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EM TEMPO - 25 de agosto de 2013

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 8.103 – DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

SEGURO

DIVULGAÇÃO

Em Manaus, menos de 0,1% da população faz seguro residencial. Serviço traz garantias quanto a incidentes e acidentes. Salão Imobiliário 1

Comer duas maçãs por dia pode reduzir o risco de doença cardíaca em mulheres. Fruta diminui os níveis de colesterol. Saúde e Bem-estar F2

DELIVERY Além de todos os tipos de delivery, a novidade no mercado é a entrega de capas de celular em domicílio para todos os modelos de smartphones. Elenco 13

AMAZONAS FESTEJA VINDA DE CUBANOS

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Alheias a embate ideológico, pequenas cidades do Norte e Nordeste comemoram vinda de médicos cubanos. É o caso de Barreirinha, no Amazonas, um dos municípios beneficiados pela medida, que também celebrou o anúncio.

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A coordenadora de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Thaís Caldeira, disse que a gestão está ansiosa pela chegada dos profissionais. “Acreditamos que o programa tem grande possibilidade de dar certo no interior do Amazonas, porque nossa necessidade é muito grande”, disse.

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DIVULGAÇÃO

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou lamentar o preconceito contra médicos estrangeiros, em especial os cubanos, que chegam ao país por meio do programa “Mais Médicos”. Ele recepcionou 23 médicos que chegaram em Brasília na sexta-feira. Última Hora A2

Policiais prendem ‘chefão’ da pirataria

É NAÇA!

O Nacional entra em campo hoje, no Sesi, contra o Náutico (RR), de olho na liderança do grupo A1, na última rodada da fase classificatória da Série D. Pódio E3

DIVULGAÇÃO

RICARDO OLIVEIRA

Operação “Centro Seguro 2” apreendeu ontem uma tonelada de produtos piratas. Suposto “chefão” da pirataria foi preso. Última Hora A2

GILMAR

Ex-goleiro bicampeão sofre infarto

O ex-goleiro Gilmar dos Santos Neves (foto), bicampeão mundial com a seleção brasileira em 1958 e 1962, está internado em estado grave. Última Hora A2

Armas químicas preocupam mundo Ataques na Síria reacendem a discussão sobre o uso de armas químicas em conflitos e deixam o mundo em alerta. Mundo B7

O inglês Lewis Hamilton (foto) fez a pole para o GP da Bélgica de Fórmula 1, que será realizado hoje, em Spa-Francorchamps. O brasileiro Felipe Massa fez apenas o décimo melhor tempo. Última Hora A2

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.

Investimentos para melhoria do ensino Titular da Semed, Pauderney Avelino faz um balanço dos primeiros meses e dos futuros projetos para Manaus. Com a palavra A7 TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

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MÍN.:

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MONTAGEM SOBRE FOTO DE RICARDO OLIVEIRA

DIVULGAÇÃO

SAÚDE


Última Hora

A2

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Municípios do AM festejam vinda de médicos cubanos Os médicos também estão animados com a possibilidade de trabalhar no interior do Estado. É o caso da médica espanhola Sonia Gonzales, 38, que chegou com o filho ao Brasil na tarde de sexta-feira, 23, para o período de treinamento e avaliação destinado aos inscritos no programa “Mais Médicos”. “Eu vim mais para aprender, ter uma nova experiência em um local muito diferente do meu”, conta a profissional, que se formou em Portugal e vinha trabalhando naquele país há 10 anos. Indígenas Gonzales vai trabalhar em uma unidade indígena no Alto do Rio Negro, no noroeste do Amazonas, na divisa com Colômbia e Venezuela. Ela diz estar empolgada para conhecer a região e trabalhar no local. “Ainda não sei se vão estar ou não ‘contaminadas’ com a nossa cultura”, disse, referindo-se aos índios que irá atender. Segundo o Ministério da Saúde, os 400 médicos cubanos que atuarão na primeira etapa do programa serão direcionados aos 701 municípios que não despertaram o interesse de nenhum profissional inscrito, seja brasileiro ou estrangeiro.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recepciona os médicos estrangeiros que começaram a chegar ao país na sexta-feira, 23

INFARTO JOEL ROSA

‘CENTRO SEGURO’

Mais de R$ 40 milhões em produtos piratas foram apreendidos durante operação no Centro

Polícia prende ‘chefão’ da pirataria GUILHERME ALVES Equipe EM TEMPO

Cerca de uma tonelada de produtos falsificados, o equivalente a R$ 40 milhões foram apreendidos durante a operação “Centro Seguro 2” que ocorreu nas ruas Marechal Deodoro, Teodoreto Souto e Floriano Peixoto durante todo o dia de ontem em combate à pirataria na área. Além dos mandados de busca e apreensão, a polícia também cumpriu mandado de prisão do empresário paranaense Sebastião Rubislei Villas Boas, 49, apontado como o mentor da pirataria de confecção de Manaus. Roupas, tênis e acessórios de diversas marcas, chips de celular, viagras e inclusive alimentos pere-

cíveis estragados foram encontrados em cinco galerias de roupas e em alguns apartamentos do antigo hotel Amazonas, principais lugares utiliza-

EMPRESÁRIO

Além dos mandados de busca e apreensão, a polícia também cumpriu mandado de prisão do empresário paranaense Sebastião Rubislei Villas Boas, 49, apontado como o mentor da pirataria em Manaus dos como depósitos do comércio ilegal. O delegado-geral adjunto, Mário Aufiero, destacou a importância do combate

aos focos de criminalidade no Centro. “É um baque muito forte na pirataria de Manaus, são cerca de uma tonelada de produtos apreendidos provindos, a maioria deles, dos Estados do Paraná e do Ceará. A pirataria é responsável por retroalimentar o tráfico de drogas e a prostituição e isso precisa ser combatido”, disse. Todos os produtos apreendidos estavam sem nota fiscal ou com notas falsificadas. Alguns estabelecimentos foram fechados e apartamentos arrombados durante a operação que aconteceu no dia de ontem. Sebastião era foragido da Polícia Civil do Paraná e possuía um mandado de prisão em aberto no Estado.

F-1

Ex-goleiro Gilmar Santos é internado em estado grave O ex-goleiro Gilmar dos Santos Neves, campeão do mundo com a seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1958 e 1962, está internado em estado grave no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele sofreu um infarto e seu estado é considerado delicado e irreversível pela equipe médica. Ainda não foi divulgado nenhum boletim médico. O ex-jogador segue internado e a comunicação do SírioLibanês iria conversar com família e médicos para decidir sobre a divulgação de novas informações. Ídolo do Corinthians nos anos 50 e do Santos na década seguinte, Gilmar é considerado um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. Desde o ano 2000, ele inspira cuidados médicos próximos por conta das consequências de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Nascido na cidade de Santos, Gilmar iniciou a carrei-

Hamilton é pole na Bélgica

ra no Jabaquara no ano de 1951 e logo assumiu a meta do Corinthians. No time de Parque São Jorge disputou 395 partidas e conquistou os títulos do Campeonato Paulista de 1951, 1952 e 1954 (IV Centenário) e do Torneio Rio-São Paulo, também em 1954. Como jogador do Timão, venceu a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Já em 1962, ano em que foi bicampeão mundial com o Brasil no Chile, foi contratado pelo Santos para integrar um dos maiores times de todos os tempos ao lado de Coutinho, Pelé e Pepe. Na Vila Belmiro fez história ao faturar a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes em 1962 e 1963. Também levantou taças do Paulistão (62, 64, 65, 67 e 68), do Rio-SP (63, 64 e 66), da Taça Brasil (62, 63, 64 e 65) e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (68). DIVULGAÇÃO

S

ecretários municipais de Saúde de cidades do Norte e Nordeste brasileiros estão animados com a possibilidade de a população receber atendimento médico por meio do programa federal “Mais Médicos”, independentemente da nacionalidade dos profissionais. Pelo menos 140 profissionais de Cuba serão destacados para o Amazonas. Barreirinha, por exemplo, que será contemplado pelo programa, celebrou o anúncio da chegada dos médicos estrangeiros. A coordenadora de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Thaís Caldeira, disse que a gestão está ansiosa pela chegada dos profissionais. “Acreditamos que o programa tem grande possibilidade de dar certo no interior do Amazonas, porque nossa necessidade é muito grande”, disse, apontando uma questão que deve ser considerada na escolha dos profissionais. “Para nós, a preocupação é com a comunicação entre médicos e as populações indígenas de nossa cidade”, completou. A cidade amazonense é administrada por Mecias Batista (PSD), tem 27 mil habitantes, possui IDH baixo (0,574) e fica na divisa com o Pará.

VALTER CAMPANATO/ABR

Alheias a embate ideológico, municípios amazonenses só se preocupam com a comunicação entre médicos e população

Ídolo do futebol brasileiro, Gilmar está internado com infarto

O inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, fez a pole position do GP da Bélgica, ontem. Felipe Massa vai largar na 10ª posição, atrás do companheiro de equipe, Fernando Alonso, que fez o nono melhor tempo. Hamilton surpreendeu ao marcar o tempo de 2min01s012 na última volta do Q3, parte do treino marcada pela volta de chuva e por tempos mais altos de todos os pilotos. Sebastian Vettel, da Red Bull, vai largar na segunda colocação, seguido pelo companheiro Mark Webber. Outra surpresa foi o piloto escocês Paul di Resta, da Force India, que marcou o quinto melhor tempo, aproveitando o momento em que a pista de SpaFrancorchamps ficou um pouco mais seca. As Ferraris, que andaram bem durante o Q2, não conseguiram bom desempenho com o tempo chuvoso e vão sair apenas na quinta fila. A equipe italiana errou na estratégia na parte final do treino e acabou colocando Alonso e Massa nos momentos errados, com a pista mais molhada. A decepção do dia foi o piloto australiano Daniel Ricciardo, da Toro Rosso. Cotado para formar dupla com Sebastian Vettel na Red Bull na próxima temporada, Ricciardo foi eliminado e vai largar apenas na 19ª posição.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

A mentira é uma zona de perigo

Preconceito contra os cubanos O raciocínio é lógico: – As cidades do interior necessitam de médicos e, se os médicos brasileiros não querem trabalhar lá, por que os cubanos não podem? A opinião pública não está entendendo a reação – até virulenta – das entidades médicas brasileiras contra a vinda dos garotos de Fidel para o país. Um dos principais argumentos da “reação irada” consiste em questionar a qualidade e a competência dos profissionais cubanos. Equivocada, porque Cuba é referência em medicina em qualquer lugar do mundo. Apelou Veja, por exemplo, a reação do presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’Ávila. Ele chegou a dizer que “os cubanos poderão causar um genocídio” no Brasil. Frase infeliz, discriminatória e reacionária! 25 faculdades Mas, uma das maneiras de acabar com o preconceito, é conferir a realidade da saúde e da medicina em Cuba. Veja só: em Cuba, há 25 faculdades de medicina (todas públicas), e uma Escola LatinoAmericana de Medicina, na qual estudam estrangeiros de 113 países, inclusive do Brasil. 11 mil médicos Em 2012, Cuba formou 11 mil novos médicos. Deste total, 5.315 são cubanos e 5.694 vêm de 59 países, principalmente da América Latina, África e Ásia. Desde a Revolução Cubana em 1959, foram formados cerca de 109 mil médicos no país. Hospitais e clínicas Cuba tem 161 hospitais e 452 clínicas para pouco mais de 11,2 milhões de habitantes. Veja o contraste Em Cuba há hoje 6,4 médicos para mil habitantes. No Brasil, esse índice é de 1,8 médico para mil habitantes. Na Argentina, a proporção é 3,2 médicos para mil habitantes. Em países como Espanha e Portugal, essa relação é de 4 médicos para cada mil habitantes.

Políticos no casório O casamento de Ana Beatriz Lins, filha do deputado Átila Lins e Rita, com Eduardo Lobo, ontem, no Recanto das Águas, em Brasília, teve seu momento político. A festança reuniu os grandes caciques da política baré, entre eles o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e a senadora Vanessa Grazziotin. Passou mal O governador Omar Aziz (PSD) e sua mulher, Nejmi Aziz, viajaram a Brasília para assistir ao casamento, mas a primeira-dama teve um mal-estar e achou por bem cancelar a presença na hora do sim de Beatriz. A suspeita é de dengue, mas nada foi confirmado. Ele, ela e só Em reuniões sociais, Omar não gosta do séquito que costuma acompanhar os governantes. Dispensou todo mundo, até o ajudante de ordens, e viajou somente com a mulher, a primeira-dama.

O governador também não é muito chegado a avião. Mas ultimamente tem viajado muito a Brasília. De acordo com uma fonte, está se ambientando aos ares da corte, já que sua meta é o Senado em 2014. Lado a lado Falando em “momento político”, teve neguinho que já começou a fazer conjecturas quando viu o governador Omar Aziz chegar ao Palácio Rio Negro, dia 20, no mesmo carro que o senador Eduardo Braga.

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

Carona Aziz foi pessoalmente buscar, em seu carro, o líder da presidente Dilma no Senado, em sua residência, na estrada da Ponta Negra. Futriqueiros O que passou pela cabeça dos futriqueiros de plantão, é que isso pode significar o início de um futuro “acerto” para 2014. Os mais céticos, no entanto, garantem que o fato não passou de uma agenda oficial e da convivência pacífica e respeitosa entre dois políticos civilizados. Creches, já A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu na tribuna a aprovação do projeto de lei que obriga as empresas a manterem creches para os filhos dos trabalhadores.

O projeto, de autoria da senadora comunista, tinha parecer pela rejeição na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Mas foi retirado de pauta a pedido do relator, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que se comprometeu a refazer o relatório.

– Podemos até trabalhar em um substitutivo, não há problema nenhum. O que não podemos permitir é que a Consolidação das Leis do Trabalho seja mantida como está –, afirmou a senadora.

VAIAS

Manaú Rock Festival

Charge

A agenda dos dois era a reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (do Brasil), e o ministro da Venezuela, Ricardo Menéndez.

Autora

Ares da corte

Era uma vez uma criança que mentia. Criança inventa, mas essa mentia, como se fosse um adulto. Toda criança aprende que mentir é feio até descobrir que essa é a maior mentira dos adultos. A mentira é um rito de passagem para a realidade segundo os adultos. A criança dessa história era precoce (faltava que tivesse barba e bigode, antes do tempo) e mentia. Um dia, brincava com outras crianças em um igarapé e fingiu que se afogava. Foi um sucesso: toda a vizinhança acorreu, aflita. Salvem a criança! Salvem a criança! Era mentira. A criança ria, mesmo durante a surra que levou (nessa época, a palmatória, como o piston da gafieira, “botava as coisas no lugar”), e continuou a rir depois de toda marcada e ficar de castigo, sem televisão, por uma semana. Não adiantou. Nem privar-se da televisão, do hambúrguer, das fatias de pizza, fazia com que essa endiabrada levasse a vida a sério. Um dia, essa criança (depois de muitos castigos) voltou a banhar-se com as coleguinhas e os coleguinhas no igarapé, que já começava a ficar poluído, porque o tempo passa e vai deixando um rastro de poluição por onde passa e não para. Ela acabara de ser liberada para ir ao shopping. Nem teve tempo. Começou a gritar que se afogava, que um candiru a atacava, que um jacaré caolho a abocanhara. Ninguém lhe deu o menor crédito, apenas riam todos do que julgavam ser (mais) uma palhaçada. Mas era verdade. A criança só voltou a aparecer, dois dias depois, devidamente afogada. Pois bem. Não há quem não conheça essa história de fundo moral. E ela vem à tona, por isso mesmo: porque é tão velha quanto as ameaças à Zona Franca de Manaus. A cada uma, se reage como se fosse mentira. Um dia, o jacaré cegueta, o candiru tarado ou o afogamento em mais um cruel desespero pode ser a verdade inesperada. Aí, sim.

Pais desinformados DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para o Manaú Rock Festival, que levou uma multidão ao anfiteatro da Ponta Negra, realizando um show que deliciou os amantes da música, na maior paz, sem nenhum registro de violência.

Para alguns pais ignorantes e desinformados, que se recusam a assinar a autorização para que as filhas menores sejam vacinadas contra o HPV. É lamentável.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Falta reza no mundo O fato ocorreu na capital do Piauí, Teresina, e dele tomei conhecimento pela leitura de um velho exemplar de jornal e, dirão alguns, é fato típico do mundo nordestino, onde o estranho e o surpreendente rotineiramente fazem parte do cotidiano das pessoas. Por isso, só no Nordeste brasileiro Dias Gomes pôde plantar, pela via do realismo fantástico, a sua “Saramandaia”, onde gorda explodia, asas nasciam em gente, morto revivia, orador parnasiano virava lobisomem. O fato noticiado pelo jornal ganhou status de absolutamente real não apenas por ter sido notícia de jornal, mas, e sobretudo, porque recebeu chancela do Poder Judiciário, pelo envolvimento da pessoa de um juiz de direito. Eram duas vizinhas, daquelas cujas casas partilham a mesma parede que deveria separá-las e que, por mais de uma vez já tinham conflitado, sempre no preciso momento em que coincidia de se encontrarem para varrer, cada uma a sua calçada. Só que, num certo dia, a desavença alcançou temperatura mais alta e uma delas, precisamente a nossa personagem, ofendeu pesadamente a outra, com palavras que não se admite em boca de mulher mãe e esposa, ainda mais nordestina. Aconteceu que, não sei como nem por quais caminhos, o caso acabou por constituir-se em processo policial e assim foi cair sobre o colo, ou melhor, sobre a mesa do magistrado que tinha por

dever de ofício distribuir a justiça na cidade. Como um Salomão pósmoderno, o juiz exarou sua sábia sentença, na certeza de que por meio dela, além de fazer justiça, dava um bom exemplo para todos e ainda realizava uma ação pedagógica que certamente iria educar moralmente a “desbocada”, além de elevá-la da sua condição de semianalfabeta. Sentindo-se o próprio Salomão, o juiz invocou a figura paterna do dito, no caso o rei Davi, e sentenciou que a ré ficaria obrigada, durante um período, a ler diariamente na igreja, no horário da missa, em voz alta, sob a supervisão do vigário, a parte inicial do Salmo 39, que assim reza: “Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a boca com um freio, enquanto o ímpio estiver diante de mim”. Sábio magistrado, pois, desse dia em diante, nunca mais se soube que a falastrona abrira a boca para insultar alguém. Valeu o ensinamento do salmista. Da notícia do jornal saltei para a lembrança de um velho amigo com quem trabalhei e de quem muito aprendi, também justo e sábio, hoje com certeza já usufruindo da convivência direta com os dois reis bíblicos. Falo do saudoso Robert Philippe Daou, sempre espirituoso que, após ler as notícias amargas e chocantes dos jornais, me dizia: “Amigo, precisamos restabelecer o ensino obrigatório do catecismo em todas as salas de aula”.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Como um Salomão pós-moderno, o juiz exarou sua sábia sentença, na certeza de que por meio dela, além de fazer justiça, dava um bom exemplo para todos e ainda realizava uma ação pedagógica que certamente iria educar moralmente a ‘desbocada’, além de elevá-la da sua condição de semianalfabeta”.


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Jogo de empurra

Se ela é virgem, ela não tem como comparar (o marido com outros homens). Se ela esteve com outros homens, então ela tem experiência. Ter experiência torna as mulheres mais fortes

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral criticam, em conversas reservadas, a estratégia adotada pela ex-senadora Marina Silva para a criação da Rede Sustentabilidade. Para eles, Marina quer “jogar no colo’’ do TSE a responsabilidade de atestar a autenticidade das assinaturas de apoio ao partido. “Todos sabem o tempo que leva para se reconhecer uma única firma em cartório. Agora imagine autenticar 500 mil assinaturas deixadas no balcão na undécima hora”, diz um ministro. Lição de casa Membros do TSE dizem que a diferença da Rede para outras siglas, como PSD e PEN, é que, nesses casos, o tribunal apenas consolidou as assinaturas já reconhecidas e autenticadas. Tic-tac Tribunais de sete dos nove Estados que foram alvo de reclamações formais da Rede afirmaram, em ofícios em resposta à corregedoria do TSE, que os prazos de certificação foram cumpridos na maioria dos cartórios e que atrasos foram pontuais. Tic-tac 2 Em Pernambuco, o TRE alega que 107 das 114 zonas eleitorais fizeram o trabalho no tempo correto. Das ruas Diante do cenário de incerteza, ministros do TSE temem que sejam convocadas manifestações em frente ao tribunal caso o partido de Marina não seja criado a tempo para que ela se candidate à Presidência, em 2014. Inflação Prestes a obter seu registro, o Solidariedade, partido articulado por Paulinho da Força, teve assinaturas de apoio questionadas pelo TRE

paulista. Em Suzano, um cartório registrou que 33 eleitores que apareciam nos registros da legenda negaram ter assinado os documentos. Quem? E enquanto a segunda colocada nas pesquisas enfrenta dificuldades para viabilizar seu partido, advogados e políticos dão como certa a criação do PROS (Partido Republicano da Ordem Social), sem nenhum expoente de peso à frente. Nicho 1 Aécio Neves (PSDB) quer usar o programa do partido na TV, em setembro, para se dirigir a um público específico: os jovens das classes B2, C1 e C2. Pesquisas encomendadas pelos tucanos mostram que esse segmento contribui, em média, com 60% da renda familiar. Nicho 2 O discurso para o jovem que cursou universidade e trabalha será que o Estado deve garantir meios para ele empreender, palavra-chave do novo discurso tucano. Descolado Na TV, Aécio deve aparecer falando em tom descontraído com jovens de todo o país. Vai usar uma expressão que ouviu da filha,

Sana Al Khayat, escritora e comentarista social árabe, defende que a questão da exigência de virgindade da mulher antes do casamento, nas comunidades cristãs e muçulmanas do Oriente Médio está relacionada ao “controle”, que os homens temem perder sobre elas.

Gabriela, ao abordar os eleitores: ‘’papo reto’’. “Esse público não gosta de ser enrolado por político’’, justifica. Estiva Eduardo Campos (PSB) falará novamente a empresários paulistas na terçafeira. O governador pernambucano estará no Fórum Santos Export, que reunirá representantes do setor portuário.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RICARDO OLIVEIRA

Olho no... O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apresenta amanhã emenda a projeto do colega Jorge Viana (PT-AC) de minirreforma eleitoral para limitar em R$ 700 per capita as doações eleitorais de pessoas físicas. ... relógio O projeto de Viana proíbe doações de empresas nas campanhas. Para Suplicy, a proposta é a única viável de ser aprovada em tempo de valer já para as próximas eleições. Foco Na investigação interna sobre as denúncias de cartel em licitações de metrô e trem, a corregedoria do governo paulista deu prioridade a depoimentos de representantes das empresas, em vez de servidores públicos. Dirigentes de quase todas as firmas já foram ouvidos.

Tiroteio

A França oficializou a invenção do daguerreótipo (palavra horrorosa extraída do inventor Louis Daguerre, em 19 de agosto de 1839. É a data mundial da fotografia e do fotógrafo. Os brasileiros, amantes de comemorações, também festejam em 8 de janeiro e 8 de julho – que mal há nisso? – embora, a fotografia seja precisa e definitiva.

Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

A população quer médicos preparados e humanistas, e não as reações rancorosas e medievais da oposição sobre os cubanos.

A iniciação aos mistérios

DO LÍDER DO PT NA CÂMARA, JOSÉ GUIMARÃES (CE), a respeito de declarações dadas por políticos oposicionistas sobre a vinda de médicos cubanos ao país.

Dona Deolinda foi a catequista que me preparou para a primeira comunhão. Com ela aprendi as principais orações, os dez mandamentos da Lei de Deus, os mandamentos da Igreja e as obras de misericórdia. O catecismo era o de perguntas e respostas que devíamos aprender de cor. Lembro-me ainda do jejum eucarístico, da importância do silêncio, da genuflexão correta diante do Santíssimo Sacramento. Costureira, nunca se casou e passou a vida cuidando dos outros, primeiro dos irmãos e irmãs mais novos, depois dos pais, e já no final da vida, de sobrinhos e sobrinhas com seus filhos e filhas, maridos e esposas. Mais tarde, tive a oportunidade de estudar filosofia, conhecer grandes pensadores e ser aluno de mestres competentes. O estudo da exegese, da teologia, da moral, da liturgia e do direito abriram horizontes, questionamentos, e a fé se confrontou com a razão. Mas as convicções fundamentais, a postura diante da vida, o senso de responsabilidade, a alegria do dever cumprido, o valor fundamental que me tem feito caminhar, ter esperança, devem mais a dona Deolinda que a tudo que veio depois. Na sua simplicidade de vida, na sua vivência do essencial, no seu olhar de fé que dispensava provas porque a presença de Deus em tudo é tão evidente, ela formou gerações de homens e mulheres que fizeram frutificar as sementes do Reino semeadas em corações de crianças que ainda se extasiavam diante do sagrado que se manifesta nas pequenas ações, nos pequenos sacrifícios, nas

Contraponto

Boca-livre contra a crise O governador Eduardo Campos (PSB) falava, depois de palestra para empresários do setor da construção civil, em São Paulo, na semana passada, sobre as dificuldades fiscais enfrentadas pelos Estados diante do baixo crescimento da economia. --O cenário exige cautela e responsabilidade dos governantes --afirmou para empresários e jornalistas. Em seguida, brincou com os anfitriões: --Eu, por exemplo, estou aceitando todos os convites para almoços como este, porque é um jeito de economizar os gastos com custeio. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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orações ditas de coração e decoradas, nas imagens e símbolos que a cultura religiosa transforma em inspiração de bondade e misericórdia, mas, sobretudo, da Eucaristia, o pão vivo descido do céu. A nossa história pessoal deve muito a pessoas que simplesmente viveram e transmitiram o que tinham de mais sagrado e precioso, a sua fé. No mês de agosto, o último domingo é, na igreja, o Dia do Catequista. São homens e mulheres, mais mulheres que homens, muitos deles jovens, alguns até adolescentes que se encantam com o evangelho, com a vida da igreja nos seus ritos e orações, com a doutrina que se acumulou de geração em geração, com a palavra contida nas Escrituras. E a partir deste encantamento gastam tempo, preparam-se, e anunciam o evangelho iniciando na fé e no mistério crianças, adolescentes e adultos. Nas pequenas comunidades, são referência para a vida de fé, celebrantes, líderes comunitários. Não terão seus nomes inscritos nos livros de história e provavelmente não estarão nas páginas dos jornais. Não receberão medalhas e troféus, mas com certeza terão contribuído para a edificação da igreja e para a construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais humana. Os catequistas não têm ouro nem prata, não ensinam profissões e técnicas, mas transmitem o que há de mais precioso, sua fé em Jesus Cristo. Que as homenagens simples e singelas que receberão no seu dia consigam expressar a gratidão que todos trazemos no coração.

Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

No mês de agosto, o último domingo é, na igreja, o Dia do Catequista. São homens e mulheres, mais mulheres que homens, muitos deles jovens, que se encantam com o evangelho, com a vida da igreja nos seus ritos e orações, com a doutrina que se acumulou de geração em geração”.


Política

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

A5

Projetos de medalhas se destacam na Assembleia

Em mais de 2 anos, os 24 deputados estaduais apresentaram 894 proposituras. Boa parte é para homenagear autoridades ALEAM/DIVULGAÇÃO

LUCIANO FALBO Equipe EM TEMPO

U

m levantamento feito pelo EM TEMPO mostra que as proposituras (termo genérico para designar projetos apresentados nos casas legislativas) parlamentares individuais, entre projetos de lei (PLs) e de lei complementar (PLCs), projetos de resolução legislativa e Propostas de Emenda à Constituição (PECs), apresentadas pelos 24 deputados da Assembléia Legislativa do Estado (Aleam) somam 894, num período de 2 anos, entre 2011 até o primeiro semestre deste ano. Entretanto, grande parte desse volume ainda não passou pelo crivo das comissões técnicas, estão pendentes de votação ou não tem efeitos práticos na vida da população. Exemplo disso são as 36 concessões de título de cidadão do Amazonas solicitadas no período ou as 24 medalhas “Ruy Araújo”. A medalha foi criada para homenagear personalidades do meio político, jurídico ou cultural importantes para a sociedade amazonense. Entre os que deverão ser homenageados com a comenda aparecem o presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, pastor Silas Malafaia; o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira; o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, “o Fenômeno”; o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD); e o ministro do Esporte Aldo Rebelo. O apresentador da TV Globo Luciano Huck também deverá se tornar cidadão amazonense tão logo se consiga agendar sua vinda ao Estado para a solenidade. Para homenagear ainda mais personalidades, tramita na casa a criação de mais três medalhas – “Samuel Benchimol” e “Capelania Bom Pastor”, ambas de autoria do deputado Wanderley Dallas (PMDB) e a Medalha do Mérito Esportivo “Orlando Rebelo”, de autoria do deputado

Fausto Souza (PSD). Apesar do volume de projetos apresentados neste período ser ‘vultoso’, isso não reflete no total de matérias aprovadas pela casa e, nem sequer nas comissões técnicas. Mais da metade das proposituras dos deputados costuma ser barrada na de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), responsável por fazer o filtro técnico e jurídico dos projetos de leis e iniciativas propostas pelos parlamentares. Um exemplo claro foi a última reunião da comissão, realizada na quinta-feira passada, dia 21. Na ocasião, cerca de um terço dos projetos haviam recebido pareceres contrários dos respectivos relatores. O presidente da CCJR, deputado Davi Almeida (PSD),

BALANÇO

Dados do primeiro semestre deste ano mostram que o Executivo enviou 66 mensagens; o Ministério Público quatro proposituras; o Tribunal de Contas do Estado, enviou três; e o de Justiça, apenas um chegou a declarar que “nunca tantos projetos receberam parecer contrário na comissão”. “As propostas são boas, mas não pode se transformar por vício de iniciativa por ser competência do Executivo. Outras recebem parecer contrário porque são de natureza tributária, competência da União, ou ainda porque não especificam a origem dos recursos do Orçamento”, justificou. Enquanto muitos deputados têm seus projetos rejeitados, seja por erro de técnica legislativa, vício de iniciativa ou porque o tema abordado fica aquém das necessidades dos amazonenses, as matérias oriundas do governo do Estado, que somente este ano somaram 66, tiveram a aprovação total nas comissões e no plenário legis-

lativo. Desse total de matérias apreciadas, 42 são projetos de lei e de lei complementar, 22 são projetos de decreto legislativo, que designam membros dos conselhos estaduais entre outras coisas, e quatro vetos governamentais. De acordo com o presidente da Aleam, Josué Neto (PSD), a instituição começou a ter mais cuidado na avaliação desses projetos, seguindo o que diz a legislação. “É claro que nós temos toda semana chegando projetos do governo e que analisamos e estamos tendo o cuidado para não cair no mesmo erro dos anos passados, em que os próprios colegas da oposição reclamavam que não haviam acontecido as reuniões”, disse. Sobre os projetos que ainda estão pendentes, Neto disse que a intenção é remeter alguns de volta à CCJR, mas que para isso consultará mesa a respeito. No fim dos trabalhos do primeiro semestre, o presidente garantiu que “limparia” a pauta de projetos que tramitavam há anos na casa, sem definição. “É claro que nós temos algumas outras matérias pendentes em número que vá prejudicar o nosso trabalho, mas a vontade é devolver algumas para a CCJ”, acrescentou. Em relação aos projetos que serão votados neste segundo semestre, Josué Neto revelou que cerca de 90% são deste ano. O presidente destacou que entre as principais votações está a da revisão da Constituição do Estado. Quantidade x qualidade O líder isolado em projetos é o deputado Wanderley Dallas (PMDB) com 153 proposituras apresentadas no período, sendo majoritariamente projetos de lei (151). Na segunda posição aparece Marcelo Ramos (PSB) com 105 proposituras, entre as quais 94 projetos de lei. Apesar disso, os dois deputados estão entre os que mais receberam parecer contrário na CCJR ou listam com grande parte dos projetos pendentes.

Dallas se destacou nas propostas, em 2012 Deputado Wanderley Dallas (PMDB) Marcelo Ramos (PSB) Conceição Sampaio (PP) Luiz Castro (PPS) Abdala Fraxe (PTN) José Ricardo (PT) Fausto Souza (PSD) Tony Medeiros (PSL) Chico Preto (PSD) Cabo Maciel (PR) Ricardo Nicolau (PSD) Josué Neto (PSD) Orlando Cidade (PTN) Vera Lúcia (PTB) Arthur Bisneto (PSDB) Marcos Rotta (PMDB) Sinésio Campos (PT) Adjuto Afonso (PP) Sidney Leite (DEM) Vicente Lopes (PMDB) Wilson Lisboa (PCdoB) Belarmino Lins (PMDB) Francisco Souza (PSC) Davi Almeida (PSD) Mesa Diretora

Total de proposituras 87 33 32 30 17 17 15 13 10 9 9 8 8 7 5 5 5 3 3 3 3 2 2 1 10

Projetos de lei 87 31 31 23 16 12 14 12 10 6 8 8 7 4 4 4 4 2 1 3 3 1 2 1 3

Projetos de resolução legislativa 2 1 5 1 3 1 1 1 1 1 3 1 1 1 1 2 1 7

Proposta de Emenda Constitucional 2 2 3 -

O deputado federal Francisco Praciano (PT) recebeu o título de cidadão amazonense neste ano

Marcelo Ramos liderou o ranking de 2011 Deputado Marcelo Ramos (PSB) Arthur Bisneto (PSDB) Wanderley Dallas (PMDB) Conceição Sampaio (PP) Luiz Castro (PPS) Davi Almeida (PSD) Vera Lúcia (PTB) José Ricardo (PT) Abdala Fraxe (PTN) Chico Preto (PSD) Fausto Souza (PSD) Ricardo Nicolau (PSD) Wilson Lisboa (PcdoB) Josué Neto (PSD) Tony Medeiros (PSL) Belarmino Lins (PMDB) Cabo Maciel (PR) Orlando Cidade (PTN) Vicente Lopes (PSD) Adjuto Afonso (PP) Marcos Rotta (PMDB) Sidney Leite (DEM) Sinésio Campos (PT) Francisco Souza (PSC) Mesa diretora

Total de proposituras 55 32 30 28 26 20 19 18 15 15 14 13 11 10 10 8 8 8 8 7 7 7 6 -

Projetos de lei 51 29 24 20 1 15 10 15 8 13 10 8 7 4 8 7 6 4 5 -

Projetos de resolução legislativa 1 1 4 2 4 3

Proposta de Emenda Constitucional 3 4 5

3 1 2 2 3 2 1 2 1 -

4 1 -

2 1 -

Primeiro semestre de 2013 soma 204 proposituras Deputado Wanderley Dallas (PMDB) Arthur Bisneto (PSDB) Marcelo Ramos (PSB) Conceição Sampaio (PP) Orlando Cidade (PTN) Luiz Castro (PPS) Abdala Fraxe (PTN) José Ricardo (PT) Sinésio Campos (PT) Tony Medeiros (PSL) Wilson Lisboa (PCdoB) Fausto Souza (PSD) Ricardo Nicolau (PSD) Belarmino Lins (PMDB) Chico Preto (PSD) Marcos Rotta (PMDB) Adjuto Afonso (PP) Cabo Maciel (PR) Francisco Souza (PSC) Josué Neto (PSD) Sidney Leite (DEM) Vera Lúcia (PTB) Davi Almeida (PSD) Mesa Diretora

Total de proposituras 36 17 17 16 15 12 10 10 10 8 7 6 6 4 4 3 2 2 2 2 2 1 12

Projetos de lei 35 17 12 16 14 12 10 10 10 8 6 5 5 1 3 2 2 2 2 2 1 1 2

Projetos de resolução legislativa 1 5 1 1 1 1 3 1 5

Proposta de Emenda Constitucional 1 1 5 FONTE: ALEAM


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Política

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JOEL ROSA

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Isso é precarização do trabalho” SENADORA ANA AMÉLIA (PP-RS) sobre a exploração de médicos pela ditadura cubana

TSE avaliará poder ilimitado de mensaleiro no PR Políticos filiados ao partido da República decidiram questionar no Tribunal Superior Eleitoral o poder ilimitado do deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto (SP). Ele é secretário-geral, mas age como dono do PR: os diretórios regionais são apenas comissões provisórias e os presidentes, nos cargos precariamente, são obrigados a assinar procuração concedendo-lhe poderes de votar e decidir em nome deles. Partido de bolso Valdemar Costa Neto é acusado de usar as procurações para forjar até mesmo reuniões de colegiados como a executiva nacional do PR. Partido do ‘eu sozinho’ Dirigente do PR que divirja do dono do PR fica sujeito a destituição em “decisão coletiva” de um homem só: o mensaleiro Valdemar. Sob ameaça... Valdemar ameaça quem sair do PR com a filiação do ex-governador do DF José Roberto Arruda, como Garotinho, líder do partido na Câmara. ...de perder mandato Garotinho, Magno Malta (ES) e Ronaldo Fonseca (DF) podem sair do PR – tem dito Valdemar – “mas o mandato deles continua sendo meu”. Renan alcança meta ambiciosa de ‘domar’ Dilma O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma das mais hábeis raposas da política brasileira, conquistou o que nem mesmo aquelas mais experientes, como o senador José Sarney, conseguiram: “domar” a enfezada presidente Dilma. Ele já celebra os primeiros êxitos:

Dilma concordou em recebêlo semanalmente, ao lado ou não da cúpula do PMDB, e prometeu observar os “conselhos” do senador. Obediência Para testar sua nova influência, Renan sugeriu a Dilma uma visita ao Congresso. Ela topou na hora: e marcou para esta terça-feira (27). Lula ajudou Aliados dizem que Calheiros convenceu o ex-presidente Lula, em recente encontro, a ajudá-lo na tarefa de tentar “domar” a presidente. Sinal verde Ao retribuir a visita de Renan Calheiros, dias atrás no Senado, Lula contou que, conforme prometera, Dilma estava “pronta”. Acorrentados Sete médicos e um enfermeiro cubanos nos EUA processam Cuba, Venezuela e a estatal PDVSA por “escravidão moderna” em troca de petróleo, em acordo com o finado Chávez. Se a moda pegar... A luta continua Ex-prisioneiro de consciência da anistia internacional, o médico cubano exilado político nos EUA, Darsi Ferrer, quer participar com entidades médicas brasileiras da luta contra a contratação de médicos cubanos. Ele foi preso e torturado por denunciar as condições de saúde na ilha. Só aplausos Traumatizada com as vaias recentes, a presidente Dilma agora decidiu restringir a entrada em eventos públicos a políticos credenciados, que garantirão os aplausos. Manifestantes, só se for bem atrás das claques.

PODER SEM PUDOR

Na dúvida, o pai decide Traumatizado com uma derrota para a Prefeitura de Curitiba, Jaime Lerner hesitava em assumir nova candidatura, em 1988. Resolveu consultar o pai, seu Félix, então com 83 anos, a quem jamais desobedeceu. Discutiram longamente, Lerner contou que outros candidatos desistiram em seu favor, mas o pai concluiu que havia pouco tempo para a campanha: “Desista”. - O que eu vou dizer ao partido? - Diga que eu não deixei – encerrou seu Félix. Pela primeira vez na vida, Lerner não obedeceu ao pai. E venceu a eleição.

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Jornalista

Minha bola, minha vida Os patrocínios da Caixa a clubes de futebol atingiram R$ 40 milhões em seis meses: entre eles o Avaí do Paraná, terra da ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil), o Figueirense, o Chapecoense e o Bragantino. Vai chegando A dispensa do exame “Revalida” para os médicos estrangeiros abre a brecha para a contratação dos brasileiros, dispensados do visto temporário que, apesar de mais ágil agora, ainda demora um mês. Melhor assim O governador cearense Cid Gomes (PSB) decidiu não lançar candidato à sucessão. Após o escândalo de desperdício de dinheiro público com especiarias e mordomias, qualquer postulante evitaria seu apoio. Flerte Mal naufragou a sigla MD, que nasceria da fusão com PMN, o PPS já flerta com o Partido Solidariedade, em vias de criação pelo deputado Paulinho da Força Sindical (PDT). Difícil é o novo partido aceitar fusão. Plano de vida O Superior Tribunal de Justiça garantiu homecare a cliente da Amil, mesmo sem cobertura, por tratarse de tratamento continuado. Se a moda pega, os planos, que aumentaram o preço, vão chiar de novo. Pensando bem... ...o ministro Mercadante (Educação) anunciou a importação de professores cubanos para ensinar espanhol aos clientes dos médicos.

Experiente em disputas majoritárias, Serafim Corrêa agora planeja concorrer a deputado federal

Autoridades sem mandato de olho na Câmara Federal

Influentes entre as massas, dirigentes políticos, sindicais e religiosos buscam se viabilizar para conquistar um mandato SARA MATOS Equipe EM TEMPO

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esmo não sendo políticos com mandatos eletivos ou mesmo com experiência no Legislativo ou Executivo, mas com grande influência entre as massas, algumas lideranças já se articulam para disputar as próximas eleições a deputado federal. Dentre estes nomes está o presidente municipal do PT, o sindicalista Valdemir Santana; o presidente estadual do PT e exsenador, João Pedro; o ex-prefeito de Manaus e presidente de honra do PSB, Serafim Corrêa; o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Josildo Oliveira; e nomes que nascem dentro de uma das maiores vertentes da igreja evangélica no Amazonas, o Ministério Internacional da Restauração (MIR). Informações extraoficiais indicam que o apóstolo Renê Terra Nova, líder desta congregação,

está cotado para uma possível pré-candidatura ao cargo de deputado federal. Um dos apóstolos do MIR, o vereador Marcel Alexandre (PMDB), negou que René Terra Nova saia candidato nas próximas eleições, mas revelou que

MUDANÇAS

No pleito de 2014, segundo decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Estado deverá eleger nove deputados federais, em vez das atuais oito vagas. Ou seja, uma chance a mais para os concorrentes a igreja possui o propósito de lançar candidatura própria a deputado federal. “É possível composições com o PSC e PRB, por exemplo, mas provavelmente vamos lançar um nome de dentro da igreja para concorrer

uma vaga na Câmara Federal. Ainda não podemos falar nomes, até porque as eleições são apenas ano que vem”, disse. Alexandre confirmou ainda, que existem pelo menos três nomes fortes provenientes do MIR e de outras correntes evangélicas que poderão ser pré-candidatos em 2014 no Amazonas. Experiente no parlamento e no Executivo, Serafim Corrêa prefere a cautela quando perguntado sobre sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados. “Não quero antecipar nada, pois isso gera dificuldades em criar futuras alianças. Existem conversas internas, sim, as pessoas dizem que sou um nome e não me excluo da hipótese, mas vamos deixar esse assunto para janeiro de 2014”, afirmou. Durante visita à capital amazonense no dia 1º deste mês, o ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, externou o desejo do partido em lançar Serafim candidato a deputado federal.

João Pedro vai defender vaga Além de dirigir o PT municipal e ainda o Sindicato dos Metalúrgicos e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Valdemir Santana não esconde o desejo de concorrer a uma vaga na bancada federal. “Eu milito há muito tempo no PT e é natural que eu queira algo na área do Parlamento. Numa reunião com a direção nacional houve uma indicação informal do meu nome e isso me deixou feliz”, confidenciou.

Já o presidente regional do PT, João Pedro, em entrevista exclusiva ao EM TEMPO publicada no dia 4 deste mês, confessou a vontade de retornar ao Congresso Nacional onde já esteve por 5 anos, de 2007 a 2011, como senador. Ele afirmou que assim que entrar em pauta na legenda a discussão, não se furtará que seu nome vá para o debate. Conhecido e respeitado entre os rodoviários, o

sindicalista Josildo Oliveira também já sonha em ocupar uma vaga no parlamento federal ou estadual. “Estou esperando o registro final formalizando a criação do Partido Republicano da Ordem Social (PROS) para poder ter a chance de disputar uma vaga estadual ou federal”, disse. Apesar disso, ele prefere a cautela sobre seus planos políticos para evitar críticas dos adversários.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

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Pauderney AVELINO

‘Meta é reduzir A EVASÃO ESCOLAR’

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Estamos desenvolvendo um trabalho de recuperação da rede física da Semed, que são as escolas. Os bairros cresceram em Manaus sem ordenamento e o poder público está correndo atrás para que as crianças não fiquem sem escola”

uando o engenheiro civil Pauderney Tomaz Avelino (DEM) recebeu o convite do prefeito Arthur Neto (PSDB) para assumir o cargo de titular da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed), ele avaliou bem antes de assumir o convite. Deputado federal licenciado, Pauderney tem experiência na área política e na administração da construção civil, e viu o convite do prefeito como um desafio. Nascido em Eirunepé, mudou-se para Manaus ainda na juventude. Formou-se em Engenharia Civil e Direito na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Atuou como professor da antiga Escola Técnica Federal do Amazonas (Etfam) até entrar na carreira política, onde acumula cinco mandatos de deputado federal. Amigo pessoal de Arthur Neto, Pauderney disputou contra Arthur o cargo de prefeito de Manaus. No segundo turno, se aliou ao tucano na disputa e foi um dos primeiros nomes na lista de secretários municipais. No seu primeiro semestre à frente da secretaria, Pauderney recebeu a equipe do EM TEMPO, onde fez um balanço da sua gestão, falou dos futuros projetos da pasta, das suas pretensões políticas e também das principais articulações para captar recursos para a educação. EM TEMPO – No 1º turno das eleições 2012, o senhor foi adversário do então candidato Arthur Neto. No 2º turno se aliou a ele que, ao vencer o pleito lhe convidou para assumir uma secretaria. Como ocorreu essa articulação? Pauderney Avelino – Tenho uma amizade pessoal grande com Arthur. Eu o apoiei em 2002 para o Senado Federal e também caminhei com ele em 2010. Temos um histórico juntos. Já em 2012, quando anunciei meu nome para disputa, o Arthur ainda não era candidato. E quando ele decidiu

entrar no páreo eu já estava com o meu bloco na rua e não tínhamos como voltar atrás. Fomos para disputa com mais oito candidatos, mas apenas Arthur e Vanessa passaram para o segundo turno. Nessa outra etapa, eu nem queria me envolver, mas o Arthur me procurou e caminhamos juntos. Após a eleição continuamos conversando e ele mostrou a intenção de oferecer uma pasta para o partido e, em seguida me fez o convite. EM TEMPO – Como é sua relação com o prefeito? Foi feita uma reforma administrativa no início deste semestre, mas a Semed ficou inalterada... PA – Temos uma boa relação política. Fomos deputados juntos por vários mandatos e depois congressistas, ele no Senado e eu na Câmara. Temos uma parceria, onde ele tem me dado amplas condições para desenvolver o meu trabalho. Tenho trazido muitas inovações, todas com o apoio dele. A “carta branca”, que ele me dá, é fundamental. EM TEMPO – Quais são as principais medidas já tomadas na secretaria no início da gestão? PA – Estamos desenvolvendo um trabalho de recuperação da rede física da Semed, que são as escolas. Os bairros cresceram em Manaus sem ordenamento e o poder público está correndo atrás para que as crianças não fiquem sem escola. Estamos investindo em implantação de melhoramento da rede de ensino. Nossa primeira meta ao assumir a cadeira foi a de não deixar nenhuma criança fora da escola em 2013. EM TEMPO – Um dos primeiros desafios que o senhor teve ao assumir a pasta foi o período da matrícula. Como enfrentou essa etapa? PA – Foi um período difícil. Eu realmente estava preocupado com isso, pois além da adaptação na casa tivemos essa questão das matrículas. Mas, fizemos um planejamento já no final de 2012 e

no dia 1º de janeiro, após a minha posse, me reuni com a equipe da secretaria e tudo deu certo. Quando assumi a pasta, mantive quase todo o quadro de servidores, e isso facilitou muito na organização do trabalho. Até os gestores de escolas, quase todos foram mantidos. O trabalho seguiu fluindo muito bem, eu apenas disse que agora a casa tinha um novo inquilino. Os servidores daqui conheciam apenas o Pauderney político, mas não o gestor e ser humano. E com o tempo fui conhecendo e me adaptando com todos. EM TEMPO – O que foi mais desafiador no primeiro semestre? PA – Quando entrei aqui tinha uma coisa que era extremamente importante, mas que não funcionava: a merenda escolar. Dentre uma das cinco metas que estabelecemos foi dar almoço para as crianças. Contei com o apoio de todos, inclusive das merendeiras. Fizemos um programa de alimentação completo, que inclui café da manhã, lanche da manhã e almoço. Os que estudam à tarde também recebem um lanche reforçado. Já os da noite têm jantar, o que não nunca tinha ocorrido. E isso foi um grande alavancador na permanência dessas crianças na sala de aula. É triste dizer, mas tem muitos estudantes que vão para escola por conta da comida. Temos casos de estudantes que são do curso da manhã e que retornam à noite para a sua escola apenas por conta do jantar. EM TEMPO – O meio do ano é o período de maior defasagem escolar. Como foi esse período na sua gestão? PA – A evasão escolar em 2012 foi de 13%, o que é um escândalo. Nossa meta é reduzir em 50%. Não temos os dados formais ainda, mas já temos conhecimento de duas escolas, que tinham índice de 35% e 40% de abandono escolar, que zeraram. E um dos principais motivos foi o programa de alimentação escolar.

EM TEMPO – Outro ponto de desafio na secretaria são as creches. Como está a implantação de novas unidades? PA – Já entregamos 7 creches em 2013, entre as conveniadas e as da prefeitura. E temos outras 16 em construção. Na semana passada estive em Brasília acompanhando o prefeito em uma reunião com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. E isso destravou nossa relação com o Ministério da Educação (MEC). Vamos possivelmente aderir a uma ata do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para construir outras 44 creches até o fim do ano. EM TEMPO – E na secretaria, quais os projetos futuros? PA – Já estou fazendo um planejamento. Fechamos uma parceria com a Unicef e Unesco para investimentos na educação. Outro futuro parceiro será o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que deverá aportar US$ 104 milhões para que possamos sair dos prédios alugados. EM TEMPO – Em relação aos prédios alugados para instalação de escolas, na semana passada o seu subsecretário, Deusamir Pereira, deu declarações de que havia um cartel dentro da Semed que beneficiava os donos de prédio. O que o senhor tem a dizer sobre isso? PA – Eu prefiro não dar declarações sobre o caso. EM TEMPO – O senhor é um político com quase 20 anos de carreira pública e se licenciou da Câmara Federal para assumir a secretaria. Quais são suas pretensões políticas para 2014? Vai pedir licença da pasta para se candidatar à reeleição? PA – Vou tratar disso apenas no ano que vem. Minha meta é focar na administração pública e fechar o ano de 2013 com saldo positivo na educação.

A evasão escolar em 2012 foi de 13%, o que é um escândalo. Nossa meta é reduzir em 50%. Não temos dados formais ainda, mas já temos conhecimento de duas escolas que zeraram”

Quando assumi a pasta, mantive quase todo o quadro de servidores e isso facilitou muito na organização do trabalho. Até os gestores de escolas, quase todos foram mantidos”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

IONE MORENO

Comércio de bicicletas em alta em Manaus Economia B4 e B5

Rio Preto da Eva investe na expansão da piscicultura FOTOS: DIVULGAÇÃO

Aporte vai ajudar a triplicar a criação de peixes no município, que é conhecido na região pelo cultivo de frutas cítricas Cento e vinte mil alevinos de tambaqui foram distribuídos para 60 famílias de produtores da cidade vizinha a Manaus

BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO

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onhecido pelo cultivo de frutas cítricas, Rio Preto da Eva (a 85 quilômetros de Manaus) aposta na ampliação da piscicultura para incrementar a renda do município, que tem planos para triplicar a produção de pescado até 2015. Para alcançar essa meta, foi feita uma doação de 120 mil alevinos de tambaqui a 60 piscicultores, volume que permitirá a injeção de R$ 1,2 milhão na economia da região, A prefeitura informou que irá financiar também a construção de 400 hectares de lâminas d’água para a criação dos peixes. “Queremos gerar renda e promover cidadania àqueles que vivem no campo. O aumento de renda no campo reflete diretamente na sede do município com o crescimento das vendas nos mercados, lojas de confecções, eletrônicos, restaurantes e demais comércios, que ganham com a chegada desses novos consumidores do campo”, salienta o prefeito de Rio Preto da Eva, Luiz Ricardo Chagas, ao frisar que a atividade permitirá ao município gerar uma renda anual média de R$ 21 mil para cada família beneficiada. Segundo ele, os investimentos não vão parar. De acordo com Chagas, o incentivo vai se estender pelos próximos 2 anos e alcançar 180 piscicul-

tores, que serão capacitados com apoio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e da Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror-AM). “A maioria dos piscicultores não conseguiam explorar todo o potencial dos tanques por falta de conhecimento técnico. O Idam deve ensinar os métodos de alimentação e manuseio do pescado”, revela. O gerente da unidade local do Idam, José Frade Junior, informa que com o manuseio correto das técnicas e a aplicação de conhecimento, os piscicultores podem obter maior eficiência por hectare. “Recebemos produtores rurais que nunca tinham trabalhado com peixe. Não sabiam como alimentar nem cuidar do PH que mede a acidez, neutralidade, alcalinidade e a transparência da água, fator essencial para o desenvolvimento correto dos alevinos”, adverte. Para Frade Junior, Rio Preto da Eva tem potencial também para a aquicultura, além da produção de laranja. “Mais de 40% de todo o pescado que é distribuído nas feiras e mercados da capital amazonense são provenientes de tanques do município. No entanto, há a possibilidade de expandir essa produção com a doação 120 mil alevinos e a construção de tanques com até 10 mil metros quadrados”, ressalta.

Incremento previsto de 20% na produção Beneficiada com incentivos, a piscicultora Raimunda Mota da Silva, 45, começou a trabalhar com peixes há 4 anos, sem jamais ter tido a oportunidade de receber um treinamento técnico. Ela conta que, durante o tempo de aprendizagem, chegou a perder dinheiro porque não tinha retorno dos investimentos. “Alimentava meus

peixes de maneira incorreta e ao final de 1 ano, muitos não alcançavam as medidas certas para comercialização no mercado”, lembra. Com os três tanques que possuía, Raimunda extraía duas toneladas de pescado por ano, utilizando tanques de meio hectare, ou seja, de 5 mil metros quadrados de lâmina d’água. Agora, ela vai

precisar contratar mão de obra para dar conta de todo o trabalho. “Vou precisar de mais um ou dois auxiliares, porque nossa produção aumentará 20%”, salienta. A piscicultora Rosana de Medeiros, moradora do ramal Francisca Mendes, também foi beneficiada com a doação de alevinos. Ela destinou dois hectares de sua

propriedade para a construção de tanques. “Possuía dúvidas, mas descobri que é uma atividade segura e rentável. Uma vez que os tanques estejam prontos, eu não vou ter o mesmo trabalho que tenho com outras culturas. Após 1 ano, poderei reavaliar se valeu ou não ter arriscado na produção de pescado”, observa.

Injeção de R$ 1,2 milhão na economia local permitirá que piscicultores ganhem uma renda extra de R$ 21 mil por ano


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Detritos de obras públicas abastecerão olarias do AM O

s resíduos vegetais gerados nas obras públicas do governo do Amazonas serão transformados em combustível nas olarias do Estado. A proposta consta de projetopiloto do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que identificou a necessidade de um descarte sustentável a esse tipo de resíduo e, ao mesmo tempo, atender a escassez de combustível (lenha) nas olarias da região, evitando a extração ilegal do material. A primeira experiência do projeto acontece junto ao avanço das obras de expansão da avenida das Torres a avenida das Flores, no km 1 da AM-010. Todo resíduo de supressão vegetal e sobra de madeira oriunda da abertura da avenida, que está em fase inicial de obras, será consumida nas olarias para a produção de tijolo. O acordo de aproveitamento do material segue também para as obras de duplicação da rodovia AM-070 e da cidade universitária. “É uma oportunidade de reverter um cenário negativo em que as olarias estão passando por

falta da madeira legalizada para alimentar suas fornalhas e ainda é uma solução para evitar o desperdício de resíduo vegetal (biomassa) nessas obras públicas”, avaliou o presidente do Ipaam, Ademir Stroski. Na prática, órgãos estaduais trabalham em parceria com a Associação dos Ceramistas do Estado do Amazonas (Aceram), que recebe e faz a distribuição dos resíduos entre as empresas ceramistas, e com a Cooperativa Extrativista de Biomassa do Amazonas (Coopexbio/AM), entidade organizada dos trabalhadores, que fazem o beneficiamento dos resíduos vegetais e repassam para as olarias, os chamados lenheiros. Beneficiados Na primeira fase do acordo selado entre o Estado e a iniciativa privada, na obra da avenida das Flores, estão sendo extraídos quase 1.450 metros cúbicos de lenha. Esse montante vai beneficiar cerca de 100 famílias de lenheiros que fazem o abastecimento do polo oleiro de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.

NONATO DUARTE/AGECOM

Projeto-piloto permitirá que resíduos vegetais do governo possam suprir a escassez de lenha no setor oleiro do Estado

Segundo Aceram, 22 olarias foram credenciadas para projeto do Ipaam, que contribuirá para superar um dos gargalos do setor

Em torno de 6 mil empregos assegurados A escassez de combustível (lenha) em decorrência da fiscalização ambiental e de poucas áreas autorizadas para a extração de madeira estava deixando o setor à beira de um colapso, ameaçando cerca de

6 mil trabalhadores das olarias do Amazonas. A informação é do dono de olaria e diretor executivo da Associação dos Ceramistas do Amazonas (Aceram), José Henrique Oliveira da Silva.

Segundo ele, para não parar a produção de tijolo as empresas estavam apelando para os resíduos do Polo Industrial de Manaus (PIM), mas a alternativa não atendia a demanda das olarias a contento.

“A produção de resíduos não é suficiente para a demanda do setor”, comentou, enfatizando que a lenha ainda é o melhor combustível para a produção da cerâmica vermelha, o tijolo.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

O CBA, a Embrapa e o cidadão Costumamos apontar o dedo na cara dos ingleses para acusá-los de sequestrar as sementes da seringueira, plantar Hevea brasiliensis em seus domínios asiáticos e implodir, há cem anos, o ciclo da borracha. Uma acusação leviana que serve apenas para disfarçar a omissão nativa de agregar a tecnologia do saber ao cultivo racional da planta e ao desenvolvimento de aplicativos inteligentes de seu uso, para perenizar a prosperidade da civilização do látex. Na segundafeira, durante a reunião do Conselho de Administração da Suframa, ao aplaudir a boa notícia de que agora vai sair o CNPJ do CBA-Centro de Biotecnologia da Amazônia, a sensação de uma reprise preocupante e inquietante fez lembrar a premissa marxista que transforma em farsa a tragédia de uma história sem agá que mais uma vez se repete. Nada sugere, com efeito, que a liturgia da promessa vai se diferir das ladainhas que ouvimos há 10 anos. Por isso, o anúncio recomenda o imperativo de uma tomada de decisão à luz do interesse da cidadania.

Sem perguntar aos interessados suas sugestões e expectativas, o ministro do Desenvolvimento proferiu nova promessa de criar até o fim do ano a figura de uma Organização Social (OS) para o CBA: uma reprise sem retoques de uma tentativa fracassada que se ensaiou, pela primeira vez, no final da década de 90, a chamada bioamazônia. Como era preciso buscar recursos privados e fazer parceria com empresas de bioprospecção industrial, mas tinha contrato e dependência com três ministérios, a OS levou chumbo ao acolher uma proposta de parceria com a Novartis, empresa suíça das mais sólidas e confiáveis do ramo. Em dois tempos, levantou acampamento para Cingapura onde criou uma cidade de biotecnologia e bionegócios. Em 200, outra OS, a Associação de Biotecnologia da Amazônia, chegou a ter CGC, mas os ministérios não chegaram a um acordo de paternidade e representação institucional, cortando as asas da pretensão. Criar uma Organização Social (OS) não implica em solução de recursos hu-

manos e materiais ex-nilo, do nada, como sugere a literatura fantástica dos duendes medievais. As verbas do Ministério do Desenvolvimento/ Suframa estão contingenciadas e a nova OS vai ter que disputar recursos financeiros com outras demandas emergenciais, ou captar verbas junto a ministérios com restrições orçamentárias e submetidos a contingenciamentos. A recente degola de servidores terceirizado s e a precariedade dos vínculos dos que restaram no CBA implicariam numa dramática reinicialização. Ademais, ninguém forma pessoas de alto nível, nem constrói processos gerenciais, recompõe relações institucionais, muito menos resgata parceiros e credibilidade num vapt-vupt. Outra década seria preciso. Entretanto, temos uma saída, já ensaiada e recentemente aplaudida e apoiada em vários fóruns representativos do interesse e vontade popular, como o da Assembleia Legislativa do Amazonas, do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas, onde tem assento os atores do poder

público, governo estadual, federal e municipal, das entidades de classe, de trabalhadores e empresários, da academia e órgãos de fomento. Em outras oportunidades, já podemos afiançar, o encaminhamento tem sido o mesmo: entregar à Embrapa, com mais de 40 anos de bioprospecção de negócios, a gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia. A Embrapa é líder em bioprospecção no país, e suporte do agronegócio nacional, com uma rede de unidades especializadas em aplicativos complementares às demandas de inovação em biotecnologia. Atua em todos os Estados da Amazônia e, por isso, pode efetivar no CBA seu compromisso original de ser um projeto verdadeiramente amazônico na integração do conhecimento e interesses regionais. A efetivação pretendida em relação ao CBA se resume em mera operação de transferência patrimonial entre entidades federais, sem necessidade de qualquer providência relevante no âmbito legislativo, político ou jurídico. O CBA é um caminho, entre outros, à espera de medidas que transformem

– sustentavelmente - potencialidades naturais em prosperidade social, à luz do interesse dos jovens q ue vagueiam entre o ócio, o tráfico e a delinquência – a chamada geração nem-nem, multidões de moças e rapazes, que nem trabalham, nem estudam, – no beiradão amazônico por absoluta ausência de opções. No próximo mês de setembro, discussão da reforma fiscal ou prorrogação dos incentivos, quando pipocarem as novas acusações e cobranças de praxe, nos dirão que, passados 47 anos de incentivos fiscais diferenciados do modelo ZFM, não teremos uma proposta alternativa que – paulatinamente – possa dar à dinâmica da economia a autonomia fiscal. O CBA é um caminho, entre outros, e também é um patrimônio da população local, edificado pelas demandas, propostas e necessidades do cidadão que aqui vive. Isso tem que ficar bem claro. É ele a autoridade que decide o melhor, o mais inteligente, eficiente e eficaz caminho de gerar benefícios, sem miragens nem tardança.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

A Embrapa é líder em bioprospecção no país, e suporte do agronegócio nacional, com uma rede de unidades especializadas em aplicativos complementares às demandas de inovação em biotecnologia


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Economia

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Cai uso do FGTS para a compra da casa própria BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO

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lternativa para quem quer realizar o sonho de ter uma residência, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tem sido pouco usado pelo trabalhador que possui carteira assinada no Estado. Até junho de 2013, a Caixa Econômica Federal do Amazonas disponibilizou R$ 116 milhões para o financiamento da casa própria por meio do FGTS. O valor representa em torno de 2,5% a menos do que o montante disponibilizado no mesmo período do ano passado. A representante comercial, Laila Blanco, aproveitou o benefício para concretizar o desejo de ter o seu próprio espaço para morar. “ Foi mais fácil do que eu esperava. O agente financeiro deu todas as orientações e como eu estava segura do que queria, tão logo recebi o FGTS, autorizei a transferência para o banco. Depois de encaminhar a papelada para o agente financeiro, tive que esperar mais uns dois meses para indicar o apartamento que pretendia

DIEGO CAJA

No primeiro semestre do ano, amazonenses recorreram menos ao fundo para concretizar sonho de ter uma residência comprar”, lembra ao ressaltar que o sonho realizado já havia sido adiado uma vez depois que precisou usar as economias que fez durante 8 anos para outros fins. A utilização do FGTS para compra de um imóvel pode ocorrer tanto na amortização do financiamento imobiliário, na composição do valor a ser dado como entrada, como no pagamento total do imóvel. Para solicitar o recurso, que é similar a um financiamento, o recorrente precisa procurar um agente financeiro para saber se o requerente se enquadra nas regras previstas de utilização do fundo. Cadastro Para comprar um imóvel utilizando o FGTS é necessário que ele esteja dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que define os valores das habitações periodicamente por meio de uma avaliação dos engenheiros credenciados pela Caixa Econômica Federal. Uma regra é que a casa ou apartamento esteja dentro do perímetro urbano da cidade, e seja destinada exclusivamente para a moradia.

Extrato é fornecido pela Caixa A cada três meses a Caixa Econômica Federal envia um extrato com o saldo do FGTS para o endereço vinculado à conta dos clientes. Também é possível verificar o saldo em qualquer agência bancária. Basta apresentar os documentos de identidade e o número do Programa de Integração Social (PIS) ou do Número de Identificação Social (NIS). O gerente da PCI Informática, Manildo Oliveira, negociou com o seu último empregador sua saída. Ele queria aproveitar as condições especiais do programa “Minha Casa, Minha Vida” para comprar seu imóvel em condições especiais. “Foi uma jogada de sorte”, conta ao recordar da sua negociação.

Representante comercial, Laila Blanco afirma que foi fácil comprar um imóvel com o FGTS


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Economia FOTOS: IONE MORENO

Comércio de bicicletas Lucro das empresas que vendem produtos para adeptos do ciclismo subiu 400% com onda de pedalar que tomou conta das ruas da capital amazonense nos últimos anos JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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onda de lazer, saúde e apelo à mobilidade urbana aqueceu o mercado de bicicletas em Manaus. A procura pela “magrela”, por acessórios para ciclismo e serviços de manutenção e revisão em oficinas especializadas elevou o lucro de algumas lojas, que anotaram crescimento de até 400% nos últimos anos. O momento é tão favorável que a previsão é de que as vendas cresçam em média 10% no segundo semestre deste ano. Os empresários alegam que o ciclista de Manaus, seja ele profissional ou atleta de fim de semana, continua disposto a investir em bons equipamentos e acessórios. “Apesar de comercializarmos bicicletas a partir de R$ 300, as de maior saída são as que variam entre R$ 400 e R$ 800”, conta um dos proprietários da loja A Ciclista, Yuri Azevedo. Segundo ele, o novo ciclista manauense também mostra um interesse cada vez maior em adquirir todos os equipamentos necessários. Azevedo destaca que além da bike, o cliente pro-

cura os principais acessórios, como capacete, luvas, kit de iluminação, roupas apropriadas e até cadeado para segurança. “Juntando tudo, o investimento pode variar de R$ 600 até R$ 1 mil para os que desejam iniciar no esporte”, calcula. O proprietário da Ofice Bike, Erildo Pinheiro, confirma a boa fase iniciada no ano

MERCADO

Embora as grandes lojas de departamento vendam bicicletas, os estabelecimentos que são especializados só na venda das “magrelas” giram em torno de cinco unidades na capital amazonense

passado. Para ele, 2012 foi o ano que consolidou a bicicleta como atividade de lazer, esporte e meio de transporte na cidade. “O produto, que já era popular em muitas capitais brasileiras, chegou o ano passado em Manaus e veio para ficar. O aumento dos grupos de ciclismo, das competições esportivas e da conscientização para a cria-

ção de futuras ciclovias vai assegurar bom desempenho no faturamento”, avalia. Adeptos O jornalista Adriano Augusto é a prova de que a procura pelas “magrelas” continua em alta pelos adeptos do ciclismo. Para manter a boa forma e socializar com amigos, há três meses ele teve a ideia de criar um grupo para pedalar semanalmente. Após muita pesquisa, investiu aproximadamente R$ 480 em um modelo simples. Quase o mesmo valor foi aplicado na compra de um capacete, um par de luvas, uma mochila, uma garrafa de água, kit de iluminação a LED, bermudas e camisetas apropriadas para o esporte. “Gastei pouco mais de R$ 1 mil, mas fiquei satisfeito”, relembra. Depois de experimentar as pedaladas semanais, Adriano diz que tomou gosto pelo esporte. Agora, ele se prepara para um novo investimento. “Como aprendi um pouco mais sobre bicicletas e meu próprio corpo, quero investir em uma bicicleta de até R$ 2 mil, que possua freio a disco e outros acessórios para melhorar meu desempenho”, relata o jornalista.

Preço médio das bicicletas varia entre R$ 400 e R$ 1 mil, mas algumas podem custar até R$ 20 mil

Lojas oferecem todo tipo de acessório para quem quer pedalar com segurança pela cidade


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aquecido em Manaus Serviços elevam faturamento Para o empresário, o serviço de manutenção e a revisão - verificação do bom estado de peças e pneus – é tão essencial quanto a compra de uma boa bicicleta. Segundo ele, o ideal para quem pedala muito é uma revisão a cada 90 dias. “É como se fosse um carro. Também sempre procuramos regular a altura do banco da bicicleta em relação ao dono. O ajuste é importante porque reduz o risco de problemas de coluna e dá mais conforto ao ciclista”, aconselha. IONE MORENO

Após o boom de vendas de bicicletas em Manaus, o que tem ajudado a segurar o setor no topo são as revisões periódicas e a manutenção. O dono da Ofice Bike, Erildo Pinheiro, explica que serviços básicos como limpeza e lubrificação custam R$ 40. “Esses são os mais simples. Como Manaus possui um número maior de bicicletas nas ruas, o volume de manutenções realizadas cresceu, compensando a estabilidade das vendas”, detalha.

Revisão deve ser feita a cada 90 dias, alertam empresários


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País

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Salários de cubanos devem ser enviados à Ilha de Fidel A

pós o anúncio oficial da contratação de médicos cubanos para trabalhar no país, as entidades de classe já avisaram que recorrerão à Justiça contra a medida. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) pretendem questionar o salário pago a esses médicos que, se seguir o exemplo de contratos firmados entre Cuba e outros países, deve ser repassado em parte à Ilha de Fidel. Além disso, eles reclamam das condições em que esses profissionais possivelmente viverão. O termo de conduta do trabalho dos médicos cubanos na Bolívia, de 2006, traz regras de comportamento bastante rígidas no país, com restrições sobre horários e relacionamentos. Diante de críticas, o governo reagiu e defendeu a ação ao negar que os cubanos serão submetidos a qualquer espécie de trabalho escravo. Embora o governo brasileiro afirme não ter detalhes sobre o contrato de Cuba com os médicos da ilha, as regras às quais eles serão sujeitos no país podem ser semelhantes ao documento

ABR

Conselho de medicina brasileiro adverte que parte dos salários dos profissionais cubanos deve ser enviado a Cuba que guiava os médicos na Bolívia, em acordo firmado entre os países. O texto divulgado pelo CFM diz que o cubano deveria pedir permissão ao superior caso fosse sair à rua depois das 18h, além de informar para onde ia e com quem.

ESCRAVIDÃO

Diante de críticas, o governo reagiu e defendeu a ação ao negar que os cubanos serão submetidos a qualquer espécie de trabalho escravo enquanto trabalharem em solo brasileiro Impasse quanto a não aceitação do programa “Mais Médicos” tem provocado uma onda de manifestações em todo o país

Em caso de relacionamento amoroso com algum “nativo”, o profissional deveria informar imediatamente o chefe. Os médicos também não poderiam fazer empréstimos de dinheiro ou dar informações sobre Cuba. De acordo com as entidades médicas, os cubanos viviam em situação semelhante quando foram para a Venezuela, que também já teve acordo.

Primeiros médicos chegam a partir de amanhã Como parte das ações do programa “Mais Médicos”, o governo anunciou um acordo para a vinda de 4 mil profissionais cubanos ainda este ano. O primeiro grupo, de 400 médicos, começa a chegar a par-

tir de amanhã. A medida é polêmica e o Conselho Federal de Medicina (CFM) voltou a criticar a ação, ao considerar “eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso o anúncio da importação de médicos cuba-

nos feito pelo Ministério da Saúde”. O acordo foi formalizado por meio de um termo de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que receberá R$ 10 mil

por médico e repassará esse valor ao Ministério da Saúde cubano. Na América Latina, Venezuela e Bolívia já tiveram convênios semelhantes. Nesses países, 75% do salário do médico era repassado a Cuba.


Mundo

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Armas químicas assombram e preocupam governantes Ataque que matou pelo menos 1,3 mil pessoas em Damasco, capital da Síria, reacende o debate sobre o uso letal dessa arma

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REPRODUÇÃO

s denúncias da oposição síria sobre o suposto ataque com substâncias químicas perpetrado pelas forças de segurança do país nesta semana reacenderam a discussão sobre o uso desse tipo de armamento em conflitos. Segundo os rebeldes, até 1,3 mil pessoas teriam sido mortas em nove áreas de Damasco. O poder de destruição dessa potente arma de guerra é desvendado por especialistas.

1993, além de proibir o uso, veta a produção, armazenamento e comércio dessa mercadoria. Como consequência do tratado, em 1997 se realizaram inspeções nos 188 países signatários. No total, 70 unidades de produção de armas químicas foram desativadas, destruídas ou convertidas para fins pacíficos. Também foram destruídos

O que são armas químicas? A Convenção de Armas Químicas de 1993 define com arma química toda substância tóxica que pode causar morte ou lesões permanentes em seres humanos ou animais e também todo equipamento utilizado para disparar esses elementos. O tratado proíbe o uso dessas substâncias sempre que não seja para fins pacíficos e foi assinado por 188 países.

A Convenção de Armas Químicas de 1993 define como arma química toda substância tóxica que pode causar morte ou lesões permanentes em seres humanos ou animais

Como a comunidade internacional controla o uso dessas substâncias? Ao fim da 1ª Guerra Mundial, houve um certo consenso em proibir o emprego de armas químicas e biológicas firmado no Protocolo de Genebra de 1925. Essas proibições foram reforçadas em 1972 e 1993. A convenção de

DEFINIÇÃO

55.939 toneladas de agentes químicos, que correspondia a 78,57% de todas as substâncias declaradas. Seis países (Síria, Egito, Coreia do Norte, Somália, Angola e Sudão do Sul) não assinaram a convenção e não se submetem a esse controle. Duas nações (Israel e Birmânia), apesar de terem assinado, não ratificaram a adesão e também não foram

submetidos às inspeções. Qual o arsenal químico da Síria? Damasco iniciou seu programa de armas químicas no fim dos anos 70. Atualmente, possui um dos maiores arsenais químicos do mundo junto com Israel. O país possuía, antes dos conflitos, pelo menos seis unidades de armazenamento, duas de fabricação e um centro de estudos. Os serviços de inteligência dos EUA acreditam que o regime detém centenas de toneladas de agentes químicos. Os militares sírios dominaram todo o espectro de armas químicas existentes, assim como os meios de disseminação: mísseis, bombas etc. Quais são as armas químicas mais usadas? Os armamentos podem ser divididos em dois tipos: os agentes nervosos e os agentes vesicantes (que causam bolhas na pele). Desde a Guerra Fria, os agentes nervosos mais usados são o gás sarin e o VX. Eles bloqueiam uma enzima que diminui um importante neurotransmissor. Isso gera um descontrole que faz com que os afetados chorem, urinem ou defequem involuntariamente. Também provoca espasmos musculares que podem causar a morte.

Ativistas da oposição na Síria acusam o Exército de ter lançado um ataque com armas químicas

Tóquio foi atacada com gás sarin Em 20 de março de 1995, Tóquio sofreu o pior ataque terrorista da história japonesa. No horário de pico da manhã, membros do grupo terrorista Aum Shinrikyo liberaram gás sarin na rede metroviária da cidade, expondo cerca de 5 mil pessoas ao seus vapores mortíferos. Cinco membros da seita Aum Shinrikyo embarcaram nos trens e deixaram pacotes com sarin líquido no

chão dos vagões, embrulhados em jornal e plástico. Eles então perfuraram os pacotes com as pontas afiadas de seus guarda-chuvas antes de deixarem os trens. Alguns vestiam máscaras e cachecóis para se protegerem dos vapores do sarin enquanto fugiam. Os hospitais não estavam preparados para uma emergência dessa dimensão, e tinham pouca informação

para atender adequadamente os pacientes, depois da causa ter sido identificada. Alguns passageiros arriscaram suas vidas ajudando as vítimas, e 135 membros das equipes médicas ficaram doentes por não usar equipamento de proteção adequado e os procedimentos corretos de descontaminação. No ataque, 12 pessoas morreram e mais de 3 mil ficaram feridas.


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Mundo

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

IONE MORENO

Um paraíso para lazer e aprendizado Páginas C4 e C5 FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO

O desafio ambiental Além do fim dos lixões, determinado pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos, outro elemento importante precisa ser encaixado nesse processo: o catador de lixo IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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lém de fechar os lixões e dar um destino aos resíduos descartados sem causar danos ambientais, a lei 12.305 – que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos - também traz outro desafio à sociedade e aos gestores públicos: como incluir as pessoas que se dedicaram à catação de materiais recicláveis dentro dos lixões. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), existem no Amazonas 4.994 catadores, dos quais 2.997 são homens e 1.997, mulheres. Contudo, esses dados são contestados pela categoria, que busca realizar um mapeamento dos trabalhadores e reivindicar políticas de inclusão. Pouco se sabe sobre os catadores em nosso Estado. Não há estimativa de quantos são, ou quem são as pessoas que vivem da seleção de recicláveis, em meio às 3.905 toneladas de lixo diárias produzidas no Amazonas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, alguns profissionais articulam-se para organização e reconhecimento da categoria. A representante do Movimento Nacional dos Catadores no Estado do Amazonas, Irineide Lima, apontou a necessidade de construir um perfil desses trabalhadores para fortalecer a organização. Ela apontou que na capital já existem seis associações e três cooperativas. No interior, são três associações. Para ela, uma das dificuldades em compor o perfil dos catadores é pelo fato de os próprios profissionais não se assumirem como tal. “Os catadores acabaram perdendo a identidade e estão desacreditados por conta de tantas promessas que não foram cumpridas, como a de que teriam apoio depois do fechamento do lixão, com galpão e assistência médica”, ressaltou. Irineide trabalhou

boa parte da vida com a separação de materiais no lixão da capital, no quilômetro 19 da rodovia AM-010 (ManausItacoatiara), fechado em 2004. “Eu saí do lixão e vivo há 9 anos exclusivamente da renda da minha coleta. O meu bico é

fazer costura, artesanato, mas a renda é exclusiva da coleta”, assegurou. Ela trabalhava no período noturno, junto com mais mil amigos. E estima que 80% dos catadores são mulheres. “De noite, apesar de ser mais perigoso, era mais tranquilo. De dia, entrava mais veículo. De madrugada ia para casa com tudo coletado. A gente às vezes armazenava a coleta no próprio lixão. Muitas vezes tocavam fogo, danificavam ou o trator enterrava o material, mas era risco que

Os catadores acabaram perdendo a identidade e estão desacreditados por conta de tantas promessas que não foram cumpridas Irineide Lima, Movimento dos Catadores

corríamos, o meio de sobrevivência que a gente tinha”, lembrou. A vida na coleta seletiva foi apresentada desde muito cedo pelo pai, José Chaves. “Sou catadora, mas não por falta de opção de trabalho. Não posso esquecer a minha origem. Minha família toda era do lixão. Amanhã (sexta-feira 23) faz um mês que meu pai morreu, e tudo que buscou durante 20 e poucos anos de catação não conseguiu ver. Não conseguiu ver a estrutura que prometeram, as coisas acontecendo. Para mim é questão de honra”, disse.

Um trabalho sempre em família Assim como Irineide Lima, as outras quatro irmãs e dois irmãos também trabalham como catadores. Desde os 12 anos de idade, Irineide lembra, começou a coleta. “Tínhamos uma vida humilde. Quando morávamos no Alvorada coletávamos verduras na feira da Panair. Éramos catadores de alimentos”, afirmou. Anos mais tarde a família se mudou para o bairro Santa Etelvina, Zona Norte, e ela passou a trabalhar no lixão junto com

pai e os irmãos. “Todo dia tinha horário certo de ir e voltar. Quando me dediquei, não saí mais”, disse. Com a renda obtida do trabalho no lixão, ela deu continuidade aos estudos. E, hoje, a família de Irineide, assim como os outros catadores, se organizam em associações para buscar formação e lutar por mais incentivos e alternativa de renda à categoria. (Continua na página C2)

Lixo em igarapé da capital: material para reciclagem


Dia a dia

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Interior ainda sofre sem ter aterros controlados

DIVULGAÇÃO/IPAAM

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A meta de fechamento dos lixões municipais até agosto do próximo ano pode estar longe de ser alcançada no Amazonas

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té 2 de agosto de 2014, seguindo orientações da lei 12.305, todos os lixões serão fechados. A lei também prioriza o consumo sustentável, a redução dos impactos ambientais, implementação de aterros sanitários, reutilização e reciclagem, geração de emprego e renda, e incorpora ações para inclusão social dos catadores de lixo. Apesar de o Amazonas ter se destacado como único Estado brasileiro a submeter o plano de gestão integrada ao governo federal no ano passado, os municípios amazonenses ainda engatinham quando se trata da construção de aterros controlados, encontrados apenas em Coari, Manaus e Tefé. Para a catadora Irineide Lima, a falta de estrutura é um dos principais problemas que justifica a escassez da figura das associações e cooperativas. “Nenhum grupo tem terreno próprio e galpão adequado para trabalhar: ou é alugado, ou no quintal de casa ou cedido por alguém. Fechamos um lixão, mas abrimos seis. Hoje são seis pequenos grupos que recebem coleta seletiva a céu

aberto, no quintal, poluindo o solo”, reclamou. Por isso, eles buscam parcerias para facilitar o trabalho e reduzir os danos. “Hoje temos diálogo com a prefeitura, de quem pedimos seis galpões, um por zona. A promessa é que seja entregue um na Zona Norte e um na Zona Leste no fim deste ano”, disse.

PROBLEMA

Apesar de o Amazonas ter se destacado como único Estado brasileiro a submeter o plano de gestão integrada no ano passado, os municípios amazonenses ainda engatinham na construção dos aterros A falta de veículos para buscar o material em fábricas, lojas, igrejas e escolas também dificulta o trabalho dos catadores. Nas ruas, ou em parceria com as empresas, eles juntam papelão, papel, plástico, garrafas PET, ferro e alumínio. E depois encaminham tudo para as indústrias reutilizarem. “Tem cooperativa que recoloca 300 toneladas de papelão por semana. É alto demais”, estimou.

Incentivos para os municípios Sete milhões de reais serão investidos em 26 municípios do Estado com a implementação do “Projeto EconômicoSolidário Pro-catador do Amazonas”. O anúncio foi feito pela secretária estadual do Trabalho, Francinete Lima, durante o 1º encontro de gestores públicos municipais e estaduais, voltado para a inclusão social e econômica dos catadores, na última semana. A verba federal será usada na realização de mapeamento e diagnósticos dos catadores, qualificação profissional e de educação, saúde, documentação e no equipamento das cooperativas com maquinário necessário. “Esse projeto é justamente voltado para a inclusão. A gente, isoladamente, não vai fechar os lixões”, afirmou Lima.

Vem aí a conferência estadual Encerrado o ciclo de conferências nas nove sub-regiões do Estado, que discutiu a gestão dos resíduos sólidos, de 27 a 29 de agosto será realizada a 4ª Conferência Estadual de Meio Ambiente, em Manaus. A etapa estadual irá consolidar ações prioritárias dentro dos eixos de produção de ação sustentável, impacto ambiental, geração de trabalho, emprego e renda e educação ambiental. Serão selecionados cinco ações dentro de cada item, para que sejam encaminhadas 20

ações à conferência nacional em Brasília, que acontece de 24 a 27 de outubro. “Na etapa preparatória, por eixo foram 200 propostas. A comissão julgadora estadual sistematizou 60 por eixo. Os grupos de estudo vão priorizar 20 e a plenária vai priorizar as cinco mais importantes para ser encaminhada para a nacional”, disse o secretário executivo adjunto da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), José Adailton Alves. A conferência também irá

eleger 30 delegados, sendo 20% do poder público, 30% segmento empresarial e 50% sociedade civil. “Se espera a partir do resultado que tenha acordo de intenção e todos os segmentos possam enxergar qual a sua responsabilidade. O grande paradigma que a gente precisa quebrar é fazer com que a sociedade entenda que o cidadão precisa fazer a parte dele, separar seu resíduo, dar um tratamento com cuidado aos produtos que leva pra casa e descarta”, finalizou.

RICARDO OLIVEIRA

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

A meta do Plano Nacional de Resíduos Sólidos é acabar com os lixões do país até agosto de 2014


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Programa de combate ao fumo vai à praça pública Evento acontecerá no largo São Sebastião no próximo dia 29, com organização da Secretaria Municipal de Saúde

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Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), realiza na próxima quinta-feira (29) uma programação alusiva ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, com o objetivo de sensibilizar e mobilizar a população contra os males do tabaco para a saúde e para o meio ambiente. As atividades serão realizadas no largo São Sebastião, das 8h às 12h. De acordo com a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Dveam) da Semsa, enfermeira Angélica Tavares, um cigarro aceso pode causar diferentes tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, impotência sexual no homem, infertilidade na mulher, osteoporose e catarata e outros 50 tipos diferentes de doenças. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) demonstram que a fumaça do cigarro contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono, além de substâncias cancerígenas, corantes e agrotóxicos em altas concentrações.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

A dependência do fumo é causada pela nicotina. Após a ingestão da fumaça, o cérebro é estimulado ao prazer, porque a nicotina cai na corrente sanguínea. Com isso, o fumante tem sensação de bem-estar, atenua a ansiedade, diminui a fome, perde peso, sente-se relaxado etc. O fumo é uma planta variável em mais de 60 espécies, que podem ser preparadas para mascar, cheirar ou fumar. Porém, apenas algumas delas são cultivadas para o processo de industrialização. O fumante, com o passar do tempo, adquire uma doença denominada tabagismo, que se caracteriza pelo excesso de nicotina no organismo. Programa nacional O Inca é o órgão do Ministério da Saúde que coordena o programa nacional de “Controle do Tabagismo”. O programa visa à prevenção e à cessação do tabagismo na população por meio de ações que estimulem a adoção de comportamentos e estilos de vida saudáveis e que contribuam para a redução da incidência e da mortalidade por câncer.

As atividades do Dia Nacional de Combate ao Fumo, na próxima quinta-feira (29), acontecerão no largo São Sebastião


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Dia a dia

Um museu para o lazer Localizado dentro do Jardim Botânico, o Museu da Amazônia representa um laboratório gigante e exemplo ambiental ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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uando se fala em museu, o primeiro pensamento é uma mostra de objetos antigos, relíquias e até mesmo raridades, mas, com uma diversa variedade de flora e fauna na região amazônica, o Jardim Botânico Adolpho Ducke, no Cidade de Deus, Zona Leste, oferece um tipo diferente, o Museu da Amazônia (Musa), com uma diversidade de exposições nos seus 10 mil hectares de floresta preservada. A eserva Ducke é um imenso laboratório com locais separados para seus visitantes e outros para os objetos de estudos sobre a reserva em si. Para os pesquisadores e estudantes, há alojamentos em uma área onde se exige muita responsabilidade ambiental, diante da imensa variedade de espécies de fauna e flora. Em 1999, os pesquisadores chegaram a contar mais de 2,2 mil espécies de árvores, porém esse número muda a cada estudo: recentemente, já foram registradas mais de 5 mil espécies, entre elas o angelim-pedra, da família Dinizia, que possui aproximadamente 45 metros de altura.

De acordo com a pesquisadora e coordenadora do Musa e Jardim Botânico, Antônia Barroso, a reserva Ducke possui seis coleções de espécies identificadas e tem como responsabilidade colaborar com a preservação. O museu da Amazônia e o Jardim Botânico estão no mesmo espaço e possuem objetivos muito parecidos. “O objetivo principal do Musa é divulgar cientificamente todas as questões voltadas para a Amazônia, ou seja, mostrar as interações da floresta, como se relacionam o homem e os bichos com a floresta, essas principais interações. Já o Musa apresenta a parte cultural em geral e as divulgações científicas”, detalhou. O Jardim Botânico de Manaus foi criado em 2000 por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Manaus e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) como forma de conter a invasão da reserva Ducke. “A cidade começou a crescer e entrar na reserva. Eles chegaram à conclusão de que uma unidade de conservação não seria tão eficiente como um jardim botânico, que é uma área protegida conforme a resolução 3.339, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)”, disse a pesquisadora.

No Museu da Amazônia, população poderá ter contato com as mais variadas espécies da fauna amazônica em ambiente natural

O museu ocupa uma parte do Jardim Botânico de Manaus, que por sua vez é delimitado dentro da reserva Adolpho Ducke

Exposições em andamento O Jardim Botânico ocupa 5% da reserva Ducke, cuja área de 10 mil hectares equivale a 10 mil campos de futebol, segundo a coordenadora Antônia Barroso. Nesses 500 hectares, o Museu da Amazônia ocupa 1%, ou seja, 100 hectares. No Musa há também um centro de treinamento em agroecologia, no espaço fornecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no loteamento do igarapé da Água Branca. No local está sendo construído um lote de treinamento para capacitar os comunitários, além dos visitantes interessados. “A ideia é que o centro também seja um laboratório vivo para o Musa, com um fungário que tem o objetivo de elaborar os estudos para verificar quais podem ser comestíveis e utilizados

para outros interesses. Por um outro lado, o centro vai colaborar com a comunidade com o estudo das plantações, principalmente com aquelas que são comestíveis e serão cultivadas pelos colaboradores”, informou. Esse trabalho já é realizado com um programa do Musa, chamado “Saberes e sabores da Amazônia”, que apoia o trabalho na comunidade do assentamento da Água Branca. O lugar é apropriado para a criação de viveiros e, de acordo com a coordenadora, a direção pretende aumentar as atividades no local. Hoje o Museu da Amazônia oferece duas exposições de grande porte. Uma delas retrata o sistema de pesca do Alto Rio Negro, no rio Tiquié, exposição feita com parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), que tem como

responsável o diretor-geral do Musa, Ennio Candotti, e o professor Aluísio Cabausá, que há mais 20 anos vem estudando o rio Tiquié. Com base no livro lançado pelo ISA, “Peixe e gente”, foi criada a exposição. “A equipe do Musa foi até o local da pesquisa para ver como é o sistema de pesca e criaram uma exposição que se chama ‘Peixe, Gente e Armadilhas’, com o objetivo de tombar o sistema de pesca do Alto Rio Negro como patrimônio material”, disse Antônia. Além dessa exposição, o Musa tem outra mais biológica que trata a vida entre a terra e a água, chamada “Sapos, peixes e musgos”, mostrando um pouco da evolução dos sapos, principalmente os que são identificados dentro da reserva Ducke, por meio de ilustrações.

Espécies como a piramboia, peixe com pulmão, podem ser vistas no Museu da Amazônia


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r e a ciência

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FOTOS: IONE MORENO

Projetos para um futuro melhor Também são expostas algumas espécies dos peixes amazônicos em aquários. É possível conhecer o único peixe do Brasil que tem pulmão, a piramboia, com 1,5 metro de comprimento. O Musa ainda oferece três trilhas. “As trilhas são interpretativas na floresta, e (as caminhadas) são conduzidas por monitores, que focam no sistema da Floresta Amazônica como um todo, com o objetivo

de mostrar a dinâmica da floresta e a interação com os bichos. Além disso, está previsto em nível de Musa para este ano a instalação de uma torre de 40 metros de observação na floresta, para contemplar o espaço como um todo, no nível da copa das árvores”, informou a coordenadora. Nesse novo projeto, a cada dez metros haverá uma parada para a observação das copas das árvores e dos bichos que

vivem no lugar. Outro projeto previsto ainda para este ano é o borboletário. “Já existe um laboratório experimental de borboletas, e os pesquisadores da reserva estão realizando um levantamento para verificar quais as espécies que existem dentro da reserva Ducke, e as plantas das quais a lagarta se alimenta. Também estamos com uma previsão de um insetário”, disse.

COMO EXPLORAR O MUSEU VIVO Para visitar o Musa ou o Jardim Botânico da reserva Ducke, é necessário estar vestido com calça comprida e sapatos fechados, por causa dos insetos e cobras. O local é aberto para visitação de segunda a sexta-feira, no horário de 8h às 17h. Várias espécies de anfíbios sobrevivem dentro da reserva Ducke sob total liberdade Angelim-pedra, que chega a 40 metros de altura: um dos exemplares impressionantes da flora

Monitores a postos para visitas Ao todo, o Musa e o Jardim Botânico possuem aproximadamente 30 monitores, entre estudantes e pesquisadores. Dntre eles está o pesquisador Emerson Pontes, que iniciou o trabalho na própria faculdade de biologia no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Amazônia (Ifam) com os estudos de sapos. O pesquisador informou que das 206 espécies de sapos que existem na Amazônia, cerca de 50 são encontradas na reserva. “Os sapos são bichos muitos

sensíveis ao meio ambiente. Diferente mente das matas degradadas, a reserva abriga muitas espécies por ser uma mata preservada, e tem o clima e a temperatura favoráveis para a sobrevivência de um número alto das espécies”, explicou. Ainda de acordo com Emerson, a presença dos sapos demonstra o grau de estabilidade do local na saúde do ambiente como um todo, que tem reflexos diretos para a sociedade. “Os sapos são controladores naturais de praga e indi-

cadores de vida de qualquer área, e por o sapo ser sensível - a não ser o sapo cururu -, há espécies que não conseguem viver em área urbana”, informou o pesquisador. Na reserva, segundo Emerson, são encontradas em média 350 espécies de aves. “Dessas que só moram na reserva, ou migram de outro lugar para o local, pelos menos mais da metade são espécies que não conseguiriam viver se o local fosse desmatado”, explicou Emerson.

Estudantes da rede municipal de ensino em visita ao Musa: oportunidade de conhecimento


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Pequenos trabalhadore Organização não governamental revela que, ao contrário do restante do Brasil, a exploração do trabalho infantil cresceu, assim como a dificuldade de combater a situação em nosso Estado, sobretudo no interior CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

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m qualquer cidade brasileira - e em Manaus não é diferente -, podemos encontrar crianças e adolescentes fazendo malabarismo nos semáforos, carregando sacolas nas feiras e trabalhando como empregados domésticos em residências - exemplos de exploração do trabalho infantil que passa despercebido pela maioria, seja governantes ou população em geral, que fingem, num claro pacto da mediocridade, que o problema não existe ou que não têm nada a ver com a questão, talvez baseada na “máxima” de que as crianças devem ajudar as famílias pobres a sobreviverem. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que as famílias em que crianças de 5 a 17 anos não trabalham têm rendimento mensal de R$ 490, maior do que os R$ 452 registrados em famílias onde crianças trabalham. O que pode ser explicado, porque 37,9% não recebe nenhuma remuneração, o que configura ainda mais exploração | (quase escravidão) do trabalho infantil. A Organização Não Governamental (ONG) Cipó Comunicação Interativa esteve em Manaus na última semana e mostrou outros números que podem - e devem - chamar a atenção para a situação de crianças

e adolescentes. No Brasil, de modo geral, de 2009 a 2011 o número de trabalhadores de 5 a 17 anos caiu 14%, o que equivale a uma queda de 4,2 milhões para 3,7 milhões, entretanto a Região Norte foi a única do país em que os índices aumentaram de 10,1% para 10,8%. No total, são 336 mil meninos e 153 mil meninas. Para tentar reverter essa situação, a ONG fez uma série de encontros pelo país. Em Manaus, reuniu com gestores públicos e pessoas relacionadas à comunicação. De acordo com

DADOS

De 2009 a 2011, o número de trabalhadores de 5 a 17 anos caiu 14% no Brasil, segundo estudo da ONG Cipó Comunicação Interativa, mas na região Norte houve aumento de 10,1% para 10,8% Debora Didône, comunicadora e educadora da ONG, a ideia é estabelecer estratégias de comunicação visando o esclarecimento sobre o trabalho infantil. “Temos que montar uma estrutura com os fóruns, conselhos e secretarias com o intuito de saber o que se pode fazer para chamar a atenção de todos, incluindo população de modo geral, para a situação”, explica.

Cena comum na feira do Zumbi, bairro da Zona Leste de Manaus: crianças trabalham em boxes com vendas de produtos, chegando a receber até um salário mínimo como pagamento, e às vezes tomando conta do negócio

DIEGO CAJA

Mais duas situações flagradas Outras duas situações foram identificadas na mesma feira do Zumbi. Em uma, um menino de aproximadamente 10 anos vendia farinha, e em outra uma menina por volta de 8 anos vendia calcinhas. Os dois responsáveis garantiram que nenhuma das crianças trabalha no local e, coincidentemente, disseram, somente foram à feira neste dia. Pela legislação brasileira, somente se pode trabalhar após os 16 anos, salvo se for na condição de aprendiz (regulamentado pela lei 10.097, de 19 de dezembro de 2000). Entretanto, mesmo nos casos em que o trabalho é permitido nessa idade, há restrições legais às atividades que podem ser realizadas.

Quadro complicado no Estado Segundo a educadora, reverter esse quadro é muito complicado no Amazonas, pois as distâncias no Estado são gigantescas, além de haver uma cultura de que alguns “trabalhos” podem ser realizados sem problemas. Em Manaus, as crianças e adolescentes podem ser encontradas em qualquer feira livre ou esquina da cidade. Na feira do Zumbi, na Zona Leste, há muitos exemplos. Um adolescente de 16 anos

toma conta de um dos boxes que vende roupas diversas. Ele não vê problema nenhum no “ofício” e fica durante todo o dia no lugar atuando como vendedor, recebendo mensalmente um salário mínimo. Para o jovem, que está no 9º ano do ensino fundamental, ele não precisa, mas trabalha para poder comprar o que deseja. “Nem tudo minha família pode dar, então trabalho e compro o que eu quero”, analisa. Débora Didône, da ONG Cipó Comunicação Interativa: estratégias para os esclarecimentos


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e s, grandes problemas ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Projetos e campanhas oficiais Da parte do governo do Estado, a Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas) não tem programas ou projetos voltados especificamente para o combate ao trabalho infantil. Entretanto, existem campanhas, realizadas pelo órgão de enfretamento a esse tipo de situação, segundo informou a assessoria de imprensa. Em junho, o prefeito Arthur Virgílio Neto assinou, justamente no Dia Mundial de Luta contra o Trabalho Infantil, uma carta de intenções para erradicar o trabalho infantil em Manaus. No documento, assumiu o compromisso de criar políticas públicas que diminuam o número de crianças e adolescentes, com idade inferior a 15 anos, trabalhando na cidade. Segundo dados do último censo demográfico de 2010, no Amazonas existiam 82 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, sendo 25 mil somente em Manaus. “Temos que colocar todos os nossos aparatos à disposição dessa luta, porque criança é feita para brincar, estudar e crescer psicologicamente sadia, não para ser explorada como força

de trabalho”, defendeu o prefeito na época. Uma das “armas” da prefeitura para combater o trabalho infantil é o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que é desenvolvido em 16 núcleos espalhados por todas as zonas de Manaus e coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), onde são atendidos mais de 450 crianças e adolescentes, de 6 a 15 anos. Os atendidos foram inseridos no programa após denúncias feitas pela população pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100 ou Disque 0800 092 6644), e ainda, nas abordagens dos Conselhos Tutelares e Semasdh, por meio do Departamento de Proteção Social Especial (DPSE). “As atividades desenvolvidas no programa são baseadas nos eixos educativo, esportivo e cultural, que são mantidos por estagiários dos cursos de assistência social, pedagogia, psicologia e letras, além da equipe técnica da Semasdh, formada por uma assistente social e uma psicóloga”, explicou a coordenadora do Peti, Iracilda Nascimento.

Possíveis causas do trabalho *Pobreza: crianças precisam trabalhar para complementar a renda familiar. Em muitos casos são obrigadas a assumir responsabilidades, ajudando em casa; *Falta de sistema educacional eficiente: com muita repetência e evasão; *Falta de políticas dos governos; *Inexistência de um sistema eficiente de fiscalização das leis, principalmente na área rural e no trabalho doméstico. Consequências: *Físico: exposição maior a riscos e lesões muitas vezes com exigências superiores ao suportados pelo seu corpo. *Emocional: pode apresentar dificuldade para realizar vínculos afetivos por causa dos maus-tratos; *Educacional: maior repetência a abandono dos estudos.


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Moradores antigos botam fé nas mudanças no bairro Processo de reforma no Jorge Teixeira leva esperança de um novo e melhor cenário 24 anos depois de sua criação

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á 23 anos, Francisco Santos, 54, chegou ao bairro Jorge Teixeira para morar e encontrou um cenário quase deserto, com ruas de barro, sem qualquer infraestrutura urbana e mobilidade, fruto de invasões de terras. Essa parte de Manaus era considerada das mais distantes e o transporte sequer chegava até lá. “Aqui a gente tinha que lutar por tudo. A escola, por exemplo, fomos eu e a minha vizinha que conseguimos para cá, porque não tinha quase nada”, lembra. De lá para cá, muito mudou, mas a carência de quase tudo cresceu na velocidade da sua população. O bairro se tornou um dos mais populosos, comércios e serviços foram se instalando e Francisco se tornou comerciante conhecido. Testemunha da evolução, ele também presenciou muitos problemas e, só agora, respira ares de esperança de viver em uma comunidade com saneamento básico, moradias dignas, ruas pavimentadas e calçadas para os pedestres. Depois de 24 anos de fundação do bairro, essa é a primeira vez que os moradores

PROURBIS/DIVULGAÇÃO

originais do Jorge Teixeira estão vendo um processo de reforma, recuperação e revitalização condizente com as necessidades encontradas no local. Hoje, ao ver o bairro em obras, Francisco ainda se preocupa com o término dos trabalhos de recuperação das

Aqui a gente tinha que lutar por tudo. A escola, por exemplo, fomos eu e minha vizinha que conseguimos para cá, porque não tinha nada Francisco Santos, morador do bairro

vias. Mas, acredita que todo o sacrifício vivido pelos moradores vai valer a pena, no futuro. “A gente vive aqui e tem que conviver com barro, com buraco. Estamos vendo que o pessoal está fazendo o trabalho, sim. Mas nós, moradores, que já vimos muita coisa aqui no bairro, ficamos

preocupados se eles vão concluir as obras.” Velho conhecido dos moradores, o processo de obras que não termina é um fantasma que insiste em assustar. Mas o fator planejamento, seguido de ações socioambientais e obras, tem feito do Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Prourbis) uma promessa que se torna realidade a cada dia. Iniciativa da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura(Seminf), o Prourbis é resultado de uma parceria com o BID, e está revitalizando o bairro Jorge Teixeira, etapa 3. De moradias a pessoas que viviam em áreas de risco, a construção de praças, creches, centros de referências, até pavimentação e urbanização completa do bairro, o Prourbis é completo porque leva qualidade de vida à população. E isso tem sido o acalento a moradores como Francisco. “Nós estamos confiando que tudo vai ser concluído e que o nosso bairro vai ficar muito bonito. Eu acredito mesmo que, com essas obras, o bairro vai ser ótimo de viver”, disse.

Francisco Santos, que mora no bairro desde o seu início: testemunha da evolução na Zona Leste

Realidade em constante evolução A realidade em constante mudança para melhor tem animado o ferreiro Élcio Souza Santos, 43 anos. Quando foi morar no Jorge Teixeira, em 1989, o bairro era só mato e barro. Apesar das dificuldades para se estabelecer num bairro sem infraestrutura urbana, o ferreiro acredita que com

as obras concluídas a qualidade de vida dos moradores vai melhorar muito. “Quando tiver tudo pronto, tudo concluído, vai ser bom demais de viver aqui. E claro, que agora, estamos enfrentando dificuldades, vivendo no meio das obras, mas com certeza, no final, com tudo pronto estaremos num

dos melhores lugares de Manaus para criar nossos filhos”, disse. Fundado em 1989, pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, o bairro Jorge Teixeira está passando pela primeira transformação efetiva em sua estrutura urbana e habitacional desde que foi instituído.


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Raízes Caboclas prepara novo disco Plateia 3

Israel NOVAES

‘O cara DO ARROCHA’ DIVULGAÇÃO

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PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

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Nunca fiz a música pensando em questão comercial, com o intuito de emplacar nas rádios. Acho que esse foi o motivo de ter dado certo”

onhecido como “O Cara do Arrocha”, o cantor e compositor sertanejo Israel Novaes se apresenta em Manaus pela segunda vez no dia 30, no Open Bar Sertanejo, promovido pela Fábrica de Eventos. Com uma carreira expressiva no cenário nacional há quase 2 anos, o paraense afirma que se considera o precursor da difusão do arrocha nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Em entrevista ao EM TEMPO o artista fala sobre os preparativos para o retorno à capital amazonense, do processo de finalização do seu primeiro CD, que será lançado pela gravadora Som Livre, e do projeto de gravar, até o fim do ano, um DVD. EM TEMPO - O que você está preparando para apresentar no show em Manaus? Israel Novaes - Vou levar o show que estou apresentando em turnê pelo país, onde o público confere algumas canções já conhecidas, que são de minha autoria. Tam-

bém faço um momento acústico com letras como “Mente Pra Mim” e “Canção Perfeita”, que são composições autorais, mas interpretadas por outros artistas. No total, vou cantar aproximadamente 20 canções em um período de 1 hora e 40 minutos. EM TEMPO – O que achou da cidade, durante a sua primeira vinda, e qual a sua avaliação sobre o público amazonense? IN – Fui a Manaus para um show no Vila Mix, no início do ano. Na ocasião, cinco artistas dividiam o mesmo palco e isso não nos permite desenvolver uma apresentação completa. Agora, volto à cidade sozinho e com um show com minhas características e um cenário especial. O público local tem uma energia ótima. Adoro voltar ao Norte do país e, é claro, que Manaus é especial. EM TEMPO - Qual a sua expectativa para a noite do show? IN - As melhores. Sou natural do Estado do Pará e me sinto em casa sempre que faço

show na região. EM TEMPO - O que o público pode aguardar do seu show? IN - Muita animação, música para dançar e não deixar ninguém parado desde o começo, quando canto “Carro Pancadão”. EM TEMPO - Você chamou a atenção dos brasileiros ao apresentar a canção “Vem ni mim Dodge Ram”, em 2011. Você esperava ver essa letra ter tanta repercussão? IN - Não esperava. Fiz a letra no centro acadêmico da faculdade, onde cursava direito. Em certa ocasião um amigo chegou e comentou que um dos caras mais feios da faculdade estava “pegando” várias mulheres só porque tinha um “carrão”. Aí surgiu a ideia de criar a música e achei que o modelo Dodge Ram era uma boa opção de veículo imponente, de presença. Nunca fiz a música pensando em questão comercial, com o intuito de emplacar nas rádios. Acho que esse foi o motivo de ter dado certo. EM TEMPO - Você

apresenta uma mistura de ritmos, com predominância do “arrocha”. A partir disso, você se define como um inovador no segmento sertanejo? IN – Confesso que fui o primeiro artista a divulgar o estilo do “arrocha”, que é bem característico do Norte e Nordeste, pelos demais Estados brasileiros. Incluí essa batida às produções sertanejas. Estou feliz que tenha dado certo e de hoje ser o precursor desse segmento. EM TEMPO - Está trabalhando em algum novo projeto? IN - Sim. No próximo mês lanço o meu primeiro CD, ainda sem nome, pela gravadora Som Livre. O projeto irá contar com os sucessos que a galera já, conhece como “Dodge Ram”, “Vó, To Estourado”, “Depende”, “Beijo Meu” e muitas outras letras que com certeza vocês vão gostar. No total, serão 14 faixas. Nesse momento estamos em fase de edição e mixagem do áudio. Além disso, em outubro gravo o meu primeiro DVD, em Goiânia.

Confesso que fui o primeiro artista a divulgar o estilo do ‘arrocha’, que é bem característico do Norte e Nordeste, pelos demais Estados brasileiros. Incluí essa batida às produções sertanejas. Estou feliz que tenha dado certo e de hoje ser o precursor desse segmento”

SERVIÇO OPEN BAR SERTANEJO Quando: Sexta-feira, 20h Onde: Diamond Convention Center – avenida do Turismo Quanto: R$ 70 (pista/meia) e R$ 110 (camarote VIP/meia) – ingressos à venda no estande da Fábrica de Eventos no 2º piso do Amazonas Shopping ou pelo site www.fabricaingresso.com


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>> Batman

>> Niver . Waleska Macêdo reuniu um grupo de amigos, quinta-feira, para comemorar seu aniversário. . O local escolhido para a festa? Os camarotes do Touchdown que estavam em total alto astral com o set list do DJ Sidney Almada e as comidinhas da casa, que sacode o Vieiralves. Noite dez.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

. Sabe quem vai ser o próximo Batman? Ben Affleck. A Warner Bros confirmou que o ator, de 41anos, irá interpretar o papel do super-herói na sequência de “Homem de Aço”. . O filme, que trará Batman e Super-Homem juntos, tem a estreia prevista para o dia 17 de julho de 2015 e contará de novo com Zack Snyder, diretor de “Homem de Aço”, produção que arrecadou 650 milhões de dólares nos cinemas ao redor do mundo. . Affleck já deu vida ao Demolidor – “O Homem sem Medo”, em 2003, filme que não rendeu boas críticas ao ator ganhador do Oscar. Na opinião da coluna, Affleck é o ator mais bonito da nova geração de Hollywood.

A aniversariante Waleska e Marcelo Macêdo, na festa que rolou no Touchdown

>> Integração legislativa . Os municípios de Juruá e Carauari serão as últimas cidades do Amazonas a receberem a proposta para integrarem o programa de apoio às Câmaras municipais desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). . Quem comemora a notícia é o presidente da Assembleia, deputado Josué Neto (foto), já que a partir de agora todas as Câmaras municipais já podem assinar o convênio com a Assembleia para ter acesso ao assessoramento técnico necessário para revisar e atualizar suas legislações. Atualmente, mais de 30 municípios já firmaram convênio com a Aleam. Almerinho Botelho e a bela Tássia

>> Objeto de desejo . A Chanel lança novos modelos da famosíssima bolsa Boy. . Agora em tamanhos diferenciados e o mesmo glamour da bolsa que foi criada por Karl Lagerfeld com publicidade usando a mezzo brasileira mezzo inglesa Alice Dellal.

A ótima Adriane Antony Gonçalves

Jane e Wilson Botelho

Lene Oliveira, Edinho Serrão e Martha Fernandes

>> Recapeamento . A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), iniciou ontem a primeira etapa de recapeamento completo das avenidas Efigênio Sales e Professor Nilton Lins, ambas localizadas na Zona Centro-Sul da cidade. . Nesta primeira fase, que durará aproximadamente uma semana, as vias passarão por fresagem – técnica que consiste na remoção de camadas deterioradas do pavimento, evitando ondulações e desníveis. Em seguida, as avenidas serão completamente recapeadas com Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), um tipo de massa asfáltica de qualidade superior e maior durabilidade. Processo semelhante ocorre na avenida Marciano Armond, uma das principais vias de acesso da Zona Centro-Sul à Zona Sul. Os trabalhos serão feitos durante a noite e madrugada. A administração direta recuperará 35 quilômetros de vias de Manaus. Aplausos!


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Raízes Caboclas prepara CD ‘Sons das Margens’

Grupo regional entra em estúdio e mantém a proposta de ressaltar as características caboclas no seu 16º álbum PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

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grupo Raízes Caboclas já deu início aos ensaios para a gravação do seu 16º álbum, que será intitulado “Sons das Margens”. O disco apresenta letras compostas pelos próprios integrantes e também por nomes como Rui Machado e o instrumentista Júlio Hatchwell. Os músicos entram em estúdio no mês de setembro. O percussionista e vocalista da banda, Osmar Oliveira,

explica que o título dado ao novo projeto tem o intuito de enaltecer as características caboclas. Todas as composições falam sobre a formação cultural dos povos ribeirinhos, assim como dos elementos naturais que podem ser encontrados na Floresta Amazônica. “São letras inéditas e que mostram as características do povo que vive no beiradão amazonense. As formas de expressão são marcantes e diferentes de qualquer outro sotaque”, disse. O álbum será composto por dez canções, número que re-

sulta de uma seleção entre 60 composições. O repertório foi determinado com base no ritmo, na sonorização e na caracterização regional. “Apenas analisamos o perfil de cada trabalho. Priorizamos letras que falam sobre a nossa região”, cita. A gravação será feita no Estúdio 301. Para o flautista e violinista Adalberto Holanda, um dos diferenciais do trabalho está na música escrita por Hatchwell, que é um pianista amazonense. “Ele compôs um instrumental em nossa homenagem. A mú-

sica ainda não tem nome. Ele nos mostrou apenas a partitura”, frisa. Ele também adiantou que no registro os músicos vão utilizar instrumentos confeccionados por Heliberto Barroncas, que também é percussionista do Raízes Caboclas. “Ele está em fase de produção. Alguns já estão prontos e vamos manuseá-los antes da gravação”, disse. Segundo Oliveira, o projeto está em desenvolvimento há 1 ano e a primeira apresentação dos instrumentais vai acontecer na noite do dia 7 de

setembro, quando o grupo vai subir ao palco do Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani), no município de Itacoatiara (distante 177 quilômetros de Manaus), em um dos aiores eventos regionais de música. “Vamos exibir algumas composições para que o público tenha o primeiro contato com as novas produções. Nossa expectativa é conseguir voltar à mídia e conquistar os amazonenses”, comenta. História O grupo foi formado na

década de 80 com a proposta de transmitir uma sonorização regional. Oliveira destaca as origens amazônicas dos integrantes como principal característica da banda, que segundo o músico, sempre busca referências na diversidade da região. Além de Oliveira e Holanda, a banda também é formada por Otávio di Borba (baixo), Heliberto Barroncas (percussionista), Raimundo Ângulo (violinino e vocal) e Julio Lira (percussão).

GRATUITO

Tributo ao Queen é hoje, no largo Sucesso durante o 17º Festival Amazonas de Ópera, o “A Night at The Opera”, tributo dedicado ao Queen, volta a ser exibido hoje, às 19h, no largo São Sebastião. Ao som do piano do maestro Marcelo de Jesus, com novas partituras e releituras, o público assistirá a um cros-

sover diferente, quando se junta dois ou mais estilos musicais, dessa vez juntando o rock com o clássico. “Ninguém imaginava que o recital tomasse essa proporção. Nessa nova apresentação, o público pode esperar toda a qualidade e a mesma diversão de suas antecesso-

ras, porém em um espetáculo de maiores proporções. Há também uma surpresa sendo preparada para os fãs da banda”, afirmou Marcelo de Jesus. Entre sucessos de Freddie Mercury e companhia escolhidos para o recital, destaque para “Radio Ga Ga”, single de 1984 que se tornou

sucesso mundial, atingindo o número 1 das paradas em 19 países. Outro campeão de execuções, presente na programação, é “I Want To Break Free”, onde a banda, no videoclipe, aparece toda vestida de drag queen. O grupo britânico Queen foi formado em 1971. Artistas locais interpretam clássicas do grupo britânico

MODA CRÉDITO DO FOTÓGRAFO

A top model Andressa Suita é a estrela da coleção 2013-2014 da Fulga de Lula - Fantasy

Nova coleção da Fuga de Lula A grife Fuga de Lula – Fantasy traz na coleção 2013-2014 a top model Andressa Suita como o espírito guerreiro que aflora a mística do design. As peças foram criadas com o que há de mais avança em tratamentos dos tecidos, obtendo acabamentos diferenciados ao

jeans, que fazem da roupa uma peça exclusiva, acompanhada de novos cortes e decorativos. O uso de metais e pedras, remetem a coleção a um patamar mais sofisticado. Tecnologia Ao vestir as peças da nova

coleção, além da tecnologia que “levanta o bumbum”, o elastano, faz as calças se modelarem ao corpo da mulher, acentuando as formas, alongando suas pernas, onde a sensualidade aflora em um estilo Fuga de Lula, feita com exclusividade para você.


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RESENHA

A trilogia da traição PERFIL

César Augusto, jornalista, editor do Dia a dia e cinéfilo

CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO

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dultérios, incestos, homossexualidade e a hipocrisia das relações familiares sempre foram temas recorrentes na obra do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) e, por isso, um prato cheio para o cinema brasileiro em busca de adaptações mais ousadas. Ainda na década de 1950, as primeiras películas surgiam repletas de elipses e insinuações discretas, para depois “escancarar” o lado mais erótico dessa temática a partir dos anos 1970 – o que acabou comprometendo e muito a interpretação da obra rodrigueana, muitas vezes baixando-a, injustamente, ao nível do escandaloso e vulgar. De todos esses aspectos, o adultério é um dos mais recorrentes, seja como o eixo principal da narrativa ou como um elemento derivado. No primeiro caso incluo “A dama do lotação” (1978), de Neville D’Almeida, e “Perdoame por me traíres” (1983), de Braz Chediak, enquanto para o segundo cabe “Toda nudez

será castigada” (1973), também de Jabor. São personagens femininas marcantes e trágicas levadas a trair seus maridos pelos mais diferentes motivos. Em “A dama do lotação”, inspirado em um dos contos de “A vida como ela é”, Solange (Sônia Braga) é casada com Carlos (Nuno Leal Maia), mas não cede ao marido na noite de núpcias. Impaciente, ele a violenta. Por conta desse trauma, Solange passa a evitar contatos mais íntimos com Carlos, mas se aventura em encontros sexuais com homens diferentes, inclusive o próprio sogro (Jorge Dória). Um dos grandes sucessos do cinema nacional da década de 1970, o filme de Neville consegue evitar cenas gratuitas de sexo, adotando uma postura mais adequada ao clima do universo de Nelson Rodrigues – ainda que, naquela época, houvesse muitas limitações de qualidade da produção cinematográfica nacional. Foi um dos filmes que aproveitaram o auge da beleza da estrela Sônia Braga, juntamente com “Dona Flor e seus dois maridos” (1976) e

“Eu te amo” (1981). Já em “Perdoa-me por me traíres” (1983), Braz Chediak – que já vinha de uma péssima adaptação de Rodrigues, “Álbum de família” (1981) – extraiu da peça original a adúltera Judite (Vera Fischer), casada com Gilberto (Nuno Leal Maia) e mãe de Glorinha (Lídia Brondi). Narrada em flashback pelo irmão de Gilberto, Raul (Rubens Corrêa), mostra como o ciúme obsessivo do marido leva a esposa a procurar consolo em aventuras com outros homens. Raul, no entanto, ama a cunhada em segredo e estende esse amor à sobrinha Glorinha, a quem tenta controlar, sem evitar contudo que a jovem se envolva com o submundo da prostituição no prostíbulo de madame Luba (Henriette Morineau). Apesar do tom teatral que ainda fica evidente nos diálogos – um pecado das adaptações de Rodrigues naqueles anos -, é um filme interessante, mostrando Vera Fischer – ícone da beleza da época – nos melhores momentos de sua carreira e dando-nos oportunidade de rever Lídia Brondi antes

de seu adeus à dramaturgia anos depois. Anterior a ambos, “Toda nudez será castigada” foi adaptada da peça de Nelson sobre o viúvo Herculano (Paulo Porto), isolado do mundo desde a morte da esposa. Por obra do irmão interesseiro Patrício (Paulo Cesar Pereio), ele conhece Geni (Darlene Glória), uma prostituta de bom coração. Ambos se casam, contrariando a família de tias beatas e hipócritas do viúvo e seu filho Serginho (Paulo Sacks), a quem Herculano jurara ser fiel à memória da primeira esposa. No entanto, o jovem acaba se envolvendo com Geni em uma relação de certa forma doentia, que acaba tragicamente. Filmada em uma época de produção técnica fraca no cinema nacional, essa trilogia do adultério vale ser revisitada pelo aspecto histórico da cinematografia brasileira, ali carente de recursos mas que apostava no talento de suas estrelas, alçadas a símbolos sexuais do país – porque, de qualquer modo, as personagens femininas de Nelson

Rodrigues assim o exigiam. Ainda sem a distorção do erótico e sensual em vulgar, foram as melhores adaptações do dramaturgo – que ficaram mais e mais ignoradas com o passar dos anos (seis na década de 1980 contra somente duas no primeiro decênio deste século).

Três adaptações da obra de Nelson Rodrigues para o cinema ilustraram bem o trato do adultério pelo dramaturgo carioca e marcaram uma geração”

ARTE DIVULGAÇÃO

Pinturas de Van Gogh podem ser baixadas no site do museu J. Paul Getty, nos EUA

Acervos livres para download Imagens de desenhos de Gustav Klimt (18621918), pinturas de Van Gogh (1853-1890) e aquarelas de Albert Dürer (1471-1528) estão entre as obras liberadas para uso geral desde o último dia 12 pelo museu que possui os originais desses artistas, o J. Paul Getty, na Califórnia (EUA). A instituição anunciou seu novo programa de abertura de conteúdo que envolve 4,6 mil obras em imagens de alta resolução para download em seu site. A coleção tem reproduções de pinturas e desenhos e fotografias de arquitetura, esculturas e joias. É o caso mais recente de arquivo ou museu que libera seu acervo e o disponibiliza em imagens que podem ser reproduzidas em livros, revistas, posters ou outros materiais de suporte, sem quaisquer restrições ou cobranças.

Abertura progressiva Um estudo publicado em junho da fundação americana Andrew W. Mellon, preparado pela pesquisadora Kristin Kelly, lista as políticas de acesso ao conteúdo e a progressiva abertura de 11 museus e bi-

NÚMEROS

A instituição J. Paul Getty anunciou seu novo programa de abertura de conteúdo, que envolve 4,6 mil obras em imagens de alta resolução para download em sua página na internet bliotecas de prestígio, entre eles Metropolitan, Morgan Library, Universidade de Yale e National Gallery of Art, nos EUA, e Museu Britânico e Victoria and Albert Museum, na Inglaterra.

O movimento em direção à abertura indica que as instituições buscam revalorizar sua missão de difusão cultural. Ampliar o acesso ao material que está sob sua custódia é vital para o entendimento público da arte e da própria função dos museus. Nessa linha, o holandês Rijksmuseum, de Amsterdã, tem colocado a criatividade e o marketing para promover a interação entre o público e o seu patrimônio valioso, que conta os 800 anos da história holandesa e tem como destaques “A Ronda Noturna”, de Rembrandt, e as telas “A Leiteira” e “Mulher Lendo Carta”, de Vermeer (1632-1675). Do seu grande acervo, estimado em 1 milhão de peças, estão livres para download cerca de 125 mil imagens, com previsão de adição de 40 mil novas imagens por ano. Por Mara Gama


Plateia D5

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–rebate

TV Tudo

TV GLOBO/DIVULGAÇÃO

Queimando o filme Um dos maiores acertos de “Amor à Vida” é o núcleo da Márcia e Valdirene, Elisabeth Savalla e Tatá Werneck. No minuto a minuto da novela, com toda a certeza, elas devem participar dos seus picos de audiência. No embalo disso passaram a arrastar as cenas das duas, às vezes em um inteiro ou quase dois blocos. Um pouco demais. Em cima disso... Tome mais história. “Amor à Vida” vai dar um salto no tempo e a Valdirene, mais séria e compenetrada, já irá aparecer com um filho nos braços. Nos interiores da novela, a pergunta que se faz é se ela conseguirá se sair tão bem nessa próxima fase, quanto foi até aqui. Diminuiu um pouco O SBT, com as medidas recentemente tomadas, acabou com alguns programas e diminuiu outros. A “Praça”, por exemplo, está com a sua duração um pouco reduzida. Encolheram o seu tempo de arte. Nova temporada Carla Pernambuco vai estrear no dia 10 de setembro, a 3ª temporada do “Brasil no

Vem - mais - aí Ricardo Waddington, diretor de núcleo, novo número 1 do “Vídeo Show”, ainda não concluiu o trabalho de reformulação do programa. Mas espera, de acordo com seu pessoal, definir todo o quadro até outubro. Vem mais por aí. No entanto, agora, suas prioridades atendem pelos nomes de “Joia Rara” e “Além do Horizonte”. Prato”, no Bem Simples, da Fox. O programa agora vai fazer uma viagem culinária pelas diferentes culturas que existem na cidade de São Paulo. Teatro Bianca Rinaldi, atualmente com a peça “A Falecida”, em cartaz no Rio, também já tem acertada a sua participação em “Meu querido Brahms”, de José Eduardo Vendramine e direção de Tadeu Aguiar. Ainda no elenco, Werner Schunemann e Gustavo Haddad. Estreia em outubro, no Masp, em São Paulo.

Está fora A ausência do “Pânico” no Teleton, este ano, deve ser vista como algo consequente e absolutamente natural. Todos sabem das rixas judiciais recentes do pessoal do programa com Silvio Santos. Não vai fazer A escalação de Flávia Alessandra em “Além do Horizonte”, próxima das 19 horas, afastou a possibilidade dela fazer uma participação especial em dois episódios do “Pé na Cova”.

Novidades no ‘Caldeirão do Huck’ O “Caldeirão”, do Luciano Huck, está dando nova ajeitada em seus quadros. É mais uma arrumação de casa. Não devem acontecer grandes mudanças agora, mas o programa virá com uma série de surpresas no ano que vem. Mesmo conservando as suas características, já existe a ideia de encontrar uma paginação bem diferente da atual. É um trabalho que o Boninho e o diretor Helio Vargas, com a participação do apresentador, já estão desenvolvendo.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Dentro da própria Globo e do elenco da novela, as gravações de cenas com Antonio Fagundes e Mateus Solano, César e Félix, acabaram se constituindo num espetáculo à parte. Todos param para ver. Há algum tempo, na TV, o Fagundes não aparecia tão bem num personagem. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz*

‘AMOR À VIDA’

Na pior, Félix faz empréstimo

• A viagem no tempo do Zeca Camargo, até 1973, quando o “Fantástico” estreou, será apresentada no programa de logo mais. • O próprio Edu Zebini, diretor do Fox Sports, admite que há um início de negociação com o Mauro Beting. E com boas possibilidades de chegar a um final feliz. Mas não tão já. • Caiu muito a audiência do futebol nas emissoras de AM, em São Paulo... • ...Mas também em função da qualidade dos serviços apresentados.... • ...Algumas estão fazendo tudo do estúdio, limitando o que poderiam oferecer como informação. O ouvinte não é bobo. • Pessoal do SBT Brasília comemora, porque a audiência cresceu em todas as faixas de horário.

E-mail: novoasilva@yahoo.com.br DIVULGAÇÃO

Por uma política cultural para a Amazônia - final

Félix (Mateus Solano) pede um empréstimo no banco para pagar Alejandra (Maria Maya)

Na próxima semana, em “Amor à Vida” (Globo), Alejandra (Maria Maya), Paulinha (Klara Castanho) e Ninho (Juliano Cazarré) conseguem embarcar para o Peru. Paloma (Paolla Oliveira) e Bruno (Malvino Salvador) descobrem a farsa ao verem três sósias detidos. Priscila (Cristina Mutarelli) declara guerra contra Lutero (Ary Fontoura). Patrícia (Maria Casadevall) e Michel (Caio Castro) tentam convencer Perséfone (Fabiana Karla) a emprestar seu apartamento a eles. Félix (Mateus Solano) pede um empréstimo no banco para pagar Alejandra. Márcia (Elizabeth Savalla) suspeita de que Valdirene (Tatá Werneck) esteja grávida. Bruno não deixa Paloma falar com Félix sobre a viagem. Jonathan (Thalles Cabral) convence César (Antonio Fagundes) a continuar pagando o salário de Félix. Ordália (Eliane Giardini) afirma que acabará com o namoro de Luciano (Lucas Romano) e Joana (Bel

Kutner). Márcia confirma a gravidez de Valdirene. Aline (Vanessa Giácomo) faz a cabeça de César contra a família. Félix tenta seduzir Eron (Marcello Antony) para que ele o ajude na auditoria. Jacques (Julio Rocha) conta

VIAGEM

Na próxima semana, em “Amor à Vida’’ (Globo), Alejandra (Maria Maya), Paulinha (Klara Castanho) e Ninho (Juliano Cazarré) conseguem embarcar para o Peru para dar continuidade ao sequestro ao administrador que Aline tem um caso com César. Paloma vai ao encontro de Ninho, que insiste que ela vá morar com ele. A médica fica assustada. Na semana que passou, o pai demitiu o filho. Félix tenta se vingar do pai, armando um plano para contar para a mãe que César tem

um caso com Aline. Gravidez Nos próximos capítulos de “Amor à Vida” (Globo), o médico César (Antônio Fagundes) começará a ter medo de sua amante, Aline (Vanessa Giácomo). Isso porque ela vai manifestar o desejo de ser mãe de um filho dele. Mas, temendo o pior, César logo tentará tirar essa ideia louca da cabeça dela. O médico, que já é pai de Félix (Mateus Solano), Paloma (Paolla Oliveira) e Jonathan (Thalles Cabral), negará o pedido e ficará com receio de que Aline se convença de que chegou a hora de engravidar e pare de tomar a pílula anticoncepcional, fato que acabaria com o seu casamento e revelaria o seu caso com a secretária. Sem sucesso na primeira tentativa, Aline, então, buscará convencê-lo a largar a mulher, Pilar (Susana Vieira). Mas mais uma vez, o chefe recusará a ideia e dirá que nada mudará.

São vários os exemplos canhestros de integração a que aludimos no artigo anterior. Basta citar o projeto empreendido nos anos de 1960 pelo famoso Instituto Hudson, presidido por Herman Kahn, geopolítico atômico apelidado pela imprensa norte-americana de “o amigo da bomba”, de transformar a Amazônia em um imenso lago. A ideia era represar o Amazonas, de Santarém a Monte Alegre, para a criação de um vasto lago de 240 mil quilômetros quadrados. Segundo Leandro Tocantins “Duas terças partes de Manaus desapareceriam nas águas. Santarém, Óbidos, Itacoatiara, Parintins, Manacapuru, ficariam submersas. Culturas tradicionais, como a do guaraná e juta, seriam liquidadas com a inundação. [...] Técnicos do Instituto Hudson já estiveram no local para realizar as primeiras pesquisas de campo”. O impacto seria tamanho a ponto de, caso houvesse sido aprovado, atrasaria em 2 segundos o movimento de rotação da terra. Em “Amazônia: Heranças de uma utopia”, documentário de 90 minutos dirigido por Ricardo Favilla e Alexandre Valenti, nos é apresentado de modo bastante objetivo um impressionante quadro de intervenções humanas na Amazônia brasileira, surgidas através do princípio de solidariedade e desenvolvimento como forma de “integrar”, “desenvolver” e “ocupar” esta famigerada terra. Os impactos políticos, econômicos, demográficos, culturais e tantos outros despertam para uma percepção de certa fragilidade a que está inserida as ideias e políticas da e para a Amazônia. Embora reconheçamos avanços científicos importantes, de nativos da região na busca do conhecimento de sua própria ter-

ra com vistas a compreender suas próprias contradições, ainda assim a Amazônia não parece fazer parte de um projeto de nação, como se houvesse um projeto de. Talvez, leitor, estejas pensando nos rumos desta prosa. Mas é preciso primeiramente entender que nossa natureza é nossa cultura, nossas histórias, idiossincrasias, gentes são a nossa identidade, fruto de processos simbióticos, de mestiçagens, oriundos de diferentes formas de interação. Mas, como nos diz o sociólogo espanhol Manuel Castells, “a humanidade produz seus próprios anjos e demônios” e sabemos exatamente “como e quando o nosso lado mal ataca”. A proposta de uma nova política de integração, entendida aqui, vale lembrar, sem os vícios conceituais do passado, busca pensar, como falamos, numa política de trocas, de reciprocidade. Num primeiro momento os Estados e países da Amazônia precisam de políticas de incentivo que estimulem esse conhecimento, essas trocas. O sonho do sul maravilha como o centro da circulação de bens artísticos e de trocas imagéticas e intelectuais é um sonho criado e moldado pelo capitalismo. Ações precisas como mostras de filmes, intercâmbio entre universidades, acordos de cooperação são estratégias de legitimação de uma nova zona de circulação. Zona esta de conhecimento de si e para si, mas também como porta de difusão para o restante do Brasil. Em suma, um projeto de integração da Amazônia, em primeira instância, e um projeto de integração para a Amazônia em segunda instância. Nada de guetos ou cortiços. As trocas são salutares.

Márcio Braz *ator, diretor, cientista social, membro do Navi – Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Política Cultural

A proposta de uma nova política de integração, entendida aqui, vale lembrar, sem os vícios conceituais do passado, busca pensar, como falamos, numa política de trocas de reciprocidade”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Programação da TV

DIVULGAÇÃO

RECORD 4:45 Bíblia em Foco 5:00 Santo Culto em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos 8:00 Record Kids 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Record Kids 12:00 Tudo a Ver 14:00 Programa do Gugu 18:30 Domingo Espetacular 22:15 Tela Máxima 0:15 Programação IURD

GLOBO

A apresentadora Eliana anima os domingos no canal SBT

Horóscopo

4:40 Sagrado 4:55 Santa Missa em Seu Lar 5:55 Amazônia Rural 6:02 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7:00 Globo Rural 8:00 Fórmula 1: Grande Prêmio da Bélgica. 9:40 Auto Esporte 10:00 Esporte Espetacular (Ginástica Artística). 11:25 Temperatura Máxima 13:00 Esquenta! 15:00 Futebol 2013: Campeonato Brasileiro – São Paulo x Fluminense

17:00 Domingão do Faustão 20:00 Fantástico 22:05 Revenge 23:35 Domingo Maior 00:40 Sessão de Gala 2:45 Corujão 4:20 Festival de Desenhos

SBT 5:30 Jornal da Semana 6:00 Arnold 6:30 Pesca Alternativa 7:30 Brasil Caminhoneiro 8:00 Aventura Selvagem 8:30 Vrum 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Domingo Legal 14:00 Eliana 18:00 Vamos Brincar de Forca 18:45 Sorteio da Telesena 19:00 Programa Sílvio Santos 23:00 De Frente com Gabi 0:00 True Blood 1:00 O Mentalista 2:00 Rizzoli & Isles 4:30 Igreja Universal

Cinema

BAND 05:00 – Igreja Mundial 05:50 – Popeye 06:30 – Santa Missa No Seu Lar 07:30 – Desenho 08:30 – Ação Na Tv 09:30 – Mackenzie Em Movimento 09:45 – Infomercial – Polishop 10:45 – Verdade E Vida 11:00 – Irmão Caminhoneiro - Boletim 11:05 – Pé Na Estrada 11:35 – Campeonato Sudamericano De Gran Turismo 12:30 – Minuto Da Copa 12:35 – Gol, O Grande Momento 13:00 – De Olho Na Copa 13:05 – Band Esporte Clube 14:30 – Futebol 2013 Campeonato Brasileiro 16:50 – Terceiro Tempo 19:00 – As Detetives 20:00 – Só Risos 21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre 01:00 – Minuto Da Copa 01:05 – Alex Deneriaz

01:45 – Show Business-reapresentação 02:35 – O Encantador De Cães 03:00 – Igreja Mundial

RECORD 6:30 Igreja Internacional da Graça 7:30 Igreja Internacional da Graça 8:30 TV Kids 9:00 TV Shopping Manaus 10:00 Super Oferta 10:30 A Questão É 11:00 Igreja Internacional da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Esporte Performance 14:00 Encircuito 15:30 A Questão É 16:00 TV Kids 16:45 Video Mania 17:30 Ritmo Brasil 18:10 O Último Passageiro 19:30 Te Peguei 20:30 Teste de Fidelidade 22:30 TV Shopping Manaus 23:30 Dr. Hollywood 0:30 É Notícia 1:30 Bola na Rede 2:30 Igreja Internacional da Graça

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Conquistas importantes podem ser feitas, agindo com força e vigor. Momento para encontrar a perfeita expressão de seus sentimentos, ainda mais no convívio íntimo. TOURO - 20/4 a 20/5 Você está mais inspirado e seu lado religioso mais vibrante. Forte ligação com os amigos. Você poderá canalizar algo de significativo e valoroso junto com as pessoas. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Momento de colocar em ação um grande sonho relativo à carreira profissional. Procure agir com decisão, dando forma mais concreta aos sonhos e às ações no trabalho. CÂNCER - 22/6 a 22/7 É favorável encontrar harmonia com a pessoa amada, por terem os mesmos sonhos e valores de vida. Vocês se unem por afinidades superiores, e não apenas por instinto. LEÃO - 23/7 a 22/8 Harmonia nas relações familiares, inclusive por assumir posturas decididas e vigorosas. É positivo afirmar o que acredita ser o mais importante e legítimo para você. VIRGEM - 23/8 a 22/9 O convívio humano traz lampejos de inspiração, assim como leva a um especial sentido de harmonia. Momento de integrar aspectos de sua identidade que costuma não aceitar.

ESTREIA Os Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos: 12 anos. EUA. Clary Fray presenciou um misterioso assassinato, mas ela não sabe o que fazer porque o corpo da vítima sumiu e parece que ninguém viu os envolvidos no crime. Para piorar a situação, sua mãe desapareceu sem deixar vestígios e agora ela precisa sair em busca dela em uma Nova York diferente, repleta de demônios, magos, fadas, lobisomens, entre outros grupos igualmente fantásticos. Para ajudá-la, Fray conta com os amigos Simon e o caçador de demônios Jace Wayland, mas acaba se envolvendo também em uma complicada paixão. Cinemark 6 – 12h50, 15h40, 18h30, 21h30 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h05, 16h40, 19h20, 22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h05, 16h40, 19h20, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 5 – 13h15, 16h (dub/diariamente), 18h45, 21h45 (leg/diariamente), Playarte 6 – 13h20, 15h55, 18h30, 21h05 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES Gente Grande 2 - 12 anos: Cinemark 8 – 11h10 (dub/somente sábado e domingo), 13h40, 16h10, 18h40, 21h10 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h15, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h30, 19h, 21h10 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 17h, 22h (leg/diariamente), 14h20, 19h30 (dub/diariamente), Playarte 4 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (leg/diariamente), 23h35 (leg/diariamente). Flores Raras - 14 anos:. Cinemark 3 – 15h, 17h50, 20h30 (dub/ diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h20, 16h50, 19h05, 21h20 (diariamente).

ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Você irá se sentir satisfeito em seus desejos. O entendimento com a pessoa amada pode ter algo de transcendente. Algum sonho pode se tornar realidade na vida amorosa.

Percy Jackson e o Mar de Monstros - 10 anos: Cinemark 1 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 14h, 16h30, 19h10, 21h50 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 13h, 20h50 (dub/diariamente), 15h30, 18h10 (dub/diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 19h30 (3D/dub/diariamente), 17h, 21h40 (3D/leg/diariamente), 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 19h10, 21h30 (dub/diariamente), 14h, 16h20, 18h30, 20h50 (dub/diariamente); Cinépolis 4 – 13h, 15h30 (3D/dub/diariamente), 18h, 20h45 (3D/leg/ diariamente); Playarte 5 – 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 1 – 13h (dub/diariamente), 17h50 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado).

SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Momento para se inspirar em princípios elevados pelo contato com fontes interiores de harmonia e elevação. Hoje, você se enriquece por valores éticos e espirituais.

Wolverine: Imortal – 14 anos: Cinemark 2 – 12h30, 15h20, 18h20, 21h20 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h, 19h (dub/diariamente), 16h30, 21h35 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h15, 16h45, 19h15, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 20h (leg/diariamente); Playarte 7 – 12h50, 15h25, 18h, 20h35 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado).

CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 O convívio humano é bastante positivo e revelador. A descoberta de afinidades especiais com colegas e amigos tende a fascinar vocês. É oportuno saldar dívidas e compromissos.

Círculo de Fogo - 12 anos: Cinemark 5 – 13h10, 16h, 19h, 22h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h10, 19h10, 21h50 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 15h30, 18h40, 21h20 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 12h40, 15h40, 21h30 (3D/leg/diariamente), 18h30 (3D/dub/diariamente); Playarte 9 – 13h25, 16h, 18h35, 21h10 (dub/diariamente), 23h45 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 1 – 15h15 (3D/dub/diariamente), 20h05 (3D/ leg/diariamente).

LIBRA - 23/9 a 22/10 Dia positivo para realizar as tarefas que ansiava, mas tinha dificuldade para colocar em prática. É favorável investir mais de você em projetos ambiciosos no trabalho.

AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento oportuno para lutar pela realização dos sonhos na vida material e financeira. É tempo de acreditar na prosperidade e ir atrás dela com garra e determinação. PEIXES - 19/2 a 20/3 Suas intenções e sonhos mais utópicos ganham contorno mais nítido. Vale a pena lutar pelo que acredita. As dificuldades da rotina de trabalho são superadas com êxito.

Os Smurfs 2 – Livre: Cinemark 3 – 12h40 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 17h10, 19h40, 22h10 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h30, 16h35, 18h50, 21h (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 17h, 19h05, 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis 2- 12h, 14h40, 17h20 (dub/diariamente); Playarte 8 – 13h45, 15h55, 18h05, 20h15 (dub/diariamente), 22h25 (dub/diariamente), Playarte 10 – 12h40, 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente

sexta-feira e sábado). Red 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos – 14 anos: Cinemark 2 – 15h (diariamente); Cinépolis 2 – 21h (leg/diariamente). Meu Malvado Favorito 2 – Livre: Cinemais Plaza – 15h, 17h10 (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h05, 15h10, 17h15, 19h20, 21h25 (dub/diariamente), 23h45 (dub/somente sextafeira e sábado). O Concurso – 12 anos: Cinemais Plaza – 19h30, 21h40 (diariamente); Playarte 2 – 13h10, 15h (diariamente). Minha Mãe É Uma Peça – 12 anos: Playarte 2 – 16h50, 18h40, 20h30 (diariamente), 22h20 (somente sexta-feira e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Rafael Gomes dos Santos e sua bela Ana Carolina formando par dos mais elegantes durante festim concorrido

::::: Sala de Espera

Jander Vieira

Elvis Chaves e Silvia Castro estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br FOTOS: DIVULGAÇÃO

A administração Aziz, por meio do Fundo de Promoção Social (FPS), entregou na última quinta-feira, mais de R$ 120 mil em equipamentos que ajudarão alavancar a agricultura e promover a educação de 35 famílias vinculadas à Associação para o Desenvolvimento Coesivo da Amazônia localizada em Iranduba. A incansável primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz foi a portadora da entrega indispensável

::::: O Relógio Símbolo de uma Manaus europeia, o relógio da praça da Matriz volta, por obra e graça da PMM, a ser como era nos bons tempos. A decisão vem atrasada, mas antes tarde do que nunca, porque afinal de contas, a Copa 2014 está batendo à porta e a cidade não cumpriu metade dos encargos programados pela Fifa. Hum...

::::: Exagero Quando dizem que o Brasil é um país farofeiro, o povo torce o nariz e acusa o velho preconceito geopolítico, aí vem aquele chororô terceiro-mundista que todo mundo já sabe. Mas, como não ter essa sensação se tem gente que deu para fazer do Facebook um mercado de bugigangas? Têm criaturas que oferecem de tudo! Televisão de tubo, sapato, disco em vinil do Amado Batista e até panelas! Os desavisados ainda põem o endereço. Só falta combinar com o assaltante. Oremos!

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::::: Happy!

Como acontece há 20 anos e por muitos (e muitos) anos assim será, se Deus quiser, lógico! Este colunista crítico, bem humorado, às vezes ácido e confesso apaixonado pelo jornalismo social, celebra com amigos mais um ano de atividade. Como não poderia deixar de ser, a festa em homenagem a esse ofício – no qual me entrego de corpo e alma – acontecerá dia 26 de setembro, no Diamond, às 21h13. Como atração principal estarão a alegria e as boas energias de 400 amigos escolhidos a dedo para o evento. O brinde de sucesso da Confraria MSCasa, evento que vem movimentando o Manaus Casa Shopping toda quinta-feira: Ah, e como o riso combina comigo, o humorista André Domingues, com Marli Franco e o gestor de markeglobal Gustavo Mendes será o convidado para o ting do Grupo Vitor Souza, Paulo Ricardo Sachs “plantão” das gargalhadas. Simples assim.

::::: Quem escolhe é vc A Fábrica de Eventos preocupada com o desejo de seus fiéis clientes acaba de criar uma fanpage onde o público irá votar entre três atrações mais cotadas a subir ao palco do maior evento de samba do mundo: o Samba Manaus, nos dias 11 e 12 de outubro, no sambódromo. Na preferência nacional estão: a Turma do Pagode e os grupos Imagina Samba e Pixote. Entre as atrações confirmadas para a 11ª edição estão Só Pra Contrariar, Péricles, Arlindo Cruz, Bom Gosto, Neguinho e bateria da Beija-Flor, Raça Negra, Jeito Moleque, Revelação, Thiaguinho e Sorriso Maroto. A décima primeira quem decide é você. Portanto, vote.

A jovem empresária Adriana Reis Batista na sua badalada sessão parabéns, no Portal da Vila

O atuante deputado estadual Francisco Souza (PSC) estava em Santa Catarina representando nossa Aleam no Seminário Mercosul Cidadão, promovida pela União dos Parlamentares SulAmericanos e do Mercosul e pela Prefeitura de Chapecó, com o apoio da Assembleia Legislativa daquele Estado. Hoje, a partir das 7h30, o hotel Go Inn será ponto de partida para a pedalada que está sendo organizada pelo movimento “Pedala Manaus”, com o objetivo de fazer um alerta à sociedade em geral e às autoridades sobre a importância da criação de novas ciclovias na cidade. A pedalada seguirá por 16 quilômetros, com percurso que passa pela PMM, na Compensa. Com inauguração prevista para o próximo mês, o Glam Dancing Bar promete movimentar o cenário noturno de Manaus trazendo o conceito inovador de bar e clube noturno reunidos num mesmo espaço. A ideia é simples: até a meianoite, a casa funciona somente como bar, com bebidas e comidinhas. Após esse horário é aberta a pista de dança, com DJs de destaque da cena local. Localizado no Vieiralves, o lugar tem Carlo Caitete como idealizador e proprietário. Amanhã, a doutora Montaha Jurdi Jasserand estará aniversariando. A agenda da cidade está a toda com a edição do Open Bar Sertanejo, assinado pela Fábrica de Eventos, no próximo dia 30, a partir das 20h, no Diamond Convention Center. No menu: a banda Pegada Sertaneja, o cantor Luigi Zonny e a atração nacional Israel Novaes, o cara do arrocha. Que tal? Os queridos Suzy e Francisco Deodato convidam para a sessão parabéns das gêmeas Beatriz e Bianca, no próximo dia 31, às 21h, no salão de festas do Ephigênio Salles. Merci pelo convite.


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Plateia

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MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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Capa

ilustração de Veridiana Scarpelli

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O jornal de Lenora de Barros

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Quando crescer deixa de fazer sentido

E outras 7 indicações culturais. Pág. 2

As fronteiras do capitalismo, em dois livros. Pág. 3

Um fogo que arde sem se ver

A frieza da literatura diante da mudança climática. Págs. 4 e 5

4

Diário do Cairo

5

Do arquivo de Fernando Granato

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Às portas do templo, é o fim da resistência. Pág. 6

Andrequicé, 1995. Pág. 7

Ei, você aí

O filósofo Peter Singer conclama a doar. Pág. 8


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 8 INDICAÇÕES

BRASILEIRO MILTON MACHADO/ DIVULGAÇÃO

LIVRO | MICHEL LAUB O escritor e colunista da Folha autografa amanhã em São Paulo seu mais recente romance, “A Maçã Envenenada”. Partindo da vinda do grupo Nirvana ao país, no começo dos anos 1990, Laub funde ficção e ensaio para tratar do tema da sobrevivência. Companhia das Letras | 120 págs. | R$ 29,50 lançamento na Livraria da Vila da Fradique | de 18h30 às 21h30

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LIVRO | ROBERTO DE MELLO E SOUZA A editora Ouro sobre Azul reedita o romance “Mina R”, em que Mello e Souza (1921-2007), irmão do crítico literário Antonio Candido, se serve da própria experiência como cabo durante a Segunda Guerra para retratar os embates de pracinhas brasileiros enviados à Itália durante o conflito. A nova edição deste romance de 1973 traz apêndice com textos de Boris Schnaiderman e do crítico da Folha Manuel da Costa Pinto. 236 págs. | R$ 44

Desenho “Prato de Resistência (En Tenue de Ville)”, de 1976

DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO| LENORA DE BARROS A exposição “Umas e Outras” apresenta 65 colunas de jornal, dois vídeos inéditos em preto e branco e uma intervenção sonora. A inspiração para as obras veio da seção intitulada “...umas”, que a artista plástica manteve entre 1993 e 1996 no “Jornal da Tarde”, de São Paulo. Galeria Laura Alvim (RJ) | abertura na quarta (dia 28), às 19h | de ter. a dom., de 13h às 21h | até 27/10 | grátis

LIVRO | UMBERTO ECO O pensador italiano traça um panorama do pensamento semiótico na história da cultura ocidental em “Da Árvore ao Labirinto”. Das reflexões do filósofo Porfírio (232-304) aos recentes debates acerca dos limites da interpretação, o autor de “O Nome da Rosa” analisa questões filosóficas recorrentes tanto em sua produção teórica quanto ficcional. trad. Maurício Santana Dias Record | 608 págs. | R$ 72,90 LIVRO | PRIMO LEVI Principal relato já escrito sobre a vida em um campo de concentração, “É Isto um Homem?” ganha nova edição no Brasil. Prisioneiro durante 11 meses em Auschwitz, na Polônia, Levi (1919-87) narra com concisão lapidar e elegância a rotina de trabalhos pesados, humilhações e assassinatos. trad. Luigi Del Re | Rocco | 256 págs. | R$ 28

POP

ERUDITO

LIVRO E EXPOSIÇÃO | MILTON MACHADO O artista plástico exibe suas criações em livro e em exposição. “História do Futuro” traz desenhos, textos e registro fotográfico das obras apresentadas por Machado na Bienal de São Paulo de 2010; já a mostra “Mão Pesada” reúne em São Paulo cerca de 40 desenhos feitos entre 1970 e 2013, além de uma seleção de vídeos do artista. Cosac Naify | 120 págs. | R$ 65 | Galeria Nara Roesler | de seg. a sex., de 10h às 19h; sáb., de 11h às 15h | até 21/9 | grátis

Imagem do vídeo “Jogo de Damas” (2013)

RICHARD DREW/ FILE/ ASSOCIATED PRESS

Warhol em foto de 1976

LIVRO | ANDY WARHOL Em parceria com sua assistente Pat Hackett, o artista (1928-87) reconstitui os passos do fenômeno pop em Nova York durante a década de 1960 em “Popismo”. O tom anedótico do texto é temperado com reflexões artísticas, trazendo a época de volta à tona pela voz de um de seus filhos mais notórios. trad. José Rubens Siqueira Cobogó | 376 págs. | R$ 65

LIVRO | PODER E DESAPARECIMENTO Ex-guerrilheira, sequestrada durante a última ditadura militar argentina (19761982), a antropóloga Pilar Calveiro analisa o processo de racionalização do terror que levou à adoção de práticas de extermínio. Mesclando depoimentos e reflexão histórica, tenta compreender as origens do totalitarismo em seu país. trad. Fernando Correa Prado Boitempo | 152 págs. | R$ 38

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL

DIOGO BERCITO, 25, é correspondente da Folha em Jerusalém FERNANDO GRANATO, 50, é jornalista, autor do livro “Nas Trilhas do Rosa” (Scritta).

RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador.

VERIDIANA SCARPELLI, 34, é ilustradora.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha

é autor dos livros “Promessas do Genoma” (Unesp) e

VINICIUS TORRES FREIRE, 47,

MILTON MACHADO Desenhos produzidos nos últimos 40 anos

“Ciência - Use com Cuidado” (Unicamp).

é colunista da Folha.

>>folha.com/ilustrissima

MARCELO LEITE, 55, repórter especial da Folha,


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Economia

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Trabalhar cansa Mais que inviável, o crescimento econômico tornou-se indesejável? RESUMO A crise de 2008 serve como ponto de fuga para dois livros acerca de um certo esgotamento do capitalismo. André Lara Resende e Luiz Gonzaga Belluzzo enfocam as perversões da sociedade consumista e os impasses do crescimento, considerado tanto inviável a longo prazo como incapaz de promover qualidade de vida.

VINICIUS TORRES FREIRE

“Por que e para que crescer são perguntas que deixaram de ser feitas. Não costumamos nos questionar sobre o óbvio”, afirma André Lara Resende num dos 18 artigos recolhidos em “Os Limites do Possível: a Economia além da Conjuntura” [Portfolio, 288 págs., R$ 44,90]. O economista causou certa sensação em 2012 ao associar a dificuldade de solução da crise de 2008 ao esgotamento dos recursos naturais do planeta. A saída menos dolorosa para a crise e seu entulho econômico maior, o excesso de dívidas, seria o crescimento econômico. Porém, dado o “limite físico do ecossistema”, que “pode ter sido atingido ou está muito próximo”, “não há mais como pretender que a economia mundial volte a crescer”. Caso cresça, não será por muito mais tempo, pois “não há como viabilizar 7 bilhões de pessoas, com o padrão de consumo e as aspirações do mundo contemporâneo, nos limites físicos da Terra”, ideias em parte baseadas no livro “The Great Disruption”, do ambientalista Paul Gilding. Esses são “os novos limites do possível”, título de um artigo do livro, de janeiro de 2012, publicado como a maioria dos demais no jornal “Valor Econômico”. Resende, como se sabe, foi um dos economistas que pensaram as manhas da inflação brasileira e as bases dos planos econômicos que dariam no Real. Foi professor da PUC do Rio, serviu

FUROR

André Lara Resende causou certa sensação no ano de 2012 ao associar a dificuldade de solução da crise financeira de 2008 ao esgotamento dos recursos naturais do planeta Terra

no governo FHC e trabalha como financista. “Os Limites do Possível” dialoga enfronhada e inadvertidamente com outra obra recente, “O Capital e suas Metamorfoses” [ed. Unesp, 192 págs., R$ 32], de Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular da Unicamp, também homem público e empresário na área de educação. O livro de Belluzzo é feito de cinco ensaios baseados em aulas e textos dos anos 80 e 90, além de dois trabalhos mais conjunturais, dedicados à economia contemporânea. Os dois livros têm como ponto de fuga a crise de 2008, a qual no entanto tratam como uma circunstância, embora grave, de processos históricos muito mais amplos. No caso de Belluzzo, como desenvolvimento último e consequente da lógica da acumulação capitalista. No caso de Resende, como inconseqüências devidas à incompreensão de certo esgotamento capitalista, entre outros erros. No livro, Resende comenta artigo do economista Robert J. Gordon que discute uma implicação ora lúgubre da teoria neoclássica do crescimento. No longo prazo, o crescimento depende dos ganhos de produtividade derivados do progresso tecnológico, avanços que nas economias ricas são agora muito menores que os registrados entre os séculos 18 e o final do 20. As economias na fronteira tecnológica tenderiam a crescer agora mais devagar. Abismo Ou seja, além de à beira do precipício ambiental, as economias avançadas talvez apenas possam chegar ao abismo se arrastando, se tanto, ou movidas a bolhas de consumo suicidas. A dificuldade de crescer não decorre pois da circunstância da crise de 2008, que seria mais um efeito das tentativas exageradas de anabolizar, com excesso de consumo e dívidas, economias que deram o que tinham que dar. O crescimento, além de inviável ou esgotado, talvez também não seja mais desejável, quando não sem sentido. Resende aceita, com restrições, conclusões de estudos em voga segundo os quais a satisfação (ou a felicidade) dos indivíduos deixa de aumentar a partir de um certo nível de renda. Por que então crescer mais? Para aumentar a renda per capita: tornar a população na média mais rica (isto é, tornar a economia mais produtiva). “Mas para que serve a riqueza?”, pergunta Resende, secundando Keynes. Para reduzir o tempo dedicado ao trabalho. Nos termos de Belluzzo, formulados com o auxílio do mesmo Keynes (ecoando Marx), a economia industrial suscitou a “esperança do aumento do tempo livre desfrutado de forma enriquecedora por indivíduos autônomos”, utopia negada por sociedades, porém, cada vez mais ricas. Porém “nunca [atualmente] se considerou tão fundamental trabalhar... e nunca se considerou tão ameaçadora a ideia

de que a economia possa não crescer”, comenta Resende.”O mundo contemporâneo” (e não só), no entanto, não tem opinião unívoca sobre o assunto, apesar do que dá a entender, talvez por lapso, o texto do economista. Há conflito social, desculpe-se a obviedade. Os trabalhadores franceses, por exemplo, nos anos 1990 bateram-se pelo direito à semana de 35 horas, motivo de crítica ou desprezo e chacota dos economistas padrão. Os franceses seguem uma tradição moderna, de pelo menos 250 anos, de combate pelo direito ao tempo livre ou mesmo à preguiça; pelo direito de ganhar menos e seguir uma vida mais calma, como os plantadores de batata alemães estudados pela sociologia alemã da virada do século 19 para o 20 , ou como tantos socialistas.

e de realização da vida boa são tratados de modo complexo pelos autores, mas no meio do caminho os dois curiosamente se detêm na mesma pedra cheia de musgo da obra do economista Thorstein Veblen (1857-1929), sua “Teoria das Classes Ociosas” (1899) e seu conceito de “consumo conspícuo”, marginalizados pela teoria econômica tradicional. Os dois tratam das perversões da sociedade consumista, com ênfase mais “psicológica” no caso de Resende e mais “sociológica” no caso de Belluzzo, para recorrer a um resumo adjetivo precário. Como diz Resende, não é a riqueza absoluta, mas a riqueza relativa que nos importa. “Não nos basta ser apenas ricos, mas sim mais ricos que nossos pares”. Ressalte-se que os enfoques são, porém, completamente diferentes. Apesar de se declarar Barbárie ex-economista na introdução de Os motivos da barbárie que seu livro, Resende não lança fora é negar, a bilhões de indivídu- os fundamentos padrão de sua os, condições de subsistência profissão, a qual no entanto tornou-se “um campo menor da matemática aplicada” (fala da teoria macroeconômica). RUMO Na economia de Belluzzo, Além de à beira do trata-se de uma conversa precipício ambiental, metaheterodoxa travada por as economias avanMarx e Keynes, entre outros çadas talvez apenas algo menos cotados; economia possam chegar ao e sociedade são um caldo de abismo se arrascultura que resulta da mesma tando, se tanto, ou moenda do capital, da acumumovidas a bolhas de lação sem sentido, o que não é consumo suicidas um problema, mas fundamento, da economia padrão. “O Capital e suas Metamorfoses” pode ser lido como uma série de razões que desmontam argumentos vulgares sobre as origens e desenvolvimento da crise de 2008: imoralidade dos financistas, mero defeito da regulação da economia, “desvirtuamento” da economia de mercado ou “descolamento” da “valorização fictícia dos estoques de riqueza em relação à geração de

RAFAEL CAMPOS ROCHA/cartum

valor na esfera produtiva”. Nos ensaios, Belluzzo reapresenta a maquinaria conceitual de “O Capital” de Marx, em diálogo com problemas atuais e com autores da tradição “ortodoxa” e “heterodoxa” da economia, em especial com Keynes. Belluzzo procura mostrar congruências entre as ideias do comunista e do “fundador” da macroeconomia (Keynes) a respeito de finanças, crédito e investimento. Por fim, note-se uma última coincidência essencial nos oceanos de diferenças entre Resende e Belluzzo, ou pelo menos um grande farol de suas preocupações: a ruína política no capitalismo plenamente desenvolvido ou esgotado, a depender dos autores. Na visão de Belluzzo, estamos vivendo uma situação histórica em que “a ação do Estado é vista como contraproducente pelos bem-sucedidos e integrados, mas como insuficiente pelos desmobilizados e desprotegidos. Essas duas percepções convergem na direção da ‘deslegitimização’ do poder administrativo e na desvalorização da política”. Resende não é um adepto “sem mais” do capitalismo, que cria desigualdades e exclusão (no entanto mencionadas de passagem) e promove valores (privatização excessiva da vida, consumismo etc) ora incompatíveis com a valorização da vida pública e da política, os meios de dar conta das mazelas da economia de mercado. Mas o que seria essa revalorização da vida pública? O “projeto” é tornar compatível o mundo “globalizado” com a valorização das comunidades locais, aproximar homens públicos de sua comunidades, conter de modo drástico a influência da publicidade e do marketing sobre a vida pública, influência já bastante deletéria na promoção do consumismo.


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Crítica

3 De mal com a natureza A literatura luta com a questão climática RESUMO Após povoar a literatura nos anos 2000, o temor do aquecimento global arrefece, mas não se apaga. Em novos romances, protagonistas se mostram entediados diante da percepção de que a catástrofe não é tão iminente como parecia, e falta reencontrar o fascínio com o mundo natural que vigia nas letras entre séculos 19 e 20.

MARCELO LEITE ILUSTRAÇÃO VERIDIANA SCARPELLI

Com a devastação de vidas e mercados iniciada pela crise financeira de 2008/9, o foco das angústias culturais parece ter abandonado de vez o campo das dúvidas e interrogações sobre a saúde do planeta. Em seus efeitos sobre o imaginário e a arte, essa fonte jorrou com alguma força no período entre 1997 – ano em que o Protocolo de Kyoto enfeixou as ilusões quanto a uma ação concerta-

da para conter a marcha do aquecimento global – e 2012, quando elas se esfacelaram em Copenhague. Nessa época foram concebidas ou lançadas algumas obras de peso sobre mudanças climáticas e questões correlatas, como a novela “A Estrada” (2006), de Cormac McCarthy. O livro ganhou um Pulitzer de ficção e depois serviu de base para o não menos triste e belo filme dirigido por John Hillcoat (2009). No setor dos “blockbusters” cinematográficos, o tema rendeu em 2004 o desastroso “O Dia Depois de Amanhã”, dirigido por Roland Emmerich. Com muita licença científica, a fita conseguiu produzir cenas tocantes, como a de arranha-céus de Manhattan sob a água e a de refugiados americanos cruzando a fronteira do México em busca de abrigo das enchentes e ondas de frio desencadeadas pelo clima ensandecido. “Uma Verdade Inconveniente”, o combinado de documentário e livro distribuído por Al Gore como um sermão planetário, em 2006, provavelmente contribuiu

para tornar o político democrata mais conhecido no mundo do que pelo fato de ter ocupado a vice-presidência do país mais poderoso do planeta (e grande empecilho nas negociações internacionais sobre clima) e de ter perdido a eleição de 2000 para o republicano George W. Bush. Gore iniciou uma nova carreira, a de palestrante internacional, e firmou-se na condição de alvo preferido dos “céticos” (negacionistas) do aquecimento global nos Estados Unidos, entre os quais é chamado de “Homem-Ozônio”. A safra literário-climática, no entanto, parece ter minguado. Escassearam os romances sobre os calafrios da Terra, mas não se extinguiram. Tanto é que, neste ano em que o vilipendiado IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) lança seu quinto relatório com previsões sobre o futuro da atmosfera (o último saiu em 2007), pelo menos duas obras de ficção se dedicam à tentativa de reavivar a chama, com fôlego desigual. “Mister Iceberger”, o apelido do glaciologista Zeno Hinter-

meier, oferece uma boa indicação do deficit de simpatia que define o protagonista do romance “Degelo” [trad. Kristina Michahelles, Companhia das Letras, 160 págs., R$ 37], de Ilija Trojanow. O título do livro já deixa entrever que trata de um tema desagradável do mundo natural – a mudança do clima –, não muito propício a desanuviar a mente de leitores exauridos por meio decênio de crise global. Misantropo, irritável e fracassado, Zeno se encontra no menos adequado dos ofícios para alguém com tal índole: conferencista científico de um cruzeiro de cunho turístico-informativo rumo à Antártida, a bordo do MS Hansen. Seu desprezo pelos passageiros, uma fauna de abonados em busca de imagens e experiências ímpares nos confins austrais da Terra, só é comparável ao que nutre pelos colegas do instituto de pesquisa na Áustria, seu país natal e origem da paixão por glaciares. A única razão pela qual Zeno aceita o serviço embarcado é porque lhe permite falar sobre

geleiras e navegar para o mais longe possível de um casamento em ruínas. Ano após ano retorna para a paisagem enregelada de seu coração. Torna-se amante de Paulina, camareira filipina com quem troca frases banais numa língua estrangeira e o calor declinante do sexo. Até que uma casualidade o põe no cargo de coordenador da expedição, que terminará em desastre. Com tais ingredientes, “Degelo” parece condenado a servir um prato indigesto. Não é o que acontece. Nas poucas páginas, o autor – um búlgaro que escreve em alemão – consegue compor um retrato pungente do cientista atormentado, que vê seu objeto de pesquisa (uma geleira nos Alpes) literalmente derreter diante dos olhos, dos estudantes e dos aparelhos posicionados para registrar sua “saúde.” “Uma geleira que está morrendo tem um som diferente de uma geleira saudável, é uma grande barulheira quando vai explodindo ao longo das fendas e, quando aprumamos os ouvidos, escutamos a água derretida correndo e formando lagos subterrâneos, que erodem mais

rapidamente o corpo enrugado”, anota Zeno, com a objetividade de um exame necrológico. Mas aí acrescenta: “Éramos como um velho casal, um dos dois estava gravemente adoecido e o outro não podia fazer nada. Não há palavras que possam descrever nossa relação. Conceitos como ‘objeto de investigação’, ‘medição de massa’, ‘sequência de números’ não davam a dimensão correta da minha devoção, eram tão inadequados como a ‘contabilidade’ com que, no final do inverno, medíamos a neve velha, como se fosse uma coluna em que se anotam as receitas, e calculávamos o derretimento na coluna das despesas. Essa atividade de somar e subtrair me desesperava.” Circunstância Zeno Hintermeier é o mais novo e desenganado exemplar de uma lista que já se alonga de protagonistas de romances que tomam o aquecimento global por circunstância. Quase todos são homens e se encaixam no figurino do pesquisador, no do militante


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ambiental, ou em ambos. Contra ou a favor, há personagens para todos os gostos – quase sempre caricatos, porém. Michael Crichton (19422008), pioneiro, no libelo negacionista “Estado de Medo” (2004), lança no ridículo militantes que planejam criar um iceberg monstruoso na Antártida a fim de convencer o público da realidade do aquecimento global. O ativista de Jonathan Franzen, em “Liberdade” (2010), quer salvar os pássaros de um lago perdido nos montes Apalaches e se presta ao papel de inocente útil nas mãos de um capitalista ardiloso, enquanto sua família ruma para a extinção. Em “Solar” (2010), de Ian McEwan, um físico oportunista e amoral, apesar de detentor de um Nobel, se mete numa arapuca empresarial para produzir energia limpa com a ideia surrupiada de um estudante que morre na sala de sua casa. O ecologista superdotado de “A Being Darkly Wise” (2012), de John Atcheson, sequestra e abandona nos rincões do Canadá um grupo de mandachuvas de Washington, D.C. na esperança de que a vivência no limiar entre vida ou morte os arranque da catatonia e ponha enfim a lutar pelo clima planetário. O retrato de Zeno está muito aquém, em termos de sátira. Mais trágico e coerente que o resto da brigada, ele tem consciência aguda da impotência dos pesquisadores diante da mudança climática e de seu motor, a indústria humana. Imola-se, para nada, usando por arma o

luxuoso barco que o levara para o amado e frio Sul. Zero de esperança e militância, contra ou a favor do aquecimento global: apenas o piloto automático de uma nave vazia ajustado para dar com a terra em qualquer lugar, numa grande colisão. Frio O autor de “Degelo”, Trojanow, assim como McEwan, de “Solar”, experimentou pessoalmente os rigores do frio polar. No final do romance, agradece pela hospitalidade da companhia norueguesa Hurtigruten, que oferece cruzeiros de dez dias à Antártida. Ian McEwan, um pouco mais aventureiro, aceitou convite do grupo ambientalista Cape Farewell para embrenhar-se por uma semana no Ártico, com duas dúzias de artistas, a bordo da escuna Noorderlicht (outra embarcação turística norueguesa, mas especializada na região ártica do arquipélago Svalbard). Essas breves incursões nos extremos congelados da Terra são o eco distante de uma literatura de aventura produzida por exploradores de verdade. As expedições do norueguês Roald Amundsen e dos britânicos Robert Scott e Ernest Shackleton consumiram anos e várias vidas humanas para alcançar, ou não, o polo Sul. Seus relatos contêm as páginas derradeiras de uma tradição romântica que buscava nos confins mal mapeados do planeta a experiência engrandecedora do contato direto com a natureza,

não raro trágico. Ainda hoje tocam os corações de turistas árticos e antárticos aquecidos sob camadas de tecidos térmicos high-tech. No século 19, não foram poucos os jovens escritores que buscaram no oceano ou no gelo uma fonte de peripécias e temas. Em 1837, Edgar Allan Poe dedicou aos mares do Sul a fantástica narrativa de “Arthur Gordon Pym”, seu único romance. Da mesma Nantucket, a ilha de Pym, parte Ismael, no insuperável “Moby Dick” (1851), de Herman Melville. O escritor Nathaniel Hawthorne tentou, mas não obteve o posto de historiador oficial da grande expedição americana de 1838-1842, sob o comando de Charles Wilkes, que estabeleceu ser a Antártida um continente. Bem mais tarde, em 1898, Joseph Conrad publica “Youth” (juventude), novela curta sobre a malfadada viagem do Judea para o Oriente. Arthur Conan Doyle, leitor de Poe, também seguiu o chamado do mar e do gelo. Aos 20 anos, ainda estudante de medicina, embarcou em 1880 no baleeiro Hope para uma viagem de seis meses para caçar baleias e focas no Ártico. Conan Doyle não produziu ficção sobre a experiência nas águas frias do Norte, em que quase morreu, após escorregar e cair de uma banquisa. Mas escreveu um curioso diário, em que não deixa dúvidas sobre o caráter transformador da expedição. “Um estranho e fascinante capítulo de minha vida”, pode-se ler em sua caligrafia metódica na edição fac-similada do diário, desenhos incluídos, publicada em 2012 pela University of Chicago Press: “Dangerous Work “’ Diary of an Arctic Adventure” (trabalho perigoso - diário de uma aventura ártica). Que o Marlow de Conrad veja a viagem dos sonhos juvenis abortada num navio em chamas e que Conan Doyle termine por consagrar-se com um personagem aventureiro, sim, mas com os pés fincados no terreno sólido

da ciência e da lógica – com seu Sherlock Holmes – podem ser bem os sintomas de um esgotamento do romance da literatura com o mar misterioso e com as provações do frio. Na passagem do século 19 para o 20, extinguem-se os recantos não mapeados do grande oceano. Em 1911, Amundsen conquista o polo Sul, e a mística da Antártida se desfaz com uma sucessão de expedições semimilitares. A ciência e a logística tomam o lugar da imaginação na tarefa de escrutar os últimos mistérios do mundo, e o pesquisador – já não o escritor – é o seu profeta. Inquietude Décadas depois dessa passagem, o planeta volta a ser o emblema de uma inquietude profunda – não mais como protótipo do desconhecido ameaçador, mas como ameaça conhecida, medida e tabulada. Antártida e Ártico reconquistam o interesse perdido, em particular no caso do segundo, pois dele predizem os modelos do aquecimento global que terá a transformação mais rápida. Existe hoje o risco real de que as águas sobre o polo Norte fiquem desprovidas de sua calota de gelo nalgum verão dos próximos anos – algo que provavelmente jamais ocorreu nos 100 mil ou 200 mil anos de presença da espécie humana sobre a Terra. A crônica de tais fenômenos portentosos, agora a cargo de cientistas, tem muito de aborrecida. Não há hecatombes à vista. O fato de a temperatura média da atmosfera já se ter aquecido 0,6’C e poder galgar mais de 2’C até o ano 2100 não parece incomodar ninguém. O nível do mar vai subir, mas no ritmo modorrento de dezenas de centímetros – por século. Não espanta que Trojanow e McEwan viajem para os polos e, na volta, componham

personas de cientistas cínicos ou irascíveis. É o preço que paga a literatura quando tábuas e gráficos substituem os frutos da imaginação – “uma faculdade quase divina que percebe tudo com antecedência, à parte dos métodos filosóficos, as relações íntimas e secretas das coisas, as correspondências e analogias”, como celebrou Charles Baudelaire em seu tributo a Edgar Allan Poe. Não há lugar para relações secretas e analogias na ciência, assim como o século 21 não parece capaz de produzir um Poe, um Melville, um Conrad – mas fabrica legiões de imitadores de Conan Doyle. Nem tudo está condenado, todavia. Ainda há espaço para inventar uma literatura do aquecimento global, não heroica, nem agastada, mas que devolva o mal-estar do mundo vivo – da natureza– à escala das pessoas comuns. Novos passos na direção já tomada por McCarthy com seu perturbador “A Estrada”, embora aquela jornada do pai e do menino numa paisagem de cinzas e canibais não esteja direta e didaticamente relacionada com a mudança climática em curso. Mais luminoso, mas ainda melancólico, é o romance lançado por Barbara Kingsolver no ano passado, “Flight Behavior” [Harper Collins, 436 págs., R$ 60,90] – o título significa algo como “comportamento de fuga”. Longe dos polos, é sobre os Apalaches – reduto americano da pobreza e do atraso rurais, já frequentado por Franzen em “Liberdade” – que o aquecimento global abre suas asas. Milhões e milhões de asas: ao tomar uma estrada de lenhador para a cabana em que concretizaria sua primeira aventura extraconjugal (nunca consumada), Dellarobia Turnbow depara com hectares e mais hectares

de árvores cobertas por uma pátina cor de fogo, composta por borboletas monarcas. Os insetos deveriam seguir para o México, destino final de sua migração anual de 3.500 km desde o Canadá para terras mais quentes. Por razões desconhecidas, aterrissam na vizinhança da fazenda em que Dellarobia cria ovelhas com a família do marido e a deslumbram com uma visão que de início toma por manifestação divina. O templo que a moça frequenta segue na mesma linha, e é para conservar esse milagre que a congregação força os sogros dela a sustar o arrendamento da área a madeireiros. Cedo se desfaz o encantamento. O fenômeno atrai uma horda de curiosos, fanáticos, jornalistas, até pesquisadores. Entre eles, Ovid Byron (que nome), especialista em borboletas que dedicou sua carreira às monarcas e se instala no celeiro da fazenda, onde monta um laboratório. Contrata Dellarobia como auxiliar e tem início uma amizade improvável, da qual ambos sairão modificados. Ela, a simplória intuitiva, se converte para a explicação mais provável do comportamento anômalo (aquecimento global). Ele, o racionalista metódico, aos poucos revela uma alma apaixonada, sobretudo pela mulher cujo lugar Dellarobia gostaria de tomar. Não há final feliz. Ovid desmonta o laboratório e parte, as monarcas deixam o lugar, tão misteriosamente quanto chegaram, Dellarobia se separa do marido. Fim. Sobra uma história eficiente, não tanto para convencer ninguém da importância ou da realidade do aquecimento global, mas o bastante, talvez, para reanimar em alguns leitores a suspeita, se não o desejo, de que ciência e homem.


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MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Diário do Cairo O MAPA DA CULTURA

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A santa, o zoo e o anjo mau O som dos tiros dá aos bichos ideias suicidas

DIOGO BERCITO

Rabia al-Adawiya tornouse, de repente, conhecida por todo o Cairo. Não por suas prerrogativas de santa do sufismo, corrente mística islâmica, mas por dar nome à mesquita em que islamitas se aquartelaram nas semanas seguintes ao golpe militar de 3 de julho. Morreram ali dentro, em 14 de agosto, centenas de pessoas, quando as Forças Armadas decidiram dispersar as manifestações. Adawiya, nascida no século 8º, no Iraque, é agora homenageada em protestos islamitas, quando manifestantes erguem quatro dos dedos das mãos. “Rabia”, em árabe, significa “quarta” – número que designa sua ordem na família, nascida após três irmãs. Quando a reportagem esteve no Cairo, em julho, a mesquita de Rabia al-Adawiya era um centro pulsante. Islamitas se reuniam ao redor da construção e, aos poucos, montavam mercados e organizavam uma vida paralela à do resto da cidade.

Hoje, é um templo queimado, desfigurado e vazio. Dois soldados se sentam em sua porta, entediados. É o fim da resistência. Toque de recolher O Cairo morre, à noite. Com o toque de recolher a partir das 19h, apesar dos rumores de tolerância até as 21h, ninguém sai às ruas. Nem mesmo os jornalistas, que por costume se arriscam mais. Da janela do hotel Kempinski, o calçadão que acompanha o Nilo parece uma cena distópica, saída de um filme apocalíptico. As sombras das árvores e dos prédios se tornaram, na imaginação, o endereço do sequestro e do estupro. Dias após os embates mais sérios da semana passada, a situação ainda é tensa. Mas ao menos o conflito se afastou – não se ouvem mais os tiros de metralhadora. No fim da tarde, o clima parece adequado para uma caminhada ao longo do rio. Mas os moradores que se aproximam dos estrangeiros, com saudações de “marhaban” (bem-vindo), são de repente assustado-

res. Crianças atiram pedras, numa brincadeira inexplicavelmente agressiva. A dois minutos dali, a praça Tahrir – símbolo da insurgência contra o ex-ditador Hosni Mubarak, em 2011– está vazia. Um colega jornalista comenta que nunca vira o local sem manifestações. Em um muro, se lê, no vermelho da revolução: “Feliz mi amor”. A felicidade, porém, não visita o zoológico da cidade. O jornal egípcio “Al-Masry al-Youm” relatou, durante a semana passada, que os sons de disparos e de manifestações têm levado girafas, rinocerontes e elefantes a pensar no suicídio, tamanha a angústia cairota. Com a audição aguçada que lhes é característica, eles estariam se chocando contra os muros, a fim de se machucarem. Barba e cabelo A barba cheia e escura, motivo de orgulho entre alguns muçulmanos, tornouse símbolo de uma perigosa ligação no Cairo. Diante do preconceito em relação aos islamitas, seguidores do presidente depos-

to Mohammed Mursi, jovens seculares não querem ser tomados por religiosos. Pode ser perigoso, dizem alguns. Um deles raspou a barba, transformando-a num cavanhaque. Com isso, suas feições agora se aproximam mais das de um latino-americano. Na periferia, um grupo de homens para de conversar quando vê passar três muçulmanos de longas barbas. O silêncio é acompanhado, em seguida, do comentário que todos suprimiram. “São da Irmandade Muçulmana”, um diz. “Vão voltar para nos pegar”. O receio é, de certa maneira, desvinculado da realidade. Islamitas foram massacrados, nas últimas semanas, desde o golpe de Estado. No dia 14, ao menos 638 morreram quando o Exército reprimiu as manifestações na mesquita de Rabia al-Adawiya. Agora, se escondem. Anjo Prognata, de óculos escuros Armani e calça puída de cintura alta, o motorista Malak, 58, rasga as ruas da

cidade com seu táxi como um “bad boy” cairota. Cristão, seu nome significa “anjo”, em árabe – como se tivesse sido nomeado de acordo com o oposto de sua personalidade. A buzina é familiar da palma de sua mão direita, com a qual ele a cumprimenta insistentemente e, por vezes, sem razão aparente. Basta que alguém nas ruas lhe lance um olhar atravessado, e lá está Malak do lado de fora, discutindo em seu sotaque incompreensível. Por vezes, parece que é surdo. Ele não entende o que lhe falam nem mesmo ao pé do ouvido. A um estrangeiro que tenta conversar em árabe com ele, responde que “no English, no English!”. Sem inglês. Está sempre bravo. As consoantes não lhe saem, quando fala, como se conhecesse uma língua particular montada a partir de vogais. Malak tem um filho e uma filha. Entre tantas reclamações que desfia, há uma que diz respeito ao futuro da prole. “Aqui há muita vingança”, afirma, sobre os ataques a cristãos no Egito.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIA

A capelinha de 5

Manuelzão Andrequicé, 1995

WALTER FIRMO/ DIVULGAÇÃO

FERNANDO GRANATO

A estrada era esburacada. O ar seco, típico do sertão, provocava grande poeira. Estávamos eu e o fotógrafo Walter Firmo num carro alugado, rumo às ruínas de uma antiga capelinha, erguida na fazenda chamada Baixio da Sirga (interior de Minas) a pelo guia que nos acompanhava: Manuel Nardi, o Manuelzão, imortalizado na obra de João Guimarães Rosa. No conto “Uma Estória de Amor”, depois publicado no volume “Manuelzão e Miguilim” (1964), Rosa descreve a saga da construção dessa igrejinha que procurávamos naquele junho de 1995. Trabalhando como um repórter, o escritor mineiro, já projetado pelo sucesso de seu primeiro livro, “Sagarana” (1946), resolveu seguir uma boiada em maio de 1952. E o fez nas imediações de sua cidade natal, Cordisburgo, para depois escrever com mais propriedade seu “Grande Sertão: Veredas” (1956). Nos dias que passou na companhia dos boiadeiros, entre eles Manuelzão, o escritor ainda coletou material para outros textos. “O João Rosa perguntava de tudo”, relatou Manuelzão. “E ficou impressionado quando eu contei que tinha construído a capelinha para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a pedido de minha mãe. Sempre tive preguiça de padre, mas pedido de mãe a gente atende”. O velho lembrou ainda que Rosa carregava uma caderneta pendurada no pescoço por uma cordinha, para manter as duas mãos firmes nas rédeas. “Nela, tudo ele escrevia”, contou. “O nome das plantas, como era o canto dum passarinho, as conversas da gente”. Conforme o carro avançava em meio à vasta plantação de eucaliptos que havia tomado conta do sertão, Manuelzão, sentado na frente, ia narrando com sua voz rouca peculiaridades daquele maio de 1952: “O João Rosa inventou alguma coisa. Mas manteve o principal do que viu e da história que contei para ele. Só trocou alguns nomes”. Firmo e eu buscávamos detalhes

da aventura que Guimarães Rosa havia vivido entre os boiadeiros, alimento para a sua obra maior. Com a cópia das cadernetas do escritor nas mãos, o objetivo era seguir as mesmas trilhas que ele tinha percorrido 43 anos antes. O sertão não era mais o mesmo. “Acabou tudo que é vivente”, comentou Manuelzão. “Onde tem eucalipto não fica nem urubu”. Além do eucalipto, carvoarias se espalhavam pela região, no centro de Minas Gerais, para abastecer as siderúrgicas produtoras de ferro-gusa. E os vaqueiros, que antes percorriam aquelas empoeiradas estradas com seus melancólicos aboios, viraram carvoeiros. “Agora boi só viaja de caminhão por essas paragens”, explicou. Chegamos ao local da antiga capelinha. O mato subia alto. Sobraram apenas as madeiras da estrutura externa, já apodrecidas pelo tempo. Ao lado, quatro túmulos de um pequeno cemitério sertanejo, entre eles o da mãe de Manuelzão. Como disse o escritor, “um cemiteriozinho, razoável, cercado de aroeiras, moirões que podiam durar sem acaba, e coberto pelo capim duro do cerrado, no qual, no raiar das madrugadas, o orvalho é azul e mata a sede”. Enquanto caminhávamos pelo que sobrou, avistando ao longe o São Francisco, com suas águas turvas, Manuelzão resmungou baixinho, curvado sobre o túmulo da mãe: “A gente tá na vida emprestado. Deus chama quando ele quer”. Manuelzão morreu dois anos depois desse nosso encontro, aos 92 anos. Na casinha em que viveu em Andrequicé, pequeno vilarejo próximo à Sirga, foi erguido um memorial em sua homenagem. Nele há fotos, utensílios, coleção de canivetes, sela e a enorme capa de boiadeiro – a fiel e inseparável companheira. Tudo reunido pela mulher dele, dona Didi, já que o personagem de Guimarães Rosa não guardava nada. “Por mim punha fogo em tudo isso”, disfarçou ele, na época da nossa conversa. Que nada – Manuelzão bem que gostava da fama conquistada na literatura.

O boiadeiro Manuelzão na fazenda Baixio da Sirga, em 1995


G8

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MANAUS, DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Entrevista

Por uma vida menos ordinária O filósofo australiano nos recorda de que a ética é coisa do dia a dia

RESUMO Peter Singer, professor da Universidade de Princeton (EUA), vem ao Brasil para duas palestras no ciclo Fronteiras do Pensamento. Ele argumenta que a pobreza e a mudança do clima são os maiores problemas do mundo e, como solução, defende que as pessoas reduzam consumo de carne e doem parte de sua renda.

MARCELO LEITE

O filósofo australiano Peter Singer, da Universidade de Princeton (EUA), é o conferencista de amanhã, em Porto Alegre, do ciclo Fronteiras do Pensamento. Na quarta-feira ele estará em São Paulo para palestra no Teatro Geo, onde deve abordar temas de ética prática como a pobreza no mundo, escolhas

alimentares, bem-estar animal e mudança climática. Para o controverso autor do clássico “Libertação Animal” [trad. Marly Winckler e Marcelo Brandão Cipolla, WMF Martins Fontes, 496 págs., R$ 79,90], cada pessoa deveria doar uma parte de sua renda para ajudar a diminuir a desgraça de 1 bilhão de pobres que vivem com menos de um dólar por dia. Esse é o tema do livro “The Life You Can Save”, de 2009 (lançado em Portugal com o título “A Vida que Podemos Salvar”, Gradiva, 252 págs., R$ 69,10, sob encomenda), mas um de seus primeiros artigos, de 1972, já tratava dele – e foi citado por 1.259 outros autores desde então. Singer está insatisfeito com o efeito do livro, que calcula ter vendido 60 mil cópias no mundo inteiro. Mais ainda com o baixo número de “compromissos” (pledges) da página de internet equivalente, em que pessoas comuns podem jurar em público que vão passar a doar determinado percentual de sua renda para organizações de caridade: 16.394. Ele doa um terço de sua renda, mas prefere não equiparar a “cegueira moral” dos outros ao Holocausto, e diz que é o maior problema do presente é a pobreza, ao lado da mudança do clima, no futuro.

Folha - O tema da mudança climática já apareceu também no seu radar ético? Ela tem o potencial de tornar a vida pior para um bocado de gente pobre, no futuro. Devemos nos importar menos com as vidas futuras do que com as do presente? Peter Singer “’ Esses dois assuntos estão intimamente conectados. A resposta curta para a pergunta é “não”. Devemos nos importar o mesmo tanto com as pessoas, não importa a época em que vivam. Claro que há questões sobre a incerteza, quando falamos do futuro. Nós podemos saber muito mais sobre as pessoas que vivem agora, de modo a ajudá-las, do que podemos saber sobre pessoas que viverão daqui a cem anos. Isso é relevante, e podemos aplicar um desconto sobre o futuro, mas num grau bem pequeno. Não é demais pedir a alguém que se torne vegetariano e ainda por cima doe uma porção significativa de sua renda para combater a pobreza? Reconheço que só algumas pessoas vão de fato agir nesse sentido. Mas acho que todo mundo poderia considerar uma mudança nas suas escolhas alimentares e, se tiverem alguma

sobra de dinheiro, considerar sua responsabilidade perante os pobres do globo. Não é uma questão de tudo ou nada, ou você se torna um vegetariano ou não faz nada. Várias pessoas nos Estados Unidos, por exemplo, estão dizendo: “Bem, eu como carne todos os dias...”. Existe uma prática chamada Segunda-Feira Sem Carne. Outros escolhem dois ou três dias por semana em que não comem carne. Penso que seja algo fácil de fazer, uma coisa saudável, e obviamente faz diferença, pelo menos do ponto de vista de reduzir a pecuária industrial e a emissão de gases do efeito estufa. Se o sr. tivesse de dar um conselho a um adolescente sobre como agir, diria que ele ou ela devem se juntar a uma organização de caridade, a um partido político ou a uma ONG militante? O que seria mais eficaz para salvar vidas agora e no futuro? Bem, não há razão para não fazer as três coisas. Não precisa ser uma escolha do tipo “ou isso ou aquilo”. O valor de se envolver com um partido político vai depender de onde, no mundo, a pessoa vive e de quão abertos são os partidos políticos, da possibilidade de fazer alguma diferença nesses partidos.

Minha resposta, realmente, é: quanto mais, melhor. Há um problema com a ideia de ação individual. Um exemplo: no livro “Uma Verdade Inconveniente”, Al Gore dá uma série de ideias sobre o que as pessoas podem fazer para combater o aquecimento global, como trocar as lâmpadas de casa. Mas, desde 2006, as coisas só pioraram nesse campo. O sr. acha que pedir às pessoas que doem parte de sua renda resolve algo? Acho que não é igual ao caso da mudança climática. Se eu doo para a Oxfam ou outra organização eficiente, isso faz uma diferença específica. Claro que não se trata de resolver a questão da pobreza global; obviamente eles não podem fazer isso. Mas quer dizer que algumas famílias vão receber telas contra mosquitos para as camas e que suas crianças não vão morrer de malária, ou que as crianças vão receber vermífugos e, sem parasitas, serão mais saudáveis, terão mais energia e irão melhor na escola. Ou uma aldeia consegue abrir um poço, e as pessoas não terão mais de caminhar três horas por dia para conseguir água. A razão para não ser assim com a mudança do clima é que,

neste caso, de fato é necessário que governos se unam e estabeleçam limites de emissões de gases do efeito estufa. Não há como reunir um grupo de pessoas que possa fazer algo de significativo para de fato reduzir o aumento dos gases de efeito estufa e o aumento de temperatura resultante. São decisões mais amplas, como livrar-se de usinas elétricas movidas a carvão, criar um imposto sobre o carbono ou um mercado para créditos de carbono. É uma situação diferente da pobreza global, para a qual penso que indivíduos podem fazer uma grande diferença. E quanto à oposição de valores entre existências humanas e animais? Devemos ter uma preferência? É razoável dizer que, se se trata do valor de uma vida, do ato de matar em si, o ser cuja vida contenha mais capacidades sofre uma perda maior. Se for para comparar a morte de uma pessoa com a de uma vaca, é razoável dizer que a morte de um ser humano é a tragédia maior. Mas há muito mais que o ato de matar na criação industrial de animais, que vivem vidas horríveis. Precisamos perguntar: por que fazemos isso, qual a necessidade de fazer assim?


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EM TEMPO - 25 de agosto de 2013 by Amazonas Em Tempo - Issuu