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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.365 – DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
OS DONOS DA RUA
PRÁTICA ABUSIVA DOS ‘FLANELINHAS’ IRRITA A CIDADE
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
ELES ATUAM NAS PRINCIPAIS RUAS DE MANAUS, DETERMINAM VALORES PARA PERMITIR A PERMANÊNCIA DOS CARROS NAS VIAS, LUCRAM EM TORNO DE R$ 2,4 MIL POR MÊS (MAIS ATÉ QUE UM PROFISSIONAL GRADUADO) E SÃO OS “DONOS DA RUA”. MAS UM PROJETO DE LEI EM TRAMITAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL PODE ACABAR COM A FARRA DOS “FLANELINHAS”. POLÍTICA A5, ECONOMIA B4 E B5 E DIA A DIA C1 A C3
Muitos guardadores têm a confiança do dono do veículo, que entrega até a chave do carro
Há quem não veja outra saída senão pagar o “flanelinha”, para não ter o veículo riscado
Alguns “flanelinhas” chegam a guardar vaga em vias públicas de Manaus, o que é proibido
PROJETO DE LEI EM TRAMITAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS, QUE PROÍBE A ATIVIDADE DE “FLANELINHAS” EM RUAS, AVENIDAS E LOGRADOUROS PÚBLICOS, TEM INCOMODADO OS GUARDADORES DE VEÍCULOS, ATUALMENTE AMPARADOS PELA LEI 94/2013. ‘ONHEAMA’
LARGADA PARA O
“Na ditadura tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos”, conta Elza Soares (caricatura).
rática de exercícios garante Prática qualidade de vida aos idosos, pois reduz os riscos de doenças cardíacas e previne outras doenças.
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
A seleção brasileira se apresenta amanhã, para dar início aos treinos para a Copa do Mundo, que começa dia 12 de junho, na Granja Comari, em Teresópolis. Pódio E8
Baseada no poema “A infância de um guerreiro”, do amazonense Max Carphentier, a ópera “Onheama” estreia hoje, no Teatro Amazonas. Plateia D1 DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
Em ano de Copa, a paixão fica ainda mais forte entre os torcedores, que trocam as cores do time predileto pelo verde e amarelo.
HEXA
O poema que virou ÓPERA
Nico Rosberg (foto), da Mercedes, vai largar na pole position, no GP de Mônaco, neste domingo. Prejudicado, Massa ficou na 16ª colocação do grid. Última Hora A2
TEMPO EM MANAUS
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
José Melo entrega estádio Carlos Zamith, no Coroado Local foi construído para ser um dos Campos Oficiais de Treinamento (COT) para as seleções que irão disputar a Copa
O
governador do Amazonas, José Melo, fez, na manhã de ontem (24), a entrega simbólica do estádio Carlos Zamith, no bairro Coroado, Zona Leste, com apresentação à população, por meio da imprensa, do mais novo espaço destinado ao futebol amazonense. Por questões contratuais com a Fifa, o governo do Amazonas cancelou a partida entre Nacional x Rio Negro, pelo Campeonato Estadual de Juniores que deveria acontecer na noite do sábado, no Carlos Zamith. Construído para ser um dos Campos Oficiais de Treinamento (COT) para as seleções que irão disputar a Copa do Mundo 2014 em Manaus, o estádio tem capacidade para 5 mil pessoas. A obra custou cerca de R$ 15 milhões e, segundo o governador, ficará como um dos legados da Copa para o futebol local. “Essa, sim, é uma herança importante da Copa, olhando a nossa juventude. Aqui pode ser a usina formadora daquilo que a gente sonha para o futebol amazonense. Aqui, vamos poder treinar os jovens talentos que vão formar os times principais”, observou o governador, ao ressaltar que, junto com o Estádio da Colina, no São Raimundo, Zona
ROBERTO CARLOS/AGECOM
Oeste, que foi reconstruído pelo governo do Amazonas também para servir de COT, o estádio do Coroado será utilizado para as partidas de futebol do Campeonato Amazonense, com público pequeno, que não poderá ser disputado na Arena da Amazônia, onde os custos operacionais são mais altos. Comando O estádio Carlos Zamith será integrado à estrutura da Fundação Vila Olímpica, que segundo o governador, assim como a Secretaria Estadual de Juventude Esporte e Lazer (Sejel), passa a ser comandada por técnicos. José Melo nomeou o técnico de natação, Aly Almeida, que já integrou a comissão técnica de seleções brasileiras em duas Olimpíadas e dois Pan-Americanos e foi responsável pela formação de uma das melhores gerações de talentos da natação amazonense. Para a Sejel, foi nomeado o médico ortopedista Antônio Eduardo Ditzel, que também atua na área esportiva ligada à formação de talentos. Desde 2002, Ditzel integra a comissão técnica das delegações amazonenses em competições nacionais estudantis, como Jogos da Juventude e Olimpíadas Escolares.
GRANDE VITÓRIA IONE MORENO
Governador José Melo entregou, ontem, o estádio Carlos Zamith, que servirá de Centro de Treinamento Oficial para a Copa
NASSAU
Susto em fábrica de cimento
As duas vítimas estavam na rua quando foram assassinadas
Duplo homicídio em suposto acerto de contas do tráfico Um duplo homicídio ocorreu por volta das 19h30, da sexta-feira (23) na rua Caxias do Sul, bairro Grande Vitória, Zona Leste da cidade. De acordo com moradores do local, o autônomo Francisco Otávio Queiroz, 20, e o industriário Rogério Santos Pinto, 19, estavam em frente de uma casa quando um grupo formado por seis pessoas chegou ao local e um deles começou a efetuar os disparos. Segundo um morador, que não quis se identificar, Rogério foi atingindo com quatro tiros e morreu na mesma hora. Já Francisco, mesmo, baleado na testa, tentou fugir, mas foi alcançado pelo grupo e agredido com várias pedradas na cabeça. ‘’Um dos rapazes era envolvido com o tráfico de drogas e o outro era apenas usuário’’, declarou. Policias da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foram acionados para
atender a ocorrência, mas o caso foi registrado e será investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste. Outras ocorrências Outro homicídio ocorreu também na sexta-feira, por volta 17h, na avenida General Rodrigo Otávio, em frente ao shopping Cecomiz, bairro Crespo. Conforme informações do Instituto Médico Legal (IML), o operador de máquinas Sidinei de Souza, 37, morreu após ser atigindo com arma de fogo. Emerson Ramos Reis, 46, morreu após sofrer agressão física por volta das 22h, de sexta-feira, na rua Jucá, João Paulo 2º, Zona Leste. Emerson chegou a ser socorrido e levado para o Platão Araújo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu logo após ter dado entrada no pronto-socorro.
Dois homens ficaram presos após o derramamento de cimento em pó na fábrica de cimento Nassau, no bairro Distrito 2, Zona Leste da cidade. Os dois trabalhadores, identificados como Francisco e Magno, saíram ilesos de acordo com informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM). O corpo de bombeiros foi acionado à 1h56 da madrugada de ontem (24) para atender uma possível ocorrência de soterramento, com vítimas. No local, foi descoberto que dois homens ficaram presos após uma portinhola ser aberta, liberando cimento em pó no interior da fábrica. Segundo informações dos socorristas, os trabalhadores ficaram impedidos de mover-se por conta do pó e pela formação de uma grande nuvem de poeira, que impediu a visibilidade. Com a visão prejudicada pela fumaça, outros funcionários acreditaram que os trabalhadores haviam sido completamente soterrados e buscaram socorro. Duas viaturas do CBM foram deslocadas para atender a ocorrência, sendo uma operacional de combate à incêndio e outra do comando de área. Elas chegaram ao local em sete minutos. Apesar de não terem ferimentos graves, os trabalhadores foram encaminhados ao prontosocorro João Lúcio.
PAPA
MÔNACO
Francisco chega a Amã, em sua 1ª escala à Terra Santa O papa Francisco desembarcou ontem (24) em Amã, capital da Jordânia, a primeira escala de sua peregrinação à Terra Santa, que nos próximos três dias o levará a seguir os passos de seu antecessor, Paulo 6º, na Palestina e em Israel. O avião da Alitalia aterrissou às 13h (7h, no horário de Brasília) no aeroporto da capital jordaniana, onde foi recebido pelo príncipe Ghazi bin Mohamad, um dos assessores mais próximos do rei Abdullah 2º e presidente da comitiva oficial que acompanhará o pontífice em sua visita ao reino hachemita. Após receber uma coroa de flores e atravessar um tapete vermelho cercado pela guarda jordaniana em posição de saudação, Francisco descansou alguns minutos em uma sala do aeroporto junto ao Custódio da Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, e o chefe da Igreja greco-ortodoxa em Jerusalém. Na Jordânia, também esperavam o pontífice o rabi-
no Abraham Shorka e o sheik Omar Abud, diretor do Instituto de diálogo inter-religioso de Buenos Aires, que acompanhará Francisco ao longo de todo seu périplo aos lugares santos da cristandade. Do aeroporto, o papa foi conduzido em automóvel ao palácio Al-Husseini, onde fará seu primeiro discurso na presença dos reis da Jordânia, país com o qual o Vaticano comemora seus primeiros 20 anos de relações diplomáticas plenas. Após a recepção oficial e um pequeno descanso, o pontífice realizará uma missa no estádio nacional de Amã, como já fizeram João Paulo 2º e Bento 16, diante de milhares de presentes e realizará a primeira comunhão em 1,4 mil crianças. No local, o papa realizará uma homilia e enviará sua primeira mensagem de paz à região, com especial atenção aos menos favorecidos e aqueles que sofrem as consequências da violência e dos conflitos. AFP
Papa encontra com Ghazi bin Muhammed, príncipe da Jordânia
Massa é 16º e Nico sai na pole A maré de azar segue perseguindo Felipe Massa. Ontem (24), o brasileiro acabou sofrendo nas mãos de um rival e, por causa de uma batida, não pôde completar sua participação. Ainda durante a primeira parcial de tomadas de tempo, o piloto da Williams foi atingido por Marcus Ericsson, piloto da Caterham, na curva Mirabeau, e foi obrigado a abandonar a sessão. Nico Rosberg, da Mercedes, sai na pole position. Com o tempo que havia feito, décimo no Q1, Massa conseguiria passar para a segunda parte do treino, mas o abandono forçado fará com que ele largue em 16°. Se tivesse conseguido levar a Williams aos boxes, o brasileiro poderia ter seguido na disputa, mas não houve tempo suficiente para isso. O acidente aconteceu num momento em que Massa levava seu carro para os boxes. Ele abriu para Ericsson passar, mas o piloto de 23 anos vinha rápido demais, perdeu o controle do carro e bateu no brasileiro. De volta à garagem, Marcus Ericsson admitiu a culpa: “Eu estava fazendo minha volta rápida e encontrei o Felipe na minha linha. Cometi um erro, é uma pena que ele estivesse vindo pelo lado de fora”. “O que eu posso dizer? Saí pra deixar o cara passar, e ele passa reto me jogando pra fora da pista”, disse. Na frente do grid, Nico Rosberg conquistou a pole position, batendo o companheiro Lewis Hamilton.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
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Os sinais dos tempos “A igreja muda sempre, assim como as pessoas. A igreja procura ler os sinais dos tempos”. Foi assim que dom Leonardo Steiner, secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), justificou para o jornal “O Globo” uma mudança de postura da Igreja Católica sobre o amparo legal aos casamentos entre homossexuais, depois de se manifestar contrária, há um ano, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) obrigou os cartórios a registrar essas uniões. A CNBB acompanha a interpretação feita pelo papa Francisco, durante a Marcha Mundial da Juventude, realizada no Brasil, no ano passada – “Quem sou eu para julgar um homossexual que procura Deus?”. Para o religioso, esse amparo legal seria conquistado não com uma decisão do CNJ, mas com a participação e o debate de toda a sociedade, representada pelo Congresso Nacional, que deveria votar a lei. Essa mudança cautelosa da Igreja Católica no Brasil acontece ao mesmo tempo em que o Estado brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, modifica a forma de registrar os casos de aborto legal feitos na rede pública e aumenta o valor pago pelo procedimento – de cerca de R$ 170 a R$ 443. Os registros entravam em uma categoria mais ampla, de curetagem (método usado em outras situações para além do abortamento). Agora, passam a ser registrados numa categoria própria (interrupção da gestação ou antecipação do parto). Segundo o ministério, essa nova interpretação (válida desde quinta-feira 22), o país terá registros mais precisos sobre os procedimentos realizados e o aumento no valor pago deverá derrubar uma das alegações dos hospitais para não realizarem o abortamento: a de que o recurso era insuficiente para cobrir a operação. Aos poucos o laico e o religioso entendem melhor do que estão tratando.
Cutucaram o ‘leão’ com vara curta O rompimento público do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) com a presidente Dilma Rousseff (PT) dá pano para diversas mangas. Uma delas é que o prefeito vai trabalhar para trazer o governador José Melo (Pros) e o ex-governador Omar Aziz (PSD), pré–candidato ao Senado, para o palanque político do tucano Aécio Neves. Nos bastidores, Arthur não escondeu que, se isso acontecer, ele será um “leão” na campanha.
Mesmo assim... Mas, se não acontecer – o que é provável –, Virgílio continuará apoiando os dois parceiros políticos. Até porque é amigo e tem compromisso com Omar Aziz. Mas não como o leão que costuma ser nas campanhas em que participou. Boa-fé Dilma jogou com a boa-fé do prefeito. No ano passado, o recebeu cordialmente e prometeu recursos que nunca chegaram em Manaus. Mesmo em se tratando de obras que dependem de verbas federais, como os corredores viários, o PAC das Cidades Históricas e projetos de infraestrutura da cidade. Incoerência Como Arthur nunca prometeu apoio político à reeleição de Dilma – até porque isso seria incoerência política –, a presidente “esqueceu” o que havia garantido. Isto é, fechou uma torneira que nunca foi aberta. Não honrou A presidente prometeu R$ 125 milhões para estruturas e corredores viários; R$ 200 milhões para infraestrutura; e R$ 35 milhões para o PAC das Cidades Históricas. Amazonino deputado Que Amazonino Mendes
(PDT) vai marchar ao lado do senador Eduardo Braga (PMDB), pré-candidato ao governo do Estado, em outubro, todo mundo já sabe. Agora o que ninguém imaginaria é que o ex–governador não quer outra coisa a não ser uma cadeira de deputado estadual.
substitutos ou responsáveis por cartórios de notas ou de registro atualmente vagos, está pronta para ser votada pelo plenário da Câmara dos Deputados e pode voltar à pauta a qualquer momento.
Odeio Brasília Fontes próximas ao Negão garantem que ele já foi convidado para ser candidato a senador, deputado federal e até vice-governador. Mas disse “não”, confirmando a velha tese de que odeia Brasília.
Conhecida como PEC dos Cartórios, a proposta vem sendo combatida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde 2009.
Hora da merenda O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de n.º 405/2014, que tem por objetivo tornar a merenda escolar nos níveis fundamental e médio, despesa obrigatória da educação. Verba obrigatória Os recursos devem financiar também material didático escolar e transporte, mas todos eles aplicáveis somente às etapas da educação básica. — O que se pretende com a emenda é estender essa cobertura ao ensino médio, tornando as despesas correspondentes obrigatórias. PEC dos Cartórios A Proposta de Emenda Constitucional 471, que transforma em titulares os
APLAUSOS AP
Para a reação do papa Francisco, que ficou indignado com o banquete que teria custado mais de R$ 50 mil, após a canonização de João 23 e João Paulo 2º. A festa foi organizada por membros dos Assuntos Econômicos do Vaticano e reuniu cerca de 150 empresários, religiosos e jornalistas.
elvis@emtempo.com.br
PEC dos Cartórios 2
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
O CNJ é contra que interinos de cartórios extrajudiciais sejam efetivados sem passar por concurso público, o que contraria determinação constitucional. Maconha isenta O Uruguai vai isentar de impostos a produção e venda de maconha. Com isso, pretende assegurar que os preços continuem baixos o suficiente para minar a concorrência do mercado negro do produto contrabandeado do Paraguai. Liberou geral O Congresso aprovou em dezembro uma lei que permite o cultivo e a venda de maconha, tornando o Uruguai o primeiro país a fazê-lo. Trata-se de uma estratégia para arrancar o negócio das mãos dos criminosos.
VAIAS
A dignidade do papa Francisco
ELVIS
Falta humanismo na Saúde ARQUIVO EM TEMPO
Para profissionais da Saúde que atendem pessoas com problemas graves de urgência, fazem um exame rápido, dão um sedativo e mandam elas retornarem no prazo de 15 dias.
A voz do príncipe O príncipe falou: “Putin faz-me lembrar Hitler!” E não foi um príncipe qualquer. Foi ninguém menos que o herdeiro do trono britânico, Charles, príncipe de Gales, futuro titular do Reino Unido. Falou e falou bem. A mim, muito agradou porque essas aventuras expansionistas de Vladimir Putin, pela via das anexações de territórios próximos ou vizinhos, desde o primeiro momento somente me fizeram lembrar a figura sombria de Adolf Hitler. Afinal, foi assim que “o cabo austríaco” (nada contra os cabos normais) iniciou sua marcha de guerras e agressões. Primeiro foi a Áustria, sob o coincidente argumento de que ali vivia uma população de “origem germânica”, com a mesma língua e a mesma cultura. Depois... Bem, nem precisa recordar o caminho que tomou e o ponto a que chegou. Como Hitler, Putin também se diz realizador das vontades dos povos anexados. Semelhança estarrecedora, pois todos nós lembramos o apoio popular que o Führer no início e por muito tempo teve, pela via da manipulação das consciências, que tão bem sabia operar, por meio de Joseph Goebbels e da alimentação de um “patriotismo” exacerbado. Mas tudo isso, dito por mim, não choca a ninguém e nem suscitará reações coletivas, ou mesmo individuais, além talvez do legítimo direito do leitor à discordância. Mas eu sou um e Charles é outro. Eu, não sou herdeiro de nada, além do honrado nome que meu pai me deixou. Charles é o herdeiro da rainha Elizabeth, a quem logo sucederá (tomara não tão logo) no trono do Reino Unido. Exatamente por isso, por ser a segunda figura da família real britânica, a fala de Charles produziu tão grande alvoroço. Talvez venha mesmo a causar uma crise in-
ternacional, já que Vladimir Putin também não é qualquer um, mas o próprio chefe de Estado da poderosa Rússia, que parece ainda não ter assimilado o fim da União Soviética, enquanto os britânicos já indicam que esqueceram o seu império, “onde o sol nunca se punha”. Pobre Charles! Ele, que já passou por tantas, que chegou mesmo a perder prestígio no seio do seu povo, apenas porque não conseguiu ter êxito em seu casamento com Diana, agora, somente por ter externado uma opinião muito pessoal, já teve até membro do Parlamento a exigir que abdicasse da condição de príncipe herdeiro. Como não sou britânico, reconheço inteiramente o direito de Charles ao livre pensar e ao externar também livremente aquilo que pensa. Inclusive, porque concordo em gênero, número e grau com o conteúdo pensado por ele nesse específico caso. Como ele, também considero aberrante a ação que Putin vem a praticar contra a Ucrânia enquanto nação soberana. Aliás, sofrer nas mãos dos russos tem sido uma rotina para os ucranianos e o ápice desse sofrimento ocorreu sob o tacão de Joseph Stalin. Como é difícil e complicado ser príncipe! Quanto ônus há nessa condição e, naturalmente, em tantas outras que, na medida em que destacam e retiram o anonimato, também fazem escassear a liberdade e o acesso às coisas mais simples e triviais. Já sabia que Charles, e outros da mesma estirpe, por nobreza ou por destaque de fama, não têm o direito a um sorvete na praça. Mas, pior ainda é perder o direito ao exercício do pensamento, da crítica e da livre expressão. Senhores súditos britânicos, deem a Charles seus direitos humanos. Afinal, ele, como nós, também é filho de Deus!
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Como Hitler, Putin também se diz realizador das vontades dos povos anexados. Semelhança estarrecedora, pois todos nós lembramos o apoio popular que o Führer no início e por muito tempo teve, pela via da manipulação das consciências, que tão bem sabia operar, por meio de Joseph Goebbels”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Boca no trombone A oposição detectou um flanco para tentar minar a campanha de Dilma Rousseff (PT): a insatisfação de prefeitos com o governo federal. Descontentes com os critérios de distribuição do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e endividados, os alcaides são considerados por Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) potenciais aliados para desgastar a imagem da presidente sobretudo em pequenas e médias cidades, onde o poder de persuasão da máquina municipal é maior. Grades Dentro do discurso de segurança pública encampado por Aécio, o ponto que setores do governo consideram mais controverso é a redução da maioridade penal em alguns casos. Grades 2 Aliados de Dilma creem que o tema pode se tornar popular e defendem que a petista reforce o discurso de que colocar menores de idade na cadeia ajuda a formar novos criminosos. Limite O potencial de votos dos presidenciáveis apontado pelo Ibope preocupou o QG de Dilma. O instituto aponta que 47% dos eleitores votariam “com certeza” ou “poderiam votar” na presidente, contra 36% de Aécio e 34% de Campos. Limite 2 Em março de 2013, esse índice era de 76% para Dilma. A rejeição da presidente também disparou: 43% dos eleitores dizem que não votariam na petista “de jeito nenhum”, contra 37% de Aécio e 34% de Campos. Cantareira O presidente do PDT, Carlos Lupi, ironiza a a indefinição do ex-prefeito Gil-
berto Kassab (PSD) na sucessão paulista: “Kassab parece um sedento no deserto. Está correndo atrás de um monte de miragem, mas até agora não encontrou água”. Como faz? Apesar das juras de fidelidade de Kassab a Dilma, integrantes do governo disseram ao ex-prefeito que, se for vice do tucano, ele não terá como fazer campanha pela petista no Estado. Fila A Polícia Federal solicitou a quebra de sigilos de diretores da Petrobras que participaram da negociação para compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Os pedidos, que ainda tramitam em fase inicial, serão analisados pela Justiça do Rio de Janeiro. Climão Em meio à crise institucional entre PF e o Ministério Público, surpreendeu os comandantes da Operação Ararath, em Mato Grosso, a presença de um procurador da República no briefing feito aos agentes que atuaram no caso antes de irem a campo cumprir mandados de busca e de prisão. Climão 2 Os delegados da PF,
que acusaram Rodrigo Janot de censura por proibir divulgar informações sobre a operação, dizem que o partiu do procuradorgeral da República a ordem para que um representante acompanhasse a ação, que normalmente acontece de madrugada e só com agentes federais. Pega ladrão O PT registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil da Assembleia de São Paulo pelo sumiço de uma faixa que havia sido pendurada em um auditório para uma audiência pública sobre a falência do sistema prisional no Estado.
A Justiça, e, sobretudo, a Justiça penal brasileira é dura com os pobres e mansa com os ricos, embora ache que temos feito um esforço civilizatório relevante, para sair deste atraso. Temos andado na direção certa, embora não na velocidade desejada. A gente perde muito tempo com coisas irrelevantes. Esse acesso facilitado ao Supremo é uma distorção do modelo que atrasa a Justiça Luís Roberto Barroso, ministro do STF há quase um ano, acredita que o Brasil ainda é um país excessivamente hierarquizado e dividido em classes, o que tem reflexos na Justiça, e defende a importância das manifestações, mas condena a violência.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RICARDO OLIVEIRA
Mediador O governo começou a testar um portal para acompanhar a solução de conflitos entre consumidores e empresas, em conjunto com os Procons. O objetivo é acelerar a análise de reclamações, principalmente de serviços como telefonia, comércio e viagens aéreas. Mediador 2 Por enquanto, a página Consumidor.gov.br só está disponível para residentes de Rio, Maranhão, Distrito Federal e Acre. No segundo semestre, deve funcionar em todo o país.
Tiroteio
Tudo atrasado. Até a “cara da Copa” que se quer impor à cidade, está sendo feita às pressas. Motorista, que teve o carro manchado pela pintura apressada, na trincheira da Djalma Batista, sugere que se contratem grafiteiros para fazer o trabalho, e adverte, para a felicidade geral da Fifa: “Quem tem pressa casa com a sogra”
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Em Minas, palavra dada é sagrada. Aécio e Eduardo tinham um pacto. Como diz o poeta, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. DO DEPUTADO MARCUS PESTANA, presidente do PSDB mineiro, sobre a intenção do PSB de romper acordo e lançar candidato ao governo do Estado.
Contraponto
Guerra dos sexos No início do mês, Geraldo Alckmin (PSDB) participou da cerimônia de formatura de 919 novos policiais civis no Estado. Os alunos com os melhores desempenhos foram chamados ao palco. Apesar de as mulheres representarem apenas 16% do total de formandos, elas eram maioria entre os destaques. Ao discursar para dar os parabéns aos alunos premiados, o governador não escondeu surpresa com a quantidade de mulheres. – As mulheres estão dominando tudo. Logo, logo, vamos precisar criar cota para os homens! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Croácia Há algum tempo, tive o prazer de receber a visita do embaixador da Croácia no Brasil. Estava em Manaus para preparar a chegada da seleção de seu país que aqui deve jogar uma das partidas da Copa do Mundo de futebol. Veio organizar eventos culturais para que na ocasião sua pátria se torne mais conhecida. Como todos os embaixadores, deve ter tido também um olho aberto para as oportunidades comerciais que podem surgir das relações amigáveis entre as duas nações amigas. Por ai dá para perceber que Copa é mais que futebol. Trata-se de uma oportunidade única para os participantes de verem e serem vistos, e isto vale, sobretudo para países com pequenos territórios, mas de grande tradição histórica, cultural e religiosa, como é o caso da Croácia. Para o encontro convidei uma irmã, da congregação das Franciscanas Missionárias de Maria, provavelmente a única croata residente em Manaus. Foi bonito ver o encontro dos dois conterrâneos e perceber que além de falarem a mesma língua partilham a mesma cultura, o mesmo jeito quase que impertinente de fazer perguntas, uma visão de mundo comum. O embaixador além de diplomata mostrou-se um poeta e um homem de profunda sensibilidade pelas questões de fundo do Brasil contemporâneo. De maneira especial mostrou-se preocupado com o diálogo ecumênico e inter-religioso. O torneio mundial de futebol mostra-se então como ocasião única de diálogo cultural e religioso aproximando povos tão diferentes e fazendo-nos perceber as riquezas das diferentes culturas, e ao mesmo tempo somos desafiados a nos explicar melhor.
Nestes dias em que o verde e amarelo vai tomando conta das ruas, pensei muito na visita que recebi e que, sinceramente, espero ter tratado bem, para que esse estrangeiro, que foi meu hóspede por um pequeno lapso de tempo, tenha levado as melhores impressões de meu país e da minha igreja, que faz parte da história e da cultura desta nação. É bom tomar consciência dos altos custos sociais da Copa, e melhor ainda não esquecer a corrupção financeira que ela pode ter gerado e cobrar dos que porventura roubaram. Para isto existe ministério público e policia federal. Também não podemos deixar de lembrar que o Brasil de certa forma entregou parte de sua soberania para Fifa. Mas vamos aproveitar a Copa para sermos hospitaleiros, não porque a presidente pediu, mas porque este é um valor cultural nosso. Façamos uma festa bonita, porque a vida precisa de festa e sintamos como é bom sermos brasileiros e fazer parte desta grande nação que precisa ser pensada e repensada, mas que é nossa. Fiquemos com os nervos a flor da pele durante as partidas do Brasil e explodamos de alegria ou amarguemos a derrota. Vamos nos deslumbrar com o espetáculo das diferentes seleções. Tudo isto sem nos esquecer de que tudo é de fato um grande espetáculo e que a vida se constrói nos compromissos diários, na solidariedade concreta, na fé partilhada, na vida doada. O Brasil será uma grande nação quando não formos mais simples torcedores e espectadores, mas cidadãos livres e conscientes. A Copa pode ajudar. Seja bem-vinda.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Nestes dias em que o verde e amarelo vai tomando conta das ruas, pensei muito na visita que recebi e que espero ter tratado bem, para que esse estrangeiro, que foi meu hóspede por um pequeno lapso de tempo, tenha levado as melhores impressões de meu país e da minha igreja”
Política
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
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Projeto da CMM promete tirar ‘flanelinhas’ das ruas Sob a análise da CCJ do Legislativo, PL nº131/2014 trouxe à tona polêmica em volta dos guardadores de carros da cidade TIAGO CORRÊA/DIRCOM/CMM
Vereador Ednailson Rozenha (PSDB) é o autor do polêmico projeto de lei sobre os “flanelinhas”
deve tramitar com folga. É uma matéria muito polêmica. Contudo, acredito que em 90 dias ela estará sendo enviada para a sanção do prefeito Arthur Neto. Essas pessoas se apropriaram de um espaço que não pertencem só a elas, cobrando ora de maneira abusiva, ora de forma
JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
O
impasse social e político formado em volta da atividade dos flanelinhas, vez ou outra entra na pauta de discussões na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Em 2010, a polêmica envolveu o projeto Zona Azul do Executivo municipal, que autorizou a operacionalização do sistema de estacionamento público, por meio de organizações como cooperativas, sindicatos, instituições públicas e congêneres. A ideia não foi bem digerida pelos profissionais, que protagonizaram inúmeras manifestações dentro e fora da casa legislativa. A briga agora, gira em torno do projeto de lei nº 131/2014 que determina o fim dos trabalhos exercidos por flanelinhas no município, e que atualmente são amparados pela lei 94/2013. O tema polêmico que é discutido em período pré-eleitoral promete dividir as opiniões dos parlamentares, que deverão enfrentar a pressão que os representantes da categoria pro-
metem exercer para boicotar a aprovação da matéria. Idealizador do projeto, o vereador Ednailson Rozenha (PSDB), diz que está preparado para discutir de forma madura o tema, tanto com seus pares, quanto com os flanelinhas. Rozenha, diz não temer a impopularidade. “A população não aguenta mais essa situação, não foi da minha cabeça que surgiu a ideia de desregulamentar a atividade dos flanelinhas, é o povo que não aguenta mais ser extorquido e intimidado. E se meus colegas votarem com consciência, pensando em Manaus e não em votos, eles vão votar comigo”, argumentou. O tucano não acredita em uma votação folgada para o projeto. “Ele não
Zona Azul vai ser implantado Após 4 anos de aprovação, o sistema que instituiu o estacionamento pago em logradouros públicos de Manaus, conhecido como Zona Azul, ainda não foi implantado de fato. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans), isso só deve acontecer no segundo semestre do ano. O projeto da Zona Azul que começou a tramitar na Câmara Municipal de Manaus em setembro de 2010, foi aprovado no mês de outubro daquele ano durante uma sessão tumultuada, em especial pelos flanelinhas que se mostraram descontentes com a nova medida. Ainda conforme a assessoria de imprensa do Manaustrans, o Zona Azul
está em fase de licitação e seu edital passa por análise das empresas interessadas em operar o sistema. Uma das condições impostas pela prefeitura está no uso da mão de obra dos
SISTEMA
Responsável pela implantação do sistema Zona Azul, o Manaustrans afirmou que essa nova modalidade de estacionamento pago será implantado neste segundo semestre flanelinhas pela empresa vencedora. Mas, quem escolherá os pré-requisitos dos candidatos, será a própria empresa, informou o Manaustrans.
NÚMEROS
O presidente da Associação dos Guardadores de Veículos do Amazonas (Aglavam), Henrique André dos Santos, afirma que existem 1.228 mil flanelinhas cadastrados, sendo que 618 atuam no Centro desrespeitosa”, enfatizou. Entre as críticas feitas pelo vereador ao modo de trabalho dos flanelinhas está a falta de uma ouvidoria dentro da Associação de Guardadores de Veículos do Amazonas (Aglavam), a única entidade regulamentada para representar a categoria, para que a população
RICARDO OLIVEIRA
Os guardadores de carros, como o da foto, podem ser vistos em qualquer lugar de Manaus
possa direcionar reclamações, sugestões e críticas. Rozenha ainda destacou na justificativa do projeto, a falta mínima de organização dos trabalhadores, que não possuem identificação e nem uniformes. “Eles sabem que existe uma parte dos flanelinhas usando as prerrogativas da profissão para praticar crimes. Então por que não excluem as pessoas que estão com sua ficha criminal suja?”, questionou. Sem ter uma postura definida quanto ao projeto que está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o líder da oposição na Câmara, vereador Waldemir José (PT), sustentou que ainda não teve acesso às argumentações do colega, mas que não acredita que a simples mudança na lei possa resolver a questão. Segundo o petista, fenômenos sociais como o dos flanelinhas independem da existência de normas para existirem. Ele defende que políticas públicas sejam pensadas não para deixar de lado uma determinada classe de trabalhadores, mas para entendê-la e discipliná-la.
Vereador cobra alternativa social Mesmo integrando a oposição ao Executivo municipal na CMM, o vereador Professor Bibiano (PT) não descarta a possibilidade de votar em favor da matéria, sob a condição de uma alternativa para que os flanelinhas não fiquem sem trabalho. Bibiano enfatizou que o reordenamento da cidade, em especial o do Centro, não pode ser feito em detrimento do sustento de centenas de famílias. “Se eles propuserem uma alternativa plausível para os flanelinhas eu serei favorável, se não, minha consciência não me deixará votar em um projeto que trará prejuízos para esses pais de família”, sinalizou. O parlamentar lembrou que muitos dos trabalhadores que guardam veículos pela cidade não possuem capacitação profissional e que por isso não terão faci-
lidade de encontrar emprego formal, caso o projeto seja aprovado sem nenhuma contrapartida. “Muitos deles trabalham como flanelinhas há mais de 30 anos, como a própria imprensa vem noti-
CONTRÁRIO
Fabrício Lima (SDD) disse que vai votar contra o PL e disse que não vê problemas na presença dos flanelinhas nas ruas. Segundo ele, existem profissionais bons ou ruins em todo lugar ciando. Essa turma não se qualificou e não voltou para a sala de aula. Como ficarão frente ao mercado de trabalho que exige no mínimo o ensino médio?”.
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Política
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
Dilma assina decreto que cria regra para as ONGs
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Meu governo não será aquele que vai negar vitórias do passado” EDUARDO CAMPOS (PSB), que não quer ‘descontinuar’ os programas de Dilma e Lula
COI ameaça levar Olimpíadas 2016 para os EUA O Comitê Olímpico Internacional (COI) não tem a paciência da Fifa em relação aos atrasos nas obras estruturais brasileiras para receber eventos. Deu o ultimato para gestores do Comitê Olímpico Brasileiro (COB): ou o comitê entrega tudo dentro do prazo, sem trapalhadas, ou o Rio de Janeiro pode dar adeus aos Jogos Olímpicos de 2016. Vão de mala e cuia para Chicago (EUA). Cidade preterida pelo COI, em 2009. Tudo pronto A cidade americana tem experiência e estrutura para realizar grandes eventos com maestria. Foi cidade-sede da Copa do Mundo de 1994. Tá feia a coisa O clima entre os comitês não é amigável. O vice-presidente do COI, John Coates, disse: preparativos da Rio 2016 são os “piores” que já viu. Quem, eu? A assessoria do COB negou que tenha levado uma “prensa” dos estrangeiros. O COI não respondeu até o fechamento desta coluna. Pineapple Autoridades norte-americanas assistem de camarote a confusão entre os dois comitês. Se divertem com o abacaxi que virou a história. Padilha assinou com Labogen sem livro-caixa O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha cada vez se enrola mais com as versões do acordo com o laboratório fajuto Labogen, do doleiro Alberto Youssef. O acordo foi assinado em 11 de dezembro de 2013, cinco dias
após a Labogen publicar no Diário Oficial de São Paulo o “extravio” dos livros-caixa. Sem tais documentos, o então ministro não poderia ter acertado a “parceria” que diz não ter se concretizado. No trono A Secretaria de Direitos Humanos pagou R$ 19,8 mil por 27 poltronas giratórias, que num rápido giro pela internet se acha por R$ 400, cada. A luta continua Quem diria, Cuba ainda tem luta de classes: os únicos cubanos que assistirão à Copa no Brasil são os médicos que ganharam ingressos. Somos nós O governo supera hoje os R$ 666 bilhões em impostos coletados. Cristãos dizem que o número é marca da besta. Besta do contribuinte? Meio bilhão De acordo com as investigações da Polícia Federal, os acusados na operação Ararath, no Mato Grosso, movimentaram mais de R$ 500 milhões. Tudo, em princípio, retirado dos cofres públicos. Cuidado nessa hora Levantamento do Secure List mostra: centenas de sites com ofertas de ingressos e produtos da Copa são, na verdade, esquema de hackers para fazer “phishing” (coleta de dados pessoais) sem que usuários percebam. Mais de 60 sites do tipo são encontrados por dia no Brasil. Recaída O passado às vezes condena: ex-assaltante de bancos e ex-viciado, o deputado Luiz Moura (PT-SP) foi flagrado pela polícia
Jornalista
O mundo todo sabe Já chegaram à China os alertas para que torcedores tenham cuidado com a venda não oficial de ingressos para a Copa do Mundo. Em nota, a Fifa diz que cada vez mais pessoas são enganadas por cambistas. Desmoralizado Ladrões invadiram o gabinete do prefeito de Parnaíba (PI), Florentino Neto. Além de uma festa, fizeram discurso contra a falta de segurança: disseram que só entraram lá porque não há polícia para impedi-los. Caminho livre O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), desistiu da sua pré-candidatura a vice de Aécio Neves. Agora apoia o ex-senador cearense Tasso Jereissati para a vaga de uma possível “chapa pura” tucana. Quem diria Ciro Gomes (PSD) telefonou ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) com um aviso: se o PT e Lula não apoiarem o candidato de seu irmão Cid no Ceará, os dois vão apoiar o tucano Aécio Neves (MG). Entre os gringos Há pouco mais de duas semanas da abertura da Copa, apenas o ex-goleiro holandês Van der Sar e o artilheiro sueco Ibrahimovic põem a mão no fogo e cravam o Brasil como o time a ser batido nessa Copa. Novilíngua Foi inevitável no Twitter: “Na prática, o Teori é outro”.
Gramática na cabeça Quando falava, o cearense Carlos Alberto Arruda agredia cruelmente o vernáculo. Mas, justiça seja feita, vivia preocupado com isso. Certa vez, num comício em Sobral (CE), ele levou a assessoria ao desespero, maltratando a língua pátria. No final, quis saber: - E então? Errei muito? - O senhor cometeu 99 erros... - Cuméquié? – o candidato não acreditou. - Cem.
CONGRESSO
Vetos presidenciais na pauta a presidente argumentou que as regras permitiriam a “expansão expressiva” do número de municípios no país, com aumento de despesas de manutenção de sua estrutura administrativa e representativa. No Senado, o autor do projeto, senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), apresentou outro texto (PLP 397/14) sobre o tema que já está em tramitação na Câmara. O go-
DIVULGAÇÃO
paulista numa reunião com bandidos do PCC. Talvez quisesse regenerá-los...
PODER SEM PUDOR
O Congresso Nacional tem sessão marcada para as 19h de terça-feira (27), para analisar 14 vetos da presidente Dilma Rousseff a projetos de lei. O principal deles é o veto total ao projeto de lei complementar 416/08, do Senado, que regulamentava a criação de municípios, estabelecendo critérios como viabilidade financeira, população mínima e plebiscito. Ao vetar esse projeto,
Medida define um marco regulatório para organizações do terceiro setor. Convênios geraram crise política em 2011
verno concorda com esse novo texto, que facilita a criação de municípios no Norte e no Nordeste. Nas outras regiões, o projeto prevê novas exigências, além de incentivos para a fusão e incorporação de municípios que se mostraram inviáveis economicamente. O PLP 397 pode ser votado no plenário da Câmara dos Deputados na quarta-feira (28).
Segundo Dilma, com as novas regras haverá mais segurança jurídica para os gestores de ONGs
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presidente Dilma Rousseff assinou, nesta sexta-feira (23), decreto que estalece regras e diretrizes para o funcionamento no país de Organizações Não Governamentais (ONGs). Conhecida como Marco Regulatório das ONGs, a norma começou a ser elaborada, em 2011, após virem à tona denúncias de corrupção envolvendo contratos entre essas organizações do terceiro setor e ministérios do governo Dilma. À época, a crise política levou à demissão dos ministros do Esporte e do Trabalho. Defendido pelas próprias ONGs como uma maneira de moralizar o segmento, o novo marco regulatório foi oficializado durante a Arena de Participação Social, evento promovido pelo governo federal, em Brasília. A iniciativa reuniu durante três dias representantes do Executivo e de movimentos sociais. Na mesma cerimônia, Dilma também assinou decreto que institui a Política Nacional de Participação Social e entregou troféus
aos vencedores da 5ª edição do Prêmio ODM Brasil. Na solenidade que oficializou o novo conjunto de regras para o terceiro setor, Dilma defendeu a implementação do marco regulatório. “Com elas [novas regras] nós vamos garantir uma coi-
DEFINIÇÕES
O Marco Regulatório define ainda um escalonamento das prestações de contas dos convênios. Agora, as prestações devem ser feitas ao longo da execução dos convênios, de forma sistemática sa importantíssima, que é mais clareza e mais segurança jurídica para os gestores das ONGs e vamos reconhecer algo que é fundamental. Vamos reconhecer o papel das ONGs na execução de políticas governamentais de uma forma explícita”, destacou a presidente.
De acordo com o secretário executivo da Secretaria Geral, Diogo de Sant’Ana, o marco regulatório das ONGs é baseado em quatro eixos principais. O primeiro deles especifica quais despesas de custeio podem ser financiadas com os recursos provenientes de convênios com o governo federal. Até então, explicou Sant’Ana, não ficava claro se os gastos com internet ou combustível, por exemplo, eram passíveis de ressarcimento público. Com o decreto, fica determinado que essas despesas são reembolsadas, desde que estejam previstas no plano de trabalho e sejam necessárias para a execução do convênio. Outra mudança na gestão das ONGs determinada pelo decreto é com relação ao pagamento das equipes de trabalho contratadas. Em vez de um salário fixo mensal, os contratados por essas organizações devem receber por hora trabalhada valores proporcionais à atividade que exercem.
Com a palavra
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Cláudio PEIXOTO
‘Agora, A LEI PUNE a pessoa JURÍDICA’
FOTOS: IONE MORENO
JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
Q
Ela é uma resposta a pactos internacionais assinados pelo Brasil em 2012, junto a várias organizações. O Brasil se comprometeu a combater a corrupção e com a nova lei (...) é possível punir as empresas que se envolverem em qualquer ato ilícito e, que, por meio de agentes públicos gerem danos ao erário”
ue a lei nº 2.846 2013, conhecida como a Lei Anticorrupção está em vigor muitos já sabem, mas o que ela significa e o que muda na relação entre o empresariado brasileiro e os agentes públicos é um pouco mais difícil de entender. Acostumado a traduzir temas polêmicos, o auditor e diretor da KPMG, Cláudio Peixoto, esteve em Manaus na semana passada para promover um painel de gestão integrada, onde se discutiu a nova lei e seus impactos no ambiente corporativo. Em conversa com a reportagem, Peixoto deixou claro que ainda existem pontos a serem regulados na matéria. Mas, enfatizou que o combate à corrupção no país ganhou uma forte aliada, mais moderna até que leis implantadas em países como os Estados Unidos e Inglaterra. “A lei brasileira tipifica como crime os atos lesivos contra a administração pública, o que engloba a corrupção, mas não é restrito a ela. Ela também pune fraudes em licitações e desequilíbrio econômico no teor da licitação. Então acaba sendo mais moderna porque ao contrário das de países como Estados Unidos e Inglaterra, ela prevê isso em seu arcabouço”, analisou. A KPMG é conhecida internacionalmente por ser formada por firmas independentes que prestam serviços de auditoria entre outros, desde 1987. Ela possui aproximadamente 4 mil profissionais espalhados por 22 capitais brasileiras. Em Manaus, seu escritório funciona no 8º andar da torre Business do Millenium Shopping. EM TEMPO No que consiste a Lei Anticorrupção? Cláudio Peixoto - Ela é uma resposta a pactos internacionais assinados pelo Brasil em 2012, junto a várias organizações. O Brasil se comprometeu a combater a corrupção e com a nova lei, que foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 1º de agosto de 2013 e entrou em vigor em 29 de janeiro de 2014, é possível punir as empresa que
se envolverem em qualquer ato ilícito e, que, por meio de agentes públicos gerem danos ao erário. EM TEMPO - O que muda do ponto de vista prático com a chegada dessa lei? CP - Ser corrupto e pagar propina sempre foi considerado crime no Brasil. Isso desde a época do império, quando Dom Pedro 1 lançou o primeiro código penal. Mas, sempre o responsável ou a pessoa que era punida em função desse ato ilícito era a pessoa física, a empresa nunca era punida. A novidade da lei é que agora ela pune a pessoa jurídica. Mesmo assim, as demais leis não mudam. Então, a pessoa física continua respondendo pelos seus atos, de acordo com as leis vigentes. EM TEMPO - A lei está à altura das leis internacionais? CP - A lei brasileira tipifica como crime os atos lesivos contra a administração pública, o que engloba a corrupção, mas não é restrito a ela. A lei também pune fraudes em licitações e desequilíbrio econômico no teor da licitação. Então acaba sendo mais moderna porque, ao contrário das de países como Estados Unidos e Inglaterra, ela prevê isso em seu arcabouço. EM TEMPO - O que muda na rotina administrativa das empresas? CP - O empresário terá que ficar mais atento. Agora não vale mais dizer à Justiça que não tinha conhecimento de determinado fato ilícito feito por um dos seus empregados ou colaboradores. Na prática, se a empresa contrata um terceiro para fazer algo e ele faz esse serviço de maneira ilícita, a empresa que contratou aquele terceiro é responsável por ele. Se um empresário de Manaus contrata um despachante para liberar mercadoria do PIM no porto ou obter determinada licença e esse despachante usar de artifícios ilícitos para conseguir esse benefício, o responsável também será o contratante. EM TEMPO - Como a empresa pode se proteger? CP - De modo geral, eles podem se proteger por meio de um programa de “com-
plains” nas suas empresas. Falando de maneira clara com seus funcionários, qual a conduta esperada nos negócios a partir de agora e estendendo essa comunicação também para seus parceiros de negócios. E naturalmente colocar tudo isso em contrato. Colocar no papel qual a conduta que ele espera dos terceiros, formular cláusulas contratuais que permitam a ele fazer auditoria, caso suspeite de alguma atividade ilícita. Alem disso, verificar qual o programa de integridade desse parceiro. Se ele tem os mesmos padrões de qualidade exigidos no seu negócio. EM TEMPO - Mesmo sendo a lei muito recente, existe algum histórico de empresas punidas em virtude da nova legislação? CP - Não. Mas, tenho conversado com autoridades reguladoras em vários locais do país e estamos vendo que a preocupação de um bom número delas é de se adequar ao que exige a lei. Tenho certeza, que ela já está mudando o padrão comportamental do empresariado brasileiro. EM TEMPO - Existem lacunas no texto aprovado pela presidente Dilma Rousseff? CP - Algumas coisas precisam de decreto para ficarem mais claras. Um exemplo é sobre quem ficará responsável pela investigação e apuração de denúncias. Será a Controladoria-Geral da União, Ministério Público, Justiça, Poderes Legislativos? Isso ainda está indefinido na maioria das capitais, menos em São Paulo e Tocantins, que já publicaram decretos em nível municipal. EM TEMPO - A nova lei se aplica a empresas que participam de consórcios? CP - As empresas que participam de consórcio, no âmbito do contrato são responsáveis pelo cumprimento da lei. Não importa quem descumpre a regra, todos serão punidos. Isso se aplica a qualquer tipo de sociedade, simples, associações, fundações e qualquer tipo com negócios no Brasil. E as empresas estrangeiras que têm negócios no Brasil também têm que cumprir a lei. EM TEMPO - Supon-
do que um agente público está fora do país sendo beneficiado ilegalmente por uma empresa. Ambos podem ser penalizados pela força da nova lei? CP - A lei fala que é proibido dar uma vantagem indevida para agente público ou pessoa relacionada a ele em território nacional ou internacional. Então, se uma empresa dá uma vantagem para um agente do governo no exterior, ele vai ser inquirido aqui no Brasil a cumprir a lei e pagar as multas. EM TEMPO - E quais são as penalidades que podem ser imputadas para a empresa infratora? CP - As multas podem chegar até 20% do faturamento bruto do ano anterior. O que é um valor bastante relevante. Poucas empresas conseguem ter um lucro líquido após pagar impostos e custos. Além disso, ela pode sofrer impedimento de bens, ser obrigada a devolver o valor aferido de maneira ilícita dos cofres públicos, ter suas atividades suspensas ou mesmo encerradas. EM TEMPO - Uma empresa imputada em um processo pode conseguir leniência (tolerância) de/junto aos órgãos reguladores? CP - Sim. A empresa que percebe diante de um ato ilícito pode fazer um acordo com a autoridade reguladora. Nesse caso existem alguns requisitos que deverão ser observados. O primeiro é deixar explícita a vontade de ter o órgão regulador na apuração dos fatos. Ela deve ser a primeira empresa a se manifestar e naturalmente contribuir de forma significativa no processo de investigação. Se a empresa consegue fazer isso, ela consegue negociar a leniência. EM TEMPO - Então a lei deve colaborar para a diminuição de crimes envolvendo o beneficiamento de empresas por políticos? CP - Não tenho conversado com políticos. Minha conversa é bem direcionada aos empresários. Mas, acredito que sim. Eles vão ficar mais tímidos. As próprias empresas estão temendo essa relação.
A lei brasileira tipifica como crime os atos lesivos contra a administração pública, o que engloba a corrupção, mas não é restrito. Também pune fraudes em licitações e desequilíbrio econômico”
As multas podem chegar até 20% do faturamento do ano anterior. O que é um valor bastante relevante. Poucas empresas conseguem ter um lucro líquido após pagar impostos e custos”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
Artesãos em tempos nada favoráveis Economia B3
Ano eleitoral preocupa o setor da indústria do AM
No dia dedicado à atividade industrial, o EM TEMPO ouviu empresários e trabalhadores sobre as preocupações futuras
Maior força econômica do Estado, o Polo Industrial de Manaus é responsável por mais de 130 mil empregos diretos e de 800 mil indiretos, com faturamento na ordem de R$ 83,28 bi em 2013 JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
A
importância do setor industrial para o desenvolvimento do país, em especial do Amazonas, é inegável. O chamado segundo setor subsidia no Estado uma média de 130 mil empregos diretos e 800 mil indiretos, conforme dados do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal). E no dia de hoje, dedicado ao seguimento, empresários e dirigentes de entidades falam dos benefícios e da preocupação dos impactos do ano eleitoral sobre a indústria. Para o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Thomaz Nogueira, apesar dos percalços vividos pelo polo de duas rodas, que teve uma brusca redução na produção, a indústria amazonense tem o que comemorar. “Estamos vivendo um primeiro semestre aquecido, por conta da produção de itens ligados à Copa do Mundo, e o segundo semestre deve acompanhar o ritmo”, afirma. Conforme Nogueira, por ser um ano eleitoral, 2014 segue com políticas públicas mais comedidas para o setor, contudo, não se configura como momento de estagnação econômica. “Registramos números maiores que a média nacional neste início de ano. As contratações também estão acontecendo.”, ressalta. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, avalia que, mesmo a indústria amazonense tendo avançado, ela precisa de um olhar mais estratégico do grupo político que for escolhido nas eleições deste ano, para comandar o país pelos próximos 4 anos. Silva alerta sobre “nuvens cinzas” sobre o Polo Industrial de Manaus (PIM). “Vivemos o clima de uma Copa do Mundo, mas, qual será
o legado disso? Estamos às vésperas de um pleito eleitoral, e quais serão os impactos disso? São muitos os pontos de interrogação. O dinheiro tem circulado e os empregos estão sendo gerados, mas, o que realmente se quer para o Amazonas?”, questiona. Para o dirigente, os demais Estados brasileiros precisam sentir que o governo federal está mais incisivo quanto às necessidades do Amazonas e deixem se criar empecilhos para as políticas econômicas voltadas para o Norte do país. “Exemplo claro das dificuldades que a indústria do Amazonas enfrenta é a celeuma formada envolta da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que prorroga a Zona Franca de Ma-
Orgulho dos trabalhadores
PATRONO
O Dia da Indústria foi instituído pelo presidente Juscelino Kubitschek (1957), em memória do engenheiro Roberto Simonsen, patrono da indústria nacional, que faleceu no dia 25 de maio de 1948 naus e expande seus benefícios para o interior do Estado. Levou muito tempo para ser apreciada e agora mais outra quantidade de tempo para sua votação em segundo turno”, critica. Silva disse esperar que o novo governo, seja ele um reeleito ou não, foque no combate à inflação, e implante políticas públicas mais claras. “A carga tributária tem sido muito alta não só para a indústria, mas, também para o consumidor. O item infraestrutura é outro que precisa ser levado mais a sério. Ela não pode ser deixada de escanteio, como fizeram com o sistema aeroportuário que deixa a desejar”, aponta.
Antônio Silva diz que setor precisa de mais atenção do país
Qualificação dos funcionários Se nos últimos anos o setor industrial tem favorecido o crescimento das empresas instaladas no PIM, o mesmo tem colaborado também para a geração de mais empregos. A conclusão é do presidente do Sindmetal, Waldemir Santana. Ele acredita em uma projeção positiva para o Estado, no decorrer do ano. “Está sendo bom para os dois lados. Entretanto, constatamos que os empresários reclamam muito e deixam de estender os benefícios aos trabalhadores”, pondera.
Santana aponta a falta de interesse do empresariado em qualificar seus funcionários, e afirma que eles deixam a atribuição apenas para os poderes públicos. Para o sindicalista, as empresas deveriam se aproximar mais do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). “Os empresários precisam gastar mais com a qualificação dos trabalhadores e se interligar com o Cetam, e com isso dar a oportunidade que industriário precisa para se qualificar dentro do próprio ambiente de trabalho”, sugere.
As industriárias Alexandra Lima, 35, e Kissiane Teixeira, 25, sustentam que não possuem motivos para reclamar dos empregos. Elas ressaltam que mesmo tendo que ficar muitas horas longe de casa e da família, há vantagens em trabalhar do setor por ser muitos os benefícios ofertados por meio dos seus empregadores. “Ao contrário do que muitos falam, não é nenhum bicho de sete cabeças trabalhar em fábricas. É por meio desse trabalho que eu posso dar aos meus filhos uma assistência médica melhor. E a minha remuneração é satisfatória”, comemora Kissiane. Ela é operadora de produção de uma empresa de eletroeletrônico, instalada no Polo Industrial 2, localizado na Zona Norte de Manaus. Alexandra, que desempenha a função de operadora de máquina em outra empresa de eletroeletrônico,
localizada também no PIM 2, ressalta que além dos benefícios apontados pela colega, o emprego na indústria tem ofertado a ela o aprimoramento das suas relações interpessoais. “Convivemos com pessoas de diferentes pensamentos e isso nos deixa mais integrada aos grupos. Muitas vezes, das amizades feitas dentro das empresas, conseguimos trabalhos ainda melhor”, avalia. Para o técnico em logística Richard Ferreira Seixas, 26, que trabalha há 4 anos na Whirlpool, o setor “é o melhor lugar” para construir uma carreira. Principalmente para quem cursa o ensino médio e procura sempre se capacitar para agarrar com unhas e dentes as oportunidades de subida de posto, que surgem com alguma frequência nas fábricas. Ele começou no chamado “chão de fábrica”, e agora atua no setor de liberação fiscal.
Benefícios agradam operários que buscam fazer carreira
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
PÁGINADIGITAL DIGITAL
Tricia Cabral [suapaginadigital@gmail.com]
Layout: Mário Henrique Silva
∞ LANÇAMENTO
Bits & bytes
Nem só de Apple e Samsung Galaxy vive o mundo da telefonia móvel. Na próxima terça-feira, a LG lança, em Londres, seu mais novo brinquedinho: o G3. Se para alguns, G3 significa apenas um pavimento no estacionamento de um shopping, para os “celulólatras” o aparelho chega para dar trabalho à concorrência. Com um processador Snapdragon 801, 3 GB de memória RAM e 32 GB de armazenamento interno, o G3 tem tela de 5,5 polegadas, com resolução de 2560 por 1440 pixels e uma câmera de 13 megapixels com estabilização óptica, além de ser resistente a água, o que é melhor ainda.
∞ Enquanto isso... Outra concorrente da Apple e da Samsung, a Nokia – que não é sumidade em smartphones, mas tem uma bateria boa “para caramba” – anunciou o lançamento do
∞ Halo 5
Lumia 630, que chega ao Brasil em junho por R$ 699. O aparelho será o primeiro a vir com o novo sistema operacional Windows 8.1, tem tela de 4,5 polegadas, processa-
dor Snapdragon S400 com quatro núcleos de 1,2 Ghz, câmera traseira de 5 Mpixels, 8 Gbytes de armazenamento e TV digital. A versão sem televisão vai custar R$ 549.
∞ Relógio inteligente
A Microsoſt e a 343 Industries anunciaram o lançamento de um novo episódio da série “Halo”. É “Halo 5: Guardians”, que dá continuidade à saga do protagonista Master Chief. O game vai chegar às lojas no segundo semestre de 2015 e vai ser exclusivo para Xbox One. O jogo vai utilizar uma nova engine e rodará em 60 quadros por segundo. O ano de 2015 também terá o lançamento da uma série de TV baseada nos jogos “Halo” e produzida por ninguém menos que Steven Spielberg.
A Samsung reinou absoluta no mercado de relógios inteligentes. No primeiro trimestre de 2014, as entregas de produto aumentaram 250% em comparação ao mesmo período de 2013. Os números foram divulgados pela Strategy Analytics, empresa de análise de mercado de tecnologia. Só para lembrar que, neste ano, a empresa lançou a segunda versão do relógio inteligente, o Gear 2 (foto), além de uma nova versão focada em exercícios, o Gear Fit.
∞ Dá-lhe Google! O Google ultrapassou a Apple como a marca mais valiosa do mundo, ao ser avaliado em US$ 158,8 bilhões, um crescimento de 40% em relação ao ano passado. O valor da Apple caiu 20%, para US$ 147,8 bilhões. A empresa liderou o ranking BrandZ, desenvolvido pela consultoria Millward Brown Optimor, do grupo WPP, nos últimos 3 anos. Mesmo com queda de 4%, a IBM permaneceu em terceiro lugar, avaliada em US$ 107,5 bilhões. Em seguida estão Microsoſt (quarto lugar, com US$ 90,1 bilhões) e McDonald’s (quinto, com US$ 85,7 bilhões). O Facebook teve um crescimento de 68%, o que o colocou no 21º lugar do ranking, com valor de US$ 36 bilhões.
∞ No segundo semestre estampas dos calçados. O tênis ZX Flux vai usar o recurso integrado ao aplicativo Adidas Photo Print, que ainda não foi lançado, para smartphones. Então,
Down loads 1o viaProtect viaProtect é um app que monitora o envio de dados do dispositivo. Traz três tipos diferentes de monitoramento. O primeiro, chamado Organizations, mostra para quais empresas seus dados estão sendo enviados. O segundo (Countries) apresenta os países para os quais as informações que estão no seu dispositivo são. Por último, no Encrypted Traffic, que monitora e mostra que parte dos seus dados são cripografados e qual parte está sendo enviada sem esse tipo de segurança. 2o 3o 4o 5o 6o
Waze Switch Skate Guide Origin Deezer LearnDiscovery
7o 8o 9o 10º
Outlook Gmail Waves Paper Camera FONTE: INFO
>>>> A Fundação Mozilla, que defende o uso de software livre, se rendeu ao código fechado. As próximas versões do Firefox terão suporte ao DRM, tecnologia proprietária que visa ao combate à pirataria. Com ele, os usuários poderão assistir a vídeos, como os do Netflix, sem precisar baixar o Flash ou outros complementos multimídia. Como outros navegadores adotaram o DRM, a Mozilla temia perder usuários num futuro próximo. >>>> Apesar da rivalidade nos tribunais, Apple e Samsung continuam bons parceiros de negócios. O site “Cnet” revelou que, no último trimestre, a Samsung forneceu 62% das telas necessárias para produzir o iPad de 9,7 polegadas. Acredite.
Quando a gente pensa que viu tudo, vem a Adidas com um novo tênis que permitirá que seus usuários utilizem fotos armazenadas em seus celulares para se tornarem
Os 10 apps mais legais da semana
>>>> O Facebook está desenvolvendo um aplicativo para rivalizar com o serviço de mensagens efêmeras Snapchat. Segundo o jornal “Financial Times”, fontes internas disseram que a ferramenta, chamada de Slingshot, pode ser lançada pela empresa até o final deste mês. O aplicativo possibilita que os usuários troquem fotos, vídeos e mensagens privadas que se autodestroem segundos após serem visualizadas.
ao comprar o tênis pela internet, o usuário envia a foto desejada como um “selfie”, por exemplo, e terá a imagem no par de tênis, criando um calçado personalizado.
Top news 7 novidades em apps para IOS e Android 1 Adobe Voice Permite criar apresentações em forma de vídeo rapidamente.
2 Perfect 365 Permite melhorar retratos e autorretratos aplicando maquiagem às fotos. 3 Watch Over Me É um app de segurança pessoal que avisa a familiares e amigos quando o usuário sofre algum tipo de violência ou acidente.
4 Documentos e Planilhas Google Google lançou apps específicos para eles, que têm a vantagem de funcionar off-line.
6 Puzzle Alarm Clock É um despertador à prova de dorminhocos. O alarme não desliga até que o usuário cumpra alguns quebra-cabeças.
5 SoundTracking Identifica a música que está sendo tocada no ambiente ou no próprio smartphone.
7 Digg Envia em destaque as notícias que os usuários mais curtem. FONTE: EXAME
>>>> O Brasil encerrou o mês de abril com 18,58 milhões de assinantes de TV paga, conforme dados divulgados na quarta-feira, 21, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No fim de março, a base de clientes do setor totalizava 18,40 milhões de assinaturas. Ainda assim, o serviço continua muito ruim. >>>> O Twitter está negociando a compra do SoundCloud, um dos principais serviços de compartilhamento de áudio na internet. Segundo o site “Re/code”, a aquisição provavelmente seria a mais cara da história do microblog, uma vez que o SoundCloud está avaliado em US$ 700 milhões. A compra seria uma maneira do Twitter expandir sua quantidade de usuários.
Economia
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Artesãos vivem momento desfavorável no mercado
DIEGO JANATÃ
Eles afirmam que o turista estrangeiro evita a compra de peças caras e que nem a Copa do Mundo mudará o cenário
Artesão José Alcântara e seus colegas de profissão afirmam que, na tenda instalada no porto de Manaus, as vendas estão resumidas a peças pequenas e muito pouco tem saído dos produtos maiores
A
s expectativas dos artesãos de Manaus, para as vendas no período da Copa do Mundo não são as melhores. O termômetro que comprova o desaquecimento do mercado, de acordo com o artesão José Alcântara, são os próprios visitantes que têm passado pelos pontos de vendas a procura apenas de “lembrançinhas” de valor baixo. O artista sustenta que, o turista estrangeiro tem se preocupado em poupar durante a permanência na capital amazonense. “As vendas estão se limitando às pequenas peças e acreditamos que durante a Copa vai continuar assim. Eles procuram objetos com baixo valor. As esculturas maiores, com uma simbologia mais amazônica, são procuradas mais pelos colecionadores locais”, afirma Alcântara. Ele aponta que os turistas que mais têm se mostrado dispostos a gastar uma quantia a mais com os produtos artesanais são os próprios brasileiros e os japoneses. “Esses dois são os que gastam um pouquinho mais. Americanos, holandeses e outros estão se-
gurando o bolso”, observa. O artesão, que possui ateliê e também expõe suas obras com valores que vão de R$ 6 mil a R$ 25, está com outros artistas em uma tenta provisória, instalada na Estação Hidroviária do Amazonas, Centro, Zona Sul, por conta da reforma pela qual passa a Central de Artesanato Branco e Silva, bairro Adrianó-
FEIRA
O Estado do Amazonas já sediou por duas vezes a Feira do Artesanato Mundial (FAM). O encontro reuniu artesãos amazonenses e outros artistas de mais de 20 países de todos os continentes polis, Zona Centro-Sul. Com as vendas em baixa e expectativas negativas, o artesão Marcelino dos Santos Borges, 73, que comercializa réplicas de embarcações regionais, há 30 anos na Central Branco e Silva, diz que passa dias sem vender se quer uma peça. “Essa é a minha realidade. Mas pretendo continuar meu trabalho”, afirma.
Seu Marcelino, como é conhecido entre a classe, tem como matéria-prima de suas peças o talo do buriti, e as vende por preços que variam entre R$ 15 e R$ 250. Ele garante que durante a Copa não pretende aumentar o valor dos produtos. “Muitos que não estão vendendo bem, podem até aumentar os preços de forma maldosa durante os jogos para tirar o lucro perdido agora, mas eu não. Vou continuar trabalhando com preços justos”, garante. A artesã Patrícia Brito, 34, resume a situação do segmento em uma frase. “Estamos resistindo”. Ela integra a Cooperativa de Artesanato do Amazonas, e lamenta a falta de divulgação das atividades artesanais no Estado. “Somos exemplo de que a própria comunidade não sabe onde podem encontrar os nossos produtos”, comenta. Segundo Patrícia, após anunciada a reforma da central, os artistas foram informados que iriam ao porto de Manaus, com a promessa de vendas melhores. “Aqui, os turistas que chegam nos navios nem passam por aqui, porque os ônibus de passeio os pegam nas entradas das embarcações e passam longe da nossa tenda”, reclama.
Feira da praça também sofre baixa Os artesãos que trabalham na feira permanente de Artesanato, na praça Tenreiro Aranha, localizada na rua Guilherme Moreira, Centro, Zona Sul, concordam com os colegas do porto de Manaus. Graciele Anjos de Souza, 54, diz que trabalha há 12 anos no lugar e que poucas vezes projetou vendas baixas para um período tão movimentando, como espera que seja o da Copa em Manaus. “Meus colegas não estão mentindo. Infelizmente o turista que virá (para Manaus) só irá comprar coisas baratinhas como pulseiras e brincos. Não que essa venda não nos interesse, mas assim as maiores vão ficar encalhadas”, garante.
Exposição no Fifa Fan Fest Conforme material divulgado pela Secretaria de Estado de Trabalho (Setrab/ AM), 60 mil peças artesanais, entre elas as de artistas amazonenses, estarão expostas para comercialização durante a Copa do Mundo, onde serão realizados os eventos do Fifa Fan Fest, das cidades-sede dos jogos. As peças foram selecionadas por meio de edital do Ministério da Cultura e Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, no dia 21 de
fevereiro deste ano. Participar do certame, profissionais brasileiros, que por meio de associações e cooperativas, desenvolvessem trabalhos de valor simbólico e estético, que expressem os valores culturais do país. A reportagem tentou contato com responsáveis da Setrab, para informar quais os projetos desenvolve para o artesão amazonense, mas até o fechamento da edição não atenderam nos números 9621-22XX e 9137-25XX. ALFREDO FERNANDES/AGECOM
JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
Artistas reclamam da falta de promoção das suas obras
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Economia
Economicamente ativo Pessoas que não se qualificaram profissionalmente quando mais jovens ganham em média de R$ 1 mil a R$ 2,4 mil, por mês, com o serviço de guardadores de carros e, com isso, adquirem bens como casa e carro e sustentam suas famílias SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
O
trabalho é cansativo. Geralmente vai das 8h às 18h no Centro de Manaus, Zona Sul. O trabalhador não tem tempo nem para almoçar direito e dependendo do dia, a média de ganho gira em torno de R$ 50 a R$ 100, o que rende um faturamento mensal aproximado de R$ 2,4 mil, enquanto outros alcançam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Quem afirma são os próprios guardadores de carro (flanelinhas), que afirmam que não há tabela de preço. “As pessoas pagam quanto quiserem ou puderem. Não tem atrito. Geralmente pagam de R$ 2 a R$ 5”, afirma o flanelinha Luiz Ribeiro, 42. Ele conta que começou a trabalhar como guardador de carros aos 16 e lembra que há 10 anos não falta um dia ao ponto (trabalho), situado na rua Joaquim Sarmento. ‘’Comecei em 1987. No início fui vender sacola, mas vi que não era futuro e ai eu vim reparar carro no Centro e desde então continuo atuando na mesma rua’’, diz. Ribeiro é natural de Marabá, município do Estado do Pará. Veio para Manaus aos 6 anos
de idade com a família. De acordo com ele, até procurou por outros empregos, mas não conseguiu vaga em nenhum estabelecimento. Ainda segundo o flanelinha, o que influenciou na frustrada busca por um emprego formal foi o fato de não ter qualificação. ‘’Minha carteira de trabalho
Além de guardar carros, nós atuamos como guia turístico, dando informações para a população e ainda como vigia das lojas Luiz Ribeiro, flanelinha
nunca foi assinada e acredito que nunca será. Deixei de pagar todos os tributos porque o que ganhava só dava para sustentar a família. Estou com 42 anos, se eu estivesse pagando INSS faltaria pouco para me aposentar’’, relata Ribeiro. Ao longo dos anos de trabalho, o flanelinha conta feliz que conquistou um bom patrimônio.
Comprou a casa própria e dois carros. O primeiro foi roubado durante um assalto que sofreu em sua casa em 2010 e que até hoje não foi recuperado. ‘’Atualmente eu já não vivo somente de guardar carros. Faço frete quando dá, para ter uma renda melhor e sustentar os filhos’’, comenta. Enquanto alguns flanelinhas conseguiram comprar a casa própria com o dinheiro obtido na profissão, outros ainda vivem de aluguel, como é o caso de Ricardo Melo da Silva, 40. Ele diz que trabalha há mais de 30 anos como flanelinhas no Centro, com o irmão Alexandre Melo da Silva, 45. Mas, Ricardo, que ganha em média R$ 50 por dia, não conseguiu guardar dinheiro e muito menos sair do aluguel. “Tenho que comprar as coisas para casa. Não tem como juntar e, além do mais, ganhamos muito pouco”, afirma. Ao contrário de Ricardo, Alexandre conseguiu com o trabalho como flanelinha comprar um terreno e construir uma casa. De acordo com ele, falta apenas acabamento nas paredes e fazer o banheiro. ‘’Trabalho das 6h às 18h. Folgo só no domingo. E quando o movimento é fraco faço entre R$ 50 e R$ 60’’, revela.
O flanelinha Luiz Ribeiro diz que começou a atuar no ramo desde 1987, quando o Centro de Manaus come
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eçava a receber muitos veículos diariamente e já comprou casa e carro
Proprietários de carros reclamam da cobrança do serviço
‘Uns mancham a categoria’ Para a comerciante, Iraídes Araújo, os flanelinhas ajudam a organizar o trânsito e o estacionamento nas ruas do Centro da cidade. Segundo ela, eles tomam conta muito bem das ruas e dos carros e são responsáveis. “Tem uns que mancham o trabalho da categoria, mas esses que estão há muitos anos na profissão são confiáveis”, destaca. Ela ressalta que a falta de estacionamento no Centro é um problema sério. “Muitas pessoas não vem para cá (Centro) porque não tem onde estacionar”, observa. Iraídes diz que os flanelinhas guardam algumas va-
gas, o que para ela facilita que as pessoas encontrem uma vaga para estacionar o carro em local seguro. No entanto, outras pessoas como o autônomo Bruno Cruz Pereira são totalmente contra os guardadores de carro. Segundo ele, é um absurdo pagar R$ 2 ou R$ 3 para estacionar o automóvel na rua, sendo que é uma via pública. “Quando temos que vir ao Centro, é uma luta pra conseguir estacionar o veículo e ainda temos que pagar quando encontramos. Acabamos pagando porque precisamos, senão, como vamos fazer as compras?”, questiona.
Um “extra” para ampliar renda Os flanelinhas, além de guardar os veículos, oferecem também outros serviços para o dono do automóvel como, por exemplo, a lavagem de carros, que em alguns pontos é cobrado R$ 15. De acordo com o flanelinha Alexandre Melo, esta é uma forma que eles encontraram para aumentar a renda.“Tem dias que eu consigo fazer até R$ 100’’, comenta. O atendimento oferecido pelos flanelinhas que trabalham há muitos anos na profissão também recebe uma atenção especial. De acordo com Luiz Ribeiro, quando chove,
eles levam os clientes de guarda-chuva para o carro ou para as lojas. Pelo fato de trabalharem durante anos como flanelinhas, Ricardo Melo, revela que a maioria das pessoas os conhecem desde jovens e que se acabarem com a profissão, eles não terão como sustentar as suas famílias, pois não sabem fazer outro serviço, fora que não conseguirão emprego por não terem experiência. “Esperamos que se nos tirarem da rua, que nos dêem estudo e qualificação para que possamos ser reaproveitados em outra função”, conclui Ricardo. RICARDO OLIVEIRA
RICARDO OLIVEIRA
DIEGO JANATÃ
na vida de ‘flanelinha’
Lavagem do veículo é um serviço a mais ao de guardar carros
País
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Tráfico no exterior deixa 3,2 mil brasileiros encarcerados
QUEDA
Amazônia Legal reduz em 20% desmatamento
Maioria dos brasileiros presos está em países da Europa (34%), principalmente em Portugal, Espanha e Itália. Países da América do Sul concentram 27% DIVULGAÇÃO
O
número de brasileiros presos no exterior chegou a 3.209 em 31 de dezembro de 2013, sendo que 30% deles respondem por tráfico ou porte de drogas, segundo levantamento divulgado pelo Itamaraty. O balanço mostra um aumento de 28% no total de brasileiros presos em outros países, se considerados os dados recolhidos pelo Itamaraty em 2011. Esse aumento, no entanto, não é todo real: se deve parte ao crescimento de fato nas prisões (sobretudo na América do Sul) e parte por uma melhoria dos dados colhidos pelo governo brasileiro (que não são, necessariamente, repassados ao Brasil de forma automática). Desde 2011, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) coordena as informações sobre os brasileiros presos fora do país. Estima-se que a comunidade brasileira que vive em outros países chegue a 2,5 milhões de pessoas. A maior parte dos brasileiros presos está em países da Europa (34%), principalmente em Portugal, Espanha e Itália. Países da América do Sul concentram outra fatia importante deles (27%), especialmente Paraguai, Bolívia e Guiana Francesa.
Os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 20% entre agosto de 2013 e abril de 2014, comparado ao mesmo período de 2012/2013. Os dados, divulgados esta semana, são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Seguindo a tendência de diminuição apresentada, em fevereiro, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a área da Amazônia Legal afetada no período caiu de 1.872,85 quilômetros quadrados para 1.500,53 quilômetros quadrados. O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Lucia-
no Evaristo, relatou para a operação Onda Verde, feita em parceria com a Força Nacional, em áreas do norte e nordeste de Mato Grosso e do sul do Pará. No período de agosto de 2013 a abril de 2014, foram apreendidos centenas de equipamentos, como tratores e motosserras, e aplicados 2.401 autos de infração e mais de R$ 1,1 trilhão em multas. De acordo com Evaristo, “em Mato Grosso, há a expansão de áreas com posse, mas o Pará é a terra da grilagem, do ‘laranja’ (alguém que empresta nome para benefício de outros), e a única forma de combater [o desmatamento] é fazendo a destruição dos acampamentos e dos equipamentos, com uma ação muito mais intensiva”.
Maioria dos brasileiros presos por tráfico está concentrada na Europa e América do Sul
ARQUIVO/AGÊNCIA BRASIL
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Porte de drogas leva 30% à cadeia Na América do Norte, estão 22% dos presos brasileiros (99,6% deles nos Estados Unidos), e na Ásia, outros 13% (sendo que mais de 97% deles estão no Japão). Os demais brasileiros presos estão dispersos por países da África (1,2%), do Oriente Médio (0,6%), da América Central (0,5%) e da Oceania (0,4%).
O principal motivo das prisões, 30% do total, é o tráfico ou o porte de drogas, segundo o levantamento do Itamaraty. Os Estados Unidos parecem como uma exceção, com apenas 15 das 729 prisões relacionadas à droga. De acordo com a ministra Luiza Lopes da Silva, diretora do departamento consu-
lar de brasileiros no exterior, as prisões realizadas nos Estados Unidos têm relação direta com questões da vida da comunidade no país, violência doméstica, lesão corporal, crimes de trânsito e pedofilia, entre outros. E o perfil das prisões, diz a ministra, varia dependendo da cidade americana. Na operação foram aplicados 2.401 autos de infração
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Eleições: Ucrânia vê Rússia tentar desestabilizar país meia não serão organizadas e realizadas no local. No entanto, para os cidadãos da Ucrânia que vivem na península ocupada, foi estabelecida a oportunidade de votar na região de Kherson, que é vizinha da Crimeia, ou em qualquer mesa de votação no território da Ucrânia. Para os que vivem no exterior, foram criadas 114 mesas de votação nos outros países, inclusive no Brasil. Medidas Sobre a atividade de grupos terroristas armados, estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para garantir a segurança do processo eleitoral, dos membros das comissões eleitorais e da documentação eleitoral, assim com garantir a realização das eleições em todo território da Ucrânia. “A Rússia continua dissimuladamente a desestabilizar a situação em nosso país. Nenhuma promessa russa foi comprovada por ação real, a Rússia continua mantendo tropas na fronteira com o nosso país, apoiando e coordenando as atividades dos grupos terroristas no nosso território, e recusase a condenar os assassinatos cometidos por eles”, disse a comissão eleitoral ucraniana.
A parte ucraniana estima altamente o apoio praticamente unânime da comunidade internacional - incluindo a grande maioria dos membros do Conselho de Segurança da ONU - à importância especial das eleições presidenciais livres e democráticas na Ucrânia, no dia 25 de maio de 2014. O único país cujos representantes oficiais, em numerosas ocasiões, declararam o possível não reconhecimento das eleições ou questionaram com antecipação a legitimidade de seus resultados é a Federação Russa, que está interessada numa nova escalada de tensão na Ucrânia. Ucranianos acusam a Rússia de tentar sabotar as eleições presidenciais marcadas para hoje
HÁ 15 DIAS
CONTRA PEDOFILIA
ONU cobra mais ações do Vaticano A ONU admite que a Santa Sé não infringe a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura (CAT), mas critica o Vaticano por não ter tornado obrigatória as denúncias à polícia de crimes de pedofilia, além de pedir que o país se esforce mais para a sua prevenção. Em um relatório publicado pelo comitê da ONU contra a tortura, é pedido para que as acusações contra religiosos sejam transmitidas às autoridades civis para que sejam investigadas e, even-
tualmente, julgadas. Em uma primeira reação em Roma, o Vaticano declarou ter tomado nota dessas observações e assegurou que elas “serão consideradas com seriedade”. Boa-fé Pouco antes, em um comunicado, a Santa Sé comemorou o fato de o comitê “ter apreciado o diálogo aberto e construtivo” e “a boa-fé de seus esforços”. “O comitê não considera que a Santa Sé infringe a Convenção
Povo deve participar em massa
contra a Tortura” nos casos de crimes de pedofilia cometidos pelo clero, ressaltou o Vaticano. “O comitê também reconheceu que a Santa Sé, as dioceses e as ordens religiosas assumiram grandes esforços para prevenir os abusos sexuais contra menores de idade” e elogiou o “engajamento do papa”. Francisco acrescentou citando também o pagamento de indenizações às vítimas por “muitas dioceses católicas e ordens religiosas”.
Divergências Contudo, segundo as observações finais do relatório do comitê, fica claro as divergências com o Vaticano, que afirma que sua competência está limitada unicamente ao território do Estado do Vaticano e não inclui os religiosos de outros países. “O comitê lembra que na obrigação do Estado - membro no quadro da convenção - inclui todos os oficiais ou toda pessoa que trabalha a título oficial”.
Modelo brasileira detida na China será libertada hoje A Embaixada do Brasil em Pequim confirmou ao Itamaraty na sexta-feira (23) que a modelo brasileira Amanda Griza, 19, detida desde o dia 8 de maio na China, será libertada pelas autoridades do país hoje no domingo (25). Mais cedo, em seu perfil no Twitter, a deputada federal Maria do Rosario (PT-RS) informou que a jovem seria solta e que havia avisado o pai, Edson Griza, sobre a novidade. Amanda narrou para os pais ao vivo o momento de sua prisão no dia 8, no último contato que teve com a família. Ela usou um aplicativo de celular chamado Wechat para a comunicação. Alternando momentos de tranquilidade com apreensão, ela contou que seu passaporte foi apreendido e que alegaram que ela “não estava legal no país”. Desde então ficou
incomunicável. No seu perfil do Facebook, Amanda escreve que é modelo pela agência M2, com filiais em Nova York, Miami e Tel Aviv. O pai disse que nesta viagem, que deveria durar quatro meses, ela teria sido agenciada por um booker (profissional que contrata modelos para desfiles) independente, cujo nome ele quis preservar. Ajuda diplomática Os pais, Edson e Elena Griza, pediram socorro ao Itamaraty no dia 12. Eles são donos de um salão de beleza dentro do hipermercado Big de Balneário Camboriú (80 km de Florianópolis). Edson engajou na defesa da filha o deputado federal Vieira da Cunha (PDT-RS), ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal e amigo da família. DIVULGAÇÃO
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oje (25), acontecem as eleições presidenciais na Ucrânia. A realização do pleito em forma democrática e transparente é um elemento chave para a normalização da situação no país. Neste contexto, o apoio dos nossos parceiros internacionais é fundamental. A campanha presidencial de 2014 será realizada em condições de tensões político, sociais e desafios de segurança que a Ucrânia enfrenta pela primeira vez em sua história moderna. Entretanto, foram criadas praticamente todas as condições jurídicas e organizacionais necessárias para a realização da votação, para que ninguém pudesse questionar seu caráter democrático. Foram registrados 21 candidatos, que representam todas as regiões e partidos políticos da Ucrânia. Espera-se elevado número dos observadores internacionais: a Comissão Eleitoral Central da Ucrânia registrou 2.784 observadores internacionais, dos quais 282 representam 19 países estrangeiros, e 2.502 representam organizações internacionais. De acordo com a legislação ucraniana, as eleições no território temporariamente ocupado da República Autônoma da Cri-
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Pleito de hoje é cercado de controvérsias, principalmente pelo lado da Rússia: apoia as eleições, mas não retira tropas do local
Modelo foi considerada pelas autoridades chinesas como ilegal
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
DIVULGAÇÃO
Festa do Cupuaçu agita interior Dia a dia C4
Flanelinhas se declaram vítimas de preconceitos
FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Atuando nas principais vias públicas de Manaus, eles querem reconhecimento e negam gerarem conflitos com motoristas
Mário dos Santos, 40, um dos flanelinhas que dividem entre si as vagas disponíveis para estacionamento na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro: ele garante não pressionar para ter pagamento DENY CÂNCIO Especial para o EM TEMPO
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olhar é sempre atento ao tráfego dos veículos. Ao perceber a sinalização do condutor ‘‘dando seta’’ para indicar que irá estacionar, entra em cena o flanelinha disposto a orientar o motorista, portando-se como instrutor de direção, que com gestos simples dá as coordenadas até o veículo se alinhar na vaga. O condutor sai do carro, ele se aproxima da janela na espera de alguns trocados. De forma rápida há um acordo entre eles sobre pagamento e o flanelinha promete guardar o carro. A cena se repete na avenida Eduardo Ribeiro, Centro, onde pelo menos sete voluntários guardam veículos, organizados com blusa e crachás de identificação da Associação dos Guardadores e Lavadores de Veículos Automotores do Amazonas (Aglavam). Eles dividem entre si a “responsabilidade” de vigiarem aproximadamente 12 vagas. Dentre eles, está Mário dos Santos, 40, que desde criança descobriu essa prática boa e rápida para ganhar dinheiro, e considera o serviço de flanelinha sua única fonte de renda. “Quando menino eu queria dinheiro para contribuir em casa, e ficava na rua Saldanha Marinho orientando os motoristas. Se ganhava um trocado comemorava, e se me recusavam não me importa-
va. Entendia que eles não são obrigados”, comenta. O flanelinhaconhece o projeto de lei nº. 131/2014, que proíbe a atividade em ruas, avenidas e logradouros públicos, em trâmite na Câmara Municipal de Manaus (CMM), e demonstrou insatisfação. Ele defende que o seu serviço contribui com a segurança do cidadão e é alvo de preconceito. “Chego todo dia às 6h, e o cidadão pode estacionar tranquilo e cuidar dos seus interesses enquanto vigio o carro. A prefeitura tem que nos ouvir, antes de ditar as regras. Temos associação, estamos nos organizando com blusa padrão e crachás para nos separar daqueles que mancham a nossa imagem. Somos trabalhadores’’, diz Mário. ‘Expediente’ Ele revela que há quase 30 anos atua como flanelinha e este serviço tem dado certo, resultando no final do “expediente” um lucro de R$ 50 a R$ 80, dependendo do fluxo dos veículos nas 10 vagas acordadas entre os parceiros de serviço na Eduardo Ribeiro. “Eu trabalho bem, eu ajudo a indicar a vaga mesmo que nem tenha na minha área, eu indico para o parceiro mais próximo. O segredo é tratar bem o freguês (se referindo aos motoristas), recebo ajuda de R$ 2 a R$ 5. Se não me derem nada, nem falo mal, depois vem outro e compensa”, conta.
Motorista defende trabalho da ‘categoria’ As próximas 12 vagas na avenida estão sob a vigilância do desempregado Renato da Silva Coelho, 40, que há 20 anos permanece na área e nega ter tido qualquer conflito com motorista. “Tenho quatro filhos que sustento da ajuda que recebo enquanto reparo os carros. Tem motorista que ao me aproximar para ajudar, recusa. Eu fico ‘na minha’, o cidadão tem o direito de escolher se quer a ajuda ou não. Não
tenho porque riscar o carro ou danificar o veículo”. Ao contrário da justificativa para o projeto de lei, o militar Felipe Nunes, 40, nega ter recebido coação de flanelinha ao recusar gratificação. “Eles são cidadãos que buscaram uma fonte de renda, a maioria deles são desempregados. Antes de querer retirá-los, deve ser oferecida uma oportunidade digna para o sustento”, frisa. O pintor Milton Silva, 34,
guarda veículos na rua Saldanha Marinho diariamente por conta da ausência de serviços de pinturas e de pedreiro. “Faltou serviço nas obras e tenho um casal de filhos. Aceitei revezar com o meu primo (também flanelinha), me oferecendo para tirar a poeira de fora do carro em troca de R$1 ou R$ 2”, salienta Silva. Na rua Joaquim Sarmento, o frentista Luis Ribeiro Silva, 42, se alterna entre o serviço de
vigilante de carros e o de frete. “Estou melhor aqui mesmo sem ter direitos trabalhistas. Sou habilitado, tenho uma Saveiro e se surgi a oportunidade de fazer um frete, estou pronto’’, relata Luis. Ele diz que a classe está insatisfeita com o projeto de lei. ‘‘Vamos propor uma parceria com a prefeitura”, declara. (Continua nas páginas C2 e C3)
O momento da negociação do “serviço” de vigilância: entrevistados afirmaram que pagamento fica por conta do motorista
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Dia a dia
Relação de amor e ód DENY CÂNCIO Especial EM TEMPO
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e por um lado há quem não se oponha à restrição da atuação dos flanelinhas em vias públicas, os que torcem para a consolidação do projeto de lei do vereador Ednailson Rozenha, inclusive para uma nova reorganização das áreas, principalmente do Centro. O empresário Antonir Novaes, 54, contesta que somente a proibição dos “serviços” de guardadores e lavadores de veículos nas ruas e logradouros públicos de Manaus, seja a alternativa crucial para organizar a Zona Sul e dar um fim no constrangimento aos condutores. “Esses cidadãos merecem ter a chance de um trabalho digno. A prefeitura quer organizar o Centro e eu concordo com este avanço. Penso no lado social: qual será a assistência social a esses que fizeram deste serviço alternativo uma profissão? Há anos existe o ‘garajão’ abandonado, e um edifício-garagem seria boa alternativa ao problema de segurança nos carros estacionados nas vias, profissionalizando os flanelinhas e posicionando-os nesse edifício-garagem, assim como
fizeram com os camelôs”, questiona Novaes. O empresário afirma ter sido vítima da “ditadura dos flanelinhas”, que muitas vezes agem de forma a coagir os condutores, cobrando valores exorbitantes. “Já tive prejuízo ao deixar meu veículo sob a guarda e limpeza de um deles, e depois fui surpreendido ao receber ligação que o carro estava es-
PROBLEMA
O empresário Antonir Novaes afirma ter sido vítima da “ditadura dos flanelinhas”, que muitas vezes agem de forma a coagir os condutores, cobrando valores exorbitantes em via pública tacionado em local proibido na praça da Polícia. O agente de trânsito me multou, quase meu carro foi apreendido, e a situação se complicou por que o flanelinha não era condutor habilitado”, relembra o empresário. Novaes relata que a situação o fez buscar o “serviço seguro”, e diz que entre os flanelinhas há mal-intencionados que usam o valor
BRENO FREITAS/ARQUIVO EM TEMPO
Entre queixas sobre atitudes agressivas e declaração de confiança, condutores refletem as duas faces da questão dos flanelinhas: a necessidade do trabalho com reorganização do espaço e a marginalidade que se disfarça com a atividade arrecadado para sustentar vícios. Contudo, ele acredita em bons prestadores desse serviço e se “fidelizou” com o flanelinha Denilson Edelson Sena, 39. Há quase uma década existe elo de confiança entre ele e o guardador de veículo, conhecido como Denis, na rua Henrique Martins. “Ele conquistou a minha confiança e deixo com ele a chave do meu veículo. Como é habilitado, caso precise remover o carro será com responsabilidade. O Denis sustenta a sua família com esse trabalho, pago uma diária de R$ 5 pela vigilância, e na lavagem R$ 15, e o serviço é benfeito”, diz, enaltecendo o serviço do flanelinha. Esperança Denilson comenta que chega cedo todos os dias, iniciando às 7h e tendo clientes fiéis ao seu serviço durante esses 20 anos na rua. “Seu Novaes faz parte dos 30 clientes que recebo diariamente. Meu serviço de vigilância não tem taxa definida e é de acordo com a consideração de cada um. Fico apreensivo quanto à proibição dos flanelinhas em via pública, mas confio na Aglavam para nos representar e reivindicar nossa permanência ou melhoria”, diz Denis, esperançoso.
Reclamação constante de motoristas é quanto a preços abusivos cobrados pelos flanelinhas
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dio com os motoristas o licenciamento anual do veículo para que possamos rodar nas ruas e em contrapartida deveria investir em estacionamentos coletivos no Centro”. Paulo observa rivalidade entre os flanelinhas por disputarem guarda de estacionamento, e numa dessas disputas teve seu carro riscado. “O problema está na briga entre eles pela vaga e pelo cliente, e nessas brigas o rival da vaga riscou
meu carro para prejudicar o concorrente”, lamenta. “Tive prejuízo ao confiar neles, recebi multa por ser orientado erradamente a estacionar em lugar proibido. O agente de trânsito fez a notificação e o flanelinha a jogou. Ainda paguei o indivíduo acreditando na guarda segura. Já é hora das autoridades se atentarem a isto’’, declara o bombeiro Alex Bittencourt, 36. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
O ferramenteiro Paulo Araújo, 41, cita o 5º parágrafo da Constituição Federal, que garante ao cidadão a livre locomoção em área pública, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, entrar, permanecer ou sair dela com os seus bens sem que precise pagar por isso. “Essas áreas são públicas, sendo desnecessário pagarmos pelos serviços. Concordo com o projeto de lei, pois o Estado já cobra
ALBE3RTO CÉSAR ARAÚJO
Vítimas de maus ‘profissionais’
Danisio Valente teve problemas com flanelinhas e hoje recusa sua ajuda nas vias públicas
‘Como se fossem donos da rua’ Marcado também pela frustração, e tendo a visão do serviço do flanelinha como uma forma de extorsão contra os motoristas, o aposentado Danisio Valente, 66, prefere estacionamentos privados em suas idas ao Centro de Manaus. “Tenho preferência de
Denilson Sena, flanelinha que conquistou confiança de condutores: apoio ao trabalho
estacionar o meu veículo em vagas destinadas ao cliente ou no privativo, pois me sinto seguro nestes locais. Recuso a ajuda dos vigilantes voluntários, e não faz sentido mantermos esse tipo de procedimento de pagar por um direito garantido na Constituição”, defende.
“Eles atrapalham. É desnecessário depender da direção do flanelinha. Muitos deles não são habilitados e têm comportamento abusivo, como se fossem os donos da rua. Tive a frustração de presenciar um motorista que teve seu carro riscado por um deles”, finaliza o aposentado.
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Festa do Cupuaçu aguarda ida de 200 mil visitantes A
tradicional festa de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus, chega aos seus preparativos finais com muitas novidades. A 24ª Festa do Cupuaçu será realizada no período de 30 de maio a 1º de junho (sexta, sábado e domingo), e deve atrair 200 mil pessoas que, além de se divertirem ao som de diferentes ritmos e atividades culturais, também terão a oportunidade de conhecer as belezas naturais do lugar, famoso por exuberantes cachoeiras, cavernas e quedas d’água. A festa contará com dois palcos: na praça da Vitória, onde acontecerão os shows durante a noite; e na corredeira do Urubuí, durante o dia – um dos principais cartõespostais do município. Entre as atrações locais e regionais estão confirmadas Badawera, Bagaceiros do Forró, Carlinhos do Boi, David Assayag – Caprichoso, Edson e Enrique, Feras do Forró, Forró Na Moral, Marrakesh, Mega Hits, Meu Xodó, Sebastião Júnior – Garantido e Xote com Pimenta. Também fazem parte da programação a tradicional
escolha da Rainha do Cupuaçu e a 18ª Feira Agroindustrial e de Negócios. A festa é uma realização direta da Prefeitura Municipal de Presidente Figueiredo, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Cultura e Eventos. O titular da pasta, Jeconias Santos, diz que foi necessário o envolvimento de várias equipes e um planejamento de três meses, para criar a infraestrutura e organização necessárias para a realização do evento. O secretário explica que várias equipes trabalham para garantir o sucesso do evento e a segurança dos visitantes, com um objetivo principal: aquecer a economia no município. “Pedimos o apoio e reforço de vários órgãos do município e do Estado, que estão atuando diretamente conosco. Estamos preparados para receber o visitante com segurança junto com sua família, para que ele possa aproveitar as atrações culturais da festa e os atrativos do município. Tudo isso pensando, também, que o turista possa retornar em outros momentos e divulgar uma boa imagem da Terra das Cachoeiras”, declarou Jeconias.
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Evento está em sua 24ª edição e terá, segundo a Prefeitura de Presidente Figueiredo, muita segurança para os turistas
Investimento de R$ 1,3 milhão Em relação aos investimentos feitos – cerca de R$ 1,3 milhão – o prefeito Neilson Cavalcante revela que a expectativa é movimentar mais de R$ 6 milhões na economia local. “A Festa do Cupuaçu é uma experiência de sucesso, porque além da sua programação cultural, o visitante movimenta nosso comércio e serviços. O turista não vem somente para a festa, mas para aproveitar o que temos de melhor, que é o nosso turismo. E aqui, ele se hospeda, aluga uma pousada, aproveita nossa gastronomia e conhece nossas belezas naturais. Tudo isso movimenta nossa economia, gerando emprego e renda para a nossa população”, declarou.
Para este ano, expectativa da organização da Festa do Cupuaçu é a presença de 200 mil pessoas
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Dia a dia ELTON SANTOS/SEMED
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Zona Leste de Manaus ganhará quatro escolas Novas unidades educacionais da rede municipal de ensino começarão a ser construídas no segundo semestre deste ano, segundo secretário de Educação
A Humberto Michiles fez o anúncio na última sexta-feira, dia 23
Zona Leste de Manaus deverá ganhar mais quatro escolas municipais, cujas obras estão previstas para iniciar até o fim do ano. O anúncio foi feito na última sexta-feira (23), pelo secre-
tário Municipal de Educação, Humberto Michiles, durante uma reunião, com gestores da Divisão Distrital Zonal da Zona Leste 1 (DDZ 5). O encontro aconteceu na Escola Municipal Leonor Uchoa de Amorim, localizada na rua Xi-
borena, bairro São José 1. “Nós já definimos os terrenos. Inicialmente, vamos começar com essas quatro unidades, pois precisamos criar mais escolas do Ensino Fundamental 2 (6º ao 9º ano). Temos muitas escolas do fun-
damental 1 (1º ao 5º ano), mas se o aluno terminar as primeira séries e não tiver escolas próximas para continuar os estudos, ele acaba indo para outro bairro e acaba se tornando um candidato a evasão escolar”, explicou Michiles.
Comodidade será o diferencial De acordo com o secretário Humberto Michiles, a previsão é que as obras iniciem no segundo semestre deste ano. “São escolas com novo padrão, com todas as dependências necessárias, além de salas de aula de acordo com o novo projeto. São certamente escolas que vão fazer a diferença em termo de comodidade, propiciando uma melhoria da qualidade de educação”, completou. A mudança da rede de internet nas escolas, que agora será por meio de rádio e um soſtware, para melhorar o processo de demandas das escolas para a Semed, também foi apresentado aos educadores. Além disso, melhorias educacionais e problemas de infraestrutura de cada unidade também estiveram em pauta.
Modificações em benefício de docentes Durante a reunião, o subsecretário de Administração e Finanças, Luiz Fabian Barbosa, explicou as mudanças salariais, de acordo com a lei nº 149/2014, aprovada na última quarta-feira (21). “Além do reajuste de 10%, benefício dado pelo prefeito diante de um esforço tremendo para a gente fazer a adequação orçamentária da secretaria, fizemos outras grandes modificações. Primeiramente, a mudança do sistema de remuneração de subsídio para vencimento, com isso tornamos o plano mais fácil de ser compreendido e eliminamos 76 tabelas financeiras”, explicou ele. A Semed também garantiu auxílio-transporte aos gestores das escolas e mudança na regra de reenquadramento financeiro para garantir aos servidores uma aposentadoria mais digna. “Antes, o servidor precisava ter 25 anos de dedicação ao município para se aposentar. Com a nova lei, basta que o professor tenha 25 anos de dedicação ao magistério”, informou.
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Experiência da Lei Maria da Penha chega ao México REGINA BANDEIRA Agência CNJ
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conselheira Ana Maria Amarante defendeu o estímulo à denúncia e o amparo estatal à vítima para o combate à violência doméstica. Representando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a coordenadora do Movimento Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar do CNJ participou do seminário internacional Tempo de Agir: a Erradicação da Violência Sexual, incluindo em Situações de Conflito, ocorrido na Cidade do México, na última semana. “É urgente darmos fim à cultura da impunidade mediante o estímulo à denúncia pela vítima e a adequada coleta de elementos de prova possíveis, com ênfase na prova técnica do exame de DNA, assim como na própria palavra da vítima. E é dever do Estado transmitir maior sensação de segurança para a vítima que busca o amparo estatal, implementando as medidas protetivas cabíveis para evitarmos a reiteração da violência”, afirmou. As conclusões e recomendações desse encontro serão documentadas e encaminhadas à 1ª Conferência Mundial de Legisladores 2014, que ocorrerá em Londres, em junho, com o objetivo de incorporar a visão da América Latina e Caribe em documentos internacionais. Durante o painel Acesso à Justiça pelas Vítimas, a conselheira citou a Lei Maria da Penha e a criação de Juizados Especializados para uma abordagem multidisciplinar, com atuação
de médicos, psicólogos e assistentes sociais. O emprego dos dispositivos eletrônicos de provocação imediata de atividade policial, como o botão do pânico, a tornozeleira eletrônica e as patrulhas Maria da Penha também foram citadas pela desembargadora como exemplo de instrumentos de proteção à mulher vítima de violência doméstica e que vem sendo utilizados com bons resultados por alguns estados brasileiros. Todos esses dispositivos estão previstos na Lei Maria da Penha. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a terceira melhor lei de proteção à mulher no mundo, a Lei Maria da Penha tipifica situações
LEGISLADORES
As conclusões do encontro realizado na Cidade do México sobre erradicação da violência sexual serão encaminhadas a uma conferência mundial em Londres, em junho
Conselheira Ana Maria Amarante defendeu o estímulo à denúncia e o amparo estatal às vítimas de violência doméstica
de violência doméstica (física, psicológica, moral, patrimonial e sexual) e busca prevenir, punir e erradicar a aplicação de penas pecuniárias aos agressores, ampliando de um para até três anos de prisão, nos casos de agressão. Determina também o encaminhamento das mulheres em situação de violência e seus dependentes a programas e serviços de proteção e de assistência social.
UNINORTE
Mulher e mídia viram tema de seminário em faculdade A violência contra a mulher será discutido no seminário “Mulher e Mídia: um olhar sobre gênero, desigualdade e representação”, realizado nos próximos dias 27 e 28 de maio, no teatro Uninorte Laureate, na avenida Joaquim Nabuco, 1.364, no Centro. O evento é promovido pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte) em parceria com a Secretaria Executiva de Políticas para Mulheres do Amazonas, do governo estadual.
DISCUSSÃO
O objetivo do seminário realizado pelo Centro Universitário do Norte é buscar informações a respeito do enfrentamento à violência de gênero em diferentes classes sociais e origens O encontro vai buscar reunir informações a respeito do enfrentamento à violência de gênero levando em consideração que a agressão contra a mulher atinge diferentes classes sociais, origens, religiões, escolaridade, raça ou estado civil. O encontro inicia no dia 27 de maio, às 19h, com a con-
PORTAL CNJ
Conselho Nacional de Justiça expôs os avanços da legislação específica sobre violência doméstica em evento internacional
ferência “Mulher e mídia”, que será ministrada pela jornalista e blogueira Nádia Lapa. Seguido do debate. A previsão de encerramento do primeiro dia de encontro é as 21h40. Esta programação será desenvolvida no teatro Uninorte, na avenida Joaquim Nabuco. No segundo dia do seminário, as atividades serão distribuídas na unidade 11 do Uninorte, na rua Huascar de Figueiredo, 211, centro e no teatro Uninorte. Na unidade 11, de 8h às 10h, serão ministradas as palestras “A mulher na propaganda”, com Cássia Menini, “Assédio na profissão” com Ruthiene Bindá e Luciane Marques e “A mulher na WEB” com Ana Clarissa Cavalcante. Das 10h às 18h serão desenvolvidas atividades culturais e espaço da beleza e saúde no hall da unidade 11. Das 14h as 16h estão programadas as palestras “Tráfico de mulheres” com Márcia Maria Oliveira, “Mulher no espaço de poder” com a deputada Conceição Sampaio e “Mulher na Copa”com Isabela Pina. As 19h, no teatro Uninorte, é a vez da mesa redonda “O espaço da mulher no mercado de trabalho”, que será conduzida pela jornalista Ivânia Vieira. O seminário se estende até as 21h45 com atração cultural.
Trabalhos de destaque na nossa legislação A conselheira citou o trabalho que o CNJ desenvolve no Brasil para garantir a efetividade da Lei Maria da Penha, divulgando e difundindo a legislação entre a população e facilitando o acesso à Justiça
BIOECONOMIA
Inpa sedia workshop em junho De 2 a 6 de junho, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) sediará o workshop Brasil-Reino Unido de Biodiversidade e BioEconomia. O encontro coordenado por Inpa e Kew Gardens terá palestras e debates entre pesquisadores de diversas instituições brasileiras e inglesas. Os Reais Jardins Botânicos de Kew ou Kew Gardens são um complexo de jardins botânicos que ficam em Londres, os mais antigos e prestigiados do mundo. A abertura do evento será no dia 3 de junho, às 9h, no auditório do Bosque da Ciência, com entrada liberada ao público. De acordo com um dos organizadores do workshop, o pesquisador do Inpa, Niwton Leal Filho, a reunião objetiva identificar a demanda de pesquisas em BioEconomias e biodiversidade, e identificar temas e projetos de pesquisa de interesse comum, que possam concorrer aos editais.
da mulher que sofre com a violência. Entre outras iniciativas do CNJ em parceria com diferentes órgãos e entidades, destacam-se a criação do Manual de Rotinas e a estruturação dos Juizados de Violência
Doméstica e Familiar contra a Mulher, as Jornadas da Lei Maria da Penha e o Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid). As medidas de fortalecimen-
to da Lei Maria da Penha estão em cumprimento à Convenção para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher – Convenção de Belém do Pará – da Organização dos Estados Americanos (OEA).
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Pós-graduação fica mais organizada com aplicativo D
ar conta da agenda de estudante de pós-graduação é uma coisa complicada. Dividir a atenção entre trabalho, familia, estudos e com os atrativos das redes sociais, que tomam grande parte do nosso tempo livre, é uma verdadeira batalha diária. Nessa rotina agitada, a pergunta que surge é: como deixar os conteúdos e atividades acadêmicos mais integrados ao nosso cotidiano? Foi pensando nisso que a Pós-Graduação Idaam lançou o seu aplicativo, ou simplesmente “app” para smartphones e tablets. Através do novo app os alunos poderão acessar a plataforma acadêmica a qualquer momento, recebendo notificações, podendo estudar os conteúdos das disciplinas, realizar provas, consultar notas e solicitar serviços da secretaria eletrônica diretamente de qualquer dispositivo móvel, como smartphones e tablets. O objetivo do aplicativo é facilitar o cotidiano dos alunos de forma gratuita, fácil e segura, na qual todos os serviços acadêmicos e infor-
REPRODUÇÃO
Idaam lança app disponível para tablets e smartphones que permite ao acadêmico acompanhar melhor seus estudos mativos estejam integrados na “palma da mão”. Para os responsáveis pelo projeto, o app da Pós Idaam, além de atender a uma demanda específica identificada entre os alunos, acompanha a tendência das principais universidades nacionais e internacionais que já estão disponibilizando serviços acadêmicos por meio de aplicativos mobile. Pioneirismo Segundo o coordenador acadêmico da Pós-Graduação Idaam, José Carlos Reston Filho, a entrega desse aplicativo representa o pioneirismo tecnológico para promover maior acessibilidade. “Somos a primeira instituição de pós-graduação do Amazonas a disponibilizar um app próprio. Agora o aluno tem mais um canal para se conectar com a instituição, podendo acessar seu histórico, realizar provas, ver suas notas e ler as notícias do site no celular”, afirma Reston. O aplicativo já está disponível para download gratuitamente na App Store e Google Play.
Com o aplicativo lançado pela Pós-Graduação Idaam, os alunos poderão acessar a plataforma acadêmica a qualquer momento
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opiniao@emtempo.com.br
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A volta de Mario Filho
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Ganhemos, e que se dane a estética
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(92) 3090-1010
E outras 8 indicações futebolísticas. Pág. 2
O jeitinho italiano de jogar o ‘calcio’. Pág. 3
Futebol de salão Onze escritores falam do esporte no campo e nos livros. Págs. 4, 5 e 6
Do arquivo de Elza Soares Roma, 1970. Pág. 7
Capa
ilustração de Leda Castunda
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA (FUTEBOLÍSITICA) EM 9 INDICAÇÕES
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BRASILEIRO EXPOSIÇÃO | MÚSICA DE CHUTEIRAS Não é preciso se lembrar de 1958 para conhecer a canção que começa com “A taça do mundo é nossa/ Com brasileiro não há quem possa”. Esta é uma das cem composições musicais relacionadas às Copas lembradas na exposição, com curadoria do jornalista Marcelo Duarte. A mostra inclui ainda cabines nas quais o visitante pode viver a experiência de narrador de futebol. Sesc Pompeia | tel. (11) 3871-7700 | de ter. a sáb., das 11h às 21h; dom. e feriados, das 10h às 20h | grátis | até 13/7
Cena do filme “Bagdá Messi”, de Sahim Omar Kalifa
THIERRY DES FONTAINES/DIVULGAÇÃO
CINEMA | CINEFOOT A 5ª edição do festival dedicado ao futebol começa com o documentário “Maracanã”, uma coprodução Brasil e Uruguai que revisita a final de 1950, e com o curta-metragem “Gaúchos Canarinhos”, sobre Aldyr Schlee, idealizador da camisa amarela da seleção brasileira. São 79 filmes, entre os quais “A Outra Final”, sobre o amistoso entre os dois últimos classificados no ranking da Fifa em 2002, as seleções de Montserrat e do Butão, e o curta “Bagdá Messi”, que conta os desafios do garoto iraquiano Hamoudi para assistir à final da Liga dos Campeões de 2009. Museu do Futebol | tel. (11) 3664-3848 | sessão de abertura qui. (29), às 20h | grátis Programação em cinefoot.org | até 3/6
TEATRO | JOGANDO NO QUINTAL O já tradicional espetáculo de improvisação dos clowns da Cia. do Quintal conta com a participação do público para saber o que acontecerá nas partidas de futebol encenadas. O grupo da Pompeia se baseia no chamado “match de improviso”, criado em 1977, no Canadá, por atores amantes do hóquei no gelo. Sesc Consolação | tel. (11) 32343000 | ter. (27), às 20h | grátis E-BOOK | A COPA COMO ELA É Como anuncia o subtítulo do livro, lançado exclusivamente em formato eletrônico, o jornalista de “O Estado de S. Paulo” Jamil Chade conta “A História de Dez Anos de Preparação para a Copa de 2014”. Correspondente na Suíça, ele teve acesso às principais figuras da Fifa na negociação com a CBF e o governo para a escolha do Brasil como sede da competição. Breve Companhia | R$ 5,99 | 128 págs.
POP
ERUDITO
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LIVRO | MÁRIO FILHO “As Coisas Incríveis do Futebol: as Melhores Crônicas de Mário Filho” congrega 25 textos do autor, originalmente publicados nas décadas de 1940 e 1950 na revista semanal “O Globo Sportivo”, que circulou entre 1938 e 1952. Com organização de Francisco Michielin e apresentação do jornalista José Trajano, que faz palestra sobre o livro na quinta, o volume tem ainda fotografias do cronista (1908-66), que dá nome ao estádio do Maracanã. Ex Machina | R$ 42 | 200 págs. Livraria Cultura do Bourbon Shopping | tel. (11) 3868-5100 | qui. (29), às 19h30 | grátis
FOTOGRAFIA | THIERRY DES FONTAINES O fotógrafo esportivo francês radicado no Rio de Janeiro reúne no volume “BOLA” imagens de crianças e adolescentes brasileiros jogando futebol em algumas das cidades que sediarão a Copa do Mundo deste ano. Réptil | R$ 80 | 184 págs.
“Salvador, Campo com Todos os Jogadores” (2011), de Thierry des Fontaines
LIVRO | PELADA POÉTICA A quarta edição do projeto mineiro escalou 26 autores para escrever poemas, crônicas ou contos sobre o esporte bretão. Entre eles, o homenageado deste número, Nelinho, jogador da seleção nas Copas de 1974 e 1978, que fala de seu amor pela bola, além de Francisco Alvim, Fabiano Calixto, Armando Freitas Filho e Zuca Sardan. Scriptum | R$ 35 | 75 págs.
DVD | UM TIME SHOW DE BOLA A animação argentina de Juan José Campanella, diretor do vencedor do Oscar “O Segredo dos Seus Olhos”, tem como personagem principal um excelente jogador de pebolim. Amadeo, porém, é desafiado para uma partida real e, para ganhar, ele terá a ajuda dos bonequinhos do futebol de mesa (que curiosamente usam camisas listradas de verde e amarelo). Universal | R$ 39,90
ESTRANGEIRO
EXPOSIÇÃO | AS DONAS DA BOLA Na mostra, 11 fotógrafas apresentam 121 obras sobre a relação entre mulheres e futebol. As imagens, em preto e branco e coloridas – produzidas em diversos cantos do país por artistas como Ana Araújo, Ana Carolina Fernandes, Luludi Melo e Marlene Bergamo, repórter fotográfica da Folha –, estarão reunidas em livro de mesmo nome, a ser lançado no dia 14/6, às 16h, no próprio local da exposição. Centro Cultural São Paulo | tel. (11) 3397-4002 | de ter. a sex., das 10h às 20h; sáb., dom. e feriado, das 10h às 18h grátis | até 13/7 Sýn Criativa | R$ 60 (192 págs.)
Folha.com
Ilustríssimos desta edição GREG SALIBIAN/FOLHAPRESS
ALVARO COSTA E SILVA, o Marechal, 51, é jornalista. ELZA SOARES, 76, é cantora e se apresenta no show “A Voz e a Máquina” nos dia 6 e 7/6 no Sesc Santo André. LEDA CATUNDA, 52, é artista plástica. Algumas de suas obras estão na exposição “Pintura como Meio: 30 Anos Depois”, no MAC-USP Nova Sede até 23/8. PAOLO DEMURU, 32, doutor em semiótica pela Universidade de Bolonha e pela USP, pesquisa relações entre futebol e cultura. É autor do livro “Essere in Gioco. Calcio e Cultura tra Brasile e Italia” (Bononia University Press).
CRISTIANO RONALDO Conto inédito da escritora portuguesa Patrícia Reis sobre o camisa 7 de Portugal FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha MÁRIO FILHO Leia na quarta-feira a crônica “O Poeta e o Passado”, de julho de 1948 >>folha.com/ilustrissima
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Futebol
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Batalha do jeitinho Como Brasil e Itália levam a campo a arte de se safar RESUMO Na Copa do Mundo deste ano, Itália e Brasil podem se enfrentar nas quartas de final ou então na grande decisão. O estilo de jogo dos dois países se formou em campos opostos e espelha o comportamento nacional que representam; a “arte de se virar” da Azzurra, assim, confrontaria no gramado o futebolarte canarinho.
PAOLO DEMURU
Com seus quatro troféus, a única seleção que pode igualar o Brasil na Copa de 2014 é a Itália. Há duas possibilidades de as equipes se encontra-
rem: nas quartas de final ou na partida derradeira. Caso isso aconteça, estarão em jogo não apenas um histórico de nove títulos mundiais, mas duas filosofias futebolísticas e existenciais ao mesmo tempo opostas e convergentes. Era 5 de julho de 1982. No estádio Sarrià, em Barcelona, o atacante italiano Paolo Rossi decretava o fim de uma das eras mais prósperas do futebol brasileiro: aquela de Zico, Sócrates e Falcão, cuja memória desaguaria, no dia seguinte, na célebre imagem do menino chorando, na capa do “Jornal da Tarde”. Rossi, o homem sem qualidades. Sua melhor descrição talvez deva ser atribuída ao dramaturgo siciliano Davide Enia, autor da peça “Italia-Brasile 3 a 2” (editora Sellerio, 2010): “Um cara que não sabe chutar de perna esquerda e nem de direita. Cabecear não é seu forte. Não cobra falta e não bate pênalti. Durante o jogo, parece não existir. Mas como se marca um jogador que não existe?”. Ao lado de zagueiros como Claudio Gentile, o “Carrapato da
Copa” de 1982, e Fabio Cannavaro, o “Muro de Berlim”, campeão do mundo em 2006, Paolo Rossi é o símbolo do assim chamado “catenaccio”, o estilo italiano de jogar futebol. Praticado na península desde o final dos anos 1940, o catenaccio – literalmente “correntaça”, mas traduzível por “cadeadaço”, que dá a ideia de uma forte tranca – baseia-se em dois princípios fundamentais: primeiro, não sofrer gols; segundo, surpreender. Deixa-se o adversário atacar, protegendo a qualquer custo a própria meta e, quando ele menos espera, aplica-se o golpe decisivo. Foi o que aconteceu em Barcelona naquela tarde de julho. O termo “catenaccio” foi criado nos anos 1950 por Gianni Brera (1919-92), jornalista esportivo que, segundo uma ilustre definição de Umberto Eco, era como uma versão “explicada ao povo” do escritor Carlo Emilio Gadda. Defensor intransigente dessa tática, Brera tinha muito claro por que os italianos deveriam adotá-la: subnutridos há muitas gerações, sem uma estrutura
étnica definida, fisicamente inferiores – entretanto extremamente astuciosos –, esses “meios alpinos e meios mediterrâneos” só se poderiam permitir a retranca, seguida por certeiros contra-ataques. Porque no futebol não adianta seguir esquemas, modas ou tendências; no futebol valem mais os preceitos da índole e “as virtudes da especificidade cultural”. O que, no caso dos “italianinhos”, como Brera gostava de chamar os atletas da Azzurra, significava apostar tudo na manha, na esperteza. Graças às narrações de Brera, o “catenaccio” se firmou, na segunda metade do século 20, como a mais perfeita tradução do “jeitinho italiano”: a tal “arte di arrangiarsi”, a “arte de se virar”, um estilo de vida enraizado na lógica do “sem frescura e direto ao ponto”, emblema, para muitos, da capacidade inata dos italianos de obter sempre o melhor resultado possível diante das intempéries dos eventos e das ruínas da história. Aos poucos, os Rossi e os Cannavaro tomaram o lugar, no imaginário popular, dos gran-
des malandros da comédia à italiana: Alberto Sordi, Vittorio Gassman e Totò, dando vida nova aos estereótipos sobre a astúcia nacional e transformando o discurso sobre o futebol numa extensão do discurso cinematográfico do pós-Guerra. Songa-monga Cidade do México, 21 de junho de 1970. O Brasil de Pelé e Tostão conquista o seu terceiro título mundial vencendo a Itália de Riva e Mazzola – derrotada, segundo Gianni Brera, por renegar o “catenaccio”. Enquanto isso, TVs e jornais do mundo todo tocam o refrão do futebol-arte, típico, como todos sabem e contam, do modo de ser brasileiro. Um clichê cujos ecos remontam a 1938, ano em que Gilberto Freyre publica no “Diário de Pernambuco” o seu artigo “Football mulato”, destinado a mudar as futuras narrações sobre o futebol e o caráter nacional. Definido como uma espécie de dote natural, o jeito brasileiro de jogar tornava-se a expressão do nosso “mulatismo flamboyant”, que se delicia de
“floreios artísticos” e “manhas moleironas”. Um estilo batizado pelo sociólogo de “arte do songa-monga”, que, num ensaio de 1982, o antropólogo Roberto DaMatta teria apontado, seguindo os rastros de seu predecessor, como o mais claro reflexo da “arte da malandragem” tropical: um talento que consiste em saber se safar “nas situações mais difíceis, fazendo isso com uma alta dose de dissimulação e elegância”. Como a do “catenaccio”, a interpretação do futebol-arte surge de uma reflexão sobre o temperamento nacional. Ambos são descritos como o espelho de formas de vida aparentemente parecidas, fundadas na astúcia: a arte de “arrangiarsi” e a arte da malandragem. Há, porém, nos discursos sobre os dois estilos – de jogar e de viver –, importantes diferenças. O saber “arrangiarsi” é apresentado como uma arte prática e concreta. Dentro ou fora de campo, a improvisação é sempre direcionada ao resultado. Como dizia Brera: “Ganhemos, e que se dane a estética”.
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Onze escritores em campo Um bate-bola pré-Copa com craques literários RESUMO A Folha ouviu para este texto 11 escritores de vários países cujas vidas e obras se entrelaçam com o futebol. Além de fazerem suas apostas para a Copa que se aproxima, os autores convocados puseram sobre a mesa tópicos como a pertinência do esporte como tema literário e os protestos durante o evento esportivo.
ALVARO COSTA E SILVA ILUSTRAÇÃO LEDA CATUNDA
Eles um dia sonharam ter a exatidão de Platini, a inteligência de Cruyff, a liderança de Sócrates, a habilidade de Rensenbrink, a elegância de Tostão, a invenção de Riquelme. Mas a vida os fez escritores. E eternos fãs do futebol. Autores contemporâneos de diferentes nacionalidades, vindos de países mais ou menos bem-sucedidos nos gramados – independentemente da paixão pelo esporte que neles se devote – tratam os craques como referência literária. Quando Juan Villoro elege Sócrates como seu ideal, não pensa só na identificação física – ambos
de barba e com mais de 1,90 m de altura. Um dos escalados para a próxima Flip, o mexicano, 57, é autor de artigos e livros sobre futebol. No mais famoso, “Dios Es Redondo” [Anagrama, R$ 52, 288 págs.], há muito “da elegância em campo, da forma de transmitir sabedoria e segurança”, que o escritor aponta no estilo do “Doutor”. Da mesma forma, a “arte de manejar o espaço e o tempo”, dotes de Riquelme e Xavi, transparecem nas linhas de “Boquita” [Booket, US$ 22,66 na Amazon, 480 págs.], a história do time argentino Boca Juniors contada por seu torcedor Martín Caparrós, 56. Alguns foram mais longe: calçaram chuteiras quase profissionalmente. O boliviano Edmundo Paz Soldán, 47, era um camisa 10 ofensivo e habilidoso, a ponto de ter sido convidado para jogar
três anos na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, com os estudos pagos em troca do passe. Autor do romance “Norte”, traduzido no fim do ano passado no Brasil, procura inocular sua obra com a precisão dos passes do francês Michel Platini. Paz Soldán usa o futebol também como matéria de ficção: em sua mais recente coletânea de contos, “Billie Ruth” [Páginas de Espuma, US$ 21,75 na Amazon, 152 págs.], há três relatos em torno do tema. “Eu me interesso, em particular, pelo drama dos ex-jogadores”, diz. “O que significa abandonar a carreira com só 35 anos e ter todo o tempo para recordar? É como se a vida fosse mais bonita quando você era jovem e não se deu conta”. Independentemente do grau
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de entrecruzamento de obra, vida e esporte que possa haver em cada caso, a 18 dias do jogo de abertura entre Brasil e Croácia, no Itaquerão, em São Paulo, os escritores boleiros só pensam na Copa. Fazem previsões acerca do campeão, apontam craques, analisam treinadores e táticas, estudam a tabela, citam jogos memoráveis, criticam a Fifa e entendem os protestos contra o evento. Sobretudo, porém, já torcem como se estivessem discutindo com amigos numa mesa de botequim ou mesmo nos estádios custosamente recém-construídos ou reformados, agitando bandeiras e mentalmente empurrando a bola para o gol. Encontram até tempo para teorizar sobre as relações entre o esporte e a literatura. Romance Paz Soldán, por exemplo, é adepto da ideia de que falta um grande romance sobre futebol, discussão que volta e meia inflama os meios literários no Brasil. “Há tanta paixão, tanto drama e, no entanto, nos falta narrá-lo de maneira mais épica. Existem alguns bons contos e grandes ensaios, mas ainda não escrevemos o grande romance da bola latino-americano”, defende. Com a publicação de “O Drible” [Companhia das Letras, R$ 38, 224 págs.], de Sérgio Rodrigues, no ano passado, houve quem desse essa busca por terminada. O autor afirma que gostaria de ser um Tostão – “pouco atlético, cabeção, toque refinado, inteligência futebolística espantosa” –, e o próprio ídolo reconheceu as qualidades do livro na quarta capa: “Faltava à literatura brasileira um grande romance como este, que perpassa pela história do futebol”, escreveu. Rodrigues, 52, contudo, não endossa a polêmica, que acha “meio boba”. “As relações entre literatura e esporte não são tão mecânicas assim, e o futebol tem aparecido na produção bra-
sileira contemporânea, sem essa obrigação de levantar a taça. A lógica do Grande Romance do Futebol ou de qualquer esporte é marqueteira, não literária. No dia em que um escocês escrever o Grande Romance do Curling e um japonês gordo virar best-seller com o Grande Romance do Sumô, talvez eu mude de ideia”. Bósnio radicado nos EUA, autor de ensaios e livros de ficção que discutem a condição de exilados e refugiados, Aleksandar Hemon bate sua bolinha três vezes por semana em Chicago. Peladeiro clássico, já operou os dois joelhos. Ele brinca dizendo que, quando parar de jogar – no início, emulava o ponta-de-lança holandês Rensenbrink; com a idade, porém, recuou e virou “um Claude Makelele piorado” –, terá tempo para pensar numa história. “Na verdade, falar de futebol na literatura não é nada fácil. Corre-se o risco de parecer banal ou entediante. Como o sexo, é sempre melhor fazer”, diz Hemon, 49. Juan Pablo Villalobos, 40, traduziu “O Drible” para o espanhol – com o título de “El Regate”, o romance saiu há pouco pela Anagrama – e lança, em duas semanas, “No Estilo de Jalisco” [eds. Bateia e Realejo, R$ 24,90, 96 págs.], sobre a Copa de 1970. Na opinião do mexicano radicado em Campinas, o futebol constitui uma narrativa em si. “É cheio de metáforas, de analogias, de lições morais. É um esporte tão retórico... Provavelmente por isso não precisa da ficção”, diz ele, que, em devaneios, atua como o espanhol Iniesta. Juan Villoro apresenta argumentos semelhantes aos de seu conterrâneo: “O futebol já chega narrado. É repleto de mitologias, ilusões, superstições, anedotas de todo o tipo. Um grande romancista inventa outra zona de realidade. O futebol já está inventado. Por isso se presta mais à crônica; basta pensar em Nelson Rodrigues, que escreveu com o verdadeiro olhar de um fanático por futebol”.
Favoritismo O autor de “O Drible” prefere não seguir o bate-bola e se volta ao jogo em si para defender sua certeza de que, no Mundial, a seleção brasileira se encontra numa situação de favoritismo natural, devido a dois simples fatores: “Por ser o Brasil e por jogar em casa”. O argentino Caparrós, o mexicano Villoro e o português Miguel Sousa Tavares não descartam a conquista do escrete canarinho, mas lembram que Argentina e Alemanha estão no páreo com chances iguais de vitória. “É verdade que o cruzamento nas oitavas de final é perigosíssimo e pode acabar cedo com a festa. Mas estou otimista”, afirma Rodrigues. Sua convicção encontra eco na de André Sant’Anna, que abordou o esporte em “O Paraíso É Bem Bacana” [Companhia das Letras, R$ 67, 456 págs.]. O romance, de 2006, mistura relações sociais, políticas, raciais e religiosas mas, no fundo, gira em torno do futebol. O protagonista, um antiherói, é Muhammad Mané, aliás, Manoel dos Anjos (nome que soa quase como Manuel dos Santos, o Mané Garrincha), que se torna um fenômeno mundial do esporte. “Antes de mais nada, o futebol é muito importante na minha vida, inclusive filosoficamente. Mas reconheço que deve ser difícil para um leitor que não gosta de futebol entrar no barato da história”, afirma Sant’Anna, 49. Fã do holandês Cruyff, ele voltou aos gramados em dois contos de seu novo livro, “O Brasil É Bom” [Companhia das Letras, R$ 39, 192 págs]: “Amor à Pátria” e “A História do Futebol”. Com a experiência de quem vive quatro meses ao ano na Alemanha, Marcelo Backes, 40, aponta a seleção do país teutão como a que joga o melhor futebol do planeta, no momento. “Tem um dos melhores goleiros, se não o melhor, Manuel Neuer. O grande Lahm, o capitão. E um meio-campo, defensivo e ofensivo, incomparável: Schweinsteiger, Khedira,
Özil, Kroos, Müller, Marco Reus, este particularmente grandioso, Götze, Schürrle. E só há espaço para quatro, talvez cinco, caramba!”. “Há aquele velho ditado: no fim, ganha a Alemanha”, comenta o português Sousa Tavares, 61. Apesar de sua própria apreciação do time germânico, porém, Backes aposta que o Brasil será campeão, opinião compartilhada pelo bósnio Hemon. Backes, entretanto, contempla aquela que seria “a pior das hipóteses”: “Em cores bem vivas, imagino um ‘maracanazo’ ainda pior, protagonizado pela Argentina”. “É a partida que todos esperamos e tememos, não?”, diz Caparrós, sem esconder a esperança de que “a Argentina desentale o espinho da garganta” e leve o caneco, “após 50 anos perdendo em tudo” para o Brasil. “E não falo de futebol”, frisa. Torcida O que parece consensual entre os escritores ouvidos pela Folha é a diferença que pode fazer, na contenda, atuar em casa, amparado pela torcida. Ainda mais quando se sabe que, no seleto grupo de campeões do mundo (apenas oito países), não se costuma desperdiçar a oportunidade. Em 19 Copas, a mais espetacular “débâcle” foi protagonizada justamente pelo Brasil, no Maracanã, na final contra o Uruguai, em 1950. Mas há quem prefira ver o “fator casa” com outros olhos: “No caso brasileiro, a torcida é um vendaval. Incentiva, mas também bota pressão. É a única seleção para a qual o vice-campeonato seria um fracasso”, comenta Juan Villoro. Apaixonado pelo Boca Juniors – cuja torcida é justificavelmente chamada de “La 12”, ou o 12° jogador em campo –, Martín Caparrós vale-se da tarimba de ex-repórter esportivo para desviar o assunto. “Perguntei a muitos jogadores sobre o peso da torcida. Uns me disseram que é decisivo; outros, que nem tanto. Acho que o local do jogo é muito mais importante na hora de influenciar um árbitro. Espero que no Mundial
eles tenham vergonha e apitem direito”. O técnico da seleção brasileira – Luiz Felipe Scolari, comandante do penta em 2002 – hoje é considerado um trunfo, principalmente depois que conseguiu definir um time e um esquema de jogo para a Copa das Confederações do ano passado, com boas atuações, a principal delas na vitória de 3 a 0 sobre a Espanha na final. “Antes de 2002, eu desprezava o Felipão e o futebol pragmático que representava. Mas não me esqueço da queimadura de segundo grau na língua que ele me provocou naquela Copa. Agora só posso dizer que estamos bem servidos de treinador”, elogia Sérgio Rodrigues. “Aponto o Brasil como favorito mais pelo fato de Felipão ser um bom pastor e os jogadores de futebol, de modo geral e nietzscheanamente falando serem, mais do que qualquer ser humano, animais de rebanho”, teoriza Marcelo Backes. Pode-se concordar ou não com o autor do romance “O Último Minuto” [Companhia das Letras, R$ 41, 224 págs.], que tem um ex-treinador como personagem principal, mas esperase, nesse caso, que a saúde de Neymar, 22, equivalha à de uma vaca premiada. O argentino Caparrós não aposta suas fichas no jogador. Em sua coluna no jornal esportivo portenho “Olé”, em agosto de 2012, o escritor criticou o estilo do brasileiro, classificando-o de “futebol foca”, aquele que prioriza o espetáculo em detrimento da eficiência. De lá para cá não mudou de opinião: “Tenho acompanhado Neymar no Barcelona. Continua foca: é muito habilidoso, mas não conclui as jogadas. Por ser tão bom com a bola nos pés, poderá evoluir e se tornar o jogador que todos esperam. Quem sabe no Mundial do Qatar, daqui a oito anos?” Já Juan Villoro – com quem Caparrós escreveu a quatro mãos o livro “Ida y Vuelta” [Seix Barral, R$ 49, 192 págs.], sobre o Mundial da África do Sul – acha que Neymar fará “uma Copa esplêndida”. Com a Bolívia desclassificada, Edmundo Paz Soldán tem a vantagem de torcer apenas pela arte e derrete-se de admiração pelo brasileiro: “Ele flutua em vez de correr. Embora pareça frágil, tem muita força e é capaz de levar o time nas costas, como fez na Copa das Confederações”. “Neymar é fantástico”, ecoa Sousa Tavares. “Vamos ver se tem estrutura psicológica e competitiva para disputar um Mundial. Mas lembro que o Hulk, que conheço dos tempos em que atuou no meu time, o Porto, pode ser tão ou mais importante”, diz o português – que, além de romancista, comentarista político e torcedor da equipe do norte de Portugal, é colunista do jornal esportivo “A Bola”. André Sant’Anna arremata os
elogios: “Já é comprovadamente um craque e está entre os cinco melhores jogadores do mundo. Na Copa, pode vir a ser o melhor”. Até que Juan Pablo Villalobos propõe o duelo que todos têm na cabeça:”Que Neymar desafie Messi ao trono de melhor do mundo. Tem qualidade para fazê-lo”. Busílis Aí está o busílis. A maior expectativa de atuação individual na Copa gira em torno do craque Lionel Messi, “La Pulga Atómica”, quatro vezes eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo. Especula-se que o argentino possa repetir as façanhas de Garrincha em 1962 no Chile e de Maradona em 1986 no México, quando, praticamente sozinhos, ganharam a competição, com gols e lances decisivos e sem comparação na história do futebol. “Morei oito anos em Barcelona e vi muitas vezes o Messi no Camp Nou. É ainda melhor do que na televisão. Infelizmente para o Brasil, a lógica é que 2014 seja a Copa de Messi”, diz Juan Pablo Villalobos. Precavido, Caparrós lembra que Messi, ao contrário de Maradona, sempre precisou de grandes equipes: “É possível que ele ganhe a Copa sozinho. Mas, por sorte, não está só: Higuaín é um goleador soberbo, Agüero um grande atacante, Di María passa por um momento fantástico e Gago, se não se machucar, está entre os melhores camisas 5 do mundo”. Para Villoro, Messi, 26, não se impõe como líder: “A pressão lhe faz mal. Tem alma de menino; prefere ser o mimado que o responsável. Apesar disso, poderá, sim, ser o fator decisivo. A Argentina tem ataque e meiocampo estupendos. O mistério mora na defesa”. Sérgio Rodrigues vem com água para pôr no chope: “Messi é sem dúvida o melhor do mundo. Pode até ganhar a Copa sozinho, se estiver inspiradíssimo, mas é difícil. Tem uma frieza que beira a desconexão emocional e que, mesmo sendo uma qualidade marcante do estilo dele, não combina com a tarefa de incendiar um time inteiro. Maradona era fogo, Messi é gelo”. O português Cristiano Ronaldo, que neste ano tirou do argentino a Bola de Ouro, vive, aos 29, sua fase mais equilibrada. Mas isso não deve fazer Portugal conquistar o título inédito, na opinião de Miguel Sousa Tavares. “Como se viu nos dois jogos da repescagem com a Suécia, ele precisa de espaço porque é, acima de tudo, um atleta de exceção. Em contra-ataque, aproveitando a velocidade e o remate que tem, pode decidir jogos; mas, contra defesas fechadas e recuadas, perde-se. Além do mais, Ronaldo não tem quem o mereça na seleção. É a mais fraca seleção portuguesa de que me lembro. Ganhar a Copa seria um novo milagre de Fátima”.
G6 Continuação Bicho-papão Maior bicho-papão dos últimos anos e com a base formada pelo time do Barcelona, a seleção da Espanha venceu o que de mais importante disputou: as Eurocopas de 2008 e 2012 e o Mundial de 2010. Chega ao Brasil sob uma suspeita: teria sua geração de craques – Casillas, Sergio Ramos, Xavi, Iniesta, Villa – envelhecido? Daí que Villoro diga que se trata da única seleção “que compete consigo mesma”. Ou que Paz Soldán a considere, hoje, previsível, necessitando “reinventar sua fórmula”. A escalação, que pode estar sendo divulgada no exato momento em que você lê este texto, pode jogar alguma luz sobre as dúvidas. Para Villalobos, porém, tais argumentos não convencem: “Acho, honestamente, que esse papo de decadência da Espanha só existe no Brasil. Às vezes até penso que é uma estratégia para tentar desestabilizar a seleção espanhola, que reúne jogadores bons o suficiente para armar dois times que poderiam brigar pela Copa. Todos falam de Xavi ou Iniesta. Mas não devemos esquecer que eles têm Santi Cazorla, Thiago Alcântara, David Silva, Juan Mata... no banco!”. Além dos “suspeitos habituais” – como classifica Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina –, Sérgio Rodrigues avalia as possibilidades de equipes com tradição no campeonato: “A Itália corre por fora, sempre. Não acredito que Inglaterra e França possam ir longe. E a Holanda vai se candidatar a bater na trave e entrar, para variar, em vez de bater na trave e sair”. Como seleção-surpresa, há a Bélgica. O Corvo Edgar, personagem secador convicto criado por Xico Sá, 51, em suas colunas da
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Folha, não tem dúvida. “Vai dar Chile. Em homenagem ao meu amigo Roberto Bolaño”, garante a ave agourenta pousada no ombro de Xico, um dos poucos escritores a não preferir, se pudesse, jogar na linha: “Meu sonho era ser o Iachin, goleiro da ex-URSS”. Villoro nutre uma certeza filosófica: “Nas Copas, a expectativa é sempre maior e melhor que a realidade”. Nesse ponto, a do Brasil parece insuperável. “Pode ser a mais incrível das Copas. O nível técnico dos times e de alguns jogadores é altíssimo. E talvez possa ser a última grande Copa, esportivamente falando. Pois penso que as próximas – na Rússia e, particularmente, no Qatar – vão levar o futebol para lugares onde só o dinheiro sujo importa”, critica Aleksandar Hemon. O craque Tostão, 67, colunista da Folha, também aposta no espetáculo, mas aponta senões: “Os quatro favoritos são Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha. Nos gramados, o nível técnico deve ser bom. Haverá problemas na organização, nos estádios, nas ruas, mas acredito que será uma bela festa”, diz ele, que considera não ter ficado nenhum jogador importante fora da lista de convocados para a seleção brasileira. “O único que não merecia é o zagueiro Henrique. Havia outros bem melhores.” Vai ter copa? O Mundial se desenha inesquecível não apenas no campo. Os protestos prometem marcar a 20ª Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, cujos gastos podem superar US$ 15 bilhões. “Acredito que vão ocorrer protestos, e com toda a razão. A Fifa (em minha opinião, uma organização quase mafiosa) só pensa nos lucros, e não no interesse dos
países, das pessoas e do futebol. Virá o dia em que, tirando países que queiram vitrine, mais nenhum governo sério aceite sediar no seu país um Mundial com tal caderno de encargos e exigências”, critica Miguel Sousa Tavares. “A Copa vai mudar o rumo de algumas coisas, tornar mais sutis decisões até agora tomadas de um modo vergonhosamente vertical. Eu me orgulho de que isso aconteça no Brasil”, diz Marcelo Backes. Já Villoro diz esperar “que haja dois públicos críticos e pacíficos, um dentro e outro fora do estádio”. “Agora que gastaram os tubos, quero ver os jogos, não curto essa ilusão de achar que o Mundial resolveria os problemas de um país, assim como não o arruína. Vai ter Copa e protesto, vai ser lindo”, convoca Xico Sá, que não esconde a decepção com a lista de Felipão: “Faltou o melhor jogador do país: mesmo com o banzo de caboclo amazônico, Ganso joga mais que essa turma toda de brucutus que veio dos times da Inglaterra. Faltou um marrento tipo Luis Fabiano ou o gordinho Walter no ataque”. “Obviamente vai ter Copa. Se, na época da decisão de realizá-la no Brasil, em 2007, todos soubessem que haveria tantos problemas graves, um grande protesto talvez pudesse inviabilizar o Mundial. Hoje não”, diz Tostão. Na pergunta que parece pura retórica, mas que não cala, é o argentino Caparrós quem introduz em campo, uma vez mais, uma questão narrativa. “Amigos brasileiros me dizem que há muita gente disposta a usar o Mundial como faz o governo: para mostrar ao mundo o que considera ser o verdadeiro Brasil. Creio que serão dias de grande competição também nesse plano: dois relatos sobre o país se enfrentarão. Veremos quem ganha”.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
4 A copa que não comemorei ELZA SOARES
Além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo. Era 1970, já tínhamos recebido telefonemas e cartas anônimas, nos sentíamos ameaçados e deixamos o país. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta? Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero
por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira. Estávamos trancados dentro de um apartamento, e o Garrincha queria sair de qualquer maneira: queria participar da festa, mas ao mesmo tempo estava altamente deprimido. Ele perdeu a casa, teve de deixar o país e não sabíamos como voltar. Enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, o Brasil fazia barbaridades com sua população. O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido. Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; ima-
gine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa. Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava. Era tão grande a minha angústia que eu tinha vontade de invadir a embaixada brasileira em Roma. Mas segurei a onda. Continuamos vivendo num hotel e tivemos grande ajuda de Chico Buarque e Marieta. Eles tinham se exilado na cidade e foram dois amigos de alma. Ali eu tive um bom empresário, trabalhei muito e fui ganhando o dinheiro com o qual pagava todas as contas. Durante um jantar, conheci Ella Fitzgerald, que estava fazendo shows com repertório de bossa nova e teve um problema de saúde. Eu acabei substituindo-a. Mas, quando descobriram que eu estava trabalhando
na Itália sem documentação, tivemos de sair de Roma – então fomos para Portugal por um tempo. Um dia, estávamos no Cassino Estoril, perto de Lisboa, e encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi. Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo – mas quem queria camisa da seleção naquela altura? “Obrigado o ..., cadê minha casa, cadê minha moradia? Já vesti a camisa do Brasil anteriormente, já dei tudo que eu poderia ter dado ao Brasil”, ele disse. Passados 50 anos do golpe, ninguém jamais tomou nenhuma atitude sobre o que nos aconteceu naquele 1970, e eu continuo brigando pelo Mané, até hoje. Quando eu canto “Meu Guri”, canto com muita força, e essa é uma maneira que eu tenho de cantar uma música do Chico, mas homenageando o Mané. Eles são os dois guris de “my life”.
ASSOCIATED PRESS
Roma, 1970
Casal Garrincha e Elza, após show da cantora em Roma, em 1970
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Caderno D
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(92) 3090-1042 ALBERTO CESAR ARAÚJO
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Ópera ‘indígena’
Soprano Dhijana Nobre protagonizou uma das récitas de “Lucia di Lammemoor”, nesta mesma edição do FAO
estreia em festival
BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO
O
curioso e inquietante universo das lendas brasileiras e, consequentemente, amazônicas invade o palco do Teatro Amazonas, hoje, às 19h, dentro da programação do Festival Amazonas de Ópera (FAO). Tendo como base o poema “A infância de um guerreiro”, do amazonense Max Carphentier, a ópera “Onheama”, do carioca João Guilherme Riper, fará sua estreia mundial tendo em seu elenco o coral infantil do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, além de seis solistas amazonenses, com destaque para Dhijana Nobre (Iara) e Rafael Lima (Tuxaua). Segundo Dhijana Nobre, o convite feito pelo maestro Luiz Fernando Malheiro aconteceu em janeiro deste ano e foi encarado como um desafio. “Estou bastante honrada em participar de uma ópera encomendada exclusivamente para o nosso festival e participar dessa estreia mundial. Além disso, poder cantar e contar as lendas amazônicas é motivo de orgulho”, conta. Acostumada a cantar em idiomas como alemão, francês, italiano e, até mesmo, em inglês, Dhijana afirma que se apresentar em português é muito mais difícil do que muitos acham. “Por se tratar do idioma nativo, é preciso praticar mais do que o normal para que o público consiga entender com clareza o que está sendo pronunciado. As palavras em português possuem um som nasal forte diferentemente das outras línguas. Portanto, o trabalho é redobrado”, explica. Por se tratar de uma ópera inédita, a soprano teve que
criar a sua personagem de maneira muito pessoal, por assim dizer. “Quando se trata de uma obra conhecida, geralmente, buscamos analisar a forma de cantar de outros profissionais. Neste caso, foi completamente diferente. A Iara que será vista no palco possui as minhas cores, a minha autocriatividade. O que temos visto atualmente é uma espécie de “cover”. A pessoa vê alguém cantando e se utiliza dos recursos deste outro para poder montar sua personagem. Não foi esse o caso”, revela. O ensaio geral foi realizado na tarde da última sextafeira (23) e deixou Dhijana satisfeita com o resultado. “Tivemos a oportunidade de contar diversas vezes com a presença do próprio João Guilherme Riper. E isso é muito importante porque a obra é dele, ninguém melhor do que ele mesmo para saber o que está certo ou errado. Ouvi-lo gritar “bravo!” e ter esse contato foi de extrema importância. Estou ansiosa, mas pronta para mostrar todo este trabalho”. Infantil Professora de canto do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro (Laocs), a soprano ressalta a iniciativa da organização do festival em manter espetáculos direcionados para o público infantojuvenil. ““Onheama” tem como foco espectadores mais novos e isso é algo que já vem sendo feito nos últimos anos. Colocá-los em contato direto com a orquestra e com a música erudita como um todo é bastante válido. É muito bom poder contar histórias, muitas vezes vistas em livros, por meio do canto, da ópera”, salienta.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
“Onheama”, que tem como base poema escrito pelo amazonense Max Carphentier, estreia hoje, no Teatro Amazonas
Corais infantil e juvenil do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro têm participação significativa no novo espetáculo
Tuxaua: o chefe da tribo Outro destaque dentro da ópera “Onheama” é o barítono Rafael Lima, responsável por dar vida ao tuxaua. Assim como Dhijana Nobre, o convite para participar do espetáculo veio do maestro Luiz Fernando Malheiro. “Esta será a minha segunda ópera como solista e acreditem ou não, é extremamente difícil por contar com muito vocábulo em tupi. Portanto, o ensaio foi quase que diário e incluía os sábados pela manhã”, diz. Lima adianta que o público que for ao teatro poderá conferir uma ópera com harmonia repleta de influências de ritmos brasileiros como, Rafael Lima diz que obra tem influência de ritmos brasileiros
por exemplo, as batidas do candomblé e bastante coisa de Villa-Lobos. “Outro detalhe importante, é com relação às extensões vocais, principalmente na minha personagem e da Dhijana. Elas exigem toda a força que possuímos para justamente causar um impacto”. O barítono revela que a apresentação está muito bonita e pronta. “O diretor de cena pediu que todo o cenário fosse bastante lúdico por se tratar de um tema que vive no imaginário das pessoas. Muitas cores foram usadas e confesso que estou contando as horas que essa estreia aconteça. Estamos preparados para um grande espetáculo”, finaliza.
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>> Vitrine >> Será no próximo dia 11 de junho, no Diamond, a Festa dos Namorados que a coluna promoverá reunindo os casais do society de Manaus. A festa deste ano será em ritmo de Copa do Mundo, com ambientação em verde e amarelo e bufê brasileiríssimo. O DJ Alexandre Prata vai sacudir a pista da festa. Agendem. >> O médico urologista Anoar Samad participou do Congresso Americano de Urologia, um dos maiores eventos do mundo da área, em Orlando, na Flórida. >> Na lista de aniversariantes deste domingo, os nomes de Raquel Claudino, Gisele Aricó, Felipe Abrahim, Kiê Tiradentes, Nilinho Portela. Cumprimentos da coluna. >> A Fucapi está convidando para a inauguração do showroom do Design Tropical da Amazônia, no próximo dia 28, às 15h30. >> O almoço de sexta-feira no badaladíssimo restaurante Alentejo, em mesas diferentes, Alessandra e Cristiano Brandão, Alexandre Prata, Carlos Leão, Helen Belota Alencar, Lou Souza, Eduardo Mavignier, Luana Bastos, entre outros. O local está sensacional.
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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteuFOTOS: MAURO SMITH E CÉSAR CATINGUEIRA
Carol Carvalho e Moramay Araújo em tarde de almoço society
>> Biografia
>> Décor...
. A cantora e atriz americana Angela Bassett será a diretora de um filme biográfico que vai contar a história da cantora Whitney Houston, que morreu em 2012 aos 48 anos.
. A Prefeitura de Manaus iniciou as intervenções na cidade para a Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014™.
. O longa deve estrear em 2015, segundo o site “The Hollywood Reporter”. O ponto central do filme, provavelmente, será a relação de Whitney com seu ex-marido e pai de sua filha, Bobby Brown, desde o momento em que se conheceram, antes que ela atingisse o auge do sucesso, nos anos 1990.
. Desde quinta-feira, pinturas nos viadutos da cidade já puderam ser vistas pela população e, a partir de sexta-feira, galhardetes, banners, outdoors e envelopamentos estão sendo realizados em diversos pontos da capital, incluindo as avenidas Constantino Nery, Djalma Batista, Mário Ypiranga, Coronel Teixeira, Torquato Tapajós, Pedro Teixeira e Santos Dumont.
Marco e Gizella Bolognese em noite badalada no Clube SUB Ana Goreth e Nilson Pimentel comparecendo em evento VIP
Vera Bulbol, Júlia Pereira e Cláudia Bernardino em noite de coquetel no Alto de Adrianópolis
>> ...Da Copa
>> Objeto de Desejo
. Vídeos publicitários da Copa em Manaus serão veiculados na TV e no rádio, mostrando os encantos da cidade e chamando a população a participar da maior festa de futebol do mundo.
. Para celebrar o seu aniversário de 95 anos, a Bentley anunciou o lançamento de uma “edição especial” do Mulsanne 95.
. Outro projeto visando a Copa na cidade, em andamento desde março deste ano, é o “Brazuca em Manaus”, que vem mostrando personagens da cidade passeando ao lado da bola oficial da Copa. O projeto tem receptividade nas redes sociais e apresenta também um pouco da culinária, paisagens e curiosidades da cidade.
. O possante, que será exclusivíssimo, contará com apenas 15 modelos construídos pela montadora. A edição será um luxo peculiar dos carros da marca e mimos exclusivos como cores especialmente criadas para a edição como um azul batizado de “Britânia” e o branco “Oxford”. A linha homenageará não somente a história da montadora, mas sua terra natal, o Reino Unido.
. Neste período pré-Copa, a Prefeitura de Manaus, por meio da Manauscult, premiará dez ruas da cidade, produzidas para o Mundial, com o public view (transmissão pública do jogo). A escolha obedecerá aos critérios de criatividade, dimensão, histórico e harmonia da via. As inscrições ocorrerão entre 26 de maio e 6 de junho.
. No Palácio Rio Branco, na quinta-feira, membros do Conselho Municipal de Gestão Estratégica (CMGE) conheceram o projeto de ornamentação da cidade para a Copa, sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) em parceria com a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). As intervenções vão de pinturas em viadutos, passarelas, iluminação especial em prédios públicos, instalação de totens com mensagens de boas-vindas em vários idiomas até ornamentações aéreas que formam mosaicos. Segundo a secretária municipal de Comunicação, Mônica Santaella, o projeto foi desenvolvido para deixar a cidade mais alegre e pronta para receber o turista da melhor forma. “Motivamos o manauense a vestir as cores do Brasil, a decorar suas casas e ruas, a receber e acolher o turista, além de deixarmos nossa cidade mais verde e amarela”, destaca.
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Zeca TORRES
“Toda MÚSICA boa ME influencia” FOTOS: ANA PRISCILLA SANTOS
LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
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Quando você se propõe a fazer um trabalho autoral longe dos grandes centros, as dificuldades são muitas. Há as dificuldades que ainda temos na região como captação de patrocínio para quem, como eu, faz um trabalho sem apelo comercial”
orrinho, apelido dado pelo pai que era compositor e maestro de banda, ficou na infância e entre os familiares. Mas, o cantor e compositor Zeca Torres, 59, não renega o nome pelo qual ainda é bastante conhecido entre os colegas de profissão e pelo público. A nova opção é apenas uma maneira de evidenciar a evolução artística ao longo de 35 anos de carreira. E para mostrar essa postura atual, o mineiro de Belo Horizonte – e batizado José Evangelista Torres Filho –, que está radicado em Manaus desde os 13 anos, apresentará hoje o show “De Torrinho a Zeca Torres”, às 18h, no Palacete Provincial, com entrada franca. No repertório, composições da época em que ainda não era músico profissional, algumas parcerias antigas, como “Ciranda do Sonho”, escrita com o saudoso Aníbal Beça, outras mais recentes, além da sempre bem-vinda “Porto de Lenha”. Em entrevista exclusiva, Zeca Torres conversou sobre o grande intervalo entre seu primeiro álbum solo e o CD que lançará em 2015, suas influências musicais e adiantou um pouco sobre o show que vai apresentar hoje. EM TEMPO – Como está estruturado o show “De Torrinho a Zeca Torres”? ZECA TORRES – A proposta é mostrar a minha evolução como cantor e compositor, então vou resgatar canções que compus quando era jovem, entre elas “Casa 23”, uma música
sobre memórias que escrevi quando tinha 17 anos e que faz tempo que não toco em shows, e canções já estabelecidas. Também vou apresentar algumas parcerias mais recentes com Eliakim Rufino, Joãozinho Gomes e Sérgio Souto, que estarão no CD que vou gravar em agosto ou setembro e lançar no início do próximo ano. Será um pocket show simples, mais coloquial junto ao público, onde estarei acompanhado pelo músicos China, na bateria, e Bernardo, no baixo. ET – Ao invés de Torrinho, você tem se apresentado ultimamente como Zeca Torres. Por quê? ZT – Meu pai trabalhou no Exército, onde era conhecido como sargento Torres. Já no meio artístico era chamado de Zeca Torres e eu quis perpetuar esse nome porque devo ter adquirido o gosto pela música de forma hereditária. É uma homenagem ao meu pai e acho que tem mais a ver com a minha postura artística hoje em dia. ET – Por que um intervalo de tempo tão grande – 23 anos – entre o seu primeiro álbum solo, “Porto de Lenha”, de 1991, e esse próximo CD? ZT – Depois do lançamento do “Porto de Lenha” não tive muita oportunidade de gravar outro disco por falta, por exemplo, de apoio cultural. Esse segundo vai ser um trabalho mais amadurecido, com mais personalidade. Eu gosto muito do “Porto de Lenha”, tenho um grande carinho por ele, mas agora é hora de mostrar como evolui artisticamente.
Só faz sentido gravar um novo disco se este for melhor do que o primeiro. ET – O seu próximo CD será lançado em formato físico ou digital? ZT – Posso até pensar em fazer uma comercialização digital, mas a primeira tiragem será em formato físico. ET – “Porto de Lenha” é uma música lembrada e tocada até hoje e já foi inclusive regravada por diversos artistas. Como você analisa esse sucesso? ZT – Para mim, é mais do que uma canção, é um fenômeno multimídia. O Aldisio Filgueiras (poeta e escritor autor da letra) disse que precisava de uma música de conteúdo crítico para a peça “Tem Piranha no Pirarucu” (de 1975, cujo título original, “Zona Franca Mon Amour”, foi censurado), que seria cantada pelos atores do Tesc. Eu disse que não precisávamos fazer a música porque ela já estava pronta. “Porto de Lenha” é um trechinho de um poema de dez laudas “Baladas, Canções, Valsinhas de Estresse etc.”, que o Aldisio havia me dado e estava engavetado. A ideia inicial era fazer uma suíte com vários movimentos, mas não tínhamos muito apoio. A canção era a apoteose da peça e o público saía do teatro com aquele refrão na cabeça (“Porto de lenha / Tu nunca serás Liverpool / Com uma cara sardenta / E olhos azuis”). Então passou a ser cantada fora do teatro. Na época, começaram a pipocar os primeiros barzinhos e era interpretada por outros ar-
tistas antes mesmo de ser gravada na coletânea “Nossa Música”, de 1984, quando ficou mais famosa. Tecnicamente não é a melhor canção que fiz, mas historicamente é a mais significativa. ET – Quais são as suas principais influências musicais? ZT – Quando comecei a compor fui influenciado de bossa nova até rock progressivo. Depois, nos anos 70, ouvi muito Milton Nascimento, Edu Lobo e música instrumental de artistas como Miles Davis. Eu não sou instrumentista, mas gosto de harmonias. Toda música boa me influencia, como MPB4, Quarteto em Cy, Boca Livre, a turma do Clube da Esquina. ET – Ao longo desses 35 anos de carreira, quais foram as principais dificuldades que você encontrou? ZT – Quando você se propõe a fazer um trabalho autoral longe dos grandes centros, as dificuldades são muitas. No Rio de Janeiro e em São Paulo, você tem à disposição a posição geográfica, mas por outro lado, existe uma grande quantidade de artistas atuando. Aqui você se destaca porque não há muita concorrência, mas não uso essa palavra num sentido pejorativo. Quero dizer que aqui, há menos pessoas produzindo do que lá fora. E há as dificuldades que ainda temos na região como captação de patrocínio para quem, como eu, faz um trabalho sem apelo comercial. Mas faço música popular, meu trabalho não é hermético. Tenho um público que me respeita e para o qual eu direciono a minha música.
Para mim, ‘Porto de Lenha’ é mais do que uma canção, é um fenômeno multimídia. Tecnicamente não é a melhor canção que fiz, mas historicamente é a mais significativa”
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‘Salgado’ ganha prêmio, mas não vence mostra O
filme húngaro “Fehér Isten” (“White God”), de Kornel Mundruczó, foi o grande vencedor da mostra “Um Certo Olhar”, segunda mais importante do Festival de Cannes. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23) pelo presidente do júri, o diretor argentino Pablo Trapero (“Abutres”). O documentário francês “The Salt of the Earth”, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, codirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, levou o prêmio especial do júri. O filme vencedor, sobre uma garota em busca de seu animal de estimação, foi um dos mais falados do festival, principalmente pelo uso de 250 cães em uma cena. O prêmio do júri, o segundo mais importante da mostra, ficou com “Turist”, do sueco Ruben Östlund. Melhor ator foi para David Gulpilil, do australiano “Charlie’s Country. O prêmio para melhor elenco ficou com o filme da abertura, o francês “Party Girl”, dirigido por Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis. Favorito Um dos favoritos para a
Palma de Ouro do 67º Festival de Cannes, o filme turco “Winter Sleep”, de Nuri Bilge Ceylan, faturou o prêmio da Federação Internacional de Críticos (Fipresci). Em comunicado oficial, a federação justificou o prêmio a um “cineasta que conseguiu nos surpreender e encantar de novo com sua profunda busca
OLHAR
O prêmio do júri ficou com “Turist”, do sueco Ruben Östlund. Melhor ator foi para David Gulpilil, do australiano “Charlie’s Country. O prêmio para melhor elenco ficou com o francês “Party Girl” pela alma humana”. O argentino “Jauja”, de Lisandro Alonso, foi o preferido da crítica na mostra Um Certo Olhar, enquanto o francês “Love at First Fight”, de Thomas Cailley, ganhou a mostra Quinzena dos Realizadores. Corrupção Em seu novo filme, “Leviathan”, na competição oficial
de Cannes, o diretor russo Andrey Zvyagintsev usa um núcleo familiar como base para a trama, assim como fez em “O Retorno” (2003), vencedor do Leão de Ouro de Veneza. Desta vez, porém, a história avança para temas como relação do governo com o povo, alcoolismo e religião. Em uma pequena cidade pesqueira russa, onde a crise gerou um cemitério de barcos e baleias, Kolya (Alexey Serebryakov) recebe a notícia de que o prefeito corrupto (Roman Madyanov) desapropriou suas terras para construir um complexo turístico. Com isso, Kolya pede a ajuda de um amigo advogado (Vladimir Vdovitchenkov) e uma espiral de eventos toma conta do local. Zvyagintsev discute o grande medo de uma sociedade emergente sem proteção justa estatal: tudo pode ruir em questão de dias em um sistema corrupto. É uma relação que pode acontecer com o próprio cineasta. “Não podemos temer o futuro, mas aceitar as dificuldades quando ou se elas aparecerem. Mostramos o filme para o ministro da Cultura. Não houve problema”, disse o cineasta. Por Rodrigo Salem
DIVULGAÇÃO
Filme húngaro “Fehér Isten” (“White God”), de Mundruczó, foi o grande vencedor da mostra “Um Certo Olhar”, em Cannes
“The Salt of the Earth”, sobre Sebastião Salgado, levou prêmio especial do júri, no festival
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Duas coisas “Lady Marizete” tem ainda dois aspectos que chamam a atenção em relação a uma produção da Globo. Será a volta das suas novelas a São Paulo e o fato que mais de 80% dos moradores de Paraisópolis são nordestinos.
DIVULGAÇÃO GLOBO
Então é assim Thais Pacholek, inicialmente, fechou com o SBT até 31 de dezembro para uma participação especial em “Chiquititas”. Depois haverá nova conversa, que já envolverá uma outra novela. E aí... Nesta sua volta, esbarrando com Silvio Santos nos corredores, escutou dele a pergunta: - Mas como? Você não estava na Globo? E como é que não te contrataram antes? Paquera Cyz Zamorano e Thomas Roth foram mesmo convidados pelo SBT para o júri do “Esse artista sou eu”, realizado em parceria com a Endemol, que vai substituir o “Máquina da Fama” no segundo semestre. Além deles, também
MÁRIO ADOLFO
A falta da Marília “Pé na Cova” continua muito bem. É uma das melhores produções da Globo atualmente em cartaz, com um elenco maravilhoso, mas a falta que a Marília Pêra faz em seus episódios é muito grande. Ela é insubstituível. Sobre o assunto, Miguel Falabella informa que atriz, intérprete de Darlene, voltará ao programa ainda nesta temporada. existem negociações com o produtor musical Carlos Eduardo Miranda. Todos do extinto “Astros”. E antes que... Alguém pergunte: e o Arnaldo? O Sacomani? Ele tá no Ratinho. O novo programa terá ape-
nas três pessoas no júri. Carnaval Também neste sábado, dia 24, a Unidos lançará o seu enredo do Carnaval do ano que vem. A agremiação terá como tema a Orquestra Sinfônica Brasileira.
• O BandSports começou ontem a sua cobertura de Roland Garros... • É uma verdadeira maratona. Chega a quase 10 horas de transmissões diárias. • Renata Fan anunciou que fará comentários dos jogos da Copa do Mundo no BandSports. • Que passagem mais infeliz aquele deputado querendo destratar a Xuxa em Brasília... • Este é o caso de uma pessoa que perdeu excelente oportunidade de ficar calado... • Só despertou a antipatia de todos... • Muito bem fez ela, proibida de falar, apenas mandar um coração com as mãos... • O tal senhor, com toda certeza, não deve ter entendido nada, mas valeu. Só faltou alguém perguntar se ele também realiza um trabalho beneficente tão bonito como da Xuxa...
Tatá Werneck só no ano que vem Tatá Werneck já tem data para estrear como protagonista de novela na Globo. O primeiro capítulo de “Lady Marizete”, escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira, com a atriz no principal papel, será apresentado no dia 20 de abril de 2015, na faixa das sete da noite. É isso que foi passado recentemente para a equipe da novela, liderada pelo diretor Wolf Maya, com toda a trama central na favela de Paraisópolis, no Morumbi.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini O “Música boa ao vivo”, comandado por Thiaguinho, terá apresentação normal durante o período da Copa do Mundo, informa o Multishow. E por “normal”, edição ao vivo. Somente em caso muito especial, entrará gravado. Na próxima terça-feira, 27, o programa vai reunir Alcione, Roupa Nova e Só Pra Contrariar. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
O homem cordial
REGI
ELVIS
GILMAL
Um dos aspectos mais significativos da cultura manauara é aquilo que se convencionou chamar de “hospitalidade”. Todos os que aqui chegam são sempre bem recebidos pelos nativos, à disposição para o fino trato; seu jeito encoraja e desinibe o visitante mais embrutecido. Sem dúvida, como falamos, trata-se de um registro significativo, afinal, diante de tantas adversidades, a gentileza amazonense se sobressai como um ponto ilustrador e sinal de educação. Esta hospitalidade deita suas raízes e é prima de uma construção já bastante conhecida desenvolvida pelo historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, pai do famoso cantor. A tese de que o brasileiro seria o “homem cordial” é um dos aspectos essenciais advindos de nossas raízes ibéricas onde a cordialidade não quer dizer exatamente “bons modos”, ao contrário, ela esconde revezes que a legitimam, uma fina ironia, uma espécie de “meu querido” em diferentes conotações. Para Buarque de Holanda, o homem cordial é a grande contribuição do Brasil à humanidade. O “homem cordial” vem, como falamos, de nossa herança ibérica, onde o personalismo aparece como um traço inequívoco do brasileiro. A reverência ao superior, ao pai da família, se estende para o patrão, para o político, para o empresário, onde mesmo o ataque a algum deles, nos dias de hoje, pelos jornais ou redes sociais, são dissolvidas pela intimidade e o respeito logo ao primeiro contato. O questionamento e a dúvida se imiscuem em meio à pessoalidade das relações. Isto se estende à vida burocrática onde confundimos o público com o privado, como se os homens nativos não estabelecessem
regras de uso de espaços. Mas para uma país personalista como o nosso, a terra do “olha com quem você está falando”, onde o indivíduo interessa mais que o coletivo, onde subsiste um bloqueio a tudo que é racional, planejado, organizado e disciplinado, relacionar o Estado a vida familiar é, de fato, um problema e não compreender isto torna o pensamento e ação sobre a função do Estado democrático um acinte, visível em muitas de nossas instituições. Não pretendemos estabelecer com isso uma relação causal, mas sim, insinuar tal perspectiva como um fator determinante mas que não determina ação. Não é difícil, com tudo o que falamos, conjeturar ( e afirmar!) o tipo de política que é praticado em quase a totalidade deste universo em nosso país. A política de prebendas, de concessões, o empreguismo, clientelismo e o aparelhamento com finalidades escusas ao interesse público (este, acima de todos os outros), têm bases justamente nesta herança onde o Brasil passou a adaptar modelos estrangeiros tornandoos cada vez mais íntimos e praticáveis. Por isso, ao pensarmos numa reforma política, pensemos antes numa reforma cultura, numa revolução cultural. Pero Vaz de Caminha, na própria carta a Portugal, ao final do texto, já usa da cordialidade para seus intentos: pede ao Rei que seja enviado da Ilha de São Thomé, o seu genro. “Raízes do Brasil” do já citado historiador Sérgio Buarque de Holanda é leitura fundamental para que entendamos o perfil personalístico de nosso povo. Outras obras nos ajudam a compreender esta feição, mas é em Buarque de Holanda que vemos sua essência mais bem desenvolvida.
Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
A tese de que o brasileiro seria o “homem cordial” é um dos aspectos advindos de nossas raízes ibéricas onde a cordialidade não quer dizer exatamente “bons modos”
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Programação de TV
REPRODUÇÃO
8h Fórmula 1 - Gp De Mônaco 10h Auto Esporte 10h20 Esporte Espetacular 11h40 Esquenta 13h03 Temperatura Máxima - Tá Chovendo Hambúrguer 15h Futebol 2014 - Santos X Flamengo 17h domingão do Faustão 19h45 Fantástico 22h10 Superstar 23h22 Tuf - Em Busca De Campeões 0h20 domingo Maior - Heróis 2h15 Encerramento
SBT 5h Jornal da Semana 6h Igreja Universal 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Planeta Turismo 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas da Sorte 10h domingo Legal 14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h De Frente Com Gabi 0h Nikita 1h Alvo Humano 2h Cult 3h20 Big Bang 4h Igreja Universal
RECORD 6h Santo Culto Em Seu Lar 6h30 Desenhos Bíblicos 9h Amazonas da Sorte 10h Atendimento Show De Bola 11h domingo Show
GLOBO
O início de tarde fica mais divertido com a companhia da apresentadora Eliana, pela TV EM TEMPO
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Ao se ater aos detalhes da rotina, você tende a perder a noção de conjunto. E agora é importante você cultivar uma orientação de vida que a oriente para o crescimento.
4h34 Santa Missa 5h35 Amazônia Rural 6h05 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h40 Globo Rural
19h20 domingo Espetacular 23h15 Spartacus 0h15 A nova Super Máquina 1h15 Programação Iurd
5h Power Ranger – Rpm 6h Popeye 6h30 Santa Missa no Seu Lar 7h30 Sabadão do Baiano 8h Power Ranger + Popeye 9h30 Popeye 9h45 Infomercial – Polishop 10h15 Power Rangers – Super Patrulha Delta 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro - Boletim 11h05 Minuto da Copa – Boletim 11h10 Pé na Estrada 11h35 De Olho na Copa - Boletim 11h40 Band Esporte Clube 12h30 Gol, O Grande Momento do Futebol 14h30 Futebol 2014 – Campeonato Brasileiro 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Polícia 24h 21h Pânico na Band 0h Canal Livre 1h Minuto da Copa – Boletim 1h05 Alex Deneriaz 1h40 Show Business - Reapresentação 2h30 Igreja Universal
Cruzadinhas
Cinema ESTREIA
15h15 Hora do Faro
BAND
REPRODUÇÃO
TOURO - 20/4 a 20/5 Você sente precisar de muita segurança material, e pode cometer excessos para garanti-la. Sua vida cresceria mais ao se abrir às oportunidades, em vez de se fechar no que tem. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você está muito centrado em suas preocupações e em ser defensivo diante das pessoas. Mas o momento pede que você se abra às relações humanas e aos sentimentos. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Você teme que coisas ruins lhe aconteçam e tende a se proteger em demasia. É preciso ter atividades interessantes e construtivas ao longo do dia, e não apenas se defender. LEÃO - 23/7 a 22/8 Os sentimentos e os desejos amorosos devem ser vividos mais plenamente por você. Seguir as convenções sociais, apenas, não poderá lhe dar um grande futuro. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Você se preocupa com resultados materiais e com conquistas no trabalho, como se estas lhe garantissem segurança. Os anseios de alma são agora mais importantes a você. LIBRA - 23/9 a 22/10 Avançar os pequenos passos que a vida lhe permite no momento é essencial para seu crescimento. Não é hora de você buscar certeza total quanto à direção escolhida. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Seus sonhos e desejos quanto à vida material têm uma importância especial. Mesmo que anseie por segurança, é melhor agora usufruir as condições materiais. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Pense em você. Mesmo que o mundo lhe solicite de muitas maneiras e o pressione com discretas ameaças, não deixe de pensar em você e levar em conta o que você almeja. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A rotina de trabalho tende a lhe engolfar tão completamente que você não percebe o que sente e o que realmente pode lhe reconfortar a alma. Viva mais aquilo que lhe sensibiliza. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Mais do que preservar o controle sobre as pessoas queridas, o momento é para você abrir seus sentimentos para com relação às pessoas. Amá-las, mais do que exigir delas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Você se preocupa com a segurança pessoal e familiar, mas talvez de maneira exagerada. É mais importante agora se ocupar com as maneiras de fazer sua vida crescer e avançar.
X-Men – Dias de um Futuro Esquecido: EUA. 12 anos. Os X-Men precisam viajar no tempo para mudar um grande evento histórico que terá impacto global no homem e na natureza mutante. Cinépolis Millennium 3 – 12h45, 18h15 (3D/dub/diariamente), 15h30, 21h (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 14h15, 17h, 19h45, 22h30 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 13h30, 16h15, 19h, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 12h50, 15h30, 18h10, 20h50 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 13h30, 16h15, 21h45 (3D/dub/diariamente), 19h (3D/ leg/diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 14h15, 17h, 20h, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h45, 18h45, 22h (3D/leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 15h15 (3D/dub/diariamente), 18h, 20h45 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h30, 19h (3D/dub/diariamente), 16h15, 21h45 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 17h, 22h20 (dub/diariamente), 14h15, 19h45 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 16h10, 18h50 (3D/dub/diariamente), 13h30, 16h10, 18h50 (3D/dub/diariamente), 21h30 (leg/somente sábado e domingo), Kinoplex 4 – 14h40, 17h20, 20h (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 15h40 (3D/dub/diariamente), 18h20, 21h (3D/dub/diariamente), 13h, 18h20, 21h (3D/dub/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 15h10, 17h55 (3D/dub/diariamente), 20h40 (3D/leg/diariamente), 23h25 (3D/leg/somente sábado e domingo), Playarte 5 – 12h55, 15h40, 18h25, 21h10 (dub/diariamente), 23h55 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h56, 15h41, 18h26, 21h11 (dub/diariamente), Playarte 7 – 14h10, 17h10, 20h10 (leg/diariamente), 22h55 (leg/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 4 - 13h10, 16h10, 19h10 (dub/diariamente), 22h10 (leg/diariamente), Cinemark 6 3D - 12h10 (leg/somente sábado e domingo), 15h10, 18h10, 21h10, 00h10 (leg/somente sábado), Cinemark 7 - 11h10 (leg/somente sábado e domingo), 14h10, 17h10, 20h10, 23h10 (leg/somente sábado).
CONTINUAÇÕES Godzilla: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 1 – 16h, 21h30 (3D/leg/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 12h50, 15h45, 18h50, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 13h, 15h45, 18h30, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h45, 17h45, 21h10 (3D/leg/ diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h30, 22h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 13h (dub/somente sexta-feira, sábado e domingo), 16h, 22h (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 16h10, 18h40, 21h10 (dub/diariamente), 13h40, 16h10, 18h40, 21h10 (dub/diariamente); Playarte 1 – 12h25 (3D/dub/diariamente), Playarte 3 – 14h, 17h, 20h (dub/diariamente), 22h45 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemark 3 3D – 12h50 (dub/ diariamente), 18h40 (leg/diariamente); Cinemark 8 – 13h50, 16h45, 19h30, 22h20 (dub/diariamente).
A Recompensa: EUA. 16 anos. Cinépolis Ponta Negra 3 – 20h10 (leg/diariamente). Praia do Futuro: BRA. 14 anos. Cinépolis Ponta Negra 10 – 18h15, 21h (diariamente); Cinemark 2 – 16h30, 19h (diariamente). Mulheres ao Ataque: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 7 – 16h45, 19h20, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium Plaza – 16h45, 19h30, 22h (dub/diariamente); Playarte 10 – 13h30, 15h45, 18h, 20h20 (dub/diariamente), 22h35 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 1 – 13h (3D/dub/diariamente), 18h30 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 2 – 14h45, 17h50,
20h50 (leg/diariamente); Cinépolis Millennium 5 – 15h50, 19h15, 22h15 (dub/ diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h45, 18h15, 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 13h15, 16h30, 19h15, 22h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h20 (leg/somente sexta-feira, sábado e domingo), 16h45 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h, 17h15 (dub/diariamente), 20h30 (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Playarte 4 – 12h35, 15h20, 18h05, 20h50 (dub/diariamente), 23h35 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemark 1 – 11h15 (dub/somente sábado e domingo), 14h15, 17h20, 20h30, 23h40 (dub/somente sábado); Cinemark 3 – 15h30, 21h30 (dub/diariamente). Inatividade Paranormal: EUA. 12 anos. Playarte 9 – 13h40, 15h30, 17h20, 19h10,
21h20 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado). Copa de Elite: BRA. 14 anos. Playarte 8 – 17h30, 19h30, 21h30 (diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado). Capitão América 2 – O Soldado Invernal: EUA. 12 anos. Cinépolis Plaza 7 – 14h, 17h15, 20h10 (dub/diariamente); Playarte 2 – 12h30, 15h10, 17h50 (dub/diariamente), 20h30 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemark 2 – 21h45 (dub/diariamente). Rio 2: EUA. Livre. Cinépolis Millennium 7 – 13h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 13h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h15 (dub/somente sexta-feira, sábado e domingo), 15h50 (dub/diariamente); Playarte 8 – 13h10, 15h20 (dub/diariamente).
Plateia Em tempo: a linda Bruna Sampaio Santoro toda esvoaçante esbanjando elegância indispensável no seu festejado dèbut, no Diamond
::::: Sala de Espera
A festejada Pizza à Bessa vai comandar uma bolada gastronômica durante a Copa nos jogos da seleção brasileira em junho. Quem optar em assistir aos jogos na pizzaria degustará as novas delícias que terão os temperos brasileiríssimos misturados à criatividade da grife. A UnATI/UEA realizará, no período de 2 a 7 de junho, das 8h às 12h, o segundo curso de Noções em Gerontologia. A universidade, por meio de sua Coordenação de Ensino, realizará cursos livres durante todo o ano de 2014. O escritor e psiquiatra Içami Tiba é o próximo convidado a participar do Ciclo de Palestras Presença UniNorte. Ele vai apresentar o tema “Empregabilidade: Desafios e Oportunidades para o Sucesso” no próximo dia 29, às 19h30, no Manaus Plaza Centro de Convenções.
Jander Vieira
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::::: Por quê? A coluna fica decepcionada com propostas – principalmente as gastronômicas – para a cidade, que inauguram seus empreendimentos com tudo em cima e depois, com o passar do tempo ou de julgarem ter conquistado os clientes, o serviço despenca, o atendimento cai e a tal proposta “tudo de bom” vai por águas abaixo. Se é que vocês me entendem...
::::: Peroba
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
::::: Escandaloso O lançamento do Honda Fit 2015 foi para lá de impactante. O carro, além de lindo, é uma supermáquina, sendo produzido com tecnologia de ponta e avaliado como o carro do ano. O coquetel, que teve o Grupo Simões como anfitrião e a temática oriental, foi badaladíssimo. FOTOS: JP LIMA
Felipe Isper Habraim Neto e Fabíola Alves estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.
CACAU MANGABEIRA
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014
Mano Cavalcanti e sua Vanessa
Milena Cardoso e Luís Felipe
Antônio Silva e sua Norma
Milena Marques, Iêda Carvalho e Marcus Vinícius
Renata Assis
Confesso que como colunista acompanho as intrigas da corte há muito tempo, nesses mais de 20 anos de colunismo passei por inúmeros governos e vi das mais leais situações às verdadeiras ferroadas de “cobras profissionais” que orbitam quem está no poder, mas confesso que ainda me assusto ao ver um determinado secretário querer se segurar no cargo sem declarar apoio ao parceiro majoritário. O pior é o dito cujo sair reclamando do comportamento “ditatorial” do gestor como se fosse uma vítima. Mas, se não vai votar no candidato e nem dar apoio a ele, por que afinal de contas o “bunito” que ficar no cargo? Pela fé.
::::: Reconhecimento nacional A revista “Pais & Filhos” listou em sua publicação de maio os melhores hospitais infantis do país e, entre eles, está o Hospital de Adrianopólis do Sistema de Saúde Hapvida. Aliás, o lugar passou por uma modernização e, atualmente, conta com atendimento especializado infantil, além de uma moderna infraestrutura com UTI neonatal, centro obstétrico, emergências obstétrica e pediátrica, internação com leitos infantis e para as mamães. A publicação afirmou ainda que o hospital conta com os mais modernos equipamentos, enfermaria, UTI neonatal e infantil e centro cirúrgico. Aplausos!
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 25 DE MAIO DE 2014