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EM TEMPO - 25 de janeiro de 2015

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TURISTA BRITÂNICO É ACHADO MORTO EM NAVIO

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

RICARDO OLIVEIRA

ANO XXVII – N.º 8.607 – DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

A CADEIA

OU A MORTE O TORTUOSO CAMINHO DAS DROGAS Rafael Pereira dos Santos, 34, há 13 anos deixou o vício das drogas após passar por um tratamento na Fazenda da Esperança

1 DROGAS

VOLTA CAMINHO SEM

A EXECUÇÃO DO BRASILEIRO MARCO ARCHER NA SEMANA PASSADA, NA INDONÉSIA, TROUXE À TONA A DISCUSSÃO EM TORNO DA LEGISLAÇÃO DO TRÁFICO DE DROGAS NO BRASIL. O PROBLEMA ESTÁ NO FATO DE QUE A LEI CONSIDERA TODOS OS USUÁRIOS APENAS DEPENDENTES E NÃO OBSERVA QUE MUITOS DELES PASSAM A TRAFICAR PARA SUSTENTAR O VÍCIO.

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NO ENTANTO, A AUSÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS CONSISTENTES TAMBÉM DIFICULTA O COMBATE AO TRÁFICO DE DROGAS NO BRASIL. QUANTO AOS USUÁRIOS, HÁ AQUELES QUE CONSEGUEM SE MANTER NO MERCADO DE TRABALHO, ENQUANTO OUTROS ACABAM POR EXTORQUIR A PRÓPRIA FAMÍLIA E PARTEM PARA O CRIME OU PARA A PROSTITUIÇÃO.

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Plateia

No Dia Nacional da Bossa Nova, o PLATEIA relembra o pontapé inicial do movimento com “Chega de Saudade”, do cantor e compositor João Gilberto.

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NOS CENTROS DE REABILITAÇÃO DO AMAZONAS SÃO MUITAS AS HISTÓRIAS DE JOVENS E ADULTOS, DEPENDENTES E EXUSUÁRIOS, QUE LUTAM A CADA DIA PARA SE VER LIVRE DO VÍCIO E INICIAR UMA NOVA VIDA. O EM TEMPO OUVIU DEPOIMENTOS DESSAS PESSOAS, QUE CONTAM A SUA LUTA PARA SAIR DO PESADELO DAS DROGAS. DIA A DIA C1 A C5

SEM TRÉGUA BANDA LARGA PARA O CRIME PRÉ-HISTÓRICA Recém-empossado secretário de Segurança Com a iminência da banda larga 5G, prevista

Pública, Sérgio Fontes afirma que não vai dar trégua para o tráfico de drogas e para as organizações criminosas. Com a palavra A5

para chegar ao país dentro de 5 anos, o Amazonas ainda vive na “idade da pedra” quando o assunto é internet. Economia B4 e B5

Jogo Fifa 14 foi o mais vendido no Brasil, no ano passado. Reforçando a vocação de país do futebol, aparecem na sequência Fifa 15 e Pro Evolution Soccer 2014.

Uso compulsivo de ferramentas tecnológicas, como smartphones, tablets e videogames, pode causar artrite crônica e lesões na região cérvico-escapular.

Winston Churchill tornou-se conhecido não só pelos feitos como ministro e premiê da Inglaterra, mas também por sua verve e oratória.

DECISÃO A batida de João Gilberto foi o primeiro passo da Bossa Nova

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICAS, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

Flamengo ou São Paulo? Um dos dois gigantes do futebol brasileiro será o campeão do torneio “Super Series”, que vai ser decidido neste domingo, às 15h, na Arena da Amazônia. Pódio E8

CURUMIM Curumim deixa um pouco a floresta e envereda pela “selva” do cinema para contar a história de Mary Poppins, um dos grandes clássicos dos estúdios Disney, que ocupa a lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos. TEMPO EM MANAUS

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MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Justiça nega prisão para envolvidos em vandalismo MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

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Justiça do Amazonas negou o pedido de prisão preventiva solicitada pelo delegado Luiz Rocha, que identificou 25 pessoas envolvidas no “quebra-quebra”, ocorrido no dia 14 deste mês em Coari. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), também foi favorável às prisões. De acordo com o procurador de Justiça, Públio Caio Bessa, a situação ainda é preocupante na cidade e corre risco de uma nova manifestação, devido as diversas irregularidades. Ele informou ainda que o juiz da Comarca de Coari, Felipe Fish, que auxiliou a comissão nas investigações e que deu parecer favorável às prisões das 25 pessoas, está recorrendo da decisão da Justiça. O recurso será julgado por uma das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). “Pode ocorrer sim uma nova desordem. O Ministério Público foi favorável às prisões, mas a Justiça negou. Isso estimula a desordem”, disse o procurador. Em relação aos 25 manifestantes, Públio Caio, disse

que a Justiça concedeu apenas medidas cautelares. “Foram medidas como: determinar que as pessoas mantenham certa distância física dos locais onde houve destruição ou ainda as proibindo de deixar a cidade. Mas, na visão do Ministério Público, estas não são as medidas adequadas nem suficientes para garantir a instrução do Inquérito Policial. “Esse pessoal, em liberdade, continuará exercendo medo na população”, declarou o procurador. Na oitiva dos populares e servidores da Prefeitura de Coari, o procurador disse que ele e toda a equipe da comissão perceberam que existe, na cidade, uma espécie de lei do silêncio. “Durante as oitivas que fizemos, as pessoas não queriam falar certas coisas, por medo. Quem nos fez alguma denúncia, pediu para que não fosse consignada a informação, ao depoimento que foi dado”, revelou o procurador. Um das medidas que a comissão vai sugerir ao Procuradorgeral de Justiça (PGJ), Fábio Monteiro, e que se crie outra comissão para dar suporte ao promotor de Justiça Felipe Fish, uma vez que sozinho ele não consiga implementar as medidas que a comissão indicar.

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Os 25 acusados de terem participado de quebra-quebra em Coari tiveram pedido de prisão negado ontem pela Justiça

No último dia 14, populares realizaram atos de vandalismo em Coari e destruíram várias casas de políticos e a sede da Câmara

PORTO DE MANAUS

RIO PRETO DA EVA

Turista britânico encontrado morto dentro de navio

Um incêndio na noite dessa sexta-feira (23) atingiu a escola municipal Gilberto Mestrinho, no município de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros de Manaus). Segundo o gestor da escola, professor Israel Pereira Rodrigues, parte da biblioteca foi destruída e o forro do banheiro masculino também foi atingido, no entanto, ninguém ficou ferido. Rodrigues disse que os prejuízos ainda não foram contabilizados, mas livros e material de fanfarra foram destruídos. “Ainda estamos fazendo o levantamento do prejuízo, mas podemos adiantar que perdemos bastantes livros”, pontuou, acrescentando que a prefeitura do município já está providenciando tudo para que as aulas comecem normalmente em março na escola que atende alunos do 1º

ao 9º ano. O pelotão do Corpo de Bombeiros do município foi acionado. De acordo com o tenente Janderson Lopes, do Corpo de Bombeiros, após a chegada do pelotão, o chefe da guarnição, sargento Ednilson, montou uma linha direta com 5 mangueiras de 1,5 centímetro. A equipe solicitou que fosse desligada a energia elétrica do prédio para ocorrer o resfriamento e assim fosse possível controlar as chamas. Na manhã do sábado (24), segundo o gestor, foi registrado boletim de ocorrência na delegacia da cidade. Ele informou ainda que solicitou da polícia uma visita para tentar identificar as causas do incêndio, assim como iria acionar a Defesa Civil do município para verificar se outras áreas da escola ficaram comprometidas.

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Incêndio destrói escola municipal

Fogo atingiu a biblioteca e o banheiro masculino da escola

Um turista britânico identificado como Arthur John Price, de 81 anos, foi encontrado morto por volta das 14h20 de ontem (23) no navio Marco Polo, que tinha acabado de atracar no porto de Manaus. A ocorrência foi atendida pela equipe de investigação do 1° Distrito Integrado de Polícia (DIP), que ao chegar ao local foi informada pela gerência do cruzeiro que as providências para a remoção do corpo já tinham sido tomadas, pois havia dois dias que o turista estava morto dentro da embarcação. A gerência de embarcação informou ainda que o corpo estava em processo de transferência para o país de origem, porém o carro da funerária já estava no porto, sendo dispensados os serviços do Instituto Médico Legal (IML) local. De acordo com o atestado de óbito cedido a um investigador da unidade policial,

o homem sofreu um ataque cardíaco no dia 21, enquanto o navio ainda estava em alto mar. O atestado de óbito do turista foi assinado pelo médico da tripulação, doutor Teru Roberto. Segundo informações da Polícia Civil do Amazonas (PCAM), a gerência do cruzeiro informou que os procedimentos para o translado do cadáver já estão sendo realizados pela empresa de navegação e a PC não está envolvida no caso. A embaixada britânica informou que vai apurar o caso com rigor. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), após a confirmação da morte do passageiro, equipes da Vigilância Sanitária estiveram no navio realizando inspeção, porém, o órgão descartou a possibilidade da existência de qualquer doença transmissível, bem como más condições sanitárias.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

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Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

O vexame do templo de Edir Aquele edifício extravagante que a Igreja Universal do Reino de Deus construiu na região do Brás, batizado com águas poluídas do Tietê como “Templo de Salomão”, ainda vai fazer muita gente prestar contas no Juízo Final, se a conjuntura política nacional assim o permitir. Porque não sabe exatamente o que diz, quem separa religião de política. O Templo de Salomão, segundo anunciou a igreja de Edir Macedo, custou aos seus contribuintes R$ 680 milhões. Sua inauguração, em julho do ano passado foi amparada em um alvará emitido pela gestão do petista Fernando Haddad e foi prestigiada pela presidente Dilma Rousseff (PT) e seu vice Michel Temer (PMDB) e milhares de extras. O alvará de Haddad funcionou como uma espécie de liminar da prefeitura paulistana, porque até hoje seu projeto não foi aprovado. Neste fim de semana, o Ministério Público de São Paulo remexeu no que não estava suficientemente esclarecido na apoteótica inauguração. O MP quer que a Universal pague R$ 96 milhões ao município de São Paulo, “como contrapartida pela construção irregular de seu templo”, resultado de uma eventual assinatura de um Pacto de Ajustamento de Conduta. Com isso, a igreja evitaria a demolição do templo, que foi levantado a partir de um pedido de reforma, com informações falsas, em 2006, de prédio que havia sido demolido ao menos dois anos antes. A aprovação, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo” à época, teve a participação de Hussain Aref Saab, suspeito de comandar esquema de corrupção na aprovação de obras na gestão Gilberto Kassab (PSD). O Ministério Público oferece outras opções para não ordenar a derrubada do templo, que continua funcionando com alvará provisório revogado também por Fernando Haddad. Não sabe exatamente o que diz quem separa política de religião.

A dança dos novos caciques A Coluna Esplanada, assinada por Leandro Mazzini, faz uma análise interessante sobre o atual cenário político do Amazonas. Lembra que Lula, no “auge de sua glória política”, tinha por objetivo enterrar a carreira de caciques da oposição. — De certa forma quase consegue. Fênix Opositor mais ferrenho de Lula e do PT, Arthur Virgílio (PSDB) foi derrotado por Vanessa Grazziotin (PCdoB). Virgílio foi para Portugal e muitos deram sua vida pública como encerrada. — Seu retorno em 2012 e a eleição para a prefeitura de Manaus – com vitória sobre Grazziotin, num tira-teima de 2010 – mostraram que o tucano tornou-se uma fênix da política nacional – analisa Mazinni. Morubixaba No artigo, a coluna Esplanada diz que ao ressurgir forte na capital, embora longe do cenário nacional, “o prefeito Arthur Virgílio Neto tornou-se um dos novos caciques da política local, ou o morubixaba escolhido pelos manauaras. Morubixaba é o manda-chuva, chefe temporal, conta o dicionário”. Manda chuva Diz também que já foram morubixabas recentes Amazonino Mendes (PTB) e Eduardo Braga (PMDB), que perdeu a eleição para o governo do Amazonas. Empurrou para Deus Ao analisar a situação atual de Eduardo Braga, o colunista diz que ele “caiu para cima” e foi nomeado ministro de Minas e Energia. — No cargo, empurrou para Deus a responsabilidade do setor elétrico e de literalmente mandar chuva para que se evite um apagão. Dobradinha O colunista chama a atenção para o fato de Arthur ter apoiado

e ajudado a reeleger o governador José Melo (Pros), que também ressurge como um novo cacique na política amazonense. “Atentem para Omar” O colunista Leandro Mazzini destaca, também, a trajetória de Omar Aziz (PSD). Vice discreto de Eduardo Braga no governo, Omar assumiu a vaga, foi reeleito em primeiro turno, fez o sucessor em 2014, elegeu-se senador e ainda enterrou a pretensão do ex-aliado de voltar ao governo. Caiu nas graças Mazzini diz que Omar Aziz caiu nas graças do presidente do PSD, Gilberto Kassab. — Ele pode surpreender muitos colegas no Senado que se acham professores de estratégia. Aviso aos foliões A sexta-feira13 sempre carregou uma carga negativa. Para os supersticiosos, é dia de ficar em casa e não fazer nada muito arriscado, de preferência com algum amuleto que quebre qualquer tipo de má sorte que a data carrega.

☐ Então, para os supersticiosos não custa nada lembrar. O Carnaval este ano começa numa sexta-feira 13. Para onde vou? Sem mandato em 2015, o deputado Marcelo Ramos vai entrar de férias. Só na volta vai definir o projeto político para 2015. De cara, avisa que disputará as eleições municipais. Ou como

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

candidato ao cargo de prefeito ou como vice de Arthur Virgílio (PSDB), virtual candidato à reeleição. — Mas, para isso, ele (Arthur) tem que querer! – comenta. Certeza e incerteza É quase certo que Virgílio é candidato à reeleição. Essa é a maior certeza do projeto do prefeito. A incerteza é de quem será a vaga do vice na chapa. De acordo com alguns observadores, estão de olho na vaga o próprio Marcelo Ramos (PSB) e o atual presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto (PSD).

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Sentir na pele A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) vai sentir na própria pele. Acaba de apresentar Proposta de Emenda à Constituição que restringe a eleição de parlamentares. Segundo a proposta, senadores poderiam se reeleger uma vez e deputados estaduais e federais, duas vezes. Duas está bom A proposta de Vanessa não se restringe ao Senado. Para os deputados federais, deputados estaduais e vereadores, o texto prevê o máximo de duas reeleições. O objetivo, segundo a senadora, é evitar a profissionalização da política. Carreira A senadora comunista argumenta que a atividade política se tornou uma carreira, em que muitos dos que nela ingressam “não mais retornam para as suas atividades profissionais de origem”.

VAIAS

Marcelo Ramos

Elvis

Assaltos no estacionamento DIVULGAÇÃO

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Para o deputado Marcelo Ramos (PSB), que mesmo sem mandato manteve a escrita de publicar um relatório, com o balanço de seus quatro anos na Assembleia Legislativa. O nome disso é respeito ao eleitor.

Para supermercados que não estão preocupados com a segurança de seus clientes e permite que eles sejam assaltados em pleno estacionamento, após as compras. Essa cena de violência tem se repetido nos estacionamentos de alguns dos mais famosos supermercados de Manaus.

Fluir ou parar Quando prefeito, Serafim Corrêa criou, como via de trânsito, a rua Maceió que não existia como tal e, ao fazê-lo, preocupou-se em projetá-la para facilitar a fluidez do tráfego. Por isso chama a atenção o fato de que nela se encontram um acesso recuado à esquerda para a Vila Amazônia, uma rotatória que permite retorno nos dois sentidos e ainda outro recuo que possibilita entrar à esquerda ou retornar. É uma via que contrasta com os padrões urbanos normais da cidade de Manaus. Quando inaugurada, deu-me a impressão de que logo seria mutilada e ajustada ao nosso estilo “tranca-ruas”. Quando visitamos cidades pequenas, médias e grandes na Europa e nos Estados Unidos da América, percebemos claramente que a engenharia de trânsito que por lá predomina é toda ela desenvolvida no sentido de facilitar o fluxo, de encurtar as distâncias entre quaisquer pontos, de esvaziar as ruas ao fazer dispersar os veículos. Evitam-se assim os congestionamentos, reduz-se o desperdício de combustível, ameniza-se o estresse dos condutores e ainda diminui-se a poluição atmosférica. Não há como deixar de procurar a razão, ou as razões, que levam os nossos gestores de trânsito, antes do Detran, hoje do Manaustrans, a pensar que apenas as medidas restritivas trarão bons resultados. Esquecem inclusive o fato de que proibições em excesso sempre conduzem a impulsos incoercíveis de quebrá-las. Quem, dentre o povo alemão, não tinha dentro de si o enorme desejo de explodir o muro de Berlim? Manaus é hoje o reino dos “dentes de dragão”. Fecha-se a comunicação entre as duas faixas da avenida Umberto Calderaro e impõe-se a transposição da mesma no seu ponto mais crítico, ao pé de uma enorme ladeira, onde carros, caminhões e ônibus ganham grande velocidade e

perdem eficiência de frenagem. É só um exemplo. Lombadas são perigosas e foram abolidas em quase todos os países do mundo. Em Manaus, são um valioso elemento do arsenal para parar o trânsito. Semáforos são úteis, nos locais certos. Aqui, certamente para poupar dinheiro na obra errada, fez-se um viaduto na posição indevida, sem alças laterais e foi preciso implantar um semáforo sob o mesmo. Outra vez é inevitável voltar à gestão Serafim Corrêa e reconhecer a funcionalidade e a qualidade do viaduto Miguel Arraes, na confluência da Mário Ypiranga com Ephigênio Sales, Darcy Vargas e Maceió. Parece que o sonho dos nossos gestores de trânsito é restringir o fluxo, impedir os retornos, deixando talvez um único lá pelo Rio Preto da Eva e assim sentirem-se competentes e poderosos. Hoje, Manaus é uma cidade que sofre uma impiedosa prisão de ventre, à espera de alguém que lhe ministre um laxante libertador. Os argentinos gabam-se de ter em Buenos Aires a mais larga avenida do mundo, a bela Nove de Julho. Li há pouco que, ao perceberem que começava a congestionar, reduziram os semáforos em seu percurso e diminuíram os tempos dos que restaram. Aqui, uma Major Gabriel quase vazia retém o trânsito de uma Tarumã congestionada desde a Joaquim Nabuco. E ainda puseram outro semáforo inexplicável no cruzamento da Nhamundá. Parece que o negócio é telar, impor lombadas e semáforos a granel, bloquear, ou seja, fazer tudo para dar a impressão de que o órgão é muito eficiente. Enquanto isso, carros, caminhões e ônibus circulam com luzes azuis, verdes e até vermelhas à frente, ou mesmo às escuras e com placas raspadas. Fiscalização ativa nas ruas é coisa evanescente e não interessa fazer.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Parece que o sonho dos nossos gestores de trânsito é restringir o fluxo, impedir os retornos, deixando talvez um único lá pelo Rio Preto da Eva e assim sentirem-se competentes. Hoje, Manaus é uma cidade que sofre uma impiedosa prisão de ventre, à espera de alguém que lhe ministre um laxante libertador”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

A conta-gotas

O grande desafio que enfrentamos hoje é reaprender a falar uns com os outros, não simplesmente como gerar e consumir informação. Eles atrapalham quando se tornam uma via de escape para ouvir, se isolar, mas podem favorecer se ajudam a conversar e a dividir. Que as famílias orientem o nosso relacionamento com as tecnologias ao invés de serem guiadas por elas

Agentes e delegados da Polícia Federal que atuam na Operação Lava Jato em Curitiba (PR) relatam que a verba destinada para reforçar as equipes acabou. Investigadores estariam sem receber diárias e sem dinheiro para passagens aéreas. A superintendência do Paraná espera reforço de caixa nesta semana. A cúpula da PF nega a escassez de dinheiro e diz que, a partir desta segunda-feira, haverá 26 policiais dedicados exclusivamente à operação – o maior contingente até agora. Assim não Empresas investigadas pelos desvios na Petrobras pretendem tentar anular o decreto que impediu 23 delas de participarem de licitações e fecharem contratos com a estatal sob a justificativa de que ele não foi aprovado pela diretoria colegiada. Tá escrito O manual de contratações da Petrobras diz que qualquer sanção a um fornecedor tem de passar pelo crivo da diretoria executiva. Assinado A carta que avisa as empresas do bloqueio foi assinada pelo diretor de engenharia, José Antonio de Figueiredo, e atribui a decisão à comissão de investigação. As empresas têm 15 dias para apresentar sua defesa.

(Minas e Energia) demorou para explicar o apagão em 12 Estados, auxiliares se espantaram com o bom humor de Dilma Rousseff. Até quando? A presidente não distribuiu suas famosas broncas para os ministros até agora. Os veteranos de governo temem que ela esteja guardando o repertório para a reunião ministerial que acontece nesta terça-feira. Preto... O Ministério da Saúde vai discutir com entidades médicas um novo protocolo de morte encefálica (que define situações para remoção de órgãos e tecidos para transplante e tratamento) que seja mais objetivo.

Sem promoção A Petrobras deu um desconto de apenas 3% no contrato que assinou com o Palácio do Planalto para fornecer 80 mil litros de etanol para veículos oficiais. O litro do álcool vai custar R$ 2,40 para o governo.

... no branco O tema será debatido no dia 4, em audiência entre o ministro Arthur Chioro e dirigentes do CFM (Conselho Federal de Medicina). Também serão discutidos casos de superfaturamento na venda de próteses médicas e a política de valorização do parto normal.

Zen Numa semana em que Joaquim Levy (Fazenda) teve de voltar atrás em mais de uma declaração e Eduardo Braga

Em paz A reunião faz parte de um esforço de reconstrução dos laços do governo com entidades médicas, após o rompimento

provocado pela criação do Mais Médicos. O programa está fora da pauta. Esboço Na quarta-feira, Chioro recebe a Associação Médica Brasileira para traçar um quadro especialidades médicas no país, abrindo caminho para o Mais Especialidades, promessa de campanha de Dilma. Inquilino Na reta final da eleição da Câmara, o PMDB de Eduardo Cunha abriu negociações para formar um bloco com partidos dispostos a apoiá-lo. Assim, siglas médias e pequenas terão mais poder para pleitear espaço em comissões, por exemplo.

Francisco, papa, pediu nesta sexta-feira 23 que os aparelhos tecnológicos, como celulares e tablets, não atrapalhem as conversas em família que, para ele, são o berço da comunicação.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO

Empurrão Cunha, notório conhecedor do regimento da Câmara, também tenta estimular legendas a formarem blocos menores entre si para obter os benefícios. Sem dobradinha Deputados do PSDB procuraram Julio Delgado (PSB-MG) na última semana para reclamar de um suposto acordo entre ele e o PT para o segundo turno da eleição para a presidência da Câmara. Delgado foi a público negar o acerto.

Tiroteio

O arquiteto mineiro Severiano Porto que (antes tarde do que nunca) recebeu diploma de Cidadão do Amazonas, nem por isso, tem suas obras mantidas como as criou para a harmonia estética de Manaus. Estão limpando a cidade da digital de Severiano (que já se mandou daqui). Agora estão desfigurando o traço com que o arquiteto marcou o Tribunal Regional Eleitoral (sem a menor cerimônia)

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

A competência de Levy se restringe a admitir o fracasso de Dilma, subir impostos e juros e conviver com 39 ministérios e 23 mil cargos.

Matar

DO DEPUTADO ANTONIO IMBASSAHY (PSDB-BA), líder da bancada, sobre fala de Joaquim Levy (Fazenda) de que tenta ‘restaurar a confiança’ no país.

Nos últimos dias, todos nos comovemos com o assassinato de um surfista jovem e com uma carreira promissora. Acompanhamos a sua agonia, a dor da família, o espanto e a solidariedade dos amigos e a repercussão internacional. Morto por motivo fútil perdeu a vida por causa de uma discussão banal numa situação que poderia ter tido um desfecho comum, e ter se tornado um daqueles eventos que nem a memória registra e muito menos a história e a mídia. Esta morte e seus desdobramentos se misturaram no noticiário com as repercussões do ato terrorista em Paris quando fanáticos religiosos aparentemente agindo em nome de milhões de pessoas que se sentem insultadas com o deboche travestido em liberdade de expressão que satiriza figuras sagradas para a sua religião. Para completar acompanhamos a execução de um brasileiro num pais distante condenado à pena capital por tráfico de drogas. Num país africano, a multidão enfurecida queimou e destruiu mais de quarenta igrejas e os califados continuam a sequestrar, matar, degolar. Além disto, temos várias guerras localizadas que parecem não ter solução. Vivemos num mundo onde parece que matar se tornou banal. Cada dia ao amanhecer os noticiários radiofônicos e televisivos bem como os jornais trazem nomes, idades e profissão de homens assassinados em acertos de contas e queima de arquivos. Estamos diante de uma lógica perigosa em que matar parece ser a solução. É preciso reagir a esta lógica e não permitir que ela deturpe o nosso pensar e a nossa maneira de ver a realidade. É preciso adotar a não violência

Contraponto

De corpo e alma Remanescente do governo FHC na gestão Lula, o então presidente da ANA e hoje chefe da Sabesp, Jerson Kelman, se sentia deslocado no novo Ministério do Meio Ambiente. Em um evento, os dirigentes de todas as entidades da pasta foram chamados à mesa – exceto ele. Recém-empossada no ministério, Marina Silva percebeu o clima: convidou Kelman para a mesa e fez um discurso de união. Ao final, o dirigente procurou a ministra: – Por dever de ofício a minha cabeça estava disponível para implementar a sua política. Com esse discurso, o meu coração também! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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como princípio e modo de vida. É necessário renunciar a todo tipo de destruição do outro, sobretudo a verbal. As palavras têm força e são tão destrutivas quanto as armas. Calúnias e difamação destroem as relações humanas e criam o ódio que é o caldo de cultura de onde surgirão crimes, assassinatos, atos de terror. É necessário mudar o discurso e inspirar-se na Palavra que salva, liberta, redime e perdoa. Uma palavra que possibilite o diálogo, o conhecimento, o respeito mútuo. Nestes dias também vivemos uma jornada de combate à intolerância religiosa. A liberdade de religião é fundamental e quando não respeitada exatamente por quem professa uma religião destrói a si mesma e empobrece a humanidade. Nos dez mandamentos a ordem de não matar é central. Do seu cumprimento depende a liberdade e a possibilidade da paz. Neste ponto não se pode deixar nenhuma brecha. Oxalá as grandes potências empenhadas em combater o terrorismo também tenham a coragem de acabar com a indústria bélica e parem de fomentar conflitos em vista de proteger interesses econômicos. Que as lideranças religiosas renunciem a todo tipo de demonização do outro e reconheçam o direito de todos a professar uma fé diferente da sua. Mas também que os que não têm fé respeitem símbolos religiosos e não debochem de sentimentos alheios. Dar a outra face exige muita coragem, renunciar a vingança é traço dos fortes, perdoar é divinizar-se, recusar a violência é humanizar-se. Matar é fracassar enquanto humanidade. Quem mata se destrói e é vítima de si mesmo.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus

Também vivemos uma jornada de combate à intolerância religiosa. A liberdade de religião é fundamental e quando não respeitada exatamente por quem professa uma religião destrói a si mesma e empobrece a humanidade. Nos dez mandamentos a ordem de não matar é central”


Política

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

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Sérgio FONTES

‘Não vamos DAR TRÉGUA ÀS organizações CRIMINOSAS’

FOTOS: DIEGO JANATÃ

SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

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realização de operações integradas na região da tríplice fronteira, para bloquear a entrada de carregamentos de drogas e capacitação e valorização dos servidores que integram as polícias Civil e Militar são algumas das medidas a serem postas em prática pelo recém-empossado secretário de Estado de Segurança Pública (SSP/AM), delegado federal Sérgio Fontes. Há poucos dias no cargo, Fontes, em entrevista ao EM TEMPO, disse que pretende trabalhar parcerias com várias instituições, revitalizar algumas e implantar novas, além de buscar recursos na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para executar tais projetos.

O cidadão quer que acabe com a boca de fumo, que muitas vezes funciona ao lado da casa dele, e isso é um trabalho que pode ser feito pelos DIPs e vou cobrar deles. Da especializada eu vou cobrar quem está trazendo, quem abastece as bocas

EM TEMPO - O senhor já foi superintendente da PF no Amazonas e sabe que a região de tríplice fronteira é uma área bastante complicada, em função do tráfico de drogas. Agora como secretário de Segurança, o que será possível fazer para combater o narcotráfico na região e evitar o envio de carregamentos de substâncias entorpecentes para Manaus? Sérgio Fontes - Um dos principais motivos que levaram o governador José Melo a me escolher foi justamente o combate ao tráfico de drogas. Ele tem ciência de que os crimes de homicídio, assaltos, a criminalidade organizada nos presídios, enfim, tudo gira em torno do tráfico internacional de substâncias entorpecentes. Tráfico internacional não é competência da Secretaria de Segurança Pública, mas as consequências deste tipo de criminalidade repercutem diretamente na qualidade de vida do nosso cidadão. A nossa proposta é a de que o governador se reúna com a presidente da República [Dilma Rousseff], com o ministro da Justiça [José Eduardo Cardozo] e com o ministro da Defesa [Jacques Wagner], para pedir e cobrar o apoio necessário nesta área. Mas, ele também vai apresentar trabalho e os recursos do Estado, no caso o efetivo de que dispomos. Já estamos planejando operações de bloqueio, em parceria com as Forças Armadas. Já tive conversas com o delegado-geral Orlando Amaral e com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Gouvêa, sobre este tipo de trabalho qualificado na fronteira, que nós não podemos fazer nada se as Forças Armadas não estiverem do nosso lado, se a Polícia Federal não estiver ao nosso lado. EM TEMPO - E como serão

feitos estes bloqueios? SF - Os bloqueios vão impedir que grandes quantidades de drogas cheguem sem serem abordadas. Temos uma zona de produção muito grande, e temos um mercado consumidor muito grande. Essa droga não vem só para o Amazonas. Não vem só para os 62 municípios do Estado, mas fica em grandes quantidades no nosso território, e com preço muito barato. A Polícia Federal na fronteira faz o que pode com o seu efetivo diminuto, mas os carregamentos passam. A Secretaria de Segurança tem colaborado. Há uns dois ou três anos, a secretaria tem cedido alguns homens para que possam atuar em conjunto. Mas o efetivo da Polícia Federal é de menos de 2 mil homens, uma quantidade inviável para cuidar de toda uma gama de atribuições da Polícia Federal e mais a proteção das fronteiras. Mas, nós estamos dispostos a colaborar, estamos dispostos a colocar o efetivo que for necessário, desde que façamos parte de um programa maior. EM TEMPO - Mas essa medida não pode fazer com que surjam novas rotas de tráfico no Amazonas? SF - Certamente. O bloqueio é o primeiro ponto. O segundo será a repressão qualificada, que será pegar as especializadas, que hoje vão atrás dos traficantes menores, e ir atrás dos maiores. O cidadão quer que acabe com a boca de fumo, que muitas vezes funciona ao lado da casa dele, e isso é um trabalho que pode ser feito pelos DIPs [Delegacias Integradas de Polícia] e vou cobrar deles. Da especializada eu vou cobrar quem está trazendo, quem abastece as bocas. EM TEMPO - Mas o cidadão também questiona o porquê de não prenderem os grandes traficantes e fornecedores. SF - Claro. Por isso que temos que trabalhar com a repressão qualificada. Vamos colocar o povo da delegada Tamêra Maciel [Secretaria de Inteligência - SEAI], e a Depre (Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão de Entorpecentes), para reprimir de forma qualificada. Eles têm meios e pessoal para isso, para fazer uma repressão qualificada. As bocas [de fumo] pequenas vão ficar para os Dips. O mesmo se dará com os crimes de homicídios, para que não digam que há mais empenho da polícia nos casos que envolvem pessoas com maior poder aquisitivo. Morreu o pobre, morreu o rico, nós temos obrigação de dar resposta. E mais: também haverá prioridade para crimes bárbaros de decapitação, esquartejamento. Isso é inaceitável!

EM TEMPO - Esses são crimes praticados pelas facções e organizações criminosas que geralmente atuam a partir dos presídios. Como será feito este combate? SF - Repressão qualificada. Nós não vamos dar trégua para as organizações criminosas. EM TEMPO - E a Polícia Técnico-Científica? SF - Pretendemos dar um outro olhar a ela. Ela agora estará sob a supervisão direta do secretário. Pretendemos investir em capacitação e valorizar o perito para que ele se sinta prestigiado. Acredito que a quantidade, neste momento, não seria o problema, mas sim a capacitação e valorização do perito. O trabalho dele é muito importante, pois ele produz uma prova qualificada. Com isso os direitos humanos são preservados, não há a necessidade de investigar empiricamente. Uma digital pode resolver um caso, assim como um exame de DNA, uma foto bem trabalhada, um retrato falado bem feito. Nós pretendemos aumentar o índice de resolutividade da Polícia Civil, significativamente. É inconcebível nós convivermos com casos que a gente simplesmente não consegue resolver. EM TEMPO - A elucidação de casos com uma polícia mais preparada vai resultar no cumprimento de mais prisões. Isso pode resultar em presídios mais cheios. Como evitar a superlotação de presídios? SF - Sim, tudo isso tem que ser olhado. Se fossemos cumprir hoje todos os mandados de prisão, não haveria cadeia para a Polinter enviar todo mundo. Vou visitar e pretendo ouvir a desembargadora presidente do Tribunal de Justiça, Graça Figueiredo, e o procurador geral de Justiça, Fábio Monteiro. Iremos conversar sobre o que eles esperam do Sistema de Segurança Pública, para que a gente possa trabalhar de maneira mais próxima e mais estreita. Vamos abordar grandes temas, como sistema prisional, cumprimento de mandados, agilidade nos processos, entre outros. EM TEMPO - Por falar em grandes temas e valorização policial, o que pode ser feito para dar mais condições ao Batalhão Ambiental e à Delegacia Especializada em Meio Ambiente? SF - A Polícia Ambiental tem que trabalhar em conjunto com os órgãos ambientais do Estado e do município, que são vários. Acredito que a Polícia Ambiental deve sair da esfera de Manaus e se expandir para outros locais. O sul do Estado precisa muito. Também temos a proposta de

buscar apoio junto ao governo federal. Temos que arrumar recursos para investir nas operações de desmatamento. Temos que buscar parcerias. EM TEMPO - Haverá o aumento no número de câmeras de segurança pela cidade? SF - Sim, mas antes pretendemos fazer uma interligação do conjunto de câmeras que nós temos. Nós temos câmeras no aeroporto internacional, do Manaustrans, do Sistema Prisional, enfim, de vários órgãos e entidades, mas, claro, cada um vai monitorar o seu, pois não adianta ter umas 200 telas e não dar conta de todas. Porém, nós precisamos centralizar estes equipamentos em um local só. As câmeras espalhadas na cidade hoje são um dos maiores projetos de segurança pública, assim como o Ronda no Bairro, e são importantes, porque o criminoso se sente intimidado em praticar algum delito. Nós precisamos também reativar o sistema de câmera na ponte [Rio Negro], além de substituir algumas por novas, por conta do tempo de uso em 10, 15 anos, por outras com qualidade HD. EM TEMPO - Em muitas capitais, a Guarda Municipal é utilizada no sistema de segurança pública. Há como utilizar a Guarda Municipal de Manaus no sistema de segurança pública? SF - Sim. Vamos criar um núcleo especializado em treinamento de guardas municipais. Temos interesse em treinar os guardas municipais, pois é uma proposta que eu já vi funcionar. Onde a Guarda Municipal atua, a polícia fica liberada para trabalhar, ser empregada em outra missão. Se eu conseguir convencer o prefeito Arthur Virgílo Neto e os demais prefeitos de outros municípios de que a Guarda Municipal é importante, vou colocar, por exemplo, no T1 (terminal de integração da Constantino Nery), onde tem assaltos, goelos, arrastões. A minha intenção é ir às prefeituras apresentar a proposta e também à Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), para pedir recursos. Para as guardas municipais têm recurso federal. Claro que não estamos falando em armamento, mas em treinamento, capacitação. Nosso interesse é oferecer apoio para que as guardas municipais possam atuar mais e melhor. Elas já estão no artigo 144 da Constituição Federal e fazem parte do sistema de segurança pública. Elas têm uma participação enorme, e nós podemos ajudar. Eu pedi uma audiência com o prefeito Arthur para tratar sobre isso e ele se mostrou bem interessado. Vamos ver no que vai resultar.

Nós pretendemos aumentar o índice de resolutividade da Polícia Civil. É inconcebível nós convivermos com casos que a gente simplesmente não consegue resolver”

Acredito que a Polícia Ambiental deve sair da esfera de Manaus e se expandir para outros locais. O sul do Estado precisa muito. Temos que arrumar recursos para investir nas operações contra o desmatamento. Temos que buscar parcerias e vou cobrar deles”


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Política

Presidência da Câ

divide bancada amazo Pauderney e Rotta já definiram que vão votar em Eduardo Cunha que, na avaliação deles, é a melhor opção para a reforma política. Outros ainda não se definiram JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

A ARQUIVO EM TEMPO/JOEL ROSA

o menos dois deputados do Amazonas já definiram quem são seus candidatos na briga pela presidência da Câmara Federal, que acontecerá no dia 1º de fevereiro, quando a casa voltará de recesso. Pauderney Avelino (DEM) e Marcos Rotta (PMDB) sinalizaram votos em Eduardo Cunha (PMDB), alegando não só afinidade par-

Pauderney Avelino já declarou seu voto em Cunha

tidária, mas esperança em mais Delgado (PSB-MG). empenho sobre questões como a Pauderney Avelino, que chereforma política. Três deputados gou a acompanhar a visita de lançaram candidaturas: Eduardo Cunha à cidade, no último dia Cunha (PMDB-RJ), Arlindo Chi- 7, destacou que o espírito indenaglia (PT-SP) e Júlio Delgado pendente do político contribuirá (PSB-MG). para o fortalecimento de proDe acordo com Rotta, a preocu- jetos e do próprio Parlamento. pação demonstrada por Cunha às “Estive com ele e encontrei na demandas estaduais também foi sua postura e propostas um fator preponderante para a esco- ponto de afinidade. Acredito lha. “Isso nos aproximou, e não que neste momento é disso que é apenas porque ele é do PMDB precisamos,independência acinão, porque acredito que ele tem ma de tudo”, falou. demonstrado que é um grande Entre os partidemocrata. Ele nos deixou muito dos que estuà vontade. Percebo que ele tem dam apoiar a assumido posicionamentos mui- candidatura do to bons com relação às reformas, petista Arlindo por isso, acredito que ele seja um Chinaglia esbom nome”, ressaltou. tão: o Partido da Entre as expectativas para o República (PR), novo presidente da casa que cujo represenpassa a integrar pela primeira tante no Estado vez, Marcos Rotta espera que a é o ex-senador habilidade política e experiências e atual depuacumuladas por Cunha possam contribuir para mudanças profundas na Câmara Federal. O peemedebisMarcos Rotta vota ta comentou que tamno colega de partido bém foi “cortejado” por para a presidência apoiadores do deputado Arlindo Chinaglia e Júlio

tado Alfredo Nascimento; o PSD de Átila Lins e o PP de Socorro Sampaio. O trio foi procurado pela reportagem, mas não atendeu as ligações. Artur Bisneto, que pertence ao PSDB de Aécio Neves, deve mesmo caminhar com a legenda e votar em prol da candidatura de Júlio Delgado, que pertence ao PSB. O PPS de Hissa Abrahão vai “bater o martelo” essa semana quanto ao apoio, possivelmente fechado com Delgado. Durante as últimas semanas, o grupo não tinha repassado qualquer orientação acerca do assunto.

Bancada do Amazonas ‘cortejada’ A maratona de visitas à cidade em busca de votos começou por Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele esteve em Manaus no dia 7 deste mês, e foi recebido por políticos durante todo o dia. Na ocasião, ele comentou o envolvimento do seu nome em uma das denúncias apresentadas pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato, que investiga irregularidades e corrupção em transações na Petrobras. Ele negou as acusações e reafirmou compromisso do partido em apoiar a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o esquema de corrupção na principal estatal brasileira. “Em primeiro lugar, eu não fui colocado em suspeição de forma nenhuma. O que houve foi uma colocação de um agente policial que citou um local onde supostamente teria entregue dinheiro. E colocou um endereço que não é o meu e não me pertence. O meu endereço fica três quilô-

metros distante do endereço citado. Ele mesmo tomou a iniciativa de esclarecer, porque disse que ouviu dizer que aquele endereço era meu”, ressaltando que vê uma clara tentativa de determinados agentes de querer criar constrangimento, e que a nova CPI servirá para “esclarecer fatos e ilações”. Assim como seu opositor, Júlio Delgado (PSB-MG) também procurou conquistar votos em solo amazonense. No último dia 21, o socialista esteve na capital e promoveu sua candidatura, ao lado do presidente de honra da legenda no Amazonas, deputado Serafim Corrêa. Delgado se despediu sustentando estar satisfeito com a visita. “Estamos otimistas com as conversas mantidas com os parlamentares do Estado. Acredito que poderemos tornar a vida legislativa mais simples e produtiva”. O único candidato que não passou pela cidade foi Arlindo Chinaglia.


mara nense Deputado e líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha tem a simpatia de políticos do Amazonas

FOTOS: DIVULGAÇÃO

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CONHEÇA O PERFIL DOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA » Eduardo Cosentino da Cunha é o atual líder da bancada do PMDB na Câmara Federal. Antes de ingressar na carreira política, foi executivo da área de telecomunicações, sendo responsável pela implantação da telefonia celular no Brasil, quando esteve na presidência da Telerj, antiga operadora do Sistema Telebras, no Rio de Janeiro, entre 1991 e 1993. Sua trajetória política tem uma década. Foi eleito deputado estadual em 2001, pelo PPB. Em 2002, foi eleito deputado federal, também pelo PPB e, em 2006, reelegeu-se deputado federal pelo PMDB. Sua maior conquista eleitoral aconteceu em 2010, quando, pelo PMDB, foi o quinto deputado federal mais votado do Estado do Rio de Janeiro, com 150.616 votos. Em 2014, Eduardo Cunha foi o terceiro deputado federal mais votado do Rio, com 232.708 votos. Eduardo Cunha foi presidente das Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) e de Finanças e Tributação da Câmara. » Júlio César Delgado nasceu em Juiz de Fora em 1966. Político com passagens pela Assembleia Legislativa, Congresso Nacional e por três vezes prefeito de Juiz de Fora –, Júlio Delgado iniciou sua trajetória profissional e política seguindo os passos do pai. Em 1994, disputou sua primeira eleição como can-

didato a deputado federal. Apesar de não ter conquistado a vaga, a boa performance eleitoral e a experiência acumulada como assessor parlamentar foram responsáveis pelo convite para assumir o cargo de secretário-adjunto da Secretaria do Trabalho e Assistência Social do Estado de Minas Gerais, onde ocupou a presidência do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente e organizou a 1ª Conferência de Minas Gerais da Assistência Social. Em 1998, deixou o cargo no governo mineiro para entrar na disputa por uma vaga na Câmara Federal, terminando o pleito como suplente. Assumiu pela primeira vez o mandato de deputado federal em setembro de 1999. Nas eleições de 2002, conquista a cadeira na Câmara Baixa eleito pelo PPS – Partido Popular Socialista. Em 2006, Júlio Delgado foi mais uma vez reconduzido à Câmara Federal, sendo o único deputado federal de Minas Gerais eleito pelo Partido Socialista Brasileiro. Ao longo de seus mandatos, tem participado de importantes comissões legislativas: Constituição e Justiça, Trabalho, Relações Exteriores e Defesa Nacional, sendo vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor – e representado o Congresso brasileiro em missões internacionais ligadas à preservação do meio ambiente, trabalho, processo

legislativo e implantação do Parlatino – Parlamento Latino Americano.

» Arlindo Chinaglia Júnior iniciou a carreira política como deputado federal em 1995. Por um ano (20012002), licenciou-se da Câmara para exercer o cargo de secretário de Governo da cidade de São Paulo na gestão da então prefeita Marta Suplicy (PT). Chinaglia nunca teve outro partido além do PT, em que ingressou em 1989. Entre 1992 e 1993, foi presidente do Diretório Regional do partido em São Paulo. Na Câmara dos Deputados, foi vice-líder e líder do PT e, desde 2004, ocupa a liderança do governo na casa, cargo de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato petista tem em sua biografia várias atuações em associações e sindicatos. Em 1978, foi eleito, em São Paulo, presidente da Associação dos Médicos Residentes e Internos do Hospital do Servidor Público Estadual. Chinaglia também foi membro da Direção Nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo e vicepresidente da Federação Nacional dos Médicos. Na CUT de São Paulo, também ocupou cargos de direção como secretário geral, de 1987 a 1988, e presidente, de 1988 a 1990.


Política

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PT e PMDB acirram duelos pela hegemonia na política

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Dilma fez benesses com chapéu alheio” DEPUTADO PAUDERNEY AVELINO (DEM-AM) lembrando que o “ajuste” é para pagar a conta

Prisões não confirmam ‘PF mais ativa’ com Dilma É pura lorota a história repetida à exaustão por Dilma, em sua campanha, de que a Polícia Federal é “mais ativa” em seu governo e que por isso “a corrupção não aumentou, o que aumentou foi o combate à corrupção”. Além de delegados e agentes se queixarem de desestímulo, do contingente insuficiente e da redução do orçamento, o número de prisões, no primeiro governo Dilma, caiu em quase 40%. Um só aumento Diminuíram as prisões no governo Dilma, mas o número de operações policiais (1.284) foi maior que no governo Lula (911). Parece piada A PF não revela seu contingente porque a informação é “classificada como reservada”. O Ministério do Planejamento informa: são 14.521. Menos presos Durante o governo Lula foram presas 11.327 pessoas em operações da Polícia Federal. No governo Dilma, esse número caiu para 9.606. Ocupação Durante 2014, Copa do Mundo e eleições afastaram muitos delegados e agentes da sua rotina, represando inúmeras operações policiais. Benesses de deputados custarão R$ 1 bi em 2015 Cada excelência da Câmara dos Deputados vai custar ao contribuinte R$ 1,95 milhão este ano, contabilizados salário, verba de gabinete, auxílio-moradia e o indecoroso “cotão parlamentar”, que já foi usado até para bancar canais de TV adultos. O valor é a média auferida

pelos 513 deputados. Aqueles com cotão mais polpudo chegam aos R$ 2 milhões ao ano. Só em salário, até dezembro, cada um vai levar R$ 471,8 mil. Carneirinho gourmet Cada noite de sono dos parlamentares custa ao contribuinte R$ 930 mil. Suficiente para comprar 3.795 cestas básicas no Nordeste. Por nossa conta Áreas administrativas, legislativas e os gabinetes ganharam quase R$ 1,2 milhão em mobília novinha. O “mimo” é para lideranças partidárias. Banho de loja Ainda em 2015, a Câmara deve ampliar seu Anexo IV, ao custo de R$ 95 milhões, e repaginar apartamentos funcionais, por R$ 22,5 milhões. Bafo na nuca Joaquim Levy (Fazenda) sentiu a mão pesada de Dilma no pé da orelha, quando ela soube da declaração dele em Davos prevendo outro pibinho vagabundo em 2015. E o mandou desdizer. E ele, que está adorando ser ministro, obedeceu, dizendo ter sido “mal interpretado”. Deslumbrou Ex-colegas de Joaquim Levy no mercado financeiro falam muito bem dele, realçam sua qualificação e até a austeridade pessoal, mas têm notado um certo deslumbramento com o cargo de ministro da Fazenda. Salário da chefe Dilma custou R$ 347,4 mil aos contribuintes, em 2014, somente em salários. Com o aumento dos ministros do Supremo Tribunal Federal, o “custo Dilma” para 2015 deve ultrapassar os R$ 401 mil.

Jornalista

Os dois maiores partidos políticos do país, que se fundem na Presidência, não repetem os mesmos laços em outras esferas DIVULGAÇÃO

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O limite de 10% Quando ouviram o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) falando em “limite prudencial de 10%”, funcionários do próprio ministério espalharam piadas sobre o ex-vendedor de carros nas redes sociais. O último indicado Há 25 anos no Supremo Tribunal Federal, o admirado decano Celso de Mello é o único ministro em atividade nos tribunais superiores nomeado por José Sarney. Aposenta-se em 1º de novembro ao celebrar 70 anos. Diretas Já Completa 31 anos neste domingo (25) o comício pelas Diretas Já! que reuniu mais de 300 mil pessoas na praça da Sé, em São Paulo. Exigia voto direto para presidente, após 20 anos de ditadura militar. Cara de pau É tamanho o descontrole nos gastos dos deputados federais que o ex-deputado André Vargas (ex-PTPR) torrou R$ 4,8 mil só nos dez dias de mandato parlamentar que teve em dezembro, até ser cassado. E ainda alugou um carro, por nossa conta, pela bagatela de R$ 4,5 mil. Torneira fechada O “limbo” do Orçamento 2015, cujo texto final ainda não foi aprovado pelo Congresso, força o governo a gastar, por mês, apenas 1/12 das receitas previstas, e apenas em casos emergenciais e salários. Pergunta na Papuda Após parar de se fingir de morto, Lula vai novamente negar o roubo na Petrobras, como negou o mensalão, ou dirá “eu não sabia...”?

PODER SEM PUDOR

O código de Nabuco Feito embaixador em Bruxelas, nos anos 60, o ex-deputado Cirilo Júnior achava que o esperavam apenas os prazeres da vida, mas logo percebeu que havia deveres, quase sempre chatíssimos. Um assistente contou que um antigo embaixador, Maurício Nabuco, batia três vezes sobre a perna quando queria encerrar uma audiência maçante. Ao receber diretores da Vasp, Cirilo imitou Nabuco, mas os interlocutores nem percebiam o “código”. Impaciente, ele foi aumentando a força das pancadas até que se viu esmurrando a própria perna e gritando “Nabuco! Nabuco!” Os visitantes foram embora, assustados, e o embaixador comemorou com o assistente: - Esse Nabuco é formidável!

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confronto entre PT e PMDB pela presidência da Câmara dos Deputados é a história de uma batalha anunciada há mais de uma década. Desde 2002, os petistas vêm crescendo em quase todas as esferas eletivas às custas, em muitos casos, dos peemedebistas. Apesar de aliados no plano federal, os dois partidos protagonizaram o embate mais frequente nas eleições de 2012. E, tudo indica, voltarão a se enfrentar nas eleições municipais de 2016. O tamanho dos partidos revela uma luta constante entre PT e PMDB ao longo das últimas décadas. Os dois partidos são donos das duas maiores bancadas na Câmara dos Deputados e lideram também no número de eleitos em quase todos os outros cargos eletivos. Com exceção dos governadores e deputados

federais, o PMDB lidera sobre o PT com uma ligeira vantagem nos outros cargos. A vantagem peemedebista, porém, era muito maior em 2002, principalmente em nível municipal. O PMDB tinha quase dez mil vereadores e 1,3 mil prefeitos naquele ano, quatro e seis vezes mais que o PT, respectivamente. A cada eleição municipal, porém, essa diferença vem diminuindo. A primeira queda foi justamente em 2004, dois anos após a primeira eleição de Lula à Presidência. No último pleito municipal, em 2012, o PT só fez menos prefeitos que PMDB e PSDB. Mas a competição entre os dois aliados federais é ainda maior do que com os tucanos. Já o jogo das coligações revela que nenhum outro partido enfrentou um mesmo concorrente mais vezes em 2012 do que PT e PMDB. Não se pode deixar

de reconhecer características do PT como as de organização e de capacidade de mobilizar a militância. As origens A legenda mantém das origens sindicais o vigor nas ações e, desde a fundação, há quatro décadas, é considerado um partido político de fato, com programa e projeto de poder. Por trazer no DNA traços de diversas ramificações da esquerda, da católica à stalinista, o partido, não poderia deixar de ser, carrega um ranço de autoritarismo. Mas descobriu, depois da terceira tentativa frustrada de Lula de chegar à Presidência, que deveria abrir-se a alianças à direita. A fórmula havia sido aplicada com êxito pelos tucanos, a partir da análise correta do sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

A luta um dia acabou dando certo O PT tentou e deu certo a partir das eleições de 2002, quando a Vice-Presidência foi cedida a um empresário, José Alencar, e a presidência do BC, ao ex-CEO de um banco internacional, Henrique Meirelles. Mas o partido, mesmo que deseje, não pode renunciar às origens. O PT ou qualquer outro. Na campanha de 2014, ficou translúcida a tendência visceral do PT à hegemonia política. Talvez até pelos desgastes inerentes a uma aliança partidária mantida à base do toma lá, dá cá do fi-

siologismo, por opção petista, que pretendia eleger amplas bancadas no Congresso, para depender menos de aliados. No caso, o PMDB, uma frente de caciques regionais, e, por isso mesmo, pouco confiável para o PT. Porém, como o objetivo do momento para o partido era somar minutos e segundos no programa eleitoral, fingiu-se internamente que não foi uma derrota política o fato de a aliança com o PT ter sido rejeitada por 41% da convenção nacional do

PMDB, mesmo preservada a Vice-Presidência de Michel Temer. O trabalho do PT para ampliar as bancadas no Congresso esbarra em interesses dos outros partidos aliados, o PMDB o maior deles. Peemedebistas sentem em suas bases efeitos da busca petista pela hegemonia política. Enredos semelhantes se repetem pelo país afora. O grupo que detém o controle do PT parece mesmo decidido a lutar pela hegemonia, e já trabalha para isso desde já.


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

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Banda larga no AM ainda deixa a desejar Economia B4 e B5

Tecnologia Voip é aposta de empresa amazonense DIEGO JANATÃ

Vorax Soluções Interativas oferece ao público local serviço de telefonia cujas chamadas são feitas pela internet

Telefonia via internet e armazenamento em nuvem, com servidor totalmente dedicado, são alguns dos novos produtos oferecidos pela Vorax, conforme o diretor da empresa de tecnologia

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om a proposta de reduzir custos de ligação interurbana em aproximadamente 80%, a telefonia Voip aos poucos vem conquistando o mercado de telecomunicações, e no Amazonas uma das empresas a oferecer o serviço é a Vorax Soluções Interativas. De acordo com o CEO da empresa, Eduardo Mazzoni, o produto conta com autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e a mensalidade custa apenas R$ 17, com uso ilimitado. “A pessoa pode escolher o DDD de qualquer um dos 27 Estados brasileiros, e vai economizar mais do que se estivesse fazendo uma ligação interurbana via operadora telefônica”, observa. Mesmo recebendo ligação para o número, o usuário não irá pagar custos. Caso utilize o serviço em um celular, o cliente deve baixar um aplicativo - cedido gratuitamente - no aparelho. Se o mesmo for utilizado como linha fixa, será necessário um aparelho IP. “Os serviços de telefonia Voip são muito mais baratos que as linhas tradicionais, porque utilizam internet de alta velocidade. A qualidade da ligação também é melhor, porque a voz é transmitida em dados digitais. É como se fosse uma conta telefônica na internet”, informa. Nuvem Atuando com parceiros em outros três Estados - Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará -, a empresa também oferece os serviços de armazenamentio em nuvem, com servidor dedicado e suporte local em

Manaus. Há pouco mais de cinco anos atuando na área de Tecnologia da Informação (TI), a empresa amazonense investiu pesado para atender o público local, contratando um servidor instalado no Texas (Estados Unidos) e totalmente dedicado. Conforme Eduardo, a Vorax oferece planos voltados para vários perfis de usuários, que variam de R$ 50 a R$ 1 mil mensais e que atendem vários tipos de projetos, sejam eles sites, e-mails, aplicativos, blogs, entre outros. “O nosso diferencial em relação às demais empresas

Soluções interativas para vários públicos Além dos serviços de Voip e cloud computing, a Vorax Soluções Interativas também atua no desenvolvimento de soſtwares e sites, aplicativos web e mobile, entre outras soluções em tecnologia. “Ao contrário de muitas empresas que utilizam plataformas pré-prontas, os nossos sistemas web, por

exemplo, são desenvolvidos do zero e o cliente tem a possibilidade dele mesmo monitorar o próprio sistema e abastecer de informações, no momento em que ele quiser”, salienta. Entre alguns sites desenvolvidos pela empresa, ele cita o do compositor e produtor local Luciano Kikão, do Nacional Futebol Clube,

Cachaçaria do Dedé e o da empresa de transporte e logística Lima Port, com sede em Santos (SP). Neste último, observa Eduardo, o cliente da empresa de logística pode monitorar o deslocamento da carga que está sendo transportada pela empresa, além de ter acesso a um histórico da mesma.

Atualmente, a empresa trabalha em um aplicativo voltado para a segurança pública, mas que por questões contratuais ainda não pode ter nada divulgado. “O que podemos antecipar é que este projeto que se encontra em andamento será de bastante utilidade e irá ajudar e muito a população”, declara. DIEGO JANATÃ

SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

Os serviços de telefonia Voip são muito mais baratos que as linhas tradicionais, porque utilizam internet de alta velocidade Eduardo Mazzoni, CEO da Vorax

que trabalham com armazenamento em nuvem é o suporte local, que pode ser feito tanto por telefone quanto por e-mail”, explica Mazzoni. Segundo ele, boa parte das empresas que atuam no ramo de cloud computing utilizam empresas terceirizadas, para dar suporte, e que geralmente não atendem o cliente de imediato, fazendo com que ele aguarde para ter uma solução imediata. Outro diferencial é o sistema de criptografia, utilizado para evitar riscos de hackeamento nas informações armazenadas.

Diferencial em relação às demais empresas, segundo Eduardo, é o atendimento e o suporte ao cliente, a qualquer momento


Economia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Biodiesel será produzido a partir de óleo de peixe

INTERNET

Operadoras começam a estudar banda larga 5G

Anúncio foi feito pela Petrobras, que pretende beneficiar inicialmente 300 piscicultores familiares e comprar 15 toneladas de resíduos e gordura de peixe ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO

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Petrobras vai começar a produzir ainda este mês biodiesel a partir do óleo de peixe. Em nota, a estatal informou que a produção do biodiesel a partir dessa matéria-prima vai beneficiar inicialmente 300 piscicultores familiares e garantir a compra de 15 toneladas de resíduos e gorduras de peixe, por mês, de piscicultores cearenses. A produção será feita pela Petrobras Biocombustíveis na Usina de Quixadá, no Ceará, a partir do óleo extraído de vísceras de peixe, conhecido como OGR (Óleos e Gorduras Residuais) de peixe. A companhia recebeu, em dezembro, 4,55 toneladas do produto para produção de biodiesel. Segundo informações da estatal, o volume é resultado do primeiro contrato de compra firmado com a Cooperativa dos Produtores do Curupati, em Jaguaribara, região centro-sul do Estado, em 18 de dezembro de 2014. Na ocasião, também foi assinado convênio com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Ceará para assistência técnica aos piscicultores dos açudes do Castanhão e de Orós. Até o fim do ano, o projeto poderá alcançar metade dos 600 piscicultores familiares que trabalham nos dois maiores açudes da região.

Uso do óleo de peixe gera renda extra aos piscicultores, além de fortalecer cadeia produtiva

Produto oferece vantagens Na avaliação da Petrobras, o uso do óleo extraído das vísceras do pescado na produção traz vantagens a ambas as partes. Para a companhia, assegura biodiesel com matéria-prima de qualidade, além de a iniciativa estar alinhada ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), condição necessária

para garantir o Selo Combustível Social do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Para os piscicultores, gera valor de mercado para um subproduto, o que proporciona renda extra. Ao mesmo tempo, fortalece a cadeia produtiva do pescado, transformando um possível passivo ambiental

Enquanto as redes 4G ainda engatinham no Brasil, o mundo começa a definir o padrão da próxima geração para a banda larga móvel que deve começar a ser implementada a partir de 2020. O primeiro documento sobre o 5G prevê que a evolução da tecnologia permitirá velocidades de conexão de até 1 gigabits por segundo (Gbps), atualmente alcançadas só em redes fixas. Um grupo formado pelas 24 maiores operadoras do mundo, além de 23 fabricantes de dispositivos e 20 universidades, prevê velocidades de até 1 Gbps em pontos próximos a antenas e de pelo menos 50 Mbps em toda a extensão das redes, incluindo áreas rurais. No modelo proposto, a tecnologia de 5G seria capaz de atender até 100 mil conexões por quilômetro quadrado, e permitiria o uso da internet

mesmo em deslocamentos de grande rapidez, como nas viagens de avião ou de trens-bala. Batizado de Nova Geração de Redes Móveis (NGMN, na sigla em inglês), o grupo divulgou agora a primeira versão do estudo com as diretrizes do 5G. Os dados completos serão divulgados no fim de março, para depois serem levados à União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão vinculado à ONU. O NGMN projeta um mundo no qual o 5G permitirá que a chamada “internet das coisas” esteja ligada “em todo lugar, a qualquer momento”. Para conseguir alcançar tais objetivos, o grupo vai propor à UIT a liberação pelos governos de frequências altas, acima de 6 gigahertz (GHz), atualmente utilizadas para a comunicação de satélites e radares. FÁBIO ARANTES/SECOM/PMSP

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em matéria-prima para a produção de biodiesel. A produção conta com a parceria da Petrobras Biocombustível, Ministério da Pesca e Aquicultura, Secretaria de Pesca e Aquicultura do Estado do Ceará, da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec), entre outros. Tecnologia 5G permite a chamada “internet das coisas”


Economia

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Gestão de tempo é desafio para jovens empresários P

esquisas apontam que as pessoas mais bemsucedidas reconhecem que o gerenciamento do tempo é fundamental para atingir as metas. Mas conseguir colocar isso na prática ainda é um grande desafio diário, principalmente para os mais jovens, segundo afirma o presidente da Associação de Jovens Empresários do Amazonas (AJE-AM), Rodrigo Viegas. Segundo Rodrigo, a rotina acelerada e a falta de organização são problemas enfrentados por muitos empresários, que poderiam até mesmo aumentar a produtividade e os resultados com maior organização das horas do dia. Reconhecer o problema é o primeiro passo. “A dica é primeiramente perceber que algo está errado e depois se planejar e relacionar qual é a sua rotina, tentando se planejar por meio de ferramentas. Claro que existem fatores externos que vão interferir no que foi programado, mas com organização você consegue aperfeiçoar o tempo”’, disse. O presidente da AJE-AM ressalta que os jovens têm como apoio as ferramentas e soſtwares que podem ser acessados pelo celular ou

computador e podem ajudar a adquirir controle sobre as horas do dia, para equilibrar as funções e cumprir todas as responsabilidades. “Existem programas hoje que possuem esse fim específico. Nesse sentido, é importante destacar que a tecnologia é apenas uma ferramenta; a organização

As tecnologias podem ser grandes aliadas para o jovem empresário que ainda tem sérios problemas para otimizar o tempo Rodrigo Viegas, presidente da AJE-AM

precisa ser uma iniciativa do empresário”, afirmou. Separar o que é tarefa e compromissos do dia pode ajudar aqueles que precisam ter um ponto de partida. “Isso vai influenciar em melhorias na qualidade de vida, redução do estresse e outros benefícios para o dia a dia. Quando você

DIVULGAÇÃO

Associação incentiva o uso de ferramentas de soſtware via smatphones e PCs para controlar e equilibrar os compromissos aprende a gerir o tempo, você consegue otimizar e melhorar a produtividade”, informou. O presidente da AJE-AM ressalta ainda que, conforme estudos já comprovados, o estado constante de estresse de tempo prejudica a saúde: enfraquece o sistema imunológico, causa dores musculares, insônia, dores de cabeça, pressão alta, doenças cardíacas e aumenta o risco de depressão e ansiedade. Orientações Rodrigo Viegas afirma que uma das metas da AJE-AM deste ano é dar orientações para os jovens empresários do Amazonas nas diversas áreas. A associação no Amazonas iniciou suas atividades em 2008 no Amazonas, funcionando inicialmente como conselho dentro da Associação Comercial do Amazonas (ACA). “Na sua essência, a AJE-AM continua tendo o mesmo objetivo: reunir os jovens empresários do Estado do Amazonas e lutar por aquilo que a gente acredita e que seja interesse dessa classe empresarial. Essa classe cresce a cada dia e é pautada em pilares que como relacionamento, representatividade e capacitação”, afirmou Viegas.

Rodrigo Viegas diz que entre as metas da Aje-AM está a orientação para os jovens empresários

Vantagens são negócios em rede Uma das grandes vantagens para os associados da AJE são os negócios em rede, gerados pelos relacionamentos adquiridos entre os sócios. Rodrigo Viegas destaca que muitas empresas e sociedades já surgiram dentro da associação, que no Brasil possui 36 mil associados.

“Já tivemos aqui em Manaus uma empresa fornecedora de roupa de couro que fechou negócio nacional em uma assembleia geral. Além da amizade e do relacionamento proporcionado, os negócios surgem pela necessidade das empresas nos serviços que estão disponíveis no leque dos associados

da AJE-AM”, informou. Para se associar, basta entrar no site, preencher o cadastro e esperar o retorno da diretoria para aprovação. Ao se associar, automaticamente, o associado já passa a usufruir dos negócios em rede, tendo acesso às discussões e debates relacionados à entidade.


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Economia

Como anda a banda Três projetos de expansão da internet banda larga estão em andamento no Estado, mas a universalização do acesso ainda está longe de ser alcançada em sua totalidade SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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m pleno século 21, com o advento das tecnologias em rede, a internet banda larga no Estado do Amazonas ainda deixa a desejar à população da capital, mas principalmente a dos municípios do interior. Se nas cidades onde já há disponibilidade do sinal a qualidade do serviço é precária, naquelas que ainda não têm a disponibilidade de sinal a situação é bem pior. Entretanto, diversas ações em torno da inclusão digital estão em andamento no Estado, em busca de mudar essa realidade. O diretor-presidente da empresa de Processamento de Dados do Amazonas (Prodam), Tiago Monteiro de Paiva, revela que dentre os projetos de banda larga em curso no Estado estão o Amazonas Digital, projeto do Gasoduto Coari-Manaus e Amazônia Conectada. “O projeto está disponível hoje para aproximadamente 223 escolas públicas da capital e em torno de 1.072 escolas no interior”, salienta. De acordo com ele, o acesso do Amazonas Digital é feito via fibra ótica, satélite e banda larga em 15 municípios do Estado. São eles:

Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, Japurá, Eirunepé, Boca do Acre, Carauari, Tefé, Coari, Barcelos, Humaitá, Manicoré, Manacapuru, Maués, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. Nesses locais, as escolas estão com rede para professor e aluno e outra aberta que atende a comunidade. “As matrículas em São Ga-

DISTÂNCIA

Municípios como Guajará e Eirunepé, por exemplo, sofrem com a falta de acesso à internet banda larga pela sua distância da capital amazonense e dos projetos de universalização do serviço briel da Cachoeira, Boca do Acre, Manicoré e Tabatinga, por exemplo, estão sendo efetuadas em tempo real por meio do sistema que fica na capital”, conta. O do Gasoduto CoariManaus, desenvolvido pela Telebras, segundo Paiva, levará internet banda larga aos municípios localizados ao longo do gasoduto. “Já está concluído em Iranduba e Manacapuru”, aponta. Ao todo, oito municípios - Ana-

mã, Coari, Anori, Caapiranga, Codajás, Iranduba, Manacapuru e São Sebastião do Uatumã - e a capital amazonense serão beneficiados. O investimento gira em torno de R$ 9 milhões. Estudo Quanto ao terceiro projeto de internet para o Estado, o Amazônia Conectada, do Exército Brasileiro, Paiva explica que será implantado um sistema com fibra ótica subfluvial no leito dos rios Negro, Solimões e Juruá para levar internet ao interior. De acordo com ele, o levantamento para saber quantos municípios serão beneficiados está em estudo. “A ideia do Amazonas é viabilizar o projeto. Não somos uma Telecom, mas geralmente entramos como parceiros tecnológicos”, observa. O diretor-presidente da Prodam avalia que um dos problemas enfrentados para levar internet ao interior do Estado é a questão do recurso, cujo volume é elevado. “É tanto que nem as operadoras se interessam em ir prestar esse serviço nos municípios do interior”, ressaltou. Ele também aponta a falta de mão de obra local para dar suporte aos serviços de banda larga, além da própria geografia que dificulta o acesso às comunidades interioranas.

Projeto Amazonas Digital distribui internet para escolas de 15 municípios ao longo do Estado

Encontro debate políticas públicas No último dia 20, Manaus sediou o 11º Encontro Regional de Provedores, coordenado pela Fundação Bit Social - entidade cujo foco é o uso de tecnologias para inclusão social e cultural no país. Na ocasião, profissionais e entidades de classe de toda a Região Norte discutiram junto ao Ministério das Comunicações (Midicom) medidas para melhorias do serviço. A presidente do Conselho Deliberativo da Bit Social, Lia Ribeiro Dias, destaca que o encontro tem por objetivo formar e informar os profissionais, que se reúnem para discutir políticas públicas

para banda larga, regulação, possibilidades de linhas de financiamentos para os pequenos provedores e as tecnologias atualizadas empregadas na infraestrutura que levam banda larga à população brasileira. Segundo ela, uma das queixas que tem ouvido dos provedores regionais da Amazônia é a falta da oferta de links - serviço exclusivo para a transmissão de dados, desenvolvido especialmente para o setor corporativo. O acesso às linhas de financiamento a preço mais acessível é outra questão muito debatida. “A dificuldade de acesso a linhas de longo prazo atra-

palha, pois a infraestrutura para internet banda larga é cara e exige muito investimento”, observa. Lia diz já perceber uma grande evolução no Amazonas, uma vez que alguns provedores já acessam a internet banda larga via fibra ótica - tecnologia que permite uma conexão de melhor qualidade e mais estável. “Há um progresso grande, embora o Norte ainda seja uma região carente, principalmente no interior. Mas há uma série de medidas que estão sendo ampliadas para baratear os custos e facilitar o acesso dos pequenos provedores a linhas de crédito”, ressalta.

O curso do gasoduto Urucu-Manaus será usado para levar internet de banda larga para oito município


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larga no Amazonas Provedores em expansão

Amazonas Digital já leva internet para 15 municípios amazonenses

Além dos projetos de grandes companhias, o Estado do Amazonas conta com importantes parceiros para a democratização do acesso à internet banda larga. São os chamados provedores. Empresas que fornecem o sinal de internet onde não há operadoras oficiais. O mercado desse tipo de profissional está em plena expansão na região, de acordo com a Associação de Provedores de Internet do Amazonas (Aprieam). Segundo o presidente da entidade, Olisnei Nascimento, há em todo o Amazonas, aproximadamente, 150 provedores, que atendem mais de 20 mil usuários de internet na capital e nos municípios do interior. “Temos provedores em quase todos os municípios do Amazonas. Eles fazem o que as operadoras não fazem. Em Coari, por exemplo, não existe Embratel ou Net, mas tem pequenos provedores que compram o sinal de satélite e revendem à população”, comenta. Nascimento salientou que um dos problemas enfrentados pelos provedores regionais é a carência do principal insumo, que são os links. “Nós ainda

estamos muito atrasados comparados às regiões Sul e Sudeste do Brasil, e o que torna mais difícil é a logística. Não temos a BR319. Os equipamentos só chegam a Manaus por vias aéreas ou fluviais; no primeiro o custo é um absurdo e no segundo, o problema é a demora”, frisa. Apesar das dificuldades, ele conta que o cenário está mudando após a parceria com a operadora TIM, que oferece link com custo mais em conta. “A TIM foi a única operadora que mandou sua diretoria a Manaus para ter uma reunião com a nossa associação. A empresa chegou, se estabeleceu no mercado e, graças a ela, os pequenos provedores estão vivendo um novo plano de negócio”, explica. Nascimento destaca também que a associação conseguiu participar do projeto Amazônia Conectada, do Exército Brasileiro, que levará conexão pelo leito dos rios do Estado. “Os associados da Aprieam vão ter direito a receber o link e ter mais qualidade de conexão para oferecer banda larga aos seus clientes. Hoje o acesso é muito limitado nessas redes de satélite”, ressalta.

Telebras trabalha via gasoduto Coari-Manaus A Telebras tem como missão levar a banda larga a regiões que ainda não contam com o benefício. Para isso, a empresa está desenvolvendo uma série de projetos de diferentes perspectivas tecnológicas para poder chegar aos links de rede nas capitais e municípios do interior. A principal ação no Amazonas é o projeto do gasoduto Coari-Manaus. As informações são do gerente comercial da companhia, Iugorou Ohara.

Segundo ele, o projeto se iniciou em 2010 e ao longo do tempo a Telebras vem investindo capital no desenvolvimento dessa rede, sendo que nesse momento chega ao Amazonas, com previsão de estender a rede para Roraima e outros Estado do Norte. “Estamos chegando a algumas regiões do Amazonas. Como a base da nossa rede é de fibra ótica, vamos instalando a rede e abrindo ramificações para

os lugares que serão atendidos”, declara. Ohara destaca que o Estado tem um ambiente difícil para fazer as instalações da rede, por isso demorou mais tempo para a empresa chegar à região. “Temos muitas dificuldades, a maioria é geográfica. À vista disso, existe projetos de diferentes tecnologias e parcerias para podermos chegar ao Amazonas de uma forma mais completa”, revela.

Ele ressalta que quando a Telebras chega a uma cidade, atua como uma indutora de regulamentação de mercado, visto que no local onde só o mercado privado atende os preço dos serviços não são competitivos. “É preciso que a sociedade tenha acesso à tecnologia para evoluir, seja em termos de negócio seja em termos sociais. Hoje a informação é um aspecto essencial para o desenvolvimento do nosso país”, frisa. Há cerca de 150 provedores de internet no AM e 20 mil usuários

Democratização no Norte é lenta Existem três medidas principais que já estão acontecendo e outras que ainda irão ocorrer para a democratização do acesso à internet na Região Norte e também em todo o Brasil. As informações são do diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações (Minicom), Artur Coimbra. Segundo ele, dentre as ações está o projeto da Telebras, que pretende ter uma rede de banda larga de alta capacidade em todo o país para vender o sinal a provedores que queiram prestar serviço ao usuário final. “A vantagem é que a Telebras é uma rede neutra. Ela não tem interesse em competir pelo usuário. Então faz um preço baixo para os provedores atenderem esses usuários”, salienta. Ele conta que, na Região Norte, o projeto ganhou impulso significativo com a construção do Linhão de Telebras desenvolve rede de banda larga para vender sinal a provedores de internet de todo o país

Tucuruí, que interligará os Estado do Amazonas e Roraima ao sistema de energia elétrica nacional. Conforme Coimbra, o projeto está trazendo banda larga com fibra ótica desde julho do ano passado. “Já faz mais ou menos cinco meses que essa capacidade está disponível em Manaus. Essa ação vai melhorar significamente o serviço na região”, destaca. Além desse projeto, Coimbra ressalta que foi feito um leilão pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de uma faixa de frequência para 4G - tecnologia que permite uma maior velocidade para a internet móvel - cuja obrigação é que todas as operadoras devem atender um raio de 30 quilômetros da sede de cada município. Segundo ele, no Amazonas a operadora responsável é a Claro, que tem até o final de 2015 para cobrir toda a

região. “Com a cobertura na cidade e no entorno dela levaremos banda larga para a área rural. Com isso, nossa expectativa é cobrir entre 90% e 91% de todos os municípios rurais brasileiros, que hoje praticamente nenhum deles tem banda larga, o que deve acontecer até o final de 2015”, frisa. A terceira ação, conforme Coimbra, é o lançamento do satélite da Telebras que terá uso militar, mas também para banda larga. “É um satélite que, por exemplo, para o Amazonas e outros Estados de grande extensão do país, atenderá áreas distantes que não podem ser atendidas por redes terrestres, por fibra óptica, ou por rádio. Esse satélite cobrirá todo o Brasil e oferecerá uma capacidade de 50% a 60% a mais que todos os satélites oferecem hoje”, aponta, destacando que o lançamento será em 2016.


País

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Gestos simples devem ser estimulados no combate ao desperdício, como deixar de lavar carros e calçadas

desperdiça quase 40% de água da rede de distribuição O país está prestes a passar por um racionamento hídrico. Apesar da crise, ainda falta consciência ambiental ao brasileiro

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rasília - Diante da mais grave crise hídrica de toda a história do país, o debate sobre as alternativas emergenciais já não exclui a hipótese de racionamento da oferta de água nas principais regiões metropolitanas, a começar pela Região Sudeste. Apelos por ajuda à população também se multiplicam, assim como campanhas para que as pessoas economizem água. Cada gota de água poupada é importante e gestos simples devem ser estimulados, como o fim de banhos demorados e a suspensão da lavagem de calçadas e carros. É necessário lembrar, porém, que os domicílios recebem apenas 10% da água coletada e tratada e que estudos indicam um problema ainda maior: o alto índice de perda de água nas próprias redes de distribuição, estimado em 37,5%, na média nacional. Foi o que mostrou a edi-

ção de dezembro de 2014 da revista “Em Discussão!”, publicada pela Secretaria de Comunicação do Senado. O desperdício de água já tratada representa uma perda de mais de R$ 10 bilhões por ano, segundo estudo que resultou de parceria entre o Instituto Trata Brasil e a Universidade do Estado de São Paulo (USP), publicado em março de 2013. Além de agravar a escassez hídrica, essas perdas dificultam novos investimentos em abastecimento e saneamento, limitando a oferta de serviços essenciais à população. A explicação em boa parte está nas tubulações antigas e mal conservadas, por onde a água escorre sem controle. Com desperdício tão elevado, as companhias acabam retirando do ambiente mais água do que realmente a população necessita. Além disso, há roubos e ligações clandestinas, ausência de medição ou medições incorretas, com

impacto considerável sobre o faturamento das empresas. Combate ao desperdício O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que está se despedindo do Parlamento neste mês, considera inaceitável tanto desperdício. Por isso, cobra investimentos de todos os governos no combate às perdas físicas, por meio da troca de equipamentos, tubulações, hidrômetros e válvulas e redutores de pressão. Além disso, pede a execução de permanente varredura atrás de fraudes, com uso de equipamentos de alta tecnologia. Segundo estratégia traçada pela Agência Nacional de Águas (ANA), na publicação “Atlas Brasil (Abastecimento Urbano de Água)”, todos os municípios teriam condições de reduzir as perdas para o patamar de 30% até 2025. Para que essa meta possa ser alcançada, o órgão defende a aplicação de R$ 834 milhões em ações diversas.

Com redução de apenas 10% nas perdas, as operadoras já agregariam R$ 1,3 bilhão anuais às suas receitas. É o que indica o estudo do Instituto Trata Brasil e da USP, intitulado “Perdas de Água: entraves ao avanço do saneamento básico e riscos de agravamento à escassez hídrica no Brasil”. “As perdas fazem com que mais água tenha que ser retirada da natureza para cobrir a ineficiência. É preciso que governo federal, governadores e prefeitos lutem por reduções de perdas desafiadoras, pois certamente resultarão em recursos financeiros para levar água potável e esgotamento sanitário a quem não tem”, avalia Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil. Ação parlamentar A preocupação com a ameaça de racionamento e a redução da disponibilidade

mesmo em médias e pequenas cidades vem mobilizando a atenção dos senadores em diferentes frentes. Em 2014, os parlamentares realizaram audiências para ouvir especialistas e dirigentes públicos. Também avançaram na votação de propostas legislativas que ajudam a promover o uso racional de recursos hídricos. Como alternativa para diminuir o uso de água tratada, um dos projetos, o PLS 112/2013, torna obrigatória a coleta, o armazenamento e o uso de águas pluviais para irrigar áreas verdes e lavar calçadas, com previsão de estrutura adequada nos novos condomínios residenciais e comerciais, hospitais e escolas. O texto do senador João Durval Carneiro (PDT-BA), que também encerra seu mandato neste mês, ainda sugere incentivos tarifários para que condomínios e domicílios

individuais adotem medidas com o fim de acabar com vazamentos e instalem dispositivos que economizam água, como vasos sanitários com descarga reduzida. O projeto já passou pelas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Agora, aguarda deliberação da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), onde será votado em decisão terminativa. Não se pode esperar, contudo, resultados imediatos de quaisquer das soluções cogitadas, como a diminuição do desperdício nas redes de distribuição. Assim, a atual crise hídrica, que também afeta a produção energética, baseada majoritariamente em fontes hidráulicas, poderá exigir esforços de adaptação inéditos para a maioria dos brasileiros, à exceção dos nordestinos, já familiarizados à escassez de água.

EDÍLSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO

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País

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Prouni cresce 11% e vai oferecer 213 mil bolsas

Inscrições para edição 2015 inicia amanhã e segue até a próxima quinta-feira. Vagas são para 30 mil cursos universitários

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rasília - O Programa Universidade para Todos (ProUni) vai ofertar 213.113 bolsas, sendo 135.616 integrais e 77.497 parciais. O número representa crescimento de 11% em comparação ao processo do primeiro semestre de 2014, quando foram ofertadas 191.625 bolsas. As inscrições começam amanhã e podem ser feitas até o dia 29 na página do ProUni. Já estão disponíveis para consulta no site as bolsas ofertadas nesta edição. O candidato que se inscreveu no Sisu também pode se inscrever no ProUni. Em 2015, as bolsas serão para 30.549 cursos, em 1.117 instituições de ensino superior privadas. De acordo com o Blog do Planalto trata-se da maior oferta de bolsas desde que o programa foi criado. O aumento, no entanto, é menor que no ano passado, quando a oferta cresceu 18% em relação ao primeiro semestre de 2013. A maior parte das bolsas concentra-se na Região Sudeste (48%), seguida da Região Sul (22%), Nordeste (14%), Centro-Oeste (10%) e Norte (6%). Podem concorrer às bolsas, estudantes que cursaram o ensino médio na rede pública ou

REPRODUÇÃO

na rede particular, na condição de bolsista integral. É preciso ainda comprovar renda bruta familiar, por pessoa, até um salário mínimo e meio. Para as bolsas parciais, no valor de 50% da mensalidade, a renda bruta familiar deve ser até três salários mínimos. Para se inscrever, o candidato deve ter participado do Enem de 2014 e obtido, no mínimo, 450 pontos na média das notas. Além disso, não pode ter tirado 0 na redação. Outra condição é que ainda não tenha diploma de curso superior. Professores do quadro permanente da rede pública de ensino, que concorrerem a cursos de licenciatura, também podem participar do ProUni. Nesse caso, não é necessário comprovar a renda. Segundo dados do Ministério da Educação, ao longo de dez anos, o Prouni concedeu 1,5 milhão de bolsas de estudos para estudantes carentes de todo o país. Nesse período, o programa formou mais de 430 mil profissionais em todas as áreas do conhecimento. Atualmente, o programa beneficia mais de 562 mil jovens brasileiros de baixa renda com bolsas integrais ou de 50% em universidades privadas de todo o país.

Estudantes que obtiveram bom desempenho no Enem e não zeraram na redação também podem se inscrever nesse programa


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Mundo

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Bolívia e EUA sinalizam reaproximação diplomática Os dois países estão de relações cortadas desde 2008, quando Evo Morales expulsou o embaixador americano de La Paz

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ão Paulo - Com relações rompidas desde 2008, quando o governo boliviano expulsou o embaixador norte-americano do país, Bolívia e Estados Unidos têm buscado uma reaproximação desde o final do ano passado. Neste sentido, o subsecretário de Estado para a Democracia Direitos Humanos e Trabalho dos EUA, Tom Malinowski, que esteve em La Paz para participar da cerimônia de posse do presidente Evo Morales, afirmou que “mais cedo ou mais tarde” ocorrerá uma reunião entre os presidentes de ambos os países. Malinowski também expressou o “grande respeito e admiração que temos nos Estados Unidos pelo grande progresso e inclusão social que se registra na Bolívia”. Após se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, em um encontro qualificado como “excelente”, o subsecretário afirmou que “enquanto for mantida a atmosfera positiva entre os governos, estaremos próximos de chegar a este ponto (de normalização das relações) mais cedo ou mais tarde”. Malinowski disse ainda que “este é um processo que tem

DIVULGAÇÃO/ABI

que marchar passo a passo. Não posso dizer quando poderia ocorrer a reunião (entre os mandatários), mas posso dizer que isso é algo que nós gostaríamos de ver em algum momento”. Em entrevista publicada na última sexta-feira no jornal boliviano La Razón, Evo ressaltou o desejo de que um possível encontro com Barack Obama seja concretizado ainda este ano, mas pontuou que também é necessário que os EUA respeitem a Bolívia. O líder indígena boliviano lembrou que Choquehuanca defendeu, em dezembro do ano passado, uma reunião de alto nível entre os chefes de Estado, mas ainda não “obteve resposta”. As relações entre os países estão congeladas desde 2008, quando o governo boliviano expulsou o embaixador norte-americano Philip Goldberg, acusado de apoiar uma conspiração interna no país. Como resposta, os EUA expulsaram o embaixador boliviano Pablo Guzmán do país e retiraram as preferências tarifárias. Evo também expulsou a DEA, agência antidrogas dos Estados Unidos, e em 2013 também determinou a saída do país da Usaid (Agência para o Desenvolvimento Internacional).

Subsecretário dos EUA, Tom Malinowski, disse ter esperança de seguir vendo o fortalecimento do respeito e inclusão social

Líder indígena enaltece 3º mandato de Evo Em uma carta enviada ao presidente Evo Morales, a indígena guatemalteca e Prêmio Nobel da Paz em 1992, Rigoberta Menchú, afirmou que o terceiro man-

dato de Evo consolida a luta pela emancipação dos povos indígenas. Menchú disse que a luta é imposta frente às ações imperialistas e ocidentais que

ainda pretendem seguir submetendo as nações do continente e do mundo e inviabilizar os povos originários. Ela também expressou os melhores desejos de êxito e

que as “energias do Cosmos e do Universo e a sabedoria das avós o guiem na consolidação das bases do ‘Bom Viver’ e a plena soberania no conjunto das nações”.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

TADEU DE SOUZA

Carnailha em situação indefinida Dia a dia C7

Aberturas na lei impedem combate ao narcotráfico

Divergência de opiniões quanto ao caso Archer reacende a questão da falta de uma legislação mais rigorosa no país JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

DROGAS CAMINHO SEM VOLTA

DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO

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execução do brasileiro Marco Archer ocorrida no último sábado (17), na Indonésia, trouxe à tona a discussão em torno da legislação do tráfico de drogas no Brasil. Nas redes sociais, a medida foi considerada acertada por alguns, enquanto outros criticaram a atuação das autoridades brasileiras no sentido de tentar reverter a pena. “No contexto internacional, a medida mostra que o tráfico de drogas representa um crime tão grave quanto o homicídio” diz George Gomes, titular da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecente (Depre). Ele defende a aplicação de penas mais rígidas para traficantes e usuários, uma vez que o entendimento das leis favorece os criminosos. “A Constituição prevê que o traficante é inafiançável, ou seja, ele deve responder ao processo dentro da prisão. O problema é que, hoje, ele consegue uma liberdade provisória. Em questão de dias ou meses ele volta a traficar”, analisa. Segundo Gomes, a implantação de leis no Brasil tem duas fases distintas. “No início, são aplicadas com mais rigor, pois são motivadas pela comoção

pública diante de casos considerados graves. Com o passar dos anos e a atuação de grupos de direitos humanos, por exemplo, as penas se tornam mais flexíveis”. Repressão Para a juíza de Direito aposentada Marina Araújo, a lei 11.343/06 representa um instrumento eficaz de repressão e se ajusta às diretrizes internacionais de combate às drogas.

DIFICULDADE

O problema na legislação atual resulta do fato de que a lei considera o usuário como um doente e deixa de observar que muitos deles passam a traficar para sustentar o vício O problema resulta do fato de que a lei considera o usuário como um doente e deixa de observar que muitos deles passam a traficar para sustentar o vício. No entanto, ela argumenta que as medidas resultam ineficazes porque não contemplam um aspecto essencial: a ausência de políticas públicas.

“Autoridades no mundo inteiro não têm obtido êxito porque o problema não está em quem vende, mas em quem consome. Portanto, o combate deve ser preventivo, no seio de cada família, de cada escola, de cada âmbito social. E evitar o consumo, a fim de esvaziar o comércio”, propõe Marina, professora de Direito Penal e Processo Penal da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O elevado potencial de inserção nas diversas camadas sociais e instituições, como a própria polícia, torna o combate à prática um desafio. Nesse sentido, ganham destaque as atividades de prevenção, cujo principal objetivo é cortar o mal pela raiz. Um exemplo é o projeto “Delegado Legal”, promovido pela Polícia Civil e que tem como foco crianças carentes na faixa etária entre 6 e 10 anos. Outros fatores, como a precariedade do sistema prisional, acabam contribuindo para reativar o círculo vicioso. Faltam estabelecimentos públicos de atendimento aos dependentes, e os egressos das penitenciárias muitas vezes não encontram vagas no mercado de trabalho. A ausência de interesse político no assunto contribui para o crescimento dessa rede.

Impunidade motiva discussões A repercussão do fuzilamento do brasileiro, condenado à pena de morte em 2005, levanta uma questão: até que ponto isso indica uma insatisfação do brasileiro acerca da legislação vigente no país? No Facebook, as opiniões se dividiram. Houve quem considerasse a medida um modelo a ser implantado no Brasil. A situação é complexa, pois trata-se de um fenômeno típico na sociedade de rede que envolve também questões sobre a liberdade de expressão.

É o que aponta Mirna Feitoza, professora do curso de comunicação social da Ufam e do programa de pós-graduação em ciências da comunicação da instituição. Ela ressalta ainda que a opinião pública exerce forte influência na tomada de decisões, mas outros fatores devem ser levados em conta. “Hoje, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode emitir uma opinião em grande escala. Há possibilidade de ocorrer manifestações, mas as mudanças dependem

principalmente da mobilização entre a sociedade civil e as instituições organizadas”. Para Marina, trata-se de apenas outro modismo do meio virtual. “No Brasil há uma tendência muito grande de martirizar pessoas ou até beatificá-las de acordo com a ocasião. Por ser um país que não conhece guerras civis, catástrofes da natureza, ele busca heróis e mártires nos acontecimentos cotidianos, prontamente esquecidos quando outro se apresenta”. PC/DIVULGAÇÃO

Iniciativas com o projeto “Delegado Legal” atuam na prevenção ao consumo de drogas


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Dia a dia

‘A droga

RICARDO OLIVEIRA

Depois de se livrar do pesadelo, exdependente químico conta sua longa trajetória da entrada no vício até a recuperação com apoio da mãe, única da família a ficar a seu lado


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começa na escola’ FOTOS: PC/DIVULGAÇÃO

LÍDIA FERREIRA Equipe EM TEMPO

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nfelizmente, a maior parte dos jovens começa a usar droga na escola. Lá ele está sozinho e é onde é facilmente assediado. No bairro onde mora, geralmente tem alguém que conhece os pais, os parentes, e isso já dificulta”. A declaração é do funcionário público Rafael Pereira do Santos, 34, que há 13 anos deixou o vício dos tóxicos após passar por um tratamento na Fazenda da Esperança. Foi aos 13 anos, na escola onde estudava, que Rafael Pereira teve o primeiro contato com o cigarro. Também foi lá que conheceu a maconha e, logo depois, a cocaína. “A sociedade não se prepara para a prevenção, não ocupa os jovens e nem deixa claro o tamanho da gravidade que é o mundo das drogas. Seja em escola pública ou particular, sempre tem alguém lá dentro disposto a atrair mais usários”, contou.

Como a maioria dos adolescentes, Rafael começou com quantidades pequenas para diversão e, com menos de dois anos, já estava no vício diário e no circuito do crime. O primeiro impacto foi abandonar os estudos. “No começo dá uma sensação boa, isso é claro.

PRINCÍPIO

Foi aos 13 anos, na escola onde estudava, que Rafael Pereira teve o primeiro contato com o cigarro. Também foi lá que conheceu a maconha e, logo depois, a cocaína, primeiro em quantidades pequenas Mas depois você fica completamente dependente, querendo sempre mais e mais. Então, você precisa arranjar dinheiro e, se não trabalha, começa a vender as suas coisas e os objetos de casas. Cheguei ao ponto da minha mãe trancar tudo no quarto dela para eu

não vender”, contou. O ex-dependente químico relata que, por conta das dívidas de drogas, chegou a levar dois tiros, mas que o atingiram “de raspão”. “Eu estava marcado para morrer no meu bairro. Eu até tentei traficar, mas acabava mais endividado porque eu consumia a droga que eu deveria vender. Toda essa situação afastou a minha família. Somente minha mãe ficou ao meu lado. Quando a vi sofrendo muito, comecei a querer sair dessa vida”, contou. Para Rafael, o ponto de partida foi após o aniversário dele em 2001. Depois de duas semanas morando na rua, sem comer, sem tomar banho e apenas usando drogas, ele decidiu mudar sua história. Voltou para casa da mãe e escreveu uma carta para a Fazenda da Esperança, instituição de caridade vinculada à Igreja Católica. “Um mês depois fui aceito. Passei três meses sem nenhum contato, apenas por carta com a mãe. Foi muito difícil, só quem passa sabe o que é uma abstinência”, disse.

Tóxicos descobertos dentro de botija de gás pela polícia: usuário também se torna traficante

Drogas apreendidas pela Polícia Civil: o começo de uma tragédia diária na sociedade brasileira

Prisão por narcotráfico: o ponto em que a vida do dependente começa a cair cada vez mais

Depois da reabilitação, nova vida Rafael dos Santos passou um ano na reabilitação da Fazenda da Esperança, local onde tem como princípio o trabalho, a espiritualidade e convivência. Ele começou a se dedicar para os trabalhos da própria instituição. Ao sair do internato, passava 15 dias em casa e outros 15 dias na Fazenda. “Assim que voltei, fui muito assediado por ex-colegas de vício. Mas fui muito bem orientado, estava firme ao meu propósito. Já se passaram quase 14 anos que estou longe. Acabei, inclusive, virando exemplo para esses colegas. Alguns eu até ajudei a sair desse mundo”, disse.

Por meio do trabalho desenvolvido na instituição, Rafael viajou para outros Estados, como Rio Grande do Sul e Amapá, além de países como Alemanha e México, lugares onde há a Fazenda da Esperança. “Nunca imaginei que esse trabalho pudesse me proporcionar isso”, disse. Com 34 anos, sendo quase 14 sem usar entorpecentes, Rafael comemora a vida nova ao lado da mãe, da filha de 15 anos e do filho de 2 anos. “Eu fui muito bem acolhido, recebi muito amor e agora quero dar muito amor para aqueles que precisam sair dessa situação”, disse.

Além do trabalho de missionário da Fazenda da Esperança, Rafael é um dos coordenadores do grupo Esperança Vida, uma extensão da fazenda em Manaus. Todos os dias há reuniões, em pontos diferentes da cidade, com dependentes e familiares interessados em se livrar do vício. Os interessados podem se inscrever no grupo por meio do telefone (92) 99143-6847. Quem quiser uma vaga na fazenda deve levar uma carta manuscrita para o Escritório da Fazenda da Esperança, localizado na avenida Presidente Dutra, s/ nº, bairro Glória, Zona Oeste da capital amazonense.


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Dia a dia

Um caminho sem volta? Para quem encontra apoio em centros de recuperação, a jornada para se livrar do passado de prazer com as drogas é dura, mas não é impossível IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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á aqueles que conseguem se manter no mercado de trabalho. Outros acabam por extorquir a própria família, bater carteira nas ruas, ou mesmo partir para assaltos. Tem também os que enveredam pelo caminho da prostituição. Independentemente da forma de captar recursos, o lucro já tem destino certo. Para alimentar o vício, dependentes químicos mostram que não há limites em busca do efêmero prazer proporcionado pelo uso do tóxico. Dentro do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) são muitas as histórias de jovens, ex-dependentes que lutam a cada dia para se verem livres do vício e iniciarem uma nova vida. Com o trabalho de promotor de vendas, Lucas Freitas*, 30, pagava a mensalidade da faculdade de administração e ajudava nas despesas de casa. De repente o rapaz viu-se trancafiado na cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa, onde passou dois meses. “Sempre fui usuário, nunca vendi nenhuma trouxa sequer, fui preso de ‘laranja’. Estava no lugar errado e na hora errada. Fui comprar droga de madrugada e ‘fui achar’ de usar dentro da casa do ‘boqueiro’. Daí a polícia chegou e me articulou como traficante. O dono da droga fugiu pela janela e para eles não levarem só a droga, me levaram junto”, afirmou. Lucas começou a fumar maconha aos 21 anos de idade, durante os jogos de futebol com um grupo de amigos. “Minha família sempre dizia para não entrar no caminho das drogas que é sem volta. Mas a curiosidade foi maior. Todo mundo ‘no barato’ na roda de amigos e senti a curiosidade de experimentar”, revelou. No começo o uso era restrito aos sábados, o que com o tempo, não supria mais a necessidade do jovem. “Fui me pegando comprando, procurava onde vendia mais barato. Usava todo dia e quando me dei conta já fumava toda hora, feito cigarro”, disse. Mas foi no cárcere que Lucas teve acesso a drogas mais pesadas, como a pasta base de cocaína. “Dentro da cadeia conheci um submundo pior que já conhecia. O acesso (da droga) é fácil lá, o próprio sistema é corrupto. Conheci a pasta-base

DROGAS CAMINHO SEM VOLTA

na prisão, mas quando saí passei a usar com mais intensidade. Foi meu fundo”, reconheceu. Lucas passou por duas internações em diferentes clínicas até chegar ao Centro. “Percebi que precisava de ajuda quando comecei a cometer pequenos furtos dentro de casa, até que no último estágio, estava vendendo as roupas que eu tinha, em outubro de 2014. Nunca roubei na rua, nunca matei. Falei com meu irmão, ele conseguiu tratamento para mim. Agradeço muita a Deus pela vida dele”, disse. No centro de reabilitação, Lucas divide o tempo em reu-

RECOMEÇO

Após concluir o tratamento, Lucas pretende dar continuidade ao curso técnico de enfermagem, iniciar a faculdade também na área da saúde e quem sabe, casar começando uma nova história niões, palestras, prática esportiva, e atendimento com o psicólogo e psiquiatra. “Aqui é o espaço que temos para nos rever, nos redescobrir, nos reinventar. Tive um momento de depressão, quando começou a vir tipo uma ‘cachoeira de derrota’ dos 10 anos para cá, das coisas que perdi, que deixei de ganhar. Pensando onde eu poderia estar, o que poderia estar fazendo se eu não tivesse enveredado por este caminho. Aquilo me oprimiu muito, procurei psiquiatra e conversei com ele. Para mim faz toda a diferença este amparo”, disse. Após concluir o tratamento, Lucas pretende dar continuidade ao curso técnico de enfermagem, iniciar a faculdade também na área da saúde e quem sabe, casar começando uma nova história. * Os nomes dos entrevistados foram trocados para preservar suas integridades

Crime, prostit Furtos dentro de casa para sustentar o vício A perda de três pessoas da família em menos de dois anos foi o estopim para aproximar Mariana Alves*, hoje com 20 anos, das drogas. “Sou uma pessoa sentimental demais. Primeiro foi a perda de meu pai, eu meio que entrei em depressão, mas consegui superar. Depois de um tempo, um dos meus primos me assumiu como filha, éramos muito grudados, e ele veio a falecer também”, disse. Aos 18 anos, outro familiar que se aproximou da menina também morreu. “Esse meu outro primo me considerava uma filha. Ele ia se casar, me chamou para ser madrinha. No dia do casamento ele faleceu e isso para mim foi um choque. Dias antes eu tinha terminado um namoro

longo. Mas nada se comparou à morte dele. Olhei para cima e falei ‘quem mais você vai levar? Não é possível, perdi meus três pais’”, relatou. Dois dias após o enterro do primo, em novembro de 2012, Mariana conta que experimentou a cocaína pela primeira vez. Ela conseguiu a droga com alguns colegas na faculdade. “Sou observadora, já sabia quem curtia e quem procurar. Ninguém me ofereceu, eu fui atrás. Usei naquele dia e no outro estava pior e usei de novo. Momentaneamente dá para ‘apagar’, dava o ‘primeiro tiro’ e ficava olhando para cima. Parecia que apagava tudo da memória, mas ao mesmo tempo dava aquele pânico, parecia que sempre tinha alguém atrás

de mim”, explicou. Em 2013, a universitária conseguia controlar o consumo. Contudo, um ano depois da primeira experiência Mariana considera que chegou ao “fundo do poço”. “Foi o ano da minha morte espiritual, usava todo santo dia”, disse. Do dinheiro do salário, ela separava uma parte para despesas e o resto era todo para comprar drogas. “Se sobrasse R$ 500, se eu gastasse R$ 100 para comprar uma roupa para mim era muito. Os R$ 400 iam na droga. Quando acabava eu queria mais. Furtava minha mãe, tia, primo ou então contava mentira para conseguir dinheiro. Cansei de usar minha filha nisso e é uma das coisas que mais me doía”, reconheceu.

Após perder a confiança da família Mariana pediu ajuda da mãe dela. “Chegou um ponto que me olhei no espelho e não me conheci. Foi muito difícil pedir ajuda, mas no outro dia quando acordei (dentro do Centro) a sensação era de que tinha acabado de nascer. Meu objetivo aqui é minha recuperação e esse é o foco. Enquanto eu tiver esse foco e esse objetivo, nada vai tirar minha estrutura”, afirmou. Há 28 dias em tratamento e um mês e 28 dias limpa, Mariana mostra superação e força para lidar com as dores no corpo, resultado da abstinência. “Teve dia que senti gosto da cocaína na garganta, mas a vontade dá e passa. Basta a gente querer e eu quero minha recuperação”, afirmou.

Centro faz atendimento de graça O Centro de Reabilitação atende gratuitamente 120 pacientes com alto grau de consumo de álcool e outras drogas. São aceitas pessoas de todo estado, de ambos os sexos, a partir dos 13 anos de idade. O tratamento transcorre em 90 dias, prorrogado por mais 30. “Dentro do tratamento trabalhamos em três eixos, que correspondem a cada um dos três meses. Cada mês é trabalhado coisas específicas. O tratamento é de 90 dias, mas pode ser prorrogado por até 120, conforme a necessidade e o problema de saúde. Depende da decisão da equipe técnica e da vontade do paciente”, disse o diretor do Centro, o Em rotinas diversas, internos do Centro de Reabilitação redescobrem a vida longe dos tóxicos

médico Pablo Gnutzmann. Nos 5 mil metros quadrados de área construída, o local oferece as pessoas em recuperação quadra poliesportiva, salas de aula, refeitório, enfermaria, quatro alojamentos divididos entre masculino, feminino e adolescente, salas de TV e cinema, climatizadas. Os pacientes contam com uma equipe multidisciplinar de profissionais durante o tratamento. Os familiares também têm acompanhamento e são preparados para receber os pacientes durante as visitas terapêuticas. O local também é o primeiro no Brasil a trabalhar com a política de redução de danos, limitando, por exemplo, o uso do cigarro

– em cinco por dia, em horários determinados – para os residentes que fumam. A porta de entrada no centro são principalmente os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), municipal e estadual, e as policlínicas. Ao término do tratamento, os pacientes retornam ao CAPs de origem e continuam o processo de recuperação, junto aos familiares. “A demanda é muito grande, então recebemos pacientes encaminhados de qualquer serviço do Estado inteiro”, disse o médico. Ele acredita que o maior investimento em campanhas de prevenção e na educação contribuem com a redução de pessoas que recorram ao uso de entorpecentes.


Do pesadelo até a luz da libertação, ex-dependentes químicos são exemplos de otimismo

FOTOS: IONE MORENO

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uição e luz

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Cada vez mais no fundo do poço Foi na infância que Henrique Dias*, hoje com 33 anos, fumou o primeiro cigarro de maconha no município de Iranduba. “A namorada do meu irmão me apresentou a maconha e a paste base de cocaína. Foi amor à primeira vista, não posso te dizer que droga não é gostoso, mas ela faz muito mal. Se não fosse bom não teria tanta gente usando”, afirmou Henrique. Para Henrique, o barato da droga se assemelha ao orgasmo. “É um prazer de um orgasmo multiplicado por 10 e é rápido. Eu sempre busco o prazer da primeira vez, que não consigo nunca mais, por isto eu também aumento as quantidades e o intervalo para buscar este prazer. A primeira vez foi maravilhoso. Eu sempre associava a droga com o sexo”, explicou. Na época do primeiro contato, o consumo de droga não era constante, no máximo uma vez por mês. Com o tempo o jovem substituiu de vez o entorpecente pelo álcool. “Parei uma época que me afundei no álcool, bebia pra ficar doido, até cair. Depois frequentei o AA (Alcoólicos Anônimos) e parei de beber uns cinco anos. Fiquei só com o tabagismo”, ressaltou. Há um tempo “limpo”, Henrique voltou a fumar maconha. Mas, foi na mudança para Goiânia que ele teve acesso a drogas mais fortes. Para sustentar o vício, ele apelou para a prostituição. “Era um meio mais fácil de me manter em outra cidade, era

divertido para mim e mantinha o vicio”, ressaltou. Ele começou a trabalhar em um dos cabarés mais famosos da cidade e chegou a se relacionar com a proprietária do lugar. “Por conveniência fiquei uma boa época com ela. Digo assim porque sou homossexual e bem resolvido sexualmente. E ela me dava droga em abundância, até que eu fiquei muito debilitado e voltei para Manaus. Minha mãe não tinha noção do tamanho do problema e

DRAMA

Após o programa, Henrique consumia droga com o lucro. Quando terminava o dinheiro, retornava para o ponto. Ele chegou a gastar no mínimo R$ 100 todos os dias para manter o vício eu continuava na negação total e fui me afundando mais ainda”, lembrou-se. Para comprar droga, ele começou a cometer furtos em casa e na rua. Além de continuar com os programas. “No Centro, tem o que rouba na ‘tora’ e tem o oportunista, que é quando a pessoa ‘marca na carteira’ e você pega sem ele ver. Eu me coloquei como oportunista em muitas situações. Procurava fazer só o programa, pegar meu dinheiro e sair, mas às vezes quando via uma boa

oportunidade, sempre cometia o delito para fazer uso de entorpecente”, afirmou. Após o programa ou o furto, Henrique consumia droga com todo o lucro acumulado. Quando terminava o dinheiro, retornava novamente para o ponto. Ele chegou a gastar no mínimo R$ 100 todos os dias para manter o vício. “Agora quando ‘fazia a boa’, que é pegar uma boa quantidade de dinheiro eu não voltava mais, era realmente só para suprir necessidade da droga”, afirmou. Durante quase duas décadas de consumo, Henrique conta que sempre pode contar com o apoio da mãe. “Minha mãe nunca fechou as portas para mim. Eu poderia passar 10 dias sumido, quando voltava sujo, detonado, com fome, ela abria as portas, dizia para eu tomar banho, preparava uma coisa para eu comer”, lembra-se. Ele chegou a passar por uma internação, mas apesar de concluir o tratamento, retornou à antiga rotina. Quando ele se viu sem o apoio da família e no que considerou ser o “fundo do poço”, buscou pelo segundo tratamento. “Estou há 77 dias aqui e consegui alguns objetivos, como concluir meu segundo grau”, disse. Com esperanças na recuperação, Henrique já traça metas para curto, médio e longo prazo, como cursar um técnico e até mesmo uma faculdade. “Hoje o meu objetivo maior é brigar comigo mesmo para me manter sóbrio”, finalizou.


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Novo teste pré-natal não invasivo detecta síndrome Laboratório disponibiliza exame para gestantes com precisão superior a 99% para detectar a síndrome de Down FOTOS: DIVULGAÇÃO

O novo exame elimina o incômodo da punção abdominal, que identifica as anomalias cromossômicas

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urante muito tempo mulheres grávidas tinham receio em fazer exames que identificassem anomalias cromossômicas. O teste consistia em uma punção abdominal e era indicado em casos de riscos de alterações genéticas no feto durante a gravidez. Acompanhando as inovações da medicina laboratorial e em constante busca por oferecer o melhor atendimento, o Laboratório Sabin já disponibiliza um novo teste pré-natal não invasivo: o Harmony Test. Por essa característica, o exame não apresenta risco nem para mãe nem para o feto, e ainda possui alta taxa de exatidão e confiança. “O teste é muito simples e feito a partir de uma amostra de sangue materno. Pode ser realizado em qualquer período da gravidez a partir da décima semana de gestação”, explica o gestor técnico do Laboratório Sabin em Manaus, Régis Torres.

O teste Harmony garante precisão superior a 99% para a trissomia 21, que causa a Síndrome de Down. Essa metodologia é respaldada pelas mais relevantes publicações científicas sobre o DNA fetal livre e segue elevados padrões de qualidade. Além disso, o teste identifica as síndromes de Patau (trissomia do 13), de Edwards (trissomia do 18) e alterações dos cromossomos sexuais, como síndrome de Turner e Klinefelter. O resultado do exame é liberado em até 20 dias úteis. “Oferecemos um teste de alta sensibilidade, com menos riscos e que gera menor ansiedade para as gestantes e mais segurança para médicos”, garante Torres. Atualmente, o Laboratório Sabin conta com oito unidades na capital amazonense, com matriz localizada no conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul.

Resultado para as mulheres examinadas sai em até 20 dias


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Carnailha está indefinido por ausência de recursos

Prefeitura de Parintins não tem como realizar evento orçado em R$ 1,3 milhão. Enquanto isso, blocos procuram soluções TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

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arintins (AM)–Faltando 23 dias para o Carnaval, Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, ainda corre atrás de recursos para realizar o Carnailha. A realização de eventos de grande porte como o Carnaval de rua com recursos públicos foi atingida em cheio pelas dificuldades que prefeitos e governadoresvêm enfrentando Brasil afora. Ouvido pelo EM TEMPO, o prefeito de Parintins, Alexandre da Carbrás, foi taxativo: “Sozinha, a prefeitura não tem condições de realizar o Carnailha. É o nosso segundo maior evento, está orçado em R$ 1,3 milhão. Vamos recorrer ao governador José Melo, pedir o apoio do governo para viabilizar o nosso Carnailha, que é uma tradição no interior do Estado”, afirmou. A solução para realização do Carnaval é a prefeitura manter a parceria de outros anoscom o governo do Estado, via Secretaria de Cultura. Porém, segundo informações de bastidores, também o Estado, neste começo de segundo governo,se ressente derecursos para convênios dessa natureza. O Carnailha é realizado da seguinte maneira: o governo do Estado disponibiliza, por meio de convênio, os recursos que são distribuídos entre os 21 blocos participantes, e a prefeitura monta a estrutura da festa que vai do banheiro químico às arquibancadas, sonorização e premiação. O presidente da Associação Carnavalesca de Parintins (Ascap), Netinho do Império, que está em Manaus, disse

quea entidade encaminhou o projeto dos blocos à Sectur em agosto do ano passado. Participam do Carnaval de rua da cidade dos bumbás 22 blocos divididos em chaves A, B, C e Especial. Quem abre o evento no Domingo Gordo de Carnaval é a chave B, também conhecida como Chave dos Irreverentes. O projeto encaminhado pela Ascap àSectur contempla os blocos da chaveB, que temnove agremiações, com o valor de R$ 20 mil para cada bloco. A chave A tem quatro blocos. Pelo projeto cada bloco receberá R$ 35 mil.

PROBLEMA

A solução é a prefeitura manter a parceria de outros anos com o governo do Estado, via Secretaria de Cultura. Porém, segundo informações de bastidores, o Estado se ressente de recursos para convênios A menor chave é a C. Tem dois blocos. A previsão é de que cada um receba R$ 12 mil. E amaior fatia de recursos destinase à Chave Especial, com seis blocos. Cada um espera receber R$ 50 mil. Netinho do Império reconhece que a situação está difícil, mas ressaltaquea crise não é só em Parintins. “Aqui mesmo em Manaus o Carnaboi sofreu algumas adaptações por conta da escassez de recursos. Existem cidades onde, inclusive, nem haverá Carnaval de rua”, salienta. Para ele, diante da realidade atual, é possívelque o projeto seja adaptado e os recursos,

reduzidos. “O importante é que possam realizar o evento”. Esta semana, a coordenadoria de Comunicação da Prefeitura de Parintins, poir intermédio do jornalista Márcio Costa, confirmou ao EM TEMPO que na próxima terça-feira (27) o prefeito de Parintinsvai se encontrar com o governador José Melo e expor a realidade financeira da prefeitura. Enquanto isso, os blocos, à sua maneira, ou seja, realizando promoções nos fins de semana, vêm “correndo a sacolinha” para obter os recursos necessários para se viabilizarem e chegarem à passarela do samba com seus carros alegóricos. População Enquanto se discute a viabilização do evento, as opiniões divergem em relação ao Carnailha. Para Alaíde Tavares Picanço, o Carnaval não é prioridade. “Se não tiver não faz falta, é preciso investir em saúde, educação e outras prioridades da nossa cidade. Se der para fazer Carnaval, tudo bem, mas se não tem dinheiro não adianta sacrificar a população”, atesta. Já para Pedro Santos de Albuquerque, o Carnaval é um momento de alegria da população. “O pobre já não tem muita diversão, se não tiver Carnaval para gente brincar no Domingo Gordo naqueles blocos irreverentes, a cidade vai ficar triste”, afirma. O pecuarista e coreógrafo Manoel Ribeiro, que já foi homenageado no Carnaval de rua, também defende a realização do evento. “Eu acho que as autoridades vão viabilizar o Carnailha, é uma tradição consagrada pelo povo”.

Festa marca calendário da ilha O Carnaval de rua de Parintins foi revitalizado a partir da segunda gestão do prefeito Enéas Gonçalves. O nome Carnailha, que se traduz como Carnaval na Ilha, foi dado pelo então coordenador de Cultura do município, Raul Góes Filho.

Durante a gestão de Enéas Gonçalves, o Carnailha foi realizado na rua Benjamin da Silva, próximo ao cais do porto. “Houve um ano em que Enéas saiu em todos os blocos do Carnailha”, lembra o cinegrafista Iziel Pimentel, que à época trabalhava

na TV RBN. Quando Frank Bi Garcia assumiu a administração municipal, realizou durante oito anos o evento na avenida Paraíba, em frente ao bumbódromo, chamada pela imprensa de “Paraíba do Samba”, nesse período carnavalesco.

TADEU DE SOUZA/ PITTER FREITAS

Falta de verba ameaça suspender o Carnailha deste ano. Prefeito vai buscar ajuda do governo


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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ilustração de Zé Otavio

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A estreia da seção Ponto Crítico

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Direito universal

E outras 5 indicações culturais. Pág. 2

A lei na obra de William Shakespeare. Pág. 3

Churchill, 50 anos depois

J. P. Coutinho revisita a vida do líder britânico. Págs. 4 e 5

4

O entulho de Goebbels

5

Do arquivo de Arthur Omar

6

Diário de Berlim. Pág. 6

México, 2012. Pág. 7

É o último bastião da civilização

A imaginação de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette. Pág. 8


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 5 INDICAÇÕES

PERFORMANCE | ÍNDIGO A apresentação de Barbara Rodrigues fecha o mês da série “Performapa” do Sesc Ipiranga. Na performance, a artista pernambucana usa água, pedras, tecidos e sons para discutir a relação humana com a natureza e o tempo, mergulhando seu vestido branco em uma bacia contendo corante índigo. Sesc Ipiranga | tel. (11) 3340-2000 | sáb. (31), às 19h | grátis

‘Vermelha’ (2014), de Chico Togni

LIVRO | RASGA-MORTALHA Com ilustrações do artista plástico Rodrigo Barrales, o livro de estreia de W. B. Lemos reúne 40 poemas. São escritos baseados nas leituras do autor de nomes como Baudelaire e William Blake. Circuito | R$ 35 | 96 págs.

LANÇAMENTO | QUERIA TER FICADO MAIS O livro traz 12 histórias de diferentes cidades, escritas por 12 mulheres – as narrativas tratam de locais próximos, como Buenos Aires, por Cecilia Arbolave, e de outros mais distantes e inesperados, como a pequena vila de Yangshuo, na China, por Florencia Escudero. O projeto gráfico de Luciana Martins separou os textos em envelopes, como se fossem cartas, e as aquarelas com que Eva Uviedo ilustrou cada uma das missivas estarão expostas no evento. Estúdio Lâmina | tel. (11) 3228-6815 | sáb. (31), às 16h Lote 42 | R$ 49,90 | 107 págs.

FELIPE BARBOSA/DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | MAURÍCIO ADINOLFI E CHICO TOGNI O paulistano Maurício Adinolfi apresenta em “Mangue” o resultado de três anos de trabalho, uma série de seis pinturas monocromáticas prata em que usou óleo, pigmento prata, laca e verniz. Já “O Avião não Dá Marcha Ré”, do mineiro Togni, mostra objetos, que por vezes lembram móveis, construídos com papelão, tinta, sucata e lixo. galeria Pilar | tel. (11) 3661-7119 | de ter. a sex., das 11h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 13/2

EXPOSIÇÃO | ASAS A RAÍZES Sob curadoria de Sonia Salcedo del Castillo, a mostra reúne dez artistas que trabalham nos mais diferentes formatos, como pintura, desenho, fotografia, escultura e instalação. Algumas das obras, que lidam com a imaginação, foram feitas especialmente para o evento, entre elas as de Gê Orthof, Leila Danziger e Neno del Castillo. Caixa Cultural - Rio | tel. (21) 3980-3815 | de ter. a dom., das 10h às 21h | grátis | até 15/3

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‘Mares do Mundo’ (2014), de Rosana Ricalde

Ponto Crítico CINEMA - SELMA

Deu branco na Academia RAUL JUSTE LORES

Hollywood levou mais de 50 anos para fazer seu primeiro filme com Martin Luther King Jr. como protagonista. O líder negro ganhou o Nobel da Paz em 1964, mas até agora só aparecera em documentários ou como coadjuvante. As míseras duas indicações ao Oscar que “Selma” recebeu (filme e canção original) geraram tantas críticas à Academia de Cinema que acabaram ofuscando os indicados ao prêmio – os favoritos deste ano foram pouquíssimo vistos. O longa, que estreia no Brasil no início de fevereiro, descreve as tumultuadas marchas de protesto entre a pequena

cidade do Alabama que dá nome ao filme e a capital do Estado, Montgomery, em março de 1965, para exigir o direito ao voto da população negra local. A primeira marcha reuniu 600 pessoas em um domingo, na saída de uma igreja batista, e faria o percurso de 86 km em uma autoestrada entre as duas cidades. Mas tropas estaduais com gás lacrimogêneo e cavalaria, unidas a moradores brancos com paus e cassetetes, partiram para cima dos manifestantes desarmados. O que os supremacistas brancos não calcularam foi a repercussão das imagens da violência e da repressão racista, transmitidas via satélite para todo o país. Pela TV viram-se senhorinhas com roupa de missa de domingo desacordadas no

asfalto depois de apanharem da polícia ou arrastadas pela cavalaria. As imagens escandalosas, como aconteceria anos depois com o napalm no Vietnã, encerraram o debate. Menos de dez dias após o “domingo sangrento”, o presidente Lyndon Johnson enviou ao Congresso a Lei de Direito ao Voto, aprovada em agosto do mesmo ano. O maior desafio da diretora Ava DuVernay, 42, em seu terceiro longa, era o de contar uma história que os americanos aprendem nas aulas de história e que quase todo o país sabe como acaba. E transformar o mítico Martin Luther King Jr., unanimidade apenas após seu assassinato, em 1968, em um ser humano, tendo que domar rachas e egos de um grande grupo de ativistas negros enquanto pressionava o presidente.

DuVernay consegue bons resultados nos dois desafios. Seu King Jr., interpretado pelo ator britânico David Oyelowo, é carismático, mas também fraqueja. Tanto sua sussurrada infidelidade quanto seu casamento em crise são abordados sem medo pela diretora, que também mostra a campanha suja do FBI, liderado por J. Edgar Hoover, contra o ativista. Ela também soube recriar o impacto que a repressão policial causou no público de 1965, de uma maneira muito esperta. Escalou Oprah Winfrey, também produtora do filme, para interpretar a ativista Annie Lee Cooper. É impossível não ter um sobressalto ao ver a bilionária apresentadora de TV apanhando da polícia na fatídica ponte. A impecável trilha sonora é bônus. A esnobada que o filme levou da Academia já teve múlti-

plas explicações. A mais recorrente seria de que a branca Hollywood não teria perdoado DuVernay por ter transformado o presidente Johnson em vilão, com King brigando com ele para passar a tal lei. Como se a meca do cinema fosse fanática por precisão histórica. Gay Talese, contudo, que cobriu a marcha para o “New York Times”, declarou que o filme “não distorce” o que aconteceu. A diretora disse que não fez um documentário e que não quis “fazer um filme sobre brancos salvadores”, na linha de “Mississippi em Chamas” e “Histórias Cruzadas”. David Carr, colunista de mídia do “New York Times”, escreveu que a Academia acha que já “ticou” o quadradinho do reconhecimento ao cinema negro com o Oscar do ano passado a “12 Anos de Escra-

vidão”. “Muita gente votou em ‘12 Anos’ sem ter visto. Para muitos, foi como arrancar um dente”, descreveu. Humoristas não perdoaram o fato de que todos atores e atrizes indicados neste ano sejam brancos. “Esses Oscars estão tão brancos que qualquer indicado poderia ser o presidenciável do Partido Republicano”, disse o apresentador Jimmy Fallon. “Nem o desenho Lego foi indicado, porque os bonequinhos são amarelos”, brincou seu colega Seth Meyers. Concorrendo a melhor filme e em outras cinco categorias, “American Sniper”, obra patrioteira e belicista de Clint Eastwood, fez US$ 90 milhões nas bilheterias no feriadão do último fim de semana. “Selma” fez só US$ 9 milhões. A data celebrava o Dia de Martin Luther King.

LETICIA MOREIRA/FOLHAPRESS

Ilustríssimos desta edição ARTHUR OMAR é fotógrafo, artista plástico e cineasta, vive no Rio de Janeiro, autor de “Antes de Ver” (Cosac Naify). JACQUES LOB (1932-90) autor de histórias em quadrinhos francês, criou, com Gotlib, os

quadrinhos “Superdupont”. JEAN-MARC ROCHETTE, 58, ilustrador, pintor e autor de histórias em quadrinhos francês. JOÃO PEREIRA COUTINHO, 38, escritor, cientista político e colunista da Folha, é autor de, entre outros, “As Ideias Conservadoras” (Três Estrelas). NELSON DE SÁ, 54, é repórter especial da Folha. Assina o blog “Cacilda” com a fotógrafa Lenise Pinheiro no site do jornal. RAUL JUSTE LORES, 38, é correspondente da

Folha em Washington e seu texto inaugura nova seção de crítica do caderno. REGINALDO JOSÉ DE AZEVEDO FORTUNA (1931-94), cartunista, caricaturista e jornalista maranhense. Seu cartum foi originalmente publicado no “Correio da Manhã”, em 1966. SILVIA BITTENCOURT, 49, é jornalista, autora de “Folha Explica o Euro” (Publifolha). ZÉ OTAVIO, 31, é ilustrador. DANIEL LÜHMANN, 27, é tradutor.


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Direito

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Questão de Justiça As leis nas peças de William Shakespeare RESUMO Livro de professor americano analisa peças do autor inglês (1564-1616) centradas no mundo jurídico para mostrar, com essas questões, que a obra do bardo continua atual. Personalidades do direito e do teatro comentam no texto as relações entre literatura – não só a de Shakespeare – e a realidade da contemporaneidade.

NELSON DE SÁ

A primeira coisa a fazer: matar todos os advogados. O verso dito por Dick the Butcher em “Henrique 6º, Parte 2” é apenas uma entre dezenas de referências ao direito nas peças de William Shakespeare. Na trama, é uma sugestão feita ao líder rebelde Jack Cade, convocando a destruir a ordem. São tantas referências que “Mil Vezes Mais Justo - O Que as Peças de Shakespeare nos Ensinam sobre a Justiça” [trad. Fernando Santos, WMF Martins Fontes, R$ 39,90, 320 págs.] deixa de lado “Henrique 6º” e outros textos do dramaturgo iniciante. O livro de Kenji Yoshino concentra-se naqueles escritos do auge do autor, como as grandes tragédias (“Hamlet”, “Otelo”) e, sobretudo, as peças que retratariam as figuras do advogado (“O Mercador de Veneza”) e do juiz (“Medida por Medida”). “A ideia é defender a noção de que Shakespeare continua, nas palavras de Jan Kott, nosso contemporâneo”, explica, por email, o autor, que é professor de direito constitucional da Universidade de Nova York – em “Shakespeare, Nosso Contemporâneo”, de 1961, o teórico polonês identifica o dramaturgo com as ideias e o teatro de meados do século 20. Yoshino, que também dá aula de direito e literatura na NYU, reproduz o procedimento de Kott e relaciona, por exemplo, os volteios de raciocínio de Pórcia, a advogada do “Mercador”, com o que fez o então presidente Bill Clinton, também advogado, para se defender da

acusação de perjúrio no caso Monica Lewinsky. De um lado, Pórcia diz que seu cliente não pode entregar uma libra da própria carne, como prometido em caso de não pagar uma dívida, porque verteria sangue – o que não está no contrato. De outro, Clinton, questionado sobre a declaração de não ter feito sexo com Lewinsky, diz que sexo oral passivo não é relação sexual, só ativo. Noutro capítulo, sobre “Otelo”, faz uma ponte entre o assassinato de Desdêmona por Otelo, com a prova questionável de um lenço, e o assassinato de Nicole Brown por O.J. Simpson, absolvido pela prova também questionável de uma luva, num julgamento controverso em 1994/95, nos EUA. O personagem de Otelo se deixa enganar quanto a um lenço de Desdêmona, que teria sido encontrado com o suposto amante dela, o que detona as ações que o levam a matá-la. No caso real, uma luva apresentada pela acusação como sendo de Simpson é testada por ele no julgamento – após ter encolhido, embebida em sangue – e não lhe serve, o que se torna o mote da defesa para sua liberação. Festejado por acadêmicos shakespearianos como Stephen Greenblatt, da Universidade Harvard, pela “intensidade” com que enfrenta a obra do dramaturgo, Yoshino é questionado por outros como Garry Wills, da Northwestern, para quem o estratagema usado permite “aulas divertidas”, mas não aprofunda o conhecimento das obras. Aos críticos, Yoshino responde que continua “à vontade” com os paralelos que traça no livro – e que eles deveriam evitar o risco de se perderem nos detalhes, não vendo a floresta por causa das árvores, num provérbio inglês do tempo de Shakespeare. A floresta, sua “tese”, como descreve, é a contemporaneidade do dramaturgo. Questionado sobre eventuais paralelos também no Brasil, ele evita aventurar-se, dizendo conhecer pouco o panorama jurídico do país. Instado pela Folha, o advogado Pierpaolo Bottini, professor de direito penal da Faculdade de Direito da USP, arrisca um cotejo com “Mercador”, não necessariamente de Pórcia, mas do oponente dela, o judeu Shylock, personagem que defende a sua própria humanidade na peça:

“Um judeu não tem olhos? Um judeu não tem mãos, órgãos, dimensões, sentidos, afetos, paixões?”, diz o personagem. “No campo criminal, talvez o caso mais relevante de apelo a analogias de linguagem seja a defesa de Harry Berger por Sobral Pinto, que usou a lei de maus tratos aos animais para atacar o tratamento desumano que seu cliente sofria nos porões da ditadura do Estado Novo”, diz. “Apontou que a proteção aos animais se estendia, por óbvio, a humanos, fazendo dessa extensão do sentido literal da lei um argumento até hoje lembrado e repetido nos tribunais”. Sobre “Otelo”, Bottini, que foi secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, lembra que o personagem Iago “nutre ódio por Otelo porque este promoveu Cássio, e não a ele, desrespeitando de certa forma o critério de antiguidade”. E esse é um “dilema que até hoje assola nossos tribunais”, por exemplo, onde são “muito comuns as acusações de promoção por amizade”. O advogado brasileiro anota que, de modo geral, “não só as peças de Shakespeare que tratam da questão jurídica, mas todas as que tratam das relações de poder acabam repercutindo no direito”. Olho por olho Um ano antes de Yoshino, o advogado José Roberto de Castro Neves, professor de direito civil da PUC-Rio e da Uerj, lançou “Medida por Medida - O Direito em Shakespeare” [GZ Editora, R$ 95, 473 págs.], já em sua terceira edição. Ele não busca pontes dos casos shakespearianos com episódios contemporâneos, mas é mais extensivo, analisando 27 peças, inclusive “Henrique 6º. Por exemplo, sobre “Medida por Medida”, que dá nome a seu livro e é uma referência direta à Justiça, Castro Neves escreve que a peça mostra como “o exercício do poder é fonte de abusos, se os valores da sociedade e as leis são esquecidos”. O título da peça é tirado por Shakespeare do Sermão da Montanha: “Não julgueis, e não sereis julgados. Porque do mesmo modo que julgardes sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos”. Na trama, o duque de Viena, reconhecendo ser um juiz frouxo, deixa o poder com Ângelo, um puritano que, cruel e hipócrita, primeiro impõe as

leis depois abusa delas. Para Yoshino, a peça contrapõe três concepções da Justiça: a do Novo Testamento, mais frouxa, representada pelo duque e baseada no sermão (não julgueis, e não sereis julgados); a do Velho Testamento, representada por Ângelo e baseada no Êxodo (vida por vida, olho por olho, dente por dente); e o sentido pagão, representado por um personagem menor, Escalo, que tomaria por base Aristóteles (temperança) e Arquimedes (meio-termo). O diretor brasileiro Ron Daniels, que trabalhou por 22 anos na Royal Shakespeare Company e se prepara no momento para encenar “Medida por Medida” no Brasil, diz considerar essas ideias todas sobre Shakespeare e o direito muito interessantes. “O que me interessa, porém, mais do que um debate sobre a Justiça, é a jornada de cada um dos personagens em cena, como cada um se transforma no percorrer da peça”, diz. Acrescenta não ser uma atitude anti-intelectual, mas de quem acredita que o importante, em “Medida por Medida”, “não é a análise da Justiça em abstrato, a não ser, talvez, no que se refere a um posicionamento impossivelmente radical perante a vida”. Quanto ao propósito decla-

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rado de Yoshino, de reforçar a noção de que as peças seguem tendo valor no mundo de hoje, pergunta, com ironia: “Mas essa noção precisa mesmo de reforço?”. Iniquidades Questionado, José Roberto de Castro Neves arrisca uma ponte entre Shakespeare e o direito no Brasil hoje. Lembra que uma das questões jurídicas renitentes na obra é como agir diante de iniquidades. “Bolingbroke, o futuro Henrique 4º, toma o poder em ‘Ricardo 2º’ exatamente porque vê seu direito ameaçado. A perda da ordem é o gatilho da tragédia, assim como o desrespeito à ordem jurídica cria o ilícito.” Prossegue ele: “No Brasil de hoje, essa ordem se perdeu. A falta de ordem gera o caos, como ocorre em ‘Henrique 6º’, quando os nobres brigam pelo poder, deixando espaço livre para a balbúrdia”. É então, em meio à balbúrdia, que Dick the Butcher defende matar todos os advogados. “Claro, para que a revolução funcione, deve-se matar aquele que representa a proteção da lei”, diz Castro Neves. Cristiano Paixão, professor de direito constitucional da UnB e autor de estudo sobre “O Mercador de Veneza”, diz que “é sempre difícil traçar esse tipo

de paralelo”, de Shakespeare com a atualidade. Ele, porém, anota que Pórcia reflete o antissemitismo, “questão bastante delicada em Shakespeare”, e que “a questão dos ‘negros criminosos’ aparece não só em Otelo, mas no sanguinário Aarão, de ‘Titus Andronicus’”. Antissemitismo e racismo que persistem, no Brasil e no resto do mundo. Se não Shakespeare, algum autor brasileiro pode ajudar a iluminar a Justiça por aqui? “É difícil, mais uma vez, ligar a literatura ao crime para compreender o contemporâneo”, responde Paixão. “Mas eu teria uma sugestão: lendo as ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis, encontra-se um excelente panorama da forma ambígua e complexa com que o Brasil lida com seu passado escravagista”. Pierpaolo Bottini também deixa uma proposta: “Sempre que falamos em crimes e tormentos na literatura brasileira, o que me vem à cabeça é ‘Angústia’, de Graciliano Ramos, uma espécie de ‘Crime e Castigo’ tropical, que merece ser lido por todo aquele que se interessa pela matéria. Os conflitos psicológicos, a agonia mental, a decisão pelo crime são expostos de forma surpreendente”.


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História PERFIL

RESUMO Fugindo toda a vida de repetir o fracasso político de seu pai, Winston Churchill tornou-se conhecido não só pelos feitos como ministro e premiê de seu país, mas também pela sua verve e oratória. Nos 50 anos de sua morte, livro defende que sua capacidade retórica foi fundamental para o sucesso britânico contra Hitler.

JOÃO PEREIRA COUTINHO ILUSTRAÇÃO ZÉ OTAVIO

O diretor Orson Welles relembrou em documentário de TV o seu encontro providencial com Winston Churchill. Ou, para sermos mais exatos, os três encontros em menos de 24 horas, no sul da França, já depois da Segunda Guerra Mundial. O primeiro encontro tem cheiro a maresia: Welles caminhava pela praia, conversando com um potencial investidor russo sobre os méritos do próximo filme. Churchill, que tal como Welles era fisicamente impossível de ignorar, banhava-se nas ondas. Quando o diretor passou pelo ex-premiê britânico, Churchill saudouo, Welles retribuiu a honrosa saudação e depois continuou a caminhar. O segundo encontro teve lugar nessa mesma noite, no bar do hotel onde ambos estavam hospedados. Orson Welles aproximou-se de Churchill e, com gratidão sincera, disse-lhe “muito obrigado”. Churchill, surpreso, indagou o motivo do agradecimento. Orson Welles explicou: o investidor russo tinha ficado tão impressionado com o encontro matinal entre Welles e o grande herói da Segunda Guerra que já ponderava seriamente passar o cheque. O terceiro encontro foi no dia seguinte, em pleno café da manhã. Churchill já estava à mesa quando Welles entrou na sala com o seu comparsa russo. Assim que Churchill o avistou, levantou-se da cadeira, olhou com admiração o autor de “Cidadão Kane” e depois fez uma longa vênia. Esta hilariante história revela dois fatos importantes sobre Churchill, um dos mitos do século 20, que morreu 50 anos atrás. O primeiro, óbvio, é o seu incomparável senso de humor. Basta flanar por uma livraria inglesa e encontrar livros para todos os gostos e carteiras, nos quais a espirituosidade de Churchill está plasmada em páginas e páginas de ditos célebres. Alguns, provavelmente apócrifos, já entraram na corrente sanguínea da história britânica. Como a crítica rude da parlamentar lady Astor (“Winston, você não passa de um bêbado!”) e a resposta dele, rude, mas hilária (“E você, minha querida, é feia. Mas amanhã eu já estarei sóbrio”). Ou, então, um novo confronto entre ambos. Ela: “Se eu fosse sua mulher, despejava veneno no seu chá”. Ele: “E se eu fosse casado consigo, bebia-o”. A pergunta imediata que devemos formular quando confrontados com esta verve é saber se Churchill teria lugar, hoje, nos nossos parlamentos e

3 O guerreiro das palavras Churchill, o ator que liderou o Reino Unido

na nossa vida política previsível e rasteira. Pergunta retórica, claro. Na tirania politicamente correta que arruinou até os melhores espíritos, Churchill não sobreviveria para contar. Se juntarmos ao seu humor corrosivo um estilo de vida que, digamos, não era propriamente saudável, o quadro de ostracismo fica completo. Churchill fumava. Bebia. E, sobre o exercício físico, nova máxima memorável: “O segredo da minha longevidade? Ginástica. Nunca a pratiquei”. De fato era impossível praticar. Peter Clarke, que dedicou a Churchill um delicioso tratado (“Mr. Churchill’s Profession”, Bloomsbury, 2012), pinta o seguinte retrato do seu dia “normal”: despertar às 8 horas, café da manhã na cama, jornais na cama, burocracias políticas na cama. Depois, banho de imersão (o primeiro do dia), reuniões, almoço, sesta, hora do chá (por “chá”, leia-se uísque e soda); finalmente, jantar (e por “jantar”, leia-se champanhe, vinho do Porto, brandy). A partir das 11, quando qualquer mortal já estaria derreado e a mendigar o leito, então, sim, começava a produção literária. Que durava até as três ou quatro da madrugada. Mas o humor de Churchill, e as suas desgovernadas rotinas, não nos devem cegar para um segundo fato: as pro-

fundas fragilidades de um homem que, durante toda a vida, foi perseguido por uma ideia funesta – a certeza de que a sua carreira seria um fracasso só comparável ao fracasso político do pai. Lord Randolph Churchill (1849-95) fora um nome promissor no Partido Conservador britânico e, antes da sua fragorosa queda, muitos acreditavam que ele seria o líder natural da tribo. Mas um temperamento histriônico (para usar um eufemismo) levou-o a demitir-se do governo de Salisbury (por discordar da política fiscal dos “tories”). Para ele, o gesto seria apenas mais um número de teatro, sem grandes consequências. Não foi para Salisbury, que aceitou a demissão e, por arrastamento, colocou um ponto final na carreira de Randolph. Sifilítico e deprimido, o pai de Winston acabaria por morrer aos 46 anos no esquecimento político. Foi essa a sombra que pairou sobre Churchill e que o transformou em “a man in a hurry” [um homem com pressa]. Sabemos que ele não morreu aos 46 anos. Mas são vários os historiadores – Gertrude Himmelfarb é apenas um exemplo – que colocam uma questão interessante: o que teria sucedido à sua reputação se a morte tivesse chegado, por

exemplo, em 1939? A hipótese não é tão absurda assim: em 1939, Churchill contava já com uns respeitáveis 65 anos. Será que hoje estaríamos a recordar a data da sua morte e a grandeza do seu legado? Dificilmente. Pior ainda: cumprindo os seus piores presságios, Churchill não seria muito diferente do pai – alguém que prometera muito, mas que conseguira muito, muito pouco. E, nas biografias menores da política britânica, seria possível ler, sem grande pompa, que Winston Churchill fora um parlamentar e escritor, nascido a 30 de novembro de 1874 no seio de uma importante família aristocrática (os Marlborough) e em palácio imponente, que fica a poucos quilômetros de Oxford – o Palácio de Blenheim. Biógrafos mais devotos poderiam acrescentar que a sua infância não foi propriamente feliz. Com um pai distante (no sentido físico e emocional da palavra), nem a mãe, a americana Jennie Jerome, supriu as carências afetivas do filho: rezam as crônicas que Mrs. Churchill teria tanto de beleza como de “coquetterie”. Se existiu um elo emocional forte, ele foi estabelecido entre Winston e a ama, Mrs. Everest. Seguiram-se os estudos. Faz parte da lenda churchilliana,

provavelmente alimentada por alunos relapsos, que o jovem Winston era um aluno relapso. Talvez fosse, se estivermos a falar de matemática ou latim. Mas a lenda não sobrevive ao gosto que o rapaz começou a mostrar por história e, em especial, pela história da Inglaterra. Apesar de tudo, acabaria por ser aceito na Academia Militar de Sand- hurst, e os anos posteriores como soldado revelaram-se importantes por dois motivos assaz heterodoxos: a leitura e a escrita. Nas suas comissões em Cuba ou na África do Sul, os hábitos de leitura prolongaram as inclinações naturais do jovem estudante. Leu Platão, Aristóteles, Adam Smith. E absorveu sobretudo os grandes mestres da língua inglesa, em especial Macaulay e Edward Gibbon, que lhe emprestaram para o resto da vida uma cadência solene no estilo e uma visão grandiosa sobre a nobreza da civilização ocidental. Por outro lado, se é verdade que toda a arte começa por um exercício de imitação, a leitura levou-o à escrita – e o jornalismo tornou-se sua primeira casa. Escreveu reportagens sobre as operações militares em que participava para os principais jornais londrinos, como o “Daily Telegraph”, e alguns desses escritos, pela

qualidade e intensidade da prosa, começaram a conquistar leitores e seguidores. Essa ascensão seria reforçada por alguns acontecimentos no terreno, que o transformaram em celebridade: uma espetacular fuga da prisão de Pretória, na África do Sul, onde fora feito prisioneiro em plena Guerra dos Boers, rendeu mais um relato, alguma independência financeira e abriu-lhe igualmente as portas da política. Ascensão e queda Winston Churchill foi eleito deputado conservador em 1900 – e o que se segue são escaladas íngremes e descidas a pique. Até 1940. Em 1904, por exemplo, mudaria de partido pela primeira vez, trocando os Conservadores pelos Liberais. Esse gesto (“to cross the floor”, para usar a expressão devida para mudança de partido no Parlamento inglês) seria repetido em sentido inverso, duas décadas depois, quando os Conservadores o receberam de volta nas suas fileiras. Incoerência política pura? Não creio. Digo até mais: as trocas de partido, que ficaram superficialmente gravadas como sinal de oportunismo, nasceram de uma coerência política séria. Em 1904, o que o fez afastar-se


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fresca na memória, prepararse para a possibilidade de uma nova guerra. Todos sabemos o que aconteceu em 1939: com a invasão da Polônia pelas tropas nazistas, a política de “pacificação” promovida por Neville Chamberlain (1869-1940) tinha falhado. A 10 de maio de 1940, Churchill era nomeado primeiro-ministro pelo rei George 6º. No momento mais negro da Europa, o filho chegara aonde não chegara o pai.

dos Conservadores foram as políticas econômicas protecionistas do partido, que lhe pareciam uma negação da herança “liberal” deixada por lorde Salisbury. Só quando os Conservadores abandonaram tais práticas, regressando aos princípios de livre comércio, é que Churchill regressou à sua primeira morada. Se a incoerência e o oportunismo político de Churchill parecem uma grosseira simplificação, difícil será salvá-lo do desastre de Gallipoli, na Primeira Guerra Mundial. Não vale a pena perder tempo com a racionalidade (ou não) da campanha naval e terrena para capturar Constantinopla aos otomanos. Os 35 mil britânicos que perderam a vida foram a primeira mancha inapagável do seu currículo. Uma mancha que os Conservadores não esqueceram quando o liberal Herbert Asquith (1852-1928) firmou um governo de coalização com eles. A cabeça de Winston – o “traidor” de 1904 – foi a primeira exigência dos “tories”. Era o seu fim como Primeiro Lorde do Almirantado, uma espécie de ministro da Marinha Real Britânica. Seria também o seu fim político, em premonitória semelhança com o pai? Churchill acreditou que sim. Mas o destino ainda não tinha saldado todas as contas com

ele. Uma década depois, e sob a liderança conservadora de Stanley Baldwin (18671947), Churchill regressava – e regressava para a pasta das Finanças. Era uma segunda oportunidade. Mas, “hélas”, revelou-se também uma segunda queda: o regresso da libra ao padrão-ouro arrastou a economia para o abismo, com desemprego maciço, caos social, greves – e a vitória dos Trabalhistas em 1929. Estava novamente fora do governo. A besta nazista Em 1930, Churchill contava 56 anos. Em termos puramente numéricos, ultrapassara a longevidade do pai. Mas, politicamente, a sua carreira política parecia seguir o mesmo caminho que a do progenitor. O próprio sabia disso, sobretudo quando a depressão (o seu “black dog”) regressava para o assombrar. Mudara duas vezes de partido. Fora responsável por desastres militares e econômicos que não seriam esquecidos ou perdoados. Aos olhos dos seus pares, era relíquia de tempos vitorianos – uma alma inconstante, ou coisa pior. Mas a década de 1930 não é apenas uma longa travessia pelo deserto. Porque, mesmo no deserto, é possível vislumbrar ao longe os contornos de um oásis – não um oásis ilusório, mas real, de-

masiado real: na Alemanha, um certo Partido NacionalSocialista preparava-se para tomar o poder. O partido tinha linguagem belicista e abertamente antissemita, e espantava Churchill a relativa indiferença das elites políticas britânicas perante a tempestade que vinha a caminho. O entendimento doméstico, sobretudo depois da Grande Depressão de 1929, é que o Reino Unido tinha assuntos mais prementes em que pensar. E, além disso, se Hitler era um feroz anticomunista, disposto a combater a influência nefanda do bolchevismo, melhor ainda. Churchill nunca comprou essa falaciosa versão de que os inimigos dos meus inimigos meus amigos são. A “besta nazista” deveria ser enfrentada pela sua intrínseca inumanidade e pela ameaça que ela representava para a civilização judaico-cristã. Durante essa década, discursou sobre o assunto perante a indiferença (quando não o riso) dos seus pares. E, quando os “pacificadores” acreditavam que ainda era possível “paz no nosso tempo”, a mensagem de Churchill era outra: o Reino Unido deveria rearmar-se e, por mais que isso horrorizasse os que ainda tinham a experiência da Primeira Guerra bem

Cinco dias Não será exagero afirmar que o destino do Reino Unido – e da Europa, e do Ocidente – foi decidido em cinco dias, em Londres, entre 24 e 28 de maio de 1940. O historiador John Lukacs, no seu “Cinco Dias em Londres” (Zahar, 2001) – uma preciosidade para qualquer interessado na matéria – explica com detalhes o que se passou no interior do Gabinete de Guerra. E oferece as duas escolas de pensamento que então estiveram em confronto. A primeira foi capitaneada por lorde Halifax, para quem a melhor forma de lidar com a indestrutível Alemanha era encontrar uma qualquer forma de acomodação com Hitler. A proposta, racionalmente falando, fazia algum sentido: com a França de joelhos e os Estados Unidos ainda longe de qualquer participação militar, o Reino Unido estava só frente a Hitler. Além disso, se fosse possível garantir a paz, talvez o Império Britânico sobrevivesse também. Nos primeiros dias, Churchill vacilou ante os argumentos de Halifax. Mas, a 28 de maio, no mais dramático discurso que o Gabinete de Guerra escutara, a posição do então premiê foi clara: as nações que caíram a lutar, disse ele, levantaram-se de novo. Mas aquelas que se renderam covardemente acabaram liquidadas para sempre. E acrescentou, com um toque de dramatismo gráfico: se o fim chegasse com a invasão alemã, que cada membro daquele gabinete lutasse até cair na sua própria poça de sangue. A retórica era Churchill “vintage”. Que, obviamente, continuou – no Parlamento, no rádio – a exortar os ingleses a lutarem – “nas praias, nos campos, nas ruas, nas montanhas” – e a nunca se renderem. Em 1940, Churchill só tinha isso a oferecer: palavras. E palavras, às vezes, têm uma força devastadora. Artista Quando olhamos para a vitória das potências aliadas em 1945, encontramos várias explicações para o feito. A participação americana a partir de 1941 foi crucial; o sacrifício soviético foi mais crucial ainda; e, por falar em União Soviética, a decisão de Hitler em rasgar o pacto de não-agressão Molotov-Ribbentrop e tentar o mesmo que Napoleão antes dele (a invasão russa), teve o mesmo desfecho: uma humilhante derrota. Mas em 1940, quando Londres combatia ainda sozinha, a guerra só não foi perdida porque Churchill era um brilhante leitor, escritor – e ator. Essa, pelo menos, é a tese do mais interessante livro sobre Churchill que surgiu nos últimos tempos para assinalar os 50 anos da morte. Intitula-se “The Literary Churchill” [Yale University Press, 528 págs., R$ 77,83 e-book], e o autor, Jonathan Rose, pretende mostrar como a política e a literatura estiveram intimamente ligadas na carreira do estadista.

De tal forma que os seus objetivos políticos, e em especial a resistência face a Hitler, foram profundamente moldados pelos livros que ele lera e, não menos importante, pelas peças de teatro a que assistira. Churchill era um “melodramático”, como qualquer alma sensível formada na Inglaterra vitoriana e eduardiana. A palavra não deve ser vista como pejorativa. No melodrama, o mundo é percebido como uma luta entre contrários – o bem contra o mal, a justiça contra a injustiça. Mas é uma luta que, pela sua radicalidade e absolutismo moral, permite que o bem triunfe no fim. E há momentos históricos em que é aconselhável acreditar que tal acontece. Essa mundividência acompanhou Churchill nas suas leituras de juventude. Mas também nas suas escritas de juventude, a começar pelo romance “Savrola” (1899), o único que publicou. O livro pode ser, como sustenta Jonathan Rose, “um dos piores romances do século 19”. Mas ele revela também traços importantes sobre a formação moral e política de Churchill que seriam imprescindíveis nos anos posteriores. Li “Savrola” com curiosidade arqueológica. E nele encontrei passagens que parecem ter sido escritas não no século 19 – mas depois de Churchill ter vencido Hitler em 1945. Superficialmente, o romance propõe-se narrar a história de uma república imaginária (Laurania), dominada por um ditador (Antonio Molara). Contra o ditador, encontramos o herói que dá nome ao romance (Savrola, ou seja, uma projeção óbvia do próprio Churchill) e que organiza um movimento armado contra o “despotismo militar” de Molara. Como afirma Jonathan Rose, e com razão, em “Savrola” o jovem autor escrevia “um melodrama antifascista” muito antes da chegada do fascismo. Mas a formação de Churchill não se limitou aos livros que ele leu ou publicou. Ao mesmo tempo que compunha o seu “Savrola”, o jovem escrevia um tratado de estética (“The Scaffolding of Rhetoric”), em que estabelecia as regras fundamentais do discurso público. São, no essencial, as regras que ele seguiu no Parlamento – essa verdadeira “Comédie Anglaise”, como chamou Chips Channon (1897-1958), em comparação teatral com a Comédie Française – e, claro, quando liderou o Reino Unido na Segunda Guerra Mundial. Entre as regras, Jonathan Rose sublinha a preocupação do autor com “uma voz clara e sonora”, uma cadência teatral capaz de ir desfiando uma narrativa em crescendo, e, recusando a tradição parlamentar de usar o latim e o grego como ornamentos do discurso, uma opção declarada por palavras inglesas, simples, poderosas e integradas em frases curtas. Dito de outra forma: Churchill era, acima de tudo, um artista. E a política era a sua tela, o seu palco. O seu verdadeiro romance. Essa predisposição estética pode conduzir a lamentáveis resultados – e o caso de Hitler, ironicamente, ilustra esse ponto na perfeição. Porque Hitler era também um artista: na sua oratória, na sua teatralidade e na forma como moldou o povo alemão à luz da sua utopia rácica. O problema, para Hitler, foi ter encontrado, do outro lado do canal da Mancha, um artista maior e mais nobre do que ele: alguém que se preparara toda a vida para aquele “pa-

pel”, naquele “palco”, contra aquele “vilão”. Em “The Literary Churchill”, Jonathan Rose relembra as palavras do guarda-costas do premiê, que relatou o deleite com que o velho Winston escutava no gramofone o ódio com que Hitler pronunciava o seu nome nos seus discursos. A questão não era apenas política. Era pessoal. Para derrotar Hitler nada melhor que prometer “sangue, trabalho, lágrimas e suor”. Nada melhor que dramatizar uma luta nas praias, nos campos, nas ruas. Nada melhor que engrandecer os pilotos ingleses que defenderam a ilha com a frase de efeito: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Como escreveu o filósofo Isaiah Berlin (1909-97) em ensaio clássico sobre o líder (“Winston Churchill in 1940”), o tempo histórico tinha finalmente reconciliado o homem com o seu destino. A Churchill cabia-lhe agora reconciliar os ingleses com a sua poderosa “imaginação histórica” – e fazê-los acreditar na vitória. 24 de janeiro Homens excepcionais são necessários para tempos excepcionais. Mas talvez eles não sejam a melhor opção para tempos normais. Isso explica, em parte, a derrota eleitoral de Churchill em 1945. Em rigor, os ingleses não estavam cansados de Churchill, a quem deviam a liberdade e a vitória. Mas estavam cansados da guerra – e Churchill era também a memória dessa guerra. Depois de perder as eleições para o trabalhista Attlee, ele ainda terá ouvido de Clementine Churchill, sua mulher e eterna confidente: “Isto é uma bênção disfarçada”. Churchill, com típico humor, terá respondido: “Então está muito bem disfarçada”. Ainda regressaria ao poder pelo voto popular em 1951. Mas resignaria em 1955. E a morte? Que dizer da morte que sempre o perseguira toda a vida? Numa manhã de sol (coisa rara em Oxford), saio do St. Antony’s College, onde estou atualmente a viver, e decido visitar o Palácio de Blenheim, a imponente residência dos Marlborough, onde Churchill nasceu. Hoje, o palácio é uma espécie de Disneylândia para admiradores do ex-premiê. Chegamos. Um pequeno trem conduz-nos à entrada principal (sim, é preciso um trem – e o trem tem nome: Winston, naturalmente). E, depois, é possível admirar o quarto do bebê, as primeiras roupas, algumas fotografias. Na saída, uma gigantesca loja de “memorabilia” vende de tudo: livros, bustos, mais fotos. Os turistas invadem o palácio, passeiam pelos jardins e, no final, compram uma caneca com o rosto de Churchill. Sentado na escadaria principal do palácio, acompanho as excursões e penso, uma vez mais, que tudo isto poderia nunca ter existido. Bastava que a Churchill estivesse reservado o mesmo destino do pai. Sabemos hoje que não esteve. Para quem sempre acreditou que morreria jovem, chegar aos 90 é um belo argumento a favor da hipocondria. Mas então olho para o céu e penso: se Deus é perfeito, então o seu sentido de humor também é. Winston Churchill morreu a 24 de janeiro de 1965. Não é um dia importante para nós. Mas era um dia muito importante para ele: o seu pai tinha morrido nesse exato dia, 70 anos antes.


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Diário de Berlim O MAPA DA CULTURA

Da xenofobia ao entulho Direita avança e casa de Goebbels vira arte

SILVIA BITTENCOURT

Quando começou a aparecer nas ruas de Dresden, no leste da Alemanha, em outubro passado, o movimento xenófobo Pegida – sigla para Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente – parecia ser um saco de gatos, reunindo classe média, desempregados e grupos de extrema direita. Agora, um estudo recém-divulgado mostra quem são os alemães que, toda segunda-feira, cada vez mais reforçam as manifestações do movimento: eles vêm de uma classe média bem instruída e empregada, com rendimento acima da média do Estado da Saxônia, onde fica Dresden, foco dos protestos. A grande maioria dos manifestantes diz sair às ruas por insatisfação com a política da chanceler Angela Merkel. Em seguida, aparecem os que se dizem ofendidos pelas críticas dos grandes jornais do país, aos quais chamam de Luegenpresse (imprensa mentirosa, expressão muito usada pelos nazistas 80 anos atrás). Apenas 15% declaram abertamente ter ressentimentos contra imigrantes. Enquanto antes todos os partidos pareciam unidos na sua recusa ao Pegida, alguns políticos da CDU de Merkel pedem agora um novo trato com o movimento, que vem pipocando em outras cidades, mesmo que com menos força. Eles temem que os manifestantes, apartidários na sua maioria, bandeiem para a nova agremiação de direita em ascensão no país, a Alternativa para a

Alemanha (AfD, em alemão). A AfD tem um programa antiEuropa e está conquistando cada vez mais cadeiras nos parlamentos estaduais. Algumas semanas atrás, seus líderes ainda tinham escrúpulos de se aproximar dos “europeus patriotas” do Pegida, mas agora os veem como potenciais eleitores. Não faltam na imprensa previsões alarmistas de que esta nova direita formada pela AfD e o Pegida se tornará o Front National alemão. Terrorismo Até 8 de março, o Museu Histórico apresenta uma exposição sobre a Fração do Exército Vermelho (RAF), grupo terrorista que abalou a Alemanha por quase três décadas. Ali estão centenas de documentos inéditos, vídeos e fotos, indo desde suas origens, nos anos 1960, até sua dissolução, em 1998. As ações do grupo, de assaltos a atentados, deixaram pelo menos 34 mortos. Diferente de exposições feitas nos anos anteriores, criticadas por ressaltar demais as ideias dos membros da RAF, mitificando de certa forma a organização, o evento em Berlim consegue ser factual. Ele destaca a questão sobre por que parte do movimento estudantil de 1968 se radicalizou a ponto de cair na clandestinidade e no terrorismo – um tema atual, considerando os jovens europeus que vêm se unindo ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Uma das salas de espetáculo mais importantes de Berlim, o Volksbuehne (ou Teatro Popular),

está comemorando cem anos. Quando foi inaugurado no Scheunenviertel, o bairro judaico, no final de 1914, o teatro tinha como lema “arte para o povo”: as peças destacavam a luta de classes e eram financiadas pelos próprios operários – um contraponto radical às salas burguesas que predominavam na Berlim da época. Durante o nazismo e a ditadura socialista alemã-oriental, o teatro ficou por mais de 50 anos sob a égide de regimes totalitários. Mas vários diretores tentaram resistir, como o suíço Benno Besson, que nos anos 1970 entrou em confronto com as autoridades por encenar peças de Heiner Müller. Em 1992, dois anos depois da reunificação da Alemanha, Frank Castorf assumiu a direção, destacando os conflitos leste-oeste. Até o começo deste mês, os berlinenses puderam admirar, na frente do Volksbuehne, na RosaLuxemburg-Platz, uma instalação inusitada: o entulho da casa onde nasceu o ministro nazista Joseph Goebbels. A ideia foi de Gregor Schneider, artista premiado em 2001 na Bienal de Veneza que trabalha com espaços já construídos. Em 2013 ele comprou a casa de Goebbels em Rheydt (oeste da Alemanha), que também é a sua cidade natal. Até tentou morar lá dentro, mas não conseguiu. “A história tomou conta de mim”. Acabou derrubando-a e juntando os escombros numa caçamba. Depois de ter sido exposto em Varsóvia e Berlim, o material será agora eliminado em um depósito, tomando o destino de um entulho comum.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Sob o signo da pantera México, 2012

ARTHUR OMAR/ACERVO PESSOAL

ARTHUR OMAR

Quase oitenta por cento das imagens do meu novo livro “Antes de Ver”, foram fotografadas em não mais que 15 minutos de um dia mágico, 12 de fevereiro de 2012, entre 14h10 e 14h25. Eu viajava com uma jovem xamã, Maite Irezabal, guia e intérprete. Moderna, trabalhava como tradutora de um grupo de visitantes, mas totalmente xamânica em seu imaginário. O que a tornava magnética. Estávamos num barco, sete pessoas rumo a um sítio arqueológico na selva de Chiapas. Os viajantes crivavam Maite com perguntas, fazendo consultas e pedindo histórias. De costas para o grupo, fingindo não prestar atenção, mas ouvindo tudo, eu fotografava ao léu, muitas vezes sem olhar pelo visor, sem ver o que fazia. Minha mente estava dividida. Eu nunca havia fotografado daquela maneira, sem ver o que estava vendo. Maite revelou que tinha nove animais totêmicos. Mas só dois tinham rosto, no momento. O mais importante era a pantera negra, o tipo mais raro e nobre dos jaguares. O jaguar tem a medicina (técnica, em seu vocabulário) da impecabilidade e do caminho reto. Maite usa a pantera para analisar tudo que ocorre ao seu redor, sendo sigilosa, elegante e sutil. Contou: “Quando a pantera me olha, de repente seus olhos já estão dentro de mim, e eu consigo ver tudo, nos mínimos detalhes, inclusive microscópicos. Sou rápida, sou ágil, essa é a técnica da pantera. Quando ela me aceita, eu me aceito, e elimino tudo de mim que não seja impecável. Assim, posso fazer qualquer coisa sem sentir culpa”. Seu outro animal é o corvo, muito diferente. Tem a propriedade de mudar de forma.

Maite Irezabal, em 12 de fevereiro de 2012

O corvo sempre está aí e, ao mesmo tempo, não está, conseguindo desaparecer, quando decide. Não tem uma identidade fixa e se molda ao que o rodeia. Por isso não tem necessidade de lutar contra nada nem se impor. Maite contou que, quando ela está corvo, só é vista por quem quer. Pode caminhar pelas ruas mais perigosas da Cidade do México e não lhe acontece nada. Para isso, se veste de negro, e visualiza uma bruma negra ao seu redor, que sai do corpo, dá voltas em espiral, até chegar ao cérebro. Resolvi entrar na conversa e imaginei: se a pantera e o corvo fossem fotógrafos, como eu, o que aconteceria? De que maneira a pantera negra poderia fotografar o mundo, se a sua própria forma é tão intensa que domina todas as outras formas? E ao contrário, o corvo, como fotografaria já que não tem

uma identidade e pode se transformar em qualquer forma? Maite, surpreendida com a pergunta, pensou um pouco, e disse: as formas leem as formas a partir da sua forma. A fotografia normal é a forma do olho humano registrando as formas com que percebe o mundo. Para a pantera, com seu excesso de forma, qualquer forma menor que ela vai se dissolver, porque a forma da pantera é absoluta. As imagens seriam borradas e multidimensionais. Para o corvo, que não tem uma forma fixa e muda de forma o tempo todo, o oposto: qualquer sopro de vento ou rastro de coisa imaterial poderia adquirir a forma e a presença brutal de um bloco de pedra, uma fotografia do vento pesaria uma tonelada. São extremos da percepção. A fotografia, para reinterpretar o mundo de maneira radical e inovadora, deve

recorrer à pantera negra e ao corvo para perceber o que uma câmera fotográfica não foi preparada para perceber, já que moldada nas formas humanas do olhar. Não lembro como terminou a viagem. Eu sentia a pantera tomando meu corpo, dominando minha experiência. Era tudo que me interessava, não as ruínas na selva. No dia seguinte, Maite não apareceu no hotel. Esperei no saguão por meia hora. Teria se cumprido a medicina do corvo? Pânico: eu precisava continuar a conversa. Sem saber a que magia recorrer, enviei uma mensagem em inglês ridícula: “Don’t disappear, Maite!!! Appear, appear!!! [não desapareça, Maite. apareça!] Abracadabra!!!”. Ao que ela respondeu no celular: “Mister Omar, sinto por ter desaparecido. Acordei tão etérea e volátil que me perdi na cidade, e me tornei parte

das paredes – estou nelas. Olhe em volta. You don’t need any Abracadabra [você não precisa de abracadabra]”. Com efeito, de repente, ali estava ela, no saguão do hotel, vestida de preto. E eu não tinha visto! Disse: “Estou aqui há mais de meia-hora”. Teria permanecido invisível todo esse tempo? Quando voltei ao Brasil, as portas da percepção se abriram. Examinando as imagens feitas aleatoriamente naqueles 15 minutos a caminho das ruínas de Palenque, as figuras começaram a aparecer. E se transformavam o tempo todo. Ali estava o jaguar, ali estavam os combates do salmão e as ondas do rio, ali estava a revoada de corvos, como num quadro de Van Gogh, ali estavam as armaduras, as imperatrizes, as máscaras e os demônios da selva, os grifos da escrita maia, Nefertiti, o lagarto e a morte. Figuras que só eu via, mais ninguém, e por uma breve fração de segundos. Desapareciam da tela com a mesma velocidade com que haviam surgido. Nem pareciam fotografias. Teria eu adquirido o privilégio de ver o que havia se passado comigo antes de ver? Logicamente seria impossível. Tratava-se, talvez pela primeira vez, ao menos para mim, de uma fotografia feita não sob o signo de CartierBresson, o maior de todos, mas sob o da pantera negra, como aprendi no caminho da selva com a jovem xamã Maite, diferente de tudo que eu havia feito antes. Trabalhei 15 semanas com a amiga e artista Ana Dantas, que me ajudou a fixar as imagens fugidias. Às vezes eu não via a figura, e só ela via; ou ao contrário, e tínhamos disputas perceptivas. Tudo se fragmentava e se reconstituía, porque as portas da percepção eram atravessadas em todos os sentidos, indo e voltando.


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Imaginação

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PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

Perfuraneve

Churchill, o ator que liderou o Reino Unido TEXTO JACQUES LOB IMAGENS JEAN-MARC ROCHETTE TRADUÇÃO DANIEL LÜHMANN

Criado pelo roteirista Jacques Lob e pelo desenhista JeanMarc Rochette, “Perfuraneve” teve seu primeiro tomo publicado na França em 1984. Após a morte de Lob, Benjamin Legrand deu sequência ao projeto, escrevendo os dois volumes seguintes da novela gráfica. Na história, a Terra encontra-se devastada por uma bomba e passa por um inverno extremo, mas alguns

humanos conseguem sobreviver em um trem que se desloca graças a uma máquina de moto perpétuo. A trama originou o filme “Expresso do Amanhã”, dirigido pelo coreano Bong Joon-ho (“Mother”), com atuações de Chris Evans e Tilda Swinton, que deve estrear nos cinemas do Brasil ainda neste ano. A editora Aleph publica a obra completa no início de março.


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DIVULGAÇÃO

Plateia

Filme nacional é elogiado em Sundance (92) 3090-1042

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A harmonia, a sutileza e a influência da bossa nova

DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

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oje comemora-se o Dia Nacional da Bossa Nova, efeméride que lembra o dia do nascimento de um dos idealizadores do gênero, o carioca Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994). O movimento ganhou fama após o lançamento do compacto “Chega de Saudade”, em agosto de 1958, do cantor e violonista João Gilberto. Os recursos incomuns utilizados pelo baiano, como os acordes dissonantes, exerceram influência decisiva na formação do maestro da Orquestra de Violões do Amazonas, Davi Nunes. No final da década de 1980, em meio à escassez de escolas de músicas em Manaus, ele tentava aperfeiçoar sua técnica em songbooks xerocados de artistas do gênero. “O aluno que opta por tocar bossa nova tem, em geral, um gosto musical mais apurado. É um estilo que traz características da música norte-americana e erudita, exige conhecimento. A partir daí, ele pode ‘viajar’ por vários gêneros”, analisa o Nunes. Hoje, ele atua também como coordenador do núcleo popular do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro e integra o núcleo de música do Projeto Jovem Cidadão. Em outubro de 2013, no Teatro Amazonas, a orquestra executou um concerto exclusivamente voltado à bossa nova. “Garota de Ipanema”, “Desafinado”, “Águas de Março” e “O Barquinho” receberam pequenas alterações, a cargo dos violonistas Edson Lopes e Graça Alan e da arranjadora Viviane Gonçalves. “Não poderia deixar os clássicos de fora, pois fazem parte da cultura brasileira e são próprios para o violão. Sinto orgulho de ser brasileiro e de pertencer ao meio artístico”, empolga-se Nunes. Novas canções serão incluí-

das na segunda edição do concerto, prevista para o segundo semestre de 2015. Além disso, a agenda da Orquestra de Violões do Amazonas deste ano inclui homenagem ao compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), concerto com obras do cancioneiro parintinense e apresentação dedicada ao público infantil. Vocabulário A sonoridade ao mesmo tempo complexa e sutil do disco “Getz e Gilberto”, de 1964, chamou a atenção do cantor e violonista Raphael Fonsêca ainda na adolescência. Na época, ele comprou o disco numa promoção nas Lojas Americanas e, desde então, a obra ocupa um lugar de destaque na discoteca do artista. “O João Gilberto trouxe um novo vocabulário ao violão, ao contrário do Tom Jobim, cujas canções destinavam-se ao piano”, analisa Fonsêca, destacando o papel que o compacto “Chega de Saudade” (1959) representou na sua formação musical. “Tecnicamente falando, aspectos como a progressão harmônica e os acordes me influenciaram bastante”. Fonsêca enxerga semelhanças entre o ritmo brasileiro com a música de artistas country e folk, principal influência do violonista. “As diferenças surgem de acordo com o instrumento utilizado – violão de náilon ou de aço, por exemplo – e o ritmo. Se você tira o balanço da bossa nova e acrescenta o folk, você terá um folk jazz”, exemplifica. Durante tributo ao músico britânico Nick Drake (1948-1974), ele incluiu no repertório versões de clássicos como “Corcovado”. “É um tipo de técnica mais sofisticada, diferente daquela utilizada na música pop. Você precisa tocar para entender”, diz Fonsêca. Seu primeiro álbum será lançado este ano, com a versão em vinil do EP “Songs Of The Heat And Sunburn”.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

O maestro Davi Nunes foi influenciado pelos acordes dissonantes de João Gilberto

Raphael Fonsêca destaca a técnica sofisticada

Tom Jobim foi um dos idealizadores do gênero

ARQUIVO EM TEMPO

Artistas falam sobre a importância que o gênero, cujo dia nacional é celebrado na data de hoje, exerce em suas carreiras

Capa do célebre compacto de João Gilberto


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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Assembleia recebe assessores

>> Musa . Os anos 20 inspiram o tradicional Baile do Copa – no Rio de Janeiro – e a musa da edição já está pronta para receber os 2.000 convidados da festa. Divulgadas com exclusividade pelo site da Vogue, as fotos de Marina Ruy Barbosa já pode ser vistas na internet. . A ruiva, queridinha da Rede Globo, foi a escolhida para rainha da festa neste ano e foi clicada pelo fotógrafo Vicente de Paula nas instalações do hotel. Agora, Marina adentra o time que já contava com nomes como Luana Piovani, Sheron Menezzes e Luiza Brunet.

. O presidente da assembleia Josué Neto, participa amanhã de uma programação direcionada a assessores de diversas áreas que vão atender os 24 deputados na nova legislatura (2015/2018). . Durante o encontro os profissionais vão ter informações sobre todos os setores do parlamento estadual. A recepção vai ocorrer a partir das 8h30m no auditório João Bosco Ramos de Lima.

>> Olimpíadas de 2016

A bonita Vanessa Mancini no agito chic da Pink

>> Cultura popular

>> Ação . De 27 a 30 de janeiro, o Governo do Amazonas, em parceria com os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Meio Ambiente (MMA), realiza mutirão integrado de regularização ambiental e fundiária no Estado do Amazonas. . Nos dias 27 e 28, as ações acontecerão no km 14 da Estrada Cooperativa, próximo à Escola Municipal Isabel Cordeiro. Nos dias 29 e 30, os atendimentos serão na sede da Associação dos Moradores do Ramal do Pau Rosa, localizada no km 14 do Ramal do Pau Rosa. Nos quatro dias, o mutirão será realizado das 9h às 17h.

Antonio Nelson e Ana Falcão nos domínios da Pink Elephant

Marcos Guerra e Bruna Alfaia na boate Pink

>> Luxo

. A pré-produção do CD “Vida” do boi Garantido está em andamento sob a produção musical de Paulinho DU Sagrado e Alder Oliveira. . O músico La Bamba, auxiliará nos arranjos musicais e Alysson Low do ABM estúdio é o técnico de som responsável pela gravação e mixagem das 21 toadas. O DVD homônimo será gravado, ao vivo, no dia 7 de março, no Curral Lindolfo Monteverde “Cidade Garantido”, em Parintins.

Henrique Oliveira e Luiz Azevedo na noite badalada da Pink

. A Top Internacional promove até o dia 31 de janeiro um sale das peças Swarovski, os cristais austríacos mais famosos no mundo da moda. São brincos, pulseiras, cordões e anéis com a delicadeza e o luxo que a marca sugere com até 50% de desconto. . Os cristais Swarovski pode ser encontradas nas lojas da Top Internacional nos shoppings Ponta Negra, Amazonas, Manauara e no Centro.

GARANTIDO

Montagem da companhia Faces&Disfarces será encenada no Centro de Convenções do Plaza Shopping, em duas sessões

‘A Caixa de Brinquedos’ estreia no dia 31 al, que fará com que as crianças reconheçam as cenas dos seus programas favoritos e ajudem Mililica a salvar seus amigos. Segundo o diretor geral do espetáculo, David Carlutio, depois de dois meses de ensaios essa é a primeira vez que a peça será encenada para o público. “O espetáculo é bastante dinâmico e agrada crianças e adultos porque consegue transmitir a todos a magia das brincadeiras”, diz. David comenta ainda que essa é a primeira parceria da Companhia Faces&Disfarces com o Centro de Convenções do Manaus Plaza e que, ao longo deste ano, ele pretende apresentar outras atrações no mesmo espaço.

O público pode assistir ao espetáculo de duas formas: por meio de uma inscrição no Espaço Cliente, com taxa simbólica de R$ 10, no ho-

PARCERIA

Esta é a primeira parceria entre o grupo de teatro e o centro de compras e outras produções deverão ser apresentadas no mesmo local durante este ano rário de 10h às 19h; ou participando da promoção oferecida pelo shopping, que dá um par de ingressos aos 100 primeiros clientes

que comprarem acima de R$ 100, em uma das lojas do centro de compras. As notas fiscais para a troca devem ser apresentadas no Espaço Cliente, localizado no térreo, próximo à esteira rolante. A Companhia de Teatro Faces&Disfarces foi fundada em 2008, oriunda do grupo de teatro Letrarte, que nasceu em 2006, dentro do Centro Universitário do Norte (UniNorte). Entre as peças apresentadas pelo grupo estão “A Poesia do Primeiro Amor”, “A Janela da Saudade”, “A Escola da Minha Vida”, “O Conto que a Fada não Contou”, “A Fórmula Machadiana do Amor”, “Nos Balanços dos 30”, “Os Sete Pecados Capitais” e “Gota d’Água”.

Músicos entram em estúdio para gravar o CD ‘Vida’ A pré-produção do CD “Vida”, do Boi Garantido, está em andamento sob a produção musical de Paulinho Du Sagrado e Alder Oliveira. O músico La Bamba auxiliará nos arranjos musicais e Alysson Low, do estúdio ABM, é o técnico de som responsável pela gravação e mixagem das 21 toadas. O DVD homônimo será gravado, ao vivo, no dia 7 de março, no Curral Lindolfo Monteverde “Cidade Garantido”, em Parintins. Du Sagrado antecipa que o resultado do produto fonográfico será um resgate da tradição, por meio de uma fusão com a modernidade. Na opinião dele, é possível realizar um trabalho com qualidade sem perder a essência da musicalidade. “Queremos juntar os valores sem perder o coração da nossa festa e, com certeza, temos elementos suficientes para que isso não aconteça”,

avalia. Ele destaca que não é contra a introdução de nenhum instrumento, porém, enfatiza que tudo tem que ser feito de forma sutil, num momento e espaço específi-

PRODUÇÃO

O novo CD do boi-bumbá vermelho e branco será formado por 21 toadas. Também está prevista a gravação de um DVD ao vivo, na “Cidade Garantido”, em Parintins co, sem banalizar. Entre os músicos que participam da gravação estão Sidney Rezende, Márcia Siqueira, Mara Ligth, Joasil, Rosi Mendonça, Clevinho, Sandro Bass, além de Paulinho Du Sagrado, Alder Oliveira e La Bamba. DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

TEATRO

O mundo mágico dos brinquedos vai invadir o Centro de Convenções do Manaus Plaza Shopping (avenida Djalma Batista, Chapada), no próximo dia 31. A montagem “A Caixa de Brinquedos”, encenado por 11 atores da Companhia de Teatro Faces&Disfarces, promete levar adultos e crianças a encontrar o prazer das brincadeiras. A apresentação acontece em duas sessões, às 17h e 18h30. A história começa quando a boneca Mililica encontra seus amigos brinquedos desprezados e destruídos, jogados em uma caixa, e começa a buscar alguém para salvá-los. Os personagens, então, invadem o mundo dos desenhos animados e recriam a linguagem visu-

. O governador do Amazonas, José Melo, e o prefeito de Manaus, Arthur Neto, anunciaram oficialmente a capital amazonense como uma das subsedes das Olimpíadas de 2016, para as disputas da modalidade esportiva futebol. . O anúncio foi feito durante uma coletiva da qual participaram, além de Melo e Arthur, secretários de governo, representantes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), aos quais foram apresentados os protocolos preliminares com as exigências e condições necessárias para Manaus ganhar a disputa.

Novas toadas buscam um resgate da tradição do bumbá


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Cultura afro-brasileira é tema do ‘Viradão Cultural’ SÉRGIO RODRIGUES Especial EM TEMPO

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Ponto de Cultura Batukada, uma associação sem fins lucrativos que oferece atividades culturais a comunidades carentes, vai promover, a partir de hoje, uma virada cultural em sua sede, na rua Emílio Moreira, bairro Praça 14 de Janeiro. As atividades gratuitas, que têm foco na política e cultura afrobrasileiras, envolvem cinema, música, debates e literatura, e acontecem a partir das 18h. A programação começa com a exibição dos curtas-metragens “Farol” e “Validação”, que fazem parte de outra iniciativa do Batukada, o Cineclube 14. Em seguida, às 19h, é a vez da literatura com a intervenção do Clube de Contistas “Pandevú”, onde os escritores vão realizar a leitura de contos com o tema “Recomeço”. As atividades acontecem desde ontem e, segundo o diretor do Ponto de Cultura Batukada, Ewerton Almeida, a programação prioriza a cultura afro-brasileira. “Ontem, tivemos uma roda de conversa para debater a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história

e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas. Tivemos a presença de um ativista social especialista na lei, Joseny Santos, e ele conversou com a comunidade sobre isso. É importante, ainda mais para uma comunidade de raízes africanas como a Praça 14, debater esses temas para combater o preconceito e alertar a consciência dos cidadãos para as injustiças sociais que ocorrem ao nosso redor”, explica. Além da programação, a mostra “80 – Museu de Grandes Novidades”, que ficou em exposição em dezembro do ano passado, na Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja, também será outra atração disponível para quem visitar a Virada Cultural da Batukada. A proposta da exposição é relembrar a cultura que marcou a década de 80 por meio de 60 ilustrações. É possível encontrar quadros que retratam os cantores Cazuza e Rita Lee, o filme “Robocop”, os desenhos “Thundercats” e “Caverna do Dragão”, e outros. “Nossa ideia foi dar continuidade a esse projeto que ficou exposto no largo São Sebastião e que tem vários trabalhos de artistas locais”, comenta Ewerton Almeida.

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Ponto de Cultura Batukada promove atividades de música, cinema e literatura com foco na política e cultura afro-brasileiras

Programação de hoje 18h: O Cineclube Praça 14 exibirá os curtas “O Farol” e “Validação” 19h: Intervenção do Clube de Contistas “Pandevú”. Os escritores irão realizar a leitura de contos sobre o tema “Recomeço” A exposição “80 – Museu de Grandes Novidades” estará aberta para a visitação durante todo o dia

SERVIÇO VIRADÃO DO PONTO DE CULTURA BATUKADA Quando Hoje, a partir das 18h Onde Sede do Batukada, na rua Emílio Moreira, 1.209, Praça 14 de Janeiro (ao lado do posto Atem) Quanto Gratuito Todas as atividades do “Viradão Cultural”, que teve início ontem, têm entrada gratuita


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RESENHA

Madonna, a rebelde com causa T

PERFIL

Rafael Froner publicitário

rinta anos de carreira não são três meses de experiência e, para Madonna, estar no topo é uma questão de opção, afinal, entre tantas reinvenções –visuais e musicais – a principal característica dessa leonina é a rebeldia. Basta procurar algum show dela no Youtube para ouvir e entender a famosa frase da diva: “nunca aceite não como resposta”. O novo disco “Rebel Heart”, 13º álbum de estúdio (não contamos com as compilações de remixes e ao vivo), traz de volta a ousadia e poesia da cantora/produtora que, apesar de ter sido vítima da falta de privacidade desse novo século (mais de 20 demos do disco vazaramem dezembro), ela superou as expectativas de todos nós que ansiávamos pelo retorno da rainha do pop. Apesar das canções não serem as finais, a crítica mundial não só ouviu como se curvou ao retorno da rainha do pop, sem novidades desde 2012 com o lançamento do último disco “MDNA”. Mas qual é a necessidade de Madonna se expor,expressar e fazer shows, afinal: ela não está muito velha para isso?

São 56 anos, quatro filhos (dois deles adotados, do Malawi), dois casamentos e inúmeros casos amorosos. O que mais ela quer? Em meio de tantos jovens rebeldes sem causa na indústria musical, a rainha do pop tem muito ainda o que falar, especialmente quando se fala sobre experiência de vida, o caos do mundo atual e aos ataques de ageismo que ela sofre desde quando tinha 30 e poucos anos. Devido o vazamento dasfaixas demo (em dezembro do ano passado), a produção da cantora foi obrigada a adiantar logo depois,6 faixas finais do disco (que será lançado apenas dia 10 de março). Em pouco tempo, o disco ficou em primeira posição do iTunes em 49 países, provando mais uma vez que o mundo aprecia e ainda quer ouvir de Madonna. Mas o que esperar sobre essa nova era? Cada disco que ela lança conta diversas histórias (muitas vezes autobiográficas), interpretadas por diversas Madonnas,

sejam elas “rainha da pista de dança”, “cabalista”, “dominatrix”, “garota fitness” e por aí vai. Já em 2015, com “Rebel Heart” (que terá 25 faixas), ela tem revelado nas faixas lançadas uma persona transparente e romântica (“Living for love” e “Ghost town”), instigante e corajosa (“Illuminati” e “DevilPray”) e muito abusada (“unapologeticbitch” e “Bitch I´m Madonna”). Faixas que esbanjam elementos eletrônicos, coral, violão, batidas marcantes, sons absurdamente diferentes, hip hop e até reggae. Podemos esperar mais produções ímpares e um disco bem diferente. Os fiéis fãs se entregaram de coração com essa prévia, entretanto a surpre-

sa maior vem para os antigos fãs, até mesmo os que deixaram de acompanhar o trabalho dela. Acredito que esses admiradores mais antigos sentirão a essência da “antiga Madonna”, que trazia surpresas e uma sonoridade fora do comum para o público, cansado de mesmice. A promoção do álbum começa em fevereiro, com o lançamento do clipe de “Living for love” e a performance na premiação do Grammy (dia 8), o maior palco para exposição de música e ousadia. Depois da largada, teremos um ano com muita realeza, com muitas outras aparições públicas e a tão esperada turnê mundial, onde já há rumores que será um show mais intimista, ao contrário das apresentações em estádios como vimos nos shows vindos ao Brasil. Rebelde ou não, agora teremos que manter a calma e esperar o que ela irá nos apresentar. A Rainha da rebeldia mostra que não está disposta a deixar o trono tão em breve.

A promoção do álbum começa em fevereiro, com o lançamento do clipe de “Living for love” e a performance na premiação do Grammy (dia 8), o maior palco para exposição de música e ousadia”


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo BBB folia A Globo, uma vez mais, terá uma edição especial de Carnaval para o Big Brother Brasil, marcada para 15 de fevereiro. Porém, como a ordem é evitar ao máximo o contato externo nesta edição, tudo indica que não haverá saidinha de brothers para as escolas cariocas. Novo negócio Após passagens por SBT, o apresentador Yudi Tamashiro agora se dedica ao mercado da música. Ele investiu mais de um milhão de reais na montagem de uma produtora em São Paulo, capacitada para oferecer vários tipos de serviços. Time respeitável “Babilônia”, substituta de “Império”, além de reunir o trio de autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, terá uma forte equipe de colaboradores. Dela fazem parte Ângela Carneiro, Chico Soares, Fernando Rebello, João Brandão, Luciana Pessanha, Maria Camargo e Sérgio Marques. Todas as fichas Como aqui já se falou,

REGI

GLOBO

Último da série A segunda temporada do “Sai do Chão” chega ao fim neste domingo na Globo, em clima de carnaval. O apresentador será Márcio Victor, vocalista do Psirico, que reencontra sua antiga parceira, Ivete Sangalo. Antes de se tornar cantor, ele foi percussionista da banda dela. “Babilônia” é vista como uma das maiores realizações da Globo no ano do seu cinquentenário. Todo o apoio, nas mais diferentes direções, vai sendo oferecido à sua produção. Start Amanhã, segunda-feira, de forma efetiva, começam os trabalhos do “CQC” – ano 2015. Toda a sua nova equipe estará a postos, iniciando as gravações do programa que virá – parcialmente – reformulado a partir de 9 de março. Planos de expansão A Rede Massa, do Ratinho, com emissoras no Paraná, tem planos de ampliar a sua rede de alcance e chegar a outros estados.

Aliás, já existe um trabalho para se conseguir novas emissoras, especialmente na região Nordeste. Simplificado A mudança de título do “Zorra Total”, sugerida pela sua nova equipe, encontrou forte resistência no comando da Globo por se tratar de uma marca já consagrada. Mas poderá acontecer, no entanto, um pequeno ajuste no nome. E ficar apenas “Zorra”. É isso que está sendo discutido agora. Volta do Sarau O “Sarau”, comandado por Chico Pinheiro na GloboNews, no dia 30, sexta que vem, vai estrear a sua nova temporada. E Mart`nália será a convidada dos dois primeiros programas.

• O “Esquenta”, da Regina Casé, neste domingo vai contar com a presença de Fernanda Paes Leme, mostrando que tem samba no pé. • Adriano Toloza, o Ivan de “Amor à Vida”, é mais um nome cotado para o elenco de “Verdades Secretas”, próxima novela de Walcyr Carrasco na Globo, faixa das 23h... • ... “Vamos assim até abril”, disse Pedro Bial durante o “BBB15”.... • ... Mas a tendência é que o programa termine em 31 de março. • Globo não trabalha ainda com uma data definitiva para o encerramento de “Boogie Oogie”... • ... De qualquer forma, sabese que são mínimas as chances de passar da primeira quinzena de março... • ... Por outro lado, já existem ordens para que os trabalhos da sua substituta, “Sete Vidas”, sejam acelerados.

Caio Castro se empolga A Globo promoveu, semana passada, no Projac o workshop de “I Love Paraisópolis”, substituta de “Alto Astral” na faixa das 19h. Ficou decidido que a novela, escrita por Alcides Nogueira e Mário Teixeira, irá estrear dia 11 de maio e ficará no ar até 6 de novembro. Um dos mais empolgados no workshop era o ator Caio Castro, devido à oportunidade de viver o primeiro vilão de sua carreira.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini É de se louvar a boa sintonia da produtora GGP, do Gugu Liberato. Algo que tem colaborado bastante no encaminhamento do novo programa dele e de outros projetos que serão desenvolvidos em parceria. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Comédias sem comédia

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

Alguns gêneros de comédia têm virado febre em Manaus, sobretudo a comédia do tipo stand up que tem ganhado evidência através do grande público que a assiste e pelo sem-número de montagens que circulam pelo país. Embora a proporção tenha diminuído em relação há 10 anos atrás, ainda é grande as montagens do gênero, como afirmei no início, e talvez o grande exemplo no Brasil ou que pelo menos o popularizou foi o espetáculo paulista “Terça Insana”, sucesso nacional, já tendo passado por estas plagas. Para um comediante deste gênero de humor a ideia e síntese de sua expressão deve passar primeiro por uma concepção de público e análise do discurso, afinal, é a audiência, a plateia, a principal instituição teatral e fonte de sucesso desse estilo. Se de um lado os comediantes não só do stand up, mas também do besteirol, dos vaudevilles - e de outros modelos mais, alguns deles inspirados nos sitcons americanos - possuem como regra fundamental a negação do politicamente correto, por outro exige-se um limite para esta assertiva de modo que alguns princípios de nossos códigos morais permaneçam incólumes ao tom das construções dramáticas mais ousadas e agressivas. As formas populares de comédia, como o Vaudeville, tem enfrentado duras críticas ao longo dos anos. Rotuladas de comédias baixas ou menores, alguns esquecem que foi o besteirol, por exemplo, que deu um novo impulso ao teatro carioca em fins dos anos 1980 e início do mesmo tendo em Mauro Rasi e Miguel Falabella os seus principais expoentes.Esta digressão tem um caráter didático e voltado diretamente aosjovens grupo de artistas que buscam a comédia como princípio de suas investidas. Em Manaus, existem grupos de comediantes ain-

da sem saber com clareza o que é comédia. Desprovidos de técnicas específicas ao gênero, os espetáculos chegam a ser enfadonhos, resultado da falta de estudo e de certa ingenuidade – o que poderia ser uma qualidade, mas não me refiro a isso neste último caso. Ainda que em seus currículos constem algumas apresentações em teatros na cidade, as fórmulas do espetáculo são batidas, obsoletas e desprovidas de graça exigindo um esforço não de compreensão mas de generosidade da plateia. São quase sketchese quase comédias onde boa parte dos espetáculos os atores procuraram tirar proveito de seus corpos caricaturados e de palavrões,de tal forma a se parecerem ridículos e provocarem o riso, aliás, um tipo de artifício já quase em desuso e que demonstra justamente a falta de técnica e sensibilidade. Ao invés de se concentrarem na criação de seus quadros e situações onde o corpo tenha validade para além das formas pastosas da televisão e de textos realmente criativos e originais, estes espetáculos depõem contra o gênero precisando urgente de uma revisão. Alguns espetáculos se baseiam em reproduções exatas de vídeos do Youtube, o que, para um desavisado que cumpriu o ritual de tomar banho, sair da sua casa e ir ao teatro, deve ser frustrante! Quero dizer que não há nenhum problema em usar como ponto de partida esse tipo de material (vídeos do youtube ou qualquer que seja), mas ao invés de muitos destes atores caírem na simplória reprodução como forma de alcançar as massas, deveriam produzir um espetáculo que fosse de fato uma linguagem e não um conjugado de cenas sem comédia, sem ação e/ou mesmo acabamento.

CMárcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.

Formas populares de comédia, como o Vaudeville, tem enfrentado duras críticas ao longo dos anos. Rotuladas de comédias baixas, alguns esquecem que foi o besteirol, por exemplo, que deu novo impulso ao teatro carioca”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Programação de TV

SBT

DIVULGAÇÃO

8h50 Futebol 2015: Corinthians x Botafogo

10h05 Pé Na Estrada 10h30 Só Risos

5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo

10h45 Esquenta 12h12 Sai do Chão

11h55 Os Simpsons – Maratona 14h40 Sessão Livre I

6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves

13h16 Temperatura Máxima. Filme: Os Pinguins do Papai 15h Futebol 2015: Amistoso - Fla-

16h10 Sessão Livre Ii 18h20 Top 20 19h Só Risos

9h Domingo Legal 13h Eliana

mengo x São Paulo. 17h Domingão do Faustão

20h Polícia 24h 21h Miss Universo – Ao Vivo

17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena

19h Fantástico 21h17 Big Brother Brasil

23h Pânico Na Band – Melhores Momentos

18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Série: Nikita

21h52 Planeta Extremo: Vanuatu 22h23 Domingo Maior. Filme: Assassino a Preço Fixo

0h Alex Deneriaz 0h35 Show Business – Reapresentação 1h25 Igreja Universal

0h Série: Rizzola & Isles 1h Série: Pessoa De Interesse

23h5 Flash Big Brother Brasil 0h04 Sessão de Gala. Filme: Amélia

2h Big Bang 3h15 Jogo Da Gente 4h Igreja Universal

2h05 Encerramento Previsto (Manutenção Mensal)

GLOBO

Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 Sua casa e sua condição básica de organização de vida precisam mudar. Sua rotina não funciona mais e você precisa de novas condições de vida para continuar para o futuro. TOURO - 20/4 a 20/5 A vida material carece passar por profunda renovação. Novos projetos e planos são bem vindos - são realmente necessários. Seus contatos e relações precisam ser aprimorados.

4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos

BAND

7h30 Record Kids - Pica Pau 9h Domingo Show

4h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 5h30 Santa Missa No Seu Lar 6h30 Sabadão Do Baiano

13h30 Hora Do Faro 17h30 Domingo Espetacular 21h15 Repórter Em Ação

5h19 Pequenas Empresas, grandes Negócios

7h Power Rangers + Jimmy Neutron 8h30 Palavra Cantada

22h15 Roberto Justus + 23h15 Programação Iurd

5h53 Globo Rural 6h48 Auto Esporte 7h20 Esporte Espetacular

8h45 Informercial – Polishop 9h45 Verdade E Vida

3h50 4h51

“De frente com Gabi” traz entrevistas inteligentes com a jornalista Marília Gabriela, no SBT

RECORD

Santa Missa Amazônia Rural

Cinema

10h Irmão Caminhoneiro – Boletim

Cruzadinhas

PRÉ-ESTREIA O jogo da imitação. EUA/Reino Unido. 12 anos. A trama é baseada na história real do lendário criptoanalista inglês Alan Turing (Benedict Cumberbatch), considerado o pai da computação moderna, e narra a tensa corrida contra o tempo do especialista e sua brilhante equipe no projeto Ultra para decifrar os códigos de guerra nazistas e contribuir para o final do conflito. Cinépolis Millennium 7 – 22h30 (quarta-feira).

GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Certa acomodação não pode mais continuar em sua vida e em sua maneira de ser. Deixar-se levar pela vida não cabe mais. Você precisa ter uma orientação própria. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Há coisas em você mesmo das quais precisa se libertar. É um longo processo, mas um primeiro passo pode ser dado hoje mesmo. Tire da frente os problemas do passado. LEÃO - 23/7 a 22/8 É hora de começar a replanejar os passos a serem dados em sua vida. Um projeto geral, com base nos sonhos de seu coração, deverá guiar seus passos imediatos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Comece a olhar com novos olhos para sua carreira profissional e responsabilidades pessoais. Você é chamado a novos compromissos e a eles deverá responder. LIBRA - 23/9 a 22/10 Não adianta agora apenas cultivar bons valores, é preciso colocá-los em prática, com certa urgência. Oriente sua vida de acordo com seu coração. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 É tempo de transformação profunda em certos relacionamentos e condições em sua vida. Uma transformação para o bem, que trará a possibilidade de novas e melhores situações. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As mudanças na relação a dois se aceleram, assim como nas associações e parcerias. Algumas escolhas terão que ser refeitas, outras organizadas novamente desde o início. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Você começa um novo trabalho ou uma nova fase no trabalho atual. Veja quais relações não podem mais continuar como estão. Reorganize sua rotina geral de vida. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Uma nova fase na relação com o amor, com os filhos e as criações está por começar. O modo de você conduzir as atividades de rotina precisará mudar em função disso. PEIXES - 19/2 a 20/3 A remodelação do lar e das relações familiares ganha nova dimensão a partir de agora. O tempo pede mais leveza e mobilidade na lida com os assuntos domésticos.

ESTREIAS Minúsculos: FRA. Livre. Em uma pacífica clareira, entre as sobras de um piquenique, começa uma batalha entre duas tribos de formigas em busca de uma caixa de açúcar. Uma jovem e corajosa joaninha acaba sendo capturada no meio do fogo cruzado e torna-se aliada das formigas negras, ajudando na luta contra as terríveis formigas vermelhas. Cinemark 2 – 12h20, 14h40, 16h50 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 6 – 14h, 16h05, 18h10 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 2 – 13h, 15h15, 17h15 (dub/diariamente). Busca Implacável 3: FRA. 14 anos. Liam Neeson retorna ao papel de Bryan Mills, ex-agente da CIA, cuja reconciliação com sua ex-mulher é interrompida quando ela é brutalmente assassinada. Consumido pela raiva, e considerado o responsável pelo crime, ele foge da procura implacável da CIA, do FBI e da polícia. Pela última vez, Mills deve usar `suas habilidades especiais´ para encontrar os verdadeiros assassinos, fazer justiça com as próprias mãos, e proteger a única coisa que importa para ele agora – sua filha. Cinemark 2 – 19h, 21h30 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 12h30, 15h, 17h50, 20h30 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Multiplex 2 – 16h, 18h15, 20h30 (dub/diariamente), Multiplex 4 – 21h (dub/diariamente), Multiplex 5 – 21h30 (diariamente), Playarte 5 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 16h20, 21h15 (dub/diariamente), 13h55, 18h50 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 14h, 16h30, 19h (dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 15h, 17h30, 20h (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES Os Pinguins de Madagascar: EUA. Livre. Cinemark 3 – 11h10, 13h15 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 12h40, 15h10, 17h40, 20h, 22h15 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 12h (3D/dub/exceto domingo), 14h20, 16h40 (3D/dub/ diariamente), 18h50 (3D/dub/exceto quarta-feira); Kinoplex 3 – 13h (3D/dub/diariamente); Multiplex 4 – 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 15h30, 17h30, 19h30 (diariamente), Playarte 1 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40 (3D.dub/diariamente), Playarte 6 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/sexta e sábado), Playarte 7 – 13h16, 15h16, 17h16, 19h16 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 1 – 12h10, 14h20, 16h25, 18h35, 21h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 13h30, 15h40, 17h50, 20h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 4 – 14h55, 17h05 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis Millennium

1 – 13h20, 15h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 14h45, 16h45, 18h55, 21h15 (3D/ dub/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 13h50, 16h10, 18h20 (3D/dub/diariamente). Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Cinemark 1 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (diariamente), 23h30 (somente sábado), Cinemark 8 – 16h20, 19h10, 22h (diariamente); Kinoplex 2 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h10 (diariamente); Kinoplex 3 – 15h, 17h, 19h, 21h (diariamente), Playarte 3 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente), 22h20 (sexta e sábado), Playarte 4 – 17h51, 20h06 (diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h45 (diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 14h15, 16h40, 19h05, 21h30 (diariamente), Cinépolis Millennium 2 – 19h20, 21h55 (diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 15h45, 18h, 20h45 (diariamente), Cinépolis Millennium 6 – 14h30, 17h, 19h35, 22h15 (diariamente).

Os Caras de Pau: BRA. 10 anos. Kinoplex 1 – 14h25, 16h50, 19h15, 21h40 (diariamente), Playarte 4 – 13h50, 15h50 (diariamente), 22h21 (sexta e sábado), Playarte 7 – 21h15 (diariamente), 23h15 (sexta e sábado), Cinépolis Plaza 3 – 19h50, 21h55 (diariamente). Êxodo – Deuses e Reis: INGEUA. 14 anos. Cinemark 3 – 15h20, 18h30, 21h45 (dub/diariamente); Kinoplex 3 – 15h, 18h, 21h (3D/dub/ diariamente); Multiplex 1 – 17h, 21h (dub/diariamente), Playarte 1 – 20h40 (3D/dub/diariamente), 23h35 (3D/dub/sexta e sábado), Playarte 9 – 12h20, 15h10, 18h, 20h55 (dub/diariamente), 23h45 (dub/sexta e sábado), Cinépolis Plaza 4 – 19h15, 22h20 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis Millennium 1 – 17h45, 21h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 20h30 (3D/dub/diariamente).

Operação Big Hero 6: EUA. Livre. Kinoplex 5 – 13h20, 15h35 (3D/dub/diariamente), Playarte 2 – 13h45, 16h, 18h20, 20h35 (dub/ diariamente), 22h50 (dub/sexta e sábado), Cinépolis Plaza 3 – 12h35 (3D/dub/somente sábado e domingo), 15h, 17h25 (3D/dub/diariamente). Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba: EUA. Livre. Cinemark 5 – 21h15 (dub/diariamente), Cinemark 8 – 11h40 (dub/exceto sábado e domingo); Kinoplex 4 – 13h, 15h05, 17h25, 19h40, 21h55 (dub/ diariamente); Multiplex 6 – 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diariamente), Playarte 10 – 12h50, 14h50, 16h50, 18h50, 20h50 (dub/diariamente), 22h50 (dub/sexta e sábado), Cinépolis 6 – 20h15, 22h30 (dub/diariamente). O Hobbit – A batalha dos 5 exércitos: EUA. Playarte 8 – 12h40, 15h30, 18h20, 21h05 (dub/diariamente), 23h50 (dub/sexta e sábado)


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Chegada

Foi dada a largada para a terceira edição da Corrida da Água 2015. A competição acontecerá no dia 22 de março e as inscrições já foram iniciadas com quantidade limitada para 1.500 atletas. Para participar, os interessados devem se inscrever até o dia 15 de março, na sede do Centro Literatus Educação Profissional, no Vieiralves. A corrida, que fará uma homenagem ao 24º aniversário do Grupo Literatus, traz como novidade dois desafios: percurso e distância. A largada agora sairá da rua Pará, irá percorrer a Djalma Batista, Darcy Vargas, Maceió e voltará para o Literatus.

FOTOS: JANDER VIEIRA

Fundadora do Laboratório Sabin junto a Sandra Costa, a presidente do Conselho de Administração do Grupo, Janete Vaz, veio a Manaus para anunciar o aporte de R$ 3 milhões na capital amazonense este ano. O valor é praticamente o triplo do que foi aplicado em 2014. A capital amazonense foi uma das unidades que mais cresceram no ano passado. A economia local agradece

A coluna já alertou várias vezes aqui: que um evento de sucesso depende de todo um conjunto de fatores. O tétrico acontecimento no jogo entre Vasco e Flamengo foi notícia nacional. Porém, convenhamos, que independentemente de toda a segurança – meganecessária – deve haver bom senso e educação. E isso é trazido de berço. Se é que vocês me entendem...

Patrícia Marinho Alves está trocando de idade hoje. Amanhã é a vez de abraçar Soraya Machado e César Augusto Oliveira, eles estão aniversariando. Os cumprimentos da coluna.

no próximo dia 6, às 22h.

O Kinoplex iniciou a venda dos ingressos do tão aguardado “Cinquenta Tons de Cinza”, que estreia no próximo dia 12. Os interessados podem adquiri-los diretamente na bilheteria ou pelo Ingresso.com.

Amanhã, o Detran-AM pilota a operação Volta às Aulas com ações de fiscalização de condução e educativa. A primeira escola será a Adalberto Vale.

Manaus ganhará a sua primeira edição da “DeepFriendsSessions”. Será um baile de máscara com produção futurista em detalhes carnavalescos, recheados de DJs nacionais. Onde? Na Move Lounge,

Os contribuintes do IPTU de Manaus já podem consultar e imprimir suas guias pela internet. O acesso pode ser feito pelo www.semef.manaus.am.gov.br e informar o número da inscrição imobiliária. Ah! O vencimento da cota única, com 15% de desconto se estenderá até o dia 16 de março. Se a grana estiver pouca, o contribuinte poderá parcelar o imposto em até 10 vezes, sem desconto. Dúvidas ou mais informações? Somente pelo ‘Call Center’ da Semef, discando 156. O serviço pode ser chamado de número convencional ou celular, viu?

Skindô chic

A Paradise é só folia. Claudia Mendonça preparou uma agenda imperdível para quem não dispensa passar o Carnaval nos ares azulados de Margarita. O voo é fretado e com saída para o próximo dia 15. Reservas pelo 3633-1156.

Guto Oliveira e Havilla Marques conferindo noite divertida na pista moderna da cidade

Anselmo Garcia e sua Helen em aparição necessária durante festim grifado no Diamond

DIVULGAÇÃO

‘X-Men’ tem atriz de Game of Thrones como Jean Grey -originalmente interpretada por Famke Janssen. O novo ciclope que deve aparecer em “Apocalypse” não será o mesmo de “X-Men Origins: Wolverine”, filme cuja existência foi apagada pela trama de “Dias de Um Futuro Esquecido”. Tye Sheridan, de “A Árvore da Vida”, será o novo rosto do mutante. Já Tempestade, interpretada até então por que Halle Berry, será vivida por Alexandra Shipp.

“Pequenos exílios” traz quatro obras de autores diferentes

Sophie assume personagem original de Famke Janssen

2015

Banda New Order confirma lançamento de novo álbum segundo a “NME”, no outono do hemisfério norte, a partir de setembro. Ele será o primeiro do grupo desde que o baixista Peter Hook deixou a banda em 2007, mas marcará o retorno do tecladista Gillian Gilbert. Em 2014, o New Order assinou com o selo britânico independente Mute Records, que já trabalhou com o Depeche Mode e Erasure.

A alegria e bom-gosto estarão presente em mais uma edição do Espaço Plus, de Pedrinho Aguiar, na passarela do samba, no sambódromo. Sem parar um minuto, sob o comando de sua fiel escudeira Cleide Souza, até o amanhecer, o cardápio varia de salgadinhos de boteco a sushis, numa mistura de pratos regionais e bebidinhas honestas. Os convivas terão durante os dois dias de desfiles conforto, diversão e segurança, itens necessários para uma boa agitação. Nada dos tradicionais bicões, habitués nessas festas carnavalescas. A decoração será outro detalhe a parte. Reservas pelo 99101-3930.

LITERATURA

Editoras lançam coleções com histórias de viagens

DIVULGAÇÃO

SÃO PAULO, SP - O New Order deve lançar um novo álbum inédito ainda em 2015. Em entrevista à revista “Rolling Stone”, a banda disse que duas músicas, “Plastic” e “Restless” já estão prontas --a primeira foi tocada em um show já em 2014 e a segunda tem participação de Tom Rowlands, do Chemical Brothers. O álbum deve ser lançado,

Praticidade

A aniversariante Lene Medeiros Cunha ganhou festim intimista do maridão, Felipe, nos domínios do Greenwood Park.

CINEMA

SÃO PAULO, SP - O próximo filme da franquia ‘X-Men’, que será lançado em 2016, trará versões mais jovens de três dos mais famosos mutantes da saga. Jean Grey, Ciclope e Tempestade serão interpretados por três novos atores, afirmou o diretor de “X-Men: Apocalypse”, Bryan Singer, em sua conta do Twitter. Sophie Turner, conhecida por seu papel como Sansa Stark na série “Game of Thrones”, será a telepata Grey -

O que é a “tabela diferenciada” que os estacionamentos usam aos domingos no centro da cidade, por conta da tradicional feira da Eduardo Ribeiro? A hora chega a custar – pasmem! – R$ 7. Não é apenas pelo valor, mas pelo abuso. Não dá para passear pelas barracas e garimpar algo legal, sem pensar na “facada” que será dada ao pagar o tal do estacionamento. Eu, hein!

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

Trocando seis por meia dúzia...

Sala de Espera

Ninguém vê?

Jander Vieira

A aniversariante de ontem, Ivânia Neves, só paparicos com a filha Lara Raquel Levy

D7

SÃO PAULO, SP - Graças a uma série de coincidências, a jornalista argentina Cecilia Arbolave, 29 anos, tornou-se amiga de Juan, um segurança do Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires). Há 6 anos morando no Brasil, ela costuma ir ao museu em suas visitas à cidade natal. Sempre que encontra o segurança, ouve suas histórias insólitas --na última delas, de 2013, ele havia anotado o nome “Cecilia” entre suas tarefas do dia, sem que ao menos soubesse que a amiga estaria na cidade. Os encontros nos corredores do museu viraram uma espécie de registro afetivo de Buenos Aires. E se transformaram em literatura em “A Obra Mais Ímpar do Malba”, capítulo que Arbolave escreveu para a coletânea “Queria Ter Ficado

Mais”, a ser lançada pela editora Lote 42 em 31/1. O título reúne 12 histórias escritas por 12 autoras em diferentes cidades do mundo. Cada relato vem dentro de um envelope, ilustrado por Eva Uviedo. Em dezembro, ele publicou o romance “Os Amantes da Fronteira” (Dobra Editorial, 112 págs.), um dos quatro livros da coleção “Pequenos Exílios”, que idealizou com a amiga Camila Moraes. O projeto aborda percepções de escritores sobre a experiência de viajar. Também integram a coleção o romance “Existe e Está Aqui e Então Acaba”, de Roberto Taddei, ambientado no interior do Ceará; “Três Peças”, de Paloma Vidal, se passa em em Buenos Aires, e “Estradas Paralelas”, de Camila Moraes, na Colômbia. Por Gabriela Sá Pessoa


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

Diretor de festival elogia brasileiro na competição S

ÃO PAULO, SP - Responsável pela seleção dos filmes que passam por Sundance, principal festival de cinema independente do mundo, o americano Trevor Groth diz que o brasileiro “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, único do país em competição neste ano, tem potencial para ser premiado. “Acho que o brasileiro será um dos destaques do festival”, disse à reportagem, por telefone, o diretor de programação. “É o tipo de filme ao qual acredito que o júri responderá bem. Ele tem chances reais de ganhar um prêmio”. A produção, dirigida pela paulistana Muylaert (“É Proibido Fumar”), narra o drama de Val (Regina Casé), que deixa o filho no interior de Pernambuco para trabalhar como babá em São Paulo. A estreia mundial será hoje, no festival, no Estado de Utah. “É um filme caloroso, inteligente e bonito e, ao mesmo tempo, desafiador e provocativo”, elogiou Groth. “Ele lança um olhar novo sobre a temática familiar, que é clássica. É filmado com tanta vida que fui arrebatado por ele”. Segundo Groth, filmes como

o brasileiro são os que estão fazendo a competição internacional de Sundance ganhar corpo nos últimos anos. “A nossa competição internacional ainda está tentando se estabelecer”, avaliou. “Há outros festivais, como os de Cannes e Berlim, que existem há muitas décadas. Nós ainda somos jovens [o festival faz 30 anos neste 2015], mas esse é o tipo de filme que creio que vai nos colocar no mapa”. Plataforma Para Groth, a competição entre os filmes americanos tende a receber mais atenção em Sundance por causa dos sucessos independentes que surgiram por lá. Em 2014, estrearam no festival, entre outros, “Boyhood - Da Infância à Juventude” e “Whiplash - Em Busca da Perfeição”, agora indicados a vários Oscars. “Gosto de pensar que fomos uma boa plataforma de lançamento para que esses filmes chegassem onde chegaram”, afirmou o diretor. Segundo ele, a pergunta que mais ouve todo ano é: qual seu preferido entre os selecionados. “Quase nunca respondo, mas no ano passado disse que era Boyhood”.

No drama, Val (Regina Casé), deixa o filho em Pernambuco para trabalhar em São Paulo

‘A graça de descobrir um novo talento’ Para este ano, a aposta é “Mistress America”, de Noah Baumbach. Na fita, o diretor volta a trabalhar com Greta Gerwig, com quem já havia feito

“Frances Ha” (2012). “Eles têm uma química incrível”, comentou. “Esse é um que eu estou bem animado de poder mostrar neste ano”. Groth disse ainda ver

como positiva a invasão de astros de Hollywood nos filmes independentes --Jennifer Lopez e Ryan Reynolds, por exemplo, estão em longas do festival neste ano.

Contudo, gosta mesmo é de ver surgir na tela um novo talento: “Parte da graça é descobrir os nomes que vamos ver por aí por vários e vários anos”.

DIVULGAÇÃO

Segundo Groth, filmes como o brasileiro são os que estão fazendo a competição internacional de Sundance crescer


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