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EM TEMPO - 27 de outubro de 2013

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.165 – DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

IONE MORENO

CUIABÁ

DIVULGAÇÃO

Incêndio atinge Arena Pantanal

Na manhã deste sábado, mais médicos estrangeiros desembarcaram no aeroporto de Ponta Pelada para atuar no Amazonas, incluindo a capital

AMAZONAS RECEBE

Um incêndio atingiu a área interna da Arena Pantanal, comprometendo ainda mais a entrega da obra. Última Hora A2

MAIS MÉDICOS

MANIPULAÇÃO

O poder da mensagem subliminar

PRODUÇÃO

O salto da piaçaba

RICARDO OLIVEIRA

CINQUENTA E OITO PROFISSIONAIS DO PROGRAMA FEDERAL “MAIS MÉDICOS” DESEMBARCARAM ONTEM, EM MANAUS. MAIS 55 SÃO AGUARDADOS NA MANHÃ DESTE DOMINGO. DO TOTAL, 15 VÃO FICAR EM MANAUS, QUATRO NO DISTRITO SANITÁRIO ESPECIAL SAÚDE INDÍGENA (DSEI) E O RESTANTE EM 37 MUNICÍPIOS. ÚLTIMA HORA A2

Cinema, música, HQs, games e poesia estão incutidos de palavras que só o seu inconsciente é capaz de captar. Plateia D1

Com o tetracampeonato garantido do jovem Sebastian Vettel, a disputa agora é pelo segundo lugar na Fórmula 1. Pódio E8 DIVULGAÇÃO/VASCO

Até o final de 2014, os 551 produtores extrativistas de piaçaba do Estado vão ganhar mais subsídios. Economia B4

O homem do tetra

Duelo do desespero Na zona de rabaixamento, Ponte Preta e Vasco fazem o duelo dos ameaçados, hoje, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas. Pódio E6

Marc Jacobs muda rumo da moda O estilista Marc Jacobs (foto), que esteve 16 anos à frente da Louis Vuitton, decide criar o próprio império. Elenco 20

Textos sobre a vida de POLÊMICA filósofos e artistas devem ser encarados como uma reinterpretação de fatos, e não verdade absoluta, dizem especialistas. Ilustríssima G3

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS

O perigo do estresse no trabalho

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

HOJE É DOMINGO

O estresse no trabalho tem sido um problema recorrente e quando não há tratamento preventivo, pode virar doença. Saúde F8

TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

34

MÍN.:

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A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Programa envia mais 113 médicos para o Amazonas ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

M

ais 113 médicos do programa federal Mais Médicos devem chegar neste fim de semana, em Manaus. Na manhã de ontem (26), 58 do total foram recebidos pelo titular da Secretaria de Estado de Saúde, Wilson Alecrim, e pelo secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves, no aeroporto de Ponta Pelada, localizado no bairro São Lázaro, Zona Sul da capital. Os outros 55 devem chegar na manhã de hoje (27), no mesmo aeroporto. Do total de profissionais, 15 vão ficar em Manaus, quatro no distrito Sanitário Especial Saúde Indígena (Dsei) e o restante em 37 municípios. Durante uma semana, todos os 113 vão participar do curso de capacitação de nivelamento realizado pela Fundação de Medicina Tropical, juntamente com a Fundação de Vigilância Sanitária (FVS). O processo de capacitação tem o objetivo de focar nas doenças típicas da região amazônica. De acordo com o secretário Wilson Alecrim,

IONE MORENO

Ontem, 58 médicos desembarcaram na capital amazonense e hoje está prevista a chegada dos outros 55 médicos ao Estado esse tipo de preparo é fundamental para os profissionais se adaptarem com as situações típicas que os médicos locais encontram. “Nossa meta é preparar esses profissionais para que possam trabalhar com qualquer tipo de doença da nossa região, além dos tratamentos devidos para os casos de mordida de animais que são venenos e outras situações”, explicou. Processo No momento da chegada dos médicos, os dois secretários explicaram os detalhes dos estudos que os médicos vão passar durante toda a semana. O secretário Antônio Alves, no momento da chegada, detalhou para os profissionais a importância do trabalho que os médicos vão realizar principalmente aos que são voltados para o trabalho diário com as comunidades indígenas. Entre os médicos que chegaram na segunda remessa, estava Dayimi Voga, natural de Cuba, que há 18 anos vem contribuindo com a saúde em outros países. A médica contou que antes do Brasil, trabalhava diretamente em Venezuela, e detalhou a importância da abertura das portas do povo brasileiro.

Os profissionais da saúde, que fazem parte do Mais Médicos, atuarão em Manaus e em mais 37 municípios do Estado

ALEXANDRE FONSECA

BOI MANAUS

BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO

O público que compareceu a primeira noite do Boi Manaus 2013 – evento que comemora o aniversário da cidade –, na última sextafeira, dia 25, no Centro de Convenções (sambódromo), contou com um forte sistema de segurança segundo o representante da Polícia Militar (PM), coronel Araújo. As 120 mil pessoas, dado estimado pela própria PM, foram acompanhadas por 400 homens, além de um sistema interno de câmeras e uma central de denúncias montada no próprio espaço. Coronel Araújo afirma que todo o sistema implementado neste ano faz parte do processo de preparo para a Copa do Mundo de 2014.

“Tudo o que está sendo testado neste evento especificamente foi um pedido tanto do governo estadual quanto do municipal para avaliarmos o que precisa ser ajustado para o grande evento que acontece na cidade no próximo ano. Reunimos em um só lugar as forças armadas e órgãos que podem prestar suporte à população”. Polícia motorizada, a cavalo e na área interna e externa do sambódromo fizeram a segurança dos brincantes. “Outro grande diferencial deste ano, sem dúvida, é o Centro Integrado de Operações (Ciops) montado no local. Ou seja, todas as denúncias realizadas nas imediações do Centro de Convenções automaticamente serão recebidas dentro da festa para podermos

assim, prestar um rápido atendimento”, finaliza. Atrações Os bois manauenses CorreCampo e Garanhão foram os responsáveis por abrir a primeira noite do Boi Manaus 2013. A festa, que conta com a apresentação dos artistas em cima de um trio elétrico, teve ainda Carlos Batata, Prince do Boi, Canto da Mata, Carlinhos do Boi, Júnior Paulain e Marujada de Guerra, David Assayag, Renato Freitas e Klinger Araújo. O evento deste ano buscou inovar em tecnologia. Telões de LED tanto ao longo do sambódromo quanto dos trios, canhões de luz e o som de alta qualidade fizeram parte da estrutura da comemoração do aniversário de Manaus.

Ontem, no primeiro dia das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a maioria dos inscritos chegou cedo nos locais das provas em Manaus. A aplicação seguiu o horário de Brasília, com a abertura dos portões às 10h no horário local, fechamento e início das provas às 11h. Mas ainda sim, alguns chegaram atrasados e encontraram os portões fechados. No centro da capital amazonense, que concentra grande parte das escolas estaduais e universidades particulares onde foram aplicadas as provas, a movimentação foi intensa na manhã deste sábado, deixando o trânsito lento – incomum para o dia de sábado. Por volta das 9h30, centenas de pessoas já aguardavam a abertura dos portões. Entre os candidatos, um grupo de adventistas também esperava a abertura dos portões no Instituto de

Educação do Amazonas (IEA), mas, por causa da religião, relataram que iniciariam a avaliação a partir das 18h. “Até lá, para passar o tempo, a gente fica revisando, lendo um pouco em uma sala, isolados. Levamos também um lanche para matar a fome”, disse Arley Souza, 34, que faz as provas do Enem pela segunda vez. Já Daniele Ferreira, 22, faz pela primeira vez o exame e disse ter ficado muito tensa nas últimas semanas antes do Enem. “É uma prova diferente do vestibular tradicional. Mas espero que de tudo certo porque me preparei mesmo”, disse. O comerciário Diego Roberto, 26, chegou a menos de um minuto do fechamento dos portões da escola estadual Fueth Paulo Mourão, no bairro São Jorge, Zona Oeste. Hoje, somente os candidatos que conseguiram fazer a primeira prova farão a segunda etapa do Enem. Em todo o Amazonas, 155,4 mil pessoas se inscreveram para fazer o exame. IONE MORENO

Evento é teste para a Copa

Incêndio atinge estádio

Candidatos ao Enem se adiantam em dia de prova LUCIANO FALBO Especial EM TEMPO

O Boi Manaus atraiu mais de 120 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Polícia Militar

PANTANAL

EXAME

Filas se formaram em frente às escolas da capital

Um dos estádios que mais preocupa a Fifa para a realização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, a Arena Pantanal, em Cuiabá, protagonizou momentos tensos na tarde da última sexta-feira. Um incêndio atingiu a área interna da construção e pode comprometer ainda mais a entrega da obra, prevista para dezembro deste ano. Segundo informações, o incêndio aconteceu no subsolo do estádio. Lá, havia materiais de placas de isopor que teriam pegado fogo e provocado o tumulto no canteiro de obras da Arena. Segundo a Secretária da Copa (Secopa) no Mato Grosso, os aparatos que foram incendiados seriam utilizados na cobertura do estádio, que, com isto, deve ter novo atraso na conclusão de suas obras. O incêndio começou por volta das 14h30 (de Brasília), e uma grande cortina de fumaça preta tomou conta da área, assustando os que passavam pelo local. De acordo com a secretária, o Corpo de Bombeiros foi chamado, e o fogo acabou controlado por volta de 15 minutos depois do ocorrido. Ainda não há registro de feridos. A Arena Pantanal é um dos estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014 com maior atraso. Segundo o último balanço, somente 85% das obras foram concluídas, e a construção não deve ser entregue no prazo pevisto (dezembro deste ano).


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Convivendo com velhas reprises Os entusiastas da criação de novos municípios – só no Amazonas projetam-se mais de 44 – precisam conter sua sede ao irem ao pote dos recursos federais; pois é isto que os motiva: atrair verbas federais para as “regiões abandonadas”. Antes de ser uma ilusão, é um engodo, porque nada garante que esse “abandono” signifique falta de verbas. O que o movimento não ousa revelar é que a criação de novos municípios significa a incompetência dos governos estaduais em gerir seus territórios. Quanto ao mapa do tesouro, é desolador saber que o Bolsa Família injeta mais recursos nas cidades “abandonadas” do que o Fundo de Participação dos Municípios. E o volume de recursos do programa social cresce em ritmo superior ao da verba do FPM, revela uma reportagem da agência “Folha”. “Com a iniciativa do governo de desonerar produtos como automóveis e eletrodomésticos, menos recursos foram destinados ao fundo”. Essa constatação reduz a mobilização por novos municípios (em alguns locais como o Estado do Amazonas tenta-se a divisão do território em ao menos três novas unidades federativas – Alto Solimões, Alto Rio Negro e Juruá-Purus) ao seu mais real objetivo: a hegemonia sobre novos currais eleitorais, que têm sido sustentáculo de muitos carreiristas da política. O Bolsa Família está incomodando prefeitos em todo o país, por um motivo simples: o dinheiro do programa de transferência de renda cai diretamente na conta das famílias beneficiadas, enquanto os recursos do FPM, composto pela receita de impostos como o IPI e o Imposto de Renda, entra no caixa da prefeitura e é usado basicamente para o custeio, com pagamento de funcionários. Novos municípios e novos partidos em direção aos cofres públicos. Velhas reprises. Até parece que é sério.

Os torpedos do general Está repercutindo até hoje, no resto do país, a entrevista do general Eduardo Villas Bôas, 61, do Comando Militar do Amazônia (CMA). Parte do que falou à “Folha de S.Paulo”, o general já tinha falado em entrevista ao EM TEMPO, publicada no dia 19 de maio de 2012. Entre os torpedos disparados por Villas Bôas, este foi o que mais repercutiu. Veja: — A Amazônia é como uma colônia do Brasil. Ela não está integrada ao país e, portanto, não há conhecimento de sua realidade e potencial.

Comissão da Verdade Provocado a falar sobre a Comissão da Verdade, que apura a violação dos direitos humanos na ditadura militar, o general foi político: — Cada militar tem uma opinião sobre isso. É um assunto sensível. Se a gente ficar expressando, traz prejuízo tanto para o Exército quanto para o governo federal. Longe do Brasil Sobre a indiferença do governo em relação à BR-319, um rodovia “que já existiu”, o general Villas Bôas bateu ainda mais pesado. — Manaus está conectada à Venezuela, mas não ao restante do Brasil. É extremamente difícil viabilizar a recuperação dessa rodovia, são forças que realmente têm capacidade de intervir e inibir isso. Omelete Segundo o general, o que acontece com a BR-319 tem a ver com o fundamentalismo ecológico. — Não se faz omelete sem quebrar o ovo, se vou lançar um gasoduto, alguma árvore vou derrubar. É uma visão pragmática. Boi seguro Nunca na história des-

se Boi Manaus houve tanta segurança. O governo do Amazonas mobilizou 1,3 mil servidores da segurança pública para o evento. A estratégia segue o mesmo padrão a ser executado durante a Copa do Mundo Fifa 2014. Estamos juntos A operação Boi Manaus foi resultado da ação integrada entre os órgãos das esferas estadual, municipal e federal. Paisagem urbana Uma boa dica para a Prefeitura de Manaus. Que tal abater o IPTU das casas comerciais do entorno do “Adolpho Lisboa” que pintarem suas fachadas, mantendo o estilo arquitetônico de quando foram construídas? Retoque Isso mudaria o visual da área e reconstruiria alguns prédios históricos da rua dos Barés que, como o mercadão, são do estilo belle epoque francês. Algumas dessas fachadas estão desbotadas, quebradas e com sérios problemas de infiltração. Mais violenta A taxa de homicídios no Brasil hoje coloca o país em sétimo lugar entre aqueles onde mais se

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

mata no mundo. São 27,1 mil mortes para cada 100 mil pessoas. Iraque brasileira Em Simões Filho, na Bahia, o índice de assassinatos (139 por 100 mil habitantes) é mais de duas vezes superior ao do Iraque no auge dos conflitos no país do Oriente Médio (64,9 mil mortes para cada 100 mil pessoas, entre 2004 e 2007). Um palanque Dilma já decidiu. Em 2014 não vai mais entrar naquela de subir em palanques de diferentes aliados em um mesmo Estado. Como solução, a petista fará em 2014 seus próprios comícios estaduais e vai convidar todos os candidatos a governador de siglas aliadas. Com Braga De acordo com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o PT está com disposição de apoiar o PMDB em vários Estados. O Amazonas, com Eduardo Braga é um deles, Falcão também citou o Estado do Pará, do Rio Grande do Norte, entre outros. — Não teremos nenhum problema em apoiar uma candidatura dialogada conosco.

VAIAS

General Villas Bôas

Charge

Abandono do Mestre Chico DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para o general Villas Bôas, do Comando Militar da Amazônia, pela coragem de colocar a nu a indiferença do governo federal em relação à Amazônia, na qual paira o olho gordo das grandes potências.

Para o estado de abandono em que se encontra o largo do Mestre Chico, urbanizado pelo programa Prosamim e que agora virou antro de drogados, vandalismo, pichadores e lixo. É lamentável que os logradouros públicos sejam resgatados, mas a própria comunidade não preserva.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Da poesia nossa de cada dia Este é, para nós brasileiros e para quantos mais funcionam em língua portuguesa, o ano de Vinicius de Moraes porque é o ano do seu centenário de nascimento, do poeta e não do “poetinha”, como dizem aqueles que pretendem mostrar alguma intimidade com o letrista, compositor, escritor, mas sobretudo poeta, já que a poesia inundou e dominou tudo o que ele fez na vida. A poesia de Vinicius sempre teve fácil acesso à sensibilidade das pessoas precisamente porque fala diretamente aos sentimentos e às emoções e diz de situações e experiências que nos são próximas e familiares porque fazem parte das vidas de todos nós. A ele não cabe o rótulo de poeta cerebral que se aplica, e talvez nem se justifique, a outros como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, e também ao nosso Luiz Bacellar. Vinicius casou nove vezes, além de outros envolvimentos não formalizados, o que, mais outros sinais inconfundíveis, levam à certeza de que ali estava um homem de paixões, como foi do seu próprio reconhecimento: “são demais os perigos desta vida para quem tem paixão”. Este foi o mote definitivo de Vinicius de Moraes. Sua poesia cantou o amor e as mulheres amadas, o que, para ele, eram uma única e mesma coisa. Assim se vê nos seus poemas, nos seus textos de prosa, nas letras das suas canções. Uma ou outra vez não falou do amor nem das mulheres, mas também nesses casos a emoção da paixão dominou o verbo. Foi o caso da inesquecível “Tonga da Mironga do Kabuletê”, cujo

significado, em algum dialeto africano, não se sabe precisamente qual seja, mas que claramente materializou a revolta do poeta e de Toquinho contra o governo dos generais. Porque cada poeta tem sua índole, sua poesia traz uma marca que a torna inconfundível. Um soneto de Vinicius terá sempre sua assinatura, ou seja, seu sinal, e jamais poderá se confundir com um soneto de Drummond, de Bandeira ou de qualquer outro porque ali pulula o próprio poetapessoa com todo o seu acervo íntimo de anseios, sonhos, frustrações e fantasmas. Do meu conhecimento, só um poeta não foi um, mas quatro e bem distintos. Esse foi Fernando Pessoa, também único e inconfundível em cada um dos quatro que foi. Quem sabe, exitosa fórmula para escapar da fragmentação esquizofrênica. Sem a pretensão de ter a competência para avaliar a qualificação poética das diversas línguas e também reconhecendo que grandes poetas apareceram nos mais variados idiomas, mesmo assim não posso deixar de me encantar com a sonoridade e com o ritmo que a língua portuguesa empresta e possibilita à poesia. Os poetas sempre vicejaram com facilidade no solo fértil do nosso vernáculo e prova disso é a prolífera e qualificada produção poética que desde séculos enriqueceu a nossa cultura, antes na pátria-mãe e depois também aqui, como lá. Como outros, também se foi Vinicius. Aconteceu a separação: “De repente do riso fez-se o pranto/silencioso e branco como a bruma... de repente, não mais que de repente”.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Os poetas sempre vicejaram com facilidade no solo fértil do nosso vernáculo e prova disso é a prolífera e qualificada produção poética que desde séculos enriqueceu a nossa cultura, antes na pátria-mãe e depois também aqui, como lá. Como outros, também se foi Vinicius. Aconteceu a separação”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Plano de safra

O ritmo da população era outro, as necessidades também e o igarapé era um elemento fundamental para a vida das pessoas, porque tudo girava em torno de uma pergunta: ‘Como eu vou obter água?’. A cidade crescia em um movimento de leste a oeste e, a partir do século 20, ela começa a correr do sul para o norte

Depois do curto-circuito com o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), Eduardo Campos (PSB) se dedicou nas últimas semanas a reconstruir as pontes com representantes do agronegócio nacional. O governador de Pernambuco conta, para isso, com os ex-ministros da Agricultura Roberto Rodrigues (de Lula) e Pratini de Moraes (gestão FHC). Campos avisou antes a Marina Silva que faria o aceno aos ruralistas, com os quais perdeu pontos por não rebater o veto da nova aliada a Caiado. Lua de mel Aliados do pernambucano que procuraram a bancada ruralista justificaram suas declarações sobre Caiado pelo timing, logo após a aliança com Marina. “Não dava para desautorizar a noiva no dia do casamento”, diz um cacique do PSB. Adubo Um cenário em estudo para acalmar Caiado prevê que o presidente do PSB goiano, Vanderlan Cardoso, concorra ao Senado ou a deputado federal e apoie o líder do DEM para o governo. 10 + 10 + 10 Depois da comemoração pelos 10 anos de governo do PT e a efeméride de uma década do Bolsa Família, Dilma Rousseff vai bater bumbo pelo “aniversário” de outro programa federal: o Luz Para Todos, que faz 10 anos em novembro. Camisa 10 No entanto, a grande aposta do Planalto para o aquecimento eleitoral serão as inaugurações de seis estádios da Copa na primeira quinzena de dezembro. Auxiliares envolvidos na organização afirmam que o Itaquerão, em São Paulo, será o “grande último ato’’ do ano,

com a presença de Lula. Campainha O PSDB, que apostava na exaustão do Bolsa Família como bandeira eleitoral em 2014, viu com cautela a ênfase que o PT deu ao Pronatec, programa de ensino profissionalizante, na propaganda de TV. Para os tucanos, o projeto pode ser vendido como a porta de saída que a oposição cobra. A conferir Peemedebistas acham que o presidente do PT, Rui Falcão, “joga para a plateia” quando diz que a candidatura de Lindbergh Farias no Rio será prioridade em 2014, apenas para agradar petistas antes da eleição que definirá o novo comando da sigla, em novembro. Positivo Geraldo Alckmin (PSDB) vai turbinar a agenda de eventos do metrô, que está sob fogo desde as denúncias de formação de cartel no setor. O tucano prepara a entrega do primeiro trem e o início da operação do tatuzão nas obras da linha 5, um dos trechos sob suspeita. Negócios à parte O Palácio dos Bandeirantes ficou irritado

com as críticas que Dilma fez a governos do PSDB no anúncio de investimentos de R$ 5,4 bilhões para o Estado, na sexta-feira. Alckmin pretende manter um discurso de parceria com o governo federal mesmo durante a campanha de 2014. Calma lá Dirigentes do PR paulista ficaram desconfortáveis com a presença de petistas no evento de filiação do empresário Maurílio Biagi ao partido, na quinta-feira. Biagi é cotado para ser vice do petista Alexandre Padilha na disputa pelo governo, mas o PR quer deixar claro que a aliança não está garantida.

Otoni Mesquita, artista plástico e historiador, comenta em entrevista ao “G1”, a transformação sofrida pela capital amazonense, em um século, quanto à sua relação com os igarapés, hoje todos soterrados ou poluídos.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO

Bolso vazio A Frente Nacional de Prefeitos ficou preocupada com a possível exigência do pagamento dos precatórios dos municípios até 2018, que foi questionada no STF. Para a entidade, a cobrança “vai levar o caos a vários municípios”. Bolso vazio 2 Os prefeitos destacam que o abatimento de suas dívidas com a União, em tramitação no Senado, não abrirá espaço suficiente em seus cofres para permitir o pagamento.

Tiroteio

Passar 8 anos para reformar um mercado, cujo projeto veio da Europa, melhor dizendo, da França, não é lá essas dificuldades. Difícil mesmo é descobrir um ângulo realmente interessante para fotografar essa joia rara, sem tropeçar na fiação aérea que enfeia a cidade e a torna uma central de perigo, pronta para um apagão

Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Sabe qual é a diferença entre o tubarão e o cação? Você come o cação, e o tubarão come você. É a lógica do PT sobre as privatizações.

Deus habita esta cidade

DE LUIZ PAULO VELLOSO LUCAS (PSDB), ex-prefeito de Vitória, sobre governo e PT fazerem distinção entre privatizações e o programa de concessões de Dilma.

A missão da igreja faz surgir comunidades. Foi assim desde o primeiro anúncio quando na força do espírito os apóstolos deram testemunho da ressurreição de Jesus que fora constituído Senhor. Os que acreditaram e foram batizados formaram a primeira comunidade cristã, descrita como um grupo que tinha um só coração e uma só alma, não havendo necessitados entre eles. O que os unia era a escuta da palavra, a partilha do pão e a oração comum. Problemas houve desde o início, mas o ideal de vida comunitária permaneceu não como estratégia de evangelização e sim como realização última e definitiva da vocação cristã. No credo a igreja professa que crê na comunhão dos santos que é a realização da obra da redenção congregando num só povo os que foram salvos pelo sangue redentor derramado em sinal de uma nova e eterna aliança. Se a igreja algumas vezes se afastou deste ideal, sempre que quis se renovar voltou a ele. Não foi outra, por exemplo, a grande obra das ordens monásticas. Vida de oração e trabalho numa comunidade reunida em torno de um abade, que deve ser obedecido como pai, e tomada de decisões em capítulos que antecipavam e realizavam uma forma democrática de viver. Na Amazônia, a partir da década de setenta a igreja católica vive uma grande renovação. Assumindo plenamente as propostas e orientações do Concilio Vaticano 2º ela traça grandes linhas de atuação pastoral que vão marcar a sua ação e dar um rosto amazônico mesmo permanecendo católica e em comunhão com toda a igreja.

Contraponto

Ideia fixa Em evento do Ministério da Pesca, na última terça-feira, para a assinatura de um acordo para ampliar a presença do peixe nas merendas escolares, o ministro Marcelo Crivella lia o nome das autoridades quando citou a coordenadora de Alimentação Escolar do FNDE, Albaneide Peixinho. Em seguida, parou a leitura e emendou: — Mas você deveria trabalhar aqui. Deus já lhe deu até o nome! --brincou Crivella. Logo depois, o ministro voltou a citar religião: disse que Jesus “não multiplicou vaca, nem galinha, mas peixe”, um argumento para provar a importância da pesca.

Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Talvez o que mais marcou foi a opção pelas comunidades. Ao longo dos rios, dos paranás, e à beira dos lagos e igarapés foram surgindo comunidades, no seio das quais se formam lideranças, se assumem causas, se anuncia o evangelho. A boa nova do reino é anunciada a milhares de pessoas que têm suas vidas transformadas numa perspectiva de eternidade que já irrompe no tempo com os sacramentos e a vida renovada em Cristo. Mas o movimento comunitário também aconteceu na cidade, e na metrópole que é Manaus as comunidades foram se multiplicando de forma capilar. Em todos os bairros, conjuntos, becos, vilas encontramos comunidades vivas e atuantes. O que seria a cidade sem estas comunidades? Ao caminhar com o povo nos becos e ruas de nossos bairros fico imaginando o quanto de humano estas comunidades conservam ao serem espaços de vida cultural e tradicional, quanta cidadania descoberta ou desenvolvida, quanta graça vivida no anúncio da palavra e na celebração dos sacramentos. As comunidades são de fato a boa notícia de que Deus habita esta cidade e caminha no meio de seu povo. Na semana do aniversário de Manaus agradeci a Deus pela igreja que aqui vive, pela multidão de homens e mulheres de todas as idades e sobretudo pelos jovens que não perdem a esperança que nasce da fé. São o sal e o fermento que impedem a derrocada, são luzes que não podem ser escondidas, mas que como planetas iluminados são estrelas que nos dão a certeza da existência do Sol, que para nós é Jesus.

Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

O movimento comunitário também aconteceu na cidade, e na metrópole que é Manaus as comunidades foram se multiplicando. Em todos os bairros, conjuntos, becos, vilas encontramos comunidades vivas e atuantes. O que seria a cidade sem estas comunidades?”


Política

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

A5

Lideranças se articulam para emplacar municípios REPRODUÇÃO

Emancipacionistas defendem o desmembramento de seus distritos das cidades-mães e afirmam ser uma “necessidade”

Localizada no município do Careiro, a comunidade do Puru Puru, que possui em toda a sua área 22 mil habitantes, tem o desejo de se desmembrar do município-sede e se tornar emancipada

O

desejo de dezenas de comunidades do interior do Estado do Amazonas de se tornarem municípios, se desmembrando de suas atuais “cidades-mães”, está mais próximo de se virar realidade com aprovação, no Senado, do Projeto de Lei Complementar (PLC) 416/2008, que disciplina sobre a criação, incorporação, fusão e desmembramentos de municípios, há duas semanas. No Estado, 44 comunidades solicitaram a emancipação desde 1988. Mas, entre o desejo de independência e a concretização, existe um processo que não é tão simples. Para se constituírem como novos municípios, essas localidades devem atender aos pré-requisitos legais contidos na norma. Entre críticas da possibilidade de uso político do instrumento, lideranças emancipacionistas do Amazonas defendem que a autonomia de suas comunidades, antes de qualquer coisa, é uma necessidade. “Lutamos há, praticamente, uma década pela emancipação. Precisamos de um poder público presente”, defendeu Reginaldo Souza, presidente da Associação dos Filhos e Amigos de Caviana (Afavic), comunidade que fica no município de Beruri. O autor da proposta, senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), considera que o projeto de lei não é uma espécie de facilitador da criação de municípios. “Pelo contrário, ele é um projeto que estabelece rigor claro, por normas exigentes, para que possam ser criados novos municípios ou para que se possa fazer a fusão de distritos com municípios”, disse, em recente discurso no plenário da casa.

O senador afirma que, pelas regras, entre as comunidades e distritos que já solicitaram a emancipação, apenas 188 localidades têm reais condições de serem emancipadas com a aprovação da lei, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Há municípios, principalmente na Amazônia, que são até maiores do que alguns países. Por exemplo, Altamira, no Pará ou Caracaraí, lá no meu Estado de Roraima, são municípios enormes, em que a sede fica numa ponta, e os vilarejos, a uma enorme distância da sede”, exemplificou. O deputado estadual Tony Medeiros (PSL), presidente da Comissão de Assuntos Municipais (Comam) da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), defende que toda localidade, por menor que seja, tem o direito de buscar a sua emancipação. “Agora, ela tem que estar consciente de que o que viabilizar, ou inviabilizar, a criação desse município são os pré-requisitos da lei”, afirmou. Para o parlamentar, o processo burocrático não é um “bicho de sete cabeças”. “Se não servir para eles se emanciparem naquele momento, servirá de aprendizado e preparação para que isso ocorra lá na frente”, disse, ao afirmar que a comissão tem trabalhado com clareza, a respeito dos pontos que trata a lei, e que maioria das lideranças está bem informada sobre o assunto. O presidente da Associação Emancipacionista do Puru Puru (Amepu) – comunidade localizada no município do Careiro – João Taveira de Lima, lembra que o Amazonas, sendo o maior Estado da Federação, tem 62 municípios enquanto que todo o território do Estado da Paraíba (56.4 mil km²), que tem 223

municípios, é menor que a área de Barcelos (122,4 mil km²). “É uma discrepância muito grande. Hoje, se nós criássemos 200 novos municípios, ainda seria pouco para a condição que vive o povo no interior”, afirmou. O líder do PT na Aleam, deputado José Ricardo, disse que o poder público deve focar em resolver os problemas crônicos dos municípios já existentes, que não é contra a criação de novos municípios, mas advertiu: pode haver interesses ocultos sim. “A legislação cria regras mais rígidas e existem localidades no Amazonas que merecem sim serem transformadas em municípios, embora existam

MUITO MAIS

O deputado estadual Tony Medeiros acredita que o número de comunidades com condições de se emancipar no Brasil são maiores que as 188 apontadas pelo senador Mozarildo Cavalcanti muitos interesses políticos por trás disso, em busca de benéfico eleitoral. Devemos nos concentrar na viabilidade econômica desses locais”, disse. Regulamentação O texto aprovado no Senado é um substitutivo de um projeto apresentado na casa no ano de 2002 e agora depende, apenas, da sanção da presidente Dilma Rousseff (PT) para que as assembleias legislativas voltem a analisar a questão após 17 anos. O projeto de lei regulamenta o disposto na emenda constitucional nº 15, de 1996, que definiu que os parlamentos es-

taduais só poderiam tratar da questão após a aprovação de lei complementar federal que estabelecesse regras, prevendo consulta às populações dos municípios envolvidos e a realização de estudos de viabilidade. À época a emenda foi aprovada para interromper a excessiva criação de município, que ficou conhecida como “a farra dos municípios”, uma janela burocrática na legislação que por muitas vezes permitiu a criação de cidades, sem que estas tivessem estrutura e condições econômicas de funcionamento. Entre os principais perigos no processo de emancipação está a realização de plebiscito, se for decidido que não, as localidades deverão esperar outros dez anos para fazer uma nova consulta. As terras da União que estiverem na localidade pleiteada também terão que ser regularizadas. Para o norte do país é necessário o número mínimo de 5.997 pessoas habitando a localidade, sendo obrigatoriamente 50% de eleitores. Antes da consulta popular, será feito um Estudo de Viabilidade Municipal (EVM) para atestar a capacidade econômica do local. Dados inconsistentes Não há dados concretos sobre quais comunidades do Amazonas se encaixam nos pré-requisitos da lei e que estariam mais próximas de conseguir a emancipação. Isso porque, segundo o presidente da Comam e as lideranças comunitárias, o IBGE, quando apresenta que 188 localidades estão aptas à emancipação em todo o país, contabiliza apenas núcleos urbanos constituídos e, como a realidade geográfica amazônica é de grandes distâncias, as populações do entorno não entram no cálculo.

Distritos afirmam ter estrutura Mesmo com as dificuldades, algumas comunidades já têm em mãos seu cálculo populacional, como a Puru Puru. Segundo João Taveira, isso se deve à disposição dos comunitários que correram atrás e insistiram com os técnicos do IBGE para a realização do levantamento. “Lá foi mapeado ponto por ponto e registramos que toda a área pretendida possui 22.846 pessoas”, disse. De acordo com Taveira, a sede da comunidade possui cerca de 6 mil habitantes, dois bairros, 41 ruas asfaltadas, praça, hospital, delegacia, escolas, creche, posto de gasolina e uma área comercial. O acesso pode ser feito pela BR-319 (Manaus-Porto Velho) ou por rio. Os moradores esperam a construção de um porto com verbas federais, da qual já foi emitida a ordem de serviço. A área pretendida é de 3.134,12 km².

A comunidade Caviana, apesar de pertencer ao município de Beruri, durante muito tempo esteve sob a gestão de Manacapuru como se fizesse parte do município. Segundo o líder Reginaldo Souza, Caviana tem 9,6 mil habitantes, sendo que 1.056 vivem na sede. Semelhante a Puru Puru, a comunidade tem infraestrutura básica com escolas, delegacia, campo de futebol e dispõe de energia elétrica 24 horas por dia. O acesso só pode ser feito via fluvial. Caviana e Puru Puru estão entre os 25 municípios que estão previstos na Constituição do Amazonas, mas que nunca foram instalados. As duas comunidades também têm em comum o eixo econômico, baseado na agropecuária, com atividades diversificadas. * Continua na pág. A6 DIVULGAÇÃO

LUCIANO FALBO Especial EM TEMPO

Frente do distrito de Caviana, no município de Beruri


Política

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Colônia Antônio Aleixo também quer virar cidade

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Se nós tivermos abuso de preço...” MINISTRA GLEISI HOFFMANN (CASA CIVIL), que só voa em jatinhos, sobre passagens aéreas

Conab sob suspeita de fazer negócios irregulares Contra a vontade do ministro Antônio Andrade (Agricultura), o petista Sílvio Porto se mantém na presidência interina da Cia Nacional de Abastecimento (Conab), apesar das suspeitas de compras milionárias, sem licitação, usando brechas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), de incentivo à agricultura familiar. O PAA autoriza compra até o limite de R$ 8 mil anuais por família e R$ 1,5 milhão por cooperativa. A Conab pagou R$ 11 milhões por 3,7 milhões de litros de suco de uva. Muito estranho A Conab pagou à vista no fim de 2012, no Rio Grande do Sul, mas só 20% da compra começaria a ser entregue após 6 meses... em Curitiba. Importante A suposta compra irregular da Conab foi feita à Nova Aliança e à Aurora, cooperativas distantes da definição de produtores modestos. Costas quentes Silvio Porto é ligado ao ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, o que explicaria sua estabilidade no cargo.

ligada à outra: Lula distribuiu mais de R$ 67,368 bilhões aos beneficiados no período de 7 anos, enquanto Dilma disparou nas pesquisas de avaliação do governo distribuindo R$ 53,9 bilhões em apenas 2 anos e 8 meses. Dinheiro na veia A média anual de gastos do governo Dilma com o Bolsa Família (R$ 20,2 bilhões) é mais que os R$ 9,6 bilhões em toda era Lula. A ‘prioridade’ Os R$ R$ 54,2 bilhões aplicados por Dilma no Bolsa Família são bem mais expressivos que os R$ 43,3 bilhões gastos em educação básica. Tucano é tucano O deputado Paulinho da Força (SDD-SP) ironiza Aécio Neves, seu aliado: “Hoje ele só tem o nosso partido. Nem o PSDB ele tem”. Objetos distintos Para o presidente Ricardo Izar (Conselho de Ética), eventual cassação de Natan Donadon por voto aberto não escancara hipocrisia da casa, que no voto secreto o absolveu: “O objeto agora é a falta de decoro”.

Explicações A Conab alega que a compra não era de formação de estoque, mas para “doação”. Mas não explicou por que mantém o suco estocado.

Acordo fechado Apesar da oposição do prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, o PMDB-PE está mais do que fechado com a candidatura de Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República, contra a reeleição de Dilma.

Bolsa Família virou máquina de gastar dinheiro A presidente Dilma conseguiu superar o ex-presidente e mentor Lula tanto nas pesquisas, como candidata à reeleição, quanto nos gastos do programa Bolsa Família. Certamente uma coisa está

Prejudica oposição O deputado Marcos Rogério (PDT-RO) pediu ao presidente da Câmara, Henrique Alves, para reconsiderar a proibição de deputados em vagas emprestadas pedirem verificação de quórum, nas comissões.

Jornalista

Bairro localizado na Zona Norte, o complexo abrange ainda outras comunidades da área que somam 60 mil habitantes ALEXANDRE FONSECA

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Desfalque Diante do endividamento da Bahia, a Secretaria do Tesouro Nacional liberou empréstimo apenas de R$ 600 milhões, de R$ 1 bilhão prometido pelo governo estadual para obras de mobilidade urbana em Salvador. Missionária Apesar de considerarem a aliança com Marina Silva a maior jogada política dos últimos tempos, amigos do governador Eduardo Campos (PSB-PE) estão ressabiados com o “perfil messiânico” da nova aliada. Terceira via Opositores de Flávio Dino (PCdoB) se animam com o desempenho da deputada estadual Eliziane Gama (PPS-MA) nas pesquisas em São Luís, que pode desequilibrar a liderança dele na disputa pelo governo. Falta uma saída Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é preciso buscar uma saída para o Bolsa Família, “um programa transitório que não pode ser tido como permanente”. Acha que não completa o exercício da cidadania. Déjà vu O deputado José Nunes (PSD-BA) acredita que 2014 pode repetir o cenário de 1989, quando Leonel Brizola, um dos favoritos na eleição, ficou fora do 2º turno, disputado entre Fernando Collor e Lula. Rumo ao paraíso A Venezuela criou um Ministério da Suprema Felicidade Social. Só falta agora seu povo chegar ao paraíso pela fome.

PODER SEM PUDOR

Mercado imobiliário Ciro Gomes era ministro da Integração Nacional e convocou coletiva para anunciar a reconstrução de casas no Nordeste. Explicou: - Cada casa terá 52 metros quadrados e custará, em média, R$ 5 mil. - Não acredito!... – exclamou uma repórter, interrompendo-o. Fez-se um breve silêncio e ela complementou, meio envergonhada com a própria espontaneidade, sepultando a credibilidade do anúncio: – ...acabei de comprar uma casa de 38 metros quadrados por R$ 17 mil!

O líder comunitário do bairro, Cleudo Assunção, defende a emancipação da Colônia Antônio Aleixo

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ão são apenas comunidades do interior do Estado que buscam autonomia financeira e administrativa, o complexo Colônia Antonio Aleixo, Zona Leste, também quer se tornar um município e deixar de ser um bairro de Manaus. A reportagem do EM TEMPO esteve no local e observou que por estar distante do centro da capital, o bairro tem uma atmosfera particular que como se de fato fosse outra cidade. São ladeiras, florestas, muitas indústrias e uma vista paradisíaca do loago do Aleixo e ao fundo o rio Negro. O bairro surgiu em 1942 como um reduto dos soldados da borracha. Depois serviu de abrigo para portadores de hanseníase, com a construção de um “leprosário”. Como principal argumento para emancipar o complexo, o presidente da Associação dos Moradores da Colônia Antônio Aleixo (Amaccaa), Cleudo Assunção, disse que o único entrave que impediria a criação do município seria a perda das empresas da Zona Franca de Manaus (ZFM), mas com a extensão

dos incentivos para a região metropolitana essa é uma etapa vencida. “Com isso, aqui seria um dos municípios mais ricos do Amazonas”, disse. Assunção reclama que falta representatividade do bairro na Câmara Municipal de Manaus (CMM). “Não temos um vereador nos representando”, lamentou.

DEFESA

Cleudo Assunção defende que a sede do município fique na Colônia Antônio Aleixo e não em Puraquequara, como assim o querem os moradores de lá. Segundo ele, a Colônia tem mais infraestrutura Para criar condições favoráveis à autonomia, o presidente afirma que as empresas instaladas na região poderão contratar mais mão de obra local. “Hoje, a maioria do pessoal que trabalha aqui vem de muito longe e a gente tem ir buscar para lá. É fora de lógica”, disse. “O que fica para gente é só a contaminação

desses resíduos e os benefícios são poucos. A gente acredita que se tornando município, os benefícios dessas empresas vão ficar aqui”, disse. Cleudo defende que outras alternativas econômicas podem ser o desenvolvimento do potencial turístico e da indústria naval. Sobre a necessidade da maioria da população de Manaus ter que concordar com o desmembramento, Assunção acredita que não haverá empecilho. “Cerca de 80% do pessoal daqui está de acordo, claro que existem aquelas pessoas que não concordam, mas também não são do ‘contra’. Manaus cresceu muito, de forma desordenada, nos últimos anos e as áreas mais distantes, o prefeito tem dificuldade de alcançar”, afirmou. “Seria um problema a menos pra eles”, completou. Além da Colônia, o complexo abrange também o Puraquequara e o conjunto Bela Vista. O presidente da associação explicou que existe um acordo com as demais comunidades de que o complexo se torne um município somente. No entanto, as lideranças discordam de onde será a sede administrativa. (LF)

Etapas têm que ser cumpridas Os aspirantes a municípios têm que vencer algumas etapas: protocolizar na Aleam pedido de criação da cidade, a ser assinado por pelo menos 20% dos eleitores do local, com eleitorado igual ou superior a 50% da população; conter núcleo urbano constituído, com infraestrutura compatível; e ter arrecadação superior à média de 10% dos atuais municípios do Estado.

Após o pedido, em 180 dias a Aleam deverá elaborar o “estudo de viabilidade” do novo município e área remanescente do local do qual o distrito pretende se separar. O levantamento deverá verificar a viabilidade econômica, ambiental e política. Após essa etapa, o relatório terá de ser apreciado pelos deputados estaduais, que poderão arquivar ou aprovar o projeto.

Caso o pedido seja aprovado, será realizado um plebiscito com a população da comunidade interessada em se emancipar e a do município ao qual a comunidade pertence. A comunidade e o município de origem devem concordar que sim, será votada uma lei estadual autorizando a criação do novo município. Aprovada a lei, será marcada data para eleição de prefeito, vice e vereadores. (LF)


Política

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

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Félix VALOIS

‘MANAUS não CRESCEU, inchou’

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

“E

O conselho é formado por alguns membros da própria equipe da administração e de pessoas que representam a sociedade civil. (...) O prefeito Arthur Neto reformou o conselho e, inclusive, instituiu uma remuneração, porque antes os membros não recebiam nada”

u não tenho nenhuma ilusão de que não é uma gestão nem duas que podem resolver os problemas monumentais de Manaus. Acredito que daí o conselho tem que se conscientizar em pensar na Manaus de quando estivermos mortos, porque ela não para. Sai prefeito, entra prefeito e a cidade continua”. Foi assim que o presidente do Conselho Municipal de Gestão Estratégica (CMGE), Félix Valois, definiu, em entrevista ao EM TEMPO, os focos do conselho, cuja maioria dos membros tomou posse na última segunda-feira. O CMGE foi instaurado na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), com vínculo à Secretaria Municipal de Governo. Nos moldes da administração do prefeito Arthur Neto (PSDB), o conselho foi transposto para a órbita da Casa Civil e ainda passa a contemplar um jetom de R$ 2 mil para os membros que comparecerem às reuniões ordinárias e de R$ 1 mil nas extraordinárias. Segundo o advogado de 70 anos – que já foi vice-prefeito de Arthur no mandato de 1988 a 1992 – este pagamento pode ser um incentivo para que o conselho dê frutos, coisa que não aconteceu na gestão antecessora, nas palavras do próprio Valois, que também atuava no cargo de presidente. Pai de quatro filhos e a pouco tempo de receber seu sétimo neto, Valois nasceu, viveu e pretende morrer em Manaus, deixando um currículo no qual seu nome é listado como deputado estadual, secretário de Justiça do Estado e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). EM TEMPO - Na gestão do prefeito Amazonino Mendes o senhor também esteve como presidente do conselho. O que se conseguiu realizar? Félix Valois - Praticamente nada. O conselho é formado por alguns membros da própria equipe da administração (daquelas pastas que tem vinculação com a infraestrutura da cidade) e de pessoas que representam a sociedade civil (sejam de entidades de classe ou que se destaquem na sua atuação em Manaus). Mas tivemos pouco tempo, um ano e pouco apenas. Não deu para estruturar o conselho de tal maneira que ele produzisse. Agora o prefeito Arthur Neto reformou o conselho e, inclusive, instituiu uma remuneração, porque antes os membros não recebiam nada. EM TEMPO - E isso

acaba sendo um incentivo para que o conselho funcione efetivamente? FV Eu acredito que sim. Pode ser que desperte mais interesse. EM TEMPO - Além da questão da remuneração, quais outras mudanças podem ser consideradas significativas para o desenvolvimento do conselho? FV - Acredito que ampliamos as bases do conselho, abrimos mais o leque. Como disse o conselheiro Almino Afonso, o conselho não é mais um conselho, é uma assembleia. Porque o objetivo é ouvir a sociedade. O conselho não é nenhum órgão executivo. Ele está ali apenas para aconselhar o prefeito. Nós não temos nenhum poder de decisão sobre nada, então vamos apenas verificar o que a sociedade pede e levar este clamor ao prefeito. Fizemos a implementação do conselho na segunda-feira (22 de outubro) e já temos reunião marcada para a segunda quinzena de novembro para discutir nosso regimento interno do próprio conselho e ouvir o prefeito ou, se ele não for, um secretário que possa expor quais os projetos já definidos pela atual gestão. A ideia é que o Conselho de Gestão os analise e dê sugestões, independentemente da iniciativa de examinar outros aspectos que não estejam contemplados nestes projetos. EM TEMPO - O que muda de uma gestão para outra? FV - O conselho ampliou bastante. E obviamente é impossível esconder que a remuneração é um atrativo. Quem não quer receber dinheiro? E acho que vai depender da presidência do conselho, ou seja, de mim, fazer com que os membros se sintam atraídos e motivados a participar ativamente. EM TEMPO - Mas quando eu questiono o que muda, trato sobre a percepção dos dois administradores. Um dos quais decidiu instituir o conselho e outro que decidiu mantê-lo. FV - Ah sim. Obviamente que não tivemos oportunidade de realizar com o prefeito Amazonino essa reunião de exposição dos projetos em curso. Nós chegamos a conversar sobre generalidades, mas sobre problemas específicos, como “Olha, eu quero fazer o asfaltamento de 50% das ruas de Manaus” ou “Eu quero fazer drenagem”, não discutimos. É possível que discutamos agora. EM TEMPO - E por ter vindo de outra gestão, o que o senhor traz como experiência?

FV - Eu lhe digo o seguinte e faço a mea-culpa. A culpa não foi do prefeito, se o conselho não funcionou mais. Na verdade, eu assumo toda a culpa por isso. É como eu lhe digo, o presidente tem que estar diuturnamente motivando os conselheiros, dando ciência a eles do que se vai fazer e de como se pretende fazer. E, como na verdade na gestão do prefeito Amazonino eu tive muito pouco tempo para isso, não foi possível dar continuidade. EM TEMPO - Falando nos membros, existem pessoas que não moram aqui, como o ex-arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, que atualmente mora no Paraná, e o ex-ministro Almino Affonso, que vive em São Paulo. Isso não acaba trazendo dificuldades, tendo em vista que a pretensão é que o conselho se reúna uma vez por mês? FV - Olha, o prefeito – e acho até que sabiamente – escolheu pessoalmente o dom Luiz e o doutor Afonso. Como admiro ambos, eu achei a escolha ótima. Mas certo de que isso vai criar problemas operacionais, porque evidente que a pessoa estando em Manaus pode ajeitar sua agenda caso eu diga “reunião no dia 28”. Mas a pessoa que mora fora pode não ter como, até por conta do deslocamento, que terá que ser por via área. Mas espero que a gente possa conciliar a agenda deles com a do conselho e eles deem sua participação que, por certo, será da maior valia. EM TEMPO - Mas, justamente o fato de terem que se deslocar, não irá gerar custos para a prefeitura? FV - Eu não sei como é que a Casa Civil vai encarar isso. Eu não sei, francamente, porque o conselho não tem orçamento, não tem absolutamente nada. Tudo isso é com a Casa Civil. Eu não se essas despesas de deslocamento sairão dos cofres públicos. Não sei dizer isso. Francamente, isso não tenho a mínima ideia. EM TEMPO - Ainda que o prefeito não tenha exposto suas propostas ao conselho, mas tendo em vista o que vem sendo anunciado desde o início do ano, já existe algum projeto que possa entrar nesta primeira pauta da reunião? FV - Não. Na verdadeira a reunião será inteiramente para discutir o regimento interno e ouvir os projetos que estão em curso. Quando eu conversei com o professor Praia (Jefferson), nós até comentamos que o ideal seria que o prefeito participasse, mas se a agenda dele não

permitir isso, vamos pedir que designe um secretário. EM TEMPO - Mesmo assim, o senhor sabe que alguns pleitos rotineiramente são discutidos na cidade, como a questão do transporte coletivo. De que forma o conselho pode auxiliar neste sentido? FV - Assim, nenhum de nós, individualmente, pode nada. Posta a questão ao conselho e, possivelmente, realizaremos consultorias para levar ao prefeito uma proposta racional. Talvez sugerindo até propostas arquitetônicas, mas não o fazendo, porque o conselho não tem verba para este tipo de despesa. EM TEMPO - A experiência de 48 anos no exercício do direito pode ter contribuído para a sua escolha ao cargo de presidente do CMGE? FV - Eu não acredito que seja a formação superior mais adequada para este fim. Mas evidentemente que nenhum conhecimento é inútil. Então o que eu tenho que fazer se não souber é ir estudar. Não tem alternativa. Nem que seja por meio do doutor Google. EM TEMPO - E o que o senhor acredita que falta para Manaus? FV - Manaus é uma cidade que gosto tanto quanto dos meus netos. Nasci aqui, vivi aqui e devo morrer aqui. E é evidente que hoje, com 70 anos de idade, eu veja uma cidade completamente diferente daquela em que vivi minha infância, minha adolescência. Costumo dizer que Manaus não cresceu, Manaus inchou. A Zona Franca fez Manaus inchar e este inchaço, como toda patologia, gera sequelas, às vezes irreversíveis. Da criação da Zona Franca aos dias atuais, a população decuplicou e a cidade não acompanhou inchaço. Criaramse os bolsões de misérias nas periferias, a cidade tomou uma extensão horizontal enorme e não foram criados serviços de infraestrutura. Então, eu não tenho nenhuma ilusão de que não é uma gestão, nem duas, que podem resolver os problemas monumentais de Manaus. Acho que daí o conselho tem que se conscientizar em pensar na Manaus de quando estivemos mortos, porque Manaus não para. Sai prefeito, entra prefeito, e a cidade continua. Então você não pode planejar para daqui a 4 anos. Quatro anos não são nada na história de uma cidade. Admitindo que o prefeito Arthur se reeleja, seriam mais quatro. Ainda assim não dá uma projeção de longo prazo para você corrigir anos e anos de deficiência.

Olha, o prefeito - e acho até que sabiamente - escolheu pessoalmente o dom Luiz e o doutor Afonso. Como admiro a ambos, eu achei a escolha ótima”

Manaus é uma cidade que gosto tanto quanto dos meus netos. Nasci aqui, vivi aqui e devo morrer aqui. E é evidente que hoje, com 70 anos, eu veja uma cidade completamente diferente”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

IONE MORENO

Aplicativos que facilitam a vida dos usuários Economia B3

‘Faro feminino’ garante ascensão empreendedora Nos últimos 10 anos, número de empreendedoras cresceu 21,4% em todo o país. No Norte esse número foi superior a 80%

IONE MORENO

LUANA GOMES Equipe EM TEMPO

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epois de chegarem a presidência da República, as mulheres não dormiram no ponto e já mostram sinais de que podem assumir a dianteira no mundo do empreendedorismo. Em 10 anos, o número de empreendedoras cresceu 21,4%. Na mesma época, a participação de homens subiu somente 9,8%. Os resultados foram apresentados no Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, elaborado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As nortistas mostram que estão dispostas a tomar as rédeas do seu próprio negócio. Segundo o diagnóstico, a Região Norte apresentou o maior crescimento de mulheres empreendedoras no país, um crescimento de 80% de 2001 a 2011. Márcia Regina Arruda é uma dessas mulheres. Com a ajuda do Sebrae, ela resolveu entrar no mercado, após ser desligada do quadro de recursos humanos de uma empresa de laticínios. Foi com o dinheiro da indenização que ela decidiu se tornar empreendedora individual para depois consolidar a Sex Shop Maria Chic. “Sempre achei que levava jeito para as vendas, porque trabalhava neste setor e vendia muito bem”, detalhou. Embora o próprio negócio permita o horário mais flexível, ela ressalta que no início, para atingir os objetivos definidos, o seu dia parecia ter bem mais de 24 horas. Hoje, ela já consegue escolher um dia sem critério para cuidar um pouco de si. Antes de se tornar uma sex shop, a loja – montada em 2011 – era focada no ramo de confecções. Em uma de suas viagens a São Paulo, para garantir o estoque mensal,

Márcia viu um novo caminho a ser trilhado nos negócios, sem imaginar que seria o principal protagonista da venda: os produtos de sex shop. Naquela época, eles estavam começando a ter maior aceitação do mercado, até mesmo pelas obras literárias. “Trouxe uma grande quantidade e vendi tudo em uma semana. Com o tempo, percebi que as pessoas se interessavam mais por esses itens eróticos que pelos outros produtos que vendia, aí resolvi apostar neste mercado”, recordou. Márcia participou de feiras e até mesmo fez um pesquisa de campo, no qual observou como muitos sex shops estavam localizados em áreas de pouco ou difícil acesso. Em sentido

Era uma loja de aeromodelismo. A partir das oportunidades do mercado, ela (loja) se transformou na Hobby Brinquedos Ruth Souza, empresária

contrário, ela decidiu instalar sua loja na avenida Grande Circular, Zona Leste, que tem uma boa movimentação de pessoas e, consequentemente, de clientes. Para manter a privacidade dos que entram na loja, ela também fez algumas adequações no espaço. “Quem está de fora não consegue visualizar quem está dentro”, salientou. Somente no primeiro ano do negócio, Márcia viu seu faturamento crescer em torno de 70%. Hoje, com quatro funcionários – que fazem parte da família –, ela pondera que o grande retorno do investimento é proporcionar uma vida melhor a seus familiares e poder estreitar os laços, tendo em vista a rotina diária.

A opção pela venda exclusiva de produtos de sexy shop fez com que o faturamento do negócio crescesse em torno de 70%

Hobby que virou negócio de sucesso A empresária Ruth Souza também iniciou a carreira solo ao lado de um familiar, seu marido e também sócio, Maurício Souza. Ruth abriu a Casa do Hobby há 15 anos. “Era uma loja de aeromodelismo, tendo tudo a ver conosco, já que meu marido é piloto”, destacou. Na época, ela estava se desligando do Grupo J Miranda, lojas Sukatão, onde ocupava a função de presidente. Segundo ela, “quando se decide abrir seu

próprio negócio, os riscos aumentam muito, visto que qualquer perda será única e exclusiva dos sócios. Mas também ganha-se mais experiência e aumenta a motivação a cada bom negócio fechado”, pontuou. Para dar o start, foi necessário vender o veículo do casal. Ainda assim, houve apoio da Agência de Fomento do Amazonas (Afeam) e de outro sócio, que se desligou da sociedade logo

nos primeiros anos. A partir das oportunidades que o mercado oferecia, a Casa do Hobby se transformou em Hobby Brinquedos que, segundo ela própria, é reconhecidamente o nome mais lembrado quando se fala em brinquedos em Manaus. O espaço físico de uma loja de 35 metros no Amazonas Shopping saltou para cinco lojas, cada uma com 150 metros quadrados. De acordo com Ruth, sua

família é a razão de todo o esforço que faz diariamente, seja nas pessoas empregadas na empresa, em torno de 80 colaboradores, ou nos sonhos nutridos ao abrir cada loja para “encantar as crianças de nossa Manaus”. Sem citar números, a empresária aborda que o crescimento do faturamento é uma consequência natural de quem trabalha com os olhos voltados para o bem da comunidade.

ARQUIVOEMTEMPO/GIOVANACONSENTINNI

Dinamismo e compromisso

A Hobby Brinquedos é hoje uma das maiores lojas do segmento em Manaus. Possui cinco lojas em Manaus e 180 colaboradores

Nos municípios do Amazonas, a luta da mulher para conquistar seu espaço no mundo dos negócios também continua. Mesmo tendo parado de estudar na quinta série do Ensino Fundamental, Maria Anita Faria resolveu montar seu próprio negócio após anos de experiência no ramo do comércio, como vendedora. Em 2002, na busca pela autonomia, Anita somente com a “cara e a coragem” resolveu abrir sua firma, mais conhecida como Casa dos Bombons. Com auxílio de empréstimos bancários e um dinheiro guardado na poupança, ela deu o primeiro passo para o empreendedo-

rismo. Dos bombons, passou a vender batatas Chips, e de lá vieram outros salgados, milhitos e produtos que se encaixam nos gostos dos seus consumidores. Com 42 anos, ela conta com o apoio da família na atividade, tanto o marido quanto o filho auxiliam no desenrolar do negócio. Ela comenta que uma das principais mudanças alcançadas foi quanto a estrutura física do imóvel comercial. De um prédio de madeira, pequeno, hoje Maria vende seus produtos em um prédio de alvenaria, com crescimentos consideráveis no faturamento, que variam de acordo com a época.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Calor esquenta compras de condicionadores de ar

Fieam estima crescimento de até 5% para este ano. Hoje 12 fábricas produzem condicionadores de ar no polo industrial RICARDO OLIVEIRA

LUANA GOMES Equipe EM TEMPO

H

á quem pragueje sobre as temperaturas elevadas da capital amazonense, mas as fabricantes de condicionadores de ar comemoram o aquecimento na produção e, consequentemente, nas vendas, por conta do calor excessivo. Neste último trimestre, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) estima crescimento de 3% a 5% nas vendas do produto, quando comparado a igual wperíodo do ano anterior. Atualmente, o Polo Industrial de Manaus (PIM) conta com doze fábricas em processo de fabricação ativa dos itens. Com base nos indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), até agosto deste ano, elas venderam 1,31 milhão de condicionadores de ar split e 342,46 mil condicionadores de ar de janela. Quanto a produção, as estatísticas mostram alta de 101,14%. Foram produzidos 1,44 milhão de unidades de janeiro a agosto deste ano frente aos 717,25 mil fabricados no mesmo acumulado de 2012. Apenas no

último trimestre do ano passado, a produção registrou 896,22 mil unidades. Conforme o presidente da Fieam, Antônio Silva, por conta do verão, a expectativa é grande quanto ao crescimento na produção e venda dos eletroeletrônicos, especialmente no que se refere aos condicionadores de ar. A previsão otimista au-

ESTUDO

Está em estudo um programa de incentivo à renovação dos itens de mobília da rede hoteleira para a Copa do Mundo de 2014. O incentivo do governo estadual deve aquecer o setor de condicionadores menta por causa da renovação da rede hotelaria, que pretende modernizar os equipamentos dos hotéis para a Copa do Mundo de 2014. “Serão adquiridos novos condicionadores de ar, novas televisões e outros itens da mobília, o que deve elevar nossa economia”, destacou. O gerente geral de manufatura da unidade Manaus da Whirlpool, Evandro Cavalieri comen-

ta que no segundo semestre de 2013 a fábrica já registrou aumento de 40% na produção, em relação ao primeiro semestre do ano, crescimento que já permitiu novas contratações. Atualmente, a planta conta com cerca de dois mil funcionários diretos, além de mais de 200 prestadores de serviços. A produção de condicionador de ar em Manaus começou em 1992. No ano passado, a empresa instalou novas linhas de produção de condicionadores de ar splits e neste ano, apostou na entrada de novas linhas de condicionadores de ar de janela. A unidade manauara conta com três linhas de splits de 7 a 22 mil BTUs. Além dos splits, frio ou reverso (quente e frio), os consumidores podem escolher entre os de janela eletrônico e janela mecânico ou split. O produto mais acessível da fábrica é o Consul Multi Air (modelo janela) encontrado a partir de R$ 640 no varejo. Por ser uma companhia de capital aberto, a empresa não informa os valores dos futuros investimentos no setor. Contudo, Cavalieri salientou que menos de 5% dos lares brasileiros possuem condicionador de ar, o que retrata um mercado de grande potencial.

De agosto a outubro deste ano mais de 55 mil condicionadores de ar foram comercializados

Comércio com boas perspectivas Se as indústrias estão “de vento em popa”, o comércio também aproveita a ocasião do calor. Estatísticas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL) apontam aumento de 16% nas vendas de agosto a outubro, em relação a mesmo período de 2012. No período, ao

menos 55 mil aparelhos foram vendidos. O presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag detalhou que a projeção é motivada por duas situações: o fato de várias unidades residenciais estarem sendo entregues com o item incluído e pela redução no preço do produto.

Segundo Assayag, os splits – que lideram o ranking de vendas – com 7 mil btus costumavam ser vendidos a R$ 1,4 mil e agora podem ser encontrados na faixa de R$ 720 a R$ 780. No caso dos de 12 mil btus, que estavam a R$ 1,7 mil, agora são oferecidos a R$ 990.


Economia

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Aplicativos facilitam na hora de pagar as contas Pagar contas na “boca do caixa” está ficando no passado, os aplicativos bancários têm mudado a forma de quitar dívidas

IONE MORENO

JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

P

agar contas na “boca do caixa” ou efetuar o pagamento de compras com cheques, carnês e boletos bancários são coisas do passado. Com a quantidade de compromissos do dia a dia, os consumidores se rendem a novas tecnologias para facilitar as transações bancárias e ganhar tempo. Consultas de saldo, transferências pelo celular ou tablet, e aplicativos que permitem pagar contas pelo smartphone em poucos minutos são algumas das modalidades que caíram no gosto popular. O designer Bruno Reis, 25, por exemplo, conta que há seis meses tomou conhecimento de um aplicativo do banco que prometia facilitar a vida do cliente. “Vi uma amiga usando e resolvi experimentar”, disse. Segundo ele, o tempo de baixar o aplicativo e fazer o cadastro com agência, número da conta e senha levou menos de dez minutos. Entre as utilidades, Bruno consegue pagar contas de água, luz, compras feitas pela internet, visualizar saldos bancários, realizar transferências e ou-

tras operações. “Me livrei das agências bancárias e do caixa eletrônico”, comemora. A única desvantagem apontada pelo designer é em relação há algumas limitações do aplicativo. “É preciso ter uma conexão rápida de internet para suportar o programa. Além disso, pela falta de hábito ainda não me sinto completamente seguro em relação aos meus dados bancários estarem disponíveis na internet”, contrapõe. Mesmo com algumas contraposições, no geral, a avaliação é positiva. É o que pensa o servidor público, Rafael Farias, 29, que nos últimos cinco anos se dirigiu ao caixa eletrônico de seu banco apenas para sacar dinheiro. “Faço tudo pela internet, seja de casa ou do celular e agora sem o medo inicial de ter meu cartão clonado, como ocorria no início”, relembra. Para ele, a praticidade vai além dos serviços bancários. “Pelo celular, por exemplo, além de comprar a passagem, consigo baixar o localizador de um bilhete aéreo e mostrar para a atendente sem precisar imprimir. É útil, além de ecologicamente correto”, destaca.

Praticidade de pagar contas pelo aparelho celular tem agradado cada vez mais os correntistas, que não perdem tempo em bancos

Comodidade e mais confiança O economista e também adepto da modernidade na hora de pagar as contas, Francisco de Assis Mourão Júnior, explica que a principal vantagem das novas formas de pagamento é a comodidade. Conforme ele, fatores sociais como o aumento da população e problemas de infraestrutura urbanas contribuíram para tornar a questão do tempo primordial. “Se uma pessoa sai de casa para ir ao banco perde tempo no trânsito, na fila do caixa, demora para resolver questões simples e perde inclusive dinheiro, pois poderia estar se dedicando a outras atividades”, argumenta. Segundo Mourão Júnior, por mais que cartões de crédito, débito e boletos facilitem a vida, a evolução do pagamento na internet em casa para o celular é o fator diferencial e por esse motivo virou “moda” entre os consumidores antenados. “Poder escanear um código

de barras de uma conta de luz e efetuar o pagamento, como já é possível por meio de aplicativos para smartphone, represen-

Cheques e carnês de loja ALEXANDREFONSECA

t a u m ganho de tempo para aqueles cuja rotina é agitada” opina. “Revoluções” Além dos aplicativos como o Barcode scanner para Android, que escaneia contas pelo celular, o economista cita outros exemplos de “revoluções” bancárias. Uma delas é o leitor de cartão como o Pagseguro, instalado no celular e que funciona com o chip de qualquer operadora

Número cada vez maior de empresas têm disponibilizado meios para que pagamentos sejam efetuados de forma mais cômoda

Com o surgimento das novas tecnologias, o uso de formas antigas para pagar pela compra de produtos, como o cheque prédatado, por exemplo, tem diminuído. De acordo c o m pesquisa mensal divulgada pela Serasa Experian, no acumulado entre janeiro e setembro deste ano, 2,7 milhões de cheques foram compensados no Amazonas, uma redução de 3,5% frente o mesmo período do ano passado. Outra pesquisa promovida pela Câmara de

Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus) mostrou que em outubro, com a proximidade do Dia das Crianças, apenas 0,2% dos consumidores entrevistados pretendia pagar suas compras com cheques. Os pagamentos com crediário e carnês responderam por 0,6% do total e os efetuados com cartões próprios de loja por 4,8% das intenções. Para o economista Francisco de Assis Mourão Junior, a tendência é de que essas antigas formas de pagamentos, antes populares entre consumidores e contribuintes, desapareçam. “Essas modalidades existiram em uma época em que não havia automatização de dados e mesmo quando passou a existir, transações dessa forma não eram seguras. Mas agora, os tempos mudaram e a expectativa é de o moderno domine completamente o antigo”, finaliza.


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Economia

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‘Piaçabeiros’ irão ganhar subsídios para produção

ARQUIVOEMTEMPO/JOELROSA

O subsídio estadual deve ser concedido aos 551 piaçabeiros até dezembro de 2014. Hoje a principal reclamação dos coletores extrativistas é baixa remuneração JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

O

s piaçabeiros do Amazonas podem comemorar. Até o final de 2014, os 551 produtores extrativistas de piaçava – fibra tradicionalmente usada para a confecção de vassouras e cestos – do Estado devem conquistar um subsídio estadual de R$ 0,35 como forma de adensar a cadeia produtiva da matéria-prima regional, de acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento do Amazonas (SDS). O valor acrescido vai se somar ao preço mínimo pago aos extrativistas (R$ 1,20) e

ao subsídio já concedido pelo Governo Federal (R$ 0,25), totalizando um novo preço base de R$ 1,80. O aporte estadual, ainda em processo de aprovação, faz parte de um projeto de fortalecimento e consolidação da cadeia produtiva da piaçava no Amazonas e de ampliação do envolvimento do Governo Estadual no processo. Segundo a secretária executiva Adjunta de Florestas e Extrativismo da SDS, Sila Mesquita para garantir o acréscimo na renda dos extrativistas, um trabalho de inclusão da piaçava na política estadual de subvenção econômica voltada aos produtos da sociobiodiversidade (Lei 2.611 /2000) está em execução.

Obstáculos e superações De acordo com a representante da SDS, a inclusão da piaçava entre os produtos beneficiados pela política de subvenção estadual é uma demanda antiga das populações extrativistas. Isso porque, conforme explica, embora possua mercado o ano inteiro para escoamento da produção, o preço pago ao coletor de fibra de piaçava em determinadas áreas é considerado irrisório, em comparação ao investimento físico e financeiro exigidos

pela atividade. A coletora extrativista, Odete da Silva, 32, por exemplo, conta que gasta de 15 a 20 dias apenas para montar a estrutura de extração no rio Araçá, próximo ao município de Bacelos. “Depois de montado o acampamento fico de dois a três meses colhendo a fibra e armando os mantos para a venda”, explica. Odete não reclama do trabalho que exige força física e paciência. Para ela, a queixa é a baixa remuneração. Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro são alguns dos produtores

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

P&D: calma, luxo e volúpia! Nos velhos e bons tempos de ginásio no Colégio Dom Bosco, padre Humberto Vieira de Barros insistia, por razões literárias e pedagógicas, em deixar clara a diferença entre ousadia e temeridade. Destacava as vantagens de ousar para avançar nos projetos e propósitos de crescimento, na vida e na fé, e orientava sobre as surpresas da conduta temerária, aquela que frequenta o risco e pouco se importa com a possibilidade da tragédia. Essa lembrança foi provocada pelos últimos relatos da discussão nacional do modelo Zona Franca, reforma fiscal e unificação do ICMS. Na votação da Comissão de Assuntos Econômicos-CAE, do Senado Federal, a aposta foi na audácia de reivindicar a manutenção das vantagens competitivas e isso, aos olhos de críticos desavisados, acabou virando temeridade, com a atração da antipatia dos demais estados que relutam em aceitar a vantagens constitucionais e fiscais do modelo econômico local. Dizendo de outra maneira: a manutenção provisória e audaciosa dos benefícios

fiscais da ZFM se transformou numa enzima temerária que precipitou a reação coletiva dos parlamentares no Congresso e secretários de Fazenda de todo o país no Confaz contra a manutenção dos 12% para as transações com o Polo Industrial de Manaus. O jornal Folha de São Paulo, na edição de domingo, dia 16, trouxe uma reportagem ampla sobre renúncia fiscal com mais um destaque distorcido para a Zona Franca de Manaus, colocando-a em terceiro lugar entre os privilegiados do país, ao lado de outros beneficiários que auferem vantagens efetivas sem contrapartida para o interesse nacional. O jornal, a mídia geral, a opinião pública, os parlamentares de outros estados – a rigor – não têm obrigação de destacar as diferenças entre os beneficiários das isenções tributárias. Esta é uma responsabilidade de todos nós que aqui trabalhamos e cumprimos, nesta porção ign ota, um papel estratégico, vital, essencial para o país. Aqui produzimos - sem chaminés nem poluição dos rios -

motocicletas, televisores, celulares, relógios, concentrado de bebidas, entre vários itens, incluindo oxigênio. Sim, com essa floresta exuberante, produzimos oxigênio limpo e vital. Assim ajudamos o Brasil, o mundo e os seres vivos a respirarem melhor e evitar o agravamento das mudanças climáticas E se o país insiste em ignorar tudo isso é responsabilidade única e exclusiva de todos nós. Até bem pouco tempo, nessa guerra fiscal, o Estado de São Paulo era o maior e, frequentemente, o único desafeto, alvo constante de Ações Constitucionais na Suprema Corte. Com a recente discussão da unificação do ICMS, aliados históricos passaram a reivindicar vantagens fiscais em nome dos benefícios concedidos à ZM, alguns se afastaram a ponto de promover um isolamento do Amazonas em relação aos demais estados da federação, razão pela qual a Reforma Fiscal foi estrategicamente congelada até a definição política do próximo ano, à vista dos riscos eleitorais da manutenção explicita do apoio presidencial ao modelo.

Por que segurar até lá a ousadia de convencer o país sobre a importância de manter 98% de nossa floresta preservada? Por que não convidar o Brasil descobrir que 60% de seu território é uma fantástica floresta, onde existe uma indústria sem chaminés, dentro de uma poderosa e monumental fábrica de transformação de carbono que compromete a atmosfera em madeira tropical, formando o ecossistema de maior biodiversidade do planeta? Este parque industrial existe pra isso, sua estrutura fiscal está na Constituição Brasileira. E ao resguardar a floresta, onde brota um quinto de todos os princípios ativos do planeta e representa a cobiça maior de toda humanidade, o modelo ZFM mantém a soberania brasileira sobre este patrimônio. É um tesouro biológico que o Brasil, se quiser investir em pesquisa, pode usar com inteligência para produzir remédios, cosméticos, alimentos e energia limpa. Precisamos, apenas, de mais cientistas – só temos 500 em atividade - que transformem esse bioma fantástico

na cura das doenças, na magia e beleza dos cosméticos tropicais e na prosperidade geral da produção de alimentos para os brasileiros e para toda a humanidade. O Brasil ataca a indústria da Zona Franca, é importante dizer, porque desconhece que ela financia integralmente a Universidade do Estado do Amazonas, a única do Brasil presente em todos os municípios de um Estado. E são 62 municípios espalhados no Amazonas, um Estado que é maior que a Europa Ocidental. As indústrias patrocinam o turismo, as cadeias produtivas de agroindústria no interior e ajudam na moradia, na segurança e na educação dos jovens, distribuindo anualmente aos municípios em torno de um bilhão de rea is. E longe de ser confundida com paraíso fiscal, a Zona Franca - o Brasil não sabe disso - responde por 60% dos impostos pagos pela Região Norte para a União. De toda riqueza produzida neste modelo, segundo estudos da Universidade de São Paulo, 53% é devolvida ao governo, para cumprimento de suas atribuições constitucionais. É injusta e leviana a equiparação da isenção fiscal do modelo Zona Franca com as demais formas de isenção promovidas em outras regiões do país. Quando o Brasil reduz imposto seu objetivo é ajudar regiões isoladas e desfavorecidas. Para toda a Região Norte, incluindo a Zona Franca, o governo incentiva o desenvolvimento com 17,8% de isenção de alguns impostos, enquanto a região Sudeste, a mais desenvolvida, usufrui 48% desses benefícios fiscais para seu desenvolvimento. As verbas do BNDES, na mesma lógica, são destinadas prioritariamente ao Sudeste. E com essas isenções a indústria produz 120 mil empregos, com média salarial para 90% dos trabalhadores de R$ 1.732,42, ou seja, 2,56 salários mínimos, gera, ademais, 600 mil empregos indiretos, além das atividades das cadeias produtivas no interior, no comércio local e por todo o país. A Zona Franca – o país precisa saber - não é de Manaus é do Brasil, pois gera empregos e benefícios em todo território nacional, oferece produtos de qualidade, a preços acessíveis e, principalmente, guarda, de forma competente e responsável, o tesouro de nossa biodiversidade. Está na hora do Brasil conhecer o Brasil, e passear por sua floresta. PS.: a Suframa está debatendo a revisão do uso das verbas de P&D, uma chance singular de qualificar trabalhadores e estudantes em biotecnologia e áreas afins, para empinar de vez a biópolis, o Vale do Bioma, pra fazer da vida que aqui pulula, oportunidades com sustentabilidade.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

De toda riqueza produzida nesse modelo (ZFM), segundo estudos da Universidade de São Paulo, 53% é devolvida ao governo, para cumprimento de suas atribuições constitucionais


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‘Vingança pornô’ contra ex já é julgada por tribunais Casos em que antigos parceiros divulgam fotos íntimas do casal crescem, assim como ações começam a tramitar na Justiça brasileira

E

m uma época de smartphones e de pessoas que ficam 100% do tempo conectadas, a raiva temporária do fim do relacionamento está a um clique de ser eternizada na internet. Casos de vingança pornô, em que ex-parceiros divulgam fotos íntimas do casal, já são comuns nos tribunais brasileiros. No Congresso, tramita proposta para estender a Lei Maria da Penha aos crimes virtuais. Vídeos de uma universitária de 19 anos, de Goiânia (GO), fazendo sexo oral no examante se espalharam nas últimas semanas por meio do aplicativo WhatsApp. Pela gíria virtual, ela “caiu na net”. A imagem dela fazendo o sinal de OK com os dedos virou piada e passou a ser imitada nas redes sociais. E a vida da jovem virou um inferno do dia para noite. “Ela está afastada do trabalho, porque há muito assédio na loja em que trabalha, gente que não tem nada o que fazer começou a ir lá”, conta a delegada Ana Elisa Martins, que apura o caso. Apesar de o ex-amante ter feito o filme e ser o principal

JOÃO ARRUDA/ABR

suspeito de vazar o arquivo, a polícia encontra dificuldades em obter provas disso. “O WhatApp é um programa sem memória, então estamos procurando testemunhas que tenham recebido o vídeo dele.” Vazamento O advogado José Carlos de Araújo Almeida Filho, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Eletrônico, diz que “ainda estamos na fase de definição do que pode ser usado como prova eletrônica”. O vazamento de imagens, porém, é passível de responsabilização criminal. “Dependendo da forma como a imagem é veiculada e se tem outro conteúdo além da imagem, pode ser encarado como injúria ou difamação”, afirma. Ele diz que, apesar de as vítimas autorizarem as imagens, os registros foram feitos em ambiente íntimo, o que deve ser preservado. Na Câmara Federal, um projeto do deputado João Arruda (PMDB) quer criar a lei “Maria da Penha Virtual”. “Queremos que quem divulgue imagens responda por violência doméstica e seja preso”, diz.

ONU também denuncia discriminação Uma série de anúncios especialmente desenvolvida para a agência da ONU para as mulheres (ONU Mulheres) usa resultados de buscas genuínos encontrados no Google para colocar em evidência a discriminação e o sexismo contra mulheres. Os anúncios expõem sentimentos negativos que vão desde a esteriotipização das mulheres até a negação de seus direitos, por exemplo, “mulheres não podem dirigir” e “mulheres precisam ser controladas”. “Quando deparamos com esses resultados de pesquisa, ficamos chocados com o quão negativos eram e decidimos que tínhamos de fazer algo”, disse Christopher Hunt, da agência que criou os comerciais. Deputado federal João Arruda quer mais rigor para os acusados de crimes pela internet

BRASIL

ATÉ 2014

Erradicação de lixões questionada

ONG destaca esforço para reduzir mortalidade infantil

REPRODUÇÃO

Palestrantes da 4ª Conferência Nacional de Meio Ambiente consideram muito curto o prazo até agosto do ano que vem para erradicar os 3 mil lixões do país. A data foi estabelecida na Lei 12.305, de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Pela lei, depois do ano que vem, o Brasil não poderá mais ter lixões, que serão substituídos por aterros sanitários. Além disso, os resíduos recicláveis não poderão ser enviados para os aterros sanitários. Os municípios que desrespeitarem a norma podem ser multados. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) defendeu a revisão do prazo fixado na lei. “É um prazo curto para a implementação da política. Não se trata de dizer que vamos abrir um novo prazo para o município não fazer. É que, com esse prazo, não vai dar tempo de fazer algo benfeito.” Para o

deputado, o prazo apertado está aumentando a pressão sobre os prefeitos, e muitos estão recorrendo à incineração dos resíduos para que eles não sejam envidos aos lixões. “A incineração está sendo vendida como a solução de todos os problemas, mas não é a solução. Se não ajudarmos os municípios, vamos colocar os prefeitos nas garras da lei, sendo que eles não têm como resolver.” Segundo o secretário de Gestão Ambiental de São Bernardo do Campo, em São Paulo, João Ricardo Caetano, além de acabar com os lixões, será preciso, na sequência, tratar o passivo ambiental gerado pela disposição inadequada de resíduos ao longo dos anos. “Temos quase 3 mil lixões espalhados em 2.800 cidades. A legislação aponta a eliminação dos lixões até 2014, e isso é um problema”, ressaltou.

Lixões têm prazo de validade, mas lei recebe novas críticas

O esforço do Brasil para combater a mortalidade infantil (até 5 anos de idade) é citado como exemplar em relatório da organização não governamental (ONG) Save the Children. Segundo o relatório, isso se deve à prestação sistemática de programas de imunização, aos cuidados de saúde voltados para comunidades carentes e a melhorias em saneamento básico. Segundo o documento, a experiência de países como o Brasil comprova que a erradicação de mortes evitáveis relativas a essa parcela da população depende da construção de sistemas de saúde com serviços de qualidade e acessíveis a todos os segmentos da sociedade, incluindo comunidades de difícil acesso, grupos vulneráveis e populações menos favorecidas. O relatório ressalta que, em 1990, a taxa de mortalidade infantil no Brasil era 62 mortes por mil nascidos

vivos. “Em uma geração, o país reduziu a mortalidade infantil em mais de três quartos, para 14 mortes por mil nascidos vivos.” O documento enfatiza que, com isso, o país conquistou patamar inferior ao considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como limite para classificar o cenário de erradicação da mortalidade infantil – 20 mortes por mil nascidos vivos. A organização também destaca que, em todo o mundo, houve importante redução no índice, que caiu quase pela metade entre 1990 e 2012, passando de 12 milhões de crianças por ano para 6,6 milhões, mas destaca que o conjunto de países ainda está longe de atingir a Meta do Milênio, definida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que determina a redução dessas mortes em dois terços entre 1990 e 2015.


País

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‘Espionagem faz o mundo se voltar contra os EUA’ A

presidente Dilma Rousseff afirmou no final de semana que será cada vez mais crescente a manifestação de países democráticos contra a espionagem política e comercial praticada pelos Estados Unidos. Dilma voltou a pedir regulamentação internacional para a internet. O comentário da presidente brasileira ocorreu em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte (MG), quando questionada sobre as novas revelações de que o celular da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, também foi grampeado pela espionagem americana. Dilma, que, a exemplo da Petrobras, foi vigiada pela (Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), voltou a afirmar que a espionagem é “inadmissível”, porque viola os direitos e a soberania do país, dos seus cidadãos e das suas empresas. Ela repetiu que transmitiu ao presidente norte-americano, Barack Obama, a “inconformidade do governo brasileiro” e que ele “tem se comprometido a avaliar e tomar as medidas cabíveis”. Dilma, contudo, acha que cada vez mais ou-

ABR

Presidente Dilma Rousseff admite que será cada vez mais crescente o número de países contra a espionagem americana tras nações levantarão as suas inconformidades. Reação “Eu quero dizer que crescentemente haverá uma reação dos países, porque ninguém, eu acredito, nenhuma nação democrática vai admitir essa quebra da soberania, essa vio-

ABSURDO

Dilma, que, a exemplo da Petrobras, foi vigiada pela NSA, voltou a afirmar que a espionagem é “inadmissível”, porque viola os direitos e a soberania do país, dos seus cidadãos e das suas empresas Dilma reclama das supostas ameaças de espionagem contra o seu governo protagonizadas por agências dos Estados Unidos

lação dos direitos humanos, dos direitos civis de sua população, que é isso que se faz por meio da agência nacional de segurança americana”, afirmou. Ela disse que o governo brasileiro recebeu a solidariedade dos vizinhos do Mercosul e que nesta semana “ vários líderes mundiais se manifestaram de forma bem dura”. Ela citou o governo francês e a chanceler alemã, Angela Merkel.

Presidente sugere criação de ‘marco civil’ Por isso Dilma voltou a defender que seja criado um “marco civil multilateral para governança internacional e uso da internet”. Com isso, a presidente brasileira considera que poderá haver mais proteção para

os dados que trafegam pela internet, garantindo privacidade comercial e das pessoas. Esse marco, segundo ela, também eliminaria a argumentação do combate ao terrorismo, como usado pelos EUA para justificar

a espionagem. “(É também) Para impedir que qualquer argumentação de combate ao terrorismo, que não cabe nem no meu caso, {...] e acredito que não caiba também na violação do celular da primeira-ministra

Angela Merkel. Impedir que isso seja usado como álibi para a guerra cibernética”, disse. Segundo Dilma, a proteção a essa rede é “essencial para a construção da democracia no mundo”.


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Mundo

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Metade da população síria está na miséria, diz estudo Com economia em franca queda, após dois anos de guerra civil, população síria amarga a pobreza e a miséria em seu país

A

guerra que devasta a Síria destruiu os meios de subsistência e levou ao colapso da economia, mergulhando na pobreza mais da metade da população, de acordo com um estudo encomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Mais da metade da população vive na pobreza, com 7,9 milhões de pessoas que se empobreceram desde o início da crise. Entre elas, 4,4 milhões estão em situação de extrema pobreza”, diz o relatório que acaba de ser publicado. O desemprego atingiu 48%, o sistema de educação é “desastroso”, com 49% das crianças que abandonaram a escola, e o sistema de saúde está passando por um “grande colapso”. Milhões de pessoas fugiram de suas casas; mais de dois milhões, de seu país. Isso deve fazer dos sírios a maior população de refugiados do mundo até o final de 2013. O PIB sofreu uma “queda dramática”, com uma “contração de 34,4%” no primeiro trimestre de 2013 e 39,6% no segundo, em comparação com 2012. “A economia síria sofre com

AP

a desindustrialização maciça, devido ao fechamento de empresas, falências, evasão fiscal, saques e destruição”, observa o relatório.

cia, onde extorsão, contrabando e crime (...) colocam em perigo aqueles que fazem negócios de forma legal” assegura o estudo.

Perdas Até o segundo trimestre de 2013, a economia havia perdido 103 bilhões de dólares, o equivalente a 147% do PIB

Contrabando O desaparecimento de postos de trabalho e o “estado de caos” levam algumas pessoas a recorrer ao contrabando, a sequestros e a saques para sobreviver, principalmente nas áreas de fronteira e em zonas de combate. Diante da fuga da mão de obra e do capital, a economia agora tem a estrutura de um país subdesenvolvido: a agricultura é responsável por 54% do PIB, com “uma proporção sem precedentes”. Este estudo foi encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) ao Centro Sírio de Pesquisa Política, com sede em Damasco. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) começaram uma campanha de vacinação em massa no país, após relatos de um possível surto de poliomielite detectado no início deste mês, na província de Deir al-Zour.

COLAPSO

O desemprego atingiu 48%, o sistema de educação é “desastroso”, com 49% das crianças que abandonaram a escola, e o sistema de saúde está passando por um “grande colapso”

em 2010. O investimento e o consumo, público e privado, têm registrado uma contração, enquanto cresce a “economia informal” e o crime, o que terá “consequências graves para a economia no pós-guerra”, adverte o estudo. “Cada vez mais, os empresários operam em mercados caracterizados pela violên-

Maioria do povo sírio se refugia em acampamentos de países vizinhos como forma de fugir da guerra


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

RENZO BOSCOLI/OI FUTURO

Bototerapia, um projeto de futuro Dia a dia C4-C5

Todos contra os rodeios! ONGs usam redes sociais para mobilização contra a realização de torneios envolvendo animais, considerados como forma de maus-tratos, com a proximidade da 40ª Exposição Agropecuária do Amazonas, no final de novembro

DIVULGAÇÃO

Os rodeios se tornaram alvo de críticas de defensores de animais, que veem na atividade uma forma de tratamento cruel aos bichos. Grupos preparam manifestação por ocasião da Expoagro ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

O

rganizações Não Governamentais (ONGs) ligadas à causa animal estão preparando uma petição pública para ser entregue tanto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) como ao Ministério Público Estadual para embargar a realização de rodeios no Estado. O movimento se intensificou com a proximidade da 40ª edição da Exposição Agropecuária do Amazonas (Expoagro), que vai acontecer no final de novembro no quilômetro 4 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), município de Iranduba, palco dessas atividades “esportivas”. A exemplo das manifestações que marcaram o ano, esse protesto usa as redes sociais para conseguir mais adeptos à causa, sob a constatação de que os rodeios, longe de serem uma atividade de lazer, significam maus-tratos aos animais.

Uma simples foto se torna um viral na internet e gera comentários por todos os cantos do país. Foi assim que a imagem de uma menina no Facebook com um cartaz contra a prática do rodeio se espalhou. Nos rodeios que acontecem

INICIATIVA

A exemplo das manifestações que marcaram o ano, esse protesto usa as redes sociais para conseguir mais adeptos à causa, sob a constatação de que os rodeios significam maus-tratos pelo país, defensores dos animais se mobilizam e geram manifestos contra o ato, que afirmam ser uma forma de maus-tratos aos animais, mas os responsáveis pela organização e até mesmo os conselhos veterinários apoiam a atividade, considerada uma

simples “prática de esporte”. Para o representante da ONG Pata, o funcionário público Diego Alencar, 25, a prática do rodeio não deveria existir no Estado. “Além dos maus-tratos que ocasionam ao animal, os rodeios são práticas que não fazem parte da nossa cultura e não vejo o motivo de investir em algo assim, pois precisamos de coisas mais importantes em nossa cidade”, disse. Alencar explicou que a prática do rodeio, além dos maus-tratos, estressa os animais. “Há vaqueiros que colocam um tipo de esporão na ponta das botas para agitar ainda mais os animais e isso acaba os machucando, fora outros problemas que podem ocasionar”, disse. De acordo com Alencar, as manifestações são realizadas em todo o país, mas caso haja a criação da arena na Expoagro, as ONGs vão se organizar para impedir a prática dos rodeios, como também das continuidades das atividades da feira.

Veterinários se dizem favoráveis Um dos médicos veterinários, fiscal agropecuário estadual da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), que organiza a Expoagro, Christian Bernadd, explicou que manifestações como essa programadas pelas ONGs só acontecem no período da feira, mas garantiu que mais de quatro rodeios acontecem ao ano. Para o veterinário, o rodeio é considerado uma prática de esporte de alto rendimento animal, sem maus-tratos, pois a corda utilizada apenas entrelaça a cintura do animal e não traz nenhum tipo de problema. De acordo com Bernadd, os animais utilizados nos rodeios têm mais três anos de vida além dos que não são criados para

o abatedouro, que vivem no máximo cinco anos só no Amazonas. “Nesse período de quatro a cinco anos é que estão pronto para os rodeios. Eles são os mais bem cuidados e tratados que os diferentes animais”, explicou. O rodeio se torna uma diversão e agrega mais ao entretenimento da Expoagro. O veterinário convida as ONGs e outras pessoas que são contra o rodeio para conhecerem as fazendas e a qualidade dos animais. “Para a realização do rodeio são envolvidos mais de 15 veterinários que acompanham tudo de perto, além de estarmos com a presença e autorização do CRMV”, explicou. O veterinário também informou que a pratica que realmente traz pro-

blemas aos animais são as vaquejadas, pois caso haja algum tipo de lesão, os animais são sacrificados no mesmo instante. Os riscos são maiores ao homem que também podem se lesionar. Um dos representantes do CRMV, o médico veterinário Paulo Carneio, informou que o parque de exposições é local de divulgação e difusão do que tem de melhor no setor primário, assim como de experiências, novos conhecimentos e tecnologias. Sobre os rodeios, o veterinário explicou que não existem evidências científicas que comprovem os maus-tratos e trata-se de atividade legal, portanto não haveria como me posicionar contrariamente à atividade.


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Dia a dia

Era uma vez um logr FOTOS: IONE MORENO

Inaugurado em 2008, o largo Mestre Chico substituiu as palafitas que enfeiavam a cidade. Hoje, a feiura volta na forma de abandono, depredação e total descaso, com espaço sendo esvaziado por conta da falta de infraestrutura

Vista geral do largo Mestre Chico durante o dia: cenário de tristeza que estraga um dos cartões postais de Manaus, alvo constante de vândalos e marginais que afugentaram o público IVE RYLO Equipe EM TEMPO

V

isitar o largo Mestre Chico, no Centro, pode ser um ato de coragem. É que hoje, o espaço esboça abandono e decadência, um cenário bem diferente daquele de 2008, quando aconteceu sua inauguração. A iluminação precária, o lixo espalhado por toda parte, as paredes pichadas e a falta de policiamento têm preenchido os 62.257 metros quadrados da área de lazer construída no lugar de palafitas, por um programa que buscava revitalizar áreas degradadas da cidade. Em plena luz do dia, é possível ver pessoas fazendo do largo um banheiro a céu aberto. Outras buscam o local para consumir entorpecentes. No espaço, a estrutura é precária, a maioria das lâmpadas foram arrancadas e as poucas que restaram não funcionam, as lixeiras foram quebradas e a grama compete espaço com o mato e lixo que invadiu a paisagem. As pichações e

investidas contra o mobiliário urbano denunciam o vandalismo, e o lixo que toma conta de toda a área, a falta de consciência. Além de evitar passar pelo local, os moradores das proximidades reclamam da falta de policiamento, que junto à

PROBLEMA

A falta de iluminação combinada à ausência de patrulhamento policial são os ingredientes suficientes para transformar o local de lazer em uma área perigosa para usuários e turistas ausência de iluminação, tem facilitado a ação de ladrões. “Fica muito perigoso pra quem passa à noite. Quando eu estudava aqui perto, sempre passeava por aqui, mas agora que moro próximo, nunca venho na praça por causa da escuridão, quase nenhum desses postes

funciona”, denunciou a estudante Bruna Silva, 18. O lixo espalhado por todo o largo também incomoda a estudante. “Aqui também é muito sujo. Falta consciência das pessoas. Além de jogar lixo na praça, tem gente que toma banho aqui e faz de banheiro, o que deixa ainda mais suja”, disse. A falta de iluminação combinada à ausência de patrulhamento policial são os ingredientes suficientes para transformar o local de lazer em uma área perigosa. No meio da tarde, é possível ver adolescentes consumindo álcool ou substâncias entorpecentes livremente, próximos aos quiosques, nos bancos da praça ou mesmo no coreto. Com medo de ser assaltado, o comerciante Raimundo Ferreira, 53, já adiantou o fim da jornada, para evitar qualquer surpresa desagradável. “Já vi muita gente sendo assaltada, mas graças a Deus ainda não aconteceu comigo, porque sempre saio mais cedo, quando ainda é dia”, afirmou.

Transeuntes se arriscam em passar pelo local, ocupado por usuários de tóxicos em pleno dia

Vazamento inunda o logradouro há dias, sem que nenhuma providência seja tomada efetivamente


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adouro...

Mais promessas de reparos Atualmente, a manutenção do largo do Igarapé Mestre Chico cabe ao Prosamim. Em nota, a administração do programa informou que além do Mestre Chico foram entregues outros seis parques com áreas verdes e para o lazer, que totalizam 216.546,39 metros quadrados e recebem manutenção de limpeza com o apoio da Secretaria da Região Metropolitana de Manaus (RMM), que é órgão estadual. Informou também que desde 2007 o programa tenta repassar os parques que construiu para a administração do Município. Para isso assinou convênios com a prefeitura através da antiga Manaustur, hoje Manascult,

Ponte escura favorece marginais

HISTÓRIA

O largo foi entregue em 2008 durante a primeira etapa do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), que retirou mais de mil famílias de palafitas

dos Anjos Silva, 44. Ele também denunciou a falta de interesse em deixar o espaço em condições de uso para a comunidade. “Se

não vão dar manutenção para conservar por que então construir? Isto aqui só é reformado na virada do ano para turista ver”, lamentou. O largo foi entregue em 2008 durante a primeira etapa do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) instituído pelo governo do Estado, que retirou mais de mil famílias que moravam em palafitas no local. O objetivo era oferecer opções de esporte e lazer e melhor qualidade de vida da comunidade próxima. Contudo, a área pouco é frequentada pelas famílias, que reclamam por não conseguirem usufruir da pista de caminhada, da ciclovia, das quadras e do campo de futebol. Ou ainda, não podem levar as crianças ao parquinho ou curtir o por do sol no coreto, sem grandes preocupações.

de estruturação e desenvolvimento de modelos alternativos de alianças público privadas (sociais) para promoção da gestão privada e ou compartilhada dos parques e praças (áreas reurbanizadas dos igarapés da cidade de Manaus). O plano, no valor de R$ 204.584, será elaborado pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) e custeado pelo Prosamim. Até o fim de 2014 serão entregues pelo programa mais 40 hectares de parques com áreas verdes e de lazer para a população na área do igarapé do Quarenta, na bacia do Educandos e na orla do rio Negro, na área da bacia do São Raimundo. CÉSAR AUGUSTO/ARQUIVO PESSOAL

dal Pessoa, vizinha da praça) têm café da manhã, almoço e jantar de graça. Eles deveriam vir limpar e ajeitar a praça pra pagar toda essa mordomia”, reclamou o eletricista David

para onde já repassou cerca de R$ 229.677,22 de um total de R$ 250 mil, para que o Município administrasse os locais, como faz nas demais áreas públicas de Manaus. O programa se comprometeu em fazer os reparos necessários dos equipamentos depredados, antes mesmo da entrega dos espaços públicos. Atualmente, o processo de repasse dos parques aguarda despacho no Gabinete Civil da Prefeitura. Por fim, explicou que para contribuir com a futura administração das áreas verdes, pelo município, o Prosamim também está finalizando a homologação e a adjudicação do plano

REPRODUÇÃO

Não é apenas a escuridão da praça que oferece risco. O comerciante Raimundo Ferreira apontou que a precária iluminação da ponte Benjamin Constant, onde foram investidos R$ 11.273.008 na restauração, também auxilia a ação de ladrões. “A ponte não tem mais lâmpadas e fica muito escuro. Também é perigoso passar por lá. E quem resolve passar por baixo também se arrisca”, disse. Além da sujeira e da iluminação precária, parte da praça também abriga uma enorme poça de água, que se acumulou após o rompimento de uma torneira. A “fonte” tem servido para refrescar o calor de quem passa pelo local. “Quem consegue sustentar uma família com um salário mínimo ganha isso aqui. Já aqueles ali (aponta para a cadeia pública Desembargador Raimundo Vi-

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Imagem do logradouro nos bons tempos: cenas substituídas por imagens de abandono

À noite, a ponte Benjamin Constant perde sua beleza e esconde a marginalidade


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Dia a dia

Os melhores amig Projeto utiliza botos-vermelhos para terapia com jovens portadores de limitações físicas e agora conta com patrocínio para otimizar suas atividades, cujos resultados são comemorados pelas famílias dos beneficiados

I

MELLANIE HASIMOTO* Equipe EM TEMPO

randuba-AM - A vida de Leonardo, Rayanne, Wendell, Ezequiel e de outras 600 crianças e pais já não é mais a mesma desde que passaram a fazer a bototerapia. A ação, criada pelo Instituto Anahata Bototerapia em parceria com a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), reabilita e fomenta o bem-estar de crianças portadoras de necessidades especiais. Agora, com o apoio do programa Oi Novos Brasis do Oi Futuro, a Ampa quer expandir e transformar o flutuante onde é feita a atividade em um ponto de ecoturismo, que inclui estudos do comportamento do boto-vermelho, melhorar a renda de uma comunidade ribeirinha e contribuir com a conservação ambiental. Nascido com pernas em alturas diferentes e sem os braços, Leonardo Cavalcante, 15, o Leozinho, como é chamado, tinha tudo para não ser bemhumorado. Fazendo piadas a todo momento, o jovem foi um dos primeiros pacientes da bototerapia e hoje o único menor a entrar na água junto com o fisioterapeuta Igor Simões, sem colete salva-vidas. Dentro d’água, aprendeu a nadar imitando o movimento

dos botos-vermelhos. “Vejo como eles fazem e faço igual. Hoje peguei ‘carona’ com um, nadei ao lado, e depois subi nele”, conta, animado. Resultado Wendell, 4, e Rayanne, 8, têm síndrome de Down. A primeira visita do pequeno foi um sucesso – tanto que ele não queria sair da água. Rayanne, tímida, tinha medo de tudo, conta a mãe, Deuzanira Cardoso. “Ela morria de medo de bicho, mas quando veio para cá, ganhou confiança e agora adora brincar”, revela. Já o pequeno Ezequiel, 6, foi diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Após a terapia, a mãe, Auxiliadora de Oliveira Ruiz, 53, afirma que o garoto até recebe elogios da professora. “Ele dormia uma hora e acordava, outra hora e acordava de novo, além dos problemas de coordenação motora. Agora está mais calmo”. Leozinho é o primeiro e único monitor do projeto. “Eu só caía, não conseguia me equilibrar”, diz enquanto calça os pés-de-pato, se preparando para entrar nas escuras águas do rio Negro. O jovem vai ao flutuante uma vez por mês. “O Leozinho não tem braços, mas

tem grandes asas. Ele me ensina a ser mais humano e a parar de reclamar das pequenas coisas. Ele é minha inspiração, meu ídolo”, diz o fisioterapeuta Igor Simões, que está à frente do Instituto Anahata. Baixo impacto A bototerapia é inspirada nos princípios da terapia assistida com golfinhos, que já

MÉTODO

Adaptada para a realidade local, a terapia é feita com o método Rolfing, um sistema de reestruturação corporal e educação do movimento no qual o profissional manipula o tecido conjuntivo existe há mais de 40 anos em diversos países. Adaptada para a realidade da região amazônica, a terapia é feita com o método Rolfing, um sistema de reestruturação corporal e educação do movimento no qual o profissional manipula o tecido conjuntivo que envolve e conecta os músculos e os ossos. Dessa forma, o corpo ganha equilíbrio e não preci-

sa gastar energia adicional para realizar movimentos básicos como manter-se em pé e caminhar. O trabalho foi iniciado em 2005, quando Simões, natural de Minas Gerais, chegou a Manaus e começou o contato com os animais. “Foi um trabalho que durou um ano. Passei muito tempo com os botos, nadando junto com eles para que eu e eles ganhássemos confiança. Até trazer o primeiro grupo de crianças da Apae, foram 800 horas dentro d’água”, explica Igor. Antes de cair na água e brincar com os botos, as crianças recebem instruções sobre como se comportar na presença dos animais, além da sessão gratuita de Rolfing. A diferença entre a terapia com golfinhos e a bototerapia é que, aqui, o trabalho é feito no habitat natural dos animais. “Trabalhamos com rigidez científica, pois há uma pesquisa feita pela doutora Vera Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), que faz um estudo sobre o comportamento dos animais. É um contato de baixo impacto, já que não queremos que os bichos se tornem dependentes da nossa presença aqui”, completa.

A bototerapia agora conta com patrocínio do instituto Oi Futuro, após s

Patrocínio é um problem Crianças com autismo, síndrome de Down, leucemia, má formação congênita, entre outras, participam da bototerapia. Desde o início, já foram mais de 600 atendimentos (contabilizando crianças, pais e, às vezes, ajudantes das famílias) e há uma fila de espera com mais de 70 crianças aguardando atendimento. Simões explica que, por ser um trabalho voluntário, é preciso ter dedicação. “O ideal seria trazer as crianças uma vez por semana. Mas, cada sessão

Crianças e jovens portadores de limitações físicas agora utilizam a bototerapia como uma forma de superar os obstáculos

custa por volta de R$ 3 mil – temos que alugar vans para buscar e levar as crianças, alugar o barco para nos trazer até o flutuante, fazer lanche. Tem gente que até vem algumas vezes, mas quando vê que muda muito a rotina, não continua. Eu mesmo sustento a terapia com o meu consultório, em Manaus”, diz o fisioterapeuta. Ou seja, a falta de patrocínio para a manutenção do programa afeta a quantidade de crianças que podem se beneficiar com a bototerapia.

Participantes do projeto com crianças e botos: carinho e cuidados que


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gos das crianças FOTOS: RENZO BOSCOLI/OI FUTURO

Valorização do meio ambiente A área do turismo que mais tem se destacado no mundo é o turismo de natureza. Pesquisadores acreditam que disseminar conhecimento é uma forma de contribuir para a valorização dos recursos naturais. Assim, os resultados de pesquisas oriundas do Inpa, em parceria com a Ampa, trouxeram uma preocupação. A preocupação em saber se o boto-vermelho ainda habitará a bacia hidrográfica amazônica surgiu quando estudos apontaram que a população de botos-vermelhos vem diminuindo 10% ao ano, em algumas regiões da Amazônia. “O motivo da redução da espécie é a caça. O animal é utilizado como isca na pesca de um peixe chamado piracatinga, que no Brasil é comercializado com o nome de douradinha”, informa a bióloga Vera Silva. Baseados nestes estudos e critérios que a Ampa e seus parceiros elaboraram um projeto pioneiro de turismo sustentável e interação de baixo impacto com botos-vermelhos no Estado do Amazonas: Ecoturismo

Amigo do Boto-vermelho da Amazônia, que foi selecionado pelo programa Oi Novos Brasis, do instituto Oi Futuro, em 2013, e compõe um dos projetos patrocinados pelo instituto na Amazônia. O projeto iniciou as atividades há três meses e já começou a se concretizar com a construção do flutuante que servirá como base para as atividades de interação com os botos. “É um excelente exemplo de como a empresa tem uma agenda de geração de valor mas também busca reverter seus resultados à sociedade”, afirmou o presidente da Oi. “O projeto me impressionou acima de tudo pela paixão do terapeuta. Parecia estar se divertindo, mas acima de tudo fazendo um belo trabalho, ajudando crianças a ultrapassar suas deficiências e confirmando que todos nós temos alguma, mas isso não deve nos impossibilitar de sonhar grande”, concluiu Zeinal Bava, presidente da Oi, durante visita à base do projeto, no início do mês. *A jornalista viajou a convite do Oi Futuro

seu projeto ser selecionado pelo programa Novos Brasis, desenvolvido pela instituição. Atividades acontecem no município de Iranduba

ma agora resolvido “Não dá para pagar alguém, por isso eu mesmo venho. Trago, no máximo, seis crianças em cada sessão, entro na água com cada uma, dou atenção individual. É um trabalho que exige um grupo forte e unido, como o Jone (César Silva, diretor executivo da Ampa), a Vera fazendo as pesquisas, entre outras pessoas”, destaca. Por isso, com o patrocínio da Oi, a Associação Amigos do Peixe-Boi vai investir na ampliação do flutuante aonde acontece a bototerapia e focar no eco-

turismo, a fim de fazer com que a comunidade São Thomé, em Iranduba, se torne um modelo de sustentabilidade. “Com o apoio da Oi, agora teremos o material para iniciar a captação de recursos para a manutenção da bototerapia, que precisa se tornar sustentável. Queremos fazer com que o modelo se repita nos outros lugares que fazem ecoturismo, de forma a normatizar a prática, já que aqui trabalhamos com rigidez científica”, completa Simões.

estimulam o desenvolvimento por meio do contato com a natureza

Leonardo Cavalcante, primeiro e único monitor do projeto: exemplo de superação que o torna referência na atividade


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Dia a dia

O retrato obscuro d Amazonas chegou à quarta posição de incidência de contaminação pelo vírus HIV, enquanto Manaus está em terceiro lugar entre as capitais. Falta de informação ainda impera, bem como o preconceito contra pacientes soropositivos

Silvana Lima, coordenadora estadual de DST/Aids e Hepatites Virais da Susam: deficiência ainda é grande quanto ao diagnóstico da enfermidade no interior, mas ações estão sendo executadas FILIPE AUGUSTO Especial EM TEMPO

O

Amazonas é o quarto Estado com maior incidência de Aids no Brasil e Manaus é a terceira entre as capitais, segundo dados do Boletim Epidemológico do Ministério da Saúde de 2012. A Região Norte está na segunda colocação do ranking. O número de casos de Aids está crescendo porque o principal meio de contaminação continua sendo a relação sexual desprotegida. Além disso, isso ocorre também por conta de alguns municípios que não têm uma política pública ou instituto que dê diagnóstico ou amparo de forma completa à população relacionado à doença, onde muitas vezes alguns paciente saem dos respectivos municípios a Manaus buscando assim uma melhor assistência. “Nós temos uma deficiência quanto ao diagnóstico no interior do Estado mas já começamos a ampliar nosso atendimento e trabalho devido à necessidade”, disse Silvana Lima, coordenadora Estadual de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). No Amazonas são 9.911 casos de Aids e 2.193 mortes devido à doença desde o primeiro caso registrado em 1986. Só em 2013 foram 640 novos casos de janeiro a agosto, com 148 mortes e 68% das pessoas que convivem com a doença são do sexo masculino enquanto do sexo feminino

são 32%. Aproximadamente 7.120 pacientes com HIV fazem tratamento, sendo que 94,5% fazem na Fundação de Medicina Tropical (FMT) e o restante 4,5% no interior. A faixa etária com maior incidência é entre 20 e 34 anos, mas essa realidade está mudando devido a uma variação de crescimento de 8% em pessoas com mais de 50 anos, enquanto com os jovens abaixo de 20 anos está oscilando entre 4%, pois a epidemia cresce devido a relações sexuais acontecerem de forma pre-

INCIDÊNCIA

No Amazonas são 9.911 casos de Aids e 2.193 mortes devido à doença desde o primeiro caso registrado em 1986. Só em 2013 foram 640 novos casos de janeiro a agosto, com 148 mortes

coce. No caso dos idosos, o uso de estimulantes sexuais faz com que eles se relacionem mais. Entre as mulheres o índice tem aumentando nos últimos 5 anos em nível nacional devido à “feminização da epidemia” onde as mulheres estão se infectando e, quando ficam grávidas, transmitem a doença à criança, que pode nascer contaminada devido a falta de acompanhamento médico e tratamento do HIV. Manaus O número de registros de

pessoas infectadas é de 616 em Manaus do início deste ano até agosto, segundo dados do Núcleo de Controle das DSTs-Aids da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), onde nos 67 bairros investigados da capital foi feito o teste rápido e constatado que o bairro da Cidade Nova, na Zona Norte, Compensa, Zona Oeste, e Jorge Teixeira, Zona Leste, são os bairros que têm mais casos registrados na investigação. Mulheres Segundo Adriana Raquel, Chefe do Núcleo da DST/ Aids, em Manaus o número de mulheres com o vírus HIV tem crescido por conta que seus parceiros não querem se proteger na hora da relação, fazendo com que isso aumente a ocorrência de casos. “A faixa etária de forma geral com mais contaminados é de pessoas de 20 a 34 anos”, afirmou Adriana. Atualmente está sendo adotado o teste pulsão digital, um exame que em 15 minutos revela se a pessoa está ou não com HIV. Antes, era possível apenas realizar esse tipo de teste em laboratório, o “Teste de Elisa”, cujo resultado demorava aproximadamente 45 dias. Os testes rápidos podem ser realizados em 27 unidades básica de saúde (UBS) da cidade e em três Serviços de Assistência Especializada DST/HIV/Aids, além da Fundação Alfredo da Matta, no bairro Cachoeirinha, Zona Sul, e a Fundação de Medicina Tropical, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste da capital.

Enfrentamento com dignidade A Semsa e a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) dão assistência para o paciente que for diagnosticado como soropositivo por meio de acompanhamento de nutricionista, psicólogo e infectologista, como é o caso de Geovane Soares, 25. Ele descobriu que tinha Aids aos 18 anos, depois de ser internado com toxoplamose, quando o médico pediu que ele fizesse o exame. “Quando descobri foi um choque, pois estava internado há 20 dias, e para mim foi uma ‘barra’, pois não descobri só, mas sim com minha mãe e família toda, mas estou superando de lá até hoje. Não tive depressão quando descobri, meu objetivo hoje é vencer na vida”, afirma. Segundo Geovane, a superação não veio só por conta da família, mas também

pelos grupos de apoio que o incentivaram. “Eu saio e me divirto, tenho uma vida normal, mas mudou bastante minha rotina. Tenho certos cuidados com horários, principalmente os de

ESFORÇO

Segundo Geovane Soares, a superação da notícia de ser portador do vírus HIV não veio só por conta da família, mas também pelos grupos de apoio que nunca deixaram de incentivá-lo tomar os medicamentos. Hoje estou num relacionamento onde a pessoa sabe que tenho HIV e ela me ajuda a viver.” A cada três meses, Geovane

tem que ir ao médico para pegar a medicação e tomálos diariamente. “Venho ao médico não só me consultar mas também conto os meus problemas do cotidiano, e isso me ajuda bastante”. Preconceito “O preconceito tem em todos os lugares, só que não ligo para o que as pessoas falam, chego até passar algumas informações pois elas não entendem e falam o que não devem”, declarou Geovane. Ele disse ainda que muitas pessoas não passam por perto dele quando sabem que eles têm HIV. Geovane não esconde que é soropositivo e chega até a orientar pessoas sobre a Aids. “Muitas pessoas que acabam descobrindo que estão com HIV chegam a me procurar às escondidas por causa da vergonha e do preconceito”, afirma.

Geovanne descobriu ser soropositivo aos 18 anos e hoje, com 25, é exemplo de determinação


d a Aids Prevenção e desafios para nosso Estado Implantar o teste rápido nos 62 municípios amazonenses vai desafogar e melhorar a assistência aos pacientes de todo o Estado, que vêm para a Fundação de Medicina Tropical, ajudando assim o sistema de trabalho, como, por exemplo, Tabatinga, Benjamin Constant e Rio Preto da Eva, que possuem centros de acompanhamentos, explicou Silvana Lima. “A política do Ministério de Saúde determinou que haja unidades de atendimento próximas a esses pacientes”, declarou. Um dos desafios é a ampliação também para testes para sífilis e hepatites, e principalmente teste para Aids com tuberculose, que têm uma relação próxima, e o ministério preconiza que todo paciente com tuberculose tem que fazer o exame.

Geovane Soares enfrentou o preconceito e hoje lida bem com o tratamento da doença

Frequência por bairro Cidade Nova, Zona Norte – 81 Compensa, Zona Oeste – 34 Jorge Teixeira, Zona Leste – 29 São José Operário, Zona Leste – 28 Alvorada, Zona Centro-Oeste – 23 FONTE AIDS EM ADULTO: SINAN NET/ DST – AIDS E HEPATITES VIRAIS/ DVEAM/ SEMSA

Posição dos Estados

Posição das capitais

1 - Rio Grande do Sul – 40,2

1 - Porto Alegre – 95,3

2 - Santa Catarina – 36,4

2 – Florianópolis – 71,6

2 - Rio de Janeiro – 31,5

3 – Manaus – 48,6

4 - Amazonas – 29,44

4 - Rio de Janeiro – 41,0

5 - Roraima – 27,65

5 – Belém – 40,8

6 - Mato Grosso – 21,56

6 - São Luís – 40,5

7 - Rondônia – 21,47

7 - Porto Velho – 40,2

8 - São Paulo – 20,68

8 – Recife – 35,5

9 - Amapá – 20,39

9 - Boa Vista – 34,7

10 - Espírito Santo – 20,3 FONTE: MS/SVS/ DEPARTAMENTO DE DST/ AIDS E HEPATITES VIRAIS.

10-Cuiabá – 34,3 FONTE: MS/SVS/ DEPARTAMENTO DE DST/ AIDS E HEPATITES VIRAIS.

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

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Dia a dia

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Plateia MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

plateia@emtempo.com.br

DIVULGAÇÃO

Teatro recebe única sessão de ‘Travessia’ (92) 3090-1042

Plateia 3

A manipulação do inconsciente Mensagens subliminares estão por toda parte, seja em livros, desenhos, filmes ou mesmo nas mais singelas animações infantis, e você pode ser vítima delas

á parou para pensar que uma simples propaganda na TV pode estar manipulando sua mente? Não é difícil de acreditar quando o assunto em questão é mensagem subliminar, o paradoxo da mídia mundial, que tanto tem atiçado polêmicas e debates ininterruptos. E não é só a publicidade que tem levantado controvérsias. O cinema, a música, as histórias em quadrinhos, os games, as vitrines das lojas e a poesia também estão incutidos de palavras que só o seu inconsciente é capaz de captar. Apesar de não ser motivo para desespero, psicólogos têm estudado cada vez mais a fundo a manipulação da mente por meio da mídia. No livro “Propaganda Subliminar Multimídia”, Flávio Calazans cita Marshall McLuhan para afirmar que “os anúncios são pílulas subliminares que vão, homeopaticamente, persuadindo o consumidor”. Nos dicionários de psicologia, subliminar é “qualquer estímulo produzido abaixo do limiar da consciência e que produz efeitos na atividade psíquica ou mental”. Obviamente que esse tipo de propaganda é ilegal e até imoral.

tipos de mensagens subliminares: a ambiental – que são os outdoors, “pois chamam a atenção com grandes frases ou desenhos, sendo que o produto está em letras pequenas”; o eletrônico – enquanto assistimos aos filmes no cinema, por exemplo, vimos centenas de propagandas que não percebemos, mas nosso cérebro as associa –; e o auditivo – que pode ser associado a músicas que mexem com nossos desejos e sentimentos. Sobre esse último, uma grande polêmica surgiu há alguns anos quando algumas canções – incluindo as de Xuxa e Roberto Carlos – escutadas de trás para frente juntavam novos fonemas e formavam outras frases ou palavras. Algumas intrigantes, como “Marquei um Xis”, que no sentido inverso virava “Exu”. No campo visual, as imagens captadas pelos olhos fazem mais de cem mil fixações conscientes por dia. Numa fração de segundo ela é invertida pelo nervo óptico e enviada ao cérebro (hipotálamo) para ser processada, explicam os especialistas. “O núcleo dessa área exerce controle de atividades das mais importantes do organismo, como o sono, a temperatura do corpo, o metabolismo da água etc”, explica Calazans.

Os tipos São reconhecidos hoje três

Taquicoscópio Também em seu livro, Ca-

TRICIA CABRAL Equipe EM TEMPO

J

lazans cita o exemplo do taquicoscópio, uma espécie de projetor de slides que joga um único slide na velocidade de 1/3.000 de segundo. “No cinema, é colocado ao lado do projetor do filme – cuja exibição é ao ritmo de 24 fotogramas por segundo – e fica repetindo a imagem – sobreposta ao filme – a cada cinco

Os anúncios são pílulas subliminares que vão, homeopaticamente, persuadindo o consumidor Flávio Calazans, escritor e pesquisador

segundos para dar a ilusão de movimento”, escreve. Na telona Esse controle da mente já teve exemplos notáveis como o do filme “Bernardo e Bianca”, da Disney, no qual aparecia a imagem de uma mulher nua em uma fração de segundo. Outro exemplo célebre é o filme “Rei Leão”, também da Disney, no qual aparecia a palavra “sex” no meio das estrelas na cena em que o leão subia ao topo da mon-

tanha. O mesmo acontece em “Kung Fu Panda”. Em um nível normal de consciência, ninguém percebe; no entanto, a reação das crianças a essas inserções deu briga na Justiça nos Estados Unidos. No desenho “Alladin”, uma mulher notou que o filho havia ficado agressivo depois de assistir ao filme. Especialistas descobriram posteriormente que o personagem principal proferira frases de estímulo à violência, captadas apenas pelo inconsciente dos espectadores. Segundo os estudiosos do assunto, não há opção de rejeição dessas mensagens, uma vez que elas fogem do controle dos consumidores. A primeira experiência com mensagem subliminar no cinema oficialmente ocorreu há quase 60 anos, quando um homem chamado Jim Vicary instalou em um cinema de Nova Jersey (EUA) um segundo projetor, o tal taquicoscópio. O aparelho projetou as frases “eat popcorn” (coma pipoca) e “drink coke” (beba Cola-Cola) sobre a tela durante a projeção do filme “Picnic”. O que aconteceu foi um aumento considerável de vendas dos dois produtos. Os jornais da época afirmaram que a mensagem escondida de “beba Coca-Cola” resultou num aumento das vendas do refrigerante em 58%, e “coma pipoca”, em 18% no consumo de pipocas.

O despertar dos estímulos A polêmica não para por aí. Nos Estados Unidos, os Beatles foram mencionados como emissores de mensagens subliminares, seja nas capas de seus discos, seja nas letras de suas canções. No Brasil, além das músicas de Xuxa e Roberto Carlos, há casos de frases esquisitas ouvidas de trás para frente em canções de Zélia Duncan, Renato Russo, Alceu Valença e do grupo Engenheiros do Hawaii que, de propósito, jogou em uma de suas músicas a pergunta: “por que você está ouvindo isso ao contrário?”. Na novela “Amor à Vida, atualmente no ar pela TV Globo, a abertura estaria exibindo todas as noites uma imagem “demoníaca”, entre outras mensagens subliminares. O mesmo teria acontecido na abertura da novela “O Clone”, em 2001. Os psicólogos citam também como grandes empresas, fabricantes de produtos alimentícios e de bebida induzem o consumidor. Ao fixar os olhos numa logomarca nas cores vermelho e ama-

relo, automaticamente, o indivíduo sentirá fome e sede. A cor azul estimula a vontade de beber algo gelado e por aí vai. O fato é que esse assunto nunca deixará de ser discutido. As telenovelas e os filmes continuarão usando a propaganda explícita e subliminar para atrair consumidores, e

CAPTOU?

O cinema, a música, as histórias em quadrinhos, os games, vitrines de lojas e a poesia também estão incutidos de palavras que só o seu inconsciente é capaz de captar

artistas continuarão a ser vítimas do próprio trabalho. Se você, um dia, sentir-se lesado e quiser tomar providências a respeito, que tal começar pelo Código de Defesa do Consumidor? Nele você terá uma base de como se defender da propaganda subliminar e reivindicar até mesmo indenizações por danos morais e materiais.


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 27 DE OUTUBRO DE 2013

Carlos Aguiar cpdaguiar@hotmail.com

Dr. Luiz Mário com toda a família.Aplausos!

Ele é realmente Garatido, autografou até um livro para o seu Boi,sob as vista de Rivaldo Pereira.

Rosiane com o marido João Rocha e Fábio Mendonça

Dr. Luiz Mário com o querido neto Leonardo

Luiz Mário Peixoto com sua mulher Ruth.Sua maior incentivadora.

A hora de parabenizar , sob aplausos

Lena e Clemilton Melo ladeiam o anfitrião Luiz Mário

>> Rota aérea de um médico feliz *Luiz Mário Peixoto tem várias paixões, a mulher, a família, o neto, a vida e mais medicina, onde exerce a cardiologia com na sua Clinicor e aviação, onde tem avião próprio, e é o presidente do Aeroclube do Amazonas. Isto posto, ele escreveu um livro de memórias “A Rota Aérea da vida de um Médico”, que foi lançado dia 23, no Hangar principal do Aeroclube. Muita animação, música do Carlos Batata, Boi Garantido com todos os itens e lista de presentes, todos ávidos para pegarem autógrafo do escritor. Enfim, teve bolo com vela que o neto Leonardo apagou com o anfitrião. Hoje, ele já viajou, pilotando seu Saratoga, até a Patagônia em férias! Boa viagem! (fotos de Ismael Neves) Os livros fizeram o maior sucesso.

Maristela e Ruth Peixoto

Marfisa Grilo esperando seu autógrafo de Luiz Mario.

Eles realmente são Garantido: João Rocha e Luiz Mário.

Ele e seu avião. Pura paixão!

O oftalmologista Octaviano Dutra e o Dr. Luiz Mário.

Edmar Costa esperando o autógrafo do Luiz Mário

José Fernando-Zica, Expedito Teodoro e Justina Silva.

Adilson, Luiz Mário Peixoto e Dr. Herbert Mc Combo.

O presidente e seu Vice do Aeroclube do Amazonas, leia-se Luiz Mário Peixoto e Antonio Abreu.

O médico/aviador Luiz Mario com o deputado Sínésio Campos


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O musical Travessia no

palco do Teatro Amazonas Projeto Vivo EnCena traz a capital o grupo Ponto de Partida, que faz única apresentação, com o musical “Travessia”

C

om patrocínio da Vivo, por meio do projeto Vivo EnCena, e apoio institucional da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas, O grupo Ponto de Partida chega a Manaus com “Travessia” - o musical que representou o Brasil nos 50 anos da Unesco, em Paris. Há mais de 20 anos em cartaz, Travessia já se apresentou em centenas de cidades brasileiras e também na África - na reinauguração do Teatro Avenida, em Angola, após a revolução - Europa e América do Sul, tornando-se o espetáculo mais assistido da trupe. Manaus receberá pela primeira vez o grupo Ponto de Partida, hoje no Teatro Amazonas. Após o espetáculo, acontecerá uma edição da série “Encontros Vivo EnCena”, que contará com a participação do grupo a partir do tema “Teatro e Transformação” com mediação de Expedito Araujo, curador do Vivo EnCena. Em sua passagem por Paris, foi aclamado como “um espaço mágico onde o público e os artistas celebram a vida”, pois Travessia não é apenas um show e também não é teatro. É uma mistura saborosa que leva o espectador por uma viagem. Ele conta a história do trabalho, da luta e da festa do povo brasileiro e faz um passeio por nossa música em grande companhia: Villa Lobos, Tom Jobim, Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Elomar, Gonzaguinha...

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Às vezes a música é o texto dramático, às vezes, apenas o ritmo é o condutor e, às vezes, ainda a cena determina a música. Em todas essas formas, quase sempre, o resultado é surpreendente. Em “Travessia”, o grupo Ponto de Partida continua sua pesquisa de linguagem em que o ator é o centro da encenação. Ele canta, dança, interpreta, empresta seu corpo para desenhar o espetáculo. O palco está nu e os elementos de cena tanto são signos para leitura do espetáculo, como instrumentos de percussão. O espetáculo além de apresentar-se em várias cidades brasileiras, tem uma carreira essencialmente internacional, com temporadas na África, na América Latina e na Europa. É um espetáculo que tem o jeito e o cheiro do Brasil. Que ritualiza nossa alegria, brinca com nossos ritmos. Que está desenhado com nossa negritude e nossa latinidade. Nossa intenção é cantar nossas

raízes e nossos sonhos, nossas particularidades e nossos pontos de contato com todo homem. Enfim, “Travessia” quer ser um ritual, uma festa. Um espaço mágico onde o público e os artistas celebrem

ENTRADA

Os ingressos para o espetáculo Travessia, podem ser trocados por um livro de histórias, novo ou em bom estado, na bilheteria do teatro. A doacão dos livros irá para o projeto Mania de Ler a vida! Não haveria, então, espetáculo melhor para consolidar a parceria do projeto Vivo EnCena com o Ponto de Partida e para inaugurar a relação do grupo com a cidade de Manaus. “O Vivo EnCena é

voltado especialmente para projetos envolvidos em processos contínuos e que visam a formação, reflexão e transformação a partir do fazer teatral, comprometidos com pesquisas de linguagem e com o compartilhamento de metodologias, inovações, experiências e resultados. Pensamos no protagonismo também do público, com ações que vão além do espetáculo”, afirma Expedito Araújo, curador artístico do Vivo EnCena. Além das apresentações, outras ações vêm sendo possibilitadas, como workshops e intercâmbio com outros grupos culturais de todo o país. Com 32 anos de trajetória, o grupo Ponto de Partida estabeleceu-se como uma referência na investigação teatral. Pesquisou e desenvolveu uma linguagem única para musicais brasileiros e adaptou para o teatro obras de autores renomados.

O espetáculo já passou por várias cidades brasileiras

SERVIÇO TRAVESSIA GRUPO PONTO DE PARTIDA Quando Hoje, às 19 horas - Única apresentação Onde Teatro Amazonas Classificação Livre Informações (92) 3622-2420 / 3232-1768

SAMBÓDROMO

Balada sertaneja em novembro Está confirmado para o dia 23 de novembro o show das duplas Jorge e Matheus, Humberto e Ronaldo e os românticos Matheus e Kauan, que desembarcam em Manaus para o último show sertanejo do ano. O espetáculo acontece no Centro de Convenções (sambódromo), sob a realização da produtora Fábrica de Eventos. “Será uma grande festa com atrações que dispensam comentários, e que vão nos proporcionar um repeteco do Vila Mix, que foi um sucesso”, adianta Bete Dezembro, uma das coordenadoras do evento. O show sertanejo promete, além de um vasto repertório de sucessos, muita emoção e romantismo para aproveitar e curtir ao lado de quem se gosta. A nação sertaneja vai vibrar e cantar antigos sucessos como “De Tanto Te Querer”, da dupla de Goiânia Jorge e Matheus,

Travessia representou o Brasil nos 50 anos da Unesco

e outros mais recentes como “Preciso amar de novo”, entre tantas outras. A dupla, que possui um inegável carisma e performance peculiar no palco, promete trazer para o palco do Sambódromo um show que vai reunir o melhor do repertório de 8 anos de carreira. Um exemplo disso é a música “Pode Chorar”, que teve mais de cem mil downloads pagos (compras pela internet) no Brasil, uma prova concreta da interação com o público adepto do gênero que mais se expande no Brasil no momento. A dupla Matheus e Kauan, que desde 2010 brilha nas paradas musicais com o sertanejo universitário, já é conhecida do público também pelos sucessos que emplacou nas vozes de vários artistas como Jorge e Mateus, Luan Santana, Gusttavo Lima, João Neto e Frederico, entre outros.

Recentemente a dupla gravou o seu primeiro DVD com uma mega estrutura em Goiânia, com participações especiais como Luan Santana e Michel Teló e um repertório que foi bastante elogiado pela crítica especializada, contando com músicas autorais inéditas e algumas regravações. Já no caso de Humberto e Ronaldo, atração frequente nas grandes feiras agropecuárias do país, onde levam multidões a disputar espaço para assistir suas apresentações, o repertório, além de romântico tem o mega sucesso “Só vou beber mais hoje”, que está estourado nas paradas e na boca do povo em todo o país. Com uma agenda de shows lotada até o próximo ano, a dupla também será uma das grandes atrações da festa no sambódromo e promete levar uma legião de fãs.

Para bem atender ao público e garantir que todos possam curtir o evento da melhor forma possível, a Fábrica de Eventos já está disponibilizando ingressos para venda por meio do site www.fabricaingressos.com em até 12 vezes no cartão.

SERVIÇO JORGE E MATEUS Quando Dia 23 de novembro Onde Centro de Convenções (sambódromo) Quanto R$ 40 (pista/1º lote), R$ 180 (Área VIP/1º lote), R$ 350 (camarote Stage Brahma) Informações www.fabricaingressos.com


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RESENHA

O lado macabro da guerra dos sexos PERFIL

César Augusto Jornalista

E

m Stepford, Connecticut, Estados Unidos, a vida é tranquila. A cidade é pequena, limpa, as pessoas são amistosas. As esposas dos homens mais ricos do local são dedicadas donas de casa, voltadas para serviços domésticos e empenhadas em cuidar dos maridos e filhos. Para a fotógrafa amadora Joanna Eberhart (Katharine Ross), no entanto, tanta tranquilidade e passividade feminina são motivos de espanto e horror, típicos de quem está acostumada com a loucura urbana. Ela acaba de mudar-se da vida agitada de Nova York com o marido advogado, Walter (Peter Masterson), e as duas filhas pequenas, Kim (Mary Stuart Masterson, que depois de adulta ganharia destaque em “Tomates verdes fritos”) e Amy (Ronny Sullivan). Logo os Eberhart farão contato com seus vizinhos “domesticamente” corretos, os Van Sant, e Walter será introduzido à Associação Masculina, uma espécie de Clube do Bolinha onde, supostamente, os podero-

sos de Stepford discutem questões sociais da cidade, como eventos para arrecadação de fundos. Joanna, por outro lado, conhece Bobbie Markowe (Paula Prentiss), outra novata em Stepford que, como a fotógrafa, está a ponto de enlouquecer com a vida extremamente pacata da cidade. Joanna e Bobbie tornamse grandes amigas e decidem formar um grupo de discussão reunindo as demais esposas de Stepford. Conhecem Charmaine (Tina Louise), que compartilha das mesmas opiniões que ambas. O encontro do grupo, no entanto, é um desastre total, já que as demais mulheres preferem falar sobre tarefas domésticas. Ao descobrirem por meio de uma antiga moradora (e criadora de um pasquim de fofocas e fatos corriqueiros de Stepford) que no local existiu um dia uma associação feminina atuante, Joana e Bobbie começam a questionar o comportamento passivo das mulheres do lugar, e após uma estranha transformação nas atitudes de Charmaine, que de mulher

ativa passa a ser uma dona de casa exemplar a ponto de permitir que o marido destrua sua quadra de tênis, elas começam a desconfiar de que algo muito errado está acontecendo sob a apa- rente tranquilidade de Stepford. E a descoberta é macabra. O filme, dirigido por Bryan Forbes, é baseado no livro de Ira Levin (publicado na década de 1970 no Brasil pela editora Record com o título “As possuídas”), escritor de “O bebê de Rosemary” e “Os meninos do Brasil”, também adaptados para o cinema. Recentemente, foi feita uma refilmagem, “Mulheres perfeitas”, onde o clima sombrio e a metáfora cruel do pavor masculino diante da ascensão das mulheres deu lugar à comédia

escrachada e crítica à mídia. Gosto muito do original, por ser um ponto de vista interessante do machismo em franca ameaça com os movimentos feministas. Considerado como cult, o filme também é um exemplo do impacto sobre a cultura popular. Até hoje, o termo “Stepford wife” é utilizado nos Estados Unidos para definir mulheres dominadas ou extremamente subservientes (“robotizadas”). Mesmo 35 anos depois, “Esposas em conflito” ainda guarda um certo charme e vale a pena ser revisto.

A primeira versão de ‘The Stepford Wives’, ao contrário do escracho de ‘Mulheres perfeitas’, foi uma alegoria interessante e sinistra sobre a ascensão do feminismo

DOCUMENTÁRIO

Histórias de um Fusca 1965 Talvez um documentário que procure recordar a explosão da indústria automobilística brasileira nos anos 1960 não seja exatamente uma atração de apelo pop. Mas os diretores Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso viram o jogo com uma ideia criativa que pode fisgar várias gerações de nostálgicos sobre quatro rodas. “KFZ 1348”, documentário que o canal Sesc TV exibe amanhã à noite, conta a história de um Fusca, um dos 59.996 fabricados no país em 1965. KFZ 1348,

fácil de adivinhar, é a placa do carro. O engenheiro Antônio Galvão, de Rio das Pedras (159 km a noroeste de São Paulo), é o primeiro dono do Fusca. Num procedimento que se repetirá em entrevistas com seus outros sete proprietários, os cineastas querem saber dele como vivia na época em que comprou o carro, como o veículo afetou sua vida e por que o vendeu. A trajetória se desloca de São Paulo para Pernambu-

co, seguindo o Fusca por 40 anos, num emocionante apanhado de memórias. Os mais sentimentais que se preparem: o filme mostra o fim do carrinho, no Recife.

SERVIÇO DOCUMENTÁRIO “KFZ 1348” Quando Amanhã Onde No Sesc TV Hora: 22h (horário de Brasília) Classificação 12 anos


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–Rebate

TV Tudo Maior desafio Depois de alguns dias gravando nos Estados Unidos, a equipe do “Planeta Extremo”, da Globo, voltou ao Brasil. Mas, só para refazer e aumentar o número de malas. Na próxima semana, todos voltam a viajar, desta vez para a Indonésia, onde se planeja gravar o maior desafio de todos até hoje. Este material fará parte da programação de 2014. Tia do protagonista Patrycia Travassos é outra que também se garantiu no especial “A Nova Família Trapo”. Vai fazer Gertrudes Tupinambá, a tia do Quintino, que aparece para reivindicar seus “direitos” ao prêmio. O protagonista é um vencedor do reality “A Fazenda”, mas que perdeu o dinheiro ao empregá-lo nos negócios de um milionário falido. Não está fácil O especial de Natal do Raul Gil no SBT irá reunir vários talentos revelados pelo programa em 2012 e 2013. Antes se pensou em chamar algum nome de ponta da nossa música, mas o problema é que a maioria já está comprometida com a Globo em dezembro, inclusive com

BAND

Beleza mundial Dia 9, um sábado, data do Miss Universo, a Bandeirantes abrirá os trabalhos de cobertura por volta de 3 da tarde, horário de Brasília, através de seu portal de Internet. Já, na televisão, com Renata Fan, será levado ao ar às 22h15. O concurso este ano será realizado na Rússia. contrato assinado. Novo endereço O tal formato “The Daily Show”, que se anunciou para Rafinha Bastos na Band, na verdade está sendo pensado pelo próprio canal dono do programa, o Comedy Central. Três nomes estão cotados para a sua apresentação: Murilo Gun, Rodrigo Fernandes - que tem um blog de humor ou Bruno Motta, criador do “Furo”. A propósito... A Band não tem o menor interesse em fazer o “Daily Show” por dois motivos. O primeiro, porque Dani Calabresa foi contratada pra fazer um projeto semelhante que poderá ser desenvolvido pela própria emissora - e só não foi até agora por questões de custo. E o outro é que há um projeto

• José Luiz Datena foi cuidadoso em acertar os seus compromissos desse último sábado... • Foi participar do Teleton no SBT, mas escolheu um horário que não comprometesse a apresentação do “Brasil Urgente” na Band, depois do futebol.

bem encaminhado pela produtora GLM chamado “Intermédio”, bem parecido com o “Daily Show” e o “Furo”. Produção ativada Com estreia prevista para 2014, a JPO Produções, do Zé Paulo Vallone, disparou a pré-produção de “Alma Pantaneira”, de Yves Dumont. A novela será ambientada numa fazenda do Mato Grosso, com cerca de 60% das suas cenas em externas. Segredo da coisa Ainda a propósito de “Alma Pantaneira”, embora não se revele de quem se trata, sabese que a JPO vai trabalhar com a parceria de uma produtora internacional de conteúdo. A novela já tem a sua prévenda encaminhada para 5 países, além de negociações aqui no Brasil.

SANGUE BOM REPRODUÇÃO

• Curioso esse silêncio da Bandeirantes. Ninguém fala rigorosamente nada sobre a Fórmula Indy no ano que vem...

Rede TV! vive período de maior É inegável que o clima na Rede TV! está bem tranquilo, depois de um período de maior turbulência com demissões e manifestações de sindicatos em Brasília. A sua direção soube neutralizar essa fase mais complicada e, aos poucos, tem procurado colocar as coisas nos seus devidos lugares. E, pelo menos parte dessa calmaria se deve ao trabalho que Andrea Dallevo -vem desenvolvendo internamente, junto às suas produções.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

• Na sua última transmissão foi anunciada a cobertura do ano que vem, 2014, mas a direção da emissora, consultada, não respondeu. • Está com todo jeitinho de feijão queimado. • Benedito Ruy Barbosa sempre foi meio assim e mesmo aos 82 anos continua com uma disposição para o trabalho que impressiona a todos...

C’est fini Glória Perez trabalha em tempo integral na preparação de uma nova série, policial, sobre um assassino em série. A Globo e ela ainda não têm nada ajustado sobre período de exibição ou mesmo elenco.

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Ainda Porto de Lenha?

Ator global afirma ter conversado com pessoas próximas para entender pontos de vista

Sophie comemora o sucesso Na próxima sexta-feira, o público vai enfim descobrir o que está reservado para Amora (Sophie Charlotte), no capítulo final de “Sangue Bom’’ (Globo). A protagonista, que dividiu as opiniões do público, não tem a torcida de sua intérprete para um final feliz. “Não acredito em redenção. Mas ela deixará de ostentar a fama de “it girl’. Esse castelo vai desmoronar’’, fala. Na pele de uma personagem que enfrentou inúmeras reviravoltas e que ficou dividida entre o amor por Bento (Marco Pigossi) e a fama, Sophie vai além. Em sua análise, interpretar Amora foi um grande passo em sua carreira. A antipatia despertada pela personagem fez Sophie se deparar com críticas. “Tentei fazer o meu melhor, mexer com a emoção de quem assiste à novela. Com as críticas, não dá para ser passional’’, comenta. “Sa-

ber que as pessoas torcem para ela ficar com Bento é o melhor termômetro do trabalho. O público sabe o que vê na TV.’’ Na rua, Sophie experimentou as mais diversas reações

RETA FINAL

Na próxima sextafeira, o público vai enfim descobrir o que está reservado para o destino da personagem Amora, no último capítulo da novela das sete, Sangue Bom exibida pela Globo.

junto ao público. “A Amora nunca foi uma mocinha. Então, encontrei pessoas que me maltrataram e percebi que era por causa da personagem’’, conta a atriz. “Elas se deparam com a Sophie e, só depois, enten-

dem que não sou a Amora. Tive um vida mais tranquila do que a dela e sempre fui pé no chão.’’ Completamente envolvida com a personagem, Sophie conta que as primeiras cenas na pele da patricinha foram inesquecíveis. Outro colega importante para Sophie em “Sangue Bom’’ foi Marco Pigossi, com quem contracena em novelas pela quarta vez -a última foi em “Fina Estampa’’ (Globo, 2011-2012). “Marco e eu temos uma química em cena que atinge o público. É maravilhoso trabalhar com ele’’, diz ela. Recentemente, a autora Maria Adelaide Amaral disse à imprensa que Amora reunia tudo o que ela mais detestava em uma pessoa, o que, segundo ela, contribuiu para que a patricinha dividisse conceitos. “Escrever com esse conhecimento de causa foi bom para a personagem’’, conclui.

Manaus sempre foi cosmopolita. Por aqui passaram e continuam a passar muitas culturas. “Nós somos a soma de todos os sonhos” canta o nosso poeta mais torto, Aldisio Filgueiras. Tão torto que fez a letra de “Porto de Lenha”, o hino mais sincero de Manaus, e que é visto por aqui e acolá sendo cantado com sorrisos e vênias por muitos, um descompasso abusivo e gritante. Muitas culturas migraram para Manaus em busca de seus sonhos, esperanças e expectativas de uma vida melhor para seus filhos. Manaus acolheu a cada um. Cada uma dessas famílias, cada indivíduo, tem uma história particular, uma saga marcada por climas de tensão e tons de melancolia. Mas a orgulhosa cidade dos barés reacendeu os ânimos desses povos e aqui puderam se estabelecer e prosperar, e a miscigenação destas culturas com a dos nativos acabou gerando aquilo que chamamos de identidade manauara. Nossa identidade, portanto, não é indígena e nem cabocla, como muitos afirmam. Nossa identidade é indígena, germânica, nordestina, oriental, cigana, branca, negra, em suma, é vária. A diversidade é nossa identidade. Múltipla. Por isso nossa vocação à metrópole, por isso somos cosmopolitas, a soma de todos os sonhos. Mas Manaus ainda busca muitos objetivos. É enjeitada em muitos aspectos e desprezada por outros. Ainda chega a ser um porto de lenha, onde aventureiros e paraquedistas vem a Manaus apenas de passagem ou usam a terra para surrupiação e matriz de suas fortunas, mas

jamais como território e muito menos territorialidade de suas vidas. Nossas frustradas tentativas de sermos uma filial da cultura da Europa se transformou em caricatura, como afirma Hans Bluntschili. Nossa tentativa de sermos o bairro mais distante do Rio de Janeiro tem provocado um processo de imbecilização zonafranquês ainda possível de remediar. É por isso que nunca seremos Liverpool, com a cara sardenta e olhos azuis. A busca maior de Manaus é pela sinceridade, é olharmos para nós mesmos de forma íntegra. Nós somos o que somos porque nosso processo de formação é único como é única a nossa identidade. Não estamos isolados, como muitos pensam. E nem distantes. Isolados de quem? Distantes de quem? O conceito de isolamento já é obsoleto na antropologia. Um povo pode estar “isolado” de você, de mim, mas não está isolado do seu vizinho, de outro povo ou de outra cultura. A construção das territorialidades são mais importantes do que a dos territórios, os quadrados burros que a imprensa ajuda a legitimar e a propagar. Portanto, que estes 344 anos funcionem como um lampejo de luz e consciência para nosso povo. Nosso povo sofre com a solidariedade alheia, de “quadrilhas de turistas” do tipo aventureiro que nos tratam como primitivos e incultos. É por isso que nossa a resistência e o embate contra estas ideias atrofiadas devem fazer parte de nosso ethos. E que tenhamos orgulho de nossa identidade, rica e diferente. Afinal, o melhor de Manaus somos nós.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social, membro do Navi – Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Política Cultural

Nossa identidade, portanto, não é indígena e nem cabocla, como muitos afirmam. Nossa identidade é indígena, germânica, nordestina, oriental, cigana, branca, negra, em suma, é vária.


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Programação de TV

DIVULGAÇÃO

SBT 3h05 Jornal Da Semana Sbt 4h Igreja Universal 5h Pesca Alternativa 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Aventura Selvagem 7h30 Vrum 8h Sorteio Amazonas Da Sorte 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h True Blood 0h Divisão Criminal/ The Closer 1h Cidade Do Crime// Southland 2h20 Big Bang 3h Igreja Universal

RECORD

O programa Domingo Legal, com Celso Portiolli, promete grandes novidades hoje, no SBT

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ

3h45 Bíblia Em Foco 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h Desenhos Bíblicos 8h Amazonas Da Sorte 9h Record Kids 10h30 Tudo A Ver

Cinema ESTREIA

13h15 O Melhor Do Brasil 17h30 Domingo Espetacular 21h Tela Máxima - Charlotte Gray - Paixão Sem Fronteiras 23h15 Programação Iurd

GLOBO 3h50 Santa Missa em Seu Lar 4h50 Amazônia Rural 5h30 Fórmula 1 - Grande Prêmio da Índia 7h15 Auto Esporte 7h35 Esporte Espetacular 10h25 Temperatura Máxima: Os Incríveis 12h20 Esquenta 14h Futebol 2013h Campeonato Brasileiro - Portuguesa x Flamengo 16h Domingão do Faustão 18h45 Fantástico 21h10 Revenge - Capitulo Especial 22h40 Domingo Maior: Perigo em Bangkok 0h20 Sessão de Gala: Um Jogo de Vida ou Morte 1h50 Corujão I 3h35 Festival de Desenhos

BAND 4h Igreja Mundial 4h50 Popeye 5h Local 8h30 Mackenzie Em Movimento 8h45 Infomercial – Polishop 9h45 Verdade E Vida 10h Irmão Caminhoneiro 10h05 Pé Na Estrada 10h30 Minuto Do Futebol 10h35 Copa Petrobras De Marcas 11h30 De Olho No Futebol 11h35 Band Esporte Clube 13h Golh O Grande Momento Do Futebol 13h30 Futebol 2013 - Ao Vivo 15h50 Terceiro Tempo 18h Oscar – Desenho 18h10 Caçadora De Relíquias 19h Só Risos 21h Pânico Na Band 0h Canal Livre 1h Minuto Do Futebol 1h40 Show Business - Reapresentação 2h15 Igreja Mundial

Cruzadinhas REPRODUÇÃO

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um decisivo apoio para seu trabalho pode aparecer de modo imperceptível. Não conte com as coisas aparentes, mas com forças que o apóiam sem de fato aparecer aos olhos. TOURO - 20/4 a 20/5 O entendimento verdadeiro com a pessoa amada, assim como com associados, vem de algo sutil: a convergência das energias pessoais numa mesma direção. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Momento oportuno para todo tipo de renovação e eliminação que se faça necessária. Esse processo renovador pode ocorrer para além de seu controle ou intenção. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Forças invisíveis operam nas relações afetivas, revelando conteúdos inesperados. Não que deva esperar algo ruim, mas algo bastante diferente, não obstante, mais verdadeiro. LEÃO - 23/7 a 22/8 As pequenas mudanças em sua casa podem abrir espaços maiores. O conforto material pode melhorar, desde que se disponha a mexer em coisas que estavam estagnadas.

Meu passado me condena: BRA. 12 anos. Quando Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) se encontram, é amor à primeira vista. Eles se casam um mês depois de se conhecerem e decidem viajar à Europa em um cruzeiro em lua de mel. Só que, durante a viagem, eles encontram seus antigos namorados, Beto (Alejandro Claveaux) e Laura (Juliana Didone), que hoje estão juntos e também passam sua lua de mel. Cinemark 6 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (diariamente). Playarte 6 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (diariamente), 23h36 (somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h40, 21h50 (diariamente). Cinemais Millennium – 14h50, 17h, 19h10, 21h30 (diriamente). REPRODUÇÃO

VIRGEM - 23/8 a 22/9 As relações amorosas e sociais podem hoje viver uma transformação significativa e benéfica. Momento de abandonar velhos dogmas para ser mais sincero com as pessoas. LIBRA - 23/9 a 22/10 Plutão em bom aspecto com o Sol indicam capacidade para capitalizar recursos e reunir a força de várias pessoas em suas mãos. Faça bom uso você fará de todo esse potencial. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A aproximação às pessoas pode revelar aspectos de sua personalidade. Em parte isso pode ser perturbador, por outro lado você poderá estar se renovando em seu jeito de ser. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você está mais disposto a se relacionar com as pessoas. Não é hora de se esconder, mas de se aproximar, de maneira confiante, daquelas pessoas que lhe são significativas. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Um sentimento de liberdade e plenitude tende a nascer. Momento de contatar e reafirmar antigas propostas de vida que, de algum modo, sempre foram seus faróis orientadores. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento positivo para lidar com aspectos complicados e intrincados da profissão. As dificuldades poderão ser superadas, de modo mágico, obtendo um êxito especial. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sonhos e projetos realmente novos podem acontecer agora. Não é a aparência que conta, mas o conteúdo. O que você necessita pode estar sob aparência insignificante.

O Conselheiro do Crime: EUA. 16 anos. Um advogado (Michael Fassbender) se envolve com o tráfico de drogas, mas tenta evitar os perigos do mundo do crime. A direção é de Ridley Scott e o roteiro foi escrito pelo cultuado Cormac McCarthy. Cinemark 7 – 14h, 16h30, 19h10, 21h50 (diariamente). Playarte 3 – 13h30, 15h55, 18h20, 20h45 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium – 15h, 17h20, 19h40, 22h (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES

Diana: RU/FRA. 12 anos. Playarte 10 – 13h, 15h20 (leg/diariamente). Serra Pelada: BRA. 14 anos. Cinemark 5 – 12h30 (somente sábado e domingo), 15h, 17h30, 20h, 22h30 (diariamente). Playarte 2 – 13h40, 15h50, 18h, 20h10 (diariamente). Cinemais Plaza – 16h40, 21h35 (diariamente). Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h, 21h15 (diariamente). Os Suspeitos: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 14h40, 20h30 (dub/diariamente). Playarte 10 – 17h40, 20h30 (leg/diariamente), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 15h, 18h30, 21h20 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 15h20, 18h45, 21h40 (leg/diariamente). Tá Chovendo Hambúrguer 2: EUA. Livre. Cinemark 1 – 13h40, 15h50, 18h20, 20h40 (dub/diariamente), 23h (somente

sexta-feira e sábado). Playarte 1 – 12h50, 14h50, 16h50 (3D/dub/diariamente), 13h10, 15h10, 17h10, 19h10 (dub/diariamente). Cinemais Plaza – 14h50, 16h50, 18h50, 21h (3D/dub/diariamente), 14h, 16h10 (DUB/diariamente). Cinemais Millennium – 14h20, 16h30 (dub/diariamente). Rota de Fuga: EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 18h50, 21h10 (leg/diariamente). Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses: JAP. 10 anos. Cinemark 2 –12h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h50, 17h10, 19h30, 21h40 (dub/diariamente). Playarte 9 – 12h50, 14h40 (dub/diariamente), Elysium: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 12h10 (dub/sábado de domingo), 17h50,

23h50 (sexta-feira e sábado). Mato Sem Cachorro: BRA. 12 anos. Cinemark 4 – 12h20 (somente sábado e domingo), 15h10, 18h, 21h, (diariamente), 23h40 (somente sextafeira e sábado). Playarte 8 – 13h50, 16h15 (diariamente). Cinemais Plaza – 18h40, 21h10 (diariamente). Cinemais Millennium – 14h10, 16h45, 19h15, 21h45 (diariamente). Riddick 3: EUA. 16 anos. Cinemark 8 – 14h10, 16h40, 19h20, 22h (dub/diariamente). Playarte 9 – 16h30, 18h55, 21h20 (dub/diariamente), 23h45 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h10, 16h30, 19h, 21h30 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h40, 17h10, 19h30, 21h50 (leg/diariamente). Silent Hill: Revelação: FRA/CAN.

16 anos. Playarte 1 – 18h50, 20h50 (3D/dua/diariamente), 22h50 (3D/dub/ somente sexta-feira e sábado). Playarte 8 – 18h40, 20h40 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h30, 19h15 (dub/diariamente). Família do Bragulho: EUA. 14 anos. Playarte 4 – 21h10 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Gravidade: EUA. 12 anos. Playarte 5 – 13h15, 15h10, 17h05, 19h, 20h55 (leg/diariamente), 22h50 (leg/ somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium –15h10, 17h15, 19h20, 21h20 (3D/leg/diariamente). Invocação do Mal: EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – Dub. - 14h45, 17h10, 19h30, 22h (dub/diariamente).


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::::: Sala de Espera

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Amazônia Manauara

Marcelo Macedo e Waleska Salles na noite Fashion Day da sua Offina no Shopping Number One

O mundo está vendo uma nova Manaus a partir de um vídeo de qualidade internacional, com dois minutos e meio de duração, postado exclusivamente na internet. A produção leva assinatura da mesma produtora responsável pelo vídeo apresentado pelo Rio de Janeiro, na disputa pela sede das Olimpíadas de 2016. Com trilha instrumental exclusiva, em apenas dois dias de postagem no Vímeo e sem qualquer divulgação por parte da prefeitura, já teve mais de 50 mil visualizações. Para quem quiser conhecer, basta acessar o canal e buscar o título da produção: “Amazônia Manauara”. FOTOS: JANDER VIEIRA

::::: Encontro de puro-poder O PSDB Amazonas orquestrará no próximo dia 8, às 19h, no Dulcila da Ponta Negra, o Encontro Estadual da legenda, que irá homenagear o seu presidente de honra, o prefeito Arthur Virgílio Neto, pelos 35 anos de vida pública. O encontro contará com a presença do presidente Nacional, senador Aécio Neves, que cumprirá agenda concorrida até o dia 9.

::::: Conquista A administração Aziz vai aderir ao programa do governo federal “Mulher: Viver sem Violência”, assinando o termo de adesão em uma solenidade que será realizada na próxima quarta-feira, com a entrega do ônibus que fará atendimento itinerante às mulheres do Estado. O evento, que leva a chancela da Segov, contará com a presença da ministra responsável pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci. A solenidade será, às 9h30, no palácio Rio Negro.

Elizeth Lange sob os confetes-com-flashes da coluna na sua loja Liz no dia do Fashion Day

As belas e festejadas aniversariantes da temporada: Karina Bessa e Evelise Pessoa na dupla sessão parabéns surpresa que movimentou o Zefinha Bistrô

::::: Agendável Os donos da Di Bambi, Guto Oliveira e Taísa Neves, na noite de desfile chique das grifes dos bambinos sobrenomados da cidade

A noite musical do Diamond, no próximo dia 1°, terá um tom solidário. Trata-se da “Noite na Broadway” com o show internacional do global Daniel Boaventura, às 21h, em prol da Casa Vhida e Apae Amazonas. Portanto, agende viu?

Karla Monteiro e Polly Freire estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Donas de um bom gosto indispensável, Vanessa e Isabella Simões Silva Cavalcanti, mãe e filha, estão curtindo dias de relax por Orlando. O arcebispo emérito dom Luiz Soares Vieira será homenageado no próximo dia 29, no plenário Adriano Jorge, da CMM, por seus relevantes serviços prestados à comunidade católica durante o tempo em que esteve à frente da Arquidiocese de Manaus. Em parceria da Santa Lolla e da Zee Dog acontece no próximo dia 30, no Shopping Ponta Negra, às 17h, o lançamento da coleção Girl’s Best Friend, acessórios para seu totó e sapatilhas coloridíssimas da grife. Quem convida é Lenúbia Alcântara Aziz. O menu de hoje do “Escritório do Samba” do Lappa é puro-sangue: samba de raiz e o samba-rock com os grupos Nosso Caso e Nosso Jeitto seguido da participação da cantora cearen-

se Taina Pimentel, a partir das 15h. Novidades da grife Natura: acabam de ser lançados o superkits com sugestão de mimos para as festas de fim de ano. Os presentes Águas de Viver Sensual e Ekos Maracujá já figuram entre os preferidos da mulherada. O adorno também é composto por caixa decorativa exclusiva. Que tal? Fernando Coelho Jr. já agendou a sua tradicional festa de fim de ano. Será no dia 6 de dezembro, tendo a Terra Lusitana como tema da noitada. Os convites já estão circulando. O Sesc Amazonas realiza hoje apresentações teatrais e de dança pelo projeto Sesc Arte de Rua: no Parque dos Bilhares, às 17h30, o grupo Tibanaré, do Mato Grosso, apresentará o espetáculo “Andarilhos das Estrelas”. Às 19h, a Cia. de Dança Dabukuri com o “Cheiro de Terra” e, às 19h30, o Grupo de Teatro Independente apresentará o espetáculo “Flávio Traído”. Escritores de grafite farão intervenções durante o evento no local. Nasce a Union 2, uma nova empresa com conceito de excelência do mundo gráfico da cidade. Os jovens e talentosos Adyel Vieira e Mário Henrique são só felicidade com sua clientela VIP.


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opiniao@emtempo.com.br

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Capa ilustração de Veridiana Scarpelli

(92) 3090-1010

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O dia D, de Drummond

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Viver para contar

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

A relevância da questão biográfica. Pág. 3

Notas sobre uma orquestra A história da Osesp, às vésperas de seus 60 anos. Págs. 4 e 5

4

Diário de Paris

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Do arquivo de Euclides Santos Mendes

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Paisagens sonoras

O azul se torna uma cor quente. Pág. 6

Roma, 2006. Pág. 7

A música que você não ouve. Pág. 8


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Ilustríssima Semana ‘Adesivo 22 (pares de quadrados)’, de Jac Leirner

CONFERÊNCIA | EMANCIPAÇÃO, INCLUSÃO E EXCLUSÃO O ciclo tem como tema o processo de emancipações da escravidão nas Américas e suas consequências. Organizado pelas professoras da USP Diana Vidal, Lilia Moritz Schwarcz e Maria Helena P. T. Machado, terá debates sob o prisma da ciência e antropologia. Tenda Cultural Ortega Y Gasset (USP) | de amanhã (28) a qua. (30) | grátis | www.sinteseeventos.com. br/emancipacoes

LITERATURA | DRUMMOND O poeta mineiro (1902-87) é tema de homenagens no dia de seu aniversário, 31/10. O Dia D, nome criado para celebrar a data, vai promover leitura de poemas no Rio com Afonso Henriques Neto, Alberto Martins, Antonio Cicero e Joca Reiners Terron. Em São Paulo, o colunista da Folha Fabrício Corsaletti e Noemi Jaffe estão entre os leitores. As homenagens também acontecem em Brasília e Belo Horizonte. Rio – Instituto Moreira Salles (qui., dia 31, às 20h) | SP - Espaço Revista Cult (qui., dia 31, às 19h30) programação em www. diadrummond.com.br

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LIVRO | JULIANA FRANK Composto em forma de diário, o romance “Cabeça de Pimpinela” narra, com a picardia típica da autora, os dilemas de uma personagem em busca de emprego. O vaivém temporal, bebendo na fonte de Cortázar, é demarcado pelo formato da página: a quadriculada representa o passado, a sem pauta, o presente. 7 Letras | R$ 26 | 56 págs.

DIVULGAÇÃO

COLEÇÃO | RESERVA LITERÁRIA Série dedicada a obras literárias esquecidas lança “Contos Cariocas” (R$ 53; 240 págs.), de Artur Azevedo, “Marta” (R$ 40; 372 págs,), de Medeiros e Albuquerque, e “Mau-olhado” (R$ 60; 612 págs.), de Veiga Miranda. Os livros são tema de debate com o colunista da Folha Manuel da Costa Pinto. Edusp e Com-Arte |debate - Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP) | ter. (dia 29), às 19h30

BRASILEIRO

POP

ERUDITO

LIVRO | JAC LEIRNER Numa longa conversa coma crítica e historiadora da arte Adele Nelson, a artista comenta sua formação e principais trabalhos. Jac Leirner conversa com Adele Nelson | Cosac Naify | R$ 49,90 | 191 págs. | lançamento na Galeria Fortes Vilaça (qui., dia 31, às 19h)

DIVULGAÇÃO

O MELHOR EM 9 INDICAÇÕES

LIVRO | AS ORIGENS DO SEXO Faramerz Dabhoiwala, professor da Universidade de Oxford, se mune de obras de ficção, diários e tratados filosóficos para traçar a evolução do sexo ao longo da história. O pesquisador defende a tese de que a primeira revolução sexual é bem mais antiga do que imaginamos - teria começado, na verdade, nos séculos 17 e 18, a partir do Iluminismo e seus princípios de privacidade e liberdade individual. trad. Rafael Mantovani | Biblioteca Azul | R$ 74,90 | 688 págs.

Imagem da HQ ‘Mandrake’

EXPOSIÇÃO E LIVRO| STEFAN ZWEIG Em 1932, o escritor austríaco (1881-1942) conseguiu libertar da prisão o médico socialista Giuseppe Germani após escrever uma carta a Mussolini pedindo sua soltura. O plano foi arquitetado por Elsa, mulher de Germani. As cartas trocadas entre eles são reproduzidas em painéis e compõem também um livro. Exposição - Midrash Centro Cultural (abertura na qua., dia 30/10, às 19h; de seg. a qui., de 10h às 12h e de 14h às 22h; sáb., de 8h às 22h; até 1/12; RJ; grátis) | Casa Stefan Zweig (abertura no sáb., dia 2/11; sex., sáb. e dom., das 11h às 17h; até março de 2014; Petrópolis; grátis) Livro - ‘Contei com sua Palavra, e Ela Foi como uma Rocha’ | R$ 25 | 80págs. | lançamento no sáb. (2), às 12h

HQ | MANDRAKE Quatro das principais aventuras do famoso mágico ganham as páginas deste volume, entre elas “O Mundo do Espelho”. Criado em 1934 por Lee Falk, o ilusionista de fraque, capa e cartola teve fãs ilustres como os cineastas Federico Fellini e Alain Resnais. Pixel | R$ 16,90 | 128 págs.

ESTRANGEIRO

LIVRO JACK LONDON A luta entre um náufrago e um capitão de navio, mais do que uma simples trama de aventura, propõe uma reflexão moral sobre a condição humana no romance ‘O Lobo do Mar’. Esta versão integral da trama de London (1876-1916) tem mais de cem notas explicativas e glossário de termos náuticos. trad. Daniel Galera | Zahar | R$ 49,90 | 370 págs.

Folha.com

Ilustríssimos desta edição ZÉ CARLOS BARRETTA - 03.07.13/ FOLHAPRESS

CLAUDIUS CECCON, 75, é arquiteto e cartunista.

JACÓ GUINSBURG, 92, crítico, ensaísta e professor, é fundador da editora Perspectiva.

EVANDO NASCIMENTO, 53, é ensaísta, professor universitário e escritor. Autor do livro de ficção “Retrato Desnatural” (Record) e de diversos estudos sobre Derrida.

JOÃO BATISTA NATALI, 65, é professor de ética jornalística na Casper Líbero.

EUCLIDES SANTOS MENDES, 33, é editor do “Painel do Leitor” da Folha e doutor em multimeios (cinema) pela Unicamp. INGRID DORMIEN KOUDELA, 65, é docente da pós-graduação em artes cênicas da USP.

LUCAS NEVES, 29, é jornalista. MORRIS KACHANI, 44, é repórter especial da Folha. REINALDO JOSÉ LOPES, 34, é jornalista, assina o blog “Darwin e Deus” no site da Folha. VERIDIANA SCARPELLI, 34, é ilustradora.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha CONTO Leia ‘É Merlot Uísquecer’, história erótica inédita da escritora Juliana Frank >>folha.com/ilustrissima


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Biografias

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Reinvenção da existência Não há chave única para o texto de uma vida RESUMO No momento em que as biografias suscitam amplo debate, é importante analisar o interesse cultural de publicá-las. Textos sobre a vida de filósofos e artistas, por exemplo, iluminam aspectos de suas obras, mas, como todo trabalho do gênero, devem ser encarados como uma reinterpretação, e não verdade absoluta.

EVANDO NASCIMENTO

Importa aqui refletir e testemunhar sobre o interesse cultural de escrever e publicar biografias hoje. Dada a complexidade da questão, vou recorrer

a alguns exemplos que se relacionam sobretudo ao campo da filosofia e da literatura. Começarei com um caso que me diz diretamente respeito. Por ter organizado o último evento de que Jacques Derrida participou, o colóquio internacional de 2004 sobre sua obra, no Rio de Janeiro, parceria da Universidade Federal de Juiz de Fora e do Consulado da França, fui convidado a dar um testemunho para o trabalho biográfico de Benoît Peeters sobre Derrida (1930-2004), que estava se iniciando em 2007. Refleti muito sobre o que seria relevante ou não narrar, principalmente por ter convivido com o pensador num momento de grande fragilidade física. A biografia foi publicada em 2010 e recebeu resenha extremamente elogiosa da psicanalista e historiadora Elisabeth Roudinesco no “Le Monde”. Luciana Villas-Boas, então no comando editorial do grupo Record, convidou-me a prefaciar a tradução do livro, cuja edição eu lhe havia recomendado. “Derrida” acabou saindo neste ano, pelo selo Civilização Brasileira.

O maior elogio que posso fazer ao livro é que contém muita informação importante mesmo para um estudioso de longa data do autor. Peeters realizou uma pesquisa de fôlego durante três anos, lendo uma massa documental gigantesca e entrevistando uma centena de pessoas na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. É o tipo de abordagem que historiadores, jornalistas, críticos, teóricos e escritores desempenham com competência. No entanto, há um episódio no volume bastante desagradável. Trata-se de um relacionamento extraconjugal, mas que era do conhecimento da família de Derrida, bem como de grande parte do meio intelectual parisiense; era, por assim dizer, um segredo de Polichinelo. Peeters poderia tê-lo ignorado, mas preferiu narrá-lo com todas as letras, porém igualmente com grande senso ético. Qualquer desconfiança que o leitor possa ter quanto à validade de narrar o episódio se dissipa quando um dos filhos de Derrida conta sua versão dos fatos, com algum sofrimento,

mas sem fazer nenhum julgamento moral. Daí se pode concluir que foi muito salutar não omitir essa informação, tanto por fidelidade à história, quanto – em nome dessa fidelidade – para evitar a hagiografia, ou seja, transformar aquele que foi considerado o filósofo mais influente da segunda metade do século 20 num santo. Com isso, tem-se uma noção plena da figura humana de Derrida, situando-a em seu contexto. A história de um grande homem ou de uma grande mulher não é algo estritamente privado, mas um bem a ser compartilhado por todos os agentes culturais. Confissões Do ponto de vista teórico, Jacques Derrida integra o grupo daqueles filósofos que, como santo Agostinho, Rousseau, Nietzsche e Benjamin, em algum momento de seu percurso, narraram as próprias memórias e/ou fizeram íntimas confissões. Num de seus textos mais delicados, “Circonfissão” (Zahar), juntando saber e afeto, Derrida

reflete, em diálogo com textos de santo Agostinho, sobre o instante em que sua mãe está em coma, após o que virá a morrer. Trata-se de uma elaboração filosófica só comparável, literariamente, ao luto materno de Barthes, consignado no “Diário de Luto” (Martins Fontes), contraface do igualmente autobiográfico “Roland Barthes por Roland Barthes” (Estação Liberdade). Rousseau precisou escrever suas “Confissões” (Edipro), entre outras coisas, como um documento de autodefesa contra seus detratores. Benjamin registrou suas memórias em textos autobiográficos de extrema beleza e relevância política, como os de “Rua de Mão Única” (publicado originalmente pela Brasiliense, teve nova tradução neste ano pela Autêntica). O que esses casos filosóficos e literários mostram é que, para esses autores, tomar a própria biografia como tema, autobiografando-se, tornou-se matéria indispensável para o trabalho reflexivo e ficcional. Longe de serem registros anó-

dinos, há um entrecruzamento intensivo entre vida e obra. Todavia não se trata de um empirismo determinista. Acima de tudo, porque a própria vida nunca se reduz a um mero alinhamento de fatos que podem ser um dia resgatados pelo próprio sujeito ou por um terceiro, o famigerado – e fundamental – biógrafo, configurando uma identidade monolítica. O que em geral não se entende muito bem é que nem mesmo um biógrafo lida com os fatos em si: estes já aconteceram e pertencem ao passado, ainda quando são recentes. O que resta sempre são vestígios, documentos que servem para rastrear os acontecimentos: cartas, documentação pessoal, depoimentos de toda ordem. Mesmo o testemunho autenticado do personagem biografado e o das pessoas que com que ele tiveram contato entram como registros e não como fatos em si. Uma bio-grafia (vida + escrita) é, portanto, o texto de uma existência que precisa ser reinterpretado de múltiplas maneiras.


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Reportagem

RESUMO Turnê pela Europa que se encerra hoje deu início às comemorações dos 60 anos da Osesp. Hoje dona de orçamento vultoso e de crescente prestígio internacional, a orquestra teve história pontuada, até sua reestruturação e a inauguração da Sala São Paulo, em 1997, por baixos salários e instalações precárias.

MORRIS KACHANI ILUSTRAÇÃO VERIDIANA SCARPELLI

Quando hoje à noite soarem os últimos acordes do “Titã” de Gustav Mahler no Bridgewater Hall, em Manchester, a Osesp terá concluído sua nona turnê pela Europa. Com orçamento de cerca de R$ 6 milhões, o tour que levou 120 pessoas e sete toneladas de equipamento a 13 cidades, em 15 concertos ao longo de 21 dias, deu início ao ciclo das comemorações de 60 anos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que se completam em setembro de 2014. O giro levou a agrupação a templos da música, como a Salle Pleyel, em Paris, e o Royal Festival Hall, em Londres, tocando nas mesmas séries que algumas das melhores do mundo, como a Filarmônica de Viena e a holandesa Concertgebouw. “A Osesp está prestes a se tornar uma orquestra séria no contexto global”, afirma à Folha James Jolly, editor-chefe da tradicional revista britânica “Gramophone”. Para ele, a nomeação da norte-americana Marin Alsop como regente titular, a partir de 2012, “fez emergir uma identidade internacional da orquestra”. “A Osesp tem energia, flexibilidade e entusiasmo palpável. Isso é tão importante quanto tradição e herança cultural. Música clássica não é peça de museu. A vitalidade e a habilidade para se conectar com o público de hoje (e de amanhã) são essenciais. É uma orquestra da nova geração que já tem esse status”, completa Jolly. Foi a partir de sua reestruturação, em 1997, que a

Osesp mudou a paisagem da música erudita brasileira. Sua trajetória de sucesso e o impressionante acúmulo de conquistas são consequência de uma injeção vultosa de recursos e de determinante vontade política. Segundo levantamento do anuário “Viva Música!”, publicação de referência sobre a atividade orquestral no país, foram 242 concertos em 2012, para 238.111 pessoas. E, no ano passado, além do corpo fixo de 169 músicos (115 da orquestra e 54 do coro), foram contratados por cachê outros 285. Símbolo O maior símbolo da pujança da Osesp é a Sala São Paulo. O lugar onde se ergue, na região central da cidade, era antes um grande hall descoberto, com muitas palmeiras: o jardim da estação ferroviária Júlio Prestes, projetada pelo arquiteto Cristiano Stockler das Neves e inaugurada em 1938. Em 1999, quando foi reaberto como Sala São Paulo, o espaço tinha recebido projeto acústico sofisticado, com um teto móvel, composto de 15 placas de aço, de 7,5 toneladas cada, recobertas de madeira e movimentadas individualmente por computador para se ajustar à obra musical executada. O projeto ganhou o Architecture Honor Award 2000 nos quesitos de arquitetura, restauração e tecnologia. O prêmio foi conferido pelo Usitt (sigla em inglês para Instituto do Teatro dos EUA). A Sala São Paulo, porém, representa mais do que uma conquista tecnológica. Sua inauguração deu uma sede própria à orquestra, que vinha de uma trajetória errante, feita de poucos momentos de glória e inúmeros de renúncia, pontuada pelo abandono do poder público e pela aflição dos músicos.

‘A Osesp está prestes a se tornar uma orquestra séria no contexto global’, afirma James Jolly, editorchefe da tradicional revista Gramophone

3 Um palco todo seu Tons e subtons de seis décadas de Osesp

Embora tenha sido seu primeiro regente titular, em sua autobiografia o maestro João de Souza Lima (1898-1982) não a menciona uma única vez. Em dissertação de mestrado, o oboísta Arcádio Minczuk revisita a história da orquestra e encontra o depoimento do spalla Natan Schwartzman: “A verba que o governo estadual preparou para a orquestra [em 1954] foi de apenas um mês. Então nós ainda ficamos tocando dois meses para ver se a Assembleia Legislativa poderia fazer alguma coisa. Depois, ficou todo mundo debandando”. A Osesp de hoje deve muito ao sonho de Eleazar de Carvalho, o maior regente brasileiro. O maestro, porém, não pôde ver a concretização de seus desejos para a orquestra, cujo comando assumiu em 1973. Ele, que lecionou na Universidade de Yale e na Juilliard, e teve entre seus alunos Zubin Mehta, Seiji Ozawa e Claudio Abbado, morreu em setembro de 1996. O pianista e maestro João Carlos Martins acredita que, se Eleazar estivesse hoje à frente da orquestra, ela “estaria entre as cinco melhores do mundo”. No tempo em que a Osesp residiu no teatro Cultura Artística, de 1975 até 1985, houve apresentações memoráveis. O primeiro ciclo completo das sinfonias de Mahler e a “Sinfonia Fantástica” de Berlioz, uma especialidade de Eleazar, são evocativos dessa época. Mas, alguns anos mais tarde, a orquestra também chegaria a tocar para seis pessoas em uma antiga sala de cinema, dentro do edifício Copan. A transformação do cinema em teatro e sede da orquestra ocorreu na gestão Franco Montoro (1983-87), com o secretário da Cultura Jorge da Cunha Lima. A acústica do local era péssima, e o espaço administrativo ficou mais restrito do que na casa anterior. O único equipamento era um telefone, sem linha para ligar para o exterior ou fax. Não havia ar-condicionado. Em 1988, a Osesp fez ensaios e apresentações nos auditórios dos clubes Hebraica e Paulistano, da escola Caetano

A Osesp de hoje deve muito ao sonho de Eleazar de Carvalho, o maior regente brasileiro. O maestro, morreu antes de ver a seus desejos realizados

de Campos e nas arcadas do largo de São Francisco. Um ano depois, passou a residir no Memorial da América Latina, mas, sem contar com prioridade no uso do auditório, parte dos ensaios passou a acontecer fora dele, até no restaurante do local. Faltava amor próprio ao conjunto, e muitos viviam dele como se fosse um “bico”. Por várias vezes o maestro precisou alterar a programação, especialmente quando havia peças como “Sagração da Primavera”, de Stravinsky. “Os salários dos músicos às vezes atrasavam e eram baixos. Eleazar também tinha dificuldade em ampliar a orquestra – eram poucos os músicos qualificados disponíveis. Por isso havia volatilidade e ele se via obrigado a alterar a programação com peças que não exigissem orquestração completa”, explica o trompetista Gilberto Siqueira, que, aos 63 anos e 40 de Osesp, é seu músico mais antigo. A elegância e a precisão dos gestos de Eleazar e seu profundo conhecimento sobre as obras sempre foram louvados. Mas as dificuldades enfrentadas pela orquestra o consumiam. De temperamento intempestivo, o regente se indispunha frequentemente tanto com os músicos quanto com políticos. Diante desse quadro, segundo conta o maestro Diogo Pacheco, que foi seu assistente, ele resolveu adotar o pragmatismo. “Quando não se pode fazer o que se deve, deve se fazer o que se pode: ele vivia repetindo essa frase”, recorda.

Improviso O velório de Eleazar de Carvalho marcou o ponto de mutação. A cerimônia foi realizada no Theatro Municipal, com o caixão sobre o palco. Formações sinfônicas revezadas o rodeavam, executando obras de Bach e outros compositores. A certa altura, o trompetista Gilberto Siqueira, num arroubo, discursou de improviso. “Falei sobre uma coisa muito importante, pela qual o Eleazar havia lutado pela vida inteira e não tinha conseguido conquistar. Até para ser velado ele precisou de uma casa emprestada”, lembra Siqueira. “O Municipal, que estava lotado, veio abaixo, como no final de uma ópera”. O governador Mario Covas estava presente. Marcos Mendonça, secretário de Cultura à época, estava a seu lado e atesta: “Esse discurso teve uma influência no rumo dos acontecimentos”. O rumo atual é amparado por uma realidade oposta à do período de Eleazar. Com orçamento de R$ 98 milhões anuais, a Osesp, se fosse norte-americana, só ficaria atrás das “big five” (Los Angeles, Boston, San Francisco, Nova York e Chicago). Desse total, R$ 55 milhões anuais são subvencionados pelo Estado. Além disso, a captação própria de recursos cresceu de R$ 15 milhões, em 2006, para R$ 43 milhões, em 2012, perfazendo o total que sustenta as atividades. Apresentado aos dados, o editor britânico James Jolly se espanta com a proporção do crescimento. No mesmo momento, orquestras do mundo todo se contraíam: a crise de 2008 fez encolher as doações na Europa e nos Estados Unidos. Na Grã-Bretanha, a BBC gastou o equivalente a R$ 114 milhões em 2012 para suas cinco orquestras: BBC Symphony, BBC Philharmonic, National Orchestra of Wales, BBC Scottish e BBC Concerto Orchestra. Elas não sofrem as pressões de orquestras independentes, e a venda de ingressos importa menos do que as transmissões. “É meio arriscado compa-

rar orçamentos, pois cada orquestra tem suas características. A BBC Symphony e a BBC Philarmonic estariam no segundo escalão das boas orquestras internacionais. Mas seu orçamento demonstra que é possível administrar uma boa orquestra com muito menos dinheiro do que muitas fazem”, afirma Jolly. Marcelo Lopes, diretorexecutivo da Osesp, rebate: “As comparações com orquestras inglesas são bem impróprias: reconhecidamente são as mais mal pagas da Europa”. Além disso, “os impostos sobre salários são bem menores lá do que no Brasil” diz. E acrescenta que o “prestígio” funciona como “facilitador”. “Os grandes artistas querem mesmo tocar em Londres e, sabendo da situação, acabam aceitando cachês mais baixos”. De acordo com Lopes, 50% do orçamento da Osesp é gasto com pessoal. Outros 25%, com orçamento artístico – cachês de regentes e solistas convidados (serão 70 em 2014, com valores que variam de US$ 5.000 a US$ 20 mil), passagens, hospedagem. E 8%, com manutenção predial. O restante se distribui em despesas variadas. Também a captação própria de recursos, que quase triplicou nos últimos sete anos, depende, ainda que indiretamente, do setor público. Lopes afirma que os aumentos foram em grande parte suscitados pelo benefício da Lei Rouanet. Os projetos incentivados lideram o ranking das fontes de arrecadação. Respondem basicamente pelos gastos das temporadas anuais, turnês e, mais recentemente, do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, gerido pela Osesp desde 2012. Foram captados, através da Lei Rouanet, R$ 14 milhões para a temporada de 2012; para o festival, foram R$ 3,5 milhões. Os maiores patrocinadores (acima de R$ 100 mil) incluem instituições financeiras, como Banco do Brasil e Credit Suisse, e multinacionais, como Atlas Schindler e Basf.


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Contexto Os custos da orquestra não se devem só aos esforços por excelência, mas ao projeto maior da Osesp, o contexto no qual a orquestra se insere. As ações educativas, por exemplo, devem atingir, em 2013, 120 mil crianças, por meio dos concertos didáticos e de ensaios abertos. Só até julho foram 38 dessas apresentações, nas quais o público tem acesso a um repertório introdutório e conhece os instrumentos, muitas vezes até subindo no palco. No ano passado, mais de 900 professores receberam capacitação para orientar alunos em sala. Há também as produções fonográficas. Até hoje a orquestra já gravou 64 álbuns, por selos brasileiros e do exterior. Nesse quadro, têm destaque composições nacionais. A Osesp registrou todo o ciclo dos choros e bachianas de Villa-Lobos e resgatou obras de brasileiros da primeira metade do século passado, como Camargo Guarnieri e Francisco Mignone. No ano que vem, estreia no prestigiado selo Decca, com um CD que terá obras interpretadas pelo pianista Nelson Freire, sob regência de Marcelo Lehninger, e outro com peças brasileiras regidas por Marin Alsop. A Osesp também conta com uma editora de partituras, a Criadores do Brasil, lançando uma média de 15 obras de brasileiros ao ano, além do trabalho de recuperação e publicação do repertório nacional. A busca por uma identidade brasileira da orquestra se reflete também no percentual de apresentações dedicadas ao repertório nacional, que no ano passado bateu os 10%. Para James Jolly, da “Gramophone”, é um balanço razoável: “É importante prestigiar a produção local. Duvido que

as orquestras inglesas executem o repertório britânico nessa proporção”. Para Arthur Nestrovski, diretor artístico da Osesp desde 2010, a palavra-chave na composição dos programas é “equilíbrio”. “Há um esforço para contemplar os mais variados estilos, períodos e formações musicais ao longo da temporada. Tanto os compositores centrais do repertório – Beethoven, Mozart, Brahms, Tchaikovsky – como os autores do nosso tempo e os compositores do século 20 aparecem regularmente nos programas, assim como os criadores brasileiros, do passado e do presente. Queremos cultivar a tradição e ao mesmo tempo acompanhar a produção atual”. “Nenhuma outra orquestra desse porte toca mais brasileiros do que a Osesp – de longe. Nenhuma faz mais encomendas (pelo menos seis por ano)”, acrescenta. Reestruturação Quando a reestruturação da Osesp passou a se desenhar, Marcos Mendonça tinha alguns trunfos no seu currículo de secretário de Estado da Cultura. A reforma da Pinacoteca, empreendida por Paulo Mendes da Rocha, estava em andamento. Um ano antes, o museu havia abrigado a célebre exposição de Rodin, que teve mais de 180 mil visitantes. Marcelo Lopes, diretor-executivo da Osesp, lembra que o projeto partiu das diretrizes básicas lançadas por Eleazar de Carvalho. O conceito se erguia sobre duas bases: a requalificação dos músicos e a construção de uma sala de alta qualidade acústica. A esses pilares seria acrescida a institucionalização da Osesp, a partir

da criação de uma organização com mais autonomia de gestão. Isso determinou a criação da Fundação Osesp, em 2005, contratada pela Secretaria de Estado da Cultura para gerir a orquestra e seus projetos, como organização social (OS). O modelo, porém, não é unânime. Para Carlos Augusto Calil, secretário municipal de Cultura entre 2005 e 2012, “as OSs não são uma maravilha, mas funcionam”. “No caso da Osesp, o governo do Estado não tem mais uma orquestra: ele a transferiu para uma fundação de direito privado”. No último ano da gestão de Gilberto Kassab como prefeito, Calil criou uma fundação de direito público para administrar o Theatro Municipal. “A diferença é que a fundação é do município, e o Theatro não foi privatizado”, pontua. Ele explica que a fundação poderá contratar uma OS para gerir as atividades artísticas, mas o planejamento se mantém na fundação, que agirá como intermediária entre a administração direta e a OS. Para o secretário de Estado da Cultura, Marcelo Araújo, a fundação “é injustamente criticada como modelo de privatização quando, na

A busca por uma identidade brasileira se reflete também no percentual de apresentações dedicadas ao repertório nacional

verdade, busca agilidade na gestão, na implantação das políticas e diretrizes fixadas pela secretaria”. Segundo ele, a Fundação Osesp se tornou referência de administração cultural para várias outras instituições do país. Hoje todos equipamentos da secretaria funcionam dentro desse modelo. São 25 contratos de gestão com 20 OSs. Mão de ferro A consolidação da reestruturação deve grande parte de seu êxito ao perfeccionismo e à mão de ferro do maestro John Neschling, contratado em março de 1997. Acumulando os cargos de regente titular e diretor artístico, ele saiu do zero absoluto, em termos de assinantes, a 11.626 subscritores (hoje são 12.303). O piso salarial, que à sua chegada era de R$ 1.500, está em R$ 10.897. Tão ou mais lembrada quanto a excelência de Neschling, no entanto, é sua vaidade. Antes de ser contratado, ele já dizia: “Eu não preciso da orquestra, a orquestra é que precisa de mim”. Acabou demitido em 2009. Hoje à frente do Theatro Municipal, o regente não quis falar à reportagem. “Neschling é um grande empreendedor, honesto e comprometido, com um conhecimento incrível. É, também, um homem de relacionamento zero”, define o veterano Siqueira. O momento mais delicado do processo foi a requalificação dos músicos, que ocorreu três meses após a contratação de Neschling. Todos deveriam ser submetidos a exames de seleção. Houve muita oposição e desconfiança, com trocas de acusações de parte a parte. Por fim, dos 97 integrantes da antiga estrutura da Osesp,

68 se inscreveram para as audições, e 44 foram aprovados para integrar a nova orquestra. A necessidade emergencial à época, de acordo com Arcádio Minczuck, autor de uma dissertação de mestrado sobre a Osesp, era por instrumentistas de cordas. Por isso, a opção foi realizar audições em países com tradição na formação desse tipo de instrumentista. O momento colaborava: ganhava-se mal no Leste Europeu. Foram feitas audições em Bucareste (Romênia) e Sofia (Bulgária), e 16 músicos foram trazidos. Hoje, 25% dos instrumentistas da Osesp são estrangeiros – 10% da orquestra provém de países europeus; outros 8% são russos. Incompleto Carlos Augusto Calil considera a Osesp “um projeto incompleto”. “Apesar do alto padrão musical, a orquestra não tem ainda uma identidade brasileira, latino-americana. O seu parâmetro é estrangeiro, reproduzindo a mentalidade colonial, que predomina no país”, afirma. Para o ex-secretário municipal de Cultura, mesmo a relação da agrupação com o entorno é falha. “O fato de você entrar na sala São Paulo como se fosse em uma fortaleza blindada, com o carro de vidros fechados, mostra que, infelizmente, o poder público não cuidou de promover a integração com o bairro. No entorno, encontram-se algumas das mais importantes instituições culturais da cidade, como a Pinacoteca, o Museu da Língua Portuguesa e o Sesc Bom Retiro, além das duas estações ferroviárias e do parque da Luz”. A Osesp, porém, ressalta sua política de democratização do

acesso a suas atividades. Pagantes Atualmente, 62% do público da Osesp não paga ingresso ou paga até R$ 15 por uma entrada de concerto. Em 2012, foram 7 concertos gratuitos da Osesp, 21 de orquestras parceiras, 30 ensaios gerais abertos, 37 concertos fora da Sala São Paulo e 27 do projeto Osesp Itinerante, que levou a orquestra a nove cidades do interior do Estado. As turnês pelo interior ou em outros locais, como o parque Ibirapuera, atingiram um público de 96.788 pessoas. Na fronteira virtual, a Osesp inaugurou os concertos digitais e oferece gratuitamente no seu site (osesp.art. br) download de gravações, podcasts e textos. A orquestra também atua no campo de formação de músicos. Conta com uma academia com 40 alunos bolsistas, em tempo integral – quatro dos atuais membros da agrupação saíram dela. Além disso, o Festival de Inverno de Campos do Jordão tem um projeto pedagógico para alunos bolsistas – neste ano, foram 144. Em entrevista à Folha, o executivo Fábio Barbosa, recentemente nomeado presidente da Fundação Osesp, sucedendo Fernando Henrique Cardoso, afirmou que o momento é de consolidação. “Os horizontes se abriram, na medida em que a orquestra se tornou mais respeitada. No momento estamos definindo as linhas do planejamento estratégico para os próximos anos. Mais ações de educação ou menos? Mais ou menos turnês? Quais iniciativas nos levariam a ter uma orquestra da qual a população e a sociedade se orgulhariam ainda mais?”


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Diário de Paris O MAPA DA CULTURA

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Turbilhão nada azul Mulheres atacam no cinema e no Panthéon

LUCAS NEVES

O turbilhão que traga a jovem Adèle, protagonista do filme “Azul É a Cor Mais Quente”, a partir do instante em que cruza o caminho da estudante de belas-artes Emma rompeu as comportas da ficção. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o longametragem de Abdellatif Kechiche estreou na França há duas semanas (no Brasil a previsão é 6/12) sitiado por um redemoinho de controvérsia que fez terra arrasada dos métodos de filmagem do diretor, de sua relação com equipe técnica e atrizes e de sua (in?)gratidão à autora da história em quadrinhos que inspirou o roteiro. Primeiro foi o sindicato dos trabalhadores do audiovisual, que denunciou “práticas indignas” no set. O pacote incluiria jornadas de trabalho pagas pela metade, planejamento errático e um cardápio sortido de arroubos despóticos por parte de Kechiche.

Dias depois, a escritora Julie Maroh, criadora da HQ que originou o longa, lamentou não ter sido convidada a visitar o set nem a acompanhar a estreia da produção na Croisette. Logo o elenco se somaria à malhação do Judas com testemunhos de uma filmagem “horrível e sofrida” e um diretor “que não sabia o que desejava”. Kechiche revidou, mirando a artilharia na atriz Léa Seydoux (Emma), neta do dono da überprodutora francesa Pathé: “Ela faz parte de um sistema que não quer saber de mim, porque perturbo”. Perturbadores, no fim, são o magnetismo de Adèle Exarchopoulos, 19, e a forma como a câmera devora seus esgares, meios sorrisos e progressivo langor. O cinema engolfou a débâcle midiática. Égalité O Panthéon, mausoléu de notáveis da República em cuja fachada se lê a inscrição “aos grandes homens, o reconhecimento da pátria”,

perderá o ranço sexista. O presidente François Hollande recebeu neste mês um relatório sobre a modernização do monumento que traz recomendação expressa: é preciso abrir espaço às mulheres. Hoje, repousam sob o domo da rua Soufflot 73 vultos do sexo masculino, dentre os quais o escritor Victor Hugo (1802-85) e o filósofo Voltaire (16941778). A representação feminina se resume à cientista Marie Curie (1867-1934) e à química Sophie Berthelot (1837-1907). A par da elaboração do relatório, organizações feministas encetaram nos últimos meses o lobby em torno de figuras como Olympe de Gouges (1748-93), autora da Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (pedra fundamental do movimento feminista), e a heroína da Resistência na 2ª Guerra Lucie Aubrac (1912-2007). Mas há também quem faça campanha por Edith Piaf (1915-63) e Simone de Beauvoir (190886). Hollande anuncia suas

escolhas até o fim do ano. O francês tranquilo Eminência parda de um cubismo em que Pablo Picasso (1881-1973) monopolizava os holofotes, Georges Braque (1882-1963) ganha o proscênio em retrospectiva no Grand Palais, a primeira na França em 40 anos (em cartaz até 6/1). O percurso de 238 obras contempla a placidez fauvista de sua primeira fase, o estilhaçamento cubista da perspectiva a partir de 1908, o pioneirismo nas colagens, a reconciliação com a cor no pós- 1ª Guerra e os grandes nus figurativos dos anos 1920. Desemboca na simbologia tétrica que assombra sua produção durante a 2ª Guerra e nos pássaros diáfanos que prenunciam sua partida (veja no site www. grandpalais.fr.) Contrariando o estereótipo do gênio indomável, o artista preconizava “a regra que corrige a emoção”, a beleza advinda da supressão, da depuração do método. A descobrir.

Ópera da pá Era para ser uma abertura arrasa-quarteirão, mas o tiro saiu pela culatra. A performance musical “Quarteto de Cordas com Helicópteros”, que iniciou a 12ª edição da maratona cultural notívaga Nuit Blanche (inspiradora da Virada Cultural), no último dia 5, mobilizou quatro aeronaves em voo e um intrincado sistema de transmissão que faria chegar à multidão reunida sobre o pont Neuf o fragmento de ópera composto por Karlheinz Stockhausen (1928-2007). O ruído das hélices obviamente engoliu o som dos instrumentos, a imagem dos músicos se congelou fantasmagoricamente no telão e, para terminar, os helicópteros passaram por sobre as cabeças na estratosfera – frieza de aviação corporativa. O público estrilou. Afora isso, pulularam instalações sonoras, “site-specifics” e bizarrices como a esfera de gelo a lembrar o pêndulo de Foucault (!). Tudo muito vanguardista, tudo muito sinestésico. Faltou a autoderrisão do palco brega do filhote paulistano.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIA

5 Um dia muito especial Roma, 2006

ACERVO PESSOAL

Euclides Santos Mendes (esq.) e o cineasta Ettore Scola, em Roma

EUCLIDES SANTOS MENDES

Apesar do título desta crônica, que evoca um dos mais singelos e belos filmes de Ettore Scola, confesso que não lembro o dia exato em que encontrei pessoalmente o cineasta italiano. Recordo que foi numa sessão de “Um Dia Muito Especial” (“Una Giornata Particolare”, 1977), em que Sophia Loren e Marcello Mastroianni protagonizam uma história sobre liberdade em tempos sombrios, mais precisamente no dia em que Hitler visitava Roma. Antes da projeção, Scola, então com 75 anos, apresentou o seu longa-metragem, lamentou estar cansado e não ter mais paciência para dirigir um filme. Ele saiu da sala assim que a película começou a ser exibida. O filme foi exibido na Casa del Cinema, instituição cultural localizada na Villa Borghese, o principal parque romano, como parte especial da programação da mostra em homenagem a Mastroianni nos dez anos da sua morte. Além de Scola, outros expoentes do cinema italiano passaram

pelo local, ao longo de quase um mês, para falar sobre o ator: Mario Monicelli (que o dirigiu nos filmes “Os Eternos Desconhecidos” e “Os Companheiros”), Marco Bellocchio (que o dirigiu em “Enrico 4”), Vittorio Taviani (que, com o irmão Paolo, dirigiu o ator em “Allonsanfàn”), Tonino Guerra (que roteirizou com Fellini e Tullio Pinelli o filme “Ginger e Fred”, que tem Giulietta Masina e Mastroianni como protagonistas), Stefania Sandrelli (que atuou com o galã no filme “Divórcio à Italiana”, de Pietro Germi), entre outros. Foi, porém, com Scola que me surgiu uma oportunidade inesperada. Após a sessão de “Um Dia Muito Especial”, que eu acabara de assistir em película pela primeira vez, saí da sala de projeção ainda meio atordoado, imerso num tempo movediço a meio passo entre o filme e a vida (como costuma acontecer a cinéfilos incuráveis). Pensava no modo como o diretor transformou o transcorrer de um dia em Roma nos anos 1930 numa história comovente sobre a pureza dos afetos em contraposição ao terror fascista. Era noite quando saí da Casa del Cinema. Não percebia que Scola ainda estava por ali, numa mesa,

conversando com amigos. Quando distraidamente passei perto do grupo, senti um braço que me deteve. Ao virar-me, vi uma mulher idosa, amiga de Scola, que me perguntou o que achei do filme. Somente então olhei em torno e vi o diretor reunido com amigos. Havia taças de vinho sobre a mesa. Disse a Giovanna – assim se chamava a mulher que me interpelou – que havia apreciado muito o filme do “sr. Scola”, mas tinha predileção por outra obra dele: “O Baile” (1983). Expliquei: “Acho fantástico como o sr. Scola, em ‘O Baile’, narra muito bem uma história só com imagens, sem diálogos”. Percebi que alguns dos amigos do cineasta aprovavam minhas palavras. Subitamente, a atenção de Scola dirigiu-se ao que eu dizia. Ele me olhava meio desconfiado, temendo talvez que me atirasse a seus pés e declarasse minha admiração incondicional pela sua obra. Por isso, creio, ele mantinha a face contraída, com expressão de mau humor. Eu já tinha percebido essa expressão quando, horas antes, na apresentação de “Um Dia Muito Especial”, ele disse não ter mais paciência para dirigir filmes.

Mesmo assim, tomei coragem e lhe pedi licença para tirar uma fotografia consigo. Ele imediatamente se opôs. “Non me piace”, disse. Uma mulher diante dele insistiu para que deixasse de lado o mau humor e atendesse ao pedido do fã estrangeiro. Ele então balançou a cabeça levemente para cima e para baixo, em sinal de aprovação. Sentei-me a seu lado e a mulher que intercedera a meu favor tomou a minha câmera fotográfica e, clique, capturou aquele instante decisivo (ora aqui reproduzido), em que o diretor de “Feios, Sujos e Malvados” (1976) parece lamentar ter de aparecer numa fotografia. Depois, nos despedimos e fui embora pela via Veneto, feliz da vida. Hoje, revendo esta fotografia e depois de ter assistido ao novo filme de Scola (“Que Estranho Chamar-se Federico”, que realizou após dez anos de jejum cinematográfico), entrevejo um meio sorriso na face do cineasta. Talvez ele não seja tão mal-humorado como pensei na ocasião em que o conheci. Creio hoje que sua expressão traduz o peso do amor e da seriedade com que esse homem de cinema encara seu ofício.


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Entrevista BERNIE KRAUSE

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Muito além dos sabiás As paisagens sonoras da natureza selvagem

RESUMO Músico que colaborou com trilhas de Hollywood se dedica há cerca de 40 anos ao estudo dos sons da natureza, tema de livro recém-lançado no Brasil. Para o naturalista, a complexidade dos sons produzidos em ambientes selvagens segue uma orquestração complexa e clara, que se perde em habitats alterados pelo homem.

REINALDO JOSÉ LOPES

Para o músico e naturalista americano Bernie Krause, 74, falar em “coral” ou “orquestra” para se referir à algazarra matutina dos pássaros ou ao canto noturno de rãs e grilos é mais do que mero lugar-comum poético.

Autor de “A Grande Orquestra da Natureza” [trad. Ivan Weisz Kuck, Zahar, 248 págs., R$ 54,90], Krause deixou de lado o trabalho em Hollywood, onde colaborou com a trilha sonora de filmes como “Apocalypse Now” (1979), para fazer um doutorado em bioacústica e se dedicar à gravação do que ele chama de “soundscapes”, ou “paisagens sonoras”, em ambientes naturais. Em vez de se concentrar nas vocalizações de um ou outro animal, como ainda costuma fazer a maioria dos biólogos, Krause se dedicou a captar retratos sonoros do ecossistema como um todo, ao longo de um dia inteiro e das várias estações do ano. Sua principal descoberta: em ambientes com pouca intervenção humana, cada espécie parece ter achado seu próprio “espaço” sonoro, uma faixa de frequências na qual cada bicho se encaixa com a mesma precisão e complexidade dos instrumentos de uma orquestra sinfônica. A sobreposição de frequências é mínima, e o timing dos “músicos” é impecável, afirma ele. Isso não acontece em ambientes desmatados, mesmo quando o corte de árvores é seletivo: a antiga orquestra sai do tom ou se cala. Ao estudar, em paralelo, a

música de povos caçadores-coletores, o pesquisador encontrou paralelos intrigantes entre complexidade biológica e sofisticação musical. Ele propõe que o conjunto dos sons naturais seria uma das principais fontes da música e da linguagem humana e defende um retorno a essa fonte para renovar a arte musical no Ocidente. Alguns dos sons gravados por Krause podem ser ouvidos no endereço eletrônico bit.ly/orquestranatureza. Uma palestra do especialista, com legendas em português, está disponível em http://www.ted.com/talks/ bernie_krause_the_voice_of_ the_natural_world.html. Leia a seguir trechos da entrevista. Folha - O sr. acha que é possível se treinar para ficar mais consciente em relação aos sons da natureza? Bernie Krause - Sim, é claro que isso é possível, e acho que é bastante simples. As pessoas precisam aprender a escutar, mas, para isso, precisam ir para lugares ainda selvagens e simplesmente prestar atenção nas paisagens sonoras. Infelizmente, as paisagens sonoras com as quais estamos acostumados, repletas de sons de origem mecânica ou elétrica, geram sons que tendem a

ser incoerentes e caóticos, o que nos causa muito estresse, entre outros problemas. Então não é possível, na sua opinião, aprender a ouvir melhor os sons naturais num ambiente urbano, como um parque ou uma pequena reserva florestal? Bem, há algumas maneiras de conseguir isso – não digo no caso de um parque urbano, que nunca vai se comparar a lugares realmente selvagens. Mas um jeito de conseguir essa compreensão, que certamente não é tão bom quanto visitar esses lugares, é entrar em casa, fechar as portas e janelas e se concentrar para ouvir gravações das paisagens sonoras originais. Para a sorte de vocês no Brasil, ainda há lugares fantásticos na Amazônia e na mata atlântica, por exemplo, que me parecem relativamente acessíveis para alguém que deseje ter essa experiência. Apesar disso, no livro o sr. conta como, mesmo numa reserva florestal da mata atlântica, a assinatura sonora que o sr. conseguiu gravar parecia bastante debilitada perto da que se ouve em florestas mais isoladas mundo afora. Sim, isso foi uma pena. Uma coisa interessante sobre essa experiência, aliás, é que tivemos a oportunidade de nos encontrar com Tom Jobim

no Rio de Janeiro e ele nos contou como, na sua infância, ele costumava ouvir uma enorme variedade de pássaros a poucos metros do restaurante onde estávamos jantando. Ele acabou gravando um disco inteiro, batizado de “Passarim” [1987], em homenagem a essas lembranças. No livro, o sr. explica como é possível notar que determinado ambiente foi degradado simplesmente olhando para as faixas do espectro sonoro que aparecem numa gravação, porque a diversidade e a organização dos sons é muito menor num habitat alterado. Seria possível usar isso para fazer avaliações rápidas da saúde ambiental de um ecossistema, por exemplo? Isso já foi feito diversas vezes por muitas instituições de pesquisa, aqui nos EUA, na Itália, pela Universidade de Urbino, e em outros lugares. É um modelo que está “pegando” cada vez mais. O sr. compara essa estrutura das paisagens sonoras naturais à de uma orquestra. Em certo ponto, porém, a analogia não deixa de valer, já que uma orquestra humana depende de uma colaboração intencional entre os músicos? Acho que existe uma colabo-

ração evolutiva, de longuíssimo prazo, entre os animais que produzem os sons da natureza, embora de fato ela seja diferente da colaboração numa orquestra humana. Trata-se de uma colaboração contínua, que atravessa a noite e o dia, mantém-se ao longo das estações, e é impressionante pela complexidade e pela estrutura clara que ela é capaz de produzir num ambiente saudável. Para mim, a percepção dessa estrutura complexa é o principal achado do que chamo de ecologia da paisagem sonora. Existe uma ligação estreita entre biodiversidade e complexidade musical? A música das populações de caçadores-coletores que vivem em florestas tropicais, onde está concentrada a biodiversidade do planeta, também tende a ser a mais variada e complexa? Com certeza. É claro que cada ambiente tem sua própria paisagem sonora, mas as florestas úmidas equatoriais, em qualquer lugar do mundo, são sempre as que apresentam máxima diversidade de espécies e máxima densidade de seres vivos, e isso se reflete em suas paisagens sonoras.


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EM TEMPO - 27 de outubro de 2013 by Amazonas Em Tempo - Issuu