R$ EXEMPLAR
2,00 DE ASSINANTE
VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO
O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.248 – DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO RICARDO OLIVEIRA
PAÍS DA BOLA Paixão pelo futebol no planeta água A criança ribeirinha (foto) ainda não tem noção da grandiosidade de uma Copa e pouco conhece Neymar, mas divide com o mundo a paixão pelo futebol. Pódio E3
Cruzeiro campeão Última Hora A2
REVIRAVOLTA NO CASO ADAIL
DEPUTADA QUER LEVAR INVESTIGAÇÃO PARA A ESFERA FEDERAL DIVULGAÇÃO
SIMONETTI
‘Defendo o acusado, não o crime’ Alberto Simonetti Neto (foto) tem recebido críticas por defender o prefeito Adail Pinheiro, no momento em que ocupa a presidência da OAB-AM. Seu cliente é acusado de chefiar uma rede de prostituição infantil e corrupção, mas Simonetti afirma que sua função é defender o acusado e não o crime. Com a palavra A7 IONE MORENO
DANÇA
BALÉ RUSSO COM TOQUE REGIONAL
Última Hora A2
EDUARDO GOMES PERDE LADO MAIS AMAZÔNICO Durante a reforma, o lado mais amazônico do aeroporto Eduardo Gomes foi coberto de concreto. A primeira coisa que o consórcio de construtoras que toca a obra fez foi aterrar o lago artificial, cortar as palmeiras e retirar as tartarugas que encantavam os visitantes. Dia a dia C1 ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Balé “Sagração da Primavera”, de Igor Stravinski, adaptado pelo Corpo de Dança do Amazonas (foto), com participação da Orquestra Amazonas Filarmônica, é forte candidato a compor a programação cultural durante a Copa do Mundo, em Manaus. Plateia D1
SEGURO
Proteção nas viagens ao exterior A morte da psicóloga amazonense Jaqueline Marques, nos Estados Unidos, traz à tona a importância da aquisição do seguro de viagem. Economia B1
Nilson Barbosa é o dono da coleção de peças do “tempo da vovó”
8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
REI DA SUCATA A loja Refúgio Antiguidades e Colecionáveis reúne uma seleção de peças a partir da década de 1940, prato cheio para quem curte o vintage. Elenco 14 e 15 TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 31
MÍN.:
23
A2
Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Comissão quer federalizar caso de pedofilia em Coari A
relatora da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes, deputada Liliam Sá (PROS-RJ), quer denunciar o caso do prefeito de Coari, no Amazonas, Adail Pinheiro (PRP), suspeito de envolvimento com pedofilia. As informações são da Agência Câmara Notícias. Com 77 mil habitantes, a cidade fica às margens do rio Solimões, no interior do Amazonas. No ano passado, Adail Pinheiro, acusado de pedofilia, foi convocado pela CPI e assumiu casos de nepotismo na prefeitura, mas negou a exploração sexual de meninas.
Novas provas Integrantes da CPI tentam trazer a investigação do caso para o âmbito federal. Para eles, a apuração no Estado está contaminada por laços familiares e de amizade que unem acusado e autoridades responsáveis pela investigação. Novas provas apresentadas pelo Ministério Público, segundo a deputada, comprovam o envolvimento dele nos crimes. “Queremos finalizar com a questão do
MÁRIO OLIVEIRA
CPI diz que a apuração no Estado está contaminada por laços familiares e de amizade entre acusado e autoridades Amazonas, porque o maior pedófilo que conhecemos, que foi apontado como maior pedófilo do Brasil, ainda está solto e tem cargo de prefeito. Nós queremos ver aonde vai acabar toda essa história que envolve o Adail Pinheiro, prefeito de Coari.” Legislação A presidente da CPI, depu-
VIOLAÇÃO
“É preciso que a gente assegure a possibilidade de federalizar todos os casos de violação de direitos humanos e particularmente de violação de direitos de crianças e adolescentes...”, diz Érika Kokay Integrantes da CPI tentam trazer a investigação do caso para o âmbito federal. A comissão quer acelerar os processos
tada Érika Kokay (PT-DF), sugere alterações na legislação para combater casos como esse. “É preciso que a gente assegure a possibilidade de federalizar todos os casos de violação de direitos humanos e particularmente de violação de direitos de crianças e adolescentes que envolvam pessoas que têm muito poder regional, poder político ou poder econômico.”
VÔLEI DIVULGAÇÃO
Relatório deverá ser votado até maio Érika Kokay lembrou que a Polícia Federal investiga um caso de malversação de recursos públicos em Coari e conseguiu identificar uma série de evidências claras do en-
PARA A COPA
Hotéis aumentam tarifas
Eder vibra com a vitória do Sada Cruzeiro em Maringá
Cruzeiro vence Sesi e fatura a Copa Brasil Quatro mil pessoas no ginásio Chico Neto, em Maringá (PR), um jogão dentro de quadra e a final da Copa Brasil masculina de vôlei foi um grande espetáculo na manhã de ontem. No final, após um confronto de cinco sets, melhor para o Sada Cruzeiro (MG), que assegurou a vitória, título e vaga garantida no Sul-Americano de Clubes. Em jogo emocionante Cruzeiro bate o Sesi por 3 sets a 2 e fatura a Copa Brasil Masculina de Vôlei Para chegar a conquista, o Sada Cruzeiro venceu o São Bernardo Vôlei (SP) na primeira rodada e o Brasil Kirin (SP) na fase semifinal. Após a grande decisão, o venezuelano Luis Diaz, destacou a qualidade do vôlei brasileiro. “Estou muito contente. Tinha certeza que esse seria um grande jogo. As duas equipes têm elencos
muito fortes. Fico ainda mais feliz de ter vindo do banco e ter ajudado o time. Sentimos um pouco o saque deles até o quarto set. No entanto, hoje provamos que podemos jogar contra qualquer equipe. Essa partida foi a demonstração do grande voleibol que é jogado dentro do Brasil. Espero que possamos manter esse nível nas próximas competições”, destacou Diaz. O levantador e capitão do Sada Cruzeiro, William, foi mais um a ressaltar o alto nível da final da Copa Brasil. “Essa partida reuniu as duas melhores equipes do Brasil. Foi uma partida digna de uma final. A energia do ginásio e entre os times foi maravilhosa. Hoje provamos que somos um grupo forte. Foi a vitória de uma equipe. O nosso grupo fez a diferença”, afirmou.
Mesmo sem receber jogos da Copa do Mundo, cidades que foram escolhidas para hospedar seleções de futebol registram alta de até 170% nas diárias dos hotéis para junho, mês do Mundial. Como a vinda de delegações internacionais de futebol é novidade para a maioria das sub-sedes da Copa, elas se preparam para o evento como se fosse “alta temporada”, inclusive nos preços. Em Campinas, que irá receber as seleções de Portugal e Nigéria, em Ribeirão Preto (França) e em Sorocaba (Argélia), as quais têm como potencial o turismo de negócios, as tarifas foram reajustadas entre 42% e 170% para junho. Já em cidades acostumadas ao grande fluxo de turistas, como Águas de Lindóia (Costa do Marfim), Foz do Iguaçu (Coreia do Sul), Guarujá (Bósnia-Herzegóvina) e Santos (Costa Rica e México), os reajustes foram mais tímidos, entre 20% e 53%. O hotel Stream Palace, em Ribeirão, reajustou as diárias entre 89% e 170%. A tarifa de uma suíte quase triplicou, de R$ 227 para R$ 611. Rosemeire Zuccolotto, gerente do hotel, disse que o aumento foi determinado após receberem muitos pedidos de preços para o período da Copa.
volvimento do prefeito na construção de uma rede de exploração sexual. Na retomada dos trabalhos, em fevereiro, a CPI pretende levar adiante as investigações sobre a ex-
ploração de menores em rodovias, grandes obras e casas noturnas. Proteção à infância A comissão deve votar seu relatório até maio. Liliam
Sá adiantou que o texto vai propor uma nova legislação de proteção à infância e à juventude, que obrigue os governos a investirem os recursos previstos nos programas sociais.
COMPROMISSO
Dilma viaja à Cuba para eventos Após participar do Fórum Econômico Mundial na Suíça, a presidente Dilma Rousseff viaja neste fim de semana à Cuba para agenda bilateral e evento com países da América do Sul, Central e do Caribe. Os compromissos marcados para segunda e terça-feira na ilha antecedem o anúncio da reforma ministerial, a ser feito por ela quando retornar ao Brasil. Alguns ministros deixarão o governo para disputar as eleições deste ano. Na segunda-feira, Dilma se encontra com o presidente cubano Raúl Castro e na terça representa o Brasil na reunião da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). O evento tem programação também para quarta-feira, mas a participação da presidente deve se restringir ao primeiro dia. Criada oficialmente em 2011, a Celac visa ao diá-
logo político e à cooperação de todos os 33 países da América Latina e do Caribe. Esta é a segunda cúpula do órgão, e vai tratar de temas como a luta contra a fome, a
COMÉRCIO
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o comércio entre o Brasil e Cuba aumentou quase sete vezes no período de 2003 a 2013, subindo de US$ 91,99 milhões para US$ 624,79 milhões pobreza e as desigualdades na região. O Chile foi a sede do primeiro encontro da Celac no ano passado. No último dia 9, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que vai propor
o ingresso na Celac de Porto Rico, território associado aos Estados Unidos. A agenda do evento tem programação durante todo o dia 28, incluindo fotografia oficial dos chefes de Estado no Palácio da Revolução. Durante a cúpula, a presidência pro tempore da organização será repassada por Cuba à Costa Rica. Dilma terá ainda, na segunda-feira, encontro particular com o presidente cubano, Raúl Castro. Ao lado dele, participa também da inauguração da primeira fase do porto de Mariel. A obra, segundo o Itamaraty, conta com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao ser reeleito em 2013 para mais quatro anos à frente de Cuba, Raúl Castro assumiu a necessidade de transição política no país. DIVULGAÇÃO
Em Cuba, a presidente Dilma Rousseff tem uma agenda cheia e participa de vários eventos
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
A marca de nascença Pois o adolescente lembrou-se que tinha um pai ao lado, esqueceu por um momento a maquininha que tinha entre os dedos e colocou o seu teorema de shopping center: “Nós resolvemos problemas matemáticos e de comunicação com nossos tablets. Como vocês faziam no seu tempo, velho?”. O velho pai respondeu, lembrando-se que tinha um filho ao lado e que ele falava, em surtos esporádicos: “Nós usávamos a cabeça e não doía”. Atendendo à não generalização do momento histórico de hoje, meninas e meninos que usam mais os dedos do que a cabeça tendem a dar saltos no escuro. Um desses exemplos foi (é) o grupo dos black blocs com sua ignorância instantânea e bruta contra o que eles identificam como ícones do capitalismo: paradas de ônibus e de metrô; postes de iluminação; caixas eletrônicos e toda e qualquer parafernália sem a qual a vida lhes seria insuportável (basta reparar na indumentária estilosa que ostentam em seus ataques de insanidade). Outro exemplo é mais momentoso: a turma do “rolezinho”, que adora o ambiente climatizado dos shoppings. Black bloc se conhece pela cara: não tem cara, é mascarado e tem partes do corpo blindadas. Mas o rolezeiro, como reconhecê-lo e soltar os cachorros em cima deles, como se pretendeu nesta semana, em São Paulo, onde começou essa dor de cabeça “anticapitalista”. Os lojistas dos shoppings propuseram a criação de um “rolezódromo”, onde se confinariam os praticantes do rolé. Impraticável. Só mesmo o pânico poderia inspirar uma solução idiota como essa (mandar a garotada zangada para espécies de Papudas?; existem, tantas Papudas?). Como barrar na entrada dos shoppings o sertanejo universitário, o roqueiro de garagem, o estudante bolsista, o cinéfilo, o consumidor viciado em olhar vitrinas, essa estranha biodiversidade pós-moderna? Mais polícia?
Sonho lindo que se foi O projeto do monotrilho em Manaus não sairá mesmo do papel. Apesar disso, segundo o governador Omar Aziz, uma verba de mais de R$ 1 bilhão já está disponível para a construção de um modal do transporte. Segundo ele, assim como nos outros Estados, o custo com a desapropriação de imóveis duplicou a necessidade de investimentos na obra, tornando-a inviável.
Os lanternas A Arena da Amazônia vem sendo citada entre os cinco dos 12 estádios cujas obras estão atrasadas. As outras cidades que estão na lista são Curitiba, São Paulo, Manaus, Cuiabá e Porto Alegre. Pero no mucho Mas não é bem assim. De acordo com o diretor da UGP Copa, Miguel Capobiango, a arena está com 97% concluída e esta semana deve dar um grande salto. Apenas seis Somente foram inaugurados os seis estádios utilizados na Copa das Confederações, no ano passado. E, mais recentemente, a Arena das Dunas, em Natal, aberto na quarta-feira com a presença da presidente Dilma. Correu do pau No início do mês, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, bateu pesado. Disse a um jornal suíço que nunca havia visto um país-sede da Copa do Mundo tão atrasado nos preparativos para o evento quanto o Brasil, mas logo em seguida correu do pau e se retratou da crítica. Durex Uma cena que tem se tornado comum nas aparições públicas de Arthur Virgílio Neto (PSDB). Quase sempre o prefeito está levando a tiracolo o vereador Elias Emanuel (PSB).
Na visita à arena, esta semana, Elias, que foi fiel escudeiro do ex-prefeito, Serafim Correa, não desgrudou. Meu garoto Por sua vez, Arthur não tem poupado elogios a Elias, tudo por conta do trabalho que o vereador realizou no Plano Diretor. Fisioterapia Falando em Arthur, o prefeito tem saído direto de seus compromissos para as sessões de fisioterapia. Pacote O tucano também vem analisando, com muita calma, um importante projeto do governo: o pacote de redução de custos do Executivo Municipal. Cortes Sem citar o montante, Arthur disse que vai dar a “palavra final” sobre os 15 cortes de gastos na prefeitura. Fora de tempo Enquanto o país inteiro se veste de Carnaval, Manaus ainda está em clima de Natal. Basta olhar para os postes e constatar que a ornamentação natalina até hoje não foi retirada. Enquanto o povo já está na base de “olha a banda aí gente!”, a prefeitura está tocando “Jingle Bell”. Dia dos Reis Para quem não sabe, a data correta para serem retirados os símbolos natalinos é 6 de
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
janeiro, dia dos Reis. Salva pela toga O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio, em decisão individual dada na noite de sexta-feira (24), manteve no cargo a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, eleita em 2010. Salva pela toga 2 O magistrado deferiu liminar em mandado de segurança contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral daquele Estado (TRE-RN), que cassava o diploma e tornava Rosalba inelegível por suposta prática de abuso de poder político. Autoescola Na tentativa de barrar a exigência de simuladores nas autoescolas do Amazonas, órgãos de defesa do consumidor preparam um “dossiê” sobre a aplicabilidade do instrumento no Estado. O documento será entregue a representantes do Denatran, que estarão em Manaus no dia 20 de fevereiro para avaliar a viabilidade da resolução no Estado. Inviável De acordo com o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa, deputado estadual Marcos Rotta (PMDB), além do ônus que esse simulador trará para o consumidor, a aplicabilidade dele no Estado é inviável por conta dos serviços de internet oferecidos no Amazonas.
VAIAS
Joaquim Marinho
REGI
Sujando o calçadão DIVULGAÇÃO
REPRODUÇÃO
Para o radialista Joaquim Marinho, que mantém o programa Zona Franca há mais de 30 anos, dando um toque de qualidade, inteligência e bom gosto ao radialismo amazonense.
Para donos de cachorros que levam seus mascotes para passear na Ponta Negra e eles acabam sujando todo o calçadão. Nas cidades civilizadas, essa é uma prática proibida.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Os contrastes da história O governante maior da Coreia do Norte, cujo nome é difícil lembrar, de tanto que parece com o do pai e o do avô e que sempre se faz acompanhar do epíteto de ditador, sumariamente fez executar o tio, até bem pouco a segunda autoridade do país e seu conselheiro preferencial. Nenhuma explicação plausível e nenhuma acusação formal foram explicitadas pelo jovem governante e apenas circulam informações e especulações que vão de traição a peculato e a depravação, sem nenhuma confirmação oficial. Mas não interessa mais. Restou o fato final e irremediável da condenação sumária e da execução imediata do tio e ministro. Este é um estilo de governo, que se vincula de modo indissociável à maneira com que Kin Jong-Um (lembrei seu nome com a ajuda do Google) convive com o poder. Nenhuma condescendência, nenhum resquício de respeito aos direitos humanos mais básicos, mas apenas e de maneira dominante a afirmação do poder pessoal sobre toda uma sociedade que sequer pode reivindicar o direito à livre expressão e, ao fim, a imposição do culto à personalidade, nos mesmos moldes já anteriormente plasmados por Mao, por Hitler, por Stalin e tantos outros, historicamente recentes ou longínquos, aí incluídos seus imediatos antepassados. Como diriam profissionais da lógica, é próprio da política que cada tese e cada posicionamento gerem necessariamente uma posição antípoda, ou uma antítese, que aparentemente surge com o objetivo de destruir
ou anular o seu oposto, mas que no fundo acaba também por justificá-lo. Foi como reação e tentativa de inviabilizar o absurdo dos governos autocráticos e suas intenções de submeter as coletividades pela via da anulação das liberdades individuais que prosperaram, sobretudo no século 19, as ideias e os modelos políticos do anarquismo, ou seja, das organizações sociais sem governo, onde os Estados se estruturariam, mas sem a tradicional sustentação de um governo. O anarquismo, enquanto regime político em que as sociedades se estruturariam sobre a autonomia absoluta de cada ser humano, evidentemente pressuporia coletividades altamente qualificadas do ponto de vista educacional e de amplíssima formação cultural, que lhes propiciariam a indispensável moralidade que governaria o convívio social. Por isso mesmo, pela inviabilidade do alcance dessas condições, até em função da própria natureza do ser humano, o anarquismo logo passou à categoria das utopias, ou seja, dos lugares (topos) sempre buscados, mas jamais alcançados. Mas, se há justiça em considerar a ideia de uma sociedade sem autoridade instituída precisamente como um sonho, ou seja, uma utopia, também há plena justiça em rotular como uma distopia, um mundo jamais desejado, aquele Estado autoritário que gira em torno de uma personalidade que se pretende ver idolatrada e dotada do direito de ser à medida de todas as coisas.
João Bosco Araújo Diretor Executivo de Amazonas EM TEMPO
Se há justiça em considerar a ideia de uma sociedade sem autoridade instituída precisamente como um sonho, uma utopia, há plena justiça em rotular como uma distopia, um mundo jamais desejado, aquele Estado autoritário que gira em torno de uma personalidade que se pretende ver idolatrada”
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
O golpe e a campanha
A legislação [federal] exige que haja o meu afastamento. Na condução ética, na condução concreta do dia a dia da empresa, eu tenho absoluta clareza que agi da maneira mais correta possível [...] A pior coisa que pode acontecer é ficar sob suspeição. Assim fica claro que não sou mais o sócio diretor da empresa
O PT prepara uma extensa programação para lembrar os 50 anos do golpe de 1964. O roteiro inclui um grande ato político em Brasília, para o qual serão convidados o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. A data escolhida pelos petistas foi 1º de abril, Dia da Mentira. Os militares detestam a coincidência e situam a efeméride em 31 de março, dia em que o Exército começou a se rebelar contra o governo Jango. O ato ocorrerá a sete meses do primeiro turno da eleição. Os arquivos Pesquisadores da Fundação Perseu Abramo têm se debruçado sobre documentos secretos que mostram como a ditadura vigiava os passos de líderes do PT. Os primeiros informes são de 1977, três anos antes de o partido ser registrado.
Antídoto Mais novos que Dilma, os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) não combateram o regime. Mas vão explorar na campanha a imagem de seus avôs, Tancredo Neves e Miguel Arraes, que foram adversários dos militares.
Os infiltrados Os papéis revelam que o Dops infiltrava agentes em reuniões com a participação do então líder sindical Luiz Inácio da Silva. Ele era seguido, fotografado e tinha as falas gravadas em todo o Estado de São Paulo.
Pátria de fraldas Campos batizará o quinto filho com o nome do avô. Após anunciar a gravidez da mulher, Aécio ligou para ele e avisou: “Miguel que se prepare, porque Tancredo vem aí!”.
O moderado Em 15 de março de 1981, a polícia monitorou visita de Lula a uma fábrica e um centro comunitário em Franca. O relatório atesta, com certa decepção, que seu discurso foi “comedido e sem ataques pessoais às autoridades constituídas”. Os suspeitos A ficha registra detalhes como as placas dos carros dos petistas. Lula viajou de Opala. Atrás, num Fusca amarelo, vinham “três desconhecidos com características de hippies”. “Estes elementos foram fotografados”, escreveram os tiras.
Nem pensar Ao ouvir a conversa do marido, a modelo Leticia Weber foi rápida: “Tancredo? Tancredo, não!”. O tucano já é pai de Gabriela, fruto do primeiro casamento. Nos outros... A PM de São Paulo reforçou o estoque de spray de pimenta. Pregão realizado em dezembro comprou 85 mil frascos por R$ 5,87 milhões. Um lote de 5.000 é de “sprays coletivos”, com carga sete vezes maior. ... é refresco. A prefeitura de Fernando Haddad (PT) comprou “50 granadas explosivas de pi-
Arthur Chioro, secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, que deve assumir o Ministério da Saúde, informou que vai se afastar da empresa da qual é sócio majoritário e passará o controle societário para a mulher, mas não se lembrou disso quando assumiu a secretaria municipal da cidade paulista (empresa presta consultoria na área de saúde).
menta” para a Guarda Civil. Cada uma saiu, em novembro, por R$ 246,95. Sem licitação. Até no trem A CPTM, empresa estadual que administra os trens paulistas, também se preparou para possíveis manifestações no ano da Copa. Comprou 206 sprays de pimenta por R$ 44,7 mil. Cada um pode disparar 35 jatos.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
DIEGO JANATÃ
Eu ajudei O governo Geraldo Alckmin (PSDB) começa hoje uma nova campanha em rádio e TV. O objetivo é divulgar o repasse de R$ 536 milhões dos cofres de São Paulo para as Santas Casas. Eu também O tucano tem criticado o governo federal por deixar as entidades à míngua. Não por acaso, o ministro Alexandre Padilha (Saúde), pré-candidato do PT a governador, anunciou no mês passado mais de R$ 100 milhões para filantrópicas. Rali Aposta do PSDB, o técnico Bernardinho pode disputar o eleitorado do Rio com outra figurinha carimbada do vôlei. Radamés Lattari, que também comandou a seleção masculina, filiou-se ao PSB em outubro.
Tiroteio
Não é fácil reconstruir em quatro anos o que foi destruído com pompas e circunstâncias em 40 sobre os palanques ilustrados por artistas mal pagos e políticos mal-afamados. São Jorge que o diga (o bairro e a avenida que já foi uma simples estrada), enquanto espera que calçadas tornem-se, de novo, calçadas
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Haddad quer a recuperação dos viciados, mas critica a polícia quando ela tenta tirar a droga das ruas. É a lógica eleitoral do PT”.
Cristãos
DO DEPUTADO ESTADUAL CAUÊ MACRIS (PSDB-SP), sobre a crítica do prefeito da capital paulista à ação da Polícia Civil na cracolândia, na quinta-feira.
Dona Luzia é descendente de cearenses, que vieram para o Amazonas como soldados da borracha. Nasceu num seringal do Rio Juruá, hoje município de Itamarati. Muito jovem se casou e foi logo morar numa colocação no meio da floresta. Durante quase quarenta anos seu marido cortou seringa. Viveram toda a transformação econômica, política e social dos anos setenta e oitenta, participando da criação do sindicato e filiando-se a um partido de esquerda. Ao mesmo tempo guardaram a fé recebida dos pais, fé de gestos simples e de expressões concretas como a reza do rosário e a devoção aos santos. Profundamente católica no respeito aos padres e na celebração dos sacramentos, sobretudo o batismo, o matrimônio e a eucaristia. Na cidade para onde migraram continuou a sua vida de trabalho constante e diário, sempre colaborando nas despesas da casa e mantendo uma sadia independência. Como não tiveram filhos, criaram sobrinhos. Até hoje, com a visão comprometida, com as forças diminuídas por tantos e tantos anos de trabalho duro e com as doenças que a idade avançada agravam, permanece lúcida, crítica, capaz de análises perspicazes. Como já não pode mais ler nem ver televisão, sua fonte de informação e entretenimento é o rádio. Recebe as visitas na sua casa que mantém as características de uma casa ribeirinha onde a sala se confunde com o lugar de dormir com seus armadores de rede, e a cozinha é o verdadeiro lugar do encontro, pois é aí que a vida se renova. Está atenta ao que acontece na igreja e no Brasil. Ainda acredita na possibilidade de mudança e
Contraponto
O candidato que autografava dinheiro No início da campanha presidencial de 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi pedir votos em Santa Maria da Vitória, cidade pobre do interior da Bahia. Ao sair do carro, viu-se cercado pela multidão, que agitava notas recém-lançadas de um real. Um homem desdentado se aproximou com uma cédula e pediu um autógrafo. – Acho que pode ser ilegal... – advertiu um assessor. – Não, não... Não é ilegal, porque a minha assinatura já está nelas! – devolveu o então ministro da Fazenda. Empolgado, FHC assinou a nota. A euforia do real, que “valia mais que o dólar”, o ajudaria a vencer a eleição. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
3090-1001 circulacao@emtempo.com.br
Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
www.emtempo.com.br
@emtempo_online
Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
/amazonasemtempo
/tvemtempo
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
sabe reconhecer as melhorias que a vida teve. Mas com a sabedoria que só a vida longa traz tem cada vez mais consciência de como é duro o coração humano. Come muito pouco driblando prognósticos sombrios sobre o tempo de vida que lhe restava viver. Quer companhia e aceita ajuda, mas preza a sua independência, uma liberdade que só os pobres têm porque nada devem, tudo doaram, e lhes basta a graça de Deus. Na última vez que a visitei, esta senhora que atingiu um grau de humanidade invejável, estava injuriada. Numa celebração de batismo escutou o padre perguntar aos pais se queria que seus filhos se tornassem cristãos. Ora, me dizia ela, a pergunta não é esta. Cristão todos somos, o batismo nos torna membros da Igreja, mas não somos bichos nem animais quando nascemos. Sem entrar numa longa discussão teológica, percebi que naquele momento ela dizia em palavras simples aquilo que o papa disse na sua mensagem para o dia mundial da paz: temos uma origem comum, todos viemos da fonte misteriosa do amor de Deus. Só quando entendermos e vivermos esta realidade haverá paz duradoura. Religiões podem dividir, criar seitas, semear ódios. Ao contrário disto, Jesus veio anunciar o Reino do Pai misericordioso que cuida de todos. Cristãos, deveríamos ser sinais de unidade, de amor, de serviço, de gratidão, de vida pautada por valores eternos. Dona Luzia é destas pessoas que transcendem a si mesmas, que revelam os sonhos de Deus para todos. Mas talvez só os simples e os pequeninos possam entender tudo isto.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Religiões podem dividir, criar seitas, semear ódios. Ao contrário disto, Jesus veio anunciar o Reino do Pai misericordioso que cuida de todos. Cristãos, deveríamos ser sinais de unidade, de amor, de serviço, de gratidão, de vida pautada por valores eternos”
Política
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
A5
‘O Brasil precisa conhecer o Amazonas’, diz Campos Futuro candidato para a Presidência da República, Eduardo Campos diz que tem um olhar diferenciado para a Região Norte
DIVULGAÇÃO
Declarações do presidenciável Eduardo Campos foram dadas ao vereador de Manaus, Elias Emanuel, durante uma conversa entre ambos na última semana, na cidade de Pernambuco DIVULGAÇÃO
RAPHAEL LOBATO Equipe Em Tempo
C
om data marcada para vir a Manaus no próximo dia 26 de abril, o governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos (PSB) afirma que o “Brasil precisa conhecer melhor o Amazonas”. Antecipando as mensagens que deixará ao eleitorado amazonense, o socialista se diz fiel defensor do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) e afirma que a União não tem investido em logística na Região Norte, fator, segundo ele, vital para o desenvolvimento. As mensagens serão as principais bandeiras de Campos durante sua passagem pela capital. Em fase final de implantação, o entreposto da ZFM no município de Ipojuca (PE), região metropolitana de Recife, será o elo
entre Campos e o seu discurso aliado ao modelo ZFM. Segundo Campos, “o Norte e Nordeste precisam dar as mãos e mostrar ao país seu potencial”. O socialista, entretanto, afirma que é preciso contrapartidas da União para potencializar as regiões. Campos defende que as divergências entre as políticas sulistas e nortistas, no que diz respeito a ZFM, são ocasionadas pelo isolamento das regiões e, principalmente, pela concentração dos maiores investimentos da União no sul do país. “Me impressiono quando pessoas olham com preconceito para a ZFM, pessoas da Região Sul. Essas pessoas não conhecem a realidade social que conhecemos. Não conhecem a pobreza, a exclusão das cidades do Norte”. Criticando o governo Dilma Rousseff (PT), pelos índices da inflação, o governador afir-
mou que alta no Índice de Preços ao Consumidor (Ipca) tem origem na falta de investimentos em logística. A contrapartida, segundo ele, evitaria a alta nos preços de alimentos. “A logística do país é lenta. Precisamos usar mais os nossos rios, como o Amazonas, potencializar ferrovias e hidrovias”. Aliado ao segmento agropecuário, que resistiu ao início da aliança socialista com a exverde Marina Silva, Campos sustenta que o setor seria o principal beneficiado com a suplementação das políticas de logística no Norte. O setor primário, segundo ele, é um forte aliado a economia de Estados industrializados. A ex-senadora, segundo ele, faz com que o partido tenha ainda mais intimidade com o Amazonas. “Marina é a cara do Amazonas”, disse. O setor de Saúde também
foi alvo das críticas de Campos. Segundo o socialista, “a União precisa botar a mão no bolso”. Ele defende que o financiamento da saúde pública deve ter uma maior contrapartida percentual do governo federal. “A União arrecada mais que os Estados, não faz sentido”, disse. O governador idealiza que 10% do orçamento do país devem ser investidos no setor. Hoje, o investimento gira em torno de 4,5%. Campos virá a Manaus no próximo dia 26 de abril, para se encontrar com os socialistas. Na ocasião, Campos receberá título de cidadão amazonense pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), encomendada pelo deputado Marcelo Ramos. As declarações do governador foram dadas durante uma entrevista ao vereador Elias Emanuel, na semana passada, em Pernambuco.
Campos tem visita agendada para Manaus no dia 26 de abril
A6
Política
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
‘Governo viu ingratidão nas manifestações de rua’
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
É uma prova eloquente de déficit civilizatório” MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (STF), sobre o “rolezinho” em Paris, citado por advogado
Até a CGU aponta irregularidades na Conab Auditoria sigilosa da Controladoria-Geral da União (CGU), em geral muito boazinha com órgãos do governo federal, apontou dezenas de irregularidades no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que motivaram operação da Polícia Federal na qual foram presos ou conduzidos coercitivamente altos funcionários da Cia Nacional de Abastecimento (Conab). A CGU avaliou repasses de R$ 1,3 bilhão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Social só em 2013. Impunidade Apesar das divergências nos dados da prestação de contas da Conab, a CGU lamenta: “Não foi observada a aplicação de penalidades”. Mau exemplo Em uma das compras da Conab em Pernambuco, em 2011, apenas 8% dos R$ 575 mil em alimentos foram entregues a associações. Memória Acusações de desvios na Conab resultaram na demissão de diretores como Sílvio Porto, apadrinhado político do ministro Gilberto Carvalho. Abastecimento farto Os gastos da Conab com o PAA, fonte dos escândalos, representam 68,33% do total de 2009 a 2012. A informação é da própria CGU. Itamaraty ouvirá diplomata que libertou senador O diplomata Eduardo Saboia, que ajudou o senador Roger Molina a fugir da Bolívia, deve prestar depoimento no Itamaraty nas próximas semanas. Após travar o processo por quase seis meses, o Palácio do Planalto auto-
rizou seu andamento. Se ele for ouvido em fevereiro, a comissão terá dez dias para decidir se vai punir o diplomata que teve a coragem de salvar o senador perseguido pelo regime de Evo Morales. Prejuízo Saboia está sendo submetido a perdas expressivas (salarial, moral e profissional) ao ser jogado no calabouço dos serviços burocráticos. Banzo Em Brasília, Roger Molina aguarda ansioso pelas eleições na Bolívia, em outubro, para talvez viabilizar seu retorno à Bolívia. Renovação A autorização de permanência de Roger Molina no Brasil vence em 24 de fevereiro, mas poderá ser renovado. Visão quadrada O futuro ministro da Saúde, Arthur Chioro, enfrenta resistência na bancada do PT e sobretudo entre parlamentares ligados à saúde, que o acusam de ser “sectário” demais: “só favorece aos seus”. Clientes? Patriota com Campos Circula no Itamaraty que o ex-chanceler Antonio Patriota opera como conselheiro informal do presidenciável Eduardo Campos (PSB), em política externa. Trata-se de uma grave ameaça: em caso de vitória do pernambucano, ele poderia voltar a ser ministro. Mangalô, três vezes. Só uns trocados Nem mesmo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), consegue liberar emendas: em 2013, ele só conseguiu R$ 4,6 milhões dos R$ 15 milhões que destinou para Alagoas, todo o ano de 2013.
Jornalista
Declaração foi dada, ontem, pelo ministro Gilberto Carvalho, ressaltando que presidente ficou espantada com mobilização
DIVULGAÇÃO
Tapas e beijos Presidente do DEM, José Agripino (RN) vai cobrar do presidenciável Aécio Neves (PSDB) “mais diálogo” em dois Estados onde os partidos divergem seriamente: Otávio Leite (PSDB) x César Maia (DEM) no Rio e Marconi Perillo (PSDB) x Ronaldo Caiado (DEM) em Goiás. Kassab sem saída José Serra acredita que Kassab, que foi adversário político do PT durante seu mandato na prefeitura de São Paulo, ficará “liquidado eleitoralmente” se apoiar o petista Alexandre Padilha ao governo. Não é a praia da PRF Há pelo menos 2 anos uma quadrilha assalta regularmente ônibus que deixam Brasília pela rodovia BR-040, diante de uma Polícia Rodoviária Federal abobalhada, que demonstra na prática não ser qualificada para posar de polícia judiciária, como tem feito Brasil afora. Genial guia dos povos Lula tinha razão: “nunca antes na história deste país”, o Brasil teve o maior déficit em conta-corrente, a menor criação de empregos em uma década, e a confiança do consumidor mais baixa desde junho de 2009. Mesma direção Na disputa pela liderança do PDT, Marcos Rogério (RO) garante que tanto ele quanto concorrentes Vieira da Cunha (RS) e Félix Mendonça (BA) seguem perfil de independência em relação ao governo Dilma. Pensando bem... ...como diria Dilma, quando você olha um Fórum Econômico Mundial sempre vê um grande capitalista por trás.
PODER SEM PUDOR
Ilustres desconhecidos
Secretário-Geral da Presidência disse que governo sentiu uma ingratidão do povo, que protestou
O
ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse que integrantes do governo ficaram “perplexos” com a eclosão dos protestos de junho e sentiram “ingratidão” da população naquele momento. A declaração foi dada na última sexta-feira, 24, em um evento do Fórum Social Temático, em Porto Alegre, em que Carvalho discursou para movimentos sociais. Ele fez um balanço dos 10 anos de governo petista e disse que “a direita fez festa” com os protestos do meio do ano passado. “Quando aconteceram as manifestações de junho, da nossa parte houve um susto. Ficamos perplexos. Quando falo nós, é o governo e também todos os nossos movimentos tradicionais. [Houve] uma certa dor, uma incompreensão, e quase um sentimento de ingratidão. [Foi como] dizer: fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós. Isso nos deixou triste e pensativo, mas com a certeza de que precisávamos mudar” Neste momento, uma pessoa da plateia gritou: “Ah, sai daí. Para de inventar desculpas e fazer afirmações levianas”.
Adiante, o ministro falou que há uma nova “cultura” na internet de rapidez, que influenciou o fenômeno. “O moleque, que rapidamente, no computador, faz acontecer um monte de realidades virtuais, tende a imaginar que a realidade deve ser mudada com muito mais velocidade”. Na semana passada, um protesto contra o aumento
ESPANTO
Ministro disse que o governo ficou “perplexo” com a eclosão de protestos ocorridos no país, em junho do ano passado, e disse que a “direita fez festa” diante das reivindicações populares da tarifa de ônibus, em Porto Alegre, teve atos de vandalismo no centro da cidade. No início do discurso, o ministro fez ainda referência ao processo do mensalão. “Trataram de criminalizar toda a nossa conduta, nos transformando quase em inventores da corrupção, enquanto nós sabemos que o problema nosso foi reeditar, infelizmente, em parte aquilo
que eram os usos e costumes da política. Falo sobretudo do financiamento privado das campanhas eleitorais”. ‘Rolezinho’ Para os jornalistas, o ministro do Palácio do Planalto também comentou a reunião agendada com a associação de shoppings para os próximos dias na qual irá tratar dos “rolezinhos”. Ele disse que pretende mostrar a “necessidade da convivência” aos lojistas. “Se tivermos capacidade de compreensão, de oferecer alternativas aos jovens e abrirmos o diálogo, não vai haver tanta tensão, nem tanta massificação”. O ministro afirmou que os adolescentes, ao promover esses encontros, são consumidores dos próprios estabelecimentos, que agora tentam barrar o fenômeno. Para ele, os shoppings “saíram do centro das cidades” e foram para as periferias. Sobre as liminares obtidas por shoppings pelo país, disse que não há como diferenciar na porta do centro comercial quem é o consumidor e quem é “o menino que vai fazer o ‘rolezinho’”. “Acho que o Judiciário já percebeu que não é por aí.”
DELÚBIO
O Correio Aéreo Nacional, que antecedeu os Correios, já era ruim de encomenda: em carta ao diretor-geral, o então presidente Jânio Quadros recomendou “maior interesse no serviço”. É que cartas para ele e para Oscar Niemeyer, que projetou Brasília, foram devolvidas pelos agentes com o carimbo “endereço desconhecido”.
Campanha atinge 23% da meta
DIVULGAÇÃO
sxsx NA PRISÃO
sxsx Mensaleiro reclama da comida sxsxUm grupo de conselheiros da OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil) começou, ontem, uma série de inspeções na Papuda, complexo penitenciário onde parte dos condenados do mensalão está presa, e ouviu de um deles reclamações sobre a qualidade da comida. Em Brasília, os advogados foram apenas na ala do regime fechado, onde está preso operador do mensa-
lão, Marcos Valério. José Dirceu, condenado como chefe do esquema, está na no regime semiaberto. Segundo Alexandre Queiroz, presidente da comissão de ciências criminais da OAB, os advogados escolheram uma cela aleatória, dentro da ala onde estão os condenados no mensalão, e conversou com Ramon Hollerbach. Os réus do mensalão estão em celas separadas e aos poucos vão
se integrando aos demais presos. Alexandre Queiroz disse que ele segue as mesmas regras de outros presos. “Quando cheguei na ala dos mensaleiros, escolhi uma cela aleatória, com cama, livros e uma TV. O tratamento dado é igual ao dos outros presos”, disse. O advogado disse também que não ouviu, de outros presos, qualquer reclamações de privilégios aos condenados do mensalão.
Multa de Delúbio é de R$ 466 mil, mas o condenado não tem um prazo estipulado para pagar
Em três dias de funcionamento, o site para arrecadar dinheiro e ajudar Delúbio Soares a pagar a multa do mensalão acumulou R$ 108.061,37. O valor atingido nesta sexta-feira (24) representa 23% do total necessário para que ex-tesoureiro do PT quite sua dívida. O petista foi condenado a pagar R$ 466.888,90 de multa pela VEP (Vara de Execuções Penais), além de cumprir pena
de 6 anos e 8 meses pelo crime de corrupção ativa. Como ainda não foi intimado, Delúbio não tem prazo para pagar o montante. A página “Solidariedade a Delúbio Soares” foi criada na terça-feira (21), após o site “Parceiros da família Genoino” ter arrecadado uma quantia superior à necessária para pagar a multa de R$ 667,5 mil, à qual o ex-presidente do PT havia
sido condenado. Conforme a reportagem apurou, os sites de doações também devem ser criados para José Dirceu e João Paulo Cunha, também condenados no mensalão. O primeiro a lançar o site pedindo ajuda foi o petista José Genoino, que conseguiu arrecadar R$ 700 mil em 20 dias. O valor foi acima do estipulado pela Vara de Execuções Penais.
Política
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
A7
Alberto SIMONETTI NETO
´Defendo o ACUSADO, e não O CRIME’
FOTOS: IONE MORENO
LUANA GOMES Equipe EM TEMPO
A
Eu não acho que esteja agindo errado em ser presidente da OAB e assumir um caso na área criminal.Quando fui eleito para assumir a ordem meus colegas sabiam da minha atuação. Não irei me acovardar diante de críticas infundadas”
frente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Amazonas desde janeiro do ano passado, o advogado criminalista Alberto Simonetti Cabral Neto ganhou uma notoriedade nacional na semana passada ao dar declarações em um programa de televisão como o advogado de defesa do prefeito da cidade de Coari (distante a 444 quilômetros da capital), Manoel Adail Pinheiro. Seu cliente é acusado de chefiar uma rede de exploração infantil e vem sendo alvo de investigação na esfera estadual e nacional. Após assumir o caso, Simonetti recebeu crítica, até mesmo por parte do seu clã, que argumentaram o fato dele ser presidente de uma Ordem e assumir partido diante de um caso foi audacioso, mas o advogado formado em direito pela Universidade de Fortaleza em 1995 afirma que não existem conflitos e que foi eleito para ser presidente da OAB no Amazonas com os votos de colegas da categoria que tinham conhecimento da sua área de atuação. Para Simonetti, ao invés de criar um debate social, a polêmica em torno do caso tem um único objetivo de “enfraquecer a defesa de um acusado”. Adail está na carta de clientes do escritório de Simonetti desde o início das investigações da Operação Vorax – deflagrado em maio de 2012 pela Polícia Federal e pela Receita Federal – Adail Pinheiro é réu em processos de “crimes de pedofilia”, que se enquadram na lei como crime de estupro de vulnerável. O processo tem sido alvo de contestação, especialmente pela possível “blindagem” em sua tramitação. O próprio Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – durante a correição realizada no tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) de 20 a 23 deste mês – apontou em relatório parcial que havia morosidade no julgamento. Para esclarecer todos esses fatos, Simonetti, recebeu a equipe do EM TEMPO, em seu escritório e pontua que a culpa na demora da execução do processo não é de nenhum dos magistrados, mas sim do modelo escolhido para o tratamento do Poder Judiciário no Brasil. EMTEMPO: Como presidente da OAB existem muitos assuntos que o
envolvem, mas nesta semana o caso Adail esteve em destaque. Em matéria televisiva veiculada por um programa nacional o senhor comentou que seu cliente é inocente. E como se prova esta inocência diante de tantas denúncias relacionadas ao caso? Alberto Simonetti Neto: Foi uma entrevista de 44 minutos e eles colocaram 20 segundos. Quando recebi a reportagem aqui no meu escritório expliquei ponto a ponto o caso e no final da conversa a repórter me perguntou: “O seu cliente é inocente?”. Eu respondi: “Diante de tudo o que expliquei e levando em consideração que eu só posso fazer juízo de valor nos limites daquilo que eu defendo – porque meu relacionamento com ele é estritamente profissional posso dizer que não há elementos de prova que levem a possibilidade de uma condenação”. Então foi essa minha colocação para a TV. Por isso que eu disse “Eu acredito que ele seja inocente”. Eu não estou dando um atestado de inocência dele porque só quem pode dar isso é a justiça. A pessoa pode ser totalmente inocente e pode ser culpado, mas não na amplitude daquilo que lhe acusam, e para isso é preciso que tenha um advogado do lado. EM TEMPO - Estar à frente de um caso como este fere a sua imagem como presidente da OAB? ASN - Em minha opinião, não. E na opinião da sociedade não deveria ser. É um paradoxo se cobrar de um presidente da OAB que ele não seja advogado. Eu sou advogado desde 1995, atuando na área criminal. Fui eleito para ser presidente da OAB votado por meus colegas que tinham conhecimento da minha área de atuação. Já tivemos presidentes nacionais da OAB que eram advogados criminais e nenhum deles teve que declinar de nenhuma causa, porque o trabalho para a OAB é um trabalho voluntariado. É preciso que a sociedade saiba que o debate não está sendo trazido de forma altruísta, como dinâmica do debate social, mas com uma finalidade específica, que é a de enfraquecer a defesa de um acusado. Só que comigo isso não vai funcionar, porque eu não vou me acovardar. Eu sou advogado e atuo dentro dos limites da minha profissão. Eu tenho o dever de não misturar a mi-
nha função de defender com as provas do processo. EM TEMPO - Desde que o senhor assumiu este caso já sofreu algum tipo de ameaça? ASN - Não, nunca. Essa é a primeira tentativa de expor minha condição de advogado nesse caso, mas que vai desaguar em nada. Eu tenho uma vida limpa, consciência limpa. Defendo o acusado, e não defendo o crime. EM TEMPO - Em relação a defender o acusado e não o crime, como cidadão, não como advogado, qual o seu posicionamento em relação a crimes de pedofilia? ASN - O crime de pedofilia é um crime abominável e deve dar uma resposta à sociedade através das punições postas, qual seja o cumprimento da lei. Nós vivemos em sociedade e somos regidos pela lei, que prevê punições para qualquer tipo de crime. Punições estas que nós, que vivemos em sociedade em um regime democrático de direito, temos que aceitar. Punição que está na lei, o rigor da lei. EM TEMPO - Este tipo de processo exige uma celeridade e o próprio CNJ diz que há morosidade no julgamento. Isso não tira a credibilidade do caso e da atuação da defesa? ASN - De maneira nenhuma. Eu desafio qualquer uma dessas pessoas que estão se expondo na mídia a questionar minha atuação profissional, a demonstrar qualquer ato da defesa que tenha dado causa a demora na apreciação deste processo. Isso não existe. Como também não existe culpa específica dos magistrados que passaram por estes processos com relação a demora. É muito fácil o CNJ chegar aqui ao Amazonas e dizer que a Justiça do Amazonas é lenta. Agora, difícil é reconhecer que falta é estrutura para que o Poder Judiciário possa funcionar. Isso não é culpa dos juízes, dos desembargadores. Isso é culpa da forma como está sendo tratado o poder judiciário no Brasil. O governo federal, principalmente, esquece que um primado da dignidade, da cidadania e da democracia é a prestação jurisdicional. Os juízes são pessoas humanas tem limitações físicas de trabalho. Então, não se pode exigir aquilo que não é humano. É impossível julgar cinco mil processos no ano, sem proporcionar estrutura. Isso não
é culpa do juiz, não é culpa do desembargador, isso é culpa do modelo escolhido para o tratamento do Poder Judiciário no Brasil. EM TEMPO - Então o senhor quer dizer que a forma como vem sendo feita a correição é falha? ASN - Não, eu não quero questionar os métodos da correição do CNJ. Não estou questionando isso. O que estou dizendo é que é muito fácil chegar e dizer que os processos estão morosos e dizer para o Tribunal dar um jeito de solucionar isso, quando se sabe que só se dá jeito com estrutura. Então é muito fácil se atribuir a culpa a A ou B, sabendo que o problema é sistêmico. EM TEMPO - Diante desta falta de estrutura apontada, que sugestão o senhor daria para o CNJ concluir uma correição de forma mais confiável, digamos assim? ASN - CNJ deveria na minha opinião constatar exatamente o que constatou e fazer um apanhado geral, porque se ele for em São Paulo ou no Ceará, o resultado vai ser o mesmo. Agora, ele chegou aqui e escolheu os processos para ver, isso não é um retrato do judiciário amazonense. Ele deveria concluir o relatório dele dizendo que o problema é sistêmico, que é preciso que se dê mais importância ao poder judiciário, que se dê mais estrutura para que o poder judiciário possa se aparelhar e garantir condições para que os juízes possam dar celeridade aos processos. EM TEMPO - Durante sua atuação jurídica, o que o senhor pode apontar como a fase mais marcante? ASN - Todas as minhas causas são tratadas com a mesma importância. Eu tenho o mesmo critério de atuação. Como eu ajo com tranquilidade e honestidade, vejo a minha carreira como a de qualquer advogado que atua na área criminal, que é difícil. A advocacia em si traz desafios. Eu estou perfeitamente tranquilo com relação a esta causa [que envolve o prefeito Adail], porque eu estou tão somente exercendo a minha advocacia. O fato de que estão questionando a minha postura na mídia, e eu tendo conhecimento de que este questionamento não tem cunho altruísta, faz com que eu não dê a importância que essas pessoas queriam que eu desse.
O crime de pedofilia é abominável e deve dar uma resposta à sociedade através das punições postas. Nós vivemos em sociedade e somos regidos por uma lei, que devemos respeitá-las”
Todas as minhas causas são tratadas com a mesma importância. Eu tenho o meu critério de atuação. Trabalho neste segmento há 19 anos e sempre fui muito bem conceituado”
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
DIVULGAÇÃO
A busca por mão de obra no interior do AM Economia B4 e B5
Seguro de viagem traz vantagens para o turista
DIVULGAÇÃO
Morte de psicóloga amazonense nos Estados Unidos, recentemente, trouxe à tona discussão sobre importância do auxílio
LUANA GOMES Especial EM TEMPO
O
caso recente da morte da psicóloga amazonense Jaqueline Lopes Marques, 32, nos Estados Unidos, levantou a discussão sobre a importância da aquisição de um seguro antes de viajar. Afinal, a busca de assistência médica ou auxílio para algum acidente é um fato que não pode ser descartado e, portanto, é uma opção mesmo pesando mais no bolso do turista que vai conhecer o exterior. Nas viagens ao exterior, a advogada Janúbia Siqueira, 38, opta por pacotes que tenham o seguro incluído. Na visita que fez a Portugal e à Espanha, em 2010, na companhia de mais nove brasileiros, ela lembra que uma das pessoas do grupo passou mal em dois momentos durante a viagem e, por conta do seguro, recebeu toda a assistência médica sem qualquer problema, com atendimento no próprio hotel. “Eu não dei muito importância ao seguro na época. Hoje, mesmo que não esteja embutido no pacote, faço questão de incluir. É um plus”, ressalta. Por sua vez, a advogada Louise Chaves, 30, é outra que faria questão de adotar o serviço se já não tivesse as vantagens ofertadas em seus cartões de crédito (tanto o Visa Infinite quanto o
MasterCard Black garantem a cobertura). Ela costuma viajar pelo menos três vezes ao ano para o exterior. Louise exemplifica que uma amiga estava em viagem longa com a família e chegou a lhe comentar sobre o seguro de viagem que fez questão de comprar. “Foi inclusive um valor baixo, custando pouco mais de R$ 100 para cada passageiro”, destaca. Embora pareça um instrumento opcional com capaci-
CRESCIMENTO
Conforme a Fenaprevi, o mercado de seguros de pessoas movimentou R$ 2,1 bilhões em novembro de 2013, valor 13,6% superior ao R$ 1,9 bilhão registrado no mesmo mês do ano anterior dade de comprometer o orçamento familiar, os valores podem sair em conta para o viajante ao colocar na balança as vantagens assistidas. Consulados do Brasil no exterior não cobrem custos com a saúde de cidadãos brasileiros. A morte de Jaqueline, após um acidente de trânsito em Los Angeles, na Califórnia, nos Estados Unidos, mostra a dificuldade na hora de trazer o corpo dos entes queridos de volta ao Brasil.
REPRODUÇÃO FB
Brasileiros que viajam ao exterior são aconselhados a adquirirem um seguro antes de embarcar para outros países, em especial, se há risco de sofrerem algum acidente durante o passeio
Pesquisa no site Seguros de Viagens mostra que para um passeio à Europa, até o dia 31 de janeiro, é possível encontrar planos a partir de R$ 139,78, com assistência médica por evento de R$ 30 mil. Fora outras vantagens como a garantia de repatriação funerária, ou seja, a seguradora assume as despesas do traslado do corpo até a cidade de residência, além de oferecer assistência na busca por documentos e autorizações legais necessários. Dicas O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) pontua o seguro-viagem como uma “ótima alternativa em caso de imprevistos durante a viagem”. O órgão lembra que os preços dos planos variam com base no número de dias de viagem e no tipo de cobertura contratada, no qual podem ser incluídas despesas médicas, hospitalares, odontológicas, diárias por atraso de voo, perda ou roubo de bagagem e danos a malas, entre muitas outras. Com base nas dicas do instituto, os viajantes que quiserem fazer viagem de aventura devem contratar um seguroviagem específico para estes casos. Diante do frio intenso nos Estados Unidos, neste ano, o Ministério das Relações Exteriores aconselhou os brasileiros a não saírem do país sem adquirir a garantia.
Há 30 anos, Tio Acram trabalha com excursão em grupo para destinos como Aruba e Disney
Agências garantem a ‘proteção’ A palavra de ordem da contratação do seguro-viagem é “proteção”. Proprietária da agência Via Turismo, Luzanira de Almeida comenta que os planos garantem segurança para quem viaja, até mesmo porque a assistência médica no exterior é cara. Por experiência no mercado, ela cita os EUA como um local onde a média de custos médicos é alta.
Luzanira afirma que é possível encontrar seguros com valores mínimos de R$ 70. Porém, ela recomenda aos consumidores os que tenham cobertura entre US$ 25 e US$ 50 mil. “Ofereço plano que se adapta ao perfil do passageiro”, detalha. O empresário Acram Isper, há 30 anos no ramo de turismo, explica que o serviço não se trata de um seguro
de viagem, mas de um cartão que garante assistência jurídica, médica, odontológica. Com viagens rotineiras para Disney, ele detalha que os pacotes de 15 dias oferecem planos de cobertura médica de até US$ 30 mil e jurídica de US$ 5 mil, ao custo de apenas US$ 40 por passageiro. “Não aconselho ninguém a viajar sem este cartão do Brasil”, salienta.
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Pagamento eletrônico pode elevar PIB do país DIVULGAÇÃO
Estudo afirma que crescimento de 10% dos meios de quitação eletrônica de contas aumentará riqueza do Brasil em 1%
Pesquisa “Custo Social do Dinheiro”, desenvolvido pela MasterCard, analisou 35 países e realizou projeções exclusivas sobre o assunto para as economias do Brasil, Colômbia e México
A
falta de instrumentos financeiros e o uso significativo dos meios não eletrônicos de pagamentos limitam o crescimento econômico e facilitam problemas sociais nos tempos modernos. Essa é a conclusão do estudo “Custo Social do Dinheiro”, desenvolvido pela MasterCard por meio de análises socioeconômicas e impactos dos meios eletrônicos de pagamento em 35 países. O estudo aponta que o avan-
ço de 10% na penetração dos meios eletrônicos de pagamentos no Brasil poderia aumentar em aproximadamente 1% do PIB. O objetivo do estudo é projetar os efeitos do uso do dinheiro em papel-moeda para a economia, consumidores, empresas e governos e os impactos sobre as finanças dos segmentos mais vulneráveis da população e também sobre o PIB dos países analisados. A pesquisa indica que, caso o mercado brasileiro registre
crescimento de 30% no uso dos pagamentos eletrônicos em 4 anos, esse avanço pode significar um aumento de 3,65% no PIB do país. Quando comparado aos meios eletrônicos de pagamento, o uso do papel-moeda é associado a uma série de custos diretos e indiretos para governos, comércio e consumidores. “Uma sociedade com menos circulação de dinheiro efetivo tem relação direta com uma economia próspera. Esta é uma opor-
tunidade para aprimorar e alavancar a integração de pagamentos eletrônicos que podem servir como um motor para o crescimento econômico”, explica o presidente da MasterCard Brasil, João Pedro Paro Neto. Segundo ele, a economia precisa de soluções fáceis, transparentes e de baixo custo para a sociedade, que possam incluir todos no sistema financeiro, a exemplo do que está sendo feito com sucesso no Brasil e em diversas regi-
ões do mundo. De acordo com a pesquisa, os custos diretos consistem no manuseio, segurança e processamento do papelmoeda, enquanto os custos indiretos estão relacionados às despesas para a sociedade e governos, como a exclusão financeira, sonegação fiscal e corrupção. Diferenças O estudo faz ainda correlações entre o uso de dinheiro nas transações e o PIB per
capita, o coeficiente de disparidade social e o índice de percepção de corrupção dos países analisados. Quanto maior o uso do dinheiro, maiores são as diferenças socioeconômicas, menor a transparência e o PIB de um país. A análise ainda aponta que o dinheiro efetivo tem uma estreita relação com a cultura do crime e atividades econômicas paralelas, envolvendo “vendas não declaradas” e “emprego não declarado”.
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
O pirarucu e a inovação fragmentada - parte 2 Na primeira parte desta reflexão, busquei ilustrar a liturgia letárgica da pesquisa focada na inovação e diversificação da economia do Amazonas e sua intersecção com o pirarucu. E me atrevi a pontuar o discurso da inovação, seus sucedâneos de improvisação e amadorismo, na fala apressada dos que querem hastear essa bandeira sem necessariamente apropriar-se de suas premissas, rigores, exigências e implicações. A questão se agrava quando a prosa da inovação envereda pelas trilhas enganosas da apologia e das promessas envolvendo o pirarucu, um peixe e um emblema da potencialidade amazônica de produzir proteína e sabor. Nos últimos anos, entre anúncios e fatos o resultado é desastroso. Nessa mistura não dá para falar em inovação - no sentido de agregar valor aos produtos para lhes conferir competitividade. Os recursos envolvidos mais parecem aquilo que os jovens chamam de merreca para descrever a
penúria da mesada que os pais lhes conferem. Como efetivar a narrativa entre pirarucu e a fragmentação da tecnologia da inovação que descreve seu aproveitamento sem denunciar a irrelevância financeira dos repasses para CT&I, especialmente para a construção de laboratórios e qualificação de recursos humanos, que transformem inventários em oportunidades e prosperidade? A conduta, parece, traduz um temor generalizado de fazer avançar o modelo fiscal da ZFM em outras direções. E anote aí: ainda não fomos capazes de mostrar à opinião pública nacional as vinculações deste modelo com o zelo e guarda do bioma amazônico. Por isso, quem sabe, estamos todos temerosos em tornar este modelo mais arrojado em direção das promessas da biodiversidade. E aí algumas perguntas já não podem calar: o que está travando as premissas para desencadear a guinada inadiável, coerente e adequada, que
inaugure as novas matrizes econômicas? Como desembaraçar a diversificação – ou consolidação do modelo, sua defesa, compreensão e integração à economia regional – na proposta de interiorização de negócios fundada nas promessas da biotecnologia, bioinformática, na segurança alimentar, entre outras obviedades regionais? Será que as respostas estão nas páginas miraculosas da mídia paulista desta semana que destaca a ZFM como “ilha de prosperidade” e seu faturamento de R$ 81 bilhões em 2013? Olhando assim, aparentemente, estamos navegando no céu de brigadeiro, sem nuvens para atrapalhar. E é sob essa miragem, que a Mitologia das Cavernas descreveu há 25 séculos, que corremos o risco de perder o contato com o chão de fábrica da realidade. E, nos fazer achar que as aparências (não) enganam. No apagar das luzes de 2013, Ricardo Shaefer, secretárioexecutivo do Desenvolvimento,
o ministério ao qual se liga a Suframa, voltou a anunciar a necessidade da base biotecnológica ao modelo ZFM, para aqueles que ainda não ensurdeceram com as trombetas dos indicadores ufanistas do Polo Industrial de Manaus. Mencionou as tendências globais, Global Trends, do Departamento de Estado norte-americano, e destacou o papel da Amazônia no desafio planetário da Segurança Alimentar. Posteriormente, cobrado pelo bendito CNPJ do Centro de Biotecnologia da Amazônia, confirmou jamais ter cogitado a alternativa de repassar a gestão do CBA à Embrapa, 41 anos de bioprospecção e negócios. Isso jamais lhe havia chegado aos ouvidos como demanda ou sugestão da comunidade local (sic). Em agosto de 2013, 35 entidades, instituições e empresas, reunidas na sede da Fieam, já haviam se manifestado nesta direção. Essa (des) informação de Schaefer remete, de novo, à prosa ao pirarucu. E ajuda a fazer entender tantos obstá-
culos, muitos absolutamente prosaicos, para a fragmentação entre inovação e economia do pirarucu, do tambaqui, matrinchã... e outras bio-obviedades, no contexto das novas matrizes. É muito provável que o secretário desconheça, também, que, a despeito das limitações orçamentárias, a Embrapa Amazônia Ocidental dispõe de um Centro de Melhoramento Genético para monitorar e propagar a produção de Pirarucu e Tambaqui, cujos genomas estão sendo investigados pela Embrapa e pelo INPA que aguardam recursos do Fundo Amazônia – 1 U$ bilhão, que virou 1 R$ milhão e que estão 75% travados na burocracia nefasta do BNDES - para avançar a obviedade dos acertos desta promessa. Os recursos necessários para imprimir produção e escala nessas espécies e dobrar a produção em tempo recorde não chegam a R$ 6 milhões, menos de 5% que foi gasto no CBA, com as taxas da Suframa recolhidas junto às empresas.
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta
E é sob essa miragem, que a Mitologia das Cavernas descreveu há 25 séculos, que corremos o risco de perder o contato com o chão de fábrica da realidade. E, nos fazer achar que as aparências (não) enganam
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Economia
B3
Produção de televisores ‘acelerada’ para a Copa JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
A
produção de televisores está acelerada no Polo Industrial de Manaus (PIM) para garantir o abastecimento das lojas e o volume de vendas em função da Copa do Mundo. O aquecimento nas linhas de produção do setor deve seguir até o início de maio, prazo limite para a entrega das encomendas, segundo o Sindicato da Indústria de Aparelhos Eletroeletrônicos e Similares do Amazonas (Sinaees-Am). Mesmo sem divulgar a média da produção do item até o momento, o presidente da entidade, Celso Piacentini, avalia que a atividade das fábricas do setor está dentro do esperado e começa a se intensificar a partir de fevereiro. “Após quatro meses de produção intensa, maio é o prazo máximo, porque a mercadoria viaja por 15 dias até chegar nas prateleiras das lojas no Sudeste, por exemplo, e o produto deve ser vendido em no máximo 15 dias para chegar na casa do consumidor a tempo dos jogos”, detalha. Conforme o dirigente, o termômetro para o bom ní-
RICARDO OLIVEIRA
A partir de fevereiro, a fabricação do produto será intensificada, aquecimento que deverá ser mantido até o mês de maio vel de produção é a mão de obra empregada no segmento eletroeletrônico. “Janeiro é um período em que, normalmente, o setor eletroeletrônico realiza um volume significativo de demissões. Este quadro não se repetiu em 2014, e avaliamos que a estabilidade de contratações no setor se deve justamente à manufatura dos televisores, sobretudo os de LCD”, argumenta. Balanço Entre janeiro e novembro do ano passado, conforme os dados mais recentes dos indicadores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), foram produzidos 11,5 milhões de televisores do tipo LCD, representando um faturamento de US$ 5,4 bilhões para as fábricas do setor no PIM. Os televisores de plasma, por sua vez, somaram 832 mil unidades fabricadas no período, um acréscimo de 97,6% na comparação com o mesmo período de 2012. O vice-presidente da Associação Nacional de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Benjamin Sicsu, estimou que 15 milhões de televisores de tela fina – plasma, LED e LCD –, fossem produzidos em 2013.
Com a proximidade do torneio mundial de futebol, a tendência é o comércio registrar aumento na venda de aparelhos de TV
B4
Economia
Falta mão de o Empresários estão com dificuldades para encontrar profissionais capacitados para trabalhar em municípios da região metropolitana JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
D
omínio de idiomas, conhecimento de informática, bom trato com os clientes e postura profissional. A menos de seis meses para o início da Copa do Mundo, empresários do segmento de serviços enfrentam dificuldades para encontrar essas e outras qualidades nos funcionários que vão realizar o atendimento aos turistas durante o mundial. O problema se agrava quando os estabelecimentos como restaurantes e hotéis estão localizados nos municípios da Região Metropolitana de Manaus (RMM). O proprietário da pousada Recanto dos Pássaros, localizada no quilômetro 121 do município de Presidente Figueiredo, Adib Mamed Assi, é um dos empresários, que considera a escassez de mão de obra qualificada como um problema que exige urgência com a proximidade do evento. “Está difícil encontrar profissionais, que dominem pelo menos o inglês, para trabalhar na recepção do hotel”, reclama. Com 12 funcionários fixos, o
administrador conta que precisa, no mínimo, de mais oito pessoas contratadas até junho para proporcionar atendimento de qualidade aos hóspedes que devem chegar devido à Copa. “Tenho vagas para recepcionistas, área de limpeza e atendimento no bar. Algumas vagas, com salário de R$ 1,5 mil, estão em aberto porque os
GARGALO
Municípios do interior do Amazonas como Rio Preto da Eva, Manacapuru, Novo Airão, Iranduba e Presidente Figueiredo estão entre as localidades com problemas na contratação de funcionários candidatos não passam pela entrevista”, acrescenta. Além da qualificação técnica, Adib questiona a postura dos profissionais após garantir a vaga. Segundo ele, a contratação é apenas um dos desafios. O segundo é manter os cargos ocupados. “Encontrar pessoas que levem a sério o trabalho, tratem bem
os hóspedes, tenham postura profissional e características como pontualidade e assiduidade também não tem sido fácil”, queixa-se ele, ao contar que desligou três trabalhadores recentemente. Empenho A auxiliar de escritório, Danielle Matos, 29, resolveu aproveitar a oportunidade de vagas ociosas para trabalhar no ramo hoteleiro. Com o cargo na pousada de Presidente Figueiredo “sobrando”, ela passou a dividir o tempo entre o trabalho no escritório em Manaus e o cargo de recepcionista aos fins de semana. Munida de cursos de informática, algum conhecimento de idiomas e uma boa dose de educação e simpatia, ela afirma que aceitou o desafio e vai aprimorar seus conhecimentos. “Para garantir a permanência em qualquer emprego, sobretudo no setor de serviços onde a qualidade é constantemente observada, é preciso ter preparo. Cursos de idioma e noções de administração são áreas nas quais pretendo investir. Uma boa posição depende de aprimoramento diário”, defende.
Garçons, recepcionistas, seguranças, cozinheiras, auxiliar de limpeza são algumas das vagas disponíveis no interior
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
B5
bra qualificada DIVULGAÇÃO
IONE MORENO
Treinamento está atrasado A diretora comercial da empresa de captação de Recursos Humanos Strategic Advanced, Roseli Menegasso, avalia que os empresários do ramo de serviços deveriam tem iniciado a qualificação dos funcionários por meio de cursos há pelo menos um ano. “Porém, os treinamentos estão ficando para o último momento, e os empresários parecem aguar-
dar a chegada dos turistas para agir”, observa. Conforme explica a especialista, o “jeitinho brasileiro” do empresariado vai gerar uma qualificação apressada e pode afetar a qualidade do atendimento. “As empresas não antecipam possibilidades e os impactos podem ser grandes, com turistas insatisfeitos e poucos recursos deixados na região”, critica.
Investimentos acima de R$ 500 mil são projetados por empresários para atender aos turistas IONE MORENO
Investir em cursos é alternativa Outro caminho adotado por empresários do setor é qualificar os funcionários dos estabelecimentos como forma de driblar a dificuldade de contratação. No Pesque e Pague Americano, no quilômetro 51 da rodovia Manoel Urbano (AM-010), em Iranduba, os seis trabalhadores do local iniciaram cursos de inglês e espanhol voltados para o público.
O gerente do local, César Arizzola, conta que o objetivo é preparar a mão de obra contratada para uma média de 2,4 mil visitantes por fim de semana, volume esperado no período do evento futebolístico. “São quatro meses de curso específicos para os cargos de garçom e recepcionista. O investimento na qualificação é de R$ 240 por funcionário”, detalha.
Fora da região metropolitana, o hotel de selva Juma Amazon Lodge, localizado em Autazes (a 108 quilômetros de Manaus), também investe nos funcionários. “Recepcionistas recebem aulas constantes de idiomas e todos os 30 funcionários são treinados para atender com atenção e cordialidade”, ressalta a gerente comercial, Evelyn Lima. Balneários nas estradas devem ser opção durante a Copa
B6
País
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Extinção do auxílio-reclusão beneficia vítimas de crimes
Novo benefício será pago à pessoa vítima de crime pelo período em que ela ficar afastada da atividade empregatícia
A
Câmara dos Deputados analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 304/13, da deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), que acaba com o auxílio-reclusão e cria um benefício mensal no valor de um salário mínimo para amparar vítimas de crimes e suas famílias. Pelo texto, o novo benefício será pago à pessoa vítima de crime pelo período em que ela ficar afastada da atividade que garanta seu sustento. Em caso de morte, o benefício será convertido em pensão ao cônjuge ou companheiro e a dependentes da vítima, conforme regulamentação posterior. A PEC deixa claro que o benefício não poderá ser acumulado por vítimas que já estejam recebendo auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou pensão por morte. Vítimas sem amparo Para a autora, é mais justo amparar a família da vítima do que a família do criminoso. “Hoje não há previsão de amparo para vítimas do criminoso e suas famílias”, afirma. Além disso, segundo ela, o fato do criminoso saber que sua família não ficará ao total desamparo se ele for recolhido à prisão, pode facilitar na decisão em cometer um crime. “Por outro lado, quando o crime implica sequelas à vítima, impedindo que ela desempenhe a atividade que garante seu sustento, ela enfrenta hoje um total desamparo”, argumenta a deputada.
Auxílio aos dependentes Em vigor atualmente, o auxílio-reclusão é um benefício devido aos dependentes de trabalhadores que contribuem para a Previdência Social. É pago enquanto o segurado estiver preso sob regime fechado ou semiaberto e não receba qualquer remuneração. O cálculo do benefício é feito com base na média dos salários-de-contribuição do preso,
ABR
e só é concedido quando esse salário for igual ou inferior a R$ 971,78, em atendimento ao preceito constitucional de assegurar o benefício apenas para quem tiver baixa renda. Conforme a autora, o objetivo é destinar os recursos hoje usados para o pagamento do auxílio-reclusão à vítima do crime, quando sobreviver, ou para a família, no caso de morte. Tramitação Incialmente, a proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania quanto à admissibilidade. Se aprovada, será encaminhada para comissão especial criada especialmente para sua análise. Depois será votada em dois turnos pelo Plenário. Dados de 2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo menos 40.519 famílias de presos que contribuíram para a Previdência Social receberam
GARANTIAS
A Proposta de Emenda à Constituição deixa claro que o benefício não poderá ser acumulado por vítimas que já estejam recebendo auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou pensão por morte Se a Proposta de Emenda à Constituição for aprovada, auxílio-reclusão será extinto e recursos serão destinados às vítimas de crimes
auxílio-reclusão do governo Federal, segundo os dados mais recentes do Ministério da Previdência Social. O montante pago até junho do ano passado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a título de auxílio-reclusão, correspondeu a R$ 29,489 milhões. De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social (Beps) os recursos são divididos entre os dependentes do detento, nos moldes dos benefícios destinados a pensões alimentícias.
Quem fugir deixa família sem os recursos O objetivo do pagamento do auxílio-reclusão é a manunteção das famílias dos presos, que são geralmente de baixa renda. O salário de contribuição do trabalhador segurado que faz jus ao direito não pode ter sido superior a R$ 971,78. Além disso, as contribuições devem estar em dia.
CRÉDITO DO FOTÓGRAFO
O montante pago como auxílio varia de acordo com o valor das contribuições que o preso fez ao Regime Geral da Previdência Social enquanto trabalhava. Também é levado em conta o salário médio das contribuições. O valor mínimo não pode ser inferior a R$ 678, de acordo com a Portaria Interminis-
terial nº. 15, editada pelos Ministério da Previdência Social e da Fazenda, em 10 de janeiro deste ano. O preso perde o direito ao benefício caso obtenha liberdade, fuja da unidade prisional ou progrida para o regime aberto. Por isso, a cada três meses, os dependentes do trabalhador encarcerado
precisam levar à Agência da Previdência Social declaração do sistema penitenciário que ateste que o segurado permanece preso. Para solicitar o auxílio-reclusão, os dependentes do segurado preso podem fazer agendamento prévio pelo portal da Previdência Social e pela Central 135.
AVISO
Cracolândia não será mais invadida
Ação polêmica de policiais na área da Cracolândia, em São Paulo, provocou manifestações
O governo paulista garante que as operações policiais na cracolândia, no centro de São Paulo, não devem parar, mas ressaltou que não haverá mais confrontos. “As ações de inteligência continuam. Mas reforçamos, depois de ontem, que se houver a possibilidade de um confronto a operação não deve ser feita”, disse Edson Ortega, assessor do Estado que está coordenando as ações na cracolândia. A afirmação acontece um dia depois de uma operação da Polícia Civil para prender um traficante ter terminado em confronto com viciados. Ortega visitou a cracolândia nacompanhia do chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido, e do 1º Tenente Willian Thomaz, responsável pela região da Nova Luz. Segundo Aparecido, o governador Geraldo Alckmin
(PSDB) pediu que ele comandasse mais de perto todas as ações do governo no local. “Há um cuidado em mostrar que existe sim um empe-
VISITA
Ortega visitou a cracolândia na companhia do chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido, e do 1º tenente Willian Thomaz, responsável pela região da Nova Luz
nho por parte do governo na parceria com a prefeitura”, disse. Segundo ele, o governador pretende fazer do confronto de ontem apenas um episódio isolado. “Queremos deixar explícito que vamos reforçar a parceria
com a prefeitura”. Essa parceria deve se refletir em apoio no cadastramento dos usuários do fluxo (local de venda e consumo de crack), localizado na esquina da rua Barão de Piracicaba com a rua Glete. “A ideia é conhecer o perfil dessas pessoas para que a gente possa removê-las dali, o quanto antes começarem as aulas”, disse. Atualmente, o fluxo está parado no muro de trás do colégio Liceu. Protocolos O secretário reforçou ainda que o governo colocou à disposição do programa Braços Abertos 2,3 mil vagas, entre os mais diversos equipamentos de saúde. Segundo Ortega, ontem cerca de 300 agentes fizeram treinamento para conhecer os protocolos de funcionamento e encaminhamento dessas vagas.
País
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
CÂMBIO
Mantega ‘preparado’ para mudanças O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou em Davos, na Suíça, que o Brasil “está muito bem preparado para volatilidades”, ao ser questionado pela BBC Brasil se a crise cambial na Argentina preocupa o governo brasileiro. A Argentina viu sua moeda perder mais de 11% do valor na quinta-feira, 23, a maior desvalorização diária desde 2002, em consequência de mais uma medida de restrição à saída de dólares do país, com a limitação da compra em sites estrangeiros em no máximo US$ 50 ao ano. Desde o início do ano, o peso argentino já se desvalorizou em mais de 20%. Com isso, existe o temor de um possível contágio da crise para o Brasil, além do efeito de prejudicar a competitividade internacional dos produtos brasileiros de exportação em relação aos produtos argenti-
nos, que ficam mais baratos em dólar com a desvalorização do peso. “O Brasil está muito bem preparado para essas volatilidades. Temos, por exemplo, muitas reservas, ao contrário de outros paises”, disse Mantega, num intervalo do Fórum Econômico Mundial. “Nós temos um mercado futuro que tem regulado o câmbio. Não sai dinheiro do país. Nós temos um fluxo muito bom para o país”, afirmou. Segundo ele, o Brasil não tem problemas de fluxo de caixa, “tanto que nossas reservas estão mantidas no seu patamar”. Questionado sobre as políticas adotadas pelo governo argentino, Mantega afirmou que “cada país adotou suas políticas” e que, em sua avaliação, a volatilidade cambial nos mercados emergentes em geral é con-
sequência de uma projeção de um crescimento menor da China, o que afetaria os preços internacionais das commodities.
B7
Mais 2 mil médicos de Cuba chegam ao Brasil na terça Medida do governo federal foi provocada pela baixa adesão de profissionais. Cubanos vão preencher vagas que restam
ABR
Volatilidade “Está ocorrendo uma certa volatilidade no mercado de câmbio, em vários países emergentes, uns mais e outros menos. Isso é reflexo principalmente da expectativa em relação à China”, disse o ministro, que em nenhum momento se referiu diretamente à Argentina em suas respostas. “A expectativa de um crescimento talvez um pouco menor na China, coisa que não acredito, mexe com os países produtores de commodities, dos quais a China é compradora”, disse. “Cai o cobre, cai o minério de ferro, e é isso que afeta o câmbio desses países”, afirmou. AE
Profissionais cubanos chegam na terça para reforçar o programa do governo federal Mais Médicos
E Ministro da Fazenda, Guido Mantega diz que mudanças na Argentina não afetam o país
ncerrada a terceira rodada de inscrições do Mais Médicos com pouco mais de 50% das vagas preenchidas prometidas até março, o Ministério da Saúde informou que outros 2 mil médicos cubanos virão ao país. Segundo o governo federal, os profissionais já começam a chegar ao Brasil a partir de terça-feira, 28. Há apenas dois dias, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) foi questionado sobre como pretendia preencher as vagas ainda abertas até março. Padilha afirmou, na ocasião, que tinha a expectativa da adesão ao programa de médicos do Provab (outro programa federal do governo que busca levar médicos ao interior). E disse que, caso não fosse suficiente, traria médicos de Cuba.
A promessa de Padilha, que deixa a pasta nos próximos dias para concorrer ao governo do Estado de São Paulo pelo PT, e da presidente Dilma Rousseff,
SOBRAS
Segundo o Ministério da Saúde, os profissionais cubanos já começam a chegar ao Brasil a partir de terça-feira, 28, para preencher as vagas que não foram ocupadas em seleção que disputará a reeleição, é preencher 13 mil vagas de médicos até março. Com a nova leva de cubanos e outros 891 médicos que se inscreveram indivi-
dualmente nessa terceira rodada, o programa alcança 9.549 médicos participantes, ou seja, 73,45% da meta. Do total de participantes, agora, 77,49% dos profissionais são cubanos. Na próxima semana, Dilma e Padilha viajam a Cuba. Levarão, com eles, o novo indicado para ocupar a Saúde, Arthur Chioro. A ideia de trazer médicos do exterior foi propagada pela Saúde no primeiro semestre do ano passado. Frente às críticas recebidas dos médicos brasileiros, o ministério adotou um novo discurso, dizendo que daria prioridade aos profissionais brasileiros. Com a baixa adesão destes, o governo anunciou ter fechado um acordo para a vinda dos cubanos.
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
OIT registra 202 milhões de desempregados no mundo Pelos cálculos da Organização Internacional do Trabalho, em 2013, o número de desempregados no mundo cresceu 5 milhões, representando taxa de 6%
Para a ONG Tendências Mundiais de Emprego, a fraca recuperação da economia mundial não foi capaz de melhor o nível de trabalho
R
com menos de 50 mil desempregados para a cifra mundial do desemprego. Continuidade De acordo com a OIT, se a tendência atual se mantiver, o desemprego mundial continuará piorando e pode chegar a 215 milhões de pessoas em 2018. Nesse período, serão criados cerca de 40 milhões de novos empregos por ano, que representa um número menor do que os 42,6 milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente. O estudo destaca que a recuperação mundial do mercado laboral está sendo freada pelo déficit na demanda agregada. “Em muitas economias desenvolvidas, as drásticas reduções do gasto público e o aumento dos impostos sobre a renda e o consumo impõem uma carga pesada sobre as empresas
privadas e as famílias”, disse a OIT. “O que necessitamos com urgência é repensar as políticas. Devemos intensificar nossos esforços para acelerar a geração de empregos e apoiar as empresas que criam empregos”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. A duração do desemprego prolongou-se de maneira considerável, de acordo com a organização. Em países da zona do euro, como a Grécia e a Espanha, quem procura trabalho necessita do dobro do tempo, de 8 a 9 meses, para encontrar um emprego do que antes da crise financeira de 2008. Assim, “um número cada vez maior desses potenciais trabalhadores fica desalentado e sai da força de trabalho”, ressalta a OIT. Cerca de 23 milhões de pessoas abandonaram o mercado em 2013.
AP
elatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que, em 2013, o número de desempregados no mundo aumentou 5 milhões. Com isso, o número de pessoas sem emprego é cerca de 202 milhões, o que representa uma taxa de desemprego mundial de 6%. Segundo o relatório Tendências Mundiais de Emprego 2014, a fraca recuperação da economia mundial não foi capaz de levar a uma melhora no mercado de trabalho. No ano passado, a maior parte do aumento do desemprego mundial foi registrada nas regiões da Ásia Oriental e da Ásia Meridional que, juntas, representam 45% das pessoas em busca de emprego, seguidas da África Subsaariana e da Europa. Por outro lado, a América Latina contribuiu
“Quando se estima que 23 milhões de pessoas abandonaram a busca de trabalho, é imperativo que sejam implantadas políticas ativas do mercado laboral com maior vigor para enfrentar a inatividade e o desajuste de qualificações”, assinalou o chefe da Unidade de Tendências do Emprego da OIT e principal autor do relatório, Ekkehard Ernst. Informalidade Segundo o estudo, o emprego informal continua alto e representa cerca de 48% do mercado de trabalho. Segundo a OIT, o ritmo de melhoria na qualidade do emprego está diminuindo, o que significa que um número menor de pessoas está saindo da pobreza. Em 2013, o número de trabalhadores em situação de extrema pobreza diminuiu apenas 2,7% em âmbito mundial.
COREIAS
Ditador propõe a Seul volta de encontros de famílias A Coreia do Norte propôs ao governo da Coreia do Sul para retomar a partir do mês que vem os reencontros de famílias separadas pelo conflito que os dois países enfrentaram entre 1950 e 1953. As autoridades de Pyongyang fizeram a proposta por meio de uma ligação ao presidente da Cruz Vermelha sul-coreana em aldeia na fronteira de Panmunjom, informou a agência de notícias do regime comunista “KCNA”. Segundo a agência sul-coreana “Yonhap”, o governo de Seul se mostrou satisfeito com a proposta da Coreia do Norte. O regime de Pyongyang havia rejeitado em 9 de janeiro a última proposta de Seul de organizar para o fim deste mês a reunião de famílias separadas pela guerra e acrescentou que aconteceriam no “momento adequado”, sem dizer uma data específica. O governo sul-coreano propôs alguns dias antes ao regime comunista realizar um encontro de famílias separadas aproveitando o Ano Novo Lunar, uma das duas maiores
festas dos coreanos, que neste ano cai no dia 31 de janeiro. Em outubro, as duas Coreias protagonizaram a última tentativa fracassada de recuperar esses eventos humanitários, suspensos desde 2010. Carta aberta O gesto conciliador de Pyongyang coincidiu com a publicação de uma carta aberta do regime norte-coreano voltada aos cidadãos e autoridades da Coreia do Sul na qual insistiu em sua proposta de iniciar uma etapa de paz em troca que Seul e Washington cancelem suas próximas manobras militares na região. O regime de Kim Jong-un insistiu em “criar um clima de reconciliação e unidade, deter totalmente os atos militares hostis” e retomar projetos comuns como as reuniões de famílias separadas e os tours ao monte norte-coreano Kumgang, segundo a carta assinada pela Comissão Nacional de Defesa. As duas Coreias realizaram seu primeiro evento de reunificação de famílias em 1985.
Pyongyang fez proposta de aproximação por meio de telefonema
ONU
Agência nuclear pede mais dinheiro
Amano quer dobrar o número de inspetores em campo no Irã
A agência de energia nuclear da ONU quer dos países membros mais dinheiro para financiar o aumento nas inspeções realizadas no Irã, destinadas a verificar se Teerã está cumprindo o acordo nuclear firmado junto a seis potências mundiais. A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) vai quase dobrar o número de pessoas trabalhando no Irã como resultado do acordo de seis meses, disse o diretor da Aiea, Yukiya Amano, em uma reunião extraordinária do conselho diretor
da entidade composta por 35 países. Todos os países deram seu sinal verde ao plano para comprovar o cumprimento iraniano do acordo. Amano disse que o acordo interino que entrou em vigor na segunda-feira e que alivia as sanções econômicas ao Irã- foi um “importante passo à frente na direção da conquista de uma solução abrangente” para a disputa de uma década sobre o programa nuclear iraniano. Mas acrescentou: “Ainda há um longo caminho a percorrer.”
“Vamos precisar quase que dobrar os recursos humanos dedicados à verificação no Irã”, disse Amano. “Vamos precisar aumentar significativamente a frequência das atividades de verificação conduzidas por nós no momento.” Pelo acordo com o Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia, o Irã concordou em suspender o enriquecimento de urânio a 20% e a construção de uma usina de água pesada em troca de um limitado alívio nas sanções que castigam a economia
dependente do petróleo. Recursos Em um relatório confidencial aos Estados membros da semana passada, a Aiea estima o aumento da carga de trabalho resultante do acordo em cerca de 6 milhões de euros. Desse montante, “contribuições extraorçamentárias de cerca de 5,5 milhões de euros são necessárias”, disse o relatório. Diplomatas afirmaram que não esperam enfrentar dificuldades para levantar os recursos.
diadia@emtempo.com.br
Dia a dia C2 e C3
(92) 3090-1041
FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Boates investem em segurança
IONE MORENO
Caderno C
Dia a dia
DIEGO JANATÃ
Com as obras do “novo Eduardo Gomes”, o cenário que dava um toque tropical ao aeroporto foi substituído pelo calçadão de concreto. As árvores do estacionamento também foram sacrificadas
AEROPORTO
Concretaram o lado tropical Eduardo Durante a reforma, a primeira coisa que as empresas que estão reformando o Eduardo Gomes fizeram foi soterrar o lago, cortar as palmeiras, arrancar as plantas, e desaparecer com os quelônios que habitavam o espaço
I
MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
naugurado em 1976 no governo do general Ernesto Geisel, o aeroporto internacional Eduardo Gomes de Manaus já foi considerado um dos mais modernos e “diferentes” do país. Ao desembarcar na capital da maior floresta tropical do mundo, o visitante logo notava a diferença. No lugar do concreto exagerado, dava de cara com um lago artificial cercado de plantas, onde tartarugas tomavam sol em uma praia de areia branca, sob a sombra de palmeiras de açaí. Era o toque amazônico, o exotismo da natureza amazônica, a referência ao meio ambiente que o turista queria encontrar em Manaus. Mas, inexplicavelmente e “burramente”, a primeira coisa que os responsáveis pela reforma do Eduardo Gomes fizeram foi soterrar o lago, cortar as palmeiras, arrancar as plantas, e desaparecer com os quelônios e peixes que haviam no lago. Também foram derrubadas as árvores que ofereciam sombra ao estacionamento. No lugar desse cenário, surgiu uma capa feia de concreto, sem uma única presença de verde, transformando a parte externa do Eduardo Gomes em um ‘deserto”, onde o vapor do cimento cozinha até os miolos de quem está chegando ou saindo de Manaus. Avaliada em R$ 340 milhões, as obras de reforma do aeroporto tiveram início no dia 16 de novembro de 2011 e estão a cargo do consórcio Encalso-Engevix-Kallas. Estavam programadas para serem inauguradas em de-
zembro, mas já estamos às vésperas de fevereiro e o quadro é de um canteiro de obras interditado pelo Ministério Público do Trabalho. O consórcio também divulgou que o Eduardo Gomes, “em breve”, receberia as tartarugas, tracajás e tambaquis de volta ao lago artificial, mas que lago, se hoje no seu lugar existe um calçadão de concreto? De acordo com as construtoras que executam o trabalho, os quelônios e os peixes foram retirados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Re-
O fim da piscina com tartarugas existente no aeroporto é apenas a cereja do bolo. Eles, os bárbaros, venceram! E nós é que somos os índios... Simão Pessoa, escritor
nováveis (Ibama). “Os lagos artificiais antes existentes no estacionamento, quando do início da reforma. No início da obra, chegou a ser divulgado que os animais seriam recolocados em dois “aquaterrários” – aquários, com 332 metros quadrados cada, construídos nas extremidades do desembarque. Para isso, os órgãos ambientais “deram sua autorização”, garantiram os construtores. Até o momento não foi construído nenhum “aquaterrário” no aeroporto. E a pergunta que se faz é onde
estão as tartarugas? — É um absurdo. Aquele lago artificial, com a prainha, as palmeiras e as tartarugas era a parte mais tropical do aeroporto – reage o radialista Joaquim Marinho, um dos mais ferrenhos defensores da cultura e das coisas de Manaus. Marinho disse que infelizmente alguns setores de Manaus ainda sofrem do complexo de “colonizados”, por isso trazem gente de fora que não conhecem a alma amazônica e nem os sentimentos do manauense, “por isso tomam decisões erradas que nos fazem andar para trás”. Sobre o destino das tartarugas, o radialista, que costuma perder o amigo, mas não perde a piada, responde com ironia. “Com certeza devem ter ido pra panela de alguém”. O escritor Simão Pessoa não deixa por menos e analisa o desaparecimento do lago e das tartarugas sob o mesmo ângulo de Joaquim Marinho. Diz que o processo de descaracterização da cidade vem ocorrendo, desde os anos 80, porque “a imensa maioria de nossos homens públicos é de forasteiros, que aqui aportaram sem qualquer interação com nossa cultura nativa”. — Nenhum deles sabe o significado da palavra “banho”, que era como a gente chamava os balneários existentes ao longo dos 153 igarapés que cortavam a cidade. Foi por isso, que todos os igarapés foram destruídos. É como se quisessem apagar as nossas origens. O fim da piscina com tartarugas existente no aeroporto é apenas a cereja do bolo. Eles, os bárbaros, venceram! E nós é que somos os índios...
O 1º a operar com pontes de embarque e desembarque O aeroporto internacional Eduardo Gomes foi construído na década de 70 obedecendo aos mais avançados padrões da aviação civil da época. Por décadas permaneceu como um dos mais modernos complexos aeroportuários brasileiros. O terminal de passageiros 1, com estrutura em concreto armado, foi o
primeiro do país a operar com pontes de embarque e desembarque de passageiros (sanfonas). Mas, sem manutenção, foi se tornando defasado com o avançar do tempo. No início, o Eduardo Gomes tinha capacidade para atender 2,8 milhão de passageiros/ano, mas, em 2009 transitaram pelos terminais
Simão Pessoa: “Foi esse pensamento que destruiu os igarapés”
mais de 3 milhões de passageiros, superando a capacidade instalada. É considerado o maior aeroporto da Região Norte do Brasil em número de passageiros e em movimento de aeronaves da região Norte, sendo também o 3º maior aeroporto em movimentação de cargas do país, atrás de Cumbica e Viracopos.
Joaquim Marinho: “As tartarugas foram para a panela de alguém”
Eduardo Gomes, o 2º pior do país O aeroporto internacional de Manaus Eduardo Gomes foi eleito o segundo pior do país, de acordo com uma pesquisa feita pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), que ouviu mais de 20 mil passageiros de avião. O resultado da pesquisa foi realizado no dia 21 de janeiro de 2014. A nota dada pelos usuários foi de 3,44, o que colocou o Eduardo Gomes à frente ape-
nas do aeroporto de Cuiabá (MT), que recebeu nota de 3,43. Com isso, o aeroporto de Manaus ficou em 14º e em 13º o de Guarulhos (SP), que recebeu nota média 3,56. O aeroporto com melhor resultado foi o aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR), que recebeu nota média de 4,21. Em segundo lugar está Santos Dumont (RJ),
com 4,08 e em terceiro o de Natal (RN), com nota 4,03. A SAC realizou a pesquisa nos aeroportos de Manaus (AM), Fortaleza (CE), Natal (RN), Recife (PE), Brasília (DF), Salvador (BA), Cuiabá (MT), Confins (MG), Guarulhos (SP), Congonhas (SP), Viracopos (SP), Curitiba (PR), Galeão (RJ), Santos Dumont (RJ) e Porto Alegre (RS).
C2
Dia a dia
Boates reformu FOTOS: DIEGO JANATÃ
Passado um ano da tragédia de Santa Maria, quando um incêndio na boate Kiss causou um tumulto que resultou em mais de 240 mortos, casas noturnas de Manaus se readequaram para garantir diversão sem problemas para clientes
A tragédia de Santa Maria trouxe um aprendizado, que foi seguido à risca pelas casas noturnas de Manaus. Hoje, o cenário mudou em muitas delas, tendo mais preocupação com a segurança ADRIANA PIMENTEL Especial EM TEMPO
U
m ano após a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), o fantasma da preocupação ainda assombra quem frequenta casas noturnas em Manaus, apesar da fiscalização realizada ano passado pela prefeitura, que resultou no fechamento de vários estabelecimentos até sua devida adequação às normas de segurança. Na cidade gaúcha, um incêndio durante uma apresentação de um grupo musical, na madrugada de 27 de janeiro de 2013, gerou um tumulto. O saldo foi de mais de 240 mortos durante o pandemônio, pisoteados ou asfixiados pela fumaça do fogo. A tragédia revelou uma série de elementos relacionados à falta de segurança, como extintores sem funcionar e superlotação. A ação desencadeada no ano passado resultou na interdição de 17 casas noturnas em Manaus (leia matéria nestas páginas). Hoje, a maior parte se adequou às normas de segurança. Na época das blitze, o All Night Pub, em Adrianópolis, o República Real, no São Geraldo, e o Porão do Alemão, São Jorge, ficaram de portas fechadas até o processo de regularização da pendências documentais. Entre os problemas descobertos nas casas noturnas estavam bebidas com validade vencida, falta de alvará de funcionamento, irregularidades em banheiros e no bar, infiltrações, falta de “Habitese” e de licença de publicidade, de auto de vistoria do Corpo de
Bombeiros, de sinalização de rota de fuga e saída de emergência, extintores com prazo de validade vencido e ausência de hidrantes – muitos desses elementos que resultaram na tragédia da boate Kiss. As licenças são emitidas, respectivamente, pelo Corpo de Bombeiros e Departamento de Vigilância Sanitária, após vistorias. Outra licença obrigatória é a ambiental, liberada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). Atualmente, de acordo com o
IRREGULARES
Entre os problemas descobertos nas casas noturnas estavam bebidas com validade vencida, falta de alvará de funcionamento, irregularidades em banheiros e no bar, infiltrações e outros dono do All Night Pub, Walter Henrique Silva, a casa melhorou sua estratégia de brigada e foram colocados hidrantes. Além disso, oito dos funcionários possuem o curso de brigadista, assim como os extintores são recondicionados periodicamente. “Após a fiscalização, nada aconteceu. Agora em março iremos renovar nossas licenças e passaremos por novas vistorias”, afirma o empresário. Na Zona Norte, a Arena VIP, segundo a assessoria da casa noturna, encontra-se totalmente regularizada, com brigadistas, saída de emer-
gência e laudo do bombeiros. Além disso, todos os 40 funcionários da casa passaram pelo curso de brigadista. O clube Pegadas, na avenida do Turismo, demorou quase seis meses para poder se adequar com saídas de emergência, extintores de incêndio e todas as licenças obrigatórias. O já tradicional Porão do Alemão está com as normas de segurança regularizadas, não tendo problemas com saídas de emergência ou extintores. Na época, foi notificado porque não apresentou a documentação necessária da Secretaria Municipal de Economia e Finanças (Semef). Outro local interditado foi o bar Lappa, no bairro Nossa Senhora das Graças, mas atualmente funciona normalmente após as adequações. De acordo com a estudante J.V., 17, que foi recentemente ao República Real, o local não lhe passou muita segurança. “Está a mesma coisa, só fizeram na época do acidente uma grande fiscalização”, afirma a estudante. Para ela, os órgãos responsáveis deveriam fazer uma ação preventiva. “Nós mesmos poderíamos verificar os locais que apresentam perigo”, afirma a jovem. Ao todo, 17 casas noturnas foram interditadas em todas as zonas da cidade no final de janeiro e durante fevereiro de 2013. A operação foi executada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), Semmas, Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa), Semef e Defesa Civil.
Normas variam em cada Estado Hoje, a concessão de alvarás de funcionamento para estabelecimentos como casas noturnas no país é feita pelos bombeiros e autoridades locais, baseados em normas estaduais. A ausência de uma lei nacional que estabeleça as regras de prevenção e proteção contra incêndio é apontada pelos especialistas como o principal problema dos alvarás de funcionamento de bares, boates e casas
de show no país. As leis são estaduais e, por isso, cada governo estabelece uma lei com base em normas locais ou estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou mesmo pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). A deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA) é autora de projeto sobre normas de segurança para boates e casas de shows. A proposta, de 2007, já foi aprovada
na Comissão de Segurança Pública e na Comissão de Desenvolvimento Urbano, mas ainda precisa passar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara onde está parada desde maio do ano passado, estabelece que todas as discotecas, boates e casas de show devem ter sistema de alarme e combate a incêndio e sistema de saídas de emergência. A prefeitura seria responsável pela fiscalização.
Portas de emergência no All Night Pub, um dos locais que modificou sua segurança
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
C3
ulam segurança Alguns elementos são considerados primordiais para a segurança em casas noturnas. Dos itens a seguir, vários não foram observados na boate Kiss e também acabaram descobertas nas fiscalizações realizadas em Manaus no ano passado.
de incêndio, é adotado o que estabelece as leis trabalhistas. O Ministério do Trabalho pela CLT tem reivindicações, normas que obrigam a fazer treinamento dos funcionários, brigadas de incêndio, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa).
Porta corta-fogo A porta corta-fogo protege a saída de emergência, que não pode ter materiais inflamáveis. Para segurança, ela deve possuir uma barra “antipânico” como sistema de abertura. Só com a pressão das mãos sobre a barra a pessoa destrava e abre a porta.
Pirotecnia Não há lei que proíba um show de fogos de artifício em ambientes fechados, de acordo com os especialistas. No entanto, para que a pirotecnia possa ser feita, é preciso da liberação do Corpo de Bombeiros, que avaliará as condições do local. A Constituição de 1988 coloca a responsabilidade da segurança contra incêndios para órgãos militares, ou seja, brigada militar e Corpo de Bombeiros.
Saídas de emergência As saídas de emergência são obrigatórias, porém a quantidade e a posição onde devem ser colocadas são determinadas por uma avaliação técnica, feita por um engenheiro ou arquiteto. Treinamento No caso do treinamento de funcionários da casa para saber agir em caso
Materiais inflamáveis Qualquer material derivado de petróleo é inflamável, o que inclui tecidos de sofás e de roupas. Esses materiais são vetados no revestimento das saídas de emergência.
Tragédia foi a segunda maior do Brasil DEIVID DUTRA/JORNAL A RAZÃO
Principais e relevantes recursos
Na boate Kiss, imprudência de integrante da banda causou o incêndio. Tumulto resultou em vítimas pisoteadas e asfixiadas
O incêndio na boate Kiss provocou a morte de mais de 240 pessoas e ferimentos em 116 outras na madrugada de 27 de janeiro de 2013 em uma discoteca da cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O fogo foi causado pelo acendimento de um sinalizador por um integrante de uma banda que se apresentava na casa noturna. A imprudência e as más condições de segurança foram os fatores determinantes da tragédia.
O sinistro foi considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio, sendo superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961, em Niterói, que vitimou 503 pessoas, e teve características semelhantes às do incêndio ocorrido na Argentina, em 2004, na discoteca República Cromañón. Procedeu-se a uma investigação para a apuração
das responsabilidades dos envolvidos, entre eles os integrantes da banda, os donos da casa noturna e o poder público. Houve manifestações em toda a imprensa nacional e mundial, que variaram de mensagens de solidariedade a críticas sobre as condições das boates no país e a omissão das autoridades. O inquérito policial apontou muitos responsáveis pelo acidente, mas poucos foram
denunciados pelo Ministério Público à Justiça. O inquérito policial-militar, por sua vez, foi condescendente com os bombeiros envolvidos no caso. A Justiça instaurou um processo e começou a ouvir depoimentos como preparação para o julgamento, porém os sobreviventes e parentes dos mortos receavam que a impunidade fosse a tônica do evento criminoso. (Fonte: Wikipedia)
C4
Dia a dia
Justiça traça me TATIANE FREIRE E GISELLE SOUZA Agência CNJ
A
lém das metas nacionais a serem perseguidas pelos tribunais ao longo deste ano, a Justiça estadual, eleitoral, militar e trabalhista terão, cada uma, metas específicas a serem cumpridas até o fim do ano. Para a Justiça estadual, trabalhista e eleitoral foram definidas metas voltadas para a área de gestão e capacitação. Já a meta da Justiça Militar está relacionada ao aumento da produtividade. Até o final do ano, os Tribunais de Justiça dos Estados precisarão mapear pelo menos 60% das competências dos tribunais, para subsidiar a implantação da gestão por competências. O mapeamento de competências é a identificação dos saberes, conhecimentos ou habilidades necessárias ao cumprimento de uma estratégia. Feito o mapeamento, são identificadas as competências que a organização possui e aquelas que lhe faltam e devem ser preenchidas por meio
de um plano para desenvolver estas habilidades. Para a Justiça do Trabalho foram definidas duas metas específicas. A primeira é a realização de oficinas de administração judiciária, com a participação de pelo menos
AÇÃO
Feito o mapeamento, são identificadas as competências que a organização possui, aquelas que lhe faltam e devem ser preenchidas por meio de um plano para desenvolver essas habilidades 25% dos magistrados. A segunda é implantar um programa de desenvolvimento gerencial em todos os tribunais, com base no modelo de gestão por competências. Também foram definidas duas metas para os tribunais da Justiça Eleitoral. A primeira é a capacitação dos gestores em governança no setor público. Além disso, os tribunais eleitorais deverão
instituir sua unidade de gestão de processos e elaborar a chamada “cadeia de valor”, um desenho que representa, sinteticamente, os macroprocessos de trabalho agrupados em finalísticos e de apoio, demonstrando suas relações. A unidade de gestão de processos é um setor responsável por identificar quais são os processos críticos de trabalho que mais diretamente impactam na realização da finalidade do órgão. A ideia é avaliar e melhorar sistematicamente as rotinas, fluxos de trabalho e atividades, visando a excelência na prestação dos serviços. Já os tribunais da Justiça Militar deverão julgar, em até 120 dias, 90% dos processos originários e recursos, cíveis, criminais e processos de natureza especial em tramitação no primeiro grau de jurisdição e 95% em tramitação no segundo grau de jurisdição. Na Justiça Militar da União a meta é julgar, também em até 120 dias, 90% dos processos originários e recursos criminais, e de natureza especial que tramitam nas auditorias militares e no Superior Tribunal Militar.
GIL FERREIRAGÊNCIA CNJ
Até o final deste ano, os tribunais de Justiça brasileiros precisarão mapear pelo menos 60% das suas competências, para identificar conhecimentos e habilidades necessárias para o cumprimento de uma estratégia
Metas do CNJ para 2014 abrangem a Justiça estadual, eleitoral, militar e trabalhista
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
C5
etas específicas Compromisso e produtividade
Audiência pública vai tratar de eficiência
As seis metas nacionais e as seis metas específicas a serem cumpridas pelos tribunais em 2014 foram definidas em novembro do ano passado pelos presidentes dos tribunais, durante o 7º Encontro Nacional do Judiciário. “Em síntese, o compromisso é com o incremento da produtividade, a melhoria dos procedimentos de trabalho e a capacitação técnica e gerencial dos servidores e magistrados, para proporcionar uma prestação jurisdicional mais célere e eficaz ao cidadão brasileiro”, afirmou o diretor do departamento de gestão
Audiências públicas em fevereiro terão participação de entidades e especialistas interessados em gestão participativa
GIL FERREIRA/AGÊNCIA CNJ
estratégica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ivan Bonifácio.
DIVULGAÇÃO
Audiências A audiência pública sobre a situação da primeira instância do Judiciário brasileiro, que o CNJ vai realizar em fevereiro, trará à discussão uma questão há muito tempo reivindicada por juízes, servidores e demais operadores do direito: a gestão participativa nos tribunais. O debate está marcado para os dias 17 e 18, das 9h às 12h30 e das 14h às 18h30, na sede do CNJ, em Brasília.
Ivan Bonifácio, do CNJ: capacitação técnica e gerencial
Essa será a primeira audiência pública que o CNJ promove. O procedimento foi convocado pelo presidente do conselho, ministro Joaquim Barbosa, por meio do ato de convocação nº 1/2013. Representantes de entidades ou especialistas interessados em participar têm até 31 de janeiro para se candidatar a uma das vagas de debatedor, por meio do e-mail priorizacao. audiencia@cnj.jus.br.
O CNJ objetiva, com a audiência pública, reunir esclarecimentos técnicos, científicos, administrativos, gerenciais, políticos, econômicos e jurídicos, especificamente sobre dois aspectos: a eficiência e o aperfeiçoamento legislativo do primeiro grau. A gestão participativa está incluída no primeiro tópico. Esse modelo visa construir canais permanentes de diálogo que assegurem a
participação efetiva de magistrados e servidores nas deliberações sobre temas de interesse institucional, tais como orçamento e distribuição de recursos materiais, propiciando maior engajamento de todos na definição dos destinos da instituição. A gestão participativa como forma de aperfeiçoar a primeira instância foi um dos pontos mais sugeridos por cidadãos na consulta aberta pelo grupo de tra-
balho criado pelo CNJ para estudar as melhorias possíveis. De fato, os tribunais que já incorporaram esse modelo apresentaram bons resultados, conforme demonstrou o diagnóstico da gestão estratégica do Poder Judiciário, divulgado pelo Departamento de Gestão Estratégica do CNJ no ano passado. No estudo, consta um ranking dos tribunais com os melhores índices de gestão.
C6
Dia a dia
Variedades de s Ao menos 15 frutos nativos serão colhidos na safra no mês de junho para apreciação, principalmente, pelos visitantes que estarão na região para a Copa, entre eles açaí, araçá-boi, bacuri-de-espinho, biribá, cubiu, maracujá-do-mato e tucumã
A
çaí, cupuaçu, castanha-do-brasil, guaraná e as delícias preparadas com essas frutas já conquistaram o Brasil e algumas partes do mundo. Mas ainda há muitas outras frutas saborosas e nutritivas, como buriti, cubiu, bacuri, mapati (uva-da-amazônia), camu-camu (fruta com maior teor de vitamina C já analisada), araçá-boi, pupunha e tucumã, que possuem alto valor agregado e que poderiam ser melhor aproveitadas neste ano de Copa do Mundo de Futebol. No Mundial de Futebol (12 de junho a 13 de julho), pelo menos 15 frutos nativos estarão no período de safra e disponíveis em forma in natura, de acordo com o engenheiro florestal e técnico da Coordenação de Biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), Afonso Rabelo. Os visitantes poderão conhecer as cores e sabores do açaí-do-amazonas (Euterpe precatoria Mart.), açaí-dopará (Euterpe oleracea Mart.), araçá-boi (Eugenia stipitata McVaugh), bacuri-de-espinho (Garcinia madruno Kunth Hammel), bacuri-do-igapó (Garcinia brasiliensis Mart.), biribá (Rollinia mucosa (Jacq.) Baill.), cubiu (Solanum sessiliflorum Dunal), ingá-açu (Inga cinnamomea Spruce ex Benth.), ingá-cipó (Inga edulis var. edulis Mart.), jatobá (Hymenaea courbaril L.), jenipapo (Genipa americana L.), marimari (Cassia leiandra Benth.), sorvinha (Couma utilis (Mart.)
Müll. Arg.), maracujá-domato (Passiflora nitida Kunth) e tucumã (Astrocaryum aculeatum G. Mey.). “Além desses, também têm os frutos industrializados, que são aqueles beneficiados pelas indústrias alimentícias, de bebidas, fitoterápicos e cosméticos”, disse Rabelo, que é autor do livro “Frutos nativos da Amazônia comercializados nas feiras de Manaus”, no qual descreve 38 frutos comercializados em dez feiras da capital amazonense. Na Floresta Amazônica existem, aproximadamente, 250 espécies com frutos comestíveis, entre fruteiras nativas e palmeiras. As frutas são uma aliada importante quando se trata de alimentação saudável, sendo ricas em vitaminas, sais minerais, gorduras do bem e outros nutrientes que contribuem para o bom funcionamento do corpo. Nos últimos anos, restaurantes e bares maiores passaram a incorporar os alimentos regionais e nativos nos cardápios, como peixes (tambaqui, pirarucu), ervas, temperos (pimenta murupi, jambu) e frutos (açaí, castanha-dobrasil, cupuaçu, tucumã, banana pacovã, araçá-boi, bacuri). Esses últimos ganham cada vez mais mercado nas empresas de chocolates, em forma de geleias, trufas, bombons, panetones e licores, por exemplo. Além do desconhecimento das potencialidades agroindustriais e gastronômicas de certos frutos nativos, empresários do setor de alimentos
e bebidas afirmam que têm problemas quando se trata de escala de produção, de encontrar produtos dentro dos padrões de higiene (tucumã minimamente processado ou em lascas) e de preço. Há dificuldade de acessar diretamente o produtor. De acordo com a vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-AM), Lilian Guedes, após o sorteio das seleções que virão jogar em Manaus na Copa (Inglaterra X Itália, Camarões X Croácia, Estados
IMPORTANTES
As frutas são uma aliada importante quando se trata de alimentação saudável, sendo ricas em vitaminas, sais minerais e outros nutrientes que contribuem para o bom funcionamento do corpo.
Unidos versus Portugal, Honduras e Suíça), o setor ficou mais animado, porém, para os grupos de pacotes oficiais que visitarão a cidade não há muitas perspectivas para se incluir o cardápio regional, além do trivial. “O turista estrangeiro até prova o regional, mas muitos têm medo de comer”, revelou. Muitos frutos amazônicos substituem facilmente em valores nutricionais as frutas exóticas (que não são originárias da região). “O cubiu
em termos nutricionais corresponde à maçã, mas em termos de sabor e preparações substitui o tomate, podendo ser usado assado juntamente ao peixe. Já açaí e mapati correspondem à uva roxa ou preta, pois tem antocianina”, explicou a pesquisadora do Inpa, a nutricionista Dionísia Nagahama. Estudo Como centro de excelência no estudo da biodiversidade, dos ecossistemas amazônicos e um dos mais importantes centros de pesquisas de biologia tropical do planeta, o Inpa trabalha desde a década de 1980 várias pesquisas utilizando frutos nativos. Os estudos vão da área da botânica, passando pelos aspectos agronômicos, nutricionais, medicinais e econômicos até o desenvolvimento de produtos. Entre os produtos e processos patenteados pelo Inpa está “um mix a base de pupunha e bacuri”, como a pupurola (a granola de pupunha), bebida fermentada de pupunha, sabonete sólido e sabonete líquido à base de óleo de pupunha e buriti, creme antioxidante à base de óleo de pupunha, emulsão evanescente à base de óleo de punha e buriti e a farinha integral de pupunha. Parte das tecnologias de produtos e processos patenteados pelo Inpa é transferida para empresas de base tecnológica incubadas pelo próprio instituto, gerando negócios inovadores que têm como base o desenvolvimento sustentável.
Um dos frutos mais típicos da região, o tucumã é muito apreciado
Produtos com grau econômico
O biribá é uma das frutas da região com safra garantida no período da Copa do Mundo
Esse é o caso da farinha integral de pupunha desenvolvida pela equipe científica da pesquisadora Jerusa de Souza Andrade e com tecnologia transferida em 2011 para Nectar Frutos da Amazônia, uma das sete empresas incubadas pelo Inpa. A expectativa é lançar o produto (rico em vitamina A e que serve tanto como suplemento nutricional quanto ingredientes para receitas culinárias) para o mercado em fevereiro. De acordo com a coordenadora de extensão tecnológica do Inpa, Rosângela Bentes, o Inpa vem traba-
lhando para estimular e fomentar a inovação em seus diversos aspectos, seja na identificação de projetos internos, por demandas tecnológicas provenientes do mercado para solucionar questões pontuais de empresa e indústria, seja no estímulo à criação de empresas para desenvolvimento do produto e novos negócios tecnológico. “Estamos buscando, assim, promover a transferência de tecnologia para as empresas fazendo a interface da Instituição com a iniciativa privada e esta com a sociedade”, destacou.
Atualmente, o Inpa possui 69 pedidos de patente, 115 produtos e processos registrados. A essência das tecnologias do instituto é basicamente de processo (27%), produto (27%) e produto e processo (25%). Os resultados dessas pesquisas também podem ser encontrados em formas de banners, folders, cartilhas e livros, além dos eventos. Esses materiais estão disponíveis no Inpa consultas. “Porém, para que as pessoas possam consumir os frutos nativos é necessário primeiro conhecê-los”, disse Rabelo.
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
C7
o e dele se tira proveito até mesmo na produção de sorvetes, além de ser ingrediente obrigatório nos cafés regionais da capital
FOTOS: DIVULGAÇÃO
sabores e cores Frutos utilizados na culinária No restaurante Banzeiro, os frutos nativos campeões de venda são a banana pacovã – servida em vários pratos quentes (salgados) e em sobremesas - e o cupuaçu, apreciado principalmente em forma de geleia com a pimenta murupi. Mas outros frutos também constam no cardápio, como castanha-do-brasil, taperebá, graviola, açaí e tucumã (versão farofa e sorvete). “Em breve, colocarei no cardápio cubiu, bacuri e pupunha. Mas como esses ingredientes são sazonais, é preciso respeitá-los e ter somente na temporada, até porque temos problema de fornecimento de produtos regionais”, disse o chef do Banzeiro, Felipe Schaedler, catarinense radicado no Amazonas que já ganhou vários prêmios pela “Veja Manaus” como melhor restaurante (2011, 2012, 2013) e chef do ano (2011, 2012, 2013). No Careiro (a 88 quilômetros de Manaus), a agroindústria Cupuama trabalha com cerca de 100 toneladas de polpas de 17 frutas por ano – entre elas abacaxi, araçáboi, açaí, acerola, bacuri, camu-camu e cubiu – e cerca de 50 toneladas de semente de cupuaçu. As amêndoas são aproveitadas de diversas formas para elaboração de óleo e manteiga para
indústria de cosméticos, ração animal (peixe e carneiro), chocolate em pó (Cupulate) e chocolate em barra (Cupumax), em fase de elaboração com expectativa de ser lançado até a Copa. Para a utilização do camu-camu e a produção do ingrediente para a ração de peixe, a empresa contou com o apoio do Inpa. Por três anos, a Cupua-
GOSTO
No restaurante Banzeiro, os frutos nativos campeões de venda são a banana pacovã – servida em vários pratos quentes e em sobremesas - e o cupuaçu, apreciado em forma de geleia ma exportou camu-camu (rico em aminoácidos, flavonóides e principalmente vitamina C) para uma indústria alimentícia do Japão, porém com a crise financeira mundial de 2008/2009 o fornecimento cessou. “A população está consumindo muito mais frutas regionais, seja como alimento seja como cosméticos, mas é preciso melhorar a produção. Nós não crescemos mais porque temos esse limitador”, ressaltou a empresária Fátima Sales.
C8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Caderno D
Plateia MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
plateia@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Promoções e brindes para show (92) 3090-1042
Plateia 3
Espetáculo para a Copa Balé de Igor Stravinski, com adaptação regional feita pelo Corpo de Dança do Amazonas (CDA), ao lado da Orquestra Amazonas Filarmônica, é forte candidato a compor programação cultural do período de jogos F O TO RBAR S: BA AUMB RA/DIV U LG A ÇÃO
A montagem de “Sagração da Primavera” pelo CDA traz concepção artística que une o regionalismo amazônico
GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
E
stá praticamente dada como certa a execução do balé “Sagração da Primavera”, do compositor russo Igor Stravinski, como uma das montagens culturais oficiais para a Copa do Mundo da Fifa de 2014, em Manaus, a ser realizada pelo Corpo de Dança do Amazonas (CDA). O secretário de Estado da Cultura (SEC), Robério Braga, já manifestou o gosto e preferência para a escolha do espetáculo, que teve estreia de nova adaptação no fim de novembro passado, dentro da programação da Série Guaraná, com acompanhamento ao vivo da Orquestra Amazonas Filarmônica (OAF), no Teatro Amazonas. De acordo com a diretora
do CDA, Monique Andrade, a performance para a Copa há de receber ajustes visuais em relação às sessões que foram apresentadas até o último dia 1º de dezembro. “Em termos de construção cenográfica, sempre que um espetáculo vai ao palco, os envolvidos costumam melhorar o que se constrói. É um aprimoramento da montagem, porque ela se mantem viva o tempo todo”, diz. A iminência de “Sagração” estar inserido como o balé da Copa é recebida com alegria pela diretora do CDA. “É uma satisfação poder proporcionar essa troca, porque para nós é muito satisfatório saber que depois de 15 anos, estamos cada vez mais nos aprimorando, elevando o nível técnico dos bailarinos. É de fundamental importância para o
trabalho dos bailarinos esse reconhecimento”, destaca. A montagem de “Sagração da Primavera” pelo CDA traz concepção artística que une o regionalismo amazônico. E essa peculiaridade estará novamente em cena, em meados do ano que vem. Em 2013, a obra russa completou 100 anos de criação. No histórico do CDA, esta é a terceira vez que o grupo profissional de bailarinos, mantido pelo governo do Estado, interpreta a obra clássica. Contudo, em todas as oportunidades, não houve semelhança de concepção artística. Cada performance surgiu como versões musicais, em que são mantidas as letras, mas os arranjos instrumentais são ligeira ou extremamente distintos. “Sagração da Primavera” conta a trajetória de uma garota marcada para
ser entregue como oferenda a uma divindade, com o objetivo de conquistar para seu povo uma colheita proveitosa. Com a intenção de não ser só mais uma montagem, a concepção de “Sagração da Primavera” pelo CDA, está imersa em diversos elementos da cultura indígena, sensível e sutil aos olhos ao mesmo, sem reprodução de movimentos de rituais no palco, por exemplo. A concepção coreográfica, assinada pelos bailarinos Adriana Goes e André Duarte, inclui figurino estilizado com grafismos de algumas etnias da região amazônica e elementos cênicos que reflitam a proposta. A estreia mundial de “Sagração” aconteceu no Théâtre des Champs-Élysées, na capital francesa, no dia 29 de maio de
1913. A obra foi um marco na história da música mundial, trazendo à tona novos conceitos para o ritmo, a estrutura orquestral, o timbre, a forma, os aspectos harmônicos, a percussão e até as notas dissonantes incluídas ali. A primeira vez que o CDA montou “Sagração” foi em 1998, com uma concepção mais tradicional. A seguinte, já em 2006, serviu a outro propósito, uma vez que o coreógrafo da época, Marcos Mariz, permitiu a fusão interpretativa da história com paralelos sociais, como a relação com a produção de consumo. Ritmos Apresentada pela primeira vez no feriado do Dia da Consciência Negra (20 de novembro), no largo São
Sebastião, a performance “Herança Africana”, do Balé Folclórico do Amazonas (BFA) também tem forte promessa para integrar a programação cultural para o período. “Eu gostaria muito que este espetáculo, que mostra as origens africanas de alguns ritmos amazônicos, fosse reapresentado, também”, mencionou Robério Braga. A coreografia, criada pela diretora do BFA, Conceição Souza, busca colocar em evidência para o público essas raízes africanas, com base em pesquisas e estudos sobre o tema, incluindo ritmos como lundu, gambá e rapachão. Essa é uma montagem de menor duração que a anterior, com aproximadamente 20 minutos. Ao todo, cerca de 16 bailarinos fazem parte dessa coreografia.
A primeira vez que o CDA montou “Sagração” foi em 1998
D2
Plateia
MANAUS,, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
FOTO: MAURO SMITH
>> Reeleito . A eleição para a formação da lista para a escolha do defensor público-geral do Amazonas para o biênio 2014-2015 foi realizada na última sexta-feira, na sede da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), e teve como resultado a reeleição de Ricardo Trindade, com o total de 66 votos. . O defensor público-geral, Ricardo Trindade acompanhou a apuração e declarou que pretende dar continuidade ao trabalho que já está realizando à frente da Defensoria Pública. Trindade deseja manter a união para que a Defensoria Pública cresça continuamente. . A eleição foi conduzida por uma comissão eleitoral e ocorreu mediante voto secreto e obrigatório de cada membro da carreira de defensor público em efetivo exercício. O resultado será submetido ao governador do Estado, Omar Aziz.
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Belle Époque . Ao que tudo indica, o Bistrô Belle Époque fará uma daquelas festas para ficar na história da cena social da cidade, no próximo dia 7 de fevereiro, quando o local irá pilotar um grande coquetel para apresentar sua nova carta de drinks e o novo cardápio da casa, que está dando um charme especial no Shopping Ponta Negra. . Os donos do local, os primos João Paulo e Ítalo Jacob, vão ter convidados especiais na noite, incluindo a presença de ninguém menos que a badalada it girl Lalá Rudge - blogueira e lançadora de moda e estilo no Brasil - que virá para o evento com o marido, o empresário Luigi Cardoso. E as presenças estreladas da noite não param por ai, o barman Marcelo Serrano, que atuou durante anos na Europa, com passagens pelo Buddha Bar de Paris e agora na Brasserie des Arts, em São Paulo, e a estrelada chef Daniela França Pinto, que elaborou as iguarias que constam no novo cardápio da casa, também estarão presentes na festa. . Noitada das boas! A cidade agradece!
>> Feijoada de Carnaval vai agitar o society . A turma chic de Manaus estará em peso na feijoada de Carnaval que esta coluna promoverá no dia 22 de fevereiro, no Diamond, que terá a bateria “Swing Samba Show” no palco do evento, o que será a certeza de quem ninguém ficará parado na festa que tem início marcado para as 12h30. . A bela camiseta/convite do evento já está circulando na cidade. Para adquirir, basta ligar para os números 9114-1722 ou 8118-9717.
A it girl Lalá Rudge
>> Objeto de desejo . Mais uma vez uma garrafa do famoso whisky The Macallan bate um recorde. Devidamente acomodado em uma garrafa de cristal criada por 17 artesãos em mais de 50 horas de trabalho, uma garrafa de seis litros do “The Macallan M” foi arrematada em um leilão da Sotheby’s por incríveis 628 mil dólares, o uísque mais caro do mudo.
>> Calendário . A sexta edição da Expo Eventos Manaus já está sendo organizada. . O evento acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de março, no Dulcila Festas e Convenções, e contará com a participação de diversos profissionais que atuam na área de eventos na cidade. Estarão reunidos cerimonialistas, banqueteiros, fotógrafos e toda gama de técnicos em festas e eventos.
. O recorde anterior também pertencia a uma garrafa da marca, que em 2010 foi arrematada por quase meio milhão de dólares em um leilão de Nova York. Naira Norte, Rebeca Lima, Lúcia Viana e Andréa Medeiros, enchendo de charme evento que reuniu time de luluzinhas chiques
BALADA DIVULGAÇÃO
A banda Samba e Cevada comanda a parte “samba” do evento que também tem sertanejo
Domingo é dia de ‘Butekagem’ Samba e sertanejo: combinação perfeita para o domingo do Buteko da Piscina (rua Acre, 366, Vieiralves) que continua o esquenta para a banda do Buteko com o grupo Samba e Cevada e João Victor & Rodrigo. O chope é liberado de 15h30 às 17h30 e o couvert custa R$ 25 (por pessoa). Composto por oito integrantes o grupo Samba & Cevada pretende apostar em uma tarde de descontração. Eles vão tocar canções que vão de vai de Cartola, samba de raiz, até a influência do Seu Jorge. Eles contam que seu repertório inclui ainda samba rock swingado, e muitas músicas conhecidas do público. O Buteko da Piscina tam-
bém busca variar os ritmos da banda e logo em seguida, a dupla João Victor & Rodrigo adentra a noite com o melhor do sertanejo.
OPEN BAR
O chope é liberado de 15h30 às 17h30 e o couvert custa R$ 25 (por pessoa). As atrações da festa vespertina são o grupo Samba & Cevada, com repertório “bamba”, e João Victor & Rodrigo Hits Além de composições próprias eles fazem seu set list com músicas de músicas de artistas que estão
bombando nas paradas de sucessos, como: Victor & Leo, João Bosco & Vinicius, Luan Santana, César Menotti & Fabiano, Fernando e Sorocaba e muitos outros. Mais informações e reservas podem adquiridas pelo fone (92) 8100-3466.
SERVIÇO SAMBA E SERTANEJO Quando: Hoje, às 15h30 Onde: Buteko da Piscina (rua Acre, 336, Vieiralves) Ingressos: R$ 25, com chope liberado até as 17h30
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
D3
ENGELS,
ESSA LEMBRANÇA é o quadro que DÓI MAIS MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
S
e necessário fosse, Engels Medeiros subia na mesa do bar, sem nenhum constrangimento, para fazer ouvir seu canto de bardo irreverente, amaldiçoando os medíocres e pobres de espírito. Talvez nesse exato momento, em algum lugar do paraíso, ele esteja derramando sua verve, de dedo em riste, contra o anjo descuidado que colocou tão cedo, por descuido ou incompetência, seu nome na lista dos convocados para a grande viagem. “Eu acabei de te sacanear e tu poderias ter ficado indignado. Mas isso se tivesses brios, como não os tem...”. Vi meu amigo fazer isso muitas vezes nos anos 80, em algum bar que havíamos escolhido para ser o “nosso bar esperança”. Um tempo no Armando, um porre Tamborete do Reitor, algumas sextas-feiras no Casarão, uma temporada no chapéu de palha da Ponta Negra, Galvez, Opção, Clube da Esquina, Inconsciente... fazíamos a chamada Baratona – a maratona do bar –, para onde o vento ou nosso coração de estudante apontasse. Eu, Simão Pessoa, Engels, Carlos Alberto Almeida, Jackson Castro, às vezes Tião Peixoto e Geraldo Nogueira atravessavas a noite regada à cerveja, humor, política e poesia. Sempre alguém abria a bolsa tiracolo de couro e anunciava: “Vejam só o que eu escrevi ontem”. E puxava uma lauda datilografada com cópias em carbono que iam passando de mão em mão. “Tá do cacete! Muito legal, mas é bom trabalhar essa parte...Legal, bicho!”. “São versos medíocres – avaliava Engels, fazendo o candidato a poeta quase desistir do ofício. Mas logo depois, seu
coração de homem bom acabava traindo o crítico voraz”. “É sacanagem... tu escreves bem, bichão! E acaba pedindo uma cópia para deixar o companheiro orgulhoso”. Meu primeiro contato com Engels aconteceu em 1976. Calouro de jornalismo na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), eu já desenhava charges no jornal “A Crítica” e dava os primeiros passos como repórter. Era um sábado e eles bebiam no bar do “Souza”, na Cachoeirinha. Fui chegando e o Simão foi me apresentando: “Engels, esse aqui é meu amigo de infância, Mário Adolfo, um rio que precisa ser aprofundado”. “Simão, não sabia que te afogavas em águas tão rasas!” A primeira reação foi ir embora. Mas fui ficando e aos poucos fui descobrindo que Engels era um rio de águas caudalosas, de sentimentos, inteligência, ternura, solidariedade, bondade e muito humor. Tornou-se um de meus mais queridos amigos e me ensinou que viver é melhor que sonhar. Anos depois quando contei a história do “rio de águas rasas”, ele me perguntou preocupado: “Mas essa é a única lembrança que tu tens de mim? Só ficou isso daqueles anos todos?”. Claro que, não Engels. Ficou muito mais: as lembrança do banco do antigo Instituto de Ciências e Letras (ICHL), as noite de verão em que nossa turma ouvia Pink Floyd bebendo Rum Montilla às margens do Encontro das Águas, o estudo dos versos do Patativa de Assaré, entoado por Gonzagão em “Triste Partida” e todas as faixas do Belchior no LP “Alucinação”– “nossos ídolos ainda são os mesmos/ e as aparências não enganam não/ você diz que depois deles não apareceu mais ninguém...” Ficaram as coin-
cidências de nossas histórias com as de Fernando Sabino em “Encontro Marcado”. E até as tentativas de decifrar que diabos queria dizer Erick Von Daniken em “Eram os Deuses Astronautas?”. Ficaram os sábados magros de escracho e liberdade total no Carnaval da Bica e as eternas canções da Jovem Guarda nos bailes do Blue Birds. Lembro o dia em que estávamos bebendo no restaurante que existia dentro do mercado Adolpho Lisboa e revelei que meu maior sonho era virar a mesa como nos filmes. “Pois então você vai virar essa! –, mandou Engels. Viramos a mesa, chamamos o garçon, pagamos os prejuízos e fomos expulsos do local. E saímos madrugada afora, felizes da vida”. Escrevo este texto um dia depois que você nos deixou. Cheio de saudade e ainda sob o impacto de tua partida saio em busca do único livro “Fome do Tempo”, em que imortalizaste teus poemas. Como bardo maldito entoando palavras que moldam a alma. Como o ferreiro forja o ferro. (Veja ao lado):
Aqui nesse túmulo onde sobrevivo Não há vento, não há verde, não há canto Somente o frio pranto E o tempo esse passar noturno Voa cego e sem asas Sobe bem alto e de lá Entre nuvens negras e relâmpagos Contempla Shangri-La Só que o coitado cego e sem asas Desce sem rumo num rio frio e estreito De pouco riso e quase mudo”
SHOW
A proximidade do show de Chiclete com Banana e Latino em Manaus traz de volta as já tradicionais blitze realizadas pela Fábrica de Eventos, onde a participação dos fãs pode garantir, além de prêmios variados, pares de ingressos para o show que será realizado no próximo dia 16 de fevereiro, na área externa do Diamond Convention Center. O show, que terá como atrativo a mais a despedida do cantor Bell Marques do Chiclete com Banana promete levar centenas de pessoas ao evento. Para concorrer aos prêmios basta ir a um dos locais onde as blitze estão sendo realizadas e deixar que o carro seja adesivado com a arte oficial do show em Manaus. “Após a colocação do adesivo, o cliente preenche um breve cadastro com nome completo, número de telefone e a placa do carro que foi adesivado”, explica Kil Menezes, responsável pelas ações promocionais da Fábrica de Eventos. No ato da adesivagem do veículo o cliente ganha um CD promocional com músicas do
Chiclete com Banana e Latino. Nas blitze do primeiro grande show da Fábrica em 2014 também será possível fazer tatuagens com Narrila Tatto Henna, mas nesse caso será limitada a uma pessoa a cada edição da blitz. Outro atrativo das blitze serão os copos long drink do Chiclete com Banana. Neste caso para participar basta tirar uma foto na blitz e postar nas redes sociais acompanhados das legendas “se tem Chiclete eu to lá” e “eu vou dizer que valeu”. As fotos mais curtidas levam um brinde e concorrem a uma camiseta. A participação nas blitze do samba são gratuitas. A primeira blitz ocorrerá na próxima quarta-feira, 29, no Posto Arena Petróleo - Bandeira Shell, avenida Constantino Nery, próximo ao Hemoam, de 17h às 19h. A segunda será realizada no posto BOBs - Bandeira Shell, avenida Djalma Batista, no mesmo horário. Novo formato Com um formato diferenciado, tipo sunset, tendo em vista que o show terá início
às 17h, a apresentação dos artistas tem tudo para cair no gosto dos amazonenses. De acordo com Bete Dezembro, o novo formato e o local de realização dos
SERVIÇO CHICLETE COM BANANA E LATINO Quando 16 de fevereiro (domingo), a Onde partir das 17h Classificação Diamond ConIngressos vention Center – avenida do Informações Turismo, Tarumã Pista – R$ 50 Camarote VIP – R$ 180 (2x no cartão) com open bar até as 23h (Chopp Brahma, caipirinha, caipiroska, água e refrigerante). Estande da Fábrica de Eventos (Amazonas Shopping – 2º piso) 3303-0100 www.fabricaingressos.com
shows serão algumas das novidades deste ano. “A Fábrica de Eventos vai inovar seus shows em 2014. Vamos fazer shows mais cedo, estilo sunset, algo novo em Manaus e que tende a agradar o público, já que não é nem naquele horário de calor intenso e nem a noite. Tem tudo para ser agradável”, afirma. Outra novidade da Fábrica em 2014 será em relação aos locais dos shows, que tendem a ser realizados t a m b é m na área externa do Diamond Convention Center. “Normalmente fazemos nossos shows no sambódromo devido a estrutura do local, mas resolvemos diversificar e optamos pelo Diamond. Lá disponibilizaremos também a estrutura e a qualidade para o público” finaliza.
BLITZE DA FÁBRICA DE EVENTOS Quarta, 29/1 Posto Arena Petróleo - Bandeira Shell (av. Constantino Nery/Esquina com a Pedro Teixeira - próximo ao Hemoam e Estádio Arena/Antigo Vivaldão) Quinta, Das 17h às 19h 30/1 Posto BOBs - Bandeira Shell (av. Djalma Batista - próximo a entrada para o conj. Eldorado) Quarta, Das 17h às 19h 5/2 Forte Auto Posto Shell (av. Boulevard Álvaro Maia, 1.690 - Praça 14. Esquina com a Duque de Caxias) Das 17h às 19h
As blitze são “esquentas” para o show do Latino e Chiclete com Banana, que será no dia 16 de fevereiro, no Diamond
DIVULGAÇÃO
Começam as blitze da Fábrica
SERVIÇO
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
RESENHA
‘Animals’: 37 anos de uma joia do rock progressivo PERFIL
Maria Fernanda Souza é jornalista
N
o último dia 23 de janeiro, um dos álbuns mais importantes da história do rock progressivo – e da história da rock mundial, por que não? – completou 37 anos de lançamento. “Animals”, o décimo álbum de estúdio da banda inglesa Pink Floyd teve a dfícil missão de suceder o clássico “Wish You Were Here” (1975). Lançado em janeiro de 1977, “Animals” é um álbum conceitual, assim como seus antecessores “Wish...” e “Dark Side of the Moon” (1973). Com uma notável mudança musical, a banda mais cerebral da história inspirou-se na obra de um dos escritores mais relevantes do século 20, George Orwell, resultando em mais uma obra-prima da música contemporânea. Mas o disco nem sempre foi visto com bons olhos. Na ocasião de seu lançamento, uma parte da crítica especializada torceu o nariz para o álbum, classificando-o como “hermético” e “de difícil compreensão”. Os fãs, por sua vez, aprovaram a mudança musical do grupo e entusiasmaram-se com a fábula musical inspirada no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. O romance trata da tomada de poder em uma fazenda por meio de uma rebelião comandada por um porco. Em “Animals”, Roger Waters, baixista e compositor do Pink Floyd, dividiu o mundo em cães, porcos e ovelhas, retratando as contradições e injustiças da sociedade capitalista e tecendo críticas às condições político-
sociais da Inglaterra dos anos 70. Coube, principalmente, a David Gilmour (guitarra e vocal), Richard Wright (teclado) e Nick Mason (bateria) criarem as camadas sonoras que, desde o início, transportam o ouvinte do início ao fim em uma viagem de críticas ao mundo capitalista por meio da música. Waters demonstra neste disco porque é considerado um dos mais importantes compositores do rock, expondo com brilhantismo suas ideias por meio das letras de “Animals”. Aliado à guitarra de David Gilmour, criou belíssimas e arrebatadoras melodias. O disco, gravado em modernos estúdios europeus, tem sonoridade que ainda hoje soa revolucionária, não só artisticamente, mas também no campo técnico. O repertório traz cinco longas e envolventes peças: “Pigs On The Wing I”, “Dogs”, “Pigs (Three Different Ones)”, ”Sheep” e “Pigs On The Wing 2”. As letras são belas, tristes e ácidas. Muito ácidas. Em “Dogs” (particularmente, uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos), Waters destila críticas ao mundo moderno e cada vez mais individualista: “Um certo olhar cínico e um sorriso fácil/ Você precisa ganhar
a confiança das pessoas para as quais você mente/ Para que quando elas virem as costas/ Você tenha a chance de esfaqueá-las”. “Pigs” tem ínicio com uma sinistra introdução de teclado de Wright e trata da corrupção da classe política, cujas carreiras são catapultadas com base na exploração das pessoas (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência?). Os “porcos” controlam os “cães” e as “ovelhas”, representando a classe dominante da sociedade. “Sheep”, por sua vez, faz referência direta às pessoas que nada fazem para mudar o mundo e que apenas seguem tranquilas em seus rebanhos. A capa de “Animals” é um espetáculo à parte. Quase
tão famosa quanto o enigmático prisma de “Dark Side”, a figura do porco inflável sobrevoando as torres da Battersea Power Station tornou-se uma das mais imagens mais icônicas de todos os tempos. No geral, “Animals é um trabalho de dficíl digestão e completamente anticomercial. Entretanto cativa o ouvinte à medida em que é ouvido. É o tipo de disco que merece ser apreciado aos poucos e dissecado nos mínimos detalhes. Infelizmente, marcou o início da “ditadura” de Roger Waters, reforçada no álbum sucessor “The Wall” (1979) e que culminaria, anos depois, na separação do Pink Floyd. Mas isto é assunto para uma próxima resenha...
No geral, “Animals” é um trabalho de difícil digestão e completamente anticomercial. Entretanto cativa o ouvinte à medida em que é ouvido. É o tipo de disco que merece ser apreciado aos poucos e dissecado nos mínimos detalhes”
Plateia D5
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Trabalho forte Sobre a pré-produção de “Meu Pedacinho de Chão”, a distância, o Benedito tem recebido do diretor Luiz Fernando Carvalho todas as informações possíveis. Aliás, o trabalho de preparação do elenco, ao longo desta última semana, exigiu demais de todos. Lançamentos “Força de Elite”, série policial, produzida pela Medialand, estreia dia 4, às 21h, no canal MGM, com exibições às terças-feiras. Também no MGM, e da mesma produtora, “Muito Além do Medo”, série de suspense e terror, estreia dia 6 de fevereiro, às 21h, com apresentações às quintas-feiras. Informação é outra A Cultura pede a palavra e explica que, em vez de uma, como foi colocado aqui, são seis as equipes colocadas à disposição do jornal do meio-dia. Tudo bem. A diferença é grande. O problema também Ainda no que diz respeito ao jornal do almoço na Cultura, a queixa nem é a quantidade, mas o horário de 8 da manhã - que esse pessoal começa a trabalhar.
MÁRIO ADOLFO
DIVULGAÇÃO
Só boatos Elisabeth Savalla, um dos destaques de “Amor à Vida”, não está reservada para nenhuma outra novela ou série da Globo. Oficialmente, ninguém a procurou. Até porque, antes de tudo, a emissora ainda precisa acertar a sua renovação de contrato. Numa cidade como São Paulo, com os conhecidos problemas de trânsito, o tempo sempre joga contra. É nada para sair, gravar, voltar e editar. Boa frente “Em Família”, substituta de “Amor à Vida” na Globo, promete um transcorrer sem maiores sustos ou desafios. O autor Manoel Carlos já abriu uma frente de 25 capítulos. Estreia com folga e prazo para promover os ajustes que sempre são necessários após o lançamento.
Disputa Está difícil apostar no futuro da apresentadora e repórter Rita Batista. Ao mesmo tempo em que se confirma a sua escalação no carnaval da Band, ela é disputada pela TV Aratu, afiliada do SBT em Salvador, e também, com igualdade de condições, pelo Grupo Metrópole de Comunicação. A propósito... Ainda a respeito da Rita, no decorrer dos próximos dias, ela deverá se reunir com a direção da Band.
• Marília Gabriela volta às gravações do programa “De Frente com Gabi” no próximo dia 29. • Um assunto frequente nas reuniões da Globo é o crescimento de audiência do “Cidade Alerta”. • Curioso é que o SBT também anuncia o mesmo Zezé com o irmão Luciano no “Rede da Fama”, quadro da Eliana. • E hoje também, no “Domingão”, a pizza com o pessoal de “Amor à Vida”, marcando a exibição da última semana da novela. • Com “Lady Marizete”, novela de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, programada para 2015, a Globo vai promover a volta da sua faixa das seis para São Paulo. • A história será ambientada no Morumbi e na favela de Paraisópolis.
Feliz da vida Benedito Ruy Barbosa ficou bastante satisfeito com a escalação de “Meu Pedacinho de Chão”, que a Globo vai apresentar na faixa das 18h, em substituição a “Joia Rara”. É, realmente, um elenco forte, mas a presença de alguém em especial, Osmar Prado, deixou o autor muito feliz. Ele não esconde a alegria dos dois voltarem a trabalhar juntos.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini A rádio Bandeirantes apresentou, pela primeira vez, na quinta-feira, uma versão contemporânea de “Coração do Mundo”. É o hino do futebol, em nova roupagem para a Copa do Mundo, com produção do Jairzinho e Simoninha. E as participações de Luiza Possi, Péricles, Luciana Mello, Guilherme e Jair Rodrigues Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: xxxx@yahoo.com.br
Como pensar uma política cultural 2
GILMAL
ELVIS
REGI
Semana passada vimos como os fatores socioeconômicos presentes no período de formação social do Brasil nos fazem compreender os mecanismos atuantes na construção das políticas culturais brasileiras nos dias de hoje. Vimos, por exemplo, que o processo de construção social dos Estados do Sul são diferentes dos estados do Norte, e, portanto, aplicar um modelo de política cultural de modomecânico e irresponsável seria um truísmo do ponto de vista estrutural e analítico. A Amazônia tem sofrido com este tipo de visão mecanicista e exótico. O projeto empreendido, nos anos de 1960, pelo famoso Instituto Hudson, presidido por Herman Kahn, geopolítico atômico apelidado pela imprensa norte-americana de “o amigo da bomba” de transformar a Amazônia em um imenso lago, foi um desses empreendimentos agressivos e irresponsáveis acerca dos povos e bioma amazônicos. A ideia era represar o Amazonas, de Santarém a Monte Alegre, para a criação de um vasto lago de 240 mil quilômetros quadrados. Segundo Leandro Tocantins “Duas terças partes de Manaus desapareceriam nas águas. Santarém, Óbidos, Itacoatiara, Parintins, Manacapuru, ficariam submersas. Culturas tradicionais, como a do guaraná e juta, seriam liquidadas com a inundação. [...] Técnicos do Instituto Hudson já estiveram no local para realizar as primeiras pesquisas de campo”. O impacto seria tamanho a ponto de, caso houvesse sido aprovado – o que quase aconteceu !!! -, atrasaria em 2 segundos o movimento de rotação da terra. Em “Amazônia: Heranças de
uma utopia”, documentário de 90 minutos, dirigido por Ricardo Favilla e Alexandre Valenti, nos é apresentado de modo bastante objetivo um impressionante quadro de intervenções humanas na Amazônia brasileira, surgidas pelo princípio de solidariedade e desenvolvimento como forma de “integrar”, “desenvolver” e “ocupar” esta famigerada terra. Os impactos políticos, econômicos, demográficos, culturais e tantos outros despertam para uma percepção de certa fragilidade a que está inserida as ideias e políticas da e para a Amazônia. Embora reconheçamos avanços científicos importantes, de nativos da região na busca do conhecimento de sua própria terra com vistas a compreender suas próprias contradições, ainda assim a Amazônia não parece fazer parte de um projeto de nação, como se houvesse um projeto de. A construção deuma política cultural eficiente perpassa pelo entendimento, em primeiro lugar, do processo histórico de construção social do Brasil e, em segundo lugar, pela forma de estruturação política. Não se pode falar em política cultural se não temos a compreensão do que é política, das formas e relações de poder e do histórico de suas ações e agentes. Após a observação desses aspectos é que se pode imaginar e criar a matriz estratégica, metodológica e embrionária de uma política cultural. Deve-se ter em mente que a política cultural nunca se inicia, não existe o início de uma política cultural. A política cultural é sempre o fim e surge exatamente das demandas sociais de um povo num exercício constante reinvenção e adaptação.
Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultura
Em “Amazônia: Heranças de uma utopia”, documentário de 90 minutos dirigido por Ricardo Favilla e Alexandre Valenti, nos é apresentado de modo bastante objetivo um impressionante quadro de intervenções humanas na Amazônia”
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Programação da TV
REPRODUÇÃO
GLOBO 4H SANTA MISSA EM SEU LAR 5H AMAZÔNIA RURAL 5H30 PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS 6H05 GLOBO RURAL 6H55 AUTO ESPORTE 7H30 ESPORTE ESPETACULAR 10H45 TEMPERATURA MÁXIMA 12H05 SAI DO CHÃO 14H05 Divertics 15H00 Futebol 2014: Campeonato Carioca - Flamengo x Audax. 17H00 DOMINGÃO DO FAUSTÃO 18H45 FANTÁSTICO 21H15 Big Brother BrasiL 22H00 DOMINGO MAIOR 00H15 Flash Big Brother Brasil 1H25 CORUJÃO 2H45 HAVAII FIVE - 0. 3H40 FESTIVAL DE DESENHOS
SBT Eliana comanda a tarde de domingo do SBT, com quadros dinâmicos no programa dela
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 A relação com os amigos contém alguma armadilha ou situação prejudicial que não é percebida por você. Seja cuidadoso, embora seja difícil cuidar do que não se percebe.
3H15 JORNAL DA SEMANA SBT 4H IGREJA UNIVERSAL
Cinema
5H PESCA ALTERNATIVA 6H BRASIL CAMINHONEIRO 6H30 AVENTURA SELVAGEM 7H30 VRUM 8H AMAZONAS DA SORTE 9H DOMINGO LEGAL 13H ELIANA 17H RODA A RODA JEQUITI 17H45 SORTEIO DA TELESENA 18H PROGRAMA SÍLVIO SANTOS 22H DE FRENTE COM GABI 23H SÉRIE 0H SÉRIE 2 1H SÉRIE 3 2H20 BIG BANG 3H IGREJA UNIVERSAL
12h20 – BAND ESPORTE CLUBE 14h – GOL: O GRANDE MOMENTO DO FUTEBOL 14h30 – FUTEBOL 2014 – ao vivo 16h50 – TERCEIRO TEMPO 18h – OSCAR - desenho 18h10 – CAÇADORA DE RELÍQUIAS 19h – SÓ RISOS 21h – PÂNICO NA BAND 0h – CANAL LIVRE 1h – MINUTO DO FUTEBOL – boletim 1h40 – SHOW BUSINESS-Reapresentação 2h30 – IGREJA UNIVERSAL
RECORD
BAND 4H00 – SHOW DE DESENHOS 5H30 – SANTA MISSA NO SEU LAR 6H30 – SABADÃO DO BAIANO 7H00 – CONEXÃO CARGAS 8H30 – DESENHO 8H30 – MACKENZIE EM MOVIMENTO 8H45 – INFOMERCIAL – Polishop 9h45 – VERDADE E VIDA 10h – MINUTO DO FUTEBOL - boletim 10h – PÉ NA ESTRADA 10h35 – OS SIMPSONS - Maratona 12h15 – DE OLHO NO FUTEBOL - boletim
3H45 BÍBLIA EM FOCO 4H SANTO CULTO EM SEU LAR 4H30 DESENHOS BÍBLICOS 7H DESENHOS BÍBLICOS 7H30 RECORD KIDS 8H AMAZONAS DA SORTE 9H NOSSO ENCONTRO 10H15 RECORD KIDS 11H00 DOMINGO DA GENTE 13H15 O MELHOR DO BRASIL 17H20 DOMINGO ESPETACULAR 21H15 SÉRIE SPARTACUS 22H15 50 POR 1 23H10 PROGRAMAÇÃO IURD
Cruzadinhas
ESTREIA
TOURO - 20/4 a 20/5 Urano e Mercúrio indicam dificuldade na atividade profissional devido a precipitações e rebeldias fora de lugar. Convém ser menos temperamental na lida com o trabalho. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Mercúrio e Urano indicam ser momento conflituoso, com pouca chance de êxito ou tranquilidade. Procure lidar calmamente com os pequenos problemas. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Há o risco de seus gestos não serem bem entendidos, ainda mais na relação com autoridades e na atividade profissional. Não se arrisque em condições instáveis. LEÃO - 23/7 a 22/8 O desentendimento pode prejudicar as questões jurídicas e os estudos ou atividades intelectuais. Cuidado com a impulsividade e a falta de visão na lida com estes assuntos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Mercúrio e Urano indicam tensão nos relacionamentos e a possibilidade de cometer enganos na avaliação das pessoas. Você está mais agitado e rebelde que de costume. LIBRA - 23/9 a 22/10 Pequenos atritos no trabalho e na relação com colegas, subordinados, sócios e clientes. Não imponha seu modo de fazer as coisas, nem negligencie o pedido das outras pessoas. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Possível atrito nas relações de trabalho e mau entendimento com colegas. Evite julgar de modo apressado e exagerado. Vigor e intensidade para os sentimentos amorosos. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Momento favorável para ter um cotidiano mais calmo. Contudo, dificuldade de comunicação e entendimento com a pessoa amada, assim como de expressão pessoal. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Dia de tensão nos assuntos financeiros e familiares. A pressa e a aflição prejudicam os negócios e o clima doméstico. Tendência para discutir com as pessoas próximas. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você comete enganos e entende errado, gerando prejuízos para si mesmo. Não é hora de audácia nem para tentar resolver problemas. Sua natureza instintiva está muito agitada. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sua capacidade de avaliar situações, em especial os negócios, está prejudicada. Ações precipitadas são as mais prejudiciais. Momento positivo para o recolhimento e a reflexão.
Azul é a Cor Mais Quente: FRA. 18 anos. Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente. Playarte 2 – 13h30, 16h55, 20h20 (leg/diariamente), 23h45 (leg/somente sexta-feira e sábado).
O Herdeiro do Diabo: EUA. 12 anos. Depois de uma misteriosa noite perdida em sua lua-de-mel, dois jovens recém-casados se encontram enfrentando uma gravidez não planejada. Enquanto resolve registrar todos os momentos dessa ocasião especial para a posteridade, o marido começa a notar um comportamento estranho em sua mulher, que no começo, eles achavam que era apenas tensão, mas, com o passar do tempo, fica evidente que alguma força do mal está mudando o seu corpo e a sua cabeça de uma forma muito mais sinistra do que eles imaginavam. Cinemais Millennium 6 – 15h20, 17h20, 19h40, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza 5 – 15h, 17h, 19h20, 21h30 (dub/diariamente); Cinemark 8 – 11h30, 13h50, 16h10, 18h30, 20h50 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 9 – 13h10, 18h (dub/diariamente), 15h30, 22h30 (leg/diariamente). O Lobo de Wall Street: EUA. 16 anos. Corretor da bolsa de Nova York se recusa a cooperar para uma grande investigação sobre fraude em Wall Street. Cinemais Millennium 2 – 14h40, 18h, 21h20 (leg/diariamente); Cinemark 4 – 21h40 (dub/diariamente); Cinemark 7 – 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 13h05, 17h15, 20h55 (leg/diariamente), Cinépolis 5 – 17h45 (dub/diariamente), 21h15 (leg/diariamente); Playarte 3 – 13h30, 17h, 20h30 (leg/diariamente), 23h50 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 17h01, 20h31 (leg/diariamente). Frankstein – Entre Anjos e Demônios: EUA. 14 anos. Uma reinvenção do mito do monstro, com muita ação e efeitos especiais, para uma nova geração de fãs. Cinemais Millennium 1 – 15h10, 17h10, 19h30 (3D/dub/diariamente), 21h30 (3D/leg/ diariamente); Cinemais Plaza 2 – 19h, 21h10 (3D/dub/diariamente), Cinemais Plaza 3 – 15h30, 17h30, 19h50, 22h (dub/diariamente); Cinemark 1 – 13h30, 15h50, 18h10, 20h30 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 6 – 12h10 (3D/dub/exceto terça-feira), 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (3D/dub/diariamente), 23h50 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 1 – 19h40, 22h10 (3D/leg/diariamente), Cinépolis 4 – 15h50 (3D/dub/diariamente), 20h25, 22h40 (3D/leg/diariamente); Playarte 1 – 13h, 15h, 17h, 19h (3D/dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente), 23h (3D/leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 5 – 14h, 16h, 18h, 20h (dub/diariamente), 22h (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 18h01, 20h01 (dub/diariamente), Playarte 7 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (leg/diariamente), 23h30 (leg/somente sexta-feira e sábado).
CONTINUAÇÕES Ninfomaníaca: DIN. 18 anos. Cinépolis 2 – 18h35, 21h40 (leg/diariamente); Cinépolis 10 – 21h30 (leg/diariamente). Muita Calma Nessa Hora 2: BRA. 12 anos. Cinemais Millennium 4 – 15h, 17h, 19h10, 21h10 (diariamente); Cinemais Plaza 8 – 14h40, 16h40, 19h25, 21h25 (diariamente); Cinemark 5 – 12h50, 15h10, 17h30, 19h50, 22h10 (diariamente); Cinépolis 2 – 13h55, 16h10 (diariamente); Cinépolis 6 – 15h15, 17h30, 19h45, 22h (diariamente); Playarte 9 – 13h30, 15h25, 17h20, 19h15, 21h10 (diariamente), 23h05 (somente sextafeira e sábado). Tarzan – A Evolução da Lenda: ALe. Livre. Cinemais Millennium 3 – 16h50, 20h50 (3D/dub/diariamente), Cinemais Millennium 7 – 14h, 16h (dub/diariamen-
te); Cinemais Plaza 2 – 16h30 (3D/dub/ diariamente), Cinemais Plaza 6 – 14h20, 18h40 (dub/diariamente); Cinemark 7 – 11h, 13h10, 15h30, 17h50, 20h10 (3D/ dub/diariamente); Cinépolis 10 – 14h15, 16h45, 19h (dub/diariamente); Playarte 10 – 12h40, 16h40, 18h40 (dub/diariamente). Atividade Paranormal – Marcados Pelo Mal: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium 8 – 15h30, 17h30, 19h50, 22h (dub/diariamente); Cinemais Plaza 1 – 15h15, 17h10, 19h30, 21h40 (dub/ diariamente); Cinemark 2 – 19h, 21h10 (dub/diariamente); Cinépolis 9 – 20h15 (leg/diariamente); Playarte 8 – 19h20, 21h15 (dub/diariamente), 23h10 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Playarte 10 – 20h40 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado).
Ajuste de Contas: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 7 – 21h45 (leg/somente sexta-feira e sábado). Confissões de Adolescente: BRA. 12 anos. Cinemais Millennium 5 – 19h, 21h (diariamente); Cinemais Plaza 4 – 14h50, 16h50, 19h15, 21h20 (diariamente); Cinemark 1 – 11h10 (diariamente); Playarte 4 – 13h, 15h (diariamente), 23h55 (somente sexta-feira e sábado). Caminhando com Dinossauros – O Filme: EUA. Livre. Cinemais Millennium 3 – 14h50, 18h50 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza 2 – 14h30 (3D/dub/diariamente); Cinemark 4 – 12h30, 14h50, 17h10, 19h20 (3D/dub/diariamente); Cinépolis 1 – 14h30 (3D/dub/diariamente); Cinépolis 4 – 13h35, 18h15 (3D/dub/diariamente).
Frozen, Uma Aventura Congelante: EUA. Livre. Cinemais Millennium 5 – 14h30, 16h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 6 – 16h20, 20h50 (dub/ diariamente); Cinemark 2 – 11h20, 14h, 16h30 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 16h50 (3D/dub/diariamente), Cinépolis 5 – 15h (3D/dub/diariamente); Playarte 6 – 13h40, 15h50 (dub/diariamente). Até Que a Sorte Nos Separe 2: BRA. 10 anos. Cinemais Millennium 7 – 19h20, 21h40 (diariamente); Cinemais Plaza 7 – 15h10, 17h20, 19h40, 21h50 (diariamente); Cinemark 3 – 12h40, 15h20, 18h, 20h20 (diariamente), 23h (somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 7 – 14h, 16h25, 18h55 (diariamente), 21h45 (exceto sexta-feira e sábado); Playarte 8 – 12h50, 15h, 17h10 (diariamente).
Plateia Pla
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
::::: Sala de Espera Fadul Bacry e Belmiro Vianez Filho estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Amanhã, Fefa Cacheado, Ramiro Fernandes Neto, Zezinho Cardoso e Lana Santoro Azevedo estão aniversariando. Hoje, no Garden Club, tem almoço de aniversário para Ivânia Neves. Só para family e amigos mais chegados. Também hoje, tem samba e sertanejo no Buteko da Piscina, que continua o esquenta para a sua banda de Carnaval com o grupo Samba e Cevada e João Victor & Rodrigo. O chope é liberado de 15h30 às 17h30. A primeira-dama de Manaus, Goreth Garcia Ribeiro, e o apresentador Waisser Botelho serão os padrinhos da badalada Banda do Vieiralves. O auê carnavalesco comandado por Lou Souza acontecerá no próximo dia 15, ao lado da loja Degradê, a partir das 15h. Falando em festa, Zenaldo Mota e a Florense comandam feijoada concorrida no mesmo dia, na loja do Vieiralves. Agende. No período de 31 de janeiro a 2 de fevereiro acontecerá a temporada do imperdível “De salto alto”, sempre às 19h, no Teatro Manauara. A sexta edição da Expo Eventos Manaus já está sendo organizada. O evento acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de março, no Dulcila da Ponta Negra, e contará com a participação de diversos profissionais que atuam na área de eventos. O governador Omar Aziz lançou o Ronda no Bairro em Manacapuru. O município é o quarto a receber o programa de segurança baseado no conceito de polícia comunitária. Anteontem, o Ronda no Bairro entrou em operação também em Iranduba.
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
::::: Skindô! Muito bacana a iniciativa da escola de samba Mocidade Independente de Aparecida, a popular “Pareca”. O grêmio recreativo que tem como presidente o gente boa Luiz Pacheco, criou espaço, leiase camarote regado a comidinhas e bebidinhas, para receber o povo da imprensa nos ensaios de domingo. O camarote é pilotado pela jornalista Emyle Araújo. Muito bom.
::::: Feijão do tipo divertido Carnaval chegando e os amantes do bom ziriguidum ficam em polvorosa! É o que as sobrenomadas comprovarão no próximo dia 15, no Le Rêve, a partir do meio-dia e 33 minutos. Durante a sessão parabéns do colunista com uma feijoadíssima da quituteira Janete Carvalho, delícias da BlendChocolateria e finalizando o auê os hits do DJ Sidney Almada. E para a comodidade das convivas: o serviço de excelência do VIParkingValet. Nem precisa dizer mais nada, não é? FOTOS: MANOEL NETTO
Simplesmente Karyne Medeiros! A bela sinhazinha do Caprichoso em sessão confetecom-flashes para a coluna durante o leve e cheio de charme ensaio-azulado para defender o item sete do Diamante Negro
Esbanjando charme indispensável: a competente meritíssima Andréa Medeiros
Ricardo Atala e sua Vânia nos domínios de lançamento disputado da Rygy do Vieiralves
::::: Verdadeiro absurdo!
::::: Abuso Que o centro da cidade é a “parte nervosa” no projeto de recuperação da capital amazonense para receber os turistas durante a Copa isso todo mundo sabe, agora, tudo fica pior quando o povo decide dar “aquela” força. Na Lobo D’Almada é impossível não notar a invasão de mesas e cadeiras. Os donos de bares resolveram invadir o asfalto porque as calçadas, essas já estão invadidas há muito tempo. Pela fé!
D7
Fátima e Lídia Loureiro conferindo noite de festim sobrenomado na cidade
Que a Ponta Negra está linda já sabemos. O calçadão repaginado está perfeito e ótimo para os adeptos de caminhadas, ginástica ou simplesmente para contemplar a natureza, mas convenhamos: levar seu totó junto na caminhada e não juntar suas necessidades é um crime! Além da grosseira falta de educação, a prática é um problema de saúde e não é preciso explicar o motivo. Oremos!
::::: No mínimo, avarentos Como é possível alguém comprar um carrão e não ter quatro ou cinco reais para pagar um estacionamento? Isso vem acontecendo frequentemente em alguns centros de compras da cidade. Basta dar uma olhada para notar os possantes parados no entorno dos shoppings. Que tal?
HOJE
Encontro reúne amantes do fusca Apaixonados, curiosos e principalmente fãs do carro mais popular, simpático e querido de todos os tempos tem motivos de sobra para festejar hoje, no largo São Sebastião, na região central de Manaus. Com apoio do governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, o Clube do Fusca celebra o Dia Nacional do veículo com uma grande exposição ao lado do Teatro Amazonas com mais de 80 veículos de diferentes anos e estilos a
partir das 8h. O evento é gratuito e acontece até as 14h. Segundo o presidente e fundador do clube, Humberto Horta, o evento também contará com a participação de outros clubes de automóveis de Manaus, além de ser aberto ao público em geral. “Quem tiver um carro antigo, com mais de 20 anos, também pode participar da exposição, fazer novos amigos e conhecer outras pessoas que compartilham
da mesma paixão”, acrescentou Horta. Uma área exclusiva da mostra será dedicada a outro veículo que também tem um grande número de fãs em Manaus e em todo o mundo: a Kombi. No final do encontro, o segundo realizado com apoio da Secretaria de Estado de Cultura no largo São Sebastião, a frota de veículos sairá em carreata pelas principais ruas do Centro e outros pontos turísticos e públicos da cidade.
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
3
1
A mala de Vik Muniz
2
A outra volta da dupla hélice
E outras 8 indicações culturais. Pág. 2
A história retorcida do DNA, por Mayana Zatz. Pág. 3
O maior escritor que você nunca leu O mundo do israelense Keret, primeiro convidado da Flip 2014. Págs 4 e 5
4
Diário de Paris
5
Do arquivo de João Donato
6
Intrigas palacianas. Pág. 6
Rio de Janeiro, 1973. Pág. 7
Um segredo, algo horrível, uma maldição
A imaginação de Etgar Keret. Pág. 8
Capa
ilustração de Veridiana Scarpelli
G2
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
1
Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
BRASILEIRO
DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | PRÁTICA PORTÁTIL A mostra agrupa criações de 28 artistas que brincam com o tema das viagens, como a peça em mármore de Vik Muniz, ou que procuram sintetizar a poética de suas obras, de maneira portátil, em apenas um trabalho. Integram a coletiva obras realizadas há décadas, por artistas como Hélio Oiticica (1937-80) e Abraham Palatnik, 85, e outras recentes de Fábio Miguez, Bruno Dunley e Virginia de Medeiros. Galeria Nara Roesler | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 8/2
WILLIAN AGUIAR/DIVULGAÇÃO
LIVROS | FAYGA OSTROWER A artista e professora (19202001) nascida na Polônia e radicada no Rio tem dois de seus livros relançados pela editora da Unicamp. “Universos da Arte”, fruto de um curso ministrado para operários em 1970, traz os princípios básicos da linguagem visual. A relação entre criatividade, intuição e recepção de obras de arte também guia “Acasos e Criação Artística”. ‘Acasos e Criação Artística’ | R$ 76 | 400 págs. ‘Universos da Arte’ | R$ 96 | 512 págs.
LIVRO E DVD | SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA O grupo celebra seus seis anos com diversos lançamentos. O livro “Jogo de Corpo”, organizado por Inês Bogéa, diretora artística da companhia, repassa a trajetória da SPCD com textos de autores como Lucia Santaella e Nelson Ascher e fotos de Marcelo Maragni. A série de filmes “Canteiro de Obras”, desta vez com direção de Kiko Goifman e Jurandir Müller, flagra os bastidores da criação do grupo. Já a caixa de DVDs “Figuras da Dança” conta a história de grandes nomes dos palcos brasileiros. Os documentários serão distribuídos gratuitamente (pedidos ao e-mail educativo@spcd.com.br). ‘Jogo de Corpo’ | WMF Martins Fontes | R$ 90,85 | 254 págs. Lançamento e exibição de ‘Canteiro de Obras’ | ter. (dia 28), às 19h, na livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, nº. 509) FOTOGRAFIA | LUIGI GHIRRI Termina hoje a edição paulistana da primeira exposição retrospectiva brasileira sobre o fotógrafo italiano (1943-92). Com cerca de 200 peças, “Pensar por Imagens. Ícones, Paisagens, Arquitetura” enfatiza como o olhar do artista, dialogando com a tradição pictórica de seu país, encontrava o refinado no que é mais simples. A mostra, que motivou catálogo do Instituto Moreira Salles com ensaios de Quentin Bajac e Thomas Demand, entre outros, reabrirá em fevereiro no IMS-RJ, acrescida de cem imagens. hoje, das 13h às 18h | grátis | IMS (Rua Piauí, nº. 844)
LIVRO | O LIVRO DAS PALAVRAS “O volume organizado por José Castello e Selma Caetano traz perfis, entrevistas e análises sobre os ganhadores do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, que completou dez anos. A galeria dos escritores contemplados (Milton Hatoum, Armando Freitas Filho, António Lobo Antunes, entre outros) é um passeio pelo melhor da produção lusófona contemporânea. Leya | R$ 69,90 | 608 págs.
LIVRO | MARCELO MIRISOLA “O Cristo Empalado” compila crônicas nas quais o autor dispara altas doses de mordacidade. No prefácio, o escritor e compositor Aldir Blanc escreve que livro e autor “nos lavam a alma ao enfiá-la de cabeça no pântano em que vivemos”. Oito e Meio | R$ 38 | 216 págs.
POP
ERUDITO
LIVRO | O ALFAIATE DE ULM Última obra publicada pelo intelectual Lucio Magri (1932-2011), o livro descreve o surgimento, a ascensão e o declínio do Partido Comunista Italiano, do qual ele foi um participante ativo. Com título inspirado em fábula de Bertolt Brecht, o volume analisa equívocos e conquistas do PCI, para Magri “a tentativa mais séria, em certa fase histórica, de abrir caminho para uma ‘terceira via’.” trad. Silvia de Bernardinis | Boitempo | R$ 65 | 416 págs.
Escultura de Vik Muniz, em mármore, na Nara Roesler
LIVRO | MARTIN AMIS O escritor britânico destila sua verve satírica em “Lionel Asbo - Estado da Inglaterra”, fábula sobre violência, desejo e ganância. Asbo (o sobrenome equivale ao acrônimo, em inglês, para “condição de comportamento antissocial”), arruaceiro com muitas passagens pela polícia, dedica seus dias a negócios escusos e espancamentos. Um prêmio milionário da loteria mudará a rotina do impagável anti-herói . trad. Rubens Figueiredo | Companhia das Letras | R$ 49 | 360 págs.
Os bailarinos Ammanda Rosa e Emanuel Abruzzo em foto do livro ‘Jogo de Corpo’
QUADRINHOS | ERA UMA VEZ NA FRANÇA A HQ recupera a impressionante história do franco-russo Joseph Joanovici (1905-65), judeu órfão e pobre que foi agente duplo durante a Segunda Guerra Mundial, conquistando fortuna ao vender sucata e armas tanto para as tropas nazistas quanto para Resistência Francesa. O roteirista Fabien Nury e o ilustrador Sylvain Vallée fazem um retrato vívido e aventuresco dessa figura controversa. trad. Gilson Dimenstein Koatz | Galera Record | R$ 48 | 56 págs.
ESTRANGEIRO Folha.com HANIF KUREISHI Escritor comenta sua carreira e o mais recente romance
Ilustríssimos desta edição LUIS USHIROBIRA/VALOR/FOLHAPRESS
CECCON, 76, é arquiteto e cartunista. DIOGO BERCITO, 25, é correspondente da Folha em Jerusalém. ETGAR KERET, 46, escritor e cineasta israelense, é diretor de “Meduzot” (2007), premiado em Cannes, e autor de ‘De Repente, uma Batida na Porta”’ (a ser lançado pela Rocco). LUCAS NEVES, 29, é jornalista. JOÃO DONATO, 79, é músico. Nos dias 27 e 28 de fevereiro, apresenta as canções do disco ‘Quem É Quem’ (1973) no Sesc Pinheiros.
MAYANA ZATZ, 66, é professora titular de genética e diretora do Centro do Genoma Humano e Células-tronco da USP. É autora do livro ‘GenÉtica: Escolhas que Nossos Avós Não Faziam’ (Globo Livros). NANCY ROZENCHAN é professora sênior de língua e literatura hebraica da USP. NELSON DE SÁ, 53, é repórter da Folha. Assina a coluna ‘Toda Mídia’ e o blog ‘Cacilda’ no site do jornal. VERIDIANA SCARPELLI, 35, ilustradora, é autora de ‘O Sonho de Vitório’ (Cosac Naify).
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha >>folha.com/ilustrissima
G3
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Ciência
2
Espiral infinita O desenrolar da geometria do DNA RESUMO A estrutura do DNA é hoje figura tão banal que não se pensa quanto descobri-la, em 1953, custou aos pesquisadores. James Watson, um deles, conta em “A Dupla Hélice” (1968), que só agora chega ao Brasil, bastidores do feito que mudou a genética, e reconhece a contribuição, então menosprezada, da cientista Rosalind Franklin.
MAYANA ZATZ
Foi um momento histórico: em 2003, no simpósio organizado pela Human Genome Organization em Cancún, no México, Francis Collins anunciava o fim do sequenciamento do Projeto
Genoma Humano, iniciado em 1990. Na mesma ocasião, celebravam-se os 50 anos da descoberta da dupla hélice do DNA por James Watson e Francis Crick. Havia no duplo festejo mais do que coincidência: sem o conhecimento da estrutura do DNA, o Projeto Genoma Humano, que hoje revoluciona a medicina, teria sido impossível. Aqueles que, como eu, conheceram, desde a primeira aula de biologia, o DNA já representado sob a forma de dupla hélice talvez não imaginem o esforço dos pesquisadores para concluir que somente essa estrutura poderia explicar como as informações contidas no DNA eram transmitidas, tão perfeitamente, de geração para geração. Não à toa, quando o grupo chegou ao modelo, após várias tentativas frustradas, Francis Crick (19162004) irrompeu no Eagle Pub, bar próximo ao laboratório de Cambridge onde os cientistas trabalhavam, dizendo: “Descobrimos o segredo da vida”. Não houve exagero na frase com que o biólogo, biofísico e neurocientista britânico interrompeu o almoço dos professores que estavam no bar naquele
28 de fevereiro de 1953, fato registrado por James Watson em “A Dupla Hélice” [trad. Rachel Botelho, Zahar, R$ 39,90, 216 págs.]. No livro de 1968, que em fevereiro ganha sua primeira edição no Brasil, o biólogo molecular detalha as peripécias, as fofocas e o envolvimento do grupo que esteve à procura do segredo que revolucionou a genética. “A Dupla Hélice” é narrado do ponto de vista de alguém que hoje é visto como uma figura muito controvertida. Nascido em 1928, o norte-americano James Watson mudou-se para a Inglaterra aos 22 anos e, pouco depois, integrava a equipe de Crick em Cambridge – trabalhou com o britânico entre 1951 e 1953 e, com ele e com o fisiologista neozelandês Maurice Wilkins (1916-2004), levaria o Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina em 1962, pelo conjunto das descobertas relacionadas aos ácidos nucleicos e à transmissão de material genético. Foi só aos 40 anos, porém, que Watson resolveu escrever “A Dupla Hélice”. No seu relato, Crick é descrito como muito falante e ruidoso, o que devia
fugir aos padrões britânicos. Além disso, conta as brigas entre Maurice Wilkins e a biofísica Rosalind Franklin (1920-58). Wilkins teimava em considerála como sua assistente – algo que Franklin, uma cientista que pensava de modo independente, não aceitava. E com razão: é hoje um consenso que, não tivesse morrido precocemente de câncer, em 1958, ela dividiria o Nobel com o trio. Xampu A importância fundamental do trabalho de Rosalind Franklin é hoje inconteste: as imagens de cristalografia desenvolvidas por ela – as quais, diz-se, foram utilizadas por Wilkins sem autorização da pesquisadora – foram de fato essenciais para chegar a essa figura geométrica tão assimilada a ponto de ilustrar até anúncios de xampu, como lembra muito bem o biólogo Fernando Reinach na apresentação à edição brasileira de “A Dupla Hélice”. (A banalização da forma não significa, porém, a do entendimento: recordo-me de uma senhora, que escolhia esse produto no supermercado, ter me
dito que “só comprava xampu com DNA”. Fazia questão de ver a dupla hélice estampada no invólucro. Na ocasião, perguntei, curiosa, por quê. Ela explicou que aquela hélice é que se enrolava nos fios, deixando os cabelos brilhantes e sedosos.) Mais incrível do que o ficcional poder de embelezar as madeixas, porém, é saber que o DNA presente em uma única célula – resultante da união do óvulo e do espermatozoide, no caso de organismos de reprodução sexuada – carrega todas as informações para o desenvolvimento de um organismo, seja ele uma bactéria, uma planta, um animal ou um ser humano. Ele está compactado dentro do núcleo da célula de maneira tão extraordinária que, se pudéssemos desenrolá-lo, veríamos que pode alcançar cerca de 2 metros de comprimento. Se “esticássemos”o DNA de todas as células de uma única pessoa, a fita teria um comprimento de 140 vezes a distância da Terra ao Sol. Só muito recentemente, em 2012, foi possível enxergálo com microscopia eletrônica, com um aumento de pelo menos 300 mil vezes. Imagine-se a di-
ficuldade dos cientistas em entender como ele se organizava, numa época que desconhecia essa tecnologia. Além de permitir entender como herdamos de nossos pais os genes responsáveis por nossas características, a descoberta da dupla hélice nos deu a possibilidade de estudar as doenças genéticas e, além disso, compreender como alterações ou erros na cópia do DNA – os quais denominamos mutações – podem explicar a evolução das espécies, selecionando os mais adaptados e com maior capacidade reprodutiva. O desafio seguinte era determinar o número de genes de um humano e quais são as sequências de DNA que codificam proteínas e que são responsáveis por nossas características hereditárias. Essas foram as questões que motivaram o lançamento do Projeto Genoma Humano. A missão, gigantesca, envolveu vários laboratórios no mundo todo, inicialmente sob a direção de James Watson – ele, porém, se desentendeu com outros cientistas, e o comando da pesquisa passou a ser dividido entre dois americanos.
G4
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Reportagem RESUMO Publicado em 34 idiomas e tido como grande voz de sua geração, o israelense Etgar Keret, 46, terá em junho, pela primeira vez, um livro editado no Brasil. Atração confirmada da Flip 2014, o contista encontrou a “Ilustríssima” num café em Tel Aviv, onde falou sobre sua prosa, em que se mesclam absurdo e coloquialidade.
DIOGO BERCITO ILUSTRAÇÃO VERIDIANA SCARPELLI
Atrasado para a entrevista, Etgar Keret chega esbaforido ao café Michal, seu favorito em Tel Aviv. Ao desculpar-se, explica que foi acordado sete minutos antes pela mulher. Um rastro branco em seu rosto pode, ou não, ser a pasta de dente que secou no caminho. O cabelo um tanto emaranhado seria certamente resultado da pressa, não fossem os fartos registros fotográficos na internet a mostrar seu despenteado habitual. Um dos escritores israelenses mais aclamados de sua geração, Keret é o primeiro autor confirmado para a Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, programada para o final de julho. Pouco antes da Flip, ele terá publicado no Brasil a primeira tradução de uma obra sua, “De Repente, uma Batida na Porta” – título provisório em português do seu livro mais recente, que a editora Rocco promete para junho. Quando se encontrou com a Folha, no final de 2013, ele acabava de voltar de outro festival literário de primeira linha, o que acompanha a Feira de Guadalajara, no México, da qual haviam retornado também relatos da ótima impressão deixada entre o público (“Meu editor me disse que eu parecia o Justin Bieber”). Mas Keret esquece a pergunta sobre o festival mexicano e, ignorando também o café da manhã à sua frente, se põe a narrar algo que, fosse um de seus celebrados contos, poderia constar de uma antologia como “o estranho causo dos percevejos novaiorquinos”. A história começa com o passeio da família Keret por Nova York, logo depois de Guadalajara. Rapidamente, torna-se o drama de lavar todas as roupas, após terem acordado com marcas de picadas, culminando na decisão inesperada de deixar as malas nos EUA e voltar a Israel sem seus pertences. Por fim, desemboca na conclusão de que “as coisas materiais tomam muito de nossa atenção, mas na realidade não precisamos delas”. “Tenho menos de 20 livros na minha casa. Se são bons, eu os dou para alguém. Se são ruins, encontro um jeito educado de me desfazer deles. Acontece de eu comprar a mesma obra várias vezes, quando quero reler algo”. Keret deixa claro, rapidamente, que é um contador de histórias. Ele nem sempre responde às perguntas com a
precisão sonhada pelos jornalistas, mas deixa transparecer, em seus devaneios, elementos organizadores de sua obra. A fábula dos percevejos, por exemplo, é curta, como as dezenas de narrativas breves que transformaram Keret no melhor exemplo de concisão da literatura israelense. Algumas de suas histórias duram poucos parágrafos, em linguagem seca e direta, como sua fala. No causo, há, ainda, aquilo que o professor Nissim Calderon chama de “a máscara e a face”. ‘Máscaras’ são os enredos simples”, diz à Folha o acadêmico da Universidade Ben-Gurion do Neguev. “Mas, por trás dessa simplicidade, há comportamentos complexos”. Os acontecimentos são, embora estranhos, de natureza trivial. Férias familiares em Nova York, uma infestação de percevejos e a decisão de não trazer as roupas de volta a Israel. Para essa “máscara”, a face é a ideia que se segue: os bens materiais são desnecessários. Outro exemplo? Keret emenda no relato de viagem uma segunda narrativa, a da história de como sua mãe escapou do Holocausto na Polônia. “Quando eu era pequeno, ela me contava sobre um senhor que tentou fugir com ela carregando um relógio de parede nas costas. Ele caiu no chão e não pôde mais se mover”, diz o escritor, antes de concluir que “tudo o que você não consegue carregar na cabeça o atrasa”. De volta aos persistentes percevejos, a história também exemplificaria os aspectos cômicos de seu texto, a partir de situações absurdas e das más decisões tomadas por seus personagens. O “epílogo” desse relato inclui a informação de que, em consulta com um médico, de volta a Israel, a família descobriu que as feridas causadas pelos percevejos podem aparecer com atraso e, provavelmente, não tinham relação com as roupas deixadas para trás, em um hotel americano. Portando um sanduíche de omelete que mal começou a mordiscar, em meio às histórias quase ininterruptas, Keret se torna seu próprio leitor, por um segundo, quando ri de sua fábula, das malas abandonadas e da condição inocente dos insetos hemípteros da Costa Leste. No sorriso tímido e constante, expõe os dentes da frente, ligeiramente separados. Água-viva Etgar Keret já foi traduzido para 34 línguas e editado em 37 países. Além de ter publicado uma dezena de livros, ele é cineasta. Seu filme “Meduzot” (água-viva) – cujos créditos de roteiro e direção partilha com a mulher, a atriz e também escritora Shira Geffen –, foi premiado em 2007 com o Caméra d’Or, distinção do Festival de Cannes para estreantes em longa-metragem. Mais de 40 curtas foram feitos como adaptações de suas histórias. E ele já se aventurou nos livros infantis e nos quadrinhos, como no elogiado álbum “Pizzeria Kamikaze” (2005), parceria com o ilustrador Asaf Hanuka. Apesar de ser um dos escritores preferidos dos jovens israelenses, constando dos currículos escolares e tendo a fama de ser o autor cujos livros são mais furtados em
3
O delírio floresce sob o sol de Tel Aviv Um passeio pela ficção concisa e fértil de Etgar Keret bibliotecas públicas, Etgar Keret deve chegar ao Brasil como um tímido desconhecido entre os já vastamente traduzidos ao português Amós Oz e David Grossman. A distância entre ele e seus conterrâneos não é só geracional. “A tradição da literatura hebraica é escrever de maneira que o leitor tenha de entender, em primeiro lugar, a gramática, para depois chegar à história”, diz o professor Calderon. “Em Keret, a aparência externa é simples, e então entramos nos deta-
Tenho menos de 20 livros em casa. Se são bons, eu os dou para alguém. Se são ruins, acho um jeito de me desfazer deles
lhes da narrativa”. O próprio escritor tem uma definição parecida. “Temos o costume, em Israel, de escrever em estilo elevado. Os autores têm um ‘páthos’ bíblico, e o livro ideal por aqui é o épico”, diz Keret, entre goles de água San Pellegrino. “Não fui influenciado por esse modelo israelense, em que o escritor é um guia espiritual que tem de oferecer soluções. Sigo a tradição da diáspora judaica, de autores como Kafka e Isaac Bashevis Singer. Sou o cara que conversa com você no trem e lhe apresenta um problema, em vez de dar a resposta”. Na visão de Calderon, “ao contrário de Keret, Grossman e Oz nunca jogaram com a cultura popular em seus textos. Eles nunca fingiram ser simples, como ele. A literatura em hebraico sempre foi marcada pelo aspecto geracional, em que cada grupo vivia experiências distintas”. Para o professor Gadi Taub, da Universidade Hebraica, Keret é o mais importante representante de sua gera-
ção, “a que cresceu durante a desilusão em relação ao Estado de Israel”. “O país havia sido criado, em 1948, com uma expectativa messiânica mesmo para os judeus seculares. Mas, depois da Guerra do Yom Kippur, da Guerra do Líbano e da Segunda Intifada, a ideia de que Israel seria o farol das nações se perdeu”, diz Taub. “A maior decepção da minha vida foi o que fizemos no Líbano”, afirma Keret, em menção à ocupação israelense do sul do país e ao massacre de Sabra e Shatila, em 1982, pelo qual o ex-premiê Ariel Sharon, morto neste mês, é considerado pessoalmente responsável. “Foi a primeira vez que pensei que a história que eu havia estudado na escola não estava correta”. O desencanto é parte fundamental da obra de Keret, porque dá conta da falta de sentido dos fatos e daquilo que Taub chama de retorno ao significado ordinário da vida cotidiana, “tanto no formato quanto nos temas de suas histórias”. “Keret controla a
linha narrativa com a mão firme. Ele combina uma máquina eficiente de contar histórias com reflexões sobre a própria arte da escrita”. Que os contos tenham aspecto aparentemente comezinho não significa, como alerta Calderon, que sejam superficiais. Por exemplo, aquele que dá título a uma de suas mais bem-sucedidas coletâneas, que se traduziria por algo como “saudades de Kissinger” (1994), pode ser lido como a estranha história de uma garota que pede ao namorado que lhe traga o coração de sua mãe – mas há quem estude o conto como uma paródia das baladas medievais, na qual o viés da narrativa, em vez de atrair a empatia do leitor pelo sentimento que o personagem expressa, conquista sua hostilidade. “É um autor brilhante, totalmente diferente de qualquer outro que eu conheça”, afirmou sobre ele o britânico Salman Rushdie, de “Os Versos Satânicos”. “Quando alguém da minha
G5
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
geração ouve a expressão ‘histórias curtas’ pensa imediatamente em Etgar Keret”, diz à “Ilustríssima” Roy Yeshurun, 38. “O lançamento do primeiro livro dele foi um acontecimento para mim”, complementa o escritor, que publicou neste mês em Israel sua obra de estreia, uma coletânea de contos. A concisão de Keret é tão proverbial que transcendeu a literatura e virou arquitetura. Inspirado pela obra do autor, o artista plástico e arquiteto polonês Jakub Szczęsny construiu em 2012, em Varsóvia, um prédio chamado Casa Keret. “Foi erguida na proporção das minhas histórias”, define o homenageado. “É uma casa pequena, mas funcional”. O prédio, um misto de instalação, museu e espaço para residências tem 72 cm em seu ponto mais estreito e exuberantes 133 cm em sua porção mais larga – e área total de cerca de 14 metros quadrados. O site da instituição (kerethouse.com) reproduz fotos do escritor refestelado numa cama de solteiro, forrada com um lençol branco com bolinhas coloridas. Habitar, ainda que por um breve período, uma casa em que pode literalmente subir pelas paredes em vez de usar escadas só faz colocar o criador mais próximo do ambiente de suas criaturas. Boa parte da produção keretiana é marcada pelo absurdo – como no conto em que o narrador se apaixona por Vênus, mas, ao contrário do que ocorria com os jovens enlouquecidos de amor pela deusa nas histórias da Antiguidade clássica, enfastia-se e decide deixá-la. “Ela é bonita, realmente bonita. Perfeita. E
bem legal, também. Mas é isso. Amanhã vou comprar um cachorro”, conclui. O objetivo cômico alcançado por suas histórias se deve, também, à linguagem coloquial, em dissonância com a tradição de escrita formal em hebraico – visível inclusive nos jornais israelenses. “Em inglês, você escreve como Shakespeare. Em hebraico, o modelo é a Bíblia”, expressa o autor. Frankenstein O hebraico é uma realidade linguística esdrúxula a ponto
Editado em 37 países, e também cineasta, premiado em Cannes, Keret chegará ao Brasil como um completo desconhecido
de parecer saída das páginas de Keret: após quase dois milênios de desuso, durante os quais era considerado um instrumento litúrgico, foi trazido de volta à vida, no final do século 19, pelo jornalista Eliezer Ben Yehuda. Mas a língua ressuscitada por esse Dr. Frankenstein não espelhava as inovações dos 2.000 anos em que estivera inerte. A academia hebraica e Ben Yehuda tiveram de sacudir a criatura com choques de etimologia. “No fim”, descreve Keret, “deixaram-nos com uma lín-
gua conservadora, mas caótica e cosmopolita”. “O hebraico representa Israel, que é jovem e antigo, tradicional e liberal”, diz o escritor. “O país é meio Irã, meio Califórnia, já que segregamos mulheres no transporte público, mas um transexual nos representou no festival de canções Eurovision. Isso aparece na linguagem coloquial, na nossa escolha de vocabulário”. O estilo de Keret, nesse sentido, é inconfundível. “Qualquer leitor reconhece a linguagem dele”, afirma o professor Gadi Taub. “É uma variante falada, sem metáforas complexas”. Esse mesmo tom, por paradoxal que pareça, faz de sua obra um desafio à tradução. O livro que vai sair no Brasil está sendo trazido ao português pelas mãos de Nancy Rozenchan, professora do Departamento de Letras Orientais da USP. Ela teve contato com a obra de Keret há 15 anos e chama a atenção para a presença da gíria no texto do autor. “Keret é o único escritor israelense importante que abusa desse recurso”, diz a professora, que tem passado muitas horas em companhia de um dicionário de gírias hebraicas. “Ele também é o único dos grandes autores que escreve com muita regularidade sobre temas como o sexo, mas com um vocabulário sem baixarias”. Para a alegria da especialista, Keret costuma ser bastante amigável com os tradutores. “A tradução é um diálogo, e meu texto não é a Bíblia, é só uma maneira de me expressar”, diz o escritor. “Às vezes reescrevo trechos ou, se não fizer sentido em outras línguas, posso excluir parágrafos inteiros”. Miguel Conde, editor da Rocco, ressalta uma característica de outra ordem na obra de Keret. “Ele tem um olhar novo sobre as implicações humanas do conflito árabe-israelense”, opina. “A geração anterior tem um projeto em que a literatura pode ter um papel humanizador em um confronto brutal. Keret toma um caminho diferente, com um olhar mais pessimista, em que os impasses levam a situações de nonsense”. De fato, apesar de não ser mencionado à exaustão, o conflito regional pesa nos textos de Keret, que começou a escrever durante o serviço militar obrigatório, após o suicídio de seu melhor amigo. Nascido em 1967 – ano da Guerra dos Seis Dias, quando Israel conquistou as colinas de Golã, o deserto do Sinai e a Cisjordânia –, ele não se surpreende com a atenção dada à violência em sua obra. “A ferocidade de minhas histórias vem do fato de que vivo nessa sociedade violenta. Não acho que alguém no Brasil possa compreender completamente”, diz, fazendo pensar que talvez afinal seja essa, e não a das peculiaridades linguísticas, a fronteira mais difícil de traduzir em sua obra. “Vivemos em uma fatia fina da história, entre o Holocausto e o medo de outro genocídio no futuro”. Ele argumenta que a leitura de seus contos é muito diferente para aqueles que
A concisão do escritor é tão proverbial que transcendeu a literatura. Inspirado por sua obra, um arquiteto polonês construiu em Varsóvia a Casa Keret
estão acostumados a ver seus jovens passarem três anos no Exército, “onde vão ter de matar ou ser mortos”. A violência já chegou inúmeras vezes à soleira do escritor. Ele conta que seu filho, Lev, nasceu no mesmo dia de um ataque terrorista, razão pela qual ele teve de buscar um médico disponível no hospital para atender a mulher, em trabalho de parto. “Enquanto procurava, jornalistas me viram nos corredores e pensaram que eu estava na explosão. Eles vieram me perguntar sobre o ataque”. Mal termina de contar a história, Keret já avança no tempo e narra um episódio de quando ele e seu filho, já então com sete anos de idade, foram surpreendidos por uma sirene, que alertava a cidade para a queda de um míssil. “Eu tive de convencê-lo a se deitar no chão. Ele me perguntou por que deveria fazer isso se a calçada é suja e nem podemos comer alguma coisa quando cai nela”. Também será um desafio aos leitores brasileiros a imersão em uma sociedade que, mais do que violenta, discute diariamente qual é a sua identidade. “O que é ser judeu, o que é ser israelense, o que é ser sionista? Há diferentes respostas. Meu irmão é um esquerdista antiIsrael que mora na Tailândia. Minha irmã tem 11 filhos e mora no bairro ultraortodoxo Mea Shearim, em Jerusalém. Estou entre os dois, com quem tenho boas relações. Isso me põe em uma situação filosófica, criando minha própria identidade”. Fracasso “Escrever, para mim, tem a ver com fracasso”, resume Keret durante a entrevista, enquanto enfim termina de mastigar seu sanduíche. O fracasso, no caso, se refere às situações narradas em seus livros, e não a sua carreira, que em Israel é sinônimo de sucesso. Eis que o fracasso se apresenta a este jornalista. Como não temê-lo ao final de um texto sobre um autor celebrado, entre tantos outros motivos, pela maneira surpreendente de concluir suas histórias? “Escrevi 2.500 palavras sobre como suas histórias são o resultado de um bom mecanismo narrativo, com finais inesperados”, expressa o repórter em e-mail a Keret, um dia antes de entregar este texto ao jornal. “Agora meus leitores vão pensar: eis aí algo que o repórter não conseguiu”. Keret responde o e-mail apenas com um sinal já clássico na linguagem da internet: :)
G6
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Diário de Paris O MAPA DA CULTURA
4
As comédias do poder Bufão e musa das telas em intrigas palacianas
LUCAS NEVES
Dois personagens prosaicos espantaram a modorra do Palácio do Eliseu, sede do governo francês, no acender das luzes de 2014. Primeiro foi o humorista Dieudonné M’Bala M’Bala, 47, forçado a anular a turnê de seu “one-man show” depois de o espetáculo ser proibido pelo Conselho de Estado (suprema corte administrativa) em quatro cidades. Os juízes acolheram o argumento do Executivo de “riscos à ordem pública”. No stand-up censurado, Dieudonné alveja o passado colonial francês, zomba dos gays, mas não esconde sua flor de obsessão: os judeus. Faz a apologia da câmara de gás, acusa a infiltração de uma suposta “máfia judaica” no show business e puxa o coro de “Shoananas” – canção cujo título funde o termo Shoah, termo
hebraico para designar o holocausto de judeus sob o nazismo, ao vocábulo francês para “abacaxi”. Dieudonné se celebrizou como pai da “quenelle”, gesto que consiste em pousar a mão esquerda sobre o ombro direito, enquanto o braço direito aponta para o chão. A pantomima, espécie de tradução, nos idos de 2005, de uma desaprovação visceral ao “sistema”, não demorou a coincidir em seus shows com ataques verbais aos judeus. Surgiu a pergunta: seria na verdade uma releitura da saudação nazista? A dúvida não impediu atletas, militares e jovens de replicar a pose, ostentando desinibição mesmo diante de locais sensíveis ao judaísmo, como o Muro das Lamentações, em Jerusalém. Namoradinha A segunda protagonista do janeiro eliseano é a atriz Julie Gayet, aponta-
da por revistas de fofoca como amante do presidente François Hollande há 18 meses. Aos 41 anos, bela e carismática, tem o “physique du rôle” de uma Jennifer Aniston do Hexágono. Projetada por comédias românticas, experimentou o filme “sério” (viveu uma soropositiva em “Clara et Moi”, de 2004), mas volta periodicamente ao humor desopilante. Atualmente, pode ser vista em dois títulos sem data de estreia no Brasil. O melhor é “Quai d’Orsay”, em que encarna uma assessora do Ministério das Relações Exteriores que deita olhares pouco diplomáticos sobre o redator dos pronunciamentos do titular da pasta. Já a viúva de “Les Âmes de Papier” (as almas de papel) contrata um escritor para alinhavar um compêndio de memórias que ajude o filho dela a fazer o luto do pai. Interrompamos a sinopse por aqui, antes da
entrada enfadonha no terreno da fantasmagoria. A lua por testemunha É irregular o retrospecto no cinema de crias da realeza artística francesa. Charlotte Gainsbourg saiu da sombra dos pais, mas não Chiara Mastroianni. No fim de 2013, Alain Fabien Delon, 19, despontou no elogiado “Les Rencontres d’Après-minuit” (os encontros da madrugada), em que um casal recebe convidados arquetípicos (como A Cadela e O Garanhão) para uma orgia. É do estreante o papel d’O Adolescente, errática criatura da noite. Não terá sido um grande desafio de interpretação: internado aos 16 anos pela mãe em uma clínica de reabilitação depois de ser pego com maconha, o ator escapou da instituição antes de ser encontrado pelo pai em um abrigo. Pano rápido para novembro passado: Delon Jr. é con-
denado por lesão corporal. Por se tratar de réu primário, a pena foi suspensa. A Justiça entendeu que ele foi negligente ao deixar à vista uma arma durante uma festa; na ocasião, um disparo atingiu uma conviva. Pai (anti)herói Saiu há pouco o disco “Post Mortem”, do ator Guillaume Depardieu (1971-2008), filho de Gérard. Condenado aos 17 por tráfico de heroína, o rapaz acumularia penas e internações por episódios atribuídos à revolta contra um pai dito ególatra. Ele viria a morrer após uma pneumonia fulminante. As letras do álbum, todas escritas por ele (e registradas um ano antes de sua morte, ainda sem acompanhamento; ouça em www.guillaume-depardieu. fr/musique), desenham um eu lírico atormentado, buscando luz própria, à margem da supernova paterna.
G7 G
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
5 O disco que eu mesmo lancei Rio, 1973
JOÃO DONATO ACERVO PESSOAL
Depois de 12 anos nos Estados Unidos, desembarquei em dezembro de 1972 no Rio de Janeiro, com 40º C à sombra. Que maravilha! Deixara para trás uma Nova York com -5º C e um casamento em que não havia mais entendimento. Ficaram também minha filha Jodel e um disco inacabado (“Donato - Arranged and Conducted by Deodato”), porque era véspera de Natal e o estúdio fecharia para férias coletivas, retornando em janeiro. Para mim não dava mais, aquela neve e o coração gelado. No Brasil, logo me enturmei com antigos amigos, Tom Jobim, João Gilberto, e conheci os baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa. Marcos Valle, que andou pelos EUA divulgando a canção “Samba de Verão”, me levou para conhecer o Milton Miranda, à época diretor musical da gravadora Odeon. Era um tempo em que se ouvia MPB na rádio e as gravadoras não economizavam. Por sugestão do cantor Agostinho dos Santos, ficou combinado que eu gravaria o meu primeiro disco com letras, chamado “Quem É Quem”. Recordo-me que foi um corre-corre para “letrar” as minhas canções: acionamos Dorival Caymmi, Paulo César Pinheiro, Lysias Enio (meu irmão), Geraldinho Carneiro, João Carlos Pádua; o próprio Marcos Valle, o produtor do disco, escreveu uma letra. Como eu nunca tinha feito música com letra, decidi não trabalhar em conjunto com os letristas, como faziam Tom e Vinicius. Só distribuí as melodias. Na confusão, acabei dando a mesma música para vários compositores. Apareceram algumas letras diferentes para “Até quem Sabe”, inclusive uma do Caymmi, que achou a do Lysias melhor. A canção tornou-se um dos meus maiores sucessos. Já “Terremoto”, música que compus em Los Angeles durante um abalo sísmico, ganhou letra do Paulo César. Para complicar, a rapaziada da gravadora inventou que eu cantaria o disco inteiro. “The Frog”, que ainda não tinha virado “A Rã”, com letra de Caetano, era na base do “corogodó, gazainguê, guiringuidim”. Eu estava gripado e ficaram gravadas as pausas de respiração com a minha voz anasalada. O pessoal do estúdio adorou. Aquelas gaguejadas em “Até quem Sabe” também foram naturais. Um ator de novelas veio me perguntar como eu consegui interpretar de forma tão personalizada. “Rapaz, aquilo foi uma garrafa de uísque que eu tomei”, expliquei. “Ahiê”, com letra do Paulo César, foi uma brincadeira que surgiu na casa do Lysias. A gente gravava e passava para outra fita. No final de uma dessas gravações, eu mandava uns recados para os amigos. “Silvio, aquela poeira, a poeira da cachoeira, não vai esquecer”. “Dá um abraço no Celso, diz para ele comprar cerveja que tá muito ruim aquele bar, aquele bar é uma vergonha”. “E se esquecer o que o pai D’Angola te falou, já sabe: ele tá te esperando”. Na hora da gravação, eu improvisei e o pessoal delirou. Até hoje eu tenho que dar explicações para as frases soltas. Caprichamos nos arranjos. Convidamos os melhores: Laércio de Freitas, Dori Caymmi, Ian Guest e o maestro
Gaya. Era uma fartura de músicos no estúdio, craques como Hélio Delmiro, Lula Nascimento, Naná Vasconcelos, Bebeto, Novelli, Mauricio Einhorn. Até Nana Caymmi deu uma canja. Fiquei tão entusiasmado com o resultado que escrevi (mas não mandei) uma carta para o João Gilberto relatando as minhas impressões. Quando o primeiro lote chegou da fábrica, fui até a gravadora. “Como vai ser a festa, o coquetel, a entrevista para a imprensa?”, perguntei. “O seu disco não
vai entrar neste esquema”, respondeu o departamento de divulgação. Saí de lá atônito e encontrei o meu amigo J. Canseira, compositor de samba, para tomar umas geladas. Desabafei com ele, disse que meu disco não teria lançamento. Ele me deu um conselho que segui à risca. “Sobe no outeiro da igreja da Glória e lança o seu disco. Não esquece de chamar a imprensa”. Arremessei uma caixa de discos do alto do morro, o pessoal das redondezas recolhendo. A jornalista Paula Saldanha
fez uma reportagem para a TV. Mas o disco não atingiu grandes vendagens. No começo dos anos 2000, ele foi remasterizado e comercializado em CD. A revista “Rolling Stone” o classificou como um dos cem melhores discos brasileiros de todos os tempos, lista que também incluiu um instrumental que fiz nos EUA, “A Bad Donato”. Faz 40 anos que gravei “Quem É Quem” e nunca o lancei com um show. Dias 27 e 28 de fevereiro, no Sesc Pinheiros, vou finalmente viver essa alegria.
Carta de 1973 em que João Donato descreve o disco a João Gilberto
G8
MANAUS, DOMINGO, 26 DE JANEIRO DE 2014
Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
6
O gordinho
Um conto inédito
ETGAR KERET TRADUÇÃO NANCY ROZENCHAN ILUSTRAÇÃO VERIDIANA SCARPELLI
Surpreso? Claro que eu fiquei surpreso. Você sai com uma garota. Primeiro encontro, segundo encontro, um restaurante aqui, um filme ali, sempre só matinês. Vocês começam a fazer sexo, as transas são explosivas, depois vêm também os sentimentos. E, então, um dia, ela chega toda chorosa, e você a abraça e lhe diz para se acalmar, que está tudo bem, e ela diz que não aguenta mais, ela tem um segredo, não simplesmente um segredo, algo horrível, uma maldição, algo que ela estava querendo lhe dizer o tempo todo, mas não teve coragem. E essa coisa vinha pesando nela como duas toneladas de tijolos. E ela é obrigada a dizer, ela simplesmente tem que, mas também sabe que, no momento em que o revelar, você vai deixá-la, e com razão. E logo depois disso, ela começa a chorar mais uma vez. “Eu não vou deixar você”, você diz, “eu não vou. Eu te amo”. Você talvez pareça estar um pouco chateado, mas não está, e mesmo se estiver, é por causa do choro dela, e não pelo segredo. A experiência já lhe ensinou que esses segredos que fazem com que uma mulher desmorone geralmente pertencem à categoria de transar com um animal, ou com um parente, ou com alguém que lhe pagou por isso. “Sou uma prostituta”, elas sempre acabam dizendo, e você a abraça e diz: “Não, você não é, você não é”, ou “shhh...”, se elas continuam a chorar. “É algo realmente terrível”, ela insiste, como se captasse essa sua tranquilidade que você tanto tentou esconder. “Na boca do seu estômago isto talvez soe terrível”, você diz a ela, “mas isso é por causa da acústica. Você verá que, no momento que você deixá-lo sair, de repente vai parecer muito menos terrível”. E ela quase acredita. Ela hesita um instante e, em seguida, pergunta: “Se eu lhe dissesse que à noite me transformo em um homem atarracado, peludo, sem pescoço, com um anel de ouro no dedo mindinho, você ainda continuaria a me amar?”. E você diz a ela “claro”, você diria que não? Ela só está tentando testálo para ver se você a ama incondicionalmente, e você sempre se saiu muito bem em testes. Realmente, assim que você lhe diz isso, ela se derrete, e vocês transam, ali mesmo na sala. E depois vocês continuam abraçados, e ela chora porque ficou aliviada, e você chora também. Vá entender. E, destoando de todas as outras vezes, desta vez ela não se levanta e vai embora. Ela fica com você e adormece. E você fica acordado na cama, olhando para o belo corpo dela,
para o pôr do sol lá fora, a lua aparecendo de repente como se do nada, a luz prateada que toca o corpo dela, acariciando o cabelo em suas costas. E, em menos de cinco minutos, você se pega deitado na cama ao lado de um baixinho gorducho. E o cara se levanta, sorri para você e se veste sem jeito. Ele sai do quarto e você o segue, hipnotizado. Agora ele já está na sala, com os dedos gordinhos aperta as teclas do controle remoto, assiste esporte na televisão. Futebol da Liga dos Campeões. Quando perdem um passe, ele xinga, quando marcam um gol, ele se levanta e faz uma ola. Após o jogo, ele lhe diz que tem a boca seca e o estômago, vazio. Está a fim de um espetinho, de frango, se possível, mas de carne também serve para ele. Você entra com ele no carro e dirige para um restaurante da região que ele conhece. Essa nova situação te incomoda muito, mas você não tem ideia do que fazer, os seus centros de decisão estão paralisados. A mão muda as marchas quando vocês descem para a Ayalon, como um robô, e ele, no assento ao seu lado, tamborila com o anel de ouro do
mindinho, e, no entroncamento Bet Dagon, abaixa o vidro elétrico, pisca para você e grita para uma soldada que está tentando arrumar carona: “Ei, gata, está a fim de uma brincadeirinha no banco de trás?”. Mais tarde, em Azor, você come carne com ele até a barriga explodir, enquanto ele desfruta de cada bocado e ri como um bebê. E durante todo esse tempo você diz para si mesmo que é só um sonho, um sonho bizarro, sim, mas do qual você logo despertará. No caminho de volta, você pergunta onde ele quer saltar, e ele finge não ouvir, com uma cara de coitado. No fim, você acaba levando-o de volta para casa com você. São quase três horas. “Vou dormir agora”, você diz; ele lhe acena do pufe e continua assistindo ao canal de moda. Você acorda na manhã seguinte, exausto, com uma ligeira dor de estômago. E lá está ela, na sala, ainda cochilando. Mas até você acabar sua chuveirada ela já está de pé. Ela te abraça, culpada, e você está confuso demais para dizer qualquer coisa. O tempo passa e vocês ainda estão juntos. As transas só vão ficando cada vez melhores. Ela não é mais tão jovem, e nem você, e de repente você se vê falando de bebês. E à noite você e o gordinho se divertem como você jamais se divertiu. Ele leva você a restaurantes e bares que você nem sabia que existiam, vocês dançam juntos em cima da mesa e quebram pratos como se não houvesse amanhã. Ele é muito agradável, o gordinho, um pouco grosseiro, especialmente com as mulheres. Às vezes ele se sai com umas observações que você não sabe onde enfiar a cara. Mas, apesar disso, é realmente muito divertido estar com ele. Quando vocês se conheceram, você nem se interessava por futebol, mas agora você conhece todos os times. E sempre que um de seus favoritos ganha, você se sente como se tivesse feito um desejo e ele tivesse se tornado realidade. Que é um sentimento bastante excepcional, sobretudo para alguém como você, que, na maioria do tempo, mal sabe o que quer. E, assim, toda noite você adormece com ele, cansado, diante dos jogos do campeonato argentino, e de manhã acorda novamente junto a uma mulher linda e indulgente que você ama, também, a ponto de doer.
RESUMO Este conto, inédito no Brasil, foi transposto para o português especialmente para a “Ilustríssima” pela tradutora do primeiro volume do escritor israelense a ser publicado no Brasil. “De Repente, uma Batida na Porta”, título ainda provisório do livro a sair em junho pela editora Rocco, é a coletânea mais recente de Keret, que participará da próxima Festa Literária Internacional de Paraty.