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ANO XXVII – N.º 8.600 – DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
EXECUÇÃO DIVULGAÇÃO
ÚLTIMOS MOMENTOS NO CORREDOR DA MORTE
ATÉ O FECHAMENTO DESTA EDIÇÃO (13H30), A INDONÉSIA REALIZAVA OS ÚLTIMOS PREPARATIVOS PARA A EXECUÇÃO DO BRASI1. LEIRO MARCO ARCHER (FOTO), 53 ANOS, MARCADA PARA AS 15H DESTE SÁBADO (HORÁRIO DE BRASÍLIA).
2.
A FAMÍLIA DO BRASILEIRO MARCO ARCHER, 53 ANOS, CONDENADO POR TRÁFICO DE DROGAS NA INDONÉSIA, FEZ A ÚLTIMA VISITA A E ELE ANTES DA EXECUÇÃO, QUE ACONTECEU NESTE SÁBADO (17), ÀS 15H (DE BRASÍLIA).
DIEGO JANATÃ
RAIMUNDO VALENTIM
O GOVERNO DA INDONÉSIA ANUNCIOU QUE A EXECUÇÃO DO INSTRUTOR DE VOO LIVRE, BRASILEIRO E FILHO DE AMAZONENSE, SÓ SERIA 3. CONFIRMADA NA MADRUGADA DESTE DOMINGO. ÚLTIMA HORA A2
JOGOS DE AZAR EM MANAUS Proibidos no Brasil desde 1946, os chamados jogos de azar ainda “soR A Z A b r e v i v e m” E D S O JOG S em Manaus, U A N A EM M e não há como negar que existem muitas dificuldades para combater definitivamente essa prática ilegal. Bingos irregulares e máquinas de caça-níquel são atrações para jovens e adultos em vários pontos escondidos pela cidade. ECONOMIA B3 E DIA A DIA C4 E C5
Luana Piovani se diz apaixonada por Manaus e pelo Teatro Amazonas
A energia de Piovani Em Manaus com o espetáculo “Mania de Explicação”, Luana Piovani fala do seu amor pelo Amazonas e por que costuma iniciar suas turnês pelo Norte do país. “Fico comovida todas as vezes que chego a Manaus. A energia é muito forte por conta da natureza que existe neste local”. Plateia D1
30 ANOS DE DEMOCRACIA NO BRASIL Há 30 anos, depois de uma turbulenta ditadura, o Brasil reconquistava a tão almejada democracia com a eleição de Tancredo Neves (foto). Ali começava um período de transformações que moldariam para sempre a história do país. Política A6
A moda praia chega carregada de cores, ousadia e detalhes muito usados na década de 1980. Elenco 17
Alimentos ricos em fibras ajudam a perder peso e garantem sensação de saciedade. Saúde F3
Debates sobre os limites do humor mostram a tentativa de se criar uma função social para a piada. Ilustríssima G3
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICAS, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.
CURUMIM Comer frutas faz bem para a saúde. O CURUMIM sabe disso e explica o porquê na sua página de Pesquisa. O jornalzinho traz ainda novas colunas como Gibiteca, Curiosidades e Repórter Curumim. Curumim TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 32
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
A agonia de um brasileiro em um corredor da morte ao tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta. A droga foi descoberta pelo raio-x, no aeroporto internacional de Jacarta. O brasileiro fugiu do aeroporto, mas foi preso duas semanas depois. A Indonésia é um dos países rígidos com relação ao
DROGAS
Marco Archer foi preso em 2004, ao tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta. A droga foi descoberta pelo raio-x, no aeroporto de Jacarta Uma emissora de TV da Indonésia divulgou imagens da tia de Marco Archer chegando à penitenciária para visitar o sobrinho
tráfico de drogas: a punição é com pena de morte. Em entrevista a um site brasileiro, o empresário Rogério Paez, que também esteve preso na Indonésia, disse que Archer já tinha pedido para ser morto na penitenciária e que estava “desesperado”. Paez ficou na mesma penitenciária que Marco Archer entre 2006 e 2011, após ter sido pego com cigarro de haxixe de 3,8 gramas.
Caso teve apelo nacional e internacional Vários apelos nacionais e internacionais foram feitos para o governo da Indonésia a fim poupar a vida do brasileiro. Ainda em 2004, o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou uma carta
OLIMPÍADAS 2016
MAURO NETO/SEJEL
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
Na manhã de ontem, o amazonense Roberto Gesta de Melo foi aclamado para iniciar o segundo mandato à frente da Confederação Sul-Americana de Atletismo (Consudatle). A articulação para que Manaus receba os jogos de futebol disputados durante as Olimpíadas de 2016 é uma das prioridades do presidente que responderá pela entidade nos próximos quatro anos. Após assumir o mandato, a primeira ação de Gesta foi reforçar a candidatura de Manaus para que seja escolhida como uma das cidades-sede para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. “Trazer os jogos para cá tem um valor inestimável. A Copa do Mundo é um evento grande e muito importante. Os Jogos Olímpicos são a maior competição do planeta. É difícil conseguir a chancela de cidade olímpica. Países gastam bilhões em construções e, de repen-
te, isso pode ser viabilizado aqui, de uma forma com baixíssimo custo. Temos instalações adequadas, demonstramos nossa capacidade durante a Copa. Esta será uma questão política e de reconhecimento à Amazônia. Nossa pretensão é justificada, claro que
ENCONTRO
Roberto Gesta, o prefeito Arthur Neto e o governador José Melo receberam na Arena da Amazônia os membros Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Fifa no fim da tarde de ontem os outros Estados também querem, mas estamos no páreo”, ressaltou. Para destacar Manaus na disputa, ele – juntamente com o prefeito Arthur Neto e o governador José Melo – receberam na Arena da Amazônia os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI)
e da Federação Internacional de Futebol (Fifa), no fim da tarde de ontem. “Depende de muitos fatores, temos que contactar a Fifa e CBF. Há também diferentes trâmites políticos, e precisamos de apoio e decisões do prefeito Arthur e do governador José Melo. Mas estou muito esperançoso”, afirmou. Além da articulação nas Olimpíadas, o presidente do Consudatle pretende focar as ações na descoberta e apoio a novos talentos do atletismo. Para isso, será investido em três grandes eventos: o Campeonato Mundial de atletismo na categoria menor, na Colômbia em 2015; em 2016, os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro; e em 2018, os Jogos Olímpicos da juventude, na Argentina. “Nossa meta principal é revelar novos talentos no atletismo e mostrar que a América do Sul tem talentos. Com ajuda da federação internacional, conseguimos aproximadamente 400 mil dólares para organizar competições no continente”, afirmou.
especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, informou que o governo brasileiro pediu ajuda ao papa Francisco contra a condenação à morte
do brasileiro. A Human Rights Watch, organização internacional não-governamental sobre os direitos humanos, também tentou intervir no caso desde o ano passado.
CENTRO
Manaus está no páreo dos jogos
O Amazonas ganhou reforço nas negociações com a posse de Roberto Gesta na Consudatle
às autoridades indonésias, mas sem sucesso. Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff reforçou o pedido, mas também não foi aceito. No mesmo dia, numa última tentativa, o assessor
Parte de prédio histórico desaba A fachada de um edifício antigo do Centro Histórico de Manaus, localizado na rua Visconde de Mauá, próximo à igreja da Matriz, desabou, por volta das 19h da última sexta-feira. De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Jarderson Dias, os agentes da corporação foram acionados na mesma hora, mas ao chegar ao local não foi necessária atuação de resgate. Segundo Jarderson, populares afirmaram que uma pessoa identificada como “Ceará” foi atingida pelos destroços, sendo socorrida
COMERCIAL
No prédio histórico, localizado na rua Visconde de Mauá, funcionavam vários pontos comeciais, entre eles lanchonetes, barbearias, além de uma banca de revista que ficou destruída com o acidente
por moradores do local, com ferimento leves, e em seguida leva ao hospital. No local do acidente, funcionava um ponto comercial
de lanches e uma barbearia, entre outros estabelecimentos do setor. Com a queda do muro, uma banca de revistas foi atingida. O lugar foi isolado com fita “zebrada” para evitar a passagem de pedestres. A Defesa Civil Municipal também isolou o local e ontem enviou uma equipe de técnicos para uma avaliação completa da estrutura do edifício. O laudo deve sair na próxima semana, informou a Defesa Civil. Segundo os locatários do prédio, o edifício pertence à Beneficente Portuguesa. DIVULGAÇÃO/BOMBEIROS
N
em mesmo todo o apelo internacional foi suficiente para livrar o brasileiro, filho de Amazonense, Marco Archer Cardoso, condenado à pena de morte, na Indonésia, por tráfico de drogas. Na tarde de ontem, ele foi fuzilado por 12 atiradores. O governo indonésio só vai confirmar a morte do brasileiro na manhã de hoje. Ainda na manhã de ontem, uma tia de Archer chegou à Indonésia, após três dias de viagem, para a última visita ao condenado à morte. Uma TV local exibiu as imagens da familia chegando à cidade de Cilacap, na ilha de Java. Além de Archer, foram condenados um holandês, dois nigerianos, um vietnamita e um indonésio. O governo indonésio também preparou atenção religiosa, de acordo com a crença de cada preso. Em um vídeo divulgado pelo cineasta Marcos Prado, que está fazendo um documentário sobre o caso, o presidiário fez seu último apelo: “Estou ciente de que cometi um erro gravíssimo, mas mereço mais uma chance, porque todo mundo erra”, disse Archer. Instrutor de voo livre, Marco Archer foi preso em 2004,
DIVULGAÇÃO
“Estou ciente de que cometi um erro gravíssimo, mas mereço mais uma chance, porque todo mundo erra”, disse Archer
Com a queda da fachada, uma pessoa ficou ferida e a banca de revista ficou destruída
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
O tráfico de drogas, lá e cá Neste domingo, um brasileiro deve ser morto por fuzilamento na Indonésia. A República da Indonésia jamais fez segredo de que, em seu território, o tráfico de drogas é crime contemplado com a pena de morte. E ponto. Traficante que se arrisca nas mais de 17 mil ilhas do maior arquipélago do mundo sabe o terreno minado em que pisa. O presidente indonésio, Joko Widodo, que assumiu em outubro, deixou ainda mais claro que aplicará esse tipo de sentença e não se preocupará em discutir a possibilidade de clemência aos condenados. E tem-se mantido surdo e mudo também aos insistentes pedidos de relaxamento da pena feita por chefes de Estado e de ONGs como a Anistia Internacional (ele sequer tem atendido aos recentes telefonemas da colega brasileira Dilma Rousseff). A intransigência se baseia em que as drogas são uma “praga” para a sociedade. Neste domingo, seis condenados por tráfico serão fuzilados, entre eles o brasileiro preso em 2004 com 13 quilos de cocaína no aeroporto de Jacarta, a capital indonésia. E nada indica que Joko Widodo esteja disposto a relaxar a pena. A tolerância indonésia com o tráfico de drogas não é a mesma que algumas autoridades do Judiciário ostentam em Estados brasileiros. Embora seja crime inafiançável, assemelhado aos crimes hediondos, não é raro ver no noticiário que juízes concederam liberdade a acusados de tráfico por “serem réus primários”. No Brasil, pelas disposições do Código Penal, o brasileiro condenado à morte na Indonésia já estaria solto sob condicional e de volta às suas atividades civis (ele é professor de voo livre). Mas a responsabilidade de um juiz diante dessas situações é enorme: o traficante, já se sabe, não precisa estar fora da prisão para comandar o crime. É a realidade, embora a pena de morte mereça ser condenada, em qualquer instância.
‘Me dê motivo’ “Para formalizar afastamento, é preciso que haja suspeita, indício. Até onde tenho conhecimento, não vejo nenhuma razão para afastar Graça Foster ou qualquer outro membro da diretoria”. Foi dessa forma que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, saiu em defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster. — Isso pode mudar amanhã, se amanhã alguém apresentar provas ou indícios claros de que há envolvimento -, afirmou o ministro. Conduta ética Eduardo disse conhecer Graça há 16 anos e tem dela a melhor percepção de competência e conduta ética e profissional. E que não tem conhecimento de qualquer indício ou prova que justifique o seu afastamento da presidência ou de qualquer membro da atual diretoria. Pede para sair Braga disse, ainda, que nas reuniões com Foster, ela não pediu para deixar o cargo. — Para formalizar afastamento, é preciso que haja suspeita, indício. Até onde tenho conhecimento, não vejo nenhuma razão para afastar Graça Foster. Linchamento No final, arrematou: — Se tiverem algum indício de prova, que se afastem, mas não vamos fazer um linchamento de algo que não existe. Comprou diploma O vereador de Manacapuru, José da Silva Gerônimo (PSB), pode perder o mandato se ficar comprovado que ele falsificou o certificado de conclusão do ensino médio. Denúncia O quiprocó começou quando a Seduc recebeu, dia 5, requerimento do também vereador Antônio Marcelino de Barros (PRB), solicitando a apuração técnica de uma eventual fraude documental, envolvendo documento escolar, supostamente cometida por Gerônimo.
É falso! Um laudo pericial técnico emitido pela Gerência de Documentação e Auditoria Escolar da Seduc revelou que o certificado apresentado à Câmara de Manacapuru pelo vereador é falso e foi possivelmente forjado de forma irregular. Cassação Agora, um grupo de vereadores do município de Manacapuru pretende ingressar com um requerimento solicitando a interrupção imediata do mandato de Gerônimo, por este ter cometido ato ilícito tipificado pela fraude documental. � O que destoa do perfil esperado de um parlamentar pela sociedade que ele representa. Não é mesmo, vereador Gerônimo?. Pesar Em nota de pesar, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) do Amazonas lamentou o falecimento do ex-governador e exdeputado federal pelo Estado do Amazonas, Vivaldo Frota, na sexta-feira à noite. Pesar 2 “Nosso partido se enluta neste momento em homenagem a este exemplo de homem público. Desejamos que Deus possa dar forças e cobrir sua família com o conforto necessário para o momento”, diz a nota assinada pelo presidente do partido, Marcelo Serafim. Temporada de aumentos Além de Manaus, prefeitos de 11 capitais já reajustaram a tarifa
APLAUSOS
Cobrança Com o reajuste da tarifa de ônibus para R$ 3,00 a partir de hoje, o prefeito Arthur Neto informou que irá cobrar a renovação dos veículos das empresas de acordo com a idade média de cada frota. BRT vem aí
Para o amazonense Roberto Gesta de Melo, que foi aclamado, mais uma vez, presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo (Consudatle), cargo que exerce há 22 anos. Competente, carismático, ético e batalhador, Gesta continua sendo uma unanimidade no mundo dos esportes, onde ainda transita, infelizmente, muito pilantra!
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Neto disse ainda que o modelo Bus Rapid Transit (BRT) foi o escolhido para Manaus e que, juntamente com o governo do Estado, a prefeitura irá consolidar um projeto para a cidade. — Vamos fazer a formatação do modelo BRT para levar à Presidência da República. Vamos conversar primeiro com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab –, adantou. Não deu mais Arthur disse que segurou a tarifa de ônibus até onde pôde. Para ele, o reajuste não pode mais ser postergado, porque o preço da passagem ficou congelado durante três anos e três meses. Limites Isso vinha ocorrendo desde outubro de 2011, quando foi reajustada de R$ 2,25 para R$ 2,75. — Nesse período, a inflação acumulada no país foi de 21%, enquanto o reajuste de R$ 2,75 para R$ 3,00 é de 9,09% -, observou o prefeito.
INCOERÊNCIA NO TRÂNSITO ARTUR CASTRO
regi@emtempo.com.br
entre dezembro e os primeiros dias de janeiro de 2015. São elas Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Boa Vista (RR), Curitiba(PR) e São Paulo (SP).
VAIAS
ROBERTO GESTA
Regi
IONE MORENO
Para motoristas que vão fazer o retorno na avenida Jorge Teixeira, Ponta Negra, para pegar a Jacira Reis, e param em fila dupla, trancando a segunda pista. A falta de escrúpulo impede que outros carros sigam direto no sentido Centro. É um gargalo irritante.
Desvios da humanidade Acontecimentos presentes, e não são poucos, levam a refletir sobre os caminhos equivocados e de difícil compreensão que a humanidade tem traçado para si mesma e assim nos arrastado para dentro desses labirintos que inexplicavelmente construiu. Evoco o fato histórico de que, não fossem aportados até o Ocidente pelos pensadores árabes Avicena e Averroes, em plena Idade Média, e talvez ainda hoje não tivéssemos conhecimento dos insubstituíveis e absolutamente indispensáveis textos de Aristóteles. Somente este fato, por si só, ocasionaria lacuna tão grande que com certeza teria produzido alterações insopitáveis na cultura das chamadas civilizações ocidentais. Forçosamente, outro modelo de construção científica, outro caminho do pensar filosófico, outro tipo de moral, outros ideais de produção artística precisariam ter sido engendrados em substituição. Afinal, no Ocidente, ainda hoje continuamos a pensar nos moldes aristotélicos. Sem os árabes, como seria hoje a nossa Matemática, se a eles devemos até a produção dos algarismos ditos arábicos? Estaríamos ainda utilizando o modelo romano? Mas isso impossibilitaria o pleno desenvolvimento das operações numéricas. Quem, no lugar deles, teria criado a Álgebra e complementado o conluio com a Geometria? E os conhecimentos de Astronomia e de outras tantas ciências, quanta falta nos teriam feito? Quem visitar, sobretudo, os países da Península Ibérica, Espanha e Portugal, perceberá toda a força daquilo que a cultura árabe plantou nesses países, a aparecer logo de saída na arquitetura belíssima com que nos recebe principalmente o sul da Espanha. Em Granada, deslumbra a magnífica edificação da Alhambra;
em Sevilha, o Alcazar e a Catedral da Giralda (antes uma mesquita muçulmana), entre muitas outras heranças que ali ficaram; no mesmo patamar estão Toledo, Córdoba e muitas outras cidades. Precisamente por valorizar tais contribuições, é que não posso aceitar passivamente a imagem que ora se propaga, em que os povos da etnia árabe são apresentados como truculentos, fanáticos, dispostos e empenhados em disseminar o terror. Uma das maiores conquistas das nações ocidentais, e aí se reconheça, sobretudo, o papel desempenhado pela República francesa, foi a oportuna separação entre o Estado e a Religião, distinguindo cabalmente o ato político e o ato de fé. Boko-Haran, Al-Qaeda, Estado Islâmico, Hesbolah são precisamente grupos em busca de alcançar o poder, portanto políticos, mas que o fazem usando as bases de uma crença religiosa, como quem cumpre mandamentos ditados pela Divindade por meio de um profeta, no caso Maomé, pressupondo que a Deus possa interessar o poder político, e ainda mais à custa do sangue de outros, que também seriam seus filhos. Generalizar as ações desses grupos, afinal minoritários, e tentar atribuí-las como genéricas às nações árabes e ao Islã que, afinal, congrega mais de um bilhão de fieis, é, no mínimo, simplório, além de injusto. Repete-se aí uma ocorrência que nada tem de novo e nem de exclusivo: como a base da fé religiosa é a crença e não o conhecimento, sua sede não é a razão e sim o emocional e isso lhe faculta a possibilidade de, a qualquer momento, tornar-se fanatismo. Nesse momento, a religião une fortemente os elementos do pequeno grupo, mas o desune da humanidade e a fé passa a ser geradora do conflito e do confronto.
João Bosco Araújo Diretor-executivo do Amazonas EM TEMPO
Uma das maiores conquistas das nações ocidentais, e aí se reconheça, sobretudo, o papel desempenhado pela República francesa, foi a oportuna separação entre o Estado e a Religião, distinguindo cabalmente o ato político e o ato de fé”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Não ata nem desata
Só temos a lamentar que a pena de morte ainda exista, porque é o tipo de sentença irreversível. E a gente sempre tem que apostar que a pessoa, mesmo tendo cometido erros, possa ser ressocializada. Mesmo com todos esses apelos, eu acredito que não conseguimos sensibilizar. Vamos acompanhar. Talvez meditando um pouco mais, haja alguma mudança
As oito empresas citadas na operação Lava Jato contra as quais a CGU (Controladoria Geral da União) abriu investigação já procuraram informações sobre os termos do acordo de leniência proposto pelo governo federal. Nenhuma delas, no entanto, confirmou até agora que vá selar o pacto, que prevê ressarcimento de recursos e a adoção de práticas anticorrupção (compliance). Um dos entraves é que não está claro se os contratos nos quais houve desvios poderão ser mantidos. Deixa rolar A legislação que regula a leniência não é explícita, mas a AGU (Advocacia Geral da União) defende que contratos investigados possam ser mantidos, desde que os ilícitos sejam sanados e os desvios, ressarcidos. Quanto é? Outro foco de divergência entre as empresas e os órgãos que negociam os acordos é quanto aos valores a serem ressarcidos depois de as empreiteiras admitirem ter incorrido em crimes. Na mesma Também no Cade estão emperradas as negociações com as empresas investigadas na Lava Jato. Nesse caso, só a primeira a fechar acordo obtém a leniência, cujo objetivo é quebrar eventual prática de cartel. Raio... O núcleo político do Planalto teme que um segundo turno entre Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) na eleição para a presidência da Câmara provoque uma divisão permanente na base aliada. ...que o parta Para os articuladores, um embate direto
ameaça a votação de propostas como a volta da Cide e a votação da DRU - que determina o percentual do Orçamento que pode ser usado livremente pelo governo. 007 Aliados de Cunha que têm participado de reuniões em apoio a Chinaglia na disputa costumam agir como espiões: enviam a peemedebistas fotos, relatos e listas de deputados presentes. Prata... A Secretaria da Cultura de Fernando Haddad celebrou em dezembro convênio com uma entidade presidida por um coordenador de grupo da própria pasta. ...da casa Em agosto, o então secretário Juca Ferreira, hoje ministro, nomeou Paulo Farah para coordenar um plano municipal de leitura. Quatro meses depois, a pasta pagou R$ 119 mil para a associação de Farah organizar seminário sobre o plano. Outro lado A secretaria diz que a associação é “referência no campo da pesquisa sobre o tema” e que o convênio foi celebrado de forma “legal, regular e pública”.
Acervo Lula só leu na quinta-feira a entrevista em que Marta Suplicy desanca o PT e o governo Dilma Rousseff. De férias, ele havia sido informado sobre as declarações, mas não vira a íntegra. Best-seller O ex-presidente aproveitou o descanso para ler “O Homem que Amava os Cachorros”, do cubano Leonardo Padura. Dilma também leu o livro e se encontrou com o autor em 2014.
Ideli Salvatti, ministra de Direitos Humanos da Presidência da República, lamentou que punições como a pena de morte ainda existam, ao comentar a situação do brasileiro Marco Archer, condenado a fuzilamento, neste domingo, por tráfico de drogas, na Indonésia.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RAIMUNDO VALENTIM
Torneio de... Lula tem defendido que o PT lance em 2016 a candidatura de ex-prefeitos em cidades importantes de São Paulo, como Diadema (José de Filippi), Araraquara (Edinho Silva) e São Carlos (Newton Lima). ...Master O resultado adverso do ano passado levou a sigla a avaliar que deve apostar em nomes conhecidos para tentar retomar uma parcela do eleitorado paulista. Passe Carlos Gabas nomeou o procurador-geral federal Marcelo de Siqueira Freitas para a secretaria-executiva da Previdência. Ele era braço-direito de Luís Inácio Adams na AGU.
Tiroteio
Ao ser precipitado em tantas perseguições nos finais de semana, esse veículo do Ronda no Bairro acabou de ponta-cabeça em uma das ruas de Manaus. Sem mais qualquer utilidade, vai compor o cemitério que já abriga vários “colegas” esfalfados na luta diária contra o crime que, além do mais, continua se organizando
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
O tempo corre e o rame-rame continua, como se a eleição das duas mesas do Congresso não tivesse nada a ver com a vida real”
Juventude
DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a campanha para a presidência da Câmara e do Senado em meio às investigações da operação da Lava Jato.
A Arquidiocese de Manaus acolhe nesta semana o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude. Jovens de todo o Brasil chegaram a nossa cidade como delegados e delegadas de milhares de grupos espalhados por todo o nosso imenso país. Desde quando tivemos a confirmação de que eles viriam, nosso coração encheu-se de alegria e a cada dia aumentou a expectativa de todos os que estiveram empenhados na sua preparação. Finalmente, hoje teremos a grande abertura no anfiteatro da Ponta Negra. Temos consciência que a História da Salvação acontece nos encontros que vão se sucedendo e quando Jesus convida os que querem segui-lo para irem com ele ao lugar onde mora, está propondo exatamente um encontro em profundidade onde ele se dará a conhecer e ao mesmo tempo conhecerá aqueles que chamará de amigos. Vinde e vede é o convite de Jesus àqueles que o procuram. Num mundo violento e desagregador, a Pastoral da Juventude quer mostrar que um mundo onde reine a paz e a concórdia é possível. Na Pastoral da Juventude da Arquidiocese, que vive um momento de revitalização, os jovens vivem nos grupos de base a amizade que brota da vocação comum. São estes grupos que estão empenhados em receber bem os que vêm de perto ou de longe trazendo na bagagem, no coração, nas histórias e nas canções toda a riqueza cultural de nosso país. Temos a certeza de que a presença de tantos jovens confirmará a nossa caminhada. Mas não são só os grupos de jovens que querem encontrálos. Toda a Igreja de Manaus e do Regional Norte I abre as
Contraponto
Na garupa do ministro Ao tomar posse na semana passada no Ministério da Cultura, o novo titular da pasta, Juca Ferreira, cumpriu o protocolo saudando nominalmente os colegas de Esplanada presentes à cerimônia. Antes de iniciar o discurso bem-humorado, decidiu fazer uma homenagem especial a Carlos Gabas, que havia tomado posse dias antes no Ministério da Previdência. – Ele já é meu amigo e está me convidando para dar um passeio de moto... – disse, provocando risos da plateia ao lembrar dos passeios que a presidente Dilma Rousseff deu na garupa do ministro. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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portas para os visitantes, aí incluídos as paróquias, as áreas missionárias, as pastorais e os movimentos. Queremos que o encontro dos delegados e delegadas seja vivido intensamente, segundo a metodologia da Pastoral da Juventude, que acreditamos ser uma resposta válida ao desafio da evangelização da juventude, que é sempre uma prioridade. Queremos que os nossos jovens encontrem Jesus, sejam anunciadores do Reino e agentes de transformação num mundo e numa sociedade que necessita urgentemente de missionários e missionárias ainda tocados pelo sonho que nasce da utopia de um mundo fraterno e segundo a vontade de Deus, um mundo onde se partilhe o pão e a vida. O tema do encontro é: “No encontro das águas, partilhamos a vida, o pão e a utopia”. Temos o privilégio de viver próximo a este fenômeno, um espetáculo exuberante em beleza que nos lembra de que estamos na Amazônia, região única no mundo, onde em grande parte se define o futuro do planeta em que vivemos e o tipo de civilização que queremos para o futuro. Os povos originários que vivem nestas terras, as populações ribeirinhas, todos os projetos e sonhos de preservação são sinais de que a utopia não chegou ao fim e não precisamos ser eternamente reféns do mercado e do capital. O encontro fraterno, a convivência gratuita, o olhar crítico e cheio de esperança, o sonho comum farão destes dias vividos juntos, dias de graça. Que Maria, a mãe de Jesus, a Imaculada Conceição, padroeira de Manaus e do Amazonas, interceda por nossa juventude.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus
O tema é: ‘No encontro das águas, partilhamos a vida, o pão e a utopia’. Temos o privilégio de viver próximo a este fenômeno, um espetáculo que nos lembra de que estamos na Amazônia, região única no mundo, onde em grande parte se define o futuro do planeta em que vivemos”
Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
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Roberto Gesta
‘Os Jogos OLÍMPICOS serão mais IMPORTANTES que a Copa DO MUNDO’
FOTOS: ARTHUR CASTRO
THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
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Nosso foco agora será trazer alguns jogos olímpicos para Manaus. Isso seria grande ponto de crescimento para a região. Fizemos um belíssimo trabalho durante a Copa do Mundo, onde fomos escolhidos a melhor subsede, e podemos repetir isso”
oberto Gesta de Melo é um conhecedor e um apaixonado pelo esporte. Ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e atual dirigente da Confederação Sul-Americana de Atletismo (Consudatle), Gesta é também um colecionador de relíquias olímpicas, e mantém em seu poder a única medalha de ouro cunhada para os Jogos Olímpicos não realizados devido à eclosão da I Guerra Mundial. Com um enorme prestígio na área, na semana passada Gesta encarou mais um desafio: o de articular para que Manaus fosse escolhida como uma das cidades-sede para o futebol nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e à Federação Internacional de Futebol (Fifa), que escolhe os locais das partidas, Gesta montou uma verdadeira força-tarefa para garantir a candidatura da capital do Amazonas. EM TEMPO – Em 40 anos dedicados ao esporte, qual foi o seu momento mais importante? Roberto Gesta – Tivemos centenas de momentos. Quando estive à frente da confederação, participei de Jogos Olímpicos de Verão, de Inverno, e também mais de 100 campeonatos de atletismo. Mas, para mim, o mais importante foi a consagração da medalha de ouro da atleta Maurren Maggi. Na época, eu era o presidente da Associação Brasileira de Atletismo e ela foi a primeira mulher sul-americana a adquirir a honraria em uma Olimpíada, e eu tive a honra de participar da cerimônia de premiação. Estar ali no estádio ouvindo o hino e a subida da bandeira brasileira no mastro mais alto foi muito impactante. Em Manaus, também tivemos bons momentos, como a realização do campeonato mundial da maratona de revezamento em 1998. EM TEMPO – Você tem formação em direito.
Como foi aliar essa especialidade ao esporte? RG – Na verdade, foi na faculdade de direito que me interessei pela modalidade esportiva. Quando estava no segundo ano da faculdade, fui convidado para participar dos primeiros jogos universitários do Amazonas. Fui disputar na modalidade tênis de mesa. Em seguida, fomos selecionados para o Norte/Nordeste e viemos de lá encantados pelo esporte. Desse episódio foi um pulo para entrar de cabeça nesse segmento. Fui presidente da atlética de direito, e em seguida tomei gosto pelo volei e atletismo.
EM TEMPO - Mas, o que temos de real nestas negociações? RG - Estamos no início dos trabalhos. Já conversamos com o governador José Melo, que nos deu, através da Secretaria Estadual de Esportes, carta branca para corrermos atrás desta seleção. Estamos também fazendo as negociações políticas e planejando um contato com organizadores para tentar se trazer esses jogos. E isso será um legado do que fizemos na Copa, pois com a possível vinda dos jogos, não teremos muitos gastos de estruturas, temos quase tudo pronto.
EM TEMPO - Ontem, o senhor foi reeleito presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo e isso trouxe para o Estado uma outra visibilidade neste segmento esportivo... RG - Foi um enorme desafio. Nessa posse contamos com a presença de pessoas importantes, como o presidente da Associação de Atletismo, de atletas e membros da comissão que avaliam os locais para os Jogos Olímpicos, além do presidente da confederação asiática de atletismo. Isso foi importante para a divulgação do Amazonas, pois todos visitaram a Arena da Amazônia e perceberam que temos infraestrutura para receber partidas de futebol dos Jogos Olímpicos.
EM TEMPO - Sabemos que o senhor tem uma boa relação com o Carlos Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Isso é um ponto favorável para Manaus? RG - Eu conheci o Nuzman em 1974, somos amigos há mais de 40 anos, mas não falei ainda com ele sobre o assunto. Estávamos aguardando primeiramente o pontapé inicial dos governantes sobre o assunto, o que já ocorreu, para podermos correr em busca de apoio.
EM TEMPO - O senhor é a pessoa que está fazendo todo o “lobby” desta possível vinda dos Jogos Olímpicos para Manaus. Se realmente tivermos essas partidas, qual importância disto? RG - A vinda desses jogos olímpicos seria uma massa. Manaus demonstrou que tem capacidade para receber eventos esportivos de grande proporção ao ser eleita a melhor cidade-sede da Copa do Mundo de 2014. Enquanto países gastam fortunas, podemos ter uma subsede aqui em Manaus sem fazer grandes esforços. E outra coisa, a vinda desse evento para Manaus será muito mais importante que a Copa do Mundo.
EM TEMPO - Qual será o nosso atrativo para trazer público para assistir esses jogos? RG - A floresta e a questão ambiental sempre será um atrativo. Em muitas visitas internacionais conheci muita gente com enorme vontade de explorar melhor a nossa região. EM TEMPO - Na Copa, muito se questionou sobre a estrutura para a cidade suportar esse tipo de evento, e no final, Manaus foi apontada como uma das melhores subsedes. Como essa imagem será explorada? RG - Toda infratestrutura preparada para a Copa do Mundo será usada para os possíveis jogos. Não será preciso fazer mais muita coisa e até lá teremos muito mais investimentos na região. EM TEMPO - E com a possível vinda desses jogos, qual a im-
portância disto para os futuros atletas? RG - Vejo que só essa marca de “Manaus Cidade Olímpica” já pode nos trazer um grande benefício, não só para o futebol, mas também para várias outras ações paralelas. Criar cursos de olimpismo nas escolas, fazer palestras sobre a importância das atividades físicas será um dos pontos que poderemos abranger. Outra coisa são os investimentos do governo e da prefeitura em vários segmentos. EM TEMPO - Se Manaus for realmente complentada com esse jogos podemos visualizar outros eventos deste porte para a região? RG - Manaus foi durante 20 anos a capital do atletismo sul-americano e neste período realizamos vários eventos como campeonado sul-america de adultos e menores, além de Copas Pan Americanas, e também mundiais e nacioais de atletismo. Hoje, sequer temos um pista. Entre 1995 e 2004 tínhamos uma pista onde os atletas do mundo inteiro vinham treinar, e daqui saiu a portuguesa Fernanda Ribeiro para ser campeã olímpica em Atlanta, o Anier Garcia, que foi campeão olímpico em Sidney, e também Maurren Maggi treinou conosco. E isso tudo pode voltar. Basta vontade política. EM TEMPO - Em relação à hospedagem dos atletas que virão para os Jogos 2016. Manaus poderia ser um dos polos de aclimatação desses jogadores? RG - Na verdade, estamos mais focados em trazer os jogos, essa é a nossa meta. Após conseguirmos esse desafio, ficará mais fácil pensar em qualquer outra questão. EM TEMPO - E quando será dado o ponto decisivo sobre a escolha das sedes? RG - Não sabemos, estamos trabalhando para colocar o nome da cidade na disputa e a partir deste ponto brigar por essa vaga. Colaborou Isabella Siqueira
A floresta e a questão ambiental sempre será um grande atrativo para atrair qualquer evento para o Amazonas, e vamos usar esse perfil para atrair a vinda dos Jogos Olímpicos”
Manaus foi durante 20 anos a capital do atletismo sulamericano, e neste período, grandes atletas fizeram seus treinamentos aqui. Podemos voltar a ter tudo isso. Basta boa vontade”
Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Democracia: há 30 anos renascia conquista no país
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
É muito mais fácil culpá-lo” Jornalista
CARLOS GROU, primo do piloto Marcos Martins, responsabilizado pela queda do jato de Eduardo Campos
PR reagrupa turma afastada pela ‘faxina’ de 2011 O Partido da República (PR), de propriedade do ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), mensaleiro que cumpriu pena na Papuda e hoje se refestela em prisão domiciliar, retoma a velha prática do fisiologismo e está mapeando os cargos a serem preenchidos no âmbito do Ministério dos Transportes. Órgãos vinculados (ANTT, EPL, Valec e DNIT) receberam ordens para enviar à cúpula do PR a relação desses cargos. Primeiro flagra Seis meses após a posse de Dilma, em 2011, “Veja” revelou o esquema de corrupção no mesmo Ministério dos Transportes, chefiado pelo PR. ‘Faxina ética’ Em julho de 2011, em pretensa “faxina ética”, Dilma demitiu Alfredo Nascimento (então presidente do PR) do Ministério dos Transportes. Segure o bolso Sinais de que o grupo “barra pesada” do PR se reagrupa ficam nítidos na posse do novo ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues. Juquinha, presente Francisco das Neves (“Juquinha”), ex-Valec, preso por corrupção pela Polícia Federal, foi representado pelo filho na posse do novo ministro. ‘Top top’ de Garcia completa sete anos e meio Completa neste domingo sete anos e meio o episódio que batizou de “Top-Top” Marco Aurélio Garcia, aspone de assuntos internacionais aleatórios dos governos Lula e Dilma. Ele foi flagrado pela TV Globo fazendo o gesto obsceno no exato momento em que o Jornal Nacional noticiava que uma falha técnica poderia ter provocado o
desastre da TAM que matou 199 pessoas, em 2007, no aeroporto de Congonhas. Desprezo pela dor alheia Top-Top fez “top-top” para celebrar: a versão de falha técnica afastava a hipótese de falha de manutenção na pista, que é dever do governo. Em conjunto Marco Aurélio Top-Top Garcia “comemorou” a notícia ao lado de um assessor, que conseguiu produzir outro gesto ainda mais obsceno. Tudo esquema Em 2013, Top-Top Garcia disse que o flagrante do gesto obsceno foi uma “operação sórdida” da Rede Globo. Mentira, foi puro jornalismo. Madame é fogo Ex-piloto de Lula, Joseli Camelo chegou coronel ao Planalto e foi sendo promovido até brigadeiro sem chefiar unidade militar. Juniti Saito, o ex-comandante, aconselhouo a tentar o Superior Tribunal Militar, mas ele queria comandar a Aeronáutica. Foi abatido por Dilma em pleno voo. Com dinheiro alheio Tem alguém ganhando muito dinheiro com a “modernização” de móveis nas lideranças do PT, Psol, PHS, PRB e Consultoria Legislativa, na Câmara. No total, a tunga vai custar ao contribuinte R$ 1,19 milhão. Reincidência O BNDES foi notificado pelo Tribunal de Contas da União no final de 2014 para detalhar a parceria com o frigorífico JBS/Friboi. O BNDES é dono de 23% do JBS, mas repetidamente não detalha investimentos. O BNDES descumpriu pela 3ª vez, em novembro, prazo para se explicar.
Ao colocar um fim no ciclo dos presidentes militares, a vitória de Tancredo Neves abriu o caminho para a redemocratização FOTOS: FOTOSPÚBLICAS
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Carrinho cheio A Presidência da República foi às compras, para abastecer a despensa de Dilma em 2015: R$ 86 mil em hortifruti, incluindo 5 tipos de uva. Destacam-se 6 mil abacaxis, como se não bastassem os da Petrobras. Jogo rápido O acidente que nos tirou o então candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) começa a ser esclarecido pela Aeronáutica. No entanto, o mistério permanece: a identidade do dono do avião. No popular Animado com a eleição do filho JHC (iniciais de João Henrique Caldas) para deputado federal, o deputado João Caldas (SD-AL) anda meio desapontado com a política. Acha que a denominação “mesa diretora”, por exemplo, no Senado e na Câmara, deveria mudar para “balcão”. Tá tudo dominado O enviado da Globo a Cancun informou que o brasileiro que se jogou ou foi jogado de um prédio teve uma crise paranoica, com mania de perseguição, pelo “uso excessivo de drogas”. Uso “moderado” pode? Rumo ao euro Com a alta do dólar, o euro, que chegou a ser cotado a R$ 3,42 em 16 de dezembro, despencou para R$ 3,02 nos últimos 30 dias e tem ficado cada vez mais atraente, comparado aos R$ 2,62 da moeda americana. Tocando o terror Após um 2014 desastroso, a economia do estado da Califórnia (EUA), onde fica Hollywood, é maior que a do Brasil. Mas, em, compensação, logo a Petrobras vai produzir filmes. De terror.
PODER SEM PUDOR
Senador contra-regra
Tancredo Neves foi o primeiro presidente civil escolhido por voto indireto, em 1985, na Câmara
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á 30 anos, o país reconquistava a condição de país democrático com a eleição de Tancredo Neves. Começava ali um período de sucessivas transformações que modernizaram o Brasil, restauraram o equilíbrio econômico e promoveram avanços nos direitos sociais da população. Tudo começou naquele 15 de janeiro de 1985. Tancredo foi eleito pelo voto indireto dos parlamentares no Colégio Eleitoral. Obteve, como candidato do PMDB, 480 votos contra os 180 dados a Paulo Maluf, do PDS, o partido que dava sustentação ao governo militar. O Brasil se reencontrava com a democracia depois de 21 anos de ditadura. Oito meses antes, fracassara a tentativa de reintroduzir eleições diretas para presidente, com a derrota da emenda do deputado Dante de Oliveira na Câmara. O sonho de eleger o mandatário pelo voto direto só viraria realidade em 1989 – infelizmente depois transformado em pesadelo com a eleição de Fernando Collor de Mello. A eleição de Tancredo marcou a união de todas as forças democráticas em contraposição ao arbítrio e a favor do Brasil. Ou melhor, de quase todas as forças: o PT, como seria marcante em sua trajetória futura, recusou-se a dar seu apoio ao novo presidente civil. Exigiu que seus
oito deputados se retirassem do colégio; três se recusaram e foram expulsos do partido. Com a morte de Tancredo, a Nova República acabou não correspondendo a todos os anseios represados pela população ao longo de duas décadas de autoritarismo. Em especial, na economia, com a escalada da inflação e o desarranjo das condições de mercado decorrentes das barbeiragens do governo de José Sarney.
DISPUTA
Tancredo foi eleito pelo voto indireto dos parlamentares no Colégio Eleitoral. Obteve, como candidato do PMDB, 480 votos contra os 180 dados a Paulo Maluf, do PDS, o partido do governo militar Esperança Assim que foi eleito presidente, Tancredo Neves fez um discurso emocionado na mesa da Câmara dos Deputados. Disse que a nação inteira vivia um momento de esperança e reencontro com o caminho democrático e que aquela foi a última eleição indireta do país. “Esta foi a última eleição indireta do país. Venho para realizar urgentes e corajosas
mudanças políticas, sociais e econômicas indispensáveis ao bem-estar do povo. Não foi fácil chegar até aqui. Nem mesmo a antecipação da certeza da vitória, nos últimos meses, apaga as cicatrizes e os sacrifícios que marcaram a história da luta que agora se encerra”, disse Tancredo em seu discurso. “Quando o Tancredo foi eleito pelo Congresso, pelo colégio eleitoral, a sensação majoritária no seio da população brasileira é de aquela tinha sido uma eleição direta”, diz Antônio Barbosa, professor de História da UNB. Drama Dois meses depois, na véspera da posse, a euforia com o novo momento político do país se transformou em drama. Tancredo Neves estava doente, foi internado em estado grave. O atual Secretário Geral da Câmara, Mozart Vianna, que já era funcionário do Congresso e transitava entre os principais líderes políticos da democratização, diz que a doença de Tancredo foi um choque. “Eu tinha muita esperança no trabalho dele, então com o falecimento, naquele primeiro momento, deu aquele susto, aquela preocupação, aquele receio de um retrocesso, aquele receio de um regime de força se aproveitar daquele momento”, conta Mozart.
Os senadores discutiam a redução da maioridade penal, certa vez, quando Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a exibir sua veia artística. Passou a ler um relatório sobre o tema, onde havia um trecho em que um cachorro latia. Suplicy leu e latiu. Três vezes. Risos gerais. Adiante, ele se referiu a “vários tiros de arma de fogo”. Novamente Suplicy ilustrou a leitura berrando os tiros. O então senador tucano Arthur Neto (AM), com reflexos de judoca, levantou os braços, com ar de espanto, como se fora atingido pelos disparos. Mais risos. Sem Suplicy, o Senado ficará menos divertido.
PRESIDÊNCIA
Dilma não terá vida fácil no Senado A vida do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado deve ser mais complicada a partir do mês que vem, quando começa uma nova Legislatura na Casa, ainda que sob o comando de Renan Calheiros (PMDB-AL), pois terá uma oposição com nomes de maior peso e o maior partido da base aliada, o PMDB, insatisfeito. O Senado reinicia seus trabalhos no dia 1º de fevereiro com a eleição de uma nova Mesa Diretora e o amplo favoritismo de Renan, atual presidente da casa que esteve alinhado com o governo no primeiro mandato.
Apesar do favoritismo de Renan para o comando do Senado, a oposição tentar rachar o PMDB em busca de um nome alternativo. O movimento tem sido liderado pelo candidato derrotado à Presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB-MG). “Nas últimas três campanhas nós apoiamos alguma candidatura contra a candidatura do PMDB... Dessa vez nós teremos um candidato também”, disse à Reuters o líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN). “Mas nós queremos um candidato de um partido aliado, confiável e
independente... E queremos um candidato que possa ter votos para ganhar”, acrescentou. Entre os nomes apontados como opções para oposição por Agripino estão os dos senadores peemedebistas Ricardo Ferraço (ES) e Luiz Henrique (SC). Ferraço, que apoiou Aécio na disputa presidencial, conversou com o senador mineiro sobre o assunto. Ele, no entanto, tem um cargo importante no Senado, a presidência da Comissão de Relações Exteriores, e poderia ficar sem posição de destaque na nova Legislatura se decidir desafiar Renan e perder.
O deputado Ulysses Guimarães promulga a nova Constituição de 1988, chamada “Cidadã”
Constituição: nova cara política Mas a Constituição de 1988 criou o novo arcabouço institucional que permitiria ao país, com gestões mais responsáveis no futuro, reencontrar-se com a normalidade. Após a redemocratização, o Brasil avançou com a estabilização da economia alcançada a partir do Plano Real, com o rigor no trato das contas públicas possibilitado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e com o enfrentamento da dívida
social por meio da rede de proteção montada nos últimos 20 anos. A eleição de Tancredo e a Nova República marcaram o início de uma era de transformações. Em muitos destes momentos da história, as forças comprometidas com o progresso do Brasil se uniram em prol dos brasileiros. Em praticamente todas estas ocasiões, o PT recusou-se a participar: sempre que teve que escolher, o PT
ficou com o PT. Essa data (30 anos de democracia) é importante para que seja reforçado o compromisso intransigente com a democracia e com seus valores mais caros: a liberdade de manifestação e expressão, a promoção dos direitos civis, o respeito ao interesse público e a igualdade de oportunidades. Infelizmente, muitos destes preceitos tornaram-se letra morta nos últimos anos.
Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Leis não conseguem inibir os
jogos de azar Proibidos há 69 anos no Brasil, os jogos de azar ainda não foram banidos do território nacional pelas leis federais MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
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s chamados “jogos de azar” são proibidos desde 1946 em todo o território nacional, por meio do decreto-lei número 9.215, de 30 de abril de 1946. No entanto, acabar com os jogos clandestinos em várias cidades do país é um desafio presente ainda nos dias de hoje. No Estado do Amazonas não há nenhuma legislação vigente proibindo a ação em território estadual, apenas cumpre-se (ou tenta-se cumprir) a legislação federal. A reportagem ouviu parlamentares tanto da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) como da Câmara Municipal de Manaus (CMM) sobre o assunto e o que fazer para tentar inibir esse tipo de atividade ilegal no Estado. Todos foram unânimes em dizer que a fiscalização fica por conta da polícia. O presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD), alega que contravenção é crime federal, portanto regido por leis federais. “Portanto, cabe às polícias Civil e Federal a fiscalização”, pontuou. Assim como Neto, o deputado Marcelo Ramos (PSB) também justifica que não cabe ao parlamento fazer cumprir a legislação federal, mas à polícia. “Existe lei federal, aí não é questão de parlamentar, é questão de polícia”, justificou. De acordo com o decreto, “ficam declaradas nulas e sem efeito todas as licenças, concessões ou autorizações dadas pelas autoridades federais, estaduais ou municipais, com fundamento nas leis ora revogadas, ou que, de qualquer forma, contenham autorização em contrário ao disposto
no artigo 50 e seus parágrafos da Lei das Contravenções Penais”. O artigo 50 determina que “estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele, será penalizado com prisão que varia de 3 meses a 1 ano, multa e mais perda dos móveis e objetos de decoração do local”. Também é considerado contravenção penal o jogo do bicho, assim como o caça-níquel. Quem participa de tais atividades ilegais também está passível de punição. Nesse caso, apenas com pena de multa. Na Câmara Municipal de Manaus também não existe nenhum projeto tramitando ou aprovado quanto à proibição de tais atividades na cidade. De igual forma, os vereadores também responsabilizam a polícia pela fiscalização do cumprimento da legislação federal. O vereador Professor Bibiano, líder do PT na CMM, defendeu que é prerrogativa da União legislar sobre essa questão e não é de competência do Estado ou município legislar sobre isso. No entanto, os parlamentares municipais podem contribuir fiscalizando licenças concedidas pela prefeitura. “Se há algum espaço que a prefeitura concedeu licença a um estabelecimento, com certeza não foi com essa funcionalidade de casa de jogos de azar. Se isso acontece, o dono do estabelecimento desvirtuou a licença. Então
uma forma de estar colaborando é fiscalizar as licenças concedidas pela prefeitura. Na CMM não temos esse poder, mas podemos fiscalizar essas permissões”, justificou. Bibiano lembrou que outros Estados, como Santa Catarina, tentaram criar leis sobre essa questão, mas foram julgadas inconstitucionais, por ser de competência da União. Bingo foi fechado na capital Em 2013, o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus deflagraram a operação Centro Seguro. Na operação, um bingo clandestino foi fechado. De acordo com a coordenadora da operação pela Polícia Civil à época, Márcia Maciel, a ação foi resultado de três meses de investigações. Ela explicou que o alvo principal era o bingo “Asas da Sorte”, que funcionava há mais
de 2 anos em uma antiga casa de shows. “Nós estamos fechando este local e o responsável será levado à delegacia, onde será autuado por estelionato”, comentou.
JOGOS DE AZAR EM MANAUS
PL que libera jogos está em tramitação A proibição dos jogos de azar é questionada por empresários e políticos. Diante de questionamentos, há um Projeto de Lei (PLS Nº 186/2014) que tramita no Senado, o qual legaliza o jogo no Brasil. O projeto é de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta permite a exploração de jogo do bicho, cassinos, bingos e apostas on-line em todo o território nacional. Como justificativa, o senador chama a atenção aos efeitos tanto econômicos positivos, quanto para o fato de a proibição, desde 1946, “jamais ter prevalecido de verdade no país”. “Deixemos a demagogia de lado. A realidade evidencia que ninguém vai deixar de apostar”, afirma.
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Política
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
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IONE MORENO
Caderno B
Economia
Bicicletas com vendas em alta no Amazonas Economia B4 e B5
Mercado de alimentos saudáveis é tendência CRÉDITO DO FOTÓGRAFO
Produtos dight, light e orgânicos ocupam prateleiras das redes de supermercados tradicionais e ganham lojas especializadas
Supermercado Pátio Gourmet, inaugurado em dezembro do ano passado, já começou a repor estoque e a adquirir produtos saudáveis solicitados pela clientela manauense que vai às compras na loja SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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mercado de produtos saudáveis - dight, light e orgânico - está super em alta em Manaus. O segmento que anualmente cresce aproximadamente 20%, de acordo com os distribuidores locais, ganha a cada ano mais espaço nas prateleiras e até mesmo seções exclusivas nos estabelecimentos comerciais da capital amazonense que enxergam o potencial de clientes que o setor atrai. No Emporium Rodrigues, as vendas desses produtos representam entre 60% a 70% das vendas gerais do supermercado, de acordo com a gerente Jucilene Leão. Para ela, as pessoas estão buscando cuidar ainda mais da saúde. “Hoje em dia as pessoas evitam os produtos que têm muitas calorias ou alto teor de gordura, entre outros. Todo mundo está em busca de uma vida saudável”, avalia. A gerente afirma que a demanda de clientes superou a expectativa, uma vez que o público que mais atinge na região em que o estabelecimento está situado, no conjunto Vieiralves, Zona Centro-Sul, é exatamente o que procura por uma alimentação mais saudável. “Os produtos light, dight, orgânico, sem glúten e sem lactose são hoje os mais procurados dentro do supermercado”, enfatiza.
Jucilene conta que os outros supermercados do grupo Rodrigues não têm espaço específico para esses produtos e nem a variedade que se encontra no Emporium. Mas, para ela, é uma tendência que em pouco espaço de tempo todos os supermercados de Manaus vão aderir a essas linhas de produtos saudáveis. “A demanda de clientes é crescente, então, acredito que haverá visão maior voltada a
Os light são para quem faz dieta para manter o peso. O dight é para quem precisa cortar o açúcar e os orgânicos são livres de químicas Suelda Carvalho, gerente operacional
esses produtos”, observa. Inaugurado em dezembro, o Pátio Gourmet, instalado na avenida Djalma Batista, é outro supermercado com prateleiras exclusivas para os produtos dight, light e orgânicos. A gerente operacional, Suelda Carvalho, afirma que o mercado desses produtos cresce bastante, impulsionado por fatores como a busca de uma alimentação saudável. “Tem cliente que não consome
um biscoito que contem glúten ou que não seja dight ou light, bem como os diabéticos que não podem consumir produto que tenha açúcar”, explica. Suelda confirma que todas as lojas da rede Nova Era contam com produtos deste segmento, porém, não numa infinidade que é encontrada no Pátio Gourmet. “Cada loja tem um pouco, mas não tem uma área voltada para esse público como temos aqui”, declara. Segundo ela, o espaço foi pensado justamente para os clientes que só procuram por esses produtos. Quanto às vendas, a gerente operacional observa que, por ter sido inaugurado recentemente, ainda não dá para saber a demanda exata, mas a procura é alta, segundo ela. “Estamos com menos de um mês que inauguramos e tem produtos que estamos fazendo reposição porque já zerou. E tem muitos itens que ainda estão chegando justamente pela procura do cliente”, ressalta. As grandes redes de supermercados como Carrefour e DB também investem nesse segmento, contudo, diferentemente de outros locais, os produtos não têm uma área específica. O Empório Roma, situado no bairro Adrianópolis, assim como o Emporium Rodrigues e o Pátio Gourmet, tem o foco principal voltado para os importados e produtos light, dight e orgânicos. O espaço fica no segundo andar do supermercado.
Saúde muda lista de compras O mercado de alimentos especiais e saudáveis apresenta crescimento significativo ano a ano. A conscientização da importância do alimento para a saúde vem mudando o comportamento dos consumidores que buscam uma vida saudável. Além disso, o público carro-chefe dos produtos light, dight e orgânicos - as pessoas que fazem dieta e as fitness – tem crescido bastante também.
Outro fator importante para o crescimento é a variedade de produtos que esse segmento oferece. No Emporium Rodrigues, há mais de 500 tipos de produtos entre light, dight e orgânicos, segundo a gerente Jucilene Leão. São grãos, massas, chás, arroz, ovos e até frango, cuja garantia é 100% vegetal. “Tudo que o cliente possa imaginar já se encontra dentro desse mercado”, observa.
O Pátio Gourmet também conta com uma infinidade de diferentes produtos das linhas light, dight e orgânico. De acordo com a gerente operacional, Suelda Carvalho, entre os diversos tipos de alimentos estão produtos nacionais e importados. “A variedade é enorme, temos grãos, biscoitos, chocolates, cafés, massas, entre outros. E também tem outros tipos que ainda vão chegar”, revela.
Variedade de produtos orgânicos e das linhas light e dight nas prateleiras é expressiva
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
‘Cliente paga preço justo para manter a sua saúde’ SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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preço dos produtos dight, light e orgânicos ainda é salgado para o bolso de muito consumidor. Além do processo de produção, o fato dos fornecedores não serem locais também encarece os produtos. No Emporium Rodrigues, a gerente Jucilene Leão revela que 99% dos fornecedores são de outras regiões. “Praticamente todos os produtos vêm de fora do Estado, sendo que temos um mix de produtos importados e nacionais”, comenta. Mas Jucilene destaca que o preço é relativo. Conforme ela, tem geleia dight, por exemplo, que tem o mesmo preço da normal, sendo que o fato de o produto desse segmento ser mais caro não é uma regra. “As pessoas sempre acham que é mais caro, mas não, tem produtos cujos preços são iguais aos produtos tradicionais. Já em outros casos, claro que tem diferença, mas não é uma coisa gritante”, conta. Para a gerente operacional do Pátio Gourmet, Suelda Carvalho, os produtos são mais
caros por conta de sua qualidade, visto que são voltados para o cliente que quer cuidar da saúde. Ela destaca que são produtos mais caros porque são mais saudáveis, pois não têm tanto aquela gordura que é prejudicial à saúde. “Realmente tem um custo maior, sim, mas o cliente não vai pagar caro, vai pagar um
AVALIAÇÃO
Para os consumidores de produtos dight, light e orgânicos, o alto gasto com a compra desse tipo de alimento vale a pena porque os resultados sobre a saúde e a perda de peso são vistos em pouco tempo preço justo para manter a sua saúde”, salienta. Mas os valores altos não intimidam os consumidores, principalmente aqueles que fazem dieta, como a jornalista Emanuela Lago. Segundo ela, chega a gastar o dobro do que gastaria se comprasse produtos tradicionais ao invés dos dight, light e orgânicos, mesmo assim, não
DIEGO JANATÃ
Valor dos produtos da linha saudável é alto por serem em sua maioria importados de outros Estados e/ou países deixa de consumir os produtos. “Tudo que você coloca na sua cesta de supermercado é o dobro das comidas normais, aquelas que não são chamadas dight e light”, conta. Pesquisa Ela destaca que um refrigerante é bem mais barato que um suco de soja. Além disso, por serem produtos específicos, não são encontrados em qualquer supermercado, o que acaba influenciando no gasto maior, visto que nem todos os estabelecimentos comerciais comercializam os produtos com o mesmo valor. “Eu procuro pesquisar antes de ir fazer as compras para ver os locais onde vende mais barato”, ressalta. A jornalista salienta que nunca faz toda a compra num único supermercado. Segundo ela, geralmente compra a soja em um, a linhaça em outro, e assim por diante, tudo para economizar mais um pouco com as despesas alimentares saudáveis. “Eu não tenho um lugar específico, faço as compras em vários lugares justamente por conta do preço. E me disponibilizo a fazer isso porque consigo ter um gasto menor”, aponta.
Valores altos não intimidam os consumidores que seguem a dieta à risca para perder peso
Economia
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Às escondidas, casas de bingos atraem jogadores FOTOS: DIEGO JANATÃ
Duas casas de jogos de azar foram encontradas pelo EM TEMPO no centro de Manaus, mas só entra que é convidado
JOGOS DE AZAR EM MANAUS ALIK MENEZES Especial EM TEMPO
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Órgãos de segurança e de defesa da lei não se pronunciaram sobre quanto os jogos de azar como caça-níqueis e bingos movimentam na economia do Amazonas DIEGO JANATÃ
esmo sendo proibidos por lei, jogos de azar como bingos, máquinas de caça-níquel e jogo do bicho continuam em atividade em Manaus. Cada vez mais escondidas para manter as suas atividades ilegais que atraem jovens e cidadãos da terceira idade, as casas de jogos existem em número não estimado pelos órgãos de segurança do Estado, bem como o seu movimento financeiro. No Brasil, sabe-se apenas que eles movimentam aproximadamente R$ 18 bilhões por ano. Diferente das máquinas caça-níquel e do jogo do bicho, que podem ser encontrados em feiras e até mesmo em residências, os bingos estão cada vez mais camuflados. No Centro, Zona Sul, pelo menos duas casas de bingo foram encontradas pela reportagem do EM TEMPO. Uma funciona na rua Doutor Moreira, na área do calçadão da antiga Zona Franca comercial, e outra está localizada na rua Quintino Bocaiúva, entre a Marcilio Dias e a Doutor Moreira. Camufladas por ambientes sem identificação, escondidas em salas de prédios antigos, elas não são novidade para nenhuma das pessoas que moram ou trabalham nos seus arredores. Contudo, a entrada nessas casas de jogos se azar não é acessível a todo mundo. A reportagem tentou entrar nas duas casas. Na primeira a informação era de que para entrar precisa ser convidado ou frequentador antigo da casa. Na segunda, o porteiro não identificado impediu a passagem negando que ali se tratava de um espaço voltado para bingos e caça-níqueis. Segundo um flanelinha que trabalha naquela área do centro de Manaus, e que pediu para não ter o nome revelado por medo de represálias, a casa da Doutor Moreira funciona como bingo e também tem máquinas caça-níqueis. Na casa da rua Quintino Bocaiúva o movimento de pessoas de todas as classes sociais era grande na noite da última quinta feira. Um jogador, que também preferiu manter o nome sob sigilo, disse que as apostas vão de R$ 1 a mais de R$ 5 mil. “É perigoso. Não é liberado para qualquer um. A casa funciona quase todos os dias depois das 15h. Mas, não é qualquer pessoa que pode entrar, não. Os caras não deixam entrar qualquer um. Você precisa ser convidado”, disse o flanelinha. Procurados pela reportagem para comentar sobre o assunto, o Ministério Público Federal (MPF) e as polícias Civil, Militar e Federal não retornaram os e-mails encaminhados e as ligações.
Jogo do bicho ‘em domicílio’ Ao contrário das casas de bingos e caça-níqueis que funcionam às escondidas, as bancas de jogo do bicho estão aos olhos de qualquer pessoa que queira arriscar uma fezinha para ganhar uma “grana extra”. E mais, como o lucro do dono da banca depende de quanto ele arrecada nos quatro jogos do dia, no bairro do Coroado, Zona Leste, há pelo menos dois anos os vendedores passaram a ir de porta em porta para que a renda seja maior. A novidade foi conta pela dona de casa Maria Elis, de 31 anos. Segundo ela, algumas pessoas que trabalham com o jogo de azar começaram a passar de casa em casa perguntando quem queria ‘fazer um joguinho’. “A primeira vez que um deles apareceu aqui [em casa] perguntando se eu queria jogar, até estranhei. Somos acostumados desde sempre a ir até eles ou vê-los sentados em frente à mesa do jogo. Quando eles apostaram em ir em busca do cliente, nós estranhamos. Agora eu até jogo e já ganhei um bom dinheiro nas primeiras vezes que joguei”, disse Maria. De acordo com vendedo-
res do jogo que preferiram manter o nome sob sigilo, a atividade garante incremento à renda familiar, uma vez que eles ficam com 15% do lucro dos quatro jogos do dia. No Coroado, placas de “fazemos jogo do bicho” é tão comum quanto a venda de verduras. Próximo à feira do bairro existe um ponto de jogo que funciona há anos. O dono disse que é “pouco” o lucro que ele tem com a atividade. Mas ajuda a pagar as contas. Segundo ele, o faturamento varia de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. “Dependendo do número de apostas eu chego a ficar com até com R$ 45 por cada um dos quatro jogos do dia. No primeiro, que a acontece pela manhã, o cobrador passa para pegar o dinheiro até a hora do almoço. Os outros três só no outro dia”, explicou. No bairro São Jorge, Zona Oeste, outro aposentado também aposta no jogo do bicho para incrementar a renda familiar. Contudo, segundo ele, o lucro dependente muito do local onde a banca é coloca. “Depende do movimento que o local tem. Aqui é meio morto. Às vezes não dá nem um salário mínimo por mês”, afirmou. Mesmo com o combate das polícias, na periferia da cidade há caça-níqueis expostos em comércios
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Economia
Bicicletas em alt Produção no parque fabril de Manaus cresce com a chegada de novas empresas e vendas no comércio em alta por conta da criação de muitos grupos de pedal SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO
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aumento da prática de ciclismo na capital amazonense fez com que as vendas de bicicletas e acessórios registrasse alta de 10% a 15% em 2014 em comparação com o ano anterior. Os dados são da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Segundo a entidade, a Região Sudeste lidera as vendas, com 44%, seguida da Nordeste, com 26%, e Sul, com 14%. As regiões Centro-Oeste e Norte empatam com 8% cada. O proprietário da Office Bike Manaus, Erildo Pinheiro, disse que sentiu a estabilização no mercado, considerando que em 2011 e 2012 houve um crescimento muito grande. “Tivemos uma venda estabilizada durante o ano, mas com boa qualidade, pois as pessoas estão vendo a bicicleta não como uma forma de lazer, mas como um dos modais, por ser um excelente meio de transporte”, observa. Pinheiro conta que vende em média, por mês, aproximadamente 20 bicicletas, número que aumenta nos últimos dois meses do ano. Segundo ele, a bicicleta de menor valor agregado, como de criança e de aro 16, 20 e 24 tem tendência a saída. “Também temos acessórios como capacete, luvas, óculos, entre outros que ajudam a incrementar as vendas”, destaca o dono da oficina e bicicletaria localizada na avenida Ipase, bairro Compensa, Zona Oeste. Na loja A Casa da Bicicleta, situada na rua Comendador Clementino, Centro, Zona Sul, o volume de vendas são maiores. De acordo com o gerente de venda Vandré Nery, em média, são vendidas mais de 15 bicicletas por dia. O aumento de grupos de pedais, que promovem passeios ciclísticos pela cidade, segundo ele impactou positivamente nas vendas e ajudou a manter o mercado reaquecido na capital. Nery destaca que, além de atender a demanda do Esta-
do, ele também vende para outras cidades do país como, por exemplo, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Ainda segundo ele, a loja conta com peças e acessórios que facilitam o dia a dia dos ciclistas. “Também trabalhamos com mecânica. Fazemos concertos em geral, o que contribui para o crescimento do lucro da empresa”, conta. No local há bicicletas de R$ 115 a R$ 30 mil ou R$ 40 mil sob encomenda. Novidade Diferente das empresas acima que estão no mercado amazonense há muito tempo, O Ciclista Elétrico, na
A bicicleta é um veículo como outro qualquer e tem regulamentação específica. Precisa ter retrovisor, refletor nos pedais, entre outros Erildo Pinheiro, empresário do ramo
rua Emília Ruas, bairro São Jorge, Zona Oeste, abriu as portas há aproximadamente seis meses. Desde então, a loja dobra as vendas a cada mês e atualmente vende em média entre 60 e 70 unidades ao mês. “Estamos tendo boa receptividade de clientes, sendo que as vendas melhoram a cada dia”, declara o proprietário da loja, Jorge Mojica Aguirre. Ele explica que a princípio, a intenção era trabalhar mais com linha elétrica, mas a demanda tem sido muito forte pelas linhas esportivas. Porém, ele diz que está satisfeito com o resultado e acredita que o mercado de Manaus ainda tem muito a crescer. “Decidimos abrir a loja por enxergarmos oportunidade de mercado. A cidade já conta com outras lojas tradicionais, mas entendemos que existe muito espaço para crescer, principalmente na área de bicicletas elétricas e urbanas”, revela.
Mercado aposta em bicicletas elétricas
Loja especialista em venda de bicicletas elétricas comercializa as magrelas produzidas pela Sense Bike, instalada no PIM
Além das bicicletas convencionais, outro modelo está tomando o mercado na capital. Trata-se das bicicletas elétricas, cujo crescimento começou desde 2010. Segundo o proprietário da loja O Ciclista Elétrico, bike shop especializada em bicicletas elétricas, Jorge Mojica Aguirre, a tendência é que este modelo triplique as vendas nos próximos anos. Conforme ele, um dos moAcessórios para ciclistas vão de peças de vestuário a capacete
tivos é que a bicicleta elétrica foi regulamentada pelo Conselho Nacional do Trânsito (Contran), no ano passado. O outro fator positivo é que as bicicletas são produzidas pela empresa Sense Bike, no Polo Industrial de Manaus (PIM). “Esse modelo é o único a se adequar completamente à resolução do Contran de categorização das bicicletas elétricas”, revela. O valor ainda é salgado,
sai em média por R$ 3.8 mil, ou R$ 3.450 com descontos, ou seja, quase o dobro dos modelos que já estão no mercado. Mas Aguirre garante que a tecnologia empregada facilita a vida do ciclista. “Ele não terá tantos problemas quando for fazer alguma manutenção como é observado nos outros modelos”, afirma. O empresário diz que, no Amazonas, o mercado
ainda é pequeno, mas na Holanda, as bicicletas elétricas representam 25% do volume de venda. Na China, são vendidas mais de 35 milhões, por ano, o que representa três vezes mais do que a venda de automóvel no mesmo período. “É uma tendência mundial. Aqui na loja ainda ficamos na casa das dezenas, mas acreditamos no crescimento desse modelo”, avalia.
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ta no Amazonas FOTOS: IONE MORENO
Esperança nas ciclovias
O capacete passou a ser acessório obrigatório por lei
Trabalhador da linha de produção da fabricante Caloi, instalada no Polo Industrial de Manaus
Para 2015, os empresários do ramo apostam em melhores vendas. A esperança, segundo eles, é que sejam criadas em Manaus rotas alternativas para os adeptos da bicicleta como meio de transporte e lazer. Para o proprietário da Office Bike Manaus, Erildo Pinheiro, é melhor criar ciclorrotas ao invés de ciclovias, uma vez que a cidade não tem planejamento cicloviário. “Estamos conversando com o poder público para que possa ser criado faixas de sinalizações verticais e horizontais, com rotas especiais em alguns pontos específicos, como Ponta Negra, Teatro Amazonas, avenida das Torres, entre outros”, destaca. Pinheiro ressalta que a criação de novas alternativas deve ser aliada a campanhas de conscientização e respeito ao ciclismo como modal e que a bicicleta se insira de vez ao Plano Nacional de Mobilidade Urbana. “A concretização de todos esses componentes refletirá nas nossas vendas do próximo ano. Acredito que teremos
crescimento significativo com as vendas de bicicletas, peças e acessórios em 2015”, avalia. O gerente de vendas da A Casa das Bicicletas, Vandré Nery, também segue do mesmo pensamento de Pinheiro. Para ele, 2015 promete ser um ano bom para o setor que espera a criação de ciclo vias e consequentemente o aumento do número de grupos de pedalada. “Já estamos estudando técnicas e buscando inovações para fazer com que quem esteja no mercado não saia e quem não esteja entre”, frisa. Jorge Mojica Aguirre, também acredita que assim como em São Paulo, onde a ampliação das ciclovias teve impacto positivo nas vendas de bicicletas em Manaus não será diferente. “Com a criação de novas alternativas e o trabalho de conscientização feito pelos grupos de pedal, que defendem o uso da bicicleta não apenas como esporte ou lazer, mas como meio de transporte, sem dúvida refletirá em ótimas vendas em 2015”, aponta o proprietário da O Ciclista Elétrico.
PIM tem sete fabricantes De acordo com a assessoria de imprensa da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o setor de duas rodas do Polo Industrial de Manaus (PIM) conta com sete empresas fabricantes de bicicleta. São elas: Sense Indústria de Bicicletas da Amazônia Ltda., Ox da Amazônia Indústria de Bicicletas Ltda., A Alves de Souza, Bike Norte Fabricação de Bicicletas S/A, Caloi Norte S.A, Dafra da Amazônia Indústria e Comércio de Motocicletas Ltda., e a Prince Bike Norte Ltda. Segundo a assessoria da autarquia, seis estão implantadas e produzem bicicletas comuns ou elétricas. A outra empresa está com inauguração prevista para este ano. “Com área construída em torno de oito mil metros quadrados, a Bike Norte ainda reservou espaço para expansão de acordo com a demanda. A expectativa é de alcançar, em três anos uma produção aproximada de 300 mil unidades”, informa a Suframa por meio da nota.
Outra empresa que investiu na produção de bicicletas na no Amazonas foi a Sense Indústria de Bicicletas da Amazônia Ltda. Conforme informações da assessoria de imprensa da Suframa, a empresa investiu mais de R$ 35, em 2014. De acordo com a nota da autarquia, com previsão inicial de entregar ao
HISTÓRIA
Fábricas de bicicletas como a antiga Monark já atuaram no parque fabril de Manaus, mas não resistiram para viver o momento positivo na produção e nas vendas que o setor tem passado mercado 1,2 mil bicicletas elétricas no segundo semestre do ano passado, a expectativa da nova empresa com a inauguração da linha de produção de bicicletas comuns é atingir já em 2015 a produção de 600 unidades por mês e 7.200 por ano, ou mais.
Preço das bicicletas feitas sob encomenda pode chegar ao valor aproximado de R$ 35 mil a R$ 40 mil em lojas especializadas
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País
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Projeto amplia infrações do Código de Trânsito Dirigir sem a CNH e disputar racha são alguns dos oito delitos que podem ter suas penalidades aumentadas pela proposta
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Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 7032/14, do Senado, que aumenta o rigor das sanções administrativas para diversas infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97). Oito infrações passarão a ter multas mais altas, entre elas, disputar racha, dirigir sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e não prestar socorro à vítima de acidente. Outra medida prevista na proposta é permitir que os órgãos de trânsito suspendam o direito de dirigir, de maneira cautelar, por até 24 meses em casos de reincidência de algumas infrações pelos motoristas. Nessas situações, a decisão deverá ser tomada em até dez dias, após o documento de habilitação ter sido recolhido pelo agente de trânsito, e caberá recurso às juntas administrativas de recursos de infrações (Jari), que terão até 30 dias para julgá-lo. Entre algumas das infrações, de acordo com a proposta, estão: dirigir sem ter carteira de habilitação ou permissão, com esses documentos cassados ou suspensos; entregar a direção de veículo a um motorista nas condições anteriores; dirigir
REINALDO OKITA/ARQUIVO EM TEMPO
embriagado; disputar racha, entre outras. O senador Benedito de Lira (PP-AL), autor do projeto, ressalta que atualmente só é possível a suspensão cautelar do direito de dirigir por decisão de um juiz. Ele considera “absurda a devolução tão rápida do documento de habilitação para aquele que tem condições de pagar a multa prevista em lei”. Em sua avaliação, “o direito de dirigir não é absoluto, pois o cidadão deve se comprometer com uma série de cláusulas para exercê-lo legitimamente”. Perda da CNH O texto também estende a pena de cassação da CNH quando houver reincidência de uma infração num prazo de 12 meses para quem dirigir sem ter carteira de habilitação ou com o documento cassado; e para o motorista envolvido em acidente que deixar de prestar socorro. Segundo a proposta, após três anos da cassação da carteira de habilitação, o infrator poderá requerer sua reabilitação, desde que se submeta a todos os exames necessários. Atualmente, esse prazo é de dois anos.
Projeto de autoria do senador Benedito Lira prevê que após três anos de cassação da CNH, o condutor possa requerer o documento
ESCOLAS PÚBLICAS DIVULGAÇÃO/TJMS
Trabalho de detentos, além de garantir a ressocialização, também assegura cidadania
Presos realizam reformas no MS O trabalho dos presidiários do regime semiaberto de Campo Grande (MS) já garantiu a reforma de três escolas públicas e deve ser estendido às escolas do interior do Estado. Os presidiários fazem parte do projeto Pintando a Educação com Liberdade, idealizado na 2ª Vara de Execução Penal (VEP) de Campo Grande, que tem como diferencial destinar 10% do salário dos internos para o custeio das reformas. Dessa forma, a prefeitura economizou em torno de R$ 1 milhão, conforme dados da Secretaria Estadual de Educação repassados aos gestores do projeto. Os presidiários cumprem pena no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, cujo modelo
de ressocialização do regime semiaberto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em visita ao centro penal, em fevereiro de 2014,
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Para cada reforma nas escolas públicas, são destinados dez presos, fiscalizados por agentes penitenciários no local de trabalho, e que retornam ao fim do expediente para o presídio o conselheiro e supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medi-
das Socioeducativas (DMF), Guilherme Calmon, disse que há uma boa perspectiva de o modelo ser estendido para outras unidades prisionais do país, em razão de seu funcionamento exemplar. O projeto Pintando a Educação com Liberdade teve início em janeiro do ano passado, por meio de uma parceria entre a 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) do Estado do Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Estado de Educação. A ideia central do projeto é garantir o trabalho e oportunidade de ressocialização aos presidiários e, ao mesmo tempo, fazer com que eles ofereçam um benefício à sociedade.
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PGR recorre para liberar lista de trabalho escravo
Divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em seu site, documento foi retirado do ar por determinação do STF
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vice-procuradorageral da República, Ela Wiecko, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a liminar que suspendeu a divulgação da Lista Suja do Trabalho Escravo, relação com o nome de empresas e pessoas físicas autuadas pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ao submeter trabalhadores a formas degradantes de trabalho ou a condições análogas ao trabalho escravo. No dia 27 de dezembro passado, o presidente da Corte, Ricardo Lewandowski, aceitou pedido da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) para suspender divulgação da lista, que foi retirada da página do ministério na internet. A decisão foi divulgada pela Agência Brasil. No pedido enviado ao STF, a Abrainc alega que o Ministério do Trabalho não poderia por conta própria criar um cadastro sem que uma lei fosse editada pelo Congresso. Sustentou ainda que as empresas e pessoas citadas não tinham direito a ampla defesa antes da inscrição de seus nomes. No recurso apresentado nesta quinta-feira (15), a procuradora argumenta que a decisão do presidente prejudica o direito constitucional de acesso à informação e o combate ao trabalho escravo. “A inclusão na lista, por si,
DIVULGAÇÃO/MPTAM
não representa penalidade, pois a divulgação dos nomes das empresas que se valem do trabalho em condições à de escravidão tem por objetivo conferir publicidade às ações desenvolvidas pelo Ministério do Trabalho. Prejuízo de ordem moral que empresa incluída no cadastro possa ocasionalmente experimentar não são justificativa plausível para o sigilo dessas informações”, disse.
JULGAMENTO A decisão foi tomada no dia 23 de dezembro, durante o plantão judiciário. Devido a isso, ela ainda terá de ser submetida ao plenário do STF. Até o julgamento, ainda sem data, a lista deve ficar fora do site Em sua decisão, o STF ressalta que as ações do MTE em fiscalizar a existência de trabalho análogo à escravidão devem seguir
Sentença A decisão de Lewandowski suspendeu os efeitos da Portaria Interministerial 2, de 12 de maio de 2011, que estabelece as regras sobre o cadastro. A portaria é assinada pelo Ministério do Trabalho e a Secretaria de Direitos Humanos. A decisão também suspende o efeito da Portaria 540, do Ministério do Trabalho, de 15 de outubro de 2004, já revogada pela publicação da Portaria Interministerial 2.
Conteúdo é utilizado por vários órgãos As portarias não tratam diretamente da divulgação dos nomes dos empregadores, mas da obrigação de manter e atualizar a relação das pessoas físicas e jurídicas flagradas na prática da manutenção do trabalho escravo, atribuição do Ministério do
Na decisão que suspendeu a divulgação, Lewandowski alegou que “embora se mostre louvável a intenção em criar o cadastro de empregadores, verifico a inexistência de lei formal que respalde a edição da Portaria 2 pelos ministros de Estado”.
Competências A Abrainc entende que as portarias ministeriais ferem a Constituição Federal e o princípio da separação entre os Poderes, pois, na interpretação da entidade, seria competência do Poder Legislativo editar lei sobre o assunto.
MARIA DA PENHA
BANDA LARGA JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO
Conforme o projeto, a internet permite acesso a informações, serviços públicos e outros
Projeto considera serviço essencial O acesso à internet em banda larga poderá ser considerado serviço essencial, passando a União a assegurar sua existência, universalização e continuidade. Esse é o objetivo do Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 431/2014, em tramitação na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Do senador Anibal Diniz (PT-AC), o projeto também estabelece a prestação do serviço na forma de regime público, o que significa que a União passa a ser uma espécie de garantidora do serviço. Na justificativa do projeto, o autor alega que, nas últimas duas décadas, as
Trabalho, que tem ainda o dever de dar conhecimento de seu conteúdo a ministérios, ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e a bancos públicos. Nenhuma das portarias prevê a divulgação automática dos nomes ao público.
tecnologias de informação e comunicação, incluindo-se aí a telefonia fixa e móvel, a comunicação de dados e o acesso à internet, passaram a fazer parte do cotidiano de um grande número de pessoas em todo o mundo. Anibal Diniz acrescenta que essas tecnologias representam, na era contemporânea, uma das principais ferramentas de inclusão e desenvolvimento social. O autor também argumenta que a internet permite não apenas a interação social, mas o acesso a informações, bens culturais, conhecimentos científicos e serviços públicos e privados. Assim, segundo o senador, o acesso à internet possibilita o exercício
de vários direitos humanos fundamentais e passa à condição de elemento central na formação da cidadania do povo brasileiro. A matéria faz parte de um conjunto de seis projetos de lei relacionados ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) apresentados por Anibal Diniz, cujo mandato se encerra este mês. Na CCT, ele foi o relator responsável por acompanhar o desenvolvimento do PNBL no ano de 2014. No início de dezembro passado, o senador apresentou um diagnóstico sobre o atual estágio do programa, com um documento contendo várias sugestões para o governo aprimorar o acesso da população à internet.
Lei poderá valer para transexuais A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei (PL) nº 8032/2014, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que estende a pessoas transexuais e transgêneros que se identifiquem como mulheres a proteção da Lei Maria da Penha (11.340/06). Atualmente, a lei protege mulheres, independente de orientação sexual, de violência doméstica e familiar que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. “A lei, um instrumento de combate à violência doméstica contra a mulher, deve se aplicar a todos os casos envolvendo mulheres em situação de violência, abrangendo transexuais e transgêneros também”, avalia Feghali.
Segundo a deputada, estender a proteção da lei a essas pessoas é algo “natural e necessário”. Dentre outras medidas, a Lei Maria da Penha tipifica as situações de violência doméstica, proíbe pena de multa aos agressores, amplia a punição de um para até três anos de prisão e determina o encaminhamento das vítimas, assim como de seus dependentes, a programas de proteção e de assistência social. Tramitação A proposta será arquivada pela Mesa Diretora no dia 31 de janeiro, por causa do fim da legislatura. Porém, como a autora foi reeleita, ela poderá desarquivá-la. Nesse caso, o texto deve-
rá ser analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Arquivamento No último dia 14, o Projeto de Lei nº 122, conhecido como PL da Homofobia, foi arquivado no Senado. Para continuar em tramitação, o projeto teria que receber o apoio de pelo menos um terço dos senadores, mas a ideia já não agradou nem mesmo os parlamentares que atuam na defesa LGBT, pois o texto sofreu modificações e teria que voltar para a Câmara. Agora, a tentativa de criminalizar homofobia pode voltar por outras propostas legislativas. AGÊNCIA CÂMARA
Para a deputada Feghali, a lei deve se aplicar a todos os casos envolvendo mulheres
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Mundo
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Suprema Corte dos EUA analisará casamento gay Tribunal irá analisar se os Estados devem permitir que casais do mesmo sexo se casem e se os Estados devem reconhecer as uniões fora de sua jurisdição
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Suprema Corte dos Estados Unidos concordou nesta sextafeira em decidir se os Estados podem proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprofundandose numa questão social controversa que levará a uma das decisões mais esperados do ano. O tribunal, numa breve ordem, afirmou que vai ouvir casos relativos às restrições de casamento em Michigan, Kentucky, Ohio e Tennessee. A decisão, prevista para o fim de junho, irá determinar se restrições remanescentes em 14 Estados serão derrubadas. O tribunal disse que vai decidir sobre duas questões: se os Estados devem permitir que casais do mesmo sexo se casem e se os Estados devem reconhecer casamentos gays que ocorrem fora do Estado. Os magistrados participarão de uma argumentação oral em abril. Os requerentes incluem duas enfermeiras do Michigan, April DeBoer e Jayne Rowse, de Louisville. “Estamos agora muito mais perto de sermos plenamente reconhecidas como uma família, e estamos muito entusiasmadas”, disse DeBoer.
AFP
‘BEAGLE 2’
Nave espacial perdida há 11 anos é localizada A nave espacial britânica “Beagle 2”, que já chegou a ser apelidada de “fracasso heroico” pela Astrônomo Real da GrãBretanha, foi localizada em Marte 11 anos depois de ter desaparecido em uma expedição de busca de vida extraterrestre. A previsão era que a Beagle 2, parte da missão Expresso Marte, da Agência Espacial Europeia, pousasse em Marte no dia de Natal de 2003, mas ela desapareceu em 19 de dezembro daquela
ano. Depois disso, nada se sabia sobre a nave. Mas, em um anúncio feito durante uma concorrida entrevista coletiva nesta sextafeira na Royal Society, instituição científica de Londres, peritos espaciais disseram que a pequena sonda foi localizada na superfície do planeta vermelho. “A Beagle 2 não está mais perdida”, disse David Parker, diretor-presidente da Agência Espacial da Grã-Bretanha.
HONG KONG
Líderes estudantis são indiciados por protestos Suprema Corte irá se aprofundar numa questão controversa no país, cuja decisão é bem aguardada
Governo Obama apoia a causa O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, disse que o governo do presidente Barack Obama vai apresentar documentos judiciais para apoiá-las e pressionará pela legalização do casamento gay em todo o país. Em 2012, Obama se tornou o primeiro presiden-
te em exercício a apoiar a causa. “Está na hora de a nossa nação dar mais um passo importante à frente para garantir a igualdade fundamental de todos os norteamericanos - não importa quem sejam, de onde venham, ou as pessoas que
amem”, disse Holder. A maioria dos Estados que estão defendendo proibições estaduais tinha, assim como os defensores dos direitos dos homossexuais, pedido à Suprema Corte que assumisse o tema a fim de resolver a incerteza jurídica.
A polícia de Hong Kong acusou formalmente quatro líderes estudantis nesta sexta-feira pelo delito de incitar outras pessoas a participarem de manifestações ilegais, como parte de uma investigação sobre os mais de dois meses de protestos pró-democracia que paralisaram partes da cidade, centro financeiro da Ásia. Dezenas de manifestantes segurando guarda-chuvas amarelos, que se tornaram um símbolo do movimento democrático da cidade,
gritavam: “Eu quero o sufrágio universal” e “apoiem os estudantes”, antes de o grupo entrar na delegacia de polícia. Quatro líderes do grupo estudantil Scholarism, Joshua Wong, Oscar Lai, Agnes Chow e Derek Lam, foram acusados e liberados depois de se apresentarem à polícia, de acordo com a página oficial do Scholarism no Facebook. Os quatro se recusaram a acatar o pagamento de fiança.
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Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
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TADEU DE SOUZA
Tráfico atrai menores em Parintins Dia a dia C2
Índice de malária cai 12% no Estado do Amazonas No entanto, alguns municípios do interior ainda registram altas taxas da doença, como Barcelos, Maués e Careiro
FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
Fumacê utilizado no combate aos possíveis criadouros do mosquito transmissor da malária: no quadro geral, casos de infecção diminuíram nas zonas rurais do Estado, mas alerta permanece IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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ma redução de 12% nos casos de malária nos últimos dois anos foi registrada no Amazonas. De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), em 2013 foram 76.065, contra 66.905 em 2014. Em Manaus, no período de janeiro a novembro de 2014, foram 5.025 casos de malária. Em 2013 - no mesmo período - foram notificados 4.890 casos. De acordo com o direto presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, a redução da infecção poderia ter sido mais expressiva se 11 municípios não tivessem apresentado aumento no último ano, que foram Santo Antônio do Içá, Barcelos, Santa Isabel, Careiro, Careiro da Várzea, Maués, Lábrea, Pauini, Tapauá, Humaitá e Manicoré. “Alguns municípios não tiveram o desempenho de redução e tiveram aumento, o que interferiu nos dados gerais do Estado”, apontou. Ele explicou que no programa de controle, a FVS atua nos municípios na prevenção, diagnóstico e no
repasse de recursos complementares, além do que o Ministério da Saúde (MS) já repassa, direcionado às áreas de controle de endemias. “Temos problemas, em alguns municípios, na gestão do recurso que não é feito da forma adequada. Todo início de ano avaliamos e sempre trabalhamos com esses municípios. A cobrança se faz, contudo quando se bloqueia um recurso, quem paga é a população. Por isso fazemos intervenções em determinadas áreas, com equipes locais e centrais”, disse. Ele explicou que dentre as estratégias do programa, além do repasse de recursos, há a parceria entre equipes de saúde dos municípios e da FVS. “Na realidade, sobre a malária trabalhamos com duas vertentes, já que não tem vacina. A gente tem trabalhado no que diz respeito ao controle do vetor, combate ao mosquito, ao diagnóstico e trabalho com pessoas infectadas. Nos municípios mais críticos, inclusive, mantemos os chamados apoiadores técnicos que dão suporte no que diz respeito ao controle, aporte a todos os insumos, laboratórios, controle vetorial, tudo é feito”, disse.
Tratamento Ainda não há vacina contra a malária, por isso, de acordo com o diretor da FVS, o mais indicado é evitar locais em que haja incidência da doença, instalar telas em portas e janelas, usar mosquiteiros e passar repelente. “O mosquito da malária tem um hábito diferente do da dengue, por exemplo. O da dengue pica durante o período diurno, e o da malária no período noturno”, afirmou. Picada A transmissão da doença ocorre por meio da picada do mosquito do gênero Anopheles, transmitida pelo protozoário do gênero Plasmodium. “O mosquito da malária não se multiplica em áreas urbanas, é eminentemente rural, se reproduz em igarapés, lagos ou rios. Tem hábitos silvestres. Não é como o da dengue, que se reproduz em criadouros no quintal de casa”, disse Bernardino. Por isso, a doença tem mais probabilidade de ocorrer em áreas mais periféricas da cidade, próximo a locais de floresta e rios. “O raio de voo do mosquito é de um quilômetro, podendo atingir pessoas mesmo que estejam em locais mais afastados”,
Enfermidade pode ser mortal De acordo com Bernardino, a pessoa com malária apresenta quadro febril, acompanhado com forte dor de cabeça. “A febre vem geralmente em dias alternados, tem determinada hora para acontecer, de dia ou de noite”, afirmou. Ela pode matar, caso o tratamento não seja feito precocemente. “Realmente pode dar complicação renal, cerebral, pulmonar e matar se não fizer o tratamento precoce”, informou.
Assim que surgirem os sintomas, deve-se buscar o serviço de saúde e não tomar medicamentos por conta própria. “Recomendase não tomar a medicação de forma aleatória, pois a medicação de uma espécie é diferente de outra. As drogas são diferentes, não dá para fazer o tratamento sem ter o diagnóstico laboratorial”, afirmou. Seguindo o tratamento, até em uma semana a pes-
soa já apresenta melhora. “Dependendo do tipo, em até sete dias a pessoa já está bem e está a desenvolver suas atividades, o que, até certo ponto, é negativo porque as pessoas começam a fazer o tratamento, os sintomas desaparecem e não completam. Daí surge uma recaída. Com um tratamento incompleto a doença volta pior. Acontece muito no interior”, explicou Bernardino Albuquerque.
Bernardino Albuquerque, presidente da FVS-AM: malária atinge áreas periféricas da capital
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Parintins perde menores para o tráfico de drogas
FOTOS: TADEU DE SOUZA
Sem emprego, muitos jovens parintinenses estão sendo cooptados para atuarem como “aviões” para os traficantes
Jovens sem ocupação, em Parintins, são cada vez mais utilizados como entregadores e até mesmo comerciantes no tráfico de drogas no município, numa realidade cada vez mais difícil TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO
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arintins (AM) – A idade varia entre 13, 16 e 21 anos, mas todos têm uma extensa ficha criminal que vai do assalto ao homicídio, chegando agora ao tráfico de drogas. Muitos começaram no crime com 10 anos, praticando pequenos furtos pela cidade, se tornaram usuários primeiro de maconha e depois da pasta-base de cocaína - e nunca mais pararam. Agora, esses jovens encontraram no tráfico uma forma de ganhar dinheiro rápido e fácil para sustentar o próprio vício. São os chamados “aviões”. Esta é a realidade de grande parte da juventude de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus). Em todas as apreensões feitas pela Polícia Militar nos finais de semana, sempre há um menor envolvido. A acusação é a mesma: assalto à mão armada e venda de drogas. Os donos de bocas de fumo que controlam o tráfico em Parintins imitam a prática dos traficantes do Sul do país, onde também menores, em razão da proteção e impunibilidade ocultas na legislação, são utilizados como “aviões”. Na ilha dos bumbás, os adolescentes não apenas trabalham na entrega da droga, mas também a vendem em pontos estratégicos, principalmente nas proximidades das escolas da rede pública de ensino. Conselho Tutelar A conselheira tutelar Wal Azevedo disse que, em média, o órgão recebe de quatro a seis registros semanais de ocorrência envolvendo menores, a maioria do sexo masculino. “Como mãe e
como conselheira fico muito triste ao observar que estamos perdendo nossos jovens para o tráfico. É muito sério o que está acontecendo em Parintins, inclusive há casos em que os pais, desesperados, batem em nossas portas pedindo socorro e, infelizmente, não temos estrutura para atendêlos”, disse a conselheira. Ela contou ainda que já foi procurada por jovens que querem sair do tráfico. “Tem uns que têm boa vontade para largar essa vida. Já fomos procurados por adolescentes que almejavam mudar de vida”. A conselheira destaca que em todas as entrevistas que fez sempre ouviu uma justi-
Reaproximação com os jovens No meio da semana, a Polícia Militar apreendeu um jovem de 17 anos considerado o maior entregador de drogas em Parintins. Bem apessoado, frequentador de academias e dirigindo uma moto Honda Broz 125, esse menor, sempre bem vestido, cruzava a noite fazendo entrega de pasta-base de cocaína e cocaína pura. Foi preso porque caiu numa blitz
no trânsito, e ao vistoriar o seu veículo, os policiais descobriram 20 papelotes de pasta-base de cocaína. Para o jovem sacerdote Irley Koide, ordenado no final de 2014, a Igreja Católica e as demais denominações religiosas precisam encontrar uma forma de aproximar-se mais da juventude. No seu entendimento, essa realidade difícil pela
qual passa a juventude nas cidades de jurisdição da diocese de Parintins (Nhamundá, Barreirinha, Maués e Boa Vista do Ramos) “é fruto de um grande vazio”. “O tráfico está em todo lugar, até mesmo nas comunidades rurais. A pessoa sente um vazio e o jovem sempre busca preenchê-lo, e às vezes acaba seguindo na direção errada”, disse.
DRAMA
Donos de bocas de fumo de Parintins imitam a prática dos traficantes do Sul do país, onde também menores, em razão da proteção e impunibilidade, são utilizados como “aviões” ficativa para que os jovens tenham sido cooptados pelo tráfico. “Quase todos me disseram que vieram da zona rural, os pais se separaram e eles ficaram sem ter como ganhar a vida”, disse. Para a delegada Ana Denise Machado, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra Mulher, Menor e Idoso, os jovens estão se deixando cooptar pelo tráfico por curiosidade e pelo enfraquecimento da família. “A gente observa que todos vêm de famílias com sérios problemas: o pai abandonou o lar ou então é alcoólatra, não há um ambiente doméstico que ajude na formação desse menor, desse jovem”, diz.
Menores utilizados como “aviões” pelo tráfico muitas vezes vêm de famílias sem equilíbrio
Wal Azevedo, conselheira tutelar: até oito ocorrências envolvendo menores com atos criminosos
Compromisso da sociedade com o tema O sacerdote Irley Koide afirma que a responsabilidade é de todos. “Temos que trabalhar juntos, precisamos ir ao encontro dos jovens, mas é necessário que o poder público se faça presente, a sociedade de um modo geral se comprometa em dar oportunidades a esses jovens”, destaca. Para o advogado criminalista Juscelino Manso, as autoridades precisam evitar a chegada a Parintins do crack, uma droga sintética altamente letal. “Eu tenho essa preocupação e não vejo ações para ocupar essa juventude, seja com lazer, seja com outras iniciativas, e os jovens vão para o crime, quase 90% deles, porque não têm o que fazer em uma cidade como Parintins”, atesta. Palestras No ano passado, os delegados Bruno Fraga, titular do 3º DIP, e seu adjunto, Reinaldo Filgueira, promoveram um ciclo de palestras em escolas da rede municipal de ensino para orientar crianças e adolescentes sobre os perigos da drogas. Durante as palestras, os delegados exibiam filmes e interagiam com a garotada. Com apoio da Marinha do Brasil, as palestras chegaram a ser realizadas até na zona rural, onde se registra também a presença de entorpecentes.
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Jornada de atendimento extra será encerrada hoje A
Fundação do Coração Francisca Mendes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), encerra hoje uma agenda extra de atendimentos, com a realização de procedimentos percutâneos (técnica minimamente invasiva) para o diagnóstico de pacientes com problemas vasculares. De acordo com o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, a jornada vai beneficiar aproximadamente 50 pacientes, a maioria dos quais está internada nos prontos-socorros da rede estadual de saúde. “São, principalmente, pacientes com quadro de complicações do diabetes, que têm indicação de realização de arteriografia de membro inferior, com a finalidade de confirmação de diagnóstico. O resultado do procedimento apontará se há necessidade, por exemplo, de encaminhamento do paciente para realização de angioplastia, para desobstrução de artérias”, explicou o secretário. Este procedimento posterior, para os casos indicados, também é oferecido pela Fundação Francisca Mendes. O diretor presidente da Fundação do Coração Francisca Mendes, médico Pedro Elias de Souza, diz que a instituição está, neste início de ano, executando uma programação de atividades planejada para agilizar o
ARQUIVO
Iniciada na última sexta-feira, a ação é focada no diagnóstico de pacientes hospitalizados com problemas vasculares atendimento de pacientes que necessitam de procedimentos de hemodinâmica (que utiliza a técnica do cateterismo, considerada minimamente invasiva, para confirmação de diagnóstico ou procedimentos terapêuticos). “Estamos com dois equi-
CIRURGIA
“O resultado do procedimento apontará se há necessidade de encaminhamento do paciente para realização de angioplastia” Wilson Alecrim, secretário estadual de saúde
pamentos de hemodinâmica funcionando, o que nos permite executar essa programação”, destacou o diretor. De acordo com Pedro Elias, a programação, iniciada sexta, deve beneficiar, principalmente, pacientes internados nos Prontos-Socorros 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo.
A jornada foi direcionada para os pacientes com problemas vasculares associados à diabetes do hospital Francisca Mendes
Carreta da Mulher vai fazer exames no TCE
A ação inédita vai beneficar servidores do TCE com exames
Uma parceria entre o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), por meio da Divisão de Assistência Social (Dias), e a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) vai trazer à sede do TCE, na última semana de janeiro de 2015, a Carreta da Mulher, veículo da Prefeitura de Manaus que realiza uma série de exames preventivos em mulheres na capital ama-
UEA
Matrículas começam amanhã A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) estipula até amanhã o período de entrega de documentação para a matrícula dos aprovados no Vestibular e Sistema de Ingresso Seriado (SIS). Os candidatos, aprovados em primeira chamada, deverão entregar a documentação até o dia 23 de janeiro nas unidades designadas no Edital de Matrícula. No total, de acordo com o edital, cinco endereços em Manaus e 19 no interior do Estado estarão abertos no horário de 8h às 12h e de 14h às 18h, respeitando o fuso horário dos respectivos locais para a entrega da documentação. A matrí-
FALTOSOS
O candidato que não efetuar a matrícula no prazo estipulado perderá o direito à vaga e será substituído pelo candidato subsequente da lista de aprovados. O resultado sairá dia 3 de fevereiro cula da primeira etapa será somente para os cursos que terão início das aulas no primeiro semestre de 2015. As matrículas para os cursos que terão início no segundo semestre, dentre eles os de enfermagem,
medicina e odontologia, pertencentes ao grupo 4 do Edital 84/2014-GR/ UEA e grupo C do Edital 85/2014-GR/UEA, serão realizadas na segunda etapa, conforme Edital de Matrícula que será divulgado no dia 27 de maio. O candidato que por algum motivo não efetuar a matrícula no prazo estipulado perderá o direito à vaga e será substituído pelo candidato subsequente da lista de aprovados. O resultado da matrícula poderá ser conferido, a partir do dia 3 de fevereiro, no portal da UEA. Os documentos necessários estão listados no http:// www1.uea.edu.br/noticia. php?notId=35843.
zonense. A ação, inédita na área de saúde dentro do TCE, vai beneficiar todas as servidoras do TCE, estagiárias e funcionárias de empresas prestadoras de serviço, conforme agendamento e apresentação de requisição médica. Ação semelhante foi realizada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, em duas ocasiões, e por outros órgãos
no Estado e no município. Batizada como “1ª Campanha da Saúde da Mulher do TCE”, a iniciativa faz parte ainda da campanha de apoio e de conscientização do “Outubro Rosa” (movimento popular internacional que luta contra o câncer de colo uterino e de mama) e do trabalho de reestruturação da Dias. Serão realizados preventivos, mamografias e ultras-
sonografias de abdômen total, de abdômen superior, de tireóide, de mama, de aparelho urinário, de pélvica e de obstetrícia. Segundo a chefe da Dias, Ângela Galvão, existe ainda a possibilidade de que um dos dias da maratona de exames seja dedicado aos homens do TCE, para o exame de próstata, mas dependerá de demanda interna.
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Dia a dia
Jogos enfrentam luta Autoridades travam uma batalha para combater uma prática ilegal e recorrente; envolvido relata o drama de sua relação com o vício do jogo
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‘Game Over’ Caso se trate de equipamento contrabandeado, a pena pode se estender por até quatro anos. No ano passado, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Game Over” e apreendeu várias máquinas de caça níquel em Manaus, por conta da procedência estrangeiras desse material. Mas o que chamou a atenção da delegada foi o grande número de idosos encontrados no local. “Alguns chegaram a reclamar da nossa atuação. Um senhor havia gastado toda a sua aposentadoria, recebida naquele mesmo dia na agência do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) próxima dali”, relembra Chagas. No dia seguinte, um senhor compareceu à Seccional Sul da Polícia Civil e se identificou como proprietário do bingo. Durante o depoimento, acompanhado pelo advogado, ele não soube informar o valor do aluguel cobrado pelo imóvel e de despesas com água e luz. “A situação apontava para duas estratégias: ou ele foi coagido a assumir a propriedade ou teria recebido dinheiro para fazer isso. Trata-se de um esquema no qual todos os envolvidos se ajudam”, analisa a delegada. PC/DIVULGAÇÃO
tividades incluídas na categoria de contravenção penal (crimes de baixo potencial ofensivo), os jogos ilegais foram proibidos no Brasil em 1946 e se caracterizam como jogos de azar, ou seja, beneficiam apenas uma parcela dos envolvidos. Os cinco delitos previstos na lei 9.615/98, que trata de caça-níqueis e bingos, preveem penas que variam entre seis meses a três anos de prisão. É uma prática difícil de combater, por isso o número exato de ocorrências permanece desconhecido pela Polícia Civil do Amazonas. “Trabalhamos com denúncias, logo não dispomos de meios para verificar isso. Para entrar num bingo, é necessário mandado de busca e apreensão e, por isso, esses locais escondem-se em condomínios, bares e restaurantes”, explica Márcia Chagas, delegada titular da Seccional Sul do órgão. Um caso relatado pela delegada fornece uma visão de como esses estabelecimentos funcionam. Em dezembro de 2013, a Polícia Civil do Amazonas descobriu um bingo irregular localizado em um prédio entre as ruas Lobo D’Almada e 24 de Maio. Na ocasião, o órgão realizava a operação “Centro Seguro”, com o objetivo de combater a presença de menores
e o tráfico de drogas na área. Os agentes apreenderam R$ 12 mil em espécie e diversas máquinas.
Resultado de operação da Polícia Civil no centro de Manaus \\srv-aet01\fotos$\TRATADAS\DOMINGO\DIA - C4-C5 - JOGOS 5 - PC DIVULGACAO.JPG
Uma tentativa para legalizar O inquérito enviado ao Ministério Público incluiu documento reclamando o cumprimento de leis trabalhistas solicitado por um ex-gerente do bingo. O texto citava o dono de um bingo, hoje desativado, localizado na sede do Nacional Futebol Clube, Zona Centro-Sul. A polícia espera um parecer da Justiça para efetuar a quebra do sigilo fiscal e telefônico do suspeito, cuja identidade a delegada preferiu não revelar. Legalização O projeto de lei 186/2014, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI) propõe a legalização dos jogos como bingos, cassinos e apostas on-line em todo o território
nacional. Segundo o senador, estima-se que o jogo ilegal movimente cerca de R$ 18 bilhões por ano. Ele destaca os efeitos positivos que a aprovação da medida pode gerar, uma vez que a proibição jamais chegou a ser aplicada de maneira efetiva. A receita gerada sobre a arrecadação das apostas possibilitaria mais recursos à saúde, à previdência pública e à assistência social. Em regiões onde os jogos de azar representam importante atividade econômica, como em Las Vegas (EUA), o sistema se mantém graças a uma via de mão dupla. Os empresários colaboram com a receita do Estado, e as autoridades regulamentam e fiscalizam a prática. (DA)
Rinhas ainda persistem pela cidade Além dos bingos e cassinos clandestinos, outro jogo proibido e eventualmente descoberto é a rinha de galo. Na ilegalidade há mais de 50 anos no território nacional, a luta violenta e cruel até a morte entre galos diverte fanáticos por dinheiro mas é moralmente inaceitável. Em Manaus, dois casos recentes descobertos pelo Batalhão Ambiental mostram que a rinha ainda acontece na obscuridade. No início de dezembro do ano passado, uma dessas rinhas foi descoberta no bairro Educandos, Zona Sul da capital. Pelo menos 30 pessoas estavam no local. Os envolvidos foram presos mas logo liberados. Outra situação similar aconteceu em junho de 2013, quando outra rinha foi descoberta em uma casa no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. O resultado foi o mesmo. A reportagem tentou contato com a Delegacia de Meio Ambiente para mais informações, no entanto as ligações não foram atendidas.
Curiosidade que se tornou vício IVE RYLO Equipe EM TEMPO
A chamada apressada das dezenas no “microfone rouco” é interrompida pelas batidas na mesa e gritos de anúncio do sortudo da rodada. Sons que acompanharam por mais de duas décadas a vida do industriário Arlindo Soares (nome fictício), hoje com 39 anos. A curiosidade levou Arlindo, ainda aos 18 anos, a entrar numa casa de jogos pela primeira vez. Os sons inusitados que vazavam do galpão, onde foi fincado o bingo “Tapete
Verde”, na Zona Centro-Sul, ainda no final de década de 1980, instigaram o interesse do jovem. Ele se lembra com detalhes da noite que transformou parte de sua vida. “Eu estava num ponto de ônibus e tinha um bingo na frente do Clube Olímpico, atrás da parada. Era num galpão, chamado Tapete Verde. Enquanto esperava o ônibus, ia escutando a pessoa falar os números, e eu não entendia, era umas 22h. Quando entrei, vi as mesas cheias de tabelas de bingo, não sabia do que se tratava. Sentei numa mesa
daquelas, curioso, e perguntei da moça que coletava a aposta, que se chama coletadora de aposta, que naquela época era de R$ 0,10 a R$ 5”, lembra. A novidade instigou o rapaz ao ponto de “tentar a sorte”. Bastaram quatro tentativas para que abocanhasse uma boa quantia. “Na quarta vez eu bati, fiz aposta de R$ 5 e bati R$ 300 o que, naquela época, era muito dinheiro. Aí estendi mais um pouquinho até umas duas horas da manhã. Saí de lá com mais ou menos R$ 900 e foi aí que começou a me motivar ao bingo”, afirmou. MICHELL MELO/ARQUIVO EM TEMPO
DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO
Rinhas de galo: outro jogo ilegal e de caráter criminoso que ainda acontece pelo Brasil
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PC/DIVULGAÇÃO
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as legais e pessoais JOGOS DE AZAR EM MANAUS
Máquinas apreendidas em operação policial em cassino clandestino: o jogo de azar é proibido no Brasil desde 1946
Jogatina acaba ‘pesando na consciência’
O início da lenta recuperação Após a descoberta, o industriário passou a frequentar a tal “mina” pelo menos uma vez por semana. Com o tempo, as visitas ficaram mais constantes até tornarem-se diárias. Aos 20 anos, as idas ao bingo tiveram que reduzir, por conta do trabalho que exigia que o rapaz passasse grande parte do tempo viajando. Contudo, aos 22 anos e com mais tempo disponível, ele voltou à rotina diária. “Nem sempre ganhava, mas empatava, conseguia o dinheiro para pagar o táxi, voltando com mesmo dinheiro que levei. Depois de uma vez na semana, passei a ir quase todo dia. Quem não gosta de ganhar dinheiro? Demorou um pouco para ‘cair a ficha’”, disse. A ficha de Souza caiu somente 10 anos depois de ganhar a primeira “bolada”. “Acho que tinha uns 28 anos, quando percebi que estava viciado. Então, tomei a atitude de não ir sempre, mas isso não adianta, ou você vai ou não vai. Muitos de nós que gostamos de jogar bingo, dizemos que vamos para lá (para as casas) para curtir, para brincar. Mas não, muitos na verdade não perceberam que são viciados, daí falam que vão para brincar, mas é conversa fiada”, afirmou. Ele chegou a ganhar até R$ 5 mil em uma única noite, mas também já perdeu mais
de R$ 1 mil no mesmo espaço de tempo. Quando perdia nas rodadas de bingo, o dinheiro já destinado a outros fins, o arrependimento era o companheiro de Arlindo. “Não vou dizer que muitas vezes que ‘bati’, o dinheiro não veio em horas necessárias que tinha que pagar conta. Mas muitas vezes me tirou o sono, me deu muitas preocupações por ter gasto um dinheiro que deveria ter sido utilizado para outra coisa. Não só me prejudiquei, como também a muita gente, por estar empregando o dinheiro no jogo, em vez de estar empregando em mim, em outras coisas. É a mesma coisa do vicio da bebida. Arrependo-me muito”, afirmou. Após assumir o vício, foram diversas tentativas de parar de frequentar as casas de jogos. “Achei engraçado que no dia que resolvi parar de beber, nunca mais bebi. E falava que nunca mais ia voltar lá e quando ‘ dava fé’ estava lá novamente”, reconheceu. Hoje, ele tomou uma atitude e buscou ajuda profissional, apoio da família e força de vontade. “Minha mãe falava para guardar o dinheiro e dizia ‘o pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada’. Ela estava mais que certa. Isso só depende da gente também”, disse. (IR)
via necessidade. Mas como a ambição do ser humano é tamanha, por conta da ambição que acabei me viciando em jogo de bingo”, reconheceu.
Nas duas décadas de experiência, Souza observou que para se “bater”, não depende exclusivamente do quesito
Rotina e outros vícios O industriário chegou a frequentar três casas de bingo, espalhadas pelas zonas Sul e Centro-Sul de Manaus. Ele preferia as rodadas oferecidas à noite, porque acreditava que tinha mais chances de ganhar. “Quanto mais tarde, menos gente e a possibilidade de ganhar poderia ser maior. Mas em se tratando de jogo de azar, é indiferente você chegar cedo ou tarde, quando a pessoa ‘não está para ganhar’, ela não ganha. Isto não é vida para ninguém”, afirmou.
Quando comecei não estava desempregado (...). Mas como a ambição do ser humano é tamanha, acabei me viciando em jogo Arlindo Soares, industriário
“sorte”. “Tem muita ‘maracutaia’. Por exemplo, as bolas tiradas do globo, não são mudadas e sim recuperadas,
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Cassinos ilegais eventualmente são descobertos
Há quase três meses Arlindo tem se mantido forte e evitado as visitas ao que havia se tornado quase que como sua “segunda casa”. “A abstinência de jogo é praticamente a mesma abstinência de quem tem vício de cigarro, bebida ou de droga. Já senti taquicardia, ansiedade e nessas horas, busco trabalhar muito, ocupar a minha mente. Estou tentando me recuperar um dia após o outro”, disse. A maior motivação para ele vem da própria consciência. “Isso pesa muito na tua consciência, você não dorme direito, fica preocupado e causa até problema para a saúde. Quando comecei não estava desempregado, era novo e ganhava melhor que muita gente que trabalhava na minha idade. Não ha-
Fiscalizações apreendem máquinas caça-níqueis em diversos bairros
para não ter que comprar outra. Eles passam tinta ou verniz nelas e isto altera o peso, e acho que compromete o jogo”, afirmou. Além disso, ele já observou que se alguém apostasse alto e ganhasse, alguns funcionários da casa eram mudados de função. “Quando um cara bater alto, se tiver a sorte, ele tem que ir embora, porque a organização da casa já muda de chamador (o funcionário responsável por pegar as bolinhas no globo). É impressionante”, disse. Muitos dos jogadores de bingo também desenvolviam outros vícios, como o baralho. “Depois do bingo, via muitos iniciando partidas de baralho e nelas ficavam por horas seguidas, até amanhecer”, disse. (IR)
‘Uma contravenção nacional’ O sociólogo Ademir Ramos observou que os jogos de azar, apesar de proibidos, estão presentes em todos os cantos do Brasil. “Na verdade o jogo é uma estratégia lúdica, usado no processo educacional. Essa estratégia lúdica no sistema capitalista vai ganhando outra dimensão, no que diz respeito à exploração econômica, como se fosse um produto de consumo. Isso se dá em diversas classes sociais, de A a C”, explicou. O sociólogo apontou que, diferentemente da maioria dos jogos de azar introduzidos em nossa cultura pelo colonizador europeu, o jogo do bicho é uma invenção nacional. “O jogo do bicho é ilegal, mas funciona no Brasil de ‘cabo a rabo’. Até em Brasília se estabeleceu e vinculou-se ao Carnaval”, afirmou. Contudo, para ele, é motivo de maior preocupação quando os jogos são usados como ferramenta para promover a corrupção e o narcotráfico. “Mais grave quando se vincula ao narcotráfico, quando se capta dinheiro ilegal e emprega-se no jogo do bicho, no Carnaval e no futebol como uma forma de lavar dinheiro”, analisou. Para ele, faz-se ne-
cessário um maior controle dos órgãos de fiscalização para fazer valer a lei, combatendo assim a corrupção e a exploração econômica. “No campo da psicologia, os jogos trabalham com a ansiedade do homem e o governo não tem mecanismos de controle. Como controlar as bancas? O cassino não é legal, mas sabemos que existem casas de jogos em Manaus e em todo o Brasil. As pessoas mais viciadas vão para o exterior jogar. O jogo também ganhou uma dimensão tão grande que pode ser feito eletronicamente pela internet”, afirmou. Dependência Além de explorar financeiramente, os jogos geram dependência entre os consumidores. “Os jogos estão hoje vinculados ao status de mercado, em que se explora perversamente os consumidores em todas as classes, gerando dependência e vício e empobrece cada vez mais classe populares. O jogo, assim como a política, é uma paixão. A partir do momento em que a paixão reduz o homem a condição de vontade, ele é movido e vai se desqualificando cada vez mais”, finalizou. (IR)
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Nota do Enem pode levar à Universidade de Coimbra C
om a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em mãos, estudantes brasileiros podem se candidatar até segunda-feira (19) a vagas na Universidade de Coimbra, em Portugal. O resultado será divulgado no dia 24 deste mês. Além do Enem 2014, a instituição aceita a candidatura daqueles que tenham feito as edições de 2012 e 2013. A lista de cursos e mais informações sobre o processo seletivo estão disponíveis na página da instituição. Também na página estão os cálculos usados para as notas, que variam de acordo com o curso escolhido. Para o candidato ser aceito, a nota final não pode ser inferior a 600. A Universidade de Coimbra é a instituição de ensino superior mais antiga de Portugal e uma das mais prestigiadas da Europa. Em 2013, foi incluída na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Cerca de 23 mil estudantes estão matriculados na instituição. Desses, mais de 2 mil são brasileiros. A partir de segunda-feira (19), os cerca de 6,2 milhões de estudantes que fizeram o Enem
MARCOS SANTOS/USP IMAGENS
Até segunda-feira (19), estudantes brasileiros podem se candidatar a uma vaga na instituição de ensino portuguesa no ano passado poderão se candidatar a vagas no ensino público brasileiro pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O resultado do Sisu será divulgado no dia 26. De acordo com nota divulgada pela Universidade de Coimbra, foi feito um ajuste nas datas para que os estudantes tenham os dois resultados e, caso sejam aprovados, possam
CHANCES
A Universidade de Coimbra - a mais antiga de Portugal - é paga, mas os estudantes podem buscar financiamento na Capes, no CNPq e outros programas, além de apoio da própria instituição escolher ficar no Brasil ou cursar o ensino superior em Portugal. A Universidade de Coimbra é paga, mas os estudantes podem buscar financiamento na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outros programas, além de apoio da própria instituição.
O resultado da concorrência via nota do Enem para a Universidade de Coimbra será divulgado no próximo dia 24 de janeiro
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Profissionais habilitados para ações de emergência
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Funcionários do centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz concluem curso de brigada de incêndio e primeiros-socorros
Por estar localizado no quilômetro 53 da Rodovia AM-010, Centro de Reabilitação precisa de funcionários habilitados para procedimentos de emergência, o que pode salvar muitas vítimas
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uncionários do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), localizado no quilômetro 53 da Rodovia AM-010, concluíram, na última sexta-feira, o curso de brigada de incêndio e primeiros-socorros. A iniciativa partiu da direção da unidade de tratamento, que pretende capacitar mais funcionários para lidar com o momento de “perigo” caso seja necessário. O curso teve duração de três dias e foi ministrado por dois profissionais do Corpo de Bombeiros do Amazonas. Eles contaram com apoio de apostila, palestras e vídeos reais de incêndios para orientar os alunos como agir em caso de um sinistro. Foram ensinadas também técnicas de primeiros-socorros e prevenção de acidentes. A teoria do aprendizado iniciou nas dependências da unidade de tratamento e foi concluído, com aulas práticas, no Centro de Treinamento do Corpo de Bombeiros do Estado do Amazonas, localizado na rua Codajás, bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. O soldado Anderson Pantoja afirma que o principal ganho dos alunos durante o curso foi o aprendizado sobre a prevenção de acidentes e incêndios.
“Não pensamos em passar por casos perigosos de incêndio, mas isso pode acontecer. Se cada aluno colocar em prática o que aprendeu, com certeza, a prevenção vai fazer a diferença no dia a dia deles”, ressaltou. Outro ponto ressaltado pelo soldado foi em caso de ocorrência de incêndio nas dependências da unidade de tratamento, os funcionários
‘Nós estamos sempre expostas a acidentes’ Para o diretor do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, o médico psiquiatra Pablo Gnutzmann, o aprendizado básico de primeiros-socorros e prevenção de acidentes pode fazer a diferença no salvar vidas.
“O curso é importante, pois estamos sempre expostos a acidentes. Com nossos profissionais habilitados a executar essa tarefa até a chegada de socorro, isso pode ser o diferencial no socorro de vítimas”, disse. Gerenciado pelo Instituto
Novos Caminhos, o Centro de Reabilitação tem investido maciçamente na capacitação de seus profissionais. “Vamos capacitar mais colaboradores do Centro de Reabilitação com o curso de brigada de incêndio e primeirossocorros e assim teremos
dois grupos diuturnamente habilitados”, conclui o gerente assistencial, que também participou do curso, Antônio Carlos Durante. O curso tem duração de um ano e em 2016, os funcionários terão de refazer a capacitação de brigada de incêndio.
Com nossos profissionais habilitados a executar essa tarefa até a chegada de socorro, isso pode ser o diferencial no socorro de vítimas Pablo Gnutzmann, diretor do centro
estão capacitados a usar as ferramentas de combate ao fogo seguindo a orientação dos bombeiros sobre a estrutura do prédio. “Eles (funcionários) serão de grande valia na ajuda dos bombeiros em caso de incêndio, pois conhecem a área e isso agilizará nosso trabalho para o combate e controle do fogo”, finalizou o soldado Pantoja.
O curso no centro teve duração de três dias e foi ministrado por dois profissionais do Corpo de Bombeiros do Amazonas
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
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A Bíblia segundo Rembrandt
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Para além de opressores e oprimidos
E outras 7 indicações culturais. Pág. 2
A defesa do humor sem luta de classes. Pág. 3
Encontros e desencontros
O islã e o Ocidente, por Hussein Kalout. Pág. 4
4 5 6 7 Capa
Papas, policiais e um quadro gay
A misteriosa exposição de Francis Bacon em 1955. Pág. 5
Vivendo atrás de grades Diário de Caracas. Pág. 6
Do arquivo de Carlos Guilherme Mota
Paris, 1967. Pág. 7
Decidi, tranquilo, aceitar a batalha A imaginação de Arthur Schnitzler. Pág. 8
Detalhe de obra da série ‘Repetições (Os 12 Defeitos)’ (2013), de Paloma Bosquê
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 8 INDICAÇÕES
BRASILEIRO RODRIGO KASSAB/DIVULGAÇÃO
Fotografia da série ‘Priva-cidade, Publicité’ (2014), de Rodrigo Kassab
LIVRO | A DIALÉTICA INVERTIDA Coletânea de ensaios inéditos em livro da historiadora Emília Viotti da Costa (“Da Senzala à Colônia”, “A Abolição”) abarca temas como o tráfico de escravos, as classes trabalhadoras latinoamericanas e a influência francesa na São Paulo do século 19. O texto que dá título ao volume é referência em metodologia historiográfica. Editora Unesp | R$ 42 | 240 págs.
LIVRO | STEFAN ZWEIG Mais do que um livro de memórias, o escritor austríaco (1881-1942) compôs em “Autobiografia: o Mundo de Ontem” um dos mais pungentes retratos da primeira metade do século 20. Zweig analisa os impactos da Primeira Guerra na Europa, a ascensão de Hitler e o período de exílio no Brasil, em Petrópolis, onde suicidou pouco depois de concluir este livro. trad. de Kristina Michahelles | Zahar | R$ 59,90 | 400 págs.
DIVULGAÇÃO
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EXPOSIÇÃO | REMBRANDT E A FIGURA BÍBLICA A seleção traz 78 gravuras de Rembrandt (1606-69) dedicadas, em sua maioria, a temas bíblicos e religiosos. As obras, produzidas entre 1631 e 1665, denotam a maturação e a recorrência de formas na trajetória do pintor holandês. Centro Cultural dos Correios - Rio | tel. (21) 2253-1580 | de ter. a dom., das 12h às 19h | grátis | até 22/2
POP
ERUDITO
EXPOSIÇÃO | BLOW UP! A galeria Lume inaugurou seu novo espaço no Jardim Europa com mostra coletiva, reunindo cerca de 40 trabalhos de artistas representados por ela. O curador Paulo Kassab Jr. agrupou esculturas, fotografias e pinturas de nomes como o francês Laurent Chéhère, o britânico Martin Parr e os brasileiros Rodrigo Kassab e Paulo von Poser. galeria Lume | tel. (11) 3168-0351 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 17/2
LIVRO | O FUTURO O volume apresenta 16 crônicas de Machado de Assis (1839-1908) publicadas na revista literária “O Futuro” entre 1862 e 1863, editadas pela última vez em livro em 1937. O jovem escritor, uma década antes de publicar seus primeiros romances, já demonstra verve e senso crítico ao tratar de fatos culturais e políticos marcantes do período. Editora da Unicamp | org. Rodrigo Camargo de Godoi | R$ 40 | 168 págs.
LIVRO | ROMANCE DO BORDADO E DA PANTERA NEGRA Esta inusitada parceria entre Raimundo Carrero e Ariano Suassuna (1927-2014) quase ficou perdida para sempre. Nos anos 1970, Carrero escreveu o conto “O Bordado, a Pantera Negra”, que Suassuna logo transformou num folheto de cordel. Os originais desapareceram durante uma enchente no Recife; só recentemente o agente literário Stéphane Chao encontrou uma reprodução na internet. O livro apresenta os dois textos e ilustrações de Marcelo Soares. Iluminuras | R$ 29 | 64 págs.
‘Cristo Expulsando os Vendilhões do Templo’ (1635)
CINEMA | EASY RIDERS Os curadores Paulo Santos Lima e Francis Vogner dos Reis selecionaram os filmes mais significativos da Nova Hollywood, movimento que renovou o cinema dos EUA nos anos 1960 e 1970 ao tratar de temas ousados com formas narrativas inovadoras. A mostra inclui, entre outros clássicos, “O Poderoso Chefão” (1972), “Taxi Driver” (1976) e “A Última Sessão de Cinema” (1971) – os dois últimos serão exibidos em película. Uma das curiosidades é “O Preço da Solidão” (1972), um dos raros dirigidos pelo ator Paul Newman. Centro Cultural Banco do Brasil | tel. (11) 3113-3651 | a partir de qua. (21) | programação em bb.com.br/cultura | R$ 4 | até 9/2
TEATRO | GUERRA SEM BATALHA A Cia. Les Commediens Tropicales e o quarteto de jazz À Deriva celebram seus dez anos de atividade com este espetáculo criado a partir de peça e de autobiografia do dramaturgo alemão Heiner Müller (1929-95). Ao fundir dramaturgia e música, “Guerra sem Batalha” dá nova roupagem ao embate político entre o sujeito e coletivo. Centro Cultural São Paulo | tel. (11) 3397-4002 | sex. e sáb., às 21h; dom., às 20h | grátis | até 8/3
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição JOANA LUZ/ACERVO PESSOA
ARNALDO BRANCO, 42, é cartunista. DAVID MAGILA, 35, é artista plástico e abre sua primeira individual em março deste ano na galeria Contempo. JOÃO MONTANARO, 18, é cartunista da Folha. PAULO MIGLIACCI, 46, é tradutor. VANESSA THORPE é jornalista de artes e mídia do britânico “Guardian”. JOEL PINHEIRO, 29, economista e mestre em filosofia, editou a revista “Dicta&Contradicta”. MARCELO BACKES, 41, é escritor e tradutor, autor de “A Casa Cai” (Companhia das Letras). HUSSEIN KALOUT, 38, cientista político brasileiro, coordena pesquisa sobre política exterior do Brasil na Universidade Harvard.
ARTHUR SCHNITZLER (1862-1931), médico e escritor austríaco, escreveu “O Médico das Termas”, “A Ronda”, entre outros. PALOMA BOSQUÊ, 32, é artista plástica. SAMY ADGHIRNI, 35, é correspondente da Folha em Caracas. CARLOS GUILHERME MOTA, 73, é historiador, professor emérito da USP e professor titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie. JOÃO PEREIRA COUTINHO, 38, escritor, cientista político e colunista da Folha, é autor de, entre outros, “As Ideias Conservadoras” (Três Estrelas).
CHARLIE O jornalista Nick Cohen, colunista do “Guardian”, escreve sobre medo e o risco de autocensura após o ataque FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha BLOW UP Veja imagens de algumas das obras expostas na mostra da galeria Lume >>folha.com/ilustrissima
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QUEM TEM MEDO DO HUMOR?
O riso correto da esquerda A vontade de regrar a função social da piada RESUMO Os debates sobre os limites do humor, reacendidos após os atentados em Paris, demonstram a tentativa de certos grupos de esquerda de criar uma função social para a piada. Essa é uma discussão retórica que não leva a nada; nosso riso não precisa – e nem pode – se revestir de alguma causa política para se justificar.
JOEL PINHEIRO
O massacre desumano no “Charlie Hebdo”, além de solidariedade, produziu uma boa dose de controvérsia por aqui. Controvérsia que começou quando, no próprio dia do atentado, comentaristas culparam as vítimas: com charges daquele teor, estavam pedindo. Outros, com mais nuance, entraram na onda do “mas”. “Je suis Charlie, mas...”. E não é por menos: o massacre teve, como justificativa ou pretexto, o humor; o mesmo humor que incomoda setores de nossas classes letradas. Assim, até solidários entusiastas, como alguns jornalistas, se apressaram em deixar claro: apoiar os humoristas heroicos do “Charlie” não tem nada a ver com aprovar o humor fascista de um Danilo Gentili e outros comediantes politicamente incorretos. A piada ofensiva é um tópico favorito da indignação de nossos intelectuais, incluídos aí humoristas de sucesso como Gregorio Duvivier e Laerte. O debate dos limites do humor voltou com tudo. O que outrora parecia diversão inocente, dizem, na verdade marginaliza oprimidos e promove a violência. O humor é uma arma quase sempre apontada para os mais fracos. Essa posição tem uma ilustre história filosófica – a compreensão do riso –, que passa por Platão, Aristóteles e Hobbes. Segundo eles, o riso advém da percepção
de superioridade. É um ato agressivo, potencialmente humilhante. Partindo dessa premissa, mas não querendo abolir de vez o humor, as vozes do politicamente correto criaram a função social da piada, resumida na máxima “deve-se rir do opressor, e não do oprimido”, como diz Gregorio Duvivier em sua coluna na Folha em 11/01. Por esse critério, o “Charlie Hebdo” sai condenado. É um jornal de franceses brancos que ataca rotineiramente a minoria muçulmana pobre e não branca. Duvivier os defende: opressor é quem porta o fuzil. Mas isso não é sempre verdade. É evidente que os membros do “Charlie” ocupavam uma posição social superior à da juventude de periferia que se deixa seduzir pelo fundamentalismo. Violência não é monopólio de quem está por cima. Por aqui No Brasil, não matamos humoristas. A guerra se dá no campo do processo – que também depende da violência física, canalizada pelo Estado – e da hostilização social. Não há martírio para santificar nossos comediantes, que por isso são alvos mais fáceis. Ocorre que nosso melhor humor, da chanchada aos “Trapalhões”, “Hermes e Renato”, “Pânico” e stand-up, sempre foi inclusivo: não poupa ninguém. É falso dizer que seja racista, sexista, reacionário; como se se fixasse em mulheres, gays, negros e pobres, e não ridicularizasse também o homem branco, a classe média, o marido, a grã-fina, a socialite, o playboy, o policial, o político, o sacerdote. E é um humor com baixo teor de ódio; imperam a brincadeira, o deboche e o desbunde geral. É um insulto alegar que os Trapalhões promoviam racismo e homofobia, como fez Laerte em entrevista recente. Renato Aragão dissera que, no passado, negros e gays não se importavam com as piadas. O cartunista retrucou que as minorias sentiam-se ofendidas sim, mas eram oprimidas demais para se manifestar. Será? É preciso questionar. As minorias nos anos 1990 sentiam-se de fato ofendidas ou esse sentimento foi alguma coisa criada recentemente pelo avanço de militâncias políticas combativas? O sucesso de bilheteria da trupe
e o carinho popular que os Trapalhões sempre receberam indicam que Didi tem razão. As pessoas estão ficando ofendidas mais facilmente; algumas parecem até desejar a ofensa. Nosso humor, que sempre foi amoral, é agora taxado de imoral. Resta saber se a alternativa do humor politizado é possível. Rir por obrigação não tem graça; pode provocar estresse. A preocupação agora é “rir da coisa certa”. Isso serve para alimentar o campeonato de pontos na escala do progressismo, mas já não é humor. Todos os nossos humoristas, mesmo os mais conscientes, agem na prática com muito menos freios. Partem da ideia simples de que é possível fazer graça de todos sem que ninguém se sinta mortalmente ofendido. O próprio “Porta dos Fundos”, de Duvivier, fez um esquete hilária sobre nomes em latas de refrigerante. A graça depende de um subtexto cruel: o que um nome e sua grafia dizem sobre a condição social de seu
JOÃO MONTANARO | cartum
possuidor. Será que a esquete “empodera” os pobres? Ou será que os oprime? Essa é uma discussão retórica que não leva a nada. Nosso riso não precisa – e nem pode – se revestir de alguma causa política para se justificar. E a briga é, no fundo, política. A função social da piada presta-se ao interesse de uma esquerda que aposta no conflito como mecanismo de progresso social (ou de ganho eleitoral). Proscreve o humor feito com os grupos de que ela se declara representante, ainda que as grandes massas de mulheres, negros, mestiços e homossexuais não pautem seus gostos pela ortodoxia dos movimentos organizados. A essa esquerda, monopolista da virtude, não interessa uma sociedade em que todos riam de todos e, por isso, convivam com um pouco menos de atrito. O humor é mais do que só imposição de superioridade. É também resultado da bemvinda frustração de expectativas (Descartes, Kant) e da incongruência entre conceito e
experiência (Schopenhauer). É prazer e descanso, necessários em meio aos fardos deste mundo (Tomás de Aquino) e é indicador socialmente útil daquilo que fica aquém do potencial humano (Bergson). Em todos os casos, promove o distanciamento, alivia tensões e sublinha temas que não se ousa apontar no discurso sério. Se jogarmos isso fora, podemos endurecer relações sociais e permeá-las de hipocrisia, empurrando para a esfera do proibido experiências que hoje afloram no humor. E se a vida se tornar mais cinzenta, e nem por isso mais justa? Alvos As charges antimuçulmanas do “Charlie” iam um passo além dos nossos piadistas: sua intenção era apenas provocar. Para atacar um pequeno grupo que se julga o porta-voz de uma religião e que quer se impor pela força, acabavam por insultar todos os muçulmanos moderados que jamais pensariam na retaliação homicida. Foram,
sem dúvida, demasiadamente ofensivas. A chacina mostrou como eram necessárias. A ofensa de mau gosto também tem função social. Não é só porque se é minoria que se é intocável. Nem mesmo as vítimas são santas, e nenhuma vítima é apenas vítima. “Oprimido” e “opressor” não esgotam as relações humanas possíveis, mesmo as desiguais. A luta de classes é uma escolha política, não um dado natural. É terrível quando uma sociedade se dedica a ridicularizar uma minoria. Mas é bom que, de vez em quando, em um meio letrado no qual todos querem ser bonzinhos, alguém simplesmente chute o balde da forma mais vulgar. Esse é o verdadeiro teste da sociabilidade e o revelador de fanatismos. Quem resiste à provocação gratuita está pronto para viver num mundo plural, onde convivem visões de mundo e valores irreconciliáveis. É por essas e outras que, mais do que nunca, é preciso que alguns – não todos – sejam “Charlie”.
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ORIENTE E OCIDENTE
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Combinação catastrófica Terrorismo, islã e a xenofobia europeia RESUMO Cientista político volta às contribuições do mundo islâmico ao Ocidente para pensar uma relação que se torna especialmente problemática desde finais do século 19. Políticas de segurança e ações de inteligência serão insuficientes para conter o monstro incubado na marginalização e no preconceito.
HUSSEIN KALOUT ILUSTRAÇÃO PALOMA BOSQUÊ
A religião islâmica poderia ser descrita sob vários aspectos. Pode-se considerar o islã como religião da paz, da tolerância e do convívio civilizatório. Assim como nos alicerces das demais religiões monoteístas, o sacro direito à vida e o inalienável direito de livre expressão estão nele intrinsecamente consagrados. Lamentavelmente, o islã tem sido surrupiado pelos mercadores da religião como se fossem donos de suas doutrinas ou até jurisconsultos de seus pilares. O radicalismo e o extremismo no islamismo têm suas raízes vinculadas a uma gama de fatores, mas, em alguns casos, à ignorância, ao oportunismo político e à marginalização deliberada. É importante compreender que o extremismo religioso atinge, antes de qualquer outro arcabouço social, o próprio sistema sócio-organizacional muçulmano. O colapso de algumas estruturas sociais decorre mais de fatores político-culturais do que, predominantemente, de temas religiosos. Os confrontos no mundo muçulmano, em seu modelo e conotação atuais, são topologias novas. De maneira geral, os Estados teocráticos abominam a formação de forças políticas no âmbito do islã por entender que podem tirar a capacidade desses países de atuarem como regentes do sistema político. Mas a compreensão de fenômenos como radicalismo religioso ou o uso da violência em nome da religião requer sofisticado manuseio de ideias. Seria mais valoroso, nesse sentido, se debruçar sobre o axioma de causa e efeito da islamofobia do que, simplesmente, tapar os olhos e acreditar no ódio deliberado de muçulmanos contra o mundo liberal ocidental. Dissipar dos anais do saber a contribuição civilizatória dos mundos árabe e muçulmano ao progresso alcançado pelo Ocidente, a partir de sua plataforma de conhecimentos (como Edward Said aponta em sua imortal obra “Orientalis-
mo”), seria no mínimo renegar a historiografia. Entre os séculos 7 e 15, a civilização muçulmana forjou importantes legados não apenas para o desenvolvimento do sistema econômico-comercial, mas, sobretudo, para o avanço científico nas sociedades europeias. Aquele período representou o apogeu da integração e do intercâmbio de conhecimento entre o mundo ocidental e o mundo islâmico – e ajudou a conduzir a humanidade a um patamar superior de progresso. Ao longo da história, a contribuição da civilização islâmica ao mundo ocidental e, particularmente, à Europa, foi mais construtiva do que o contrário. Lembremos de “O Cânone da Medicina” do médico, físico e filósofo muçulmano-persa Ibn Sina (Avicena, como seu nome foi latinizado), que influenciou as universidades da Europa medieval e o pensamento de Tomás de Aquino. Incluamos o legado do sociólogo e filósofo árabe-muçulmano magrebino Ibn Khaldun, deixado em seu tratado “Muqaddimah” como parâmetro da dialética entre o homem, a ciência e a religião, que posteriormente serviu como força propulsora para a construção do pensamento ocidental no campo da inovação historiográfica, das relações humanas e da organização social. Indicações históricas sugerem que seus manuscritos chegaram a Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Comte, Marx, Durkheim, Weber e Darwin. Nesse sentido, faz-se necessário refletir acerca dos elementos que têm obstruído os canais de diálogo entre o Ocidente e o islã. Auferir legitimidade à teoria Huntingtoniana de choque civilizatório seria obtuso. O período que se estende dos finais do século 19 a meados do século 20 marca o declínio do diálogo entre o Ocidente e o mundo muçulmano. Tal conjuntura pode ser descrita à luz de três questões importantes: o colonialismo europeu no mundo árabe e islâmico; o alinhamento euroamericano ao Estado de Israel no conflito com os palestinos; e mais recentemente as guerra ao Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria. Persiste ainda, em parte do pensamento das sociedades árabes e islâmicas, a malévola experiência do colonialismo europeu. Fixou-se naqueles países a percepção de que as forças coloniais europeias não apenas buscavam retirar-lhes as riquezas, mas, sobretudo, descaracterizar seus pilares culturais, sua autodeterminação, seus costumes e sua organização social. Na psique coletiva do islamismo, as potências ocidentais não compreenderam a pluralidade do islã e ignoraram a sua dinâmica, uma vez que, pela força, procuraram impor modelos de governança política incompatíveis com as tradições culturais e sociais. Desde os tempos do colonialismo, o modelo euroamericanista de intervenção,
instrumentalizado por estratégias diplomáticas mal dimensionadas, segue o seu vício repetitivo. Do passado ao presente e do tratado SykesPicot à Conferência de Genebra, as potências ocidentais não lograram êxito em reduzir sua interferência. O resultado de tais políticas culminou na desconfiguração territorial, no sectarismo, na fragmentação nacionalista, na implantação de modelos de governança em benefício de um determinado grupo étnico e na alteração do equilíbrio social e político. Afinal, o que potencializou o surgimento do islamismo radical? Alguns elementos despontam numa extensa lista de fatores. Por um lado a rejeição aos valores culturais e religiosos, o intervencionismo euro-americano e a injustiça que circunda o colonialismo israelense sobre a questão palestina. Por outro, a incapacidade da sociedade islâmica e de sua força de mobilização social de lidar com as correntes radicais ou Estados teocráticos que querem a manutenção do “status quo”. Os primeiros fatores fomentaram a criação de guerrilhas fundamentalistas e de movimentos extremistas antiocidentais. Os demais fabricaram do salafismo a aberrações como as organizações criminosas terroristas Estado Islâmico. Esses bárbaros se estruturaram, diga-se, com o apoio de países árabes, muçulmanos e ocidentais. A violência no Iraque, por exemplo, está mais ligada, em certa medida, a descontentamentos na distribuição política do poder do que a fatores de cunho estritamente
sectário. A falta de coesão abre espaço para que organizações como Jabhat al-Nusra, Isis, Fronte Islâmico ou Jund al-Sham se estabeleçam em territórios onde o Estado é letárgico e as instituições democráticas são disfuncionais ou inexistentes. Apesar de pertencer à orientação do secto sunita, o Estado Islâmico não poupa de seus massacres os próprios sunitas, além de outras cor-
DEVER
Cabe à sociedade muçulmana confrontar o radicalismo e o extremismo de quem mancha a essência de sua religião. A xenofobia europeia e o extremismo islâmico, juntos, são catastróficos. rentes de minorias étnicas ou religiosas como sufis, yazidis, xiitas e assírios cristãos. Mesmo em países de religiosidade homogênea, como a Líbia (majoritariamente sunita), o extremismo exerce função de coerção com objetivos vinculados ao exercício do poder. A proliferação de inúmeros grupos terroristas na Líbia, hoje, possui uma relação custo-benefício atrelada à abundância de recursos energéticos e à prática do crime organizado como atividade econômica rentável. É imperativo compreender o islamismo sob o prisma de sua pluralidade. Se analisarmos, por exemplo, as agremiações denominadas “grupos de pressão” veremos que existem
três categorias: fraternidades político-religiosas; movimentos de resistência nacionalista de vertente religiosa; e grupos criminosos e anárquicos que praticam o terrorismo. Após o massacre contra o “Charlie Hebdo”, a França e a Europa perceberam que o monstro não estava apenas fora. O monstro estava incubado, em casa. E não há soluções mágicas ou eficazes para essa chaga. É necessário antes de tudo redimensionar as relações entre governos e as populações minoritárias. Há que se construir pontes de diálogo e de compreensão mútua, com políticas públicas para reduzir a marginalização, a exclusão e a xenofobia contra os que professam a fé islâmica – ou quaisquer outras. Em casa Sob nenhuma circunstância pode-se justificar o atentado ao “Charlie Hebdo” e a liberdade de expressão jamais deve se render aos desígnios de terroristas e extremistas. O episódio, no entanto, sugere reflexões. Em estado de inércia, a Europa parece ter aguardado ser sacudida para que a consternação viesse a se esboçar na face de sua sociedade. Não se pensou, de certo, que ao empurrar propositalmente ou facilitar a saída de jovens europeus, muçulmanos ou não, para fora de seu espaço geográfico para lutarem na Síria ou no Iraque, sua desastrada política resultaria numa incomensurável tragédia. Autoridades de diversos países acreditavam que estavam expelindo indivíduos parasitários dispostos à morte e que
não sobreviveriam ou não retornariam. Sem o fim da marginalização, da exclusão social e da discriminação que tem se voltado contra populações que professam a fé muçulmana, e sem um engajamento coletivo com líderes civis e religiosos dessas comunidades – para recuperar a confiança e sensibilizar a juventude – não será possível lograr êxito. É forçoso reconhecer que não bastam os órgãos de inteligência e segurança para impedir que tragédias como “Charlie Hebdo” se repitam. A francesa Jocelyne Cesari – professora em Harvard e autora da obra “Why the West Fears Islam” (Por que o Ocidente teme o islã) – chama a atenção para paulatina fuga dos governos ocidentais ao diálogo sócio-religioso com a comunidade islâmica. Já o ugandês Mahmood Mamdani – professor da Universidade Columbia e autor do livro “Good Muslims, Bad Muslims: America, the Cold War, and the Roots of Terror” (Bons muçulmanos, maus muçulmanos: América, Guerra Fria e as raízes do terror) – destaca a noção de que o islamismo é dividido em variadas escalas de crentes, de diversas classes sociais e de múltiplas facetas culturais. O radicalismo pode estar em qualquer estamento. O fundamental nessa classificação é despertar um olhar que evite julgar coletivamente uma religião e depure a gênese do problema. A pior forma de discriminação é a do tipo inconsciente. A redução do abismo vigente e a latente islamofobia na Europa não podem depender do beneplácito de arredios ultranacionalistas, que só conseguem ver nos imigrantes ou concidadãos de fés diversas um fardo ou uma constante ameaça terrorista. É preciso investir numa reeducação social capaz de reduzir essas assimetrias. Já aos governos dos países muçulmanos recai a responsabilidade pela expansão do extremismo. O Oriente Médio vive uma guerra fria entre dois projetos de governança político-islâmica antagônicos e com pretensão hegemônica na região. Apesar de representarem duas tendências distintas no âmbito do islamismo, o entrechoque entre sauditas e iranianos emana mais da aspiração geopolítica do que propriamente da interpretação dos cânones religiosos. Enquanto a população não for a plenipotenciária de seu destino político, a corrupção, a manipulação e a ausência de direitos e liberdades seguirão criando barreiras para a compreensão de outras sociedades. Cabe à sociedade muçulmana, mais do que a qualquer outra, confrontar o radicalismo e o extremismo daqueles que buscam manchar a essência de sua religião. É tempo de compreender que a xenofobia europeia e o extremismo islâmico de fato constituem uma combinação catastrófica.
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Artes Visuais
O mistério da mostra de 55 Bacon, a obra ausente e o corpo na banheira
RESUMO Em 1955, acontecia em Londres a primeira retrospectiva do artista irlandês Francis Bacon (1909-92). Não restam registros da mostra, porém se sabe que a polícia foi ao local, possivelmente atrás de um quadro erótico de homens lutando, e que aquele que ajudou o pintor na montagem foi encontrado morto um ano depois.
VANESSA THORPE TRADUÇÃO PAULO MIGLIACCI
Começou uma caçada para descobrir a verdade sobre a primeira e controversa mostra solo do pintor Francis Bacon em uma galeria pública, realizada em Londres em 1955. É uma busca por informações desaparecidas que já está lançando uma nova luz sobre a carreira do mais influente artista moderno britânico.
Embora os historiadores da arte tenham estabelecido alguns dos fatos essenciais – que a polícia foi chamada para examinar as obras, que um importante quadro erótico foi excluído da lista oficial da exposição, e que um ano mais tarde o homem gay que organizou a mostra de Bacon foi encontrado morto – não restam registros ou fotografias do evento. “Essa foi realmente a exposição que o tempo esqueceu”, diz Gregor Muir, diretor do ICA (Instituto de Arte Contemporânea), o local da primeira retrospectiva de Bacon, 60 anos atrás, em janeiro de 1955. “Era claramente um momento importante para a arte em Londres e Bacon já era reconhecido como talento contemporâneo, havia participado da Bienal de Veneza com uma sala em companhia de Lucian Freud e Ben Nicholson, mas, quando tentamos descobrir mais sobre a exposição, esbarramos em um verdadeiro muro. Não existe coisa alguma sobre ela”, afirma Muir. No final do ano passado, Muir e seus colegas do ICA estavam organizando uma história dos primeiros 20 anos da galeria, período que se estende até o final dos anos 1960. A exposição de Francis Bacon foi, sem sombra de dúvida, um evento importante, e os quadros perturbadores
exibidos – entre os quais alguns dos seus mais famosos estudos de “papas gritando”, em companhia de alguns estudos sobre homens de negócios anônimos, em ternos escuros – sugeriram a Muir que a mostra era mais intencionalmente provocativa do que se costuma dizer. Bacon, nascido em Dublin em 1909, vivia em Londres. Ele selecionou os quadros e os pendurou na galeria do ICA em Dover Street, em companhia de seu amigo e benfeitor Peter Watson. Mapas “O cálice sagrado que estamos procurando é uma foto que mostre como a mostra estava montada”, conta Muir, que planeja criar um painel sobre a exposição “perdida”, para o começo do ano que vem. “Mas também gostaríamos de receber informações de qualquer pessoa que tenha visto a mostra. Essas pessoas seriam já bem idosas, hoje, claro. A galeria de Dover Street tinha uma parede de vidro, e acreditamos que os quadros dos papas tenham sido postos diante dos quadros mostrando os homens de negócios. As poses destes são exatamente as mesmas dos papas. A composição dessas peças é indistinguível”. O quadro ausente, que não foi registrado no catálogo, é
crucial, acredita Muir. “Era um estudo de dois homens atracados na grama, lutando. A luta greco-romana era popular na comunidade gay de Londres, onde a homossexualidade ainda era ilegal, é claro, e acredito que esse quadro, somado à justaposição entre os Papas e os empresários, representasse uma mensagem em código. Watson e Bacon parecem ter deliberadamente organizado uma exposição muito ‘estranha’ e muito gay.” A polícia visitou o local para examinar o quadro dos homens lutando e verificar que a pintura não era uma representação de um ato ilegal. “Ainda estamos tentando descobrir mais”, disse Muir. “Watson e Bacon claramente queriam produzir um evento muito provocativo.” Watson, aluno de Eton, uma das escolas de elite inglesas, era então descrito como o solteiro mais rico de Londres; ele herdou a fortuna do pai, Sir George Watson. Bonito e secretamente gay, muitos de seus melhores amigos, entre os quais Cecil Beaton, Stephen Spender e Lucian Freud, o conheciam como PW. Colecionador de arte cujos contatos incluíam Picasso e o escultor Giacometti, ele foi convidado por alguns dos principais fundadores do ICA, entre os quais Roland Penrose, a ajudar em sua criação, no final dos anos
40. “Ele tinha muita influência no ICA e acredita-se que tenha levado a eles a ideia de montar uma mostra de Bacon”, disse Adrian Clark, coautor, com Jeremy Dronfield, de uma biografia de Watson a sair no ano que vem. A Tate Gallery só organizaria uma mostra individual de Bacon em 1962. “Watson conheceu Bacon em Monte Carlo, em 1946, por intermédio de Freud. É bastante claro que, embora Watson tivesse muito medo de que sua homossexualidade fosse descoberta, o que poderia resultar em processo, ele estaria ciente do poder e das implicações de todos aqueles quadros exibidos juntos no ICA em 1955. Não havia nada de acidental na mostra. Foi um gesto muito corajoso.” Não se acredita que Francis Bacon e Peter Watson tenham sido amantes, mas eram aliados e amigos. Watson bancou boa parte das obras iniciais de Bacon, e fez o mesmo por Freud, mas só viveria mais um ano, depois da mostra do ICA. Ele teve uma série de namorados norte-americanos mais jovens, e por fim se estabilizou com um homem chamado Norman Fowler, a quem deixou sua fortuna em testamento. “Fowler tinha algo de estranho”, diz Clark. “Há indícios de que não fosse completamente estável e, na
noite da morte de Watson, ele disse que os dois estavam no apartamento deste, onde os dois viviam, em Knighstbridge. Fowler declarou que ele e Watson haviam passado horas brigando e que Watson havia subitamente decidido tomar banho. Por volta das 3h, Fowler acordou e viu água escorrendo por sob a porta do banheiro.” Em lugar de derrubar a porta, os relatórios sobre o incidente contam que Fowler primeiro correu à rua e encontrou um policial. Ele pediu que o policial derrubasse a porta, e Watson foi encontrado morto na banheira. No inquérito, Spender registra em seus diários que muito se comentou sobre o fato de que a chave para a porta do banheiro tivesse sido encontrada no chão do aposento, o que indicaria que Watson trancou a porta e se afogou por acidente. “Você pode tirar as conclusões que quiser”, diz Clark. “Mas teria sido fácil para um jovem como Fowler afundar Watson na banheira e segurálo sob a água até que ele se afogasse, e depois trancar a porta e passar a chave para dentro do banheiro”. Spender aponta que Watson não usava drogas, era frágil, mas não doente, e não era alcoólatra. Fowler viveu o resto de sua vida rico, no Caribe, e morreu em sua banheira.
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Diário de Caracas O MAPA DA CULTURA
5 A cidade que morde Violência triunfa na capital da Venezuela
SAMY ADGHIRNI
Se você se espanta com a violência no Brasil, é porque não conhece a Venezuela. É simples: as barbaridades que afligem os brasileiros ocorrem aqui em escala exponencial. Assassinatos, por exemplo. O escritório da ONU sobre drogas e crime aponta Caracas como vicecampeã mundial em homicídios, perdendo só para San Pedro Sula, em Honduras. Em 2013, a capital venezuelana teve 134 assassinatos para 100 mil habitantes. A cidade brasileira mais violenta é Maceió, que aparece na quinta colocação, com 79/100 mil. É mais arriscado andar em Caracas do que em Bagdá ou Cabul. Houve mais de 2.000 sequestros na Venezuela em 2013 – cinco por dia –, segundo a empresa de segurança americana Chubb. O dobro do Brasil. Roubos são mais difíceis de quantificar, já que a maior parte não é registrada. Mas basta conversar com qualquer caraquenho para entender que o Brasil, por mais tenso seja, não chegou lá. Moradores de Caracas costumam avisar aos recém-chegados: “Caracas muerde”. Por trás deste cenário há impunidade, corrupção generalizada da polícia e proeminência de facções criminosas. Conta Questões econômicas também entram na conta, mas o caso venezuelano desafia a ideia de que a violência vem do abismo entre ricos e pobres. O índice de Gini, que mede a desigual-
dade, é de 0,41, o mais baixo da América Latina. A pobreza despencou desde a chegada ao poder de Hugo Chávez, de 49% em 1999 para 26% em 2012, segundo a ONU. Ou seja, a vida melhora, mas a violência aumenta. Paranoia Na chegada a Caracas, achei um lindo apartamento para alugar. No dia em que eu assinaria o contrato, um homem foi morto a balas a 50 metros do prédio. Vi aquilo como sinal, e fui morar em outro lugar. Mas um mês depois, um morador do bairro foi baleado por um assaltante em frente ao meu edifício. O homem ficou tetraplégico. Na mesma semana, um funcionário da farmácia da vizinhança foi morto quando abria a loja. Na última sexta-feira, um professor alemão levou um tiro na cabeça durante sequestro no edifício onde morava, a duas quadras do meu. Está internado em completo estado grave. Tudo num intervalo de quatro meses e num raio de dois quilômetros. Tal mãe pagou resgate para libertar o filho, mas recuperou só o corpo. Um empresário brasileiro foi sequestrado no banheiro do aeroporto. Um alemão foi morto a tiros na porta do hotel onde a presidente Dilma costuma se hospedar. Todos os cafés, bares e restaurantes ostentam um painel com uma pistola barrada em vermelho e a inscrição “lugar livre de armas”. No 360, bar com vista panorâmica, clientes só entram depois de revistados com detector de metais. Grades nas varandas e janelas dos edifícios residenciais vão até o sétimo
andar. Também há grades metálicas na porta dos apartamentos, o que dá ares de prisão ao interior dos edifícios. Noite fantasma Um vídeo de 2007, disponível no YouTube, se tornou símbolo da barbárie na noite venezuelana. O DJ britânico Carl Cox, lenda da música techno, está tocando numa balada em Caracas quando, de repente, o barulho de tiros pipoca. Luzes se acendem, e quatro corpos jazem sobre a pista de dança. Por mais festeiros que sejam os venezuelanos, Caracas tem hoje poucas opções de saída por causa do temor à violência. Bem diferente do Brasil. Na Venezuela, shoppings fecham às 20h, e muitos restaurantes, às 22h. Perigo ao lado Meu instrutor de academia é um sujeito engraçadíssimo. Mas um dia ele contou que havia sido assaltante de carro-forte e que tinha ganhado muito dinheiro no crime. Ele jura nunca ter matado ninguém e diz que saiu da vida bandida depois que policiais à paisana o sequestraram e extorquiram todo o dinheiro que tinha no banco. Também fiquei preocupado no dia em que um taxista “de confiança” começou a querer saber como eu recebia meu salário do Brasil e se eu ganhava em dólar. Aos olhos da reclusa classe média local, o inimigo mora no estrato social de baixo. A presença dos operários para uma minirreforma no prédio onde moro deixou moradores tão assustados que alguns pediram para cancelar a obra.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
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Um marxista heterodoxo Paris, 1967
HÉLIO CAMPOS MELLO/ACERVO PESSOAL
Carlos Guilherme Mota (esq.) em sua casa em São Paulo com o historiador francês Albert Soboul, em 1972
CARLOS GUILHERME MOTA
Em 1966, entrei em contato com o professor Albert Soboul (191482), da Sorbonne, especialista na história da Revolução Francesa, para retomarmos as relações entre a USP e a Sorbonne. Ele já tinha livro publicado no Brasil pela editora Zahar e era uma “estrela” em congressos e na mídia. Sabíamos de sua visão pouco ortodoxa da Revolução – apesar de marxista respeitado, amigo de Hobsbawm – pois demonstrara que os “sans-culottes” não constituíam uma classe social, um anátema para os marxistas dogmáticos de então. Albert Marius Soboul, que lutara na Resistência no sul da França, era uma contraposição à Escola Prática de Altos Estudos e à visão de François Furet, que descaracterizara a Revolução enquanto tal. Soboul ficou entre dois fogos: marxistas dogmáticos e neoliberais da Escola de Altos Estudos... Era o historiador! Em 1967, escrevi-lhe e ele me recebeu em Paris em setembro, num café em frente à Sorbonne. Tímido e duro, eu falava um péssimo francês, mas houve uma comunicação desde logo fraterna com aquele “monumento”. Tratamos de temas historiográficos e metodológicos, mas com críticas aos modismos. Ele foi extremamente gentil, ofereceu-me um livro seu e desde então firmou-se uma amizade forte, que durou até sua morte. Como professor visitante da USP, Soboul veio a São Paulo várias vezes, uma das quais ficou em minha casa; depois, fiquei na dele, no bairro parisiense de Montparnasse, onde receberia alguns exilados com poucos recursos. Fomos juntos às cidade históricas de Minas,em 1970, com
Gigi, minha mulher na época, e o historiador Francisco Iglésias, que o brindou cantando “Azulão” na noite de Ouro Preto. Pesquisador excepcional, professor rigoroso e jovial, ele apreciava nossas caipirinhas. Desempenhava com seriedade seu papel de professor em missão, na tradição de grandes historiadores da Revolução Francesa (Jaurès, Mathiez e outros). Aqui no Butantã e alhures, protestou contra a prisão de intelectuais (como Caio Prado Júnior) e cassação de professores (como Florestan Fernandes). Florestan era o principal intelectual da chamada Escola Sociológica de São Paulo e Soboul fez questão de visitá-lo em sua casa, em 1970, para prestar-lhe solidariedade. Duas personalidades reconhecidas internacionalmente, homens de esquerda e militantes nada dogmáticos, trocando impressões sobre os rumos do Brasil e da história contemporânea. Foi emocionante ouvi-los, pois conversavam num patamar muito alto, raro mesmo. Hoje, creio que o nível baixou bastante. Ser professor, para Soboul, era uma missão inegociável, de combate, inclusive à burocracia universitária. Soboul tinha discípulos e colegas em todo o mundo, que recebia em Paris com muita fraternidade. Fiquei comovido quando aceitou um estudo meu sobre as Inconfidências no Brasil para ser publicado na venerada revista “Annales Historiques de la Révolution Française”, que dirigia com meu outro mestre, o “doyen” Jacques Godechot, de Toulouse. Era ainda muito amigo do português Joaquim Barradas (1920-80), outro marxista heterodoxo e muito bom de copo.
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
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Juventude em Viena Trecho da autobiografia
RESUMO Este trecho faz parte do primeiro capítulo de “Juventude em Viena: uma Autobiografia”, que a Record lança no início de fevereiro. A biografia romanceada escrita de 1915 a 1920 narra a vida do autor até 1889, antes de conhecer a fama como escritor com a novela “O Tenente Gustl”, publicada em 1900.
ARTHUR SCHNITZLER TRADUÇÃO MARCELO BACKES ILUSTRAÇÃO DAVID MAGILA
Nessa época, ou seja, quando eu tinha 4 ou 5 anos de idade, é que surge meu primeiro camarada de brincadeiras do qual me lembro, um jovem conde Kalman, cujo pai era paciente do meu. Eu por certo não saberia mais com que brincadeiras nós, ainda tão garotos, passávamos o tempo, se não tivesse me ficado na memória uma pergunta peculiar, que fiz certa vez à minha babá, provavelmente por causa de seu absurdo especial, do qual eu logo viria a me dar conta. Nós havíamos disposto nossos soldados de madeira em ordem de batalha sobre o tampo branco da mesinha em que brincávamos, quando me ocorreu de repente me informar com minha babá quem na verdade eram os inimigos, se os de bainhas verdes ou se os de bainhas vermelhas. A babá repassou a pergunta à babá dos Kalman com a mesma seriedade, e esta designou, com a maior determinação, os vermelhos como sendo os inimigos, ao que me decidi, tranquilo, aceitar a batalha, já não me lembro mais se na condição de amigo ou de inimigo.
O parque verde junto à Schottenbastei era o assim chamado Jardim Paradisíaco ou Jardim do Paraíso, que em minha recordação mal aparece como um jardim real, mas antes como uma aquarela empalidecida. Vejo diante de mim um gramado verde com canteiros de flores, mesas e cadeiras graciosas diante de um prédio alongado e branco de janelas altas; aos pés de uma criatura feminina, que senta do lado direito de um banco, uma criança de roupas claras está brincando; e, em algum lugar, cintila um guarda-sol vermelho. Será que sou eu mesmo essa criança? Será que essa criatura feminina é minha babá? Será que é minha mãe? Será que a recordação de coisas vividas se funde, conforme tantas vezes acontece, a coisas relatadas, formando a imagem de uma aquarela que vi em algum lugar? Eu não sei. O verdadeiro Jardim do Paraíso, de todo modo, desapareceu do mundo já ao final dos anos 1860, assim como a Löwelbastei, sobre o qual ele floriu por tantos anos. Mais ou menos no mesmo lugar fica o Burgtheater hoje em dia. Por volta de 1868 nós nos mudamos para a Giselastrasse, número 11, ao mesmo apartamento, inclusive, caso eu não esteja enganado, em que nos anos 1890 eu ocuparia alguns quartos na condição de jovem médico. Foi nesse apartamento, onde eu costumava deixar prontos, todas as manhãs, dois banquinhos, um para mim, outro para meu irmão três anos mais novo do que eu, nos quais disputávamos quem resvalava mais rápido em cima deles; foi lá, também, que certa noite vi da janela as chamas saindo do prédio da Associação de Música, que ficava bem próximo; foi
lá, ainda, que eu, bem-penteado e vestido com belas roupas, de vez em quando podia conversar com os pacientes de meu pai na sala de espera. Recordo-me que meus camaradas de brincadeiras naquela época, ambos com idade semelhante à minha, eram os dois filhos do príncipe romeno Couza, que havia sido expulso de seu país e era paciente de meu pai, e também me parece que igualmente encontrei por lá o já um pouco mais velho Milan Obrenovic, que mais tarde se tornaria rei da Sérvia, e que na época morava com sua mãe na Döblinger Hauptstrasse, em uma casa de campo situada na frente da casa do príncipe Couza. Certa vez, quando já estava quase anoitecendo e eu me encontrava lendo à janela, conforme costumava fazer até altas horas da noite para orgulho e desencanto de meus pais ao mesmo tempo, chegou um coche lotado com os brinquedos mais luxuosos para mim e meu irmão mais novo; era um presente principesco dos Couza, que devia ser saudado de modo tanto mais principesco pelo fato de não estarmos nem no Natal, nem na Páscoa, nem termos qualquer outra festa de aniversário a comemorar. O mais belo dos brinquedos era um jardim liliputiano com tronquinhos de madeira marrom, folhas de papel verde, canteiros coloridos e gramados; mas nem com ele nem com qualquer outro dos brinquedos das caixas restantes eu me ocupei de modo muito vivaz depois que a primeira curiosidade se encontrava satisfeita, como aliás de resto não costumava me interessar de modo especial por brinquedos de criança, mesmo naqueles anos ainda bem precoces.
Embora em nosso quarto de crianças também não faltasse o teatro de bonecos, não acredito ter me distinguido, apesar de tentativas eventuais, como poeta, narrador, manejador de personagens, ou pelo talento inventivo ou mesmo por qualquer outro dote teatral no âmbito dos bonecos. O que me proporcionava um prazer bem maior era o teatro de verdade, que logo era exercido de improviso e sempre com fervor nos círculos familiares com primos e primas, e mais tarde fora de casa com amiguinhos e amiguinhas, sobretudo com os filhos do famoso ator Sonnenthal e os filhos de um comerciante de roupas da moda chamado Von Rosenberg. Na maior parte das vezes, era eu que esboçava de passagem o andamento do enredo, sendo que falas e contrafalas fluíam conforme o gênio individual de cada um no momento dado. Espectadores sérios, ou mesmo fiéis, jamais participaram dessas apresentações; e nós nos satisfazíamos com a alegria da peça em si e com os aplausos mútuos. Para os pequenos namoricos e ciumeiras que costumam vicejar em tais atmosferas nós ainda não éramos suficientemente crescidos; só me lembro de uma noite em que uma coleguinha, depois de eu ter me despedido dos camaradas de peça do sexo masculino com abraços infantis e amistosos, veio correndo atrás de mim até a porta do apartamento para se voltar a mim com palavras hesitantes e dizer: “Dá um beijo também em mim”, desejo que eu atendi, não sem me autovangloriar internamente, com as faces ainda coradas pela excitação da atividade teatral.
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Fãs de Fusca reúnem mais de 50 carros (92) 3090-1042
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Luana PIOVANI
‘Estou mais tolerante AO USAR AS PALAVRAS’
BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO
Fico comovida todas as vezes que chego em Manaus. A energia é muito forte por conta da natureza que existe neste local. Estamos cercados por algo maravilhoso e a energia não poderia ser diferente”
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e passagem por Manaus com o espetáculo “Mania de Explicação” – que terá sua última exibição hoje, às 18h, no Teatro Amazonas – a atriz Luana Piovani concedeu entrevista ao EM TEMPO. Recém-saída do seriado global “Dupla Identidade”, a artista fala do seu amor pelo Amazonas, a importância de iniciar suas turnês pelo Norte do país e como surgiu a ideia de produzir a montagem. Conhecida não apenas pelo seu talento, mas também por falar sempre o que pensa, Luana se diz mais madura e com isso, reflete mais antes de se pronunciar sobre qualquer assunto. Atuante nas redes sociais, ela afirma, ainda, que não se importa com as críticas e faz o melhor que pode para levar cultura e entretenimento para o público adulto e infantil. EM TEMPO – Como foi a decisão de escolher Manaus como a primeira cidade a receber a turnê de “Mania de Explicação”? (A montagem contou com temporadas no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais) Luana Piovani – Sou virginiana, gosto de coisas cíclicas e, por isso, sempre começo por Manaus. Além de ser uma cidade esplendorosa e com uma energia incrível, conta com um teatro lindo. Jamais pularia o Amazonas, sou sempre muito bem recebida. É
minha quarta vez na cidade com um espetáculo. EM TEMPO – Como surgiu o interesse pela adaptação do livro da autora Adriana Falcão e como se deu o processo? LP – Na verdade gosto da história e tenho esse livro na minha estante há uns 10 anos. Depois de ter feito muitos clássicos, decidi que queria fazer um autor contemporâneo e brasileiro. Foi quando pedi a autorização da Adriana (Falcão) que fez questão de adaptar o texto para o teatro. Juntei-me à minha sócia Cássia Villas Boas e demos início a esse processo que durou entre 3 e 4 anos., EM TEMPO – Durante o espetáculo, a sua personagem tem contato com elementos da natureza. Encenar no Amazonas tem um significado especial, justamente por ser próximo da natureza? LP – Tem e muito! Fico comovida todas as vezes que chego em Manaus. A energia é muito forte por conta da natureza que existe neste local. Estamos cercados por algo maravilhoso e a energia não poderia ser diferente. EM TEMPO – Você consegue transitar muito bem entre os públicos adulto e infantil. Como funciona essa preparação? LP – Tenho vontade de falar com as duas pessoas, tanto com adulto, quanto com o infantil. Essa vontade que me faz percorrer
pelos dois caminhos. EM TEMPO – Recentemente você participou do seriado “Dupla Identidade”, da TV Globo. Como foi a experiência de atuar com um texto tão denso? LP – A preparação foi difícil. Na verdade, é muito triste ter que lidar com tanta crueldade. Mas ao mesmo tempo foi prazeroso trabalhar com o Bruno (Gagliasso) e com o Novaes (Marcelo). Aliás, nunca tinha trabalhado com o Mauro Mendonça Filho. Foi uma ótima experiência. EM TEMPO – Atualmente, os artistas tem tido um contato mais próximo dos fãs devido as redes sociais. Como é sua relação com essas mídias? LP – Acho que lido de maneira inteligente. Quando dei um “tiro no pé” no Twitter, tirei meu time de campo. Continuo com meu Facebook (bloqueado) e com a minha conta do Instagram (aberta). (Nota do editor: a atriz desativou sua conta do Twitter após comentário polêmico sobre os torcedores do Corinthians). EM TEMPO – E como lida com as críticas feitas em suas redes sociais? LP – Não ligo. Não leio nem crítica de crítico, imagina de quem nem estudou para ser um. EM TEMPO – Você sempre falou tudo o quis. Com a maturidade, isso mudou um pouco? LP – A maturidade melhora
a gente. Não adianta ter idade e não ganhar nada positivo com isso. Hoje em dia estou mais tolerante ao utilizar as palavras, estou mais controlada. EM TEMPO – Como você analisa o cenário político brasileiro? LP – Triste. Há muito tempo analiso com tristeza, estou cada vez menos esperançosa. Não penso em solução para mudar o cenário, mas coloco minha mão na massa e trabalho com o que eu posso. Sempre buscando o lado social, oferecendo oportunidades e levando cultura para o público. EM TEMPO – Você já esteve em Manaus inúmeras vezes. O que não deixa de fazer quando está na cidade? LP – Ir ao Flutuante Peixe-Boi, comer um tambaqui ou um pirarucu e tomar banho de rio. EM TEMPO – Como esteve a expectativa para vir? LP – Tenho uma história muito feliz dentro do Teatro Amazonas. Meu coração transborda de emoção todas as vezes. O “Mania de Explicação” é um espetáculo que diverte e emociona. EM TEMPO – Quais os planos para 2015? LP – No momento estou bem focada no espetáculo, com possibilidade de fazermos uma turnê por Portugal em maio deste ano.
Não penso em solução para mudar o cenário (político), mas trabalho com o que eu posso, buscando o lado social, oferecendo oportunidades e levando cultura para o público”
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>> Visita ilustre . Na quinta-feira, o governador do Amazonas, José Melo, recebeu a visita oficial do embaixador do Reino dos Países Baixos, Johannes Petrus Maria Peters, que veio a Manaus para conhecer a realidade socioeconômica e prospectar novos negócios entre as duas regiões. . Durante o encontro, o governador ressaltou a importância do estreitamento de laços da capital amazonense com cidades como Amsterdã, Roterdã e Eindhoven, entre outras, que possuem know-how na construção de portos, maquinaria pesada e estaleiros, setores que, segundo ele, fazem parte dos projetos de desenvolvimento a ser implantados no Estado nos próximos quatro anos. . No fim da visita, José Melo e Peters firmaram um compromisso para uma agenda de visitas técnicas e encaminhamento de projetos que vão ser apresentados aos empresários holandeses, investidores e empreiteiros.
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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
O embaixador do Reino dos Países Baixos Johannes Petrus Peters em visita ao governador José Melo
>> Oscar
Bernardino e Kêmella Marques com as filhas Valentina e Geovana – que formam uma das jovens famílias mais bonitas da cidade - em noite de comemoração chic
>> Objeto de desejo Camila e o presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador Wilker Barreto durante jantar que reuniu notáveis do Amazonas
>> Feijão Top . O society de Manaus estará em peso na badalada feijoada de Carnaval que esta coluna estará promovendo, no próximo dia 7 de fevereiro. . O local do evento? O Village Festas, o novo espaço para acontecimentos sociais na avenida Ephigênio Salles, que deverá fever neste dia recebendo as principais socialites de Manaus, com suas camisetas produzidíssimas. . A feijoada será preparada pela equipe cinco estrelas do restaurante Village. Agendem.
. E se alguém tinha alguma dúvida de que os tênis metalizados continuariam em alta em 2015, apresentamos o clássico modelo Slip-On da Vans na sua versão primavera 2015. . Disponível na versão silver ou gold, os modelos chegam às lojas Americanas em março deste ano. A coleção, que ainda inclui modelos com acabamento em couro “matelassé”, cobra e crocodilo, estará disponível para meninos e meninas.
. Os indicados ao Oscar 2015 foram apresentados na manhã de quinta-feira pelo ator Chris Pine e a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone Isaacs. E o Brasil – de alguma forma – pode ser premiado este ano. . É que o documentário “O Sal da Terra” sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, dirigido por Juliano Salgado, filho do fotógrafo, e Wim Wenders, é um dos fortes concorrentes à estatueta. A produção é da companhia francesa Decia, mas conta com a colaboração de produtoras brasileiras e italianas. Quem mais conquistou indicações foram os filmes “O Grande Hotel Budapeste” e “Birdman”, com nove cada um. . A premiação acontece no dia 22 de fevereiro e a cerimônia será no Dolby Theatre, em Hollywood. Concorrem ao prêmio de Melhor Filme:“Sniper Americano”, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, “Boyhood – Da Infância à Juventude”, “O Grande Hotel Budapeste”, “O Jogo da Imitação”, “Selma”, “A Teoria de Tudo” e “Whiplash – Em Busca da Perfeição”.
O querido Omar Aziz, que levará sua competência ao Senado Federal levantando a bandeira do Amazonas
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Mostra exibe a vida de ícones da música nacional As cinebiografias de Cazuza, Renato Russo e Tim Maia serão apresentadas a partir de amanhã, no Cine & Vídeo Tarumã
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seleção do Cine & Vídeo Tarumã para esta semana traz as cinebiografias de três importantes artistas da música brasileira: os cantores e compositores Cazuza, Renato Russo e Tim Maia. As boas interpretações dos atores protagonistas são os destaques das três produções nacionais. As sessões são realizadas sempre às 12h30, no Auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras, localizado no Setor Norte do Campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com entrada franca. “Cazuza – O Tempo Não Para”, de Sandra Werneck, é o filme que será exibido amanhã. O ex-vocalista da banda Barão Vermelho é interpretado por Daniel de Oliveira, com direito a uma grande perda de peso para viver o cantor no período em que esteve doente por causa do vírus HIV. O longa foi lançado em 2004 e é baseado no livro “Só as Mães São Felizes”, de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza. O filme mostra a trajetória de Cazuza desde o início da carreira, em 1981, até a morte em 1990, aos 32 anos. Fazem parte da narrativa o sucesso com o Barão Vermelho, a
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carreira solo, o relacionamento com a mãe e a coragem para continuar a carreira, criando e se apresentando, mesmo debilitado pela aids. “Somos Tão Jovens”, de Antonio Carlos da Fontoura, é o filme de quarta-feira, dia 21. Em 1973, Renato Manfredini Junior (Thiago Mendonça, que
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As sessões são realizadas sempre a partir das 12h30, com entrada franca, no Auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras, no Campus da Universidade Federal do Amazonas já havia vivido o cantor sertanejo Luciano, em “2 Filhos de Francisco”) se muda com a família do Rio de Janeiro para Brasília. Na época, ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos passou a se interessar por música. Fã de punk-rock, Renato
começa a se envolver com o cenário musical da capital federal após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana. Na sexta-feira, dia 23, o público poderá conferir “Tim Maia”, produção dirigida em 2014 por Mauro Lima. Tratase da cinebiografia do cantor, baseada no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta. Desde a sua infância pobre como entregador de marmitas no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, até a sua morte em 1998, aos 55 anos, o filme acompanha a trajetória de Tim Maia (vivido por Robson Nunes, na juventude, e Babu Santana, como adulto), incluindo sua passagem pelos Estados Unidos, onde descobriu novos estilos musicais que mudaram a música brasileira. Rebelde, desbocado e transgressor, Tim Maia é um dos personagens mais divertidos e originais do Brasil contemporâneo. O Cine & Vídeo Tarumã é uma atividade de extensão do Departamento de Comunicação Social da Ufam e suas sessões recebem o apoio cultural da Take Video Locadora.
O ator Daniel de Oliveira foi o escolhido para interpretar Cazuza em “O Tempo Não Para”
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The Who celebra 50 anos com turnê e coletânea O novo show do grupo de rock inglês estreia em março, na Inglaterra, para divulgar o CD ‘The Who Hits 50’
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ÃO PAULO, SP - Há 50 anos, uma canção simples, de pouco mais de dois minutos de duração, anunciou a chegada de uma das bandas mais poderosas e explosivas do rock. A banda era The Who e a canção, “I Can’t Explain”. Hoje, metade do The Who não está mais entre nós. O baterista Keith Moon morreu em 1978 e o baixista John Entwistle, em 2002. Mas o cantor Roger Daltrey e o guitarrista Pete Townshend celebram os 50 anos da banda com uma nova coletânea, “The Who Hits 50”, e uma grande turnê, que começa em março na Inglaterra e se estende por oito meses pelos EUA e pelo Canadá. E pensar que tudo começou com “I Can’t Explain”, uma musiquinha pop que Pete Townshend escreveu inspirado pela imagem de fãs da banda, incapazes de atravessar o salão e convidar uma menina para dançar. A letra fala de insegurança adolescente e do sentimento de inadequação de muitos jovens da época, e sacramentou Townshend como porta-voz da angústia teen. O compacto foi gravado no fim de 1964. Na época, a banda não tinha repertório próprio e tocava, basicamente, covers de blues e de sucessos da Motown. Townshend, Daltrey e Entwistle se apresentavam juntos desde 1962 na banda The Detours, mas foi com a chegada do baterista Keith Moon, em abril de 1964, que o The Who achou a sua formação ideal. ‘Mods’ Pouco depois, os empresários mudaram o nome do grupo para The High Numbers e tentaram moldar o som para apelar à geração “mod” que existia na Inglaterra. Os “mods”
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gostavam de soul music e ska, e o The High Numbers chegou a lançar um compacto, “Zoot Suit”, que não deu em nada. A banda retornou ao nome The Who e começou a aperfeiçoar seu estilo, uma pesada mistura de blues e rock, acelerada pelas batidas demenciais de Keith Moon, um baterista cujo objetivo parecia ser o de tocar mais rápido que qualquer outro. Townshend, que sempre teve um tino comercial aguçado, escreveu o riff de guitarra de “I Can’t Explain” copiando o de “All Day and All of the Night”, do The Kinks, grande sucesso na época. Seu objetivo era atrair a atenção de Shel Talmy, produtor dos Kinks. E deu resultado: Talmy gostou da canção e aceitou produzir o compacto. O que Townshend não esperava é que ele chamasse para a sessão um conceituado músico de estúdio para fazer a gravação, caso Townshend não conseguisse. O músico era o guitarrista mais requisitado para gravações na Inglaterra e se chamava Jimmy Page. Mas Townshend deu conta do recado, e a participação de Page se restringiu a uma guitarra de apoio. O compacto de “I Can’t Explain” foi lançado nos Estados Unidos em dezembro de 1964, mas nem apareceu nas paradas de sucesso. Quando saiu na Inglaterra, em janeiro de 1965, o empresário do The Who, um sujeito esperto chamado Kit Lambert, conseguiu uma aparição da banda no famoso programa de TV “Ready, Steady, Go!”. A banda fez um “playback” de “I Can’t Explain”. Em abril de 1965, o compacto chegou a número 8 nas paradas inglesas. E o resto é história. Por André Barcinski
A nova turnê da banda de Roger Daltrey (à esquerda) e Pete Townshend vai circular em cidades dos Estados Unidos e Canadá DIVULGAÇÃO
DESENTENDIMENTO
The Black Crowes vão se separar, anuncia guitarrista
A banda é conhecida por ter tido a capa de um seus álbuns, “Amorica”, de 1994, censurada nos Estados Unidos
SÃO PAULO, SP - A banda de rock The Black Crowes vai se separar, anunciou o guitarrista Rich Robinson. Segundo ele, o motivo é um desentendimento com seu irmão, Chris Robinson, que é o vocalista do grupo. De acordo com a revista “NME”, Rich Robinson disse que o atrito entre ele e o irmão foi causado por motivos financeiros. O grupo foi formado em 1984. “Eu amo meu irmão e respeito seu talento, mas a exigência atual dele de que eu tenha uma menor participação nos lucros da banda e que o nosso baterista, que esteve conosco por 28 anos, desista de 100% da participação dele, reduzindo o seu papel a um empregado assalariado, não é algo que eu posso aceitar”, disse o guitarrista. Ele disse também que “é com muita decepção e arrependimento que, depois de 24 anos tendo o privilégio de escrever e tocar nos Black Crowes, estou na posição de dizer que a banda acabou”. As brigas entre os dois irmãos são comuns desde o
início da banda, o que já levou a duas interrupções na produção musical do grupo. A banda é conhecida pela capa do álbum “Amorica”, que foi censurada nos Estados Unidos. Lançada em 1994, a capa é uma foto da parte de baixo de um biquíni com a bandeira dos Estados Unidos,
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Um atrito entre os irmãos Rich Robinson, guitarrista, e Chris Robinson, vocalista, causado por motivos financeiros, é o responsável pela separação do grupo, que foi formado em 1984 com pelos púbicos à mostra. Nos Estados Unidos, a capa foi censurada e a pele em volta do biquíni foi substituída por um fundo preto, para que algumas lojas aceitassem vender o CD. A foto, originalmente, era uma capa de uma edição de 1976 de uma revista pornográfica chamada “Hustler”.
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Bate-rebate
TV Tudo Arremate Ainda sobre a próxima novela do SBT, tudo indica que Larissa Manoela, a protagonista, será escolhida para cantar o tema musical de abertura. Adaptada pela equipe de Íris Abravanel, “Cúmplices” é uma novela da rede mexicana Televisa, com autoria de Socorro González.
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Não larga Glória Perez vai desenvolver e supervisionar novas séries para a Globo, mas sem abandonar sua cadeira na faixa das 21 horas. Existe esta certeza, que a autora escreverá uma nova trama para o principal horário de novelas, mas ainda não se estabeleceu o período de exibição, que pode ser em 2016 ou 2017.
Boas-vindas O mês de Abril será bastante importante para o mercado televisão no Brasil. Não fosse por outros motivos, é quando um dos maiores institutos de pesquisa, o alemão GfK, passará a entregar os primeiros relatórios de medição de audiência no país. Boas-vindas 2 No mesmo mês, a líder TV Globo comemora 50 anos. Rede dos Marinho que optou por não aderir ao GfK, mas, que de acordo com fontes do mercado, isso é tão somente uma questão de tempo. Será? Lembrando que quatro emissoras assinaram um contrato de cinco anos com o concorrente do Ibope: Bandeirantes, Record, Rede TV! e SBT. Ansioso No próximo dia 29, em locações na capital paulista, Juan Alba vai filmar participação
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no longa “Meu amigo Hindu”, dirigido por Hector Babenco. E o detalhe: ele irá contracenar diretamente com o protagonista, Willem Dafoe, conhecido também pelo trabalho como Duende Verde em “Homem Aranha”. Juan, atualmente em “Alto Astral”, não esconde a ansiedade. Reality da Rede TV! A Rede TV! marcou para 5 de fevereiro o encerramento das gravações do reality “The Bachelor”. No ar, o programa irá até o
dia 20 do mesmo mês e ainda não existe uma definição sobre próxima temporada. Ambiente diferente Na volta de Fátima Bernardes, dia 26, o “Encontro” já deverá apresentar mudanças no cenário e promover a estreia de alguns quadros. Ambiente diferente 2 Fátima, ao trocar o jornalismo pelo entretenimento na Globo, não emplacou apenas como apresentadora. Também se revelou convincente na parte comercial.
• Carla Salle fará uma participação em “Babilônia”, substituta de “Império”, como a garota de programa Helô... • ...Inicialmente, ela terá um envolvimento amoroso com o cafetão Murilo, papel de Bruno Gagliasso... • ...Logo depois, Murilo a descarta e passa a se envolver com uma outra “agenciada”, Alice, personagem de Sophie Charlotte. • Agora ligado ao jornalismo, o “Operação de Risco” voltará à grade da Rede TV!, quando o “The Bachelor” chegar ao fim. • Carlos Lombardi passou os últimos dias no Rio de Janeiro... • “Entre abelhas”, comédia escrita e protagonizada por Fábio Porchat, chegará ao cinema em 5 de março... • ... Giovanna Lancellotti, atualmente em “Alto Astral” na Globo, também integra o elenco de “Entre abelhas”.
SBT novela para Los Angeles “Cúmplices de um resgate”, a novela que vai substituir “Chiquititas” tem início de gravações em março. “Cúmplices” promete ser ainda mais musical que as suas antecessoras. Além da exigência de todos os seus atores saberem cantar, esse grau de cobrança se estenderá para a sua trilha sonora, que colocará na praça, inicialmente, três CDs. A abertura da novela será finalizada em um estúdio de Los Angeles.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Apesar de a Globo ainda não confirmar, existe a intenção de utilizar trechos de “Chacrinha, o Musical”, escrito por Pedro Bial e dirigido por Andrucha Waddington, na homenagem ao Velho Guerreiro, dentro da programação especial de 50 anos. Não se estabeleceu ainda quando essa homenagem irá ao ar. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br
Atentado a quem?
MÁRIO ADOLFO
GILMAL
ELVIS
No “atentado” aos jornalistas do Charlie Hebdo, encontrei o gancho para pensarmos de forma menos passional e mais iluminista, a respeito da questão arte e cultura, uma dicotomia apenas presente para o desavisado mundo das políticas culturais, no caso e em especial, as brasileiras. Sem delongas: cultura é tudo. Todas as regras criadas e estabelecidas pelo homem é cultura. Onde tem homens tem cultura. Tudo aquilo que é universal (amar, chorar, nascer, morrer etc), enfim, tudo que está presente no ciclo de vida humano são atributos da “natureza” e tudo aquilo que o margeia, que o orienta e interfere, é “cultura”. Logo, amar é humano. Como amar também, só que, neste caso, trata-se de um aspecto cultural. Existem regras proibitivas e prescritivas nas mais diversas culturas sobre como, quem, com quem e em que condições você deve amar. Em alguns casos, o tabu se impõe como um desafio de compreensão eminentemente antropológico, basta saber porque você não transa com sua mãe, seu pai ou seu irmão. O desejo pode estar lá no fundo, mas a convenção cultural, forjada por uma série de elementos que não cabem discuti-los aqui, moldaram sua face. Se cultura, portanto, é tudo, vejamos o conceito mais propagado: cultura é o conjunto dos modos de vida, expressões, hábitos e costumes de um povo. O iluminismo é a escola orgulho dos franceses. De Voltaire a Montesquieu, de Diderot a D’Alembert, o conceito de liberdade e razão foram dos mais difundidos e são um princípio importante do mundo ocidental, a ponto de Voltaire exprimir em uma emblemática frase: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Como ocidentais fazemos um grande esforço para compreender o ocidente, o
nosso ocidente; a mídia se esforça em constranger a fronteira (oriente versus ocidente) através de seus telejornais que deixaram o “fato” e escolheram o “tema” como fio condutor de suas investidas, e o tema do oriente é a guerra e a “jihad” interpretada no ocidente erroneamente como guerra santa (parece que nunca leram Edward Said). Não existe um lampejo de lucidez para atravessar as brumas cinzentas das guerras e chegar às bases da cultura oriental. Nos alimentamos do folclore d’As Mil e Uma Noites que um ocidental ousou acrescentar mais mil e uma histórias; nos convencemos de que o oriente é guerra, é sunita, xiita e Bin Laden; nos revoltamos contra os fundamentalistas sem ao menos nos perguntar o que é fundamental para nós, imperiosos ocidentais. A charge é uma arte gráfica que encontrou nos jornais o seu reduto, assim como, um dia, o folhetim surgiu para depois tornar-se uma técnica literária. Não foram ditas ofensivas aos muçulmanos; foram reveladas, por meio de uma linguagem artística direta, clara e acessível. A cultura, portanto, está imbricada na arte que por sua vez é um de seus elementos. Pensar uma política cultural é reconhecer os aspectos mais comezinhos de um povo e dar oportunidade de escolhas. Pensar arte é, antes de tudo, pensar os códigos que a forjaram e os impactos sobre o moral da nação sejam eles qual for. O tipo de arte desenvolvida no ocidente obedece a normas diferentes daquelas do oriente (ler “Ponto de Mudança” de Peter Brook, “A arte secreta do ator” de Eugênio Barba e “O crisântemo e a espada” de Ruth Benedict). Sou contra todo tipo de opressão, e sobretudo de tirar a vida de alguém. Mas pensemos: atentado a quem estamos falando?
Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
A charge é uma arte gráfica que encontrou nos jornais o seu reduto, assim como, um dia, o folhetim surgiu para depois tornar-se uma técnica literária”
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Plateia
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Programação de TV
DIVULGAÇÃO
SBT 3h45 Jornal Da Semana Sbt 5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Nikita 0h Rizzola & Isles 1h Pessoa De Interesse 2h Big Bang 3h15 Jogo Da Gente 4h Igreja Universal
BAND
8h Esporte Espetacular - (Downhill - Descida Radical)
4h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 5h30 Santa Missa No Seu Lar
11h Esquenta 12h30 Sai Do Chão - Sorriso Maroto 13h35 Temperatura Máxima Homem-aranha 3 15h40 Domingão Do Faustão
6h30 Sabadão Do Baiano 7h Power Rangers +
19h Fantástico 21h17 Domingo Maior - Quebrando Regras 23h Sessão De Gala - Avida Íntima De Pippa Lee 0h40 Corujão - Acerto De Contas 2h12 Mentes Criminosas 2h54 Mentes Criminosas 3h40 Série
13h20 Sessão Livre “Três Homens Em Conflito” 16h20 Sessão Livre “O Caçador De Dragões” 18h10 Só Risos 19h10 Policia 24h 20h10 Top 20
4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids - Pica Pau
4h29 Santa Missa 5h30 Amazônia Rural
A dupla identidade do Homem-Aranha é um dos obstáculos do terceiro filme da saga, na Globo
Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 Preocupações e questões não resolvidas lhe afligem. Mas não há agora o que fazer diretamente com elas. É preciso que sua interioridade se reorganize primeiro. TOURO - 20/4 a 20/5 Ao estar ao lado de pessoas queridas, não espere que algo espetacular aconteça. O simples fato de estar ao lado delas deverá ter interesse, graça e satisfação em si mesmo. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Um dia para você apreciar a paisagem de sua vida. Olhe para tudo o que está vivendo, sem se descabelar. Cultive a serenidade neste momento, em meio a suas atividades. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Um dia para você pensar na vida. Mas não para pensar e concluir e sair fazendo. Apenas para dar tempo para sua mente se reorganizar diante das muitas opções e ideias. LEÃO - 23/7 a 22/8 As pequenas perdas e separações podem ser inevitáveis, mas não deveriam lhe afligir de todo. Se for preciso, vire a página. Se não for, espere as coisas se reacomodarem. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Estar ao lado das pessoas queridas pode ser muito gratificante, mesmo que na aparência nada aconteça. Procure relaxar e simplesmente estar ao lado das pessoas.
13h30 Hora Do Faro 17h30 Domingo Espetacular
6h31 Globo Rural 7h27 Auto Esporte
22h15 Roberto Justus +
Cinema
21h20 Pânico Na Band – Melhores Momentos
9h Domingo Show
5h58 Pequenas Empresas, Grandes Negócios
9h45 Verdade E Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé Na Estrada 10h30 Só Risos 11h20 Os Simpsons – Maratona
RECORD GLOBO
Jimmy Neutron 8h30 Palavra Cantada 8h45 Informercial – Polishop
0h Canal Livre 1h Alex Deneriaz 1h35 Show Business –
21h15 Repórter Em Ação
Reapresentação 2h25 Igreja Universal
23h15 Programação Iurd
Cruzadinhas
PRÉ-ESTREIA Minúsculos: FRA. Livre. Em uma pacífica clareira, entre as sobras de um piquenique, começa uma batalha entre duas tribos de formigas em busca de uma caixa de açúcar. Uma jovem e corajosa joaninha acaba sendo capturada no meio do fogo cruzado e torna-se aliada das formigas negras, ajudando na luta contra as terríveis formigas vermelhas. Cinemark 5 – 11h20, 15h50 (dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 7 – 15h15 (dub/somente quarta-feira).
ESTREIA Os Pinguins de Madagascar: EUA. Livre. O público vai descobrir os segredos dos mais adoráveis e misteriosos pinguins do mundo da espionagem. Capitão, Kowalski, Rico e Recruta vão ter que juntar forças com uma agência de espiões, a Vento do Norte, liderada pelo Agente Secreto (a gente até podia contar o nome dele, mas aí... você sabe) para impedir que o vilão Dr. Otavius Brine consiga dominar o mundo. Cinemark 1 – 12h40, 15h, 17h20, 19h40 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 12h, 14h20, 16h40, 19h10, 21h10 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 13h30, 18h20 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 13h30, 15h40 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 13h, 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 14h, 16h10, 18h30 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 14h, 16h10, 18h25, 20h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 12h50, 15h, 17h10, 19h20 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 14h30, 16h35 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h, 16h, 19h15 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h05, 16h30, 18h45 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 12h30 (3D/dub/somente sábado), 15h, 17h15, 19h45 (3D/dub/diariamente); Kinoplex 3 – 13h (3D/dub/diariamente), Kinoplex 5 – 17h50 (3D/dub/diariamente); Multiplex 2 – 15h30, 17h30, 19h30 (dub/diariamente), Multiplex 4 – 15h, 17h, 19h (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40 (3D/dub/diariamente), Playarte 6 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 13h16, 15h16, 17h16, 19h16 (dub/diariamente). Invencível: EUA. 12 anos. O drama retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini, que sofre um acidente de avião, e cai em pleno mar. Ele luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme, e quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Cinépolis Ponta Negra 2 – 18h30, 21h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 13h30, 16h20, 19h30 (leg/diariamente).
LIBRA - 23/9 a 22/10 As muitas pequenas atividades do dia devem ser vividas envolvendo-se com elas, mas sem exigir-se chegar a nada muito espetacular. Vá fazendo, como quem nada anseia. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Os sentimentos amorosos devem ser vividos com languidez e desprendimento. Aceite que tudo tem movimento próprio e que, como a água, o amor não pode ser retido. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 É preciso um certo tempo de quietude para a regeneração de sua disposição emocional. Momento para buscar o sossego e o bem estar em seu lar. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As relações humanas e o contato com lugares diversos podem ser divertidos. Deixe as coisas correrem como que por si mesmas, sem impor suas expectativas. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Não é hora de tentar resolver os problemas que lhe preocupam. Há coisas à sua volta, ao alcance de sua mão, que podem ser gratificantes. E é com elas que você deve se ocupar. PEIXES - 19/2 a 20/3 A imaginação está altamente estimulada. Você tende a se envolver com os mais diversos sentimentos e imagens emocionais. Mas viva tudo isso sem perder seu eixo.
CONTINUAÇÕES Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Cinemark 5 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h (diariamente), 23h30 (somente sábado), Cinemark 8 – 16h30, 19h20, 21h45 (diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 18h (diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 14h20, 16h50, 19h15, 21h55 (diariamente), Cinépolis Millennium 6 – 14h40, 17h05, 19h45, 22h (diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 15h10, 17h40, 20h05, 22h30 (diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 21h45 (diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 13h25, 15h50, 18h15, 20h40 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 14h, 17h, 20h15 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h15, 15h45, 18h15, 20h45 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h45, 17h30, 20h, 22h25 (diariamente); Kinoplex 2 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h10 (diariamente); Multiplex 1 – 19h30, 21h30 (diariamente), Multiplex 5 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (diariamente); Playarte 3 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente), 22h20 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 13h21, 15h36, 17h51, 20h06 (diariamente), 22h21 (somente sexta-feira e sábado).
A Noite da Virada: BRA. 12 anos. Playarte 2 – 19h20, 21h20 (diariamente), 23h20 (somente sexta-feira e sábado). Os Caras de Pau: BRA. 10 anos. Cinemark 5 – 20h45 (diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 17h35, 20h, 22h15 (diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 15h20, 17h20, 19h45 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 16h45, 19h10, 21h45 (diariamente); Kinoplex 1 – 14h25, 16h50, 19h15, 21h40 (diariamente); Playarte 2 – 13h25, 15h25, 17h25 (diariamente), Playarte 7 – 21h25 (diariamente), 23h20 (somente sexta-feira e sábado). Êxodo – Deuses e Reis: INGEUA. 14 anos. Cinemark 3 – 13h40, 16h50, 20h (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 17h50, 21h10 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis Millennium 2 – 14h55, 20h25 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 20h40 (3D/ dub/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 18h, 21h10 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 4 – 18h50, 22h (3D/ dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 22h30 (3D/leg/diariamente),
Cinépolis Ponta Negra 5 – 22h (3D/ leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 21h15 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 15h, 18h, 21h (3D/ dub/diariamente); Multiplex 4 – 21h (3D/dub/diariamente), Multiplex 6 – 17h15, 20h (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 20h40 (3D/dub/diariamente), 23h35 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 9 – 12h20, 15h10, 18h, 20h55 (dub/ diariamente), 23h45 (dub/somente sexta-feira e sábado). Operação Big Hero 6: EUA. Livre. Cinemark 8 – 11h35, 14h (dub/ diariamente); inépolis Plaza 13h10, 15h35 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 15h05 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h15 (dub/diariamente); Kinoplex 5 – 13h20, 15h35 (3D/dub/diariamente); Multiplex 6 – 13h15, 15h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 10 – 13h45, 16h, 18h20, 20h35 (dub/ diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba: EUA. Livre. Cinemark 1 – 22h (dub/diariamente),
Cinemark 2 – 11h50 (dub/exceto sábado e domingo), 14h10, 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 5 – 18h45, 20h55 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 14h40, 16h55, 19h05, 21h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h40, 16h05, 18h30 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 13h, 15h05, 17h25, 19h40, 21h55 (dub/diariamente); Multiplex 1 – 13h30, 15h30, 17h30 (dub/ diariamente), Multiplex 2 – 21h30 (dub/diariamente), Multiplex 3 – 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diariamente); Playarte 5 – 12h50, 14h50, 16h50, 18h50, 20h50 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos: EUA. 10 anos. Playarte 8 – 12h40, 15h30, 18h20, 21h05 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). Ouija – O Jogo dos Espíritos: EUA. 14 anos. Kinoplex 5 – 19h50, 21h50 (dub/diariamente).
Plateia FOTOS: DIVULGAÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Guichês
O Shopping Manaus ViaNorte inicia operação, em fase de teste, com o Serviço de Pronto Atendimento, nas próximas semanas. Num primeiro momento, serão realizados serviços de emissão de Carteira de Identidade, Achados e Perdidos, emissão de CPF, agendamento do INSS, Detran-AM, Manaus Ambiental e Fotocopiadora. O PAC ficará aberto de segunda a sexta, das 8h às 17h.
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Não enche...
Quem nunca recebeu ligações ou e-mails que não interessam constantemente? Agora é lei, se você querido leitor se sentir coagido ou meramente irritado com os tais indesejáveis aborrecimentos diários é direito seu exigir que o remetente pare de importunar. Fica a dica!
Plateia
Em sessão solene no TRE Amazonas, o recém-diplomado Francisco Souza, para exercer seu quinto mandato como deputado estadual do Amazonas. Diplomação que foi, anteontem, a consolidação do desejo de Deus e do povo amazonense. Aplausos!
Médicos, enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e estudantes da área da saúde de todo o país têm um encontro marcado em Manaus para discutir o futuro da medicina intensiva brasileira, em abril, no 10° Congresso Norte e Nordeste de Medicina Intensiva. O encontro, que prevê a participação de mais de 600 pessoas de diversas partes do Brasil, debatendo temas ligados ao tratamento de pacientes em situação crítica, está com as inscrições abertas pelo www.connemimanaus.com.br.
A bela Diandra Raman, aniversariante da temporada, transpirando estilo próprio e invejado em aparição do tipo necessária
Sala de Espera
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
O império musical está em festa. O talentoso David Assayag vai festejar seu niver com uma supercelebração durante um show, no próximo dia 30, no Rancho Sertanejo, a partir das 23h. O artista, que fechou 2014 interpretando as nações azul e vermelha, repete a fórmula mágica e inicia 2015 com muito boi-bumbá e MPB. O evento terá muitas surpresas como convidados especiais e performances. Reservas somente pelo 99115-9196. Eu vou!
O Manaus Plaza Shopping apresenta, hoje, a banda
OPINIÃO
DIVULGAÇÃO
de espera de um exame e para escrever, seu metiê. No sítio, encontrará outro refugiado, Daniel, um estranho jovem, bonito e meio selvagem, que busca o isolamento para reviver de algum modo as condições terríveis de um avô, judeu que na Segunda Guerra viveu um tempo escondido em condições medonhas. Também no sítio, contracenará com Rosa, caseira, que apanha do marido. Outra camada se acrescenta no teor do livro a ser escrito ali: espécie de romance histórico, pretende recuperar a trajetória de maldição dada como real.
Cinco gerações atrás, uma escrava amante de seu dono fora condenada à morte cruel e, sacerdotisa, maldissera as mulheres das vindouras gerações. Ana alega que escrever essa história a livrará desse vaticínio. O romance erra a mão em quase toda a linha. No plano real do sítio, Ana vive esbaforida, com a narração empurrando goela abaixo do leitor estados excitados de alma --ela detesta, tem medo, vê o fantasma da escrava, fica enlevada de paixão, sente raiva, entra em pânico, odeia, adora, sempre súbita, imotivada e inconsistentemente.
No plano do relato histórico, a fragilidade começa na estratégia escolhida: a própria escrava conta, em linguagem elevada e com uma consciência anacrônica, não apenas sua história, seu sacrifício, como igualmente as transcorridas no futuro. As melhores passagens são memórias de Ana e sua história familiar, que incluem um quase abuso e várias tragédias, estas sim narradas de modo justo e forte. Mas elas são apenas paisagem, num conjunto dominado pelos outros dois planos, muito fracos literariamente. Por Luís Augusto Fischer
Moinhos de Vento fazendo parte do projeto “Música na Praça”, de 19h às 21h – com acesso gratuito. Larissa Contiero não quer festão para celebrar seu début, no próximo dia 24. A gatinha preferiu viajar para a Europa, conhecer a cultura pra lá de interessante do Velho Mundo. Chique não? Para os bambinos: hoje, o grupo de teatro ArtCena interpretará o espetáculo ‘Vovó Maroca’ contando histórias sobre o folclore brasileiro, no Sumaúma Park Shopping, das 18h às 19h.
CLUBE
Tatiana Salem Levy erra a mão
SÃO PAULO, SP - As melhores passagens são memórias de Ana e sua história familiar, que incluem um quase abuso e várias tragédias Um começo espetacular, num romance fraco, com vários problemas, que termina péssimo. Assim é “Paraíso”, de Tatiana Salem Levy. Escritora com dois acertos notáveis na narrativa longa (“A Chave de Casa” e “Dois Rios”), ela aqui organiza um enredo de poucos elementos e cenários: Ana, que ouviu um parceiro eventual declarar ter Aids e não ter usado proteção deliberadamente, resolve refugiar-se no sítio de uma amiga para gastar o tempo
Amanhã, Verena Frota, Yvelise Braga, Felipe Trajano e Lêda Ferraz estão aniversariando. Viva! A feijoada do Park Suites Manaus, que leva a assinatura do chef uruguaio Steban Mrtinez, foi um sucesso – ontem – ao som da banda Amizade do Samba tocando chorinho, pagode e samba.
O rei azul
Livro sofre declínio narrativo, de acordo com crítico
Fernando Vieira, Riame Braga, William Rezende, Jacira Fernandes e Gullieta Cardoso de Carvalho. Os cumprimentos da coluna.
Fuscas em exposição no largo São Sebastião Os fãs do Fusca poderão conhecer um pouco mais sobre o veículo e ver a exposição de pelo menos 50 carros no largo de São Sebastião hoje, das 8h às 17h. O evento é realizado pelo Clube do Fusca de Manaus em parceria com o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura. A exposição é uma comemoração ao Dia Nacional do Fusca, celebrado no dia 20 de janeiro. Pelo terceiro ano consecutivo o evento é realizado no largo São Sebastião. “Esse é um dos principais eventos que o Clube do Fusca realiza em Manaus durante o ano. Após a exposição, os proprietários vão sair pelas ruas de Manaus em uma carreata”, afirmou Humberto Horta Neto, fundador do clube em Manaus. Segundo ele, 350 pessoas estão inscritas no Clube do Fusca no Amazonas atualmente.
São realizados pelo menos 24 encontros anuais com a participação do grupo. Durante a exposição no largo São Sebastião, as pessoas poderão conversar com os proprietários dos veículos, tirar fotos, pegar informações a respeito de restauro e participar de gincanas. Ainda de acordo com Humberto, proprietários de Fuscas também podem levar seus carros para participar do evento durante todo o domingo, desde que o veículo tenha mais de 20 anos de fabricação. Ao longo do ano os encontros do Clube do Fusca de Manaus e Clube de Carros Antigos de Manaus acontecem duas vezes por mês, sempre no primeiro domingo do mês, na praça Antônio Bitencourt (praça do Congresso) e no terceiro domingo do mês, na arena do Centro Cultural Povos da Amazônia, na antiga Bola da Suframa. DIVULGAÇÃO
Nejmi Jomaa Aziz brilha novamente na cena local com o lançamento da primeira edição da revista ‘QG Amazonas’, no próximo dia 23. O periódico traz uma variedade de assuntos, entre eles, um pouco da história e batalha de Nejmi em suas diversas atuações na sociedade amazonense
Este é o terceiro ano consecutivo de encontro no local
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MANAUS, DOMINGO, 18 DE JANEIRO DE 2015
Falabella e Cissa estão de volta ao ‘Vídeo Show’ Há 32 anos no ar, o programa vespertino da Rede Globo passa por uma reformulação a partir do próximo mês
S
ÃO PAULO, SP - Com a ideia de melhorar os índices de audiência, já que o programa será um dos focos da Globo na comemoração de seus 50 anos, a atração ganhará alguns reforços. Cissa Guimarães e Miguel Falabella, que fizeram o programa entre os anos de 1986 e 2001, estão de volta. Além disso, o “Vídeo Show”, sob nova direção, terá o ator Marcelo Serrado em um quadro especial para o aniversário do canal. Depois de 14 anos, a atriz Cissa Guimarães retorna como repórter, como antes. E, segundo ela, o trabalho que terá em 2015 não será muito diferente do que já fez. “A ideia é que eu tenha um quadro, a princípio de nome ‘Gentem como a Gente’, no qual eu levo artistas conhecidos para fazerem tarefas simples do dia a dia, como ir a um mercado ou pegar uma praia. É um quadro semelhante àquele que tive na década de 1990, no mesmo programa”, conta a atriz. Mesmo tendo feito diversas novelas e peças de teatro nesse meio tempo, a artista conta que morria de saudade do “Vídeo Show”, lugar que lhe deu notoriedade. “Quando eu recebi o convite, aceitei na
DIVULGAÇÃO
hora. É um programa muito especial para mim. Eu sinto como se ele fosse um filho, sinto-me voltando para a minha casa. Afinal, participei ativamente da evolução dele em todos estes anos. Volto com muito orgulho e felicidade”, reforça. O tal convite partiu do diretor Boninho, outra novidade na atração. Ele será o responsá-
FUNÇÕES
A atriz Cissa Guimarães voltará a assumir a função de repórter do “Vídeo Show” num quadro chamado “Gentem com a Gente”. E Miguel Falabella assumirá mais uma vez a bancada da atração vel por tentar alçar voos mais altos no vespertino. A ideia da emissora é fazer com que o “Vídeo Show” deste ano seja o principal programa para as homenagens aos 50 anos da Globo, que serão completos em 26 de abril. Com isso, diversos quadros e memórias farão parte da programação diária, além da presença de astros da casa,
que deve ser maciça, para alavancar a audiência. Outro fato novo para 2015 é a volta de Miguel Falabella, que trabalhou no programa de 1987 a 2001. Segundo o ator, ele não teve como negar o convite. “O Boninho me ligou em dezembro do ano passado e me ofereceu a chance de voltar. Vou encerrar os programas, mas ainda não sei ao certo como isso será feito. Sei que participarei novamente da bancada e estou muito contente”, comenta ele. Atualmente, Cissa comanda, ao lado de André Marques, o programa matinal “Mais Você” (Globo), enquanto Ana Maria Braga e seu fiel escudeiro, Louro José, curtem as férias. De acordo com a Globo, os apresentadores Otaviano Costa e Zeca Camargo continuarão na atração. A tendência é que Zeca permaneça fazendo reportagens especiais, como as que fez em 2014, mostrando emissoras de TV ao redor do mundo, enquanto Costa segue revelando bastidores da emissora no Rio. Ambos se revezam no comando do programa diariamente. Já a repórter Pathy de Jesus, que permaneceu por quase um ano no ar, não continuará na atração. Ela vai focar na carreira de atriz.
Cissa Guimarães e Miguel Falabella marcaram presença no programa ao longo de 14 anos