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OS RUSSSOS
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No coração da floresta a HRT Participações em Petróleo está no Amazonas desde 2009. E vai continuar perfurando poços em parceria com a gigante russa Rosneſt Oil Company
A HRT Participações em Petróleo, que vem fazendo prospecções no Amazonas desde 2009, não vai deixar o Amazonas, garantiu em entrevista exclusiva ao EM TEMPO seu diretor-presidente, Nilo Azambuja. Ao invés disso, a companhia decidiu vender uma fatia de 6% à sua parceira russa Rosneſt Oil Company na joint venture da Bacia Sedimentar do Solimões. Agora, a Rosneſt passará a deter 51% do projeto, tornando-se operadora, enquanto a HRT ficará com 49%. Os Contratos definitivos devem ser concluídos até 31 de janeiro de 2014. Economia B4 e B5
MORTE NA ARENA DA AMAZÔNIA RICARDO OLIVEIRA
APPHOTO
Operária que trabalhava na cobertura do estádio caiu de uma altura de 35 metros. Última Hora A2
8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES
Lixo da Copa vai gerar empregos e renda RICARDO OLIVEIRA
Cerca de 1,8 mil catadores de 23 municípios do Amazonas, vão passar por capacitação para aproveitar os resíduos. Economia B1
Atraso nas obras do linhão de Tucuruí Um atraso nas obras do sistema de transmissão impede que o sistema chegue completamente ao Amazonas. Economia B3
O caixão do primeiro presidente negro da África do Sul foi aplaudido por multidões
VOLTA PARA CASA
O corpo de Nelson Mandela chegou ontem a Qunu, onde será enterrado neste domingo. O avião com o caixão deixou a Base Aérea de Pretória por volta de 12h locais (8h no horário de Brasília) e chegou ao aeroporto de Mthatha por volta das 13h30 locais (9h30 em Brasília). De lá, seguiu por cerca de 30 km de carro até Qunu. Última Hora A2
A corrida do Milhão tem Bruno Senna Bruno é convidado especial da corrida que marca o encerramento da temporada de 2013 da Stock Car. Pódio E6
HOJE É DOMINGO Imóveis em Miami, um dos principais destinos dos brasileiros, estão na mira dos amazonenses.
Em 1930, o quadrinista belga Hergé , criador do Tintim, iniciou a série de histórias dos garotos Quick e Flupk. As tirinhas fizeram sucesso.
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
Para as festas que pipocam nesta época, nada melhor que investir em looks bonitos, que servem para diversas ocasiões. TEMPO EM MANAUS
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ANO XXVI – N.º 8.208 – DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Operário morre ao cair da Arena da Amazônia M
arcleudo de Melo Ferreira, natural da cidade de Limoeiro, no norte do Ceará, que completaria 23 anos hoje, morreu na manhã de ontem após despencar de uma altura de 35 metros no canteiro de obras da Arena da Amazônia. O operário trabalhava na instalação de proteção lateral dos refletores do estádio que deverá sediar jogos da Copa do Mundo, em Manaus. Segundo funcionários da obra, o acidente ocorreu na madrugada de sábado por volta das 4h10, quando o operário caiu em cima de uma cadeira, próximo ao escanteio no lado direito do estádio e, tendo sido imediatamente socorrido, foi encaminhado ainda com vida ao prontosocorro 28 de Agosto, na Zona
Centro-Sul da cidade, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã de ontem. O corpo foi encaminhado às 7h para perícia no Instituto Médico Legal (IML). Marcleudo Ferreira vivia no alojamento na Lóris Cordovil, 230, casa 2 – bairro Alvorada 1, Zona Centro-Oeste e até o fechamento dessa edição não havia comparecido nenhum familiar para reconhecimento do corpo no IML. Segundo informações, extraoficiais ele não estava usando equipamentos de segurança no momento do acidente e trabalhava na solda da cobertura. O laudo da investigação será divulgado dentro de 30 dias. De acordo com a Unidade Gestora do projeto Copa (UGP), visitas e obras no estádio estão
DIVULGAÇÃO
O acidente ocorreu na madrugada de sábado e o operário despencou de uma altura de 35m, morrendo pela manhã suspensas até amanhã. A empresa Andrade Gutierrez se pronunciou sobre a ocorrência em nota oficial lamentando o fato e comunicando que investigará as causas do acidente. Esse é o segundo acidente com vítima fatal nas obras da Arena da Amazônia. O primeiro ocorreu em maio, quando Raimundo Nonato Lima da Costa, de 49 anos, morreu em decorrência de um traumatismo craniano após cair de uma altura estimada de cinco metros. Segundo informações divulgadas na época, pela Polícia Militar, o operário caiu após tentar passar de uma coluna para o andaime. As obras da arena foram iniciadas em novembro de 2010 e a inauguração está programada para janeiro de 2014.
Nota É com pesar que a Construtora Andrade Gutierrez informa que por volta das 4h da manhã de hoje, 14/12/2013, o operário Marcleudo de Melo Ferreira, 22 anos, natural de Limoeiro do Norte - CE, funcionário de empresa subcontratada que presta serviços na montagem da cobertura da Arena da Amazônia, sofreu uma queda de uma altura de cerca de 35 metros, sendo socorrido e levado ao pronto-socorro 28 de Agosto ainda com vida, onde não resistiu aos ferimentos e morreu nesta manhã. Reiteramos o compromisso assumido com a segurança de todos os funcionários e que uma investigação interna está sendo feita para apurar as causas do acidente. As medidas legais estão sendo tomadas em conjunto com os órgãos competentes. Lamentamos profundamente o acidente ocorrido e estamos prestando total assistência à família do operário. Em respeito à memória do mesmo, os trabalhos deste sábado foram interrompidos. Alessandro Resende Almeida Comunicação Construtora Andrade Gutierrez S/A
DIVULGACÃO
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Candidatos terão cinco horas para responder as questões
Primeira fase do exame da OAB é neste domingo Cerca de 120 mil bacharéis em direito e estudantes de todo o país farão a primeira fase do exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) hoje. A prova será aplicada às 13h (horário de Brasília), em 165 cidades. Nesta etapa, os candidatos terão cinco horas para responder as 80 questões de múltipla escolha, referentes as disciplinas obrigatórias do curso de direito e ao estatuto da Ordem. Apenas quem acertar ao menos 50% da prova (40 questões) será convocado para a segunda fase do exame, marcada para 9 de fevereiro. Cada uma das 80 questões pode ser decisiva para o candidato. E o universo de conteúdos abordados é vasto. Além das disciplinas obrigatórias do currículo acadêmico mínimo dos cursos de direito, entram também Direitos Humanos, Código
do Consumidor, Estatuto da Criança e do Adolescente, Direito Ambiental, Direito Internacional, Filosofia do Direito, Estatuto da Advocacia e da OAB, seu Regulamento Geral e Código de Ética e Disciplina da OAB. Ainda hoje, será divulgado um gabarito preliminar no site do exame. A lista inicial de aprovados para a segunda fase sairá no próximo dia 26 (a lista definitiva está prevista para 17 de janeiro). Nesta edição, a Ordem inaugura um “sistema de repescagem”. Quem for reprovado na segunda etapa, composta por questões dissertativas, não precisará fazer a primeira no exame seguinte. Antes, o candidato teria de refazer todo o processo. A aprovação é obrigatória para obter a inscrição como advogado, segundo o conselho Federal da OAB.
CAMPEÃO
DESPEDIDA
Funeral de Mandela no povoado dos ancestrais O corpo de Nelson Mandela foi levado ontem à região Eastern Cape, na África do Sul, para um funeral de Estado que será oficializado hoje, em sua aldeia natal, depois da despedida do herói antiapartheid pelo Congresso Nacional Africano (CNA). Com músicas revolucionárias, alguns punhos levantados e tributos ao “camarada Mandela”, o antigo movimento de libertação ao qual Mandela dedicou sua vida disse adeus a ele na base aérea de Waterkloof, na capital Pretória. “Vá bem ‘Tata’, você fez sua parte”, disse o presidente sul-africano e líder do CNA, Jacob Zuma, em um elogio no qual usou a palavra em Xhosa para “pai”. Ele recordou a vida de Mandela como um combatente pela liberdade na luta contra a minoria branca, pela qual passou 27 anos na prisão. “Sempre vamos lembrar de você”, disse Zuma, antes de gritar o slogan da luta do CNA: “Amandla” (Poder). A despedida do CNA liderada por Zuma, que contou com a presença da viúva de Mandela, Graça Machel, e sua ex-esposa Winnie Madikizela-Mandela, ocorreu depois de nove dias intensos de luto e atividades fúnebres carregadas de emoção, realizada em Joanesburgo e Pretória. Isso incluiu três dias de velório em Pretória, de quarta a sexta-feira, no qual mais de 100 mil
pessoas ficaram por horas nas filas para dar o último adeus ao primeiro presidente negro da África do Sul. Um dos netos de Mandela, Mandla, agradeceu aqueles que apareceram para prestar suas homenagens ao prêmio Nobel da Paz. “Eu testemunhei seu exército, tenho testemunhado o seu povo, tenho testemunhado sul-africanos comuns que andaram esta longa caminhada para a liberdade com ele
HOMENAGEM
A despedida do CNA liderada por Zuma, que contou com a presença da viúva de Mandela, Graça Machel, e sua ex-esposa Winnie, ocorreu depois de nove dias de luto e atividades e posso garantir ao Congresso Nacional Africano hoje que o futuro deste país parece brilhante.” Escoltado por caças, o corpo de Mandela foi levado pela força aérea da África do Sul para a sua região de origem Cabo Oriental, de onde seria levado para a casa da família em Qunu, uma aldeia a 700 km ao sul de Joanesburgo. No local, um funeral de Estado ocorre joje, combinando pompa militar e ritos tradicionais de Xhosa abaThembu, clã de Mandela.
Zanetti termina o ano com 100% de vitórias Campeão olímpico no ano passado, o ginasta Arthur Zanetti venceu todas as competições de 2013 na sua especialidade: as argolas. Depois do título mundial, o brasileiro encerrou as provas de 2013, ontem, com a medalha de ouro no aparelho, na Copa Toyota Internacional de ginástica artística, no Japão. Ele considerou “incrível” sua temporada. “Foi pesada, e eu sabia que seria difícil. Mas deu tudo certo, e acabei o ano com 100% de aproveitamento nas argolas. Agora, quero minhas férias merecidas”, afirmou. “Nossa, que ano difícil. Mas valeu, dá para dizer que foi perfeito”. Na cidade de Toyota, em Nagoya, Zanetti consagrouse com nota 15.875. Medalhista de prata, o japonês Koji Yamamuro ficou com 15.625. O alemão Marcel Nguyen, terceiro colocado, teve 15.375 pontos.
“Nas argolas, que eram o mais importante, eu tirei 15.875. Ganhei e fiquei muito feliz com isso”, disse. No solo, Zanetti terminou na quarta posição, com 14.525 pontos, em Toyota. O japonês Kenzo Shirai levou a medalha de ouro, com 16.325. Seu compatriota Kohei Uchimura, segundo colocado, somou 15.500. O coreano Eo Jim Park conquistou o bronze com 14.800. “Gostei da minha apresentação no solo, foi boa, mas fiquei em quarto porque eram muitos os atletas bons no solo que estavam aqui”, avaliou o atleta paulista. Terça-feira, ele desembarcará em São Paulo e participará do Prêmio Brasil Olímpico, do Comitê Olímpico Brasileiro. Melhor ginasta do ano, Zanetti concorre à premiação geral entre os homens com o nadador Cesar Cielo e o velejador Jorge Zarif. DIVULGACÃO
DIREITO
Marcleudo caiu de uma altura de 35 metros e o seu corpo ficou estendido sobre as cadeiras
O campeão Zanetti comemora um ano de vitórias perfeitas
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
De olho no Bolsa Família
Eduardo Campos comeu poeira Um fato chama a atenção na pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta sextafeira. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), é o candidato a Presidência da República em 2014, mas está abaixo de Omar Aziz (PSD). Ele tem 58%, enquanto que o governador do Amazonas disparou como o melhor avaliado, com 74%. Outra vez Aziz No estado do Amazonas, 84% dos entrevistados aprovam a maneira de governar de Omar. Em Pernambuco, esse percentual de aprovação também é elevado, mas, novamente, Eduardo Campos fica abaixo de Omar, com (76%). Confia no homem A confiança da população em seu governador é outro indicador muito importante para sua popularidade. Mais uma vez, o governador do Amazonas aparece em primeiro lugar, com percentual de confiança de 75% . Empatados em segundo lugar, com 66%, temos o Acre e Pernambuco. Lanterna Os governadores com os menores percentuais de aprovação são os do Rio Grande do Norte (13%), Distrito Federal (16%) e Amapá (26%). Tucano em alta O EM TEMPO teve acesso a uma pesquisa feita pelo PSDB nas capitais de todo o país. Os dados mostram que aproximadamente 80% consideram positiva a administração de Arthur Virgílio Neto. Até pro Governo Em outra parte da pesquisa, 58% dos entrevistados dizem que votariam em Arthur Virgílio Neto caso ele saísse do cargo de prefeito para disputar o Governo do Estado.
Mário embarcou O vereador Mário Frota (PSDB) acaba de embarcar no maior absurdo que se comete contra a biografia de alguém que lutou contra a ditadura. O livro a que o vereador se refere – “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, foi assinado por Romeu Tuma Júnior e escrito pelo jornalista Cláudio Julio Tognolli, sob encomenda, com o único objetivo de denegrir a imagem de Lula.
Que Mário frota faça críticas a Lula é aceitável. Até que odeie o ex-presidente é compreensível. Lula ficou oito anos na presidência e, nesse período, comete-se erros sim senhor. Até o “santo” FHC os cometeu. Cabo Anselmo, não! Mas agora tentar transformar o Lula do ABC num mísero “cabo Anselmo” é de doer. Mário estava lá no auditório da Justiça Milita quando Lula, Jacob Bittar e Chico Mendes foram julgados acusados de crime em um comício do Acre. Memórias de sangue Mário Frota também viu e leu nas revistas, Lula saindo da cadeia – onde dormia no chão fazendo um casaco de travesseiro –, sendo escoltado para o enterro de sua mãe, d. Lidu, preso, entre quatro trogloditas que sequer deixaram-no que o presidente do sindicato chorasse.
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
Mão de aluguel Ninguém a história dos outros desse jeito, como tuminha e o vereador Mário Frota estão fazendo. O jornalista Cláudio Julio Tognolli – que de foto escreveu o livro –, até que se perdoa, porque, como “mão de aluguel” ele está ganhando para escrever o que os outros ( que estão pagando), mandaram.
Botafoguenses apaixonados fizeram uma promessa que prometem cumprir. Se o Botafogo conseguisse entrar na Libertadores, viajaria para assistir ao primeiro jogo. Só não esperam que o desafio seria em Quito, no Peru, contra o Deportivo. Mesmo assim garantem que vão.. Outra ponte Empenhado em conseguir aprovação ao projeto de construção da ponte sobre o rio Solimões, o deputado Francisco Souza (PSC) promoveu ontem coleta de assinaturas na avenida Lourenço Braga, Centro de Manaus. Travessia De acordo com Souza, a construção da ponte rio Solimões gera um grande anseio. Principalmente para os moradores de Manaquiri, Careiro da Várzea, Careiro Castanho e Autazes.
VAIAS
Secretários candidatos
Regi
Que tratamento truculento para quem colaborava com a ditadura, hein vereador?
Paixão botafoguense
Odeia Lula
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG), teve seu projeto de transformação do Bolsa Família em um programa de Estado, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Aconteceu terça-feira 10. Com isso, corta e apara o discurso dos que já começam a dizer que ele vai acabar com a “distribuição de renda” do Lula... se eleito. O Bolsa Família, esboçado muito sem querer querendo no governo do tucano de Fernando Henrique Cardoso, ganhou toda a prioridade nos dois mandatos de Lula e não perdeu a posição com Dilma Rousseff. Mas já se sente que é um programa que precisa ser renovado. A “distribuição de renda” nos moldes como foi e está sendo realizada é o típico programa “pós-guerra”, “pós-furacão”, pós-enchente”, “pós-catástrofe”, situações que “não estavam no programa”, e por isso, assumem esse caráter emergencial. Essa estratégia de “defesa civil” pode ser comparada, reservadas as dimensões, com o programa “Carreta da Mulher”, desenvolvido na administração de Amazonino Mendes, em Manaus, e que ficou permanente, como se, a cada mês, a cidade tivesse uma enchente acima dos 29 metros acima do nível do mar. O Bolsa Família até hoje encanta o discurso petista e Aécio Neves está promovendo, à maneira mineira, como quem não quer, querendo, uma espécie de reintegração de posse do programa ao domínio tucano. Ao mesmo tempo em que institucionaliza um programa de emergência, que ficaria muito bem, pois já provou que dá certo e segura a audiência, no elenco de ações da Defesa Civil, que sempre é surpreendida por um pós-tudo e é sempre a última a chegar com o socorro de urgência. O que a Defesa Civil costuma fazer é “tomar providência”, depois que o furacão passa e deixa um rastro de prejuízo.
Bancas no Relógio Municipal
ARQUIVO EM TEMPO
RICARDO OLIVEIRA
Para secretários municipais que, usando o bom senso, decidiram entregar o cargo antes de anunciar suas candidaturas a um cargo político. Tudo de forma civilizada e sem nhem, nhem, nhem....
Para as barraquinhas de guloseimas e restaurantes improvisados, que aos poucos estão voltando para o entorno do Relógio Municipal, voltando a poluir a área.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Esporte e educação Consolidou-se a convicção, para não falar crença (que envolve fé), de que o esporte é algo educativo porque desenvolve a colaboração, o espírito de equipe, o respeito a regras e, sobretudo, a consciência de que nem sempre se pode vencer, ou seja, a aceitar por vezes a derrota, já que ninguém precisa aprender a suportar a vitória. Esta é a tese com a qual e pela qual cada vez mais se valorizam e divulgam as práticas esportivas numa febre de exageros que já chegam a incomodar e a enjoar, de tanta repetição. Uma coisa é ouvir ou assistir uma competição, ao vivo, no momento em que ela se realiza, ou conhecer os resultados das disputas através dos noticiários. Outra coisa é aturar por dias e dias as observações detalhistas e as minudências sem a mínima importância e com o máximo de enfado. Há poucos dias, um dos “anatidae”, não sei se o Pato ou o Ganso perdeu um pênalti, coisa absolutamente trivial na vida de um jogador de futebol e contei mais de uma semana de comentários, críticas e justificativas para todos os gostos. Mas o âmago da questão, o que realmente pode e precisa ser discutido é saber se o esporte, pelo menos nas modalidades e nas maneiras como ora é vivenciado na sociedade brasileira, ainda mantém o status de ação educativa com que é amplamente rotulado e propagado nos veículos de comunicação ou se, pelos exageros da supervalorização, o fanatismo está sendo alimentado. Não faz muito tempo, jovens torcedores do Corinthians viajaram à Bolívia e lá mataram um adolescente com um sinalizador, cujo projétil entrou pelo olho da vítima. Parodiando Bilac, ora direis
que foi apenas um acidente, mas qualquer um sabe que aquilo é um instrumento altamente perigoso, ao ser usado em meio às gentes. Ademais, logo que liberado e retornado ao Brasil, o mesmo delinquente logo se envolveu em outro distúrbio. Aliás, a mesma torcida já havia protagonizado chocante espetáculo em Brasília. Mais recentemente, as turbas vascaínas e atleticanas (do Paraná) se confrontaram durante um jogo que deveria se manter como uma disputa esportiva e se transformou num espetáculo de violência, com saldo de fraturas de crânio e outros ocorrências conducentes às UTI. E não é somente no futebol que a barbárie se instalou e adquiriu capacidade de deseducar e gerar delinquentes sociais. Pior que nele é o que ocorre nesse “esporte” que se tornou mania nacional e que, sobretudo, promove a agressividade e a truculência. Refirome a essas lutas sem regras e sem ética, frente às quais as pelejas dos gladiadores da Roma antiga pareceriam espetáculos do Balé Bolshoi. Embora usem arremedos de luvas, sem qualquer amortecimento, mostram clara preferência pelos chutes, pelas joelhadas e pelas cotoveladas, sempre a mirar partes especiais, sobretudo a cabeça. É preciso usar apenas o bom senso, o chamado senso comum, sem nenhum esforço de altas reflexões, para inferir que não se trata verdadeiramente de um esporte, mas de uma prática de violência e de massacre de outra pessoa. Longe de educar, apenas deseduca e estimula a liberação da agressividade. E depois de desligada a TV ou fechado o estádio, deslavadamente criticam e lamentam a violência que ora impera na sociedade.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
É preciso usar apenas o bom senso, o chamado senso comum, sem nenhum esforço de altas reflexões, para inferir que não se trata verdadeiramente de um esporte, mas de uma prática de violência e de massacre de outra pessoa. Longe de educar, apenas deseduca e estimula a liberação da agressividade”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Conflito de interesses
Porque está em um posto de pedestal acha que pode dizer besteira. Vai ter que esclarecer o que acontece em um montão de Estados americanos, onde cada um deles, só com a capital, superam a população uruguaia. Ou eles têm dois discursos, um para o Uruguai e outro para os que são fortes?
Principal cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Josué Gomes da Silva (PMDB) tem a BNDESPar como acionista minoritária de sua empresa, a Coteminas. A holding do BNDES, vinculado à pasta, é detentora de 9,84% das ações da firma, segundo dados registrados na Bovespa. Atualmente, o titular do ministério, Fernando Pimentel, ocupa a presidência do conselho de administração do banco. Além disso, a Coteminas já recebeu financiamentos do BNDES. Recordar... Integrantes do governo que defendem a ida de Josué para a pasta já têm a informação em seus radares e lembram que a situação remete à de Luiz Fernando Furlan, que se afastou da Sadia para assumir o cargo de ministro no governo Lula. ... é viver Na época, em 2005, ele estava à frente do conselho do BNDES quando o banco barrou um pedido de financiamento apresentado pela Sadia, empresa que havia presidido e que era comandada por seus parentes. Pressa Alexandre Padilha (Saúde) já fez chegar a Dilma Rousseff que prefere deixar o ministério em janeiro, como estava programado antes de outros ministros começarem movimento para ficar no governo até março. Tô voltando Nos fins de semana, Padilha e a mulher já se dedicam a empacotar os livros, que estão sendo levados para seu apartamento na rua Avanhandava, na Bela Vista, famosa pelas cantinas. Timing E apesar da resis-
tência de Fernando Pimentel, o PT também trabalha com sua saída do Ministério do Desenvolvimento até o fim de janeiro para tocar sua candidatura ao governo de Minas. Migração Sem espaço para ser candidata ao Senado pelo PT catarinense, Ideli Salvatti (Relações Institucionais) pode ser transferida na reforma para a Secretaria de Direitos Humanos, no lugar de Maria do Rosário. Perspectiva Com a iminente decisão do Banco Central americano de retirar os incentivos para o mercado local, o Planalto já trabalha com a possibilidade de uma intensa volatilidade do dólar a partir de janeiro, podendo afetar os índices de inflação. Clima A pressão pública do governo brasileiro sobre a França para acelerar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, durante a visita de François Hollande, serviu para criar um “constrangimento calculado” entre os dois blocos. Clima 2 O Brasil fez questão de jogar a responsabilidade de volta para os europeus, que no início do ano criticaram o Merco-
sul pelo atraso da apresentação de propostas para o acordo. Prova Assim como Dilma, Hollande também sofre críticas de empresários em seu país. Ao receber uma medalha da Fiesp, disse: “Vou mostrar a todo mundo na França para provar que eu defendo a indústria francesa”.
José Mujica, presidente do Uruguai, reage às declarações do chefe da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes da ONU, Raymond Yans, que condenou o país pela legalização da venda e do cultivo da maconha. Os Estados americanos mencionados são Washington e Colorado.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
União O novo presidente do PSOL, Luiz Araújo, vai conversar com dirigentes do PSTU nas próximas semanas para tentar construir uma inédita aliança de esquerda em torno da candidatura do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) à Presidência.
FOTO LEITOR
Em casa Pesquisa do PSOL no Amapá, reduto de Randolfe, mostra o socialista em segundo lugar no Estado, com 25% das intenções de voto, atrás de Dilma (46%). Aécio Neves (PSDB) tem 10% e Eduardo Campos (PSB), 6%. Submerso Geraldo Alckmin (PSDB) lança terça-feira o edital de licitação do túnel marítimo que ligará Santos ao Guarujá, uma das obras prioritárias de sua gestão, orçada em R$ 2,4 bilhões.
Tiroteio
Um observatório para detectar possível invasão de objetos voadores não identificados? um memorial ao “dedo-duro”, o servidor da ditadura civil-militar, de tão triste lembrança (“Estão vendo isso, crianças? Não imitem, é feio!)? ou simples despojo da erudição de almanaque de gerações passadas, adoradoras de Príapo? Vá entender...
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Os tucanos dizem que o Judiciário não age politicamente. Agora que o trem pagador do PSDB chegou ao STF, é hora de provar a tese.
Rádio Rural
DO PRESIDENTE DO PT-SP, EMIDIO DE SOUZA, sobre o envio ao STF do inquérito que apura denúncias de corrupção em obras de trem e metrô no governo de SP.
Numa manhã de sol forte, paramos o barco numa pequena comunidade ribeirinha no Japurá. Naquela hora, tínhamos pouca esperança de encontrar alguém, pois não avisáramos que faríamos aquela visita. De fato, todos estavam na casa de farinha, menos uma adolescente que ficara tomando conta de sua filhinha, nascida há poucos dias. Pouco mais que uma menina, engravidara de um peixeiro, cujo barco passara dias no porto da comunidade, e depois partira prometendo um dia voltar. A menina mãe estava sintonizando a rádio Educação Rural de Tefé. O programa era o “Manhã Feliz”, transmitido desde os tempos do Movimento de Educação de Base. Naquele momento, intuí a importância do rádio e da comunicação que cria um espaço de dignidade, de sonho, de abertura dentro de vidas limitadas pela exclusão e pela exploração histórica, tornando-se janela para o mundo. Fizemos uma foto que levei para a apresentadora do programa para que ela saudasse aquela ouvinte distante, e um dia ela teve seu nome levado ao ar, deixando de ser anônima. Quantas noites acompanhei os avisos para o interior. Escutando-os, tomava conhecimento das alegrias, das festas de padroeiros e torneios de futebol, mas também das mortes, doenças, de angústias na busca de pessoas que não davam notícias. Era a vida que entrava pelas ondas sonoras do rádio. A Rural comemora hoje cinquenta anos. Ela surgiu para servir à educação a distância. A partir de Tefé, se alfabetizava pelas ondas do rádio, segundo o método de Paulo Freire. Cente-
Contraponto
Beleza não põe a mesa Durante discurso na abertura do 5º congresso do PT, em Brasília, na última quintafeira, Lula falava sobre o que ele classifica como “preconceito” e “medo” de setores do eleitorado que votar no PT. O ex-presidente chamou a atenção para vitória do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012, quando militantes gritaram na plateia: � Lindo! Lula, então, respondeu: � Lindo, né? Ninguém quer saber se ele é lindo! Querem saber se ele é do PT! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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nas de pessoas tiveram acesso à educação fundamental numa perspectiva de conscientização libertadora e de formação política. Nas comunidades que foram surgindo formaram-se lideranças que mudaram a realidade da região. A rádio evangelizava no sentido pleno de dar sentido a vida das pessoas, abrindo os horizontes para o Reino do Céu, mas também anunciando a alegre notícia da cidadania e da possibilidade de vida digna na terra. Informação, formação e entretenimento foram sempre as linhas mestras da sua programação. Uma rádio feita por homens e mulheres que veem a comunicação como serviço, a verdade como critério e a vida das pessoas e sua dignidade como valor supremo. A história da Rural, como é carinhosamente chamada pelos ouvintes é a história de tantas rádios na Amazônia. Nestes tempos de comunicação global, de mundo virtual, de manipulação, nossas rádios podem continuar a serem espaços de resistência cultural, de valorização de nosso povo e de suas expressões, de comunicação verdadeira e honesta. Parabéns e obrigado a todos que fizeram e fazem a história do rádio. Tem sido um privilégio conviver com estes batalhadores da comunicação que constroem uma Amazônia para todos. Que as razões de mercado, as artimanhas do poder, o proselitismo irracional não destruam e nem manipulem as ondas do rádio. Rádio é concessão pública, serviço ao povo, e deve sempre servir ao bem comum, e o bem comum merece o melhor em termos de profissionalismo e competência.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Parabéns e obrigado a todos que fizeram e fazem a história do rádio. Tem sido um privilégio conviver com estes batalhadores da comunicação que constroem uma Amazônia para todos. Que as razões de mercado, as artimanhas do poder, não destruam as ondas do rádio”
Política
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
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Aleam e CMM têm gastos milionários em outubro Deputados e vereadores somam R$ 1,21 milhão com uso do ‘cotão’. Maior despesa é relacionada a combustíveis
DANILO MELLO/ALEAM
Os 24 deputados estaduais recebem, mensalmente, ajuda de custo no valor de R$ 25,6 mil. Até este ano, a cota é cumulativa e, em outubro, quem mais utilizou foi o deputado Ricardo Nicolau ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM
LUANA GOMES Especial EM TEMPO
P
oupar não parece ser a palavra de ordem dos parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Na soma, as últimas atualizações das duas casas legislativas referentes ao mês de outubro, mostram a utilização de R$ 1,21 milhão da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), popularmente conhecido como ‘cotão’. Do total, R$ 336,56 mil foram gastos somente com combustíveis. Por mês, os vereadores ganham uma cota de R$ 14 mil, enquanto os deputados estaduais são beneficiados com uma quantia de R$ 25.697. Conforme previsto pela cota, os gastos podem ser realizados em conta de combustível, produção gráfica, consultoria e até mesmo alimentação. No caso dos parlamentares estaduais, a cota é cumulativa. Desta forma, se o deputado quiser, pode juntar o saldo de R$ 308,36 mil referente aos 12 meses e gastar apenas no final do ano. No Parlamento estadual, os gastos do décimo mês do ano chegaram a R$ 673,99 mil, representando uma fatia de 55,77% do total contabilizado nos dois órgãos do Poder Legislativo instalados na capital amazonense. Destes, o ranking de necessidades consideradas pelos parlamentares ficou em combustível; fretamento aéreo; e
consultoria jurídica. Os gastos na Assembleia com gasolina representaram uma cifra de R$ 148,91 mil. Já as viagens aéreas resultaram em um “saque” de R$ 95,77 mil do ‘cotão’, enquanto as consultorias jurídicas foram alvos do terceiro maior gasto, de R$ 44,50 mil. No mês de outubro, o deputado que mais fez uso da Ceap foi o ex-presidente da instituição, Ricardo Nicolau (PSD), realizando despesas na ordem de R$ 93,22 mil, devido ao saldo acumulado de R$ 128,68 mil dos meses anteriores. A despeito desse
RECURSOS
Combustível, produção gráfica, consultoria jurídica são os principais gastos entre os parlamentares do Estado no uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar gasto mensal, o parlamentar registrou um dos maiores saldos disponível referentes ao benefício. Com a soma da verba creditada em outubro, o valor ficou em R$ 61,16 mil. De acordo com ele, estes gastos foram motivados pela divulgação do balanço do exercício da atividade em 2013. “Sou o deputado que menos gastou o Cotão. Neste final de ano fizemos várias ações de divulgação do ano parlamentar em vários
meios de comunicação e fizemos visitas em municípios distantes”, detalhou. Nicolau “perde” apenas para a deputada Conceição Sampaio (PP) no quesito economia anual. Além de ter anotado o menor gasto, dentre os 24 deputados estaduais, com a cota em outubro (R$ 12,64 mil), Conceição deixou em outubro uma verba disponível de R$ 369,57 mil por conta da cumulação de um ano para o outro, tanto que a quantia é 19,85% superior aos R$ 308,36 mil previstos para serem creditados anualmente. Por sinal, em maio deste ano, a Aleam aprovou Projeto de Resolução que revoga o artigo 5º da resolução 509/2011, no qual apontava que as cotas destinadas às atividades parlamentares, não utilizadas dentro do exercício financeiro correspondente, poderiam ser utilizadas até o final do exercício seguinte. No próximo ano, esta possibilidade será descartada. Tranquilo Quem parece que não vai ter problema com a alteração na legislação é o deputado Adjuto Afonso (PP). Conforme o detalhamento das despesas, o parlamentar gastou todo o benefício mensal, deixando a conta “zerada”. Foram feitas despesas de R$ 25.708,16, em virtude do saldo anterior de R$ 11,16. Os principais gastos foram com consultoria jurídica e locação de móveis e equipamentos, R$ 5 mil em cada item.
Os 41 vereadores da Câmara têm direito, por mês, a R$ 14 mil em gastos com o mandato
Câmara tem cota de R$ 14 mil Na Câmara Municipal de Manaus, as despesas do mês conhecido pelo Dia das Crianças ficaram em R$ 534,35 mil. Ao contrário dos deputados estaduais, os vereadores não podem acumular a Cota, mesmo sem usar toda a cifra de R$ 14 mil que tem direito. Diante desta especificida-
de, vários vereadores não tiveram receio em usar toda a verba no mês, dentre os quais Alonso Oliveira (PTC), Hiram Nicolau (PSD), Isaac Tayah (PSD), Vilma Queiroz (PTC) e Elias Emanuel (PSB). Do total de despesas da casa legislativa municipal com o “Cotão” no mês, as compras efetuadas em
postos de combustível contabilizaram um percentual de 35,12%, aproximadamente R$ 187,65 mil. A vereadora Socorro Sampaio (PP) foi quem menos fez uso do benefício em outubro, somando custos na faixa de R$ 7,92 mil, dos quais R$ 4 mil com gasolina.
Política
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Ministra Eliana Calmon ingressa no PSB dia 19
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Essa é uma tarefa que tem de ser feita pelo próprio legislador” MINISTRO GILMAR MENDES (STF), sobre o financiamento privado de campanhas políticas
Lula deu asilo a Battisti para pagar dívida pessoal O delegado Romeu Tuma Jr. era secretário Nacional de Justiça, e por isso testemunhou os bastidores da decisão do então presidente Lula de proteger o terrorista italiano Cesare Battisti. Em seu livro “Assassinato de Reputações” (ed. Topbooks, Rio), ele revela que Lula não foi motivado pela ideologia, ao conceder “asilo político” ao criminoso, mas por “dívida de gratidão” com o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. Dedicação premiada O ex-presidente queria retribuir a Greenhalgh as várias defesas que fez dele na Justiça, sem cobrar, e por sua dedicação aos interesses do PT. Sentimento de culpa Lula se sentia culpado por vários reveses do amigo, como a humilhante derrota para Severino Cavalcante na briga pela presidência da Câmara. Padrinho real Segundo Tuma Jr, Battisti ganhou asilo porque Greenhagh pediu e não por influência de Tarso Genro, ex-ministro da Justiça. Simples assim. Assassino cruel Cesare Battisti foi condenado duas vezes à prisão perpétua, na Itália, pelo assassinato de quatro inocentes, a serviço de um grupo terrorista. Metrô-CE: consórcio enrolado em escândalos Sob suspeita no Ministério Público e Tribunal de Contas da União, o consórcio Cetenco-Acciona assinou contrato de R$ 2,49 bilhões com o governo do Ceará para construir a linha leste do metrô de Fortaleza. Além de não observar pré-requisitos do edital, como experiência, a
Acciona teve dois executivos presos acusados de desviar R$ 150 milhões em suposto esquema no metrô de Aragón, na Espanha. Fiança A Acciona pagou fiança de R$ 32 milhões para soltar os executivos José Jordán e Miguel Ángel Bretón, presos pela Operação Molinos. Acordo Após pagar fiança, em setembro, Jordán teve passaporte liberado para voltar ao Brasil, onde teria negociado as obras do metrô do Ceará. Novidade Apesar de pareceres contrários ao consórcio, a Procuradoria-Geral do Ceará diz nunca ter sido questionada sobre a legalidade do assunto. Bancada presidiária Com José Dirceu comandando os trabalhos, Delúbio Soares “tesourando” e Genoino assinando sem ler, em breve teremos novo movimento clandestino: o VIP (Vanguarda Insurgente da Papuda). Desolé É pegadinha do presidente francês François Hollande o acordo de trabalho de brasileiros até 30 anos na França. Disputarão no tapa com os franceses de 15 a 24 anos, que somam 24,6% dos desempregados. Negociação Estão adiantadas as conversas na Bahia para compor uma chapa com Geddel Vieira Lima (PMDB) ao governo e, na vice, o ex-senador ACM Júnior, pai do atual prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Lição de casa Juiz federal contra o tráfico
Jornalista
mais famoso do país, Odilon Oliveira sugere ao Conselho Nacional de Justiça o exemplo para outros juízes: fez 77 palestras gratuitas de prevenção do uso de drogas para 40 mil pessoas em escolas públicas em todo Mato Grosso do Sul. Atenção especial O governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) conversou um tempão com o ex-ministro da Integração Fernando Bezerra Coelho, durante almoço de Natal com secretários e ex-secretários do governo. Prata de fora O governo garante preocupação com seca no Nordeste, mas designou dois estrangeiros para representar o Brasil na convenção da ONU de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca: Aldrin Martin Pérez Marin (Nicarágua) e Ignacio Hernan Salcedo (Argentina). Meio a meio Após meses de briga, o deputado Júnior Coimbra aceitou dividir o diretório do PMDB-TO com a senadora Kátia Abreu e o ex-governador Marcelo Miranda, que indicarão o vice-presidente estadual do partido. Questão de tempo Aspirante a disputar a Presidência em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se utiliza dos baixos índices da presidente Dilma em 2009 para minimizar, em seus discursos, o mau desempenho nas pesquisas. Pensando bem... ...está na hora de exumar Leonel Brizola, para ver se Lula, além da mãe, também teria pisado o pescoço dele, como dizia o velho caudilho.
PODER SEM PUDOR
Ruim de conversa O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi um jornalista competente e é intelectual completo, mas nem sempre se sente à vontade em entrevistas. Ele era ministro de Relações Institucionais do governo Lula quando, interpelado por uma repórter, desconversou: - Fala ali com o Mercadante... - Mas, ministro, ele é muito ruim de fala... Rebelo mentiu: – Eu sou pior, pode acreditar...
CNJ
Resoluções para combater racismo O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderá discutir a inserção de artigos voltados ao combate ao racismo em resoluções do órgão que disciplinam os concursos de ingresso na magistratura e a formação de magistrados. Essa possibilidade foi admitida na última quinta-feira pelo juiz auxiliar da Presidência do CNJ, Douglas Martins, durante reunião entre as instituições signatárias do Protocolo de Atuação para a Redução de Barreiras de Acesso à Justiça para a Juventude Negra em Situação de Violência.
O juiz Douglas Martins informou que levará a proposta ao conselheiro Guilherme Calmon, que coordena a participação do CNJ no conjunto de entidades que assinaram o protocolo em outubro deste ano. Ainda segundo o juiz, outra proposta a ser levada ao conselheiro trata da inclusão da temática do combate ao racismo em eventos do CNJ, já programados para o próximo ano, sobre a área da Infância e a Juventude. “O que nós do CNJ poderíamos, naturalmente, é ver um recorte mais direcionado à
Integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a excorregedora nacional se aposenta na próxima quarta-feira DIVULGAÇÃO
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questão do racismo, seja nas resoluções, seja nos eventos que estão programados”, frisou o magistrado durante a reunião realizada na sede do CNJ, em Brasília/DF. Segundo ele, na próxima reunião do grupo, marcada para 26 de janeiro, o Conselho deverá apresentar uma proposta concreta às instituições participantes. O protocolo busca elaborar e ajustar as políticas públicas e adotar outras medidas administrativas para assegurar o enfrentamento ao racismo e a promoção da igualdade racial da juventude negra brasileira.
Eliana Calmon se prepara para alçar voos em outra area, a da política partidária, em 2014
O
partido escolhido pela ministra Eliana Calmon para concorrer ao Senado foi o PSB. A cerimônia de filiação da ministra à legenda acontece às 10h do dia 19 de dezembro, em Salvador, cidade natal da ministra. Ela passa a fazer parte dos quadros do PSB um dia depois de se aposentar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde ficou por 14 anos. A filiação de Eliana ao PSB confirma expectativas que rondam seu nome desde que ela foi corregedora nacional de Justiça (ocupou o cargo entre 2010 e 2012). O partido fará oposição ao PT na corrida presidencial de 2014. O candidato a presidente será Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Eliana se filia a legenda para fazer parte da chapa da senadora Lídice da Mata, que concorrerá ao governo do Estado, hoje ocupado pelo petista Jaques Wagner. Lídice da Mata é política experiente na Bahia. Era um
quadro importante do PCdoB e, pelo partido, foi prefeita de Salvador. Campos era aliado do PT enquanto estava no governo de Pernambuco, mas decidiu sair candidato a presidente da República, fazendo oposição à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Correligionária de Campos, Marina Silva aguarda no futuro a filiação de Eliana Calmon à Rede, partido que teve o registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral. A filiação de Calmon é aguardada há muito tempo. Colegas do STJ contam ouvir dela que tentará o Senado já há quase um ano. Recentemente ela passou a adotar um discurso de despedida dentro do tribunal e na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), da qual é diretora. Muitos ministros comemoram sua saída do tribunal. Outros reclamam por ela não ter feito questão de esconder dos colegas suas pretensões políticas, mas, em
público, negar que sairia candidata – ou que deixaria o STJ antes da hora. Enxergavam nisso uma manobra pensada para criar fatos políticos em torno do nome dela. Eliana Calmon é mais conhecida por sua passagem no CNJ do que pelo STJ. Dada a frases de efeito e declarações de repercussão, quando corregedora nacional, ela traçou como meta própria acabar com a corrupção no Judiciário. Era o que ela reputava ser o principal problema da Justiça. Em entrevista chegou a dizer que estava à caça dos “bandidos escondidos atrás da toga”. No Senado, pelo que se conclui de entrevistas que a ministra já concedeu, ela pretende ser uma interlocutora do Judiciário com o Legislativo. Analisa que, depois da cassação do ex-senador Demóstentes Torres, procurador de Justiça em Goiás, esse espaço ficou vazio. “No Senado, saberia o que fazer”, declarou.
Com a palavra
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Henrique CALANDRA
‘Justiça é MUITO MAIS DO que o juiz’ FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Sem dúvida, o mais difícil e também o mais triste foi o dia 11 de agosto de 2011, quando assassinaram com 21 tiros a juíza Patrícia Accioly. Levamos 1,7 mil juízes e promotores à Brasília para defender a criação de novas leis que deem proteção aos magistrados”
O
presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Henrique Nelson Calandra, é o mais novo cidadão do Estado do Amazonas. Na última segunda-feira, ele recebeu o título na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), proposto pelo deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB). À frente da AMB, considerada a maior Associação de Magistrados do mundo, com cerca de 20 mil representados, o homenageado disse que sua administração enfrentou um dos períodos mais crítico da associação, com a morte da juíza carioca Patrícia Acioli em agosto de 2011. “Levamos 1,7 mil juízes e promotores à Brasília para defender a criação de novas leis que deem proteção aos magistrados”, informou. Na opinião de Calandra, a impunidade é resultado de uma lei totalmente desatualizada. O magistrado criticou a demora na modificação do Código de Processo Penal e do Código de Processo Civil. “Como fazer Justiça com as leis da década de 40? Hoje, aqueles que formaram uma quadrilha para assassinar a juíza Patrícia Acciolly, com 21 tiros, são punidos com a mesma pena de alguém que roubava o cavalo do meu avô no século passado. A Justiça brasileira se vê muitas vezes de mãos atadas”, ressaltou Calandra. Em entrevista ao EM TEMPO, Calandra falou também sobre o processo do mensalão e disse que o julgamento foi fruto de uma divergência no meio parlamentar, resultado do uso de armas, de guerras ilícitas, que resultou na condenação de várias pessoas, e ressaltou que considera lamentável a legislação eleitoral não ter uma regulamentação clara e precisa no Código Eleitoral. EM TEMPO – Nascido no
interior do São Paulo seu trabalho está sendo reconhecido em todo país, inclusive lhe rendendo títulos como esse ofertado pela Aleam. Como recebe esse reconhecimento? Henrique Calandra – Recebo esse título em nome da magistratura brasileira. A AMB completa em 2013, 64 anos de existência e de luta democrática e conseguimos as duras penas motivar o expresidente do Senado, José Sarney, a encaminhar para votação do novo Código Penal e do novo Código de Processo Civil, que são ferramentas de trabalho da magistratura. Fico feliz que essa homenagem ocorre próximo ao dia da Justiça. Trabalho há 55 anos, e como juiz estou há 32. Ser considerado caboclo do Amazonas é uma honra.
EM TEMPO – Outra grande dificuldade é a falta de interesse dos magistrados para irem ao interior das regiões. Como a AMB trabalha essa questão? HC – Sempre estamos motivando os juízes a permanecerem em suas comarcas no interior e estamos apresentando uma emenda para aquisição de equipamentos de última geração para que a informatização possa chegar em todos os lugares e dar um pouco mais de qualidade no trabalho desses profissionais. Na primeira vez que atuei como juiz foi em uma região longe de casa, foi uma etapa de vida maravilhosa, apesar de ter sido dura. Mas, se pudesse apertar o botão e voltar tudo novamente faria isso sem medo.
EM TEMPO – Nesse período em que o senhor esteve à frente da AMB, qual foi o momento mais difícil? HC – Sem dúvida, o mais difícil e também o mais triste foi o dia 11 de agosto de 2011, quando assassinaram com 21 tiros a nossa colega juíza Patrícia Accioly. Levamos 1,7 mil juízes e promotores a Brasília para defender a criação de novas leis que deem proteção aos magistrados. Em homenagem a Patrícia, plantei no hotel onde estive hospedado aqui no Amazonas uma árvore dedicada a ela.
EM TEMPO – O que o senhor gostaria de ter feito e não conseguiu à frente da AMB? HC – Temos hoje na magistratura 4 mil cadeiras vazias que não conseguimos preencher porque não valorizamos o tempo que a pessoa permanece na carreira. No ano passado, 500 juízes foram embora, é difícil fazer Justiça sem recursos humanos. Queremos a aprovação da PEC 63, que reestabelece a valorização por tempo de magistratura e também a PEC 26, que devolve para o magistrado novo a paridade e integralidade nos seus subsídios.
EM TEMPO – Como a AMB trabalhou para resguardar os magistrados para que novos casos como o de Patrícia Accioly não ocorressem mais? NC – Implantamos uma secretaria de segurança para os magistrados. Sabemos da necessidade de uma segurança mais especializada à classe, principalmente as mulheres. Hoje, temos cinco juízes assassinados e mais 170 ameaçados. Esse tema precisa ser tratado com inteligência.
EM TEMPO – No Amazonas, há um conflito sobre o aumento de vagas para desembargadores. O senhor concorda com essa expansão? HC – Estou acompanhando essa situação e sei que há um conflito, mas acho que não podemos ficar imaginando que tudo tem um interesse oculto. O Amazonas tem uma necessidade muito grande de recursos humanos e não se realiza concurso. Há quase 9 anos não se aumenta a cadeira de desembargadores.
Este é o maior Estado do Brasil e precisamos respeitar o que o Tribunal de Justiça disse com base em estudos de que há necessidade em aumentar a bancada. O futuro já chegou. EM TEMPO – Quais seus planos para 2014, depois de sair da presidência da AMB? HC – Volto para 7º Câmara de Direito Privado no Tribunal de Justiça de São Paulo, mas ficarei sempre as ordens para colaborar com os meus colegas no que puder ajudar aquele que irá me suceder. EM TEMPO – A ministra Eliana Calmon deu uma declaração polêmica dizendo que os juízes são bandidos de toga. O que o senhor achou dessa acusação? HC – A ministra deve ser respeitada pelas suas palavras e pensamentos. Mas não se pode sair por aí tombreteando o que não é verdade. Eliana Calmon tem um tom contundente de falar, tanto que a política decidiu abraçála levando-a para se filiar e disputar uma vaga no Senado. Aquilo que ela disse nos machucou muito, pois leva a uma desconfiança generalizada onde de fato existem alguns que erram, mas não é na quantidade como se apresentou. Segundo levantamento, apenas 0,85% dos magistrados são processados por irregularidades e condenados 0,28%, mas isso pode acontecer em qualquer categoria. Não! EM TEMPO – Estamos passando pelo processo do mensalão. O que o senhor achou do julgamento? HC - O processo foi fruto de uma divergência no meio parlamentar e resultado do uso de armas e guerras ilícitas, que resultou na condenação de várias pessoas. Considero lamentável a legislação eleitoral não ter uma regulamentação clara e precisa no Código Eleitoral.
Implantamos uma secretaria de segurança para os magistrados. (...). Hoje, temos cinco juízes assassinados e mais 170 ameaçados. Esse tema precisa ser tratado com inteligência”
Temos hoje na magistratura 4 mil cadeiras vazias que não conseguimos preencher porque não valorizamos o tempo que a pessoa permanece na carreira. Em 2012, 500 juízes foram embora”
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Política
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Contas da Aleam fecham com saldo de R$ 30 mi RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
O
presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado Josué Neto (PSD), comemora o fechamento das contas da instituição em 2013 com uma economia de R$ 30 milhões acumulados. O superávit deverá engordar o orçamento da casa legislativa previsto para 2014, que é de R$ 222,8 milhões, representando uma alta de 1,53% relação à Lei Orçamentária deste ano, além de contribuir no financiamento da construção do Centro de Tecnologia em Informação na casa, previsto para o próximo ano. O sinal azul das contas da Assembleia foi possível apesar da execução de gastos não planejados na ordem de R$ 24 milhões neste ano, dos quais R$ 12 milhões (0,2% do Orçamento em vigor) foram repassados ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e outros R$ 12 milhões financiaram o aumento do número de servidores na casa. De acordo com Neto, a economia foi possível graças a não execução de obras que estavam previstas na Aleam e também
a não aprovação desordenada de projetos que refletiram em aumento de gastos. Em 2014, o projeto de construção de uma creche no Parlamento estadual deverá ser substituído por um projeto para construção de um Centro de Tecnologia e Informação na Aleam. Segundo Neto, a construção da creche poderia pressionar o orçamento interno, que não teria condições de manter o local. Ele afirmou que a presidência estuda “outra alternativa” para a creche. “Não seria saudável para as contas da casa, manter um local como esse, mas estamos estudando outra alternativa para dar conforto aos filhos dos nossos servidores”, afirmou. De acordo com Neto, a casa trabalha 10% abaixo do teto do limite determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para recursos destinados para pagamento de pessoal e, cujo percentual deve se manter em 2014. “Aumentar nossa folha de pagamento está fora de cogitação em 2014, pois será ano eleitoral. Iremos manter o índice”, declarou. Na execução orçamentária do próximo ano, ele destaca que espera finalizar o mandato na casa com um superávit ainda maior.
DIVULGAÇÃO/ALEAM
Este superávit vai favorecer o orçamento da casa para 2014 e contribuir para novas obras, como o Centro de Tecnologia
Obras são inauguradas este ano Em 31 de janeiro deste ano, o ex-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Nicolau (PSD), inauguriou o centro médico e o edifício-garagem da instituição e, desde lá, vem enfrentando problemas na Justiça por conta de um suposto superfaturamento nas obras. Nicolau e mais 12 pessoas foram denunciados pelo Ministério Público do Estado (MPE) ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) por suposto desvio de R$ 5,5 milhões nos valores da obra do edifício-garagem. Ele conseguiu se livrar de um processo de cassação na Aleam e, no TJAM, a denúncia ainda depende de ser aceita pela corte de Justiça.
Josué Neto quer terminar mandato na presidência com superávit maior que o registrado este ano
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
RICARDO OLIVEIRA
Russos irão explorar petróleo no Solimões Economia B4 e B5
Projeto vai impulsionar o setor de recicláveis no AM RICARDO OLIVEIRA
Convênio no valor de R$ 14 milhões vai proporcionar treinamento aos catadores de Manaus e 22 municípios em 2014
O treinamento dará mais autonomia aos catadores de Manaus e dos 22 municípios participantes, diminuindo o acesso deles aos atravessadores que lucram 50% em cima do material coletado JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
A
lém de gerar expectativas de crescimento para profissionais do ramo de turismo, hotelaria, comércio e serviços, o ano da Copa do Mundo também deve render bons frutos para os catadores de materiais recicláveis do Amazonas. A partir de janeiro de 2014 até o início do mundial futebolístico, 1,8 mil catadores de 23 municípios do Amazonas, incluindo Manaus, vão passar por capacitação para aproveitar melhor o ‘lixo’ da Copa e garantir um aumento de até 50% na renda em 2014. De acordo com a titular da Secretaria de Trabalho do Estado do Amazonas (Setrab), Francinete Lima, o ‘Cataforte’, projeto da secretaria em convênio com o governo federal orçado em R$ 14 milhões vai ensinar catadores de rua a agregar valor à matéria-prima – garrafas PET, papelão, plásticos e latas de alumínio – e disponibilizar galpões para o melhoramento dos blocos, mostrar técnicas
de comercialização do produto e de transporte diretamente para as empresas compradoras. “A ideia é começar a estabelecer a cadeia produtiva da reciclagem no Estado”, resume a secretária Francinete. A principal vantagem do treinamento, segundo ela, é dar mais autonomia ao catador, que hoje é visto à margem da sociedade, como um subempregado. A titular da Setrab explica que o catador recolhe as latinhas de refrigerante, por exemplo, e passa para um atravessador – empresa ou profissional intermediário que processa e vende o material em bloco para as empresas de reciclagem, ficando com 50% dos lucros, em alguns casos. “O objetivo é criar pólos no Estado para que os grupos de catadores processem o material e eles mesmos vendam o item para as empresas, eliminando esse atravessador e passando a receber integralmente pela comercialização”, defende. Ano da reciclagem A catadora de material re-
ciclável e presidente da Eco Cooperativa, Irineide Souza de Lima, acredita que a Copa de 2014 será um bom momento para o setor. “Se a estrutura já estiver pronta com galpões equipados com prensas, balanças, moinhos esteiras, caminhões para
POTENCIAL
Em agosto de 2012, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclagem (Abralatas) promoveu seminários em quatro subsedes da Copa, para mostrar o potencial dos catadores a entrega e os trabalhadores aptos, teremos um bom ano para este segmento”, avalia. Irineide calcula que um catador ganha R$ 0,80 para cada quilo de garrafa PET que recolhe, o equivalente a R$ 80 por tonelada. “Acontece que em Manaus, 15 catadores da cooperativa
são destinados apenas para o recolhimento desse material e metade do valor fica com o atravessador – R$ 40. Ou seja, esse total é dividido por 15 pessoas, ficando R$ 2,6 para cada um, por tonelada. É muito pouco”, lamenta Irineide. Transporte Outro fator que deve permitir a recuperação de 50% da renda para os catadores será a entrega de caminhões para as cooperativas no próximo ano. A presidente da Cooperativa de Catadores de Matérias Recicláveis do Estado do Amazonas (Coopcamare), Alzenira da Silva Araujo, esclarece que sem o veículo adequado, o trabalhador não tem acesso às fábricas para vender o produto para reciclagem. “No momento, possuímos apenas caminhões sucateados e veículos emprestados pela prefeitura. Com a entrega de veículos novos, a negociação será mais fácil”, projeta Alzenira, que aguarda a chegada dos caminhões para o primeiro semestre de 2014.
Avaliação levará a melhorias Além do treinamento e estruturação da cadeia produtiva local, um convênio previsto para ser firmado entre o governo do Estado e o governo federal, na próxima sexta-feira (20), vai iniciar um diagnóstico dos catadores de material reciclável no Amazonas. Segundo a secretária de Estado do Trabalho, Francinete Lima, o Amazonas possui em torno de 8 mil catadores cadastrados. Entretanto, ela ressalta que o universo é bem superior – em torno de 30 mil trabalhadores. “O maior problema para o cadastro, é que muitos deles não se admitem catadores e se cadastram como agricultores ou pescadores”, ressalta. Francinete observa ainda que para fazer qualquer investimento mais expres-
sivo em relação a esses trabalhadores são necessários dados e números sobre quantos estão em atividade no Amazonas. “Desta forma, antes de capacitar, precisamos convencê-los a se aceitarem catadores e só então mostrar o caminho da profissionalização”, complementa a titular da Setrab. Em junho deste ano os catadores de materiais recicláveis foram o centro das discussões durante a 3ª Conferência Municipal de Meio Ambiente, promovida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas). O evento ofereceu oportunidades de negócios aos representantes dos nove grupos de associações e cooperativas do setor, presentes na conferência.
B2
Economia
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Classificados virtuais se destacam no mercado
Perfis nas redes sociais são opções para quem procura emprego ou está em busca de contratar novos profissionais LUANA GOMES Especial EM TEMPO
E
m um mundo cada vez mais “online”, classificados virtuais de empregos passaram a ser uma alternativa bastante procurada pelos internautas. Na corrente participam tanto empresas à procura de novos profissionais quanto candidatos interessados em ingressar no mercado de trabalho. No Facebook – líder isolado na lista de redes sociais mais visitadas em outubro (75,30% dos acessos), conforme pesquisa realizada pelo Experian Marketing Services –, perfis e grupos foram criados somente para a oferta de vagas. A acadêmica de Administração, Carolina Viana, 19, é uma das responsáveis por uma página na rede social que divulga as necessidades do mercado, o “Portal de vagas e estágios”. A ideia surgiu quando ela integrou a equipe de uma empresa iniciante, com necessidade de contratar, na ocasião 29 funcionários. Carolina comenta que a rede social permite uma circulação rápida das ofertas e sem qualquer acréscimo nos custos da empresa. Como a sua página pessoal envolvia amigos que já estavam empregados, ela resolveu criar o “portal”, que em uma semana recebeu mais de 100 curtidas. De acordo com ela, por conta do final de período da
faculdade é difícil realizar a manutenção, mas pelo menos duas vezes ao dia novidades são inseridas na página, cujo principal interessado é o público jovem. “Pelo que se percebi, o público do grupo está mais na faixa de 19 a 25 anos, à procura do primeiro emprego. Por isso, tento sempre colocar vagas que não exigem muita experiên-
VAGAS
Atentas à nova realidade social, as empresas também apostam na ideia de procurar funcionários por meio das redes sociais, checando currículos nos ambientes virtuais, para as vagas oferecidas cia, que só requerem ensino médio e informática básica”, pontua, além de ressaltar que também foi por meio de uma página na rede social que conseguiu seu segundo estágio no setor de compras, há dois anos, em uma clínica. O universitário Adriano Pinto da Silva, 24, também conseguiu o segundo emprego após à procura nestes classificados virtuais, como auxiliar de produção em uma empresa do Distrito Industrial destinada à produção de televisores. Embora tenha passado apenas dois meses
no emprego, por conta do conflito com os estudos – ele está no segundo período da faculdade de Administração –, Silva mantém a participação nas páginas, à “caça” de novas vagas com as quais se identifique, como assistente administrativo. A exemplo da vida real, a rede social conta com muitas pessoas prontas para tirar vantagem alheia. Diante desta realidade e na tentativa de combater os perfis falsos, quem administra os grupos nas redes sociais também se depara com a tarefa de fiscalizar as informações que divulga, para garantir a credibilidade do processo. Junto à outra parceira, o analista de sistemas, Reinan Salazar, 37, gerencia o grupo “Empregos em Manaus” desde março de 2011, com quase 100 mil membros. Além das ofertas, o “Empregos em Manaus” disponibiliza modelos de currículos e cursos de qualificação quando são 100% gratuitos. “Sempre que surge algum programa federal, estadual, municipal ou ainda filantrópico, nós divulgamos”, ressalta. Em média, por dia, o grupo recebe pouco mais de 80 ofertas de vaga, sendo a segunda e a sexta-feira os dias com a maior demanda por parte das empresas. Devido ao alcance de público, os gestores de Recursos Humanos tratam diretamente com os administradores para ofertar vagas.
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
Musa, o museu e o sonho amazônico Sob a batuta do cientista ítalo-baré, Ennio Candotti, e com o suporte do pelotão de choque científico e gerencial do Inpa, na última quinta-feira, 12 de dezembro, o Musa, Museu Botânico da Amazônia, virou notícia, ao abrigar a solenidade de inauguração da exposição Peixe-Gente, mais a exposição de novos laboratórios e a ampliação do Orquidário Experimental. À luz das necessidades, é tímida, ainda, porém extremamente promissora, a mobilização de pesquisadores, jornalistas, empresários, poder público, e de muitas excursões escolares, para prestigiar e fazer crescer essa iniciativa extraordinária que o museu representa. Uma agitação gratificante, a um tempo científica e poética, “um destino está em nossas mãos”, que nos compete fazer avançar no desafio da urgente consolidação. Um sonho que se materializa e se chama Museu Botânico Adolpho Ducke. O local foi escolhido cuidadosamente, e precedido de décadas de observação do bioma, pelo botânico que empresta o nome e o legado ao Museu. Ducke é italiano e decididamente visionário no sentido renascentista de voltar à Natureza em seu esplendor e radicalidade. Aquela reserva biológica é a
síntese biótica da Amazônia, transformada no maior museu a céu aberto da Terra. . É importante pontuar que ela pertence ao Inpa, o generoso provedor de saberes e fazeres amazônicos, uma instituição que está presente sempre e quando estão em jogo o destino, conhecimento e uso do bioma florestal. Surgido, nos anos 50 do pós-guerra, para se contrapor à ocupação internacional travestida de Instituto da Hileia Amazônica, seu impulso original foi inventariar o acervo florístico e faunístico amazônico, um desafio já anotado e ensaiado nos esforços históricos de João Barbosa Rodrigues, na última década da monarquia brasileira. Ao propor a reserva, durante a instalação do Inpa, em 1952, Ducke estava fincando novos pilares institucionais do Museu Botânico, já ensaiado por Rodrigues, ainda no período monárquico, por insistência da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. Eles vieram ao Amazonas, precisamente à calha do Rio Negro, no alvorecer do Império, empurrados pela descrição fascinante e sedutora das Viagens Filosóficas de Alexandre Rodrigues Ferreira, na virada do século 18. A República não entendeu a iniciativa e inibiu seu florescimento. Daí a satis-
fação de sua retomad a no novo milênio. Quem visita a Inglaterra e se permite conhecer o Museu Botânico de Kew Gardens, nos arredores londrinos, onde os ingleses selecionaram e melhoraram as sementes da Hevea brasiliensis, antes de plantá-las em seus domínios asiáticos, vai conhecer a façanha de Richard Spruce, que carregou, sem pagar royalties, antes das sementes, para o tal museu, mais de 30 mil plantas, uma infinidade de mapas e milhares de sementes, entre elas toda a coleção de orquídeas, do majestoso acervo da Rainha que Kew Gardens conserva. Há mais de 100 anos que os ingleses se deram conta das vantagens robustas na relação entre botânica, pesquisa, economia e mercado. O professor Ozório Fonseca, que dedicou 40 anos da própria vida à pesquisa dentro do INPA, relata uma história de penúria financeira e olhar displicente para esta relação entre bioprospecção e mercado desde sempre. Ele rememora um levantamento feito e m 1997 pelo Protocolo de Integração das Universidades da Amazônia Legal (Piual): “Havia na ocasião 1 (um) doutor/pesquisador para cada 1.000.000 de hectares. Isso significa
que, para cada um, caberia a tarefa de pesquisar 28.600 hectares durante os 35 anos de sua vida profissional ativa, ou seja, 78 hectares a cada 24 horas, sem direito aos intervalos para alimentação, repouso, domingos, feriados, férias.” Conhecer para conservar e saber usar. Esta já era a premissa das andanças amazônicas de Barbosa Rodrigues, quando percorreu os afluentes do Amazonas entre 1872 e 1874, observando, coletando e fazendo anotações sobre a utilização da flora local na medicina, na culinária e na habitação, bem como os nomes pelos quais as plantas eram conhecidas. O botânico colecionou também artefatos indígenas, fósseis, fez anotações sobre as línguas locais e muito mais. Retornou à Amazônia em 1883, quando foi designado pelo governo imperial para implantar e dirigir o Museu Botânico do Amazonas, em Manaus, até seu fechamento em 1890. De volta ao Rio de Janeiro, com a proclamação da República, foi nomeado, em 1892, diretor do Jardim Botânico da capital federal, para onde havia despachado muitas das espécies coletadas no Amazonas, especial mente bromélias e orquídeas.
Hoje, em Manaus, com o Museu em fase de expansão e reconhecimento, os estudantes têm a oportunidade de formar uma nova consciência, adquirir novas condutas em relação à floresta. Aprender a amá-la em suas manifestações de plena exuberância, suas coleções de palmeiras, helicônias e aráceas, seu viveiro de orquídeas e bromélias, árvores com 500 anos de idade, borboletas, macacos, preguiças, enfim, um acervo de espécies trazidas do interior da Reserva e de diferentes regiões da Amazônia. Adicionalmente, com apoio da prefeitura, governo do Estado, demais parceiros públicos e privados, a biblioteca, o anfiteatro, o pavilhão e a tenda para exposições e um viveiro com mudas para doação, completam os atrativos e abrem aos jovens as janelas fulgurantes do conhecimento e do compromisso. Programas de educação ambiental, jogos, oficinas de arte e sessões de contação de história e pla netário são oferecidos aos grupos e escolas que agendam visita. Um programa, uma proposta, uma plataforma de mobilização e conquista de um novo patamar urbano, educacional e cívico de que precisamos. É só avançar e avançar!
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaista São Paulo
À luz das necessidades, é tímida, ainda, porém extremamente promissora, a mobilização de pesquisadores, jornalistas, empresários, poder público, e de muitas excursões escolares, para prestigiar e fazer crescer essa iniciativa extraordinária que o Museu representa.
Economia
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Atraso nas subestações comprometem o linhão LUANA GOMES Especial EM TEMPO
A
integração ao Sistema Interligado Nacional (SIN) parecia ser a solução para os problemas de energia enfrentados pelos consumidores amazonenses, mas os seus “frutos” ainda não estão maduros para serem colhidos. Tanto o consórcio Manaus Transmissora de Energia (formado pelas empresas Chesf, Eletronorte e da espanhola Abengoa) quanto a Eletrobras Amazonas Energia S/A registram atraso nas obras necessárias para conectar o sistema de transmissão do linhão de Tucuruí ao Estado. Manaus e os municípios de Iranduba, Presidente Figueiredo e Manacapuru estão integrados ao sistema elétrico nacional desde 9 de julho. Mas, as subestações ainda não foram concluídas, o que impede de receber a energia do linhão – que conta com 3,35 mil torres, com pelo menos 295 metros de altura – e transmiti-la aos municípios. Em julho de 2012, tanto o diretor técnico da Manaus Transmissora, Paulo Sérgio de Oliveira quanto o presidente da Eletrobras Amazonas Energia, Marcos Aurélio Madureira
– ao receberem comitiva da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM) para acompanhar in loco as obras de adequação da rede de energia elétrica –, garantiram que as mesmas deveriam ser concluídas até o fim daquele ano. Conforme informações da Amazonas Energia, por meio de sua assessoria, a empresa ficou responsável pela obras que possibilitam a transmissão da energia que chega pelo linhão de Tucuruí para as cidades já conectadas - Manaus e região. “A primeira conexão da linha de transmissão: Balbina-Manaus com a linha de transmissão Tucuruí já foi realizada em julho. Além dessas linhas, já foi concluída a subestação Cachoeira Grande (138 kV). Estão em obras as subestações: Jorge Teixeira, Mutirão e Compensa”. O engenheiro eletricista e diretor do Centro de Desenvolvimento Energético Amazônico (CDEAM), Rubem Rodrigues Souza acompanha os projetos relacionados à energia no Amazonas. Para ele, as obras relacionadas às subestações estão claramente atrasadas. “Não adianta ter o dobro de energia com o linhão, se eu não tenho como entregar, como fazê-la chegar aos consumidores”.
DIVULGAÇÃO
As obras atrasadas inviabilizam a transmissão de energia do sistema do linhão de Tucuruí para Manaus e região
Linhão de Tucuruí conta com 3,35 mil torres, que levarão energia à capital e outros três munícipios
Atrasos não são justificáveis A despeito dos problemas que resultaram no atraso do linhão, envolvendo uma série de burocracias, o professor de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rubem Rodrigues Souza, comenta que as justificativas não cabem
aos projetos relacionados às subestações. Isto porque são empreendimentos em área urbana, que não contam com as mesmas dificuldades logísticas, como transposição de rio. “São empresas diferentes, com recursos diferentes. O que seria desejado é que es-
sas obras fossem concluídas simultaneamente”, ressalta. Vale lembrar que, a instalação do linhão completou aproximadamente cinco anos, a contar do processo de licitação à conexão. Por sinal, o período representou um atraso de pelo menos três anos.
Terceirização prejudica trabalhos Para o presidente do Sindicato dos Urbanitários do Amazonas, Edney Martins, a Eletrobras tem terceirizado demais os seus serviços e, não tem acompanhado o andamento das obras. Segundo ele, o quadro próprio de funcionários da empresa tem experiência suficiente para “tocar a obra e o empreendimento”. Ele ressalta que uma das principais preocupações é quanto ao grupo que será responsável pela operação do linhão e pela manutenção. Além disso, os trabalhadores estão desconfortáveis quanto a mudança societária da companhia que passa por um processo de desverticalização, por conta da integração ao sistema elétrico nacional.
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Economia
OS RUSSOS EST FOTOS: DIVULGAÇÃO
Empresa russa Rosneſt Oil Company compra parte da HRT e vem explorar petróleo na bacia do Solimões
A HRT está no Amazonas desde 2009, mas até o momento não encontrou petróleo, somente gás. Prospecções vão continuar, desta vez em parceria com a petroleira russa Rosneſt Oil Company MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
Q
uem atravessa a ponte Rio Negro em direção à região metropolitana vai observar que do lado esquerdo, em um terreno cercado por uma tela de arame, estão arrumados criteriosamente várias estruturas de ferro, aço e máquinas. Se o observador tiver a curiosidade de reduzir a velocidade do carro vai obsevar que em uma pequena placa fixada nos lotes de equipamentos está escrito a sigla HRT. É isso mesmo, o material pertence à HRT Participações em Petróleo, famosa empresa que vem fazendo prospecções no Amazonas desde julho de 2009. Mas por que o material está amontoado no local? Esses equipamentos estariam chegando ou sendo despachados para outros campos petrolíferos? O comentário mais forte dava conta que a HRT Participações em Petróleo estaria deixando o Amazonas depois de enfrentar problemas porque não achou petróleo na Bacia Sedimentar do Solimões. Este é o principal motivo para que a empresa criada por Márcio Rocha Mello esteja vendendo uma fatia de 6% à sua parceira russa Rosneſt Oil Company na joint venture da Bacia Sedimentar do Solimões. Com isso, a Rosneſt passará a deter 51% do projeto, tornando-se operadora, enquanto a HRT ficará com 49%. Os contratos definitivos devem ser concluídos até 31 de janeiro de 2014. As partes também teriam acordado que a Rosneſt e a HRT irão continuar as
atividades exploratórias no Solimões. O equipamento encontrado ao lado da ponte faz parte do acordo. São quatro sondas de perfuração heli-transportáveis, que pertenciam à HRT e que foram vendidas para o grupo russo. O valor da transação não foi divulgado, mas isto significa dizer que os russos estão chegando ao Amazonas para produzir petróleo, já que a HRT esbarrou na principal dificuldade para retirar o petróleo do Solimões: a falta de logística, principalmente no período da seca dos rios. Esta semana, o novo diretor-presidente da HRT O&G
OPERAÇÕES
A HRT chegou a possuir uma participação de 55% em 21 blocos exploratórios na Bacia de Solimões, além de operar dez blocos na costa da Namíbia Exploração e Produção de Petróleo Ltda., subsidiária integral da HRT Participações em Petróleo S.A., Nilo Azambuja, confirmou a negociação com os russos, mas negou, em entrevista exclusiva ao EM TEMPO, que a empresa esteja saindo do Amazonas, ou que não tenha sido encontrado petróleo no Solimões. — A HRT não está deixando o Amazonas. Após a execução de um extenso programa de investimentos, chegou a hora de analisar as lições aprendidas, rever procedimentos e construir um programa de trabalho para o futuro –, disse o executivo. Nilo Azambuja anunciou também que a Rosneſt, de-
pois de aumentar em 6%, sua participação no projeto Solimões e tornar-se operadora do projeto, vai desenvolver um novo projeto em conjunto com a HRT. — A partir deste novo contexto, as companhias estão desenvolvendo em conjunto um novo plano estratégico cujos pontos principais incluem um programa de exploração para 2014-2015 e o desenvolvimento de uma análise econômica das descobertas de gás natural, um passo importante para o projeto de monetização do gás já descoberto. Criada em 2008, logo depois de Eike Batista fundar a OGX, em 2007, a HRT nasceu sob o signo da ousadia de Márcio Mello, um experiente geólogo que trabalhou na Petrobras durante 24 anos e que prometeu produzir petróleo na Amazônia. Em pouco tempo, a HRT e a OGX se tornaram as duas maiores empresas privadas de petróleo brasileiras. Até ano passado, a HRT deteve 55% de participação em 21 blocos na Bacia do Solimões. Em 2009, logo depois de sua criação, a empresa garantia que seus blocos no Solimões tinham potencial entre quatro e seis bilhões de barris de óleo leve e de 283 bilhões a 566 bilhões de metros cúbicos de gás. O diretor–presidente não revela o valor dos investimentos feitos na Bacia do Solimões, limitando-se a falar que a “HRT e seus parceiros já investiram muitas centenas de milhões de dólares na campanha de exploração do Solimões nestes últimos três anos”. Mas, extraoficialmente, calcula-se que esses investimentos já ultrapassam a cifra de R$ 1 bilhão.
Geólogo Márcio Mello chegou a ser comparado ao empresário Eike Batista, por sua ousadia
O que derrubou Márcio Melo O primeiro sintoma de que algo estava errado com a HRT ocorreu em maio deste ano, quando o então CEO da empresa, Márcio Rocha Mello, renunciou ao cargo, em uma carta-surpresa que enviou ao Conselho de Administração. “Eu renuncio à posição de executivo-chefe da HRT, a companhia que eu orgulhosamente construí nos últimos três anos, com uma equipe dedicada de profissionais competentes, focada no objetivo de construir uma das maiores empresas independentes de petróleo e gás do Brasil. Eu renuncio ao cargo de CEO, mas nunca à HRT. Eu continuo no conselho administrativo, contribuindo com a companhia no cumprimento dos objetivos”, disse Márcio Mello na carta que entregou ao conselho da
HRT. No entanto, ele não explica os motivos para tomar a decisão. Ao EM TEMPO, o atual presidente, Nilo Azambuja, assegurou que o fundador da companhia segue suas atividades na empresa como membro do Conselho de Administração, “mesmo tendo deixado a presidência da HRT em maio deste ano”, mas também não explica o que levou Mello a deixar a presidência do Conselho de Administração e a própria presidência da HRT. Mas, nos bastidores e no meio da imprensa, uma onda de comentários dão conta de que o executivo – que era comparado a Eike Batista por sua “ambição e ousadia” –, vinha sendo pressionado pelos acionistas majoritários depois do fiasco nas prospecções da Bacia do Solimões
e do fiasco nas explorações na Namíbia, onde a HRT só encontrou um poço seco. De acordo com “O Globo”, em seu caderno de Economia, “o problema central é que Márcio Mello havia prometido que em fins de 2011 a companhia começaria a produzir cinco mil barris de petróleo na Amazônia. Perfurados até o momento 11 poços, a HRT só encontrou algumas jazidas de gás natural, difíceis de serem monetizadas devido à localização”. Disse ainda o jornal que os resultados prometidos na exploração no Solimões, que culminou com outro poço seco na Namíbia, deixaram os acionistas majoritários — fundos de investimentos americanos e canadenses — em “pé de guerra” , forçando a saída de Márcio Mello. (MA)
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TÃO CHEGANDO
“A HRT não vai sair do Amazonas”
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Nilo Azambuja Filho, CEO da petroleira HRT, afasta qualquer ameaça de crise e esbanja otimismo
EM TEMPO – O que existe de concreto na informação de que a HRT Participações em Petróleo está deixando o Amazonas? Nilo Azambuja – A HRT não está saindo do Amazonas. Após a execução de um extenso programa de investimentos, chegou a hora de analisar as lições aprendidas, rever procedimentos e construir um programa de trabalho para o futuro. EM TEMPO – É verdade que, após as prospecções, a companhia não encontrou petróleo e por isso estaria vendendo suas ações à empresa russa Rosneſt? NA – Não é verdade. Fato relevante divulgado em 22 de novembro informou que a Rosneſt pretende aumentar, em 6%, sua participação no projeto Solimões, tornandose operadora do projeto. A partir deste novo contexto, as companhias estão desenvolvendo em conjunto um novo plano estratégico cujos pontos principais incluem um programa de exploração para 2014-2015 e o desenvolvimento de uma análise econômica das descobertas de gás natural, um passo importante para o projeto de monetização do gás já descoberto. É fato, finalmente, que
a parceria da HRT e Rosneſt ainda não alcançou sucesso na descoberta comercial de óleo, o que continuará sendo um desafio importante para o futuro. EM TEMPO – Como funcionará essa parceria. A partir de agora os russos detêm a maior cota. Isto significa dizer que a Rosneſt é a operadora? NA – A Rosneſt pretende se tornar a operadora do projeto e as negociações entre as empresas se encaminham nesta direção. Esse fato se tornará realidade quando a ANP aprovar a transferência da concessão, o que se espera vir a ocorrer no primeiro semestre de 2014. EM TEMPO – Há quanto tempo a HRT está no Amazonas? NA – A HRT está no Amazonas desde julho de 2009, quando adquiriu 51% de 21 blocos exploratórios da empresa Petra Energia, que adquiriu esses blocos em rodada de licitações, conduzida pela ANP. EM TEMPO – O que foi feito até agora, pela HRT, em relação à busca pelo petróleo do Amazonas? NA – Desde 2009, realizamos uma reavaliação dos estudos geológicos e
geofísicos conduzidos anteriormente pela Petrobras e Petra, reprocessamos os dados existentes e adquirimos cerca de 5 mil quilômetros de sísmica 2D e perfuramos 11 poços, 7 dos quais foram importantes descobertas de gás natural. Conseguimos construir uma importante infraestrutura operacional da bacia, introduzimos inovações na logística e na perfuração dos poços, melhorando nossa performance e, desta forma, reduzindo tempo e custos da perfuração. EM TEMPO – Quantas sondas vocês conseguiram manter no Amazonas? NA – A HRT chegou a operar com quatro sondas e atualmente possui duas sondas na área dos blocos. A HRT possui, adicionalmente, quatro sondas helitransportadas que estão em Manaus e que foram construídas para o desenvolvimento de potências descobertas. EM TEMPO – É viável a exploração do petróleo no Amazonas ou a empresa brasileira está passando um “abacaxi” para as mãos dos russos? NA – Nossa relação com a Rosneſt é de parceria e estamos juntos no desenvolvimento desse projeto,
ilo Chagas de Azambuja Filho é o diretor-presidente da HRT. Ele substituiu Milton Franke, empossado em 13 de maio no lugar de Márcio Rocha Mello. O executivo continua ocupando, ainda, a diretoria técnica da companhia. É um dos fundadores da HRT e teve um papel significativo na implementação da estratégia da companhia. O diretor-presidente tem 30 anos de experiência na Petrobras, atuou como diretor do Setor de Estratigrafia do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e como gerente da Divisão de Exploração. Na entrevista exclusiva ao EM TEMPO, Nilo Azambuja garante que a HRT não vai sair de Manaus, mas confirmou que a companhia russa Rosneſt aumentou em 6% sua participação no projeto Solimões, tornando-se a operadora do projeto. Também confirma que a parceria da HRT e Rosneſt ainda “não alcançou sucesso na descoberta comercial de óleo, o que continuará sendo um desafio importante para o futuro”. Veja a entrevista: que reputamos importante. O histórico das atividades de exploração e produção de gás natural e petróleo na Amazônia, especialmente na Bacia do Solimões, demonstra que se trata de uma bacia importante no cenário nacional. EM TEMPO – A maior dificuldade para explorar petróleo no Amazonas é a logística? NA – Sim, a logística constitui um desafio importante nas atividades em selva, como é o caso. A Amazônia demanda um planejamento mais minucioso devido as variações climáticas, com períodos de cheia e de seca, que se bem planejados podem trazer benefícios para cada tipo de atividade. EM TEMPO – Por que o senhor diz que a qualidade de nosso petróleo rivaliza com o petróleo árabe? NA – O petróleo descoberto na Bacia do Solimões é do tipo leve, semelhante à classificação do tipo Brent, que tem sido importado pelo nosso país. Esse petróleo possui alto valor de mercado e é um dos melhores existentes no Brasil. EM TEMPO – Onde está o grosso do petróleo na
região? Nas bacias sedimentares do Solimões ou outras áreas também têm potencial? NA – A região amazônica possui várias bacias com potencial petrolífero, exemplo da Bacia do Acre, que teve blocos leiloados na 12ª Rodada, assim como a denominada Bacia do Amazonas, cuja extensão é muito grande. Estimamos que muitas áreas inexploradas no presente serão exploradas no futuro. EM TEMPO – Qual o valor do investimento que a HRT já fez no Amazonas? NA – A HRT e seus parceiros já investiram muitas centenas de milhões de dólares na campanha de exploração do Solimões nestes últimos três anos. EM TEMPO – Quantos homens a indústria de petróleo já chegou a empregar no Amazonas? NA – Diretamente chegou a empregar mais de 600 pessoas e indiretamente milhares de pessoas. Devido a região de selva, as atividades exigem um número maior de empregados – uma equipe sísmica chega a utilizar 800 empregados. Vale a pena mencionar que tais empregados são admitidos localmente, nos municípios em que a empresa
atua, com recolhimento local de impostos. EM TEMPO – A Rosneſt e a HRT irão continuar as atividades exploratórias no Solimões. Ou só os russos continuarão a exploração? NA – As empresas são parceiras no desenvolvimento do projeto Solimões e ambas continuarão investindo no projeto. EM TEMPO – O Márcio Mello ainda é o presidente da HRT? É verdade que ele não quer mais investir o que investiu no Amazonas porque até o momento não conseguiu recuperar o dinheiro investido? NA – O doutor Márcio Mello segue suas atividades na empresa como membro do Conselho de Administração da companhia, mas deixou a presidência da HRT em maio deste ano. EM TEMPO – Que destino será dado ao equipamento importado que se encontra numa área ao lado da ponte Rio Negro? NA – São quatro sondas trazidas da China para serem utilizadas na Amazônia. E, como explicamos, a decisão das empresas é continuar investindo no projeto Solimões.
A sucursal brasileira da gigante russa do petróleo, Rosneſt Oil Company, chegou a um acordo com a HRT sobre a aquisição de um pacote de participação adicional de 6%, passando a controlar 51% no projeto Solimões. Mesmo tornandose a operadora da empreitada, faz questão de manter a parceria com a HRT. Para continuar o sonho
de encontrar petróleo em solo amazônico, as duas petroleiras terão que assinar os acordos até o final de janeiro de 2014. Além disso, a compra só será concretizada após aprovação final da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Para continuar perfurando poços no Amazonas, a Rosneſt já adquiriu quatro unidades móveis de
perfuração da HRT. A parceria parece ter feito bem para ambas as partes. A Rosneſt divulgou que está satisfeita em expandir sua presença “em um projeto tão promissor como o Solimões” e aguardava uma cooperação frutífera e mutuamente benéfica com a HRT. Os executivos da HRT informaram que a empresa estava determinada a
avançar a cooperação com a Rosneft para desenvolver e rentabilizar os recursos do projeto. O projeto Solimões consiste em 21 áreas de exploração na Bacia do Rio Solimões, afluente do Amazonas. Uma participação de 45% no projeto, de acordo com os consultores, equivale a reservas de 789 milhões de barris de petróleo.
RICARDO OLIVEIRA
Gigante Rosneſt busca explorar petróleo em solo amazonense
Ao lado da ponte Rio Negro, as sondas de perfuração da HRT
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País
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Brasil tem mais de duas mil pessoas juradas de morte Revista revela o mapa das ameaças de morte no Brasil. Mais de 2 mil pessoas estão incluídas em programa de proteção ABR
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O ex-cacique, Lindomar Terena (no centro) vive em constante ameaça em razão da luta indígena pela retomada dos 36 mil hectares do seu povo no Mato Grosso do Sul
‘Cadeia aqui não é para bandido’ O ex-cacique Lindomar Terena está na linha de frente dos conflitos entre indígenas e fazendeiros em Mato Grosso do Sul, Estado onde foram assassinados 37 dos 60 índios mortos ano passado no país. Um dos principais líderes do povo terena na luta pela reto-
AE
m amplo e inédito levantamento mostra que mais de 2 mil pessoas estão juradas de morte por testemunhar e denunciar violações de direitos humanos ou, simplesmente, exercer seu dever funcional em todo o Brasil. Reportagem de capa da oitava edição da Revista Congresso em Foco revela que pelo menos 2.034 cidadãos brasileiros estão incluídos em algum dos três programas de proteção a pessoas ameaçadas de morte, mantidos pelo governo federal em parceria com governos estaduais. São crianças e adolescentes, vítimas e testemunhas de crimes e defensores de direitos humanos (aí incluídos desde lideranças agrárias, índios, quilombolas e sem-teto até promotores e juízes) que recorreram à proteção do Estado para não morrer. Vivem como exilados dentro do seu próprio país. Mas o número de ameaçados é maior. A reportagem “Jurados de morte: os novos exilados” reúne outros levantamentos de entidades como o Conselho Nacional de Justiça, a Comissão Pastoral da Terra e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que apontam a existência de 200 magistrados, 295 lideranças agrárias e pelo menos oito jornalistas ameaçados de morte. Desses, apenas uma parte mantida sob sigilo está inserida nos programas de proteção. A reportagem inclui um mapa inédito com a distribuição geográfica desses brasileiros jurados de morte. Traz relatos de uma dezena de pessoas, como o pescador Alexandre Anderson, que contam sua luta e como aprenderam a conviver com ameaças e atentados.
mada dos 36 mil hectares da reserva Cachoeirinha, no norte do estado, Lindomar foi incluído no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos após receber várias ameaças. O processo de demarcação da terra está suspenso e aguarda decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF) desde 2010. O imóvel pertence à família do ex-governador Pedro Pedrossian, já falecido. Lindomar conta que, no ano passado, ele, um advogado e outras três lideranças indígenas foram perseguidos por cerca de 20 homens armados, distribuídos em seis caminho-
netes, numa reserva indígena na região do Pantanal. As ameaças telefônicas também são constantes. Em maio de 2010, cerca de 800 terenas foram expulsos pela Polícia Federal durante a desapropriação de uma terra, em meio a armas, bombas de gás lacrimogêneo e cães. Para
ele, o fim das ameaças só depende do governo federal. “É só o governo assumir a responsabilidade de demarcar as terras indígenas. Aí acaba a insegurança jurídica para ambas as partes.” Lindomar Terena também defende multa pesada para conter os conflitos no campo.
PREFEITOS
Piora no Ideb pode gerar punição
Ideb é o principal índice que mede a capacidade dos alunos
Prefeitos de cidades que registrarem piora nos índices de qualidade da educação podem ficar inelegíveis por 5 anos caso seja aprovada a Lei de Responsabilidade Educacional, cujo texto deve ser apresentado na Câmara Federal. O não cumprimento do gasto mínimo de investimento na área e de critérios sobre infraestrutura também poderão ser enquadrados na legislação. O debate sobre responsabilidade educacional ganhou força recentemente. Embora
haja previsão legal para a oferta de um ensino de qualidade, a inovação que aparece agora é a de determinar quais serão as punições. Segundo especialistas, depois de décadas de esforço voltado para universalização do acesso, é imprescindível criar mecanismos para cobrar qualidade. No Senado, o texto do Plano Nacional de Educação (PNE), que pode ir a Plenário ganhou trecho que fala da responsabilidade de gestores em caso de não cumprimento das metas.
Ideb Já o texto que deve ser apresentado na Câmara estipula o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como critério - o que divide opiniões. “Nenhum prefeito poderá permitir o retrocesso até atingir a meta do PNE”, diz o relator, deputado Raul Henry (PMDBPE). “Temos uma péssima realidade da educação, e as vítimas não percebem que são vítimas porque não há pressão pela qualidade.”
Quase mil municípios, que representam 17% do total, apresentaram retrocesso no Ideb 2011 no último ciclo do ensino fundamental. O projeto não prevê metas para o ensino médio, uma vez que no nessa fase o índice é por amostra. O projeto destaca ainda uma série de parâmetros a serem alcançados, que vão da existência de plano de carreira docente e respeito à Lei do Piso até o atendimento de padrões construtivos das escolas.
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Mundo
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Exército isola vila onde Mandela será enterrado O
pequeno vilarejo de Qunu, a 900 quilômetros de distância de Johannesburgo, virou oficialmente uma zona militar. Os pouco mais de 200 habitantes têm dividido espaço nos últimos dias com uma estrutura jamais vista. Na sexta-feira, 13, homens do exército desembarcaram de mais de 20 ônibus e cercaram o perímetro do local onde hoje será enterrado o ex-presidente Nelson Mandela. A tranquilidade do local, acostumada apenas aos sons de cabras e ovelhas que são tocadas pelos moradores, foi abalada ainda com a chegada de helicópteros que fazem uma espécie de varredura aérea na tentativa de evitar qualquer brecha no esquema de segurança. Neste final de semana, a operação ganhará o reforço de caças Gripen da Força Aérea sul-africana. Os jatos são os mesmos que a sueca Saab tenta vender ao Brasil há alguns anos. Por volta das 13h (horário de Brasília) da sexta-feira, houve o primeiro ensaio para o enterro. Dezenas de tanques, motos e patrulhas policiais saíram da cidade de Mthatha em direção a Qunu, a 35 quilômetros de distância.
Canhões foram disparados já como prenúncio das honras de chefe de Estado que Mandela receberá em seu enterro. Translado Hoje, a operação ganha uma nova proporção. O corpo do expresidente será transportado do Union Buildings, sede do governo sul-africano e onde foi velado
FORÇA AÉREA
Neste final de semana, a operação ganhará o reforço de caças Gripen da Força Aérea sul-africana. Os jatos são os mesmos que a sueca Saab tenta vender ao Brasil há alguns anos nos últimos três dias, para a base aérea de Waterkloof, em Pretória, onde receberá a homenagem de mil membros do ANC (Congresso Nacional Africano, na sigla em inglês), o partido pelo qual se elegeu. A viúva de Mandela, Graça Machel, e 10 anciãos do clã Thembu do povo xhosa, ao qual pertence o ex-líder sul-africano, acompanharão o cortejo até a
AP/PHOTO
Vilarejo onde o ex-presidente Nelson Mandela nasceu será o cenário de seu enterro hoje com grande aparato militar casa da família em Qunu. Mandla Mandela, neto mais velho do ex-presidente e o responsável por ficar ao lado de seu corpo durante o velório, será responsável por dizer a Mandela que ele “chegou a casa”. Os parentes farão então uma vigília durante o resto do dia. Cerimônia Ainda hoje, uma tenda branca com capacidade para 5 mil pessoas e que foi construída exatamente sobre o local onde Mandela será enterrado, receberá alguns chefes de Estado que participarão da cerimônia fúnebre. O príncipe Charles e o rei de Lesoto estão entre os convidados. Entre os líderes internacionais que confirmaram presença, estão o vice-presidente do Irã, Mohammad Shariatmadari; o da Nicarágua, Omar Acevedo. O enterro não será televisionado a pedido da família. Ainda assim, cerca de 4 mil jornalistas foram credenciados para acompanhar os últimos momentos de Mandela. Uma estrutura foi montada para abrigar a imprensa dentro do Museu Nelson Mandela, no alto de uma colina com vista para a tenda onde o ex-líder será sepultado.
Exército sul-africano se dirige para o vilarejo de Qunu, a 900 quilômetros de Johannesburgo
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
RAPHAEL ALVES/TJAM
Histórias curiosas da Justiça Dia a dia C8
Onda de ‘boataria’ toma conta das redes sociais
IONE MORENO
Episódios recentes mostram que fatos divulgados nas redes sociais permanecem questionáveis e ainda são compartilhados
Informações que circulam pela internet, nas redes sociais, deixam de ter veracidade questionada e acabam se transformando em ondas de boatos que geram forte repercussão na web
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os últimos dias tem circulado pelas redes sociais da internet e aplicativos uma série de boatos sem identificação sobre crimes em Manaus, onde se afirma que presos beneficiados pelo mutirão carcerário realizado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo indulto de Natal estariam realizando assaltos. Os boatos, que antigamente eram passados de boca em boca pelas mesquinhas “bilhardeiras” e “bilhardeiros” que não tinham “mais o que fazer”, nesta época de tecnologia proliferam pela internet. Todos os dias, e-mails e informações nas redes sociais divulgam situações falsas, algumas graves, em especial quando diz respeito à segurança das pessoas. Outra característica dos boatos online é a referência a fontes falsas. Para a analista de mídia Lúcia Gonçalves, nesses ambientes todos os frutos de iniciativas pessoais desafiam o bom senso e aguçam a desconfiança. “A internet, infelizmente ou felizmente, é um ambiente
onde se pode ficar no anonimato”, afirma Lúcia. Entretanto, os boatos geralmente contam historias alarmantes e falsas que sensibilizam o usuário. A disseminação dos boatos também decorre da falta de cuidado dos internautas. “Muita gente só lê o título e já compartilha. Alguns sites de
FONTES
Outra característica dos boatos on-line é a referência a fontes falsas. Para a analista de mídia Lúcia Gonçalves, nesses ambientes todos os frutos de iniciativas pessoais desafiam o bom senso humor chegam a brincar com isso e colocam conteúdo sem nexo no corpo do texto. Mesmo assim as pessoas replicam”, disse a analista. Ela cita como exemplo o boato sobre o fim do Bolsa Família, que levou milhares de beneficiários às agências da Caixa Econômica Federal. Os rumores sobre
o fim do programa geraram tumultos em pontos de saque de ao menos 12 Estados entre 18 e 19 de maio deste ano. Por conta da propagação indevida, a presidente Dilma Roussef teve que fazer um pronunciamento esclarecendo a população da inverdade da informação e em seu pronunciamento classificou como “desumano e criminoso” o autor dos boatos. Entretanto, ao fim de dois meses de investigação, a Polícia Federal concluiu que o boato “foi espontâneo”, não havendo como responsabilizar uma pessoa ou um grupo pelo incidente. Segundo ela, no caso dos boatos da semana passada sobre a onda de violência em Manaus – com supostos tiroteiros em shopping centers - o alvo da maior parte das falsas informações foi o governo e o poder judiciário. Um grande problema desses crimes de calúnia nas redes sociais é que na maioria das vezes não há como comprovar idoneidade de que o crime tenha sido realmente praticado e que a pessoa investigada, ou indicada pela vítima, tenha agido com culpa ou mesmo dolo.
Boatos obtêm alcance nacional No caso da boataria sobre a Bolsa Família, a Caixa Econômica Federal informou que, após boatos sobre a suspensão do programa, foram efetuados cerca de 900 mil saques de benefícios, que contabilizaram R$ 152 milhões. No Amazonas, com in-
tuito de esclarecer e acalmar a população, o juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca de Manaus, Luís Carlos Valois, explicou nas redes sociais a diferença entre esses o indulto de Natal – a cujos beneficiados se atribuíram os crimes ocorridos e “es-
palhados” no mundo virtual – e a saída temporária – benefício para apenados do regime semiaberto. A boataria chegou a ponto de que até hoje há quem compartilhe informações equivocadas, criando uma teia de “terrorismo virtual” sem precedentes. RAPHAEL ALVES/TJAM
ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO
Esta semana, o juiz Luís Carlos Valois teve que esclarecer equívocos por causa de boatos
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Dia a dia
Multas ‘estranhas’ cau
Motoristas devem ficar atentos para multas registradas em vias por onde nunca passaram. O processo de contestação pode se tornar uma tremenda dor de cabeça ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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SURPRESA
O autônomo Luiz Fonseca recebeu em casa um aviso de multa registrada no cruzamento das avenidas Kako Caminha e Constantino Nery por avançar o sinal vermelho em dia e horário em que estava em casa “Estávamos andando a pé, quando minha filha avistou um carro com a placa igual ao do nosso, inclusive cor e modelo. Fiquei sem saber o que fazer e resolvi procurar uma delegacia mais próxima para buscar orientação”, contou. Fonseca, ao chegar à delegacia, foi orientado a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) sobre a suposta
clonagem de seu veículo. Por causa disso, lembrou-se da multa recebida no mês anterior e resolveu procurar o Departamento Estadual de Trânsito (Detran- AM). “Levei toda a documentação e também o BO, juntamente com declaração da escola da minha filha, ao Manaustrans e tive meu pedido de retirada da multa indeferido. Apresenteios na Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infração), no Detran, e eles me disseram que não iriam fazer nada e que eu tinha que achar o carro clonado. Estava disposto até a trocar a placa do meu veículo para não correr o risco e perder minha habilitação por conta de vagabundos que clonam placas para fazer bandidagem”, desabafou. A multa acabou sendo paga, no valor de R$ 191,54. O Manaustrans informou que indeferiu o pedido porque o relato verbal do condutor no BO sobre a suposta existência do clone não é considerada consistente para contestar multa. É necessário que a polícia apreenda o veículo irregular para comprovar a existência do clone. Outra prova é o radar flagrar (fotografar) o veículo clonado cometendo uma infração.
Agente coloca multa em veículo estacionado em local impróprio: infração é a segunda em quantidade de registros, de janeiro até o mês passado, segundo balanço do Manaustrans sobre tipos de multas aplicadas em 2013
Prejudicado deve procurar Detran Além de fazer a denúncia de clonagem de placa de veículo na polícia, é importante que o condutor prejudicado faça a denúncia também no Detran, pois o Batalhão de
Trânsito fica avisado para fazer a apreensão. Todo condutor autuado tem direito de contestar a autuação, recorrendo às instâncias disponíveis.
O Manaustrans mantém fiscalização constante em todas as áreas da cidade, inclusive com operações reforçadas neste período do ano. REINALDO OKITA/ARQUIVO EM TEMPO
HUDSON FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO
o estudar a legislação de trânsito para a retirada da carteira de habilitação, o motorista é informado que o descumprimento da lei pode gerar multas altas ou até mesmo a perda de pontos ou perda da carteira. Por causa disso, o cuidado para seguir as regras deve ser maior, mas há casos em que motoristas acabam sendo surpreendidos por multas registradas em lugares pelos quais não passou ou quando mantiveram o carro guardado na garagem. Foi o que aconteceu com o autônomo José Luiz Cordeiro da Fonseca, 41. No último dia 23 de setembro, ele recebeu em casa um aviso de multa registrada no cruzamento das avenidas Kako Caminha e Constantino Nery por avançar o sinal vermelho. O fato é que, no dia e horário lançados no documento, Luiz estava atendendo em sua casa uma cliente. “Quando chegou, fiquei surpreso e pensei que agora o Manaustrans (Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito) estava sorteando multa para
nos extorquir, mas de qualquer forma fui recorrer e meu pedido foi negado”, relatou Fonseca. Quase um mês após ser notificado, o autônomo foi buscar sua filha na escola próxima de sua casa, no Morro da Liberdade, e na volta viu um carro com as características idênticas ao seu e com a mesma placa – um indício de clonagem.
Manaustrans garante fazer fiscalizações intensas em vários pontos da capital amazonense Multas podem ser contestadas em vários níveis quando motorista se sente injustiçado
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DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO
REINALDO OKITA/ARQUIVO EM TEMPO
ausam irritação
“Corujinhas” podem comprovar as irregularidades
Excesso de velocidade lidera O Manaustrans informou que as multas mais frequentes no período de janeiro até o mês de novembro passado foram, em primeiro lugar, o excesso de velocidade, no qual os motoristas superaram a marca máxima permitida em até 20%. Em segundo lugar, está o estacionamento em local e hora proibidos, e em terceiro, parar em passeio público. Nesse período, foram anotadas 60.977 multas
por tráfego acima da velocidade permitida, 19.963 por estacionamento proibido e 12.798 por parada em passeio público. O instituto informou que algumas multas são registradas com as fotografias das “corujinhas”, que comprovam a placa, cor e outros detalhes do carro. Mas há casos em que o próprio agente de trânsito observa o não cumprimento da lei e tem o poder de multar o condutor infrator.
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Dia a dia
Caos na enferma ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO
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evantamento realizado pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) aponta que o Amazonas possui um déficit de 60% de profissionais de enfermagem. O órgão fiscalizou 18 unidades de saúde de alta e média complexidade da capital, e verificou que a maioria das instituições trabalha com um número inferior de profissionais e ao que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). Todavia, a resolução 293/2004 do Conselho Federal determina a quantidade certa de profissionais de enfermagem dentro das unidades de saúde, que varia de acordo com o número de leitos e a classificação de risco dos pacientes. Um exemplo é que dentro de uma UTI o número de profissionais é maior do que em uma unidade de clinica cirúrgica, já que o risco desse paciente é menor. Em alguns locais não há nem enfermeiros formados, os chamados “falsos profissionais”. “A maioria das unidades de saúde não apresentou um cálculo adequado”, afirma o presidente do conselho David Lopes.
No Amazonas há mais de 30 mil profissionais de enfermagem, sendo 11,47% de auxiliares de enfermagem, 67,85% de técnicos de enfermagem e 20,67% de enfermeiros, segundo o Coren-AM. O Estado abriga 11 universidades que possuem o curso de enfermagem e mais outras 30 escolas de educação profissional regulamentadas, inclusive o
DEMANDA
No Amazonas há mais de 30 mil profissionais de enfermagem, sendo 11,47% de auxiliares de enfermagem, 67,85% de técnicos de enfermagem e 20,67% de enfermeiros, segundo o Coren-AM Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), de gestão pública. Atualmente, o Estado tem mais de 1,5 mil profissionais titularizados especialistas em UTI, maternidade, urgência e emergência para atender a população com qualidade de excelência. “Todos os dias recebemos novos inscritos, tanto da capital quanto do interior,
então a questão não é falta de profissional capacitado”, explica o presidente. Para ele, uma das principais causas é a falta de gestão. “É necessário realizar mais concursos públicos, assim 70% dos profissionais de enfermagem seriam concursados, nos últimos 10 anos”, enfatiza Lopes. Atualmente, as instituições tanto públicas quanto privadas, terceirizam o serviço, o que deixa mais elevados os custos e muitas vezes não possuem profissionais regulamentados. O Amazonas investe hoje 28% de seus tributos em saúde pública , mais do que os 12% previstos na Constituição, porém mesmo assim, por suas dimensões territoriais, tem muitas dificuldades. “Uma campanha de vacinação no Estado de São Paulo não gasta o mesmo valor que Amazonas”, relata a professora da Fiocruz, Raquel Navarro. Outro problema é que a qualidade e condições de trabalho dos profissionais de enfermagem tem sido alvo de especulação. Os profissionais geralmente trabalham em duas ou três empresas em sistema de plantão (12 horas de trabalho por 36 de folga), devido aos baixos salários.
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
Déficit de profissionais, constatado pelo Coren, é resultado, entre outros fatores, da falta de condições de trabalho e salários baixos que levam os trabalhadores a se desdobrarem, deixando até de usufruírem de folgas após plantões
Enfermeiras em manifestação em hospital da capital: quadro de profissionais está defasado
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agem no Estado comprometendo o atendimento e, por consequência, colocando em risco a vida dos pacientes. Pela lei, há diferenças entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. Apenas o primeiro pode prescrever cuidados e é sempre o chefe da equipe, enquanto os demais podem executar os serviços, sempre sob a supervisão do enfermeiro. Cada equi-
pe deve ter um enfermeiro, e deve haver sempre um profissional desta categoria à disposição 24 horas por dia. Os sindicatos têm a função de preocupar-se com as condições de trabalho e com a qualidade da formação e a congregação da classe, enquanto as associações e o Conselho têm a função de fiscalizar o exercício da profissão. DIVULGAÇÃO
Na área de enfermagem, há casos de profissionais que ganham um salário mínimo para executar atividades que envolvem a vida de um paciente. Todavia, cerca de 80% da assistência à saúde é realizada por eles, que permanecem 24 horas na instituição. As condições precárias de trabalho às quais estão submetidos os profissionais de enfermagem estão
DIVULGAÇÃO
Sobrecarga de trabalho é grande
O exercício da profissão é verificado pelo Coren-AM pelo programa “Enfermagem Legal”
Programa verifica irregularidade
Alunos de enfermagem em aula prática: condições precárias de trabalho afetam categoria
O Coren-AM possui um programa , “Enfermagem Legal”, instituído em 2012 para verificar dentro das instituições se há profissionais irregulares ou ilegais , realizando o afastamento imediato quando necessário. Muitas vezes esses profissionais, na prática ilegal da profissão, podem causar
sérios danos à saúde ou até mesmo levar um paciente a óbito. Os Ministérios Públicos Estadual e Federal têm sido bastante atuantes junto com o Conselho, no intuito de solucionar os problemas que a categoria de enfermagem enfrenta. Para o presidente do Co-
ren- AM, é importante dar mais atenção para a categoria, senão quem responderá por isso será a sociedade com o atendimento precário. “Economizar para contratar as pessoas, economizar para dar um salário digno, vai ter um reflexo direto no ser humano”, finaliza David.
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Dia a dia
Os programas em Botânica, Entomologia e Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia melhoram conceito na avaliação da Capes e os dois últimos são considerados de alto nível e de padrão de qualidade internacional
O programa de pós-graduação em Botânica subiu de 3 para 4 no conceito da Capes. O programa de Ciências de Florestas Tropicais recebeu nota 5, só para citar alguns exemplos do desempenho
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os nove programas de pós-graduação que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) oferece, oito obtiveram nota 4 ou superior na avaliação trienal 2013 stricto sensu divulgada esta semana pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Desses, três cursos subiram de nível. As notas vão de 1 a 7, sendo que 6 e 7 equivalem a um padrão de qualidade de nível internacional. O maior destaque foi para o Programa de Pós-Graduação em Ecologia que obteve nota 6, aumentando em um ponto seu desempenho em relação a última avaliação feita em 2010, assim como o Programa de Entomologia que subiu de 4 para 5 na avaliação da Capes. O programa de pós-graduação em Botânica subiu de 3 para 4 no conceito da Capes. O programa de Ciências de Florestas Tropicais recebeu nota 5. Os programas Bio-
logia de Água Doce e Pesca Interior, Genética, Conservação e Biologia Evolutiva e o de Clima e Ambiente permaneceram com nota 4. Já os programas Agricultura de Trópico Úmido e o mestrado profissional em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia, curso criado recentemente em 2010, receberam nota 3. Para o diretor substituto do Inpa, Estevão Monteiro de Paula, o resultado da avaliação da Capes representa o esforço institucional para formar mão-de-obra qualificada na região. “É o resultado do trabalho que o Inpa vem desenvolvendo ao longo dos últimos oito anos para melhorar a qualidade de ensino nos seus cursos de pósgraduação. É uma vitória de todos. Destaque para o curso de nível 6 do programa em Ecologia que está entre um dos mais bem avaliados do Brasil”, afirmou. Avaliação trienal A avaliação trienal da Ca-
pes avaliou 5.082 cursos de mestrado e doutorado de todo o país. O processo considerou todas as informações prestadas pelos cursos durante os anos de 2010, 2011 e 2012. A avaliação da pós-graduação stricto sensu é realiza-
DESTAQUE
O maior destaque foi para o programa de pós-graduação em ecologia que obteve nota 6, aumentando em um ponto seu desempenho em relação à última avaliação feita em 2010 da pela Capes desde o ano de 1976. Ao longo de quase 40 anos, se consolidou como instrumento de grande importância para o Sistema Nacional de Pós-Graduação e para o fomento, tanto por parte das agências brasileiras, vários
setores governamentais e não governamentais, bem como dos organismos internacionais. Bases Segundo a Capes, as instituições são avaliadas com base nos professores, alunos, teses e dissertações; produção intelectual. Além disso, os cursos são avaliados também pela inserção social e diferenciais de alta qualificação e desempenho de forte liderança nacional. As notas vão de 1 a 7. Os cursos com notas 1 e 2 representam desempenho fraco ou abaixo do padrão e podem perder o credenciamento pela Capes. A nota 3 equivale ao padrão mínimo, a nota 4 representa bom desempenho, já a pontuação 5 revela alto nível de desempenho e é considerada maior nota para cursos só com mestrados. Por sua vez as notas 6 e 7 são para desempenho equivalente aos centros de ensino e pesquisa internacionais.
Laboratório atrai graduados O Inpa já formou mais de 1,8 mil pesquisadores que contribuíram e ainda contribuem com trabalhos que auxiliam a conservação e preservação da região amazônica. Trabalhar na floresta amazônica como laboratório natural é um dos pontos que atraem graduados de várias partes do país a fazer os Programas de Pós-Graduação do Inpa e se manterem na região. Em 2013, os programas de pós-graduação do Inpa completaram 40 anos, desde a criação do programa de Botânica em 1973. “O que mais atrai os alunos é a região amazônica e o Inpa por ser a referência mundial em biologia tropical. O Inpa capacita os estudantes
tendo a Amazônia como o seu laboratório natural, oferecendo a ampla possibilidade de qualificação
ATRATIVO
Trabalhar na Floresta Amazônica como laboratório natural é um dos pontos que atraem graduados de várias partes do país a fazer os programas de pósgraduação do Inpa
em várias linhas de pesquisa sobre biodiversidade, que é um dos focos do Instituto”, explica a coordenadora de capacitação (COCP) do Inpa, Beatriz Ronchi Teles.
DANIEL JORDANO/INPA
Pós-graduação
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C7 RICARDO OLIVEIRA/ARQUIVO EM TEMPO
classe ‘A’ Parque tecnológico terá verba do MCTI vestimentos do próprio Inpa na ordem de R$ 300 mil. Para o diretor substituto do Inpa, Estevão Monteiro de Paula, “esses recursos públicos devem ser bem aplicados, tendo em vista que é um investimento relativamente caro quando se trata de implantar um parque tecnológico, e o Inpa vai realizar os estudos de viabilidade para ver se é viável ou não para
depois fazer tomada de decisão”. A coordenadora de Extensão de Tecnológica e Inovação (Ceti), Rosangela Bentes, explica que a proposta contemplada pelo Inpa visa realizar inicialmente o estudo para viabilizar a implantação do Parque Tecnológico em todos os seus aspectos para futura operacionalização, alinhada à política do Governo
Federal para o crescimento, a competitividade e a Inovação Tecnológica. “Bem como a estratégia de ação da região e parceiros na valorização do que mais temos de valioso, que é a biodiversidade, utilizando-a de forma sustentável e agregando o conhecimento científico e tecnológico de forma competitiva para o mercado com a marca Amazônia”, ressalta Bentes.
Investimentos no Inpa irão melhorar seu desempenho
Um ambiente especializado
DIVULGAÇÃO
O Inpa foi contemplado com aporte financeiro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para a elaboração de Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) para a construção do primeiro Parque Tecnológico no Amazonas. Os recursos serão repassados por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e in-
Segundo o diretor do Inpa, Estevão Monteiro de Paula (em primeiro plano), instituto vai realizar estudos de viabilidade
De acordo com a coordenadora, o Parque Tecnológico é um ambiente especializado e cooperativo que promove e oportuniza a cultura da inovação e do empreendedorismo entre empresas e instituições de pesquisa, estimulando novos negócios, a criação de Spin off (empresa que nasce de outra organização/empresa e seus criadores continuam na direção e na administração), spin-out (empresa que surge de uma outra organização/empresa, mas seus criadores não são majoritários e não exercem controle gerencial) e Startups (empresas jovens e inovadoras de qualquer segmento de atividade que desenvolve um modelo de negócio rentável) por meio da Incubadora. “Isso possibilita de forma efetiva a interação de uma instituição pública com o setor produti-
vo e com resultados econômicos e sociais, sobretudo, na geração emprego e renda para a região”, frisa. Rosangela Bentes demonstra um otimismo em relação à proposta contemplada que, segundo ela, visa um compromisso do Inpa com a região amazônica na geração de resultados de pesquisas científica e tecnológica e a consequente transformação desse conhecimento em produtos inovadores. “Além de articular essa ação de viabilizar o parque, por meio do estudo que será realizado, é a certeza de construir um ambiente para geração de negócios e produtos inovadores”, ressalta a coordenadora da Ceti. Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico do MCTI, Álvaro Prata, em 2013, foram aplicados cerca de R$ 672 milhões.
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Dia a dia
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Perdão teve espaço na Semana de Conciliação IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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a Semana Nacional de Conciliação realizada no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), houve espaço para ocorrências bastante incomuns. Realizada para resolver diversas pendengas judiciárias em todas as áreas, a campanha registrou duas situações, no mínimo, interessantes. Em Parintins, município a 369 quilômetros da capital amazonenses, décadas de disputa entre duas mulheres de cerca de 60 anos, pelo coração de um senhor, terminou na justiça. Sem sucesso, elas resolveram transferir para as mãos do juiz, o veredito: Afinal de contas, já era tempo de saber com quem o Don Juan da ilha iria ficar. “Duas senhoras idosas brigavam por causa de um senhor. Todos os dias elas discutiam, uma ia à casa da outra perturbar. Ele estava em uma posição cômoda, queriam que eu definisse, mas dependia dele”, afirmou o juiz titular do juizado civil e criminal de Parintins, Audrin Henrique Rodrigues, que também atua na 1ª Vara. Inserido de uma hora para outra em situação inusitada,
o juiz tentou explicar ao triângulo que esse tipo de decisão não poderia sofrer interferência da justiça. “Expliquei que, na verdade, a justiça não se prestava a esse papel. O juiz acaba sendo conciliador, psicólogo, assistente social. Falei que elas eram senhoras muito simpáticas, distintas e não estavam habituadas a vir nesse ambiente e que eu não poderia definir com que ele iria ficar, quem tinha que definir era ele”, afirmou o juiz. Sem ouvir do juiz o veredicto que esperavam, as enamoradas voltaram para casa frustradas, mas com a promessa de que não iriam mais guerrear pelo amado. “Resolveram que uma não iria importunar a outra, e o cidadão terá que decidir com quem vai ficar. Isso mostra que muitas pessoas não sabem ainda o papel do juiz, que nesses casos vira um psicólogo”, apontou. No município de Parintins foram realizados mais de 150 acordos na Semana de Conciliação. Outro caso impactante foi de uma garotinha atropelada na calçada em 2007. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu. A mãe entrou com ação de reparação por danos morais e materiais.
RAPHAEL ALVES/TJAM
Dois casos em Parintins, no início do mês, mostram como situações inesperadas surgem no trabalho do Poder Judiciário
Semana Nacional de Conciliação de 2013 revelou episódios curiosos, como os que aconteceram na comarca de Parintins
‘Tem hora que o juiz fica emocionado’ “O condutor ofereceu R$ 2 mil e para minha surpresa, depois de muita discussão, a mãe o perdoou e disse que não queria mais levar adiante, porque iria fazer mal, ela disse ‘eu te perdoo’
e eles choraram. Eu inclusive fiquei muito emocionado. Tem horas que o juiz fica tomado, é ser humano. Mas o processo criminal fica pendente”, disse. O juiz lembrou que na época
do acidente, houve comoção geral da população, resultando até na criação de uma lei municipal, a Lei Ana Vitória. “A casa da criança virou um ponto de oração. A intenção da lei era inibir que pessoas
dirigissem veículos alcoolizadas”, disse. Em Parintins, as conciliações foram feitas numa escola, e também promovidas ações para chamar atenção da população da cidade.
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Plateia MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
plateia@emtempo.com.br
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Entrevista com Evandro Mesquita (92) 3090-1042
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‘Gloriosa’ fábrica de soluções GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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enários, figurinos, acessórios e efeitos especiais. Essas são as principais áreas de atuação da chamada Central Técnica de Produção da Secretaria de Estado da Cultura (CTP/SEC). Prestes a ser realizado o concerto “Glorioso – O desejo de Natal” (dia 25, às 19h, nas vias adjacentes do Teatro Amazonas), o setor está totalmente voltado para os últimos ajustes do espetáculo. De acordo com o diretor técnico do Concerto de Natal, Marcos Apolo Muniz, o trabalho desenvolvido para fazer acontecer o espetáculo requer muita criatividade para conceber elementos materiais renovados a partir de estruturas já existentes. “O objetivo do espaço é otimizar recursos. Tudo o que é utilizado no Concerto de Natal vem para cá. No ano seguinte, a gente aproveita 90%. Se não isso, a gente usa como base para outros fins. Uma estrela-guia criada para um espetáculo de 4 anos atrás, desta vez será usada em um outro contexto, por exemplo”, diz. Entre 200 e 300 pessoas estão mobilizadas para as produções técnicas para o “Glorioso”. Contudo, de uma forma geral, essa quantidade de profissionais envolvida nos trabalhos de produção da SEC depende da demanda de cada realização. Os eventos que mais requisitam mãos de obra da CTP são o Festival Amazonas de Ópera (FAO) e o Concerto de Natal. “São pelo menos quatro meses dedicados para o FAO e uns três para o Concerto”, avalia Apolo. Armações de metal, acabamento, pintura, revestimento, criação de mecanismos de movimentação de peças, seja para
facilitar o deslocamento em cena, seja para funcionar como alegoria de escolas de samba ou do Festival Folclórico de Parintins, entre outros recursos, tudo é feito na CTP, sobretudo por artistas de Parintins. “Os artistas que estão aqui são os que fazem os movimentos dessas alegorias do festival de Parintins. É uma mão de obra que depois é exportada para esses eixos, São Paulo e Rio de Janeiro”, descreve o diretor. Segundo Apolo, o grande diferencial entre o que se faz pela CTP e o que é feito para o boi ou para o Carnaval é a vida útil do material. “Nos primeiros, trabalha-se com algo para durar o tempo do desfile ou da apresentação e que possa ser aproveitado”. Intercâmbio Os artistas trazem a experiência do curral e dos sambódromos e adquirem o know-how de cenógrafos do mundo inteiro – Inglaterra, França, Alemanha e agora os EUA, devido a parceria da SEC com a empresa norte-americana Hardrive Produções – com técnicas mais voltadas para o teatro. “As pessoas de fora respeitam muito o que se faz aqui, porque eles trazem a necessidade deles para os cenários, como um rascunho, praticamente. E tudo é resolvido. Até mesmo pela questão de adaptar os recursos que se tem em Manaus”, diz o diretor. Todos os artistas recrutados são comandados por Jander Lemos, que é natural de Parintins, arquiteto e que atua como cenotécnico há 12 anos. “É uma emoção indescritível participar disso tudo, de saber que tem sua contribuição ali, ganhando vida, mesmo sem ver o espetáculo como um todo, como um espectador, porque temos que fazer tudo funcionar”, afirma Lemos.
DIEGO JANATÃ
Há mais de 10 anos, a Central Técnica de Produção da Secretaria de Estado da Cultura cria e recria os cenários e figurinos dos espetáculos, em especial do Concerto de Natal
Aproximadamente 90% de todo o material cênico utilizado durante o Concerto de Natal é reaproveitado do ano anterior
Entre 200 e 300 pessoas, da Central Técnica de Produção, estão mobilizadas para as produções técnicas de “Glorioso”
Natural de Parintins, Jander Lemos é destaque nos bastidores
Marcos Apolo é o diretor técnico do Concerto de Natal
Espetáculo de Natal com 70% concluído Cerca de 70% da demanda de produção gerada p e l o
“Glorioso” já está concluída pela CTP. Entre as peças que estão em fase de acabamento estão alegorias de elefantes, que serão usados para encenar caravanas. “Eles surgirão de vários pontos do largo São Sebastião. Os artistas vão passar bem próximo do público nesse momento. São necessárias cinco pessoas para
movimentar cada elefante. Alguns devem sair das proximidades da Galeria do Largo e outros da Casa JG Araújo. Tudo fica escondido até a hora de sua entrada”, revela Apolo. Outros elementos semelhantes estão sendo manipulados nos ensaios, como os cavalos, burrinhos etc. Também estão em concepção manjedouras, que são feitas de encaixe de peças para facilitar a montagem e desmontagem em cena. Para cenários e objetos, muitas vezes são usados tecidos diversos para compor visual e textura adequado, de acordo com a demanda dos cenógrafos do espetáculo. “Eles mandam para nós o que querem. A gente manda uma contra-amostra, que é o que pudemos chegar ao mais
próximo, porque, às vezes, existem em outros países produtos que só precisam ser aplicados, porque já vem prontos. Aqui, a gente precisa compensar com pintura e outras técnicas criativas para chegar onde se deseja”, explica Apolo Muniz. Segundo o secretário de Estado da Cultura, Robério Braga, nenhum dos quatro palcos que receberão o “Glorioso” terá momento ocioso. Com isso, o volume de produção aumentou, porque todas as cenas serão rebatidas, tanto na estrutura da rua Tapajós, quanto nos palcos das ruas José Clemente e 10 de Julho e da avenida Eduardo Ribeiro. “O desafio é juntar tudo e fazer funcionar, porque a produção de peças e cenários, de certa forma, nada mais assusta”.
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Plateia
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
MAURO SMITH
>> Chá das cinco
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Viva Omar! A querida dona Magnólia Figueiredo, homenageada pelo seu aniversário, no Village
. A querida dona Magnólia Figueiredo ganhou festa de aniversário, no Village, reunindo a família e os amigos. . O local escolhido para o evento foi o restaurante Village, que serviu de cenário perfeito para o lanche cheio de charme, com nomes do society de Manaus, levando os cumprimentos para a aniversariante, nome especial da ala tradicional da cidade.
Fátima Roman
O governador Omar Aziz é apontado pelo Ibope como o melhor governador do país, um orgulho para nós! Omar, grande administrador público, figura humana fantástica. A altíssima aprovação comprova a satisfação do Amazonas com sua excelente administração. Viva! TIAGO CORREIA
O procurador-geral de Justiça do Amazonas, Francisco Cruz, homenageado com a Medalha de Ouro Cidade de Manaus, e o presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador Bosco Saraiva, na sessão solene no plenário Adriano Jorge
César Bandiera e Graça Figueiredo
Graça Figueiredo e sua mãe, a aniversariante dona Magnólia
>> Balada descolada
>> Gestão de florestas
>> Recognição
. A coluna vai esquentar a temporada de fim de ano da cidade, com o pré-rèveillon do Lappa, na noite do próximo dia 27. . A festa reunirá toda a turma descolada da cidade, em noite happening, com o palco da casa fervendo com a cantora Taina Pimentel, o grupo Calçada e a bateria de escola de samba no final para sacudir a noite. O evento é coordenado pelo núcleo de festas “Conteúdo Chic”, que iniciará uma série de eventos destinados à turma descolada da cidade. Agendem!
. O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), assinou, em Brasília, acordo importante na área ambiental. . Trata-se do acordo de cooperação técnica para a gestão florestal com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que visa a gestão dos recursos florestais, disponibilizando ao Ipaam o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor).
. O casal Omar e Nejmi Aziz estão de parabéns. O reconhecimento de melhor governador do Brasil pela pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), é fruto de um trabalho cheio de compromisso com o povo. Aplausos.
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FOTOS: DIVULGAÇÃO
Evandro MESQUITA
‘Música boa NÃO TEM prazo de VALIDADE’ GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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(Lembro) desde os videocassetes na época da zona franca, até a costela de tambaqui e esqui nas águas do rio Negro”
ma das bandas nacionais mais carismáticas, Blitz, comemorou recentemente a edição de um DVD de 30 anos de música. Gravado há exatos 12 meses (16/12/2012) na praia de Ipanema, o álbum reúne mais do que faixas antológicas, cujas letras estão na memória coletiva de um público heterogêneo, não somente a turma que viveu intensamente os anos 1980. No show de 30 anos, 30 mil pessoas compareceram à celebração, que inclui no setlist obras como “Weekend”, “Você Não Soube Me Amar” (cujo compacto vendeu mais de um milhão de cópias, em 1982), “Beth Frígida”, “Geme Geme” e “Dois Passos do Paraíso”, hinos da banda. O DVD traz, ainda, participações especiais de Rodrigo Sha, Ivo Meireles e a bateria Surdo Um da Mangueira. O produto recebe o selo de distribuição da Universal Music, mas o resultado é decorrente de uma pareceria entre o canal Multishow, que transmitiu o evento ao vivo, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Riotur. O fundador e vocalista do grupo, Evandro Mesquita, conversou com o EM TEMPO sobre a chegada do CD e DVD MultiShow Registro BLITZ 30 anos Ipanema nas lojas de todo o país. EM TEMPO – As comemorações dos 30 anos de Blitz já aconteceram em 2012. Contudo, o DVD veio agora. Uma turnê já está montada para 2014? Manaus está inclusa?
Evandro Mesquita – Esse é o mais completo DVD que gravamos, no lugar onde nascemos, na praia de Ipanema, no Circo Voador. Caprichamos, fizemos toda a produção, edição de imagens e mixagem. Esse DVD tem a nossa verdadeira cara e é o registro definitivo da nossa história. Claro que Manaus estará na nossa turnê. EM TEMPO – Em verdade, Blitz tem algumas passagens pela capital amazonense. O que você carrega de lembranças da cidade de Manaus? EM – Desde os videocassetes na época da Zona Franca, até a costela de tambaqui e esqui nas águas do rio Negro. Os hotéis Ariaú e Tropical, os Yanomami, o Teatro Amazonas e os grandes shows que fizemos por aí. EM TEMPO – O que faz com que o repertório “oitentista” da Blitz continue sendo tão amado? EM – Música boa não tem prazo de validade. EM TEMPO – A Blitz tem a característica de ser uma banda animada, com letras divertidas em sua maioria. Já houve algum momento na história do grupo em que esse perfil esteve ameaçado, isto é, de repente se tornar uma legítima banda de rock, tanto com letras de amor e amenidades quanto mais “revoltadas”? EM – Uma relação de 30 anos atravessa tempestades e maremotos e dias maravilhosos... O importante é nosso amor pela música e pela estrada que nos mantém vivos e com muito prazer de colocar nossa banda nos palcos da vida sem se importar
muito com rótulos. EM TEMPO – Em 30 anos percorrendo os palcos pelo Brasil, o que você observou de mais significativo na cultura do país? EM – Que ela é rica, diversificada, desde as manifestações tradicionais até a contemporânea com sua mistura de informações daqui e lá de fora. EM TEMPO – E como anda o lado compositor da Blitz? Vem algo totalmente inédito em 2014? EM – Já está no forno e estamos querendo muito lançar em julho de 2014 um CD de inéditas com o que estamos compondo agora. EM TEMPO – O que deixou mais saudade nesses 30 anos de banda? EM – Não tenho saudades. Tenho orgulho da nossa trajetória. EM TEMPO – O que jamais deveria ter acontecido na banda nesse tempo? EM – O que aconteceu tinha que ter acontecido e estamos mais fortes e experientes com uma formação quase que perfeita há vários anos EM TEMPO – É padrão dizer que não há fórmula ou segredo para o sucesso. Mas cada artista de sucesso tem no seu caminho um ponto que foi a chave para esse êxito. Qual é o cerne dessa questão no caso da Blitz? EM – O amor pela arte e a honestidade e dedicação ao nosso trabalho, sempre com muito prazer de estar em qualquer palco.
Uma relação de 30 anos atravessa tempestades e maremotos e dias maravilhosos... O importante é nosso amor pela música e pela estrada que nos mantêm vivos e com muito prazer de colocar nossa banda nos palcos da vida”
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RESENHA
Beyoncé surpreende o mundo na última sexta-feira 13 do ano PERFIL
Rafael Froner blogueiro e produtor cultural
E
m plena sexta-feira 13 todos os filmes de terror e qualquer gato preto ficaram de lado devido a um dos maiores acontecimentos músicais dos últimos anos: o lançamento surpresa do novo disco da diva Beyoncé. Sem aviso, sem promoção, sem vazamentos. Assim: do nada. Indo contra todo esquema de divulgação publicitária utilizado por artistas músicais durante todos os tempos, Beyoncé optou por manter segredo sobre as faixas, clipes, sessões fotográficas e tudo mais que envolve a produção de um disco. Algumas músicas como “Grown Woman”, “Bown Down” e “XO” já tinham chegado aos nossos ouvidos por meio de campanhas publicitárias e vazamentos na internet, mas em nenhum momento recebemos da diva um alerta sobre o possível lançamento de um novo álbum. Ao contrário, o disco era visto como “impossível de ver a luz do dia”. Outras divas concorrentes, como Lady Gaga, Katy Perry, Britney Spears e até as novatas na batalha de divas Miley Cyrus, Taylor Swiſt e Demi Lovato estão realizando gran-
des promoções de seus recentes álbuns. Todos envolvendo “vazamentos indesejáveis” das faixas, videoclipes caríssimos e muitas performances em shows e televisão. Porque será que Beyoncé resolveu contrariar todos da indústria? Em declaração oficial, Beyoncé afirmou que não queria gerar alarde sobre o novo disco, queria lançar quando estivesse pronto. Ainda disse que visualiza suas músicas com imagens, sensações e lembranças da infância, por isso quis entregar aos fãs um material visual, com todas as músicas tendo videoclipes. O disco e os clipes foram produzidos durante a turnê da cantora “The Mrs. Carter Show”, que teve passagem recente pelo Brasil – vale destacar o clipe de “Blue” (música feita para a filha dela com o rapper Jay-Z), que mostra cenas no Brasil, especialmente em Trancoso, na Bahia – lugar preferido da cantora em nosso País. O álbum promete bons hits e muitas batidas, já conhecidas no repertório da diva. Beyoncé soa mais segura neste disco, nos proporcionando uma experiência sensorial diferente com esta união de áudio e vídeo. Em “Ghost” é possível
se impressionar as imagens glamorosas da cantora em câmera lenda e a luz de stroble, em “XO” é possível começar a gostar do novo e polêmico corte de cabelo dela. A coreografia fica ainda mais divertida em “Flawless”. A diva volta nos anos 80 em sonoridade e até de patins em “Blow” e ainda deu tempo de sensualizar e nos presentear com “Haunted”, uma nítida inspiração no vídeo proibido de Madonna, “Justify my love”, de 1990. Estes são alguns dos clipes da “experiência Beyoncé”, que oferece diversos gostos e muita beleza e sensualidade. Já consigo imaginar Beyoncé na manhã de sexta-feira, rindo da cara de todos e super feliz em saber que o dia mal tinha chegado ao meio e ela era a grande notícia – existe até mesmo o boato que a revista “Time” já se arrependeu em escolher o Papa Francisco como “Pessoa do ano”. A última sexta-feira 13 do ano de 2013 será lembrada por muitos anos como uma das maiores surpresas do mundo musical, bem longe de filmes de terror e gatos pretos. Confira todos os vídeos, fotos e mais detalhes do quinto álbum de Beyoncé no portal Pelamordi (www.pelamordi.com).
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
TV Tudo Comando A jornalista Vanessa Riche comandará um novo programa no Sportv na temporada de 2014. Só o lançamento não está definido, porque o formato ainda recebe atenções da própria apresentadora e da direção do canal. Nova programação A Fox vai exibir neste domingo, 10 da noite, um chamadão com as principais novidades dos seus canais para a temporada do ano que vem. Dentre elas, o NatGeo Repórter, que será apresentado por Domingos Meirelles. Jogo aberto (Foto crédito Divulgação) O zagueiro Lúcio, afastado do São Paulo, concedeu uma entrevista exclusiva ao “Esporte Espetacular” que será exibida neste domingo. Em Brasília, ao repórter Régis Rösing, o jogador conta que vive a pior etapa da carreira e que se sente humilhado. Situação difícil É bastante complicada a situação do Luciano Faccioli na Band. O que se sabe é que ele ainda tem contrato na casa,
Bate-rebate
REDE TV!
Fim de ano A cantora Thaeme e a apresentadora Faa Morena no especial de fim de ano do programa “Ritmo Brasil”, que a Rede TV! exibe dia 29, às 18h15. Também participam Hugo Pena e Gabriel, Fernando e Sorocaba, e Israel Novaes. mas ficará sem programa a partir da estreia do novo jornal da manhã. E que não estaria disposto, por exemplo, a abrir mão da condição de apresentador e voltar a ser repórter, por exemplo. Por outro lado... Já se sabe que neste seu novo jornal das manhãs, a direção da Bandeirantes pretende promover a unificação de todos os seus veículos - rádio e TV. Apenas a Bandeirantes AM é que, neste primeiro momento, não será envolvida no meio disso.
Outra questão Levando em consideração todas as conversas sobre o projeto e os pilotos gravados nos últimos dias, até com certa facilidade se conclui que a ideia é desenvolver um informativo na mesma linha da rádio BandNews FM. Existe o desejo, inclusive, de contar com a participação especial de alguns nomes conhecidos, casos do José Simão e Ricardo Boechat. Sai da cova A Globo exibe nesta próxima terça, 17, o último episódio do “Pé na cova”, mas com sinal verde para pelo menos mais uma temporada no ano que vem. Além da audiência, as boas críticas endereçadas ao programa também colaboraram para sua sequência na grade. Recomendação Tanto na Globo aberta quanto nos seus canais pagos, há uma orientação para que seus profissionais não levem para o ar, durante programas ao vivo, assuntos particulares tratados nos bastidores. E isso também inclui certas brincadeiras. Algo que, fatalmente, deve levar todos a se lembrar do episódio Galvão x Renato Maurício Prado.
• O Fox Sports está acertando também a contratação do narrador Otávio Muniz. • A Bandeirantes mandou o repórter Fernando Fernandes para acompanhar o Mundial de Clubes no Marrocos... • ... Além dos programas esportivos, ele tem feito matérias para os diversos telejornais. • A Rede TV! e a produtora Fremantle fecharam um novo acordo para a transmissão do “Mega Senha”. • O programa, comandado por Marcelo de Carvalho nas noites de sábado, agora, está garantido na grade da emissora até dezembro de 2014. • O formato, de acordo com o vice da Rede TV!, terá algumas novidades na próxima temporada.
Copa do Mundo mexe com a Globo O Globo Esporte - São Paulo está preparando várias séries especiais para exibição a partir de janeiro. É o caso, por exemplo, de “Narradores”, que irá movimentar uma grande parte da sua equipe de repórteres. O plano é enviar todos eles para a Argentina, Espanha, Itália, Portugal e México, além de outros países. A novidade nisso é que outros setores da emissora, como o jornalismo de forma natural, mas também o artístico, por meio de alguns dos seus nomes mais importantes.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini O tiebrake (etapa de desempate) tem se tornado um grande vilão nas transmissões do vôlei pela televisão. Mesmo nos canais esportivos, sempre atrapalha tudo. Conforme ele avança, muito diretor entra em desespero, porque, além do problema da entrega de horário com atraso, há uma questão também sobre o satélite, sobre o que foi combinado e não se cumpriu. Mas, como dizem, voleibol não é futebol, não tem hora para acabar. E o tênis é ainda pior.
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
Tatcher: O espírito do capitalismo Tenho me debruçado, nos últimos meses, a refletir sobre a vida e história política de um dos personagens centrais da política no século 20: Margaret Tatcher. Primeiro por se tratar de uma personagem da minha infância, assim como Gorbatchev, a queda do muro de Berlim e José Sarney. Esperava a hora dos desenhos animados na televisão, e de tanta ansiedade, acabava tendo que assistir aos telejornais que os precediam. Com o tempo acabei ficando fascinado com todas aquelas histórias, histórias de guerra, Perestroika, Glasnost, redemocratização do Brasil, neoliberalismo e tantas outras. Mas Margaret Tatcher, dentre os diversos assuntos tratados nas redes, sempre exerceu em mim grande fascínio. Eu gostava de ver aquela mulher elegante, cabelo impecável, bem vestida, levemente simpática, num universo predominantemente masculino, que é o da política. O que me impressionava, nas entrevistas e matérias que via, era a força, o poder de decisão, e os comentários dos repórteres sobre sua postura, sempre firme e, lembro, para alguns, desumana - coisa com a qual eu não simpatizava. Agora, passados um pouco mais de duas décadas em que deixou o cargo de Primeira-Ministra na Inglaterra e, ainda, pela sua morte, com afinco tenho pesquisado em vídeos, biografias, artigos políticos a respeito de Tatcher e sua política. Tatcher é conhecida como a pioneira na aplicação da política neoliberal no mundo. Pertencente ao Partido Conservador, Tatcher defendia o livre mercado, as privatizações de estatais, o subjugo dos sindicatos (que eram a ponta de lança dos movimentos anarquistas na Inglaterra e, segundo pesquisas da época, rejeitada por boa parte da população inglesa) e o corte de
gastos do Estado. Mas pensando bem, uma personalidade como a de Maggy (como era chamada “carinhosamente” pela imprensa”) não seria visto com bons olhos no cenário político brasileiro, sequer teria respaldo para. Acontece que a formação política brasileira foi assentada sobre valores políticos tradicionalmente de origem no Brasil rural, raiz de nosso populismo, como por exemplo, a compra de votos, a política do pão e circo, a espoliação das classes baixas e a democracia indireta. As tomadas de decisão, precisas e intransponíveis de Tatcher, gerariam em nosso país um redemoinho na política nacional que não sobreviveria dois dias. Imagine um homem como Fernando Henrique Cardoso - que engendrou uma política privatização das estatais - , açoitando sindicatos, subjugando a CUT e o MST e cortando , digamos, o Bolsa Família da população? Pois é. Tatcher fez parecido: quando Ministra da Educação cortou a entrega de leite para as crianças das creches inglesas, e acabou se sensibilizando com isso, não escondendo que “chegou a escorrer uma lágrima” de seu rosto. Mas não voltou atrás, afinal, os preceitos que a guiaram eram também os de seu partido, o citado Conservador. Maggy, falecida este ano, teve sua influência, hoje, ultrapassada por outra grande líder: Angela Merkel. Claro que Merkel entendeu bem a lição e soube lidar com a mão esquerda e a mão direita do Estado, assim como controlar os ânimos sociais e econômicos da Alemanha no século 21. Em síntese, hoje Margaret Tatcher ainda exerce fascínio. A ‘dama de ferro” ainda é referência de mulher elegante e vaidosa, mas firme em seus propósitos e convicções.
Marcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
Margareth Tatcher é conhecida como a pioneira na aplicação da política neoliberal no mundo. Pertencente ao Partido Conservado”
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Programação de TV
REPRODUÇÃO
SBT
GLOBO
03:15h
Jornal da Semana Sbt
04:00h
Igreja Universal
05:00h
Pesca Alternativa
06:00h
Brasil Caminhoneiro
06:30h
Aventura Selvagem
07:30h
Vrum
08:00h
Sorteio Amazonas da Sorte
(Local) 09:00h
Domingo Legal
13:00h
Eliana
17:00h
Roda A Roda Jequiti
17:45h
Sorteio da Telesena
18:00h
Programa Silvio Santos
22:00h
De Frente Com Gabi
23:00h
Série: True Blood
00:00h
Série: Divisão Criminal/ The
3H55 SANTA MISSA EM SEU LAR 4H55 AMAZÔNIA RURAL 5H25 PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS 6H GLOBO RURAL 6H55 AUTO ESPORTE 7H30 ESPORTE ESPETACULAR – (STOCK CAR - AO VIVO). 10H40 TEMPERATURA MÁXIMA 12H50 FESTIVAL PROMESSAS 13H55 DIVERTICS 15H DOMINGÃO DO FAUSTÃO 18H55 FANTÁSTICO 21H25 JUNTO E MISTURADO 22H DOMINGO MAIOR 23H50 SESSÃO DE GALA 1H35 CORUJÃO 3H15 FESTIVAL DE DESENHOS
Closer 01:00h
Série: Cidade do Crime//
Southland 02:20h
Big Bang
03:00h
Igreja Universal
O “Festival Promessas” será apresentado hoje, na Globo
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ
RECORD
Cinema
3h45 BÍBLIA EM FOCO 4h SANTO CULTO EM SEU LAR 4h30 DESENHOS BÍBLICOS 7h DESENHOS BÍBLICOS 8h AMAZONAS DA SORTE 9h RECORD KIDS 10h DOMINGO DA GENTE 13h15 O MELHOR DO BRASIL 17h30 DOMINGO ESPETACULAR 21h Especial Final de Ano 22:15 Tela máxima 23h10 PROGRAMAÇÃO IURD
BAND 04:00 05:30 06:30 07:00 08:30 08:30 08:45
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POPEYE SANTA MISSA NO SEU LAR SABADÃO DO BAIANO CONEXÃO CARGAS DESENHO MACKENZIE EM MOVIMENTO INFOMERCIAL – Polishop
09:45 – VERDADE E VIDA 10:00 – PÉ NA ESTRADA 10:30 – MINUTO DO FUTEBOL - boletim 10:35 – PORSCHE CUP 11:30 – DE OLHO NO FUTEBOL - boletim 11:35 – BAND ESPORTE CLUBE 13:00 – GOL O GRANDE MOMENTO DO FUTEBOL 13:30 – TORNEIO INTERNACIONAL DE FUTEBOL FEMININO – ao vivo Brasil X Escócia 15:50 – TERCEIRO TEMPO 18:00 – OSCAR - desenho 18:10 – AS CAÇADORAS DE RELÍQUIAS 19:00 – SÓ RISOS I 20:00 – SÓ RISOS II 21:00 – PÂNICO NA BAND 00:00 – CANAL LIVRE 01:00 – MINUTO DO FUTEBOL – boletim 01:05 – ALEX DENERIAZ 01:40 – SHOW BUSINESS-Reapresentação 02:30 – IGREJA UNIVERSAL
Cruzadinhas
ESTREIA
ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um dia para ter uma visão sem ilusões a respeito de si mesmo, e também de sentimentos e afeições. Pode ser desconcertante, mas você se perceberá com mais clareza. TOURO - 20/4 a 20/5 Sua relação com o prazer sensual precisa ser transformada e refinada. A manutenção de seus princípios deve impedir algo que lhe agrada, mas lhe faz mal. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Seus desejos afetivos podem ser negados por situações duras e impositivas. As relações sociais e as amizades sofrem por isso algum tipo de baque ou mesmo uma perda. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Momento para olhar de perto os aspectos mais difíceis e conflituosos em sua profissão. As ilusões que pudesse estar alimentando no trabalho serão transfiguradas. LEÃO - 23/7 a 22/8 A realidade imediata impõe os caminhos do dia. O cultivo de pensamentos agradáveis, mas talvez superficiais, será interrompido bruscamente por urgências práticas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Sentimentos fortes tendem a invadir, perturbar e mudar a sempre frágil harmonia das relações afetivas. Pode haver uma decepção consigo mesmo ou com a pessoa amada. LIBRA - 23/9 a 22/10 O momento requer uma revisão das relações afetivas e do modo como confia nas pessoas. É preciso não se empolgar superficialmente, para evitar mais desilusões ainda. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Vênus em conflito com Plutão, seu regente, indica mudança forçada e imprescindível no trabalho e na lida com conforto e hábitos de saúde. Cuide bem das outras pessoas. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Tendência a viver fortes conflitos no amor, em seus sentimentos e com a pessoa amada. Você sonhou errado e agora a realidade lhe cobra voltar ao que faz sentido de verdade. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Possível rejeição ao que tentem lhe trazer de bom e agradável. Sua insatisfação ou angústia perturba o clima emocional a sua volta, e em especial em seu lar. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento para aprender sobre o amor e sobre a maneira de se aproximar das pessoas. Algum impedimento exige refinar e ampliar o uso da sensibilidade nas relações. PEIXES - 19/2 a 20/3 As situações exigem dispor de suas coisas de modo mais impessoal O gosto por certos bens materiais é contrariado frontalmente, exigindo rever o apego que mantém com eles.
O Hobbit – A Desolação de Smaug: Segundo filme da trilogia de adaptação da obra-prima The Hobbit, de J.R.R. Tolkien, “O Hobbit: A Desolação de Smaug” dá continuidade à aventura de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) em sua épica jornada com o Mago Gandalf (Ian McKellen) e treze Anões, liderados por Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage), para o Reino dos Anões de Erebor. Cinemark 1 – 12h50, 16h30, 20h (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Cinemark 6 – 21h50 (3D/leg/ diariamente), 11h30, 14h50, 18h30 (3D/dub/diariamente), Cinemark 7 22h30 (3D/dub/diariamente), 12h10, 15h40, 19h10 (3D/dub/diariamente); Cinépolis 1 – 13h05, 16h40, 20h45 (3D/leg/diariamente); Cinépolis 4 – 17h (3D/leg/diariamente), 13h30, 20h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis 5 – 11h (3D/leg/somente sexta-feira e sábado), 14h30, 18h, 21h30 (3D/leg/diariamente); Playarte 1 – 14h10, 17h20 (3D/dub/diariamente), 0h01 (3d/leg/somente sexta-feira), 20h30 (3D/leg/diariamente), 23h40 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 5 – 12h10, 15h20, 18h30 (dub/diariamente), 21h40 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 6 – 18h31 (dub/diariamente), 21h41 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 13h30, 16h40, 19h50 (leg/diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 17h50, 21h (3D/dub/diariamente); 15h20, 18h30, 21h40 (3D/leg/diariamente), 15h30, 17h40, 19h50, 22h (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 17h50, 21h (dub/diariamente), 15h20, 18h30, 21h40 (3D/leg/diariamente), 14h, 17h, 20h (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES
Linha de Frente: EUA. 16 anos. Cinépolis 10 – 13h45 (leg/diariamente). Carrie, a Estranha: EUA. 16 anos. Cinemark 5 – 14h20, 16h50, 19h20, 21h40 (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 16h10, 21h10 (leg/ diariamente); Playarte 4 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (dub/ diariamente), 23h35 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h30, 17h40, 19h50, 22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h30, 17h40, 19h50, 22h (leg/ diariamente). Como Não Perder Essa Mulher: EUA. 16 anos. Cinemark 2 – 14h10, 18h50 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 22h05 (leg/ diariamente); Playarte 10 – 13h10, 15h05 (dub/diariamente).
Última Viagem à Vegas: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 11h40, 16h20, 21h10 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 17h05 (leg/diariamente), Cinépolis 10 – 18h35 (leg/diariamente); Playarte 2 – 13h50, 16h, 18h10, 20h20 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h10, 17h30, 19h40, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h10, 17h30, 19h40, 21h50 (leg/diariamente). Crô: BRA. 12 anos. Cinemark 8 – 11h, 13h, 15h, 17h30, 19h40, 22h20 (diariamente); Cinépolis 2 – 14h10, 19h45 (diariamente); Cinépolis 9 – 13h15, 15h20, 17h30, 19h35, 22h (diariamente); Playarte 3 – 13h30, 15h25, 17h20, 19h15, 21h10 (diariamente), 23h05 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h20, 19h20, 21h20 (diariamente);
Cinemais Plaza – 14h, 15h, 17h20, 19h20, 21h20 (diariamente). Um Time Show de Bola: ARG/ ESP. Livre. Cinemark 4 – 15h20, 17h50 (dub/diariamente), Cinemark 5 – 11h50 (dub/diariamente); Cinépolis 6 – 13h (dub/diariamente). Vovô Sem Vergonha: EUA. 14 anos. Cinépolis 7 – 14h15, 16h30, 19h15, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 10 – 17h, 19h, 21h (leg/ diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h, 21h10 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h50, 19h, 21h10 (leg/ diariamente). Jogos Vorazes – Em Chamas: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 15h50, 19h, 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis 6 – 15h35, 18h50, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 9 – 17h50,
20h50 (dub/diariamente), 23h45 (leg/ somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h50, 18h40, 21h30 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 18h40, 21h30 (dub/ diariamente). Bons de Bico: EUA. Livre. Cinemark 3 – 11h15, 13h30 (dub/diariamente); Playarte 6 – 12h30, 14h30, 16h30 (dub/diariamente). Thor 2 – O Mundo Sombrio: EUA. 10 anos. Cinemark 4 – 12h40, 20h20 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 9 – 13h, 15h25 (dub/diariamente). Meu Passado Me Condena: BRA. 12 anos. Playarte 8 – 12h50, 14h55, 17h (diariamente). Sobrenatural – Capítulo 2: EUA. 14 anos. Playarte 8 – 19h05, 21h15 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado).
Plateia
D7 FOTOS: MANOEL NETTO
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Jander Vieira
Os queridos Carmen e Ricardo Silva
::::: Homenagem religiosa
PEREIR ERICK
A primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz foi homenageada pela 13a turma de formandos de medicina da Universidade Nilton Lins, em reconhecimento pelo relevante trabalho social desenvolvido em nosso Estado
A
jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br
A segunda edição da “Medalha de Mérito Imaculada Conceição” foi pura emoção. Seis personalidades foram agraciadas pela Associação Amigos da Catedral com a honraria: Jornal EM TEMPO, José Nasser, coral João Gomes Júnior, dom Luiz Soares Vieira, dom Mario Pasqualotto e “in memoriam” Umberto Calderaro Filho. Logo após todos puderam brindar o mérito no museu sacro com comidinhas à base de folheados e doces glacê. Uma chiqueria!
O empreendedor Zeca Nascimento com a festejada aniversariante da temporada, dona Magnólia Figueiredo na sessão parabéns dela no Village
A meritíssima Andréa Medeiros com o ministro Ricardo Lewandowski no almoço de confraternização no Clube dos Magistrados
Desembargadora Lia Mendonça, dom Sergio Castriani, arcebispo de Manaus, e o diretor administrativo do Grupo Raman Neves, o executivo Leandro Nunes
::::: Disputa Em uma conhecida cidade do interior do Estado, esquenta a briga pelo controle político do município. Segundo fontes fidedignas, a luta agora é pelo réveillon. Enquanto uns vão de gravações homéricas de DVD, outros vão de atração nacional de graça na praça para esvaziar a iniciativa do opositor. Oremos.
Os competentes Ari Mota e Cristina Oliveira com Paulo Takenchi
::::: Encontro de letrinhas Foi uma grande confraternização: jornalistas, apresentadores, blogueiros, fotógrafos e afins da comunicação local reunidos no Emporium Roma, assinado pela Moto Honda da Amazônia. Destaque para o carinho e respeito da empresa para os que fazem a notícia no Amazonas. Tudo perfeito da comida as bebidas passando pelo serviço de excelência do lugar.
O anfitrião Mário Okubu emoldurado por Francisca Viana e Keite Garcia
::::: Vitrine chique A loja Jaqueline Chagas é pura novidade internacional. A coleção da Brumani acaba de desabar nas vitrines da joalheria do Manauara Shopping, vindas pessoalmente pelas mãos do diretor da grife, Marcelo Brunner. Aliás, as preciosidades seguirão em janeiro para Dubai. As irresistíveis joias são de enlouquecer, as finas estão em polvorosas.
::::: Coleta de assinaturas Aconteceu ontem, o lançamento da coleta de assinaturas da ponte Rio Solimões. O evento realizado pela Comissão de Turismo e Empreendedorismo da Aleam, foi presidida pelo deputado Francisco Souza (PSC). A construção da ponte Rio Solimões gera um grande anseio, principalmente, para os moradores de Manaquiri, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Autazes entre outras comunidades da região. O objetivo é conseguir o maior número de assinaturas em prol da construção sobre o rio Solimões.
::::: Avaliação positiva Encomendada pela Confederação Nacional da Indústria saiu anteontem, uma Pesquisa do Ibope, onde aponta a administração Aziz coma a melhor avaliação entre os demais Estados do Brasil. O percentual dos eleitores que consideram o governo como “ótimo” ou “bom” é de 74%. Considerando a aprovação pessoal dos governadores, Omar Aziz também tem o maior percentual, de 84%. Eduardo Campos, de Pernambuco, aparece com 76%. Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte, tem 13% de aprovação e Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, 16%. Aplausos de pé!
::::: Mudança de data A festa comandada pela coluna que iria acontecer amanhã mudou de data. Ficará para dar as boasvindas ao skindô carnavalesco da cidade em janeiro. O lugar continuará o mesmo, digo, no Zefinha Bistrô, com uma feijoadíssima para os amigos da coluna. Ah! Com a organização e o respeito aos sobrenomados que compram seu passaporte para se esbaldarem na alegria. Se é que você me entende...
::::: Sala de espera Daniel Sodré, Francisca Vale, Phelippe Daou e Lica Sampaio estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. O solidário Wernher Botelho vai celebrar seu niver, no próximo dia 18, a partir das 21h, na República Real. O aniversariante dispensou os presentes e pede que os convidados levem brinquedos, que serão doados a crianças menos afortunadas da city. Ao que parece alguns produtores de eventos manjados de fim de ano resolveram não dar as caras nesse 2013 que se vai. Ainda bem, porque realmente não dá mais para aguentar o “mais do mesmo sempre” no circuito de shows da cidade. Oremos para que se renovem em 2014. Tudo bem que o técnico inglês exagerou, mas não tem como não perguntar a São Pedro: onde está o clima nublado e chuvoso que marca os dezembros aqui pelos lados da barelândia? Pela fé!
A presidente do instituto “Acontecer”, Rosangela Fernandes, realiza rifa para ajudar no tratamento de crianças portadoras de paralisia cerebral. O trabalho sensível precisa ter continuidade em 2014 e a sua colaboração é fundamental. Não se esqueça, é Natal. Ligue para 91301113 e faça sua parte.
::::: Cartaz E não é que o filme “A Floresta de Jonathan”, do diretor amazonense Sérgio Andrade está pela segunda semana consecutiva em cartaz em uma grande rede de exibição num shopping da cidade? É um grande feito para um público acostumado apenas com o circuito comercial. Muito bem.
Nada de festões mirabolantes, muito comuns entre as amigas. Lucia Assis optou por uma comemoração intimista em seu niver de 30 aninhos, no próximo dia 27, no endereço chique do Tarumã. Na próxima terça-feira, o R2 Universo Cultural, será palco do “It Fashion Dat”, que é aberto ao público e reunirá mais de 50 blogueiras, grifes de moda badaladas da cidade e alguns profissionais para debater novidades em produtos de beleza, dicas de saúde, cuidados com o corpo, inspirações para looks e muito mais.
::::: Atenção Não é só em Manaus que o Detran-AM deve estar atento as tragédias de trânsito que tanto marcam as festas de fim de ano. Em municípios como Maués, Parintins e Itacoatiara, só para citar alguns, o povo de motocicleta dirige loucamente sem a menor prudência. Fica a dica.
Dona de um alto-astral ímpar e de coração idem, a superanfitriã Marlene Ituassú no divertidíssimo almoço de confraternização no chique endereço da Morada do Sol
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MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Pacotes e ingressos para Réveillon estão à venda
DIA 21
Sambista faz show na cidade
O
hotel Park Suites Manaus, localizado às margens do rio Negro, na Ponta Negra, está oferecendo tarifa diferenciada e jantar especial como opções para o Réveillon, no dia 31. O jantar começará às 20h com repertório musical sob o comando da cantora amazonense Ketlen Nascimento, fazendo um show com voz e violão. O cardápio da ceia terá entradas, pratos principais e sobremesas. Destaque para as receitas de ratatoulle de legumes, pirarucu ao molho de camarão, pernil à Califórnia, supreme de frango ao molho de champangner e medalhão de filé ao molho de Sálvio. A ceia especial do réveillon será vendida, separadamente da tarifa de hospedagem, ao valor de R$ 380 por pessoa. Crianças até sete anos não pagam e, a partir, desta idade até os 12 anos deverão pagar metade do valor, ou seja, R$ 190. Já as tarifas de hospedagem estão sendo oferecidas a partir de R$ 365 para suíte “Superior Single” e R$ 405 para suíte “Superior Duplo”. Também há opções para suítes no formato “Luxo” e “Premium”. Informações mais detalhadas sobre o Park Suites somente pelo
telefone 3306-4500. No Diamond Convention Center, no dia 31 de dezembro, a partir das 22h, haverá o “Viva la vida” que contará com três ambientes e open bar até 6h, tanto na pista quanto na área VIP. Na ocasião, não será cobrada taxa de rolha e, durante toda a noite, haverá promoções como três Scarloff Ice por R$ 10. No “Stage Peace by Heineken”, as bandas Critical Age e Casulo dividirão o palco para fazer o público dançar ao som de rock’n’roll e reggae. No “Stage Love” terá Ases do Pagode, Adriano Arcanjo, Luis Eduardo Dornellas e a bateria da Aparecida . Já os fãs das pistas de dança poderão se esbaldar na boate que será montada no espaço “Ciroc Music”, com o comando dos DJs Kleber Romão, Sandro Souza e Geraldinho. Os ingressos já estão disponíveis no site Ingresse. com por R$ 60 (pista - 1º lote), que oferece água, cerveja, refrigerante, caipirinha e caipirosca liberados até 6h. Os passaportes de VIP, também com bebida liberada, estão à venda por R$ 120 (masculino - 1º lote) e R$ 90 (feminino - 1º lote) e podem ser parcelados até seis vezes no cartão.
DIVULGAÇÃO
Os pacotes para festas e hotéis para o Réveillon já estão à venda para eventos na Ponta Negra
A grande atração do Réveillon da Seven, realizado no Ducila, será o DJ Phonique
‘Virada’ com música eletrônica Também terá o “Réveillon 2014 da Seven”, com a apresentação dos DJs alemão Phonique e do paulista Diogo Acccioly. O evento será realizado no dia 31, no Dulcila Centro de Convenções, localizado na Ponta Negra.
O valor do ingresso para pista é R$ 70 para homens e R$ 40 para mulheres. A área VIP é R$ 180 masculino e R$ 100 feminino, com acesso ao open bar de whisky, vodka, cerveja, refrigerante e água, de meia noite até às
3h. Todos os valores são referentes ao primeiro lote. A venda será pelo site www. ingresse.com.br. A grande atração do réveillon, o DJ Phonique, vai trazer para Manaus um set list especial,
O cantor paulistano Sombrinha será a grande atração do primeiro aniversário do Lappa Bar, no próximo sábado, dia 21 de dezembro, a partir do meio-dia. Além dele, o evento terá como convidada a ex-panicat e DJ Aryane Steinkopf e as bandas Calçada do Samba, Fuzarca, Três É Demais e os DJs Fernando Araújo e Daniel Brito. Outro atrativo é a tradicional feijoada que neste dia será liberada e a inauguração de uma nova área externa do local. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos no local. Fundador do Grupo Fundo de Quintal e compositor de grandes sucessos, Sombrinha é considerado pela crítica e no mundo do samba, um grande ícone da Música Popular Brasileira (MPB). Natural de São Vicente, Sombrinha cresceu em um ambiente musical, seu pai organizava rodas de choro em sua casa. Logo após, fez sucesso no Brasil.
GRATUITO
Clima de Natal nos shoppings O clima de Natal será uma das marcas do show de Ketlen Nascimento, hoje, no Manaus Plaza. A cantora amazonense adianta que irá proporcionar momentos especiais à plateia, interpretando canções como ‘Então é Natal’, ‘Bate do Sino’, dentre outras que fazem parte da seleção musical. A arista deixará sua marca pessoal na apresentação, que também contará com canções autorais e composições de outros artistas da região. Serão prestigiados nomes como Chico da Silva, Cileno, Candinho e Inês e Celdo Braga. A coordenadora de Marketing do Plaza, Daniela Ramos,
frisa que a programação de Natal do centro de compras segue até dia 23 de dezembro e contará, também, com apresentações de corais da Igreja João Bosco e da Igreja de Jesus Cristo, além de shows temáticos de outros artistas da terrinha como Cileno. A proposta, segundo ela, é criar o ambiente de magia que esse período requer, em clima de muita descontração, especialmente dedicado à família Teatro Hoje, Millennium Shopping dará início à sua programação especial de Natal, a partir das 16h, com a participação de ar-
tistas da Companhia de Teatro Metamorfose, que realizarão uma fanfarra pelos corredores do centro de compras. . Palhaços, fadas, duendes e o próprio Papai Noel chamarão os clientes para participarem das brincadeiras, que se estenderão até as 20h. Os artistas encenarão teatro, cantarão músicas natalinas e contarão histórias infantis. A Companhia Metamorfose fará a animação dos clientes de sexta-feira a domingo, durante todos os finais de semana de dezembro.O shopping vai realizar sorteios, campanha solidária, shows musicais gratuitos e atrações natalinas.
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
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Os meninos traquinas de Hergé
2
A batalha de Belo Monte
E outras 8 indicações culturais. Pág. 2
Um gigante de R$ 30 bilhões se ergue na Amazônia. Págs. 4 e 5
Do arquivo de Luiz Fernando Carvalho Fazenda Acauã, Paraíba, 1991. Pág. 6
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A verdade, essa relíquia perdida A busca de Husserl pela essência. Pág. 8
Capa
Desenho a carvão de Nuno Ramos
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Ilustríssima Semana
O MELHORA DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
PERIÓDICO | REVISTA USP O dossiê desta 98ª edição aborda a memória, analisada tanto do ponto de vista fisiológico quanto cultural. Iván Izquierdo, professor de neurologia da PUC-RS, e seus colaboradores exploram os processos de formação das memórias de curta e longa duração . Já Paulo Endo, professor do Instituto de Psicologia da USP, examina a relação do luto com o esquecimento. Outro destaque é o texto dos pesquisadores da UFRN Sidarta Ribeiro e Wilfredo Blanco Figuerola sobre como o sono consolida a memória. R$ 20 | 168 págs.
BRASILEIRO
LIVRO | HAROLD BLOOM Em 1973, o crítico literário americano publicou “A Angústia da Influência”, célebre estudo sobre os papéis desempenhados pela competição e inveja na criação literária. Bloom revisita e amplia sua análise em “A Anatomia da Influência”, no qual abarca e correlaciona autores dos últimos 400 anos. Neste ambicioso novo trabalho, o autor esquadrinha o cânone ocidental por meio dos conceitos de emulação, mimese e traição. trad. Renata Telles e Ivo Korytowski | Objetiva | R$ 49,90 | 462 págs.
LIVRO | PAULO MARIOTTI Por dez anos, o ilustrador registrou, munido apenas de caneta esferográfica azul e papel Canson, cenas e personagens anônimos do Rio. Os desenhos, como o desta esquina do Leblon, ganham as páginas do livro “Aqui - Crônicas Cariocas”, mosaico afetuoso e delicado da capital fluminense. Bei | R$ 75 | 120 págs.
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CINEMA | YASUJIRO OZU O diretor japonês, morto há 50 anos, é tema de mostra no Museu da Imagem e do Som. Ozu retratou as transformações sociais de seus país por meio das relações familiares e dos pequenos fatos do cotidiano, flagrados em tom discreto, por câmera quase sempre imóvel, que fez com que sua arte fosse chamada de anticinema. O ciclo inclui clássicos como “Filho Único” (1936) . de qua. (dia 18) a dom. (dia 22) | grátis (retirar ingresso com uma hora de antecedência) | www.mis-sp.org.br
LIVRO | IVAN TURGUÊNIEV Embora mais conhecido no Ocidente por seus romances, especialmente “Pais e Filhos” (1862), Turguêniev (1818-83), foi também um dos grandes contistas da literatura russa. As 25 histórias de “Memórias de um Caçador” (1852) compõem um abrangente painel das contradições políticas e sociais da Rússia do século 19. trad. Irineu Franco Perpetuo | Editora 34 R$ 59 | 488 págs.
DEBATE | SESC_VIDEOBRASIL O Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil promove o encontro “Estranhamento Zero: o Vídeo entre o Cinema e as Artes Visuais”, com os cineastas Kiko Goifman e Cao Guimarães e a ensaísta e professora de comunicação da UFRJ Ivana Bentes. A mediação é de Eduardo de Jesus, curador do evento. Galeria Pivô - SP | qua. (dia 18), às 20h | grátis
POP
ERUDITO
LIVRO | ADÉLIA PRADO “Miserere”, coletânea inédita da poeta mineira, revisita os aspectos místicos e religiosos centrais de sua produção. Os 38 poemas do livro são lampejos sobre lembranças da infância, a morte e a transcendência da alma. Record | R$ 25 | 96 págs.
Quick (de vermelho) e Flupk em desenho de Hergé
ESTRANGEIRO
HQ | HERGÉ Em 1930, o quadrinista belga (1907-83), criador de Tintim, iniciou a série de histórias dos garotos Quick e Flupke. As tirinhas fizeram sucesso e seriam depois lançadas, em versão colorida, em 11 álbuns avulsos, entre 1949 e 1969. O primeiro deles é publicado agora no Brasil. Nos quadrinhos, ambientados nas ruas de Bruxelas, Hergé exibe traços semelhantes aos do intrépido repórter que o consagraria. ‘As Diabruras de Quick e Flupke’ trad. André Telles | Globo Livros R$ 39,90 | 184 págs.
LIVROS | ALICE MUNRO Em 1930, o quadrinista belga (1907-83), criador de Tintim, iniciou a série de histórias dos garotos Quick e Flupke. As tirinhas fizeram sucesso e seriam depois lançadas, em versão colorida, em 11 álbuns avulsos, entre 1949 e 1969. O primeiro deles é publicado agora no Brasil. Nos quadrinhos, ambientados nas ruas de Bruxelas, Hergé exibe traços semelhantes aos do intrépido repórter que o consagraria. ‘As Diabruras de Quick e Flupke’ trad. André Telles | Globo Livros R$ 39,90 | 184 págs.
Folha.com
Ilustríssimos desta edição PEDRO BLANCO
ALVARO COSTA E SILVA, o Marechal, 50, é jornalista. CÉSAR BENJAMIN, 59, é editor da Contraponto. CLAUDIUS CECCON, 76, é arquiteto e cartunista. DIMMI AMORA, 39, é repórter da Folha. ELEONORA DE LUCENA, 56, é repórter especial da Folha. LALO DE ALMEIDA, 43, é repórter-fotográfico. LUIZ FERNANDO CARVALHO, 53, é cineasta. Dirigiu, entre outros, o filme “Lavoura Arcaica” (2001) e o especial
“Alexandre e Outros Heróis”, que a Globo exibe nesta quarta (dia 18), às 22h20.
FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha
MARCELO LEITE, 56, repórter especial da Folha, é autor de livros como “Promessas do Genoma” (ed. Unesp). Coordenou o projeto Tudo Sobre Belo Monte. MORRIS KACHANI, 44, é repórter especial da Folha.
HERGÉ Trecho de animação inspirada em tirinhas do criador de Tintim
NUNO RAMOS, 53, é artista plástico e escritor, autor de livros como “Ó” e “Junco” (ambos pela Iluminuras). Inaugura a exposição “Anjo e Boneco” no MON de Curitiba nesta terça (dia 17). RODRIGO MACHADO, 33, é repórter do “TV Folha”.
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial
Da esq. para a dir., Rodrigo Machado, Lalo de Almeida e Marcelo Leite, no rio Xingu
>>folha.com/ilustrissima
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Tudo sobre Belo Monte RESUMO Este é o primeiro capítulo de “A Batalha de Belo Monte”, que inaugura a série digital Tudo Sobre, no site da Folha. Além desta descrição da obra, outras quatro partes, disponíveis on-line, abordam os impactos na Volta Grande do Xingu, o caos em Altamira, a situação dos índios e as décadas de polêmica em torno da hidrelétrica.
MARCELO LEITE DIMMI AMORA MORRIS KACHANI LALO DE ALMEIDA RODRIGO MACHADO ILUSTRAÇÃO NUNO RAMOS
A explosão às 6h da manhã arranca uma camada de 9 m de espessura do bloco de migmatito numa área de 750 m que já foi a morada de árvores centenárias na zona rural de Altamira e Vitória do Xingu (PA). Assentada a poeira, resta uma montanha de fragmentos dessa rocha dura, aparentada com o granito. À meia-noite, nem um pedregulho estará mais ali. Duas escavadeiras se posicionam lado a lado, a 50 m uma da outra. Cinco levantamentos de cada uma e, em menos de três minutos, enche-se uma carreta com 32 toneladas de pedras. Sai um caminhão, encosta outro. Em 20 minutos, partem 18 caçambas cheias. Não há um segundo de descanso. O ritmo frenético de homens e máquinas marca a construção de um canal de 20 km de comprimento, para dar passagem aos 14 milhões de litros de água por segundo desviados do rio Xingu – vazão quase 140 vezes maior que a do canal de transposição do São Francisco – que vão movimentar as turbinas da terceira maior hidrelétrica do mundo, e também uma das mais controversas: Belo Monte, da empresa Norte Energia S.A. Quando estiver funcionando a toda força, a usina poderá produzir até 11.233 megawatts (MW) de eletricidade. Uma capacidade instalada suficiente para iluminar as casas de pelo menos 18 milhões de pessoas e ficar atrás só da hidrelétrica chinesa Três Gargantas (22.720 MW) e da paraguaio-brasileira Itaipu (14 mil MW). Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, o Brasil precisa acrescentar 6.350 MW anuais de geração elétrica, até 2022, ao seu parque atual de 121 mil MW (70% produzidos por hidrelétricas). Se pudesse produzir a toda carga o ano inteiro, Belo Monte garantiria quase um quinto da eletricidade adicional de que o país vai precisar – mas isso só tem chance de ocorrer em quatro meses do ano. A maior parte da capacidade de geração (11 mil MW) da nova usina ficará instalada na casa de força principal, junto da antiga vila de Belo Monte do Pontal, cuja obra já avançou 47%. A barragem propriamente dita, contudo, ficará 60 km rio acima, do outro lado da Volta Grande do Xingu, no sítio Pimental, pouco depois do ponto em que o canal captará água para encher os 130 km do reservatório intermediário. Junto ao vertedouro da barragem de Pimental, seis turbinas poderão produzir até 233 MW na casa de força auxiliar.
O pico de 11.233 MW só poderá ser alcançado entre fevereiro e maio, quando o Xingu atinge suas vazões máximas. Nos outros meses, as turbinas serão progressivamente desligadas. Entre altos e baixos, espera-se que Belo Monte garanta uma média de 4.571 MW, ou apenas 41% de sua capacidade instalada. “Para começar a gerar, isso tudo tem de estar concluído”, diz a engenheira civil Roberta Martinelli Pimentel Pereira, 35, apontando para o canal onde poderiam acomodar-se facilmente 60 caminhões lado a lado. Belo Monte precisa começar a produzir energia em fevereiro de 2015, com o funcionamento da primeira turbina da casa de força auxiliar, mas isso vai atrasar uns três meses. Depois, de março de 2016 até janeiro de 2019, entram em linha as 18 turbinas da casa de força principal. Nesse caso, nada pode atrasar. Na realidade, a Norte Energia trabalha com a hipótese de antecipar a montagem das turbinas principais, a partir da quarta ou quinta máquina, de modo a que todas estejam em operação antes do prazo contratual – o que trará ganhos consideráveis para o empreendedor. No presente, o maior desafio de Roberta Pereira é domar as águas dos igarapés que cortam o curso do grande canal e completar, ainda em dezembro, a ensecadeira – espécie de barragem provisória, para manter a construção isolada do rio Xingu. A engenheira miúda comanda 7.000 empregados e tem 12 anos “no trecho”, como se refere às grandes obras de infraestrutura por que passou. A ensecadeira já tem fundações prontas, e a maior parte do aterro já alcançou a cota de segurança contra cheias, 95 m. Belo Monte fervilha 24 horas por dia, dois anos e meio após o início oficial de sua construção, em junho de 2011. Com um custo estimado em R$ 30 bilhões, o prazo para começar a produzir energia é apertado: só 44 meses. Em Itaipu foram 120 meses; a previsão para a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), era de 52 meses, mas a usina começou a gerar energia nove meses antes disso. Clímax As obras de Belo Monte atingiram o clímax em outubro, com 25 mil trabalhadores (87% deles homens). Três quartos dos mais de 5.600 municípios brasileiros têm população menor que esse exército de operários. De cidades bem menores que os canteiros da usina vieram João, José, Antônio, Pedro e Joaquim (que pedem para não ter seus verdadeiros nomes revelados). Sentados domingo à tarde na calçada da av. João Rodrigues, em Altamira, os cinco bebem vodca com soda. Chegaram há pouco mais de um mês e já pensam em ir embora. Belo Monte foi para eles uma decepção. “Nosso salário, em vista de outros Estados, tá aqui”, diz João, com o dedo indicador perto
TEMPO
Com um custo inicial estimado em R$ 30 bilhões, a hidrelétrica de Belo Monte tem prazo apertado para começar a produzir energia: só 44 meses. Na usina Itaipu foram 120 meses
3 O controvertido colosso do Xingu As dúvidas e o gigantismo dos números que erguem Belo Monte do chão. João não é barrageiro de primeira campanha. Em 2011, trabalhou na usina de Santo Antônio, no rio Madeira. Diz que lá sua renda mensal ficava entre R$ 1.700 e R$ 1.800. Em Belo Monte, o primeiro salário não passou de R$ 1.200. O teto de dez horas extras semanais negociado entre o Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) e o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada do Pará) impede os operários confinados nos canteiros de trabalhar mais que 54 horas por semana – e, portanto, de aumentar o pagamento. Mais de dois terços dos trabalhadores vêm de fora de Altamira. O isolamento da família é agravado pelo fato de nos canteiros só haver sinal da operadora Oi, que tem entre seus controladores a Andrade Gutierrez, líder das empreiteiras do CCBM (que conta ainda com Odebrecht e Camargo Corrêa). Quem tem celular de outras redes pena para falar com a mulher e os filhos. Os mais
persistentes descobriram vestígios de sinal no morro da caixa d’água perto do alojamento de Pimental, onde podem ser vistos usando aparelhos amarrados em estacas fincadas no chão. Segundo pesquisa Datafolha com 246 trabalhadores da obra entrevistados em Altamira, a maioria é de casados (51%), dos quais só 40% têm mulher ou marido vivendo na cidade. Dois entre três trabalham em Belo Monte há menos de um ano e pelo menos a metade não pretende ficar, só veio em busca do emprego (38% já trabalharam em outras barragens). Os alojamentos têm dormitórios para no máximo quatro pessoas, com ar-condicionado, banheiro interno e água quente. Dezenas de quartos compõem os “condomínios”, em cada um dos quais só se entra com o crachá magnético correspondente. No pátio interno entre os condomínios, os quartos são isolados por alambrados. As opções de lazer são ver TV, ir à academia, jogar sinuca, dominó ou pebolim. Há espaço para cultos religiosos e aulas
de informática. Um cinema com 200 lugares está para ser inaugurado. De acordo com o Datafolha, 57% dos trabalhadores da usina moram nos alojamentos dos canteiros. A maioria aprova conforto (89% de ótimo e bom) e limpeza (84%) do local, assim como sua organização (71%) e as opções de lazer (70%). Só a qualidade da alimentação divide opiniões: 45% de ótimo/bom contra 45% de regular. Prazo Greves de trabalhadores (como a que parou toda a obra
DISPUTA
O diretor de obras Antonio Kelson recorda sua reação, após a Norte vencer no leilão um consórcio favorito: ‘O Piauí ganhou a guerra com os Estados Unidos. Agora tem de ocupar’
no final de novembro, por melhor remuneração), protestos de índios, paralisações determinadas pela Justiça e problemas com licenças ambientais podem forçar a Norte Energia a atrasar o início da geração. Pelo contrato assinado com a União, a multa por descumprimento do prazo pode chegar a 2% do faturamento anual. A Norte Energia ainda teria de comprar de outras empresas a energia que não entregar, ao custo diário de até R$ 1 milhão por turbina não acionada, dependendo do preço da energia na época. Esse prejuízo acabaria assumido pelos contribuintes, pois, apesar de planejado como empreendimento privado, Belo Monte no fundo é estatal – não é à toa que a Força Nacional de Segurança participa da vigilância na obra. Em 2010, quando a Norte Energia venceu o leilão para construir Belo Monte, o grupo era pouco mais que um aglomerado de empresas médias de construção civil e energia (Bertin, Queiroz Galvão, J. Malucelli, Cetenco, Galvão Engenha-
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senta em torno de 8% do custo total do projeto Belo Monte. “Se tivéssemos a Transamazônica asfaltada, teríamos uma economia de R$ 200 milhões, dos R$ 800 milhões já gastos com transporte”, calcula Marcos Sordi, diretor administrativo do CCBM. Na avaliação do consórcio, ao final deste ano cerca de metade de toda a obra civil de Belo Monte estará realizada. Na barragem do rio Xingu, a parte que precisa ficar pronta em 2014 para acionar as turbinas na casa de força auxiliar de Pimental, as obras devem chegar a 47%. Os engenheiros afirmam que tudo está dentro do cronograma.
ria, Mendes Júnior e Serveng) com estatais lideradas pela Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco). Desde então, sua composição evoluiu para uma associação entre as estatais e fundos de pensão, que contratou para tocar a obra civil boa parte das empreiteiras perdedoras do leilão, agora reunidas no CCBM. Antonio Kelson Elias Filho, 55, é o diretor de obras da Norte Energia. Com seu sotaque mineiro, modos diretos e voz poderosa, Kelson é o próprio comandante-em-chefe da megaconstrução. Distribui ordens o tempo todo, pessoalmente e por telefone. Ao recordar sua reação após a vitória no leilão sobre um consórcio dado como favorito, Kelson deixa claro qual era o estado de espírito da tropa improvisada ao assumir o domínio sobre Belo Monte: “O Piauí ganhou a guerra com os Estados Unidos. Agora tem de ocupar”. Tudo em Belo Monte é colossal. O canal de 20 km sob o comando da engenheira Roberta Pereira tem no mínimo 200 m de largura no fundo e pode ultrapassar 300 m na borda superior dos taludes. A água alcançará uma profundidade de 22 m, o equivalente a um prédio de sete andares. A barragem em Pimental terá 8 km. O coração da usina, em Belo Monte, vai abrigar 18 turbinas de 5 m de altura e 8,5 m de diâmetro em nichos escavados na rocha viva, com altura equivalente a 45 andares. O gerador movimentado pela turbina tem 22 m de diâmetro e precisa ser levado aos pedaços até a região, pela impossibilidade de transportá-lo numa peça só. Sete dessas unidades geradoras começaram a ser montadas neste mês na fábrica da Alstom em Taubaté (SP), a mais de 2.300 km de Altamira. A finalização da roda da tur-
bina exige soldar três tipos de peças: o cubo (roda menor), fundido na Coreia do Sul; a cinta (roda maior), produzida na China; e as pás fabricadas em Piracicaba pela empresa brasileira Dedini. Ao contrário do gerador, a roda segue inteira – 320 toneladas de aço inoxidável – para o Pará. Cada viagem deve tomar de três a quatro meses, de carreta até Santos, depois de navio até Belém e, por fim, de balsa até o porto construído em Belo Monte. Só o contrato da Alstom, firma de origem francesa envolta em escândalos que lidera o consórcio para fabricar 14 das 18 unidades geradoras, vale R$ 1,3 bilhão. Ela entregará a primeira turbina para geração no início de 2016, na casa de força principal do sítio Belo Monte. Os outros quatro conjuntos de turbina e gerador estão sendo fabricados em Suape (PE) pela Impsa, multinacional argentina contratada separadamente pela Norte Energia.
Logística A logística da construção não tem sido fácil. A rodovia Transamazônica, aberta na década de 1970, ainda tem trechos não asfaltados nos 906 km que separam Altamira da capital do Estado, Belém, os quais se tornam intransitáveis no período de chuvas, de dezembro a junho. A construção de 270 km de acessos da Transamazônica até os canteiros permitiu aumentar o ritmo das obras. Em 2011, quando ela começou, um caminhão levava quatro ou cinco horas para ir da rodovia ao sítio Pimental. Agora, leva 40 minutos. Em julho de 2011, protestos fecharam a Transamazônica. Para alimentar os empregados, foi necessário fretar dois aviões, ao custo total de R$ 80 mil, que foram buscar em Belém toneladas de arroz e outros víveres. Quando a carga chegou, havia comida só para três dias de alimentação. A rubrica transporte repre-
Pedra O migmatito é um dos grandes segredos de Belo Monte. A abundância e a dureza da rocha permitiram aos engenheiros, após dez meses de testes, alterar o projeto original: em lugar de revestir o leito do canal com concreto, optaram por cobri-lo com pedra britada – pedregulhos de até 20 cm. Isso vai economizar 1 milhão de m de concreto e R$ 200 milhões no custo da obra, além de encurtar de 27 para 16 meses o tempo de construção do canal. As pedras, porém, formam uma superfície mais rugosa que o concreto, o que faz com que a água avance do rio para o reservatório com velocidade menor, pelo atrito. E a velocidade da água é fundamental na geração da energia, para garantir que o volume adequado seja abocanhado pelas turbinas. O princípio do funcionamento de uma hidrelétrica é que um grande volume de água desça o mais rapidamente possível do ponto mais alto para o mais baixo, a fim de girar turbinas que vão acionar os geradores. A energia é produzida pelo movimento circular de um rotor com enrolamento de cobre no interior de outro circuito imóvel do mesmo metal (o estator) – exatamente o inverso do processo de um motor elétrico, que consome eletricidade para produzir movimento, enquanto o gerador converte a energia mecânica em elétrica. Para compensar a perda de velocidade da água no canal revestido com pedras, foi necessário “alargar o cano”, ou seja, aumentar sua seção (em 35%). São mais árvores para
LOCAL
Para os altamirenses, a usina por ora só trouxe quedas de energia. A rede elétrica, com fios e transformadores das décadas de 1970 e 1980, não suporta o aumento do consumo
retirar, migmatito para explodir, escavadeiras para levantar e caminhões para transportar. Kelson afirma que foi tudo calculado para o balanço entre receita e despesa ser positivo. “Não brinca. Se chegar à conclusão de que é negativo, melhor não mudar”, diz o diretor de obras. A Norte Energia não tem margem para errar nas contas. Mesmo com 35 anos de estudos sobre o empreendimento, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou, antes da licitação de 2010, que o projeto de Belo Monte implicava “elevado nível de incerteza, incompatível com o porte da obra”. O orçamento do projeto estimado pelo governo foi considerado por empresas interessadas insuficiente para construir a usina, pagar suas despesas e gerar um retorno por volta de 6% ao ano sobre o capital investido. Quem disputa a concessão de uma hidrelétrica tem como principal fonte de receita a venda de energia para o sistema interligado nacional. No caso de Belo Monte, o governo estimou em 2008 que uma tarifa de R$ 83 por MWh (megawatt-hora) seria suficiente para cobrir todos os custos e dar lucro. Venceria quem oferecesse a menor tarifa. Quando há disputa, a empresa precisa oferecer um desconto sobre essa tarifa – desde que as simulações indiquem que ela pode ganhar mais com a comercialização de energia, ter um lucro menor ou fazer uma obra a custo mais baixo que o previsto. Por outro lado, se a obra sair mais cara que o orçado pela vencedora do leilão, ou se a usina não gerar energia na quantidade e no prazo previstos, é ela quem arca com o prejuízo. “O que vale para o consumidor é o preço final. O que consideramos nas nossas hipóteses é irrelevante”, diz Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Planejamento Energético), estatal responsável por definir os parâmetros dos editais da licitação. Suspeita Em abril de 2010, a Norte Energia venceu a concorrência pela concessão de Belo Monte oferecendo um valor 6% menor (R$ 78) que o preço de referência. O custo da obra estimado pela Norte Energia, contudo, era 30% superior ao máximo previsto pelo governo. Para o mercado, não parecia possível recuperar o investimento com a tarifa oferecida. Uma decisão da Eletrobras tomada meses depois do leilão reforçou essa suspeita. A Eletrobras, holding estatal que controla a Chesf, firmou um contrato com a Norte Energia para comprar, por R$ 130 o MWh, a energia excedente que Belo Monte puder vender no mercado. Esse preço da eletricidade extra, vendida no mer-
cado livre, varia diariamente e, na média dos últimos dez anos, ficou em R$ 79. Portanto, a estatal-mãe deu uma bela ajuda à filha, que a usou para convencer o BNDES a liberar um empréstimo subsidiado de R$ 22,5 bilhões. “A isso se dá o nome de energia limpa e barata”, ironiza Célio Bermann, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. Para o especialista, Belo Monte está acima da média mundial de US$ 1.000 por MW instalado e vai ocasionar despesas para o contribuinte com os subsídios implícitos no financiamento e na comercialização da energia. A Norte Energia depende ainda do Ibama para saber, de fato, quanto Belo Monte vai produzir de eletricidade. Por contrato, ela precisa gerar 4.571 MW em média, ao longo de cada ano (meros 41% de sua capacidade instalada), sendo que 70% dessa energia garantida vai para o sistema integrado. Como o reservatório que alimentará a casa de força principal é relativamente pequeno, a água que for reservada no período de cheia não bastará para gerar nem 10% da capacidade quando chegar o auge da seca. Uma das condições do Ibama para dar a licença de operação da usina é que o rio Xingu precisa de uma vazão mínima nas cheias para manter em boa saúde os ecossistemas na Volta Grande, abaixo da barragem de Pimental. Belo Monte tem, no entanto, um atributo que pesou na decisão de seguir em frente com a sua construção: poderá gerar energia em abundância nos períodos do ano em que as usinas hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste, principais regiões produtoras, operam com restrições para não esgotar seus reservatórios. Em 2012, foi necessário gerar 14,3 mil MW em média, ao mês, acionando usinas térmicas, o que custou ao país R$ 12 bilhões a mais que a geração hidrelétrica. Para os altamirenses, a eletricidade de Belo Monte ainda é uma ficção. Por ora, a usina só lhes trouxe seguidas interrupções de energia. A rede elétrica de distribuição, com seus fios e transformadores das décadas de 1970 e 1980, não suporta o aumento do consumo. No verão amazônico, quando as temperaturas quase não baixam dos 35’C, os clientes em busca de sistemas de arcondicionado não podem ser atendidos na Climatech, porque os aparelhos da loja não funcionam, e o local se transforma numa estufa. “Estamos fazendo a maior usina do Brasil e não temos energia”, lamenta Evaldo André, 33, dono da empresa, que deve a própria prosperidade de seu empreendimento a Belo Monte: em dois anos a firma passou de 5 para 25 funcionários.
Reportagem consumiu dez meses MARCELO LEITE
A primeira visita à obra de Belo Monte aconteceu debaixo d’água. Chovia como só chove na Amazônia, em março, e foi preciso amassar muito barro para fazer o reconhecimento do terreno nos três canteiros de construção, separados por dezenas de quilômetros. Ficou evidente que um só repórter, em poucos dias, não daria conta de abarcar todos os aspectos do empreendimento controverso, que
enfrenta resistências desde os anos 1980. Planejou-se enviar quatro ou cinco jornalistas à área, em agosto (estação seca), por duas semanas. Uma decisão acertada. Com o Xingu mais baixo, a transparência de suas águas revelou toda a majestade do rio que margeia duas dezenas de terras indígenas em seus cerca de 2.700 km. Em paralelo, aprofundavam-se as pesquisas para produzir os infográficos sobre a intrincada engenharia da usina.
Na Volta Grande, agora ameaçada pela barragem, o Xingu se espraia por uma enormidade de canais límpidos. Ali vicejam os acaris, família de peixes ornamentais que está na base da sobrevivência de muitos índios e ribeirinhos. O contraste com Altamira, rio acima, é chocante. A cidade viu sua população aumentar pelo menos 40% em dois anos. “Caos” é a palavra que mais se ouve – no trânsito, na violência, nas obras de saneamento
que rasgam as ruas da noite para o dia. Isso para não falar do despreparo do poder público em mitigar os previsíveis impactos sociais do empreendimento. O resultado de quase dez meses de trabalho, no qual se envolveram de uma maneira ou de outra 15 jornalistas, aparece hoje na série Tudo Sobre, do site da Folha. Uma extensa reportagem acompanhada de gráficos dinâmicos, vídeos e fotos para mostrar todas as facetas da maior obra em curso no país.
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Arquivo Aberto
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MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
De mãos dadas MANUEL DANTAS VILAR/ACERVO PESSOAL
Fazenda Acauã, sertão da Paraíba, 1991
Fazenda Acauã, onde Ariano Suassuna passou parte de sua infância
LUIZ FERNANDO CARVALHO
Desde menino minha ligação com o sertão foi visceral, um conjunto de impressões e sentimentos muitas vezes estimulados por mim mesmo, já que minha mãe, Glicia Carvalho, que perdi logo na primeira infância, era sertaneja. Dentro de mim, o sertão corresponde a um espaço onde o mítico e o real convivem de mãos dadas. Nas escavações em busca da imagem mais nítida da mãe, recorri, adulto, a uma infinidade de pesquisas, que me ajudaram também, e fundamentalmente, na construção da imagem de um país. Eram curiosidades que davam conta de um mundo. Qual o folguedo popular preferido? Qual a música? A comida? Os livros? Foi assim que, pela primeira vez, ouvi um tio meu dizer “Graciliano Ramos”. Anotei o nome, li os livros.
No fim dos anos 1930, quando acabava “Vidas Secas”, Graciliano concluiu o primeiro livro que daria origem a “Alexandre e Outros Heróis”. O escritor teve, no entanto, o cuidado de advertir: “As histórias de Alexandre não são originais, pertencem ao folclore do Nordeste, e é possível que algumas tenham sido escritas”. Mais que uma criação literária, as histórias encerrariam um valor de observação antropológica. O ficcionista empreendera trabalho de escrevinhador das histórias ouvidas no sertão. Seria Graciliano Ramos, neste caso, simples intermediário sem discernimento? Onde estará o escritor em “Alexandre e Outros Heróis”? Com sua presença “mascarada”, ele está em tudo. Pergunto-me quando o li pela primeira vez. Folheei as primeiras páginas do meu exemplar em busca de alguma informação e reencontro em garran-
chos quase ilegíveis o seguinte registro: “Lá vou eu em busca do meu passado. Lá vou eu à cata de meus heróis”. E a data: 04 de fevereiro de 1991. A primeira leitura me surgiu na memória e, ao me enveredar pela lembrança, uma figura foi se formando, enquanto eu me dizia: mas este “mentiroso”, esse “mascarado” eu conheço! Já me sentei à sua volta para ouvir histórias. Essa máscara alquímica que mescla palhaço e rei, eu sei de quem é! Em 1991 estávamos, Ariano Suassuna e eu, cruzando o sertão paraibano rumo à fazenda Acauã, onde ele passou parte da infância. A viagem era um misto de aventura e aula, por isso não seria exagero dizer que estava adentrando o sertão pelas mãos de Ariano. Eu perguntava sobre a diferença entre um cabra e um jagunço e ouvia aquela resposta de três horas, que incluía geologia, culinária, música, cordel
– e, claro, a diferença. Assim que chegamos à fazenda e após cumprimentar, um a um, todos os que ali estavam, pediu para rever a casa, que já não era de sua família. Revisitou os cômodos e a capela. Seus olhos reconheciam os espaços, buscando a antiga disposição da mobília, perdida sob o jogo de sombra e luz que compunha, com as paredes grossas, um ar de convento medieval. Depois pediu que o levassem para ver o rio. Fomos caminhando pelo meio de um espinheiro até alcançarmos aquele leito seco. Ariano parou, e eu, um pouco mais atrás. Ficamos um bom tempo assim, cercados pelo silêncio: ele, imóvel diante daquela cicatriz na carne do chão. Até que, exatamente acima dele, veio sobrevoar um gavião. “Eu sabia que vocês não abandonariam um sertanejo”, disse ele, com alegria de menino.
Nos despedimos e partimos. Avistada do carro, a fazenda Acauã e os acenos de seus camponeses iam desaparecendo na distância. De repente, Ariano pediu que o motorista parasse. Atravessando a poeira vagarosa que ainda repousava no ar, largou alguns passos em direção ao velho castelo. A poeira cedeu, definindo a cruz da capela, o telhado e as janelas. O olhar do escritor encontrara ainda uma vez sua Acauã de menino. Suas pernas avançaram mais um passo na direção da miragem, mas ele logo estancou. Caiu novamente naquele silêncio, cortado agora – pude ver! – por uma golfada que lhe invadiu o peito. Vieram as lágrimas. Com voz embargada, Ariano girou o corpo e disse: “Agora podemos ir. Pronto!”. E, secando o sal do rosto, ainda pude ouvir: “Desculpe esse velho bobo”.
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Filosofia
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A essência das coisas Husserl em busca da verdade absoluta RESUMO Em fins do século 19, a busca por um conhecimento objetivo e universal era questionada por diversos grupos. Contrário a essa tendência, Edmund Husserl erigiu um novo método de investigação filosófico, a fenomenologia, ao propor um retorno “às coisas”, livre das teorias anteriores, para alcançar a certeza transcendental.
CÉSAR BENJAMIN
Múltiplas formas de relativismo somavam-se, no fim do século 19, para questionar as possibilidades de produzirmos conhecimento objetivo e verdadeiro. Não só as percepções diretas, baseadas nas sensações, eram vistas com desconfiança mas também até mesmo as verdades matemáticas. Sua certeza aparente, dizia-se, decorria do fato de serem tautologias vazias, que nada informam sobre o mun-
do. Considerava-se que todo raciocínio dedutivo continha um vício, pois as conclusões estavam sempre embutidas nas suas premissas. Impossibilitados de alcançar as fontes últimas de qualquer certeza, deveríamos considerar o conhecimento como um conjunto de instruções práticas, úteis à vida, mas incapazes de nos dizer como o mundo, de fato, é. O sensacionismo, teoria do filósofo austríaco Ernst Mach (1838-1916), afirmava que a busca do conhecimento era apenas um tipo de conduta da espécie humana, voltado para nos ajustar melhor ao ambiente; o conceito de verdade era uma relíquia metafísica que a ciência deveria substituir pelo conceito de “aceitabilidade”. Os adeptos do psicologismo pretendiam redefinir o estatuto da lógica, considerando-a apenas uma descrição abstrata – baseada no costume e em certos hábitos de economia mental – de fatos psicológicos empíricos; ela deveria ser parte da psicologia, não da filosofia. Positivistas e pragmatistas só viam fatos e relações entre fatos. Para eles, a validade das ciências naturais dependia fundamentalmente de sua eficácia, ou seja, sua capacidade de fazer previsões sobre fenômenos que aparecem no tempo e no espaço. A filosofia era vista como tributária dos resultados das ciências
positivas. Todos esses movimentos convergiam para a ideia de que pode existir conhecimento, mas não uma teoria do conhecimento autorizada a reivindicar, legitimamente, universalidade e objetividade. Ceticismo Ao destruir as bases de todo conhecimento seguro, as diferentes formas de ceticismo ameaçavam destituir a cultura ocidental de sua posição singular. O filósofo alemão Edmund Husserl (1859-1938) compreendeu a gravidade disso: a busca de certezas e o estabelecimento de verdades eram parte essencial da milenar cultura europeia e fonte de sua universalidade. Matemático de formação, considerava especialmente perigoso interpretar a lógica a partir de categorias psicológicas, pois as leis da lógica são universais e necessárias, enquanto a psicologia é uma ciência empírica, que deduz suas leis por indução. Para restaurar a validade absoluta da verdade, Husserl concebeu um programa radical. Precisava encontrar um fundamento transcendental para a certeza e desenvolver um método voltado para descobrir as estruturas necessárias do mundo. Buscou um recomeço da filosofia, ao modo cartesiano, para lançar as bases de um conhecimento cuja validade
não dependesse da psicologia, dos fatos empíricos, da espécie humana e nem mesmo da existência do mundo, tal como o vemos. Isso exigia alterar o lugar que a filosofia ocupava. Estávamos acostumados a outorgar às ciências a tarefa de conhecer a realidade, cabendo à filosofia refletir sobre esse conhecimento. Assim, a atividade filosófica havia se afastado das coisas, restringindo-se a examinar o conhecimento que tínhamos delas. Husserl viu que a nova filosofia primeira que tinha em mente – que, por ser primeira, não podia ter pressupostos – teria de “retornar às coisas”, eliminando os diversos estratos de sentido que as teorias haviam depositado sobre elas. É certo que a quantidade sempre crescente de fatos, teorias, hipóteses e classificações nos permite prever melhor certos acontecimentos e aumenta nosso poder sobre a natureza, mas isso, ele dizia, não nos ajuda a compreender o mundo: as ciências medem as coisas sem conhecer o que medem. “Conhecer formas objetivas de construção de corpos físicos ou químicos e fazer previsões de acordo com isso – nada disso explica coisa alguma, mas precisa de explicação”. Percepção A certeza só pode ser obtida se conseguirmos eliminar a distância entre a percepção e as coisas, bem como a necessidade, dela decorrente, de construir uma ponte entre ambas. Conhecimento certo, seguro de si, deve ser conhecimento imediato, sem que entre o ato de conhecer e o seu conteúdo seja necessária alguma mediação. Uma certeza que exige mediações não é mais certeza. E a necessidade de transmitila destrói sua imediaticidade, pois tudo o que entra no campo da comunicação humana é incerto, questionável e frágil. As ciências, tal como as conhecemos – conhecimentos indiretos e comunicáveis por natureza –, são incapazes de nos prover tal certeza. Husserl viu que para “alcançar as coisas” precisamos partir de uma intuição na qual elas se revelem diretamente à consciência, sem distorções. Tal intuição precisa cumprir duas condições: (a) ser independente de um “eu” particular; (b) não se ater a fatos contingentes, mas buscar verdades universais, revelando suas conexões necessárias. Descartes duvidou de tudo para livrar-se de toda dúvida. Conservou apenas o ego substancial, o único lugar que resistia à dúvida hiperbólica. Husserl seguiu o mesmo caminho, colocando em suspenso a existência do mundo, mas deu um passo adiante. Não se deteve no ego cartesiano, a substância pensante. Considerou que o caminho
da certeza exigia a eliminação também desse ego e a construção ideal de um ego transcendental, um recipiente vazio onde os fenômenos simplesmente aparecem. O caminho para isso passava pela “epoché”, a suspensão do juízo, especialmente sobre o que nos dizem as doutrinas filosóficas e as ciências. “Eu” e “mundo” ficam em suspenso, colocados entre parênteses. Não recusamos a existência deles, nem sequer duvidamos dela, mas a deixamos provisoriamente de lado para que só reste o puro fenômeno, aquele que não pertence a uma pessoa empírica nem representa um objeto real. Nem as doutrinas filosóficas nem os resultados das ciências nem as crenças da “atitude natural” são pontos de partida indubitáveis, aqueles que Husserl buscava para reconstruir a filosofia como ciência rigorosa. Só a consciência resiste à “epoché”. Ela é, pois, o resíduo fenomenológico imediatamente evidente. Mas consciência é sempre consciência de algo. A esse traço, que diferencia o psíquico e o físico, Husserl denomina intencionalidade. Os modos típicos como as coisas e os fatos aparecem na consciência são os universais que a consciência intui quando a ela se apresentam os fenômenos. Ao prescindir dos aspectos empíricos e das preocupações que nos ligam aos fenômenos, purificando o campo da consciência, podemos buscar a intuição das essências, operação necessária no caminho para a certeza. Radical Husserl encontrou o ponto de partida radical, que buscava, no domínio do absolutamente dado, do fenômeno puro, aquilo que se oferece diante de nós em qualquer das formas da nossa experiência. Era preciso deixar que o “olho do espírito” se dirigisse livremente às coisas para reconquistá-las com confiança profunda, captando em visão imediata o seu conteúdo ideal. Em vez de valorizar as duas maneiras bem conhecidas de aproximar-se do mundo – a intuição sensível, mas vaga e imprecisa, e a construção intelectual rigorosa, mas hipotética –, ele nos mostrou um outro tipo de intuição, a intuição categórica. Ela não é um processo de abstração que tenha como ponto de partida um dado fenômeno. É uma experiência direta dos universais que se revelam a nós com irresistível evidência. Diferentemente do que nos diz o senso comum, o individual chega à consciência pelas mãos do universal. Nossa consciência só pode captar um fato (uma cor, um som) se captou sua essência. Não partimos dos fatos e fazemos uma abstração para conhecer tais essências. Ao contrário: só podemos compreender fatos se
já captamos uma essência que os torna compreensíveis e comparáveis. Reconhecemos uma essência comum – uma “essência de som” – quando ouvimos qualquer som. Sem esse reconhecimento, não poderíamos identificá-lo. A fenomenologia pretende ser a ciência das essências, não dos fatos. Seu objeto são os universais que a consciência intui a partir dos fenômenos. Husserl chamou “redução fenomenológica” a operação mental que converte a intuição individual (que nos dá esta rosa, esta cadeira, objetos que existem no tempo e no espaço, em constante mutação) em intuição eidética (que nos dá as essências, imutáveis e eternas, de rosa e cadeira). O objetivo é construir um conhecimento que independa de sujeitos definidos. O que permanece depois da redução são os conteúdos dos fenômenos, que aparecem no ego transcendental, aquele recipiente desprovido das propriedades dos sujeitos psicológicos e que é o sujeito do conhecimento puro. A fenomenologia foi a corrente filosófica mais renovadora do século 20. Representou o início de uma nova época na filosofia, algo parecido com o que foi o sistema cartesiano a partir do século 17 e o kantiano a partir do 18. A Descartes segue-se uma época cartesiana, a Kant, uma época kantiana, em que os debates passam a se dar em torno dos temas propostos por esses pioneiros. Husserl ocupa posição semelhante. Sua enorme influência contrasta com uma personalidade silenciosa e retirada. Viveu obcecado pelos problemas últimos dos quais depende o desenvolvimento do espírito, fixando-se neles com tenacidade exemplar. Morreu solitário na Alemanha em 1938. De ascendência judaica, ele havia sido afastado do mundo acadêmico pelos nazistas e proibido de deixar o país. Depois de sua morte, o franciscano belga Herman Leo van Breda (191174) conseguiu salvar seus manuscritos inéditos – bem mais numerosos que a obra publicada –, levando-os para a Universidade de Louvain, onde estão até hoje. A obra de Husserl vem sendo publicada gradativamente. Em 1954, como volume seis da Husserliana, veio à luz a versão definitiva de “A Crise das Ciências Europeias e a Fenomenologia Transcendental”, que finalmente chega ao Brasil em tradução competente de Diogo Falcão Ferrer [Forense Universitária, R$ 107, 456 págs.]. Na verdade, é de uma ampla crise espiritual e existencial, não só das ciências e nem só da Europa, mas de toda humanidade, que o livro trata, pois a crise nos fundamentos das ciências é também uma crise da filosofia e da subjetividade.