhos”, do argentino Andrés Neuman. No livro, Mario, o pai, leva Lito, o filho, a fazer uma sonhada viagem de caminhão. Os fatos da estrada, vividos por pai e filho, e a espera, por parte da mãe, Elena, são narrados em capítulos alternados, na forma de monólogos interiores de cada um dos personagens. O romance deve sair em novembro pela Alfaguara.