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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.187 – DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
MILAGRE DOS PEIXES RICARDO OLIVEIRA
Em 1975, o pirarucu foi colocado na lista de extinção. Em Maraã, os estoques estavam na reserva de Maraã, onde vem sendo operado um verdadeiro “milagre dos peixes”, com quase “zerados”. Com o programa de manejo desenvolvido pela Colônia de Pescadores, produção estimada em 3.586. Considerando o peso médio de cada peixe, a previsão é os lagos foram repovoados. Este ano, o EM TEMPO acompanhou a captura do peixe de que a produção deste ano será de 193.644 quilos. CADERNO ESPECIAL
No lago do Canivete, no município de Maraã, depois de arpoar um pirarucu de quase 2 metros, o pescador entra na água para capturar sua presa
ENCURRALADOS NO MEIO DA SELVA DIVULGAÇÃO
Policiais militares civis teriam encontrado os cinco assaltantes de banco que estavam foragidos depois de assaltar uma unidade do Banco do Brasil em Lábrea. Informações dão conta de que os bandidos estão cercados em uma fazenda nas proximidades do km 30 da BR–230, juntamente com dois reféns. Última Hora A2
FÓRMULA 1
A última volta de Massa na
Ferrari
Após 8 anos, Felipe Massa (foto) se despede hoje da Ferrari sem ter conquistado nenhum título, mas com sensação de dever cumprido. Pódio E8
Campanhas em prol de instituições filantrópicas já estão a todo vapor para o Natal.
BRASILEIRÃO
FLU
precisa da vitória
Em situação oposta, tricolor carioca volta hoje ao estádio Prudentão, onde conquistou o campeonato de 2012, para enfrentar o Santos. Pódio E6
Adrianópolis é um dos bairros mais procurados para fixar residência em Manaus.
No último levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Manaus é apontada como a capital com preço do combustível mais caro do Brasil, entre as cidades com refinaria. O valor médio do litro da gasolina custa R$ 2,98 contra R$ 2,83 de Belém, no Pará. Economia B1
UMA BOMBA
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
Escritor defende que as pregações de Jesus sejam lidas de forma revolucionária. TEMPO EM MANAUS
MÁX.:
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Após 60 dias, ponte do São Jorge tem trecho liberado C
ondutores e pedestres de Manaus agora podem voltar a contar com o sentido bairroCentro da ponte Engenheiro Lopes Braga, mais conhecida como ponte do São Jorge, localizada no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste. O trecho concluído foi entregue na manhã de ontem pela Prefeitura de Manaus por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (Seminf), após mais de 60 dias de reformas. As obras, executadas pela empresa LVM Construções Ltda., e fiscalizadas pela Seminf, passaram por serviços de reforço estrutural do guarda corpo metálico, guarda-corpo em concreto armado e alargamento de tabuleiro com execução de laje de concreto armado. Para ornamentar a ponte, os operários instalaram estruturas metálicas em forma de arco dos dois lados da estrutura, bem como iluminação por meio de luminárias e refletores devidamente posicionados. As fundações da ponte também receberam proteção de estacas metálicas em concreto armado, além de pinturas. O total da obra está orçado em R$ 1.496.388,18 e cumpre uma medida judicial, oriunda de uma
IONE MORENO
Obras de reforço na estrutura da ponte foram solicitadas pelo Ministério Público do Estado em razão de riscos à população ação do Ministério Público Estadual (MPE-AM). A interdição e reforma foi solicitada pelo juiz titular da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal da Comarca de Manaus, Cezar Luiz Bandiera, em fevereiro de 2013. Demandas O magistrado observou inspeção judicial, relatórios de vistoria, fotografias e depoimentos apresentados por ação do Ministério Público, que elucidaram problemas na estrutura da ponte que podem ser um risco para as pessoas. A perícia identificou uma erosão causada pelas enxurradas e o acúmulo de lixo na estrutura das duas pontes, e também sugeriu que fosse construído um muro de arrimo e que o lixo acumulado no local fosse removido. Segundo o MP, em 2002 e 2003 foi feita uma obra de contenção na cabeceira da ponte no sentido Centro-bairro, inclusive com o plantio de grama no local para evitar a erosão, mas as falhas na estrutura da ponte não foram corrigidas, sendo visíveis rachaduras na laje e nas vigas, onde as ferragens estão à mostra e em processo de oxidação, assim como o deslocamento do revestimento (reboco), que deixa as ferragens desprotegidas.
Trecho liberado da ponte do São Jorge, sentido bairro-Centro, foi revitalizado e teve sua estrutura totalmente reforçada
CACHOEIRNHA
Mulher baleada em troca de tiros O pintor Ewerton Felipe da Silva Nascimento, 22, foi preso na noite da última sexta-feira, 23, na rua da Paz, bairro São Francisco, Zona Centro-Sul de Manaus, suspeito de ter cometido assalto em um mercadinho localizado na rua Urucará, bairro Cachoeirinha, Zona Sul. Na fuga, o suspeito trocou tiros com uma guarnição da polícia e um dos tiros teria alvejado uma mulher de 45 anos que passava pela rua. Segundo os policiais da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), foram informados que um mercadinho das proximidades havia sido alvo de um assalto à mão armada.
Ao avistarem dois indivíduos nas proximidades da rua Urucará carregando um fardo de PET de dois litros, os policiais resolveram abordá-los. No momento em que os suspeitos avistaram a polícia, entraram em um veículo modelo Golf de cor preta e placas JXR-3008, chegaram a dar alguns tiros contra a viatura e saíram em fuga no sentido do bairro São Francisco. Nas proximidades da rua Valério Botelho, os suspeitos novamente atiraram contra a guarnição, que alvejou uma mulher identificada por Lídia Oliveira Ferreira, 45. A perseguição continuou até o mo-
mento em que os suspeitos entraram no beco da Paz, no bairro São Francisco e fugiram a pé em sentido ignorado. A polícia conseguiu deter Ewerton, um dos suspeitos, e o outro conseguiu fugir. Dentro do carro foram encontrados uma quantia de R$ 100, um celular e mais um revólver de calibre 38 utilizado para cometerem o assalto. O suspeito foi apresentado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e reconhecido pelo proprietário do mercadinho. O pintor foi encaminhado para a cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, Centro. AFP
Os refugiados sírios-curdos Jvan Khaled (à esq.), 23, e Shekha Khaled, 18, celebram o seu casamento em cerimônia realizada no campo de refugiados de Quru Gusik, no norte do Iraque. O casal é originalmente de Qamishli, na fronteira da Síria com a Turquia, mas deixou o país devido a guerra civil que assola o país há mais de 2 anos. De acordo com autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) 7 milhões de pessoas já deixaram suas casas desde o início do conflito, em março de 2011, incluindo dois milhões que saíram do país. A Síria vive uma guerra civil entre as forças do governo de Bashar al-Assad e rebeldes. Pelos cálculos da ONU, os conflitos mataram ao menos 100 mil pessoas.
CHINA
Explosão em oleoduto mata 47 O número de mortos pela explosão de um oleoduto na cidade de Qinqdao, no leste da China, chegou a 47 vítimas. O acidente considerado uma das maiores tragédias industriais do país também deixou 136 pessoas feridas, além de provocar um incêndio que levou várias horas para ser controlado e que paralisou o porto da cidade. A explosão no duto foi tão forte que abriu um enorme buraco na estrada, levando um caminhão a cair na cratera e virando carros. O caso ocorreu ontem às 10h30m (0h30 no horário de Brasília), quando trabalhadores tentavam consertar vazamentos no duto da empresa da Sinopec. Segundo o governo, o vazamento levou o incêndio até o porto da cidade. No mar, o derramamento de óleo se espalhou por três mil metros quadrados, levando o terminal de petróleo de Qinqdao a suspender as suas operações. Qinqdao é um dos maiores terminais de importação de petróleo da China, fornecendo óleo para ao menos duas grandes refinarias da Sinopec e para várias outras refinarias menores independentes. “As primeiras investigações mostram que o óleo derramado fluiu para a rede municipal, o que causou a explosão”, informou o governo local, sem dar mais detalhes sobre o incidente. A Sinopec confirmou que a explosão foi causada por um vazamento no oleoduto Huangwei.
LÁBREA
Polícia encurrala suspeitos de assaltar agência bancária Policiais Militares do Comando de Operações Especiais (COE), Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), Força Tática do 4º Batalhão de Polícia Militar de Humaitá, e dez policiais civis já encontraram os cinco assaltantes de banco que estavam foragidos ao longo da BR-230 depois de realizarem um assalto ao Banco do Brasil no município de Lábrea (sul do Estado). Informações de Policiais Militares que estão na ocorrência afirmam que os cinco assaltantes estão cercados em uma fazenda nas proximidades do km 30 e que estão com dois reféns. Os assaltantes estão armados e são considerados de alta periculosidade, policiais da capital e do município estão no local ne-
gociando com os foragidos, a Secretaria de Inteligência da capital está com representantes acompanhando de perto a ação dos profissionais e dos criminosos. A localização dos assaltantes aconteceu por volta das 16h de sexta-feira, 22, com a participação de cães farejadores do Canil da PM que conseguiram identificar a localização dos bandidos. De acordo com a polícia, as pessoas que estão com os infratores ainda não foram identificadas, mas passam bem. PM suspeita que a quadrilha do assalto em Lábrea seja a mesma que provocou outro assalto na BR-319 contra um carro-forte, um mês atrás. Com a prisão dos assaltantes, uma série de crimes poderá ser desvendada. DIVULGAÇÃO
Assaltantes são suspeitos de levar R$ 1,3 milhão de agência
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Mas com que cara? Sem lenço e sem documento, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no processo do mensalão, deixou o Brasil como quem vai à esquina comprar cigarro, cruzou a fronteira e o oceano sem passaporte, chegou à Itália e criou uma saia justa para as autoridades brasileiras. Bem justa. Como o governo brasileiro “não sabe e não viu” a saída do condenado, o Ministério das Relações Exteriores da Itália também desconhece a presença de Pizzolato em seu território e só vai se interessar pelo assunto “se e quando” o Brasil enviar informações oficiais sobre a fuga, que só não foi mais espetacular, porque se deu sem a presença de paparazzi. O Brasil quer extradição, mas com que cara? A saia se ajusta ainda mais com a memória de outro caso, de Cesare Battisti, acusado de quatro assassinatos, ocorridos na Itália, durante a luta armada na década de 70, condenado à prisão perpétua em seu país de origem; entrou no Brasil com passaporte falso e teve sua extradição negada pelo presidente Lula. Vem à lembrança, também: em 2000, Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, condenado no Brasil, fugiu para a Itália em 2000, onde tinha cidadania (como tem Pizzolato). Ele viveu em Roma durante 7 anos e só foi capturado quando deixou o país para visitar o principado de Mônaco. A Itália está muda sobre o mensaleiro. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse à “Folhapress” não saber se foi ou não emitido novo passaporte ou outro documento que permitisse a Pizzolato embarcar da Argentina rumo à Europa. Pizzolato e Paulo Maluf não podem pisar em 190 aeroportos internacionais. A diferença é que o condenado Maluf continua no Brasil, com lenço e documento de deputado federal (PP-SP), a clamar “sempre acreditei na Justiça”.
Em paz com o chefão Antonio Pizzonia e Frank Williams fizeram as “pazes”. A pombinha branca tocou o coração das feras na última quinta-feira (21), quando o chefão da Williams – uma das principais equipes de Fórmula 1 –, fez uma parada em Manaus antes de seguir para São Paulo, onde Interlagos será palco da última etapa do calendário da categoria. O piloto “esbarrou” com o mandatário no Tropical Hotel e os ressentimentos que os afastaram foram resolvidos. Há exatos 8 anos, o amazonense recebeu uma promessa de Williams de integrar a equipe na principal categoria do automobilismo mundial e tudo não passou de promesa.
Ponto final Depois de tanto tempo “esquecido”, o assunto não resolvido recebeu um ponto final. Pizzonia trocou algumas palavras com o chefão da escuderia inglesa, juntaram os vidros quebrados e parece que ficou tudo bem. O piloto amazonense garante não ter recebido nenhuma nova proposta. Fórmula 1, tô fora! O piloto de Manaus, inclusive, disse não estar interessado em voltar à Fórmula 1. Antonio Pizzonia conversa com patrocinadores para disputar a Stock Car, no Brasil, a Grand-Am, nos Estados Unidos, e a World Extreme Cagefighting (WEC). Pé de meia Segundo o piloto, o dinheiro tem grande influência no futuro dos praticantes de esportes sobre quatro rodas. Isto é, Antônio Pizzonia parou de sonhar e agora quer mesmo é faturar até porque “ninguém tem mais 20 anos”. Paisagem urbana Depois de receber recapeamento asfáltico em toda a extensão, chegou
a vez de a avenida Djalma Batista ganhar novas calçadas e meio-fio padronizado. O trabalho, que já começa a mudar a paisagem da via, foi fiscalizado de perto pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, na noite de sexta-feira (22). Iluminação metálica Os moradores do local gostaram e elogiaram a nova avenida. — A Djalma foi escolhida para ser uma avenida modelo mesmo. Aqui vamos usar iluminação metálica, que vai destacar ainda mais o trabalho que estamos fazendo. Noite de luz O prefeito disse que a Constantino Nery também vai receber nova iluminação. — Mas lá vamos usar lâmpadas de LED. A cidade vai voltar a ficar bonita –, afirmou Arthur. Sangue bom O governo do Amazonas realizou ontem a 11ª Corrida pela Vida. A prova teve como objetivo divulgar o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue, que ocorre hoje, 25.
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
Mulheres na luta A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) consegui mais um avanço como presidente da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados e a Procuradoria da Mulher do Senado. Combate O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDBAL), protocolizou nesta semana um projeto, em nome das mesas do Senado e da Câmara, para que seja criada a Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher. Conscientização Ao lado da deputada Jô Moraes (MG), também do PCdoB, Vanessa vem trabalhando uma série de atividades com o intuito de conscientizar a população sobre os diversos tipos de violência de gênero previstos na Lei Maria da Penha, que pune os agressores de mulheres. Ato Entre as atividades previstas está um ato para marcar o “Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres”, que será celebrado nesta segunda-feira, 25.
VAIAS
Ponte de São Jorge
Charge
Gasolina mais cara do país
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
ARQUIVO EM TEMPO/JOEL ROSA
Para o trabalho de recuperação da ponte de São Jorge, que estava para cair e ontem foi entregue à comunidade totalmente reformada. Agora só falta urbanizar a área.
Para a política de preços de postos de combustíveis de Manaus, que nos colocou no ranking negativo da cidade com a gasolina mais cara do país.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Gostos e desgostos Leio na revista “Veja” extensa matéria sobre a atual obrigação ditatorial que pesa sobre todas as mulheres e que, embora com menor intensidade, também atinge a “nosotros”, os machos da espécie. Refiro-me à ojeriza à gordura, a qualquer resquício de adiposidade, que leva as pessoas a aplicarem com enorme facilidade a qualificação de “obeso” a quantos, porque se permitem ou mesmo por fatalidade, ganhem mais uns poucos quilos. A matéria da revista, certamente porque reconhece que o elogio desvairado da magreza é também uma velada ameaça à saúde das pessoas que embarquem sem critérios nessa nau, se apressa em estabelecer uma distinção entre as “magras musculosas”, saudáveis, e as magras doentias que, mesmo se assemelhando àquelas no peso e na aparência, são vítimas da anorexia ou da bulimia. E a pergunta surge inexoravelmente: e como saber, dentre todas, quais as bulímicas e as anoréxicas se, as que o são, nunca exercem suas práticas às claras? Mas, afinal, por que essa verdadeira obsessão pela magreza? Sabemos, e como sabemos, que não foi sempre assim. Costuma-se fazer referência às rechonchudas mulheres retratadas pelos grandes mestres renascentistas da pintura e até às figuras esculpidas em pedra pelos gregos da antiguidade clássica, em que as curvas e as carnes não faltavam e até abundavam (sem trocadilho). E nem precisava ir tão longe. Qualquer um, dos nossos dias, que já tenha vivido algumas décadas, certamente há de lembrar que a corrida desenfreada pela esqualidez não é coisa de tanto tempo atrás. O que acontece é que a força do
presente, porque é vida, se sobrepõe ao passado e oculta o futuro, dando a impressão de que, o que hoje é, sempre foi e continuará a ser, quando, na verdade, o que ocorre são flutuações que vão e às vezes voltam, como acontece às variações daquilo a que genericamente chamamos de moda. Como acontece com a moda, embora num outro ritmo, acontece também com as variações dos critérios estéticos que comandam a eleição do que é considerado belo. É verdade que hoje a magreza ganhou um reforço por ser considerada um elemento da higidez, enquanto o sobrepeso é visto como um risco para a saúde. Mas tal consideração é bem mais recente, estabelecida quando ser magro já era visto como um valor e ser gordo como um desvalor, claramente por um critério de beleza. Sociólogos vinculam esses fenômenos à vitalidade e ao dinamismo da cultura, que carrega no seu bojo os valores e os desvalores que a sociedade assume. Ocorre que a cultura não é inteiramente autônoma e independente nos seus movimentos, mas sofre a influência de várias forças que jazem no subsolo da sociedade, entre elas as energias da economia. Emagrecer é coisa muito mais difícil do que engordar, que apenas depende do comer mais. Quando o valor e o gosto estão em ser magro, toda uma imensa variedade de linhas de produtos e serviços é mobilizada sob a forma de cremes, cosméticos, alimentos magros, medicamentos, academias de ginástica, centros desportivos, clínicas de nutrologia, spas, equipamentos, numa listagem quase infinita. E as revistas, os filmes, as publicidades, as novelas da TV e muito mais, se encarregam de fazer o marketing e a lavagem cerebral.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Ocorre que a cultura não é inteiramente autônoma e independente nos seus movimentos, mas sofre a influência de várias forças que jazem no subsolo da sociedade, entre elas as energias da economia. Emagrecer é coisa muito mais difícil do que engordar, que apenas depende do comer mais”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Controle remoto
Eu particularmente nunca votei no PT. Independentemente do partido em que eu estou, ou que eu estiver, tenho dificuldade, não acredito no modelo do PT. É um modelo que vai ocupando os espaços todos, não se preocupa com custeio. Não acredito que o PT consiga desenvolver o país com a proposta dele
O PT e João Santana acertam os últimos detalhes do arranjo para que ele supervisione a campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. Pelo desenho, o marqueteiro terá dedicação pessoal exclusiva a Dilma Rousseff, mas indicará a linha da comunicação e fará os pilotos da propaganda no Estado, considerado fundamental para a reeleição da presidente. Também designará o coordenador da campanha, que pilotará, com autonomia, inclusive o programa de TV. Dobradinha O jornalista Eduardo Oinegue, que coordenou a campanha de Patrus Ananias (PT) à Prefeitura de Belo Horizonte em 2012, respondendo a Santana, é cotado para assumir a mesma função no time de Padilha. Adeus, toga Eliana Calmon protocolou na sexta-feira seu pedido de aposentadoria no STJ, para vigorar a partir de 18 de dezembro. A data é justamente a véspera de evento em que o PSB pretende anunciar, com pompa, a filiação da ministra ao partido para disputar o Senado. Na rede Eduardo Campos e Marina Silva voltam a se encontrar na quinta-feira, em São Paulo. Vão lançar, juntos, uma plataforma digital em que serão recebidas colaborações ao programa de governo conjunto, que começou a ser discutido há um mês e será divulgado na internet. NRSVP O PPS decidiu “desconvidar” Campos e Aécio Neves do congresso nacional que fará no início de dezembro. Roberto Freire disse ter avisado aos dois pré-candidatos que queria evitar constrangimento a um deles
caso saia uma decisão sobre o apoio do partido em 2014. Caminho... O Palácio do Planalto programa para que Dilma faça uma visita de dois ou três dias às obras de transposição do rio São Francisco, que viraram alvo da oposição. A ideia é que a presidente passe por cinco cidades. ... das águas O roteiro é semelhante à viagem que Lula fez aos canteiros da obra em outubro de 2009. A presidente deve realizar as vistorias em dezembro ou janeiro. Aperto Dilma ordenou que ministros engavetem projetos de suas pastas que prevejam desonerações não acordadas com a Fazenda. Contra-ataque O PSDB de São Paulo estuda um meio de tentar responsabilizar criminalmente o presidente do Cade, Vinícius Carvalho, por ter omitido documento ao encaminhar para o Ministério Público e a Justiça paulistas os autos da investigação sobre cartel na compra e manutenção de trens no Estado. Mapa Nas planilhas com no-
mes dos supostos envolvidos no esquema de propina do metrô de São Paulo e do DF, o ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer afirma que dois diretores da MGE Transportes tinham cópias de provas “no apartamento de suas amantes”. Arquivo No ofício enviado à Polícia Federal de São Paulo em que diz ter recebido as denúncias do ex-executivo “via Cade”, o delegado Braulio Cezar Galloni sugere que a PF avalie fazer diligências e instaurar novo inquérito.
Índio da Costa, presidente do diretório regional do PSD-RJ, que foi candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB) em 2010, declara que não apoiará a reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano que vem, contrariando decisão do Diretório Nacional do partido.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
Verão passado Rheinheimer diz também que os executivos da MGE temiam que a Operação Caixa de Pandora, que degolou o ex-governador do DF José Roberto Arruda em 2009, revelasse vídeos seus dando pacotes de dinheiro a Durval Barbosa, pivô do mensalão do DEM. SOS Logo após José Genoino ser autorizado a cumprir pena em casa devido a seu estado de saúde, seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, teve queda de pressão e desmaiou no aeroporto de Brasília. Levado ao posto médico, foi liberado em seguida.
Tiroteio
O rio reflete os desatinos da rua. Nesse barranco da Manaus Moderna, criou-se um estacionamento de barcos, canoas e afins, que parece a Djalma Batista, ou a André Araújo, ou a Constantino Nery, ou a alameda Cosme Ferreira, ou o beco São José, ou a capital do Amazonas, enfim. Só uma tempestade desagrega esse acampamento.
Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Dilma mostra evolução ao reconhecer valor na iniciativa privada e adotar prática que há pouco seria tachada de entreguista pelo PT.
Nem ruptura nem continuidade
DO DEPUTADO BETO ALBUQUERQUE (RS), líder do PSB na Câmara, sobre leilão dos aeroportos de Confins (MG) e Galeão (RJ) realizado pelo governo federal.
No Vaticano 2º, houve uma ruptura com a tradição da Igreja ou devemos ver as suas intuições e orientações como continuidade? A questão não é esta. A preocupação última de toda renovação eclesial é sempre a fidelidade a Jesus Cristo. Se acreditamos que a Igreja foi fundada por Ele, é importante que nas suas estruturas e práticas ela permaneça fiel ao seu fundador. Se no decorrer da história vão surgindo práticas e estruturas que a desfiguram ou a impedem de anunciar o Reino de Deus como Jesus o fez e, sobretudo de viver como Jesus viveu, estas práticas e estruturas precisam ser revistas. A Igreja na Amazônia tem feito isto, constantemente. Seus bispos têm uma tradição de encontros onde procurando interpretar os clamores da humanidade que vive neste pedaço de mundo de valor inestimável para todos os habitantes deste planeta, examinam as suas opções e estratégias pastorais para continuar a viver em fidelidade ao Evangelho. Foi esta a razão do primeiro encontro da Igreja católica na Amazônia legal. Bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, todos agentes de pastoral, ouviram especialistas e ativistas sociais descreverem o quadro político, jurídico, social e religioso da Amazônia. A realidade desafiante das cidades que nas beiras dos rios e das estradas explodem ou permanecem no marasmo, foi colocada diante dos participantes com os desafios que brotam da falta de saneamento básico, dos altos índices de violência e assim por diante. A situação dos povos indígenas e quilombolas
Contraponto
Crise visceral A Câmara dos Deputados instalou recentemente no hall da taquigrafia – obrigatória de acesso ao plenário – um grande stand da Federação Brasileira de Gastroenterologia, para ações de prevenção de retocolite ulcerativa. O banner chama a atenção dos transeuntes: “Seu intestino mudou?”. O deputado Hugo Leal (Pros-RJ) manifestou temor pelas brincadeiras que apodem aparecer: — Alguns que passam por aqui falarão de fisiologismo. E os maldosos vão vincular mudança no intestino com melhoria da qualidade nas iniciativas legislativas... Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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que assistem um assalto aos seus direitos constitucionais, os grandes projetos como é o caso das hidroelétricas e o agronegócio foram explanados nos seus aspectos jurídicos e sociais. Também o trânsito religioso e o abandono crescente das religiões institucionais e tradicionais foram analisados. Mas o que mais tocou os corações dos pastores foi sem dúvida nenhuma o quadro perverso do tráfico humano, onde meninas e meninos, mulheres e homens são transformados em mercadoria, num sacrifício trágico ao deus mercado, que transforma tudo em mercadoria e destrói a alma dos indefesos. Diante deste quadro, a Igreja quer continuar fiel a Jesus Cristo. E esta fidelidade implica caridade e profecia. Caridade e profecia nascem da fé e só subsistem onde existe esperança. Bastaria uma única menina explorada numa balsa de apoio às dragas que exploram o seixo nos altos rios, bastaria o assassinato de um único jovem para queima de arquivo, ou a destruição de um único pedaço de terra com diversidade biológica irrecuperável para que o nosso coração se sentisse ferido de morte. Mas os números são trágicos. Permanecer indiferente ou propor uma religião que seja puro entretenimento e transformar sentimentos e sensações em uma mercadoria a mais, não pode ser o caminho de renovação da Igreja. Se pelos frutos se conhece a árvore, só solidariedade, compromisso e profecia são sinais de que estamos anunciando o Reino, pequena semente que carrega em si a promessa de uma árvore frondosa.
Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Mas o que mais tocou os corações dos pastores foi o quadro perverso do tráfico humano, onde meninas e meninos, mulheres e homens são transformados em mercadoria, num sacrifício trágico ao deus mercado, que transforma tudo em mercadoria e destrói a alma dos indefesos”
Política
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
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‘Déficit é fruto do aperto financeiro do Planalto’ ALEX PAZZUELO/AGECOM
Pelo menos essa é a explicação dada pelo secretário de Fazenda, Afonso Lobo, à dívida do Estado que soma R$ 1 bilhão
Na última quarta-feira, o governador Omar Aziz se reuniu em Brasília com o ministro da Fazenda, Guido Mantega (no centro), junto com o titular da Sefaz, Afonso Lobo (à esq.) e Josué Neto (à dir.) RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
F
echar 2013 em dia com as metas fiscais e o superávit alcançado não tem sido um desafio alarmante só para a presidente Dilma Rousseff (PT). No Amazonas, a dívida estadual de aproximadamente R$ 1 bilhão preocupa o governo e alimenta o discurso dos oposicionistas. Preocupado com a política fiscal, a ordem do governador Omar Aziz (PSD) é de cortar gastos e “apertar os cintos” para ultrapassar o sinal amarelo da economia. O titular da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Afonso Lobo, reconheceu durante esta semana que o governo tem adotado alternativas para contornar a situação, inclusive congelando as compras do Estado até que a situação se estabilize. Lobo atribuiu o déficit à redução nos repasses federais – oriundo do ‘aperto’ financeiro do Planalto, que não tem medido esforços para não finalizar 2013 ‘no vermelho’ às vésperas do ano eleitoral. Na última terça-feira, o presidente do Tribunal de Contas
da União (TCU), Augusto Ribeiro Nardes, colocou ainda mais lenha na fogueira quando, durante um evento na capital amazonense, afirmou que chega a R$ 150 milhões o montante de recursos públicos federais desviados no Amazonas por prefeitos, gestores e empresas. Nardes teceu críticas severas a administração financeira do Estado. O vice-governador, José Melo (PMDB), cotado para disputar as eleições governamentais em 2014, teve que concordar com as críticas de Nardes, mas atribuiu a culpa da dívida à distribuição de repasse federal e negou que o déficit chega a R$ 1 bilhão. Na ocasião, Omar Aziz encontrava-se em Brasília (DF), onde articulou o apoio de Dilma à prorrogação dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM) e aproveitou para conversar com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, entre outros assuntos, sobre a situação apertada do Executivo estadual. Dois dias depois, na quintafeira, Omar conseguiu o aval de Mantega para a liberação de empréstimo de R$ 764
milhões, que, segundo ele, colocarão “um ponto final” na polêmica sobre a dívida. Omar rebateu as críticas da mídia e da oposição e afirmou: “não vão me tachar como mau administrador”. Segundo Afonso Lobo, o empréstimo já estava previsto nas contas do Estado.
PLANIFICAR
Crítico do governo, o deputado José Ricardo (PT) classifica de “descontrole” o déficit da administração estadual e o relaciona à contratação de obras sem planejamento financeiro para execução ‘Pautas-bombas’ na Aleam Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) a oposição questiona que, apesar da ‘luz amarela’ do Executivo estadual, tramitam na casa dois projetos oriundos da Casa Civil que aumentam as despesas do governo. Segundo o deputado Marcelo Ramos (PSB), na lista das “pautas-
bomba”, figura o aumento dos salários dos procuradores do Estado, que deve gerar um impacto na folha de cerca de R$ 3 milhões por ano. Também tramita na casa o projeto que cria 12 novos cargos comissionados no quadro da Casa Civil, órgão gerido pelo secretario Raul Zaidan. O aumento no quadro deverá gerar um custo de aproximadamente R$ 1 milhão/ano. “Se a situação está delicada, é preciso rever as prioridades, para não prejudicar as finanças”, afirmou Ramos. O líder do governo no Parlamento estadual, deputado Sinésio Campos (PT), afirmou que os projetos fazem parte da política de valorização do servidor público que vem sendo adotada pelo governador. “São medidas que não devem gerar problemas no Orçamento estadual por terem sido planejados com antecedência”, afirmou. Segundo ele, não há nenhuma medida entre o governo e a casa para paralisar matérias que resultem em novos gastos ao Executivo. “Está tudo absolutamente normal”, afirmou.
Finanças fora do vermelho Afonso Lobo afirmou que não há motivos para maiores preocupações nas finanças do Estado. Ele afirmou que o déficit surgiu a partir de algumas “frustrações”, mas que a situação não implicará em danos à responsabilidade fiscal. “Fomos pegos de surpresa com a diminuição nos repasses federais e tivemos alguns problemas orçamentários”, afirmou. Segundo Lobo, o empréstimo concedido por Mantega já estava no planejamento da Fazenda. Na previsão para o fim do ano, ele afirmou que o Estado não fechará “no vermelho”. “Nós temos condições de finalizar o ano com total responsabilidade fiscal. Fecharemos da melhor forma”, afirmou. O secretário comentou também sobre o projeto aprovado no Congresso, na última quarta-feira, que muda a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2013,
e contém uma importante mudança relacionada à política fiscal do país: ela prevê que o governo federal perca a obrigatoriedade de arcar com o superávit primário de Estados e municípios, caso eles não consigam cumprir suas metas. Superávit é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida. Em 2013, a meta de economia prevista é de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) – R$ 110,9 bilhões dos quais R$ 48 bilhões correspondem ao superávit de Estados e municípios. “Com a proximidade do fim do ano e o iminente fechamento das contas, o governo se depara com uma dura realidade: não conseguirá cumprir a meta”, disse Lobo. “Apesar disso, o Amazonas nunca foi um problema para as finanças do país. Não queremos criar problemas fiscais para o país”, disse.
Política
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Excesso de medalhas e honrarias nos legislativos
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Mesmo que ele não queira, (Ciro Gomes) é extremamente doce” PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF DISCURSANDO NO CEARÁ, em raro momento “paz e amor”
Palocci retoma ‘interlocução’ com empresários O ex-ministro Antônio Palocci, está por trás da inquietação do PT em relação à “falta de diálogo” da presidente Dilma com empresários, e são atribuídas a ele ameaças de eventual retorno do ex-presidente Lula, em caso de risco de vitória da oposição, em 2014. Discretamente, Palocci quer reassumir o papel das campanhas de Lula e Dilma, de “interlocutor com empresários” e, claro, na arrecadação de doações. Ítalo-brasileiro Considerado hoje um rico e discretíssimo empresário, Antônio Palocci também tem dupla cidadania, a exemplo do fugitivo Henrique Pizzolato. Ficha suja Ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, Antônio Palocci foi demitido em ambos os governo sob fortes suspeitas de corrupção. Histórico Em março de 2006, Palocci foi demitido do Ministério da Fazenda, após o escândalo da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Santos Costa. Repeteco Em 2011, então ministro da Casa Civil, Palocci foi demitido acusado de enriquecimento ilícito; seu patrimônio cresceu 20 vezes em três anos. Wagner tenta enterrar ação contra mulher no CNJ O governador Jaques Wagner (PT) tenta retirar da pauta do Conselho Nacional de Justiça o processo contra sua mulher, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, que se tornou servidora efetiva do Tribunal de Justiça da Bahia sem fazer concurso público.
Em inspeção em julho, o CNJ identificou que a primeiradama nunca pisou no tribunal e acumula cargo de assessora de supervisão com outro de analista, no Executivo. Boquinha Enfermeira de profissão, Fátima teve a petição para se tornar servidora estável aprovada pelo TJ-BA em apenas seis dias. Salário: R$ 13.619. Lançamento Ex-senador e ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, Albano Franco lançará sua biografia em Brasília, na próxima terça (26). Submerso Às vésperas da prisão, o deputado mensaleiro João Paulo Cunha (SP) tem faltado as reuniões do Diretório Nacional do PT, do qual é titular. PF já descobriu A Polícia Federal suspeita que um funcionário terceirizado de aeroporto facilitou a fuga do mensaleiro Henrique Pizzolato do país, e até já o identificou. Deverá ser preso a qualquer momento. Mudos O ex-presidente Lula foi processado em 1998, após dizer: a Telebrás foi leiloada às pressas para “fazer caixa 2” da campanha tucana. O aeroporto do Galeão foi privatizado por R$ 19 bilhões no ano que antecede as eleições e o silêncio da oposição é ensurdecedor. Empurra com barriga Não é à toa que o PT comprou briga para adiar a cassação do mandato do presidiário José Genoino. O pedido de aposentadoria do mensaleiro só será analisado em janeiro,
PODER SEM PUDOR
S de Sandoval No início dos anos 1960, era prefeito de Maceió, Sandoval Caju, um dos mais populares políticos da História. Também poeta e radialista, bom papo que se definia como “conversador”, não gostava das críticas por aplicar a letra S nas obras públicas que inaugurava. Desmentia categoricamente a acusação de promoção pessoal, e explicava: - O “S” nos bancos de praça é inicial de “Sente-se”; nas calçadas, significa “Siga” e, nos mictórios, “Sirva-se”...
Jornalista
Câmara de Manaus e Assembleia Legislativa entregam, todos os anos, títulos e condecorações a autoridades ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ALEAM
A6
após análise de junta médica da Câmara. Olho no futuro O presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), defende que o partido comece a priorizar novos nomes para disputar a Presidência em 2018: “O PMDB não pode viver só de sua história, precisa projetar o futuro”. Missão impossível Dilma e Lula jogam batata quente no colo do PCdoB. Querem que a sigla encontre uma saída para obter o apoio do PT a Flávio Dino, no Maranhão, mas preservando a relação com a família Sarney. Pagou um sapo O presidente do PT, Rui Falcão, revelou a amigos que recebeu um telefonema “tão deselegante” da governadora Roseana Sarney (PMDB-MA), reclamando de suas declarações de apoiar Flávio Dino (PCdoB). Secretaria de quê? Criada para gerir imóveis públicos, a Secretaria de Patrimônio da União não tem a relação das residências cedidas às Forças Armadas. A SPU tira o corpo, com certo temor de mexer nos imóveis dos milicos. Até que enfim No Planalto, o clima é mais de alívio do que de revolta com a prisão de caciques do PT condenados no processo mensalão. A avaliação é que, quanto antes das eleições o julgamento terminasse, melhor. Pensando bem... ...não são só “presos políticos” no presídio da Papuda, no DF. Há também “preso tesoureiro”, “preso ministro”, “preso empresário” etc.
Em maio deste ano, o deputado Francisco Praciano, que é do Ceará, tornou-se cidadão amazonense
O
excesso de homenagens e entrega de medalhas nas casas legislativas vem tomando cada vez mais espaço no Parlamento do Amazonas. Somente nos dez primeiros meses deste ano, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) já condecorou 47 personalidades de diversos segmentos, seja do Estado ou de outras regiões do país com entrega de títulos e medalhas. Já na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), a situação tem sido mais controlada. Até outubro deste ano, 16 pessoas já foram agraciadas com a cortesia. De acordo com levantamento feito pelo EM TEMPO, médicos, cantores, professores, ministros, párocos, atletas, professores e até artistas e ex-parlamentares estão entre os escolhidos. Este ano, o exvereador e médico Paulo Nasser, o atleta Ronald Jacaré, o clube Nacional, os bumbás Garantido e Caprichoso, a desem-
bargadora Socorro Guedes e o cantor Jorge Aragão (que ainda falta receber a condecoração) estão entre os agraciados. O vereador que mais apresentou propositura de homenagens foi Arlindo Júnior (Pros), autor de quatro indicações. Na Assembleia, as homenagens dos deputados este ano foram direcionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ex-parlamentares, jornalistas, policiais e empresários. Em setembro, a ministra do STJ, Eliana Calmon, foi condecorada com a outorga da Medalha Ruy Araújo, a mais alta comenda do Poder Legislativo estadual. A homenagem, proposta pela deputada estadual Conceição Sampaio (PP), por meio do Projeto de Resolução legislativa, recebeu o apoio do presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD) e dos demais parlamentares. Na homenagem, Conceição Sampaio explicou que a entre-
ga da medalha tinha como objetivo homenagear aquela que foi a primeira mulher a ocupar uma vaga no STJ, servindo de exemplo da inserção da mulher nos altos cargos do país, e que tem dedicado sua vida à defesa do Estado Democrático de Direito. Mas, em seu discurso, a ministra explicou que antes de chegar a Manaus tentou buscar informações de quem tinha sido Ruy Araújo e também da deputada Conceição Sampaio, pois desconhecia a história do personagem que dava nome à medalha. Quem também está aguardando na “fila” para receber homenagens está o líder da igreja Vitória em Cristo, ligada à Assembleia de Deus, pastor Silas Malafaia; o expresidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira; o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, “o Fenômeno”; o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD); e o ministro do Esporte Aldo Rebelo.
Huck será cidadão amazonense O apresentador da Rede Globo, Luciano Huck, também deverá se tornar cidadão amazonense por ter restaurado a comunidade São Thomé, no Alto Rio Negro. O artista só ainda não recebeu a honraria devido à falta de espaço na agenda. A homenagem ao apresentador foi aprovada pelos deputados em 2011 e, desde lá, Huck está sendo aguardando para receber o título de cidadão amazonense.
Novas honrarias No próximo mês, a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) deverá promover mais duas homenagens de entrega de títulos de Cidadão do Amazonas. A primeira acontecerá dia 3 de dezembro, e dará a honraria ao radialista Ronaldo Tiradentes, que é natural do Estado de Minas Gerais (MG). A outra homenagem será destinada ao presidente
da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra. Ambas proposituras são do tucano Arthur Bisneto. Ainda tramitam na casa a criação de mais três medalhas – “Samuel Benchimol” e “Capelania Bom Pastor”, as duas de autoria do deputado Wanderley Dallas (PMDB) e a Medalha do Mérito Esportivo “Orlando Rebelo”, de autoria do deputado Fausto Souza (PSD).
Com a palavra
A7 RICARDO OLIVEIRA
DANILO MELLO/ALEAM
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Sinésio CAMPOS E VALDEMIR Santana
ARQUIVO EM TEMPO
PT do AM busca seu caminho
LUANA GOMES Equipe EM TEMPO
C
om 30 mil filiados, o PT conclui hoje o seu Processo de Eleições Diretas (PED), definindo o próximo presidente do diretório estadual para um mandato de 4 anos. A disputa de 2º turno está entre o deputado estadual Sinésio Campos e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), Valdemir Santana. O último, saiu na dianteira no primeiro combate das urnas, conquistando 2.804 votos, enquanto Sinésio ficou com 1.903 votos. O resultado da primeira decisão já deixou Valdemir confiante, acreditando sem “medo” na sua eleição. Apesar da batalha interna, ambos levantam as mesmas bandeiras e esperam ver o resultado positivo quanto à prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM). Em entrevista ao EM TEMPO, os dois candidatos mostraram quais serão os desafios na gestão do PT. EM TEMPO – Caso o senhor seja eleito... Valdemir Santana – ...Eu vou ser eleito
RICARDO OLIVEIRA
Eu não tenho projeto. O PT é que tem projeto para a sociedade. Eu só vou executar junto com a Executiva do partido o que o PT já determinou há muito tempo nos seus congressos. O PT não é um partido personalista, é um partido de trabalhadores”
EM TEMPO – Então, sendo eleito, quais serão seus projetos para o partido? VS - Eu não tenho projeto. O PT é que tem projeto para a sociedade. Eu só vou executar junto com a Executiva do partido o que o PT já determinou há muito tempo nos seus congressos. O PT não é um partido personalista, é um partido de trabalhadores, que define nos seus seminários o que vai fazer para a população. O que já tem decidido é fazer uma melhor administração do que já foi. Na política já está determinado de trabalharmos no sentido da melhoria da sociedade como um todo, na questão das políticas públicas e trabalhar para que o PT seja governo, seja prefeitura, para melhorar a situação de vida das pessoas. EM TEMPO – A sigla já trabalha para lançar candidatos próprios? VS - O PT não pode ser mais coadjuvante, tem que ter candidatura própria. Está mostrado que nosso partido, há 12 anos, já melhorou a vida da sociedade amazonense e da brasileira. Se alguém disser que, em 10 anos, o país está pior do que antes, está mentindo. Nós vamos ter candidato a senador, deputado federal, deputado estadual. E também vamos ter para governador. Nós vamos conversar com os partidos aliados. Temos um partido que faz aliança nacional com a presidente Dilma. Os únicos que não podem fazer coligação com nosso congresso
são o PSDB, DEM e PPS. EM TEMPO – E como serão trabalhadas essas alianças, já que o PT não pode ser mais coadjuvante? VS - Vamos discutir em nível de partido. Não vamos ser submissos a ninguém. Mas é preciso ficar bem claro aos companheiros do interior que todos os diretórios que foram eleitos têm direito e autonomia de decidir o que querem para o interior. Nas eleições passadas, quando se discutia quem iria ser prefeito nas convenções internas, por exemplo, o presidente daqui ia lá e desfazia tudo. Essa ditadura acabou. EM TEMPO – Quais serão as principais bandeiras? VS - A primeira é consolidar a Zona Franca de Manaus e fazer uma política pública para todo o interior. Que a gente vê que todo o interior do Estado está na mesma mesmice de 20 anos, que não cresce, devido a ZFM que acaba tirando dinheiro que é para ir por meio de incentivos fiscais que nós temos em Manaus. O ICMS é Manaus. Acaba que a divisão do ICMS para o interior não está indo. Nós temos quatro prefeituras no interior e temos que ajudar a administrar a forma do PT de governar. EM TEMPO – A prisão de petistas envolvidos no mensalão não abala a imagem do partido? Qual a estratégia para as eleições após esse desgaste? VS - A minha posição é bem clara de que os companheiros foram presos sem provas. Eu já disse que isso é uma justiça da ditadura. Eu acho que não atrapalha a imagem do partido. Hoje (dia 21, data em que José Genoino foi internado depois de passar mal no Complexo Penitenciário da Papuda) o companheiro teve parada cardíaca e o presidente do STF não o liberou. Os próprios médicos legistas disseram que era para fazer o exame. O que se vê é que até para escovar os dentes a imprensa está dando ênfase. A mídia é que tem que verificar o que está fazendo. EM TEMPO – Quantos filiados o PT possui no Estado? VS - Hoje temos cerca de 30 mil filiados e vamos chegar ao final do nosso mandato, que a gente vai ganhar, com aproximadamente 50 mil. Nós vamos para as periferias filiar os petistas, os que não sabem o que é o PT ainda, porque é lá que está a pobreza. Nós vamos filiar e conscientizar. EM TEMPO – Diante dessa confiança, em ser eleito, o
senhor trabalha a ideia de ser candidato a deputado estadual ou federal? VS - Eu não sou candidato a parlamento nenhum. Se eu for candidato um dia, será para prefeito ou governador. EM TEMPO – Nas eleições de 2014, o senhor viria candidato a governador? VS - Se os 300 delegados estaduais decidirem que querem eu, ou o Praça (deputado Praciano) ou o companheiro João Pedro a governo, nós vamos discutir. Depois do dia 24 de novembro até o dia 2 de dezembro, toda a direção do PT vai assumir no país. O que era para ser em fevereiro, agora vai ser em dezembro. E a partir daí já vai ser discutida a eleição. EM TEMPO - Caso o senhor seja eleito, quais os seus projetos para o partido? Sinésio Campos - Democracia interna. É trabalhar em um projeto de gestão compartilhada, de resgate da militância e motivação. Um trabalho articulado da delegação estadual com os diretórios municipais, fazendo sempre a relação com o nacional. Entendo que o PT tem um papel extremamente importante e é preciso primeiro fortalecer a legenda. EM TEMPO - E qual será a atuação do diretório para este fortalecimento? SC - Temos que fazer campanha de filiação. Hoje temos em torno de 30 mil filiados. O PT nasceu para ser um partido democrático, popular e de massa. O Amazonas sempre deu expressiva votação à eleição nacional, mas isso não reflete na maioria das candidaturas dos partidos. É preciso fortalecer a sigla partidária e ter uma relação estreita com a direção estadual e municipal. Vamos trabalhar muito forte na discussão de um programa de governo. EM TEMPO - Como serão trabalhadas as alianças? SC - Nós defendemos uma política de alianças. E o partido acompanha a chapa de governo. Mas, independente de qualquer coisa, o PT vai discutir o programa de governo, fazer debates e apresentar propostas não somente para a disputa estadual como também para a reeleição da candidata Dilma Rousseff. Porque o Amazonas tem proposituras que não se resumem somente à prorrogação da ZFM. Temos peculiaridades próprias e queremos trabalhar em políticas públicas e sociais para a região. EM TEMPO - O PT vai lançar candidato próprio ao governo?
SC - O que deixamos claro é que o PT estará se debruçando em uma discussão coletiva e colegiada do partido quanto aos rumos de 2014. Não temos uma fórmula pronta. O que vamos fazer é ouvir a militância. Porque política não é uma ciência exata, é construção. Os partidos que defendemos são os que declararam apoio à candidatura da nossa presidente. Então vamos dialogar. O PT não será intransigente nesta questão da construção, mas levará em consideração a reeleição da presidente. EM TEMPO - Quais serão as bandeiras de sua gestão? SC - O compromisso que já foi assumido pela presidente quanto à prorrogação da ZFM e estaremos abraçando também a política de geração de emprego e renda, com a proposta de novos investimentos que o governo federal pode vir a fazer na região. Dentre estes está o Polo Industrial Naval, assim como a exploração de potássio e uma indústria petroquímica. O PT não vai discutir somente o trivial, porque a ideia é começar a vislumbrar novas oportunidades. O Amazonas não é problema, ele é o personagem para novas alternativas de solução. EM TEMPO - A prisão de petistas envolvidos no mensalão não abala a imagem do partido? SC - Olha, eu não faço rodeios na minha fala quanto a esta matéria. Eu creio que o que não se pode questionar é que a decisão da Justiça foi cumprida. Não teve por parte do José Dirceu, do Delúbio Soares e do José Genoino nenhuma tentativa de se esconder das regras do Judiciário, diferentemente do outro (Henrique Pizzolato), que fugiu para a Itália, que não tem filiação política. As pessoas do partido podem dizer que eles não fugiram da decisão do Judiciário. Agora, é claro que é natural que esse processo venha denegrir, tenha reflexo na legenda. O que vamos fazer a partir disso é oxigenar o partido, fazer a reconstrução. Prova disso é que o governo Dilma ganharia o primeiro turno, conforme as pesquisas. Então é sinal de que o modo petista de governo deu certo. EM TEMPO – O senhor vai ser candidato à reeleição na Aleam ou tem outros planos? SC - Eu deixo na mão do povo e de Deus. E o resto é uma questão interna. Eu sempre digo que cada dia com sua agonia. Hoje nós estamos focados na disputa interna do partido. Eu só sei que vou ser candidato em 2014. Não sei para qual, mas vou.
O PT nasceu para ser um partido democrático, popular. O Amazonas sempre deu expressiva votação à eleição nacional, mas isso não reflete na maioria das candidaturas do partido”
Eu deixo na mão do povo e de Deus. E o resto é uma questão interna. Eu sempre digo que cada dia com sua agonia. Hoje, nós estamos focados na disputa interna do partido”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
PEC do voto aberto deve entrar na pauta de terça O
plenário do Senado deve votar, nesta semana, em segundo turno, a PEC do voto aberto (PEC 43/2013). A proposta foi aprovada no dia 13 de novembro, em primeiro turno, e já estava pronta para ser votada na última quarta-feira, mas os líderes partidários propuseram um adiamento da votação em função da sessão do Congresso Nacional que estava marcada para o mesmo dia e da falta de quórum no Senado. Na ocasião, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) previu que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) adiaria a votação, já que vários senadores se encontravam em viagens oficiais e o plenário estava vazio. “Dezesseis senadores estão em viagem oficial. Há uma reunião do Conselho Político do governo e isso esvazia o plenário. Deve ser adiada a votação”, argumentou Álvaro na quarta-feira. Diante da dificuldade de um entendimento sobre o mérito da matéria, o senador Mário Couto (PSDB-PA) chamou a atenção para a necessidade de os parlamentares se abrirem para alguma negociação e, com isso, obterem algum
avanço. “Já se sentia que nós não conseguiríamos o voto aberto total. Então, pelo menos um avanço de 80% já seria uma grande vitória da minoria e da oposição”, afirmou. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) disse que a proposta é uma questão fundamental a ser resolvida e sugeriu aos senadores que, independente
ADIAMENTOS
A PEC do Voto Aberto teve sua votação adiada duas vezes na semana passada por conta da falta de quórum regimental. A expectativa é que, desta semana, não passe sua votação e aprovação de qualquer outra questão, comecem a ordem do dia da próxima terça-feira com a votação em segundo turno da PEC do Voto Aberto. “É uma questão fundamental. Vamos para o painel, para o voto, não tem mais jeito. Com quórum ou sem quórum, com senador viajando, com senador em missão oficial, seja lá o que for, terça-feira
a gente tem que apreciar essa matéria”, afirmou. A proibição do voto secreto vale tanto para as possibilidades previstas na Constituição, como escolha de autoridades, exame de vetos presidenciais e cassação de mandatos parlamentares, quanto para as votações reservadas estabelecidas pelos Regimentos Internos do Congresso Nacional, Câmara, Senado, Assembleias Legislativas, Câmara Legislativa do Distrito Federal e Câmaras de Vereadores. Um exemplo dessa situação são as votações para a escolha dos membros das mesas da Câmara e do Senado. A PEC 43/2013 foi apresentada pelo ex-deputado Luiz Antonio Fleury e já passou pela Câmara dos Deputados. Se aprovada em segundo turno pelo Senado sem modificações, a proposta seguirá direto para a promulgação. Na pauta do plenário estão ainda quatros PECs que precisam cumprir as cinco sessões de discussão para serem votadas em primeiro turno, entre elas, a PEC 34/2013 que exige um número maior de votos favoráveis na Câmara e no Senado para a aprovação de projetos que criem repartições públicas.
WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO
Parte dos senadores defende que a votação da proposta de emenda nº 43/2013 aconteça, independentemente de quórum
Senador Walter Pinheiro (PT-BA) disse que a proposta tem que ser votada, ‘não tem mais jeito’
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
RICARDO OLIVEIRA
Citricultura colhe bons frutos no AM Economia B4 e B5
Manaus tem gasolina mais cara do país, diz pesquisa
Levantamento da ANP mostrou que preço do combustível na capital amazonense é o mais alto entre cidades com refinarias JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
Valor da gasolina consumida na capital amazonense gira em torno de R$ 2,98, em média, na maioria dos postos de combustível que foi consultada no estudo da Agência Nacional de Petróleo LUANA GOMES Especial EM TEMPO
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ara desconforto dos motoristas da cidade, Manaus anota o preço mais alto da gasolina, dentre as capitais localizadas em regiões que possuem refinarias. No último levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no período de 11 a 16 de novembro, as bombas dos postos manauenses registravam o valor médio de R$ 2,98. Além dos encargos federais, a baixa capacidade de refino da Refinaria Isaac Sabbá (Reman) é apontada como responsável pelo peso no “bolso” dos consumidores. Enquanto representantes do setor varejista de derivados
de Petróleo em outras cidades justificam que a “distância das refinarias” influencia no alto preço do combustível, o vicepresidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Amazonas (Sindicam), Geraldo Dantas, explica que a Reman conta com uma linha deficitária, na qual o combustível, para atender a demanda da região, acaba vindo de outros lugares, como Rio de Janeiro ou São Paulo. De acordo com o Anuário Estatístico 2013 da ANP, desde 2003 a capacidade de refino da Reman é de 45,92 mil barris por dia de petróleo, o que não quer dizer que estes tonéis são convertidos em gasolina. “A nossa gasolina não é feita em Manaus. A refinaria local é
mais utilizada para produção de parte do óleo-diesel, asfalto e subprodutos. Ela está obsoleta, com muitos investimentos que ainda não foram feitos. Quem olha de fora até pensa que o processamento do óleo de Urucu é feito todo aqui, quando na verdade é retirado para o sul do país e depois volta em gasolina”, destaca. A baixa capacidade da refinaria faz com que Manaus tenha uma gasolina bem mais cara que Belém (PA). Sem nenhuma refinaria, a cidade paraense comercializa o produto a um preço médio de R$ 2,838. O preço mais em conta no período ficou a cargo de São Luís (MA), que, também sem uma empresa de refino,
orça o combustível a um valor médio de R$ 2,623. Rota do preço Proprietário do posto 700, de bandeira Shell, localizado na Djalma Batista, o ex-secretário de Estado da Fazenda do Amazonas, Isper Abrahim, destaca que o reajuste concedido pelos proprietários de postos fica entre 7% a 12% sobre o preço de venda, a contar as variáveis de negociação com a distribuidora, que dependem da quantidade de combustível comprado e da forma de pagamento. Segundo ele, deste percentual retiram-se os gastos com luz, quadro de recursos humanos e todos os encargos trabalhistas de uma empresa.
Novo reajuste pode sair ainda em novembro Nos dias 28 ou 29 de novembro, os combustíveis podem receber uma nova metodologia de reajuste, na reunião do conselho de administração da Petrobras, presidida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A pauta seria discutida na última sexta-feira (22), mas foi adiada, sob a justificativa do próprio representante ministerial de que as matérias em pauta deveriam ser aperfeiçoadas. O modelo proposto pela
estatal em reunião do conselho, no último mês de outubro prevê correções periódicas dos preços com base nas taxas de câmbio e nas cotações internacionais do petróleo. Após o anúncio da propositura, o próprio ministro já se posicionou sobre a necessidade de que seja feita uma análise mais aprofundada sobre o tema, especialmente quando qualquer alteração no mecanismo possa prejudicar o controle inflacionário.
Temor Conforme o vice-presidente do Sindcam, Geraldo Dantas, esta proposta é vista com preocupação pelos proprietários de postos de combustíveis, já que pode impactar diretamente no consumidor final e, consequentemente, nas vendas das empresas. “É uma coisa que nos preocupa. Se houver aumento da gasolina vai ficar bem acima da capacidade de ganho dos trabalhadores, prejudicando a população
e fazendo com que as vendas caiam. A alta do custo dos combustíveis não é boa para o proprietário de postos, porque o salário não acompanha”, observa o empresário. O líder da categoria destaca ainda que o medo é quanto a aumentos semanais. “Vamos ficar tão surpreendidos quanto à população”, ressalta Geraldo Dantas, que também é proprietário de sete postos, dentre as bandeiras Atem e Ipiranga.
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Comercialização de cestas natalinas tem alta de 15% Empresas entram na reta final na confecção das cestas para atender à clientela, cujos pedidos iniciaram em outubro
ALEXANDRE FONSECA
Comercialização de cestas natalinas em 2013 deverá ter um aumento de 15%, em relação ao mesmo período do ano passado. Empresas do Distrito Industrial são as principais consumidoras JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
O
final do ano é sinônimo de produção a todo vapor para empresas que montam e comercializam cestas natalinas. Com os primeiros pedidos recebidos em meados de outubro, pequenos e médios empreendedores especializados no segmento aceleram os preparativos na última quinzena de novembro para entregar todas as encomendas a tempo das comemorações natalinas e alcançar um crescimento médio de 15% nas vendas frente ao mesmo período do ano passado. A gerente de vendas da empresa Cestas Boa Mesa, Doracy Rego, é uma das comerciantes que aposta nesse percentual de crescimento. As cestas vão desde as mais simples, a partir de R$ 23,90 até pacotes sofisticados que chegam a custar R$ 1 mil e incluem produtos importados como vinhos e espumantes. Segundo ela, a variedade de produtos e de cestas ocorre pelos diversos motivos em que o jogo de itens é comprado. “Tem gente que utiliza o produto para doações de fim de ano, para presentear familiares e amigos, para fazer um agrado para os funcionários, para não deixar a data passar em branco. Para cada motivo, temos um produto”, defende. Doracy conta que todos os preparativos já foram feitos, desde a compra dos produtos para confecção das cestas até a capacitação de traba-
lhadores temporários. Como resultado, as cestas já estão equipadas com itens exclusivamente da época, como o panetone, uvas passas, frutas em calda, além das bebidas tradicionais como o vinho tinto e o espumante. Entre os clientes, ela destaca o Distrito Industrial como o que possui participação mais expressiva nos pedidos, com destaque para os setores de duas rodas, componentes plásticos e eletrônicos. “Atualmente esta tradição tem se expandido para ou-
VARIEDADE Dependendo do valor, as cestas além de itens da época também podem incluir produtos importados como bebidas alcoólicas ou mesmo produtos que fazem parte da cesta básica como arroz, açúcar e leite em pó, por exemplo tros seguimentos do comércio e prestadores de serviços”, acrescenta Doracy. Para atender a demanda, a empresa disponibilizou este ano dois pontos de vendas. Um deles em um quiosque no Manauara Shopping, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, e outro em frente à sede da Prefeitura de Manaus, no bairro Compensa, Zona Oeste. Dora, como é conhecida, também aposta em novidades para ganhar a clientela como as sacolas ecológicas em que são montadas as cestas, que
trazem diversas temáticas da fauna e flora amazônica, e a Copa de 2014. “Disponibilizamos livros de receitas gratuitos nas cestas, com ideias para otimizar a ceia e como utilizar os produtos”, detalha. Opção popular Além das empresas especializadas, os supermercados da cidade entram na disputa pela preferência dos clientes na hora da escolha do pacote natalino. A rede de supermercados Atack, por exemplo, oferece nos balcões do estabelecimento caixas de Natal a partir de R$ 29 (13 itens) até R$ 95 (32 itens). A vendedora do balcão, Ana Maria Maricaua, explica que o diferencial do produto oferecido é a mistura de itens próprios das festas de fim de ano com mantimentos da cesta básica. “Como a maior parte dos clientes é do Polo Industrial de Manaus e as cestas são voltadas para funcionários dessas empresas inserimos na caixa produtos como arroz, leite em pó e açúcar, além do panetone e do vinho”, ressalta. Segundo ela, as encomendas que iniciaram em outubro e devem seguir até janeiro prometem garantir ao estabelecimento um incremento de 30% no volume de vendas do cesto comemorativo. “Basta fazer o cadastro no balcão e o pedido. Quem preferir comprar na loja vamos disponibilizar as cestas nas prateleiras nas próximas semanas. Estamos preparados para atender ao público”, destaca.
Economia
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Novos terminais facilitam escoamento da produção LUANA GOMES Equipe EM TEMPO
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inauguração de um terminal de cargas pela TAM Cargo em Manaus trouxe mais ânimo para o setor industrial, que sofre com o gargalo de escoamento da produção. O investimento é apontado pela empresa como a maior unidade de cargas da companhia no país, situada em área de 13 mil metros quadrados, sendo 5 mil metros quadrados de área construída. O novo terminal compõe o plano de investimento de US$ 20 milhões feito em todo o Brasil pelo grupo Latam Airlines – resultado da associação da LAN Airlines S.A. com a TAM S.A. –, segundo o diretor executivo da TAM Cargo, Pablo Navarrete. O objetivo da proposta é unificar as cargas transportadas em voos de passageiros e em cargueiros da companhia, além de garantir agilidade no atendimento ao cliente. “Uniu as duas operações: tanto as cargas que chegavam pelas companhias cargueiras, que eram feitas pela ABSA – filial da LAN Airlines –, quanto as que vinham pelo terminal de passageiros. Antes, o mesmo cliente muitas vezes tinha
que retirar a carga em dois locais diferentes e hoje precisa se encaminhar apenas a um armazém”, detalhou. Segundo Navarrete, não existe um grande volume de operação no interior do Amazonas, por isso a empresa não prevê investimentos no interior do Estado. Mas há a possibilidade de ampliar a frota na capital, caso a demanda da Zona Franca de Manaus (ZFM) aumente – o equivalente a 60% de todos os pedidos à empresa. O terminal conta com quatro aeronaves “Boeing 767” em plena atividade, com capacidade de 50 toneladas, além das aeronaves de passageiros, que transportam cargas em seus “porões”, em torno de 20 a 30 toneladas. Navarrete explicou que em torno de 80% das mercadorias vêm em aeronaves cargueiros, enquanto o restante chega à cidade pelas “barrigas de aviões”. Segundo o diretor executivo, a unidade é 100% verticalizada, com 2,6 mil posições de estocagem, sistema exclusivo de armazenagem e identificação de cargas, câmara fria para acondicionamento de perecíveis e um amplo estacionamento, com vaga para 70 veículos de pequeno, médio e grande porte.
ARQUIVO EM TEMPO
Investimentos na área viabilizarão o deslocamento de mercadorias das empresas da Zona Franca de Manaus
Novo terminal pretende unificar transporte de cargas
Investimento respaldado De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, todo investimento que está sendo feito na questão aeroportuária em Manaus tem que ser “respaldado e é muito bem-vindo”. “Vem para cobrir uma deficiência”, detalhou. Ainda assim, Périco ressalta que uma empresa privada não pode ser responsável por solucionar todo o déficit de infraestrutura da região. Segundo ele, o poder público federal precisa ter uma política de desenvolvimento que resolva essas questões, “especialmente quando é isso que impulsiona a economia do país”. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, comentou que o segmento vê o projeto com bastante otimismo, especialmente quando deve haver maior celerida-
de no despacho de carga, o que pode contribuir para evitar “o caos quando os Terminais de Carga Aérea (Tecas) estão sem áreas para armazenar”. Com base na avaliação geral de Silva, o setor industrial tem sido bem atendido nos terminais, entretanto, há a necessidade no aumento do efetivo dos órgãos federais, como a Receita Federal, para que o retorno rápido das mercadorias seja efetivado. É claro que o modal aéreo ainda não é o mais utilizado pela indústria, especialmente por conta do volume das empresas da Zona Franca de Manaus (ZFM) e do custo do frete. “Algumas cargas têm que ser por avião, porque são de volume menor, como os telefones celulares. Mas não tem como o avião ter a mesma capacidade de um navio, que pode comportar o envio de motocicletas, por exemplo”, salientou.
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Economia
Citricultura no Amazo JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
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s produtores de citrus – laranja, limão e tangerina – do Amazonas podem comemorar. Em torno de 60 mil toneladas de laranja-pera – ou laranja regional -, devem ser produzidas nas fazendas e sítios das regiões produtoras do Estado até o final deste ano. O número é praticamente estável em relação à produção obtida no ano passado (58,1 mil toneladas) - considerada a melhor dos últimos 10 anos. A expectativa parte de produtores da cultura da laranja em municípios como Manaus e Rio Preto da Eva - localizado a 80 quilômetros da capital. O produtor de citrus no município de Rio Preto da Eva, Sebastião Siqueira, por exemplo, aponta 2013 como um ano positivo para o segmento, seguindo a tendência de expansão da última década. “Crescemos em termos de áreas plantadas, número de famílias envolvidas e empregos gerados. Também foi um ano em que intensificamos a exportação de frutos para outros Estados como Roraima e conseguimos reverter esses ganhos para a economia do
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
Produtores de laranja comemoram a alta na produção da fruta, e apostam na expansão do setor para os próximos anos município”, avalia.
“Bons ventos” As perspectivas são ainda mais promissoras para os próximos anos. Mesmo sem detalhar os números de sua colheita, o produtor disse esperar um aumento de até 40% na produção nos próximos 2 anos. Segundo ele, os “bons ventos” também sopram para
PEQUENOS Em escalas menores, também se dedicam ao cultivo do cítrico, os municípios de Parintins, Coari, Tefé, Boca do Acre e Japurá além das regiões do rio Madeira, do rio Negro, do Alto Solimões e do rio Purus as demais propriedades. “Em 2014 novas áreas plantadas vão entrar na época de produção que ocorre 4 anos após o plantio das mudas. Com esse incremento, esperamos que os produtores do Estado que hoje suprem 90% da demanda de laranja no Amazonas avance chegando em 2015 abastecendo 100% do mercado local”, estima.
Citricultor Sebastião Siqueira aposta no aumento de 40% na produção de laranja, no Amazonas, para os próximos 2 anos
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
Amazônia: o prêmio e o alerta de Benchimol Há 10 anos havia mais de 400 trabalhos acadêmicos sobre a Amazônia em andamento na Universidade de São Paulo, indicador de um interesse que cresce entre as instituições do Sudeste em direção à floresta. Há 10 anos também foi instituído o Prêmio Samuel Benchimol, com a finalidade de promover estudos, projetos e modelagens de desenvolvimento na ótica da sustentabilidade. Os resultados são promissores e confirmam que esta é uma trilha que precisa ser percorrida com mais atenção e investimentos. A USP debate o Amazonas, por meioda obra de Samuel Benchimol, já há algumas décadas. Em 1992, quando o mundo decidiu escolher o Brasil para de bater a questão climática, na relação entre desenvolvimento e meio ambiente, os países poluidores trataram de escolher as supostas queimadas da Amazônia como o bode expiatório do aquecimento global. Naquela ocasião, a Universidade promoveu o Seminário sobre Alternativas de Desenvolvimento Sustentável na Amazônia, onde Samuel, conferencista no Fórum Global, apresentou as teses de sua “Guerra na Floresta”, ali ele foi contundente: “O mundo amazônico não poderá ficar isolado ou alheio ao desenvolvimento brasileiro e internacional, porém ele terá quer se autossustentar em quatro parâmetros e paradigmas fundamentais: isto é, ele deve ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo”. E foi esse o mote que perpassou o debate acadêmico no recente seminário promovido pela
FEA/USP, sobre Novas Matrizes Econômicas na região, onde a pauta Amazônia surge como referência norteadora de sustentabilidade, na premissa de satisfazer urgências contemporâneas sem afetar as gerações que virão. A bioindústria se prepara para ocupar espaço e novos rumos para adensar, diversificar e interiorizar a economia na região. O bom senso aponta para o manejo inteligente dos recursos locais, a alternativa correta e eficiente de conservar a natureza e desenvolver capacidades a aptidões das pessoas. A Amazônia, com sua extensão e biodiversidade, abriga a resposta para a maioria das perguntas que a ciência tenta responder hoje, na medicina, na agricultura, nas fontes energéticas e na equação enigmática entre crescimento econômico e recomposição dos estoques naturais. Desse ponto de vista, ela é “cérebro do mundo”, especialmente se considerada no âmbito de sua amplitude continental e potencialidade de novos paradigmas de pesquisa e inovação. E isso remete à produção e aplicação de conhecimentos e tecnologias no tratamento de sua biodiversidade, da bioenergia, da nutracêutica, da aquicultura relacionada à segurança alimentar planetária... Só assim, faz sentido preservar a floresta, oferecer oportunidades que assegurem manter em pé a dignidade das pessoas, de todas as pessoas. Este é o alerta e a razão do prêmio Samuel Benchimol, que completa 10 anos de debate, inspiração e proposição de saídas na direção de nova socioeconomia para a Amazônia. Voltaremos ao assunto.
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta
A bioindústria se prepara para ocupar espaço e novos rumos para adensar, diversificar e interiorizar a economia na região
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onas colhe bons frutos Aposta em novas tecnologias Conforme o engenheiro agrônomo e mestre em produção vegetal, Márcio Mesquita Barros, o aumento da produção de laranja observado nos últimos anos é resultado da adoção de novas tecnologias e aumento do uso de práticas como aplicação de quantidades adequadas de corretivos e fertilizantes, podas e mecanização de áreas pelos produtores. Segundo ele, o sucesso das medidas foi associado às políticas de incentivo, fiscalização fitossanitária e assistência à produção realizadas entre a Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror) e o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal
Sustentável do Amazonas (Idam). “As ações visam instruir os produtores garantindo o desenvolvimento econômico e social do setor e da sociedade envolvida nessa cadeia”, observa. Porém, para o produtor e presidente da Associação Amazonense de Citricultores (Amazoncitrus), Osíris Silva, alguns desafios precisam ser superados para uma maior produtividade. Além de aperfeiçoar estudos para aumentar a variedade de laranjas disponíveis para a produção, segundo ele, é preciso profissionalizar a cadeia produtiva da laranja. Um diagnóstico está sendo elaborado para um mapeamento do setor no Amazonas.
Diversas ações contribuíram para aumentar a produção
A expectativa do setor é a de que em 2015 a produção local de laranja atenda em 100% o mercado consumidor do Amazonas
Atravessadores e insumos elevam o preço Embora a laranja consumida no Estado seja quase 100% regional, os preços cobrados pelo fruto não são nada populares. Em alguns locais, a unidade da laranja custa R$ 0,50, enquanto o cento do fruto vendido dos produtores para o varejo sai em média R$ 25. Sebastião Siqueira explica que a travessia encarece o preço da fruta para o consumidor final. “O atravessador beneficia o produto (lava, classifica,
embala), transporta e distribui, cobrando o quanto achar que deve. Não temos controle sobre isso”, argumenta. Os insumos usados no cultivo dos pomares também contribuem para encarecer a fruta. “O produto é regional, mas os insumos como calcário e agroquímicos ainda são importados do Sudeste. O calcário vai baratear com a produção local, mas os efeitos serão sentidos apenas em um
prazo de 2 anos”, estima. Dados do Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) revelam que o Amazonas possui 2,4 mil produtores no ramo da citricultura com produção anual de 58, 1 mil toneladas de laranja em 2012. O resultado é o melhor dos últimos 10 anos e representa um crescimento de 36,7% em relação à produção do ano passado, quando 42,5 mil toneladas do fruto foram
colhidas nos sítios e fazendas amazonenses. Informações da Secretaria Executiva de Políticas Agropecuárias e Florestais (Seapaf) destacam Manaus com a produção de 18,5 mil toneladas em uma área de cultivo de 1,1 mil hectares. Em seguida, aparece Rio Preto da Eva, com 16, 5 mil toneladas cultivadas em uma área de mil hectares, e Itacoatiara com 3,2 mil toneladas produzidas em 192,5 hectares.
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País
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‘Joaquim Barbosa é um homem mau’, diz jurista J
oaquim Barbosa é um homem mau, com pouco sentimento humano. A descrição nada elogiosa é de Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos mais conceituados advogados brasileiros e professor da PUC há quase 40 anos. Ele se refere em especial à forma como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) conduziu a prisão de José Genoino. “Acho que é mais um problema de maldade. Ele é uma pessoa má. Falo isso sem nenhum preconceito com a pessoa dele pois já o convidei para jantar na minha casa. Mas o que ele faz é simplesmente maldade”, afirma o advogado. Bandeira de Mello subscreveu, ao lado de juristas, intelectuais e líderes petistas, um manifesto condenando a postura de Barbosa. A ação supostamente arbitrária do ministro na prisão dos condenados no processo do mensalão seria passível de um processo de impeachment. “A medida concreta neste caso seria um pedido de impeachment do presidente do Supremo”, disse Bandeira de Mello, com a ressalva de que não é especialista em direito penal mas expressa “a opinião de quem entende da matéria”. De acordo com o advogado, o foro adequado para o pedido
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Advogado e professor da PUC, Bandeira de Mello condena a forma como o presidente do STF conduziu as prisões dos mensaleiros de impeachment seria o Senado Federal. Segundo o inciso 2º do artigo 52 da Constituição Federal, é de competência exclusiva do Senado julgar os ministros do Supremo. A iniciativa, segundo Bandeira de Mello, pode ser de “qualquer cidadão suficientemente bem informado e, principalmente, dos partidos políticos”. O diretório nacional do PT chegou a cogitar medidas concretas contra Barbosa. A iniciativa, no entanto, foi abortada por líderes moderados do partido. Impeachment Segundo Bandeira de Mello, o fato de Barbosa ter mandado para o regime fechado pessoas que haviam sido condenadas ao semiaberto e a expedição de mandados de prisão em pleno feriado da Proclamação da República sem as respectivas cartas de sentença (emitidas 48 horas depois) contrariam a legislação e poderiam motivar o afastamento de Barbosa. Para o advogado, a culpa pelas supostas violações e arbitrariedades é exclusivamente do presidente do STF. “É o Barbosa. Os demais ministros, ou parte deles, já praticaram as ilegalidades que podiam praticar no curso do processo”, disse.
Joaquim Barbosa é criticado por suas medidas, consideradas desumanas, no processo de prisão dos acusados pelo mensalão
‘O STF não pode ser refém de seu presidente’ O manifesto divulgado durante a semana diz que “o STF precisa reagir para não se tornar refém de seu presidente”. O texto é subscrito por dezenas de militantes petistas e partidos aliados,
como os presidentes do PT, Rui Falcão, e PCdoB, Renato Rabelo, além de personalidades de diversas áreas como o jurista Dalmo Dallari, a filósofa Marilena Chauí, a cientista política Maria Vic-
toria Benevides, os cineastas Luci e Luiz Carlos Barreto e o escritor Fernando Morais. Bandeira de Mello crê que o plenário do Supremo deveria fazer uma censura pública a Barbosa. “Poderia ser de for-
ma verbal, em plenário, por meio de um manifesto e até mesmo pessoalmente. Ou o Supremo censura a conduta de seu presidente ou ele vai cada vez mais avançar o sinal”, diz o advogado.
Mundo
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Obama: não haverá pedido de perdão com Afeganistão Casa Branca declara que, após 10 anos de confrontos no Afeganistão, EUA não vai se desculpar por erros na guerra
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Casa Branca assegura que o presidente de Estados Unidos, Barack Obama, não deve enviar uma carta de desculpas ao Afeganistão pelos supostos erros cometidos na guerra que começou em 2001. Aimal Faizi, um porta-voz do presidente afegão, Hamid Karzai, assegurou que o acordo de segurança que vai regulamentar a presença militar americana no Afeganistão após 2014 inclui, como condição, que Obama escreva uma carta reconhecendo os “erros” cometidos na guerra e seu impacto na população civil. No entanto, a assessora de segurança nacional de Obama, Susan Rice, afirmou que emitir esse tipo de desculpas “não é uma opção”. “Não se está trabalhando em nenhuma carta desse tipo. Não há necessidade de que os Estados Unidos se desculpem com o Afeganistão”, disse Rice em uma entrevista à emissora “CNN”. Karzai quer uma carta escrita por Obama para apresentála à “Loya Jirga” (Grande Assembleia), uma congregação de mais de 2,5 mil funcionários e representantes afegãos que se reúne esta semana em Ca-
AFP
bul para decidir se aprovam o projeto de acordo de segurança entre Afeganistão e EUA. Garantias O líder afegão falou sobre essa possibilidade em uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, informou um funcionário do departamento
CONDIÇÃO
Acordo de segurança que vai regulamentar a presença militar americana no Afeganistão após 2014 inclui, como condição, que Obama escreva uma carta reconhecendo os “erros” cometidos na guerra de Estado. “Karzai pediu (a Kerry) garantias de que possa comunicar à ‘Loya Jirga’ sobre a natureza de nossa relação de segurança no futuro e assuntos do passado, como as vítimas civis”, disse o funcionário, que pediu o anonimato, aos jornalistas. “Kerry disse que o desejo dos EUA é continuar trabalhando junto com o Afeganistão para
encontrar um caminho e que vamos considerar seu pedido de garantias, inclusive a opção de uma carta da administração (de Obama) que expresse nossa posição”, acrescentou. Troca-troca Segundo o porta-voz de Karzai, em troca da carta solicitada, o governo afegão estaria disposto a abrandar sua exigência do fim de todas as revistas nos lares afegãos por parte de tropas americanas a partir de 2014 e tolerar essas operações em circunstâncias extraordinárias, como pede Washington. Outro ponto de disputa no acordo foi a garantia de imunidade das tropas americanas que permanecerão no país após 2014, data estipulada com a Otan para a conclusão do processo de retirada militar. A minuta de acordo atual estipula que os Estados Unidos terão jurisdição legal exclusiva sobre o seu pessoal militar e civil que estiverem a serviço do departamento de defesa no Afeganistão, apesar de não impedir que nenhum deles seja processado, segundo fontes oficiais citadas pelo jornal “Washington Post”.
MITO AE
Kennedy tem a melhor avaliação entre todos os presidentes da história dos Estados Unidos
Morte de Kennedy completa 50 anos A queda de um mito. Esta é uma frase clássica nos EUA para explicar como a morte de John Fitzgerald Kennedy afetou o país em 22 de novembro de 1963. “Qualquer que fosse o desastre natural”, disse o cronista Gay Talese, teria tido um efeito menos catastrófico que o assassinato do presidente. A razão? O jovem democrata, morto aos 46 anos foi responsável pelas ideias mais notórias acerca de questões sociais, econômicas e políticas no século 20 na América do Norte, de acordo com historiadores e especialistas. Todavia, 50 anos depois, ainda restam controvérsias sobre o seu legado. A discussão é que, em vez de políticas públicas, o carisma e a energia com que Kennedy apresentava suas opiniões, somados às conspirações e
aos contornos dramáticos de sua morte, teriam transformado o democrata em mito – que persiste, mesmo há 50 anos do fatídico disparo em Dallas, Texas. Diversos críticos de sua gestão afirmam que o norte-americano era muito mais um personagem, inspirado em heróis do cinema, do que um governante, capaz de desenvolver soluções para a problemática da sociedade. Acertos e erros “Kennedy teve acertos e erros na sua administração, assim como todos os outros presidentes dos EUA. No entanto, seus discursos cativantes e o seu carisma fizeram com que, no momento de sua morte, ele alcançasse nível de herói”, afirmou o jornalista Seymour Hersh, 76 anos, em entrevista recente. Hersh é
autor do livro “O lado negro de Camelot” - uma das obras mais controversas sobre Kennedy, contestando a verdadeira face do presidente. Legado Embora a agenda de Kennedy tenha abordado temas complexos da problemática social e econômica dos EUA, cientistas políticos contestam a eficácia do seu trabalho. Muitos afirmam, inclusive, que seu sucessor, Lyndon Johnson, foi quem realmente conseguiu executar os seus planos. “Aqueles que estudam sua gestão como presidente constatam que, embora tenha tido um grande talento e representasse uma enorme esperança para os norte-americanos”, afirma o professor Jeffrey Engel, da Southern Methodist University, de Dallas.
Guerra contra o terror entre Estados Unidos e talebans afegãos completa 10 anos sem retratações
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Mundo
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diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
Uma difícil luta contra o tráfico Dia a dia C4 e C5
Final de ano dá início às ‘temporadas solidárias’
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Perto do término de 2013, iniciativas para ajudar os mais necessitados surgem de todos os cantos, e participar é muito fácil
Na onda de solidariedade que começa perto do fim de cada ano, crianças são beneficiadas com presentes e festas organizadas por grupos de voluntários, alguns com mais de 10 anos de ação IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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ara uns, uma oportunidade de fazer o bem e sentir bem. Outros fazem em agradecimento a conquistas. Há aqueles que buscam, quem sabe, se redimir por alguma falta. Muitos são os motivos que amolecem os corações no fim do ano e o décimo terceiro salário pode dar aquele empurrãozinho necessário para propagar tantos atos de solidariedade. Se você tem interesse, mas não sabe de que forma ajudar, listamos abaixo algumas iniciativas de diversos grupos, sejam liderados por igrejas, profissionais liberais ou apenas por amigos com boa vontade de ajudar famílias menos privilegiadas neste fim de ano. Durante 14 anos, um grupo de amigos já levou o Papai Noel para conhecer crianças em mais de 200 bairros na capital, em comunidades ribeirinhas, rurais e alguns municípios do interior, como Presidente Figueiredo, Manacapuru, Iranduba, Rio Preto da
Eva e Itacoatiara. A iniciativa surgiu de maneira tímida, quando quatro amigos se reuniram para comemorar um Natal diferente. Das economias reunidas, compraram 1,5 mil brinquedos e os distribuíram para crianças carentes. “Em 1998 eu queria comemorar o bom
AMIGOS
Reunir os brinquedos não é tarefa fácil e é fruto de intensa campanha financeira realizada durante todo ano, por meio de eventos, brechós, vendas de camisas, doações de parceiros e arrecadações ano que tive de uma forma diferente. Convidei quatro amigos e resolvemos fazer a distribuição de brinquedos. Nada melhor do que retribuir para a vida o que ela nos deu de bom”, disse a idealizadora e coordenadora da campanha, Denise Kassama. Daí surgiram os “Amigos do
Papai Noel”, um grupo da sociedade civil organizada sem vínculos políticos, religiosos, sociais e econômicos. Hoje são mais de cem voluntários que arrecadam uma média de 10 mil brinquedos e “ajudam ao Papai Noel a distribuir presentes no Natal”. Mas já houve ano em que foram arre cadados 20 mil. Reunir os brinquedos não é tarefa fácil e é fruto de intensa campanha financeira realizada durante todo ano, através de eventos, brechós, vendas de camisas, doações de parceiros e arrecadações de voluntários. “O grupo não é uma instituição juridicamente formalizada, o que dificulta um pouco as doações. É evidente que conseguir o montante necessário sempre se constitui em um desafio. Logo, as pessoas doam de acordo com as suas possibilidades. Este ano, em particular, estamos com uma dificuldade extra, pois não conseguimos as revistas educativas que compõe o kit do Papai Noel e estamos precisando de 15 mil livros e revistas educativas”, disse Kassama.
Lugares onde não há tecnologia Nas comunidades visitadas pelo Papai Noel, a festa é grande quando a criança descobre o brinquedo que ganhou. “A campanha costuma ir a lugares onde não há essa tecnologia. Muitos lugares sequer possuem eletricidade. As crianças brincam com pedaços de madeira e latas. Então, lá, os brinquedos são muito bem vindos. Poder proporcionar a primeira festa de Natal da vida de uma criança é uma sensação indescritível, que renova a nossa alma”, ressaltou Kassama. A jornalista e voluntária Vanessa Zogahib participa da campanha junto com sua família desde o segundo ano de execução e guarda na memória momentos emocionantes junto a comunidades que ainda sofrem com a ausência de abastecimento de água e de luz. “É uma forma de nos doarmos ao próximo, pois as entregas não são feitas de
qualquer forma. É preciso que cada voluntário disponibilize carinho, atenção, sorrisos e abraços a cada criança e familiar que recebe o presente. Não é só entregar o objeto e pronto! No decorrer de tantos anos guardamos histórias marcantes, experiências e ensinamentos que vamos levar para toda a vida, tanto de crianças quanto de idosos encantados em ver Papai Noel pela primeira vez”, disse. Para ela, não há dinheiro que pague a satisfação ao ver a alegria da criança e de idosos que encontram o Papai Noel. “É extremamente gratificante quando você vê a felicidade de meninos e meninas que nunca tinham visto o Papai Noel, que nunca tiveram um brinquedo – por mais simples que seja – ao ganhar um presente no Natal. É muito emocionante poder participar de um natal diferente na vida dessas crianças. Ajudar a rea-
lizar um sonho e mostrar que eles são possíveis de se concretizarem por mais difícil que possa parecer. Porque nessas comunidades que vamos os pais não possui condições financeiras e proporcionar esse tipo de momento para os filhos”, observou. Para ajudar a “encher o saco do bom velhinho”, o grupo realizou ontem uma feijoada solidária. Eles também criaram um kit que é entregue às crianças. Um kit custa R$ 5 e é composto de um brinquedo educativo (bola ou quebracabeça ou ioiô), um brinquedo (boneca ou carrinho ou boneco de vinil), uma guloseima e uma revistinha. Quem tiver interesse em ajudar ou conhecer mais o trabalho solidário ode entrar em contato pelo 9983-3581 ou 3651-2563. (Continua nas páginas C2 e C3)
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Dia a dia
Iniciativas soli com a solidão IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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ste ano, as doações da campanha “Natal Sem Fome” serão direcionadas tanto às comunidades carentes espalhadas pelas zonas da cidade, como para os imigrantes haitianos recém-chegados ou que escolheram Manaus para construir nova vida. As doações podem ser feitas nas paróquias do São Geraldo, no bairro de mesmo nome, e na de Nossa Senhora das Mercês, no conjunto Eldorado, próximo à praça do Caranguejo. São aceitos alimentos não perecíveis, material de higiene e água. Integrante da Cáritas Arquidiocesana, o diácono Afonso explicou que a campanha objetiva partilhar alimentos entre as comunidades carentes das áreas missionárias e das paróquias e inclusive aos haitianos, que estão distribuídos no Parque das Laranjeiras, Zumbi e bairro da União. “Todo ano trabalhamos essa campanha, porque é uma necessidade. Encontramos ainda muitas pessoas com dificuldade de alimento básico. Por mais que tenhamos visto o crescimento econômico do país, muitos ainda sofrem com falta de alimentação”, informou. Para o diácono, essa situação de miséria parece ser uma constante na vida da sociedade por não haver distribuição igualitária de emprego. “Precisa de mão de obra qualificada e nem todos têm, e acabam ficando fora do mercado. Tem também o caso de pessoas do interior do Estado que vêm para a capital atrás de emprego e não conseguem, e acabam indo morar as margens dos igarapés, que é onde há possibilidade de acesso”, observou. Gacc As cerca de 200 crianças que fazem parte do Grupo de Apoio à Criança e Adolescente com Câncer do Amazonas (GACC-AM) deixaram o pedido numa árvore dentro da sede, que fica na avenida Domingo Jorge Velho, 290,
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Vale tudo para tornar o fim de ano mais agradável para quem precisa: de doações de alimentos a confraternizações para famílias desamparadas, o “Natal sem Fome” e o projeto “Tocando em Frente” buscam concretizar essas atividades no bairro Dom Pedro. Quem tiver interesse de apadrinhar pode buscar a sede. Além disso, o grupo organiza para o dia 21 de dezembro uma festa de fim de ano que deve reunir pelo menos 700 pessoas entre pacientes e familiares. Quem puder doar peito de frango, alimento específico da ceia, que faz parte da dieta das crianças é só entrar em contato pelo 36561811 ou ir à sede. A festa será realizada a partir das 10h no Parque do Idoso, bairro Nossa Senhora das Graças. O grupo foi fundado em 23 de maio de 1999 e pelo menos há 12 anos realiza a festa de confraternização com as crianças. “É uma etapa importante interação entre as crianças. A hora da confraternização é uma continuidade na inclusão social, hora de agradecer e ver como as famílias estão, saber ânsias, apesar de termos muitos serviços diários. O evento é importante no relacio-
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Este ano, as doações da campanha “Natal Sem Fome” serão direcionadas tanto às comunidades carentes espalhadas pelas zonas da cidade, como para os imigrantes haitianos recém chegados A exemplo dos “Amigos do Papai Noel”, diversas iniciativas de ajuda ao próximo crescem nos últimos meses de cada ano
namento”, afirmou o gerente Márcio José Pereira. O Gacc é uma sociedade civil sem fins lucrativos, administrado por uma equipe de voluntários e funcionários, que atende a crianças e adolescentes com câncer e seus familiares. É oferecido atendimento psicológico, pedagógico, educacional, de lazer a todas as crianças em tratamento na Fundação Cecon e demais entidades afins. O grupo vive de doações de pessoas físicas e jurídicas, projetos (Rancho-Padrinho, Sócio-Contribuinte, Troco Solidário, entre outros), de eventos e do trabalho voluntário de várias pessoas.
Distribuição de presentes na Zona Leste Crianças de dez bairros da capital terão a visita do papai Noel em dezembro. Com tanto trabalho, o “bom velhinho” vai ter ajuda de 212 ajudantes especiais que participam do projeto “Tocando em frente”. Os jovens irão distribuir presentes as crianças dos mesmos bairros que moram, como São José, Zumbi, Novo Reino, Nova Vitória, Grande Vitória e duas comunidades do Tarumã. “Pensamos que eles mesmos, de acordo com estudo de caso
de vida, não tiveram na infância o prazer de ganhar um brinquedo, um presente e, assim como eles, muitas crianças vivem assim. E queremos que nossos meninos sintam a felicidade de presentear, mostrar que é bom fazer o bem, ajudar, amar o próximo”, ressaltou a coordenadora e uma das idealizadoras, Janete Canto. Interessados em doar brinquedos podem entrar em contato pelo 9444-9494. O projeto existe há dez anos,
e trabalha hoje com 212 adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e prestação de serviços à comunidade e mais 14 adultos que cumprem pena alternativa. O trabalho visa ressocialização e inclusão de pessoas em vulnerabilidade social, e é uma atividade independente composta por iniciativa da sociedade civil. Além da oportunidade de presentear crianças carentes, os jovens participarão de uma festa de confrater-
nização que reunirá os familiares. “Para muitas pessoas que vivem abaixo da pobreza, o Natal não tem muito sentido. Por isso buscamos fazer confraternização para trazer as famílias para perto, porque se você não buscar a família, não tem mudança”, salientou. Para Canto, prestar solidariedade faz bem tanto para quem recebe quanto para quem faz, e é isso que o projeto quer mostrar.
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dárias acabam do desamparo Em prol da Casa Vhida, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) da 18ª Região AM/RR, realiza a quinta edição do Correshow, que visa arrecadar leite para doação. O evento acontece na próxima quarta-feira (27), às 19h, no salão de festas Elegance, na rua Salvador, Adrianópolis, Zona Centro-Sul. O objetivo do evento é reunir corretores de toda a capital para que consigam o maior número de doações de leite que serão repassados às crianças da Casa Vhida. O evento conta com o apoio do sistema CofeciCreci, além de empresas do setor imobiliário. A Casa Vidha é uma instituição conhecida nacionalmente desde 1999 e trabalha para oferecer as crianças contaminadas com vírus HIV
e os familiares apoio durante o tratamento. Atualmente a casa acolhe 1.026 crianças. Gaviam Além de organizar a campanha de doação de sangue realizada no último fim de semana o Grupo de Amigos Voluntários Independentes do Amazonas (Gaviam) também planeja levar doações de alimentos e roupas a comunidades carentes em municípios próximos à capital. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelos telefones 3302-2915 e 9246-2377, ou pelo perfil no Facebook (Gaviam). O grupo surgiu em 2011, quando amigos resolveram prestar trabalho voluntário a famílias com menos oportunidades, pelo menos duas vezes ao ano. Eles começaram tirando dinhei-
ro do próprio bolso para comprar alimentos e roupas e levar a comunidades nos municípios de Autazes e Iranduba. Mais tarde, eles aproveitaram as visitas para levar orientações sobre sustentabilidade, conservação do meio ambiente e saúde, com enfoque a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e higiene. Hoje, o grupo conquistou mais voluntários e buscou capacitação. Além de prestar caridade, eles também auxiliam Defesa Civil, o Batalhão de Policiamento Ambiental e outros órgãos com o trabalho de busca e salvamento em parceria dos cães farejadores, no combate e prevenção de incêndio, resgate de animais, primeiros socorros, além de promover palestras sobre meio ambiente, sustentabilidade e saúde.
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Corretores ajudam Casa Vhida
Grupos de voluntários atuam levando alegria a crianças e pessoas de poucos recursos
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Dia a dia
Uma batalha com Luta contra o tráfico de drogas emperra na falta de cooperação entre os órgãos públicos e, no Amazonas, se agrava pela posição “estratégica” na rede de distribuição ADRIANA PIMENTEL Especial EM TEMPO
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e acordo com dados da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), vinculada à Superintendência da Polícia Federal do Amazonas (SPF), o número de drogas apreendidas em Manaus este ano aumentou. Até este mês, foram apreendidos na cidade 1.394 toneladas de entorpecentes. Toda a droga apreendida é incinerada. Segundo o delegado da DRE, Alexandre Rabelo, a droga mais apreendida é a cocaína, que serve como base para as demais drogas. Para ele, a dimensão territorial das fronteiras do Estado e a falta de cooperação entre os órgãos faz com que o Brasil tenha fronteiras desguarnecidas ou
PROBLEMA
Para o delegado Alexandre Rabelo, a dimensão territorial das fronteiras do Estado e a falta de cooperação entre os órgãos faz com que o Brasil tenha fronteiras desguarnecidas ou vigiadas precariamente vigiadas precariamente. “A cooperação entre os órgãos públicos seria uma alternativa para o combate ao tráfico. Cada vez mais os traficantes e as quadrilhas estão com um grande potencial, armamentos pesados e com alta sofisticação”, enfatiza o delegado. Em sua opinião, há anos não se investe dignamente nas Forças Arma-
das para combater ininterruptamente as mazelas do contrabando de e drogas ilícitas, visto que a grande maioria das drogas é de origem estrangeira. Para Rabelo, Manaus é um centro de distribuição de drogas, e isso se dá devido à posição geográfica que facilita a logística para a rota de tráfico, que hoje só perde para o roubo entre os delitos que levam à cadeia. Segundo o delegado, em uma operação realizada entre Brasil e Peru, foi estimado que cerca de 30 toneladas de drogas estão sendo produzidas por ano no país vizinho. “Boa parte do consumo é destinada ao Brasil“, afirma Alexandre. A droga é geradora de quase toda a violência existente nas estatísticas criminais,
A cocaína, que serve de base para outros entorpecentes, é uma das drogas mais utilizadas no mundo e
Programa usa a educação como prevenção A Polícia Militar atua como parceira na busca de soluções e práticas de cidadania, criando para isso o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que atua como aliado no combate às drogas, principalmente no interior das escolas. O programa realiza ações socioeducativas contra o uso de drogas e prática de violência. As atividades já beneficiaram mais de 300 mil alunos e 93 instrutores aten-
dendo em escolas públicas e particulares da capital e em alguns municípios do interior do Estado - Tabatinga, Parintins, Manacapuru, Itacoatiara e Boca do Acre. O Proerd é a versão brasileira do programa americano denominado Drug Abuse Resistence Education (“Educar para resistir ao abuso de drogas”, em português), ou D.A.R.E, surgido em 1983 na cidade de Los Angeles, em virtude do alto índice de criminalidade
nas escolas envolvendo crianças e adolescentes no uso e abuso de drogas, começou como um programa de parceria entre o Departamento de Polícia de Los Angeles e o Distrito Unificado Escolar daquela cidade onde recebeu o nome atual. Esse esforço cooperativo foi guiado por dados estatísticos que mostraram alta eficiência em programas de prevenção baseados na tomada de decisões, estabelecimentos de va-
lores, resolução de problemas e estilos de vida positivos. Segundo o coordenador do programa, tenente-coronel Audiney Oliveira, o Proerd surgiu da necessidade de orientar famílias que possuíam membros usuários de drogas, especialmente quando o uso de entorpecentes interfere nas relações familiares. “Nas escolas onde o programa atua verificamos uma diminuição da violência e do uso de drogas”, explica o coordenador. PROERD AMAZONAS/DIVULGAÇÃO
Por meio do Proerd, Polícia Militar faz sua parte no esclarecimento da juventude sobre os perigos do consumo de drogas
Drogas apreendidas pela Polícia Civil: por ano, pelos menos 30 tonelad
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REPRODUÇÃO/AAEBD
JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
e tem rota de tráfico no Amazonas
pois por trás da maioria dos crimes existe o envolvimento com as drogas.
Legislação O Brasil tentou, por meio de diversas legislações, enfrentar o problema das drogas, porém novos entorpecentes surgiam, até que o legislador conseguiu encontrar um conceito genérico para essas substâncias proibidas e assim tipificar adequadamente a conduta com o advento da lei 6.368/1976. Promulgada na tentativa de controlar o tráfico de drogas no país, a lei foi concebida em uma época de repressão política e não tinha preocupação com a questão social, pois não distinguia de forma contundente o traficante do usuário. Já a lei 11.343/2006, sobre a adoção de uma nova política nacional sobre drogas, passou a humanizar o tratamento legal dispensado aos usuários de drogas, através do abrandamento e adequa-
ção das penas cominadas a conduta de uso, de forma a impor sanção que vise reeducar e trazer de volta ao ambiente social. De acordo com o assistente social Jaime Costa, essa distinção é necessária por questões humanitárias, pois o usuário é vítima do tráfico de drogas, e para sustentar seu vício passa a cometer outros delitos como furto, roubo e até chegam a ser usados pelos traficantes como “mulas” para transportar a droga, ou como “aviões” para realizar a venda para outras pessoas. Tal abrandamento tem sido alvo de críticas, pois alguns consideram que houve a descriminalização do uso de entorpecentes. Entretanto, para o delegado Alexandre Rabelo, ultimamente tem sido observado um aumento considerável no consumo. “Isso tem demonstrado total desrespeito ao Estado de Direito, sob o argumento que sua punição é diminuta”, alega.
JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
das são produzidas apenas no Peru, um dos países vizinhos do Brasil
Consumo de tóxicos surge na juventude DIVULGAÇÃO
Grupo de pessoas viciadas consome crack: cena triste e cada vez mais comum nos grandes centros urbanos brasileiros
Cerca de 3% da população mundial usa regularmente alguma droga ilícita (isto é, não contando tabaco, álcool e outras drogas livremente comercializadas). É como se todo o conjunto da população brasileira utilizasse drogas. Em pesquisa divulgada em junho deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental de Manaus ad-
mitiram já ter usado algum tipo de droga ilícita. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) de 2012 entrevistou cerca de 2 mil estudantes das redes pública e privada de educação da capital. A Região Norte teve o índice de iniciação prematura ao uso de drogas em 5,4%. A pesquisa mostrou também que o crack – considerado uma das mais nocivas drogas ilícitas no mundo – é muito pouco utiliza-
do entre os adolescentes que disseram já ter experimentado drogas ilícitas. Um total de 2,8% de jovens disseram ter experimentado o crack uma ou duas vezes. Segundo relatos históricos, a droga se tornou fonte de riqueza e de investimento. Já no final da década de 1980, o comércio representava 75% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bolívia, sendo, destes, 50% oriundo do comércio clandes-
tino. No Peru, o índice chegou a 90%; na Colômbia, 23%; e nos EUA, em torno de 5%. Trata-se de um negócio empresarial. Nos EUA, a movimentação com as drogas chegou a atingir 10% do PIB, igual às sete maiores empresas norteamericanas: GM, Exxon, Shell, Móbilb, Bridish, Petroleum, a Ford Motors e a IBM. O narcotráfico movimenta em torno de US$ 400 bilhões anualmente.
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A carta de um Em 23 páginas, o acusado de mentor do assassinato da tia, da prima e do próprio pai, que resultou no processo do “caso Belota”, Jimmy Robert revelou estar arrependido e contou seus temores e planos na prisão. Ele foi condenado na manhã da última sexta-feira a 100 anos de prisão, junto com os outros dois cúmplices ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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ntes do julgamento que o condenou a 100 anos de prisão por tramar a morte da tia Maria Gracilene Belota, da prima Gabriela e do próprio pai Roberval Roberto, o publicitário Jimmy Robert de Queiroz Brito escreveu uma carta destinada à imprensa como uma forma de desabafo contra informações divulgadas, segundo ele, de forma errada. Em 23 páginas, Jimmy expõe opiniões sobre o crime que chocou a população pela premeditação, frieza e crueldade. Ele inicia o documento afirmando que não há nenhum dia que ele continue a viver sem a dor e o arrependimento de tudo o que aconteceu com a sua família. “Um erro que não tem e nunca terá justificativas. E se vocês me perguntarem mais uma vez o que me motivou, hoje eu mesmo não saberei explicar o que aconteceu comigo naquela época, mas lembro que eu estava muito abalado emocionalmente”, rela-
tou Jimmy na carta. O publicitário diz que ficou vulnerável para ser a peça fundamental “para ser feito o mal”, e ainda explicou que o olhar da sociedade para ele seria de uma pessoa não social. Jimmy relatou todo o sentimento de estar 24 horas no isolamento. “É como uma eternidade, trancado num buraco escuro que parece o inferno, imaginem vocês cinco meses, mas eu estou onde eu deveria estar”, detalhou, acrescentando que a justiça do homem realmente deve ser feita. Para a sociedade, Jimmy Robert disse que tem alguns planos de poder ajudar, pois ele deve à sociedade por três vidas que foram acabadas. “Sem falar na dívida de consciência que eu tenho e nunca conseguirei pagar quem perdeu uma amiga como a Gabi, a tia Graciene e o meu pai”, ressaltou o réu. “Matar não é só acabar com a vida de alguém, mas também é roubar sonhos, alegria, a paz, a tranquilidade de quem ficou vivo. Eu me refiro envergonhadamente (sic) pelo que fiz a to-
das essas pessoas que ficaram, oro para Deus todos os dias para que a dor delas seja amenizada”, mencionou na carta. Ele menciona uma carta que recebeu de sua irmã, na qual ela relata todos os sentimentos desde o crime, a dor da perda dos familiares e a tristeza de todos os dias saber que o próprio irmão foi preso por participar do assassinato. Da carta da irmã, Jimmy detalhou as ameaças que escuta apenas por vozes na prisão, até comentários como “Vou brincar contigo como brincaram com o Rodrigo”. E afirmou que, caso apareça de uma forma ou de outra morto, o caso jamais será relacionado como suicídio, pois prometeu à irmã que não trará mais nenhum sofrimento para ela. “Quero muito trabalhar aqui dentro, não me importo com o quê. Posso lavar, limpar, aprender a cozinhar, escrever, ler, pintar, enfim, fazer por mim e pelos outros. Qualquer coisa que preencha os meus dias”, declarou.
Na carta escrita na prisão, Jimmy Robert desmente várias informações divulgadas no decorrer do processo e revela alguns planos e receios caso fosse condenado
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réu condenado ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
‘Maldito foi o dia em que eu o conheci’
Jimmy rebate informações divulgadas de que, nos primeiros meses, teria solicitado visita íntima de Rodrigo de Moraes Alves, um dos executores dos assassinatos, com quem manteria um relacionamento amoroso – renegado pelo réu no último julgamento. “Visita íntima diferenciada, nunca pedi.
Maldito foi o dia em que eu o conheci”, afirmou. A carta foi encaminhada pelo advogado de Jimmy, Diego Padilha. Na semana passada, em um bilhete, Jimmy voltou a acusar a esposa de seu avô paterno, Olga Matos, de ser a real arquiteta dos assassinatos, com a finalidade de receber uma herança caso
eliminasse os membros da família. A acusação contra Olga foi feita no julgamento do caso em abril passado. No entanto, nem Ruan Pablo Bruno Cláudio Magalhães nem Rodrigo revelaram conhecimento sobre a mulher. Ainda assim, o Ministério Público solicitou diligências no sentido de averiguar as denúncias do
publicitário. A quebra do sigilo telefônico foi finalmente determinada pela juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, onde tramita o processo, para cumprimento pela Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS), sem prejuízo do andamento do julgamento. REPRODUÇÃO
Parte da carta escrita por Jimmy Robert de Queiroz Brito dias antes do julgamento que o condenou: revolta e arrependimento
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Implantes devolvem fala para pacientes da FCecon para a escolha dos que foram submetidos ao implante, estavam a liberação das sessões de radioterapia há pelo menos seis meses e não possuir obstrução no esôfago, entre outros fatores técnicos. Marco Antônio Rocha, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, explica que, tanto após a laringectomia, como depois do implante, o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar da FCecon, composta por fonoaudiólogo, psicólogo, odontologista, fisioterapeuta e médicos, com consultas periódicas, o que garante sua total reabilitação. A fonoterapia a
EXEMPLO
O cirurgião Marco Antônio Rocha explica que, embora não seja um procedimento padronizado em unidade oncológica, a cirurgia vem acontecendo com frequência na Fundação Cecon A cirurgia para colocação de próteses em pacientes submetidos a laringectomia tem se tornado mais comum, com bons resultados
qual eles serão submetidos posteriormente também será um fator importante para o restabelecimento da fala. O tempo varia, de pessoa para pessoa, explica o médico.
Panorama sobre a especialidade
FCECON/DIVULGAÇÃO
Troca de experiências Rocha destaca que as atividades realizadas pelo Serviço de Cabeça e Pescoço da FCecon serão debatidas durante o 2º Congresso Pan Amazônico de Oncologia, que será realizado pela instituição, em Manaus, entre os dias 27 e 30 deste mês.
De acordo com o médico especialista Marco Antônio Rocha, a ideia é que haja uma discussão em torno da possibilidade de integrar os serviços ofertados na região Norte do país, nessa área específica, levantando dados como a multidisciplinaridade de cada um deles e estrutura de modo a montar um panorama que aponte a realidade brasileira no que diz respeito à especialidade de cirurgia de cabeça e pescoço. Programação A programação completa do congresso está disponível no site www.panamazonicodeoncologia.com. br e as inscrições poderão ser feitas no local do evento.
Equipe trabalha com troca de experiências em oncologia
Eventos simultâneos na capital O 2º Congresso Pan Amazônico de Oncologia terá quatro outros eventos associados. Eles acontecerão simultaneamente no Centro de Convenções Manaus Plaza Shopping, na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul da capital. São eles o 2º Congresso de Enfermagem Oncológica da Região Amazônica, a 4ª Jornada de Radiologia, a 1ª Jornada de Anestesiologia e a 1ª Jornada Amazonense de Terapia da Dor e
Cuidados Paliativos. As inscrições já encerraram. Contudo, a programação completa está disponível na página do congresso na internet e os interessados poderão efetuar a inscrição no local do evento, nos quatro dias. Os valores variam entre R$ 66 e R$260. Segundo a diretora de ensino e pesquisa da FCecon, doutora Kátia Luz Torres, participarão do evento cerca de 90 palestrantes do Amazonas e de outros Estados. Serão
oferecidas 1,2 mil vagas para congressistas interessados. Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Câncer, comemorado em todo o país em 27 de novembro, a FCecon realizará, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), uma sensibilização corpo a corpo para conscientizar a população sobre a importância da prevenção do câncer e seus fatores de risco. O evento acontece na Ponta Negra, às 18h. FCECON/DIVULGAÇÃO
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Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), realizou, na manhã da última sexta-feira (22), um treinamento em parceria com a empresa sueca Atos Medical, que incluiu quatro cirurgias para a colocação de próteses fonatórias em pacientes submetidos à remoção total da laringe (laringectomia) durante tratamento do câncer nessa região. Os procedimentos têm como principal objetivo devolver a fala aos indivíduos, reintegrando-os à sociedade. De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço da FCecon, Marco Antônio Rocha, as próteses, da marca Provox, que custam em média R$ 1,6 mil cada, foram doadas pela empresa, a partir de um contato feito durante o Congresso Brasileiro de Cabeça e Pescoço, realizado em setembro deste ano, em Brasília, pela equipe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Fundação. O especialista explica que, embora não seja um procedimento padronizado em unidade oncológica, esse tipo de cirurgia vem acontecendo com frequência na FCecon, a partir do empenho dos profissionais do Serviço. De acordo com ele, a cirurgia para a colocação da prótese dura, em média, 30 minutos, e o paciente recebe alta horas após o procedimento. Os pacientes selecionados para os implantes das próteses têm entre 50 e 55 anos. Segundo a fonoaudióloga que acompanha a evolução do tratamento dos mesmos na FCecon, Susana Areosa, entre os critérios considerados
FCECON/DIVULGAÇÃO
Treinamento da fundação, com parceria de empresa sueca, incluiu quatro cirurgias para colocação de próteses fonatórias
A Fundação Cecon realizará atividades relacionadas ao Dia Nacional de Combate ao Câncer
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plateia@emtempo.com.br
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Resgate às ‘guitarradas’ regionais (92) 3090-1042
Plateia 3 FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO/HUDSON FONSECA
Começam os preparativos para o Concerto de Natal Corais infantil e jovem do Liceu Claudio Santoro e Corpo de Dança revelam os primeiros detalhes do evento GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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rianças e jovens dos respectivos corais do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro (Laocs) já estão com as vozes afinadas para se apresentarem na produção mais grandiosa do ano, promovida pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC), que é o Concerto de Natal. Para o mesmo evento, também seguem focados os bailarinos do Corpo de Dança do Amazonas (CDA), paralelamente às apresentações do espetáculo “Sagração da Primavera” (que ocorrem nos dia 27, 28 e 29 de novembro, no Teatro Amazonas). O roteiro propriamente dito do Concerto de Natal – que provisoriamente está sendo chamado de “Oh, Glorious – A Christmas Wish” (Glorioso – um desejo de Natal, na tradução para o português) – ainda não foi revelado, mas algumas luzes estão sendo acesas entre os artistas en-
Como em todos os anos, o Concerto de Natal será no dia 25 de dezembro, no largo São Sebastião
volvidos na produção, que no ano passado reuniu nada menos do que quatro mil pessoas trabalhando para sua execução. Ainda neste mês de novembro, após audições externas, 13 crianças e 20 jovens ingressaram na formação dos corais do Laocs. “Cada um está com 40 integrantes, atualmente”, diz o maestro de ambos os grupos, Hugo Pinheiro. Uma de suas pupilas, inclusive, Yasmin Maria Barroso, foi selecionada pelos produtores que assinam a concepção do espetáculo para fazer um solo e interpretar uma das personagens centrais da temática. “Farei a Ceci, uma garota que, diferente de outras crianças, acredita verdadeiramente no espírito do Natal, e não dá o mesmo valor aos presentes materiais”, diz a coralista de apenas 10 anos de idade, que desde 2011 faz parte do coral infantil e que, nesta oportunidade, vai cantar sozinha a canção natalina “Where’s Christmas?”
(Onde está o Natal?). Enquanto isso, o Coral Jovem se prepara, inicialmente, para interpretar um medley de diversas obras clássicas de natal, incluindo “Go, Tell It On The Mountain”. “Ambos os corais vão trabalhar muito a expressão corporal, também. Para isso, vamos ter ensaios com as pessoas de teatro, ainda”, afirma Pinheiro. O Coral Infantil do Laocs foi criado em 1999 e no seu repertório completo contam músicas eruditas, cantigas de roda, música popular brasileira, canções folclóricas nacionais e internacionais e canções natalinas. Mesmo sem poder traduzir em palavras o conceito da nova coreografia que o CDA deve apresentar neste Concerto de Natal, a diretora do grupo, Monique Andrade, revela que até o início do próximo mês o responsável pela concepção deve chegar a Manaus para dar prosseguimento ao trabalho. “Desta vez, vamos receber um coreógrafo com trabalhos desen-
volvidos na Broadway (EUA) para criar esses movimentos. Por outro lado, o artista que fez este trabalho conosco no ano passado, Rob Mackey, está de volta, mas como diretor cênico do espetáculo, e essa parte está mais adiantada. Para nós, é muito interessante esse intercâmbio porque tem muito aprendizado. Independente de barreiras do idioma – que nem chega a existir, uma vez que estamos bem servidos de intérpretes, há uma construção conjunta. Eles mesmo (da empresa norte-americana Hardrive) dizem que aprenderam muito conosco, também”, diz. O CDA participa do Concerto de Natal com 20 bailarinos. “Já tivemos várias reuniões com a produção do espetáculo, firmando os núcleos de dança, e logo daremos prosseguimento aos trabalhos práticos com o coreógrafo presente”, afirma Andrade. Em 2012, o Concerto de Natal “Glorioso” atingiu a marca de 90 mil espectadores, no largo São Sebastião, no Centro.
ALEXANDRE FONSECA
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>> Five stars
>> Vitrine
. Alessandra e Cristiano Brandão reuniram um grupinho de amigos, na quarta-feira, no endereço do Parque Residências. . O motivo do encontro? Comemorar o aniversário da linda anfitriã. O evento foi em petit comitê e cheio de charme. Cristiano e Alê são grandes hosts.
A aniversariante da temporada Alessandra Brandão – très chic de Balmain – com o marido Cristiano, no petit comitê de quarta-feira
>>A querida Silvia Pacífico estreia idade nova neste domingo. Suely Yurtsever, Alexandre Prata, Adriane Antony Gonçalves e Jéssica Tayah
>> Destaque . A Secretaria Municipal de Educação tem bons motivos para comemorar. . Foi destaque no Prêmio Nacional de Educação Fiscal colocando dois trabalhos desenvolvidos em escolas de Manaus entre os dez finalistas e conquistando o terceiro lugar com o trabalho desenvolvido pelo Centro Municipal de Educação (CMEI) Adelaide Bessa Wanderley, com o projeto “A importância da educação fiscal na educação infantil”. . Além do CMEI, a Escola Municipal Thomás Meireles, com projeto “Acelerando na Conquista da Cidadania” estava entre as dez instituições que concorriam a premiação durante a solenidade realizada na noite do dia 19 de novembro, no Foyer da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em Brasília. A professora coordenadora do projeto, Sandra Corrêa Lima, recebeu o prêmio, além de troféu e certificado de participação.
>>O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, deputado Josué Neto está convidando para a sessão especial em homenagem aos 65 anos da Rádio Difusora do Amazonas, por meio de requerimento do deputado Belarmino Lins, no próximo dia 26, na sede do Poder Legislativo estadual.
Efrem e Gisele Maranhão com a aniversariante Alessandra Brandão
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
O bonitón Amim Aziz durante tarde de almoço que reuniu elenco VIP
>> Objeto de desejo . Do tipo irresistível a bolsa Marni com detalhes em couro dourado. . Discreta, chique e única ao mesmo tempo, ela tem vários compartimentos para ajudar a manter a rotina do dia a dia de qualquer mulher antenada.
O vice-governador José Melo, em seminário que discutiu o futuro das hidrovias na Amazônia, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas
>> Palestra . O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, conselheiro Érico Desterro, participou na quinta-feira, na sede do Tribunal de Contas da União, em Brasília, do encontro Diálogo Público sobre a “Governança de Unidades de Conservação no Bioma Amazônia”. . Érico palestrou sobre “Contribuições Socioambientais das Unidades de Conservação”, ao lado do ministro-substituto Weder de Oliveira, relator da Auditoria Coordenada de UCs no Bioma Amazônia. . Desterro falou sobre a importância do estreitamento de parcerias com o TCU e que as auditorias coordenadas representam mudanças do paradigma passado onde havia um distanciamento entre os Tribunais de Contas e o TCU. “A mudança deste cenário é salutar para a sociedade”, afirmou. Aplausos!
>>O Cabaret Night Club, em parceria com a União Turismo, acaba de lançar a nova edição da campanha “Natal Solidário”. Até o dia 20 de dezembro, os frequentadores podem trocar dois pacotes de leite por um ingresso(Passaporte Pista), que serão doados para uma entidade filantrópica da cidade. >>Na lista de aniversariantes de hoje, Hellen Belota Alencar e Irina Moss. >>Hoje no Lappa, esquenta da ‘Retrospectiva do Samba’, em evento que começa às 17h segue pela noite. >>No próximo dia 4 de dezembro, no Diamond, boa parte do society de Manaus estará presente na festa de fim de ano desta coluna, com bufê de delícias portuguesas e o sorteio de duas passagens para Lisboa. Ingressos pelos números 8118-9717 e 99851422. Agendem.
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O resgate da ‘guitarrada’ local
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Manoel Cordeiro quer fazer uma releitura da técnica que foi sucesso nas décadas de 80 e 90 com artistas amazonenses YNDIRA ASSAYAG Equipe EM TEMPO
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epois de 10 anos sem trabalhar com artistas do Amazonas, o maestro e produtor cultural paraense Manoel Cordeiro está de volta a Manaus para produzir o novo CD do multi instrumentista e arranjador Rosivaldo Cordeiro, intitulado “Guitarreiro”. O trabalho é, segundo o maestro, além de uma releitura no aspecto estético da “guitarrada”, um resgate histórico dessa técnica surgida nos anos 60, no Pará, e que, nos anos 80 e 90, teve muitos ecos em todo o Norte, inclusive no Amazonas, com artistas como Oseas da Guitarra, Teixeira de Manaus, Nonato do Cavaco e Magalhães da Guitarra,. “Um dos últimos trabalhos com amazonenses foi Tic-tictac, do Carrapicho“, relembra Manoel Cordeiro, acrescentando que foi logo após esse período que conheceu Rosivaldo. “Na época, eu produzia a banda Warilou, que fez muito sucesso em Manaus, e o Rosivaldo já tocava muito bem, de modo que é uma
grande satisfação voltar a produzir com ele”. Ainda segundo o maestro, a intenção é que o CD “Guitarreiro” – que será lançado no começo de 2014 - conte com a participação de muitos dos artistas amazonenses que fizeram parte da história da “guitarrada”. “Vamos fazer esse resgate agregando no-
TÉCNICA
Manoel Cordeiro quer fazer um resgate histórico da “guitarrada” surgida nos anos 60, no Pará, e que, nos anos 80 e 90, teve muitos ecos em todo o Norte, inclusive no Amazonas
vos elementos da cultura amazonense, utilizando, claro, tudo que há de mais inovador na tecnologia, porque dos anos 80 pra cá muita coisa mudou”, enfatiza Manoel Cordeiro. Ele revela que, além de produzir o CD de Rosivaldo Cordeiro, o intuito do projeto “Guitarreiro”, realizado em
parceria com o músico, é ir além, talvez até relançando alguns dos artistas do auge da guitarrada, e iniciar no Amazonas um movimento de valorização da arte e do artista da terra, o que, no Pará, já vem dando muito certo, inclusive com a descoberta de novos talentos como Gaby Amarantos, Lia Sophia e Felipe Cordeiro, filho do maestro. Esses artistas vêm se destacando no cenário nacional cantando a cultura nortista, mas numa linguagem globalizada e sintonizada com as mudanças na forma de se pensar e fazer música. “Com o advento da inclusão digital, se formou uma nova platéia, que geralmente ouve música em um arquivo de MP3. Isso demanda que se mexa na linguagem, na estrutura da música. Então, nesse CD, vamos manter os fundamentos do ritmo da guitarrada, mas contemplar tudo que possa nos ajudar estabelecer, com essas novas platéias, uma comunicação mais próxima. Isso vai dos timbres e psicodelias às batidas eletrônicas, que antes eram uma tendência e hoje são uma realidade”, argumenta.
À esquerda, Rosivaldo Cordeiro ao lado do Manoel Cordeiro, considerado mestre da “guitarrada”
Valorização da música regional Reafirmando tudo que disse o maestro Manoel, Rosivaldo Cordeiro enfatiza seu desejo de iniciar, a partir desse novo CD, um movimento cultural que valorize a música da região e do Amazonas, mas num contexto de inovação e reinvenção. “Para isso, conto com a experiência do Manoel, meu mestre, e com a disposição de outros artistas do estado que queiram se
aliar a nós”. Com relação ao repertório do CD, o artista adianta que já selecionou algumas musicas inéditas(próprias e de parceiros), e que está estudando outras para regravação, sendo que uma delas será Onde andará você, gravada originalmente por Alípio Martins e que foi sucesso absoluto nas festas e bailes mais populares da região e de
outras partes do País. Também, claro, serão incluídos no trabalho, elementos das toadas de boibumbá, devido à ligação do músico com o ritmo. “A força da música paraense no Brasil hoje é devido aos artistas da terra terem aprendido a trabalhar juntos, valorizando o que é de lá. Isso também precisa acontecer no Amazonas”, enfatiza Manoel Cordeiro.
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Uma lição de esperança PERFIL
Jacques Marcovitch*, professor da Universidade de São Paulo
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ransformar desventuras em patrimônio de uma vida significativa é a lição que Licco Hazan, personagem da trama “Onde estão as flores?” transmite aos acompanhantes de sua trajetoria. Nascido em Sofia, Hazan vive sua adolescência numtrágico período da historia mundial marcado por assassinatos em massa pelos regimes nazista e soviético. Imigrante judeu búlgaro, Licco conta como sobreviveuaos seus poderosos carrascos para se tornar décadas depois, o pioneiro capaz de erigir um legado que transcende sua existência. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove anos idade, ele é conduzido, ainda jovem, aos campos de trabalhos forçados, onde aprende a lidar com os infortúnios para sobreviver. De Sofia a Istambul, obtém um visto de entrada para o Brasil e segue pelo estreito de Gibraltar para o Porto de Santos. Ali não chegam, nem ele, nem sua amada Berta. Transportados por um navio à deriva, são forçados a desem-
barcar em Belém do Pará. Ele mecânico, ela contadora, estabelecem-separa conquistar novos horizontes, amparados por seus valores e pela disposição de trabalhar. Valores forjados no convívio com os descendentes da comunidade de judeus marroquinos que emigraram para Amazônia. Esperançosos, apesar da fragilidade de seus destinos, tornaram-se perseverantes e realizaram seus sonhos. Em poucos anos estudaram e conheceram as possibilidades do novo mundo que passaram a habitar. Fizeram-se importantes exportadoresdo óleo de pau-rosa, fixador utilizado na indústria de cosméticos, e do bálsamo de copaíba com suas propriedades anti-inflamatórias e das sementes de cumaru apreciadas pelo seu aroma. Enfrentam, na Amazônia, a barreira de outros hábitos e idioma, costumes e regras sociais. Com isso, desenvolvem o respeito pelo outro, alcançam resultados inconcebíveis nas suas caminhadas e desen-
TV
Emissoras apostam no stand-up A comédia brasileira se prepara para entrar em um novo ciclo. Depois da onda do stand-up, que usa de temas atuais, de um tom cínico e do politicamente incorreto, é a vez do humor de auditório, de tipos, corporal e ingênuo, ditar as regras. A tendência foi determinada pelo sucesso do “Vai que Cola”, teleteatro do Multishow, que mostra a interação de personagens caricatos numa pensão de subúrbio carioca, e pelo revival do “Sai de Baixo”, que dobrou a audiência da Globo no domingo. Seguindo uma linha seme-
lhante, em dezembro, dois novos programas serão exibidos pela TV aberta: “Divertics”, na Globo, e a “Nova Família Trapo”, na Record. Em 2014, o Multishow lança uma atração com os humoristas Fábio Porchat e Tatá Werneck e a segunda temporada do “Vai que Cola”. Em comum, todas essas atrações têm auditório e gargalhadas após as piadas. Referências O programa global unirá esquetes ao humor de trupe (como em “Os Trapalhões” e “TV Pirata”) de forma teatral.
volvem u m a capacidade incomum de resiliência. Sua experiência leva-os a formular a síntese da boa gestão com palavras singelas e exatas: “Uma boa administração tem muito a ver com bom senso, honestidade e simplicidade”. Para o Brasil, o remédio para os males nacionais estão em três prioridades: simplificação tributária, reforma política para melhorar a governança pública e desburocratização da legislação ambiental. Em vez de se conformar às aparentes impossibilidades, aprenderam a localizar a saída no labirinto da vida. Confirmaram, com seus movimentos, que apesar de todos os infortúniosé possível construir uma vida significativa e contribuir para um mundo melhor.
O romance “Onde estão as flores”, de Ilko Minev, é obra de consulta indispensável para estudiosos dos fluxos migratórios que chegaram ao Brasil e contribuíram para o desenvolvimento de uma nova pátria. Leitura recomendável para educadores e jovens empenhados na construção de seus projetos de vida.
SERVIÇO ONDE ESTÃO AS FLORES? Autor: Ilko Minev, 248 paginas Editora: Virgilae, 2014
O romance ‘Onde estão as flores’, de Ilko Minev, é obra de consulta indispensável para estudiosos dos fluxos migratórios que chegaram ao Brasil”
LAPPA WELLINGTONUCHOA/DIVULGAÇÃO
O novo do Multishow, ainda sem nome, vai ao ar em julho. Escrito pela roteirista e colunista do site da Folha Tati Bernardi, deve fazer piada com os programas que fazem tudo por audiência. Na opinião do diretor do canal, Guilherme Zattar, o humor de auditório pegou porque é coloquial. “As pessoas se identificam. Funciona como terapia”, afirma. Para ele, o resgate do auditório era óbvio. “Era um formato que estava abandonado havia sete anos, e resolvi usar meu elenco”, diz, em referência ao “Vai que Cola”.
Domingo ao ritmo de samba Hoje é dia do “Escritório do Samba”, realizado no Lappa Bar, rua Rio Mar, Vieiralves, o Escritório do Samba, desta vez, irá enaltecer as bandas que estarão no “Retrospectiva do Samba”, evento que será realizado no próximo dia 6 de dezembro no sambódromo e que terá como atrações as bandas Sorriso Maroto, Pixote, Nosso Sentimento e ImaginaSamba. O ingresso para custa R$ 25, com direito a chope liberado das 15h às 18h. Sob a chancela da Fábrica de Eventos, organizadora do show, o “Retrospectiva do Samba” será a última chance do ano para os amantes do samba reviverem grandes sucessos das atrações nacionalmente destacadas. No entanto, antes que o grande dia chegue, os adeptos do gênero
musical poderão participar dos Esquentas no Escritório do Samba, no Lappa Bar. Neste domingo, 24, as atrações são a cantora Tayna Pimentel e o grupo Nos-
FUTEBOL
Para quem chegar cedo, por volta das 15h, haverá até as 18h, durante a exibição dos jogos de futebol, chope é liberado. Depois a pedida e ficar e curtir os shows
so Caso, que começam a se apresentar a partir de 18h. “Fizemos essa parceria com a Fábrica de Eventos durante o Samba Manaus, agora estamos repetindo com a Retrospectiva do Samba e
pelo que pudemos observar vai ser sucesso de novo. O local é bacana, o chope é sempre gelado, o atendimento não deixa a desejar, a música é de qualidade, sem falar no pessoal animado e descontraído. Para não deixar que o público encontre monotonia revezamos nossas atrações, mas sempre ressaltando o repertório das bandas que estarão na Retrospectiva do Samba”, afirma o produtor Rodrigo Azevedo. Para quem chegar cedo, por volta das 15h, haverá até as 18h, durante a exibição dos jogos de futebol, chopp é liberado. “Daí para completar a festa e continuar com a animação a dica é ficar para ver os shows”. Durante o “Esquenta” serão sorteados brindes e ingressos para o “Retrospectiva do Samba”.
Plateia D5
MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Valendo taça No contrato celebrado entre as partes, Ronaldo Fenômeno está desobrigado de participar das transmissões dos amistosos da seleção brasileira. Só em competições oficiais. Puxando um pouco A Rede TV! deve provocar uma pequena alteração na sua grade, fazendo o programa da Igreja da Graça ser exibido das 21h20 às 22h20. Todos os que entram a seguir, a partir da faixa destinada à linha de shows, serão exibidos 10 minutos mais cedo. Assunto da semana O desempenho de Mateus Solano é reconhecido internamente, até mesmo pelos seus companheiros de “Amor à Vida”. No dia seguinte à exibição do capítulo, todos fizeram questão de cumprimentá-lo. Repercussão Manifestações também colocadas nas redes sociais. Emílio Orciollo Neto, outro bom ator do elenco de “Amor à Vida” postou o seguinte: “Sabe aqueles atores
GLOBO/RAPHAEL DIAS
Momento O diretor Jorge Fernando e sua mãe, Hilda Rebello, em intervalo de gravação do “Divertics”, como acontece em todos os seus trabalhos da Globo. Este novo humorístico estreia dia 8 de dezembro.
que te impressionam a cada cena, cada gesto, cada palavra. Pois bem, Mateus Solano é um deles. Mateus é dos GRANDES!!!! Ótimo colega, talentoso, bom caráter, disciplinado, criativo, ousado...... enfim, o cara é um P... ATOR!!!! Parabéns pelo sucesso vc merece!!!”. Painel A diretora Bia Rosenberg, ex-Cultura, vai participar de dois painéisno Doha Film Festival, no Qatar, dias 27 e 28, para discussões sobre mídia ecriança. No evento, Bia vai apresentar o projeto de nova série de TV “IgarapéMágico”, que se
passa na região amazônica, e tem estreia marcada parajaneiro na TV Brasil. Combinado assim Mais tardar até o fim deste mês, Tatá Werneck deve assinar novo contrato com a TV Globo. O atual vale apenas pela duração de “Amor à Vida”, mas o próximo permitirá que ela possa atuar em outros diferentes setores da programação. Ao trabalho Uma das propostas de trabalho da nova direção da Globo é otimizar o aproveitamento dos seus contratados.
• Gugu Liberato continua em entendimentos com a TV Sic, de Portugal. Há o interesse de ele fazer um programa por lá.Mas o problema esbarra na distância que nos separa. Gugu pretende retomar o seu trabalho na televisão também por aqui. E ainda tenta encontrar um meio de acomodar os pés nas duas canoas. • Marcelo Tas, hoje, em Interlagos, será comentarista da Fórmula 1 em Interlagos... • ... É a penúltima coisa que faltava ele fazer. A última ele não revela. • Tiago Leifert e Caio Ribeiro estão gravando mais um game do Fifa Copa do Mundo 2014. • O lançamento do livro “Achados e Perdidos”, escrito por Faa Morena, será hoje, a partir das 14 horas, na 8ª edição da Balada Literária, em São Paulo.
Globo define o ‘Show da Virada’ A Globo marcou para os dias 26 e 27 deste mês, no Credicard Hall, em São Paulo, as gravações do especial “Show da Virada”, que irá ao ar dia 31 de dezembro. Já estão confirmadas as participações de Anitta, Leonardo, Luan Santana, Paula Fernandes, Thiaguinho, Péricles, Sambô, Grupo Revelação, Zezé di Camargo & Luciano, Cláudia Leite, Zeca Pagodinho, Jota Quest e Latino, entre outros.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini A Globo encerrou em Viena as gravações de “Em Família”, novela de Manoel Carlos, substituta de “Amor à Vida” na faixa das 9, que estreia em fevereiro Foi a segunda e última etapa de externas da fase inicial da novela. A primeira bateria aconteceu em Goiás. Passo seguinte, só estúdios. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau
Márcio Braz* E-mail: novoasilva@yahoo.com.br
A dramaturgia de Benjamin Lima 2 Na descrição do enredo, portanto, fica evidente o duplo suicídio: o de Mário Edmundo e o do próprio irmão, Carlos Edmundo, que, ao por um término em sua própria carreira e renome como escritor, comete uma espécie de suicídio ao vingarse da mulher que o traiu. Outro aspecto interessante diz respeito ao nome da mulher de Carlos, Maria. Trata-se de uma dicotomia interessante a nos lembrar duas mulheres: a mãe de Jesus Cristo e a prostituta apedrejada, Maria Madalena. No caso específico desta peça, Benjamin Lima pode ter pensado nisto quando da escolha do nome de sua personagem e, por meio deste, ter nos deixado claro este envolvimento por meio das várias referências que faz à igreja católica e seus dogmas. Portanto, Maria é lembrada ora como a mulher “boa”, companheira do marido, defendendo-o, adorando-o; ora a “outra”, a concubina, a traidora, a “cocotte”. E o fato de Carlos pretender ridicularizá-la ante a sociedade não deixa de ser insinuada uma forma de “apedrejamento social”. Em “O homem que marcha”, o casal Ramiro e Henriqueta, destituídos de capital financeiro, ficam à espera do “hábito” como forma de acostumar-se aos novos padrões impostos pela atual situação. Surge então a figura de Conrado, amigo de Ramiro e que acabara de receber uma herança de família. Em certo dia, ao chegar em casa, surpreende Henriqueta e Conrado relacionando-se intimamente e, ao invés de matá-los, como se sugere ao puxar a arma da gaveta, Ramiro trama uma vingança mais contundente: utiliza-se da extorsão ao amigo e amante de sua mulher por meio de vultosos empréstimos, culminando numa melhora
significativa em sua qualidade de vida e, simultaneamente, fazendo Conrado crer que Maria era cúmplice da extorsão. O que nos chama atenção é a clareza com que se desenha o motivo da traição, e a própria relação de gênero nesta sociedade, por sua vez, consuma-se como fator fulcral para este entendimento. Em “O homem que marcha” é o dinheiro quem provoca o aviltamento de Henriqueta tendo em vista os papéis bem definidos do homem e da mulher, do marido e da esposa na classe média daquele período. No casamento, cabe à mulher todas as atividades internas da casa e ao homem as atividades externas, só para citar Simmel em “Filosofia do Amor”. Embora na sociedade apresentada por Benjamin Lima – que é a sua própria sociedade, a “classe média” – não sejam explícitas as relações de compra da esposa, para retirá-la dos cuidados de sua família é preciso que se dê alguma segurança a ela, mesmo que do ponto de vista financeiro. Na ausência destes trunfos, ocorre o exemplo de Henriqueta, cujo aviltamento se deu pela impossibilidade de não mais usufruir do cabedal financeiro proveniente do marido. Neste caso, não é exatamente no dinheiro de Conrado que Henriqueta, aparentemente, esteja interessada: no dia de seu aniversário acaba por receber um “mimo”, um presente, que se constitui em outro valor de troca, mas de igual função social. Pelo fato de todas as mulheres com quem Conrado se relacionara, diz Henriqueta, terem o explorado justamente por este motivo, ela não quis que seu rebaixamento fosse ainda maior ao receber tais presentes e causar má impressão ao amante.
Márcio Braz *ator, diretor, cientista social, membro do Núcleo de Antropologia Visual da Ufam (Navi) e do Conselho Municipal de Política Cultural
O que nos chama atenção é a clareza com que se desenha o motivo da traição, e a própria relação de gênero nesta sociedade, por sua vez, consuma-se como fator fulcral para este entendimento”
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MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Programação de TV
DIVULGAÇÃO
SBT 3h15h Jornal da Semana SBT 4h Igreja Universal 5h Pesca Alternativa 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Aventura Selvagem 7h30 Vrum 8h Sorteio Amazonas Da Sorte 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h True Blood 0h Divisão Criminal 1h Cidade Do Crime 2h20 Big Bang 3h Igreja Universal
RECORD
Devido a transmissão da Fórmula 1, o programa “Esquenta” será mais cedo, às 10h30
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ
3h45 Bíblia Em Foco 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h Desenhos Bíblicos 8h Amazonas Da Sorte 9h Record Kids
Cinema ESTREIA
10h Domingo Da Gente 13h15 O Melhor Do Brasil 17h30 Domingo Espetacular 21h Tela Máxima - “American Pie 2 - A Segunda Vez É Ainda Melhor” 23h10 Programação Iurd
GLOBO 3h55 Santa Missa em Seu Lar 4h55 Amazônia Rural 5h25 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h Globo Rural 6h55 Auto Esporte 7h30 Esporte Espetacular 10h30 Esquenta 12h Fórmula 1: Grande Prêmio do Brasil. 14h Domingão do Faustão 15h Futebol 2013: Campeonato Brasileiro 17h Domingão do Faustão 18h55 Fantástico 21h07 Sai de Baixo 22h Domingo Maior 23h50 Sessão de Gala 1h35 Corujão 3h15 Festival de Desenhos
BAND 04:00 Popeye 05:30 Santa Missa No Seu Lar 06:30 Sabadão Do Baiano 07:00 Conexão Cargas 08:30 Oscar - Desenho 08:30 Mackenzie Em Movimento 08:45 Infomercial Polishop 09:45 Verdade E Vida 10:00 Irmão Caminhoneiro - Boletim 10:05 Pé Na Estrada 10:30 Minuto Do Futebol - Boletim 10:35 Porsche Cup 11:30 De Olho No Futebol Boletim 11:35 Band Esporte Clube 14:00 Gol, O Grande Momento 14:30 Futebol 2013 Campeonato Brasileiro 16:50 Terceiro Tempo 19:00 Oscar - Desenho 19:10 As Caçadoras De Relíquias 20:00 Só Risos 21:00 Pânico Na Band 00:00 Canal Livre 01:00 Minuto Do Futebol Boletim 01:05 Alex Deneriaz 01:40 Show Business-reapresentação 02:30 Igreja Universal
Cruzadinhas REPRODUÇÃO
ÁRIES - 21/3 a 19/4 É seu casamento e as demais associações que estão, a partir de agora, passando por profunda reflexão. Os passos seguintes entre vocês exigirão rigor e responsabilidade. TOURO - 20/4 a 20/5 O modo como aplica seu esforço no trabalho, como leva seu cotidiano e como cuida da saúde e do conforto pessoal começam a ser reorganizados. É tempo de purificação física. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 O amor, as relações amorosas e afetivas, como com os filhos, as atividades de cunho criativo, estão de agora em diante necessitadas de maior rigor e disciplina. CÂNCER - 22/6 a 22/7 É nas relações familiares que começa para você o período de reorganização. Consolide as relações e bens que estão sob sua guarda, antes de seguir adiante. LEÃO - 23/7 a 22/8 É tempo de assimilar melhor suas ideias. Os aprendizados, estudos e atividades que envolvam o desenvolvimento intelectual precisam agora ser melhor organizados. VIRGEM - 23/8 a 22/9 A situação financeira que você está começando a estruturar precisa, a partir de agora, ser trabalhada com o sentido de consolidação do que tenha já conquistado. LIBRA - 23/9 a 22/10 É com relação à sua própria renovação e afirmação de nova identidade que você começa a ter que ser mais rigoroso. Pague o preço necessário para ser do jeito que quer ser. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A consolidação e o grau efetivo de realidade começam a ser testados para ver até que ponto realmente superou obstáculos, impedimentos e tendências do passado. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Seu projeto de vida, um novo projeto que aos poucos está sendo construído por você, precisa agora ser consolidado. É preciso aumentar o grau de responsabilidade. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A nova direção profissional que está se desenhando precisa agora ser bem consolidada, antes de prosseguir em seu crescimento. É preciso refletir antes de seguir adiante. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 A filosofia e o padrão de valores que norteiam sua vida estão se aprofundando e ganhando em consistência. Mas é preciso agora refletir melhor sobre eles. PEIXES - 19/2 a 20/3 Momento de começar a refletir e rever o resultado das associações e das uniões que tem estabelecidas em sua vida. Os compromissos materiais devem ter uma base mais sólida.
Sobrenatural – Capítulo 2: EUA. 14 anos. A aterrorizante sequência conta a história da família Lambert que busca desvendar o misterioso segredo de infância que os deixou perigosamente ligados ao mundo dos espíritos. Cinemark 1 – 13h40, 16h10, 18h40, 21h10 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 9 – 16h40 (dub/diariamente), 19h25, 22h (leg/diariamente); Playarte 7 – 12h50, 15h, 17h10, 19h20, 21h30 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h15, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 19h40, 21h50 (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES
Doctor Who – The Day Of The Doctor – 3D: ING. 10 anos. Cinemark 4 – 15h50 (dub/somente sábado). Blue Jasmine: EUA. 12 anos. Cinépolis 2 – 18h15, 21h35 (leg/diariamente), Cinépolis 4 – 18h40 (dub/diariamente). Jogos Vorazes – Em Chamas: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 22h10 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h50, 21h (dub/diariamente), Cinemark 6 – 14h, 17h10, 20h30 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 7 – 12h, 15h10, 18h20, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 14h10, 17h30, 20h55 (dub/diariamente), Cinépolis 5 – 12h (dub/exceto domingo), 18h20 (dub/diariamente), 15h10, 21h30 (leg/ diariamente), Cinépolis 6 – 14h15, 17h25, 20h40 (dub/diariamente). Cinépolis 7 – 12h45, 15h45, 18h55, 22h10 (dub/diariamente), Cinépolis 8 – 13h15, 16h15, 19h15, 22h30 (leg/diariamente); Playarte 1 – 15h15, 18h10 (dub/diariamente), 21h05 (leg/ diariamente), 23h59 (leg/somente sexta e sábado), Playarte 3 – 13h20, 16h30, 19h40 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 19h41 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 11h50, 14h45, 17h40, 20h35 (dub/diariamente), 23h30 (dub/ somente sexta-feira e sábado), Playar-
te 10 – 14h, 17h, 20 (leg/diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h10, 17h30, 20h30 (leg/diariamente), 15h30, 19h, 21h50 (leg/diariamente), 14h50, 18h20, 21h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 15h30, 18h40, 21h30 (dub/diariamente), 14h30, 18h, 20h50 (dub/diariamente), 13h50, 17h, 20h (dub/diariamente). Capitão Phillips: EUA. 14 anos. Cinépolis 1 – 13h35, 16h50, 20h (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 14h, 16h30, 19h10, 22h (leg/diariamente). Bons de Bico: EUA. Livre. Cinemark 2 – 12h40, 15h, 17h30, 19h50 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 12h30 (dub/diariamente); Cinépolis 9 – 14h30 (dub/diariamente); Playarte 4 – 13h40, 15h40, 17h40 (dub/diariamente), Playarte 8 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40, 20h40 (dub/diariamente), 22h35 (dub/somente sexta-feira e sábado). Thor 2 – O Mundo Sombrio: EUA. 10 anos. Cinemark 4 – 13h10 (3D/ dub/diariamente), 15h50 (3D/dub/exceto sábado), 18h10, 20h50 (3D/dub/ diariamente), 23h30 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 8 – 11h10 (dub/somente sábado e domingo), 13h50, 16h30, 19h10, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 15h15 (leg/diariamente), Cinépolis 4 – 13h30, 16h (3D/dub/diariamente); Playarte 1
– 13h (D/dub/diariamente), Playarte 2 – 13h50, 16h20,18h50, 21h20 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 6 – 13h, 15h30, 18h, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (3D/dub/diariamente), 14h, 16h20, 18h40 (dub/diariamente), 21h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 16h40, 19h, 21h20 (3D/dub/diariamente), 15h10, 17h20, 19h45, 22h (dub/diariamente), 14h40, 18h30, 20h40 (dub/diariamente). Meu Passado Me Condena: BRA. 12 anos. Cinemark 3 – 11h50 (somente sábado e domingo), 14h20, 16h50, 19h30, 22h (diariamente); Cinépolis 10 – 14h, 16h30, 19h, 21h45 (diariamente); Playarte 9 – 12h50, 14h55, 17h, 19h05, 21h10 (diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30, 21h35 (diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 16h50, 19h10, 21h15 (diariamente).
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::::: Sala de Espera
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
::::: Tour
Nívia Barroso e François Harb Filho, no fantástico e cinematográfico safári do filho Bernardo, no Morada Buffet
O projeto “Eu visitei a Arena da Amazônia” terá a 11ª e última edição do ano no próximo domingo, das 8h às 11h. O evento é uma realização da administração Aziz, por meio da Sejel, tem como objetivo de prestar contas à população sobre o andamento das obras no estádio que receberá quatro jogos durante a primeira fase da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014. Os interessados em participar devem se inscrever pelo www.amazonasesporte. am.gov.br. As inscrições são gratuitas. FOTOS: JANDER VIEIRA
::::: Se a moda pega? Depois que ribeirinhos derrubaram uma torre e cortaram cabos de telefonia celular que deixou boa parte do baixo Amazonas sem comunicação, o temor é que a moda pegue em Manaus e o povo passe a querer derrubar tudo o que não funciona em matéria de serviços. Já pensaram? Pouca coisa iria ficar em pé. Oremos!
Janete Fernandes no evento de abertura do Festival Bar em Bar 2013, no Café Teatro. Na foto ela expõe o prato do Palazzolo que concorre no festival “Dadinho de Tapioca”
::::: Insistência
Dona Graça e o desembargador Alcemir Figliuolo, o retrato da felicidade, durante a concorrida e prestigiada sessão autógrafo do livro “Uma breve história de amor e de lutas”, que congestionou o TJAM
Com a chegada do inverno o calor deu trégua, mas o senso crítico deste colunista não. Continuo criticando a insistência de muitos arquitetos em projetar e construir prédios adornados de palmeirinhas. Gente, estamos em uma região que precisa de sombras e palmeiras não dão sombras! Se é que vocês me entendem...
::::: Bazar Chic de Natal Com delícias da Déa Cupcakes, a loja Flavvi convida para conferir o Chic Bazar de Natal, que acontecerá nos próximos dias 6 e 7, no Blue Tree Hotel, com entrada gratuita. A última edição do evento vem recheada de novidades para o público que não dispensa conto, um bom desconto, entre elas, a presença da badaladíssima blogueira Flavia Pipolo. O presidente do TCE, Érico Desterro, e sua Milena em comemoração pela 1ª Comunhão da herdeira Clarissa
Rafael Assayag, Alzira Verdade e Hellen Alencar estão aniversariando hoje. Os cumprimentos. O internacional James Basílio aterrissa na cidade, na próxima terça-feira, para cumprir uma agenda social concorrida seguida de business. O seu retorno para Miami? Dia 5 de dezembro. Sem muitas comemorações, a linda e jovem advogada Caroline Sebben estreou nova idade, anteontem. O Grupo Dulcila já escolheu o tema para a Expo Eventos Manaus 2014. Será sobre a Copa do Mundo e oferecerá muito mais novidades do setor de eventos. Ao todo, a feira terá 60 estandes disponíveis para expositores. Reservas pelos 3658-6334 e 3658-6312. O vice-governador José Melo abriu oficialmente a 13ª edição do Seminário Amazônico de Geriatria e Gerontologia, realizado pela UnAT/UEA. O evento ocorreu no auditório da Aleam e reuniu especialistas do Brasil, Portugal e Espanha em pesquisas sobre a terceira idade para discutir os segredos do envelhecimento saudável na região amazônica. No final deste mês acontece em Fortaleza no Ceará, o Festival Internacional de Dança daquele Estado. O grupo coreográfico do prestigiado pesquisador nordestino Marcos Campos irá se apresentar ao som de toadas dos bois de Parintins. Bacana. Os queridos Mônica Galate e Paulo Ferreira vão oficializar sua união no próximo dia 20, no salão de festas do Alphaville 2, às 20h30, seguido de recepção no lindo lugar. Visto que o convite dourado é uma chiqueria só, o casório será deslumbrante.
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opiniao@emtempo.com.br
1
O Robespierre de Guilherme Peters
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A outra face de Jesus
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(92) 3090-1010
E mais oito indicações culturais. Pág. 2
As sutis subversões do Nazareno. Pág. 3
Tenho minha casa pra olhar
Haddad e Alckmin cantam Adoniran em Paris. Págs. 4 e 5
Diário de Nova York
Em toda carrocinha de hot-dog se ‘habla español’. Pág. 6
Do arquivo de Maria Rita Kehl Aldeia guarani-kaiowá, MS, 2013. Pág. 7
Capa
ilustração de Rafael Coutinho
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
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BRASILEIRO
FOTOS: DIVULGAÇÃO
LIVRO | MANOEL DE BARROS “A gente foi criado no ermo igual ser pedra./ Nossa voz tinha nível de fonte.” Esses são os dois primeiros versos de “A Turma”, único texto inédito da “Poesia Completa” de Manoel de Barros (leia o poema na folha.com/ilustrissima). Do primeiro – “Poemas Concebidos Sem Pecado” (1937) – ao mais recente livro que publicou – “Escritos em Verbal de Ave” (2011) –, o poeta erigiu uma obra que busca no prosaico e nas insignificâncias da vida interiorana formas de desvendar o mundo. Leya | R$ 54,90 (480 págs.) LSEMINÁRIO | CIGANOS: HISTÓRIA, IDENTIDADE E MEMÓRIA O evento debate alguns dos principais temas da realidade dos povos ciganos e propõe linhas de pesquisa e de ações públicas para fortalecer sua identidade étnico-cultural. Além de palestras com pesquisadores brasileiros e estrangeiros especialistas no tema, haverá exposição com fotografias que Rogério Ferrari fez de ciganos de 45 cidades da Bahia. Auditório da Faculdade de História da USP | de terça (26) a quinta (28) | programação e inscrição pelo site www.usp.br/leer
PERIÓDICO | KLAXON EM REVISTA Todos os nove números da revista “Klaxon”, publicação porta-voz do movimento modernista que circulou entre 1922 e 1923, são relançados em versão fac-similar. A caixa com o material reúne ainda um número extra da revista, concebido agora pelos artistas Marilá Dardot e Fabio Morais, e um encarte com textos sobre o legado da publicação criada por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida, entre outros artistas e intelectuais. Cosac Naify e Instituto de Cultura Contemporânea | R$ 90 | lançamento na quarta (27), às 19h30, na Casa Guilherme de Almeida
A instalação ‘Retrato de Robespierre’, de Guilherme Peters
LIVRO | ROBERTO ARLT Primeiro romance do autor argentino (1900-42), “O Brinquedo Raivoso” publicado em 1926, finalmente ganha tradução no Brasil. Na trama, o narrador de imaginação delirante rememora sua adolescência, dividida entre duas fortes tentações (a do crime e a da literatura), e apresenta uma Buenos Aires feérica. trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro Iluminuras | R$ 38 (160 págs.)
Capa do primeiro número da revista ‘Klaxon’
DVD | AS PRAIAS DE AGNÈS Neste documentário autobiográfico de 2008, a cineasta belga radicada na França Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7”), na época às vésperas de completar 80 anos, revê momentos marcantes de sua trajetória (a adolescência, o casamento com Jacques Demy, os filhos, os amigos, a contracultura). O DVD é acompanhado por um encarte com o ensaio “Autoficções e Cinema: Varda e a Tecnologia Transformadora do Eu”, da pesquisadora Claire Boyle. Instituto Moreira Salles | R$ 39,90
LIVRO | UMBERTO ECO NO escritor e semiólogo italiano comenta no livro “História das Terras e Lugares Lendários” locais, reais ou não, que alimentaram a imaginação dos homens e diversas obras de arte ao longo dos séculos. Eco esbanja sua deliciosa erudição ao discorrer, nesta enciclopédia vastamente ilustrada, sobre lugares como a ilha de Salomão, o continente perdido de Atlântida, o castelo do rei Arthur e as terras visitadas por Ulisses na “Odisseia”. trad. Eliana Aguiar | Record | R$ 165 (480 págs.)
REVISTA | CESÁREA O jornalista Schneider Carpeggiani e a designer Jaine Cintra lançam na quarta (27) uma revista trimestral para iPad, com textos sobre literatura, perfis e ficções. Neste primeiro número, Silviano Santiago escreve sobre a saudade, e José Castello analisa vida e obra do escritor português José Cardoso Pires. US$ 1,99 (cerca de R$ 4,50; 127 págs.)
POP
ERUDITO
EXPOSIÇÃO | U=RI A mostra de Henrique César e Guilherme Peters, cujo título faz referência à fórmula da física para medição de voltagem, propõe uma tensão quase elétrica ao investigar as raízes do modernismo. César, em sua série de autorretratos, funde máquina e homem. Já Peters, na instalação “Retrato de Robespierre”, recria a imagem do revolucionário francês por meio de um processo de oxidação. Galeria Vermelho | abertura na terça (dia 26), às 20h | de ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h | até 20/12 | grátis
LIVRO | JOHN CHEEVER “Bullet Park” é um dos cinco romances do escritor americano (1912-82), um dos mais notáveis contistas do século 20. Na cidade que dá nome ao livro, dois homens se encontram: Eliot Nailles, um bom sujeito e pai de família, e Paul Hammer, que vai morar no lugar para assassinar o filho de Nailles. Com esse entrecho algo insólito, Cheever descortina as rachaduras da aparente normalidade do subúrbio americano. trad. Pedro Sette-Câmara Companhia das Letras | R$ 41 (224 págs.) Pintura ‘Ninfas e Sátiros’ (1873), de WilliamAdolphe Bouguereau, reproduzida no livro de Umberto Eco
ESTRANGEIRO Folha.com EXPOSIÇÃO Confira trabalhos de Henrique César e Guilherme Peters na mostra ‘U=RI’
Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL
FERNANDO MELLO, 31, jornalista, é mestrando em ciências políticas na Universidade de Georgetown, em Washington. MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, 57, é jornalista da Folha em Nova York. MARIA RITA KEHL, 61, psicanalista, é integrante da Comissão Nacional da Verdade. MARCIUS GALAN, 41, é artista plástico. MIGUEL CONDE, 32, doutorando em Letras na PUC-Rio, é jornalista, crítico literário e editor da Rocco.
RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.).
RAFAEL COUTINHO, 33, é quadrinista e artista plástico. REINALDO JOSÉ LOPES, 34, é jornalista, assina o blog “Darwin e Deus” no site da Folha.
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha >>folha.com/ilustrissima
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MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
História
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Não vim trazer a paz, mas a espada Os ideais revolucionários de Jesus RESUMO Livro de autor norteamericano de origem iraniana defende que as pregações de Jesus convocando o “Reino de Deus” sejam lidas de forma mais literal e revolucionária que espiritual. Embora a tese não seja totalmente inovadora, “Zelota” popularizouse após seu autor, muçulmano, ser atacado em entrevista à TV nos EUA.
REINALDO JOSÉ LOPES
“Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada. Vim trazer divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe”, declara Jesus no capítulo dez do Evangelho de Mateus. Durante séculos, a maioria dos cristãos interpretou a frase belicosa do Nazareno de modo espiritual. Afinal, se levadas ao pé da letra, as exigências de Cristo para abandonar riquezas, casa, pais e filhos para segui-lo não estão entre os assuntos mais agradáveis para um almoço familiar de domingo. Para o escritor norte-americano de origem iraniana Reza Aslan, no entanto, está na hora de voltar a ler os versículos em seu contexto original – no qual a ideia era desembainhar uma espada literal, e não metafórica. Eis, em essência, a premissa de “Zelota: a Vida e a Época de Jesus de Nazaré” [trad. Marlene Suano, Zahar, R$ 36,90, 308 págs.], novo livro de Aslan, 41, que acaba de ser lançado no Brasil: Jesus não era um mestre pacifista, que só pensava em exaltar as virtudes dos lírios do campo e oferecer a outra face. O principal objetivo do profeta de Nazaré, fomentar a vinda do “Reino de Deus”, equivalia a um programa político (e revolucionário), que envolvia a expulsão dos romanos da Palestina e a recriação da antiga e gloriosa monarquia israelita, com o próprio Jesus no trono, sob as bênçãos de Deus. Daí o nome do livro: zelota (do grego “zelotes”) é como os autores bíblicos denominavam os judeus especialmente zelosos das prerrogativas religiosas do Deus de Israel – uma divindade que, ao menos no Antigo Testamento, era capaz de uma aterrorizante fúria militar contra os inimigos dos israelitas. Mais tarde, o termo seria usado para designar uma seita revolucionária judaica. “Vamos colocar a coisa da seguinte forma: há aqueles que acham que Jesus era total e absolutamente único, diferente de todos os judeus do seu tempo. E há os que acham que, embora ele fosse extraor-
dinário e inovador, ainda assim seu pensamento tinha muito em comum com o de outros judeus. Eu faço parte desse segundo grupo”, explicou Aslan, à Folha, em entrevista por telefone. “Os demais judeus do século 1º d.C. acreditavam que o Messias era um descendente do rei Davi cujo trabalho seria derrotar os inimigos de Israel e implantar o Reino de Deus na Terra. Acredito que essa era a visão que Jesus tinha sobre si mesmo”. Aslan é um acadêmico, com mestrado em teologia na Universidade Harvard e doutorado em história das religiões na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, mas seu livro conquistou o grande público. Razões alheias ao seu conteúdo contribuíram para que a obra tivesse virado best-seller nos nos EUA. No dia 26 de julho, dez dias após o lançamento norte-americano do livro, Aslan foi hostilizado por uma entrevistadora do canal conservador Fox News, que exigiu que ele explicasse por que um muçulmano iria querer escrever um livro sobre Jesus. “Ser atacado de falta de ‘jesusidade’ por uma âncora da Fox Nex é aparentemente um bom caminho para conduzir seu livro ao número 1 das listas”, comentou Adam Gopnik, na revista “New Yorker”. O que a âncora de TV provavelmente não sabia era que o histórico religioso de Aslan é mais complexo do que ela deu a entender. Nascido numa família iraniana secular, ele tornou-se evangélico na adolescência e, mais tarde, retornou à fé de seus ancestrais. “O ponto mais importante, que muito gente não conseguiu entender, é que o livro não é sobre o cristianismo – Jesus, afinal, não era cristão, mas judeu. Meu tema é o judaísmo de veia revolucionária que existia no século 1º d.C., do qual Jesus era um representante”, sustenta Aslan, que hoje é professor da Universidade da Califórnia em Riverside. O básico A abordagem do escritor é, em grande medida, uma espécie de “retorno ao básico” na pesquisa histórica sobre a figura de Jesus Cristo. De fato, um dos primeiros intelectuais a tentar uma interpretação secular para entender quem foi o Nazareno, o alemão Hermann Samuel Reimarus (1694-1768), já defendia que os objetivos de Jesus eram basicamente políticos. Especialistas contam ao menos três grandes fases de “busca pelo Jesus histórico”, a mais recente delas nos anos 1980. Um consenso entre os estudiosos parece quase tão distante quanto era no século 19. Aslan diz que não há muito mistério sobre o porquê desse aparente fracasso acadêmico. “Fora do Novo Testamento, simplesmente não há nenhum traço de evidências a respeito de Jesus que seja do século 1º d.C.”, afirma. “Creio que até existe algum consenso, mas ele é muito limitado. Podemos dizer que Jesus era um judeu, que iniciou um
movimento para os judeus da Palestina, e que Roma o executou como inimigo do Estado. E é só”, diz Aslan. “O que conseguimos fazer é pegar esse pouquinho e colocá-lo no contexto do mundo no qual Jesus viveu, sobre o qual sabemos muita coisa. Sempre há a possibilidade de que alguma nova descoberta arqueológica mude esse cenário. Mas por enquanto isso não aconteceu”. Diante de tal pobreza de dados, talvez não seja surpreendente que haja hoje no mercado uma variedade enorme de interpretações sobre Jesus. Excetuando a ideia de que o personagem nunca tenha existido, sendo apenas uma figura mitológica inventada pelo apóstolo Paulo ou outro membro da primeira geração de cristãos – o que raríssimos historiadores sérios consideram como uma possibilidade –, uma das visões mais influentes é a esposada pelo ex-padre irlandês John Dominic Crossan. Autor de “Quem Matou Jesus?” [trad. André Cardoso, Imago, R$ 60, 268 págs.], Crossan afirma que Jesus teria sido uma versão judaica dos filósofos cínicos gregos. Em outras palavras, um pensador itinerante que atacava as convenções sociais e convidava seus ouvintes a levar uma vida de solidariedade radical (“comensalidade” é um dos termos técnicos), defendendo que o “Reino de Deus” já estava presente entre os membros dessa confraria. Outro termo técnico para descrever a posição de Crossan e de outros especialistas é “escatologia realizada”, no sentido de que o Jesus histórico pintado por eles não esperava o Juízo Final e a ressurreição dos mortos (e talvez nem a sua própria): a “escatologia”, ou seja, a consumação do plano de Deus para o mundo, aconteceria naturalmente entre os que abraçassem a mensagem do Nazareno. Opõe-se a essa visão um grande campo de pesquisadores, bastante heterogêneo, para quem Jesus era acima de tudo um profeta apocalíptico, ou seja, alguém que previa – provavelmente “para ontem”, ainda durante seu tempo de vida – a intervenção decisiva de Deus na história, libertando o “povo escolhido” de Israel e instaurando uma nova era de justiça e de paz. Uma das abordagens mais influentes sob essa perspectiva está em um dos quatro volumes da série, ainda não concluída, “Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico” [trad. Laura Rumchinsky, Imago, 468 págs., esgotado], do padre norte-americano John P. Meier. Ao analisar algo que parece ser tão banalmente cristão quanto a oração do Pai Nosso, por exemplo, Meier argumenta que a expressão “Venha a nós o vosso reino” deve ser lida, nos lábios de Jesus, como nada menos que um pedido para que a intervenção apocalíptica de Deus no Cosmos acontecesse o mais breve possível – o “reino” nada mais seria que esse domínio restaurado do Senhor.
RAFAEL CAMPOS ROCHA/cartum Deus, Essa Gostosa
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MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013
Reportagem
3 Quando os políticos sambam miudinho O ‘Trem das Onze’ uniu Haddad e Alckmin num palco em Paris RESUMO Enquanto os protestos que varreriam o país tinham início em São Paulo, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, e o prefeito da cidade, Fernando Haddad, foram à França promover a capital paulista como sede da Expo 2020. Vídeo inédito, obtido pela Folha, mostra a dupla em ação, cantando Adoniran Barbosa em Paris.
FERNANDO MELLO ILUSTRAÇÃO RAFAEL COUTINHO
“Todo homem cria sem saber/Como respira”, diz o primeiro verso de um dos poemas que o francês Paul Valéry (1871-1945) escreveu especialmente para a fachada do Palácio de Chaillot, em Paris. Foi ali que, em 10 de junho de 2013, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), lançaram a candidatura paulistana para sediar a Expo 2020. A presença da dupla na França procurava transmitir a imagem de um esforço conjunto e apartidário pela disputa ao direito de sediar a principal feira de eventos do mundo, inferior em tamanho apenas à Olimpíada e à Copa do Mundo. O coquetel começou com garrafas de champanhe, enquanto garçons passeavam pelo salão com quitutes de salmão, carne e vegetais. Alckmin e Haddad estavam acompanhados de suas mulheres, Lu e Ana Estela. O evento transcorria de maneira protocolar, quando, às 19h, os dois políticos foram convidados a subir ao palco onde se apresentava a cantora Daniela Mercury. Microfones em punho, o tucano, à direita da artista baiana, e o petista, à esquerda dela, entoaram “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa (1910-82), uma espécie de hino dos paulistas. Pode-se dizer que o estilo de cada político em cena mimetizou o que se sabe, ou o que transparece, de suas personalidades, como mostra vídeo inédito da apresentação ao qual a Folha teve acesso.
Geraldo Alckmin vestia um terno escuro e gravata alaranjada. Ora cruzava os braços sobre o corpo, como se estivesse em posição de respeito ao hino nacional, ora arriscava passos de samba marcados por meneios de cabeça. Sorriso contido, manteve o padrão “competente” e “correto”, bem de acordo com a forma como foi apresentado no jingle de sua campanha vitoriosa em 2010. Fernando Haddad usava um terno cinza e algo amassado com gravata vermelha e roxa, balançando o corpo a todo momento. Empolgado, arriscou voo solo no verso “só amanhã de manhã”, provocando reação da cantora: “O prefeito está sozinho, tá vendo?”. Confiante, o político tentou comandar a banda, puxando o “eu não posso ficar” que reconhecidamente chama a recomeçar a música. O grito, no entanto, entrou na hora errada, merecendo pronta reprimenda da cantora, que seguiu trinando o refrão, acompanhada por piano, contrabaixo, bateria e percussão. Sorriso largo, Haddad resguardava a postura jovial de “homem novo”, mote da campanha que o elegeu em 2012. Enquanto a luz arroxeada dos refletores iluminava o trio canoro, convidados vestindo trajes “passeio completo” sambavam em frente ao palco, celulares em riste, registrando a performance. Mesmo diante do questionável brilhantismo musical de seus parceiros, Daniela Mercury intercalou os versos do compositor paulista com comentários como “a dupla é boa” e, ao final da apresentação, sentenciou: “O PSDB e o PT estão bem, né, gente?”. Falta de ritmo Por trás do “pascalingundum” daquela noite havia mais do que falta de ritmo e de entonação dos governantes. Nos dias anteriores à viagem, em 6 e 7 de junho, protestos em São Paulo, convocados pela organização Movimento Passe Livre, cobrando a redução de tarifas de transporte público, tinham evoluído para confrontos com a Polícia Militar e quebra-quebra. Numa foto na capa da Folha, no dia 8 de junho, integrantes da manifestação ocupavam as pistas da via que margeia o rio Pinheiros e voltavam-se para aqueles que tomavam o trem na estação ao lado. Entre os muitos motes levados às ruas em cartazes e faixas naqueles dias, um avisava: “Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar”.
A Folha apurou que a conveniência de ir a Paris naquele momento de tensão foi sopesada por Alckmin, Haddad e assessores. As equipes preferiram manter a agenda, em vista dos potenciais benefícios da Expo 2020 para São Paulo. Antes de embarcar para a Europa, afinados, os dois defenderam a ação da Polícia Militar. Procurada pela reportagem,a Prefeitura de São Paulo informou, por meio de sua assessoria, que a decisão da viagem foi tomada pela importância da Expo 2020 e porque, até então, os protestos tinham magnitude considerada normal e compatível com outros atos que ocorrem pela cidade. Segundo a assessoria, o convite para cantar foi feito espontaneamente por Daniela Mercury. O governo do Estado não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição. Em 11 de junho, no entanto, os protestos pela diminuição das tarifas explodiriam. A avenida Paulista, onde o ato daquele dia tinha tido início, parou: dois ônibus foram parcialmente incendiados, e cinco agências bancárias, quebradas. A manifestação durou até quase as onze da noite – a hora cantada por Adoniran Barbosa, que fizera não muito longe dali, no começo de 1964, numa boate da rua Augusta, a “première” da canção, com os Demônios da Garoa. Discursos Na véspera, no Palácio de Chaillot, sob o lema “poder da diversidade e harmonia do crescimento”, prefeito e governador de São Paulo faziam seus discursos em defesa da candidatura da capital paulista. Foram acompanhados, na fala a empresários e convidados franceses e brasileiros, pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que não participou do número musical. O evento teve por cenário a torre Eiffel, vista através das grandes vidraças do palácio, considerado um dos melhores pontos da cidade para a observação da atração. Construído para a Exposição Universal de 1937 no mesmo local onde se erguera, para a Expo de 1878, o antigo Palácio de Trocadéro, o Chaillot abrigou a Assembleia Geral das Nações Unidas que sagrou a Declaração Universal dos Direitos Humanos no dia 10 de dezembro de 1948. O documento foi recordado durante a onda de protestos que varreu o Brasil, marcada pela atuação violenta da polícia, muitas vezes arbitrária, contra manifestantes.
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MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013
Distanciamento Uma das explicações mais adotadas para a onda de protestos irradiada de São Paulo para todo o país a partir de junho é a de que ela seria fruto do distanciamento entre os políticos, principais alvos das ruas, e a população que representam. De acordo com o mais recente “Latinobarómetro” – pesquisa de opinião pública realizada anualmente desde 1995 em 18 países latino-americanos, pelo instituto chileno de mesmo nome –, divulgado no começo deste mês, a confiança dos brasileiros na democracia representativa e nos políticos é uma das menores do continente. Segundo os dados (referentes a 2011), 26% dos brasileiros se dizem “muito” ou “algo” satisfeitos com o funcionamento da democracia no país – índice próximo à menor média de satisfação com o regime jamais registrada no continente (25%, em 2001). Além disso, a democracia está longe de ser consenso no país. Enquanto a preferência por ela é expressiva em países como Venezuela (87%), Argentina (73%) e Bolívia (61%), no Brasil ela é considerada a melhor opção por 49% dos entrevistados para o estudo. Para a diretora do instituto Latinobarómetro, Marta Lagos, a população de diferentes países da América Latina está enviando um recado aos políticos: “Não importa como, mas alguém vai ter que me ouvir”. “Os brasileiros aprenderam que mobilidade social é possível. Agora muitos a almejam”, diz Lagos à Folha. Lentes Na opinião de Charles King, professor de relações internacionais da Universidade de Georgetown, é importante que os analistas políticos não se valham de lentes ultrapassadas para observar os protestos atuais. Falando no âmbito de um debate, em Washington, no qual as revoltas brasileiras foram comparadas por professores de diversas áreas às ocorridas na Turquia e no Egito, King afirmou que as categorias já conhecidas “não se encaixam perfeitamente ao que está acontecendo nas ruas”. Segundo o professor, conceitos
como transição entre regimes ou consolidação da democracia estão ligados mais à década de 1990 e não explicam os acontecimentos mundiais nos últimos anos. “Não temos um jeito muito bom para falar sobre como as democracias se comportam”, resume King. Para Diana Kapiszewski, especialista em política brasileira, os protestos no Brasil ganharam força por terem mobilizado grupos ansiosos por governos melhores e com menos corrupção. Na sua opinião, o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo e outras capitais foi apenas uma faísca, mas a causa principal dos protestos pode ser achada na “desigualdade financeira brasileira e no desgosto dos cidadãos com os políticos”. Entre os alvos populares, estavam o governador e o prefeito de São Paulo. No Palácio de Chaillot, Alckmin e Haddad se mantiveram conectados aos celulares, segundo assessores ouvidos pela Folha, e trocavam informações sobre o que acontecia em São Paulo. Para aliviar a tensão, entre um e outro canapé, chegaram a contar piadas, de acordo com relatos de convidados do evento. A resposta inicial aos protestos foi articulada entre petista e tucano. Ainda em Paris, o governador chamou os manifestantes de “baderneiros” e “vândalos”, acionou a Tropa de Choque da Polícia Militar e disse que iria cobrar o ressarcimento dos prejuízos aos cofres públicos. Fernando Haddad fez coro, dizendo que os manifestantes não usavam de forma adequada a liberdade de expressão e que seus métodos não eram “aprovados pela sociedade”. No dia 19 de junho, Alckmin e Haddad anunciaram em conjunto que as tarifas de transporte cairiam, voltando aos valores anteriores ao reajuste. Coquetel O coquetel no palácio foi um evento privado. Na ocasião, o governo paulista tornou pública uma foto de Geraldo Alckmin e sua mulher sorridentes em frente à Torre Eiffel. O vídeo do show daquela noite não foi divulgado. Não é difícil imaginar que o “Trem das Onze” dos governantes poderia ter jogado gasolina
nos protestos. Uma mostra em cartaz até janeiro no Newseum, em Washington, compila bons exemplos de como as imagens são poderosas na constituição de ideias políticas. “Creating Camelot” destrincha a longa história do fotógrafo Jacques Lowe ao lado da família Kennedy. Iniciada quando John Fitzgerald Kennedy era candidato à reeleição no Senado (1958), a parceria perdurou até os primeiros anos de presidência do democrata. A família harmônica e o líder vigoroso registrados naquelas fotografias ajudaram a criar o que se conheceu como mito de Camelot, que aproxima a figura de JFK e seus anos à frente dos EUA à corte do lendário rei Arthur, com um soberano sábio, sua bela rainha e seus valentes cavaleiros. Porém, como nos recorda o poema de Valéry inscrito nas paredes do Chaillot, muitas vezes a criação nos escapa ao controle racional, e seus produtos, palavras ou imagens, ganham força espontânea. Três dias após a gravação da cantoria de Alckmin e Haddad, a Folha publicou em sua primeira página a foto do policial militar Wanderlei Vignoli, ferido e apontando a arma para um manifestante. A imagem, feita pelo fotógrafo Drago, do coletivo SelvaSP, ganhou neste mês o Prêmio Esso de Jornalismo de 2013. O contraste entre a violência das imagens publicadas e a despretensiosa apresentação musical causa, agora, um imponderável estranhamento. Vistos lado a lado, o policial sangrando e o trio sobre o palco parecem tão distantes quanto os versos do simbolista Vale�ry, sempre em busca de um “eu puro” por meio do “culto ao intelecto”, imortalizado nas paredes do palácio, e os do popular Adoniran, com sua prosódia peculiar, entoados naquela noite no interior do edifício.
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MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Diário de Nova York O MAPA DA CULTURA
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De Big Apple a Gran Manzana Passado hispânico sai de baixo do tapete
MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
Quando publicou um editorial em apoio a Bill de Blasio, o então candidato demo-
crata à Prefeitura de Nova York, o jornal “The New York Times” argumentou que a cidade havia obtido “muitos sucessos” ao longo dos três mandatos consecutivos de Michael Bloomberg (200113), mas seu “renascimento” ainda realmente precisava
se completar. A metrópole que enfrentou a criminalidade, reorganizou as finanças, revitalizou bairros e redesenhou espaços públicos continua a conviver com padrões incômodos de desigualdade social. De Blasio, segundo o “Ti-
mes”, é o homem indicado para “dar voz aos nova-iorquinos esquecidos”, os 46% que vivem próximos à linha de pobreza, os milhares que dormem em abrigos públicos, as famílias de baixa renda que não conseguem pagar aluguel e são empurradas para longe na luta pela sobrevivência. Grande parte da retumbante vitória que De Blasio afinal conquistou (ele é um típico progressista que quer taxar ricos para financiar o ensino público infantil) se deve à comunidade de origem hispânica. Os considerados brancos, que eram 42% da população nova-iorquina em 1990, são hoje 33% – enquanto os hispânicos já chegam a 29%. Ouve-se gente falando espanhol em cada esquina, em cada balcão, em cada carrocinha de cachorro-quente. Pinta A presença hispânica também é marcante no mundo das artes e da cultura. No fim de semana passado aconteceu a Pinta, a feira de arte latino-americana, que reúne galerias de países do continente, além de americanas, espanholas e portuguesas. O evento, que andou caído nas últimas edições, reapareceu com vigor, num endereço bacana (na r. Mercer, 82), no bairro do Soho. Em atmosfera intimista, a feira designou alguns curadores que selecionaram artistas e galerias para participar das diversas seções – como arte moderna, arte contemporânea, vídeos e emergentes. As galerias brasileiras Casa Triângulo e Baró foram convidadas para o “Emerge”, setor coordenado pelo colombiano José Roca, cura-
dor- assistente de arte latino-americana da Tate, de Londres. A feira também teve uma programação de debates, dois deles dedicados a nomes brasileiros – os incontornáveis Hélio Oiticica e Oscar Niemeyer. Não pude comparecer à mesa que discutiu a obra do artista carioca, mas assisti ao painel sobre nosso arquiteto mais famoso, com a presença de Carlos Brillembourg, da Brillembourg Architects, e de Patricio del Real, curador-assistente do departamento de arquitetura e design do MoMA. Entre mortos e feridos, salvaramse todos. Casa espanhola Enquanto isso, o Museu do Brooklyn apresenta até janeiro uma exposição intitulada “Atrás das Portas: Arte na Casa Hispano-Americana (1492”’1898)”, a pri-
LÍNGUA
Os considerados brancos, que eram 42% da população de NY em 1990, são hoje 33% – enquanto os hispânicos já chegam a 29%. Ouve-se gente falando espanhol em cada esquina da Big Apple. meira grande mostra realizada nos Estados Unidos sobre a vida privada e os interiores das residências da elite espanhola que viveu na América, da descoberta até o fim do século 19. São cerca de 160 pinturas, esculturas, gravuras, tecidos e objetos de arte decorativa, que remetem o visitante a temas como a representação pictórica dos indígenas,
os sinais distintivos da nobreza, o esquadrinhamento da casa e os rituais da vida doméstica. A convite de Gabriel PérezBarreiro, diretor da prestigiada Coleção Patricia Phelps de Cisneros (que cedeu peças para a exposição), tive a oportunidade de participar de uma visita guiada, com o curador Richard Aste. Uma aula. O império espanhol chegou a ocupar mais da metade do território hoje pertencente aos Estados Unidos – uma longa e tumultuada história, muitas vezes empurrada para debaixo do tapete, que continua a bater à porta do “sonho americano”. Serra na Gagosian Poucas coisas exibidas no circuito de arte em Nova York causam tanta impressão quanto a nova escultura que Richard Serra instalou na galeria Gagosian, na r. 21, no bairro de Chelsea (www. gagosian.com). São duas peças de aço justapostas, que formam uma estrutura sinuosa de grande escala, com espaços e caminhos internos pelos quais – como em outras obras do artista – as pessoas podem transitar. As dimensões impressionam: as duas “metades” têm 4 metros de altura, e o conjunto alcança 25 metros de extensão por 12,2 metros de largura. Nascido em San Francisco em 1938, Serra é um dos maiores escultores de nosso tempo, justamente celebrado em todos os quadrantes do planeta. E, sim, também ele é parte da herança hispânica na América: seu pai, Tony, era um imigrante de Mallorca que foi morar na Califórnia. Hasta la vista, baby.
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MANAUS, DOMINGO, 24 DE NOVEMBRO DE 2013
Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
5 O fio que dá sentido à vida Aldeia guarani-kaiowá, Mato Grosso do Sul, 2013
VINCENT CARELLI/DIVULGAÇÃO
Os indígenas guarani-kaiowá vigiam pequena aldeia próxima a Dourados, no Mato Grosso do Sul
MARIA RITA KEHL
Damiana agradeceu o modesto socorro que lhe oferecemos e se afastou com a família. É uma mulher miúda, como seus parentes guaranis-kaiowás. No momento, lidera o que restou de sua aldeia: a filha dela, dois adolescentes de idade indefinida e três crianças, além do cachorrinho que só percebi porque ganiu quando alguém pisou nele, no escuro. O menino de oito anos segurava uma lança um pouco mais alta que ele; o adolescente maior, uma borduna. Será este talvez todo o arsenal de guerra que ainda possuem. Devem saber que as armas não teriam serventia para enfrentar um pistoleiro. Muito menos um bando. Vulneráveis desse jeito – e ainda resistentes. Até o fim. Que convicção sustenta a valentia deles? Ficamos ainda do lado de fora vendo o grupo sumir na escuridão. Percebi que tinham arrastado uma árvore seca, que até eu sou capaz de remover, para simular um bloqueio à porteira de entrada. Nosso reforço consistiu em levar lanternas e alguns celulares carregados para que pudessem chamar por socorro – vindo da parte de quem? De nós quatro? Da polícia? – caso os capangas do fazendeiro decidissem cumprir as ameaças que fizeram por três vezes, durante o domingo [10/11]. Do outro lado da estrada, os faróis dos caminhões iluminavam de passagem os fantasmas dos casebres em que eles viviam antes de entrar na fazenda. Se não era para entrarem de volta na terra que o fazendeiro
tomara, por que tocaram fogo nas casas dos índios no acostamento? Essa pergunta é a mais fácil de responder: maldade. Para mostrar quem manda. Além de manchar a perfeição monótona da soja, a simples presença de um acampamento indígena na beira da estrada arranha o sentimento de soberania do fazendeiro. Não se trata de estética: o esqueleto dos casebres calcinados é muito mais feio do que a presença de gente inofensiva, mas persistente. Vai ver, o que incomoda é justo essa persistência a desafiar a lei do mais forte. A única lei que todos reconhecem na região. Menos os índios.
PRINCÍPIOS
Os guarani permanecem na terra porque eles não admitem abandonar seus mortos; que por sua vez foram assassinados porque se recusavam a abandonar a terra de seus mortos mais antigos. A razão dos guarani para permanecer na terra é um pouco mais sofisticada. Eles não admitem abandonar seus mortos. Que por sua vez foram assassinados porque se recusavam a abandonar a terra de seus mortos mais antigos – e assim por diante. O fio que dá sentido à vida deles não se rompe com a morte dos antepassados. Ao contrário: os vivos continuam a se relacionar com os que se foram. Continuam ligados não apenas à memória dos mortos, como nós, mas ao terreno onde morreram e foram enterrados, pois ali eles ainda estão. Não se abandona a terra que abriga os corpos dos ante-
passados, dos companheiros e filhos, dos que morreram de velhice, de doença ou de tiro, ao proteger o mesmo cemitério indígena onde repousam antepassados ainda mais remotos. Por isso mesmo a maior maldade que os pistoleiros poderiam ter feito foi sumir com o corpo do cacique Nísio Gomes, no acampamento Guaviry (MS) em 2011, depois de atirarem nele de frente, à queima-roupa. Eles chegaram e chamaram o cacique, que se apresentou de pronto, sabendo que, se fugisse, a família inteira seria atacada. O corpo foi jogado na caçamba da caminhonete e nunca se soube para onde foi levado. Mais um motivo para o povo do Guaviry não se mover do lugar onde o sangue ficou misturado com a terra. Não entendi ainda a coragem resignada dos guaranis-kayowás de Mato Grosso do Sul. Será que eles não sabem que suas chances são mínimas? O que eles reivindicam não é a propriedade, é o pertencimento. Não é a terra “deles”, embora saibam que a lei do branco exige papel passado. Não é a propriedade, é a terra à qual eles pertencem. Essa língua é mais estrangeira ao capitalista do que a própria língua indígena. A terra não é posse, não se troca por dinheiro, não serve para especular. Serve para você saber quem você é. Vincent Carelli, o criador do projeto Vídeo nas Aldeias, chama de martírio a disposição de resistência pacífica dos guaranis-kayowás. Pelo jeito, pretendem levar a briga até o fim. A família de Damiana se afasta em direção aos barracos. Um de nós diz “boa-noite”, sem pensar. Isso é coisa que se diga a quem não sabe se vai ter dia seguinte?
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