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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 8.131 – DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
Na Vila do Ubim, o pastor Edislon reúne invasores na floresta para reordenar a ocupação da área
RICARDO OLIVEIRA
RICARDO OLIVEIRA
BARRIL DE PÓLVORA
O cacique Sabá Kokama diz que está pronto para o confronto e não teme a violência
UMA TERCEIRA INVASÃO EXPLODIU SEXTA-FEIRA NO KM 58 DA AM-070, NA VILA DO UBIM, NAS TERRAS DO EMPRESÁRIO RITTA BERNARDINO. AGORA, COM A DO KM 6 – QUE ESTÁ EM DOMÍNIO DOS ÍNDIOS –; A DE NOVO ARIAÚ, NO KM 36; E A DO LAGO DO BUJARU, JÁ SÃO QUATRO INVASÕES QUE ESTÃO TRANSFORMANDO A REGIÃO NUMA ÁREA PERIGOSA, COM CONFLITO ARMADO PRESTES A EXPLODIR. NA SEXTA-FEIRA, OS INVASORES DA VILA DO UBIM, LIDERADOS PELO PASTOR EDISLON, DA ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL, AMEAÇARAM O EMPRESÁRIO RITTA JR. DE MORTE. “TE PREPARA PRA MORRER!”, GRITAVAM. DIA A DIA C4 E C5
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
D O M I N G O
O benefício está na casca
DIVULGAÇÃO
Muitos alimentos, como batata, laranja, cenoura, manga e mamão, guardam seus mais importantes nutrientes exatamente na casca. Saúde F2
Em 2009, Ana Paula Maciel esteve em Manaus, onde participou de ações do Greenpeace no Encontro das Águas
AP
PRESA NA RÚSSIA
Um grupo de militantes do Greenpeace, incluindo a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, foi detido nesta sexta-feira pelas autoridades russas, que pretendem processar a equipe da ONG ambientalista por “pirataria”. Última Hora A2
Metal etal é com Iron Maiden A banda britânica de heavy metal Iron Maiden (foto) fecha a quinta edição do Rock in Rio na noite deste domingo, que conta também com Kiara Rocks, Slayer e Avenged Sevenfold. Plateia D3 e D4
ALERTA
O e-mail deve estar com “ciúme”, pois o “moribundo” telegrama ainda não morreu e no Brasil chegou a bater recorde de envios no ano passado. Ilustríssima G3
MISSÃO DIFÍCIL Corinthians enfrenta o Cruzeiro e tenta quebrar o jejum de cinco jogos sem vitória. Pódio E4
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.
Tucunaré-açu corre risco de extinção Dia a dia C1
TEMPO EM MANAUS
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
Semana de Doação de Órgãos começa amanhã S
ensibilizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos é o principal mote da campanha desenvolvida pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Durante a Semana Nacional de Doação de Órgãos, que tem início amanhã e vai até domingo (29), a população contará com eventos pontuais e de mobilização. Atualmente, cerca de 30 mil pessoas aguardam na fila de espera e, de cada dez pessoas abordadas, quatro se negam a doar os órgãos de seus familiares. O trabalho realizado pela ABTO, em parceria com o Ministério da Saúde, dos governos estaduais e entidades médicas, vem surtindo efeito nos números de transplantes. Até junho de 2013, o país teve 1.273 doadores de órgãos. Com esta marca, o Brasil ocupa o segundo lugar do mundo em número de transplantes. Porém, os números de doadores efetivos, por milhão de população, ainda são muito baixos em relação a outros países. Para se ter ideia, em 2011 o número chegou a 10,7, enquanto a Espanha, o melhor país em doação de órgãos, atingiu 35,3, seguidos por Croácia 35,0; Bélgica 29,3; Portugal 28,5; e EUA 26,0. A maior lista de espera é por um rim – 20 mil pessoas. Em segundo lugar, estão os que precisam de transplante
GP CINGAPURA
de córnea (6 mil). Em seguida, vem fígado, com 1.300 pessoas na lista de espera, e, por último, coração e pulmão, com 200 e 170, respectivamente. A ABTO projetou em 2007 uma meta para atingir em 2017, o objetivo é contar com pelo menos 20 doadores efetivos por milhão de população. Para se tornar um doador, é importante que a pessoa comunique à família sobre essa vontade, pois de acordo com a legislação dos transplantes no Brasil, a doação deverá ser consentida pelo familiar de até 2º grau. Essa conversa é fundamental para subsidiar a decisão da família na hora de doar os órgãos. Segundo o doutor José Osmar Medina Pestana, presidente da ABTO, a recusa dos familiares ainda é um dos motivos para a falta de doadores e está relacionado à falta de manifestação da vontade de doação em vida. “Sempre que o indivíduo se manifesta a favor da doação os familiares autorizam”. De acordo com a associação, a principal dificuldade para o aumento do número de doadores é, exatamente, o baixo nível de informação sobre o assunto. “Apostamos na adesão da sociedade, com apoio de profissionais de saúde e da mídia, para um dia tornar essa espera por um órgão menos longa e dolorosa”, afirma Medina.
O “enterro” do carro do milionário Chiquinho Scarpa serviu para comparar a situação com a falta de iniciativa na doação de órgãos
Publicidade utiliza estratégia de impacto Para lançar a Semana Nacional de Doação de Órgãos e conscientizar a população para a falta de doadores, a agência Leo Burnett Tailor Made preparou uma ação de grande impacto para a ABTO, em parceria com o empresário Chiquinho Scarpa. A ideia é
MEIO AMBIENTE ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/GREENPEACE
Vettel domina treino e crava a pole O alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, dominou o treino oficial e cravou a pole para o GP de Cingapura, que acontece neste domingo, às 9h (de Brasília). Vettel, que já havia sido o melhor na sessão de treino livre de ontem e o mais rápido de sexta-feira (20), marcou 1min42s841. O alemão Nico Rosberg, da Mercedes, fez o segundo melhor tempo com 1min42s932. O francês Romain Grosjean, da Lotus, é o terceiro no grid. Cravou 1min43s058. O brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, fez 1min43s890 e vai largar na sexta posição. O seu companheiro de equipe, o espanhol Fernando Alonso, ficou logo atrás ao marcar 1min43s938. No Q1, Massa só conseguiu sair do grupo dos seis últimos na sua última volta. E foi por muito pouco, porque o carro chegou a escapar em uma curva e quase bateu no muro. Di Resta, Maldonado, Pic, Van der Garde, Bianchi e Chilton foram eliminados. No Q2, a Ferrari só não conseguiu ser melhor do que a Red Bull de Vettel e Webber. A surpresa foi a eliminação de Raikkonen. Hulkenberg, Vergne, Perez, Sutil e Bottas também não conseguiram se classificar para os últimos dez minutos no treino, onde Vettel sobrou. O alemão roeu a unha ao ver Rosberg voar baixo em sua última volta. O piloto da Mercedes chegou perto, mas não conseguiu roubar a pole.
DIVULGAÇÃO
Campanha tem meta de aumentar número de doadores, que continua baixo, e usa até Chiquinho Scarpa para divulgar
despertar as pessoas para o absurdo que é enterrar um órgão saudável que poderia salvar a vida de alguém. Apesar de serem mais valiosos do que qualquer riqueza, as pessoas não se chocam com o desperdício de se enterrar órgãos capazes de salvar várias vidas.
POLÍCIA
Táxis são usados em tráfico
Ana Paula está sob custódia com outros 29 ativistas
Ativista brasileira está sob custódia da Rússia A brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, 31, está entre os tripulantes do navio Arctic Sunrise, que são mantidos sob custódia na embarcação pela Guarda Costeira da Rússia desde o último dia 18. Ana e outros 29 ativistas do Greenpeace protestavam pacificamente no mar de Pécora contra a companhia Gazprom, por sua exploração de petróleo no Ártico. Segundo leis marítimas internacionais, a intervenção policial foi ilegal, já que o navio em que estavam os ativistas navegava em Zona Econômica Exclusiva
da Rússia (EEZ, em inglês), onde é garantida a livre circulação de embarcações estrangeiras. Desde 2006, Ana Paula embarca nos navios de campanha do Greenpeace. O escritório do Greenpeace no Brasil entrou em contato com a Divisão de Assistência Consular do Ministério de Relações Exteriores relatando o ocorrido e pedindo ao governo brasileiro que entre em contato com as autoridades russas para garantir a segurança dos ativistas e para prestar assistência a Ana Paula.
Dois táxis foram usados nas últimas 24 horas no auxilio ao comércio de entorpecentes nos bairros Aleixo e Educandos. Mais de um quilo de droga e um revólver calibre 32 foram encontrados dentro dos veículos. Durante as abordagens, três homens foram presos e um adolescente apreendido. Policiais Militares da 16º Companhia Interativa Comunitária (Cicom) prenderam Eladio Chaves Barbosa, Leilton Jonatas Jesus e apreenderam um adolescente, F.N.O., na madrugada de ontem. Eles estavam dentro de um táxi, modelo Palio de placa JXV 8667, na rua Severiano Nunes, no Aleixo, Zona Sul. O adolescente será encaminhado à Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Policiais da 2ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) prenderam Elivaldo Mariano Costa, 24, na noite da última sexta-feira (20). Ele estava dentro de um táxi estacionado em frente à feira da Panair, no bairro Educandos, Zona Sul. Durante a revista, os policias da viatura 6018 encontraram tablete de um quilo de entorpecente. Ambos os presos foram conduzidos até a PF.
É mais fácil se chocar com o enterro de um carro. Para ajudar a mudar isso, corajosamente e voluntariamente Chiquinho Scarpa comunicou em sua página no Facebook que iria enterrar o seu maior bem: um Bentley no valor de R$ 1,5 milhão. A repercussão foi enorme e a
opinião pública criticou fortemente a decisão do conde, como era esperado. No dia do enterro, com a imprensa reunida para uma coletiva, a mensagem foi revelada e foi anunciada a abertura da Semana Nacional de Doação de Órgãos, organizada pela ABTO.
ROCK IN RIO
Bon Jovi encerra quinta noite do festival musical RODRIGO SALEM FOLHAPRESS
Bon Jovi encerrou a noite de sexta-feira (20) do Rock In Rio desfalcado de dois integrantes originais, o guitarrista Richie Sambora, demitido no meio da turnê, e o baterista Tico Torres, recém-operado para a retirada do apêndice. Mas, pela empolgação dos fãs, mesmo se colocassem três orangotangos acompanhando o vocalista Jon Bon Jovi, o resultado seria o mesmo. Não é difícil de entender. Jon Bon Jovi é uma espécie de Britney Spears do hard rock: faz uso do sex appeal para disfarçar letras vergonhosas (“Não há razão para me salvar, baby/Há demônios no céu e anjos no inferno/Então, me jogue um beijo e me deseje bem”,
primeiras frases de “That’s What the Water Made Me”, que abriu o show) e possui um repertório consistente de hits, como “You Give Love a Bad Name”, o primeiro a levantar o público no Palco Mundo, principal do evento. Mas Bon Jovi tem uma grande vantagem. Ele serve com perfeição para a geração Instagram. Entre um hit e outro, as baladas melacueca que só fãs conhecem servem para o público normal tirar as costumeiras fotos com o palco ao fundo e fazendo pose de rapper perigoso. Ou seja, uma experiência que poderia ser criticada pelos vários momentos de tédio vira uma fascinante exploração do ego nas redes sociais, vide o momento em que fã Rosana Guedes, 40, sobe ao palco para tascar um beijo no cantor, 51. MARCIO CASSOL/FUTURA PRESS/FOLHAPRESS
Bon Jovi relembrou sucessos antigos durante o Rock in Rio
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
O combate ao analfabetismo Desde 2002, o Brasil não ganha terreno na luta contra o analfabetismo. Apenas 26% dos 201 milhões de brasileiros são considerados plenamente alfabetizados, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, em São Paulo, entidades que não podem ser incluídas entre os opositores do governo. Não apenas dos governos tucanos e petistas mais recentes. O educador Anísio Teixeira (19001971) já alertava, em trabalho de 1953, que não basta a queda da taxa de analfabetismo; é fundamental também a sua redução em números absolutos. Em mais de 50 anos, o país assistiu a uma maquiagem na questão do ensino desse setor fundamental para o desenvolvimento. Ensinou-se ao cidadão ler e apenas escrever seu nome e se criou uma legião urbana imensa de analfabetos funcionais, que faz de conta que entende o que lê. A ditadura militar (1964-1985) criou o Movimento de Alfabetização Brasileiro (Mobral) e nem à força conseguiu debelar essa doença crônica da sociedade brasileira. Nesta semana, o 1º Seminário Sobre Alfabetização e Letramento discutiu, na Assembleia Legislativa, como melhorar a situação dos alunos do Estado (o Amazonas vai mal, obrigado). O foco no aluno em primeiro plano, no entanto, parece desaconselhável. O problema está na formação da mão de obra, isto é, na qualificação do professor, o que não parece comover a ninguém. O Brasil se movimenta na área do ensino fundamental, sustentado em experiências individuais. “O professor vai para o trono ou não vai?”, quando precisaria estabelecer o que realmente deseja, definindo metas para o ensino e a educação e até conceituando essas duas áreas, que vivem se atropelando. O que está errado não pode dar certo, desde o início.
Charge
PT força a barra Não será a candidatura do deputado Francisco Praciano (PT-AM) ao Senado que “obrigará” o governador Omar Aziz a apoiar a candidatura de Eduardo Braga (PMDB-AM) ao governo do Estado. Os petistas podem até pressionar, usando os nomes de Lula e Dilma para que Omar saia no chapão ao lado do antigo aliado Braga. Chegaram mesmo a fazer uma proposta que mais parece uma ameaça: abrir mão da lançar Praciano ao Senado, mas só se o governador apoiar Braga.
Na pressão, não Mas a coisa com Omar não funcionam assim. Se ele decidir sair mesmo com Braga, será por estratégia política e até mesmo por ser um caminho menos tortuoso para chegar ao Senado. Mas, pressão, não! Vem comigo Verdade ou não, o governador Omar Aziz tem sido visto, vez por outra, em companhia de Eduardo. Na sexta-feira eles estavam em Boca do Acre, na companhia do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, inaugurando uma agência do INSS. Cerca Lourenço A estratégia do PT vai mais além. Com Aziz no palanque, atrai o PSD, engrossando ainda mais a campanha de Braga ao governo do Amazonas. Kassab topa A coisa pode até dar certo. O presidente nacional do PSD, ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), está convicto de que tem chances de chegar ao segundo turno na disputa ao governo de São
Paulo. E, caso a disputa seja com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), ele sabe que poderá contar com o apoio do PT e do governo federal. Vai de Dilma Tem mais: a maior parte da bancada do PSD no Congresso está fechada em alianças locais com partidos da base de sustentação do governo federal. Até pela pressão das lideranças de seu partido Kassab está decidido em apoiar a reeleição da presidente Dilma (Rousseff). Cacau município O prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PTB), defende a proposta de transformar o distrito de Cacau-Pirêra em município. Segundo ele, seria a forma de aliviar um pouco seu próprio município desse encargo e dar autonomia ao Cacau-Pirêra para se desenvolver e sair do marasmo em que se encontra. Terra de ninguém Depois da construção da ponte Rio Negro, que empurrou todo o comércio para a entrada de Iranduba, Cacau-Pirêra ficou em total abando-
APLAUSOS
no. Sem atividade econômica e sem oferta de emprego, se tornou o paraíso da bandidagem, do lixo, e da insegurança. Salve os rios O Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias (21 de setembro) não passou em brancas nuvens, em Manaus. A equipe de colaboradores da Manaus Ambiental realizou uma ação educativa na comunidade Sapolândia, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste. Planeta agradece A ação teve início às 7h, com panfletagem educacional, orientações sobre o descarte adequado do lixo, rede de esgoto e preservação do igarapé da Sapolândia e entorno. Além de distribuição de copinhos com água tratada pela concessionária. Mirem-se no exemplo Alunos do Centro Educacional Literatus vão participar, em parceria com a Manaus Ambiental, do programa “Se liga planeta!”, desenvolvido pela escola, com o tema “A juventude em defesa da água para todos”.
VAIAS
Salve o tucunaré
elvis@emtempo.com.br
Compra de lenha DIVULGAÇÃO
DIEGO JANATA
Aos membros da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), que está lançando uma campanha para salva o tucunaré-açu, ameaçado de desaparecer pela ação da pesca predatória.
Para olarias de Iranduba, que estão comprando lenha de invasores de terra que, para negociar a madeira, estão derrubando árvores centenárias, como a castanheira e o mogno. E aonde está o Ibama, hein?
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Bom é o justo, mais que o certo Você pode viver uma vida toda bem certinha, sem sair da linha, sem abrir uma só brecha para aqueles que, de olho atento, estarão sempre à espreita e à espera de uma oportunidade para desancar sem piedade sobre você. Mesmo assim, sua vida poderá estar a transcorrer numa espécie de limbo da moralidade, onde, mesmo tendo escapado dos grandes pecados, também nada fez que lhe credenciasse como um paladino do bem. Seis ministros do Supremo Tribunal Federal, veja bem que não se trata de uns quaisquer, mas de integrantes da última e mais importante corte de Justiça da República, que são até mais do que os imortais da Academia Brasileira de Letras, acabaram de, aferrados a um inexorável tecnicismo jurídico, conceder a 12 réus já condenados pela bandalheira do mensalão uma espécie de revisão judicial, sem este nome, mas, no fundo, um segundo turno de julgamento, que em nada poderá agravar sua situação, mas bem poderá atenuá-la. Curioso que não se trata de um desses recursos ordinários, em que um réu, condenado numa instância, recorre a uma instância superior, onde seu processo será revisto e de novo julgado, agora por outro juiz ou por outra corte. Nada disso. Como o Supremo é a última e definitiva instância de julgamento, não há mais aonde subir. Então, o mesmo tribunal que já julgou, depois de examinar, estudar e debater exaustivamente, volta a julgar, sem que nenhum fato novo tenha se apresentado e nada tenha mudado no rol das razões a favor ou contra os bandalhos. E não se tente trapacear com o sofisma de que, por terem alguns dos seus membros
sido substituídos, que uma nova corte fará o novo julgamento. O STF é um só e suas sentenças definitivas, como acontece com a Suprema Corte americana. Tampouco a justificativa de que, dentre os 11, houve quatro que votaram a favor de alguns réus parece de fato justificar alguma coisa. Afinal, os sete que os condenaram por formação de quadrilha representaram mais de 60% do tribunal e, para ser eleito em primeiro turno, um presidente da República precisa apenas de 50%+1. Julgaram dentro e de acordo com a lei? Pode ter sido, embora mais do que a outra metade do tribunal tenha dado voto contrário, também em nome da dita cuja. Costumo dizer que toda formação é, por outro lado, também uma deformação, no sentido de que estreita os horizontes da percepção, como antolhos, dificultando, ou mesmo inviabilizando, a apreensão do geral e universal, onde, na maioria das vezes, reside a verdadeira razão e a autêntica essência das coisas. Na minha despretensiosa opinião, acredito que faltou a Suas Excelências, ministros vitalícios do STJ, estranhamente indicados e nomeados pela Presidência da República, pelo menos a alguns deles, a percepção de toda a amplitude dos crimes e dos julgamentos desse tal mensalão que, bem além da sua dimensão jurídica, é também, e até mais, um acontecimento histórico e político. Por isso, o julgamento do STJ é precário e canhestro, uma vez que só a sociedade, como organismo vivo e plural, é capaz de apreender essa globalidade e, então, vê-se frustrada diante de um julgamento que percebe como parcial.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
O Supremo é a última instância de julgamento, não há mais aonde subir. Então, o mesmo tribunal que já julgou, depois de examinar, estudar e debater exaustivamente, volta a julgar, sem que nenhum fato novo tenha se apresentado e nada tenha mudado no rol das razões a favor ou contra os bandalhos”.
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
PSB bate as asas
Nem tirando todas as políticas públicas consigo implementar essa proposta. A gente só sabe a receita total do ano no dia 1º de janeiro do ano seguinte. Isso de vincular ao ano corrente traz dificuldade de gestão ao longo do ano do qual é a efetiva receita
Além da pressão de PT e PMDB, um cálculo eleitoral contribuiu para precipitar o desembarque do PSB do governo Dilma Rousseff: o partido de Eduardo Campos negocia alianças com o PSDB de Aécio Neves em 21 unidades da Federação em 2014. O alinhamento com os tucanos ocorre em colégios eleitorais importantes, como São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, e em 3 dos 6 Estados que o PSB governa: Pernambuco, Paraíba e Piauí. Só em seis praças a aliança preferencial é com o PT. Pior a emenda Os acenos de Dilma e Lula para reverter a entrega dos cargos do PSB no governo aumentaram a irritação de Campos. O governador de Pernambuco fez chegar a petistas que considerava essa mais uma iniciativa para tentar desgastá-lo. Bem na fita Convencido a deixar a pasta da Integração Nacional por seu padrinho, a quem se manteve fiel apesar do assédio do PT, Fernando Bezerra assumiu leve dianteira na lista de cotados a ser o candidato de Campos à sucessão pernambucana. Ponte aérea O PT do Rio se reúne no próximo domingo para reafirmar a candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Estado e definir a data de desembarque da gestão Sérgio Cabral (PMDB). Na estrada Deputados do PT vão martelar em municípios do interior as suspeitas de cartel em licitações do metrô para desgastar Geraldo Alckmin (PSDB). A ideia é usar cartilhas e carros de som para divulgar as denúncias. Relógio O subprocurador-ge-
ral eleitoral Eugênio Aragão rebateu reclamação da Rede sobre a demora na validação das fichas de apoio ao partido. Seu parecer diz que a demanda temporal “é previsível” e que os fundadores da sigla deveriam ter levado isso em consideração. Água fria O adiamento do julgamento do pedido de registro de novas legendas afastou pretendentes do Solidariedade, que acreditam que a mudança de sigla em cima da hora seria arriscada. Mais essa Dirigentes de siglas que podem ser afetadas pelos novos partidos lembram um detalhe: a desfiliação deve ser comunicada aos partidos dois dias antes do ingresso em nova legenda. Recuperação Afastado do trabalho há um mês, após fraturar o cotovelo direito, o ministro Guilherme Afif (Micro e Pequena Empresa) volta à ativa no dia 30, para uma audiência pública sobre a revisão do Simples Nacional. Que tal? O PP de Paulo Maluf sugeriu a Fernando Haddad (PT) que o secretário José Floriano de Azevedo Marques acumule per-
manentemente a presidência da Cohab, companhia de habitação da capital paulista. Divórcio O PR de São Paulo rompeu com Haddad. O senador Antônio Carlos Rodrigues diz que a sigla pode até negociar um apoio ao petista Alexandre Padilha na disputa pelo governo, mas não quer saber de participar da gestão da prefeitura.
Miriam Belchior, ministra do Planejamento, disse nesta semana, em debate no Senado, que o governo não teria dinheiro para implementar a proposta de financiamento para a saúde em discussão no Congresso. “A proposta exige mais recursos que o previsto neste ano pelo governo para aplicação em todas as demais áreas”.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
Agora... Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) vai propor aos líderes da Câmara na terça-feira que seja incluída na pauta de votações a PEC da Bengala, que amplia de 70 para 75 anos a aposentadoria compulsória de magistrados. ...vai? No ano passado, os ministros Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto deixaram o Supremo Tribunal Federal ao completarem 70 anos. Banguela A Advocacia-Geral da União desistiu na semana passada de recorrer contra a anulação de um concurso público da Marinha, de 2008, cujo edital estabelecia como exigência para a admissão que o candidato tivesse pelo menos 20 dentes.
Tiroteio
Pense em uma peixada com bastante caldo e todos os verdes exigidos por aquela receita da vovó. Depois vá àquele furdunço que é a Manaus Moderna, tente manter o mesmo apetite e volte para casa com, como se diz, com água na boca. Sim, chegue em casa com essa modernidade e sinta no couro a ira da vovó. “Dê-se o respeito!”
Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br opiniao
O fracasso das concessões do PT é um sucesso. Prometeram a revolução e cumpriram: petróleo sem poço e pedágio sem estrada.
Pastoral da Criança
DE JOSÉ SERRA (PSDB), ex-governador de São Paulo, sobre os problemas registrados nos leilões de rodovias federais e do poço de Libra, do pré-sal.
A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas realizou uma sessão em homenagem aos 30 anos da Pastoral da Criança, homenagem merecida, pois raras são as instituições e organismos que contribuíram tanto para a sociedade, ultrapassando os seus próprios limites e influenciando esta mesma sociedade muito além do seu raio de ação. Não é necessário fazer um histórico da obra da doutora Zilda Arns fundadora da pastoral, simbolicamente morta num pais estrangeiro, o Haiti, em atividade missionária, país assolado por problemas econômicos e humanos, mas com uma população cheia de vida e de sonhos de liberdade. Gostaria de refletir sobre as lições que a pastoral nos dá. A primeira delas é a de que ações simples de gente simples, feitas de maneira organizada transformam e fazem verdadeiras revoluções. As ações básicas da pastoral, que são a pesagem das crianças para controlar o seu crescimento e evitar a subnutrição com o uso da multimistura, e o uso do soro caseiro nos casos de diarreia salvaram e possibilitaram vida sadia a milhares de crianças em todos os cantos e recantos de nosso país. Estas ações eram e são realizadas por voluntárias preparadas para tanto em cursos de capacitação com linguagem e conteúdos adaptados a realidade. Voluntárias e voluntários que oferecem um pouco de seu tempo para que crianças antes condenadas a morrer prematuramente ou a ter uma vida diminuída tenham vida em plenitude. E aqui está outra lição. A fé move montanhas. Sem mística a vida fica pequena e os sonhos
Contraponto
Acumulou No fim dos anos 70, em Pindamonhangaba, o então prefeito Geraldo Alckmin recebeu em seu gabinete o telefonema de um morador que avisava sobre um incêndio em uma pastelaria. Prevendo a demora dos bombeiros, Alckmin correu ao pátio, chamou um funcionário, entrou em um caminhão-pipa e dirigiu até a pastelaria. A dupla foi aplaudida ao chegar, mas o prefeito percebeu que nenhum dos dois sabia operar a mangueira. — Vamos passar vexame aqui -disse ao funcionário. Por sorte, um encanador da prefeitura estava no local e conseguiu usar a água do caminhão Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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mesquinhos. A partir da fé e do sonho transforma-se a realidade. Situações de desespero dão lugar à alegria de uma vida compartilhada e reconquistada. As celebrações da vida feita por ocasião do peso dão a verdadeira dimensão do viver que se abre para a transcendência e para a partilha, transformando as pessoas, valorizando a solidariedade que começa no lanche simples e frugal, fruto de doação e generosidade dos que ofertam e dos que preparam. Mas as líderes também aprendem a anotar tudo, a prestar contas, contribuindo para que se conheça melhor a situação das crianças e os progressos alcançados. A pastoral mostra também que a sociedade civil pode e deve se organizar contando com a ajuda do Estado. Ela é um exemplo concreto daquilo que a doutrina social da igreja chama de subsidiariedade. Aquilo que a família e a sociedade podem fazer o Estado não precisa fazer e deve apoiar. A pastoral não concorre com o Estado nem com seus agentes de saúde, mas chega lá onde o Estado não chega e age de uma maneira que o Estado não age. É difícil prever o futuro da Pastoral da Criança num mundo e numa sociedade que se transformam num dinamismo muitas vezes incontrolável. Mas uma coisa é certa, a Pastoral da Criança e suas lideranças, na maioria mulheres, já têm um lugar na história deste país, como uma das realidades sociais que mais o enobrecem. O Brasil cresceu em humanidade e em valores com a pastoral. As homenagens são mais que justas, e que a sua memória não se apague.
Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
A fé move montanhas. Sem mística a vida fica pequena e os sonhos mesquinhos. A partir da fé e do sonho transformase a realidade. Situações de desespero dão lugar à alegria de uma vida compartilhada. As celebrações da vida feita dão a verdadeira dimensão do viver”.
Política
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
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Deputados céticos com a minirreforma eleitoral LUÍS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Aprovada no Senado na semana passada, o projeto vai ser apreciado na Câmara. Meta é que regras vigorem em 2014
THIAGO GONÇALVES Equipe EM TEMPO
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minirreforma eleitoral aprovada pelo Senado Federal na última segunda-feira deverá ser votada na Câmara dos Deputados nesta semana e a tendência é que tenha a mínima repercussão pelos parlamentares e, seja votada às pressas sem mudanças significativas. O intuito é que as novas regras passem a valer nas eleições de 2014. Mas, para isso, o projeto precisa ser aprovado também pelos deputados até o final deste mês e sancionado pela presidente Dilma Roussef (PT) até o dia 5 de outubro, justamente um ano antes do pleito. Os próprios senadores se queixaram de que as propostas do substitutivo ao projeto de lei 441/2012 da chamada minirreforma eleitoral que aprovaram na noite da última segunda-feira e encaminharam para a apreciação dos deputados, são tímidas. A matéria apresenta modificações como: a limitação do número de contratações de cabos eleitorais; a limitação de gastos com alimentação em campanha a 10% da receita da campanha; a limitação de gastos com combustível em campanha a 20% da receita arrecadada pelo comitê; a autorização de doação indireta para campanha eleitoral por meio de sócios ou acionistas de empresas com concessão de serviço público. Entretanto, não muda as regras para financiamento de campanha que reflete como
base à corrupção. Questionado se a minirreforma ainda deixa muito a desejar, o deputado federal Francisco Praciano (PT), presidente da Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção na Câmara Federal, foi cético ao criticar a matéria. Para ele, essa medida não traz inovação. “São alterações na legislação que não mudam nada”, opinou. “Está faltando uma ampla reforma política e infelizmente os deputados não vão discutir o que prejudique a eles mesmos”. “Tanto é que a reforma não avançou”,
MUDANÇAS
Entre as mudanças na minirreforma aparecem limitações do número de contratações de cabos eleitorais; de gastos com alimentação durante a campanha e a limitação de 20% da receita em combustíveis desabafou. “Qualquer cidadão não se conforma com isso”, acrescentou. Na concepção do parlamentar, a proposta altera pequenos aspectos operacionais das campanhas eleitorais e não avança em relação aos anseios da população que foi às ruas protestar contra as injustiças e, em relação aos políticos brasileiros. “Não dá para fazer festa e comemorar porque não tem nada de inovador”, ironizou o petista. “Não toca na questão do financiamento público, não motiva o cidadão a votar em progra-
ANTÔNIO CRUZ/ABR
A decisão final será da Câmara dos Deputados, que deverá votar, nesta semana, as novas regras a serem aplicadas nas eleições de 2014. Entretanto, texto tem que ser sancionado até 5 de outubro
mas e ideias, não mexe com o eleitor”, avaliou. Em relação à qualidade do Congresso Nacional, Praciano não se esquivou em avaliar que o Legislativo ainda não está pronto parar oferecer à nação a verdadeira reforma política. “Eu defendo que o Congresso continue a tarefa para avançar a reforma política, com eleições limpas, candidatos limpos, e voto obrigatório e livre”, salientou. Discussão ferrenha O deputado federal Plínio Valério (PSDB) observou que a matéria tomou avanço na tramitação e não houve consenso no debate entre as lideranças partidárias. Para o tucano, ao que tudo indica, a análise do texto da minirreforma eleitoral deve entrar o mais rápido possível na pauta de votações dos deputados e não dará bons frutos. “No meu entendimento vai ser uma discussão ferrenha e ao mesmo tempo estéril”. O tucano ressaltou que o resultado é certo: vai desagradar a população. “E quem está bem (os políticos), vai ficar melhor ainda”, comentou o parlamentar. Em entrevista aos meios de comunicação na semana passada, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que o texto do Senado será priorizado porque incorporou muitos pontos do trabalho feito na Câmara. No entanto, a votação depende da retirada da urgência constitucional do novo Código da Mineração, que está trancando a pauta de votações do plenário da casa.
Para o deputado Francisco Praciano, a medida não traz inovação
Regras da propaganda eleitoral A proibição de troca de candidatos pelos partidos na véspera da eleição, como ocorre atualmente, está entre as alterações propostas nesta nova legislação. Pelo projeto da minirreforma eleitoral, a troca tem de ser feita até 20 dias antes do pleito. O juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), Abraham Peixoto, avaliou que a proposta aprovada pelos senadores para nova regra para se filiar em um novo partido político é favorável, visto que organizaria o processo. “Eu creio que a regra é benéfica na medida em que nós (Justiça Eleitoral e eleitor) não seremos pegos de surpresa
em um processo que é muito complexo”, comentou. Outro ponto no projeto que prevê alteração na legislação eleitoral é o que trata da propaganda de boca de urna. Além da prisão, o texto estipula multa para quem fizer campanha de candidatos no dia da eleição. Para o juiz, essa medida ajuda a coibir mais ainda a prática criminosa. “Com a multa o agente vai pensar melhor e os interesses dos candidatos morrem”, disse o magistrado. O projeto previa o fim da pena de prisão para boca de urna, mas os senadores mantiveram a detenção.
Romero Jucá defende sua proposta Conforme notícia publicada no site do Senado na semana passada, o autor do projeto, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que esta minirreforma busca reduzir os gastos gerais de campanha, dar transparência ao processo eleitoral e igualdade de condições aos candidatos em disputa. Sofreriam alterações tanto a Lei Eleitoral (lei 9.504/1997), quanto a Lei dos Partidos Políticos (lei 9.096/1995). Mas, a falta de mudanças significativas foi a principal crítica dos senadores durante a votação da minirreforma eleitoral na última segunda-feira. Os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) questionaram a autoridade política do atual Congresso Nacional para impor alterações no processo eleitoral. Já os senadores Mário Couto (PSDB-PA), Vanessa Graziottin (PCdoB) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), embora reconheçam a necessidade de mudanças mais profundas na legislação eleitoral, saudaram as mudanças aprovadas.
Política
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
Josué Neto classifica sua gestão como ‘humana’
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
É correr para o abraço quanto ao julgamento dessa matéria” MINISTRO MARCO AURÉLIO MELLO (STF), sobre a cassação pela corte de mandatos políticos
Enojado, deputado mais votado vai deixar PDT “Extremamente desconfortável” no PDT, após a ladroagem revelada no Ministério do Trabalho, Antônio Reguffe (DF), o deputado federal mais votado do país, em 2010, decidiu abandonar a sigla. Confessa que ficou escandalizado com os R$ 400 milhões desviados por assessores do ministro Manoel Dias. Ruguffe teve 266 mil votos, 18,9% do total. O caminhão de votos de Tiririca (PR-SP) representava 6% do total. Mesma turma Todos os envolvidos no esquema, presos ou ouvidos pela Polícia Federal, são ligados ao ex-ministro Carlos Lupi, presidente do PDT. Quadrilheiros Na visão de outro pedetista enojado, o ex-ministro Brizola Neto, Carlos Lupi e sua turma “transformaram o PDT numa quadrilha”. Caindo no Rede Antônio Reguffe pretende trocar o PDT pelo Rede, de Marina Silva, tão logo a Justiça Eleitoral confirme o registro do novo partido. Prancheta na mão Já envolvido no esforço para viabilizar o Rede, o deputado Reguffe já ajuda Marina a recolher assinaturas. Arapongas custam mais que segurança na rede Não adianta chorar o leite derramado de R$ 5,8 milhões em cartões corporativos secretos da Agência Brasileira de Inteligência nos últimos seis meses, depois que um americano descobriu a espionagem dos EUA: o Portal da Transpa-
rência mostra que o Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação recebeu bem menos para investir no desenvolvimento e na segurança da informação: R$ 3,5 milhões. Balança, mas não cai Boa parte dos gastos é para proteção do patrimônio (R$ 604 mil) e manutenção predial e preventiva, locando mão de obra por R$ 983 mil. Devagar, quase parando Comparados com a Abin, são risíveis no Instituto de Tecnologia da Informação os gastos com cartões corporativos em 2013: R$ 2 mil. Pergunta no Planalto É pior Obama espionandoa em surdina ou o ministro do Trabalho desafiando Dilma em voz alta? Ganhou força O senador Vital do Rêgo (PB) é o nome mais forte nas bancadas do PMDB da Câmara e do Senado para assumir o comando do Ministério da Integração, pasta da qual o PSB abriu mão esta semana. E-mail molhado O Brasil estuda com os parceiros bolivarianos uma solução via cabo submarino para impedir a espionagem americana. O primeiro problema será onde ligar a tomada. Na Venezuela falta tomada também. Poço de mágoas O senador Cristovam Buarque (PDT) garante que “não há hipótese” de apoiar a reeleição do governador do DF, Agnelo Queiroz. “Ninguém fez campanha para
Jornalista
ele como eu, e depois fui desprezado”, lembra. Se Donadon pode... O Superior Tribunal de Justiça manteve lecionando na Universidade Federal da Paraíba um procurador da Fazenda condenado a 8 anos de prisão por patrocínio infiel, formação de quadrilha e crime tributário. Água de matar Sai veneno das torneiras do Rio: a estatal de água Cedae admitiu que trata o chorume do lixão privado de Seropédica nas estações de tratamento de esgoto, autorizada pelo órgão ambiental do Estado. Sem essa Presidente da Agência Nacional de Petróleo, Magda Chambriard vestiu saia justa em Dilma, ex-ministra das Minas e Energia, revelando na CPI da Espionagem que o banco de dados da ANP não tem internet. Benesse Diretores do Sindicato de Trabalhadores de Pesquisa Desenvolvimento Agropecuário acusam a cúpula de receber adicionais de periculosidade e insalubridade, apesar de trabalharem em salas com ar-condicionado. Ação conjunta O ministro Aloizio Mercadante (Educação) e secretários da área no país confirmaram presença em seminário na Câmara, nos dias 15 e 16 de outubro, da subcomissão de reformulação do ensino médio. Pensando bem... ...lona já tem, e agora a grade é dispensável no Grã Circo Brasil.
PODER SEM PUDOR
Bonito que dói Durante a campanha presidencial de 1994, o catarinense careca Esperidião Amin foi abordado assim por uma eleitora simpática, em Natal (RN): – Sabe que o senhor é mais bonito do que eu imaginava? Nem Amin acreditou na sinceridade da eleitora: – Assim vou me convencer de que sou mais bonito do que eu já pensava...
PLANO DIRETOR
Cidades poderão ter ajuda federal A Comissão de Desenvolvimento Urbano aprovou, na semana passada, proposta (PL 5420/13, do Senado) que obriga a União a prestar assistência técnica e financeira aos municípios que ainda não têm plano diretor urbanístico. O projeto acrescenta a medida ao Estatuto da Cidade (lei 10.257/01). Conforme a Constituição, o Plano Diretor deve ser necessariamente elaborado nos municípios com mais de 20 mil habitantes. O Estatuto da
Cidade, por sua vez, estendeu a obrigação aos municípios: integrantes de regiões metropolitanas e de áreas de especial interesse turístico; os inseridos em localidades sob influência de atividades com significativo impacto ambiental regional ou nacional; os incluídos no cadastro nacional de áreas suscetíveis à ocorrência de grandes deslizamentos; entre outros. O projeto busca proporcionar também aos outros municípios a oportunidade
À frente da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Estado há oito meses, deputado comemora bons resultados DIVULGAÇÃO/ALEAM
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de ter um instrumento de ordenação urbana, independentemente de serem ou não obrigados a fazê-lo. O texto recebeu parecer favorável da relatora, deputada Nilmar Ruiz (PEN-TO). Ela argumentou que é muito difícil, sobretudo para as pequenas cidades, conseguir recursos para elaborar seu plano diretor. “Já fui prefeita e sei da importância desse documento para normatizar o crescimento e a ocupação urbana”, disse.
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palavra “humanização” é o termo usado pelo deputado Josué Neto (PSD) para definir o balanço das conquistas alcançadas pela Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) nestes oito primeiros meses de sua gestão à frente da instituição. “Humanizar tem sido o norte para conduzir o Poder Legislativo amazonense de forma democrática, aberta à sociedade e buscando cada vez mais a aproximação com todos os segmentos do povo”, disse. Essa “humanização”, frisou o parlamentar, é o resultado de uma “construção coletiva” de todos os 24 deputados, uma fórmula que ele defende desde o início da sua administração, quando decidiu que as proposituras de interesse da Aleam teriam a participação de todos. E ele dá exemplos concretos: a extinção do auxílio paletó; o fim do voto secreto; a revogação do aumento do ICMS dos combustíveis; a negociação dos impostos da cesta básica; e a defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM) junto
ao Senado Federal. Neste período de gestão, o presidente da Assembleia ressalta o fortalecimento das audiências públicas como instrumento de aproximação com a sociedade, não apenas na capital, onde são realizadas até oito audiên-
BALANÇO
Em seu segundo mandato como deputado estadual, o radialista Josué Neto (PSD), ressalta os primeiros frutos de sua gestão à frente da Aleam, na condução dos 24 deputados e dos servidores cias por semana, mas principalmente nos municípios do interior. “Nós hoje oferecemos a todos os colegas deputados a oportunidade de realizar audiências em qualquer município do Amazonas, em qualquer dia da semana, com logística e apoio técnico da casa”, afirmou Josué.
Em outra vertente, a Assembleia atua por meio do Centro de Cooperação Técnica do Interior (CCoti) construindo uma rede de assistência técnico-jurídica e de comunicação com as Câmaras municipais. Esse, de acordo com o deputado, é um trabalho estritamente institucional, onde participam também a Escola do Legislativo com os cursos à distância via IPTV, a Diretoria de Informática e outras instituições como a Empresa de Processamentos de Dados (Prodam) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Atualmente, mais da metade dos municípios do interior do Amazonas já estão integrados ao programa do CCoti, que está elaborando os projetos de Lei Orgânica do Município e do regimento interno da Câmara. Também estão sendo produzidos os sites para as câmaras municipais, em parceria com a Prodam, com manutenção pela diretoria de informática. O primeiro, de Manacapuru, já foi entregue e brevemente outros municípios terão os seus.
Interligação com os municípios Além do custo baixíssimo de manutenção, a Assembleia vai gastar R$ 90 mil/ ano para atender todos os 61 municípios, a iniciativa trará muitos benefícios à população. Um dos principais é a interligação das câmaras com as instituições de governo nas esferas municipal, estadual e federal de maneira a garantir uma melhor prestação de serviço aos cidadãos. No início deste segundo semestre legislativo, o processo de humanização
implantado pelo presidente Josué Neto promoveu uma correção salarial esperada pelos servidores há 8 anos. Os quase 700 servidores da Assembleia Legislativa tiveram aumento geral de 10%, e aumentos específicos em funções gratificadas e nas gratificações de nível superior. As primeiras foram elevadas o mínimo de R$ 900 e máximo de R$ 2,7 mil, e as segundas na escala de 10, 15, 20 e 30% - para pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-
doutorado. “Com isso restamos a dignidade dos servidores corrigindo os salários defasados, e vamos manter essa política até janeiro de 2015, conduzindo esse processo de valorizar as pessoas e os nossos funcionários”, afirmou. Humanizar, para ele, “é tratar as pessoas de forma igual, receber a crítica como sugestão, promover uma administração mais democrática, sem nenhum tipo de insatisfação no tratamento com os colegas”.
Com a palavra
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FOTOS: DIVULGAÇÃO
Nivaldo SANTIAGO
‘A arte NÃO PARA. A arte é vida E NOS MANTÉM na eternidade’ ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
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Não foi por opção, nem troca. Eu estava aposentado, não por gosto, mas por pressão, por uma espécie de política: minha mulher fazendo doutorado em SP, meu filho e meu irmão mais novo morando em Belo Horizonte. Então, mudei para Minas”
os 84 anos de idade, o maestro amazonense Nivaldo Oliveira Santiago não pensa em parar. Isso para ele não existe. A arte, segundo afirmou, é vida e mantém o artista dentro da eternidade. E ele comprova isso todos os dias. Mesmo com a idade avançada, o conceituado artista mantém uma rotina de aulas e composições musicais. Atualmente residindo na pacata cidade mineira de Bom Despacho, localizado na região do Alto São Francisco, o maestro não fica quieto e está à frente, há uma década, do coral Voz e Vida, onde desenvolve o projeto musical “Crescendo com música”, voltado para as crianças e adolescentes daquela cidade. Ao longo de mais de 60 anos de carreira, o maestro – que também é professor de música, compositor e regente – tem uma trajetória de sucesso nos principais corais do país e pioneiro na introdução da música no Amazonas, em meados da década de 1950. Toda essa trajetória resultou em um livro biografia “Nivaldo Santiago: Uma Amazônia de Música”, lançado pela escritora Auta Gagliardi Madeira, cuja edição especial foi lançada, respectivamente, na cidade de Bom Despacho e em Manaus, cidade natal do maestro, quando completou 80 anos, em 2009. Nivaldo, que agora é cidadão honorário de Bom Despacho, tem na mulher, a doutora em artes, Maria do Socorro de Farias Santiago, o seu braço direito em seu trabalho, em que é a principal colaboradora na preparação corporal e cênica dos corais que rege. Seu mais novo projeto no coral Voz e Vida de Bom Despacho, que resgatou após um período em que estava sem regente e abandonado, já resulta bons frutos ao maestro. Após assumir o coral mineiro, ele começou a prepará-lo para voos mais altos. Com pouco mais de 2 anos à frente do grupo, o Voz e Vida já estava participando de
diversos festivais: Internacional de Maringá, Paraná; Encontro Nacional de Coros de Sergipe, Aracaju; Festival Internacional de Criciúma, Santa Catarina, Festival Unicanto de Corais, em Londrina, PR. E, ainda concertos em cidades mineiras, a exemplo de Divinópolis e a capital, Belo Horizonte, além das cidades de Curitiba e Florianópolis. EM TEMPO - Como foi essa opção de trocar o Amazonas pela cidade de Bom Despacho, em Minas Gerais? Nivaldo Santiago - Não foi opção, nem “troca” (alguém trocaria o Amazonas por outro lugar?) eu estava aposentado – não por gosto, mas por pressão, por uma espécie de política – minha mulher fazendo doutorado na Universidade de São Paulo (USP), meu filho e meu irmão mais novo em Belo Horizonte; eu sem nada mais para fazer em Manaus, então mudei para Minas, berço dos fascinantes profetas e celeiro da cultura nossa. Era um destino. Bom Despacho veio depois, discretamente – uma característica bem mineira. Minha mulher professora contumaz, renitente e teimosa, foi chamada para uma universidade local; eu vim depois num processo inverso ao dos militares. EM TEMPO - O senhor iniciou no Amazonas, apenas com a “cara e a coragem”, o projeto de se fazer música. Como foi esse começo? NS - Foi em 1955. Eu estava “de passagem por Manaus”, acabei ficando “de volta”. Além da “cara e a coragem” que você cita, eu trazia a loucura... Deu no que deu... EM TEMPO - Durante muito tempo o senhor esteve à frente da Universidade do Amazonas e também da do Pará. Como foram essas experiências? NS - Universidade do Amazonas, do Pará, e de novo do Amazonas. Foram realmente grandes experiências que servem até hoje. A descoberta de um passado brilhante e sua decadência, a luta para que todo
mundo acreditasse na musicalidade – Pará e Amazonas – o prazer de fazer música na Amazônia! Quer coisa melhor? EM TEMPO - Quando o senhor foi para Minas Gerais percebeu que um dos poucos corais existente na cidade de Bom Despacho estava desativado por falta de maestro, e decidiu reativá-lo. O senhor não pretende parar? NS - Bom Despacho é uma pequena cidade em um lindo planalto do centro-oeste de Minas Gerais. “Um sol ardente” como diz uma canção local, um calorzinho parecido com o nosso; um calor humano; tudo muito parecido com a nossa terra; talvez por isso eu goste tanto daqui. E sobre tudo isso o coral Voz e Vida. Ele não estava desativado, estava sem regente. Bastou um estalar de dedo e ele voltou a cantar e, já são 10 anos. E canta até hoje, aqui e por aí afora..... Parar? A arte não para; se parar não é arte. É como a eternidade. Arte é vida e nos mantém dentro da eternidade. EM TEMPO - Nos festivais de música o senhor sempre é mais aplaudido, com coro mais destacado, fruto do seu empenho na carreira. O senhor ainda almeja mais alguma coisa no campo da música? NS - Nos festivais onde tenho apresentado meus corais eles são sempre muito aplaudidos. Se almejo alguma coisa? Claro! Encontrar a serenidade para concluir meus projetos de composição e tornar pública minha música. EM TEMPO - Em 2009, o senhor foi homenageado com a publicação de um livro contando a sua biografia. Como se sentiu diante dessa honraria? NS – Auta Madeira (que escreveu a biografia) comprovou sua origem. Só quem tem a música na própria alma e com antecedentes que, com sua música encantaram gerações e gerações de amazonenses, tem sensibilidade e coragem para garimpar minha vida musical. Para mim foi um agradável espanto.
Ele (coral Voz e Vida) não estava desativado, estava sem regente. Bastou um estalar de dedo e ele voltou a cantar e, já são 10 anos. E canta até hoje, aqui e por aí afora... Parar?”
Nos festivais onde tenho apresentado meus corais; eles são sempre muito aplaudidos. Se almejo alguma coisa? Claro! Encontrar a serenidade para concluir meus projetos de composição”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
economia@emtempo.com.br
IONE MORENO
Crianças são ensinadas a lidar com finanças
(92) 3090-1045
Economia B4 e B5
Empresários lucram ‘na órbita’ de prédios públicos Eles apostam em estabelecimentos que vendem alimentos perto de órgãos governamentais, legislativos e do Judiciário FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
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uas que “passaram a ter vida” comercial após a instalação de prédios públicos têm despertado o interesse dos empresários do ramo de alimentação em Manaus. Atraídos pelo grande fluxo de pessoas que transitam nesses locais diariamente, eles investem na abertura de restaurantes, padarias e lanchonetes no afã de “abocanhar” uma parte desse público e, desta forma, incrementar os lucros. Quando soube que a Justiça do Trabalho iria funcionar em um prédio situado na esquina das ruas Ferreira Pena e Silva Ramos, no Centro, - considerada antes como uma área comercialmente “morta” -, a empresária Ivanete Albuquerque, 36, não pensou duas vezes. Ela passou à frente o negócio de artigos de festa que possuía no mesmo local e, junto com outros sócios, abriu há três meses, a Confraria do Pão, que é um mix de padaria, lanchonete e restaurante. “Até o final do almoço, mais da metade do nosso público é formado por pessoas que transitam pelo fórum trabalhista. Depois, a clientela é diversificada”, afirma ao salientar que a ausência de refeitórios no interior das repartições públicas é um fator que contribui para melhorar o movimento da empresa. Segundo ela, devido ao sucesso do empreendimento, a padaria vai receber um “up-
grade” com a oferta de novos produtos e modificações na decoração. “Vamos aperfeiçoar o nosso atendimento”, revela Ivanete. Parlamento O empresário Jair Hobolb, 40, teve ideia semelhante ao de Ivanete, há dois meses, quando abriu a churrascaria Costelão perto da Câmara Municipal de Manaus (CMM) pelo lado do bairro Santo Antônio, Zona Oeste da cidade. Ele conta que estava sem trabalhar desde que saiu do ponto onde atuou por 10 anos, próximo
FLUXO
De acordo com a diretoria de comunicação da CMM, em torno de mil pessoas circulam diariamente pela casa legislativa, que terá um refeitório ainda este ano no segundo andar do edifício ao viaduto São José, na Zona Leste de Manaus. Jair não esconde que o principal motivo que o levou a investir em torno de R$ 60 mil no atual restaurante especializado em carnes foi o grande fluxo de pessoas que frequentam todos os dias o prédio do parlamento municipal. “Mais de 60% da clientela é de funcionários da Câmara. A tendência é esse percentual aumentar mais com o passar do tempo”, avalia.
Além de panificadora, estabelecimento funciona também como restaurante e lanchonete oferecendo mais opções aos clientes
Confraria do Pão abriu as portas há três meses, próxima do novo prédio do TRT 11ª. Região, inaugurado em junho no Centro
CMM ‘disputada’ por investidores IONE MORENO
Negócio possui público cativo Na avaliação da economista Izabel Seabra, a abertura de restaurantes próximos de prédios públicos é um investimento de baixo risco que aproveita um nicho de mercado em busca de um público seleto e cativo. “Os empresários apostam em uma demanda que já
existe. Cabe a eles fidelizar o público, investindo em bom atendimento e serviço customizado”, analisa. Segundo a especialista, esses estabelecimentos são favorecidos também pelas dificuldades “do mundo moderno” como o trânsito caótico e a carga horária de
trabalho. “Dadas às dificuldades de locomoção, é mais cômodo almoçar e fazer as refeições perto do serviço. Ninguém pega um carro e vai atrás desses empreendimentos porque gosta, mas os frequentam porque já estão pertos do local de trabalho”, explica Izabel. ALEXANDRE FONSECA
Empresário João Batista é proprietário de um restaurante perto do Legislativo municipal
Há 8 anos, o potencial dos prédios públicos já havia sido percebido pelo empresário João Batista de Queiroz Silva, 65, hoje, proprietário do restaurante self-service Bom Batista, situado perto da sede da CMM. Ele conta que já “andava na cola” da casa que abriga os vereadores desde 2005, quando abandonou a iniciativa privada para inaugurar seu primeiro restaurante perto do prédio do
Legislativo municipal, que ainda funcionava na avenida 7 de Setembro, no centro histórico da cidade. Batista conta que mudou, em 2009, para o novo ponto junto com a CMM para manter “a parceria” iniciada no Centro. “Investi apenas R$ 5 mil para abrir o negócio. Hoje minha clientela é composta de 95% de pessoas que trabalham no parlamento municipal”, destaca. Mesmo com a abertura
de novos restaurante perto da CMM, o empresário garante que seu movimento não caiu. “Não atrapalhou nada. Pelo contrário, trouxe até mais gente para a rua”, frisa ao salientar, contudo, que o fluxo de clientes é menor do possuía na área central. “No Centro era melhor, muito embora tivesse mais concorrentes”, salienta o empresário, que cobra R$ 23 pelo quilo da refeição feita em seu restaurante.
Aberta recentemente, churrascaria Costelão atrai funcionários que trabalham na Câmara
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
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Oi testa cartão recarregável
Novidade será verificada a partir desta semana nos “orelhões” de Manaus
A Novo cartão tem chamadas DDD para todo o Brasil a preço de ligação local e economia de 47% para celulares de outras operadoras
partir desta semana, a operadora Oi começa a testar, em Manaus, o cartão recarregável para fazer ligações de orelhões, mais uma iniciativa da companhia para renovar os telefones públicos. Com a nova tecnologia, a Oi proporciona tarifas reduzidas aos clientes
na capital, que fazem chamadas DDD para todo o Brasil a preço de ligação local. O cartão está disponível em versões de R$ 3, R$ 5 e R$ 10 e pode ser recarregado com valores a partir de R$ 1, minimizando o descarte. Além do mais, o cliente recebe, a cada ligação, a informação de quantos minutos ele poderá falar antes da nova recarga. Com o cartão recarregável, os clientes economizam em todos os tipos de chamada. As ligações locais e DDD para celulares saem por R$ 0,80 o minuto, o que representa economia de até 47%, em relação à tarifa das chamadas para celulares de outros Estados usando o cartão convencional. Desta forma, o cartão recarregável, nas ligações o cliente pode falar quase o dobro do tempo pelo mesmo valor. A economia nas chamadas para telefones fixos e linhas da Oi é ainda maior. As ligações para celulares Oi e fixos de qualquer operadora de todo o Brasil saem por R$ 0,05 o minuto, o que representa economia de até 97%, em relação à tarifa de ligação DDD para celulares Oi usando o cartão convencional. Modernização Com a nova tarifa do cartão recarregável, nessas ligações o cliente fala por tempo até 30 vezes maior pelo mesmo valor: com R$ 10, o cliente fala até 200 minutos em chamadas locais e DDD para celulares Oi e fixo de qualquer operadora. “Com o cartão recarregável, a Oi dá mais um passo para modernizar o orelhão, com promoções atrativas e novas funcionalidades. Em contrapartida, a companhia espera redução do vandalismo e dos custos de manutenção dos orelhões. Hoje 40% dos orelhões são usados durante menos de um minuto por dia”, afirma o gerente de Longa Distância e Telefonia Pública da Oi, João Paulo Serra. “Agora, o cliente poderá falar 60 minutos para fixos de qualquer operadora e celulares Oi de todo o Brasil com apenas R$ 3”, acrescenta.
Pontos de vendas em todo o país As recargas poderão ser feitas em todos os atuais pontos de venda de cartões para orelhão e também nos pontos de venda de recargas para celular pré-pago Oi. Seguindo modelo largamente utilizado em todo o mundo, cada cartão possui um código e senha exclusivos, que o cliente deve digitar antes de poder fazer a ligação. Para usar o orelhão, o cliente deve ligar para 1047, discar o número de seu cartão + # + senha + # e então discar o número de destino. O cartão recarregável dá sequência a outras iniciativas com objetivo de revitalizar os telefones públicos.
Economia
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
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Mário ANTONIO Sussmann
Quando o CIDADÃO SOFRE A ‘presunção da culpa’ ALDISIO FILGUEIRAS Equipe EM TEMPO
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articulista do EM TEMPO, Mário Antonio Sussmann, lançou ontem, na livraria Valer, o livro “Constituição e Responsabilidade Fiscal”, uma leitura ousada das relações do cidadão com o Estado. “Contrastando com o acusado criminal que merece a presunção de inocência até trânsito em julgado, o devedor, quase sempre sem prévio direito de defesa, arca com a presunção de inadimplente, portanto com a ‘presunção de culpado’”. Jornalista, advogado e escritor, Sussmann defende a tese de que “não existem interesses do Estado, mas interesses da Constituição, que ‘possui’ o Estado, que deve ser apenas instrumento de sua realização”. Nesta entrevista, por e-mail, o autor sustenta que a Constituição consolidou a cidadania, sobretudo as liberdades públicas e “é dela que se origina o Estado”. EM TEMPO - A recorrência na mídia leva o leitor a associar a “responsabilidade fiscal” ao uso do dinheiro público pela administração (municipal, estadual, federal, em suas várias instâncias) de implantação;
associa também a transparência. Como levar para esse âmbito o conceito que o livro foca no “devedor”, que já entra no processo com a “presunção de culpado”? Mário Antonio Sussmann: A lei complementar 101 enfatizou a expressão “responsabilidade fiscal” com foco no administrador público. O livro passa ao largo desse tema. Entende que o dever de cobrar e pagar tributo, segundo a norma que o estabelece, é também responsabilidade fiscal – lembra a palavra Fisco. Trata-se de opção semântica. O livro poderia chamar-se “Constituição e Responsabilidade Tributária”, mas como está, creio que dá uma maior abertura temática. EM TEMPO - Ugo Mattei (professor de direito internacional da Universidade da Califórnia e da Universidade de Turim) e Laura Nader (professora de antropologia da Universidade da Califórnia) consideram (em “Pilhagem – quando o Estado é ilegal”, Martins Fontes, SP 2013) que o Estado de Direito pode ser “considerado ilegal quando é aplicado de maneira criminosa, arbitrária e voluntariosa, vitimando indivíduos mais
fracos”. Na abordagem que você usa no livro, o Estado de Direito é ilegal, pois afronta a Constituição (“que o possui”)? MAS: O Estado de Direito se origina na Constituição. A história é marcada por alegadas “razões de Estado”, em última análise, os interesses das classes dominantes e os que em favor delas agiram.
É nesse sentido que a Constituição ‘possui’ o Estado, justamente porque limita sua atuação, subordina-o a seus valores, direitos, garantias, limites Mário Antonio Sussmann, jornalista, escritor e advogado
A Constituição consolidou a cidadania, sobretudo as liberdades públicas. A Constituição autoriza o cidadão a reivindicar face o Estado, que se tornou mero instrumento para a realização da Constituição, qualquer liberdade pública, veda que o Estado aja desconforme com a Constituição. É nesse sentido que a Constituição “possui” o Estado, justamente porque
limita sua atuação, subordina-o a seus valores, direitos, garantias, limites. EM TEMPO - Neste sentido, o Estado sempre é contra a sociedade? MAS: O Estado, enquanto entidade com interesses próprios, ou seja, dos que o controlam, é incompatível com a Constituição e sob essa acepção extinguiu-se. Na hipótese de afrontar à Carta, o Estado não será contra a sociedade, mas contra a Constituição, que contém os valores sob os quais a sociedade decidiu viver e nela os consagrou imperativamente. Se efetiva a Constituição, o Estado é a própria sociedade em sua vivência. EM TEMPO - Não seria contra a sociedade, o Estado que mobiliza forças de segurança contra a reivindicação pacífica (de qualquer maneira o trânsito de veículos e pessoas, o ir e vir constitucional será violado) como aconteceu com as manifestações de junho, nas quais quem mais sofreu foi quem não quebrou vidraças? MAS: Os valores devem ser concretizados em coerência. Há o direito de manifestação pacífica, que não impede, apenas retarda o direito de
Livro novo de Sussmann trata sobre o Estado e a Constituição
ir e vir. Na ponderação de valores, eu chegar um pouco depois em casa cede a primazia para a liberdade de manifestação pacífica. Quem quebrou vidraças violou o direito constitucional da propriedade, não pode abrigar-se sob a Carta. EM TEMPO - A “responsabilidade fiscal”, como o livro a apresenta, não pode ter uma abrangência maior (além da administração de verbas já referida)? MAS: A prevalência da Constituição garante a Justiça tributária e impede a tirania fiscal. Certas questões são difíceis. O confisco – proibido pela Constituição – não se reconhece pelo que toma, mas pelo que deixa. É
simples verificar se determinado tributo tem ou não efeito de confisco. Mas não se enfoca o conjunto de todos os tributos, se tem ou não efeito de confisco. Se considerarmos a periodicidade de parcelamentos pelo Fisco, temos evidência empírica de que empresas não sobreviverão e não será por má administração ou retração de mercado, e sim porque não suportam mais a chamada carga tributária, não pagam um tributo para poderem pagar outro. Essa visão de conjunto é indispensável para conferir se a tributação é ou não confiscatória, é ou não inconstitucional. Acrescente-se, cada vez mais a arrecadação avança percentualmente no PIB.
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
Pesquisa e fomento na primeira do plural Uma semana de boas notícias, apesar do desmatamento recorde na cobertura vegetal do Amazonas. Enquanto é firmado o acordo do açaí, que envolve a poderosa Coca-Cola e as agroindústrias do interior, financiadas pela Afeam, agência estadual de fomento, a UEA, Universidade do Estado do Amazonas, ainda alvejada pelo ranking acadêmico do jornal “Folha de São Paulo”, celebra um oportuno acordo de parceria tecnológica com a Honda, a maior empresa de duas rodas e de fabricação de motores do planeta. Nesse meio tempo, Afeam e Inpa, Instituto Nacional da Amazônia, resolvem juntar suas farinhas. A iniciativa é sequência do que foi debatido no mês passado, no seminário que Cieam/Fieam promoveram sobre pioneirismo e futuro da economia regional, com entidades e empresas de biotecnologia da região. Para aproximar as farinhas da pesquisa e do fomento, o workshop entre pesquisadores, empreendedores e gestores buscou identificar pontos de convergência entre os dois organismos e formas de ação compartilhada em cadeias produtivas do interior e sua integração com o Polo Industrial de Manaus. O Inpa conhece, desde a crise do petróleo dos anos 70, o teor energético de 18 oleaginosas que podem fazer funcionar motor de ciclo diesel sem mistérios, incluindo o motor de rabeta, uma invenção amazonense que ajudou o caboclo a viajar mais depres-
sa . Combustível na Amazônia vale ouro. “Para entregar um litro de óleo em Pernambuco, uma comunidade do Alto Juruá, 800 km de Manaus, a distribuidora gasta 4 litros no transporte”, lembrou Pedro Falabella, presidente da Agência. Um dos pontos de partida é promover a produção de fonte alternativa de energia com a produção de biocombustível, numa área experimental de 200 hectares, que possa gerar efeito demonstrativo e ser replicada em outros municípios para viabilizar agroindústria a partir do extrativismo sustentável. A aproximação vai mobilizar recursos de pesquisa e fomento do Fundo Amazônia – que o BNDES não consegue aplicar na floresta - e demais fundos de P&D das diversas agências e vai buscar replicar as empresas encubadas do Inpa, em parceria com a Embrapa e organismos relacionados. É a cadeia produtiva da Afeam com a colaboração da cadeia do conhecimento, que a pesquisa pode oferecer, anunciou Estevão Monteiro de Paula, diretor de Ações Estratégicas da Instituição. Enquanto a academia sacode as próprias sandálias da abstração para adentrar o chão de fábrica, atores da economia regional começam a estreitar ações, partilhar energia e experiência para desenhar novas matrizes de negócios, na expectativa de interiorizar oportunidades, equilibrar a distribuição da riqueza e integrar o esforço de um desenvolvimento hu-
mano mais justo e equânime. Como pensar, por exemplo, a economia da várzea, em padrões mais ousados do que aqueles que consolidaram a civilização do Nilo, sem debruçar-se sobre as pesquisas e retomar os resultados de tantas décadas de investigação feitas pelo INPA? Como cogitar a implantação de uma nova economia florestal madeireira e não madeireira, fundada na definição de espécies por seu valor de mercado, sem revisitar os estudos das cadeias produtivas, no robusto acervo de prospecção disponível no Instituto? O mapa das vocações já foi feito por Bertha Becker na orientação dos bionegócios e pela dupla Marilene Correa e Edneia Dias na identificação das demandas de qualificação acadêmica por calha de rio. E aí a economia do extrativismo foca seu contraponto agroindustrial. Em 1942, alucinados por conta da escassez da borracha, o governo americano, invocando o acordo de Washington, proibiu os navios cargueiros procedentes da Amazônia, de transportar castanha para Estados Unidos e Europa, a economia extrativa mais pujante da região, após a debacle da borracha, sob a desculpa do esforço de guerra que precisava dos navios cheios de borracha para os equipamentos bélicos do confronto. Um longo Memorial da Associação Comercial do Amazonas, na ocasião, descreve o que se pode chamar
de interferência perversa dos acordos históricos de engessamento da economia amazônica, que escondem o imperativo da intocabilidade por razões nada altruístas. Uma das incubadoras do Inpa, objeto de promissora parceria na área de alimentos, é ironicamente um programa de beneficiamento e agregação de valor ao extrativismo da castanha, uma economia ora entregue aos roedores por restrições ambientais nas Unidades de Conservação. A melhor forma de investir contra esse frequente tipo de insensatez ambiental é demonstrar a viabilidade de novas tecnologias de alimentos, que sejam sustentáveis do ponto de vista da produção e integrais na ótica da biossegurança, para resgatar e atualizar o conhecimento consolidado na região, com Inpa, Embrapa e demais instituições, que focaram no inventário e hoje priorizam a produção. Nesse contexto, é exequível normatizar e equacionar os negócios da aquicultura e levar em conta os programas e projetos de aproveitamento da ictiofauna que os pesquisadores locais tem desenvolvido. E é infinito o inventário de oportunidades que as várzeas amazônicas propiciam na produção de alimentos, como o feijão de praia que a Afeam transformou em fonte de renda e prosperidade para as famílias do rio Purus, entre outros itens de uma extensa cadeia produtiva que evolui com a inserção e articulação da cadeia do
conhecimento e da libertação do atraso e do descaso. A percepção de que a ZFM industrial encolhe e a decisão do polo de duas rodas investir em tecnologia para salvar a própria lavoura e revitalizar o enfoque na inovação, fica cada vez mais evidente que o melhor meio de prorrogar, adensar e interiorizar o polo industrial, é vitalizar a aproximação entre os atores que colocam a mão na massa, ou biomassa. Há sempre muita expectativa entre parcerias envolvendo Inpa, Embrapa, Afeam, e demais órgãos federais, estaduais, as entidades de classe dispostas à fusão e comunhão de metas, partilha de saber e de recursos na coincidência de atribuições, redução de desperdício, o acerto das proposições. Afeam e o Inpa, nesta semana, se deram conta que é inadiável percorrer de outro jeito o mesmo caminho e devolver à comunidade o saber e o patrocínio da investigação em nome da qualidade de vida, da promoção integral e permanente das pessoas. São padrões alternativos e sugestivos ao cotidiano do laboratório, a euforia da descoberta, e ao prazer de promover a partilha do saber: motivações nobres de adesão ao novo pacto entre ciência e existência, pesquisa e cidadania, que reescreve em formato poético o genoma da transformação, modificado pela engenharia genética da tecnologia social, num marco regulatório das oportunidades conjugadas na primeira do plural...
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaista
O mapa das vocações já foi feito por Bertha Becker na orientação dos bionegócios e pela dupla Marilene Correa e Edneia Dias na identificação das demandas de qualificação acadêmica por calha de rio”
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Economia
Crianças poupam Seja em casa ou na sala de aula, os pequenos hoje aprendem desde cedo a lidar de forma responsável com dinheiro no futuro próximo JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
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m agosto deste ano, Isabela Braga Araújo, de apenas 9 anos, recebeu R$ 15 da mãe para a compra do ingresso de uma festinha para crianças que planejava ir com as amigas. Porém, ela tinha uma missão a cumprir antes para participar dos momentos alegres ao lado das colegas. Isabela poderia ir à festa desde que conseguisse poupar o dinheiro dado pela mãe até a data do evento. Cumprido o desafio, mas do que a diversão garantida, ficou o aprendizado enraizado na criança de que é preciso saber economizar mesmo quando se trata dos pequenos consumidores. O caso de Isabela é um exemplo de como as crianças hoje em dia aprendem mais cedo a lidar com dinheiro. A propagação de conceitos de educação financeira como planejamento e foco, seja por meio dos pais ou pelas escolas, tem se tornado um popular aliado na formação de crianças sensatas e futuros adultos mais equilibrados financeiramente.
Pequenos são exemplos para nova geração
A mãe de Isabela e também do pequeno Felipe, de 5 anos de idade, a estudante de psicologia, Aline Braga, dá sua receita para ensinar os filhos a gastar melhor o dinheiro. Ela conta que não estipula um valor mensal para a filha. Contudo, ensina aos pequenos a guardar o dinheiro recebido, esporadicamente, para ocasiões realmente importantes. “O Felipe ainda é muito pequeno, mas a Isabela já entendeu que se gastar dinheiro com besteira, talvez ela não tenha o suficiente para ir ao cinema ou comer um lanche com as amiguinhas e, por esse motivo, ela poupa”, destaca a universitária. Sonho Aline explica ainda que um de seus grandes desejos é o de que os filhos não se tornem adultos descontrolados em relação aos gastos. O motivo de tanta preocupação vem das experiências vividas por ela mesma quando passou por fase em que abusou em gastar além do que podia. “Já enfrentei problema com dívidas por falta de organização e não quero que eles passem pelo mesmo” justifica.
O consultor financeiro, Américo Batista, afirma que bons exemplos das crianças podem ajudar a criar uma nova geração de adultos e mudar a relação com o dinheiro. “Hoje, o brasileiro não é educado financeiramente. Sem essa base, a velha geração não sabe como usar o cartão de crédito, onde aplicar, que imóvel ou carro adquirir e se perde até mesmo na hora de segurar o salário até o final do mês”, avalia. Para o especialista, o despertar para esta consciência em relação ao dinheiro ainda na infância é essencial. Segundo ele, o aprendizado principal para a criança é não ultrapassar seus limites e entender que o dinheiro não vem dos pais, mas sim do fruto do trabalho que eles exercem. Literatus foi uma das instituições pioneiras a ensinar educação financeira nas escolas de Manaus
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como gente grande IONE MOREIRA E DIVULGAÇÃO
Escola aposta em disciplinas ‘econômicas’
Segundo especialistas, cofrinhos são ideais para ensinar crianças, como André e Ana, a poupar ,,
Mesada é um método educativo Os filhos do jornalista André Moreira, Ana Beatriz, 6, e André, 9, aprenderam desde cedo que dinheiro “não cai do céu”. Junto com a esposa, o pai estabeleceu um sistema de mesada de R$ 10 para as crianças. “Elas ganham de acordo com o desempenho na escola. Caso comportem mal, não levam nada e se as notas forem boas, o valor da mesada pode até dobrar”, detalha o jornalista.
Os resultados podem ser sentidos pelos pais. André comemora ao contar que seus filhos economizaram R$ 235 desde o início do ano, após alguns gastos. O motivo do “cofrinho” é uma viagem de férias para o Rio de Janeiro no Natal deste ano. “Vamos pagar as passagens, mas achei interessante que eles estejam poupando para a viagem. Mesmo sem noção dos preços reais, eles entendem perfeitamente que
para realizar sonhos ligados a dinheiro, a organização é fundamental”, frisa. Embora considere boa prática, o consultor Américo Batista reforça que a mesada precisa ser aplicada de forma correta. “O valor deve ser conforme o que a criança precisa e não deve ser complementado. Se acabar, os pais não podem passar a mão na cabeça dos filhos, sob pena do exercício ter sido em vão” defende.
A aposta em adultos melhores, quando o assunto é dinheiro, estimulou a direção do Centro de Ensino Literatus (CEL) a ser uma das primeiras escolas de Manaus a oferecer, além de disciplinas básicas, educação financeira aos alunos. Com o lema “Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar”, a instituição utiliza o material didático da editora DSOP, especializada no assunto, para educar crianças a partir de 3 anos a atingir seus objetivos, seja ele, um carrinho de brinquedo ou uma viagem para a Disney. A diretora de ensino da educação infantil e ensino fundamental da CEL, Édila Leal detalha que, pelo menos duas vezes na semana, os alunos recebem aulas sobre a importância da educação financeira.
Estudantes aprendem também conceitos de administração
Materiais didáticos são usados Conforme a professora Édila Leal, o CEL utiliza material didático, vídeos e brincadeiras nas aulas de educação financeira. Para as crianças menores, o aprendizado é mais lúdico e ganha consistência conforme a idade dos alunos. “Queremos fortalecer conceitos de administração com os gastos, um ensinamento útil pelo resto da vida deles”, salienta. A educadora explica que
o sonho é a base para o aprendizado. Segundo ela, as crianças que sonham com brinquedos, passeios e viagens aprendem a transformar os desejos em realidade por meio de planos e metas. “Aprender que nada na vida é dado de bandeja, pode ajudá-las a dar valor ao que tem e empreender os sonhos, que sem metas claras poderiam ficar para sempre na imaginação delas”, acrescenta Édila.
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País
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Quase 30% das usuárias de crack engravidaram 2 vezes D
as usuárias brasileiras de crack, 29,3% já ficaram grávidas ao menos duas vezes desde que começaram a usar a droga, segundo o “Perfil dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil”, divulgado nesta semana pelo Ministério da Justiça em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa questionou mulheres que usaram regularmente o crack ou drogas similares (pasta-base, merla e oxi) nas 26 capitais, no Distrito Federal e em nove regiões metropolitanas e municípios de médio e pequeno portes do país em 2012. Cerca de 10% relataram estar grávidas e outras 10% disseram que não sabiam se estavam. Entre elas, 22,8% disseram já ter engravidado duas ou três vezes desde que iniciaram o uso da droga - com percentual maior entre as usuárias das capitais (24,2%) -, 17,3% engravidaram pelo menos uma vez (15,3% nas capitais), e 6,5% engravidaram quatro vezes ou mais desde o início do consumo (7,3% nas capitais). A maioria das usuárias do país (53,4%) disse nunca ter engravidado desde que começou a consumir a droga (53,2% nas capitais).
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Entre elas, 22,8% disseram já ter engravidado duas ou três vezes desde que iniciaram o uso da droga, afirma pesquisa Tempo de uso Ainda segundo o perfil, as mulheres usam a droga por menos tempo do que os homens. Enquanto eles consomem crack por uma média de 83,9 meses, elas usam por 72,8 meses. Entretanto, as mulheres consomem mais pedras por dia do que os homens: 21, em
PERFIL
Pesquisa questionou mulheres que usaram regularmente o crack nas 26 capitais e no Distrito Federal. Cerca de 10% relataram estar grávidas e outras 10% disseram que não sabiam se estavam Pelo menos 10% das usuárias de crack disseram, em pesquisa, não saber se estavam grávidas quando consumiram o entorpecente
média, contra 13. As mulheres também lideram o ranking quando o assunto é se prostituir para sustentar o vício, isto é, trocar sexo por dinheiro ou mesmo por drogas: 29,9% das usuárias contra apenas 1,3% dos usuários. A maioria dos usuários é formada por solteiros (60%) e grande parte não usa preservativos quando fazem relações sexuais por via vaginal (39,5%).
Pelo menos 370 mil usam crack nas 26 capitais Outro levantamento divulgado hoje pelos ministérios aponta que pelo menos 370 mil pessoas usaram crack ou drogas similares regularmente nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal em 2012.
Destas, 14% foram menores de idade, ou aproximadamente 50 mil crianças e adolescentes, de acordo a pesquisa. As capitais do Nordeste, proporcionalmente, foram as que somaram o maior número de
usuários entre os menores de idade, correspondendo a pelo menos 28 mil pessoas, segundo o levantamento que considerou as definições dos próprios usuários, sem comprová-las por exames clínicos. Definiu-se
como “uso regular” o consumo da droga por pelo menos 25 dias nos últimos seis meses, seguindo definição da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) referente ao uso contínuo de entorpecentes.
País
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Religiosos que apoiaram a ditadura militar vão depor
ROCINHA
Família de Amarildo tinha problemas com policiais lher de Amarildo, Elizabeth Gomes da Silva, 48, tinha reclamações constantes contra a ação policial na rua 2, no interior da Rocinha, onde a família morava. “Tem que matar essa mulher porque ela está ‘causando’ muito, falando muita besteira aqui. Sempre essa família”, teria dito um dos policiais em uma das operações, de acordo com o depoimento de uma testemunha. Na rua onde Amarildo morava há uma boca-defumo. Traficantes circulam constantemente pelo local. Policiais afirmam que suspeitavam de participação do casal no tráfico. Até o fechamento desta edição, a assessoria do comando da UPP não havia se pronunciado.
Comissão da Verdade, que investiga crimes durante a ditadura militar, quer ouvir o depoimento de religiosos que de alguma forma contribuíram com a repressão
Testemunhas confirmam problemas de Amarildo em UPP
grupo de trabalho da Comissão Nacional da Verdade dedicado a apurar a atuação das igrejas cristãs durante a ditadura militar (1964-1985) poderá convocar a depor religiosos que de alguma forma apoiaram a repressão. O coordenador do grupo, o expreso político metodista Anivaldo Padilha, informou que está sendo apurada a atuação, por exemplo, dos capelães militares, ministros autorizados por padres ou pastores a fazer celebrações e prestar assistência em quartéis. “À medida que nós conseguirmos identificar pessoas das igrejas que tiveram uma ligação direta com a repressão, nós vamos chamá-las para depor. Um exemplo de algo que estamos investigando é o papel dos capelães militares. Sabemos que eles acompanharam e estavam lá nos quartéis do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna (DOI-Codi)]. Certamente tinham informação sobre o que ocorria nos porões da ditadura, e alguns deles chegaram a acompanhar presos políticos”. Segundo Padilha, a falta de documentação sobre os encontros desses religiosos com os presos é um dos principais obstáculos.
REPRODUÇÃO
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Depoimentos de moradores da Rocinha à Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro indicam que a família do ajudante de pedreiro Amarildo Souza, 43, já vinha enfrentando problemas com os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela, na Zona Sul. Amarildo desapareceu no dia 14 de julho, após ter sido levado para a sede da UPP por quatro PMs. O delegado Rivaldo Barbosa concluirá nos próximos dias o relatório sobre o caso e, segundo a Folha apurou, deverá pedir a prisão do ex-comandante da UPP no local, major Edson Santos, e de outros quatro policiais. Segundo os depoimentos obtidos pela Folha, a mu-
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Grupo de trabalho quer apurar a participação de padres e pastores nos crimes da ditadura
Historiadora relata agressões A primeira a depor foi a historiadora Jessie Jane, que passou 9 anos presa (de 1970 a 1979) por ter participado de uma tentativa de sequestro de um avião, quando tinha 20 anos. Ela relatou ter sofrido agressão psicológica, física e sexual e que contou com a ajuda do então bispo
de Volta Redonda, dom Waldyr Calheiros, para conseguir casa e trabalho quando deixou a prisão. “Quando nos libertaram, ele nos levou para Volta Redonda, alugou uma casa para nós e nos conseguiu um projeto de boletim diocesano para trabalhar. Eu fui presa muito nova e não tinha profissão
nem faculdade ainda”. Jessie foi presa junto com o marido, Colombo Vieira, e os dois ficaram anos separados até conseguirem direito de se encontrar, ainda presos, em 1976. No encontro, ela engravidou da primeira filha, que foi criada pela família do marido até que eles fossem libertados.
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Mundo
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Custo para destruir armas químicas chega a R$ 1 bi Ditador sírio Bashar al-Assad admite plano de desarmamento químico, mas afirma que custo e prazo são preocupações
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presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou estar comprometido com um plano para destruir as armas químicas do país, mas afirmou que o processo pode levar cerca de 1 ano. Em entrevista à televisão americana Fox News, Assad voltou a afirmar que suas forças não foram responsáveis por um ataque químico ocorrido na periferia de Damasco em 21 de agosto. O plano de desarmamento da Síria foi delineado pelos Estados Unidos e pela Rússia na semana passada. O Ocidente deseja que o acordo seja sacramentado em uma resolução da ONU apoiada pela ameaça de uso de força militar, mas a Rússia se opõe. Referindo-se à questão da destruição dos estoques de armas químicas da Síria, Assad disse
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que ela seria “uma operação muito complicada, tecnicamente... e será preciso muito dinheiro, algo como cerca de R$ 1 bilhão”. “Então depende, é preciso perguntar aos especialistas o que eles entendem por (processo) rápido. Ele tem uma agenda. É necessário um ano, ou talvez um pouco mais”. As declarações de Assad ocorrem logo depois de um diplomata russo ter dito que Damasco cumprirá seu compromisso de eliminar suas armas químicas até a metade de 2014. Após negociações na Síria, o vice-chanceler russo Sergei Ryabkov disse que o presidente Assad estava “muito sério” sobre o plano de desarmamento. Evidências Ryabkov disse ainda que
autoridades sírias lhe entregaram “evidência material” mostrando que os rebeldes estavam envolvidos no ataque com gás sarin ocorrido no mês passado. A informação contradiz alegações feitas pelos Estados Unidos de que o regime foi responsável pelo ataque. O diplomata russo criticou a ONU por ter sido “parcial” em seu relatório recente sobre o ataque, uma alegação que a ONU negou. Mais de 100 mil pessoas foram mortas desde que a guerra civil começou na Síria no início de 2011, segundo as Nações Unidas. Milhares de pessoas deixaram seus lares e até o país desde o início do conflito. O chefe da equipe de inspeção da ONU, Ake Sellstrom, disse à BBC que será difícil encontrar e destruir todas as armas químicas da Síria, mas que isso seria “factível”.
Bashar al-Assad diz ser possível desarmamento químico, contudo precisa de um ano para a manobra
‘PAPA TELEFÔNICO’ VATICANO
PESQUISA
Europa tem países felizes e a África os mais tristes
Pontífice tem usado frequentemente o telefone para ligar e confortar os fiéis, como uma mulher grávida abandonado pelo namorado
E o papa agora liga para os fiéis O papa Francisco já se distinguiu de seu predecessor por um estilo muito mais pé no chão. Agora ele está enervando o Vaticano e deliciando os fiéis ao apanhar o telefone e ligar espontaneamente para as pessoas, o que lhe valeu o apelido de “o papa telefônico”. No começo do mês, ele ligou para confortar uma mulher italiana grávida cujo namorado, casado, a havia pressionado para que fizesse um aborto. A mulher, que é divorciada e será mãe solteira, escreveu ao papa, temendo que estivesse violan-
do as normas da Igreja. Por não saber o endereço, ela escreveu no envelope: “Santo Padre Papa Francisco, Vaticano, Roma”. O Papa se ofereceu para oficiar o batizado do bebê, quando ele nascer no ano que vem, de acordo com reportagem do jornal “La Stampa”, de Turim. Em agosto, Francisco ligou para uma mulher na Argentina que foi estuprada por um policial de sua cidade. O papa disse a ela que não estava sozinha e que deveria ter fé no sistema de Justiça, de acordo com uma
reportagem da TV argentina retransmitida na Itália. Em 7 de agosto, Michele Ferri, de Pesaro, Itália, atendeu o telefone e ficou atônito ao ouvir: “Alô, Michele, aqui é o papa Francisco”. Ferri disse em entrevista telefônica que achou que fosse um trote. “Mas depois ele falou da carta que eu tinha escrito, uma carta sobre a qual eu não havia contado a ninguém, nem minha mãe ou minha mulher”, disse Ferri. “E eu soube que era mesmo ele”. Ele havia escrito ao papa, contou, depois de “uma série
de tragédias na família”, mais recentemente a morte de seu irmão, assassinado no assalto a um posto de gasolina no começo de junho. “O papa disse que a carta o havia feito chorar”, contou Ferri. O telefonema de dez minutos “me ofereceu consolo e esperança, para enfrentar melhor a vida sem meu irmão”, disse Ferri. “A dor continua, é claro, mas foi uma grande emoção ouvir a voz dele”. Mais tarde em agosto, contou Ferri, o papa também ligou para sua mãe para oferecer consolo.
Os países mais felizes do mundo estão, em sua maioria, no norte da Europa, e os mais tristes, na África ou nas regiões mais duramente afetadas pela crise europeia. Essa é a conclusão a que chegou o World Happiness Report (Relatório sobre a Felicidade Mundial) para 2013, produzido pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e divulgado na última segunda (9) pelo Instituto da Terra da Universidade Columbia (EUA). Pela ordem, os moradores de Dinamarca, Norue-
ga, Suíça, Holanda e Suécia são os que se consideram mais felizes, numa lista com 156 países. Na outra ponta da tabela, a dos menos felizes, estão cinco países africanos (Ruanda, Burundi, República Centro-Africana, Benin e Togo). O Brasil está em 24º lugar no ranking da felicidade, mais bem colocado que países como França (25ª), Alemanha (26ª), Japão (43º), Rússia (68ª) e China (93ª). Grécia e Portugal, países fortemente atingidos pela crise na zona do euro, ficaram em 70º e 85º, respectivamente. DIVULGAÇÃO
Povos que vivem na África são os mais tristes, diz pesquisa
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
IONE MORENO/REPRODUÇÃO
Vem aí o Museu Criminal Páginas C2 e C3
Tucunaré-açu está perto de desaparecer na região Associação de pesca esportiva pretende iniciar campanha para proteger a espécie da pesca indiscriminada e predatória
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tucunaré-açu corre risco de desaparecer dos rios da Amazônia em pouco tempo. A preocupação é de pescadores esportivos que vêm à região constantemente e presenciam, ano após ano, a diminuição do número de espécies, principalmente nas proximidades de Manaus. Preocupada com a situação, a Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe) já está angariando recursos para desenvolver uma grande campanha que proteja a espécie no Amazonas. O médico paulista Aldo Stamm, que há 15 anos vem a Manaus para a pesca esportiva do tucunaré-açu, faz questão de afirmar que a preocupação é tão notória que já existe um decreto do governo do Estado, de 6 de abril de 2011, disciplinando a pesca. Segundo o decreto 31.151, composto de 10 artigos, fica proibida a pesca comercial do tucunaré na área da bacia do rio Negro, entre as divisas do Amazonas com a Colômbia até a foz do rio Branco. Ainda é vedado o uso de rede de arrasto, substâncias tóxicas, explosivas e outras que produzem efeito semelhante. “A região é muito grande e a fiscalização, falha. Entendemos que existem outras prioridades do Estado, mas é preciso que também haja preocupação com a espécie. São 25 mil pessoas que vêm por ano ao Amazonas para a pesca esportiva. Cada uma dessas pessoas gasta, em média, R$ 8 mil. Se o tucunaré-açu desaparecer, esse tipo de turismo acaba. Não podemos deixar que haja a pesca predatória”, assinala Stamm. De acordo com o pescador esportivo Gustavo Reis, nos últimos 8 anos a diminuição do número de espécies é vertiginosa. Apaixonado pelo Amazonas desde 1981, quando veio ao Estado pela primeira vez, o empresário
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paulista é colaborador da revista “Pesca e Companhia” e um dos pescadores esportivos mais conhecidos do país. Ele assinala que fenômeno semelhante já aconteceu no Pantanal e que o Amazonas pode estar caminhando para o mesmo destino. Tucunaré-açu “No Pantanal já existem barcos abandonados, pois lá houve uma corrida desenfreada pelo peixe. Aqui no Amazonas também temos percebido que é cada vez mais difícil encontrar o tucunaré-açu. Pescador esportivo pega o peixe, registra e depois solta, mas temos visto que há um grande comércio em cima desta
Tenho percebido que até mesmo o tamanho do peixe vem diminuindo nos últimos 8 anos. A situação é preocupante Gustavo Reis, pescador esportivo e empresário
espécie e é por isso que está desaparecendo. Não pensam no futuro”, afirma Gustavo. Na luta pela preservação da espécie no Amazonas, Aldo Stamm acredita, ainda, que o alerta está dado e para que o tucunaré-açu não desapareça, de fato, é preciso consciência ambiental tanto daqueles que gostam de pesca quanto daqueles que pouco entendem do assunto. “Estamos falando de um peixe que é o ‘embaixador da pesca esportiva no Brasil’. Será triste se um dia desaparecer. Estamos lutando para que isso não aconteça. Usamos o lema de que o tucunaré vivo vale mais para a comunidade do que ele morto”, destaca.
Campanha já tem projeto Criada em 2005, a Anepe é uma organização não governamental sem fins lucrativos, que tem como principal objetivo estimular a incentivar a prática de pesca amadora esportiva no Brasil. A associação difunde a modalidade “pesque e solte” e acredita que a prática desta atividade traz desenvolvimento econômico para a região onde é praticada, além de levantar a questão da proteção ambiental. Apelo “Fazemos parte da Anepe e estamos trabalhando para uma campanha publicitária de grande apelo em todo o Estado. Estamos preparando material de marketing e cartilhas que serão distribuídas no
Amazonas. Vamos, também, conversar com o governo estadual para que possam agir em forma de parceria. Nós não queremos recursos do Estado. Temos parceiros. Queremos apenas que entrem nesta campanha conosco”, explica Stamm. Gustavo Reis ressalta que o foco da campanha é inibir a pesca comercial de grandes proporções e que as ações de preservação não atingem os ribeirinhos. “A pesca para sobreviver pouco influencia nesta matança. Sempre viveram desta forma. Queremos coibir quem usa zagaia e com redes. Estes sim, estão colaborando para a extinção do tucunaré-açu”, finaliza o pescador.
Aldo Stamm, médico que pratica a pesca esportiva: grande dimensão da região acaba causando uma fiscalização falha
Uma espécie cultuada na pesca esportiva No total, são registradas 14 espécies de tucunaré em todo o Brasil, porém, o tucunaréaçu é uma das espécies mas cultuadas pelos pescadores esportivos. Eles são uma espécie de peixes sedentários
e vivem em lagos e rios, preferindo zonas de águas lentas ou paradas. São peixes diurnos que se alimentam de qualquer coisa pequena que se movimenta e outros peixes e até pequenos crustáceos.
Normalmente atingem de 50 cm ou 60 cm, mas já foram encontrados exemplares com mais de 70 cm, e o peso fica entre 3 e 10 quilos. Uma foto segurando o peixe chega a ser considerado
um troféu para quem vem ao Amazonas com esta finalidade. Pode alcançar mais de um metro e 12 quilos - o recorde homologado é de 12,24 quilos, capturado no rio Negro em 1994.
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Dia a dia
O crime através Museu Criminal do Judiciário amazonense deve ser inaugurado dentro de um mês e vai resgatar fatos de destaque da Justiça, até mesmo em nível internacional IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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pós desentendimento, dois escravos optam por resolver as diferenças lutando. Um tem mais sorte e acaba abreviando a vida do parceiro. O crime bárbaro chocou os moradores de Itacoatiara e não restou outra saída ao Judiciário se não recorrer ao apetite de carcará dos capatazes. A final, ele tinha que pagar. Pensados no último desejo e a última frase que entraria pra história, um “alívio”. De última hora, a sentença foi revogada, e convertida em trabalho compulsório nas galés. No Amazonas foi assim, e um documento que data o ano de 1870, não nos deixa mentir. Esse capítulo do Judiciário baré, somado a outros causos crueis ou mesmo pitorescos conhecidos mundialmente ficarão expostos no Museu Criminal do Poder Judiciário amazonense que será inaugurado dentro de um mês, em um prédio anexo ao do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), na avenida André Araújo, Aleixo Se não fosse ordem do imperador Dom Pedro 2º alterar a pena tanto para escravos, como para os homens livres, o destino do escravo de Itacoatiara era um apenas: escalar os mourões e mergulhar para a libertação. Uma réplica da força brasileira, que no século 19 estava presente em cada canto do país será exposta no chamado “Museu do Crime”. “Naquela época, as pessoas eram executadas exatamente assim. No Brasil não tinha ca-
dafalso, como na França. Eram três mourões e o carrasco subia no ombro do executado para fazer força para quebrar o pescoço”, especifica o idealizador do projeto, o juiz Adalberto Carim Antônio. Outro crime que entrou para história da capital foi o assassinato do jovem Delmo Pereira, 18, que confessou ter sido o algoz do motorista de táxi José Honório Alves da Costa, em janeiro de 1952. Delmo teve o corpo aberto ao meio em um matagal após ser capturado atrás do prédio do hospital Beneficente Portuguesa, no Centro. “Conta a história que ele era um cara bem afeiçoado, de noite ia aos lupanares da cidade e foi um dos primeiros consumidores de droga em Manaus. Na década de 1950, isso era uma coisa muito difícil. Foi linchado pelos motoristas de táxi e a associação dos estudantes começou a protestar porque ele era estudante”, afirma. Na época, a atrocidade assustou os moradores que evitavam inclusive sair de casa. “A população de Manaus ficou dividida. Minha mãe disse que as pessoas tinham medo de sair de casa”, lembra-se. O julgamento que inocentou a dupla de pescadores Francisco Farias de Souza e Clovis Lopes Magalhães por usar dinamite na pesca, em 1959, também será exposto no museu. “O crime ambiental foi ignorado e eles acabaram sendo inocentados. Queremos mostrar a mudança de valores, mas, sobretudo, dar dimensão do judiciário que ainda é muito desconhecido pela sociedade”, disse.
Casos de repercussão Outro crime chocante foi a morte de 146 mulheres, em 1911, no incêndio da fábrica de tecidos da fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, Estados Unidos. Conta a história que o prédio tinha as portas obstruídas durante o horário de trabalho, porque os donos temiam que as empregadas furtassem a produção. No momento do incêndio, 92 funcionárias tiveram o corpo carbonizado e 54 morreram após se jogarem do prédio, na tentativa de escaparem das chamas. Foi esse fato que culminou na criação do Dia Internacional da Mulher. “O julgamento foi ridículo, os proprietários foram absolvidos. O promotor tentou de novo, mas o juiz achou que estaria processando duas vezes pelo mesmocrime”, denuncia.
O limão e o defloramento Além de atentados contra o meio ambiente ignorados pela sociedade, histórias “cabulosas” também chegavam ao conhecimento do juiz, como o caso de uma adolescente que foi deflorada, na década de 1950, e o autor pediu que ela passasse limão no local para que a região retornasse a ser intocada. A “receita de purificação” recomendada pelo malandro foi toda detalhada nos autos. “O rapaz foi preso. Naquela época
tirar virgindade de uma moçoila era complicado”, comenta o juiz. Contudo, não serão apenas as pérolas do Judiciário local selecionadas para compor o acervo. “Nossa ideia é que o museu reflita a imagem do Judiciário como foi consolidado aqui, mas que ultrapassem fronteiras; as pessoas terão noção de que a aplicação da Justiça no decorrer da história da humanidade é um processo doloroso”, salienta. Documentos que contam a história da Justiça serão expostos
De acordo com Carim, o visitante também poderá acompanhar a “Linha do tempo”, espaço onde serão expostas réplicas do primeiro Código Penal, guardado no Museu do Louvre, em Paris, e do Código de Hamurabi, e lembrado o primeiro homicídio do qual se tem notícia: o assassinato de Abel pelo próprio irmão Caim, mencionado na Bíblia. Também será reservado espaço para as pessoas que contribuíram com a ciência jurídica, como o estudioso Cesare Beccaria, que publicou em 1764 o livro “Dos delitos e das penas” e propôs que a cadeia não fosse somente um lugar de expiação, mas de reflexão; e o criminalista do século 19, Cesare Lombroso, que propôs a análise do ser humano infrator pelas características do rosto.
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FOTOS: IONE MORENO
Criatividade avessa Para contar todas essas histórias de maneira atrativa e para fácil compreensão dos visitantes, sem dar brecha para o “juridiquês”, será reunido material usado nos processos, fotografias, jornais relatando crimes rumorosos e, claro, a criatividade dos acusados na confeccção de armas e artefatos usados nos crimes. O juiz revela que será exposto um vasto arsenal, com exemplares de fabricação dos próprios bandidos até as que pertenceram ao exército alemão, usadas na Primeira Guerra Mundial. Dentre os modelos clássico estão as alemãs Mauser e Luger e a emblemática submetralhadora americana Thompson, a queridinha de Al Capone, além de baionetas, espingardas, pistolas que foram enviadas ao exército para restauração e motosserras usadas em crimes ambientais. Armas de brinquedo e outras de fabricação dos próprios acusados também serão expostas, bem como as vestimentas dos
réus. “Antigamente, eles eram mais elegantes. Muitos preferiam usar capuz, hoje a moda é a touca de ninja, ou máscara como a usada no assalto na Cidade Nova, onde o autor usou a máscara do (filme) ‘Pânico’”, lembra. Também é estruturado o projeto “História Oral do Poder Judiciário”, que vai contar com a participação dos desembargadores que contribuíram com o processo. “Acho muito importante sair da mesmice. Essa é uma forma interessante de criar aproximação, muita gente não tem noção do que faz o Judiciário”, analisa. As aventuras dos juízes e desembargadores no interior do Estado também serão levados a público pelo projeto. “Meu pai ficou 12 anos no interior, morou num mosteiro abandonado e pegou o interior selvagem, andava de catalina e aquatizava no rio. Minha mãe me disse que o mesmo avião que os levou para Tabatinga, uma semana depois, se envolveu em acidente e morreu todo mundo”, lembra Carim. O juiz Adalberto Carim Antônio e uma representação de forca usada no passado: resgate
A criação do museu permitirá o conhecimento da evolução da Justiça ao longo de muitos anos
Reconhecimento de valores Muito além de preservar a memória de crimes, o Museu Criminal busca reconhecer os valores de uma sociedade que está em constante transformação. Segundo o juiz Adalberto Carim, idealizador do projeto, a ideia não é fazer apologia e sim manter viva na lembrança das pessoas a ousadia avessa do homem, para servir de reflexão. “Não é um museu sobre crime, e sim do Judiciário em si, que resgata valores da sociedade de então e os
da sociedade de agora. O professor James Silva, do departamento de história da Universidade Federal do Amazonas, apontou que não se trata de apologia aos delitos, e sim uma forma de lembrar que algumas coisas que aconteceram não devem ser repetidas”, defende. O local também poderá ser importante fonte de pesquisa de estudantes e para a própria sociedade se reconhecer e refrescar a memória. “O Poder Judiciário amazonense é respon-
sável pela manutenção de um acervo memorável de informações que não são só relativas aos procedimentos judiciais. Quando você analisa um processo, enxerga outra sociedade, você recua no tempo. Percebemos que esse acervo estava se perdendo, longe dos olhos da sociedade, a reação que nós tivemos e o desembargador Ari Moutinho foi extremamente importante na decisão de que estruturássemos um museu”, explica.
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Dia a dia
Conflito prestes a explodir Violência e ameaça de morte na invasão na Vila do Ubim, a terceira da rodovia AM-070, entre Iranduba e Manacapuru. Durante a cobertura dessa nova ocupação, a equipe do EM TEMPO foi hostlizada e ameaçada por supostos líderes
Outra invasão se formou ao longo da rodovia AM-070, com pessoas destruindo a floresta lideradas por um pastor da Igreja Assembleia de Deus, que levou todos a intimidarem os jornalistas MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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ais uma invasão explodiu na última sexta-feira (20), no quilômetro 48 da rodovia AM-070, na Vila do Ubim, fronteira dos municípios de Iranduba e Manacapuru. São 8h50. De forma relâmpago, os invasores avançam no meio da floresta derrubando árvores e devastando parte das terras do empresário Ritta Bernardino, proprietário do hotel de selva Ariaú Tower. Comandados pelo pastor Edislon, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Tradicional, mais de 300 invasores empunhavam terçados ameaçando a equipe do EM TEMPO e uma patrulha de aproximadamente seis policiais que estava na estrada para controlar o trânsito para a passagem do governador em exercício, José Melo,
que se dirigia pela manhã ao município de Manacapuru. O clima é hostil e lembra os conflitos de terras que tantas vítimas fizeram no sul do Pará. A região está ficando perigosa. Com placas fincadas na clareira, onde se lê “Vila do Ubim”, essa é a terceira invasão na rodovia Manoel Urbano. A primeira, com mais de 20 mil ocupantes, está encravada no quilômetro 6. A segunda é a Nova Ariaú, no quilômetro 36, que já tem mais de 700 barracos. De acordo com o empresário Ritta Jr., filho de Ritta Bernardino, uma quarta está acontecendo no lago do Bujaru. Ao perceber o que está acontecendo com as terras da família, Ritta Jr., dono do Pesque e Pague, baixa o vidro de seu carro e se desespera, chegando a chorar. Em seguida tenta registrar, com a câmera de seu celular, a cara dos líderes da invasão, mas é
Ritta Bernardino mostra título Proprietário do hotel de selva Ariaú Tower, conhecido internacionalmente, o empresário Ritta Bernardino, 80, apresentou ontem pela manhã o título definitivo das áreas de terra que possui na região: as reservas Santa Rita, Indústria e Minerva, num total de 2.680,62 hectares. Embora Ritta esteja na região há 38 anos, o título da terras data de 30 de dezembro de 1929, de acordo com o documento do concedido pelo Instituto de Terras do Amazonas (Iteam). Logo depois do conflito com os invasores e das ameaças de morte, o empresário Ritta Bernardino se reuniu no Pesque e Pague do filho com o seu assessor de assuntos fundiários, Jander Golçalves, e com o comandante do Batalhão
Ambiental, sargento Jander Ruben, quando apresentou a documentação. – Isso é uma consequência social da política brasileira. É um problema que não deveria existir. O governo se anteciparia a tudo isso, desapropriaria as áreas, lotearia e distribuiria para a população que precisa de moradia – disse o empresário ao EM TEMPO. Para Ritta, a situação é esquisita porque deixa todo mundo em pânico: a polícia, os proprietários e os invasores. – Quer dizer, é uma situação que poderia ser evitada. Só bastaria o governo desapropriar, pagar aos proprietários e distribuir a terra. Mas se não atuar socialmente corre o risco de virar uma grande favela – adverte Ritta Bernardino.
agredido com palavras agressivas e ameaças de morte: – Te prepara pra morrer! – gritavam os invasores. No acostamento da pista, um homem trajando paletó preto orientava os invasores. Quando o fotógrafo Ricardo Oliveira apontou a objetiva em sua direção, ele reagiu de forma violenta e o fotógrafo foi cercado por invasores armados de terçados. – Não me fotografa! Não me fotografa que eu te processo! – gritava o homenzinho. – Estou fazendo meu trabalho e você não vai me impedir disso! Você chega de paletó e gravata numa invasão e não quer ser fotografado? Vou fotografar o que eu ver de diferente aqui, até se o ET, descer eu fotografo! O homem puxa a identidade e se identifica como advogado dos invasores. Mas se recusa a revelar o nome. Descobrimos depois se tratar de C é l i o Eduardo Machado, que tem escritório
em Manacapuru e também se identifica como advogado do prefeito Washington Régis. Mas, à tarde, numa ligação para a seccional Amazonas da Ordem dos Advogados do
CONFLITO
– Te prepara pra morrer! - gritavam os invasores ao perceberem a presença do filho do empresário Ritta Bernardino, que fazia imagens da ocupação no local Brasil (OAB-AM) descobrimos que ele é de Minas Gerais e tem uma inscrição suplementar, isto é, um registro provisório para atuar no Amazonas. Os ânimos se alteram cada vez mais. O advogado dá as ordens para uma mulher loira, de olhos claros – aparentando ser de fora –, que transita numa motocicleta Honda. Pressentindo o perigo, os jornalistas pedem socorro aos policiais do 9º BPM,
para que eles resguardem sua integridade física. Mas a leitura de um dos policiais é diferente. “Vocês chegaram aqui para tumultuar, não vamos interferir”. Um deles chega a dizer que “é perigoso. Aí dentro da mata tem mais de 300 pessoas”. Com isso, a moral dos invasores cresce e eles é que passam a filmar os jornalistas por meio de celulares. “Vamos acabar com vocês no Facebook”, ameaça a loira. Por volta das 10h, o prefeito de Manacapuru, Washington Régis, chega à área. Sem descer do carro, ele conversa com o pastor Edislon, e promete que vai exigir que o empresário Ritta Bernardino apresente o título definitivo da terra. – Não basta ele dizer que o dono. Tem que provar que é – diz o prefeito, anunciando que iria realizar uma reunião às 15h de ontem para avaliar a situação. – Você estão dizendo que precisam de
terras para expandir a comunidade (Vila do Ubim), vamos avaliar a situação, mas aviso que só resolvo dentro da legalidade – antecipou Régis. O prefeito pediu ao pastor-invasor que retirasse seu pessoal e a partir daquele momento mão derrubassem mais nenhuma árvores Edislon respondeu que levariam a sugestão aos invasores, numa assembleia improvisada no meio da floresta.
Advogado tentou intimidar os jornalistas presentes
Washington Régis, prefeito de Manacapuru, conversa com o pastor que ameaçou a equipe de reportagem do EM TEMPO
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Protegidos pelo deus Tupã Cacique Sabá Kokama diz que seu guerreiros estão de prontidão, sob a benção de Tupã e de seus antepassados, esperando as forças que prometem retirá-los da invasão feita inclusive por homens não indígenas no Iranduba
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
Líder da comunidade indígena que ocupa terreno na rodovia, Sabá Kokama garantiu que seu povo estará abençoado e protegido por Tupã em uma eventual luta na reintegração de posse MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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área invadida por índios e brancos no quilômetro 6 da AM070, no município de Iranduba, está praticamente vazia. Apenas curumins correm no terreno, vigiados por suas mães à porta dos casebres. São 11h30 de sexta-feira. Para tentar entrar na invasão, temos que pedir permissão ao cacique Sabá
Kokama. Isso só pode ser feito pelo celular – já vai longe o tempo que índio usava o tambor. O telefone chama e quem atende é uma voz de mulher. – Bom dia, queremos falar com o cacique Sabá. Ele está na invasão? – Aqui não tem invasão, meu senhor. Aqui tem comunidade – responde a mulher, irritada. Pedimos para ela transmi-
tir nosso recado ao cacique. “Estamos aqui na portaria aguardando”. A mulher responde que “ele está indo aí”. Pouco minutos depois, Sabá Kokama vem caminhando pela terra, cercado por seus “guerreiros”, um deles segurando uma lança. Trata-se de Ednaldo Apurinã, um adolescente que está ali para defender o chefe “com a própria vida, se preciso”. – Enfim um jornalista que publicou a verdade dos índios!
– foi a saudação do cacique, quebrando a tensão e nos deixando aliviados. Sabá Kokama referia-se à manchete do EM TEMPO de quarta-feira, a primeira entrevista que ele deu a um jornal impresso. – Cacique, o senhor está sabendo que a Justiça deu um prazo para a reintegração de posse? Isso significa que vocês serão retirados da terra. – Eles podem vir. Podem vir até com violência. O assentamento está todo preparado e
protegido com a benção de Tupã e dos nossos antepassados – responde Kokama. O cacique nos convida a entrar na aldeia. É a primeira vez que a entrada é pacífica, sem que tenhamos que ficar sob a mira de arcos e flechas. Sabá está acompanhado de um índio vestido de camisa branca de mangas. É um parente da etnia kokama, Adriel Sales, um advogado índio. O cacique explica que a aldeia está vazia porque os índios, em grupos
de 50, estão espalhados nos pontos estratégicos do “assentamento” esperando a invasão das forças repressoras. – Os nossos guerreiros estão de prontidão. Não vamos nos entregar, mas acho que é uma covardia. A gente está aqui para conversar, mas se eles agirem de má-fé, nós vamos divulgar essa violência no Brasil todo. Aqui temos centenas de crianças, mulheres e velhos. Não vai ficar bom para o Amazonas agredir índios.
‘Se houver violência, o Brasil todo vai saber’ De forma gentil, o cacique Sabá Kokama nos leva até a sua tapera, onde mostra o panelão no fogo, fervendo o almoço. Ele também abre a porta da frente do casebre, formada por uma cortina de plástico azul, e mostra o interior do que ele chama de tapera. Ali dentro podemos observar uma cama, um aparelho de a TV antigo e uma taça, lembrança de uma artilharia de um campeonato indígena de Tabatinga. EM TEMPO – O que o senhor está fazendo para o almoço? Sabá Kokama – Paca cozida com macaxeira, um prato típico dos índios kokama. EM TEMPO – Então o senhor admite que está matando animais na reserva? Sabá Kokama – Matei uma paca. Temos que comer, né? Índio mata para sobreviver, quem mata por prazer é o branco. EM TEMPO – O senhor acha que Tupã protegerá vocês de uma invasão policial para desativar a
invasão? Sabá Kokama – Confiamos na proteção de Tupã. Não existe maior proteção do que Deus. Os brancos estudaram isso na Bíblia, eles sabem disso. Somos índios, mas seres humanos. Aqui tem índio, tem velho, tem mulheres e crianças. Todos lutando por um pedaço de terra. EM TEMPO – Por que vocês invadiram a Funai, na tarde de quinta-feira? Sabá Kokama – A Funai disse que aqui não tinha índio e nós fomos lá mostrar que tem. Queríamos falar com o coordenador, mas ele se escondeu. Não teve coragem de conversar com os índios porque é um despreparado, não é indigenista. Um indigenista conversa com o índio, vem pro meio da gente e conversa. Não carece botar Polícia Federal. A Polícia Federal é para cuidar do patrimônio, dos bandidos, dos traficantes, e não de índios. A Funai lavou as mãos. O coordenador não defende a cultura indígena, as comidas típicas indígenas, nossas lutas. Nem remar ele sabe. Nem com flecha ele sabe flechar.
Para Kokama, Funai se tornou omissa na questão indígena O cacique elogiou a cobertura que o EM TEMPO deu ao caso
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Quem sente falta Mudanças no Centro e na região da Ponta Negra mostram que a era dos locais de baderna, pelo menos agora, está chegando ao fim ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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rostituição, tráfico, roubos e furtos eram constantes na época dos famosos “inferninhos”, tanto no Centro, Zona Sul, nas proximidades do calçadão do Relógio Municipal, como também na praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Com a revitalização desses pontos, esses tipos de ocorrências diminuíram quase 100% na praia da Ponta Negra, mas os trabalhadores do Centro ainda pedem reforço policial no período noturno, pois as ruas desertas tornamse palcos ideais para crimes. Os trabalhadores destacam o antes e o depois das retiradas desses bares que não tinham segurança, higiene e representaram riscos à saúde e até à vida dos frequentadores, pois proporcionava convívio de pessoas envolvidas com o crime. No caso da praia da Ponta Negra, o vendedor de coco Paulo Matias, 66, que trabalha ali há mais de 20 anos, contou que a princípio, com os 30% da reforma do complexo concluída, o local teve uma melhora presenciada para trabalhadores, usuários e moradores.
“Antigamente quando a praia era rodeada dos ‘inferninhos’, diariamente - e não havia horário -, tinha casos de roubos, estupros, vandalismo, tráfico de entorpecentes, entre outros que colaboravam para deixar o ambiente degradado. Os locais traziam insegurança aos banhistas e turistas além de poluir a visão que a natureza nos proporcionava”, contou o vendedor. Segundo Matias, os inferninhos, além de trazerem insegurança para a população, não tinham higiene. “Os alimentos eram feitos de qualquer forma, e os locais não tinham a liberação dos órgãos para funcionar de forma correta”, reforçou Paulo. Com a revitalização na praia da Ponta Negra, os 25 donos dos estabelecimentos antigos se agregaram à cooperativa permissionária e voltaram a trabalhar no local com a venda de bebidas nas barracas disponibilizadas pela Prefeitura de Manaus. “Com toda essa mudança, podemos afirmar que o ambiente ficou melhor tanto para trabalhar quanto para o turismo. Não vou negar que ainda há casos de roubos, mas não são tão constantes como antes”, disse o vendedor.
Restos das lanchonetes da área da praça do Relógio, após a demolição determinada pela prefeitura: revitalização, além de mudar o panorama do local, eliminou a concentração de pessoas ligadas à criminalidade naquela região
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Na praia da Ponta Negra, o local onde vários bares funcionavam deixou de existir, pondo fim a um tumulto de sons e que contribuia para a atração de elementos perigosos à segurança
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dos ‘inferninhos’? ALEXANDRE FONSECA
Um efeito colateral no Centro
Com a retirada recente de alguns bares conhecidos como “latinhas”, na praça do Relógio, as pessoas que trabalham no Centro informaram que depois das 18h o local fica totalmente deserto e perigoso. Para o gerente de uma loja de calçados dos arredores, Edson Belém, 43, que há 15 anos trabalha no Centro, é necessário que a parte turística invista na segurança. “Sabemos que o Centro é considerado área de turismo e são necessárias algumas mudanças, mas não adianta retirar os bares e não modificar o local, pois sem movimento aqui se tornou mais perigoso”, reafirmou. Por a praça não ter uma boa iluminação, os comerciantes, trabalhadores e turistas sofrem assaltos constantes no local. “O
próprio sistema de polícia que está presente na praça só funciona até as 18h, depois o local fica entregue aos malandros do Centro”, disse Belém. O vendedor ambulante Edmar Ferreira dos Santos, 33, que há 9 anos trabalha
PROBLEMA
Alguns dos trabalhadores dos arredores da praça do Relógio afirmam que depois das 18h, com o fim das lanchonetes, o local fica deserto, aumentando a insegurança de quem transita pelo local no Centro, também reclamou sobre a falta de segurança quando a noite cai. “Antigamente conseguíamos ficar trabalhando até as 21h, mas agora, depois
das 18h todos precisam fechar, caso contrário podem ser vítimas de algum crime. Até o número de prostitutas aumentou dentro da praça da Matriz, pois as que ficavam nos inferninhos ocuparam o ponto. Essa atitude enfeia cada vez mais a cidade, é necessário que realizem uma melhoria na segurança, pois as coisas não podem ficar da forma em que se encontra”, explicou. Para o flanelinha Reinaldo Peres da Silva, 35, que trabalha no Centro há mais de 18 anos, o processo de revitalização deu uma melhoria no sentido da limpeza do local. De acordo com Reinaldo, os inferninhos, além de enfeiarem o visual da praça, os banheiros, o lixo e outros materiais poluíam a praça diariamente, durante todo o horário do funcionamento dos estabelecimentos. DIEGO JANATÃ
Mudanças são necessárias Segundo a assessoria do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), no caso da praça do Relógio foram demolidos complexos de lanches, e a prefeitura, via Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab) e a Secretaria de Revitalização do Centro (Semc), ficaram responsáveis de realizar a devida realocação dos trabalhadores que realmente atuavam no logradouro, fazendo levantamento da situação dos mesmos. Ainda de acordo com a assessoria, na praça foram encontradas situações onde pessoas acabavam cobrando alu-
guel dos lanches, o que era indevido. Sobre a segurança do Centro, a assessoria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSPAM) informou que todos os postos que existiam na cidade foram desativados a partir da mudança de filosofia de policiamento trazida pelo programa “Ronda no Bairro”. “A polícia agora é para estar nas ruas, atuando em parceria com o cidadão. Este, por sua vez, também deve colaborar pela interação estreita com a polícia. Cada perímetro de três quilômetros quadrados agora tem uma guarnição específica para essa área.
Os policiais dessa guarnição devem ter um contato estreito com os moradores, fornecendo os telefones de contato da Cicom (Companhia Interativa Comunitária)”, explicou a SSP por meio de nota. O cidadão, por sua vez, também deve manter estreita relação com os policiais, a fim de também participar da segurança de todos que ali vivem. Conforme a assessoria, a segurança no Centro já melhorou, embora ainda não esteja no nível desejado pela SSP. “Claro, sempre há alguma ocorrência que tenta perturbar o sossego do cidadão, mas, no geral, muitos têm dado bom testemunho”, informou. Praça do Relógio antes da demolição dos lanches: confusão e desordem por todos os lados
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Prefeitura se destaca nas páginas das redes sociais ressaltar que também fomos a primeira prefeitura do país a utilizar esse canal de comunicação virtual”, explicou Victor. Na conta do Twitter, por exemplo, foi constatado um aumento de 25% dos seguidores durante o primeiro semestre deste ano. Atualmente, mais de 15 mil pessoas seguem o perfil da Prefeitura de Manaus. Já o canal do SoundCloud foram mais de 11 mil plays, ou seja, “nossas matérias foram ouvidas mais de 11 mil vezes pela internet”, comentou o coordenador de radiojornalismo, Rômulo Araújo. “São dados que nos animam e mostram que estamos no caminho certo, já que também fazemos o atendimento 2.0. Todas as demandas e denúncias recebidas pelos canais de comunicação virtuais são encaminhadas para as secretarias municipais correspondentes”, finalizou Victor Israel. Novidades A Prefeitura de Manaus abriu recentemente uma conta no Foursquare e já está fazendo o mapeamento dos principais pontos turísticos da cidade. A ideia é estimular o turismo local, divulgando ainda ações culturais promovidas pela prefeitura nesses espaços.
Canais oficiais da capital PORTAL www.manaus.am.gov.br FACEBOOK www.facebook.com/ prefeiturademanaus TWITTER @Cidade_Manaus
O número de acessos e fãs coloca a capital amazonense em destaque nas diversas redes sociais ARTE: SEMCOM
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presença digital da Prefeitura de Manaus alcançou destaque nacional em comparação com as demais prefeituras do país. Somente nos seis primeiros meses da gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto a página oficial da prefeitura no Facebook já tinha mais de 32 mil fãs, vencendo as prefeituras de Fortaleza (16.868) e Recife (16.556). Na última pesquisa, no dia 19 de setembro, realizada pelo Departamento de Mídias Sociais da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), o número de fãs da Prefeitura de Manaus chegou aos 60 mil, mantendo a liderança frente às outras prefeituras brasileiras. De acordo com o gerente de presença digital, Victor Israel, a grande visibilidade pode ser atribuída ao bom desempenho das estratégias de divulgação das ações da prefeitura e às várias ferramentas virtuais utilizadas no processo. “Além do Facebook, também utilizamos o Twitter, YouTube, SoundCloud, Instagram e Issuu. Para se ter ideia, temos uma média de sete matérias divulgadas diariamente e, pelo menos, quatro podcasts, que é a versão em áudio das reportagens. Vale
TACIO MELO/SEMCOM
Administração de Manaus tem página mais acessada do Facebook entre as cidades que mantêm perfis, como Fortaleza
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Plateia MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
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ALEXANDRE FONSECA
Iron Maiden encerra o Rock in Rio Plateia 3
(92) 3090-1042
Kleber MENDONÇA Filho
‘O Brasil ESTÁ à frente’
FOTOS: DIVULGAÇÃO
GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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leber Mendonça Filho é natural de RecifePE, jornalista, crítico de cinema e produtor audiovisual. Depois de vários documentários e curtas-metragens, o seu primeiro longa, “O som ao redor”, concluído no fim do segundo semestre de 2012, ainda colhe frutos pelo mundo inteiro. Na última sexta, o filme foi anunciado, pelo secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Leopoldo Nunes, para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro. Além disso, a companhia aérea Air France também anunciou que o filme, juntamente com a obra “A floresta de Jonathas”, do amazonense Sérgio Andrade, passa a integrar o acervo de entretenimento para seus voos. Ao EM TEMPO, o cineasta comenta sobre o momento que o Brasil atravessa no âmbito do incentivo à produção, colocandose à frente de outros países desenvolvidos.
Acho que o Brasil, em relação ao acesso para fazer filmes, é superior a outros países, que ou não têm política para isso ou se quer enxergam a necessidade de ter. O modelo brasileiro é semelhante ao francês, que privilegia o fazer cinema, e não necessariamente ser uma máquina de fazer dinheiro”
EM TEMPO – Quando você concluiu “O som ao redor”, imaginava o tamanho da repercussão que ele teria internacionalmente? Kleber Mendonça FilhoImpossível adivinhar o que aconteceria. Simplesmente, fiz o filme que queria.
EM TEMPO – Sabemos que não existe fórmula para o sucesso. Mas a que você atribui o sucesso de crítica e público desse seu primeiro longa? KMF – O filme pareceu tomar pulso de uma situação que é universal, que é a vida em sociedade. Acredito que tensões e medos estão – aparentemente – muito bem colocados no filme e as pessoas se identificam com isso. No fundo, se você tentar entender o porquê de algumas obras serem bemsucedidas, sempre se chega ao fator de identificação, seja para o bem ou para o mal. Alguns fatores pegam você em cheio e isso gera uma relação forte com a obra. EM TEMPO – “O som ao redor” e “A floresta de Jonathas” foram incluídos na lista de filmes para serem exibidos em voos internacionais. Você já conhecia o filme amazonense? KMF – Não vi ainda. Ambos passaram juntos no Festival do Rio, ano passado, mas cheguei nos últimos dias do evento e já tinha sido exibido. De lá para cá, aliás, só houve desencontros nesse sentido. Mas existe uma boa perspectiva de vê-lo agora, pois os dois serão lançados pela mesma distribuidora, a Vitrine Filmes, que está lançando todos os filmes “independentes”, ou que trazem uma linha mais peculiar e pessoal.
EM TEMPO – Nunca na história cultural do Amazonas uma obra audiovisual chegou tão longe. O que você, como conhecedor do meio artístico cinematográfico, pensa a respeito desse momento? KMF – De uma certa forma, a produção feita no Nordeste é fruto de uma mudança política nos últimos anos. No Norte vem acontecendo algo semelhante. Se pensássemos nisso nos anos 1990, tudo seria bem mais difícil e praticamente impossível. É muito chato politizar a coisa, mas isso tem a ver com a descentralização da cultura, que começou no ministério (da Cultura) do Gilberto Gil. Foi quando tive acesso à verba para um curta, depois de 8 anos (“Eletrodoméstica”), que só em 2004 foi aprovado, por meio de um projeto que já previa espalhar a cultura. O filme ganhou mais de 40 prêmios. Estamos vivendo uma época que não só pela tecnologia, mas pela política também, podemos viabilizar melhor as produções. EM TEMPO – O que de bom existe no apoio e estímulo à produção de cinema em outros países que poderia ser copiado pelo Brasil, na sua opinião? KMF – Acho que o Brasil, em relação ao acesso para fazer filmes, é superior a outros países, que ou não têm política para isso ou se quer enxergam a necessidade de ter. O mo-
Anúncio será em janeiro de 2014 Para ser um dos cinco finalistas na categoria, o longa “O som ao redor”, ainda concorrerá com indicações de outros países. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos deve anunciar os filmes escolhidos em 16 de janeiro do ano que vem. A cerimônia
de premiação será no dia 2 de março. Ele desbancou “Colegas”, de Marcelo Galvão, “Faroeste Caboclo”, de René Sampaio, “Gonzaga - De Pai para Filho”, de Breno Silveira, “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi, e “Meu Pé de Laranja Lima”, de Marcos
Bernstein. A escolha foi feita por uma comissão formada por nomes do Ministério da Cultura e do setor audiovisual, como a produtora Vânia Catani (de “O Palhaço”). O jornal “The New York Times”, apontou “O som ao redor” como um dos dez melhores filmes de 2012.
delo brasileiro é semelhante ao francês, que privilegia o fazer cinema, e não necessariamente ser uma máquina de fazer dinheiro. Não fiz o filme (“O som ao redor”) pensando em conquistar as bilheterias. Ele tem elementos que poderiam ser vistos como iscas de bilheteria, mas tem o seu público. Nos EUA, me vi em situação estranha por estar ao lado de colegas americanos, que ao contrário de mim, fizeram seus filmes com o próprio cartão de crédito e foram dirigindo para o festival, porque lá não tem como pegar dinheiro público para isso. Alguns chegam a hipotecar a casa para construir um sonho. De muitas formas, o Brasil está à frente nessa questão. EM TEMPO – Os filmes nacionais, sobretudo os que entram no circuito mais comercial das salas de cinema, estão em que nível de qualidade técnica e artística? KMF – Alguns filmes são bem feitos, como “Tropa de elite 2”, por exemplo. Mas a grande maioria é ruim. Até os próprios produtores acham isso. Em conversa informal, é até comum ouvir essa opinião entre eles. O mercado se televisionou e nada realmente precisa ser bom. Particularmente, discordo da ideologia de que quanto pior for o filme, mais rentável é. Não acho que precisa ser porcaria para ser popular.
Impossível adivinhar o que aconteceria. Simplesmente, fiz o filme que queria (falando sobre a seleção para representar o Brasil na indicação do Oscar)
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FOTOS: MAURO SMITH
>> Vitrine
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Durante palestra Fabricio Furtado e Iolandinha Oliveira em coquetel de lançamento no Vieiralves
Patricia e Gaio Rocha em festa da cena social da cidade
>> Verde e amarela . Durante o tradicional leilão do badalado jantar de gala da BrazilFoundation, que contou com um time de famosos, em Nova York, foram arrecadados R$ 2,2 milhões. . Entre os itens leiloados estão uma obra da artista brasileira Janaina Tschäpe (arrecadada por U$ 44 mil) e também do mexicano Bosco Sadi, joias poderosas de Ana Khouri, Carla Amorim, Jack Vartanian e Silvia Furmanovich e uma estada na suíte presidencial do Fasano, no Rio, além de um relógio da Audemars Piguet. . Mas os itens mais disputados da noite foram as camisetas da seleção brasileira doadas por Carlos Alberto Parreira, coordenador técnico da seleção, autografas pelos próprios jogadores. Cada uma delas foi vendida por US$ 35 mil.
. O trabalho técnico dos auditores fiscais foi decisivo para o crescimento da arrecadação de tributos, com redução na concessão de créditos fiscais e o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus (ZFM). A constatação foi feita pelo superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, durante a palestra “O Polo Industrial de Manaus (PIM) no cenário econômico nacional”, proferida na quinta-feira no auditório da Secretaria da Fazenda do Angela e Otávio Bastos em Amazonas, na 7ª Semana do Auditor Fiscal do Estado. coquetel cinco estrelas . “Em 2003 o faturamento era de US$ 10,62 bilhões; em 2012, o faturamento foi US$ 37,55 bilhões. Em 2003, a média mensal de empregos era de 64.971, em 2012 a média de vagas foi de 120.267. Em 2003, os investimentos totais realizados foram de US$ 2,76 bilhões, em 2012 foi de US$ 10,7 bilhões. Em 2003, havia 173 indústrias de transformação, em 2012 aumentou para 600. Além disso, os tributos federais gerados saltaram de R$ 3,72 bilhões, em 2003, para R$ 12,68 bilhões no ano passado”, detalhou. . Thomaz Nogueira encerrou a palestra destacando a função social dos auditores fiscais, ressaltando que o trabalho não se resume a aumentar a arrecadação, mas que, também, Letizia Barros, Sandra Lucia Saraiva e Rosiane Lima durante evenajuda a promover o bem-estar geral, por meio to nos domínios da Patrimônio Manaú do combate à sonegação e pela justiça fiscal.
>> Objeto de desejo . A divisão de perfumes da Dior acaba de lançar nova fragrância, desta vez, dedicada ao público masculino de bom gosto. . É a Dior Homme Cologne, com notas de bergamota da Calábria, flores de grapefruit e almíscares brancos. Leve e suave como os tecidos mais nobres da alta costura, Dior Homme Cologne é um perfume para ser usado em qualquer ocasião, como uma segunda pele.
>> Campanha . Cada vez mais engajada em sua campanha pela redução dos números relativos à obesidade infantil nos Estados Unidos, a primeira-dama Michelle Obama lançou nesta semana um programa para incentivar as crianças americanas a beberem mais água. . Nada mais justo, sobretudo por conta dos dados oficiais divulgados pela Casa Branca, que indicam que uma em cada quatro crianças norte-americanas não bebe sequer um copo de água por dia, enquanto quase metade da população adulta dos Estados Unidos bebe menos do que quatro copos por dia, o que está bem abaixo do recomendado.
>> O diretor-presidente da Fundação Hospital Adriano Jorge, Raymison Souza, está convidando para a solenidade de apresentação do resultado final do Projeto de Apoio à Iniciação Científica da fundação, nos dias 23 e 24 de outubro, no auditório Klinger do Areal Souto. >> A charmante Claudia Bernardino estreia idade nova neste domingo. >> A presidente da Associação Amigos da Catedral, Carmem Nóvoa Silva, convida para a homenagem ao presidente de honra da associação, dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus, na segunda-feira. >> O DJ Sidney Almada mostrará seu set list na festa que Jander Vieira irá pilotar, no dia 26 no Diamond, pelos seus 20 anos de colunismo, com o humorista Gustavo Mendes de atração principal. >> A querida Bernardette Pertotti está aniversariando hoje. >> Quem também está aniversariando neste domingo é Fábio Tichy. Cumprimentos da coluna.
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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
José CARDOSO
‘Nossa prioridade é REVITALIZAR o que nós já temos na cultura’ GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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novo de diretor de cultura da Fundação Municipal de Cultura e Artes (ManausCult), José Cardoso, está desde a última quarta-feira no cargo. Ao EM TEMPO, o novo gestor do setor defende a ideia de que é preciso agregar ainda mais os segmentos artísticos da cidade. Uma das mudanças previstas mais iminentes está relacionada ao aniversário de Manaus. Zezinho Cardoso é empresário, economista e autor de composições como “Vento Norte” (parceria com Ariosto Braga), “Pássaro Sonhador” (parceria
com Sidney Resende) e outras. EM TEMPO – O que muda para a instituição com a sua entrada como diretor de cultura? José Cardoso – Entendo cultura como algo amplo. Ainda precisamos analisar o que é realizado agora, em termos de política cultural, o que já cabe à fundação etc. Precisamos e vamos dar outra cara ao Boi Manaus (festa tradicional em comemoração ao aniversário da capital) e aproveitar também para trabalhar no aniversário da cidade, incluindo a inauguração do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no próprio dia 24 de
outubro. EM TEMPO – Estão previstas programações culturais no interior do mercado? JC – Por enquanto, ainda não. Mas estamos focados em executar o projeto “Banzeiro”, que vai acontecer durante três dias, na semana do aniversário de Manaus. A ideia é compor a cultura em vários momentos da gestão do prefeito Arthur Neto. O projeto “Banzeiro” vai ser levado para vários locais do Centro e promover atividades culturais de todos os segmentos, incluindo artes cênicas, palestras, música etc. Estamos fazendo o levantamento desses locais.
FESTIVAL ALEXANDRE FONSECA
A principal atração de hoje do Rock in Rio já fez show, em 2009, no sambódromo de Manaus
Iron Maiden encerra Rock in Rio O festival Rock in Rio encerra hoje, no Rio de Janeiro, com mais uma noite de metal. A principal atração é a banda Iron Maiden. O palco Mundo terá também Avenged Sevenfold, Slayer e Kiara Rocks. A transmissão pelo canal Multishow começa às 13h30, no horário de Manaus. Desde que estreou nos palcos do Brasil com a turnê “World Slavery”, na primeira edição do Rock in Rio em 1985, a banda Iron Maiden desenvolveu uma longa relação de afeto com os fãs brasileiros e da América Latina. Outro momento histórico foi quando o grupo participou do Rock in Rio 2001, apresentando-se para 200 mil fãs, pouco depois de Bruce Dickinson e Adrian Smith retornarem ao Maiden para o inovador álbum “Brave New World”. O vídeo resultante da apresentação, “Rock in Rio”, chegou ao número um das paradas interna-
cionais e mostrou a inegável paixão que a plateia brasileira tem pela banda e que os músicos têm pelos fãs. Desde então, o Iron Maiden vem ao Brasil com frequência, levando suas turnês às principais arenas e estádios do país inteiro, de Belém a Porto Alegre, de Recife a Manaus e várias outras cidades, incluindo quatro shows de estádio esgotados em São Paulo, um feito que poucas bandas conseguiram. Turnê A “Maiden England Tour” marca o terceiro capítulo na história do Iron Maiden, uma viagem que começou em 2004, com o DVD “The Early Days” e a excursão “Early Days Tour”, de 2005. A segunda parte da trilogia foi lançada em 2008, com o DVD “Live Aſter Death” – registro do show seminal de 1984, gravado na Long Beach Arena (Los Angeles), durante a “World Slavery Tour” – e com a
“Somewhere Back In Time World Tour 2008/9”, turnê recordista, na qual a banda tocou para mais de 2 milhões de fãs em quase 40 países, voando entre os cinco continentes a bordo do seu Boeing 757, batizado de “Ed Force One” e pilotadopelo vocalista Bruce Dickinson. A turnê foi registrada, na íntegra, no DVD “Flight 666”. Agora, com a nova turnê, o Iron Maiden recria a Seventh Son Tour, de 1988, tocando vários sucessos do repertório do show lançado em VHS no ano seguinte com o título de “Maiden England”, o mesmo nome do espetáculo atual. Segundo Bruce Dickinson: “É uma grande honra voltar a tocar no Rock in Rio, especialmente porque sempre tivemos uma relação muito próxima com o Brasil. “O plano é levar uma estrutura enorme de iluminação, palco, várias encarnações de Eddie, um espetáculo pirotécnico e muitas outras surpresas para os fãs”, disse.
EM TEMPO – Sobre a nova roupagem do Boi Manaus, o que é possível adiantar? JC – Isso é algo que nós gostaríamos de deixar mais para a surpresa do público. Porém, posso dizer que haverá uma redução no número de bandas e trios que se apresentam no evento e que, neste ano, serão somente dois dias de festa. EM TEMPO – Sobre os demais espaços culturais de competência do município, o que planejam fazer? JC – Temos a prioridade de revitalizar o que já temos. O Café das Artes (Café-Teatro), por exemplo, entra em obras
em novembro. O Paço Municipal e o parque Ponte dos Bilhares serão renovados aos fins de semana. É preciso, dentro da característica e objetivos de cada um, que haja um melhoramento. Queremos trazer a população para dentro do Paço. Pensamos que suas salas precisam ser aproveitadas para a oferta de oficinas de arte e para exposições do acervo da prefeitura. A ideia é criar e fortalecer o hábito de visitá-lo. Entendo que é preciso promover cultura de forma abrangente e dar condição para que todos, de uma certa forma, sejam atingidos como receptor ou fomentador de cultura.
Haverá uma redução no número de bandas e trios que se apresentam no evento (Boi Manaus) e que, este ano, serão somente dois dias de festa”
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RESENHA
O Rock in Rio da minha vida PERFIL
TRICIA CABRAL Equipe EM TEMPO
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Tricia Cabral Jornalista, editora-chefe do EM TEMPO e autora do livro “Cinema Rebelde”
em gente que não acredita que é possível alguém se “instalar” na frente do portão de um estádio de futebol só para ser um dos primeiros a chegar perto do palco cujo show só vai começar sete horas depois. Sim, fiz isso sete vezes durante a segunda edição do Rock in Rio 2 (RiR 2). Uma época em que, pretensões à parte, as atrações valiam muito mais a pena. Era janeiro de 1991 e o palco do maior festival de rock do mundo foi o “velho” Maracanã. A segunda edição acontecia 6 anos depois da primeira – por sinal, a melhor, mas essa eu perdi pela “precocidade” da idade. Os shows, marcados para começar às 18h, geralmente iniciavam depois das 19h. Para quem tinha saído de casa por volta de 11h para esperar os portões do Maraca abrirem às 15h, minha paciência era de Jó. Mas eu não estava nem aí. O segundo Rock in Rio foi obviamente mais organizado
que o primeiro. Dentro do estádio, a edição trouxe as primeiras lojas e patrocinadores de peso. Sem falar nos copos de 1 litro da Coca-Cola em parceria com o Bob’s, que muita gente preferia encher de cerveja. No estádio também recebíamos um livreto com as letras das músicas. Mas o legal do Rock in Rio era o fascínio que exercia sobre as gerações. Era gente de outros países, de vários Estados brasileiros e ninguém preocupado com a Guerra do Golfo, cujos ataques aéreos haviam começado um dia antes do início do festival. Uma alienação que valeu a pena. As atrações eram um privilégio à parte. O primeiro dia contou com ninguém menos que o velho Joe Cocker cantando a clássica “Unchain my heart”. No final, um “chá de arquibancada” por causa do Prince. Foram quase duas horas de espera e todo mundo gritando “fdp”. Mas, na hora que o cara entrou no palco a plateia ficou anestesiada e ninguém mais conseguia tirar os olhos da, então,
superprodução do cantor de “Purple rain”. O segundo dia foi um dos melhores. Além dos Engenheiros do Hawaii e do Capital Inicial (ambos no auge), a noite contou com Santana, Billy Idol e o INXS de Michael Hutchence, que viria a se suicidar 6 anos depois, deixando a lembrança de um inebriante “Never tear us apart”. Porém, o momento mais aguardado do festival tinha nome: Guns N’ Roses, com um Axl Rose no ápice da carreira (de todas as carreiras...). Nem de longe lembrava o vocalista que fracassou na terceira e quarta edições do mesmo festival. “Sweet child O’mine” fez o Maraca tremer, com direito a solo do Slash bem na minha frente – eu estava em situaçãoprivilegiada no gramado, praticamente acoplada ao palco. Do festival lembro também da então revelação Faith No More, do Titãs, do histriôni-
co grupo Dee-Lite, Information Society, Paulo Ricardo com o RPM, Debbie Gibson, Lisa Stansfield e duas das maiores atrações da edição, A-Ha e George Michael. Sobre o A-Ha e sob a chuva forte que tentou, em vão, atrapalhar a apresentação de Morten Harket e companhia, tudo que posso dizer é que assisti a um dos melhores shows da minha vida. Ídolos da minha geração. Assim eu posso definir o RiR2. Quem perdeu nunca vai saber o que foi fazer parte do maior festival de música do mundo em pleno Maracanã, mesmo sem a aprovação do Roberto Medina (idealizador e “dono” do RiR, que depois fez o evento retornar para a Cidade do Rock). “We were living in a fantasy” (“Estávamos vivendo uma fantasia”), cantou George Michael em “Freedom”, no último show do último dia daquela edição. E o Rock in Rio nunca mais foi o mesmo.
Era janeiro de 1991 e o palco do maior festival de rock do mundo foi o “velho” Maracanã. A segunda edição acontecia 6 anos depois da primeira – por sinal, a melhor”
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Pega nos bastidores Está uma rixa tremenda entre as produções da Eliana e Rodrigo Faro, concorrentes nas tardes de domingo. Já existem, inclusive, acusações de que um programa anda pegando as ideias do outro. Reflexo Todo esse momento conturbado da Enter, empresa de eventos do Grupo Bandeirantes, com as demissões da última semana, está se refletindo na organização do Miss Brasil em BH. O clima é de muita insegurança. Reflexo 2 A Enter, apesar dos desfalques sofridos, seguirá operando. Se de um lado não haverá a organização da Fórmula Indy no Brasil, os concursos de misses irão continuar normalmente no ano que vem, até porque existe um contrato já acertado para o Miss Universo. Mas tudo bem No que diz respeito à parte operacional do Miss Brasil, também está tudo correndo de acordo com os planos traçados. A equipe da Floresta, da
DIVULGAÇÃO
Fim de linha A Globo exibe hoje o último clipe de Marcelo Adnet em tributo aos 40 anos do “Fantástico”. Nele, um pout-pourri com clássicos de Raul Seixas, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Roupa Nova. Elisabetta Zenatti está cuidando de tudo. As gravações com as participantes continuam em lugares como Araxá, Inhotim etc. Documentário O GNT programou para o dia 6, às 20h30, a exibição do documentário “Da cabeça aos Pés”, que conta a história de jovens que trocam de nome, dançam diferente e inventam um novo conceito de beleza através do chamado “passinho”. Essa turma toda junta dilui as fronteiras entre o masculino e o feminino. Entre os planos
A Band tem em estudos o projeto de um novo programa para a faixa da tarde, diário, com esquema de revezamento na sua apresentação. Um dos nomes envolvidos é o da Sabrina Sato. Resta saber se vai rolar. Pedra de tropeço Ainda no que diz respeito a programa feminino, os planos do SBT de apresentar o seu, no lugar dos desenhos animados da manhã, encontraram uma forte oposição. Oposição que atende pelo nome do dono, Silvio Santos. A direção da emissora ainda não desistiu, mas sabe-se que ele já deu o contra.
‘SANGUE BOM’ DIVULGAÇÃO
Joaquim Lopes, que é paulistano e mora no Rio, observou os amigos para fazer o personagem
Sucesso de Lucindo anima ator Típicas expressões paulistanas, como “Vai, Curintia!” e “Beleza, mano”, ganharam um divertido intérprete na trama das sete, “Sangue Bom’’ (Globo): o motorista Lucindo, vivido por Joaquim Lopes, 33 anos. Paulistano, o ator, que, atualmente, mora no Rio de Janeiro, conta que voltou à sua terra natal a fim de encontrar o sotaque certo para o personagem. “Conversei com amigos que ainda vivem aqui e estive em padarias da Zona Leste, onde muita gente se reúne para assistir ao futebol”. Foi após um encontro com o rapper Emicida que Lopes encontrou um estilo para Lucindo. “Ele é genial e tem o jeito de falar que eu procurava para o papel. O resultado foi esse sotaque natural da cena”. Os trejeitos de Lucindo fazem tanto sucesso que Lopes chegou a ser surpreendido pelo público. “Estes dias, eu fui a uma farmácia, e, quando atravessei a rua, um casal gritou de dentro do carro: “Vai, Curintia!”. Eu respondi: “É nóis! É nóis!’, mesmo sendo são-paulino’’, diverte-
se. “Tenho muito respeito pelo Corinthians, pela torcida, mas, fora do Projac (estúdios da Globo), sou tricolor.’’ Além do jeito atrapalhado, a fama de pegador também fez com que o público reparasse em Lucindo. O motorista já foi flagrado nos braços de Bárbara (Giulia Gam) e nos de Tina (Ingrid Guimarães). “As pessoas podiam não gostar dele por esse lado pegador, mas ele é um cara espontâneo. Acho que isso atraiu o público’’. Mas o coração do motorista parece já ter dona, tanto que ele se declarou para Damáris (Marisa Orth). Aliás, a química dos atores em cena também é elogiada. “Trabalhar com a Marisa está sendo uma aula dentro e fora de cena. Ela é muito generosa.’’ Nos próximos capítulos de “Sangue Bom’’, Lucindo vai finalmente provar que Damáris e Gládis, um disfarce da perua, são a mesma pessoa. Segundo Lopes, será o momento em que o casal vai assumir o romance.
“Ela vai confessar que uma cartomante disse que ela seria feliz com um motorista. Vai ser uma cena bonita’’, conta. Segundo a autora Maria Adelaide Amaral, o mais novo casal da Casa Verde enfrentará obstáculos. “O relacionamento dos dois não vai agradar a todos, pelo menos nesse momento da trama’’, diz, referindo-se às famílias dos personagens. Feliz com o sucesso, Lopes conta que Lucindo não vai desistir de Damáris. “Ele é um cara leal, verdadeiro. Vai lutar por esse amor’’. Revelação Em breve, Lucindo conseguirá provar que Damáris e Gládis, vividas por Marisa Orth, são a mesma pessoa. O motorista vai ficar balançado quando a patroa revelar que, no passado, uma cartomante disse que o grande amor da vida dela seria um motorista. Segundo a autora Maria Adelaide Amaral, famílias não vão apoiar a relação. Por Alex Francisco
• Nathalia Timberg, hoje em “Amor à Vida”, será focalizada no programa “Damas da TV”, do Viva, na quarta-feira, 21 horas. • Trabalho encerrado em “Saramandaia”, Ricardo Linhares agora vai escrever uma outra novela com Gilberto Braga... • ...Que começa a ser gravada no fim do ano que vem para estrear no começo de 2015. • E só depois deles virá um outro trabalho do João Emanuel Carneiro... • ...Resta saber apenas se Adriana Esteves, Débora Falabella e Murilo Benício, o trio avançado de “Avenida Brasil”, voltarão junto com ele. • Seriado “Patrulha Salvadora”, inicialmente, está previsto para estrear em novembro no SBT.
C’est fini Depois de vários pilotos gravados, na Bandeirantes nada mais se falou do “Lo Sabe no Lo Sabe”, anunciado como uma das próximas atrações da sua programação. Parece certo que depois de tudo que foi feito, Paloma Tocci foi mesmo definida como sua apresentadora. Quanto à estreia, em vez deste segundo semestre como inicialmente se planejou, deve ficar para o começo do ano que vem.
Dúvidas dos novos projetos na Globo A Globo ainda não se pronuncia oficialmente sobre o novo programa do Jorge Fernando, “Divertix”, que vai misturar música, bate-papo e esquetes de humor, para exibição nas férias do “Esquenta”. Já existem 5 roteiros inteiramente escritos e aprovados. A anunciada participação do Bruno Mazzeo nesta equipe não se confirmou, como também não foi acertada, pelo menos até agora, a sua presença em um outro projeto de humor.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
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Programação da TV
DIVULGAÇÃO
RECORD 4:45 Bíblia Em Foco 5:00 Santo Culto Em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos 8:00 Record Kids - Pica Pau 9:00 Amazonas Da Sorte 10:00 Record Kids 11:30 Tudo A Ver 14:15 O Melhor Do Brasil - Pgm 411 - Ao Vivo 18:30 Domingo Espetacular 22:00 A Fazenda 6 22:45 Tela Máxima “The Rock - O Justiceiro” 00:10 Programação Iurd
BAND
Eliana é um dos destaques do domingo no canal SBT
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 O momento é para compreender algumas das limitações materiais que tem encontrado. A compreensão em si tende a trazer uma melhor relação com as condições materiais.
5:00 – Igreja Mundial 5:50 – Popeye 6:30 – Santa Missa No Seu Lar 7:30 – Sabadão Do Baiano 8:00 – Conexão Cargas 8:30 – Ação Na Tv 9:30 – Mackenzie Em Movimento 9:45 – Infomercial – Polishop 10:45 – Verdade E Vida 11:00 – Irmãos Caminhoneiro 11:05 – Pé Na Estrada 11:30 – Minuto Do Futebol
11:35 – Porsche Cup 12:30 – De Olho No Futebol 12:35 – Band Esporte Clube 14:00 – Gol, O Grande Momento 14:30 – Futebol 2013 Camp. Brasileiro 16:50 – Terceiro Tempo 19:00 – A Caçadora De Relíquias 20:00 – Quem Fica Em Pé? 21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre 01:00 – Minuto Miss 01:02 – Minuto Do Futebol 01:05 – Alex Deneriaz 01:40 – Show Business 02:30 – El, Arnold! 03:10 – Copa Do Mundo De Beach Soccer Da Fifa Brasil X Senegal 04:30 – Igreja Mundial
GLOBO 4h35 Santa Missa 5h35 Amazônia Rural 6h05 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h35 Globo Rural 8h00 Mundial De Fórmula 1: Grande Prêmio Da Cingapura 10h05 Auto Esporte 10h25 Esporte Espetacular (Stock Car - Compacto)
Cinema
11h35 Temp. Máxima. Filme: A Pantera Cor-de Rosa 13h20 Esquenta 15h00 Futebol 2013: Campeonato Brasileiro - Náutico X Flamengo. 17h00 Domingão Do Faustão 19h45 Fantástico 22h05 Revenge - Capítulo Especial 23h40 Rock In Rio V 3h40 Hawaii Five-0 4h25 Festival De Desenhos
REDE TV! 6:30 Igreja Int.da Graça 07:30 Igreja Int.da Graça 08:30 A Voz Do Servidor 09:00 Tv Kids 10:00 Blitz Top Tv 10:30 A Questão É 11:00 Igreja Da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Tv Kids 14:00 En Circuito 15:30 A Questão É 16:00 Tv Kids 16:45 Vídeo Mania 17:15 Ritmo Brasil 18:00 Morning Show – Melhores Momentos
19:30 Te Peguei Na Tv 21:15 Teste De Fidelidade 22:35 Tv Shopping Manaus 23:35 Dr Holywood 00:30 É Notícia 01:30 Bola Na Rede 02:30 Igreja Int. Da Graça
SBT 3:45 Jornal Da Semana Sbt 5:00 Igreja Universal 6:00 Pesca Alternativa 7:00 Brasil Caminhoneiro 7:30 Aventura Selvagem 8:30 Vrum 9:00 Sorteio Amazonas Da Sorte (Local) 10:00 Domingo Legal 14:00 Eliana 18:00 Roda A Roda Jequiti 18:45 Sorteio Da Telesena 19:00 Programa Silvio Santos 23:00 De Frente Com Gabi 00:00 Série: True Blood 01:00 Série: O Mentalista // The Mentalist 02:00 Série: Cidade Do Crime// Southland 03:20 Big Bang 04:00 Igreja Universal
Cruzadinhas
ESTREIA DIVULGAÇÃO
TOURO - 20/4 a 20/5 A disposição sonhadora está bastante estimulada. Talvez uma amizade venha a ser a fonte desse estímulo. Você se enleva e tira os pés do chão. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Mesmo não sabendo direito como proceder, você atua do jeito certo, especialmente no trabalho. Os resultados são positivos. Mas isso não deve gerar acomodação ou folga. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Facilidade para o aprendizado e concluir a respeito da verdade, inclusive da verdade a respeito de você. Ideias elevadas e de alta compreensão são contatadas por sua mente. LEÃO - 23/7 a 22/8 Bom momento para negócios e para encontrar quem venha a apoiar sua atividade. A consonância e a sorte favorecem os assuntos práticos: trabalho e acordos financeiros. VIRGEM - 23/8 a 22/9 O idealismo é um estímulo positivo para o casamento. Em suas associações, pode encontrar pontos de convergência e interesses a serem desenvolvidos em conjunto. LIBRA - 23/9 a 22/10 As pequenas obrigações práticas com o casamento podem se tornar fonte de grandes alegrias, na medida em que o aproximem de seu companheiro afetivo. Façam juntos. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O espírito místico e religioso está estimulado, assim como os sentimentos amorosos idealistas. A tendência hoje é você idealizar poeticamente a pessoa amada. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Boa oportunidade de experimentar o sentimento de união a algo maior, por meio da dedicação à família e às tarefas ligadas a ela. Você trabalha com o desejo de servir. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Poderá encontrar encanto em alguém ou uma atividade que antes não lhe dizia muito. Atenção à tendência a idealizar demais as situações. Idealize-as para o bem. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 As obrigações práticas podem hoje ser melhor compreendidas, o que favorece que as cumpra com boa vontade. Pode encontrar um sentido maior nas questões domésticas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Possibilidade de se encontrar com pessoas especiais ou de se mostrar de maneira especial para as pessoas. A comunicação ocorre no nível da inspiração e da intuição.
As Bem Armadas: EUA. 12 anos. A chata agente especial do FBI, Sarah Ashburn, e a policial boca suja de Boston, Shannon Mullins, não podiam ser mais incompatíveis. Quando precisam juntar forças para trazer um perigoso traficante de drogas, elas se tornarão algo que ninguém esperava: amigas. Cinemark 1 – 13h30, 16h10, 18h50, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis 8 – 13h, 15h45 (dub/diariamente), 18h30, 21h30 (leg/diariamente); Playarte 7 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h15 (dub/diariamente), 22h35 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h20, 16h40, 19h, 21h20 (dub/diariamente). Elysium: EUA. 16 anos. No ano de 2159, existem duas classes de pessoas: os muito ricos, que vivem numa estação espacial imaculada construída pelo homem, chamada Elysium, e os demais, que vivem na Terra arruinada e superpovoada. As pessoas na Terra estão desesperadas para escapar da criminalidade e da pobreza do planeta, e precisam desesperadamente da assistência médica de ponta disponível em Elysium – mas alguns residentes de Elysium farão de tudo para impor o cumprimento das leis anti-imigração e preservar o estilo de vida luxuoso dos seus cidadãos. O único homem com alguma chance de trazer igualdade a esses mundos é Max (Matt Damon), um sujeito comum que precisa urgentemente chegar a Elysium. Com a sua vida em risco, ele assume a contragosto uma missão perigosa que o colocará cara a cara contra a Secretária Delacourt (Jodie Foster), de Elysium, e seu exército linha-dura. Se ele for bem-sucedido, entretanto, poderá salvar não só a sua própria vida, mas também a de milhões de pessoas na Tera. Cinemark 6 – 13h10, 15h40, 18h30, 21h10 (dub/diariamente), 23h40 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 3 – 14h, 16h30, 19h30, 22h10 (leg/diariamente); Cinépolis 5 – 13h30, 16h (dub/diariamente), 18h50, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 6 – 13h45, 16h, 18h15, 20h30 (dub/diariamente), 22h45 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 19h10, 21h35 (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES Invocação do Mal: EUA. 14 anos. Cinemark 8 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 7 – 13h40, 19h20 (dub/diariamente), 16h20, 22h20 (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h50, 16h05, 18h20, 20h35 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h30, 16h45, 19h10, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 16h25, 18h50, 21h10 (dub/diariamente). Aviões: EUA. Livre. Cinemark 7 – 11h (dub/somente sábado e domingo), 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 12h (dub/somente sábado), 14h30 (dub/diariamente), Cinépolis 4 – 13h50, 16h45, 19h, 21h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 13h, 15h, 17h, 19h (3d/dub/diariamente), Playarte 4 – 14h, 16h, 18h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h50, 16h50, 19h, 21h (3D/ dub/diariamente), 14h10, 16h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h30,
18h40, 20h40 (3D/dub/diariamente). 14h, 16h (dub/diariamente). Dose Dupla: EUA. 16 anos. Cinemark 2 – 13h50, 19h30, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 9 – 12h50, 18h (dub/diariamente), 15h30, 20h30 (leg/diariamente), Playarte 4 – 20h (leg/diariamente), 22h25 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 18h50, 21h10 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 19h20, 21h30 (dub/diariamente). Rush – No Limite da Emoção: EUA/ ING. 14 anos. Cinemark 2 – 11h20 (dub/ somente sábado e domingo), 16h30 (dub/ diariamente); Cinépolis 2 – 17h20, 20h20 (leg/diariamente); Playarte 2 – 13h20, 15h45 (leg/diariamente). One Direction – This Is Us: EUA. Livre. Cinépolis 1 – 13h (3D/leg/diariamente). O Ataque: EUA. 12 anos. Cinemark 4 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h40, 20h40 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sába-
do); cinépolis 10 – 15h15, 18h15, 21h (leg/diariamente); Playarte 9 – 13h30, 16h05, 18h40, 21h15 (leg/diariamente), 23h50 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h, 16h40, 19h25, 22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 13h50, 16h35, 19h15, 21h50 (dub/diariamente). Casa da Mãe Joana 2: BRA. 14 anos. Cinemark 3 – 13h, 15h (diariamente); Playarte 8 – 13h, 15h25, 17h20 (diariamente). Jobs: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 15h25, 18h20, 21h20 (leg/diariamente), Playarte 1 – 21h (leg/diariamente), 23h35 (leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 10 – 17h50, 20h25 (leg/diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado). Cine Holliúdy: BRA. 12 anos. Cinépolis 6 – 17h, 22h (diariamente). Se puder... Dirija!: BRA. 12 anos. Cinépolis 6 – 14h20, 19h40 (diariamente);
Playarte 8 – 19h15, 21h05, (diariamente), 22h55 (diariamente). Os Estagiários: EUA. 12 anos. Cinépolis 10 – 12h30 (leg/diariamente); Playarte 2 – 18h20, 20h45 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h10, 16h30, 19h15, 21h45 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h35, 17h, 19h30, 22h (dub/diariamente). Percy Jackson e O Mar de Monstros – Livre: Cinemark 3 – 17h10, 19h40 (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h55, 16h10, 18h25, 20h40 (dub/diariamente), 22h55 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h15, 21h20 (dub/diariamente). Gente Grande 2 – 12 anos: Cinemark 5 – 12h50, 15h10, 17h30, 20h10 (dub/ diariamente), 22h40 (dub/somente sextafeira e sábado); Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h40, 21h40 (dub/diariamente). Os Smurfs 2 – Livre: Playarte 10 – 13h30, 15h40 (dub/diariamente).
Plateia
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Em festim seleto de extremo bom-gosto, no Parque Residências, a bonita Clarissa ganhou festa de aniversário. Um sucesso e não poderia ser diferente na comemoração assinada pelos paizões Milena e Érico Desterro e Silva
::::: Teste Bem que a reforma da ponte no bairro São Jorge poderia servir de parâmetro para a revitalização de outras estruturas similares na capital. A ponte que liga a Manaus Moderna ao Educandos, por exemplo, poderia passar por esse mesmo processo. A estrutura fica de frente para o rio Negro e merece há tempos uma restauração de respeito. Vamos aguardar.
::::: Campanha A segunda edição da campanha “Entre Nessa Brincadeira”, feita pela BRMalls em parceria com a Disney e a franquia ToyStory, da Disney Pixar, vai garantir um Dia das Crianças mais feliz para milhares de crianças carentes em todo o Brasil. Em Manaus, as doações de brinquedos em bom estado de conservação podem ser feitas no Amazonas Shopping. Todos os brinquedos arrecadados no centro comercial serão destinados ao Gacc. Os doadores serão presenteados com um par de ingressos para assistir a nova animação da Disney, “Aviões”, já em cartaz.
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br
::::: Viva, Júlia! Organizado com muito carinho e todo cuidado pela mãe, Márcia Martins, a linda Júlia ganhou sessão parabéns surpresa no Zefinha Bistrô. Festim para pouquíssimos amigos, já que a aniversariante é uma criança bastante reservada do tipo exigente, que contou com comidinhas deliciosas de Selma Reis, chuva de confetes-metálicos e decoração da grife Bandeirão. Superdivertido, sem A felicíssima Júlia Matos Martins frescuras: como a aniversariante. FOTOS: JANDER VIEIRA
Dona Isabel e Alexandre Prata
Dania Fraxe e Camila Martins
Márcia, Carol, Thiago e Saldanha Jr.
::::: Sala de Espera Claudia Bernardino e Adriano Gobeth estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. A fenomenal Tânia Castro comandará sessão desfile da novíssima coleção Gipsy Style primavera-verão 2014. A estilista promete movimentar a cena fashionista da cidade no próximo dia 30, no ateliê do Vieiralves, celebrando seus 20 anos de trabalho. Ontem, sob os cuidados da linda Melissa Freire, o renomado cirurgião plástico Charleston Atala comemorou seu aniversário com jantar concorridíssimo, no condomínio Ponta Negra 2. A Jaqueline Chagas é pura novidade. A loja chique do Manauara Shopping acaba de assinar exclusividade da grife Guilherme Duque com as preciosidades indispensáveis do Hausen Haten. A parceria de sucesso da coleção da dupla estará em breve nas vitrines da joalheria. A programação do projeto “Música na Praça”, desenvolvido pelo Manaus Plaza Shopping, é uma boa pedida para hoje. No show deste domingo, Ketlen Nascimento cantará a beleza da Amazônia e da MPB, em apresentação das 18h30 às 20h30. Os shows são gratuitos e acontecem na praça de alimentação do centro de compras.
::::: 20 aninhos... Já nos últimos detalhes, o editor da coluna segue feliz, com os preparativos do evento que celebrará seus 20 anos de colunismo e irá movimentar a cena sobrenomada da cidade com muito champanhe, momentos únicos e vaivém da ala interessante de Manaus. A boa festa contará com a participação do global Gustavo Mendes e muita bossa. Quando? No próximo dia 26, no Diamond, a partir das 21h13.
Leonel Couto e sua Célia com Fernanda e Bia
Raphaela e Renata Levy com Selma Reis
Márcio Raman Neves e sua Lavínia
Naila Fraxe
Adriane Antony
Euler Filho e Juliana Ribeiro com Lara
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Aos empolgados e apressadinhos de plantão: o festival de rock em Presidente Figueiredo no início do próximo Sérgio mês será um grande evento, Martins e mas é bom lembrar que a barreisua Márcia, ra da Polícia Rodoviária Federal os pais da está logo “ali”. Portanto, nada aniversade exageros, viram? riante da temporada
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MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
MANAUS, DOMINGO, 22 DE SETEMBRO DE 2013
opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
Capa
ilustração de Paulo Monteiro
3
1
Cidades em debate
2
Quando o carteiro chegou
E outras 7 indicações culturais. Pág. 2
O telegrama ainda vive. Pág. 3
Vanguardista a contragosto
O excêntrico escritor Raymond Roussel. Págs. 4 e 5
4
Do arquivo de Joyce Moreno Rio de Janeiro, 1967. Pág. 7
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Ilustríssima da Semana O MELHOR DA CULTURA EM 8 INDICAÇÕES
BRASILEIRO
FOTOS: DIVULGAÇÃO
LIVRO | STEFAN ZWEIG A qualidade de ensaísta, tardia na vida do ficcionista de sucesso que foi Zweig (1881-1942), é ainda pouco associada a seu nome, como diz, na introdução de “O Mundo Insone”, seu organizador, Alberto Dines. Diante da profusão de inéditos deixados pelo autor austríaco, o antologista conteve a tentação e preferiu escolher exemplos representativos para seu entendimento, caso de “Montaigne e a Liberdade Espiritual”, último texto que escreveu antes de suicidar-se. trad. Kristina Michahelles | R$ 54,90 | 312 págs.
URBANISMO | ARQ. FUTURO Dentro do encontro Arq.Futuro, a BEI Editora lança dois livros com temática relacionada à do evento, que debate na semana que vem, no Rio (amanhã e terça) e em São Paulo (na quarta e na quinta). “High Line: a História do Parque Suspenso de Nova York” (trad. Luis Dolnikhoff, R$ 75, 340 págs.) conta a criação desse espaço público por meio de uma conversa entre dois de seus criadores, Joshua Davis e Robert Hammond, convidados do evento; já “São Paulo na Encruzilhada” (R$ 30, 136 págs.) reúne falas sobre mobilidade e adensamento de nomes como Philip Yang, do Instituto Urbem, em edição anterior do encontro. Lançamento 24/9, às 18h (teatro Adolpho Bloch, no Rio) e 25/9, às 19h30 (Auditório Ibirapuera, São Paulo) | arqfuturo.com.br
EXPOSIÇÃO | SERGIO FINGERMANN O artista reúne seus mais recentes trabalhos na exposição “Se Noite Fosse Água”. A mostra, cujo título foi inspirado no poema “Meditações Sobre o Tietê”, de Mário de Andrade, inclui pinturas em grande formato e obras sobre papel. Dan Galeria | seg. a sex., de 10h às 18h; sáb., de 10h às 13h até 21/10 | grátis
POP
ERUDITO
LIVRO | PAULO LEMINSKI Nova edição da obra em que o curitibano reúne as biografias de Cruz e Sousa, Bashô, Jesus e Trótski. Ao escrever sobre esses quatro personagens, o poeta cria elos entre eles e sua própria história, deixando à mostra algumas de suas referências literárias. Companhia das Letras | R$ 46 (392 págs.)
LIVRO | ANTOLOGIA DA POESIA CLÁSSICA CHINESA A coletânea bilíngue reúne mais de 200 poemas da dinastia Tang (618907), considerada a “idade de ouro” da literatura chinesa clássica. A obra inclui introdução histórica, notas explicativas e resenhas sobre Li Bai, Du Fu, Wang Wei, entre outros autores que compõem a antologia. trad. e org. Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao | ed. Unesp R$ 59 (311 págs.) LIVRO | EFFI BRIEST “Não seja tão impulsiva, Effi, não seja tão ardorosa. Quando a vejo assim, fico preocupada...”, diz a mãe da protagonista do romance de Theodor Fontane (1819-98). O temor prenuncia o futuro da jovem, que, na linhagem de Anna Kariênina ou Emma Bovary, se verá infeliz no casamento arranjado com um barão, nesta que é a obra principal do autor alemão. trad. Mário Luiz Frungillo Estação Liberdade | R$ 49 (424 págs.)
1
‘Suíte Construtiva’ (2012)
EXPOSIÇÃO | DESENLACE O casal Teresa Serrano e Miguel Angel Rios expõe no Rio vídeos e instalações. As obras da mexicana e do argentino de jogos de poder, como disputas de gênero, dominação pela sedução e conflitos entre gangues. Oi Futuro Flamengo | ter. a dom., de 11h às 20h | até 17/11 | grátis LIVRO | A ARTE O catalão Juanjo Sáez (1972) cria conversas hipotéticas com sua mãe para explicar, em quadrinhos, ideias da arte moderna e contemporânea consideradas inacessíveis pelo público leigo. Tópicos, como “criatividade” e “liberdade”, e artistas, como Picasso e Dalí, são abordados no livro de maneira irreverente. trad. Monica Stahel | WMF Martins Fontes | R$ 48 (264 págs.)
Salvador Dalí e Pablo Picasso, no traço de Juanjo Sáez
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição LETICIA MOREIRA - 07.03.12/ FOLHAPRESS
ALEXANDRE RODRIGUES, 46, é
JOCA REINERS TERRON, 45, é autor de “Do
jornalista e escritor, autor de “Veja
Fundo do Poço se Vê a Lua” (Companhia das
se Você Responde Essa Pergunta (Não
Letras).
Editora). PAULO MONTEIRO, 52, é artista plástico. ALVARO COSTA E SILVA, o Marechal, 50, é jornalista.
RODRIGO SALEM, 38, é jornalista da Folha.
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha TELEGRAMAS Veja fotos de itens da coleção da atriz Keli Freitas >>folha.com/ilustrissima
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Telecomunicações RONY MALTZ/ FOLHAPRESS
RESUMO Tido como moribundo desde a invenção do telefone, o telegrama voltou ao noticiário com a extinção do serviço na Índia, em julho. No Brasil, porém, os envios, já adaptados aos recursos on-line e sem as restrições de linguagem que eram características desse meio de correspondência, crescem e bateram recorde em 2012.
ALEXANDRE RODRIGUES
UMA onda de nostalgia correu o mundo quando os correios da Índia anunciaram, em julho, o envio do último telegrama no país. Depois de prejuízo nos últimos anos e enfrentando a concorrência dos celulares, o governo local decidiu encerrar o serviço, que funcionava no país desde 1850. Então todos se puseram a lembrar de uma tecnologia considerada moribunda. A agência Euronews noticiou que aquele seria o último telegrama no mundo, enquanto o jornal inglês “The Guardian” afirmava que a Índia era o lugar derradeiro onde as pessoas ainda enviam telegramas. No Brasil, no entanto, esse meio de comunicação está muito vivo, e a Empresa de Correios e Telégrafos não tem planos de acabar com o serviço. Em 2012, foram quase 20 milhões de telegramas enviados, um recorde 15% superior aos 17,4 milhões de 2011. Saíram de cena os telegramas de pêsames, declarações de amor e de aniversário para dar lugar às mensagens comerciais e comunicados da Justiça. Hoje, o serviço é usado basicamente por empresas, e a maioria das postagens, segundo os Correios, é feita via internet. Apenas 10% dos dez milhões de telegramas enviados de janeiro a julho foram preenchidos no balcão, à moda antiga; os telegramas fonados representam número ainda menor: 1,5% do total. “O telegrama soube se modernizar”, diz o historiador Romulo Valle Salvino, chefe do Departamento de Gestão Cultural dos Correios, em Brasília. “É um serviço que ainda atinge muita gente, por oferecer a garantia de que a mensagem foi entregue. Em qualquer tecnologia nunca se deve esquecer o fator cultural, e isso funcionou no Brasil”. Dez anos atrás, não seria descabido apostar no fim do serviço. Mesmo depois de os Correios criarem uma agência virtual em seu site, em 1998, permitindo pela primeira vez o envio pela internet, os números caíam ano após ano, com a concorrência do e-mail e do celular, até que em 2003 a tecnologia tocou o fundo do poço: apenas 6,8 milhões de telegramas foram
Telegrama da coleção de Keli Freitas
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Crônica de uma morte anunciada O eterno retorno dos telegramas enviados no país. Desde então, porém, com a facilidade de envio pela internet, os telegramas recuperaram terreno. Já em 2004 foram 10,6 milhões. Nos anos seguintes, as postagens continuaram aumentando, mas de 2011 para 2012 houve um salto, passando de 17.480.543 para 19.978.539. Persistência Os números revelam a persistência de um serviço que há mais de um século, desde a invenção do telefone, tem sua morte seguidamente anunciada a cada nova tecnologia que nasce. Mesmo que desde o século 16 já existissem no Brasil os chamados telégrafos óticos – sistemas que enviavam mensagens à distância através de bandeiras e outros recursos visuais –, foi em 1852 que o imperador dom Pedro 2º inaugurou a primeira linha do telégrafo, oito anos depois da primeira transmissão, nos Estados Unidos, pelo americano Samuel Morse. O objetivo era ajudar a combater o tráfico de escravos, proibido desde 1850. Mas o telégrafo acabou sendo fundamental mesmo na Guerra do Paraguai (1864-70), transmitindo informações do campo de batalha para a Corte no Rio; e de lá, instruções para as tropas. Em 1874, um cabo submarino ligou o nordeste do Brasil a Portugal, iniciando as transmissões internacionais. Surgia a primeira rede mundial de transmissão de dados em alta velocidade. “Foi a maior revolução nas comunicações desde o desenvolvimento da imprensa
escrita”, diz o escritor inglês Tom Standage, autor de “The Victorian internet: the Remarkable Story of the Telegraph and the Nineteenth century’s On-line Pioneers” (a internet vitoriana: a notável história do telégrafo e dos pioneiros on-line do século 19; St. Martins Press, R$ 50,60, 240 págs.). O impacto do telégrafo sobre as comunicações da época foi, segundo Standage, muito maior do que do e-mail ou o de qualquer outra tecnologia moderna. Se por milênios a rapidez da troca de mensagens era lenta e dependente da velocidade de homens e cavalos, com os cabos telegráficos centenas de quilômetros passaram a ser percorridos em minutos. “Hoje em dia é difícil imaginar a revolução para os negócios que foi o telégrafo”, explica o historiador Valle. “Até então, se alguém queria encomendar algo, o pedido ia de navio e levava 40 dias na travessia do oceano até Portugal. Depois era o tempo de o navio ser abastecido e mais 40 dias na travessia de volta. Qualquer negócio levava meses.” A literatura da época registrou a novidade. No romance “O Moço Loiro”, de Joaquim Manuel de Macedo, de 1845, aparece a torre do telégrafo visual inventado pelo francês Claude Chappe – um sistema de braços mecânicos que formavam sinais interpretados como letras de alfabeto, no morro do Castelo, no Rio. Machado de Assis escreveu mais de uma crônica sobre o telégrafo.
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Literatura
3 Procedimentos contra o vazio A máquina do mundo de Roussel RESUMO Influenciador de movimentos como o surrealismo e o “nouveau roman”, Raymond Roussel (1877-1933) deixou uma pouco lida obra de ficção, excêntrica como ele próprio e pautada por métodos formais de origem poética. Após voltar à cena com exposição na Europa, pela primeira vez terá livros traduzidos no Brasil.
JOCA REINERS TERRON ILUSTRAÇÃO PAULO MONTEIRO
São tempos magnéticos para o nome, algo obscuro, de Raymond Roussel. Diversos acontecimentos dedicados à vida e à obra do poeta, escritor e dramaturgo francês, nascido em Paris em 1877 e suicidado em um hotel da Sicília em 1933, procuram ampliar seu público reduzido – porém riquíssimo, segundo o editor Jean-Jacques Pauvert: “Não dá mais para contar os artigos e livros consagrados a Roussel. Em compensação, podem-se contar facilmente seus leitores. Mas que leitores!”. Entre os elogios feitos a Roussel por leitores ilustres, Pauvert recorda que Marcel Proust o via como “um prodigioso conjunto de ferramentas poéticas”. Entre os surrealistas, uma tríade notória assim o definiu: “o maior magnetizador dos tempos modernos” (André Breton); aquele que “nos mostra tudo o que não foi; apenas essa realidade nos importa” (Paul Éluard);
“a estátua perfeita do gênio” (Louis Aragon). Por fim, resumindo, disse o escritor Jean Ferry: “Depois dele, vem toda a literatura moderna”. A influência de Roussel sobre movimentos artísticos do século 20 foi resumida, no ano passado, na exposição “Locus Solus “’ Impressões de Raymond Roussel”, montada em conjunto pela Fundação Serralves, de Portugal, e pelo museu espanhol Reina Sofía (passando também pela Biblioteca Nacional francesa), com grande afluência de espectadores. “Locus Solus” (1914) é também o título do principal romance de Roussel. O livro protagoniza o mais recente e mais interessante – para o leitor brasileiro – capítulo dessa nova vaga de “rousselmania”. Em tradução de Fernando Scheibe, “Locus Solus” ganha, em novembro, edição pela Cultura & Barbárie. Simultaneamente, a editora catarinense lança a coletânea “Como Escrevi Alguns de Meus Livros”, organizada e traduzida por Fabiano Barboza Viana (como Scheibe, rousselmaníaco de carteirinha). A seleção inclui o ensaio considerado seu testamento literário (e de fato deixado com seu advogado, com orientações restritas para sua publicação póstuma), além do conto “Entre os Negros” (que em 1910 daria origem ao volume “Impressions d’Afrique”) e do capítulo inicial do estudo “Da Angústia ao Êxtase”, do psiquiatra Pierre Janet, precursor da psicanálise, mestre de Jung e médico de Roussel. Difusão A dupla publicação deve ser celebrada, pois a difusão de Roussel no Brasil é escassa e esparsa. Como antecedentes, estão os contos e fragmentos traduzidos por Luiz Antônio de Figueiredo nos anos 1980: “A Franja de Ouro da Pequena Ele-
omar”, publicado nesta Folha (no “Folhetim” nº 351, de 9.out.83) e “Entre os Negros”, na revista “Através” nº 1 (Martins Fontes, setembro de 1983). Antes destes, Figueiredo havia traduzido (como “Piparote”) o conto “Chiquenaude”, que marca, na trajetória do autor, o elo entre sua obra em verso e sua prosa – publicado no jornal “Viva Há Poesia”, número único, São Paulo, 1979. E mais recentemente, encerrando as breves aparições de Roussel no panorama nacional, o poeta Carlito Azevedo traduziu e publicou o capítulo de abertura de “Locus Solus” na revista “Ficções” nº. 9 (7Letras, 2002). Balizando a dimensão dessa tardança, lembre-se que a primeira tradução ao espanhol de Roussel foi feita na Argentina num longínquo 1973, a cargo de Estela Canto, famosa namorada de Borges. Publicado pelas Ediciones de La Flor, o romance “Impresiones de África” saiu na Argentina dez anos após a primeira edição comercial do livro por Pauvert – em momento posterior à recuperação do escritor impulsionada por ensaios de Michel Foucault e Gilles Deleuze surgidos em 1963. Por esse período, os experimentalistas do “nouveau roman” (novo romance) adotavam, em sua ficção, técnicas descritivas de Roussel. Também as analisavam em ensaios – há exemplos de trabalhos explicitamente devocionais assinados por Alain-Robbe Grillet, Michel Butor e Jean Ricardou. Suas invenções literárias, que partiam de regras formais baseadas em trocadilhos, também foram renovadas e ampliadas por autores reunidos em torno a Raymond Queneau no OuLiPo (sigla francesa para “Oficina de Literatura Potencial”), como Georges Perec, Italo Calvino e Harry Matthews. A influência de Roussel so-
bre Julio Cortázar tampouco é desprezível, a ponto de a mencionada edição argentina trazer na contracapa uma sugestão que fazia lembrar “O Jogo da Amarelinha” e suas instruções de leitura. Evitando afugentar o leitor, a apresentação da obra traduzida por Estela Canto dizia que a leitura podia “começar pelo 10º capítulo – o autor não previu assim, porém é um método possível – e retomar seu começo ao concluir a obra, para presenciar o feérico desfile dos insólitos festejos em Ponukelé”.Antecipador das vanguardas sem querer sê-lo, Roussel se via como um clássico e certamente não simpatizaria com a ideia. Filho de um investidor na bolsa de valores e de uma mãe de origem burguesa cuja excentricidade parecer ter herdado – em suas viagens, a precavida Marguerite Moreau-Chaslon levava seu caixão, para o caso de qualquer eventualidade –, Roussel passou a infância no boulevard Malesherbes, a poucas casas de seu contemporâneo (igualmente genial, neurótico e homossexual) Marcel Proust. Com o incremento da riqueza paterna, mais tarde a família se mudou para um hotel particular na rue de Chaillot (atual rue Quentin-Buchart) da capital francesa. A essa altura, sob influência materna, Roussel começou a estudar piano e a escrever poesia.
NÚMEROS
‘Não dá mais para contar os artigos e livros consagrados a ele. Em compensação, contam-se facilmente seus leitores. Mas que leitores!’, despeja o famoso editor JeanJacques Pauvert
Excitação Ainda na juventude, Raymond Roussel sofreu a síncope que ditaria os rumos de sua vida, quando aos 19 anos mergulhou em um profundo estado de excitação ao escrever o romance em versos “La Doublure” (o forro). O caso do escritor inspiraria ao psiquiatra Pierre Janet o seu já citado estudo da megalomania. No ensaio, o médico descreve as consequências do mal sofrido pelo paciente, hipoteticamente denominado Martial – o nome é retirado do protagonista de “Locus Solus”, Martial Canterel, “alter ego” de Roussel. Martial é um homem de 45 anos, de “existência bem singular”. Ele vive “muito isolado, de uma maneira que parece consideravelmente triste, mas que é suficiente para o preencher de alegria, pois trabalha quase constantemente”. O psiquiatra frisa a regularidade que Martial se impõe, “com grande esforço e muitas vezes com grande cansaço, para edificar grandes obras literárias”. “Essas obras literárias, cujo valor não me cabe estudar, não tiveram até aqui nenhum êxito, não são lidas por ninguém, se deixamos de lado alguns iniciados que se interessam por elas, são consideradas insignificantes”, observa Janet, que classifica como “curiosa” a atitude do autor diante de sua produção: ele “não só continua seu trabalho com uma incansável perseverança como também mantém uma convicção absoluta e inquebrantável sobre seu ‘incomensurável valor artístico’”. Os traços dessa convicção “anormal” notada por Janet e hoje evidentemente associados à megalomania são descritos em minúcia pelo médico. Martial, diz o psiquiatra, “atribui a suas obras uma importância desmesurada, nunca se abatendo pelo insucesso flagrante,
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não admitindo um instante que esse insucesso seja justificado por algumas imperfeições, não aceitando nunca a menor crítica nem o menor conselho, tem uma confiança absoluta no destino que lhe foi reservado”. O paciente, no discurso loquaz reproduzido pelo médico, via em si uma “glória em potência como num obus formidável que ainda não explodiu”, glória que abarcaria todas as suas obras e faria com que sua vida fosse estudada em detalhe (“irão investigar todos os atos da minha infância e admirarão a maneira como brincava”). Sem rodeios, Martial se via como um “predestinado” e profetizava que sua fama seria maior que a de Victor Hugo ou Napoleão: “Nenhum autor foi nem pode ser superior a mim”. “Como disse o poeta: e eis que se sente uma queimadura na testa... A estrela que se carrega na testa resplandecente. Sim, senti uma vez que tinha uma estrela na testa e não esquecerei nunca!” Êxtase A recepção zero da publicação de “La Doublure” (1897) – autosubsidiada, como seriam todos os seus livros, e impressa por Lemerre, editor ligado aos parnasianos –, causou em Roussel um ataque de nervos. Tomado pelo êxtase enquanto escrevia o livro, ele fantasiava que multidões acorreriam às livrarias e que a crítica de imediato se renderia a seu gênio. Nada disso aconteceu, e o jovem autor precisou de três anos para se reequilibrar e voltar a produzir. Após a crise, Roussel mudouse para uma imensa vila em Neuilly, lugar semelhante aos domínios do inventor Canterel em “Locus Solus”. Ali, o escritor se manteria em incessante trabalho literário; foi em Neuilly que ele desenvolveu o “procedimento”, nome do método de composição que criou para seus textos em prosa, principalmente “Impressions d’Afrique” e o próprio “Locus Solus”. Esse procedimento desenvolvido por Roussel mantinha parentesco com a rima. Era, portanto, uma concepção poética e se baseava em sons e em jogos de palavras. O escritor partia de duas frases iguais exceto por duas letras, uma na abertura e outra ao final, e criava a narrativa entre as duas. Fernando Scheibe, tradutor de “Locus Solus”, explica o procedimento tomando por exemplo a expressão “vou-me já”, que, aponta, pode ser lida como “vou mijar”. “Aí se constrói toda uma intriga que permite que sua história comece com alguém dizendo que vai embora e termine com alguém dizendo que vai urinar.” Em “Como Escrevi Alguns de Meus Livros”, Roussel assim resume a estratégia: “Com as duas frases encontradas, tratava-se de escrever um conto que pudesse começar pela primeira e terminar pela segunda”. A coisa se complica, porém, quando se descobre que ele procurava utilizar apenas palavras de duplo sentido – no livro inteiro. O escritor e crítico Michel Leiris
– que ainda na infância conheceu o autor, pois seu pai era advogado da família Roussel, e que se tornaria o maior propagador de sua obra – fez descrições da personalidade do escritor que se assemelham à de um paciente afetado por transtorno obsessivo-compulsivo. Se o transtorno ainda não fora identificado nos anos 1920, parece lícito notar, em retrospecto, seus traços não só no autor mas também em seu método. O tradutor Scheibe concorda, mas sublinha: “O essencial a observar é sua capacidade de abrir um espaço em que a literatura fica nua. O procedimento a preserva da psicologia. A partir de uma equação de fatos gerada na e pela linguagem, trata-se de inventar uma resolução. Entramos, como se faz com Mallarmé, no labirinto da linguagem ao infinito”. “Locus Solus” relata a visita de alguns convidados à vila de Martial Canterel, que promove um passeio para exibir suas invenções, descritas em detalhes no romance. Para outro de seus admiradores, o escritor catalão Enrique Vila-Matas, “não é fundamental conhecer o procedimento” para apreciar Roussel. Ele recorda que Salvador Dalí amava voltar às obras do excêntrico francês. “Um dia, em uma entrevista em Cadaqués, Dalí me contou que, em algumas noites, pedia a seu secretário que lesse fragmentos de ‘Impressions d’Afrique’ e que, ao chegar ao episódio do anão Filipo, que salpica de saliva os presentes, ele arregalava os olhos e literalmente corria de prazer.” A reação de seu empregado, conclui Vila-Matas, permitiu ao artista ver a “genialidade absoluta do estranho Roussel”. “Se Roussel é tão divertido, é, em parte, porque permite ao leitor participar do livro, continuá-lo. É o segredo das grandes obras: seus leitores se apoderam delas. Toda a rousselmania é maravilhosa, é um canto à imaginação extrema”. Como Vila-Matas, o tradutor Fabiano Barboza Viana ressalta o caráter de jogo da literatura de Roussel. “O rousselianismo é um texto aberto, aberto como um caderno de presença igual àquele no qual assinamos nosso nome quando vamos a museu, para possíveis continuadores e descontinuadores que aceitam jogar esse jogo da linguagem, como diria Wittgenstein.” imaginário Roussel só tinha olhos para seu imaginário pessoal, o que se manifestava nas suas atitudes. Conta-se que, em 1920, ao saber que ele empreenderia uma longa viagem à Índia, uma
IRONIA
Surrealistas, assim como André Breton, elegeram Roussel ‘presidente da república dos sonhos’. Ele, porém, não lhes deu muita pelota: ironicamente, não entendia seus livros
amiga pediu que lhe trouxesse o suvenir mais raro que encontrasse. Roussel voltou trazendo um radiador. Outra anedota diz que, depois de atravessar o Atlântico para conhecer a África, vislumbrou o continente da escotilha do navio e, satisfeito, pediu ao capitão que desse meia-volta. O episódio, se não é verdadeiro, ilustra bem uma característica sobre a qual o próprio Roussel escreveu. “Viajei muito. Principalmente em 1920-21 dei a volta ao mundo pelas Índias, Austrália, Nova Zelândia, os arquipélagos do Pacifico, a China, o Japão e a América. (Durante esta viagem fiz uma longa parada no Taiti, onde encontrei ainda algumas personagens do admirável livro de Pierre Loti)”, recorda o escritor. “Eu já conhecia os principais países da Europa, o Egito e todo o norte da África, e mais tarde visitei Constantinopla, a Ásia Menor e a Pérsia. Ora, de todas viagens, nunca tirei nada para meus livros. Pareceu-me que a coisa merecia ser assinalada por mostrar claramente que em mim a imaginação é tudo”, conclui. Admirador dos folhetins de Loti e Júlio Verne – assim como seu sucessor Georges Perec, outro adepto de “procedimentos” literários –, Roussel ansiava pela aceitação do público. Não à toa pagou consideráveis somas de dinheiro a Lemerre, editor de obras populares, além de adaptar seus romances ao teatro com idêntica finalidade. Essas dispendiosas adaptações, entre outras gastanças, levaram-no à bancarrota. As encenações de “Impressions d’Afrique” e de “Locus Solus” foram rejeitadas, quando não ridicularizadas pela audiência. Insatisfeito, Roussel produziu, em 1925, “L’Étoile au Front” (a estrela na testa) e, dois anos mais tarde, “La Poussière de Soleils” (a poeira de sóis) – dois textos escritos para teatro, que serviram ao menos para que angariasse a adesão dos jovens surrealistas. André Breton, Robert Desnos, Louis Aragon e Michel Leiris promoveram selvagens batalhas na plateia, em defesa daquele que elegeram como “o presidente da república dos sonhos”. Raymond Roussel, porém, não lhes deu muita pelota: ironicamente, não entendia seus livros. Depois de fracassar no teatro, retomou a poesia na qual havia iniciado sua carreira literária. Escreveu “Nouvelles Impressions d’Afrique” (novas impressões da África, 1932), obra-prima em verso analisada por Leiris “como uma transposição da técnica de múltiplos episódios de suas histórias ao patamar da poesia”. Na opinião de outro rousseliano dos dias atuais, o norte-americano John Ashbery, Raymond Roussel “é o único poeta francês moderno cujos experimentos com a linguagem podem ser comparados aos de Stéphane Mallarmé”. Enquanto seu ídolo Júlio Verne encontrou na ciência a redenção de uma obra inicialmente débil, Raymond Roussel parecia ter como musa os esforços por matar o tempo.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
4 Ciência sem receita Rio de Janeiro, 1967
PEDRO DE MORAES/ ACERVO PESSOAL
O poeta Vinicius de Moraes (1913-80) e Joyce Moreno, em 1975, na varanda do bar Antonio’s, em Ipanema JOYCE MORENO
Eu estudava jornalismo na PUC-RJ, em 1966, quando pela primeira vez me aproximei de Vinicius de Moraes (1913-80). Era um trabalho de grupo e me fora dada a missão de abordar algumas personalidades, fazendo a todas a mesma pergunta besta: “Pode a guerra do Vietnã acabar com a primavera?”. Para minha surpresa, todos os “entrevistados” – Nara Leão, Gilberto Gil, Sérgio Porto – responderam simpaticamente. E o poeta, claro, não foi exceção. Mais ou menos um ano depois, quando pela primeira vez classifiquei uma música no Festival Internacional da Canção, comecei a conhecer outros artistas e gente do ramo. Wanda Sá, a grande cantora bossa-novista, me procurou quando eu fazia uma pequena participação num show de Maria Bethânia: “Ouvi suas músicas, Vinicius precisa te conhecer. Vamos lá na casa dele, agora mesmo!” Era a casa de Vinicius de Moraes, um dos meus ídolos, uma chance imperdível! Mas eu jamais imaginaria que ele se
lembrasse da estudante atrevida que o abordara um ano antes... Pois lembrou. Vinicius morava numa cobertura na rua Diamantina, no Jardim Botânico, com Nelita, então sua mulher. Parecia uma festa, mas depois me dei conta de que aquilo acontecia quase todas as noites: pessoas cantando, bebendo, conversando, rindo até o sol raiar. “Que vida!”, pensei cá comigo. “Vida de poeta, também quero.” Mostrei algumas das minhas primeiras composições, que ele adorou. “Você é uma feminista”, ele disse, pelo fato de as canções serem sempre no feminino singular – definindo uma característica da qual até então não tinha consciência. Eram coisas intuitivas, feitas por uma iniciante de 19 anos. E que ele ouviu com respeito e sincero interesse. Lição número um. A lição numero dois, definitiva, se deu quando chegou um de seus jovens parceiros, Francis Hime, e os dois começaram a trabalhar numa nova canção. Ali, diante de todos, sem esconder o ouro. Dois profissionais, experts na grande arte da canção popular, descortinando uma obra em progresso.
A festa virou então uma grande oficina, e eu me vi assistindo a uma “master class” inesperada. Maravilhada, fui descobrindo como aquilo era suor, era trabalho, ainda que prazeroso, e exigia um conhecimento profundo do encaixe das sílabas certas na melodia, rimas internas, uso esperto da palavra, musicalidade do letrista e sofisticação, apesar da aparente simplicidade. Eu estava tendo uma aula de composição ali, ao vivo e em cores. Parecia fácil, mas havia naquilo uma ciência da qual eu jamais havia suspeitado. Quando os trâmites foram dados por findos, voltou o clima de festa, com todos os presentes cantando juntos a canção recém-parida. A nova composição foi exaustivamente testada e aprovada, aparadas as possíveis arestas, até à perfeição. Lá pelas oito da manhã, quando nos retiramos da casa dele, cansados e felizes, a aura mágica do poeta nos envolvia a todos. Dali em diante, eu veria esse processo acontecer muitas vezes, com o próprio Vinicius e também com outros autores – como Tom Jobim, que vi trabalhar as letras
de “Wave” e “Águas de Março” diante de um monte de amigos, pondo em prática os ensinamentos que recebera de Heitor Villa-Lobos sobre o “ouvido de dentro” não ter nada a ver com o “ouvido de fora”. Mas o encantamento da primeira vez, naquela festa na cobertura do Vina, seria para mim inesquecível. Ali aprendi que o autor existe como entidade única e intransferível e que a música popular é uma arte/ciência que não tem receita, mas demanda um saber específico para o qual são muitos os chamados e poucos os escolhidos. Minha amizade com Vinicius durou uma vida inteira. Ao longo dos anos, viajamos pelo mundo, rimos, choramos e cantamos juntos. E só não compusemos juntos porque eu era uma boba e perdi tempo esperando que me viesse a melodia “certa” para entregar ao poeta, que não poucas vezes me cobrou essa parceria. Mas busco até hoje manter em minha música o frescor e a alegria que a então menina de 19 anos viu transbordar no compositor veterano, hoje centenário. E cada vez mais eterno.
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