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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.295 – DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
VIOLÊNCIA POLICIAL É MORTO A TIROS
Cleinaldo é candidato à reeleição para reitor da UEA
Diretas para reitor movimenta a UEA
JUSTIÇA NA BASE DO OLHO POR OLHO
ALEXANDRE FONSECA/SEMCOM
No dia 20 de março, professores, alunos e servidores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) vão votar pela primeira vez para escolher seu próximo reitor. Atualmente no cargo e candidato à reeleição, Cleinaldo de Almeida afirma que “será um dia histórico para o Amazonas”. Dia a dia C6 e C7
Arthur Neto, ontem, durante a inauguração na Zona Leste
Começa a era do BRS em Manaus
A VONTADE DE FAZER JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS TEM LEVADO A POPULAÇÃO A AGIR NO “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE” QUANDO É VÍTIMA DE ASSALTO OU ESTUPRO. CÂMERAS DO CIOPS REGISTRARAM SETE SITUAÇÕES DESSE TIPO, SOMENTE NESTE ANO. SETORES DA SOCIEDADE AMAZONENSE DIVERGEM SOBRE O ASSUNTO. DIA A DIA C1 A C3 ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
O prefeito Arthur Neto inaugurou, na manhã de ontem, oito estações do BRS na avenida Autaz Mirim, na Zona Leste. Entram em atividade na segunda-feira. Última Hora A2
HOJE É DOMINGO
A internet chega aos 25 anos envolta em debates sobre a segurança da navegação.
Pizza gigante é um dos atrativos da “Praça das Palmeiras”
POINT DO MANAUENSE A economia local criou novos focos de investimentos no comércio. Um deles é a “Praça das Palmeiras”, que começou tímida e hoje comporta bares, pizzarias e padarias. Economia B1
VASCO X FLU
O ÚLTIMO CLÁSSICO DA TAÇA GUANABARA Maracanã recebe hoje o último clássico da Taça Guanabara. O Vasco precisa de apenas um empate com o já classificado Fluminense para garantir vaga nas semifinais. Pódio E5
VOO MH-370
Malásia investiga o piloto Última Hora A2
SEM REMÉDIO
Clone de bactéria é resistente Dia a dia C4 e C5
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
A detox é mesmo mania nacional. Além de eliminar toxinas e ajudar a emagrecer, tem ação anti-inflamatória.
PLATEIA Cantor Matheus, da dupla com Kauan, fala sobre a apresentação no Villa Mix, dia 5 de abril, em Manaus.
Apesar de decisão judicial que proíbe a mudança, o hotel Copacabana Palace passou a se chamar Belmond.
TEMPO EM MANAUS
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ARQUIVO EM TEMPO/JOEL ROSA
DIEGO JANATÃ
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
Arthur Neto inaugura oito plataformas para o BRS As plataformas instaladas na avenida Autaz Mirim fazem parte dos investimentos de mobilidade urbana da prefeitura
O
prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), entregou, neste sábado, oito plataformas do Bus Rapid System (BRS), na avenida Autaz Mirim, Zona Leste. As plataformas pertenciam ao antigo sistema Expresso e foram totalmente reestruturadas. As obras foram realizadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). As plataformas deverão entrar em funcionamento amanhã. Outros bairros também serão beneficiados pelo sistema. No fim do ano passado, a prefeitura entregou 13 plataformas do sistema das avenidas Constantino Nery e Torquato Tapajós, que compreendem o eixo Norte-Sul. Arthur Neto compareceu ao evento acompamnhado do vice-prefeito, Hissa Abrahão (PPS). Pré-candidato ao governo, Hissa não descarta emplacar aliança com o PSB e diz que sua relação com Arthur está “cada vez melhor”. Reaproximação A inauguração de ontem foi um raro momento em que Hissa esteve ao lado
IONE MORENO
de Arthur, após ter sido demitido da pasta de Infraestrutura (Seminf). Para Hissa, no entando, a relação não foi abalada e caminha para melhores ares. “Minha relação com o PSDB do prefeito nunca esteve ruim e ainda irá melhorar muito. Minha candidatura depende do aval dele”, disse. Apesar do deputado Marcelo Ramos (PSB) ter sido anunciado pelo partido como candidato ao governo, Hissa afirma que os socialistas deveriam “priorizar” o nome que é melhor avaliado pelas pesquisas e que a dobradinha PSBPPS, tendência na maioria dos palanques regionais, deveria se repercutir no Estado. “Se o PSB e o PPS não conseguirem chegar a um acordo e cada um optar pelas suas candidaturas, não haverá problemas, cada um irá para o seu lugar e fará seu trabalho. Eu só acho que a aliança é uma prioridade nacional e precisa ser verificada, porque é preciso que seja escolhido um nome que melhor se posiciona nas pesquisas eleitorais”, disse, se referindo a escolha socialista de alavancar a candidatura de Ramos.
MALÁSIA
Polícia inicia investigação contra pilotos da aeronave A polícia da Malásia anunuciou, ontem, que irá investigar os registros psicológicos dos dois pilotos da aeronave da empresa Malaysia Airlines, que desapareceu há uma semana com 239 passageiros. O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, confirmou que o avião teve os sistemas de comunicação desligados
por “alguém” que depois a conduziu até dois pontos possíveis: Indonésia ou a fronteira entre Cazaquistão e Turcomenistão. As principais suspeitas caem sobre o piloto, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos. Ontem, a polícia realizou buscas na casa dele. O copiloto Fariq Abdul Hamid, 27 anos, também será investigado.
As plataformas inauguradas, ontem, estarão em pleno funcionamento para a população a partir desta segunda-feira, dia 17
VIOLÊNCIA
Policial militar é morto a tiros O policial militar Daniel Santos de Araújo, 34, foi assassinado a tiros na noite da última sexta-feira (14), no bairro Armando Mendes, Zona Leste. Os suspeitos de cometer o crime ainda não foram identificados. Além do caso do PM, mais nove assassinatos foram registrados pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS)l. Segundo informações da polícia militar, o policial pertencia a 21º Companhia Interativa Comunitária (Cicom), do Comando de Policiamento de Área CPA-Oeste, foi alvejado com quatro tiros enquanto trafegava pela rua Contorno Norte, no
bairro Armando Mendes. Ele estava nas proximidades de casa, com a mulher na garupa da motocicleta. Santos teria parado o veículo em via pública para atender o celular, quando uma dupla se aproximou e efetuou quatro disparos e roubaram a pistola dele. A mulher não foi atingida. O caso foi registrado DEHS e a polícia desconfia de latrocínio. Neste fim de semana, segundo a PM, não houve outras mortes de policiais, contrariando o que foi divulgado nas redes sociais. O órgão não confirma que esteja ocorrendo uma “caça a policiais” e entende que a morte de Daniel foi DIVULGAÇÃO
um caso isolado. Outros registros Na manhã de ontem, o autônomo José Lomas de Souza Filho, 23, foi morto em via pública na rua José Francisco, no bairro Tancredo Neves. Segundo informações de familiares, o rapaz tinha envolvimento com o tráfico e foi morto por dever os fornecedores. Outro homem, ainda não identificado, foi esfaqueado por volta das 6h de ontem, dentro da residência na rua Miguel Ferreira, no bairro Cidade Nova. O autônomo Manoel Alves de Lima, 34, foi morto por volta das 19h da sexta-feira
na rua Jordão, no conjunto Ben Hur, na Cidade Nova. Segundo laudo do Instituto Médico Legal (IML), a morte foi causada por asfixia e agressão física. Às 19h30, o autônomo Eric Nunes Souza, 21, foi baleado nas costas, na rua Delfim de Souza, próximo a feira, no bairro Raiz, Zona Sul. Segundo testemunhas, um homem efetuou o disparo de dentro de um carro preto, de marca e placa não identificada. Às 19h45 foi assassinado o industriário Jeferson Moreira Gomes, 27. Ele levou três tiros nas costas, enquanto caminhava pela rua 7A, no bairro São José, Zona Leste.
CHEIAS
Presidente realiza sobrevoo em regiões do rio Madeira
Dilma Rousseff acompanhou de perto a situação das cheias
A presidente Dilma Rousseff chegou a Porto Velho às 9h50 deste sábado (15). Ela sobrevou as áreas atingidas pela cheia histórica do rio Madeira, e deverá ir até a fronteira com o Acre. A presidente desceu do avião e embarcou imediatamente em um helicóptero da Força Aérea Brasileira. A agenda também prevê reunião com o governador Confúcio Moura. A cota do rio Madeira chegou a 19,12 metros neste sábado, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Ultrapassando em mais de um metro a marca histórica registrada em 1997 de 17,52. Segundo a Defesa Civil do
Estado, há 2.478 famílias fora de suas casas na capital. Nos distritos localizados no Médio e Baixo Madeira, cerca de 200 famílias foram removidas, no começo do mês, para a capital. As famílias atingidas pela cheia histórica do rio Madeira foram acomodadas no ginásio de Esportes Cláudio Coutinho. Em São Carlos, 100% das famílias foram retiradas, porque o distrito está completamente debaixo d’água. O ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, reconheceu, no dia 27 de fevereiro, em Porto Velho, que a cheia do rio Madeira é o maior desastre natural da Amazônia.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Quem quer ganhar um município? Em novembro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff vetou integralmente o projeto de lei aprovado no Congresso, que previa a criação de 188 novos municípios. Era uma maneira “legal” de extorquir mais da União e de criar novos currais eleitorais. Cada barranco com seis barracos viraria município, com prefeitos, vereadores e milhares de parentes de prefeitos e vereadores transformados, da noite para o dia, em funcionários públicos compondo a renda familiar. Esses redutos seriam (como são) a base de poder regional de deputados estaduais e federais, senadores e governadores e, claro, presidentes da República, a política, nesse contexto, funcionando como uma corrente (ou pirâmide) em que uma mão lava a outra e as duas roubam o dinheiro público. No veto, a Presidência da República pensou em economia (no sentido de não gastar, nem investir) Mas com a base aliada em perfeito desalinho, o que a presidente veta não se escreve e os inventores de município voltam à carga com um novo projeto que tramita, desde quarta-feira, em regime de urgência, no Senado Federal. Desta vez, com o aval do Palácio do Planalto e deverá ser votado ainda neste ano eleitoral. A nova investida é capitaneada pelos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). A esta altura dos acontecimentos, Dilma Rousseff não deverá vetar o projeto, que, dessa vez, retira das Assembleias Legislativas o poder de legislar sobre o assunto, mas vai administrar o processo de criação, que começará com um pedido assinado por 20% dos eleitores da área envolvida. Quem não quer ser município? Quem não quer ser capital? Quem não quer ser Estado? Quem não quer ser República? Os novos municípios que poderão ser criados nas regiões Norte e Centro-Oeste deverão ter, no mínimo, 5 mil habitantes. A toque de caixa.
O candidato dos milicos Considerado um velho amigo do Amazonas, o ex-comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, é um fenômeno que não aparece nas pesquisas de intenção de voto nem frequenta as análises políticas convencionais. Na internet, porém, sua eventual candidatura à Presidência da República tem feito sucesso. Pelo menos, dirigentes de 68 associações de militares da reserva, que costumam refletir o pensamento de boa parte da caserna, defendem o movimento “general Heleno presidente”. Liderança fardada Além de comandar o CMA, o general Heleno esteve à frente das tropas da ONU, que mantêm a ordem no Haiti. O militar construiu uma rara liderança fardada nascida após a democratização do país ao falar, sem papas na língua, sobre a indiferença do governo federal em relação à Amazônia. Eleitor de respeito
farão viagens pelos rios do Amazonas. Os navios já estão sendo construídos em Portugal pela empresa Martifer. Claudino Também participou do encontro com os executivos portugueses do Douro Azul, o secretário de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), Airton Claudino. Filme triste
Bombando na rede, o movimento alcançou, nas últimas semanas, o apoio de 5,7 milhões de eleitores. O certo é que, com o apoio que tem recebido, o general não será um eleitor qualquer.
Esta é a primeira vez que um general poderá ser um “cabo” eleitoral. Portugal à vista! O grupo português Douro Azul vai investir 150 milhões de euros no setor turístico do Amazonas. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Mário Ferreira, em reunião com a presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Oreni Braga. Cruzeiros O investimento será destinado à construção e operação de dois cruzeiros que
Os responsáveis pelas salas de cinema Cinemais, do Milennium, precisam tomar uma providência urgente. A projeção dos filmes estão chegando às telas de forma embaçada, sem contar que vez por outra a luz acende e a projeção é interrompida. Filme triste 2 Na quinta-feira, durante a sessão das 21h30, de “12 Anos de Solidão”, muita gente passou a limpar os óculos achando que as lentes estavam embaçadas. Não estavam, o problema é a máquina de projeção, que faz mais barulho que o filme. Dá-lhe Gentili Com apenas dois dias no ar, o programa “The Noite” com Danilo Gentili já se revela um grande acerto no SBT. O ex-CQC registrou recorde de audiência na madrugada de terça-feira, 12,
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
e chegou a ultrapassar a Globo nos números do Ibope, ficando na liderança durante alguns minutos. Picos de 7 The Noite registrou 5 pontos de média com picos de 7. A Globo, por sua vez, registrou a média de 6. Quem mais sofreu com a concorrência de Danilo Gentili foram a Band e a Record, que empataram em apenas 1 ponto.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Apple na cabeça A Apple, presidida por Tim Cook, é a marca mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de 104,7 milhões de dólares. Os dados são da consultora Brand Finance. Samsung e Google A gigante norte-americana encontra-se à frente da concorrente sul-coreana Samsung (cerca de 78,75 milhões de dólares) e da Google (cerca de 68,2 milhões de dólares). Poderosa Ferrari A Ferrari, liderada por Luca di Montezemolo, é a empresa mais poderosa. Para determinar a primeira posição, a Brand Finance, citada em comunicado, recorre a critérios como “desejo, lealdade, reação do consumidor perante a identidade da marca, notoriedade e satisfação dos seus colaboradores”.
VAIAS
Novos carros coletores de lixo
Regi
NET, ninguém merece
MARIO OLIVEIRA/SEMCOM
DIVULGAÇÃO
Para a entrega de 26 novos caminhões coletores de lixo, para reforçar o serviço de limpeza pública da cidade. Os que faziam a rota estavam completamente sucateados.
Para a NET, que vem castigando os moradores do bairro do Aleixo, deixando-os sem o serviço de rede há pelo menos três semanas. O pior é que a empresa sequer dá uma explicação para o que vem acontecendo. É uma tremenda falta de respeito.
A Copa e o seu dilema Vejo nos noticiários nacionais que a população parece ter tomado consciência da impropriedade, da inconveniência e da inutilidade dessa “bendita” Copa do Mundo, que o Lula inventou exclusivamente para promover politicamente a si mesmo, pegando carona no fanatismo que o povo brasileiro tem e alimenta pelo esporte que os “originais” comentaristas costumam chamar de “esporte bretão”, porque a nós chegou dos britânicos. Ainda distantes da segunda das irresponsabilidades do Lula, ou seja, da Olimpíada do Rio de Janeiro, programada para 2016, que também inverterá prioridades para negligenciar saúde, educação, segurança, transportes e outras “coisitas”, pessoas começam a promover ações de protestos em várias cidades, para afirmar que não querem Copa nem Olimpíada e sim ações que promovam o bem-estar social. São atos que já nos permitem antever consequências sociais, que se seguirão a uma eventual perda ou a um esporádico ganho do cobiçado “caneco” da Fifa. Brasil derrotado e eliminado da Copa será como o alarme de um despertador, a gritar para a população que ela apenas perdeu e sofreu prejuízos, quando os recursos por ela gerados foram desviados dos seus legítimos e próprios fins para objetivos supérfluos que de nada lhe serviram. Nesse momento ficará meridianamente claro que Lula priorizou o circo e negligenciou o pão e o choque dessa verdade fará com certeza acordar a indignação, que poderá ser a fagulha a inflamar a revolta popular. No caso, uma santa revolta, com o poder de tirar o país dessa
trajetória traçada pelo populismo e pela ação demagógica do petismo. Nem Lula, nem Dilma e nem o conjunto dos cardeais do PT foram capazes de perceber que a sociedade brasileira é heterogênea e, além das massas cegas pelo fanatismo alimentado pelo futebol, há também setores que conseguem distinguir o que é prioridade e o que é esbulho eleitoreiro e que, enquanto formadores de opinião, atuam precisamente no esclarecimento das massas. Agora, os donos do circo começam a se sentir surpreendidos com as vozes das ruas que gritam não quererem a Copa e sim investimentos que incidam sobre o nosso IDH. Resta ao Lula, à Dilma e ao PT a esperança de que venha a prevalecer a segunda alternativa: que o talento e a competência dos jogadores brasileiros prevaleçam e o Brasil venha a se tornar hexacampeão mundial de futebol, ao vencer o torneio aqui, em seu próprio território e, assim, consiga de vez afastar o fantasma que o Uruguai plantou dentro do Maracanã em 1950. É possível que, mais do que isso, é muito provável que, na ocorrência dessa segunda hipótese, o ganho da Copa, anabolizado pelas festas e pelo marketing que os petistas manejam com absoluta maestria, surja o efeito anestesiante que o governo espera seja capaz de adormecer a indignação que já se vê brotar na população. Este é o dilema que se coloca para cada um de nós, brasileiros, e que põe frente a frente, em oposição e conflito, nossos corações, que nos querem campeões, e nossos cérebros que sabem do risco que corremos em estender mais o poder dos petistas.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Nem Lula, nem Dilma e nem o conjunto dos cardeais do PT foram capazes de perceber que a sociedade brasileira é heterogênea e, além das massas cegas pelo fanatismo alimentado pelo futebol, há também setores que conseguem distinguir o que é prioridade e o que é esbulho eleitoreiro”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Era uma vez
A Fifa não está usando nenhum dinheiro público, nenhum dinheiro do Brasil, com exceção dos acordo comerciais com patrocinadores brasileiros [a Apex-Brasil é a única estatal]. A Fifa não pediu nenhum auxílio financeiro para as autoridades brasileiras. O que eles gastam é em estruturas que poderão ser usadas depois
O programa de TV do PSB, que vai ao ar no dia 27, apostará em mostrar a “simbiose” entre Eduardo Campos e Marina Silva. A ideia que a propaganda vai vender é que a trajetória política de ambos se “complementa” e, juntos, eles podem “ampliar” sua atuação. O roteiro tem dois objetivos: tentar acelerar a migração de votos da ex-senadora para o governador pernambucano e reduzir o peso dos ruídos políticos entre os dois grupos, que freiam a definição de candidaturas em vários Estados. Raízes Para ilustrar a narrativa sobre a biografia de cada um, serão usadas imagens do ambientalista acreano Chico Mendes, mentor político de Marina, e de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco e avô de Eduardo Campos. Talk show Campos e Marina gravaram cenas em que aparecem lado a lado em estúdio. Os assuntos foram pré-definidos, mas o tom da conversa é coloquial. Dois pesos Dilma Rousseff combinou com Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao governo do Paraná, a aparição conjunta em evento da Federação do Comércio do Estado, amanhã. Na visita da presidente a São Paulo, na semana passada, Alexandre Padilha ficou fora da lista de convidados. Tudo... Ao contrário da relação entre PT e PMDB, dirigentes de PSDB e DEM dizem que conseguiram superar conflitos nos Estados e começam a costurar os palanques para a candidatura de Aécio Neves (PSDB). ... numa nice O presidenciável tucano se reúne na
terça-feira com José Agripino (DEM) para discutir a candidatura apoiada pelas duas siglas no Rio Grande do Sul.
que o órgão não cumpriu a promessa de encaminhar relatório das apurações, como prometido há 20 dias.
Coletivo O time de marketing de Aécio terá PC Bernardes, veterano de campanhas tucanas, na criação de jingles, e o argentino Pablo Nobel na direção de vídeo.
Mudou O texto deve nortear a conclusão do grupo, prevista para o fim do mês. “O silêncio não é compatível com os procedimentos da corregedoria. Surpreende por ser diferente da forma como eles vinham se comportando”, diz Cláudio Weber Abramo, da Transparência Brasil.
Fora dos... O metrô de São Paulo notificou a Bombardier de que pode multá-la por atraso na entrega dos trens que vão operar o monotrilho da linha 15-Prata. A empresa ainda não enviou sua defesa formal à estatal. ... trilhos A empresa canadense só entregou 3 dos 4 trens que deveria ter fornecido, um deles com atraso. Com isso, o início parcial da operação da linha ficou para maio. O temor é que a obra não fique pronta até o fim de junho, prazo da lei eleitoral para que Geraldo Alckmin (PSDB) possa inaugurá-la. Cadê? O grupo que acompanha as investigações da Corregedoria paulista sobre o cartel que agiu no Metrô e na CPTM vem se queixando de
Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, isentou a entidade da responsabilidade pelo uso de dinheiro público na Copa do Mundo. Segundo o dirigente, a verba dos governos no Mundial está sendo aplicada em estruturas como estádios e obras viárias, que continuarão no país depois da competição.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Já deu A cúpula do PROS foi convocada às pressas ao Ceará na última quarta-feira para uma conversa com Cid Gomes. O governador disse que compreendia a insatisfação da bancada com o governo e sua participação no “blocão” da Câmara, mas ponderou que era hora de voltar a apoiar o governo. Drible Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara, reagiu com irritação ao saber que Aloizio Mercadante (Casa Civil) pediu ajuda ao senador Gim Argello (PTB-DF) para evitar que os deputados do partido votassem contra o governo no auge da rebelião.
Tiroteio
Quem não duvida que o amanhã será melhor, também não está nem aí se vai continuar chovendo no molhado. Vai levando a vida, só na manha, como se diz na intimidade. Enquanto a antena de televisão paga mantiver os fatos em dia, o jaraqui chiar na cozinha e as pedras de dominó estalarem na mesa, vamos esperando o Prosamim, que ele vem. Ora se.
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Os novos indícios vistos pelo Cade mostram que o PT adota como cartilha a velha tática de bater a carteira e gritar ‘pega ladrão’.
Coari
DE CARLOS BEZERRA, líder do PSDB na Assembleia de SP, sobre o órgão do Ministério da Justiça ter apontado que o cartel de trens atuou na esfera federal.
A igreja do Amazonas vive neste domingo um evento histórico. Com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, que é quem representa a Santa Sé junto ao governo brasileiro e junto à igreja o papa, bem como bispos de toda a região, padres, diáconos, religiosos e religiosas, mas acima de tudo o povo de Deus, será instalada a Diocese de Coari. Depois de uma caminhada de cinquenta anos como prelazia, a porção do povo católico que vive nos municípios de Coari, Manacapuru, Codajás, Anori, Beruri e Anamã, veem a sua igreja local chegar à maturidade. Com um número suficiente de padres nascidos na região, com autonomia administrativa e pastoral, nasce uma nova diocese, uma igreja local onde está presente o mistério da igreja universal, sendo plenamente Corpo de Cristo e sacramento dele no mundo. Isto se dá com a condição de que permaneça em comunhão com a igreja de Roma, presidida pelo sucessor de Pedro, que a reconheceu como tal e nomeou dom Marcos Piatek seu primeiro bispo. Coari tem estado no noticiário nos últimos anos por motivos torpes e que envergonham a sua população. Queremos hoje homenagear a grande maioria da população que luta dia a dia para ganhar a vida com o suor de seu rosto, que sonha em educar seus filhos e vê-los constituindo famílias unidas e pacíficas. Não queremos ignorar a grande multidão que segue Jesus Cristo, que celebra os sacramentos, que ouve a Palavra, que se reconcilia com Deus e com os irmãos. Existem na Igreja de Coari centenas de comunidades que vivem a fé católica, que se organizam por mais cidadania, que evangeli-
Contraponto
Escolinha do barulho O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) tinha a palavra durante reunião da comissão de Educação da Câmara em julho do ano passado, em meio aos protestos de rua que tomaram o país. Durante a explanação, foi interrompido por colegas que mantinham conversas paralelas. O presidente, Gabriel Chalita (PMDB-SP), advertiu: - Vamos ouvir o deputado, por gentileza. Alencar retribuiu, provocando risos: - Temos o hábito de fazer umas dez reuniões em uma só. Estamos em consonância com as ruas: cada indivíduo tem sua manifestação própria. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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zam. São inúmeros os agentes de pastoral, ministros e ministras, catequistas e dirigentes de celebração que nas comunidades, pastorais e movimentos dão testemunho de vida renovada e anunciam o Evangelho. Tudo isto será celebrado com alegria e gratidão, mas também com o compromisso de continuar a evangelização com novo ardor, com generosidade, com criatividade e alegria e não deixando morrer a profecia, mesmo quando tudo parece perdido. Não podemos permitir que nos roubem a esperança. A instalação da diocese se dá no tempo quaresmal e em plena Campanha da Fraternidade e o roxo dos paramentos pode não parecer apropriado para um dia de festa. No domingo passado, o Evangelho anunciado lembrava as tentações de Jesus, que são as tentações da igreja: não querer seguir o caminho da cruz e tornar-se uma espécie de tenda dos milagres onde se buscam soluções para os problemas causados pela nossa incúria e pecado, buscar a ostentação e o espetáculo como caminho de convencimento, aliar-se ao poder e vender-se a ele. A tradição da igreja de Coari, a coragem e o discernimento de seus bispos, sobressaindo o daquele que também é seu filho, dom Gutemberg Freire Regis, a garra de seus presbíteros, a generosidade de suas religiosas, e a fé do seu povo nos fazem crer que a igreja que nasce hoje será fiel a Jesus Cristo e ao seu Evangelho, será luz e fermento e não perderá o sabor. Fazemos votos que nela se viva a liberdade e que nela cresçam homens e mulheres livres, porque para isto Cristo nos libertou.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
No domingo passado, o Evangelho anunciado lembrava as tentações de Jesus, que são as tentações da igreja: não querer seguir o caminho da cruz e tornarse uma espécie de tenda dos milagres onde se buscam soluções para os problemas causados pela nossa incúria e pecado”
Política
MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
A5
Braga aposta no otimismo em meio à crise PT–PMDB
Líder do governo tem o desafio de esvaziar a tensão não só pela relação entre os partidos e garantir a votação da PEC da ZFM IONE MORENO
Senador Eduardo Braga (no centro) esteve na manhã da última sexta-feira no município de Iranduba, onde inaugurou uma nova Agência da Previdência Social. Ele fala de otimismo no Planalto
A
crise do PMDB com o PT na Câmara ameaça afetar a Zona Franca de Manaus. Líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB) tem o desafio de esvaziar a tensão não só pela relação entre os partidos e garantir a votação da PEC da ZFM. Apesar da reforma ministerial ter agradado a alguns peemedebistas e o “blocão” ter perdido partidos, a crise ainda caminha longe de um final. Peemedebistas pressionam o governo principalmente para atender as alianças regionais, onde há registro de fortes divergências entre a dobradinha. Na última quinta-feira, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) chegou a dizer que não irá se opor se o partido decidir deixar a base de Dilma. A rebelião que já resultou em duas derrotas ao Planalto durante a última semana, no
entanto, não preocupa Eduardo Braga, que se diz otimista em relação à manutenção da aliança que garantirá o lugar da presidente no seu palanque. “Eu não espero que o PMDB quebre coisa nenhuma com ninguém, nem com PT. Não sou como aqueles que torcem para que hajam divergências, pelo contrário, sou otimista e digo que a maioria do partido apoia a presidente”, disse. Em clima de pré-campanha, Braga deu essas declarações enquanto cumprimentava e posava para fotos com eleitores durante uma passagem pelo município de Iranduba na última sexta-feira (veja box), quando inaugurou uma agência da Previdência Social no local. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciava apoio integral à reeleição de Dilma, articulação negociada DIVULGAÇÃO
no dia anterior para dar menos força a continuidade da rebelião na Câmara. O Amazonas é encaixado no bloco de nove Estados em que o PT e PMDB são cotados para caminhar juntos. O problema da aliança em outros seis Estados foi resolvido no início da semana, quando em reunião com Braga e a cúpula do PMDB, Dilma cedeu o apoio petista nas regiões. Questionado pela reportagem, Braga diz que “espera” o apoio da presidente. “Eu espero que ela (Dilma) me apoie. Eu também gostaria de pedir o seu apoio (referindo-se ao repórter), seu voto. Como candidato, a minha função é pedir o apoio de todos, do mais humilde ao mais importante cidadão. O mais importante é o apoio maior de todos, que é o de Deus pai todo-poderoso”, afirmou, levantando aplausos.
‘Vamos votar e aprovar a PEC’ “Sou muito otimista e vamos votar a PEC na próxima terça, porque já há um entendimento entre as bancadas. Na Câmara tem muitas questões dramáticas que são dificultosas, mas, na arte do diálogo, com paciência, vamos, se Deus quiser, aprovar a ZFM”, disse o senador. O otimismo, no entanto, não é registrado entre os oito deputados da bancada federal do Estado na Câmara, que se dizem temerosos com a apreciação da PEC em meio as ameaças do PMDB de usar o blocão para derrubar o governo nas próximas votações. De-
ESPERANÇA
Otimista, o senador e líder do governo Dilma no Senado está confiante que a PEC que prorroga os incentivos fiscais da Zona Franca entre em pauta na Câmara, na próxima terça-feira pois das derrotas da última semana, Dilma escalou a Casa Civil e Relações Institucionais para afastar do plenário todas as pautas importantes para o Planalto enquanto a tensão continu-
ar. A primeira foi o Marco Civil da Internet, que tranca a pauta da Câmara desde outubro do ano passado. Derrota As derrotas tiveram a participação da bancada amazonense, que contribuiu com sete votos para que fosse autorizada uma investigação contra a Petrobras na Holanda. Os parlamentares estavam à mercê dos partidos, que se aliavam ao blocão. A apreensão pela votação se estende à comunidade industrial de Manaus, que tem aconselhado a bancada a esperar a poeira baixar.
VETOS NA PAUTA
Congresso reúne na terça-feira
Congressistas devem apreciar vetos da presidente Dilma
O Congresso Nacional se reúne na próxima terça-feira para examinar 12 vetos presidenciais na sessão marcada para as 19 horas, no plenário da Câmara dos Deputados. O item mais polêmico é o que rejeitou integralmente o projeto que facilitava a criação de municípios (PLP 416/08). A presidente Dilma Rousseff vetou totalmente o substitutivo da Câmara à proposta que, em tese, possibilitaria a criação de aproximadamente 400 novas cidades. Na mensagem ao Congresso, Dilma diz que o texto contraria o interesse público, já que os novos municípios poderão gerar despesas sem a criação de novas receitas. Este e outros três vetos não
chegaram a ser analisados na última sessão do Congresso, em 18 de fevereiro, e voltam à pauta. A votação foi adiada graças a uma obstrução das bancadas da Câmara que temeram não conseguir rejeitar o veto à criação de municípios por causa do baixo quórum entre os senadores. O pequeno número de senadores daria vitória ao governo, uma vez que a oposição poderia não atingir os 51 votos necessários para a derrubada do veto. Segundo o Regimento Comum do Congresso, o veto deve ser analisado primeiro pelo Senado, pois o projeto é de autoria daquela casa. A obstrução foi seguida pela maioria dos partidos, dei-
xando apenas o PT na defesa da votação do veto. Outros vetos que não foram analisados em fevereiro e que retornam à pauta tratam do repasse de recursos públicos às universidades comunitárias (PL 7639/10); da normatização da travessia de pedestres próximos às escolas (PL 4268/08); e da regulação da condução de veículos de emergência (PL 7191/10). Minirreforma eleitoral O veto a pontos da minirreforma eleitoral (projeto de lei 6397/13, do Senado), aprovada pelo Congresso em novembro e transformada na lei 12.891/13, também deve gerar discussões. Entre os dispositivos ve-
tados está o que proíbe o uso de bonecos, pinturas em muro, placas, faixas, cartazes e bandeiras em bens particulares. Ao justificar o veto, a presidente Dilma enfatizou que a regra criada pelos parlamentares limitava excessivamente o direito de manifestação dos cidadãos por meio do uso exclusivo de seus bens particulares. Também não passou pelo crivo do Palácio do Planalto o item que impede a Justiça Eleitoral de determinar a suspensão do repasse de cotas do Fundo Partidário no segundo semestre de anos com eleições. O argumento para o veto foi garantir a transparência na aplicação dos recursos do fundo.
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Política
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DIVULGAÇÃO
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Há pessoas felizes, outras menos felizes” MINISTRO GILBERTO CARVALHO, proclamando suas obviedades sobre reforma ministerial
Lulistas do PT jogam Dilma aos leões na Câmara As sucessivas derrotas da presidenta Dilma na Câmara, semana passada, contaram com apoio não apenas da base aliada, chefiada pelo líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), como do próprio PT, onde cresce o movimento “volta, Lula”. Nas palavras de um líder do “blocão”, o “PT lavou as mãos e jogou Dilma às feras” ao abandonar a sessão na qual o governo sofreu uma derrota de 28 votos contra 267. Problema da Dilma Diferentemente de outras votações, em que petistas vão à tribuna para defender o governo, deputados simplesmente sumiram do Plenário. O troco De uma bancada de 87, apenas 11 deputados do PT votaram contra a criação de comissão externa para investigar denúncia contra Petrobras. Escafedeu-se Na Comissão de Fiscalização e Controle, a habitual tropa de choque do PT também não deu as caras para impedir a convocação de ministros. Para não esquecer João Capiberibe (PSB-AP) propôs sessão do Senado para que o golpe de 1964 não seja esquecido: “Infelicitou a Nação por 21 anos”. Jader torra cada centavo da verba indenizatória Apesar de ter sido o senador mais ausente do ano passado, Jader Barbalho (PMDBPA) não economiza quando o assunto é verba indenizatória. Em 2013, torrou até o último centavo permitido da gorda cota de R$ 40.426,20 mensais. Gastos com “divul-
gação da atividade parlamentar” e consultorias, além de passagens aéreas, coincidiram, milagrosamente, até os centavos, com toda a grana disponível no ano. Até a última ponta Senadores paraenses têm cota parlamentar de R$ 485.114,40 ao ano, mas apenas o ausente Jader conseguiu gastar tudo. Tudo mesmo. Distância é grana A cota parlamentar depende do valor da passagem aérea entre seu Estado e Brasília. Por ano, vai de R$ 252,5 mil a R$ 531,3 mil. Um por todos Entre os senadores do DF, apenas Gim Argello (PTB) gasta sua cota. Rollemberg (PSB) e Cristovam (PDT) não mexem no dinheiro. Desfaçatez O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, faz pouco da inteligência do contribuinte, ao dizer que a conta de luz só vai aumentar “quando o Tesouro cobrar” os bilhões liberados. Como se os recursos do Tesouro não fossem os impostos cobrados dos consumidores. Chapa pronta Na política potiguar, é dada como certa a candidatura a governador do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), com o deputado João Maia (PR) na vice e a ex-governadora Wilma Faria (PSB) ao Senado. Deixa a onda passar O prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) recuou de declarar apoio ao virtual candidato do PSDB, Aécio Neves (MG), à Presidência após desgaste na negociação para o fim da greve dos garis no Rio.
PODER SEM PUDOR
Lição dos quartéis Ministro do Interior e dos Transportes nos governos militares, o coronel Mário Andreazza tinha o hábito, ao desembarcar em qualquer lugar, de procurar imediatamente o sanitário do aeroporto. Certa vez, ele explicou ao assessor de imprensa Luiz Mendonça por que fazia isso: - Aprendi no Exército: quando encontrar um banheiro e comida, sirva-se logo, porque nunca se sabe quando poderá fazê-lo novamente...
Jornalista
Me errem Empenhadas em fazer reportagens sobre os 50 anos do golpe de 1964, emissoras de rádio e TV enfrentam dificuldade para encontrar militares da reserva que defendam o 31 de Março. Não querem dar a cara. Margeando o alambrado Não basta ouvir vaia, tem que cercar: a Presidência da República reservou R$130 mil para comprar “alambrados disciplinadores” nas visitas de autoridades e contra “possíveis manifestações” em Brasília. Devagar, devagarinho “Nunca antes” os Correios fizeram greve de quase dois meses em diversos Estados, protestando contra o novo fundo privado Postalis, dirigido por um petista. No Rio Grande do Sul acabou há três dias. Vai que é tua Ligada à luta pelos direitos da mulher, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoBAM) tem recebido e-mails pedindo que defenda Rosemary Morais, a filha que o falecido ex-vice-presidente José Alencar renegou. Efeito Snowden Levantamento da PWC com 9,6 mil executivos de 115 países, mostra aumento de 51% nos orçamentos para segurança da informação. No Brasil, 7% das empresas devem investir US$ 1 bilhão ou mais na área. Perigo amarelo Os satélites chineses são tão bons, que logo após “localizados”, os “destroços” do Boeing da Malásia viraram um pedido de desculpas.
Profissionais da imprensa realizaram ato de repúdio contra a violência, após morte de cinegrafista
Violência contra imprensa em debate no Senado
Conselho de Comunicação Social do Legislativo federal se reúne amanhã para discutir o tema com diversas autoridades
A
violência contra os profissionais da imprensa será tema de audiência pública no Conselho de Comunicação Social do Senado, amanhã, às 14h. Para debater o tema foram convidados o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário; o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinícius Furtado Coêlho; o representante da Federação Internacional dos Jornalistas, Celso Schröeder; e o diretorgeral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luis Antonik. Um plano nacional é elaborado para evitar novos casos de violência contra os profissio-
nais de imprensa. O governo federal por meio do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), integrado por representantes da sociedade civil, recomendou a criação de um programa de escolta da Polícia Federal para jornalistas ameaçados, um observatório das violações na área e uma campanha para classificar como abuso de autoridade a apreensão de equipamentos de trabalho dos repórteres por agentes de segurança. Outra medida já em vigor é a proibição do uso de armas não letais, como balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, contra jornalistas. Ainda devem ser analisados indicadores sobre casos de ameaça, além de recomendações às empresas, profissionais e também aos
governos estaduais sobre a atuação da Polícia Militar. Violência As propostas foram elaboradas em maio de 2012, um mês depois do assassinato do repórter e blogueiro Décio de Sá, do jornal Estado do Maranhão. Em fevereiro deste ano começou o julgamento das 12 pessoas acusadas pelo crime. As investigações levaram à descoberta de um grande esquema de agiotagem no Estado. Segundo o relatório do Grupo de Trabalho Direitos Humanos dos Profissionais de Comunicação no Brasil, nos últimos 4 anos foram registradas 321 agressões contra jornalistas por motivos do exercício profissional com 18 mortes.
Valorização das emissoras públicas O caso mais recente deste tipo de violência contra profissionais da imprensa foi a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Idílio Andrade, atingido por um rojão na cabeça quando registrava, no dia 6 de fevereiro, um protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro. Dois manifestantes foram presos e aguardam julgamento. Eles foram indiciados por crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado com impossibilidade
de defesa da vítima e com emprego de explosivo. Reunião Além da audiência pública, o Conselho de Comunicação Social do Senado ouvirá, na parte da manhã, o relato do conselheiro Celso Schröeder sobre a posição de alerta da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec) sobre a importância de valorização das emissoras públicas na distribuição da faixa dos 700 MHz. Ainda consta da pauta
o debate sobre duas propostas que envolvem o programa de rádio A Voz do Brasil. O Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 19/2011, que confirma a obrigatoriedade de transmissão do programa em seu atual horário de veiculação - segunda a sexta-feira, das 19h às 20h - e propõe que o programa se torne parte do patrimônio imaterial do país, e o PL 595/2003, que flexibiliza o horário de transmissão para o período das 19h30 às 00h30.
Com a palavra
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Marcelo RAMOS
‘Quero SER uma NOVA opção DE escolha’
FOTOS: DIEGO JANATÃ
ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
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O que posso adiantar é que hoje, o que está pacificado na direção nacional e estadual é o meu nome para pré-candidatura ao governo, o do vereador Marcelo Serafim para o Senado e do ex-prefeito Serafim Corrêa e do vereador Elias Emanuel para deputado estadual”
restes a sacramentar sua candidatura ao governo do Estado nestas eleições, o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) quer vir como uma nova opção de escolha de voto. Ainda cauteloso em falar sobre sua candidatura, Ramos esteve ontem no Rio de Janeiro com o presidente nacional do PSB, o presidenciável Eduardo Campos, costurando os últimos detalhes de sua indicação para o cargo majoritário. Advogado, o deputado começou sua militância política ainda nos bancos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) na faculdade de Direito. Em meados dos anos 2000 foi eleito vereador, sendo reeleito posteriormente. Em seu primeiro mandato de deputado estadual, Ramos já ensaia voos maiores. Há 2 anos, ele disputou numa chapa majoritária como candidato a vice-prefeito de Manaus. EM TEMPO – O senhor é candidato ao governo? Marcelo Ramos – Primeiro, temos que respeitar as leis eleitorais. As candidaturas só poderão existir após as coligações, que acontecem em junho. O que posso adiantar é que hoje, o que está pacificado na direção nacional e estadual é o meu nome para pré-candidatura ao governo, o do vereador Marcelo Sarafim para o Senado e do ex-prefeito Serafim Corrêa e do vereador Elias Emanuel para deputado estadual. EM TEMPO – O seu nome sofreu alguma rejeição? MR – Nunca houve rejeição de meus pares dentro do partido. Vivemos em um bom ambiente, minha relação com a família Serafim transcende a política, inclusive, em 2012 fui o vice do Serafim Corrêa nas eleições para Prefeitura de Manaus. O que aconteceu foi que o PSB nacional, no primeiro momento, entendia que a prioridade do partido era a eleição de deputados federais. Então, todas as coligações deveriam ser montadas na forma de garantir legenda para esse cargo. Com a adesão de Marina ao PSB, isso tornou a candidatura de Eduardo Campos competitiva e viável. A partir daí os Estados foram reorientados a priorizar a ter um palanque para cargo majoritário.
EM TEMPO – O senhor disse que seu nome foi avalizado pela ex-senadora Marina Silva. Como foi essa articulação? MR – A Marina quando esteve aqui logo após se filiar ao PSB surpreendeu a todos, inclusive a mim, quando durante uma entrevista perguntaram a ela se aqui no Amazonas teríamos candidato ao governo e ela respondeu que a decisão seria do diretório estadual, mas ressaltou que por ela, eu seria o candidato socialista ao cargo majoritário. E a partir daí, com o lastro dela, além do engajamento de pessoas que me incentivaram a seguir neste caminho, escolhi por colocar meu nome à disposição do partido. EM TEMPO – O senhor disputou um cargo majoritário como vice-prefeito. O que traz de experiência daquela campanha? MR – Aquela campanha mostrou uma das lições mais bacanas da minha vida pública, pois fizemos uma disputa sem estrutura material, com muitas dificuldades financeiras e encurralados por outras candidaturas bem fortalecidas, mas ainda assim tivemos 10% dos votos. A Marina costuma dizer que não há nada mais forte do que uma ideia que chegou no seu tempo. E uma renovação na política do Amazonas é uma ideia que chegou ao seu tempo. Não vai ter dinheiro e nem tempo de televisão que será capaz de resistir a uma ideia que será de termos algo diferente. EM TEMPO – O senhor deve entrar em uma disputa política com nomes fortes. Qual será a sua diferença? MR – Esses nomes que já anunciaram possíveis pré-candidaturas agora fazem conversas entre eles, sempre muito secretas e discutem tempo de televisão. Eu sigo outro caminho. Ouço estudantes, jovens, quero fazer uma campanha horizontalizada. Agora é claro, eu nunca terei as mesmas armas que eles. Se um dia eu tiver será ou porque fui cooptado por eles, ou virei igual a eles. EM TEMPO – Nacionalmente o PSB vai coligar com o PPS. Essa aliança vai se repetir no Estado? MR – Primeiro vale ressaltar que eu tenho o apoio integral do PSB e o PPS tem um pré-candidato, que é o vice-prefeito, Hissa Abrahão, e essa candidatura é
integralmente legítima. Porém, iremos conversar até o último momento com o PPS, pois nosso objetivo é fortalecer o palanque de campanha do Eduardo Campos. O fato é que hoje, os dois partidos têm candidatura majoritária e eu não vejo nenhum dos dois com disposição de abrir mão disto. Até então, a tendência é que tenhamos duas candidaturas. EM TEMPO – E uma chapa Marcelo e Hissa, ou vice-versa? MR – Tem 50% de chance para cada lado, mas acho difícil que tenhamos uma composição. O PPS é um partido e nós somos outro. Não me cabe interferir nas decisões deles. Eu não gosto muito desses discursos provocadores, de que eu quero que ele seja meu vice. O Hissa é um candidato legítimo, assim como eu. EM TEMPO – Como o senhor vai conciliar suas atividades na Assembleia com a campanha eleitoral? MR – Vou agir como sempre fiz. Em todas as vezes que entrei em uma disputa eleitoral nunca precisei me ausentar das minhas atividades. Nunca faltei ou cheguei atrasado. Vou fazer campanha fora do meu horário de trabalho. EM TEMPO – Em campanha política muitas vezes tem jogo sujo. Como vai se preparar para isso? MR – Eu não temo isso. Tenho a vida limpa e transparente e também não usarei nenhuma ofensa contra ninguém. Nesta eleição teremos políticos maduros, acredito que não iremos vivenciar situações de jogo sujo. EM TEMPO – A sua candidatura ao governo vai por em risco sua reeleição na Assembleia... MR – Eu não nasci com mandato, não tenho essas vaidades. Para mim, política não é uma carreira profissional. Surgi no cenário eleitoral sem ter padrinho ou cacique. Sou fruto da minha história de luta. Não acho que devamos decidir nosso futuro baseado em uma eleição. Isso faz mal para democracia. Acredito que essa é uma hora de ousadia e de sair de uma zona de conforto para oferecer uma opção ao eleitor do Amazonas que cansou desse grupo político que governa o Estado há 30 anos. Não ouso dizer que a minha eleição para deputado estadual
era certa, assim também como não ouso em dizer que minha pré-candidatura ao governo é derrotada. EM TEMPO – A presidente Dilma Rousseff teve uma votação expressiva na eleição de 2014. E será candidata a reeleição. Como o PSB vai trabalhar para reverter esse quadro e apresentar o Eduardo Campos? MR – As coisas mudaram. A presidente Dilma não cumpriu as promessas que tinha com o povo do Amazonas. A BR-319 continua na mesma situação, o problema energético está estagnado e a prorrogação da Zona Franca continua sem solução. Todos esses pontos receberam garantias de resolução da presidente durante a campanha. Isso vai fazer com que o eleitor repense. O Eduardo Campos tem como vice a Marina, que é uma mulher com histórico de vida incrível. E ele também tem se mostrado parceiro do Estado na questão da Zona Franca. Garanto que terá o que mostrar para a nossa população, e a hora que ele for reconhecido pelo histórico de comprometimento que tem teremos uma enorme mudança. EM TEMPO – A PEC da ZFM continua sem solução no Congresso. O senhor acredita que esse impasse seja resolvido ainda neste ano? MR – A presidente Dilma está sendo refém de uma escolha que ela mesma fez. Podendo escolher e sustentar o seu governo em aliados históricos do projeto do PT, escolheu alianças com Fernando Collor, Jader Barbalho, Renan Calheiros e José Sarney. Agora, ela está pagando o preço disso. São poucas chances de votar a ZFM sem fazer concessões à Lei de Informática. Isso é mais uma frustração para o povo do Amazonas. EM TEMPO – O senhor integra a oposição da Assembleia. Como avalia a atuação do Parlamento? MR – O Brasil tem instituições do século 20 para uma sociedade do século 21. Em alguns setores até do século 19. Precisamos de um parlamento mais transparente e democrático na sua relação com a sociedade. No fim da semana passada tivemos um episódio de bateboca entre dois parlamentares que foi uma coisa muito desgastante para a casa.
Aquela campanha mostrou uma das lições mais bacanas da minha vida pública, pois fizemos uma disputa sem estrutura material com muitas dificuldades financeiras”
Eu não nasci com mandato, não tenho essas vaidades. Para mim, política não é uma carreira profissional. Surgi no cenário eleitoral sem ter padrinho ou cacique. Sou fruto da minha história de luta”
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Política
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Advogados afirmam que julgamento não acabou A
dvogados de condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, são contrários à afirmação de que o julgamento do caso terminou oficialmente na última quintafeira, 13 de março, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu dois réus da condenação por crime de lavagem de dinheiro. Na 69ª sessão do plenário sobre o processo, a maioria dos ministros acolheu embargos infringentes do ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) e do ex-assessor do PP João Cláudio Genu, absolvendo-os do crime de lavagem de dinheiro, mas manteve a pena a Breno Fischberg, ex-sócio da corretora Bônus Banval. A defesa de Simone Vasconcelos, ex-secretária de Marcos Valério, afirma que ainda está pendente no STF a análise de dois pedidos. Os advogados Leonardo Isaac Yarochewsky e Thalita da Silva Coelho querem que a corte aceite os embargos infringentes quando ao menos quatro ministros votam por uma pena menor do que a fixada — e não apenas para rever a condenação em si. Eles tentam também estender a ela a absolvição pelo crime de
quadrilha (mesmo reconhecendo que, no caso dela, a pena foi considerada prescrita). O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, afirma que acabou apenas uma fase. “O processo ainda continua, primeiro em relação à execução penal e segundo porque é possível tanto se recorrer à Corte Interamericana de Direi-
PENALIDADE
Entre os ‘ilustres’ condenados e presos por conta do mensalão estão os petistas José Dirceu, João Paulo Cunha, José Genoino e Delúbio Soares. O operador do esquema, Marcos Valério, também foi preso tos Humanos, na OEA, como é possível a propositura de uma revisão criminal.” Ele diz não ter planos para adotar essas duas últimas medidas no curto prazo. “Mas podemos vir a tratar do assunto mais à frente”. Luiz Fernando Pacheco, advogado do ex-deputado José Genoino, também deixa questionamentos para o longo prazo. “A revisão criminal é um
CARLOS HUMBERTO/SCO/STF
Depois de 69 sessões tratando sobre o esquema do mensalão, corte do Supremo afirma que caso acabou na última quinta projeto para o futuro, quando as paixões políticas não estiverem mais contaminando o ambiente jurisdicional. O Supremo Tribunal Federal é uma instituição perene; as pessoas e os juízes passarão, e a casa permanecerá. Acredito que um dia o Supremo Tribunal Federal, numa perspectiva histórica diferenciada e puramente objetiva, há de reverter essa injusta condenação.” Ponto final Já o advogado Alberto Zacharias Toron, responsável pela defesa de João Paulo Cunha, disse que o julgamento da AP 470 já está concluído. “Não significa que o tema da Ação Penal esteja encerrado, porque amanhã ou depois pode vir uma revisão criminal. Agora, o grosso dessa ação obviamente acabou.” Ele diz que ainda estuda a possibilidade de propor a revisão, por exigir do advogado um “grande prazo de maturação”, com bons argumentos. O julgamento do mensalão começou em agosto de 2012 e, no fim daquele ano, 25 réus foram condenados a multas e prisões. Um ano depois, em 2013, as prisões começaram a ser concretizadas.
Durante 69 sessões em mais de um ano, corte do STF julgou e discutiu futuro dos ‘mensaleiros’
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Profissionais das antigas que ainda resistem Economia B2
‘Praça das Palmeiras’ é o novo point do manauense Próximo a avenida das Torres, espaço que começou com restaurante regional agrega hoje pizzarias, padarias e bares
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Pizza gigante de 32 fatias para 12 pessoas é um dos principais atrativos gastronômicos do novo espaço de encontros, na avenida Professor Nilton Lins, que já recebe clientes de outros bairros ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO
A
expansão territorial, demográfica e da infraestrutura de Manaus vem criando novos focos comerciais para investidores do setor de alimentação empreenderem os seus negócios. Quando acertam no local, criase a partir de então um point de encontros, como atualmente acontece na avenida Professor Nilton Lins, no conjunto Parque das Palmeiras, bairro Flores, Zona Centro-Sul, próximo a avenida das Torres. Chamada por visitantes como a “Praça das Palmeiras” - uma referência ao conjunto onde está localizada -, o lugar não é exatamente uma praça de alimentação programada pelo poder público. Ela vem sendo configurada com o tempo, com uma instalação à moda a conta-gotas de estabelecimentos como pizzarias, peixarias, docerias, padarias e bares, sendo alguns dele integrados às residências de moradores da localidade. Há oito meses instalado no local, o restaurante de culinária regional Fish Maria, administrado pelos sócios Mayara Cansanção, 28, e Paulo Fortunato, 41, foi um dos primeiros estabelecimentos a aparecer no novo centro gastronômico. “Foi uma coisa de intuição. Nós queríamos fugir dos locais tradicionais”, explica Fortunato. Segundo o empresário, o movimento no local ainda é pequeno, mas está crescendo. “A maioria dos clientes era do conjunto. Ficamos aqui porque acreditamos nesse espaço e no trabalho que estamos fazendo. Desde quando chegamos,
já surgiu uma pizzaria, duas padarias e um restaurante de comida caseira”, observa. A administradora Michelle Togni, 28, dona na pizzaria La Vitesse, é mais recente na região. Seu negócio funciona há dois meses. Segundo ela, a decisão de fugir de lugares tradicionais e abrir o empreendimento na “Praça das Palmeiras” se deu pelo fato de a região não possuir estabelecimentos como o seu. “A região está em desenvolvimento, por isso resolvemos vir para cá”, destaca.
ATALHO
A avenida das Torres, que servia apenas de atalho para quem vinha da avenida Torquato Tapajós, tem hoje a “Praça das Palmeiras” como o principal fator para o desenvolvimento da região Proprietária de restaurante de pastel localizado na praça de alimentação do Parque das Laranjeiras comemora sucesso na região
Apesar do pouco tempo de funcionamento, Michelle diz estar surpresa e feliz com o movimento da pizzaria. Ela acredita que o sucesso do lugar deve-se a um atrativo exclusivo do seu estabelecimento, uma pizza gigante de 32 fatias, de 75 centímetros de diâmetro e serve até 12, por R$ 119. Para Michelle a abertura da avenida das Torres é um fator importante para o comércio da região. “O local agora apresenta facilidade de acesso e por isso resolvemos abrir nosso estabelecimento aqui. Estamos centralizados, apesar de um pouco escondidos”, aponta.
Espaço das Laranjeiras já está consolidado Outro local que reúne cada vez mais manauenses todas as noites, principalmente nos finais de semana, e se confirma como point para consumir uma boa refeição, tomar um chope ou até mesmo um tacacá, é a praça de alimentação do Parque das Laranjeiras. O espaço, que começou com o tradicional churrasquinho de gato, se transformou num grande espaço gastronômico.
A advogada Paula Onety, 28, sócia-proprietária do Sandugão, lanchonete especializada em hot-dogs, afirma que escolheu a localidade para abertura do seu empreendimento por conta da informalidade que existia na localidade.“O espaço começou com apenas um churrasquinho e cresceu muito. Acreditamos que esse lugar comportaria bem o tipo de negócio que gostaríamos de
abrir. O fluxo de pessoas é exatamente aquele que procurávamos, formado por jovens e famílias”, destaca Paula. Ao lado do Sandugão funciona uma franquia da Pastelotta administrada por Glaucy Dias, 38. De acordo com ela, a escolha pelo local se deu pelo fato da grande movimentação que surgiu ali, quando vários outros restaurantes resolveram se instalar na praça.
A pastelaria, que também possui um ponto no bairro Cachoeirinha há oito anos, já está há três no polo gastronômico das Laranjeiras. Sobre o seu estabelecimento, ela destaca a variedade de sabores. “O nosso diferencial é a vasta quantidade de sabores que oferecemos, trabalhamos com mais de cem pastéis montados na hora. O cliente escolhe o que quer”, pontua Glaucy.
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Economia
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Profissões que resistem ao tempo e tantas novidades Barbeiros e alfaiates aos poucos vão saindo de cena para dar lugar a novas tecnologias que oferecem os mesmo serviços FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
O
corte do senhor Raimundo Pereira, 79, é tradicional como nas antigas, o de seu Luiz Lopes de Andrade, 84, é requintado, sob medida. O primeiro é barbeiro, o segundo é alfaiate. Os dois são de um tempo cuja mão de obra de suas profissões como também as de sapateiro, amolador, relojoeiro, datilógrafo, entre outras, eram bastante requisitadas, mas que nos dias de hoje beiram a extinção, por conta de novas tecnologias que surgem com o passar dos tempos no mercado de profissionais liberais autônomos. Raimundo corta cabelo e apara barbas há mais de 50 anos, desde os 27 anos quando ainda morava em Fortaleza (CE), sua cidade natal. Luiz, mais conhecido como Luizão, começou a tirar medidas, retalhar tecidos, e costurar desde os 11 anos de idade no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. Os dois trabalharam empregados no Centro da cidade e depois de alguns incêndios nos prédios onde trabalhavam, decidiram partir para o próprio negócio. Seu Raimundo hoje atua comercialmente na avenida Airão, bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus, de segunda à sábado. Já Luizão passou a atender na avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, também na Zona
Sul. Os dois não se conhecem pessoalmente, nem de ouvir falar um do outro. Mas, em comum, Raimundo e Luizão têm a lembrança de um tempo em que atendiam do cliente comum a governadores, senadores e monarcas como Henoch da Silva Reis e José Bernardino Lindoso, o rei
MUDANÇA
Luiz e Raimundo deixaram de atuar no Centro de Manaus por conta de incêndios ocorridos nos prédios onde trabalhavam. O alfaiate na Sete de Setembro, e o barbeiro na Marechal Deodoro Alberto da Bélgica, no caso do barbeiro, e Arthur Reis, Gilberto Mestrinho e Jefferson Péres, no caso do alfaiate. Um passado no qual conheciam outros profissionais das suas respectivas áreas, e nos
Mais do que concertar roupas, Luizão produz ternos e smokes de primeira linha para famílias tradicionais da cidade de Manaus
dias de hoje percebem a falta de novos nomes que venham a manter vivos seus ofícios. Mesmo com esse sentimento, os dois seguem firmes com suas clientelas que mantém suas rendas mensais que vão de R$ 2.500 a R$ 3.000 por mês. “É, o movimento caiu um pouco depois que Manaus começou a ganhar muitos salões de cabeleireiro. Mas, o barbeiro faz barba que o cabeleireiro não faz”, comenta Raimundo. “Mesmo com tantas mudanças eu nunca pensei em deixar a profissão, muito mais pela satisfação de poder ver a pessoa usando a minha obra”, completa Luiz. Segundo o economista Manoel Aires Moura Ribeiro, contra as profissões antigas nasceram novas formas de oferecer o serviço. Segundo aponta ele, no caso do barbeiro o mercado de salões de beleza está cada vez mais moderno. Já com relação ao alfaiate, a moda pronta de gigantes redes de confecções está aí como concorrência desproporcional, que se aproveita da busca por comodidade de clientes e consumidores cada vez mais apressados. Essa mudança ocorre, conforme explica o economista, pela questão do custo benefício. “O advento da globalização que fez com que fossem gerados públicos cada vez mais dependentes do tempo e isso impacta muito de forma negativa contra essas atividades profissionais, as quais são conduzidas quase que de forma artesanal. E em face do que vemos hoje, onde a praticidade e eficácia são irmãos siameses, essas profissões vão se perdendo com o tempo”, salienta Aires.
Seu Raimundo Pereira lembra-se de poucos amigos da sua profissão que ainda atuam no mercado
‘Homens elegantes vão ao alfaiate’ O administrador Rogér Péres, 40, vê com tristeza o possível fim de profissões como a de barbeiro e alfaiate, principalmente com relação a segunda. Cliente de Luizão, ele lembra o tempo em que as pessoas iam às lojas tecidos, para encomendar ao alfaiate roupas sob medida. “Um terno feito por um alfaiate é indiscutivelmente melhor do que os comprados nas lojas. Infelizmente é uma profissão que está cada vez
mais escassa”, aponta. Para ele, a moda prêt-àporter (pronto para usar), comprada em loja, nunca vem 100% ajustada. Ele, no entanto, acredita que a profissão será sempre imortal, uma vez que, “o homem sempre procura por um alfaiate”. “A praticidade das grandes lojas está matando a profissão. Mas bem que o governo poderia voltar a fomentar a profissão, oferecendo cursos nos para formar novos profissionais”, sustenta.
Roger observa que a profissão de alfaiate possa experimentar nos dias hoje certo preconceito, por se tratar de um ofício de homens que costuram. “No passado muito mais comum esse tipo de profissional. Talvez hoje, num mundo cada vez mais machista, nós vivamos um tempo que o profissional alfaiate experimente certo preconceito. Mas, na verdade são homens com olhar mais apurado para o corte e costura”, argumenta.
Economia
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Setor mineral avança com dificuldades no Amazonas JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
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setor de mineração no Estado do Amazonas enfrentará grandes desafios no decorrer de 2014. A expectativa do segmento é de que, ao longo do ano, sejam travadas “lutas” como a mudança do marco regulatório para a atividade, a aprovação de arranjos produtivos para a implantação de indústrias de beneficiamento de minérios e o fortalecimento de entidades locais ligadas à mineração. Um dos desafios de acordo com o titular da Secretaria de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (Semgrh), Daniel Nava, é formatação do novo marco regulatório do setor. Em estudo desde 2012, o novo código da mineração que contém regras atualizadas para o desenvolvimento da atividade no país, estava previsto para ser aprovado em 2013 e foi adiado para este ano. Mas, conforme o secretário, a pauta corre o risco de mais uma vez ter a sua votação transferida, desta vez para 2015. Nava afirma que o atraso na aprovação das regras tem prejudicado a entrada de no-
vos investimentos voltados à mineração no Amazonas. “Da mesma forma que investidores industriais aguardam pela prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM) para aportar recursos, os empresários do setor mineral também não se sentem confortáveis antes de saber qual regra está valendo”, esclarece.
APORTE
20 BILHÕES
de reais é o montante que deve ser injetado no Estado, até 2030, caso o setor mineral torne-se realidade O secretário conta que os investimentos da empresa Potássio Brasil estão atrasados em um ano e caminham a “passos lentos”. Segundo ele, a mineradora já aplicou R$ 160 milhões para explorar o minério no Amazonas, além de aportes como os que prometem beneficiar o caulim. “Reunião marcada para abril entre empresários interessados na exploração e
a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) promete acelerar as negociações”, adianta. Arranjos Um dos diretores da Kalamazon - empresa responsável por projeto de beneficiamento do caulim -, Marcelo Pinto, afirma que ainda há interesse por parte da companhia de investir na região, a fim de transformar a riqueza mineral em insumo industrial. “Entretanto, além da votação do novo marco do setor, o Amazonas precisa avançar nos ajustes dos Processos Produtivos Básicos (PPBS) – regras que precisam ser seguidas pelas indústrias interessadas para a obtenção de benefícios fiscais”, destaca. Segundo Marcelo, com os ajustes no regulamento, a empresa ficará mais confortável para aportar recursos no processo de industrialização do minério. A expectativa é de que ainda este ano, o novo PPB seja aprovado. A empresa que quer transformar o minério bruto em insumo para a fabricação de cerâmicas, tintas entre outros itens, pretende investir R$ 200 milhões e gerar aproximadamente três mil empregos.
Royalties da mineração 10% maior
Sondagens para estudos sobre o potássio são feitas em Autazes
PL de estatal causa insegurança Outra situação que causa insegurança aos investidores do setor, e que será enfrentada este ano, é a proposta de Projeto de Lei, de autoria do deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Zveiter, que pretende criar uma empresa estatal, semelhante à Petrobras, para gerir todas as riquezas minerais da região amazônica. O projeto que determina o uso dos recursos naturais da Amazônia apenas pela União, atualmente tramita na comissão especial da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).
Daniel Nava classificou o projeto como precipitado e defendeu, no lugar de uma nova estatal, a aplicação dos recursos no fortalecimento de órgãos e entidades já em atividade na região como o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e a própria Suframa. Conforme projeção da secretaria de Mineração, até 2030, aproximadamente R$ 15 bilhões deverão ser investidos na construção de novas minas no interior do Estado e mais R$ 5 bilhões poderão ser destinados à fomentação de um polo gás-químico.
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Demora na aprovação do marco regulatório, de responsabilidade Governo Federal, é empecilho para início das atividades
A aprovação de um novo marco regulatório da mineração no país (Projeto de lei 5.807/2013), segundo Daniel Nava, deverá aumentar a alíquota dos royalties oriundos da exploração de minérios, que hoje varia entre 0,5% a 2%, para até 10%, como já ocorre com os royalties do petróleo. A medida, de acordo com ele, é necessária para reduzir o desequilíbrio que reflete a diferença entre as atividades. Conforme dados da Secretaria de Mineração do Estado, a aprovação do novo marco pode elevar em quase oito vezes o volume de arrecadação com os royalties oriundos da exploração de minérios no Amazonas, dentro dos próximo cinco anos. O recolhimento atual de R$ 5,1 milhões poderá passar para R$ 41,4 milhões, até 2018, caso sejam aprovadas as novas regras de mineração no país. O Estado ocupa o décimo sexto lugar em arrecadação entre as Unidades da Federação. Com o início da produção das minas de potássio e caulim, até 2018, o Amazonas avançaria em até dez posições, passando a ser o sexto no ranking da arrecadação entre os Estados brasileiros.
O depósito de estanho da Mina do Pitinga é localizado no município de Presidente Figueiredo
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O negócio promissor da compra de milhas aéreas O
mercado de passagens aéreas cresce no Brasil, onde por dia são emitidos mais de 270 mil bilhetes. Porém, com poucas companhias aéreas nacionais, os preços, apesar da redução nos últimos anos, são elevados em determinados trechos e datas. Neste cenário, o mercado de milhas surge como um grande nicho a ser explorado no país. Um dos exemplos é o portalMaxMilhas, criado recentemente por jovens empreendedores mineiros. A ideia é unir consumidores que acumulam milhas de cartões de crédito e companhias aéreas a pessoas que desejam voar a preços mais acessíveis. “Esse é um mercado em ascensão e promissor. Tem gente que tem milhas e acaba deixando-as expirar devido à falta de conhecimento de seus benefícios, assim como outras pessoas deixam de associar seus cartões a programas de milhagens”, explica Max Oliveira, um dos sócios. Os dados são alarmantes. Um relatório divulgado pelo Banco Central mostra que, só em 2010, os brasileiros deixaram de resgatar 101,3 bilhões dos 591,2 bilhões de pontos
gerados nos programas de relacionamento dos cartões de crédito, 17% do total. Ainda segundo relatórios da Smiles e Multiplus, estima-se um total de 30 bilhões de milhas a expirar nos próximos dois anos (em torno de 20% do total). O MaxMilhas apostou no bom momento e na demanda latente e está em plena expan-
REPRODUÇÃO
Jovens empreendedores criaram empresa de encontro entre donos de pontos a expirar e quem quer viajar a preço baixo Atualmente o MaxMilhas movimenta cerca de 800 passagens/mês e a meta é chegar até o fim de 2014 a 3,5 mil passagens/mês”. A fonte de renda do negócio vem da comissão de 15% que é cobrada na transação. A expectativa da equipe é chegar ao final de 2014 com uma receita mensal de R$ 250 mil. “O nosso maior objetivo é promover o encontro entre quem precisa viajar a baixos preços e quem tem milhas a expirar”, comenta.
PROTEÇÃO
Segurança é o item que mais preocupa usuários dos sites de compra e venda de milhas. Os clientes são obrigados a ceder os dados de acesso para realizar a venda em um desses portais
Como funciona? O portal MaxMilhas faz o intermédio para a emissão de passagens aéreas por meio da compra e venda de milhas num mercado aberto. O propósito é permitir que pessoas, que não possuem milhas aéreas, possam utilizar destes benefícios por meio da negociação com os participantes dos programas de fidelidade. Para auxiliar na compra de passagens pelos seus usuários, o site possui seu próprio sistema de busca de voos, permitindo a comparação dos valores disponibilizados nas companhias aéreas e os valores disponíveis dentro do próprio portal MaxMilhas.
são de suas atividades. Os jovens empreendedores começaram o negócio com um pequeno investimento de apenas R$ 10 mil. “A nossa preocupação no começo era dar certo, escalonar o negócio. O primeiro semestre foi para consolidar nosso crescimento, o que tem representado uma média de 56% ao mês”, comenta Max.
Mercado de compra e venda de milhas no país apresenta expansão com a ajuda da internet
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
ZFM: o inimigo não mora ao lado Temos a conveniente mania de transferir aos outros a responsabilidade daquilo que nos competiria assumir, e o fazemos com prontidão e despudor, como mecanismo sem-vergonha de justificar omissões. É assim que protelemos ad aeternum o enfrentamento dos dilemas do cotidiano e da história de cada um. Sem deixar claro a quem nos referimos, nem aprofundar os fundamentos das acusações, buscamos inimigos com eficácia para esconder a crueza de nossa ineficiência e protelar a constatação de que nosso maior adversário habita em nós mesmos, no marasmo de uma acomodação estéril que leva a elucubração vazia a lugar algum. Eis, quem sabe, o motivo das lágrimas dos insatisfeitos esconderem o lucro de quem faz delas a fabricação dos lenços. Em sua obra clássica, “A Grande Crise”, sobre a debacle da economia do látex, Antônio Loureiro reporta os segmentos que se beneficiaram com a comercialização da borracha, sem qualquer empenho ou compromisso de planejar seus desdobramentos ou perenizar seus benefícios: o aparelho estatal, que arrecadou 25% de impostos; os exportadores, que compravam a borracha dos aviadores (os intermediários) para revendê-la no mercado exterior; e os intermediários, especuladores das bolsas de Nova York e Londres. An-
tes de apontar o dedo para a esperteza dos ingleses, que levaram as sementes da seringueira para cultivo inteligente em seus domínios, até hoje não fomos capazes de admitir que essa acomodação vesga – que se regala com o ganho farto - confirma as origens e fundamentos da quebradeira. Um conformismo que se reprisa a farsa da riqueza perene em sua dimensão de tragédia, onde a expectativa da prorrogação legal da ZFM será a panaceia de todos os males. Os lucros da economia gomífera reverteram em benefício de outras regiões brasileiras, ampararam a produção cafeeira do Sudeste e serviram para desenvolver as próprias empresas de plantação racional asiática da seringueira. Nesse contexto, é injusto e insensato crucificar o mercenário inglês Henry Wickham, pelo sequestro das sementes, razão formal e aparente da decadência do Ciclo da Borracha e da consequente crise em que entraram os Estados da região. É importante destacar que, além da hévea, os viajantes europeus e suas expedições ditas científicas levaram cacau, milho, batata, tabaco, abacaxi, caju, goiaba, maracujá, mandioca, macaxeira, açaí, guaraná, pupunha, além de quinino, cinchona, ipeca, jaborandi, capim-santo... Muitas dessas espécies voltaram em
forma de alimentos e medicamentos beneficiados, com agregação de valor, pela indústria estrangeira. Por outro lado, importamos para a Amazônia brasileira e países da América tropical, grande variedade de produtos da Ásia e da África, tais como manga, jaca, café, arroz, cana-de-açúcar, banana, entre outros, geradores de economia em escala e commodities lucrativas do agronegócio. O que importa, nessa reciprocidade de biodiversidade, é identificar quem fez o dever de casa e agregou inovação e valor a esses produtos, o investimento em inovação e desenvolvimento, que este ou aquele país ou cultura aplicou em cada um desses itens do bioma natural. É importante revisitar alguns lugares comuns da história da agro e da bioindústria para trazer para a luz acertos e negligências, atitudes proativas ou condutas de indiferença e omissão. É neste contexto que se deve refletir a economia do látex e a história do desenvolvimento da Amazônia. É preciso, pois, desfocar a questão que acompanha apogeu e decadência nos diversos ciclos econômicos, desde as ervas do sertão ao modelo vigente da economia regional representado pela Zona Franca de Manaus, segundo a qual “o inferno são os outros”, no célebre aforismo do filósofo francês Jean
Paul Sartre, para designar a incapacidade do indivíduo em olhar para si mesmo e identificar aí algumas origens substantivas de seus fracassos. Cosme Ferreira, Antônio Loureiro, Djalma Batista, Samuel Benchimol, para citar alguns pensadores da temática, analisam o sequestro das sementes como sequela natural da lógica da dominação, fator de oportunismo e controle estratégico e da hegemonia política que o domínio do conhecimento propicia, pela tecnologia e racionalidade gerencial, o que hoje dá suporte ao chamado planejamento estratégico. É sintomático que, passados cem anos, ainda não retomamos no bioma amazônico a oportunidade apropriada pelos ingleses em seus domínios asiáticos de cultivo racional da seringueira, em seu habitat natural, geneticamente mais promissor e climaticamente mais produtivo. Da chupeta que acalma os bebês, passando pelo conforto do tênis, a segurança dos preservativos, à assepsia das luvas e a rapidez dos pneumáticos, a modernidade deve à Amazônia infindáveis benefícios. São 50 mil produtos derivados da borracha natural. Hoje, o Instituto Agronômico de Campinas, 127 anos de P&D, entrega clones de 50 cm a R$ 4, com vigor e potencial de produção de borracha superiores aos materiais mais plantados no Estado de São Paulo.
Por conta da pesquisa, os seringais mais produtivos do mundo estão em São Paulo, o maior produtor de látex do Brasil. São 90 mil hectares que geram 15 mil empregos no campo, e ene vezes mais na indústria, comércio... Emprego, riqueza, impostos. As pesquisas da Embrapa – na biqueira da ZFM e na ilharga de uma fábrica de pneus, que importa de outros Estados a metade do látex que produz - vão na mesma direção e patamar de demonstração no retorno de investimentos. Além da borracha natural, a Embrapa, ao lado do Inpa, sabe tudo de óleos vegetais, com fins energéticos, alimentares e cosméticos, item da Nutracêutica, a indústria do rejuvenescimento, cardápio generoso de P&D, que a ZFM costuma esnobar. Enfim, o Ministério do Desenvolvimento, 13 anos depois de sua implantação, ainda procura saber o que fazer com o CBA, um megainvestimento das empresas locais em biotecnologia, atento para a manifestação de múltiplos atores locais para confiar sua gestão à Embrapa, com a ajuda institucional de um conselho competente e representativo dos interesses da socioeconomia local. Para a economia alternativa da prorrogação da ZFM, são antigas e escandalosamente óbvias, as trilhas de adoção das novas matrizes econômicas para começar a conversar...
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaista
Além da borracha natural, a Embrapa, ao lado do Inpa, sabe tudo de óleos vegetais, com fins energéticos, alimentares e cosméticos, item da Nutracêutica, a indústria do rejuvenescimento, cardápio generoso de P&D, que a ZFM costuma esnobar
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Ordens para ataques a UPPs podem vir de penitenciárias O
secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame acredita que as ordens para ataques a UPPs podem vir de presídios. No entanto, disse o secretário, essa não teria sido a motivação do confronto que resultou na morte do subcomandante da UPP da Nova Brasília, Leidson Acácio. “Essa é uma possibilidade”, disse em breve entrevista após a cerimônia de formatura de oficiais no Centro de Formação de Aperfeiçoamento de Praça (CFAP), em Sulacap. O secretário disse que outras possibilidades dos confrontos entre bandidos e policiais são o enfrentamento inevitável durante os patrulhamentos e tocaias feitas contra a polícia. Ele aproveitou para anunciar reforço para UPPs dos complexos do Alemão e da Penha. Beltrame também não confirmou a informação de que uma série de ataques esteja sendo orquestrada pelo Comando Vermelho de dentro dos presídios. A edição de sexta-feira, 14, do jornal “Folha de S.Paulo” informou que a Secretaria de
DIVULGAÇÃO
Suspeita foi levantada pelo secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame após série de ataques com mortes em UPPs Segurança foi informada pelos setores de inteligência da Polícia Federal, do Exército e da Marinha de que chefes de facções que estão detidos ordenaram uma série de ataques ao Rio. “Não temos isso registra-
DÚVIDAS
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame também não confirmou a informação de que uma série de ataques esteja sendo orquestrada pelo Comando Vermelho de dentro dos presídios Beltrame não descarta a possibilidade de o Comando Vermelho estar orquestrando os últimos ataques às favelas pacificadas pelas UPPs
do. Agora, sem dúvida nenhuma, o tráfico perde espaço. Para eles, sempre valeu a pena o crime, sempre valeu a pena a ilegalidade, sempre valeu a pena conviverem dentro da desordem. E agora eles encontram dentro desse lugares deles o Estado através da Polícia Militar”, disse. Beltrame também negou a informação de que os criminosos estariam ganhando até R$ 5 mil para matar policiais.
Agora posso receber visitas, afirma moradora Ao ser questionada sobre os benefícios da ocupação policial na favela Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, realizada na quinta-feira, 13, a moradora Anália Mattos não precisou pensar muito para responder. “Agora minha
mãe vai poder me visitar aqui na comunidade”, disse ela, sorrindo. Anália não recebe a mãe em sua casa há dois anos, período em que a guerra entre as facções rivais Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro (TCP) se acirrou na Vila
Kennedy, no Rio. As sucessivas tentativas de invasão por parte do TCP e a disputa pelas bocas de fumo da região fizeram com que a Secretaria de Estado de Segurança Pública antecipassem a ocupação da comunidade, que receberá a 38ª UPP do Rio.
“Ela dizia que não viria aqui nem que pagassem a ela. Era uma tristeza muito grande não poder ter a minha mãe comigo. Mas agora estou até pensando em fazer um churrasco para recebê-la”, relatou a moradora da favela.
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Campanha recolheu quase 650 mil armas em 10 anos A
Campanha Nacional do Desarmamento, iniciada em 2004, já recolheu um total de 649.250 armas até o último dia 9 de março, segundo relatório da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Ao todo, entre maio de 2011, quando o foi lançado o Sistema Desarma, e março de 2014, 96.390 armas foram entregues nos postos de recolhimento de todo o país. Destas, 92.857 foram indenizadas. Os donos receberam um valor entre R$ 150 e R$ 450, dependo do tipo de armamento. Foram entregues ainda 442.014 munições, totalizando mais R$ 11.399.100,00 em indenizações, segundo o Portal Desarma. Em relação aos Estados com o maior número de armas recolhidas no País em 2014, São Paulo ocupa o primeiro lugar, com 1.116. Em seguida aparece Pernambuco, com 501, e em terceiro lugar, Rio Grande do Sul, com 288 entregas voluntárias. Entre os tipos de armas que mais foram entregues no país durante o período de 1º de janeiro a 9 de março deste ano, o revólver ocupa a primeira posição no ranking, com 1.288. A espingarda vem logo depois,
DIVULGAÇÃO/PF
Ao todo, entre maio de 2011, quando o foi lançado o Sistema Desarma, e março de 2014, 96.390 armas foram entregues com 554, seguida pela terceira colocada, a carabina, com 166 unidades entregues. Entrega voluntária Ainda de acordo com o Portal Desarma, o cidadão que quiser entregar armas ou munições, pode se dirigir a um dos 2.127 postos de recolhimentos distribuídos
RECOMPENSA
Os donos receberam um valor entre R$ 150 e R$ 450, dependo do tipo de armamento. Foram entregues ainda 442.014 munições, totalizando mais R$ 11.399.100,00 em indenizações, segundo o Portal Desarma estrategicamente pelo país. Para isso, o governo federal firmou parcerias com órgãos e entidades para garantir a entrega em 1.115 delegacias de Polícia Civil, 744 Batalhões da Polícia Militar (BPM), 127 pontos da Polícia Federal (PF), 48 da Guarda Municipal, 5 do Corpo de Bombeiros, 24 da Sociedade Civil e 64 da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Campanha nacional incentiva a população a entregar voluntariamente suas armas com recompensas entre R$ 150 e R$ 450
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Nova ‘Guerra Fria’ tem que ser evitada, diz Gorbachev Ex-presidente da antiga União Soviética diz que disputa entre russos e ucranianos pode terminar em nova “guerra fria”
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ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, em carta divulgada no final de semana pela imprensa russa pediu que as partes envolvidas no conflito da Ucrânia busquem “uma solução aceitável para todos os cidadãos russos e ucranianos que evite uma nova Guerra Fria”. O último dirigente da URSS, respeitado no Ocidente por ter iniciado o processo de abertura democrática na então superpotência comunista, ressaltou que as raízes da atual crise na autonomia ucraniana da Crimeia estão na “insensata e temerária desintegração” da União Soviética. “Lutei com todos os meios políticos ao meu alcance para manter o Estado unido. Inclusive depois do complô dos dirigentes da Federação de Rússia, Ucrânia e Belarus [para liquidar a URSS], adverti dos graves perigos dessas ações”, lamentou. Para ele, assim foi criada a lacuna sobre o status da Crimeia, histórico território russo “dado” a Ucrânia em 1954, nos acordos de dezembro de 1991 entre os dirigentes de Rússia, Belarus e Ucrânia sobre a desintegração da URSS. Desaparecimento “O Soviete Supremo da Federação da Rússia (ainda integrada na URSS) aprovou com aplausos o desaparecimento da União sem dizer uma palavra sobre a Crimeia e Sebastopol”, base da frota russa do mar Negro. Nas últimas semanas, a Rússia intensificou suas manobras militares por todo o país, e principalmente nas regiões fronteiriças com a Ucrânia, em meio a uma
AFP
escalada de tensão com esse país pela intervenção militar russa na república autônoma ucraniana da Crimeia. Desde fim de fevereiro, as tropas russas tomaram o controle quase total do território, que se prepara para decidir em referendo, convocado para este domingo (16), se optará em permanecer na Ucrânia ou se integrar à Federação Russa. Na península, banhada pelo mar Negro, a população é de 60% de russos, 25% de ucranianos e 12% de tártaros. À luta Em traje militar de com-
TEMORES
O último dirigente da URSS, Gorbachev ressaltou que as raízes da atual crise na autonomia ucraniana da Crimeia estão na “insensata e temerária desintegração” da União Soviética Tropas tanto da Rússia como da Ucrânia estão em constantes exercícios militares à espera de uma decisão sobre impasse político
bate, o presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchinov, voltou a reafirmar que o país, uma ex-república soviética, está tomando todas as medidas possíveis para fortalecer suas Forças Armadas, ao mesmo tempo que a Rússia reforçava seu controle sobre a península da Crimeia. Eleito presidente do Parlamento, no mês passado, após a destituição do presidente Viktor Yanukovich, que tinha o apoio da Rússia, Turchinov elogiou as tropas ucranianas que participam de exercícios ao norte de Kiev, dizendo que estavam “realizando as suas obrigações com honra”.
DIZ PROCURADORA
Exército da Ucrânia faz treinamento militar “Hoje, neste local de treinamento, o que vimos não foi nenhum tipo de exibição, mas exercícios reais com unidades de tanques e unidades de mobilização aérea trabalhando essencialmente em conjunto”, disse às tropas o presidente e comandante-chefe interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov durante os exercícios, cerca de 150 quilômetros ao norte de Kiev. “Essa é a principal conclusão que podemos ter hoje. Ao mesmo tempo, estamos
trabalhando para fortalecer as nossas Forças Armadas e fortalecer a recém-criada Guarda Nacional. E estou certo de que todo o povo da Ucrânia vai nos ajudar nessa empreitada.” As tropas fizeram uma demonstração de várias armas para os meios de comunicação, incluindo tanques, helicópteros de ataque e sistema de mísseis antiaeronaves e antitanque. Exercícios semelhantes foram realizadas em outras partes do país, disse-
AFP
o fortalecimento da sociedade civil em defesa dos valores democráticos no país”. Recursos Consultada sobre se realmente acusava os legisladores americanos de querer financiar os protestos, Ortega respondeu: “Se estão pedindo dinheiro, US$ 15 milhões, para que mais é esse dinheiro?”. A procuradora-geral afirmou que a legislação venezuelana proíbe o financiamento externo do ativismo político. “Na Venezuela é proibido o financiamento para fazer política interna, que é particular dos venezuelanos. Puniremos os que receberem financiamento de governos estrangeiros para fazer política interna”, advertiu. Ortega acusou os EUA de quererem ser o “governante do mundo” e ameaçou fiscalizar ela mesma as ações americanas. “Os EUA são a polícia do mundo? Quem lhes deu autoridade para sancionar os países?”, disse.
Referendo O governo da península
da Crimeia diz que os jornalistas credenciados para cobrir o referendo do próximo domingo são “obrigados” a “não distribuir material de natureza negativa”. É o que informa o aviso de um credenciamento aos profissionais que pretendem cobrir os locais de votação. Segundo o texto, o jornalista credenciado é “obrigado” (termo usado pelo governo) a informar “objetivamente o seu público sobre a votação”.
EXPLOSÃO
Tragédia em Nova York expõe estrutura velha da cidade
‘EUA querem financiar onda de protestos na Venezuela’ A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, afirmou que o dinheiro solicitado pelos legisladores americanos para defender os direitos humanos no país latino-americano será na realidade usado para financiar ações violentas.“Eles pediram dinheiro. Sem dúvida isso é para financiar essas ações violentas que vem acontecendo na Venezuela. Para comprar C-4, que é uma substância altamente explosiva”, declarou Ortega em entrevista coletiva em Genebra. Senadores americanos apresentam quinta-feira, 13, dois projetos para impor sanções à Venezuela, pedindo que Obama congele ativos de pessoas envolvidas na repressão e dê uma ajuda de US$ 15 milhões. A “Lei para a Defesa dos Direitos Humanos e da Sociedade Civil da Venezuela” diz que o dinheiro deve ser usado “para a defesa dos direitos humanos na Venezuela, a proteção dos veículos de comunicação independentes e
ram autoridades militares. Turchinov assumiu como presidente interino no mesmo dia em que Yanukovich fugiu para a Rússia, no mês passado. Ele disse na quinta-feira que a concentração de forças russas na parte oriental da Ucrânia, além da ocupação russa na Crimeia, mostram que a Rússia “está pronta para invadir a qualquer momento”.
Onda de manifestações na Venezuela completaram um mês
Ainda que a causa continue desconhecida, a trágica explosão que destruiu dois edifícios abastecidos por uma rede de gás de 127 anos no bairro de East Harlem expõe uma realidade evidente: o quanto é velha e vulnerável a maior parte da infraestrutura de Nova York e de muitas outras cidades em todo o país. Um relatório detalhado, publicado apenas um dia antes da explosão de quarta-feira, 12, que deixou oito mortos, estima que são necessário US$ 47 bilhões para reparos e substituição ao longo dos próximos cinco anos. O custo de reformas semelhantes em pontes, estradas, no transporte público e em outras áreas do país é quase incalculável. Só a modernização dos sistemas de água e esgoto no país é estimado em US$ 3 a 5 bilhões ao longo dos próximos 20 anos, de acordo com o Instituto Competitive Enterprise, uma think tank conservadora de Washington . Os políticos com frequência evitam falar claramen-
te sobre a infraestrutura americana, mas a questão ganhou força na na quintafeira, enquanto os investigadores ainda tentam explicar como e por que uma suspeita de vazamento de gás causou a explosão que destruiu dois edifícios, matando pelo menos oito pessoas e deixando 60 feridos. Obra de 1897 O gasoduto que ligava o edifício atingido incluía uma parte de ferro fundido que datava de 1887, enquanto uma tubulação próxima de abastecimento de água foi construída em 1897. Investigadores federais disseram que o cano de água se rompeu, mas não se sabe se isso contribuiu para a explosão de gás ou se foi causada pelo incidente. Mas a explosão colocou em pauta o fato de que a empresa Consolidated Edison, que fornece gás natural ao bairro de East Harlem, e à grande parte da cidade, faz uso extensivo de tubulações que datam do século XIX.
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
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DIEGO JANATÃ
UEA terá eleição direta no dia 20 Dia a dia C6 e C7
A era do ‘olho por olho’
Cada vez mais a “justiça pelas próprias mãos” vira regra em uma sociedade, onde a confiança nas autoridades por conta de inércia e corrupção diminui a uma grande velocidade, maior até que as mudanças nas leis do país REPRODUÇÃO
Um dos casos recentes e que ganharam repercussão foi o do rapaz acusado de tentar assaltar dois turistas no Rio de Janeiro, sendo espancado e amarrado num poste em Copacabana IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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denúncia de uma tentativa de estupro e de um roubo a celular motivou os moradores que acompanharam os casos, no bairro Cidade Nova, Zona Norte, o desejo de fazer “justiça com as próprias mãos” na última semana. Se entre as autoridades a ideologia é digna de repúdio, nas ruas ecoam discursos divergentes que ganham força na sensação de abandono e na descrença nas instituições responsáveis em promover a justiça no Estado. Revoltada com a acusação, a população amarrou e espancou um idoso de 73 anos acusado de beijar e tentar estuprar uma criança de 7 anos na rua da Paz. No mesmo bairro, loteamento Novo Mundo, um homem de 24 anos foi preso após denúncia de roubo de um celular. Mas, antes da chegada da polícia, ele se escondeu dentro do forro de uma residência para fugir da agressão da população. Os dois casos foram divulgados na imprensa local na última semana. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), somente neste ano, o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) registrou sete casos de agressão física em que a polícia teve que agir para
preservar a integridade dos acusados e evitar a ação dos justiceiros. Dentre os registros da SSP, há o caso do acusado Cristian Alberto, de 22 anos, e outro homem, que em uma motocicleta tentaram assaltar transeuntes no bairro da Cidade Nova. Um das vítimas, de carro, seguiu os infratores e conseguiu derrubar a motocicleta. Cristian sofreu algumas escoriações e foi levado para o hospital. O comparsa conseguiu fugir. Há ainda o adolescente de 14 anos que, em parceria com um amigo maior de
AÇÃO
De acordo com dados da SSP, somente neste ano, o Ciops registrou sete casos de agressão física em que a polícia teve que agir para preservar a integridade dos acusados e evitar a ação dos justiceiros idade, roubaram uma residência no bairro Rio Piorini, na Zona Norte. O mais velho conseguiu fugir e o adolescente foi capturado e agredido pelos moradores. Volta e meia, a imprensa nacional também destaca o julgamento e a pena aplicada pela população. Em fevereiro, um homem tentou roubar uma casa em Teresina (PI), mas acabou
sendo espancado, amarrado e colocado sobre um formigueiro. O caso ganhou repercussão internacional, e um jornal britânico destacou que alguns brasileiros apoiaram o ato e perderam a fé na Justiça do país. O vídeo da “justiça à brasileira” foi publicado na internet. Teve também o adolescente de 15 anos que foi encontrado nu e preso pelo pescoço num poste, com uma trava de bicicleta no bairro Flamengo, no Rio de Janeiro. Ele foi acusado de tentativa de assalto a dois turistas na praia de Copacabana. O rapaz sofreu lesões e foi levado ao hospital. Com passagens por furto e roubo, ele foi encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (Depca) e, depois, para uma das unidades de Reinserção Social (UMRS), mas - segundo divulgado pelos jornais - deixou o local no dia 11 de fevereiro. Há também casos, que na tentativa de se defender, a vítima acabou virando o criminoso. No Piauí, em setembro do ano passado, uma mulher foi assaltada quando chegava a um salão de beleza. Indignada, ela resolveu perseguir o assaltante que estava numa moto. Ela jogou o carro em cima do acusado, que foi arrastado por cerca de 30 metros, teve parte do corpo esmagado e morreu. Leia mais nas páginas C2 e C3
População revela descrença A maior parte dos entrevistados considerou razoável a agressão aos acusados de crimes, como uma maneira de dar uma lição. O argumento foi justificado principalmente na descrença a ação da polícia e a morosidade da Justiça. “Eu acho que você jamais pode fazer justiça com próprias mãos, para isso existe a Justiça. Acredito na Justiça”, disse a autônoma Natália Peres, 40. “Quando a gente sente na pele a gente fica a favor de fazer justiça com as próprias mãos, mas quando vê que os
outros fazem, a gente considera uma injustiça, pois, às vezes, a polícia não faz nada e a gente tenta fazer. Principalmente na área da Matinha que tem bastante ladrão e às vezes o pessoal pega”, disse a doméstica Gislane de Oliveira, 36. “Só dói quando é na sua família, nos outros você não sente o que acontece, não é verdade? É válida a revolta do povo porque só quem sente é a família. Se fosse teu filho assassinado, você ia ficar só olhando para o bandido? Ninguém acredita mais na Justiça”, afirmou o
fiscal Célio Santiago, 41. “Quando a pessoa faz justiça com as próprias mãos, acaba se colocando no lugar do criminoso. Mas isso acontece porque o povo não acredita na Justiça e o povo não tem para onde correr. Não sou a favor de matar o criminoso, mas dar umas lapadas...”, explicou a estudante Maria Silva, 48. “Acho melhor a polícia prender o criminoso logo, para ele não fazer de novo. Mas, às vezes, sou a favor para ensinar esses bandidos”, afirmou o comerciante Miguel de Oliveira, 66. SHANA REIS/ARQUIVO EM TEMPO
Casos de agressão a acusados de roubo e outros tipos de violência têm sido constantes
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Dia a dia
Reação converge
Segundo sociólogo, atitude violenta ganha força com a omissão do Estado e resulta de sentimento de vingança dentro da sociedade em que seus membros acabam se tornando agentes da justiça, pendendo para ações de barbaridade ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
Segundo o sociólogo Ademir Ramos, o comportamento violento da população contra os acusados de crimes resulta de um sentimento de vingança comum aos bárbaros, marcado pelo sangue GIOVANA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO
IVE RYLO Equipe EM TEMPO
O
sociólogo Ademir Ramos explicou que a reação popular que beira a selvageria é prática comum ao longo da história e ganha força na omissão do Estado. “Tal comportamento resulta de um sentimento de vingança, que é muito comum aos bárbaros, regrados pela guerra clânica, marcado pelo sangue, pela vendeta, que no processo civilizatório é condenável e repudiado pela força do Direito Positivo pactuado em defesa da vida, do outro e da sociedade como expressão do Estado moderno e da sociedade civil. O fato similar ocorre às vezes nas periferias das grandes cidades e nos territórios onde o Estado faz-se ausente ou quando não, a própria sociedade civil desacredita nos agentes públicos, que transformaram a impunidade no comportamento natural. Enfim, o crime tornou-se o modus operandi dos mandatários e de seus agentes a semear a vingança e impunidade”, defendeu. Para ele, o povo tem buscado “penalizar os criminosos” por desconfiar da eficácia dos tra-
balhos das instituições e pela inércia da justiça. “A honra do político e do Estado está no respeito à lei. Ora, se os próprios agentes do Estado não a cumprem, por que o cidadão comum irá cumprir? Tal situação favorece a imoralidade e a guerra”, afirmou. Reverter esse quadro requer, segundo o sociólogo, mudanças profundas que dizem respeito a investimentos nos órgãos e o fiel cumprimento da lei. “A resolução é estruturante, requer ação do Estado e dos seus operadores da Justiça em cumprimento a lei e na consecução do direito Coletivo. Para isso é necessário aparelhar o Estado incentivando a Defensoria Pública como instrumento de Direito de acesso à Justiça. Mas, sobretudo, exige também comportamento exemplar da Justiça. A resolução, em suma, exige dos poderes respeito a lei, visto que, ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei no Estado Democrático”, defendeu. Repúdio Apesar de compreender a motivação da agressão, o juiz da 8ª Vara Criminal do Tribunal
de Justiça do Amazonas, Carlos Zamith, repudia o ato. “Como cidadão desaprovo totalmente pessoas que fazem ‘justiça com as próprias mãos’, não é atitude de um povo civilizado. Mas por outro lado, há certa compreensão de atos dessa natureza, quando constatada ausência do Estado na punição de crimes. Há uma certa compreensão na pessoa que vê ladrão ou assassino prosseguir na prática e não acontecer nada. Mas esta certa compreensão não afasta a ojeriza e repúdio da justiça feita com as próprias mãos”, salientou. Para ele, a prática pode acarretar falhas irremediáveis e condenar inocentes. O juiz lembrou-se do caso de um amigo dele que foi assassinado na década de 1970, após ser confundido com um assaltante. O rapaz tinha ido para uma casa de show na estrada da Ponta Negra, Zona Oeste, quando foi apontado por um taxista como autor de um assalto. O taxista chamou os colegas que cercaram o homem e o agrediram até a morte. “Depois se descobriu que ele não tinha participado do assalto. O grupo de taxistas foi condenado”, destacou o juiz.
Carlos Zamith, juiz da 8ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas: falhas irremediáveis
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para a selvageria ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO
População tem parcela de culpa
Para Carlos, além da morosidade da Justiça e as fendas nas investigações policiais, a população também contribui para a injustiça. “Por outro lado, existe a própria inércia das vítimas e testemunhas dos crimes. Muitos, por medo, mesmo tendo sua integridade garantida por vários mecanismos da justiça, deixam de comparecer a audiências, mudam-se sem informar endereço, não querem levar o processo adiante. No final das contas, há o risco de o criminoso acabar impune por falta de provas testemunhais. E geralmente são essas pessoas que criticam o sistema judiciário, mas não fazem sua parte”, defendeu. A procuradora-chefe do Ministério Público Federal (MPF), Tatiana Dornelles, esclareceu que do ponto de vista jurídico, especialmente na visão do MPF, o “fazer justiça com as próprias mãos” é inadmissível. Dornelles explicou que a noção de Estado é uma das maiores conquistas da civilização moderna, e com ela vem o que alguns chamam de “contrato social”, ou seja, os cidadãos abrem mão de parcela de sua liberdade para que seja possível Acusado de assalto é agredido em plena rua: retrato da falta de crédito com as autoridades
Ordem com base na violência O juiz Carlos Zamith observa que a descrença nas instituições públicas leva a população a “assumir as rédeas” numa tentativa de manter a ordem no convívio social. “A omissão é o fator principal da atitude. Mas não se pode deixar de acreditar nas instituições e cometer ato pior que a omissão do Estado. O correto seria lutar pela melhoria da justiça, para que seja célere e uma polícia eficiente. Direcionar a revolta para melhoria das instituições”, defendeu. Para ele é a certeza da impunidade que impulsiona os criminosos e revolta a população. “Pessoa de má índole pratica o ato porque pensa que vai ficar impune. A impunidade estimula. Por isso é muito importante a celeridade da justiça e eficácia da instituição policial para que, quem infrinja a lei, seja punido”, ressaltou. Seria necessário um maior
investimento nas instituições para que pudessem atuar de maneira mais incisiva e dar a resposta esperada pela população. Tais investimentos, segundo o juiz, poderiam contribuir com a extinção dos gargalos que atrasam os processos. “Investir na eficiência da polícia. Se o processo não vem de forma minuciosa, se vier mal feito, a tendência é não sair a condenação. Aqui estamos na ponta da corda”, afirmou. Segundo Zamith, o trabalho da justiça só é possível com o empenho da polícia. “Dependemos do trabalho de base da polícia. Precisamos de provas, por exemplo depoimento de testemunha ocular, imagens, impressão digital. Tudo mastigado para mostrar ao acusado. Quando eles chegam aqui contam muitas histórias, que até é uma reação natural de autodefesa. Se não vier provas da polícia que apura, aqui
a história termina prevalecendo. Quem acusa deve provar”, explicou. Para o analista judiciário Carlos Eduardo (nome fictício), a falta de investimentos e modernização dos órgãos, principalmente da polícia é um fator que contribui com a impunidade. “O que prejudica o bom andamento dos processos criminais começa na própria polícia. Para começar, a Polícia Civil ainda não acompanhou a modernização do Judiciário, onde tudo tramita virtualmente, então o trâmite entre o tribunal e a delegacia ainda é lento e burocrático. Ainda nessa fase, quase não há cuidado em conferir os dados das partes envolvidas. Poucas vezes se checam endereços ou se confirmam identidades dos envolvidos. Quando o processo chega ao Judiciário, está repleto de falhas que contribuem para essa demora”, salientou.
a convivência em sociedade. Em contrapartida, o Estado possui o dever de proteger estes cidadãos, inclusive deles próprios. “O cometimento de um crime é um atentado a esta civilização. Entretanto, somente o Estado pode punir o infrator, utilizando-se do Direito e do devido processo legal. Desta forma, assegurase a proteção à sociedade e a proteção ao acusado e, inclu-
PROBLEMA
No final das contas, há o risco de o criminoso acabar impune por falta de provas testemunhais. E geralmente são essas pessoas que criticam o sistema judiciário, mas não fazem sua parte sive, diminui-se vertiginosamente chance de um inocente responder por crime que não ocorreu. Se injustiças ocorrem nos tribunais, imaginese quando a punição é dada por populares”, explicou. Apesar de caber ao Estado a prerrogativa de punir e proteger os cidadãos, a procuradora aponta que ele não vem cumprindo com o dever.
“A sensação de insegurança e de impunidade crescem a cada dia. Em todos os países há criminalidade, mas a sensação no Brasil é o crime aumenta descontroladamente. E, sim, a onda crescente de ações de justiceiros é sinal que o cidadão deixou de confiar nas suas instituições por inércia delas ou por injustiça. E, neste sentido, eu como cidadã também me revolto com a impunidade”, salientou. Ela acredita que a saída para conter os ânimos da população e acabar com a atuação dos justiceiros seja o estado adotar estratégias que oportunizassem o acesso da população A serviços de qualidade. Além de investir nas instituições, esquecendo medidas paliativas. “A solução é o Estado cumprir seu dever. E não bastam soluções demagógicas como pena de morte ou criminalização de adolescente. A solução deve ser global, passando da prevenção do crime com políticas públicas de educação e geração de empregos. E oportunidade ao combate ao crime com reestruturação das polícias, moralização do processo penal e da execução da pena”, finalizou.
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Dia a dia
Clone de bactéria r Organismo, que vive na pele humana e que pode ocasionar infecções até fatais, está em estudo pela Fundação Hemoam ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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o analisar diariamente as células sanguíneas dos pacientes, que ficam internados na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), a pesquisadora e doutora em doenças tropicais e infecciosas, Cristina Motta Ferreira, descobriu um novo clone - mais resistente aos medicamentos - da bactéria “Staphylococcus epidermidis”, que vive na pele do ser humano e ocasiona infecções quando o sistema imunológico baixa. O novo gene, identificado como ST 365, foi coletado em 2010 em duas crianças – uma de 9 e outra de 2 anos - que estavam internadas na fundação. A pesquisadora amazonense, analisando o material colhido das pacientes, descobriu que estavam infectadas pela “Staphylococcus epidermidis”, mas no momento do desdobramento da molécula da bactéria foi identificado um novo gene mais resistente às medicações utilizadas para tratar as infecções. “Desde então iniciei o processo de pesquisa da ‘Staphylococcus epidermidis’ do novo gene ST 365, e descobri que não havia registro em lugar algum no país e muito menos
no mundo, então aprofundei os estudos na bactéria relacionando com a tese do doutorado”, contou. As duas pacientes tinham leucemia linfoide aguda e apresentavam estado de infecção. Conforme a pesquisadora, a bactéria poderia ter se fortalecido conforme as aplicações dos medicamentos, ou nunca ter sido descoberta. A preocupação inicial para a pesquisadora seria a trans-
DESCOBERTA
O novo gene, identificado como ST 365, foi coletado em 2010 em duas crianças – uma de 9 e outra de 2 anos - que estavam internadas na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas missão para outros pacientes da fundação, que por causa da leucemia acabam ficando com a imunidade mais debilitada, então qualquer tipo de infecção acabaria sendo prejudicial e até mesmo fatal. “O que preocupa o paciente é o fato de como ela tem resistência aos medicamentos, o processo infeccioso ocasionado pela bactéria pode levar a
óbito, e isso diminui a opção terapêutica do médico e dificulta o tratamento, além de oferecer risco da transmissão da bactéria, como também o próprio paciente a pegar outros tipos de bactérias”, explicou. Os principais meio de impedir a contaminação bacteriana são os cuidados básicos, como a utilização de luva e máscaras. Toda a epidemiologia molecular foi estudada pela pesquisadora no momento em que realizava a tese do doutorado, reafirmando que o gene da “Staphylococcus epidermidis” ST 365 é mais forte em seu combate. “Quando colocamos o gene na plataforma multilocus descobrimos que era um novo clone e que não tinha em nenhum local registrado ou semelhante em sua genética. Então quando você passa a conhecer as características, por meio do estudo genético e ao conhecer melhor aquela espécie bacteriana é possível desenvolver ações para evitar a disseminação da bactéria no hospital, entre os pacientes como também uma epidemia”, detalhou a pesquisadora. Esse tipo de bactéria, de acordo com a pesquisadora, quando passa por um contato com outros tipos de bactérias, repassa o seu gene, no qual auxilia em fortalecer outras bactérias.
Bactéria ST 365 vista ao microscópio, descoberta em duas crianças em 2010
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resiste a remédios FOTOS: IONE MORENO
IONE MORENO
Pesquisa com apoio da Fapeam Segundo Cristina, a pesquisa teve um apoio fundamental da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). “Tenho que agradecer à Fapeam que colaborou em todo o processo do desenvolvimento da tese, pois caso contrário talvez não fosse possível chegarmos à conclusão”, disse. Para colaborar com as pesquisas no Hemoam, a fundação ganha nesta semana mais três novos laboratórios que são o Laboratório de Bacteriologia, Laboratório de Genômica e o Laboratório de Testes de Acido Nucléicos (NAT). O presidente do Hemoam, o doutor em Hematologia Nelson Abrahim Fraiji, detalhou que esses novos laboratórios completam a fundação que terá os meios para trabalharem em todas as áreas da anatomia patológica. O Laboratório de Bacteriologia será direcionado aos estudos mais detalhados das bactérias e fungos. Já o de Genômica incorpora uma tecnologia que estuda o DNA dos seres vivos. O NAT será destinado para os testes do ácido nucleico, as morfologias de tecidos,
além de colaborar nos estudos dos detalhes dos genes da população amazonense. “Temos um conjunto ético diferente, mas primeiro vamos acompanhar todo o sistema genético dos doadores e pacientes do Hemoam, e depois vamos fazer um estudo de realizar o tipo de exame na população como também dos povos indígenas”, explicou Fraiji. O Hemoam é o terceiro hemocentro do país a ter esses tipos de laboratórios, depois de Santa Catarina e do Rio de Janeiro. A fundação, além de realizar análise de todo sangue doado no Amazonas, é também responsável pela análise das doações de Rondônia, Acre e Roraima. Na atual gestão, o laboratório adquiriu equipamentos de última geração que auxiliarão o corpo clínico tanto do Hemoam, quanto de outras unidades de saúde no diagnóstico de possíveis casos de infecção bacteriana de origem hospitalar ou comunitária, além de melhorar significativamente e eficiência e eficácia na identificação dos gêneros e espécies bacterianas relacionadas.
Pesquisadora Cristina Ferreira: apoio da Fapeam na pesquisa
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Dia a dia
DIRETAS PARA
Candidato à reeleição, reitor Cleinaldo de Almeida diz que começa agora a “fase de maturidade da universidade”. Pr MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
A
eleição para reitor da UEA tem um novo foco, porque, hoje, os estudantes estão mais preocupados com a profissão e o mercado de trabalho do que com bandeira ideológica, como era há 25 anos. — O cenário é outro. Nós não temos grandes expressões políticas dentro da universidade do ponto de vista do fazer política, como nós conhecíamos. Mesmo assim, ainda existem movimentos vinculados a partidos políticos, o que é legítimo dentro da universidade e em todo tecido social. Mas não temos mais aquela efervescência política que tínhamos no passado – avalia o reitor. FOTOS: DIEGO JANATÃ
eleição direta para reitor foi conquista pela primeira vez em 1989, no finalzinho da ditadura, quando a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), elegeu o médico Marcus Barros para reitor, no período 19891993. Agora, 25 anos depois, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) percorre o mesmo caminho. No dia 20 de março, professores, alunos e funcionários, num total de 30 mil eleitores votarão para escolher o reitor entre as três chapas inscritas. — Será um dia histórico para o
Amazonas e para a UEA, porque teremos a oportunidade de disputar o voto da comunidade e, com toda a certeza, estamos confiantes na vitoria, porque nosso pleito é justo –, afirma o reitor Cleinaldo de Almeida, que há 11 meses assumiu a reitoria em substituição ao professor José Aldemir Oliveira e agora concorre a reeleição. Nas “Diretas, já” da Ufam, existia uma clara influência política do movimento estudantil e da luta dos professores pela democratização do país para que a eleição fosse realizada quase que “na pressão”, num país sedento de democracia. Diferente daquela transição para o estado de direito, a
Cleinaldo de Almeida assumiu a reitoria da Universidade do Estado do Amazonas há 11 meses em substituição a José Aldemir Oliveira e agora é candidato na primeira eleição direta na instituição
EM TEMPO – Qual o processo percorrido pela UEA para chegar até ao sistema de eleição direta para escolher seu reitor? Cleinaldo – Foi um longo processo. Existe uma demanda de professores, estudantes e funcionários para que nós tenhamos uma eleição direta para reitor. Esse processo já começou há algum tempo quando tivemos a primeiras eleições para diretor de unidade. À época fui candidato na Escola Superior de Ciências da Saúde, quando fui eleito diretor dessa escola por dois anos. Fui reeleito para um segundo mandato com 82,4% dos votos válidos naquela unidade. Na época, já sonhávamos com as eleições diretas para reitor, além disso houve um compromisso do governador Omar Aziz no sentido de realizar essa eleição. Fui indicado reitor pro tempore e no momento em que assumi houve o compromisso do governador e meu próprio de viabilizar essa eleição.
EM TEMPO – Quando o senhor assumiu? Cleinaldo – E abril de 2003, substituindo o doutro José Aldemir Oliveira. Ao longo desses 11 meses temos trabalhado com esse foco: de levar a UEA a uma total democracia. EM TEMPO – Quantos alunos existem hoje nos cursos da UEA? Cleinaldo – Temos hoje 25 mil alunos, com previsão de chegar ao segundo semestre de 2014 com 32 mil. EM TEMPO – Quantos cursos e quantos professores, mestres e doutores a UEA tem em seus quadros? Cleinaldo – Hoje são quase 50 cursos. Estamos presentes em 60 dos 62 municípios. Temos um quadro estável de 90 professores e a nossa meta é dobrar o número de doutores em quatro anos. Temos hoje na nossa universidade, 206 doutores de um quadro de quase mil
no Amazonas, portanto nossa meta é aproximarmos a 50% de todos os docentes com titulação nos próximos quatro anos. Esse é o nosso objetivo: investir pesado em educação dentro da UEA, seja na graduação, com fortalecimento dos laboratórios, fortalecimento na qualificação dos docentes e, naturalmente, buscando a pós-graduação para os nossos docentes. EM TEMPO – O governador Omar Aziz chegou a declarar em uma de suas entrevistas que, financeiramente, encontrou a UEA falida. Ele chegou a agradecer publicamente ao professor José Aldemir por sua recuperação da instituição. Qual é a situação hoje da universidade? Cleinaldo – Nós também reconhecemos o trabalho extremamente meritório do professor José Aldemir, a quem nós temos um apreço pessoal. Ele foi uma pessoa que efetivamente organizou as finanças da UEA. Nós
recebemos a universidade saneada, com um superávit de R$ 30 milhões, e hoje estamos com a situação confortável do ponto de vista financeiro e devemos isso ao ajuste que o professor Aldemir praticou nos seus quase quatro anos de man-
“Conhecemos profundamente os problemas de nossa universidade, sabemos para onde queremos ir. Temos planejamento e queremos colocar a UEA no rumo do futuro” Cleinaldo de Almeida, reitor da UEA
dato. Hoje nós temos uma situação estável na UEA, que se encontra no azul, adimplente e com grandes perspectivas de avanço para os próximos anos.
EM TEMPO – Quanto o Estado investe hoje na UEA? Cleinaldo – A UEA tem hoje um orçamento para 2014 de R$ 350 milhões. EM TEMPO – Isto é suficiente? Cleinaldo – Não diria suficiente, mas resolve o nosso problema do ponto de vista de sustentabilidade, da manutenção. Naturalmente que o projeto de pesquisa de desenvolvimento junto ao Polo Industrial de Manaus (PIM) e com os projetos de pesquisa em parceria com o governo federal vão trazer mais recursos para a UEA. Este P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) é um recurso importante onde cada empresa do distrito industrial deve investir 5% de sua arrecadação em pesquisa e desenvolvimento. Isso representa um volume de recursos importante a ser somado com o orçamento anual da UEA. É caminhando nesse sentido que temos feito parcerias com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas
(Cieam) e a Suframa, tendo como foco ampliar nossa área de pesquisa e desenvolvimento para buscar esse recurso e, na sequência, formar mais mestres e doutores. A partir disso nós estaremos colocando a UEA em um cenário de excelência em educação no ensino superior e na pesquisa, seja em nível nacional, seja em nível internacional. Além de que temos feito diversas outras parcerias... EM TEMPO (interrompendo) – Além dessa, que outras parcerias a UEA tem feito para trilhar esse caminho? Cleinaldo – No ano de 2013, assinamos 16 acordos de cooperação técnica com universidades estrangeiras. Qual o foco disso? Permitir a mobilidade para que nossos alunos possam ir ao programa Ciência Sem Fronteira, ao programa “Erasmus Mundus” – consórcio internacional formado por oito universidades europeias e 11 brasileiras, visando a realização de intercâmbio e pesquisa conjunta entre as instituições participantes —, o equivalente
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REITOR NA UEA
FOTOS: DIEGO JANATÃ
Processo eleitoral direto para definição da reitoria, o primeiro da instituição, acontecerá no próximo dia 20 de março
para a área de humanidades, para que também possamos fazer esse trânsito dos nossos professores para outras universidades, assim como receber docentes de outras universidades estrangeiras, com renomada competência para reforçar nossas equipes de pesquisa por um tempo determinado, de tal modo que nós possamos ampliar e qualificar nossas linhas de pesquisa e ir para outro patamar científico. EM TEMPO – Por que o senhor decidiu disputar mais um mandato como reitor da UEA, quando, na democracia, se combate o continuísmo?
Cleinaldo – Na verdade não é mais um mandato. Nós tivemos a experiência de 11 meses em mandato pro tempore. Na verdade, o que nós ansiamos é por conta de um projeto debatido, um projeto que veio do anseio da comunidade universitária, no sentido de responder a esses desafios. E nós temos um grupo que está preparado para responder a esses desafios. Temos aí essa experiência de 11 meses que nos credencia a fazê-lo. Conhecemos profundamente os problemas de nossa universidade, mas sobretudo, contamos com o apoio de nossa comunidade. Conhecemos meios de fa-
zer, nós sabemos para onde queremos ir, temos planejamento e queremos colocar a UEA no rumo do avanço. No rumo do futuro. EM TEMPO – O senhor está na UEA desde o início? Cleinaldo – Estou desde 2001, quando ela foi fundada, e o compromisso da nossa geração é fazer dessa universidade a melhor universidade do norte do país. Entrei pelo processo seletivo na área de anatomia. Na sequência fiz outro concurso para cirurgia vascular e hoje estou, também por concurso, em outras duas disciplinas:
telemedicina e telesaúde. EM TEMPO – Do ponto de vista pessoal, como o senhor se sente chegando ao topo de uma carreira, numa instituição tão importante para o Amazonas como a UEA, que resgatou mais de 30 mil estudantes que não tinham como cursar uma universidade? Cleinaldo – Vejo isso não só do ponto de vista pessoal, mas também como uma gratidão perante Deus e perante a comunidade que nos apoia. Também tenho gratidão perante o governador Omar Aziz e o vice-
governador, José Melo, que referendaram meu nome para o comando de uma instituição tão importante. Não é só, eu vejo esse momento da minha carreira como uma missão pessoal e de grupo. A nossa geração tem uma missão enorme, uma enorme responsabilidade de completar a fase de maturidade da UEA. A partir de sua completa instalação, nós teremos uma universidade que efetivamente responda pelo futuro de nosso Estado. EM TEMPO – Com a eleição direta, o que muda nas relações administrativas entre a reitoria e a comunidade universitária?
Cleinaldo – O respaldo que nós teremos da comunidade, para que nosso avanço seja completo. O crédito que as pessoas nos dão hoje, a certeza de um projeto compartilhado e amadurecido. Temos certeza que a comunidade virá conosco, nos respaldando nesse processo. A diferença é essa: a legitimidade. Por isso queremos mais quatro anos para levar a UEA ao futuro. Acreditamos no potencial dessa universidade, em cada aluno, professor e funcionário que fazem dela a sua vida. É aqui que dedicaremos o nosso trabalho nos próximos quatro anos para fazer crescer a UEA.
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Dia a dia
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(92) 3090-1042
FOTOS: DIEGO JANATÃ
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DIVULGAÇÃO
Caderno D
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Entrevista com Matheus e Kauan
Cursos Aula de dança para melhor idade Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro (92) 3232-2488 Há 14 anos, a professora Rosa Eunice ensina arte para a melhor idade
Aula de música para melhor idade Conservatório de Música do Amazonas (92) 3343-1200
Arte sem idade GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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á exatos 14 anos, a professora Rosa Eunice empresta um pouco do seu talento artístico e leva à frente uma turma de idosos que está engajada no aprendizado e prática da dança. Semanalmente, ela desenvolve atividades que oferecem momentos de concentração e convivência interpessoal com as duas turmas que mantém ativas anualmente, no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro (Laocs), mantido pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Aliás, a atenção para a oferta de cursos para esse público parece ganhar cada vez mais força. Atriz que já brilhou nos palcos, eminentemente do Teatro Amazonas, Rosa Eunice tem formação em filosofia e estudo de arte, com centenas de cursos em dança feitos pelo país. Além disso, detém conhecimentos específicos de pedagogia teatral, oriundos de outros cursos que fez fora do Estado. “Quando estou nessa atividade, tento ser a melhor possível. Nem sei como ficaria sem atender a essas pessoas. Costumo dizer que tenho duas moradias, uma é a minha casa propriamente dita e a outra é onde dou as aulas”, afirma Rosinha, como carinhosamente é conhecida por todos. Para a dona de casa Maria Ocineide a confirmação dessa especulação é quase que imediata. “Gosto muito das aulas de dança, de estar junto com as amigas, isso é tudo para mim. Eu fazia teatro também, mas agora somente a dança mesmo. Tenho muita alegria por fazer parte do grupo”, diz a aluna que está igualmente há 14 anos no programa,. Rosa Eunice enfatiza que o resultado das atividades é “maravilhoso”. Para ela, a dificuldade maior que encontra
FOTOS: REPRODUÇÃO
Aulas dedicadas para pessoas que estão na “melhor idade” proporcionam momentos e experiências que favorecem na sociabilidade e no bem-estar físico e mental. E tem mais: alguns grupos chegam a ganhar prêmios em festivais para desempenhar seu papel está na mentalidade dos alunos. “Algumas vão para se divertir. No Liceu esse assunto é tratado de forma diferenciada porque ali é uma escola. Nos preocupamos com aspectos que, muitas vezes, outros locais não percebem. Procuro sempre mantê-los informados sobre o que é a dança, trabalho do corpo e os objetivos de cada um. Em outras instituições que conheço, com essa proposta de ter aulas voltadas para o público da melhor idade, é
Os alunos de dança já conquistaram 35 prêmios em festivais
CURSO
As aulas de dança para idosos, ministradas por Rosa Eunice, no Liceu de Artes e Ofício Cláudio Santor (Laocs), acontecem em duas turmas, sendo uma segunda e quarta-feira e outra terça e quinta-feira
Grupos conquistam troféus
As alunas do Laocs participam de eventos de dança na cidade
só brincadeira”, observa. “Tem gente que sai de casa com os nervos a flor da pele e depois elas tomam consciência do que acontece e relaxam”. Segunda a diretora do Laocs, Cristiana Brandão, os resultados são perceptíveis a cada ano. “É notória a questão de como se sentem inseridos como parte desse processo. A própria convivência com outras pessoas de idades até diferentes traz um ânimo novo, um significado novo para a vida. Muitos apresentam aquela expressão de que descobrem que a vida não acabou. Os parentes veem que eles estão engajados e isso também influencia de forma positiva no seio familiar. De fato, a questão da velhice é subjetiva. É considerado idoso quem tem a partir dos 60 anos de idade, mas há casos de pessoas mais novas um pouco que buscam as aulas apenas para mudar a realidade que estão vivendo em casa”, afirma a gestora.
Para professora, a dança traz alegria para os alunos e para ela
Maria Ocineide, 71, é um exemplo similar. “Eu era muito paradona. Agora, danço, faço hidroginástica e participo de um grupo da melhor idade, também”, orgulha-se. Entre as principais experiências vividas que gosta de compartilhar estão as viagens que sua turma do curso de dança fazem anualmente a um festival que reúne pessoas de mesma faixa etária, em Belém/PA. “Há 7 anos vamos para lá e apenas ano passado não retornamos com um troféu. Todos os anos anteriores voltamos com, no mínimo, o terceiro lugar conquistado”, lembra. As participações na Mostra de Dança do Amazonas (Modama) também estão inseridas nas suas memórias marcantes. Segundo a professora Rosa Eunice, no histórico das turmas foram conquistados pelo menos 35 troféus em festivais e mostras. As aulas de dança para idosos no Laocs acontecem em duas turmas, sendo uma segunda e quarta-feira e outra terça e quinta-feira.
“Nas sextas-feiras, faço uma integração com as duas turmas. Em média, o total de alunos fica em torno de 30 pessoas por ano. Acaba sendo, portanto, uma espécie de trabalho social, porque faço com que eles desenvolvam atividades em grupos. Isso ajuda, porque mesmo alguns estando há muito tempo nas aulas, existe ainda dificuldade em trabalhar juntos. Ao final, sirvo um lanche para comemorar a junção duas turmas, também”, conta a professora. Segundo a direção do Laocs. Em outro local, o Conservatório de Música do Amazonas (CMA), dirigido pelo pianista Robson Silva, também há vagas para turmas da melhor idade. Ali, os interessados podem procurar aulas para diversos instrumentos musicais e até canto. “Estamos iniciando o projeto ainda, formando turmas. “Estamos iniciando o projeto ainda, formando turmas. É um curso pouco conhecido, mas de suma importância para os idosos”, diz o empresário.
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>> Homenagem . A primeira-dama do município, Goreth Garcia Ribeiro, foi homenageada como uma das “Mulheres do Ano”, durante solenidade especial dedicada às mulheres na tarde de quinta-feira, na Câmara Municipal de Manaus, devido ao seu trabalho social à frente da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).
>> Vitrine
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br FOTOS: ISMAEL NEVES
. Também receberam o certificado, a delegada titular da 4ª seccional Oeste, Suely dos Santos Costa, a capitã da Polícia Militar do Amazonas, Cleide Grangeiro de Queiroz, e a presidente do Grupo de Apoio às Mulheres Mastectomizadas da Amazônia (Gamma). . Para Goreth Garcia Ribeiro, o reconhecimento da CMM é uma conquista das mulheres, que ainda precisam avançar mais nos caminhos dos seus direitos e exigir que sejam respeitados. “Uma sessão dessas nos permite multiplicar a informação às mulheres. Elas podem estimular suas vizinhas a também serem conscientes de seus direitos, levando assim uma esperança para que se tenha um mundo equilibrado e que seus direitos não sejam arranhados e violados”, declarou.
Jorge e Flávia Grosso e César Seixas
>> Novo café na agenda da turma antenada: o Molen, que abriu suas portas ontem, no Manauara Shopping. >> Claudia Mendonça está com novo produto em sua Paradise Turismo: pacotes especialíssimos para lua de mel. Destinos maravilhosos. Vale conferir. >> Será na próxima terçafeira, a missa em Ação de Graças pelos 58 anos do tradicional coral João Gomes Júnior, na Catedral Metropolitana de Manaus.
Sonia, Rui e Luciana Andrade
>> Festão . O querido Zeca Nascimento orquestrou festa de aniversário, quinta-feira, reunindo amigos no tradicional endereço da rua Luiz Antony. . Zeca, superquerido da turma society de Manaus, amigo especial da coluna, comandou o evento que contou com um show pirotécnico de muitos minutos e que fez a alegria da noite, entre outros itens como a apresentação da cantora Lívia Mendes, que realmente leva charme a qualquer evento, com sua performance. Fine dinner. Noite regada a Veuve Clicquot e simpatia!
>> Jorge e Najla Akel comemoram bodas de prata com evento hoje no restaurante Village, em fins de tarde.
>> A coluna parabeniza a querida dona Delfina Aziz, pela passagem de seu aniversário no sábado. Momento especial cercada de filhos, netos e amigos. Cumprimentos. O aniversariante Zeca Nascimento recebendo o vice-governador José Melo e sua Edilene, na festa que movimentou a quinta-feira
>> A empresária Bete Dezembro comemorou seu aniversário com um festão, ontem, no bar Chopp Brahma. >> O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Josué Neto, convida para a sessão especial de entrega do título de Cidadão do Amazonas ao sr. Mauro Lippi Filho, no dia 27 deste mês, no Plenário Ruy Araújo. >> Lívia e Edilson Júnior comemoram o primeiro aniversário da filha Laísa, hoje, no Le Rêve.
A primeira-dama do município, Goreth Garcia do Carmo Ribeiro Wernher, Isla, Islene e Tereza Botelho com Bosco Fonseca
Ellen Mendonça, Menga Junqueira e Lívia Mendes
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SERVIÇO
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Matheus E KAUAN
VILLA MIX DA FÁBRICA DE EVENTOS
‘Queremos LEVAR A NOSSA MÚSICA e fazer toda a GALERA CURTIR e dançar MUITO’
Quando: 5 de abril Onde: Centro de Convenções (sambódromo) Ingressos: 1º lote Pista R$ 60 R$ 200 por pessoa Camarote R$ 250 Área VIP R$ 450 Área VIP R$ 450 extra (feminino) e R$ 500 (masculino)
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O Nossa, é uma grande satisfação fazer o primeiro show em Manaus, um local que nós temos muita vontade de conhecer, ainda mais com artistas que são nossos parceiros e amigos em um festival tão grandioso quanto o Villa Mix”
maior festival de música sertaneja do Brasil está de volta a Manaus. O Villa Mix, com assinatura da Fábrica de Evento, reúne alguns dos principais nomes do sertanejo é uma realização da Fábrica de Eventos e terá como atrações: Zezé di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Gusttavo Lima, Israel Novaes e a dupla Matheus & Kauan, que fala com exclusividade ao EM TEMPO como será o show em Manaus. O Villa Mix será realizado no Centro de Convenções (sambódromo), no dia 5 de abril e promete inovar no conceito de “ver show” em Manaus, isso porque entre as novidades está a área VIP Extra, um local onde o público poderá ter acesso direto aos artistas que se revezarem no palco. EM TEMPO - Primeira vez em Manaus e logo em um
grande evento de música sertaneja, o Villa Mix. Vocês que conhecem a grandiosidade desse festival, que sabem a força que ele tem, como é ser uma das atrações dele? Qual a expectativa para a apresentação em Manaus? Matheus: Nossa, é uma grande satisfação fazer o primeiro show em Manaus, um local que nós temos muita vontade de conhecer, ainda mais com artistas que são nossos parceiros e amigos em um festival tão grandiosos quanto o Villa Mix. Com certeza a expectativa é a melhor possível. Queremos levar a nossa música e fazer toda a galera curtir e dançar muito! EM TEMPO - Mesmo sendo uma dupla jovem no cenário musical nacional vocês já despontam e estão mostrando ao que
LAPPA
Gustavo Lins anima o domingo Hoje, às 15h, é a vez do “Escritório do Samba” recebe a atração nacional Gustavo Lins, que estará devidamente acompanhado do grupo local Poxa Vida, no Lappa Bar. A apresentação contará, ainda, com as presenças das bandas Amizade do Samba e Nosso Caso. Vale ressaltar que, além do chope ser liberado das 15h às 18h, são exibidos os jogos mais importantes do Campeonato Brasileiro e Campeonato Carioca. Gustavo Lins, que é considerado um dos nomes mais importantes de nova geração de bambas, acredita que sua primeira década de carreira positivamente. “Confesso que estou bastante feliz com o momento. Esses 10 anos de trabalho – comemorados em 2013 - foram incríveis e é uma grande honra estar entre os principais artistas da minha geração”, conta ele, ressaltando um
dos momentos mais importantes de sua carreira foi ouvir sua música tocando na rádio. “O meu primeiro sucesso, sem dúvida, marcou a minha vida. Ouvir algo que você escreveu tocando para um grande público é maravilhoso”. Compositor nato, Lins afirma que esse processo de criar novas músicas faz parte do seu dom de ser artista. “Gosto muito dessa experiência. Sempre busco inspiração nas coisas do cotidiano, histórias de amigos... É a forma que encontro de expressar meus sentimentos e falar dos mais diversos tipos de sentimentos”. Entre as composições mais famosas do artista estão “Pra Ser Feliz” e “Impossível Te Esquecer”. Ainda sobre o sucesso, o cantor destaca a importância do seu sucesso. “Na verdade, tudo isso se deve ao meu trabalho, sem dúvida.
Existe um grande comprometimento meu com o público, com os músicos. Sempre gosto de mostrar aquilo que estou produzindo. Sem esquecer de cantar o amor, independentemente do momento. Acho que esse apelo romântico é muito presente no dia a dia das pessoas e elas gostam de falar de seus relacionamentos”.
SERVIÇO ‘ESCRITÓRIO DO SAMBA’ COM GUSTAVO LINS Quando Hoje, 15h Onde: Lappa Bar (rua Rio Mar, 98, Vieiralves) Ingressos: R$ 35 (por pessoa)
vieram. Quais os trabalhos (composições/apresentações) que vocês podem destacar? Quais os projetos para 2014? Matheus: Bom, estamos na estrada trabalhando bastante graças a Deus e divulgando o nosso DVD “Mundo Paralelo” que tem várias modas que já estão na boca da galera como “Carro”, “Segunda Opção”, “Flash”, entre outras. Além disso, estamos começando a pensar no repertório do nosso próximo CD. EM TEMPO - No ano passado vocês gravaram o primeiro DVD da carreira de vocês e estão excursionando pelo país com esse trabalho. Além desse DVD, quais os outros trabalhos que compõem, até o momento, a carreira musical de vocês? Quais as parcerias, gravações e participações?
Matheus: Ah, nós temos várias parcerias musicais, já gravamos com Jorge e Mateus, Luan Santana, Michel telo e Humberto & Ronaldo no nosso DVD. Além disso, nós também somos compositores. Temos músicas gravadas nas vozes do João Neto e Frederico, Gusttavo Lima, Paula Fernandes, Michel Teló, Luan, enfim, muita gente (risos). EM TEMPO - O que o público de Manaus pode esperar da apresentação de vocês na cidade? Deixem um recado para o público de Manaus, que é apaixonado pelo sertanejo. Matheus: O público de Manaus pode esperar um show muito agitado, mas também com músicas românticas e modas de viola, tem para todos os gostos. Esperamos todo mundo para curtir e fazer essa festa com a gente!
O público de Manaus pode esperar um show muito agitado, mas também com músicas românticas e modas de viola, tem para todos os gostos”
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Minimiss Amazonas realiza mais uma seletiva Evento, que irá eleger três representantes do Estado em categorias diferentes para o Minimiss Brasil, colocará em competição 28 candidatas na noite de hoje, no buffet Spasso Mix
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Minimiss Amazonas, concurso de beleza infantil que vai eleger três representantes do Estado em categorias diferentes para o Minimiss Brasil, vai dar início à contagem regressiva para a grande final do concurso, realizado hoje, quando acontece a Seletiva de Biquínis com todas as candidatas. O evento acontecerá às 19h no luxuoso buffet Spasso Mix, na Zona Sul de Manaus. De acordo com a coordenação do evento, as candidatas ao título participarão de um desfile preliminar com trajes de banho e serão avaliadas
por um júri especial, formado por mulheres de vários segmentos que foram convidadas para participar sem saber que serão juradas. “Elas serão sorteadas em cada categoria que irão julgar. Outro detalhe importante é que elas serão juradas apenas na seletiva de biquínis. As demais provas, como Traje Típico e Desfile de Moda Fa s h i o n , serão outros jurados. Os
pontos de todas as etapas do concurso são acumulativos e é importante informar que a somatória dos pontos é que vai dar a média final da classificação dos tops. Então, podemos dizer que todas as candidatas não só estão em um concurso de beleza, como também em uma competição do início ao fim.”, comenta Lucius Gonçalves, um dos coordenadores do concurso. Participam do concurso 28 candidatas, sendo 9 na categoria mini (de 5 a 8 anos), 7 na categoria infantil (de 9 a 12 anos) e 12 na categoria juvenil (de 13 a 15 anos). Seguindo os moldes do Miss Amazonas, o Minimiss Amazonas será dividido em três
etapas: Desfile de Traje de Banho; Desfile de Traje Típico e Desfile de Moda Fashion. Ambos acontecerão em dias distintos, sendo que o desfile de moda fashion será a última etapa do concurso e acontecerá no próximo dia 26, no Teatro La Salle, no bairro Dom Pedro. As três misses eleitas viajarão para São Paulo para participar da etapa nacional do concurso. A or-
ganização do Minimiss Amazonas é feita pelo jornalista e comunicador de TV Lucius Gonçalves e pela empresária Márcia Meirelles. A realização nacional é de Edenir Vaz. Notícias, fotos, vídeos e detalhes do concurso você acompanha diariamente no site luciusgoncalves.com, na fanpage facebook.com/ minimissamazonas e no instagram @minimissamazonas.
HOJE
Pagode anima o Buteko O Buteko da Piscina traz hoje a Butekagem 360º, misturando o sertanejo de Luigy Zonny e o pagode do grupo Nosso Jeitto. O couvert artístico custa R$ 15 (por pessoa) e o chope gelado é liberado das 15h30 às 17h30. O grupo Nosso Jeitto é composto por sete jovens, que têm a descontração e carisma como marca registrada. Os rapazes vão levar no repertório samba e pagode de qualidade dos melhores grupos do gênero, como “Turma do Pagode”, “Bom Gosto”, “Revelação”, além de composições próprias. Sertanejo Logo em seguida, Luigy Zonny é quem entra para embalar o público do Buteko com as mais pedidas do sertanejo universitário. “Estou levando um repertório sertanejo, mas não vou me prender a um ritmo. Vou tocar de Israel Novaes ao Diogo Nogueira. Vamos fazer uma mistura bem bacana”, prometeu Zonny. Informações Mais informações e reservas podem ser adquiridas pelo fone (92) 81003466. O endereço do Buteko da Piscina é rua Acre, 366, Vieiralves, Zona Centro-Sul de Manaus.
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Assim fica difícil Pessoal da Gazeta reclama porque ninguém coloca os seus números no Ibope. O problema, vamos combinar, é que a própria Gazeta insiste em não aparecer no Ibope. Assunto sério A rádio CBN, a partir de amanhã, em 3 horários diferentes, irás exibir 5 episódios da série “Poluição ameaça mar no Brasil”. Um por dia. Levantamento completo da questão. Trabalho do repórter Leopoldo Rosa. Prioridade A Globo chamou o diretor Mauro Mendonça Filho para uma conversa e pediu dedicação total ao projeto “Dupla identidade”, série policial de Glória Perez. Mensagem captada e ele já abandonou os trabalhos do filme “No Retrovisor”, baseado em peça escrita por Marcelo Rubens Paiva. Johnny Araújo está assumindo em seu lugar. Quarto lugar A TV Cultura, desde o início do ano, tem alcançado índices de audiência que a colocam durante várias horas na quarta colocação no ranking das principais
REGI
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Caminho de volta Atualmente morando nos Estados Unidos e fazendo testes para TV e cinema naquele país, Kayky Brito, voltará ao Brasil e às novelas da Globo. Ele confirmou presença em “Buu”, de Daniel Ortiz e Silvio de Abreu, que estreia em novembro, faixa das 19h. emissoras abertas, ficando atrás de Globo e SBT. Ocupa, portanto, o lugar da Band. No último dia 8, por exemplo, a emissora permaneceu nesta posição por 14 horas. Discreto O “Metrópolis”, da mesma Cultura, tem registrado um discreto aumento de audiência, na sua média mensal, na Grande São Paulo. Foi de 1,0 em janeiro para 1,3 em fevereiro. Ao vivo A festa do “Melhores do Ano”, no “Faustão”, será levada ao
ar, neste domingo, ao vivo, logo depois do futebol. Praticamente todos os concorrentes já confirmaram presenças. Colaboradores Os roteiristas Brunno Pires e Megg Santos, que trabalharam com Aguinaldo Silva no projeto “Doutora Pri”, foram integrados à equipe de colaboradores de “Falso Brilhante”, próxima novela das nove. Eles se juntam a Nelson Nadotti, Márcia Prates, Maurício Gyboski, Renata Dias Gomes, Rodrigo Ribeiro e Zé Dassilva.
• Milton Neves vai voltar a uma mesa de cirurgia, por causa de pequena inflamação causada na extração da vesícula. Nada complicado... • ... A operação está marcada para esta semana, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. • Amanhã, no Projac, 7 e meia da noite, a Globo faz uma coletiva com a equipe de “A Grande Família”. • Neymar, às vésperas da Copa no Brasil, virou uma máquina de ganhar dinheiro... • ... É de longe, entre todos os demais jogadores, o mais procurado para comerciais... • ... Só para os próximos meses, ele já tem praticamente fechadas mais três milionárias campanhas. • A Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro, que biografa 382 radialistas de todos os tempos, terá o seu lançamento, dia 24, às 19 horas, no Mineirão.
Band precisa oferecer apoio logístico Normalmente, em todas as emissoras, artistas ou apresentadores tem grande conforto. Deveria valer como regra. O jornalismo e o esporte são colocados de lado. A Band é um caso típico. Nas transmissões do futebol, seus profissionais só bebem água quando os estádios oferecem.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Emílio Dantas, ator-cantor, começou a gravar uma série norueguesa, Lilyhammer, para o NetFlix. Neste trabalho, ele faz Gabriel, um autor de novelas que se recupera do vício. Emílio vai gravar as suas cenas na Noruega entre os dias 9 e 16 de abril. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br
Política na cultura
MÁRIO ADOLFO
GILMAL
ELVIS
A principal dificuldade para a implementação de uma política cultural no Brasil é a falta de sinceridade. Muitos rodeios e muitas mentiras, e o que se ensina nos belos textos sobre política cultural, de Leonardo Brant a Ana Carla Fonseca, não se aplicam na prática. As concessões, a que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem nos situado em entrevistas recentes, tem se intensificado a ponto de furtar uma ação e reduzi-las a políticas de curto prazo do tipo marqueteiro como eventos e festas de sentido populista. O mesmo FHC faz alguns questionamentos:o que está por trás de um programa político de um partido? Um governo que não quer deixar de ser governo a troco de quê? A continuação de uma política populista através da clientelização dos setores mais pobres subjugados e persuadidos a troco de votos, a custa de quê? O que os programaspretendem? O exercício do poder e suas formas de cooptação obedecem a dois princípios distintos: persuasão e manipulação. O primeiro visa inventariar o alvo, conhecer as fragilidades do setor a ser seduzido e persuadilo a fazer parte da militância do programa partidário. O segundo visa manipular por meio do tipo mais cruel de política rasteira onde se aproveita das grandes facilidades sociais de grupos marginalizados e, como uma moeda, os aprisionam em “bolsas” de todo tipo. A cultura são todas as formas de organização e relação humana. A identificação de um povo através de suas diferentes culturas (a cultura da saúde, a cultura do transporte, a cultura econômica, a cultura culinária
etc) faz com que este povo seja único, o diferencial maior no mundo capitalista cuja estrutura de produção é a mesma, só varia o valor da mais-valia. No entanto, a política cultural da ministra Marta Suplicy, criada pelo seu antecessor longínquo, Gilberto Gil, e continuada até hoje de forma um tanto embaraçosa, tem pretendido aprisionar setores marginalizados através de um tipo de discurso mais uma vez populista, cuja ação política voltada ao tema da diversidade (veja bem!), como exemplo, se concentra quase que exclusivamente aos negros, esquecendo que cada universo tem suas histórias e processos de formação. “Temos uma dívida histórica com o negros”, disse Marta Suplicy,na abertura da III Conferência Nacional de Cultura, em Novembro passado, mas esquece que também que, em regiões particularmente interessadas, também temos com os índios, os homossexuais, as mulheres etc. Mas Dilma descobriu que o segundo lugar com maior número de negros depois da África é o Brasil com cerca de 97 milhões de pessoas declaradas negras ou pardas segundo censo do IPEA em 2010. Grande jogada, não? Dilma não está interessa em política racial. Está interessada em política de votos. Se quisesse resolverum problema moral, já o teria feito. Não se está em jogo aqui – e quero deixemos isto bem claro - uma valorização do negro em nossa cultura mas apenas e simplesmente os votos deste povo marginalizado e entregues a própria sorte. E qual será o projeto político do PT para as eleições de 2014? Adivinhem?!
Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
A política cultural da ministra Marta Suplicy, criada pelo antecessor Gilberto Gil, tem pretendido aprisionar setores marginalizados por meio de um discurso populista”
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REPRODUÇÃO
Programação de TV GLOBO 4h55 - Santa Missa 5h55 - Amazônia Rural 6h25 - Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h - Globo Rural 7h55 - Auto Esporte 8h30 - Esporte Espetacular 11h30 - Temperatura Máxima 13h45 - Divertics 15h - Futebol 2014h Campeonato Carioca - Flamengo x Bangu 17h - Domingão do Faustão 20h - Fantástico 22h20 - Big Brother Brasil 14 23h05 - TUF - Em Busca de Campeões 0h05 - Domingo Maior 1h35 - Flash Big Brother Brasil 14 1h40 - Sessão de Gala 3h10 - Corujão 4h45 - Festival de Desenhos
BAND “Indiana Jones e a Caveira de Cristal” será exibido hoje
Horóscopo
5h – Power Ranger – Dino Trovão 6h – Desenho
6h30 – Santa Missa No Seu Lar 7h30 – Sabadão Do Baiano 8h – Desenho 9h30 – Popeye 9h45 – Infomercial – Polishop 10h15 – Power Rangers – Super Patrulha Delta 10h45 – Verdade E Vida 11h – Irmão Caminhoneiro 11h05 – Minuto Da Copa 11h10 – Pé Na Estrada 11h35 – De Olho Na Copa 11h40 – Só Risos 12h – Fórmula Truck 13h30 – Band Esporte Clube 14h – Gol, O Grande Momento Do Futebol 14h30 – Futebol 2014 16h50 – Terceiro Tempo 19h – Só Risos 20h – Polícia 24 Horas 21h – Pânico Na Band 0h – Canal Livre 1h – Minuto Da Copa 1h05 – Alex Deneriaz 1h40 – Show Business - Reapresentação
Cinema
2h30 – Igreja Universal
2h10 - Bola Na Rede 3h10 - Igreja Int. Da Graça
REDE TV 6h30 - Igreja Int.da Graça 7h30 - Igreja Int.da Graça 8h30 - Tv Kids 9h - Rompendo Barreiras 10h - Tv Kids 10h30 - A Questão É 11h - Igreja Da Graça 12h - Fique Ligado 13h - Tv Kids 14h - En Circuito 15h30 - A Questão É 16h - Ad & D 16h30 - Tv Kids 16h45 - Vídeo Mania 17h15 - Ritmo Brasil 18h - Mornigng Show – Melhores Momentos 19h30 - Tv Kids 21h15 - Teste De Fidelidade 22h35 - Tv Shopping Manaus 23h35 - Ronaldo Castro 0h05 - Sob Medida - Reprise 1h10 - É Notícia
SBT 5h - Jornal Da Semana 6h - Igreja Universal 7h - Brasil Caminhoneiro 7h30 - Aventura Selvagem 8h30 - Vrum 9h - Sorteio Amazonas Da Sorte 10h - Domingo Legal 14h - Eliana 18h - Roda A Roda Jequiti 18h45 - Sorteio Da Telesena 19h - Programa Silvio Santos 23h - De Frente Com Gabi 0h - Sbt Folia 2014 1h - Crimes Graves 2h - Alcatraz 3h20 - Big Bang 4h - Igreja Universal
Cruzadinhas
GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um momento de fé e vontade para superar os obstáculos. Procure unir a fé a ações firmes e corajosas. As empreitadas mais difíceis podem assim se realizar por suas mãos. TOURO - 20/4 a 20/5 O apoio de um amigo ou uma pessoa que lhe proteja pode ser decisivo para concluir ou se libertar de uma situação complicada Coloquese nas mãos dos que podem lhe ajudar. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Suas conquistas na profissão e na vida material estão positivamente aliadas. Você pode conseguir as duas coisas. E estas conquistas terão também algo de humanitárias. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Uma perspectiva positiva surge na atividade profissional ao aliar seus interesses pessoais com interesses ou necessidades de grupos maiores. Ser idealista está na ordem do dia. LEÃO - 23/7 a 22/8 Um sentimento positivo e generoso surge mesmo no enfrentamento de situações adversas. As condições à sua volta guiam sua vontade, mesmo sem você perceber. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Os desejos das outras pessoas tendem a se impor em seus relacionamentos. E isto tende a lhe ser benéfico, pois levará a uma união mais profunda entre vocês. Aproveite o dia. LIBRA - 23/9 a 22/10 O trabalho cooperativo leva a experiências mais interessantes e a melhores resultados em seu trabalho. Ao agir sozinho, por sua conta, você pode perder o melhor deste dia. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A melhor expressão dos sentimentos e desejos amorosos está em servir à pessoa amada naquilo que ela necessita. Um dia para se vocês dois se unirem em torno da boa vontade. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Um dia para você experimentar sensações maiores no convívio amoroso. A realização mais plena entre vocês está na conquista de um espaço conjunto onde reine a harmonia. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Um dia para cuidar da casa e das rotinas conferindo vigor e harmonia a estes ambientes e situações. Uma forte sintonia emocional aproxima você das pessoas queridas. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você se dispõe a lutar por interesses maiores do que os seus próprios. Não obstante, fará também boas negociações em causa própria, com situações que se põem a seu favor. PEIXES - 19/2 a 20/3 Momento em que você tem os recursos necessários para realizar seus pequenos desejos imediatos. Faça suas conquistas materiais e se sinta bem realizado com isso.
ESTREIAS Alemão: BRA. 16 anos. “Alemão” conta a história da ocupação do morro do Alemão, vista com os olhos de quem participou de dentro. Quatro policiais estão infiltrados na favela e elaboram o plano de invasão. Mas os traficantes recebem suas fotos e agora a caçada é da polícia em cima dos traficantes e dos traficantes em cima dos infiltrados. Sem contato com a rede de comando, para estes resta apenas um porão de uma pizzaria no morro e poucos mantimentos. A história de heróis desconhecidos, que contaram um dos maiores episódios da luta contra o tráfico e da violência no Brasil. Cinemais Millennium 4 – 14h30, 16h50, 19h15, 21h30 (diariamente); Cinemais Plaza 7 – 14h10, 16h35, 19h, 21h10 (diariamente); Cinemark 8 – 13h10, 1540, 18h20, 21h (diariamente), 23h40 (somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 6 – 13h15, 16h, 18h45, 21h15 (diariamente); Playarte 5 – 13h55, 16h10, 18h25, 20h40 (diariamente), 22h55 (somente sexta-feira e sábado). Need For Speed – O Filme: EUA. 12 anos. Longa baseado em uma das franquias mais bem sucedidas de videogame de todos os tempos. A história é centrada em um piloto de corridas ilegais (Paul) dono de uma garagem que modifica carros caros, que é injustamente condenado pela morte de seu melhor amigo. Libertado da prisão, ele procura vingança por quem o incriminou. Cinemais Millennium 3 – 14h, 16h35, 19h10, 21h50 (3D/dub/diariamente), Cinemais Millennium 6 – 15h, 18h30, 21h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 2 – 14h20, 19h15 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza 8 – 13h30, 16h10, 18h45, 21h20 (dub/diariamente); Cinemark 4 – 11h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h40 (3D/ dub/diariamente), 20h45 (3D/dub/exceto segunda-feira), 23h50 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 4 – 13h30, 19h30 (3D/dub/diariamente), 16h30, 22h30 (3D/leg/diariamente). Doze Anos de Escravidão: EUA. 14 anos. 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, exploram seus serviços. Cinemais Millennium 7 – 15h10, 19h, 21h35 (leg/diariamente); Cinépolis 2 – 15h10 (leg/diariamente), 21h30 (leg/exceto terçafeira), Cinépolis 8 – 18h30 (leg/diariamente); Playarte 9 – 13h10, 15h45, 18h20, 20h55 (leg/diariamente), 23h30 (leg/somente sexta-feira e sábado). Ninfomaníaca – Volume 2: EUA. 18 anos. Segunda parte das aventuras sexuais de Joe (Charlotte Gainsbourg), uma mulher de 50 anos que decide contar a um homem mais velho (Stellan Skarsgard) sua história pessoal. Cinépolis 3 – 22h (leg/diariamente), Cinépolis 10 – 20h, 22h45 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Rodência e o Dente da Princesa – EUA. Livre. Cinemark 2 – 16h (dub/diariamente). Tatuagem: BRA. 16 anos. Playarte 3 – 19h10, 21h25 (diariamente), 23h40 (somente sexta-feira e sábado). Tinker Bell - Fadas e Piratas: EUA. Livre. Cinemais Millennium 1 – 14h50 (3D/dub/diariamente); Cinemark 2 – 14h, 18h10 (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 13h10, 15h15, 17h45 (dub/diariamente). 300 – A Ascensão do Império: EUA. 18 anos. Cinemais Millennium 1 – 17h20, 19h40 (3D/dub/diariamente), 22h (3D/leg/diariamente), Cinemais Millennium 5 – 14h20, 16h40, 18h50, 21h (dub/diariamente); Cinemais Plaza 1 – 14h30, 16h40, 19h10, 21h15 (dub/diariamente), Cinemais Plaza 2 – 17h10, 21h50 (3D/dub/ diariamente); Cinemark 1 – 22h (dub/ diariamente), 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 16h40, 19h25 (dub/diariamente), Cinemark 6 – 11h15 (3D/dub/somente sábado
e domingo), 13h45, 16h15, 18h50, 21h30 (3D/dub/diariamente), Cinemark 7 – 12h50, 15h15, 17h50, 20h30 (3D/dub/diariamente), 23h10 (3D/dub/somente sábado e domingo); Cinépolis 1 – 14h10, 17h05, 20h10, 23h (3D/leg/diariamente), Cinépolis 3 – 16h05, 19h10 (leg/diariamente), Cinépolis 5 – 15h, 20h15 (3D/dub/ diariamente), 17h30, 23h05 (3D/ leg/diariamente), Cinépolis 7 – 19h, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 1 – 18h50, 21h (3D/dub/diariamente), 23h10 (3D/leg/diariamente), Playarte 6 – 13h30, 15h40, 17h50, 20h (dub/ diariamente), 22h55 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 14h, 16h10, 18h20, 20h30 (leg/ diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Walt – Nos Bastidores de Mary Poppins: EUA. Livre. Cinépolis 3 – 13h05 (leg/diariamente); Playarte 8 – 20h35 (leg/diariamente), 23h15 (leg/somente sexta-feira e sábado). Justin e a Espada da Coragem: EUA. 10 anos. Cinemark 3 – 12h (dub/
somente sábado e domingo), 14h25, 16h50, 19h15 (dub/diariariamente); Cinépolis 9 – 14h45, 17h (dub/diariamente); Playarte 1 – 12h50, 14h50, 16h50 (3D/dub/diariamente). As Aventuras de Peabody e Sherman: EUA. Livre. Cinemais Millennium 2 – 14h10, 16h20 (dub/dariamente); Cinemais Plaza 6 – 14h40, 16h50 (dub/diariamente); Cinemark 2 – 16h (dub/exceto sábado e domingo), Cinemark 5 – 12h45, 15h, 17h20 (dub/diariamente); Cinépolis 7 – 14h30, 16h45 (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h10, 15h10, 17h10 (dub/diariamente). Sem Escalas: EUA. Livre. Cinemais Millennium 2 – 18h40, 21h20 (leg/diariamente); Cinemais Plaza 4 – 14h50, 17h, 19h30, 21h40 (dub/diariamente); Cinemark 2 – 21h15 (dub/ diariamente); Cinépolis 9 – 19h45, 22h20 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h50, 16h, 18h10, 20h20 (dub/ diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Robocop: EUA. 14 anos. Cinemais
Millennium 8 – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 3 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/diariamente); Cinemais Plaza 5 – 14h, 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente); Cinemark 3 – 21h40 (dub/diariamente), 0h15 (dub/somente sextafeira e sábado), Cinemark 5 – 19h40, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 18h15 (leg/diariamente), Cinépolis 8 – 13h (dub/diariamente), 15h45, 21h35 (leg/diariamente); Playarte 4 – 14h05, 16h25, 18h45, 21h05 (dub/ diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 8 – 18h (leg/diariamente). Uma Aventura Lego: EUA. Livre. Playarte 8 – 13h40, 15h50 (dub/diariamente). Frankstein – Entre Anjos e Demônios: EUA. 14 anos. Playarte 2 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). A Menina Que Roubava Livros: EUA. 10 anos. Cinemais Plaza 6 – 18h50, 21h30 (dub/diariamente)
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::::: Sala de Espera El bonitón Gabriel Bernardino está trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.
Jander Vieira
A mão amiga-solidária da primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz no combate ao câncer de colo uterino. O seu incentivo é para garantir mais qualidade de vida no futuro das mulheres amazonenses
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
::::: Sessão homenagem
::::: Viva, Zeca!
Goreth Garcia Ribeiro é só alegria. A primeira-dama de Manaus recebeu da CMM, o diploma de Mulher do Ano, durante uma homenagem especial às mulheres, devido ao seu trabalho social à frente da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, a Semasdh. Estavam presentes no plenário Adriano Jorge, grupos de apoio à mulher, ONGs, líderes comunitárias, entre outras pessoas ligadas à luta da ala feminina. FOTOS: MANOEL NETTO
Com direito a riquíssimo menu musical com o grupo Raízes Caboclas e as cantoras Lívia Mendes, Ellen Mendonça e Márcia Siqueira, o grande aniversariante da temporada, Zeca Nascimento, festejou seu niver com muito alto astral no casarão da Luiz Antony. Comidas do Village e muitas garrafas de Veuve Clicquot, mais o show pirotécnico de fazer inveja ao do Réveillon da Ponta Negra serviram para brindar o sucesso da celebração impecável.
Zeca com o vice-governador José Melo
Moisés e Sarah Cury, Mazé Mourão, Rui, Luciana e Sônia Machado com Menga Junqueira
Solon Neto com sua mamma Selene Costa
::::: Aterrissagem Os amantes do bom e indispensável café, do tipo diplomado e de qualidade, estão em polvoroso com a novidade. Chega a Manaus, precisamente no próximo dia 18, no Manauara Shopping, o Molen Cafés Especiais. Quem convida para a inauguração são os sócios-proprietários Maurício Santis e Caroline Nyenhuis. Aviso: o auê será somente para convidados, formadores de opinião e fornecedores, viu?
::::: Estreitando laços
Kátia e João Thomé Mestrinho
Aninha e André Amorim
Ellen Mendonça e Márcia Siqueira emoldurando Edilane Melo
As concessionárias Murano e Shizen Veículos, empresas do Grupo Simões, estão abrindo novos canais de comunicação com os clientes. A partir de agora, os usuários da rede social Facebook podem acompanhar as novidades por meio das fan pages, que irão anunciar novidades das marcas Fiat e Honda. A iniciativa da Divisão de Veículos do Grupo Simões prevê, também, o lançamento de perfis das concessionárias no Twitter, Instagram e Youtube. A página no Facebook permitirá ao internauta acessar a interface de agendamento de serviços e de test drive. Isso se chama praticidade!
O monólogo “A Dama da Noite”, encenado pelo ator Arnaldo Barreto, acontece hoje, às 19h, no Teatro Amazonas, com entrada gratuita. Nos próximos dias 21 e 22, os mais renomados professores de dança de Manaus e atrações especiais do eixo Rio-Sampa estarão no evento Baila Manaus. Serão dois dias de workshop, finalizando com o grande “Baile de Gala” e apresentação dos professores do evento no Manaus Plaza. Com data para o dia 5 de abril, o Villa Mix reunirá em um só palco Zezé di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Gusttavo Lima e Israel Novaes. O evento vai sacudir o sambódromo. A Natura lançou sua nova cria para os homens exigentes que não dispensam o que é bom. Trata-se do Kaiak Extremo, a fragrância masculina intensa da grife, em edição limitada, o extremo frescor e potência da maior marca de perfumaria masculina do Brasil. Forte candidata a biscoitar o concorrido Minimiss Amazonas, a bonita Melissa Abrahão participa (hoje) da seletiva de biquínis, às 19h, no Spasso Mix. O Minimiss Amazonas vai eleger três representantes amazonenses em categorias diferentes para o Minimiss Brasil. Segue até o próximo dia 30, na Galeria do Largo, a exposição “Euros, do risco ao pixel”, do talentoso artista plástico Euros Barbosa.
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MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Poeta traduz em livro que a brincadeira é uma arte
Compositor amazonense, Waldeklin de Souza, lança livro de poesias sobre evolução da criança para o adolescente HENRIQUE XAVIER EM TEMPO Online
Escritor há 30 anos, Waldeklin dedicou 3 anos para nova obra
A
s crianças, em diferentes momentos históricos e em diversos povos, deixaram um legado importante, seus brinquedos e brincadeiras, dando pistas aos estudiosos da maneira como viviam. As brincadeiras infantis que ainda persistem em todo o mundo não demandam objetos, desenvolvem muitas habilidades e, historicamente, se originaram de práticas culturais e religiosas realizadas pelos adultos ao longo dos tempos. É justamente esse fato de as brincadeiras e puerilidades servirem como reservatório infinito para a criação das diversas formas de arte que serve como pano de fundo para o livro “A arte da brincadeira”, escrito pelo poeta e compositor amazonense Waldeklin de Souza, que já está no prelo e deverá ser lançado no próximo mês de junho, em Manaus. Escrito ao longo de 2 anos, a coleção de poemas foi planejada ainda em 2011 e traz conceitos líricos que remetem à simplicidade da infância, às quadrinhas muito comuns nas brincadeiras de roda, à diversão moderna das grandes cidades e ao lirismo complexo de quem ainda guarda em si a mesma criança que foi um dia. “A ideia do tema surgiu ao observar,
durante uma festa popular, uma brincadeira de roda. Entendo que a poesia está em um detalhe, desde a natureza, com o pingo da chuva sobre as folhas das árvores, ao olhar de uma criança, onde o mundo é sempre visto sob as cores da simplicidade”, explicou o poeta. Paixão pela poesia Compositor há mais de 30 anos, a arte poética de Waldeklin de Souza sofre grande influência de autores como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Yeda Bernis, Aldísio Filgueiras e Raul Seixas. Ele explicou que o processo de criação de um poema é espontâneo e independente do querer, o que implica muitas noites de sono agitado e papel sempre à mão, como tentativa de descrever em palavras o “intangível lírico” que surge de uma hora para outra. Casado há 19 anos, o autor explicou que o amor é fundamental tanto para a vida do indivíduo quanto para a composição poética, a partir do favorecimento da carga
sicológica que será o principal combustível para o desenvolvimento do tema. “Amor é sinônimo de sensibilidade, e sem ela é impossível se fazer poesia”, completou. Waldeklin fez questão de frisar que, durante esse processo febril de criação, o poema aparece feito, emerge completo, como um ditado para o qual o trabalho do escritor seria apenas anotar. “A obra simplesmente aparece, emerge e é escutada num momento de equilíbrio especial, que não depende de mim. O meu esforço é para conseguir ‘ouvir’ esse poema todo e não apenas um fragmento dele”, explica. Ele diz que, para escrever, é necessário que sua atenção não se quebre ou atenue e que ele próprio não intervenha. “Se eu me desconcentro e o poema se quebra, o meu trabalho e a minha aplicação não conseguem continuá-lo. E a obra provavelmente nunca será completada ou perderá o valor psicológico”, enfatiza o poeta.
A BRINCADEIRA DE AMAR “Quisera eu um dia poder te encontrar E sufocar o desejo que vive a me torturar Ah, se esse dia chegar, pode o mundo se acabar Que eu morrerei feliz da vida Sem de nada me queixar”
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
Capa
1
2 3
A tara pelos livros
E outras 8 indicações culturais. Pág. 2
‘Fumaça do Prisioneiro’, de Antonio Dias (óleo e látex sobre madeira, 1964)
Cinquenta anos esta noite O golpe de 64 visto de perto pelo líder estudantil José Serra. Págs. 3, 4, 5 e 6
Em Manhattan, o futuro voltou Diário de Nova York. Pág. 8
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
BRASILEIRO
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Parte da obra ‘Caldas Aulete Para Nelson 3’, de Nuno Ramos
EXPOSIÇÃO | A TARA POR LIVROS OU A TARA DE PAPEL O curador Ricardo Sardenberg selecionou cerca de 40 obras de artistas plásticos que têm livros como suporte. Entre as raridades destaca-se “Certas Sutilezas Humanas”, peça única de Leonilson (1957-93). Há ainda “Meu Bem” (2008), de Beatriz Milhazes, colagem com referências ao Rio, e “Caldas Aulete “’ Para Nelson 3” (2006), em que Nuno Ramos escavou, nos cinco volumes do dicionário, o verso “a nossa vida é tão curta”, do samba “Eu e as Flores”, de Nelson Cavaquinho. galeria Bergamin | abertura na ter. (18), às 19h | seg. a sex., das 11h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 17/4
LIVRO | CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE “Quando É Dia de Futebol” compila crônicas e versos nos quais o poeta mineiro perscruta as paixões humanas e a realidade brasileira por meio das batalhas nos gramados. Publicados em jornais como “Correio da Manhã” e “Jornal do Brasil” os textos passeiam, com a leveza e a precisão de um passe de craque, por nove Copas (1954 a 1986) e por lances magistrais de Pelé e Garrincha. Inclui novo posfácio de Juca Kfouri. Companhia das Letras | R$ 34,50 | 200 págs.
TEATRO | HILDA HILST Abrindo programação do Sesc Belenzinho em homenagem à escritora, morta há dez anos, a peça “Osmo”, inspirada no conto de mesmo nome e dirigida por Suzan Damasceno, conta a história de um serial killer com pretensões literárias. O evento segue até 27/4, com leituras de poemas e prosas curtas da autora (“Cabaré Hilst”, dia 26/4) e a adaptação de “A Obscena Senhora D” para os palcos (2/4 e 3/4) “Osmo” - estreia na sex. (21), às 21h30 | sex. e sáb., às 21h30, e dom., às 18h30 | de R$ 5 a R$ 25 | até 27/4 | www. sescsp.org.br
EXPOSIÇÃO | RAQUEL ARNAUD Em comemoração dos 40 anos de trabalho da galerista, a mostra “Afinidades” reúne 116 obras de 45 artistas cujas carreiras se vinculam à trajetória de Arnaud. A seleção inclui, por exemplo, Lygia Clark, Sergio Camargo, Waltercio Caldas, Anna Maria Maiolino e Carlos Zilio. Instituto Tomie Ohtake | abertura na qua. (19), às 20h | de ter. a dom., das 11h às 20h | até 4/5
LIVRO | DIÁLOGO SOBRE O TEMA DA DIVINDADE Publicado por volta de 1630, este texto do filósofo francês François de La Mothe Le Vayer, publicado pela primeira vez no Brasil, busca conciliar, por meio da arguta conversa entre dois personagens, ceticismo e catolicismo, fé e razão. trad. Flavio Fontenelle Loque, Hennio Morgan Birchal e Bernardo Lins Brandão | ed. UFMG | R$ 25 | 124 págs. LIVROS | LAUTRÉAMONT Dois lançamentos da editora Iluminuras se debruçam sobre a obra do escritor francês de origem uruguaia (1846-70), cujo verdadeiro nome é Isidore Lucien Ducasse. “Os Cantos de Maldoror”, volume de poemas em prosa de 1868, ganha nova edição. Já em “Lautréamont Austral”, Leyla Perrone-Moysés e Emir Rodríguez Monegal analisam a imaginação do escritor, considerado um dos precursores do surrealismo e das vanguardas do século 20. “Os Cantos de Maldoror” | trad. Claudio Willer | R$ 56 | 384 págs. “Lautréamont Austral” | trad. Leyla Perrone-Moysés | R$ 38 | 128 págs.
POP
ERUDITO
FOTOS DIVULGAÇÃO
LIVRO | JULIAN BARNES Em “Altos Voos e Quedas Livres”, o escritor inglês parte de uma narrativa sobre os primórdios do balonismo para mergulhar no relato de seu próprio luto – sua mulher, a agente literária Pat Kavanagh, morreu em 2008, em decorrência de um tumor cerebral. Ao mesclar memórias e ensaio, Barnes propõe uma pungente reflexão sobre amor e perdas. trad. Léa Viveiros de Castro | Rocco | R$ 23,50 | 128 págs.
Tela de Carlos Zilio, de 1973, que estará em ‘Afinidades’
CINEMA | NOUVELLE VAGUE TCHECA Festival no CCBB de São Paulo apresenta 21 filmes produzidos na antiga Tchecoslováquia nos anos 1960. O período foi fértil em longas inovadores e libertários, antecipando o espírito da Primavera de Praga (1968). “O Baile dos Bombeiros” (1967), de Milos Forman, e “Iluminação Íntima” (1965, foto) estão no programa. de qua. (19) a 3/4 | de R$ 2 a R$ 4 | programação em www.bb.com.br/cultura
ESTRANGEIRO
Cena de ‘Iluminação Íntima’ (1965), de Ivan Passer
Folha.com
Ilustríssimos desta edição LETICIA MOREIRA/FOLHAPRESS
ADAMS CARVALHO, 34, é ilustrador. JOSÉ SERRA, 72, é economista e político. Foi prefeito e governador de São Paulo; e ministro da saúde do Brasil. Marcos Augusto Gonçalves, 57, é jornalista da Folha em Nova York
LITERATURA Trecho de romance inédito de João Anzanello Carrascoza, ‘Caderno de um Ausente’, que sai em abril FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da ‘Ilustríssima’ no site da Folha CINEMA THECO Trecho do filme ‘O Baile dos Bombeiros’, de Milos Forman >>folha.com/ilustrissima
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MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
História
2
As entranhas expostas do golpe O teatro de operações de 1964
JOSÉ SERRA ILUSTRAÇÃO ANTONIO DIAS
– Presidente, nós defendemos que o pedido de estado de sítio seja retirado. Vai suprimir as garantias constitucionais e fortalecer a direita. Vai acabar se voltando contra o povo, contra seu governo e contra o senhor mesmo. – Olha, jovem, tu não precisas te preocupar, porque, antes de vir aqui, já tomei providências para retirar. Não deixem essa notícia circular, pois vou anunciar depois de amanhã. Acho bom vocês continuarem falando contra daqui até lá. Direi que atendi a seu pedido. Mas o estado de sítio não era para agredir vocês, não era contra o povo, não. Ao contrário. Eu sei das dificuldades que tenho” Agora vou lhes dizer uma coisa: eu não vou terminar este mandato, não. Não chegarei até o fim. O presidente era João Goulart, e o jovem, eu mesmo, numa tarde de domingo, 6 de outubro de 1963, no apartamento de um familiar de Jango, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Estavam lá uns seis ou sete dirigentes da Frente de Mobilização Popular (FMP). Eu era presidente da UNE, e o então deputado Leonel Brizola, ao abrir a reunião sigilosa, sugeriu que eu expusesse os motivos de nossa rejeição ao estado de sítio que Jango solicitara ao Congresso. Na FMP, havia sempre uma tensão entre duas alas: a mais brizolista e radical e a que girava em torno do Partido Comunista Brasileiro e do então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, tida como mais moderada. O PCB era a força hegemônica da Frente do Recife, que elegera Arraes prefeito e depois governador. Dentro da FMP, de certo modo, a UNE era tida como não alinhada. João Goulart estava sentado numa cadeira confortável, com uma perna esticada num banquinho, e falava sem focalizar bem os interlocutores nos olhos. Parecia cansado, mas foi cordial até mesmo quando um dirigente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) Demístocles Batista, o Batistinha, poderoso dirigente dos ferroviários, para constrangimento de todos, entregou-lhe uma cópia da carta- testamento de Getúlio, insinuando que não a estava respeitando. A partir do episódio do estado de sítio e da reunião com Jango, senti que o governo não iria se aguentar. Fiquei assombrado ao ouvir do presidente da República, conformado, uma convincente previsão pessimista sobre o destino do seu mandato. Não parecia fazer chantagem emocional. Em
nenhum momento mais, nos seis meses que transcorreriam até o golpe, essa ideia me abandonou. Depois da conversa, fomos para o lanche, no outro lado da sala, de pé, num ambiente mais descontraído, com sanduíches frios, refrigerantes e um enjoativo vinho branco alemão, que era moda na época. Bebida destilada, nem pensar, não aparecia nesse tipo de reunião política. Enquanto bebia o vinho, Jango me puxou para o lado e disse, em tom confidencial, algo que me deixou um tanto sem graça: “Sabe, Serra, os militares vivem me dizendo que a tua UNE e tu mesmo mereciam umas boas palmadas, mas eu defendo vocês. Sabias? Eu te defendo. Sei o que me custa. Vocês devem se cuidar”. Exceção O lance do estado de sítio fora ousado. O governo enviara o projeto ao Congresso dentro do que previa a Constituição. Na Câmara, a relatoria ficou nas mãos do PSD – partido de “centro” que, em tese, apoiava Jango e era o maior do Parlamento –, com o experiente deputado Vieira de Mello, que anunciou um projeto substitutivo que esterilizaria a medida. Mas Jango tinha o propósito de implantá-la de fato, abrindo o caminho para um regime de exceção, nominalmente transitório. O governo federal interviria na Guanabara e em São Paulo, afastando, respectivamente, Carlos Lacerda e Adhemar de Barros, então governadores desses Estados. Se não acolhesse o projeto na forma original, o Congresso seria posto em recesso, e seriam convocadas eleições para dali a seis meses, de vereador a presidente. Jango assegurava que não se candidataria. Nesse ínterim, seria preparada uma reforma constitucional – na qual estariam previstas as “reformas de base”, termo criado pelo deputado e exministro San Tiago Dantas, e que viera para ficar –, a ser submetida a plebiscito. A proposta do estado de sítio, que se completaria com relatos paralelos, fora transmitida alguns dias antes aos dirigentes da FMP, Brizola presente, numa reunião tarde da noite, à qual compareceram dois vice-presidentes da UNE, Marcelo Cerqueira e Duarte Pereira. Eu estava na Bahia, num comício que comemorava o décimo aniversário da Petrobras. Ao lado do então deputado Almino Affonso, ex-ministro do Trabalho de Jango e o parlamentar mais brilhante e respeitado do PTB, eles deram opinião claramente discordante, argumentando que aquele processo desembocaria na quebra da legalidade
democrática, num golpe. Nessa noite, Affonso e os dois estudantes pautaram a FMP, inclusive Brizola, que fora o portador da proposta, sem emitir um juízo de valor claro sobre ela, mas mostrando certa simpatia. Jango não tinha personalidade autoritária e estava longe de ser um inveterado golpista, à moda de Carlos Lacerda. Sabíamos que tivera chance de promover golpes no passado não distante, talvez em condições mais propícias para si, quando o general Amaury Kruel era chefe da Casa Militar e depois ministro da Guerra, e o general Osvino Alves, comandante do poderoso Primeiro Exército, do Rio de Janeiro. Mas não o fizera. Não creio mesmo que Jango tivesse atuado de forma entusiasmada no roteiro do regime de exceção, via estado de sítio. Mas embarcara nele. Pelo nosso lado, achávamos – e eu estava convencido disto – que, se o presidente forçasse a marcha do projeto, perderia rapidamente o controle e abriria o caminho para uma ditadura militar de verdade. Suprimir as garantias e liberdades constitucionais e substituir governadores de três Estados importantes por generais resultaria no quê? Pior: tudo isso acabaria sendo feito com o nosso apoio, caso embarcássemos no início da aventura.
RESUMO Em 1º de abril de 1964, quando os militares tomaram o poder no país, José Serra, 22, era o presidente da UNE. O texto publicado nas próximas páginas é um trecho editado de “Cinquenta Anos Esta Noite”, a sair pela Record em junho, no qual o político narra, em tom pessoal, a escalada dos eventos que levariam ao golpe.
G4 Posição Nos dias seguintes àquela reunião na madrugada, depois de uma breve hesitação, os diferentes integrantes da FMP foram tomando posição contrária à proposta do estado de sítio. Mas ela não deixou de prosperar só por causa disso, nem por causa do Congresso – ou seja, pela oposição da esquerda e do centro –, mas também porque Jango não encontrara o suporte militar necessário. Tentara pôr seu golpe “preventivo” em marcha, do seu jeito hesitante, e não o conseguira. O principal indicador a esse respeito foi o fato de ele, naqueles dias, ter acionado (ou ter dado sinal verde para tanto) seu esquema militar para prender o governador da Guanabara, numa operação de paraquedistas, que fracassara. Lacerda, provocador como só ele, havia dado uma entrevista ao jornal “Los Angeles Times” dizendo que “os nossos amigos americanos não deveriam dar nenhuma ajuda ao governo criptocomunista de João Goulart”, acrescentando que o presidente não terminaria o mandato. Mas era gravíssimo que o dispositivo militar de Jango tivesse tentado a prisão e sintomático que, de tão bisonho, não tivesse conseguido. A percepção de que, à sua maneira, Jango preparava-se para sair, confirmou-se diante da lógica dos fatos nos meses seguintes. Ele não deixaria a vida, como Getúlio, mas o cargo, para entrar na história como um líder popular injustiçado. Ficaria em sua fazenda, em São Borja, e, quem sabe, seria um dia chamado de volta. Testes Antes de mudar para o Rio e assumir o cargo na UNE, em julho de 1963, não houve tempo para grandes treinamentos. Tive de aprender fazendo. Já no primeiro mês, houve dois testes difíceis e um evento traumático em Brasília, que marcou o começo do fim do governo de João Goulart. O primeiro teste foi uma CPI na Câmara dos Deputados sobre a UNE, a subversão e o pretenso ouro de Moscou, que, segundo os detratores da entidade, financiaria o movimento estudantil. Atravessei um dia inteiro de depoimentos e interrogatórios, da manhã até a noite, enfrentando parlamentares experientes, cujo único propósito parecia ser o de garantir manchetes escandalosas à grande imprensa. Outro teste foi o comício em homenagem a Getúlio Vargas, pelo nono aniversário de sua morte, na Cinelândia, no centro do Rio, quando fiz o discurso mais desassombrado de minha vida. A fim de que eu não falasse no início, quando a audiência é sempre mais dispersiva, atrasamos a chegada ao palanque caminhando entre a multidão, em vez de entrar por trás. Mas erramos o cálculo, o atraso foi excessivo e, de paletó e gravata, como era costume na época, acabei fazendo o último discurso antes do pronunciamento de Jango. Num comício daquele tamanho, não dava para ler nenhum texto; por isso, escrevi e memorizei cada frase. Minha experiência no Grupo Teatral Politécnico ajudava. Fui educado, mas contundente. Falei ao lado de Jango e dos seus ministros militares, que estavam no palanque. Lembro-me bem do general Jair Dantas, de uniforme, óculos de aros grossos, baixa estatura, expressão cordial. Comecei dizendo que estaríamos ao lado do presidente da República enquanto ele estivesse do lado do povo. Critiquei a possível nomeação do general Amaury Kruel para o Segundo Exército, de São Paulo, dizendo que tinha vocação golpista – aliás, quando ministro da Guerra, conspirara nesse sentido. E agora ia para o Segundo Exército? Acusei o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, um
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dos nossos alvos preferenciais – creio que, nessa matéria, só perdia para Lacerda –, de interferir em assuntos internos da política brasileira e manifestei oposição veemente à ideia, que já circulava no governo Jango, de intervenção federal em São Paulo e na Guanabara. Disse que Adhemar e Lacerda eram golpistas, mas que o remédio para combatê-los não era quebrar a legalidade. Como a tese da defesa das regras do jogo democrático não combinava com a imagem que a imprensa tinha da UNE, esse pedaço do discurso não apareceu nos jornais. Acabei criticando até o organizador do comício, Gilberto Crockat de Sá, assessor de Jango, presente ao palanque, acusando-o de pretender dividir o movimento sindical. Um grande foco de ataque foi o Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), entidade privada de extrema direita, que organizava campanhas anticomunistas e financiara candidatos a deputado na campanha eleitoral do ano anterior, quando gastou, a preços de hoje, mais de US$ 40 milhões só em dinheiro da CIA – no câmbio livre, uma fortuna para a época. Esse discurso esfriou nossa relação com Jango, que começara bem logo após minha posse, quando ele nos convidara para um jantar informal e acolhera de forma entusiasta nossas demandas sobre a educação: apoio às campanhas de alfabetização, que fazíamos a sério, por um fim à vitaliciedade da cátedra universitária e dobrar a oferta de vagas no ensino superior federal. Levei os números: havia menos de 100 mil universitários no Brasil, e a taxa de escolarização bruta era de apenas 1%. Rebelião No começo de setembro de 1963, houve uma rebelião de sargentos e suboficiais da Marinha e da Aeronáutica em Brasília. Por algumas horas, isolaram a capital, ocuparam a praça dos Três Poderes, apossaram-se do Ministério da Marinha, detiveram oficiais e os presidentes da Câmara e do STF. A insurreição não deu certo, mas seu impacto político e psicológico adverso para o governo de Jango foi imenso: deu a impressão de que, sob sua chefia, o Estado corria o risco de naufragar. Alvo Após o “affaire” do estado de sítio, fez-se uma reunião da FMP em Brasília, na qual o principal alvo foi o fim da “política de conciliação” de Jango, divisa comum a todas as forças que a integravam. Aprovou-se uma agressiva declaração formal de independência em relação ao governo. Na minha cabeça, o presidente iria cair e nós também cairíamos, mas que não caíssemos como janguistas! Eu não apostava na ideia de uma saída negociada para a crise brasileira – não por princípios; porque não acreditava que fosse viável. De outro ângulo, havia certa lógica no gesto da ruptura, que agradava ao CGT, à Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), a Brizola e a Arraes: pressionar Jango para que recompusesse seu ministério com figuras representativas da Frente. Mas, então, o efeito prático da reunião foi evidenciar que Jango estava mais isolado do que nunca. A reunião da FMP pela “ruptura” realizou-se numa sala fechada no Congresso. Num intervalo, perguntei ao deputado Neiva Moreira, sempre irreverente, o que significavam aquelas tachinhas espetadas num mapa do Brasil pregado à parede. “Não são nada, não. Eu é que pus e vou alimentando, só para assustar o pessoal da UDN que passa por aqui. Eles vão contar pro Bilac que viram os focos da futura guerra revolucionária...” O deputado Bilac Pinto, prócer udenista mineiro, era precisamente o autor da tese de que
havia uma guerra revolucionária em preparação no Brasil – tese que me parecia ridícula, mas que percorria jornais, quartéis e reuniões de civis assustados. Ele fazia reiterados discursos delirantes sobre o tema, preparados, segundo acusávamos, pelo Ibad e pela CIA e divulgados com grande cobertura. No entanto a ninguém ocorreu reprovar a brincadeira de Neiva Moreira. Isso, de fato, mostrava uma atitude em maior ou menor medida compartilhada por todos: assustar e intimidar os adversários. Esse era um comportamento padrão das esquerdas e de suas entidades da época, sem que a intimidação, como na brincadeira das tachinhas, implicasse qualquer tipo de ameaça real. A UNE e eu próprio não éramos pródigos nessa matéria. Mas havia uma estratégia implícita: “Quanto mais assustarmos o centro e a direita, mais eles cederão nas reformas” –na linha nada original de “entregar os anéis para não perder os dedos”. Conspiração Uma coisa era certa: a partir da tentativa do estado de sítio, as forças cujo principal braço político era a UDN lacerdista caminharam mais firmes e depressa na conspiração para derrubar Jango. Não iriam perder a oportunidade. Havia 18 anos tinham contas a acertar com o chamado “varguismo” e suas derivações, associações ou fantasias ao longo do tempo (república sindicalista, socialismo, comunismo etc.). Haviam perdido pelo menos cinco oportunidades de fazê-lo. Depois que a ditadura do Estado Novo caiu, no pós-Guerra, Eduardo Gomes, candidato daquelas forças a presidente, foi derrotado pelo marechal Eurico Dutra, apoiado por Getúlio. Na eleição seguinte, de 1950, ganhou o ex-ditador. Depois que ele foi levado ao suicídio, seu vice, Café Filho, cooptado pela direita, acabou sendo derrubado, em pouco mais de um ano, pelo seu próprio ministro da Guerra, general Henrique Lott – Café Filho se preparava para impedir a posse de Juscelino, do PSD, eleito com o apoio do PTB de Vargas, com Jango como vice. Com Jânio Quadros, as tais forças ganharam a eleição de 1960, mas perderam com a estapafúrdia renúncia do presidente aos sete meses de governo, sem falar da frustração que já sofriam com a “política externa independente” de Jânio. Tentaram impedir a posse de Jango, mas Brizola, com seu movimento a partir do Rio Grande do Sul, Estado que governava, evitou esse propósito. Também depois do episódio do estado de sítio, o arco das alianças para derrubar Jango foi sendo ampliado, até incluir, no começo de 1964, figuras “de centro”, como o então governador de Minas, Magalhães Pinto, que era da UDN e tinha ambições presidenciais – por isso mesmo, adversário de Lacerda e mais próximo a Jango. Nas últimas semanas de março, a aliança antijanguista já abarcava a maioria do PSD e incorporava intelectuais e jornalistas que, nos dias seguintes ao 1º de abril, viriam a ser opositores das arbitrariedades e da repressão, como foi o caso da equipe do “Correio da Manhã”. Diga-se que, em resposta à mobilização da esquerda, já tinha sido organizada uma “rede democrática” desde o último trimestre de 1963, juntando tudo o que se dispunha em matéria de jornais, rádio e TVs, para contrapor-se aos (poucos) jornais e emissoras ligadas ao governo e a Brizola. Demissão Um fato para mim ilustrativo, embora até hoje subestimado, da falta de empenho de Jango em melhorar a sorte de seu próprio governo foi a demissão, em dezembro de 1963, do ministro da Fazenda, Carvalho Pinto, ex-
governador de São Paulo, político discreto, que inspirava confiança no empresariado e na imprensa. A rápida deterioração da economia no período que se seguiu ao naufrágio do Plano Trienal – lançado no início de 1963, sob a condução de San Tiago Dantas e Celso Furtado, ministros da Fazenda e do Planejamento, não comprometera sua figura, pois era claro que a herança recebida por ele era a pior possível. Houve pretextos para afastar o ministro – principalmente a postulação de Brizola a ocupar seu cargo, que não tinha o apoio unânime da FMP e era rejeitada intra ou extramuros pelo CGT, pela UNE e por deputados da FPN. Eu me perguntava se a postulação do ex-governador do Rio Grande do Sul era para valer. Se dependesse de suas falas e entrevistas, parecia que sim. A primeira vez na vida que contemplei séries e curvas exponenciais de expansão de moeda foi assistindo aos discursos de Brizola naquele período, gerando, aliás, apreensão em todos, pois ilustrava o descontrole da economia. Nenhum homem público com grande audiência apresentava uma visão tão pessimista da economia como ele. A razão determinante para a remoção do ex-governador de São Paulo, porém, não foi a pressão do cunhado de Jango, e sim o relativo prestígio de que o ministro desfrutava, que o punha na condição de presidenciável. Entre muitas especulações, começavase a falar até da dobradinha Carvalho Pinto-Arraes para 1965, o que eu mesmo considerava uma das boas hipóteses naquelas circunstâncias. A demissão do ministro da Fazenda abalou de vez a confiança do empresariado no governo em
relação à estabilidade da economia. A escolha do novo ministro, Nei Galvão – que, apesar de ocupar a presidência do Banco do Brasil, era considerado inexpressivo –, consolidou essa percepção. Confronto Jango não cedeu às pressões para formar um gabinete ministerial nacionalista e popular, digamos assim, mas, no primeiro trimestre de 1964, foi mergulhando na estratégia de confronto apontada, precisamente, pelo roteiro da FMP. Em janeiro, Jango regulamentou a Lei de Remessa de Lucros do capital estrangeiro, aprovada no Congresso em 1962, mas, desde então, pendente desse decreto. A demora era explicável, pois a regulamentação da lei poderia agravar os problemas do balanço de pagamentos, caso afugentasse o ingresso de capitais. Essa, no entanto, não era nossa preocupação. O decreto foi assinado em Petrópolis, sob nossos aplausos. Fomos recebidos depois pelo presidente, que atendeu à reivindicação de indicar um estudante, no caso o vice-presidente para Assuntos Educacionais da UNE, Duarte Pereira, para integrar o Conselho Federal de Educação. Reafirmou, também, a decisão de duplicar as vagas no ensino superior. Em seguida, o governo programou grandes manifestações de massa, organizadas em conjunto com o CGT para março e abril, a começar pelo comício da Central do Brasil, no Rio, na noite de 13 de março, sexta-feira. Ficara claro que Jango e o pessoal do CGT não eram supersticiosos. Mas o ato fazia parte de uma sequência de manifestações pelo país, como o mote das reformas e da pressão sobre o Congresso
para que as acolhesse. Àquela altura, Jango já se abraçara aos setores da FMP mais ligados ao PCB. Para a direita, essa programação representava uma declaração final de guerra. Para o centro, um empurrão a que abandonasse o governo. Para a esquerda como um todo, uma vitória contra a conciliação. COMÍCIO Nunca soube avaliar o número de pessoas presentes a um grande comício ou passeata. E, naqueles tempos, nem imprensa nem PM se dedicavam a esse cálculo. Mas nunca vira tanta gente junta. Jango fez o melhor discurso de sua vida. Ele estava numa espécie de púlpito, tendo ao seu lado direito, no meu ângulo de visão, sua mulher, Maria Tereza, jovem e deslumbrante. Darcy Ribeiro, chefe da Casa Civil, atrás, buzinava coisas a seu ouvido, quase aos gritos. Do lado esquerdo, Osvaldo Pacheco, comunista histórico e o mais carismático dirigente do CGT. No fim, ao cumprimentá-lo, ouvi: “E aí, rapaz, desta vez tu gostaste, não?”. João Goulart anunciou a encampação das refinarias privadas de petróleo existentes, falou em acabar com a vitaliciedade da cátedra universitária, de congelamento de aluguéis, da ampliação do direito de voto, e apresentou o decreto que permitia desapropriar, para fins de reforma agrária, terras às margens das rodovias federais. Leonel Brizola e Miguel Arraes não tinham sido formalmente convidados para o comício, mas apareceram. Como o Exército controlava o ingresso na área do palco, houve um leve empurra-empurra na barreira existente, mas ambos falaram, Brizola de forma longa, especialmente radical, propondo fechar o Congresso ou passar por cima dele, via plebiscito, sob imensos aplausos.
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Besideatui sente consum estiam tem det ina, ubliculum IgnTabussi pribusa porunum movestes, quit qax
Diga-se que essa ideia do plebiscito não era consensual na FMP e, nos meus discursos estudantis, jamais a defendi. Achava que ia dar uma grande confusão, que acabaria criando o clima para golpes e contragolpes. Nem avaliava, e aí ficaria mais alarmado, o efeito que as incertezas decorrentes teriam sobre a inflação, que já era desabrida, e a crise econômica. O índice, em 1963, chegara perto de 90%, e o crescimento per capita da economia fora de 2% negativos. Jango preocupava-se com que eu repetisse, no meu discurso, o tom e o conteúdo do que eu fizera na Cinelândia, no aniversário da morte de Getúlio. De fato, o dirigente do CGT, Hércules Correia, que monitorava o revezamento na tribuna, até que tentou cumprir a tarefa: “Vou te anunciar, você dá boa noite, diz uma frase de saudação, recebe as palmas e encerra, Serra. Encerra!”. Os aplausos foram demorados e intensos. Movi meus ombros para os lados, insinuando a Hércules Correia o que aconteceria se alguém tentasse me interromper. Além da falta de convicção, ele não tinha de fato como intervir na frente daquela multidão. E fiz meu discurso, já memorizado, em toda sua extensão. Mas minha ênfase foi diferente daquela da Cinelândia e da que a própria imprensa registrou: centrei-me na denúncia das articulações golpistas da direita, no apoio ao governo legalmente constituído contra o golpe e no chamado à mobilização democrática. Estava convencido de que o golpe viria logo, naquelas semanas, sobretudo depois daquela noite. Naturalmente, pedi também a encampação das refinarias privadas, logo anunciada por Jango, junto com o decreto da Supra.
Fantasia O comício aqueceu, de um lado, as expectativas de ascensão do movimento de massas; de outro, acelerou a trama do golpe e assustou ainda mais os grandes jornais – que já tinham formado aquela “rede da democracia” no final do ano anterior – e as classes médias urbanas, todos temerosos de um regime comunista, de uma república sindicalista, ou seja lá o que fosse. Do ponto de vista real, uma fantasia. Do ponto de vista da mobilização para o golpe, um fator poderoso. O aquecimento foi até a fervura quando, dias depois, o governo enviou ao Congresso a mensagem presidencial do ano, que reiterava e ampliava, em pontos sensíveis, medidas e iniciativas apresentadas no discurso original. Primeiro, encampava a tese de Brizola sobre o plebiscito em torno de emendas constitucionais. Segundo, permitia a desapropriação rural com títulos públicos reajustáveis na forma da lei (mais ou menos como é hoje), eliminando a exigência de pagamento prévio em dinheiro. Terceiro, estabelecia a possibilidade da delegação de poderes para o Executivo, eliminando o parágrafo segundo do artigo 36 da Constituição, que a proibia e foi tratado de forma depreciativa no texto da mensagem. Quarto, introduzia um dispositivo constitucional garantindo que “são elegíveis os alistáveis”. O plebiscito e a delegação de poderes selava, para os adversários e liberais-democratas, a ideia da democracia autoritária – ou, nas palavras do Ibad, “o caminho do totalitarismo” –, associada ao enfraquecimento do Congresso e à permanente agitação popular. Isso era inaceitável para o PSD e para a UDN. E a elegibilidade
dos alistáveis abria caminho – de forma paranoica ou não – para a possibilidade de reeleição do próprio Jango em 1965 ou da candidatura presidencial de Brizola, impedida pela Constituição vigente em virtude de ser cunhado do presidente. Até os que eram crianças na época se lembrarão das pichações de partidários do ex-governador gaúcho dizendo “Cunhado não é parente, Brizola para presidente”. Nem Jango nem Brizola acreditavam muito em tal possibilidade. Queriam assustar os adversários e foram bem sucedidos nisso. As questões de elegibilidade mexiam com todos os políticos que só pensavam na Presidência: Juscelino, Lacerda, Adhemar de Barros e Magalhães Pinto. De mais não se precisava, como pretexto, para unir politicamente as forças de vários matizes que se opunham a Jango. O temor era tal que, em São Paulo, seis dias depois, incentivada pelo comício na Central do Brasil, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, promovida para dar respaldo ao golpe, reuniria mais gente que o comício. Na sua maioria, pessoas de baixa classe média para cima, que não haviam sido levadas por sindicatos e em cujas fileiras quase não se encontravam estudantes. A grande maioria de boa fé democrática e religiosa, tementes do belzebu comunista que iria implantar a ditadura do proletariado, o materialismo e a perseguição aos seguidores de Cristo. As entidades mais visíveis eram as de senhoras e a TFP, que tiveram apoio em dinheiro da CIA ou coisa parecida, mas não foi por isso que atraíram tanta gente. As palavras de ordem, para a multidão, estavam bem feitas e soavam democráticas.
“Reformas, sim, mas dentro da Constituição. Senão, não!” No Rio, poucos dias depois, fomos a uma reunião informal com o CGT: os marinheiros da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, reunidos no auditório de um sindicato, declararam-se em assembleia permanente. Para mim, surpresa total. Suas reivindicações corporativas iam do direito ao voto à possibilidade de se casarem e de vestirem roupas civis, sem falar nos pedidos por melhores salários e alimentação. Independentemente de qualquer coisa, tratava-se de uma verdadeira sublevação, que somaria oficiais centristas e legalistas das três Armas na ofensiva do golpe. Decidi não comparecer. Os fuzileiros navais foram enviados para reprimir os manifestantes, mas, chegando lá, desistiram. Por isso, o seu comandante, Cândido Aragão, janguista, foi afastado pelo ministro da Marinha, Sílvio Mota. A falta de cobertura da Presidência, porém, levou Mota a demitir-se. No seu lugar, Goulart nomeou um almirante cujo nome fora reivindicado pelos revoltosos, Paulo Mário Rodrigues, tido como de esquerda, que imediatamente concedeu anistia e renomeou Aragão. E tudo acabou em desfile comemorativo pelas ruas do Rio de Janeiro, em plena Sexta-Feira Santa. Na passeata, cruzaram com o almirante Aragão, erguendo-o nos braços. Em matéria de esforço para somar contra si a maioria dos oficiais das três Armas – devido aos abalos na hierarquia e na disciplina militar – e de provocar a reação negativa às reformas de base, Jango não poderia ter feito nada mais eficaz e definitivo. Paralelamente, o presidente se recusava a nomear um novo ministro da Guerra, apesar de o titular, general Jair Dantas, estar internado para uma cirurgia. Aliás, era grampeado pela CIA dentro do seu quarto de hospital. Assim, o ministério militar mais importante foi mantido acéfalo, no meio de todas essas crises e das conspirações coordenadas pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Castelo Branco. Após a marcha da família, ele emitira um documento reservado em favor do golpe, fato então conhecido pelo governo e até por nós, mas não fora punido. Indo mais longe, na antevéspera da consumação do golpe – cuja data real é 1º de abril, não 31 de março –, Jango discursou para sargentos e suboficiais do Exército na sede do Automóvel Clube do Rio de Janeiro. Presente à mesa, também, o líder dos marinheiros, cabo Anselmo. Junto com diretores da UNE, ouvi o discurso dentro de um táxi, parado na avenida Delfim Moreira, no Leblon. Nossa conclusão óbvia foi, de duas, uma: ou Jango estava se despedindo do governo ou iria de fato “tomar o poder”. Tudo em questão de horas. Claro que a intuição e a razão apontavam para a primeira hipótese. Nesse dia, aliás, as hostes policiais e parapoliciais lacerdistas já estavam nas ruas, prendendo dirigentes do CGT em sua própria sede – outra demonstração do alheamento, do despreparo e até da ingenuidade das esquerdas em matéria de segurança. Não aderia à violência nem tinha um plano para se proteger dela. Violência Apesar das teses do udenista mineiro Bilac Pinto sobre a guerra revolucionária, demonstrações de violência mesmo só existiam do lado da direita. No Congresso da UNE em que fui eleito, em Santo André, grupos paramilitares metralharam o estádio que abrigava os trabalhos e soltaram bombas de gás lacrimogêneo no plenário. No ano anterior, em Quitandinha, também houvera metralhadoras e bombas. Numa reunião no anfiteatro do Mackenzie, em São Paulo, atiraram ácido no ministro da Educação, Paulo de Tarso. O
prédio da UNE sofria periódicas rajadas de metralhadora nos primeiros meses de 1964. O fato é que não havia exercícios de violência de nosso lado nem preparativos nesse sentido. E, se essa ideia existisse, não haveria como materializá-la. Para as classes médias que deram suporte ao golpe nas marchas de São Paulo e do Rio e nas ruas de Belo Horizonte, havia uma motivação adicional para o apoio: o medo da cubanização do Brasil e da guerra revolucionária que a implantaria. Esse é um mito que ficou. Insisto: nada mais fantasioso do que supor que o Brasil pudesse virar uma Cuba ou que a esquerda, em 196364, estivesse se armando. Os famosos “grupos dos 11”, que o pessoal do Brizola começara a cadastrar, com vistas a criar um movimento nacionalista-revolucionário, já eram insignificantes como instrumento político. Imaginem, então, para possíveis enfrentamentos armados. Na UNE da época, uma entidade forte e independente, nem se cogitava do tema. Eu nunca ouvi nada a esse respeito. Se me falassem em coquetel molotov dentro da sede, acharia que se tratava de alguma bebida favorita do ex-chanceler de Stálin. As Ligas Camponesas de Francisco Julião, que haviam tentado, com apoio logístico e financeiro cubano, montar guerrilhas dois anos antes, tinham fracassado. Depois disso, só faziam ameaças, vendendo um peixe que em absoluto não tinham. E o seu braço político, pequeno e desorganizado, o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), era isolado de todos os setores mais importantes da esquerda. Havia, sim, o famoso dispositivo militar de Jango, capaz, em tese, de deter um golpe ou de promovêlo. Mas tudo só em tese, como se viu nesses casos e se constataria no golpe de 1º de abril, quando aquele dispositivo sumiu. A retórica servira para assustar a classe média e conferir verossimilhança à farsa golpista. Rumores – General, estou indo para o Amazonas, mas há muitos rumores de movimentações golpistas. É claro que o senhor os ouviu. Tenho dúvida se viajo ou não. – Pode ir, meu jovem, não tem problema. Quase todos esses rumores são falsos. Os que não são se referem a iniciativas que estão sob controle. Foi precisamente com o general Assis Brasil, chefe da Casa Militar da Presidência e coordenador do “dispositivo”, que começou minha história na fase final do golpe. Na quinta-feira da Semana Santa, eu ia para Manaus, onde a UNE promovia um seminário sobre os problemas da Amazônia. De lá, iria a Belém, onde se realizaria outro encontro, com estudantes de toda a América Latina. Cruzei com o general no Galeão. Mais do que sua resposta formal, o que atenuou minha inquietação foi ver o comandante do “dispositivo” em trajes esportivos, embarcando numa boa para o descanso da Semana Santa. Como era possível isso? O presidente pescando no Sul, o ministro da Guerra no hospital e o chefe da Casa Militar indo repousar? Minha viagem duraria muito pouco, entretanto. Cheguei a Manaus à noitinha, jantei com os congressistas, de manhã visitei o mercado, onde comprei um par de tartaruguinhas e filhotes de jacarés – eram tempos préecológicos –; mas, antes de abrir o seminário, tive de retornar por causa da intensificação dos rumores de golpe, que não perturbavam o general Assis. No Rio, na segunda-feira à noite, dia 30 de março, depois de ouvir o discurso de Jango no Automóvel Clube, decidimos ir até a sede dos Correios a fim de obter informações. O diretorgeral, coronel Dagoberto Rodrigues, era homem de confiança
de Jango e de Brizola. Nessa noite, descobrimos que existia, nos Correios, um sistema de escuta telefônica, e o coronel já sabia de movimentos de tropas em Minas Gerais. Viria para o Rio uma tropa comandada por um general de poucas estrelas, Mourão Filho. De volta à sede da UNE, aprovamos uma nota denunciando o golpe e chamando à resistência. Decidimos deslocar partes da diretoria para os Estados onde haveria maior resistência, reduzindo também o risco de que todos fôssemos presos juntos. À tarde e à noite do dia 31 de março, fui duas vezes ao Palácio das Laranjeiras, uma vez com Marcelo Cerqueira, outra com Betinho [Herbert José de Sousa]. Queríamos que o governo resistisse. Lá dentro, o general Assis Brasil disse, para nossa incredulidade, que estava tudo bem. Cruzamos com Juscelino, com quem tínhamos relações amistosas: ele nos disse que a situação era muito grave, sem dar nenhum sinal do que conversara com Jango. O general Peri Bevilacqua, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, entrou e saiu com ar de quem encaminhara medidas salvadoras. Como depois se viu, era um documento pedindo a rendição de Jango, ou seja, ele permaneceria, mas sob tutela militar, e reprimindo o CGT, a UNE e os comunistas. Jango pode ter errado muito nos anos anteriores, mas, nessa noite, acertou ao recusar aderir ao golpe militar com ele à frente. Nem duraria no cargo. Numa escrivaninha pequena, oitocentista, redigi uma nota conclamando a greve geral dos estudantes, a qual mal chegou à imprensa, mas foi divulgada nas emissoras de rádio que ainda funcionavam do nosso lado. Por volta das dez da noite, fui à sede da UNE, onde havia uma assembleia permanente, para dar informações sobre a situação. A reunião era no teatro do Centro Popular de Cultura, que seria inaugurado naquele mês. Não fora ainda pintado, e o cheiro da madeira pura e fresca era agradável, destoando da feiura das minhas preocupações sobre o dia seguinte. Quando cheguei, o general da reserva e historiador – um homem respeitável, ligado ao PCB – Nelson Werneck Sodré fazia um relato otimista da situação militar, sendo aplaudido pela plateia ansiosa. A questão central era: o que fará o general Amaury Kruel, comandante do Segundo Exército? O mesmo Kruel que eu havia chamado de golpista no comício da Cinelândia e que Jango nomeara, no mês seguinte, para comandar o Exército em São Paulo. Disso dependia a sorte do golpe. Trairia Jango? Não, achava Sodré. Sim, achava eu. Mas, ao falar, disfarcei meu ceticismo a respeito da posição de Kruel, transmitindo, no entanto, uma parcela de minha apreensão com o andar das coisas. E voltei para as rádios. Como se soube depois, já naquela noite Kruel propusera a Jango fechar o CGT e a UNE, mudar ministros e reprimir a esquerda, ouvindo a recusa como resposta. Já de madrugada, fui com o deputado Max da Costa Santos para a casa de amigos dele, no Jardim Botânico, onde passaríamos o resto da noite. Era impensável dormir na UNE, diante do risco de atentados e prisão, ou mesmo no hotel Novo Mundo, onde vez por outra pernoitava. Por volta das cinco, Max me acordou com a notícia da adesão de Kruel ao golpe. Fomos aos Correios a fim de encontrar dirigentes da FMP e obter informações sobre o quadro militar em todo o país. O prédio estava protegido por tanques. Juntei-me com Marcelo Cerqueira, com quem dividiria todos os passos nas semanas seguintes.
G6 Bunker O ambiente, naquela espécie de bunker da FMP, era de debandada. Toda vez que, nas décadas seguintes, participei de alguma derrota política, sempre me veio à cabeça, como mecanismo de consolo, aquele ambiente da sede dos Correios. Em matéria de derrocada e dispersão, nada foi nem viria a ser pior do que aquilo. No fim, achamos que os tanques que protegiam o prédio começavam a virar seus canhões para ele. E viravam! Por isso, saímos, Marcelo e eu, por uma porta lateral, e fomos a pé até a base aérea do Santos Dumont à procura de seu comandante, o brigadeiro Francisco Teixeira, legalista e boa figura: – Brigadeiro, por que o senhor não manda seus aviões atacarem, espantarem esse pessoal que vem de Minas? – Olhe, bastaria um só avião para dar conta disso. Eles vêm com soldadinhos, uma tropa muito fraca. Mas a ordem do presidente foi que mantivesse os aviões no chão. – É possível que um avião nos leve a Porto Alegre? – Não. Sem ordem superior, não posso autorizar. Ficamos desencorajados pela impossibilidade de ir ao Rio Grande do Sul a fim de resistir, pois lá estava Brizola, e o comandante do Terceiro Exército, recém-nomeado, assegurava que defenderia a legalidade num esquema que, com muito otimismo, talvez pudesse replicar o de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros e do veto dos ministros militares à posse de Jango, então vice-presidente. Fomos em seguida para o Ministério da Marinha e chegamos até o ministro, o almirante Paulo Mário, sem que ninguém, ninguém mesmo, perguntasse nossos nomes ou o que fazíamos ali. Isso da portaria até a sala do almirante, que pareceu estar ainda mais por fora e desarmado do que nós. Afinal, onde estava o dispositivo militar de Jango? Dispositivo não é feito para ser acionado? Apagara-se sem ruído, como uma bolha de sabão. Kombi Não sei exatamente como, tomamos uma Kombi e rumamos para a Baixada Fluminense para encontrar dirigentes do CGT e trocar ideias sobre o que fazer. Onde? Na casa do deputado Tenório Cavalcanti, em Caxias, que, por motivos alheios à política, era uma verdadeira fortaleza, com grandes portões de aço à prova de balas. Tenório era o detentor da popular Lurdinha, uma metralhadora leve portátil, e tinha nas costas cicatrizes de tiros recebidos em emboscadas não políticas, digamos assim. Dono do jornal “A Luta Democrática”, o terceiro do Rio em número de exemplares, era muito bom de voto e se candidatara a governador da Guanabara, dividindo o eleitorado mais popular com o deputado Sérgio Magalhães, o que facilitaria a eleição de Lacerda. Na época, não havia segundo turno. Sentados em torno de uma pequena mesa, na sala pouco iluminada, trocamos figurinhas pessimistas sobre a situação, todos duvidando da possibilidade de, aliado a Leonel Brizola, João Goulart resistir no Rio Grande do Sul, para onde iria, ou já tinha ido, ao deixar Brasília. O Batistinha, dirigente do CGT e membro do PCB, avaliava: “Existe a possibilidade de o golpe se ‘pessedizar’. Juscelino aderiu nos últimos dias, os caciques
MANAUS, DOMINGO, 16 DE MARÇO DE 2014
do PSD participaram. A moeda de troca será a garantia das eleições presidenciais no ano que vem, e o processo pode acabar virando briga de branco, UDN contra PSD, Lacerda contra Juscelino. A gente precisa permanecer agrupado, se proteger, não fazer loucuras e acumular forças enquanto isso acontece.” Não achava que seria assim, mas era mais confortável acreditar, torcer para que viesse a ser assim. Um pouco mais tarde, na cama improvisada num sofá da mesma sala, ouvi um discurso ao vivo de Brizola, no Rio Grande do Sul. Não me sai da cabeça até hoje uma conclamação para a luta que ele fazia aos “sargentos de Bagé”. Incêndio Foi ali, pelo rádio, que soube, mortificado, da invasão e do incêndio da sede da UNE pelos grupos paramilitares lacerdistas. Entrevia as chamas bem vermelhas que apareciam na janela da minha sala. Lá tinham permanecido assessores meus, que eu levara de São Paulo, ao lado de algumas dezenas de outros estudantes, membros do CPC, como Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e Carlos Vereza. Apesar de desarmados, ficaram até o fim e escaparam pelo pátio de trás. Já estávamos sendo procurados pela ágil repressão lacerdista. E se fôssemos presos naquela casa? Para onde ir, o que fazer? Que confusão ia dar no Brasil? Tínhamos contribuído para isso? Quanto? Seria possível viver clandestino, reagrupar forças? E se não fosse, fazer o quê? Não poderia terminar a faculdade? E meus pais? Bem que eu poderia não ser filho único. Para mim, ainda é doloroso lembrar aqueles momentos e falar sobre o golpe, sobre o que veio logo antes e depois. Até hoje, tenho um mal-entendido com esse pedaço de minha vida e da nossa história. Ao acordar, imaginei por instantes ter sonhado, que não estava onde estava e que o 1º de abril fora apenas um pesadelo. Depois, compreendi melhor por que essa dúvida é uma quase trivialidade na literatura. Não é por falta de imaginação dos escritores. É porque ela acontece mesmo diante de cada tragédia. E eu estava vivendo a minha primeira, aos 22 anos recémcompletados. De manhã, disse a Marcelo, ou ele a mim: “Vamos embora logo. Olha, não quero ser injusto, mas receio que alguém possa nos entregar. E, se é para sermos presos, que seja noutro lugar”. A entrada na cidade do Rio, numa Kombi cinza velha, foi o grande pesadelo diurno, infelizmente inesquecível. Olhos ardendo pela falta de sono, sol, calor, ruas barulhentas, gente comemorando o golpe com buzinaços, multidões caminhando para celebrar, naquela que teria sido a réplica carioca da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, marcada para o dia 2 de abril, e que se transformou na festa da derrubada de Jango. Mais tarde, pela televisão, assistimos à comemoração, animada por locutores especialmente eufóricos e cretinos, com discursos de gente que eu não conhecia, e vimos o povo festejando o golpe “democrático”. Fomos para um apartamento vazio do pai de uma amiga, na Barata Ribeiro, onde eu às vezes ficava. Na porta, aguardava-me Marcílio Krieger, catarinense que trabalhava comigo: “Vi gente rondando aqui. Acho perigoso
vocês ficarem”. Ir para São Paulo? Além do risco da viagem, havia o fato de que o general Kruel, comandante do Segundo Exército, tinha motivos pessoais para guardar rancor. Separei-me do Marcelo, aguardando, não sei onde, que ele viesse com algum esquema de hospedagem segura. Veio então com Vianinha e Jacob Kligerman, aplicado estudante de medicina, “Partidão” até a alma e polinamorador nas horas vagas. Com esse objetivo, mantinha uma “garçonnière” na Lapa, perto da sede carioca do Departamento de Ordem Política e Social. Paciência! Ficamos lá por alguns dias. Em conversas animadoras, Marcelo falou do Cecil Borer, chefe do Dops no Rio – até aquele momento, eu não sabia de quem se tratava. Aprendi que Borer era um paladino da repressão e da tortura desde a década de 30. Soube também o que era pau de arara, aparelho de tortura de que nunca ouvira falar. “Zé, se formos presos, o Borer nos põe lá.” Eu vestia uma feia camisa amarelada, colarinho engomado, que Max da Costa Santos me emprestara na manhã do dia 1º. Além de já estar encardida, me caía desajeitada. Troquei-a por outra pior ainda, de um amigo a cuja casa fomos e que era uns 20 centímetros mais
baixo do que eu. Finalmente, tive a pequena satisfação, no meio daquela rota de fuga, de ganhar duas camisas de Jacob, que era mais alto e encorpado. Uma coisa tornou-se perceptível em nossa peregrinação, embora nada comentássemos, nem entre nós: não obstante a gentileza, o desconforto dos familiares dos diferentes amigos que procurávamos. Retrato Grandes jornais do Rio publicaram fotos da UNE incendiada e de suas dependências. Não sei qual deles dava destaque para um retrato de Josef Stálin, afirmando que adornava a parede de minha sala. Ficava me perguntando se os historiadores do futuro iriam acreditar naquilo e em tantas outras estultices. O único refresco, na imprensa, foi um artigo de Carlos Heitor Cony, no “Correio da Manhã”, mostrando, do jeito e com o talento dele, a farsa do golpe democrático, a partir de cenas que observara no Posto 6. Apesar de relativamente calmos, com autocontrole, estávamos totalmente desarticulados, sem informações, sendo perseguidos e sem lugar seguro para ficar. Por isso, alguém sugeriu que buscássemos proteção numa embaixada, o que me pareceu, num primeiro momento, inconcebível; num segundo, a
opção possível. Um deputado do PTB da Guanabara, Paulo Alberto Monteiro de Barros (mais conhecido depois por seu pseudônimo: Arthur da Távola), entrou em contato com Juscelino, que pediu ao embaixador da Bolívia que nos abrigasse. Paulo foi primeiro e mandou um amigo, Toninho Cavalo – sim, o futuro técnico do Botafogo e do Atlético Mineiro –, encontrar Marcelo e a mim num posto de gasolina. Ao ver chegar um homem sem nenhum jeito de amigo do Paulo, nos afastamos rapidamente de carro e ele foi atrás, confirmando nossa impressão de que era da polícia. Não sei mais como chegamos a um entendimento, mas o fato é que acabamos entrando na embaixada. Mais à noite, Toninho, a secretária do Paulo Alberto e a sogra, Dona Emilinha, mulher do professor Anísio Teixeira, apareceram lá com camas de lona desmontáveis, lençóis limpos, comida e um aparelhinho de TV. Lá fiquei perto de três meses. Os salvos-condutos iam saindo, o pessoal viajando, mas eu ia ficando. O ministro da Guerra, general Costa e Silva, disse expressamente ao embaixador boliviano, Álvaro Castillo, que se esforçava para resolver minha situação: “Salvo-conduto para esse rapaz, não, embaixador. Ele é perigoso”.
Carta Há dois ou três anos, recebi a cópia de uma longa carta manuscrita que enviei, ainda na embaixada, relatando minha vida e minha situação ao advogado que então me assistia, Evaristo Morais Filho. Ela não mostra abatimento, mas surpresa e indignação pelo que acontecera. Recebi também a cópia de um filme mostrando minha participação no comício de 13 de março, feito por Leon Hirszman e por Eduardo Coutinho, que eram do CPC da UNE. O texto, a caligrafia, o filme fizeram-me evocar com emoção um conto de Jorge Luis Borges: na maturidade, o escritor encontra, sentado num banco, às margens de um rio, um jovem que, para seu espanto, descobre ser ele mesmo. O jovem ignora quem é seu interlocutor, mas percebe o afeto daquele homem mais velho que, no fundo da alma, gostaria de contar-lhe tudo sobre a vida, para que a vivesse melhor. É o que senti ao rever a mim mesmo, no papel e na imagem, tanto tempo depois. Nota Este texto é uma versão abreviada, para publicação na “Ilustríssima”, do primeiro capítulo de “Cinquenta Anos Esta Noite”, a ser lançado em junho.
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Diário de Nova York
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O MAPA DA CULTURA
As cores mais quentes Em Manhattan, a arte antecipa a primavera
MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
Março ainda não espantou o frio, mas já providenciou dias mais amenos para lembrar aos nova-iorquinos que a nova estação está, enfim, se aproximando. O inverno rigoroso, com nevascas, ventos cortantes e recordes de baixas temperaturas, deixou a cidade
cansada e impaciente. Ao primeiro sinal de trégua – uma manhã ou tarde com ares primaveris –, as ruas já estão em trajes mais leves (alguns, mais otimistas, de camisetas e pernas de fora), como se qualquer coisa que se aproxime de 10 graus Cel-
sius fosse um cruzeiro pelos mares do Caribe. “Acho que o pior já passou”, me consola a vizinha simpática no elevador. Espero que sim. O tempo vai melhorando, e a agenda cultural também deve melhorar consideravelmente.
Xepa? No mundo das artes, o mês começou com a grande feira da cidade, a Armory, que reuniu mais de 200 galerias de 29 países nos píeres 92 e 94, às margens do rio Hudson, na rua 55 com a 12ª avenida.
Muitos artistas e marchands brasileiros presentes, além do tradicional formigueiro de VIPs correndo para lá e para cá. Para Kelly Crow, especialista em mercado de arte do “Wall Street Journal”, as feiras, que não param de crescer, já estão cansando até os mais fanáticos colecionadores. “É preciso mudar, fazer alguma coisa nova”, disse ela em entrevista. Parece sensato. Empacotando A abertura da Armory coincidiu, neste ano, com a inauguração da tradicional Bienal do Whitney – até 25 de maio. É a última vez que o evento, dedicado apenas a artistas norte-americanos ou residentes no país, ocorre no prédio da avenida Madison. A partir de 2015, a bienal do museu muda-se para a nova sede do Whitney, projetada por Renzo Piano, no Meatpacking District, próximo ao parque High Line e ao circuito de galerias de Chelsea. A região, que já foi industrial e decadente, ponto de prostituição e venda de drogas, é hoje, como se sabe, uma área cool da cidade – uma vizinhança “hipster”, gay e fashion, com bons bares, restaurantes e lojas de marcas badaladas, como Stella McCartney e Christian Louboutin. A antiga degradação da margem do Hudson foi substituída por um boom imobiliário, com alguns projetos arquitetônicos de vanguarda – e outros nem tanto. Residenciais monstruosos estão sendo erguidos na área do High Line e ameaçam transformar o bairro, em breve, numa muvuca pósmoderna. Para marcar essa Bienal histórica, a instituição convidou três curadores que não pertencem à sua equipe e confiou a cada um deles um andar do prédio, sem nenhuma exigência de unidade ou afinidade nas escolhas. O resultado é um panorama interessante, mas às vezes confuso e duvidoso, da arte contemporânea norteamericana. Bem, não é improvável que o problema seja mais da produção atual do país do que dos curadores. Não conheço o bastante para ser categórico, mas posso dizer que me impressiona a quantidade de obras ruins – quando não de puro lixo – expostas em galerias de Nova York. Guardadas as proporções, a cena brasileira emergente parece bem melhor. O futuro de novo O MoMA e o Guggenheim abriram neste mês duas grandes mostras. No Museu de Arte Moderna, o destaque é o pintor francês Paul Gauguin (1848-1903). São 150 obras, que relacionam desenhos e gravuras com as pinturas, mais conhecidas, do artista. No caracol de Frank Lloyd Wright, a atração é uma vasta exposição sobre o velho e sempre atraente futurismo, movimento que foi coqueluche mundial e influenciou nossos primeiros modernistas.