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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVII – N.º 8.483 – DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
O AMOR
NO TEMPO DO VOTO Sidclay do Vale e José Simões se emocionaram na hora do “sim”, na sede da OAB/AM
RAIMUNDO VALENTIM
NO TEMPO DO VOTO
O MENT CASA O NORTE GAY D
CASAMENTO A CONQUISTA DO DIREITO À UNIÃO ESTÁVEL
POLÍTICA
PELO MENOS 10% DA POPULAÇÃO É HOMOSSEXUAL, O QUE CORRESPONDE A MAIS DE 20 MILHÕES DE BRASILEIROS. NO CAMPO RELIGIOSO, AS OPINIÕES DIVERGEM, MAS, PARA PESSOAS INFLUENTES COMO O ARCEBISPO DE MANAUS, DOM SÉRGIO CASTRIANI, A UNIÃO CIVIL DE CASAIS HOMOAFETIVOS É IMPORTANTE.
POR OUTRO LADO, A 15 DIAS DAS ELEIÇÕES, POUCOS CANDIDATOS OUSAM APOIAR PUBLICAMENTE O CASAMENTO GAY, COM MEDO DE PERDER VOTOS DOS EVANGÉLICOS E DE PARCELAS MAIS CONSERVADORAS DA SOCIEDADE. ECONOMIA A6 E A7, DIA A DIA B1 A B7, PLATEIA C1, PÓDIO D3 E ELEIÇÕES 1
DIEGO JANATÃ
PELOS HOMOSSEXUAIS É CONSIDERADA UM PASSO IMPORTANTE NA SOCIEDADE BRASILEIRA, PRINCIPALMENTE NO QUE DIZ RESPEITO AO COMBATE À HOMOFOBIA. ENTRE AS VITÓRIAS DO MOVIMENTO LGBT ESTÁ O PRIMEIRO CASAMENTO COLETIVO ENTRE GAYS, REALIZADO NA SEMANA PASSADA, NA SEDE DA OAB/AM.
RELIGIÃO
A moda vive um momento democrático quando o assunto é a escolha do vestido ideal. Apesar disso, os modelos clássicos continuam em alta. Elenco 12 e 13
Investir em imóveis para alugar pode ser uma ótima opção, quando aliado à segurança e garantia de retorno financeiro, aconselha o Sinduscon/AM. Salão 7
Omar diz estar preparado para defender os direitos do Amazonas no Senado
Diurético, calmante e antioxidante, o chá de hibisco combate os radicais livres, protegendo o coração de doenças e a pele do envelhecimento. Saúde F2
GP DE CINGAPURA
Hamilton larga na pole e Massa sai em sexto Em um final de treino eletrizante, Lewis Hamilton (foto) acabou sendo o mais rápido no circuito de Marina Bay e ficou com a pole position. Felipe Massa larga em sexto. Última Hora A2
OMAR AZIZ
Líder nas pesquisas para ocupar uma vaga no Senado, o ex-governador Omar Aziz dispensa o “já ganhou” e diz que vai às ruas diariamente ouvir a população e apresentar suas propostas. Eleições 3
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
A nova tradução da saga de Odisseu, que será lançada em outubro pela Cosac Naify, valoriza aspectos de oralidade da obra de Homero. Ilustríssima G3
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“NUNCA ENVERGONHEI O POVO DO AMAZONAS”
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 34
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Roubo e sequestro em mansão na Ponta Negra O
empresário José Raimundo Ferreira do Vale, proprietário da rede de lojas Casa do Eletricista, foi vítima de sequestro na manhã de ontem (20). Vale e seus familiares foram rendidos às 6h, na casa em que residem, localizada no condomínio Jardim Europa, no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste da capital amazonense. O empresário foi libertado por volta da 9h30, em um local que não pôde identificar, e passa bem. De acordo com informações do tenente Silvio, da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), sete homens armados invadiram a casa por meio de uma área verde localizada atrás da residência, onde não havia segurança. “A partir das 6h, eles começaram a render os moradores – o empresário, a esposa e os filhos, que foram trancados no banheiro. Eles levaram objetos de valor da casa e, quando foram avisados que não havia dinheiro na residência, dois deles entraram no carro da filha do empresário”, informou o tenente.
Em seguida, o empresário José Raimundo do Vale foi dirigindo até a loja, onde pegou o dinheiro e entregou para os bandidos. Esses dois avisaram os outros cinco que estavam na casa que já estavam com o dinheiro e esses saíram da residência do empresário. A casa de Vale, aliás, fica localizada ao lado do comitê
RESGATE
Em outro incidente, uma mulher de 25 anos se jogou no igarapé do Franco, na Compensa. Segundo testemunhas, ela tentou se matar após desilusão amorosa, mas foi resgatada pela polícia do candidato a governador Eduardo Braga. Libertação José Raimundo do Vale foi libertado por volta das 9h30, após entregar uma quantia não revelada aos criminosos que o acompanharam até a loja localizada na rua Silva Ramos, Centro. “Eles levaram o seu José Raimundo no carro da
filha, um Hyundai modelo i30, cor prata, placa NOP-3664”, disse o tenente da Rocam. O veículo foi localizado no bairro Parque Riachuelo, Zona Oeste. Segundo populares, apenas um elemento foi visto estacionando o carro. Às 11h, familiares da vítima foram ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Ponta Negra, reconhecer o veículo e registrar o boletim de ocorrência. Até o fechamento desta edição, os criminosos ainda não haviam sigo capturados. O caso será investigado pela Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD). Há dois meses, um outro empresário foi assassinado no mesmo condomínio após ter a residência invadida por criminosos. Alvorada Em outro episódio parecido, bandidos invadiram, ontem, uma casa na rua 2, do bairro Alvorada 1, onde fizeram um arrastão. De acordo com testemunhas, os homens armados assaltaram a residência de uma mulher, que não teve o nome identificado, e levaram os pertences da casa. O caso ainda será apurado pela polícia.
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NA CIDADE NOVA
Entre itens apreendidos estavam oito quilos de cocaína e oxi, além de balança de precisão
Estourado laboratório de drogas EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
A Polícia Civil apresentou, na manhã de ontem, o traficante de drogas Marcos José Silva de Souza, 23, na 12º Delegacia Integrada de Polícia, localizada na avenida Professor Nilton Lins, bairro Flores, Zona Centro-Sul. O elemento foi preso por volta das 7h, numa casa localizada no conjunto Vila da Barra, Cidade Nova, Zona Norte, onde mantinha um laboratório de entorpecentes. De acordo com a titular do 12º DIP, delegada Fabíola Queiroz, junto ao traficante, que foi preso em flagrante, a polícia apreendeu mais oito quilos de drogas, entre cocaína e oxi, além de uma balança de precisão e R$ 185, fruto da venda dos entorpecentes. As investigações sobre a vida de Marcos José partiram após denúncias anônimas. Fabíola explicou que levantamento realizado pela
operação Tríplice Aliança, que envolveu ainda o 16º e 22º DIPs, apontou que a droga produzida e embalada pelo traficante abastecia seus contatos localizado nos bairros da Zona Centro-Sul de Manaus.
APURAÇÃO
A delegada não apontou outro possível elemento que trabalhasse no lugar com o traficante. Também não informou se a Tríplice Aliança terá continuidade para estourar outros laboratórios Eles consumiam e revendiam as drogas em bairros como Nossa Senhora das Graças, Parque 10 de Novembro, Parque das Laranjeiras, e Cidade Nova. “Como descobrimos que ele também vendia na Zona Norte, fora
da região do 12º DIP, nós pedimos apoio das delegacias responsáveis por aquele bairro”, disse. Segundo a delegada, as investigações começaram há 20 dias e logo em seguida o local onde foi instalado o laboratório pelo traficante foi identificado, até que hoje policiais dos três DIPs fizeram campana nas primeiras horas da manhã e conseguiram efetuar o flagrante. Durante coletiva de imprensa, a titular do 12º DIP informou que o traficante Marcos já tinha passagem pela polícia. Segundo Fabíola, o elemento foi preso em 2013 por tráfico de drogas, mas cumpria pena em liberdade condicional. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Estado do Amazonas, o laboratório de entorpecentes do traficante funcionava num cômodo de madeira instalado no terreno da casa de Marcos José.
Após libertação do empresário, Polícia Militar realiza buscas para prender os bandidos
MORTES
Iranduba tem noite violenta O forneiro de uma indústria cerâmica do município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), Claudemar Batista Xavier, morreu, ontem, por volta das 4h, após sofrer acidente de motocicleta na estrada Manoel Urbano (AM-070), na altura do quilômetro 5. Ele saiu do trabalho e voltava para casa. Ao perder o controle da moto, o forneiro saiu da estrada e caiu numa vala de drenagem da obra de duplicação da rodovia AM-070. Segundo o vigilante da obra Geasi Silva Nascimento, Claudemar foi encontrado na vala com o capacete no braço. A perícia informou que vai investigar se o homem estava em alta velocidade. Segundo o responsável pela obra da construtora Etam, engenheiro residente Macelo Tavares, no local há toda a sinalização obrigatória para evitar acidentes, desde placas de trânsito à iluminação. A esposa foi ao local, mas preferiu não dizer o seu nome. Ele deixou dois filhos. Ainda em Iranduba, no Distrito do Cacau Pirêra, o corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado no bairro Nova Veneza com marcas de tiros na cabeça e no tórax, conforme informou a Polícia Civil.
MUNDIAL F-1
Lewis Hamilton larga na pole do GP de Cingapura A Mercedes andou rápido e irá sair na frente no GP de Cingapura, 14ª etapa do Mundial de F-1, que será disputado neste domingo (21), às 9h (de Brasília). Neste sábado (20), o inglês Lewis Hamilton, vice-líder do campeonato, cravou o melhor tempo na sessão que definiu o grid de largada, ficando apenas sete milésimos à frente de seu companheiro e líder da temporada, o alemão Nico Rosberg. A Red Bull colocou os dois pilotos na segunda fila. O australiano Daniel Ricciardo foi o terceiro colocado, seguido pelo alemão Sebastian Vettel. O brasileiro Felipe Massa foi bem durante todo o treino classificatório, mas não foi páreo para o bom desempenho das equipes líderes do campeonato. O piloto da Willians liderou o treino até a última volta do Q3, quando foi superado.
Ele sai em sexto, logo após a Ferrari de Fernando Alonso. Massa, porém, ficou à frente de seu companheiro de equipe, o finlandês Valtteri Bottas, que larga em oitavo.
LIDERANÇA
O Mundial de F-1 é liderado por Nico Rosberg (ALE/Mercedes), seguido de Lewis Hamilton (ING/Mercedes) e Daniel Ricciardo (AUS/Red Bull). Felipe Massa (BRA/Williams) é o nono colocado Completam os dez primeiros Kimmi Raikkonen (Ferrari), sétimo colocado, Kevin Magnussen (McLaren), nono, e Daniil Kvyat (Toro Rosso), com o décimo melhor tempo. AP PHOTO
MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO
DIEGO JANATÃ
Homens armados invadiram residência no condomínio Jardim Europa e sequestraram empresário para praticar assalto
Vice-líder do campeonato, Lewis ganhou pole por milésimos
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
tricia@emtempo.com.br
O tempo... Quem alimenta as vaidades alheias acaba encoberto por uma densa nuvem de fraqueza e hipocrisia. Na atual sociedade, não é preciso ser inteligente para ser bem-sucedido. Basta ser esperto, turbinar o culto a si próprio e despejar uma dúzia de falácias para fazer outra dúzia de mentes fracas acreditarem na mais verdadeira das mentiras. Nesse tipo de sociedade, ser inteligente é defeito. O inteligente é visto como o mais temível dos inimigos. Aliás, só é temido o inteligente honesto, porque o inteligente desonesto é tão perigoso quanto o esperto bem-sucedido. Tomemos como exemplo um espaço no qual convive um grupo relativamente grande de pessoas. Esse nicho, como qualquer outro, precisa de uma divisão de tarefas coesa e de líderes que coordenem as atividades e, assim, evitem que o trabalho desande. É o que ocorre na organização social das formigas, por exemplo. No entanto, quando um desses “comandantes” trabalha para satisfazer interesses próprios, só beneficia a si mesmo e desestabiliza o grupo. Esse “líder” pode ser inteligente ou esperto, ou mesmo inteligente e esperto, porém sua presença nociva – principalmente quando é (involuntariamente) apoiada por outros que estão no mesmo patamar de liderança– só levam a um caminho, o do desequilíbrio permanente, da queda livre, do fracasso anunciado. É o que se pode chamar de abutre, “ave de rapina, voraz, infecta e pesada, de asas compridas, que vive de restos de animais mortos ou de carniça”. Que futuro têm os abutres? Seu maior inimigo é o tempo, esse, sim, infalível e senhor de todas as verdades.
Não foi isso que Melo disse O candidato a deputado federal Marcos Rotta – que apoia o candidato ao governo Eduardo Braga, hoje opositor do candidato à reeleição José Melo – bateu forte na questão da segurança. Usou o horário eleitoral exibido na sexta-feira, 19, para apresentar um vídeo da sabatina realizada pela TV Amazonas, nesta semana, na qual Melo comenta sobre a nomeação da nova cúpula da PM. Editada Acontece que o vídeo só mostrou uma frase dita pelo governador. A entrevista foi convenientemente editada para parecer que Melo vai manter em seu governo, caso reeleito, nomes que respondem a processos na Justiça. Frase completa Na edição, aparece o áudio com a voz de Melo afirmando que precisa desses homens em seu governo. Quem assistiu à sabatina realizada pela emissora sabe que José Melo afirmou que só vai manter esses nomes na cúpula da PM “caso eles sejam inocentados pela Justiça”. Vai demitir Melo disse em alto e bom som que, se for provado que os militares são culpados, ele será o primeiro a demiti-los. Só que essa parte não entrou na edição do programa eleitoral. Ranking político Seguindo critérios que vão desde qualidade legislativa, processos judiciais, filiação partidária, entre outros, o site “Ranking Políticos” realizou um levantamento sobre o desempenho de políticos de todo o país. Dá-lhe, Ramos! Entre 168 avaliados, o candidato ao governo do Estado , Marcelo Ramos (PSB), ficou na 11° posição. Sendo o primeiro no Amazonas.
Ficha limpa Ramos comemorou e enfatizou que informações como essa lhe mostram que está no caminho certo. — Fiquei muito feliz, e com mais certeza ainda que estou fazendo a coisa certa na minha vida política –, disse. Estava na hora CONTEXTO denunciou inúmeras vezes a grave condição do asfalto da pista superior do viaduto Gilberto Mestrinho, na bola do Coroado, Aleixo. Lá, o asfalto parecia uma pista de MotoCross, tantos eram os “mondrongos”. Asfalto de verdade Agora a coluna aplaude a iniciativa da Prefeitura que, neste sábado, entrou com suas máquinas para raspar o asfalto antigo e colocar um novo, tipo “asfalto de verdade”, e não aquele borrachudo.
Só tem um probleminha. A hora escolhida para arrumar o viaduto Gilberto Mestrinho bem que poderia ser outra. Por que não à noite? A prefeitura iniciou seus serviços exatamente às 9h deste sábado fechando a pista superior e provocando um engarrafamento monstruoso. Quem tinha pressa para cruzar o Aleixo no sentido Centro ou Zona Leste, só conseguiu desatar o nó 40 minutos depois.
APLAUSOS
“Danem-se os normais” Na próxima quarta-feira, será lançado em Manaus, na Livraria Saraiva Megastore, do Manauara Shopping, às 19h, a biografia de Sila da Conceição: “Danem-se os normais”.
Ex-batedor de carteira, Sila largou a vida do crime para se tornar um empresário de sucesso no Brasil e nos Estados Unidos. História de vida Pouco antes de 1980, aos 29 anos, largou o mundo do crime e voltou a ser peixeiro no mercado, quando comprou um Fusca para rodar na praça e foi aos poucos erguendo um sólido patrimônio.
Começou a ser erguida, no coração da selva amazônica, uma torre de 330 metros de altura que vai monitorar de forma contínua, por pelo menos 20 anos, as complexas interações entre a atmosfera e a floresta. Calor, água e carbono Repleto de instrumentos científicos de alta tecnologia, o observatório – que será o maior e mais completo do gênero no mundo – medirá com precisão os fluxos amazônicos de calor, água e gás carbônico.
VAIAS
Equipes do Manaustrans
elvis@emtempo.com.br
Um “chá de engarrafamento” de estressar monge tibetano.
Torre na floresta
Hora errada
Elvis
Carros de propaganda eleitoral
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Para a ação do Manaustrans na Semana Nacional do Trânsito. Suas equipes, durante toda a semana, intensificaram a panfletagem nos principais pontos da cidade para orientar os pedestres nas travessias.
Para os carros de propaganda eleitoral que excedem os limites de decibéis permitidos por lei e acabam ferindo o ouvido do eleitor e provocando a poluição sonora. Isso, ao invés de atrair, tira votos.
João Bosco Araújo jbosco@emtempo.com.br
Arrogância ou cinismo Assistia na televisão ao horário gratuito de propaganda eleitoral, quando me apareceu na tela, ao vivo e em cores, a figura da própria presidente da República, candidata à reeleição, que se pôs a deitar falação sobre as qualidades das gestões dela e de Lula, como credenciais para receber os votos dos brasileiros, entre os quais naturalmente se incluiria também o meu próprio, motivo que suscitou em mim a reação materializada no presente artigo. Direito a reivindicar os nossos votos, ela plenamente teria, em função da ética da democracia. Argumentos para tentar o nosso convencimento, também poderiam ser construídos, uma vez que, em oito anos de Lula e mais quatro dela mesma, certamente que, buscando pacientemente, algumas coisas haveriam de encontrar-se para serem apresentadas como meritórias, e aquela seria uma propícia oportunidade para tal. Mas eis que precisamente nessa ocasião o disparate se fez: em lugar, por exemplo, de decantar as “maravilhas” do programa Bolsa Família (apenas sem fazer referência à sua origem no governo FHC), Dilma optou precisamente por realçar a eficiência com que os governos seu e de Lula lograram êxito justamente no combate à corrupção. Não pude deixar de me perguntar sobre quem teria sido o assessor ou o marqueteiro a produzir pronunciamento tão inconveniente. Fosse o meu televisor interativo, não me teria furtado de interferir com um incisivo e popular “menos, Dilma, menos”! Primeiro, lá atrás, quando do primeiro mensalão, Lula começou por alegar que de nada sabia, para depois passar a afirmar que o dito cujo nunca teria ocorrido e não passaria de uma invenção da oposição e da imprensa comprometida com a direita. Agora, precisamente depois dos
casos (seriam “cases”?) da Rose, da Erenice, do doleiro Youssef, do diretor Paulo Roberto, da Petrobrás, delator premiado da compra da refinaria de Passadena, do novo mensalão, agora bancado pela nossa estatal do petróleo, a irrigar os dutos que alimentavam os parlamentares, apenas da base governista (coincidência?) e outros figurões carimbados da comunidade petista e de aliados seus. No novo e atualíssimo teatro da corrupção, coube a Dilma, na condição de agora almirante em chefe da esquadra, repetir a cansada e batida cantilena inaugurada por seu sempre-guru e fazer ecoar o esfarrapado “eu não sabia de nada”, como um desafinado cuco de um velho relógio. Mas, nas sombras e labirintos do poder, tudo é tentado para anular ou pelo menos neutralizar os poderes de uma CPI que venha a investigar os tais malfeitos. Cresci e envelheci orgulhoso de ter uma Petrobras no meu país. Como pertenci ao quadro funcional da Copam, ainda atuei com satisfação por cerca de um ano na estatal, quando a Refinaria Isaac Sabbá foi por ela encampada. Hoje, com tanta sujeira aflorando, chego a me perguntar se ainda posso ao menos confiar na qualidade dos seus produtos. A secretária Meire Poza, que vivenciou a total promiscuidade instalada nas relações entre governo, empreiteiras e outras empresas, foi primeiramente alvo de tentativa de suborno e, depois, de velada ameaça sobre sua filha e sobre si mesma. Reagiu com coragem, até perder a paciência e o controle das palavras, num diálogo gravado. Que Dilma procure ganhar os votos nossos, é direito de candidata. Mas que tenha o respeito de buscar outros méritos do seu governo, que algum haverá de encontrar, mas certamente não será o de paladino da gestão limpa.
João Bosco Araújo, Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
No novo e atualíssimo teatro da corrupção, coube a Dilma, na condição de agora almirante em chefe da esquadra, repetir a cansada e batida cantilena inaugurada por seu sempre-guru e fazer ecoar o esfarrapado ‘eu não sabia de nada’, como um desafinado cuco de um velho relógio”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Calcanhar de Aquiles
O fato de eu apoiar a Marina não quer dizer que eu seja contra, sei lá, o Paulo Betti, que apoia a Dilma. Pelo contrário, somos parceiros, colegas. Esse é o espírito. Esse momento é para isso: vamos baixar a bola, vamos ouvir
O núcleo da campanha de Dilma Rousseff (PT) teme que o mau desempenho no Sudeste comprometa sua reeleição. Hoje, Marina Silva (PSB) venceria na região por 57% a 43% dos votos válidos no segundo turno, uma vantagem de cerca de 7 milhões de votos. Para tentar reduzir o prejuízo, a presidente vai intensificar a presença nos três Estados mais populosos do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Somando o Espírito Santo, o Sudeste concentra 43% do eleitorado brasileiro. Teto baixo Nas simulações de primeiro turno do Datafolha, Dilma não consegue chegar aos 30% das intenções de voto no Sudeste desde abril, quando o candidato do PSB ainda era Eduardo Campos. Nas últimas três pesquisas, estacionou em 28%. Já foi melhor Em 2010, a petista abriu uma frente de de 1,5 milhão de votos sobre José Serra (PSDB) na região Sudeste. Em válidos, o placar do segundo turno foi de 52% a 48% para a petista. Ex-reduto A primeira eleição da presidente foi turbinada por uma vantagem de 11 milhões de votos no Nordeste, onde ela massacrou Serra por 71% a 29%. Agora sua diferença para Marina é mais modesta: 57% a 43%. Plim-plim Depois de esnobar o convite para o “Jornal da Globo”, Dilma parece ter mudado de atitude com a emissora líder de audiência. Ela marcou uma gravação hoje para o “Bom Dia Brasil”. Autoajuda Vice de Aécio Neves (PSDB), Aloysio Nunes usa o próprio exemplo ao sustentar que a chapa ainda pode ir ao
segundo turno: “Sou a prova viva de que viradas de última hora acontecem”. Azarão em 2010, ele foi o senador mais votado de São Paulo. Surrealismo A duas semanas da eleição, o site de Aécio ganhou uma inusitada galeria de arte. A seção inclui obras abstratas, e os quadros têm nomes como “Carnaval em Veneza” e “Noitada”. Sem nocaute O comitê de Marina contabiliza feridas, mas considera que ela conseguiu ficar de pé depois de três semanas sob intensa pancadaria do PT. “É claro que os ataques fizeram efeito. O que importa é que ela resistiu”, afirma o coordenador Walter Feldman. Bilhete na mão O ex-deputado diz não ter medo da recuperação esboçada por Aécio. Para ele, a ex-senadora já está no segundo turno. “Sobra muito pouco tempo. E não me parece que ele tenha mais forças para reagir.” Chimarrão nela O Sul é onde Marina aparece mais frágil, em empate técnico com Aécio. Gaúcho, o vice Beto Albuquerque (PSB) fará uma imersão na re-
gião. Ele visitará os três Estados e organizará um comício com a ex-senadora em Porto Alegre. Eu sozinha A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que também é coordenadora do comitê marineiro, omite o nome do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) em sua propaganda. Márcio França, seu colega de bancada, é vice na chapa do tucano.
Marcos Palmeira, ator, um dos principais entusiastas da campanha da candidata Marina Silva (PSB) à Presidência.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
Gosto amargo Na terçafeira, José Sarney passou com Michel Temer em frente a um comitê do candidato do PCdoB ao governo do Maranhão, Flávio Dino. “Olha só, Michel. Aqui tinha uma foto enorme da Dilma, mas ele tirou quando a Marina subiu. Esse é o candidato que o PT apoia”, disse o ex-presidente. Tal pai... A governadora Roseana Sarney (PMDB) avisou à cúpula do partido que a campanha de Lobão Filho à sua sucessão sofreu abalo após as revelações de Paulo Roberto Costa. O ministro Edison Lobão (Minas e Emergia), pai do candidato, foi citado pelo delator do escândalo de corrupção na Petrobras.
Tiroteio
Se você estiver andando ali pela avenida Brasil, se sentir cansado(a) e quiser dar uma pausa para apreciar a “paisagem”, saiba que vai encontrar uma sala de estar com esse “primoroso” sofá, rodeado de lixo por todos os lados. E se sentir fome, há um fogão próximo à calçada. Se ainda tiver um tempinho, aproveite e dê uma bronca no cidadão ou cidadã que criou esse cenário deprimente.
D. Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Marina chora e conta sua história. Mas se esquece de ler seu programa de governo e corrigir o que prejudica os trabalhadores”
Idoso
CARLOS AUGUSTO GONÇALVES, o “Juruna”, secretário-geral da Força Sindical e aliado de Dilma Rousseff (PT), sobre as propostas de Marina Silva (PSB).
Começa hoje a Semana Estadual do Idoso. A programação é extensa e mostra como esta faixa da população torna-se cada vez mais importante. É um fato que as pessoas estão vivendo mais. Os fatores que possibilitam esta longevidade são muitos e vão desde as condições de higiene até as descobertas farmacêuticas que com novos medicamentos ajudam a prolongar a vida. Mas é preciso que esta vida prolongada seja de qualidade tanto física quanto psíquica e espiritual. Daí a necessidade de políticas públicas na área da saúde, da educação, da moradia, da cultura e do lazer. O contingente crescente de pessoas da terceira idade exige muito mais que boas intenções ou conselhos moralistas, exige uma verdadeira mudança cultural e econômica. O capital e o mercado já descobriram este nicho de consumidores em potencial. Mas também a Igreja. Já faz anos que se organizou a Pastoral da Pessoa Idosa, curiosamente organizada com a mesma metodologia da Pastoral da Criança, baseada na visita domiciliar, ações básicas de saúde com controle simples e efetivo, momentos celebrativos e de lazer procurando com isto qualidade de vida. Pessoalmente, vivo a minha primeira semana do idoso na condição de um deles. Confesso que me surpreendi quando comecei a ser tratado como tal, pagando meia passagem, sendo convidado a entrar na fila dos que têm prioridade e sendo gentilmente convidado por alguém para ocupar um assento. A primeira sensação é a de que o tempo passou rápido demais, e a velhice chegou sem direito a apelos e
Contraponto
O bambu do Chuchu Em outubro do ano passado, o governador paulista Geraldo Alckmin foi ao vale do Ribeira para inaugurar um trecho da SP-252. No início do discurso, lembrou que seu pai o ensinou a plantar bambu para evitar que a “morraria” do sítio da família desmoronasse. Com a ideia fixa na cabeça, o tucano resolveu dar um conselho ao engenheiro responsável pela obra na rodovia, com o objetivo de prevenir desabamentos: — Fica uma dica aí para o departamento de estradas. Além das obras de engenharia, doutor Alfredo, toca o bambu lá, que o bambu segura, não é?
Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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subterfúgios como o de dizer que o espírito continua jovem. Ao mesmo tempo, quando se olha para trás e se faz um balanço não há como deixar de agradecer tudo o que foi vivido, sobretudo às relações humanas que foram sendo tecidas ao longo dos anos e foram transformando simples encontros e acasos em amizades que já duram décadas. O mais difícil é perceber, como Paulo, que trazemos toda esta riqueza de vida em vasos de barro, não tanto no sentido moral, mas como corpo, que se ressente do desgaste natural dos anos que passaram, das noites mal dormidas, dos cuidados não tomados, de alimentação mal feita, de dependências prejudiciais. As visitas aos médicos se multiplicam, o número de pílulas aumenta, e todo mundo tem um conselho a dar, um remédio a ensinar. Sugeremse caminhadas, chás, xaropes, pomadas, nomes de médicos e locais de exames. As pessoas começam a querer ajudar e dizem com toda sinceridade que ainda somos jovens, numa mentira bem intencionada e carinhosa por que todos sabem que não é verdade. A Pastoral da Pessoa Idosa no seu lema faz um pedido, o dom da Sabedoria. Ser sábio não é sinônimo de ser erudito, esperto, um poço de conhecimentos, mas é ter a capacidade de fazer uma leitura da vida com um olhar transcendente que vá além das aparências, para quem crê é ter o olhar de Deus. Gosto de pensar que ser sábio é ter a capacidade de achar graça na vida, a graça de Deus, mas também aquilo que faz rir, nunca perdendo o humor. Neste início de terceira idade, meu desejo é não perder a capacidade de rir, sobretudo de mim mesmo.
Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus
O contingente crescente de pessoas da terceira idade exige muito mais que boas intenções ou conselhos moralistas, exige uma verdadeira mudança cultural e econômica”
Economia
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
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Vieiralves, um conjunto para vender ou alugar
FOTOS: DIEGO JANATÃ
Expansão dos segmentos de comércio e serviços é um dos motivos para tantas placas de “aluga-se” ou “vende-se” na região
Corretores de imóveis pregam faixas na frente dos imóveis para divulgar os pontos que estão disponíveis no conjunto Vieiralves para aluguel com fins residenciais e, na maioria, comerciais EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
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m lugar que um dia foi para morar, principalmente por famílias da classe média e alta, está à venda. O conjunto Vieiralves, localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul, há alguns anos começou a perder o caráter residencial ao abrir espaço para o comércio e agora não é difícil entrar numa rua ou avenida do conjunto e encontrar uma placa de “alugase” ou “vende-se”. Entre os motivos para tantas placas espalhadas pelo conjunto, segundo explica o corretor de imóveis Daniel Rambalducci, é a continuidade da expansão dos setores comercial e de serviços, num ambiente cada vez mais próprio para empreendedores. “É notório que está se tornando extremamente comercial, com uma gama de empreendimentos e escritórios. É um bairro que conheço há mais de 20 anos, e que junto
com o bairro Adrianópolis era uma das localidades mais classe A da cidade”, avalia. Rambalducci explica que muitas famílias deixaram o Vieiralves em busca de apartamentos e conjuntos residenciais fechados que garantissem a elas mais segurança aliada às facilidades. Entre os conceitos procurados por muitos dos ex-moradores, ele aponta os edifícios residenciais com áreas comerciais e de serviços no térreo. “Um conceito criado há dez anos em Nova York, que garante segurança e facilidade. Diferente das antigas casas de 400 a 500 metros quadrados, agora são apartamentos de 20 a 80 metros quadrados, com algumas limitações, mas em compensação têm vários serviços que o cliente precisa”, afirma o corretor. A transformação que sofreu o Vieiralves nos últimos anos tornou a região um dos metros quadrados mais caros de Manaus. De acordo com o corretor de imóveis Rikson Oliveira, o aluguel do metro quadrado na região custa em média de R$ 50 a R$ 70. Para a venda, ele diz que é possível
encontrar terrenos de 300 metros quadrados ao valor de R$ 1 milhão, fora da realidade do mercado de imóveis. Conforme o corretor, o fator preço do metro quadrado, somado ao problema da falta de estacionamento na rua João Valério, uma das principais travessas do conjunto, tem levado empresários a desistir do lugar e se mudar para outros bairros com força comercial, como Cidade Nova, Zona Norte, Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul e Campos Elíseos, Zona Centro-Oeste, por exemplo. Rikson avalia que o nome Vieiralves ainda soa de atraente para aluguel e venda de imóveis, contudo, o custobenefício no conjunto não vale a pena pelo problema de infraestrutura que não acompanhou o crescimento da área comercial. “A localidade precisa de apoio do governo municipal para incentivar, por exemplo, donos de terrenos abandonados a os transformarem em estacionamentos. O Vieiralves ainda é atrativo para o público da classe média e alta. Mas ao chegar ao local e não conseguir estacionar o carro ele vai embora”, observa.
As poucas famílias que resistem
Ponto comercial à venda na rua João Valério, esquina com a Jutaí
A dona de casa Kelly (no centro) com os filhos na rua Rio Mar
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Encontrar casas com famílias morando nelas, no conjunto Vieiralves, é uma missão cada vez mais complicada. A dona de casa Kelly Pimentel de Souza, 35, é uma das últimas moradoras da rua Rio Mar. Casada com Otacigla José Assis da Silva, 42, mãe de três filhos, ela vive no lugar há pouco mais de três anos, e aguarda a hora da mudança, uma vez que a casa está à venda. Kelly afirma que pela vontade do seu marido, a residência não seria vendida. No entanto, a casa é herança dos pais de Otacigla e os seus irmãos querem dar esse fim para repartirem o resultado do negócio. “Ele (marido) mora aqui desde muito jovem, na época que o lugar era apenas residencial. Vez ou outra ele mostra algumas casas abandonadas, e lembra os seus amigos de infância”, conta. O último amigo de infância de Otacigla, segundo Kelly, se mudou para o Rio de Janeiro há quase dos meses. Vizinho da casa do lado direito, ele alugou o espaço para um empresário do ramo de restaurante italiano, que será inaugurado em breve. Kelly contou ainda que, no lado esquerdo, um escritório da Petrobras fazia parte do terreno da família, que há anos foi vendido pelo pai do seu marido. Comércio Com o deslocamento das famílias do conjunto Vieiralves, o corretor Rikson diz que as antigas casas foram demolidas ou reaproveitadas para dar lugar a mini shoppings, lojas, agências bancárias, supermercados, escolas de idiomas, escritórios dos mais diversos serviços, bares e restaurantes.
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Economia FOTOS: DIEGO JANATÃ
LGBT, um mercado que c De olho nos dados que apontam que homossexuais gastam mais que héteros, comércio e serviços se ajustam a eles SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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ferecer produtos e serviços voltados ao público formado por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, mais conhecidos pela sigla LGBT, pode ser um negócio lucrativo. De acordo com dados da consultoria InSearch Tendências e Estudos de Mercado, os homossexuais gastam 30% a mais do que os heterossexuais, revelou pesquisa realizada em 2013. Conhecedores do alto poder de compra dos consumidores homossexuais, em Manaus, empresários investem em espaços que, mesmo não claramente definidos como ambientes gays, conseguem atrair os clientes LGBTs e fazer com que eles sintam-se mais confortáveis, ainda que com a presença da clientela heterossexual. Desde 2012, o Espaço Cultural Maloca Amazônia, flutuante que funciona como restaurante bar e show, na estrada da Praia Dourada, lago do TarumãAçu, bairro Ponta Negra, Zona Oeste, passou a ser visitado com frequência pelos gays. De acordo com o proprietário, Raniery Pinheiro, atualmente quase 60% do público que frequenta o local nos finais de semana é homossexual.
Ele relata que não fez nenhuma mudança específica para receber a alta demanda do público, mas investe no atendimento sem discriminação. Segundo Raniery, pedir opinião sobre o que o cliente acha do espaço, para que melhore ainda mais o atendimento, é o forte dos funcionários. “Esse corpo a corpo é a base para fazê-los voltar mais vezes”, avalia. Economicamente, o empre-
MERCADO
Pesquisas revelam que o mercado é lucrativo, porém, mesmo com gastos em torno de 30% a mais do que os heterossexuais, o público LGBT ainda não tem um mercado consolidado no Amazonas sário confirma o que a pesquisa da consultoria InSearch Tendências e Estudos de Mercado apresenta. Ele conta que um casal heterossexual gasta em média R$ 120, enquanto um casal homossexual desembolsa uma faixa de R$ 220. “O público LGBT é carismático e muito alegre. Não tem a preocupação em gastar muito dinheiro. Eles gostam de se divertir”, observa.
Um dos principais pontos no roteiro de música eletrônica da cidade, o Cabaret Night Club, situado na rua Barroso, no Centro, Zona Sul, é outro lugar favorito do público LGBT. De acordo com o sócio-proprietário da boate, Rui Franco de Sá, em torno de 70% dos frequentadores é homossexual. “Quando inauguramos a casa, pensamos no público hétero, mas com a alta demanda do público LGBT, direcionamos o local para eles também”, conta. Aberto de sexta a sábado e nas véspera de feriados, o Cabaret oferece um lugar confortável para o público, principalmente o LGBT, que curte som agitado como o de house e dance music. O empresário destaca que vários investimentos foram e estão sendo feitos para deixar todos os frequentadores à vontade. A boate conta com quatro pistas de danças, uma delas inclusive foi inaugurada no primeiro semestre deste ano. Para este segundo semestre, Rui anuncia que a novidade é a realização da “Pool Party” (Festa na Piscina). A festa será promovida uma vez por mês e a primeira edição será no próximo sábado, dia 27 de setembro. A inovação, segundo ele, visa atender ao público, em especial o LGBT, que é exigente e gosta de novidades.
Proprietário do flutuante Maloca Amazônia, Raniery Pinheiro, afirma que gays consomem mais
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onquista espaços no AM Maioria tem nível superior rísticos da cidade, tour Encontro das Águas, visita ao Museu do Seringal, jantar no Tropical Hotel, e três saídas noturnas para boates gays, incluso ingresso e traslado. Não estão inclusos no pacote: hospedagem, trecho aéreo até Manaus, bebidas, telefone, lavanderia e demais despesas pessoais, carregadores e gorjetas, seguro de viagem, ingresso na sauna gay e despesas no local. A operadora, conforme Tatiana, é associada à Associação Brasileira de Turismo para Gay, Lésbicas e Simpatizantes (ABRAT-GLS), que incentiva o turismo, lazer e entretenimento dos consumidores desse mercado. Por meio da assessoria de imprensa, a presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Oreni Braga, informou que o Estado ainda realiza estudos sobre este mercado. “Assim como o turismo religioso, o turismo LGBT é um segmento novo, que está começando e a cidade encontra-se em fase de preparação, inclusive com a infraestrutura de serviços que ainda não são direcionados para atender essa demanda”, explica.
A comunidade LGBT representa 60% do público do flutuante Maloca e eles gastam quase 80% a mais que os demais clientes FOTOS: DIVULGAÇÃO
Aproximadamente 18 milhões de brasileiros - 10% da população do país - são homossexuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A consultoria InSearch aponta que 36% são classe A, 47% da B e 16% da C. A pesquisa diz ainda que 57% tem nível superior, 40% médio e 3% ensino fundamental. Este público movimenta por ano no país em média R$ 150 bilhões, cerca de 30% a mais que os héteros. De olho nos números desse mercado consumidor, a agência de turismo Fonte Turismo (Fontur) oferece pacote de turismo exclusivo para o público LGBT. A agência está localizada no Lobby do Tropical Hotel Manaus, Ponta Negra, Zona Oeste. De acordo com a assistente comercial da operadora, Tatiana Semitiel, o pacote com quatro dias e três noites, na capital amazonense, custa R$ 1.950 por pessoa. “O valor é com base num pacote para duas pessoas, com hospedagem em hotel categoria 4”, frisa. O pacote para gays, lésbicas e simpatizantes (GLS) inclui translado de chegada e saída, City tour Noturno pelos principais pontos tu-
O Cabaret Night Club fez adequações para receber a comunidade gay, que hoje representa 70% dos frequentadores da casa
Economia
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Alibaba se torna mais valiosa que o Facebook
GREVE CORREIOS
Dicas ensinam usuários a pagar contas em dia DIVULGAÇÃO
Valor de mercado da marca chinesa chegou a US$ 228,4 bilhões frente aos US$ 200,2 bilhões avaliados da empresa comandada por Marck Zuckerberg
Empresário Jack Ma é o fundador da gigante chinesa de internet Alibaba, que ganhou fama com comércio virtual de produtos
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epois de apenas duas horas oferecendo ações na Bolsa de Nova York, a gigante chinesa Alibaba conseguiu bater o Facebook em valor de mercado. A companhia chegou à marca de US$ 228,4 bilhões (cerca R$ 540,1 bilhões), enquanto a rede social de Mark Zuckerberg ficou avaliada em US$ 200,2 bilhões (R$ 520,7 bilhões) em sua IPO. Antes das ações começarem a ser vendidas, o preço inicial da ação da Alibaba era de US$ 68, mas, como informa o Mashable, a empresa chegou ao valor de US$ 92,70 após alta de 38%. Além do Facebook, a Alibaba ultrapassou também o valor de grandes empresas como o HSBC, Verizon e Toyota. As companhias atingiram valor de mercado de US$ 206,7 bilhões, US$ 205,9 bilhões e US$ 203,6 bilhões, respectivamente. Já o valor da oferta pública inicial ficou em US$ 21, 8
bilhões, ultrapassando Visa (US$ 17,8 bilhões), Facebook (US$ 16 bilhões), General Motors (US$ 15,77 bilhões) e outras empresas. Conhecimento Atualmente, a maioria dos empregos requer um mínimo de conhecimento de tecnologia. Contudo, isso não é o suficiente se você deseja uma boa posição no mercado. É o que pensa Mark Zuckerberg. “Se você quer ter uma chance melhor de conseguir um emprego bom e se você deseja obter um emprego que pague mais, então ser proficiente em tecnologia, sabendo algumas coisas básicas sobre como usar computadores, usar programação básica, mesmo que isso não seja seu trabalho principal, vai ser realmente fundamental para ter um monte de opções e fazer o que quiser no futuro”, afirma o CEO do Facebook, em visita a um colégio da Califórnia.
Apple e U2 contra a pirataria Dentro de um ano e meio, a Apple deve lançar um novo projeto que tem por objetivo voltar a incentivar pessoas a comprarem músicas, hábito que tem diminuído ao longo dos anos com a facilidade da pirataria e serviços de streaming legais e ilegais. A empresa estaria desenvolvendo este novo formato de música digital em parceria com o U2. O vocalista Bono revela que o novo formato de música é interativo e impossível de ser pirateado, mas mantém o mistério sobre o que vem pela frente. “Eu acho que será muito empolgante para a indústria musical”, afirma o vocalista.
A jornalista Catherine Mayer diz que Bono afirma que o novo formato será “tão irresistivelmente empolgante para os fãs da música que irá seduzi-los a voltar a comprar músicas, seja álbuns completos, seja faixas individuais”. Resta saber se a Apple e o U2 conseguirão acabar com a pirataria com o novo formato, ou se será um tiro n’água, como foi o lançamento do álbum Songs of Innocence. O disco, oferecido gratuitamente pela Apple aos usuários do iOS, gerou insatisfação a ponto de a Apple ter que publicar ferramenta para removê-lo do iPad, iPhone ou iPod.
A greve dos funcionários dos Correios que está em andamento em alguns Estados pode atrasar a entrega das contas a pagar. A Proteste Associação de Consumidores alerta que, para evitar a cobrança de encargos moratórios ou a suspensão na prestação de serviços, os consumidores precisam ficar atentos com a data de pagamento. Se a data estiver próxima e o boleto não chegar a tempo, o cliente deve entrar em contato com a empresa credora. Deve ser negociado outro meio para fazer o pagamento . Se não disponibilizar essas formas alternativas para pagar, a empresa deve prorrogar o vencimento da conta. A Proteste lembra que o não recebimento da conta na data não isenta da cobrança de multa se o pagamento for feito fora do prazo, pois a greve não é culpa da empresa. Não se deve esperar o vencimento do boleto e, depois, justifi-
car a falta de pagamento com base na greve. Somente se a empresa credora não disponibilizar outra forma de pagamento e o consumidor receber a conta com a cobrança de encargos, os valores poderão ser questionados. Com relação aos serviços contratados diretamente nos Correios (por exemplo, envio de Sedex), se houver atraso na entrega, o consumidor tem o direito de pleitear ressarcimento por eventuais prejuízos sofridos. É recomendável verificar andamento da entrega pelo site dos Correios. Caso seja prejudicado, o consumidor deve reclamar nas entidades de defesa do consumidor. Pode recorrer ao Juizado Especial Cível para pedir indenização, para ressarcimento de prejuízo moral ou financeiro. Quem precisa enviar encomendas ou correspondência com urgência deve procurar por serviços alternativos de entregas. DIEGO JANATÃ
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Funcionários dos Correios ameaçam fazer greve no AM
Valney Ferreira valney@emtempo.com.br
A importância do Endomarketing De início, podemos afirmar que a palavra Endomarketing, criada e patenteada por Saul Bekin, significa nada além do que ações de marketing para os colaboradores de uma empresa. Sabemos que os seres humanos são movidos por motivação, assim como sabemos também que este é um fenômeno interno, e que a motivação depende de ações externas. Empresas de quaisquer segmentos dependem de resultados de produtividade diretamente relacionados ao seu setor comercial, que é responsável por gerar negócios, e este setor, como qualquer outro, é formado por pessoas que dependem dessa motivação para executar um bom trabalho. Na atualidade, em que nos encontramos na Era do Conhecimento, em que as pessoas são medidas pelo que sabem, estas não são mais tidas como força de trabalho e sim como potencial de vendas. Para que uma empresa possa ter alta produtividade, faz-se necessária a presença de pessoas com tal potencial que pode ser incentivado por um bom Endomarketing, que por sua falta gera o aumento de um dos maiores problemas das empresas, o aumento do índice de troca de funcionários, que gera um grande desperdício de energia e dinheiro em encargos sociais, treinamento de novos colaboradores, entre outros. De acordo com uma pesquisa de motivos que levam as pessoas a mudarem de emprego, realizada em maio deste ano de 2014, com 800 entrevistados com menos de 10 anos de empresa, mostrou o seguinte resultado: possibilidade de crescimento
– motivo de 22% das pessoas; desejo de trabalhar em uma empresa de maior porte – motivo de 18%; salário incompatível com o mercado – motivo de 17%; salário incompatível com as necessidades – motivo de 14%; necessidade de mais benefícios – motivo de 12%; desejo de mudar de setor/função – motivo de 10%; desejo de trabalhar em uma empresa de outro segmento – motivo de 6%; desejo de trabalhar em uma empresa de menos porte – motivo de 1% das pessoas. O ritmo do crescimento econômico mundial é proporcional ao crescimento nas tecnologias de transportes e comunicação. Esse crescimento foi gerado pela globalização dos negócios que induziu a transformação dos mercados, aumentando assim o interesse no aumento de investimentos em serviços. Há mais de 50 anos, o Marketing foi descoberto e serviu de ferramenta para aumentar e transformar o mercado mundial, principalmente nos negócios do setor industrial. Dentro dessa visão, o crescimento é facilmente observado no Endomarketing e no setor de serviços. Podemos prever a importância do Endomarketing nesse cenário mercadológico, e principalmente nas empresas que conseguirem enxergar e aderir esta ferramenta tão importante para o seu destacamento nesse mercado competitivo. Hoje podemos ver o futuro com mais otimismo, pois é visível a percepção das empresas que estão aderindo ao Endomarketing, melhorando assim sua produtividade e competitividade.
Valney Ferreira Executivo de Vendas do EM TEMPO
Para que uma empresa possa ter alta produtividade, faz-se necessária a presença de pessoas com tal potencial que pode ser incentivado por um bom Endomarketing”
País
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Primavera dos Museus tem início no Brasil
PAPANICOLAU
Rede de exames é ampliada PROTÁSIO DE MORAIS/SECOM MT
A partir de amanhã, mais de 760 instituições espalhadas pelo país estarão oferecendo várias atividades ao público
Museu de Arte Sacra, em Mato Grosso, terá seis exposições durante o evento nacional
A
partir desta segundafeira (22) até o próximo domingo (28), será realizada a 8ª Primavera dos Museus com o tema Museus Criativos. A ideia é retomar a discussão sobre os desafios da atuação interdisciplinar dos museus, para sua efetiva comunicação com as comunidades em que estão inseridos. Neste ano, a programação contará com a participação de 761 instituições, entre museus e outras entidades culturais. Foram cadastradas 2.436 atividades no total de inscrições, cujo desenvolvimento será de responsabilidade das
instituições. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) está divulgando em seu site um guia com toda a programação nacional, que traz atividades como exposições, seminários, oficinas, exibições de música, teatro, dança e cinema, além de outras atrações. O tema da criatividade nos museus brasileiros terá continuidade durante o 6º Fórum Nacional de Museus, em novembro. Pelo oitavo ano consecutivo, renova-se o evento, que cumpre, no segundo semestre, o papel desempenhado em maio pela Semana Nacional de Museus.
Ao propor o conceito de “museu criativo”, o Instituto Brasileiro de Museus o elege como o principal estímulo à manutenção e ao desenvolvimento de cada museu, na exploração de sua capacidade de inovar-se, modernizar a gestão, diversificar iniciativas, ampliar a presença no território em que se acha inserido e atrair público. Em caso de dúvidas ou outras questões relativas à edição 2014 da Primavera dos Museus, os interessados podem enviar e-mail para o primavera@museus. gov.br ou fazer contato pelos telefones (61) 3521 4135/4122/4214.
O Ministério da Saúde habilitou 596 laboratórios de 20 Estados para exames de detecção do câncer de colo do útero. Os laboratórios habilitados terão de seguir nove indicadores de qualidade, como tempo médio de liberação dos exames, que não deve passar de 30 dias, a partir da entrada do material. Em todos os anos, deverão ser consolidados relatórios nacionais com os resultados do programa. O investimento previsto para melhorar esse tipo de serviço é estimado em R$ 19 milhões. O ministério informou que vai acompanhar, detectar, reduzir e corrigir as deficiências do processo de produção nos laboratórios, aperfeiçoando os procedimentos e minimizando a ocorrência de erros no diagnóstico da doença. De acordo com a pasta da Saúde, os laboratórios participantes do programa também terão incentivos de custeio dos exames – 10% a mais no valor dos testes feitos na faixa etária prioritária, 5% nos que estão fora dessa faixa e 30% na reavaliação das lâminas.
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JARDIM BOTÂNICO
Área destruída por incêndio em Brasília não foi avaliada Ainda não se sabe o tamanho da área atingida no incêndio de grande proporção que atingiu a reserva ecológica do Jardim Botânico de Brasília. Conforme o Corpo de Bombeiros e a Brigada do Jardim Botânico, o incêndio começou na manhã de quinta-feira (18), por volta das 10h30 e foram necessárias mais de dez horas para apagar o fogo. Este pode ter sido ser o maior incêndio do ano no Distrito Federal. A área atingida pelo incêndio fica a poucos quilômetros do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek.
A reserva ecológica do Jardim Botânico de Brasília, localizada no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, tem 4,5 mil hectares (um hectare corresponde aproximadamente à área de um campo de futebol oficial) de reserva ecológica. A área é destinada a pesquisas e à preservação do Cerrado. A reserva abriga mananciais que abastecem 25% de toda a região do Lago Sul, incluindo o Lago Paranoá, além de animais como macacos, lagartos, cobras, tamanduás e aves, entre outros.
UFSCAR
Uso do ‘nome social’ para travestis é aprovado Alunos e funcionários travestis e transexuais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) já podem ser chamados pelo nome social - aquele adotado pela pessoa e que não consta em seus documentos oficiais. A medida foi tomada durante reunião do Conselho Universitário no final do mês de agosto. Na prática, todos que sejam ligados à universidade, mesmo que de forma temporária, terão seu nome social na lista de presença, documentos da instituição e serão tratados dessa forma por professores e colegas.
A medida se aplica a todos os campi - São Carlos, Araras, Baueri e Sorocaba. O vice-reitor e membro do conselho, Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, disse que a medida foi levada à discussão após pedido feito por um aluno. “Pedimos apoio da nossa Procuradoria para avaliar a normatização.” Segundo ele, o estudo levou menos de dois meses. “A UFSCar tem a tradição de trabalhar com as diferenças.” Ainda não há registros de quantas pessoas têm interesse em usar o nome social.
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País
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Treinamento combate e previne o trabalho escravo Promovido pela Contag e a OIT, palestras realizadas em Brasília são voltadas para trabalhadores rurais de todo o país
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epresentantes de trabalhadores rurais de todo o país estão sendo treinados em Brasília para atuarem na prevenção e no combate ao trabalho escravo em seus Estados. As palestras são oferecidas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O objetivo do encontro é intensificar a participação dos trabalhadores para prevenir e detectar situações análogas à escravidão. Para a OIT, o trabalho escravo está generalizado no mundo. O órgão estima que o total de vítimas do trabalho forçado em todo o planeta chega 20 milhões de pessoas. Andrea Araújo, do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da OIT, diz, no entanto, que o Brasil
MPT/PARÁ
é referência mundial no combate às situações análogas à escravidão no trabalho. “O Brasil tem toda uma política nacional que conseguiu, desde 1995, reduzir os números do trabalho escravo”, disse. Para Andrea, o país precisa, agora, focar em trabalhos de prevenção e apoio aos trabalhadores resgatados. “É um tripé: fomentar a prevenção, estimular a denúncia e aumentar a assistência aos trabalhadores vítimas da prática. As pessoas que estão aqui hoje têm papel chave em levar essa mensagem para as comunidades”. Segundo a Contag, entre 1995 e maio de 2014, mais de 45 mil trabalhadores vítimas de trabalho escravo foram libertados no Brasil. De acordo com o órgão, foram feitas 1.587 operações de fiscalização no período.
Há menos de duas semanas, 31 pessoas foram resgatadas em uma carvoaria no Pará, onde é grande a ocorrência de casos
Pará lidera casos de resgates Um dos Estados com maior número de trabalhadores resgatados, segundo a Contag, é o Pará. O trabalhador rural da cidade paraense de Castanhal, Valberto Maia, diz que a prevenção, com ações educativas nas comunidades, é a principal forma de combate ao trabalho escravo. “Quando alguém está com seus direitos trabalhistas cerceados, tem que denunciar, não pode esperar ser maltratado para procurar a Justiça ou os sindicatos”. Carvoeiros No último dia 10, um grupo de 31 trabalhadores que
atuavam na produção de carvão, na região de Rodom do Pará - a 150 qiulômetros de Marabá -, foram resgatados pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, integrado pelo Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público Federal e Polícia Rodoviária Federal. No local, foi identificado que os trabalhadores viviam em condições insalubres, não tinham carteira assinada e os demais direitos trabalhistas eram desrespeitados. Os responsáveis pelo local foram submetidos às sanções previstas em lei.
NA CÂMARA MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL
Código de Trânsito não trata do tema, segundo o parlamentar
Proposta proíbe cobrança de taxa de inspeção veicular A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei (PL) nº 7373/2014, do deputado Augusto Coutinho (SDD-PE), que proíbe cobrança de taxa para inspeção veicular. O deputado argumenta que o Código de Trânsito (lei 9.503/1997) não trata do assunto, deixando Estados e municípios livres para optarem pela cobrança ou não do tributo. Em São Paulo, por exemplo, os proprietários já tiveram de pagar R$ 47,44 como taxa para inspeção. O pagamento foi posteriormente revogado e
os motoristas tiveram direito ao reembolso do valor. Os veículos reprovados na inspeção e aqueles emplacados fora da cidade de São Paulo, no entanto, continuam sujeitos à taxa. “Há relatos que em alguns municípios o cidadão pode pagar até duas taxas no exíguo prazo de 30 dias”, afirma Coutinho. A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Viação e Transportes; Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania.
Mundo A11
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O parlamento regional da Catalunha aprovou na última sexta-feira uma lei que deve servir como marco legal para convocar a consulta independentista prevista nesta região para 9 de novembro, apesar da oposição de Madri. O presidente nacionalista Artur Mas deve convocar em breve a consulta ao amparo desta lei que, com 106 votos a favor e 28 contra, autoriza o governo regional a organizar consultas populares não vinculantes “no âmbito de suas competências”. Para Mas, o exemplo do referendo da Escócia é o “único caminho” que há para “resolver conflitos”, porque segundo sua opinião, “votar une e não separa”. “O processo catalão segue adiante”, afirma Mas. “Se alguém podia ter alguma ilusão de que a vitória do ‘não’ na Escócia iria projetar uma sombra sobre o projeto catalão, vai se decepcionar”, ressalta. Ele acrescenta também que o exemplo escocês evidenciou que “quando se deixa votar também se pode ganhar”, mas que “deve-se ganhar democraticamente”, e que a cada dia que passa é maior o “erro de tentar bloquear um processo político só pela arquitetura legal e pelas leis”, quando o “conflito é político”.
Obama lança campanha contra violência sexual O presidente americano, Barack Obama, lançou na sexta-feira (19) uma campanha contra a violência sexual nos campi universitários do país e denunciou a “tolerância silenciosa” que a cerca. “Acreditamos que uma mulher a cada cinco tenha sido sexualmente agredida durante sua passagem pela universidade. Do total, apenas 12% das agressões foram denunciadas”, ressaltou Obama ao anunciar o lançamento de uma campanha chamada “Depende de nós” (“It’s on us”). “Depende de nós rejeitar a tolerância silenciosa em relação às agressões sexuais e nos negarmos
Entidade faz apelo devido a um ataque contra equipe que atuava nas comunidades alertando sobre os riscos do vírus
a aceitar o que é inaceitável”, ressaltou. A Casa Branca criou em janeiro uma força de trabalho especial para proteger melhor as jovens em campi universitários dos Estados Unidos. Obama, pai de duas jovens de 13 e 16 anos, disse que as mulheres não são os únicos objetivos desses ataques e acrescentou que a luta para proteger as vítimas é uma responsabilidade coletiva. “Embora esses ataques ocorram principalmente contra as mulheres, sabemos que os homens também são atacados. Também há homens violentados e fala-se ainda menos disso”, afirmou.
EC/ECHO
Região aprova referendo
OMS pede manutenção de esforços contra ebola
NAS UNIVERSIDADES
Equipe de sensibilização foi morta na Guiné, agravando os esforços para combater a doença
PETESOUZA/TWH
CATALUNHA
Para Obama, todos devem combater os ataques sexuais
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Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu, neste final de semana, que sejam mantidos os esforços para conter a epidemia de ebola na África, após a morte de oito pessoas na Guiné-Conacri, que ensinavam a população a prevenir a doença. “Essas mortes devem ser investigadas, mas não devem impedir o diálogo com as comunidades. Devemos continuar a explicar-lhes o nosso trabalho e demonstrar empatia pelas vítimas, suas famílias e a comunidade”, disse o médico Pierre Formenty, especialista da OMS para o ebola. “De outro modo, não será possível que nos escutem e
não se poderá controlar o surto”, adiantou Formenty, que voltou a Genebra após um mês de trabalho na Libéria para deter a propagação do vírus. O ataque contra a equipe de sensibilização – que incluía pessoal de saúde e jornalistas, cujos corpos foram encontrados na quinta-feira (18) – ocorreu em uma aldeia próxima da localidade de Nzerekore, no sudeste da Guiné-Conacri, onde foi identificado pela primeira vez, em março, o atual surto de ebola. “As populações das zonas rurais sofrem muito e não confiam nos governos”, lembrou o especialista, adiantando que o incidente “mostra a complexidade” para conter a epidemia.
Os elementos da equipe foram “mortos friamente pelos aldeões de Womé”, disse o porta-voz do governo Albert Damantang Camara. O tenente Richard Haba, da Polícia Militar local, disse que os habitantes da aldeia “suspeitavam que os membros da equipe de sensibilização vinham matá-los, porque, segundo eles, o ebola é uma invenção dos brancos para matar os negros”. A febre hemorrágica já causou 2.630 mortos em 5.357 casos registrados na África Ocidental, segundo o último balanço da OMS. Na Guiné-Conacri, foram registradas 601 mortes em 942 casos.
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MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Caderno B
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
IONE MORENO
Casamento homoafetivo foi histórico Dia a dia C4
Falta de representação incomoda comunidade
DIEGO JANATÃ
Lideranças reclamam de falta de compromisso com gays e da falta de políticas públicas que minimizem preconceitos sociais
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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a última terça-feira (16), 12 casais de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBTTT) disseram sim, no primeiro casamento coletivo na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB/AM). Representantes da categoria vêem no ato um importante passo no reconhecimento da família homoafetiva e no cumprimento de diretos, contudo apontam que ainda há muito a avançar na conquista de direitos à cidadania e requerem uma representação mais efetiva dos três poderes. Desde 2001, o Supremo Tribunal Federal (STF) garante o direito à união estável entre pessoas que se reconhecem como LGBT, com as mesmas regras e consequências da união estável heteroafetiva. O casamento pode ser feito em qualquer cartório de registro civil, em caso de resistência do órgão ele poderá sofrer punições. Para o presidente da Aliança Amazonense LGBT, Eudoxio dos Santos, o preconceito ainda interfere no cumprimento dos direitos conquistados pela categoria. “Só queremos nosso espaço para ir e vir. Hoje ainda convivemos com discriminação dentro de casa, dentro das universidades, dentro do trabalho, dentro da religião, em todo lugar. Nascemos assim, não escolhemos ser assim. Nasci gay como o canhoto nasceu canhoto. As pessoas não entendem”, salientou. Em muitos casos, a discriminação acaba incitando a violência, que ocasiona os crimes. No ano passado foram registradas, em todo o país, 314 mortes
de homossexuais. Destes, 28 aconteceram no Amazonas. Contudo, de acordo com Eudóxio, nem todos os assassinatos têm a ver com homofobia, porém, cerca de 80% dos casos reportados foram com pessoas vítimas de homofobia. Ele explicou que as estatísticas não refletem a realidade. “Muitas vezes os pais ou familiares ‘engavetam’ a opção sexual na hora de fazer o registro de óbito. A família fica com medo de dizer a causa da morte. Isso prejudica a formulação dos dados do boletim homofóbico”, disse. O presidente apontou que as
MORTES
No ano passado foram registradas no país 314 mortes de homossexuais, destas 28 ocorreram no Amazonas. Os números, porém, não correspondem aos números de violência ocorridos no Estado lideranças do interior do Estado reportam com frequência casos de homofobia que chegam a levar à morte. “Dentro da capital, a sociedade tem mais se socializado com a questão LGBT, mas no interior é muito difícil. O LGBT vive no armário com medo de se expor. Já houve casos de ser apedrejado até a morte”, ressaltou. Órfãos de representação Para Eudóxio, apesar dos avanços com a construção de uma política que tem dado mais visibilidade a esta parcela da população, há aproximadamente 10 anos, há muito no que avançar na questão da representatividade. Prova
disso é que os candidatos deste processo eleitoral não buscaram a aliança para ouvir reivindicações e pensar em políticas que possam compor os programas de governo. “Buscamos um candidato a governo para mostrar nossas necessidades, onde estamos sofrendo, mas fomos atendidos somente pela assessoria dele. Nenhum político nos procurou”, afirmou. A situação também foi questionada pela presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT (Apol-LGBT), Bruna La Close. “Tivemos vários avanços com a Secretaria de Justiça, no departamento de Direitos Humanos que atende a nossa causa, mas percebemos que não há um convite para um gay conduzir uma secretaria, dar espaço à comunidade que detém grande numero de votos. Vemos hoje muitos políticos que se apresentam como ‘nossos amigos’, que não são preconceituosos, mas o caminhar lado a lado e a formulação de projetos específicos não tem”, reclamou. Para ela seria importante criar uma secretaria específica para o público LGBT, liderada por um representante. “Nós que sabemos das nossas especificidades, das nossas dificuldades, do que queremos. Seria importante dar uma voz para a comunidade”, sugeriu. Em busca de uma representação mais incisiva, Eudóxio apontou a possibilidade do grupo estimular a candidatura de um LGBT para as próximas eleições. “Isso faz com que se chegue à conclusão de que a gente precisa de um LGBT dentro da Assembleia, das câmaras municipal e federal. Hoje a gente elege o candidato que na hora diz que vai atender nossas necessidades mas quando chega lá não o faz”, lamentou.
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EMTEMPO
Se na capital do Amazonas ainda há muito preconceito em relação às pessoas de grupos LGBTTT, no interior do Estado, dizem as lideranças, os tabus são ainda mais difíceis de serem quebrados
Apesar das dificuldades em vários âmbitos sociais, comunidade se caracteriza pela alegria
Políticos impõem barreiras Para Bruna, se por um lado a comunidade acumula algumas vitórias, por outro tem perdido espaço dentro das casas legislativas. “Esta legislatura da CMM é pautada pelos evangélicos. Para entrarmos lá é uma complicação horrível. Por isso o movimento se afastou, porque há hoje em dia uma barreira da bancada evangélica que discrimina a comunidade LGBT”, defendeu. Ela apontou que assim como o LGBT, garotos e garotas de programa e povos de terreiro sofrem discriminação. “São pessoas que votam, que têm família, mas que não conseguem passar pela barreira da bancada evan-
gélica. O que falta são os nossos governantes olharem mais para a população LGBT. Até hoje a associação da prostitutas
IMPEDIMENTO
Representações reclamam que melhorias para a categoria esbarram no radicalismo de dogmas religiosos, especialmente oriundos da bancada evangélica das casas legislativas
não se tornou utilidade pública. Por isso nossa parada deste ano será pautada no voto consciente”, adiantou.
Mercado de trabalho de difícil acesso O preconceito é grande ainda dentro do próprio ambiente de trabalho. Bruna La Close comentou que o preconceito é inversamente proporcional às possibilidades de emprego oferecidas aos travestis. “Se o travesti não tiver a sua própria empresa, seja um salão ou restaurante, é difícil sobreviver. A empresa só emprega o gay não declarado. As lojas só contratam travestis para emprego temporário, em tempo de Carnaval, Natal e Ano Novo para animar as lojas”, denunciou.
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Dia a dia FOTOS: IONE MORENO
Vitórias tímidas e lut Se por um lado integrantes do Fórum LGBT comemoram a realização do primeiro casamento gay do Norte e da existência do BO, por meio da SSP, diverso quanto à orientação sexual, ainda é preciso avançar muito na busca de igualdades e direitos IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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Lideranças cobram mais políticas públicas que atendam as necessidades de pessoas que se denominam parte do grupo LGTB
casamento e a utilização do nome social das travestis, inclusive dentro das escolas, foram conquistas pontuadas pela presidente do Fórum de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis do Amazonas (LGBTAM), Sebastiana Silva. A adoção do nome social nas instituições de ensino com inclusão dentro dos diários escolares - acatado pelo Conselho Estadual de Educação - foi uma importante ferramenta no combate à evasão escolar. “Isso é positivo porque incentiva a estar na escola. Muitos são discriminados por causa do nome. Se chama o nome social dentro de sala, inibe a violência e o bullying que muitos colegas e até mesmo profissionais da educação fazem dentro da escola”, ressaltou Silva. Ela também ressaltou a modificação no sistema do registro do Boletim de Ocorrência (BO), feita em parceria com a Secretaria de Estado de Se-
gurança Pública do Amazonas (SSP-AM), que considera uma ferramenta importante para combater a violência. “No sistema abre-se uma janela que vai falar sobre as três orientações sexuais (hétero, homo e bi) e identidade de gêneros (lésbicas, gays, bi travestis e transexuais)”, explicou. Silva salientou que o casamento homoafetivo consolida a conquista dos direitos da comunidade LGBT. “Mostra para a sociedade amazonense que nós não somos pervertidos. Somos cidadãs que pagam impostos, ajudam no crescimento da sociedade e queremos nossos direitos constitucionais garantidos. Não queremos privilégios. O casamento sela isso. Nossa maior alegria foi ver os familiares dos casais emocionados pela realização de um sonho, porque até 2011 não poderíamos casar se não fosse com o reconhecimento do Conselho Nacional de Justiça”, ressaltou. Segundo ela, o poder judiciário tem se mostrado acessível e justo ao reconhecer a cida-
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ta árdua por direitos dania da poCASAMENTO pulação LGBT. GAY DO NORTE Todavia seria importante a sensibilização por todos os poderes constituídos. “O Legislativo ainda precisa caminhar, melhorar o diálogo com o movimento social e com a sociedade civil organizada, para que juntos possamos encontrar mecanismos e implementar políticas. E o Executivo no mesmo caminho. Hoje sabemos que o governo federal tem programas, mas o estadual ainda precisa avançar na implementação de políticas para a população LGBT”, afirmou. Ela defende a necessidade dos governos em oferecer ferramentas e mecanismos para inibir a violência contra a população. “O Legislativo ainda tem poucas discussões dessa pauta, principalmente devido a alguns pseudo-religiosos terem um discurso raso sobre o que é a homossexualidade e a diversidade sexual”, opinou. Por isto, uma das bandeiras do grupo é a criação de leis que venham inibir a violência contra a comunidade LGBT pela orientação sexual. “Minha avó cabocla ribeirinha, soldada da borracha me dizia ‘minha filha, cultura vem de berço, educação se adquire e humildade é uma virtude que não é para todos’. E isso se percebe na luta. Se tenho a cultura do respeito, da fraternidade e do amor, vou
respeitar meu próximo. À educação todos nós temos direito constituído e humildade não é ser submisso à vontade das outras pessoas, é saber chegar, tocar o coração e falar olho no olho, respeitando o que ela é”, finalizou. Movimentos Sebastiana explicou que a partir de 2003 o governo chamou todos os movimentos sociais, entre eles o LGBT, para discutir sobre as necessidades da categoria. “Nós tivemos muitos avanços a partir do 11� Encontro Brasileiro LGBT que foi realizado aqui no Amazonas e criou o programa nacional Brasil sem Homofobia. Em outros Estados foi implementado com sucesso, no Amazonas a gente não conseguiu implementar. Por isso que dizemos que esta efetivação da política pública tem que passar pelo crivo do Legislativo e do Executivo para que possam, de fato, implementá-la”, ressaltou. Nos anos seguintes foram lançados o programa nacional de saúde integral da população LGBT e de políticas públicas, em seguida o Disk 100 e o Conselho Nacional de Discriminação. “A nível local tivemos avanços com este governo, que realizou ações pertinentes para que a gente desperte na sociedade amazonense ‘um olhar diferenciado’ para esta população LGBT”, disse.
Olhar diferenciado sobre as causas e particularidades dos grupos LGBT são questões que causam insatisfação aos representantes
Corrente ‘estranha’ disseminada de votar dia 5 de outubro. Repasse esta mensagem ao máximo de irmãos possível para que saibam da verdade. Que Deus te abençoe!”. A presidente do Fórum, Sebastiana Silva, defendeu que a política no Brasil deve ser inclusiva e independente. “O que nós queremos dos candidatos deste pleito é que respeitem a especificidade do movimento LGBT. Que dialoguem para que possam executar políticas afirmativas também para esta população que também vota, paga impostos. Por que os direitos vão ser negados se candidato A ou B ganhar?”, questionou. Ela defendeu ainda que
os governos municipal e estadual não deleguem privilégios, mas que executem aquilo que está na Constituição Federal. “Entendemos que a Comissão da Diversidade Sexual do Amazonas da OAB-AM, em parceira com o movimento LGBT, realiza aquilo que gostaríamos que o Brasil adotasse. Vivemos num país democrático de direito, onde nós também temos este direito. O governo municipal, estadual e OAB agiram de acordo com a Constituição, de forma imparcial e independente de credo religioso. O Estado é laico, democrático e tem a Constituição que nos garante estes direitos”, finalizou. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Durante o casamento homoafetivo no Estado do Rio Grande do Sul, um cartório foi incendiado na última semana. Em Manaus, 12 casais firmaram os laços sem sofrer qualquer agressão parecida. Contudo, começou a ser divulgado nas redes sociais uma corrente que “culpa” os representantes do Executivo pela ação. A nota diz: “Infelizmente, hoje com o consentimento do prefeito Artur Neto e o governador José Melo, aconteceu, pela primeira vez na história do Amazonas, o primeiro casamento coletivo gay, o 4º do país. Portanto, pense melhor a respeito de quem serão seus representantes na hora
Mensagem está circulando via whatsapp pelos celulares de diversos moradores do Estado
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Dia a dia
CASAMENTO GAY SOB FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
Ordem dos advogados do Amazonas realiza o primeiro casamento coletivo homoafetivo da Região Norte e o 4º do Brasil. Casais homossexuais avaliam que este é apenas o primeiro passo para acabar com o tabu contra a comunidade LGBT
Juntos há 12 anos, Sidclay do Vale e José Simões se emocionaram na hora do “sim” e, entre lágrimas, selam a união com o beijo gay MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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1 6 CASAMENTO dias GAY DO NORTE d a s eleições gerais, nenhum candidato ousa apoiar, publicamente, o casamento gay, com medo de perder os votos dos evangélicos e de parcelas mais conservadoras da sociedade. Isso pode ser uma atitude pouco inteligente. Projeções publicadas pela mídia apontam que 10% da população seria homossexual, o que corresponderia a mais de 20 milhões de brasileiros. É um camburão de votos que não se pode jogar fora. Diante da evidência dos fatos, uma pergunta vem à tona numa rápida leitura da situação: com um número tão expressivo de potenciais eleitores e de cidadãos em busca de mais direitos, por que os candidatos resistem à causa? Alguns tentam explicar que o casamento entre iguais não faz parte das leis de Deus. Outros fogem do debate, desconversando que se trata de “uma questão de criação”. No entanto, a maior parte age dessa forma por puro preconceito, embora tente disfarçar que “não se trata disso” . Pouco se lixando para o que os conservadores vão dizer, instituições que sempre estiveram ao lado das lutas democráticas começam a engrossar o coro para que o casamento homoafetivo derrube as barreiras e passe a fazer parte do cotidiano da vida brasileira. É o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do Amazonas que, na terçafeira, 16, realizou o primeiro casamento homoafetivo da Região Norte e o 3º do país, dando um tapa com luva de pelica na cara de alguns cartórios que se recusam a cumprir a determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Alheio ao debate político que cerca o tema, 12 casais gays capricharam no visual, compraram alianças de tucumã com detalhes em prata, ouviram atentamente as palavras da juíza de paz Simone Minelli Teixeira, que pacientemente explicou os cinco princípios que norteiam a relação a dois: — Somos nós mesmos, com a nossa intolerância, egoísmo e má vontade que acabamos com a relação. Às vezes, apontamos os defeitos do companheiro, mas não olhamos para dentro de nós mesmos. Ninguém consegue mudar ninguém. Amem por inteiro, inclusive com os defeitos – aconselhou a Dra.Minelli. A emoção de alguns casais na hora do “sim” fez com que a juíza de paz pronunciasse baixinho o juramento matrimonial, que é repetido pelos nubentes: — Eu, Gênesis da Silva Ctrisótomo, te recebo, Felipe, como meu legítimo esposo, prometendo amar-te e respeitar-te na saúde e na doença por todos os dias de nossas vidas – jura o industriário Gênesis da Silva para Felipe da Cunha Araújo. A cada novo “sim”, a torcida do auditório – cera de 400 pessoas – explode de alegria entre gritos, assovios e aplausos. A ideia da OAB/AM de realizar o casamento gay coletivo surgiu após a grande procura de casais homossexuais que, por orientação da Ordem, passaram a buscar os direitos de família e questionar as dificuldades que enfrentam em casos de partilha de bens. O presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Neto, diz que a ideia do casamento entre pessoas do mesmo sexo é assegurar o que é justo para qualquer pessoa, independente da orientação sexual. — A proposta é legitimar a união dos casais homoafetivos, que têm os mesmos direitos dos heterossexuais perante a legislação – defende o advogado.
Genesis Cristóstomo e Felipe Araújo: “o preconceito existe, mas sabemos lidar com isso. Temos o apoio da família”
‘O tabu começou a cair’, diz Sidclay, que casou com Simões Foi o dia mais feliz do personal Sidclay do Vale, 39, que disse sim ao seu companheiro de 12 anos, o administrador de empresas José Simões, 37. No dia do casamento, exibindo um impecável smoking com gravata borboleta, Sidclay se emocionou várias vezes e, na hora em que recebeu a aliança de tucumã e prata acabou chorando. Em meio às lágrimas, o beijo na boca, que até a algum tempo era considerado uma coisa “anormal” Sidclay do Vale enxuga as “lágrimas de alegria” e segura a mão do companheiro. Para ele, o casamento bancado pela OAB é uma forma de derrubar barreiras contra o preconceito. — O preconceito está nas atitudes das pessoas. Ainda enfrentamos muito isso no nosso dia a dia, mas um dia isso vai acabar. Esse casamento é um marco nas nossas vidas para quebrar o tabu – afirma Sidclay. Simões faz questão de manifestar sua opinião quando a conversa é direcionada para o olhar dos políticos sobre a causa. Alguns can-
didatos, por exemplo, sequer citam a comunidade LGBT. O máximo que alguns fazem é dar uma declaração defendendo a criminalização da homofobia no Brasil. — A gente assiste a muitos políticos – principalmente nessa época de campanha –, se manifestar contra a união estável homoafetiva. Mas o que se percebe é que eles são preconceituosos e ainda vai levar um tempo para que eles abram a mente. Sidclay admite que o casamento homoafetivo está inserido na campanha política, pelo menos para presidente da República, mas ainda de forma tímida. — Acho que eles estão falando demais em família tradicional. A expressão utilizada é sempre essa. Penso que criam, em cima dessa frase, mais um tabu. — Dos candidatos que estão aí, qual o que mais se aproxima da proposta de vocês, de mais liberdade para a comunidade LGBT? – pergunta o repórter. — Prefiro não opinar – encerra Sidclay.
‘O futuro a gente começa a fazer agora’ Momentos antes de oficializar a sua união com a técnica de enfermagem, Mara Sílvia Aydem de Matos, a advogada Neila de Lourdes Dantas Tabosa, que o casamento realizado sob as bênçãos da OAB representa um divisor de águas. — Sinto-me orgulhosa por participar dessa iniciava, que reafirma o respeito à dignidade, garante um direito inerente e irá contribuir para que muitos saiam da clandestinidade. Neila disse que foi “encontrada” por Mara na internet e o bate-papo virtual se transformou no “grande amor de suas vidas”. O casal já havia pensado em assumir a condição afetiva antes da abertura feita pela Ordem dos Advogados. Neila disse que nunca sentiu o preconceito contra sua forma de ser, pois sempre agiu de forma natural, pouco se importando com o que as pessoas pensavam a seu respeito. — Minha vida sempre foi normal, mesmo antes de Mara. Meus amigos me aceitavam, eu não tinha nada que assumir. Isso foi acontecendo naturalmente, nos quatro anos em que estamos juntas. Tanto Neyla quanto Mara Ayden consideram que o dia
16 de setembro de 2014 será uma data para entrar na história, porque neste dia o tabu contra a comunidade LGBT começou a cair. — Tudo é um começo. Para abrir a mentalidade das pessoas e elas se acostumarem, o importante é respeitar. Se eu te respeito como ser humano, você também vai me respeitar. Então é a partir do respeito que você consegue ir para frente. E sobre o tratamento dos políticos com a causa gay, que inclui o casamento homoafetivo e a luta contra a homofobia ? Mara Ayden responde que é “difícil falar”, porque na barganha pelo voto, o político “fala coisas que lhe convém”. — Eu acredito que nenhum é verdadeiro. A gente percebe, quando trabalha com eles, como eu fiz, como é. Eles não apoiam a causa. Neyla diz que está começando uma nova vida e não teme o futuro, mesmo sabendo que poderá passar por experiências que podem deixar cicatrizes, como o preconceito, por exemplo. Mas isso não a atormenta: — O futuro a gente batalha. O futuro a gente começa a fazer hoje.
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AS BENÇÃOS DA OAB Alberto Simotti Neto: A Ordem sempre abraçou as causas em defesa dos diretos civis
Neila eila Dantas e Mara Hayden se conheceram pela internet. “O futuro a gente começa a fazer agora”
A resistência dos cartórios Depois da decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tornou obrigatória a realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo nos estabelecimentos cartoriais de todo o Brasil, os cartórios do Amazonas estão seguindo a Lei à risca, certo? Errado. De acordo com a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/ AM, Alexandra Zangerolame, a Ordem recebeu muitas reclamações de casais homoafetivos a quem está sendo negado o direito de fazer a realização da cerimônia nos cartórios de Manaus. — Então resolvemos mostrar publicamente que esse é um direito adquirido que tem que ser respeitado. O direito citado por Alexandra foi concretizado no dia 15 de maio de 2014 quando, por proposta do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Judiciário brasileiro, o CNJ aprovou por 14 votos a 1 uma resolução
obrigando os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A presidente da comissão da OAB que organizou o casamento gay disse que a cerimônia é uma forma de quebrar tabus, mas será apenas um passo nessa caminhada das pessoas que lutam contra o preconceito. — Essas pessoas vêm há muito tempo brigando por esse espaço. Tem gente que está junta há 15, 21 anos, então é muito tempo aguardando o reconhecimento da sociedade e dessa segurança jurídica. O sentimento é de que “hoje eu não estou fazendo mais nada de errado”. Porque antes, tinha a restrição da família. Hoje é um direito reconhecido por todo o Estado. Aliás, já em 2011, o STF já havia reconhecido, por unanimidade, a equiparação da união estável homossexual à heterossexual, assegurando aos casais gays direitos como herança e pensões.
— O CNJ foi brilhante em regular a situação, até porque já tinha toda aquela situação de reconhecimento desse casamento de uma forma informal. Mas aí o Conselho levou a causa para o Judiciário e regulou em todas as corregedorias do Brasil e nos cartórios, dando a ordem para que isso fosse obedecido. Mesmo assim, até hoje, alguns fazem e outro não. Agora isso tem que acabar. Nenhum cartório pode se recusar a realizar um casamento entre pessoas do mesmo sexo. Da mesma forma, alguns segmentos do país vêm lutando para acabar com a violência homofóbica. De acordo com Alexandra, a comissão de Direito Humanos da OABN/ AM recebe muitas denúncias de casos de violência contra homossexuais. Só este ano elas já somam 10. “ A maioria nós direcionamos para a Secretaria de Estado e de Direitos Humanos do Amazonas (SEJUS).
O beijo demorou, mas acabou saindo Genesis Cristóstomo é industriário. Certa noite, numa balada, ele conheceu e se apaixonou “perdidamente” pelo bancário Felipe Araújo. Três anos depois, mais precisamente no dia 16 de setembro, eles uniram sua vida pela instituição mais questionada pela sociedade: o casamento. Gênesis acredita que o casamento é apenas o início da caminhada, porque – pelo menos no Amazonas –, o preconceito ainda existe. Prova disso é que, momentos antes da cerimônia, um repórter faz um apelo para que o casal se beijasse na boca para imor-
talizar o momento, mas os noivos se recusam: — Vocês poderiam se beijar? — Ainda não, talvez quem sabe na cerimônia. — Mas isso também não é um preconceito? – pergunta o repórter. Gênesis responde que o preconceito existe e não vai deixar de existir. — Mas esse casamento já é um grande passo para mudar isso. O casamento é interessante pelo fato de nos assegurar em vários pontos da lei, além de regularizar as vidas de duas pessoas que têm vontade de unir-se em
matrimônio. Felipe Araújo é mais tímido, mas não resiste à pergunta sobre o preconceito dos políticos contra o casamento homoafetivo. — Eles são contra porque estão com medo de perder votos. No caso da Marina Silva, que era a favor, depois recuou foi ainda mais “preconceituoso”. Eles só esquecem que somos uma maioria que deve ser respeitada. Quer dizer, somos uma classe que precisa ser levada em conta, pois os homossexuais não têm mais que se esconder. Esse evento já está sendo um passo – alertou.
‘A OAB é uma casa de lutas históricas’ O Brasil tornou-se campeão mundial de crimes homofóbicos. O risco de um homossexual ser assassinado no Brasil é 785% maior que nos Estados Unidos. Apesar do registro de apenas seis casos em 2014 ( denúncias feiras pelo Disk 100) , a imprensa de Manaus registrou 24 casos de agressões contra homossexuais. Mesmo assim, o Amazonas não aparece na estatística nacional de violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais . O ranking aponta em 1º lugar a Bahia, com 29 registros; em 2º Alagoas, com 24 ocorrências; em 3º, São Paulo e Rio de Janeiro, com 23 cada. Outros importantes dados foram divulgados: o Nordeste concentra 43% dos homicídios contra integrantes das comunidades LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Afirmou-se que o risco de um homossexual ser assassinado no Nordeste é “aproximadamente 80% maior” do que no Sudeste. O presidente da OAB/ AM, advogado Alberto Simonetti Neto, informa que o comissão de Direito Humanos recebe denúncias de vários tipos de violência – contra mulheres, crianças, idosos -, principalmente contra homossexuais. — Temos uma comissão de direitos humanos que é muito dinâmica dentro da OAB. Nós recebemos muitas denúncias de violência, de toda a ordem, mas estamos prontos para defender a sociedade no que for possível – garante Simonetti, que esta semana inseriu o nome do Amazonas na mídia nacional ao realizar o primeiro casamento gay da Região Norte e o terceiro do país: Confira a entrevista:
EM TEMPO – Ao promover o primeiro casamento gay do Amazonas e da Região Norte, é uma forma da OAB quebrar preconceitos? Alberto Simonetti Filho, presidente da OAB/ AM – Com certeza. A OAB é um casa de lutas históricas em defesa da cidadania e da democracia. Esse entendimento do casamento igualitário no Brasil começa a tomar força e é preciso que as instituições que têm força perante à so-
A proposta é legitimar a união dos casais homoafetivos, que têm os mesmos direitos dos heterossexuais perante a legislação”, defende o advogado, presidente da OAB/AM. ALBERTO SIMONETTI Presidente da OAB/AM
ciedade ajudem para que cada vez mais se precise menos de cerimônias como esta para garantir o direito das pessoas, independente da preferência sexual. Esperamos que um dia o casamento homoafetivo seja uma coisa tão natural que não se precise de um evento para se fazer respeitar esse direito de uma união igualitária. Então é essa a nossa missão, hoje, aqui.
EM TEMPO – Por que a OAB resolveu dar esse primeiro passo em relação às outras instituições? Simonetti Neto – É tradição da OAB abraçar as lutas legítimas da sociedade. E não só essa luta em relação ao casamento igualitário, mas de todas as lutas em defesa dos direitos civis. Esse fato social de o Brasil permitir o casamento entre pessoas do mesmo gênero merece essa homenagem. E para isso estamos fazendo esse marco, esse evento emblemático para que fique registrada na história do país. É o primeiro na Região Norte e quarto no Brasil. EM TEMPO – Os cartórios se recusam a fazer casamento entre iguais? Simonetti Neto – Eu não tenho conhecimento de nenhuma notícia que remeta a isso (a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/AM, Alexandra Zangerolame, garantiu ao EM TEMPO que isso vem ocorrendo). Existe uma orientação do CNJ para regulamentar a união homoafetiva e vamos defender isso. Se houver recusa, nós estamos aqui à disposição para colher essa denúncia e levar às autoridades competentes. EM TEMPO – A Ordem recebe muita denúncias de violência contra homossexual? Simonetti Neto – A comissão de Direitos Humanos é muito dinâmica dentro da OAB. Nós recebemos muitas denúncias de violência, de toda a ordem. Contra crianças, mulheres, idosos e, também, violência homofóbica. Mas estamos prontos para defender a sociedade.
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Casamento gay divide opiniões na sociedade
Igreja Católica diz que casais devem ser exemplos de tolerância e respeito; representante da MIR, que não têm benção de Deus IONE MORENO
ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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Amazonas entrou para a história ao realizar o primeiro casamento coletivo de casais homoafetivos da Região Norte. O evento, realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB/ AM), foi responsável pela união civil de 12 casais do mesmo sexo. Apesar de ser considerado por historiadores e defensores da lei um avanço histórico do direito brasileiro, o casamento homoafetivo divide a sociedade amazonense, principalmente as entidades religiosas. Para o arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani, a união civil de casais homoafetivos é importante, pois representa segurança jurídica para esses casais. “O casamento significa o reconhecimento do Estado. Esta união gera direitos e deveres, por isso há a necessidade do casamento ser registrado no cartório e pela lei. É necessário e um dever do Estado reconhecer a união destas pessoas”, afirmou. Castriani destacou que todo casal homoafetivo em união estável tem os mesmos direitos que casais heterossexuais,
porém, esses direitos foram esquecidos pelo Estado ao longo dos anos e hoje precisam ser resgatados. “Se as pessoas vivem juntas e têm esse contrato jurídico, o Estado tem que garantir que sejam cumpridos os direitos de previdência, direitos sociais e individuais”, reforçou. Na opinião do arcebispo, ga-
LEGALIDADE
Reconhecimento jurídico permite que todos os atos civis comuns aos casais héteros sejam estendidos aos casais homossexuais. União coletiva da OAB representou marco jurídico no Amazonas rantir o direito ao casamento civil é uma atitude humana. Ele disse ainda que todo cristão deve torcer pela felicidade e realização das pessoas, independente das escolhas que elas fazem. “As pessoas têm o direito de seguirem seus caminhos de realização pessoal, e temos que respeitar. Depois temos que entender que há muitas configurações familiares”, disse.
Doze casais homossexuais disseram “sim” a seus companheiros em cerimônia concorrida e que contou com a presença de parentes
Tolerância é fundamental Dom Sérgio Castriani considera o tema como uma nova pauta da sociedade e indicou que esses casais podem mostrar para o restante da população os caminhos da tolerância, do respeito, da dignidade e da verdade. “Temos que aprender com eles, não podemos deixar de interagir. Nossas convicções religiosas, nossas convicções de fé, a discussão é do
nível da fé. Não conheço essas pessoas que se casaram e não posso emitir nenhum julgamento moral a respeito delas, mas este é direito que elas têm e o dever do Estado é reconhecer essas uniões”, exemplificou. No entanto, ele fez questão de deixar claro que a Igreja Católica considera sacramento matrimonial apenas a união de homem
e mulher, realizado na igreja e com base na fé de um casal que aceita se unir por toda a vida para constituir uma família. “Minha posição, como também a posição da Igreja, é que devemos respeitar tudo aquilo que as pessoas fazem, pois é um direito que elas têm. Porém, a Igreja Católica tem a sua visão de sacramento do matrimônio, que é diferente”, avaliou.
Arcebispo defende o respeito, mas ressalta que o sacramento do casamento não se aplica
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Famílias da pós-modernidade O doutor em aconselhamento do Ministério Internacional da Restauração (MIR), apóstolo Arão Amazonas explicou que a união civil entre pessoas do mesmo sexo é algo incorreto, e que, na sua igreja, existem doutrinas que devem ser cumpridas pelos fiéis. “As famílias homossexuais são características da pós-modernidade, que trazem consigo a quebra dos
FALA POVO Qual sua opinião sobre a união homoafetiva? “Cada um tem o direito de ficar com que gosta, e como cidadãos temos a obrigação de respeitar o que o próximo deseja para sua vida particular. Assim como respeito esta decisão, também gosto que respeitem a minha privacidade”. Vendedor ambulante, Ailson Cabral da Silva, 58 “Por ser cristão e a união não ser conforme a palavra não aceito. Tenho filhos pequenos e os educo nos ensinamentos bíblicos. Não gostaria que eles fossem surpreendidos com a troca de afetos nas ruas, mas respeito a opinião de cada um”. Universitário, Anderson Gerônimo da Silva, 26 “Apoio. É uma vitória o casal do mesmo sexo ter esse contrato, ter esse privilégio. Foi um obstáculo que foi vencido e dou apoio. Não temos o direito de julgar a sexualidade de outra pessoa e muito menos negar a felicidade do nosso próximo”.
Enfermeiro, Anderson Manauara, 25
“Não concordo, porém não podemos fazer nada, pois é a lei e se há esta mudança temos que aceitar. Não discrimino, mas minha opinião é de não aceitar. Fui criada na época que pouco se falava do casal homoafetivo. Com mais idade digo que tem certas coisas que ficam até difíceis de ver e entender, mas espero que cada um seja feliz com sua escolha.
Aposentada, Clodovina Cavalcante Pereira, 65 “Não sou contra, porém não gosto muito desta situação, considero até as vezes uma falta de respeito com a própria população, que tem outras situações mais sérias para serem resolvidas”. Funcionário público, Daniel Souza de Santos, 27 “Deve ser considerado algo normal, pois assim como homem e mulher tem o direito de buscar suas felicidades e direitos como casais, deve ocorrer entre casais do mesmo sexo”. FOTOS: IONE MORENO
Autônoma, Estevan Oliveira Silva, 43
tabus. A quebra de algumas regras sociais não eram vistas antigamente, mas hoje isso é mais presente. A questão da homossexualidade é considerado um tabu porque, segundo a bíblia, não há benção de Deus”, explanou. Prática condenável Segundo Arão, o Estado brasileiro é laico, ou seja, permite que o cidadão
possa escolher a religião a que melhor se enquadrar e/ou agradar, reforçou que o Estado cumpriu com as ações civis e o casamento homoafetivo se faz presente neste sentido. “A bíblia, no livro de Romanos, capítulo um, relata as práticas homoafetivas que são consideradas condenadas. Deus separou macho e fêmea e depois os uniu e os abençoou”, finalizou.
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ACERVO PESSOAL
Diversidade é respeitada, prática homoafetiva porém não encontra ressonância na igreja
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Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Especial
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Público gay no centro dos debates políticos RAIMUNDO VALENTIM
Candidatos ao governo do Estado debatem o tema e apresentam suas propostas para atender um público que está no centro
CASAMENTO GAY DO NORTE
Com o primeiro casamento homoafetivo realizado no Amazonas, o debate sobre a questão gay passa a ser tema nas discussões dos postulantes ao cargo de governador do AM JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
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om as relações homoafetivas no centro das discussões da disputa presidencial, as cobranças por políticas públicas de inclusão do segmento eleitoral, tomam mais espaço e chegam ao Executivo e Legislativo Estadual. Mesmo não tendo atribuições jurídicas, para legislar diretamente sobre o tema, os candidatos ao cargo de governador do Amazonas, marcam posição é apresentam o que pensam e como pretendem inserir o público gay, em seus mandatos. Candidato pelo PMN, o deputado estadual, Chico Preto, afastou qualquer possibilidade de permitir que um dos agentes públicos participantes da sua gestão, imponha qualquer tipo de constrangimento a um homem ou mulher por conta da sua orientação sexual. “Não é a orientação sexual de uma pessoa que vai fazer com que
a prestação do serviço público seja diferente. Como governador afirmo isso, não tolero atos de homofobia, eu respeito convicções, mas não tolero atos de homofobia”, destacou. Governador do Estado e lutando pela reeleição, José Melo (PROS), ressaltou já no mandato que compartilhou com Omar Aziz (PSD), as diversidades foram tratadas com respeito e com o espaço. O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CEDDPH), segundo Melo, é o símbolo dessa preocupação e deve continuar a existir caso seja alçado ao cargo mais uma vez. “O CEDDPH é imprescindível para a promoção e divulgação do conteúdo e significado de cada um dos Direitos da Pessoa Humana, assim como para propor medidas destinadas a assegurar a proteção dos direitos humanos e sociais e as garantias das liberdades individuais e coletivas”, comentou.
Vulnerabilidade Marcelo Ramos, que representa o partido de Marina Silva (PSB), constantemente bombardeada, sob a acusação de permitir a influência de pastores da igreja Evangélica, nas diretrizes do seu plano de governo para o segmento, diz que o primeiro ponto a ser combatido em seu mandato, será a vulnerabilidade dos gays e lésbicas no Amazonas. Para o candidato, que também é deputado estadual, faltam políticas especiais para o público em setores como educação, saúde e segurança. “Admitindo que o segmento sofre e muito com a vulnerabilidades nesses três eixos, vamos pensar de modo diferenciado nos problemas dessas pessoas. Entendo que, falta tolerância e é essa tolerância que plantaremos em nosso governo. Vamos dialogar, com os representantes LGBT no Amazonas, fortaleceremos as atividades do núcleo que existe no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. A ideia é fortalecer esses laços”.
Diálogo será ponto de partida Na vertente dos demais candidatos, o comunista Luiz Navarro (PCB), assegura que o diálogo será um dos pontos principais da relação de seu governo com os homossexuais. Navarro, diz que será por meio do Conselho Popular de Saúde, que integra o conjunto de propostas da sua campanha, que a relação será intensificada. “A escolha sexual é algo de cada um, e nós temos que aceitar. Mas, é lógico que determinadas doenças vem crescendo muito dentre o segmento, por isso temos que olhar de modo especial para a questão. No nosso governo, também vamos combater veementemente a violência e o preconceito contra eles”, ponderou.
A reportagem tentou contato com os candidatos Herbert Amazonas (PSTU) e Abel Alves (PSOL), mas até o fechamento da edição
NAVARRO
Para o candidato Navarro será por meio do Conselho Popular de Saúde, que integra o conjunto de propostas da sua campanha, que a relação homoafetiva será intensificada com o governo não teve as ligações atendidas. A demanda foi enviada ao candidato Eduardo Braga (PMDB), mas também não foi respondida.
...
Presidenciáveis discutem o assunto
Um dia após lançar programa de governo em que defendia a aprovação de projetos e emendas constitucionais que assegurassem o casamento civil entre homossexuais, a campanha da candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) à Presidência da República, Marina Silva, recuou. Agora, a nova redação não defende alterações na legislação. Ressalta apenas a garantia “de direitos oriundo da união civil entre pessoas do mesmo sexo”, o que já
foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Também foi suprimido o trecho em que o PSB fazia menção à aprovação da PLC 122/06, que torna crime a homofobia. Em nota publicada, o PSB comunicou que o programa divulgado oficialmente “não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo”. O partido garante que, apesar da mo-
dificação, continua apoiando a causa. “Convém ressaltar que, apesar desse contratempo indesejável, tanto no texto com alguns equívocos como no correto, permanece irretocável o compromisso irrestrito com a defesa dos direitos civis dos grupos LGBT e com a promoção de ações que eduquem a população para o convívio respeitoso com a diferença e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos”. O pastor Silas Malafaia, da
Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ameaçou fazer um discurso duro contra Marina Silva. O texto do programa de governo da candidata Dilma Rousseff (PT) protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) causou manifestações de descontentamento na comunidade gay. O motivo está na página 20 do documento, que trata da questão dos direitos humanos. O texto utiliza a expressão “opção sexual” ao se referir
a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. A expressão utilizada em organizações internacionais de direitos humanos é “orientação sexual”. Quem ainda recorre ao termo “opção” são sobretudo fundamentalistas religiosos, defensores da chamada “cura gay”. Já o presidenciável Aécio Neves disse: “Sou favorável ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso já está incorporado ao mundo moderno”, disse o político.
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Eleições 2014
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Parlamento jovem aposta na renovação da Aleam RAIMUNDO VALETIM
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ste será o ano da renovação do parlamento amazonense. Pelos menos é isso que dizem os jovens de menos de 35 anos que disputam o parlamento estadual e federal. De diferentes matrizes ideológicos, pensamentos e classes sociais, eles garantem que a sociedade brasileira, em especial a amazonense, quer renovação de seus líderes políticos e que este será o momento em que os eleitores darão este recado nas urnas. Inseridos no advento das mídias digitais, afinados com a juventude que se mobilizou pela internet para sair às ruas nos protestos de junho de 2013, os jovens Candidatos dizem empunhar bandeiras como o fim da corrupção, mais investimentos na educação, saúde, segurança pública e qualidade dos serviços públicos. Eles lembram que a juventude brasileira tem sido esquecida pelo poder público nestes últimos anos. Filiada ao PSDC há cerca de três meses, Diana Antonielle, de 20 anos, ainda nem terminou o ensino médio, mas já se lançou candidata a deputada estadual. A estudante diz que o fez por um motivo maior que a inspirou a começar a tentar entrar na vida pública. A adolescente sofreu abuso sexual no passado e agora quer levar o combate a esse tipo de crime como sua bandeira no parlamento. Segundo ela, o poder público “fecha os olhos” para o assunto. “Com a minha coragem, eu quero encorajar outras vítimas. Já tenho inclusive alguns projetos de lei sobre a questão. Na campanha, recebo muito apoio, muita gente me manda mensagens apoiando a minha causa. Essa é uma questão social e é preciso que alguém definitivamente concentre as atenções nesse
TIAGOCORREA/DIRCOM
Engajados cada vez mais cedo no meio político, candidatos jovens entram na briga por uma cadeira na Assembleia assunto. É preciso encorajar as vítimas”, disse Diana. Há também os jovens candidatos que estréiam na disputa após um longo período ao redor da política. O advogado João Vitor, de 23 anos, é filiado ao PSB desde 2012, quando conheceu o deputado e atual candidato do partido ao governo, Marcelo Ramos. João Vitor então passou a trabalhar na assessoria jurídica de Ramos,
MUDANÇA
De diferentes matrizes ideológicas, pensamentos e classes sociais, os jovens estão garantido na sociedade seu espaço. Aposta é no conceito de renovação que a sociedade vem pregando Na disputa pela primeira vez, Diana quer defender as mulheres
serviço que durou até meses atrás, quando o advogado se desligou do cargo para se dedicar a disputa pelo parlamento estadual. “Eu, mesmo na faculdade, sempre me interessei por direito eleitoral, esse sempre meu foco. Portanto, a convivência com Marcelo me encorajou muito a tentar a carreira pública. Meu objetivo no parlamento é manter a linha combativa, a exemplo de Ramos. Principalmente contra casos de corrupção e desperdício de dinheiro público, algo que já tem desgastado muito a credibilidade na política”, disse o candidato. Além de João Victor e Diana, outros jovens como Reizo Castelo Branco, Arthur Bisneto, Henrique Oliveira Filho.
Vereador mais votado na CMM, Reizo almeja carreira da Aleam
No AM, jovens são 21,2% do eleitorado Público estratégico da campanha dos candidatos ao governo nestas eleições, o eleitorado jovem do Amazonas, entre 16 e 24 anos, aumentou 7% desde as últimas disputas estaduais, em 2010. Fatia do eleitorado que registra forte desânimo com a política, os jovens amazonenses representam hoje 21,6% de todo o colégio eleitoral do Estado, mais que o dobro do grupo de eleitores considerados tradicionais, de 60 anos para cima.
Dados disponibilizados pelo relatório virtual do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) revelam que apesar do aumento de 7% do número de eleitores jovens em relação a 2010, a representatividade dessa fatia do eleitorado registra sucessivas quedas desde 2006. Naquele ano, o grupo somava 25,2% de todo o colégio eleitoral. Nas eleições seguintes, em 2010, o percentual encolheu para 22%. Agora, a parcela registra o menor ín-
dice dos últimos oito anos, de 21,2%. Somente 2% dos candidatos são jovens Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que somente 2% dos candidatos à eleição de 2014 são considerados jovens. Ao todo, de 24.899 candidaturas registradas no TSE, apenas 502 são de pessoas com menos de 25 anos. Pela classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerada jovem qualquer pessoa
com menos de 25 anos. Pelos números do TSE, 148 pessoas com menos de 25 anos são candidatas ao cargo de deputado federal, outras 345 candidatas a deputado estadual e outras nove a deputado distrital (cargo existente apenas no Distrito Federal). Destes 502 jovens, apenas 23 pessoas que se candidataram a cargos eletivos nas eleições de 2014 tem menos de 20 anos. A candidata mais jovem do Brasil tem 16 anos e mora no Rio de Janeiro.
Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA
JOSÉ MELO
Candidato fará visita na região do Baixo Amazonas.
MARCELO RAMOS
Candidato realiza comícios e caminhadas em municípios do Alto Solimões.
CHICO PRETO
Candidato realiza às 8h caminhada na região Centro-Oeste, e à noite participa de comício da candidata Marina Silva.
Candidato não divulgou agenda.
HERBERT AMAZONAS
NAVARRO
Candidato não divulgou agenda.
Candidato não dovulgou agenda.
ABEL ALVES Candidato fará caminhada no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste e no fim da tarde caminhada no núcleo 16 do bairro Cidade Nova, Zona Norte.
Eleições 2014
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Omar AZIZ
‘Nunca envergonhei O POVO DO AMAZONAS’
FOTOS: DIEGO JANATÃ
ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
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Passei quatro ano no governo e aprendi muito administrando uma região do tamanho que é o Amazonas. Conheço de perto as necessidades que temos aqui. E estou preparado para defender nossos direitos lá no Senado Federal, em Brasília”
leito em 2013 o governante brasileiro com maior aprovação popular pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Omar José Abdel Aziz é um político nato. Ex-líder estudantil nos anos da ditadura, Aziz iniciou sua carreira política no começo da década de 80, como diretor do Centro Acadêmico de Engenharia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e participou também de vários movimentos visando a redemocratização do País, entre eles o das “Diretas Já”. Nascido numa família de descendências árabe e italiana, já exerceu mandatos de vereador e deputado estadual, foi eleito vice-prefeito de Manaus na chapa com Alfredo Nascimento e, em 2000, reelegeu-se viceprefeito, novamente com Alfredo Nascimento, mas em maio de 2002 deixou o cargo para concorrer ao governo do Amazonas. Após dois mandatos na administração do Estado, licenciou-se do cargo em 2008 para se candidatar a prefeito de Manaus, ficando na terceira colocação. Em março de 2010, com a renúncia de Eduardo Braga, que foi disputar o Senado, Omar Aziz assumiu o governo do Amazonas e, em seguida, concorreu à reeleição onde recebeu mais de 940 mil votos, quase 64% do eleitorado amazonense. Ao lado de Nejmi Aziz, pai de quatro filhos, Omar disputa a única vaga de senador do Amazonas nestas eleições. Disparado nas pesquisas, ele dispensa o rótulo de “já ganhou” e diz que diariamente vai às ruas ouvir a população e apresentar suas propostas. EM TEMPO – O que lhe diferencia dos demais candidatos que estão na disputa ao Senado? Omar Aziz – Passei quatro anos no governo do Estado e aprendi muito administrando uma região do tamanho que é o Amazonas, conheço de perto as necessidades que temos aqui. E estou preparado para defender nossos direitos lá no Senado Federal, em Brasília. Temos demandas que podem ser resolvidas com a atuação firme de um senador que não seja subserviente e que não seja passivo. Uma coisa é apoiar um governo, outra é ser subordinado, deixando de defender os direitos do seu Estado só porque tem compromissos políticos que
o impedem de colocar a cara para defender propostas. Isso não acontecerá comigo. Quero ir à Brasília sabendo o que precisamos fazer em todos os segmentos, como na saúde, na educação, infraestrutura, logística e outros. Temos um polo industrial fortíssimo, mas com um alto custo portuário. Temos a construção de um porto aprovado pelo Governo Federal para ser construído na extinta Siderama há quatro anos e não vemos um parlamentar defender a construção deste porto. Outra coisa é que não se pode ir ao Senado achando que prejudicando o governador estará se beneficiando politicamente. Em primeiro lugar, está a população. EM TEMPO - Uma das reclamações do prefeito Arthur Neto é a não liberação de recursos federais para Manaus, por causa a divergências partidárias. Como o senhor avalia isso? Omar Aziz – Isso não é um prejuízo para o Arthur Neto, mas para Manaus. Temos que separar a questão política da administrativa. A Prefeitura precisa da ajuda dos governos estadual e federal. Quando estava à frente do Governo, fiz uma parceria positiva com a prefeitura. Se hoje temos água nas zonas Leste e Norte foi porque eu e o Arthur nos despimos de vaidades e colocamos os projetos em prática. É fácil falar da falta d’água, se temos água em casa. Hoje, essa questão não entra nos debates políticos porque já foi resolvida. A questão da mobilidade urbana, que é tão discutida, já poderia ter sido amenizada. Sabemos que a prefeitura não tem condições financeiras de resolver sozinha, mas se o Governo Federal não viabilizar esses recursos, aí é que não conseguiremos resolver o problema. Serei um senador atento às questões das necessidades do Estado. EM TEMPO – Se eleito, como será a sua relação com o seu colega de bancada, seja Eduardo Braga, Sandra Braga ou Lírio Parisotto? Omar Aziz – Será Eduardo, pois o José Melo é quem será o nosso governador. A minha relação com a bancada será meramente política. EM TEMPO – Durante o período da votação da PEC da Zona Franca de Manaus (ZFM), o senhor era governador do Estado e teve uma participação importante da aprovação da matéria.
Caso seja eleito senador, o que o senhor fará para se destacar? Vai lutar para ser líder de bancada? Omar Aziz – Eu ainda estou pensando nas eleições do dia 5 de outubro, quero dar um passo de cada vez. Não tenho esse alvoroço de ser líder ou buscar destaque. Quero sim, fazer o meu papel. Ninguém se elege para ser líder, se elege para ser senador. E eu serei senador com conhecimento do Amazonas. Quero honrar a confiança do povo. EM TEMPO – Na sua administração, uma das questões mais debatidas foi a segurança pública. E nas últimas semanas estamos acompanhando fatos que têm dado à população uma sensação de medo. O senhor acredita que esses acontecimentos têm caráter eleitoreiro? Omar Aziz – A forma como estão tratando, sim. Quem está abordando esse assunto teve a oportunidade de fazer algo em 8 anos. Se me apontarem um programa, projeto ou ideia que o Eduardo Braga tenha tido nesta área, eu não conheço. O reflexo hoje é menor do que se não tivéssemos feito investimentos no período que estive à frente do Governo. Quando eu assumi o mandato de governador, a criminalidade tinha aumentado em 86% e nós reduzimos para 22%, mesmo sem o Programa Ronda no Bairro. Com o Ronda no Bairro, o número de presos também dobrou. Agora fazem críticas ao programa? É normal haver falhas. Todo projeto precisa se adequar, mas sem dúvida, ele é muito bom. Outro investimento que fiz foram as construções de Distritos Integrados de Polícia (DIPs). Foram 13 no total, aumentando o número de delegacias para 30, só na capital. Implantei, além do Ronda no Bairro, o programa Galera Nota Dez. Dobramos para R$ 1,3 bilhão os investimentos para esse setor, valorizamos o policial, que muitas vezes trabalhava até sem armamento adequado, e com as viaturas que eram empurradas. Não tem nem como comparar. Agora, não avançamos ainda mais devido a omissão de algumas pessoas, que estão junto com a presidente Dilma Rousseff e não tomaram providências. Agora, estão falando em providências. EM TEMPO – Na semana passada, tivemos mudanças na cúpula da Polícia Militar, em meio a uma crise interna. A que o se-
nhor atribui isso? Omar Aziz – Temos que oxigenar sempre. O comando da PM é muito estressante, o coronel Almir David assumiu com muita altivez a sua função, mas precisou sair. Quando eu assumi o governo, o comandante era o Dan Câmara, que foi um ótimo técnico. A instituição não pode ser a pessoa. EM TEMPO – O senhor tem sofrido ataques de adversários constantemente, mas tem se mantido neutro. Por quê? Omar Aziz – A população não quer saber desse bateboca e sim do que você irá falar em nome dela. Esse confronto não constrói um Amazonas melhor. O que considerar injusto eu vou buscar meus direitos na Justiça, pedindo direitos de resposta, o que já fiz nesta campanha. Não vou ficar batendo boca com ninguém. EM TEMPO – Um dos projetos implantados no seu governo, que vem sendo criticado, é a criação da Cidade Universitária. Isso tem lhe tirado o sono? Omar Aziz – As pessoas que têm criticado esse projeto são contra o conhecimento do Estado do Amazonas. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) levou 35 anos para ser construída. Estamos criando o maior centro de conhecimento para o futuro do Amazonas em uma área onde será possível fazer pesquisas. Agora, é claro, isso não é obra para um ano e sim para uma década. Quem fala mal é gente de visão medíocre, que pensa somente na próxima eleição. Ali, iremos formar o futuro do Estado. Fui eu quem democratizou a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e não retirei nenhum recurso para aquela instituição. Fiz o Plano de Cargos Carreiras e Salários para os servidores. Fiz eleição direta para Defensoria Pública do Estado (DPE) também. Só eu sei o quanto sofri tendo apenas uma arqueóloga para avaliar uma obra do tamanho que será a Cidade Universitária. Os senadores amigos da Dilma poderiam ter visto isso, pedindo mais mão-de-obra, mas o pior é o melhor para eles. Tenho a consciência de que meu governo fez muita coisa, entre elas, pagamos a construção da Ponte Rio Negro e fizemos um evento de Copa do Mundo excelente, com a Arena da Amazônia o estádio mais bonito do mundial. Demos uma “tapa com luva” na cara de muita gente.
Meu colega de bancada no Senado será o Eduardo Braga, pois José Melo será o governador. E nosso relacionamento será político”
As pessoas que têm criticado esse projeto da Cidade Universitária são contra o conhecimento das pessoas que moram no Amazonas. Quem fala mal é gente de visão medíocre”
Eleições 2014
‘Na essência, Marina é do PT’, diz Aécio Neves
Cláudio Humberto
www.claudiohumberto.com.br
Se a campanha cometeu equívoco, vai prestar conta
Tucano compara história de adversárias e aponta semelhanças Jornalista
DILMA (PT) sobre o uso da estrutura dos Correios para distribuir seus ‘santinhos’
Governo já sabe seus envolvidos no Petrolão O governo federal dá como certo que personagens das gestões de Lula e Dilma foram citados na delação premiada do exdiretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ao pressionar pela obtenção de cópia dos depoimentos, o governo acabou por confirmar, pela via informal, o envolvimento de políticos aliados, inclusive do PT, outros ministros, além de Edison Lobão (Minas e Energia), e figurões da Presidência. Íntimo do poder O ex-diretor tinha relações próximas com o petismo: Lula o chamava de “Paulinho” e guarda um macacão da Petrobras autografado por ele. Convidado especial Além de também ter macacão autografado por Paulo Roberto, Dilma o teria incluído na seleta lista de convidados para o casamento da filha. Resolvedor-geral Paulo Roberto era “resolvedor-geral” de problemas dos poderosos, da compra de imóveis ao pagamento de despesas pessoais. Autonomia Diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa tinha “carta branca” do Planalto para agir com autonomia nos negócios da Petrobras. Campanhas gastam mais que STF e CNJ em 1 ano A previsão de gastos dos candidatos a presidente, nos três meses de campanha, é maior que os orçamentos anuais do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça
somados. Os R$ 916,3 milhões que os presidenciáveis disseram ao Tribunal Superior Eleitoral que vão gastar representam quase o dobro do orçamento do STF (R$ 564,1 milhões) e quatro vezes maior que o do CNJ (R$ 219,2 milhões. Campeões Só o gasto da candidata petista, Dilma Rousseff (RS 298 milhões), e do tucano Aécio Neves (R$ 290 milhões) já bancam um ano de Supremo. Com ajudinha Para bancar o CNJ por um ano, seriam suficientes os R$ 150 milhões de Marina (PSB) somados aos R$ 90 milhões de Eduardo Jorge (PV).
entre elas. “É colocar o PT de novo no governo”, alertou
DIVULGAÇÃO
COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
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da Petrobras: Corcunda de Notre Dame e Goonies. Verborragia Lula debochou do senador Pedro Simon (PMDB-RS), em visita ao Rio Grande do Sul, e pegou mal. Simon é respeitado no Estado. Dilma ficou irritada. “Isso mais atrapalha do que ajuda”, disse a assessores. Briga na Bahia A avaliação no DEM é que a vitória de Paulo Souto estaria consolidada. Na briga pelo Senado, Geddel Vieira Lima (PMDB) estabilizou e Oto Alencar, candidato do governador Jaques Wagner (PT), cresceu.
Nanicos? Os R$ 50 milhões a serem gastos pelo Pastor Everaldo, R$ 12 milhões de Levy Fidelix e R$ 25 milhões de Eymael dão uma mega-acumulada.
Vai dar rolo A cúpula da Globo, no Rio, colocou sob observação a sua filiada no Ceará, acusada de ignorar uma ordem do TRE para não veicular comerciais do candidato do PT ao governo, Camilo Santana.
Missão impossível O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PSDSP), duvida de quórum, a 5 dias da eleição, para votar parecer do relator sobre a cassação de Luiz Argôlo: “Ninguém vai aparecer”.
Siga o mestre No Rio Grande do Norte, Henrique Alves (PMDB) e Robinson Faria (PSD) contam com Dilma no 2º turno, mas com PMDB e PT em lados opostos, é provável que ela não dê as caras, como fez Lula antes.
Ei, você aí Alvo de processo de cassação Conselho de Ética, Luiz Argôlo (SD-BA) – acusado de ser sócio do megadoleiro Alberto Youssef – segue na campanha pela reeleição, como se nada tivesse ocorrido.
P de Petrobras O edital do novo concurso da Petrobras trouxe nova definição do termo PPP. Em vez de Parceria Público-Privada, ideia que raramente dá certo em gestões petistas, PPP na estatal virou Pessoa Preta ou Parda.
Veneno na CPMI Responsável pela compra superfaturada da refinaria de Pasadena, nos EUA, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró ganhou dois apelidos maldosos na CPMI
Pergunta no tribunal O que é mais suspeito: convidar o ex-diretor para o casamento da filha ou pressionar a Justiça para saber o que ele contou, na delação premiada?
Durante evento em Belo Horizonte, Aécio Neves disse que sua candidatura é a única viável
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candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou ontem em evento de campanha em Belo Horizonte que trocar a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, por Marina Silva, presidenciável do PSB, é como trocar “seis por meia dúzia”. O tucano voltou a afirmar que a sua candidatura é a única que viabilizará uma “mudança consistente” e que, na sua avaliação, está crescendo nas pesquisas de intenção de voto. “A única candidatura que cresce de forma consistente no plano nacional é a nossa candidatura, porque a população está chegando a uma conclusão muito simples, porque trocar a Dilma pela
Marina é trocar seis por meia dúzia. É colocar o PT de novo no governo, o que não queremos”, disse Aécio. O presidenciável também fez comparações da participação de Dilma e Marina no governo do PT. “Eu respeito todas as candidaturas, mas a Marina é, na essência, do PT. Quando nós estávamos lá atrás, brigando para acabar com a inflação, essa inflação que a Marina diz hoje que quer domar, ela estava no PT votando contra o Plano Real e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse.
“Quando nós estávamos denunciando o mensalão, e cobrando que a Justiça botasse na cadeia aqueles que desviaram dinheiro público, Marina e Dilma eram colegas de ministério do PT. E lá estavam”, completou. O candidato do PSDB conversou com jornalistas após fazer caminhada por dois quarteirões da região de Venda Nova, na Zona Norte de Belo Horizonte. Ele disse ter uma candidatura construída “ao longo de 30 anos de dedicação” a Minas Gerais, seu Estado de origem, e pediu o voto dos eleitores mineiros. “Existe uma candidatura que significa uma mudança clara no Brasil e o início de um novo ciclo. E essa candidatura é uma candidatura mineira”, disse.
ACUSAÇÃO DIVULGAÇÃO
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PODER SEM PUDOR
Deputado plural O falecido deputado Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA) presidia as sessões da Câmara com instantes de bom humor. Certa vez, ele se dirigiu assim ao deputado Fernando Gabeira (RJ), na época o único representante do PV: - Deputado, use a palavra para orientar sua bancada! - Presidente – respondeu Gabeira – minha bancada sou apenas eu, uma pessoa muito dividida. Nem sempre posso me orientar bem...
CORTES
‘CGU está vivendo na penúria’ Responsável pelo combate à corrupção no governo federal, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, afirmou ontem, que a redução de R$ 7,3 milhões no orçamento do órgão em 2014, em relação ao ano passado, gerou uma situação de “penúria orçamentária” na pasta. Segundo o ministro, o corte no orçamento comprometeu o pagamento de despesas básicas, como água, luz e telefone, além de diárias e passagens aos
auditores encarregados de fiscalizar a aplicação dos recursos federais no país, o que, afirmou, pode dificultar a identificação de eventuais irregularidades na administração pública. Na semana passada, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacom Sindical) promoveu, em Brasília e em 14 Estados, atos de protesto contra o “enfraquecimento” da CGU. Em Brasília, cerca de 25 servidores se reuniram nesta quinta em frente à
sede do órgão para reivindicar a liberação de verbas para o custeio dos serviços essenciais. Atribuições Entre as atribuições da CGU, está o combate à corrupção no serviço público federal, a auditoria pública e a aplicação das ferramentas de transparência. O órgão também exerce o papel de corregedor e ouvidor do governo federal, além de garantir o acesso às informações públicas.
MP diz que Renan enriqueceu de forma ilícita e teve evolução patrimonial incompatível
Renan acusado de improbidade A Procuradoria da República, no Distrito Federal, informou, na última sextafeira (19), que apresentou à Justiça ação civil contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposto recebimento de propina da construtora Mendes Junior quando era presidente da casa (2005 a 2007). O órgão acusa o senador de improbidade administrativa e defende a perda de mandato. A ação é um desdobramento na área cível de um inquérito aberto em 2007, para investigar suspeitas de que Renan teria despesas pessoais pagas pela em-
AÇÃO A ação é um desdobramento na área cível de um inquérito aberto em 2007, para investigar suspeitas de que Renan teria despesas pessoais pagas pela empreiteira em troca de verbas do orçamento preiteira em troca de verbas do orçamento, liberada por emendas parlamentares, que beneficiariam a Mendes Junior. Na época, ele renunciou ao cargo de presidente do Senado.
Segundo informou a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal em Brasília, a ação afirma que o senador teve despesas de um relacionamento extraconjugal pagas pela Mendes Júnior. O órgão aponta que Renan enriqueceu ilicitamente, forjou documentos para comprovar sua renda e teve evolução patrimonial incompatível com o cargo. Os fatos são os mesmos analisados na esfera penal, que ainda não foi julgada pela Justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF), a quem cabe julgar parlamentares por suposto cometimento de crimes.
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Ex-presidente da Câmara faz ‘extra’ lavando carros Alvo de escândalo na década de 1990, César Bonfim afastou-se da vida pública e hoje vive como professor e lavador de carros RAIMUNDO VALENTIM
O professor e lavador de carros, César Bomfim, diz que apesar de toda perseguição deverá tentar voltar ao cenário político em 2016 e brigar novamente por uma cadeira na Cãmara Municipal CARLOS EDUARDO MATOS Equipe EM TEMPO
A
casa de dois andares com varanda herdada pelos pais é simples, antiga, localizada na rua Santos Dumont, bairro Praça 14, Zona Sul de Manaus. Parece que não recebe reparos há muito tempo, por conta das rachaduras e paredes com vergalhões expostos. Na garagem, um pequeno compressor, algumas esponjas e sabão fazem do local um lava a jato, frequentado por vizinhos e alguns taxistas que fazem ponto ali perto. A placa de isopor no pé da castanholeira, com um escrito a pincel, indica que ali se lava carros. Mas, quem passa em frente a esta casa, não imagina que ali reside um ex-vereador, que durante seu mandato foi vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM). César Roberto Cerqueira Bonfim, 56, homem que marcou a história política local na década de 1990, hoje é professor de matemática formado pela Universidade
Federal do Amazonas (Ufam) e atualmente dá aulas no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) na avenida André Araújo, bairro Aleixo, também na Zona Sul, nos altos de uma agência bancária. A vida parlamentar ele deixou para trás. Bonfim mora na casa antiga com o irmão mais novo, de 50 anos, que não é casado. Casouse duas vezes, separou das duas esposas e tem três filhos adultos. “Eles vêm aqui, com frequência, me visitar. Estou sozinho, mas feliz”, disse. Bomfim recebeu a reportagem do EM TEMPO no pátio da casa antiga que ele usa como lava a jato. “Não estou falido, não. Meu mundo é este e sei tirar bom proveito dele. Não adianta ganhar o mundo e perder alma”, salientou. Bonfim entrou jovem na política, sendo vereador de Manaus aos 31 anos, no
período entre 1988 a 1996. No primeiro mandato, viveu uma época de forte turbulência, que resultou na cassação do mandato e, consequentemente, na perda da credibilidade. Na época, durante a administração do então prefeito Arthur Neto, ele foi alvo de escândalos por suspeita de desvio de recursos da Câmara Municipal. O principal deles foi o uso indevido de um fundo para cobrir gastos pessoais dos vereadores com saúde, já que o parlamento não oferecia plano. Enquanto esteve na presidência, alguns parlamentares usaram recibos falsos para terem acesso ao dinheiro, que, na época, foi descoberto que era usado até mesmo para pagar academia de ginástica. Houve caso em que um vereador usou o recibo de um ginecologista para pedir o ressarcimento. O escândalo durou mais de três anos e uma CPI resultou na cassação do mandato de César Bonfim, já no segundo mandato, na administração do prefeito Amazonino Mendes. “Maioria dos vereadores envolvidos nesse golpe
ressarciu os cofres públicos, mas permanecem no poder até hoje e nunca foram apontados como culpados. Não fizeram a mesma ‘caça às bruxas’ com eles. Esse escândalo envolvia vários parlamentares, porém, fui o único alvo”, lamentou. Bonfim contou que, enquanto esteve à frente da presidência da Câmara
EX-VEREADOR César Roberto Cerqueira Bonfim, 56, homem que marcou a história política local na década de 1990, hoje é professor de matemática e faz bico lavando carros na porta da sua casa na Praça 14 Municipal, não era aliado de Arthur Neto. “Projetos que não eram do interesse da população não tinham o meu apoio. Isso incomodou. Como presidente, tinha de ser submisso ao prefeito e eu não fui”, disse. Ele citou que, na época, comandou a votação de um projeto
de lei, de autoria do Poder Executivo, que previa o aumento em dobro do valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Numa manobra, maioria dos vereadores votou contra. Também à frente da presidência, ele determinou a dispensa de mais de 2 mil servidores “celetistas” da casa, ou seja, contratados por meio das Consolidações das Leis do Trabalho (CLT), e extinguiu o plano de aposentadoria à vereadores que exerceram mais de três mandatos, o que beneficiaria vários colegas. “Fui contra muita coisa suja e paguei caro por preservar meu caráter. Certo dia, em meio a minha cassação, um colega vereador, antes amigo meu, disse: ‘Me desculpa, mas a ordem de cima era ferrar com você’. Acho que nenhum político desse Estado apanhou tanto quanto eu”, contou. Os escândalos envolvendo César Bonfim o tiraram da vida pública. Ele não assumiu nenhum cargo político em órgãos municipais ou estaduais. Reservado, nos últimos anos ele tem se dedicado ao lava-jato e à
única cadeira de professor da rede estadual de ensino e dá aulas à tarde. “Não dá para viver só com salário de professor”, comentou ele. Bonfim não considera esta vida um declínio, mas uma forma que ele arranjou de viver e reconstruir o que o passado político destruiu. “Aqui, ninguém segura meu braço, me obriga a nada. Faço o que eu quero, meus filhos me amam, tenho muitos amigos e assim levo uma vida tranquila, feliz, sem ambições”, ressaltou. O professor de matemática disse que agora está limpo na Justiça e no Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde respondeu a processo por vários anos, pensa em candidatar-se a vereador, em 2016. “Quem votou em mim naquela época, vai votar de novo. Fui eleito pela pessoa de bom caráter que sou. Não precisei comprar votos, na época, para entrar na Câmara Municipal. Tenho muitos amigos e vou precisar deles daqui a dois anos. Eu voltaria à política, sim, mas desta vez tentando me proteger dos espinhos”, afirmou.
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‘Imprensa não investiga e sim divulga informações’ Presidente Dilma vai pedir informações ao STF sobre caso da Petrobras. Ela afirmou que não pode agir “com base em disse me disse” da imprensa
Em entrevista no Palácio do Planalto, Dilma se irritou com as pressões da imprensa
ço na revista “Veja” e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a PF, o MP e o Supremo. Críticas Não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova. Porque o câncer que tem nos processos de corrupção é que a gente investiga, investiga, investiga e ainda continua impune”, disse Dilma, acrescentando: “ Não é possível que a revista “Veja” saiba de uma coisa e o governo não saiba quem é que está envolvido. Pedi primeiro para a PF, que me disse: não posso entregar, a investigação está em curso e peça ao MP. E o MP me disse a mesma coisa: se ele me disser, ele contamina a prova. Se ele me disser, ele contamina a prova. E reiterou, irritada: “Quando sai uma denúncia na “Veja” ou em qualquer outro jornal, eu não tomo medida, porque
sou presidente da República, baseada no disse me disse. Tomo medida baseada inclusive naquilo que sou a favor, que é da investigação absoluta. Vamos deixar uma coisa clara aqui: Quem é que descobre as práticas de corrupção no Brasil? A PF. Porque a PF tem hoje uma autonomia integral para investigar quem quer que seja. Sempre que vazam informações que estão em investigação, sabe o que acontece? Compromete-se a prova”. Vazamento Para Dilma, os crimes ficam impunes no Brasil por causa do vazamento de informações. “O que queria saber? Queria saber sim, para eu tomar providências. O que eles me dizem? Se entregar a prova para você, estarei comprometendo a investigação. Acho que nessa investigação, ela está sendo diferente. A própria revista Veja diz que o inquérito, os depoimentos, a delação estão criptografados e guardados num cofre. Isso significa que nenhuma das falas é garantida. Ninguém sabe o que é”, disse a presidente, afirmando que tem um “imenso compromisso contra a impunidade”.
Costa: suborno chegava a 3% Na série de depoimentos que vêm prestando na condição de delator, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa fez uma revelação que surpreendeu os investigadores. Segundo eles, Costa disse que a propina paga pela estrutura da corrupção gira em torno de 3% sobre o lucro das empresas e não sobre o valor global dos contratos entre essas empresas e a Petrobras. Costa disse ainda que o lucro das empresas que executam obras ou prestam serviços para a estatal
fica entre 18% e 20% em cada contrato. Nesses valores estariam embutidos os gastos com a propina para políticos e para os intermediários dos contratos entre as empresas e a Petrobras. Para os investigadores do caso, a propina incluída no lucro seria uma espécie de refinamento da corrupção. As empresas conseguiam pagar a propina e, ao mesmo tempo, obter altos lucros porque, como disse Paulo Roberto Costa, o setor estaria cartelizado. As empresas
faziam combinações prévias de preços e, com isso, podiam ampliar as margens de lucros sem sofrer contestações. O superfaturamento, prática comum em casos de corrupção em obras públicas, estaria sendo minimizado porque é mais fácil de ser identificado pelos órgãos de fiscalização. “O problema não é mais o superfaturamento de tubos e outros equipamentos. Isso teria sido ultrapassado. O problema estaria na combinação de preços”, informou um investigador. DIVULGAÇÃO
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presidente Dilma Rousseff disse que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso ao depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, dentro do processo em que ele é beneficiado pela delação premiada. Enfática, Dilma disse que “não é possível” a imprensa ter informações e que, como presidente da República, não pode tomar providências com base no “disse me disse”. A petista disse que vai fazer o pedido ao ministro Teori Zavascki, que é o relator do caso no STF. Para a candidata, o papel da imprensa “não é de investigar e sim de divulgar informações”. A reação de Dilma ocorreu porque o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou acesso ao depoimento de Paulo Roberto Costa. Ela disse que não faz prejulgamentos e que, sem as informações oficiais, não pode “tomar providências”. Para Dilma, a impunidade é o maior mal do país atualmente. “Pedirei ao ministro Teori a mesma coisa: quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho porque dizer que tem alguém envolvido, porque não reconhe-
Tolerância zero com impunidade A presidente se irritou ao ser perguntada sobre a declaração de Paulo Roberto de que teria recebido R$ 1,5 milhão de propina no processo de compra da refinaria Pasadena. Ela já tinha encerrado a entrevista e voltou para falar sobre o assunto. “Se você me disser para quem ele disse, quem disse e como é que disse, eu respondo. Recebo informações de juiz, de procurador e de delegado da PF. Sou a favor de investigar, nada colocar para debaixo do tapete. Acho que
o maior mal atual é a impunidade. Se investiga, descobre o mal feito e não condena, cria a sensação de que não teve pena nenhuma. Sabe por que protege com a impunidade? Porque você não prende, não pune e só tem um jeito: tem que punir. Por isso é que se diz: tolerância zero”, disse ela, irritada e falando enquanto caminhava na rampa interna do Palácio da Alvorada. Dilma ainda criticou a especulação na Bolsa de Valores e no mercado financeiro com base no resultado de
pesquisas eleitorais. “Acho ótima a reação da Bolsa. Quando a Bolsa cai, eu falo: será que eu subi? Tá ficando ridículo isso. Especulação tem limite! E acho que tem gente ganhando com isso. Eu não sou, eu perco, tá? Acho desagradável o fato de acharem que uma coisa está vinculada à outra. Quando sobe, ou quando desce. Não comentei e não comento pesquisa nem quando sobe e nem quando desce. Nunca comentei na vida”, disse, irônica.
Paulo Roberto Costa disse, em depoimento, que lucros da Petrobras eram desviados
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SILOVA/EBC
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Marina: não vou entrar em ‘valetudo’ para ganhar Candidata diz não estar preocupada com pesquisas e que quer continuar apresentando ao país suas propostas
Marina Silva (PSB) diz que sua queda nas pesquisas não é preocupante
DIZ DATAFOLHA
Eleitores não sabem em quem votar De cada 10 eleitores, 7 não sabem em quem irão votar para deputado federal nem estadual. É o que mostra pesquisa Datafolha finalizada no final de semana, a pouco mais de duas semanas da eleição. O grupo com maior taxa de gente sem candidato a federal é o dos jovens. Entre os que têm 16 a 24 anos, 80% ainda não escolheram. No caso dos estaduais, a maior taxa está entre os que têm ensino fundamental: 75% estão sem nome definido para votar. Em todas as regiões do país essas taxas estão sempre acima de 60%. Os valores são muito altos se comparados com os da eleição presidencial, por exemplo. Na disputa pelo Planalto, segundo a mesma pesquisa, 67% citam algum nome quando o instituto pergunta ao eleitor em quem ele irá votar e pede uma resposta espontânea (sem a apresentação dos nomes dos candidatos). Há várias hipóteses para explicar essa disparidade. Uma delas é a coincidência de cinco eleições na mesma
ocasião. Além das disputas para as Assembleias Legislativas, para a Câmara e para o governo central, há ainda as eleições de governador e de senador. Ofuscadas Como a da Presidência e as de governadores natural-
TAXAS
Maior taxa de gente sem candidato a federal é a dos jovens. Entre os que têm 16 a 24 anos, 80% ainda não escolheram. No caso dos estaduais, a maior taxa vem de quem não tem ensino fundamental mente recebem muito mais destaque e atenção, as eleições parlamentares acabam sendo ofuscadas. Outra hipótese é o desalento dos eleitores com o Congresso e com as Assembleias. Em pesquisas de confiança e credibilidade, os parlamentos invariavelmente têm as piores notas.
Sistema não ajuda na decisão do eleitor O sistema eleitoral brasileiro também não ajuda o eleitor na hora da escolha. O modelo de voto proporcional em lista aberta faz com que cada votante tenha que escolher um entre centenas de candidatos inscritos em cada Estado. Em São Paulo, por exemplo, há mais de mil opções, somando os candidatos dos mais de 30 partidos. Uma oferta tão gigantesca pode mais atrapalhar do que ajudar. Ideias como voto em lista fechada (o eleitor só pode votar no número do partido, que apresenta uma relação de nomes antes) ou distrital (só pode votar nos candidatos de sua região) minimizaria esse problema. O mais provável é que a alta taxa de eleitores sem candidatos seja uma combinação de todos esses fatores. O Datafolha fez 5.340 entrevistas em 265 municípios entre nos dias 17 e 18 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.
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candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, afirmou que não está “preocupada” com sua queda nas pesquisas e que não vai “entrar em vale-tudo para ganhar as eleições” de outubro. “Não estou preocupada (com a queda nas pesquisas) porque, para mim, estamos dando uma contribuição cidadã”, disse Marina, em entrevista a jornalistas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. “Vamos continuar apresentando nossas propostas e fazendo uma campanha limpa. Não queremos entrar no jogo de que vale de tudo para ganhar as eleições. Não vamos sacar mentiras e boatos a quem quer que seja”, completou.
O comitê de Dilma Rousseff, por outro lado, comemorou os números. Com o resultado, coordenadores da campanha petista querem ampliar a operação para ‘’desconstruir’’ a candidata do PSB, explorando na TV e nas redes sociais o que chamam de ‘’dubiedades’’ e ‘’fragilidades’’ da concorrente. Pesquisa Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (19) mostrou Marina com 30% das intenções de voto, sete pontos atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), que tem 37%. Aécio Neves (PSDB), com 17%, está em terceiro lugar. Nas projeções para o segundo turno, a diferença entre Marina e Dilma caiu de dez para dois pontos nos últimos dias. As duas aparecem agora empatadas tecnicamente: Marina com 46% e Dilma com 44%. A pessebista voltou a falar que é vítima de ataques
“mentirosos” dos adversários e que PT e PSDB “estão unidos pela primeira vez na história do país em uma cruzada” contra ela. “O PT quer permanecer no mesmo lugar, com inflação alta que ameaça as conquistas da sociedade. Voltar atrás com PSDB é o mesmo temor”, disse Marina, cobrando ainda que a presidente Dilma explique os dados do Pnad divulgados nesta quinta-feira (18), que apontam para uma estagnação da queda na desigualdade social do Brasil. Estratégias de defesa No comitê de campanha a ordem é “resistir”. A avaliação é a de que a perda de substância de Marina nas pesquisas chegou ao limite e que o tom emocional, como o programa de TV em que a candidata falou da fome que passou na infância teve efeito positivo e deve se repetir. De acordo com aliados de Marina, o confronto direto com o PT ou com o PSDB não é a melhor estratégia para a presidenciável. Marina tem apenas dois minutos de propaganda na TV, contra onze de Dilma e pouco mais de quatro minutos de Aécio.
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Jovens são apenas 6,8% dos candidatos nestas eleições Candidatos com menos de 29 anos somam 6,8% do total, enquanto essa faixa etária responde por mais de 50% da população
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SEGMENTO
Apesar da baixa representatividade desse segmento, entre os que disputam a corrida eleitoral, a assessora política do Inesc, Carmela Zigoni, afirma que há sinais positivos nos dados levantados de negros (45,4%) e mulheres (52,3%). “A gente acredita que tem um caminho de maior equidade acontecendo nas candidaturas”, afirmou, apesar de reconhecer que a participação ainda é inexpressiva. “Muitas vezes isso acontece porque a juventude não compreende o sistema político como representativo de suas demandas e busca outras formas de organização política”, completou a pesquisadora. A distância entre o perfil da população brasi-
leira - que será representada por alguns destes nomes - e o perfil dos possíveis representantes identificados no levantamento também confirmou o desequilíbrio em relação às candidaturas de mulheres. Apesar do sexo feminino representar a maior parte da população, elas são apenas 30,7% entre os candidatos a deste pleito. De acordo com os pesquisadores do instituto, os partidos “somente cumprem as cotas de 30% previstas em lei” e o resultado é que as candidatas pretas, pardas e indígenas “permanecem invisibilizadas entre as candidaturas majoritárias”.
Brancos, negros e indígenas A composição das candidaturas de mulheres brancas, mulheres negras e indígenas que têm a menor representação no pleito é superada inclusive pelas de homens negros que já estão em desvantagem em termos de candidaturas. Dos quase 26 mil candidatos registrados, 38,6% são homens brancos e 30% são homens negros, enquanto 16,5% são mulheres brancas e 14,2% mulheres negras. “Ao que tudo indica, na hora do voto, a dupla discriminação opera
– a de gênero, raça e cor – uma vez que contam-se nos dedos as parlamentares mulheres negras presentes hoje no parlamento. No caso das mulheres indígenas, a situação é mais grave: o Congresso Nacional não conta com nenhum representante desse grupo da população”, concluíram os pesquisadores. Os dados do levantamento serão divulgados hoje, em um encontro em Brasília, aberto ao público. Todas as informações foram reunidas em uma publicação
que será distribuída gratuitamente no local. No período da tarde, representantes de diversas organizações sociais vão discutir como a sub-representação pode ser solucionada em uma reforma política mais completa do que as que vêm sendo propostas no Congresso.
A baixa representatividade dos jovens como candidatos não preocupa especialistas
DIVULGAÇÃO
presença de candidatos jovens entre os 25.919 nomes que vão concorrer neste ano a 12 cargos federais e estaduais ainda está muito abaixo do esperado, segundo o levantamento da Sub-representação de Negros, Indígenas e Mulheres: Desafio à Democracia lançado na sexta-feira, pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em Brasília. O estudo feito a partir de dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral destaca que os candidatos com menos de 29 anos somam 6,8% do total, enquanto essa faixa etária responde por mais de 50% da população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da baixa representatividade desse segmento entre os que disputam a corrida eleitoral, a assessora política do Inesc, Carmela Zigoni, afirma que há sinais positivos nos dados levantados. Como esta é a primeira eleição em que os candidatos tiveram que declarar - além do sexo, raça e cor, a partir do corte usado pelo IBGE, foi possível identificar que entre os candidatos jovens está a maior participação
EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato, Carlos Eduardo Matos e Assessorias
REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva, Klinger Santiago, Leonardo Cruz e Mário Henrique Silva
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
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ilustração de Claudius
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 11 INDICAÇÕES
BRASILEIRO LIVRO | PAULO BENEDICTO PINHEIRO O volume “Organização das Horas” é uma reedição da obra de 1974 do poeta paulista (1934-80). “Só é pena que um rígido sistema/ não pulverize logo o suicida,/ deixando em branco/ espaço destinado/ a um novo produtor/ desempregado”, escreve ele no poema “Especialização Técnica”. Córrego | R$ 25 | 72 págs.
E-BOOK | JOSÉ GERALDO VIEIRA A editora de livros digitais inicia a publicação da obra completa do escritor (1897-1977) com o lançamento de três títulos (disponíveis na Amazon): “Território Humano” (1936), “O Albatroz” (1951) e “Terreno Baldio” (1961). Os dois últimos têm apresentação de Alfredo Bosi e Francisco Foot Hardman,respectivamente. Descaminhos | R$ 9,90 (cada um)
BATE-PAPO | RUY CASTRO O projeto Primeira Página, dirigido por Cândida Morales e Clovys Torres, recebe o escritor e colunista da Folha, que repassa os principais momentos de sua trajetória como autor. Os atores Mel Lisboa e André Garolli e a jornalista Mona Dorf participam. Tuca (PUC-SP) | tel. (11) 3670-8455 | ter. (23), às 20h | R$ 50
FOTOS DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | IRANIANOS Para encerrar um mês de residência no Rio, os artistas iranianos Shadi Ghadirian, Amin Aghaei, Ali Zanjani e Farnaz Jahanbin inauguram a mostra “Iran_Rio Art Connection”. A abertura terá apresentação de música folclórica persa. Largo das Artes (Rio) | tel. (21) 22242985 | abertura na qui. (25), às 19h | de seg. a sex., das 11h às 18h | grátis | até 31/10
1 MÚSICA | PIXINGUINHA “Outras Pautas “” Pixinguinha em Concerto”, promovido pelo Instituto Moreira Salles, reúne os 30 músicos da Orquestra Pixinguinha na Pauta, que executam arranjos originais do maestro para 13 de suas composições. Teatro João Caetano - Rio | tel. (21) 2332-9166 | ter. (23), às 21h | R$ 20
Still de ‘Twenty Eight’ (2014), de Amin Aghaei
TEATRO | FAUSTO Com direção de Claudia Schapira e Georgette Faddel, a Cia. São Jorge de Variedades estreia sua montagem da obra de Goethe sobre o pacto de um homem com o diabo. A peça leva ao palco músicos e vídeo. Sesc Pompeia | tel. (11) 3871-7700 qui. a sáb., 20h; dom., às 18h | R$ 40 | até 9/11
CINEMA | O PEQUENO FUGITIVO A “Ilustríssima” fez três perguntas ao americano Richie Andrusco, 69, que viveu o garoto Joey no filme de Ray Ashley, Morris Engel e Ruth Orkin. O longa de 1953, que volta aos cinemas de São Paulo e Rio na quinta (25), influenciou cineastas como Truffaut, com seu Antoine Doinel, de “Os Incompreendidos”.
POP
ERUDITO
LANÇAMENTO | FABRÍCIO CORSALETTI O colunista da Folha lança “Ela me Dá Capim e Eu Zurro”, que reúne crônicas publicadas na revista “sãopaulo” e quatro textos inéditos. Os escritores Antonio Prata, Chico Mattoso e Reinaldo Moraes foram convidados a fazer leituras no evento. Espaço Cult | tel. (11) 3032-2800 qui. (25), às 19h | grátis ed. 34 | R$ 32 | 160 págs.
Folha - O filme mudou sua infância? Richie Andrusco - Eu tinha sete anos e fazer o filme foi muito divertido pra mim. Todo mundo me reconhecia, mas eu não era uma grande estrela, só era uma criança que esteve em um filme. Não mudei muito, eu não me beneficiei disso, na escola ou algo assim.
LIVRO | LITERATURA PORTUGUESA Em “A Mão que Escreve”, Teresa Cristina Cerdeira, professora de literatura portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, visita, em ensaios, a produção de escritores do país, de Camões a Inês Pedrosa, passando por Pessoa e Saramago. Casa da Palavra | R$ 44,90 | 224 págs.
EXPOSIÇÃO | IVÁN ARGOTE “Let’s Write a History of Hopes” é a primeira individual do artista colombiano radicado em Paris, conhecido por suas intervenções urbanas. Também estará em cartaz “Insustentável Paraíso”, na qual o paulistano André Komatsu questiona a arquitetura modernista. Vermelho | tel. (11) 3138-1520 | abertura na ter. (23), às 20h | ter. a sex., das 10h as 19h; sáb., das 11h as 17h | grátis | até 25/10
E-BOOK | PEDRO LEMEBEL A partir de terça, dia 23, a editora Cesárea vai disponibilizar para venda “Essa Angústia Louca de Partir”. O volume é uma coletânea de textos curtos do escritor e performer chileno, que esteve em São Paulo para a Balada Literária e o Festival Mix do ano passado. trad. Alejandra Rojas Covalski Cesárea | R$ 8 | cesarea.com.br
Você fez testes para o papel? Não houve testes. Meu irmão mais velho e eu estávamos em Coney Island [onde se passa o longa], eu estava no carrossel, Morris Engel me viu ali e ele gostou da forma como estava no cavalo. Ele disse que gostaria de falar com nossos pais sobre eu estar em um filme. Pensamos que fosse uma piada, mas no dia seguinte eles ligaram. O acha de um projeto como “Boyhood”, de Linklater? Eu acho que, privadamente, todos registram o crescimento de uma criança, tirando fotos e fazendo vídeos caseiros, mas fazê-lo profissionalmente não acho que seja uma boa ideia, é uma invasão de privacidade e é expor sua vida para todo mundo, por que alguém faria isso? (ÚRSULA PASSOS)
Escultura da série ‘Excerpts’ (2014), de Iván Argote
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição DIVULGAÇÃO
CHRISTIAN WERNER, 43, professor livre-docente de língua e literatura grega da USP, dedicase à poesia helênica e a Guimarães Rosa.
ODIRES MLÁSZHO, 54, é artista plástico. Participa até 30/12 da exposição “Fronteiras Incertas: Arte e Fotografia no Acervo MAC USP”,
CLAUDIUS CECCON, 76, arquiteto e cartunista, reuniu 50 anos de obra em “Claudius” (Sesi-SP).
na unidade Ibirapuera do museu.
FABIO VICTOR, 42, é editor-adjunto da “Ilustrada”.
jornalista da Folha em Nova York.
HOMERO (séc. 8 a.C.) poeta grego a quem se atribui a autoria de “Ilíada” e “Odisseia”.
MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, 58, é
WASHINGTON OLIVETTO, 62, é publicitário.
PEDRO LEMBEL Leia a ficção ‘Carta a Liz Taylor’, que estará em e-book do autor chileno FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ARTES PLÁSTICAS Toronto inaugura arrojado museu dedicado à arte islâmica >>folha.com/ilustrissima
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PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
RESUMO A nova tradução da saga de Odisseu, a ser lançada em outubro pela Cosac Naify, valoriza aspectos de oralidade da obra de Homero, como a repetição de expressões e estruturas poéticas, e o emprego de fórmulas, como os nomes seguidos de epítetos, das quais este trecho fornece vários exemplos. A edição conta com apresentação do homerista norte-americano Richard Martin e posfácio do escritor e professor Luiz Alfredo Garcia-Roza. A imagem ao lado é uma das 26 colagens que estarão em edição especial da obra, com tiragem limitada de 2.000 exemplares.
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Nausícaa Um trecho do canto 6 da ‘Odisseia’
HOMERO TRADUÇÃO CHRISTIAN WERNER ILUSTRAÇÃO ODIRES MLÁSZHO
Assim ele lá dormia, o muita-tenência, divino Odisseu, dominado por sono e fadiga. E Atena foi até a terra, a cidade dos varões feácios. Eles antes moravam na espaçosa Hipereia, próximo aos ciclopes, varões arrogantes, que os lesavam, pois na força eram superiores. De lá fê-los erguer-se o deiforme Nauveloz, e assentou-os em Esquéria, longe de varão come-grão; em volta puxou muro para a cidade, construiu casas, fez templos de deuses e dividiu as glebas. Mas ele, já subjugado pela morte, partira ao Hades, e Alcínoo regia, versado em projetos vindos de deuses. À sua casa foi a deusa, Atena olhos-de-coruja, o retorno do enérgico Odisseu armando. Foi até o quarto muito artificioso no qual uma moça dormia, semelhante a imortais no físico e na aparência, Nausícaa, filha do enérgico Alcínoo, e junto duas criadas, cuja beleza vinha das Graças, de cada lado do umbral, as brilhantes portas trancadas. Como o sopro do vento, lançou-se à cama da moça, parou acima da cabeça e dirigiu-lhe o discurso, assemelhada à filha de Dimas, famoso pelas naus, de mesma idade que ela e agradável a seu ânimo. Semelhante a ela, disse-lhe Atena olhos-de-coruja: ‘Nausícaa, como a mãe te gerou assim desleixada? Tuas vestes lustrosas jazem descuidadas, e tuas bodas estão perto, onde tu mesma deves belezas trajar e as de outros providenciar, de quem te conduzir; graças a isso, marcha entre os homens um dizer bom, e o pai e a senhora mãe se agradam. Vamos, temos que lavar tudo quando a aurora surgir; contigo seguirei como ajudante, para que rápido aprontes, pois não serás virgem por muito tempo. Pela cidade, já te cortejam os melhores entre todos os feácios, onde está tua própria família. Vamos, incita o famoso pai antes da aurora a preparar mulas e carro, para que conduza cintos, peplos e lustrosas mantas. Também para ti mesma será bem melhor que ir com os pés: os poços são bem longe da cidade’. Ela, após falar assim, partiu, Atena olhos-de-coruja,
ao Olimpo, onde dizem a sede dos deuses, sempre segura, ficar: não é sacudido por ventos, nunca por chuva é molhado nem neve a ele se achega, mas o céu de todo se estende sem nuvens, e acima corre branco clarão; ali deleitam-se os deuses ditosos todos os dias. Para lá foi a olhos-de-coruja, após instruir a moça. Logo veio Aurora belo-trono, que a despertou, Nausícaa belo-peplo; presto espantou-se com o sonho e saiu pela casa para anunciar aos genitores, e lá dentro os encontrou, ao caro pai e à mãe. Essa, sentada junto à lareira com criadas mulheres, volteava fios púrpura na roca; e com aquele na porta deparou, de saída para encontrar reis renomados no conselho, chamado por ilustres feácios. Ela, parada bem perto, disse ao caro pai: ‘Querido papai, não poderias preparar-me um carro, alto, boas-rodas, para eu levar esplêndidas vestes ao rio para lavar, aquelas minhas que sujas estão? Também convém que tu, na companhia dos próceres, planejes planos com roupas limpas sobre a pele. E são cinco os teus filhos que vivem no palácio, dois deles casados, três, florescentes solteiros; eles sempre querem, com roupas recém-lavadas, ir à arena de dança: tudo isso ocupa meu juízo’. Assim falou, com vergonha de nomear vicejantes bodas ao caro pai; ele tudo percebeu e reagiu com o discurso: ‘Não te nego as mulas, criança, ou outra coisa. Vai; e para ti os escravos prepararão um carro, alto, boas-rodas, equipado com a parte superior’. Isso dito, deu a ordem aos escravos, e eles obedeceram. Eles então, fora, o carro boas-rodas com mulas aprontavam, conduziam as mulas e jungiram ao carro; e a moça trazia do quarto resplandecentes roupas. Essas ela dispôs sobre o carro bem-polido. A mãe na canastra punha iguarias deliciosas de todo o tipo, punha alimentos e vertia vinho em odre de cabra; e a moça embarcou no carro. Deu-lhe fluido óleo de oliva em lécito dourado para que se ungisse com suas criadas mulheres. Ela pegou o chicote e as rédeas lustrosas e chicoteou para puxarem; e as mulas faziam estrépito. Esticavam-se sem cessar; levavam a roupa e a ela, não sozinha, mas com ela seguiam duas criadas. Quando alcançaram a mui bela corrente do rio, onde as tinas eram perenes, e muita água, bela, corre do fundo, para limpar até o bem sujo, lá elas desatrelaram as mulas para longe do carro. Enxotaram-nas ao longo do vertiginoso rio
para pastarem capim doce como mel; e outras, do carro, pegavam a roupa com as mãos e levavam à água escura, e pisoteavam-na nas tinas rápido, rivalizando. Mas depois de lavar e limpar toda a sujeira, em ordem estenderam-na ao longo da orla, onde o mar ao bater na praia mais lavava pedregulhos. Elas se banharam e ungiram à larga com óleo, partilharam o almoço junto às margens do rio e aguardaram a roupa secar sob os raios do sol. Mas após as escravas e ela deleitarem-se com comida, brincavam com a bola, tendo as fitas soltado, e entre elas Nausícaa alvos-braços dirigia a música. Tal vai Ártemis pelos montes, a verte-setas, ou pelo muito elevado Taigeto ou pelo Erimanto, deleitando-se com javalis e corças velozes. Com ela as ninfas, filhas de Zeus porta-égide, campestres, brincam, e no juízo se alegra Leto; aquela mantém cabeça e fronte acima de todas, é fácil de reconhecer, e todas são belas – assim, entre as criadas, sobressaía a virgem indomada. Mas quando ia de novo retornar para casa, após jungir as mulas e dobrar as belas vestes, teve outra ideia a deusa, Atena olhos-de-coruja: Odisseu despertaria e veria a moça de bela face para que ela o guiasse à cidade dos varões feácios. A rainha então lançou a bola para uma criada; ela errou a criada, e em fundo remoinho caiu. Soltaram alto grito, e despertou o divino Odisseu. Sentando-se, revolvia no juízo e no ânimo: ‘Ai de mim, dessa vez atinjo a terra de que mortais? Serão eles desmedidos, selvagens e não civilizados, ou hospitaleiros, com mente que teme o deus? É como se me envolvesse feminina gritaria de moças, de ninfas, que habitam escarpados cumes de montes, fontes de rios e campos forrageiros; talvez esteja perto de homens dotados de fala. Pois bem, eu mesmo vou verificar e ver’. Isso dito, dos arbustos emergiu o divino Odisseu, e do bosque cerrado quebrou, com mão encorpada, ramo folheado, para no corpo proteger as vergonhas de homem. Foi como leão da montanha, confiante na bravura, que vem castigado por chuva, vento, e seus olhos faíscam. Mas ele vai para o meio de bois e ovelhas ou atrás de corças selvagens; ordena-lhe o estômago que, para testar as ovelhas, vá a uma casa protetora – assim ia Odisseu às moças belas-tranças unir-se, embora nu: a necessidade o atingiu. [Tradução publicada em primeira mão]
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MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Perfil
3 Ouvidor geral Tinhorão de volta à roda
RESUMO O historiador José Ramos Tinhorão protagonizou refregas ao se posicionar contra movimentos, como a bossa nova e o tropicalismo, e ícones da música popular. Aos 86, distante do noticiário e preparando o 29º livro, o crítico marxista, que diz ter rompido com a vida burguesa nos anos 80, segue inquieto, amado e odiado.
FABIO VICTOR
Sentado numa cadeira do boteco, as mãos espalmadas sobre os joelhos, José Ramos Tinhorão observa a roda de samba em homenagem aos seus 86 anos. O repertório daquele sábado se concentrou em Ismael Silva, o preferido do velho historiador e crítico. É uma tarde abafada do mais quente verão da história de São Paulo, e a roupa do aniversariante – calça, camisa, sapatos e meias sociais – destoa do clima instalado na calçada do bar da Vila Buarque, região central de São Paulo.
Destoar faz parte de sua natureza. Nos anos 1960, quando ganhou visibilidade nacional, Tinhorão menosprezava, em artigos na imprensa, a bossa nova que o Brasil e o mundo celebravam, algo que repetiria anos mais tarde com o tropicalismo ou qualquer manifestação que a seu ver maculasse ou macaqueasse a pureza da música produzida pelo povo. Ali nasceu o rótulo de crítico radical marxista e nacionalista que, alimentado à farta pelo próprio, jamais se descolaria dele. Quem passa pela festa não se dá conta de quem seja o homenageado. É compreensível. Faz pelo menos dez anos Tinhorão quase sumiu do noticiário. O isolamento é voluntário, pois ele continua lúcido, inquieto e prolífico. Finaliza seu 29º livro, sobre as origens do congado, manifestação de ascendência africana que, entre os séculos 17 e 19, foi uma das festas mais populares do Brasil. No mês que vem, a editora 34, que concentra a maior parte de sua obra, lançará uma reedição de “Música Popular - Do Gramofone ao Rádio e TV” (1981), com texto revisto e um novo prefácio. O homem que o ensaísta e músico José Miguel Wisnik já definiu como “o mais importante pesquisador de música
popular no Brasil” se queixa de ser subvalorizado. Mas sua obra ganha cada vez mais respeito e tem admiradores mesmo entre jovens com idade para serem seus netos, como se pôde ver naquela tarde de festejo. Equilibrando nos joelhos um exemplar de “História Social da Música Popular Brasileira” (ed. 34) de cujas páginas pulavam incontáveis post-its de cores berrantes, Elisa Meier Ferreira, bandolinista de 20 anos, sentou-se ao lado de Tinhorão. Viajara de Porto Feliz (a 118 km de São Paulo) só para tietá-lo, ao lado de suas irmãs Corina, 26, flautista, e Lia, 23, violonista. Elas formam o “Choro das 3”, grupo dedicado ao gênero. “Desde os 16 anos”, disse Corina, “leio e admiro o Tinhorão”. Os motivos ela vê resumidos no texto da contracapa do próprio “História Social” – um discurso pela valorização da identidade cultural e contra aqueles que, em busca de “apresentar-se como modernos”, acabam parecendo “estrangeiros dentro de seu próprio país”. Tinhorão também é revisitado, nas novas gerações, por quem o critica. Revelada na cena musical paulistana em 2013, a banda Filarmônica de Pasárgada incluiu em seu álbum de estreia a canção “Enfartando Tinhorão”, em que faz
troça do personagem-título. “Fiz esta canção pois me identifico musicalmente com o contrário do que Tinhorão sempre defendeu. É uma maneira bem-humorada de me contrapor às suas ideias. O admiramos como pesquisador e ao mesmo tempo discordamos de suas posições tão rígidas”, explica o compositor Marcelo Segreto, 31. Origens A rigidez a que se refere o músico de certo modo se liga às origens de Tinhorão, nascido José Ramos, a 7 de fevereiro de 1928 em Santos, litoral paulista, primogênito de uma família de imigrantes ibéricos – o pai era português e a mãe, filha de espanhóis. O pai foi garçom, vendeu bilhete de loteria e teve uma tinturaria, até se mudar com a família para o Rio, em 1937. Por exigência paterna, começou a trabalhar adolescente, antes de se formar em direito e jornalismo. Nunca exerceu a primeira profissão. Na segunda, começou em 1952, no “Diário Carioca”. Lá incorporaria à assinatura o apelido Tinhorão, nome de uma planta venenosa – contrariando o mito, a alcunha pela qual seria famoso não vem da peçonha que o caracterizou como crítico, mas de um chefe na Redação, que assim o chamou porque, do rapaz recém-chegado, só lembrava que tinha no sobrenome algo de vegetal. Foi também lá que conheceu Janio de Freitas, hoje colunista da Folha. “Foi o meu primeiro amigo no ‘Diário Carioca’. Já ali tinha vocação de intelectual, pesquisava literatura francesa do século 18. Era muito inteligente, muito reflexivo e analítico”, conta Janio. Ao liderar a reforma do “Jornal do Brasil”, entre 1958 e 1959, que faria do periódico do Rio referência nacional, Janio convidou o amigo para ser redator. No “JB”, Tinhorão fez-se pesquisador meticuloso e crítico musical ferino. Além de recuperar a memória de velhos sambistas – entrevistando nomes como Donga, João da Baiana e Pixinguinha –, passou a investigar as origens de manifestações da cultura popular urbana. O crítico começou a apontar a “impureza” da bossa nova quando o movimento estourou, em 1962. Dessa rusga viria boa parte de sua fama e um grande número de desafetos, que só cresceram à medida que Tinhorão atacava a nata da MPB ascendente, com alvos que iam dos tropicalistas a Tom Jobim, passando por Chico Buarque e Paulinho da Viola. Muitos reagiram, a começar por Caetano Veloso, que, em 1965, num texto publicado pela revista “Ângulos”, da faculdade de direito da Universidade Federal da Bahia, definiu como “histéricos” os artigos de Tinhorão. Caeta-
no voltaria a arengar com o crítico inúmeras vezes nas décadas seguintes. Mas o contra-ataque mais pesado veio de Sérgio Cabral, pai do ex-governador do Rio. Num artigo para o semanário “O Pasquim” em 1976, intitulado “Tinhorão agente da CIA?”, o jornalista e pesquisador musical recorria ao bom humor para fazer acusações sérias. “Qualquer relatório sobre a CIA ensina que uma de suas táticas é infiltrar agentes em movimentos hostis ao Estados Unidos para que esses agentes não só recolham informações como também prejudiquem os próprios objetivos do movimento com atitudes radicais”, diz o artigo. “Qualquer compositor de classe média que faça música, por mais talento que tenha, é logo acusado de deturpador [...] Noutro dia, ele chamou Caetano Veloso de mau caráter simplesmente porque Caetano dedicou um dos seus discos a Clementina de Jesus”. No texto, Cabral listava os artistas “esculhambados” por Tinhorão – “os pilares de nossa música popular”, definia, “atrapalham a penetração da música norte-americana no Brasil. Portanto, o negócio é destruí-los”. Passados 38 anos, Cabral – que trabalhou com Tinhorão no “JB” – se diz arrependido. “Era só provocação. Tinha lógica, mas era um absurdo. Fui grosseiro e me arrependo. Tinhorão não merecia: é um pesquisador sério. Sou fã dele”. Poucos se dispõem hoje a ressuscitar suas controvérsias com o crítico. Procurado, Caetano alegou, por meio de sua assessoria, falta de tempo para dar entrevista, mesma justificativa dada por Chico. Paulinho da Viola mandou dizer, pela sua mulher, “que não tem nada a falar sobre esse assunto”. O sogro O ataque no “Pasquim” apenas tangencia uma passagem pouco conhecida da vida de Tinhorão. Ao afirmar no artigo que o crítico era à época “muito bem protegido”, Cabral possivelmente se referia ao então sogro do colega, Antonio Ferreira Marques. Veterano da FEB na Segunda Guerra, o general Marques foi chefe do Estado-Maior do 2º Exército (em São Paulo) durante um dos períodos mais duros da repressão (ocupava o cargo quando Vladimir Herzog foi assassinado pelos militares, em 1975) e chegou a chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro no governo Figueiredo (1979-85). Cabral diz que sabia que Tinhorão tinha um sogro do Exército, mas jura que desconhecia quem era o militar e quanto poder ele detinha – a informação tampouco aparece na biografia de Tinhorão, e mesmo amigos mais
próximos afirmam ignorar esse capítulo. Tinhorão foi casado com Noely Marques de 1964 a 1980. Era um tempo em que frequentava colunas sociais, como a de Tavares de Miranda, na Folha. O casal teve três filhos. O pesquisador conta que há muito tempo não fala com eles. “Se você tem uma sociedade e um dia a empresa se desfaz, o que é que você tem que ver mais com seus ex-sócios?”, questiona. Ele emposta a voz e ironiza: “Aí você vai me perguntar: mas e as relações afetivas?”. E responde: “Meu casamento era burguês, para a família que eu tinha o importante era ter sucesso material. Como eu rompi com esses valores, me afastei automaticamente dos personagens que os resumiam”. Segundo Tinhorão, por um tempo, os filhos telefonavam em seu aniversário, mas nem isso fazem mais – “o que é um conforto para mim”, diz. Indagado sobre se suas posições de esquerda interferiram na sua relação familiar, afirmou: “Perto de mim, ele [o sogro] não falava de determinados assuntos. Era uma coisa tácita. Ele sabia que eu não ia aprovar e eu mais ou menos sabia o que poderia sair daquela cabeça. Então pra que é que eu ia mexer?”. Liberto O novelão estaria circunscrito à vida pessoal do crítico, não fosse a separação ter marcado uma guinada na sua carreira. Vivendo desde 1968 em São Paulo, para onde se mudara ao aceitar convite da revista “Veja”, ele separou-se em 1980 e, ao passo que diminuía sua colaboração com a imprensa, se aprimorava como historiador da cultura. “Você não se separa, vira homem liberto: casamento é escravidão. Ele te dá obrigações morais, éticas e sentimentais e te amarra economicamente. A vida individual acaba, você passa a ser um homem de família, o que é incompatível com a atividade de pesquisador”. Tinhorão deixou “uma casa burguesa” na Vila Nova Conceição, bairro nobre na zona sul paulistana e mudou-se para uma quitinete de 31 m² na rua Maria Antonia, que já usava como escritório e arquivo. A partir dos anos 90, rato de sebos e bibliotecas, passou a ser referido como aquele grande pesquisador que vivia entre livros num apartamentinho no centro de São Paulo. Estimulava a lenda, dizendo que, sem espaço para cama, pernoitava num saco de dormir e que coleções de jornais e revistas lotavam o minúsculo banheiro. Janio de Freitas acredita que a opção de Tinhorão pela pesquisa foi motivada pela reação que o trabalho do crítico provocava. “A contestação
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ZE CARLOS BARRETTA/FOLHAPRESS
Tinhorão em sua casa, na região central de São Paulo
sobre ele ver influência americana em tudo criou muita polêmica, e a polêmica o levou a deixar o jornalismo. Ele é muito polêmico, é do temperamento dele, mas não é mal-humorado, é engraçado, e pagou por isso”. Junto com o acervo, multiplicavam-se os livros de Tinhorão. Àquela altura, sua principal obra era a reunião de artigos “Música Popular: Um Tema em Debate”, seu segundo trabalho publicado, de 1966, e até hoje o seu livro mais conhecido. (O primeiro, do mesmo ano, foi “A Província e o Naturalismo”, ensaio sobre como essa escola floresceu no Ceará.) Fez obras de referência, como “Pequena História da Música Popular” (1974, na 7ª edição) e “A Música Popular no Romance Brasileiro”, trabalho em três volumes (1992, 2000 e 2002) que esmiúça como os ficcionistas do país trataram do tema. Investigou a gênese de manifestações pouco conhecidas (“O Rasga: Uma Dança Negro-Portuguesa”, de 2007), apresentou pioneiros (“Domingos Caldas Barbosa: O Poeta da Viola, da Modinha e do Lundu”, 2004, sobre o primeiro compositor popular do país). O velho de barba No entender do professor de história da USP José Geraldo Vinci, coorganizador, com Elias Thomé Saliba, de “História e Música no Brasil” (Alameda), Tinhorão aprofunda e ordena o trabalho iniciado por pioneiros da historiografia musical brasileira, como Almirante, Vagalume, Orestes Barbosa e Lúcio Rangel. “Ele coloca a carga dessa primeira geração a serviço de um discurso historiográfico muito articulado e documentado, que cria uma narrativa, uma interpretação, que pode até ser pessoal ou calcada em teorias discutíveis, mas que representa um grande avanço”. Segundo Vinci, dos desbravadores, Tinhorão guarda a concepção de música popular “naturalizada”, a ideia de que “só a música do povo é pura e bonita”, mas acrescenta aos antigos a documentação obsessiva e a visão marxista. Tinhorão explica que uma particularidade (o excesso) se compensa com a outra (o marxismo). “É como uma pessoa que come demais e não consegue digerir. Para evitar que isso acontecesse comigo, precisava de um método. O
meu é o materialismo histórico: a realidade observada numa sociedade de classes e a cultura numa cultura de classes. Vamos ver os fenômenos culturais conforme a área de quem produz e consome”. Ele não vê incoerência em – sendo ele mesmo de classe média e tendo se dedicado sempre à cultura popular – apontar a “apropriação” por sua classe social, da música das camadas mais baixas. “Assumi uma posição fora da minha classe. É preciso coragem para isso. Não digo que só a produção popular é que é válida. O que digo é que a classe média é que crie a produção dela. Quando tenta imitar, vira caricatura. Aí entra o velho de barba [Marx]: a classe média não é uma classe para si”. Tinhorão diz que “sofre” ao subverter sua classe. “Veja o drama: os que poderiam concordar com minha análise não podem me ler. E os que entendem detestam”. Na transição de crítico a historiador, não abriu mão de buscar novos alvos. Talvez o preferido seja a universidade, que ele associa a “acomodação”, em oposição à curiosidade intelectual que diz ser a mola do seu trabalho. “A especialização é burra. Quem está na academia é o competente burro, sabe tudo de sua área e não enxerga mais nada lateralmente. Minha forma de conhecer as coisas não tem bitola. Eu brinco nas 11”. O ressentimento com a academia é um dos aspectos mais intrigantes de sua trajetória. Faz anos que ele reclama do suposto desprezo que acadêmicos nutrem por sua obra, com quase-bordões como “eles comem Tinhorão e arrotam Mário de Andrade” ou “só sou citado como ‘apud’ [indiretamente, como o autor que teve acesso à fonte original]”. Como recorda José Geraldo Vinci, isso pode ter sido verdade; hoje não mais. “A academia não dava mesmo muita importância, não a ele, mas ao que ele estudava, a canção popular urbana. As ciências sociais e a história foram muito refratárias ao tema até o início dos anos 90. Hoje ele é respeitadíssimo. Mas acho que não recebe o debate com abertura de espírito”, comenta. O também historiador da USP Marcos Napolitano, autor de “História & Música” e “A Síncope das Ideias”, endossa
a visão do colega. “Tinhorão é referência para muitos, embora a historiografia da música popular tenha avançado para outras perspectivas nos últimos anos. Seus livros mais historiográficos são leituras correntes nas pesquisas acadêmicas”. Só uma vez Tinhorão dominou o asco que diz nutrir pela academia, quando, no final dos anos 1990, já septuagenário, fez um mestrado em história na USP, que resultou no livro “A Imprensa Carnavalesca no Brasil - Um Panorama da Linguagem Cômica” (Hedra, 2000). Ele gosta de frisar que só topou a experiência do mestrado porque precisava do dinheiro da bolsa para viajar ao Recife, base, junto com o Rio, da maioria das publicações carnavalescas pesquisadas. O percurso acadêmico foi “sui generis”. Tinhorão escolheu um orientador que nada sabia sobre o tema pesquisado, o especialista em Idade Média Jônatas Batista Neto, somente porque o conhecia das rodas de uma livraria do centro de São Paulo. “Não o orientei. Só lhe garanti a possibilidade de fazer o trabalho”, afirma Batista Neto. Tinhorão foi aprovado com louvor. Um dos integrantes da banca que avaliou sua dissertação foi o historiador Nicolau Sevcenko, professor da USP e de Harvard (EUA) morto no mês passado. “O que chama mais a atenção no trabalho do Tinhorão é a vasta erudição dele, o conhecimento quase enciclopédico de uma variedade de fontes empíricas de pesquisa, de coleções de documentos, de arquivos e bibliotecas, de testemunhas, depoimentos”, comentou Sevcenko, antes de listar muitas outras fontes de pesquisa do colega – 46 outras, precisamente. “Nesse sentido” acrescentou, “é uma referência imprescindível para qualquer pesquisador interessado em temas de cultura popular”. Além-mar Com “Os Negros em Portugal - Uma Presença Silenciosa” (Caminho, 1988), Tinhorão passou a publicar os resultados de sua crescente pesquisa naquele país, que visita ao menos um vez por ano, desde o começo dos anos 1980, para garimpar sebos e arquivos públicos. “O português faz silêncio sobre isso [a história da contri-
buição negra à cultura do país] e, como a bibliografia brasileira não falava nada, senti necessidade de ir lá”, conta o autor. Ele chamaria a atenção além-mar especialmente por esta obra e por “Fado - Dança do Brasil, Cantar de Lisboa” (Caminho, 1994), na qual desenvolve a tese – antes já levantada por nomes como Câmara Cascudo e Mário de Andrade – de que o gênero português teve origem no Brasil, a partir do lundu. Com seis livros editados em Portugal tornou-se referência entre acadêmicos do país. “Pelo seu fascinante contributo para a redescoberta ou iluminação do passado e pela sua oposição a mitologias várias que ainda perduram na imaginação da identidade nacional, a obra do Tinhorão, sobretudo o excelente ‘Os Negros em Portugal’, tem inegável valor”, diz o sociólogo Miguel Bandeira Jerónimo, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O musicólogo e professor da Universidade Nova de Lisboa Rui Vieira Nery agrega: “É um pioneiro da abordagem póscolonial, sobretudo ao chamar atenção para a influência mútua e para a circulação de modelos culturais entre o Brasil colonial e a metrópole portuguesa mas também para a importância do contributo africano para o tecido cultural luso-brasileiro”. Apesar das loas, Tinhorão não está imune a críticas de acadêmicos, ainda que em geral elas surjam de quem o admira ou respeita. É o caso de José Miguel Wisnik, professor de literatura na USP. Autodefinido “o maior conhecedor de José Ramos Tinhorão que eventualmente exista”, já passou alguns pitos públicos no historiador. No ensaio “Global e Mundial”, publicado em 2004 em “Sem Receita” (Publifolha), Wisnik rejeita o “fundamentalismo sociocultural” em defesa das classes populares encampado por Tinhorão. Num adendo publicado no mesmo livro, acusa Tinhorão de ter usurpado uma ideia sua sobre a originalidade do rap brasileiro como bom exemplo de “mundialização” que ele contrapunha à globalização. Wisnik narra que, num debate com Tinhorão, este desdenhou do rap (“pois já tínhamos o cordel, o repente e a embolada”, teria dito), mas que, três anos depois, em entrevista à
Folha, apresentou o gênero como “a grande novidade” da música popular do país – declaração que repercutiria muito à época e que seria ecoada meses adiante por Chico Buarque, como sintoma do esgotamento da canção. “O mais extraordinário é a composição da frase: ‘Costumo dizer que o rap é a grande novidade, porque restaura a música da palavra’. Como assim, costuma dizer? Em primeiro lugar, costuma coisa nenhuma; em segundo, quem disse isso a ele fui eu”, escreveu Wisnik. Tinhorão trata a acusação como “bobagem”. “Se ele falou isso na palestra, eu não lembro. O que eu disse é que o rap é uma forma de embolada, e isso ele não falou”, afirma, antes de repetir uma “boutade” sobre o assunto: “Quem primeiro fez rap foram os padres, que leram o texto evangélico em forma rítmica, os cantochões. Isso ele [Wisnik] nem sonhou em saber”. O que Tinhorão não tem como negar – embora também o faça – é o fato de, em meio à sua vasta produção, às vezes copiar a si próprio. A reportagem identificou duas passagens de um livro dele repetidas em outro, sem a devida citação (em um dos casos, apenas poucas palavras foram substituídas). Um trecho de três páginas sobre o tropicalismo de “Pequena História da Música Popular Segundo seus Gêneros” (págs. 283 a 286) ressurge idêntico em “História Social da Música Popular Brasileira” (págs. 339 a 342). Já uma passagem sobre o frevo editada nas páginas 161 e 162 de “Pequena História...” reaparece igual, com o acréscimo de uns poucos termos, na página 192 de “História Social...”. Indagado sobre se aproveitara partes de um livro no outro, afirmou: “Você diz transcrever? Não. Não me lembro. Na minha cabeça não cabe eu me transcrever – me citar sim, mas entre aspas”. O reconhecimento, no Brasil, ao trabalho de Tinhorão teve impulso significativo no início dos anos 2000, quando o Instituto Moreira Salles adquiriu seu acervo. Na sede carioca do IMS, na Gávea, a coleção que foi do historiador é a maior em volume entre as de música. Reúne partituras, discos, rolos de pianola, folhetos, fotos etc. Entre as raridades estão disquinhos tipo “berliner”, do início do século 20 (compactos de 70/72 rpm com músicas só de um lado) – um deles, gravado em Londres em 1901, traz o Hino Nacional Brasileiro executado por uma banda militar londrina –, a primeira edição do livro “Na Roda do Samba” (1933), de Vagalume, e coleções das revistas “O Malho” (1902-52), “Careta” (1908-52) e “FonFon” (1902-52). “Não dá para dizer que é nosso acervo mais importante, porque temos os de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga. Mas é sem sombra de dúvida a mais ampla e peculiar do IMS”, comenta o pesquisador Euler Gouvêa, um dos responsáveis pelos acervos musicais do instituto. Parrudo Tinhorão é baixo, parrudo e ereto. Anda sempre vestido de maneira formal. Afirma não ter dom para ensinar (“sou melhor escrevendo que falando”), mas pontua as conversas com leituras de longos trechos de seus livros, enfatizando as palavras finais e balançando o dedo em riste, como a frisar a validade do que diz. Não conhece a modéstia.
Seja nas apresentações de seus livros, em bate-papos ou entrevistas, está sempre a ressaltar os seus feitos. Diz que, para o novo livro sobre a congada, vai desmascarar “a mentira dos reis do Congo”, revelando que naquele país jamais houve monarquia e que os títulos de rei foram dados pelos portugueses para afagar os colonizados. “Eram reis de mentirinha, ninguém no Brasil ou Portugal escreveu isso”. Comenta que, em “De Índios, Negros e Mestiços” (1972, esgotado), foi o primeiro a desvendar as razões da integração dos negros africanos de Portugal ao catolicismo, por meio da devoção à Nossa Senhora do Rosário. “Quem levantou as hipóteses foi o menino aqui”. Tinhorão mantém a mesa impecável, e o fichário com a bibliografia dos temas que pesquisa, sempre atualizado. Escreve a lápis, depois passa a máquina de escrever e só então pede ajuda para digitarem no computador, tarefa em geral feita pela sua segunda mulher, a professora aposentada Maria Rosa Vieira, 21 anos mais nova e com quem vive desde 1980. Ela o trata por “Zezinho”. Dividem, com cinco gatos, um apartamento de 93 m² na alameda Barão de Limeira, em Campos Elíseos, na região central de São Paulo. A biblioteca é enxuta, formada por livros que está consultando e obras de referência. Com a ajuda da mulher, pesquisa no Google e na Wikipedia. A vídeos no Youtube, diz que só assiste “para sacanear plágio dos outros” – são notórias suas acusações de que clássicos da MPB, como “Águas de Março”, “Desafinado” e “As Rosas Não Falam”, são derivados de outras canções. Lúcido e vivaz, tem porém lapsos frequentes de memória, quando recorre à mulher (falava “naquela americana metida a brasileira” quando lhe faltou o nome de Rita Lee; Maria Rosa o acudiu). Admite ser pão-duro (“tenho mentalidade de proleta, sou meio mão de vaca”). Não almoça. Acorda tarde (“a manhã é feita para despertar”), toma um café reforçado e volta a comer no início da noite. Seu melhor amigo hoje é o ótico e bibliófilo Israel Souza Lima, 89, com quem sai às quartas e sextas para conversar, ler e frequentar sebos no centro de São Paulo – o outro era o pesquisador musical Humberto Franceschi, morto em junho último, aos 86. Tinhorão não toma cerveja (“embucha muito”), mas bebe vinho e cachaça, esta em geral aos sábados à tarde, quando vai religiosamente ao Amélia, o boteco onde ocorreu a roda de samba dos seus 86 anos. Tudo começou por causa de um sebo que existia em frente ao bar. Desde 2010, o bloco da turma do Amélia, o Esquina da Vila Buarque, o homenageia no Carnaval. Naquele sábado da festa, o samba esquentou, choveu por alguns minutos (depois de semanas em que a seca já então se instalara em São Paulo), a chuva foi-se com a rapidez que chegou. O velho pesquisador não se deixou afetar por tanto carinho. “Sou cínico. Acho gentil da parte das pessoas, mas a mim não causa emoção. Faz parte”. José Ramos Tinhorão diz não ter arrependimento ou remorso de querelas do passado, mas faz uma sutil admissão: “Eu poderia ter sido mais maneiroso. Teria sido mais cômodo, eu me tornaria mais conhecido. Mas é o meu jeito”.
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Diário de Nova York O MAPA DA CULTURA
4 Bandeira branca, terror O Detecta não viu os alemães na ponte
MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
Duas bandeiras brancas amanheceram hasteadas no topo da ponte do Brooklyn, no mês de julho, onde antes tremulava a flâmula americana. A novidade surpreendeu a cidade e gerou especulações sobre sua origem. Difícil saber quem teria feito aquilo, mas parte da imprensa logo se preocupou com o que parecia ser uma falha de segurança na prevenção ao terrorismo. Como um dos cartões-postais nova-iorquinos poderia ser tão vulnerável? E se tivessem colocado uma bomba? Um mês depois, dois artistas alemães, Mischa Leinkauf e Matthias Wermke, assumiram o “atentado”, que teria sido, segundo disseram, uma celebração à “beleza do espaço público” e à ponte suspensa – uma criação do engenheiro John Roebling, nascido na Alemanha. Nova York voltou a se preocupar com o terrorismo – e desta vez a sério – depois que dois jornalistas norteamericanos foram degolados pela milícia radical Estado Islâmico. As imagens na TV do algoz mascarado, faca em punho e discurso ameaçador, reavivaram o fantasma da Al-Qaeda. E foi nas rememorações do 11 de Setembro que Barack Obama aproveitou o ensejo para anunciar uma ofensiva militar contra o EI – logo ele, o presidente que se elegeu com promessas de encerrar as ações militares no Oriente
Médio e que lançou recentemente uma nova política externa, segundo a qual os EUA deixariam de se meter em atoleiros como Iraque e Afeganistão. O presidente falou em coalizão com outros países, em intensificar bombardeios aéreos, em armar e treinar rebeldes sírios, mas evitou chamar a coisa – que tem cheiro e cara de guerra – de guerra. O argumento é que não haveria envio de tropas terrestres. Pesquisas mostraram que os americanos até apoiariam o plano de Obama, mas sem soldados no chão. Mas isso seria possível? Difícil: em depoimento ao Senado, o general Martin Dempsey já declarou que a depender do cenário, o Pentágono recomendará à Casa Branca a participação de forças terrestres na luta contra o EI. Vendido na propaganda de Geraldo Alckmin como a última das maravilhas contra o crime, o sistema inteligente e integrado de câmeras de vigilância de Nova York (em São Paulo apelidado de Detecta), foi desenvolvido pelo Departamento de Polícia e pela Microsoſt para servir, basicamente, de arma tecnológica na prevenção do terrorismo. Não flagrou os alemães escalando a torre da ponte do Brooklyn, mas em tese é capaz de detectar ações suspeitas e emitir alertas em tempo real. O Departamento de Polícia é sócio da empresa na comercialização do sistema para outras cidades do país ou do exterior, ficando com 30% do valor das vendas. Continua em cartaz até o fim
do mês, no New Museum, uma ampla e interessante mostra com a participação de quase 50 artistas de 15 países do chamado “mundo árabe” – um esforço, segundo a curadoria, de exibir um universo estético ligado a urgências da cena regional e global. A exposição chama-se “Here and Elsewhere” (aqui e em outros lugares), título tomado de empréstimo de um filme de Jean-Luc Godard, de 1976, que nasceu como como um documentário pró-palestino, mas evoluiu para uma reflexão sobre a ética da representação e das imagens como instrumento de consciência política. Embora em alguns casos os artistas não ultrapassem a ilustração do factual tenebroso, há muita coisa interessante para ver, que transcende o previsível discurso artístico engajado e inquieta o público com inteligência e sofisticação. O verão se foi, já sopra um vento fresco, as bermudas somem das ruas e a temporada cultural se agita. Nesta semana, Laurie Anderson faz duas apresentações no BAM, no Brooklyn, mesmo lugar em que Caetano Veloso apresenta seu “Abraçaço”. Para quem quiser se informar sobre o que vem pela frente, o “New York Times” publicou um guia com 100 eventos da estação. Para os que se ligam em arte, a dica é o site e o aplicativo NY Art Beat, que lista 600 programas em museus e galerias – e permite buscas por categoria, localização e datas. Despeço-me aqui do “Diário do Nova York”. No mês que vem estarei de volta à Pauliceia. Foi bom enquanto durou.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
5 Uns negronis com Gore Vidal Ravello, 2002
ACERVO PESSOAL
Washington Olivetto, Gore Vidal e Patrícia Olivetto
WASHINGTON OLIVETTO
Entre os dias 28 de junho e 5 de julho de 2002, estive em Ravello, no sul da Itália, convidado pelo sociólogo Domenico De Masi para dar uma palestra no seminário de verão que ele realizava naquela cidade, em conjunto com a Universidade La Sapienza, de Roma. Tema do seminário: “A Desorienta-
ção” – nas organizações, na economia, na estética, na cultura, na política. O convite do meu amigo nos propiciou, a mim e a Patrícia, minha mulher, dias inesquecíveis. Ficamos hospedados no magnífico hotel Palazzo Sasso, numa suíte com vista para o golfo de Salerno. Comemos o melhor da comida amalfitana, incluindo quantidades industriais da especialidade da região: o espaguete ao vôngole. Bebemos magníficos vinhos italianos e fui homenageado
com um jantar ao ar livre na famosa Villa Eva, com direito a queima de fogos no final. Como se tudo isso não bastasse o local escolhido para a minha palestra foi a igreja de Santa Maria a Gradillo, um lugar belíssimo e com uma acústica literalmente divina. Tudo maravilhoso, tudo espetacular, mas o melhor ainda estava a caminho: no domingo, dia 30, o Brasil jogaria a final do Mundial de 2002 contra a Alemanha, e Domenico e sua mulher, Susi, resolveram reunir alguns amigos para assistir
ao jogo juntos e torcer para o Brasil – naquele tempo, essa prática dava resultado e eu até tinha levado algumas camisetas da seleção para dar de presente. Entre os amigos convidados por Domenico, estavam o simpaticíssimo prefeito de Ravello, Secondo Amalfitano, e o mais célebre habitante da cidade: o norte-americano Gore Vidal (1905-2012), considerado por muitos o melhor ensaísta do século 20. Não preciso dizer que, fanzaço que eu era do genial
escritor, virei rapidinho seu amigo de infância. Naquele dia e nos que se seguiram, bebemos vários negronis juntos (ele muitos mais do que eu), fomos convidados a conhecer sua casa, onde vivia com seu companheiro, Howard Austen, e que ficava pertinho da Villa Cimbrone, e conversamos por horas e horas. Eu me dediquei, em particular e por um bom tempo, a massagear seu mundialmente conhecido ego, comentando seus clássicos, como o romance “A Cidade e o Pilar” (1948),
falando sobre seu pseudônimo Edgar Box – com o qual assinou romances policiais –, sobre seus filmes e trabalhos para a televisão, a exemplo da minissérie “Lincoln”, e sobre duas peças de teatro, “The Best Man” e “Visit to a Small Planet”, que foram sucessos da Broadway e depois adaptadas para o cinema. Desses papos com Gore Vidal, recordo particularmente duas de muitas observações irônicas e bem-humoradas. A primeira foi quando ele me disse: “Você, que é da América do Sul, me responda uma coisa: o Uruguai existe mesmo ou é uma invenção dos sul-americanos pra dizer que por lá também existe uma Suíça?”. E a outra foi quando ele me perguntou se as traduções dos livros escritos originalmente em inglês eram boas no Brasil. Respondi que sim, e exemplifiquei comentando que eu havia acabado de ler um livro de Gay Talese muito bem traduzido. Com a cara mais “blasé” do mundo, Gore Vidal comentou: “Seu exemplo não vale. Gay Talese é muito fácil de traduzir”.
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Caderno C
Plateia MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
plateia@emtempo.com.br
DIEGO JANATÃ
Rapper DBS divulga CD na cidade, hoje (92) 3090-1042
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CASAMENTO GAY DO NORTE
LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
Sou a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo porque sabemos das questões que envolvem a decisão de duas pessoas quando resolvem viver juntas, como o direito à partilha de bens no caso da morte de uma delas. E eu acredito no amor entre as pessoas e elas merecem ser felizes. Já o governo precisa garantir que os indivíduos tenham o direito a essa escolha. Na atual conjuntura não dá para retroceder em relação à conquista do reconhecimento de uma união juridicamente. E independentemente de credo e religião, as opiniões das pessoas não podem se sobrepor ao bemestar da sociedade comum
Sou totalmente liberal em relação a esse assunto. Não vejo nada de mais, nem de menos. Mas, não acredito em nenhuma atitude mais liberal por parte de um governante. Acho que ninguém pode esperar muita coisa de um governante sobre esse tema, pois ele encararia uma barra muito pesada JOAQUIM MARINHO, radialista
LUCILENE CASTRO, cantora
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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
primeiro casamento coletivo gay da Região Norte foi realizado na última terça-feira, dia 16. Ao todo, 12 casais formalizaram a sua união homoafetiva na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na edição de hoje do “Plateia”, personalidades ligadas à área cultural da cidade comentam sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo e opinam a respeito da postura que um governante precisa ter em relação a esse assunto.
DIVULGAÇÃO
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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
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A união homoafetiva e um governo democrático
Não sou contra nem a favor do casamento gay. Sou a favor do casamento entre duas pessoas que se amam. Não importando o gênero. Sou a favor da individualidade do ser humano. Ninguém pode direcionar ou dar pitacos na vida e individualidade do outro. Padrão familiar de pai, mãe e filho é a condição de muitos. Normal. Mas, quem não segue esses preceitos deve ser respeitado na sua natureza. O governante deve legislar em favor do povo. Ele tem a obrigação de formar uma sociedade feliz, não importando, em primeira ordem, a constituição familiar tradicional. Porque família é aquela que abraça o homem e não o despreza MICHEL GUERRERO, ator e diretor
Eu encaro como uma coisa normal, porém, delicada, pois além de envolver pessoas, vivemos em um país preconceituoso e hipócrita. O que não pode é virar folclore e uma grande brincadeira. O que eu espero do novo governante é que trate não só este assunto, mas todos os demais com seriedade. Não dá mais para se viver sem educação, saúde, segurança e respeito. Chega de descaso, corrupção e roubos. Queremos e merecemos um país melhor e decente RUI MACHADO, artista plástico
Encaro esse assunto com naturalidade. Primeiro por sua condição emocional natural: é o afeto entre duas pessoas que se confirma, independente do sexo que tenham e, em seguida, porque juridicamente já se tem um processo de aprovação no Brasil, por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), baseada em decisão anterior do Supremo Tribunal Federal (STF). O Brasil é um país laico e soberano e todo brasileiro tem direito de ser feliz. O Brasil é regido por leis e pelo povo, não pela Bíblia ou dogmas. Um governante não deve seguir o que está no exterior do que almeja seu povo, não deve seguir seus preceitos individuais ou de nenhuma religião ou doutrina e sim governar com a democracia SÉRGIO ANDRADE, diretor e produtor
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Plateia
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FOTOS: MAURO SMITH
>> Fashion
Fernando Coelho Jr.
. Depois de um desfile inspirado por personagens como Ronald McDonald e Bob Esponja, Jeremy Scott, diretor-criativo da Moschino, se pautou em ninguém menos que a Barbie. . Sim, no desfile que apresentou o verão 2015 da marca, quinta-feira na Semana de Moda de Milão, as modelos – que estavam fantasiadas da boneca, com direito até a maxiperuca loira – o estilista mostrou uma coleção com muito rosa, roupas superfemininas, jeans e top cropped, entre outros detalhes. . A coleção-cápsula já está à venda no site da marca.
fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Objeto de desejo
>> Literária . Na próxima segunda-feira, acontece o lançamento do livro “Direitos Fundamentais e Competência de Reforma Constitucional – Os Limites Materiais das Emendas à Constituição”, na Editora Baraúna. . O autor Felipe Augusto Fonseca Vianna autografará a obra, a partir das 19 horas, no Espaço Thiago de Mello da Saraiva do Manauara Shopping.
>> Children
Fernanda Mendonça em noite de coquetel de lulus fino trato
. O Amazonas Shopping entrou no clima total lúdico. . Trouxe para Manaus o ‘Angry Birds Circus’, um super parque temático cheio de atrações para os bambinos locais. . Com atrações como Roda-Ovo, La Bamba, Kids Play, Tombo Legal e Labirinto Vertical, além de espaços reservados para pintura, jogos em dispositivos móveis, cenário ‘tire-fotos’ com réplicas gigantes e um divertido picadeiro, fazem parte do parque. Vale conferir.
. Pensando em deixar as festas de seus consumidores ainda mais estilosas, a Johnnie Walker acaba de lançar uma edição especial da garrafa de Gold Label Reserve. . Feito especialmente para o clima das festas, o Gold Label Reserve é um whisky que equilibra os sabores de frutas doces e cremosas com notas profundas de mel, finalizado com ondas de madeira. A nova garrafa, chic, tem formato que lembra uma barra de ouro e, claro, é toda dourada. Chiqueria pura!
Selma Reis e Lenúbia Aziz levando simpatia para evento concorridíssimo
Kátia Sebbem e Karina Bessa durante dinner-party no Classic Hall
>> Terceira idade . A Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) promove, de 21 a 26 de setembro, a 3ª Semana de Saúde. . A abertura da semana, denominada de Agita UnATI/UEA, acontece hoje, das 7h às 11h, no anfiteatro da Ponta Negra. De 22 a 26, as atividades acontecerão das 8h30 às 17h, na Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas- UEA. . O evento acontece em alusão à Semana Estadual do Idoso e foi criado com o objetivo de informar os idosos sobre situações e problemas que possam impedir um envelhecimento saudável, propondo alternativas de soluções, assim como ofertar serviços que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa. No encerramento haverá apresentação do espetáculo “Lendas e Mitos Amazônicos”, dos alunos idosos do Teatro Integração da UnATI/UEA.
Fabiana e Fabiola Moraes em noite très chic
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Samba Manaus com estreias e novidades Suel, do ImaginaSamba (de braços abertos), fala sobre a expectativa de participar do evento pela primeira vez
FOTOS: DIVULGAÇÃO
A banda carioca ImaginaSamba se apresentará pela primeira vez no festival e, entre as novidades do evento, estão a área VIP climatizada e o espaço “snack pit”
O cantor Thiaguinho está entre as 12 atrações confirmadas para o festival
SERVIÇO SAMBA MANAUS 2014
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grupo de pagode ImaginaSamba retorna à capital amazonense para realizar algo esperado por mais de 10 anos: se apresentar no Samba Manaus. O sonho almejado pelos músicos deixa de ser imaginação e se torna realidade na 14ª edição do festival, que acontecerá nos dias 10 e 11 de outubro, no sambódromo. Em entrevista exclusiva ao EM TEMPO, o vocalista Suel admite que a vontade de participar do Samba Manaus acompanha o grupo desde o início da carreira. “Sempre almejamos tocar neste festival de samba, que é o maior do mundo. Agora, vamos poder pisar nesse palco e, com certeza, será uma data memorável na nossa carreira”, disse. Para uma noite inesquecível em Manaus, os músicos prepararam um show ao nível da grandiosidade do evento, que reúne ao todo 12 atrações nacionais: Revelação, Raça Negra, Péricles, Thiaguinho, Harmonia do Samba, Belo, Sorriso Maroto, Turma do Pagode, Pixote, Mumuzinho e Os Travessos.
O vocalista do ImaginaSamba abre o jogo e adianta que o público vai curtir algumas novidades no repertório do grupo, entre elas as músicas do quinto e mais recente CD, “Você e ninguém mais”, além de composições do DVD “Imagina 10 anos”, gravado em 2013. “Vamos destrinchar neste show um pouco dos sucessos da nossa carreira e, é claro, mostrar também as novidades do CD lançado neste ano, e do primeiro DVD do Imagina. Vamos também colocar o público para sambar com uma homenagem ao pagode dos anos 90”, revela Suel, que também é o principal letrista do grupo. Coração de sambista Formado em Nova Iguaçu (RJ), o ImaginaSamba, carinhosamente chamado pelos fãs de “Imagina”, soma mais de 10 anos de carreira e tem como marca registrada o pagode romântico. Não é à toa que as músicas traduzem o perfil de sambista apaixonado, porém, com certa dose de ousadia nas letras. “A característica maior do grupo sempre foi o lado
romântico, apesar de colocarmos pitadinhas de sensualidade nas nossas composições”, admite o vocalista. “Buscamos inspiração no cotidiano e na vida das pessoas, além de histórias de amigos e um pouco de nossas experiências”. No coração dos sambistas, além de amores e paixões avassaladoras, também tem
EXCLUSIVO
O acesso ao snack pit é por debaixo do palco, onde as pessoas ficam bem próximas aos artistas. Essa estrutura será montada pela primeira vez num evento em Manaus espaço garantido aos fãs que conquistaram em todo Brasil. Em Manaus, foram inúmeros os pedidos para que o grupo entrasse no line up do Samba Manaus. Reconhecimento que, segundo Suel, sempre será motivo de gratidão aos músicos. “Os fãs conseguem se rein-
ventar e estão sempre se renovando. A cada show eles aparecem com uma surpresa diferente e isso é muito bom. Significa que estamos conseguindo participar da vida de todos de alguma forma. É o que conta no nosso trabalho”, comenta. Para encerrar, o recado vai direto para quem curte um bom samba: “Podem se preparar para uma noite incrível, que o ImaginaSamba estará presente, além de grandes artistas do samba e do pagode. Quem é pagodeiro não pode ficar de fora do Samba Manaus porque será ‘o’ evento!”, finaliza Suel. Estrutura inédita Para a 14ª edição do Samba Manaus, a Fábrica de Eventos – organizadora do festival – preparou mudanças na estrutura do evento. Entre as novidades deste ano está o espaço “snack pit” para os convidados do Camarote Stage. “O espaço é totalmente diferenciado, montado pela primeira vez em Manaus. O acesso ao snack pit é por debaixo do palco, onde as pessoas ficam bem próximas aos artistas,
quase tocando nos cantores. Neste espaço, os convidados vão assistir aos shows de uma maneira exclusiva”, adianta Bete Dezembro, proprietária da Fábrica de Eventos. Além do snack pit, no Camarote Stage os convidados contam com outras mordomias como open bar até as 4h. Os convidados do Stage terão ainda entrada diferenciada e banheiros exclusivos. O passaporte das duas noites de show, neste espaço, custa R$ 500, podendo ser parcelado em até 6 vezes nas compras on line no site www.fabricaingressos.com. Outra novidade é a área VIP climatizada. Nela, os convidados aproveitam o open bar até as 3h, além de entrada diferenciada, banheiros exclusivos e acesso ao front stage. Haverá ainda surpresas para o público nos intervalos entre as atrações nacionais. “Se você acha chato o intervalo de um show para o outro, no Samba Manaus este conceito será mudado. Nossos intervalos serão eletrizantes, mas só vai saber quem for”, avisa a coordenada da Fábrica de Eventos, Daiana Pereira.
Quando dias 10 e 11 de outubro Onde sambódromo Quanto Pista Individual 2º lote R$ 50 Pista Passaporte 2º lote R$ 90 Área VIP Individual 1º lote – sexta-feira (10) R$ 150 (meia) 2x cartão 2º lote – sábado (11) R$ 180 (meia) 2X cartão Área VIP Passaporte com OPEN BAR até 3h da manhã. 2º lote - R$ 250 (meia) 2x cartão água, cerveja Brahma, caipirinha, caipiroska, refrigerante e chope Brahma, além de entrada diferenciada, banheiros exclusivos e acesso ao front stage. Passaporte Camarote Stage com open bar até às 4h da manhã - R$ 500 (meia) 2x cartão água, cerveja Brahma, caipirinha, caipiroska, vodka importada, whisky 8 anos, refrigerante e chope Brahma. Entrada diferenciada, banheiros exclusivos, vista privilegiada dos shows! Camarote individual – R$ 180 por pessoa (meia) 2x cartão Pontos de stand da Fábrica de vendas Eventos no Amazonas Shopping e Loja da Fábrica no Shopping Cidade Leste Informações 3303-0100 e www. fabricadeeventos.biz
Mumuzinho, Harmonia do Samba e Péricles já confirmaram presença no Samba Manaus 2014
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DBS
‘É preciso JOGAR uma bomba ATÔMICA na burocracia’
FOTOS DIEGO JANATÃ
DIEGO JANATÃ
BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO
A
volta do projeto “Opção Sonora”, que leva assinatura de MC Fino, contará com um importante nome do rap nacional: DBS. O paulistano, que é casado com uma amazonense – acreditem ou não – é a atração principal do evento que acontece hoje, a partir das 14h, no Kanamary Show Club (avenida Coronel Teixeira, Ponta Negra). No repertório, clássicos que marcaram sua carreira como “Que Nem Judeu” e novidades do seu mais recente álbum, “Gordão Chefe”. Em entrevista ao EM TEMPO, o rapper falou um pouco desse novo trabalho, a mudança no movimento rap, a inspiração do brasileiro em artistas norte-americanos, o rap amazonense e sua visão política do país. “Acredito que um presidente deve ficar apenas 5 anos no poder. Essa coisa de trabalhar 2 anos e preparar os outros 2 anos para voltar para o cargo é muito triste”.
Não há problema em nos espelharmos nos Estados Unidos. Tudo começou lá, por mais que tenha uma origem na Jamaica, mas foram os caras que fizeram acontecer. Mas é preciso que cada um coloque a sua realidade dentro da música”
EM TEMPO – Você lançou no ano passado o seu mais recente trabalho intitulado “Gordão Chefe”, pela Bagua Records. Explica um pouco desse disco. DBS – Esse trabalho teve início em 2010 e conta com participações de Flora Matos, Projota, Tulio Dek, Emicida, RZO, Fausi (Tribo de Jah) e outras tantas pessoas importantes dentro do movimento rap. É um álbum que traz esse peso do terceiro trabalho, mas ele também vem em ritmo de comemoração. Completamos no final do ano passado 10 anos do lançamento do primeiro CD, então vem trazendo vários amigos, assim como foi no primeiro. EM TEMPO – O rap sempre teve suas letras ligadas
as críticas sociais. Mas de uns tempos para cá, o movimento está mais aberto para falar de relacionamentos, amores. Como você vê essa “mudança”? DBS – Acredito que foi uma mudança necessária, não apenas na minha visão, mas como de várias outras pessoas como o Mano Brown do Racionais MC. Não podemos nos amarrar, fazemos arte. Como na vida, temos dias bons e dias ruins. Não temos como falar apenas de problemas e o rap lá atrás já falava disso, mas qualquer pessoa que quisesse fazer algo relacionado a isso, era chamado de traidor. Quando você tem um movimento político, você tem que ter opção. Antigamente não se tinha essa opção. EM TEMPO – Isso vem da presença das mulheres atualmente no movimento rap? DBS – Uma das partes que eu acho que vem da mudança, vem da necessidade de tê-las não apenas na ação do rap, como cantoras, artistas, mas também nas próprias festas. E com essa nova direção, que o número de mulheres é muito maior. Estamos agregando bem mais que antes. Se você fecha muito um movimento, acaba deixando muita gente do lado de fora e a nossa ideia é sempre agregar. EM TEMPO – Durante muito tempo o rap foi marginalizado e isso se estende a Manaus. Você acha que a sociedade está mais disposta a receber o movimento? DBS – Começamos a ter uma evolução. É a junção de uma antiga e nova geração. Os caras que antigamente tinham um discurso muito duro, hoje em dia são pais de família. Somos de uma origem periférica, mas evoluímos com o passar dos anos. Os caras que no passado nós chamávamos
de “playboy”, hoje podem ser confundidos com qualquer um de nós. Temos carro, nossos filhos estudam em colégios melhores... Isso tudo vem mudando, sabendo que há, sim, uma forma de se protestar, mas por meio da música, por meio de outras ações. Acredito que isso tem sido mostrado e o resultado está aí. Novos espaços se abrindo, a inclusão de pessoas. É claro que temos nossa parcela de culpa, tudo tinha que ser do nosso jeito. Mas como o Ice Blue fala, era necessário até certo ponto ser mais firme, pois não havia respeito. Hoje temos que conseguir levar, ser mais flexível. EM TEMPO – Estamos próximo das eleições. Qual a tua visão do cenário político brasileiro? DBS – O rap em si sempre teve um “braço” para o lado do Partido dos Trabalhadores (PT). Houve sim mudanças importantes, mas o poder concentrando muito tempo em uma mesma “mão”, sem uma flexibilidade, começa a dar erro. Eu sou um cara que depois desses últimos 12 anos do governo PT espero uma mudança política. Acredito que um presidente deve ficar apenas 5 anos no poder. Essa coisa de trabalhar 2 anos e preparar os outros 2 anos para voltar para o cargo é muito triste. Tudo é paralisado e a máquina começa a trabalhar para beneficiar alguém ou um partido. Para mim, esses últimos anos me levaram a chegar nessa conclusão, que precisa haver uma mudança política. EM TEMPO – E o que você espera do próximo presidente? DBS – Espero que ele entenda o Brasil. Um país que é a sexta maior economia do mundo, um das maiores rendas do mundo e há uma desigualdade e uma mentali-
dade muito louca, onde a expectativa de crescimento das pessoas é mínima. Acredito que o pré-Sal é algo muito válido para o futuro. O Brasil merece ser cuidado. É preciso jogar uma “bomba atômica” nessa burocracia toda. EM TEMPO – O rap nacional tem como foco o norte-americano. Como você analisa isso? DBS – Na verdade, uma das coisas que sempre falei foi que não há problema em nos espelharmos nos Estados Unidos. Tudo começou lá, por mais que tenha uma origem na Jamaica, mas foram os caras que fizeram acontecer. Então, é normal você ter ídolos lá. Mas é preciso que cada um tenha sua personalidade e coloque a sua realidade dentro da música. Nunca podemos esquecer da nossa verdade. EM TEMPO – Como você vê o movimento rap em Manaus? DBS – A movimentação do Amazonas é muito legal. São pessoas apaixonadas pela música, pelo rap e que levam o lado do protesto, de usar a música como forma de resgate. Vejo o hip hop e o rap de Manaus como um dos melhores do Brasil, justamente por não ter o apoio necessário e, mesmo assim, fazem o dobro, triplo de ações, por esse amor ao movimento. EM TEMPO – E o que você apresentará no show de hoje? DBS – Não posso deixar de passar pelos meus trabalhos antigos, lógico, mas vou apresentar coisas desse novo álbum. “Gordão Nunca Tá Só” que ganhou clipe e que está na internet, “Os Inimigos Estão Próximos”, “Que Nem Judeu”, “Vai na Fé”, “Clã da Vida”... Pode ter certeza de que quem estiver presente vai ouvir muita música bacana.
Vejo o rap de Manaus como um dos melhores do Brasil, justamente por não ter o apoio necessário e, mesmo assim, fazem o dobro, triplo de ações, por esse amor ao movimento”
Se você fecha muito um movimento, acaba deixando muita gente do lado de fora e a nossa ideia é sempre agregar”
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
ARTE 1
Marieta Severo e Aderbal Freire Filho serão os convidados do “Arte 1 Em Movimento”, neste domingo, às 23h. Apresentação de Gisele Kato
Vôlei O SporTV vai transmitir o Mundial Feminino de Vôlei, direto da Itália, a partir de terça-feira, 23, até 12 de outubro. Equipe completa, com o preciso Jota Junior, Marco Freitas nos comentários e o repórter Felipe Brisolla. Chegando por aqui Durante os meses de novembro e dezembro, o “Domingão do Faustão” será apresentado diretamente dos estúdios da Berrini, em São Paulo. O Projac, no Rio, já estará inteiramente às voltas com a programação de fim de ano. Gravando Adriana Birolli já se reinte-
grou ao elenco de “Império” e vem participando normalmente das gravações há quase 15 dias. A personagem Amanda vai apresentar características bem diferentes da Maria Marta que ela fez na primeira fase. Situações diferentes O que passou a acontecer para Adriana Birolli, o retorno à novela, não vai valer para o Chay Suede. A sua participação se resumiu mesmo ao começo da novela. Agora ele vai reaparecer em “Babilônia”. A propósito disso... É importante esclarecer que Chay Suede, quando deixou a Record, foi contratado pela
Globo exatamente para fazer este novo trabalho de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Chama atenção Existe uma diferença das mais absurdas na iluminação dos estádios, que serviram de sede na Copa do Mundo, com todos os demais espalhados pelo Brasil. O pessoal que trabalha na geração das partidas é o que mais sente esta diferença. Em São Paulo... Por exemplo, isto já pode ser constatado em dois desses principais estádios. A diferença do Itaquerão para o Morumbi, nas transmissões pela TV, é como do dia para a noite.
Bate-rebate • Existiram dificuldades para programar Julio Iglesias convenientemente nos programas de televisão... • ... Algumas produções até tentaram viabilizar, mas não foi possível. • Anitta também vai entrar na trilha sonora de “Alto Astral”, a próxima das 7 na Globo. • Está tudo certo: a série “Lili, a Ex” estreia dia 24 de setembro no GNT... • ... Comédia romântica com Maria Casadevall e Felipe Rocha como protagonistas. • Sila da Conceição é o convidado desta noite da Marília Gabriela no “De frente com Gabi”, depois do Silvio Santos, no SBT. • Participação da Viviane Araújo em “Império” não será o tempo todo como manicure... • ... Tem coisa pela frente esperando por ela, que o autor Aguinaldo Silva ainda não abre.
C’est fini A Globo já definiu para 14 de dezembro, um domingo, a exibição do especial “Sintonize”, gravado domingo passado no Villa Mix, em Goiânia, com as participações de Luan Santana, Jorge e Mateus, Zezé di Camargo e Luciano, e Gusttavo Lima, entre outros. Direção de Luiz Gleiser e apresentação de Fernanda Paes Leme. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Band contratou Bacci para mais do mesmo Aula de aritmética: zero mais zero dá... Guardadas as proporções é o que fez a Band ao tirar do ar o “Primeiro Jornal” para colocar no lugar dele o “Café com Jornal”. A mesma emissora bancou a contratação do Luiz Bacci e caiu na asneira de colar o novo programa dele com o “Brasil Urgente”, do Datena. Tragédia anunciada. Embora existam esforços, os dois não conseguem fugir dos mesmos assuntos. Virou o mais do mesmo.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
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Programação de TV
DIVULGAÇÃO
SBT 5h Jornal da Semana 6h Igreja Universal 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Planeta Turismo 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas Dá Sorte (Local) 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda a Roda Jequiti 18h45 Sorteio da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h De Frente com Gabi 0h Nikita 1h Rizzola & Isles 2h Pessoa de Interesse 3h20 Agora É Festa O SBT exibirá mais um episódio da série policial “Nikita”
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 A vida cotidiana e o trabalho estão bastante movimentados. Coloque alguma ordem no modo de conduzir os afazeres. Não dá para permanecer sem orientação por muito tempo. TOURO - 20/4 a 20/5 Uma nova fase se avizinha para a vida financeira. Planos importantes começarão a abrir perspectivas que antes não existiam. Coloque bastante empenho para isso se realizar. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Sua interioridade anda bastante inquieta e insatisfeita, como se faltasse o fundamental. É preciso correr riscos controlados para mostrar uma nova face de sua identidade. CÂNCER - 22/6 a 22/7 As inquietações que borbulham em seu interior apontam agora para alguma possível solução. Transformar o relacionamento com as pessoas é o início de nova ordem interior. LEÃO - 23/7 a 22/8 Os grandes sonhos tornam-se realidade a partir do primeiro passo, mesmo que pequeno. Transforme os sonhos para que eles se tornem mais viáveis e adaptados a sua realidade. VIRGEM - 23/8 a 22/9 As questões profissionais, a partir de alguma mudança, irão se desenvolver de fato. Os bloqueios antes presentes serão superados pelo transbordar de energia. LIBRA - 23/9 a 22/10 O campo do conhecimento e da filosofia de vida está em transbordamento: muitas ideias, muitas possibilidades. Não obstante, é preciso manter a orientação e a disciplina. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O campo financeiro e das posses materiais sofre algum transbordamento, algum excesso. Há muita energia nestes assuntos e você deve conduzi-los com firmeza e boa orientação. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Momento de muita energia no relacionamento a dois. Muitas coisas boas acontecem, ao orientar bem a intenção de superar as dificuldades e crescer. Mude o que for preciso. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Muita energia para ser aplicada em seu trabalho, em especial, para corrigir falhas e problemas detectados no modo de trabalhar É tempo de aperfeiçoamento pessoal. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento de dar passos ousados no relacionamento amoroso, saindo para além dos limites até então aceitos e conhecidos por você. Procure se libertar de amarras. PEIXES - 19/2 a 20/3 A fase é boa para você superar problemas em família e crescer junto aos familiares. Nada como perceber onde se errou e estar com energia e disposição para agir com grandeza.
4h Igreja Universal
BAND
GLOBO 4h26 Santa Missa 5h27 Amazônia Rural 5h55 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h31 Globo Rural 7h35 Mundial De Fórmula 1: Grande Prêmio Da Cingapura 10h10 Auto Esporte 10h30 Esporte Espetacular (Stock Car – Compacto) 11h30 Esquenta 12h52 Temperatura Máxima. Filme: Diário De Um Banana 2 – Rodrick É o Cara 15h Futebol 2014: Campeonato Brasileiro – Flamengo X Fluminense 17h Domingão Do Faustão 19h45 Fantástico 22h10 Domingo Maior. Filme: Caos 0h03 Programete: Rumo Ao Pódio 0h13 Hino Obrigado Senhor 0h17 Hino Nacional 0h22 Encerramento Previsto (Manutenção Mensal)
Cinema
REDE TV
5h Tartarugas Ninja 6h30 Santa Missa no Seu Lar 7h30 Sabadão do Baiano 8h Power Rangers + Popeye 9h30 Popeye 9h45 Informercial – Polishop 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 Pé na Estrada 11h30 Só Risos 12h30 Band Esporte Clube 13h55 Gol: O Grande Momento do Futebol 14h25 Futebol 2014 – Ao Vivo – Flamengo X Fluminense 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Top 20 21h Pânico na Band 0h Canal Livre 1h Mundo Miss 1h05 Alex Deneriaz 1h35 Show Business – Reapresentação 2h25 Popeye 2h Igreja Universal
6h30 Igreja Int. da Graça 8h30 TV Kids 10h TV Prime Brasil 10h30 Break Político 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado 13h Passaporte Amazônia 14h En Circuito 15h Break Político 16h15 Sempre Bem 16h45 Ritmo Brasil 17h30 Viagem Cultural by Decolar 18h Te Peguei 18h15 Encrenca 19h45 Te Peguei na TV 21h30 Teste de Fidelidade 22h30 Amazonas Dragway & Luta Tribal 23h30 É Notícia 0h30 Bola na Rede 1h30 Igreja Int. da Graça
Cruzadinhas
ESTREIA Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola: EUA. 14 anos. Esta comédia mistura as histórias dos faroestes clássicos com o humor contemporâneo, focando principalmente nas péssimas condições de vida dos moradores do velho oeste antigamente. Cinemark 3 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 19h10, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 18h35 (dub/diariamente), 21h15 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 16h15, 19h15 (dub/diariamente), 22h (leg/diariamente). Isolados: BRA. 14 anos. Lauro é residente em psiquiatria. Renata é sua namorada e insegura artista plástica, além de ex-paciente da clínica. Com o relacionamento abalado, alugam uma casa na serra para descansar. A situação se torna tensa quando estão isolados e o perigo ronda a região, iniciando-se um thriller de suspense onde realidade e loucura se misturam. Cinemark 5 – 12h20 (somente sábado e domingo), 14h30, 16h40, 18h50, 21h (diariamente), 23h15 (somente sábado); Cinépolis Millennium 6 – 15h50, 17h55, 20h, 22h20 (diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h, 16h10, 18h15, 20h20 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h35, 19h25 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 15h, 17h15, 19h30, 21h45 (diariamente). Maze Runner - Correr ou Morrer: EUA. 14 anos. Thomas (O´Brien) acorda preso em um enorme labirinto com um grupo de outros garotos e sem memória do mundo exterior a não ser por estranhos sonhos sobre uma misteriosa organização conhecida como C.R.U.E.L. Apenas ao explorar os fragmentos de seu passado com pistas que ele descobre no labirinto, Thomas poderá descobrir seu verdadeiro propósito e uma maneira de escapar. Baseado no best-seller de James Dashner. Cinemark 6 – 11h (dub/somente sábado e domingo), 13h30, 16h, 18h40, 21h20 (dub/diariamente), 0h (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 8 – 14h40, 17h10, 19h40, 22h10 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h (dub/somente sábado e domingo), 15h30, 18h, 20h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h30, 18h35 (dub/diariamente), 16h, 21h15 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 18h30, 21h (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 13h30, 15h55 (dub/diariamente). Livrai-nos do Mal: EUA. 14 anos. O oficial da polícia de Nova Iorque Ralph Sarchie (Eric Bana), está lutando contra sérios assuntos pessoais quando começa a investigar uma série de crimes perturbadores e inexplicáveis. Ele se alia a um padre não-convencional (Edgar Ramírez), treinado em rituais de exorcismo, para combater as possessões demoníacas assustadoras que estão aterrorrizando a cidade. Inspirado no livro que detalha os apavorantes casos reais do policial Sarchie. Cinemark 7 – 12h30 (dub/somente sábado e domingo), 15h20, 18h, 20h45 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 4 – 15h20, 18h20, 20h50 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 14h10, 17h, 19h45, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 8 – 19h45 (dub/diariamente), 17h, 22h30 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 16h10, 20h50 (dub/diariamente), Kinoplex 4 – 18h15 (dub/diariamente), 13h10 (dub/somente sábado e domingo); Playarte 10 – 13h45, 16h05, 18h25, 20h45 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado). Mesmo se Nada Der Certo: EUA. 12 anos. Uma cantora se muda para Nova Iorque, mas logo após chegar no local, seu namorado americano decide terminar o relacionamento. Em plena crise, ela começa a cantar em bares, até ser descoberta por um produtor de discos (Mark Ruffalo), certo de que ela pode se tornar uma estrela. Cinépolis Millennium 5 – 15h35, 18h, 20h30 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h35, 17h25, 20h25 (leg/diariamente); Playarte 3 – 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado). Lascados: BRA. 12 anos. 1994. Felipe (Chay Suede), Burunga (José Trassi) e Deco (Paulo Vilela) são três jovens amigos que querem curtir o carnaval baiano. Para isso, eles pegam uma velha kombi dos anos 70 usada para vender cachorro-quente, e saem da capital paulista rumo à Bahia. Só que, no meio do caminho, surge Cenilde (Paloma Bernardi), uma jovem sensual e manipuladora que está louca para fugir das garras do pai e vai colocar a amizade dos três em teste. Juntos, o grupo vai viver uma série de situações inusitadas e embarcar em uma incrível viagem. Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h35, 18h25 (diariamente). Uma Nova Chance Para Amar: EUA. 12 anos. Após o marido morrer afogado em uma praia mexicana, Nikki (Annette Bening) fica devastada. Cinco anos depois, ela ainda sente falta do marido, por mais que tenha seguido adiante em uma carreira de sucesso como decoradora de imóveis que estão prestes a serem vendidos. Um dia, ela encontra por acaso um homem parecidíssimo com seu grande amor: Tom (Ed Harris). Impressionada com a semelhança, Nikki resolve segui-lo e descobre que ele é professor de artes. Logo ela o contrata para que lhe dê aulas particulares de pintura, de forma que esteja sempre por perto. Não demora muito para que eles engatem um romance, por mais que a imagem do finado esteja sempre estampada no rosto de Tom. Cinépolis Ponta Negra 2 – 21h25 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Winter, o Golfinho 2: EUA. Livre. Cinépolis Ponta Negra 6 – 13h45 (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 13h (dub/diariamente). Três Dias Para Matar: EUA. 14 anos. Cinépolis Ponta Negra 3 – 22h10 (leg/diariamente). O Doador de Memórias: EUA. 12 anos. Cinemark 8 – 12h40, 15h, 17h20 (dub/somente sábado e domingo), 19h40, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 19h, 22h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 19h, 21h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h (dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 18h40 (dub/diariamente); Playarte 5 – 13h25, 15h25, 17h25, 19h25, 21h25 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário: JAP. 12 anos. Cinemark 4 – 12h10 (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h05, 19h20, 21h35 (dub/diariamente), 23h50 (dub/ somente sábado); Cinépolis Millennium 3 – 14h, 16h20 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 14h40, 16h50, 19h10 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h30, 16h45, 18h50 (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 15h20, 17h20, 19h20 (dub/diariamente); Playarte 1 – 15h, 19h
(dub/diariamente). Rio, Eu Te Amo: BRA. 12 anos. Cinemark 3 – 16h30 (diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 13h50, 16h30 (diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 13h50 (somente sábado e domingo), 16h30 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h, 16h30 (diariamente). Anjos da Lei 2: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 16h45, 19h20, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 14h40, 16h55 (leg/somente de quinta-feira a domingo), 19h20, 21h40 (leg/ diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h15 (dub/ somente sábado e domingo), 16h15, 19h15, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 13h30, 16h20 (dub/somente sábado e domingo), 19h, 21h35 (leg/diariamente); Playarte 9 – 14h10, 16h35, 19h, 21h25 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis Plaza 7 – 15h15, 17h45, 20h35 (dub/ diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 16h25 (leg/diariamente); Playarte 9 – 13h20, 15h40, 18h, 20h20 (dub/diariamente). Se Eu Ficar: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 2 – 14h55, 19h30 (leg/diariamente);
Kinoplex 2 – 21h20 (dub/diariamente). Hércules: EUA. 14 anos. Cinemark 1 – 11h10 (dub/somente sábado), 13h40 (dub/somente domingo), 15h50 (dub/diariamente), 18h10, 20h30 (dub/exceto quarta-feira), 22h15 (dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 1 – 14h20, 16h40, 21h (3D/dub/diariamente), 18h50 (3D/ leg/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 21h30 (3D/ dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 15h, 17h10, 19h30, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 15h30, 20h (3D/dub/diariamente), 17h45, 22h15 (3D/leg/diariamente); Kinoplex 3 – 14h, 16h20 (3D/dub/diariamente), Kinoplex 5 – 20h30 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 13h, 17h, 21h (3D/dub/diariamente).23h (3D/leg/somente sexta-feira). Deus Não Está Morto: EUA. 10 anos. Kinoplex 1 – 13h50 (dub/diariamente). Lucy: FRA. 16 anos. Cinépolis Millennium 2 – 17h25, 21h55 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h40 (dub/somente sábado e domingo), 18h35 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 21h (leg/diariamente); Playarte 6 – 13h20, 15h20, 17h20 19h20, 21h20 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado).
Sex Tape – Perdido Na Nuvem: EUA. 16 anos. Playarte 8 – 18h, 20h (dub/diariamente). Os Mercenários 3: EUA. 16 anos. Cinemark 2 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 17h10, 22h25 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 15h50, 20h45 (dub/diariamente); Kinoplex 3 – 15h40, 20h55 (dub/diariamente); Playarte 7 – 13h05, 15h40, 18h15, 20h50 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sextafeira e sábado). O Que Será de Nozes?: EUA. Livre. Playarte 4 – 13h10, 15h, 16h50, 18h40, 20h30 (dub/ diariamente), 22h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). As Tartarugas Ninja: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 14h50, 20h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 8 – 14h15 (dub/diariamente); Kinoplex 5 – 18h20 (3D/dub/diariamente). Vestido pra Casar: BRA. 12 anos. Cinemark 3 – 14h (diariamente); Playarte 2 – 20h25 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 8 – 13h50, 15h55 (diariamente). Guardiões da Galáxia: EUA. 12 anos. Playarte 2 – 13h10, 15h35, 18h (dub/diariamente)
Plateia
MANAUS,, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
A editora-executiva do EM TEMPO, Tricia Cabral, está nas alturas. O motivo? O lançamento do esperado livro “As aventuras de Dona Maria – a sogra que ninguém merece”, no dia 8 de novembro, na livraria Valer. Foram selecionadas 35 gostosas e divertidas crônicas da insana sogra
A viajada Laura Macedo, tendo a Estátua da Liberdade – o maior símbolo dos Estados Unidos de fundo – é a grande aniversariante de hoje. Os confetes da coluna para seus 15 aninhos
Jander Vieira
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Chatos das redes sociais
Sem limite
A Comendador Clementino, uma das principais vias do Centro, está recebendo um cuidado especial da PMM. Serviços de fresagem e recapeamento da Seminf estão sendo feitos naquela importante rua. O trabalho consiste na retirada do antigo asfalto para o recebimento do novo, mais resistente e mais alto. No trecho que corta as avenidas Getúlio Vargas e Joaquim Nabuco, a Tarumã também receberá os serviços de infraestrutura. Aplausos ao incansável prefeito Arthur Virgílio Neto.
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Bate papo Na próxima terça-feira, os jornalistas e profissionais de imprensa têm um encontro marcado na Cachaçaria do Dedé do Shopping Ponta Negra. Trata-se da Happy Hour da Imprensa com o Grupo Simões, das 19h às 22h. Em pauta: as novidades da grife empresarial.
Gente, existe coisa mais incoveniente do que os candidatos invadindo as redes sociais? Tem cada figura que você jura que foi íntimo seu em outras vidas. Já chegam te chamando pelo nome e curtindo tudo o que você diz, coloca e compartilha. Pior mesmo são os tétricos grupos em que você é adicionado sem saber ou autorizar. Que tal? Uma das nobres qualidades do ex-governador Omar Aziz é o respeito pela população. Sempre atento às necessidades de quem mais precisa, Omar vem conquistando a cada dia mais reconhecimento do povo. Parabéns!
Aplausos O governador José Melo, por meio da Afeam, em continuidade ao processo de concessão e liberação de crédito aos produtores rurais, que tiveram suas plantações dizimadas em decorrência dos efeitos da cheia deste ano, liberou anteontem R$ 1,4 milhões para Manicoré, um dos municípios mais afetados pela cheia dos rios.
::::: Sala de Espera Páreo O Exército Brasileiro, por intermédio do Comando da 12ª Região Militar, está realizando o Concurso de Pintura com o tema “70 anos da Força Expedicionária Brasileira”. A iniciativa faz parte da programação alusiva aos 70 anos da FEB. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 16 de outubro. Os interessados deverão realizar uma pré-inscrição pelo www.12rm.eb.mil.br.
A empresária Lucimar Augusto é só alegria. Também pudera. Sua linda e inteligente filha Camila é a mais nova bacharel em Direito da Martha Falcão
Mara Makarem está trocando de idade hoje. Amanhã é a vez de Zélia Laray, Charlesteon Atala e Adriano Gobeth, eles estão aniversariando. Os cumprimentos da coluna.
mo dia 22, às 19h, na Saraiva do Manauara Shopping.
O lançamento do livro “Direitos Fundamentais e Competência de Reforma Constitucional – Os Limites Materiais das Emendas à Constituição” de autoria de Felipe Augusto Fonseca Vianna, pela editora Baraúna, acontecerá no próxi-
Na próxima quinta-feira, começa a 17ª edição do São Paulo Boat Show, maior salão náutico indoor da América Latina, no Transamérica Expo Center. Merci pelo convite!
Valentina, Harumi e Akemi Tsuji estão curtindo dias de total relax pela alegre Flórida.
Hoje tem a apresentação
da banda Moinhos de Vento no Manaus Plaza Shopping. O show acontecerá na praça de alimentação do centro de compras, das 19h às 21h, com acesso gratuito. Manaus ganhou a primeira loja conceito da grife 8 Segundos, na Max Teixeira. Os sertanejos Marcus e Mancine comandaram os hits da noite, que contou com as comidinhas do chef Adalberto Vieira. Fefa Cacheado foi a anfitriã.
C8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014
Circuito encerra com dança e literatura
BALÉ FOLCLÓRICO
Grupo exibe releitura da Dança do Cacetinho
O evento acontece desde sexta-feira e envolve modalidades esportivas e apresentações culturais no Centro de Convivência Magdalena Arce Daou DIVULGAÇÃO
O Circuito de Cultura Urbana promoveu também modalidades de esportes radicais, como o skateboard, que serão premiados hoje SÉRGIO VICTOR Especial EM TEMPO
O
encerramento da 3ª edição do Circuito de Cultura Urbana, realizado no Centro de Convivência da Família Magdalena Arce Daou, vai contar com apresentações de dança urbana e literatura independente hoje. O evento, realizado pela Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), tem como finalidade integrar a comunidade à prática de atividades culturais e esportivas.
O circuito cultural acontece desde sexta-feira (19) e ofereceu ao público a possibilidade de acompanhar oficinas de arte em grafite, flashmob com a Companhia de Arte Cristã e Companhia Tribus, de São Paulo, danças urbanas, teatro, exposições de fotografias, fanzines e literatura. Foram oferecidas também diversas modalidades de esportes radicais, entre eles slackline, skateboard e BMX Street, que serão premiados nesta noite. A programação cultural que será realizada hoje envolve
a apresentação de dança de rua do grupo cultural Samurai, que começa às 18h20. Em seguida, às 19h, será a vez da literatura. Organizado pelo escritor Rogefersson Moraes, o evento tem o objetivo de criar uma reflexão sobre a literatura independente em Manaus. “Queremos apresentar ao público esses outros espaços ocupados pela literatura que poucos conhecem”, informa o escritor. Conceito Além de obras do selo independente “Coleção de Rua”,
Moraes revela que fanzines e fotografias também serão apresentadas. “A literatura é um conceito integrado e se inspira em muitos outros campos artísticos e pretendemos expor isso ao público”, diz. O evento é gratuito e começa a sua programação a partir das 9h com a competição de longboard. As apresentações culturais iniciam às 17h10. O Centro de Convivência da Família Magdalena Arce Daou está localizado na Avenida Brasil, no bairro Santo Antônio, zona Oeste de Manaus.
O Balé Folclórico do Amazonas apresenta o espetáculo “A Dança do Cacetinho”, neste domingo (21), no Teatro Amazonas. A produção traz uma releitura da manifestação folclórica criada em Manaus, baseada na cultura da tribo dos Tarianos. A entrada é franca e o início da performance está marcado para as 19h. A montagem “A Dança do Cacetinho” é ambientada na floresta, na região onde vive a tribo dos Tarianos, chamada de Alpes. No centro do enredo está o tuxaua de uma das tribos da nação tariana, que fala o tropo linguístico Aruaque. Com as batidas de seus tacapes e bordunas (cacetinhos), ele dá as boas vindas aos visitantes da tribo vizinha para
formar uma aliança entre as mesmas com o objetivo de evitar mais guerras. Esse tratado é firmado por meio de uma festa denominada Dabukuri, uma celebração ritualística em forma de integração coletiva dos povos indígenas. A direção artística do grupo e do espetáculo é de Conceição Souza, Adam Souza assina a assistência de direção, o figurino é uma criação de Juliana Angello e a coreografia é de Eduardo Amaral e Flávio Soares. O Balé Folclórico do Amazonas foi criado em 2001 para compor os Corpos Artísticos do Teatro Amazonas. O grupo é formado por 33 bailarinos e o elenco está renovado desde novembro de 2013. DIVULGAÇÃO
A performance é a atração de hoje, no Teatro Amazonas