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ANO XXVI – N.º 8.330 – DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
A CORRIDA DE MELO CONTRA O TEMPO
PRACIANO
“O PT não acreditou em mim” Considerado um dissidente, Praciano enfrenta por conta das suas convicções políticas desprezo do PT. “O PT não acreditou em mim”, admite o parlamentar, que deve deixar o partido. Contexto A3 e Com a Palavra A7
Governador tem 60 dias para entregar R$ 260 milhões em obras
Na primeira semana de governo, José Melo iniciou uma caravana de viagens ao interior
TRAGÉDIA DO ÔNIBUS 825
Em ano de eleição, empreitadas somente podem ser inauguradas até final de junho, conforme determina a legislação eleitoral. Portanto, José Melo deverá percorrer, nesse espaço de tempo, 20 municípios, alcançando uma totalidade de 430,37 mil eleitores, o equivalente a 43,1% de todo o colégio eleitoral do interior, que é de 997,7 mil votantes. Política A5
LAUDO APONTA COCAÍNA DIEGO JANATÃ
AMAZONAS
15% do orçamento na Saúde
Última Hora A2
DOMINGO A revista Elenco na Ópera apresenta um guia completo de toda a programação do 18º Festival.
Pesquisa do IBGE aponta que o Amazonas é um dos Estados que mais investem em Saúde, ficando em quarto lugar, com 15,4% da parcela do orçamento aplicado. Dia a dia C1
É preciso muito cuidado com as tatuagens e os piercings, principalmente nas altas temperaturas.
Gabriel Garcia Márquez era um escritor imenso, mas deste mundo. Confira ensaio sobre Gabo.
COMEÇA
A briga pelo BRASILEIRÃO As atenções se voltam para o Campeonato Brasileiro, a partir deste fim de semana, quando terá início a 58ª edição da competição. Pódio E2 e E3
8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES
NOTA DE PESAR NOVO AIRÃO
ABENÇOADO POR DEUS E BONITO POR NATUREZA Banhado pelas águas do rio Negro e abençoado pelos parques nacionais de Anavilhanas e Jaú, Novo Airão quer fazer valer o título de município ecológico, durante a Copa 2014. Economia B4 e B5
A Prefeitura de Manaus manifesta seu profundo pesar pela tragédia ocorrida durante a procissão da Sexta-Feira Santa, no bairro Dom Pedro, e solidariza-se com os familiares das vítimas e toda a sociedade manauara. O Prefeito deseja que os fatos que possam elucidar esta tragédia sejam apurados pelas autoridades competentes e agradece o empenho de todos os entes da administração municipal neste momento de dor. Que Deus conforte os corações enlutados. Paço Municipal 18 de abril de 2014 Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto Prefeito de Manaus
A algazarra nas águas com o boto cor-de-rosa é uma das atrações turísticas de Novo Airão
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
TEMPO EM MANAUS
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
Motorista estava bêbado e drogado, aponta laudo
DOM PEDRO
Vítimas de acidente na Via Sacra são sepultadas ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
Exame toxicológico revelou que Ozaías Costa de Almeida estava sob efeito de bebida alcoólica e havia utilizado cocaína na noite da tragédia da Djalma Batista
Tragédia aconteceu na noite de 28 de março, quando caçamba invadiu pista e atingiu micro-ônibus de frente na Djalma Batista
O
laudo do exame toxicológico do Instituto Médico Legal (IML) do Amazonas feito no corpo do motorista da caçamba Ozaías Costa de Almeida, 36, que causou a morte de 16 pessoas em acidente envolvendo um micro-ônibus Executivo da linha 825, no dia 28 de março, na avenida Djalma Batista, aponta que ele dirigia o veículo naquela noite sob efeito de bebida alcoólica e cocaína. A conclusão do estudo se deu com base na análise feita pelos Laboratórios Instrumental e Toxicologia do Instituto de Criminalística que integra o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, de Belém (PA) sobre 20 ml de urina e 10 ml de sangue do motorista. O documento foi despachado no último dia 7 de abril pelo grupo de peritos criminais escalados
pelo diretor do Instituto de Criminalística, Carlos José Vieira Fernandes. O teste Cromatografia em Camada Delgada (CCD) constatou a concentração superior a 300 ml de benzoilecgonina, que é a principal substância da cocaína. O teste de CCD buscou identificar ainda a presença de substâncias da maconha, o que deu negativo. Na amostra de sangue, os analistas detectaram a concentração de 3,18 gramas de álcool etílico por litro de sangue. Por volta das 20h daquele dia, Ozaías dirigia a caçamba a serviço da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). Ele teria ultrapassado um carro modelo picape, com velocidade aproximada de 90 quilômetros por hora. Ao entrar no trecho em curva abaixo do viaduto Airton Senna, em Flores, ele perdeu o controle do veículo, que subiu no canteiro central e colidiu de frente com o
micro-ônibus. Além das 16 vítimas fatais, outras 17 ficaram gravemente feridas. O consócio Etacom, proprietário do caminhão caçamba que causou o acidente garantiu à época que
MATERIAL
A conclusão do estudo se deu com base na análise feita sobre 20 ml de urina e 10 ml do sangue do motorista. O documento foi despachado no último dia 7 de abril pelo grupo de peritos daria toda a assistência necessária às famílias envolvidas. A empresa afirmou que prestaria assistência médica domiciliar e financeira às vítimas. Segundo o advogado da empresa Francisco Figuei-
ra, Ozaias foi contratado para prestar serviços no dia 23 de setembro de 2013, e não tinha nenhum histórico de graves infrações no trânsito. Acesso O prefeito em exercício, vereador Sildomar Abtibol, disse na manhã de ontem que teve acesso ao laudo apenas pelas redes sociais. Para ele, o resultado das análises comprova que a imprudência no trânsito é uma realidade que precisa ser combatida. Sildomar comentou sobre o resultado quando acompanhava o atendimento aos feridos de outro grave acidente envolvendo um carro de som, ocorrido na última sextafeira, durante a procissão da Via Sacra, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, que resultou na morte de três pessoas. * Colaborou Isabelle Valois
Grande Vitória Sobre o outro acidente que ocorreu na tarde de sexta-feira (18), em que um micro-ônibus invadiu uma casa no bairro Grande Vitória, Zona Leste de Manaus, Sildomar informou que a prefeitura estava prestando toda assistência às famílias das duas mulheres mortas, e que vão acompanhar o caso de perto.
Velórios das vítimas aconteceram durante a manhã de ontem
JUDAS DIEGO JANATÃ
EMERSON QUARESMA* Equipe EM TEMPO
Os corpos de Tânia Magalhães Gomes, 52, Luíza Maria dos Santos Cruz e Cleida Bastos Antela, 64, vítimas do acidente na Via Sacra ocorrido na tarde da última sexta-feira (18), na rua Francisco Orellana, bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus, foram velados na manhã de ontem. O sepultamento de Luíza e Cleida estava agendado para as 15h de ontem. Luiza foi sepultada no cemitério Parque Manaus, no bairro Tarumã, e Cleida, no cemitério Nossa Senhora Aparecida, no mesmo bairro. Os velórios de Tânia e Luíza ocorreram na funerária Almir Nezes, localizado na avenida Joaquim Nabuco e de Cleida na comunidade Rainha dos Apóstolos, no bairro Dom Pedro. O prefeito de Manaus em exercício, Sildomar Abtibol, esteve presente na manhã de ontem na funerária para prestar condolências e informar que a prefeitura havia conseguido agendar o translado de Tânia Magalhães para Belém (PA), para as 20h de ontem. Das demais vítimas, o prefeito em exercício explicou que Ana Eunice dos Santos Cruz, 50, filha de Luíza que está internada no hospital pronto-socorro 28 de Agosto, é a única considerada em estado grave. O sobrinho de Luíza contou que a vítima sempre foi devota e participava da Via Sacra da Igreja Matriz (Nossa Senhora da Conceição), mas que na manhã do acidente havia informado que dessa vez iria participar na procissão do seu próprio bairro.
“Sempre queremos uma desculpa para a morte, mas temos a certeza de que era o momento da minha tia partir, e o que nos conforta é que ela fazia o que mais gostava”, disse o sobrinho. Segundo nota da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (Susam), Ana Eunice deu entrada na unidade com politraumatismo, contusão pulmonar, múltiplas fraturas dos arcos costais (costelas), passou por procedimento cirúrgico, e permanece internada na Unidade de terapia Intensiva (UTI), em estado gravíssimo e instável. Das oito vítimas que haviam sido encaminhadas para os hospitais da cidade, além de Ana Eunice, mais duas pessoas continuam internadas. No hospital pronto-socorro Platão Araújo se encontra Albanice da Silva, 52, que sofreu fratura exposta de membro inferior esquerdo, passou por procedimento cirúrgico para colocação de fixador, está estável, mas ainda sem previsão de alta, pois passará por nova cirurgia ortopédica. No hospital pronto-socorro da Criança, na Zona Leste, está internada Jeniffer Garcia Pereira, 10, que sofreu fratura exposta de membro inferior direito, passou por cirurgia, está estável, mas ainda sem previsão de alta hospitalar.
DIEGO JANATÃ
A2
A dificuldade em encontrar os bonecos de Judas na cidade indicam que a tradição está praticamente desaparecendo. Enquanto isso não acontece, ainda é possível se divertir com os poucos encontrados. Na foto, uma menina já antecipa a malhação do Judas de um político - principais “modelos” para os bonecos que são destruídos na tarde do Sábado de Aleluia, símbolo do castigo a Judas Escariote, que entregou Jesus Cristo aos romanos.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
‘Soneca de 50 anos’ Pode parecer implicância da revista inglesa “The Economist” com o Brasil. Ela já pediu a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e não perde uma oportunidade de espicaçar o governo de Dilma Rousseff. No seu último número, a publicação critica o mercado de trabalho no país e o nível de produtividade dos trabalhadores, bem no momento em que começa a correr um calendário de cinco dias de “feriadão”, iniciado na quinta-feira com pontos facultativos decretados até para surpresa dos servidores públicos. Com o título “Soneca de 50 anos”, a reportagem comenta que “a partir do momento em que você pisa no Brasil você começa a perder tempo” e sugere que, após um breve período de aumento da produtividade entre 1960 e 1970, a produção por trabalhador estacionou ou até mesmo caiu ao longo dos últimos 50 anos. A publicação citou ainda que a produção de cada trabalhador foi responsável por 40% do crescimento do PIB do Brasil, enquanto na China e na Índia esse valor foi de 91% e 67%, respectivamente. Observações críticas desse tipo costumam ferir “os brios nacionais”, principalmente se disparadas por “agentes estrangeiros”. Mas internamente, o Brasil também se critica com o mesmo rigor. Informações divulgadas, quinta-feira, início do feriadão, pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) indicam que a produção no Brasil pode sofrer perda “de até R$ 30 bilhões” com os feriados nas cidades 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Com isso sofre todo o conjunto da economia, como lojas no atacado e varejo, empresas de serviços, indústrias e produtores agrícolas. Acrescentem-se o baixo investimento em infraestrutura, a baixa qualidade da educação e a má gestão das próprias empresas do país e se tem a receita do atraso.
Um petista à moda antiga É fato que o deputado Francisco Praiano (PT-AM) está na geladeira do PT. Mas uma coisa é certa, o parlamentar amazonense está pagando um preço por agir como agiria um petista autêntico nos velhos tempos. Praciano foi o único integrante do partido da presidente Dilma Rousseff a votar com o grupo de parlamentares insatisfeitos com o governo na primeira votação usada para retaliar o Palácio do Planalto. Praça apoiou a criação de uma comissão externa para investigar as suspeitas de corrupção envolvendo a Petrobras. Traição nada! Praciano meteu o dedo na ferida dos cardeais do PT. Para quem não gostou, ele explica que coerência política não é traição. — Não se trata de traição, eu sou PT, sou governo. Entretanto, têm algumas coisas que não flexibilizo em nome da governabilidade, que são as questões éticas –, afirmou Praciano. Coerência Praciano votou com sua consciência. Afinal, ele é presidente da Frente Parlamentar Contra a Corrupção e integrante da Organização Global de Parlamentares contra a Corrupção. — Ninguém do partido ou do Planalto me procurou na tentativa de impedir meu voto com o bloco dos rebelados. Tráfico humano A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado tem tomado todo o tempo do deputado federal Pauderney Avelino (DEM–AM). Até por foi ele mesmo que sugeriu a criação de uma Subcomissão Especial de Combate ao Tráfico Humano. “Como mercadoria” Pauderney adverte que tomar o ser humano como mercadoria, fazê-lo objeto de exploração, é crime que deve ser combatido com ações de repressão e prevenção. — Além disso, deve-se garantir atendimento digno e eficaz às vítimas –, afirma
o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), que sugeriu a criação do grupo. Bilhões de dólares O parlamentar cita uma estimativa do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), segundo a qual o tráfico de pessoas faz circular cerca de 32 bilhões de dólares ao ano.
Elvis elvis@emtempo.com.br
Celso Furtado, o décimo. Fez história Almino foi ministro do Trabalho de Jango, deputado federal e líder do PTB, partido do presidente derrubado pelo golpe. Foi ele e Tancredo Neves que acompanharam João Goulart até o aeroporto, de onde fugiria para Porto Alegre, para não ser preso. Já vi esse filme
— Devemos unir nossas forças com o objetivo maior de contribuir para o efetivo enfrentamento ao tráfico de pessoas –, diz o deputado. “Inimigo público” Pela ordem de importância, a ditadura classificou em números aqueles que resistiram ao golpe de Estado e eram considerados “inimigos públicos”. O amazonense Almino Monteiro Álvares Affonso era o “inimigo público” número 14 da República. Lista negra Esta foi a sua posição na lista de 102 brasileiros que tiveram direitos políticos suspensos por integrar, ou apoiar, segundo registros da época, o governo “comuno-petebosindicalista” deposto pelas Forças Armadas entre os dias 31 de março e 2 de abril. O número 1 O presidente João Goulart foi o primeiro. Depois vinham Jânio Quadros, Luiz Carlos Prestes, Miguel Arraes e Leonel Brizola. O sexto era Rubens Paiva.
APLAUSOS
À saída do aeroporto, Tancredo disse: — Há 10 anos, participei da última reunião presidida pelo doutor Getúlio. Agora me pergunto se a história se repete e foi a última vez que abracei Jango como presidente. — Ô, Tancredo, por que tanto pessimismo? –, disse Almino. — Vocês são jovens. Acreditam que o Rio Grande do Sul tem condições de resistir sozinho. Doações As doações de empresas em dinheiro ou por meio de publicidade a candidatos e partidos políticos podem ficar proibidas. O substitutivo ao projeto de lei (PLS 60/2012) da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) acaba de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em turno suplementar.
Se não houver recurso para votação pelo plenário do Senado, a matéria segue para a Câmara dos Deputados.
VAIAS
Festival de Ópera
Tragédia e cocaína ARQUIVO
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Para o Festival Amazonas de Ópera, que há 18 anos inseriu o Estado no circuito cultural internacional . Apesar das críticas, o festival resiste ao tempo e continua representando uma das portas de entrada do turismo.
Para empresas que contratam profissionais sem qualquer preocupação com seu comportamento social ou psicológico. Se houvesse esse cuidado, o motorista da caçamba que matou 16 pessoas não estaria trabalhando sob o efeito de álcool e cocaína.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Negros, macacos e bananas Está nas páginas dos jornais, nos noticiários e comentários das rádios e das televisões, a dar a impressão de que é uma onda que se propaga e avoluma, ou de que é algo que já estava aí, escondido no fundo do armário e que criou ânimo para se mostrar. Refiro-me às ostensivas manifestações de racismo, se é que se pode a isso assim designar, já que não é a uma raça que se rejeita e agride, pois não se pode rejeitar e agredir o inexistente, mas certamente quer-se expressar a “ideia” de que há algo de inferior nas peles negras, frente às brancas. Não sabem que todos viemos da África, com a negritude que a luz e o sol excessivos causaram e que somente os que migraram para as zonas de pouca luz solar tiveram que perder melanina e clarear a pele, a fim dela absorver um mínimo. Aliás, sem querer também contrair o mal do preconceito, é preciso notar que os fatos, quando negros são chamados de macacos e recebem bananas em lançamentos, estão a ocorrer quase que exclusivamente nos estádios de futebol, onde a maioria dos frequentadores mais inflamados não constitui paradigma de boa formação moral e intelectual. Ademais, há nessa atitude um pecado original que nenhum batismo poderá sanar: quem é verdadeiramente puro em sua brancura neste país de mestiços? Acho que somente aqueles que vieram de fora e de longe, lá do hemisfério norte, ou seus descendentes imediatos. Eu, pessoalmente, só conheço o Bruce, o Dieter, o meu dentista Batista, o Leandro e alguns portugueses (bem poucos deles). Nenhum brasileiro de terceira geração. Como as teses podem ser confirmadas ou refutadas no confronto
com o absurdo, ocorreram-me algumas situações que até no plano da imaginação dificilmente poderiam ser cogitadas, pelo menos por qualquer pessoa que preze o velho e valioso bom senso. Fico a imaginar um show do magnífico músico de blues B. B. King, ou um recital da esplendorosa cantora lírica Jessye Norman, ambos de pele negra, e o público a chamá-los de macacos e a jogar bananas nos palcos. Seria literalmente oferecer pérolas aos porcos. Aqui mesmo, entre nós, como seriam recebidos os grandes Milton Nascimento e Jorge Ben Jor, por exemplo? Ponho-me ainda a imaginar o grande estadista sul-africano Nelson Mandela, se ainda vivo, em visita ao Brasil, a receber projéteis de bananas sobre si. Há dias vi notícia sobre uma palestra que seria proferida pelo jurista negro Joaquim Barbosa, hoje na presidência do Supremo Tribunal Federal. Este, pela dignidade do cargo, seria saudado como “símio”, forma eufemística mais delicada do que macaco. Não vale dizer que nos exemplos dados estão citadas apenas pessoas ilustres, enquanto nos campos de futebol estão negros de baixa estirpe, figuras banais e indignas do respeito humano, pois ali, entre eles, há os que são, na sua área, portadores de inegável talento e que deveriam ser aplaudidos. Muito curioso o fato de que as pretendidas ofensas às vezes até decorrem de um lance brilhante, mas feito contra o time do torcedor obtuso. Não é o atleta que é atingido em sua competência, mas apenas se evidencia a incapacidade do torcedor em lidar com a frustração, o que o leva a projetar sua desajustada emoção sobre alguém que considera culpado. É assim que se institui o preconceito.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Fico a imaginar um show do magnífico músico de blues B. B. King, ou um recital da esplendorosa cantora lírica Jessye Norman, ambos de pele negra, e o público a chamá-los de macacos e a jogar bananas nos palcos. Seria literalmente oferecer pérolas aos porcos”
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Fato consumado
Quando você tem uma proposta de CPI e usa isso daí como bandeira para tentar desgastar o governo que tem conduzido os negócios da Petrobras com zelo e competência, obviamente nós podemos lembrar que, se for para fazer investigação política, há outros casos que merecem investigação política. O ímpeto pela CPI é o ímpeto político-eleitoral
Na reunião da Executiva Nacional do PSDB marcada para terça-feira, os presidentes da maioria dos 27 diretórios estaduais do partido apresentarão moções por escrito aclamando Aécio Neves como candidato da sigla à Presidência da República. Os textos dirão que o senador mineiro é o nome que unifica a legenda e pedirão que seja antecipada sua nomeação oficial – o que deve ocorrer em São Paulo, no dia 14 de junho, primeiro sábado depois da abertura da Copa do Mundo. Cálculo O objetivo do gesto é criar um fato político que coloque Aécio em evidência uma semana depois do lançamento da chapa Eduardo Campos-Marina Silva (PSB). Coexistência A formação de palanques comuns entre PSDB e PSB nas eleições estaduais começa a criar mal-estar entre tucanos. Aliados de Aécio relatam que ainda não há acordo sobre o espaço que o senador mineiro terá que dividir com Campos em Estados como o Paraná. Funil Aliados de Gilberto Kassab (PSD) acreditam que, hoje, o ex-prefeito está mais propenso a apoiar Paulo Skaf (PMDB) ao governo de São Paulo do que se lançar em uma candidatura própria. Funil 2 Integrantes do PSD enxergam um espaço cada vez mais reduzido para uma quarta força na disputa, além de PSDB, PT e PMDB. No bolso Para refutar a ideia de que a multa que deve ser imposta a quem aumentar o consumo de água em São Paulo terá efeito negativo na gestão Geraldo
Alckmin (PSDB), auxiliares do tucano martelam a ideia de que três quartos da população do Estado já estão economizando. Aperto Nas contas do governo, o volume poupado com a transferência de água entre os sistemas de abastecimento e com a campanha de economia equivale a um rodízio em que oito milhões de consumidores ficassem dois dias com água e dois dias sem. Volume morto Conselheiros petistas calculam que um racionamento de água em São Paulo pode provocar no eleitorado uma rejeição generalizada à classe política. Nesse caso, Alexandre Padilha (PT) e outros adversários de Alckmin não se beneficiariam durante a campanha. Marcas Apesar de a Polícia Federal ter batizado a operação que prendeu o doleiro Alberto Youssef como Lava Jato, o nome diz respeito a apenas um dos quatro inquéritos que apuram o esquema de lavagem de dinheiro. Marcas 2 Para facilitar a investigação, cada um dos doleiros considerados líderes do grupo
ganhou um inquérito com nome específico: Carlos Habib Chater (Lava Jato), Raul Srour (Casablanca), Nelma Kodama (Dolce Vita) e Youssef (Bidone). Não... Diante de pedidos frequentes de estagiários de escritórios de advocacia pelos autos do processo do cartel do metrô de São Paulo, funcionários do cartório da 30ª Vara Criminal da Justiça afixaram um cartaz respondendo “perguntas frequentes”.
Ricardo Berzoini, ministro de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo, avalia que nenhum parlamentar “com experiência e sincero” pode julgar possível uma CPI “bem feita” a dois meses das convenções partidárias que oficializarão os candidatos à eleição de 2014.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
DIEGO JANATÃ
... perturbe “Onde está o processo? No MP. 15/4. Jura mesmo? Juro”, diz o texto. Tércio Escolhido por Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) para a Subchefia de Assuntos Parlamentares, o advogado Jean Uema teve seu nome aprovado por ser um dos poucos articuladores que dialoga bem com diferentes setores do PT. Currículo Uema, que será responsável pela liberação de emendas aos parlamentares, sempre se deu bem tanto com o ex-ministro Alexandre Padilha quanto com o atual líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia. Os dois têm uma rixa antiga.
Tiroteio
“Vamos viver o amor”. Esta é a palavra de ordem em uma parede da avenida 7 de Setembro, centro de Manaus, ilustrada com dezenas de fotos dos que desapareceram durante a longa noite de pesadelo que o golpe civil-militar de 1964 estendeu sobre o país. Os jovens de hoje olham para o painel e se perguntam como isso aconteceu
Dom Sérgio Eduardo Castriani Já que não é possível tirar Dilma do poder até outubro, a CPI é a maneira mais rápida de restaurar a credibilidade da Petrobras. DO DEPUTADO ROBERTO FREIRE (SP), PRESIDENTE DO PPS, sobre o discurso de governistas de que a investigação pretende destruir a imagem da estatal.
Contraponto
Encontros e desencontros Na obra “Espirituoso”, que reúne casos sobre Ronaldo Cunha Lima, um amigo do tucano conta que certa vez um ex-aliado pediu um encontro para reatar relações. – Almoçamos na segunda? – perguntou Cunha Lima. – Não posso, vou viajar – respondeu o interlocutor. – Então vamos conversar na terça-feira. – Não posso, que já tenho compromisso. – Na quarta-feira? – Também não posso. Que tal na quinta-feira? O tucano, então, decidiu encerrar o assunto: – Na quinta quem não pode sou eu. Irei adoecer! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Páscoa Já perdi a conta das vezes que celebrei a missa no domingo de Páscoa de manhã. Uma, em especial, ficou na minha lembrança e permanece como que um paradigma de todas as outras. Foi na comunidade de Coadi, município de Uarini, às margens do Solimões. Reunimo-nos ao nascer do sol. Na pequena capela estavam também ribeirinhos vindos da comunidade de Ingá e Nossa Senhora de Fátima. Todos havíamos celebrado o tríduo pascal que começara na quinta feira com o Lava-Pés, tivera seu seguimento na Via Sacra da sexta de manhã e na celebração da paixão do Senhor à tarde e terminara na Vigília Pascal. Celebrávamos aquele domingo da Ressurreição num cenário de Mistério. Diante de nós o sol nascia despertando sentimentos de renovação e de esperança num espetáculo que se repete cada dia, mas que nem sempre merece nossa atenção. A luz multicolorida do céu se refletia nas águas do rio que naquele ponto são imensas e se revolvem em rebojos que assustam os navegantes fazendo sentir a força que muda o leito do rio e derruba barrancos. São águas que abrigam toda espécie de peixes e feras e que alimentam os que vivem ao seu ritmo, mas também populações distantes para onde o peixe é levado. Tudo respirava vida em plenitude, criação, renovação. Podia se sentir o poder criador de Deus que está na origem de tudo e tudo mantém. Na humildade do lugar em que fazíamos memória da recriação do mundo no mistério pascal, estavam os dois símbolos maiores da noite da páscoa, a água do batismo, e o círio pascal, água e luz, sinais da vida renovada,
sinais da ressurreição. Naquele ambiente fraterno de humanidade renovada na fé, purificada pelas águas do batismo e iluminada pela luz do Cristo, ouvimos o relato da ida das mulheres ao túmulo. Inconformadas com a perda, foram ungir o corpo do Mestre crucificado três dias antes. Não encontraram seu corpo, mas o encontraram ressuscitado. Tudo então se transforma, a vida venceu a morte. É um privilégio viver na Amazônia, e viver a partir da fé em um Deus que é Pai criador e misericordioso. A criação em toda a sua exuberância e a redenção da humanidade em toda a sua grandeza infinita aqui são vividas com uma intensidade ímpar. Missionário, celebrei a Páscoa em diferentes comunidades e países. Ficou na minha lembrança uma Páscoa muito especial no Haiti, numa pequena comunidade desejosa de libertação e consciente da sua dignidade. Outras vezes, estive em grandes igrejas e catedrais e uma vez em Roma. Mas nunca experimentei uma interação tão grande entre o mistério celebrado e a natureza envolvente como aquela manhã no Coadi. Neste domingo de Páscoa, faço votos de que todos possam experimentar a vida que brota da Cruz, e fazendo memória da ressurreição vejamos a esperança renascer em nossos corações. Feridos pela morte e pelo pecado deixem que a luz de Jesus nos ilumine e nos dê vida nova. A Páscoa se prolonga por cinquenta dias. O círio pascal permanece aceso e nele estão os símbolos da eternidade e do tempo no meio a cruz com as chagas de Jesus. É aí que encontramos água viva, fonte de vida inesgotável.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
É um privilégio viver na Amazônia, e viver a partir da fé em um Deus que é Pai criador e misericordioso. A criação em toda a sua exuberância e a redenção da humanidade em toda a sua grandeza infinita aqui são vividas com uma intensidade ímpar”
Política
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
A5
Dois meses para entregar R$ 260 milhões em obras Governador José Melo está acelerando as inaugurações até junho, quando deverá percorrer 20 municípios do interior
RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
N
uma corrida contra o tempo para se tornar mais conhecido entre os eleitores, o governador e pré-candidato à reeleição José Melo (PROS) iniciou, desde a sua primeira semana à frente do Executivo, há 13 dias, uma caravana de viagens pelo interior do Estado. Ele deverá passar, até junho, por 20 municípios alcançando uma totalidade de 430,37 mil eleitores, o equivalente a 43,1% de todo o colégio eleitoral do interior, que é de 997,7 mil votantes. Por ocasião da viagem, Melo entregará R$ 197,7 milhões em obras a esses redutos eleitorais, deixadas pela gestão do pré-candidato ao Senado, Omar Aziz (PSD) e anunciará novas empreitadas. A maratona de Melo irá combinar a agenda no interior com entregas na capital do Estado, que somam outros R$ 62,4 milhões em obras de infraestrutura, habitação e segurança. Relatórios obtidos na Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) apontam que a caravana pelo interior será finalizada em junho, prazo final determinado pela legislação eleitoral para governos inaugurarem obras. Com calendário
apertado, desde 4 de abril Melo já passou por 79,8 mil eleitores em viagens que fez aos municípios de Careiro da Várzea, Boa Vista do Ramos, Barreirinha, Codajás e, a última delas, Iranduba, na última quinta-feira. Além de esvaziar a programação de inaugurações, o précandidato tem aproveitado as viagens para anunciar novos pacotes de obras, deixando promessas à população destes municípios. Em Codajás, por exemplo, emendou a inaugura-
ELEITORES
Nestes 20 municípios por onde passará, Melo deve alcançar 430,37 mil eleitores e inaugurar obras que somam R$ 197,7 milhões. Na capital, o volume de inaugurações neste período somam R$ 62,4 milhões ção do porto local anunciando quase R$ 100 milhões em investimentos futuros nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. Em seus discursos, José Melo mostra preocupação em se aproximar do colégio eleitoral do interior, ainda pouco habituado com a sua imagem. Na cidade de Barreirinha, no Baixo Amazonas, ele enfatizou
sua origem proveniente do município de Eirunepé. “Vocês estão na frente de uma pessoa como cada uma de vocês, que conhece a realidade. De uma pessoa que nasceu no interior. Ainda criança, antes de pegar num lápis, eu já sabia o que era o peso de uma enxada, fazer um roçado, tarrafear no meio rio. Não sou homem diferente de vocês”, afirmou o governador, para um público de 200 pessoas. Até o fim desde mês, o précandidato deve entregar empreitadas em Manacapuru, Santa Izabel do Rio Negro, Parintins e Nova Olinda do Norte. Em maio, o cronograma da Seinfra diz que estarão prontas para inauguração obras em Itacoatiara, Careiro e Juruá. Em junho, a maratona será encerrada com visitas aos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Caapiranga, Itamarati, Maués, Envira, Barcelos, Ipixuna e Nhamundá. Até lá, José Melo terá passado por seis prefeituras do PMDB, partido de seu potencial adversário, o senador líder da presidente Dilma Rousseff no Senado, Eduardo Braga, que também tem feito viagens ao interior. Entretanto, a maior parte do roteiro do governador envolve terrenos comandados por partidos, à priori, aliados, com prefeituras do PSD (6), PTB (2), PT (2), PCdoB (1), PSB (1), PR (1) e PDT (1).
Braga também prioriza o interior Desde que anunciou oficialmente a sua pré-candidatura, em 24 de janeiro, na rede social Facebook, Eduardo Braga fez uma maratona de entrevistas em rádios locais e iniciou um calendário de viagens ao interior, priorizando cidades-polo acima de 50 mil habitantes. Desde lá, o peemedebista já passou por Tabatinga, Iranduba, Parintins, Itacoatiara e Manacapuru, regiões que concentram 246,772 mil eleitores. Em Iranduba e Tabatinga, o líder de Dilma no Senado aproveitou inaugurações de
obras ligadas ao governo federal para marcar presença junto aos eleitores. Nos demais municípios, realizou convenções do PMDB marcadas por festas, carreatas e discursos em tom de críticas aos seus adversários. Na última viagem, a Manacapuru, evidenciou o atrito com Omar Aziz culpando o ex-governador pelo arquivamento da proposta que estendia os benefícios fiscais da Zona Franca (ZFM) à Região Metropolitana de Manaus (RMM). Neste final de semana, Braga optou por não rea-
lizar nenhuma viagem devido ao feriado da Páscoa. Mas, já no próximo sábado, retoma a agenda de passagens por cidades-polo nos municípios de Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo, onde realizará novas convenções com a presença dos deputados estaduais do PMDB, que lhe fazem sustentação na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) e permanecem, até o momento, integrando a bancada governista. A assessoria do senador afirmou que novas viagens estão sendo programadas.
DESTAQUES DAS INAUGURAÇÕES Abril Orla de Manacapuru R$ 3,1 milhões Melhorias no Viver Melhor de Parintins R$ 1,2 milhão Maio Pavimentação em Nova Olinda do Norte R$ 19,5 milhões Pavimentação em Santa Isabel do Rio Negro R$ 8,6 milhões Junho Ramal do Careiro da Várzea R$ 8,3 milhões Sistema viário em Maués R$ 6,7 milhões
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Política
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
Oposição do Senado quer adiar votação da internet
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Compete ao PT tomar a decisão, avaliar, dialogar com o deputado” MINISTRO RICARDO BERZOINI (SRI) SOBRE O DEPUTADO AMIGO DE DOLEIRO, André Vargas (PT)
Dilma prefere Bolsa Família à Educação Básica Desde que tomou posse como presidente da República em janeiro de 2011, Dilma Rousseff investiu mais no programa Bolsa Família do que em Educação Básica, segundo o Portal da Transparência do governo. Os gastos com a transferência de dinheiro que garante “agradecimento nas urnas” já superam os R$ 64,9 bilhões, quase 20% a mais do destinado para educação das crianças do país no mesmo período. Exemplo do chefe O ex-presidente Lula, mentor de Dilma, gastou R$ 47,8 bilhões com Bolsa Família em seu segundo mandato, 60% mais que em Educação. Mais que banco Segundo dados do Banco Central, o valor gasto pelo governo Dilma com Bolsa Família é superior aos lucros dos bancos no Brasil em 2013. Apagão gerencial A Eletrobras tem recorrido a empréstimos para pagar salários, e sua subsidiária Eletrosul já colocou a sede à venda pelo mesmo motivo. Risca-faca O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) resume bem a CPI criada para investigar Petrobras, Suape e Metrô de SP: “É a CPI do risca-faca”. Em caso similar, Vargas quis punir Demóstenes O deputado André Vargas (PT-PR), que renunciou à vicepresidência da Câmara após ser revelado seu envolvimento com um criminoso, defendeu, em 2012, investigação rigorosa da “cumplicidade” do então senador Demóstenes Torres (GO) como um “ho-
mem do crime”. Referia-se ao bicheiro Carlos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo. Exatamente como seu sócio Alberto Youssef, na Operação Lava-Jato. Espelho, espelho meu Para Vargas, a “bandeira da ética da oposição foi desmontada” quando um de seus arautos (Demóstenes) foi flagrado com o crime organizado. Fica a dica Ao falar de “matérias bombásticas” sobre corrupção, Vargas disse que deve haver um estoque de escutas clandestinas “lastreando” a mídia. Pit-bull Nos corredores do Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR) ganhou o apelido de “pit-bull da Dilma”, com a advertência jocosa: “Ela morde...”. Pró-CPI O deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que acompanhou o depoimento do ex-diretor Nestor Cerveró, acredita que o discurso foi combinado com Planalto: “A Petrobras está no Pelourinho, precisamos investigar” Tudo em família Desafetos, Lula e o deputado federal e ex-prefeito de São Bernardo William Dib (PSDB-SP) trocaram figurinhas no casamento domingo (13) de uma assessora de Dib, filha de grande amigo de Lula. ‘Pilhado’ Explicado por que o deputado sai-não-sai André Vargas (PT-PR) está à beira de um ataque de nervos: torrou R$1,6 milhão de sua cota parlamentar em cafezinhos expressos de janeiro a março
Jornalista
DEM e PSDB prometem resistir às tentativas do governo federal em acelerar a tramitação do Marco Civil na casa
DIVULGAÇÃO
deste ano. Zé Patinhas Revolta nas redes sociais com um vídeo do filho da vice-prefeita de Parnamirim (RN) tomando uísque e rasgando uma nota de cem reais numa boate. É crime federal, com prisão de até três anos e multa. Foco na energia Aspirantes à Presidência, o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE) e a ex-senadora Marina Silva decidiram tratar da questão energética no primeiro seminário do PSB e Rede, que ocorrerá até o fim deste mês. Alô, Anatel Os telefones 1331 e 1332, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda estão mudos. A Anatel dá de ombros a reclamações de usuários que denunciam a existência do problema há mais de 30 dias. Saiu da gaveta O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados negou acatar um dos processos de cassação contra o deputado Carlos Leréia (PSDB-GO), amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. A ideia agora é aplicar “penas alternativas” em nova ação que será votada nesta quarta-feira (23). Crime sem castigo Brasileira Patricia Fukimoto, que fugiu para o Brasil após avançar sinal e matar um bebê no Japão em 2005, só terá prisão de consciência: o crime prescreveu na Justiça paulista, segundo o jornal Japan Times.
Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) ajudou a frear um acordo proposto pelo governo para votar lei
E
nquanto o governo pressiona para aprovar o mais rápido possível no Senado o Marco Civil da Internet, a oposição está empenhada em protelar ao máximo as discussões sobre a proposta. O objetivo é não deixar que a presidente Dilma Rousseff tire proveito eleitoral do projeto que foi aprovado na Câmara no dia 25 de março, depois de quase dois anos de discussão. Dilma queria usar a aprovação do Marco Civil como demonstração de vanguarda na área até para reforçar seus planos de propor uma governança global para a Internet a ser apresentado na Net Mundial, que será realizada em São Paulo nos dias 23 e 24 de abril. Na semana passada, os líderes do PSDB, Aloysio Nunes (SP), e do DEM, José Agripino Maia (RN), impediram um
acordo de líderes proposto pelo governo para levar a proposta, tal como foi aprovada na Câmara, diretamente para o plenário, sem passar pelas três comissões de mérito que
PRESSÃO
Oposição no Senado quer se unir para que o projeto do Marco Civil da Internet não sirva de palanque eleitoral para a presidente Dilma Rousseff. Projeto agora está para votação no Senado analisam tal proposta neste momento. Dilma quer fazer palanque eleitoral com isso, acusa Nunes. É um absurdo impedir que as comissões de mérito possam opinar em um projeto tão importante e
minucioso. Os relatores não tinham sequer os pareceres prontos, diz o líder tucano. Diante do cenário de resistência de DEM e PSDB, o relator do Marco Civil no Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), reconhece que dificilmente Dilma poderá chegar na Net Mundial com o texto sancionado debaixo do braço. “Com a conjuntura atual, é muito difícil que se vote isso na semana que vem”, resumiu Ferraço, que tinha esperança que pelo menos duas comissões votassem o texto ainda na semana passada. Entretanto, um pedido de vistas coletivo brecou a apreciação na Comissão de Ciência, Tecnologia. Além desta, o Marco Civil da Internet terá de passar pelas Comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). ROBERTO STUCKERT FILHO/PR
Surpresa! O deputado indeciso André Vargas (PR) é o Kinder Ovo do PT nesta Páscoa.
PODER SEM PUDOR
E daí? A Câmara dos Deputados investigava, na década de 50, as ligações entre o governo Getúlio Vargas e o jornal “Última Hora”, de Samuel Wainer. O empresário Francisco Matarazzo foi convocado para depor e ficou sob a mira de Carlos Lacerda, na CPI: - Sr. Matarazzo, o senhor deu dinheiro ao Samuel Wainer? - Dei, sim – confirmou, sem pestanejar. - E por quê? – insistiu Lacerda. - Dei porque o dinheiro é meu e faço dele o que bem quiser. E a questão foi encerrada.
NA JUSTIÇA
Número de ações aumenta Apesar de os juízes produzirem anualmente cada vez mais decisões, o crescente volume de processos novos que chegam todos os anos aos tribunais ainda impede a redução do acervo de ações judiciais. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que, embora os juízes tenham dado decisão sobre 17,8 milhões de ações ao longo de 2013, a quantidade de processos que passaram a tramitar
no ano passado foi ainda maior, aproximadamente 19,4 milhões. Os dados estão no Relatório dos Resultados da Meta 1, compromisso assumido pelo Judiciário de julgar, em 2013, mais processos que a quantidade de ações apresentadas à Justiça no ano. De acordo com o levantamento, a Meta 1 não foi atingida em 2013. Com isso, o número de novas demandas da sociedade à Justiça superou em 1,684
milhão de processos a capacidade de os juízes darem a primeira decisão judicial sobre as ações. Contrariando os resultados nacionais de cumprimento da Meta 1, a Justiça Eleitoral deu resposta positiva ao desafio proposto. Os 403 mil processos julgados em 2013 equivalem a 155% do número de ações que foram apresentadas ao longo do ano aos TREs: 259.080 ações.
Às vésperas das convenções, Dilma quer melhorar a imagem que passa aos jovens
Dilma quer atingir público jovem Os planos da presidente Dilma com relação ao Marco Civil da Internet visam também dialogar com os jovens. Hoje esse público é bastante receptivo ao nome de Marina Silva (PSB), o que contribui para o crescimento de Eduardo Campos (PSB) depois que a ex-ministra oficializou sua pré-candidatura à vice-presidência da República. A aprovação do Marco Civil é uma forma de Dilma estreitar laços com esse segmento. A proposta tramita em regime de urgência, ou seja, se não for votada em 45 dias passa a trancar a pauta do Senado, a exemplo do que aconteceu na Câmara. Segundo o relator, o texto
não deverá sofrer mudanças, o que poderia atrasar ainda mais sua tramitação. “Não creio em grandes mudanças, só coisas pontuais, cosméticas. Há o entendimento de que o debate feito na Câmara foi amplo”, opinou Ferraço. “Não quero politizar a questão, até porque é algo que interessa ao país, mas é evidente que essa pressa da presidente tem interesses voltados para a eleição”, disse o líder do DEM, José Agripino (RN). Segundo ele, não existe a menor chance de que seja feito acordo para viabilizar a votação diretamente no plenário do Senado. “Não há acordo sobre isso.
Esse projeto passou três anos na Câmara e o Senado tem o direito de avaliar com calma, afirmou ele. Faremos isso no seu devido tempo. Não há qualquer intenção de procrastinar, mas por outro lado, não temos de queimar etapas e aprovar isso a toque de caixa”, acrescentou o líder do DEM. Segundo o líder tucano, o governo tem feito resistências às emendas apresentadas com o objetivo de acelerar o processo. O que se sabe é que o governo decidiu rejeitar todas as emendas, disse Nunes. Agripino diz que emendas já foram apresentadas e serão discutidas. Não vai tratorar não, disse o senador potiguar.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
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Francisco PRACIANO
‘O PT NÃO acreditou EM MIM’
FOTOS: DIEGO JANATÃ
JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
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Foi um voto coerente com toda a minha história de combate à corrupção. Quando um companheiro da nacional me ligou perguntando o porquê do meu voto, eu lhe respondi: porque sou petista. Continuo sendo petista”
om uma história política voltada para o combate à corrupção, o deputado federal pelo Amazonas, Francisco Praciano (PT), é uma figura à parte no partido do qual é membro. Considerado um dissidente, Praciano enfrenta por conta das suas convicções políticas desprezo da legenda não só em Brasília, mas também no Estado. Segundo ele, um exemplo do isolamento ao qual está fadado é a falta de indicação para relatar matérias da União e de apoio aos seus projetos de ascensão dentro do próprio Estado. A última polêmica envolvendo a ‘rebeldia’ do petista foi seu voto favorável à instalação da Comissão Externa de Investigação, na Câmara dos Deputados, que vai acompanhar as apurações a respeito das transações comerciais da Petrobras. Ele foi o único petista da casa – partido da presidente Dilma Rousseff - que se colocou contra o governo. Francisco Praciano recebeu a reportagem do jornal Amazonas EM TEMPO em sua residência em Manaus e fez revelações sobre os motivos que o levam a querer ficar “livre do PT” nos próximos anos. EM TEMPO - O que levou o senhor a votar contra o seu partido no caso da comissão externa para investigar a Petrobras? Francisco Praciano - Desde que eu comecei a fazer política - quatro mandatos de vereador e dois de deputado federal - me dediquei quase que exclusivamente à luta contra a corrupção. No primeiro ano de mandato me dediquei exclusivamente a combatê-la, no segundo foi combate à corrupção e à luta pela validação dos direitos do estudante, no terceiro, serviço público e combate à corrupção, o quarto foi a soma de tudo e combate à corrupção. Quando cheguei à Câmara (Federal) eu me “enfiei” logo na Frente Parlamentar de Combate à Corrupção e hoje, no segundo mandato, sou presidente dessa Frente mista de senadores e deputados. Eu poderia dar um voto diferente? Decidi votar e não perder radicalmente a coerência. Na semana seguinte eu coordenei junto com o deputado Mendes Thame (PSDB/ SP) um seminário internacional de combate à corrupção, ele preside Organização Global de Parlamentares de Combate à Corrupção (Gopac) aqui no Brasil e eu sou secretário. Como é que eu iria sentar numa mesa onde existiam, contas abertas, transparência internacional, jornalistas? Como eu iria tole-
rar coordenando um seminário como aquele, a pergunta do tipo: Mas o senhor como presidente da Frente Parlamentar de Corrupção não quer que denúncias tão fortes como foi o caso da Petrobras não sejam investigadas? Então, foi um voto coerente com toda a minha história de combate à corrupção. Não é nada de moralismo. A corrupção está dando ao Brasil um prejuízo de R$ 100 bilhões por ano, quase dez orçamentos do Amazonas por ano. O cálculo foi feito pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Além disso, temos que combater a corrupção dos empresários sonegadores, que geram ao país prejuízo ainda maior. São pelo menos R$ 600 bilhões anuais, dinheiro que poderia ser revestido ao serviço público. EM TEMPO - A sua iniciativa lhe rendeu a alcunha de rebelde. O senhor é um rebelde dentro do Partido dos Trabalhadores? FP - Quando um companheiro da nacional me ligou perguntando o porquê do meu voto, eu lhe respondi: porque sou petista. Continuo sendo petista. EM TEMPO - É verdade a existência de ameaças veladas ao senhor dentro do PT, após este episódio? FP - Não tenho ameaças, mas sofro algumas coisas desde que cheguei a Brasília. Nunca fui indicado para relator de uma matéria interessante, e em um determinado momento alguns companheiros me explicaram. Isso não é bom para você. Ou você está bem com o povo ou você está bem com o PT. Se você pegar um relatório do governo, sendo governo, você tem que seguir fielmente a orientação do governo naquele relatório. Se você não segue fica muito mal com o governo e com o PT, se você segue, às vezes, fica muito mal com o povo. Então é um dilema, uma dificuldade ser coerente. Manaus viu outra situação, em um encontro do partido para decidir tática eleitoral não me deixaram falar. EM TEMPO - O senhor concorda com o jeito Dilma de governar? FP - Concordo com o jeito de Lula e Dilma. Todo mundo fala em Produto Interno Bruto (PIB), que precisa crescer o PIB, que precisa alavancar o PIB. Mas, para quê crescer o PIB? É para ajudar gente, não é? E qual foi o PIB Lula e Dilma, algo um pouco maior do que o do Fernando Henrique Cardoso, mas será que merece tanta crítica esse pequeno? Se hoje não se eliminou a miséria, mas se obteve uma redução muito grande. O que eu acho é que um país não cresce com um
povo miserável. O cidadão que não tem um café da manhã, um almoço, um jantar é um cidadão que colabora pouco ao desenvolvimento do país. E Lula e Dilma estabeleceram projetos que resolveram os problemas de gente. Para mim, foram e são um bom governo, porque mesmo com um PIB pequeno tiveram a coragem de tratar de ‘gente’ e não de coisas. EM TEMPO - O senhor defende a reeleição da presidente Dilma Rousseff? FP - Sim, sem sombra de dúvidas, tanto de Dilma quanto de Lula. Eu acho que em nome da governabilidade, ambos tiveram que fazer muita coisa para dirigir o país. Vivo no meio de um Congresso complicadíssimo. Se não houver flexibilidade, não há governo. Você para um país, às vezes, por conta de satisfazer ou não satisfazer projetos individuais de parlamentares. Se o governo radicaliza, eu tenho absoluta certeza que não governaria. EM TEMPO - Existem rumores de que o senhor estaria desestimulado ao ponto de querer se aposentar da vida política. Francisco Praciano será candidato a algum cargo eletivo em 2014? FP - Eu amadureci nos quatro mandatos de vereador e nos dois de deputado federal e, com 62 anos de idade, não tenho mais a ‘noia’ de ganhar ou não ganhar. Já estou tranquilo. A sociedade amazonense, pelos mandatos que me deu, me fez feliz. Eu decidi me candidatar e fazer meu último mandato de parlamentar. Quero fazer o parlamento dos meus sonhos: livre total, inclusive do PT. Eu acho que o PT não acreditou em mim, não me usou como deveria e teria sido interessante. A partir desta última tentativa para o parlamento, devo focar em candidaturas locais. Não quero mais gritar, quero ter uma caneta nas mãos para realizar sonhos. EM TEMPO - Como deve se comportar o PT Amazonas no pleito de outubro? FP - Lamento dizer que o PT não está mais com o comportamento de um partido político, porque todo o partido político tem projeto de crescimento dentro do poder. Infelizmente, o PT Amazonas com esse tempo todo de Lula e Dilma, em um governo que ajudou muito o Amazonas, não quer participar das eleições com campanhas majoritárias. Pelo que vejo, a escola que nos dirige há 30 anos continuará nos dirigindo. Nas últimas eleições, o Eduardo Braga chegou e disse: meu candidato para governo é o Omar Aziz, sou candidato ao Senado, minha
mulher é minha suplente, meu amigo é o segundo suplente e o PT Amazonas, simplesmente aceitou. Essas coisas são inaceitáveis. EM TEMPO - Para o senhor que se intitula um petista à moda antiga, o que é e o que foi o Partido dos Trabalhadores? FP - O PT hoje é um partido amplo, de muitos filiados, a maioria absolutamente séria, mas que não tem mais a empolgação de usar um broche ou empunhar uma bandeira. As cores estão sendo desbotadas e por conta de garantir a governabilidade tem mudado muito o rumo da sua história. Eu lamento que o PT tenha se descaracterizado bastante para governar. A qualidade política do país é tão ruim, que quem pretende governar tem que abrir porta e flexibilizar e isso é que desmonta o sonho e a qualidade dos partidos. EM TEMPO - As críticas à bancada federal do Amazonas, da qual o senhor faz parte, surgem de várias frentes. Em sua opinião elas são corretas? O que falta para a nossa bancada ganhar a confiança da opinião pública? FP - Uma bancada de 11 parlamentares nunca vai ser forte frente ao conjunto de 513 políticos. Mas, tenho que reconhecer que nossa bancada pouco se reúne e que não pensa o Estado. Cada um trabalha dirigido para seu foco de atuação, mas o tema Amazonas é pouco discutido. Nossos coordenadores nunca conseguiram reunir fácil essa bancada. E como a bancada do Norte é ao contrário da bancada do Nordeste, que sempre está reunida. Sei que existem temas que poderiam ser mais explorados, como o imbróglio da BR-319 (Manaus-Porto Velho) que ninguém mais fala. EM TEMPO - As mudanças no tabuleiro político do Estado começaram com a ascensão de José Melo ao cargo de governador. Ele já se mostrou disposto a se lançar à reeleição, seu principal adversário será Eduardo Braga, o que o senhor pensa sobre esse possível embate? FP - Eu não vejo como uma briga. É tudo uma escola só. Prefiro ficar indiferente. Estava conversando com o deputado estadual José Ricardo (PT) e nós, que não temos força dentro do partido, temos que esquecer isso. O grupo que está hoje no PT decide o que quer. Gostaria que o PT ou outro grupo surgisse e mostrasse um jeito diferente de fazer política, mas parece que tão cedo isso não vai acontecer.
Eu amadureci nos quatro mandatos de vereador e dois de deputado federal e, com 62 anos de idade não tenho mais a ‘nóia’ de ganhar ou não ganhar. Já estou tranquilo’
Eu não vejo como uma briga. Prefiro ficar indiferente. Estava conversando com o deputado José Ricardo e nós, que não temos força dentro do partido, temos que esquecer isso”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
Caderno B
Economia nomia MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
Biquínis amazônicos para o mundo comprar e usar RICARDO OLIVEIRA
Empreendedoras amazonenses apostam na moda praia com estampas e detalhes regionais
Peças de banho produzidas no Amazonas terão como primeiro destino internacional a cidade de Miami, nos EUA, mas antes serão expostas em Manaus, na Feira do Empreendedor, do Sebrae-AM
O
período de chuvas no Amazonas não serve de desculpa para parar a produção de peças de banho, como biquínis e maiôs. Pelo menos para jovens empreendedoras da moda praia, o momento que antecede a Copa do Mundo é propício inclusive para sonhar alto e investir em temas amazônicos, a fim de conquistar o mercado internacional. A aposta foi encarada pelas empresárias Michelle Guimarães e Cristiane Batista, da griffe Santa Cris, que já produz a moda praia para o mercado manauense classe “A”. As empreendedoras estudaram o mercado internacional e terão como ponto de partida de exportação a cidade de Miami, localizado no Estado da Flórida, nos Estados Unidos da América (EUA), cuja vantagem está nos voos diretos entre a cidade norte-americana e a capital amazonense. Segundo Michelle, o estudo permitiu constatar que a produção brasileira de biquínis é forte em Miami e que o tema amazônico tem tudo para dar muito certo, uma vez que o diferencial está na aplicação de estampas exclusivas e a costura de detalhes artesanais extraídos da casca do tucumã, de couro de peixe e fibras de coco e juta. “Já contatamos três empresários de Miami, os quais aguardam
apenas pela amostra do nosso produto”, afirma. A empreendedora conta que a decisão de produzir as peças se dá pelo custo da produção que não é alto em comparação com a moda de academia. Ela observa, no entanto, que a dificuldade está na falta de produção local de estampa digital exclusiva. “Encontramos somente em São Paulo, onde compraremos as malhas de qualidade, com as estampas exclusivas, e aqui com as nossas costureiras montaremos as peças com os detalhes regionais”, explica.
RIBEIRINHOS
A produção dos detalhes artesanais está em fase de negociação com moradores da comunidade ribeirinha de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro do Lago do Acajatuba, município de Iranduba Antes de exportar o produto, Michelle informa que a moda será lançada em Manaus com sua loja virtual, durante a Feira do Empreendedor, que será realizada entre os dias 24 e 27 de abril, no Sesi - Clube do Trabalhador. Em seguida a griffe aproveitará o clima de Copa do Mundo para apresentar os biquínis regionais aos turistas que virão à cidade prestigiar o evento
mundial. Para isso, a Santa Cris realizará exposições em hotéis como o Blue Tree, o Qualit e o Tropical, além de lojas de artesanato. Expectativa Ao alcançar a clientela internacional, prevista a partir do segundo semestre deste ano, a empresária afirma que a expectativa para os 12 primeiros meses é de alcançar um faturamento de até R$ 200 mil. Durante o período da Copa elas esperam arrecadar no Amazonas com as vendas para os turistas estrangeiros até R$ 15 mil. De acordo com Cristiane, estilista da griffe Santa Cris, a ideia de montar uma coleção com biquínis de estampas regionais partiu da necessidade de suprir o que ela define como “lacuna de desejos”. “O biquíni já é um produto com a etiqueta brasileira mais procurada pelos turistas. A malha nacional é a melhor do mundo. Já o detalhe regional, tanto nas estampas quanto nos detalhes em couro de peixe regional e os artesanais fazem toda a diferença na peça final”, sustenta a estilista. Segundo ela, a média dos valores dos biquínis classe “A” da grife é de R$ 80 até R$ 350. As peças são feitas hoje por duas costureiras, as quais montam até dez por dia. Semanas antes da Copa, o número de costureiras deverá aumentar para cinco, a fim de atender a demanda do momento.
Falta mão de obra qualificada Os 25 anos de experiência da costureira Iris Ambrósio dos Santos, 53, proprietária do atelier de Iris Moda, localizado no bairro Vila da Prata, Zona Oeste, a permite produzir a moda praia e a de academia e com isso atender a todos os públicos, principalmente para famílias de militares, que são seus vizinhos. Ela, no entanto, diz que enfrenta no momento dificuldades para encontrar mão de obra de qualidade
que atenda o seu público, “fiel e exigente”. Além da falta de mão de obra qualificada, Iris aponta que em Manaus ainda não chegou malhas com motivos da Copa do Mundo. Por esse motivo e também pela agenda lotada de pedidos da clientela, a empresária produzirá apenas por encomenda. “Como compro material em Manaus, percebo que não chegou nada de estampas da Copa. Já estamos quase no mês de maio
e confeccionar para uma demanda maior para vender no atacado e no varejo fica impossível”, afirma. Iris conta que, com ajuda de uma secretária, produz conjuntos de peças em malha para moda feminina e masculina, como biquínis, sunga. Contudo, ela observa que a tendência do momento é a moda para academia como o body (antigo colan), encomendadas pelos seus vizinhos, mas também por clientes de São Paulo e Goiânia.
RICARDO OLIVEIRA
EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
Cristiane Batista e Michelle Guimarães, sócias da griffe Santa Cris, confiantes no investimento
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014
4G: Nunca vi, nem usei e só ouço falar em Manaus ANDRE TOBIAS Equipe EM TEMPO
A
pesar de alegarem que cumpriram a meta determinada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as operadoras de telefonia móvel e internet estão longe de oferecer um serviço 4G a contento em Manaus. O prazo para ofertar a nova tecnologia encerrou no final do ano passado, porém em alguns pontos da capital amazonense, a nova tecnologia não funciona em sua plenitude. “Não é a internet que desejamos, mas é o que temos no momento”, frisa Alex Mendes, 28, que já foi usuário da internet 4G da operadora Claro em seu celular e agora testa os serviços da Vivo. Segundo ele, a procura pela tecnologia se deve à velocidade que é prometida para o serviço pelas operadoras. Com a rapidez do sistema é possível assistir filmes em alta definição, fazer download de arquivos de músicas e vídeos em tempo razoável, jogar online e realizar videochamadas com a interação de diversos usuários em tempo real. “O serviço pode ser melhorado
para atender com excelência os clientes”, analisa. Devido às falhas, o técnico em Tecnologia da Informação (TI), Igor Nunes, 21, reluta em contratar o serviço. “O 4G em Manaus ainda não funciona com a qualidade ofertada e esperada, por este motivo, ainda não adquiri o 4G”, revela. Para ele, Manaus só foi contemplada por conta da determinação imposta às operadoras de telefonia móvel pela Anatel, que estabeleceu o dia 31 de dezembro como limite para a implantação do sistema nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo. “Se não fosse pelo evento, teríamos que esperar um pouco mais para ter o 4G em Manaus”, afirma Igor. Questionado sobre as vantagens de se utilizar a quarta geração de telefonia móvel, Igor acredita que Manaus só tem a ganhar, uma vez que a preocupação por conta dos limites impostos pelas operadoras para a realização de download deixará de existir. “Documentos, aplicativos e arquivos mais pesados poderão ser baixados sem a necessidade de preocupação com o limite de tráfego” explica o técnico em TI.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Tecnologia da quarta geração de telefonia móvel e internet está longe de funcionar a contento na capital amazonense
Empresas falam em investir Segundo a Claro - uma das primeiras empresas a disponibilizar o 4G em Manaus -, desde junho de 2013, mais de 1,8 milhões de habitantes da capital já podem usufruir da alta velocidade da rede. Além dos manauenses, mais de 18 cidades no Amazonas contam com cobertura da operadora, mas apenas seis podem utilizar a tecnologia 3G na região. Por meio de nota, a Vivo afirma que ativou, em setembro de 2013, sua rede 4G em Manaus. Atualmente, a operadora
disponibiliza a tecnologia de quarta geração em 41 bairros da cidade. A TIM informa que encerrou o ano de 2013 com a implantação da tecnologia 4G na capital amazonense. A operadora assegura que investirá quase R$ 1,5 bilhão no desenvolvimento da tecnologia no país pelos próximos 3 anos. A Oi ressalta que o 4G está disponível em 24 municípios, dentre eles, Manaus. Até 31 de maio deste ano, a operadora se comprometeu em disponibilizar a tecnologia em outras 21 cidades.
Dificuldade de acesso à tecnologia 4G é comum na região Oferta de 4G foi determinação da Anatel para Copa do Mundo
Vitrine Tech economia@emtempo.com.br
Inpa armazenará lixo radioativo Na próxima terça-feira (22), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) vai inaugurar, às 9h, o primeiro prédio da Região Norte para armazenar materiais radioativos. O Prédio de Armazenamento para Materiais Radioativos (Pamrad) vai inicialmente guardar dejetos radioativos gerados das atividades de pesquisas do próprio Instituto. Segundo o Inpa, a inauguração do Pamrad garante o confinamento seguro de materiais radioativos pelo tempo necessário à proteção do homem e do meio ambiente.
Celular modular Os celulares modulares da Google deverão chegar ao mercado somente a partir de janeiro de 2015. Porém, eles já geram uma expectativa quanto ao seu lançamento. Desenvolvido por meio do projeto Ara, os novos celulares devem revolucionar o mercado pelo fato de que os aparelhos são altamente personalizáveis e de fácil atualização dos componentes. Cada módulo trará funcionalidades e capacidades diferentes para o aparelho. As peças serão encaixadas num esqueleto que terá três tamanhos. Tanto os módulos como os esqueletos serão ligados por magnetismo.
Clicks * A Sony vendeu, até o último dia 6, mais de 7 milhões de unidades do Playstation 4. Lançado no final de novembro de 2013, o videogame superou a marca do Playstation 3, que em quatro meses de mercado vendeu quase 3,5 milhões de unidades. * A Nokia interrompeu temporariamente a venda do Lumia 2520 em países
da Europa devido a um problema com o carregador do tablet, que pode causar choques elétricos nos usuários. * Agora qualquer pessoa poderá acessar o Word, PowerPoint e o OneNote a partir do Google Chrome. A Microsoſt foi quem anunciou a novidade que em breve também contará com o Excel.
Artigos científicos Até o próximo dia 5 de maio, a revista “T&C Amazônia” está com chamada aberta para envio de artigos científicos com os temas relacionados à inovação e ao desenvolvimento regional em seus diferentes aspectos. Os interessados devem encaminhar o texto para o e-mail: tec_amazonia@fucapi.br. Os artigos serão analisados pelo Conselho Editorial da Revista. Novo diretor O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) iniciou o processo de seleção de novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). Os candidatos interessados devem enviar suas cartas de inscrição até o dia 12 de maio. Limpeza Instagram Para combater o spam, o Instagram tem excluído contas inativas, ação que reduzirá perfis “fakes”.
Economia
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Inpa estuda farinha de soja para produção de pirarucu O
pirarucu é um peixe amazônico com valor comercial e características favoráveis para o cultivo intensivo. Na busca por tornar a produção da espécie ainda mais atrativa na Amazônia, o Grupo de Pesquisa Aquicultura na Amazônia Ocidental, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), realiza estudos sobre o uso do farelo de soja como alternativa de ingrediente para tornar a produção do peixe mais barata e mais competitiva. A líder do grupo de pesquisa, pesquisadora Elizabeth Gusmão, avalia que o farelo de soja que custa em média R$ 0,90 o quilo pode ser um ingrediente importante, em termos nutricionais para substituir a farinha de peixe, insumo muito utilizado na dieta de espécies. A pesquisadora alerta que o uso da farinha de peixe, cujo quilo varia de R$ 2 (nacional) a R$ 6 (importada), deverá desaparecer do mercado nas próximas décadas. Em decorrência disso, Elizabeth explica que o Grupo de Pesquisa em Aquicultura tem trabalhado para atender duas demandas. A primeira
que trabalha pela diminuição dos custos de produção do peixe pesquisado e a segunda que busca encontrar alternativas que possam ser utilizadas, no futuro, para a criação, não somente do pirarucu, mas de outras espécies de interesse da piscicultura brasileira. De acordo com a pesquisadora, são muitos os desafios
CONSUMO
O amazonense está entre os maiores consumidores de peixe do mundo, com consumo per capita em torno de 33 kg por habitante em um ano. A média mundial é de 18 kg por habitante/ano que precisam ser superados para incrementar a produção do pirarucu na região, dentre eles, estão as exigências nutricionais, principalmente por ser um peixe carnívoro e de grande porte. “Em razão do hábito carnívoro, essa espécie requer altas concentrações de proteína na dieta, o que aumenta o investimento na produção, restringindo o
RICARDO OLIVEIRA
Equipe de pesquisa do órgão testa a substituição de alimentos do peixe a fim de tornar o cultivo mais barato e competitivo interesse, sobretudo, dos pequenos produtores”, disse. Alevinos Elizabeth alerta sobre a falta da oferta de alevinos na região e que a pesquisa precisa avançar no sentido de fazer o produtor dominar a sua reprodução artificial. “O pirarucu, sem dúvida, é um peixe de grande aceitação no mercado regional, nacional e até internacional, portanto, o mercado não é o problema para esta espécie”, ressalta. De acordo com a pesquisadora, a produção de pescado tem atualmente como principal mercado da Região Norte a cidade de Manaus, que importa pescado, principalmente a espécie tambaqui, dos Estados de Roraima, Rondônia e Acre. “Não produzimos o suficiente para abastecer a cidade, embora, o Amazonas seja o maior produtor desta espécie na região”, afirma Elizabeth. Ela ressalta que para a criação do pirarucu, embora o Estado de Rondônia detenha a maior produção, os investimentos no Amazonas têm se intensificado e espera-se o aumento da produção nos próximos anos.
Amazonense não produz número de peixes suficiente para abastecer o mercado consumidor local
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Economia
Novo Airão pront Depois de Iranduba e Rio Preto da Eva, o terceiro município visitado pelo EM TEMPO oferece um ecoturismo consolidado JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
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anhado pelas águas do rio Negro e cercado pelos parques nacionais de Anavilhanas e Jaú, o município de Novo Airão (a 198 quilômetros de Manaus) quer fazer valer o título de paraíso ecológico durante o período da Copa do Mundo. Para tanto prepara seus empresários e trabalhadores a fim de receber visitantes nacionais e estrangeiros. Segundo a secretária municipal de Turismo, Ana Cleide Araújo, por meio de convênios entre a Prefeitura Municipal e o governo federal, pessoas recebem capacitação e setores da gastronomia, serviços, hotelaria e atendimento passam por ampliação. Cleide informa que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec-Copa), desde 2013, capacita a população local por meio de cursos de idiomas. De acordo ela, no ano passado 105 alunos participaram do curso de inglês básico e de recepção. A secretária afirma que em maio deste ano mais 135 pessoas concluirão o curso. Além do Pronatec-Copa, ela diz que a prefeitura trabalha com projeto
Cama e Café, que consiste na construção de pequenos chalés para abrigar os turistas em espaços vagos de terrenos particulares, após acordo firmado com os proprietários. O projeto está em fase de implantação. Segundo a secretária, o Cama e Café é uma alternativa encontrada pela gestão local para que não falte leitos de hotéis nos demais períodos do ano. Segundo os últimos levanta-
ESTRADA
Para chegar a Novo Airão, por estrada, primeiro é necessário atravessar a ponto Rio Negro e depois seguir 174 quilômetros pelas rodovias AM-070 e AM-352, passando por Iranduba e Manacapuru mentos da prefeitura, a cidade conta com 20 empreendimentos de hospedagem entre hotéis de selva e pousadas instaladas na área urbana. A pousada Bela Vista, localizada na avenida Presidente Getúlio Vargas, é uma das opções da rede hoteleira do município. Apesar de situada no centro da cidade, o local dá ao hospede
vista ao rio Negro, além de oferecer passeios de lancha aos pontos turísticos. Com 22 apartamentos que abrigam até oito pessoas, o valor das diárias varia de R$ 150 a R$ 400. Durante a copa os preços sofrerão. Conforme a proprietária da pousada, empresária Meire Guimarães, 32, os clientes têm acesso à internet via sinal wifi, chuveiro elétrico, TV e café da manhã. Dentre os visitantes mais ilustres e frequentes, ela aponta o apresentador aventureiro Richard Rasmussen, ancora do programa “Aventura Selvagem” do SBT. O “Zé da Pinga” bar e restaurante, localizado na travessa José Bonifácio é uma alternativa acessível e deliciosa para quem pretende comer um bom peixe amazônico. Pratos que custam entre R$ 15 e R$ 45, são preparados com iguarias fresquinhas com “muito carinho” por Francisca Pereira, 47, que trabalha com o marido conhecido como o “Zé da Pinga”. O casal afirma que durante a Copa instalará um telão no restaurante para proporcionar aos clientes e amigos a transmissão dos jogos. “Vai ser um momento de muita felicidade. Vamos reunir amigos e até mesmo os visitantes para a grande festa”, ressalta dona Francisca.
Principal atração turística, o contato com o boto cor-de-rosa na orla do município está sob fiscalização do instituto Chico Mendes
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FOTOS: DIEGO JANATÃ
o para os turistas Rotas no Novo e do Velho Airão Passar por Novo Airão e não conhecer o boto cor-derosa é quase um pecado. A interação com os animais, já acontece em outros empreendimentos, mas é no flutuante de dona Marilda e das filhas, que eles acontecem com mais intensidade. Para tocar nos animais que são alimentados por Mariza de Almeida, 25, e suas irmãs é cobrado o valor de R$ 10. Por conta de norma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi-
dade (ICMBio), os turistas devem acompanhar uma palestra de conscientização antes do contato. O turista aventureiro tem como alternativa de rota ecológica uma visita às ruínas do Velho Airão, que segundo a lenda foi tomada por formigas de fogo que expulsaram seus habitantes. Para chegar a ela é preciso alugar uma canoa, no porto. Há toras de aventura ainda nas grutas de Madadá, na praia da Velha, no rio Carabinani, na cachoeira do igarapé Preto, e nas praias do Meio, Bararuara e Pirapiema.
Hotéis oferecem aventuras por trilhas no meio da floresta
Lanchas levam turistas para visitas ao arquipélago do município
Passeio ao Anavilhanas e Jaú Dos poucos municípios amazonenses consolidados como parada obrigatória para quem vem ao Amazonas em busca de contato com as belezas naturais, Novo Airão tem como principal atrativo o contato direto com botos cor-de-rosa, muito frequentes na orla do município, bem como no trajeto dos passeios aos corredores formados entre as mais de 400 ilhas do segundo maior arquipélago fluvial do mundo, o de Anavilhanas e do Parque Nacional do Jaú. Com uma área maior que o Estado de Sergipe,
o parque nacional do Jaú, localizado após as ilhas de Anavilhanas é considerado pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco) Patrimônio Natural da Humanidade. Criado pelo decreto nº 85.200, da Presidência da República, em 24 de setembro de 1980, o parque possui uma área de 2.367.33 hectares, sendo a quarta maior reserva florestal do Brasil e o terceiro maior parque do mundo com floresta tropical úmida intacta, de acordo com dados governamentais.
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Ribeirinhos à procura de água A proximidade com os rios não significa que muitos ribeirinhos tenham acesso à água: tão necessária para a saúde e higiene
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iver na maior bacia hidrográfica do planeta não garante aos ribeirinhos da Amazônia o acesso à água. Fazer com que esse bem chegue às casas, especialmente no período de seca, quando aumenta a distância até o rio, requer força nos braços, para carregar as latas, ou dinheiro para bancar o diesel usado nos motores que bombeiam a água para as caixas comunitárias. Apesar da proximidade com os rios, muitos ribeirinhos têm a qualidade de vida prejudicada devido à dificuldade de levar, a seus lares, esse recurso natural tão necessário para os afazeres domésticos, para a saúde e para a higiene. Dependendo do período, a distância até o rio pode ser de quase 1 quilômetro, relatou à Agência Brasil a integrante do Grupo de Pesquisa das Populações Ribeirinhas do Instituto Mamirauá Dávila Correa. “E como a água é usada principalmente para tarefas domésticas, geralmente quem a carrega são as mulheres”, acrescentou a socióloga e pesquisadora.
Riscos à vista A dificuldade em levar água até as casas faz com que muitos optem por se banhar nos rios da região. Mas isso pode implicar riscos, principalmente para as crianças. “Banho aqui é sempre no rio. Se for durante o dia, é de roupa. À noite, pelado”, disse Tânia Maria de Sales, 34 anos. “Meu medo são os bichos. Têm muitas cobras, jacarés e piranhas por aqui”, acrescentou a ribeirinha que já perdeu três sobrinhos por afogamento, na comunidade Nossa Senhora da Aparecida – localizada no lago Catalão, a cerca de uma hora de barco de Manaus. Quem opta pelos motores a diesel para bombear água até as caixas comunitárias arca também com os custos elevados. “O problema é que o diesel por aqui é muito caro”, disse o presidente da comunidade São Francisco, Raimundo Ribeiro da Silva, 49 anos. “Esse preço dificulta as coisas. O gerador fica desligado porque temos de economizar combustível. Em média, são sete litros por dia para fazê-lo funcionar das 18h às 22h.
Tecnologia que vem do céu A comunidade de São Francisco espera ser beneficiada por um sistema de bombeamento de água por energia solar que já chegou a outras 15 comunidades da região. Os sistemas foram instalados pelo Instituto Mamirauá entre 2010 e 2013. “Desenvolvemos essa tecnologia depois de ver o quanto o acesso à água pode melhorar a qualidade de vida dos ribeirinhos”, explicou a pesquisadora Dávila Correa. O primeiro protótipo dessa tecnologia foi apresentado em 2000. “O banho nos rios passou a ser feito com maior intimidade, dentro ou nas redondezas das casas. Isso, além de reduzir o número de acidentes, causou impacto significativamente positivo nas áreas sociais. Quando o sistema é implementado, as atividades domésticas feitas na beira do rio passam para a casa, diminuindo o estresse em toda a comunidade. Sobretudo em mulheres e crianças”, acrescentou. O sistema desenvolvido pelo instituto venceu, em 2012, o projeto Finep de Inovação na categoria Tecnologia Social. Como diminui o consumo de óleo diesel, o equipamento é ambientalmente indicado por evitar emissões de gases para a
atmosfera. “Ele também apresenta resultados positivos para a saúde da população”, explicou Dávila. Beneficiados Foi o que constatou a agente de Saúde Comunitária Ivone Brasil Carvalho, 28 anos, da comunidade Vila Alencar, uma das 15 beneficiadas pelo sistema. “O sistema ajudou muito. As mães sofriam porque na seca o rio fica bem longe. Agora, a gente tem água em terra todos os dias. Diminuiu também, tanto em adultos quanto em crianças, a incidência de doenças como gripe, tosse e diarreia porque a água chega pré-filtrada nas casas”, disse a agente de saúde. A comunidade já fazia coleta de água de chuva, com calhas e tanques fornecidos pelo programa PróChuva. “Mas, agora temos fartura de água, a ponto de alguns tanques virarem piscina para as crianças”, disse ela ao mostrar Wisle Santos Castro, de 15 anos, que brincava com uma cuia em uma caixa d’água. “As famílias nunca imaginavam poder, um dia, tomar banho em casa”, acrescentou a ribeirinha Ednelza Martins da Silva, 42 anos.
Na seca, somente o sol ajuda a sobreviver
Menina ribeirinha caminha até um dos vários rios da Amazônia em busca de água para a sobrevivência da família
Outra comunidade beneficiada pelo sistema de bombeamento de água por energia solar foi Boca do Mamirauá, onde vive a guia comunitária Francilvânia Martins de Oliveira, 24 anos. “Melhorou muito nossa situação durante a seca. Antes, tínhamos de descer para lavar a roupa ou pegar água, correndo sempre o risco de esbarrar com
bichos. Agora tem até máquina de lavar roupa aqui na comunidade.” Qualidade Em 2013, o Instituto Mamirauá fez um monitoramento da qualidade da água nas 15 comunidades beneficiadas pelo sistema. “Ainda falta concluir a última comunidade, mas a adoção do sistema certamente implica benefí-
cios nas áreas de saúde”, disse Dávila Correa, referindo-se ao estudo que está analisando a água dos rios, das caixas d’água, das torneiras e dos recipientes que guardam a água nas comunidades atendidas. Gastos O custo de instalação dos 15 sistemas chegou a R$ 400 mil, valor que inclui os gastos com assistência
técnica. “Nós (do Instituto Mamirauá) temos o compromisso de instalar, a cada ano, dois sistemas nas comunidades”, informou a integrante do Grupo de Pesquisa das Populações Ribeirinhas. Por 11 dias, no mês de fevereiro, a equipe de reportagem da Agência Brasil viajou pela Amazônia para conhecer o dia a dia dessas comunidades.
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Pacientes poderão escolher leitos e profissionais no SUS Para o Supremo Tribunal Federal, os pacientes do SUS terão a opção de contratar acomodações e profissionais a seu critério
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stão abertas até a próxima terça-feira (22) as inscrições para a audiência pública que vai discutir a chamada “diferença de classe” nas internações do Sistema Único de Saúde (SUS). O debate, marcado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o final de maio, vai ouvir a opinião de especialistas, poder público e sociedade civil sobre a possibilidade de melhoria na acomodação e de contratação de um profissional conforme escolha do paciente. A audiência foi convocada para que os ministros do Supremo ouçam diferentes pontos de vista e possam julgar o Recurso Extraordinário 581488, que trata do tema. De acordo com o STF, cada pessoa deverá defender seu ponto de vista durante 15 minutos. O STF deve analisar o recurso proposto pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do qual contesta a decisão da Justiça Federal da 4ª Região de não restabelecer a prática, proibida desde 1991. Para o tribunal, a “diferença de classe” é improcedente pois trata de forma diferente os
DIVULGAÇÃO
pacientes dentro de um sistema como o SUS, que prevê acesso universal e igualitário aos serviços de saúde.
Resultado da audiência sai no dia 28
Repercussão Em 2012, os ministros do STF deliberaram que o julgamento terá repercussão geral, o que significa que a decisão que for tomada neste caso será aplica-
A audiência será realizada em um único dia (26), e cada expositor terá 15 minutos para sustentar seu ponto de vista, sendo facultada aos participantes a juntada de memoriais. Os interessados, os entes estatais e as entidades da sociedade civil poderão manifestar seu desejo de participar da audiência e indicar expositor até o dia 22/4, exclusivamente pelo endereço eletrônico diferencadeclasse@stf. jus.br. Para tanto, deverão explicitar os pontos que pretendem defender e indicar o nome de seus representantes. A relação dos inscritos estará disponível no portal eletrônico do STF a partir do dia 28.
OPINIÃO
O debate, marcado pelo STF para o final de maio, vai ouvir a opinião de especialistas, poder público e sociedade civil sobre a possibilidade de melhoria na acomodação e de contratação no Sistema Único de Saúde
da em situações idênticas pelas instâncias inferiores. O recurso tramita no STF desde 2008 depois que uma ação civil pública foi movida pelo conselho de medicina gaúcho contra a cidade de Canela (RS), para que o município, enquanto gestor municipal do SUS, fosse obrigado a permitir a “diferença de classe”.
Pacientes terão a livre escolha de leito e profissional de sua preferência para atendimento no SUS
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Mundo
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Obama: Rússia pode romper acordo firmado em Genebra Presidente se mostra cauteloso sobre o sucesso do pacto e diz que seu país tem preparadas novas sanções caso Moscou recue
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presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostrouse cauteloso diante das possibilidades de sucesso do acordo para tratar de apaziguar a crise na Ucrânia alcançado horas antes em Genebra entre os ministrões de Relações Exteriores da Rússia, Ucrânia, a União Europeia e seu próprio país. O mandatário defendeu a via diplomática como a única solução viável para resolver o conflito, mas advertiu que Washington tem preparado um novo pacote de sanções para o caso de Moscou não cumprir com a sua parte do pacto. “A esta altura não podemos estar seguros de nada”, reconheceu Obama quando perguntado sobre suas expectativas de que a Rússia cumpra com sua parte no desarmamento das milícias prórussas que tomaram várias instalações públicas nas principais cidades da zona oriental ucraniana. “O que existe é a perspectiva de que a diplomacia possa reduzir a tensão e que possamos avançar ao que foi sempre nosso objetivo, que é permitir que os ucranianos possam decidir sobre suas
AFP
próprias vidas por si mesmos”. O presidente falou sobre o pacto de Genebra aproveitando uma inesperada coletiva de imprensa que ofereceu para engrandecer o sucesso de sua reforma sanitária. Sem vislumbre Obama reduziu qualquer vislumbre de otimismo sobre o futuro desse acordo. “Vamos esperar, mas dado seu comportamento passado não acho que possamos contar com isso”, assinalou. Os EUA chegaram à reunião das quatro nações de Genebra com escassas expectativas de sucesso, no entanto, o acordo alcançado depois de mais de cinco horas de reunião – que passa pelo desarmamento dos ativistas pró-russos e a anistia por parte da Ucrânia para os que mudarem de posição - permitiu a Washington reafirmar sua aposta em uma solução diplomática para esse país e para a Rússia não ficar isolada como a única potência envolvida no conflito que foge do diálogo e, sobretudo, atrasar a imposição de novas sanções por parte do Ocidente que, até na quinta-feira (17), parecia um fato inevitável. DIVULGAÇÃO
‘Pacote na manga’ para frear russos Obama, não obstante, considera a possiblidade de recorrer as sanções, advertindo a Rússia que os EUA já têm pronto um novo pacote caso se confirme, como diz temer, que Moscou não cumpre com sua parte do trato. “A questão é se vai empregar sua influência para seguir desestabilizando, como fez até agora, ou para restaurar a ordem para que os ucranianos possam celebrar suas eleições”, comentou o presidente. “Vamos demorar alguns dias para comprovar se cumprem a sua palavra”. Os EUA coordenaram com seus sócios europeus a extensão das multas individuais sobre oligarcas alinhados ao presidente russo, Vladimir Putin, e entidades bancárias. Obama não está tão confiante que a Rússia vá cumprir acordo de retirada de tropas da Ucrânia
29 MORTOS
ARQUIVOS
Vida secreta do ex-presidente Bill Clinton se torna pública
Arquivos de Clinton falam da participação da mulher, Hillary
Os Arquivos Nacionais dos Estados Unidos tornarão públicas nesta sexta-feira 7,5 mil páginas de documentos da administração Bill Clinton. Os registros cobrem uma ampla gama de assuntos, incluindo a participação da primeiradama Hillary Clinton na reforma do sistema de saúde, o atentado à bomba em 1995 em Oklahoma City e as relações tumultuadas com Ruanda, Irã e Oriente Médio. Outros temas incluem documentos de escritores de discursos presidenciais, reuniões e ligações telefônicas entre o presidente e seu conselheiro Stan Greenberg, e registros relacionados com o ex-presidente Richard Nixon, o diretor de cinema Steven Spielberg e a apresentadora de televisão Oprah Winfrey. Documentos divulgados desde fevereiro deste ano
já mostraram detalhes sobre o fracassado plano de reforma no sistema de saúde e a vitória do Partido
REGISTROS
Os registros cobrem uma ampla gama de assuntos, incluindo a participação da primeira-dama Hillary Clinton na reforma do sistema de saúde e o atentado à bomba em 1995 em Oklahoma City
Republicano nas eleições de meio de mandato de 1994. Os novos papéis revelados nesta sexta-feira devem ser analisados de perto, já que Hillary é uma possível candidata nas eleições presidenciais de 2016.
Capitão de navio naufragado foi preso pela polícia coreana O capitão Lee Joon-seok, 69, que comandava a barca Sewol, naufrada na última quartafeira (16), na costa leste da Coreia do Sul, foi preso ontem, atendendo a um pedido emitido pela Justiça do país. Outros dois membros da tripulação também estão detidos, segundo relatam as agências internacionais de notícias. A informação é de que Lee Joon foi um dos primeiros a deixar o navio, após o acidente, que deixou, até agora, 29 mortos e 268 desaparecidos. Enquanto as equipes de buscas não encontram sobreviventes, a investigação avança. Um suboficial, e não Lee, pilotava a embarcação no momento da tragédia. Muito criticado pelas famílias dos desaparecidos por abandonar a embarcação quando centenas de passageiros ainda estavam presos, o capitão estava na na popa no momento do acidente. O capitão enfrenta cinco acu-
sações, incluindo negligência do dever e violação do direito marítimo - pelo abandono do navio. Os mandados de prisão emitidos contra Lee, o oficial no comando e outro membro da tripulação argumentavam que eles não cumpriam a obrigação de ajudar os passageiros. Tragédia A tragédia, que revoltou milhares de parentes de desaparecidos e chocou o mundo, teve um capítulo marcante nesta sexta-feira. O vice-diretor do colégio sul-coreano que acompanhou centenas de alunos na balsa, cometeu suicídio. Em carta, Kang Min-gyu afirmou que não poderia “continuar vivendo sem saber se meus alunos estão vivos ou não”. A balsa, que transportava 477 passageiros e tripulantes, naufragou na quarta-feira durante uma viagem do porto de Incheon à ilha de veraneio de Jeju, no sul do país.
Caderno C
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diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
IONE MORENO
Conheça as orquídeas de chocolate Páginas C4 e C5
Novos rumos para a saúde
Com estimativa de investimentos de R$ 330 milhões, capital e interior do Amazonas devem ganhar este ano mais reforço na rede pública de saúde. Estado é apontado como o quarto do país em aplicação de recursos no setor ALEX PAZUELLO/AGECOM
Segundo o secretário Wilson Alecrim, o Amazonas tem sido identificado como um dos Estados que, embora com problemas, oferece melhores condições para atendimento na área de saúde
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e acordo com Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) promovida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amazonas tem se destacado como um dos Estados que mais investe em Saúde. Ele ficou em quarto lugar, com 15,4% da parcela do orçamento aplicado em saúde, atrás somente de Tocantins, com 16,9%; Minas Gerais, com 16,3%; e Pernambuco, com 16,2%. Em quinta posição ficou a Bahia, com 14,7%; em 23ª o Pará, com 9,1%; em 24ª o Paraná, com 9%; e em 26ª o Rio de Janeiro, com 7,2%. “O Amazonas tem sido identificado como um dos Estados que, embora tendo problemas, vem oferecendo melhores condições para atendimento na área de saúde nos níveis na média e alta complexidade. Esses investimentos vem reforçar em infraestrutura e equipamento para que se possa fazer melhor atendimento e prestar melhor serviço para população”, analisou o titular da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam), Wilson Alecrim. Ele apontou que mais de R$ 330 milhões são estimados para serem investidos na compra de equipamentos e estruturação de hospitais e prontossocorros pela Susam, somente neste ano. Do montante, R$ 82 milhões serão destinados para o interior e R$ 250 milhões para a capital. Até junho, serão inaugurados três novos hospitais nos municípios de Japurá, Pauini e Envira. Além da entrega dos hospitais, a Susam tem investido na compra de equipamentos. A previsão é de que até junho seja entregue o primeiro tomógrafo público
no município de Itacoatiara (a 234 quilômetros da capital). “Mantendo em Itacoatiara atendemos a todos os municípios adjacentes, como Silves, Itapiranga e Urucará”, disse o secretário. Além do tomógrafo, haverá a instalação de mamógrafos em todos os 61 municípios. Destes, 15 já estão em funcionamento e 46 em fase de instalação. “Consideramos este o grande avanço na saúde no interior, porque evita deslocamento de pessoas para a capital e evita inúmeros inconvenientes”, apontou. Nos últimos três anos, foram inaugurados 10 hospitais nos municípios de São
META
Wilson Alecrim apontou que mais de R$ 330 milhões são estimados para serem investidos na compra de equipamentos e estruturação de hospitais e prontossocorros pela Susam, somente neste ano Paulo de Olivença, Tabatinga, Humaitá e Silves. O investimento em 92 ambulâncias e 46 ambulanchas, no início de 2014, tem auxiliado na execução do projeto de regionalização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), uma iniciativa dos governos estadual e federal com as prefeituras. Pela primeira vez o Samu, que só existia em Manaus, passou a funcionar em nove municípios da região do Alto Solimões e em seis da região metropolitana. “Isto vai possibilitar que pacientes com quadro grave, tanto das áreas urbanas e ribeirinhas, por meio das ambulanchas, che-
guem mais rapidamente aos hospitais para atendimento. Os investimentos para interior, em equipamentos, hospitais novos e reformas para o ano de 2014, estão estimados em R$ 82 milhões”, afirmou. Já em Manaus, a expectativa é que ainda neste primeiro semestre seja entregue a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI) na Fundação de Medicina Tropical (FMT), no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste. Também estão na fase de conclusão a Unidade Básica de Saúde (UBS) no residencial Viver Melhor, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, o hospital Geraldo da Rocha, no Aleixo, Zona Centro-Sul, e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Cidade Nova, Zona Norte. A previsão é que em junho seja inaugurado o pronto-socorro da Zona Norte e em julho de 2015, o hospital. Também esta sendo iniciada a construção do hospital com 146 leitos da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), na avenida Constantino Nery. No primeiro trimestre de 2014, em Manaus, foi inaugurada a expansão do hospital Francisca Mendes, no bairro da Cidade Nova, Zona Norte, o Serviço Residencial Terapêutico Lar Rosa Blaya, na Santa Etelvina, Zona Norte - para onde foram transferidos os pacientes que viviam no antigo Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro -, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Campos Salles, Zona Oeste e o Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, que fica no quilômetro 53 da rodovia AM010 (Manaus-Itacoatiara). A inauguração do centro de reabilitação foi realizada dia 28 de março de 2014.
Profissionais na rede pública
NONATO DUARTE/AGECOM
Procedimento no hospital Francisca Mendes: problemas estão na formação dos profissionais
Prestam serviço à rede estadual de saúde, em Manaus 1,6 mil médicos, com contrato direto, e mais de 2 mil ligados a cooperativas. No interior, são mil médicos, já inclusos os 451 profissionais vinculados ao programa federal Mais Médicos, que chegaram no Amazonas nos últimos oito meses. “No interior há necessidade de 2 mil, temos déficit de 50%. Na capital, apesar de estar melhor que no interior, não temos pediatras, anestesistas, urologista e neurologista em quantidade suficiente. Nós ainda não temos médicos e especialistas em quantidade suficiente para ocupar todos os postos”, afirmou o secretário Alecrim. O fato se deve, segundo o secretário, principalmente pela deficiência na formação de profissionais médicos. “Temos somente três faculdades de medicina no Estado, sendo duas públi-
cas e uma privada. Temos mais de 10 faculdades de Direito e sete de enfermagem. Não temos problemas com enfermeiros. É preciso que as faculdades formem médicos e especialistas em quantidade suficientes”, refletiu. Denúncias O secretário rebateu também as denúncias da demora de atendimento e ausência de médicos para responder a demanda, nos prontos-socorros da capital Aristóteles Platão Bezerra de Araújo, no bairro Jorge Teixeira, e João Lúcio, no São José, ambos na Zona Leste, publicadas pelo EM TEMPO na última semana. “A deficiência em médicos não é a causa principal do tempo maior de espera para paciente na urgência e emergência. Os prontossocorros João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo são de alta complexidade, feitos
para atender pacientes em estado grave e, geralmente, 40% das pessoas que buscam atendimento não se enquadram nesse estado, estão com dor de cabeça, febre ou gripados. Esse público poderia ser melhor atendido nas UBSs, ou nos Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) e acabam tomando a vaga de pacientes graves”, explicou. Pacientes com doenças crônicas, como diabetes e pressão alta, também deveriam buscar o tratamento continuado nas unidades básicas de saúde. “Não indo ou não tendo oferta da UBS, vai chegar o momento em que essa pessoa vai ter que ir ao pronto-socorro. E, acaba atrapalhando a assistência. Esperamos que com o plano de reestruturação da atenção básica, onde 40 unidades básicas estão em reforma e construção, permita organizar o atendimento”, desejou.
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A saúde indígen Para o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Alto Purus, Sebastião Haji Manchinery, problemas no segmento podem ser resolvidos, desde que haja observação a diversos aspectos que dificultam entendimento com partes envolvidas
FOTOS: IONE MORENO
Sebastião Haji Manchinery, do Alto Purus: investimentos atuais seriam suficientes para custear a atenção básica à saúde indígena no país, caso fossem administrados de modo diferente IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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relação, por vezes tensa, entre grupos indígenas e gestores da área da saúde é notória. Com frequência assistimos a ocupações de prédios públicos, protestos que pedem pela troca da administração e descontentamento principalmente quanto à forma de aplicação dos recursos. Um montante de um R$ 1,93 bilhão é repassado pelo governo federal e dividido entre os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) anualmente. O investimento seria suficiente para custear a atenção básica, para o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Alto Purus, Sebastião Haji Manchinery, 44, caso fosse administrado da maneira diferente. “O montante em si daria para fazer um bom trabalho, mas como está sendo investido é que não permite. Por exemplo, nós pagarmos R$ 10 milhões para aluguel de carro, não é um bom negócio. Em longo prazo não é a melhor forma. A melhor
forma é que se tenha investimento a longo, curto e médio prazo. A curto você resolve o problema agora, a médio se estabelece plano de ação que vá contemplar os recursos humanos, estrutura financeira, por exemplo. E, a longo prazo, é que seja transformado em política, que as pessoas saibam para onde ir, que tenham um posto de saúde na aldeia, que quando vão à cidade ou para o município, mas que saibam que vão ser tratadas e o que será feito. No momento a gente não sabe, mandamos um paciente para tratamento e não sabemos o vai acontecer com ele”, afirmou o indígena que esteve em Manaus, na última semana, para participar do 2º Congresso de Secretarias Municipais de Saúde das Regiões Norte e Nordeste. Da etnia dos manchineri, concentrada no município de Assis Brasil, no Acre, Sebastião - que também foi representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) de 1994 a 1996 e, por 4 anos, esteve à frente da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia
Amazônica (Coica) - apontou semelhanças nas dificuldades sofridas pelos indígenas do Amazonas, Acre e de outros Estados brasileiros, que totalizam uma população de 817 mil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de todo o investimento, a morte de indígenas acometidos de malária ou hepatite é um dado presente na realidade brasileira, segundo Manchinery. “Isto é verdadeiro: uma quantidade grande morre por malária”, afirmou. O presidente explicou que doenças como gripe, febre e as que acometem o estômago e o intestino, assim como as doenças de pele, também são recorrentes. “Sempre temos muitos problemas intestinais. Diria que é em função tanto da alimentação e da bebida. Nos homens, a questão do alcoolismo é forte, mas tem também o abuso de açúcar e sal, que é situação bastante prejudicial à saúde. A maioria dos povos indígenas tem problema crônico, permanente, desde dentário até de pele”, explicou.
DSTs são as grandes ameaças Além disso, de acordo Manchinery, há certa dificuldade em conter o contágio de doenças sexualmente transmissíveis e Aids. “Temos casos de DSTs, que é uma ameaça grande. Muitos povos não estão preparados para isso que, acontecendo em uma família, gera muitos prejuízos”, pontuou. Para ele, a ausência da continuidade e conclusão dos tratamentos é o que mais afeta a saúde indígena e pode levar à morte prematura. “Às vezes eles são até diagnosticados com antecedência, mas não se conclui o tratamento, e a doença ressurge até matar. Às vezes não temos um atendimento apropriado para tratamento, os próprios pacientes também não tem muita preocupação em fazer dietas e, se não tem orientação, não vão fazer. A medicação não chega no momento certo e agrava a situação”, explicou.
A dificuldade em cumprir longos tratamentos também interfere na cura das doenças que acometem os indígenas aldeados. “Se o médico me manda tomar por 60 dias, de seis em seis horas o medica-
PROBLEMA
Apesar de todo o investimento, a morte de indígenas acometidos de malária ou hepatite é um dado presente na realidade brasileira, segundo Sebastião Haji Manchinery mento, às vezes ocorre de me esquecer ou passar do horário. Imagina uma pessoa que está pescando, caçando ou no roçado. Muitos também são pessoas de pouca leitura, que não entendem as explicações
dos médicos”, ressaltou. No caso das DST/Aids, a prevenção com o uso de preservativo ainda é um tabu para parte da população. “Até existe orientação (em usar preservativo), mas de fato não existe costume, as pessoas não se apegam a isso. Não veem o uso do preservativo como preocupação para evitar a doença. Enquanto isso não é assimilado pelo povo, é difícil terem isso como meio de prevenção”, alertou. A convivência direta com animais domésticos, ou não, sem as condições adequadas de higiene também proporciona algumas enfermidades. “A maioria dos povos indígenas cria cachorro, gato, porco, galinha. Existe muita mistura e não há orientação. Quando os animais adoecem há o risco de transmitir para o homem. Em função disso, tem aumentado doenças de pele e respiratórias”, apontou.
Indígenas na última ocupação da sede da Funai, em Adrianópolis: relação tensa com gestores
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na pede socorro JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
Uma série de contratempos Para Sebastião, há quatro grandes pontos que dificultam a promoção de um sistema de saúde de qualidade às populações indígenas. O primeiro diz respeito a contratempos em remover um paciente da aldeia para o município mais próximo ou para a capital. “Este processo é caro, é desgastante, demorado e cria uma desestabilidade econômica nas famílias do paciente”, afirmou. O segundo ponto tem a ver com a relação de instabilidade entre a gestão e os povos indígenas. “A gestão entende que, por estar amparada pela lei, ela faz, impõe, manda e desmanda no que quer. Findamos questionando e quando isso acontece, as pessoas se sentem ofendidas e não entendem que queremos a melhoria para saúde indígena”, apontou. A desarmonia entre as três esferas governamentais e a escolha de pessoas para os cargos de direção, que algumas vezes estão alheias às necessidades das
Falta de gestão e planejamento
etnias, também foi questionada por Manchinery. “Em alguns casos, a gestão finda colocando pessoas que não têm conhecimento nem afinidade, e isso cria problema e tem acontecido em todos os distritos. Não existe muito a questão da transparência, da confiabilidade. Conhecemos muita gente que está ali porque o salário é alto. Então virou um meio de vida”, denunciou. Além disso, outro fator que tem retardado um maior avanço na saúde é não atentar às especificidades, diferenças culturais e crenças de cada etnia, para Manchinery. “Quando nós mergulhamos nessas diferenças e especificidades, nós esbarramos na lei e na vontade política. Se nos esbarramos na lei, não temos como adquirir maiores condições para exercer essa saúde especial. Se esbarramos na vontade política, nós não temos condições de implementar as demandas específicas que tem cada povo, cada região. Essa forma precisa ser revista”, ressaltou.
Para ele, o lapso não está na lei, mas na ausência de uma gestão e planejamento que contemple as necessidades de cada povo. Sebastião se lembrou do caso da etnia maderrá conhecida como culina – habitantes de parte dos territórios do Amazonas e do Acre –que acreditam que a doença pode se manifestar em uma pessoa, caso ela tenha sido vítima de algum feitiço. “Esta é uma especificidade bem marcante, atual e presente, e nem sempre nós, que não conhecemos a realidade deles, vamos entender. Esses merecem tratamento específico”, argumentou. Apesar das contrariedades, Sebastião acredita que há como mudar este atual panorama, se for concedida mais voz aos próprios indígenas. O que também dificulta o atendimento aos indígenas é a não observação das diferenças culturais
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O chocolate que Espécie de orquídea que exala odor de chocolate faz sucesso no Jardim Botânico do Museu Vivo da Amazônia ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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s delícias da Páscoa geralmente são feitas de chocolate e uma boa parte da preocupação do consumo desses doces está nas calorias ingeridas. A flora amazônica é tão maravilhosa que presenteia o homem com uma espécie de orquídea que pode saciar um pouco a necessidade dos chocólatras, pois ela exala um forte aroma do doce tão desejado. Com o nome científico de braemia vittata, mas vulgarmente conhecida como orquídea de chocolate, a espécie é natural da região, mas pode ser encontrada em diversas áreas do Brasil, mas esses exemplares que são mais encontrados no sul do país surgiram com a mistura em laboratório de outras duas espécies conhecidas como oncidium jamie sutoch e a oncidium honolulu. No sul do país, neste período, as pessoas tem o costume de presentear o próximo com uma orquídea de chocolate em lugar dos tradicionais ovos de Páscoa. A diferença da orquí-
dea de aroma de chocolate feita em laboratório, cujo nome de batismo é oncidium cherry baby, está no tamanho das flores, que são maiores do que as produzidas pela orquídea de chocolate da Amazônia. A espécie de orquídea braemia vittata pode ser encontrada no patrimônio do Jardim
EXCLUSIVA
Com o nome científico de braemia vittata, mas vulgarmente conhecida como orquídea de chocolate, a espécie é natural da região, mas pode ser encontrada de forma híbrida em diversas áreas do Brasil Botânico do Museu Vivo da Amazônia (Musa), localizado na borda da reserva florestal Ducke, bairro Cidade de Deus, Zona Leste de Manaus. A espécie, que tem o registro JB-x 1247, foi recolhida em média após um ano e meio e tem acolhido diversos curiosos que atravessam o país para conhecer e sentir o famoso cheiro de chocolate
da orquídea. O tom de vinho na flor também se diferencia das demais espécies fabricadas em laboratório, que oferecem mais duas cores como o branco e o amarelo. A braemia vittata brota todo o ano e é responsável pelo aroma doce e colabora para o encanto dos seus visitantes. A espécie que vive no Jardim Botânico recebe um cuidado especial por parte da estudante de biologia e pesquisadora Pollyana Menezes Marcião, que conhece bem os detalhes das 400 espécies de orquídea, que estão no jardim. A orquídea de chocolate, como as demais espécies, é recolhida depois que cai do seu habitat natural. Para evitar que a planta morra, os biólogos que trabalham, pesquisam e estudam na reserva, a recolhem e a levam para o jardim. No local, a espécie passa por um cadastro que também é repassado para o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa). Esse cadastro também facilita para que os demais pesquisadores possam saber que os exemplares da espécie estão expostos no Jardim Botânico.
FOTOS: IONE MORENO
A braemia vittata, que exala odor de chocolate, é uma espécie ainda pouco conhecida na região
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e vem das flores O novo ‘xodó’ dos visitantes A pesquisadora afirma que a espécie amazônica não é encontrada em outro lugar. Até mesmo os colecionadores de orquídea ainda não possuem a braemia vittata, mas virou o xodó de todos que sempre a visitam. Infelizmente pouco ainda se sabe sobre a espécie, até mesmo os estudos, mas a pesquisadora contou que a orquídea é conhecida por viver na região conhecida pelos pesquisadores como baixio, área de igarapé perto de palmeiras. A braemia vittata, por viver dessa forma, mostra suas características de trópico e sua sobrevivência conforme a temperatura. “Sem dúvida, o maior encanto da orquídea, além da cor das pequenas flores está no aroma de chocolate que transformam a arte floral da espécie”, reforçou Pollyana Menezes. A questão de estudos mais detalhados para a espécie é preocupante para a bióloga que cuida das orquídeas como se fossem seus próprios filhos. Em visita ao Jardim Botânico,
a pesquisadora conversa com cada espécie e até as chama de forma carinhosa de “meus bebês”. Para manter a espécie viva, a pesquisadora diariamente borrifa as raízes e até mesmo a planta com substrato, que é um nutriente líquido. Dessa forma, a orquídea de chocolate tem vivido por esse período e alegrando seus visitantes com belas flores e o delicioso aroma de chocolate. Pollyana explicou que um dos motivos de não haver nenhum estudo para a braemia vittata ou algum tipo de pesquisa sobre a espécie, é a questão de as orquídeas serem a segunda maior família botânica. Elas têm 76 gêneros e cada um pode ter mais de 35 mil exemplares no mundo. “Para um pesquisador estudar uma espécie sozinha é muito difícil, pode passar muito tempo para o fechamento da pesquisa e por isso que muitas espécies possuem poucos dados e a braemia vittata é uma delas”, disse.
A verdadeira orquídea da Região Norte
Número de registro da espécie no Museu Vivo da Amazônia, localizado na Zona Leste da cidade
Espécie de orquídea recebe todos os cuidados possíveis da pesquisadora Pollyana Marcião
A pesquisadora reafirmou que a braemia vittata encontrada na Amazônia é a verdadeira orquídea de chocolate tão desejada no sul do país. “A nossa orquídea de chocolate é totalmente retirada da floresta sem nenhum tipo de mistura ou modificação, por isso que o tamanho de suas flores é bem menor das demais que encontram pelo país”, explicou. Para conhecer a braemia vittata ou a orquídea de chocolate, é necessário estar vestido com calça comprida e sapatos fechados. A espécie fica no Jardim Botânico do Museu Vivo da Amazônia, localizado na reserva florestal Ducke. O local é aberto para visitas de segunda a sextafeira, nos horários de 8h às 17h.
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Inpa terá ‘depó Com a inauguração do Prédio de Armazenamento para Materiais Radioativos (Pamrad), no dia 22, o instituto torna-se referência no Norte do Brasil neste tipo de armazenamento, garantindo o confinamento seguro desse tipo de material DANIEL JORDANO/INPA
Instalações do Prédio de Armazenamento para Materiais Radioativos (Pamrad), que será inaugurado na próxima terça-feira no Inpa: confinamento seguro de material usado em pesquisas
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Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI) inaugura na próxima terça-feira (22) a estrutura física do Prédio de Armazenamento para Materiais Radioativos (Pamrad). Este é o primeiro prédio da região Norte com capacidade de armazenagem inicial de materiais e dejetos radioativos inerentes às atividades de pesquisas nos laboratórios do Instituto que utilizam substâncias radioativas (os chamados radionuclídeos) em quantidades superiores aos limites de isenção especificados em norma própria da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A inauguração será às 9h, no Campus I do Inpa, na avenida Otávio Cabral, s/nº, Petrópolis (Zona Sul de Manaus). Com a inauguração do Pamrad, o Inpa torna-se referência no norte do Brasil neste tipo de armazenamento, garantindo o confinamento seguro desses materiais radioativos pelo tempo necessário à proteção do homem e do meio ambiente. Para o diretor do Inpa, Adalberto Luis Val, o Serviço de Radioproteção no instituto é uma ferramenta de vital importância à disposição dos pesquisadores do Inpa para continuarem a ser competitivos na fronteira do conhecimento científico. “Organizar e manter um Serviço de Radioproteção no Inpa é mais um avanço da instituição que definitivamente se consolida por meio de ferramentas de última geração no estudo da biodiversidade amazônica”, disse Val. O prédio da Pamrad atenderá às necessidades dos diversos grupos de pesquisas de diferentes laboratórios do instituto, que já manifestaram a intenção de trabalhar com materiais radioativos ou equipamentos emissores de radiação ionizante em
suas pesquisas. Desse modo, esses laboratórios passarão a ser denominados, futuramente, de Instalações Radiativas licenciadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Dejetos radioativos são materiais produzidos em laboratórios, hospitais, usinas nucleares, centros de pesquisas, entre outros, e que não têm mais utilidade (mas que podem às vezes ser reciclados) e não podem ser “jogados fora” ou “no lixo”, por causa das radiações perigosas que emitem. A técnica em Materiais Radioativos do Inpa e supervisora técnica do Serviço de Radioproteção, Zenaide Aparecida Figueiredo, ex-
VANTAGEM
O prédio da Pamrad atenderá às necessidades dos diversos grupos de pesquisas de diferentes laboratórios que já manifestaram a intenção de trabalhar com materiais radioativos plica que a construção do prédio teve um custo de R$ 444,1 mil, recursos oriundos do Projeto Grandes Vultos. O prédio foi projetado obedecendo às legislações e normas nacionais e internacionais, como da própria Cnen e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Conforme Zenaide, o prédio possui uma arquitetura própria para a sua finalidade: as paredes possuem espessuras específicas, cantos arredondados, o piso foi concebido com uma base diferenciada de modo que não permita infiltrações, e as pinturas foram feitas com tintas especiais. “O prédio também possui um sistema de contenção de água servida próprio e dife-
renciado. Não será descartado nenhum tipo de material radioativo no meio ambiente, ficando retido no próprio Inpa”, explica a técnica. Segundo ela, os laboratórios do Inpa, depois de licenciados pela Cnen, passarão também a ser geradores de dejetos radioativos. Mas para que isso aconteça de modo seguro é preciso haver o Gerenciamento de Rejeito Radioativo. Estes materiais serão embalados adequadamente, de acordo com o tipo de emissão de cada partícula radioativa, devidamente identificados e encaminhados ao Pamrad. A técnica conta que haverá um agendamento para encaminhar os materiais radioativos para a armazenagem. “Cada laboratório agendará o envio desses materiais ao Pamrad”, diz Zenaide informando que o prédio deverá entrar em funcionamento total no segundo semestre deste ano, tendo em vista que a aquisição dos equipamentos necessários ainda está em processo de licitação. Ela esclarece que quando esses dejetos chegarem a um determinado nível de ocupação do prédio serão encaminhados a um depósito autorizado pela Cnen. No Brasil, existem depósitos autorizados em Recife, São Paulo, Rio de Janeiro. De acordo com a técnica, um trabalho de orientação está sendo desenvolvido, desde 2013, com os responsáveis pelos laboratórios do Inpa, quanto à proteção radiológica aos que vão trabalhar com materiais radioativos, mesmo em pequenas quantidades, mas que fazem parte de seus estudos, como o carbono 14 (14C), o hidrogênio 3 (3H) e o cálcio 45 (45Ca), dentre outros. “Para utilizar materiais radioativos, hoje, no Brasil, existem normas editadas pela Cnen que precisam ser atendidas”, complementou.
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ósito radioativo’
RICARDO OLIVEIRA/ARQUIVO EM TEMPO
Novo serviço de radioproteção Uma das normas do Cnen é a implantação do Serviço de Radioproteção, que já está sendo estruturado no Inpa com o objetivo de gerenciar as atividades de proteção radiológica. Todos os laboratórios que trabalham com materiais radioativos ou com equipamentos que geram ondas ionizantes com raios X têm que ser licenciados ou isentados pela Cnen e precisam atender algumas normas na questão da proteção radiológica e com pessoal treinado. Os colaboradores envolvidos nos laboratórios, que serão transformados em Instalações Radiativas, passarão por treinamentos, recomendados pela Cnen, de no mínimo 40 horas, repetidos a cada dois anos. Deverão participar dos treinamentos os pesquisadores responsáveis pelos laboratórios e seus técnicos, e alunos de mestrado ou doutorado que tenham trabalhos desenvolvidos nesses locais. “Inclusive, o pessoal do serviço de limpeza, que precisa conhecer o
símbolo da radiação e saber qual o tipo de equipamento de proteção individual (EPI) deve ser utilizado ao executar serviços nesses locais”, ressalta a técnica em Materiais Radioativos do Inpa, Zenaide Figueiredo. Ainda de acordo com Zenaide, o Serviço de Radioproteção também trabalhará a segurança das fontes radioativas, a dosimetria (monitoração da dose de radiação recebida) das pessoas envolvidas com a manipulação do material radioativo, além da monitoração ambiental em torno do prédio onde serão armazenados os dejetos radioativos para verificar a existência de algum nível de irradiação externa. “Também servirá como ponte entre os laboratórios do Inpa e a Cnen, porque para trabalhar com material radioativo, os laboratórios devem possuir licença de operação”, esclarece a técnica. Comissão Para o pesquisador Adrian
Pohlit, presidente da Comissão Interna de Radioproteção, com o licenciamento junto à Cnen, o Inpa voltaria a utilizar um metabólito que contém o isótopo trício que é introduzido no meio de cultura durante o bioensaio. “Isso permite quantificação rápida dos parasitos e aumenta em mais de 100 vezes a velocidade dos testes antiplasmódicos”. O Serviço de Radioproteção atuará em conjunto com a Comissão Interna de Radioproteção, composta por técnicos e pesquisadores-doutores. Além de auxiliar o Serviço de Radioproteção, a comissão terá a incumbência de orientar os diversos laboratórios do Inpa que irão manusear materiais radioativos a realizarem esta atividade, conforme as normas da radioproteção e seguranças existentes, de modo a preservar a saúde da comunidade do Inpa e dos visitantes, proporcionando um ambiente seguro para essas pessoas e a proteção ao meio ambiente. Com o Pamrad, Inpa vai se tornar referência no armazenamento desses materiais no Brasil
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Uma conversa entre bobos e xerifes
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Ucrânia dividida tenta mostrar reação
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Adendo de Shakespeare em Sir Thomas More. Pág. 2
Visão ocidental e parcial sobre o mapa. Pág. 3
Morte de um imortal latino
Vida e muitas obras de Gabriel García Márques. Págs. 4, 5 e 6
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É verão em Nova York
Poema nosso de cada dia. Pág. 7
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
Sir Thomas More TRECHOS ATRIBUÍDOS A WILLIAM SHAKESPEARE TRADUÇÃO ALÍPIO CORREIA DE FRANCA NETO
Ato 2, Cena 4 Entram Lincoln, Doll, o Bobo, George Betts, Williamson e outros. LINCOLN - Silêncio, ouvi: quem não quiser arenque defumado a quatro pence, manteiga a onze a libra, farinha a nove xelins o alqueire e carne a quatro moedas de ouro quatorze libras, me escutai. GEORGE - Se os estrangeiros forem tolerados, isso vai acabar em crise. Vamos dar-lhe atenção. LINCOLN -O nosso é um país que come muito; ergo, eles comem mais no nosso país do que no deles mesmos. O BOBO - Um pão por dia a meio pêni, sistema troy. LINCOLN - Eles cultivam vegetais de fora e péssimos, o que é apenas pra ruína dos pobres dos aprendizes. Ora, o que é uma mísera pastinaga prum bom apetite? WILLIAMSON - Nada, nada. Causam dor nos olhos e podem infectar a cidade com a paralisia. LINCOLN - Não, infectaram: esses vegetais bastardos do esterco vós sabeis que eles crescem no esterco já nos infectaram, e a nossa infecção, que vai abalar a cidade, em parte está ocorrendo porque nós comemos pastinagas! O BOBO - É verdade. Abóboras também. Entra [Downes, o Sargento darmas] DOWNES - O que dizeis à piedade do Rei? A recusais? LINCOLN - Quereis nos desequilibrar na luta, hein? Não, claro que não; aceitamos a piedade do rei. Só que não vamos demonstrar piedade pelos estrangeiros! DOWNES - Sois os infelizes mais simplórios que eu já vi insistindo numa questão como essa. LINCOLN - Como é que disseste, aprendizes?, aprendizes simplórios? Abaixo com ele! TODOS - Aprendizes simplórios! Aprendizes simplórios! Entram o Prefeito de Londres, Surrey, Shrewsbury [e More] PREFEITO DE LONDRES - Parem! Em nome do Rei, parem! SURREY - Amigos, camaradas, compatriotas PREFEITO DE LONDRES - Paz, escutai, paz! Eu vos ordeno, conservai a paz! SHREWSBURY - Meus camaradas, compatriotas WILLIAMSON - O nobre Conde de Shrewsbury, vamos ouvi-lo. GEORGE - Vamos ouvir o Conde de Surrey. LINCOLN - O Conde de Shrewsbury. GEORGE - Vamos ouvir os dois. TODOS - Os dois, os dois, os dois, os dois! LINCOLN - Paz, estou dizendo, paz! Sois homens sábios ou o quê? SURREY - O que quiserdes, menos homens sábios. TODOS - Não vamos ouvir meu Lorde de Surrey: Não, não, não, não! Shrewsbury, Shrewsbury! MORE - Enquanto transbordarem a obediência Vão acabar com tudo desse jeito. LINCOLN - O Xerife More fala: vamos ouvir o
Xerife More falar? DOLL - Vamos ouvir ele: ele como xerife tem uma mesa generosa, e arrumou pro meu irmão ser assistente do Sargento Safe. Vamos ouvir o Xerife More. TODOS - Xerife More, More, More, Xerife More! MORE - Mesmo que com o governo que seguis, Ordenai-vos ouvirdes em silêncio. ALGUNS - Surrey, Surrey! More, More! LINCOLN e GEORGE - Paz, paz, silêncio, paz! MORE - Tu, que esta multidão escuta e preza, Ordena-lhe o silêncio. LINCOLN - A peste caia sobre eles! Não vão manter a paz, O diabo não pode governá-los! MORE - Que encargo duro e ruidoso tendes, Governar quem o diabo não governa! Meus camaradas, escutai. DOLL - Sim, pela missa, nós vamos ouvir. More: és hospitaleiro, e te agradeço a consideração em nome do meu irmão Arthur Watchins. TODOS - Paz, paz! MORE - O que ofendeis é o mesmo que pleiteais, Ou seja, paz: não estaríeis aqui Tivésseis tido outros iguais na infância Pra degolar a paz, como quereis; Se a paz em que vos criastes até agora Fosse tomada, os tempos cruentos não Vos levariam até à idade adulta. Ai, tristes criaturas, qual o ganho Se assegurarmos isso que pedis? GEORGE - Ora, essa, a remoção dos estrangeiros, que só sabem se aproveitar dos pobres artesãos da cidade! MORE - Vamos supor que ela houve, e vosso ruído Vergou a majestade da Inglaterra. Pensai nos estrangeiros, infelizes, Com crianças nos ombros, bagagem pobre, Se arrastando à orla e ao porto pra transporte, E sentais como reis ante os desejos, O poder silenciado às queixas altas, Vós, trajando vanglória até os rufos; O que lograstes? Digo. Ensinastes Que empáfia e mão pesada hão de se impor, A ordem, ser pisoteada, e com esse exemplo Nenhum de vós acabaria ancião, Pois mais rufiões, presas de fantasias, Com iguais razões, mão, senso de direito, Iriam predar-vos, e homens, devorar-se Como peixes vorazes. DOLL - Por Deus, isso é tão verdadeiro quanto o Evangelho! GEORGE - Ora, esse camarada é íntegro, garanto. Vamos ouvi-lo. MORE - Deixai-me expor ao vosso juízo, amigos, O que é uma hipótese; se a escutardes, Percebereis quão repugnante é a forma Desse motim; primeiro, ele é um pecado Do qual o apóstolo já advertia, Instando obediência à autoridade; Não erraria se dissesse a todos Que vos batíeis contra o próprio Deus. TODOS - É claro, Deus proibiu isso! MORE - Ou melhor, certamente vos bateis. Deus concedeu ao Rei a autoridade Do assombro, do poder, justiça e mando,
Ato 3, Cena 2 Uma mesa coberta por uma toalha verde. Sobre ela, uma almofada de cerimônia a bolsa com a insígnia de Lord Chancellor e ao lado dela a maça Entra Sir Thomas More É no céu que eu estou, de um jeito ou de outro, E o que chamamos sorte, como ímpios, É a provisão desse poder na altura, Própria e moldada à força natural Com que nascemos. Meu bom Deus, bom Deus! Eu ascender de um ramo humilde à testa Do meu país, como me aconteceu, E legislar! Na vida de meu pai, Ter direitos, tributos dos joelhos Dos meus, mais velhos e ele, por meu cargo,
Me dar a via plana a sua direita, Dele por natureza! É, tais coisas, Se não tratadas, tornam nosso sangue Corrupto: só que, More... quanto mais tenhas, Honra, carreira, posição, riqueza, Que atiçam a acolhê-las, abraçá-las, Mais lembra a natureza das serpentes, Seu cerne agudo, e adota esta máxima: Quanto mais fios de fases triunfais Mais em ruína a meada se desfaz.
Deu-lhe o governo, quis que obedecêsseis; E acrescentando majestade a isso, Não só cedeu Sua figura ao Rei, Seu trono e espada, como deu-lhe o nome O chama Deus na Terra. O que fazeis, Negando quem o próprio Deus empossa, Senão negar a Deus? O que fazeis À alma com isso? Oh, desesperados, Lavai vossa alma em pranto, e as mesmas mãos Que ergueis como rebeldes contra a paz Erguei por paz, e os joelhos profanos, Fazei-os vossos pés. Vos ajoelhar Para o perdão é guerra mais segura A vós, cuja ordem é o tumulto. Vamos, Recolhei-vos à obediência! Até Vosso tumulto ocorre em obediência. Me respondei: que capitão rebelde, Já que há motins, chamado dessa forma, Aquieta a malta? Quem segue um traidor? Como a proclamação soará harmoniosa Sem título senão o de rebelde Pra designá-lo assim? Degolareis Estrangeiros, lhes tomareis as casas E ireis guiar a majestade da lei em trela, então largá-la como a um cão. Se o Rei piedoso com quem tem remorso Punisse vossa enorme transgressão Só vos banindo, aonde iríeis? Qual País, com a natureza dessa falta, Daria abrigo? Ide à França ou Flandres, Província alemã, Espanha ou Portugal, Um lugar sem os usos da Inglaterra: Sereis, por força, estrangeiros. Vos Agradaria nação tão primitiva, Que irrompesse com uma violência hedionda, Não vos desse morada nesta terra, Afiasse a faca odiosa em vossa goela Ou vos chutasse como a cães, e como Se estranhos a Deus, não criados por ele, Com elementos não próprios ao conforto E impingidos a ele? O que pensaríeis De um trato assim? É o caso de estrangeiros; Eis vossa desumanidade horrenda. TODOS - É mesmo, o que ele tá falando é verdade. Vamos fazer pros outros o que queremos que nos façam. LINCOLN - Vamos ser liderados por ti, Camarada More, se ficares a nosso lado pra conseguir nosso perdão. RESUMO MORE - Entregai-vos aos nobres cavalheiros, O manuscrito de “Sir Rogai-lhes a mediação Thomas More” teria com o Rei, sido redigido por sete Cedei à regra, ouvi o pessoas, entre elas Anmagistrado thony Munday (1560E será certo que achareis 1633), que seria o piedade autor do texto original, Se assim buscardes. por volta de 1600. A [...]
peça não foi encenada nem publicada à época. A primeira colaboração de Shakespeare é identificada no trecho manuscrito pela chamada “hand d” (caligrafia d), por volta de 1604. É o Ato 2, Cena 4, traduzido ao lado. Além de caligrafia, também ortografia e outras características remetem ao dramaturgo. Uma colaboração posterior e mais curta de Shakespeare, manuscrita por outra pessoa, “hand c”, é atribuída a ele por paralelos verbais e outros. Considerada a passagem de mais qualidade da peça, é o Ato 3, Cena 2, também ao lado. (Nelson de Sá)
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Política
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Sob os olhos do Ocidente A Rússia e o contra-ataque do império decaído RESUMO Escritora que tem no cerne de sua obra os abusos soviéticos nos países bálticos vê a anexação da Crimeia pela Rússia como parte de uma campanha colonialista contínua. Medo, provocação, projeção e propaganda seriam as armas do Kremlin para justificar ocupações, tanto para os habitantes locais quanto para o Ocidente.
SOFI OKSANEN TRADUÇÃO PAULO MIGLIACCI ILUSTRAÇÃO RAFAEL CAMPOS ROCHA
A cada manhã, acordo imaginando se terá chegado o dia em que a Europa Oriental será vendida mais uma vez. Verifico meu celular e, quando vejo que nada de muito alarmante foi anunciado, mesmo que as notícias não sejam exatamente animadoras, ligo meu computador e vasculho as manchetes, ainda imaginando se vai acontecer hoje ou amanhã. O dia em que só me concentrando na observação de minhas reações pessoais e nas do mundo ao meu redor serei capaz de lidar com as notícias – porque é dever do escritor recordar os momentos em que se viram páginas da história. Uma nova era já começou. O período que separa as guerras frias – de 1989 a 2014 – acabou. A última vez que a Europa Oriental e os países bálticos foram vendidos à União Soviética e absorvidos em sua esfera de influência foi sob o pacto Molotov-Ribbentrop [em 1939], uma manobra que contribuiu para que o império soviético viesse a atingir seu maior poder. Uma força de trabalho não remunerada estava trancada nos campos de escravos do gulag. Agora a Rússia deixou claro, em palavras e atos, que pretende restaurar a velha glória de seu império. A doutrina Brejnev foi atualizada e adotada por Putin. A Rússia acredita que tem o direito de intervir nas ações de Estados independentes caso estes pareçam estar se aproximando demais do Ocidente e caso a Rússia considere ter autoridade sobre a área em questão. A Duma, o Legislativo russo, debate em regime acelerado uma lei que facilitaria a anexação de regiões que no passado estiveram sob domínio soviético, e os povos da Europa Oriental e dos países bálticos ficam imaginando se uma vez mais terão depositado em vão sua fé no Ocidente – que, ao longo da última década, dedicou pouca atenção ao Leste Europeu, a não ser para vê-lo como fonte de mão de obra barata e local para instalações de produção lucrativas.
A anexação ilegal da Crimeia tem grande valor simbólico; é a primeira região, desde o período soviético, a ter sido tirada de um Estado independente e incorporada à Rússia. Também é um teste, um estudo da tolerância e da moral do Ocidente: será que ousará honrar suas promessas – ou trairá o Leste novamente? O contra-ataque do império decaído começou em 2005, quando Putin declarou que o colapso da União Soviética foi o maior desastre geopolítico do século 20. A forma como a história é ensinada é um dos métodos pelos quais essa tese é promovida, um conteúdo retrógrado motivado por interesses geopolíticos. O objetivo dessa versão da história é fazer renascer o orgulho nacional russo e funcionar como lembrete de que integrar o império russo era benéfico para pessoas de outras regiões. Os antigos Estados vassalos têm opinião bastante diferente. Por anos os ocidentais aplaudiram polidamente os discursos de Putin sobre o “desenvolvimento democrático” de seu país. Ele defendeu seu modelo social como uma “democracia administrada”. Esse tipo de governo não é uma democracia, mas o Ocidente acatou a explicação, como acatou outros eufemismos do FSB (a versão atual da KGB) que tinham por objetivo acalmar o resto do mundo enquanto a elite no Kremlin fazia preparativos para criar o admirável mundo novo de Putin. A União Soviética foi reabilitada, e o jornalismo se tornou uma escolha profissional suicida. Desde 2012, a elite de Putin vem repatriando os ativos que detinha no Ocidente, a fim de garantir a independência dos que estão no poder. Um dos princípios fundadores da União Europeia é o de que deveríamos pelo menos tentar aprender alguma coisa com o passado. A União Eurasiana promovida por uma panelinha dentro da elite de Putin é diametralmente oposta a isso. Baseia-se em porções seletas do stalinismo e do nacional-socialismo, cujas lições de propaganda são seguidas atentamente. E essa forma de exercer o poder conta com um orçamento inesgotável. Em 2005, o canal de TV Russia Today, em inglês, foi criado para servir às necessidades de propaganda do Kremlin, com orçamento anual de mais de US$ 300 milhões. Porque a programação do canal parece jornalística, todos acreditam que seja jornalística, quando, na verdade, ela serve para disseminar as “verdades” russas para o Ocidente, como ex-funcionários da estação admitiram. Agora, com a crise ucraniana, essa propaganda se tornou tão desavergonhada que já não tenta esconder do Ocidente as suas intenções, como fazia no passado. E isso é uma mudança considerável. Entre os editores ocidentais, é prática comum apresentar opiniões de diversas partes a fim de produzir um artigo que se aproxime da verdade. Mas
essa não é a maneira certa de agir quando um dos lados está mentindo escandalosamente. Ao agir assim, a mídia ocidental repete indiretamente a mensagem promovida pelos “siloviks” do Kremlin [ “pessoas de poder”, termo usado para denotar políticos importantes com antecedentes nos serviços de segurança]. O cerne da política do Kremlin é a guerra de informações, plena de alegações e contra-alegações, porque essa é a forma mais barata de conquistar territórios sem utilizar blindados. Medo, provocação, projeção e propaganda: a elite do Kremlin domina todas essas técnicas. São as armas usadas para justificar ocupações, tanto aos olhos da população local quanto aos do mundo. Tarefa fácil Para a Rússia, a anexação da península da Crimeia, parte legal da Ucrânia, foi tarefa fácil. A invasão não gerou baixas russas, que poderiam ter levado as mães do país às ruas em protesto, e foi possível apresentar ao Ocidente uma narrativa que tornava a anexação compreensível, partindo do fato de que boa parte da população da área é russófona. A chegada da maioria dessas pessoas à Crimeia resultou de transferências maciças de população promovidas por Stálin com o fim de misturar a população dos Estados vassalos soviéticos e russificar a região. Áreas de perfil semelhante se encontram em diversos pontos da Europa Oriental. Agora essas pessoas estão sendo exploradas pela gangue de Putin. Mas o fato é que os habitantes originais da Crimeia, os tártaros, já foram esquecidos. Na experiência deles, as políticas populacionais de Stálin terminaram em genocídio. Enquanto escrevo, as portas das casas ocupadas pelos tártaros na Crimeia são marcadas com cruzes. Isso lhes parece familiar? A Rússia vem tentando desestabilizar a independência da Europa Oriental e dos países bálticos já há muito tempo. Em 2008, Putin descreveu a Ucrânia como um Estado artificial. A Rússia colocou em questão o direito ucraniano a fronteiras invioláveis e, por meio de um engenhoso arcabouço de mentiras, conseguiu fazer com que o país parecesse quase um Estado russo. Não há nada de novo nessa estratégia: foi o que ocorreu com o jovem Estado austríaco nos anos 30, conduzindo-o ao Anschluss [união com a Alemanha] em 1938. Os países bálticos vêm suportando a retórica russa há anos. A informação que o resto do mundo tem sobre países como a Ucrânia é relativamente escassa. Consequentemente, impor a agenda da Rússia – o questionamento de seu direito à autodeterminação – não é nem de longe tarefa irrealizável. Aquilo que na Rússia faz às vezes de imprensa tem publicado, há muito, reportagens sobre campos de concentração estonianos onde russos estariam detidos (safra da mentira: 2007).
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Literatura
3 O resto é silêncio Gabriel García Márquez era um escritor imenso, mas deste mundo RESUMO Escritor colombiano retraça trajetória de seu colega e conterrâneo mais ilustre, Gabriel García Márquez, morto aos 87, na quinta. Com o núcleo duro de sua obra escrito antes do Nobel (1982), o autor de “Cem Anos de Solidão” preferiu nos últimos anos o silêncio à repetição, e deve ser lembrado como imenso, mas não como um deus.
HÉCTOR ABAD TRADUÇÃO FRANCESCA ANGIOLILLO
Se um homem morre quando seu coração para de bater, Gabriel García Márquez acaba de morrer; se um escritor morre quando deixa de escrever, García Márquez morreu no fi-
nal de 2006, quando convidou para um almoço seu círculo de amigos mais íntimos para lhes dizer que não pensava escrever mais nenhuma palavra. Se uma pessoa deixa de ser quando sua mente e sua consciência o abandonam, podemos dizer que a alma de García Márquez vinha escapando de seu corpo já há alguns anos, pouco a pouco, como se quisesse despedirse da vida com dissimulação, sem que nos déssemos conta de que partia. Se um escritor morre quando já não é lido, podemos dizer que Gabriel García Márquez seguirá vivo por muito tempo e morrerá somente quando não haja ninguém sobre a terra que saiba ler. Na última vez que o vi, em janeiro de 2010, García Márquez começava a viver nos jardins desérticos da desmemória, mas ainda conservava lampejos fulgurantes dessa maravilhosa anomalia de sua inteligência, que o havia levado a dizer e escrever coisas que só à sua mente prodigiosa poderiam ocorrer. Estávamos em sua casa de
Cartagena, tomando a fresca da tarde em uma varanda. Mercedes, sua mulher, acabava de nos contar que sua intenção, 20 anos antes, era comprar uma casona antiga no centro histórico para reformar, mas que, no fim, desistiram “pelo medo de Gabo dos fantasmas”. A palavra “fantasmas” pareceu despertar sua mente abstraída. Ele então fez um comentário que nos deu, uma vez mais, o escasso prazer da
FUGA
Se uma pessoa deixa de ser quando sua mente e sua consciência o abandonam, podemos dizer que a alma de García Márquez vinha escapando de seu corpo há alguns anos.
beleza verbal: “Quando chegamos aqui eu não recordava que essa casa era minha, mas então semeamos árvores e aqui ficamos”. Todos nos olhamos com um sorriso que não era de incompreensão ou de compaixão, mas de estupor: a alma fugitiva do escritor não deixava de pronunciar frases lindas, ainda que divorciadas da ordem lógica do pensamento comum. Essas duas características unidas fizeram de sua obra algo extraordinário: sua credulidade a alma intacta do menino a acreditar por inteiro nas coisas fantásticas que inventam os grandes (histórias de aparições, de fantasmas, de mortos que falam, de ossos que se movem e de seres invisíveis que, sem tirar o chapéu, se sentam “a contemplar as cinzas da lareira apagada”) e sua capacidade de transformar sua experiência cotidiana em algo fantástico, contando-a com manobras verbais que tornavam verossímil e quase normal o incrível e o mágico. Sua maneira personalíssima de explicar o mundo por meio de
imagens de grande perfeição poética sempre fez com que suas frases ficassem, como ele mesmo dizia “encalhadas no coração dos leitores”. Por seus dotes de adivinho, em vários de seus romances assistimos à velhice de patriarcas que iam ficando mudos e melancólicos, esquecendo tudo, à sombra das árvores de um pátio, real ou imaginário. Arco Se a vida literária de um
TEMPO
Por seus dotes de adivinho, em vários de seus romances assistimos à velhice de patriarcas que iam ficando mudos, esquecendo tudo, à sombra das árvores. Tudo acontecendo naturalmente.
escritor se mede pelo arco de tempo entre o primeiro e o último livro que publicou, García Márquez nos acompanhou por meio século. Poucas carreiras são mais ricas, maravilhosas e prolíficas do que esses 50 anos que separam “A Revoada (O Enterro do Diabo)”, publicado em 1955, e sua última novela, “Memória de Minhas Putas Tristes” ( 2004). Foram esses dois livros, precisamente, os que receberam as críticas mais ácidas e impiedosas em sua vida de escritor. Imatura e malograda, se disse da primeira obra; senil e prescindível, da última. Sabe-se que García Márquez esteve a ponto de abandonar a carreira de escritor após receber uma carta da editora Losada, de Buenos Aires, firmada pelo diretor da renomada casa, Guillermo de Torre, que não só lhe informava que não publicaria esse romance supostamente malogrado, “A Revoada”, como aconselhava o jovem escritor a buscar outro ofício. Jorge Luis Borges muitas vezes lhe falaria do mau gosto literário de seu cunhado, mas García Márquez, naquele
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momento, não podia ter em mente esse consolo, que só chegaria depois. Já quanto a “Memória de Minhas Putas Tristes”, senão por uma crítica ponderada e elogiosa de J.M. Coetzee no “New York Review of Books” (que lê a confissão do sábio como uma espécie de conversão religiosa e vê a jovem virgem, Delgadina, como uma nova Dulcineia), a nota predominante foi a acusação de que García Márquez seria pedófilo, putanheiro, proxeneta das letras. Alinharamse esses e outros insultos, e não críticas. Candor Recentemente me propus o exercício de reler, juntos, esses dois romances, para escrever um ensaio. Tenho uma teoria sobre as primeiras obras dos grandes artistas: quando eles não sabem ainda quão importantes chegarão a ser, escrevem, de certa forma, como muito mais liberdade e com extremo descuido, com certo candor inocente que desnuda, sem querer, aspectos recônditos do autor. Creio que a frequência excessiva com que muitos escritores renegam seus primeiros livros e sua obsessão por proibir que sejam reeditados não obedecem, na realidade, a razões de estilo ou aos fiascos literários de anos de aprendizagem, mas sim ao fato de que eles não querem ver expostas as chaves secretas de suas obras posteriores. Embora em “A Revoada” se note um problema técnico seus três monólogos não se justificam nem estão tão bem imbricados como nos outros livros de García Márquez, o
livro tem, salpicados aqui e ali, achados poéticos como os que mais tarde inundariam as melhores páginas de Gabo. São observações certeiras, comparações que desenham o que ocorrem e o mostram com a nitidez icástica de uma pintura. Por exemplo, um “garotinho que passa assoviando, transformado e desconhecido, como se acabasse de cortar o cabelo”. Ou as mulheres que “se levantam, babadas, com a flor do travesseiro bordada na face”. No que concerne às chaves para livros posteriores, basta dizer que, neste primeiro ro-
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Muitos dos que denotam fastio com o realismo mágico não julgaram Gabo, apelido de Márques, após reler suas obras, mas sim pelo requentado que foram e são os livros de seus epígonos. mance, García Márquez nos apresenta uma Macondo ainda muito apegada a seu modelo real, Aracataca, seu vilarejo natal, com uma companhia bananeira também mais realista, que é a culpada de levar ao povoado a revoada (um mundaréu de trabalhadores braçais vindos de fora, sem destino, que só pensam no lucro imediato e não se integram ao tecido social do lugar) e de fazer terra baldia do lugarejo com sua partida, deixando só o vento de desolação que sua ausência levanta. Por outro lado, “Memória de
Minhas Putas Tristes” tem, de fato, pequenos descuidos e inconsistências que o editor deveria ter resolvido. Não sei se foram distrações da idade, mas não caem nada mal em um narrador de 90 anos. Ao lado dessas pequenas falhas, porém, aparecem sempre, em cada página, os achados e maravilhas verbais do prosador consumado. Se em “A Revoada” ainda havia titubeios (como inserir um “creio” quando diz algo exagerado, arranhando a cara de pau com que aprenderia a contar as coisas impossíveis), em “Memória” está sempre presente o narrador destemido. Entre esses dois breves romances, está o que o mundo, com toda justiça, celebrou. Antes do Nobel (1982) há pelo menos três obras-primas: “Ninguém Escreve ao Coronel” (1961), “Cem Anos de Solidão” (1967) e “O Outono do Patriarca” (1975). Além dessas, uma novela impecável, “Crônica da Morte Anunciada” (1981), e dois livros de contos prodigiosos: “Os Funerais de Mamãe Grande” (1962) e “A Incrível e Triste História de Cândida Erêndida e Sua Avó Desalmada” (1972). Depois do Nobel, creio, há só uma obra no nível das anteriores: “O Amor nos Tempos do Cólera” (1985). Mas, diante esse núcleo duro (e deixo de lado seu extenso trabalho jornalístico, que merece um estudo à parte, por sua riqueza, seu frescor e sua complexidade), somente os “gabofóbicos” e gente de má vontade pode duvidar da importância central que tem García Márquez na narrativa universal na segunda metade do século 20.
Escritor colombiano Gabriel García Márques faleceu aos 87 anos de idade, no México
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Literatura [Continuação]
Big bang Bastaria “Cem Anos de Solidão”, “big bang” do romance contemporâneo, que eclodiu em Buenos Aires em 1967, para torná-lo um clássico. Por mais absurdo que seja o esforço de fazer profecias, creio que haja poucas possibilidades de errar quando se diz que esse único livro o épico necessário a qualquer civilização e que faltava na América Latina seguirá sendo lido com deleite em anos por vir. A fantasia e a violência, a vida familiar e as façanhas de guerra, a magia quase mística e o encantamento poético, tudo está reunido ali, nessas 350 páginas em que até as imperfeições são como particularidades, manchas de nascença. Tive a sorte de estar, na Feira do Livro de Guadalajara de 2003, num jantar em que Gabo e Francisco Porrúa (editor de “Cem Anos de Solidão” na Sudamericana, tradutor de Ray Bradbury e “descobridor” de Cortázar) rememoravam os meses frenéticos em que, pela primeira vez, um livro da América do Sul se tornava um fenômeno mundial. O que não contaram foi uma anedota engraçada que conta Bioy Casares
em seu diário de Borges: “García Márquez passou períodos de pobreza nos quais dizia a seus filhos que não se afligissem, que um dia chegaria um senhor com uma mala cheia de dinheiro. Quando `Cem Anos de Solidão’ vendeu tanto, a Sudamericana lhe advertiu que receberia uma soma considerável. García Márquez disse que muito bem, mas que não lhe mandasse um cheque, e sim que um senhor fosse levar o dinheiro em espécie, numa mala. Chegou o senhor, e García Márquez abriu a mala diante dos meninos”. O que na vida pública é épico, na vida privada se torna uma história de Aladim. É possível que a sensibilidade atual suporte mal certas hipérboles do realismo mágico, assim como nos parecem piegas certas frases de romances românticos, ou eternas as sagas realistas, ou desmesuradas as façanhas dos livros de cavalaria. Mas cabe uma advertência: os exageros dessa escola não se devem tanto a García Márquez como a seus imitadores, que são legião, tanto no âmbito da literatura em espanhol como no de outras literaturas. Lichtenberg dizia que o que havia de ruim nos livros
muito bons é que costumam dar origem a muitos livros maus, medíocres. Muitos dos que denotam fastio com o realismo mágico fastio que muitos compartilhamos foram injustos com o maior expoente desse ramo. Não julgaram García Márquez depois de reler suas obras, grandiosas e convincentes
MARCO
O livro “Cem Anos de Solidão”, que eclodiu em Buenos Aires em 1967, é suficiente para torná Gabo um clássico eterno. A obra é necessário a qualquer civilização e que faltava na América Latina. por si, mas sim por esse requentado que foram e continuam sendo os livros de seus epígonos. Política Não posso evitar o tema mais incômodo em que muitos se espraiam quando tecem diatribes contra García Márquez: a política e a triste intimidade do autor com os homens do poder. Assim como Borges nunca será perdoado por ter recebido uma medalha do
ditador Pinochet, García Márquez sempre terá pecado por receber uma casa do ditador Fidel Castro ou pior, por se tornar, ao longo dos anos, seu amigo. Esse fascínio pelo poder foi, sem dúvida, uma fragilidade de seu caráter. É graças a esse deslumbramento e a essa proximidade que existe um romance grandioso como “O Outono do Patriarca”. Mas esse deslumbramento o levou a calar, submisso, diante de selvagerias inegáveis. Mas há algo mais, que talvez seja o terreno em que pisam os “gabófobos” quando o atacam não pela política, mas pela literatura: para o bem e para o mal, nosso subcontinente mudou, e as nostalgias que governaram essa obra imensa não têm, para as novas gerações, a mesma ressonância mítica. O mundo é outro, foram outras nossas infâncias, e algumas receitas, como se disse antes, se desgastaram. Assim como às vezes Borges parece imitar a si mesmo, também há páginas de García Márquez (sobretudo em “Notícia de um Sequestro”, de 1996, ou “Do Amor e Outros Demônios”, de 1994) que se pautam pela mesma técnica impecável,
mas sem o sangue e a medula do início. Ele mesmo o notou, e creio que seu silêncio recente, além do cansaço da idade, se deveu ao fato de que escrevia já com a inércia do ofício, e não com o vigor das entranhas. García Márquez teve a duvidosa sorte de se converter num clássico em vida e de não ver mais seus livros proibidos (como 40 anos atrás em certos colégios colombianos), mas prescritos em doses semelhantes às reservadas às comédias de Shakespeare ou aos cantos de Dante. Assim é fácil chegar a ser mais venerado do que lido, e ainda mais fácil colher aplausos quando uns reúnem ímpeto para o insulto. Quando alguém tem um instinto muito mais agudo que os cinco sentidos reunidos, e quanto esse instinto se une a uma intuição poética assombrosa e a um profundo conhecimento do coração, não é raro que o dono desses atributos seja considerado também um profeta. A avó de García Márquez dizia que ele era adivinho. Entre adivinho e divino há poucas letras de distância. Não se deve dar esse passo: Gabriel García Márquez foi um escritor imenso, mas deste mundo. Pedir mais é impossível. Dizer mais é idolatria.
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
4 Exercícios de verão RESUMO Ao longo do verão de 2011 em Nova York, Sylvio Fraga Neto escreveu um poema por dia, cada um com oito versos --entre os quais os desta página. O poeta carioca inspirou-se no livro “A Plate of Chicken”, de Matthew Rohrer, escrito durante um único verão e no qual cada poema tem sete versos. Os poemas estarão em seu próximo livro, previsto para o primeiro semestre de 2015, pela editora 7Letras.
SYLVIO FRAGA NETO
Os pombos oficialmente entraram em crise. Meus poemas entraram numa crise em off. Cada verso acha o poema ao lado mais bacana. Como nesse momento acho mais bacana estar na laje porque Flora está ali fumando. Todo verso sonha ser o último do poema. Flora está em pé, seu corpo apontado para o leste. Vou apontar esse verso para o leste. Uma infância em Nova Jersey vem com defeitos como não saber que Roberto Carlos só tem uma perna. Era preciso compensar nas férias, comer Mirabel e pegar conjuntivite. Depois voltava às aulas como se tivesse ido à selva mas nessa época Flora já sabia “Emoções” de cor.
Hoje está muito escuro aqui dentro do seu coração. Acendo um fósforo e tremo com medo de encontrar hieróglifos de um amor passado, ouvir os canais de chuva correndo e achar que escutei algum passo. Mas estou mesmo sozinho aqui. E apago. Sol refinado da janela. Sol mascavo que bate na terra. Sol cavalheiro de vento, égua castrada. Sol beira de espada. Sol que tenta mas não penetra corações. Sol da manhã que desbota o tapete da minha mãe enquanto ela toma café com espuma de leite e considera uma série de emoções inexprimíveis. Estou louco para escrever esse poema mas não posso tirar o olho da minha vida. Oito da noite e o verão não entra pra
jantar. Quer ficar lá fora, fuçando cantos claros, entrando em luminárias. Obriguei Flora a fumar lá fora. Ela apaga o dia com o pé. Não não me olha assim. Talvez o último poema antes de meu sobrinho nascer. Meio-dia, sol de bosque sobre asfalto, movimento comum para segunda-feira na cantina da luz. O sol está espesso como a lona sobre o casamento de estranhos. Um homem limpa a calçada. Penso na cadeira azul onde você fuma e cata raios de sol para o jantar. Vou descansar, como cigarros entre pedras portuguesas. Hoje sou muitos, mas somando tudo valho dois tragos. É preciso trabalhar muito, Carlos. Se é que você me ouve. Desmontaram o circo. Vou deitar na lona arriada.
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