48 mil vagas de trabalho
RICARDO OLIVEIRA
ANO XXIV – N.º 7.548 – MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO – PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00
RESGATE
AM retoma produção de juta e malva Caderno Especial
Caciques negam, mas podem ser candidatos Eles não admitem ser candidatos. A tendência manifesta de Alfredo Nascimento, Amazonino Mendes, Arthur Virgílio Neto e Eduardo Braga é apontar o novo prefeito de Manaus, como se pode concluir dos discursos que têm feito nos últimos meses. Política A5 TELEVISÃO
TRANSTORNO
CARDÁPIO
‘EM TEMPO de Samba’ faz Onipresença esquenta do Carnaval 2012 do medo na
Receita de dobradinha contra inveja
hipocondria
Programa exibido pela TV EM TEMPO/SBT, nas manhãs de sábado, é sucesso de audiência ao revelar os bastidores da folia. Última Hora A2
Elenco 5 a 7
GIOVANNA CONSENTINI
Saúde & Bem-estar 1
TURISMO
SERVIÇOS
Investimento ecológico para a Copa
Manauense prefere fila a internet Dia a dia C2
Economia B3
BOTAFOGO
Com zaga em crise, aposta é no ataque PEDRO VILELLA/AE
Time de Loco Abreu enfrenta o Nova Iguaçu pela segunda rodada do Campeonato Carioca. Lance! 3
ZONA LESTE
Na porta de casa, haitiano é morto com tiro no tórax Inolus Pierrelys, 34, foi surpreendido por dois homens, na noite de ontem, em frente a casa onde morava, no bairro Cidade de Deus. Última Hora A2
CORREÇÃO O anúncio veiculado no dia 28/01/2012 no Jornal Agora corresponde às ofertas do dia 21/01/2012 e foi publicado, pelo jornal acima citado, equivocadamente. Mesmo assim, em respeito aos seus clientes, o Nova Era Superatacado manteve as ofertas publicadas. Os produtos anunciados e seus respectivos valores corretos estão expostos na loja e publicados corretamente em nosso encarte. O Nova Era Superatacado agradece sua compreensão.
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MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
Haitiano é assassinado com um tiro no tórax
O professor Inolus Pierrelys foi atingido por um tiro em frente à casa onde morava, na Cidade de Deus. Ele era casado e estava em Manaus há dez meses ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO
U Amazonino se diz em forma para o processo eleitoral O prefeito Amazonino Mendes (PDT) recuou de seu posicionamento em relação à disputa eleitoral da Prefeitura de Manaus, neste ano. Menos de um mês depois de afirmar que não seria candidato à reeleição, Amazonino volta atrás na sua declaração e, agora, diz que tem saúde suficiente para a disputa, em outubro. Mendes, que esteve ausente nos últimos dias por estar de férias, afirmou que está em “paz” e já não descarta mais ser o “candidato natural” do processo eleitoral que se avizinha. Mesmo assim, diz que ainda precisa analisar as propostas que serão apresentadas para a cidade. Só então decidirá se encabeçará uma chapa. A definição, segundo o prefeito, não será agora, porque ele não quer falar de política no momento. Prefere apenas mostrar as ações que vêm realizando na prefeitura. CALADO A estratégia de Amazonino Mendes é mostrar ações à frente da prefeitura e falar o mínimo possível. Ele confirmou que preferiu ficar afastado da imprensa.
“Eu não estou me dispondo a ser candidato, eu seria o candidato natural e como é que eu vou ficar falando de política? É uma espécie de contrassenso. Eu prefiro me reservar, ver como as coisas vão andar, o que vai acontecer e aí, com tranquilidade, me definir” Amazonino Mendes
NOVA USINA O governo federal já autorizou a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A liberação do projeto básico, da empresa Norte Energia S.A., foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da última sexta-feira (27). Agora, o assunto é prato cheio para ambientalistas. REUNIÃO Hoje, o secretário da Semje, André Souza, deverá se reunir com o presidente do PSDC, Cícero Lima, e com líderes comunitários e evangélicos para ouvir as principais demandas dos bairros, a fim de elaborar um plano de governo do partido. PLANO Os líderes dos movimentos sociais das Zonas Norte e Leste, ao ficarem sabendo da indicação do nome de André pelo PSDC para a Prefeitura de Manaus, ligaram para ele e resolveram se mobilizar para marcar uma reunião, inclusive com lideranças das igrejas para discutir os principais problemas dessas zonas. Eles querem organizar uma espé-
cie de plano de governo. NOMEAÇÕES Deve acontecer nesta semana a nomeação dos quatro superintendentes adjuntos da Suframa. O titular da autarquia, Thomaz Nogueira, informou, no entanto, que as escolhas serão anunciadas daqui a 15 dias e não serão grandes mudanças. Nos bastidores, sabe-se que Nogueira quer agilizar as trocas. VISITA A OBRAS O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, confirmou que estará em Manaus, nesta sexta-feira (3), para visitar as obras da Arena da Amazônia. Antes de chegar a Manaus, ele já terá passado por Brasília, São Paulo e Cuiabá. UMA SEMANA Amanhã, completa uma semana que o pedido de prisão preventiva do prefeito de Tapauá, Carlos Gonçalves da Silva, foi feita. O pedido está nas mãos da juíza Cleonice Fernandes de Menezes Trigueiro.
APLAUSOS
VAIAS
Projeto
Clandestinos
Para o projeto de lei da Câmara dos Deputados, que pede celeridade no julgamento de autoridades com foro privilegiado.
Para a atuação de conduções escolares clandestinas, que competem com os condutores autorizados pelo Detran.
m haitiano foi assassinado com um tiro no tórax, no início da noite de última sexta-feira (28), quando estava sentado em frente à sua casa, no bairro Cidade de Deus, Zona Leste. O professor, identificado como Inolus Pierrelys, 34, estava no Amazonas há cerca de dez meses e trabalhava em uma empresa de reciclagem em Manaus. Inolus morava com mais cinco haitianos em uma casa cedida por um comerciante do bairro. Um dos amigos dele, Nicolas Jean, 30, disse que tudo aconteceu muito rápido e que dois homens são os suspeitos do crime. “Ele estava sentado em frente à casa, como costumava fazer todos os dias. Foi quando os dois homens vieram correndo e atiraram. Eu não vi nada porque estava fazendo compras em um mercadinho perto do local. Apenas ouvi os disparos e, ao correr para ver o que tinha acontecido, me deparei com ele no chão”, relatou. Família no Haiti De acordo com Nicolas Jean, Pierrelys era casado, mas sua família ainda está na cidade de São Francisco, no Haiti. O dono da empresa onde o haitiano trabalhava ajudou nos trâmites para a retirada do corpo no Instituto Médico Legal (IML) e nos detalhes envolvendo o velório e o enterro da vítima. Moradores da área onde ocorreu o crime disseram que o bairro é muito violento e que próximo à casa do haitiano existe uma boca de fumo. Alguns apostam no fato de o crime ter sido motivado apenas por maldade.
SHOPPING
Haitiano foi velado ainda na manhã de ontem. Ex-patrão ajudou nos trâmites para o enterro
Mais 260 chegam à capital Mais 160 haitianos chegaram a Manaus, na manhã de ontem (28). Alocados na Paróquia de São Geraldo, Zona Centro-Sul, eles receberam os primeiros atendimentos e foram encaminhados para moradias provisórias. De acordo com o responsável pela chegada dos imigrantes à capital amazonense, padre Gelmino Costa, um barracão foi alugado para hospedar quem ainda não encontrou um local para morar. Segundo ele, os haitianos têm chegado rápido e em grande quantidade, fatores que dificultam a ajuda. “Vamos auxiliar os
ASSALTO
Universitários furtam loja
Família é feita refém
Dois jovens universitários foram presos, na noite da última sexta-feira (28), suspeitos de terem assaltado uma loja de roupas de um shopping na Zona Centro-Sul. Antônio César Melita Júnior, 28, e Laiza Perreira de Vasconcelos, 23, tentavam levar 14 peças de roupas , quando foram abordados pela polícia. Ontem, os dois foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) e, em seguida, encaminhados para a cadeia pública.
Três assaltantes invadiram uma casa no núcleo 15 do bairro Cidade Nova, Zona Norte, ameaçaram uma família e, ainda, roubaram aparelhos eletrônicos e um veículo Frontier, cor vermelha, de placa NAO 2121. O crime ocorreu na madrugada de ontem. A dona da casa, que não quis divulgar o nome, disse que eles estavam armados. Registro foi feito no 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
que estão chegando hoje, mas os que ainda estão por vir podem enfrentar dificuldades”, disse, ao ressaltar que devem desembarcar na cidade pelo menos mais 260 haitianos, na próxima semana. “Segunda devemos receber outros 160 e na terça-feira mais cem pessoas vindas do Haiti”. O padre informou que os haitianos que têm família na cidade serão encaminhados a elas a fim de facilitar o trabalho da igreja, que enfrenta dificuldades para prestar auxílio. “Depois disso temos que nos focar em quem chegou e está sozinho”, explicou.
SRTE-AM realiza mutirão Ainda na manhã de ontem, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Amazonas (SRTE-AM), no Aleixo, Zona Centro-Sul, um mutirão foi realizado para que cerca de 130 haitianos tirassem a carteira de trabalho. Segundo o superintendente do órgão, Dermilson Chagas, em 2011, 1.391 estrangeiros obtiveram o documento. O objetivo é regularizar a situação deles.
CARNAVAL
Na 2ª edição, EM TEMPO de Samba conquista público GIOVANNA CONSENTINI
O “EM TEMPO de Samba” foi ao ar na manhã de ontem
Na segunda edição, o programa “EM TEMPO de Samba”, transmitido pela TV EM TEMPO, nas manhãs de sábado, caiu no gosto do manauense. A emissora é responsável pela transmissão oficial do Carnaval de Manaus. Além do sucesso na televisão, a produção mostrou grande aceitação do público também pela internet, onde obteve, ainda na primeira edição, mais de dez mil acessos a sua rede social oficial.
“A população tem gostado muito da novidade e sentimos também esse retorno nas mídias digitais, onde os espectadores estão se manifestando muito”, afirmou o produtor do programa, Ivan Nascimento. De acordo com a diretora-geral de jornalismo da emissora, Marcela Rosa, o programa é um aquecimento para o Carnaval. “A intenção é que as pessoas entrem no clima e se preparem para o Carnaval deste ano”, disse.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
A3
Fala leitor
Editorial
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Um dos baratos mais caros do país: Manaus Uma pesquisa do DataFolha, divulgada neste fim de semana, revelou ao Brasil que Manaus é a terceira cidade do país onde se come mais barato. Uma surpresa até para os amazonenses, porque não é o que se sabe, sente e se reclama no dia a dia. Milagre: como ser barata uma alimentação que é praticamente toda importada? É histórico o desprezo que a economia do Estado tem dedicado à agricultura, à criação de bovinos, caprinos e suínos. Apenas muito recentemente levou-se ao que pesquisadores sérios indicavam há mais de 50 anos: a prática da criação de peixes em “fazendas aquáticas” ou viveiros, ou tanques, ou simples igarapés represados, sem que se tenha, ainda, uma ração adequada às espécies da região. E isso se deu porque o pescado começou a rarear, com o aumento do consumo (em 1970 a cidade tinha cerca de 300 mil habitantes, e hoje dois milhões) interno e da exportação. Mesmo com a adesão à criação de peixes, o tambaqui do tipo roelo ou curumim vem de Roraima, da mesma maneira que frutas (como banana e melancia) vêm de Roraima e Rondônia. Não terá sido a presença do MacDonald’s numa esquina da cidade que terá baixado o preço da alimentação em Manaus. Então como ser a terceira mais barata? Entende-se que Cuiabá apareça assim prestigiada na pesquisa, pois o Centro-Oeste é um dos principais produtores do que o país consome à mesa. Muito do que se consome na capital amazonense vem dessa região e, pasmem!, do Nordeste, pedaço brasileiro famoso principalmente por suas longas e periódicas secas. O Amazonas possui um território imenso de várzea que não é aproveitado para a produção de grãos, por exemplo – de terras alagadas assim, a Ásia tem construído uma cultura de milhares de anos e até o seco Egito soube fazer do Nilo a fonte de uma civilização que até hoje intriga estudiosos e curiosos. Mas o DataFolha tem lá os seus métodos científicos para justificar essas conclusões. Mas se os pesquisadores demorarem um pouco mais na cidade, podem não alterar a estatística, mas certamente mudarão de opinião. Alimentação em Manaus é um dos baratos mais caros do país.
Todo mês de janeiro é a mesma coisa: as estatísticas fortalecem o noticiário da mídia que informa graves acidentes de trânsito, principalmente no período entre Natal e Carnaval. A falta de educação, reforçada pela imprudência e sensação de impunidade rouba muitas vidas e deixa um rastro de sangue nas
estradas, cicatrizes nos corações e mentes. Essa dura realidade continua cada vez pior. Dados divulgados em fevereiro do ano passado pelo Ministério da Justiça indicavam que as mortes de jovens em acidentes de trânsito, nos últimos 10 anos, cresceram mais de 30%. Só nesse final de
2011, já somam quase 500 vítimas fatais. O número oficial de mortos no Brasil, vítimas de acidentes de trânsito, é de 35 mil por ano; porém, sabe-se que são contabilizados apenas aqueles que morrem no local do acidente. Muitos acreditam que esse número passe dos 50 mil mortos anuais. A
irresponsabilidade dos motoristas não deve/pode ser tratada pela lei como simples acidente, quando na verdade é crime. Ricardo Viveiros, jornalista e escritor
Charge regi@emtempo.com.br
Olho da Rua
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Acredite se quiser e se puder, mas um condomínio na Ephigênio Salles importou palmeiras imperiais para ilustrar sua arquitetura da “Casa & Jardim” e nessa transação descobriu que aves ameaçam a segurança das “estrangeiras”. Daí esse absurdo. Ave tem que pousar em aeroporto?
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Aperto na Lei Seca Os repetidos episódios em que pessoas conhecidas, artistas, políticos, jogadores de futebol, se recusam a fazer o teste do bafômetro quando parados pela polícia em operações para fazer cumprir a lei seca acabaram por evidenciar um defeito na legislação que, se não for alterada, corre o risco de virar letra morta. “A mudança é imprescindível. Da forma como a lei está redigida dá margem a se tornar inócua porque não assegura punição aos infratores”, diz o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que negocia um acordo no Congresso para conseguir a aprovação de alterações no texto ainda este ano. De preferência no primeiro semestre, antes que senadores e deputados se dispersem por causa das campanhas eleitorais. A recusa ao teste do bafômetro é amparada pela Constituição que resguarda o direito do cidadão de não produzir provas contra si. Segundo o ministro da Justiça, o erro de origem da lei é o estabelecimento de uma dosagem de álcool a partir da qual fica caracterizada a infração. E aí, de fato, se o motorista fizer o teste e o resultado estiver fora do padrão, estará produzindo a prova. A ideia seria inverter essa lógica: retira-se da lei a dosagem, estabelece-se como critério a prova testemunhal, no caso, dos policiais, de que a pessoa apresenta sinais de embriaguez. Quem quiser provar o contrário, poderá se submeter ao teste para se defender. Isso, em princípio, porque os detalhes ainda estão sendo discutidos a partir de diversos projetos sobre o tema em tramitação no Congresso e a intenção do ministro é evitar o embate, aprovar as modificações por acordo. O importante, na opinião dele, é que seja preservado o aspecto coercitivo da legislação,
pois à medida que vai ficando clara a ausência de condições para punições, a tendência é que a lei torne-se inócua e que se percam até os ganhos já obtidos em termos de comportamento da população. Fator de violência – Constatação do Ministério da Justiça a partir do cruzamento do mapa das localidades mais violentas com a melhoria da distribuição de renda nas várias regiões do país: em algumas delas onde se esperava que caíssem os índices de criminalidade ocorreu justamente o contrário. No Nordeste, por exemplo. Uma lição o ministério já tirou: a pobreza não é fator determinante da violência. Há outros (aumento do consumo de drogas é um deles) ainda em estudo, a partir do qual o governo pretende montar um plano de combate específico às causas desse crescimento. De estimação – A concessão do visto de entrada no Brasil à blogueira Yoani Sanchez foi um ótimo gesto de Dilma na direção da defesa dos direitos humanos como fator de política externa, conforme prometera, mas não terá desdobramentos na visita que inicia amanhã a Cuba. A presidente não vai conversar com dissidentes do regime. Seria, na avaliação de governo, além de um ato hostil a Fidel e Raúl Castro, a negação completa da política de Lula e uma péssima sinalização à esquerda do PT. Marco Aurélio Garcia, assessor internacional, à frente. No governo Fernando Henrique, o então chanceler Luiz Felipe Lampreia foi a Cuba, conversou com a oposição e, em represália, Fidel Castro não o recebeu. Algum prejuízo para o Brasil? Nenhum, mas nem de longe o governo do PT pretende trincar suas relações com a ditadura Castro. Por menor importância objetiva que isso tenha, a preservação do simbolismo está acima do discurso pluralista.
Dora Kramer Jornalista, escreve simultaneamente no jornal “O Estado de S.Paulo”
A Constituição resguarda o direito do cidadão de não produzir provas contra si. O erro de origem da lei é o estabelecimento de uma dosagem de álcool que caracteriza a infração”.
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
UFC pode dar voto, mas não vai educar o povo
Para ler nas férias e fazer bom uso do ócio
Conheço o secretário Robério Braga há muitos anos. Sei do seu talento, da sua formação intelectual e moral, da sua erudição, até porque, muito mais novo, frequentava a casa do meu pai, com quem batia longos papos e a cuja biblioteca tinha o acesso que o “velho André” não facultava a qualquer um. Coisa rara já naquele tempo, um jovem que usava do seu tempo para ouvir e, presumo, sorver da sabedoria de um homem já passado nos anos. Depois, Robério, no bom sentido, foi se tornando pouco a pouco um homem público, sempre vinculado à “intelligentsia” da cidade, no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, na Academia Amazonense de Letras, competente e talentoso pesquisador da história e da cultura do Amazonas, até chegar ao comando da Secretaria de Cultura, onde está há alguns anos, com os aplausos e a aprovação de praticamente toda a sociedade. Eu mesmo, neste mesmo espaço, por mais de uma vez já reconheci e proclamei publicamente a qualidade do trabalho de Robério Braga e quanto devemos a ele pelas suas realizações culturais. São coisas como os Festivais de Ópera, de Cinema, de Teatro; a Filarmônica, a Jazz Band, o Coral, o Corpo de Baile; as belíssimas festas como a comemoração do Natal; a destacar ainda a restauração de ruas, prédios e espaços, como o largo São Sebastião, o que não cessou, como hoje se vê na praça do Congresso. Dito e mantido tudo isso, posso agora entrar no assunto que me motivou este artigo. Ao ouvir, numa dessas manhãs, o noticiário da Rádio CBN fui surpreendido, quiçá chocado, por uma entrevista de Robério, quando o secretário prometia à população a vinda do UFC a Manaus, com a realização de algumas lutas de MMA, como promoção da instituição de cultura por ele dirigida. Não vejo como compatibilizar o Robério que conheço, com um evento dessa natureza que, a meu ver, apenas propaga a violência e deseduca a população, sobretudo a mais jovem. Com certeza não se coaduna com os objetivos que devem ser buscados por uma secretaria que se propõe preservar e difundir a cultura como o conjunto de atividades e produtos que se vinculam à criatividade do espírito humano. A questão da violência e sua propagação nas sociedades humanas, inclusive na nossa Manaus, de modo assustador, muito preocupa a todos nós quando lemos nos jornais a fartura e a facilidade com que se agride, fere e mata. Não faz muito tempo uma moça foi assassinada, aqui mesmo, por alguém do jiu-jítsu, que lhe fraturou o pescoço com um soco. Não, não pode ser uma ideia nascida do próprio Robério Braga. Não se harmoniza com tudo o que tem feito em sua vida, ele, que tem a mais rica e lúcida percepção do que se pode e deve fazer para educar um povo por meio das atividades culturais. Não dá para imaginar o Robério apresentando Wagner e, em seguida, Vítor Belfort.
Todos sabemos que o trabalho é importante não só como instrumento de progresso mas também como meio de ter dignidade. Os bispos latino-americanos reafirmaram essa verdade no documento de sua 5ª Conferência Geral realizada em Aparecida. “Louvamos a Deus porque na beleza da criação, que é obra de suas mãos, resplandece o sentido do trabalho como participação na sua tarefa criadora e como serviço aos irmãos e irmãs. Jesus, o carpinteiro (Mc 6, 3), dignificou o trabalho e o trabalhador e recorda que o trabalho não é mero apêndice da vida, mas que constitui uma dimensão fundamental da existência do homem sobre a terra, pela qual o homem e a mulher se realizam como seres humanos. O trabalho garante a dignidade e a liberdade do homem e é provavelmente a chave essencial de toda a questão social” (DA 120). A necessidade de trabalhar vem cruamente colocada por Paulo ao escrever aos tessalonicenses: “Quem não quer trabalhar também não há de comer” (2Ts 3, 10). Jesus afirma que Deus seu Pai trabalha. Em poucas palavras, quem não trabalha por própria vontade coloca-se contra Deus, a sociedade e a si mesmo. Agora, o outro lado da moeda. Todos sabemos que não é menos importante destinar tempo para o descanso. Ninguém tem constituição só para trabalhar. Precisamos parar a fim de refazer as forças e viver. O livro do Gênesis fala que Deus trabalhou seis dias na criação do mundo e, depois, descansou. O descanso semanal é oportunidade de louvar a Deus e dedicar tempo para outras atividades também importantes como a vida familiar, a religião, a cultura e o lazer. Outro livro bíblico, o Eclesiastes, diz: “E, que o homem coma e beba, desfrutando do produto de todo o seu trabalho, é dom de Deus” (Ecl 3, 13). Jesus trabalhou como carpinteiro e, depois, labutou em sua missão de evangelizador, mas não descuidava do descanso. Tirava momentos para conviver com a família de Lázaro, Marta e Maria. Convidava seus discípulos a se recolherem em lugares mais tranquilos. Ia a casamentos e a banquetes. Precisamos aprender a trabalhar sem preguiça e a descansar sem remorso. Nisso consiste o segredo de uma vida sábia. Na poesia intitulada “Liberdade”, o poeta português Fernando Pessoa brincou com a vontade de fazer nada. Naturalmente é uma brincadeira: vão aí os seus versos: “Ai que prazer/Não cumprir um dever,/ Ter um livro para ler/ E não o fazer!/ Ler é maçada./ Estudar é nada./ O sol doira/ Sem literatura./ O rio corre, bem ou mal,/ Sem edição original./ E a brisa, essa,/ De tão naturalmente matinal/ Como o tempo não tem pressa.../Mas o melhor do mundo são as crianças,/ Flores, música, o luar e o sol, que não peca/ Só quando, em vez de criar, seca./ O mais do que isso/ É Jesus Cristo,/ Que não sabia nada de finanças/ Nem consta que tivesse biblioteca...” O negócio é o seguinte: trabalhar quando se deve trabalhar, e descansar quando se deve descansar. E viva ao ócio bem usado!
João Bosco Araújo Diretor-executivo do Amazonas EM TEMPO
Ao ouvir, numa dessas manhãs, o noticiário da Rádio CBN fui surpreendido, quiçá chocado, por uma entrevista de Robério, em que prometia à população a vinda do UFC a Manaus”.
Painel RENATA LO PRETE
Pinheirinhos em série
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Jesus trabalhou como carpinteiro e, depois, labutou em sua missão de evangelizador, mas não descuidava do descanso. Tirava momentos para conviver também com a família”.
Depois de integrantes do governo classificarem como “bárbara e terrorista” a ação da PM paulista na reintegração de posse no Pinheirinho, o Planalto planeja criar grupo de trabalho interministerial para antecipar os diagnósticos de áreas urbanas no país passíveis de conflito. Levantamento preliminar feito pelo Ministério das Cidades mapeou 200 ocupações de sem-teto análogas à de São José dos Campos no país. Quatro pedidos de socorro federal para invasores de terrenos com determinação judicial de expulsão chegaram à Presidência durante a semana. Uma delas está agendada para amanhã no Mato Grosso do Sul. Na pele Do secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, atingido por bala de borracha na operação policial de domingo passado: “É preciso institucionalizar mecanismos de diálogo que preceda qualquer reintegração de posse”. Prazo de validade A bancada do PP na Câmara não sabe se Mario Negromonte estará na primeira reunião pós-recesso, agendada para quarta. Os deputados aguardam a demissão do ministro das Cidades esta semana. Timing Na lista de candidatos ao Ministério do Trabalho, André Figueiredo (RJ) pleiteia a liderança pedetista na Câmara. A escolha está marcada na terça-feira. Presidente da sigla, o ex-ministro Carlos Lupi procura aliados para saber se o Planalto emitiu sinais de que substituirá o interino Paulo Pinto. Incentivo oficial Grupo de haitianos que chegou ao Brasil depois de o governo decidir exigir visto se mostrava indignado com o ex-presidente brasileiro. “O Lula foi lá [Haiti] e disse que o Brasil estava de braços abertos para nós. Viemos e encontramos o país fechado”, disse um deles, em Tabatinga (AM). Propaganda Em campanha para turbinar a Rio+20, Dilma Rousseff pretende ir à Cúpula das Américas, em abril, na Colômbia, e à Cúpula América do Sul-África, em maio, na Guiné Equatorial.
Multicultural A programação das 12 Fan Fests da Fifa programadas para a Copa-2014 será regionalizada. Cada sede ficará responsável pela seleção de artistas locais e montagem de palco. Downgrade Em sua despedida do MEC, na terça passada, Fernando Haddad brincou com a candidatura em São Paulo: “Será que troco um Orçamento de R$ 80 bilhões por outro de R$ 40 bi? E ainda preciso ser eleito”. Motim Geraldo Alckmin administra crise na Fundação Casa, a antiga Febem. Há seis anos no comando da instituição, Berenice Gianella avisou ao Bandeirantes que sua permanência no cargo estaria prejudicada pelas desavenças com a secretária de Justiça, Eloísa Arruda. Motim 2 Nos bastidores da pasta, a gestão de Berenice é questionada. A entidade atende 8.000 menores e tem 15 mil funcionários --sendo 2.000 em cargos de confiança. O custo mensal por infrator é de R$ 12 mil, muito acima do valor gasto com detentos no sistema prisional. Novo CEP Como parte do projeto de revitalização do centro, o governo paulista comprou prédio ocupado hoje pelo Banco Itaú na rua Boa Vista. O imóvel foi avaliado em R$ 27 milhões. No local, funcionarão o Comitê Paulista da Copa e repartições de secretarias.
Tiroteio
Frases Na maioria dos países da Europa ocidental, a legislação já prevê vistorias periódicas, num intervalo de ao menos cinco anos, em prédios particulares Manuel Lapa, do Clube de Engenharia, diz que a entidade pretende entregar à Câmara Municipal do Rio propostas para aumentar a fiscalização sobre prédios, para prevenir desabamentos.
Fizeram uma divulgação de quebra de sigilo e não deram nome de ninguém. Queremos saber quem é corrupto, quem fez uma transação indevida para ser punido. Hoje, todos os magistrados do país estão sob suspeita Luiz Eduardo Rabello, presidente da Associação Nacional de Desembargadores, contesta a Lei do Sigilo Bancário, que permite investigar movimentações financeiras “atípicas” de magistrados.
A possível aliança entre o PT e PSD na eleição em SP é um casamento que costumo chamar de ‘Jaconça’, ou seja, jacaré com onça. Não se sabe o bicho que vai dar Não vamos abrir mão da nossa legislação. O Congresso tem maturidade. O relator da matéria está disposto a respeitar a lei brasileira. Mas também temos que respeitar o trato que foi feito com a Fifa
Aldo Rebelo, ministro do Esporte, tenta servir a dois diabos ao mesmo tempo, contanto que a Copa de 2014 aconteça nas 12 cidades-sede préestabelecidas.
DO PRESIDENTE DO PTB-SP, CAMPOS MACHADO, sobre o aceno do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que enfrentou oposição petista, para o ex-ministro e précandidato Fernando Haddad (PT).
Contraponto
Literatura de bolso O ex-governador Franco Montoro acompanhava, em 1998, inauguração de parque gráfico em Campinas. Levava uma pilha de livros nas mãos. Apressadamente, um assessor se prontificou a guardar as publicações. O tucano, à época deputado federal, rejeitou a ajuda: — Vou ficar com as mãos ocupadas! Durante o evento, seu desafeto Orestes Quércia subiu ao palanque e discursou, sendo ovacionado. Montoro evitou cumprimentos e dirigiu-se ao funcionário: — Entendeu agora? Publicado simultaneamente com o jornal ‘Folha de S.Paulo’
Política
MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
Caciques da política local descartam interesse em disputar a prefeitura da capital, mas se articulam para indicar pré-candidatos ao próximo pleito. Os quatro já foram prefeitos da capital amazonense ARQUIVO EM TEMPO/MICHELL MELLO
Alfredo disse que não tem interesse em disputar a Prefeitura de Manaus
HUDSON FONSECA
Atual prefeito, Amazonino Mendes, afirmou sofrer perseguições
ARQUIVO EM TEMPO/MICHELL MELLO
Arthur Virgílio garante ter mais interesse em permanecer no parlamento
GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO
Indicado pelo presidente nacional do PMDB, Braga não confirmou intenção
um prefeito para Manaus CAMILA CARVALHO Equipe EM TEMPO
E
les já estiveram à frente da Prefeitura de Manaus por, pelo menos, quatro anos, implantaram projetos que modificaram a cidade em períodos distintos, já foram antecessores e sucessores uns dos outros, “guerrearam” pelo governo do Estado, mas “juram de pés juntos” que não pretendem “brigar” pelo Executivo Municipal em 2012. Com discursos diferentes — o ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB), os senadores Eduardo Braga (PMDB) e Alfredo Nascimento (PR) e o atual prefeito da cidade, Amazonino Mendes (PDT) — negam o interesse na Prefeitura de Manaus, mas já se articulam para indicar um pré-candidato para a disputa. O atual prefeito da capital e candidato natural à reeleição, Amazonino Mendes, já disse publicamente que “não aguenta mais a pressão” e que “vê forças estranhas conspirando contra sua administração”. No último ano do terceiro mandato à frente do Executivo (1983-1985; 1992-1994; e 2008-2012), o prefeito disse estar sendo perseguido e passando pelo período mais difícil de sua vida política. “Sofri traições e injustiças, fui atacado por todos os lados, mesmo fazendo melhorias na nossa cidade. Pisaram na minha biografia, agora preciso de um tempo para mim”, desabafou. Com a marca de ter concluído grandes obras de infraestrutura e habitacionais, como a construção dos conjuntos Renato Souza Pinto e Oswaldo Frota, além dos programas sociais “Meu Filho”, “Restaurante Pequeno Trabalhador”,
“Bolsa Universidade” e “Leite do Meu Filho”, o prefeito deve indicar um pré-candidato que represente seus ideais nos próximos quatro anos. Segundo o secretário-geral do PDT — legenda liderada por Amazonino —, Dermilson Chagas, a sigla não tinha discutido possíveis nomes para a prefeitura. “A preferência é dele (Amazonino). Com o PDT, ele (Amazonino) é candidato a qualquer coisa, mas é ele quem decide. Caso não queira participar do pleito, iremos analisar outros nomes fortes dentro do partido”, disse.
Sofri traições e injustiças, fui atacado por todos os lados, mesmo fazendo melhorias na nossa cidade. Pisaram na minha biografia Amazonino Mendes, prefeito de Manaus
Abre mão O presidente estadual do PMDB, senador Eduardo Braga, tem apostado em uma postura diferente. Desde junho do ano passado, o senador evita falar da sucessão municipal, mesmo após ter sido indicado pelo presidente nacional da legenda e vice-presidente da República, Michel Temer, para o cargo na capital amazonense. “Há o momento certo para falarmos em pré-candidaturas e eleições”, argumentou. Prefeito de Manaus por dois anos (1994-1996), ele não declarou oficialmente se será candidato, mas já tem uma lista de possíveis “sucessores”.
Problemas afastam Arthur O ex-senador Arthur Virgílio Neto (PSDB) — chamado de prefeito “tatu” quando esteve à frente de Manaus em 1988 — afirmou que não pretende disputar pela prefeitura por preferir estar no parlamento. “O meu amor é pelo parlamento. Manaus é uma cidade complicada, com problemas que emergem força, como as questões de saneamento, habitação e transporte público”, disse. Ele criticou os gestores que tentam utilizar o Executivo como trampolim e garantiu que com o atual orçamento da prefeitura, os problemas poderiam ser resolvidos. “Tem de ser alguém que governe Manaus para valer, que seja saudável para cidade. Se for para pensar e fazer só o que dá voto, a cidade só aprofunda seus problemas e se torna ingovernável”, criticou. O ex-senador é cotado para disputar uma das cadeiras do Legislativo municipal e garantir vaga para outros 12 correligionários. “A vereança fortaleceria o partido e me daria mais mobilidade para, em 2014, disputar o Senado, mas é algo em avaliação”.
Alfredo está desgastado O ex-ministro dos Transportes e atual senador da República, Alfredo Nascimento (PR), já declarou que não tem interesse em disputar a Prefeitura de Manaus. Ele, que já foi prefeito da cidade por duas vezes (1996-2000; 2000-2004), deve “indicar” o deputado federal Henrique Oliveira (PR) como representante
dos republicanos no pleito. Por meio de interlocutores, o senador argumentou que o Executivo municipal não faz parte de seus “planos políticos” e que seu objetivo é demonstrar que a gestão à frente do Ministério dos Transportes foi regular. A reportagem não conseguiu contato com o deputado Henrique Oliveira.
Relembre algumas das obras Prefeito: Arthur Virgílio Neto (PSDB) Período: 1988 - 1992 Obras: Saneamento com- principais vias; construpleto da cidade, sendo ção de galerias subterdenominado de “prefeito râneas para escoamento tatu”; recapeamento das da água. Prefeito: Amazonino Mendes (PDT) Período: 1983-1985; 1992-1994; 2008-2012; Obras: Implantação dos Meu Filho”; reforma e Resprogramas sociais “Meu tauração completa da orla Filho”, “Restaurante Pe- da Ponta Negra; construção queno Trabalhador”, “Bolsa de dois viadutos e duas Universidade” e “Leite do passagens de níveis. Prefeito: Eduardo Braga (PMDB) Período: 1994-1996 Obras: Primeiros com- Social e Ambiental dos Igaplexos viários da cidade; rapés de Manaus (ProsaComplexos habitacionais mim); construção da Praça incorporados ao Programa do Dom Pedro. Prefeito: Alfredo Nascimento (PR) Período: 1996-2000; 2000-2004 Obras: Tentativa de im- passagens de nível entre as plantação do sistema Ex- avenidas Djalma Batista e presso e dos terminais de Constantino Nery; construintegração do transporte ção dos viadutos que intercoletivo; início da implan- ligam as avenidas Torquato tação dos terminais fluviais Tapajós e Djalma Batista à (portos); construção das avenida Recife.
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Práticas assistencialistas prevalecem nos gabinetes
COM TERESA BARROS E LEANDRO MAZZINI
www.claudiohumberto.com.br
O prédio já não estava bem” Jornalista
SENADOR MARCELO CRIVELA (PRB), sobre as condições do edifício que desabou no Rio
CNJ promove secretária que autorizou licitação O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu ao cargo de diretora-geral Glaucia Elaine de Paula, justamente a responsável pelo controle interno que deu parecer favorável à realização de licitação suspeita, que gerou contrato de R$ 68 milhões com o consórcio de empresas de informática CDS/NTC, vinculado à multinacional Oracle. Glaucia assumiu o cargo em lugar de Helena Azuma, demitida por discordar do projeto milionário, considerado desnecessário por técnicos. Tá fora Também foi demitido por se opor à licitação o ex-diretor de Informática, Delicieux Dantas, cuja área apresentou projeto 14 vezes mais barato. Conversa... Na reunião do CNJ que decidiu manter licitação suspeita, Paula negou qualquer direcionamento. “Eram apenas duas licitantes”, alegou. ... pra boi dormir Mas quem ficou em segundo lugar na licitação foi a empresa Maxtera, que tem como representante Hélio Zveiter, filho de diretor da Oracle. Foi gravado Dizendo representar as empresas vencedoras, o sr. Geraldo Tavares Jr, consultor da AFB Advocacia, ofereceu propina para calar denúncias. Defesa manobra para terrorista ficar no Brasil As últimas declarações do terrorista italiano Cesare Battisti, agredindo seu próprio país, piora a situação dele no Brasil. O juiz Alexandre Vidigal de Oliveira, da 20ª Vara Federal, vai decidir sobre a estada pri-
vilegiada do bandidão no país, em resposta a carta precatória da Itália que chegou em 6 de dezembro passado. Mas a chicana jurídica dos caríssimos advogados de Battisti força o juiz a protelar a decisão. Xô, terrorista As manobras protelatórias empurraram a decisão final para depois do Carnaval, que se espera seja o último de Cesare Battisti no país. Transitado em julgado Cesare Battisti foi condenado duas vezes à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos a serviço de uma organização terrorista. Um falsificador Battisti é acusado de cometer crimes federais como falsificação de passaportes e documentos civis para entrar no Brasil. Que oposição? Com medo de ser tratorado pela aliança em torno de Eduardo Paes, que disputará reeleição à prefeitura do Rio de Janeiro, o PPS está de malas prontas para apoiá-lo nas eleições municipais. Usará a desculpa de que a oposição também precisa ser propositiva. Uhum... Na correria O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, se reunirá nesta segunda (30) com diretório do partido em Brasília. O objetivo: validar a indicação de seu braço direito, André Figueiredo, para ministro do Trabalho. Monitoramento O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) pediu ao presidente da Câmara, Marco Maia, uma comissão externa para acompanhar as ações de prevenção e reparação de danos em áreas
PODER SEM PUDOR
Dos Thales, o maior Dois gigantes do colunismo político, Carlos Castello Branco, do Jornal do Brasil, e Luiz Recena, do Jornal de Brasília, compartilhavam do privilégio de terem como fonte o deputado pernambucano Thales Ramalho. Certa vez, reagindo a notícias da iminente escolha do adversário e conterrâneo Fernando Lyra para o ministério de Tancredo Neves, Thales perpetrou a maldade que era uma grande injustiça: - Fernando não pode ser ministro da Justiça porque é um analfabeto. Certa sexta-feira, já recomposto com Lyra, ele surpreendeu: - Castello, escreva pra domingo: Fernando será ministro da Justiça. - Pô, Thales, ele não era analfabeto? – cobrou Castelinho. A resposta foi na bucha: - Alfabetizou-se esta semana, Castello... Depois ligou para Recena: - Escreva isto também, vá que o Castello esqueça...
A média de atendimentos tem sido de quatro a cinco pessoas por dia. Rotina normal é de 30, diariamente FRANCISCO ARAÚJO
Cláudio Humberto
de risco. No lugar certo A Justiça do Tocantins condenou o ex-prefeito Antônio Francisco Leite a prestar serviços sociais, por fraudar licitação em repasse de R$50 mil da Caixa usando empresa laranja. Nome da cidade: Lavanderia. Prece atendida Como a coluna informou na quarta (25), o ex-presidente da Petrobras,José Eduardo Dutra, louco para voltar, está com um pé na estatal de novo: a diretoria corporativa. Irreconhecível, perdeu mais de 20 quilos. Outra briga Além de escolher o próximo líder na Câmara, o PT decidirá em fevereiro quem vai assumir as comissões de Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia ou Direitos Humanos. O barraco está armado. Luz, câmera! O deputado e ator Stephan Nercessian (PPS-RJ) aproveitou o recesso parlamentar para gravar cenas do novo filme de Andrucha Waddington, “Os penetras”. A comédia estreia em outubro nas telas brasileiras. Aumento cancelado Após aumentar o salário dos servidores com base em estudo de R$ 5,9 milhões da Fundação Getúlio Vargas, o Conselho Federal de Engenharia (Confea) cancelou tudo. A decisão foi do atual presidente, José Tadeu, opositor do autor da medida, o antecessor Marcos Tulio Luiza fluminense Não era a Luiza que estava no Canadá. Era o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral. Nada que um jatinho amigo não alcance.
Funcionamento dos gabinetes durante recesso, na Aleam, atraiu demandas assistencialistas MEG ROCHA Equipe EM TEMPO
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anúncio de funcionamento nos gabinetes parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), em pleno recesso de final de ano, - informação divulgada de forma sequenciada pela maioria dos deputados no site institucional-, resultou em uma inexpressiva demanda dos populares tanto do interior como da capital. Os poucos que procuraram, no entanto, foram aos gabinetes em busca de atendimento assistencialista, situação predominante nas reivindicações.
do cabo Maciel (PR) com os servidores da Segurança Pública, e David Almeida (PSD), um dos representantes dos evangélicos na instituição -, entre outros. Conforme informações dos chefes de gabinetes, após formalizadas as solicitações, elas são encaminhadas aos órgãos competentes com o intento de dar maior celeridade ou atenção à causa. Alguns dos assessores dos parlamentares argumentaram que o perfil de assistência predominante nos atendimentos dos gabinetes deve-se à desinformação das atribuições dos Poderes Legislativo e Executivo, havendo confusão por parte da sociedade ao buscar a casa.
Estímulo vem do mau uso da política A alegação de confundir o papel dos poderes foi contestada pelo deputado José Ricardo (PT), que imputou esse padrão de demanda ao estímulo proveniente da má política, e somente em linhas gerais, à ‘confusão popular’. “São práticas decorrentes de uma política duvidosa, já que os próprios parlamentares instigam esses pedidos, aproveitandose da necessidade das pessoas. São intervenções próprias daqueles que se travestem de políticos”, disse. Segundo Sidney Leite, demandas geram representações
DIVULGAÇÃO
PRÁTICA
Demandas populares
Ações ocorrem desde a campanha eleitoral Para o cientista político Gilson Gil, os parlamentares, geralmente, tendem a alimentar essa situação ao promover ações assistencialistas desde suas campanhas políticas. “Eles fomentam o assistencialismo, deixando de lado as propostas legislativas ou políticas mais permanentes. Depois de eleitos, fazem de seus gabinetes uma extensão da campanha, continu-
A média de atendimento tem sido de quatro a cinco por dia, número inferior a rotina do período dos trabalhos parlamentares efetivos, que chega a 30 por expediente, de acordo com os chefes de gabinetes. O horário de funcionamento é de 8h às 14h, conforme o regimento interno. Os principais pedidos aos gabinetes são de cunho estritamente pessoal, como a procura de consultas médicas, auxílio em cirurgias, orientação jurídica, solicitação de limpeza e asfaltamento nas vias, principalmente do interior do Estado, entrega de currículos, reivindicações específicas de segmentos representadas pelos deputados, - como é o caso
DIVULGAÇÃO/ALEAM
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ando a prática das doações e intervenções em questões individuais”. Ele observou, ainda, que os populares tornam-se uma espécie de clientelas de dependentes. “Por este meio, eles acabam criando ‘currais eleitorais’ cativos pelas benfeitorias concedidas. Poucos identificam as respectivas demandas, que são legítimas em leis práticas”.
A deputada Conceição Sampaio (PP) disse que optou pelo funcionamento do gabinete porque as demandas populares não param durante o recesso, e acredita que a principal função de um parlamentar é ouvir a população que representa. “Não me imagino como deputada estando voltada apenas Para Conceição Sampaio, é fundamental ouvir a população
para ações internas na Assembleia. A pessoa que tem função pública, tanto o parlamentar como o executivo, erra menos se ouvir a população”, finalizou. Sidney Leite (DEM) justificou que são identificadas inúmeras irregularidades por meio das reivindicações que chegam aos gabinetes.
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Projeto de lei quer pressa para julgar autoridades Celeridade na apreciação de processos envolvendo parlamentares deve ter prioridade com proposta na Câmara dos Deputados ARQUIVO EM TEMPO/MICHELL MELLO
LUANA GOMES Especial EM TEMPO
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projeto de lei que pede celeridade no julgamento de autoridades com foro privilegiado – em tramitação na Câmara dos Deputados – é visto com bons olhos pelos deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), mesmo envolvendo os próprios políticos amazonenses. O projeto de lei (PL) é do deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) e estabelece prioridade para esse tipo de processo, acrescentando parágrafo único ao Código Penal. Desta forma, o decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, passa a tratar tanto os processos quanto seus respectivos recursos, com prioridade sobre os demais. O deputado Sinésio Campos (PT) aponta que a imunidade parlamentar não significa impunidade no cargo. De acordo com o líder do governo na casa legislativa, o fato de ser autoridade não é motivo para se autoafirmar acima da lei, mesmo atuando no Legislativo.
Embora desconheça o teor da matéria, o deputado Marcelo Ramos (PSB) comenta que só o fato de ter um projeto que trate de agilidade nos julgamentos já é positivo. O socialista pondera que a discussão beneficia tanto a sociedade quanto os próprios acusados, isto porque os cidadãos não terão que manter durante todo o mandato alguém que pode vir a ser condenado, assim como a própria autoridade pode conseguir provar sua inocência em curto período. De acordo com o autor da matéria, este tipo de julgamento se acumula durante anos e leva muito tempo para ser julgado. Em sua justificativa ao projeto, ele declara que o advento do foro privilegiado concedeu regalias às autoridades que cometeram crimes comuns ou de responsabilidade, garantindo-lhes um julgamento diferenciado. “Vislumbramos na prática uma ausência de resultados práticos em relação ao trâmite de processos de competência pela prerrogativa de função, principalmente, quanto ao tempo de duração, o que nos impele à reflexão sobre o tema”.
Mandato deve servir o bem comum O projeto de Fonseca tramita em conjunto ao PL 333/07 do deputado federal Paulo Piau (PMDB-MG), que trata de propositura semelhante. A propositura dispõe que “o mandato conquistado nas urnas deve servir à defesa do bem comum e, para tanto, seus detentores precisam estar isentos de vícios junto à Justiça, no concernente a crimes comuns e de responsabilidade”. Piau argumenta que o PL não pretende imputar aos políticos presunção de culpabilidade ou o privilégio do julgamento de qualquer matéria, e sim conferir celeridade aos trâmites desses processos, beneficiando a própria sociedade. Para Sinésio Campos, imunidade parlamentar não significa impunidade para os parlamentares
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Economia MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
MANOEL VAZ/SEMCOM
Produção orgânica deve triplicar no AM Páginas 4
Lei da Entrega provoca ‘corre corre’ no comércio Mesmo ao vislumbrar prejuízos, lojas terão de se adequar a lei que prevê conclusão de entrega e montagem ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
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onquista para o consumidor e, a partir de agora, uma exigência a ser seguida pelos estabelecimentos comerciais do Amazonas, a Lei da Entrega (3.706/12), publicada no último dia 12 no Diário Oficial do Estado (DOE), gera polêmica no setor. Isso porque o comércio, que agora terá de concluir os serviços de entrega e montagem em um prazo máximo de cinco dias, já “amarga” os possíveis prejuízos da adequação. Segundo o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Gaitano Antonaccio, a nova lei vai gerar despesas extras aos lojistas, que terão de se adequar ou ficar expostos às multas, que
podem chegar a R$ 3 milhões. Para ele, a lei é impraticável e “não vai pegar”, porque as lojas não disponibilizam de mão de obra qualificada suficiente para fazer a entrega e a montagem de forma tão rápida. “Ao invés de estipular prazo mínimo, tem de haver consenso entre o comprador e o vendedor”, declarou, ao ressaltar que o governo deveria dar um período de 90 dias para as empresas se adequarem à legislação. Por sua vez, o administrador Túlio Bezerra, do Armazém Paraíba, prevê que as lojas que trabalham com um grande volume de entregas terão dificuldades em cumprir a lei, em particular, no quesito referente ao agendamento. Isso porque, segundo ele, a cidade possui um trânsito caótico e problemas na identificação dos endereços residenciais. “Vemos com bons
Reclamações Autor do projeto que resultou na lei nº 3.706/12, o deputado Marcos Rotta afirma que a propositura foi apresentada devido ao grande número de reclamações referentes à entrega e a montagem dos produtos na Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (CDC-Aleam), da qual é presidente. “O projeto foi feito em comum acordo com os lojistas e veio preencher uma lacuna na hora da entrega e montagem dos produtos. Quando é para vender é fácil, mas quando é para entregar ou montar, as lojas põem dificuldades e demoram a prestar o serviço”, declarou o parlamentar. De acordo com o projeto, o fornecedor terá prazo de cinco dias úteis – a contar da data da compra –, para entregar a mer-
cadoria. Para os produtos adquiridos fora da cidade, o tempo é de 20 dias úteis. Além disso, ficou estabelecido que os prazos poderão ser prorrogados por igual período, mas por uma única vez. O Departamento do Programa Estadual de Proteção e Orientação ao Consumidor (Procon/AM), destaca que as reclamações relacionadas à entrega de produtos acabados são “raras”. A maior parte das queixas dos consumidores é quanto a não finalização da montagem dos produtos.
Lojas se adequam à legislação Com 262 colaboradores somente no setor de entrega e montagem, a Bemol faz um controle eletrônico das entregas, o que permite rapidez e segurança na operação comercial. “Quando o cliente efetua a compra, o sistema define automaticamente o dia da entrega e registra no pedido do cliente. Havendo algum insucesso, quando os caminhões retornam ao final do dia, é feita a prestação de contas do serviço e o call center faz contato e remarca a entrega com o cliente”, informou, por meio de nota, o departamento de marketing da Bemol, ao ressaltar que a empresa
garante a entrega em três dias úteis e cinco dias para a montagem. Já a gerente administrativa da Hitech Import, Samiza Soares, afirma que a entrega e montagem dos produtos são feitas dentro do prazo de cinco dias. “Quando há exceções, procuramos resolver de forma amigável”, declarou, salientando que a loja possui um canal direto com o consumidor, por meio do site www.hitechimport.com.br.
olhos a lei, porém, entendemos que é preciso que sejam feitos alguns ajustes”, afirmou. “As empresas que trabalham com muitas entregas vão encontrar dificuldades. É preciso ter bom senso”, completou. Ainda de acordo com ele, o Armazém Paraíba não irá contratar novos funcionários para ampliar o grupo de 60 pessoas que trabalham atualmente na área de entrega e montagem da empresa. Segundo ele, o estabelecimento realiza mais de cem entregas por dia. “Entregamos em cinco dias úteis e damos prazo de mais cinco dias para a montagem”, enfatizou. “Os órgãos reguladores precisam ver a questão do agendamento”, concluiu Bezerra.
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Formação para executivos a partir de R$ 85 mensais Galileo Business School oferece mais de 20 cursos de pós-graduação em Manaus, com mensalidades acessíveis GIOVANNA CONSENTINI
RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO
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isposta a ganhar mercado e contribuir para a formação de executivos no Amazonas, a Galileo Business School aposta em mais de 20 cursos de pósgraduação com preços acessíveis para atrair o público local. Com mensalidades a partir de R$ 85, os programas têm reconhecimento nacional e de duas instituições internacionais, a American Academy of Financial Management (AAFM) e a American Academy of Project Management (AAPM), ambas norte-americanas. De acordo com o reitor Hiram de Melo, além dos valores acessíveis e a variedade de cursos, a escola possibilita aos alunos dupla certificação. Ou seja, eles poderão ter até duas formações no prazo de apenas um ano. “Nos primeiros seis meses as aulas são presenciais e contam com o auxílio de professores”, disse. “Em seguida, acontecem as aulas a distância, nas quais os alunos dão ênfase ao que lhes foi repassado e, por fim, eles desenvolvem um projeto seguindo as diretrizes da AAPM, onde é posto em prática todo o aprendizado no decorrer do curso”, completou. O reitor acrescentou, ainda, que a forma com o qual os cursos
são conduzidos é o diferencial da escola, porque proporcionam conhecimentos básicos da área executiva, com planos de aplicação prática, não apenas teórica. “Os programas de pós-graduação da Galileo são únicos no mercado, pois aliam forte conhecimento teórico com a correspondente aplicação prática, visando o aumento da empregabilidade de nossos alunos”, afirmou, ao ressaltar o sistema de ensino é composto por professores, mestres e doutores. “A experiência profissional, material didático próprio e metodologia inovadora são responsáveis pela excelência dos programas”, enfatizou. Parceria Os cursos de pós-graduação da Galileo Business também têm outras parcerias: Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Faculdade Arthur Thomas, no Brasil, e Universidade de Valência, na Espanha. “Nossos programas representam uma evolução natural de pós-graduações coordenadas, anteriormente, por nossa equipe em várias instituições, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em várias cidades brasileiras, Universidade Gama Filho e Universidade Estácio de Sá, em Manaus, Florianópolis e Joinville (ambas em Santa Catarina)”, observou.
Segundo reitor da instituição, Hiram de Melo, alunos podem obter dupla certificação, ou seja, fazer dois cursos em um ano
Profissionais com experiência na bagagem Os cursos oferecidos pela Galileo Business School já estão em Manaus há quase cinco anos. Porém, agora, com identidade própria, a instituição tem uma equipe acadêmica altamente capacitada, composta por mestres e doutores, com grande experiência no
mercado amazonense. “Nossa metodologia é nacional, porém, a equipe de professores é local, o que garante um excelente aprendizado aos nossos alunos”, afirmou ao detalhar os recursos oferecidos aos alunos. “Eles contam, ainda, com um material didático
próprio para cada disciplina e uma biblioteca virtual com mais de mil livros, o que reforça o potencial da escola”, ressaltou Hiram de Melo. Já no que diz respeito ao público-alvo da instituição, o reitor observou que não há como segmentar um tipo
específico de alunos, pois os programas são destinados para profissionais com desejo de aprender e se diferenciar no mercado brasileiro, contando com a credibilidade internacional. “São pessoas que desejam ser ‘profissionais globais’”, finalizou.
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
Amazônia - informação, partilha e prontidão Merece elogio a iniciativa do governo estadual de socializar o acesso a internet para os condomínios e praças do Prosamin e nos PACs, postos de atendimento ao cidadão. É bem verdade que a intenção é desproporcional aos resultados obtidos com 2 megas de velocidade. Não deixa, porém, de ser um bom começo e ensaio de solução local, enquanto o programa da miragem federal não vem. É imperioso avançar na geração da informação e promover sua socialização de forma rápida, sobretudo no desafio amazônico de produzir e compartilhar a pesquisa e sua informação focada em negócios e oportunidades, avançando na consolidação e aprofun-
damento do conhecimento para reverter esse momento de desequilíbrio econômico regional. A comunicação virtual passou ao patamar da essencialidade nas relações, por isso se demandam instantâneas, na prontidão da produção e partilha do conhecimento, sob pena de ficarmos para trás. É verdade que o poder público tem que prover os equipamentos convencionais de saúde por esse beiradão esquecido, mas é possível fazer atendimento médico e terapêutico nas distâncias que isolam os ribeirinhos da Amazônia, quando há recursos de comunicação. A pesquisa, igualmente, pode ser simultânea e a comunicação de dados instantânea entre
os laboratórios locais e os de qualquer parte do planeta. Essa simultaneidade de operação e troca de informações obrigam a rever conceitos e preocupações como a biopirataria, o controle das fronteiras, soberania amazônica e outros princípios que a transmissão instantânea e partilha de dados questionam. Resta-nos, pois, investir na capacitação para gerar informações com eficácia e prontidão. A competitividade é a equação direta da velocidade na produção do conhecimento. E nesse contexto, padecemos de instrumental tecnológico, equipamentos e laboratórios de última geração. Nosso descompasso maior, entretanto, não é tecnológico
e sim de recursos humanos, qualificação e formação básica, precariedade do ensino médio, sucateamento e desaparelhamento das escolas de graduação. Como formar biólogos, químicos e físicos sem laboratório? É preciso para a educação, assim como para o banco genético da Amazônia, um projeto de investimento com as dimensões de um programa do tipo pré-sal, com recursos, vontade política e determinação operativa. Um investimento pesado na qualificação das novas gerações, com ênfase na consolidação do repertório cognitivo, da habilidade para operar reflexão e análise crítica. É preocupante observar que as pessoas estão mais lentas
para proceder a operações intelectuais, para processar informações e fazer uso delas. A velocidade da competição passa pela capacidade de respostas rápidas. Nossas mentes, assim como nossas rotinas resultam do exercício repetitivo para incrementar desempenhos. Da pré-escola à universidade, a palavra de ordem é reinventar caminhos, parcerias e objetivos, aproximando educação, pesquisa e inovação tecnológica na direção de um novo patamar e de novos desafios, exercitando principalmente a vontade e a disponibilidade de avançar... lembrando as recomendações do mestre Estevão Monteiro de Paula, pensador, gestor e propositor dessas inquietações.
Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental
É preocupante observar que as pessoas estão mais lentas para proceder a operações intelectuais, para processar informações”
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De olho em 2014, Estado consolida setor turístico
Potenciais ecológicos abrem nova gama de oportunidades e já atraem grande número de visitantes. Amazonastur pretende desenvolver novas opções no interior ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
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iante do enorme potencial turístico do Amazonas, entidades de turismo têm procurado aproveitar as capacidades naturais do Estado para
JOEL ROSA
criar novos “points” de passeio e ampliar o leque de opções aos visitantes. Enquanto alguns projetos já foram consolidados, outros passam por estudo antes de ser
liberados para visitação. A “Etnotrilha do Selvagem”, na aldeia indígena Beija-Flor 1, na área urbana de Rio Preto da Eva (a 79 quilômetros de Manaus), é um desses atrativos recém-inaugurados que o governo aposta para conquistar os turistas. Ideal para quem gosta de passeio ecológico, o local é o primeiro do estilo na região e já foi visitado por mais de 800 pessoas, desde a inauguração, no fim de 2011. O local será uma das atrações turísticas do município, que está
na lista das cidades amazonenses com potencial para o ecoturismo durante a Copa de 2014. “O governo tem dado apoio à comunidade, tanto na parte de infraestrutura, quanto na divulgação da área”, disse a diretora de Marketing da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Roselene Medeiros, ao informar que materiais promocionais em inglês, português e espanhol já estão em produção. Uma dos planos é preparar Iranduba (a 34 quilômetros
Visitas estrangeiras aumentam V O fluxo de turistas que visitou o Amazonas, de janeiro a outubro de 2011, cresceu 11,25% em relação ao ano anterior, totalizando um volume de 573.604 pessoas. A maioria é de estrangeiros de países como Canadá, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, China, Japão, Inglaterra e Espanha. O gasto médio dos visitantes do exterior foi estimado em US$ 167,88 por dia, aproximadamente R$ 292. Para recebêlos, o governo realiza um trabalho nas portas de
entrada de Manaus, onde mantém Centros de Atendimento ao Turista (CATs), que funcionam 24 horas. Nesses locais, o turista recebe folhetos e informações sobre os pontos turísticos. De acordo com a Amazonastur, os segmentos mais promovidos são os hotéis de selva, a pesca esportiva, trilhas de aventura, observação de pássaros, entre outros, ligados ao turismo ecológico. O Estado também trabalha os eventos culturais como o Festival de Parintins e Amazon Film Festival.
da capital), Manacapuru (a 86 quilômetros) e Novo Airão (a 115 quilômetros), com uma “nova roupagem” para receber banhistas e promover passeios com animais, como os botos, por exemplo. Um local a ser trabalhado futuramente é a praia Açutuba, na primeira cidade. Recém-descoberta por moradores da capital, graças à construção da ponte sobre o rio Negro. “Fizemos visitas técnicas, mas o local ainda não tem condições de receber turistas”, enfatizou Roselene.
Município fora da lista do Mundial O Ministério do Turismo listou produtos e destinos turísticos em 11 municípios do Amazonas para a Copa do Mundo de 2014. Uma das principais atrações do Estado, Barcelos, ficou de fora. A estimativa é de que um total de 600 mil estrangeiros e 3 milhões de brasileiros devam circular pelo país no mês do Mundial.
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Mais orgânicos em 2012 Com ajuda de projetos de profissionalização, espaço e transporte especiais, pequenos produtores do Estado pretendem aumentar quantidade de alimentos saudáveis na mesa da população de Manaus. Meta para o ano é triplicar produção LARISSA VELOSO Especial EM TEMPO
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procura ainda baixa, mas crescente, por alimentos livres de agrotóxicos e contaminantes não desanima o produtor rural amazonense. Embora a produção orgânica corresponda a apenas 1% de tudo o que é cultivado no Estado, o setor pretende triplicar o plantio e o quadro de produtores este ano, aumentando o número de mantimentos locais mais saudáveis na mesa da população. De acordo com o agroecólogo do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia, Bosco Gordiano, entre os projetos que devem estimular os agricultores está um programa da esfera federal para aquisição de alimentos com doação simultânea, que permite ao produtor um aumento em até 30% no valor do alimento. Basta comprovar que o produto é realmente orgânico. “Programas estaduais também estão sendo desenvolvidos para apoiar o aumento dessa produção”, afirmou. Uma das medidas estaduais que também ganha destaque é a capacitação de agricultores familiares para o preparo de adubo orgânico, desenvolvida pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror). Desde o início do trabalho, em agosto de 2010, pelo menos 300 pesso-
as participaram de cursos como o de manejo agroecológico do solo, com lições teóricas e práticas para preparo do adubo livre de produtos químicos. Já a esfera municipal auxilia na melhoria da qualidade e manutenção do plantio, e garante a distribuição dos alimentos orgânicos. De acordo com o engenheiro agrícola da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), Marcílio Pascoalino,
MANOEL VAZ/SEMCOM
AUMENTO
Simultaneamente ao crescimento da produção de alimentos sem uso de agrotóxicos no Amazonas, aumentou o número de pessoas interessadas em manter uma alimentação mais saudável na capital Com facilidade no escoamento dos alimentos e lugar específico para a exposição, produtores e consumidores são beneficiados
o objetivo é auxiliar aqueles que, efetivamente, vivem da atividade. “Implementamos mais locais: uma no Puraquequara (Zona Leste) e outra no ramal do Pau-Rosa, na BR-174 (Manaus - Boa Vista), e estamos próximos de quem planta”, informou. Semanalmente, caminhões do órgão ajudam a escoar cupuaçu, pupunha, cebolinha, salsa, alface, cheiro verde, entre outros, de fazendas locais até a feira de Produtos Orgânicos.
Benefícios que facilitam e resultam em lucro O novo transporte e a feira beneficiam produtores, com a possibilidade de aumentar a renda e a população interessada em consumir alimentos mais saudáveis. A exposição é feita em um único local, na rua Maceió, nº. 160, bairro
Adrianópolis, Zona CentroSul. “Eu tinha que levar tudo de ônibus e chegava tarde à feira, sem ter onde expor o produto. Agora, tem o transporte e a feira específica, que ajudam a vender toda a minha produção”, disse o
agricultor José Edinaldo. O presidente da Associação de Produtores de Orgânicos do Estado do Amazonas (Apoam), Raimundo Moura, relata que a produção segue em crescimento e a procura não tem ficado atrás. “Temos mais 20
produtores querendo fazer parte da feira e muita gente em busca dos orgânicos. Logo teremos que arrumar mais espaço para atender quem vende e quem compra”, comemorou. O espaço abre sempre nas manhãs de sábado, às 8h.
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País
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Dilma pede transparência Em reunião geral, Dilma Rousseff determinou que os ministérios terão seis meses para apresentar seus modelos de monitoramento eletrônico de gastos em tempo real para mostrar que não existem fraudes nos convênios firmados
A
presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou esta semana na abertura da primeira reunião ministerial deste ano, que cada ministério terá até junho para apresentar um modelo de monitoramento eletrônico, em tempo real, no qual todos os gastos e transações de cada pasta possam ser vistos e cobrados na hora pelo governo. A ideia é aumentar a transparência e evitar fraudes em convênios. “As ações fazem parte de um projeto revolucionário, progressista, e absolutamente indispensável para a verdadeira reforma do Estado. Não por meio da demissão de servidores ou da perda de direitos previdenciários, mas por meio da gestão de um Estado mais profissional e meritocrático”, disse a presidente, de acordo com o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann. O porta-voz disse, ainda, que com a cobrança maior por parte da população quanto à oferta de mais serviços públicos, é necessário que o Estado ofereça serviços melhores. “Isso não é uma questão básica de reforma do Estado. Isso é como fazer com que o Estado dê serviços melhores para a população”. Apenas Garibaldi Alves e Mendes Ribeiro Filho não participam do encontro.
MARCELLO CASAL JR
Os ministros terão até junho para implantar em suas pastas o projeto, que segundo a presidente é indispensável para a população acompanhar as contas
ESTRANGEIROS DIVULGAÇAO
Brasil tem mais de 500 pedidos para que estrangeiros que cometeram crimes aqui, retornem
Justiça quer prender foragidos O Brasil fez 528 pedidos a outros países para a extradição de estrangeiros foragidos da Justiça brasileira. Foi esse tipo de negociação que possibilitou o retorno na última sexta-feira (27), ao país do alemão Dieter Erhard Fritzchen Stieleke, 57 anos, condenado por tráfico de pessoas. Ele é o primeiro estrangeiro extraditado ao Brasil por causa desse tipo de crime. A Justi-
ça Federal na Bahia condenou o alemão, em 2010, a cinco anos e seis meses de prisão por tráfico internacional de pessoas. Quatro anos antes, ele foi preso em flagrante no aeroporto de Salvador tentando embarcar para a Alemanha com três brasileiras, que seriam vítimas de exploração sexual na Europa. O pedido de extradição foi feito ao México, onde estava o alemão.
A volta de Stieleke é considerada uma vitória pelo governo brasileiro e faz parte da estratégia de combate ao turismo sexual no país. “A grande monta desse crime é gente vendendo gente. É um crime de repercussão”, disse Izaura Miranda, diretora do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça. O Brasil, segundo a diretora, começou a fazer extradição ativa em 1998.
FÓRUM SOCIAL
Crimes da ditadura são debatidos O jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet, ex-editor do jornal francês “Le Monde Diplomatique”, defendeu a criação e o fortalecimento de comissões da verdade para que os crimes cometidos por ditaduras não sejam esquecidos nem repetidos. Ramonet definiu o direito à memória como um novo direito humano, que precisa ser respeitado e garantido às vítimas e à sociedade. Ramonet participou na sexta-feira (27) do debate Direitos Humanos, Memória e Justiça, em sessão especial
do Fórum Social Temático (FST) e do Fórum Mundial de Educação, que ocorrem em Porto Alegre. “O relato do sofrimento e da resistência é indispensável para que novas gerações conheçam melhor o que se passou. Para que a memória não se degrade, é necessário que seja exercida em relação direta com o presente. É a única maneira de evitar a impunidade e de evitar que o horror se repita”, disse o espanhol, que atualmente coordena a Associação Me-
mórias das Lutas, com sede na França. Para o sociólogo, o reconhecimento da memória tem que ir além de reparações individuais às vítimas e às famílias de vítimas e precisa tornar públicos os horrores praticados pelas ditaduras. Ramonet defendeu a criação de instrumentos que permitam que toda a sociedade tenha acesso ao que ocorreu, como a construção de monumentos, museus e e criação de datas nacionais de homenagem às vítimas.
País
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Exportação prejudicada Ineficiente e com os fretes cobrados pelas concessionárias de trens R$ 600 milhões acima do teto, a malha ferroviária usada para transportar toneladas de produtos de origem primária até os portos gera congestionamentos e atrasos
S
e as exportações de “commodities” brasileiras brilharam e turbinaram as contas externas do país desde 2000, a infraestrutura logística está longe de ter acompanhado o mesmo ritmo. Manteve-se cara e ineficiente. Nesse período, o país aumentou em 384% a quantidade de toneladas que circulam e congestionam as rodovias, ferrovias e hidrovias em direção ao exterior. Mas o número de rodovias asfaltadas aumentou apenas 18% no período, enquanto as linhas de trem cresceram só 500 quilômetros. O país vem operando “no limite da gambiarra”, segundo o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. “O país está diante da possibilidade de um apagão logístico. Mas a logística não pode ser vista só pela lógica da obra e sim pelo desempenho do transporte. Não se resolve o problema logístico transigindo com a boa forma de fazer. Chegamos ao limite da gambiarra”, disse ele. Dados inéditos mostram que os fretes cobrados pelas concessionárias de trens estão R$ 600 milhões acima do teto que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) considera razoável, segundo a proposta a revisão tarifária que está em consulta pública.
DIVULGAÇÃO
O país aumentou em 384% a quantidade de toneladas que circulam e congestionam as rodovias, ferrovias e hidrovias em direção aos portos internacionais
Infraestrutura sem tecnologia Hoje, um trem leva 88,41 horas do Alto Araguaia até Santos. Mas cada vagão leva em média 28,9 horas no porto para descarregar. Sem o ferroanel em São Paulo, os trens precisam diminuir a velocidade de 30 a 40 quilômetros por hora para 5 quilômetros por hora. Levam um dia para
atravessar a capital paulista, em vez de contorná-la. A falta de concorrência no transporte ferroviário é o principal problema do setor, segundo técnicos do governo. O fato de as malhas de trem disponíveis no país estarem concentradas na mão de poucas empresas contribui
para aumentar a burocracia e deixar os custos elevados para exportadores. Um exemplo do efeito nefasto da concentração é que as concessionárias fazem de tudo para evitar que concorrentes utilizem seus trilhos. Em Santos, a MRS detém o acesso até o porto, mas a ALL é responsável pela linha
lá dentro. A Vale — dona das malhas Vitória-Minas Gerais, Centro Atlântica, Carajás e sócia da concessionária MRS — por exemplo, terá que reduzir em 69% sua tarifa em Carajás. Para o presidente da Associação dos Usuários de Trens de Carga (Anut), José Baldez, as concessionárias
se apropriaram dos ganhos de produtividade do país nos últimos 15 anos, ao pressionar o “custo-Brasil”. Não há trens suficientes até os terminais do porto de Santos, diz o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
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Mundo
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Alerta para altos níveis de desemprego no mundo O planeta precisa gerar mais de 600 milhões de empregos em dez anos para recuperar níveis pré-crise, afirma Organização Internacional do Trabalho
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mundo precisará criar 600 milhões de empregos na próxima década. O alerta foi feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório divulgado na última semana, intitulado Tendências Mundiais de Emprego 2012. O documento alerta para o fato de que não haverá alterações significativas nas taxas de desemprego em todo o mundo, nos próximos quatro anos. A estimativa é que, neste ano, o número de desempregados atinja 200 milhões e, até 2016 esse número poderá alcançar os 206 milhões. Caso o cenário econômico tenha uma piora até o fim deste ano, o número de desempregados em todo o mundo poderá atingir mais de 204 milhões e, em 2013, mantendo-se o mesmo cenário, esse número poderá chegar a 209 milhões. Em 2011, de acordo com o documento, o número de jovens desempregados entre 15 e 24 anos chegou aos 74,8 milhões, isso significa um aumento de mais de 4 milhões desde 2007. O relatório diz que 6,4 milhões de jovens perderam a esperança de encontrar um emprego e deixaram o mercado de
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trabalho. Aqueles que estão empregados, na maioria, trabalham em postos de meio período ou estão submetidos a contratos temporários. Segundo a OIT, o número de pessoas empregadas sofreu uma queda entre 2007 e 2010. A taxa de pessoas empregadas em 2007 no mundo todo era 61,2% e, em 2010, caiu para 60,2%, o maior declínio desde 1991. A OIT diz que as projeções para os próximos anos não são boas e é possível que em 2013 seja registrada uma taxa ainda menor do que a de 2010. A organização aponta ainda que, mesmo no melhor cenário, as taxas de criação de empregos não serão suficientes para trazer um aumento significativo dos níveis de emprego. Ainda de acordo com o relatório, as perspectivas econômicas mundiais são incertas e os níveis de investimento em todo o mundo têm sido desiguais. Nas economias avançadas e na Europa Oriental, os problemas financeiros não foram resolvidos e há altos níveis de incerteza sobre as perspectivas globais. Além disso, há uma menor propensão das famílias ao consumo, o que tem retardado a recuperação dos investimentos empresariais.
O número de desempregados poderá atingir 204 milhões
Soluções para a economia A OIT estima que o fortalecimento dos incentivos econômicos pode gerar uma recuperação mais rápida e que um crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, traduzido em valores nominais de US$ 1,2 bilhão, é necessário para absorver a lacuna de empregos criada pela crise financeira. A OIT acredita que, para
lidar com a recessão prolongada criada pela crise financeira internacional e colocar a economia mundial em um caminho sustentável é necessária uma mudança nas políticas públicas. Segundo a entidade, as políticas promovidas no período da crise, de financiamento do déficit público, e a flexibilização monetária não são eficientes.
ESPAÇO
Rússia tem planos de mandar homem à Lua As atenções da Rússia estão voltadas para a Lua. O país pretende mandar três missões não tripuladas ao satélite e, tempos depois, pousar na superfície lunar em uma nave tripulada. A afirmação foi feita pelo diretor-geral do consórcio aeroespacial Lavochkin, Victor Khartov. “Existe no mundo um renascimento do interesse pela Lua. A Rússia também tem projetos nesse sentido. Já foram escolhidos os locais para a aterrissagem das duas primeiras missões: os polos norte e sul do satélite”, disse Khartov, citado pela agência Interfax. Segundo ele, as duas primeiras missões não tripuladas - batizadas de Luna Resurs e Luna Glob - são a repetição dos passos que já foram dados no passado, nos tempos da então União Soviética. Khartov diz que as experiências adquiridas nesse período acabaram se perdendo, mas devem ser retomadas. O projeto Lunas-Resurs será executado em conjunto com a Índia, que irá fornecer à missão o foguete portador e o veículo lunar que será depositado na superfície da Lua por um módulo fabricado pela Rússia. Já o Luna-Glob será feito exclusivamente pelos rus-
sos. O projeto prevê o lançamento e aterrissagem de um aparelho que, uma vez no terreno, recolherá amostras de pó lunar Isso também será feito pela terceira missão, chamada de Luna-Grunt. Mas, ao contrário de sua antecessora, essa “irá trazer amostras de terra lunar de maneira seletiva”, disse o cientista russo. Assim que todas as mis-
PRIMEIRAS
As duas primeiras missões não tripuladas - batizadas de Luna Resurs e Luna Glob - são a repetição dos passos que já foram dados no passado, nos tempos da então União Soviética sões não tripuladas forem concluídas, a indústria aeroespacial russa dará início aos preparativos para enviar uma nave tripulada ao satélite. “Para isso, primeiro deve ser preparada a infraestrutura. O tempo das visitas passou”, disse Khartov em alusão à missão americana de 1969, acrescentando que “é preciso se apressar e completar as funções concretas”.
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
diadia@emtempo.com.br
MÁRIO OLIVEIRA
População investe em segurança (92) 3090-1041
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O mundo tem a cor que você
enxergar Tudo visto em preto e branco ou com as cores de objetos invertidas. É assim que as pessoas portadoras do daltonismo encaram o dia a dia LUCAS PRATA Equipe EM TEMPO
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á 23 anos com a consciência de que o mundo dele não tem as mesmas cores do mundo das pessoas ao redor. Essa é a realidde do engenheiro civil Jackson Veloso, 43. Ele é daltônico, ou seja, possui um distúrbio que não permite ao portador enxergar as cores como elas realmente são ou, simplesmente não distinguir uma cor da outra. No caso dele, é preciso conviver com a troca de cores. Jackson diz ter descoberto que tinha a doença quando foi renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Durante o teste psicotécnico, ele não conseguiu enxergar a numeração da página. “Fui então ao oſtalmologista e ele diagnosticou nível leve da doença”, explica. Segundo ele, as cores mais escuras são as mais prejudicadas pela doença. Nem sempre ele consegue distingui-las. Já o verde e o vermelho são trocados com frequência. Isso já o rendeu
episódios unusitadas. Jackson lembra que, certa vez, quando ainda estava na faculdade, um amigo perguntou se ele não iria copiar o que estava no quadro da sala de aula. Na ocasião, ele reagiu perguntando se havia alguma coisa escrita, porque ele não estava vendo nada. “Mas nunca sofri preconceito por causa da doença. Vivo uma vida normal, já que não existe nenhum tratamento para a doença”, esclarece. A doença O daltonismo é uma doença que, geralmente, é de origem genética e prejudica a percepção das tonalidades. A doença possui dois níveis. O primeiro consiste na dificuldade de distinguir cores primárias, como vermelho e o verde (deutanóptico) ou, até mesmo, ver tudo em preto e branco (tritanóptico). Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor em medicina Jacob Cohen, o sentido da visão corresponde há fenômenos. Um deles chama-se acuidade, ou seja, quando a pessoa focaliza um
objeto em um campo visual, mesmo que não queira ver. O daltonismo é outro fenômeno. A doença altera a visão das cores e as responsáveis por essas mudanças são as células que ficam no sistema nervoso central. “Essas alterações ocorrem quando as células do nervo óptico, chamadas de fotorreceptores, são alteradas. Elas são de dois tipos: cones (onde se enxergam as cores) e bastonetes, que são as visões em preto e branco”, explica. Não existe cura para o daltonismo. O sexo masculino tem maior probabilidade de adquirir. Para os casos, existe apenas tratamento, ou seja, uma reeducação do paciente. “A pessoa que dirige, por exemplo, é alertada que em um semáforo o verde fica embaixo e o vermelho em cima. Ao perceber que um dos dois brilha, ele sabe se é para seguir ou parar. O homem daltônico também não deve casar com uma mulher daltônica. Caso contrário, a probabilidade dos filhos nascerem com o mesmo problema é grande”, comenta.
Tabelas para detectar o problema O daltonismo pode ser descoberto por meio de tabelas como a do pesquisador e doutor Shinobu Ishihara, feitas sobre a base de uma mescla de manchas de diferentes cores. Nelas, as pessoas que têm o distúrbio veem números diferentes dos que estão realmente expostos na tabela. O químico inglês John Dalton foi quem descobriu a doença no século 18. Ele possuía o distúrbio e acabou doando seu nome para a doença. Em seus estudos, Dalton descobriu que o daltonismo é ligado ao cromossomo “X”. Depois de vários estudos, ele concluiu que os homens são os mais vulneráveis à doença.
Teste se você é daltônico
O daltônico não enxerga os números 25, 45, 6 e 56
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Dia a dia
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Filas vencem a internet e seguem favoritas do cliente Mesmo com atendimento pela internet, população admite desconfiar do serviço e prefere encarar filas para resolver pendência GIOVANNA CONSENTINI DIVULGAÇÃO
WILLIAM GASPAR Equipe EM TEMPO
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esmo “munida” de muitas reclamações quando o assunto são as enormes filas que têm de ser enfrentadas para resolver problemas em órgãos públicos e empresas prestadoras de serviço, a maioria da população parece estar acostumada à rotina e ignora ou até mesmo desconhece a forma de evitar o transtorno: o atendimento via internet. Apesar de esse tipo de serviço ser disponibilizado, algumas pessoas ainda têm receio de utilizar os benefícios que a tecnologia proporciona. Outras, porém, alegam dificuldades em realizar serviços pela internet devido à lentidão da inclusão digital, que ainda aflige o Amazonas. Apesar das facilidades disponíveis na internet — como a segunda via de contas, o detalhamento de fatura e até acesso à documentação de veículos —, muitos continuam lotando Postos de Atendimento ao Cidadão (PACs) e sedes públicas para resolver pendências burocráticas ou solicitar algum tipo de documento. Para a presidente do Departamento Estadual de Trânsito no Amazonas (Detran-AM), Mônica Melo, falta confiança e hábito entre os populares, de buscar soluções por meio do computador. “O público ainda não está familiarizado com essa forma de resolver as coisas. Por isso ainda existe muita rejeição”, diz. Segundo ela, o órgão prepara uma campanha para a popularização de tudo o que pode ser feito no site oficial do Detran, com o objetivo de mostrar as facilidades do sistema de acesso ao público, incentivando a utilização da ferramenta.
Questão cultural A Águas do Amazonas também tem espaço na internet para atender à população. O diretor-técnico institucional da empresa, Arlindo Sales, explica que, desde 2011, os trabalhos nesse sentido foram intensificados. Mas Sales diz ainda ser necessária uma reeducação cultural, para que sejam colhidos resultados mais concretos. “Todos têm que se habituar culturalmente. Os principais problemas podem ser resolvidos em nosso site”.
Quem acostuma, recorre sempre aos serviços on-line
Lentidão afasta população Mesmo com investimento das prestadoras de serviço nas ferramentas via internet, Raimunda Rodrigues, 65, admite não conseguir usar a maioria dos recursos oferecidos. Segundo ela, as páginas dos sites das instituições apresentam muitos problemas. “Mando meus filhos tirarem a segunda via da minha fatura de energia todo o mês, já que não chega pelos Correios. Mas sempre preciso vir ao PAC, porque nunca funciona”, declara. De acordo com a dona de casa, por morar em uma área de difícil acesso, as correspondências não chegam à casa dela e é comum que todos necessitem de um atendimento diferenciado, pessoalmente. “Na minha casa é raro chegarem minhas contas ou qualquer outra coisa. Por isso sempre procuro os meios alternativos”, justifica, ao ressaltar que o pior atendimento é o da Eletrobras Amazonas Energia, que tem poucos Mesmo consciente da existência de atendimento on-line, a população prefere enfrentar filas
atendentes. “Ficam uma ou duas pessoas para atender várias pessoas. Atrasa toda nossa programação”, reclama. A comerciante Maria da Conceição, 53, também procura, constantemente, unidades do PAC para solucionar problemas com contas não entregues em sua casa. Ela admite não ter familiaridade com computadores e, na maioria das vezes, desconhece o fato de poder solicitar uma nova fatura pelo atendimento interativo. “Não sei usar esses aparelhos ainda. Também não sabia que podia tirar essas cópias, senão iria a uma lan house”, declarou. Segundo a assessoria de imprensa da fornecedora de energia elétrica, além dos postos e do atendimento digital, existem os canais virtuais “chat” e “fale conosco”, disponíveis para quaisquer solicitações dos consumidores. Como alternativa para evitar longas filas, a empresa disponibiliza os Terminais de Autosserviço (TAS).
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É dentro das ambulâncias que os profissionais da saúde lutam para salvar vidas
CHAMADOS
42,4 MIL
atendimentos foram registrados pelo Samu no ano passado
Marcas de quem vive para salvar a vida do próximo Diariamente atendendo chamados de socorro, funcionários do Samu acumulam histórias que nem sempre têm final feliz MÔNICA FIGUEIREDO Equipe EM TEMPO
E
“A criança via a mãe fazer tudo. Desde quando ela ainda estava grávida, acompanhou tudo. Quando o bebê nasceu, ela a via amamentá-lo, trocar a roupa e sentia vontade de fazer o mesmo. Foi quando o bebê adoeceu e foi levado para o hospital, sendo separado da irmã”, explica. Certo dia, quando o bebê já estava em casa, recuperado, a mãe das crianças o arrumou com uma roupinha do tipo “mijão” e o deixou na cama enquanto preparava o almoço. Ao voltar, viu que a filha mais velha tinha tentado trocar a roupa do bebê, mas ao fazer isso, tinha esmagado o tórax da criança, deixando-a sem ar,
RELATO
O médico Daniel Sérgio não consegue esquecer do dia em que teve que acompanhar o desespero de uma mãe ao ver o seu bebê, acidentalmente morto por sua outra filha, de apenas 4 anos o que a levou à morte. “Cheguei e o bebê ainda estava com a roupinha metade tirada. Lembro do desespero da mãe gritando e a menina olhando tudo aquilo na inocência, sem saber o que tinha acontecido. FOTOS: GIOVANNA CONSENTINI
m 2011, eles foram responsáveis por 42,4 mil atendimentos nas ruas de Manaus e comunidades rurais próximas à cidade. Foram acidentes de trânsito, tragédias, agressões físicas, assassinatos, entre outras ocorrências que exigem o máximo de dedicação, amor e profissionalismo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) completa seis anos de atuação em Manaus em fevereiro e profissionais das unidades, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagens e condutores que, diariamen-
te, têm a missão de salvar vidas acumulam e relatam experiências marcantes. O médico Daniel Sérgio Siqueira, 39, é um deles. Há pouco mais de um ano, ele ingressou no Samu Manaus. Nesse período, uma das cenas que mais o marcou foi a morte de um bebê recémnascido. A cena de um casal chorando a perda de uma criança ficou na memória dele, que também é pai. Tudo aconteceu quando o médico se dirigiu até a casa de um casal para tentar socorrer um bebê prematuro. Segundo Siqueira, o casal possuía uma filha de 4 anos de idade que não saía de perto do irmão.
Equipe do Samu se diz satisfeita em receber os agradecimentos de pessoas salvas por ela
Eu como pai, me emociono. Mas fica o conselho de nunca deixar uma criança sozinha com outra”, ressalta. O último suspiro Há cinco anos no Samu, a enfermeira Elen Assunção, 40, disse que, diariamente, lida com vítimas de politraumas, armas de fogo e branca. Entre os casos que a marcaram, ela destaca o de uma vítima de arma de fogo que tinha levado quatro tiros, que o atingiram no rosto, braço e abdômen. O Samu foi acionado e, ao chegar ao local, populares já estavam reunidos ao redor do homem. “Cheguei a tempo de ouvir um último suspiro. Nós
o colocamos na ambulância e o levamos diretamente para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde ele ficou internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)”. Após um período, a equipe que fez o atendimento recebeu a informação de que a pessoa atingida tinha sobrevivido. “Isso tinha acontecido na Compensa, perto da base onde trabalhava. É gratificante termos retorno”, frisa Elen. De acordo com o coordenador do Samu, Ruy Abrahim, apesar de pequeno, há pacientes que são atendidos e voltam para agradecer. “Temos o cadastro deles. Eles agradecem e dão seus depoimentos”.
Mulher no comando da moto Em uma equipe de 16 pessoas, Letícia Fonseca, 30, é a única mulher a pilotar uma moto, mesmo assim, ela não é uma condutora qualquer. Ela conduz a “motolância” do Samu, que tem como principal objetivo dar mais agilidade aos atendimentos chegando ao local antes da ambulância. Letícia é técnica de enfermagem e está no Samu há nove meses. Segundo ela, uma mulher dirigindo uma moto chama muita atenção. Ela explica que, além de causar surpresa, ainda gera desentendimentos devido à desinformação da população. “Quando eu chego de moto eles dizem: “Eu chamei ambulância e não você”. Muita gente não sabe que o Samu tem moto”. Entre os episódios marcantes durante o horário de trabalho, ela destacou o assassinato de uma mulher
no centro de Manaus. A vítima havia levado tiros e a população que presenciou o crime achou que ela tivesse morrido ainda no local. Os presentes cobriram en-
A polícia estava no local e o povo aplaudiu quando eu cheguei. Retirei o saco plástico e vi que ela ainda estava viva Letícia Fonseca, condutora da “motolância”
tão, o corpo da jovem com sacos e papelão. “Cheguei primeiro que a ambulância. A polícia já estava no local e o povo aplaudiu quando eu cheguei. Retirei o saco
e vi que ela ainda estava viva. Levamos para a ambulância, tentamos salvála, mas após algum tempo, não conseguimos”. Aos 45 anos, Júlio César B. Rodrigues atua como condutor do Samu do suporte avançado. Ele lembra do caso de um jovem que foi baleado durante uma tentativa de assalto a um posto de combustíveis. “Era um domingo, o infrator era um menor. Quando chegamos, ele estava agonizando. Conseguimos reverter a situação. Lembro que utilizamos dez frascos de soro. Ele foi levado para o hospital. A polícia acompanhou todo o processo. Lembro que levei sete minutos para sair do Lírio do Vale até o Hospital 28 de Agosto. Fiquei sabendo, depois, que ele sobreviveu”. Os condutores são socorristas e treinados para esse tipo de ação.
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‘Clandestinos’ arriscam a segurança das crianças Detran-AM e empresas regularizadas alertam para o perigo de optar por condução escolar sem o preparo específico SEBASTIÃO MOREIRA/AE
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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á 12 anos, a rotina do casal Francinete e Valmir Silva é a mesma. Sair de casa por volta das 5h30 e transportar crianças de mais de oito bairros da Zona Leste até a escola. À frente de uma empresa de transporte escolar, os proprietários orgulham-se em falar do compromisso com o ofício, seguindo as normas previstas pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). A empresa é uma das 82 legalizadas pelo Detran e a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU). A fim de formar futuros condutores, o departamento estendeu até amanhã as inscrições para o curso de condução escolar. Segundo a diretora-geral do Detran, Mônica Melo, serão disponibilizadas 60 vagas para o curso de 50 horas, em que serão ensinadas Legislação de Trânsito, Direção Defensiva, Convívio Social, Meio Ambiente e Primeiros Socorros. “Fazemos o alerta aos pais para que procurem verificar a pessoa contratada, para evitar clandestinos. Muitas vezes o mais barato não é o melhor. É preciso cuidar da segurança das crianças”, alerta. A competição com os “condutores clandestinos” também foi citada pela empresária Francinete. Ela revelou que, por R$ 20 a menos, eles acabam conquistando os clientes. “Isso prejudica e entristece o trabalho. Não adianta fazer propaganda. Os pais são os únicos responsáveis porque contratam motoristas sem especialização para economizar. Nessa área os clandestinos fazem muita concorrência e não vemos a fiscalização agir”, disse. Segundo a diretora do Detran-AM, a fiscalização é responsabilidade da SMTU. O superintendente da SMTU, Marcos Cavalcante, afirmou que o instituto faz campanha de conscientização para os pais buscarem profissionais legalizados. A multa para quem for flagrado por transporte ilegal é de R$ 2.056 e a reincidência custa o dobro. “Pedimos aos pais e as escolas para não contratarem pessoas não habilitadas. Eles podem estar expondo as crianças a pedófilos e oportunistas”.
Curso para habilitação da condução Para participar do curso o condutor precisa ter habilitação “D”, ter no mínimo 21 anos e não possuir infrações graves ou gravíssimas. Para a matrícula é preciso apresentar original e cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do comprovante de residência, além de efetuar o pagamento da taxa de R$ 84.
Conduções escolares precisam estar devidamente regularizadas junto aos órgãos de trânsito responsáveis. Clandestinidade pode resultar em multas
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Protejam-se se puderem Diante da “onda” de violência vivida na capital amazonense, é cada vez maior o número de pessoas que recorrem a instalação de câmeras, cercas eletrônicas, arames farpados, entre outros, para garantir a segurança da família IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO
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asta dar uma volta por alguns bairros de Manaus para constatar a presença de equipamentos de segurança eletrônica em muitas casas. Seja com câmeras de vigilância, alarmes, cercas elétricas e afins, a prática corriqueira entre comerciantes e empresários, é cada vez mais utilizada pela população com o objetivo de evitar e intimidar a ação de criminosos. A instalação desses artefatos cresce devido a constantes ocorrências policiais envolvendo os mais diversos tipos de crime. Para algumas pessoas, a medida muitas vezes não impede a atuação dos bandidos, mas pode ajudar na intimidação e identificação, caso os assaltantes persistam e invadam a casa. Por isso, muitas pessoas, sejam de bairros periféricos ou de conjuntos habitacionais, optam por gastar, por conta própria ou por meio de empresas especializadas, cerca de R$ 5 mil para deixar a casa “segura”. A engenheira elétrica Gilmara de Araújo, 37, apesar de nunca ter vivenciado a ação de assaltantes, decidiu instalar um sistema de vigilância em sua casa, localizada no conjunto Jardim Versales, no Planalto, Zona Centro-Oeste. Por medida de segurança, ela
explica que tomou a atitude porque muitos vizinhos já foram vítimas de assaltos. No local, ela instalou um sistema de monitoramento por câmeras nas partes interna e externa da casa, além de colocar cerca elétrica em toda a extensão do muro. Mesmo não apostando que isso possa evitar a ação dos bandidos, ela fala que a medida ajuda a inibir o ato. “Muitos deles, quando vi-
CUSTOS
Moradores gastam até R$ 7 mil para instalar equipamentos de segurança. Eles apostam que, mesmo não evitando assaltos, os aparelhos assustam ou permitem a identificação dos bandidos rem uma câmera, podem ficar assustados e desistir. Isso depende muito do tipo de assaltante, pois alguns acabam agindo mesmo assim”, fala. Como tem conhecimento na área, ela mesma comprou os equipamentos e fez a instalação. Para Gilmara, é um investimento que vale a pena. “Gastei cerca de R$ 2 mil para fazer o serviço por conta própria. Estou até programando colocar um sistema na casa dos meus pais também, para que eles se sintam seguros”.
Instalação apenas inibe ação de bandidos Assim como Gilmara Araújo, a técnica contábil Carla Miranda, 40, decidiu e instalou, há pouco mais de um ano, um sistema de alarme na sua casa, localizada em um conjunto no bairro de Flores, Zona Centro-Sul. “Em 2008, minha casa foi assaltada. Mas como esse e
outros tipos de ação criminosa têm crescido na capital amazonense, resolvi fazer isso como medida preventiva, já que tem horário em que ninguém está em casa. Monitoro tudo pelo aparelho celular e só não coloquei cerca elétrica porque no condomínio onde moro contra-
taram vigilantes”, diz. Carla Miranda paga cerca de R$ 100 pelo serviço de manutenção. Ela também disse não acreditar que o equipamento possa impedir a ação dos bandidos nas casas que possuem esse tipo de segurança, mas que pode ajudar a identificá-los caso
o crime aconteça. “Isso só inibe a ação deles, mas pelo menos você tem a quem recorrer. A gente paga para uma empresa fazer o serviço, então, em parte eles são responsabilizados se assaltantes conseguirem entrar na minha casa para fazer qualque coisa”, ressalta.
Procura pelo serviço tem aumentado Em algumas empresas especializadas na instalação de equipamentos de segurança, a procura tem aumentado bastante nos últimos meses. É o caso da 3D Alarme, conforme informou a assistente comercial Patrícia Carvalho. “A demanda aumentou bastante. Principalmente agora, neste período de férias, quando as pessoas deixam a casa sem ninguém. Nós fazemos o serviço em empresas e comércios também, mas a demanda está maior para moradias”, explica. De acordo com Carvalho, são cerca de oito pedidos de visitas locais diariamente. Muitas vezes, segundo ela, as pessoas procuram a empresa quando já foram vítimas de algum tipo de ação de bandidos. Os equipamentos de vigilância e segurança eletrônica são instalados de acordo com o cliente, isso porque existem vários tipos de programas de monitoramento. A medida pode custar de R$ 5 mil a R$ 7 mil, no caso de um sistema completo. A manutenção e o monitoramento residencial variam em torno de R$ 200 a R$ 300 por mês.
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MANAUS, DOMINGO, 29 DE JANEIRO DE 2012
Cerca de 200 denúncias de racismo dentro de 2 anos
Vítimas de racismo e discriminação têm entre 35 e 64 anos e moram nas zonas Leste e Norte da capital amazonense ARQUIVO EM TEMPO/FRANCISCO ARAUJO
NILSON BELÉM Equipe EM TEMPO
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Os indígenas estão entre os mais ofendidos por conta da raça, na capital amazonense
elo menos 254 pessoas foram vítimas de racismo ou discriminação em Manaus nos últimos dois anos, segundo estatística da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSPAM), divulgada na última sexta-feira (27). Os dados mostram que a maioria das vítimas tem entre 35 e 64 anos e mora nas zonas Leste e Norte da cidade. Os casos mais comuns, segundo delegados da Polícia Civil, são os que envolvem pessoas com traços indígenas e negras. O crime de racismo é definido pela lei federal 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que estabelece as punições para os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. O tema também é citado no artigo 5º da Constituição Federal, que considera a prática do racismo um crime inafiançável e imprescritível, além de sujeitar o infrator à
pena de reclusão. Para o delegado e coordenador da Polícia Civil na Zona Norte de Manaus, João Ferreira Neto, muitas pessoas confundem o crime de racismo com casos de injúria, que geralmente ocorrem em discussões “acaloradas”. Pela lei, o racismo se dá quando, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, alguém sofre algum tipo de restrição como, por exemplo, ser impedido de entrar em locais públicos ou privados, conseguir emprego ou promoção funcional ou, ainda, ter tratamento diferenciado no ambiente de trabalho. A pena para o crime pode chegar a cinco anos de prisão. João Neto esclarece, ainda, que grande parte dos casos de racismo registrados em Manaus acaba se configurando, ao final das investigações, como crime de injúria. Quem cometer o crime, segundo a legislação, pode ser condenado a três anos de reclusão, além de multa. O delegado ressalta, também, que o cidadão que se sentir ofendido deve procurar uma delegacia para registrar o fato. Na maioria das vezes, a vítima já faz a indicação do autor.
Caso de injúria em clínica Na última terça-feira, a dona de casa L.M.V., 41, registrou denúncia após ser chamada por uma mulher de “ticuna”, dentro de uma clínica na rua Tapajós, Centro. L.M. conta que pediu para utilizar o banheiro do local, mas, em seguida, uma das clientes, ainda não identificada, começou a chamá-la repetidamente, e em voz alta, de “ticuna”, referindo-se a uma das tribos indígenas que habita o Norte do país. O caso foi parar no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Praça 14, Zona Sul, e segundo o delegado Jorge Carlos Pontes Teixeira, responsável pelo inquérito, as imagens da clínica foram solicitadas para que o reconhecimento da mulher fosse feito.
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Uniforme escolar gratuito amenizaria ‘peso’ no bolso IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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pesar de estarem acostumados com a rotina de início de ano, de dedicar tempo e dinheiro na compra do material escolar da garotada, qual pai não se surpreende com o valor total das compras? A surpresa não é menor para quem opta em matricular o filho em escola pública, onde o valor dos uniformes pode variar de R$ 60 a R$ 400, dependendo da instituição. Camisa diária, short saia, calça social, blusa de educação física com o símbolo da instituição bordado, boina, cinto de gala, divisa da série, túnica, muitas são as indumentárias exigidas aos alunos que estudam nos colégios públicos administrados pela Polícia Militar. “Já gastei mais de R$ 200 comprando duas calças, blusa, jaqueta e tênis. O preço do uniforme, somado ao material escolar pesa muito no orçamento. A gente tem que fazer uma reserva durante o ano, caso contrário, meu filho não estuda”, disse a mãe de um aluno, que preferiu não se identificar. Ela conta que chegou a
gastar aproximadamente R$ 2,5 mil com material escolar e uniforme no início do ano. Mas revela que não mede esforços para oportunizar uma educação de qualidade para sua filha. “Tem seu lado positivo. O ensino oferecido pelo colégio é muito bom. É uma escola de referência”, alega. Para diminuir o espanto dos pais com a conta de uniforme escolar dos filhos, o deputado estadual Marcelo Ramos criou o projeto de lei (PL) que visa, entre outros pontos, desobrigar o uso de fardamentos escolares nas instituições públicas de ensino que não os distribuem gratuitamente. O deputado defende que, tanto as escolas estaduais quanto as administradas por militares, devem deixar de cobrar pelo fardamento. “Recebi muitas reclamações de pais que são obrigados a comprar a farda. Se é escola pública, elas têm de dar o fardamento”. “Quando o pai submete o filho aos testes e avaliações, submete às regras do colégio, que segue resolução aprovada pela Seduc”, explicou o diretor do colégio da Polícia Militar Centro de Educação de Tempo Integral Marcantônio Vilaça, tenente Fábio Pacheco.
GIOVANNA CONSENTINI
Projeto de lei sugere que fardamento escolar seja dado gratuitamente por escolas públicas da capital amazonense
Lojas especializadas em confecção de fardas são frequentemente procuradas por estudantes
Maioria decide por fardamento Segundo informações repassadas pela Seduc, a farda é distribuída gratuitamente para todas as escolas estaduais do Estado. Porém, na maioria das instituições os alunos preferem criar e arcar com um fardamento exclusivo. De acordo com a
diretora do Departamento de Gestão Escolar da secretaria, professora Maria do Carmo Castelo Branco, tudo é pré-acordado com os pais e responsáveis dos estudantes. “O governo do Estado compra o fardamento para as escolas, mas em algumas
existe o fardamento diferenciado por reivindicação dos próprios alunos. A orientação dada aos gestores é que realizem assembleia com os pais dos alunos e registrem em ata, com a assinatura de todos. Se a maioria aderir, a escola ganha fardamento”.
Orgulho por farda individual A professora observa que os alunos demonstram orgulho pela farda criada com um design escolhido por eles. “Eles têm orgulho de usar o fardamento diferenciado. Os alunos criam, manda-se a cópia da ata com a aprovação dos pais e verificamos se o modelo é adequado”, explica. No mercado de Manaus, existem duas lojas muito procuradas por estudantes. Há 20 anos no mercado, o empresário Luciano Olivarez conta que é procurado para confeccionar os modelos desenhados pelos alunos e chega a atender cem pais por dia. “Eles não gostam do uniforme doado pelo Estado e criam o próprio modelo”.
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