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EM TEMPO - 18 de agosto de 2013

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 8.096 – DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

A força do Amazonas no esporte DIVULGAÇÃO

Promessas do esporte, como a amazonense Bianca Maia (foto), que está na Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica e já tem medalha olímpica, mostram a força do Amazonas no Brasil e no exterior. Pódio E4 FOGÃO X LUSA

TRIUNFO

Botafogo e Portuguesa movimentam o G4 e a zona de rebaixamento, hoje, em confronto válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. Pódio E7

FLA X SÃO PAULO

ARQUIVO EM TEMPO

CLÁSSICO

No Botafogo, que tem 26 pontos, o objetivo é conquistar um triunfo para garantir a ponta

Apesar de viverem situações diferentes, Flamengo e São Paulo se enfrentam no clássico de hoje em busca de superação. Pódio E5

PROFISSÃO DE RISCO DIEGO CAJA

ARQUIVOQEM TEMPO

OS POLICIAIS ESTÃO ENTRE OS PROFISSIONAIS MAIS ESTRESSADOS DO MUNDO, APONTA DADOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). O PRESIDENTE DO SINDICATO DOS POLICIAIS CIVIS, MOACYR MAIA, CONFIRMA QUE OS PROFISSIONAIS SOFREM MUITAS AMEAÇAS, PRINCIPALMENTE OS DAS DELEGACIAS ESPECIALIZADAS. “ESSES PROFISSIONAIS MEXEM COM INTERESSES DO CRIME ORGANIZADO, QUE TEM ALGUMAS RAÍZES EM MANAUS, E COM ISSO SÃO ALVO DE BANDIDOS QUE FAZEM AMEAÇAS”, AFIRMA. DIA A DIA C6 E C7

“MANAUS VAI PARAR

NA QUARTA-FEIRA”

Ameaça o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Josildo Oliveira. Última Hora A2 CESTA BÁSICA

“Podemos erradicar o câncer”

CADÊ O GÁS?

O jeito é mudar os hábitos

Chíxaro vai explicar gasoduto

Com a alta do preço dos itens da cesta básica, manauense substitui alimentos para suprir necessidades. Economia B5

Advogado e presidente da Cigás, Lino Chíxaro vai à Câmara explicar sobre nova matriz energética. Contexto A3

MC SAPÃO NAS PODEROSAS Plateia D3

PROTESTOS PERDEM A FORÇA

Política A5

A médica Mônica Bandeira de Melo (foto) fala sobre sua luta contra o avanço do câncer de colo uterino no Amazonas. Com a Palavra A7

COCAÍNA DENTRO DA SANTA Última Hora A2

Os policiais estão entre os profissionais mais estressados do mundo, conforme a ONU

D O M I N G O

Rico em cálcio, potássio e vitaminas A e C, o aipo ajuda a reduzir inflamações como artrite e reduz sintomas do resfriado e da asma. Saúde F2

O lado obscuro de Getúlio Segunda parte da biografia de Getúlio Vargas aborda seu lado “ruim”, nos anos que levaram à ditadura do Estado Novo. Ilustríssima G3

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.

DIVULGAÇÃO

Aipo contra gripe, asma e artrite

É

ARQUIVO FOLHAPRESS

DIVULGAÇÃO

HOJE

Inmetro de olho nas olarias Inmetro fiscaliza com rigor a produção de telhas, tijolos, e outros itens da construção civil para um novo padrão de conformidade. Imobiliário 1

TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

32

MÍN.:

24


Última Hora

A2

MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

Rodoviários prometem parar Manaus na quarta

COCAÍNA

Droga era guardada em ‘santa’ REPRODUÇÃO/TV EM TEMPO

Ameaça de greve foi feita, ontem, pelo vice-presidente do sindicato da categoria, Josildo Oliveira

Prisão do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, na semana passada, acirrou ânimo dos trabalhadores, que lutam por direitos trabalhistas

A

paralisação do sistema de transporte coletivo da cidade deverá acontecer na quarta-feira, de acordo com informações do vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Josildo Oliveira. Uma reunião da diretoria estava prevista para acontecer na noite de ontem (sábado), para dar encaminhamento à greve, com a colocação, nos jornais da cidade do edital para convocar à Assembleia Geral da categoria, que deverá

acontecer amanhã. “Faremos conforme prevê a lei. Manaus vai parar na quarta-feira”, afirmou o sindicalista. Entre as reivindicações está o descumprimento pelas empresas da convenção coletiva, o não pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a Previdência Social. Ele também criticou a atitude do prefeito Arthur Neto em criar uma comissão para negociar a questão dos rodoviários. “Com ato ditatório, o prefeito tenta a todo custo tirar a prerrogativa do sindicato criando uma comissão para negociar com ele.

Provaremos na próxima semana que o prefeito não manda em nada”, ameaçou, lembrado que Arthur Neto foi à Global Green e prometeu que os trabalhadores seriam pagos em 30 dias. “O pagamento do mês foi feito conforme combinado com delegacia regional do trabalho, mas não caiu o FGTS do mês e nem os atrasados”, confirmou. Oliveira também adiantou que o Sindicato dos Rodoviários deve preparar uma carta esclarecendo à sociedade sobre as reivindicações. Ele antecipou ainda que o sindicato irá à corregedoria da Polícia Militar

denunciar, por abuso de poder, o tenente-coronel Cleitman Rabelo, do Grupo Fera da Polícia Civil. Ele comandou a ação contra os manifestantes, na semana passada, na frente da empresa Eucatur, Cidade Nova, Zona Norte, que culminou com a prisão do presidente do Sindicato, Givancir Oliveira, e mais quatro rodoviários. “Vamos provar que houve abuso de poder da Polícia Militar. Temos imagens que provam”, alegou. Confusão Givancir foi detido e encaminhado ao 15º Distrito Integrado

CRIME AMBIENTAL

Apreendidas carnes ilegais e 1,1 tonelada de pescado GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

MISSA DE SÉTIMO DIA RAIMUNDO LIMONGI CABRAL Nina Rosa e Nazareth (irmãs), Ricardo, Leonardo e Tricia (sobrinhos) convidam parentes e amigos para a missa de sétimo dia de Raimundo Limongi Cabral, a ser realizada nesta segunda-feira, 19 de agosto, às 20 horas, na Igreja de Nossa Senhora das Graças (rua Libertador, 55 – Nossa Senhora das Graças). A família agradece a todos que comparecerem a esse ato de fé e solidariedade cristã. “Das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim sinto você bem perto de mim... outra vez” [Outra Vez – Roberto Carlos]

O batalhão ambiental da Polícia Militar apreendeu 1,1 tonelada de pirarucu, vinda de Codajás para Manaus, às 6h15 de ontem. A mercadoria pertence a várias pessoas não identificadas, que fugiram na hora da fiscalização, ocorrida na feira da Panair. Nenhum proprietário, portanto, foi preso e o dono da embarcação é quem responderá pelo crime, segundo informações da polícia. A operação contou com a atuação de 12 policiais, sendo que quatro estavam descaracterizados. Esta foi a segunda apreensão em dois dias. Na última sexta-feira à noite, quase 640 quilos de pescado ilegal foram apreendidos. “Soubemos que na madrugada de hoje (ontem) possivelmente chegariam mais produtos semelhantes. Dessa forma, montamos a ação”, conta o tenente Abreu, responsável pelas operações.

Segundo Abreu, a mercadoria estava armazenada debaixo de mais de um metro de pescado legal (tucunaré, tambaqui, aracu, entre outros) como camuflagem. Os policiais encontraram nove caixas de isopor e seis sacos com capacidade para 50 quilos. “O pescado regular (200 quilos) também é apreendido, uma vez que foi usado para fins ilícitos”, disse o cabo Carlos Lago, um dos plantonistas que receberam a carga na base da polícia no porto do São Raimundo. Carnes de animais silvestres também foram encontradas na embarcação “Zé Alberto 2013”, incluindo paca, veado e mutum, no total de 110 quilos. O responsável pelo transporte da mercadoria no barco, José Roberto Gaudino, alega inocência e que não sabia do conteúdo das caixas. A penalidade não é inferior a dois anos de cadeia, mas é afiançável. Os materiais apreendidos serão doados à instituições filantrópicas e casas de apoio social.

de Polícia (DIP), após confusão entre os rodoviários da Global Green e a Polícia Militar, em frente à garagem da Eucatur. Ele foi autuado por desacato a autoridade, lesão corporal e ameaça, e responderá pelos crimes em liberdade. A confusão começou quando rodoviários da Global Green se dirigiram à Eucatur, para convencer os funcionários a aderirem à paralisação. O Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região havia determinado o retorno parcial (60%) dos trabalhadores da Global Green que estavam paralisados.

DIEGO CAJA

CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

Após um mês de investigação, a Polícia Civil do Amazonas, por meio da equipe de investigação do 5º Distrito Integrado de Polícia (DIP), coordenada pelo delegado titular, Rodrigo de Sá Barbosa, prendeu seis pessoas envolvidas com tráfico de drogas na região. O ponto de venda de drogas funcionava em uma casa, no beco Dom João da Mata, bairro São Raimundo, Zona Oeste. Além de porções de drogas, os suspeitos escondiam cocaína em uma imagem de santa feita de gesso. Foram presos Mattheus Nadson Pereira de Oliveira, 18, Jefferson Napoleão de Oliveira, 28, Antônio Marlon Silva dos Santos, 40, Andrews da Silva, 29, Anderson Luis da Silva, 32 e Everton Fabrício Braga Fernandes, 21. Eles tinham 26 trouxinhas de pastabase, 27 trouxinhas de cocaína, quatro celulares, além de material para mistura e embalo de drogas. “As pessoas presas estavam no mesmo cômodo da casa, separando, embalando e até usando a droga”, contou o delegado. Os seis homens foram autuados em flagrante por tráfico e associação para o tráfico de drogas, além de formação de quadrilha e posse de munição de uso permitido. Eles foram encaminhados à cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa. (CR)

Tambaqui era usado para esconder carga irregular de pirarucu


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Marina, morena Marina, você... Talvez porque não tenha sentido, pois se anunciou como um partido que não é contra, nem a favor e nem pelo contrário, o PSD (Partido da Social Democracia) criado da noite para o dia por um ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi reconhecido e formalizado da noite para o dia pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Kassab teve o maior apoio da intelligentsia do Palácio do Planalto. Por não ser contra, nem a favor e nem pelo contrário, o PSD fazia um grande favor ao governo petista de Dilma Rousseff: deslocava eventuais e até presenciais discordâncias e controvérsias aos desígnios do governo federal. Depois do enorme sucesso do PSD, tiveram o mesmo reconhecimento e formalização pelo TSE: o PEN (Partido Ecológico Nacional), PPL (Partido da Pátria Livre, também conhecido como “ou morrer pelo Brasil”), PMB (Partido da Mulher Brasileira, cujo presidente é um homem: declaradamente de direita, apoia o casamento gay, mas é contra o aborto). Nenhum desses partidos anunciou interesse em disputar a Presidência da República. Eles estão aí para o “abraço da galera”. Do outro lado desse cenário, a ex-seringueira acriana, que ministra do Meio Ambiente e senadora, largou o PT aos prantos e foi praticamente enxotada do PV, Marina Silva corre da sala para a cozinha, sem conseguir superar a inércia dos cartórios, que atrasam o reconhecimento das assinaturas exigidas para a legalização da sua Rede Sustentabilidade. Marina é candidata declarada à Presidência da República. Pode não ser eleita, mas já está fazenfdo um estrago na má reputação construída pelo atual governo, desde Lula. Por isso, talvez não consiga cumprir a maratona da burocracia eleitoral, a má vontade dos cartórios e o medo do pânico que os candidatáveis têm dela e se transforma em violência silenciosa.

Que venha a Fifa! Uma comitiva da Fifa desembarca nesta terça-feira, em Manaus, para conferir o andamento das obras da Arena da Amazônia. O time será formado pelo secretário-geral, Jèrôme Valcke, e os membros do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local (COL), os tetracampeões Ronaldo e Bebeto. De acordo com o coordenador da UGP Copa, Miguel Capobiango, a comitiva “vem em uma boa hora para acabar de vez com essa história de que as obras estão atrasadas”. Vão encontrar

Omissão

Capobiango garante que a Arena da Amazônia avançou mais dois pontos percentuais em sete dias e chegou à marca de 76,18% de execução. – O que a comitiva da Fifa vai constatar é que em pouco mais de dois meses, o índice de conclusão da obra saltou 14%. Isso demonstra que estamos dentro do cronograma previsto – afirma o engenheiro. Aldo também O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, representará o governo federal na visita a Manaus. A capital da floresta será a terceira sede a ser visitada nesta etapa do tour pelas cidades que sediarão a Copa do Mundo da Fifa no próximo ano. A caminho Na segunda-feira, Jèrôme Valcke, Aldo, Romário e Bebeto estarão em São Paulo e Curitiba. Avenida da morte O deputado Tony Medeiros (PSL) ocupou a tribuna da Assembleia para comentar a reportagem do último domingo do EM TEMPO – “Torquato Tapajós, a avenida da morte”, que teve grande repercussão por alertar para o cenário de trágicos acidentes de trânsito.

Medeiros cobrou providências para diminuir as mortes na estrada. E disse que as responsabilidades devem ser compartilhadas entre o poder público (pela omissão) e os motoristas (pela imprudência). Quanto custa O deputado também destacou que os gastos anuais com os acidentes de trânsito, no Brasil, chegam à cifra de R$ 14,5 bilhões. Fala, Chíxaro! O advogado e presidente da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), Lino Chíxaro, vai à tribuna da Câmara Municipal, nesta segunda-feira. Foi intimado a explicar o andamento, conclusão e funcionamento da nova matriz energética de Manaus, a ser abastecida pelo gás de Urucu. Gasoduto A propositura para Chíxaro ir à Câmara é de autoria do vereador Mário Frota, líder do PSDB na CMM. Frota lembra que o gasoduto Coari-Manaus, com cerca de 600 quilômetros, começou a ser construído em 2001 com a finalidade de mudar a matriz energética de Manaus. Cadê o gás? A garantia era de que o

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

gasoduto reduziria os custos com energia elétrica e implantaria na cidade o Gás Natural Veicular (GNV). – As obras custaram cerca de R$ 5 bilhões aos cofres da União, mas até agora continua sem funcionar – cobra Mário Frota. Sinal de alerta A luz amarela foi acesa. O desmatamento na Amazônia aumentou no último ano após quase uma década de redução drástica, apontam indicadores ainda provisórios que acionam um alerta sobre o delicado momento atravessado pela maior floresta tropical do planeta. Os culpados Os números do desmatamento coincidem com grandes obras e leis que afetam a região, aprovadas por um Congresso que tem uma poderosa bancada favorável ao agronegócio em um país produtor de matérias-primas. Juridiquês Esta semana muita gente ficou intrigada quando, num bate-boca com o ministro Eduardo Lewandowski, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, disse que “fazemos o nosso trabalho. Não fazemos chicana!” “Chicana”, para quem não sabe, é um termo no jargão jurídico que quer dizer “fazer uma manobra para dificultar o andamento de um processo”.

VAIAS

Obras da Djalma Batista

Charge

Monumento do Mindu

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Para as obras de revitalização da Djalma Batista, que começaram ontem e, no futuro, vão dar uma repaginada na paisagem urbana de Manaus.

Para o projetista do monumento da praça do Mindu (que até hoje ninguém sabe o que simboliza), cuja fonte, quando acionada, transborda a água para a rua, inundando a via pública.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br opiniao

Nem sempre o novo é o melhor Manaus não é uma cidade que ofereça lazer de boa qualidade, a não ser eventualmente, quando algum evento inesperado e raro cai sobre nossas cabeças e nos surpreende. Isso, como já dito, é raro e, como tal, não é coisa para todos os dias, nem para todos os fins de semana, nem mesmo para todos os meses, quiçá para alguma vez ao ano. E assim sendo, quem chegue ao descanso semanal e pretenda garimpar algum prazer que, além de deleitar, traga em si também a capacidade edificante de nutrir o espírito, terá que usar da sua criatividade, se a tiver, para construir a sua própria obra. No infernal calor que aqui vivemos, mormente nesta fase do ano, o abrigo da casa ainda é o maior atenuante e, nele refugiado, a música certamente poderá ser aquele “plus” a agregar algum prazer à vida. Deixando de lado a chamada música erudita, ou clássica, porque esta, ao atravessar os tempos, apenas se depurou e chegou a nós com exuberante qualidade, há ainda as boas coisas que povoam o acervo da música dita popular. Melhor dizendo, ainda há, embora tenha havido mais, e já não se encontra no rádio e na TV. E é aí que a coisa se complica e não pouco. Como esse gênero está sempre a disputar o acirrado mercado que o consome como mercadoria e esse mercado, no nosso caso, é um povo que não tem sido bem nutrido culturalmente, quem se fortalece e domina é precisamente uma música de péssima qualidade, de frases fáceis (letra e música), de humor rasteiro,

de vida curta, logo sucedida por outra semelhante, que não persistirá porque também de má qualidade. Assim pensava eu neste último domingo, ao ouvir, em vinil, o esplêndido LP “Falso Brilhante”, de Elis, que minha mulher pusera para tocar no velho toca-discos Yamaha. Pensei então: Elis morreu e já não pode cantar nem gravar, como também já não o podem Elizeth, Maysa, Tim Maia, Raul Seixas, Cazuza e outros mais. Com os mortos, com os que partiram, temos mesmo que nos conformar, pois não puderam levar para o outro lado seu instrumento vocal e lá também não há gravadoras. Mas onde estão os novos discos de Bethania, de Zizi Possi, de Gal, de Nana Caymmi? O mercado, para eles e outros, se rarefez, em benefício das porcarias que ora conspurcam os nossos ouvidos. Quantos shows fazem por mês Maria Rita, Maria Gadu, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, Caetano, Chico, Milton, Gil, João Bosco, Belchior? Algo que se compare, em números, aos shows do Ricardo Lima, do Luan Santana, dos incontáveis MCs, das insuportáveis, e sempre a dar filhos, duplas sertanejas, das chatas e monótonas produções gospel? Essa é a esquizofrenia que se instalou na música brasileira. O que se esperava e queria, era ver a qualidade e a quantidade caminhando pari passu e o que aconteceu foi, de um lado, a proliferação do lixo, enquanto a boa música, habitat do talento, cada vez mais se restringiu a pequenos recantos, verdadeiros guetos acanhados.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

E é aí que a coisa se complica e não pouco. Como esse gênero está sempre a disputar o acirrado mercado que o consome como mercadoria e esse mercado, no nosso caso, é um povo que não tem sido bem nutrido culturalmente, quem se fortalece e domina é precisamente uma música de péssima qualidade”.


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Sem punhos de renda

Eu não roubei. A própria ministra relatora do STF, Cármen Lúcia, disse isso no dia do julgamento. Eu quero agradecer à ministra, aos demais ministros que reconheceram que não houve enriquecimento ilícito. Todos os ministros comprovaram que não houve desvio, mas erro técnico. Fui julgado por um erro técnico

Joaquim Barbosa considera encerrado o assunto do bate-boca com Ricardo Lewandowski na última quinta-feira. O presidente do STF não pretende se retratar por ter acusado o ministro de fazer ‘’chicana’’ no mensalão. Na corte, há quem tenha considerado calculadas as explosões do presidente na retomada do julgamento. Barbosa intencionaria atrair os holofotes e desencorajar ministros propensos a acolher embargos infringentes, que poderiam alterar penas de condenados. Em pedaços Ministros do STF acreditam que Barbosa pode optar por publicar de forma fatiada o acórdão resultante da análise dos embargos de declaração do mensalão, à medida que forem analisados pela corte. Em pedaços 2 Isso anteciparia o prazo para as defesas contestarem algum ponto por meio de novos recursos, os chamados segundos embargos declaratórios. Com esse método, até o fim do ano o Supremo poderia expedir os primeiros mandados de prisão de condenados. Fim... Não é só a demora na certificação das fichas de apoio que preocupa os dirigentes pró-Rede. Eles dizem que o critério de validação das assinaturas e a falta de acesso às fichas recusadas se tornaram uma barreira ainda maior para a criação do partido de Marina Silva. ... do túnel Mantido o atual percentual de rejeição de assinaturas, a Rede só atingiria as 492 mil assinaturas necessárias se entrasse com recursos para revisão das fichas recusadas.

Salto alto De um auxiliar de Dilma Rousseff duvidando das chances de Marina vencer a presidente num eventual segundo turno: “O Brasil não é uma ONG’’. Pragmático Em conversas recentes, José Serra reconheceu que a realização de disputa interna para a escolha do candidato do PSDB à Presidência é quase impossível, uma vez que Aécio Neves tem o controle do partido. Esperança Serra tem dito, no entanto, que o cenário interno ainda pode mudar caso ele se descole do mineiro nas próximas pesquisas. Resta saber se ele vai ficar no partido de olho na reversão do cenário até meados de 2014. Match point Eduardo Campos (PSB) comentou com aliados que Lula o chamou para uma partida de tênis ao pedir que ele apoie a reeleição de Dilma. “Eduardo foi lá e devolveu a bola para ele do mesmo jeito que ela veio: perto da linha’’, diz um partidário do pernambucano. Time O ministro Fernando Bezerra (Integração), que vinha

sofrendo pressões do PT nacional para trocar o PSB de Campos pelo partido, fez uma ode ao governador durante evento na sexta-feira. Juntos “Sou no governo um representante de Eduardo”, disse o ministro. A reaproximação entre os dois foi lida no entorno do pessebista como um sinal de que Bezerra ficará no partido.

Ivo Cassol, senador (PP-RR), condenado a quatro anos e 8 meses por fraude em licitações, afirmou que a sentença não vai “manchar a história” da sua vida. Em discurso de 28 minutos no plenário do Senado, chorou e comentou pela primeira vez em público a decisão do Supremo.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO

Radar Reservadamente, auxiliares de Geraldo Alckmin (PSDB) já admitem que é grande a possibilidade de ser comprovada participação de agentes públicos nos acordos de cartel em licitações de trem e metrô em São Paulo. No papel A Polícia Federal concluiu a análise do material recolhido nas ações de busca e apreensão da Operação Porto Seguro. Relatórios produzidos a partir de documentos e e-mails encontrados nos escritórios e residências dos investigados foram enviados à Justiça Federal. Caixa A PF também produziu um laudo contábil, sobre as movimentações financeiras do grupo denunciado.

Tiroteio

Existe um fenômeno, mal estudado pelos cientistas sociais, talvez, por ser pós-moderno demais: o enriquecimento, antes do letramento, ou o assédio ao Paraíso Celestial sem soletrar corretamente a palavra das Sagradas Escrituras. “Jesus MIM deu” é não saber de quem está se falando. Bem que merece essa rua Altiva Nogueira.

Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Alckmin foi rápido e transparente ao mandar investigar os contratos de trens e metrô. Quero ver o governo federal fazer o mesmo.

Ser família

DO PRESIDENTE DO PSDB, AÉCIO NEVES (MG), apontando suspeitas de cartel em obras no metrô de Porto Alegre e Belo Horizonte, ambas da alçada federal.

Nas comunidades católicas do Brasil, três canções do padre Zezinho podem ser entoadas de Norte a Sul e todos, quase que sem exceção, as conhecem e cantam com entusiasmo. A primeira começa com a seguinte frase, um dia uma criança me parou, e de maneira singela apresenta a vida cristã como um caminho para se obter os mesmos sentimentos de Jesus, o que na teologia e espiritualidade paulina é sinal de maturidade. A segunda invoca Maria de Nazaré, eleita pelo povo Senhora e Mãe do céu, numa poesia que apresenta o mistério da encarnação e o fundamento da devoção a Maria, a mãe de Jesus, que como pessoa humana foi educado por ela e com ela aprendeu a ser gente como todas as crianças do mundo. A terceira é a Oração da Família. Todos gostam de cantá-la porque exprime o desejo profundo de termos uma família de verdade. Mesmo em tempos de crise e de redefinição de papeis sociais intuímos que nada somos, ou somos muito pouco sem nossas famílias. É nelas e através delas que nos inserimos na história. Temos passado porque temos família, porque avós, tios e tias nos lembram sempre de onde viemos, são nossas raízes. Com eles aprendemos a falar, a pensar e a sentir, deles herdamos nacionalidade, cultura, pátria e religião. Temos futuro porque temos filhos, filhas, netos e netas, sobrinhos e sobrinhas que continuam no tempo nossos ideais, nossos amores, nossos sonhos. Temos presente porque vivemos em lares e em unidades familiares, com pessoas que nos amam por aquilo que somos que são solidárias conosco nos mo-

Contraponto

Esse cara sou eu Ao saber que o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) quase foi barrado na entrada de uma reunião no Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia contou a integrantes da Rede Sustentabilidade que quase foi impedida de participar da cerimônia de posse do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra chegou ao evento em um carro particular e foi impedida de entrar por um segurança. --Mas eu sou ministra do Supremo Tribunal Federal. Eu preciso estar lá para a posse -- protestou. --E eu sou o Roberto Carlos -- respondeu o segurança. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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mentos difíceis, que nos dizem a verdade mesmo quando esta dói ou gera conflitos. Nossas famílias são o que nós somos, fortes e frágeis, generosos e egoístas, mesquinhos e idealistas, ambíguos. Elas refletem a sociedade em que vivem, com seus sonhos de consumo, sua violência, seus ideais equivocados, mas também sua generosidade, criatividade, desenvolvimento e avanços tecnológicos. São desafiadas por tempos novos, de fragmentação, pluralismo religioso, novas tecnologias, uma nova consciência de liberdade e autonomia individual, de superação de preconceitos, de destino comum frente à crise ecológica. Tudo o que fizermos pelas nossas famílias é pouco. Cabe ao poder público criar condições de trabalho para todos, condições de moradia digna, educação e saúde de qualidade, segurança. Cabe à igreja anunciar a boa nova da família cristã, que vive segundo o Evangelho e que realiza o mandamento novo, que é o do amor mútuo, um mandamento que só pode ser vivido plenamente em família e em comunidade pois trata-se de amor recíproco que supõem ao menos duas pessoas. O fato de que nem sempre as famílias, por mil razões, não consigam realizar este ideal, não aponta para o seu fim, mas ao contrário aponta para a necessidade de continuarmos a sonhar com uma família bem constituída para todo ser humano e gastar nossas energias para que este sonho se torne realidade. Que Deus abençoe nossas famílias, e que nelas e com elas sejamos mais felizes, mais realizados, mais humanos.

Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Tudo o que fizermos pelas nossas famílias é pouco. Cabe ao poder público criar condições de trabalho para todos, condições de moradia digna, educação e saúde de qualidade, segurança. Cabe à igreja anunciar a boa nova da família cristã, que vive segundo o Evangelho”.


Política

MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

A5

Protestos perdem força As inúmeras manifestações que tomaram conta do país em junho e julho começam a declinar. No Amazonas, os manifestantes acampados em frente à Assembleia Legislativa são ignorados e somente duas reivindicações foram atendidas IONE MORENO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

D

ois meses após o início dos protestos em todo país e no Amazonas, as mobilizações sociais demonstram que estão perdendo força. O “boom” de reivindicações e passeatas está cada vez mais escasso, e aqueles que ainda insistem em se manter firme na movimentação social estão ficando cada vez mais isolados. Em Manaus, os grupos estão se dissolvendo e perdendo adeptos, e as manifestações não conseguem avançar nas pautas. Acampados há 47 dias em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Estado (Aleam) um grupo de manifestantes declara que tem sido ignorado pelos parlamentares da casa. Outro grupo que permaneceu 11 dias em frente à Câmara Municipal de Manaus (CMM) decidiu levantar acampamento sem ter alcançado o objetivo da pauta. Na Assembleia, segundo relato dos acampados, os deputados estaduais passam de carro na frente deles todos os dias, mas viram a cara. Mas, o movimento afirma que se manterá firme até que a casa legislativa cumpra as demandas solicitadas. Porém, nesse cabo de guerra, quem tem perdido força são os próprios protestantes. A princípio, a pauta de reivindicação trazia 19 demandas para serem atendidas e o acampamento tinham quase 30 pessoas. Nos primeiros dias instalados em frente ao parlamento estadual, eles receberam a visita de cinco parlamentares, a maioria da oposição, e também do presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD). Após 40 dias, o grupo de acampados é pequeno e a pauta de reivindicação diminuiu dez itens. Na última quarta-feira, apenas dois manifestantes estavam no local. A estudante Alessandra Oliveira Polari de Alcântara, 22, disse que mudou sua rotina para participar do movimento. Segundo ela, a população está cansada de ver o dinheiro dos seus impostos não serem investidos em melhorias, enquanto os políticos vivem com regalias. “Eu tenho a certeza de que posso fazer a diferença. Vamos continuar mantendo nosso acampamento até que todas as pautas sejam atendidas. Desde que chegamos aqui, apenas no primeiro dia, o presidente desta casa veio discutir nossas reivindicações. Os deputados passam na nossa frente e levantam o vidro dos carros para não olharem na nossa cara”, denunciou.

Outro acampado, Geberson dos Santos Sales, 42, disse que o grupo tem se mantido unido e resistente e ressaltou que o apoio da população tem sido fundamental para dar seguimento à luta. “Apesar de sermos indiferentes aos olhos dos políticos, temos recebido um forte apoio da população, que nos ajuda com mantimentos e até mesmo com uma palavra de conforto e incentivo. Não é fácil deixarmos a segurança da nossa casa e o carinho da família para ficar dormindo no chão, à mercê de sol e chuva. Porém, temos um propósito”, afirmou. Redução de pauta No primeiro dia de acampamento, em 1º de julho, os manifestantes entregaram nas mãos do presidente da casa uma carta contendo 19 itens de reivindicações. Entre os pedidos estavam a equiparação do reajuste salarial para parlamentares e comissionados de gabinetes conforme o reajuste do salário mínimo; o aumento das sessões plenárias para cinco dias na semana; a instalação do ponto biométrico para servidores da casa; além de redução do recesso parlamentar; e a extinção dos salários extras pagos

INVESTIGAÇÃO

Os acampados da Assembleia Legislativa reivindicam, ainda, a investigação de denúncias de superfaturamento nas obras do edíficio-garagem na gestão do ex-presidente Ricardo Nicolau Grupo de manifestantes ocupa a frente do Legislativo estadual há 47 dias e, mesmo com baixas, afirma que vai continuar lá

no primeiro e no último ano de mandato, o chamado auxíliopaletó; e ainda uma investigação sobre o superfaturamento do edifício-garagem. De acordo com os manifestantes, poucas pautas foram atendidas. “Até agora conseguimos apenas o corte do auxíliopaletó e o fim do voto secreto. Mas, ainda tem muita regalia que precisa ser cortada”, alegou Geberson. Segundo a Aleam, algumas demandas solicitadas fogem da autonomia da esfera estadual, como a que pede a redução de salário. Segundo matéria contida na Constituição Federal, esse parâmetro segue uma hierarquia federal. Já em relação ao fim do 14º e 15º salário, a casa legislativa defende-se alegando que estes benefícios já foram cortados, assim com a remuneração de reuniões extraordinárias.

Acampados da Câmara Municipal recuaram A Câmara Municipal de Manaus também foi alvo de manifestação e acampamentos. Durante 11 dias, no mês de julho, cerca de 20 pessoas montaram barracas e permaneceram vigilantes em frente àquele Poder Legislativo. O objetivo do grupo, formado por membros do Movimento Passe Livre, era instalar na casa a comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o transporte coletivo em Manaus. Apesar do recuo, um dos participantes do movimento, Sandro Marandueira, avaliou o movimento como um ato vitorioso. “Tivemos um balanço positivo sim, e não

vejo a nossa saída como um recuo ou demonstração de fraqueza e desistência. Apenas percebemos que naquela casa existe uma força muito grande de influência. Falta os vereadores perceberem que eles estão ali para legislar em prol do povo, mas acabam fazendo daquele parlamento um teatro”, comentou. Para Marandueira, a redução da tarifa para R$ 2,75, foi uma vitória da população, que descobriu o poder de cobrar seus direitos. “Com aquelas passeatas e reuniões, conseguimos reduzir a tarifa do transporte coletivo e também tivemos acesso às planilhas, além de abrir um diálogo so-

bre a qualidade dos coletivos em Manaus. Isso já foi uma vitória”, reforçou. O presidente da Câmara, vereador Bosco Saraiva (PSDB), afirmou que a casa manteve o diálogo com representantes do grupo e disse que os parlamentares continuam abertos a novas discussões. Na esfera nacional, o Congresso criou uma “agenda positiva” para atender as reivindicações das ruas e avançou em alguns itens, como a aprovação do projeto de lei que torna a corrupção crime hediondo; o arquivamento da proposta de emenda constitucional (PEC) 37, que ficou conhecida como a “PEC da

Impunidade”, onde recebeu 430 votos contrários e apenas nove favoráveis e, na semana que passou, os congressistas foram contra e o governo federal e aprovaram o projeto de lei que destina 75% dos royalties do petróleo para Educação e 25% para a Saúde, sendo que também foi destinado à Educação, 50% do Fundo Social do Petróleo. Apesar disso, o Congresso não avançou na reforma política, um dos principais pleitos das ruas. “Os movimentos perderam um pouco a força e até o foco, mas a população unida ainda mantém o poder”, disse Marandueira.


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Política

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LUIZ MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

A solução está num ‘pré-sal’ muito maior, que é o PIB” SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF) defendendo mais recursos para Educação

Segurança usou 22 rádios durante visita de Kerry O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, não conseguiu superar no Brasil o desgaste provocado pela revelação de que o governo Barack Obama monitorava comunicações eletrônicas de brasileiros, por meio de centrais de rádio. Mas para garantir sua segurança, na visita a Brasília, a embaixada norte-americana pediu e obteve do governo brasileiro 22 frequências de rádio que foram usadas durante 48 horas. Anatel boazinha As estações de rádio amavelmente cedidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dispensam o uso de telefones celulares. Besteirol Como hipopótamo em loja de cristais, John Kerry disse em Brasília que os EUA espionaram “para o bem do Brasil”. E nem foi expulso do país. Nós pagamos, eles não Para ter acesso à radiofrequência, o brasileiro precisa pagar pelo uso. Mas, desde 2004, estrangeiros são isentos de qualquer taxa. Parar por quê? Além das frequências móveis, os EUA mantêm 43 estações fixas em quatro Estados brasileiros, que estão autorizadas até junho de 2019. Além do STF, Barbosa criou mal-estar no CNJ Alvo de críticas após acusar o ministro Ricardo Lewandowski de fazer “chicana jurídica”, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, andou se estranhando também com integrantes do Conselho Na-

cional de Justiça, que preside. Na última reunião, ele se recusou a colocar na pauta de votações, sem explicações, propostas de consenso elaboradas por conselheiros que estavam no último dia de mandato. Desprestígio Dentre as propostas está a do conselheiro José Lúcio Munhoz, que por um ano estudou formas de aprimorar concursos para a magistratura. Bicho vai pegar Membros do CNJ reclamam que Barbosa conduz as sessões à mão de ferro e temem “climão” com a entrada dos conselheiros “linha-dura”. Expectativa Com o quórum mínimo prejudicado, o CNJ terá de esperar a posse dos novos integrantes para retomar os trabalhos, talvez no próximo dia 10. Cobrança Familiares dos 16 mortos do acidente aéreo de julho de 2011, no Recife, reclamam indenizações devidas por Vicente Rodrigues, dono da Noar, cuja carroça aérea se espatifou a cem metros da praia de Boa Viagem. Flerte Com medo de perder o mandato, o deputado Romário (PSB-RJ) cogita rasgar acordo com PR para desembarcar no Partido Solidariedade, que está sendo criado pelo dono da Força Sindical, Paulo Pereira (PDT-SP) Perdeu Membros do PSB avaliam que o governador e presidenciável Eduardo Campos (PE) comeu mosca ao entregar de mão beijada o DEM, e seus dois minutos de tempo de

Jornalista

TV, ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). ‘Feio é perder’ Absolvido no julgamento do mensalão, Paulo Rocha (PT) negocia apoio ao filho do senador ficha-suja Jader Barbalho (PMDB), Helder, ao governo do Pará, sob a condição de sair candidato ao Senado. Nas últimas Na corrida para criar o partido Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva admitiu a amigos que a “missão é quase impossível”. Até agora, ela sequer conseguiu os acórdãos necessários de nove Estados. Ministro não pode Se o governo é de todos, o ministro Gilberto Carvalho perdeu a chance de calar-se: em declaração ao Blog do Dirceu defendeu “que se faça justiça, revertendo algumas sentenças” no julgamento do mensalão. Dividindo desgaste O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) defende a criação da CPI do Metrô, mas para investigar contratos do governo federal com Siemens e Alstom, acusadas de cartel para ganhar concorrências no Brasil. Contra-ataque Um grupo de civis e militares organiza em Belo Horizonte a fundação, em setembro, do Foro Brasil, para “enfrentar” o Foro São Paulo, “que ameaça a comunização e anarquização do Brasil por maus brasileiros”. Pensando bem... ...o problema não é o ministro Joaquim Barbosa falar em “chicana”. É se depois vem “xi, cana”.

PODER SEM PUDOR

‘Velhinho’ ameaçado O então presidente Lula havia confirmado, no início do primeiro mandato, que não iria operar a bursite, já que não pretendia “lutar boxe ou carregar peso”. E brincou: - A não ser que eu precise de força para dar um soco no Ricardo Kotscho... Seu veterano assessor de imprensa não deixou por menos: - Se fizer isso, o senhor será enquadrado no Estatuto do Idoso, que prevê 11 anos de cadeia para quem agredir um velhinho...

PESQUISA

Censo do Judiciário começa dia 26 Começa no dia 26 de agosto o prazo para que servidores de todo o Judiciário respondam ao Censo Nacional do Poder Judiciário, que pretende traçar um perfil dos magistrados e servidores da Justiça brasileira. Inicialmente, o questionário estará disponível apenas para os servidores. Em um segundo momento, o levantamento será feito entre os magistrados. Os servidores detentores de cargo efetivo ou cargos em comissão devem acessar o endereço www.cnj.jus.br/ censo, fazer o acesso ao questionário eletrônico utilizando o número do respectivo CPF e

responder às perguntas. Devem responder ao questionário todos os servidores ativos da Justiça Estadual, Federal, Trabalhista, Eleitoral e Militar, além dos tribunais superiores, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Conselho da Justiça Federal (CJF) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). Ao todo, 272.430 servidores (efetivos, sem vínculo ou requisitados), distribuídos por 94 instituições, participarão do censo. A pesquisa não envolverá servidores do Poder Judiciário que estejam cedidos a outros órgãos dos

poderes Executivo ou Legislativo, estagiários e profissionais terceirizados que atuam em órgãos da Justiça. O questionário é dividido em quatro blocos com um total de 43 perguntas. Entre as perguntas estão as que procuram detectar a opinião do servidor sobre o trabalho no Judiciário, sua satisfação e motivação pessoal. O segundo bloco traz perguntas sobre o tribunal onde o servidor trabalha. No terceiro, as perguntas se referem a informações pessoais do servidor e o quarto, sobre informações funcionais.

A sessão conjunta do Congresso será realizada às 19h, no plenário da Câmara dos Deputados

Congresso examina vetos presidenciais na terça Reunião conjunta entre os congressistas vai tratar, entre outros assuntos, da Lei do Ato Médico e mudanças no FPE

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Congresso Nacional realiza na próxima terça-feira sessão conjunta para exame de vetos presidenciais. Essa será a primeira sessão a ser realizada de acordo com a resolução aprovada em 11 de julho, que impõe um novo rito para a análise de vetos da Presidência da República a matérias legislativas aprovadas pelos deputados e senadores. Para evitar acúmulos como os que vinham ocorrendo, a norma estabelece que os vetos publicados a partir de 1º de julho de 2013 serão apreciados em 30 dias. Quando o prazo não for respeitado, a pauta do Congresso ficará “trancada”

– ou seja, não haverá nenhuma outra votação, até uma decisão em relação à manutenção ou rejeição do veto. Na sessão, a ser realizada às 19h no plenário da Câmara, senadores e deputados tratarão de vetos recentes da presidente Dilma Rousseff (PT) a assuntos considerados polêmicos. Entre eles, a Lei do Ato Médico; as mudanças nas regras de partilha do Fundo de Participação dos Estados (FPE); e a extinção da multa adicional de 10% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que é paga pelas empresas em caso de demissão sem justa causa.

A discussão sobre a Lei Ato Médico mobilizou os profissionais de saúde de diversas categorias. O assunto foi debatido no projeto no Congresso ao longo de 11 anos e foi tema de 27 audiências públicas. A proposta regulamenta a atividade médica e restringe aos médicos atos como a prescrição de medicamentos e o diagnóstico de doenças, tendo sido votada em 18 de junho, por determinação do presidente do Senado, Renan Calheiros. Antes mesmo da realização da sessão, o governo já avisou ao Congresso que irá apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF), a depender do resultado da votação.


Com a palavra

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Mônica BANDEIRA

‘Vamos ERRADICAR esse CÂNCER’

FOTOS: DIEGO CAJA

SARA MATOS Equipe EM TEMPO

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Tive a oportunidade de explicar para o governador Omar Aziz o que era a vacina HPV (...). Montei uma aula de 15 minutos e, quando terminei de explicar, o governador foi além da sensibilidade e disse que o Estado iria disponibilizar a vacina”

specialista em ginecologia e médica da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) há 22 anos, a pernambucana Mônica Bandeira de Melo, 54, é uma das responsáveis pelo movimento na luta contra o câncer de colo uterino no Estado. Formada na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a médica realiza várias palestras sobre a prevenção desse tipo de câncer na região e em todo o país. Na semana em que se iniciou a vacinação gratuita na capital e interior contra o papilomavírus humano (HPV), Mônica recebeu o EM TEMPO em seu consultório. Emocionada, ela disse que o Amazonas, com essa campanha de vacinação gratuitamente, deu um grande salto no avanço do combate à doença, por meio da prevenção. “Quando o governador Omar Aziz me disse que iria trabalhar para que o Amazonas fosse o primeiro Estado a disponibilizar essa assistência, confesso que fiquei muito feliz”. EM TEMPO - Quando começou sua luta para a prevenção do câncer no colo do útero? Mônica Bandeira - Minha luta começou quando estava no quarto ano da Faculdade de Medicina e dava plantão na Fundação Cecon. Naquela época, eu já via essas mulheres morrendo. As hemorragias que sofrem são assustadoras. Naquela época, já me questionava porque essas mulheres não faziam preventivo, e são pelos mesmos motivos de hoje: “eu não sinto nada, para que eu vou fazer esse exame?”. Quando eu me formei não existia internet, hoje a informação é muito mais rápida. Mas ainda hoje não fazem

porque têm vergonha, medo do resultado do exame e também por não terem acesso. Muitas mulheres moram em lugares tão longes que o Estado tem que chegar até elas. EM TEMPO - O Estado aparece com o maior índice de morte causado pelo câncer uterino. Por quê? MB - A média de início da vida sexual no Amazonas é muito baixa. De uma forma geral, no Brasil, é em torno de 15 anos, mas aqui não podemos falar isso. Na capital talvez fique em torno de 14 anos, mas no interior é menos. O fator de risco principal é a iniciação sexual muito precoce. Aí está o índice de gravidez na adolescência e somado a isso o difícil acesso para elas, pois é muito longe ir ao ginecologista, pegar resultado de exame. Além da questão cultural também. No interior, tem a questão de todos dormirem no mesmo espaço, muitos pais tem relação sexual com as próprias filhas e isso já é um começo para o HPV. EM TEMPO – Com o lançamento da campanha, o Amazonas se tornou pioneiro no país com a iniciativa. Como se construiu o programa? MB - Tive a oportunidade de explicar para o governador o que era a vacina HPV. A primeira-dama Nejmi Aziz, ficava insistindo com ele para que se informasse sobre a vacina. Ela vinha no meu consultório, assim como a Rebecca Garcia (secretária de Governo) e eu tinha vontade de falar na vacina, mas eu sempre soube separar as coisas. Elas me viam por aí dando as palestras. Até que no dia 4 de março deste ano me chamaram para explicar sobre a vacina. Montei uma aula de 15 minutos e apresentei ao governador e ao secretário de Saúde, Wilson Alecrim, para Rebecca

Garcia e para a senadora Vanessa Grazziotin. Quando terminei de explicar, Omar foi além da sensibilidade, posso dizer que ele foi determinante e disse: “Mônica, nós vamos fazer isso, vamos disponibilizar a vacina, seremos os pioneiros”. Então, começaram a fazer as contas: ele o Alecrim, Raul Zaidan (chefe da Casa Civil) e, no outro dia, ele me ligou cedo para me reunir com o secretário de Saúde e fechar a faixa etária que receberia a vacina. Quando ele me chamou para palestrar no dia 8 de março deste ano, o prefeito Arthur Neto também se sensibilizou. EM TEMPO - Porque a faixa etária de 11 a 13 anos? MB - Porque têm que ser as meninas, de preferência as que presumivelmente não tiveram relação sexual. Nós sabemos que muitas delas já tiveram e mesmo as que já tiveram podem ser prevenidas. Mas, tínhamos que escolher uma faixa etária. Se fosse possível, vacinaríamos dos 10 até 20 anos, mas a vacina é cara. Mas qualquer mulher pode fazer. EM TEMPO – Qual a meta do governo, o período da campanha e as estratégias para alcançar o objetivo? MB - A meta é vacinar 120 mil meninas e o período é por fase, conforme as três doses. A primeira, começou no dia 9 deste mês e vai até 30 de agosto; a segunda será do dia 10 de outubro até dia 30 de outubro e a última de 10 de fevereiro de 2014 ao dia 28 daquele mês. Os pais têm que conversar com suas filhas e as escolas têm que fazer a sua parte. O poder público tem feito a sua parte na divulgação também e isso com certeza é muito importante. EM TEMPO - Como é transmitido o vírus do HPV?

MB - O câncer no colo do útero é uma doença sexualmente adquirida porque o HPV é uma doença sexualmente transmissível, e é a mais comum no mundo inteiro. Tem um crescimento muito lento, leva de 10 a 15 anos. A cada dois minutos no mundo morre uma mulher com esse câncer e aqui no Amazonas, só no ano passado, foram registrados 650 novos casos e 196 mortos. Para contrair o vírus, não precisa se consumar a relação sexual. Basta, por exemplo, os namorados, na brincadeira se esfregarem. Se um dos dois tiver contaminado, o outro será contaminado. Temos dados de que 45% das adolescentes já têm o HPV antes de começar a transar. Isso são estudos publicados, não sou eu que falo. O HPV é responsável por cerca de 99% dos casos do câncer. EM TEMPO – Surgiram algumas críticas de que esta vacina não é eficaz. Fale um pouco sobre isso. MB - Essas pessoas que dizem que a vacina é obsoleta são desinformadas. Antes, as pessoas nem falavam em HPV. Eu fui à Câmara Municipal de Manaus (CMM) na segunda-feira passada, dia 12, porque a primeira-dama me chamou por conta de comentários desse tipo. Isso é uma questão de política. Teve licitação e foi muito clara em minha opinião. Quero finalizar dizendo que a gente pode, sim, erradicar o câncer do colo uterino no Amazonas. É um câncer 100% evitável. Enfatizo que essas gerações estão ganhando de presente essa vacina e é claro que precisamos melhorar nosso preventivo, qualificar mais nossos profissionais. Vamos juntos erradicar esse câncer, a palavra de ordem é prevenção.

A meta é vacinar 120 mil meninas em três fases. A primeira começou dia 9 e vai até 30 de agosto; a segunda será do dia 10 a 30 de outubro; e a última, de 10 a 28 de fevereiro de 2014”

Podemos sim erradicar o câncer do colo uterino no Amazonas. Essas gerações estão ganhando de presente a vacina. Vamos juntos erradicar esse câncer. A palavra de ordem é a prevenção”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

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ARQUIVO EM TEMPO_BRENO FREITAS

Madeireiras buscam manter a produção Economia B4

Amazonenses passam a gastar mais no exterior Nem mesmo a disparada do câmbio impediu que os turistas locais deixassem de fazer compras em outros países DIVULGAÇÃO

Aruba continua sendo o ponto turístico preferido pelos cidadãos do Amazonas, que vão à ilha da América Central para desfrutar das belas praias e comidas exóticas JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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cotação em alta do dólar nem de longe conseguiu “frear” o ímpeto do amazonense de viajar para o exterior, que tem ampliado os gastos com compras em outros países. Conforme pesquisa realizada pelo “Estudo Global de Intenções de Viagem 2013” a pedido da operadora de crédito Visa, o turista brasileiro, em geral, incluindo os do Amazonas, tem aumentado as despesas fora do país com gastos em compra de US$ 2,9 mil em média. Para este ano, segundo o levantamento, a previsão é que o brasileiro eleve em 52% o orçamento destinado a gastos com compras, lazer e alimentação nas próximas viagens que realizar ao exterior. Na estimativa do empresário Acram Isper, que há 30 anos trabalha com a venda de pacotes de viagens para outros países, o turista amazonense terá que reservar, em média, US$ 1 mil apenas para gastos durante a viagem. “Essa quantia não inclui o dinheiro que será desembolsado gasto com a compra de passagens e reserva de hotéis. É apenas relativo ao que um turista consome por meio de produtos e serviços em outros países”, avalia tomando como base uma viagem ao parque de diversões da Disney, nos

Estados Unidos. Segundo Isper, os principais gastos dos amazonenses hoje são com a aquisição de produtos de confecções, tênis e artigos de informática. Para o empresário, a ascensão da nova classe média foi um fator determinante para o aumento dos gastos no exterior. A diretora da Paradise Turismo, Cláudia Lemos, acrescenta que nem a cotação do dólar, atualmente acima da

TRANSAÇÃO

Para realizar compras, 70% dos entrevistados brasileiros usaram cartão de crédito na última viagem - com tendência de crescimento para 93% - por questão de segurança e controle dos gastos faixa de R$ 2,30 tem intimidado os amazonenses na hora de viajar para fora do Brasil. “Notamos que os turistas se adaptaram. Aproveitam promoções das agências de turismo e companhias aéreas, optam por hotéis medianos ao invés dos luxuosos e preferem viagens em que possam levar a família toda, fator que contribui para o aumento de gastos nos países gringos”, argumenta.

Atrativos O biólogo Murilo Lima, que no mês passado viajou com a esposa em lua de mel, conta que gastou em torno de R$ 3 mil entre compras e alimentação em uma viagem de uma semana, próximo a Cancun no México. “O dinheiro foi mais utilizado para atividades de lazer como o mergulho. Também compramos lembrancinhas para parentes e amigos e gastamos com alimentação. Nossos gastos também aumentaram porque não fizemos a troca de câmbio e cada vez que utilizávamos o cartão de crédito pagávamos uma taxa de até R$ 19”, detalha. Ele ressalta que mesmo com as despesas, a viagem saiu mais em conta em relação a um destino nacional como Fernando de Noronha. Lima observa que a preferência do público brasileiro no exterior tem sido pelas lojas de free shop, que ficam localizadas no interior de salas de embarque de aeroportos que comercializam produtos com redução ou isenção de impostos. “Para chegar ao México, passamos pelo aeroporto do Panamá, que possui um dos maiores free shops do mundo. Lá encontramos perfumes, óculos, cosméticos e bebidas, tudo com custo baixo. Acredito que esse é um dos grandes atrativos para brasileiros em visita a outros países”, opina.

Despesas deverão subir 5% De acordo com o “Estudo Global de Intenções de Viagem Visa 2013” que consultou 12,6 mil viajantes de 25 países entre novembro e dezembro de 2012, o orçamento dedicado aos passeios no exterior deve aumentar em média 5% nas próximas viagens. O levantamento apontou que brasileiros, sauditas, australianos, chineses e sul-africanos estão entre os cinco povos que mais deixam dinheiro fora de

seus países de origem. O valor médio apurado gasto pelos entrevistados dos cinco países foi de US$ 2,9 mil, acima da média global de US$ 2,3 mil. Em torno de 27% deste total foi destinado ao comércio, 26% para a compra de comida e bebida e 25% para atividades em geral. A expectativa dos viajantes, inclusive dos brasileiros, é que o valor alcance US$ 4,5 mil em média na próxima viagem. DIVULGAÇÃO

Cancun, no México, tem “conquistado” os amazonenses

América do Sul e Europa na preferência A pesquisa apontou ainda que os destinos mais procurados por brasileiros são os Estados Unidos e a Argentina, além de Itália, França e Chile. Os resultados mostraram também que 75% dos turistas do Brasil optam por viajar com a família ou cônjuge, com média de estadia de 11 noites, viagem geralmente planejada com três meses de antecedência. O meio de transporte mais utilizado pelo brasileiro para sair do país é o avião (92%) e a escolha da maior parte para estadia é por hotéis de 1 a 3 estrelas (43%), enquanto 32% preferem hotéis com 4 ou mais estrelas. Para realizar as compras, 70% dos entrevistados brasileiros usaram cartão de crédito em sua última viagem com tendência de crescimento para 93%.


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Economia

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Queda de torre da Vivo ‘ressuscita’ os orelhões

Acidente deixou a cidade de Terra Santa, no oeste do Pará, sem telefonia celular, obrigando moradores a buscar sinal no AM

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queda da única torre de telefonia mudou a rotina do município de Terra Santa, no extremo oeste do Pará. Sem o sinal da Vivo, a única operadora local, a cidade está parada há três semanas, sem internet e sem celular. “A cidade está um caos, os serviços públicos e o comércio estão prejudicados, apenas alguns serviços bancários funcionam. A emissão de nota fiscal ficou impossível”, afirma a moradora Lene Machado. A torre da Vivo, com 70 metros, caiu no dia 21 de julho, após um temporal na cidade de 17 mil habitantes, a 900 quilômetros de Belém. Uma casa foi parcialmente destruída, mas ninguém se feriu. Desde então os serviços de telefonia e internet estão fora do ar. Como só os telefones fixos estão em operação, há uma corrida aos orelhões, daqueles que dependiam dos celulares. Longas filas se formam em frente aos telefones públicos. Em razão da queda da torre, um barco chegou à cidade com um carregamento urgente e não menos estratégico: dezenas de caixas cheias de cartões telefônicos. Outra opção aos donos de celular reféns da torre da Vivo é buscar uma “ponta” de sinal de cidades vizinhas, já do lado do Amazonas. O jeito tem sido subir em uma serra próxima da praça principal da cidade.

Autoridades tomam providências O Ministério Público do Estado do Pará e a Justiça local investigam as causas da queda da torre da Vivo e os consequentes prejuízos ao município. Os moradores pedem a mudança do local de instalação da torre de telefonia. Em nota, a Vivo informa que “está prestando a as-

sistência necessária” para a família que teve a casa danificada com a queda da torre. A empresa afirma também que técnicos “trabalham ininterruptamente para restabelecer, no menor prazo possível, os serviços de telefonia móvel afetados pelo acidente”, ocorrido há mais de três semanas.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

CBA, chega de pedir licença! Quando o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, assumiu a autarquia, em janeiro de 2012, ele pronunciou o mote auspicioso de sua gestão: “O primeiro passo, diante dos múltiplos desafios que temos, será dialogar com a sociedade já que ela faz parte do desenvolvimento”. A frase espalhou euforia e confiança entre os atores e interlocutores do cotidiano do desenvolvimento, onde as entidades costumam se movimentar. E assim tem sido nos momentos de grandes abalos e tomadas de decisão, um diálogo proativo e fecundo, como na elaboração da nota técnica de defesa do modelo ZFM, na discussão das verbas de P&D e outras querelas do dia a dia. A eventual discordância nesse ensaio dialogal e permanente – troca de propostas e proposições em pauta - faz parte do exercício saudável e promissor da democracia onde ninguém de bom senso, se atribui ao monopólio da intuição e definição final de qualquer matéria. E é nesse clima de reciprocidade e discussão que se insere os rumos que precisam ser dados ao CBA, o Centro de Biotecnologia da Amazônia, e seu aguardado e adiado modelo de gestão. A quem interessa o CBA? Em debate com os empresários, o superintendente Thomaz Nogueira anunciou a iminência de uma solução para o CBA, ponderando mais uma vez a multiplicidade de órgãos e ministérios interessados em apadrinhar a instituição. E a presidente Dilma entrou na discussão. Algo muito frequente da tentativa da paternidade absolutamente equivocada em torno da instituição. Por que seguir esperando por uma definição que depende de um acerto – que se arrasta e se protela indefinidamente - entre entidades e organismos públicos que não acompanham o cotidiano, expectativas e demandas de uma Amazônia que tem pressa em formular saídas? Que insano impor soluções que recomendam a intocabilidade da floresta e descuidam da inovação em torno do banco genético para gerar mecanismos de oportunidade e produção de matrizes de novos negócios. O CBA, embrião do polo de bioindústria que pode transformar potencialidades naturais em prosperidade social, interessa às novas gerações, aos jovens que vagueiam entre o ócio, o tráfico e a delinquência – a chamada geração nem-nem, multidões de moças e rapazes, que nem trabalham, nem estudam, – no beiradão amazônico por absoluta ausência de opções. No início de agosto, as entidades do setor produtivo, Cieam/ Fieam, promoveram um seminário sobre “Pioneirismo e o Futuro da economia regional”. Empresas locais como a Cupuama, Bombons Finos, Oiram, na área de alimentos com a utilização de insumos e tecnologia regional, da Pentop, tecnologia da informação e Fucapi, na área de ensino e inovação tecnológica, mostraram que é necessário priorizar qualificação técnica, investir em pesquisa e desenvolvimento, tendo em vista agregar valor para a indústria existente e para a imensidade do potencial de negócios na fruticultura, fitoterápicos, cosméticos, agroindústria de alimentos. As empresas padecem suporte de inovação tecnológica, de infraestrutura de transporte, energia e comunicação, e apontam a dificuldade de acesso ao crédito. Todas elas contaram com o apoio da Fapeam e Finepe. No debate sobre Bioindústria, onde o CBA foi lembrado e cobrado, com Ufam e Cieam, o diretor da Embrapa Marcelo Rossi destacou a empresa como

instituição geradora de conhecimento e inovação e sua visão estratégica frente aos desafios do futuro. Suas linhas de pesquisa na Amazônia Ocidental são: óleo de palma, guaraná, seringueira, banana, manejos florestais e silvicultura, cupuaçu, mandioca, aquicultura, sistemas agroflorestais, fruticultura, Integração LavouraPecuária-Floresta (ILPF), plantas medicinais, grãos e olericultura e fibras vegetais. E biotecnologia para controle de pragas e doenças, propagação de espécies, e melhoramento genético. São 40 anos de estrada e presença em 21 países e respaldo ao bem-sucedido agronegócio nacional. Ao retomar o assunto CBA - Centro de Biotecnologia da Amazônia, no seminário sobre “Pioneirismo e Futuro”, o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Alberto Costa Machado, e o presidente do Cieam, Wilson Périco, reiteraram uma recomendação já encaminhada pela Assembleia Legislativa do Estado, e pelo Conselho de Desenvolvimento do Amazonas Codam, para estabelecer alternativas urgentes de efetividade funcional do CBA, sugerindo que a Embrapa Amazônia Ocidental assuma sua gestão. Na discussão do planejamento estratégico da Suframa, 2008, já foi sugerida simples transferência do CBA para o âmbito da Embrapa. Périco destacou a necessidade do Amazonas constituir novas matrizes econômicas, embasadas na biodiversidade e nas riquezas da floresta amazônica. “O CBA deve cumprir um papel fundamental no processo e a Embrapa está anos-luz à frente do caminho em termos de desenvolvimento. Nada se faz sem capital intelectual. Para você formar pessoas e desenvolver novas matrizes econômicas são necessários, no mínimo, 15 anos. Essas pessoas já existem e estão dentro da Embrapa.” Chega de pedir licença para decidir o benefício do interesse público. É preciso louvar o trabalho da Suframa, até aqui, em apostar no polo de bioindústria que o CBA, há tempos, deveria propiciar. Foram os recursos pagos pelas empresas, para as taxas administrativas da Suframa, que propiciaram a maior parcela dos R$ 120 milhões investidos no CBA. É preciso, também, atentar para a atribuição essencial da autarquia, na gestão do modelo ZFM. Não cabe para a Suframa fazer pesquisa e desenvolvimento, apenas estimular e gerir os recursos, como tem feito. Ela não tem especialistas, muito menos experiência no objeto institucional do CBA. E os poucos contratados precariamente foram compulsoriamente demitidos. Isso não impede sua presença na instância que deve gerir o CBA, assim como a presença do Inpa, cuja atribuição institucional é muito próxima com a da Embrapa. O que o modelo ZFM precisa é de novas matrizes econômicas de borracha, genética do guaraná, da mandioca, das resinas e fibras de uso industrial, tudo aquilo que a Embrapa tem feito com denominado talento. O CBA é fruto do trabalho local, das verbas aqui recolhidas, da expectativa geral de adensamento e interiorização do Polo Industrial de Manaus, com a utilização dos insumos naturais, essa inesgotável biodiversidade. E disso, os ministérios e seus colaboradores precisam entender um pouco mais e saber que cabe aos atores locais a palavra final. Não é preciso pedir benção apenas reciprocidade, compreensão e resguardo na condução do interesse local e nacional. Afinal, quem aqui vive sabe onde o sapato aperta e o rumo que, nesse banzeiro, a catraia deve tomar.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Foram os recursos pagos pelas empresas, para as taxas administrativas da Suframa, que propiciaram a maior parcela dos R$ 120 milhões investidos no CBA”


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Economia

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Estádio desperta a ‘fome’ de negócios das empresas A

construção da Arena da Amazônia, que deve receber quatro jogos durante a Copa do Mundo de 2014, tem atraído empresários do segmento de venda de alimentos de Manaus para a área do entorno do empreendimento. De olho nas oportunidades de negócios, marcas famosas locais de restaurantes e sorveterias investem até R$ 400 mil para abrir uma unidade perto do novo estádio, que movimentará a economia da região na época do evento esportivo no próximo ano. Em função da grande procura, um prédio comercial de 1,3 mil metros quadrados será inaugurado no próximo mês. A Arena Mall contará com espaço para sete pontos comerciais, sendo duas salas de 320 metros quadrados e cinco de 135 metros quadrados cada. Ao menos quatro lojas vão abrir já no mês de setembro. “Os pontos que não foram acertados estão sendo disputados por proprietários de diferentes empresas”, afirma o administrador do local, Fábio Marinho.

Entre os estabelecimentos confirmados está o restaurante de comida japonesa Ichiban, que iniciou há 7 anos em Manaus comercializando itens da culinária oriental em um pequeno mercadinho. Hoje, a empresa se destaca pelo sucesso do sushi bar, onde as comidas típicas da gastronomia japonesa são oferecidas a la carte ou em rodízios semanais. “O novo restaurante terá capacidade para 200 pessoas. Com o novo ponto, esperamos atrair os visitantes em função da Copa do Mundo e os próprios amazonenses”, adianta o empresário Gilmar Nascimento, um dos proprietários do local. O dono da rede de sorveterias Glacial, José Antônio Loio, que acaba de inaugurar uma nova loja no Shopping Ponta Negra, revela que está a procura por um espaço perto da Arena. “Estou fazendo levantamento de preços. Acredito que além do período da Copa, aquela área do bairro Dom Pedro será um legado para Manaus, pois vai deixar essa parte da cidade bonita e agradável. Ela deverá atrair clientes após o evento”, avalia.

Com previsão para inaugurar no mês de setembro, Arena Mall terá sete pontos comerciais IONE MORENO

JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Marcas famosas do ramo de alimentação apostam na abertura de novas unidades no entorno da Arena da Amazônia

Sorveteria Glacial possui planos para abrir mais uma loja, desta vez, perto do novo estádio

Abrasel pede cautela aos investidores O vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (AbraselAM), Mário Valle, enfatiza que é preciso pensar bem antes de realizar um investimento desse porte ao redor da Arena da Amazônia.”É uma aposta difícil, pois não há como prever como será o comportamento dos manauenses após a Copa”, pondera. Ele explica que o investimento mínimo para um quiosque simples é de R$ 50 mil. Já um restaurante para comportar 100 pessoas pode custar em torno de R$ 400 mil. “É preciso cuidado para saber se o investimento vai gerar retorno para a empresa, caso contrário o prejuízo pode ser grande”, alerta Valle.


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Economia

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Madeireiras querem US$ 60 mi para escoar produção HENRIQUE XAVIER Equipe EM TEMPO ON-LINE

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setor madeireiro do Amazonas precisará investir ao menos US$ 60 milhões em certificação florestal. A medida é necessária para garantir o escoamento da produção para compradores brasileiros ou internacionais. A indústria esbarra, porém, na falta de comprometimento ambiental de extrativistas. O setor sofre também com a pressão de sobreviver no mercado, o que pode acelerar a implantação definitiva de técnicas voltadas para a sustentabilidade. De acordo com a Associação dos Madeireiros e Reflorestadores do Alto Solimões (Amras), a aplicação de recursos financeiros por meio de parceria vai garantir a certificação de áreas de exploração, agregando valores a um produto diferenciado capaz de abrir novos mercados e desafogar o setor, o qual enfrenta dificuldades para se manter economicamente viável no Polo Industrial de Manaus (PIM). Dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) traduzem bem o atual momento de instabilidade pelo qual passa o

setor. O pouco interesse do mercado em adquirir madeira não certificada, levou a indústria a fechar em queda no acumulado do primeiro semestre com US$ 12,1 milhões no faturamento. Comparativamente, esse resultado foi 21,71% menor que o mesmo período em 2012, quando o setor faturou US$ 15,4 milhões. “Realmente não passamos por

DISCUSSÃO

Conforme Erivaldo Lopes, dificuldade do setor madeireiro será debatida no 20º Congresso Brasileiro de Economia, de 4 a 7 de setembro, em Manaus, com pensadores de renome internacional um bom momento. A maioria das cooperativas teve reduzida sua exploração por não ter um plano de manejo, o que prejudicou a abertura de novos financiamentos. Atualmente, mesmo com projetos de sustentabilidade, a exploração madeireira no Amazonas é vista com ressalvas, devido à imagem de degradação que se alia comumente a ela”, afirma o representante da Amras, Deoclé-

ARQUIVO EM TEMPO/BRENO FREITAS

Montante é necessário para o setor obter certificação florestal que é exigida por compradores nacionais e estrangeiros cio Ramos Mesquita. De acordo com os números da Suframa, as madeireiras locais perderam espaço na participação de mercado. Entre janeiro e junho deste ano, as exportações no setor foram de US$ 4,9 milhões, enquanto no mesmo período de 2012, US$ 5,7 milhões, o que representa uma perda de 16,09% no volume total de negócios. Com a redução das vendas, a mão de obra que era de 1.184 trabalhadores, em 2012, passou a ser de 870 pessoas este ano. “Não houve como mantermos nossa mão de obra com as sucessivas quedas nos negócios. Infelizmente, nossa opção foi dispensar parte dos trabalhadores”, contou Mesquita. Potencial Apesar do momento pouco animador, o potencial de expansão da indústria madeireira em direção à Amazônia Ocidental é grande, especialmente devido à abundância de madeira e das vantagens do transporte fluvial. Pelo menos é o entendimento do conselheiro federal de economia Erivaldo Lopes, segundo o qual o momento é de desenvolver de forma sustentável, sem permitir a expansão da fronteira de exploração.

Devido à falta de comprometimento ambiental, madeireiras tiveram queda no faturamento


Economia

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Inflação muda hábito de comprar do manauense

Com preços em alta, consumidor passou a substituir os produtos alimentícios na hora de abastecer a dispensa de casa JOEL ROSA

BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO

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om a disparada do preço dos itens da cesta básica, famílias manauenses passaram a substituir os alimentos para suprir as necessidades e ainda sobrar um extra no final do mês. Em alguns casos, a economia em alguns produtos chega a 30%. Além das mudanças nos hábitos alimentares, as famílias passaram a diversificar os locais de compra. Se antes o rancho era feito somente nos supermercados, agora passam a ser feitos em até três lugares diferentes. “Antes conseguia comprar o que queria no supermercado. Agora, compro conforme a oferta de preços. Os itens de higiene pessoal, enlatados e industrializados eu adquiro nas grandes redes. Já as verduras e hortaliças são mais baratas nos mercadinhos”, frisa a dona de casa, Maria de Jesus da Silva. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre as 18 capitais pesquisadas, Manaus é a terceira mais cara. Para o

economista responsável pelo escritório amazonense do Dieese, Inaldo Seixas, a terceira queda consecutiva no preço da cesta básica não foi capaz de aliviar o bolso das famílias que ganham um salário mínimo. “Qualquer variação percentual para mais ou para menos, tem uma representação sensível no orçamento de

De acordo com Dieese, para o cidadão comprar o livre direito ao lazer, a cultura, a saúde, educação, ao transporte e previdência, o salário mínimo não deveria ser menor que R$ 2.750,83

a farinha do uarini pela farinha branca. “Ou comia farinha branca ou não comia farinha. A marca de café que consumimos também foi substituída por outra similar, que é 30% mais barata”, lembra. Com mulher e dois filhos, o comerciante Marcos de Castro, que não costuma ir até as feiras do Centro, passou a considerar a “nova rota” para ter acesso a frutas e hortaliças por um preço mais em conta. Ele revela que passou a observar as compra da família. “Eu não conhecia marcas de óleo, açúcar, arroz e feijão. Porém, nos últimos meses, cada detalhe pode fazer diferença. Hoje, sou eu quem faço as compras nas feiras, enquanto minha mulher vai ao supermercado”, salienta o empresário.

quem gasta em média 50% do salário com alimentação”, avalia o especialista. Na casa do aposentado Raimundo Nonato Rodrigues toda semana é feita uma pequena assembleia para saber quem pode abrir mão de um produto ou para escutar alternativas. Segundo ele, a primeira mudança foi trocar

Cesta O valor da cesta básica registrada em julho, R$ 310,52, representa 49,78% do rendimento líquido de um trabalhador que ganha um salário mínimo. Para conseguir comprar os 12 itens que compõem a cesta básica, o assalariado teve que submeter 100 horas e 46 minutos somente para garantir a alimentação.

REALIDADE

Item da cesta básica como o tomate foi um dos “vilões” da economia forçada das famílias

Privados de artigos ‘de luxo’ De acordo com a pesquisa do Dieese, o custo médio mensal de uma família com quatro pessoas em Manaus é de R$ 931,56, valor 1,37 vezes maior que o salário mínimo. Somente com base nesses cálculos do órgão é possível constatar que as famílias da capital amazonense não estão consumindo os 12 itens da cesta básica.

É o caso do auxiliar administrativo, Ribamar Mendes, que não consome tomate e nem carne vermelha todos os meses. Com a esposa desempregada e cinco filhos para criar, ele cita que alguns itens listado na cesta básica são um luxo que ele não dispõe. “Para substituir a carne, ficamos acostumados ao frango e, principalmente,

peixe. Comer tomate, por exemplo, é algo que eu não tenho visto na minha mesa. A margarina, o óleo e a manteiga são sempre os mais baratos possíveis. E eu nunca compro em supermercado, faço minhas compras nos comércios e feiras próximas da minha casa”, ressalta Mendes que vive na Zona Sul de Manaus.


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País

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Crime digital atinge mais os homens, revela Fecomercio Pesquisa da Fecomercio-SP revela que são os homens as maiores vítimas dos crimes digitais, com 20,6% das incidências

O

número de pessoas que já sofreram ou conhecem alguém que tenha sido vítima de crime digital passou de 12,7%, no ano passado, para 17,9% este ano, revela a quinta edição da pesquisa “O Comportamento dos Usuários na Internet”, feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Segundo a pesquisa, os homens continuam sendo os mais atingidos, com 20,6% dizendo já ter sido vítima, contra 15,2% das mulheres. Feita em maio, a pesquisa fez 33 perguntas a 1.000 pessoas na capital paulista. Mesmo com os riscos frequentemente apontados para operações na internet, a pesquisa mostra que, no ano passado, 79,8% dos usuários usavam alguma ferramenta de prevenção e que, neste ano, o número caiu para 65,4%. Entre os entrevistados, 66,6% disseram conhecer a nova lei de crimes cibernéticos e 16,3% acreditam que ela será suficiente. Perguntados sobre conteúdos ilegalmente espalhados pela rede, 65,9% disseram que o material irregular deve ser removido imediatamente, a pedido da vítima, e 34,1% responderam que isso deve ser

DIVULGAÇÃO

feito por ordem judicial. De acordo com a pesquisa, 49,8% dos usuários acreditam que as empresas usam seus dados pessoais ou os compartilham com outras empresas sem autorização e 72,3% não confiam na forma como essas informações são armazenadas. Mesmo assim, 87,8% disseram que os sites deveriam armazenar os dados para o caso de serem necessárias futuras investigações de crimes eletrônicos. Quando questionados sobre compras na internet, 55,9% confirmaram que fazem. Entre os que não fazem, o principal fator que interfere é o receio de fraudes (32,9%). Precauções Uma das questões novas abordadas pela pesquisa mostrou que 48,7% dos internautas usam seus dispositivos pessoais no ambiente de trabalho, sendo que 29,7% levam dados ou informações da empresa em seus aparelhos. A maioria (86,4%) disse ter medo de fraudes ou ataque de hackers (especialistas em informática capazes de modificar programas e redes de computadores) Mesmo assim, 59,7% dos entrevistados costumam baixar aplicativos nos seus dispositivos.

Mesmo com os riscos de operações financeiras pela internet, alguns usuários não adotam ferramentas de proteção e segurança

Economista alerta para ataques eletrônicos Segundo a economista Kelly Carvalho, da Fecomercio, o crescimento do número de pessoas que sofreram algum tipo de crime eletrônico preocupa, porque o tema está em evidência com a discussão

sobre inovações nas formas de ataque e de ferramentas para evitar as fraudes. “Até se tornarem vítimas, as pessoas pensam que estão protegidas e deixam de tomar alguns cuidados e usar ferramentas

de proteção. Publicar fotos e divulgar dados pessoais, nome completo, nome da empresa onde trabalha nas redes sociais, por exemplo, é muito perigoso, assim como senhas de fácil acesso, fazer check-in

no local onde estão.” Kelly explicou que, apesar de todas as recomendações, as pessoas têm se descuidado da segurança na internet justamente por não ter sofrido nenhum tipo de crime.


Mundo

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Receber ‘Bolsa Família’ não garante vagas em creches D

os cem municípios brasileiros onde mais de 70% das famílias dependem do “Bolsa Família”, 56 não têm creche pública para atender crianças com idade entre 0 e 3 anos. Um dos eixos do programa de transferência de renda do governo federal, o “Brasil Carinhoso” é só teoria para boa parte da população dessas cidades, apesar de a criação de vagas ser uma de suas diretrizes políticas. Lançado em maio do ano passado, o “Brasil Carinhoso”, prevê o aumento do valor repassado às famílias com crianças de até 6 anos de idade, cuidados adicionais de saúde e aumento de vagas em creches. O Ministério do Desenvolvimento Social, na ocasião, estimava que apenas 15% das crianças do programa estavam matriculadas em creches, o índice nacional é de 23,6%. Dados oficiais eram de 4,5% matriculados, mas, como a informação não era exigida no cadastro único, acredita-se em subnotificação. O cruzamento de dados feito pela reportagem, porém, aponta para um quadro pior do que o calculado pelo ministério. Metade das cidades com maior população atendida pelo Bolsa

ABR

Cidades brasileiras que dependem exclusivamente do “Bolsa Família” não possuem creches, que é regra para receber programa Família não tem atualmente vagas suficientes para matricular 15% das crianças do programa, isso sem considerar as que não estão em famílias atendidas pelo programa de distribuição de renda do governo federal. Apenas sete municípios poderiam matricular mais da metade das crianças, e em um quarto

VALORES

O programa “Brasil Carinhoso” prevê o aumento do valor repassado às famílias com crianças de até 6 anos de idade, cuidados adicionais de saúde e aumento de vagas em creches Ter acesso a creches é uma das premissas ditadas pelo governo federal para que as cidades sejam beneficiadas pelo ‘Brasil Carinhoso”

deles não há nenhuma vaga. A meta brasileira é ter 50% das crianças de 0 a 3 anos em creches até 2020. Em discursos, a presidente Dilma Rousseff ressalta a necessidade de dar as mesmas oportunidades a crianças ricas e pobres e também de facilitar a vida das mães, que poderiam assim trabalhar. É justamente nos municípios menores e mais pobres, no entanto, que esse avanço parece mais lento.

MEC rebate críticas e anuncia novas obras Segundo o MEC, das cem cidades em que o atendimento do Bolsa Família é superior a 70%, 44 devem receber novas creches nos próximos anos e as obras estão em andamento ou

em fase de licitação. Em dez deles, a aprovação deve sair até setembro. Outras 14 cidades poderiam ter apresentado projetos, mas não o fizeram. Porém, 42 municípios não se enqua-

dram nos critérios definidos. Segundo o MEC, são cidades pequenas, que serão incluídas no Pronacampo, projeto que apoia a implementação de política educacional no campo.

Sobre os mecanismos de escolha das cidades, o MEC afirma que o atendimento é feito com base na identificação das necessidades e na apresentação de projeto pelo município.


Mundo

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‘Egito à beira do colapso e de uma nova ditadura’

Especialistas apontam as causas que podem levar o Egito ao retorno dos tempos ditatoriais vividos na época de Hosni Mubarak

A

pós o dia mais sangrento desde a derrubada de Hosni Mubarak do poder, há aproximadamente dois anos, o futuro do Egito continua incerto. Os últimos dados oficiais dizem que mais de 600 pessoas foram mortas na repressão do governo para desfazer dois acampamentos de simpatizantes de Mohammed Morsi, presidente deposto do país. No entanto, de acordo com o grupo político de Morsi, a Irmandade Mulçumana, o número de mortos poderia passar de 2 mil. De acordo com o professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Reginaldo Nasser, para entender como a situação do Egito chegou a esse ponto, é preciso analisar alguns pontos como o papel que os militares têm desempenhado historicamente no país, como à época da queda de Morsi, por exemplo. “De um lado, os militares reafirmam o seu poder, e, de outro, implicitamente reconhecem o poder das mobilizações. Claro, usando para o lado deles”, explica. “Aproveitaram esse caráter ambíguo, tanto é que dividiram setores da esquerda, democráticos, alguns ficaram contra e outros a favor.”

AE

Volta do autoritarismo Nasser acredita que o Egito, por conta da situação atual, possa estar caminhando para uma situação na qual o acirramento autoritário pode levar a uma guerra civil. Um dos exemplos desse ímpeto autoritário seria a declaração de estado de emergência feita pelo governo egípcio. “Essa ferramenta do estado de emergência é uma ferramenta que os Estados mais democráticos do mundo têm como retaguarda. No caso de regimes autoritários, costumam usar isso a seu bel prazer, que é o que está sendo configurado agora no Egito. Estão se manifestando todos os elementos para a instauração de uma nova ditadura”. Melancolia Embora o massacre no Egito prenuncie um novo ciclo ditatorial militar na terra dos faraós, a opinião pública global nesses tempos de informação instantânea não vai permitir que a “Primavera Árabe” termine de forma tão melancólica. “Os donos do mundo, pressionados por suas populações, haverão de encontrar soluções factíveis e democráticas para levar àquele país um convívio civilizatório, que beneficiará o planeta”, diz o professor Nasser.

Governo apoia uso da violência As forças de segurança do Egito tiveram de acabar com os acampamentos montados por apoiadores do presidente deposto Mohamed Mursi para “restaurar a segurança” no país, afirmou o premiê interino Hazem al-Beblawi. Pouco depois, o ministro do Interior, Mohamed Ibrahim fez um pronunciamento no qual afirmou que as duas áreas ocupadas por membros da Irmandade Muçulmana foram totalmente liberadas e acrescentou que “nenhuma outra ocupação em nenhuma praça de nenhum lugar do país será permitida”. Disse ainda que 43 policiais foram mortos e se defendeu dizendo que as forças de segurança foram surpreendidas pelo ataque. Irmandade Muçulmana lidera ataques ao governo interino que substituiu Mohamed Mursi

LIBERDADE

VIOLAÇÃO

Obama ironiza espionagem digital

Palestinos ganham nova vida após prisão em Israel

AE

A Agência de Segurança Nacional (NSA) violou as normas de segurança ou excedeu suas funções milhares de vezes ao ano desde 2008 em programas de vigilância, informou o jornal “Washington Post”. O jornal, que cita como fonte uma auditoria interna da agência federal, ressaltou que as infrações ocorreram sobre objetivos de inteligência tanto americanos como estrangeiros dentro dos EUA. O documento, datado de maio de 2012, registra 2.776 incidentes de armazenamento ou acesso às comunicações protegidas dos cidadãos, por e-mail ou telefone, nos 12 meses precedentes. Além disso, o documento res-

salta que a maior parte aconteceu sem intenção e muitos deles tiveram como origem erros informáticos ou erros tipográficos. Em um dos exemplos, o documento menciona como a NSA interceptou uma “grande quantidade” de chamadas efetuadas desde Washington quando um erro de programação confundiu o código telefônico 202 (de Washington D.C.) com 20, o internacional para o Egito. “Somos uma agência dirigida por pessoas que operam em um contexto complicado sob diversos regimes normativos, portanto, às vezes, nos encontramos no lado errado da linha”, indicou ao “Washington Post” um funcionário da NSA.

Obama lê seu e-mail e ri sobre críticas de espionagem dos EUA

Khaled Asqara veste camisa cinza e calças jeans novas, botas recém-compradas e um sorriso que não sai do rosto: na madrugada da última quartafeira, 23, ele saiu de prisão após 23 anos e agora começa uma nova vida. O homem é um dos 26 afortunados que entraram no primeiro rodízio dos 103 palestinos presos desde antes dos Acordos de Oslo de 1993 que Israel libertará em troca do reinício das negociações de paz. Seus familiares e amigos o tiraram da Muqata, a residência onde o presidente Mahmoud Abbas recebeu os presos, e centenas de pessoas lhes deram boas-vindas como se fossem heróis. Khaled foi preso em 1991,

durante a Primeira Intifada, por matar uma turista francesa, Annie Ley, no restaurante no qual trabalhava em Belém; um crime que reconheceu para a corte militar que o julgou e do qual assegura que não se arrepende, apesar do preço que pagou. “A Palestina e a luta são mais importantes que meu tempo na prisão”, disse à Agência Efe este homem de 42 anos, que era um rapaz de 18 quando o condenaram à prisão perpétua. Quando perguntado se pensa em sua vítima, Khaled assegura que “os dois lados tiveram vítimas. Todos perderam, era a Intifada, era uma guerra”.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Um trabalho sob tensão e ameaças

(92) 3090-1041

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Manaus poderá ter feiras como eram antigamente Projetos pretendem transformar esses lugares antes “sagrados” para as famílias, recuperando público consumidor FOTOS: IONE MORENO

LUCIANO LIMA Equipe EM TEMPO

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resente em pequenas e grandes capitais, as famosas feiras e mercados são atrativos à parte para quem gosta de comprar produtos frescos e diversificados distante das prateleiras dos supermercados. Porém, a qualidade e conservação dos produtos devem estar alinhadas com uma série de fatores que determinam a boa reputação desses locais. Em Manaus, as feiras já foram sinônimo de atração familiar “sagrada”. No entanto, o atual cenário está associado ao descrédito de muitos consumidores de diferentes classes sociais e por algumas razões bem básicas: atendimento, preço e higiene. Faltando pouco menos de 1 ano para a Copa do Mundo Brasil 2014, a Prefeitura de Manaus pretende mudar de vez essa realidade na capital com o projeto “Feira Limpa, Saúde Legal”, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), que iniciou uma série de mudanças nas questões estruturais e qualificação profissional nas feiras mais precárias da cidade. Segundo estatísticas da Sempab, em Manaus existem 34 feiras fixas administradas pelo órgão, oito mercados e duas feiras volantes, contabilizando um total de 44 locais para a população desfrutar de produtos e serviços oferecidos pelos milhares de permissionários alocados nesses pontos.

No último dia 24 de julho, a feira da Banana, na área portuária, recebeu o projeto onde cada permissionário terá a oportunidade de participar de diversos cursos como manipulação de alimentos, higiene e limpeza, além de cursos de língua estrangeira, melhor administração de negócios e atendimento ao cliente. A iniciativa conta também com a parceria da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa), que monitora e orienta os permissionários, além de desenvolver alguns cursos a serem aplicados aos comerciantes. Vista como estabelecimento modelo na cidade, a feira do bairro Parque 10 de Novembro (Zona Centro-Sul) pode se tornar padrão e referência para a reorganização. Tradicional por manter estrutura com sinalização adequada, acessibilidade e limpeza, a feira de fato faz parte de uma série de locais onde o turista e o consumidor manauense poderá desfrutar desde um café regional até aquisição de produtos com qualidade. Ainda no mês de julho, 35 permissionários da feira do Parque 10 iniciaram curso de noções básicas de língua inglesa como parte de uma bateria de cursos desenvolvidos para qualificação profissional disponibilizados pela prefeitura.

Usuários esperam mudanças A universitária Vanessa Marques, 32, acredita que muita coisa deve mudar nas feiras da cidade. “Eu compro na feira modelo do bairro Compensa (Zona Oeste) que é bem popular, lá em casa não vamos a essa feira com muita frequência, apenas quando queremos produtos mais frescos e quando temos tempo para pesquisar os preços”, disse. “A higiene de alguns pontos não é boa, como acontece em muitas outras, por isso procuramos só ir à feira quando temos certeza das condições de higiene, preço e atendimento”, contou a universitária. A autônoma Fátima Souza, 48, acredita que todos devam ter oportunidade. “Eu vendo verduras fora da feira, mas isso não significa que eu não tenha lucro. Na verdade, eu acho que tiro até mais, pois as pessoas gostam do meu atendimento e meus produtos estão sempre limpos”.

Mercadão na lembrança de todos Falar de grandes feiras e não mencionar o saudoso Mercado Municipal Adolpho Lisboa é boicotar a lembrança de muitos amazonenses que consideram o local como uma referência para a cidade. Inaugurado ainda no século 19, o mercado sempre foi um ícone para a cidade de Manaus por sua imponência e valor cultural. Com 85% das obras de restauro concluídas e a promessa de ser reinaugurado no dia 24 de outubro pelo prefeito Arthur Neto, o famoso “Mercadão” promete trazer o que há de melhor em atendimento,

estrutura e qualidade nos produtos, além de maior capacidade para receber a população e turistas na capital. Preferências A supervisora de diagnóstico Daniely Lima, 31, se lembra dos bons tempos no local. “Ia muito com minha família tomar café no Mercadão, mas na época em que estava aberto estava muito pior que muitos locais na cidade”, lembrou. “Vou muito à feira da bola do Produtor (Zona Leste), pois fica perto da minha casa, e de 9 anos para

cá houve uma decadência precária nas frutas e verduras. Prezo muito pela qualidade do produto e lá a falta de higiene é lamentável, com muitos bichos no local, principalmente nos finais de semana”, relatou a supervisora. A professora Dilene Gonzaga Pinheiro, 45, contou estar ansiosa pelo novo Adolpho Lisboa. “Espero que o Mercadão tenha os melhores preços, pois antes eram em nível de turista, além do mais queremos um Mercadão mais higiênico e, claro, com qualificação dos profissionais”, cobrou.

Entrada da feira do Parque 10: modelo de implantação de um projeto muito promissor


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Dia a dia

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Capacitação para todos Iniciativa da Sempab visa modificar o ambiente das feiras municipais a partir do treinamento oferecido aos próprios permissionários, como cursos de inglês e palestras sobre higiene, manipulação de alimentos e atendimento ao público

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cronograma dos cursos oferecidos pela Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab) aos permissionários das feiras municipais da capital amazonense é desenvolvido em parceria com a Fundação Escola de Serviço Público Municipal e Inclusão Socioeducacional (Fespi), Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). As lições têm meta como preparar melhor os profissionais que atuam no setor. Estão sendo disponibilizados cursos de inglês, retirada de espinha e filetagem de peixe, além de palestras sobre higiene e manipulação de alimentos, atendimento ao público e conhecimentos sobre a legislação municipal. O titular da Sempab, Fábio Pacheco, espera que o trabalho possa contribuir para a melhoria do atendimento ao público e ao turista, atraindo mais consumidores para as compras nas feiras e mercados. “Estamos desenvolvendo um trabalho sério e esperamos obter resultados. Queremos padronizar o atendimento ao público e esses cursos são fundamentais”, assinala o secretário. Os feirantes do Parque 10

IONE MORENO

estão aprendendo inglês todas as segundas e quartasfeiras, a partir das 14h. O mesmo acontece com os feirantes do Alvorada, que estão se atualizando para atender bem o turista em visita à cidade. Já os cursos teóricos de retirada de espinha e filetagem de peixe acontecem no auditório da Câmara Municipal de Manaus (CMM), com os feirantes do Santo Antônio.

MODALIDADES

Estão sendo disponibilizados aos permissionários cursos de inglês, retirada de espinha e filetagem de peixe, além de palestras sobre higiene e manipulação de alimentos e atendimento ao público As aulas práticas acontecerão na própria feira. O Departamento de Vigilância Sanitária (DVisa) também participa do evento ministrando desde o dia 14 palestras para os permissionários da feira da Banana sobre higiene, limpeza e manipulação de alimentos. No próximo dia 21 deste mês, será apresentado no auditório do Sebrae as palestras de atendimento ao público.

Treinamento oferecido pela Sempab pretende melhorar a formação dos permissionários das feiras municipais da cidade de Manaus


Dia a dia

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Beleza é estar bem sempre ALDISIO FILGUEIRAS Equipe EM TEMPO

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m algum momento, a expressão latina mens sana in corpore sano sofreu um ataque terrorista e a mente e o corpo sãos foram separados e expostos em vitrines para consumo customizado. Daí que espaços públicos e privados sofreram uma invasão de zumbis: corpos que perambulam com a energia de duas pilhas comuns de lanterna... e cérebro nenhum. Mas se não há bem que sempre dure, não há mal que não se cure. Essa robotização do corpo e anulação da pessoa, identificadas com a denominação genérica de “geração saúde”, começa a sofrer um contraataque dentro do seu próprio ambiente, as academias, onde o bom condicionamento físico e o bem-estar físico e mental, embutidos na palavra inglesa fitness, de melhor apelo comercial (se é estrangeiro, deve ser bom), fazem as pazes e os corpos dos zumbis ou robôs voltam a ser habitados... por gente. E boa gente. Não é saudável um músculo sem o comando de um cérebro e nem um cérebro que não tenha sintonia com o mundo. Um desses movimentos de reunificação da mente sã com o corpo são foi testado com sucesso, em Rio Preto da Eva, pela academia Aquaforma Rio

Fitness, no início deste mês, justamente quando o lado oficial do país anunciava uma pauta de comemorações do Dia Nacional da Saúde, 5 de agosto, nascimento do médico sanitarista, bacteriologista e epidemiologista Osvaldo Cruz (1872-1917), lembrado por sua atuação no combate à febre amarela, à peste bubônica e à varíola. Rio Preto da Eva, a 79 quilômetros de Manaus, foi o local onde o vaivém entre capital e o município acabou promovendo o encontro dos professores de educação física Érica Martins e James Alves, de Manaus, com a fisioterapeuta Celisângela Pinto, de Rio Preto da Eva. Érica e James mantinham a academia de natação Aquaforma, no Bosque Clube, e Elisângela queria passar adiante (mas só para quem tivesse real interesse de levar adiante o seu projeto – “o meu sonho” – inicial de manter a unidade mente e corpo sãos) a sua Rio Fitness. Criou-se assim a Aquaforma Rio Fitness. “Não é um ambiente de culto à vaidade, mas da busca de estar bem com a vida”, explicam Érica e James, sob o olhar atento dos filhos, os pequenos Jamile e Neto, que já se sentem “funcionários” da academia – ela, secretária; ele discute a possibilidade de descontos nas inscrições e mensalidades – e não têm mais que 10 anos de idade.

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Movimento em Rio Preto da Eva volta a unir corpo e mente sãos, eliminando a visão deturpada e “comercializada” da educação física como simples instrumento de vaidade, pregando o real benefício das práticas para o ser humano

Praticantes de exercícios em academia: práticas físicas de hoje geralmente são voltadas apenas para o aspecto exterior

GLEICE OLIVEIRA

Projeto que ultrapassa limites

Érica Martins e o grupo de praticantes de exercícios: uma questão de política pública

O empresário Evaldo Damasceno (do grupo Agroam, fornecedor de máquinas agrícolas) com a criação da Aquaforma Rio Fitness ganhou um prêmio: não precisa vir (de segunda a sexta-feira) a Manaus tantas vezes. Ele precisa chegar ao peso ideal de 85 quilos e pode fazer isso em Rio Preto da Eva sem pegar o estresse do trânsito de Manaus. Raimunda Farah, a Linda, como a conhecem na cidade, considera a academia “o meu ambiente”. Não se sentia estimulada a fazer exercícios, sozinha. Ela também – como Evaldo – saía de Rio Preto da Eva para Manaus. Os exercícios estão mais assíduos e sua disposição física e mental melhorou a sua atuação principal (é proprietária e gerente de uma panificadora). O projeto de Érica e James não se comporta nas quatro paredes da academia, situada nos altos da agência da Caixa Econômica Federal, e se expande pelos espaços públicos disponíveis: giná-

sios, campos, praças. Que a prática de exercícios é fundamental para a saúde, não é mais discutida. E esse é um ponto em que se apoia a ação dos dois educadores: a educação física tem de ser tratada como questão de política pública, com uma dimensão tanto quanto psicológica. O mestre em filosofia da PUC-SP, Jean Gaspar, agrega a essa dimensão o caráter social e educativo, “que contribui para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e diminuição do índice de doenças que pesam no orçamento público”. Essa reflexão levou os dois professores a buscar apoio no Sebrae, para que o “produto” que desejavam levar ao público tivesse orientação correta de mercado e identificação do público-alvo; uma garantia a mais da seriedade do que pretendem. Multiplicadores O professor Eduardo Almeida de Lima, formado

em educação física e fisioterapia pela Unip, de Manaus, também não precisa mais vir a Manaus “a não ser para fazer outra faculdade”, pois já tem até emprego na Aquaforma (professores de Manaus, cerca de oito, também integram a lista de profissionais que a academia desloca para Rio Preto da Eva). Érica e James (e os dois filhos) se dividem entre Manaus e Rio Preto da Eva. Estão certos de que o seu projeto se multiplicará pelas cidades do interior, onde a juventude, principalmente, tem sido assediada pelo tráfico de drogas e os adultos e idosos não têm a orientação certa para tratar o corpo de maneira correta. Em breve, a Aquaforma vai estabelecer um cronograma de palestras públicas sobre saúde, com profissionais de várias áreas. Cabeça, corpo e membros – tudo tem que funcionar por inteiro. O exemplo está lançado.


Dia a dia

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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desemprego juvenil é quase três vezes maior comparado ao adulto, segundo pesquisa desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também aferiu que num período de 10 anos, quintuplicou o número de jovens usuários de drogas. Quando o assunto é educação, as diferenças regionais são surpreendentes. O Norte e o Nordeste brasileiro concentram os mais baixos índices de jovens que cursam o ensino médio na idade adequada. São 39,2%, contra 60,5% no Sudeste. Nesse ambiente antagônico, surgem iniciativas para se favorecer essa parcela da população, que soma 51 milhões de pessoas em todo o país, como a lei 12.852, que instituiu o Estatuto da Juventude. A lei criada para especificar os direitos dos jovens foi publicada no dia 5 de agosto último e ao mesmo tempo em que gera certa controvérsia - uma vez que para alguns não adentrou nos direitos específicos - a lei também é desconhecida por grande parte da juventude. Jovem, segundo a lei 11.129 de 2005, são pessoas de 15 a 29 anos de idade. A delimitação foi feita para que se pudesse especificar o públicoalvo da elaboração de políticas públicas para a juventude. E é para esses indivíduos que o estatuto foi pensado. O documento traz normas acerca do direito à Cidadania, à Participação Social e Política e à Representação Juvenil; do direito à Educação; à Profissionalização, ao Trabalho e à Renda; à Diversidade e à Igualdade;

do direito à Saúde; à Cultura; à Comunicação e à Liberdade de Expressão; ao Desporto e ao Lazer; ao Território e à Mobilidade; à Sustentabilidade e ao Meio Ambiente e, finalmente do direito à Segurança Pública e ao acesso à Justiça, além de instituir o Sistema Nacional de Juventude (Sinajuve). Para muitos, o estatuto é uma vitória, pois inclui o jovem formalmente enquanto sujeito de direito. “O estatuto em alguns pontos é um avanço, principalmente na questão da institucionalização da juventude. Essa faixa etária passa a ser um dever do poder público em

Estatuto pa

Lei criada para especificar direitos dos jovens, publicada em 5 de agosto, ainda não é amplamente de autoridades que trabalham com o segmento. Mas, ainda assim, o estatuto se consolida como um REPRODUÇÃO

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PROBLEMA

A lei criada para especificar os direitos dos jovens foi publicada no dia 5 de agosto e gera certa controvérsias, além de ser ainda muito desconhecida por grande parte da juventude prestar assistência total em todos os sentidos e estabelece como política pública de Estado, a partir do estatuto”, analisou o subsecretário da Secretaria Municipal de Desporto, Lazer e Juventude (Semdej), Rodrigo Guedes, que também apontou para a instituição da nova lei, do conselho da juventude. Contudo, ele acredita que o estatuto limitou-se a traçar metas e não traz normas mais palpáveis como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por exemplo, que estabelece inclusive penas sobre crimes cometidos contra crianças e adolescente.

O Estatuto da Juventude especifica os direitos dos jovens, como cidadania, participação social e política e representação juvenil


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ara quê?

Ajustes devem partir dos jovens

SEMDEJ/DIVULGAÇÃO

divulgada entre a juventude e levanta alguns questionamentos por parte ma vitória por incluir o jovem formalmente enquanto um sujeito de direito

Outro ponto que o subsecretário Rodrigo Guedes considerou um retrocesso foi o parágrafo 10º, incluso no artigo 23, que limita o benefício da meia-entrada a 40% do total de ingressos disponíveis para cada evento. “Nesse ponto, o estatuto falhou e posso até dizer que foi uma regressão. Se antes a capacidade para um evento era de mil pessoas, se houvesse mil estudantes, eles teriam direito à meiaentrada, hoje é 40%, menos da metade. Quem for estudante e não tiver condição de pagar, não vai. Vai ser de quem chegar primeiro. Acho que teve um forte lobby da questão da empresas de evento”, reclamou. Para Guedes, os ajustes necessários ao estatuto,

para garantir direitos a essa parcela da população, devem partir da própria juventude. “Noventa por cento da população que participou das manifestações era jovem. E as principais pautas eram saúde educação e transporte. Acho que faltou focar”, disse. Para ele, somente por meio da mobilização é possível lutar e resguardar os direitos da juventude. “Em junho houve a manifestação do povo, capitaneada pela juventude. Partidos e entidades sociais organizadas deixaram de ser, naquele momento, a grande força de mobilização. Teve o célebre cartaz, ‘Saímos do facebook’. Mas, e agora? Voltamos ao face? Acho que tinha que continuar”, opinou.

Ações voltadas à juventude A extinção da Secretaria da Juventude que, a partir de 2013, foi fundida à Secretaria de Desporto foi, segundo o subsecretário Rodrigo Guedes, uma maneira encontrada pela administração municipal de “enxugar os custos”, sem deixar de focar nas prioridades. “Antes, faltava recurso para a secretaria. Tem 400 mil jovens em Manaus e não havia como fazer ação específica, justamente por causa do inchaço O desporto e o lazer são itens citados no documento assinado no último dia 5 de agosto

da prefeitura. O prefeito fez a reforma pra diminuir os custos da atividade-meio, para priorizar a atividadefim”, explicou. Dessa forma, o objetivo é focar em pontos como a educação, profissionalização e renda dos jovens e a elaboração de políticas públicas para prevenção das drogas, DSTs e acesso à cultura e arte, como o programa “Arte e Juventude” nos bairros afastados da cidade.

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Legislação desconhecida por alguns A implantação do estatuto ainda não caiu totalmente no conhecimento de muitos jovens que desconhecem os direitos. “Não fiquei sabendo dessa lei. Eu me interesso pela questão da proteção dos direitos porque isso me afeta, mas não estou a par desse estatuto. Talvez porque não esteja tão ligado nas notícias da mídia. Mas acho importante defender o direito dos jovens”, disse o estudante de engenharia mecânica Marcos Negreiros, 22. A universitária Tayla Melo, 26, que cursa o segundo período do curso de direito, também não conhecia o estatuto. “Não fiquei sabendo. Mas com certeza acho importante porque dá uma atenção maior aos jovens”, afirmou. O estatuto também é desconhecido pelo estudante da 9ª série, Robson Mateus Mafra, 17. “Não sabia da lei, mas acho que é bom porque eles garantem o direito à educação e ao trabalho, e isso pode afastar os jovens das drogas”, analisou.


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Dia a dia

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ALEXANDRE FONSECA

Entre o deve Policiais civis dividem o tempo entre a investigação de crimes e a ansiedade gerada por ameaças que podem afetar seu desempenho e até mesmo suas famílias CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

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ivendo diariamente sob tensão, pois além dos perigos constantes da profissão, lidando com violências diversas, homicídios, latrocínios eles tem que lidar com as ameaças rotineiras a sua vida e de seus familiares, os policiais estão entre os profissionais mais estressados do mundo, conforme revelam dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Moacyr Maia, confirma que os profissionais sofrem muitas ameaças, principalmente aqueles das delegacias especializadas. “Esses profissionais mexem com interesses do crime organizado, que tem algumas raízes em Manaus, e com isso são alvo de bandidos que fazem ameaças”, afirma. Entre as formas de ameaças estão ligações telefônicas anônimas e, em situações mais graves, alguns bandidos oferecem recompensas pela “cabeça” do policial. Os “avisos” por telefone são realizados várias vezes por dia, de números bloqueados, quando os autores das ame-

aças dizem que sabem onde encontrar os familiares dos policiais. Segundo Maia, com isso o policial se fragiliza psicologicamente, pois possui uma arma, mas seu filho ou esposa estão desprotegidos. Outra forma velada de ameaça ao policial, como explica o presidente do Sinpol, é quando o bandido diz que vai contar ao juiz que as provas foram plantadas; o dinheiro sumiu durante a operação ou o policial usou de violência. Experiências Um policial, que não quis ter o nome revelado, lembrou que quando era da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre) recebeu uma ligação do traficante que tinha prendido, dizendo que se ele comparecesse ao tribunal, não chegaria em casa vivo. “Eu fui, pois se não fizesse isso, não iria nunca mais”, recorda. Outro diz que já foi ameaçado cara a cara por um bandido que prendeu. “Ele disse que quando saísse da cadeia acertaria as contas comigo. Já faz 4 anos, mas isso é relativamente comum”, constata.

Uma carga pesada para os policiais De acordo com o policial Renato Bessa, a ameaça maior é a psicológica, pois isso abala e mexe com a cabeça da pessoa. “Os profissionais não dormem direito, não comem. É uma carga mental bem pesada que a classe enfrenta, que associada ao constante risco de morte eleva o nível de estresse ”, avalia. Maia afirma que a maioria das ameaças fica somente no campo das ideias, mas há muitos casos em que vai para o campo da prática. Ele lembra que em outubro de 2011 um policial que recebia muitas ameaças foi assassinado e, mais recentemente, o carro de uma delegada foi queimado.

Em muitos casos, policiais recebem ameaças até mesmo de bandidos que acabam de prender

Ameaças ‘bestas’ e graves Os policiais também lembram que existem as ameaças mais “bestas”, porém não menos graves. São aquelas em que, no ato de uma prisão, o preso fala o famoso e batido chavão “você sabe

com quem está falando?” ou “você sabe de quem eu sou amigo?”. “Essas pessoas conhecem alguém importante e se vangloriam disso. Porém, em Manaus isso não é tão comum. Mas, nos municípios

do interior do Estado isso é constante, e se o policial não é amigo do prefeito, invariavelmente acaba sendo transferido”, revela o policial Fredson Bernardo da Silva, que faz parte do sindicato.


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Dia a dia

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

er e a tensão

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Famílias não tomam conhecimento Para tentar amenizar a situação psicológica dos policiais, na Delegacia Geral existe o Departamento de Controle e Avaliação, que conta com psicólogos e assistentes sociais para darem auxílio. Todavia, Maia afirma que o policial não se sente confortável em expor sua situação. “Com isso, eles se recolhem e passam a sofrer calados, somente dividindo as angústias com colegas próximos, pois não querem que a família saiba”, diz. Para ajudar esses policiais, o Sinpol está com um projeto de instalar um consultório psicológico na sede do sindicato. “Os policiais sentemse inibidos em procurar a Delegacia Geral, pois já houve situações em que foram acusados de não querer trabalhar. Então seria melhor eles virem ao sindicato”, analisa Maia.

Moacir Maia, Fredson da Silva e Renato Bessa (da esquerda para a direita): policiais ameaçados acabam não encontrando o devido apoio dos seus superiores


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Dia a dia

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REPRODUÇÃO

Virtualização conecta polícia

Em Manacapuru, ocorrências chegarão rapidamente como processos no TJAM

D Vista da orla de Manacapuru, onde a conexão entre Polícia Civil e Justiça permitirá maior agilidade das ações no Judiciário

esde a última quinta-feira (15), a 1ª Delegacia Interativa e a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher estão enviando os Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), flagrantes, pedidos de prisão preventiva e inquéritos policiais pelo sistema de Processo Eletrônico do Judiciário (Projudi) para o fórum da cidade. Segundo o corregedor-geral de Justiça e coordenador de Tecnologia da Informação e Comunicação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Yedo Simões, os últimos oito meses foram um salto para o Poder Judiciário, que “conseguiu o inimaginável” ao superar as barreiras geográficas do Amazonas por meio de ações de tecnologia. “Por anos vivemos isolados no interior, praticamente sem Justiça, e tirar do isolamento essas populações era algo inimaginável há oito meses. Concretizamos esse sonho e passamos a elaborar novas práticas no Estado”, explica o desembargador Yedo Simões. Segundo o corregedor e coordenador da TIC, a conexão entre delegacias e fóruns de Justiça do interior é a continuidade do trabalho de virtualização das Varas e juizados do Amazonas em cumprimento ao plano do presidente do TJAM, desembargador Ari Moutinho, para dar agilidade à prestação jurisdicional em todo o Amazonas. Outros dois fóruns da Justiça amazonense já funcionam interligados com as respectivas delegacias dos municípios, dando agilidade aos processos criminais: Guajará (a 1.476 quilômetros de Manaus) e Presiente Figueiredo (a 117 quilômetros da capital). Segundo o corregedor-geral de Justiça, desembargador Yedo Simões, na próxima semana as comarcas de Iranduba e Novo Airão terão a Justiça conectada às respectivas delegacias. Virtualização e conexão A equipe de tecnologia do TJAM leva, aproximadamente, dois dias para a instalação

do aparato tecnológico de redes sem fio e treinamento e cadastro da delegacia no sistema Projudi. Além disso, o TJAM realiza o treinamento dos servidores do Judiciário e dos agentes e titulares das delegacias envolvidas. “No momento em que alcançarmos todas as delegacias ou, pelo menos, as principais, essa parceria será um ganho alto para o Poder Judiciário e para todo o sistema de segurança. Teremos resultados imediatos com processos já nas filas dos juízes, sem os entraves do processo físico. Um ganho excepcional para a sociedade, vendo o Judiciário e a polícia avançarem como um todo”, disse. Segundo a diretora do Fórum de Manacapuru, a juíza Patrícia Macedo de Campos,

VANTAGEM

A conexão entre delegacias e fóruns de Justiça no interior é a continuidade do trabalho de virtualização de Varas e juizados do Estado para acelerar a prestação jurisdicional em todo o Amazonas a comarca está com quase sua totalidade com os processos virtualizados e a parceria com a Polícia Civil trará agilidade para os procedimentos das Varas Criminais, que não terão de transformar os documentos oriundos das delegacias em processos digitais, pois o sistema já está adequado para isso. O titular da delegacia de Manacupuru, Antonio Rodrigues, lembra que a parceria é importante pois na última semana, antes da total implantação do sistema, a ação rápida da Justiça deu grande apoio na ação da operação “Vazante”, que resultou na prisão de quase 50 pessoas. E com o novo sistema de trabalho, o ganho será em agilidade de ações e economia de tempo para todos.

Parcerias superimportantes O sistema utilizado pelo Judiciário amazonense no interior tem o apoio de vários parceiros, entre eles a Prodam (Empresa de Processamento de Dados da Amazônia) e o Sivam (Sistema de Proteção da Amazônia), que disponibilizam as suas tecnologias de transmissão como antenas e cabos para a transmissão de dados do sistema. O desemabrador Yedo Simões explica que o sistema está sendo distribuído aos parceiros do Poder Judiciário gratuitamente pela equipe de tecnologia, que tem repassado informações para o Ministério Público, Defensoria Pública, advogados, Advocacia-Geral da União, cartórios etc. “Nossos parceiros precisam estar alinhados, por isso temos transmitido e implantado o sistema para que todos tenham acesso aos nossos processos”, explica. Entre as várias dificuldades enfrentadas pela Justiça para atuar no interior do

Amazonas está a falta de juízes apara atuar em quase 30 comarcas do interior. “O sistema de virtualização de processos nos ajuda a superar dificuldades, como a falta de juízes, que deverá ser suprida pela conclusão do concurso que está em andamento. Até lá podemos nomear um juiz para mais de uma comarca e ele pode atuar sem parar os processos do local onde é titular”, explica o desembargador Yedo Simões. Projudi O sistema Projudi, com o qual o Tribunal de Justiça do Amazonas vem virtualizando todas as suas unidades judiciárias no interior do Estado, está sendo “exportado” pelo Judiciário amazonense para outros Estados e gera o intercâmbio de sistemas e troca de informações entre os Tribunais de Justiça de Roraima, Paraná, Alagoas e Mato Grosso do Sul.


Caderno D

Plateia MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

plateia@emtempo.com.br

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MC Sapão divide noite com Anitta (92) 3090-1042

Plateia 3 DIVULGAÇÃO

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ALEXANDRE FONSECA

Da esquerda para direita: músicos Mencius Melo e Marcos Terra Nova discordam do sistema do FdE; já o artista plástico e economista Turenko Beça vê vantagens

Artistas divergem sobre a rede Fora do Eixo Caracterizada como alternativa criativa para promover e escoar produtos culturais, entidade está na berlinda GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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O produtor Caio Mota, do Fora do Eixo, diz que o sistema é aberto, participa apenas quem quer

mbora as opiniões contrárias sobre a atividade da rede de coletivos Fora do Eixo (FdE) existam há mais tempo, nada até agora foi comparado à última semana, quando depoimentos em redes sociais que acusam a entidade de não repassar remuneração aos artistas que abraça, que chegam a travar batalhas de argumentações entre uma legião de defensores e outros tantos devotos ao ataque. A rede FdE, que no Amazonas tem como representação o chamado Coletivo Difusão, traz o preceito “comunitarista” de que os artistas envolvidos podem ajudar e serem ajudados para a execução, promoção e escoamento de suas produções, em qualquer segmento de arte. Sobre as acusações de que festivais e mostras diversas pelo país favorecem apenas àqueles que estiverem declara-

damente envolvidos no “sistema”, um dos mais engajados no Difusão, Caio Mota, refuta. “Podemos interpretar como um caldeirão sem tampa, aberto para quem queira entrar e aberto para quem queira sair. Todas as nossas ações são abertas. A Rede Brasil de Festivais não é apenas de festivais do FdE, as ações do Ninja não são realizadas apenas por pessoas do FdE, a Semana do Audiovisual idem”, diz.

PROPOSTA

O FdE é uma rede de coletivos atuando na área da cultura em todo o Brasil que trabalha com um sistema de troca de serviços entre os participantes, atividade chamada de intercâmbio solidário

O músico Mencius Melo, vocalista da banda Zona Tribal, discorda e reforça que é contra o caráter “ou está ou não está comigo”, que a rede parece impor. “O FdE é um grupo com anseios políticos que discordo. Formaram um grupo que se articula pelos festivais do país. Chegam na sua casa, pedem para limpar a cozinha, depois esvaziam um quarto, assumem a sala e logo se espalham pela vizinhança. A metáfora serve para mostrar como se comportam nos movimentos culturais nos quais estão envolvidos, o que inclui até o Festival Amazonas de Rock (cuja plataforma para inscrição de bandas faz parte do conceito FdE). É uma espécie de microditadura popular altamente excludente”, enfatiza. “Que o FdE tenha seus métodos e discurso hippie libertário é garantido pela democracia, mas o que eles não podem é usar a estrutura do Estado para dizer quem pode ou quem não pode participar. Ao forçar, por exemplo, que todas as bandas estejam na plataforma TnB (Toque no Brasil) para poder ter direito de participar, a meu ver, é aparelhar o evento e isso eu não posso aceitar”, completa Mencius Melo. Com uma única participação em evento assinado pela rede, o guitarrista e vocalista da banda Espan-

talho, Marcos Terra Nova, também coleciona ressalvas. “Acho que por trás da retórica do bem comum e trabalho coletivo há um pouco de confusão ideológica camuflada de boas intenções de muitos de seus associados. Como artista, vejo como equivocados e com bastante preocupação alguns direcionamentos políticos e a apropriação política e simbólica do termo independente (dentro das produções nascidas no FdE, valoriza-se todos como autores, não apenas um)”, disse. O artista completa: “Considero as reclamações dos artistas legítimas assim como reconheço que muitas das iniciativas da rede FdE foram boas. Um bom exemplo é a ideia de festivais gratuitos, circulação e divulgação na rede. São bons, mas acabam gerando situações que não combinam com a origem dos recursos que, em tese, são públicos, oriundos de renúncias fiscais. Por isso, oferecer para artistas pagamentos na forma de divulgação, estrutura de eventos juntamente à cachês baixos ou a inexistência deles, não parece ser um caminho saudável a longo prazo, pois existe uma demanda reprimida de artistas dispostos a se submeter a este modelo mesmo que vários não queiram mais”, reflete. Como economista, o (também) artista plástico Turenko Beça acredita que a “remuneração” em serviços, mediante a uma moeda própria e simbólica (no Amazonas, Tucupi Card) é uma alternativa viável. “Isso é algo interessante na busca de parceiros. A produção é função do capital, da tecnologia, dos recursos naturais e do trabalho. Contudo, ampliando mais esse leque, entra o serviço de parceiros que é onde cabem bem as moedas solidárias. Isso não é também nada excepcional. Na Rocinha (favela do Rio de Janeiro) existe uma moeda própria. É apenas mais uma alternativa de se realizar as produções, utilizando apenas a sociedade sem ter uma dependência do poder público”, afirma. Beça não vê como prejudicial quando se coloca em xeque a liberdade de usufruir da moeda para suprir necessidades alheias ao que a rede FdE pode oferecer. “É um processo de escolha. Ninguém é obrigado a fazer parte. A economia solidária tem esse viés. Só adere quem compreende essas trocas”, explica.


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Plateia

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>> Agenda

>> Estagiários

. Nos dias 14 e 15 últimos, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Josué Neto, cumpriu uma agenda extensa em Parintins. Visitou na zona rural do município a comunidade Bom Socorro do Zé Açu, onde ouviu as demandas apresentadas pelos representantes das comunidades vizinhas, dentre elas de Nazaré e Santa Fé.

. Uma programação especial homenageou os estagiários que trabalham nas secretarias municipais, na manhã de sexta-feira, em comemoração ao Dia do Estagiário, celebrado no dia 18 de agosto, com evento realizado no Parque Municipal do Idoso.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br BARROS

. O presidente informou que será realizada audiência pública ainda neste semestre na localidade com representantes das empresas de telefonia, energia e segurança, apontados como prioridade pelos moradores. . Josué Neto também reuniu com os magarefes, profissionais que trabalham no matadouro do município, e com os trabalhadores que fazem assistência técnica ao setor pecuário do Baixo Amazonas.

Lenúbia Aziz, Luana Antony Vieira, Gisah e Ana Rita Antony durante evento que reuniu time estrelado da cidade no Mon Plaisir

>> Pauta

Livio e Lúcia Assayag em noite de coquetel cinco estrelas

>> Proibida . A biografia não autorizada de Lily Safra, “Gilded Lily – Lily Safra: The Making of One of the World’s Wealthiest Widows” – (LiLy Safra: a formação de uma das viúvas mais ricas do mundo, em tradução livre), foi proibida de ser comercializada no Brasil. . Quem conseguiu barrar o livro na Justiça foi o sobrinho de Lily, Leonardo Watkins. Caso a obra, que foi escrita pela jornalista Isabel Vincent, que trabalha no jornal “New York Post”, seja vendida, a editora deverá pagar uma multa de R$ 100 por cópia, em qualquer edição, papel ou digital. . Leonardo é contra os três primeiros capítulos do livro que acusam seu pai - irmão de Lily, o arquiteto Artigas Watkins, de ter tido envolvimento na morte do segundo marido de Lily, o empresário Alfredo Monteverde, dono da rede de lojas Ponto Frio na época. Segundo o livro, em 1969, Monteverde estava perto de fechar um acordo para se divorciar de Lily quando foi encontrado morto com dois tiros no peito. As autoridades brasileiras consideraram que ele cometeu suicídio e a viúva ficou com todos os seus bens. A família do empresário contestou essa versão da morte.

. Atualmente, são 1,6 mil estudantes que atuam em diversas áreas do funcionalismo público municipal, por meio do Programa Municipal de Estágio Remunerado. . No discurso de abertura, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, lembrou a época em que foi estagiário na cidade do Rio de Janeiro e como esse período contribuiu para o seu amadurecimento profissional. O Programa Municipal de Estágio Remunerado é uma atividade voltada para estudantes dos ensinos médio, técnico e superior e tem por objetivo a contratação de jovens para atuarem nos órgãos e secretarias, preparandoos para a vida profissional. Além de uma palestra motivacional e shows musicais, foram premiados os “Estagiários Nota 10”. Cada secretaria escolheu um estagiário que mais se destacou no desempenho da função. Daniel Zawask, da Secretaria Municipal de Finanças (Semef), foi eleito o principal por apresentar maior rendimento e um projeto que agiliza o atendimento oferecido pelo órgão. MAURO SMITH

. O Conselho de Administração da Suframa (CAS) vai analisar na segunda-feira, no auditório da autarquia, 58 projetos industriais e de serviços que preveem a soma de US$ 975,4 milhões em investimentos totais e a geração de 1.950 novos postos de trabalhos para no Polo Industrial de Manaus (PIM) em 3 anos (prazo implantação dos projetos após aprovação). . A 263ª reunião do CAS, que começa às 14h30, será presidida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Fernando Pimentel, e também está prevista a presença de uma comitiva de ministros da Venezuela. . Na terceira reunião do CAS de 2013 serão avaliados 31 projetos de ampliação, diversificação e atualização e 27 de implantação. Entre os destaques de implantação estão a Daikin, multinacional japonesa líder na produção de condicionadores de ar no Japão e Estados Unidos, que pretende fabricar condicionadores de ar em Manaus no sistema O estagiário Daniel Zawask recebendo homenagem ponta a ponta, com alto nído prefeito Arthur Neto no evento dedicado ao Dia vel de verticalização, com do Estagiário, no Parque Municipal do Idoso recursos totais projetados em US$ 115,4 milhões.

Juarez e Angela de Lima dando uma circulada na cena social de Manaus

>> Objeto de desejo

. Colares, sapatos, brincos e bolsas. O tassel continua sendo a estrela de alguns acessórios, como esta bolsa que a coluna mostra hoje. . É assinada pela Saint Laurent o modelo, que torna chic qualquer produção.


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MC Sapão na ‘Festa

das Poderosas’

Sucessos do funkeiro e de outros artistas estarão no show de MC Sapão, no próximo dia 4, véspera de feriado

Um dos nomes mais conhecidos do funk dividirá o palco com Anitta, no dia 4

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onsiderado um dos nomes mais importantes do funk carioca, o cantor MC Sapão desembarca em Manaus no próximo dia 4 de setembro, véspera de feriado, para comandar juntamente com a cantora Anitta a “Festa das Poderosas”, que promete muita animação, além de gente bonita. Os ingressos já podem ser adquiridos por meio do site www.fabricaingresso.com.br e também no estande da Fábrica de Eventos (Amazonas Shopping). Vale destacar que a classificação indicativa é a partir de 14 anos, tendo área exclusiva para os menores de idade que estiverem devidamente acompanhados de pais ou responsáveis. “Eu sei cantar, eu sei cantar e não preciso ninguém imitar”. Foi embalado nos versos do hit “Eu Sei Cantar” que Sapão invadiu as rádios do Brasil em 2001 e mostrou que chegava para firmar seu nome entre os principais artistas de funk e conquistar o país com um estilo próprio e único. Com apenas 20 anos, lançou seu primeiro disco, intitulado de “Papo de Futuro”, e teve mais de 120 mil cópias vendidas.

Desde então, a carreira de Sapão foi marcada por shows nos mais diversos Estados brasileiros, turnê pelos Estados Unidos, aparições nos principais programas de TV (como, por exemplo, “Caldeirão do Huck” e “TV Xuxa”– Rede Globo, “Astros” e “Domingo Legal” - SBT) e músicas garantidas nas pistas das festas mais badaladas. Sapão é um artista que realmente nasceu com o dom de cantar e fazer sucesso. E não foi à toa que emplacou um hit atrás do outro, como “Tô Tranquilão” e “Diretoria”. Hoje, Sapão não se limita apenas ao funk e incrementa o repertório dos shows com sucessos de grandes nomes da música brasileira, como Jorge Benjor, Lulu Santos, O Rappa e Natiruts. Além disso, o cantor está fazendo aulas de canto e interpretação para trazer cada vez mais qualidade e conteúdo para suas canções. E para acompanhar o ritmo, nada mais justo que um backline de peso: Sapão faz shows acompanhado por uma banda composta por violão, baixo, teclado, sax, bateria, DJ e backing vocal. Com 13 anos de carreira, Sapão está mais maduro e pronto para novos desafios. E

assim surgiu o projeto de registrar seu show pela primeira vez em DVD. “Sapão Original”, gravado no dia 9 de dezembro no “Baile da Favorita”, na quadra de samba da Rocinha, foi lançado no final do ano passado e conquistou ainda mais fãs por todo o país. A atual música de trabalho, “Sapão Original”, inédita e homônima ao DVD, já agita os quatro cantos do país. Para quem ficou com água na boca, o clipe ao vivo já está disponível no canal oficial do cantor no YouTube - SapaoOriginalTV.

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SERVIÇO “FESTA DAS PODEROSAS”, COM ANITTA E SAPÃO Quando: 4/9, às 20h Onde: Studio 5 Ingressos: R$ 40 (pista/ meia), R$ 80 (front stage/ meia)/ R$ 100 (área VIP/meia)

HOJE

CULTURA DIVULGAÇÃO

A cantora Lucilene Castro é uma das atrações de hoje do ponto gastronômico do CSU

Tacacaria Parintins renovada A Tacacaria Parintins, localizada no Centro Social Urbano (CSU), Parque 10 de Novembro, vai reinaugurar hoje, a partir das 17h, de “cara nova” e, claro, com show musical que dessa vez será dos cantores Zezinho Corrêa e Lucilene Castro. A festa também terá exposição de acessórios e camisetas do estilista amazonense Nil Lima, que é responsável, juntamente com o estilista Edinho Serrão, pela criação dos novos uniformes da tacacaria. “Achamos que já era hora de dar uma repaginada no espaço, até porque nosso público, que é fiel, também é exigente. Mas, não podia ser de qualquer jeito, então fizemos várias parcerias e o resultado foi bastante positivo”, esclarece Bruna Iannuzzi, sócia-proprietária do empreendimento. Sobre o show, Bruna explica que a tacacaria sempre apostou em shows de artistas que tenham uma

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identidade com o lugar e Zezinho Corrêa e Lucilene Castro, além de já terem participado de outros eventos no lugar, são parceiros musicais de anos, além de terem no palco a sintonia e a cumplicidade que encantam”, completa. Fazendo jus ao slogan “Somos mais que sabor, somos a identidade de um povo”, o novo quiosque do espaço gastronômico terá grafismo, onde o fundo terá uma homenagem à tribo indígena Parintintin, da cidade de Parintins, terra natal das três proprietárias. “Trata-se de um dos últimos registros da tribo Parintintin. Os traços que colocamos no novo fundo da tacacaria eram usados em cestarias e pinturas corporais pelo povo parintintin, eis então a homenagem retratando a identidade de um povo” explica o design gráfico Hudson Queiroz, responsável pela pesquisa, que também conta com o apoio

de concepção de Bruna, que explica que todos tiveram o cuidado com a pesquisa da plotagem. “Tudo no espaço marca a identidade visual com uma nova roupagem e contextualização”, completa. A arquitetura do local, que ficou sob responsabilidade do arquiteto e urbanista Edgard Noronha, é outro destaque dessa nova fase. Segundo Bruna, o profissional é responsável bem mais do que planejar a construção do novo quiosque ou dividir espaços. “Edgard nos ajudou a projetar o que hoje temos como realidade: transformou o sonho, colocou em prática e hoje é uma realidade”, avalia. Claro que a parte gastronômica do empreendimento tem atenção especial e fica a cargo da nutricionista Jovana Benoliel. “As receitas criadas não são feitas apenas pensando no sabor, mas também na qualidade dos produtos”, salienta.

Noite com Johnny Jack Mesclado A Johnny Jack Mesclado volta ao palco do Ao Mirante Bar (rua Padre Agostinho Caballero Martin, 287, Santo Antônio) na noite de hoje para apresentar as novidades da banda, que celebra 14 anos de estrada em 2013. Entre os destaques estão os videoclipes lançados no site Toque no Brasil e as camisas personalizadas disponíveis na Riff ’s Academia de Música, localizada na avenida Djalma Batista. No repertório de duas horas de duração, o público vai conferir as canções do quarto álbum do grupo, como

“Quando você vem”, “É nóix”, “Linda”, “Gira mundo”, “Pare de falar”, “Tamo junto” e “A luz”. “Essa será a base do nosso show, mas também faremos surpresas como tocar ‘Superman’, do Tarrus Riley; que é a cara do Ao Mirante”, comentou o vocalista Tennessee Nogueira. “Músicas das antigas como ‘Aquela menina’ e ‘Errantes’ voltam ao nosso set list porque, no último show , algumas pessoas pediram e, quando tocamos, foi uma grata surpresa”. Além de Tennessee, a Johnny Jack Mesclado conta com os músicos Frederico Paulus

(baixo), Gabriel Buglê (bateria), João Bitar (guitarra) e Lúcio Bezerra (teclado). A banda está na fase final do quarto disco, que tem previsão de lançamento para o mês de outubro. “O CD passa por mixagem em São Paulo com Wagner Bagão, produtor musical de diversos trabalhos de grupos como Tribo de Jah”, adiantou o baixista Frederico Paulus. Os ingressos estarão à venda somente na hora por R$ 5 (mulher até 18h30) e R$ 10 (homem). A abertura do evento ficará sob comando do DJ Carlos Ferraz.


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RESENHA

Achados e perdidos ÉRICO CINEMEIRO* Equipe EM TEMPO

PERFIL

Érico Cinemeiro é jornalista, repórter do Pódio e cinéfilo

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á 3 anos chegou ao fim uma das séries mais misteriosas que já foram produzidas, “Lost”. Com “Lost” não existia meio termo, ou você amava ou detestava. Muitos veneravam a série justamente por não entenderem quase nada e gostar desse clima de mistério, já outras odiavam pelo mesmo motivo. Você deve estar se perguntando: “Como uma série tão enigmática consegue se tornar um fenômeno mundial e atrair tantos fãs?”. Simplesmente porque “Lost” é a série mais original que já existiu, com uma narrativa jamais vista antes e com interpretações que são um show à parte e fizeram a série ser vencedora de prêmios Emmy e Globo de Ouro. Para quem não sabe nada sobre a série, aqui vai uma breve sinopse: “Um avião de passageiros da fictícia empresa Oceanic Airline sofre um acidente quando fazia a rota Sidney–Los Angeles e acaba caindo em uma ilha paradisíaca ilha no meio do nada e cheia de mistérios. Os sobreviventes, a princípio, ficaram divididos em dois grupos: os da parte

da frente do avião e os da cauda, que caíram em partes diferentes, distantes quilômetros uma da outra. Com o passar do tempo e vendo que o resgate realmente não viria, começaram a ter que improvisar e tocar a vida na ilha. Foi aí que começaram a perceber que coisas estranhas acontecem por lá e que não estão sozinhos. Ainda tem o fato que, de uma maneira ou de outra, as vidas dos passageiros, Jack, Locke, Sawer, Kate, Sayid, Hurley, Sun, Charlie, Claire e outros, já tinham se cruzado antes de pegarem o mesmo voo (conforme visto em vários flashbacks), tudo seria o destino ou apenas uma tremenda coincidência? Claro que tudo isso levou os fãs a criarem várias teorias, dos mais diversos tipos, para tentar desvendar os segredos da ilha. Sem falar que o universo de “Lost” se estendeu também para livros, jogos, games, etc... Ao invés de explicar, acabavam gerando mais questionamentos sobre a vida dos personagens e o que é a ilha na verdade. A série também contou até com a presença do ator brasileiro Rodrigo Santoro no elenco da terceira temporada, pena que sua participação foi “abrevia-

da” e após alguns episódios o seu personagem morreu. Além de enigmática, “Lost” também era cheia de referências mitológicas e abusava dos flashbacks para ajudar a explicar, ou confundir ainda mais, o espectador. Entre os seus temas estavam o drama familiar, o racismo, a religião, a intriga e o mistério, muito mistério, como foco principal de toda a trama. Tanto é que, até hoje, depois de mais de 3 anos, muitos fãs ainda não sabem explicar o que realmente aconteceu no fim do seriado. De acordo com a revista

“Entertainment Weekly”, o episódio duplo que abriu a última temporada em 2010 foi assistido por 12,1 milhões de espectadores só nos Estados Unidos – 6% a mais que a estreia de 2009. Todos esses dados só vêm ratificar ainda mais o enorme sucesso que a série teve nos 6 anos de existência e, apesar da polêmica gerada pelo episódio final, não aprovado unanimemente entre os fãs, é inegável que “Lost” será uma série lembrada pelo jeito inovador que trouxe à TV e a forma diferente de como atraiu seus fãs.

Com “Lost” não existia meio termo, ou você amava ou detestava. Muitos veneravam a série justamente por gostar desse clima de mistério, já outras odiavam pelo mesmo motivo”

TEATRO DIVULGAÇÃO

Alunos do curso de iniciação teatral farão apresentação da obra de Plínio Marcos, amanhã

‘Navalha na Carne’ por iniciantes O Casarão de Ideias encerra, amanhã, às 20h, as atividades do curso de iniciação teatral com trechos da obra “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos. Alunos estiveram com o ator e diretor Michel Guerrero durante quatro meses e aprenderam técnicas de atuação e de improvisação. O trabalho de conclusão da oficina será no próprio Casarão, localizado na rua Monsenhor Coutinho, Centro. O acesso é gratuito. “Escolhemos trechos da obra ‘Navalha na Carne’ pela identificação dos alunos com a dramaturgia de Plínio Marcos. Durante os quatro meses os alunos conheceram peças teatrais, das mais variadas vertentes, além de terem realizado exercícios de corpo, voz e improvisação”, ressaltou o ator e diretor Michel Guerrero, responsável pela oficina.

O curso começou com a inscrição de 35 participantes e finalizará com seis novos artistas. “É um processo natural, fica no teatro aquele que se identifica com a labuta, pois não é nada fácil”, disse Michel. No elenco das cenas de “Navalha na Carne” estarão Juliana Saad, Marco Antônio, Alana Nascimento, Hélio Silva e Otto Rodrigues. A direção do Casarão de Ideias é de João Fernandes. Enredo “Navalha na Carne”, peça de Plínio Marcos, conta a história de três personagens em um quarto de bordel onde mostram suas vidas e expõem cruamente suas relações. O trio se entrelaça deixando transparecer diversos e paradoxais aspectos da condição humana. Retrato duro do submundo brasileiro em que as gí-

rias, a violência das relações humanas, a situação opressora e a luta de cada personagem constroem um quadro cuja dramaticidade sobrevive ao tempo. Autor Plínio Marcos de Barros (Santos, 29 de setembro de 1935 — São Paulo, 29 de novembro de 1999) foi um escritor brasileiro, autor de inúmeras peças de teatro, escritas principalmente na época da ditadura militar. Foi também ator, diretor e jornalista. Foi casado por 25 anos com a jornalista Vera Artaxo, morta em julho de 2010. Escreveu nos jornais “Última Hora”, “Diário da Noite”, “Guaru News”, “Folha de S.Paulo”, “Folha da Tarde”, “Diário do Povo” (Campinas), e também na revista “Veja”, e outras. Morreu aos 64 anos, na cidade de São Paulo.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–Rebate

TV Tudo DIVULGAÇÃO

Está no ponto O SBT já comprou uma série de especiais do “Águias da Cidade”, série documental do Discovery Channel, sobre a rotina dos pilotos, médicos e enfermeiros do Grupamento de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Está tudo certo. Mas só estará liberado para exibição em outubro. Livre, leve e solto Walcyr Carrasco é conhecido por não permitir improvisos ou cacos em seus textos. Em “Amor à Vida” também está sendo assim, mas com honrosas exceções. Uma delas no caso do Mateus Solano. Foi dado ao ator total liberdade de criar ou explorar bordões bem característicos do personagem. Expectativa Silvio Santos voltará nesta segunda-feira ao seu trabalho de todos os dias no SBT. Mesmo de longe, ele acompanhou tudo de perto. As modificações anunciadas no começo da semana, com o término de alguns programas, só foram realizadas, depois de autorizadas por ele.

É só chamar Michel Teló nunca esteve tão aberto aos convites da televisão. É só chamar. Na terça-feira, agora, será a vez da “Praça”, programa que vai ao ar na outra semana.

Vai mexer As principais emissoras de televisão têm procurado fazer mudanças bem pontuais em suas programações, buscando melhores condições para elevar os índices de audiência. Foi o que o SBT realizou na última semana e que a Band deverá realizar em mais alguns dias. Futebol O Esporte Interativo vai transmitir o segundo jogo da Supercopa da Espanha, Barcelona e Atlético de Madrid, dia 28, em HD. Será o seu primeiro teste, ainda assim apenas pela Oi TV. A operação, em definitivo, deve começar em dezembro.

Pacote Inicialmente, o trabalho do Rafinha Bastos, nesta volta à Bandeirantes, irá envolver sua participação em 8 episódios de “A Liga”. Depois, ele e a Cuatro Cabezas irão sentar novamente e conversar sobre os seus próximos passos. Nada consta Carlos Nascimento está no “SBT Brasil”, formando dupla com Rachel Sheherazade, apenas durante as férias do Joseval Peixoto. Segundo Marcelo Parada, diretor de Jornalismo, não há nenhuma chance desta troca acontecer em caráter definitivo.

TV DIVULGAÇÃO

• O compromisso da Luana Piovani com a TV Globo termina com a “Dança”. Não existe nada acertado, pelo menos até agora, com relação ao futuro. • Em meio aos preparativos da nova novela do Manoel Carlos, o diretor Jayme Monjardim já está envolvido com o próximo especial do Roberto Carlos. • O jornalismo da Globo vai concorrer com duas matérias no próximo Emmy... • ... Uma do “Jornal Nacional”, sobre os prédios que caíram no Rio, e outra da tribo isolada da Amazônia produzida pelo “Globo Repórter”. • Nilton Travesso se reuniu com toda a equipe do Teleton, para definir o esquema do programa especial em outubro.

Renata Fan toma lugar de Adriane Galisteu Com a saída de Adriane Galisteu, o nome da Renata Fan foi colocado à frente de todos os compromissos comerciais, artísticos e até sociais da Band. Uma substituição natural, que vem acontecendo inclusive nos concursos de misses e que irá se completar no processo de cobertura da Copa do Mundo do ano que vem. O programa “Jogo Aberto”, que ela apresenta, por ocasião do mundial deixará os estúdios de São Paulo para ser gerado das cidades que irão receber jogos da seleção brasileira e de outras grandes equipes.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini A temporada de mudanças na programação do SBT ainda não terminou. Outras novidades, além das que foram apresentadas na última semana, serão anunciadas no decorrer dos próximos dias. As maiores surpresas podem estar reservadas para a faixa da manhã. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Por uma política cultural para a Amazônia I

Longe das novelas de 2008, público ficou surpreso ao ver a atriz em “Saramandaia”

Ângela ‘ataca’ de produtora Quando Ângela Figueiredo entrou em cena em “Saramandaia’’ (Globo), a primeira reação do público foi a de se perguntar por onde andava a atriz. Longe das novelas desde 2008, quando interpretou Lulu, em “Água na Boca’’ (Band), ela se sentiu preparada para dar vida à submissa Helena, mulher de Zico (José Mayer). “Na televisão, o ator depende de convite para trabalhar. Enquanto isso, é preciso estudar’’, diz. Durante esses anos, Ângela se dedicou ao trabalho de produtora executiva em projetos culturais, como peças de teatro e produtos audiovisuais. Ela foi a responsável pela produção do filme “Titãs - A Vida Até Parece uma Festa’’ (2008) e pelo Festival de Peças

de um Minuto, da companhia teatral Parlapatões, em 2013, em que também atuou. “Gosto de produzir de forma independente, o que me aproxima dos bastidores dos projetos’’, diz ela, que tem acompanhado de perto todos os detalhes da produção do folhetim das 23h. “Hoje, entendo as dificuldades e o esforço da equipe para colocar cada capítulo no ar’’, fala. Recentemente, a atriz finalizou a produção do CD da peça “Jacinta’’, estrelada por Andréa Beltrão, e de um documentário para o canal pago Off, sem deixar a novela de lado. “Esses trabalhos aparecem nos momentos certos, sempre quando é possível conciliá-los. É preciso paciência, calma e vontade para realizar todos’’.

Em muitos dos projetos, Ângela conta com a parceria do marido, Branco Mello, músico do Titãs, com quem está casada há 25 anos. “Gostamos de trabalhar um com o outro e não deixamos os problemas afetarem a nossa relação’’, garante a atriz. Na TV, a personagem de Ângela vive um período tenso na vida conjugal. É que, depois de descobrir as traições de Zico, Helena não será mais a mesma. “Ela está magoada, mas, ainda assim, vai seguir no casamento para não prejudicar a carreira política do marido’’, adianta. A atriz também comemora seu reencontro com Fernanda Montenegro, que vive Candinha, sua sogra na trama. “É muito bom reencontrá-la 30 anos depois’’, conta.

Alguns membros contrários aos programas de integração entre países, Estados, grupos sociais e outros nós de relacionamentos esqueceram que a Europa foi consumida por inúmeras guerras, arrasada em suas ideologias, mas que em poucas décadas foi capaz de nos dar um exemplo claro de integração onde, hoje, podemos pensar em como esta política transcendeu as perspectivas econômicas baseadas na integração pelo euro mas, sobretudo, de se pensar a possibilidade de integração cultural através de trocas de bens e serviços de todos os tipos (arte, saúde, expressões), intercâmbio entre países num interessante jogo de trocas simbólicas como uma forma de identificar este Velho Mundo com a maior de todas as integrações: a integração humana. O Kula, instituição presente na Melanésia Ocidental, baseado em trocas de colares e pulseiras entre as diversas tribos vizinhas localizadas ao redor desta região e legitimadas por inúmeras regras, práticas mágicas e rituais, também é um exemplo que podemos dar de integração, estrutura complexa de um povo rico e obstinado em suas manifestações. É certo pensar o projeto político para a Amazônia como um arremedo, cercado de arbitrariedades e de graves conseqüências desde os tempos do marquês de Pombal. A política de colonização portuguesa – na verdade nem era exatamente uma política – se baseava na ocupação das zonas litorâneas brasileiras de modo que pudessem ter acesso a Portugal e às colô-

nias africanas. Os portugueses tinham pavor de adentrar o Brasil, pois buscavam evitar os confrontos com os índios, conflitos estes sempre desgastantes, demorados e que ocasionavam muitas baixas às tropas do rei. Este princípio lusitano, o do pavor pelo “interior”, parece ainda hoje fazer parte do ethos nacional e configura-se como um dos elementos indissociáveis de nossa idiossincrasia. Neste caso me refiro à falta de interesse do próprio Brasil de se conhecer para poder se integrar e se pertencer nele como que imanente ao seu princípio ativo. E este pavor tem se revelado ao longo de nossa história marcada pela solidariedade. E aqui abrimos espaço para falar de integração refutando todas as políticas imperialistas e canhestras para dizer o mínimo, ou seja, daquilo que as duas ditaduras brasileiras chamavam de integração: construir estradas, estímulo a imigração de agricultores paranaenses falidos, migração de analfabetos, instalação de fábricas etc. Integração aqui é sinônimo de troca, intercâmbio, relação, reciprocidade. É um empoderamento ético e estético que visa nas relações sociais com o outro (que na verdade é seu semelhante) buscar compreender seu universo cultural e seu processo de formação histórica como forma de encontrar suas potências e eliminar o conceito de carência. Deste modo, desatrelar da Amazônia o princípio assistencialista da solidariedade a que todos os nativos estão submetidos por olhares opacos e rasteiros.

Márcio Braz ator, diretor, membro do Navi – Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Política Cultural

É certo pensar o projeto político para a Amazônia como um arremedo, cercado de arbitrariedades e de graves consequências desde os tempos do marquês de Pombal”


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Programação da TV

GLOBO

REPRODUÇÃO

SBT

4:40 Sagrado 4:55 Santa Missa em Seu Lar 5:55 Amazônia Rural 6:02 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7:00 Globo Rural 07:55 Esporte Espetacular (XXII 1/2 Maratona do Rio de Janeiro). 11:25 Temperatura Máxima 13:00 Esquenta! 15:00 Futebol 2013: Campeonato Brasileiro – Flamengo x São Paulo.17:00 Domingão do Faustão 20:00 Fantástico

5:30 Jornal da Semana 6:00 Arnold 6:30 Pesca Alternativa 7:30 Brasil Caminhoneiro 8:00 Aventura Selvagem 8:30 Vrum 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Domingo Legal 14:00 Eliana 18:00 Vamos Brincar de Forca 18:45 Sorteio da Telessena 19:00 Programa Silvio Santos 23:00 De Frente com Gabi 0:00 True Blood 1:00 O Mentalista 2:00 Rizzoli & Isles 4:30 Igreja Universal

Rede TV!

22:05 Revenge 23:35 Domingo Maior 00:40 Sessão de Gala 01:50 Programete - Mundial de Atletismo 2013 (Moscou) 2:45 Corujão O seriado “Revenge” terá um capítulo especial neste domingo

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Insatisfação na relação amorosa: parece que não era assim que era para ser. Nem sempre o trabalho acolherá bem suas investidas criativas. Veja o que dá para aproveitar. TOURO - 20/4 a 20/5 O ambiente doméstico se agita com mudanças na rotina e sentimentos que se exaltam. Você tende a ficar insatisfeito até aceitar uma nova ordem nesse ambiente. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Os afazeres de rotina são atrapalhados pela instabilidade no trabalho e porque as outras pessoas parecem sempre pedir uma coisa diferente daquela que você esperava. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Lidar com dinheiro pode ser meio atrapalhado neste dia. A falta de planejamento tende a dispersar seus recursos. As interferências das pessoas exigem mudar o modo de lidar. LEÃO - 23/7 a 22/8 Você pode se sentir inseguro, pois suas ideias parecem não funcionar e as pessoas lhe causam impressões difusas mas de algum impacto. Tendência a se desorientar. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Difícil aceitar as outras pessoas com seus jeitos de ser. Elas lhe incomodam de alguma maneira inquietante. Você anseia aprimorar a maneira de se expressar afetivamente. LIBRA - 23/9 a 22/10 Não há como ir para algum lugar quando não se tem certeza do que se quer. Você pode oscilar entre muitas direções e possibilidades, e terminar no mesmo lugar. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Você tende a não se decidir por coisa alguma no trabalho. É preciso aprimorar a visão que tem da situação atual, nestes dias, antes de dar forma para sua atividade. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As dúvidas morais fazem você duvidar de seus gestos. Será que eles são mesmo corretos? Há sempre algo a aprimorar quando se trata do caráter e da ética. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As pessoas tendem a lhe incomodar de diversas formas, neste dia. Você tende a reagir rejeitando tudo o que elas tragam, como se só você pudesse ter razão. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 É preciso aprimorar a maneira de se comunicar com as pessoas. Elas parecem ter atributos que na verdade não têm. As relações são afetadas pela comunicação mal feita. PEIXES - 19/2 a 20/3 O trabalho perde um pouco do ritmo, mas pode ser beneficiado por mudanças inspiradas. Só não convém exagerar o tempo preenchido com pensamentos dispersivos.

4:20 Festival de Desenhos

6:30 Igreja Internacional da Graça 7:30 Igreja Internacional da Graça 8:30 TV Kids 9:00 TV Shopping Manaus 10:00 Super Oferta 10:30 A Questão É

11:35 – Campeonato Sudamericano De Gran Turismo 12:30 – Minuto Da Copa 12:35 – Gol, O Grande Momento 13:00 – De Olho Na Copa 13:05 – Band Esporte Clube 14:30 – Futebol 2013 Campeonato Brasileiro 16:50 – Terceiro Tempo 19:00 – As Detetives 20:00 – Só Risos 21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre 01:00 – Minuto Da Copa 01:05 – Alex Deneriaz 01:45 – Show Business-reapresentação 02:35 – O Encantador De Cães 03:00 – Igreja Mundial

11:00 Igreja Internacional da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Esporte Performance 14:00 Encircuito 15:30 A Questão É 16:00 TV Kids 16:45 Video Mania 17:30 Ritmo Brasil 18:10 O Último Passageiro 19:30 Te Peguei 20:30 Teste de Fidelidade 22:30 TV Shopping Manaus 23:30 Dr. Hollywood 0:30 É Notícia 1:30 Bola na Rede 2:30 Igreja Internacional da Graça

RECORD

BAND 05:00 – Igreja Mundial 05:50 – Popeye 06:30 – Santa Missa No Seu Lar 07:30 – Desenho 08:30 – Ação na TV 09:30 – Mackenzie Em Movimento 09:45 – Infomercial – Polishop 10:45 – Verdade e Vida 11:00 – Irmão Caminhoneiro - Boletim 11:05 – Pé Na Estrada

4:45 Bíblia em Foco 5:00 Santo Culto em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos 8:00 Record Kids 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Record Kids 12:00 Tudo a Ver 14:00 Programa do Gugu 18:30 Domingo Espetacular 22:15 Tela Máxima 0:15 Programação IURD

Cruzadinhas

Cinema PRÉ-ESTREIA Os Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos: 12 anos. EUA. Clary Fray presenciou um misterioso assassinato, mas ela não sabe o que fazer porque o corpo da vítima sumiu e parece que ninguém viu os envolvidos no crime. Para piorar a situação, sua mãe desapareceu sem deixar vestígios e agora ela precisa sair em busca dela em uma Nova York diferente, repleta de demônios, magos, fadas, lobisomens, entre outros grupos igualmente fantásticos. Para ajudá-la, Fray conta com os amigos Simon e o caçador de demônios Jace Wayland, mas acaba se envolvendo também em uma complicada paixão. Cinemark 2 – 20h40 (dub/somente quarta-feira e quinta-feira); Playarte 10 – 21h20 (dub/somente quarta-feira e quinta-feira); Cinemais Millennium – 21h10 (leg/somente quarta-feira e quinta-feira); Cinemais Plaza – 21h45 (dub/somente quarta-feira e quinta-feira); Cinépolis 4 – 19h50 (leg/somente quarta-feira e quinta-feira).

ESTREIA Jurassic Park: Livre. EUA. Em uma ilha remota, um rico empresário monta um parque temático com dinossauros vivos, criados a partir de DNA pré-histórico. Antes de abri-lo ao público, ele convida um conceituado paleontologista e sua namorada paleobotânica, um renomado matemático e também seus dois netos para conhecerem o parque - e ajudarem a acalmar investidores ansiosos. Mas a visita não é nem um pouco tranquila, já que os predadores pré-históricos escapam e começam a caçar os habitantes da ilha. Baseado no bestseller de Michael Crichton. Cinemais Millennium – 14h15, 19h30 (3D/dub/diariamente). Percy Jackson e o Mar de Monstros: 10 anos. EUA. Para salvar o seu acampamento, Percy Jackson e seus amigos precisam encontrar o lendário e mágico Velocino de Ouro. Eles embarcarão em uma odisseia traiçoeira para as águas desconhecidas do Mar de Monstros - conhecido para os seres humanos como o Triângulo das Bermudas, onde eles lutarão contra criaturas aterrorizantes, um exército de zumbis, e o mal supremo. Cinemark 1 – 16h30, 19h10, 21h50 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 13h10, 15h40 (dub/diariamente), 18h20, 20h50 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 1 – 13h (3D/ dub/diariamente), 17h50 (3D/leg/diariamente), 22h40 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 19h20 (3D/dub/diariamente), 17h, 21h40 (3D/leg/diariamente), 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 19h10, 21h30 (dub/diariamente), 14h, 16h20, 18h40, 21h (3D/dub/diariamente); Cinépolis 5 – 14h, 16h30, 19h (3D/dub/diariamente), 21h45 (3D/leg/diariamente). Flores Raras: 14 anos. BRA. O Brasil nos anos 1950/1960 passa por grandes transformações, Brasília é construída, a Bossa Nova faz grande sucesso e o Rio de Janeiro se transforma rapidamente preparando-se para deixar de ser a capital federal. É quando Elisabeth Bishop (Miranda Otto), poetisa americana, chega para conhecer o Rio de Janeiro e passar alguns dias com Lota de Macedo Soares (Gloria Pires) mulher forte e empreendedora da sociedade carioca. Com personalidades muito à frente de seus tempos, elas rapidamente estabelecem uma relação pessoal gerando muitas conquistas e perdas, que se refletem até os dias de hoje. Cinemark 3 – 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (diariamente), Cinemais Millennium – 14h, 16h30, 18h50, 21h15 (diariamente). Gente Grande 2: 12 anos. EUA. Lenny (Adam Sandler) se mudou com sua família para a pequena cidade onde ele e seus amigos cresceram. Mas desta vez, são os adultos que irão aprender valiosas lições com seus filhos em um dia notoriamente cheio de surpresas: o último dia de aula. Cinemark 8 – 11h10 (dub/somente sábado e domingo), 13h40, 16h20, 19h, 21h30 (dub/diariamente), 0h (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 4 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (leg/diariamente), 23h35 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h10, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h40, 18h50, 21h10 (dub/diariamente); Cinépolis 3 - 19h20 (leg/diariamente), 14h30, 17h00, 00h15 (dub/diariamente), Cinépolis 4 – 22h40 (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES Wolverine: Imortal – 14 anos: Cinemark 2 – 12h10, 17h40 (dub/diariamente), 20h40 (exceto quarta-feira e quinta-feira), 23h40 (somente sextafeira e sábado); Playarte 7 – 12h50, 15h25, 18h, 20h35 (dub/diariamente), 23h10 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h20, 19h25 (dub/diariamente), 16h45, 21h50 (leg/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 17h, 19h30, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 21h40 (leg/diariamente). Círculo de Fogo: 12 anos. EUA. Cinemark 5 – 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 17h10, 20h20 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 6 – 12h, 15h10 (3D/dub/diariamente), 18h10, 21h10 (dub/diariamente); Playarte 1 – 15h15 (3D/dub/diariamente), 20h05 (3D/leg/ diariamente); Playarte 5 – 13h25, 16h,

18h35, 21h10 (dub/diariamente), 23h45 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 16h40, 22h (3D/dub/diariamente), 15h10, 18h40, 21h20 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 13h50, 16h30, 19h15, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 19h, 00h15 (3D/dub/diariamente), 13h, 16h, 22h (3D/leg/diariamente). Vendo ou Alugo: 14 anos. BRA. Cinemark 5 – 14h50 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 19h20 (diariamente); Cinépolis 2 - 16h30, 18h45, 00h15 (diariamente). Meu Malvado Favorito 2 – Livre: Playarte 3 – 13h05, 15h10, 17h15, 19h20, 21h25 (dub/diariamente), 23h45 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza – 14h50, 17h10 (dub/diariamente); Cinépolis 2 - 14h, 00h15

(dub/diariamente). Minha Mãe é Uma Peça – 12 anos: Playarte 9 – 13h40, 15h40, 17h40, 19h40, 21h40 (diariamente) e 23h40 (somente sexta e sábado). Os Smurfs 2 – Livre: Cinemark 1 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 13h50 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 12h20, 14h40, 17h20, 19h50, 22h20 (dub/diariamente); Playarte 8 – 13h45, 15h55, 18h05, 20h15 (dub/diariamente), 22h25 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 12h40, 14h50, 17h, 19h10 (dub/somente quarta-feira e quinta-feira), 12h40, 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (sexta-feira, sábado, domingo, segunda-feira e terça-feira), 23h30 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h45, 16h50 (dub/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h20,

16h25, 18h30 (dub/diariamente), 20h50 (dub/exceto quarta-feira e quinta-feira); Cinépolis 4 – 12h40, 15h, 17h30 (3D/ dub/diariamente), 20h (3D/dub/exceto quarta-feira e quinta-feira). Red 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos – 14 anos: Cinemark 2 – 15h (diariamente); Cinépolis 2 – 21h (leg/diariamente). O Concurso – 12 anos: Playarte 2 – 13h10, 15h, 16h50, 18h40, 20h30 (diariamente), 22h20 (somente sextafeira e sábado); Cinemais Plaza – 17h20, 21h20 (diariamente). Os Escolhidos: 14 anos. EUA. Cinemais Millennium – 19h (leg/diariamente), 21h10 (leg/exceto quarta-feira e quintafeira); Cinemais Plaza – 19h40, 21h40 (dub/diariamente).


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MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

::::: Atração “insana” Ainda em comemoração ao mês dos pais, os clientes do Amazonas Shopping vão ganhar muito humor e diversão no próximo fim de semana, quando ocorre em sua praça central uma minitemporada do consagrado espetáculo teatral “Terça Insana”, assinado pela atriz e diretora Grace Gianoukas. As apresentações, com acesso gratuito, acontecerão nos dias 23 e 24, a partir das 20h, e no próximo domingo, a partir das 19h.

::::: Sala de Espera

Jander Vieira

Adyel Vieira e Selma Reis foram alvos de muitos cumprimentos. Eles são os aniversariantes da temporada.

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Aterrissagem O deputado Francisco Souza (PSC) arrancou vários elogios durante a semana ao usar a tribuna da Aleam para fazer um comunicado de liderança sobre a intenção da multinacional japonesa Sumidenso, fabricante de componentes para automóveis, em instalar uma nova unidade da empresa em Iranduba. Aliás, o projeto de implantação de um polo industrial para os municípios amazonenses está sendo estruturado pela administração Aziz, que destaca cerca de 30 empresas, apenas para aquele município. O projeto em pauta prevê a realização de mais um sonho para alavancar a economia do Estado.

Com a campanha “Escolha a sua Cor”, a loja Contém 1g Make-up do Manauara Shopping transpira promoção: na compra de um batom Color Effect o segundo você ganha 50% de desconto, em suas 184 cores. Que tal?

“Pre-para, o show das poderosas...” FOTOS: JANDER VIEIRA

O Gabinete de Gestão Integrada da Secretaria de Segurança Pública do Estado Amazonas tem nova coordenadora. Tratase da competente delegada Samira Mousse Carvalho, pontos para o atuante secretário Paulo Roberto Vital pela excelente escolha

::::: E a praça General Osório? Dando uma olhada nos projetos que o poder público quer disparar para recuperar o centro de Manaus, este colunista notou a ausência da praça General Osório, uma das mais belas, senão a mais bela praça de Manaus. O logradouro foi barbaramente destruído nos anos 70 para servir de campo de futebol para os alunos do Colégio Militar. A praça era uma ilha de beleza e até uma piscina pública com grifos jorrando água havia no local. Tudo veio abaixo em nome do absurdo! Que esse crime contra Manaus seja revisto. Pela fé!

De cara nova

A competente primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz reuniu grupo de sobrenomadas – Giselle Pascarelli, Lúcia Assayag, Marília Zuazo, Giovanna e Andréa Aziz, Adriana Cordeiro, Lúcia Viana e Tânia Castro – para comemorar (de forma descontraída) o sucesso que foi o Arraial da Rede Solidária, da MS Casa. Resultado: durante o petit comité, no varandão da Palazzolo, surgiram novos projetos beneficentes. Nejmi é mesmo um furacão da solidariedade.

A Tacacaria Parintins vai reinaugurar, hoje, a partir das 17h, de “cara nova” e, claro, com show musical, que dessa vez será dos cantores Zezinho Correa e Muito bom no que faz, José Aldo é hoje Lucilene Castro. A festa também um orgulho para o Amazonas, mas vaterá exposição de acessórios mos economizar no oportunismo. Tem e camisetaria do estilista muita gente aí que agora tece boas amazonense Nil Lima, que homenagens ao lutador amazoé responsável, juntamennense, mas quando teve oportunite com o estilista Edinho dade, jamais o apoiou ou apoiou Serrão, pela criação dos qualquer outro atleta do Estado. novos uniformes da TaColar no sucesso pelo esforço cacaria. “Achamos que próprio de alguém é feio e já era hora de dar uma baixo. Melhor fazer como a repaginada no esparede de postos Equador, que ço, até porque nosestá com um projeto maraviso público que é fiel, O anfitrião André Souza com a arquiteta Leila Barakat dulhoso de apoio aos artistas e também é exigente, rante mais uma edição de sucesso da “Confraria dos Arquidesportistas do Amazonas. esclarece a empresátetos”, na MS Casa. Ela foi a chef da noite com o seu “Divino Tenho dito! ria Bruna Iannuzzi. de Bacalhau” – é de comer rezando, de tão saboroso!

::::: Assim não vale

DIVULGAÇÃO

Um total de 22 grupos de dança se inscreveram no festival

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Sessão carinho do desembargador Lafayette Vieira Jr. com sua Giovanna durante sua sessão parabéns no meio da semana

Falando no centro de compras, a joalheria Jaqueline Chagas acaba de decretar o seu Festival de Brilhantes. São mais de 50 tipos diferentes de solitários de 20 pontos de até seis quilates, com preços bastante convidativos e certificado internacional. Tentador, não? Paulo Ferreira e Mônica Galate estão na Cidade Maravilhosa, onde participarão da Meia Maratona Internacional do Rio, que acontecerá logo mais. O casal tem um novo desafio: o de concluir em menos de duas horas o percurso dos 21 quilômetros. Força! Inspirada no público jovem, a Natura relança a linha de fragrâncias Natura Face. Em nova embalagem, com design moderno e inovador, o desodorante colônia da linha Natura Faces vem em formato de losango e pode ser apoiado em diversos ângulos. Um mimo!

FESTIVAL

Seleção do FAD começa amanhã Com inscrições vindas até de fora do Estado, começa amanhã a escolha dos dez espetáculos artísticos que participarão do 5º Festival Amazonas de Dança (FAD), evento promovido pelo Governo do Amazonas por meio da Secretaria de Estado da Cultura. Este ano, 22 grupos se inscreveram para participar da seleção, que será feita por uma curadoria, inclusive um vindo de Belém, Pará. De acordo com o presidente da Associação dos Profissionais de Dança do Amazonas (Aprodam), Augusto Domingos, a curadoria que irá selecionar os espetáculos será formada por Wanderleia Dimas Barbosa, representante da dança local, Carmem Lúcia Meira Arce, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o curador convidado Agesandro Rêgo, que vem de Macapá. Em Manaus, as apresentações acontecem nos dias 30 e 31 de agosto, com cinco espetáculos de dança por noite, no Teatro Amazonas. E entre os dias 4 e 7 de setembro, elas acontecem na quadra muni-

cipal de Novo Airão. “Além de escolher os participantes, a curadoria ainda vai decidir a ordem das apresentações nos dois municípios”, afirmou Augusto Domingos. Ainda segundo ele, os espetáculos selecionados deverão ter a duração de dez minutos para a apresentação em Manaus e 20 minutos

CURADORES

A curadoria é formada por Wanderleia Dimas Barbosa, representante da dança local, Carmem Lúcia Arce, do curso de dança da UEA e o curador convidado Agesandro Rêgo, que vem de Macapá para as apresentações em Novo Airão. “Fora da capital, os grupos terão mais tempo de apresentação, o que será um benefício a mais para a população”, completou o presidente da Aprodam. Domingos ressaltou ainda os critérios de avaliação que serão utilizados pelos curado-

res. “Eles terão como critérios de avaliação a qualidade técnica, o conteúdo artístico, a criatividade, o conteúdo original, qualidade de movimentos, figurino, roteiro, concepção e adequação técnica dos espetáculos aos espaços disponibilizados pelo Festival”, disse. Ele reforçou ainda que o DVD contendo a gravação do espetáculo inscrito pelo grupo não deve conter cortes ou edições para analise da comissão de seleção, que terminará na próxima quarta-feira. Oficinas Além dos espetáculos, em Novo Airão, será realizada ainda uma programação acadêmica que visa a difusão da dança no interior do Amazonas. Serão oferecidas seis oficinas para 30 alunos cada, todas gratuitas, com temas que vão desde a dança de salão até danças livres e urbanas. As oficinas serão realizadas no Ginásio Poliesportivo Luiz Jorge da Silva (Ferrari), no Centro da cidade. As inscrições podem ser feitas no dia 4 de setembro, no local. Podem participar pessoas a partir de 11 anos de idade.


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MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013


MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

Capa

ilustração de Jan Limpens

3

1

A clareza de Norberto Bobbio

2

Getúlio, esse camaleão

e outras 7 indicações culturais. Pág. 2

Otavio Frias Filho resenha biografia do ditador. Pág. 3

Um desafio das Arábias

O sinuoso aprendizado da língua de Alá. Págs. 4 e 5

4

Diário de Berlim

5

Do arquivo de Carlos Castelo

6

O rapper, o performer e os limites da arte. Pág. 6

São Paulo, 1994. Pág. 7

Só sobrou uma poça fedida e fumarenta

A imaginação de Virginia Woolf. Pág. 8


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Ilustríssima Semana O MELHOR DA SEMANA EM 8 INDICAÇÕES

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NORBERTO BOBBIO Três perguntas a Celso Lafer, professor emérito do Instituto de Relações Internacionais da USP, sobre o filósofo italiano (1909-2004), tema de seu novo livro, “Norberto Bobbio: Trajetória e Obra” (Perspectiva, 256 págs., R$ 40 ), que lança amanhã, das 18h30 às 21h30, na livraria Cultura do Conjunto Nacional Folha - Como nasceu seu interesse por Bobbio? Celso Lafer - Meu interesse inicial foi o de um professor que, na década de 1970, viu nas suas contribuições à filosofia e à teoria geral do direito, caminho para problemas concretos do direito positivo. Este interesse ampliou-se quando notei, nos anos 80, na transição do regime autoritário, a importância dos seus estudos para a afirmação da democracia e dos direitos humanos no convívio coletivo.

BRASILEIRO TEATRO | CARTA AO PAI Denise Stoklos dirige e atua neste monólogo inspirado no texto de Franz Kafka. A relação conflituosa entre o escritor e seu pai serve de base para a coreógrafa, que completa 45 anos de carreira, propor uma reflexão sobre o Brasil. Sesc Consolação | estreia na sexta (23), às 21h | sex., sáb., às 21h; e dom., às 18h até 29/9 | de R$ 6,40 a R$ 32

Necésio Pereira no curta “O Proustiniano de Osasco”, deMarcos Fábio Katudjian

CURSO | O QUE É A POESIA? O editor Edson Cruz recebe convidados para debater poesia neste projeto na Casa das Rosas. No próximo domingo (dia 25), ele conversa com o poeta Carlito Azevedo, autor de “As Banhistas” (1993) e “Monodrama” (2009), entre outros livros. domingo (25), às 16h | grátis FOTOS: DIVULGAÇÃO

CINEMA | FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS DE SÃO PAULO A 24ª edição do evento reúne cerca de 400 filmes de mais de 50 países. A mostra internacional apresenta “A Fuga”, eleito melhor curta no Festival de Berlim. Na programação brasileira destacam-se “Pouco Mais de um Mês”, menção honrosa em Cannes, e “O Proustiano de Osasco”. Programação em www.kinoforum.org.br. de 22 (quinta) a 30 de agosto | grátis

Reunir estes ensaios lhe deu nova compreensão de Bobbio? Reconfirmei a coerência da sua trajetória. Sua obra tem como grande identificador os nexos entre democracia, Estado de Direito e prevalência dos direitos humanos, no plano interno, e as possibilidades da solução pacífica de controvérsias, na ordem internacional. Em que aspecto a obra de Bobbio contribui para o entendimento do mundo hoje? Ele buscou alternativas à fúria dos extremos no século 20, que segue no século 21. Recorrendo a um verso do grande poeta italiano Eugenio Montale, digo que, pelo exercício da razão, na obra de Bobbio “tendem à clareza as coisas obscuras”. Sua obra abrange quase 5.000 títulos. É como um vastíssimo laboratório de instrumentos teóricos para observar, compreender e avaliar o mundo.

EXPOSIÇÃO | RODRIGO ANDRADE O artista plástico apresenta no Centro Universitário Maria Antonia a exposição “Pinturas de Estrada”. As telas, de pequenos e grandes formatos, reconstituem paisagens de lugares reais, reconfiguradas por meio de grossas camadas de tinta superpostas. ter. a sex., das 10h às 21h; sáb., dom. e feriados, das 10h às 20h | até 13/10 | grátis

POP

ERUDITO

‘Estrada de terra com Baobás no Fim da Tarde’, de Rodrigo Andrade

LlIVRO | CARLOS FUENTES Este romance póstumo do escritor mexicano, morto em 2012 aos 83 anos, é uma espécie de revisão de sua obra, uma das principais da América Latina no século 20. A trama de “Federico em Sua Sacada” enfoca poder, amor e justiça a partir de um encontro imaginário entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o próprio Fuentes. trad. Carlos Nougué | Rocco | 320 págs. | R$ 39,50

CURSO | PABLO STOLL O cineasta e roteirista uruguaio inicia amanhã (dia 19), em Belo Horizonte, curso de direção para cinema. Enquadramento, iluminação, som, música e roteiro serão alguns dos temas abordados. Stoll dirigiu, entre outros, os filmes “25 Watts” (2001) e “Whisky” (2004), ambos em parceria com Juan Pablo Rebella (1974”’2006), e “3” (2012). escola Lugar de Cinema | de amanhã (19) até 31 de agosto | R$ 1.998

ESTRANGEIRO

CINEMA | MOSTRA MUNDO ÁRABE DE CINEMA Documentários e ficções sobre a realidade política e cultural dos países árabes ganham as telas de São Paulo e Rio. A mostra traz “Cinco Câmeras Quebradas”, longa indicado ao Oscar em 2013. São Paulo - Cinesesc (até 22/8; de R$ 1,60 a R$ 8) | CCBB (de quarta, dia 21, a 1/9; de R$ 2 a R$ 4) Rio - CCBB (de 4/9 a 16/9; de R$ 2 a R$ 4)

Folha.com

Ilustríssimos desta edição CARLOS CASTELO, 55, é escritor, autor de “Damas Turcas”. CLAUDIUS CECCON, 75, é arquiteto e cartunista. DENISE BOTTMANN, 58, traduziu “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, entre outros livros. DIOGO BERCITO, 25, é correspondente da Folha em Jerusalém. JAN LIMPENS, 43, é artista plástico. OTAVIO FRIAS FILHO, 56, diretor de Redação da Folha, é autor de “Queda Livre” (Companhia das Letras) e “Seleção Natural” (Publifolha).

QUENTIN BELL (1910-96), historiador inglês, sobrinho e biógrafo de Virginia Woolf. Pág. 8 SILVIA BITTENCOURT, 48, é jornalista e autora de “A Cozinha Venenosa - Um Jornal contra Hitler” (Três Estrelas), sobre o periódico “Münchener Post”. LUIZ FELIPE PONDÉ, 54, colunista da Folha, é professor de filosofia da PUC-SP e da FAAP. Lança “A Filosofia da Adúltera - Ensaios Selvagens” (Leya) em setembro. VIRGINIA WOOLF (1882-1941), escritora inglesa, autora de “Mrs. Dalloway” (1925).

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha CELSO LAFER Leia a íntegra da entrevista sobre Norberto Bobbio >>folha.com/ilustrissima


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Crítica

2

O lado escuro de Getúlio Cesarismo camaleônico fez do líder popular um ditador RESUMO Segunda parte da biografia de Getúlio Vargas aborda seu lado “ruim”, concentrando-se nos anos que levaram à ditadura do Estado Novo. Apesar de certo tom oficialesco, livro se destaca pela narrativa da Revolução de 32 e da Intentona Comunista e ajuda a desfazer maniqueísmo ingênuo em torno da figura do líder.

OTAVIO FRIAS FILHO

Assim como o colesterol, pode-se dizer que existe um Getúlio Vargas “bom” e outro “ruim”. O primeiro é o líder de uma revolução democrática, o campeão dos direitos sociais, o governante nacionalista. O segundo é o chefe da única ditadura pessoal que o Brasil conheceu e o político inescrupuloso aferrado ao exercício do poder. Claro que esse maniqueísmo ingênuo se desfaz conforme conhecemos mais sobre personalidade tão ambígua e sua complexa inserção numa época conflagrada como os meados do século passado. Fomentar essa compreensão isenta é o maior mérito da biografia em três volumes empreendida pelo jornalista e pesquisador Lira Neto, da qual se publica agora a segunda parte, “Getúlio - Do Governo Provisório à Ditadura do Estado Novo (1930-1945)” [Companhia das Letras, 632 págs., R$ 52,50]. Nela se concentra o Getúlio “ruim”, o equilibrista ardiloso que sobrenada em meio às tormentas ideológicas da década de 1930, jogando uns contra outros, sempre aliado ao adversário da véspera – chefe do governo provisório (1930), presidente eleito pela Constituinte (1934) e enfim ditador a partir de 1937. É natural que o protagonista comande o espetáculo numa biografia; mesmo no caso de figura decisiva como Vargas, porém, é fascinante o grau em que sua trajetória foi antes comandada pelas circunstâncias. Mestre da paciência e do silêncio, ele esperava que se consolidassem à medida que tratava de se amoldar a elas. Não eram apenas circunstâncias locais, pois os anos 1930 ilustram com nítida evidência que não existe o “nacional”, no sentido de que ele é sempre uma variante particular de fenômenos mais amplos, de dimensão internacional. Impulsionada pela catástrofe da crise econômica de 1929,

por toda parte a revolução social parecia iminente. Sua ponta de lança eram os partidos comunistas, organizados sob disciplina militar e obedientes à União Soviética. O fascismo foi, como se sabe, uma defecção nacionalista e racista desse movimento revolucionário, logo apropriada pelos setores interessados em preservar a propriedade e a hierarquia ameaçadas. Desde os anos 1920, hordas de fanáticos das duas seitas – opostas nos propósitos, iguais em método e estética – se enfrentavam em arruaças nas principais cidades do mundo. Quando duas forças políticas se empenham num confronto violento e prolongado sem que nenhuma submeta a outra, torna-se provável um desenlace cesarista (também chamado bonapartista). Incapaz de um compromisso estável, exaurida pelas lutas intermináveis, a sociedade vê um ditador enfeixar o poder absoluto para restabelecer a ordem periclitante, ainda que sob uma retórica revolucionária. Nada muito diverso ocorreu no Brasil da época. Mas a comparação é instrutiva porque permite isolar, quase como num experimento químico, as peculiaridades que distinguem o cesarismo tupiniquim, getuliano, do padrão mais geral. A mais notável, talvez, é seu caráter camaleônico. Embora formado no positivismo autoritário e reformista que fez longa escola na política gaúcha, Getúlio nunca aderiu a qualquer doutrina ideológica. Conforme as conveniências, manipulava este ou aquele aspecto de todas elas, reivindicando para si o centro de gravidade da política, afastado de ambos os extremos. Característica psicológica da personagem? Certamen-

te. Mas também sintoma de uma sociedade onde ideologias têm função decorativa, na qual as ideias não são levadas ao pé da letra nem sequer a sério, em que programas e compromissos são “para inglês ver”. Esse traço cultural do país responde por mazelas (sucessivas constituições, leis e orçamentos que não se respeitam, partidos de araque, política inautêntica) e também por subprodutos benfazejos (ausência de racismo politicamente articulado, tolerância religiosa e sexual, descrença em relação a dogmas). Tortura e assassinatos políticos faziam parte da rotina da repressão policial, sobretudo após o golpe do Estado Novo, em 1937. Não podem ser quantificados porque os registros foram destruídos a tempo, mas as revoltas armadas do período deixaram um saldo reduzido de baixas. Foram 22 mortos na Intentona Comunista (1935); ainda menos na tentativa de golpe integralista (patética versão nativa do fascismo) em 1938. Mesmo a Revolução Constitucionalista de 1932, o maior conflito armado na história republicana depois das sangrentas campanhas de Canudos e do Contestado, deixou menos de mil mortos. Esse cômputo integra um padrão reiterado na formação brasileira, uma sociedade mais violenta do que a maioria das demais, desde logo pela extensa deformação da escravatura, mas onde a violência encontra escassa expressão política. Cada um é livre para especular sobre esse enigma nacional. Resultado da profunda desarticulação social que é própria do legado escravocrata? Hábito adquirido da conciliação, dos acertos “pelo alto”, a fim de não des-

CLAUDIUS/ cartum

pertar o vulcão adormecido da desigualdade? Anemia da sociedade civil, o que deixa as forças políticas quase sempre à mercê do bloco que controla o hipertrofiado poder central? Porosidade à ascensão individual, que impede a pressão coletiva de atingir um ponto crítico? Protesto Na opinião deste resenhista, dois episódios se destacam na narrativa de Lira Neto. O primeiro é a Revolução de 1932, a começar pela extraordinária descrição do incidente – os protestos de 23 de maio nas ruas em São Paulo – que a prenunciou. Ainda que o livro nunca abandone a perspectiva da personagem incrustada no Palácio do Catete, seu relato transmite a sensação de que a revolta se desenrola diante de nossos olhos. Fica patente o quanto havia de reacionário no movimento, que mobilizava um sentimentalismo nostálgico da supremacia política paulista. Ao mesmo tempo, deflagrada pela elite econômica e cultural, a insurreição teve substancial apoio popular e conduziu à breve democratização de 1934, que adiou a ditadura. Esta seria inevitável em decorrência do outro episódio proeminente, o infausto levante militar organizado no ano seguinte pelo Partido Comunista. Por volta de julho de 1935, Josef Stálin, o ditador soviético, finalmente atinou que o nazifascismo era a ameaça prioritária. Os partidos comunistas, até então instruídos a incitar a revolução armada, passaram a adotar uma política defensiva de frente ampla com as demais forças antifascistas. No Brasil, o golpe em preparação não foi abortado, em parte por causa das estimativas delirantes sobre a chance de vitória que

seu líder, Luís Carlos Prestes, repassava a Moscou. Detonada em novembro no Recife e em Natal, e dias depois no Rio, a intentona foi facilmente estrangulada pelo governo. Concebida por uma potência estrangeira, converteu-se no fantasma a ser invocado como eterno pretexto pelas duas ditaduras do século, a de 1937 e a de 1964. Foi o maior dos muitos erros de Prestes, tido por militar capaz, mas politicamente obtuso. Seu fracasso aproximou perigosamente o Brasil do Eixo, tendência revertida para um tardio realinhamento com os Estados Unidos que só seria consumado em 1942, quando aquele país compeliu o nosso a ceder bases aéreas no Nordeste como apoio logístico para a campanha no Atlântico. Na barganha, Getúlio obteve dos americanos financiamento para a primeira siderúrgica, Volta Redonda. Premido por manifestações populares, provocadas pelo afundamento de navios brasileiros que violavam o bloqueio naval imposto pela Alemanha à Inglaterra, o governo enviou uma força expedicionária à guerra na Itália. O engajamento com as potências democráticas desencadeou a dinâmica que levaria os militares à primeira deposição de Getúlio Vargas (1945). Como saldo, o Estado Novo deixava um aparelho federal modernizado, uma legislação trabalhista que renderia ao getulismo dividendos eleitorais por muitos anos e incipientes processos de industrialização e urbanização que se fariam avassaladores nas décadas seguintes. Não faltam amenidades ao livro. Desde o apreço de Getúlio Vargas por pontualidade, churrasco, cavalos, charutos, golfe e pingue-pongue até detalhes de sua estreita relação com a filha Alzira, confidente e secretária particular que organizou os arquivos do pai, esta biografia não perde o fio do pitoresco, do íntimo e do prosaico. O antiquado romance com a mulher de um hierarca do regime – a “bem-amada” que aparece nos diários secretos do presidente – é contado em tom picante. Duas ressalvas num livro de resto admirável. A pouca familiaridade do biógrafo com temas econômicos deixa lacunosa essa importante faceta na atuação do ditador. E as principais fontes do livro – as recordações filtradas pela devoção de Alzira Vargas e os diários mantidos pelo pai (1930-42), que mesmo ali ostenta a compostura protocolar de quem calcula sua revelação póstera – às vezes conferem uma tonalidade oficialesca ao conjunto, que não deixa de refletir, entretanto, o pesado clima cartorial da época.


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Língua

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Como aprender árabe O que se fala nem sempre se escreve

RESUMO Na última década, o interesse global por assuntos ligados ao Oriente Médio e ao islã contribuiu para aumentar o número de estudantes do árabe. Correspondente da Folha em Jerusalém aborda complexidades do aprendizado da língua, como a diglossia, a convivência de sua variante formal e dialetos locais.

DIOGO BERCITO ILUSTRAÇÃO JAN LIMPENS

Com a queda das Torres Gêmeas, em 2001 e, dez anos depois, a derrocada de ditadores como o egípcio Hosni Mubarak e o líbio Muammar al-Qaddafi, o idioma árabe tornou-se um “habib” – querido – dos estu-

dantes de idiomas. Já falado por milhões ao redor do mundo, o árabe teve aumento de 46,3% de procura nos bancos acadêmicos americanos entre 2006 e 2009, segundo a Modern Language Association. Foi o idioma estrangeiro com maior procura no país, com incremento de 126,5% em relação à edição anterior do mesmo estudo, no qual o árabe havia passado a figurar entre os dez idiomas estrangeiros mais estudados nos Estados Unidos. O fenômeno é recente, mas não está desligado do fato de que o árabe foi, no passado, uma das línguas da ciência no mundo. É o idioma da conquista islâmica, do califado de Córdoba, do Alcorão e dos clássicos medievais de Avicena. É a fala do cinema egípcio, dos discursos do ditador sírio Bashar al-Assad e de populações associadas, via preconceito, ao terrorismo. Estudar árabe, porém, é um compromisso de longo prazo – digo por experiência própria. Mais de dois anos depois de decidir estudar o idioma e após ter estado em um punhado de países árabes como correspondente desta Folha no Oriente Médio, ainda passo minhas tardes tentando me lembrar das declinações e da vocalização correta. Isso quando não estou frustrado, em um mercado de Jerusalém, tentando entender quanto custa uma latinha de Coca-Cola. Lenda Uma lenda do século 7º fala de como Ziyad ibn Abihi, governador de Basra, no atual Iraque, convenceu o sábio Abu al-Aswad a normatizar o árabe. Abertos os portões da expansão islâmica, as fronteiras da península Arábica devoravam África e Ásia. Os novos falantes emprestavam erros à língua. Como o sábio resistia à tarefa, o governador teve uma ideia: pediu que um homem sentado à beira de uma estrada recitasse o Alcorão, trocando, porém, as terminações dos casos gramaticais. Em árabe, isso faz com que uma frase como “Deus e o profeta salvam dos incrédulos” tenha seu sentido subvertido para “Deus salva dos incrédulos e de seu profeta”.

Assim Aswad se convenceu da necessidade de compilar um conjunto de regras para chegar a um árabe padrão. Essa lenda passou a servir como um dos mitos fundadores da tradição gramatical do árabe, reunindo diversas das características que marcaram, desde então, o estudo dessa língua. Está presente na historieta, por exemplo, a ideia ainda corrente de que a língua é uma característica biológica dos povos árabes e que os desvios, portanto, nascem nos povos arabizados. Ou a ideia de que a língua é um fato estanque, desvinculado da história, preso a um texto sagrado do qual é, aliás e antes de tudo, uma manifestação. Além disso, a lenda do governador e do sábio dá conta da obsessão pela manutenção dos casos gramaticais na língua – cujo bom uso, aparentemente, é ameaçado desde os anos desérticos do surgimento do islã, no centro da península Arábica, até a manhã em que assisti à minha primeira aula de árabe, na Universidade de São Paulo. Minha história com o estudo do árabe decepcionaria aqueles que gostam de narrativas orientadas pelo “maktub”, o conceito de que algo “estava escrito” – popularizado (mesmo no mundo árabe) por Paulo Coelho. Quando escolhi essa língua, não estava pensando na “qisma”, a ideia de que o árabe é a parte do latifúndio linguístico que coube aos árabes como

DESAFIO

Uma simples ação cotidiana, como tomar o café da manhã ou almoçar, pode se transformar num desafio linguístico. Em que língua pedir dois croissants? Em árabe — ou em árabe?

dádiva divina. Nem me motivava um bisavô paterno talvez damasceno, de quem não há nenhum registro ou memória. Eu escolhi me habilitar em árabe, durante o curso de letras, porque o hebraico só era ensinado à noite, enquanto eu trabalhava na Redação. Os anos se seguiram e, antes de me mudar para Jerusalém, eu só havia passado de raspão por essa língua irmã do árabe. Durante uma corrida de táxi em Rabat, a capital do Marrocos, onde por três meses fui bolsista do projeto Ibn Batuta de ensino da língua, o motorista desandou a falar em árabe ao me ouvir conversar sobre xiismo com um colega holandês. Ainda iniciante, perdi quase todas as palavras. Mas aproveitei para perguntar como se dizia “direita”, em árabe. Podia ser útil para dar indicações no próximo trajeto. “Al-yamin”, ele respondeu. E aí, bem de longe, o hebraico fez sua aparição: “Mas não confunda com Binyamin”, brincou o motorista, fazendo troça com Binyamin Netanyahu, atual premiê de Israel. Eu ri e disse que usaria a tirada para memorizar a palavra. “Como vai fazer com a esquerda?”, ele me perguntou. “Fácil. Al-shimon”, brinquei. A resposta correta é “Al-yasar”, mas eu estava então falando de Shimon Peres, o presidente israelense. O táxi balançou de tanto que nós três rimos da piada, ainda que não tivesse havido graça. Talvez pelo contato com todo tipo de passageiro, os taxistas dominam a variante padrão do árabe – o termo se entende pelo fato de que não existe, na prática, a “língua árabe”. O que há é um conjunto de línguas, nem sempre compreensíveis entre si, que não formam um idioma, do ponto de vista linguístico. São dialetos. Mais por política e religião, as variantes se cobrem sob um mesmo véu, no que se chama uma sociolíngua. Para os muçulmanos, Deus decidiu que o Alcorão fosse revelado a Maomé em árabe – não em hebraico, grego ou persa, porque era aquela a revelação feita especificamente a eles (em árabe, diz-se que o livro “nazala”, “desceu”). Assim, para

autoridades religiosas, a língua está em seu estágio único. Não há antes, não há depois. É como diz o poeta sírio Adonis, o nome mais cotado, entre os que se expressam em língua árabe, para o Nobel de literatura. “O Islã se revelou como inspiração divina em língua árabe. A partir daí, a língua, como portadora das verdades divinas, deixou de ser uma parte da realidade relativa e mutável. Tornouse absoluta: imagem absoluta do absoluto Deus”. [1] Se existe uma unidade na religião (“não há nenhum deus que não seja Deus”, diz a profissão de fé do árabe, uma das bases teológicas do islamismo), a ideia de que haveria também uma homogeneidade na língua árabe se debate diariamente contra a realidade. Dessa maneira, uma ação cotidiana, como tomar o café da manhã antes da aula, pode se transformar num desafio linguístico. Em que língua pedir dois croissants? Em árabe – ou em árabe? Havia duas opções. Eu poderia dizer o número como “ithnan”, em árabe formal, e soar como saído do século 7º, de um manuscrito ou da lenda de Abu alAswad. Mas, se preferisse usar a palavra “juj”, típica do coloquial marroquino, os vendedores poderiam ver nisso a pretensão de me passar por local. Como se um estrangeiro em São Paulo usasse uma expressão como “de boa” para dizer “tudo bem”. Esquizofrenia A linguística tem nome específico para essa convivência entre formal e coloquial. Chama-se “diglossia”, “duas glossas”, situação geralmente exemplificada pelo latim, que manteve por séculos uma variante culta e diversas versões vernaculares. “É claro que isso é uma espécie de esquizofrenia”, explica o escritor libanês Amin Maalouf. Maalouf escreve em francês “’entre os vários reconhecimentos a sua obra está o Goncourt, prêmio máximo da literatura na França, que ele recebeu em 1993 por “O Rochedo de Tânios”. Ele defende, intelectualmente, a manutenção da variante culta do árabe, diante de propostas


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de simplificar a língua a partir de um consenso entre as dezenas de dialetos. “É preciso viver com a dicotomia”. “O latim desapareceu como uma língua falada. Mas, com o árabe, as coisas aconteceram de maneira diferente. O árabe produziu dialetos locais, mas a variante culta não desapareceu. Ela permanece verbalizada, escrita e compreendida pelos falantes educados”, diz Maalouf. “Ter uma língua em comum é um recurso cultural importante.” O árabe seguiu um caminho distinto daquele trilhado pelo latim – que, diante da queda do Império Romano, perdeu seu centro, possibilitando que surgissem, nas periferias, as línguas românicas, transformadas pelos séculos em idiomas como o português, o castelhano, o sardo e o romeno. Professor na Universidade de Zaragoza, o acadêmico Federico Corriente, autoridade no estudo do árabe falado na península Ibérica durante o califado de Córdoba (séculos 10 e 11), insiste que um processo semelhante ao do latim seria um “empobrecimento” tanto cultural quanto político para a comunidade de países falantes. “O latim, infelizmente, foi destruído pelos nacionalismos da idade moderna e contemporânea, prejudicando todos os europeus, já que não temos mais uma língua culta comum a todos”, diz. Unificar o árabe, afirma Corriente, seria repetir o “disparate que a Europa cometeu ao abdicar do latim: fragmentação e preguiça mental”. Língua franca Ao contrário do que houve no Ocidente, continua havendo uma língua franca para a comunicação entre os Estados de população árabe. Também são ligados pelo árabe como língua litúrgica os milhões de muçulmanos ao redor do mundo. O Alcorão não pode ser traduzido, e o estudo do árabe formal torna-se, assim, um imperativo religioso. “O Alcorão teve uma grande influência na língua árabe”, opina o jovem saudita Muhammad Hassan Alwan, autor de “The Beaver”, uma das obras que concorreram ao Arabic Booker Prize, competição pan-árabica lançada em 2007. “Esse livro sagrado manteve a língua por 14 séculos de maneira que pode ser facilmente entendida hoje.” Apesar dos mitos sobre sua inacessibilidade, o árabe padrão ainda é compreendido nas ruas. Foi com essa variante que um grupo de crianças me cercou, em Rabat, para perguntar se eu era muçulmano. Quando disse que não, uma gritou, as mãos na cabecinha indignada: “La! La tarif al-nar?” (“Não! Você não conhece o fogo?”) Um estudioso do idioma que não segue o islã e não é nem sequer de origem árabe se vê,

CONFLITO

O estudante de árabe nunca está em paz, entre a “fusha” (“a eloquente”, como se chama essa variante formal) e a “amia” (“a popular”, os dialetos. É um conflito eterno e apreciável.

por vezes, obrigado a justificar seus estudos. É possível argumentar que o interesse vem do prazer histórico. Mantida estática pelas exigências da religião, a língua ainda é próxima do dialeto urbano falado em Meca no século 7º. Falar árabe é como conversar com beduínos – o falante ideal, segundo a tradição. O árabe é parente não só do hebraico, mas também das demais línguas semíticas, como o acadiano, o aramaico e o fenício. Quem diz “salam”, em árabe, de certa forma está dizendo “shalam” (acadiano), “shlam” (aramaico) e “shalom” (hebraico). O termo “semita” vem de Sem – na Bíblia, um dos filhos de Noé. Emprestado da linguística, foi compreendido politicamente como designação étnica. Em sua origem, era a reunião de um grupo específico das línguas afro-asiáticas, como o hebraico e o árabe, parentes distantes do egípcio antigo. Para falantes de línguas latinas ou germânicas, ambas indoeuropeias, aprender um idioma semítico envolve adaptar-se a um modo de pensar. O árabe não tem verbos “ser”, “estar” e “ter”. A existência é presumida (de “eu Diogo” se entende “eu sou Diogo”). O estado, também (“eu doente”). Para a posse, se diz “para mim, um carro”. “Línguas orientais exigem muita dedicação”, diz Mamede Mustafa Jarouche. Tradutor do “Livro das Mil e Uma Noites”, Jarouche ensina gramática árabe na USP. “Com línguas como o inglês, é possível haver aprendizado passivo. Um aluno pode aprender sem nunca ter ido aos Estados Unidos. Isso não ocorre com o árabe”. A forma da escrita, com alfabeto próprio, correndo da direita para a esquerda na página, é outro aspecto a levantar curiosidade em torno de um estudante de árabe. Quando foi estabilizada, em cerca de 1.000 a.C., a escrita fenícia – origem dos sistemas do árabe, do aramaico e do hebraico – seguia esse sentido. Os gregos, ao se apropriarem da invenção semítica num momento posterior, mudaramlhe o rumo.

Leitura Pouco se fala, porém, da real dificuldade da leitura em árabe. Para os acadêmicos mais rigorosos com a classificação, a escrita do árabe não é de fato “alfabética”, apesar de “alfa” e “beta” serem ironicamente palavras emprestadas do fenício pelos gregos. O árabe é escrito por meio de um “abjad” – uma escrita consonantal. O árabe (como o hebraico, o siríaco e o nabateu) não registra todos os sons que são falados. Boa parte de suas vogais é subentendida. Assim, escreve-se “ktb” para dizer “kataba”, ou “ele escreveu”. O que pode levar a problemas, uma vez que “ktb” também pode ser lido “kutub”, “livros”. Ou “kutiba”, “foi escrito”. (A hstór de Abu al-Aswd nos lembr de que os árbs stveram, desd o níci do slmism, prcpads com a mntnção do text crânc. Tref inglóri par um livr sgrad scrit sem dverss de sus vgais.) [2] Daí entram os diacríticos, marcações feitas sobre ou sob as letras para indicar vogais ocultas. Os sistemas de diacríticos são, de certa maneira, uma invenção siríaca motivada pelas traduções da Bíblia e pela necessidade de grafar com exatidão os nomes gregos registrados durante a Antiguidade. A atual vedete do ensino do árabe é um método didático chamado “Al-Kitaab fi Ta’alum al-Arabiya”, organizado por professores americanos. É usado em Chicago e em Harvard, e também na USP e na escola Qalam wa Lawh, onde estudei no Marrocos. É, porém, um livro controverso. Em 2008, um editorial do “Washington Post” expressava preocupação quanto ao método. O quarto capítulo do manual mostra a personagem Maha, antipática filha de uma professora palestina, dizendo a frase que se tornou clássica entre estudantes (no meu caso, rendeu a ideia para um rap, escrito para um trabalho da USP): “Ana la uhibu madinat Niw Yurk”, “Não gosto da cidade de NY”. Os motivos? Trânsito e calor. De onde vinha Maha? Do Cairo, a quente e caótica capital do Egito. Apesar do estranhamento que o livro possa ter causado, é exagerada a alegação de que o método do “Kitaab” forme terroristas. Mas é pertinente a observação de acadêmicos, como o espanhol Corriente, que se opõem às tentativas de ensinar o árabe padrão por diálogos. O árabe formal não é uma língua falada. As situações de comunicação são em geral pouco naturais, como discursos na ONU – o idioma é uma das seis línguas oficiais das Na-

ções Unidas, ao lado do inglês, do chinês, do francês, do russo e do espanhol. Experimente pedir uma cerveja em árabe formal a um garçom no Marrocos: ele vai olhar para você como se estivesse diante de um personagem de um filme. O estudante de árabe nunca está em paz, entre a “fusha” (“a eloquente”, como se chama a variante formal) e a “amia” (“a popular”, os dialetos). Se estuda o padrão, lhe perguntam por que não quis o dialeto – afinal, é a língua das ruas. Caso estude o vernacular, lhe perguntam por que não escolheu o formal – ora, é a língua dos livros! O ideal, opina o espanhol Corriente, é “um conhecimento equilibrado da realidade linguística árabe, abarcando tanto a habilidade de ao menos ler a língua clássica quanto falar um dialeto”. Mas isso esbarra, diz, na realidade de que o ensino do árabe “é catastroficamente terrível, por falta de métodos, de definição de objetivos e de preparação pedagógica”. A predominância da “fusha” como única variante escrita, porém, parece estar caindo. Os livros dizem ser impossível registrar os dialetos, porque têm sons sem equivalente na escrita. Mas, na estação de ônibus de Rabat, um outdoor anuncia: “kein” desconto – “kein” é o equivalente dialetal marroquino para o formal “hunaka”, “há”. A Wikipedia também aposta em um futuro menos rígido para as línguas árabes. Alguns verbetes, como o referente a Cleópatra, têm versões em “egípcio”. “Egípcio”, como vem sendo chamado na enciclopédia colaborativa o dialeto cairota, era o termo que designava, até há pouco, a língua escrita com hieróglifos, no tempo dos faraós. Cenário O terreno para um novo cenário cultural, ainda que o total declínio do árabe formal como língua franca seja pouco provável, é a literatura. É nela, e sobretudo em diálogos, que as variantes vernaculares ganham corpo. “O árabe dialetal está carregado de história, de cultura religiosa e de cultura profana, de memória”, diz o escritor libanês Rachid Daif. O autor – que terá um de seus livros, “Que se Estrepe Meryl Streep”, traduzido ao português por Felipe Benjamin Francisco, monitor de cursos de gramática na USP, como dissertação de mestrado – afirma que “os dialetos estão vivos e são capazes de traduzir o ritmo da vida contemporânea”. A americana Meredith Meyer, minha colega no Marrocos, era um exemplo de estudante capaz de usar o dialeto naturalmente.

Além de sua notável pronúncia do “ayn”, uma consoante tão gutural que parece vir do âmago do ser humano, ela soltava qual um nativo o corrente “ghadi an darrrbak”: “Vou sentar a mão na sua cara”, em tradução livre. Como as ruas que ligavam os antigos califados islâmicos no passado, o caminho que leva o estudante de árabe até o domínio do idioma é longo. Às vezes, mesmo para os mais hábeis nos dialetos ou para os afiados na variante padrão, parece sem fim. Costumamos nos perguntar, ansiosos: “Seremos, um dia, fluentes?”. A resposta possível, por ora, está numa palavra que aprendi com o tempo: “Mumkin”. Talvez. Notas 1. Veja o depoimento manuscrito em árabe de Adonis e sua tradução em folha.com/ ilustrissima. 2. Ou, com todas as letras: “A história de Abu al-Aswad nos lembra de que os árabes estiveram, desde o início do islamismo, preocupados com a manutenção do texto corânico. Tarefa inglória para um livro sagrado escrito sem diversas de suas vogais”.


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Dário de Berlim O MAPA DA CULTURA

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Arte fora de controle Violência e paixão povoam a cena alemã

SILVIA BITTENCOURT

Quais são os limites da arte? É o que vêm perguntando os críticos alemães sobre dois artistas famosos do país, o rapper Bushido e o performer Jonathan Meese. Bushido, 35, acaba de ver sua música “Stress ohne Grund” (estresse sem motivo) entrar temporariamente para o “índex” de obras prejudiciais à juventude. O texto incita a violência contra homossexuais e políticos alemães, entre eles a líder do partido verde: “Atiro em Claudia Roth e ela ganha buracos como num campo de golfe”, diz um dos versos. Quando ficou famoso, cerca de dez anos atrás, o berlinense Bushido, filho de pai tunisiano, tornou-se um exemplo para a integração de imigrantes na Alemanha. Fato é, porém, que ele sempre esteve na mira da polícia: na juventude, por pequenos delitos; agora

por envolvimento no crime organizado e por suas declarações homofóbicas, antissemitas e machistas. Já o pintor, escultor e artista performático Jonathan Meese, 43, está sendo processado porque fez nas suas últimas aparições o chamado “Hitlergruss” – a saudação nazista, com o braço direito esticado, proibida na Alemanha. É acusado de empregar “sinais de organizações inconstitucionais”. Meese é conhecido por suas performances caóticas e megalomaníacas, nas quais frequentemente se ocupa de personalidades controvertidas como Hitler, Friedrich Nietzsche e Richard Wagner. O “Hitlergruss”, diz ele, seria apenas um elemento de seu show e não uma declaração política. Bushido e Meese não foram os primeiros artistas a passar dos limites, na visão das autoridades. Em 1997, o diretor Christoph Schlingensief (1960-2010) foi preso ao divulgar um cartaz, na exposição Documenta de Kassel, contra o então chanceler do país: “Matem Helmut Kohl”. E em 2008 foi a vez de Anselm

Kiefer polemizar, expondo oito autorretratos com a saudação nazista. Romance de verão Königsallee (alameda do rei) é o nome do mais famoso boulevard de Düsseldorf. E é o título e o palco do último romance de Hans Pleschinski, que ali conta um episódio (fictício) da vida do escritor e Prêmio Nobel Thomas Mann (1875-1955). A história se passa em 1954, poucos anos depois de Mann retornar do exílio americano à Europa. O escritor visita Düsseldorf para apresentar o livro “Confissões do Impostor Felix Krull”. E ali encontrará, para sua surpresa, o comerciante Klaus Heuser, uma antiga paixão do final dos anos 1920. Pleschinski mistura ficção e não ficção (a visita de Mann a Düsseldorf e o reencontro com Heuser não aconteceram, mas o seu antigo caso de amor, sim), traz passagens divertidas sobre o circo montado em torno do escritor e anotações tiradas dos diários de Thomas Mann – entre elas, as que assumem a paixão pelo jovem 35 anos

mais moço. Também faz alusão a várias obras do escritor, sobretudo “Carlota em Weimar” – que narra um reencontro amoroso entre Goethe e sua amada Lotta. Preciosidades Acaba de ser inaugurado o primeiro arquivo on-line para textos jornalístico-literários alemães: www.waahr.de. Criado por três jornalistas e escritores, Anne Waak, Joachim Bessing e Ingo Niemann, o arquivo traz tanto artigos inéditos como textos antigos de publicações já extintas. O serviço tem também o objetivo de fomentar o jornalismo literário alemão – na tradição do “new journalism” americano, no qual o repórter escreve textos subjetivos, envolvendo-se com a sua história. O título “waahr” joga com a palavra “wahr” em alemão (“verdadeiro”), sugerindo, segundo disse Waak à Folha, uma coleção de “verdades subjetivas”. Os artigos mais antigos são do escritor Heinrich von Kleist (1777-1811). Também se encontram textos de Marc Fischer (1970-2011),

autor de “Ho-ba-la-lá “’ À Procura de João Gilberto” (Companhia das Letras). Aeroporto Até hoje os berlinenses não sabem o que fazer com o imenso prédio do antigo aeroporto de Tempelhof, no centro da cidade. Desativado em 2008, o campo com as pistas de pouso e decolagem tornou-se uma enorme área de laz er para os habitantes da capital. A questão agora é o destino do prédio tombado do aeroporto. Ele já vem servindo a eventos culturais, como shows e desfiles de moda. Mas, para continuar de pé, precisaria de uma reforma que custaria milhões de euros. Inaugurado no final dos anos 1920, o aeroporto de Tempelhof foi ampliado na década de 30, transformando-se numa construção monumental, típica da arquitetura nazista. Ficou famoso no auge da divisão da Alemanha, no início dos anos 1960, quando os americanos instalaram ali uma ponte-aérea para abastecer a população de Berlim Ocidental, ilhada pelo Muro.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Ao mestre, com rapadurinhas São Paulo, 1994

CARLOS CASTELO

Eu não supunha que 1994 seria um ano de ensinamentos tão importantes para mim. À época vivia num limbo. Nos anos 1980 participara ativamente, como compositor, no movimento conhecido como vanguarda paulistana. Mas o cenário musical estava mais morno na década seguinte e eu buscava me inscrever numa outra categoria artística: a de escritor. Foi quando soube que um colega, o jornalista Mylton Severiano, era muito próximo ao contista João Antônio (1937-96). Na noite de 23 de dezembro de 1993, fui apresentado ao próprio no restaurante Consulado Mineiro, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Por algumas horas ele dissertou sobre temas que iam de Garrincha a padre Vieira, passando por sua experiência como autor-residente na Alemanha. Queria muito fazer parte da confraria de missivistas que se correspondiam com ele. Já no dia seguinte preparei um texto impressionista sobre a noite no Consulado e pedi que Mylton Severiano o entregasse ao mestre. No “Panegírico a João Antônio”, em determinado trecho, redigi: “Eu vi um homem. Eu, tão cultura rock. Um Mário Reis literário, um três-bês: branco, besta, bem-nascido... eu vi um homem esbravejando por um ideal. Meu Deus, e esbravejar por um ideal é a antítese do pop que me foi vendido.” Adicionei à carta uma caixa de rapadurinhas. Em 17 de janeiro de 1994, Mylton me enviou um fax da última carta que recebera de João Antônio. Havia nela uma menção a mim. “Eis aí um Castelo que promete escrever com a alma e o coração. E, então, já se adentrou em terreno sagrado. Vamos dar um jeito no Castelo, vamos lhe dar uma boa ‘ripada’, talvez uma ‘esculhambação’? Direta ou indiretamente, ele é um nosso irmão, mais novo, em Noel Rosa, não é? É de se tentar construí-lo. Ele precisa cair na vida, vidão? Primeiro: ele não tem culpa nenhuma de ser um filho da classe média. Chico Buarque ou Noel Rosa são exemplos”. Em 25 de janeiro de 1994 fui aceito no grupo e recebi do contista a primeira de uma série de mensagens. “Não me cabe, por direito ou por torto, evangelizar a vida de quem quer que seja. Assim, pouco tenho a lhe acrescentar. Já lhe falei sem parar lá no Consulado Mineiro.” Contudo, mais à frente, ele passaria a dar aconselhamentos que me surpreenderam pela disposição, quase

didática, no ensino de seu “métier”. “Descubra o de que você gosta. E dentro dele, o de que você gosta mais. E dentro dele, o que você ama. Então, será aquilo. Procure escrever sobre o que você ama. E as variações do amor são um leque enorme. Você poderá ser um gigante nesse sentido”. Durante vários meses, vieram mais outras correspondências da mesma natureza. Quando lhe escrevi afirmando que chegara à conclusão de que o meu veio era o humor, aconselhou-me a ler Rabelais – “ele é pai e avô de muitos grandes do humor”. E ainda grafou uma definição notável sobre o tema: “Nada mais sério que o humor. É a quinta-essência da seriedade. Acima dele, só o pensamento, em termos filosóficos. E acima de acima (a meu pobre entender) só a poesia. E acima, mais acima, a profecia”. Do primeiro ao último, todos os seus textos demonstravam uma grande generosidade com um aspirante a ficcionista como eu. A atitude era contrastante com algumas opiniões que diziam que o criador de “Malagueta, Perus e Bacanaço” seria um gênio difícil. Depois de algum tempo, o filósofo da malandragem, para minha surpresa, passou a me pedir insistentemente que telefonasse à sua mãe, dona Irene. Como bom discípulo, obedeci. “Elogie muito o filho primogênito dela, diga que sou um valor das letras pátrias, um caso de talento inefável, um senhor texto, uma senhora cultura e outras loas. Mesmo que você minta há de ser virtude. Haverá um humanismo porejante nessas mentiras e, assim, havemos de ficar mais amigos. Dei muito trabalho a meus pais e sempre fui um desgarrado.” Até hoje me pergunto: teriam sido as rapadurinhas que o adoçaram?

ARQUIVO PESS OAL

Dedicatória de João Antônio para Carlos Castelo, no livro ‘Guardador’


G8

MANAUS, DOMINGO, 18 DE AGOSTO DE 2013

Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

Por que Clive tem pouco cabelo?

6

Clive e o Acordeão/ Resgata Mary

Proeza

Charlestonianos eminentes: Clive

VIRGINIA WOOLF TRADUÇÃO DENISE BOTTMANN ILUSTRAÇÕES QUENTIN BELL

Os Chocolates/ Prêmios da Virtude

1. Clive e o acordeão Mr. Bell confundindo um acordeão com um gato, ou um gato com um acordeão; ninguém sabe direito, pois aquilo soltou um guincho e só sobrou uma poça mienta medonha, fedida e fumarenta. 2. Resgata Mary Súbito sumiço de Mrs. St. John Hutchinson, em Rodmell Brooks. Aqui, Mr. Bell aparece salvando o que sobrou: dois pés, uma mão, três dedos de uma anágua cor-de-rosa e uma Bíblia que a sra. H. tinha roubado de Leonard Woolf, Esquire. 3. 1) Por que Clive tem pouco cabelo Ao analisar a calvície de Clive Bell, temos a tentação de atribuí-la à aplicação indiscriminada de bolas frescas de neve a um cocuruto não suficientemente protegido. 4. 2) Por que Clive tem pouco cabelo Ou podemos arriscar a hipótese de que a dita depilação do crânio sobreveio após a descoberta da infestação de lepidópteros em seu segundo melhor traje de noite. 5. Proeza Sabe-se que Clive Bell, Esquire, alcançou sua inconteste proeminência no mundo das Artes & Letras graças à sua perícia na ciência da equitação e à sua ascendência vulpina, aqui mostradas, às quais seu empenho literário e conhecimento dos Clássicos de nossa língua, aqui mostrados, pouco ou nada acrescentaram de grande importância. 6-7. Os chocolates Mr. Bell cedendo à sua paixão por doces. Uma caixa por vez, diz o entremez – ele exclama, e o pobre Quentin vai triste p’ra cama. 8. Prêmios da virtude Aqui temos a célebre cena em que, por causa de uma curiosa semelhança fisionômica natural, o conhecido parlamentar Churchill recebe a homenagem destinada ao crítico Bell. Nota da tradutora: O título desta seção do boletim alude a “Eminent Victorians” (1918), livro de Lytton Strachey, integrante, como Woolf, sua irmã, Vanessa, e seu cunhado, Clive Bell, do grupo de Bloomsbury. Mary Hutchinson (1889-1977), aqui citada como Mrs. St. John Hutchinson, prima dos Strachey, era companheira e amante de Clive havia muitos anos.

RESUMO As páginas aqui reproduzidas integram edição fac-similar do que se acreditam ser os últimos inéditos da inglesa Virginia Woolf (1882-1941). “The Charleston Bulletin Supplements”, recentemente editados em livro no Reino Unido pela British Library (org. Claudia Olk, 144 págs., R$ 57,80, sob encomenda), era o nome de um jornal doméstico produzido entre 1923 e 1927 pela escritora e seu sobrinho Quentin Bell (1910-96), que mais tarde se tornaria seu biógrafo. O teor humorístico e “nonsense” dos textos em que a dupla satirizava familiares, como Clive Bell, pai de Quentin, traz à luz um lado cômico quase desconhecido da autora de “Mrs. Dalloway” (1925).


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EM TEMPO - 18 de agosto de 2013 by Amazonas Em Tempo - Issuu