DIEGO JANATÃ
Seita cristã tenta mudar ensino público
Episódio envolvendo 13 estudantes de uma unidade da rede pública estadual, que se recusaram a apresentar um trabalho sobre a cultura afro-brasileira, reacendeu as discussões sobre até que ponto a religião pode interferir no ensino proposto pelo Estado. Dia a dia C3
AMANHÃ ANO XXV – N.º 7.829 – MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO - PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00
PALMEIRAS
AFRODESCENDENTES
CAI OU NÃO CAI?
O preconceito nas entrelinhas do cotidiano da raça negra
Desfalcado e precisando apenas da vitória para continuar sonhando com a permanência no Brasileirão, Verdão encara o Flamengo, hoje. Pódio E5
ALE CABRAL/AE
JOEL ROSA
Apesar das inúmeras conquistas nas últimas décadas, casos de preconceito e racismo contra negros ainda são frequentes na sociedade. Dia a dia C1
AYRES BRITTO
‘A impunidade no Brasil sofreu um tranco’
Na cadeia, hip-hop é o ritmo da hora Projeto social “Espaço Favela”, encabeçado pelo DJ/MC Fino (foto), realiza atividades semanais nas cadeias públicas de Manaus. Plateia D1
INDÚSTRIA
Remédios com matéria-prima da floresta Com o aval para produzir medicamentos no PIM, indústria farmacêutica poderá explorar a matériaprima local. Economia B2e B5
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
No Amazonas, mais de 143 mil têm a cor da pele preta, segundo o IBGE 2010
ITACI BATISTA/AE
CULTURA DE RUA
DIEGO JANATÃ
Ilustríssima G4 e G5
COMPROVADO
Amendoim freia avanço do câncer Leguminosa é rica em fitoesteróis, um tipo de óleo que possui efeito anticancerígeno ao inibir o avanço de tumores. Saúde e bem-estar F2
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 34
MÍN.:
24
A2
Opinião/Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
DIVULGAÇÃO
Contexto 3090-1017/8115-1149
marioadolfo@emtempo.com.br
Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota está à frente do novo projeto de empregos
Portal ajudará brasileiros
que voltam do exterior
Ideia do governo é reunir, em um só endereço eletrônico, informações sobre onde encontrar cursos de capacitação
A
Assim na CMM como no Senado Dois séculos e meio após sua criação, quando a capital do país ainda era no Rio de Janeiro (1763), parlamentares brasileiros são agraciados com vencimentos extras, os chamados 14º e 15º salários. Mas, o fim da mamata está com os dias contados, já que a “bênção” teve aprovação simbólica no Senado no meio da semana. Em Manaus, os vereadores também ensaiam a aposentadoria da regalia, mas encontram resistência de quem não quer largar o osso. Que o digam os gladiadores Leonel Feitoza (PSD) e Mário Frota (PSDB) que duelam em uma queda de braço para ver quem será o pai da criança. Não cola Os salários extras recebidos pelos parlamentares no início e no final de cada ano foram criados sob a justificativa de que deputados e senadores mudavam-se para a capital federal todo início de ano e voltavam para casa no final dos trabalhos parlamentares, em uma época em que o transporte era muito mais difícil. Até hoje, no entanto, o pagamento era mantido.
disse, à época.
Hoffmann A proposta, da então senadora Gleisi Hoffmann, hoje ministra da Casa Civil, causou revolta em alguns parlamentares quando começou a ser discutida. O senador Ivo Cassol (PP-RO) - que defende a proposta, afirma que os parlamentares “não precisam mais disso” - foi um dos que reclamou.
Temporários Em todo o país serão criadas, neste fim de ano, 155 mil vagas de trabalho temporário. O número é 5,5% maior que o do mesmo período de 2011. A estimativa é da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Assertem).
Mal remunerado (?) Cassol pediu vista e reclamou que políticos no Brasil eram “muito mal remunerados”. “Político no Brasil é muito mal remunerado! Tem que atender ao eleitor com pagamento de passagens, remédio, é convidado para patrono e tem que pagar as festas de formatura porque os jovens não têm dinheiro”,
Convocação Nesta segunda-feira dia 19, a partir das 8h, na avenida Eduardo Ribeiro esquina com a Sete de Setembro, a central sindical (UGT-AM) União Geral dos Trabalhadores do Amazonas estará realizando a semana de ação em prol do trabalhador, orientando sobre o que é trabalho decente.
Economia O decreto ainda deixa aos parlamentares dois salários extras, um no início do mandato e outro ao final, como auxílio para mudança de residência. O fim dos salários extras representará uma economia de R$ 4,3 milhões anualmente no Senado e outros R$ 27,3 milhões na Câmara dos Deputados.
APLAUSOS
Terra e saúde O 2º Encontro Regional da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (6ª CCR) do Ministério Público Federal, acontece amanhã e terça, no hotel Blue Tree Premium, com o tema “Terra e saúde indígena na região da Amazônia Legal”. Procuradores O evento contará com a participação de procuradores da República e servidores do MPF de vários Estados do país, que atuam em questões relativas às populações indígenas e comunidades tradicionais. Também estará presente a vice-procuradora-geral da República e coordenadora da 6ª CCR, Deborah Duprat. Amazonas Representando o Amazonas participarão do evento os procuradores da República, Julio José Araújo Júnior, membro da Procuradoria da República no Amazonas (PRAM), Daniella Mendes Daud e Patrick Menezes Colares, membros da Procuradoria da República no Município de Tefé (PRM-Tefé), e Marco Antônio Ghannage Barbosa, membro da Procuradoria da República no Município de Tabatinga
VAIAS
Criatividade amazonense DIEGO JANATÃ
Para os amazonenses que, no final do ano, aproveitam a época das festas natalinas e com criatividade vão à luta por ganhos extras.
Donos de escolas particulares REPRODUÇÃO
Para os donos de escolas particulares em Manaus, que ano após ano aumentam indiscriminadamente o valor das mensalidades escolares.
freada na economia dos países ricos fez o governo começar a se preocupar com os brasileiros que começam a fazer o caminho inverso da rota migratória. Se antes milhares deixavam o país em busca de oportunidades de trabalho, hoje muitos estão voltando ao Brasil em busca de estabilidade. Diante do novo movimento, o Itamaraty vai lançar na internet, até o final deste ano, um “portal do retorno”, com informações úteis para quem busca se reinserir no mercado de trabalho ou até mesmo começar um negócio.
A ideia do governo é reunir, em um só endereço eletrônico, informações sobre onde encontrar cursos de capacitação ou como obter crédito em um banco. “O retorno, às vezes, é quase como chegar no exterior”, afirma Maria Luíza Lopes, diretora da Divisão de Políticas Consulares e de Brasileiros no Exterior. “É uma demanda em potencial que identificamos. O caminho das pedras não é tão claro quanto a gente acha para uma pessoa que está fora há algum tempo”, completa a funcionária do Itamaraty. A estimativa do Ministério das Relações Exteriores é
de que 500 mil brasileiros tenham regressado ao país nos últimos 4 anos -de um universo de três milhões que moravam no exterior. Boa parte deles, afirma o Itamaraty sem ter dados consolidados, está retornando de Portugal, da Espanha, dos Estados Unidos, do Japão e da Irlanda. A pasta estuda facilitar o contato entre os brasileiros no exterior e as oportunidades de trabalho no país, por meio do portal Mais Emprego, banco de dados que reúne vagas de todo país. Hoje, o endereço permite o cadastro apenas daqueles que moram no Brasil.
VISTORIA JOEL ROSA
Massami Miki aproveitou o sábado para visitar algumas ações administrativas na cidade
Prefeito interino comanda ações VICTOR AFFONSO Equipe EM TEMPO
Na manhã de ontem, o prefeito interino de Manaus, Massami Miki, deu continuidade à série de ações que ele realiza enquanto está à frente da Prefeitura, cargo que ocupa até as 20h da próxima quarta-feira, dia 21. Miki, acompanhado de Túlio Kniphoff, titular da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), foi até a orla do São Raimundo, Zona Oeste, para acompanhar a retirada de lixo do igarapé da região. Três balsas estavam encarregadas de remover entre 15 e 17 toneladas de resíduos das águas. Atualmente vereador, segundo vice-presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Miki assume como prefeito em exercício pela segunda vez este ano: “Quando assumi a prefeitura em fevereiro, havia muitas dificuldades na Semulsp, não havia companhia contratada para retirar o lixo das orlas, por exemplo. Então agora, que já há uma empresa licitada, resolvi voltar e ver como estava a situação, cobrar
um ponto que começou em fevereiro”, afirma. Antes de se encaminhar ao São Raimundo, Miki estava na avenida Djalma Batista, bairro Chapada, Zona Centro-Sul, no local onde a Secretaria Municipal de Obras, Serviços Bá-
CRATERA
O prefeito interino também esteve na avenida Djalma Batista, onde a Secretaria Municipal de Obras, Serviços Básicos e Habitação (Semosbh) está trabalhando para fechar uma cratera sicos e Habitação (Semosbh) está trabalhando para fechar uma cratera que se abriu em plena via pública. Segundo o prefeito, duas equipes da Secretaria estavam trabalhando para liberar o acesso até as 12h de ontem, e prometeu concluir as obras até esta quarta-feira. Além disso, estava previsto pela tarde uma vistoria das ruas do Distrito Industrial,
Zona Sul. “Se for necessário, vamos dar início a uma operação ‘tapa-buracos’ e de limpeza, pois já sei os pontos que estão mais necessitados”, diz. À noite, ele deverá acompanhar, ainda, duas equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e da Polícia Militar na avenida do Turismo, bairro Tarumã, Zona Oeste, para uma fiscalização de poluição sonora. Confiança Miki diz concordar com Isaac Tayah, que também assumiu como prefeito interino nesta semana mas “deixou” o cargo por motivo de viagem, ao dizer que “os secretários municipais não são da minha inteira confiança”. “Estou cumprindo o papel que manda a Lei Orgânica, mas se eu fosse prefeito eleito teria outra equipe. Alguns têm competência sim, mas outros deixam a desejar, como é o caso da Semed (Secretaria Municipal de Educação). Falta capacidade técnica, o (Mauro) Lippi não é do ramo”, critica.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
A3
Fala leitor
Editorial
falaleitor@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Sem vergonha, a direita se assume como partido Existe um grupo de jovens brasileiros que começou a exibir seu descontentamento, senão estranheza, com a situação política no país, situada à esquerda, centro esquerda, centro direita e, acredite, centro. Nenhum político, nenhum partido assume uma postura à direita. Mesmo o ecumênico PSD, que não é contra, nem a favor, nem pelo contrário conseguiu mostrar ao eleitor e quem mais se interessa por política qual sua verdadeira ideologia, sua interpretação da realidade. Fisiologismo é a palavra que mais lhe convém. Liderados pela estudante de direito Cibele Bumbel Baginski, 23 anos, esse grupo de jovens deixa claro sua posição: “Politicamente, a direita brasileira é um horror. Não existe. Tem vergonha de se assumir”, diagnostica Cibele, que é bolsista do Prouni, em Caxias do Sul. Eles querem trazer de volta à cena brasileira a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido de sustentação da ditadura militar, cujo opositor era o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Segundo sua idealizadora, a nova Arena rechaça a possibilidade de atrair grupos extremistas, com tendências fascistas ou neonazistas, por exemplo. Ela conta que o grupo já teve de aturar alguns tipos com “propostas absurdas”, mas que, aos poucos, acabaram se afastando. “Não vimos flertar com o totalitarismo. Nosso partido não é uma seita. Quem não tem capacidade de dialogar, pode pegar a mala e ir embora. Somos a direita democrática”, garante. A velha Arena foi fundada, originalmente, em abril de 1966, dentro do sistema de bipartidarismo imposto pelo regime, que extinguiu outros 13 partidos que existiam antes. O novo partido, segundo Cibele Baginski, objetiva fazer o retorno da “verdadeira direita” ao cenário político brasileiro. Já existe um grupo de 144 pessoas, espalhados por 15 Estados do país, divulgando a ideia. O estatuto e o programa do novo partido foram publicados no Diário Oficial da União na última terça-feira (13), cumprindo um dos passos burocráticos para o registro da legenda. A “verdadeira” direita mostra a sua cara e não está em nenhum dos “lados” do centro. Falta a esquerda escolher de que lado do centro está e definir se é esquerda mesmo ou oposição, ou seja, o lado que não está no poder.
Primeira cidade brasileira a adotar o conceito de Orçamento Participativo, onde a tomada de decisões sobre os investimentos a serem realizados na cidade é decidida por representantes do governo e da sociedade, Porto Alegre mais uma vez sai na frente quando o assunto é inovação na gestão dos recursos públicos. E o esfor-
www.emtempo.com.br
ço já rendeu frutos, como o prêmio concedido à capital gaúcha pela IBM, gigante do setor de tecnologia da informação, no último dia 14, durante o evento Smarter Cities Challenge Summit, em Nova York. A cerimônia de premiação reuniu representantes das 31 cidades do mundo que se destacaram por seus programas
de sustentabilidade. Batizado de “Cidade Cognitiva”, o projeto gaúcho tem por objetivo simular os impactos futuros sobre a vida da cidade, com as obras e ações realizadas no presente demandadas pelo Orçamento Participativo. Entre outros benefícios, pelo projeto é possível determinar – e até mesmo ampliar – o
tempo de saturação de determinada intervenção urbana. Sem planejamento ou perspectiva de crescimento de uma região, a construção de um viaduto, por exemplo, pode ser a solução para resolver a demanda atual, mas totalmente incapaz de absorver o volume de tráfego em 2020. Celso Raeder
Charge regi@emtempo.com.br
Olho da Rua
Dora Kramer
opiniao@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ
Um urubu não teria outro lugar para descabar da sua vigilância sanitária, senão sobre a cabeça da estátua da Justiça? Teria se ainda houvesse árvores, que pudessem abrigar urubus (que dizem nem constroem ninhos), bemte-vis, sabiás e seres viventes desalojados de seus ambientes. Um urubu na cabeça da Justiça dá o que pensar.
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
3090-1001 circulacao@emtempo.com.br
Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
Editores-Chefes Aldisio Filgueiras — MTB 213 aldisio@emtempo.com.br Náis Campos — MTB 033 nais@emtempo.com.br Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br Diretor de Marketing/Comercial Renato Bassile comercial@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
www.emtempo.com.br
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
@emtempo_online
/amazonasemtempo
/ /tvemtempo
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
Algodão entre cristais Fácil não foi. Houve mesmo momentos em que o ministro Carlos Ayres Britto achou que não conseguiria cumprir o propósito de incluir o julgamento do processo do mensalão na agenda do Supremo Tribunal Federal durante sua breve presidência. Seriam apenas sete meses, em função da aposentadoria compulsória aos 70 anos completados hoje, a respeito dos quais Ayres Britto começou a pensar desde o ano anterior. Decidiu que se empenharia no exame da Ação Penal 470 ao juntar os fatos: o caso acontecera há sete anos, a denúncia havia sido recebida há quase cinco, a instrução terminara um ano antes, a prescrição de alguns crimes batia à porta do processo. Não obstante as condições objetivas favoráveis, Ayres Britto sentia a atmosfera desfavorável e um obstáculo concreto a ser transposto: o revisor Ricardo Lewandowski dava indicações de que não liberaria seu parecer tão cedo. Além disso, recebia ponderações de amigos de que talvez não fosse um bom negócio se envolver numa confusão desse tamanho em tão pouco tempo de presidência. O tribunal paralisaria os trabalhos, viveria boa parte de sua gestão em função de um único processo e ainda receberia críticas por ter feito coincidir o julgamento com as eleições municipais. Os argumentos não pareciam consistentes ao ministro Ayres Britto A paralisia de outros processos seria um preço inevitável e as eleições fazem parte da rotina do país. O ministro quis antecipar o julgamento para maio, mas não conseguiu devido às resistências no colegiado. Vencidas pouco a pouco em negociações prolongadas. Foram inúmeros encontros preparatórios até que no dia 6 de junho foi anunciada oficialmente a data
do início do julgamento para dali a dois meses. Lewandowski e Antonio Dias Toffoli não foram à reunião, alegando outros compromissos. Entre as poucas pessoas que apoiavam a empreitada estava a ex-ministra do STF Ellen Gracie. Presidente da Corte quando a denúncia foi aceita, em 2007, ela telefonou para Ayres Britto para dar apoio e dizer que ele era a pessoa certa, no lugar certo. A combinação de suavidade, persistência e firmeza faziam dele o perfil ideal para levar adiante o processo. Ainda assim houve um momento, mais ou menos um mês antes de conseguir bater o martelo, em que o ministro viu a coisa feia e achou que não seria possível fazer o julgamento a tempo de evitar a prescrição de alguns crimes, tamanha era a pressão. Implícita, jamais explícita. Ele perdeu a conta das vezes em que ouviu a pergunta “por que julgar?”. À qual rebatia com um “por que não julgar?” que deixava o interlocutor sem resposta. Quando era possível cuidava de elevar a “taxa de cordialidade” no plenário com alguma tirada poética, mas quando não havia jeito suspendia a sessão e promovia um entendimento informal que se traduzia na restauração da formalidade na volta dos ministros ao plenário. Carlos Ayres Britto deixa o Supremo Tribunal Federal sem nostalgia – “tenho facilidade para virar a página”, diz – e absolutamente tranquilo quanto ao dever cumprido pela corte. Não vê sentido nas críticas de que o STF deixou de lado a ortodoxia jurídica para se comportar como tribunal de exceção. “Heterodoxo foi o caso. A novidade não está no julgador, mas no processo julgado, na quantidade de réus, na gravidade dos crimes e na ousadia dos criminosos. O Supremo fez o que deveria ser feito”.
Dora Kramer Jornalista, escreve simultaneamente no jornal “O Estado de S.Paulo”
Não obstante as condições objetivas favoráveis, Ayres Britto sentia a atmosfera desfavorável e um obstáculo concreto a ser transposto: o revisor Ricardo Lewandowski não daria seu parecer tão cedo”.
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Lazer e entretenimento também devem educar
A guerra no trânsito assusta. Pior: mata
Lugar comum, e nem por isso menos verdadeiro, foi sempre pensarmos e dizermos que nós, brasileiros, amamos e vivemos uma intensa ligação com a música e que com ela lidamos muito bem, a ponto de podermos propagar que a nossa é certamente uma das melhores do mundo. Acontece que, quando assim falamos, estamos sobretudo a pensar nos nomes daqueles que a fundaram e até hoje mantêm o nosso orgulho e cuja maioria já não está entre nós. Natural que assim aconteça porque é inevitável que as gerações se sucedam, mas o que se espera é que as novas continuem a reproduzir os talentos das que se foram. Sentimos a irremediável falta de Ari Barroso, de Noel Rosa, de Pixinguinha, de Cartola, de Sinhô, de Chiquinha Gonzaga, de Lupicínio, de Orestes, de Tom Jobim e já nos preocupa ver a idade avançar inexoravelmente sobre Caetano, Chico, Gil, João Bosco, Belchior, Milton, Paulinho da Viola, ainda que, aqui e ali, algum bom novato, ou novata, nos dê ânimo, como Maria Gadú, Ana Carolina, Adriana Calcanhoto. Porque a existência é coerente, a boa música, e no caso trato apenas do exíguo e estrito âmbito da chamada produção popular, acaba por atrair também os intérpretes, cantores e instrumentistas, compatíveis. Foram-se a divina Elizeth, a magnífica Elis, nomes marcantes da memória musical, mas ainda temos conosco Gal, Betânia, Zizi Possi, Zélia Duncan, Marisa Monte. Se tudo isso é verdadeiro, e há bem mais, pois, forçando a memória, certamente maior se apresentará nosso patrimônio musical, qual o problema ou a preocupação que se vislumbra? A questão é que a música não nos chega naturalmente, como o canto dos pássaros que pousam em nossos quintais. Na verdade, ela vem a nós por meio da tecnologia do rádio e da televisão, que acabam por ser indutores até das escolhas dos registros e gravações disponíveis nas lojas. Como se diz, é aí que a porca torce o rabo, pois a mídia visa primeiramente faturar, negligencia seu dever de contribuir para educar e se lança a divulgar e a difundir a música mais fácil, mais barata e vulgar, porque é mais vendável, principalmente quando traz na letra um romantismo rasteiro e no intérprete uma figura que o marketing apresenta como ícone sexual. É quando são criadas e ofertadas ao consumo figuras como Luan Santana, Michel Teló, Gustavo Lima, Tiaguinho e mais as incontáveis e prolíferas duplas, sertanejas ou urbanas, que, na medida em que derramam suas obras horrorosas, mais rebaixam o gosto musical do povo. Para agravar, os que pretendem se opor e concorrer, também apresentam um gosto deplorável, como se constata na tal música gospel dos protestantes e na que é difundida pelo chamado clero cantante católico. O único remédio para esses males seria, e não tem sido, educar com qualidade, inclusive e principalmente, no caso, educar para as artes (todas elas) desde muito cedo, como se vê nas sociedades europeias.
De primeiro de janeiro de 2012 a 25 de outubro de 2012, portanto em dez meses, morreram em Manaus 197 pessoas vitimadas por desastres de trânsito ou atropelamentos. É um massacre! É uma guerra! Se pensarmos em quantos ficaram feridos e em quantos estão marcados por deficiências físicas, o quadro assusta e assusta mesmo. O que acontece em nossa cidade se repete em todo o Brasil e em todo o mundo. Foi esse o motivo pelo qual em 2005 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o terceiro domingo de novembro como o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito. Temos hoje, como consequência, oportunidade de relembrar parentes que morreram ou se feriram no trânsito em situações que, na maioria das vezes, poderiam ser evitadas. É dia de mostrar respeito e solidariedade a famílias que sofrem com essas perdas. Como hoje, certamente no Dia de Finados houve mães, pais, parentes e amigos que choraram entes queridos ceifados por motoristas embriagados ou enlouquecidos pela mania de velocidade. Os jornais noticiam com frequência indesejada jovens que se arrebentam em postes, em árvores ou em carros capotados. Vidas, que começam a desabrochar, são violentamente arrebatadas de nosso meio. Com o aumento do número de motocicletas, o quadro de desgraças duplicou. Um médico afirmou há pouco que os desastres de trânsito limitaram o número de leitos hospitalares destinados a pacientes de outras enfermidades. Sai de nossos bolsos ou das próprias famílias o dinheiro gasto pelo governo para acudir as vítimas; é uma despesa que aumenta de maneira espantosa. Aonde iremos, meu Deus do céu? Chegou a hora de gritar pela paz em nossas ruas, avenidas e estradas. Basta de guerra, de mortes e de ferimentos. Há anos atrás, foi lançada pelo governo federal a campanha “Paz no Trânsito”, que não deveria ter sido apenas uma campanha, mas um trabalho de educação contínua. O presidente da Manaustrans, coronel Walter Cruz, disse uma frase que deveria ser repetida com maior frequência: “O trânsito só muda se todos mudarem de atitudes. Só vamos ter paz no trânsito se mudarmos nosso comportamento ao dirigir, ao atravessar as vias e a manter respeito mútuo”. Em outras palavras, o trânsito é um problema de educação. Felizmente, aparecem sinais positivos nesse processo educativo. O respeito aos pedestres, que passam pelas faixas a eles destinadas, chama a atenção pela rapidez como entrou no comportamento dos motoristas de Manaus. Se conseguimos isso, por que não avançarmos mais na educação do trânsito? É questão de acreditar. Hoje, às 9h, na Ponta Negra, teremos um evento em que faremos uma oração, pessoas com sequelas de desastres e familiares de mortos no trânsito contarão suas experiências de dor, e se fará a montagem de um painel das vítimas desse tipo de morte. Deus é o Deus da vida e nos quer defensores da vida.
João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO
Já nos preocupa ver a idade avançar inexoravelmente sobre Caetano, Gil, Milton, ainda que, aqui e ali, algum bom novato, ou novata, nos dê ânimo, como Maria Gadú, Adriana Calcanhoto”.
Painel RENATA LO PRETE
Feirão federativo
Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo Metropolitano de Manaus
Como hoje, certamente no Dia de Finados houve mães, pais, parentes e amigos que choraram entes queridos ceifados por motoristas embriagados ou enlouquecidos pela mania de velocidade”.
Preocupado em demonstrar empenho nas parcerias do Estado com o governo federal após o impasse na segurança, Geraldo Alckmin recomendou a secretários que percorram os ministérios em busca de acordos de cooperação nas áreas de habitação, saneamento, infraestrutura esportiva e transportes. O próprio governador incluiu em sua agenda reuniões com ministros --esteve recentemente com Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Aldo Rebelo (Esporte) e Guido Mantega (Fazenda). Onde pega Além da blindagem contra o PT, que critica o tucano pela lenta entrada de programas da União em São Paulo, o tour alckmista por Brasília tem finalidade pragmática: o governo paulista busca recursos e financiamentos, sobretudo do BNDES, para tocar obras prometidas na campanha até 2014. Vai ou racha A mobilização de quadros de cidades próximas à capital para o secretariado de Fernando Haddad foi acompanhada de perto por Lula. O expresidente tem dito a petistas que a prefeitura paulistana é a prioridade do partido em detrimento de outras administrações. Médio prazo Aliados de José de Filippi consideraram arriscada a ida do ex-prefeito para o primeiro escalão de Haddad. Com a recente derrota em Diadema, avaliam que o deputado será alvo de campanha por ter abandonado o mandato e a cidade. DNA Além de Andrea Matarazzo, outro vereador eleito entrou na disputa pela presidência do PSDB paulistano: Mario Covas Neto, filho do ex-governador Mario Covas. É a economia A aliança de Gilberto Kassab com Dilma Rousseff foi precipitada por prognóstico otimista de Henrique Meirelles sobre a economia brasileira. O expresidente do Banco Central, um dos ministeriáveis do PSD, relatou a Kassab que o pleno emprego deve blindar o país de crises até 2014. Sujou Aliados de Paulo Maluf em São Paulo, petistas e tucanos consideram que a decisão da Justiça de Jersey dificulta, em médio prazo, a permanência
do deputado à frente do PP paulista. Com o cerco judicial, o ex-prefeito dificilmente conseguirá registro para postular novo mandato na Câmara em 2014. Rateio O diretório nacional do PMDB se recusou a assumir dívida de R$ 7 milhões da campanha de Gabriel Chalita em São Paulo. A tesouraria do partido autorizou as direções municipal e estadual a dividirem o prejuízo. Apego Aloizio Mercadante (Educação) tem feito críticas, em privado, à provável nomeação de Chalita para o Ministério de Ciência e Tecnologia. O ministro não gostaria de perder influência sobre a pasta, onde deixou aliados em postos de destaque. Meteorologia Chalita guarda vínculos afetivos com o ministério que deseja ocupar. O Inpe, principal órgão da pasta, mantém pioneiro centro de estudos climáticos em Cachoeira Paulista, cidade natal do peemedebista. Novos ares Blairo Maggi (MT) prepara seu desembarque do PR. Protocolou consulta no TSE para saber as consequências jurídicas sobre seu mandato, e dos suplentes, caso deixe o partido. PMDB e PSB são os destinos mais prováveis do senador. Apetite Ainda não acabou a série de jantares de Dilma Rousseff com a base aliada. O PC do B pediu para ser recebido no Alvorada. Isonomia Chamou a atenção da PF bilhete de Carlinhos Cachoeira apreendido na casa de sua mulher, Andressa Mendonça. O empresário pergunta, como “preso político”, o motivo de ele estar preso e José Dirceu, solto.
Tiroteio
Frases O tempo só passa veloz, célere, para quem é feliz. Para quem não é feliz, o tempo é penoso, um fardo. Não temos nem o direito de ter mau humor, tamanha é a honra de servir nosso país no Supremo Tribunal Federal
Carlos Ayres Britto,, despedindo-se do Supremo Tribunal Federal – ele completa 70 anos hoje –, defende que o Supremo “está mudando a cultura do país a partir da Constituição”.
Uma característica que marca a advocacia brasileira é saber ouvir. Poucas pessoas têm esse dom, de, sem falar, mudar pensamentos. O senhor nos deixa esse legado de como podemos ser humanos, mesmo julgando Ophir Cavalcante,, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, frisa que Ayres Britto deixa como marca principal a humanidade, em discurso feito na última sessão do STF comandada pelo ministro Carlos Ayres Britto.
Em tempos de apagão, o governo continua jogando para a arquibancada. Aliás, não faz outra coisa ao longo dos últimos dez anos.
É uma decisão pioneira, proferida no âmbito do direito internacional. Representa um marco contra a corrupção ao reconhecer a fraude contra a prefeitura Celso Coccaro, procuradorgeral do município de São Paulo, comemora a decisão da Justiça da ilha de Jersey, paraíso fiscal britânico, que determina que duas empresas atribuídas à família Maluf devolvam à Prefeitura de São Paulo US$ 22 milhões.
DO SENADOR FLEXA RIBEIRO (PSDB-PA), sobre a redação da MP 579, que trata da renovação de concessões do setor elétrico e que pretende reduzir as tarifas.
Contraponto
Preto ou acaju? Recém-eleito prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) visitava gabinetes no Senado na semana passada quando esbarrou em Alfredo Nascimento (PRAM) no corredor. O tucano logo brincou: - Alfredo! Estás bonito, hein? O presidente nacional do PR, que costuma tingir o cabelo, respondeu sem titubear: - Bonito eu estou sempre... Minutos depois, após tratarem de outros temas, Nascimento voltou à seara estética. - Você acha que eu estou bonito mesmo? Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
A5
A missão de 31 prefeitos eleitos pela primeira vez
Dos 61 municípios amazonenses, metade será governada por gestores que nunca tiveram contato com a administração DIEGO JANATÃ
ÁQUILA SICSÚ Eespecial EM TEMPO
N
as eleições municipais deste ano, 42 candidatos a prefeituras no interior do Amazonas, conseguiram se eleger e outros 19 se reelegeram. Entre os prefeitos eleitos, que tomam posse no dia 1º de janeiro de 2013, pelo menos 31 assumirão pela primeira vez o cargo de gestor municipal, enquanto outros “velhos” conhecidos da população e da Justiça retornam ao Poder Executivo. Na ala dos eleitos pela primeira vez, se destacam Raimundo Carlos Góes Pinheiro, o Padre Carlos (PT), que se elegeu no município de Maués (a 267 quilômetros de Manaus). Natural daquele município e ex-pároco da cidade, Padre Carlos também carrega o título de primeiro sacerdote eleito a um Executivo municipal no Estado, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sendo oriundo do ambiente eclesiástico, o Padre Carlos disse que sua candidatura foi gerada em meio a muitas conversas com outros grupos religiosos e sociais que estavam insatisfeitos com o cenário em que se encontra Maués, por isso, o prefeito eleito acentuou que primeiro surgiu o sonho, depois o projeto, e em seguida o nome. “Maués passava por um momento de falta de referência de liderança, não que eu seja o salvador da pátria, ou único justo na face da terra, mas o povo estava precisando de um nome que pudesse agregar valores e princípios. Nós tínhamos um sonho de contribuir, ajudar o município sem conotação política e foi crescendo, adentrando na política”, observou. Assumindo também pela primeira vez uma prefeitura estão os gestores eleitos de Rio Preto da Eva, Luiz Moura Chagas (PRP); Boca do Acre, Iran Lima (PSD); Santa Isabel do Rio Negro, Mariolino Siqueira (PDT); Boa Vista do Ramos, Amintas Pinheiro (PMDB); Ipixuna, Aguimar Silverio (PR); Iranduba, Xinaik Medeiros (PTB); Nova Olinda do Norte, Joseias da Silva (PT); Fonte Boa, José Suedney Araújo (PSD); Manaquiri, Aguinaldo Martins Rodrigues (PRTB); Nhamundá, Nene Machado (PDT); e Jutaí, Marlene Cardoso (PMDB), para citar alguns. Mas, em Ipixuna, por
exemplo, o juiz da comarca já decidiu que haverá nova eleição. Assim como em Boca do Acre, cujo resultado encontra-se sub judice. Os “novos” administradores terão ainda a tarefa ao longo dos 4 anos de mandato, de colocar em prática todas as suas propostas de governo apresentadas à população ao longo de sua campanha eleitoral. Além de conseguir corresponder todas as expectativas depositadas neles pela população que o elegeu. ‘Velhos’ conhecidos Mesmo com vários processos na Justiça comum e na eleitoral, o prefeito eleito Adail Pinheiro (PRP), é um dos gestores que conseguiu voltar ao Poder Executivo, no caso dele, pela terceira vez à Prefeitura de Coari. Adail já foi prefeito da cidade de 2001 a 2003, quando renunciou antes de completar o mandato para não perder os direitos
Nós tínhamos um sonho de contribuir, ajudar o município sem conotação política e foi crescendo, adentrando na política Padre Carlos, prefeito eleito de Maués
políticos. Em 2004, foi eleito novamente, para um mandato de 2005 a 2008. Outro que conseguiu retornar à administração pública, mesmo com processos na Justiça, foi Washington Régis (PMDB). Ele chegou a ter seu registro de candidatura impugnado pelo Ministério Público Eleitoral. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) deferiu o recurso do ex-prefeito de liberando- o para disputar a Prefeitura de Manacapuru nestas eleições. O ex-prefeito teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCEAM) e foi condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Abrahan Lincoln (PSD), que se elegeu prefeito de Codajás nestas eleições, retorna ao poder na cidade, mesmo enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
Após várias tentativas, Xinaik Medeiros (PTB) conseguiu se eleger prefeito de Iranduba e irá debutar na prefeitura da cidade IONE MORENO
Prefeitos que estão debutando Município Apuí Atalaia do Norte Benjamin Constant Beruri Boa Vista do Ramos Boca do Acre* Borba Eirunepé Fonte Boa Ipixuna* Iranduba Jutaí Lábrea Manaquiri Maués Nhamundá Nova Olinda do Norte Novo Airão Parintins Presidente Figueiredo Rio Preto da Eva Sta. Isabel do R. Negro Santo Antônio do Içá S. Sebastião do Uatumã S. Gabriel da Cachoeira São Paulo de Olivença Silves Tabatinga Tefé Urucará Urucurituba *Eleições sub judice
Prefeito Admilson Nogueira (DEM) Nonato do Nascimento (PDT) Iracema Maia da Silva (PSD) Odemilson Lima (Demis) (PSD) Amintas Pinheiro (PMDB) Manoel Barbosa (PMDB) José M. da Silva (Baia) (PSD) Joaquim Neto (Bara) (PSD) José Suediney (Sue) (PSD) Aguimar Silvério (PR) Xinaik Medeiros (PTB) Marlene Cardoso (PMDB) Evaldo de Souza (PMDB) Aguinaldo M. R. (Guina) (PRTB) Padre Carlos (PT) Nene Machado (PDT) Joséias da Silva (PT) Lindinalva Ferreira (PT) Alexandre da Carbrás (PSD) Neilson da Cruz (PSB) Dr. Ricardo (PRP) Mariolino Siqueira (PDT) Abraão Magalhães (PMDB) Dr. Adalberto S. Leite (PSD) Renê Coimbra (PCdoB) Raimundo Nonato (Nato) (PSD) Franrossi de O. (Bojo) (PSD) Raimundo C. (Calango) (PDT) Antenor Paz (PSD) Felipe A. Cabeça Branca (PSD) Pedro Amorim (PR)
Mais conhecido como Guina, ele levou a Prefeitura de Manaquiri
Retorno após duas décadas Em Manaus, após 20 anos, desde a primeira vez que foi prefeito de 1988 a 1992, Artur Neto (PSDB) retornou à Prefeitura de Manaus. Com a maior votação da história em disputas pela Prefeitura de Manaus,
o ex-senador foi eleito no último dia 28, com 603,4 mil votos - 65,9% - derrotando a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) que recebeu 311,6 mil votos, o equivalente a 34,05%, em uma votação recorde.
A6
Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
GLÁUCIO DETTMAR/AGENCIA CNJ
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
O ministro Joaquim agiu como legista, ao reconstituir os fatos” MINISTRO APOSENTADO CARLOS AYRES BRITTO sobre o relator do processo do mensalão
Rebeldes do PMDB querem preposto contra Renan Os chamados dissidentes do PMDB ameaçaram lançar candidato à presidência do Senado, mas nenhum deles topa enfrentar a parada dura chamada Renan Calheiros (AL), o favorito. Receosos de criar indisposição com o provável sucessor de José Sarney, os “rebeldes” estimulam candidatos de outros partidos, como Randolfe Rodrigues (PSOL), que desafiou Sarney na última eleição ao comando da casa. Sem interesse O senador Pedro Taques (PDT-MT) também foi sondado para disputar contra Renan Calheiros, mas garante que não tem o menor interesse. Pularam fora O grupo chegou a cogitar os senadores do PMDB Jarbas Vasconcelos (PE) e Luiz Henrique (SC) para a disputa. Os dois desconversaram. Voo solo Para os dissidentes, só quem atua individualmente, como Pedro Simon (RS), aceitaria a empreitada. Mas com chances mínimas no PMDB. Barganha política O partido de maior bancada no Senado – no caso, o PMDB – elege o candidato a presidente que, pela tradição, é referendado no plenário. Britto pode usar estrutura do STF por 90 dias Desde sua aposentadoria, ontem, o ministro Carlos Ayres Britto pode usar seu gabinete no STF pelo prazo improrrogável de 90 dias, assim como funcionários e carro oficial (carro reserva)
para deslocamentos. Ao final, funcionários serão redistribuídos, o carro retirado, assim como móveis e computadores. Britto terá direito também a cafezinho, mas, segundo lenda no funcionalismo público, será certamente servido frio. Acordo paulista O ministro Brizola Neto declarou apoio a Zé Silva (MG) para líder do PDT mas, na verdade, estaria bancando o deputado João Dado (SP). Primeiro o presidente O candidato a líder tucano, Domingos Sávio (MG), quer saber quem assumirá a presidência do PSDB: “Tudo depende dessa decisão”.
Jornalista
de paz com as Farc”. Só faltou a “imprensa conservadora”. Meu bem, meu mal O presidente do PT, Rui Falcão, bate e apanha, “incorporando” Lula, para chutar em canelas ilustres, inclusive no Judiciário, para depois ser “desautorizado” pelo ex-presidente. Tudo combinado. Gestão pública Presidente da Frente pela Gestão Pública, Luiz Pitiman (PMDB-DF) organiza para os dias 12 e 13 de dezembro o Congresso Brasileiro de Gestão Pública Municipal. Ele espera reunir mais de dois mil prefeitos.
Primeiro o líder Candidatos a líder do PMDB querem que o atual líder Henrique Alves (RN) promova sua sucessão antes de se eleger presidente da Câmara.
Minas X SP Apesar de ser considerado “aecista”, o deputado Carlos Sampaio (SP) conseguiu apoio da bancada paulista para ser o próximo líder do PSDB na Câmara. Estão no páreo Domingos Sávio (MG) e Otávio Leite (RJ).
Só no sapatinho Condenados no mensalão temem o Natal na cadeia, se o Supremo acatar pedido da Procuradoria-Geral da República. Pior: o Papai Noel gordinho de vermelho avisou que, agora sem barba, não vai aparecer.
Homenagem Advogado de Roberto Jefferson, Luiz Barbosa acredita que os ministros correram para definir a dosimetria dos figurões do mensalão para que o presidente Carlos Ayres Britto, em vias de se aposentar, participasse.
Dez, nove, oito... Se o mundo pode acabar em 21 de dezembro, segundo os maias, a contagem regressiva começou com mísseis dos terroristas do Hamas atingindo pela primeira vez na História a cidade santa de Jerusalém.
Nem pensar O ex-governador Joaquim Roriz rejeita qualquer possibilidade de levar o seu grupo político a integrar a base de apoio ao governador do DF, Agnelo Queiroz, cuja gestão considera “falida”, por ele ser do PT.
Filme velho O Granma, jornal oficial, apontou “manipulação midiática” de parte da imprensa internacional para “desacreditar o papel de Cuba na negociação
Pensando bem... ...com quase duas mil pessoas “lavando” R$ 37 milhões, segundo o Ministério da Fazenda, o PCC já pode virar partido político.
PODER SEM PUDOR
Causas difíceis O general Artur Costa e Silva, o ditador do AI-5, recebeu o vice-líder da Arena no Senado, Eurico Resende (ES), e não economizou elogios: - Gosto muito da forma como o senhor defende o meu governo... - Presidente, sou advogado criminalista há 30 anos! – disse Resende. Ao perceber o constrangimento do ditador com sua resposta, completou: - É que estou acostumado a defender causas difíceis...
AYRES BRITTO
Processos relevantes julgados A gestão do ministro Ayres Britto na presidência da Suprema Corte foi breve, porém muito intensa, como ele mesmo definiu em alguns momentos. Questões complexas como as ações que envolviam a reserva de vagas para estudantes negros em universidades públicas e a distribuição do tempo do horário eleitoral gratuito entre os partidos políticos foram julgadas sob a presidência do ministro. Mas
a marca de sua gestão foi colocar em julgamento a ação penal 470, sobre a denúncia da ProcuradoriaGeral da República de compra de votos no Congresso Nacional na base política do governo. Mensalão Em maio deste ano, o ministro Ayres Britto começou a debater com o ministro Joaquim Barbosa a forma e o momento de colocar em julgamento a AP 470, da
qual Barbosa é o relator. Em seguida, foi levada a Plenário a 9ª Questão de Ordem na AP, na qual se discutia o rito do julgamento, uma vez que o processo envolvia 38 réus e 234 volumes, 495 apensos em um total de 50.199 páginas. Já no mês de junho os ministros da corte decidiram em sessão administrativa que o julgamento teria início em 1º de agosto. A data foi posteriormente ajustada para o dia 2.
Corregedor interino Jefferson Kravchychyn (à dir.) inicia os trabalhos na Justiça de Goiás
CNJ vai avaliar Justiça de Goiás a partir de amanhã Corregedor interino do CNJ, Jefferson Kravchychyn fará a abertura oficial dos trabalhos, que acontecem até sexta-feira
A
Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) realiza na próxima semana inspeção nas unidades administrativas e judiciárias do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). A inspeção envolverá a Justiça de primeira e segunda instância, além dos cartórios extrajudiciais. De acordo com a portaria nº 135, que determinou a realização da inspeção, um dos fatos que motivaram o trabalho foi a falta de prestação das informações devidas pelos magistrados de primeiro grau no Sistema Justiça Aberta, do CNJ. A abertura oficial dos trabalhos acontecerá amanhã,
às 11h, e contará com a participação do corregedor Nacional de Justiça interino, conselheiro Jefferson Kravchychyn, que substitui temporariamente o ministro Francisco Falcão. O evento terá a participação do presidente do TJGO, desembargador Leobino Valente Chaves, e da corregedora-geral da Justiça, desembargadora Beatriz Figueiredo Franco. Durante a inspeção, que acontece até a próxima sexta-feira, uma equipe do CNJ também estará disponível para atendimentos reservados aos cidadãos que queiram se manifestar, apresentando queixas ou in-
formações sobre o funcionamento da Justiça comum no Estado. O atendimento ao público será feito no dia 19, de 14h às 17h, nos dias 20, 21 e 22, de 9h às 17h, e no dia 23, de 9h às 16h. Os interessados devem comparecer à sede do TJGO munidos de identidade, CPF e comprovante de residência. Entre os dias 19 e 22 de novembro, a distribuição das senhas para atendimento será feita até às 16h. Participam da inspeção na Justiça estadual seis juízes-auxiliares do CNJ e quatro magistrados de outros Estados, além de 27 servidores.
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Com a palavra
A7
Ives Gandra
‘Contribuinte tinha MAIS SEGURANÇA jurídica na ditadura’
FOTOS: DIVULGAÇÃO
ALESSANDRO CRISTO E ELTON BEZERRA Do Consultor Jurídico
D
ecisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que a corte tem se preocupado com outros elementos além da Lei Maior do país. O guardião da Constituição também tem superprotegido as portas do erário quando as demandas judiciais opõem fisco e contribuintes e tem se deixado afetar pela exposição pública ao ter seus julgamentos transmitidos ao vivo pela televisão e comentados nas notícias dos jornais. A opinião é de quem advoga há 50 anos no Supremo e viu sua composição - e sua jurisprudência - mudar incontáveis vezes ao longo do tempo. “Mas nunca antes como agora”, diz o tributarista e constitucionalista Ives Gandra da Silva Martins.
A empresa tem que apresentar todas as suas operações. Pessoa física é diferente, o sigilo fala do direito à privacidade individual. Eu nunca defendo o sigilo da empresa, eu defendo o sigilo do cidadão. É o que está garantido na Constituição”
ConJur - Como está o placar na Justiça entre contribuintes e fisco? Ives Gandra- Muito ruim para os contribuintes, por uma razão muito simples: os assessores dos ministros deveriam ser concursados, como os juízes. Participei das bancas de três concursos para a magistratura federal e estadual. Examinei sete mil candidatos para ter menos de cem magistrados aprovados em três concursos. Sei o que um candidato passa para poder ser juiz. Mas quem decide a maior parte das questões nos tribunais superiores são os assessores. O assessor não é concursado. Não é justo que um juiz de primeira instância, cuja decisão vale menos que a decisão de um ministro, tenha um concurso duríssimo e o assessor de ministro seja apenas uma pessoa de confiança. Os ministros deveriam escolher seus assessores entre concursados. ConJur - A Justiça não existe para tratar de modo desigual os desiguais? Ou seja, proteger os mais fracos? IG - Tenho uma profunda admiração pela ministra Ellen Grace (aposentada do Supremo). Quando ela foi pedir aumento para o Judiciário, como presidente do Supremo, os jornais criticaram, a OAB criticou. Ela respondeu: “Mas nós garantimos ao erário R$ 13 bilhões”. A Ordem lembrou que isso não é garantir nada ao erário, é fazer justiça. Eu conheço a Ellen, é uma mulher excepcional, uma jurista, minha amiga pessoal. Mas o episódio mostra um pouco a mentalidade quando se trata de matéria tributária. Nesse particular, se nós analisarmos o que era o Supremo Tribunal Federal na década de 1980 e começo dos anos 1990, em comparação com esses últimos anos, vamos constatar que, no Supremo, o erário quase sempre tem razão. Excepcionalmente não tem. Mesmo na época do regime militar havia, em matéria tributária, mais segurança jurídica do que hoje. ConJur - Existe sigilo fiscal de pes-
soa jurídica? IG - Não. A empresa tem que apresentar todas as suas operações. No balanço, tem que estar tudo lá. Pessoa física é diferente, o sigilo fala do direito à privacidade individual. Eu nunca defendo o sigilo da empresa, eu defendo o sigilo do cidadão. É o que está garantido na Constituição. ConJur - Os planejamentos tributários são as novas teses da moda? IG - São arriscados. Sempre trazem um risco que pode levar uma empresa, depois de quatro, cinco ou seis anos bem, de repente ficar inviabilizada. O que deveria se fazer é pressão sobre o Congresso Nacional por um sistema mais racional. Se nós simplificássemos o sistema tributário, não precisaríamos de planejamento tributário. ConJur - Em artigo publicado na Folha de S.Paulo em 2011, o senhor criticou a interpretação que hoje se dá a fatos ocorridos durante o regime militar, investigados pela Comissão da Verdade. Em sua opinião, a Lei de Anistia enterrou as situações para ambos os lados da luta até mesmo para a descoberta da verdade? IG - A Comissão da Verdade não se propôs a examinar os crimes praticados pelos terroristas contra os militares. No artigo da Folha, eu falo dos Borgs, um povo fictício da série Star Trek. Ele tinha um comando central, uma rainha, e todos os povos de outros planetas que eram conquistados se transformavam em metade humanos e metade máquinas, sob o comando dessa rainha. Ou seja, havia duas saídas para os derrotados: eram assimilados ou aniquilados. Típico das ditaduras. Em regimes totalitários não há direito de defesa. Quem não pensa igual é perseguido, pode ser morto. São exemplos o nazismo, o comunismo e o fascismo. A Comissão da Verdade só quer ver um lado, é uma teoria que não admite contestação. E as democracias só existem quando há contestação. Quando digo que a democracia precisa de oposições, falo de uma oposição forte, porque o poder tende a ultrapassar e superar todos aqueles que se opõem a ele. E só com posições fortes é que se pode ter aquilo que John Rawls chama de “teorias não abrangentes”. ConJur - No julgamento do processo do mensalão, com alta exposição na mídia, os ministros se mostraram mais receptivos, para condenar, a elementos que não teriam o mesmo efeito em outros processos? IG - Houve duas teses que se chocaram. Uma delas é o in dubio pro reo. Nessa tese clássica, a segurança do processo penal não é uma segurança da sociedade, é uma segurança do criminoso. A ação penal não foi feita para proteger a sociedade, mas para proteger o acusado. Se o julgador não estiver convicto, não deve condenar. É a tese que todos os
réus defenderam. De outro lado, temos a tese do crime externo. A nação, como sociedade, viu circular dinheiro que ninguém sabe para onde foi, com pessoas bem definidas, mesmo sem nexo causal, ou seja, eu dei o dinheiro para você me fazer aquele favor. Mas a verdade é que esse dinheiro até hoje não foi explicado. De onde veio e onde foi parar? A tese que fragilizou o mensalão foi a do caixa dois. Eles admitiram ter praticado um crime, mesmo que já prescrito. Oras, se eu recebo um dinheiro para fazer campanha eleitoral e vou pagar quem vai fazer minha campanha eleitoral, eu não sei a quem paguei? A tese do caixa dois teve um problema de não se saber para onde foi o dinheiro. Ela entrou como uma tentativa de fazer com que a prescrição eliminasse o processo, mas fragilizou como crime sistêmico. Principalmente porque o presidente Lula deu três versões diferentes. Na primeira, disse: “Fui traído.” Na segunda, disse: “Todo mundo faz.” Na terceira, disse que não houve mensalão. O próprio presidente auxiliou a não haver uma defesa consistente e começou a prevalecer a tese do crime sistêmico. O Supremo preferiu seguir por essa segunda linha, que traz um problema: se, no futuro, for aplicado o mesmo entendimento a todo crime contra a ordem pública, vamos ter uma insegurança maior no Direito. A decisão, todavia, vai mudar os costumes políticos no Brasil. ConJur - O Supremo Tribunal Federal tem usurpado a função do legislador? IG - Sim. A toda hora o Supremo Tribunal Federal muda as regras. Hoje nós temos insegurança jurídica. Sou contra o ativismo judicial. O Supremo Tribunal diz que eles estão apenas interpretando o vácuo legislativo. Mas nos casos de fidelidade partidária, família homossexual, aborto de feto anencéfalo e uso de células embrionárias em pesquisas científicas eles inovaram em relação à lei e à Constituição. ConJur - E o que fazer diante da omissão do Legislativo? IG - Veja o artigo 103, parágrafo 2º, da Constituição Federal. Nas ações diretas de inconstitucionalidades por omissão, quando o Congresso Nacional não faz a lei, cabe ao Supremo Tribunal Federal comunicar o Poder Legislativo que ele tem que fazer a lei, sem prazo e sem sanção. Quando o Supremo diz: “Eu vou fazer”, está incinerando o artigo 103, parágrafo 2º. Isso eu discuti com o Bernardo Cabral (senador relator da Constituinte), com Sidney Sanches, ministro do STF e com Odyr Porto, presidente da AMB, na hora de se escrever a Constituição. Eu queria inserir prazo. Mas Sanches disse: “Ives, você acha que eu teria condição de mandar prender 513 deputados e 81 senadores se eu desse um prazo e eles não fizessem a lei?” Quer dizer, no vácuo, cabe ao Supremo continuar pressionando para eles fazerem, mas ele mesmo não pode fazer.
A tese do Caixa 2 teve um problema de não se saber para onde foi o dinheiro. Ela entrou como uma tentativa de fazer com que a prescrição eliminasse o processo, mas fragilizou como crime sistêmico. Principalmente porque Lula deu três versões: “fui traído”; “todo mundo faz” e que não houve mensalão”
A toda hora o Supremo Tribunal Federal muda as regras. Hoje nós temos insegurança jurídica. Sou contra o ativismo judicial. O Supremo Tribunal Federal diz que eles estão apenas interpretando o vácuo legislativo. Mas nos casos de fidelidade partidária, família homossexual, aborto de feto anencéfalo e uso de células embrionárias em pesquisas científicas, eles inovaram em relação à lei e à Constituição”
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Prefeitura de Manaus se torna um ‘elefante branco’ Somente este ano, a gestão da cidade foi governada por seis ‘executivos’, oriundos dos poderes Legislativo e Judiciário
JOEL ROSA
ÁQUILA SICSÚ Especial EM TEMPO
N
os próximos sete dias a administração da Prefeitura de Manaus deve ficar “engessada” por conta do troca-troca de gestores. Em menos de 72 horas, após a viagem do prefeito Amazonino Mendes (PDT), no último dia 14, Manaus já está com o segundo gestor no comando da cidade e tudo amparado pela Lei Orgânica do Município (Lomam). Só em 2012, o cargo de prefeito, na ausência de Amazonino, já foi ocupado pelos vereadores, presidente e vice-presidentes da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Isaac Tayah (PSD), Marcel Alexandre (PMDB) e Massami Miki (PSL), além do procurador-geral do município, João Braga, e ainda os juízes da comarca de Manaus, Rui Morato e Airton Gentil. Tanto Tayah como Miki, que são integrantes da bancada de oposição a Amazonino na Câmara, garantem que assumem a cadeira da Prefeitura de Manaus para cumprir o que determina a lei. Ao mesmo tempo, afirmam que não dão continuidade aos trabalhos em
andamento e nem fazem mudanças por não “ser de competência deles”. “Estou aqui para cumprir um preceito constitucional, o que me determina por uma escala de ordem de sucessão municipal. Quando passei a ser vereador, nem imaginei que um dia assumiria a prefeitura. Assumi a tarefa como um homem público.
SAÍDA
Em janeiro de 2011, o ex-vice-prefeito de Manaus, o deputado federal Carlos Souza (PP) deixou a prefeitura para assumir seu mandato na Câmara dos Deputados, após ser eleito nas eleições de 2010 O prefeito tem problemas de saúde, fez uma cirurgia recente e tudo isso foi um acúmulo para que ele tivesse esse cansaço do cargo e essa doença que estava afetando-o ao longo do mandato”, explicou Massami. Já Tayah, foi além e disse, durante inspeção que realizou na manhã do feriado da Proclamação da República, na
coleta de lixo nos bairros de Manaus, que não gosta de ser prefeito substituto e que se ficasse pelo menos um mês no cargo, “demitiria muita gente, da atual gestão”. Ausência No último dia 12, Amazonino comunicou à Câmara que ficaria ausente da capital por motivos pessoais, do dia 14 a 24 deste mês. Desde então, na última quinta-feira, quem assumiu a prefeitura foi o presidente do Legislativo, Isaac Tayah. Entretanto, na tarde da última sextafeira, o segundo vice-presidente da casa, Massami Miki, teve que assumir a administração, onde fica até a noite do dia 21, com o retorno de Tayah, que se ausentou do Estado para uma viagem familiar. O vice-presidente da CMM, Marcel Alexandre, segundo na linha sucessória, não assumiu o cargo de prefeito por também estar ausente da cidade. Miki fica no cargo até a próxima quarta-feira, quando Tayah reassume a prefeitura, na manhã de quinta-feira. O presidente da CMM, fica até o dia 24, quando Amazonino retorna de São Paulo.
Este ano foi o que menos Amazonino esteve presente na prefeitura, desde que assumiu em 2009
Lomam ratifica linha sucessória Conforme o artigo 75 da Lei Orgânica do Município (Lomam), na vacância dos cargos de prefeito e vice, serão sucessivamente chamados ao exercício do Poder Executivo Municipal o presidente da CMM e os demais membros da mesa diretora do Parlamento municipal, sendo eles o 1º vice-presidente, o 2º vicepresidente, o 3º vice-presidente, o secretário-geral, o 1º secretário, o 2º secretário, o 3º secretário, o corregedor-geral e o ouvidorgeral. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 077, de 27/8/2012). Nos casos de impedimen-
to do presidente do Legislativo e dos demais membros da mesa diretora, caberá, excepcionalmente, ao procurador-geral do município substituir o chefe do Poder Executivo, como aconteceu este ano entre 27 de setembro e 4 de outubro, quando Amazonino Mendes se encontrava em tratamento de saúde na cidade de São Paulo. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 077, de 27/8/2012). Pela proposta original, a emenda excluía da linha sucessória os dois vice-presidentes e os três secretários da CMM. Os vereadores apresentaram uma emenda
à proposta mantendo os demais membros da mesa como sucessores antes do procurador-geral. CMM também muda Por conta da ausência de Amazonino Mendes na Prefeitura de Manaus, a Câmara municipal também acaba sofrendo alterações, tanto que na última sexta-feira, a vereadora Cida Gurgel (PRP), terceira vice-presidente da casa legislativa, assumiu a presidência da CMM, até o dia 22. Esta é a segunda vez que a parlamentar assume a presidência do Parlamento, seguindo o rito regimental. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Vereadora Cida Gurgel (PRP) assumiu a presidência da Câmara, na última sexta-feira
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
economia@emtempo.com.br
Mensalidades escolares inflacionadas Economia B3
(92) 3090-1045
FOTOS: DIEGO JANATÃ
Caderno B
Economia
REPRODUÇÃO
Natal ‘gordo’
com renda extra Amazonenses conciliam suas profissões com atividades que rendem um dinheiro a mais no fim de ano RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO
D
epois de cumprir a jornada de trabalho diária em suas profissões, amazonenses dedicam o tempo de sobra para desenvolver atividades que rendem um “extra” no Natal. É com artesanatos, cestas, velas e até ceias prontas que eles garantem um adicional de, pelo menos, R$ 2 mil e comemoram um fim de ano “gordo”. Para a copeira Helena Martins, os últimos dois meses do ano são de muito trabalho. Além do emprego fixo em um hospital da cidade, ela aproveita o fim de ano para ganhar um dinheiro a mais com artesanato. “Durante o período invisto na confecção de guardanapos, toalhas de mesa, entre outros artigos de cozinha com estampas natalinas bordadas, o que me garante, nos meses de novembro e dezembro, uma renda adicional de, aproximadamente, R$ 2 mil”, destaca. Além dos bordados, Helena, que recebe salário no emprego fixo de R$ 1,1 mil, também aposta na confecção de bonecas de pano e, assim, engrossar a renda. “As bonecas de tecidos que comercializo a R$ 25, também são bem procuradas durante o Natal por
ser uma ótima opção para presentear. Portanto, aproveito essa oportunidade”, comenta a copeira, que conta com a ajuda da filha para tornar o negócio extra rentável. A copeira ressalta que a procura pelos produtos começou no início deste mês, com os pedidos de peças de cozinha bordadas e bonecas. “Atendi os primeiros pedidos e vou comprar o material para atender a segunda remessa de solicitações da clientela. A expectativa é de que a confecção desses produtos intensifique a partir desta semana para atender aos futuros pedidos, que devem aumentar a partir do início do próximo mês”, completa. Proprietária de um res-
LUCRO
Com artesanatos, velas aromatizantes, cestas e até ceias prontas, amazonenses se desdobram para “engrossar” a renda do fim de ano. Todo o trabalho garante retorno certo de, ao menos, R$ 2 mil taurante na Zona Centro-Sul de Manaus, Nila Gonçalves estica o horário de funcionamento da cozinha do estabelecimento durante o período natalino para garantir um extra. “Durante o período de fim de ano, após o expediente de funcionamento do res-
taurante, me dedico a fazer pratos natalinos encomendados por clientes”, lembra a empresária, que faz pratos natalinos a preços a partir de R$ 25, dependendo da quantidade solicitada. Conforme a empresária, entre os pratos mais pedidos e que garantem o aumento de sua renda familiar estão peru, pernil, bolinhos de chuva, arroz à grega e as “famosas” rabanadas natalinas. “Aproveito que muitos de nossos clientes não têm tempo de cozinhar e vou para cozinha preparar os pratos mais consumidos durante as ceias de Natal e do Réveillon”, observa Nila, que normalmente conta com a colaboração de um ajudante nos preparativos dos pratos. Segundo Nila, a atividade extra tem retorno financeiro certo. “Trabalho com encomendas de pratos natalinos há mais de 10 anos e, desde então, venho trabalhando com isso durante todo o período de fim de ano. Durante esse tempo, conquistei uma clientela fixa que solicita os meus serviços seja para as ceias de Natal e Réveillon ou para as festas de confraternizações em empresas”, completa. Dedicação dá retorno Após cinco horas de trabalho em um salão de beleza, a cabeleireira Graciete Batista
retorna para casa e “arregaça as mangas” para produzir velas aromatizantes e a confecção de caixas decorativas artesanais durante o período natalino. “Considero esse o meu segundo trabalho, pois é a partir dele que eu aumento a renda familiar durante os dois últimos meses do ano”, frisa a cabeleireira, que “tira”, em média, R$ 2 mil com a venda dos produtos. Graciete faz o trabalho, que para ela não tem nada de “bico”, há mais de 8 anos. “Comecei com as caixas e com o passar do tempo investi na confecção das velas, que ganham destaque durante o período de Natal”, relata a cabeleireira, ao completar que os itens são comercializados a preços a partir de R$ 25. Embora a cabeleireira consuma garante parte do seu dia como empreendedora, ela diz que o trabalho é prazeroso. “De manhã foco nos afazeres domésticos, à tarde vou para o salão, onde recebo salário de R$ 800 e pela parte da noite, já em casa, foco na confecção dos produtos. Confesso que a jornada é cansativa, mas o retorno que tenho com as vendas dos meus produtos é satisfatória, principalmente durante o período de Natal, quando tenho que ter uma grana extra para garantir um bom fim de ano para a minha família”, completa.
Besideatui sente consum estiam tem det ina, ubliculum IgnTabussi pribusa porunum movestes, quit quoditrio maionostruEc tum ut L.
B2
Economia
Riqueza da reg pode abastecer ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
C
om as riquezas da Floresta Amazônica “em mãos”, a produção de medicamentos a partir de espécies encontradas na região pode ganhar impulso com o desenvolvimento da indústria farmacêutica no parque fabril de Manaus. Segundo a coordenação de Pesquisa e Ciência da Saúde do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Amazonas pode se transformar em referência na fabricação de medicamentos com produtos regionais que podem combater o envelhecimento (antioxidantes) ou ser utilizados como anti-inflamatórios. “Temos uma biodiversidade grande, que pode servir de matéria-prima para a produção de medicamentos. O novo polo vai beneficiar a pesquisa, assim como o desenvolvimento de produtos medicinais e biocosméticos com insumos da região”, afirma a pesquisadora titular da coordenação, Helide Marinho. O “start” para as atividades do polo de medicamentos já foi dado. Por meio da portaria 241, que fixou o Processo
Produtivo Básico (PPB) para a fabricação dos itens no Polo Industrial de Manaus (PIM) foi estabelecido uma lista inicial de 189 produtos liberados. Segundo o departamento de projetos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), entre os medicamentos liberados para pro-
DIVERSIDADE
Espécies da flora amazônica como tucumã, pupunha, andiroba, copaíba e açaí, por exemplo, podem ser exploradas pelos empresários para fabricar medicamentos no Polo Industrial de Manaus
dução no parque fabril local estão o ácido acetilsalicílico (anti-inflamatório), vitamina C, albenzadol (antiparasitário), citrato de sildenafida (contra disfunção erétil), paracetamol (analgésico) e ibuprofeno (anti-inflamatório, analgésico e antitérmico). Se depender do potencial da região, a lista pode ser bem maior. Conforme a pesquisadora do Inpa, espécies
da flora amazônica como tucumã, pupunha, andiroba, copaíba e açaí, por exemplo, podem ser exploradas pelos empresários para fabricar medicamentos em Manaus. Do tucumã e da pupunha podem ser extraídos um óleo antioxidante, que ajuda a proteger a pele contra o envelhecimento. Já a andiroba e a copaíba podem ser usadas na produção de anti-inflamatórios. Por sua vez, o açaí, além da capacidade antioxidante, a fruta possui substâncias que podem proteger o organismo de alguns tipos de câncer, segundo a pesquisadora Helide Marinho. Para o superintendente adjunto de Projetos da Suframa, Gustavo Igrejas, o novo polo abre “excelente perspectiva de utilização de insumos locais”, com forte investimento em pesquisa para a criação de novos produtos com princípios ativos da floresta. “A expectativa é positiva, uma vez que a aprovação do PPB para a área de medicamentos cria um novo polo industrial na região, que poderá propiciar maior atração de investimentos e geração de emprego e renda”, enfatiza.
Aporte de R$ 547 mi para setor A partir de 2013, o polo de medicamentos em Manaus deverá receber investimentos que chegam a R$ 547 milhões e vai gerar, inicialmente, em torno de 820 empregos diretos. Só a EMS pretende investir R$ 360 milhões, recursos que serão aplicados na fabricação de medicamentos sólidos como comprimidos e cápsulas. Segundo o presidente do Conselho da EMS, Carlos Sanchez, a empresa produzirá 18 bilhões de comprimidos por ano em Manaus. Além da EMS, a Novamed manifestou interesse em produzir medicamentos líquidos, sólidos e semissólidos no PIM. O projeto de instalação da empresa está orçado em R$ 187 milhões.
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
“Não ao porto das Lajes!” Olhando no médio prazo, e considerando a demanda nos 34 portos organizados do país, que subirá de 258 milhões para 975 milhões de toneladas por ano, o que representa um salto de 277% até 2030, segundo o Plano Nacional de Logística Portuária, do Ministério dos Transportes, a inserção da solução Siderama – no pacote portuário do governo federal para equacionar o gargalo logístico da Zona Franca de Manaus - é motivo de desassossego para os investidores locais e desencanto para todos. Optou-se por uma solução obscura, complicada e insegura, posto que se trata de uma área com todos os itens e requisitos para inviabilizar a proposição. Um aceno de solução improvável sem qualquer menção ao projeto do Terminal Portuário das Lajes, já licenciado pelo governo do Amazonas, com projeção e certeza de modernidade, eficiência e equacionamento promissor do gargalo logístico que tem comprometido a competitividade da produção industrial e contribuído para o esvaziamento crescente do modelo Zona Franca. Um projeto com uma memória de engasgos, boicotes e pressões que a história obscura da economia regional um dia irá contar. Permito-me, aqui, ilustrar a premonição. Há pouco mais de um ano, às vésperas do Grito dos Excluídos, uma celebração paralela das comemorações da Igreja Católica para debater o Dia da Independência do Brasil, uma reunião no Colégio Dom Bosco de Manaus preparava os detalhes da movimentação cívica, quando alguém chegou confirmando a doação de 10 mil camisetas, patrocinada por um parlamentar e por um empresário, para a passeata dos fieis com a logomarca do evento e um slogan estampado nas costas com a frase “Não ao porto das Lajes!”. Informado a respeito, dom Luiz Vieira, arcebispo de Manaus, tratou de vetar a campanha paralela, embora, ele mesmo, tenha embarcado indiretamente na onda pseudo ambientalista tramada para boicotar o novo terminal, que iria “destruir” o fenômeno do Encontro das Águas (sic!). Esse episódio, entre outros tantos, cumpria um script montado, financiado e executado com muita competência para impedir a modernização da infraestrutura portuária de Manaus, um gargalo de implicações perversas onde seus custos encarecem a produção local, atormentam o comércio
e faz da cesta básica do Amazonas a mais cara do país. Um script com a finalidade de promover a estratégia da protelação e boicote ao Terminal das Lajes, que envolveu a participação de diversos atores e formadores de opinião, alguns empenhados na própria promoção, outros motivados por compensações obscuras focadas na manutenção do status portuário local, o mais oneroso e precário entre os portos ordenados do país. Procuradores, magistrados, parlamentares, servidores públicos da gestão estadual e federal, artistas, escritores e acadêmicos meia boca, cineastas e psiquiatras de plantão, alguns desavisados e outros recompensados, aderiram a um ambientalismo inesperado que, como num passe de mágica, os transformaria em heroicos defensores na natureza. Ou de um apocalipse ecológico e paisagístico, na hipócrita defesa de um fenômeno que nem um tsunami japonês seria capaz de alterar, segundo geólogos, geógrafos e antropólogos que a justiça federal mobilizou. Este mesmo exército messiânico jamais se manifestou, antes ou depois de sua bandeira única, com a ocupação desordena da e predatória que a orla urbana do Rio Negro registra desde sempre, incluindo a construção da Refinaria I.B.Sabbá, que ancora seus gigantescos petroleiros exatamente no epicentro do fenômeno, sem registro de danos ou alterações há mais de meio século. Não ao porto das Lajes, aos seus ajustes, estudos e relatórios de impacto ambiental, inéditos e rigorosos, aos programas de educação ambiental, reposição florestal, do Parque Botânico em 70% de sua área de construção, mimetização de suas instalações para não alterar a paisagem, greenbuilding no telhado de suas instalações para harmonizar e humanizar o cenário com atendimento às demandas sociais, a promover emprego, renda e lazer para a população. Não ao bom senso de retomar a cabotagem como instrumento de desenvolvimento e sustentabilidade que viabilizou a economia na Amazônia desde o apogeu do látex. Não à inteligência, à racionalidade, à modernidade e à prosperidade, em nome do padrão africano e dos custos europeus que a logística da ZFM privilegia no pacote portuário que nos compete, meu querido Dom Luiz!
Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental
Não ao porto das Lajes, aos seus ajustes, estudos e relatórios de impacto ambiental, inéditos e rigorosos”
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
gião r polo
Depois de ter aval para produzir medicamentos no PIM, a indústria farmacêutica também poderá se beneficiar da matéria-prima amazônica
Segmento enfrenta entraves Apesar da boa expectativa, o desenvolvimento do polo de medicamentos terá de vencer alguns entraves para se consolidar no PIM. Segundo o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Ailson Rezende, o primeiro obstáculo a ser superado será o da localização. Isso porque, não há grande disponibilidade de terrenos para a implantação de fábricas no Distrito Industrial. “Não temos onde instalar novas indústrias”, afirma Rezende. Além do cumprimento do PPB, outra questão importante é respeitar a imposição de restrições burocráticas, que precisam ser observadas pelas fábricas do novo polo. Medidas como, por exemplo, acumular pontos estabelecidos no processo, pode prejudicar o trabalho das empresas, que terão dificuldades a mais para cumprir seus compromissos.
Benefício Por outro lado, a indústria farmacêutica, ao prever que as bulas e as caixas dos medicamentos sejam produzidas na região, beneficiará os setores gráficos e o de embalagens do parque fabril local. “De modo geral, a nova produção é extremamente boa para a geração de empregos e renda, mas também para o aproveitamento sustentável da Floresta Amazônica”, enfatiza o presidente do CoreconA M , Ailson Rezende.
Do tucumã pode se extrair um óleo com efeito antioxidante que combate o envelhecimento
B3 B
B4
Economia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Mensalidade ‘inflacionada’ Pais consideram abusivos os reajustes praticados pelas escolas particulares de Manaus. Em algumas situações, a alta pode chegar a 13%. A saída é negociar com a instituição ou optar por outro colégio com mensalidade mais em conta ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
O
s pais com filhos na escola terão uma preocupação a mais com o orçamento, neste final de ano. Isso porque instituições de ensino particulares, em Manaus, têm praticado reajustes de até 13% nas mensalidades escolares, considerados “abusivos” por estarem acima da inflação. Segundo o economista Edson Fernandes, não houve aumento elevado do índice da inflação e nem na remuneração dos professores que justifique o reajuste de 13% nas mensalidades escolares. “A inflação gira em torno de 5%. Portanto, não há razão para uma elevação tão grande a não ser que determinados produtos, informados da planilha de gastos, tenham sofrido aumento superior a inflação”, ressalta o especialista. O diretor-presidente do Departamento do Programa Estadual de Proteção, Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-AM), Guilherme Frederico, explica que as escolas são livres para reajustar os valores, uma vez que na política econômica brasileira na atualidade não contempla nenhum tipo de tabelamento. Ele salienta, contudo, que as escolas devem apresentar a planilha de custo com o reajuste das mensalidades escolares aos pais dos alunos 45 dias antes de abrir o prazo da matrícula. “Os pais devem primeiro negociar com a escola. Se não tiver êxito, só tem uma alternativa que é mudar os filhos para um colégio cujas mensalidades sejam mais em conta”, enfatiza. Embora o mercado seja livre para aumentar os preços, os pais apontam o índice praticado pelas escolas manauenses é “irregular”. Sem saída, eles são obrigados a aceitar o reajuste ou a mudar os filhos de escola.
Trocar de colégio é a opção analisada por Valéria Silva, mãe de três crianças que estudam em uma escola no bairro Cidade Nova, Zona Norte da capital. No próximo ano, as mensalidades dos filhos vão ficar quase 13% mais caras na comparação com as prestações que são pagas hoje, no total, de R$ 810. “O aumento de 13% terá um impacto grande no orçamento da família. Ainda tem o material escolar para comprar, que custará em torno de R$ 250 por
SEM CAUSA
Para o economista Edson Fernandes, o aumento não se justifica, uma vez que a inflação não alcançou esse patamar e o reajuste dos professores ficou aquém do porcentual criança. Se a escola não conceder um abatimento, a solução será procurar outro colégio”, ressalta. Mesmo quem tem somente um filho no ensino médio, reclama dos elevados preços das mensalidades. O analista de sistema, Luiz Cláudio Carvalho, considera abusivo o aumento de quase 10% na mensalidade do próximo ano que foi aplicado pela direção da escola onde a filha de 4 anos estuda. Hoje ele paga R$ 760 todo mês. Ano que vem, as mensalidades vão girar em torno de 835. Segundo o analista o reajuste vai pesar no orçamento da família. Apesar de achar o valor caro, Luiz Cláudio pretende manter a criança no colégio, situado na Zona Centro-Sul. “Não vou tentar um desconto porque sei que com essa escola não há negociação. Já até pensei em transferir minha filha para outro colégio”, frisa o analista de sistema.
Segmento é livre para reajustar Até a década de 1990, o índice de reajuste das mensalidades era definido pelo governo. Porém, por conta da Lei Federal nº 9.870/99, que regulamenta o aumento, esse controle acabou e o porcentual ficou a cargo das instituições de ensino. Apesar da liberdade, em Estados do Sul e Sudeste é comum as escolas debateram com os pais o índice a ser reajustado da mensalidade. Prática ainda pouco habitual em Manaus. “O reajuste hoje é livre. Contudo, o ideal era que o aumento da mensalidade fosse debatido em comum acordo entre a escola e os pais. As escolas sérias, em outros locais do país, se reunem para definir o porcentual de aumento”, afirma o advogado Kemal Muneymne, especialista em Direito do Consumidor.
Como proceder com o reajuste Cada instituição de ensino é livre para reajustar sua mensalidade; As escolas precisam justificar o reajuste; O aumento somente pode ser aplicado uma vez a cada 12 meses; O responsável poderá reivindicar junto à escola um valor menor; O consumidor que achar o aumento abusivo poderá buscar os órgãos de Defesa do Consumidor.
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
B6
País
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Elétricas decidem ir à Justiça contra concessões Algumas empresas já encomendaram pareceres jurídicos questionando o valor das tarifas. Guido Mantega desafia setor
A
renovação das concessões do setor elétrico poderá parar na Justiça caso o governo insista em manter as condições da medida provisória 579 e não aceite negociar com as concessionárias. Apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desafiar o setor a mostrar irregularidades na MP, algumas empresas já encomendaram pareceres jurídicos questionando o valor das tarifas, as indenizações e todo rito processual, considerado ilegal pelos advogados por causa da pressa para resolver a questão. As companhias ainda apostam numa atuação firme do Congresso Nacional para conseguir emplacar alguma mudança na MP, que já tem 400 emendas. É a esperança, por exemplo, do governo do Estado de São Paulo para os casos da Cesp e Emae. O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, já declarou que antes de qualquer decisão vai manter a tentativa de diálogo com o governo federal para tentar mudar alguns pontos da MP que podem inviabilizar a operação e manutenção das usinas. Mas o governo federal tem
DIVULGAÇÃO
deixado claro que não vai permitir nenhuma alteração significativa nas regras. “Se até 4 de dezembro (prazo para a assinatura dos aditivos do contrato de concessão) não tiver uma solução, há a possibilidade de uma judicialização”, destaca o advogado David Waltenberg, sócio da Advocacia Waltenberg. Outro ambiente de questionamentos das empresas é o próprio Poder Executivo, afirma o especialista. Até quarta-feira, três empresas (Cesp. Emae e CTEEP) entraram com recurso administrativo questionando as tarifas, as indenizações e a minuta do Termo Aditivo ao Contrato de Concessão, segundo informou o Ministério de Minas e Energia. Normalmente, este é o primeiro passo para as empresas reivindicarem alguma mudança no processo antes de partir para o ambiente jurídico. Na avaliação de advogados, há uma série de questões que podem ser discutidas judicialmente. O rito do processo, por exemplo, não atende à legislação existente no Brasil, garantiu um advogado. A primeira ilegalidade foi não discutir a MP com o setor.
As companhias ainda apostam em uma atuação firme do Congresso Nacional para conseguir alguma mudança na medida provisória
Queda de tarifas é parede de rolo compressor “A queda das tarifas é oportuna para o país, mas a forma que o governo adotou para fazer isso parece a de rolo compressor”, disse o advogado Ricardo Assaff, sócio do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados. Na opinião dele, pela gravidade, o assunto pre-
cisaria ter sido tratado de uma forma gradual e não em dois ou três meses, como está ocorrendo. Outro tema delicado que pode parar na Justiça, comenta o advogado, refere-se aos acionistas minoritários, especialmente no caso da Eletrobras. Primeiro, eles podem entrar com recur-
so na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para reivindicar a responsabilidade dos executivos e conselheiros - que poderiam ficar proibidos de exercer outros cargos de diretoria. O segundo passo seria ir à Justiça para discutir questões financeiras, como a destruição de valo-
res da empresa. Waltenberg ressalta, entretanto, que para responsabilizar os executivos e conselheiros será necessário caracterizar dolo ou culpa. “No caso, eles estão tendo de cumprir uma lei, como é o caso. A MP encostou os administradores contra a parede
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
País
B7
Cruzeiros marítimos abrem temporada para o verão Os transatlânticos Ainda Cara e MSC foram os primeiros a aportar no píer de um dos destinos mais procurados do litoral paulista
C
om a chegada de um navio alemão e outro italiano à costa, entre quarta e quinta-feira, lojas, bares e restaurantes de Ilhabela consideram oficialmente aberta a temporada de verão. Os transatlânticos Aida Cara e MSC Magnifica foram os primeiros a aportar no píer de um dos destinos mais procurados do litoral paulista. “A temporada só começa com a chegada dos navios”, diz a artesã Morgana Figueirôa, que trabalha em uma das lojas próximas ao píer. Comerciantes estimam aumento de até 70% no movimento. “É como se já fosse dezembro”, define Luana Almeida, vendedora do Free Port Café, no centro histórico da cidade. “Se tivesse navio o ano todo seria ótimo”, diz. Sabine Schoof, proprietária da loja de biquínis Summer House, é outra a comemorar. “Só o navio estar lá deixa até o turista daqui mais animado”, afirma. A chegada dos gigantes alterou a rotina do comércio. Schoof, por exemplo, já planeja abrir a loja pelo menos uma hora mais cedo para acompanhar o desembarque dos turistas dos navios - a maioria chega a Ilhabela pela manhã e volta pouco antes do final da tarde. “Até modificamos o ambiente para as pessoas circularem mais.” O lucro, porém, varia. “O problema é quando vem o navio SUS”, reclama o dono de um bar na região, que pede para não ser identificado. É assim que ele chama os cruzeiros mais baratos, que trazem turistas menos dispostos a gastar. “O cara vem com R$ 100 querendo fazer uma festa. Não dá”, diz.
DIVULGAÇÃO
Feriado Depois do Aida Cara e do MSC Magnifica, com capacidade para 1.200 e 2.500 passageiros, respectivamente, estão previstas outras 130 paradas de navios em Ilhabela. Juntos, devem trazer cerca de 348 mil novos turistas para a temporada - 30% a mais do que no último verão, segundo o secretário municipal de Turismo, Harry Finger. A empresária Alexandra Barbosa, 32, entrou em um cruzeiro pela primeira vez nesta semana. Saiu com o
ROTINA
A chegada dos gigantes alterou a rotina do comércio. Schoof, por exemplo, já planeja abrir a loja pelo menos uma hora mais cedo para acompanhar o desembarque dos turistas dos navios marido de Votorantim (SP) para embarcar em Santos, no dia 13, em uma viagem de quatro dias e três noites. “É muito luxuoso. Tudo o que você olha reluz. Parece até um Titanic”, ri Alexandra, que passou o último feriado na praia em Ilhabela e esperava a chegada de um barco que a levaria ao navio. Após oito horas em terra firme, a professora Andrea Ribeiro, 46, preparava-se para subir de novo no navio. Em Ilhabela, conheceu as praias com amigos. “É bom porque, durante o dia, você faz o passeio que quiser”.
Juntos, os navios devem trazer cerca de 348 mil novos turistas para a temporada, pelo menos 30% a mais que no último verão
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
OIT faz alerta sobre crise De acordo com o comunicado conjunto dos participantes do encontro, o diálogo social é indispensável para que haja uma resposta efetiva à crise mundial com um cenário de consequência social terrível a todos trabalhadores
D
REPRODUÇÃO
urante encerramento da terceira reunião anual do Conselho de Administração, na última sexta-feira, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou uma declaração na qual faz um alerta para os riscos de a economia mundial entrar em um período prolongado de crescimento baixo, ou mesmo negativo. Segundo a organização, o cenário pode resultar em “consequências sociais terríveis aos trabalhadores e crise para os empregadores”. De acordo com o comunicado conjunto dos participantes do encontro, que pode ser conferido em inglês no site da OIT, o diálogo social é indispensável para que haja uma resposta efetiva à crise, para a manutenção dos direitos dos trabalhadores no ambiente de trabalho e para a recuperação da economia mundial. O Conselho de Administração da OIT - que tem participação de trabalhadores, empregadores e governos se reúne três vezes ao ano, em março, junho e novembro, para definir as políticas da organização, debater a agenda das conferências internacionais do trabalho, adotar rascunhos de programas e orçamentos e eleger novos diretores-gerais. A estimativa do colegiado, que esteve reunido nas últimas duas semanas em Genebra, na Suíça, é que pelo menos 203 milhões de pessoas estejam desempregadas no mundo em 2013. O Brasil foi representado na reunião pelo coordenador de Assuntos Internacionais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Sérgio Paixão. A organização também ressaltou a importância da adesão dos governos à Declaração da OIT sobre Justiça Social para uma Globalização Justa e ao Pacto Global para o Emprego, como forma de alcançar a recuperação econômica sustentável e o crescimento. Os representantes ainda pediram ao diretor-geral da OIT, Guy Ryder, que as futuras reuniões da OIT sejam aproveitadas para debater a crise, promover ações coordenadas e avançar em soluções. Fazem parte do documento outras propostas, como a inclusão do trabalho decente e emprego no rol dos Objetivos do Milênio das Nações Unidas, depois do período de implementação da agenda, que se encerra em 2015; e que esforços da OIT promovam a coerência entre as políticas de trabalho e emprego nos países que têm papel mais relevante e influência no contexto internacional.
Crise econômica pode afetar drasticamente os trabalhadores
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
REPRODUÇÃO
Intolerância massacra conhecimento Dia a dia C3
Negros,
com muito orgulho e amor Enfrentar o preconceito diariamente é um desafio que faz os afrodescendentes reforçarem seus vínculos raciais MÔNICA FIGUEIREDO Equipe EM TEMPO
N
o próximo dia 20 é comemorado o Dia da Consciência Negra. Apesar das inúmeras conquistas nas últimas décadas, casos de preconceito e racismo contra negros ainda são frequentes na sociedade. E para muitos deles, o preconceito enfrentado diariamente está nas entrelinhas do cotidiano. De acordo com dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da população de 3,4 milhões de pessoas no Amazonas, 143.748 declararam ter a cor da pele preta, sendo desse total 82,9 mil homens e 60,8 mil mulheres. A maioria da população se autodeclarou parda (2,3 milhões). E é nesse cenário que relatos de pessoas vítimas de preconceito acabam sendo rotineiros. Marly Paixão, 46, é esteticista especialista em tranças afro e psicóloga. Ela conta que foi vítima várias vezes de preconceito, mas afirma que o momento mais difícil foi durante a sua infância e juventude, onde sofria com apelidos. “Hoje chamam isso de bullying, mas na infância não sabemos lidar com a situação e tem ainda a juventude que é um momento de autoafirmação”, comentou. Marly contou que antes de se formar em psicologia trabalhou num salão afro. E foi exercendo essa atividade que conseguiu ajudar várias pessoas a aceitarem sua cor, pois como ela diz, o cabelo é um dos principais fatores que contribuem para a não aceitação. “Eu queria dar a oportunidade para essas pessoas virem como são bonitas. De se sentirem bem, porque elas veem o cabelo como uma dificuldade, por desejarem ter aquele padrão da pessoa branca”. E foi no seu salão, hoje administrado pelas suas filhas
Jeinnyliss Paixão Costa, 22, e Keverly Paixão Costa, 26, que Marly pôde observar várias experiências de pessoas que não conseguiam aceitar sua cor de pele e suas características. Um dos relatos que presenciou foi um caso de uma jovem que procurou o salão para “alisar o cabelo”, pois precisava se adequar aos padrões da empresa. “Eu disse que não fazia esse tipo de serviço, só fazia cabelos afro e a aconselhei a voltar à empresa e dizer que ela era assim e que deveriam aceitá-la. Isso aconteceu há mais ou menos 5 anos, ela fez isso e depois voltou para me agradecer por tê-la ajudado a se aceitar”, comentou.
Uma realidade sentida na pele
Preconceito ‘nas entrelinhas’
A psicóloga Marly Paixão afirma que “criança não nasce preconceituosa, ela é ensinada a ser”. Francy Júnior, 45, sentiu na pele essa realidade. Integrante do Movimento Mulheres Negras da Floresta, Francy conta que quando criança por várias vezes foi vítima de preconceito por ser negra. Um dos fatos que recorda é de todos os dias no caminho da escola, na companhia de suas irmãs mais novas, um grupo de
O preconceito, muitas vezes, está nas entrelinhas e não é apresentado diretamente. Juarez Silva Júnior, 49, servidor público e coordenador do movimento ativista AfroAmazonas, diz que há casos em que as pessoas chegam a não perceber que são vítimas de preconceito. Silva afirmou que a maioria das pessoas negras, mesmo que não queiram enxergar, já passou por alguma situação de discriminação. “Um fato que me lembro é de quando passei num con-
alunos da escola onde estudavam paravam para disparar ofensas contra as irmãs. “Tinha 8 anos, nos chamavam de ‘Café Garçonete’, macacas, ratos de esgoto. O problema é que hoje os professores acham que isso é brincadeira”. Para Francy, o apoio dos familiares e dos professores é fundamental. “Se minha mãe, eu e minhas irmãs não tivéssemos sido fortes para passar por isso, não aguentaríamos e teríamos abandonado a escola”.
curso para estagiário, tinha capacitação e qualificação para ser chamado, mas mesmo assim demoraram dois meses para me chamarem para assumir o cargo”. Segundo o ativista, anos depois ficou sabendo por um amigo que não havia sido chamado pelo fato de ser negro, pois seu chefe à época tinha preconceito. “Então chamaram um rapaz que havia ficado numa colocação abaixo da minha, ele não deu conta do serviço e me chamaram”. FOTOS: JOEL ROSA
LEMBRANÇA
Marly Paixão conta que foi vítima várias vezes de preconceito, mas afirma que o momento mais difícil foi durante sua infância e juventude, quando sofria com apelidos colocados pelos outros Preconceito Marly Paixão diz que todo dia é vítima de preconceito por “parte de pessoas ignorantes” e por isso o dia 20 de novembro é um dia utópico. Essa situação a ajudou a seguir o caminho da psicologia. “Hoje isso é uma coisa que não me deixa mágoa, diferente do passado. Ouço piadas, xavecos, mas não me ofendem mais”. A psicóloga diz que sua atenção é para o neto de 6 anos. “Às vezes ele chega chorando perguntando por que é diferente dos amigos e que o chamam de negro. Conversamos com as professoras, mas sabemos que as pessoas precisam ter mais consciência”.
A família de Marly Paixão (na foto maior, entre as duas filhas): lições sobre como lidar com preconceito de “pessoas ignorantes”
C2
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Século consegue destaque como a ‘Escola do Futuro’ FOTOS: DIVULGAÇÃO
Estratégia pedagógica inclui trabalhar com limite rigoroso de vagas e tempo integral para fortalecer o ensino até nível médio
A
Século Centro Educacional traz como proposta para Manaus uma escola inovadora, com metodologias voltadas para a Escola do Futuro, que atenderá os segmentos do maternal ao 1º ano do ensino médio e posteriormente estendendose até o 3º ano. Localizada na avenida Coronel Teixeira, s/nº, bairro Ponta Negra, possui área de 38 mil metros quadrados, onde foram construídos oito prédios destinados a atividades específicas e estacionamento amplo e seguro com capacidade para 500 vagas. A Século é uma escola diferenciada, não só pela infraestrutura, mas pela qualidade dos serviços prestados, respeitando um limite de vagas por nível, sendo 10 alunos por sala na educação infantil, 20 alunos no ensino fundamental, 30 alunos no ensino fundamental II e 36 alunos no ensino médio, possibilitando assim maiores condições de aprendizagem e constituindo um diferencial importante no processo de construção do conhecimento, primando por um ensino forte e de qualidade. A Século Centro Educacional optou em trabalhar com tempo integral por considerar o educando em sua condição multidimensional, valorizando a sua dimensão cognitiva e biopsicossocial. Nessa perspectiva, a Século oportunizará no contraturno a complementação dessa aprendizagem, por meio da oferta de atividades educativas diversas, como: desportivas, artísticas, inglês, estudo orientado, plantão de dúvidas, visitas técnicas e culturais, oficinas, projetos escolares e sociais que serão promovidas por profissionais altamente capacitados. A realização dessas atividades no contraturno, articuladas à otimização do espaço escolar, proporcionará aos pais e as crianças maior praticidade, comodidade e segurança pela possibilidade de praticarem na própria escola atividades necessárias para seu desenvolvimento e formação integral, sendo um diferencial das escolas de tempo parcial.
Conforto e muita segurança
Fortalecimento do processo
“A Século Centro Educacional oferecerá aos seus educandos um espaço amplo e prazeroso, proporcionando conforto e segurança, composto por salas de aulas confortáveis, equipadas com projetores interativos, assim como bibliotecas, brinquedoteca, estúdio multimídia, laboratórios de matemática/física, química, ciências/ biologia, artes e idiomas, complexo esportivo, teatro com capacidade para 800 lugares, enfermaria, refeitório e cantina”, diz a diretora de ensino, professora Cláudia Cordeiro. Ela explica ainda que a escola propõe meios de comunicação com a família de forma mais assertiva, firmando uma parceria participativa para que os pais façam parte da vida do educando, tendo assim conhecimento de todas as atividades desenvolvidas, como atendimento individual, reunião de pais, seminários, entrevistas, internet, circulares/comunicados e informativos escolares.
Para fortalecer o processo de ensino-aprendizagem, a Século Centro Educacional buscou parceiros que tivessem objetivos em comum com a sua filosofia. A professora Leny Louzada destaca que a Século adotou o Sistema de Ensino Poliedro como parceiro, por possuir uma história de sucesso desde a sua fundação, além de ser referência em atingir resultados com qualidade e seriedade, em sintonia com a proposta pedagógica da escola e enriquecida com livros paradidáticos e recursos tecnológicos. A professora também afirma que a opção da equipe pedagógica pela Metodologia OPEE – Orientação Profissional, Empregabilidade e Empreendedorismo, foi baseada em seus objetivos e propicia o desenvolvimento do autoconhecimento e dos projetos de vida da criança e do adolescente por meio de sondagem das suas afinidades e aptidões. Esta proposta coloca ainda foco na formação da Atitude Empreendedora do
A proposta pedagógica, de acordo com a professora Leny Louzada, coordenadora pedagógica, foi construída com foco na qualidade educacional, de forma que os educandos desenvolvam suas habilidades e competências em dimensões inovadoras com apropriação da linguagem e das possibilidades de criação tecnológicas. A proposta curricular é marcada ainda por interatividade, criando condições propícias ao surgimento de novas maneiras de pensar e de fazer, sendo utilizados textos, imagens, sons, programas, além de combinar objetos reais e elementos virtuais, dessa forma, os educandos participam da construção do conhecimento e se sentem mais integrados e motivados, promovendo o aumento dos índices de aprendizagem. O uso da tecnologia será um recurso para aproximar os conhecimentos formais às práticas cotidianas e às experiências pessoais.
indivíduo, na criação de seu projeto de vida, visando seu desenvolvimento pessoal e profissional e protagonista de seu próprio destino. A Século firmou ainda parceria com o Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (Icbeu), visando capacitar os
QUALIDADE
A Século Centro Educacional firmou parceria com o Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (Icbeu) para capacitar os alunos a comunicarse no idioma com qualidade alunos do ensino fundamental I e II e ensino médio, sendo neste primeiro momento apenas o 1° ano, a comunicar-se no idioma e fazer uso efetivo das quatro habilidades da língua inglesa (escrever, ler, falar e compreender), assegurando a qualidade do ensino da língua inglesa.
Interior de uma das unidades da Século Centro Educacional, mostrado na página do estabelecimento na rede social Facebook
Cidadãos com visão filosófica Reforçando as colocações, a professora Maria Hercília Tribuzy de Magalhães Cordeiro, atuante por vários anos no Conselho Estadual de Educação do Amazonas e em várias instituições de ensino do Estado, após ter conhecimento sobre o projeto da escola, afirma estar encantada com a proposta da Século Centro Educacional por ter como foco o desenvolvimento integral do aluno, preparando-os para atuar numa sociedade que exige não só o conhecimento científico, mas cidadãos que tenham uma visão filosófica, crítica e atuante em seu contexto social. A professora Cláudia Cordeiro enfatiza que a mantenedora investiu não só na infraestrutura, mas também teve a preocupação em compor sua equipe pedagógica com profissionais qualificados com ampla experiência na área educacional respondendo pelas coordenações de Artes, Pedagógica, Idiomas, Esportes e Atividades Extracurriculares. As matrículas para ingresso na Século Centro Educacional já iniciaram em outubro e vão até janeiro de 2013, com vagas limitadas. Informações podem ser obtidas na Central de Matrículas, na rua Emílio Moreira, 470, no horário de segunda a sexta, de 8h às 18h, e aos sábados das 8h às 12h, e pelo telefone 3211-3953 ou pelo site seculomanaus.com.br.
C4
Dia a dia
O alimento que vem da
beira do igarapé No bairro da Glória, na Zona Oeste de Manaus, a aposentada Celina Gomes Justino, de 74 anos, cultiva horta em meio a terreno poluído para consumo próprio e venda, além de usar o trabalho como terapia LUCAS PRATA Equipe EM TEMPO
M
acaxeira, tomate, abóbora, maxixe, cheiro-verde e feijão-de-corda. Toda essa variedade de verduras pode ser encontrada na pequena horta de dona Celina Gomes Justino, 74, mas a aposentada arranjou um lugar diferente e curioso para fazer sua roça. Há três anos, ela arranjou um local diferente para cultivar suas verduras. Sua horta fica em terreno às margens do igarapé do bairro Glória, Zona Oeste. No local há muito plástico e lixo, mas a agricultora garante que esses empecilhos não atrapalham sua plantação. Nascida e criada no município de Coari (a 363 quilô-
metros de Manaus), a agricultora veio para a capital há 24 anos com o marido e os oito filhos, após perder toda a plantação de hortaliças que tinha em sua fazenda após uma alagação. Como sempre trabalhou no campo, tentou reproduzir na cidade grande o que tinha no interior. “Na época da alagação, em 1988, eu e meu marido resolvemos vir para a cidade em busca de outra profissão para melhorar de vida. Ele ainda chegou a trabalhar em uma escola, mas adoeceu e teve que pedir a conta. Nessa época a nossa situação ficou um pouco ruim, e eu tive a ideia de plantar macaxeira aqui neste terreno. Ele pertence a uma empresa, e para poder plantar nele, tive que pedir para a proprietária, e
ela me autorizou”, conta. Dona Celina lembra ainda que a primeira coisa que plantou foi macaxeira. Como viu que a terra era bem adubada, resolveu plantar outras verduras.
HISTÓRIA
Nascida e criada no município de Coari, a agricultora veio para a capital amazonense há 24 anos com o marido e oito filhos, após perder a plantação de hortaliças em uma alagação Atualmente já são pelo menos cinco espécies em sua horta. “Quando comecei a plantar aqui
só tinha macaxeira, que cultivava para o meu consumo. Essa terra, apesar de ter muito lixo, é bem adubada. Meu marido viajou para o interior, de lá me mandou mudas de outras verduras, plantei e deu certo. Hoje tenho tomate, macaxeira, abóbora, maxixe, cheiro-verde e feijão-de-corda. Este ano colhi muita macaxeira, vendi algumas, com outras fiz até farinha”, comenta. A agricultora é aposentada, e o dinheiro que recebe do beneficio é pouco para ela e mais sete pessoas na família se sustentarem. A roça surgiu como uma nova fonte de renda. Segundo ela, ano passado chegou a ven-
der mais de 500 quilos, somente da macaxeira que colheu em sua plantação às margens do igarapé. “No ano passado, eu cheguei a ganhar quase R$ 1 mil com a venda de macaxeira. Essa renda extra ajudou nas despesas de casa. Quando o dinheiro está pouco, a roça me ajuda. Sou feliz da forma que eu vivo. Pretendo voltar um dia para minha cidade, se for da vontade de Deus. Mas por enquanto não pretendo deixar a minha pequena plantação. Só passa fome quem quer, vejo a minha horta como exemplo, muita gente pensa que só porque é uma área perto do igarapé, não serve para nada”, relata.
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
C5
FOTOS: DIEGO JANATÃ
Além da plantação, dona Celina também recolhe o lixo
Plantação virou terapia
Dona Celina vive do plantio de hortaliças em terreno à margem do igarapé da Glória
Engenheiro agrônomo faz alerta De acordo com o engenheiro agrônomo José Everardo Portela, como o local onde dona Celina fez a sua horta fica alguns meses do ano alagada por conta da cheia do rio Negro, mesmo ela plantando depois que o nível das águas baixa, o alimento
corre riscos de contaminação, devido ao solo no qual ele está plantado. “Os alimentos podem conter protozoários, vírus e bactérias, que podem gerar verminoses, amebíase e disenterias, entre outras doenças. Além de doenças, essa água e o solo
contem metais pesados que são altamente nocivos ao corpo humano. Para ela ter uma boa horta, teria que mudar de terreno”, explica. O engenheiro informou que , antes de ser consumida, essas verduras devem ser lavadas em água filtrada.
A aposentada ressalta que a pequena horta virou uma espécie de terapia. Antes de cuidar da nova roça, ela vivia doente, e certa vez, em uma consulta, o médico pediu que Celina fizesse algum tipo de exercício físico para as doenças a deixarem de lado. “A minha diversão e dos meus irmãos quando éramos criança era trabalhar. Como estou de idade agora, a roça virou uma terapia para mim, graças a Deus. Se eu ficar parada em casa sem fazer nada, eu adoeço. Antes de plantar essa roça eu vivia doente. Até o médico me elogiou pelo meu trabalho e pelo meu vigor físico nesta idade”, conta.
Apesar da grande quantidade de sacolas plásticas e garrafas PET acumuladas na horta de dona Celina, ela comenta que o lixo não atrapalha. Quando está na época da cheia, para não ficar sem fazer nada, a agricultora arranjou outro trabalho. “De agosto a fevereiro eu cuido das verduras, de março a julho eu cato o lixo reciclável que a água traz. Quando está na cheia, eu tiro o lixo com uma canoa que tenho para quando a água baixar não ficar muito sujo. O que mais a gente tira aqui são latas de alumínio e garrafas PET que aparecem nesta época. Aqui o trabalho não acaba e nem fica pouco, mas tudo é bem-vindo”, finaliza.
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
C7
Em tempo de recomeçar Quase três anos após o grande terremoto de janeiro de 2010 que arrasou o Haiti, casal haitiano refugiado em Manaus ainda espera reencontrar o primeiro filho, hoje com 8 anos, que deixou com amigos no país devastado pela tragédia MÁRIO OLIVEIRA
ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
A
saudade dos seus conterrâneos, familiares, amigos e conhecidos, as dificuldades das longas viagens, a estada, preocupação com emprego, adaptação a outro país e o sonho de poder um dia rever o filho são os pensamentos diários do soldador haitiano Samuel Laguerre, que mora em Manaus com sua esposa Luzia Charmagne e mais um casal de filhos há cerca de um ano. Famílias como essa passaram a fazer parte da sociedade manauense, à procura de algo melhor apenas para os seus filhos. Outros, por quererem ajudar os parentes necessitados que ainda estejam no Haiti ou até mesmo para tentar esquecer a tragédia ocorrida em 12 de janeiro de 2010, quando um terremoto de 7 graus na escala Richter atingiu aquele país, matando mais de 200 mil pessoas. Samuel, 53, natural de Porto Príncipe, a arrasada capital do Haiti, relembra com tristeza o dia em que a terra tremeu em sua cidade: muitas casas destruídas, o povo a chorar ao ver seus parentes feridos sem receber nenhum tipo de ajuda e outros até mortos, mas em nenhum momento passou pela sua cabeça que o mesmo po-
deria estar acontecendo com a sua família. O haitiano só soube muito depois que a casa de uma das suas irmãs tinha desabado, com ela dentro do imóvel. “Ela teve muitos ferimentos e infelizmente não resistiu. Foi um momento muito difícil para a minha família, pois perdemos mais que uma irmã”, conta Samuel. Desconhecimento Samuel até hoje não sabe se outros parentes seus passaram pela mesma situação, pois precisou se recuperar dos prejuízos e continuar a sustentar a sua família. Cada dia passado no Haiti era cada vez mais preocupante. Por precisar trabalhar e colocar comida na mesa de sua família, Samuel e a esposa resolveram tentar outra vida fora do país natal e se juntaram na barca dos haitianos em busca de novos horizontes, mas tiveram que fazer uma escolha que deixa marcas até hoje na vida desse casal. Como não havia condições de viajarem com seu primeiro filho, tiveram que deixá-lo sob os cuidados de uma amiga do casal. “Saímos do Haiti para a República Dominicana. Ficamos o mês de fevereiro por lá. Logo após fomos para o Equador, e por descobrir que minha esposa estava à espera de nosso segundo filho, tivemos que ficar um pouco por lá”, lembra Samuel.
Pensamentos constantes para o Haiti
Samuel Laguerre e Luzia Charmagne com os filhos nascidos após a migração: esperança contínua
Do Equador rumo ao Amazonas A família morou durante um ano e três meses no Equador, mas na primeira oportunidade foram para o Peru, permanecendo dois dias em uma cidade interiorana até o novo destino, Tabatinga. Por precisarem de autorização para entrar no Brasil, o casal teve que morar no município duran-
te três meses. “Este foi um dos momentos mais difíceis, pois não sabíamos quanto tempo iríamos ficar no local e muito menos se iriam autorizar nossa permanência no Brasil ou iriam nos encaminhar de volta ao antigo destino”, explica. Em novembro do ano pas-
sado, Samuel conseguiu a liberação para circular no país junto com sua família. Quando chegou a Manaus, foi morar no abrigo para os refugiados na comunidade da União. Logo conseguiu um emprego como soldador e assim pôde alugar um canto para viver com a sua família.
Na capital amazonense, Luzia engravidou e deu à luz uma menina, brasileira que hoje tem apenas 8 meses. Com Samuel, pensa diariamente nas maneiras de um dia poder reencontrar o seu primeiro filho, que ficou no Haiti. Sempre que possível, o casal encaminha dinheiro para seus familiares que ficaram no país, e uma parte para o seu primeiro filho, atualmente com 8 anos. “Queremos um dia conseguir trazer nosso filho para morar aqui conosco, pois todos os dias sentimos muito a sua falta. Sempre estamos com os pensamentos no Haiti, saber como ele está, pois só nós, como pais sabemos o quanto ele nos faz falta”, conta Luzia. Samuel conta que gostou de morar em Manaus e não pretende sair daqui nem retornar para o Haiti.
C8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Caderno D
Plateia MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
plateia@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Artistas falam dos 70 anos de Caetano (92) 3090-1042
Plateia D3
Movimento hip-hop
FOTOS: DIEGO JANATÃ
em ação nos presídios Além da periferia, projeto social Espaço Favela leva atividades educativas e artistícas ao Ipat VICTOR AFFONSO Equipe EM TEMPO
O
projeto social Espaço Favela, inserido dentro do Movimento HipHop Floresta e encabeçado pelo DJ/MC Fino, iniciou suas atividades em janeiro deste ano nas zonas Norte e Leste de Manaus e já nota resultados, tirando jovens do mundo da criminalidade e das drogas por meio da cultura de rua. Mas não se limita a isso, já que eles também vão aos presídios da cidade, no mínimo três vezes na semana, promovendo conhecimento sem qualquer tipo de discriminação ou pressão. “É uma questão de mudar o caráter, reeducar culturalmente e, às vezes, até espiritualmente, para se ter respeito com o próximo”, afirma Fino. No Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), principal foco de atuação da equipe do Espaço Favela – composto neste trabalho por MC Boca, Jardel Black, Oros, Meia Noite e o próprio Fino – conta com três pavilhões, cada um com 36 celas, cada cela com uma média de 35 presos. E todos participam das atividades, que incluem apresentações de rap e ensinamento da cultura hip-hop
por meio de livros e DVDs. “Também damos apoio aos artistas que estão lá dentro. Quando saem, já estão prontos para gravarem algo, o que também facilitamos”, conta Fino. Levar o projeto às penitenciárias foi possível graças à ajuda de Francisco Mesquita, presidente da Associação de Músicos e Artistas Cristãos do Amazonas (Amacam), que facilitou a entrada dos MCs, que conquistaram liberdade, independência e respeito nesses locais. “Apesar disso, não levantamos a bandeira da igreja. Não obrigamos ninguém a se converter, a sair do crime ou entrar para o hip-hop. Há muita liberdade de expressão. Falamos o ‘favelês’ em uma linguagem direta e damos as ferramentas para eles, que optam se querem seguir isso ou não”, revela Fino. Mesmo assim, seja nas penitenciarias ou na periferia, o índice de criminalidade – baseado em informações conseguidas com a própria polícia – diminuiu. Fino comenta que hoje eles andam com equipamentos, como câmeras e laptops, sem nenhum problema. “É a questão de respeito pelo nosso trabalho”, justifica. “O problema é que a falsa mídia
transmite um hip-hop enlatado. Meu filho de 13 anos sabe que hip-hop não se escuta, se vive, é a cultura. Não somos só uns caras com roupa largada, até porque não se trata da camisa e sim de quem a usa”, filosofa o MC. “Para puxar um cara que lucra dois, três mil reais por noite com o tráfico, não é fácil, tem que ser pela cultura”, acrescenta.
DESTAQUE
No Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), principal foco de atuação da equipe do Espaço Favela conta com três pavilhões, cada um com 36 celas, uma média de 35 presos Fino, hoje com 43 anos, sendo 20 desses dedicado ao rap, se diz convertido há 18 anos. Mesmo assim, não prega dentro do projeto, o pertence a todo tipo de credo, visão política e classe social. E diz mais: “Para cantar hip-hop, não precisa ter matado ou traficado. Estamos dentro de todos os segmentos do gênero, seja gospel, ‘gangsta’ ou feminino”, apontando alguns
grupos locais que merecem destaque, como Organização Criminal, Nativus MCs e os mais novos como Distrito 13, América MC, MC King, Negonas MC e Jay M, os quais ele cita como “a nova escola do rap de Manaus”. Fino explica que, mesmo tendo núcleos nas zonas Norte, Leste e, mais recentemente, Sul, eles podem começar as ações planejadas em qualquer esquina, quadra ou rua. “Chegamos e montamos o som. Chamamos alguns MCs, b-boys, grafiteiros, e isso vai chamando a atenção das pessoas, principalmente dos ‘moleques’ mais novos, que acham isso interessante. Tem um fluxo muito grande de participantes, até porque nós sabemos de onde viemos e para onde vamos e mostramos isso para eles. O nosso objetivo é ocupar o tempo ocioso desses jovens com a cultura urbana e temos muito conteúdo didático para isso”, ressalta, citando livros escritos por MCs e rappers de todo país, como o DJ Raffa, filho do Cláudio Santoro, e conversas com músicos de nível nacional, como MV Bill, Marechal e Black Alien, parceiros de Fino que quando vêm a Manaus para shows . “O rap nunca vai deixar de ser da periferia”, completa.
MC Fino é o idealizador e coordenador do Espaço Favela
Projeto é independente O Espaço Favela não conta com ajuda governamental mas mantém um dialogo direto, por exemplo, com a Secretaria Municipal da Juventude. Porém, Fino admite que o projeto vive hoje graças à apoios de outros grupos, como o Projeto Batucada, Projeto Samurai, Unidade Tubarão, Amacam e o Nativus Bar. Este último, no Centro da cidade – por ser um local de fácil acesso a todos –, é o ponto
de encontro semanal dos participantes do projeto, onde eles realizam os seus “bailes” (realizado todo domingo, entre 16h e 21h). Hoje, inclusive, vai haver no local batalha de beatmeakers, com todas as batidas autorais, sem serem baixadas e copiadas da internet.“Se tivéssemos o apoio do poder público, estaríamos ricos! Porque sem dinheiro já conseguimos ótimos resultados”, finaliza, entre risadas.
D2
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
FOTOS: MAURO SMITH
>> Coquetel fashion
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
. A loja Gregory orquestrou evento movimentadíssimo, na quintafeira no Amazonas Shopping, reabrindo para o público após passar por uma profunda repaginação, que a deixou sensacional, moderna e cheia de charme. . A Gregory passa a ser a primeira loja de moda de Manaus com automação, com portas e itens automáticos. Show! Estava de anfitriã a empresária Jaci Medeiros, que adequou a loja aos padrões da griffe em todo o país. A vitrine da loja recebeu moderníssimo fundo Luiz Alberto e Jaci Medeiros e Ângelus Figueira, no coquetel de abertura da Gregory de franjas de fio de seda, superchic. . O evento de reinauguração teve performance de moda coordenada pela expert Soninha Jinkings, que produziu desfile com modelos da novíssima coleçãoVerão 2013 da marca, que agradou em cheio e arrancou aplausos dos presentes. No comando das pick-ups, o DJ Sidney Almada. Noite fashion regada a champagne.
Wilma Cavalcante
Rhanda Amim
Ray Carvalho Silva O superintendente do Amazonas Shopping Marcos Gnecchi com Synara Lopes, Judah e Adriana Vianna
Os bemcasados com a marca Gregory que foram distribuídos entre os presentes do coquetel
Luciana Felicori e Claudia Borges
Delzuita e Socorro Lima Emily e Lia Souza
Jaci Medeiros, Ângelus Figueira, Sônia Jinkings e Tereza Cristina Garcia
A bela Natália Macambira
>> Badalação No próximo sábado, o jovem e descolado society de Manaus se encontra no endereço de Cristiano e Alessandra Brandão e Silva. . A bela hostess comemora seu aniversário com uma festa/badalação daquelas. A noite terá deejay estrelado nas pick-ups e modelos griffados das convidadas desfilando charme pelos salões do condomínio Parque Residências. Marisa Gaioto
Modelos na nova e produzida vitrine da Gregory
Izane Barros
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
D3
FOTOS: DIVULGAÇÃO
‘Caetane-se’ Um dos artistas brasileiros de maior expressão no mundo, Caetano Veloso foi reverenciado no Grammy Latino, realizado na última quarta-feira, com o troféu Personalidado do Ano, justamente em 2012 quando completou 70 anos
VICTOR AFFONSO Equipe EM TEMPO
A
os 70 anos, recém-celebrados no último dia 7 de agosto, o cantor e compositor Caetano Veloso consagra-se como um dos maiores nomes vivos da musica popular brasileira. E isso não se resume apenas às opiniões de artistas, críticos especializados ou fãs, mas também ao prêmio de Personalidade do Ano, concedido pela academia musical que organiza o Grammy Latino na última quarta-feira, durante uma festa fechada em Los Angeles, nos Estados Unidos. Com gramofone dourado em mãos, troféu símbolo da premiação, Caê - como é carinhosamente chamado desde que virou marca registrada nacional, praticamente -, assistiu à cerimônia em que diversos cantores internacionais e nacionais interpretarão alguns dos seus maiores sucessos. Apresentada pela cantora mexicana Julieta Venegas e pelo presidente da Academia Latina de Gravação, Gabriel Abaroa, a cerimônia alistou diversos artistas para interpretar canções de Caetano. Alejandro Sanz entoou “Força Estranha”, a portuguesa Nelly Furtado foi de “Leãozinho” e Juan Luis Guerra mostrou “Lindeza”. Participaram ainda do tributo a banda Juanes e as cantoras Natalie Cole e Lila Downs, além do duo Enrique Bunbury e La Mala Rodríguez (“Os Argonautas”).
Na ala de brasileiros, compareceram Alexandre Pires, Maria Gadú e Seu. Depois das apresentações dos convidados, Caetano encerrou a festa cantando “Não Identificado”, composição gravada originalmente por ele em 1969. A festa aconteceu na véspera da entrega do 13º Grammy Latino, em que concorrem brasileiros como Ivete Sangalo, Chico Buarque e o próprio Caetano.
Caetano veio para ser um catalisador na história da música brasileira. Até então, a música limitava-se ao composições inocentes Ellen Mendonça, cantora
Trajetória Nascido no município baiano Santo Amaro da Purificação, Caetano foi um dos idealizadores do Tropicalismo, movimento musical que pregava o reprocessamento de informações estrangeiras para a criação de uma arte originalmente brasileira, algo que marcou profundas mudanças na estrutura da música nacional. Diante deste contexto, o cantor teve várias músicas censuradas e chegou a ser DIVULGAÇÃO
acusado de subversão pela Ditadura Militar que controlava o Brasil na época. “Caetano veio para ser um catalisador na história da música brasileira”, teoriza a cantora amazonense Ellen Mendonça. “Até então, a música nacional limitavase a composições inocentes e romanticas, e ele chegou fazendo criticas e usando termos mais simples, do cotidiano da época. Isso tudo deu uma conotação diferente”, acrescenta. Para a cantora, ele foi um grande marco na MPB e, com o advento do Tropicalismo, trouxe novos ares à cena cultural. “As composições em geral começaram a ser mais sinceras nas letras e usar uma linguagem mais acessível. Essa influência do Caetano está presente até hoje, em diversos gêneros musicais”, completa. Em 1969, Caetano é preso pelo regime militar e parte para exílio político em Londres, onde lança “Caetano Veloso”, disco triste com canções compostas em inglês e endereçadas aos que ficaram no Brasil. Mas seu sucesso era tanto, mesmo fora do país, que dois anos depois ele ganha permissão para ficar um mês no Brasil. Ao chegar aqui, os militares o sequestram para um interrogatório, no qual pedem que ele faça uma canção elogiando a rodovia Transamazônica, então em construção. No mesmo ano foi lançado o clássico disco “Transa”.
Década de 80: Ele ganhou o mundo Já de acordo o radialista Joaquim Marinho, hoje com 69 anos, Caetano é ainda hoje um dos nomes mais importantes para a música brasileira, já tendo consagrado-se como um marco na história político-social nacional. Marinho, que trabalhava na gravadora Phillips no começo da carreira de Caetano, foi o responsável por trazer o primeiro show do cantor para Manaus, no fim da década de 70. “Na época ele já estava no auge e fez um show espetacular no Teatro Amazonas. E isso confirma-se hoje, com suas composições sendo enaltecidas no mundo inteiro e fazendo sucessos até hoje”, acredita o radialista. A partir do começo da década de 80, Caetano aumenta o número de suas apresentações no exterior, cantando em países como Paris, Israel e Suíça, numa onda de sucesso que durou firme pelos 20 anos que seguiram. O ano de 2000 marcou a sua carreira com um merecido prêmio Grammy de melhor álbum de world music por “Livro”. Mais tarde, o álbum foi escolhido como melhor álbum de MPB na primeira edição do Grammy Latino. Em 2006, Caetano deu uma
nova direção para sua carreira, lançando o elogiado CD “Cê”, fruto de sua experimentação com o rock e o underground. Destaque Para o artista amazonense Zezinho Corrêa, que se diz “suspeito de comentar por ser um grande fã”, Caetano deu uma das maiores contribuições para a MPB. “Ele mudou a história com seus projetos musicais. O Nordeste, principalmente a Bahia, começaram a ter mais destaque no cenário musical em função de seu trabalho”, afirma. O aclamando como um “compositor de coragem, força e talento”, Zezinho acredita que as revoluções estão presentes e vivas nas composições do baiano. “As suas letras fazem o
ouvinte pensar e repensar, e provocar é o papel do artista, algo que ele faz muito bem. Mesmo quando interpreta canções de outros compositores, Caetano faz com maestria e com muita particularidade”, finaliza.
Caetano com o troféu oferecido no Grammy Latino
INTERNACIONAL
Kiss causa euforia em brasileiros
A banda de rock se apresenta novamente em São Paulo, hoje
Dezenas de fãs do Kiss protagonizaram um corre-corre na noite da última quintafeira, dia 15, ao encontrar a banda no shopping JK Iguatemi, na zona sul de São Paulo. O grupo se apresentou ontem, na Arena Anhembi, em São Paulo, na turnê de seu novo álbum, “Monster”. Por volta das 18h, Paul Stanley (vocal e guitarra), Eric Singer (bateria) e Tommy Thayer (guitarra) foram vistos circulando pelo shopping sem seguranças e com roupas comuns. O músico Leandro Aghazarm, 28, que aproveitava o feriado para passear pelo shopping com a namorada e
alguns amigos, recebeu uma ligação eufórica do irmão avisando que a banda estava em frente a uma relojoaria. Oportunidade Segurando a namorada, Aghazarm, que é fã do Kiss desde os 12 anos de idade, correu desesperadamente até o local. “Tive a oportunidade de cumprimentar os três que ali estavam (Paul Stanley, Tommy Thayer e Eric Singer). Foi muito emocionante, gratificante e um sonho realizado”, disse o músico que já foi a três shows da banda no Brasil. De acordo com Aghazarm, o trio estava acompanhado pelo empresário, Doc Mcghee,
mas o vocalista e baixista do grupo, Gene Simmons, não foi visto no shopping. Em meio a pausas para autógrafos e fotos, o grupo parou em várias lojas para experimentar jaquetas, blazers, pulseiras e relógios, disse o fã. “Paul Stanley e o Tommy Thayer foram bem simpáticos, agradecendo aos elogios que fizemos e Eric Singer nos perguntou se iríamos ao show e que esperava todos por lá, agradecendo às mensagens positivas e elogios”, contou. A jornalista Bruna Aranguiz, 22, também se surpreendeu com a presença da banda, que se mostrava “à vontade” para fazer compras no shopping. “O
mais simpático foi o Tommy Thayer”, contou Aranguiz. Ela também criticou os curiosos que faziam algazarra. “Tinha muita gente ali que nem sabia quem eles eram, só estavam ali por conta da movimentação”. Ao sair de uma loja, Aghazarm contou que Paul Stanley fez questão de parar e atender aos pedidos de uma garotinha de 7 anos, que chorava muito e queria tirar foto com ele. “Paul foi muito simpático e solícito, atendendo a garota. Posteriormente, ao subir a escada rolante, ele olhava quanta gente havia no local, acenando várias vezes ao público”, contou. O quarteto também se apresentará hoje no Rio.
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Arnaldo Barreto realiza projetos comemorativos Celebrando 25 anos de carreira, o artista amazonense ganhará uma exposição e fará performances musicais este ano DIVULGAÇÃO
PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO
E
m comemoração aos 25 anos de carreira, o ator, cantor e humorista Arnaldo Barreto prepara sua primeira exposição artística que reúne mais de 60 elementos representantes de sua trajetória profissional. Fotos, figurinos e troféus fazem parte do acervo a ser conhecido pelo público no Espaço Cultural Arte e Fato. Paralelo à mostra, o amazonense também apresenta um show musical onde interpreta aproximadamente 20 expressões do cenário nacional e internacional. O programa tem previsão para iniciar no dia 29 deste mês. O público poderá conferir a exposição diariamente pelo período de duas semanas, enquanto as performances artísticas acontecem pelos próximos dois meses, todas as quintas-feiras, sempre a partir de 20h. De acordo com o ator, o registro de mais de duas décadas de trabalho não poderia passar “em branco”, por isso teve a iniciativa de criar um projeto alternativo que permitisse ao público conhecer um pouco da sua vida
e de suas personagens. Vozes como a do ex-presidente Lula, Michael Jackson e a cantora Amy Winehouse, fazem parte do repertório de paródias a ser apresentado. “Meu contato com o teatro iniciou ainda na infância. Cheguei a conhecer a área musical e o humor sempre esteve
Cheguei a conhecer a área musical e o humor sempre esteve nesse processo, em uma mistura que resultou no que sou hoje Arnaldo Barreto, artista
nesse processo, em uma mistura que resultou no que sou hoje”, conta. Um dos quadros que também fazem parte do show, segundo Barreto, é a simulação de uma entrevista feita pela apresentadora Marília Gabriela. “Imito sua voz e entrevisto o público. É um dos momentos interessantes da noite”, adianta.
Ingresso na arte na fase escolar
O artista Arnaldo Barreto terá uma exposição com fotos que marcaram sua carreira até hoje
Música brasileira terá espaço Apesar do registro de artistas internacionais, Barreto ressalta que o musical tem a predominância da Música Popular Brasileira (MPB). “A plateia assiste a uma hora de performances. Inicio a noite com caracterizações e paródias. Estou em preparação
há dois meses para esse evento”, anuncia. No primeiro ambiente, o das exibições, o manauense encontra 50 fotografias, que revelam todas as produções teatrais desenvolvidas por Barreto, aproximadamente dez figurinos, alguns deles
confeccionados pelo próprio ator, e mais quatro premiações. “Isso é resultado de dedicação, persistência e humildade. Sempre procurei ouvir a voz da experiência, fator essencial para quem quer crescer profissionalmente”, destaca.
Barreto teve o contato inicial com o teatro ainda na fase escolar. Logo após, o ator começou a fazer parte de grupos profissionais como o “Pimpolho” sob a coordenação do diretor e produtor local Luppi Pinheiro. Com 1 ano de experiência, ele conheceu o segmento musical por meio dos sucessos de Michael Jackson. “Foi nesse momento que descobri a aptidão pela música e o gosto pelo canto”. De acordo com o humorista, reunir as três vertentes artísticas não é um processo difícil. Ele frisa que o amor pela comédia facilita o andamento dos trabalhos. “Acho que sempre fui engraçado. A imitação também foi algo constante, então, não foi difícil compilar tudo em um pacote”, comenta.
NACIONAL
Bethânia estreia novo espetáculo Maria Bethânia experimentou conceitos sonoros alternativos em relação ao que vinha fazendo nos últimos anos, mas não alterou a linguagem. Ou seja, mudou um pouco para continuar sendo ela mesma, dentro do processo de renovação, no álbum “Oásis de Bethânia”. Apenas sutis diferenças. No show “Carta de Amor”, que estreia hoje, no Rio de Janeiro, e chega a São Paulo no dia 19 de março, a cantora segue trilha coerente, em roteiro baseado no repertório do CD e outros clássicos. Com diversos compromissos acumulados, Bethânia não se dispôs a dar entrevista, mas comentou: “O título do show não se refere apenas à faixa do disco “Carta de Amor”, mas a todo tipo de amor que canto: o amor maduro, o amor inconstante, o amor traído, o amor eterno, o passageiro, o triste, o alegre...”. Com maestro novo depois de muitos anos trabalhando com o violonista e arranjador Jaime Alem, ela une Bahia com Minas ao chamar o pianista e compositor Wagner Tiso para a direção musical. Bia Lessa, parceira de outros espetáculos, assina a direção artística e o cenário. “Para mim, esse show é uma celebração da vida por meio do ofício da cantora e das convicções mais íntimas e profundas que ela tem”, diz Bia. “Ela é uma pessoa muito mais da resistência do que da adaptação. Esse é o grande valor de Bethânia, a força que ela tem, o quanto ela resiste”. Wagner Tiso, que já trabalhou com a cantora em gravações, mas toca com ela no palco pela primeira vez, sabe, como todos, que Bethânia é plenamente convicta do que quer. O que, conforme Bia reafirma, “não impede que o trabalho
dos outros brotem”. No aspecto musical, Tiso chegou atendendo a pedidos da intérprete, “com ajuda dos amigos” músicos que a conhecem profissionalmente de perto, como o baixista Jorge Helder: “Bethânia queria botar uma sonoridade que não tinha nos shows dela, trazer um pouco da mineiridade, o jeito de fazer a coisa um pouco grandiosa, um pouco mais elaborada harmônica e melodicamente. Queria essa mistura de Minas e Bahia, que ficou muito interessante”, diz o pianista e arranjador. Segundo Tiso, o início e o fim
O título do show não se refere apenas às faixa do disco “Carta de Amor”, mas todo tipo de amor que canto: traído, eterno triste...”
O cenário é composto apenas de um grande tapete de tiras confeccionado por várias costureiras. “Deu muito trabalho para ser feito, como é a própria vida. E ao mesmo tempo remete ao universo popular”, diz Bia. “Só que eu não quis colocar aquelas cores populares, para que remetesse também ao universo erudito, que acho que é um pouco o que Bethânia faz. Ela é representante não apenas de um tipo de brasilidade, mas de um Brasil complexo”. Daí a ideia de fazer o tapete com apenas duas cores, dourado e marfim, e vários subtons delas, que simbolizam sofisticação. “E tudo o que acontece durante o espetáculo é feito com luz”. A iluminação tem a mão de Tomás Ribas. Por Lauro Lisboa Garcia REPRODUÇÃO
Maria Bethânia, cantora
do show são “bem grandiosos”, assim como um momento no meio. A principal diferença na sonoridade é a troca do violão de Jaime Alem pelo piano de Tiso, que se destaca também em duos dele com a cantora em canções como “Casablanca” e “Barulho”, ambas de Roque Ferreira. O oásis de Bethânia é seco e a concepção cênica de Bia segue essa ideia de concisão material. “O cenário tem apenas o necessário”, diz a diretora. “O que esse espetáculo da Bethânia pede é o mais limpo do limpo do limpo. Precisa do vazio, que tem de ser preenchido.”
A cantora estreia seu show hoje no Rio de Janeiro
Plateia D5
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Camila Pitanga feliz na vida pessoal e na carreira Atriz da TV Globo comemora a boa fase na novela “Lado a Lado” e fala do momento tranquilo após a separação
M
uito diferente da sofredora Isabel, sua personagem em “Lado a Lado’’ (Globo), Camila Pitanga, 35, vive um bom momento na carreira e na vida pessoal. Em abril deste ano, a atriz carioca surpreendeu o público ao interpretar a ex-prostituta Lavínia, que se envolve em um triângulo amoroso com tórridas cenas de sexo e nudez no filme “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios’’, de Beto Brant e Renato Ciasc. “Foi um papel muito diferente de tudo o que eu já fiz. Passei a me sentir uma artista’’, define. Além disso, ela se dedica ao trabalho de mãe de Antonia, de quatro anos, fruto de seu casamento com o diretor de arte Cláudio Amaral Peixoto, de quem é, atualmente, separada. “Ela é linda. E não é porque é minha filha, não’’, brinca a atriz, que é muito ligada à família. A escolha do nome da pequena foi uma homenagear o pai, o ator Antônio Pitanga. Filha da atriz Vera Manhães e irmã do também ator Rocco Pitanga, que, atualmente, pode ser visto como o Felipe, na reapresentação de “Da Cor do Pecado’’ (Globo, 2004), Camila agregou os amigos à sua família. Foi assim com o ator Lázaro Ramos, que vive o
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Zé Maria, seu par romântico no folhetim das seis. “Ele e a Taís Araújo tratam meu pai como se fosse o pai deles’’, revela a atriz. Foi em “Insensato Coração’’ (Globo, 2011) que Camila e Lázaro -ou Lazim, como ela o chama carinhosamente- tornaram-se parceiros. “Quando o vi pela primeira vez, fiquei impactada pelo talento e pela força do grande ator que ele é. Somos amigos de verdade’’, comenta. O sucesso dos
DESTAQUE
Em abril deste ano, a atriz carioca surpreendeu o público ao interpretar a ex-prostituta Lavínia, que se envolve em um triângulo amoroso com tórridas cenas de sexo e nudez no filme dois em cena naquela época, como o casal Carol e André, na trama escrita por Gilberto Braga, rendeu o convite para protagonizar a atual novela das seis. “Está sendo maravilhoso contracenar novamente com o Lazim e trabalhar com o Dennis Carvalho’’, diz, referindo-se ao diretor de “Lado a Lado’’.
Camila também se prepara para a virada de Isabel, que sofreu inúmeras humilhações na primeira fase da trama. Segundo a atriz, tudo serviu para mostrar a força da personagem. “Ela é uma mulher batalhadora, de fibra. Uma resistente que, mesmo vivendo em um contexto difícil, não perde a dignidade. Admiro isso nela.’’ De acordo com um dos autores da trama global, João Ximenes Braga, a grande mudança da personagem será no visual, que deve surpreender os demais personagens do folhetim. “Ela retorna de Paris como uma espécie de Carmen Miranda, com décadas de antecedência’’, explica o escritor. Para Camila, será a oportunidade de deixar de lado a grande peruca que usou na primeira fase da novela. “Era uma trançado feito ainda com os fios molhados e que, depois do secador, ficava com a textura de cabelo crespo’’, conta a atriz, que levava duas horas para se caracterizar. Agora, ela usará um figurino inspirado na dançaria americana Loe Fuller (1862-1928). Camila adianta que muitas emoções estão por vir na trama das seis. “A novela ainda terá cenas marcantes, que exigem muita dedicação e uma carga emocional grande’’, diz, pronta para o que der e vier.
Em “Lado a Lado”, a atriz Camila Pitanga interpreta a personagem Isabel
Relação com a música A nova fase de Isabel na novela das seis exigirá da atriz um contato maior com a dança e com a música -tarefa que não será difícil para ela. “Sempre soube dançar e sambar, não é novidade para mim. A música é muito presente na minha vida’’, conta Camila, que também está antenada quando o assunto são novos artistas. Atualmente, ela tem ouvido o cantor e multi-instrumentista Curumin e o compositor britânico de música eletrônica James Blake. “Eles são radicalmente diferentes. Tenho um gos-
Além da TV, a atriz brinda o sucesso no cinema
DIVULGAÇÃO
to musical aberto’’, conta. Neste ano, ela soltou a voz em uma versão de “Chega de Saudade’’ para o “Som Brasil’’, programa musical que comanda uma vez ao mês, também na TV Globo. Novelas Desde a sua estreia na televisão, na minissérie “Sex Appeal’’ (Globo, 1993), Camila Pitanga tem colecionado triunfos. Um deles, na pele da abusada garota de programa Bebel, de “Paraíso Tropical’’ (2007), novela que deu a ela a oportunidade de se consagrar como atriz de destaque no concorrido
elenco global. Foi depois desse papel que a morena conquistou definitivamente a admiração do autor Gilberto Braga, que já manifestou no programa “Viva Voz’’ (GNT) o desejo de ver a atriz como a presidiária Júlia Matos, no remake de “Dancin’ Days’’ (Globo, 1978). “Soube disso pela imprensa, mas foi uma alegria. Fiquei honrada com a possibilidade de atuar em uma novela que marcou uma década e ainda no papel que foi vivido pela Sonia Braga’, encerra Camila. Por Alex Francisco
CINEMA
Longa bate recorde no Brasil
No Brasil, o filme atraiu quase um milhão de espectadores
Apesar de ter pouco mais de um mês para tentar superar “Os Vingadores”, campeão de bilheteria de 2012, o último capítulo da saga “Crepúsculo” mostra números impressionantes. Segundo dados do portal “Filme B”, especializado no mercado cinematográfico brasileiro, “Amanhecer - parte 2” bateu todos os recordes de um dia de estreia nos cinemas nacionais - as primeiras sessões aconteceram nos primeiros minutos da
quarta-feira. Lançado em cerca de 1.200 salas, o longa atraiu 980 mil espectadores, mas pode chegar à marca de 1 milhão de pagantes quando os números finais de todas as salas forem divulgados. No ano, o recordista era exatamente “Os Vingadores”, que levou 445 mil pessoas aos cinemas no dia de sua estreia, em abril. Mas é bom lembrar que o filme da Marvel estreou em uma sexta-feira comum, enquanto “Amanhe-
cer - parte 2” aproveitou-se do feriado da Proclamação da República. Mesmo assim, nem “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o antigo recordista de todos os tempos de um dia de estreia no Brasil, chegou perto desses valores. No ano passado, o filme derradeiro do bruxinho criado por J.K. Rowling vendeu 668 mil ingressos em 24 horas. Segundo o “Filme B”, a Paris Filmes, distribuidora do longa no país, espera alcançar
a marca de 10 milhões de espectadores, três milhões a mais que “Amanhecer Parte 1”, lançado em 2011. O fenômeno deve repetir-se nos Estados Unidos, onde a produção estreia em mais de quatro mil salas. O fenômeno deve se repetir nos Estados Unidos, onde a produção estreia em mais de 4 mil salas. O filme rendeu US$ 30,4 milhões (R$ 61 milhões), números parecidos com os de longas anteriores e abaixo do último “Harry Potter”.
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
Programação da TV
REPRODUÇÃO
SBT
REDE TV
7:00 Voto na Record – Local 11:15 Tudo É Possível
CULTURA
14:00 Top Model – HD 15:00 Programa do Gugu
6:30 Igreja Internacional da Graça – Local
5:30 Pesca Alternativa
19:30 Domingo Espetacular – HD
7:30 Igreja Internacional da Graça – Local
6:30 Brasil Eleitor
6:30 Brasil Caminhoneiro
22:15 Repórter Record
8:55 Break obrigatório
7:00 Palavras da Vida
7:00 A Grande Ideia
23:15 Série – Todo Mundo Odeia o Chris
9:00 TV Shopping Manaus – Local
8:00 Santa Missa
7:30 Vrum
0:15 Programação IURD
8:00 Programa da Manazinha – Local 9:00 Sorteio Amazonas da Sorte – Local
4:45 Santa Missa em Seu Lar
10:00 Domingo Legal
5:45 Sagrado: Compacto
14:00 Eliana
6:25 Pequenas Empresas, Grandes Negócios
18:40 Sorteio da Telesena
10:15 Meu Amigaozão
12:00 Fique Ligado – Local
10:30 Turma do Pererê
13:00 TV Kids – Local
11:00 ABZ do Ziraldo 11:30 Anima TV Tromba Trem 11:45 Anima TV Carrapatos e Catapultas
15:30 Amazonas Mix – Local
12:00 Turma do Pererê 13:00 Dango Balango
8:05 Auto Esporte
16:05 TV Kids
13:30 TV Piá
8:38 Esporte Espetacular
16:45 Ritmo Brasil
14:00 Stadium
11:30 Temperatura Máxima
17:20 O Último Passageiro
13:53 The Voice Brasil
18:40 Super Bull Brasil
15:17 Domingão do Faustão
19:40 Star Trek
17:30 Cara e Coroa
19:30 Fantástico
21:00 TV Shopping Manaus – Local (Reprise)
18:00 Papo de Mãe
21:50 Domingo Maior
22:00 Cine Total
19:00 Conexão
0:05 Sessão de Gala
23:30 Dr. Hollywood
4:45 Bíblia Em Foco
1:48 Corujão
0:15 É Notícia
5:00 Nosso Tempo
3:15 Sob Medida
1:15 Bola na Rede
23:00 Doc Especial
5:30 Desenhos Bíblicos
4:00 Festival de Desenhos
1:45 Igreja Internacional da Graça – Local
0:00 Encerramento da Emissora/Hino Nacional
0:00 Série - O Mentalista 1:00 Série – Alvo Humano 2:00 Série – Chase 3:00 Encerramento de Emissora
RECORD
ÁRIES - 21/3 a 19/4 Seu modelo de vida precisa se encaixar na realidade material em que está inserido. Ao fazer isso, suas atividades, pessoais ou profissionais, serão melhor direcionadas.
10:00 Escola Pra Cachorro
11:00 Igreja Internacional da Graça – Local
16:00 Break obrigatório
23:00 De Frente com Gabi
GREGÓRIO QUEIROZ
9:30 Nova Amazônia – Local
10:30 TV Kids – Local
7:05 Globo Rural
18:45 Programa Sílvio Santos
Horóscopo
9:00 Viola, Minha Viola
14:00 Encircuito – Local (Reprise)
5:55 Amazônia Rural
18:00 Vamos Brincar de Forca
6:00 Via Legal
10:00 Show de Ofertas da Cidade – Local
GLOBO
8:30 Chaves
A cantora Eliana apresenta seu programa hoje no SBT
5:55 Abertura da Emissora/Hino Nacional
5:00 Aventura Selvagem – Reprise
Cinema ESTREIA
15:00 Os Protetores do Planeta 16:00 Ver TV 17:00 De Lá, Pra Cá
20:00 Esportvisão 21:30 MPTV – Local (Reprise) 22:00 Roda Viva Amazonas – Local (Reprise)
Cruzadinhas REPRODUÇAO
TOURO - 20/4 a 20/5 Tenha pensamentos claros e estabeleça uma direção, sem se deslumbrar. Depende agora de você organizar o crescimento de seus projetos profissionais e pessoais. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Mercúrio em tensão com Júpiter indicam uma ordem intelectual que está se estabelecendo, mas ainda apresenta mais diferenças e flutuações do que certezas. CÂNCER - 22/6 a 22/7 È tempo de organizar seus valores, inclusive nos compromissos materiais. É uma fase de expansão a ser bem orientada. Pense com objetividade sobre os assuntos materiais. LEÃO - 23/7 a 22/8 Você está em fase de crescimento, na atuação profissional e em suas parcerias, inclusive no amor. Suas obrigações com o mundo mostram como este crescimento deve ocorrer. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Mercúrio e Júpiter indicam as barreiras que deve superar para que uma nova direção se concretize. Coloque ordem, organize, seja firme no esforço de superação. LIBRA - 23/9 a 22/10 Obedecer aos compromissos mesmo que lhe custe um bocado, lhe fará muito bem. O mundo a sua volta impõe regras estritas e você deveria considerá-las. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Uma situação familiar nova ganha forma e é o primeiro momento para vocês lidarem com um compromisso conjunto. Seja firme, mas também cordato, para o bem de todos. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As grandes e boas ideias precisam se ajustar à realidade para que o crescimento seja consistente. Será difícil, mas necessário, conciliar suas ideias com a prática no trabalho. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A ordem na vida material se encontra a um passo de ingressar em novo campo. É tempo de se concentrar no que interessa. Não se distraia pelo caminho. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Uma boa base dará solidez aos relacionamentos que estão nascendo Talvez tenha que restringir o crescimento destes, permitindo florescer apenas o que esteja em solo fértil. PEIXES - 19/2 a 20/3 Momento para ser objetivo e prático nos assuntos de comunicação. Os bons potenciais poderão agora ser bem aproveitados, e alguma situação importante poderá se recuperar.
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2.12 anos. EUA. Após dar
a luz a Renesmee (Mackenzie Foy), Bella Swan (Kristen Stewart) desperta já vampira. Ela agora precisa aprender a lidar com seus novos poderes, assim como absorver a ideia de que Jake (Taylor Lautner), seu melhor amigo, teve um imprinting com a filha. Devido ao elo existente entre eles, Jake passa a acompanhar com bastante atenção o rápido desenvolvimento de Renesmee, o que faz com que se aproxime cada vez mais dos Cullen. Paralelamente, Aro (Michael Sheen) é informado por Irina (Maggie Grace) da existência de Renesmee e de seus raros poderes. Acreditando que ela seja uma ameaça em potencial para o futuro dos Volturi, ele passa a elaborar um plano para atacar os Cullen e eliminar a garota de uma vez por todas. Cinemark 1 - 12h10, 14h50, 17h30, 20h10(dub/diariamente) e 22h45 (dub/sex e sab); Cinemark 4 - 13h10, 15h50, 18h30, 21h10 (leg/diariamente) e 23h45 (leg/ sex e sab); Cinemark 6 - 13h40, 16h20, 19h, 21h40 (dub/diariamente), 11h (dub/ sab e dom) e 0h15 (dub/sex e sab); Cinemark 7 - 12h40, 15h20, 18h, 20h40 (dub/ diariamente) e 23h15 (dub/sex e sab); Playarte 3 - 13h45, 16h15, 18h45, 21h15 (dub/diariamente) e 23h45 (dub/sex e sab); Playarte 4 - 13h46, 16h16, 18h46, 21h16 (dub/diariamente) e 23h46 (dub/sex e sab); Playarte 5 - 13h, 15h30, 18h, 20h30 (dub/diariamente) e 23h (dub/sex, sab e seg); Playarte 6 - 14h, 16h30, 19h, 21h30 (leg/diariamente) e 23h59 (leg/sex, sab e seg); Playarte 7 - 14h01, 16h31, 19h01, 21h31(leg/diariamente) e 23h58 (leg/sex, sab e seg).
CONTINUAÇÕES 007 – Operação Skyfall. 16 anos. Cinemark 2 - 13h, 16h10, 19h20, 22h30 (dub/diariamente); Playarte 2 - 13h, 16h (dub/diariamente) e 23h (dub/ sex e sab); Playarte 8 - 14h10, 17h10, 20h10 (leg/diariamente) e 23h10 (leg/sex e sab). Gonzaga – De pai para filho. 12 anos. Cinemark 3 - 15h, 17h50 (diariamente); Playarte 10
- 12h50, 15h25, 18h, 20h35 (diariamente) e 23h05 (sex e sab). Até que a Sorte nos Separe. 12 anos. Cinemark 8 - 12h20, 14h40, 17h10, 19h40, 22h (diariamente); Playarte 9 - 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (diariamente) e 23h (sex e sab). Possessão. 14 anos. Playarte 2 19h, 21h (leg/diariamente); Cinema-
rk 5 – 22h20 (dub/diariamente). O mar não está para peixe 3D. Livre. Playarte 1 – 13h, 14h50, 16h40, 18h30, 20h20 (dub/diariamente); Cinemark 5 – 17h40 (dub/diariamente). Atividade Paranormal 4. 12 anos. Cinemark 3 – 21h (leg/ diariamente) e 23h10 (leg/sex e sab).
Marcados para Morrer. 14 anos. Cinemark 3 – 12h30 (dub/ diariamente). Possessão. 14 anos. Cinemark 5 – 22h20 (dub/diariamente). Diário de um Banana 3. Livre. Cinemark 5 - 13h20, 15h30, 20h (dub/diariamente) e 11h10 (dub/sab e dom).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012
::::: Sala de Espera
::::: Em memória às vítimas do trânsito
Jander Vieira
A querida Ruth Falabella ganhará amanhã sessão parabéns. Os cumprimentos da coluna.
O Manaustrans, em parceria com a Arquidiocese de Manaus, realizará atividades no Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito. O evento acontecerá, hoje, às 9h, no calçadão da praia da Ponta Negra. É um momento de reflexão para lembrar e reverenciar as pessoas que morreram ou ficaram com sequelas por consequência de acidentes. A homenagem contará com a presença do arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira.
jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br FOTOS: JANDER VIEIRA
Na coleção verão 2013 da sempre chique Capodarte, o foco de luz para a estação está nos metalizados, com destaque para o requinte do prateado e dourado, em tramas e tiras que deixam a mulher brasileira ainda mais elegante. O Tropical Hotel Manaus sediará, amanhã, o Congresso Internacional de Segurança para Grandes Eventos, que será composto ainda pelo 5° Simpósio Nacional de Oficiais de Material Bélico das Polícias Militares, pelo 3° Seminário de Instrutores de Tiro Policial das Polícias Militares e pelo 1° Workshop de Segurança e Tecnologia. Na solenidade de abertura, será feita a apresentação da agenda e estratégia do evento. O professor-doutor João Bosco Botelho lança no próximo dia 21, no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, duas obras suas, os livros “Entre as Sombras” (2ª edição) e “História, Embriologia, Anatomia e Cirurgia”. Geraldo Xavier dos Anjos, presidente do IGHA, será o anfitrião. Nasceu João Procópio de Carvalho Missioneiro, o primeiro neto de Jurema e Pedro Missioneiro. Viva! Apostando no sonho que todo brasileiro tem de possuir um carro, neste fim de ano, o Amazonas Shopping vai sortear dois veículos zero quilômetro entre os consumidores que fizerem as compras para o Natal em uma de suas lojas. A promoção ‘A magia que se transforma em prêmios’ será lançada no próximo dia 19 e seguirá até o dia 26 de dezembro. Eliane Schneider mais Hamilcar Silva estão curtindo lua de mel em Nova York, por conta da troca de idade dela.
Juliana, Cadu mais Charles com a mãezona Elizabeth Calil Os avós maternos Fátima e Darivaldo Coimbra mais Cadu
Cadu feliz da vida com o seu primeiro possante
Desembargador Wellington Araújo e sua Moramay
D7
::::: Estranho Angela e Gustavo Rodrigues
Gracielza e o deputado Adjuto Afonso
A nova rotatória do Parque 10 deveria ter uma fonte elevada em diagonal, mas ao que parece foi inaugurada pela metade. No projeto que estava estampado em um painel próximo à obra, a tal fonte aparecia e na foto era tudo muito bonito. Bem, ao que parece era mais um truque do “São Photoshop”, aquele que rejuvenesce e embeleza tudo. Se é que vocês me entendem...
Núbia Garcia
::::: Viva, Cadu!
::::: Solidário
Com o tema Galinha Pintadinha, Carlos Eduardo Garcia ganhou festim dos mais divertidos dos seus paizões Juliana e Charles, no salão de festas do chique Chopin, no Vieiralves. Não faltou diversão, comidas deliciosas e muita brincadeira aos bambinos que foram conferir o niver-tendência. Confira os confetes-com-flashes.
Continua a campanha do ‘Natal Solidário’ do Movimento Marujada na Tacacaria Parintins. As doações de alimentos não perecíveis serão direcionadas ao abrigo São Vicente de Paula. Além do Natal Solidário, o presidente Keynes Breves “está com tudo e não está prosa” já que o “Luau do Caprichoso” é sucesso assegurado, para não dizer garantido, claro.
O aniversariante com os paizões Juliana e Charles Garcia
Astrid e Zeca Liberato
::::: Calmaria Como é diplomático o novo prefeito de Manaus, Artur Neto. Enquanto em outras capitais e mesmo cidades do interior do Estado, o processo de transição pega fogo, em Manaus corre tudo em tamanha tranquilidade, que o eleito já poderia estar até despachando que ninguém iria notar. Elegância não é para todos.
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE NOVEMBRO DE 2012