OS MELHORES DO CINEMA NO OSCAR
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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVII – N.º 8.634 – DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
MAS QUE CRISE? DIVULGAÇÃO
BRASILEIROS GASTARAM R$ 978 BI COM CARTÃO DE CRÉDITO
GASTOS
COMPRAS
TRANSAÇÕES
O BRASILEIRO ANDA COM BASTANTE CRÉDITO NA PRAÇA. PELO MENOS É O QUE GARANTE UMA PESQUISA REALIZADA PELA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE CARTÃO DE CRÉDITO E SERVIÇO (ABECS).
SEGUNDO O LEVANTAMENTO REALIZADO PELO INSTITUTO, SOMENTE NO ANO PASSADO FORAM REALIZADAS COMPRAS NO VALOR DE R$ 978,8 BILHÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO E DE DÉBITO.
O NÚMERO DE TRANSAÇÕES EM COMPARAÇÃO A 2013 TAMBÉM TEVE AUMENTO. DE JANEIRO A DEZEMBRO FORAM REALIZADAS 10,3 BILHÕES DE TRANSAÇÕES EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL, UMA ALTA DE 11%. ÚLTIMA HORA A2
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CURUMIM
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O bumbum de Paolla Oliveira (foto) virou referência nacional. Tratamentos estéticos podem trazer resultados imediatos para quem quer ficar em forma como a atriz. Elenco 14
Além do efeito anti-inflamatório, o óleo de copaíba tem ação anti-séptica, antifúngica, hipotensora, diurética, cicatrizante, anticancerígena e energizante. Saúde F2
IDE GOMES/FRAME
A busca pela sobrevivência leva à proximidade de um buraco negro, mote para especulações ligadas à pesquisa de Stephen Hawking, tema de “A Teoria de Tudo”, que disputa o Oscar. Ilustríssima G3
FLUZÃO X VASCÃO Quarto e quinto colocados na tabela da Taça Guanabara, respectivamente, Fluminense e Vasco fazem hoje, no Engenhão, o primeiro clássico carioca do Estadual 2015. Pódio E7 FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CURUMIM.
Uma mensagem do ventríloquo Oscar Varjão, dizendo que se emocionou com o Curumim, mudou a pauta do suplemento que conta hoje a história do artista e de seu boneco Peteleco. Curumim
A arquiteta Olga Krell, conhecida como a grande dama da decoração, ganha uma biografia que narra sua marcante trajetória profissional. Salão Imobiliário 7
TEMPO EM MANAUS
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Última Hora
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Brasileiros gastaram mais de R$ 970 bi só com cartões ção. Por oferecer maior facilidade no parcelamento de compras, muitas vezes sem juros, o cartão de crédito permite que seja utilizado em compras maiores. Além disso, a oferta de crédito no mercado tem crescido e contribuído para esses números. Benefícios Outro fator que pode colaborar para essa superioridade do cartão de crédito ante o cartão de débito são os pacotes de benefícios oferecidos pelos de crédito, que dão pontos em programa de fidelidade que podem ser trocados por produtos e serviços, entre eles, passagens áreas, o mais procurado. Para transações no cartão de crédito, o valor médio de compras foi de R$ 86,90. Já o de débito registrou a média de R$ 45,80. Com estes números sobre o aumento das transações em cartões de crédito e débito, a Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviço projeta um crescimento de 12% a 14% nas transações para 2015, o que significa que este número pode alcançar o montante de R$ 1,1 trilhão.
O uso maior do cartão de crédito se explica por oferecer maior facilidade no parcelamento de compras, muitas vezes sem juros
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PETROBRAS
José Dirceu (à esq.) e Vaccari Neto serão convocados a depor na CPI que investiga a Petrobras
Dirceu e Vaccari vão depor em CPI O plano de trabalho traçado pela oposição para o início da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que vai investigar irregularidades na Petrobras não tem previsão de convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Os oposicionistas apostam na presença do exministro José Dirceu (Casa Civil), do tesoureiro do PT, João Vaccari, e do ex-gerente da estatal Pedro Barusco para o começo das investigações, numa tentativa de constranger o Planalto. Dirceu foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Youssef como um dos destinatário do dinheiro desviado de contratos da Petrobras.
Segundo o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), há outras prioridades para os trabalhos do que a convocação do ex-presidente Lula ou de Cardozo, que teriam mantido conversas com pessoas ligadas as empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Aécio contra Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) disse que não terá uma iniciativa para levar Lula para a comissão. “Não vou tomar iniciativa individual nessa direção. A CPMI deve estar aberta a todas as possibilidades. Vamos atuar em conjunto com os partidos de oposição, no sentido de termos uma ação coordenada, conjunta e estra-
tégia bem traçada”, disse. O PSDB prepara requerimentos pedindo quebras de sigilo e convocações, além de reivindicar a criação de subrelatorias para tentar ditar o ritmo de parte das investigações. Pelo roteiro, seriam três subrelatorias: Sistematização, com o objetivo de organizar todo o acervo probatório da comissão; Operacional, para conduzir a investigação propriamente dita e Núcleo Político, para investigar a atuação de agentes políticos na organização criminosa que se instalou na Petrobras. O PSDB vai sugerir ainda que a investigação siga seis núcleos, conforme o âmbito das denúncias: público, privado, operacional, político, externo e estratégico.
UCRÂNIA
Conflito une papa e Merkel A chanceler alemã Angela Merkel visitou o papa Francisco no sábado (21) e, durante o encontro de mais de 40 minutos no Palácio Apostólico, falaram sobre o conflito na Ucrânia e a luta contra a pobreza. O encontro foi o segundo desde a eleição do papa. O Vaticano descreveu o clima como muito cordial e Merkel disse aos repórteres que as discussões foram amplas, como era esperado. Entre os temas que surgiram na conversa particular entre Francisco e Merkel estiveram a luta contra a pobreza e a fome, o tráfico de pessoas e os direitos das mulheres, os desafios da saúde global e o cuidado do meio ambiente, segundo informou o porta-voz vaticano Federico Lombardi. Os dois também examinaram os direitos humanos e a liberdade religiosa em algumas partes do mundo, e concordaram com a importância “dos valores espirituais para a coesão social”, explicou Lombardi. Por último, se detiveram na situação da Europa e compartilharam a vontade de conseguir “uma solução pacífica” do conflito na Ucrânia. Na tradicional troca de presentes, Merkel ofereceu ao pontífice um envelope com uma soma de dinheiro e Francisco presenteou a alemã com a medalha de seu pontificado.
ZONA LESTE
Motorista morre ao colidir veículo com casa no distrito Após tentar uma ultrapassem perigosa, um veículo modelo Palio de placas JWS 0516, capotou e colidiu com uma casa, na manhã de ontem (21). O acidente ocorreu na rua Palmeira do Miriti, bairro Distrito Industrial 2, Zona Leste de Manaus. O condutor do veículo, Lucivaldo Vieira Baraúna, 41, morreu no local do acidente. Segundo testemunhas, o veículo estava em alta velocidade e tentou ultrapassar perigosamente outro veículo, mas como outro carro subia na direção contrária, o motorista para evitar a colisão com o veículo, jogou o carro para o canteiro central da rua. O Palio saiu capotando até atingir uma residência. Na casa estavam dois adultos e três crianças, mas ninguém saiu ferido. O Serviço
de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros chegaram minutos após o acidente e constataram que o condutor já se encontrava em óbito. O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para fazer a remoção da vítima. Foi necessário serrar o carro para retirar o corpo das ferragens. Segundo um soldado da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que preferiu não se identificar, o cinto do motorista estourou na hora do impacto com a residência. A enteada da vítima, que foi ao local para reconhecer o carro, identificada apenas por Bruna, disse que Lucivaldo tinha acabado de sair para ir trabalhar em uma obra no mesmo bairro e que a vítima não estava embriagada. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
O
brasileiro anda com bastante crédito na praça. Pelo menos é o que garante uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviço (Abecs). Segundo o levantamento realizado pelo instituto, no ano passado foram realizadas compras no valor de R$ 978,8 bilhões com cartões de crédito e débito. O número de transações em comparação ao ano anterior também teve aumento. De janeiro a dezembro, foram realizadas 10,3 bilhões de transações em todo o território nacional, uma alta considerável de 11%. Em comparação nas compras nos cartões de crédito e débito, o de crédito teve a preferência dos consumidores brasileiros. Os gastos nesta modalidade (crédito) foram responsáveis pelo montante de R$ 625,5 bilhões . O de débito, por sua vez, registrou R$ 353,3 bilhões. Nestes valores não estão computados os gastos realizados por brasileiros no em viagens para o exterior. O uso maior do cartão de crédito tem a sua explica-
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De janeiro a dezembro de 2014 foram realizadas 10,3 bilhões de transações em todo o território nacional, uma alta de 11%
Motorista invadiu residência após ultrapassagem perigosa
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Lance de dados na Faixa Azul Uma das características da ação política do prefeito Arthur Virgílio é a ousadia. Na sua primeira administração, além de provocar celeuma com a retirada das ruas dos que ainda nem eram camelôs, mas vendedores financiados pelo comércio importador, ele investiu no que outros gestores evitam até falar: esgoto e saneamento. Agora, Arthur está de volta às ruas e à boca do povo. Começou a retirada dos camelôs, que estavam criando raízes nas calçadas da cidade e dando palpites sobre mobilidade urbana, e lhes ofereceu oportunidade de integrar o sistema legal de comércio, com financiamento, dentro de galerias seguras (mas tem gente que prefere sol e chuva, impedindo a mobilidade urbana). Administrou o marasmo em que estava Manaus, às vésperas dos jogos da Copa do Mundo (anunciados havia sete anos) e evitou que a cidade passasse vergonha... imersa em um legado de inércia. O prefeito acaba de invadir uma nova zona de conforto de uma cidade hipnotizada pelo fetiche do automóvel, e ao mesmo tempo em que exige que esse tsunami de metal se acomode em uma pista estreita, se põe diante de uma exigência que não pode calar: a Faixa Azul desafia empresas e prefeitura que renovem, melhore e ofereçam transporte público que possa justificar o desconforto que essa primeira medida proporciona. Não se pode impedir que o cidadão adquira um carro, ou dois, ou três – mesmo porque o governo federal incentiva esse consumo, sem criar condições para a mobilidade urbana, que ainda não passa de um conceito sem muito futuro. Não se concebe que a Faixa Azul não venha acompanhada de medidas que democratizem o transporte em Manaus. Vem aí uma Olimpíada (e ainda que não venha), e ninguém quer uma cidade mal falada. Os próximos lances da prefeitura nesse tabuleiro estreito definirão o perfil do projeto.
Robério não confirma saída De férias no exterior, o secretário de Estado da Cultura, Robério Braga, disse que não tem conhecimento que será substituído no cargo pelo deputado Bosco Saraiva (PSDB), na reforma administrativa do governador José Melo. Por telefone, Robério disse que o governador, inclusive, tem lhe dado alguns encargos para curto e longo prazos, o que não teria nenhuma lógica para quem está pensando em substituir um gestor. — Conversei com o governador antes de tirar seis dias para descansar. Não teria motivos para deixar a secretaria. Demonstrou capacidade Robério disse que está fazendo seu trabalho com a dedicação de sempre. E que já demonstrou do que é capaz de fazer com a sua equipe e onde a cultura do Estado pode avançar. — Sinalizamos quais os projetos que podem crescer ainda mais, os que podem ser aprimorados e os novos e a ser implantados. Cargo é do governador No entanto, o secretário disse que está pronto para seguir as determinações de José Melo. — É aquela velha história, o cargo é do governador e cabe a ele avaliar meu trabalho. Mas pelo menos até agora não fui comunicado de nada. Estopim A notícia de que Robério seria substituído na SEC por Bosco Saraiva chegou à redação através de um assessor de imprensa do governador José Melo. Apesar da fonte garantir ser verdade, nem Bosco Saraiva confirma e muito menos Robério. Viajou CONTEXTO tentou ouvir o governador do Estado, mas José Melo também está fora do Estado. 20 anos Robério Braga está à frente da Secretaria de Cultura desde o segundo governo de Amazonino Mendes. Ficou os oito anos de Mendes, os oito de Eduardo Bra-
ga, os três anos e quatro meses de Omar Aziz e os seis meses de Melo. Isto é, 20 anos. Questão de justiça À exceção de alguns setores da cultura, uma grande parcela da opinião pública quer a manutenção de Robério na SEC, pelo muito que ele fez pela cultura do Estado. Aliás, não só pela cultura, mas também pela paisagem urbana da cidade. Fez muito O secretário resgatou logradouros públicos importantes como o largo São Sebastião, reconstruiu praças e restaurou prédios históricos. Robério lançou também quatro festivais: de Ópera, Cinema, Jazz e Dança, além de realizar “O Glorioso” (concerto de Natal), hoje, talvez, o mais importante espetáculo do Estado. Lá é assim...
...Por que não aqui? Após o ano de 2000 outras vias foram capacitadas com faixas/pistas exclusivas, priorizando os usuários de ônibus. Com isso, Belo Horizonte seguiu as diretrizes de seu Plano de Mobilidade de Belo Horizonte.
APLAUSOS
A pergunta que não quer calar é a seguinte: Se em outros Estados a população respeitou e conseguiram implantar suas faixas preferenciais, porque nós os amazonenses não podemos implantar a nossa? Estímulo ao BRS As faixas preferenciais/exclusivas privilegiam a circulação do BRS, criando condições de estímulo ao uso desse meio de transporte. É importante lembrar que o ônibus transporta em torno de 60 pessoas, enquanto o carro transporta uma média de 1,5. Mirem-se no exemplo Por isso, o transporte coletivo está sendo priorizado em relação ao individual em grandes centros urbanos do mundo.
Durante a inauguração de uma subestação de energia elétrica no município de Barras, no norte do Piauí, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, voltou a admitir que há risco de racionamento de energia elétrica no Sul e no Sudeste, mas não no Nordeste. Crise hídrica Braga atribui o risco ao fato do Brasil estar enfrentando a maior crise hídrica de sua história. — Nunca os reservatórios tiveram tão pouca água como o que foi enfrentado no mês de janeiro - observou.
VAIAS
Quem respeita a Faixa Azul
regi@emtempo.com.br
Perguntar não ofende
Braga admite
Para os que criticam a Faixa Azul, não custa nada lembrar. Belo Horizonte possui faixas preferenciais para o transporte coletivo desde a década de 80. Coincidentemente o projeto começou na avenida Amazonas.
Regi
Folia que não acaba
DIEGO JANATÃ
HUDSON FONSECA/ALEAM
Para motorista civilizado, que compreende a necessidade da Faixa Azul e dá sua colaboração para a reorganização do trânsito de Manaus.
Para a Câmara dos Deputados, que votou na surdina e de forma apressadinha, a ampliação do feriado de Carnaval para o dia 23, segunda-feira, enquanto o resto dos trabalhadores já está no batente desde a Quarta-Feira de Cinzas.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Exemplos não faltam São geralmente pessoas bem inteligentes, das quais seria lícito esperar que fossem capazes de ler as lições que a História coloca fartamente à disposição. Entretanto, parece que quando o Poder chega às mãos de certos homens em nível exageradamente cumulativo, cega-os, tanto no que concerne à visão de si, como também à percepção que constroem do mundo. Aí a coisa complica, na medida em que a distorção se instala sem que se deixe perceber e o ego infla a sua dimensão, enquanto o mundo real perde muito da sua importância e passa a ser tido como secundário e subalterno. Os que sofrem ou sofreram dessa síndrome não passam nem passaram pela Existência em branco, mas foram sim capazes de produzir efeitos catastróficos que, a partir de um ponto de origem, se propagaram como as ondas que uma pedra lançada produz na superfície tranquila de um lago. Que seja um só homem, mas chega a uma situação tal que lhe torna possível agir sobre toda uma sociedade e, se não for detido de algum modo, expandirá o seu poder e a sua ação a uma dimensão mundial. Assim foi nos casos de Hitler, de Stalin, de Mussolini, de Mao, nas maiores proporções e, nas menores, nos episódios de Franco, de Salazar e de outros tiranetes que a História já soterrou, embora agora mesmo haja a ameaça de uma nítida repetição na atitude de Vladimir Putin. Certas condições objetivas muitas vezes propiciaram ou facilitaram a dimensão da atuação desses chefes de governo e, em outras, restringiram ou apequenaram os limites das suas atua-
ções. Neste sentido, por exemplo, se um Salazar tivesse existido na Alemanha e lá acumulasse o poder que teve em Portugal, certamente que os efeitos da sua ação política teriam chegado a afetar toda a população mundial. Há, entretanto, em meio à marcha da História, insondáveis enigmas que requerem a atenção de quem pretenda compreender, nem que seja em parte, os mistérios que cercam a essência do homem e cujo entendimento pode permitir a antevisão do seu destino. Pergunta-se: por que a inegável capacidade de liderança de Adolf Hitler e o poder político por ele acumulado levaram aos deletérios e trágicos resultados que todos conhecemos e, frente a frente com ele, o incontestável líder e também poderoso chefe de governo Winston Churchill apenas exerceu seu poder e sua liderança para tentar deter a tirania e a desumanidade do líder nazista? Por que Gandhi somente utilizou sua capacidade de líder para libertar o seu povo e o fez sempre fiel à convicção de que só a paz pode produzir uma grande nação? E Nelson Mandela, que jamais alimentou ou permitiu que ressentimentos pessoais interferissem em sua ação política? Este é um dos mais enigmáticos mistérios que povoam e acompanham a caminhada dos homens. Aí está contida a cristalina verdade que nos diz que a História caminha com energia própria, mas que há, dentro dos seres humanos, alguma coisa que nuns floresceu e noutros secou, ou nem chegou a ser plantada, e que irá se apresentar, ou faltar, nos momentos em que deles for solicitado que manifestem a sua humanidade. Esse “algo” tem feito toda a diferença na História.
João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO
Por que Gandhi somente utilizou sua capacidade de líder para libertar o seu povo e o fez sempre fiel à convicção de que só a paz pode produzir uma grande nação? E Nelson Mandela, que jamais alimentou ou permitiu que ressentimentos pessoais interferissem em sua ação política?”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Portas abertas
Como alguém sério pode responsabilizar meu governo pela conduta imprópria de um funcionário, se nenhuma denúncia foi feita? (...) Uma vez que a própria presidente entrou na campanha de propaganda defensiva, aceitando a tática infamante da velha anedota do punguista que mete a mão no bolso da vitima, rouba e sai gritando ‘pega ladrão!’, sou forçado a reagir
José Eduardo Cardozo (Justiça) não foi o único ministro de Dilma Rousseff a ter encontros com representantes das empreiteiras investigadas na Lava-Jato. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, recebeu advogados nos últimos meses para discutir os termos dos acordos de leniência que o governo tenta firmar com as empresas. Segundo o ministro, por ser um mecanismo novo e haver uma sobreposição de leis sobre o tema, há muita dúvida por parte das construtoras. Guichê ao lado Nos encontros, Adams diz que costuma orientar os advogados a procurarem a Controladoria-Geral da União, responsável por fechar os acordos. À AGU cabe apenas cuidar da responsabilização judicial nos casos de ressarcimento de recursos públicos. Zero a zero Apesar do empenho do ministro e da CGU, os acordos de leniência não saíram da estaca zero. O governo espera a Petrobras fechar seu balanço, com o valor desviado em corrupção, para arbitrar quanto as empresas terão de se comprometer a devolver à União. Segue... Dilma Rousseff pediu que seus ministros não se intimidem pelas críticas feitas às reuniões Cardozo com advogados e determinou que continuem recebendo representantes de empresas para discutir projetos. ...o jogo Em reunião na quarta-feira, a presidente disse a seu conselho político que o titular da Justiça é alvo de uma “patrulha” e reforçou a orientação de que as empresas não devem ser “criminalizadas” pelo governo. PIB A presidente quer, inclu-
sive, que os gabinetes da Esplanada recebam também empresários. Acredita que a gritaria da oposição no caso Cardozo visa acuar o governo e mantê-lo distante do setor produtivo.
das de leão no Congresso para recepcionar os parlamentares na terça-feira, quando deve ser apreciado o veto de Dilma à correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda.
Embaixada Jaques Wagner (Defesa), que tem atuado como auxiliar na costura política, deve fazer essa ponte com o empresariado em almoço na Fiesp este mês.
Céticas As centrais que negociam com o governo mudanças no pacote de ajustes trabalhistas e previdenciários estão cada vez menos esperançosas de obter acordo.
Tabuleiro Wagner, que viajou com Dilma no Carnaval, encampou o jargão da pasta que comanda ao dizer que pretende agir como estrategista na costura política, sem atuar no front direto.
Em cima No café da manhã com Eduardo Cunha (PMDBRJ) na quarta, o líder da Força, Miguel Torres, vai defender projeto pela taxação de grandes fortunas. “Isso vai dar muito mais que os R$ 18 bilhões do aperto”, diz.
Se não pode... A corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil, abandonou o protesto contra a escolha de Pepe Vargas para a articulação política. ...vencê-lo... Em reunião na sexta-feira, dirigentes discutiram até formas de fortalecer o ministro, que pertence à Democracia Socialista. Jaula A Força Sindical vai colocar três pessoas fantasia-
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, respondeu sexta-feira 20 às declarações da presidente Dilma Rousseff de que a corrupção na Petrobras deveria ter sido investigada durante a gestão do tucano.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
DIEGO JANATÃ
Navegar é preciso O governo de São Paulo recebeu informações de técnicos de que o volume de chuvas pode permitir, em breve, a reabertura da hidrovia Tietê-Paraná, fechada desde maio. Fui! Apesar de ainda não ter um substituto, Luiz Antonio Pacheco, presidente do Metrô, despediu-se na sexta-feira dos integrantes do Conselho de Administração.
Tiroteio
Depois de uma incursão na floresta, que teima em existir do outro lado do rio, onde até brincaram, de rei Momo, carnavalescos e não foliões voltam para casa, prometendo que o próximo não será como este que passou. Enquanto isso, em Manaus (que sabe de tudo), correm notícias de que a gasolina vai recuperar o tempo perdido e aumentará de preço, também ao contrário do ano que passou
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Alckmin toca a crise hídrica no melhor estilo Cacique Cobra Coral: em vez de se planejar, olha para os céus e fica esperando a chuva.
Tentação
DE EMIDIO DE SOUZA, presidente do PT paulista, sobre a condução da crise de abastecimento de água em São Paulo pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
No primeiro domingo da Quaresma, tempo forte de conversão, penitência, jejum, oração e esmola, tempo de fraternidade, a Igreja na sua liturgia anuncia o Evangelho que narra as tentações de Jesus, antes do início da sua missão. Essas tentações podem ser lidas e interpretadas sob vários pontos de vista, mas o mais provável é que elas tenham sido guardadas na memória das comunidades para explicar as opções que o Mestre fez na sua vida pública. Jesus anunciou o Reino de Deus e disse que estava próximo e presente. O Reino tinha chegado e esta era a boa notícia que trazia felicidade aos pobres. Com Jesus se instaurava uma nova sociedade, com relações de igualdade e de fraternidade e isto passou a ser vivido concretamente por um grupo de discípulos que não se regia pela força e pela prepotência, mas pela vivência concreta do amor mútuo, sonho e utopia de todos os verdadeiros profetas e adoradores do Deus da vida. Mas para instaurar o Reino de Jesus tinha que escolher caminhos, e aí entram as tentações e sugestões feitas pelo Maligno no deserto. Ele poderia usar a força, como o fazem e fizeram tantos. A história humana está cheia de exemplos de violência usada para dominar. Nos nossos dias há grupos que não hesitam em matar, destruir, difamar, caluniar para chegar ao poder ou para mantê-lo a qualquer custo. A outra tentação foi a de transformar pedras em pão. É a via do lucro fácil, do enriquecimento vertiginoso, da vida sem trabalho. Uma tentação que está na base da corrupção que corrói a vida social, perverte os fundamentos mo-
Contraponto
O melhor tempero Em jantar com secretários estaduais de Educação, o ministro Cid Gomes começou seu discurso já perto das 22h, quando a refeição ainda não havia sido servida aos convidados do encontro. -Eu sugeri que a minha apresentação fosse só uma fala de sobremesa! -tentou contornar. Vinte minutos depois, ainda discursando, o ministro sugeriu ao anfitrião servir o jantar. A ideia foi bem recebida pela plateia, já faminta. -Eu sabia que receberia aplausos! -brincou Cid, que ainda falaria por mais 20 minutos.
Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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rais, inverte valores, e instaura a hipocrisia e a mentira. Ela começa aos poucos e termina em cifras gigantescas. A terceira tentação, que se expressa no convite do demônio para que Jesus salte do ponto mais alto do Templo é a do espetáculo. Convencer as pessoas não com argumentos que informem e respeitem a verdade e a liberdade, mas mentir, manipular dados, oferecer soluções milagrosas, transformar a vida num grande show. Jesus se recusou a usar estes subterfúgios. Quem quiser ser seu seguidor deve assumir a cruz de cada dia, ganhar o pão com o suor de seu rosto, servir e não ser servido, recusar todo tipo de violência e vingança oferecendo a outra face. A Campanha da Fraternidade deste ano propõe que reexaminemos as relações entre Igreja e Sociedade. Do ponto de vista pessoal trata-se de aprofundar as relações entre fé e vida. Quais as motivações profundas de nossa vida em sociedade? O que leva alguém a pleitear um cargo público? Se for simplesmente o desejo do ganho fácil e do enriquecimento rápido, facilmente será engolido pelos esquemas de corrupção. Infelizmente é este o espetáculo deprimente que assistimos no nosso país. Não temos por aqui a violência do terrorismo, mas quanta truculência e impunidade fazem estragos na vida, sobretudo dos mais pobres. Oxalá esta Campanha da Fraternidade nos ajude a todos a detectar as tentações e os decorrentes desvios de conduta na vida social, não para desenvolver uma caça às bruxas, mas para que a nossa sociedade seja cada vez mais justa e fraterna.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus
O que leva alguém a pleitear um cargo público? Se for simplesmente o desejo do ganho fácil e do enriquecimento rápido, facilmente será engolido pelos esquemas de corrupção. Infelizmente é este o espetáculo deprimente que assistimos no nosso país”
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
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KÁTIA SCHWEICKARDT
‘Há muitas ÁREAS VERDES NA cidade que ainda são PRESERVADAS’
FOTOS: IONE MORENO
SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO
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Não adianta punir, multar, desocupar essas áreas. Temos que fazer a população entender o que significa ser cidade moderna, respeitando essa particularidade de Manaus ser uma cidade no coração da floresta”
om a proposta de integrar a população ao meio ambiente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) iniciou a implantação de pocket parques - pequenas zonas verdes em áreas urbanas -, em Manaus, por meio do projeto Espaço Verde, cujo modelo piloto, localizado na comunidade Campo Dourado, na Zona Norte, está previsto para ser entregue no início de abril. Ainda na linha de interação entre o espaço verde e a população – como uma forma de mostrar a importância dos cuidados para com o meio ambiente e os reflexos do mesmo no cotidiano e qualidade de vida, e por extensão a conscientização da sociedade -, o órgão, conforme a titular, Kátia Schweickardt, também aposta na construção do novo horto municipal, que será implantado na segunda etapa do parque Lagoa do Japiim, na Zona Centro-Sul, conforme entrevista ao Em Tempo. EM TEMPO – Uma das propostas da Semmas, para este ano, é de recuperar espaços degradados, que antes eram áreas verdes, e não só integrá-los, mas conscientizar os moradores do entorno para que preservem e cuidem dos mesmos. É possível trabalhar conscientização ambiental com quem outrora já desmatou? Kátia Schweickardt - A nossa batalha tem sido fazer a população entender a importância da vegetação na cidade. Isso tem a ver com melhorar o índice de arborização, com o projeto de retomada do horto municipal, e tem a ver com um fenômeno histórico em Manaus, que são as invasões, ou melhor, ocupações irregulares, que está relacionado ao processo de desenvolvimento da cidade. Nós não podemos refutar essa dívida social a áreas que devem ser ambientalmente preservadas. Não adianta punir, multar, desocupar essas áreas. Temos que fazer a população entender o que significa ser cidade moderna, respei-
tando essa particularidade de Manaus, de ser uma cidade no coração de uma floresta tropical. Não sabemos ainda os efeitos a longo e médio prazo que estamos causando a nós mesmos, por não estarmos considerando a vegetação. Há muitas áreas verdes na cidade que ainda são preservadas pela população que mora no seu entorno. EM TEMPO – Então, apesar das inúmeras ocupações irregulares, há locais em Manaus que os moradores ainda tentam preservar? KS - Sim. Essas comunidades vêm batalhando para não deixar invadir, e há muito tempo pleiteiam para que a prefeitura olhe para essas áreas como uma possibilidade deles poderem interagir. A área pela qual iniciamos o projeto, por exemplo, o Campo Dourado, é um pleito antigo da comunidade local. As obras estão bastante adiantadas e devemos inaugurar entre o final de março e início de abril, depende da chuva, que atrapalha um pouco as obras, apesar dos trabalhos já estarem bastante adiantados. Neste local a comunidade terá uma pista de caminhada, um chapéu de palha novo, um campo de futebol society, entre outras coisas. Antes do projeto ser implantado, fizemos e continuamos a fazer várias reuniões com a comunidade, não só para mostrar o projeto, mas para saber quais são as suas necessidades, o que ela pode propor, além de envolvê-la como parceira neste trabalho de preservação. EM TEMPO - Quantas áreas serão beneficiadas? Esses espaços serão padronizados? KS - A princípio, nós mapeamos 12 áreas, localizadas nas zonas Norte e Leste, onde a população tem carência de espaços de lazer e parques. Na Zona Centro-Oeste só tem uma área, que foi solicitada pelo prefeito, que será no conjunto Campos Elíseos. Já estamos com as equipes trabalhando em sete frentes. Infelizmente a secretaria não dispõe de recursos, mas o projeto foi abraçado pela prefeitura e outras secretarias
parceiras, que estão ajudando nestas obras. A proposta dos pocket parques atende uma resolução do Condema, que prevê que as áreas de preservação ambiental, cujas bordas estão degradadas, possam ser utilizadas como áreas de lazer. As particularidades de cada uma dessas áreas mapeadas estão sendo respeitadas. Os arquitetos que participam do projeto elaboram a proposta a partir do que a área oferece de recursos. A gente aproveita o que já tem na própria área. Por exemplo, se há um campinho de pelada no local, ele será contemplado no projeto de revitalização do espaço. O perfil de quem está no entorno destas áreas conta na elaboração dos projetos, que são bastante dinâmicos. EM TEMPO - E os gastos? Como será a manutenção destes locais? KS - Todo mundo sabe onde fica a Secretaria de Meio Ambiente, dentro do orçamento municipal: nós somos 0,4% do orçamento. O que a gente faz é milagre. A gente tem um Fundo Municipal de Meio Ambiente, que também não é essa coisa toda, como por exemplo, é o Fundo Municipal Urbano, administrado pelo Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano), mas com foco, sabendo para onde vai aplicar, a gente tem conseguido otimizar os recursos desse fundo, nessa ideia conceitual de fazer a população se enxergar com orgulho, como alguém que está dentro da floresta, e não com vergonha. Estamos executando uma obra que exija pouquíssimos recursos de manutenção. O nosso projeto piloto, no Campo Dourado, foi todo arquitetonicamente pensado para fazer com que os moradores olhem para aquela área verde como uma área que lhe pertence, não no sentido de pertencimento individual, mas um pertencimento coletivo. Envolve uma corresponsabilidade entre o poder público e a comunidade que está no entorno. Por isso eles também estão participando tão ativamente. EM TEMPO - Um novo horto municipal também será implantado neste ano. Em
quanto ele foi orçado e qual será o diferencial dele? KS - Como já dispomos de uma área, a segunda etapa do Parque Lagoa do Japiim, previamente ele está orçado em torno de R$ 2,5 milhões, o que é pouco dinheiro para implantar um horto municipal. O projeto arquitetônico já está pronto e estamos fechando o orçamento com a Secretaria de Infraestrutura, para em seguida passarmos para o processo de licitação. Mostramos a importância do modelo que é um horto-parques, onde as pessoas visitam, passeiam, as escolas e universidades interagem e estes locais estão integrados com as comunidades. Vamos retomar também o projeto de reestruturação da Lagoa do Japiim. Hoje, por meio de uma cooperação técnica, a prefeitura mantém um viveiro de mudas funcionando no Ifam (Instituto Federal de Ensino Tecnológico do Amazonas), por meio de uma parceria com a instituição, mas é uma área que não é do município. As condições de trabalho não são as mais adequadas. Com o novo horto, por exemplo, será possível fazer com que a população veja a importância da preservação, desde a produção das mudas. Será possível fazer com que a população se sinta responsável por cuidar desde a sementinha até as mudas grandes adultas que utilizamos nos trabalhos de paisagismo de Manaus, previstas pelo Plano Diretor. EM TEMPO - E qual será a capacidade de produção do novo horto? Que espécies serão produzidas? KS - Hoje a gente está produzindo entre 200 e 220 mil mudas por ano. A gente pretende chegar a 250 ou 260 mil mudas por ano, caso ele funcione do modo que a gente planejou. Atualmente a gente produz em torno de 60 espécies. De arbóreas para o passeio público, não chegam a cinco, porque a gente trabalha de acordo com o Plano Diretor de Arborização da cidade, que exige que se plante na cidade apenas espécies nativas, como pau pretinho, ipês, além de espécies ornamentais e exóticas, utilizadas nos projetos paisagísticos.
A proposta dos pocket parques atende uma resolução do Condema, que prevê que as áreas de preservação ambiental, cujas bordas estão degradadas, possam ser usadas como áreas de lazer”
Com o novo horto será possível fazer com que a população se sinta responsável por cuidar desde a sementinha até as mudas grandes adultas que utilizamos em trabalhos de paisagismo”
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Política
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Polêmica entre Cardozo e os advogados da Lava Jato
Cláudio Humberto
www.claudiohumberto.com.br
A presidente zomba da inteligência dos brasileiros” SENADOR AÉCIO NEVES, sobre a tentativa de Dilma de jogar o Petrolão no colo do PSDB
Eduardo Cunha terá sua tropa de choque na CPI Eleito presidente da Câmara dos Deputados à revelia do Planalto, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) montou uma tropa de choque pessoal para integrar a CPI da Petrobras, que será instalada na próxima quinta-feira (26). Serão indicados pelo PMDB os deputados Hugo Motta (PB), que vai assumir a presidência da comissão, além de Edio Lopes (RR), Celso Pansera (RJ), Darcísio Perondi (RS) e Lelo Coimbra (ES). Dupla dinâmica Eduardo Cunha acertou a bancada do PMDB na CPI com o líder do partido, Leonardo Picciani (RJ), em cuja escolha foi decisivo. Fiel da balança Considerados de “baixo clero”, os indicados para a CPI podem tanto ajudar Dilma quanto aprovar requerimentos espinhosos ao governo. Pizza na mesa O PT quer fazer do relator da CPMI da Petrobras, pizzaiolo Marco Maia (RS), o relator da CPI na Câmara. O deputado finge que resiste. Novos pizzaiolos Além de Marco Maia, são cotados para a relatoria da CPI do Petrolão na Câmara os petistas Paulo Teixeira (SP) e Vicente Cândido (SP). Montadoras atraem clientes com ação enganosa Órgãos de defesa do consumidor colecionam ofertas de automóveis novos, em jornais e revistas, que desrespeitam a lei e a inteligência do cliente. As promoções desta semanas são exemplos da enganação: nas letras miúdas do rodapé, legíveis com lupa,
verificam-se que estão incluídas na promoção poucas unidades para todo o País: 3 da Toyota, 5 da Ford etc, para veículos fabricados em 2014, em alguns casos. Caiu na rede... Vendedores experientes afirmam que o objetivo desse tipo de anúncio é atrair o consumidor à loja, onde o interessado vira presa fácil. Assim é, se lhe parece Além de fazer propaganda enganosa, a indústria oferece “carroças” de tecnologia atrasada e mal acabadas, o que explica a queda nas vendas. Denunciar é preciso O Procon considera a atitude da indústria automobilística propaganda enganosa. E recomenda registro da queixa, que pode ser feita no site. Rica boquinha Durante o desfalque bilionário na Petrobras, a presidência do conselho de administração da Petrobras no governo Lula foi exercida por Dilma Rousseff. No governo dela, por Guido Mantega – que, aliás, continua no cargo e recebendo generosos jetons que chegam a R$ 19,7 mil. Descurtir Políticos estão em baixa no Facebook. As curtidas nas páginas de Aécio e Dilma caíram, na sequência, 82,2% e 51,3%. Aécio tem mais seguidores: quase 4,7 milhões. Mais que Lula e Dilma somados. Fantasma Top-Top No Itamaraty, a grosseria de Dilma contra a Indonésia chegou a ser atribuída à influência sempre desastrosa do aspone Marco Aurélio TopTop Garcia. Ele de fato defen-
Ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, ficou no centro de mais uma polêmica ao ser envolvido em operação da PF
Jornalista
EBC
COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
deu a ideia de jerico, depois adotada para produzir uma cortina de fumaça sobre o escândalo do Petrolão. Diplomacia Tratado a pontapés por Dilma, o Itamaraty faz seu trabalho, às vezes anônimo. É o caso da reabertura da embaixada do Togo em Brasília, após o trabalho notável do ex-embaixador brasileiro Miguel Torres. O escolhido O PMDB apostará na continuação do tema “Escolhas” para o programa nacional de rádio e TV, que vai ao ar em 26 de fevereiro. Nesta edição, Eduardo Cunha aparecerá como um “grande escolhido”. Boquinhas perdidas O PMDB de Minas, que já chefiou Ministério da Agricultura, anda falando mal da ministra Kátia Abreu, que faz o tipo temperamental. É acusada de promover mudanças no segundo escalão sem avisar. Toma lá, dá cá Em troca dos sete votos mineiros para se eleger líder do PMDB na Câmara, o deputado Leonardo Picciani convidou Newton Cardoso para vice-líder e prometeu a presidência de comissão de mérito à bancada.
Ministro no “olho do furacão” ao se envolver com advogados que defendem empresas investigadas
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ardozo não é investigado pela Polícia Federal, nem é suspeito de ter participado do esquema de corrupção na Petrobras. No entanto, o ministro recebeu, no início do mês, advogados da Odebrecht em seu gabinete. O encontro foi encarado como uma tentativa de interferência política nas investigações do esquema. A mídia nacional revelou que o ministro havia recebido três advogados representantes da empreiteira, envolvida na operação Lava Jato. No mesmo dia, Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) usou o Twitter para criticar a postura de Cardozo e pedir sua demissão. Em despacho publicado na quarta-feira (18), o juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, criticou os advogados que procuraram o ministro. “Intolerável, porém, que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiras pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas”, disse. O juiz, no entanto, poupou o ministro. “Sequer é crível que se dispusesse a interferir indevidamente no processo judicial”, afirmou.
Corrida contra o tempo O deputado Ricardo Izar (PSD-SP) entregou mais de 50 mil assinaturas para a criação do Partido Liberal, articulada pelo ministro Gilberto Kassab (Cidades) com Dilma para esvaziar e até substituir o PMDB. Pergunta na CPI Após o factóide do insulto à Indonésia, Dilma vai xingar a mãe de Aécio Neves só para lançar cortina de fumaça no escândalo do Petrolão?
PODER SEM PUDOR
Fonte do planeta
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Certa vez, ao ouvir do alagoano Geraldo Bentes, seu ex-secretário de Turismo, a piada de que os rios Capiberibe e Beberibe, do Recife, formam o oceano Atlântico, para ilustrar a decantada “mania de grandeza” dos pernambucanos, o recifense Cristovam Buarque, senador do PDT-DF, protestou imediatamente: - E quem disse que esses rios formam só o Atlântico?
Senador Aécio Neves se opôs ao encontro entre Lula e envolvidos em operação Lava Jato
Já na quinta-feira (19), o ministro se defendeu e disse ter seguido todas as recomendações legais para a realização da reunião: inclusão na agenda, presença de outro servidor acompanhando o encontro e o registro em ata. Odebrecht A Odebrecht foi envolvida nas
ENVOLVIDO A mídia nacional revelou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, havia recebido três advogados representantes da empreiteira Odebrecht, envolvida na operação Lava Jato e investigada pela PF investigações do esquema de corrupção na Petrobras quando o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa afirmou, em seu depoimento na delação premiada, que recebeu 23 milhões de dólares da empreiteira em contas na Suíça. O valor seria da propina referente a contratos de obras fechados entre a estatal e a empreiteira.
O envolvimento da Odebrecht foi depois confirmado pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, também em delação premiada. Ele afirmou que a empreiteira pagou suborno em 11 obras e que contas na Suíça eram usadas para os pagamentos. Após as afirmações feitas nas delações premiadas, três procuradores envolvidos nas investigações da operação Lava Jato foram à Suíça, em 24 de novembro de 2014, para buscar informações sobre contas bancárias usadas pela Odebrecht no país. Dois meses depois, mais procuradores e peritos da Polícia Federal foram ao país para buscar documentos que provem a relação da empreiteira com os envolvidos no esquema. A própria empreiteira contratou advogados na Suíça para barrar o envio dos documentos. Encontro No dia 5 de fevereiro, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo recebeu três advogados da Odebrecht. Os defensores da empreiteira procuraram o ministro para tentar anular as provas que os procuradores que investigam o esquema de corrupção obtiveram na Suíça.
DIZ AÉCIO
‘Lula trata país como republiqueta’ O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, criticou o encontro que o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva teve com representantes de empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. Aécio disse que a movimentação significa tratar o Brasil como uma “republiqueta”. “Eu custo crer que isso possa ser verdade porque é algo tão acintoso à própria democracia. Recorrer a um ex-
presidente como se o Brasil fosse uma republiqueta, onde a interferência política pudesse mudar o rumo de investigações, é desconhecer a realidade de um país que, se não avançou nos seus procedimentos éticos em razão do que aconteceu nos últimos 12 anos, felizmente, isso, avançou do ponto de vista das solidez das suas instituições”, disse o tucano. Reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” da sexta-feira (20) afirma que tanto Lula quan-
to seu sócio, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, têm recebido representantes das construturas desde o fim do ano passado. Os executivos, ainda segundo a reportagem, pediriam que o ex-presidente fizesse uma intervenção política para evitar o colapso econômico das empresas. Okamotto confirmou, em entrevista ao jornal, que recebeu “várias pessoas” das companhias que são investigadas por envolvimento nos desvios da Petrobras.
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Sociedade se une para enviar ao Congresso proposta para reforma administrativa
MOBILIZAÇÃO POR REFORMA POLÍTICA Igreja, advogados e mais de cem entidades se unem para enviar ao Congresso uma proposta de reforma política MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
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proposta de reforma política feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras 101 entidades que subscrevem o documento, cuja articulação produziu o projeto de lei 6316/2013, bem como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 352/2013, deve ser pauta máxima no Congresso Nacional na próxima semana. Os parlamentares amazonenses também defendem seus pontos de vista em volta da reforma. O deputado Serafim Corrêa (PSB) destaca que o partido apresenta três itens importantes para a reforma
política do Brasil. A primeira proposta apresentada pelo PSB é quanto à coincidência das eleições. A proposta é que para as eleições de 2016 os prefeitos e vereadores eleitos assumam um mandato de dois anos e em 2018 tornassem a concorrer junto a outros candidatos nas eleições gerais para um mandato de quatro anos. “Os eleitos, exceto os reeleitos no primeiro ano, é para se adequarem e não conseguem fazer convênio, aí no segundo ano só tem seis meses para fazê-lo, por causa do período eleitoral, e o governo só vai conveniar com que estiver apoiando a máquina. Isso torna um ciclo vicioso, vira uma barganha política”, justificou o parlamentar. Já o segundo ponto defendido pelo PSB é quanto à reeleição
Regras ditadas pela sociedade Pelo texto da proposta da OAB e CNBB, ficam proibidas as doações de empresas para candidatos. O texto deixa aberta a possibilidade de doações privadas por pessoas físicas no valor máximo de R$ 700, mas acaba com as doações de empresas. O conceito de abordagem por alguns defensores da proposta para sensibilizar setores da sociedade é vender a ideia de que a reforma proposta pela PEC 352/2013 é a reforma dos políticos, enquanto o projeto da CNBB/OAB é a reforma do povo. No entanto, a tarefa para a OAB e CNBB não será fácil, uma vez que a comissão especial que analisará a proposta de reforma política tem em seus principais cargos integrantes do grupo de tra-
balho coordenado por Vaccarezza, orquestrado pelo ex-presidente da Câmara em harmonia com as articulações do atual presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), então líder do PMDB. O arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, destacou que a igreja do Brasil toda está empenhada na reforma política. Ele lembrou que o Brasil precisa de muitas reformas, como nas áreas de educação, tributárias, entre outras, mas a mais urgente é a política. “Nós, bispos do Brasil, julgamos que a reforma política é urgente. Assistimos nas eleições tantas coisas que prejudicam o país e a sociedade”, disse, acrescentando que a Pastoral da Juventude entra nesse grande mutirão da igreja do Brasil. ARQUIVO EM TEMPO
Dom Sérgio Castriani diz que igreja deseja as reformas
para prefeito, governador e presidente da República com um mandato único de cinco anos. E a terceira proposta é quanto ao fim das coligações proporcionais. Serafim afirma, ainda, que espera que na proposta apresentada pela OAB e CNBB não sejam colocados os exemplos das entidades com relação a não permitir mulher na política, no caso da igreja, e não ter eleições diretas, no caso da OAB. Compartilhando da mesma defesa de Serafim Corrêa, o líder do governo na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado estadual Sidney Leite (Pros), defende maior tempo de mandato e fim da reeleição como mudanças da reforma política brasileira. Para ele, as eleições
bienais geram custos e prejudicam a sintonia entre os governos municipal e estadual. “O Brasil não aguenta mais ter eleições de dois em dois anos, não pelo exercício do voto, mas pelo custo. Outro problema é que quando o prefeito está se ambientando com o cargo, já acontecem as eleições para governador, o que prejudica a parceria entre Estado e município”, pontuou. Outro ponto defendido pelo parlamentar diz respeito ao fim da reeleição do Poder Executivo que, de acordo com ele, proporcionaria maior alternância no poder. “Um mandato único de cinco anos, sem direito à reeleição, é o tempo suficiente para garantir a alternância do poder e consolidar o processo demo-
REFORMA JÁ Para o presidente da Comissão da Reforma Política da OAB-AM, Carlos Santiago, não tem como aguardar mais. “Essa reforma precisa sair. A igreja mostra um exemplo claro da necessidade de mudança aderindo e se juntando a organizações em favor da campanha”, destacou. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 352/13 que tramita no Congresso Nacional, apresentada pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), presidente do Grupo de Trabalho de Reforma Política da Câmara dos Deputados, destaca no texto o teto de despesa para a campanha eleitoral, que será definido em lei pelo Congresso Nacional. Pela proposta, cada partido poderá optar pelo modo de financiamento, se privado, misto ou exclusivamente público. A PEC também propõe que seja fixado em lei um valor máximo para as doações de pessoas físicas e jurídicas. Os partidos e candidatos somente poderão arrecadar recursos após a definição desses limites. Mobilização nacional busca apoio para reforma política
crático”, afirmou, acrescentando ainda ser necessária uma maior transparência nos partidos políticos. O vice-presidente da Aleam, deputado Belarmino Lins (PMDB), concorda com os colegas parlamentares quanto às eleições unificadas, “de presidente da República a vereador”. Belão acredita que a coincidência das eleições para cargos executivos e proporcionais será um dos pontos mais importantes da reforma, estabelecendo normas igualitárias entre os concorrentes nas futuras disputas eleitorais. “O país não aguenta mais o processo nefasto de eleições de dois em dois anos”, critica Belão, dizendo-se também contra o voto de legenda e o financiamento de campanha
pelas regras atuais. “Defendo o voto majoritário. No caso de eleições para a Aleam, entendemos que sejam eleitos os 24 mais votados do pleito, cada um dentro do seu partido. Isso é a verdadeira justiça eleitoral. É preciso acabar com esse negócio de alguém, que teve 20 mil votos, ser suplantado por outro alguém que obteve apenas 7 mil votos, só por causa da tal legenda”, defendeu. O petista José Ricardo Wendling defende a proposta da OAB/CNBB e concorda com os colegas quanto ao tempo de mandato, fim da reeleição, fim do financiamento de campanha política por empresas e a participação das mulheres em igualdade de oportunidades na política.
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PMDB vai à Justiça barrar criação de novos partidos O
PMDB pretende reforçar na próxima semana o cerco contra os planos do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que tenta recriar o PL para fundi-lo com o PSD, legenda que criou em 2011. Passado o Carnaval, o partido vai apresentar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a legitimidade do atual processo adotado para a criação de novas siglas. Na Câmara, o presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer pôr em votação o projeto de lei que estabelece uma quarentena para a fusão de partidos. Os peemedebistas entendem que os “apoiamentos”, assinaturas recolhidas para criar um partido, não são válidas, pois apenas uma minoria delas é convertida em filiações partidárias. Além disso, muitos dos signatários já são filiados a outros partidos. Hoje, para um partido ser criado, é necessário um número mínimo de assinaturas, correspondente a 0,5% dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não
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Legenda vai questionar na Justiça a legitimidade do atual processo adotado para a criação de novas siglas no país computados brancos e nulos. Ou seja, pelas regras atuais, Kassab precisa recolher cerca de 490 mil assinaturas para criar sua legenda. Reedição O PMDB também quer reforçar uma Adin apresentada pelo PPS em 2011, quando o ex-prefeito de São Paulo criou o PSD. O texto, que tramita no STF, questiona a Resolução 22.610/07, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), segundo a qual a criação de nova legenda caracteriza justa causa para que um parlamentar se desfilie de seu partido de origem sem perder o mandato. A criação do PL para posterior fusão com o PSD conta com apoio do Palácio do Planalto, que visa enfraquecer o PMDB a partir do surgimento de novas forças políticas que façam frente à legenda. Além de tentar brecar os planos de Kassab na Justiça, o partido de Eduardo Cunha age em outras duas frentes de ataques. O departamento jurídico do PMDB ainda avalia a estratégia de atuação que adotará no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Eduardo Cunha tem pressa Na Câmara, Cunha aprovou o requerimento de urgência para apreciação do projeto apresentado pelo líder do DEM, Mendonça Filho (PE), com aval do PMDB. Ele quer votar já na próxima semana o texto que determina que um partido recémcriado precisa aguardar cinco anos a partir da obtenção do registro definitivo para fundir-se a outra legenda. O projeto acabou desenterrando uma série de outros textos que ampliam as punições a parlamentares que deixarem suas legendas. A entrada do projeto na pauta da semana que vem depende da aprovação dos líderes partidários que se reúnem na terça-feira (24).
Passado o Carnaval, o PMDB vai ao Supremo Tribunal Federal questionar criação de novas siglas
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
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(92) 3090-1045
IONE MORENO
Cheque volta a ganhar força no comércio Economia B5
A ‘maré’ está boa para a compra de carro seminovo FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Veículos usados estão 30% mais em conta em relação aos zero quilômetro vendidos nas concessionárias de Manaus
Conforme representantes do setor, mesmo em um ano no qual mercado projeta indicadores negativos, vendas de seminovos devem crescer até 11%, em 2015, em relação ao ano anterior EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
O
segmento de veículos seminovos desponta neste ano como opção até 30% mais barata do que comprar um carro zero quilômetro. O barateamento foi possível graças ao fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), desde o final do ano passado, o reajuste de até 5% sobre os veículos novos por parte das montadoras e os reajustes aplicados pelo governo brasileiro para reequilibrar a economia do país. De acordo com representantes do setor, mesmo em um ano no qual o mercado projeta indicadores negativos, a estimativa é que o segmento de seminovos em 2015 consiga atingir um volume de vendas de 8% até 11% em relação ao ano anterior. Entre os complicadores para a compra de carro zero, segundo o gerente de Seminovos da concessionária Solimões Veículos, João Braga, está o reajuste sobre a taxa básica de juros da economia, que subiu de 11,75% para 12,25% ao ano, a alta sobre a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) - de 1,5% para 3%, ao ano - e também o que ele classificou como a “recessão do crédito”, que está mais difícil por parte dos agentes financiadores. “O consumidor vai comprar um carro zero, mas a parcela
não encaixa no seu orçamento e ele é indicado para o setor de usados e seminovos, que está em média de 20% a 30% mais barato que o zero quilômetro”, disse João Braga. Além do valor mais em conta, como vantagens, o segmento de seminovos aponta a inclusão de itens adicionais já inclusos no veículo como banco de couro, roda de liga leve, ar, direção hidráulica, vidros e travas elétricas. “O de série terá os itens obrigatórios como airbag e freios ABS. Qualquer adicional no carro novo encarecerá o valor final. No seminovo o comprador já encontrará esses opcionais inclusos”, explicou Braga. Como garantias de tirar da concessionária um veículo usado com qualidade, o mercado de seminovos das grandes redes de venda de veículos oferece campanhas como revisões, garantia de 90 dias e até mesmo a transferência de propriedade. Investimento Conforme o gerente de Seminovos da Solimões, a compra de um automóvel usado pode servir ao comprador como investimento, uma vez que a depreciação do veículo é até 50% menor que a do carro zero quilômetro. Enquanto o veículo novo, ao sair da concessionária, tem desvalorização de 13% a 20% no primeiro ano, o seminovo terá depreciação de 8% a 13%, somente no segundo ano.
Mercado local prevê aumento nas vendas Com foco na venda de veículos zero quilômetro, a concessionária Via Marconi prevê um crescimento sobre o volume de vendas do segmento de seminovos, de no mínimo 10%, segundo avaliação do gerente geral da rede, Luciano Novellino. Segundo ele, com todos os reajustes fiscais adotados pelo governo e os da montadora, as vendas do segmento de carro zero sofrerão queda com o encarecimento de
no mínimo 30%. “Por conta desses reajustes, os usados têm uma atratividade maior de compra. Para esse segmento há campanhas como garantias de revisão e taxas especiais”, disse Novellino. Estabilidade Para o gerente geral, o carro usado é um bom investimento porque depois de dois anos, com a devida manutenção, ele fica com valor estável. “O proprietário pode
negociá-lo para adquirir um zero quilômetro”, sugeriu. Numa concessionária como a Via Marconi, que possui em média cem veículos usados, por mês, o principal cliente desse segmento, de acordo com Novellino, é o comprador que busca o seu primeiro carro, enquanto para os da linha zero quilômetro é o corporativo. Vantagens Para tentar superar uma
possível crise nas vendas dos veículos zero, algumas empresas investirão em ações e benefícios para tentar atrair os clientes. Segundo o gerente de vendas da Braga Veículos, Onias Mota, a redução do IPI aqueceu as vendas no fim do ano, mas ele não acredita em um recuo acentuado nas vendas para este ano. “Entre os benefícios estão taxas promocionais, descontos e brindes”, afirmou Mota.
Para atrair a clientela, concessionárias de Manaus oferecem alguns benefícios para quem comprar um carro seminovo
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Apple pode lançar carro elétrico próprio em 2020 S
Jungwirth, líder de pesquisas da Mercedes-Benz no Vale do Silício. Steve Zadesky, exexecutivo da Ford, também estaria liderando o projeto. De acordo com reportagem do jornal “Financial Times”, dezenas de funcionários da empresa, liderados por gerentes experientes do departamento do iPhone, estão
LABORATÓRIOS
Conforme a Bloomberg, além de funcionários da A123, a Apple estaria “passando o rodo” em laboratórios da LG, Samsung, Panasonic, Toshiba, Johnson Controls e montadoras concorrentes
pesquisando produtos automotivos em um local mantido sob sigilo no Vale do Silício (fora da sede oficial na cidade de Cupertino). Jonathan Ive, vice-presidente de design da Apple, teve encontros com executivos do setor automobilístico e engenheiros - em alguns casos, tentando contratá-los. Esse centro de
pesquisa começou a funcionar no fim do ano passado. Completo Existe a possibilidade de que esses profissionais estejam apenas desenvolvendo sistemas para carros, como novas versões do CarPlay, sistema que permite que motoristas exibam aplicativos do iPhone em uma tela do painel de seu carro. Entretanto, a experiência das pessoas que a companhia contratou sugere o desenvolvimento de um veículo completo. Essas contratações já geraram problemas na Justiça para a Apple. A fabricante de baterias elétricas para carros A123 Systems está processando a companhia por “roubar” engenheiros de alto escalão. Segundo o processo, que tramita em um tribunal federal de Massachusetts, a Apple começou a assediar os profissionais da A123 em meados do ano passado - cinco pessoas foram contratadas. Elon Musk, fundador da Tesla, já disse que a possível rival tentou recrutar seus funcionários oferecendo bônus de US$ 250 mil e aumentos de salário de 60%.
A Apple não confirmou a criação do carro, mas não faltam suspeitas em sites especializados DIVULGAÇÃO
ão Paulo - A Apple está trabalhando no desenvolvimento de um carro elétrico e pode lançá-lo a partir de 2020. A informação é de reportagem da agência de notícias Bloomberg, com base em pessoas com conhecimento do assunto. De acordo com a agência, a empresa liderada por Tim Cook deve lançar um carro elétrico, que viria a concorrer com os modelos da montadora Tesla e também da General Motors (ambas anunciaram a intenção de lançar em 2017 veículos que consigam rodar mais de 300 quilômetros sendo carregados apenas uma vez e que custem menos de US$ 40 mil). Segundo informações da Bloomberg, Cook quer entrar em novos mercados. A companhia, que teve no quarto trimestre de 2014 um lucro recorde de US$ 18 bilhões, tem US$ 178 bilhões em caixa para gastar, mas atua em poucos setores. Outro indício de que a Apple estaria desenvolvendo um automóvel são as recentes contratações feitas pela companhia, como a de Johann
DIVULGAÇÃO
Entre os indícios de que a companhia desenvolve o automóvel está a contratação do líder de pesquisas da Mercedes-Benz
A solução para troco digital partiu de três jovens empreendedores da startup alagoana Piggo
INOVAÇÃO
Soluções brasileiras de e-commerce A primeira ideia pode parecer simples, mas é uma ótima sacada. Trata-se de um tipo de cofrinho digital. O projeto consiste em uma plataforma para facilitar o troco no varejo. Para oferecer o troco virtual, basta o estabelecimento criar uma conta no serviço e depositar um valor “X” que pretende utilizar como troco para seus clientes. Do outro lado do balcão, também é muito simples receber este troco. Tudo o que o consumidor precisa fazer é informar seu CPF; o valor é automaticamente creditado na sua conta Piggo – mesmo que ele ainda não tenha se cadastrado. A ideia nasceu da startup comandada pelos alagoanos por Bruno Peixoto, 36 anos, Eduardo Peixoto, 36, e Jefferson Bezerra, 31. O próximo passo é transformar a plataforma em uma carteira digital completa, colocando também a função de meio de pagamento no sistema. Por enquanto, o usuário que acumula o troco virtual pode usar o saldo para fazer
recargas no celular direto pelo aplicativo; pode doar esse valor para uma instituição de caridade, enviar para um amigo ou até solicitar o depósito em sua conta corrente. A startup Diin criou um ambiente virtual para ensinar
COMPETIÇÃO
Conforme o site Olhar Digital, três startups brasileiras vão participar de um concurso global, competindo com soluções inovadoras dos quatro cantos do planeta. O prêmio será de US$ 100 mil crianças e adolescentes a lidar com as compras on-line. Além de educativa, a plataforma é também um autorizador de pagamentos previamente estabelecidos pelos pais. Basta o pai criar um cadastro no site do Diin estabelecendo as permissões de compra do filho. É ele quem determina
valores e o que pode ou não ser comprado. Nos sites que aceitarem o Diin como meio de pagamento, a criança poderá fazer o processo total da compra sozinha. Para acompanhar o que o filho gastou ou economizou, os pais contam com um painel on-line com todas as informações sobre as compras. A ideia é que, assim, juntos, os mais novos aprendam a lidar com o dinheiro na web. A ideia do Box Buy surgiu dentro da casa do Gabriel quando ele viu a dificuldade que sua mãe – já aposentada – encontrava para vender peças do seu hobby on-ine. Ele então desenvolveu um carrinho de compras interativo multiplataforma. A ideia é que o seu carrinho de compras não se restrinja a apenas uma loja on-line, mas que seja uma coisa única para qualquer ambiente virtual em que você decida comprar. O BoxBuy funciona em praticamente todos os modelos on-line: blogs, sites, Facebook, Instagram, Twitter e até pelo WhatsApp.
Economia
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O que fazer para se livrar das dívidas acumuladas D
epois do Carnaval, o ditado popular de que, enfim, o ano começa para o brasileiro se confirma como verdade, porque é quando começam as preocupações com as contas. Num ano que começa difícil para a economia do país, com reajustes em diversos tributos, para o cidadão que sai endividado dos blocos carnavalescos, especialistas apontam que é hora de “frear o consumo” e até mesmo recorrer a investimentos aplicados, a fim de quitar dívidas e evitar o descontrole das contas em 2015. Quem começa o ano endividado, na avaliação do presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Evangelista, já tem um forte indutor para que as contas sofram um total descontrole durante todo o ano. Ele observa que é necessário reunir todos os compromissos vencidos e separar os que cobram juros maiores pelo atraso. Mais importante que quitar as dívidas que cobram altos juros, para Evangelista, é não contrair novos compromissos além da capacidade de pagamento. Para o economista, “é hora de frear o consumo e analisar caso a caso as aquisições que se pretende fazer durante o resto do ano. O que não for realmente necessário o melhor é simplesmente cortar da lista”, alerta. Conforme Evangelista, quem possui investimento aplicado poderá utilizá-lo para quitar dívidas porque a taxa de juros do melhor investimento dificilmente pode recuperar a que é paga em uma dívida. “Se tiver um investimento aplicado, o melhor seria usar parte dele para pagar dívidas com maior percentual de juros. Mas, é sempre bom manter reservas para outras urgências”, sugere. Para ele, ao contrário do que afirmam, o cartão de crédito é o melhor meio de financiamento. No entanto, ele observou que muitos usuários não
sabem utilizá-lo, o que leva à inadimplência acima dos 40%. Entre os erros mais comuns no uso dos cartões, segundo o economista, estão as compras parceladas, as quais podem tornar o correntista refém dos juros das financeiras, que chegam próximo aos 250%, ao ano. Outro erro, conforme Evangelist, é a pessoa querer possuir vários cartões com vencimentos divergentes da data do recebimento do salário. “Existem pessoas que têm vários cartões, um ou dois de cada bandeira, e somando-se os limites, ficam muito acima dos seus ganhos. Um deslize nos gastos levam a um endividamento de grandes proporções”, alerta.
Não pense duas vezes, cancele os cartões e fique somente com aqueles que condizem com sua real situação financeira Marcus Evangelista, economista
Quem não tem nenhuma aplicação ou outro modelo de reserva financeira, para se livrar de uma dívida e não descontrolar as contas, o vicepresidente do Corecon-AM, economista Nelson Azevedo, sugere que, se não quiser pedir emprestado à família, a pessoa pode recorrer aos empréstimos consignados, cujas taxas são razoáveis e a burocracia para contratar não é grande. Segundo Azevedo, o cheque especial continuará sendo o pior inimigo do endividado, uma vez que os juros cobrados pelo uso do limite pré-aprovado está acima dos 100% ao ano. “O correto é fugir dele e somente usá-lo em casos emergenciais mesmo. Em caso de quitação de dívidas é uma péssima escolha, uma vez que quita uma e cria outra muito maior”, afirma.
A biomédica Keila Queiroz dos Santos é um exemplo de quem procura manter as contas em dia dentro do orçamento familiar
Consumidoras sentem o peso dos novos juros A biomédica Keila Queiroz dos Santos, 31, neste ano já sentiu a diferença dos reajustes anunciados pelo governo na conta de energia. Enquanto no ano passado, no mês de fevereiro, ela pagou conta no valor de R$ 111,30, para este ano, no mesmo período, a conta elevou em quase 200%. Somadas as contas de energia, Keila e o marido pagam outras como, por exemplo, plano de saúde, financiamento de veículo, de terreno e taxa de condomínio do apartamento onde moram. Segundo ela, o casal procura manter as contas dentro da renda familiar, até mesmo para não ter que recorrer a empréstimos. “Os juros são muito altos”, diz. Para este
ano, as contas não ficaram maiores, conforme Keila, porque no final de ano passado o casal evitou gastar muito no Natal e Ano-Novo para poder pagar as contas e aproveitar os descontos que o comércio varejista oferece no início do ano. “Não temos nem cartão de crédito. Pagamos somente em dinheiro para que as contas não virarem uma bola de neve”, afirma. No momento, a biomédica conta que a família não tem nenhum investimento aplicado em alguma insti-
tuição financeira. Contudo, passou a pensar nessa possibilidade desde o ano passado, para o seu filho. “Futuramente, vai nos ajudar a pagar a mensalidade do seu colégio e aliviará em nosso orçamento”, avalia. A repórter Paula Brito, 27, diz que neste período sempre acumula contas para pagar, principalmente relacionadas às compras das festas de final de ano. A maior parte via crediário de loja. Desta vez, ela conta que acabou ultrapassando o limite do seu orçamento. Para quitar as dí-
vidas, Paula espera o retorno de trabalhos que vem fazendo e contará ainda com a ajuda do namorado. Apesar de considerar um ano difícil para a economia, ela mantém nos planos o financiamento de veículo. “Está cada dia mais complicado viver com tantos reajustes nos impostos que implicam nas nossas contas. Mesmo assim mantenho nos meus planos a compra de um carro neste ano”, salienta.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
RAIMUNDO VALENTIM
Especialistas sugerem desde o uso de investimentos aplicados a empréstimos consignados para quitar dívidas de juros altos
‘Tempo de apertar os cintos’ Para o consultor empresarial e advogado Hamilton da Fonseca Caminha, em tempo de “aperto dos cintos” fará grande diferença para cidadãos comuns e empreendedores planejar e gerenciar gastos em produtos e serviços mais essenciais. Segundo ele, a tributação sobre produtos e serviços pressiona mais os preços ao consumidor. Entre os aumentos de preço que serão sentidos pelo consumidor estão os produtos importados, que sofrerão com o reajuste de 9,25% para 11,75% do PIS e Cofins. “Derrotado no Supremo Tribunal Federal, o governo foi obrigado a excluir o ICMS da base de cálculo dessas contribuições nas importações e, por isto, ajustou as suas alíquotas sobre esses itens para compensar a perda de arrecadação”, conta.
O consultor lembra que, além dos tributos embutidos nos preços dos produtos, no começo do ano o cidadão paga diretamente alguns tributos, que merecem sua atenção. São eles: IPTU, IPVA e IR. “Em regra, pagar em dia é recomendável, pois a multa por atraso chega a 20%, além dos juros serem acima de 1% ao mês. Mas, além disto, cabe avaliar, fazer conta mesmo, se é vantagem pagar antecipado, à vista ou parcelado”, diz. Quanto ao empresariado, Caminha aconselha a revisão fiscal todo final de ano para definir o regime tributário do ano seguinte, cuja escolha vai até janeiro. “Agora, após o vencimento do prazo de opção do regime tributário, ele deve se preparar para pagar o Imposto de Renda e Contribuição Social em breve”, afirma. Diminuir a quantidade de cartões de crédito na carteira é uma das dicas de especialistas para evitar o descontrole das contas
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Economia
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Pagamento com cheque ganha força no comércio ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Lojistas da capital amazonense registraram, em janeiro deste ano, alta de 12% no uso do documento para pagar contas
Mesmo com o crescimento, uso de cheque ainda é rejeitado na maioria dos estabelecimentos comerciais de Manaus
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arginalizado’ pelos comerciantes, nos últimos anos, o pagamento por meio de cheque volta a ganhar força no comércio de Manaus. No final do ano passado, aproximadamente 10% dos estabelecimentos comerciais da cidade aceitavam o documento contra 12% neste início de ano, de acordo com dados da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus). Segundo a entidade, outro fator que tem favorecido a volta do pagamento com cheque é a queda da taxa nacional de inadimplência relacionada ao documento, que ficou em torno de 1,8%. De acordo com o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, os empresários vêem o cheque como mais uma forma de fazer novas vendas e driblar a concorrência. Ele também destacou que um dos motivos para o aumento da aceitação do cheque é o fato de que os bancos não concedem o documento para qualquer pessoa. “A inadimplência é menor e os bancos têm maior cuidado com os clientes”, afirmou. Centro No centro de Manaus é difícil encontrar uma loja que aceite o documento. A gerente da loja Chick Modas, Vanderléia de Almeida, contou que trabalha há nove anos no local e nunca ouviu falar se o estabelecimento aceitou em algum momento cheque como forma de pagamento. Segundo ela, é aceito somente cartão. Porém, Vanderléia destacou que sempre aparece um cliente que pergunta se é aceito o cheque. “É um percentual muito pequeno de cliente que procura pagar com cheque”, destacou a gerente.
No Lojão do Queima, o cheque também não é aceito, de acordo com a gerente da loja, Jocélia Garcia. Conforme ela, o documento não deve ser aceito por conta dos cheques sem fundos. “No final, quem fica no prejuízo é o lojista”, declarou. Queda De acordo com dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (Boa Vista SCPC), o número de cheques devolvidos, por falta de fundos, como proporção do total de cheques movimentados, registrou 2,02% em janeiro de 2015, contra o resultado de 1,91% do mês anterior. O indicador de cheques devolvidos também apresentou queda na comparação com janeiro de
Lojas abrem ‘brechas’ para clientes antigos A Apa Móveis também não trabalha mais com cheque. Porém, de acordo com a gerente da loja da rua Guilherme Moreira, Dania Pimentel, o documento é aceito em caso de alguns clientes antigos. “No grupo, há um
ou dois clientes, por loja, que compram com cheque, mesmo assim depende de aprovação do nosso financeiro. Mandamos a cópia do cheque, todo o cadastro do cliente e após análise do setor, é autorizado
ou não”, destacou. Dania frisou que a aceitação ocorre somente com alguns clientes antigos e que possuem cheque para pessoa jurídica. Se outras pessoas chegarem à loja querendo pagar com o
documento, ela ressaltou que não será aceito. “Para ter uma ideia, na loja da rua Guilherme Moreira [no Centro] só tem um cliente que compra com cheque. É mais segurança para os empresários”, apontou. IONE MORENO
SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
CADASTRO
A Boa Vista SCPC conta com uma base de dados que contém mais de 350 milhões de informações comerciais sobre consumidores e empresas, e registra mais de 42 milhões de transações de negócios por dia 2014, de 2,07%. Na variação anual, os cheques devolvidos recuaram 15,0%, enquanto os cheques movimentados diminuíram 13,1%. Separando os cheques devolvidos de pessoas físicas e jurídicas, na mesma base de comparação, a devolução foi 16,9% menor para as pessoas físicas e 10,0% inferior para as pessoas jurídicas. Conforme a pesquisa, os cheques devolvidos recuaram 9,5% na comparação mensal, enquanto os cheques movimentados registraram queda de 14,6%, o que contribuiu para o aumento do percentual no período.
No centro da cidade, lojistas ainda aceitam o uso do cheque, apesar do perigo de calote
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País
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Projeto regulamenta o licenciamento ambiental
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A proposta é moralizar o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades utilizadoras de recursos ambientais
O projeto de lei é de autoria do deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS). Segundo ele, desde a publicação da Constituição Federal, o assunto permanece sem regulamentação legal no país
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rasília - A Câmara Federal analisa o projeto de lei 8062/14, do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), que regulamenta o licenciamento ambiental, ou seja, o procedimento administrativo destinado a licenciar atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores, ou capazes sob qualquer forma de causar degradação ambiental. O tema é matéria de, pelo menos, outros 11 projetos de lei (PL 3729/04 e apensados). O autor argumenta que, mais de 30 anos depois da publicação da Constituição Federal de 1988, o assunto permanece sem regulamentação legal, seguindo apenas um conjunto de normas infralegais, como o decreto 99.274/90 e as resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) 1/86 e 237/97. A lei complementar 140/11 definiu apenas as competências dos entes federados sobre a matéria ambiental. “O licenciamento ambiental, apesar de ser um processo crucial para o avanço sustentável das atividades econômicas do país, e para garantir à sociedade o direito constitucional de um meio ambiente saudável, ainda carece de um marco legal que estabeleça com clareza as obrigações e deveres das partes envolvidas”, afirma Moreira. Segundo ele, “esse ambiente de insegurança jurídica tem contribuído para que o licenciamento ambiental sofra com diversos problemas”. Entre esses problemas, o deputado cita: a falta de clareza sobre os aspectos a serem avaliados; o excesso de discricionariedade dos agentes públicos responsáveis; a ausência de prazos para manifestação dos órgãos competentes; o estabelecimento
de condicionantes que extrapolam a análise de impacto ambiental; e a ausência de mecanismos de incentivos às boas práticas e às iniciativas voluntárias voltadas para a boa gestão ambiental. Tipos e prazos Pelo projeto, o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades de interesse social ou de utilidade pública será regulamentado por ato do Executivo. Esse ato definirá, de acordo com a natureza, porte e potencial poluidor, quais empreendimentos ou atividades estarão sujeitos ao licenciamento ambiental ordinário, com três fa-
TRAMITAÇÃO
O projeto foi apensado ao PL 3729/04, que já foi aprovado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara e ainda será analisado por outras comissões da casa ses (licença prévia, licença de instalação e licença de operação); ao licenciamento ambiental simplificado, com redução de procedimentos, bem como de custos e tempo de análise, podendo ser realizado eletronicamente; à dispensa do licenciamento ambiental, como no caso de empreendimentos e atividades de pesquisa e serviços de caráter temporário. A proposta centraliza o processo de licenciamento ambiental no órgão licenciador, a quem o empreendedor deverá apresentar todos os documentos e requerimentos. Esse órgão poderá exigir do empreendedor a elaboração de estudos ambientais com o objetivo de identificar os potenciais
impactos ao meio ambiente e as respectivas medidas mitigadoras e compensatórias. O projeto estabelece prazos máximos para que o órgão licenciador conceda cada uma das licenças do licenciamento ambiental ordinário. E ainda fixa prazo de validade para elas, que será: não inferior a cinco anos para a licença prévia, podendo ser renovado por igual período; não inferior a seis anos para a licença de instalação, também podendo ser renovado por igual período; não inferior a dez anos, no caso da licença de operação. Já as licenças ou autorizações ambientais obtidas por meio de procedimento simplificado serão concedidas por prazo mínimo de dez anos, renováveis. Facilidades De acordo com o texto, deverão ser estabelecidos critérios para otimizar os procedimentos de licenciamento do empreendimento que implemente programas voluntários de gestão ambiental. Além disso, poderão ser dispensados ou submetidos a procedimentos simplificados de licenciamento empreendimentos e atividades situados na mesma área de influência e em condições similares às de outros já licenciados. A proposta diz ainda que poderá ser admitido um único processo de licenciamento ambiental para empreendimentos ou atividades vizinhos. Para viabilizar isso, os órgãos licenciadores criarão um banco de dados a partir dos estudos ambientais apresentados e aprovados, a ser disponibilizado em meio eletrônico. Segundo o projeto, o processo de licenciamento ambiental deverá será integralmente informatizado em um prazo máximo de dois anos, devendo o andamento do processo ser disponibilizado na internet.
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Colheita de soja no país atrasa mais por chuvas DIVULGAÇÃO
A Região Centro-Oeste é a mais afetada pelo fenômeno climático. Este ano, apenas 20% da área total cultivada foi registrada
O Estado do Mato Grosso, no Centro-Oeste do país, é o principal produtor da oleaginosa e apresenta, nesta safra 2015, um ritmo bem mais lento que o mesmo período do ano passado
S
ão Paulo (Reuters) - A colheita de soja do Brasil atingiu cerca de 20% da área total cultivada no país, o que representa um atraso considerável na comparação com o ritmo de 2014 e ante a média histórica, informaram na última sexta-feira consultorias especializadas. Os trabalhos, que já vinham mais lentos neste início de colheita, foram prejudicados
nesta semana pelas chuvas, que dificultam a entrada das máquinas nos campos. “O país voltou a registrar chuvas nesta semana, prejudicando a colheita... Os maiores problemas estão no Centro-Oeste, cujo plantio foi tardio por conta da estiagem e onde o desvio de chuva na última semana passou dos 100 mm”, afirmou a AgRural em relatório. Segundo levantamento
concluído pela AgRural nesta sexta, a evolução semanal da colheita foi de 6 pontos, levando a área colhida no país para 20%, atrás dos 30% de um ano atrás. Segundo a Safras & Mercado, pela média histórica de 5 anos, a colheita deveria estar em 23%. No mesmo período do ano passado, estava nesta época em 31%. A Safras apontou que o ritmo em Mato Grosso, prin-
cipal produtor brasileiro da oleaginosa, está bem mais lento ante o mesmo período do ano passado, quando o Estado já havia colhido 45% da área plantada. Até anteontem, a colheita matogrossense atingiu 25%. O atraso em Mato Grosso, que responde por cerca de 30% da safra brasileira da oleaginosa, reflete problemas no período de plantio provocados pela seca
MERCADO
DIVULGAÇÃO
em licitação”. De acordo com o ministério, um número elevado de áreas foi submetido à aprovação do conselho em dezembro, para não ser necessária uma nova aprovação. O grupo técnico responsável pela análise ambiental prévia das áreas a serem licitadas já apresentou uma nota técnica no fim de dezembro, disse o MME, e agora está analisando considerações realizadas pelo MME e pela ANP. O grupo, formado por Ministério do Meio Ambiente, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), avalia as áreas de forma preliminar para antecipar caso haja algum tipo de restrição.
Deputado federal Alfredo Kaefer defende a criação de uma comissão para debater tema
Reforma tributária volta à pauta DIVULGAÇÃO
presas fornecedoras de bens e serviços no país”. O ministério explicou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) já autorizou a realização da 13ª Rodada de Blocos Exploratórios de Petróleo. Entretanto, os blocos precisam ser selecionados até o fim da próxima semana para que os trâmites necessários sejam realizados a tempo. “Para que o leilão ocorra no primeiro semestre, os blocos que serão licitados precisam estar definidos até o final deste mês de fevereiro”, disse o ministério. “Não é necessária qualquer reunião adicional do CNPE, apenas a definição, dentro dos blocos já aprovados, de quais serão efetivamente colocados
Antes tão rentável, a indústria do petróleo tem perdido competitividade desde o ano passado
Milho Números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado aos produtores, apon-
tam que os agricultores já colheram 34,9% da área de soja no Estado, mas também indicam um atraso de mais de 10 pontos percentuais ante o mesmo período do ano passado. Com o atraso na colheita de soja, o plantio de milho no Estado também segue mais lento, atingindo quase 40% da área projetada, ante 57,9 por cento no mesmo período do ano passado.
CÂMARA FEDERAL
Indústria do petróleo em xeque Rio de Janeiro (Reuters) - O governo está estudando a receptividade do mercado para decidir se manterá a promessa de realizar um novo leilão de áreas exploratórias de petróleo no primeiro semestre deste ano, informou o Ministério de Minas e Energia. A indústria de óleo e gás brasileira vive uma grave crise, com diversas denúncias contra Petrobras e algumas de suas principais fornecedoras. Neste contexto, petroleiras privadas já temem um novo período sem novas ofertas de blocos. Questionado pela Reuters se a licitação poderá ser postergada, o ministério respondeu que “no momento estão sendo avaliadas as condições do mercado e a situação das em-
no ano passado, além das chuvas desta semana. Uma colheita mais lenta pode gerar alguma tensão no mercado, que já começa a ficar estressado por protestos de caminhões em rodovias do Mato Grosso e Paraná.
Brasília - O deputado Alfredo Kaefer (PSDBPR), que presidiu no ano passado um grupo de trabalho na Câmara dos Deputados sobre reforma tributária, defende a criação de uma comissão especial para avançar na discussão do tema e apresentar uma proposta a ser votada pelos parlamentares. “Proponho uma análise muito mais ampla da reforma tributária, além das reformas trabalhista e previdenciária e do pacto federativo, porque são assuntos intrinsicamente ligados e amarrados em si”, afirma.
O grupo de trabalho foi extinto com o fim da legislatura passada, mas o debate a respeito da reforma tributária se arrasta há mais de duas décadas na casa. Neste ano, a Câmara instalou uma comissão especial para analisar a reforma política, outro tema que tem causado polêmica há muitos anos. Críticas Para Roberto Piscitelli, professor de finanças públicas da Universidade de Brasília (UnB), embora muitos considerem a carga tributária brasileira alta, a discussão não deve se ater somente a isso.
“Dadas as nossas opções, o nosso estágio de desenvolvimento e as nossas desigualdades, acho até que a carga não é tão elevada. O problema não é esse”, opina. “A questão é saber o que estamos dispostos a transferir para o Estado e o que achamos que o Estado deve realizar em nosso nome”, argumenta o especialista. Segundo os dados mais recentes disponibilizados pela Receita Federal, de janeiro a outubro de 2014, o governo federal arrecadou R$ 968,7 bilhões. Esse valor é 0,45% maior que o verificado no mesmo período em 2013.
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Mundo
MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
Lobistas trabalham para melhorar imagem da Guiné S
ão Paulo - O fato de o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ter pago cerca de R$ 10 milhões à escola de samba Beija-Flor, campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, para falar das belezas de seu país não constitui uma novidade na tática do político, que se mantém desde 1979 no governo, após ter tomado o poder mediante um golpe de Estado. Para melhorar sua imagem internacional, prejudicada pela pobreza extrema do povo e pelas violações de direitos humanos no país, Obiang também se vale de lobistas norte-americanos. A ação de lobistas foi utilizada para aproximar empresas e o governo norte-americano da Guiné Equatorial, um dos maiores produtores de petróleo da África. Perto do dinheiro gasto com este fim, o patrocínio à Beija-Flor é, sim, dinheiro de pinga, como escreveu Kiko Nogueira do Diário do Centro do Mundo. Entre 2010 e 2011, o lobista norte-americano Lanny Davis recebeu mais de R$ 1 milhão para “aconselhar” Obiang em um “amplo programa de reformas políticas, jurídicas e econômicas”, além
de implementar “um efetivo plano de mídia e política comunicacional nos EUA”, como informou uma reportagem do “Huffington Post” de 2013. Ativistas de direitos humanos questionam a chamada dupla moral dos Estados Unidos com certos governos africanos. Apesar de criticar, mais de uma vez,
EXTRAS
Do outro lado, uma investigação do Senado dos EUA sobre um banco local identificou que a família de Obiang recebeu pagamentos vultuosos de petroleiras americanas, como a Exxon Mobil a falta de liberdades individuais, de imprensa, o uso sistemático de torturas nas prisões e a perseguição de opositores, os Estados Unidos - um dos principais compradores do petróleo guinéu-equatoriano - não impuseram nenhum tipo de sanção econômica ao país. Em 2007, a ex-secretária de Estado dos EUA Condolezza Rice recebeu Obiang para uma reunião em Washington e
EFE
“Profissionais” pagos a peso de ouro pelo ditador africano Teodoro Obiang Nguema são dos Estados Unidos da América o presidente Barack Obama o recepcionou em 2009. País pobre No centro da polêmica em torno do país está o fato de que, mesmo com os altos ganhos obtidos com a venda do petróleo, principal produto de exportação, a população local continua vivendo em situação de miséria. De acordo com o Banco Mundial, 77% das pessoas vivem na pobreza extrema, com menos de US$ 2 por dia. Não há liberdade de expressão, a única emissora de televisão é operada pelo Estado. As eleições são contestadas por observadores internacionais como a HRW (Human Rights Watch) e opositores ao governo são perseguidos, também conforme denúncias de ONGs internacionais. Além disso, um em cada três guinéuequatorianos morrem antes de completar 40 anos. A taxa de mortalidade infantil é de 206 a cada mil nascidos. O diretor do HRW, Arvind Ganesan, no entanto, afirmou que a Guiné Equatorial “é um país onde as pessoas poderiam ter a riqueza per capita da Espanha ou Itália, mas em vez disso, vivem em condições comparáveis ao Chade ou à República Democrática do Congo”.
Com um enredo que exaltava as belezas e histórias da Guiné-Equatorial, a Beija-Flor saiu campeã
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diadia@emtempo.com.br
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Dia a dia
Incentivo na luta contra o tabagismo
(92) 3090-1041
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O trânsito, esse inimigo... ARTHUR CASTRO/ARQUIVO AGORA
Relatório do Observatório Nacional de Segurança Viária coloca o Amazonas como o Estado com menor ocorrência de acidentes fatais no período de 2001 a 2012. No entanto, muitas ações são necessárias para manter esse patamar
O estudo da Organização Mundial de Saúde mostra que, em 15 anos, os acidentes de trânsito serão a sétima maior causa de mortes no mundo. Dado foi incluído em relatório sobre o tema no país
U
m estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que, em 2030, os acidentes de trânsito se tornarão a sétima maior causa de mortes no mundo, ultrapassando doenças como diabetes e hipertensão. O dado foi incluído em estudo intitulado “Retrato da Segurança Viária no Brasil”, elaborado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, em parceria com empresas de bebidas e consultorias. O relatório, publicado no ano passado, traz uma análise do problema em todos os Estados no período de 2001 a 2012. A Região Norte aparece em último lugar no ranking das regiões com maior número de óbitos. No cálculo de mortes, a cada cem mil habitantes, o Amazonas figura no primeiro lugar dos Estados menos violentos. Em comparativo que relaciona o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Produto Interno Bruto (PIB) e o número de óbitos, Manaus apresenta 17,2 acidentes fatais na mesma proporção. Os índices referem-se à pesquisa do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), em parceria com o Instituto Business Group (IBG), sobre o triênio 2010-2012. Apesar do cenário otimista, alguns aspectos da pesquisa geram controvérsias. Para o diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, o último dado se revela genérico, pois considera apenas os óbitos registrados em hospitais municipais. “Vítimas de acidentes que ocorrem em
Presidente Figueiredo, por exemplo, acabam sendo notificados no levantamento da capital”, explica. Metodologia A metodologia do órgão envolve o cruzamento de registros do Instituto Médico Legal (IML) e dos pronto-socorros, considerando também a evolução do quadro do paciente. De acordo com esse processo, em 2012 houve 242 mortes no trânsito em Manaus, 256 em 2013, e no ano passado 251. “Esses resultados seguem em ordem inversa ao aumento da população, o que significa que estamos vencendo a batalha”, analisa Martins. Esse índice se baseia no sistema do relatório, ao contrário da-
Motocicletas provocam mais mortes Consideradas o “calcanhar de Aquiles” das ações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal, as motocicletas representam 73,8% dos óbitos registrados no Norte do país. Em 12 anos, esse foi o modal que mais cresceu – de 4,6 milhões para 20 milhões, um aumento de 335%. “Fazemos um trabalho intenso de fiscalização, alertando os motociclistas sobre a importância do uso do capacete e o porte de
habilitação”, diz G. da Silva, coordenador do Núcleo de Registros de Acidentes (Nuran) da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A ênfase do trabalho da PRF recai nas atividades de prevenção, como é o caso do projeto Cinema Rodoviário. A iniciativa visa lembrar normas muitas vezes esquecidas pelos motoristas, como a proibição da ultrapassagem em faixa contínua. Esse tipo de conduta é uma das principais causas de aciden-
tes nas rodovias BR-174 e BR-319, áreas monitoradas pelo órgão. “Nosso objetivo não é ensinar o condutor a dirigir, nem multá-lo, mas apenas sensibilizá-lo”, argumenta Silva. Ainda este ano, o órgão deve implementar o Festival Temático de Educação para o Trânsito (Fetran). O projeto tem como objetivo orientar professores a abordar o tema nas salas de aulas. A didática inclui a utilização
de estatísticas e parcerias com comunidades no entorno de cinco escolas da capital amazonense. De acordo com Silva, tal esforço tem contribuído para reduzir as ocorrências em períodos críticos, como o Carnaval. Em 2014, a PRF registrou dois acidentes (um com vítimas fatais) nessa época, contra cinco acidentes em 2013 e 13 no ano anterior. Os dados referentes a 2015 ainda estão em fase de avaliação. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO
ÍNDICES
Em comparativo que relaciona o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Produto Interno Bruto (PIB) e o número de óbitos, Manaus apresenta 17,2 acidentes fatais na mesma proporção quele utilizado pelos órgãos de trânsito, que relacionam o número de vítimas fatais com a frota. Para Martins, a redução de casos depende da associação entre o trabalho de fiscalização e ações educativas. “O que deve ser considerado no relatório é a sua filosofia. Há propostas interessantes ali, como a década de combate aos acidentes de trânsito e os modelos implementados em países europeus”, observa o professor Geraldo Alves, doutor em planejamento de transporte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, quase 74% dos óbitos em acidentes de trânsito estão ligados a motocicletas
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Dia a dia
DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO
Faixas exclusivas para motocicletas e passagens subterrâneas são algumas ideias em tramitação para tentar solucionar o problema em Manaus. Enquanto isso, o que já foi feito volta a ser alvo de comentários e críticas
“Disputa” entre veículos nas três faixas da avenida Constantino Nery, onde a faixa exclusiva para ônibus passou a ter seu uso correto fiscalizado pela prefeitura: problemas recorrentes
A
lém da faixa exclusiva para o Bus Rapid Service (BRS) e a ciclovia, outros projetos para mobilidade urbana passam por tramitação nas comissões da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Um deles prevê a faixa preferencial para motociclistas, no tamanho de 1,2 metro, que pode ser implantada nas principais vias da capital, protocolizado no final do ano passado pelo vereador Roberto Sabino. Para o vereador, a faixa exclusiva para motociclistas deve colaborar com a diminuição das estatísticas de acidentes no trânsito envolvendo motoqueiros e com a rapidez no atendimento de vítimas lesionadas em acidentes, pois a faixa servirá tanto para as motos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) como também para os policiais que trabalham sobre duas rodas, que precisam de um bom trânsito para garantir segurança à população. O vereador destacou que a maior parte dos acidentes com motociclistas ocorre na capital, pois os motoqueiros necessitam cruzar o trânsito e realizar “piruetas”, além de, em alguns casos, desobedecerem a legislação do trânsito ao ultrapassar o sinal vermelho e usar alta velocidade. “As motocicletas são estreitas e para a construção da faixa exclusiva usaríamos 1,2 metro das principais vias, ajudando na fluidez do trânsito, além de garantir mais segurança para
os motoqueiros que circulam na cidade”, reforçou o vereador. Sabino espera que o projeto, se aprovado, seja implantado nas avenidas das Torres, Djalma Batista, Grande Circular, Max Teixeira e Constantino Nery. Nessa última, o vereador garantiu que para o projeto dar certo, será necessário que a prefeitura repense a utilização da Faixa Azul e coloque todos os ônibus para circularem só na faixa exclusiva. “Até que a ideia da Faixa Azul é conveniente, mas todos
IDEIAS
A faixa exclusiva para motociclistas pode colaborar com o atendimento de vítimas lesionadas em acidentes, pois serviria tanto para as motos do Samu como também para os policiais sobre duas rodas os ônibus deveriam somente circular nela. Se o projeto seguir este caminho, será viável acrescentar na Constantino Nery a faixa exclusiva para as motocicletas”, explicou. Sobre a mobilidade urbana, o vereador disse que Manaus realmente precisa passar por um processo de readequação do trânsito, pois a cidade continua com as características de invasões, por isso todos os projetos de mobilidade só conseguem atingir as vias principais de circulação. Roberto Sabino espera que
os 41 vereadores colaborem e apoiem o projeto, que agora passa por aprovação das comissões. Após isso, será levado para o plenário e, caso aprovado, será encaminhado para o prefeito sancionar ou não. Segundo o vereador, é possível que no primeiro semestre todo esse processo esteja concluído. Sobre a mobilidade urbana, Sabino tem realizado vários estudos e acompanhado os serviços que são realizados nas principais cidades do mundo. Para um novo projeto de lei, o vereador está conversando com uma equipe que utiliza uma tecnologia chinesa de mobilidade para verificar a possibilidade de implantar vias subterrâneas em Manaus. “Primeiramente, vou apresentar os estudos ao prefeito e ao diretor-presidente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, para se ter um consenso sobre o projeto e, depois, procurar a melhor forma de elaboração para poder concluí-lo”, disse. O vereador afirmou que essa é uma alternativa para os carros e ônibus de pequeno porte, porém é necessário passar por um estudo prévio. Para isso, Sabino estuda uma forma de parceria privada e uma concessão para cobrança de pedágio por um período determinado. “As pistas subterrâneas poderiam sair nas principais vias que interligam um bairro a outro e talvez poderíamos pensar na possibilidade de construir estacionamentos debaixo das praças da capital”, reforçou.
Audiência pública esta semana O diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, disse que preferia não se pronunciar por não conhecer detalhes do projeto, mas disse que é necessária uma avaliação técnica para verificar se a faixa seria viável para implantação na cidade e se os motociclistas iram utilizá-la. A reportagem tentou contato com o presidente da Central Única dos Mototaxistas, Paulo Falcão, para saber sua opinião, mas até o fechamento desta edição ele não atendeu as ligações
em seu celular. Audiência pública Representantes da sociedade civil organizada e cidadãos interessados terão a oportunidade de discutir aspectos importantes sobre mobilidade urbana na cidade de Manaus na próxima terça-feira (24), data em que o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) realizará audiência pública sobre o tema. O evento terá início às 9h e será realizado no auditório do prédio anexo do MPF/AM, localizado na avenida Ephigênio Sales, 1570, como parte das
atividades do projeto MPF em Movimento. As inscrições para participação na audiência podem ser feitas antecipadamente por meio do e-mail prammpfemmovimento@mpf. mp.br ou pelo telefone (92) 2129-4741, devendo ser informados nome completo, entidade ou órgão público, caso seja representante, e se deseja manifestar-se oralmente nos debates. Poderá ser concedido espaço para manifestação de participantes não inscritos previamente de acordo com a disponibilidade de tempo no decorrer do evento. DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO
ISABELLE VALOIS* Equipe EM TEMPO
Carro utiliza a faixa exclusiva na tentativa de driblar o tráfego: multas devem crescer
MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
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A elaboração do Plano de Mobilidade Urbana do município de Manaus em conformidade com as diretrizes instituídas pela lei número 12.587/2012 (Lei de Mobilidade Urbana) é objeto de inquérito civil público instaurado em 2014 pelo MPF/AM. De acordo com o procurador da República Jorge Medeiros, coordenador do projeto MPF em Movimento, o evento visa possibilitar o envolvimento da população nas discussões sobre as medidas a serem previstas no plano, já que impactarão diretamente a rotina da cidade e de seus moradores. “A audiência promovida pelo MPF será mais um espaço para debates sobre o tema, mas não faz parte dos instrumentos oficiais de validação do plano”, disse. Recomendação No início deste mês, o MPF/ AM recomendou à prefeitura o envio imediato do projeto referente ao Plano de Mobilidade Urbana para a Câmara Municipal de Manaus, para
possibilitar a participação efetiva da sociedade civil na elaboração do documento em tempo hábil. Caso não elabore o plano até abril de 2015, a capital amazonense pode deixar de receber verbas federais para a mobilidade urbana, conforme determinação prevista na Lei de Mobilidade Urbana. Até a manhã da última sexta-feira (20), a Prefeitura de Manaus não havia respondido à recomendação do MPF. De acordo com o procurador da República Jorge Medeiros, desde 2012, os municípios com mais de 20 mil habitantes estão cientes do dever de elaborar o Plano de Mobilidade Urbana integrado ao Plano Diretor Municipal, obrigação estabelecida pela lei 12.587/2012. O MPF/AM ressalta que a participação da sociedade civil é condição indispensável para a validade do plano, com imposição legal de aplicação de instrumentos como órgãos colegiados, ouvidorias e procedimentos sistemáticos de comunica-
ção, além de audiências e consultas públicas. A Lei de Mobilidade Urbana estabelece como partes obrigatórias do plano municipal 11 itens, dos quais destacam-se os serviços de transporte público coletivo, a circulação viária, a infraestrutura do sistema de mobilidade urbana e a integração dos modos de transporte público. Problemas crônicos enfrentados pela cidade de Manaus como operação do transporte de carga nas ruas e áreas de estacionamentos públicos e privados também devem ter diretrizes apontadas no plano. No plano, os municípios deverão identificar claramente os objetivos de curto, médio e longo prazo com clara previsão dos meios financeiros e institucionais que assegurem a implantação e execução das medidas previstas. Também deverão ser formulados e implantados mecanismos de monitoramento e avaliação sistemáticos e permanentes dos objetivos estabelecidos.
Primeira etapa da ciclovia Boulevard-Ponta Negra, recém-inaugurada pela prefeitura
Participação popular pode ser o que falta para alavancar o Plano de Mobilidade Urbana
Manaus leva planos à Colômbia IONE MORENO/ARQUIVO EM TEMPO
Uso de bicicletas como solução
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
MPF quer envolver população
O segundo trabalho, intitulado “Bicicleta e Saúde Mental”, trata das transformações sociais e do potencial de melhoria da saúde mental e da qualidade de vida dos ciclistas urbanos. Sob o ângulo da psicologia social, o trabalho resulta de inúmeros depoimentos espontâneos de ciclistas que apontam melhorias em vários aspectos de suas vidas, se sentem mais dispostos, menos ansiosos, estressados e/ou deprimidos, com melhor convívio e desempenho social e vivendo a cidadania com mais protagonismo, visto que pedalando pela cidade o ciclista se sente mais responsável e participativo nos espaços públicos. O 4º Fórum Mundial da Bicicleta, o primeiro a ser realizado fora do país e com 130 conferencistas e mais de quatro mil pessoas inscritas, será o evento com maior par-
ticipação e presença mundial de pessoas e organizações. Cidadania O Fórum Mundial da Bi-
ORIGEM
O Fórum Mundial da Bicicleta foi criado no Brasil após um acidente ocorrido em 25 de fevereiro de 2011, quando um motorista de carro atropelou deliberadamente mais de 20 ciclistas em Porto Alegre cicleta é o mais importante evento mundial de ciclismo para a cidadania. Embora existam outros eventos globais de bicicletas e mobilidade sustentável, este é o único evento que é perfeitamente horizontal: concebido, organi-
zado e mantido por cidadãos de vários países. O evento foi criado no Brasil após um acidente ocorrido em 25 de fevereiro de 2011, quando um motorista de carro atropelou deliberadamente mais de 20 ciclistas que realizavam a massa crítica em Porto Alegre. A população poderia ter realizado apenas ações de protesto após essa tragédia, mas decidiu dar uma interpretação positiva e criou o Fórum Mundial de Bicicleta, que visa reunir os milhares de cidadãos do mundo que estão trabalhando para cidades mais sustentáveis, tendo a bicicleta como um símbolo. O objetivo do fórum é tornar a bicicleta uma voz global e real dos cidadãos em prol da mobilidade sustentável. * Com textos de assessorias IONE MORENO/ARQUIVO EM TEMPO
Com o tema “Cidades para Todos”, o 4º Fórum Mundial da Bicicleta acontecerá de 26 de fevereiro a 1º de março próximo em Medellín, Colômbia, e refletirá sobre como as cidades podem ser organizadas para o benefício de todos os seus cidadãos, ao usar a bicicleta como um veículo para a mudança social e equidade urbana. O evento promove o trabalho de vários grupos e indivíduos que trabalham em conjunto para alcançar mudanças positivas em todos os níveis: individual, local, regional, nacional e global. O Pedala Manaus participou de todas as edições do Fórum Mundial e na primeira edição, em 2013, foi apenas como espectador. A partir das edições seguintes, apresentou trabalhos relacionados as suas atividades na capital manauense. Em 2012, mos-
trou a “Quinta Coletiva”, que é uma atividade de Bike Anjo coletivo que orienta os novos ciclistas a pedalarem nas ruas. O “Transversalizando o Trânsito”, projeto em parceria com a Prefeitura de Manaus, foi apresentado em 2013 e demonstrou como os mais de dois mil professores da rede de ensino público municipal foram capacitados a falar do trânsito e das bicicletas. Nesta quarta edição, o movimento apresentará dois trabalhos que foram selecionados entre as mais de 300 propostas enviadas do mundo inteiro: o projeto das “Estações de Reparos Rápidos de Bicicletas” e a pesquisa que traz o tema “Bicicleta e Saúde Mental”. O projeto das “Estações de Reparos Rápidos de Bicicletas” é uma intervenção urbana feita em parceria com a iniciativa privada e a
Prefeitura de Manaus e que incentiva pessoas a usarem a bicicleta. Trata-se de um totem com ferramentas genéricas e uma bomba de ar que permite manutenções e ajustes rápidos em qualquer tipo de bicicleta e oferecem muitos benefícios, pois melhoram a conveniência entre os ciclistas e fomentam o uso da bicicleta. Além disso, as estações são de uso gratuito, ficam localizadas em espaço público, disponíveis e sem restrições para qualquer ciclista. O trabalho também mostra que uma parceria entre a iniciativa privada e a sociedade civil organizada pode trazer benefícios para a cidade, promovendo benfeitorias que talvez o poder público não conseguisse realizar devido à escassez de recursos, sejam monetários ou de tempo. Neste formato, foram as primeiras instaladas no Brasil.
Fórum em Medellín, na Colômbia, terá discussões em torno da importância das bicicletas
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Dia a dia
Intolerância, um ma Integrantes de religiões de matriz afro relatam o preconceito diário que sofrem nas ruas e até mesmo nos locais destinados à prática da fé deles, situações constrangedoras e que acabam até como caso de polícia pela agressividade
FOTOS: DIEGO JANATÃ
Um dos principais motivos que levam à intolerância são as vestimentas e seus cultos ao ar livre, necessárias para seguir compromisso religioso de quem frenquenta as religiões de matriz IVE RYLO Equipe EM TEMPO
E
m um exemplo de total desrespeito e intolerância religiosa, barracões de santo e terreiros – locais onde são realizadas cerimônias das religiões de matriz afro – são apedrejados e invadidos por representantes de outros credos em Manaus. Fanatismo e intolerância são condenados pela Constituição Federal Brasileira que garante ao indivíduo a liberdade para abraçar qualquer tipo de religião, o que configura o Brasil como um país laico. Dentro do rol dos direitos fundamentais, no capítulo V da Constituição, a lei é clara ao garantir que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. Contudo, na prática o que se percebe ainda é uma espécie de levante e perseguição contra aqueles que dão vida as mais variadas nações que compõem as religiões de matriz africana em nosso país. Foi em Manaus, há 32 anos, onde a estudante de fisioterapia, a yalorixá Janaína Bandeira, 40, de Oyá de Ile Ase Oyá Leke iniciou seu interesse pelo candomblé. E, concomitantemente à descoberta dos ritos da reli-
gião, ela - assim como grande parte dos devotos de religiões afrobrasileira – conheceu a face da intolerância cultivada pela ignorância e preconceito. Desde ter um dos adornos, de uso necessário para seguir compromisso religioso, quase cortado com um bisturi por uma inspetora na escola. Como não conseguir usufruir por um serviço de táxi, uma vez que o taxista não a deixou que entrasse no veículo vestida com os trajes típicos da religião. Além de chegar ao extremo de passar mal na rua, e não conseguir comprar um copo de água para poder tomar uma medicação, somente por conta das vestimentas que denunciavam seu credo. “Na rua, em um pagode, em um lanche, não podemos usar nenhum adorno religioso sem sermos insultados. Aconteceu comigo, passei mal e precisava tomar meu remédio. Paramos o carro em uma praça do Parque 10 e descemos do carro. Toda a praça parou e alguém gritou “desconjuro”. O pai de santo que estava comigo chamou o policial que disse que aquilo era agressão religiosa, pois não poderíamos entrar no restaurante porque o homem se sentia desagradável”, disse. Ela apontou que sempre que precisa sair na rua com os trajes da religião é insultada. “Sempre passa alguém para te
xingar, te chamar de preto macumbeiro. As vezes a pessoa pode ser até branca, mas se estiver com a roupa da religião, é insultada”, afirmou. Preconceito Contudo, a sacerdotisa testemunhou situação de extremo preconceito quando teve mais uma vez seu direito cerceado dentro de sua própria residência, na rua Poranga, no bairro Cidade Nova, zona Norte da cidade. Na manhã de 8 de fevereiro deste ano, enquanto organizava a casa para uma cerimônia religiosa, ela teve o seu espaço invadido por uma vizinha que achou-se no direito de proibir a realização do culto. “Me chamou de porca, de preta suja, falou que todas as pessoas que nem a mim teriam que ser exilados e viver num buraco no mato. Um bandido, um assassino, depois que paga os anos na prisão, tem direito a sair e conviver em sociedade. Eu que sou mãe de família, não posso vier em sociedade porque tenho opção religiosa diferente da dela?”, questionou. A filha da yalorixá Janaína, a Ekeji July Bandeira, 14, foi quem tentou primeiro conter a invasão. “Eu estava na frente de casa. Estávamos em horário de muita correria para organizar a casa para festa, quando ela tirou o cadeado do portão, entrou
e começou a bater boca. Ela disse ‘vocês são um bando de porcos, eu não aguento mais vocês, agora esta aberta a guerra entre Deus e o demônio. Eu sou o lado de Deus e vocês são o satanás’. Ela também disse que Deus tinha mandado ela fazer isso e que
XINGAMENTO
“Sempre passa alguém para te xingar, te chamar de preto macumbeiro. Se estiver com a roupa da religião, é insultada” Janaína Bandeira, yalorixá
minha mãe era porca, que por sermos negros de religião matriz africana tínhamos que ser exilados e morar longe da sociedade. Ela mandou o marido dela subir e tirar foto daqui de casa. Eu tentei conversar e explicar que ela não poderia fazer isto, mas ela so gritava”,lembrou.
Além de criticar a escolha religiosa, a vizinha teria disparado também adjetivos pejorativos contra a raça negra. Ela também teria informado à mãe de santo, que iniciou um abaixo assinado obrigando a saída tanto da sacerdotisa, quanto da família dela da rua. O documento também pede a proibição de cultos de religiões de matriz afro na área. Abalados com o levante inesperado, o convite feito aos aproximadamente 300 convidados foi cancelado e a cerimônia foi feita a portas fechadas, já que não poderia ser adiada. Consequências Há seis meses, a residência é ocupada pela mãe de santo, junto com a família dela. Antes, ela havia sido alugada há quatro anos pela mãe de Janaina, a mãe Helena de Yemanjá, 65, que há 55 anos é candomblecista. “Todos nós somos filhos de Deus. Conheci dois pastores e me dou muito bem com eles, um do Rio de Janeiro e outro daqui de Manaus, eles sabem o que é pregar, louvar a Deus. No Rio não tem tanto preconceito como aqui. Salvador é lindo como as pessoas amam nós candomblecistas, ou da umbanda ou de qualquer nação espírita. O pior lugar é Manaus, com maior preconceito de pesso-
as sem educação, que louva a um Deus falso, porque Jesus Cristo não teve preconceito com cor, com opção sexual. Se Deus perdôo a prostituta, o ladrão e a todos nós, como um evangélico veio fazer isso?”, questionou. Após o ocorrido, mãe Janaína, que é cardíaca e já possui uma ponte de safena, passou mal e foi levada as pressas ao pronto Socorro. A filha dela, uma menina de apenas 14 anos de idade, desencadeou uma crise nervosa. “Eu tive aumento da pressão e principio de AVC, fiquei com mãos e boca roxas e pés dormentes”, disse. Duas semanas após o ocorrido, o barracão teve as atividades temporariamente suspensas. “Me afetou de tal forma que fiquei revoltada, com vontade de fechar e ir embora. Estou chateada demais, por conta da perseguição e mais chateada pela desunião do povo”, revelou. Além dos trabalhos espirituais, por conta do ocorrido, ela também suspendeu os trabalhos de artesanato, costura e ornamentação que realiza dentro do barracão. “Estou com uma semana sem trabalhar e sem receber ninguém. Com aluguel atrasado, por problema de saúde não trabalho fora”, afirmou. O ocorrido gerou um boletim de ocorrência no 7º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
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al próximo a todos Perseguição nos terreiros A perseguição rotineira a diversos outros terreiros na capital amazonense é denunciada pelos devotos. Na casa em que Tata Mutasilê, Ogan Pedro Brandão, 38, frequenta é rotineiramente apedrejada pela vizinhança, adepta a outros credos. Para conseguir realizar uma cerimônia religiosa, eles tiveram que buscar ajuda policial para evitar invasão e quebra-quebra. “Acontece sempre, quando tem festa eles atiram pedras. Já teve confusão muito grande, tentaram invadir enquanto tinha um evento. Pedimos auxílio da polícia na porta para que não aconteça conflito. Acaba que no final, mesmo sendo vítima, a gente é errado, porque é uma religião negra e tem muito preconceito”, lamentou. Recentemente, a casa localizada na rua 20, no bairro Lírio do Vale 2, zona Oeste, foi invadida por extremistas de outras religiões. “O pessoal sempre joga pedra. Há pouco tempo teve uma invasão, porque minha mãe faleceu recentemente e a casa estava fechada por conta do luto”, disse. Assim como ocorreu na casa de mãe Janaína, as pes-
soas que tentam interferir arbitrariamente na execução de cultos religiosos dos povos de terreiros se apresentam como seguidores da religião dita evangélica. “Sempre são evangélicos, em vez de se por em uma religião que falam que Deus ama a todos sem exceção, não pregam isso, preferem atacar, sem saber o que é. Muitos deles até conhecem, mas por uma questão financeira é muito cômodo você ser evangélico, porque você falou de Deus, todo mundo abre o coração, os braços, mas não sabem que Deus tem vários nomes, é um só com vários nomes. É mais fácil eles atingirem a gente do que dialogar, escutar o que temos para falar”, disse. Persistência Apesar do eminente risco de afirmar a identidade religiosa, Pedro não pensa em desistir. “É árduo, mas vamos até o final, quando a gente conhece a religião a gente sente mais amor, porque não é só terreiro, não é só a dança. Tem estudo, tem base, tudo tem um porquê. Para quem gosta e vai a fundo você fica encantado, mas é muito fácil você tacar
Respeito é a única alternativa
ARQUIVOEMTEMPO
pedra nos outros sem saber o que é. Isto é do ser humano, tudo que você não conhece você ignora ou bate porque, na visão deles, é feio e é demoníaco”, afirmou. Ele acredita que uma maior união e organização dos seguidores das religiões de matriz afro - presente no Brasil desde a colonização – pode dar ferramentas para evitar este tipo de violação da constituição. “Temos que começar a pensar que não pode ser somente religião, tem que ser instituto, que dá força para não fazerem isso. Enquanto somos só religião, as outras religiões entram como empresa, tem CNPJ, e as pessoas que não são de dentro, olham de outra forma. A nossa casa mãe na Bahia é instituto e ajuda toda uma comunidade. Lá, eles não atiram pedra, porque tem auxílio”, disse. Enquanto isso, Pedro segue cada dia os, por vezes tortuosos, caminhos da fé. “Vamos levando a religião como resistência mesmo, desde do início é isso que acontece, mas acredito que não vai mudar tão cedo”, afirmou seguidor da religião. ARQUIVOEMTEMPO
Muitos terreiros são invadidos e apedrejado por pessoas que discriminam a religião
Lei garante liberdade ao culto Para o sociólogo Ademir Ramos, as perseguições sobre casas de santo têm sido orquestradas, segundo denúncias, por um grupo de evangélicos fundamentalistas. “Acho que a primeira coisa a fazer é combater a intolerância religiosa, que segundo relatos, tem vindo de evangélicos fundamentalistas, que chega ao ponto de perseguir pais ou mães de santos, filhos de santos”. Ele explicou que a invasão a terreiros é uma prática antiga em todo o Brasil, desde a década de 30. “Aqui em Manaus chegou a se prender mãe de santo, isso é condenável”, disse. Ele apontou que é preciso proteger os terreiros como patrimônio imaterial, bem como de envolver a comunidades localizadas nas proximidades das casas de santo. “Era proposta deles fazer um levantamento dos povos de terreiro de Manaus. Por outro lado poderia se ter uma forma de envolver a comunidade no bairro. Nada justifica a intolerância e, o estado tem
que dar segurança por meio da polícia e garantir a pluralidade religiosa”, afirmou. Para que as manifestações sejam preservadas e respeitadas, o sociólogo defende que o assunto seja discutido dentro das escolas, além dos conteúdos obrigatórios que já existem como história e cultura afrobrasileira. “Existe também disciplina educação religiosa, em que devemos trabalhar a diversidade cultural e religiosa, e o combate a intolerância, não o ensino da bíblia”, disse. Apesar do atual cenário, ele observa certas iniciativas para promoção da paz entre os devotos de diferentes credos. “A igreja católica tem agido no combate a intolerância. Intolerância, preconceito, discriminação é crime e o estado tem que apurar e garantir a proteção. Há índices de pais de santo assassinados, além da questão religiosa, tem a questão da homofobia que também tem que ser combatido”, finalizou.
Lei Tanto a intolerância, seja religiosa ou quanto a orientação sexual e a injúria racial, enquadra-se em constrangimento ilegal que é crime, como explicou o advogado Luis Eduardo Valois. “Esta questão da intolerância religiosa é um nome que inventaram igual a homofobia. Como crime não existe, mas se enquadra dentro de constrangimento ilegal, como diz no artigo 146 do Código Penal e pode ensejar como danos morais”, explicou. Ele pontuou que tanto na Constituição, no artigo 5, como no Código Penal existe dispositivos de proteção aos espaços de cultos religiosos e à liberdade de culto. “A pessoa que se sentir ofendida, deve fazer registro de ocorrência na delegacia. É muito difícil a pessoa (o autor) ser presa, porque as penas não são muito grandes, mas pode ter que pagar dano moral”, explicou o advogado.
Pessoas que optam pela religão de matriz afro reclamam da falta de espaço para rituais
A perseguição contra devotos de religião de matriz afro acontece dentro e fora dos barracões. Cumprir parte dos rituais fora das casas, próximo a matas, rios ou mesmo em via pública também não é tarefa fácil. “Um amigo quase foi preso porque estava despachando uma sacola de ebó e a polícia tratou-o como bandido. Agora, crente e católico passam com bíblia debaixo do braço e há outras igrejas que tem vestes esquisitas, não acontece nada com eles”, disse mãe Janaína. Para ela, resolver a maior articulação poderia ajudar a intolerância. “Falta união dos povos de axé, dos políticos, da imprensa, não precisa ser adeptos, mas simpatizantes podem contribuir. Nossa religião é uma nação, tem em todo país e fora. É um país vivo que anda”, afirmou. Nas ruas, o livre arbítrio
foi defendido. “Cada um tem o direito de seguir a religião que quiser, se é certo ou errado não cabe a ninguém julgar. O que conduz a Deus, são nossos atos e ações, não é discriminando ninguém, seja ele de raça ou credo.
BARREIRAS
A perseguição contra devotos de religião de matriz afro acontece dentro e fora dos barracões. Cumprir parte dos rituais fora das casas, próximo a matas, rios ou mesmo em via pública é difícil Até mesmo porque quem ‘de fato conhece a bíblia’, Deus nos deu o livre arbítrio e não criou religião porque ele disse ‘amai teu próximo como a ti mesmo’”, defendeu o motorista Luciano Vieira, 39, que é espírita.
O carpinteiro Luiz Andrade, 35, que é evangélico, repudiou o fanatismo. “Um irmão deste que toma este tipo de atitude, não vou generalizar que não são todos, se envereda pelo o que o pastor ou o padre diz e vão acabar fazendo uma “guerra santa”. A guerra foi feita pelo homem porque Deus pregou o amor, então não tem sentido essa falta de tolerância religiosa. Um seguidor de Deus jamais como dizem serem ‘homens de Deus’ - não vai subjulgar a ninguém, porque Deus também pede para que o homem respeite as leis da terra e as leis de Deus. Só Deus pode fazer isso”. A comerciante católica Joana Queiroz, 29, também defende o respeito entre os povos. “Esse negócio que falam de intolerância religiosa, acho que não tem nada haver com que Deus diz. Aos olhos de Deus todos somos irmãos”, disse.
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Sociológo defende o ensino da diversidade religiosa desde a infância e dentro das escolas
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Dia a dia
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Aplicativo auxilia oferta e pedido de carona na cidade DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO
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o trajeto que percorria todos os dias entre a casa e o trabalho, o desenvolvedor de soſtware Andrew Pacífico identificou um fenômeno típico das cidades brasileiras: a diferença entre a quantidade de carros e o número de usuários de cada veículo. Ao mesmo tempo, percebeu que vários contatos utilizavam o aplicativo Whatsapp para solicitar caronas e, dessa forma, fugir do trânsito lento. Na tentativa de contribuir para uma solução, Andrew lançou mão de uma ideia, surgida no final do ano passado: um aplicativo que conectasse usuários com o mesmo itinerário, uma espécie de carona solidária. Para validar a proposta, ele realizou uma pesquisa, enviada por e-mail em forma de formulários a um total de cem pessoas. As questões abordavam temas como mobilidade urbana e possíveis melhorias nesse quesito. “Várias pessoas responderam que não se sentiam seguras para dar carona. Outras disseram que poderiam ajudar, mas utilizando o transporte coletivo em vez do carro particular”, diz Andrew. O resultado desse estudo serviu de base para a criação do aplicativo “Vamo Junto”, ainda em fase de desenvolvimento. Nesta primeira etapa, a iniciativa será restrita a alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
REPRODUÇÃO
Ferramenta criada por desenvolvedor de soſtware formado pela Ufam deve disponibilizá-la a partir do mês de abril O recurso dispõe de duas opções: oferecer ou pegar carona. Nesse caso, o interessado deixa o horário e o itinerário registrados num mapa. Por meio do serviço de busca, o motorista verifica a demanda de pessoas com percurso semelhante e então combinar o translado, que pode ser remunerado. Na ativa O serviço deve entrar no ar em abril próximo, no início do ano letivo da universidade. Por enquanto, a iniciativa já registra grande número de adesões: mais de mil inscritos na página do Facebook (www.facebook. com/vamojunto) e 400 no site (www.vamojunto.com). “A intenção é mobilizar para agregar o maior número de participantes. No futuro, pretendemos expandir a ideia para outras universidades e empresas”, explica Andrew. Nesta primeira fase, ele conta com a ajuda de um designer, um publicitário e desenvolvedor de testes do aplicativo. Formado em ciências da computação pela Ufam, Andrew considera a iniciativa uma maneira de diminuir o intenso fluxo de veículos na capital e, além disso, economizar dinheiro e preservar o meio ambiente. “Vários países já utilizaram essa estratégia com êxito. No Brasil, o atual problema do trânsito envolve aspectos como educação e falta de planejamento. A principal questão, para mim, é a quantidade de veículos”, opina.
Página do aplicativo no Facebook: mais de mil inscritos no serviço que deve ser disponibilizado inicialmente para alunos da Ufam
Uma ação de tendência mundial A carona solidária já pode ser considerada uma tendência mundial e é oferecida por empresas como a start up americana Ube e a Cabify. Ambas se tornaram alvo de denúncia movida pelo grupo Taxistas Organizados da Cidade do México, feita em dezembro passado. A associação critica a falta
de profissionalização desse novo setor, ligado à economia colaborativa. Além disso, o grupo acusa o secretário de Mobilidade do governo do Distrito Federal, Rufino H. León Tovar, de desobedecer a Lei de Mobilidade Urbana, que proíbe o uso de carros particulares com caráter comercial.
Os representantes das empresas alegam que não são contemplados pela atual e não necessitam de permissão para realizar seus serviços. Além disso, os motoristas devem cumprir um rígido processo de admissão, que inclui exames psicológicos, toxicológicos e apresentação de antecedentes criminais.
Dia a dia
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Centro dá oportunidade na luta contra tabagismo P
acientes do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz ganharam um aliado na luta contra o cigarro. A unidade de tratamento oferece a eles mais uma oportunidade para se livrar das drogas, só que desta vez das lícitas, como é o caso do tabaco. O Programa Tabagismo está implantado na unidade de tratamento como forma de incentivar aqueles que querem se livrar de vez do cigarro. A iniciativa visa a reflexão acerca dos malefícios causados pelo cigarro e outras drogas lícitas. “Precisamos esclarecer as pessoas, não somente os dependentes químicos, de que o cigarro é uma porta de entrada para as drogas, assim como a bebida, por serem drogas liberadas para consumo”, ressalta o diretor do Centro de Reabilitação, médico psiquiatra Pablo Gnutzmann. O programa vai atender 15 residentes por grupo, conforme orientação do Ministério da Saúde. As orientações são voltadas aos residentes em tratamento com até 60 dias de internação. Acima deste prazo de internação, os pacientes serão encaminhados para o ambula-
tório de tabagismo da Rede de Atenção Básica, da rede municipal de saúde de Manaus. Uma vez inscrito no Programa Tabagismo, uma equipe multiprofissional do Centro de Reabilitação, formada por médico, psicólogo, enfermeiro, técnico de enfermagem e assistente social, irá traçar estratégias de enfrentamento para o paciente, relativa ao uso do cigarro. Entre as atividades desenvolvidas estão as palestras educativas, distribuição de folders com informações sobre os malefícios causados pelo uso do tabaco e a exibição de vídeo aulas, com informações práticas que os dependentes do cigarro possam aplicar no dia a dia para tentar se livrar do vício. Medicamentos A dependência da nicotina, substância que leva ao vício, será tratada também com o uso de medicamentos até que o paciente esteja com o organismo livre da substância e consiga superar a abstinência da droga. “Sei dos malefícios causados pelo cigarro e resolvi mudar de uma vez por todas a minha vida. Comecei por me internar e agora quero viver puro
e longe de todas as drogas, seja ela lícita ou não. Inscrevi-me no programa Tabagismo. Depois das primeiras palestras e vídeos percebi que posso me livrar do cigarro”, disse um residente de 45 anos, que pediu para ter o nome preservado. Primeira unidade pública do Brasil na área de reabilitação em dependência química a trabalhar com a política de “Redução de Danos”, o Centro de Reabilitação, que pertence ao Governo do Estado do Amazonas, e é gerenciado pelo Instituto Novos Caminhos em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), está localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), em Rio Preto da Eva. “Existem no Brasil comunidades terapêuticas em que é feita a total abstinência das drogas. Fazemos esse trabalho, mas também, trabalhamos com a política da redução de danos, determinada pelo Ministério da Saúde, em que mostramos aos usuários os malefícios do uso exagerado de qualquer tipo de drogas, sejam lícitas ou ilícitas”, afirma a coordenadora de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas da Susam, Maria de Lourdes Siqueira.
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Centro de reabilitação Ismael Abdel Aziz oferece programa para os residentes que querem se livrar do vício do cigarro
Programa Tabagismo atende 15 residentes por grupo, segundo orientação do Ministério da Saúde
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
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O novo filme de Anna Muylaert
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A ciência rasgou a tela do cinema
E 6 indicações culturais. Pág. 2
A física levada a sério em ‘Interestelar’. Pág. 3
Choque cultural
Sai no Brasil obra tabu sobre os ianomâmis. Págs. 4 e 5
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Velhos e novos fronts
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Do arquivo de Jean Garfunkel
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Diário de Londres. Pág. 6
Curitiba, 1962. Pág. 7
Estão certas todas as canções banais
A imaginação de Eucanaã Ferraz. Pág. 8
Capa
pintura de Ana Prata
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 6 INDICAÇÕES EXPOSIÇÃO | ARTE COREANA A mostra “Plenitude Vazia - Materialidade e Espiritualidade na Arte Contemporânea Coreana” reúne 50 trabalhos de 16 artistas do país asiático. São pinturas, fotografias e cerâmicas “dalhangari” – vasos de porcelana branca em forma de lua cheia. Mube (Museu Brasileiro da Escultura) | tel. (11) 2594-2601 | de ter. a dom., das 10h às 19h | grátis | até terça (24)
FOTOS: DIVULGAÇÃO
‘Site Specific’ (2014), de William Santos
EXPOSIÇÃO | LIMIAR Dez artistas da nova geração do Paraná refletem os mistérios e enigmas que cercam nossa existência cotidiana em obras de suportes variados: fotografia, pintura, escultura e vídeo. Daniel Duda investiga a relação entre o meio digital e a concretude física, enquanto William Santos exibe telas que instigam o público a ir além das imagens. SIM Galeria - Curitiba | tel. (41) 3322-1818 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h | grátis | até 27/2
CINEMA | ABDELLATIF KECHICHE O Centro Cultural São Paulo exibe os cinco longas do diretor de “O Segredo do Grão” (2007) e “Azul É a Cor Mais Quente” (2013), vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. A mostra dá oportunidade de conhecer a obra do francotunisiano, marcada por temas ousados, cenas longas e uma câmera “voyeurística” colada ao corpo dos atores. Centro Cultural São Paulo | tel. (11) 3397-4002 | de qui. (26) a dom. (1º) | R$ 1 | programação: www.centrocultural.sp.gov.br
LIVRO | GERALDO DE BARROS E A FOTOGRAFIA Com mais de 300 imagens, o volume faz um apanhado da produção fotográfica do artista (1923-98), com textos inéditos de Heloisa Espada, organizadora do trabalho, e Tadeu Chiarelli, entre outros pesquisadores. O livro é o complemento de uma exposição homônima no IMS-Rio que termina neste domingo (22) e começa em São Paulo no Sesc Belenzinho, em 1º de março Edições Sesc SP/ IMS | R$ 159 | 300 págs.
LIVRO | DANÇA “Passado-Futuro - Textos e Fotos sobre a São Paulo Companhia de Dança”, com organização de Inês Bogéa, reúne escritos, críticas e ensaios, além de imagens de André Porto. No lançamento será exibido gratuitamente o documentário “Canteiro de Obras 2014”, de Rica Saito, antes da mesa de autógrafos. Livraria Martins Fontes - Paulista | tel. (11) 21679900 | ter. (24), às 19h30 WMF Martins Fontes | R$ 95,80 | 336 págs.
1 O afeto perverso
‘Breath Hue-Smoke’ (2013), de Kim Taek-Sang
CURSO | PROGRAMA FORMATIVO PARA TRADUTORES LITERÁRIOS A Casa Guilherme de Almeida recebe inscrições até 15/3 para os cursos e oficinas na área de tradução. As aulas começam em abril e vão até dezembro, com três encontros semanais; é necessário compreender textos em uma língua estrangeira. Informações em casaguilhermedealmeida. org.br | R$ 300 (curso completo)
Ponto Crítico
CINEMA – ‘QUE HORAS ELA VOLTA?’
PEDRO BUTCHER
“Que Horas Ela Volta?” é um passo interessante na trajetória de Anna Muylaert. Realizadora de comédias que tomam rumos na direção do absurdo, como “É Proibido Fumar”, neste novo filme, premiado nos festivais de Sundance (com reconhecimento para o duo de protagonistas) e Berlim (melhor filme, segundo o público, na mostra Panorama), ela parece optar por um caminho mais convencional e comunicativo.
O longa, porém, é repleto de sutis ousadias. A principal está no tema escolhido: a relação entre empregados domésticos e patrões no Brasil. A cineasta cava para si um tremendo problema: falar de um assunto cheio de nuances e de abordagem particularmente difícil pela complexidade com que opressão, afeto, conflitos sociais e relações profissionais se entrelaçam. Mais ainda: trata-se de um tema perfeito para disparar o alarme dos politicamente corretos. E aí as armadilhas são infinitas: qualquer decisão da diretora, que também assina seus roteiros, poderia (e pode) ser alvo de sumária condenação. “Os patrões são caricatos”, “a empregada é inocente
demais” etc. Por sorte, ela não deixa essa preocupação virar uma camisa de força: toma decisões seguras e assume, sim, uma posição política. A segunda ousadia não o seria, fosse outro o contexto, mas, no atual cenário da produção brasileira, o esforço de fazer uma comédia “de cinema”, fugindo de padrões televisivos, é um ato de coragem, e também político, que traz para as plateias a oportunidade de desfrutar um outro tempo de comédia, com direito a respiros, emoção e alguma possibilidade de reflexão. A situação do filme permite desenvolver certos temas, cuja expressão se dá sob a forma de ações e reações dos personagens, nunca de maneira
discursiva. Anna Muylaert faz um movimento difícil, comum em alguns diretores do cinema dito clássico, que é passar da tipificação (sempre necessária na ficção) para a complexidade. Assim, a família formada por pessoas sensíveis e esclarecidas (a mãe trabalha com moda, o pai é pintor), mas que perpetuam situações permeadas por crueldade, ganha contornos bastante convincentes. Nesse sentido, “Que Horas Ela Volta?” dialoga fortemente com “Casa Grande”, de Fellipe Barbosa, que realiza o mesmo movimento. Ainda inédito em circuito, mas com uma muito bem-sucedida carreira em festivais, “Casa Grande” relata, do ponto de vista de um adolescente, a decadência
de uma família rica do Rio de Janeiro. A relação ente patrões e empregados também tem papel fundamental na história, aqui narrada do ponto de vista do “patrãozinho”. “Que Horas Ela Volta?” começa com Val (Regina Casé) cuidando de Fabinho, filho dos patrões da casa. O título vem da pergunta que o menino faz a respeito da mãe, que está trabalhando. Há um salto no tempo e ficamos sabendo que Val tem uma filha da mesma idade de Fabinho, mas que ela deixou em Pernambuco quando se separou do marido e resolveu vir para São Paulo. É a típica situação da babá que cuida do filho dos outros, mas abandona os seus – quase sempre para poder sustentá-los. Depois de mais de dez anos sem falar direito com a mãe, Jéssica (Camila Márdila) avisa que está indo para São Paulo prestar vestibular e pede para ficar com a mãe. Não sabe que Val mora num
ANA PRATA, 34, é artista plástica. BEL PEDROSA/DIVULGAÇÃO
Ilustríssimos desta edição
ANDRÉ STRAUSS, 30, é antropólogo do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP e do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.
pequeno quarto no fundo da casa onde trabalha. A partir da chegada de Jéssica e da descoberta do “quarto de empregada”, visões de mãe e filha entram em choque. A posição da jovem, oposta à submissão da mãe, abala a segurança dos patrões (interpretados por Karine Teles, Lourenço Mutarelli e Michel Joelsas, no papel do Fabinho adolescente). Como “Casa Grande”, “Que Horas Ela Volta?”consegue dar conta do afeto presente nessa relação, em muitos casos verdadeiro, sem deixar de enxergar a profunda perversidade que há no aproveitamento desse afeto para perpetuar uma exploração que supera o trabalho – a exploração de uma vida. São filmes que encaram problemas difíceis e, quase sempre, o fazem com dignidade. E que, num gesto muito bemvindo, não querem se fechar em si, mas buscar um diálogo com as plateias, sejam elas do país ou do mundo.
JEAN GARFUNKEL, 61, poeta, cantor e compositor, acaba de lançar o álbum “13 Pares e Um Fado Solitário”. LEANDRO COLON, 34, é correspondente da Folha em Londres.
EUCANAÃ FERRAZ, 53, professor de literatura brasileira na UFRJ e consultor de literatura do Instituto Moreira Salles, publicou em 2012 a coletânea de poemas “Sentimental” (Companhia das Letras), premiada com o Portugal Telecom.
MARCELO LEITE, 57, é repórter especial e colunista da Folha.
HENRIQUE GOMES, 34, é doutor em física pela Universidade de Nottingham (Reino Unido) e pesquisador no Perimeter Institute for Theoretical Physics (Canadá).
RICARDO MIOTO, 25, é editor de “Ciência” e “Saúde” da Folha.
PEDRO BUTCHER, 43, é jornalista e crítico de cinema.
SÉRGIO SISTER, 66, é artista plástico.
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Ciência CINEMA
RESUMO ‘Interestelar’ integra leva de filmes pautados pela ciência. Nele, a busca pela sobrevivência leva humanos à proximidade de um buraco negro, mote para especulações ligadas à pesquisa de Stephen Hawking – tema de “A Teoria de Tudo”, que, como a ficção científica de Christopher Nolan, disputa hoje categorias do Oscar.
HENRIQUE GOMES
Em 2014, houve um “boom” de filmes em Hollywood levando a ciência a sério. “A Teoria de Tudo” e “O Jogo da Imitação” tratam da vida de cientistas importantes do século 21: Stephen Hawking e Alan Turing, respectivamente. Um terceiro longa, a ficção científica “Interestelar”, inova por não só aderir fielmente ao que se sabe sobre o espaço-tempo mas por usar os conhecimentos em prol da narrativa. Não estou falando aqui sobre incluir efeitos sonoros no espaço. Isso já foi feito antes e não muda significativamente o roteiro. Os responsáveis por “Interestelar” não se contentaram em preencher a burocracia técnica só para escapar dos chatos de plantão. Aplicaram um esforço homérico em inúmeras reuniões com o renomado físico Kip Thorne (que também aparece em “A Teoria de Tudo”), em simulações de buracos negros e efetivamente reescreveram o roteiro para se adequar às diretrizes físicas. O resultado final não perde em nada ao menos no quesito de excitar a imaginação e produzir efeitos fantásticos para catástrofes científicas como “Além da Escuridão - Star Trek” (2013) e “Prometheus” (2012). Em “Star Trek”, por exemplo, Isaac Newton e até Galileu ficariam horrorizados ao ver uma nave entrar em queda livre em direção à Terra, enquanto seus tripulantes, simultaneamente, entram em queda livre em relação à nave. Como bem sabem aqueles que já estiveram em naves em queda livre, tripulantes flutuam, não caem. (Pedras de pesos diferentes caem com a mesma velocidade da torre de Pisa e de outras torres.) “Interestelar” ultrapassa as regras da ficção científica hollywoodiana. Carl Sagan disse que “a ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade”. “Interestelar” prova o que nós, cientistas, sabemos há muito tempo: a frase se aplica igualmente ao encanto humano com o desconhecido. “Interestelar” e “A Teoria de Tudo” têm alguns temas em comum. O primeiro é a degeneração do planeta Terra, em um; de um sistema neuromuscular, em outro. À deterioração do planeta Terra, se busca escapar por meio
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ma até ali. Mas e a tal da “espaguetificação”? Muitos comentaristas, como o popular Neil deGrasse Tyson, argumentaram que simplesmente não sabemos o que acontece dentro de um buraco negro. Passando daquela fronteira, o roteiro adquiriria então imunidade diplomática às leis da física, virando terreno fértil para especulações mais ousadas para não dizer “terra de ninguém”. Bem, que me desculpe Tyson, mas isso não é exatamente verdade. Acreditamos que a relatividade geral funcionaria muito bem até antes que efeitos quânticos fossem importantes (para um buraco negro do tamanho de Gargantua). Somada a isso, na solução de Schwarzschild, a aproximação da singularidade é inevitável. Assim como não conseguimos parar o tempo, não conseguiríamos manter a mesma distância do centro, tendo que inexoravelmente aproximarmonos mais e mais da singularidade, que se agigantaria à nossa frente, inevitável como o futuro. Nesse caso, Cooper viraria espaguete antes que os trompetes da mecânica quântica pudessem soar a sua (possível) salvação. Felizmente para toda raça humana no filme, esse não é o caso.
À beira do buraco negro A física e Hollywood
Ator Matthew McConaughey, como Cooper no longa de 2014 ‘interestelar’
da exploração interestelar, liderada pelo personagem Cooper (Matthew McConaughey). À do corpo humano, por meio da mente incansável de Stephen Hawking, vivido pelo excelente Eddie Redmayne. O segundo tema em comum é justamente uma parte importante da obra de Hawking. Estrelas Stephen Hawking nasceu em Oxford, em 1942. Aos 21 anos, já no primeiro ano de seu doutorado, recebeu o diagnóstico de ELA (esclerose lateral amiotrófica), doença degenerativa que atinge a comunicação nervosa com os músculos, mas que deixa outras funções cerebrais intactas. Decidido a continuar seus estudos, um dos primeiros problemas a que Hawking se dedicou foi à questão do que acontece quando uma estrela é tão pesada que não aguenta o próprio peso. O colapso da estrela concentra toda a sua massa em um único ponto, onde a teoria deixa de fazer sentido. Já se antecipando a aplicações em filmes de ficção científica, físicos chamaram esse ponto de singularidade. A uma certa distância desse ponto singular, a atração de toda a massa concentrada é suficiente para que nem a luz consiga escapar. Uma lanterna acesa a (no mínimo) esse raio não pode ser enxergada por alguém a uma distância maior; nada escapa a essa esfera, chamada de buraco negro (por motivos óbvios). Na época em que Hawking era estudante, existia uma única solução para as equações da relatividade geral de
Einstein que descrevem como concentrações de matéria e energia distorcem a geometria do espaço-tempo que representava um buraco negro, descoberta pelo alemão Schwarzschild. Um grupo de físicos russos argumentava que essa solução era artificial, nascida do arranjo de partículas colapsando em perfeita sincronização para que chegassem juntas ao centro, formando assim um ponto de densidade infinita: a singularidade. Hawking e Roger Penrose, matemático de Oxford, demonstraram que, na verdade, essa era uma característica genérica das equações de Einstein e mais: que o universo teria começado no que se convencionou chamar “singularidade cosmológica”, na qual a noção de tempo deixaria de ter significado. Como Hawking diz no filme, “seria o começo do tempo em si”. Não há consenso na física teórica moderna sobre o que acontece de fato a quem se aproxima de uma singularidade dentro de um buraco negro. O maior obstáculo ao nosso entendimento é que, a pequenas distâncias da singularidade, precisamos levar em conta efeitos quânticos, e como comenta a escolada Jane Hawking em “A Teoria de Tudo” a teoria quântica e a relatividade geral são escritas em linguagens completamente diferentes. Não que seja preciso chegar tão perto da singularidade para sabermos que os efeitos seriam drásticos. A crítica que mais ouvi de físicos amadores (e não tão amadores) a “Interestelar” é a
de que atenção, spoiler Cooper seria trucidado ao entrar em Gargantua, um buraco negro gigante. “Trucidado” talvez seja a palavra incorreta: “espaguetificado” é o termo técnico. Marés O que mataria você ao cair em um buraco negro não é a força absoluta da gravidade. Assim como pedras jogadas por hereges italianos de cima de torres, partes diferentes do seu corpo caem com a mesma aceleração, mesmo que a aceleração em si seja enorme. Essa conclusão vale se a força da gravidade for relativamente constante quase a mesma no seu pé e na sua cabeça. Apesar de essa condição ser satisfeita na superfície da Terra, a força da gravidade obviamente não é constante. Ela decai com a distância, e é possível observar efeitos da variação dessa força pequenos até mesmo na escala da torre de Pisa em corpos bem maiores. O exemplo mais familiar para nós terráqueos é o efeito das marés no nosso planeta. A Lua puxa a Terra com mais força em sua face mais próxima, com os oceanos inchando e desinchando de acordo a essa atração. Apesar da força gravitacional solar absoluta na Terra ser maior, por a Lua estar bem mais próxima de nós do que o Sol, o maior gradiente da força é lunar, e é por isso que nós sentimos mais os efeitos de maré provindos da Lua que do Sol. Pelo mesmo motivo, assim que entrássemos em buracos negros estaríamos sujeitos a uma força gravitacional imensa, mas, ainda bem lon-
ge da singularidade central, não necessariamente sentiríamos força de maré. Essa ausência de efeitos dramáticos nesse estágio da nossa queda é adequadamente chamada de “sem drama” na comunidade, e até ali a entrada de Cooper em Gargantua seria assim: sem drama. Mas não depois. Ao se aproximar de uma singularidade, mesmo antes de precisarmos incluir efeitos quânticos, a força gravitacional pode ser tão diferente dos pés à cabeça que Cooper seria esticado daí a “espaguetificação”. Não era possível, claro, incluir essa explicação (macarrônica?) em “Interestelar”. Mesmo assim, uma das cenas mais espantosas do filme envolve justamente marés no planeta Miller, que orbita Gargantua. No filme, marés enormes atingem os protagonistas de hora em hora, de forma bem inconveniente. Para que o efeito de maré fosse aproximadamente correto, o físico Kip Thorne calculou o tamanho do buraco negro, sua rotação e a órbita do planeta. As imagens estarrecedoras do filme são frutos de cálculos. Ainda que não seja realista esperar igual cuidado em produções futuras, talvez o fato de algumas dessas simulações de buracos negros serem novidade até na comunidade científica estimule alguns produtores/físicos amadores de plantão uma demografia bem magra a seguir o exemplo. Mas voltemos ao destino de Cooper. Já vimos que ele escaparia ileso à entrada no buraco negro. Sem dra-
Piões Em 1962, 43 anos após a descoberta do buraco negro nas trincheiras da Grande Guerra, o físico matemático neozelandês Roy Kerr, em circunstâncias bastante mais confortáveis, generalizou a solução de Schwarzschild, descobrindo uma solução da teoria de Einstein que correspondia a um buraco negro em rotação girando como um pião. Mais tarde, Hawking e colaboradores mostraram que qualquer buraco negro se assenta na forma de Kerr e, adequadamente, Gargantua é um desses, em altíssima rotação. Mas, quando piões como esses giram, eles puxam consigo o próprio espaço-tempo, e há uma espécie de força centrífuga aquela força que sentimos no carro quando fazemos uma curva fechada inevitável, que aumenta conforme o centro do buraco negro se aproxima. A uma certa distância do centro, o cabo de guerra entre a força de atração e a centrípeta se equilibra, e a singularidade deixa de ser inevitável. A partir desse momento, realmente não sabemos bem o que acontece, e Cooper fica livre para fazer o que os roteiristas inventarem. Não que adentrar uma quarta dimensão, ver o tempo como mais uma direção do espaço e todo o resto não tenham nenhum embasamento, mas a partir dali entramos no reino da especulação científica. Pelo menos o fizemos com consciência limpa. Carl Sagan, no excelente “Cosmos”, mais uma vez nos guia: “Nós não teremos medo de especular. Mas teremos cuidado em separar especulação de fato. O cosmos é cheio, além de qualquer medida, de verdades elegantes, de requintadas inter-relações, do impressionante maquinário da natureza”. O universo é mais estranho (e mais fascinante) do que a ficção. Está mais do que na hora de explorarmos uma ficção, científica não só no nome.
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Ciência
3 Antropólogos, índios e outros selvagens A controvertida visão de Napoleon Chagnon a respeito dos ianomâmis
RESUMO Livro do antropólogo Napoleon Chagnon que aborda suas pesquisas entre os ianomâmis é lançado no Brasil. Em entrevista, autor, que direcionou sua carreira para uma interpretação evolutiva do comportamento indígena, fala sobre suas conclusões e comenta a recepção, muitas vezes negativa, de sua obra entre seus pares.
RICARDO MIOTO ILUSTRAÇÃO ANA PRATA
Sobre Napoleon Chagnon, 76, há só uma unanimidade: trata-se do pesquisador mais polêmico da antropologia contemporânea. Nesta entrevista, o americano – que lança agora no Brasil o livro “Nobres Selvagens: Minha Vida entre Duas Tribos Perigosas: os Ianomâmis e os Antropólogos” pelo selo Três Estrelas, do Grupo Folha – afirma que a antropologia brasileira representa o que há de mais atrasado no pensamento anticientífico nessa área. Chagnon critica ainda alguns brasileiros ligados à temática indígena, como o líder ianomâmi Davi Kopenawa, “manipulado por antropólogos e ONGs”, e o cineasta José Padilha, autor do documentário “Segredos da Tribo”, que “deveria se limitar a filmar Robocop”. Chagnon estudou os ianomâmis do Brasil e, principalmente, da Venezuela a partir de 1964 e ao longo de 35 anos, em 25 viagens que totalizaram 5 anos entre os índios. Foi o pioneiro no contato com várias tribos isoladas, que acredita serem uma janela para as sociedades pré-históricas nas quais o gênero Homo viveu por milhões de anos. Foi visto com antipatia por diversos colegas antropólogos por propor explicações darwinianas para o comportamento dos índios – e dos humanos em geral – e ao escrever, em 1968, um livro em que tratava amplamente da violência entre os índios e no qual, desde o título, “Ya-
nomamö: The Fierce People” (sem tradução no Brasil), chamava os ianomâmis de “o povo feroz”. Despertou inimizades ao se afastar dos colegas antropólogos, que acreditava mais interessados em fazer política do que ciência, e se aproximar de geneticistas. Foi em 1988, porém, que causou a fúria dos colegas, ao publicar na revista “Science” um estudo mostrando que os homens ianomâmis com assassinatos no currículo eram justamente os que tinham mais mulheres e descendentes. Em termos biológicos, a violência masculina e certo egoísmo humano seriam estratégias reprodutivas bemsucedidas, ideia que desagradou fortemente seus colegas das humanidades. O antropólogo sempre defendeu que os índios que estudou guerreavam movidos por uma insaciável vontade de capturar mulheres, enquanto os livros tradicionais de antropologia diziam que a guerra primitiva tinha motivos como a escassez de alimentos ou de terra. Chagnon diz que seus críticos são marxistas movidos pela ideologia de que os conflitos humanos se explicam pela luta de classes ou por disputas materiais, e não por motivos mais animalescos, como a busca por sucesso sexual. Ele afirma que nenhum colega pôde apontar falhas nos dados publicados na “Science”. No entanto, antropólogos questionam seu procedimento não só nesse caso como em outros trabalhos. Em 2000, o jornalista Patrick Tierney publicou o livro “Trevas no Eldorado” (lançado no Brasil em 2002, pela Ediouro), acusando Chagnon e colegas, entre outras coisas, de terem espalhado sarampo deliberadamente entre os índios. As acusações foram investigadas pela Associação Americana de Antropologia, que inocentou os pesquisadores da grave acusação. Na entrevista abaixo, feita por telefone, Chagnon trata ainda de temas como a higiene dos índios e os riscos da selva. Folha - O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro criticou na internet a publicação do seu livro no Brasil, dizendo que o sr. está ligado à “direita boçalmente cientificista”. Napoleon Chagnon - A ideia de que o comportamento humano tem uma natureza biológica, moldada pela evolução, além da cultura, sofreu muita oposição nas últimas déca-
das de quem tem uma visão marxista. Está havendo uma mudança de paradigma, mas os antropólogos brasileiros são o último reduto dessa oposição e sempre tentaram impedir meu trabalho. Marxistas não gostam de explicações que não envolvam a luta por recursos materiais. Para eles, isso explica tudo. Eles diziam, por exemplo, que a causa da guerra entre os ianomâmis era a escassez de proteína – uma tribo atacaria a outra em busca de carne. Nossas observações mostraram, porém, que não havia correlação. Eles tinham abundância de proteína; lutavam, na verdade, por mulheres. Nos EUA, cientistas importantes, como meu grande amigo Steven Pinker e o professor Jared Diamond, escreveram recentemente livros demonstrando a relevância crescente da psicologia evolutiva. Os antropólogos latinoamericanos me atacam, mas não têm dados para rebater as conclusões que proponho, porque não gostam de trabalho de campo. Eles gostam de argumentos teóricos, de ficar sentados nas suas cadeiras na universidade fazendo ativismo. No entanto, para entender o mundo, você tem de coletar informações a fim de testar suas previsões e teorias. Essa é a base do método científico. A tendência pós-modernista é dizer que não há verdade, que tudo é social ou político. Isso é a morte da ciência. Esses críticos dizem que sua visão dos ianomâmis é muito negativa. Citam trechos do seu livro em que o sr. descreve criticamente os hábitos de higiene dos índios, dizendo que eles espalhavam muco em tudo. Tenho muitas críticas à minha própria civilização também, como o excesso de filas. Os ianomâmis não têm uma teoria da transmissão de doenças via germes. Então assoam o nariz na mão e passam no cabelo, nos outros, até na minha bermuda [risos]. A primeira coisa que quis aprender na língua deles foi “não encoste em mim, suas mãos estão sujas”, mas não adiantou. Você se acostuma. Na verdade, você percebe que há coisas mais sérias com que se preocupar. A vida na tribo é perigosa. Há muitas cobras. Um bebê de uma tribo ianomâmi em que vivi sumiu, e os pais concluíram que a única explicação era que tivesse sido comido por uma anaconda. Há ainda muitos insetos, há onças, muitos ou-
tros incômodos. Como é a sua relação com o líder ianomâmi Davi Kopenawa? Ele é manipulado pelos seus mentores, seus conselheiros políticos, a maioria antropólogos e ONGs, que dizem a ele o que ele deve declarar. Ouço que muitos jornalistas brasileiros têm essa percepção, mas sabem que é impopular dizer isso em público. As entrevistas com ele costumam ser mediadas por antropólogos. Pois é. Veja, em uma das minhas visitas aos ianomâmis no Brasil, Kopenawa proibiu o piloto do meu avião de utilizar o combustível que tinha guardado perto de uma das tribos em que ele tinha influência. Ele queria a todo custo que eu ficasse isolado na floresta, fez isso deliberadamente. O piloto teve de conseguir combustível com outros colegas. Essa é uma das razões que me levaram a não ter uma opinião muito positiva a respeito dele. Kopenawa critica vocês por não devolverem amostras de sangue que coletaram entre os índios em 1967 para estudos científicos na área de genética e que foram parar em bancos de universidades dos EUA. Sou simpático a esse pedido. Mas essas amostras são 99% de tribos venezuelanas, não brasileiras. Seria horrível se entregássemos tal sangue para os ianomâmis brasileiros, como Kopenawa. Uma tribo ficaria muito assustada de saber que seus vizinhos têm o sangue de seus ancestrais, eles acreditam que isso poderia ser utilizado para fazer magia negra, por exemplo. É importante dizer que, influenciadas por antropólogos, lideranças ianomâmis tornaram impossível hoje, para qualquer pesquisador, ir a suas tribos e coletar amostras de sangue; foram convencidos de que isso foi um crime terrível que cometemos. Dessa forma, nenhum pesquisador da área biomédica pode agora fazer estudos que envolvam coleta de amostras. Os ianomâmis vetaram para sempre qualquer pesquisa que possa beneficiar a sua saúde e dependa de exames de sangue. Eu gosto muito dos ianomâmis. Fiquei muitos anos com eles. Eles merecem ser mais bem representados. É nítido que eles precisam de institui-
ções que permitam acesso à medicina moderna, por exemplo. Eles precisam de ajuda. De qualquer forma, eu não coletei amostras de sangue. Eu só ajudei os médicos a fazê-lo. Eu sou antropólogo. Não estou nem aí para o que acontecerá com as amostras de sangue congeladas nos EUA. Mas seria irresponsável se fossem entregues aos índios errados. O sr. assistiu ao documentário “Os Segredos da Tribo” (2010), do brasileiro José Padilha? Padilha mentiu para mim, foi muito desonesto. Ele disse que faria um filme equilibrado, mas nunca mencionou que as acusações feitas contra mim foram completamente desmentidas [pela Associação Americana de Antropologia]. Ele contratou um missionário que falava a língua ianomâmi para fazer as entrevistas com os índios. Esse missionário, amigo meu, depois veio me avisar que Padilha direcionava as entrevistas contra mim, que tudo era feito para criar a impressão de que os ianomâmis me odiavam. O filme é ridículo. Além disso, Padilha lançou o filme e desapareceu, nunca respondeu às minhas ligações. Na apresentação do filme no festival de Sundance, ele não só não me convidou como chamou três antropólogos inimigos meus para debater. Um deles, Terence Turner, que teve participação ativa na elaboração do filme, me acusava de ser o Mengele das tribos ianomâmis. É doentio. Padilha deveria se limitar a filmar “Robocop”. Depois de trabalhar muitos anos nas universidades do Michigan e de Missouri, o sr. agora é professor aposentado. Aposentou-se também da pesquisa científica? Não. Continuo trabalhando com os dados que coletei nas tribos ao longo desses anos todos. Estou para publicar vários artigos em revistas importantes, como a “Science”, mostrando o impacto de conceitos caros à biologia, como o parentesco, na organização das tribos ianomâmis. Se os antropólogos brasileiros não gostam do meu trabalho, ainda não viram nada [risos]. No caso do público brasileiro, espero que os leitores encontrem no meu livro agora publicado uma melhor compreensão da natureza humana, seja no comportamento dos povos indígenas ou no de um vizinho.
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FOTO: DANILO VERPA/FOLHAPRESS
MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
‘Fiz o que devia fazer como documentarista’
Trajetória do pesquisador é marcada por querelas MARCELO LEITE
JOSÉ PADILHA
A FOLHA procurou o cineasta José Padilha e o líder indígena Davi Kopenawa, citados na entrevista, para que comentassem as declarações feitas pelo antropólogo a seu respeito. Kopenawa, que recebe pedidos de entrevista por meio do antropólogo Bruce Albert, não respondeu até o encerramento desta edição. José Padilha respondeu por e-mail: “Nunca prometi ou prometeria um filme equilibrado. A ideia de cobertura equilibrada é equivocada. Se alguém entrevista um cientista a respeito dos danos que o cigarro faz à saúde, esse alguém deveria dar igual espaço para quem faz cigarros? Certamente não! Está comprovado que cigarro faz mal; ser equilibrado neste caso seria ajudar a indústria dos cigarros a despeito da verdade. O critério relevante não é o equilíbrio, mas a verdade dos fatos. Disse a ele que faria um filme com a ideia normativa de verdade na cabeça; buscando retratar ambos os lados da controvérsia e tentando representá-la de forma correta. Entrevistei todos os cientistas que o Napoleon indicou, e lhe informei desde o início que entrevistaria seus opositores também. Fiz o que deveria fazer como documentarista. Não falo ianomâmi. Fiz as minhas perguntas por meio de um tradutor bastante limitado e só consegui traduzir as respostas meses depois. Se quiser confirmar, ligue para o Lula Carvalho [fotógrafo de “Segredos da Tribo”], ele pode te explicar a loucura que foi! Desapareci mesmo [após o lançamento do filme], nem fui ao Sundance! Estava enrolado fazendo “Tropa de Elite 2”. O Terry [Terence Turner] foi por conta própria, e ninguém impediu o Napoleon de ir. Avisei a ele sobre o festival. Aliás, eu fiz um filme sobre a relação dos antropólogos com os ianomâmis e com o saber, e não um filme sobre o Chagnon... Só ele acha que o filme é sobre ele! Eu não acho nada [do que ele diz] grave. Napoleon é o cientista mais controverso do mundo, um cara com milhares de inimigos na academia, odiado por seus pares. Por que será? Leva a sério quem quer!”
Não é trivial resumir as objeções que a antropologia cultural levanta contra Napoleon Chagnon. A controvérsia tem quase meio século, e a tarefa fica mais complicada quando muitos dos antropólogos relevantes do Brasil se recusam a dar entrevistas sobre o caso. O panorama se turvou de vez em 2000, com o livro “Trevas no Eldorado”. Nele o jornalista Patrick Tierney acusava Chagnon e o médico James Neel de, em 1968, terem causado uma epidemia de sarampo entre os ianomâmis da Venezuela e experimentado nos índios um tipo perigoso de vacina, além de negarlhes socorro médico. Chagnon e Neel foram depois inocentados dessas acusações graves. Bruce Albert, antropólogo e crítico de Chagnon que trabalha há 36 anos com os ianomâmis, já escreveu sobre a ausência de fundamento das alegações de Tierney. Nem por isso Albert deixa de assinalar sérios erros éticos da dupla. Para ele, os ianomâmis foram usados, sem saber, como grupo de controle para estudos sobre efeitos de radiação nuclear no sangue de sobreviventes de bombardeios em Hiroshima e Nagasaki. Chagnon, capataz de Neel na expedição, obtinha amostras de sangue em troca de machados, facões e panelas. Embora essa prática perdurasse nos anos 1960-70, Albert ressalva que regras exigindo consentimento informado já vigiam desde 1947 (Código de Nuremberg) e 1964 (Declaração de Helsinque). Os reparos ao trabalho de Chagnon abarcam também a própria ciência. Ele se diz superior aos antropólogos tradicionais, que acusa de relativistas pós-modernos, xingamento comum nos setores cientificistas da academia americana. A polêmica teve início com o livro “Yanomamö: The Fierce People”, em que Chagnon apresentou sua tese de que ianomâmis são uma relíquia ancestral da espécie humana: selvagens com compulsão pela guerra como forma de obter mulheres, escassas devido à prática do infanticídio feminino. Os críticos da etnografia de Chagnon afirmam que ele nunca comprovou o infanticídio seletivo. Com efeito, a explicação foi abandonada
em outros estudos, como um famigerado artigo de 1988 no periódico científico “Science”. O trabalho recorre a dados demográficos coletados por Chagnon para corroborar sua noção, bem ao gosto da sociobiologia, de que os homens mais violentos eram os que tinham mais mulheres e filhos. Esses seriam os que os ianomâmis chamam “unokai” – segundo o autor, os mais temidos no grupo (e, por isso, mais prolíficos). Albert, Jacques Lizot e outros antropólogos consideram que ele misturou alhos com bugalhos. “Unokai” não seria um atributo individual, mas o estado de impureza (simbólica) daquele que mata alguém com armas ou feitiçaria, ou mesmo só entra em contato com o sangue de cadáveres de inimigos. Além disso, em incursões contra outras aldeias, os guerreiros muitas vezes dão golpes e flechadas em adversários já mortos. Isso os tornaria “unokai”, não homicidas. Os mais admirados não seriam esses, mas os “waitheri”, algo como “valorosos”, que se distinguem não só pela valentia, mas também pela capacidade de liderar, de falar bem, até pelo humor. Não bastasse isso, os críticos apontam manipulação de números. Para inflar seus dados e chegar a 44% de homens que teriam participado de mortes e tinham até o triplo de filhos na comparação com os não “unokai”, Chagnon teria excluído da amostra jovens de 20 a 25 anos e homens mortos – violentos ou não, com ou sem filhos. Em fevereiro de 2013, o antropólogo Marshall Sahlins renunciou à Academia Nacional de Ciências dos EUA após o ingresso de Chagnon. Num artigo em que explicava o ato, defendeu que um antropólogo alcança entendimento superior de outros povos quando toma seus integrantes como semelhantes – e não objetos naturais, “selvagens”, ao modo de Chagnon. “É claro que esse não é o único meio de conhecer os outros. Podemos também utilizar nossa capacidade simbólica para tratá-los como objetos físicos”, escreveu. “Mas não obteremos o mesmo conhecimento dos modos simbolicamente ordenados da vida humana, do que é a cultura, ou até a mesma certeza empírica”.
Com propostas limitadas, livro ajuda a distanciar ciências humanas e biológicas ANDRÉ STRAUSS
Por sua alegada coragem em sustentar hipóteses fundamentadas em princípios darwinianos, o antropólogo americano Napoleon Chagnon, que dedicou sua carreira a estudar a violência entre os índios ianomâmis, apresenta-se em “Nobres Selvagens” [trad. Isa Mara Lando, Três Estrelas, 608 págs., R$ 89,90] como vítima dos mais diversos ataques e preconceitos por parte de seus pares. Os antropólogos culturais, os religiosos salesianos, os ativistas políticos e os próprios ianomâmis são retratados como grupos ferozes ou biofóbicos. Já Chagnon seria apenas um inocente antropólogo de Michigan. A tese não convence. Embora o antropólogo pretenda ser um expoente da síntese entre biologia e antropologia, suas proposições são bastante limitadas e, muitas vezes, equivocadas. Exemplo disso é partir do princípio de que uma sociedade não contatada é o mesmo que uma sociedade não impactada, atribuindo aos ianomâmis condição análoga à de sociedades paleolíticas. Propor um contratualismo hobbesiano baseado na luta por mulheres também soa ingênuo.
Em seu livro, Napoleon Chagnon insiste na noção anacrônica de “ciência pura”, desmerecendo a militância pró-indígena dos antropólogos brasileiros como um capricho do politicamente correto. Mesmo reconhecendo-se que em diversas ocasiões seus detratores exageraram, esse tipo de postura maniqueísta do autor não contribui para a necessária superação dos conflitos epistemológicos e políticos que seguem existindo, ainda que ligeiramente mitigados, entre as chamadas ciências humanas e biológicas. Um famoso filósofo darwiniano certa vez reconheceu que as teorias antropológicas de cunho biológico têm, inegavelmente, o péssimo hábito de atrair os mais indesejáveis colaboradores. Daí a importância da cada vez maior politização dos bioantropólogos e o movimento explícito por parte deles para impedir que esses associados participem de seus círculos. Ainda assim, provavelmente Chagnon não é culpado das acusações mais graves que lhe foram imputadas, tal como a de disseminar propositalmente uma epidemia de sarampo entre os indígenas ou a de incentivar, por escambo, que eles declarassem guerras uns
contra os outros a fim de que ele pudesse incluir as cenas de violência em um documentário que estava produzindo. Por outro lado – e isso não se pode negar a Chagnon –, é verdade que as humanidades muitas vezes parecem apresentar aquilo que se convencionou chamar de um “desejo irresistível para a incompreensão”, resultando em acusações injustas e de caráter persecutório. Algumas décadas atrás, ainda era possível negar a relevância de campos como a genética comportamental, a ecologia humana, a neurociência cognitiva ou a etologia de grandes símios. Atualmente, entretanto, qualquer tentativa de mantê-los fora da esfera antropológica é um exercício vão. Mais importante, a estratégia comumente utilizada no passado de atrelar os desdobramentos oriundos dessas áreas a implicações nefastas para a dignidade humana, torna-se, além de injusta, muito perigosa. Juntos, antropólogos e biólogos precisam elaborar uma narrativa capaz de ressignificar esses novos elementos através de uma ótica benigna. Afinal, eles passarão, inevitavelmente, a fazer parte do arcabouço teórico de ambas as disciplinas.
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Diário de Londres O MAPA DA CULTURA
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O tempo das guerras E a batalha contra o açúcar na roda-gigante
LEANDRO COLON
Sete meses após os bombardeios dos Aliados que destruíram a cidade alemã de Dresden, em 1945, o fotógrafo alemão Richard Peter voltou ao local para registrar o que sobrara. Um estudante de 17 anos capturou imagens da nuvem em Hiroshima 20 minutos após a bomba atômica atingir a cidade japonesa na Segunda Guerra. Em 2013, Chloe Dewe Mathews fotografou a área onde soldados britânicos, franceses e belgas eram executados na Primeira Guerra Mundial (1914-18) por suas próprias tropas, acusados de covardia e deserção. Quem vier a Londres até 15/3 pode ver a exposição “Conflict, Time, Photography”, aberta desde novembro na Tate Modern. O curador Simon Baker inspirou-se no clássico livro “Matadouro 5”, do americano Kurt Vonnegut (19222007), que, como prisionei-
ro de guerra, testemunhou o bombardeio a Dresden. A ideia da mostra é apresentar imagens feitas em conflitos segundo o momento em que foram captadas: minutos, dias, semanas ou décadas após os ataques.É possível ter ideia da imediata consequência de um bombardeio ou o rastro de um ataque aéreo muito tempo depois de sua ocorrência. O museu reservou 11 salas de uma galeria para montar a exposição. A primeira, intitulada “Moments Later” (momentos depois), exibe, por exemplo, os cliques dos segundos imediatamente posteriores a um ataque americano no Afeganistão, em 2001, e de outro no Iraque, em 2006, além da imagem de um assustado fuzileiro naval que acabara de entrar em combate em 1968, no Vietnã. As galerias seguintes seguem a ordem cronológica dos registros de outras guerras, inclusive a da Cri-
meia (1853-56), com fotos tiradas pelo britânico Roger Fenton (1819-69), pioneiro na cobertura de guerra para o fotojornalismo. Menos dinheiro Enquanto isso, o tradicional Museu da Ciência de Londres, em South Kensington, reclama da falta de dinheiro. A política de austeridade fiscal do governo de David Cameron também atingiu o setor nos último anos. Só o Museu da Ciência e seus três “irmãos regionais” (em Manchester, York e Bradford) tiveram cerca de 30% dos recursos públicos cortados. O Reino Unido terá eleição em maio para escolha de um novo Parlamento. A “faca” no orçamento será um dos principais temas de campanha. Em entrevista publicada pelo “Financial Times”, o diretor do Museu da Ciência, Ian Blatchford, previu cenário de declínio, caso os cortes permaneçam. “Se houver uma nova rodada de cortes após as elei-
ções gerais, ficará insustentável. O efeito é letal”, disse ele, ex-diretor-adjunto do vizinho Victoria & Albert. Como em todos museus nacionais, no Museu da Ciência a entrada para exibições permanentes é franca. As tradicionais (e pequenas) doações dos visitantes somaram 2 milhões de libras (R$ 8 mi) em 2014, quando 3,3 milhões de pessoas passaram pela instituição. Menos açúcar A mais nova polêmica dos britânicos é sobre o patrocínio a um de seus principais cartões-postais: desde janeiro, a roda-gigante à beira do Tâmisa chama-se oficialmente Coca-Cola London Eye. A empresa de refrigerantes firmou acordo para substituir a de energia EDF. Entidades de saúde protestaram: argumentam que uma atração turística destinada à família não pode servir à promoção de bebida açucarada e pouco saudável.
A organização Children’s Food Campaign distribuiu 500 escovas de dentes aos visitantes da London Eye para lembrar que, toda semana, cerca de 500 crianças são tratadas de problemas dentários causados pelo açúcar. Na terra dos pubs, o consumo de bebida alcoólica entre adultos tem caído, segundo recente pesquisa do órgão britânico de estatísticas. Entre 2005 e 2013, caiu de 29% para 18% a proporção dos que bebem pelo menos uma vez por semana no Reino Unido. Mais de um quinto não bebe álcool de jeito de nenhum. Autoridades comemoram os números, sobretudo porque doenças causadas pelo abuso de álcool são campeãs dos tratamentos do sistema nacional de saúde. Só na Inglaterra, cerca de 3,5 bilhões de libras (R$ 14 bilhões) são gastos por ano para cuidar de pessoas doentes por causa da bebida alcoólica.
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Arquivo Aberto
MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIA
5 Cartas de meu avô Curitiba, 1962
ARQUIVO PESSOAL
‘Adieu au Massilia’, litografia de Paul Garfunkel para o álbum artesanal ‘Imagens do Brasil’
JEAN GARFUNKEL
Sempre gostei muito deste poema do Manuel Bandeira (1886-1968), “Cartas de Meu Avô”: “A tarde cai, por demais/ Erma, úmida e silente.../ A chuva, em gotas glaciais,/ Chora monotonamente.// E enquanto anoitece, vou/ Lendo, sossegado e só,/ As cartas que meu avô/ Escrevia a minha avó”. Pois não é que meu avô, Paul Garfunkel (1900-81), que chegou ao porto de Santos em 1927 a bordo do navio Massilia , com sua mulher Hélène, trazendo na bagagem um bebê de seis meses (meu pai), deixou-nos um legado inestimável de “cartas de amor ao Brasil”? Explico: em 1926 esse engenheiro francês, formado pela Sorbonne, casa-se com sua colega de classe – que, segundo dizem, era melhor aluna que ele – e recebe uma proposta da Fichet, fábrica de cofres francesa, para trabalhar no Brasil. Seu espírito “flâneur” e aventureiro jamais deixaria de agarrar essa oportunidade (“très exotique”). Na década de 30, devido a turbulências políticas e a certas amizades suspeitas, como Monteiro Lobato, com quem haveria de inventar uma fábrica de óleo de banana movida pelo motor da geladeira da minha avó, Garfunkel é solenemente dispensado da Fichet e passa a se dedicar a vários empreendimentos progressistas que fatalmente haveriam de falir. Com certeza herdamos dele nosso infalível tino comercial.
Segundo meu irmão, que tem o mesmo nome do avô, nosso lema familiar é: “Perder se preciso for, ganhar nunca”. Mas, para compensar essa inaptidão congênita para os negócios, a natureza lhe deu talento para pintura e uma rara visão poética. A respeito de seu trabalho, disse certa vez: “Não entendo por que se criam tantos tabus em relação à arte. Ela é em essência tão simples! Está nas ruas, na gente que passa; é apenas uma questão de sensibilidade, de transmissão de sentimentos, de diálogo de amor”. Viajante, cuidadoso observador, registrava com precisão impressionista tudo o que seu olho azul emocionado distinguia. Seus cadernos de croquis eram uma espécie de diário de viagem. No começo dos anos 50, instalado em Curitiba, desiste dos negócios (para alívio geral) e dedica todo seu tempo à pintura. Por sugestão do embaixador da França no Brasil na época, Bernard Hardion, produziu e editou artesanalmente 275 exemplares do álbum “Imagens do Brasil”: 20 litografias assinadas e retocadas à mão, acompanhadas de comentários. Em 1962, o velho Garfunkel lança “Novas Imagens do Brasil”, com mais 20 gravuras (desta vez serigrafias) igualmente assinadas, retocadas à mão e comentadas pelo autor, com tiragem de 250 exemplares. No primeiro álbum, imagens de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. No segundo, as cores, os cheiros e os sabores do norte e do nordeste do país. Em 1983, o crítico Pietro
Maria Bardi organizou uma exposição de Paul Garfunkel no Masp. Ousou chamá-lo de Debret do século 20 e, num artigo para revista “Senhor”, escreveu sobre os álbuns: “Um conjunto de trabalhos a ser definido patrimônio, sem precedentes de anotações, em que se notam, além da bravura excepcional do traço, a compreensão e o amor que conseguiu representar”. Hoje leio as “cartas de meu avô” publicadas na bela edição impressa de “Imagens do Brasil” [Id Cultural, 120 págs., R$ 60] que outro neto seu, meu primo Luca Rischbieter, heroicamente conseguiu editar, em colaboração com o designer gráfico Maurício Vieira. É estranho sentir saudade e orgulho ao mesmo tempo. No cine da memória dos anos 60, me vejo com 8 anos, sentado irrequieto no seu ateliê em Curitiba, posando para um retrato a óleo, nunca terminado. Aquela bagunça, aquele cheiro de tinta, aqueles esboços de nu feminino que me interessavam profundamente, embora eu me esforçasse para não demonstrar, e o mau humor tipicamente francês de meu avô, que preferia viajar pelas paisagens brasileiras a tentar captar em vão a expressão desatenta do netinho mimado. No meu DNA, nenhuma aptidão para a pintura. Talvez a mesma paixão ancestral pelas palavras e, sem dúvida, esse irredutível amor pelo Brasil, que ainda tento traduzir do meu jeito em poemas e canções. “O Massilia não existe mais, nossas ilusões estão mortas. Mas o Brasil nos agarrou e nos segurou; estranho e belo país, irritante e envolvente como uma amante por demais amada”.
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
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Um poema
O texto integra o livro ‘Escuta’, a sair pela Companhia das Letras, em março deste ano
EUCANAÃ FERRAZ ILUSTRAÇÃO SÉRGIO SISTER
Estão certas todas as canções banais letras convencionais seus corações como são de praxe; estão certos os poemas enfáticos inchados de artifícios à luz óbvia da lua ou de estúpidos crepúsculos; os sonetos mal alinhavados toscos estão certos bem como as confissões íntimas não lapidadas reles nem polidas; ouçamos o que dizem sobre qualquer coisa; dizem não vai dar certo; repetem; e se o verso é trivial é o mais sagaz quanto mais pueril mais seguro quanto mais frouxo mais sólido quanto mais rasteiro mais a toda prova e quanto mais barato e quanto mais prolixo o alexandrino mais legítimo; as formas desdentadas vêm do fundo; as odes indigestas dizem tudo; o verso oco não traz menos que a verdade nua e ponto. Estão certos os romances de aeroporto; a quem busca um modelo procure o estúpido; se deseja uma estrela de primeira grandeza escolha o simplório é o que digo não busque senão na aberração a sinceridade e no disparate a franqueza; prêmios literários não passam de hipocrisia; estiveram desde sempre certos os erros de tipografia; o contrassenso deve ser o mandamento de quem precisa disfarçar o mal-estar após mostrá-lo sem pudor; sim a saudade arde exatamente como nos roteiros dos filmes mas só as fitas mais chinfrins e com fins infelizes não mistificam e dizem de antemão o que seremos: redundância errância perfeição.
Caderno D
plateia@emtempo.com.br
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(92) 3090-1042
FOTOS: DIVULGAÇÃO
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DIVULGAÇÃO
Plateia
Entrega do Oscar 2015 acontece hoje
Ingrid GUIMARÃES
‘Nunca fiz PARTE DE nenhum padrão de BELEZA’
A beleza abre portas, contatos. Mas a longo prazo, não mantém nada. A peça mostra que, se você não tiver carisma, inteligência emocional e talento, não mantém nada, nem um relacionamento”
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BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO
ngrid Guimarães é o tipo de atriz que podemos chamar de multifuncional. Ela consegue, com maestria, passear pelas telenovelas, cinema, teatro e, até mesmo, programas de TV, como é o caso do “Além da Conta”, que vai ao ar no GNT. Com data marcada para estar em Manaus – 28 de fevereiro e 1º de março – com o espetáculo “Razões Para Ser Bonita”, do dramaturgo norte-americano Neil LaBute, ela concedeu entrevista ao EM TEMPO, no qual aborda temas como os padrões de beleza, críticas, bullying, o sucesso de “Cócegas”, seu amor por Manaus e adianta que voltará a TV aberta. “Vou estrear um novo programa na Globo juntamente com o Leandro Hassum”. No espetáculo, Ingrid Guimarães vive Steph, que fica sabendo que seu namorado Greg comentou com um amigo que acha o rosto da namorada “apenas comum”. A partir disso, uma série de discussões bem humoradas relacionadas a beleza entram em voga. Fazem parte do elenco, ainda, Gustavo Machado, Marcelo Faria e Aline Fanju e a direção é assinada por João Fonseca. As apresentações serão realizadas no Teatro Manauara e os ingressos estão à venda da bilheteria do local ao preço de R$ 100 (inteira/setor A), R$ 50 (meia/setor A), R$ 50 (inteira/setor B) e R$ 25 (meia/setor B). EM TEMPO - Os padrões de beleza estão cada vez mais
exigentes. Como você lida com eles no cotidiano? Ingrid Guimarães - Sem neuras e sem exageros. Gosto de cuidar da minha pele, invisto em produtos de qualidade, mas sempre lutei contra esta imposição. Até porque nunca fiz parte de nenhum padrão de beleza. Construí minha própria beleza no que tinha de melhor. Tanto é, que sempre fiz personagens (como a Leandra Borges) que faziam uma crítica a isso tudo. A mídia vende porque tem quem compra, quem acredita nesta importância toda. E acho que isto é uma obsessão em todos os meios. Conheci uma gari que juntava todo o dinheiro dela para colocar silicone. EM TEMPO - É muito comum brigas de casais por comentários relacionados a beleza. E o espetáculo trata disso. Como foi a sua preparação? Houve algo pessoal na criação da personagem? IG - O público se identifica muito com as personagens. A peça é uma comédia que faz pensar. Mostra os dois lados da beleza, o bom e o ruim. Hoje, sempre nos vemos pelo olhar do outro. São muitas formas de exposição da imagem. Então, a preocupação com a beleza se tornou uma obsessão. A minha preparação foi reparar como as pessoas lidam com a aparência atualmente em seus cotidianos. EM TEMPO - A beleza, ou a falta dela, vem sempre acompanhada do famoso bullying. O espetáculo, de
alguma forma, luta contra essa atitude? IG - É um texto contemporâneo, ácido, que fala da obsessão da sociedade atual pela aparência por meio de um humor sarcástico e de grande identificação. Na verdade, a peça discute a importância do tema beleza na vida cotidiana. A beleza abre portas, contatos, mas a longo prazo, não mantém nada. Mostra que, se você não tiver carisma, inteligência emocional e talento, não mantém nada, nem um relacionamento. EM TEMPO - E as críticas? Elas te incomodam de alguma forma? IG - Não, nem um pouco. As críticas fazem parte da vida do ator. Afinal de contas, toda unanimidade é burra. Existem milhares de gostos e opiniões diferentes. EM TEMPO - O tema da perfeição também está presente no filme “Loucas Para Casar”. Até que ponto a perfeição é essencial? IG - A perfeição nunca é essencial. O interessante é essa busca pela perfeição que o filme mostra que, na verdade, não existe. EM TEMPO - O que mais chamou sua atenção no texto de Labute? IG - A discussão das duas vertentes da beleza, o lado bom e o ruim. Tudo feito com um humor inteligente. EM TEMPO - Na TV, você apresenta o programa “Além da Conta”, no GNT.
Como têm sido as temporadas? Existe interesse em dar continuidade? IG - Acabamos a segunda temporada e foi um sucesso. As pessoas me param nas ruas pra falar sobre o programa. A mais recente temporada foi gravada em Miami e tem outro tema muito atual: a fissura que os brasileiros possuem nas compras. E existe, sim, o projeto de uma terceira temporada, mais ainda não definimos onde será. EM TEMPO - Como você avalia o sucesso de “Cócegas”? IG – “Cócegas” foi um fenômeno. Ficou 11 anos em cartaz, viajou o Brasil todo e várias vezes. Acho que eu e a Lolô (Heloisa Perissé) fomos precursoras deste tipo de espetáculo e acabamos abrindo portas para muitos outros do mesmo gênero que vieram depois. Era uma delícia fazer a peça e agradava a todas as idades. As pessoas assistiam três, cinco vezes. EM TEMPO - Você já esteve em Manaus algumas vezes. O que mais te chama atenção na cidade? IG - Adoro Manaus e suas belezas naturais. Já fiz passeios pelo rio e nadei com o boto rosa. Agora quero levar a minha filha pra conhecer. EM TEMPO - Quais os planos para 2015? IG - Continuarei viajando com a peça “Razões Para Ser Bonita” pelo Brasil e, em breve, estrearei um novo programa na TV Globo em parceria com Leandro Hassun.
Adoro Manaus e suas belezas naturais. Já fiz passeios pelo rio e nadei com o boto cor de rosa. Agora quero levar a minha filha para conhecer”
A peça é uma comédia que faz pensar. Mostra os dois lados da beleza, o bom e o ruim. São muitas formas de exposição da imagem”
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Café da manhã
Record da PDG *Em um balanço recente a PDG Incorporadora divulgou que fechou 2014 com 627 empreendimentos entregues para 150 mil pessoas desde 2003. Só no ano passado foram 25 mil unidades para 11 mil clientes, em 13 Estados e no Distrito Federal. Manaus foi destaque com mil unidades em cinco empreendimentos em parceria com a Aliança. Atualmente a PDG possui cinco mil colaboradores em todo o Brasil.
Carlos Aguiar cpdaguiar@hotmail.com
Eles marcaram presença no Baile do Artista de Manaus, Alberto Chã Filho, atriz Socorro Andrade, apresentadora de TV, Norma Araújo e estilista Edinho Serrão.
*O festejado oſtalmologista João Neto está no hinterland, para realizar cirurgias de catarata. As cirurgias são realizadas gratuitamente.
*O Café da Manhã deste domingo eu o tomo com Isabel Prata. Competente no que faz, amiga dos seus amigos e que possui mãos de ouro para realizar artesanato da melhor qualidade. Seus trabalhos são verdadeiras obras de arte. Por isso é que Isabel é meu Destaque de Hoje. (Ismael Neves)
Colégio Martha Falcão Mercedes Sant’Anna e Trovão serão os anfitriões na quinta-feira no Rancho Coqueiral, às 19h quando o Polvo do Asfalto fará a primeira reunião do ano. Todos terão direito a um delicioso churrasco, rock e muita animação. Quando eu estive em Mogi das Cruzes-SP fui conhecer o Polvo do Asfalto. Adorei! Minha querida Norma Demasi está em Nova York com o filhos Fábio e Mirtilzinho. Ela não pensou duas vezes em foi ao Times Square tirar uma foto com o enorme coração do Vantentine’s Day. Ela ama Nova York.
Salustino Liberato, quando a agenda permite ele vai conhecer de perto as belezas naturais. Certíssimo!
Feira de livros
na praça central
Corrida da Mulher Amazônica
* O Shopping Ponta Negra está sempre em busca de novidades e atrações para seus clientes e na praça central, uma feira de livros da Editora Círculo do Conhecimento, que dispõe de obras de diferentes categorias e estilos para agradar ao público infantojuvenil e adulto. O superintendente do Shopping Ponta Negra, Rodrigo Vitali, comemora mais uma iniciativa do centro de compras em oferecer lazer, cultura e entretenimento para os clientes. A feira fica até o dia 9 de março
*A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) apoia a“Corrida da Mulher Amazônica”, organizada pela Associação dos Funcionários Fiscais do Amazonas (Affeam), no dia 1° de março, às 7h30, com percurso de cinco quilômetros. A disputa faz parte das atividades em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. A corrida terá seis categorias: público geral, elite feminino, deficientes visuais, cadeirantes, deficiente auditivo e casal. Os vencedores ganharão medalhas, além de premiação em dinheiro. Inscrições até o próximo dia hoje , dia 22, no sitewww.assessocor.com.br, com taxa no valor de R$ 40. Fica a dica.
*A diretora do Colégio Martha Falcão, Nelly Falcão de Souza comemora com seus alunos o Prêmio de Solução Inovadora no Torneio de Liz e o secretário estadual de Robótica FLL - Sesi, realizado esta semana, Finanças, Afonso Lobo, aguar- em Manaus. A instituição concorreu com o dando a visita da Dona Cegonha. projeto “Educação Inclusiva para Portadores de Deficiência Auditiva”. A mão robótica do projeto utilizada pela comunicação foi toda construída com peças de Lego, que se comunica com portadores de deficiência auditiva por meio da linguagem de sinais. Aplausos!
Em noite de badalação política, dr. Júlio e Lidiane Corrêa.(Ismael Neves)
Fotojornalismo e tecnologia *A Galeria Cubo, do Millennium Shopping, está promovendo, nos dias 21 e 22 de fevereiro, o curso básico de fotojornalismo e tecnologia com um dos melhores profissionais da área, o fotógrafo Clóvis Miranda. No sábado (21), o horário do curso será das 13h às 18h, e no domingo (22), das 14h30 às 18h. *O valor da inscrição do curso custa R$ 329. Os interessados na programação da Galeria Cubo podem obter mais informações pelo email: atendimento@galeriacubo.com.br.
CARNET *Hoje é dia de abraçar os aniversariantes. Isto posto Max Teixeira Filho, Pedro Ferreira Léda e César Seixas. Parabéns! Amanhã, se vivo fosse o professor e exgovernador Gilberto Mestrinho estaria aniversariando. Também vai fazer aniversário meu
considerado amigo Sebastião Gadelha. Beijos! *O festejado oſtalmologista João Neto está no hinterland, para realizar cirurgias de catarata. As cirurgias são realizadas gratuitamente.
*Roberto Sadowski está agendando ida a São Paulo para fazer check-up. Ele já agendou o Sírio Libanez. *Na próxima semana, Valdenyra Thomé e Isa Assef dos Santos marcam chegada
em Manaus. O Rio vai ficar triste sem essas adoradoras da Cidade Maravilhosa! *Na coluna de sexta-feira, um lapso aconteceu. Troquei o nome de Mazé Mourão por Mazé Chaves. Sorry!
A mais bonita do planeta *A Arena da Amazônia foi escolhida a mais bonita do mundo por um site alemão. Agora a Fifa vai escolher quais as cidades vão receber os jogos de futebol masculino e feminino das Olímpiadas que serão realizadas no Rio de Janeiro. Eu torço pela Arena da Amazônia. É claro! Quem gostou bastante foi o nosso governador José Melo.
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Argentinos disputam prêmio por ‘Birdman’ Além da indicação na categoria filme estrangeiro, dois roteiristas concorrem ao prêmio de melhor roteiro original
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Os primos Nicolás Giacobone e Armando Bo são corroteiristas do longa-metragem “Birdman”
Os principais indicados ao Oscar 2015 Melhor filme
“Sniper Americano” “Birdman” “Boyhood: Da Infância à Juventude” “O Grande Hotel Budapeste” “O Jogo da Imitação” “Selma” “A Teoria de Tudo” “Whiplash”
Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu (“Birdman”) Richard Linklater (“Boyhood”) Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”) Wes Anderson (“O Grande Hotel Budapeste”) Morten Tyldum (“O Jogo da Imitação”)
Melhor ator
Steve Carell (“Foxcatcher”) Bradley Cooper (“Sniper Americano”) Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”) Michael Keaton (“Birdman”) Eddie Redmayne (“A Teoria de Tudo”)
Melhor ator coadjuvante Robert Duvall (“O Juiz”) Ethan Hawke (“Boyhood”) Edward Norton (“Birdman”) Mark Ruffalo (“Foxcatcher”) JK Simmons (“Whiplash”)
Melhor atriz
Marion Cotillard (“Dois Dias, uma Noite”) Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”) Julianne Moore (“Para Sempre Alice”) Rosamund Pike (“Garota Exemplar”) Reese Witherspoon (“Livre”)
Melhor atriz coadjuvante Patricia Arquette (“Boyhood”) Laura Dern (“Livre”) Keira Knightley (“O Jogo da Imitação”) Emma Stone (“Birdman”) Meryl Streep (“Caminhos da Floresta”)
Melhor filme em língua estrangeira “Ida” (Polônia)
“Leviatã” (Rússia) “Tangerines” (Estônia) “Timbuktu” (Mauritânia) “Relatos selvagens” (Argentina)
Melhor documentário “O Sal da Terra” “CitizenFour” “Finding Vivian Maier” “Last Days” “Virunga”
Melhor animação
“Operação Big Hero” “Como Treinar o Seu Dragão 2” “Os Boxtrolls” “Song of The Sea” “The Tale of The Princess Kaguya”
Melhor roteiro original
Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo (“Birdman”) Richard Linklater (“Boyhood”) E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher”) Wes Anderson e Hugo Guinness (“O Grande Hotel Budapeste”) Dan Gilroy (“O Abutre”)
Melhor roteiro adaptado Jason Hall (“Sniper Americano”) Graham Moore (“O Jogo da Imitação”) Paul Thomas Anderson (“Vício Inerente”) Anthony McCarten (“A Teoria de Tudo”) Damien Chazelle (“Whiplash”)
Melhor fotografia
Emmanuel Lubezki (“Birdman”) Robert Yeoman (“O Grande Hotel Budapeste”) Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (“Ida”) Dick Pope (“Sr. Turner”) Roger Deakins (“Invencível”)
Melhor edição
Joel Cox e Gary D. Roach (“Sniper Americano”) Sandra Adair (“Boyhood”) Barney Pilling (“O Grande Hotel Budapeste”) William Goldenberg (“O Jogo da Imitação”) Tom Cross (“Whiplash”)
Melhores efeitos visuais
Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan
Grill e Dan Sudick (“Capitão América 2: O Soldado Invernal”) Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist (“Planeta dos Macacos: O Confronto”) Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould (“Guardiões da Galáxia”) Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher (“Interestelar”) Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”)
Melhor figurino
Milena Canonero (“O Grande Hotel Budapeste”) Mark Bridges (“Vício Inerente”) Colleen Atwood (“Caminhos da Floresta”) Anna B. Sheppard e Jane Clive (“Malévola”) Jacqueline Durran (“Sr. Turner”)
Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (“O Grande Hotel Budapeste”) Alexandre Desplat (“O Jogo da Imitação”) Hans Zimmer (“Interestelar”) Gary Yershon (“Sr. Turner”) Jóhann Jóhannsson (“A Teoria de Tudo”)
Melhor canção
“Everything is awesome”, de Shawn Patterson (“Uma Aventura Lego”) “Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (“Selma”) “Grateful”, de Diane Warren (“Além das Luzes”) “I’m not gonna miss you”, de Glen Campbell e Julian Raymond (“Glen CampbellI’ll be me”) “Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo Se Nada der Certo”)
Melhor edição de som
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sniper Americano”) Martín Hernández e Aaron Glascock (“Birdman”) Brent Burge e Jason Canovas (“O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”) Richard King (“Interestelar”) Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (“Invencível”)
ÃO PAULO, SP - “Também poderíamos ter ganho a última Copa do Mundo, estávamos a um passo. Agora é esperar”, diz o argentino Armando Bo, tratando de diminuir as expectativas em torno de sua terra natal na premiação do Oscar. É que a Argentina poderá levar três estatuetas para casa hoje. Além da disputa na categoria filme estrangeiro com “Relatos Selvagens”, o país conta com os roteiristas Nicolás Giacobone e Armando Bo na briga pelo prêmio de roteiro original. Os primos argentinos são coroteiristas de “Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)” junto com o americano Alexander Dinelaris e o diretor do longa, o mexicano Alejandro González Iñárritu. “Estamos orgulhosos do filme e acreditamos ter feito algo especial e novo, mas não esperávamos a reação [positiva] do público nem as indicações [ao Oscar, Globo de Ouro, Baſta etc.]”, diz Giacobone. Ele e Bo falaram com a reportagem dos EUA, onde vivem. Os dois são netos de Armando Bo (1914-1981), importante ator, produtor e diretor, realizador de famosas comédias eróticas (espécie de pornochanchadas mais leves). “Quando nosso
avô morreu, éramos crianças, então não convivemos para poder ter alguma influência de seu processo criativo. Mas herdamos a coragem para tocar os projetos”, conta Giacobone. Esta é a segunda vez em que ele e Bo trabalham com Iñárritu. Antes, escreveram juntos o argumento de “Biutiful” (2010). O trabalho em “Birdman”, cujo roteiro levou quase dois anos para ficar pronto, foi mais complicado do que na obra anterior, dizem os argentinos, porque partiu de uma imagem concebida pelo diretor, e não de uma história. “Alejandro nos chamou e disse que queria fazer uma comédia em plano-sequência [sem cortes], que é quase uma contradição. E falou que só tinha uma imagem: um homem de cueca levitando”, conta Giacobone. “Foi um processo de descobrir a história que iríamos contar. E fomos fracassando e a encontrando”, lembra Bo. Quando finalmente surgiu a história de Riggan Thomson (Michael Keaton), um ator que se recusa a continuar estrelando uma franquia de super-herói e procura se reinventar na Broadway, a dificuldade passou a ser o retrato de um universo pessoal para todos. “Porque tem a ver com o artista e a luta com
seu ego e essa sensação de que em um momento controlamos tudo e somos capazes de fazer algo importante e no outro nos sentimos os seres mais ínfimos e menos importantes do mundo”, diz Giacobone. Comerciais Segundo ele, a ideia do longa era “festejar de um lugar cômico” a loucura do trabalho da indústria que os move, e não fazer uma crítica a Hollywood. “Não rimos de Hollywood, mas do artista em suas diferentes facetas: o que triunfa em Hollywood e na Broadway e o que não triunfa nunca”, completa. Bo conta que conheceu Iñárritu quando dirigiu alguns comerciais para a produtora do diretor, no México. “Tínhamos uma relação profissional. Quando fui filmar meu longa, ‘O Último Elvis’ [2012], que escrevi com Nico, enviei para ele ler. Ele gostou, e a partir daí ficamos amigos e começamos a fazer projetos juntos.” Trabalhar ao lado do mexicano, ele compara, é como “jogar no Barcelona”. A parceria da família Bo com Iñarritú continua. Eles estão desenvolvendo junto com o diretor o roteiro da série de TV “The One Percent”, estrelada por Hilary Swank.
Clichês e estereótipos marcam principais concorrentes à estatueta SÃO PAULO, SP – A julgar pelos oito longas que concorrem ao Oscar de melhor filme na noite de hoje, Hollywood vive um momento de se debruçar sobre a própria masculinidade: seja aquela que amadurece nos verdes subúrbios americanos (“Boyhood”), aquela que está em crise ao chegar à meia-idade (“Birdman”), a que se esconde atrás do armário
(“O Jogo da Imitação”) ou a que é forjada nos campos de batalha (“Sniper Americano”). É também no universo masculino que se dá o embate entre um professor e seu aluno (“Whiplash”) e a cumplicidade entre um concierge e seu ajudante (“O Grande Hotel Budapeste”). E são dois homens – o cientista mais midiático da atualidade
(Stephen Hawking) e um dos ativistas políticos mais conhecidos da história (Martin Luther King) – os protagonistas dos biográficos “A Teoria de Tudo” e “Selma”, respectivamente. Seja como for, os atores principais dessas oito produções evocam estereótipos que os membros da Academia gostam de premiar.
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Trilha de ‘Boyhood’ tem músicas de brasileiros S
ÃO PAULO, SP – Na trilha sonora vasta de “Boyhood” – pudera, o filme tem duas horas e 45 minutos e acompanha a vida de um garoto por 12 anos –, duas vozes em português se destacam em meio a músicas em inglês, de bandas como Foo Fighters, Arcade Fire e Wilco. O longa, indicado a seis Oscar – incluindo o de melhor filme e o de melhor diretor, para Richard Linklater –, conta com canções dos brasileiros Luisa Maita e Moreno Veloso para embalar alguns dos anos do personagem. Nos dois casos, dizem os artistas, os convites para fazer parte da trilha vieram de um contato da produção do filme com as suas respectivas gravadoras nos Estados Unidos. “Não sei como eles chegaram ao meu disco. Só sei que pediram autorização para usar as músicas”, lembra Luisa. “Na época, nem sabia quão grande seria o filme.” A cantora paulistana participa com “Desencabulada” e “Lero-Lero”, ambas do CD “Lero-Lero”, que lançou em 2010. No filme, esse também é o ano em que tocam as músicas na vida do protagonista. “Em 2010, o disco
teve um alcance legal, então é bacana porque mostra que houve realmente essa presença nos Estados Unidos”, comemora Luisa, que já fez cinco turnês no exterior e prepara seu segundo álbum, a ser lançado até a metade do ano. “Agora quero tocar mais aqui no Brasil”, diz. Já mais próximo do final de “Boyhood”, quando 2014 é representado, entra a voz calma de Moreno Veloso, que lançou no último ano o disco “Coisa Boa”, seu primeiro de estúdio da carreira solo. A faixa-título é facilmente reconhecida, mas, além dela, constam oficialmente na trilha mais duas músicas do álbum: “Não Acorde o Neném” e “Em Todo Lugar”. Essas, porém, estão mais escondidas, tanto que o próprio compositor e cantor, filho mais velho de Caetano Veloso, diz não as ter reconhecido quando viu a estreia do longa, em uma sessão para convidados em Nova York. “Só vi o filme uma vez. Talvez, vendo com mais cuidado, a gente encontre”, diz. “Mas eu também não fui perguntar à produção lá na hora ‘onde estão as outras músicas?’. Fiquei quieto”, ri ele, que diz ter gostado muito do longa.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Em meio a canções de bandas internacionais como Foo Fighters e Wilco, vozes de Moreno Veloso e Luisa Maita se destacam
Três músicas de Moreno Veloso estão na trilha
Voz de Luisa Maita aparece em duas composições
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Bate-rebate
TV Tudo Cinema Após “Histórias Íntimas”, produção que conquistou no ano passado o prêmio de melhor documentário no “7º Los Angeles Brazilian Film Festival” e conta a história da sexualidade no país desde os tempos do Brasil Colônia, Valéria Monteiro se prepara para um novo filme. Ela vai integrar o elenco de “As pintas da onça”, um thriller psicológico, com direção de Júlio Lellis e Breno Pessurno. Cinema 2 Em “As pintas da onça”, Valéria será Alexandra, uma mulher da alta sociedade que é maltratada pelo marido. Ela decide se vingar dele e começa uma escalada para reviver seu passado de reputação questionável. O filme será rodado a partir de agosto em Florianópolis. Mitzi Evelyn, Sonia Clara Ghivelder e Cristina Prochaska também estão no elenco. Bronca do leitor Diego Moraes, de Araraquara-SP, não esconde sua indignação com o serviço de televisão paga que, além de ruim, “cobra uma fortuna dos assinantes”. “O canal Space, só do dia 12 ao dia 16 – claro que não assisto
ELVIS
GLOBO
• Nesta segunda-feira, a Rede TV! deverá anunciar o seu novo diretor comercial. • É impressionante a quantidade de projetos de séries em avaliação na Globo. • Esta, aliás, é uma das bandeiras do diretor Carlos Henrique Schroder na casa. • Uma equipe de produção da novela “I Love Paraisópolis” viaja amanhã para Nova York...
Último da série Neste domingo vai ao ar no “Fantástico”, da Globo, o último episódio da série “O Mundo secreto dos bebês – aprendendo a falar”. Flávia Alessandra vai mostrar como é o desenvolvimento da linguagem de crianças de 5 anos e sua iniciação na leitura. Para o episódio, ela entrevistou a também atriz Bianca Rinaldi, mãe das gêmeas Sofia e Beatriz, de 5 anos. TV 24 horas, pode e deve ter mais – exibiu 3 vezes o filme Transformers”, declara. Ele questiona o revezamento de reprises e pergunta quando o Governo vai tomar uma atitude contra as operadoras e obrigá-las a vender “apenas os canais que gostaríamos de assistir?”. The Voice USA O canal Sony estreia em 1º de março, às 22h30, com exibições aos domingos e segundas-feiras, a oitava temporada do “The Voice USA”. No time de jurados está confirmada a volta
de Christina Aguilera, que reassume seu posto já ocupado por Shakira e Gwen Stefani. Pharrel Williams continua ao lado de Blake Shelton e Adam Levine. Primeiras impressões Aposta da Globo em “I Love Paraisópolis”, próxima das sete na Globo, Maurício Destri tem apresentado um bom entrosamento com Bruna Marquezine nessas primeiras gravações. Maurício, Bruna e Caio Castro formarão um triângulo amoroso na novela, que estreia em maio.
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Celeiro do jornalismo da Globo Se a novela “Malhação” possui o mérito de continuar revelando bons valores na Globo, no campo do jornalismo o “Profissão Repórter” também tem dado uma contribuição. Basta contabilizar o número de jovens, que depois de prestarem serviços no programa, foram absorvidos por outras redações da mesma organização. Muitos deles foram convidados a seguir carreira na própria Globo, como são os casos de Thais Itaqui, atualmente na GloboNews, e Felipe Suhre e Nádia Bochi no “Mais Você”.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
• ... Já o elenco, liderado por Bruna Marquezine e Tatá Werneck, embarca na sexta-feira, dia 27. • O ex-jogador Marcelinho Carioca negocia um programa com a Transamérica Hits, rede mais popular da rádio Transamérica. • Existe uma torcida muito forte para que o Ceará possa emplacar esse voo solo no Multishow... • ... Resta saber se, sozinho, sem a estrutura do “Pânico”, ele dará conta do recado.
C’est fini Autorizado pela Record, o apresentador Reinaldo Gottino vai estar na Rede TV!, dia 25, para gravar o “Mega Senha”. O programa, comandado por Marcelo de Carvalho nas noites de sábado, é uma das maiores audiências da emissora. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: mbrazsantana@gmail.com
O fim do desfile carnavalesco
GILMAL
MÁRIO ADOLFO
REGI
O resultado da apuração das notas do desfile das escolas de samba de Manaus não poderia deixar de ser diferente e seguir a tradição. Como todo ano acontece, a campeã vira alvo de críticas dos “críticos” de plantão, basicamente internautas revoltados com alguma situação. A Aparecida é a escola com maior número de títulos no carnaval e este ano conquistou mais um. Ofensas a escola e as falhas em sua apresentação formaram a tônica da vez, ainda que muitos dos apontamentos tenham alguma procedência. Em 1994 fui testemunha do maior barraco do carnaval amazonense. A Mocidade Independente de Aparecida sagrou-se campeã, e a Vitória Régia, com a ajuda de torcedores das outras escolas, iniciaram um quebra-quebra no sambódromo com direito a cadeiras, garrafas e socos. Como falei, ninguém fica totalmente satisfeito com o resultado, mesmo que seja visível a incompetência de alguns membros do júri - ou otras cositas mas. A Vitória Régia cantou a sua própria história em um desfile pra lá de emocionante, enquanto que a verde e branco de Aparecida (a exemplo do ano anterior, mesmo campeã com seu inesquecível “Trajetória Negra”, mas pobre esteticamente) apresentou um desfile com um samba fraco e inferior. Acontece que nunca ninguém está satisfeito totalmente com o resultado, mesmo que haja algo de podre principalmente no perfil técnico e curricular de alguns jurados. É impressionante como muitos não sabem identificar o plano do conceito e da realização, os elementos que se somatizam e valorizam os elementos. Muitos não sabem diferenciar, ainda, um figurino de uma fantasia, uma alegoria de uma escultura, embora “primos”, mas com códigos de acesso, leitura e confecções diferentes. Mas, como
disse, existem otras cositas más em tudo isso, é só vermos o que aconteceu com a Beija Flor em 2015 onde a escola, antes do desfile, se sentiu previamente prejudicada com alguns jurados e “determinou” sua troca. A confusão em Manaus em torno dos critérios de julgamento são apavorantes: um dos jurados me disse que o item evolução é quando a escola está dançando. Se ela dança, ela está evoluindo. Havia uma escola cujo carro quebrou a prendendo por um tempo, depois passou a acelerar o passo. O dito jurado ficou tirando fotos da alegoria ao invés de observar que o ritmo não estava consoante com o samba, que a evolução, assim, ficara comprometida. Outro detalhe é que os destaques de composição dos carros contam ponto para o quesito Alegorias e Adereços e não para fantasia. Assim como a fantasia da Comissão de Frente conta ponto para este ítem e não para fantasia, devendo-se observar se a fantasia está de acordo com a proposta coreográfica, se atrapalha ou não os movimentos ou se compromete o conjunto estético. Ano retrasado a Reino Unido apresentou falhas em alegorias e pegou notas máximas, e este ano a evolução da Aparecida, que deveria ter sido penalizada juntamente com a harmonia, obtiveram êxito. Fica claro que existe um problema no julgamento. De qualquer forma, tirando alguns erros de avaliação, a Mocidade Independente de Aparecida, escola a que admiro e que desfilei por vezes, merecia indiscutivelmente o título. Entrou exuberante, rica e forte na avenida. Emocionante o que o inteligente carnavalesco Saulo Borges nos proporcionou. O que nos resta é esperar as mudanças nos critérios de escolha dos jurados.
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
Nunca ninguém está satisfeito totalmente com o resultado, mesmo que haja algo de podre principalmente no perfil técnico e curricular de alguns jurados”
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Programação de TV
SBT
CAROL SOARES/SBT
GLOBO
3h45 Jornal da Semana SBT 5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Chaves 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda a Roda Jequiti 17h45 Sorteio da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente com Gabi 23h Série: Sobrenatural 0h Série: Rizzola & Isles 1h Série: Pessoa de Interesse 2h Big Bang 2h30 Série 4h Igreja Universal
RECORD
REDE TV!
5h30 Santa Missa 6h31 Amazônia Rural 7h Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h33 Globo Rural 8h27 Auto Esporte 9h Esporte Espetacular – (Descida das Escolas de Santos) 12h Esquenta 13h01 Temperatura Máxima. Filme: Os Smurfs 15h Futebol 2015: Campeonato Carioca - Madureira X Flamengo 17h Domingão do Faustão 20h Fantástico 21h55 Big Brother Brasil 22h45 Oscar 2015 0h50 Domingo Maior. Filme: Onde os Fracos Não Têm Vez 2h37 Flash Big Brother Brasil 2h44 Corujão. Filme: Mergulho em uma Paixão 4h07 Mentes Criminosas 4h47 Série
5h30 Igreja Int. da Graça 8h Economia Amazonense 9h Construção Verde em Pauta 10h Gestão e Desenvolvimento 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado 13h En Circuito 14h30 Jardel Deltrudes 15h Até o Tucupi 15h30 TV Kids 16h15 Sempre Bem 16h45 TV Kids 17h Te Peguei 17h30 Viagem Cultural by Decolar 18h Te Peguei 18h30 Encrenca 20h15 Te Peguei na TV 21h45 Havaí 5.0 22h30 Luta Tribal 23h30 Teste de Fidelidade 0h30 É Notícia 1h30 Igreja Int. da Graça
5h Santo Culto em Seu Lar 5h30 Desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids - Pica Pau 10h Domingo Show 14h30 Hora do Faro 18h30 Domingo Espetacular 22h15 Repórter em Ação 23h15 Roberto Justus + 0h15 Programação IURD
Sandra de Sá fala da carreira no “De Frente com Gabi” (SBT)
ÁRIES - 21/3 a 19/4 Mesmo tendendo a se distrair com os amigos, continue o esforço que faz para uma transformação profissional. Seu futuro terá que ser outro e aos poucos você entenderá. TOURO - 20/4 a 20/5 O lado agradável do trabalho será impedido por uma mudança de planos. Não obstante, a boa aplicação de recursos permite realizar algo de bom neste dia de trabalho. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Ao tentar agradar os outros, você pode se perder de seus valores O descuido afeta negativamente as amizades. A afinidade natural nem sempre resulta em boa relação. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Bons apoios no campo profissional podem ir contra seu trabalho. Se algo não puder crescer, não force a situação. Dificuldade de conciliar seus desejos com os de seu amor.
Cinema
Cruzadinhas
ESTREIAS Sniper Americano: EUA. 10 anos. Membro das Forças de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos, Chris Kyle é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger seus irmãos de armas. Sua precisão salva inúmeras vidas no campo de batalha e as histórias de suas corajosas façanhas se espalham até que ele receba o apelido de `Lenda´. No entanto, sua reputação também está crescendo por trás das linhas inimigas, colocando sua cabeça a prêmio e tornando-o alvo principal de insurgentes. Ele também está enfrentando um tipo de batalha diferente à frente de seu lar: se esforçando para ser um bom marido e bom pai mesmo estando do outro lado do mundo. Apesar do perigo e do preço pago pela sua família deixada em casa, Chris serve por quatro angustiantes vezes no Iraque, personificando-se no lema “não deixar ninguém para trás” nas Forças Especiais da Marinha. Mas ao retornar para sua esposa, Taya Renae Kyle (Sienna Miller), e para as crianças, Chris descobre que é a guerra que ele não pode deixar para trás. Kinoplex 4 – 15h20, 18h10, 21h05 (leg/diariamente). DIVULGAÇÃO
Horóscopo
LEÃO - 23/7 a 22/8 Siga as propostas de transformação na rotina de vida, deixando de lado as discussões com amigos e problemas de relacionamento no cotidiano. Siga o caminho mais simples. VIRGEM - 23/8 a 22/9 O que importa no momento são as transformações na vida amorosa e na sua maneira de se expressar e ser criativo. Viva o que é preciso ser vivido em seus relacionamentos. LIBRA - 23/9 a 22/10 As tensões no lar e no seu modo de sentir não deveriam perturbar tanto assim. Mantenha a dedicação e a conduta nas rotinas diárias e nos cuidados com o conforto e a saúde. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Converse os assuntos que precisam ser conversados, mesmo que difíceis. Os contratempos na rotina não deveriam perturbar tanto assim a harmonia familiar. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 A dedicação paciente aos seus bens materiais e aos negócios deve ser preservada. Mesmo que uma situação mude à sua revelia, continue cuidando do que lhe pertence. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Procure guardar o melhor de suas forças para os estudos e as atividades intelectuais, que são o ponto principal a desenvolver Não se vive só de prazer sensorial e comodismo. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Atenção para os humores negativos e destrutivos, assim como para a displicência com os pequenos deveres para consigo mesmo ou para com as pessoas que lhe são queridas. PEIXES - 19/2 a 20/3 As amizades podem se revelar não tão amigas assim. Amigos podem apontar situações que são delicadas para você. Risco de se ferir ou magoar com as pessoas queridas.
CONTINUAÇÕES Annie: EUA. 12 anos. Cinemark 8 – 11h10, 13h50, 16h40 (dub/diariamente). A Casa dos Mortos: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 11h50, 14h, 16h20, 18h30, 20h50 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Kinoplex 4 – 13h20 (dub/diariamente). Um Santo Vizinho: EUA. 12 anos. Cinemark 1 – 20h15 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sábado), Cinemark 5 – 21h50 (dub/diariamente); Playarte 10 – 13h45, 15h55, 18h05, 20h15 (leg/diariamente), 22h25 (leg/somente sextafeira e sábado). Cinquenta Tons de Cinza: EUA. 18 anos. Cinemark 4 – 13h, 15h50, 18h40, 21h30 (dub/diariamente), 0h20 (dub/somente sábado), Cinemark 7 – 12h, 14h50, 17h40, 20h30 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado), Ci-
nemark 8 – 19h30, 22h20 (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 13h30, 16h05, 18h45, 21h20 (dub/diariamente), Kinoplex 3 – 13h10, 15h40, 18h20 (dub/diariamente), 21h (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 13h51, 16h21, 18h51, 21h21 (dub/diariamente), 23h51 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h20 (leg/diariamente), 22h51 (leg/somente sexta-feira e sábado). O Destino de Júpiter: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 12h40 (dub/exceto domingo), 15h30, 18h20 (dub/ diariamente), 21h15 (dub/ exceto quarta-feira); Kinoplex 1 – 13h, 15h50, 18h30, 21h10 (dub/diariamente); Playarte 1 – 20h40 (3D/ dub/diariamente), 23h10 (3D/dub/somente sextafeira e sábado), Playarte
9 – 13h05, 15h40, 18h15, 20h50 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sextafeira e sábado). Corações de Ferro: EUA. 16 anos. Playarte 8 – 15h30, 20h10 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sextafeira e sábado). Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. Cinemark 1 – 11h, 13h20, 15h40, 18h (dub/diariamente), Cinemark 5 – 12h30 (dub/ exceto sábado e domingo), 14h40, 17h10 (dub/diariamente), 19h20 (dub/exceto quarta-feira); Kinoplex 5 – 13h15, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40 (3D/
dub/diariamente), Playarte 3 – 13h10, 15h10, 17h10, 19h10, 21h10 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 4 – 13h11, 15h11, 17h11, 19h11 (dub/diariamente). Caminhos da Floresta: EUA. 12 anos. Playarte 4 – 21h15 (leg/diariamente), 23h45 (leg/somente sextafeira e sábado). A Mulher de Preto 2 – O Anjo da Morte: ING-CAN. 14 anos. Playarte 8 – 13h30, 18h10 (dub/diariamente). Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Playarte 2 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente), 22h20 (somente sexta-feira e sábado).
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MANAUS, DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015
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Projeto cultural EnCena amplia ação na cidade A
fotógrafa e produtora Priscila Prade, a advogada e produtora Andrea Francez e o advogado Arthur Deucher Figueiredo, todos de São Paulo, chegam a Manaus para ministrar as atividades do projeto “Workshops Vivo EnCena: Produção Cultural, Direito do Entretenimento e Imagem”. Ampliando sua ação local, o projeto Vivo EnCena traz mais uma edição do projeto em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (SEC), abrindo a temporada 2015 no Estado. A atividade direciona-se tanto para interessados nas áreas de fotografia, direito autoral, direito do entretenimento, leis de incentivo à cultura, bem como para os profissionais da área, como produtores, diretores, advogados, artistas, músicos, técnicos de som e luz, cenógrafos, figurinistas, fotógrafos, etc. Os profissionais que irão conduzir as palestras têm vasta experiência no mercado do entretenimento e na produção teatral e musical. “Workshops Vivo EnCena: Produção Cultural, Direito do Entretenimento e Imagem é composto por
DIVULGAÇÃO
Iniciativa da Vivo promoverá workshops voltados para o mercado do entretenimento e da produção teatral e musical três palestras e acontecerá nos dias 4, 5 e 6 de março no Centro Cultural Palácio Rio Negro. A atividade é gratuita e para maiores de 16 anos. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 23 de fevereiro através do e-mail vivoencena@gmail.com. Vivo EnCena é uma iniciativa da Vivo que estimula o inter-
Direito Autoral e do Entretenimento na produção cultural, com Andrea Francez – dia 4 de março Apresentação dos conceitos do direito do autor e do entretenimento, e a forma como eles atuam na produção cultural, mostrando como o ordenamento jurídico brasileiro trata esses temas, e como eles funcionam na prática em cada área envolvida. Além disso, o workshop irá detalhar os contratos que englobam o Direito Autoral no Entretenimento.
CONVIDADOS
Inovações Legislativas no Incentivo à Cultura, com Arthur Deucher Figueiredo - dia 5 de março Apresentação sobre as novidades legislativas relacionadas ao incentivo à cultura, em âmbitos federal e estadual, pontuando as perspectivas inerentes a este mercado sob o ponto de vista legislativo-cultural, especialmente no que tange ao Projeto de Lei nº 6.722/2010, que institui o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura – Procultura e à Frente Parlamentar Estadual de Apoio à Cultura do Estado do Amazonas, trazendo as experiências consolidadas na região sudeste do país.
Atividades acontecerão no Centro Cultural Palácio Rio Negro, nos dias 4, 5 e 6 de março, com as presenças da fotógrafa Priscila Prade, a produtora Andrea Francez e o advogado Arthur Deucher Figueiredo câmbio de projetos de artes cênicas com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país e da sociedade como um todo. O projeto é realizado há dez anos e está presente em 20 Estados de todo o país, além de realizar ações próprias e a curadoria do Teatro Vivo, situado na capital paulista.
Conteúdos das palestras
A Fotografia no Teatro e a Importância da Imagem na Divulgação de uma Produção Cultural, com Priscila Prade – dia 6 de março Contextualização da fotografia na produção cultural. Exibição de fotografias de grandes espetáculos teatrais e análise das imagens, abordando questões relevantes sobre a interpretação dos textos em paralelo a imagem captada. A dramaturgia e a luz como elementos fundamentais da comunicação com o público. Priscila Prade é fotógrafa e ministrará um workshop no dia 6
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