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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVII – N.º 8.477 – DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO RICARDO OLIVEIRA
OS POVOS ESQUECIDOS DA FLORESTA ATIVIDADE QUE GERA EMPREGO PARA 280 MIL PESSOAS EM TODO O ESTADO, O SETOR PRIMÁRIO TEM UM ORÇAMENTO AINDA DISTANTE DO NECESSÁRIO PARA O DESENVOLVIMENTO DA AGROPECUÁRIA NA REGIÃO. A OBRIGAÇÃO DE LEVAR O AMAZONAS ALÉM DA ZONA FRANCA DE MANAUS, COM A EXPLORAÇÃO DE DIFERENTES POTENCIAIS ECONÔMICOS, É UM DOS DESAFIOS DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESTADO. ECONOMIA A5 A A7, DIA A DIA B6 E B7 E ELEIÇÕES 1
A falta de interesse dos políticos em investir no setor primário faz com que mais de 80% do que consumimos hoje, no Amazonas, em alimentos venha de outros Estados brasileiros
RICARDO OLIVEIRA
“GATO”
Delegacia vai apurar furtos de energia
CHICO DA SILVA
DA BOA MÚSICA PARA AS URNAS
Aos 65 anos, o cantor e compositor Chico da Silva parte para um novo desafio, o batismo das urnas, disputando uma vaga para a Assembleia Legislativa pelo Partido Verde. Eleições 5
A Polícia Civil inaugura amanhã uma delegacia especializada em combater furtos de energia, água, gás e serviços de telecomunicações. Dia a dia B5
PROJETO
Centro recebe ‘banho de luz’ cenográfico
QUE VENHA A RÚSSIA
Quatro fachadas abandonadas da rua Visconde de Mauá, no Centro, receberão o banho de luz cênico pelo projeto “Lugares que o dia não me deixa ver”. Plateia C8
Seleção Brasileira Masculina de Vôlei enfrenta, neste domingo, a Rússia na última rodada da segunda fase do Mundial da Polônia. Última Hora A2
VÔLEI
Candidato a deputado estadual, Chico diz que tem bons projetos não faltam
H O J E Plateia Nove anos depois, o titã Tony Bellotto (foto) volta a exercitar seu lado escritor com o quarto romance policial “Bellini e o Labirinto”, focado no mesmo personagem. Plateia C4
É
D O M I N G O Uma das estratégias das fabricantes de smartphones é lançar versões reduzidas dos aparelhos, sem perder muito da capacidade do dispositivo. Elenco 23
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
Frutas e vegetais são a alternativa para diminuir o estresse. Abóbora, cenoura, mamão e tomate são capazes de amenizar o nervosismo. Saúde F2 TEMPO EM MANAUS
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Racismo praticado nas redes sociais é crime muito tempo depois da infração. As penas previstas variam de um a cinco anos de reclusão, dependendo do caso. Conforme o coordenador, o fato da ofensa ser presencial ou pela internet não altera a denúncia. Qualquer espaço pode ser usado. “Na Seppir, temos a ouvidoria, que pode ser acionada por telefone ou internet. As delegacias precisam estar prontas para receber essas denúncias, assim como o Ministério Público e as defensorias públicas”, cobra Freitas. Especialista em direito digital, Fabrício Alves observa que algumas providências podem ser tomadas para auxiliar a polícia na investigação. Além de não incentivar o debate, a pessoa ofendida deve registrar as ofensas. “Registrar, por meio de impressão, anotar o endereço da página para identificá-la posteriormente e, imediatamente, procurar a polícia. “Se, antes de comunicar à autoridade policial e à Justiça, ela pedir para remover o conteúdo, estará dificultando a produção de provas”, comenta o advogado. O Marco Civil da Internet, que entrou em vigor em junho deste ano, traz regras sobre direitos e deveres de usuários e provedores.
No Brasil, o racismo é considerado crime inafiançável e imprescritível e a pessoa pode ser punida tempos depois da infração
DIVULGAÇÃO
SELEÇÃO
Os brasileiros demonstram foco apenas nas partidas do fim de semana e evitam projeções
Vôlei ‘comecou a pegar fogo’ Depois de enfrentar o Canadá, na manhã de ontem, em Katowice, na Polônia, a Seleção Brasileira Masculina de Vôlei encara, hoje, a tradicional seleção russa, campeã olímpica e maior rival dos brasileiros nos últimos anos. Os jogos definem a primeira colocação do Grupo F, liderado pelos brasileiros, com 15 pontos, um a mais do que os russos. Os duelos já empolgam os brasileiros, que viram durante seus sete primeiros jogos (todos com vitórias) alguns adversários pela frente sem tanta tradição, como China, Coreia do Sul e Tunísia. Mas o momento agora é de começar as partidas que todo atleta gosta de atuar. “O Mundial começou a pegar fogo agora. Na minha opinião são os times que vão passar de fase, Alemanha, Rússia, Canadá e nós disputando. E os seis times que
vão passar para próxima fase têm condição de brigar pelo título. Vai ser muito pesado. Acho que é isso. É jogar em alto nível, concentrado, agora é 100% e não dá para segurar perna, nada. É arrebentar
OUTRA FASE
Na terceira fase, virão rivais de alto nível e que vivem uma verdadeira batalha pelas três vagas. Irã, França, Estados Unidos, Sérvia e Polônia vão decidir hoje a colocação do Grupo F para conseguir esse título”, falou o ponteiro Lipe. “Agora teremos pela frente um jogo agressivo, de força, mais parecidos com nosso, ao contrário de China e Coreia, por exemplo, que têm um
estilo mais rápido como os asiáticos. (Canadá e Rússia) são jogos de força no ataque e saque, temos que controlar bem e estudá-los”, disse o líbero Mário Jr. E o Brasil até agora demonstra mais concentração e melhor performance em jogos mais duros. Desde o início do torneio, a seleção de Bernardinho fez suas melhores partidas naquelas que eram consideradas as mais difíceis por nível técnico, como contra Alemanha, Bulgária e Finlândia. Passou apuros contra a fraca Coreia do Sul, quando precisou do tie-break para vencer, e diante do novato time de Cuba, que ganhou um set. “É um tipo de jogo que você mentalmente acaba abaixando a guarda. De uma maneira mais tranquila é fácil e acaba baixando a concentração”, falou Leandro Vissotto ao analisar a vitória sobre a China”.
CRISE
Energia é o desafio do futuro A definição sobre quais serão as fontes de energia prioritárias para o país nos próximos anos será um dos principais desafios do próximo governante. Atualmente, cerca de 75% da energia elétrica gerada no Brasil vem de hidrelétricas, mas a capacidade de expansão dessa fonte já está caminhando para o esgotamento, e é preciso encontrar novas alternativas baratas, seguras e sustentáveis. Os próximos anos serão decisivos para que o Brasil tome decisões estratégicas com relação a sua matriz energética, na avaliação do especialista Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, o Brasil não tem mais potencial para expandir a geração por meio de hidrelétricas, e a construção de novas usinas está mais difícil. “A partir da segunda metade desta década, é preciso tomar decisões estratégicas com relação a essa matriz. A hidrelétrica vai diminuir, vai esgotar, é preciso saber qual a matriz que o Brasil terá”, aponta. Atualmente, o governo prevê o esgotamento do potencial hidrelétrico entre 2025 e 2030.
CONFLITOS
Papa Francisco denuncia uma ‘guerra fragmentada’ O papa Francisco disse ontem que a série de conflitos atuais ao redor do mundo corresponde efetivamente a uma Terceira Guerra Mundial “fragmentada” e condenou o comércio de armas e os “idealizadores do terrorismo” de semear a morte e a destruição. “A humanidade precisa chorar e essa é a hora de chorar”, disse o papa na homília de uma missa durante visita ao maior memorial de guerra da Itália, um grande monumento da época do fascismo, onde mais de 100 mil soldados que morreram na Primeira Guerra Mundial estão enterrados. Loucura O papa iniciou sua breve visita ao norte da Itália orando em um cemitério próximo, onde estão enterrados 15 mil soldados de cinco nações do
império austro-húngaro, que estavam no lado derrotado da guerra que eclodiu há 100 anos. “A guerra é loucura”, afirmou o papa em sua homília diante do grande memorial feito de granito, que é inclinado, possui 22 degraus ao lado de uma colina e três cruzes no topo. “Mesmo hoje, após um segundo fracasso de uma guerra mundial, algumas pessoas falam de uma terceira guerra, uma que está fragmentada, com crimes, massacres e destruição”, afirmou. Nos últimos meses, Francisco fez repetidos apelos pelo fim dos conflitos na Ucrânia, no Iraque, na Síria, em Gaza e em partes da África. “A guerra é irracional. Seu único plano é causar destruição. Ela busca crescer ao destruir”, disse. “Ganância, DIVULGAÇÃO
A
sociedade brasileira vem acompanhando diversos casos de ofensas racistas contra jogadores de futebol. O mais recente episódio ocorreu no fim do mês passado, quando o goleiro Aranha, do Santos, foi chamado de macaco durante partida contra o Grêmio. Mas não é só dentro dos campos que esse crime é praticado. Muita gente usa as redes sociais e a internet. Recentemente, ao postar uma foto ao lado do namorado, uma jovem negra foi ofendida por usuários de uma rede social. O coordenador do Plano Juventude Viva da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Felipe Freitas, explica que a rede mundial de computadores reflete o comportamento da população. “Se o racismo é um fenômeno social, a internet é um espaço onde esse fenômeno também se manifesta. Não é a internet que os cria. Apenas dá mais visibilidade”, salienta. Segundo ele, o uso da rede dá uma falsa sensação de anonimato. No Brasil, o racismo é considerado crime inafiançável e imprescritível. Isso significa que uma pessoa pode ser punida
DIVULGAÇÃO
Usuários devem conhecer melhor os seus direitos e deveres para evitar constrangimentos e punições previstas em lei
Papa diz que está na hora de a humanidade começar a orar
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
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A educação está de recuperação
“Falem mal de mim e percam votos!” O prefeito Arthur Virgílio mandou um recado para candidato que insiste em tumultuar a cidade de Manaus – e consequentemente sua administração –, por motivos “politiqueiros”. — Por ignorância não fazem a leitura das pesquisas de forma correta. Temos uma aprovação elevadíssima hoje e, quem falar mal da prefeitura, vai perder votos! Time de caciques Falando em Arthur Virgílio, o prefeito de Manaus foi incluído no time de caciques tucanos convocados pelo candidato do PSDB, Aécio Neves, para pedir votos em seu favor no programa eleitoral da TV. Cardeais Fora de um provável segundo turno e quase 20 pontos atrás de Marina Silva nas pesquisas de intenção de votos, Aécio foi elogiado em rede nacional pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, José Serra e por Arthur Virgílio, entre outros cardeais da tucanagem. Lula no banco Do senador Aécio Neves, candidato à Presidência do PSDB, respondendo de forma irônica ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, no comício durante visita a Manaus, o chamou de “companheiro de longa data”. — Lula era um bom reserva da lateral-esquerda do meu time quando éramos deputados. E eu botava ele para jogar quase sempre. Adversário, não inimigo Aécio disse que não trata adversário como inimigo. — E fico feliz que Lula faça o mesmo, diferentemente de outras oportunidades. Viadutos às avessas O princípio logístico de um viaduto é acabar com os cruzamentos, evitar engarrafamentos e fazer o trânsito fluir, certo? Em Manaus não. Os viadutos foram construídos de forma errada e, ao invés de ajudar, provocam engarrafamentos homéricos. Gargalo É só observar o caso dos
viadutos Gilberto Mestrinho, na bola do Coroado e Miguel Arraes, nas avenidas Darcy Vargas com a Recife. As alternativas de entradas e saídas são tantas, que uma acaba estrangulando a outra. Liquidificador No caso do viaduto Gilberto Mestrinho, tem fluxo de carro vindo pela alameda Cosme Ferreira, avenida das Torres, Rodrigo Otávio e Ephigênio Salles. Isso acaba transformando o complexo num “liquidificador automotivo” de enlouquecer. Perigo na esquina No Miguel Arraes, o gargalo acontece com os carros descendo pela Darcy Vargas e outros vindo pela rua Fortaleza. Quem vem pela Fortaleza e tenta entrar para a direita e pegar a avenida Recife, ou então seguir rumo ao Aleixo, vai ter que ter muito cuidado, porque pela Darcy o fluxo de veículos que desce é intenso, raspando a tinta do carro que está parado. Roleta russa O perigo maior fica por conta dos ônibus, que descem em alta velocidade arrepiando quem está na bifurcação esperando uma brecha para dobrar. É uma roleta russa. Engarrafamento Antes do viaduto, do Aleixo, um motorista fazia um percurso entre o conjunto Vilar Câmara à bola do Coroado em 5 minutos. Agora, a mesma distância vem sendo feita em até 25 minutos. Um verdadeiro absurdo. Primeira negra na Presidência A candidata do PSB à pre-
APLAUSOS
Regi regi@emtempo.com.br
sidência da República, Marina disse querer ser “a primeira mulher negra, de origem pobre, presidente da República Federativa do Brasil”. Quatro anos depois, ela aparece, segundo o Ibope, na liderança de intenções de votos entre eleitores brancos, mas atrás de Dilma Rousseff entre os negros e pardos. Apesar de tudo No entanto, apesar de ser a única entre os três principais candidatos a dedicar um capítulo inteiro do programa de governo à população negra, a ex-senadora não é percebida como representante dessa parcela de eleitores. Desconfiança Evangélica, filha de mãe mestiça e pai negro, Marina é analisada com desconfiança por professores universitários, institutos de pesquisa, coletivos, organizações sociais e ativistas ouvidos pela BBC Brasil. Criticada As críticas mais frequentes questionam a postura da candidata sobre temas importantes à militância negra. — Ficamos muito felizes que alguém se autodeclare negro, mas em hipótese alguma Marina representa a luta dessa população –, diz o professor Paulino Cardoso, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Cobrança Liberdade para religiões de matriz africana, registro de terras para comunidades quilombolas, viabilização de políticas afirmativas, como cotas raciais e a falta de vínculos com o movimento foram os principais pontos levantados pelos entrevistados.
VAIAS
Lula e Aécio
Um novo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o Brasil já destina mais do seu Produto Interno Bruto (PIB) para a educação do que os países ricos, mas o gasto por aluno ainda é pequeno. Para ser mais claro, o país aparece em penúltimo no ranking de investimento por alunos. O relatório da OCDE compara resultados das 34 nações da organização, que reúne países ricos e dez países em desenvolvimento. Para se ter uma ideia, a educação de um brasileiro é feita com um terço do valor gasto com um estudante de países ricos. Talvez você nem se espante, já que na semana passada os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostraram que o país anda abaixo da média no quesito educação. O Brasil tem um número alto de alunos, mas quando o investimento é dividido pelo número de estudantes, a história é outra. Outros fatores que contribuem para o fracasso do Brasil na educação são o alto grau de repetência, a evasão escolar e, claro, a baixa qualidade do ensino. Não podemos esquecer também que nossos professores continuam mal remunerados e sem oportunidades de progredir na carreira. Para encerrar esse triste cenário, o Brasil gastou US$ 2,9 mil por estudante, enquanto a média da OCDE é de US$ 8,9 mil. Ou seja, a educação está de recuperação.
Viadutos estrangulados DIVULGAÇÃO
ROBERVALDO ROCHA/CMM
Para a troca de afagos entre Lula e Aécio. No Amazonas, o ex-presidente chamou o senador de velho amigo e o mineiro respondeu, dizendo que não trata adversários políticos como inimigo. O nome disso é maturidade política e civilidade.
Para a falta de guardas de trânsito nos viadutos, quase sempre estrangulados por engarrafamentos homéricos. Já que o complexo de concreto – erguido para essa função não resolve –, é preciso tentar desatar o nó com a presença humana.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
A incógnita Marina Há algumas semanas, logo após o acidente aéreo que matou Eduardo Campos, até então o candidato do PSB à Presidência, Marina Silva, que aparecia como vice, a modo inopinado viu-se guindada à condição de titular da candidatura socialista, e neste mesmo espaço, em artigo dominical, após analisar a muito estranha sequência de fatos encadeados, optei por abandonar o simplismo de apenas considerá-los “coincidentes” e ousei servir-me da tese junguiana da vinculação não causal de significações, que o mestre suíço designou como “sincronicidade”, a fim de tentar interpretar os acontecimentos. Sugeri então que havia sinais de que Marina, por tudo o que lhe sucedera desde o seu passado mais remoto, ainda somado à série de ocorrências no seu presente, parecia vaticinada para chegar à Presidência do país. Marina Silva ainda não é a presidente da República e persiste a possibilidade de que tudo não passe de um castelo de cartas a ruir subitamente. Mas, como assumi a hipótese logo que sua candidatura fora posta, apenas porque vi fatos significativos que me pareceram indicar uma direção, acredito que o extraordinário ganho de densidade eleitoral que seu nome, segundo as pesquisas, tem recebido em tão curto tempo, só tende a confirmar o primeiro prognóstico. Aguardemos o falar do tempo! Há, contudo, outro aspecto, bem mais acessível ao entendimento e por isso também de mais fácil aceitação, que precisa ser objeto de reflexão por quem deseje compreender essa figura que ora avassala a vida nacional. Algo, ou melhor, muitos elementos e muitas facetas se juntaram nessa mulher extravagante, quiçá até bizarra, para a colocarem diante da sociedade brasileira de maneira tão
forte e até irrecusável. Lá no seu ninho, no seu Acre, era apenas uma “boia fria”, analfabeta até chegar à adolescência, quando, aos 16 anos, foi alfabetizada, o que, para ela, jamais significou, como seria de se esperar, um ponto de chegada que certamente por si só já se constituiria num considerável facilitador das suas atividades cotidianas de seringueira, de empregada doméstica, de lavadeira... Não! Na realidade foi um ponto de partida para uma trajetória surpreendente que incluiu formação superior e uma atividade política que a levou até a condição de senadora da República. Isso por enquanto... Que não me perguntem o como nem o por quem, mas o que percebo é que Marina Silva é uma pessoa marcada, estigmatizada para romper os parâmetros da rotina e da normalidade. Na história da humanidade isso acontece esporadicamente, em lugares e em tempos incertos, com pessoas que não pareciam ter nada de especial. Lamentável, porém, é que muitas dessas figuras que surgem inopinadas, brilham com luz própria, agregam e magnetizam à sua volta, às vezes desvirtuam sua trajetória e iniciam uma rota de descida e de depauperamento ou então, o que é muito pior, enveredam pelo caminho da degenerescência e passam a polarizar para o mal a quantos se agregam a elas. Assim foram as lideranças dominadoras, por exemplo, de um Hitler e de um Stalin. Seus destinos, a tragédia. Esperemos que Marina não sucumba à sedução do poder, político e econômico, e não ceda à insuflação do seu ego, como sucedeu a Lula, outro que trouxe em si a força do estigma, mas deu vez à vaidade e ao equívoco de julgar-se maior do que era na verdade.
João Bosco Araújo, Diretor executivo do Amazonas Em Tempo
Na realidade foi um ponto de partida para uma trajetória surpreendente que incluiu formação superior e uma atividade política que a levou até a condição de senadora da República. Isso por enquanto...”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
O outono do patriarca
Todos me perguntavam por que eu iria indicar a Dilma se ela nunca tinha sido vereadora ou senadora. E eu respondia que ela é a melhor para acabar com a crise no país e hoje eu reafirmo isso
O PMDB escondeu o ex-presidente José Sarney da campanha de Lobão Filho ao governo do Maranhão. Nas primeiras quatro semanas de horário eleitoral, o senador não apareceu nenhuma vez para pedir votos. A governadora Roseana Sarney, que enfrenta forte rejeição, também foi afastada da propaganda. O marqueteiro Elsinho Mouco culpa o rival Flávio Dino (PC do B) pela estratégia. “Ele veio agredindo, e tive que ir para a emoção. Lobão Filho deixou claro que é do grupo”. Fim do clã “Um ciclo se encerra com a aposentadoria do presidente Sarney e com a saída de Roseana. Agora começa a renovação”, diz o marqueteiro de Lobão Filho. Desgastados, pai e filha desistiram de concorrer ao Senado. Nem o pai O ministro Edison Lobão (Minas e Energia), que saiu de férias na segunda-feira passada, sumiu da campanha. Na semana passada, o delator Paulo Roberto Costa o incluiu na lista de políticos que, segundo ele, desviavam verba da Petrobras. Guerra Fria Atacado pelos Sarney por ser filiado a um partido que tem o comunismo no nome, Dino provocou os rivais em debate com empresários nesta semana: “O que precisamos é instaurar o capitalismo no Maranhão”. Quem indica O diretor administrativo e financeiro da Eletronuclear, Edno Negrini, passou a quarta-feira em Brasília. Percorreu gabinetes no Congresso em busca de apoio para ficar no cargo. Os de sempre Descrito como afilhado do ministro Lobão, Ne-
grini bateu na porta do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também procurou outros senadores, como Delcídio Amaral (PT-MS). O mandato do diretor acaba no próximo dia 3. Libera, ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, promete levar a votação até o fim do ano uma ação que pede a mudança do indicador que atualiza os valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Contra o dragão O partido Solidariedade defende que o FGTS passe a ser corrigido pelo IPCA para evitar perdas com a inflação. Hoje o indicador adotado é a TR (Taxa Referencial), que também baliza a caderneta de poupança. Canja de galinha O giro pelo Nordeste que Marina Silva (PSB) faz neste fim de semana foi marcado como uma “precaução” para o segundo turno. Os marineiros temem que Dilma Rousseff (PT) abra vantagem na região e arrase a ex-senadora quando se enfrentarem frente a frente. Diplomata Marina fará um almoço com correspondentes de veículos internacionais de
imprensa sediados no Brasil no fim de setembro. Fecha... O plano de banda larga da campanha de Dilma prevê que o governo pague parte da construção das redes de fibra ótica e rádio em 90% do país. As empresas receberão subsídios para criar o sistema nas áreas de menor desenvolvimento econômico.
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, ao pedir votos para a presidente Dilma Rousseff em Manaus.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
... a conta O programa prevê leilões públicos. Vence a empresa que aceitar construir as redes com o menor subsídio. Se o governo bancasse todo o sistema com recursos próprios, gastaria mais de R$ 80 bilhões. Timidez seletiva Discreto no debate sobre o uso do présal entre Dilma e Marina, Aécio Neves (PSDB) não cita a reserva nenhuma vez nas 76 páginas de propostas que entregou à Justiça Eleitoral. Taça na raça Os candidatos a deputado pelo PT em São Paulo aparecem na propaganda do partido imitando os jogadores na apresentação das seleções durante a Copa do Mundo: viram para a câmera e cruzam os braços.
Tiroteio
Na rua Floriano Peixoto, no Centro, o velho banco instalado na calçada ganhou uma tábua - ou que restou dela - para que alguém possa sentar por uns instantes. Sim, porque não dá para ficar mais do que três minutos sentado em um banco como esse.
D. Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Se o Kassab não sabe o que eu fiz em 24 anos, pode procurar ler as listas de senadores mais influentes do Diap e do Congresso em Foco.
Trânsito
DO SENADOR EDUARDO SUPLICY (PT-SP), candidato à reeleição, sobre as críticas que recebeu na propaganda do adversário Gilberto Kassab (PSD).
No dia 18 deste mês tem início a semana nacional do trânsito, ocasião propícia para refletirmos sobre uma realidade que interessa a todos, pois para nos movermos na vida de cada dia enfrentamos uma situação cada vez mais complicada que exige novos hábitos, mudança de horários, e uma revisão de prioridades e de critérios de convivência. O nosso comportamento no trânsito revela motivações profundas, valores norteadores da nossa vida e formas de comportamento que não se restringem mais a vida privada por que vividos no espaço público da mobilidade humana. Uma mobilidade agravada por um processo de urbanização que se submeteu mais a especulação imobiliária e a interesses eleitoreiros que ao bem estar e a qualidade de vida dos cidadãos, criando, dentro das metrópoles, aglomerados urbanos impossíveis de serem saneados. O número excessivo de veículos particulares também revela uma opção pelo transporte privado em detrimento do público, que só é pensado depois que a situação se torna caótica e com custos altíssimos tanto do ponto de vista econômico como social, sem falar no ônus politico de medidas impopulares como são as desapropriações e os deslocamentos. Daí a importância de uma politica de mobilidade humana consistente, corajosa e baseada em estudos científicos que pense a sociedade como um todo e não submeta a vida humana em sociedade a critérios baseados exclusivamente no desenvolvimento econômico e no lucro. Não basta educação para que o trânsito melhore, mas é preciso uma ação global para
Contraponto
Quem avisa amigo é A birra de ex-presidentes com a imprensa não é novidade no Brasil. Após a queda do Estado Novo, em 1945, Getúlio Vargas se refugiou em São Borja (RS), onde repelia o assédio de jornalistas. Apesar da resistência, muitos repórteres viajavam do Rio para tentar uma entrevista. Após um editorial ácido do “Diário da Noite”, o ex-ditador ordenou que os estranhos passassem a ser barrados na porteira. No terceiro volume de “Getúlio”, o biógrafo Lira Neto conta que ele passou a repetir uma frase em tom de ironia a cada avião que pousava na estância: Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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que ele se torne mais humano e menos letal. Tenho certeza de que você que me lê também perdeu, como eu, inúmeros amigos, filhos de amigos e familiares nesta máquina gigantesca de matar em que se transformou o nosso trânsito. Isto faz com que esta questão seja das mais urgentes e importantes no mundo atual e não pode ser reduzida a um discurso simplesmente moral e às vezes moralista. Mas temos que sobreviver e para isto a educação é fundamental. Neste ano a semana dedicada ao tema olha a situação dos pedestres. São grandes vitimas tanto em número de atropelamentos fatais, como no desconforto ao andar por calçadas mal feitas, ao atravessar faixas não respeitadas, ao ter que andar distâncias enormes para encontrar passarelas, ao não ver respeitados seus direitos quando é portador de deficiência. O fato é que se pensa muito pouco no pedestre quando se pensa a mobilidade humana, quando deveria ser o contrário. Fazer a experiência de ter que andar pela cidade, no centro ou na periferia é fazer a experiência do risco, do desconforto e do medo. Como cristãos deveríamos viver de maneira diferente. Se acreditarmos que cada homem e cada mulher são imagem de Deus devemos colocar a vida humana em primeiro lugar, e a defesa da vida de todos é um compromisso individual, politico e coletivo. No trânsito vale a regra de ouro de toda religião: não faça para o outro aquilo que não quer que ele faça para você. Se levássemos isto a sério evitaríamos muita dor desnecessária causada pela insensibilidade e arrogância.
Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus
São grandes vítimas tanto em número de atropelamentos fatais, como no desconforto ao andar por calçadas mal feitas, ao atravessar faixas não respeitadas, ao ter que andar distâncias enormes para encontrar passarelas, ao não ver respeitados seus direitos quando é portador de deficiência”
Economia
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
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Investimento aquém para setor primário do Estado ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
A
tividade que gera emprego para quase 280 mil pessoas em todo o Estado, o setor primário possui um orçamento que está aquém do índice necessário para o desenvolvimento da agropecuária na região. Atualmente, segundo a Sepror, o governo do Amazonas destina apenas 0,7% dos seus gastos na produção rural, quando o ideal para o setor seria um percentual que girasse em torno de até 3%. “Mais de 80% do que consumimos hoje, no Amazonas, em alimentos vêm de outros Estados. Se houvesse mais investimentos, poderíamos reduzir essa dependência ao
produzir os alimentos na região, gerando mais emprego e renda para os produtores amazonenses”, analisa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço. Segundo ele, a dependência do setor primário amazonense - que importa até o tambaqui consumido na região -, repercute de forma negativa no custo da cesta básica em Manaus, “cidade-Estado” responsável por abrigar mais de 50% da população do Amazonas. Conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Diesse), apesar de registrar queda no custo da cesta básica de agosto em
RICARDO OLIVEIRA
Orçamento para o desenvolvimento agropecuário no Amazonas é de apenas 0,7%, quando deveria ser de até 3% relação a julho, Manaus continua como uma das capitais mais caras para o consumo de alimentos no país. Farinha A farinha, um dos produtos que diminuiu o preço nas prateleiras pelo segundo mês consecutivo, segundo levantamento do Dieese, é um dos itens que os produtores amazonenses potencialmente poderiam suprir o mercado manauense. Contudo, a falta de estrutura para produção em escala industrial, de acordo com o engenheiro agrônomo Marco Petillo, limita o abastecimento em 30%. Os outros 70% que atendem a capital amazonense chegam dos Estados do Pará e Paraná.
Assistência técnica insuficiente Outro assunto que recebe críticas de entidades e trabalhadores do setor primário amazonense é a falta de investimentos na área de assistência técnica ao agricultor. Para Muni Lourenço, o governo deveria realocar mais recursos para fortalecer o Idam. Conforme o presidente da Faea, atualmente, no Amazonas, existe um técnico do Idam para 400 produtores, quando o ideal
é haver um técnico para cada 100 pessoas do setor primário. “Hoje o número de técnicos é insuficiente para atender a todos os produtores”, salientou. O orçamento do Estado para este ano é de R$ 14,6 bilhões, porém, para 2015 o governo estima que esse valor apresentará alta de 8,22% ao alcançar valor na ordem de R$ 15,8 bilhões, segundo informou a Agência de Comunicação
do Estado (Agecom). De acordo com a Agecom, de janeiro até setembro desse ano, o Idam foi autorizado pelo governo a utilizar pouco mais de R$ 68 milhões. Desse valor, o instituto já utilizou em pagamentos o total de R$ 44,1 milhões. Já para a Sepor, o governo autorizou de janeiro a setembro investimentos na ordem de R$ 118 milhões. Desse valor, foram pagos R$ 61,4 milhões.
Baixo investimento nos produtores rurais faz do Amazonas refém de outros Estados brasileiros
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Economia
‘Produzimos de tei Reféns da ausência dos órgãos públicos, produtores rurais de assentamentos não passam da produção de subsistência EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
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rodutores rurais amazonenses dizem viver da agricultura de “teimosos” que são. Em visita ao assentamento agrícola Tarumã Mirim, zona rural de Manaus, o discurso é comum a homens e mulheres, que reclamam da falta de apoio de órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - responsável pela região -, e da e Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror). O pouco que os agricultores produzem, segundo o produtor rural Damião de Souza Sampaio, 57, é para o consumo familiar, dos vizinhos da comunidade onde vivem e pouco é levado ao mercado manauense. Natural de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, ele diz trabalhar sobre o assentamento, no ramal da Cooperativa, há dez anos, sem o direito ao título definitivo da terra até hoje. “Estamos só conseguindo sobreviver, porque aqui não temos assistência. O Incra não dá os títulos de terra para quem quer produzir. Chegamos lá na sede e não somos recebidos. Eles mandam a gente procurar a Sepror, onde o pessoal de lá empurra a gente com a barriga. Nós queremos produzir e produzimos de teimosos que somos, na marra”, afirma Damião. O produtor relata que, quando a comunidade reclama por assistência técnica junto ao Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), o órgão alega ter na sua estrutura de pessoal apenas um técnico para atender a conta de dez a 12 municípios. “Chegamos lá no Idam e enxergamos um bocado de técnicos. Mas, para vir à comunidade eles alegam que não tem tempo para dar assistência”, conta. Outra dificuldade encontrada pelo produtor, conforme Damião, é a aprovação de projetos de crédito rural junto aos bancos. “Fiz um projeto de R$ 25 mil para uma granja,
há três anos, e ficou lá no Banco do Brasil. Tive que desistir. Agora, para continuar produzindo tenho que pegar serviços extras em outras propriedades como, por exemplo, limpeza de terreno”, diz. Segundo ele, o único projeto que conseguiu aprovar foi um financiamento de R$ 5 mil para construir um galpão de plasticultura, onde cultiva hortaliças. O produtor usou ainda parte do recurso para construir um tanque para piscicultura. A produtora rural Socorro Sampaio, 50, esposa de Damião, conta que mesmo sem assistência técnica a família conseguiu organizar a produção e hoje colhe hortaliças como coentro, alface, couve, cebolinha, pimenta de cheiro. No tanque que construíram com poucos recursos eles criam tambaqui, que são tirados a cada 90 dias. “Com o nosso esforço, hoje nós vendemos na comunidade para os vizinhos e para um rapaz que vem de Manaus até o ramal do Pau Rosa, duas vezes na semana, comprar 100 maços de coentro, 100 de cheiro verde, 100 de chicória e 100 de cebolinha. Se tivesse mais apoio dava para produzirmos mais”, argumenta Socorro. Segundo a produtora, quando a família consegue vender para fora são algumas hortaliças ou frutas compradas pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), que compra direto dos produtores para o programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme). “Mas, às vezes eles demoram a pagar”, comenta.
O produtor rural Damião e sua esposa Socorro vencem a falta de assistência e crédito rural e plantam suas hortaliças, como alface, couve, cheiro verde
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imosos que somos’ FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
Para escoar o pouco que produzem, muitos produtores usam carroça puxada por touros
Falta terra para produtores
Energia elétrica precária atrapalha
O assentamento Tarumã Mirim foi criado pelo Incra, em agosto de 1992, com área de 42.910,76 hectares de terras produtivas, onde, segundo a assessoria do órgão, estão assentadas 950 famílias. Mas, o lugar que poderia servir a Manaus como um dos mais fortes produtores de hortaliças apresenta terrenos abanados. O produtor rural Amauri Alves da Silva, 42, do ramal da Cooperativa, denuncia que muitos dos terrenos que estão abandonados foram comprados por empresários dos antigos assentados. Segundo ele, há dois anos tenta conseguir um terreno para produzir, mas, não consegue avançar no diálogo com o Incra. “Tem empresário que é dono de quatro terrenos. São terras produtivas que estão abandonadas”, afirma. Natural do município Coari (a 363 quilômetros de Manaus), Amauri conta que há dois anos mora de favor no terreno de um amigo. No lugar, ele produz hortaliças, como couve, maxixe, tomate, pimentão, pimenta de cheiro, pepino, quiabo e couve. Tudo que colhe é dividido com o dono do lugar meio a meio. Ele estima que arrecada em média R$ 100 na semana. “O dono do terreno leva uma parte do que colhe-
Morador do ramal do Caniço há 12 anos, o produtor rural Edney Pinto Barreto, 38, é um exemplo de agricultor que abandonou o segmento por conta da falta de apoio, assistência e estrutura. O principal problema, segundo ele, é a energia elétrica precária, para ele necessária à ativação de bomba d’água para irrigar a plantação. “Já tentei produzir aqui pepino e cheiro verde. Mas, com problemas na energia nosso transformador queimou. Passamos mais de 30 dias sem energia e perdi meia quadra do pepino que
mos para a feira do ramal do Pau Rosa. Pouco do que produzimos aqui vai para Manaus. Trabalho aqui, mas o Incra não dá a terra para quem quer produzir”, reclama o produtor. O produtor rural Jabis Limeira da Silva, 38, confirma que há no lugar muitos terrenos dos quais os seus primeiros assentados desistiram pela falta de apoio para viver da agricultura. Segundo ele, as comunidades dos diversos ramais do assentamento foram atrás de apoio e conseguiram algum dos órgãos estaduais, mas do federal nenhum. “Hoje, o Estado manda um baú pela ADS que compra produtos para a merenda escolar. Mas é só isso. O que conseguimos colher é na raça mesmo”, comenta. O casal de produtores rurais Bernardino Gomes do Nascimento, 52, e Maria de Jesus Carvalho do Nascimento, 54, chegaram de Tapauá (a 449 quilômetros de Manaus) há dois anos com seus filhos para cuidar do terreno do pai de Maria, que faleceu. Eles trouxeram a esperança de dias melhores depois do desânimo causado pela dificuldade no escoamento do feijão, mandioca, milho, melancia e jerimum que cultivavam no Sul do Amazonas.
plantei. Nesse lugar só rende a agricultura se arar a terra e irrigar o plantio. E para um trator arar só uma quadra de terra o operador cobra da gente R$ 500. É muito dinheiro”, avalia. Indígena da etnia waurá, do sul do Amazonas, para sobreviver, Edney optou pela produção de carvão a partir dos troncos de árvores derrubadas em terrenos de conhecidos para plantação de roça. Atualmente ele tem dois fornos. “De cada forno tiro mais ou menos 50 sacos de carvão, que quando consigo vender sai a R$ 11. É muito difícil produzir
carvão, mas é o que dá para fazer hoje porque o apoio para a agricultura é muito pior”, comenta. Outro produtor rural que reclama da qualidade da energia é Cleudo Queiroz, 45. Sem ela, o agricultor diz que no verão está perdendo a sua produção de mamão pela falta de irrigação. “No inverno eu tirava até 30 caixas de mamão por semana. Hoje, com o verão forte tiro no máximo quatro caixas. Se tivesse uma energia de qualidade dava para irrigar a plantação e manter o ritmo da colheita”, observa.
Edney produz carvão porque falta assistência para alavancar a produção agrícola na região
Incra na Justiça contra invasores
Amauri produz nas terras dos outros porque não conseguiu terreno com o Incra para sua família
Das 950 famílias assentadas no Tarumã Mirim, o Incra afirma por meio da assessoria de imprensa que liberou o total de 543 títulos definitivos de terra. Para emitir o documento, o órgão explica que o produtor deve fazer a inscrição na sede do Incra, que buscará levantar a vida do solicitante a fim de atestar se ele tem perfil de agricultor. O órgão reconhece a existência de empresários no assentamento e os classifica como invasores, uma vez que eles entraram porque compraram terrenos de ex-assentados, o que não é permitido pelo órgão. “O Incra está tomando providências na Justiça para recuperar as terras. Tem muitas vagas que estão ocupadas por empresários,
mas não dá para retirá-los antes da decisão judicial”, diz o Incra por meio de nota. O Incra diz que trabalha no Estado atualmente com 142 projetos de assentamentos, em 24 municípios, com o total de 52.371 famílias assentas. Para fortalecer a agricultura familiar, o órgão diz trabalhar na emissão de Declaração de Aptidão do PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento a Agricultura Familiar. O documento que tem validade de cinco anos e serve à facilitação de crédito rural. De 2013 para 2014, o Incra diz ter liberado 135 DAPs para agricultores do Tarumã Mirim, os quais, somados aos liberados nos anos anteriores, já chegam a quase 500. O órgão diz que levará assistên-
cia técnica, ainda nesse ano, aos produtores por meio de parceira com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) para atender 40 famílias, uma ação de pouco mais de R$ 1 milhão. O Incra afirma que, entre 2003 e 2010, liberou para o Tarumã Miriam créditos na ordem R$ 2,5 milhões, beneficiando 435 famílias. Garante também ter disponibilizado uma patrulha mecanizada completa com tratores, e caçambas, em parceria com a Prefeitura de Manaus, que custou ao órgão R$ 2,5 milhões. Antes das patrulhas, de 1996 a 2009 o Incra diz ter aplicado em estradas e vicinais aproximadamente R$, 8,5 milhões.
O produtor Cleudo começou a perder seus mamões por falta de energia elétrica para a irrigação
Economia
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Venda de chocolates para a Argentina cai até 80%
INICIATIVA
Makro fecha parceria na área de sustentabilidade
Fabricantes do produto pedem a intervenção do governo federal para intervir no sentido de retaliar o país vizinho e ajudar o setor a escoar sua produção ARQUIVO EM TEMPO
A
s empresas associadas da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) registraram até 80% de queda nos volumes vendidos para a Argentina, principal mercado importador, nos últimos três anos. A estratégia para ameniza o impacto é a busca por novos mercados. Alguns empresários lamentam que a diplomacia tem sido usada com o país vizinho sem resultados para o Brasil. “Acredito que a retaliação ao governo argentino seja a medida a ser tomada, proibindo a entrada de seus produtos no país. A passividade do governo impressiona e a cada dia que passa percebemos que não temos forças para brigar com um país de 40 milhões de habitantes”, declara Fabricio Beduschi Beloti, gerente de exportação da Bel Chocolates. Diego Heineck, gerente de exportação da Simonetti Alimentos, compartilha da mesma opinião. A empresa, que exporta balas, pirulitos e drops, registrou uma queda de 90% nas vendas para a Argentina nos últimos três anos. “O Brasil deve exigir licença de importação de todos os produtos de procedência argentina”, afirma Heineck.
Com o objetivo de aprofundar o seu compromisso com a sustentabilidade, o Makro Atacadista firma parceria com a ONG WWFBrasil (World Wide Fund for Nature no Brasil), que faz parte de uma rede internacional comprometida com a conservação da natureza, sem deixar de lado o contexto social e econômico do país em que atua. A parceria entre Makro e WWF nasceu para aprimorar as iniciativas de sustentabilidade já desenvolvidas na estratégia de negócios, aproveitando a experiência que superam 40 anos da entidade, responsável por marcos ambientais como o Programa de Conservação do Mico-Leão-Dourado e o Projeto Tamar.
“Criamos o Comitê de Sustentabilidade para incentivar o progresso de forma sustentável, por meio das pessoas, empresa e planeta. Nosso compromisso é engajar e educar pessoas para essa jornada”, diz o vice-presidente de operações do Makro, João Nery. Liderança A empresa líder do setor atacadista no Brasil, segundo o último ranking da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados), hoje conta com 78 lojas espalhadas por todo o território nacional, incluindo Manaus, tem entre seus valores corporativos a preservação do meio ambiente. ARQUIVO EM TEMPO
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Algumas empresas que fabricam chocolates tiveram queda de 90% nas vendas para Argentina
Livre comércio é questionado A Docile Alimentos questiona a limitação ao livre comércio: “De nada adianta fomentar as exportações brasileiras se sofremos com barreiras alfandegárias e a falta de acordos comerciais. Acho fundamental que o governo brasileiro se dedique a esses temas, pois não faz sentido
o Brasil ter uma parceria com um país vizinho e este limitar o livre comércio entre ambos”, declara Cristian Ahlert, coordenador de exportação da Docile Alimentos. “O Brasil precisa se impor sobre o assunto para que, inclusive, amenize a crise industrial pela qual passa.” complementa.
Para a Dori exportadora de balas, gomas e pirulitos, o governo pode intervir e reverter a situação. “Podemos insistir com o nosso governo para que algo seja feito em termos de negociação em favor do nosso segmento”, diz Carlos Assis, gerente de exportação da Dori Alimentos. Atacadista Makro conta com 78 lojas em todo o país
País
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Lei que obriga teste em motoristas não é aplicada A
regra que obriga a realização de um exame toxicológico para motoristas de caminhões, ônibus e vans entrou em vigor neste mês, mas sua aplicação segue indefinida. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), nenhum laboratório está credenciado para aplicar o exame, cujo alvo são os motoristas profissionais que costumam dirigir veículos pesados por horas a fio. Um levantamento realizado com caminhoneiros que circulam por algumas das principais rodovias de São Paulo apontou que 13% deles fazem uso de “rebites”, como são chamados os estimulantes ingeridos irregularmente para tentar afastar o sono. A pesquisa foi feita pela Arteris, concessionária de rodovias como Anhanguera e Washington Luís, com 3.405 caminhoneiros. O levantamento começou em 2013 e foi concluído no mês passado. As informações foram fornecidas voluntariamente pelos entrevistados, e os pesquisadores acreditam que o índice pode ser maior. Também não entrou no levantamento o uso de outras drogas ilícitas, como a cocaína. O novo teste antidrogas vale para motoristas que forem tirar ou renovar a carteira nacional de habilitação. O objetivo, segundo o Denatran, é impedir que usuários de drogas consigam tirar a CNH. Segundo o órgão federal, há um prazo de seis meses para que o exame passe a
SÉRGIO VALE/SECOM
Segundo o Denatran, nenhum laboratório do país está credenciado para aplicar o exame, voltado a motoristas profissionais ser exigido pelos Estados - ou seja, será obrigatório apenas em 2015. O órgão diz que “ainda estão sendo realizados estudos sobre a forma de credenciamento” dos laboratórios que irão realizar o exame. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) diz que além do credenciamento dos laboratórios, o Denatran ainda precisa orientar os Estados sobre como deve ser feito o registro e o repasse da informação ao sistema nacional.
PARTICIPANTES
Os dados foram coletados durante o projeto Viva Saúde, promovido pela concessionária nas 21 rodovias administradas por ela, nos Estados de São Paulo, Minas, Rio, Santa Catarina e Paraná Pesquisa realizada com mais de 3 mil caminhoneiros revela que motoristas usam algum tipo de droga para se manter acordado
Com a nova regra, quem quiser renovar ou tirar a carteira nas categorias C (caminhões), D (vans e ônibus) e E (veículos mais pesados, como carretas e articulados) terá que passar por um exame que indica se substâncias psicoativas foram consumidas nos 90 dias anteriores. Se der positivo, a pessoa ficará impedida de tirar a CNH na ocasião. Mas ela poderá pedir uma contraprova. A exigência não valerá para os motoristas das categorias A (moto) e B (carro).
Pesquisa revela saúde comprometida A realizada pela concessionária Arteris aponta que 13% dos caminhoneiros que utilizam as estradas administradas pela empresa usam drogas. O levantamento foi feito entre janeiro de 2013 e agosto de 2014, com 3.405 caminhoneiros, e mostrou que grande parte dos profissionais tem problemas de saúde e faz
longas jornadas de trabalho. Pelos dados da pesquisa, divulgados na última sextafeira (12), os caminhoneiros ficam fora de casa 20 dias em um mês em média e muitas vezes enfrentam uma jornada de mais de 18 horas no trânsito. Além disso, 76% dos motoristas abordados afirmaram
que dormem no próprio caminhão e apenas 7% fica hospedado em hotéis na rotina de trabalho. Como consequência, foi constatado também que 12% dos caminhoneiros estão na mais alta faixa da escala de sonolência, o que indica risco 70% de acidentes. Já em relação a saúde, o levantamento aponta que
ÁGUAS PLUVIAIS LUIZ GUADAGNOLI/SECOM
MOBILIDADE URBANA
Região central da capital paulista conta com malha de ciclovias, que está sendo ampliada aos poucos pela prefeitura local
Passeio incentiva uso de bike A partir deste domingo (14), guardas civis metropolitanos de São Paulo vão pedalar com ciclistas pelo centro da capital. A ideia é fazer um passeio pela malha de ciclovias que tem na região central da cidade. Chamado de “Pedale com a Guarda”, o projeto é uma das tentativas da prefeitura de trazer ciclistas para as ciclovias existentes no centro. O ponto de partida acontece na praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal. O destino dos ciclistas será
os principais pontos turísticos da região central. O trajeto, segundo a prefeitura, terá de 40 minutos a uma hora de duração e acontecerá a partir desde domingo em todos os finais de semana. Serão duas saídas, a primeira às 9h e a segunda às 11h. Os grupos serão acompanhados por quatro GCMs em cada saída. Para participar é preciso ter mais de 10 anos e possuir bicicleta. Crianças com idade inferior a 10 anos devem estar acompanhadas dos pais e fazer
35,97% dos motoristas abordados estava obeso e outros 40,53% apresentavam sobrepeso. Mais de 15% sofre com hipertensão e 28% apresentam colesterol alto. Além disso, 39% possuem glicemia alta e 17% registram triglicérides acima dos níveis considerados ideais.
o trajeto na cadeirinha. Desde junho, a prefeitura já pintou de vermelho (a cor é padrão, uma exigência das normas de trânsito) 58 quilômetros de vias para ciclistas em São Paulo. Avenida Paulista Na última terça-feira (9)o secretário de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, anunciou o projeto da ciclovia da avenida Paulista. O mesmo irá reduzir o espaço para carros e ônibus e causar interdições na
via a partir de janeiro do ano que vem. A obra deve durar cerca de seis meses e custará R$ 15 milhões. O projeto será executado no canteiro central de um dos cartões postais da cidade. A largura da faixa de carros será reduzida dos atuais 3 m para 2,8 m. A dos ônibus, por sua vez, perderá 20 cm -de 3,5 m para 3,3 m. O estreitamento será necessário porque o canteiro central será alargado de 3,5 m para 4 m para abrigar os dois sentidos da via de bikes.
PL cria política nacional de captação e aproveitamento A Câmara dos Deputados analisa a criação da Política Nacional de Captação, Armazenamento e Aproveitamento de Águas Pluviais. De autoria do deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), o Projeto de Lei (PL) nº 7818/14 define normas e incentivos econômicos para a captação e a reutilização da água das chuvas em municípios com mais de 100 mil habitantes e em cidades com histórico de enchentes ou seca. Em municípios com mais de 100 mil habitantes, passa a ser obrigatória a elaboração de um plano de manejo e drenagem das águas pluviais, que deverá ser seguido por todos os empreendimentos cuja construção ou manutenção cause impermeabilização do solo em área superior a 1.000 m² ou que envolvam parcelamento do solo, como condomínios. Também devem seguir as determinações do plano de manejo, edificações que tenham consumo superior a 20 mil litros de água por dia e edifícios públicos. Conforme o texto, a captação, o armazenamento e o aproveitamento das águas pluviais nesses empreendimentos serão itens obrigatórios para a aprovação de projetos de construção públicos
e privados, em área urbana e rural, destinados a usos habitacionais, agropecuários, industriais, comerciais e de serviços, inclusive quando se tratar de edificações de interesse social. A obrigação se estende a reformas. Financiamento A política assegura a pessoas físicas e jurídicas linhas de financiamento especiais em instituições federais de crédito para implantar sistemas de reuso de águas pluviais, envolvendo aumento do limite financiável do empreendimento e redução da taxa de juros. Citando dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o autor afirma que cada pessoa necessita de 3.300 litros por mês – 110 litros de água por dia – para atender às necessidades de consumo e higiene. No Brasil, segundo ele, o consumo de água por pessoa pode chegar a mais de 200 litros por dia. “A água das chuvas pode substituir a água tratada na lavagem de pisos, em descargas de vasos sanitários, para regar jardins e para fins agrícolas e de irrigação, liberando a água de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos prioritários”, ressaltou Resende.
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País
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Mais de 3,4 mil crianças são flagradas trabalhando D
esde o início do ano, auditores fiscais flagraram 3.432 crianças e jovens trabalhando em todo o Brasil. O resultado é inferior aos 5.382 casos registrados no mesmo período do ano passado, mas, segundo especialistas, demonstra que o Brasil pode não atingir a meta de erradicar o trabalho infantil até 2020, caso a iniciativa privada e, principalmente, o Poder Público não intensifiquem os esforços nesse sentido. Assim como no passado, a maioria das crianças flagradas trabalhando este ano tem entre 10 e 15 anos , faixa etária de 1.889 meninos e meninas encontrados exercendo alguma atividade laboral irregular. Setenta e sete tinham entre 5 e 9 anos e uma delas, menos de 5 anos. Os dados são da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego. Nos três grupos, o número de casos registrados é inferior ao dos que ocorreram no mesmo período do ano passado, quando foram flagrados, respectivamente, 2.848; 208 e 12 casos. O ministério também já encontrou, este ano, 1.465 jovens de 16 e 17 anos nessa situação.
No entanto, como a secretaria não discriminou que tipo de atividade os jovens desempenhavam, a reportagem da Agência Brasil não teve como concluir se a situação deles feria a lei, ou não, já que a Constituição Federal permite a contratação a partir dos 16 anos, desde que os contratados não exerçam ou se exponham a atividades insalubres. A contratação é permitida também dos 14 aos 16 anos na condição de menor aprendiz, com acompanhamento e orientação adequada. Se não fossem levados em conta esses casos, o total de crianças encontradas este ano cairia para 1.967. Do total, 79 jovens trabalhavam no setor agrícola; 381 no comércio; 169 na indústria – aí incluídas atividades como fabricação de farinha de mandioca (12) e de papel (11), abate de aves (8) e confecção de roupas (8) –; 28 na construção; 228 em lanchonetes, bares, hotéis e restaurantes; 11 no setor de transporte; 21 em serviços; três em educação; um em saúde e 17 em vários outros setores. Os auditores flagraram também 171 crianças exercendo alguma atividade em associações de defesa de direitos sociais.
VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL
Números fazem parte de um levantamento elaborado este ano pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em todo o país
Setor informal, entre elas os serviços domésticos, é responsável por abrigar boa parte das crianças que trabalham no país
Políticas públicas podem mudar o quadro O coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes e procurador do Ministério Público do Trabalho, Rafael Dias Marques, diz que o ritmo de redução das formas de trabalho infantil vem perdendo força porque começou-se a enfrentar o que ele classifica de “núcleo duro do problema”,
ou seja, o setor informal. “O nível de redução tende a perder força justamente porque identificar a presença de crianças nas atividades informais, inclusive o trabalho doméstico, é muito mais difícil. Isso exige que as políticas públicas sejam aperfeiçoadas. Exige formas de atuação integral e maior integração entre áreas como
educação, assistência social e geração de emprego. São políticas públicas cujo resultado só virá em médio e longo prazos. Sem isso, no ritmo atual, dificilmente conseguiremos atingir as metas.” A Organização Não Governamental (ONG) Plan International divulgou, também quarta-feira (10), o resultado
de uma pesquisa segundo a qual quase 14% das meninas brasileiras entre 6 e 14 anos dizem trabalhar ou já ter trabalhado para terceiros. “É um dado assustador, que mostra a total violação dos direitos das crianças”, disse o gerente de Monitoramento, Avaliação e Relatório da ONG, Luca Sinesi.
Mundo A11
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Não à independência volta a liderar na Escócia
CANADÁ
Prefeito envolvido com crack desiste de campanha
Plebiscito sobre a separação da Escócia do Reino Unido está marcado para a próxima quinta-feira (18). Pesquisas revelam a opinião dos escoceses
vaga na Câmara Municipal no pleito do dia 27 de outubro. Ford afirmou ainda que pediu a seu irmão mais velho Doug, 49 - empresário, vereador e coordenador de sua campanha-, que concorra ao Executivo municipal em seu lugar. “Nós precisamos dele. Não podemos voltar atrás.” O prefeito anunciou sua desistência antes mesmo de saber se o tumor detectado é benigno ou maligno -os resultados da biópsia devem sair dentro de uma semana. Ford reconheceu ter usado crack no ano passado, durante o que classificou de “estupor alcoólico”, e em junho deste ano ele retornou ao trabalho depois de um período de tratamento contra a dependência de álcool e drogas.
Ford fez uma reabilitação química no ano passado
s partidários pela manutenção da Escócia no Reino Unido recuperaram a liderança que havia sido tomada pelos separatistas, segundo mostrou uma pesquisa da YouGov divulgada a apenas uma semana dos escoceses votarem em um plebiscito que decidirá sobre a independência do país. A pesquisa YouGov para os jornais “The Times” e “Sun” colocou os favoráveis à união com 52%, pouco a frente dos defensores da independência escocesa, com 48%, excluindo aqueles que ainda não sabem como vão votar. Os escoceses votam no próximo dia 18. “Essa é a primeira vez que o ‘não’ (à independência) ganhou votos desde o início de agosto”, disse o presidente da YouGov Peter Kellner em um comentário. “Embora o ‘não’ esteja de novo na frente, a campanha pelo ‘sim’ manteve a maioria dos ganhos desde o início de agosto.” A última pesquisa da YouGov, no final de semana, mostrou que o ‘sim’ estava na frente com 51%, revertendo em um mês uma vantagem de 22 pontos da campanha anti-independência “Better Together” (Melhores Juntos).
AFP
O
AP
O polêmico prefeito de Toronto, Rob Ford, 45, anunciou na sexta-feira (12) que desistirá de concorrer à reeleição para tratar um tumor abdominal, descoberto em exame hospitalar nos últimos dias. No cargo desde 2010, Ford estava em campanha para ficar por mais quatro anos na prefeitura da maior cidade do Canadá, apesar de uma série de escândalos durante o seu primeiro mandato envolvendo consumo de álcool e crack, declarações desastradas e pedidos de perdão à população. “É com o coração pesado que lhes digo que não posso continuar minha campanha para a reeleição como seu prefeito”, disse Ford em comunicado. O mandatário deve, porém, disputar uma
Último levantamento revela que 52% da população seria favorável a união com o Reino Unido
Resultado deve ser equilibrado A YouGov, uma das mais respeitadas entidades de pesquisas do Reino Unido, consultou 1.268 pessoas entre 9 e 11 de setembro. Mais tarde, uma outra pesquisa, do instituto ICM para o jornal “The Guardian”, mostrou 51% de apoio aos partidários do ‘não’ contra 49% para
aqueles em favor da independência, excluindo as pessoas indecisas, que somam 17%. A repentina alta no apoio à independência foi impulsionada pela campanha separatista liderada por Alex Salmond, que conquistou simpatizantes dentro do partido Trabalhista, que em
geral apoia a união, e entre as eleitoras na Escócia. Em resposta, o premiê David Cameron, seu vicepresidente, o liberal-democrata Nick Clegg, e o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, foram à Escócia nesta semana fazer campanha pelo “não” à independência.
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Mundo
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
DIVULGAÇÃO
Governo inaugura novo DIP Dia a dia B5
Em Parintins, sistema prisional é estrangulado
FOTOS: TADEU DE SOUZA
Estimulada pelo tráfico e pela instabilidade da família, violência dobra o número de presos na ilha, causando superlotação
Detentos da Unidade Prisional de Parintins enfileirados após a violenta rebelião ocorrida há duas semanas: falta de estrutura do local e caos social na ilha contribuem para aumento da violência TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO
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arintins (AM) – Adnilson Silva de Souza, carroceiro (profissão que ainda existe no interior do Estado) era separado da esposa com quem teve oito filhos. Quando bebia, o primeiro endereço que “acertava” era o da ex-esposa e aí, como se diz popularmente, “botava para desarrumar”. Resultado: acabou preso com base na Lei Maria da Penha. O carroceiro estava recolhido na Unidade Prisional de Parintins e foi a primeira vítima da mais violenta rebelião de presídios no interior do Estado, há duas semanas: foi decapitado pelo presidiário Antônio Pereira Bilber, homicida e assaltante de alta periculosidade, já transferido para Manaus com mais 21 presos. Bilber confessou para o delegado Bruno Fraga, titular da 3ª Delegacia Interativa de Parintins, que o matou a golpes de cutelo (ferramenta usada em açougue) porque pensou que o carroceiro de 53 anos era estuprador. Adnilson ainda teve uma das mãos decepadas e parte do corpo queimado. Ironia do destino: ele saiu do presídio na manhã de terça-feira (2). Naquela mesma tarde, antes de se entregar à polícia, Bilber e mais um outro presidiário voltariam a matar. Desta vez a vítima foi Paulo
Eliezer, 34 anos, o Paulinho, preso por ter estuprado uma criança especial. Paulinho foi morto lentamente a golpes de faca. As famílias de ambas as vítimas já anunciaram que vão acionar o Estado na Justiça para que pague uma indenização. A Justiça determinou a remoção para Manaus e Itacoatiara dos presos considerados “xerifes” da última rebelião e os demais já retornaram à unidade prisional que continua com suas instalações para lá de precárias. Sem presídio Com mais de 100 mil habitantes, a Ilha Tupinambarana não tem presídio nos moldes que conhecemos. O que existe é um prédio onde até junho de 2003 funcionava a delegacia de polícia. Com a inauguração da nova delegacia, hoje 3ª Delegacia Interativa, no bairro Itaúna 2, o antigo prédio que estava destinado a ser a Delegacia da Mulher virou, da noite para o dia, um presídio sem receber estrutura adequada para a nova destinação. Para se ter uma ideia o prédio comporta apenas 36 presos. Está no centro da cidade, entre a sede da TV EM TEMPO/SBT, emissora do Grupo Raman Neves de Comunicação, e duas escolas, uma delas tendo como público alvo crianças especiais. Não tem guarita. As condições de trabalho dos policiais milita-
res são difíceis. Atualmente, a unidade prisional tem 171 presos. Incluindo os que cumprem pena nos regimes aberto e semiaberto. Em regime fechado, segundo o diretor Bosco Paulain, hoje, no local que suporta apenas 33 presos, tem 90 detentos do sexo masculino e 10 do feminino. No ano passado, o Ministério Público Estadual, por meio do promotor de Justiça André Seffair, pediu a interdição do presídio. A Justiça concedeu. Mas, a interdição foi parcial e terminou ficando o dito por não dito. Em média, segundo Bosco Paulain, diretor que assumiu recentemente e vem procurando melhorar as condições dos presos, a unidade recebe entre 8 a 10 presos por semana. Não tem espaço e nem estrutura para essa demanda. Além disso, a presença de presas no complexo dificulta ainda mais o trabalho dos agentes carcerários. Uma das causas da rebelião recente teria sido ciúme entre presos. O prefeito Alexandre da Carbrás apresentou ao EM TEMPO um terreno no loteamento Val Paraíso 1, na Zona Leste da cidade, disponibilizado pelo município à Secretaria de Justiça para construção do novo presídio de Parintins. Entretanto, segundo Bosco Paulain, o terreno não obedece os parâmetros determinado pelo Ministério da Justiça.
Caos social agrava o problema Para agravar ainda mais a situação da unidade prisional, o desemprego e a falta de políticas públicas ao longo dos anos para conter o êxodo rural provocou o surgimento de bairros populosos como Itaúna 2, Paulo Correia e o mais recente bairro da União. “Com eles se agravaram os problemas sociais e uma considerável parcela de jovens ingressou no mundo do crime, ora traficando ora praticando assaltos a mão armada pela cidade”, disse e ex-juiz classista da Justiça do Trabalho e advogado militante no Fórum Vidal Pessoal, Narcizo Picanço. A conselheira tutelar Nilciara Barbosa revela que a instabilidade da relação
familiar é muito grande. “Isso contribui muito. Os pais perderam a autoridade dentro da família e os filhos ganharam a rua”, disse a conselheira. Ela conta que as adolescentes em geral se prostituem e os meninos viram aviões do tráfico. “Diariamente lidamos com casos assim e são esses que terminam, ao atingirem a maioridade, indo para a unidade prisional”. O ex-prefeito Raimundo Reis, que administrou Parintins duas vezes (1978-1982, 1993-1996) e foi um dos gestores que demonstrou maior preocupação com o êxodo rural, disse que se não houver uma política de governo para manter as famí-
lias no campo, a tendência é o problema se agravar. O delegado Bruno Fraga em menos de 24 horas realizou duas apreensões de tráfico em Parintins. O fato aconteceu na segunda-feira. O primeiro a ser preso foi o soldador de alegorias de boi-bumbá Ricardo da Silva Farias, 27, que confessou ter comprado de um traficante na Manaus Moderna, na capital, meio quilo de pasta-base de Cocaína. O segundo foi o traficante Edinaldo Farias de Azevedo, o “China”, considerado um dos chefes do tráfico. Em seu poder a polícia aprendeu uma partida de entorpecente incluindo cocaína pura, o chamado brilho, procedente de Manaus.
Entorpecentes apreendidos em Parintins: criminalidade aumenta cada vez mais na ilha
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A difícil tarefa de re Recursos não liberados e demora na assinatura de documentos são as justificativas para a paralisação de obras de revitalização do Centro Histórico. Enquanto isso, a história de Manaus pela sua arquitetura sofre com depredação e descaso
FOTOS: IONE MORENO
Obras paradas na Praça do Relógio, devidamente cercada para o processo de revitalização: depois que os trabalhos pararam, moradores e trabalhadores dos arredores reclamam de insegurança ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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planejamento das férias pode incluir o conhecimento dos pontos turísticos históricos da cidade, onde se descobre suas histórias, crenças e costumes. Para resgatar esses momentos, muitas prefeituras apostam na recuperação dessa história, algo que vem acontecendo há dois anos em Manaus, com a revitalização do Centro Histórico. Fachadas de prédios, o retorno da arquitetura original das praças, arborização, calcadas, retirada de vendedores ambulantes das ruas centrais são algumas ações realizadas nesse tempo, mas ainda há muito a ser feito - e nem sempre é fácil. Infelizmente, muitas obras incluídas como reformas de prédios históricos do Centro iniciaram em administrações passadas e foram deixadas para outros governantes. Um bom exemplo é o próprio Mercado Municipal Adolpho Lisboa, que há mais de sete anos passava por reforma e só foi entregue este ano. Uma das reformas que não saíram do papel foi da Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, no entorno da Praça do Congresso, cujo estado de abandono e depredação foi mostrada em reportagem do EM TEMPO esta semana. A poucos quilômetros dali, na rua Bernardo Ramos, antiga rua São Vicente, onde estão as casas mais antigas
da capital, dos anos de 1813 e 1814, desde 2006 os imóveis estão cobertos por tapumes para reforma. Administração entra e sai, e o lugar continua esperando as obras terminarem - ou começarem. As duas casas da rua Bernardo Ramos foram consideradas patrimônio histórico em 2004. Conforme as placas de reforma que continuam no local, o valor estipulado no início era de R$ 403 mil. Agora, com a continuação da reforma, o valor estipulado é de R$ 530 mil. Ainda este ano a reforma teve início novamente, porém há três meses está parada. O local vai ser utilizado como café regional para a Casa dos
ABANDONO
Uma das reformas que não saíram do papel foi da Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, cujo estado de abandono e depredação foi mostrada em reportagem do EM TEMPO esta semana Artistas, localizada na avenida Sete de Setembro, Centro. Um dos moradores mais antigos da rua São Vicente e vizinho das duas casas mais antigas de Manaus, o aposentado Edson Câmara, 81, tem o privilégio de morar há mais de 60 anos no local e, apaixonado pelas relíquias que marcaram a história da capital, contou que a casa mais antiga - de
1813 - serviu de moradia a Bernardo Ramos, considerado o pai e fundador da imprensa em Manaus. Bernardo Ramos foi o responsável por trazer a primeira numismática para a capital amazonense. Hoje, o material se encontra exposto em uma das salas do Instituto Histórico Geográfico do Amazonas (IHGA). “Foi no período do século 18 que houve a homenagem e a troca da rua São Vicente para Bernardo Ramos, pois ele tinha morrido dentro da casa em que morava”, relatou Edson. Para o aposentado, o trabalho de resgate histórico por meio das reformas não deveria ser apenas nas duas casas mais antigas da via, mesmo sabendo de sua importância. O que ele mais gostaria era poder ver todo o Centro de Manaus como era quando criança - ou até de um tempo que não pode testemunhar. Edson até relatou que, duas casas após a sua, o proprietário reformou e modificou toda a arquitetura antiga do imóvel. Outra situação que o aposentado apontou foi a Casa dos Pescadores, que era também localizada na esquina da rua Bernardo Ramos com o beco Carolina e o início da avenida Sete de Setembro. O aposentado relembrou que a Casa dos Pescadores era toda construída com pedras, mas o local foi vendido para a empresa Eletrobras Amazonas Energia, que derrubou o monumento e hoje só fez cercar o terreno que não tem nenhuma utilização.
Lugares propícios à prostituição Bem em frente ao terreno onde existia a Casa dos Pescadores, encontra-se mais uma casa histórica que ocupa quase um quarteirão da rua Bernardo Ramos, mas apresenta sinais visíveis de que precisa de uma reforma urgente. O casarão hoje pertence ao 9º Comando Naval da Marinha do Brasil, que futuramente vai servir como museu das Forças Armadas.
Não muito longe dessa área que guarda muito da história de Manaus, podemos avistar na rua Governador Vitório, Centro, a praça conhecida como Nove de Novembro ou praça do Estivador, atualmente em total abandono e sem previsão para reforma. O local serve hoje como ponto de prostituição. Segundo Edson Câmara, ao lado da praça - que hoje
é um terreno baldio - foi construído o palácio do governador Lobo D’Almada. De acordo com o aposentado, a praça Nove de Novembro era um local onde os índios das etnias Mura, entre outras, realizam seus famosos rituais, mas que com o passar do tempo e até mesmo com o preconceito, a cultura foi se perdendo e o local foi cada vez mais ficando abandonado.
O aposentado Edson Câmara consegue resgatar a história dos prédios e monumentos
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econstruir a história Conhecimento que se perde
Projetos possuem entraves
Edson contou que também ao lado da praça Nove de Novembro foi instalada a primeira capela de Nossa Senhora da Conceição, hoje padroeira do Estado do Amazonas. “A capela era simples e toda feita de palha. Depois de alguns anos foi que a igreja ganhou o terreno em frente ao porto de Manaus, onde construiu a igreja Matriz, a atual Catedral Metropolitana”, relatou. Para o pesquisador, outro ponto esquecido é o terreno que fica ao lado do Teatro da Instalação,
Do outro lado da praça Terreiro Aranha, encontramos a praça Adalberto Vale, que também é alvo de depredação, servindo hoje como parada de ônibus e local de “inferninhos”. Nas manhãs, alguns dos carros de fruta que foram retirados de frente do Mercado Adolpho Lisboa, ocupam o local, tirando suas características de logradouro. Em frente à praça Adalberto Vale, há o Edifício Tartaruga, prédio histórico entregue à destruição e sem previsão de revitalização. A praça Nossa Senhora da Conceição, popularmente conhecida como Praça do Relógio, foi interditada este ano para reforma. Na primeira parte do processo foi encontrado o piso original da praça, mas hoje as obras estão paradas. Segundo uma vendedora das proximidades da praça que não quis se identificar, após fecharem o logradouro, o lugar tornou-se mais perigoso. “Há muitos assaltos e caso alguém passe por dentro da praça dificilmente não deixa de ser abordado. À noite, o local fica mais perigoso. Não sabemos até quando esta situação vai continuar”, disse.
localizado na rua Frei José dos Inocentes, Centro. Nesse terreno, segundo Edson, foi construído o primeiro palácio do governo, que passou da destruição para a construção de novo, mas até hoje o terreno está sem nenhuma utilidade. A praça Tenreiro Aranha, localizada na rua Floriano Peixoto, possui o Pavilhão Universal que foi construído para que indígenas ou pessoas que trabalhem com artesanato pudessem expor seus trabalhos, porém há mais de oito anos está fechado para reforma
e sendo vandalizado. De acordo com o vendedor Francisco Bahiano Cardoso, 48, que trabalha na praça há muitos anos, desde que ele iniciou a venda de redes no local, até hoje nunca viu nenhum trabalho de reforma. “Essa foi a primeira vez que tentaram fazer a reforma pelo menos no pavilhão, mas só fizeram fechar com compensado. Em vez de nos trazer melhoria, o local se tornou perigoso tanto para os turistas quanto para os trabalhadores que estão ao redor na praça”, disse.
Edifício Tartaruga, no Centro: prédio esquecido e em processo de deterioração acelerada
Esta semana, o EM TEMPO publicou o caso da Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja, localizada na rua Monsenhor Coutinho, em frente à Praça Antonio Bittencourt (do Congresso), Centro, que está há mais de dois anos fechada para reforma, mas se deteriora a cada dia. Os moradores de rua conseguiram retirar uma parte do tapume que deixava o local isolado, e é por ali que qualquer um entra. A Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) informou que a Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista está contemplada no projeto PAC Cidades Históricas, mas o início das obras depende da assinatura do termo de compromisso firmado entre a Prefeitura de Manaus e o Ministério da Cultura. “Os documentos já estão em Brasília esperando andamento do processo. Após a assinatura, as obras terão início imediato. O projeto prevê a restauração, conservação e manutenção de 10 prédios históricos do Centro”, informou a Manauscult por meio de nota. Segundo a Manauscult, o prédio da biblioteca está fechado por conta do projeto,
no entanto, todo o acervo e material do espaço foram transferidos para outro local como forma de manutenção, acesso e consulta do mesmo. Os interessados deverão dirigir-se para a avenida Costa Azevedo, 216, Centro - em frente ao Largo São Sebastião. O espaço funciona de 8h às 17h e possui uma equipe da biblioteca pronta para atendimento ao público. Projetos Em 2013, o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) divulgou 10 projetos pelos quais a cidade poderia receber investimento do governo federal por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Os projetos são relativos a intervenções na Biblioteca Municipal, restauro do Relógio Municipal, revitalização do Museu do Homem do Norte, adaptação do prédio da antiga sede da Câmara Municipal em escola de arte, entorno da Praça 15 de Novembro, restauração e revitalização do Hotel Cassina, praça Dom Pedro II, Praça Tenreiro Aranha e restauração do Pavilhão Universal, Praça Adalberto Vale e Praça dos Remédios.
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Gratuidade da certidão de nascimento é desconhecida ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
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lei 3.929, que institui um fundo de registro civil para os cartórios por meio do Fundo de Apoio do Registro Civil das Pessoas Naturais do Amazonas (Farpam) completou esta semana um ano que começou a ser praticada no Amazonas. A presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais, a registradora civil Maria da Graça de Miranda Sales, informou que desde 1997 a lei foi aprovada no país para instituir a gratuidade nos registros de nascimento e óbitos em todos os cartórios. Algumas cidades já recebiam os fundos, mas só em 2013 a regulamentação da lei foi aprovada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). O serviço tem a finalidade de colaborar para que todos os recém-nascidos possam sair das maternidades registrados, mas mesmo com essa ajuda do governo, muitos pais ainda deixam de se preocupar com a certidão de nascimento. Para que a criança seja registrada é necessário que os pais procurem o cartório que funciona dentro da maternida-
de no horário de 8h às 17h na semana, e no sábado de 8h às 12h, portando a Declaração de Nascimento Vivo (DNV), documento de identidade dos pais ou certidão de casamento. Ao todo, são 10 maternidades da capital que possuem cartórios internos e mais dois Serviços de Pronto Atendimento (SPA), dos bairros São José e da Cidade Nova. Das maternidades, duas são particulares. De acordo com a presidente da associação, caso os pais no período de três dias não consiga realizar os procedimentos para a retirada da certidão de seu filho, podem procurar qualquer cartório. “Indicamos que a pessoa procure um cartório próximo da maternidade ou até mesmo de sua residência, para fazerem o registro, pois é importante para qualquer nascido ter esta documentação”, disse. Antes da liberação dos fundos, cada certidão valia para os cartórios R$ 5. Desde o ano passado, o valor passou para R$ 29,87. Há certidões que estão inclusas na lei que podem render R$ 50. Maria da Graça informou que a certidão de óbito é outro documento importante para que as famílias possam enterrar seu ente querido. “Após receber
a Declaração do Óbito (DO), de responsabilidade do hospital, os familiares necessitam levar até o cartório mais próximo, juntamente com a identidade, CPF e o título de eleitor, para expedir a certidão e poder enterrar o falecido”, explicou. Esses documentos são pedidos porque o cartório tem a obrigação de informar a Receita Federal do Brasil (RFB), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a Junta Militar, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa). A presidente informou que de dezembro de 2013 até julho deste ano, foram registrados 29.510 certidões de nascimento só na capital. Caso os pais não consigam registrar seus filhos na maternidade, basta procurar os plantões. Caso ocorra o falecimento no período em que os cartórios estejam fechados, por causa do fim de semana ou feriado, o cartório que fica responsável pelo plantão é informado para todas as funerárias. A deste mês é o cartório do 3º Ofício de Registro Civil, na avenida 7 de Setembro, Centro. No interior tem um painel
IONE MORENO
Fundo de Apoio do Registro Civil das Pessoas Naturais permite que recém-nascidos sejam registrados sem custo para os pais grande, de dezembro do ano passado até julho deste ano 25.649 registros de nascimento. No interior do Estado, os cartórios são considerados híbridos, pois não há cartórios específicos para uma área e realizam qualquer tipo de procedimento. Ao todo, no interior existem 69 cartórios, que antes da lei de fundo não recebiam os R$ 5 por certidão. Com a lei, de acordo com Graça, os cartórios têm recebido uma ajuda caso não tenham em caixa por mês o valor de R$ 7 mil. Evento A Associação de Notários e Registradores do Amazonas (Anoreg-AM) promove o 5º Encontro Amazonense de Notários e Registradores nos dias 19 e 20 de setembro no hotel InterCity Premium, rua Professor Marciano Armond (antiga Belém), 544, Adrianópolis. Uma das novidades é o lançamento de um soſtware cuja função é atender os cartórios do interior onde as condições de comunicação são deficientes e os registros, feitos em Word e impressos. O sistema vai acelerar e facilitar o processo de busca e guardar as informações com segurança.
Graça Sales, presidente da associação: conquista para o Estado
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Furtos de energia, água e gás terão DP próprio
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Prática criminosa do ‘gato’ será combatida pela nova delegacia especializada que vai funcionar no 22º DIP
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manhã, a Polícia Civil do Amazonas realiza, às 9h, a inauguração da Delegacia Especializada em Combate a Furtos de Energia, Água, Gás e Serviços de Telecomunicações (DECFS). A nova unidade policial funcionará nas dependências do 22º Distrito Integrado de Polícia (DIP), localizado na rua Belém, s/nº, Parque Amazonense, bairro Nossa Senhora das Graças, na Zona Centro-Sul de Manaus. A especializada será dividida em três ambientes, que incluem a sala do delegado e as salas dos investigadores e escrivães. O efetivo será composto por um delegado titular, cinco investigadores, dois escrivães e dois estagiários. A unidade policial funcionará de 8h às 18h, de segunda a sexta. De acordo com o delegadogeral adjunto de Polícia Civil, Mário Aufiero, o processo de criação da DECFS teve início há cerca de dois meses. “Foi um trabalho árduo e nós contamos com o apoio das instituições que prestam esses serviços à população. A Eletrobras Amazonas Energia, Manaus Ambiental, a NET e a Cigás contribuíram para a conclusão do projeto que, com certeza, vai ajudar a coibir a prática criminosa. Esse tipo de delito é um desrespeito às pessoas que pagam corretamente as suas contas”, destacou. Aufiero enfatiza ainda a importância da criação da especializada. “Nós entendemos que havia necessidade de criar uma delegacia especializada para coibir crimes dessa natureza. A Polícia Civil já possuía um prédio próprio para a instalação da unidade e isso nos ajudou a alcançar essa meta”. O delegado Alfredo Dabella assumirá a titularidade da nova delegacia. Ele conta que a prática do furto desses serviços se tornou comum entre os usuários. “O popular ‘gato’ está presente não apenas nas casas de pessoas de baixa renda, como também dos de alto poder aquisitivo. As pessoas sabem que estão fazendo algo ilegal, errado, mas não mudam sua atitude, muitas vezes por ignorar ou desconhecer o que essas ações acarretam para a sociedade e para os próprios autores”, enfatizou. Porém, cabe destacar, que o crime de furto de serviços está amparado pelo artigo 155 do Código Penal Brasileiro, que prevê pena de 1 a 4 anos de reclusão e multa. A lei detalha o crime como a ação de “subrair, para si ou para outrem, coisa alheia ‘móvel’”. Para orientar e conscientizar a população, Dabella explica que, nessa parte da legislação, inclui-se a apropriação indevida de água, pois segundo o delegado, pode ser feita a mensuração da quantidade do líquido furtado. No terceiro parágrafo do artigo, equipara-se à coisa “móvel” a energia elétrica ou qualquer outro serviço que tenha “valor econômico”, ou seja, inclui-se aí também o furto de gás e serviços de telecomunicações. Números preocupantes Um dos principais furtos de serviços em Manaus é o de energia elétrica. Dados da Eletrobras Amazonas Energia apontam que, em Manaus, o furto de eletricidade chega a 38%. O Amazonas ocupa o primeiro lugar no ranking dos Estados com maior índice de perdas comerciais no fornecimento de energia. Em outras capitais do país, a média desse crime varia entre 28% e 30% em perdas.
Melhores serviços ao cidadão Para o representante da concessionária, Vladimir Paixão e Silva, a criação da especializada terá reflexos positivos. “A criação dessa
delegacia vai contribuir para a melhoria da prestação dos serviços. Além disso, quem furta energia elétrica corre o risco de acabar se ferindo”. A nova delegacia especializada vai funcionar nas dependências do 22º DIP, na Zona Centro-Sul
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Aqui, nem promes FOTOS: IONE MORENO
Comunidades da zona rural de Manaus sofrem com falta de estrutura, de um sistema de saúde adequado e com a crescente violência. São centenas de famílias esquecidas e jogadas à própria sorte para garantirem sua sobrevivência
Alunos assistem à aula em ambiente improvisado, um barracão com estrutura decadente: educação na comunidade São Francisco, na AM-010, não conta com a infraestrutura adequada IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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cesta de basquete fica presa no cajueiro e o pátio ganha status ao se transformar na quadra oficial de futsal. Nas duas salas de aulas, 100 estudantes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental disputam o decadente espaço e a atenção do professor. Desde muito cedo, os alunos da escola municipal Manoel Adriano - situada na comunidade São Francisco, no quilômetro 42 da rodovia AM-010 (ManausItacoatiara) – aprendem que a arte do improviso pode garantir a sobrevivência. De fora, já é possível compreender o total abandono a que é submetida a escola. O local abriga 100 alunos de 4 a 18 anos. A erosão tem ameaçado a estrutura do prédio, que há tempos possui goteiras e infiltrações. “Quando chove entra água pelo chão e pelo teto. Consertaram, mas ainda assim molha dentro. Não temos condicionador de
ar, só ventilador. Uma sala fica perto da cozinha e ajuda a esquentar muito mais. Neste verão forte o ventilador não dá conta”, reclamou um aluno de 13 anos, que cursa a 8ª série. Os alunos reclamaram também da falta de salas de aula e professores. Eles são divididos em duas salas e, às vezes, também são encaminhados ao centro de convivência da comunidade, um barracão com a cobertura decadente, que fica em frente ao colégio. “Numa sala ficam os alunos do 1º ao 5º ano e na outra, do 6º ao 9º ano. O espaço é pequeno pra dividir para quatro turmas. Tem vezes que todo mundo fica junto, sabendo que os conteúdos são diferentes de uma série para outra. Eu estudo no nono ano e na minha sala tem gente do 6º, 7º e 8º. Só é misturado, quando vem um professor. Quando vem dois, nós ficamos em duas salas”, ressaltou um estudante de 20 anos que cursa a 9ª série. Ele reclama que a escola
deveria ter mais investimentos para receber os alunos e ajudar os professores a desenvolverem um bom trabalho. “Merece uma estrutura melhor. Os professores vêm dar aula e quem está dedicado a estudar sabe que os profes-
IMPROVISO
Os alunos são divididos em duas salas e, às vezes, também são encaminhados ao centro de convivência da comunidade, um barracão com a cobertura decadente, que fica em frente ao colégio sores vêm fazer a parte deles. Mas a estrutura da escola é ruim”, ressaltou. Sem estrutura adequada, as aulas de educação física - a queridinha dos meninos - são praticadas ao ar livre, sob o forte sol amazônico. Um terreno improvisado com areia tornou-se o ginásio onde
acontecem os treinos e torneios de futebol e de vôlei. O pátio da escola virou a quadra de futsal e, ao lado, fica a quadra de basquete, a sombra do cajueiro, que abriga a cesta. “Quando as ‘municipíadas’ acontecem, não temos uma quadra para treinar, nem equipamentos, como rede, colete e trave. Só temos a bola. É tudo improvisado”, reclamou o estudante de 13 anos. Outro aluno, que aos 18 anos cursa a 7ª série, defendeu que se houvesse estrutura adequada, os jogos poderiam unir as comunidades e auxiliar na retirada dos adolescentes de situação de risco. “A gente treina no sol quente mesmo. Lá na escola Nossa Senhora de Fátima tem uma quadra poliesportiva muito bonita, se tivesse aqui haveria inclusão das comunidades. Dava para implantarem algum projeto, tipo o ‘Galera Nota 10’ que tira as crianças da marginalidade e já traria alunos de outras comunidades, porque eles disponibilizam as kombis”, explicou.
Um cenário de esquecimento A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que uma equipe do planejamento e engenharia irá até a escola municipal Manoel Adriano fazer um levantamento que irá apontar a necessidade da reforma. Após o levantamento será elucidado os valores da obra e a previsão para iniciá-la. Esquecimento Não é apenas a escola que carece de investimentos. O cenário de esquecimento ocasionado pela ausência de estrutura é percebido em toda a comunidade, desde a entrada do ramal, que ao longo dos seus seis quilômetros se assemelha com uma via própria para rally. Quem consegue transpor as barreiras iniciais depara-se com moradores que tentam
driblar a falta de transporte público, coleta de lixo, saneamento básico e atendimento de saúde. O patrulhamento policial também é raro, mas pelo menos nesse quesito, os moradores dizem não ter do que reclamar. “Graças a Deus, nesse quesito, nossa comunidade é bem tranquila, diferente de outras no início da rodovia. Deve ser porque estamos mais distantes”, disse o caseiro Francisco de Assis, 58, que mora há 6 anos no local. Para ele, um dos grandes problemas da comunidade é o acesso. “Prometeram que iam asfaltar nosso ramal em julho, ficamos muito felizes. As máquinas vieram, mas a chuva não tinha parado. Então os trabalhadores e os tratores foram embora e até agora não retornaram”, disse.
Computadores parados sem acesso à internet Apesar de ter uma sala destinada ao laboratório de informática, com seis computadores, ela quase não é utilizada pelos alunos. Pesquisas na internet, nem pensar. “Temos seis máquinas paradas no laboratório porque não tem internet. Nem eles mandam profissionais qualificados para dar aula. Passamos dois meses com net, mas agora não tem mais. A Secretaria de Educação também só liberou dois
pontos de internet para os computadores da secretaria e não para o laboratório de informática. Não temos roteador”, disse um aluno de 18 anos. A continuidade do ensino é também outro ponto preocupante entre os alunos. Na Emef Manuel Adriano, assim como em qualquer escola da rede municipal, o ensino médio não é ofertado. Sem escolas do Estado que ofereçam turmas de ensino médio nas
proximidades, os alunos têm que disputar vagas na capital. “O jeito é tentar uma vaga na cidade, o mais próximo daqui. Na Emef Abílio Alencar tem o ensino médio daquele projeto da Seduc de telecentro, mas como é por vídeo não tem aquela interação com o professor de poder perguntar na hora”, questionou. Escolas no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, e o colégio estadual Sólon de Lucena, situado na avenida Constantino
Nery, são os mais disputados pelos estudantes moradores da zona rural, por conta da proximidade de casa. Contudo, o regresso dos alunos da escola para casa é motivo de preocupação dos pais. “Imagina uma criança sair 17h do colégio, pegar o ônibus 19h e chegar no ramal quase 20h30. Como que ela vai entrar, se não tem transporte. É muito perigoso”, apontou a mãe de estudante que pediu para não ter o nome revelado.
Na escola, sinais de abandono são totalmente visíveis
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ssas são ouvidas... Dificuldades diárias para os comunitários
Sem asfalto, muitos pontos do ramal ficam quase sempre intrafegáveis. O chão arenoso e os buracos formam grandes piscinões de lama, uma armadilha para quem precisa passar pelo local. “Quem não tiver uma dessas (apontando para a moto), não passa. E tem que ir com cuidado, se não a moto cai mesmo, não dá nem tempo de pensar, daí a gente chega daquele jeito na sala de aula, todo enlameado”, disse um aluno de 18 anos, que cursa o segundo ano em uma escola próxima à comunidade São Francisco. Por conta da estrutura do ramal, ônibus de linha não adentram a comunidade, forçando os moradores a pagar um mototáxi até a estrada, onde desembolsam mais R$ 2, 75 com o ônibus de linha. “Precisamos de transporte coletivo que entre na comunidade. Aqui os moradores pagam R$ 7 pela ‘corrida’ de moto até a estrada. E lá ainda tem que pagar a tarifa do ônibus. Na volta é a mesma coisa. Muita gente da comunidade ganha um salário mínimo e fica muito difícil”, apontou Francisco de Assis. O único ônibus que entra na ramal é o escolar. “Quando ele consegue entrar, porque
muitas vezes fica atolado”, reclamou o estudante. A dificuldade de atravessar o ramal é agravado com o tráfego de caçambas, que transportam a areia extraídas dos areais e ficam nos fundos da comunidade. “O entra e sai de caçambas todos os dias não destrói somente o ramal, mas o asfalto da rodovia, que já está cheia de buracos. Elas
DIFICULDADE
Por conta da estrutura do ramal, ônibus de linha não adentram a comunidade, forçando seus moradores a pagar mototáxi até a estrada, onde desembolsam mais R$ 2,75 com ônibus de linha
são muito pesadas, levam toneladas de areia. Os caçambeiros dão manutenção duas vezes por semana no ramal, mas eles mesmos acabam. Nos fins de semana fica tudo esburacado e às vezes ficamos presos”, afirmou um morador que pediu para não ter o nome publicado. Ao longo da vicinal, peças
danificadas dos veículos foram abandonadas, revelando a dificuldade e os prejuízos sofridos por quem precisa passar pelo local. “Um dia desses quebrei a descarga do carro, quando caí num caiu no buraco,onde as caçambas passavam. Tive que cavar para poder tirar o carro do buraco. Várias pessoas têm prejuízo. Na estrada tem sempre pedaço de para-choque e peças”, disse. O fluxo contínuo das caçambas proporciona enormes buracos no ramal, principalmente quando chove. Nos dias mais quentes, forma-se uma nuvem de poeira, gerando uma espécie de neblina ao longo do caminho. “As caçambas também espalham a areia que está assoreando os igarapés que tem pelo ramal”, reclamou o morador. Quem consegue transpor os seis quilômetros de ramal, encontra pessoas que por conta das dificuldades, parecem ter descoberto o verdadeiro significado de se viver em comunidade. Sem coleta de lixo, cada um queima ou enterra o lixo que produz. Na escola, os alunos se reúnem em mutirões para limpar as áreas ao redor, incluindo os espaços dedicados aos treinos. Além de limpar, os alunos encabeçaram
uma ação por toda a escola, distribuindo folhetos para que lixo não fosse jogado no chão. “Seria muito bom se o carro coletor passasse aqui pelo menos uma ou duas vezes na semana. Como não temos coleta, muitos moradores tacam fogo no lixo, para não acumular”, ressaltou o morador. O local também não tem rede de esgoto e os dejetos são depositados em fossas ou privadas, confeccionados pelos moradores. A comunidade possui um posto de saúde, fechado há aproximadamente dois meses. “Antigamente tinha uma agente de saúde que ficava direto, mas aí fechou, e só abria quando uma médica vinha de 15 em 15 dias. Mas ela também parou de vir há uns dois meses. Agora temos que ir ao quilômetro 41 que tem um posto e atende aos ramais da estrada. Mas se precisamos de pronto-socorro, só em Manaus mesmo”, disse. Dentro da comunidade, celular é para poucos. “Aqui só pega se tiver antena rural. Seria bom se a Vivo colocasse uma antena aqui ou de um orelhão. Porque quando acontece alguma coisa, até conseguirmos pedir socorro, demora muito”, ressaltou. Erosão compromete a estrutura e a segurança dos imóveis
Assaltos crescem na comunidade A vida difícil, fruto da ausência de investimentos não atinge somente os moradores da comunidade São Francisco. No ramal do Leão, no quilômetro 36 da rodovia, as famílias também sofrem com o abandono. Há um agravante: os assaltos são corriqueiros nos comércios da vila. “Precisamos de mais policiamento e de um posto policial. Meu comércio já foi assaltado quatro vezes, duas só este ano. Da última vez levaram meu carro. Às vezes a ronda vem, mas é muito difícil”, reclamou a comerciante Tizue Nagata, 46, que mora desde 1995 no ramal e vê a criminalidade aumentar com o avançar dos anos. Os mercados não são os
únicos alvos dos bandidos. Assim como na comunidade São Francisco, o coletivo não adentra no ramal, forçando os moradores a caminharem ou pagarem por uma corrida. “Muita gente é assaltada na ‘boca do ramal’, muitos estudantes quando descem do ônibus e entram no ramal. Os assaltantes chegam ameaçando com faca”, ressaltou. Sem asfalto, a estrada da vicinal conta somente com o esforço dos próprios moradores. “Fica só lama, mas já melhorou bastante. A presidente da comunidade conseguiu uma máquina para melhorar a via. Mas quando chove, volta a estragar de novo”, disse Tizue. Sem escola na comuni-
dade, os moradores explicaram que os estudantes tem que se deslocar até uma escola no quilometro 35. “Os (ônibus) ‘escolares’ pegam estudantes de vários ramais e ficam superlotados. As crianças vão em pé. Fica perigoso”, disse uma moradora que pediu para não ter o nome revelado. Já a coleta de lixo passa pela comunidade uma vez por semana. “E o caminhão não passa por toda a comunidade. Quando ele não vem, temos que queimar o lixo para não acumular”, afirmou outra moradora que não quis se identificar. No local também não há antenas de telefonia, isolando ainda mais os moradores.
A situação na comunidade São Francisco reflete em outras localizadas ao longo da rodovia
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Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Especial
Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
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Zona rural sobre a falta de estímulos na política
Candidatos ao governo apresentam propostas para o setor primário. Área que ainda enfrenta carência de infraestrutura RICARDO OLIVEIRA
Os sete candidatos ao governo do Estado propõem projetos arrojados visando o resgate e a modernização de atividades como as da agroindústrias, bioindústria, fruticultura e artesanato JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
O
desafio de levar o Amazonas além da Zona Franca de Manaus, com a exploração de diferentes potenciais econômicos, tem feito parte dos planos de governo ao longo de muitas décadas eleitorais. Entretanto, sem êxitos relevantes, as intenções divulgadas por candidatos, de um modo especial pelos que concorrem ao governo do Estado, ainda deixam carente o setor primário, que sofre com a falta de estímulos e de políticas claras para o seu desenvolvimento. Somente a área rural do Estado abriga 2.755.490 habitantes, conforme dados do Censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010. Existência, que representou, em 2013, um montante de R$ 4 bilhões aos cofres do Estado, como divulgou para a imprensa o ex-secretário de Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra. Levando em conta o expressivo número de eleitores, em 2014, os sete candidatos à vaga, ocupada por José Melo (Pros), propõem projetos arrojados visando o resgate e a modernização de atividades como as da agroindústria; bioindústria; fruticultura; artesanato; mineração; madeira e mobiliário; pesca e piscicultura; turismo e cerâmica. Marcelo Ramos (PSB) aposta em seis ações para implementar novos modelos econômicos nas áreas rurais do Estado. O candidato socialista apresenta como urgente a formulação
e um zoneamento ecológico econômico do Amazonas. Para ele é fundamental identificar a vocação de cada região. “Esse será o primeiro passo do nosso governo. Somente com esse mapeamento, poderemos prestar assistência técnica e subsidiar financiamento para os produtores e pequenos empresários”, explicou. Agilizar os processos de regularização fundiária e a aprovação de planos de manejo, que permitam o trabalho dentro das regras ambientais vigentes, também fazem parte das propostas de Marcelo Ramos. “A última década foi perdida para o nosso setor primário. Já chegamos a representar 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, atualmente um pouco mais de 5%. Sintonizar os trabalhos de órgãos como Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam) e Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) também construirão nosso projeto para a economia do interior do Estado”, comentou. Na campanha defendida pelo peemedebista Eduardo Braga, que concorre ao cargo pela terceira vez, o tema é tratado como desafio, pela necessidade de alinhar consumo e produção com o uso sustentável dos recursos naturais. Em seu plano de governo, Eduardo Braga, remete os entraves do setor ao problema de gestão e de planejamento estratégico. Braga reconhece o baixo acesso do cidadão à regularização fundiária, a burocratização do licenciamento ambiental, a
reduzida prestação técnica de serviços de assistência técnica aos produtores, a baixa incorporação de tecnologia, além da deficiência na infraestrutura dos ramais de transporte. Como ações de governo, Eduardo Braga, sinaliza a aceleração da regularização fundiária e ambiental, implantado centros multifuncionais em áreas estratégicas do interior. Garantir a elevação do orçamento do setor produtivo, estabelecendo metas. Além de construir e priorizar a agricultura familiar nas compras regulares dos órgãos do governo esta-
CRESCIMENTO
Somente a área rural do Estado abriga 2.755.490 mil habitantes, conforme os dados do Censo em 2010. Existência que representou, em 2013, um montante de R$ 4 bilhões ao Estado dual. Priorizar a produção de milho, para reduzir a dependência da importação, fazem parte da lista de intenções do candidato, que contam com um total de 21 ações. Presente nas discussões, o deputado estadual e candidato ao governo pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), Chico Preto, pontua a necessidade de aumentar o repasse orçamentário do setor em pelo menos 2,5%. A reestruturação dos ramais que servem para escoamento das cargas, uma gestão técnica e
não político/ partidária da Secretaria de Produção Rural são apontadas por ele como essenciais para o aquecimento da economia rural. “Tivemos a Sepror comandada durante anos por um partido, nesse período anterior não conseguimos transformar o Amazonas no maior exportador de peixes do país. No meu governo, pretendo mudar essa realidade, em 10 ou 15 anos isso vai acontecer, frisou. Responsável por administrar o Estado e visando a reeleição, José Melo (Pros), destaca que durante a gestão que fez ao lado de Omar Aziz (PSD), ampliou as linhas de crédito dos produtores rurais, com financiamentos na ordem de R$ 207 milhões. “Até o final do ano R$ 150 milhões estarão disponíveis 2,5 mil famílias foram beneficiadas com a regularização fundiária e outras 8,6 mil devem ter suas propriedades legalizadas. Expandimos o Programa de Regionalização da Merenda Escolar-Preme, de 39 para todos os 62 municípios. Implantamos nove unidades de produção de alevinos e um Centro de Tecnologia de Aquicultura”. Dentre as promessas para um novo governo, Melo salienta o programa Terra Produtiva, que visa expandir a produção de peixe, açaí e outras culturas. Transformar o lago de Balbina, área de produção de peixe em tanque rede; realizar concurso público em órgãos como o Ipaam.
Esquerda também tem proposta Pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), Luiz Navarro salienta que o modelo Zona Franca apenas tem enriquecido os industriais e nada tem colaborado para a formação de uma economia consolidada no interior. “É necessário que com conselhos de desenvolvimento econômico, nós possamos encontrar uma forma de fazer com que os empresários passem a pagar melhores salários, passem a contribuir com o desenvolvimento do Estado. Precisamos reforçar por meio da Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), o setor primário. Voltarmos à vista para os nossos processos antigos de exportação de castanha, juta, borracha. Temos que nos voltar ao extrativismo, que é onde está nossa riqueza. Queremos incentivar a exploração do nióbio, que por sinal tem jazida incomensurável. Não entendo o porquê o governo não coloca isso às claras, parece até que o nióbio está sendo explorado as escondidas”, pontuando que no plano de governo comunista, é destaque a intenção de uma “reforma agrária radical no Estado”. A intensificação da reforma agrária, com a regula-
rização da legalização de terras, está incluso nos planos de Herbert Amazonas (PSTU). Com a pretensão de entregar o comando do Estado aos trabalhadores, o candidato de esquerda espera que ao criar um terminal pesqueiro os problemas com o escoamento do peixe pescado no Amazonas, seja resolvido. Amazonas visa ainda, a construção de feiras municipais, onde os produtores poderão ter a oportunidade de vender seus produtos sem intermediação. Candidato ao governo do Amazonas, pela primeira vez, Abel Alves (Psol) sustenta no slogan “O Amazonas soberano com o povo no comando”, seu desejo de fortalecer o interior. Reconhecendo que é difícil o desafio de levar o progresso econômico ao interior, o candidato promete desenvolver a agricultura, por meio da economia solidária. Alves pretende promover a produção agrícola regional. “Podemos ver que as festas regionais como a da banana, não existem mais, pois o produto agora está sendo importado de outros Estados”, reclamou em reunião com empresários da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL/Manaus).
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Eleições 2014
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Números que já foram sucessos em outras eleições estão de volta Candidatos usam números que foram usados por adversários na tentativa de ganhar uma vaga parlamentar nas próximas eleições MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
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muleto, superstição ou apenas acaso, alguns candidatos que concorrem ao pleito deste ano terão em suas legendas números de políticos que já foram eleitos em eleições anteriores. O candidato ao governo do Estado do Amazonas, senador Eduardo Braga (PMDB), que disputa a vaga pela coligação Renovação e Experiência, usa o número 15, que já foi de um dos maiores caciques da política baré, o exgovernador Gilberto Mestrinho, que conquistou o terceiro e último mandato como governador do Amazonas em 1983, usando o número 15. Mestrinho usou o mesmo número que representa a sigla do PMDB (15) nas duas últimas vezes, das três que disputou as eleições ao governo do Estado e conquistou a vitória. No primeiro mandato, o “Boto” pertencia ao PTB. (1º mandato: 1959-1963, 2º mandato: 1983-1987 e 3º mandato: 1991-1995). Além do senador Eduardo Braga, outros candidatos tentam vencer as eleições de 2014 com números pertencentes a políticos que conquistaram a vitórias nas urnas. A deputada estadual Conceição Sampaio (PP), por exemplo, está usando
o mesmo número (1122) na disputa a vaga de deputada federal que levou a vitória do atual governador e candidato a reeleição, José Melo (Pros), quando disputou a vaga em 1994 e foi eleito pelo (PPR) com 45.104 mil votos. Assim também, o número deu sorte e vitória para Rebecca Garcia (PP), candidata à vice na chapa de Eduardo Braga, nas eleições de 2006 para a Câmara Federal. Outro número conhecido, o 4545, que no pleito deste ano é usado pelo deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB), o qual disputa uma das oito vagas na Câmara Federal. O número acompanhou o atual prefeito de Manaus, Arthur Neto, quando venceu as eleições em 1994 com 69.924 mil votos ao cargo de deputado federal. Número da esposa Candidato à vaga de deputado federal pelo PCdoB, o ex-secretário de Produção Rural, Eron Bezerra, está com o mesmo número (6565) utilizado por sua esposa, a senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB), nas eleições de 2008, 2002 e 2006, quando foi eleita e reeleita ao cargo de federal.
O candidato Carlos Porta (PSB), que disputa pela primeira vez uma vaga a Câmara Federal com o número 4040, tenta a mesma sorte que teve o atual vereador e candidato ao Senado, Marcelo Serafim, em 2006, quando conquistou a vaga com pouco mais de 92 mil votos. Também novato na disputa, o candidato Zé Nascimento disputa a vaga pelo PT com o número 1313, a qual levou a vitória de Francisco Praciano, que disputa uma vaga no Senado. “Praça” foi o mais votado no pleito de 2010 com o número 1313, o qual arrastou mais de 166 mil votos. Coincidência ou não, os números tiveram resultados positivos aos políticos, os quais, alguns deles permaneceram no cargo por mais de um mandato, resta saber se os atuais postulantes dos números terão a mesma sorte de seus antecessores.
Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA
JOSÉ MELO
Pela manhã, o candidato tem reunião marcada com sua coordenação de campanha e à tarde grava programa para o horário eleitoral gratuito.
MARCELO RAMOS
O candidato cumpre agenda em Barreirinha e, à tarde, em Boa Vista do Ramos. À noite estará em Maués.
CHICO PRETO
Às 8h, o candidato faz caminhada no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte e, às 9h, caminhada em Tabatinga.
HERBERT AMAZONAS
NÃO DIVULGOU AGENDA.
NAVARRO
NÃO DIVULGOU AGENDA.
Candidato participa de reunião com moradores de Petrópolis, na Zona Sul da cidade.
ABEL ALVES NÃO DIVULGOU AGENDA.
Eleições 2014
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3 FOTOS: IONE MORENO
Francisco PRACIANO
‘Ou eu ACEITAVA a aliança, OU PEGARIA um pijama’
RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
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Nossa aliança com o PMDB é lógica. O partido mantém a governabilidade de Lula e Dilma, inclusive o Eduardo Braga é líder da presidente no Senado. Ou eu aceitaria essa aliança ou iria colocar o pijama e teria que ir para casa dormir”
earense, 62 anos, o deputado federal Francisco Praciano (PT) circula a política amazonense pelo menos desde o início da década de noventa. Eleito vereador por quatro mandatos consecutivos, Praciano estreou na Câmara Federal em 2006 e foi reeleito em 2010, com recorde de votações. Antes disso, em 2008, o petista havia tentado emplacar a Prefeitura de Manaus, mas ficou em quarto lugar no placar, atrás do seu atual adversário na disputa pelo Senado, o ex-governador Omar Aziz (PSD). Neste ano, o deputado viabilizou a sua candidatura ao Senado vestindo-se da campanha do PMDB, do senador Eduardo Braga, candidato que já foi alvo dos seus ataques no passado próximo a militância esquerdista. A aliança que surpreendeu aliados próximos, segundo ele, foi uma “consequência lógica”. Aos petistas, Praciano reserva o que chama de “fidelidade”, mas não esconde contradições ao partido e diz combater as “incoerências”. EM TEMPO - O senhor é presidente da Comissão de Combate à Corrupção da Câmara, onde pelos menos 300 projetos sobre o assunto estão encalhados há 6 anos. Faltou articulação política para destravar essas pautas? Francisco Praciano Colocar esses assuntos na pauta não faz o perfil do Congresso, dos deputados. Lá, de cada cinco parlamentares, um responde à processo. Não são mais de 300, são mais de 500 projetos desse tipo. Buscamos a mídia nacional, o presidente da Câmara, do Senado, mas a coisa não anda. Tenho reclamado incansavelmente disso nos rádios, mas isso é
tudo que podemos fazer. EM TEMPO - O senhor costuma culpar o governo federal pela falta de engajamento nesse assunto e até já votou contra a presidente Dilma na Câmara em pauta de corrupção. No entanto, o senhor se diz fiel ao PT e a presidente, mesmo reconhecendo essa postura. Não é contraditório? FP- O governo federal está sendo mal traduzido nesse assunto. Quero dizer que, no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), a Polícia Federal fez somente 20 grandes operações contra corrupção. Já no governo Dilma e Lula esse número saltou para mais de duas mil. O que acontece é que a sensação de corrupção aumentou. A PF ficou livre, sem amarras. Temos mensalão em todos os partidos e em todos os lugares. O que eu defendo é que fosse feito um pacto para combater a corrupção, que reside na fragilidade do Estado. Os três poderes deveriam se unir, fortalecendo os órgãos de controle. EM TEMPO - E o que garante que depois de 6 anos com essas pautas da comissão na Câmara, o senhor poderá destravar esse debate no Senado? FP - No Senado a coisa é mais rápida. São somente 81 senadores. A comunicação é mais próxima e eficaz com a sociedade. Exemplo disso é a Rádio Senado, que dá um show de comunicação e proximidade com a sociedade. A voz no Senado é mais ouvida. E nós não temos nenhum senador insistindo nessa pauta no Senado, esse é o lugar que eu vou ocupar. A mídia, sem dúvida, dará ouvidos a esse assunto. EM TEMPO - Recentemente, ao lado do ex-presidente Lula e do senador Eduardo Braga (PMDB), o senhor, durante discurso,
sugeriu que a população devesse aceitar propina em troca de votos para candidatos. Essa é uma postura condizente com o seu discurso contra a corrupção? FP - Eu quis dizer que isso é uma imoralidade, praticada nos quatro cantos do país. Eu quis dizer que se um safado qualquer oferecesse dinheiro, a população deveria aceitar e ser esperta, mas não votar no candidato. O dinheiro que eles oferecem vem dos cofres públicos. A população deveria deixar o cara liso e ainda sem o mandato. Foi isso mesmo. EM TEMPO - O senhor, por diversas vezes, já criticou o financiamento privado das campanhas políticas e defende o financiamento público dos gastos com campanha. No entanto, a campanha da sua coligação é a que mais arrecadou, até agora, com os empresários locais e nacionais. O senhor defende mesmo essa bandeira? FP - Eu acho que o jogo é esse. Ou você faz esse jogo, ou sai dele. A reforma política, que eu defendo, tem que ser ampla. Eu acho que ou deveriam permitir só o financiamento público, com limites, ou só o privado, mas sem as empresas, com indivíduos. Essa questão entra na minha proposta de acabar com as coligações, que hoje misturam alhos e bugalhos. As ideias partidárias acabam fincando em segundo plano. Hoje, você tem um amontoado de partidos, onde os candidatos se misturam entre fichas-sujas e limpas. A coerência política tem que ser maior. EM TEMPO - O senhor, neste ano, se posiciona diferente do registrado ao longo da sua vida política, sempre mais ligado à militância radical e esquer-
dista. O senhor inclusive já chegou a apresentar denúncias contra o seu atual candidato ao governo, Eduardo Braga. O que o fez mudar de ideia quanto ao seu perfil criado ao longo da carreira? FP - A nossa aliança com o PMDB é lógica. O partido mantém a governabilidade de Lula e Dilma. Braga inclusive é líder de Dilma, uma liderança forte no PMDB. Ou eu aceitaria a aliança, ou pegaria um pijama e iria para casa dormir. Eu não quis vestir o pijama, então aceitei. Não dá para sair avulso, essa aliança é lógica. Eu fiz sim oposição ao Eduardo, como já fiz ao Arthur, ao Serafim, ao Alfredo e ao Amazonino, que hoje pedem votos para mim. O meu papel é fiscalizar e quem é denunciado tem direito de se defender. Sou Lula e Dilma e não abro mão. Sempre fui muito coerente. EM TEMPO - Quais são as principais propostas que o senhor planeja levar para o Senado caso seja eleito? O senhor pode falar de pelo menos cinco. FP - Já falei um pouco sobre a reforma política, que ainda está engatinhando no Congresso. Essa reforma política inclui a questão do financiamento das campanhas. Também defendemos a reforma tributária, mas precisamos, primeiro, reduzir a sonegação fiscal no Brasil. O país tem todos os anos um prejuízo de mais de R$100 bilhões com sonegação. Também queremos rever para baixo os impostos sobre os remédios, que são essenciais para a população. Os impostos sobre os alimentos também precisam de cortes. O Brasil é um dos maiores produtores alimentícios do mundo, não há porque o povo pagar mais caro. Para os aposentados, queremos defender o fim do fator previdenciário.
Quero ir para o Senado porque lá as coisas andam mais rápido. São somente 81 senadores. A comunicação é mais próxima com a sociedade. A voz do Senado é mais ouvida”
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Melo anuncia programa para as microempresas
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Petistas querem tirar o foco da roubalheira usando a causa gay” PASTOR SILAS MALAFAIA, em mensagem no Twitter contra os métodos da campanha do PT
Protógenes acha que atentado matou Eduardo Conhecido por haver prendido o banqueiro Daniel Dantas, o delegado federal e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) suspeita que a morte de Eduardo Campos nada teve de acidental, foi um atentado, segundo segredou a colegas da PF. Ele chegou a Santos logo após a tragédia, colheu indícios e depoimentos e os enviará à Procuradoria-Geral da República, com o pedido para aprofundar as investigações. Estranho Protógenes disse a policiais ter ficado intrigado porque o local nem sequer foi preservado. Delegados da PF somente apareceriam à noite. Aí tem coisa Entre os objetos colhidos, o delegado Protógenes encontrou na lama a capa de um livro do piloto, intacta, mas sem as páginas internas. Reencontro No dia da tragédia, Protógenes estava na expectativa de rever Eduardo Campos, com quem se encontrou em 1o de maio e na Semana Santa. Levando a sério A hipótese de atentado contra Eduardo sempre foi mencionada, mas ninguém a levou tão a sério quanto o delegado Protógenes Queiroz. Dilma agora fala mal dela, mas já foi Marina Não é de hoje que o nome Marina ronda a vida da presidente Dilma. Sua ficha na operação Bandeirantes (a temida Oban, um dos mais cruéis órgãos de repressão da ditadura militar) revela que Dilma Vana Rousseff Linhares, quando militava na
organização clandestina Var Palmares, usava os nomes falsos “Maria Lucia Santos” e “Marina de Castro”, além dos já conhecidos codinomes “Vanda” ou “Luiza”. Só falta puxar cabelos Arlindo Chinaglia (SP) e Marco Maia (RS) se engalfinham para serem o candidato do PT à sucessão do presidente da Câmara, Henrique Alves. Disputa de egos O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, briga com Marco, filho do enrolado ex-governador Sergio Cabral, pelo título de mais votado. Pré-candidato O governador cearense Cid Gomes presta serviço a Dilma, comprando brigas contra adversários, para se credenciar a cargo no ministério. Espelho meu Nossos leitores sabem desde 12 de agosto que o megadoleiro Alberto Youssef deu ao deputado baiano Luiz Argôlo um helicóptero. A “Folha de S. Paulo” noticiou o fato na sexta-feira (12), um mês depois, citando revelação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Sem protelação Relator do processo de cassação de Luiz Argôlo no Conselho de Ética, o deputado Marcos Rogério (PDTRO) não revela as conclusões do parecer, que já está nos finalmentes. Mas garante: “entrego nesta terça”. Até Cerveró O Senado nega combinação, até porque criou a CPI para fazê-la acabar em pizza, mas o ex-diretor Nestor Cerveró contou ter sido submetido a “treinamento” pago pela Petrobras antes de depor.
Jornalista
A grande novidade prometida pelo candidato será a criação do Banco do Povo, que irá oferecer financiamento ao povo DIVULGAÇÃO
Dinheiro desaparecido O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) sustenta aos colegas de Senado que não ficou com os recursos arrecadados e que deveriam ter sido divididos com a bancada. Mas a cúpula do PMDB não acredita. Azul é sério Habituada a vestir vermelho, Dilma guarda ternos azuis para ocasiões especiais. Como a entrevista para o Jornal Nacional e a estreia da temporada de ataques a Marina Silva (PSB), seus maiores temores. Culpa dos partidos A construtora Andrade Gutierrez informou que as doações eleitorais “são feitas conforme a legislação” e direcionadas aos partidos, responsáveis por definir para quem a verba é encaminhada. Mordeu a isca A campanha de Dilma comemorou o fato de Marina Silva ter mordido a isca sobre a autonomia do Banco Central e sobre pré-sal. A candidata do PSB abandona a ofensiva e perde tempo reagindo às acusações. Somos tão jovens Condenado na Justiça Eleitoral por irregularidades na campanha de 2010, o deputado mais jovem da legislatura, Wilson Filho (PTB-PB), desistiu da reeleição. Cedeu a vaga ao irmão William Santiago, 21. Fumacê O governador cearense Cid Gomes passou a defender a legalização da maconha. Deve ter fumado a mesma coisa que FHC, pioneiro na asneira.
PODER SEM PUDOR
Ah, bom Candidato ao Senado pelo PMDB do Paraná em 1990, Waldyr Pugliesi convocou coletiva para explicar que era injusta sua fama de “pavio curto”. Na coletiva, um militante do PMDB puxou uma conversa cabulosa e ele a encerrou com um soco na mesa. Refeito, contou que só perdeu a cabeça uma vez, em Arapongas, quando esmurrou um vereador que o criticara. Mas observou: - Aquele soco foi com o braço democrático... DIVULGAÇÃO
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Candidato deverá investir na criação da Secretaria de Estado para as Micro e Pequenas Empresas
O
governador José Melo (Pros), candidato à reeleição, divulgou esta semana seu plano de governo dedicado às microempresas e ao incentivo a novos negócios. A grande novidade é a criação do programa Banco do Povo para oferta de crédito e consultoria de atividades econômicas de pequeno porte. Outras dez medidas para o segmento fazem parte do pacote, entre elas a criação da Secretaria de Estado da Micro e Pequena Empresa. Com o Banco do Povo, Melo pretende facilitar o acesso ao crédito concedido através da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) oferecendo financiamento exclusivo para trabalhadores autônomos e acompanhamento empresarial. As operações terão juros de 3% ao ano, sete vezes menor que as condições dos bancos privados. Outra facilidade é a dispensa de consulta aos órgãos de restrição de crédito, como SPC e Serasa. “É um banco comunitário onde a gente garante mais facilidade na hora de acessar os recursos e menos burocracia. Aliado a isso, haverá um acompanhamento especializado para que o trabalhador consiga sobreviver na fase que é a mais sensível para um novo empreendimento que é a inicial”, ressalta José Melo. Na área urbana, a expectativa é atender com o Banco do Povo pequenos empreendimentos de bairros, como salões de beleza, lanchonetes, bancas de churrasco e
confecções. No setor rural, os recursos podem atender a compra de insumos, combustíveis, motores, material de pesca e sementes, por exemplo. Unidades do Banco serão instaladas nos bairros de Manaus. No interior, o atendimento será feito através da Casa do Produtor, outra novidade de Melo para o setor primário que vai reunir em um só lugar todos os órgãos ligados à assistência ao produtor. Os empréstimos podem chegar a até R$ 15 mil por pessoa, de acordo com o perfil do negócio. A expectativa é financiar
EXPECTATIVA
A proposta do Banco do Povo será atender pequenos empreendimentos de bairros, como salão de beleza, lanchonete e bancas de churrasco. No setor rural, recursos será para compra de insumos 70 mil empreendimentos em todo o Estado, investimentos que devem alcançar R$ 1,2 bilhões em quatro anos de governo. O plano para fortalecer e impulsionar novos empreendimentos inclui ainda linha de crédito diferenciado para mulheres empreendedoras, o financiamento de cooperativas de cadeias produtivas, o fomento a incubação de empresas inovadoras e o aumento da participação das micro e pequenas empresas nas compras governamentais. Melo
também propôs articular a implantação de um Fundo de Aval para Pequenas Empresas e aumentar o percentual do FMPES. Para reduzir a burocracia, a proposta do plano de governo de José Melo é informatizar procedimentos e criar uma Central de Negócios Compartilhados, uma espécie de PAC (Pronto Atendimento ao Cidadão) direcionado ao setor empresarial que vai reunir órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Sefaz e a Jucea. Outro ponto do programa de Melo para o setor é a implantação de cursos voltados ao empreendedorismo na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a inclusão de disciplinas sobre o assunto no ensino médio. Outra medida para fortalecer o setor e incentivar o surgimento de empreendimentos é a criação da Secretaria de Estado para as Micro e Pequenas Empresas e a ampliação das unidades do Núcleo de Apoio ao Empreendedor, em diferentes zonas da capital. “Temos uma economia muito forte e pretendo trazer essas pessoas para a formalidade. Para tanto, preciso de políticas públicas. Vou criar uma secretaria que cuide especificamente disso. A empresa quando vem para a formalidade tem muitas vantagens. Criar uma economia que formule políticas públicas”, afirmou.
SENADO
Investimento no Mais Médicos
Projeto quer tornar o programa muito mais transparente
Senadores querem melhorar o desempenho e tornar mais transparentes os gastos e a execução das ações do programa Mais Médicos. Para isso, estão analisando propostas que alteram a lei nº 12.871/2013. O Mais Médicos é apontado pelo governo federal como parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa
prevê mais investimentos em infraestrutura de hospitais e unidades de saúde e busca levar mais médicos para regiões onde há escassez de profissionais. A grande maioria dos profissionais é de estrangeiros, principalmente cubanos. O projeto prevê também a expansão do número de vagas nos cursos de residência médica e graduação em Medicina, além do aprimoramento da formação
médica no Brasil. Uma das propostas que tratam do Mais Médicos foi apresentada pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) com o objetivo de dar mais transparência ao programa (PLS 266/2014). O texto estabelece a obrigação de, a cada seis meses, ser enviado um relatório para o Conselho Regional de Medicina (CRM) de cada Estado com o número do registro
único dos médicos intercambistas participantes e o nome e a inscrição no CRM do supervisor e dos tutores acadêmicos. A proposta está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde aguarda o recebimento de emendas. Se aprovada, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, se não for apresentado recurso para votação em Plenário.
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Chico da Silva D
izem que santo de casa não faz milagre. Talvez seja verdade, pois se o Amazonas respeitasse seus artistas, o parintinense Chico da Silva seria recebido com tapete vermelho. Sua saga de compositor fez história entre os bambas do samba e suas toadas de boi cruzaram fronteiras e hoje são tocadas nos mais longínquos lugares do mundo. Onde houver uma camisa da cor vermelha, lá vai estar o refrão “meu coração é vermelho/ hey, hey. hey/ de vermelho vive o coração...”, da antológica toada “Vermelho”, composta em 1989 para o boi bumbá Garantido. Aos 65 anos, o compositor já deixou seu nome gravado para sempre na constelação de estrelas da MPB. Agora parte para um novo desafio, o batismo das urnas, disputando uma vaga para a Assembleia Legislativa pelo Partido Verde, um sigla que defende a vida, o planeta Terra, seus índios, florestas, rios e animais, como as toadas que escreveu sobre universo amazônico, onde foi curumim mergulhando nas águas do Rio Amazonas. Chico da Silva é querido por seu povo. Demonstra isso nos shows em que continua fazendo. Ultimamente, um vídeo com Os Trapalhões, onde ele canta “Esquadrão do Samba”, enquanto Didi, Dedé, Muçum e Zacarias fazem palhaçadas com a bola, vem fazendo o maior sucesso no YouTube, já tendo sido curtido por mais de 50 mil internautas. — Estou entrando na política porque temos que acreditar que podemos melhorar muito, com boas ideias e bons projetos de políticas públicas – diz Chico da Silva, candidato a deputado estadual com o número 43433. Confira a entrevista completa:
NO RITUAL DAS URNAS MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
EM TEMPO – O que leva um artista que tem alma de poeta a se meter em política, em princípio uma atividade criticada pela sociedade? Chico da Silva – Sempre defendi a renovação das ideias e dos quadros da política. Sendo assim, sou também, por vocação, um ser político. EM TEMPO – Qual o foco de sua campanha? Chico da Silva – Minha intenção, com mandato de deputado estadual, é atuar na área cultural. Fortalecer a cultura na vida do cidadão amazonense, especialmente na vida dos jovens e crianças. EM TEMPO – Concorda com o slogan do Tiririca, “pior do que tá não fica”? Chico da Silva – Não, sou otimista. O Brasil é um país em desenvolvimento e cabe a nós brasileiros procurar e encontrar soluções para melhorar as nossas condições de vida. Temos que acreditar que podemos melhorar muito, com boas ideias e bons projetos de políticas públicas. EM TEMPO – Todos os artistas que se meteram com política saíram frustrados: Moacir Franco, Gilberto Gil, Agnaldo Timoteo,
Beth Mendes. Você acha que isso pode acontecer com você? Chico da Silva – A frustração advém de algum fracasso do ser humano. Talvez eles não conseguiram colocar suas ideias em prática ou não tinham boas ideias para transformá-las em projetos que beneficiassem a sociedade, daí a frustração. Tenho um conjunto de ideias que eu quero transformar em grandes projetos que possam vir de encontro aos anseios da sociedade. Isso é possível, basta ter vontade política e o apoio do povo que mudar, de verdade, o estado de coisas que ainda impedem o crescimento do país, como a corrupção, a falta de ética e os desmandos administrativos. EM TEMPO – Você fez um jingle para sua própria campanha? Chico da Silva – Sim. Mas não veiculei no Amazonas, porque não tenho tempo no programa de TV – meu tempo é de somente 1 minuto –, e não tenho dinheiro para pagar carros de som que possam rodar com o jingle. Mas está tocando bem em Parintins, executada por amigos que não me cobram nada e sendo conhecido por meus irmãos que acreditam no meu trabalho e na minha vontade de dar o melhor de mim pro meu povo. Parintins é o meu planeta verde, a minha casa, a minha vida. Aliás, o refrão diz o que eu penso da ilha: “43 433/ Parintins com altivez...”
EM TEMPO – Você acha que o eleitor brasileiro amadureceu ou ainda vota pela máxima de São Francisco “É dando que se recebe”? Chico da Silva – Acredito que, com o exercício do voto, com as informações políticas mais acessíveis, o eleitor vem amadurecendo, embora ainda eleja muito ficha suja que não merecia estar no Congresso, ou em nossa casas legislativas. Mas, aos poucos está havendo uma conscientização, com a ajuda da imprensa que vem passando o país a limpo, já é possível votar em nomes de políticos honestos. Hoje, só elege ficha suja quem quer, as informações existem. Com isso, a prática do “toma lá, da cá” está perdendo, mas ainda existe infelizmente. EM TEMPO – Qual o candidato a presidente, em sua avaliação, tem compromisso com a Amazônia? Chico da Silva – Um presidente da República é o representante máximo de um país, acredito que ele não deve ter preferências por esse ou aquele Estado, deve tratar todos igualmente. EM TEMPO – Todo mundo conhece o compositor, mas qual o perfil político de Chico da Silva? Chico da Silva – Me considero um social-democrata que respeita as opiniões. A opinião é a verdadeira liberdade, tanto a minha quanto a sua.
“Hoje, só elege ficha suja quem quer, as informações existem. Com isso, a prática do toma lá, da cá está perdendo, mas ainda existe, infelizmente”
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Políticos do país ignoram o grito da juventude Desconfiança e a sensação de distanciamento dos jovens em relação ao sistema político foram expressas durante as manifestações de junho
Pedidos das ruas ainda é ignorado pelos programas políticos
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overnantes e políticos ainda não foram capazes de responder às demandas, vindas principalmente de jovens, por mais representatividade na política, segundo analistas. Para eles, a desconfiança e a sensação de distanciamento dos jovens em relação ao sistema político, expressas principalmente durante as manifestações de junho de 2013, ainda estão presentes a três semanas do primeiro turno das eleições. Para David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília, a incapacidade de implementar os pedidos das ruas fez com que o sentimento de frustração com as instituições políticas evidenciado em 2013, especialmente entre as gerações mais novas, continuasse neste ano. “Esse foi o grande grito do ano passado: eu não me sinto representado. Os políticos ensaiaram fazer algumas reformas no sistema político, mas não deu em nada, não reformou nada”, disse Fleischer. Segundo Benedito Tadeu César, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a juventude se sente distante das formas institucionais de política. “Esta juventude se sente órfã. O jovem não tem interesse por essa política que está aí. Ela não se reconhece nesses instrumentos”, disse, acrescentando que o atual modelo é fruto da sociedade industrial do século 19. Reforma política As demandas por novas formas de representatividade e participação políticas estavam no centro das manifestações de 2013 juntamente com reivindicações por melhorias na saúde, transporte e
educação. Durante as manifestações, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, propôs a convocação de um plebiscito que autorizasse uma constituinte exclusiva para a reforma política. Mas a proposta recebeu forte oposição no Congresso e acabou
FRUSTRAÇÃO
Para David Fleischer, a incapacidade de implementar os pedidos das ruas fez com que o sentimento de frustração com as instituições políticas evidenciado em 2013 continuasse neste ano
‘É no Facebook que se fala o que se pensa’ Diante da insatisfação com o que percebem como promessas não cumpridas, da desconfiança em relação aos políticos e da crescente demanda por representação, os jovens estão buscando outras formas de participação política, inclusive por meio da internet e redes sociais. “Você tem uma enorme massa com anseios (por mudança). (Eles) passaram a ter direitos e estão cobrando esses direitos, mas não têm canal de expressão disso”, disse Tadeu César. Isso, diz ele, faz com que o engajamento político da
juventude seja fragmentado, em um processo que não ocorre apenas no Brasil, mas também em outras partes do mundo. “O grande palanque hoje virou as redes sociais, onde cada um vai e diz o que bem entende”, disse ele. “É muito Facebook, eu vou lá, eu digo o que está me incomodando”. Isso não significa o fim do distanciamento dos jovens com a política. Apesar do interesse deles ter crescido com os protestos, “a alienação continua”, com “uma grande maioria que continua apática e afastada”, disse Fleischer.
Eleições Para Fleischer, estas características do eleitor mais jovem se refletem também na disputa pela Presidência, em que a candidata Marina Silva (PSB), que diz representar “novas formas de fazer política”, é a maior beneficiada. “Os governos não entenderam muito bem essas demandas. Então, essa frustração continua. Em parte, nós vemos isso desaguar num grande tsunami de apoio a Marina Silva”, disse. De fato, segundo pesquisa espontânea feita pelo Datafolha, na qual o nome dos candidatos não é apresen-
tado ao entrevistado, Marina tem 28% das intenções de voto entre os eleitores de 16 a 24 anos. Dilma (PT) tem 23% e Aécio Neves (PSDB) tem 10% das intenções. A pesquisa, divulgada no dia 4, tem margem de erro de dois pontos percentuais. Mas ainda é difícil prever se isso se refletirá nas urnas. “Você tem uma insatisfação que não está mais latente, está manifesta. E me parece que está se expressando nessas eleições. A Marina tem sido beneficiada por isso, mas não sei por quanto tempo isso se mantém”, diz Tadeu César.
não progredindo. “Fizemos um compromisso com a reforma política. Enviamos para o Congresso essa reforma política, não foi aprovada. Aliás, eu acredito que reforma política no Brasil vai exigir a participação popular e a consulta popular por meio de um plebiscito”, reiterou Dilma durante o primeiro debate presidencial desta campanha, transmitido pela TV Bandeirantes no dia 26 de agosto. A voz das redes A necessidade da reforma política foi um ponto levantado por leitores nas redes sociais. O leitor Daniel Lopes afirmou que, se o “sistema não mudar”, novas manifestações podem ocorrer, enquanto que Gean Claudio Araujo chegou a propor até mesmo a extinção dos partidos políticos.
Maioria dos jovens passaram a utilizar as redes sociais como ferramenta de protesto contra a política praticada no país
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Eles gastam o equivalente a 1,6 mil casas populares DIVULGAÇÃO
Dilma, Aécio e Marina já gastaram mais de R$ 103 milhões ou 1,6 mil unidades do programa Minha Casa, Minha Vida
Dilma, que busca a reeleição e está em situação de empate técnico com Marina nas pesquisas, gastou até agora R$ 53,8 milhões. Depois vem Aécio (R$ 34,9 milhões), seguido por Marina (R$ 15,1 milhões)
O
s três candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), já gastaram mais de R$ 103 milhões na campanha eleitoral deste ano, o equivalente a quase 1,6 mil unidades do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Só a petista gastou mais da metade desse total. Os valores estão na segunda parcial da prestação de contas, divulgada no sábado (6) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dilma, que busca a reeleição e está em situação de empate técnico com Marina nas pesquisas, gastou até agora R$ 53,8 milhões. Depois vem Aécio (R$ 34,9 milhões), seguido por Marina (R$ 15,1 milhões). O valor médio de uma unidade habitacional do Minha Casa, Minha Vida - que beneficia famílias de todo o Brasil com renda mensal de até R$ 1.600 - é de R$ 65 mil.
Os gastos dos presidenciáveis até agora
Custos dos presidenciáveis Para chegar ao total gato por cada campanha, foram somados os custos dos próprios candidatos e de seus respectivos comitês financeiros. No caso da Marina, que ainda não possui despesas registradas em seu nome, os custos reportados pelo candidato Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no mês passado, foram adicionados à conta. Os outros oito candidatos à Presidência, Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC), Eymael (PSDC), Luciana Genro (Psol), Zé Maria (PSTU), Levy Fidelix (PRTB), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO)- somam R$ 3,56 milhões em despesas, equivalente a 3% dos gastos de todos os presidenciáveis (R$
107 milhões). Valores A maior parte desse valor (R$ 2,3 milhões) foi
PROPAGANDA
2,3 MILHÕES
foi gasto por Eduardo Jorge; Rui Costa que está no outro extremo da campanha eleitoral gasto por Eduardo Jorge. Rui Costa Pimenta está no outro extremo, tendo destinado apenas R$ 10.450 à campanha.
Grande parte dos custos dos três presidenciáveis mais bem colocados é destinada à execução de propagandas eleitorais para TV e rádio, vistas como fundamentais para conquistar votos de eleitores indecisos. Dilma, por exemplo, utilizou R$ 25 milhões, 46% do que gastou até agora, para a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. O montante foi pago à empresa Polis Propaganda & Marketing, do marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas eleitorais do PT. Com 11 minutos e 24 segundos, Dilma tem o maior tempo entre os candidatos para se apresentar na TV e no rádio. Aécio, por sua vez, gastou pelo menos R$ 6,98 milhões
(19% do orçamento) com esse mesmo tipo de despesa - o tucano conta com quatro minutos e 35 segundos de propaganda eleitoral. Marina Silva,
PRODUÇÃO
Dilma, por exemplo, utilizou R$ 25 milhões, 46% do que gastou até agora, para a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. O montante foi pago à empresa Polis Propaganda & Marketing que dispõe de dois minutos e três segundos no horário político, utilizou R$ 2,79 milhões (18% dos seus custos) para essas despesas.
Entre os outros custos, destacam-se a encomenda de pesquisas e testes eleitorais, além da produção e impressão de material publicitário, como faixas, panfletos, placas e cavaletes. No caso de Aécio, o candidato do PSDB também se concentrou nas atividades de militância e mobilização de rua, destinando R$ 2,4 milhões para esse fim. Os comitês e as contas dos presidenciáveis também repassam doações a outros candidatos de suas respectivas coligações, que aparecem na prestação enviada ao TSE. A reportagem, no entanto, descontou esses valores do montante total por não considerar os repasses como gastos efetivos na campanha.
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Propaganda domina orçamento
Maioria dos gastos dos presidenciáveis foram destinados às produções de programas de TV
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Impasse sobre fichas-sujas pode provocar nova eleição DIVULGAÇÃO
Impasse em torno dessas candidaturas pode ser resolvido apenas depois das eleições e TRE pode convocar até nova eleição
Pela legislação eleitoral, não há prazo máximo para que o TSE julgue os recursos, daí o “limbo” jurídico que se forma. A ordem de julgamentos é definida pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli
P
olíticos considerados “ficha-suja”, ou seja, que já foram condenados por tribunais superiores e não poderiam tentar se eleger por causa da Lei da Ficha Limpa, continuam em campanha mesmo após terem as candidaturas barradas pela Justiça e podem até tomar posse, caso sejam eleitos. Se enquadram nesta situação deputados federais como Paulo Maluf (PPSP) e Jaqueline Roriz (PMN-DF), que tentam a reeleição. Um dos candidatos, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR), que tenta voltar ao governo, teve um dos recursos negado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) no dia 9. O imbróglio acontece porque políticos que tiveram o registro de candidatura negado pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) podem manter a campanha enquanto estiverem recorrendo ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para tentar reverter a cassação. O impasse em torno dessas candidaturas pode ser resolvido apenas depois das eleições e, dependendo do entendimento do TSE ou do Supremo Tribunal Federal (STF), novas eleições podem ser convocadas ou políticos derrotados nas urnas podem garantir uma vaga no tapetão. Sem prazo Pela legislação eleitoral, não há prazo máximo para que o TSE julgue os recursos, daí o “limbo” jurídico que se forma. A ordem de julgamentos é definida pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Para o advogado Luciano Santos, especialista em direito eleitoral e membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), um dos formuladores da Lei da Ficha Limpa, a norma está sendo aplicada corretamente e “tem funciona-
do muito bem”. “Quando um candidato ‘ficha-suja’ mantém sua campanha e seu recurso é indeferido, ele faz isso por sua conta e risco. Se ele vai até o final, prejudica o partido, o processo político e a própria eleição”, afirmou Santos. Garantia de recorrer O advogado explica que o direito a recorrer é garantido pela legislação brasileira, que permite que o candidato tente reverter as decisões de cassação em instâncias superiores. Esses recursos já valiam para outros casos de inelegibilidade mesmo antes da aprovação da Lei da Ficha Limpa. “É importante ressaltar o que essas impugnações provocam no eleitor, pois levanta-se o debate sobre a necessidade de se ter a ficha limpa. É um processo que não ocorre de um dia para o outro, mas vem melhorando”, defendeu Santos.
TSE contabiliza irregularidades O TSE ainda não fez um balanço sobre quantos recursos de cassação de registro com base na Ficha Limpa chegaram até o tribunal. Também não confirmou se irá apresentar o número de recursos e decisões julgadas até o final das eleições. Os TREs têm até o dia 21 deste mês para concluir os julgamentos de registro de candidatura, então, novos casos de recursos ainda podem chegar ao TSE. No final de agosto, o Ministério Público Eleitoral divulgou um balanço parcial com os pedidos de impugnações com base na lei. Foram 497 ações, sendo a rejeição
das contas do candidato o motivo de maior incidência, com 254 questionamentos de registros. Os candidatos que estão ameaçados de perder a candidatura, mas que aguardam recursos, podem renunciar até 15 de setembro. Se o candidato for substituído, os dados e a foto da urna serão atualizados a tempo do primeiro turno das eleições, no dia 5 de outubro, conforme o TSE. Também de acordo com o TSE, não há restrições para que cônjuges assumam as candidaturas de “fichas-sujas” que renunciaram. Neste caso, a mulher ou o marido do candidato ou candidata
“ficha-suja” precisa ser filiada ao partido que tem direito à vaga e ser elegível, ou seja, não ser enquadrada nos mecanismos barrados pela Lei da Ficha Limpa, por exemplo. O mecanismo já foi utilizado em eleições passadas. Em 2010, o ex-governador do DF Joaquim Roriz (PRTB), que é “ficha-suja”, colocou sua mulher, Weslian Roriz (PRTB), no seu lugar da candidatura ao governo do DF a nove dias do pleito. Apesar de experiência nenhuma com a política e o pouco tempo de campanha, Weslian chegou ao segundo turno, mas perdeu para o petista Agnelo Queiroz (PT).
EXPEDIENTE EDIÇÃO Mário Adolfo e Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Moara Cabral, Joelma Muniz, Raphael Lobato Assessorias
REVISÃO Dernando Monteiro e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Leonardo Cruz, Klinger Santiafo, Kleuton Silva, Pablo Filard e Mário Henrique Silva
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
Capa
ilustração de Martín Kovensky
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Shigeru Ban visita São Paulo
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Será o Benedictus?
E outras 9 indicações culturais. Pág. 2
Todos os títulos e os muitos nomes de Spinoza. Pág. 3
Uma discreta assombração
Emilio Fraia no rastro do centenário Bioy. Págs. 4 e 5
4
Marina Silva, “el huracán”
5
Rio de Janeiro, 1980
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Diário de Buenos Aires. Pág. 6
Do arquivo de Ricardo Tacuchian. Pág. 7
Sobre a cabeça do poeta voaram 37 cisnes
A imaginação de Adolfo Bioy Casares. Pág. 8
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 10 INDICAÇÕES
BRASILEIRO
THIAGO ROCHA PITTA/DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | THIAGO ROCHA PITTA Na individual “Atlas/Oceano”, o artista mineiro apresenta um vídeo realizado em residência artística na Noruega que dá nome à mostra. Além desta obra, estarão expostas outras, anteriores, que dialogam com a nova criação, em que os elementos frequentes são barcos e o mar. Galeria Millan | tel. (11) 3031-6007 | ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 18h | grátis | até 27/9
LIVRO | AS FANTASIAS ELETIVAS O romance do catarinense Carlos Henrique Schroeder se passa em Balneário Camboriú e os personagens são um recepcionista de hotel e uma travesti que chega à cidade. É a partir do encontro entre os dois que o autor tece sua narrativa sobre a solidão. Record | R$ 32 | 112 págs.
Still do vídeo “Herança” (2007)
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CURSO | EDITORAÇÃO O editor Paulo Werneck, curador da Flip deste ano, ministra o curso “A Técnica e a Arte do Editor de Livros”. Serão quatro encontros sobre o processo de edição, formas de organização e o fluxo de trabalho nas editoras. Centro Cultural b_arco | tel. (11) 3081-6986 | seg. (15) a qui. (18), das 19h30 às 22h30 | R$ 400
ENCONTRO | POÉTICA MUSICAL A quarta edição do Encontro de Pesquisadores em Poética Musical dos Séculos 16, 17 e 18 promove mesas-redondas, debates e concertos na Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, próxima à praça da Sé. Na quarta (17), será a estreia do Consort Bassano da USP, conjunto de 20 flautas, que variam de 20 cm a 2 m de comprimento, voltado para o repertório quinhentista. Sesc Carmo | tel. (11) 3111-7000 | ter. a sex., das 9h às 16h30; concertos às 13h | grátis | até 19/9
LIVRO | OS CONTOS DE CANTERBURY A edição bilíngue do clássico medieval de Geoffrey Chaucer (1343-1400) traz notas, contextualização histórica e as xilogravuras da primeira versão impressa dos contos, feita em 1483. Venda exclusiva na Livraria Cultura. trad. Paulo Vizioli | ed. 34 | R$ 86 | 784 págs.
POESIA | NICANOR PARRA No último dia 5, o chileno completou 100 anos, e a Casa das Rosas promove uma homenagem ao poeta. Sob coordenação de Heitor Ferraz, serão feitas leituras de poemas inéditos do autor em português por Paulo Ferraz e Cide Piquet. Casa das Rosas | tel. (11) 3285-6986 | qui. (18), às 19h30 | grátis
DEBATE | ARQ. FUTURO O ciclo de debates promove o fórum internacional “A Cidade e a Água”, com palestra de abertura de Shigeru Ban, arquiteto japonês vencedor do Prêmio Pritzker deste ano. Entre os assuntos que serão debatidos, estão temas como saneamento, a escassez de água e os rios dos grandes centros urbanos. Auditório Ibirapuera | tel. (11) 3089-8855 | 23 e 24/9, das 9h30 às 19h30 programação e inscrições em arqfuturo.com.br | grátis
POP
ERUDITO
GABRIEL WICKBOLD/DIVULGAÇÃO
EXPOSIÇÃO | GABRIEL WICKBOLD A mostra “Sans Tache (Sem Marca)”, sob curadoria de Diógenes Moura, exibe série de 15 fotografias na qual o artista retira digitalmente manchas e imperfeições da pele dos fotografados. Porém, após reveladas, as imagens passaram pelo processo da grilagem – são colocadas em caixas com grilos, cujos excrementos amarelam as fotos. Lume | tel. (11) 3168-0351 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 14h | grátis | última semana
DEBATE | BOLÍVAR LAMOUNIER Para marcar o lançamento de seu novo livro, “Tribunos, Profetas e Sacerdotes”, o sociólogo participa de conversa com José Augusto Guilhon Albuquerque, Milton Lahuerta e Sérgio Fausto. O volume trata da democracia liberal e do autoritarismo ao longo do século 20. Livraria da Vila - Higienópolis | qui. (18), às 18h30 Companhia das Letras | R$ 46 | 264 págs.
Imagem da série “Sans Tache (Sem Marca)” (2014)
ESTRANGEIRO
CINEMA | EUGÈNE GREEN O espectador desavisado que comparecer ao Indie Festival deste ano e que porventura entrar em uma sessão qualquer da retrospectiva Eugène Green, terá pela frente um choque de expectativas. Se simplesmente quiser ver uma amostragem de filmes sintonizados com o cinema independente contemporâneo, a surpresa poderá ser desagradável: a interpretação antinaturalista e a abundância de discussões teóricas podem levar esse espectador à monotonia. Caso contrário, se se permitir ser conduzido por esse autor tão generoso quanto original, a recompensa poderá ser alta. Navegando na contramão do empirismo reinante, Green oferece uma obra marcada pela concisão, pelo bom humor e pela força da palavra. Para apreciá-la, não é preciso erudição ou atenção às sutilezas. Convém apenas investir sua atenção ao presente do que é dado a ver (sempre frontalmente). A recompensa, dizíamos, é alta: a clarividência. (PEDRO FAISSOL) Cinesesc | tel. (11) 3087-0500 | abertura qua. (17), às 19h30 | programação em indiefestival.
Folha.com
Ilustríssimos desta edição REPRODUÇÃO
ADOLFO BIOY CASARES (1914-99) foi um escritor argentino. Sua obra-prima, “A Invenção de Morel” (1940), teve recente adaptação aos quadrinhos, pelo francês JP. Mourey, publicada no Brasil pela editora L&PM.
é autor de “Terminaron las Clases” (Papelera Palermo).
EMILIO FRAIA, 32, é autor do romance “O Verão do Chibo” (Alfaguara), com Vanessa Barbara, e da graphic novel “Campo em Branco” (Companhia das Letras), com DW Ribatski.
RICARDO TACUCHIAN, 74, é compositor, maestro e professor aposentado da Unirio.
RAFAEL CAMPOS ROCHA, 44, é ilustrador e cartunista, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.).
FELIPE GUTIERREZ, 34, é correspondente da Folha em Buenos Aires.
SÉRGIO MOLINA, 40, é tradutor, nascido em Buenos Aires. Sua tradução para a primeira parte de “Dom Quixote” (ed. 34) ganhou o Prêmio Jabuti em 2004.
MARTÍN KOVENSKY, 56, artista plástico argentino,
ÚRSULA PASSOS, 27, é redatora da “Ilustríssima”.
VIVIAN MAIER Processo judicial nos EUA busca identificar herdeiro da obra da fotógrafa FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha TEATRO Personagens de Shakespeare são representados por atores do sexo oposto >>folha.com/ilustrissima
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Filosofia
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A hora e a vez de Baruch Spinoza Obra integral do pensador sai no Brasil RESUMO A obra do filósofo holandês Spinoza (1632-77), embora considerada seminal para a modernidade, não estava integralmente disponível naquela que era a língua de sua família: o português. Lançamentos recentes cobrem essa brecha e jogam luz sobre o estudioso excomungado da comunidade judaica por suas ideias.
ÚRSULA PASSOS
“Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito seja seu levantar e maldito seja seu deitar, maldito ele em seu sair e maldito ele em seu entrar”. Foi com essas palavras que um homem de 24 anos foi expulso da comunidade judaica de Amsterdã, no ano de 1656. Em 1674, os Estados Gerais da Holanda proibiriam a impressão de seu livro “Tratado Teológico-Político”, considerado “blasfematório e pernicioso para a alma”, e, quatro anos mais tarde, vetariam a divulgação de sua obra póstuma. Benedictus de Spinoza, como assinou suas obras em latim, ou Baruch de Espinosa ou Baruch Spinoza, como aparece em documentos oficiais (1632-77), foi, por muitos anos, considerado subversivo por suas teses filosóficas, que incluem a identidade entre Deus e natureza, a negação do livre-arbítrio do homem e uma concepção de religião que dispensa templos, cerimônias e teologias. Hoje, é considerado um dos inauguradores do pensamento moderno, junto a nomes como René Descartes e Thomas Hobbes. Até este ano, porém, o leitor brasileiro não dispunha de uma tradução das obras completas de Spinoza na íntegra. A edição em quatro volumes da editora Perspectiva vem preencher esta lacuna. O projeto foi organizado pelo editor Jacó Guinsburg e pelo jornalista Newton Cunha – que também traduziram os livros – em conjunto com o professor de filosofia da Unicamp Roberto Romano. A coleção traz, no primeiro volume, o “(Breve) Tratado de Deus, do Homem e de sua Felicidade”, “Princípios da Filosofia Cartesiana”, “Pensamentos Metafísicos”, “Tratado da Correção do Intelecto” e o “Tratado Político” [R$ 75, 488 págs.] e publica pela primeira vez a correspondência completa de Spinoza, acompanhada da primeira biografia do filósofo – “A Vida de Barukh de Spinoza” (1705), de Johannes Colerus [R$ 69, 392 págs.], no segundo tomo da série. O terceiro volume é dedicado ao “Tratado Teológico-
Político” [R$ 69, 394 págs.] e o quarto, que deve sair ainda neste mês, contempla a “Ética” e, também pela primeira vez em português, o “Compêndio de Gramática da Língua Hebraica”, traduzida por Jacó e sua mulher, Gita Guinsburg. Além da Perspectiva, a editora Autêntica conta, desde 2011, com a Série Espinosana, que pretende lançar, separadamente, todas as obras do filósofo, sob coordenação do professor de filosofia da USP Homero Santiago, de Ericka Marie Itokazu, professora da Unirio, e de André Menezes Rocha, doutor em filosofia pela USP. A coleção, que também publica ensaios sobre o filósofo, conta, por ora, com dois títulos: “A Unidade do Corpo e da Mente” – “Afetos, Ações e Paixões em Espinosa” [trad. Luis César Guimarães Oliva e Marcus Ferreira de Paula, R$ 39, 208 págs.], da professora francesa Chantal Jaquet, e “Breve Tratado de Deus, do Homem e do seu Bem-estar” [trad. Emanuel Angelo da Rocha Fragoso e Luis César Guimarães Oliva, R$ 47, 176 págs.], lançado em 2012, a primeira tradução desse texto de Spinoza para a língua portuguesa. Geômetras A Edusp, por sua vez, deve lançar até o fim do ano uma nova tradução da “Ética” (cujo nome completo é “Ética Demonstrada à Maneira dos Geômetras”), feita pelo Grupo de Estudos Espinosanos, sob coordenação da professora de filosofia da USP Marilena Chaui. Essa tradução começou a ser feita nos anos 1990 como uma forma de aprofundar as pesquisas do grupo, e sua edição terá projeto gráfico semelhante ao da edição original, de 1677, na qual se evidencia graficamente a divisão do livro em proposições, demonstrações e escólios (comentários ou explicações de uma proposição). “Spinoza era um homem muito ligado em ciência, na época dele a geometria era, e ainda é, o exemplo máximo da racionalidade. Aquela forma que Euclides adotou de dizer explicitamente quais são os princípios e estabelecer nexos lógicos depois se transformou numa referência do que é uma obra científica, do que é uma explicitação racional do pensamento. Ele não esconde a sua maneira de evoluir e, muito inspirado em Descartes, estabelece um raciocínio matemático na ‘Ética’”, afirma o editor César Benjamin. Ele organizou e publicou recentemente por sua editora, a Contraponto, o volume “Estudos sobre Spinoza” [trad. Eliana Aguiar, Estela dos Santos Abreu e Vera Ribeiro, R$ 82, 372 págs.], que reúne quatro ensaios de estudiosos estrangeiros e consagrados, como o francês Léon Brunschvicg (1869-1944), sobre a obra do filósofo. Para o professor Homero Santiago, autor de “Espinosa e o Cartesianismo” (Humanitas, 2004), é surpreendente que o português não contasse com uma tradução das obras completas de Spinoza, à diferença
do que já acontecia com idiomas como o francês, o inglês, o alemão e o italiano. Por outro lado, Santiago chama a atenção para um efeito sanfona no interesse pelo filósofo. Ainda que tenha sido constantemente uma referência para grandes pensadores, desde sua morte, no século 17, ele ficou centenas de anos sem reedições importantes. “Ele se tornou quase um espectro sobre a Europa e apenas no século 19 foi republicado, na Alemanha”, diz. “A discussão que há em Spinoza é válida; é a discussão sobre a liberdade humana, sobre os limites da intervenção do Estado, sobre as obrigações entre Estado e cidadão, e, sobretudo, sobre a liberdade de opinião”, diz Jacó Guinsburg, editor e fundador da Perspectiva, em seu escritório, cercado por prateleiras contendo os livros que vem publicando desde 1965. Maio de 68 Foi no bojo do movimento francês de Maio de 68 que se retomou de vez a obra do filósofo excomungado de sua comunidade, intelectual judeu de origem portuguesa cuja família fugia da Inquisição. Na França dos anos 1960 foram publicados dois importantes estudos sobre Spinoza. Um foi a obra em dois volumes de Martial Gueroult (1891-1976), professor do Collège de France que chegou a dar aulas no Brasil nos anos 1940 e 1950, e o outro, o de Gilles Deleuze, “Spinoza e o Problema da Expressão”, sua tese secundária de doutorado, defendida em 68 – a primeira deu origem ao livro “Diferença e Repetição”, obra fundamental do filósofo. A interpretação de Deleuze “conecta Spinoza a toda a movimentação política, de transformação social do Maio de 68 francês”, explica Santiago. A partir daí, os estudos spinozianos ganham ímpeto. “Embora seja um clássico do século 17, ele é um dos filósofos mais em evidência hoje, não só no campo da filosofia, mas no das humanidades em geral. Desde a década de 1960 houve um renascimento que só tem se intensificado nos últimos anos”. Nas décadas de 1970 e 1980, estudos fortaleceriam o vínculo entre o filósofo e a política e, recentemente, o influente filósofo marxista italiano Antonio Negri se declararia spinoziano. “Até mais”, diz Santiago: “Ele propõe que hoje deve-se ler Marx sob as lentes spinozianas”. “A defesa que Spinoza faz da liberdade de consciência e de expressão é muito atual. Como o Estado não pode alterar consciências, ele não tem que legislar sobre consciências”, diz Benjamin. Para ele, outro aspecto da obra de Spinoza a colocá-lo entre os precursores do moderno é a questão da individualidade. “Em sua época não existia a ideia de indivíduo, cada um pertencia a um grupo e tinha suas qualidades, por meio do qual fazia a mediação com o Estado”. Isolado de seu grupo
pela excomunhão, Spinoza introduz a questão do indivíduo em sua obra. “Ele é um precursor, o mundo moderno já estava nascendo, e ele, tanto pela obra quanto pela vida, é o precursor dessa modernidade”, opina o editor. Lente Spinoza, que se estabelecera como artesão de lentes, recusou o convite para lecionar na universidade alemã de Heidelberg porque, segundo ele, não sabia quanto o fato de ensinar limitaria a liberdade que a instituição lhe havia prometido. No “Tratado Político” o filósofo defende que, em uma república livre, deve haver licença para ensinar publicamente, mas não a expensas do Estado. Spinoza não virou professor e não cuidou dos negócios de produtos orientais da família: passou a vida polindo instrumentos ópticos. “Ele era um intelectual naquilo que de mais puro podemos pensar: não ter comprometimentos de outra ordem”, diz Guinsburg. “Spinoza se volta para a política como uma maneira de lidar com a multidão, uma forma de fazer avançar o processo civilizatório sem exigir que todas as pessoas sejam intelectuais”, explica César Benjamin. Segundo Roberto Romano, nos livros do filósofo é perene a confiança na política, e o “exame cauteloso dos textos” deixa claro por que Spinoza e seus seguidores foram alvo de “tantos ataques,
excomunhões e vetos”. “Ler Spinoza ajuda a pensar o Estado e a sociedade, sobretudo em suas gravíssimas crises institucionais de hoje. Quem deseja uma vida democrática e livre não se afasta de Spinoza”, frisa. Deus Em 1999, Marilena Chaui, maior estudiosa de Spinoza no Brasil, foi entrevistada no programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Na ocasião, lançava
seu imponente estudo sobre o filósofo, “A Nervura do Real” [Companhia das Letras, R$ 104, 1.240 págs.]. O apresentador Paulo Markun perguntou-lhe se acreditava em Deus. Sua resposta causou frisson: “Eu conheço Deus, eu não acredito nele”. E explicou, à moda de Spinoza: “Conhecê-lo é exercer o trabalho do pensamento na direção de conhecer a estrutura do universo e seu modo de realização”.
RAFAEL CAMPOS ROCHA | Deus essa gostosa
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Literatura RESUMO O escritor argentino Adolfo Bioy Casares, cujo centenário comemora-se amanhã (15), viveu à sombra de seu amigo Jorge Luis Borges. Embora menos lido do que o autor com quem dividiu projetos e autoria, estudiosos e fãs analisam o caráter discreto e refinado de sua obra e destacam faceta menos conhecida de memorialista.
EMILIO FRAIA ILUSTRAÇÃO MARTÍN KOVENSKY
Se “city tour” fosse uma modalidade da crítica, o capítulo argentino poderia iniciar assim: “A Calle Jorge Luis Borges é imensa, cheia de plátanos e atravessa Palermo. No coração do bairro, que de subúrbio e ‘orilla’ passou a centro e lugar da moda, está a Plaza Cortázar. Dela saem ruas repletas de bares, restaurantes, lojas de roupa, cafés, livrarias, onde ‘se puede vivenciar la movida joven nocturna y diurna’. A Calle Adolfo Bioy Casares, por sua vez, é breve, quieta, uma leve descida. Começa e termina num canto da Plaza San Martín de Tours, na Recoleta. Atrás das árvores, fica quase invisível”. Nascido em 15 de setembro de 1914, Bioy Casares é uma espécie de fantasma entre seus pares. Suas aparições são sutis; seu estilo é transparente, sem estridência, e sua obra parece estar sempre à sombra. Durante toda a vida, o autor de “A Invenção de Morel” (1940) foi vinculado a Borges, seu amigo e parceiro literário, com quem escreveu livros, fez traduções e organizou antologias. Ironicamente, a mística da discrição o acompanhou até em seu centenário, obliterado por um outro, apoteótico, o de Julio Cortázar. Na Feira do Livro de Buenos Aires, em maio deste ano, a quantidade de homenagens e lançamentos em torno de Cortázar impressionava. A Bioy restou a exibição de um vídeo triste com trechos de sua obra dramatizados de forma triste, numa sala triste em que só podiam entrar três pessoas, evidentemente tristes, por vez. Diante de tais particularidades e contingências, os caça-fantasmas literários têm tido trabalho dobrado para tirar o autor daquele limbo para onde vão os escritores após a morte. “Ele está em suspenso, esperando ser redescoberto e que lhe façam justiça”, diz um entusiasta de sua obra, o escritor argentino Rodrigo Fresán, por telefone, de sua casa em Barcelona. “É preciso que surja uma nova geração que o aborde sem nenhum tipo de preconceito, que consiga observá-lo com alguma distância”, clama. A oportunidade parece estar chegando. Se não propriamente de “justiça” ou ampla “redescoberta” – porque Bioy dará um jeito de desaparecer –, pelo menos de investigar seu legado e se sua obra ainda tem o poder de assombrar.
Holograma Bioy Casares morreu em 8 de março de 1999, aos 84 anos. Em novembro, ele se materializa entre nós com a publicação do primeiro volume de sua “Obra Completa” (organizada pelo pesquisador Daniel Martino), a sair pelo selo Biblioteca Azul, da editora Globo. Nesse tomo está toda sua fase inicial, que vai de “A Invenção de Morel” (tradução de Sérgio Molina) a “O Sonho dos Heróis” (1954, tradução de Josely Vianna Baptista) e “História Prodigiosa” (1956, tradução de Antônio Xerxenesky), passando pelos contos inesquecíveis de “A Trama Celeste” (1948, tradução de Ari Roitman e Paulina Watch). Na Argentina, o terceiro volume acaba de chegar às livrarias. Nele figuram “Dormir ao Sol” (1973), “A Aventura de um Fotógrafo em La Plata” (1985) e obras que surgiriam depois de o escritor ter sido agraciado com o Prêmio Cervantes, em 1990 – além de “Uns Dias no Brasil” (2011), que narra suas andanças por São Paulo, pelo Rio e pela recém-nascida Brasília, nos anos 60. Em breve, seus livros ganharão também novas edições de bolso, pela Emecé. E uma exposição, “El Lado de la Luz, Bioy Fotógrafo”, no Centro Cultural San Martín (a ser inaugurada no dia 28 de setembro), pretende dar conta de suas incursões pela fotografia. O que sabemos de Bioy, no entanto, não é tudo. Ao lado de sua figura de exímio urdidor de tramas, que rechaçava as narrativas realistas e psicológicas – “mera verossimilhança sem invenção”, segundo Borges, no célebre prólogo de “A Invenção de Morel” –, começa a se produzir agora o holograma de um outro Bioy. É o pesquisador Ernesto Montequín quem dá forma ao tal ectoplasma, entre um café e outro, no El Gato Negro da Avenida Corrientes, Buenos Aires: “O que vem acontecendo com Bioy é algo surpreendente. Sua obra visível, a que temos acesso, é apenas uma parte do todo. Secretamente, ao longo dos anos, ele desenvolveu uma espécie de vida literária paralela”. Montequín se refere aos diários do escritor. De 1949 a 1975, Bioy escreveu-os de forma obsessiva, preenchendo cerca de 120 cadernos. Destes, uma parte foi publicada em 2006 sob o título de “Borges” – um catatau de 1.650 páginas. Era um projeto de Bioy: sacar de seu diário todas as entradas em que o amigo fosse citado. Em 1990, anunciou que reuniria essas anotações em um livro: nele, Borges apareceria “rindo das coisas que ele mesmo respeitava, falando como um amigo íntimo”. O volume provocou calorosos debates e foi, sem dúvida, um dos principais acontecimentos literários da última década na Argentina – sobre ele, o escritor Alan Pauls diz, por e-mail: “É um texto sensacional, talvez o melhor de Bioy, todavia o menos Bioy de Bioy”. Em 2001, surgiu “Descanso de Caminantes”, que muitos tomam como parte de seus diários mas que foi escrito pós-1975, num esquema diferente, de notas. Para os próximos anos, mais escritos privados de Bioy devem vir à tona. A aposta de Montequín é de que Bioy será redescoberto e reavaliado à luz dessa nova
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Às vezes eles voltam No ano do seu centenário, Bioy Cassares sai da sombra
faceta, de memorialista. “Isso vai mudar profundamente nossa percepção sobre ele”, diz o pesquisador, que administrou os direitos da obra do escritor durante seis anos e hoje é responsável pelo arquivo de Silvina Ocampo – uma das mais brilhantes contistas argentinas, autora de livros como “A Fúria” (1959), ainda estranhamente inédita no Brasil –, com quem Bioy foi casado por 53 anos. “Os diários de Bioy não são meramente introspectivos. Bioy sabia que seriam publicados, por isso injetou neles toda sua verve narrativa, apurada ao longo dos anos. Também não têm a ver com o que conhecemos como autoficção. A tradição a que Bioy se filia é outra”, afirma Montequín. “Por conta de sua posição social, ele tinha acesso a um mundo muito particular. Seus diários são a história de uma classe, de um tempo, a história de
meio século da vida argentina, além de, claro, serem os registros de um dos maiores escritores do século 20”. Em 1949, Montequín destaca, um fato iluminaria o caminho rumo aos diários: Bioy descobre Proust – e passa a se interessar por livros de memórias, entrar em contato com as tradições inglesa e francesa das autobiografias, ir atrás de compilações de cartas. “Ele começa a ler de outra maneira, de um jeito diferente de seus anos iniciais, quando estava mais próximo de Borges”. Isso se cristaliza em 1965, quando, na segunda edição da “Antologia da Literatura Fantástica” (1940), que compilou com Borges e Silvina Ocampo, Bioy agrega um pósescrito ao prólogo que fizera para o livro – prólogo este que, conforme registra o crítico Emir Rodriguez Monegal em “Borges: uma Poética da Leitura” [Perspectiva, R$ 27,
186 págs.], pertence à categoria de “texto fundador”. Nela, retifica algumas de suas opiniões. E principalmente: absolve Proust, cuja obra havia comparado, na primeira versão do texto, a um “maço de jornais velhos”. Outra mudança ocorre em relação a Tchékhov. Em entrevista ao escritor argentino Fernando Sorrentino, nos anos 1990, reunida em “Siete Conversaciones con Adolfo Bioy Casares” [El Ateneo, R$ 42,90, 275 págs.], Bioy diz que “passou a vida desdenhando de Tchékhov porque não havia argumentos em seus contos”. “Eu tinha predileção pelas narrativas que contavam histórias”, diz. “Mas opinava sem ler, ou tendo lido apenas de forma rápida.” Nos anos 1950, depois de voltar a Tchékhov, passa a se sentir próximo a ele, a seu jeito de ser. “Hoje, muitas coisas da psicologia de Tchékhov me são agra-
dáveis. É como se tivesse descoberto um amigo”. Especulações Em 11 de novembro de 1955, Alejandra Pizarnik anota sobre Bioy Casares em seu diário: “Escreve muito bem. Mas tem alguma coisa que falha. Ainda não descobri o que é. Talvez não encontre, mas é uma vaga sensação de falta de plenitude”. O sentimento da poeta argentina encontra eco na apreciação de Alan Pauls sobre o estilo de Bioy: “Ele é ‘puro’ demais, e está feito sempre de uma coisa só, apenas um tom, um só imaginário. Suponho que isso seja precisamente sua força, o que gostam nele, mas eu prefiro a literatura impura”.”Talvez por serem transparentes demais, os textos de Bioy não se prestem muito a especulações críticas”, avalia Pauls. “Seu legado é a defesa do relato, da narrativa, da naturalidade
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ma narrativo onde o jogo de matizes, a sátira e a ambiguidade psicológica aparecem unidos a certa naturalidade na escrita, uma coisa única”. Enquanto encara um wok de macarrão com legumes no bar Shangai, em Palermo, Coelho lamenta a ausência de Bioy no debate literário argentino. “Dá para pensar nos contos de Bioy como uma indagação dos afetos unida ao recurso fantástico. Talvez nenhum escritor tenha oferecido percepções do amor tão diversas e contraditórias”. Na opinião de Alan Pauls, contudo, o melhor de Bioy está nos livros que escreveu com Borges – “Seis Problemas para Dom Isidro Parodi” (1942), “Duas Fantasias Memoráveis” (1946), “Crônicas de Bustos Domecq” (1967) e “Novos Contos de Bustos Domecq” (1977). “Amparados por um pseudônimo”, diz o autor de “O Passado”, “Borges e Bioy lançaram mão de elementos que não poderiam nunca figurar em suas obras individuais”. Entre eles, destaca “uma certa artificiosidade barroca, o uso brutal da cultura popular, atrevimento e paixões rasteiras”.
como estilo. São valores que a crítica não aprecia muito, basicamente porque é pouco o que se pode fazer com eles”. A esse respeito, a jornalista e editora argentina Violeta Weinschelbaum assente: a presença de Bioy na escrita acadêmica hoje é praticamente nula. “Hernán Díaz, diretor da ‘Revista Hispánica Moderna’, da Universidade Columbia, comentava comigo que, nos três últimos anos, apareceu um só artigo sobre sua literatura”, fala. “Dos autores jovens que conheço, ninguém se interessa muito por ele”, completa a editora, apontando que, enquanto “quase ninguém o lê sistematicamente”, é possível notar certo “delírio”, à moda da literatura de César Aira, “que parece determinar grande parte da literatura contemporânea na Argentina e tem muito a ver com Bioy”. Weinschelbaum chama a atenção para outro ponto, referente à classe: muitos desses autores, diz, têm uma postura clara de fastio frente à aristocracia de Bioy. “Em contrapartida, o ativismo político de Cortázar faz com que siga mais vigente entre determinado grupo de escri-
tores (e de leitores) que manifestam certo progressismo político. O interessante”, fala, “é que Bioy e Cortázar se admiravam, não havia brigas entre eles”. Filho de fazendeiros e casado com Silvina Ocampo, a filha mais nova de uma das famílias mais ricas da Argentina, Casares sempre levou sua classe com pudor e discrição, que é como levavam a classe os homens com classe de antes dos anos 1970. “Essa falta de ostentação e essa naturalidade estão muito em sincronia com a poética de Bioy, que descansa no ‘understatement’ e na transparência”, comenta Pauls. “A partir dos anos 1990, quando irrompem na Argentina os novos poderosos, a alta burguesia a que pertencia Bioy passa a ser uma classe admirável (por seus modos, sua cultura, sua ética), inclusive para a esquerda que sempre a combateu”. “Creio que não trabalhou um único dia de sua vida, viveu muito comodamente, com uma herança familiar, e isso sempre despertou certo preconceito”, analisa Rodrigo Fresán. “É um autor por quem a academia nunca se interessou. Conheço escritores que o
consideram um burguês aristocrata que escrevia em seu tempo livre. O que não dizem é que foi um burguês aristocrata que escrevia muito bem em seu tempo livre”. César Aira, por sua vez, revela nunca ter nutrido muita simpatia por Bioy, ainda que “tenha terminado por perdoálo” quando leu seu “Borges”. “É um livro maravilhoso, que justifica uma vida de escritor”, elogia, por e-mail. “De sua obra, gosto de ‘A Aventura de um Fotógrafo em La Plata’, e de alguns contos, como ‘O Grande Serafim’. ‘A Invenção de Morel’ tem uma explicação final longa demais, que torna o livro feio. Se um romance precisa de tanta explicação é porque alguma coisa falhou. Pensando agora, o que mais gosto de Bioy é seu último livro, ‘De um Mundo a Outro’, do qual todos dizem, seguramente com razão, que é senil – e que se parece tanto ao que eu escrevo”. Para o argentino Oliverio Coelho, eleito um dos melhores jovens autores hispano-americanos pela revista britânica Granta em 2011, “Bioy inaugurou um modo de escrever atípico para a época na Argentina, uma modalidade sem estridência, um siste-
Watson e Sherlock A história é sabida: quando se conheceram, em 1932, na casa de Victoria Ocampo, em San Isidro, Bioy tinha 17 anos, e Borges, pouco mais de 30. Lá, reuniam-se colaboradores e pessoas ligadas à revista “Sur”, editada por Ocampo – irmã mais velha da futura mulher de Bioy. “Na casa de Victoria estávamos num mundo literário que não era o nosso”, lembra Bioy, numa das entrevistas que deu a Sorrentino. A conexão entre eles foi instantânea. Por muito tempo, encontraramse diariamente para discutir textos, criar histórias e colocar em prática a maledicência literária – “Creio que Thomas Mann era um idiota” (Borges); “Nada pode ser pior do que Quiroga” (Bioy). Em seu “Um Ensaio Autobiográfico” (1970), Borges diz que um dos principais acontecimentos de sua vida foi a amizade com Bioy. “Ao se opor a meu gosto pelo barroco, ele fezme sentir que a discrição e o comedimento são mais convenientes. Eu diria que Bioy foi me levando aos poucos ao classicismo”, escreveu. As comparações entre Borges e Bioy são uma instituição da literatura. Para muitos, é como se Bioy fosse o Watson de Sherlock Holmes ou o Sancho Pança de Quixote. “Mas quem não gostaria de ser o Watson de Sherlock Holmes?”, pergunta Rodrigo Fresán. “Sem falar que Watson salva Holmes e Sancho salva Quixote”. “De um ponto de vista muito pessoal, digo algo que costuma me trazer problemas: Bioy Casares é melhor do que Borges”, provoca. “Essa visão não é partilhada pela maioria dos meus colegas argentinos, mas Bioy me parece um escritor mais completo. Borges me faz pensar no HAL 9000, computador de ‘2001, Uma Odisseia no Espaço’. Tem algo de máquina, não humana, não sensível. Para mim, Bioy tem tudo o que há em Borges e, além disso, certa sensualidade, paixão, uma consideração com as personagens femininas que em Borges simplesmente não existe. Quando Borges quer tratar de amor, sinto vergonha alheia. Dá vontade de sair correndo, um pouco de pena. Já Bioy não: é um grande sensualista”. A esse respeito, Bioy Casares, numa das entrevistas que concedeu a Sorrentino, lembra de Borges como
uma figura “eminentemente épica”, que nutria desprezo pelo intimismo. “Nos livros, não gostava de expressar sentimentos, mas na vida era mais sentimental”, diz. “Ficava apaixonado, sofria, deixava ver que estava completamente apaixonado. E tinha má pontaria para mulheres; elas muitas vezes o maltratavam por causa dessa entrega excessiva”. Borges admirava Bioy por sua sedutora elegância, pela maneira como, sutilmente, colocava em marcha suas conquistas. Pelos braços de Bioy passou uma infinidade de mulheres, solteiras e casadas – Elena Garro, mulher de Octavio Paz, foi uma das que durante anos sucumbiram a seus encantos. O escritor jogando tênis e tomando chá no clube, com amigas queridas; o escritor em seu carro na saída dos fundos do teatro, com um cigarro nos lábios, esperando uma atriz ou corista do espetáculo: imagens possíveis de Bioy. Sobrinha O escritor espanhol Manuel Vincent conta, em artigo de 2007 publicado no jornal “El País”, que, certa noite, em uma reunião de amigos na casa do escritor Carlos Mastronardi, Bioy exclamou: “Genca está poderosíssima!”. Tratava-se de Silvia Angélica, sobrinha de Bioy. Ele reparou em sua beleza extraordinária – e no dia seguinte a fez sua amante. Bioy relata que, quando era adolescente, sofria de amores. Depois, tudo mudou. “Quando tive apenas uma mulher, fui muito infeliz. Com duas ou três, parece que adivinhavam e me mimavam para não me perder. Talvez tenha sido um Don Juan para me proteger”, afirma. “Quando dizia a verdade e me entregava por completo, era comum que imediatamente fosse dominado e castigado.” Em uma entrada de “Descanso de Caminantes” intitulada “Mar del Plata”, Bioy recorda que “suas amigas” às vezes queriam tirá-lo de casa durante a noite, mas ele se negava, “porque Silvina ficava ansiosa, e porque passar a noite fora sempre lhe deu medo e tristeza, um certo sentimento de culpa”. Para o crítico Alberto Giordano, no artigo “La Intimidad de un Hombre Simples: los Escritos Autobiográficos de Adolfo Bioy Casares”, a “vida amorosa de Casares foi a de um temeroso Don Juan que teve que ser também um marido fiel”. “Em casa sentia-se seguro, mas asfixiado e ansioso para saber se continuava sendo atraente para as mulheres de fora”, escreve. “Quando estava fora, uma vez consumadas suas aventuras de sedutor, sentia um impreciso e arcaico temor diante do desconhecido que o levava de volta para casa.” Giordano imagina Bioy como um fantasma triste, vagando de um lugar a outro, prisioneiro de suas inconstâncias e infidelidades, traído por suas próprias armadilhas. “Mais ou menos como o imaginou Elena Garro, em um melancólico personagem de ‘Testimonios de Mariana’ (1999), um Don Juan tomado pelo sentimento de ‘filho infeliz de suas mulheres’”. A Silvina Ocampo, todavia, nunca caiu bem o papel de vítima, de mulher traída. Na história dessa relação de grande amor, tão bonita quanto controversa, Ocampo desafiava as ideias de como uma mulher deveria ser em sua época. Também teve suas aventuras, e sob certos aspectos, diz Giordano, “de maneira ainda mais radical
do que Bioy, porque menos previsíveis”. Em “Los Bioy” [Tusquets, R$ 26,10, 186 págs.], livro de memórias que retrata os 50 anos em que trabalhou para o casal Bioy-Ocampo, a criada Jovita Iglesias conta que “Marcelo Pichon Rivière, muito amigo da senhora e do senhor, escreveu, depois da morte de Bioy, que na verdade Silvina havia tido uma vida amorosa igualmente intensa à de Adolfito, só que com mulheres”. Não se trata de um segredo. E é conhecida a carta que, em janeiro de 1972, poucos meses antes de suicidar-se, a poeta Alejandra Pizarnik envia a Ocampo. Nela, pede a Silvina que não a esqueça, que a ama demais e que gostaria que “estivesse nua, ao seu lado agora, lendo poemas em voz alta”. Antípoda É difícil prever o que o futuro reserva a Bioy ou como o seu espectro se comportará num mundo que, sob muitos aspectos, apresenta-se como seu antípoda. “A princípio, acho que Bioy não deixa herdeiros: os rumos da atual ficção hispano-americana são distintos demais do que ele concebeu e escreveu”, avalia o crítico e professor Júlio Pimentel Pinto. “Ao mesmo tempo, porém, me vem à cabeça uma infinidade de heranças de Bioy. Por exemplo: seu trabalho como editor e antologista, que determinou a difusão, na Argentina, de autores hoje óbvios, mas pouco ou nada conhecidos à época, como Kafka e Swedenborg”. Pimentel frisa ainda “seu apreço, tão raro entre nós, pelas histórias de aventuras e pelos enigmas policiais; um apreço pela literatura de engenho, pelo rigor das arquiteturas narrativas, pela elegância do texto, pelo domínio pleno da língua”. “Ou, ainda, a originalidade e a precisão das ambientações de seus romances, as categóricas descrições de personagens: sutis, complexas, envolventes – como as tramas que inventava”. Para Rodrigo Fresán, uma narrativa de Bioy que deve romper a dimensão espaçotempo de nossos dias e permanecer entre nós no futuro é “O Sonho dos Heróis” – a história de um personagem que perde a lembrança de uma noite em que algo revelador aconteceu e, anos depois, decide tentar recuperá-la. “Formalmente, é o maior romance da literatura argentina, o romance mais perfeito”, diz. “’Adán Buenosayres’, ‘Sobre Heróis e Tumbas’, ‘O Jogo da Amarelinha’, ‘Facundo’, ‘Respiração Artificial’ são todos romances desarticulados, episódicos. São prisioneiros do fantasma do conto, gênero rei da literatura argentina”, afirma Fresán. “’O Sonho dos Heróis’ rende homenagem a essa estranheza, pois é um romance que tenta o tempo todo recordar um conto, o que aconteceu numa única noite. Trata-se de um conto e de um romance, ao mesmo tempo”. Ao fim, um possível legado de Bioy poderia estar na sua reticência, na sua sobriedade deliberada, na modéstia estilística que atravessa suas narrativas – ou no ar de uma rua pequena, escondida atrás de uma praça, na Recoleta. “A herança de Bioy, de tão ampla e discreta, é destituída de qualquer testamento e talvez nem consigamos ter consciência de sua profundidade”, diz Pimentel. E completa (quase dá para ouvir um suspiro): “Mas como seria bom se não o perdêssemos de vista”.
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Diário de Buenos Aires O MAPA DA CULTURA
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Bilheteria selvagem Poesia eleitoral e refeição às escondidas
FELIPE GUTIERREZ
Em um discurso recente, a presidente Cristina Kirchner deu uma pausa nas falas sobre política para tecer algumas considerações sobre cinema. Elogiou o filme paraguaio “Sete Caixas” e perguntou se a plateia havia visto “esse filme fantástico que é ‘Relatos Selvagens’”. Ver “Relatos Selvagens” em Buenos Aires não é tarefa fácil. As sessões do começo da noite ou dos fins de semana esgotam com muita antecedência – foram necessárias três idas à bilheteria até conseguir uma entrada. Trata-se da estreia com melhor desempenho na história do cinema argentino: já se aproxima da marca de 500 mil espectadores. Nos jornais, projeta-se um dos maiores sucessos comerciais da história. A intensa campanha publicitária que antecedeu a estreia certamente contribuiu para isso, mas o filme tem seus méritos. É uma comédia dividida em seis episódios, sem conexão narrativa entre eles, e mostra situações em que as pessoas reagem de maneira exacerbada a chateações comuns (carro guinchado, briga de trânsito, decepções amorosas etc.). E trata-se de uma superprodução, bem filmada, com explosões aparentemente impecáveis na técnica. Se não fosse isso, “Relatos Selvagens” estaria mais para um bom programa de esquetes do que para um
longa-metragem – o diretor Damián Szifrón tem uma carreira mais vinculada à televisão do que ao cinema. Ah, sim: tem o Ricardo Darín. O outro centenário O escritor Julio Cortázar completou cem anos, e a Argentina comemorou com nada menos do que 13 mesas-redondas e eventos durante a Feira do Livro de Buenos Aires. No jardim da Biblioteca Nacional – que se chama “Rayuela” (nome original de “O Jogo da Amarelinha”) – ergueu-se ainda um novo monumento em sua homenagem. A cidade celebra agora, de modo mais discreto (como o leitor da “Ilustríssima” acompanhou nas páginas anteriores) o centenário de Adolfo Bioy Casares. Um dos destaques é o lançamento do livro “Bioy Casares Va al Cine”, parte de uma série da editora Libraria Ediciones que narra a relação de diferentes escritores (como Roberto Arlt e Jorge Luis Borges) com essa arte. No novo volume, assinado por Adriana Mancini, o leitor acompanha como, em salas como a do velho cinema Hindú, nos anos 1920, Bioy Casares, ainda adolescente, se apaixonou pela primeira vez: pela imagem da atriz norte- americana Louise Brooks. Marina poeta Os jornais argentinos estão escolhendo seu lado na campanha eleitoral brasileira. A grande novidade é a presença de Marina Silva e o seu desempenho nas pesquisas. Mais noticiosos nesta cobertura, “Clarín” e
“La Nación”, por enquanto, tratam de descrever os movimentos das pesquisas eleitorais e os debates. O “Perfil”, que sai aos finais de semana, a descreve como um “furacão”. Ela já apareceu na capa acompanhada de um poema de sua autoria. Na semana seguinte, o jornal publicou um outro poema de Marina. A publicação também fez uma reportagem sobre o argentino Diego Brandy, que trabalha com a candidata. O “Página 12” optou por um tom diferente. Já publicou que a ex- senadora aceitou compor a chapa com Beto Albuquerque, “um dirigente vinculado ao agronegócio”, e afirma que ela construiu sua credibilidade junto “às elites” combinando uma guinada neoliberal com “boa relação com as embaixadas dos EUA e da Alemanha (ambas com os olhos na Amazônia)”. Chique e ilegal Restaurantes a portas fechadas são uma pequena febre. Estima-se que existam cerca de cem na cidade. Eles funcionam na casa dos chefs, é preciso fazer reservas e só se descobre o endereço depois de confirmar presença. Os “portas fechadas” são um mercado pirata gastronômico: fogem dos impostos de 21% sobre cada refeição, contratam sem pagar direitos trabalhistas e não tiram licença para poder funcionar ou vender álcool. O fisco não tem dado muita atenção a eles, mas, com problemas financeiros, especula-se que o governo começará a esticar os olhos para o segmento.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS ACERVO PESSOAL
Turibio Santos, Rafael Rabello, João Pedro Borges e Jonas do Cavaquinho, do conjunto Choros do Brasil, em 1980
RICARDO TACUCHIAN
As primeiras linhas de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, romance que Lima Barreto publicou no alvorecer do século 20, descrevem o metódico major Quaresma chocando seus vizinhos do pacato bairro de São Januário, no Rio de Janeiro: o militar estava recebendo em casa um sujeito “baixo, magro, pálido, com um violão agasalhado numa bolsa de camurça”. Escândalo. “Um violão em casa tão respeitável! Que seria? [...] A vizinhança concluiu logo que o major aprendia a tocar violão. Mas que cousa? Um homem tão sério metido nessas malandragens!” Cinco décadas depois, a situação – o violão ser visto como símbolo de malandragem – ainda se repetia, num Rio de Janeiro prestes a deslanchar a bossa nova, na cidade natal de Villa-Lobos, ele próprio um violonista. E eu testemunhei a cena. Corriam os anos 1950. Eu estudava na Universidade do Brasil (que se transformaria na UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro) e certo dia um colega entrou na então Escola Nacional de Música segurando um violão. Um dos professores imediatamente chamou a atenção do rapaz para a inconveniência – um “instrumento de má reputação numa escola séria?!” – Fiquei chocado. O rapaz se encolheu e quase escondeu aquele instrumento rasteiro e desclassificado. Tornei-me professor da Escola de Música, uma instituição que – reconheço– teve sempre um caráter algo elitista. Instrumentos como o bandolim e o cavaquinho só muito recentemente foram admitidos como especialização. Mesmo o saxofone foi uma conquista. Em 1980, o violão continuava sendo um instrumento sem chance de ser carregado por um aluno da Escola de Música da UFRJ rumo à sala de aula. Mas um violonista assumira a direção da Sala Cecília
Meireles, um dos mais importantes palcos de concerto do país, logo ali do outro lado da rua. Turibio Santos estava recém-chegado de uma longa temporada na Europa, fora aclamado por lá em palcos e em gravações de grande sucesso. Percebi que a hora era essa – e Turibio seria meu grande aliado. Atravessei a rua e propus que criássemos a cadeira de violão. Ele topou meu desafio e acabou tornando-se o primeiro titular do primeiro curso de violão numa universidade pública brasileira. E meu grande conselheiro na composição para o instrumento. Sou um compositor voltado para a música sinfônica e de câmara, com formação de pianista, e sigo defendendo o violão, que ocupa gorda fatia do meu catálogo de obras. O compositor de ofício não precisa ser trompista ou violoncelista para escrever corretamente para esses instrumentos, mas é fundamental que tenha sempre um bom solista como consultor. A relação compositor/intérprete sempre foi muito produtiva, em busca de resultados mais convincentes. Em toda a história da música, os grandes compositores se aconselharam com solistas – exemplo clássico é o da relação entre Brahms e o violinista Joachim, para quem escreveu seu famoso “Concerto para Violino e Orquestra”. É preciso dizer: a escrita do violão clássico é um caso particular, porque sua aparente simplicidade esconde muitas armadilhas. Sempre me seduziu a dimensão acústica do violão. O violonista toca abraçado às curvas sensuais de seu instrumento. E, já que começamos essa conversa com Lima Barreto e seu major, encerro com ele: “Quaresma estivera muito tempo a meditar qual seria a expressão poético-musical característica da alma nacional. Consultou historiadores, cronistas e filósofos e adquiriu certeza que era a modinha acompanhada pelo violão. Seguro dessa verdade, não teve dúvidas: tratou de aprender o instrumento genuinamente brasileiro e entrar nos segredos da modinha”.
5 O violão
chega à universidade Rio de Janeiro, 1980
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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
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Na torre
RESUMO Inédito em português, o conto está no livro, “As Vésperas de Fausto”, editado de forma independente em 1949 e depois incluído, com modificações, em “História Prodigiosa” (1956). Ambos os livros farão parte do primeiro tomo da “Obra Completa de Adolfo Bioy Casares”, a sair em novembro pelo selo Biblioteca Azul, da Globo.
ADOLFO BIOY CASARES TRADUÇÃO SÉRGIO MOLINA ILUSTRAÇÃO MARTÍN KOVENSKY
Para esquecer miss Hinton (para esquecer o inesquecível), o velho poeta irlandês deixou a Inglaterra. Na impávida luz do camarote, no Byzantium, pensou a noite inteira na mulher amada: ela gostava bem pouco dele; nem sequer o conhecia
seriamente; nem sequer tinha lido seus livros”... De manhã desembarcou em Dublin. “Acaso a procurei devidamente?”, refletiu. “Acaso a encontrei?” No solitário trem, continuou a pensar: “Ninguém é um só. Sem dúvida nela existe a moça que está destinada a mim e que não encontrarei nesta vida”. Depois o lago apareceu sob uma chuva tênue e opaca, e sobre a cabeça do poeta voaram trinta e sete cisnes. Bem avançado o dia, chegou à porta da torre. Um raio de sol, como uma pálida espada, atravessou as nuvens e ensaiou uma espécie de anacrônico amanhecer. A caseira lhe entregou um telegrama. O poeta o leu, deixou-o cair e, sem responder às perguntas da velha, abriu a porta e subiu correndo a interminável escada de caracol, e muitas vezes pensou que ia desfalecer. Com a vista enevoada, extenuado, enlevado, chegou ao topo da torre, onde miss Hinton o esperava tomando chá, no jardim de sua casa, em Westmorland, e também correndo descalça na areia, em uma tarde de outono, contra um céu de furiosas gaivotas, e cozinhando, na casa de umas amigas, o célebre Plum Pudding Hinton (receita de sua avó paterna), e
dançando, encantadoramente fantasiada de lavadeira, em uma festa beneficente, e lendo risonhamente com sua amiga miss Farr um poema que ele lhe dedicara, e guardando (sozinha, horas depois), em um cofre de palha com forro de seda violeta, esse mesmo poema, e soprando bolhas de sabão, e fazendo exercícios respiratórios, e expirando e sorrindo, na companhia do piloto norteamericano Peter de Paola, ao volante de um automóvel, para uma fotografia publicitária, e tossindo, congestionada pelo esforço de nascer, e dando, ao filho da governanta, sua primeira laranjada com óleo de rícino, e assistindo, com um grupo de jovens da sociedade, à primeira exposição londrina de arte cubista, e jazendo em seu ataúde, e recebendo o segundo prêmio de “decktennis”, a bordo do Berengaria, e gritando apavorada, na rua, de noite, enquanto um letreiro luminoso anunciava: “Florio’s Café”, e caminhando por uma alameda em Westmorland”... A caseira recolheu o papel, que um golpe de vento carregara até o maciço de agapantos. Leu: “Lamentamos informar que Barbara Hinton morreu ontem à noite”.
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Carioca Luizito canta hoje em Manaus (92) 3090-1042
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Cultura para o interior LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO
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á anos que o cantor Zezinho Corrêa viaja por municípios do interior do Amazonas para se apresentar com o grupo Carrapicho ou em carreira solo. Para ele, a produção cultural nessas áreas atualmente apresenta um grande avanço, pois já foi mais carente. “O Amazonas tem artistas de talento no teatro, na dança, música e cinema, mas que precisam de informações para se profissionalizar”, observa. Zezinho conta que em quase todas as viagens que realizou para o interior, teve oportunidade de conhecer as produções de vários artistas. “Eles têm vontade de mostrar seus trabalhos para nós. Estive há pouco tempo em Carauari, com a cantora Ketlen Nascimento, e conversamos com alguns artistas. É bom vê-los em cena e muito bom saber que esses talentos existem”. O cantor lembra que, na última semana, esteve em Parintins – que por causa do festival folclórico, ele considera que abriga artistas “adiantados e vividos em relação à arte” – por ocasião do projeto de circulação nacional “Palco Giratório”, do Serviço Social do Comércio (Sesc), e conheceu a unidade local do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro. “É um lugar fantástico que abriga inúmeras aulas de te-
RODRIGO BRANDÃO/SEMCOM
Artistas locais revelam suas impressões a respeito da produção cultural no interior do Estado e o que acreditam ser o centro da questão que implica no crescimento do acesso às manifestações de arte do próximo mandato governamental atro, música, dança. Se Parintins já revela talentos hoje, você imagina daqui a dez anos. É um avanço e um começo e espero que essa iniciativa em Parintins aconteça também em outras cidades do interior”, elogia o artista. De modo geral, Zezinho Corrêa acredita que existe uma “expectativa e vontade de conhecimento” nos municípios do interior quando o assunto é produção cultural. “Esses lugares sentem necessidade de arte e de cultura. É importante realizar um trabalho mais aprofundado, pois quando produzem arte fazem como atividade recreativa, de lazer. Tudo bem que a cultura também é um lazer, mas é importante que o indivíduo se aprofunde sobre o que é arte”, diz. Manifestações Vocalista da banda Zona Tribal, Mencius Melo considera que o interior do Amazonas abriga pessoas “muito talentosas” e uma produtividade cultural “muito boa”. “Mas, na minha opinião, não consegue se diversificar para além do folclore e de manifestações ligadas à cultura da terra”, diz, citando festivais folclóricos, eventos agropecuários e festas que destacam produções que têm impacto na economia local (a Festa do Guaraná, em Maués, e a do Cupuaçu, em Presidente Figueiredo, por exemplo).
Para Mencius, produtividade cultural local é muito boa, “mas, não consegue se diversificar para além do folclore”
Projetos para novos liceus Para o secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, a implantação do Liceu de Artes em Parintins pode ser apontada como um marco na formação de artistas do interior e um exemplo a ser seguido por outros municípios. “Este ano estamos iniciando o processo de criação de mais três unidades do projeto Cláudio Santoro, um liceu que oferece cursos profissionalizantes e livres de arte e cultura artísticos e técnicos nos diversos segmentos, em Borba, Envira e Itacoatiara”, revela. “Isso é levar oportunidade igual para todos. É a profissionalização da cultura e da arte. É geração de emprego e renda”. A unidade em Envira, se-
gundo o secretário, já tem 120 professores treinados. “Em Parintins, já temos 5 mil alunos e atendemos ainda com cursos os municípios de Barreirinha, Nhamundá, Boa Vista do Ramos e Maués”, afirma. Braga completa que, de acordo com dados da SEC, há mais jovens em atividades no Cláudio Santoro do que nas ruas. “Isso é mudança social. É a cultura fazendo a diferença em apenas um ano, no município de Parintins”. Robério Braga considera o Amazonas “um Estado de gente talentosa por natureza”. “A qualidade dos artistas que vivem em diferentes municípios do nosso Estado é impressionante: da música ao teatro. Temos iniciativas
de danças folclóricas, festivais de música, produção de vídeo e artes plásticas que fazem nossa cultura ser rica e diversificada. Em nenhum outro Estado do Brasil temos tantos eventos voltados para a cultura popular, como no Amazonas. E todos com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura”, analisa. O secretário destaca que, ano a ano, a política cultural do Estado é levada cada vez mais para os municípios além de Manaus. “Seja por meio de apoio a festas e iniciativas de grupos sem fins lucrativos ou seja por meio de realizações da SEC de eventos culturais e artísticos no interior”, conclui Braga. DIEGO JANATÃ
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‘Incentivo é fundamental’
Hely já viajou para municípios como Presidente Figueiredo e Santa Isabel do Rio Negro
O ator e diretor de teatro Hely Pinto conta que o apoio e o incentivo de instituições como a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e a Fundação Nacional de Artes (Funarte) é fundamental para que os artistas de Manaus alcancem os públicos do interior. “O povo do interior gosta de cultura,
gosta de arte e temos que fazer valer a máxima de que ‘o artista tem que ir onde o povo está’”. Hely já viajou para municípios como Presidente Figueiredo, Manacapuru, Itacoatiara, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, Maués, Codajás, Iranduba e Envira, e
observa que a receptividade é sempre boa. “O que falta mesmo é mais incentivo para que o artista possa se apresentar nesses municípios. Muitas atividades estão centradas na capital e é difícil chegar a determinados locais por causa das grandes distâncias e do acesso pelos rios”, analisa.
Robério Braga considera o Amazonas “um Estado de gente talentosa por natureza”
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>> Wedding . O primeiro casamento coletivo homoafetivo da Região Norte e 4º do Brasil acontece em Manaus, na próxima terça-feira, às 9h, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Amazonas (OAB/AM). . Quinze casais (sendo um heterossexual) participam da cerimônia, que será celebrada pela advogada e juíza de Paz Simone Minelli Lima Teixeira. O evento está sendo promovido pela OAB/ AM, por meio da Comissão de Diversidade Sexual. Os casais sairão da cerimônia já com a certidão do casamento.
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Objeto de desejo . Cada vez mais presente na vida das pessoas, a pulseira inteligente é um acessório must have. E, para não ficar de fora dos acontecimentos, a Opening Ceremony lança a sua. . Intitulada de “Mica” – My Intelligent Comunication Acessory ou Meu Acessório de Comunicação Inteligente”, a peça mostra mensagens de texto, alertas e notificações de reuniões e agendas da semana. . Disponível em preto e branco (as cores básicas), o acessório pode conter grafismos ou ser aplicado de pérolas ou pedras preciosas e poderá ser adquirido nas lojas da Barneys à partir de dezembro.
Com modelo Paco Rabanne, Alessandra Brandão enche de charme evento que reuniu elenco top
A reitora da Ufam, Márcia Perales e Lúcia Viana, homenageadas com a Medalha do Mérito Judiciário, com a desembargadora Valdenira Thomé, durante solenidade que reuniu pesospesados da cidade
>> Palco
>> Vitrine
>> A festa de 15 de Victoria, filha de Regiana e Higino Souza, será no dia 11 de julho do ano que vem, em Estoril, Portugal. Meia Ma-
naus irá ao evento chic. >> O arquiteto Achiles Fernandes comemora seu aniversário, amanhã com festa no Buffet Paulo Marinho, com o cantor Breno Marx e o DJ Vader Lima, de atrações. >> Marco Lopes e Evânia Tito casam-se no dia 19, na Catedral da Assembleia de Deus de Madureira, na avenida Constantino Nery. >> Janete Fernandes e
Rosiane Nascimento estreiam idade nova neste domingo. Serão cumprimentadíssimas. >> A 8ª Semana do Auditor Fiscal de Tributos Estaduais acontece no período de 15 a 19 de setembro, no auditório da Sefaz com o tema “Justiça Fiscal: em defesa da Sociedade”. O evento acontece, também, em comemoração ao Dia do Auditor Fiscal, no dia 21 de setembro.
>> O society de Manaus encontra-se hoje na Feijoada da Cha-Chá, no Morada Buffet, reunindo amigos da querida Charufe Nasser. >> José e Cleisse Cruz, José Corcino e Elizabeth Menezes convidam para o casamento de seus filhos Kathleen e César, com cerimônia religiosa na Capela da Igreja de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos. Na sequência, recepção no Condomínio Alphaville Manaus 1.
FESTIVAL
Últimos dias para votar em show
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A enquete criada para escolher as bandas locais que irão abrir o Manaus Eco Festival - Rock N’ Reggae está nos últimos dias, mas ainda dá tempo de participar. Até amanhã, o público pode votar entre as bandas Reconect, Johnny Jack Mesclado e Casulo. Basta acessar a página do evento no facebook (Manaus Eco Festival - Rock N’ Reggae). As duas bandas mais votadas estarão no evento fazendo esse “esquenta” para os shows principais. O maior evento de reggae da Região Norte é uma realização da The Vikings
OBJETIVO
Até amanhã, o público pode votar entre as bandas Reconect, Johnny Jack Mesclado e Casulo. As duas mais votadas estarão no evento fazendo esse “esquenta” para os shows principais e acontecerá dia 1º de novembro, na praia do Tropical Hotel com a presença do cantor Armandinho e das bandas Chimarruts, Onze: 20 e Maneva. O festival
também irá reunir espaços destinados às ações de preservação da natureza, ecologia e sustentabilidade. Karim Tarayra, um dos responsáveis pela coordenação do Manaus Eco Festival, disse que essas bandas estão na disputa para abrir o evento, pois estavam entre as mais comentadas durante uma primeira enquete, onde participaram quase 400 pessoas. “A participação direta do público para que seja feita essa escolha, é algo justo já o público, sem dúvida é responsável pelo sucesso de qualquer evento”, disse Karim.
A chic Jéssica Sabbá Tayah levando o alto-astral para passear em coquetel de lulus fino trato
. O 58º Festival Folclórico do Amazonas, que conta com mais de cem apresentações folclóricas até amanhã, é realizado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) em parceria com a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult). . Toda a arrecadação com a venda de alimentos durante o festival será revertida às 30 instituições sem fins lucrativos cadastradas na Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seas).
CAMPANHA IONE MORENO
>> Grande evento no society este mês: Alexandre e Ruth Passos da Silva, João Mendes da Fonseca Jr. e Tânia Castro, casam os filhos Maria Lúcia e João Neto, no salão de festas do condomínio Alphaville 1, onde será também a cerimônia religiosa.
A bela Larissa Vieitas assinando presença em festa society
SERVIÇO MANAUS ECO FESTIVAL – ROCK N’ REGGAE Quando Quando: 1º de novembro Onde Praia do Tropical Hotel, Ponta Negra Quanto Pista R$ 50; Área Vip R$ 100; Camarote Stage R$ 250 (todos os valores são de meia-entrada) PONTOS DE VENDA: www.ingresse. com e nas lojas Asya Fashion do Amazonas Shopping e Manoa Informações 9214-0997 / 9254-0955 / 9202-0088
Manoel Alves Freitas conquistou o primeiro prêmio (uma geladeira duplex) da campanha “Semanas Premiadas” do programa Agora, da TV EM TEMPO e do jornal AGORA, ambos do Grupo Raman Neves de Comunicação. Para isso, ele respondeu de forma mais criativa à pergunta “Se você fosse um ator ou atriz famoso, o que faria?”, desta forma: “Se eu fosse um ator, o meu sonho seria ganhar essa moto e colocar uma carrocinha atrás e nunca mais empurrar um carrinho de peixe todos os dias nas ruas. Sou peixeiro, moro de aluguel e todo dia faço isso”. Banda de reggae Johnny Jack Mesclado é um dos quatro grupos que estão sob votação popular, na internet, para abrir shows
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Luizito da Mangueira canta em Manaus hoje SERGIO VICTOR Especial EM TEMPO
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m 2007, Luis Couto Pereira assumiu uma grande responsabilidade: substituir Jamelão e se tornar o intérprete oficial da Estação Primeira de Mangueira. Hoje, Luizito, como é popularmente conhecido, se apresenta a partir das 18h, na quadra da Mocidade Independente da Aparecida (rua Ramos Ferreira, 102, Aparecida) e mostra porque mereceu o cargo ao cantar os sambas da verde e rosa carioca junto com a bateria da Soberana. A participação de Luizito faz parte do projeto “Aparecida Convida” que acontece desde outubro do ano passado e tem como objetivo a confraternização entre as escolas de samba de Manaus. “É sempre maravilhoso vir à Manaus. As apresentações têm uma troca de energia muito forte e positiva. O público é sempre muito caloroso”, afirma. Neste ano, Luis Pacheco, presidente da agremiação manauara, afirma que o projeto deu um upgrade e vai começar com o pé direito. No primeiro domingo de cada mês, até janeiro, uma agremiação carioca
vai se apresentar na quadra da Aparecida. Nos domingos restantes do mês, Escolas do Grupo Especial e de Acesso participarão do projeto. “Temos uma aproximação muito boa com as escolas do Rio e vamos fazer dá certo. Para outubro, já temos a confirmação da Unidos da Tijuca”, revela o presidente. “Estamos com uma
ATRAÇÕES
Os grupos de pagode Freelance e Cacildes também fazem parte da festa que acontece hoje. Para completar, a bateria Universidade do Ritmo comandada pelos mestres Lucas e Paulinho – dão o tom grande expectativa para hoje, pois sabemos que a torcida da Mangueira é grande em Manaus”, comenta. Luizito, que já cantou sambas na quadra da Aparecida este ano, confirma a receptividade do público manauara e, sobre o projeto, o intérprete conta que a intenção da Aparecida ajuda o samba a evoluir na região. “A maior festa popular
brasileira não pode sofrer com a inimizade das agremiações, é preciso que haja a integração dos responsáveis. A união faz o samba crescer e isso é excelente”, ressalta. Os grupos de pagode Freelance e Cacildes também fazem parte da festa que acontece hoje. Para completar, o show da bateria Universidade do Ritmo – comandada pelos mestres Lucas e Paulinho – dão o tom para o intérprete oficial da Soberana, Wilsinho de Cima; as musas da Escola (entre elas: a rainha do Carnaval Mayla Jéssica Liarte) e a ala de passistas. Pacheco. A primeira edição 2015 do “Aparecida Convida” também tem outras surpresas confirmadas. As primeiras mil pessoas que chegarem hoje para o ensaio show ganharão um CD promocional com o sambaenredo campeão assinado pelos compositores Myngal, Allan Bayma, Marcio Ratts, Jota Erre, Marcelo Ratts e Mingauzinho. Os ingressos de pista são vendidos na bilheteria da quadra durante o evento e custam R$5. As mesas estão sendo vendidas por R$ 50 (para quatro pessoas) na quadra da escola. O lugar no camarote custa R$ 15. Para mais informações : 9198-1500/ 9206-0304.
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Intérprete, que participa do projeto “Aparecida Convida”, afirma que a união é o que faz o samba crescer na região
Luis Couto Pereira assumiu, em 2007, a responsabilidade de ser intérprete da verde e rosa
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Jessica Lange mostra lado fotógrafa em SP branco, a atriz privilegia composições geométricas e cenas espontâneas, muito diferentes das filmagens cheias de preparação em Hollywood. Embora tenha trabalhado com diretores como Sydney Pollack e Tim Burton, a atriz diz não ter nenhum cineasta como influência. Por outro lado, não hesita em listar o interesse pelo trabalho de fotógrafos clássicos: Henri Cartier-Bresson (1908-2004) e Walker Evans (1903-1975). Observadora Em entrevista por e-mail, Lange compara a maneira como realiza suas imagens à discrição de uma “espiã”. “Quando fotografo, sou observadora do mundo, livre de toda a identidade que poderia interferir”, explica. “Eu tento passar despercebida, por isso não uso flash. Para ficar na penumbra e captar a luz natural sem chamar a atenção.” A definição ganha força nas palavras da cantora e poeta Patti Smith, que assina a introdução do livro da atriz. Para ela, Lange se move como uma mosca para captar as imagens. Segundo a curadora da exposição, a francesa Anne Morin, 41, há uma divisão bem clara no trabalho de Lange. O México - país que a atriz visita há mais de 20 anosrepresenta um momento destoante, com texturas e aproximações muito particulares. “Lá, ela não toma distância do assunto, está nas festas, nas casas, nas rodas de dança. Jessica quase dança com eles.”
As fotos da atriz Jessica Lange mostram seu cotidiano com a família e viagens para países como México, Etiópia e Rússia
LIVRO DIVULGAÇÃO
MÚSICA
O compositor foi o responsável pelos hits “Can’t Take My Eyes Off You” e “Lady Marmalade”
Morre o compositor Bob Crewe O cantor, produtor musical e compositor Bob Crewe, responsável por hits como “Lady Marmalade”, “Can’t Take My Eyes Off You” e “Sherry”, morreu na quinta-feira (11) aos 82 anos. As informações são da revista americana “Rolling Stone”. A causa da morte não foi informada. Crewe teve grande impacto na música pop americana, tendo escrito diversos hits para o grupo Four Seasons, entre os quais estão “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man” e “Rag Doll”. Além disso, compôs para artistas como Michael Jackson, Roberta Flack e Peabo Bryson. Ele começou a carreira na década de 1950 como cantor
e produtor, junto ao grupo The Rays. O maior hit da banda foi “Silhouettes”, de 1957, que mais tarde seria gravada por Bob Dylan em sua famosa sessão de gravações “The Basement Tapes”. Crewe se lançou como artista solo em 1961, gravando dois discos próprios. Em 1965, criou sua própria gravadora, a DynoVoice, pela qual lançou músicas para a trilha de “Barbarella” e trabalhou com Mitch Ryder & the Detroit Wheel e The Toys. Frankie Valli gravou “Can’t Take My Eyes Off You” em 1967 e a música se tornou uma das mais famosas da história do pop nos EUA, ganhando versões ao longo
dos anos dos mais variados artistas, como Diana Ross, Pet Shop Boys, Muse e Julio Iglesias. Em 1974, Bob Crewe voltou a compor um grande hit, com “Lady Marmalade”, de LaBelle. O refrão em francês, “voulez-vous coucher avec moi, ce soir?” (“você quer se deitar comigo esta noite?”, em tradução livre) também se transformou em marco do pop americano. A canção seria regravada por Christina Aguilera, Lil’ Kim, Mya e Pink em 2001 para a trilha sonora do filme “Moulin Rouge!”, voltando às paradas de sucesso. Em 1985, Crewe teve seu nome aceito no Hall da Fama dos Compositores.
Bellini de Bellotto volta desiludido Um romance policial costuma ser um terreno minado, com uma convenção a cada passo. Tony Bellotto, o guitarrista dos Titãs, escolheu o terreno minado para sua estreia na literatura, em 1995. O livro “Bellini e a Esfinge” apresentava um detetive de São Paulo, investigador particular, fã de blues, sem nada muito especial: o vizinho da quitinete ao lado. As balizas de Bellotto eram os mestres do gênero. “Raymond Chandler e Manuel Vázquez Montalbán pelo cinismo, Georges Simenon pela capacidade de criar uma atmosfera e Rubem Fonseca por provar que o Brasil é noir”, diz ele. Foram três livros com o personagem: “Bellini e a
Esfinge” (1995), “Bellini e o Demônio” (1997) e “Bellini e os Espíritos” (2005). O quarto romance da série acaba de sair, e é um dos melhores: “Bellini e o Labirinto”. Depois de quase 10 anos longe das livrarias, Bellini entra com tudo no mundo da música. “O Bellini é basicamente um amante de blues tradicional, o blues do Mississipi. Agora deu para citar Jimi Hendrix e até Led Zeppelin. Tudo certo. Na hora em que ele começar a ouvir Bossa Nova vou ficar preocupado”, diz Bellotto. A história se passa em Goiânia (GO), coração da música sertaneja, e pega o personagem aos 40 anos, calejado, às voltas com um sequestro, mulheres e césio-137 (substância que causou acidente radioati-
vo na cidade em 1987). Há personagens com os nomes engraçados de sempre: a dupla sertaneja Marlon & Brandão, uma adolescente de apelido Riboca (do tênis Reebok) e uma girafa chamada Marianne Faithfull. A música está em toda parte, bem como a velha ironia de Bellini. “Ele está mais amargo e desiludido. Mais velho, com certeza. De resto, continua o mesmo existencialista melancólico de sempre.” Não é pouco para a tradição meio rala de detetives nativos. Com exceção dos personagens verossímeis, violentos e clássicos de Rubem Fonseca. “Ele é uma referência constante no meu trabalho, um mestre que muito admiro”, afirma Bellotto. DIVULGAÇÃO
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em mesmo quem vai trazer a exposição de fotos de Jessica Lange para o Brasil acreditou que se tratava da atriz norte-americana vencedora de dois Oscar. Acharam que era uma homônima. A dúvida surgiu quando a direção do MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo buscava novas mostras de fotografia para 2015 e se deparou com o nome da atriz em um catálogo de exposições. Faceta obscura de Jessica Lange, 65, sua atuação como fotógrafa é pouco conhecida. Assim como Dennis Hopper (1936-2010), que dividiu a carreira de ator e diretor com a obsessão por retratos e paisagens, a atriz de “Tootsie”, “Céu Azul” e da versão de “King Kong” de 1976 - quando estreou e se tornou símbolo sexual - tem um forte relacionamento com a fotografia. Ela vai mostrar no MIS, em fevereiro, imagens da exposição “Unseen” (não visto), com fotos de seu cotidiano com a família e de viagens para México, Finlândia, Etiópia e Rússia, além de registros de Minnesota, Estado onde nasceu. Lange foi casada com o fotógrafo espanhol Francisco “Paco” Grande durante a década de 1970, mas só começou a fotografar muito tempo depois. Após 15 anos produzindo suas imagens, ela lançou seu primeiro livro, “50 Photographs” (powerHouse Books), em 2008, base da mostra que virá ao país. Nas fotografias em preto e
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Imagens produzidas pela atriz norte-americana serão exibidas no MIS, em fevereiro, na exposição “Unseen” (não visto)
O guitarrista do grupo Titãs lança “Bellini e o Labirinto”, quarto romance da série policial
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Bate-rebate
TV Tudo Vem aí O “Legendários”, do Marcos Mion, vai apostar em um “novo” quadro, que envolve pintura corporal. “Bicho escondido” é o título, ainda provisório. Como sugere o nome, modelos - homens e mulheres - terão vários bichos desenhados e escondidos pelo corpo. Os convidados terão que encontrá-los, dentro de um limite de tempo. No ar Somente a partir de março de 2015, é que o Multishow pretende estrear a segunda temporada do programa “Tudo pela audiência”. As gravações estão chegando ao fim no Rio de Janeiro, com direção de Cacá Marcondes. Festa do Seu João Quando os profissionais da equipe de esportes da Bandeirantes viajam pelo país, para a transmissão dos jogos do campeonato brasileiro, frequentemente executivos de emissoras próprias e afiliadas perguntam: “e a festa do Seu João?” – tradicional evento voltado para a sua rede e mercado, promovido na sede de São Paulo e que
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Acabou Chegaram ao fim na quinta-feira as gravações da série “Lili, a Ex”, protagonizada por Maria Casadevall e Felipe Rocha, baseada nas tirinhas de Caco Galhardo. O GNT anuncia sua estreia para o dia 24, às 22h30, num total de 13 episódios. foi cancelado, já há algum tempo, em função da crise. Agora, existe a expectativa de o evento voltar em 2015. Se deu bem O modelo Jesus Luz, também conhecido como ex da Madonna, continua investindo na carreira de DJ. E tem colhido bons resultados, a ponto, inclusive, de recusar convites de emissoras de TV, incluindo a Globo, para voltar a atuar. No Brasil, ele chega a ganhar R$ 15 mil numa noite em alguns casos. Mais: junto com o DJ norteamericano L’Adour, ele criou o projeto Legends, em viagem por vários países.
Trair O Multishow começou a montar o palco do programa “Trair e Coçar”, no Teatro Adolpho Bloch, no Rio. Ele possui dois andares, que são ligados por uma escada e um elevador – cada um em uma ponta do cenário. No andar de baixo irá morar Márcia Cabrita e no de cima, o marido, ou melhor, ex-marido, dela, Cássio Scapin. Trair - 2 A protagonista Olímpia, Cacau Protásio, terá que ficar subindo e descendo as escadas durante a gravação. Pra enfrentar essa “maratona”, ela já solicitou um personal trainer.
• O longa “Trinta”, sobre o carnavalesco Joãozinho Trinta, chegará aos cinemas em 13 de novembro... • ... No elenco, entre outros, Matheus Nachtergaele, Milhem Cortaz e Paolla Oliveira. • Fernanda Rodrigues gravou uma participação em “Fred e Lucy”, nova série de humor do canal Multishow... • ... Natália Klein e Bento Ribeiro fazem os protagonistas do programa, um casal de detetives que vive às turras. Estreia prevista para novembro. • Sabrina que fará dupla com Richard Rasmussen na apresentação do “Meu Prêmios... Nick”, do canal Nickelodeon. • A área de criação do “Agora é Tarde”, da Bandeirantes, precisa encontrar algo mais interessante para justificar a presença do Marco Gonçalves... • ... No programa, ele parece um estranho no ninho.
Boa notícia O diretor do programa “The Bachelor” na Rede TV!, Pedro Henrique Peixoto, vem se recuperando bem de um problema de saúde e já passou a despachar com sua equipe direto do Rio de Janeiro. Na próxima semana, se tudo der certo, ele estará em São Paulo, assumindo definitivamente o controle deste reality de namoros.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini A Sport Promotion, que organiza o Torneio Internacional de Seleções de Futebol Feminino, que acontece em dezembro, convidou os EUA, para vir a ser o quarto integrante da próxima edição do evento. Band e Bandsports farão a transmissão, direto de Brasília. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz * E-mail: novoasilva@yahoo.com.br
A racionalização do mundo
MÁRIO ADOLFO
GILMAL
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Max Weber em “A ética protestante e o espírito do capitalismo” discute como o capitalismo ocidental foi moldado a partir da disposição dos homens e de sua capacidade em “adotar certos tipos de conduta racional”. O autor, na introdução da obra, de maneira esparsa mas esclarecedora, busca situar o leitor no sentido de esclarecer que a humanidade sempre produziu algum tipo de capitalismo, desde a Índia até o Egito, mas que só o ocidente engendrou um tipo novo e definitivo de capitalismo a partir dos fatores que citamos acima. A separação do local de trabalho do ambiente doméstico e a criação de uma contabilidade racional também foram fatores determinantes para o surgimento do capitalismo ocidental. Quando o obstáculo espiritual é vencido pelo racionalismo é que se criam as condições, no plano econômico, para o desenvolvimento do capitalismo e é nisto que consiste o objeto da investigação de Max Weber e de sua teoria sobre a racionalização. Estudos empreendidos pelo autor como os relacionados à música racional são pouco estudados pelos cientistas sociais. Talvez, como nos disse Renan Freitas pinto, esta observação se dê pelo fato de que muitos não tenham ainda intimidade com as formas tradicionais de notação musical. A própria notação é a forma racional por excelência na música. Nada pode ser reproduzido sem a sua fatura, embora sabemos que diversos equipamentos de reprodução são auxiliares neste processo mas só a notação musical e sua precisão matemática podem definir o conjunto musical. Mas por que só o Ocidente foi, digamos, privilegiado para que fosse desenvolvido o tipo mais acabado
de capitalismo? Weber responde fazendo pequenos apontamentos sobre o racionalismo no mundo. Cita, por exemplo, os casos da Índia, China, Babilônia e Egito, latitudes conhecedoras da astronomia mas para que fosse processado seu desenvolvimento, faltava a fundamentação matemática que lhes foi fornecida pelos gregos. O mesmo aconteceu às ciências naturais indianas cujo desenvolvimento no campo da observação se deu por conta do experimentalismo do Renascimento. Às teorias políticas asiáticas faltava um método racional de análise como o de Aristóteles, assim como à historiografia chinesa faltava o método de Tucídides. O capitalismo sempre existiu em diversas culturas no mundo, “inclusive com uma considerável dose de racionalização”. Mas o ocidente desenvolveu “tipos, formas e direções” que determinaram sua tez. Um tipo novo de racionalismo assentado “no trabalho livre (formalmente pelo menos).” Assim como o mundo não conheceu uma organização racional do trabalho fora do moderno Ocidente, Weber afirma que também não existiu antes nenhum “socialismo racional”. Existiram tipos primitivos de socialismo (abastecimento coletivo, política previdencial dos príncipes, racionamento etc), mas o conceito de “burguesia” só existira no moderno Ocidente. É neste sentido que as formas burocráticas também cumprem um papel decisivo no campo da racionalização no Ocidente. Os processos administrativos e de documentação de registro encontraram no mundo Ocidental parâmetros significativos que justificam o conceito de planejamento. Não que antes a elaboração de estratégias fossem ausentes, mas é no Ocidente que elas ganham contornos mais elaborados.
Márcio Braz *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
O capitalismo sempre existiu em diversas culturas, “com considerável dose de racionalização”. Mas o ocidente desenvolveu “tipos, formas e direções”, determinando sua tez”
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Programação de TV
SBT
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5h JORNAL DA SEMANA 6h IGREJA UNIVERSAL
BAND
GLOBO 4H 50 SANTA MISSA 5H50 AMAZÔNIA RURAL 6H15 PEQUENAS EMPRESAS,
7h BRASIL CAMINHONEIRO
GRANDES NEGÓCIOS
7h30 PLANETA TURISMO
6H55 GLOBO RURAL
8h30 VRUM
7H55 AUTO ESPORTE
9h SORTEIO AMAZONAS DA SORTE
8H30 ESPORTE ESPETACULAR
(LOCAL) 10h DOMINGO LEGAL 14h ELIANA
11H30 ESQUENTA 12H57 TEMPERATURA MÁXIMA - X-MEN - O CONFRONTO FINAL 15H CAMPEONATO BRASILEIRO
18h RODA A RODA JEQUITI
- FLAMENGO X CORINTHIANS
18h45 SORTEIO DA TELESENA
17H DOMINGÃO DO FAUSTÃO
19h PROGRAMA SILVIO SANTOS
19H45 FANTÁSTICO
23h DE FRENTE COM GABI 0h NIKITA 1h RIZZOLA & ISLES
22H10 DOMINGO MAIOR - RÁPIDA VINGANÇA 0H PROGRAMETE - RUMO AO PÓDIO
2h PESSOA DE INTERESSE
0H12 SESSÃO DE GALA - ADORA-
3h20 AGORA É FESTA
ÇÃO
4h IGREJA UNIVERSAL
1H55 CORUJÃO - SUBSTITUTOS 3H13 HAWAII FIVE-0 3H58 SÉRIE
5h TARTARUGAS NINJA 6h30 SANTA MISSA NO SEU LAR 7h30 SABADÃO DO BAIANO 8h POWER RANGERS + POPEYE 9h30 POPEYE 9h45 INFORMERCIAL – Polishop 10h15 POWER RANGERS – ZEO 10h45 VERDADE E VIDA 11h IRMÃO CAMINHONEIRO – boletim 11h05 PÉ NA ESTRADA 11h30 BAND ESPORTE CLUBE 12h FÓRMULA TRUCK – ao vivo 13h55 GOL - O GRANDE MOMENTO DO FUTEBOL 14h25 FUTEBOL 2014 – ao vivo 16h50 3º TEMPO 19h SÓ RISOS 20h TOP 20 21h PÂNICO NA BAND 0h CANAL LIVRE 1h MUNDO MISS 1h05 ALEX DENERIAZ 1h35 SHOW BUSINESS – reapresentação 2h25 POPEYE 2h IGREJA UNIVERSAL
RECORD 5h SANTO CULTO EM SEU LAR 5h30 DESENHOS BÍBLICOS 7h DESENHOS BÍBLICOS 8h30 RECORD KIDS - PICA PAU 9h AMAZONAS DA SORTE 10h DOMINGO SHOW 14h15 HORA DO FARO 18h30 DOMINGO ESPETACULAR 21h A FAZENDA - ESTRÉIA 22h30 TELA MÁXIMA - “The Rock - O Justiceiro” 0h15 PROGRAMAÇÃO IURD
Mutantes se enfrentam novamente em “X-Men 3”, pela Globo
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Apesar de gostar da pessoa com quem está no momento, há algo que poderia ser melhorado na relação entre vocês. No trabalho, as coisas começam a acontecer.
Cinema
Cruzadinhas
ESTREIA
TOURO - 20/4 a 20/5 Você tem uma maneira muito particular e arraigada de ver e compreender a vida. Esta maneira está sendo desafiada, pois você precisa seguir em uma direção diferente. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Aceite a renovação que o momento lhe oferece. Você preferiria que, ao ingressar em novas situações, tudo se mantivesse igual em sua rotina. Mas isso não é possível. CÂNCER - 22/6 a 22/7 A estabilidade financeira e material entra em choque com as necessidades do momento. As pessoas lhe propõem novas opções e movimentos, e talvez seja melhor aceitar. LEÃO - 23/7 a 22/8 O ritmo no trabalho exige que você se mova, saindo do ritmo habitual que pode beirar o preguiçoso. É preciso se encaixar melhor em sua própria rotina. Lute pelo que é seu. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Um incômodo profundo afeta a relação amorosa. Os sentimentos são diferentes daqueles que esperava ou imaginava. Você volta a estar mais ativo e eficiente em suas ações. LIBRA - 23/9 a 22/10 Possível preocupação com a família e com o futuro de suas condições. Nem tudo pode ser planejado como você gostaria, mas é preciso manter uma orientação positiva. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Seu trabalho terá que se modificar, tendo em vista certas pressões e exigências da rotina, que estão acima de seu desejo pessoal. Você encontra força para lutar por seus sonhos. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Seus relacionamentos e condições financeiras estão em desacordo com o que você precisa verdadeiramente. Você se apega a modelos que já não funcionam mais. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Há coisas em suas relações e no ambiente de trabalho que estão ultrapassadas, e algo hoje pode indicar isso. Mas você tende a resistir a se desapegar dessas situações. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 As relações afetivas e pessoais são perturbadas por fatores fora de controle e situações estranhas e do destino. Talvez eles apontem para algo que precisa ser mudado. PEIXES - 19/2 a 20/3 A afeição pelos familiares e amigos se modifica de maneira inesperada, abrindo campo para novos sentimentos. A relação a dois e as parcerias voltam a se desenvolver.
Rio, Eu Te Amo: BRA. 12 anos. O filme mostra um casal apaixonado e a cidade do Rio como pano de fundo com a mensagem “o amor sempre encontra seu lugar”. Cinemark 3 – 16h30, 19h, 21h45 (diariamente); Cinépolis Millennium 8 – 14h10, 16h40, 19h, 21h25 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 14h, 17h, 19h30, 22h (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h40, 17h35, 20h35 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h15, 16h45, 19h15, 21h45 (diariamente). Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário: JAP. 12 anos. Em uma remota era mitológica, havia os defensores da Deusa Atena. Quando as forças do mal ameaçavam o mundo, estes guerreiros da esperança sempre apareciam. Atualmente, após um longo período de guerra, a jovem Saori Kido, impressionada com os misteriosos poderes que possui, é inesperadamente atacada - e salva pelo cavaleiro de bronze Seiya. Desde então Saori, que começara a entender seu destino, ao lado de seus amigos cavaleiros de bronze Seiya, Shun, Hyoga, Shiryu e Ikki, decide se dirigir ao santuário. Porém lá, além de se defrontar com as armadilhas do Mestre do santuário, eles vão enfrentar um combate mortal com os mais poderosos dos cavaleiros: os orgulhosos cavaleiros de ouro. Cinemark 1 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 13h50, 16h10, 18h30, 20h45 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 3 – 14h20, 18h55 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 13h30 (dub/somente sábado e domingo), 15h45, 18h, 20h10 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 13h (dub/somente sábado e domingo), 15h30, 18h, 20h15 (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 14h35, 16h50, 19h05 (dub/diariamente). O Doador de Memórias: EUA. 12 anos. O filme, baseado no livro de Lois Lowry, conta a história de um mundo perfeito, no qual todos são felizes. Quando Jonas faz 12 anos, é escolhido para ser o Receptor de Memórias da comunidade. Ele entra em treinamento com um velho homem, a quem chamam O Doador. Do Doador, Jonas aprende sobre dor, tristeza, guerra e todas as verdades infelizes do mundo `real´, percebendo rapidamente que a comunidade vive em falsidade. Confrontado com a realidade, Jonas enfrenta escolhas difíceis sobre sua própria vida e seu futuro. Cinemark 7 – 13h45, 15h50, 18h10, 20h30 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 4 – 15h40, 18h, 20h15, 22h25 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h15, 16h30, 18h45, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 8 – 15h, 20h (dub/diariamente), 17h30, 22h20 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 16h45, 21h35 (dub/diariamente); Playarte 5 – 13h25, 15h25, 17h25, 19h25, 21h25 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Rio, Eu Te Amo: BRA. 12 anos. O filme mostra um casal apaixonado e a cidade do Rio como pano de fundo com a mensagem “o amor sempre encontra seu lugar”. Cinemark 3 – 16h30, 19h, 21h45 (diariamente); Cinépolis Millennium 8 – 14h10, 16h40, 19h, 21h25 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 14h, 17h, 19h30, 22h (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h40, 17h35, 20h35 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h15, 16h45, 19h15, 21h45 (diariamente). Três Dias Para Matar: EUA. 14 anos. Um antigo agente secreto está à beira da morte. Seu último desejo é reatar com sua filha, com quem perdeu contato há muito tempo. Temendo não ter tempo hábil para encontrá-la, este homem descobre a existência de uma potente droga que pode salvá-lo, contanto que ele aceite um último trabalho. Cinépolis Ponta Negra 3 – 16h35 (leg/diariamente), 22h35 (leg/somente sábado e domingo). Winter, o Golfinho 2: EUA. Livre. Depois de sobreviver graças a uma prótese na cauda em Winter, o Golfinho (2011), a sequência mostra o personagem lutando para não ser transferido para um novo aquário após a morte de sua mãe. De acordo com as regras locais, nenhum golfinho pode permanecer sozinho no tanque, precisando do contato com outros golfinhos. Enquanto isso, Winter faz um novo amigo, chamado Hope (esperança). Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h30, 17h (dub/diariamente); Kinoplex 5 – 14h, 16h30 (dub/diariamente).
CONTINUAÇÕES Anjos da Lei 2: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 16h45, 19h20, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 14h40, 16h55 (leg/somente de quinta-feira a domingo), 19h20, 21h40 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h15 (dub/somente sábado e domingo), 16h15, 19h15, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 13h30, 16h20 (dub/somente sábado e domingo), 19h, 21h35 (leg/diariamente); Playarte 9 – 14h10, 16h35, 19h, 21h25 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). Se Eu Ficar: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 14h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 15h30, 17h, 19h30, 22h (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 18h15, 20h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h35 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 19h30, 22h (dub/diariamente); Kinoplex 1 – 19h (dub/diariamente). Hércules: EUA. 14 anos. Cinemark 4 – 12h30, 14h50, 17h20 (3D/dub/somente sábado e domingo), 19h50 (3D/dub/ diariamente), 22h10 (dub/diariamente), Cinemark 6 – 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h05, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 14h, 16h20, 18h40 (3D/dub/diariamente), 20h55 (3D/leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 14h30, 16h45, 19h, 21h30 (dub/diariamente), 22h20 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h35 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h45, 19h45 (3D/dub/diariamente), 17h15, 22h10
(3D/leg/diariamente); Kinoplex 3 – 13h50, 16h20, 18h40 (3D/ dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente); Playarte 1 – 12h40, 14h45, 16h50, 18h55 (3D/dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente), 23h05 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado). Deus Não Está Morto: EUA. 10 anos. Kinoplex 1 – 14h10 (dub/diariamente). Lucy: FRA. 16 anos. Cinépolis Millennium 2 – 15h20, 17h20, 19h40, 21h50 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 13h, 15h15 (dub/somente sábado e domingo), 17h45, 20h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h40, 21h35 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 22h30 (leg/somente sábado e domingo); Kinoplex 2 – 21h25 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 13h30 (dub/ diariamente); Playarte 7 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). Sex Tape – Perdido Na Nuvem: EUA. 16 anos. Playarte 10 – 14h20, 19h (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sextafeira e sábado). Os Mercenários 3: EUA. 16 anos. Cinemark 5 – 11h50 (dub/somente sábado), 14h40 (dub/exceto domingo), 17h50, 21h (dub/exceto quarta-feira), 22h15 (dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 5 – 15h, 17h45 (dub/diariamente), 20h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 15h30, 18h30, 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 19h35 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h15 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 15h40, 18h25, 21h10 (dub/diariamente); Playarte
6- 13h05, 15h40, 18h15, 20h50 (dub/diariamente), 23h25 (dub/ somente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 16h20, 21h05 (leg/diariamente). O Que Será de Nozes?: EUA. Livre. Playarte 4 – 13h10, 15h, 16h50, 18h40, 20h30 (dub/diariamente), 22h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). As Tartarugas Ninja: EUA. 12 anos. Cinemark 8 – 12h20 (dub/diariamente), 15h, 17h30, 20h, 22h15 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 16h30, 21h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 13h45 (dub/somente sábado e domingo), 16h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 13h45, 16h15, 18h45 (3D/dub/diariamente); Kinoplex 5 – 18h50, 21h20 (3D/ dub/diariamente). Vestido pra Casar: BRA. 12 anos. Cinemark 3 – 14h (diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 14h40, 16h55 (somente segunda-feira, terça-feira e quarta-feira); Cinépolis Plaza 8 – 13h, 15h15 somente sábado e domingo); Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h30, 16h20 (dub/somente de segunda-feira a sexta-feira); Playarte 2 – 14h55, 17h, 19h05, 21h10 (diariamente), 23h15 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 8 – 13h50, 15h55, 18h, 20h10 (diariamente), 22h20 (somente sexta-feira e sábado). Guardiões da Galáxia: EUA. 12 anos. Playarte 3 – 13h45, 16h15, 18h45, 21h15 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado).
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HERICK PEREIRA
::: Sala de espera
Força, carisma e muita credibilidade quem tem é a honrosa Nejmi Jomaa Aziz com a população. A ex-primeiradama deu prova disso durante a reunião com milhares de mulheres no Dulcila da Ponta Negra na última semana. Ela pode!
Janete Fernandes está trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Nívia e François pilotam hoje sessão batizado do pequeno Daniel Harb, às 9h30, na Capela do Colégio Dom Bosco seguido de um brunch no Rubi. A Santa Lolla vai pilotar coquetel badalado, no próximo dia 19, às 19h. O motivo? A inauguração da nova loja do Manauara Shopping com apresentação de sua coleção Verão 2015. Quem convida são as empresárias Lenúbia e Ludmila Aziz. Hoje, o Clube da Toada servirá de palco para as apresentações das belas Verena Ferreira, a nova cunhã-poranga do Garantido, e Brena Dianná, a rainha do folclore do Caprichoso, no festim “O Encontro dos Itens” – no Rio Negro Clube. O Ases do Pagode orquestrará, no próximo dia 20, o show “Retrô 90”, no Sambaqui – a partir das 20h. O grupo Anonimatus fará participação especial. Chique e extremamente elegante, o Atelier Tânia Castro virou coqueluche entre as lulus da cidade. O ambiente além de lindo e confortável para realizar aquela festa, chá, reuniões e almoços-tendência. Reservas pelo 3308-3236. Hoje, Charufe Nasser comanda feijoadíssima no Buffet Morada, a partir das 12h30.
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Multiplicando O Mesa Brasil do Sesc Amazonas, rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício, está recebendo da Companhia Nacional de Abastecimento, mais de 100 toneladas de peixes, que serão distribuídos em todo o Amazonas. Essa ação foi viabilizada pelo Programa de Aquisição de Alimentos – Compra Direta de Pescado, do governo federal. A partir de amanhã, 35 toneladas de peixes serão distribuídas em Manaus às instituições já cadastradas. Entre os dias 19 e 22 deste mês, o projeto receberá mais 65 toneladas de peixes.
Fôlego Domingo, para celebrar o centenário da paróquia de Nossa Senhora de Nazaré com muita saúde, os amantes do bem-estar participarão da 1ª edição da Corrida Pedestre da Fé. A largada está prevista para as 7h com concentração e saída na Fortaleza, ao lado da Escola Estadual Ângelo Ramazotti. Segundo o responsável pelo evento, Pierre Gadelha, a corrida faz parte das festividades que marcam o centésimo aniversário de uma das maiores paróquias do Amazonas. O evento conta com o apoio da Sejel.
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Louros Andréa Medeiros transpirava alegria no almoço do Domus, anteontem. A poderosa e extremamente sofisticada meritíssima comemorava sua eleição como membro do comitê de reestruturação do Primeiro Grau de Jurisdição, realizada entre os juízes da capital e das comarcas do interior. O comitê foi instituído pelo Conselho Nacional de Justiça.
O candidato ao governo do Estado, Marcelo Ramos, lançou seu terceiro livro “Coragem”. O auê literário aconteceu, na Saraiva do Manauara Shopping, e contou com figuras de destaque como Hermengarda Junqueira, a Menga!
No Comfort
Buscando sempre oferecer qualidade nos serviços e conforto aos hóspedes, o Comfort Manaus fez forte investimento na reforma e ampliação de áreas comuns, instalando ainda um “Espaço Business”. As mudanças fazem parte da nova gestão do empreendimento, o gerente-geral Murilo Pontes, que também promete uma programação semanal toda especial no restaurante do hotel do Distrito Industrial. Entre as quais, a feijoada todas as A trupe divertida da ManausPrev: Iolane Silva, Ana Lúcia Vital, quartas-feiras, a partir das Carla Martins, Mônica Queiroz, Zena Yacub, Vânia Nunes e Denize 12h30, que já está fazendo Santana conferindo o almoço concorrido da Chachá o maior sucesso.
C8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014
Projeto ilumina fachadas da rua Visconde de Mauá A
manhã, quatro fachadas abandonadas da Rua Visconde de Mauá, localizada no Centro Histórico de Manaus, receberão o banho de luz cênica no 2º dia do projeto “Lugares que o dia não me deixa ver”, que está em sua 3ª edição. As edificações, que no período do apogeu da Borracha eram residências e comércios, serão iluminadas das 18h até as 22h. O projeto é realizado pelo Ponto de Cultura Casarão de Ideias, e tem o apoio do Itaú Cultural. O diretor-geral do projeto, o ator e bailarino João Fernandes, destaca que as iluminações na rua serão projetadas na frente de cada fachada como se fossem uma espécie de “corrente” a interligar cada edificação, de modo a convidar as pessoas que transitarem pelo espaço a passar na frente de cada fachada histórica. “O grande ponto de referência da rua no passado foi o Museu do Porto de Manaus, e o projeto arquitetônico do local, resultante da Belle Époque”, assegura. Conhecida como a rua em que “Manaus começou”, a Visconde de Mauá, no período entre 1877 e 1920, ficava
nas imediações da Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro, segundo Geraldo dos Anjos, secretário-geral do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). “Nesse período, a cidade foi expandindo suas ruas, no sentido de partir da Visconde de Mauá até a rua Geraldo Ramos, e ir desmembrando outras. Era
HORÁRIO
As edificações, que no período do apogeu da Borracha eram residências e comércios, serão iluminadas das 18h até as 22h. O projeto é realizado pelo Casarão de Ideias, com apoio do Itaú Cultural definitivamente a parte mais habitada da cidade. E a partir de 1906 houve a inauguração do Porto de Manaus, o que deu uma importância maior às redondezas”, pondera ele. Algumas casas da região abrigavam locais voltados para a manutenção dos navios e demais embarcações que chegavam da Europa. “No local onde funcionava o Museu
do Porto ficava a Casa das Máquinas, que fazia funcionar o guindaste do Porto de Manaus naquele período também”, ressalta Geraldo. As casas abandonadas do local eram residências familiares e comércios, e todo o entorno da rua – contemplado pelas atividades do Porto de Manaus – era movido pela entrada e saída das embarcações. “Nos arredores da Praça Dom Pedro 2º havia os teatros, e próximo ao Cabaré Chinelo funcionava um grande salão de jogos. Em 1920, Manaus começou a declinar nas questões econômicas, o que culminou no desaparecimento da cidade imaginária da Borracha”, encerra Dos Anjos. A edição passada do projeto iluminou 15 lugares do Centro Histórico, tanto com luzes tradicionais quanto com as intervenções artísticas. Entre as fachadas iluminadas estiveram a Santa Casa de Misericórdia, que além das luzes recebeu uma mostra fotográfica do grupo “A Escrita da Luz”; o Palacete Nery, que recebeu também uma performance teatral, com atores e atrizes com roupas de época; e o chafariz da Praça da Matriz, com performance de balé.
DIVULGAÇÃO
Rua é conhecida por ter marcado o início da capital amazonense, abrigando comércios voltados para a manutenção naval
Na edição passada do projeto, pelo menos 15 espaços receberam as intervenções artísticas