O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 7.969 – DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO - PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00
PESCA AMEAÇADA RICARDO OLIVEIRA
A desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para venda de tambaqui e pirarucu produzido no Acre, Ceará, Mato Grosso, Pernambuco, Rondônia e Roraima ameaça a economia amazonense. Antes, o benefício era facultado somente a Amazonas e Pará. Economia B4 e B5
Medida do governo federal concedeu benefícios fiscais para favorecer a venda da carne de pirarucu e tambaqui produzida em outros Estados brasileiros, prejudicando o Amazonas AP
Desastre
Última Hora A2
PEDALAR
IONE MORENO
DOMINGO
Avião mergulha no mar
combate o estresse Apesar da falta de ciclovias, já existem em Manaus pessoas que adotaram a bicicleta para fugir do estresse do trânsito. É o caso da produtora Fátima Santágata, que já utiliza a “magrela” como meio de transporte. Dia a dia C1
Ópera
O sonho de mudar Manaus
EM TEMPO lança hoje edição especial do Plateia com a programação completa do 17º Festival Amazonas de Ópera. Plateia na Ópera
Nozes
Secretário de Finanças (foto) aposta em um novo conceito de cidade para Manaus. Com a palavra A7
Incluir nozes no cardápio pode reduzir a incidência de diabetes tipo 2 em mulheres, aponta estudo. Saúde E2
AMAZONENSE
Nacional em plena forma
Fátima Santágata prefere ir para o trabalho de bicicleta, mesmo enfrentando trânsito caótico
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Best-seller Até que ponto “Cinquenta Tons” é o tipo de obra erótica capaz de desestabilizar o leitor? Ilustríssima G4 e G5
DIEGO CAJÁ
ULISSES TAPAJÓS
Após vitórias na Copa do Brasil, time de Lana (foto) enfrenta hoje o Holanda pelo Amazonense. Pódio E3
TEMPO EM MANAUS
MÁX.:
36
MÍN.:
25
A2
Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
Leilão do Detran-AM é cancelado por tumulto
BALI
Avião cai e passageiros sobrevivem
GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
O
leilão de veículos apreendidos pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) que ocorreria ontem, teve que ser cancelado por causa do tumulto gerado, devido à falta de estrutura do local escolhido para a realização do evento. A decisão foi do próprio diretor-presidente do órgão, Leonel Feitoza, que esteve no local para tentar conter os ânimos dos presentes. A nova data será divulgada na próxima semana. Pelo menos duas mil pessoas estiveram presentes no local escolhido, o auditório da sede do Sindicato dos Metalúrgicos (rua Duque de Caxias, Praça 14), que ficou pequeno para comportar os interessados em adquirir os mais de 200 carros e motos disponíveis. Esse seria o primeiro leilão do Detran-AM do ano e também o primeiro promovido sob a chancela da nova diretoria do órgão. De acordo com a empresária Silvia Miranda, 37, houve lentidão no processo de cadastramento do público, cuja fila fazia curva, atingindo a rua Ramos Ferreira, por volta das 9h. “É muita desorganização e falta de respeito com
as pessoas que chegaram cedo para participar”, disse. Miranda chegou ao local às 7h30, mas garante que havia pessoas ali desde as 5h. O despachante aduaneiro Ediel Pinho Silva, 25, chegou pouco depois das 6h. “Esse cadastramento deveria ter sido feito em outro dia ou pela internet”, sugeriu. O leiloeiro Ricardo Gomes de Oliveira, responsável por toda a organização do leilão, afirma que a demanda foi muito superior às expectativas. “Os dois últimos leilões que realizamos com os veículos que se encontram apreendidos pelo Detran-AM, em outubro e dezembro, respectivamente, foram realizados neste mesmo espaço e não houve tanta procura”, lembra. Segundo ele, o auditório tem capacidade para aproximadamente 600 pessoas sentadas e essa era a média de participação popular nos eventos anteriores. Oliveira chegou a dizer que o cadastramento continuaria mesmo após o horário de início do leilão, previsto para as 10h. A estimativa do leiloeiro era que o processo de venda pública mediante maior lance tivesse duração de três horas. “O público se renova à medida que as pessoas forem adquirindo seus bens”, mencionou.
IONE MORENO
A venda de carros e motos apreendidos levou mais de duas mil pessoas ao Sindicato dos Metalúrgicos
Confusão no acesso ao auditório do Sindicato dos Metalúrgicos, onde seria realizado o leilão
Cadastramento atrasou processo Antes de decidir pelo cancelamento do leilão, Leonel Feitoza chegou a mudar a condução do processo de cadastramento e participação dos interessados, por volta das 10h30. O dirigente do órgão, há pouco mais de um mês no cargo, orientou o leiloeiro para que liberasse a entrada
de todas as pessoas que estavam do lado de fora do prédio, sob a justificativa de que todos deveriam participar. “A organização não é do Detran-AM, mas sim do leiloeiro. Nós avisamos que esse cadastro era para ter sido antecipado, pelo menos dois dias antes. O erro foi de ele de não ter feito o que
mandamos”, disse. Trânsito O trânsito nas proximidades do Sindicato dos Metalúrgicos ficou lento durante toda a manhã, mesmo com a ação dos agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito de Manaus (Manaustrans).
IRREGULAR
MUTIRÃO DIVULGAÇÃO
O carvão vegetal foi doado para instituições de caridade
Polícia Ambiental apreende 4,9 toneladas de carvão ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO
Em patrulhamento de rotina, policiais do Batalhão Ambiental aprenderam, na madrugada de ontem, 4,9 toneladas de carvão vegetal sem o Documento de Origem Florestal (DOF), no quilômetro 31 da estrada AM010 (Manaus-Itacoatira). Segundo o cabo Ferreira Filho, da guarnição do Batalhão Ambiental, e que participou da operação, uma parte do carvão foi aprendida em uma Kombi, placa NPA 1338, cujo motorista Juciclei Ferreira da Silva, 29, não possui o documento exigido para o transporte da madeira. Na kombi foram encontradas 15 sacas grandes
Um avião da companhia aérea Lion Air com cerca de 100 passageiros a bordo aterrissou no mar ontem, após ultrapassar a pista do aeroporto da turística ilha indonésia de Bali. Segundo um porta-voz da empresa, ninguém morreu, mas ao menos 18 passageiros ficaram feridos. O avião, um Boeing 737, procedia de Bandung, na vizinha ilha de Java, e deveria aterrissar no aeroporto internacional de Denpasar às 15h locais (4h de Brasília). A nave ultrapassou a pista por motivos ainda desconhecidos, indicou a agência de aviação civil da Indonésia. As primeiras imagens do acidente mostram uma fratura na fuselagem à altura das asas do avião, que ficou boiando a cerca de 200 metros do final da pista de aterrissagem. O chefe da polícia de Bali, Arif Wahyunadi, disse à emissora local “One TV” que todos os passageiros e membros da tripulação foram resgatados e levados ao terminal do aeroporto para serem examinados. Edward Sirait, porta-voz da Lion Air, disse que o avião é novo, e o piloto estava capacitado para voar. Segundo o porta-voz da empresa, a aeronave transportava 101 passageiros e sete integrantes da tripulação.
de carvão, de 50 quilos, e mais 250 sacas pequenas de carvão, de cinco quilos. Em outra apreensão, a Polícia Ambiental conseguiu interceptar uma van, placa JXQ 8217, dirigida pelo condutor Adaimir Feitosa Castro, 41, que transportava 60 sacas de carvão também sem a documentação de origem florestal. No total foram apreendidos 1,9 tonelada na Kombi e 3 toneladas na van. Os condutores dos veículos foram encaminhados para o 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde assinaram o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TOC) e vão responder pelo crime em liberdade. Todo o carvão apreendido foi doado para instituições de caridade.
Haitianos recebem CTPS A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRTE-AM), em parceria com a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), expediu e entregou ao menos 80 Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS) para haitianos que residem em Manaus. A iniciativa, ocorrida na manhã de ontem, foi a terceira desde janeiro de 2010, quando começou a imigração de haitianos para o Brasil, após terremoto no Haiti. A estimativa inicial era atender 130 pessoas. “A medida vem para desafogar a demanda da semana, que fica em torno de mais de cem carteiras expedidas. Temos a informação de que há mais de 300 haitianos a caminho da cidade, então é necessário reduzir essa demanda semanal”, explicou o superintendente do Trabalho e Emprego, Dermilson Chagas. Fanes Tulien, 26, é eletricista, está há 1 ano e meio em Manaus e foi um dos atendidos no mutirão. “Não pretendo sair do Brasil. Aproveitei que já adquiri minha carteira permanente de estrangeiro para renovar a CTPS que possuía. Tenho um irmão em Santa Catarina e, caso não consiga outro trabalho aqui, já tenho para onde ir. Mas do Brasil não saio mais”, disse. O mutirão para emissão de CTPS foi realizado na sede da SRTE-AM, na avenida André Araújo, Aleixo. De janeiro de 2010 até hoje foram emitidas em torno de 3,7 mil CTPS para os haitianos.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Maioridade penal... e então? O governo da presidente Dilma Rousseff é contra a redução da maioridade penal, é contra endurecer penas para menores infratores. Ao contrário dos Estados Unidos, onde até uma criança que se torna criminosa é condenada e cumpre pena, o Brasil “sem miséria” que investe mais em Copa do Mundo e Olimpíada do que em educação e saneamento básico continua se pautando na inconstitucionalidade da redução, como disse na semana passada o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na opinião do vice-presidente Michel Temer, a “redução da maioridade penal não reduz a criminalidade entre os jovens”. Ele acredita que são mais eficientes políticas públicas de incentivo e amparo aos adolescentes, coisa que só existe de maneira abstrata no Brasil. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que encaminhará em 15 dias ao Congresso um projeto de lei que propõe tornar o Estatuto da Criança e do Adolescente mais rígido em relação a menores envolvidos em casos de violência considerados graves e reincidentes. Toda essa história reacendeu após a morte do estudante Victor Hugo Deppman, assassinado por um adolescente de 17 anos, em São Paulo. O assaltante completou 18 anos na sexta-feira e foi encaminhado para a Fundação Casa (antiga Febem). Fora esse, em quantos casos menores de idade – muitas vezes comandados por adultos – cometeram crimes justamente pela certeza da impunidade? A intenção não é investir em repressão, mas apresentar propostas concretas que possam evitar mais crimes em um país no qual a violência não tem controle e parece também não ter remédio com tarja preta na qual venha escrito “ordem e progresso”.
Café da manhã com Kassab O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (PSD), está em Manaus. Veio para se reunir com lideranças políticas e com o governador Omar Aziz, que é de seu partido. Depois de um café da manhã onde vai conhecer tucumã, pupunha, cupuaçu e tapioca, deve manifestar o apoio do partido à Zona Franca de Manaus e à PEC que será apreciada na Câmara dos Deputados, estabelecendo a duração de 50 anos ao modelo.
Café partidário Aliás, o governador do Amazonas, Omar Aziz, é vice-presidente do partido de Kassab, que tem bancada expressiva no Congresso Nacional. Paquera O prefeito Arthur Virgílio, do PSDB, confirmou presença no encontro com Kassab. O ex-prefeito de São Paulo está sabendo que o prefeito de Manaus já reiterou que deixa o ninho tucano se o partido se manifestar contra a Zona Franca de Manaus. Vem que tem Se renunciar ao tucanato e não tiver para onde voar, Arthur poderá pousar no ninho do PSD, onde será aceita com todas as honrarias por Kassab. Fantasma da Ópera Quando concedia uma entrevista coletiva, ao meio-dia de sexta- feira no Teatro Amazonas, o secretário de Cultura, Robério Braga, e os jornalistas foram surpreendidos por um barulho ensurdecedor. Parecia que algo pesado teria desabado por trás da bilheteria do teatro. Fantasma da Ópera 2 Robério interrompeu a sua fala. Mas quando retomou a entrevista, novamente um barulho ainda mais forte foi ouvido. E aí o secretário não se conteve: – Deve ser o “Fantasma da Ópera”!, (risos). Futurologia O deputado federal Átila Lins (PSD) visitou na tarde de sexta-feira a redação do EM
TEMPO. Enquanto cumprimentava os jornalistas, foi perguntado à queima-roupa se a eleição de 2014 deve provocar um racha entre o governador Omar Aziz e o senador Eduardo Braga: – Calma aí, ainda não adquiri o dom da futurologia! Reação Representantes dos oito Estados que se consideram prejudicados com a redistribuição das vagas de deputados federais, determinada na terça-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não vão deixar barato. Lançaram uma ofensiva para anular a decisão, que vale já para as eleições do ano que vem e também repercute na composição das Assembleias legislativas estaduais. Quem perde O TSE decidiu diminuir a bancada na Câmara de oito Estados e aumentar as vagas de cinco. Alagoas, Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul deixarão de ter uma vaga. Já Paraíba e Piauí perderão duas cadeiras. Quem ganha Ganharão um posto os Estados do Amazonas e Santa Catarina. Ceará e Minas Gerais ganharão duas cadeiras. E o Pará, maior beneficiado, quatro. Fumacê coreano A Coreia do Norte é considerada o país mais fechado do mundo, mas lá a maco-
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
nha é liberada. Os norte-coreanos fumam tranquilamente pelas ruas e plantam a erva em seus jardins. O problema é que, para eles, a maconha não é droga. Paredon Mas, em relação às outras drogas, a repressão é levada a sério. Em 2010, quando a metanfetamina – substância que tem causado estragos nos EUA comparáveis aos do crack no Brasil – começou a virar moda no país, as autoridades cravaram placas nas calçadas dizendo que a punição para quem fosse flagrado consumindo drogas seria “a tropa de fuzilamento”. □ Em se tratando de Coreia do Norte, pode acreditar, não é uma força de expressão. 100% presente Dilma Rousseff multiplicou sua presença em palanques oficiais. A presidente aumentou a duração de seus discursos em 2013, revertendo um perfil discreto do início de sua gestão. Falando mais Nos cem primeiros dias do ano, Dilma discursou por um total de 15 horas e 20 minutos em inaugurações e cerimônias públicas. Em 2011 e 2012, em período equivalente, falou por 5 horas e 34 minutos e 5 horas 44 minutos, respectivamente.
VAIAS
Alberto César
Charge
PEC da Impunidade DIEGO JANATÃ
ABR
Para o fotógrafo do EM TEMPO, Alberto César Araújo, que acaba de ganhar o Pictures of the Year (POY) Latam, o maior concurso de fotojornalismo da América Latina.
Para a PEC que tira do Ministério Público o poder de fazer investigações. A reação tem sido tão grande que o projeto já está sendo chamado de PEC da Impunidade.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
É caso sem jeito e sem remédio Qualquer pessoa dotada de razoável bom senso, quando faz uma bobagem, ou uma burrice, para, reflete, reconhece e cuida para evitar uma recidiva, pois, como diz o nosso prefeito Arthur Virgílio, todo mundo tem direito a um dia de leso durante o ano. Entretanto, complementa o alcaide, alguns há que se julgam no direito de exercer plenamente a leseira em todos os dias do ano. Não é esta a visão que o grande Nelson Rodrigues tinha da questão, pois, bem mais pessimista, achava que os idiotas dominariam o mundo, uma vez que, para cada um que morria, nasciam quatro na esquina mais próxima. Optando pela tese do Arthur, surpreende-me a persistência e o empenho com que certas pessoas cultivam e defendem a leseira que, no fundo, é apenas uma das formas que a burrice assume. Repetem-na no dia a dia do cotidiano, sem que nada seja capaz de levá-los à percepção da sua própria estupidez. Como as plantas e os animais que se adaptam à ambiência em que proliferam e dela assimilam características, também os idiotas ostentam os tipos e as idiossincrasias das regiões em que habitam e atuam. O professor Ribamar Bessa foi quem melhor explicitou a babaquice que por vezes se manifesta em alguns de nós, amazonenses, de modo peculiar e a ela designou com propriedade como “leseira baré”, cuja padroeira seria a nossa conhecida santa Etelvina. Aqui, ali e acolá, seja onde for, sempre se fazem presentes esses espíritos amputados, que parecem se multiplicar, como Nelson Rodrigues profetizou, apesar de
todas as oportunidades culturais disponíveis e de toda a democratização atual das ciências. Em Brasília, sede do nosso governo, espécimes muito originais dessa família habitam e se habilitam aos cargos de mando no Executivo, de legisladores no parlamento e de julgadores no Judiciário, como pares de algumas das melhores cabeças do país. E aí aparece como figura emblemática da leseira mundial o deputado e pastor, certamente de alguma seita pentecostal, Marco Feliciano, que não conseguiu entender a significação da presidência de uma comissão de direitos humanos e estufou o peito para disparar uma inacreditável sequência de besteiras e inconveniências como poucas se veem. Como seu embasamento é bíblico, parece que leu o Livro como antigamente decorávamos a tabuada, sem nada entender e interpretar. De início afirmou que os africanos descendem de um ancestral amaldiçoado, como se houvesse um só ser humano que não tivesse origem africana. Depois, tachou Deus de assassino, que teria matado John Lennon e os Mamonas Assassinas. Não satisfeito, voltou-se contra o genial e nosso orgulho, Caetano Veloso, que seria parceiro do Diabo e praticante de magia negra. Realmente não dá para tolerar tanto obscurantismo. Engana-se quem pensa que o deputado e pastor Feliciano seja uma mente bloqueada por preconceitos e por crenças deformadoras. Nada disso! Não há bloqueios em sua mente, pois o que há é apenas a ausência da mente, ou seja, a demência.
João Bosco Araújo, Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO
Como as plantas e os animais que se adaptam à ambiência em que proliferam e dela assimilam características, também os idiotas ostentam os tipos e as idiossincrasias das regiões em que habitam e atuam”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Ansiolítico eleitoral
A minha preocupação número um em relação a esse processo é publicar. Não foi publicado ainda porque é muito grande e os serviços do tribunal não têm a agilidade para, de um dia para o outro, publicar isso
Apesar do recuo no consumo em supermercados e do estouro da meta da inflação, a previsão compartilhada por ala expressiva da equipe econômica do governo é a de que o índice de preços ceda em até um ponto percentual até setembro. A análise tem sido usada no Planalto para tranquilizar os que temem impacto da crise na campanha de Dilma Rousseff. Auxiliares da presidente entendem que produtos sazonais, caso do tomate, representam 60% da alta dos últimos meses. Caderninho O otimismo é tamanho que governistas catalogam declarações dos presidenciáveis sobre economia. Falas sobre risco de “desemprego” e “inflação” serão usadas para acusar Aécio Neves e Eduardo Campos de “torcer contra o país”. Zero... Não há previsão de ida de Dilma para inaugurar a Arena Pernambuco, que será entregue hoje tendo só o governador como estrela. A presidente lançou estádios em Fortaleza e Salvador. ...a zero O governo do Estado diz que o ato de hoje será técnico e que está sendo discutida outra data para Dilma inaugurar a obra. W.O. Para não irritar o governo, a Fifa desistiu de mandar mensagem de Joseph Blatter ao evento de hoje em Recife. O ministro Aldo Rebelo (Esporte) não irá. Titanic O próximo encontro de Dilma e Campos será em maio, quando será lançado o novo navio do estaleiro Atlântico, de Pernambuco. Dupla cidadania Após confirmar ida ao seminário do PT amanhã, em Belo Horizonte, a mineira Dilma informou a dirigentes da sigla que participará
também da escala da caravana de Lula em Porto Alegre, onde morou, dia 24. Abin O governo vai monitorar o comportamento do PDT no projeto que barra acesso de novas siglas ao fundo partidário e tempo de TV. Auxiliares do Planalto cobram lealdade do partido após ingresso de Manoel Dias no Ministério do Trabalho. Onde pega Um dos mais ativos líderes pedetistas, Paulo Pereira da Silva (SP), presidente da Força Sindical, diz estar prestes a reunir as assinaturas necessárias para criar seu “Solidariedade”. Carinho 1 Diante da resistência de Renan Calheiros (PMDBAL) em promulgar a emenda que cria quatro Tribunais Regionais Federais, parlamentares da base aliada veem tentativa de agradar Joaquim Barbosa, presidente do STF e crítico do projeto. Carinho 2 Às vésperas de o peemedebista assumir a presidência do Senado, em fevereiro, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou à corte denúncia contra ele por três crimes. Recordar é viver Quando a PEC foi aprovada no Senado, peeme-
debistas lembram que Renan não apenas votou a favor como encaminhou voto favorável à questão como líder da bancada. Força-tarefa Escritórios de advocacia que representam réus do mensalão reforçaram as equipes para se dedicar à leitura das milhares de páginas do acórdão do julgamento, que deveria ter saído na semana passada, mas teve a publicação atrasada.
Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ao dizer que sua principal preocupação, no momento, é publicar o acórdão do julgamento da ação penal 470, o processo do mensalão.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
Algorítimo Empresas de informática também foram contratadas para dissecar a peça, a fim de que apenas os votos referentes aos clientes sejam analisados. A ideia é otimizar o tempo, exíguo para verificar eventuais lacunas e contradições no texto. Bolsa novela Dilma usará a necessidade de digitalização do sistema de TV para estimular a compra de receptores e conversores de alta definição. Além da anunciada desoneração dos aparelhos, está em gestação programa para subsidiar a compra por famílias de baixa renda. On-line Fabricantes de TV fizeram chegar a interlocutores do governo que, em 2014, 80% dos televisores produzidos no país serão conectáveis na internet.
O ilustre visitante do centro histórico de Manaus atende pelo nome científico de Pitangus sulphuratus, mas também “responde” por bem-te-vi. Lá foi ele, o bem-te-vi, levar seu canto para a nossa história antes de partir para a Pasárgada, onde é amigo do rei.
Dom Sérgio Castriani
Tiroteio
opiniao@emtempo.com.br
José Dirceu disse algo inimaginável a respeito de um ministro do STF. Para quem nega o mensalão, já vimos o tamanho da mentira. DO LÍDER DO DEM NA CÂMARA, RONALDO CAIADO (GO), sobre a declaração do ex-ministro de que Luiz Fux teria prometido absolvê-lo no julgamento.
Contraponto
Rá-tim-bum A presidente Dilma Rousseff, ministros e amigos do casal Lula da Silva se reuniram há uma semana em São Paulo para comemorar o aniversário da exprimeira-dama Marisa Letícia. Havia um bolo com bonequinhos dela e de Lula. Mas como era aniversário de Guido Mantega (Fazenda), foi providenciado um cupcake. — Olha! O Pibinho! – gritou alguém diante do bolinho, provocando risadas discretas e constrangidas. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Dia do Índio No dia 19 de abril celebramos o Dia do Índio. Em muitos lugares o dia se transforma em semana. Uma semana de manifestações culturais e de tomada de consciência da situação dos povos indígenas. É uma ocasião excelente para que conheçamos melhor quem são esses homens e mulheres, cidadãos de nosso país, que guardam e assumem a identidade indígena, isto é, se veem como descendentes daqueles que aqui viviam antes da invasão vinda da Europa. Povos que se reconhecem herdeiros de uma história que tem suas raízes bem antes do descobrimento. Pessoalmente sinto-me privilegiado por conhecer muitos desses povos. Minhas andanças, viagens e visitas pastorais, bem como o compromisso da minha igreja com a organização indígena, com a luta pela terra, e ainda pela educação e atenção à saúde diferenciadas me levaram a ter uma atitude de grande respeito pelos povos indígenas que conheci e conheço e pelas centenas de homens e mulheres que assumem a sua identidade, guardando e vivendo valores em grande parte perdidos pela nossa civilização. A coragem de viver que levou a guardar tradições ancestrais ou a redescobri-las, a lutar pela terra, não visando o lucro ou a propriedade privada mas a sobrevivência do povo, a solidariedade e a percepção de que era preciso se organizar, merecem uma atitude de respeito. Quando se conhece melhor as nações indígenas, se percebe a riqueza humana que está por trás de seus nomes. Só lembrando alguns: tikuna, cocama, cambeba, kanamari, katuquina, deni, maku, maiuruna, miranha e assim por
diante. Cada um desses nomes carrega consigo uma história, uma cultura, uma visão de mundo, uma espiritualidade. O Brasil é um pais privilegiado, pois além de abrigar um povo que é fruto da mistura de vários povos, conserva descendentes diretos de europeus, asiáticos e africanos, mas também essa imensa gama de descendentes dos povos originários. Temos uma riqueza humana invejável. Por isso ao respeito se junta o orgulho de ser brasileiro com todos esses brasileiros e brasileiras. Mas essa visão não deve ser ingênua. As populações indígenas incomodam e há séculos suas terras continuam cobiçadas e seus direitos desrespeitados. A saúde indígena sofre pelo descaso, falta de organização eficiente e muitas vezes corrupção. Nem todos os responsáveis assumiram com garra a educação diferenciada. Infelizmente há muitos povos ameaçados na sua integridade física e cultural. O Dia do Índio serve para tomarmos consciência desta realidade. A construção de uma identidade brasileira que conserve toda a riqueza dos povos que a compõem não é tarefa fácil. A presença, a vida e a teimosia dos povos e organizações indígenas na luta pelo direito de viver e existir não nos deixam ficar acomodados e nos convidam a sermos solidários. Que nesse dia os índios possam saber da nossa admiração, respeito e, sobretudo, solidariedade. Como gostaria de saudar pessoalmente amigos e amigas que não tiveram medo de ser o que são e abriram caminhos para que outros vivam a sua verdade, mesmo com as ambiguidades comuns aos humanos.
Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus
Minhas andanças, viagens e visitas pastorais, bem como o compromisso da minha igreja com a organização indígena, com a luta pela terra, e ainda pela educação e atenção à saúde diferenciadas me levaram a ter uma atitude de grande respeito pelos povos indígenas”
Política
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
A5
Interior comemora cem dias de gestão sob alerta Pelo menos 17 municípios decretaram estado de emergência neste período. Em alguns, o prazo se estende até julho
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
IZABEL SANTOS Equipe EM TEMPO
N
ão foi apenas Manaus que adotou medidas emergenciais para solucionar problemas nos cem primeiros dias de governo. Os novos prefeitos do interior consideraram a situação em seus municípios tão severa que lançaram mão de decretos de emergência, totalizando 17 em todo o Estado. As justificativas são praticamente as mesmas: problemas com limpeza pública e falta de estrutura física, além da emergência administrativa pela ocultação ou ausência de documentos. Como se não bastasse, alguns municípios começam a enfrentar problemas com a cheia dos rios. As primeiras cidades a publicarem decretos de emergência foram Coari, Novo Airão, Tefé, Nova Olinda do Norte, Beruri, Parintins, Benjamin Constant, Ipixuna e Caapiranga. Seguidos de Manacapuru, Lábrea, Envira, Iranduba, Manaquiri, Apuí, Santa Isabel do Rio Negro e Maraã. Os decretos variam de 90 a 180 dias. Alguns expiram neste mês de abril, mas ainda podem ser prorrogados por igual período. Outros, como é o caso de Ipixuna e Manacapuru, ainda estarão em vigência até julho. De acordo com o procurador-geral do município de Novo Airão (distante a 115 quilômetros de Manaus), André Oliveira, o decreto deve expirar no final do mês e não será prorrogado. Ele afirma que a gestão conseguiu solucionar a maioria dos problemas e ainda formou uma comissão de licitação para iniciar as atividades após o decreto. André garante que a prefeitura não efetuou despesas exorbitantes durante o período. A partir de agora, a principal preocupação será tornar o município adimplente junto ao governo federal, pois Novo Airão está impedido de receber repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A cidade também teve negociada a dívida previdenciária que chega a R$ 10 milhões. Em Benjamin Constant. de acordo com o chefe de gabinete da prefeita Iracema Maia (PSD), Bismark Júnior Sales, boa parte dos problemas do município foram solucionados. “Conseguimos equipar alguns hospitais com apare-
lhos essenciais e contratamos médicos. A zona rural também está melhor assistida”, garantiu. O município também comemora o aumento do número de alunos nas salas de aula e a execução de operação tapaburacos, mas esta só será concluída no verão. O prefeito do município de Envira (distante a 1.208 quilômetros), Ivon Rates (PMDB), decretou emergência nas áreas de saúde, limpeza e abastecimento de água. Segundo ele, muitos problemas já foram solucionados com a retomada de obras em hospitais e limpeza da cidade. Ivon também diz contar com o apoio do governo do Estado em obras de infraestrutura viária. Ele diz que os últimos meses foram críticos, pois a elevação do nível do rio chegou a impedir o acesso de caminhões coletores e máquinas ao lixão da
Estamos empenhados em ajudar aos nossos colegas na prestação de contas e fazer valer o estado de emergência
Iran Lima, presidente da AAM
cidade. Outra preocupação de Envira, que ainda deve persistir até maio, é a situação de inadimplência do município no Cadastro Único de Convênios (Cauc). Ivon também optou pelo parcelamento das dívidas essenciais do município. Em Manacapuru, o prefeito Washington Régis (PMDB), prorrogou o decreto de emergência por mais 90 dias. Ele afirma que problemas em saúde, educação e limpeza foram solucionados, mas ainda enfrenta problemas sérios de gestão. Apoio O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), prefeito de Boca do Acre, Iran Lima (PSD), diz que mesmo à frente da entidade há poucas semanas, tem dado total apoio aos municípios em situação de emergência. “Estamos empenhados em ajudar nossos colegas na prestação de contas e fazer valer o estado de emergência”, disse.
O período da cheia dos rios amazônicos pode desencadear nova onda de decretos de emergência em municípios do interior
Cheia dos rios já atinge cidades Alguns municípios das calhas do rio Juruá e do rio Amazonas podem enfrentar, por mais um período, o estado de emergência, mas não por ocasião de situações administrativas, mas pela elevação das águas dos rios. Desde março, o rio Juruá tem subido muito rápido e provocado prejuízos às populações que habitam a região. Como é o caso de Ipixuna, cuja área mais baixa está enfrentando inundações, além da evasão de populações ribeirinhas. De acordo com a prefeitura, a Defesa Civil e a Secretaria Municipal de Assistência Social têm visitado as áreas e levado assistência em forma de medicamentos e cestas básicas à população. Já em Lábrea (a 702 quilô-
metros de Manaus), o viceprefeito, Michel Cruz (PSD), revela que a cidade possui cerca de 450 famílias desabrigadas pela cheia. Ele
PERDAS
A cheia na calha do Juruá tem afetado a economia da zona rural do município de Envira, com perdas na agricultura, pequenos animais e aumento de doenças. Dados são da prefeitura afirma que a Defesa Civil está em alerta e que existe a possibilidade de a situação piorar. Em Itacoatiara (a 286
quilômetros), segundo a prefeitura, algumas ruas em bairros mais baixos estão completamente tomadas pelas águas como os bairros Jauari e Colônia. Segundo o procuradorgeral do município, José Ricardo Araújo, o decreto de emergência administrativa do município esgotou em fevereiro e a prefeitura está normalizada, mas a cidade está em alerta quanto ao nível do rio. Em Envira, a cheia do Juruá tem afetado a economia da zona rural do município com perdas na agricultura, pequenos animais e aumento de doenças. Segundo Ivon Rates, a cheia deste ano foi a maior dos últimos 3 anos, mas o rio já está recuando nas áreas do município.
Inspeção do TCE inicia amanhã Amanhã, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) inicia a primeira etapa do plano de inspeção 2013. O presidente, conselheiro Érico Desterro, avisa que a equipe do tribunal aproveitará a oportunidade para averiguar as contas dos três primeiros meses de gestão dos municípios em estado de emergência. Érico explica que os municípios devem prestar contas apenas ao final de cada exercício, mas o TCE aproveitará a oportunidade para verificar as dispensas de licitação.
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Política
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
ELZA FIÚZA/ABR
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Não haverá tolerância com a inflação” Jornalista
ALEXANDRE TOMBINI, presidente do Banco Central, sobre os rumos da economia
Filho de Alencar pode implodir PMDB de Minas Desastrada articulação do ex-presidente Lula pode rachar o PMDB de Minas Gerais. Ele atraiu o vice-presidente Michel Temer para uma idéia de jerico: impor o empresário Josué Gomes da Silva, filho do falecido ex-vice José Alencar, como candidato a governador pelo PMDB – que já tem pré-candidato, o senador Clésio Andrade. A insatisfação com a manobra pode ser fatal para as pretensões do partido em 2014. Vai um mandato aí? Sem experiência, sem história, mas com muito dinheiro, o filho de José Alencar está fascinado com a idéia de adquirir seu espaço na política. Aqui, não, violão Lula primeiro tentou impor Josué Silva ao PT, mas aliados do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) bateram pé e não aceitaram. Na ativa Debilitado pelo tratamento contra o câncer e condenado no mensalão, Roberto Jefferson participa das negociações partidárias de 2014. Corrida maluca O ministro Mantega estreia a corrida aos prêmios 2013 com o troféu Conselheiro Acácio: acha que juros mais altos combatem a inflação. Petrobras banca projetos do MST no exterior Imersa numa grave crise de escândalos financeiros e queda de investimentos, a Petrobras banca projetos “humanitários” do MST e da Via Campesina no Haiti, pagando viagens de camponeses haitianos ao Brasil para cursos de “agroecologia”. A
revelação é de João Pedro Stédile, líder dos porraloucas, a um blog “progressista” francês. Stédile também pediu a retirada da tropa brasileira na Minustah, da ONU. Seca dos outros Com haitianos emigrando em massa ao Brasil, a doação de cisternas do governo da Bahia aos miseráveis locais parece que não funcionou. Passaporte Aliado do governador Sérgio Cabral (PMDB), o PDT deverá lançar candidato próprio ao governo: o prefeito Sandro Matos, da Baixada. Olha o perigo A Força de Segurança Nacional terá reforço de sistema israelense capaz de captar imagens bidimensionais através das paredes. De pai pra filho Quem deve estar rindo à toa com o sigilo garantido até 2027 dos empréstimos do BNDES a Cuba e Angola, com “mãozinha amiga” de Lula, é a filha do presidente eterno de Angola, Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África. Fortuna estimada em US$ 2 bilhões. Não vi, não sei Antes “independente” nos cálculos inflacionários, o Dieese capitulou: garantiu que a desoneração segurou os preços da cesta básica. Como subiu em quase todas as capitais, a cesta devia estar quase vazia. Bonito perdedor Saudosistas comparam Eduardo Campos (PSB) com outro candidato, brigadeiro Eduardo Gomes, que enfrentou Eurico Dutra em 1945 e Getúlio Vargas em 1950, perdendo ambas. O
slogan era: “Brigadeiro é bonito e é solteiro”. Eduardo Campos deve estar batendo na madeira. Inferno astral O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) reclama de verdadeiro “inferno astral” esta semana: “Depois de anos costurando acordo, não votamos a reforma política e o Piauí ainda perdeu duas vagas na Câmara”. Holofote Para Lelo Coimbra (PMDBES), a Câmara foi quem mais perdeu com a polêmica envolvendo a Comissão de Direitos Humanos: “Por incrível que pareça, quem ganhou foi próprio Feliciano e o Jean Wyllys”. Só teatro O ator Odilon Wagner procurou líderes no Senado para pedir a reserva de 40% das vagas para meia-entrada, no Estatuto da Juventude: “Há 5 anos trabalhamos este acordo com a UNE; a meiaentrada hoje é falsa” O Corintiano Leitores de Taubaté reagem à nota comparando Lula ao comediante Zé Trindade, e defendem a semelhança do ex-presidente com um filho da terra, o cômico Mazzaropi, sobretudo no filme “O Corintiano”. Japão reconhece A parceria do Japão com a tecnologia agrícola da Campo, com sede em Brasília, foi saudada pelo embaixador Akira Miwa como um dos fatos mais significativos da política externa de seu país. Pensando bem... Estimulados pela leniência do PT, só falta os criminosos “di menor” fundarem um partido: o Petizada.
PODER SEM PUDOR
Olhos bem fechados Conhecido cabeça dura udenista, Oscar Dias Correia era adversário ferrenho de Juscelino Kubitschek (PSD) e estava certa vez Poços de Caldas quando telefonou a um amigo de Andradas, avisando que viajaria ao seu encontro. O homem observou, satisfeito: – Bem, agora, com a nova estrada, o senhor pode vir mais rápido! Correia se ofendeu com a referência à importante obra rodoviária de JK: – Vou pela estrada antiga. Ou você acha que vou dar prestígio para essa estrada do Juscelino?
DO SENADO
Juventude e TRFs na pauta Sem medidas provisórias e com a pauta destrancada, o Senado deve votar na próxima terça-feira o projeto do Estatuto da Juventude (PLC 98/2011). A previsão foi feita pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na última quarta-feira. Além do projeto do estatuto, também estão na pauta PECs que preveem a criação de tribunais regionais federais (TRFs) e a prestação anual de contas por autoridades
ao Senado. O Estatuto da Juventude estabelece uma série de direitos para as pessoas com idades de 15 a 29 anos. Alguns pontos da proposta ainda geram discordância entre os parlamentares, como a exclusão da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 da regra geral de meia-entrada em eventos culturais e esportivos para estudantes e jovens carentes. Outro ponto ainda con-
troverso é a gratuidade no transporte interestadual. A proposta, na forma aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais, assegura aos jovens que comprovarem renda familiar de até dois salários mínimos, a ocupação de dois assentos de forma gratuita em ônibus interestaduais e de mais dois lugares com desconto de 50%. Se aprovado com as alterações feitas pelo Senado, o texto ainda terá que voltar para análise da Câmara dos Deputados.
Oposição do PPS foi “covarde”, segundo declaração do governador tucano Agnelo Queiroz
Contrariado, governador ‘demite’ deputado federal
Chefe do Executivo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, retorna secretário à Câmara, obrigando saída de suplente
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ontrariado com uma campanha negativa promovida pelo PPS, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mandou o secretário de Habitação, Geraldo Magela (PT), de volta para a Câmara dos Deputados. Dessa forma o PPS perde a cadeira ocupada pelo deputado suplente Augusto Carvalho (DF). Segundo nota divulgada pelo governo do Distrito Federal, a “articulação foi feita para melhorar a ação política do GDF no
Congresso Nacional, dada a posição de covarde oposição assumida pelo PPS”. Em nota, o PPS-DF repudiou a retaliação do governo local. “Para o PPS, covarde é o governo do petista, que não respeita a população. (…) Covarde é um governo que se omite diante da tragédia da saúde pública. (…) Covarde é a atual gestão do PT frente ao GDF, que, por sua incompetência, faz aumentar os índices de criminalidade em todos os níveis. Covarde é um governo que após quase dois
anos e meio não foi capaz de sequer melhorar a situação do transporte público na cidade”, diz a nota. O partido diz ainda que nunca “transigiu com a corrupção e muito menos negociou o honroso mandato de suplente do deputado Augusto Carvalho na Câmara em troca de se calar diante das mazelas e da ineficiência do atual governo”. Na última quinta-feira, o PPS realizou convenção nacional, em que teve a participação do senador tucano, Aécio Neves.
Com a palavra
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Ulisses TAPAJÓS
‘TODOS JUNTOS por MANAUS’
FOTOS: DIEGO CAJÁ
VALÉRIA COSTA Equipe EM TEMPO
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empresário Ulisses Tapajós passou 45 anos de sua vida dedicados à indústria amazonense, especificamente a antiga Multibras da Amazônia, atual MASA, onde a transformou na melhor empresa para se trabalhar no Brasil, segundo ranking das revistas Exame e Você S/A da Editora Abril, por 2 anos consecutivos: 2006 e 2007. Aos 66 anos de idade, aposentado, mas inquieto e sempre em busca de desafios, ele topou mais para seu currículo empresarial: cuidar das finanças de uma empresa abarrotada de problemas e à beira da falência. A diferença que não é na iniciativa privada, mas sim na administração pública, na Secretaria de Finanças da Prefeitura de Manaus, posto que assumiu há três meses e que tem se empenhado, conforme faz questão de frisar ao longo da entrevista, em transformar idéias, concretizar sonhos e mudar o conceito de cidade que hoje se tem da capital amazonense. Para isso, a principal aposta da prefeitura será no programa “Todos Juntos por Manaus”, lançado recentemente e que se traduz num pacote de austeridade fiscal, incremento da receita municipal e o resgate da autoestima do povo manauense. A seguir, acompanhe trechos da entrevista exclusiva concedida pelo secretário ao EM TEMPO, em meio a uma agenda apertada entre reuniões e decisões a tomar para sanar, ou pelo menos equacionar a saúde financeira do município. EM TEMPO: É a primeira vez que o senhor atua na administração pública? Ulisses Tapajós: É a primeira vez. Será uma nova experiência na minha vida pessoal e profissional. Eu sempre fui muito afeito a desafios. Eu me acostumei, ao longo de 45 anos no Polo Industrial de Manaus (PIM) a todos os dias acordar, respirar e perseguir metas e, depois de me aposentar na indústria, eu passei aproximadamente 4 anos trabalhando com os filhos, perseguindo metas e fui para a aposentadoria no final do ano passado. Nos primeiros 15 dias estranhei muito porque eu não tinha metas para perseguir. Por volta do meio de dezembro, eu recebi um convite do prefeito Arthur Virgílio e um incentivo do empresário Jorge Gerdau, pelo qual eu tenho grande admiração, de contribuir com a cidade de Manaus e pelo meu dever de gratidão - sou manauara e essa cidade me propiciou uma vida muito feliz, uma família maravilhosa – tenho de contribuir para transformar nossa cidade, que está muito triste, doente, deficiente, quebrada. Eu pensei que talvez pudesse, com 45 anos de experiência em gestão empresarial, trazer um novo modelo de gestão para a prefeitura, de tal maneira que a gente possa transformar esse quadro em uma cidade feliz.
EM TEMPO: A Semef tem sido uma secretaria primordial desta gestão. Como o senhor está levando a sua experiência na iniciativa privada para o poder público? UT: Surpreendentemente, eu queria dizer que é mais fácil trabalhar numa prefeitura do que numa empresa do Polo Industrial. Lá no PIM, durante 365 dias do ano, a gente vive um ambiente muito competitivo. A globalização fez com que os nossos concorrentes, todos os dias, sejam as empresas chinesas, coreanas, japonesas. Empresas muito competentes, que para você concorrer com elas tem que ter um modelo de gestão de altíssima eficiência. A prefeitura, por conta que você não concorre com outras prefeituras coreanas ou chinesas, tem a sua arrecadação razoavelmente automatizada, não há aquela necessidade de uma concorrência brutal, a receita é através do pagamento dos impostos, como ISS, ITBI, IPTU, alvarás. Portanto, a maior preocupação é estabelecer um modelo de gestão que controle custos, que evite desperdícios. Consequentemente, os meus primeiros 90 dias de gestão têm sido de intensa aprendizagem, na formação de uma equipe. Estou bastante feliz com a competência e força de trabalho da equipe de servidores municipais da Semef. E, para implantar um modelo de gestão, tive a possibilidade de convidar alguns executivos do PIM que já trabalharam na minha equipe na Masa, durante aproximadamente 30 anos. Conseguimos fazer uma equipe mesclada: a gente tem a boa vontade e força do servidor municipal, experiente e a boa vontade e força de executivos do Polo, que conhecem modelos de gestão muito poderosos e a mistura dessas duas equipes nos permite, na Secretaria de Finanças, uma equipe poderosíssima. EM TEMPO: Como vai ser implantado, na administração pública, um modelo de gestão próprio de iniciativa privada? UT: Começa com a formação de um sonho. Você olha para fora de Manaus e vê cidades que são referências em qualidade de vida, como Curitiba, Belo Horizonte, Recife e fica se perguntando: por que isso não pode acontecer em Manaus? Daí, que o primeiro passo da nossa equipe foi criar um sonho que motivasse todos nós a acordar bem cedo, sorrindo, a vir trabalhar com a maior disposição, no sentido de fazer com que esses sonhos se torne uma realidade. O sonho da nossa equipe é transformar Manaus em uma das cidades mais agradáveis para viver no Brasil. O segundo passo é formar uma equipe que alia a liderança com o conhecimento técnico. Começa então uma espécie de planejamento estratégico do que queremos nos próximos 4 anos, baseado em três grandes pilares: honradez, fazer uma prefeitura de Manaus transparente, com ética, honestidade e foco nos resultados e nas metas que precisamos alcançar para transformar
a cidade. Outra coisa é a desburocratização. A prefeitura deixa de arrecadar muitos recursos porque seus processos internos são travados e o relacionamento com seu contribuinte é muito deficiente. EM TEMPO: A burocracia é um dos principais gargalos da administração pública e o prefeito fala muito em revolucionar a gestão pública, como será essa revolução? UT: A primeira coisa que temos que fazer é criar condições para que possamos sair do déficit financeiro. A prefeitura iniciou essa administração com um déficit de R$ 350 milhões e, desse total já conseguimos pagar R$ 30 milhões. Todo mês estamos guardando R$ 20 milhões que serão aplicados, a partir deste segundo semestre, em obras de revitalização da cidade para a Copa do Mundo. Então, o primeiro passo é transformar a situação deficitária numa situação superavitária. O programa “Todos Juntos Por Manaus” é um programa bastante ousado, que visa fazer isso já no primeiro ano, através de um aumento substancial na receita sem aumentar impostos, da forte redução de gastos, e, através da criação de uma expertise que fizemos recentemente, com a implantação do escritório de elaboração de projetos, cuja meta é ir a Brasília apresentar as nossas prioridades e ideias, projetos ao governo federal e à entidades financeiras nacionais e internacionais, de tal sorte que nós possamos ter essas idéias e melhorar a condição da cidade. O nosso primeiro ano é o foco na recuperação financeira, na revitalização da cidade para a Copa do Mundo. A partir daí, com dinheiro em caixa, muitos investimentos poderão ser feitos em serviços de infraestrutura, projetos sociais, de cultura, esporte e lazer, mas também no fortalecimento de nossa equipe. Temos uma equipe de servidores municipais que precisa ser continuamente capacitada e motivada. Entenda por motivação tudo aquilo que promove o bem-estar dentro da comunidade empresarial. EM TEMPO: E quais prioridades e ideias são essas? UT: São várias ideias que temos e isso significa colocarmos em prática o processo das parcerias público privadas (PPPs). Você tem aí uma determinada ideia e vai buscar a iniciativa privada para que financie essa ideia. Vou te dizer uma ideia pessoal que tenho e que acho que trará para a prefeitura uma grande mobilidade e redução de custos: construirmos um centro administrativo municipal. Hoje nós temos 17 secretarias, oito autarquias, todas espalhadas por Manaus e, com o trânsito que temos, cada deslocamento, reunião ou necessidade se perde um tempo monstruoso. Uma série de dificuldade, que se resolveria com um centro administrativo municipal. Tenho trabalhado para levar ao prefeito.
EM TEMPO: Falou-se na semana passada em fechar 2013 com uma economia de R$ 500 milhões. Quais as estratégias para atingir este valor? UT: Em primeiro lugar, temos que aumentar nossa receita. As receitas de uma prefeitura são divididas entre públicas, aquelas que vêm de impostos e, vinculadas, oriundas de convênios com o governo federal e entidades internacionais. Nós temos aí uma chance muito grande sobre a receita do IPTU sem aumentar o imposto. Apenas aumentando a base de dados. Existem muitos imóveis que não eram cadastrados e estamos trabalhando agilmente, no sentido de cadastrar esses imóveis, para poder termos um aumento na nossa arrecadação. EM TEMPO: Mas, já houve uma grita por conta do aumento do IPTU... UT: O aumento do IPTU não foi dessa gestão, são de leis que foram aprovadas no passado, em 2011 creio. Não foi uma decisão nossa. EM TEMPO: E o leilão reverso, quando vai acontecer efetivamente? UT: O primeiro trabalho que fizemos em janeiro foi negociar com nossos fornecedores. O prefeito havia nos passado uma instrução de honrar todas as contas, desde que efetivamente elas sejam comprovadas. Estamos, desde então separando essas contas daquilo que chamamos contas essenciais, que é tudo aquilo ligado ao funcionamento da prefeitura e contas não essenciais. Como não podíamos parar, rapidamente chamamos todos aqueles fornecedores e fizemos um processo de negociação de como íamos pagar essa dívida. Totalizamos R$ 150 milhões negociados, cujos pagamentos serão entre seis a 24 meses. Isso foi equacionado ainda em janeiro e, temos negociado aproximadamente R$ 110 milhões. As não essenciais, que não influem diretamente na vida da prefeitura, serão pagas no leilão reverso. Temos que regulamentar a lei do leilão e fazer uma licitação para a escolha do banco que vai fazer o leilão. Estamos trabalhando para até a última semana de maio e primeira de junho, possamos fazer o leilão. EM TEMPO: Qual a maior experiência empresarial que o senhor vai levar da iniciativa privada para a administração pública? UT: Eu penso que é o senso de urgência. Numa indústria, você pensa de manhã, dá a ordem de tarde e as coisas imediatamente são implantadas à noite. Tudo é muito veloz. No ambiente público, tudo é muito lento. Então, o maior desafio que tenho é transformar essa lentidão na velocidade que existe na iniciativa privada. Também faz parte da minha responsabilidade implantar um modelo de gestão de tal sorte que, como na iniciativa privada, onde existe gestão, não existir nem ineficiência e nem corrupção.
Surpreendentemente, é mais fácil trabalhar numa prefeitura do que numa empresa do Polo Industrial de Manaus. Lá, durante 365 dias do ano, a gente vive um ambiente muito competitivo
Faz parte da minha responsabilidade implantar um modelo de gestão, de tal sorte que, como na iniciativa privada, onde existe gestão, não existir nem ineficiência e nem corrupção”
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Política
Átila otimista com nova função
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
DIEGO JANATÃ
Empossado corregedor da Câmara, deputado diz que vai cumprir regimento IZABEL SANTOS Equipe EM TEMPO
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ecém-empossado corregedor da Câmara dos Deputados, o deputado federal Átila Lins (PSD), garante que será um fiel cumpridor do regimento da casa e da Constituição Federal, normas que regem as atividades do cargo. “Corregedor não tem amigo nem inimigo, ele tem o regimento e a Constituição”, garante. Átila também acredita que o trabalho da Corregedoria será reduzido em virtude do advento da Lei da Ficha Limpa. “Acredito que todos nós estamos mais cautelosos”, analisa. O deputado federal credita ao governador Omar Aziz (PSD) a articulação que o levou à Corregedoria da Câmara. A jornada do deputado amazonense até a liderança do órgão também passou pela sua forte articulação no Congresso Nacional. A Corregedoria, antes acoplada à 2º vice-presidência da mesa diretora, foi desmembrada e transformada em órgão autônomo para acolher Átila que, desde que abriu mão de concorrer à 2º vice-presidência da mesa, no início deste ano, já era dado como certo para o cargo. O parlamentar, que terá a incumbência de gerir um orçamento de até R$ 1,7 milhão. Ele considera a oportunidade um desafio fantástico. “Pela minha experiência, amadurecimento de trânsito que acumulei com o tempo, acredito que tenho amplas condições de desenvolver a contento essa tarefa que reputo como árdua”, analisa. A Corregedoria atua diretamente na apuração de delitos cometidos por parlamentares. Mesmo
sendo um dos parlamentares mais experientes da casa, está há 23 anos como deputado federal, ele garante que não abdicará das suas convicções democráticas para favorecer colegas. Relator da Comissão Especial da Prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM), Átila promete a mesma intransigência que demonstrou na defesa da medida provisória nº 352/2007, que concedeu isenções tributárias para o setor de TV digital no Polo Industrial de Manaus (PIM). “Foi a única propositura aprovada sem nenhuma emenda”,
ADESÃO
Na avaliação do deputado, falta o governo federal aderir, de fato, ao pacto federativo. Ele disse que a União tem desonerado apenas impostos compartilhados, mas não abre mão de tributos exclusivos relembra. O relatório deverá ser votado até julho. Para a ocasião, Átila vai sugerir ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que convoque até parlamentares licenciados para a votação do relatório, a fim de assegurar a aprovação. Sobre as eleições de 2014, ele falou que o apoio do PSD à presidente Dilma Rousseff vai depender de conversas com o chefe de seu partido, Gilberto Kassab. “Mas asseguro que ela terá o apoio do PSD na maioria dos Estados. É importante ressaltar que o partido apoia o governo Dilma, mas não participa”, disse.
PEC da Zona Franca em pauta Quanto à batalha travada no Congresso Nacional em favor da Zona Franca, Lins afirmou que o Amazonas possui “um aliado fortíssimo que é o governo federal”. “A PEC não é a proposta de um parlamentar, mas da presidente Dilma. Ela não mandou a PEC para um faz de conta. O mínimo que podemos esperar é que a chefe da Nação chame os seus aliados para conversar e garanta a aprovação da proposta”, analisou. Ele afirmou que não deixará que nenhuma emenda venha desvirtuar o sentido da proposta, que para ser aprovada irá necessitar de 308 votos. “E isso não é pouco. Não posso permitir que nada prejudique o oxigênio da nossa economia. É verdade que a redistribuição das vagas entre as bancadas causou uma certa insatisfação em alguns Estados, mas vamos dar tempo ao tempo. Acredito que Dilma converse com o presidente da Câmara, Henrique (Alves), e os líderes das bancadas para garantir a aprovação”, disse. Durante a entrevista, ao ser perguntado se ainda acalentava o sonho de conquistar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), cargo que
por pouco não foi indicado há 2 anos, Átila abriu o verbo e disse que, à época, era o candidato do PMDB, seu partido de então. “E, de repente, não me senti apoiado como achava que merecia e por me sentir ludibriado na minha boa fé aceitei o convite do governador Omar e migrei para o PSD. Não tenho absolutamente nenhuma mágoa do PMDB amazonense, mas faltava espaço e condições psicológicas para conviver com o PMDB em Brasília. A disputa sofreu uma inserção de fora para dentro por parte do governador Eduardo Campos (PSB), em favor de sua mãe, a deputada Ana Arrais. Na minha opinião isso significou uma inversão de valores”, revelou. Quanto ao pacto federativo, ele disse que os municípios continuam com duas receitas ICMS e o FPM que, na sua avaliação, são insuficientes para a sua subsistência. “Estamos em uma luta sem trégua para instituir a receita dos royalties. Sou inclusive um dos autores da PEC que reproduz integralmente o que diz a lei de redistribuição dos royalties que foi suspensa pelo STF. É impossível os municípios viverem com apenas essas receitas”.
Empossado na última semana como corregedor da Câmara dos Deputados, Átila Lins, promete rigor em sua passagem pelo cargo
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
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RICARDO OLIVEIRA
Pescado no Amazonas está ameaçado Economia B4 e B5
Restrição causará perdas para mercado imobiliário Conforme o setor, queda será de até 30% e prejuízos de bilhões de reais com proibição para construir a 500 metros da orla
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
JULIANA GERALDO Especial EM TEMPO
A
suspensão dos licenciamentos para obras particulares na orla pode causar perda de até 30% no mercado imobiliário de Manaus e render prejuízos “de bilhões” para o setor local. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Eduardo Lopes, a apreensão dos empresários tem sido grande com a restrição imposta no início do mês pelo Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) para atender a uma exigência da lei que estabeleceu o Novo Código Brasileiro Florestal. Pela nova legislação, as construtoras ficam proibidas de erguer empreendimentos em uma área inferior a 500 metros (o equivalente a quatro quadras) da orla, com o intuito de preservar a área florestal. “A suspensão pode comprometer de forma significativa o mercado imobiliário, que pode perder uma fatia entre 25% e 30% no que se refere a novos empreendimentos previstos”, afirma o presidente do Sinduscon-AM. Interesse social Na prática, a restrição do Implurb significa que os empresários interessados em adquirir terrenos para construir prédios, conjuntos residenciais ou galpões industriais estão temporariamente impossibilitados de realizar as obras porque os licenciamentos ambientais estão sendo expedidos apenas para empreendimentos de interesse social. Conforme o Implurb, a orla de Manaus compreende do lago do Puraquequara até o rio Tarumã, um trajeto com mais de 20 quilômetros. “Toda essa área está vetada. O que preocupa é a hipótese real de que a orla não possa ter o uso econômico produtivo, travando aspectos do desenvolvimento habitacional. Não temos como dimensionar o tamanho do impacto da medida para a construção civil, mas sabemos que será na casa dos bilhões”, destaca o diretor-presidente do órgão, Roberto Moita. Indignação O diretor do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Amazonas (Sindimóveis-AM), Joaquim Caetano Fernandes, fez questão de demonstrar indignação com a medida da prefeitura. Para ele, a restrição é absurda e afetará em cheio o mercado imobiliário de Manaus em um momento em que o segmento vem apresentando expansão. “O crescimento da cidade vai ser completamente cortado e os proprietários, que há anos possuem terrenos nessas áreas, verão suas propriedades caírem em desuso”, salienta.
Suspensão dos licenciamentos para novos empreendimentos particulares perto da orla da cidade foi adotada pelo Implurb para atender ao Código Brasileiro Florestal GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO
Em busca de solução jurídica Após o anúncio da restrição aos empresários do setor, no início do mês, o Implurb, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e a Procuradoria Geral do Município (PGM) iniciaram um processo de análise mais aprofundado sobre o tema. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a enviar correspondência chamando a atenção para a Área de Preservação Permanente (APP). “Buscamos um entendimento melhor junto ao nosso setor jurídico, uma vez que o texto do código, que define a APP, causa confusão”, afirma o diretor-presidente do Implurb, Roberto Moita. Ele explica que o novo código considera APP desde a borda da calha do leito regular, sendo essa a calha o local por onde corre regularmente as águas do curso durante o ano. “A questão é que essa borda, ou seja, a margem, não é a mesma durante todo o ano em função dos fenômenos de cheia e seca que ocorrem no Estado. Como
Impacto no crescimento do setor
seria possível então calcular 500 metros a partir de uma margem que não é fixa?”, questiona.
O superintendente da construtora Colmeia, Newton Veras, ressalta que a medida vai impactar nas áreas onde há uma tendência de a construção civil concentrar esforços devido à boa infraestrutura e da necessidade de verticalizar. Segundo ele, por conta dessa nova realidade, os investimentos em edifícios serão interrompidos. “A mudança vai espalhar novamente os empreendimentos nos bairros da cidade, onde muitas vezes não há uma infraestrutura apropriada”, critica. Veras acrescenta ainda que os prejuízos não ficarão limitados ao mercado imobiliário, mas se estenderão também ao setor industrial. “Empresários que pensavam em construir galpões industriais na outra margem (Iranduba) ficam inviabilizados de concretizar os projetos”, frisa.
Luz no fim do túnel Em busca de uma solução, o presidente do Sinduscon-AM, Eduardo Lopes procurou a Câmara Brasileira da Indústria da
LEGISLAÇÃO
Trecho da lei nº 12.651, que estabeleceu o Novo Código Brasileiro Florestal, em vigor desde 25 maio de 2012, diz que obras particulares serão erguidas a 500 metros da orla Construção (CBIC) em Brasília. “Levamos um susto inicial e agora começamos a enxergar uma luz no fim do túnel para resolver a questão”, conta ao ressaltar que as assessorias jurídicas do sindicato, do Implurb, da PGM e da Semmas vão se reunir para alinhar os entendimentos. Construção civil será afetada com proibição da prefeitura
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
Desaposentadoria: 500 mil beneficiados no país Medida que permite ao aposentado do INSS trocar o atual seguro por outro mais vantajoso foi aprovada semana passada
MARCELO CAMARGO/ABR
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provada na semana passada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, o projeto que permite ao aposentado do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) trocar o seu benefício por outro mais vantajoso – a chamada desaposentação ou desaposentadoria - , vai beneficiar em torno de 500 mil pessoas. O texto não precisa ser votado em plenário e os senadores terão cinco dias para apresentar recurso. Caso isso não ocorra, a proposta segue para a Câmara dos Deputados. De acordo com o texto, quem já tem aposentadoria (por idade, especial ou por tempo de contribuição) e voltou a trabalhar tem o direito de renunciar ao seu benefício e, mais tarde, pedir um novo. A vantagem é que quanto maior o tempo de contribuição, maior o benefício. “Esses números são relevantes e vão de encontro com o que hoje observo no mercado, com um crescente número de decisões favoráveis na Justiça sobre o tema e também com muitos aposentados que passaram a acreditar que realmente possuem este direito. Com certeza estes receberão os valores apontados pelo governo”, alerta o advogado previdenciário Guilherme de Carvalho, do escritório G Carvalho Sociedade de Advogados. Enquanto a decisão final não sai, vários aposentados que continuam na ativa buscam a Justiça para rever os valores da aposentadoria. No Brasil, o cidadão que trabalha e contribui para o INSS após a aposentadoria, não tem o direito de corrigir o provento.
Muitos aposentados, incluindo os do Amazonas, buscam na Justiça o direito de “desaposentar” para conseguir um benefício melhor do aquele recebido hoje
Tema gerou polêmica no Congresso A desaposentação é um tema polêmico entre os congressistas, sobretudo porque mexe com os cofres públicos. Para alguns especialistas, o governo terá que rever em breve a legislação, pois atualmente os aposentados vão atrás dos seus direitos. “Os
segurados querem renunciar a sua aposentadoria e ganhar aquilo que merecem”, destaca Guilherme Carvalho Para entender A desaposentação nada mais é do que o ato de renunciar ao atual benefício
para obter um novo em condições mais favoráveis. Mas só vale para quem continuou trabalhando ou trabalhou por algum tempo depois de aposentado. Ao fazer as contas anos depois, a pessoa percebe que seu benefício seria melhor se fossem conside-
radas as condições atuais. Como, uma vez aposentado, não era possível pedir uma revisão ao próprio Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), esses beneficiários optavam por ir à Justiça.. Segundo Guilherme de Carvalho, há decisões que
da história. É alvissareiro ler nos jornais passeata de estudantes universitários de Manaus protestando contra falta de professores em tecnologia! Trata-se de inovar o olhar educacional à luz da mudança permanente e frenética de padrões, soluções, verdades, e possibilidades do cotidiano, habilitando o cidadão e o trabalhador a resolver problemas, racionalizar energia, talento e resultados. Nesse contexto, pesquisa, produção, inovação e produtividade não podem caminhar em divórcio. Com um dos mais baixos acervos de profissionais com nível superior do mundo, com apenas 7% da população entre 24 e 35 anos, o país vai a lugar algum se não alterar com urgência essa constrangedora paisagem. Tivemos em Manaus, é verdade, nas últimas duas décadas, uma explosão de instituições de ensino superior, mas a quantidade não teve desempenho similar na conquista de profissionais de alta qualidade. Faltam talentos no varejo e as habilidades básicas para o
desempenho funcional padecem no atacado. É dramático o nível de ensino, de capacidade de comunicação dos indivíduos em interpretar ou formular um texto, e desastrosa sua intimidade com as premissas de Arquimedes. É preciso deixar claro que a conquista da competitividade pode ser um bem em si mesmo na discussão da questão educacional. Qualificar um número maior de bons profissionais no mercado de trabalho é revitalizar a sociedade, promover a empregabilidade de melhor nível, distribuir a riqueza e assegurar a socialização de oportunidades. Por isso a indústria tem exigido participar dos rumos da Universidade que, decididamente, ajuda a manter. E revitalizar a sociedade passa por reinventar o papel da escola, prestigiar e respeitar o papel do professor, tornar o ensino dinâmico, ágil, lúdico e operacional. Queremos todos uma educação que fortaleça o mercado e dele extraia os benefícios e os mecanismos de uma nova, mais competitiva, fluida e participativa ordem social.
garantiram aos seus clientes ganhos acima de 100%. Como o caso do aposentado que recebia o valor de R$ 1.251,85, e com a desaposentação e concessão de nova aposentadoria, o segurado passou a receber então o teto.
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
Educação e competitividade Nem só de logística portuária sobreviverá nossa competitividade. O gargalo de infraestrutura portuária já mostrou ao Brasil seus estragos e as razões visíveis de sua contribuição para a queda crescente e preocupante da produtividade industrial. O Brasil recuou 15% nos últimos 30 anos, enquanto a produtividade na China saltou 808% no mesmo período segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) do governo federal. Há setores, aliás, até mais inquietantes em termos da desindustrialização. E quais seriam as razões adicionais ou excepcionais desse desempenho tão adverso? Como aumentar a produtividade dos trabalhadores e garantir ao mesmo tempo o crescimento sustentado da economia e o aumento da competitividade da indústria brasileira ? O ensino é o desafio. De alto nível, com equipamentos, laboratórios, interdisciplinaridade. As empresas há muito apontaram o desafio da educação como principal obstáculo dessa empreitada. Estudos da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), junto a associados de todo ao país identificaram mais detalhadamente o problema. A educação recebeu média de 7,08, à frente de tributação (6,6), infraestrutura (6), inovação (5,29), relações de trabalho (5,28), ambiente macroeconômico (4,82), eficiência do Estado (4,53), segurança jurídica e burocracia (4,33), financiamento (4,2), estrutura industrial (3,57) e escala de produção (3,26). A pesquisa foi realizada com 275 líderes empresariais, em novembro de 2012. Daí uma série de iniciativas das entidades regionais para centrar esforços em ações, fóruns, debates permanentes sobre a questão. Mais emergencial que o diagnóstico, impõe-se identificar os mecanismos terapêuticos de sua superação. É óbvio que falta investimento inteligente em educação, e faltam cérebros diferenciados para entender e equacionar os entraves causados pelo descuido atávico em qualificação e investimento em profissionais diferenciados e talentos estratégicos no país. Daí a
iniciativa da entidade nacional de contratar a elaboração do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, exatamente com o objetivo de encarar o problema da competitividade da indústria no Brasil. No âmago desse projeto está incrustrado o enigma da educação como premissa essencial da busca de competitividade no processo de globalização, e da necessidade inadiável de refletir sobre o novo modo de produção do conhecimento e as implicações de tudo isso no equacionamento, ajuste e compreensão da relação entre conhecimento, produtividade e competitividade, entre o saber e empreender.... No limite, isso obrigará uma revisão do ensino, uma revolução de paradigmas, uma alteração substantiva e definitiva das atitudes e interatividade entre academia, pesquisa, investimento e papel o Estado. Caso não queiramos ficar pelo caminho. Não se trata de deixar de lado o conhecimento histórico, sistemático, no sentido acadêmico tradicional. Esse se revigora e se refaz ao longo
Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental
É óbvio que falta investimento inteligente em educação e faltam cérebros diferenciados para entender e equacionar os entraves causados...
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Economia
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Antecipar pacote de férias garante uma boa economia Em algumas promoções, quem comprar passagens aéreas em abril, em Manaus, pode obter descontos de até 300% BRUNO MARZZO Especial EM TEMPO
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s consumidores amazonenses que anteciparem as férias de julho poderão obter descontos de até 300% no preço das passagens aéreas se as comprarem ainda neste mês de abril. Quem deixar para a última hora vai encontrar preços mais altos e dificuldades na hora de adquirir os pacotes turísticos, em especial, para os destinos mais procurados pelos amazonenses como Fortaleza e a Flórida, nos Estado Unidos. A capital cearense continua sendo o destino mais procurado pelos turistas que embarcam no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, respondendo sozinha por 40% da procura, seguida por Miami e Orlando que juntas têm sido cada vez mais visitadas pelos amazonenses por oferecer preços atrativos e boa infraestrutura, além de estar mais próxima que muitas capitais brasileiras. O funcionário público Darley de Lima está sempre de olho nas promoções e procura se antecipar todos os anos através de pesquisas na internet. Nas ultimas férias, ele viajou para o Nordeste com sua esposa, mãe e a filha de 6 anos, e garantiu um bom desconto ao comprar com antecedência o pacote turístico. “Se eu tivesse deixado tudo para última hora, teria que suprimir pelo menos uma semana das minhas férias. Consegui bons descontos nas passagens e até mesmo nos hotéis” revela.
De acordo com Darley, com o advento da internet pode-se conseguir os melhores descontos, mas, para isso, é preciso monitorar diariamente os sites promocionais porque as promoções acabam “de uma hora para outra”. “Estou me planejando para as férias do final do ano. Descobri que se comprar com 60 dias de antecedência, irei economizar até R$ 600 por passagem comprada para a minha família”, salienta. Exterior A fisioterapeuta Fernanda Burgos destaca que após su-
OFERTA
Para Fortaleza, passagens nesta semana custam a partir de R$ 400 o trecho. Para Flórida, preço dos pacotes varia entre US$ 700 e US$ 750, incluindo transporte aéreo, hotel e translado perar as barreiras burocráticas para conseguir um visto americano, disse que os preços para os Estados Unidos estão no mesmo patamar que os praticados em voos domésticos. “Comprei no início do mês de março passagens para Orlando, na Flórida, por apenas US$ 400 dólares em um site promocional. Mas se você procurar o preço para Fortaleza, somente um trecho, estará custando R$ 1,2 mil. Ou seja, prefiro ir com minha família para Flórida, onde os preços são melhores, e a infraestrutura supera em muito a do Brasil”, ressalta.
Vendas para julho estão aquecidas A empresária Isabel Távora, que é representante da maior agência de turismo do Brasil em Manaus - a CVC Turismo -, com seis agências na cidade, revela que todos os pacotes preparados para as férias do meio do ano já estão à vendas. Segundo ela, as empresas áreas costumam privilegiar os clientes que se antecipam em no mínimo oito dias, com descontos que podem chegar a 70% do valor praticado por aqueles que compram as passagens às vésperas do embarque. “Hoje, os turistas que desejam embarcar para destinos nacionais terão que desembolsar no mínimo R$ 2 mil.” destacou a empresária. Conforme Isabel, um dos motivos que têm alavancado o mercado nacional de turismo é o pleno emprego das pessoas e as facilidades de pagamentos que os clientes possuem, como possibilidade de parcelar os pacotes em até 12 vezes no cartão crédito ou boleto bancário.
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Economia
Pesca do Amazo Medida do governo federal concedeu benefícios fiscais para favorecer a venda da carne de pirarucu e exportação de tambaqui produzido em outros Estados brasileiros HENRIQUE XAVIER Equipe EM TEMPO Online
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futuro do setor produtivo da piscicultura do Amazonas e do Pará pode estar ameaçado, face a uma decisão do governo federal. Na semana passada, o Ministério da Fazenda alterou os termos do convênio nº 76/98, que zerou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para exportação do tambaqui produzido no Acre, Ceará, Mato Grosso, Pernambuco, Rondônia e Roraima. O benefício era facultado antes somente aos criadores do Pará e Amazonas. Cedendo à pressão dos piscicultores dos seis Estados, a medida ainda abrange a concessão do mesmo benefício às saídas internas e interestaduais da carne do pirarucu beneficiada, que no Amazonas foi batizada de “bacalhau da Amazônia”. Com a decisão do Ministério da Fazenda, o segmento produtivo de pescado amazonense passa a sofrer diretamente com a concorrência dos novos beneficiados, que
possuem a seu favor opções de logística, e deverão influir diretamente no saldo final de fatores como preço da ração utilizada, frete com preço mais baixo que o praticado no Estado, além de maior alcance no mercado nacional, devido ao acesso mais amplo às redes de distribuição varejista.
ESTÍMULOS
Para o governo federal, a concessão de incentivos fiscais para criadores de tambaqui em outros Estados incentivará a produção pesqueira e reduzirá a fome, barateando o produto final no país “A iniciativa é prejudicial, uma vez que abre precedentes para que outras regiões possam requerer os mesmos benefícios federais, o que servirá de estopim para uma guerra fiscal para atrair novos investidores às regiões produtoras”, avalia o proprietário da empresa Repropesca, Itamar Silva.
Segundo ele, os produtores locais carecem de mais operações de crédito e financiamentos e que, por esse motivo, a entrada dos potenciais concorrentes munidos de mais estrutura para escoamento da produção pode resultar à região, em médio prazo, na perda de fôlego da atividade pesqueira para exportação. Sem apoio Na atividade há 28 anos, Itamar Silva fez questão de frisar que nenhuma agência de fomento estadual oferece linhas específicas para o setor pesqueiro em Manaus. Na avaliação dele, essa falta de apoio implica no pouco otimismo com que os empreendedores veem o atual panorama da atividade. Segundo o empresário, ao contrário de outras regiões, em Manaus é grande a dificuldade para os criadores obterem crédito. “Em todos esses anos de atividade, sempre escuto as mesmas reclamações de microempresários que, como eu, nunca conseguiram obter financiamento para garantir o capital de giro”, enfatiza.
Principal matéria-prima do “bacalhau da Amazônia”, criado pelo governo do Amazonas, pirarucu da r
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gião sofrerá uma forte concorrência do pescado de outros Estados
Terminal para escoar produção
Legislação prejudica criadores
Para o piscicultor Uilam José Bezerra de Carvalho, que atua há 18 anos no segmento produtivo, um dos fatores que mais pesam no orçamento, depois do transporte, é a ausência de um terminal pesqueiro ou uma central de abastecimento, que promovesse e dinamizasse a comercialização do pirarucu e do tambaqui no atacado. “O empreendimento facilitaria o escoamento da produção do pescado de área sustentável”, frisa. Ele destaca que outro grande gargalo para produzir peixe em cativeiro é justamente o preço da ração. Segundo o produtor rural, o insumo vendido no Estado custa em média R$ 48,87 a saca com 25 quilos, o que encarece o pescado. “Para quem tem 17 tanques, que consomem 43 sacas de ração por dia ao preço médio de R$ 48, o resultado final só poderia ser o encarecimento do produto no mercado consumidor”, explica.
Apesar da vocação natural para criação de peixes e dos inúmeros gargalos no segmento, os produtores rurais concordam que o grande entrave atualmente são as leis ambientais que “engessam” o setor. No entendimento do presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Orlando Cidade, atualmente, há uma excessiva carga de exigências ambientais que resultam em desestímulo para novos empreen-
Governo No início deste mês, o governador Omar Aziz
anunciou para os municípios de Parintins e Boa Vista do Ramos (a 369 e 271 quilômetros de Manaus, respectivamente), a criação de uma companhia estadual para a compra e venda de ração de peixe com o objetivo de atender os piscicultores de todo o Estado do Amazonas.
EXPLORAÇÃO
Conforme o governo, a ação dos atravessadores faz o saco de 40 quilos de ração, adquirido por R$ 30 no mercado nacional, chegar ao preço de R$ 70 nas cidades do interior do Estado
Na ocasião, Omar Aziz explicou que a criação da companhia, que será vinculada à Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), terá a missão de baratear os preços da ração, atualmente a maior despesa para a criação de pescado em cativeiro.
dimentos no setor. “É triste dizer, mas as leis ambientais atrapalham a produção amazonense”, observa. O parlamentar destaca também que há uma grande demanda por pirarucu e tambaqui no país que o Amazonas não pode suprir. “Como essas espécies se adaptaram muito bem em outros Estados, nada mais justo que passem a produzir também. Infelizmente, nossa região ainda está engessada por políticas ambientais arcaicas que atravancam setores como a piscicultura”, conclui. RICARDO OLIVEIRA
JIMMY CHRISTIAN/SEPROR
onas ameaçada
Lei ambiental é um dos gargalos do setor pesqueiro do AM
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País
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A volta do ‘monstro’ da inflação Uma combinação de frete alto, chuvas prolongadas e demanda aquecida está pressionando os preços dos alimentos
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disparada dos preços dos alimentos, que chegaram a subir mais de 100% nos últimos 12 meses, como o tomate e a farinha, ameaça a meta de inflação do governo. Com a alta no frete, as chuvas prolongadas e a demanda aquecida, analistas apostam que o teto da meta, de 6,5%, já estourou no mês passado. É a primeira vez que isso ocorre desde novembro de 2011. A explicação: uma combinação de frete alto, chuvas prolongadas e demanda aquecida está pressionando os preços de alimentos e mantendo-os em um patamar incomumente alto no varejo. A pressão dos preços reforça a aposta de analistas de que o teto da meta de inflação seja estourado em março. Com a divulgação do IBGE sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, referência do governo), do mês passado, a previsão dos analistas, de uma alta mensal de 0,47%, a inflação estourou, em 12 meses, o teto da meta, que é de 6,5%. É a primeira vez que isso ocorre desde novembro de 2011, quando a alta acumulada do IPCA chegou a 6,64%. O objetivo do governo é manter a inflação em 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Alguns alimentos mais do que dobraram de preço nos últimos 12 meses, como o tomate, que subiu 105,89%, e a farinha de mandioca, com alta de 140,57%, segundo dados do IBGE. Embora a inflação pelo IPCA-15 (índice que serve de prévia para o IPCA) tenha ficado em 6,43% em 12 meses, os alimentos subiram 12,96%.
E mesmos alimentos cujos preços já começam a cair no atacado ainda estão em alta no varejo. Uma das razões é o frete. O diesel usado para abastecer os caminhões já teve dois reajustes nas refinarias este ano, de 5,4% em janeiro e de 5% em março. Com o frete em alta, uma queda de preços no atacado não chega ao varejo. No Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M, da Fundação Getulio Vargas), o trigo no atacado caiu 2,26%, mas a farinha de trigo subiu 4,36% em março. Alta do frete O economista da LCA Consultores, Fábio Romão, calcula que somente o frete vá acrescentar à inflação neste ano 0,20 ponto percentual. Ele explica que o aumento do preço do diesel pesou sobre o frete e que o IPCA deve fechar o ano em 5,3%. Na suas projeções, a inflação acumulada em 12 meses subirá a 6,62% no resultado fechado de março. Até agora foram dois reajustes do diesel neste ano: em 30 de janeiro e 6 de março. E há especulações que outro ainda poderia ocorrer. “No atacado, os preços estão caindo desde janeiro. Tem uma parte que é efeito sazonal, mas o encarecimento do frete também está contribuindo para essa resistência dos alimentos”, afirma Romão O frango inteiro passou de uma alta de 2,91%, em fevereiro, para 1,80%, em março, considerando os dados do IPCA-15, que mede a inflação entre os dias 15 de cada mês e serve como uma prévia do IPCA. O frango em pedaços passou de 6,87% para 2,15%. A carne de porco desacelerou de 1,75% para 0,19%.
O que pesa na hora do aumento Sobre o frete pesaram ainda a mudança nas regras da jornada para caminhoneiros, que encareceu o custo das contratações. Após uma jornada de 11 horas, agora é obrigatória uma parada de 24 horas. A colheita de uma supersafra da soja, aliada a problemas logísticos, como a indisponibilidade de caminhões, estradas esburacadas e o atraso no desembaraço em portos, também pressionaram o custo do frete. “O frete subiu mais de 50% nos três primeiros meses
do ano e isso tem impacto em toda a cadeia”, afirma Luis Otavio de Souza Leal, do banco ABC Brasil. Os produtos chamados in natura (hortaliças, legumes e frutas) sobem em razão de um período de chuvas prolongadas. Para Alessandra Ribeiro, da Tendências, o movimento deles e da refeição fora de casa são o principal foco de resistência para uma desaceleração maior nos preços de alimentos. Ela espera que o IPCA em 12 meses fique em 6,59%.
Previsão de queda este mês Para o especialista em inflação, André Braz, do Ibre FGV, só em abril os alimentos devem dar uma arrefecida mais consistente. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que a autoridade monetária não descarta recorrer a novas medidas
para conter os preços: O BC continua tendo como objetivo maior a manutenção dos preços. Demonstramos preocupação com a persistência da inflação nos últimos meses. Continuamos cautelosos. Já tomamos medidas, mas outras podem ser necessárias.
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Mundo
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Maduro ou Capriles Quem vai ser o sucessor de Chávez?
Um pode dar continuidade à linha empreendida por Hugo Chávez, enquanto o outro candidato promete um caminho diferente
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RAMON ESPINOSA/AE
s eleições que acontecem hoje na Venezuela podem provocar uma mudança na política externa do país ou dar continuidade à agenda internacional adotada pelo presidente Hugo Chávez, que defendia a integração regional e se declarava um inimigo do capitalismo. O candidato chavista Nicolás Maduro, afirmou que, se ganhar, dará continuidade à linha empreendida e consolidada por Chávez, enquanto o aspirante opositor Henrique Capriles declarou que a Venezuela tomará um caminho diferente e não terá relações que não beneficiem o país com governos controversos. O pleito desperta a atenção não só na América Latina, mas também em lugares tão distantes e diferentes, como Irã, Belarus e China, onde Chávez articulou alianças estratégicas. Atual presidente encarregado da Venezuela, Maduro reiterou que durante “6 anos e três meses” foi ministro das Relações Exteriores de Chávez e destacou que esteve a par das conquistas alcançadas pelo ex-líder em matéria internacional. O candidato chavista ressaltou que esteve ao lado “do gigante Chávez” durante todo o processo de entrada da Venezuela no Mercosul, assim como na criação e desenvolvimento
Morte e petróleo em discussão
SUCESSÃO
Hoje a Venezuela vai conhecer o sucessor de Hugo Chávez. Maduro e Capriles apostam em discursos de continuidade e mudança para herdar o assento do presidente que morreu e virou um mito da Unasul, da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Além das articulações regionais, Chávez também deixou um mapa de relações internacionais no qual Cuba tem um lugar de honra, com diversos programas econômicos e acordos sociais desenvolvidos. Com os precedentes dos últimos anos, a relação da Venezuela com os Estados Unidos tem grandes chances de continuar conflituosa se Maduro for eleito, embora esse país seja o principal parceiro comercial e cliente petroleiro do governo venezuelano, que repassa aos EUA ao redor de 1,5 milhão de barris por dia. Gigante Dona da maior reserva mundial de petróleo, a Venezuela financiou programas de todos os tipos em países da Alba e distribuiu milhões de barris de petróleo a países caribenhos em condições de financiamento preferenciais. Nesse aspecto, Maduro leva certa vantagem, já que recebeu apoio direto de líderes da região, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou seu apoio ao candidato governista em uma mensagem gravada, a qual agora é transmitida nos atos de campanha dos chavistas.
Maduro é o apadrinhado dos defensores da chamada “República Bolivariana” e promete continuar as obras do “grande comandante” FERNANDO LLANO/AE
Capriles é franco opositor ao regime “ditatorial” deixado por Chávez e que se mantém vivo no discurso de Nicólas Maduro
A ampla resposta internacional à morte de Chávez, cujo funeral foi assistido por mais de 30 chefes de Estado e de Governo e mais de 50 delegações, foi destacada por Maduro como uma demonstração da relevância adquirida pela Venezuela durante o mandato do ex-presidente. Capriles, considerado o candidato “dos gringos” pelos chavistas, evitou mencionar os Estados Unidos em seus discursos de campanha e se limitou a assegurar que, se ganhasse as eleições, não entregaria o país “aos ianques” e nem “ao governo cubano”. Em recente entrevista, o candidato opositor afirmou que a possível vitória de Maduro significaria a entrega do país ao presidente de Cuba, Raúl Castro, e ao líder cubano, Fidel Castro, para que os mesmos tenham “mais influência do que já possuem”. Capriles, além disso, ratificou que não distribuirá petróleo e que os países que têm capacidade para pagar “vão deixar de receber esses presentes”, que, segundo ele, financiava “projetos políticos”. O candidato opositor, no entanto, esclareceu que acordos energéticos - como o Petrocaribe, por exemplo - não desaparecerão por serem “relativamente pequenos em relação ao tamanho do presente” que alguns países andavam recebendo, cujo montante foi estimado em “quase US$ 7 bilhões”. Em caso de vitória, Capriles declarou que não continuará impulsionando os laços com Belarus e Irã, países com os quais, segundo ele, a Venezuela não tem “ligação alguma”, já que considera essas relações como “projetos políticos”. No entanto, o candidato presidencial não esclareceu se cessará os acordos vigentes. Apesar de ter feito inúmeras criticas à política externa de Chávez, Capriles prometeu “melhores relações” com a China, país com o qual o governo de Chávez manteve uma relação privilegiada ao convertê-lo em sócio em troca de uma crescente exportação de petróleo. Com participação quase exclusiva do rico mapa aurífero venezuelano, construção de satélites e convênios de construção de refinarias, a China mantém uma relação comercial cada vez mais ampla com Caracas.
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Ameaças são usadas para ‘consolidar’ o poder coreano O
diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, James Clapper, acredita que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, quer “consolidar” seu poder com as ameaças de atacar interesses americanos. Para ele, a “retórica beligerante” usada pelo líder norte-coreano é destinada a um público interno, mas também à comunidade internacional, já que busca um “reconhecimento do mundo” e, concretamente, “dos Estados Unidos”. Clapper assinala que o objetivo principal do líder norte-coreano é “consolidar” seu poder, mas sobretudo demonstrar que tem um “controle firme” sobre a Coreia do Norte. Segundo explicou, Kim, que chegou ao poder após a morte de seu pai Kim Jong-il em dezembro de 2011, quer demonstrar que a Coreia do Norte pode competir como potência nuclear. “Isso lhe dá direito à negociação e, provavelmente, a (receber) ajudas”, afirmou. Tanto Clapper como Brennan assinalaram que Kim não esteve o tempo suficiente no governo para saber se agirá como seu pai ou como seu avô, o fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, mas considerou que seu objetivo
REPRODUÇÃO
Inteligência americana acredita que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, usa as ameaças para atacar interesses dos EUA provavelmente “não será outro além de provar sua posição”. Como “entender” “A Coreia do Norte é e sempre foi um dos objetivos de inteligência mais difíceis, se não o mais difícil”, reconheceu Clapper quando perguntado sobre até onde se espera que
CAPACIDADE
Com relação a se a Coreia ter a capacidade para atacar locais estratégicos dos EUA, Clapper disse que embora tenham feito testes nucleares, não terminaram os mísseis de longo alcance Retórica beligerante usada pelo líder norte-coreano é destinada ao público interno, mas também à comunidade internacional
Pyongyang possa chegar com suas ameaças. Clapper afirmou que Kim não teve o período de mais de 10 anos de preparação que seu pai teve antes de assumir o cargo em 1994, por isso que “ele tem que solidificar sua liderança e sua posição” em um momento de dificuldades econômicas para o país, que no ano passado teve uma queda de 6% em sua colheita.
Kim Jong-un intriga o mundo desde 2011 Desde sua chegada ao poder, em dezembro de 2011, o governo do líder nortecoreano, Kim Jong-un, vem intrigando o mundo com suas relações com a Coreia do Sul. A primeira impressão
de que Kim, por sua juventude, poderia representar um reinício nas tensas relações entre os países acabou por não se confirmar. Ao contrário, nos últimos meses a Coreia do Norte vem
tentando dar demonstrações de força e expor que está preparada para uma eventual guerra. Em dezembro de 2012, o país lançou um foguete ao espaço, o que seus adversários conside-
raram ser um teste disfarçado de um míssil balístico capaz de atingir até os Estados Unidos. Em fevereiro de 2013, realizou o terceiro teste nuclear de sua história e adotou uma retórica belicista sem antecedentes.
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Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 14 DE ABRIL DE 2013
diadia@emtempo.com.br
DIEGO CAJA
Os pequenos paraísos urbanos
(92) 3090-1041
Dia a dia C4-C5
IONE MORENO
Estresse, comigo, não! Para fugir da loucura do trânsito de Manaus, uma das pedidas é apelar para a bicicleta, mesmo com a falta do espaço adequado para os ciclistas CHRIS REIS Equipe EM TEMPO
P
ara Manaus se tornar uma Holanda, país ocidental que mais usa a bicicleta no dia a dia, ainda falta muito, seja por hábito (difícil deixar de ter conforto); pela falta de infraestrutura de uma cidade que dá preferência aos carros (não existem ciclofaixas ou ciclovias); falta de educação (motoristas de carros que não dão espaço); ou até mesmo pelo clima, onde cinco minutos sob o sol deixam a “moleira mole”. Entretanto, já existem (poucos) casos de pessoas que já trocaram o carro pela “magrelinha” e dão o exemplo de que é um caminho saudável, econômico e que, apesar de um ou outro dissabor, pode ser extremamente prazeroso. Um exemplo dessa decisão (acertada, segundo ela) é o da produtora socioambiental da TV Cultura, Fátima Santágata, 48, que aprendeu a andar de bicicleta aos 13 anos e com 19 anos começou a utilizar a bicicleta como meio de transporte, ainda no Rio de Janeiro. Ela lembra que a utilizava para ir ao trabalho diariamente, e a partir de então nasceu a paixão pela magrela. Porém, existia quem visse a troca com estranhamento. “Para muitos, era um pouco inusitado encontrar uma ciclista no elevador de carros de um shopping colocando a bike no estacionamento ao lado dos carros”, recorda. Fátima explica que morou 20 anos em meio à floresta, em especial na Floresta Nacional do Purus, e nos últimos 5 anos se estabeleceu em Manaus. Moradora do Tarumã, por algum tempo utilizava a bike para se locomover até o bairro Parque 10, Zona Centro-Sul, uma forma saudável e econômica de unir o lazer ao trabalho.
A decisão de utilizar a bicicleta como meio de transporte surgiu no ano passado, quando conheceu o movimento Pedala Manaus (www.pedalamanaus. org), e passou a acompanhar os passeios do grupo. “Eu me apaixonei, comprei a bike de um amigo e comecei a utilizar para me locomover em Manaus (circuito social e casa-trabalho), pois acho o sistema de transporte coletivo muito precário e demorado”, analisa. Viver perigosamente Apesar da paixão pelas pedaladas, Fátima Santágata analisa que pedalar em Manaus é viver perigosamente, ou ter a vida por um fio, afinal, segundo ela, ainda existe muita falta de educação. Entretanto, também considera que existe um despertar que está nas mãos dos governantes. “Sem vontade política não existe mudança, e ainda levaremos anos para ver alguma faixa que obrigue os condutores a se comporem no seu lugar. Mas ainda veremos ciclovias e compartilhamentos de vias que mudarão o cenário desse portal da floresta, que deve ser um exemplo em sustentabilidade”, diz. A “bicicleteira” explica que a sensação de liberdade, de bemestar físico que a acompanha todo o dia, além da dose de endorfina, é a definição perfeita para embasar sua decisão. “A paisagem muda, como a sensação do vento, do sol e o encontro casual com pessoas que acabam fazendo o mesmo percurso todos os dias”, avalia. Entretanto, Fátima observa que a escolha também tem seus percalços. “Sofri acidentes, fui empurrada para a calçada por ônibus e condutores agressivos, mas passado esse tempo o movimento (Pedala Manaus) que surgiu na cidade começou a sensibilizar os motoristas”, considera.
Regras específicas de compostura
A produtora Fátima Santágata e sua “magrela”: alternativa para evitar tensões no dia a dia aliada ao bem-estar
Com o tempo vem a prática e, com ela, a experiência para Fátima dar dicas para os iniciantes. Na opinião da produtora, é imprescindível o ciclista utilizar a linguagem corporal, pois é daí que surge uma simbiose de grupo. “Todos somos condutores, só que o meu veículo, no caso a bike, é de propulsão humana. O maior deve ceder espaço ao menor; o maior protege o menor, e como ciclista existem regras específicas de compostura: manter-se na faixa da direita, não ultrapassar veículos pesados e, acima de tudo, usar equipamentos de segurança: luzes de sinalização, capacete e luvas”, diz. Ela diz que a segurança está atrelada a esse diálogo, e graças a isso tem conseguido pedalar diariamente da rua Nova, no Aleixo, até o bairro Praça 14, onde fica a sede da TV Cultura, onde trabalha como coordenadora de produção do programa “Nova Amazônia”. “Utilizei carro, tive um Fusca que foi minha paixão e logo que vendi
comprei a bike. Atualmente tenho uma “easy rider”, que é uma bicicleta para o uso diário, muito prática para as ladeiras, confortável e leve”, explica, completando que acredita que as mudanças efetivas sempre nascem da base e que Manaus pode ser construída para repensar a sustentabilidade e a mobilidade urbana. “Podemos construir um ordenamento urbano que gere empregos e introduza de uma vez por todas o turismo ambiental de baixo impacto e que ajuda a manter a floresta em pé”, sugere. O Pedala Manaus fez parceria com a prefeitura municipal e está responsável por colher informações com os ciclistas para mapear as vias de Manaus que no futuro devem receber ciclovias. Hoje, aproximadamente 16 mil pessoas na capital, segundo dados do Pedala Manaus, usam a bike em diversas situações. (Leia mais sobre o assunto nas páginas C2 e C3)
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O ‘nó’ aperta a cada dia Quem ainda não aderiu a alternativas se submete a um verdadeiro calvário no trânsito de Manaus, com retenções nas principais avenidas cada vez mais “inchadas” de automóveis - este ano, até março, foram 13 mil novos veículos nas ruas ARQUIVO EM TEMPO/REINALDO OKITA
BRUNO IZIDRO EM TEMPO ONLINE
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nquanto outros manauenses não aderem às pedaladas, a situação do trânsito em Manaus permanece mais caótica. A cada dia, as filas e a espera nas principais vias da cidade ficam maiores, enquanto a paciência dos motoristas diminui. De acordo com informações do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Transito (Manaustrans), todos os dias da semana (de segunda a sexta) são registrados lentidão ou retenção de trânsito nas principais avenidas da cidade, sempre no chamado “horário de pico”, ou seja, nas primeiras horas da manhã - na saída de casa para o trabalho/escola - e no final da tarde - na volta para as residências. Segundo o órgão, os lugares que mais apresentam problemas com o trânsito são as avenidas Djalma Batista, Constantino Nery, Cosme Ferreira, André Araújo e Rodrigo Otávio. O Manaustrans afirma que nenhuma dessas retenções chega a ser das proporções como as que acontecem em São Paulo, por exemplo - se estendendo por vários quilômetros -, mas quem tem que passar pela situação todos os dias percebe que o trânsito em Manaus está
cada vez mais preocupante. Mas o que poderia estar fazendo com que o trânsito na cidade ficasse tão insuportável nos últimos meses? Talvez a resposta esteja nos números apresentados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). De acordo com os dados do órgão, em 2012 mais de 60 mil novos veículos começaram a circular na cidade, e só nos primeiros três meses deste ano 13 mil já foram emplacados. Em média, 5 mil novos emplacamentos são feitos pelo órgão todo mês, aumentando ainda mais o número de veículos nas ruas de Manaus, que já soma 586 mil carros e 128 mil motos no total. Não à toa, esses números podem estar relacionados à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os automóveis, que está em vigor desde o ano passado e que foi prorrogado recentemente pelo governo para até dezembro de 2013. Com o IPI reduzido, as lojas de venda de automóveis em Manaus pretendem vender 6% mais este ano em relação a 2012, principalmente os carros populares, que ficam mais baratos. A previsão de crescimento nas vendas significa mais carros nas ruas e mais caos no trânsito da cidade nos horários de pico.
Soluções que não têm resultados Viadutos ou passagens de nível não parecem ter mais o mesmo efeito. É só ver o caso da avenida Rodrigo Otávio. Ela tem um dos seus acessos pelo Complexo Viário Gilberto Mestrinho (antiga Bola do Coroado), constituído tanto de viaduto quanto de passagem de nível, e mesmo assim ainda não consegue escoar o tráfego nas horas de maior movimentação de veículos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) afirmou que nos primeiros 100 dias da nova administração realizou diversas intervenções para melhorar o trânsito na cidade, como o recuo na avenida Djalma Batista. Mesmo assim, todas essas ações parecem não surtir o efeito desejado. Enquanto isso, a população encara os congestionamentos. Retenção de trânsito em viaduto de Manaus: soluções que resultam em maiores problemas
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O exemplo que vem de fora IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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população de Manaus convive diariamente com contratempos decorrentes do trânsito, que vão desde problemas no sistema de transporte público e o falido modelo de expresso implantado, a superlotação das vias, influenciada pelo aumento da frota de veículos, ou mesmo a falta de conservação da malha viária. Enquanto isso, algumas cidades conseguiram gerenciar as dificuldades, investindo principalmente na qualidade dos transportes públicos e sustentáveis. Sistemas integrados de transporte de massa, que envolvem metrôs, ônibus e BRT, além de investimentos em ciclovias, foram as soluções encontradas pelos gestores para evitar o caos das metrópoles. Em busca de um transporte coletivo público adequado à população, a capital paranaense se destacou na implantação do sistema BRT, que integra toda a cidade e região metropolitana por meio de ônibus biarticulados “vermelhos”. Estes vêm sendo substituídos pelos movidos a biocombustível, na cor azul, que transitam em linhas exclusivas e possuem menor número de paradas nos tubos e nos semáforos que o expresso comum, reduzindo o tempo de viagem. Com um sistema viário de 4,7 mil quilômetros, a capital e re-
gião metropolitana têm cerca de 80 quilômetros de corredores ou faixas com exclusividade para ônibus. Os investimentos fizeram a capital ser reconhecida como a cidade com maior porcentagem de ônibus municipais acessíveis a pessoas com deficiência física - 92% da frota, segundo pesquisa da Associação Abaporu. Curitiba também se destaca como a segunda capital brasileira com maior extensão de vias adequadas ao trânsito de bicicletas em relação ao sistema viário. A pesquisa ressaltou que 2,7% da extensão do sistema é compatível ao tráfego. Existem também 127 quilômetros de ciclovias. Ela fica atrás somente de Brasília, com 160 quilômetros, e do Rio de Janeiro com 300 quilômetros. Apesar dos investimentos no transporte público, a frota de veículos particulares é de 1.375.850 carros - para uma população de 1,7 milhão de pessoas -, o que enche as vias, principalmente nos horários de pico. Para evitar a saturação, o governo paranaense trabalha desde o fim de 2012 na implantação do Sistema Integrado de Mobilidade (SIM). O projeto, orçado em R$ 69,1 milhões, prevê a aplicação de soſtwares para otimizar a mobilidade. Ele irá utilizar circuito fechado de televisão, fiscalização eletrônica e controle de infrações com uso de painéis.
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Cidades maiores ou do mesmo porte de Manaus conseguem gerenciar de forma eficiente os problemas diários do trânsito com adoção de modelos de transporte mais funcionais e respeito aos ciclistas, com criação de vias exclusivas
Curitiba (PR) adotou um sistema integrado de transporte de massa envolvendo metrôs, ônibus e o Bus Rapid Transit (BRT)
Sistema integrado em Belo Horizonte Para uma população de 2.395.785 habitantes, Belo Horizonte conta com uma frota de 1.525.858 veículos, 2.854 ônibus públicos, 28,2 quilômetros de metrô e 36 quilômetros de ciclovia, segundo informações do portal Mobilize.
O sistema integrado entre o transporte de metrô e de ônibus permite o transporte de aproximadamente 215 mil pessoas por dia, de acordo com a Empresa de Transporte de Trânsito de Belo Horizonte (BHtrans). A cidade possui também
uma grande frota de táxi, com 6.015 veículos, o que corresponde a uma proporção de um para cada 398 habitantes. O investimento em transporte de massa é o foco da capital até o próximo ano. Com prazo de conclusão previsto para o fim de 2013, está sen-
do implantado o sistema Bus Rapid Transit (BRT) que terá a capacidade de transportar cerca de 727,5 mil passageiros, além da construção de 100 quilômetros de rotas cicloviárias até o final de 2013. Os dados foram divulgados pelo portal Mobilize.
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Exemplos ecologic Enquanto áreas verdes desaparecem para dar lugar a espigões, grupos de manauenses lutam para manter a natureza intacta em seus pequenos paraísos perdidos na selva de concreto IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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m meio ao violento crescimento vertical de uma metrópole que se desenha sob contrastes, pequenos fragmentos perdidos na cidade sobrevivem ainda às investidas do capital. Sob a sombra dos sapotis, o chão de terra batido é desenhado com o ciscar das aves e a engenhosidade das crianças e preservam a memória do que já foi um dia prioridade do caboclo dessas bandas. Em um dos bairros mais valorizados de Manaus, uma família busca preservar a herança de 112 anos de história. Não apenas nos cuidados ao austero casarão antigo, erguido em 1901 com requinte europeu e que chama atenção de quem passa pela Vila Municipal, Zona Centro-Sul, mas também na conservação de dezenas de fruteiras, flores e plantas medicinais que cercam o casarão e dão um show à parte. O ruído dos automóveis estimulados pela infinita pressa dos condutores não disputa espaço dentro das terras da família Monassa. Lá, a “última palavra” é sempre dos passarinhos. Eles fazem festa entre as dezenas de pés de sapoti, mangueira, abricó, carambola, cupuaçu, cacau, amora, coqueiro, araçá-boi, acerola, goiaba.... ufa... Tudo junto em um espaço de cerca de 36 X 75 metros. “Aqui tem bastante passarinho. No final de semana fica uma tranquilidade, parece que a gente está no sítio, porque diminui o movimento dos carros. A gente sente a ajuda das árvores,
porque o clima fica ameno. As pessoas sentem a diferença quando entram”, disse Arya Monassa de Paula, 72. Além das árvores, pés de antúrio, avenca, tajá e samambaia ornam os vasos espalhados por toda a casa, que ganha ares bucólicos. Os trabalhos com a manutenção não são poucos: além da poda das árvores, dona Arya também se preocupa com a preparação da terra “preta” que é misturada ao “paú” para fortalecer, fabricado no próprio quintal, algumas “vitaminas” e pronto. O adubo é todo distribuído
A gente sente a ajuda das árvores, porque o clima fica ameno. As pessoas sentem a diferença quando entram aqui Arya Monassa de Paula, aposentada
“irmanamente” pelo espaço. Mesmo com tanta atenção, o paraíso verde ainda assim sofre algumas investidas. “Já tive muito mais plantas, mas teve uma época que as saúvas invadiram e levaram principalmente as roseiras”, lamenta. Os cuidados de dona Arya também não dedicados às plantas medicinais, como o jucá e o crajiru. “O crajiru é bom pra combater inflamação. Você faz o chá e coloca em cima da ferida, do baque, ou toma. É cicatrizante”, atesta.
Vista do terreno da família Monassa, na Vila Municipal, Adrianópolis: convivência pacífica e de respeito com a natureza
Respeito natural como herança O gosto da família pelo cultivo não é recente. Arya conta que herdou dos pais, Joaquim Francisco de Paula Sobrinho e Maria Monassa de Paula, o carinho pelas plantas. Ela lembra que o pai teve alguns empregos, mas “se encontrou” mesmo no cultivo da terra. “Meu pai começou com uma plantação de abacaxi no bairro Aleixo, a maior do Estado. Ele vendia no mercado, as pessoas mais antigas lembram. Depois ele transferiu a plantação pro Careiro, Varre Vento e Autazes. Papai sempre plantou muito”, disse. Além do abacaxi, ele investiu no cultivo de juta, pimenta-do-reino, feijão, mandioca e as mais variadas frutas da região. Das plantações no interior, restou apenas uma em Autazes. O terreno que encanta quem passa pela vila também foi drasticamente reduzido na partilha dos herdeiros. O que restou, Arya aponta que abriga ainda fruteiras da época do seu avô, o despachante aduaneiro Felix
Luiz de Paula que casou com dona Arya Firmina da Silva Paula e juntos trocaram o Parnaíba pelo Amazonas, onde alcançaram fortuna. A transformação da cidade, que por vezes subjuga o verde, preocupa Arya. “As pessoas querem entrar aqui, tirar foto. É uma oportunidade de conhecerem o antigo, agora está tudo muito moderno. Hoje vão construindo os prédios e tiram todas as arvores, fico triste. Antes os terrenos eram como o nosso, lindos, e agora quase não tem nada. O máximo que plantam são palmeiras que não ventila, nem dá sombra. Poderiam plantar árvores e podar, ir controlando”, aponta. Certa dos benefícios evidentes que as plantas trazem, ela conta com a sensibilidade dos sobrinhos na conservação do espaço. “Os filhos dos meus irmãos já estão adultos e têm essa consciência de preservação. Temos também três biólogos na família”, acredita.
Interior da chácara da Saudade, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul: um pequeno paraíso de tranquilidade e mu
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camente corretos FOTOS: IONE MORENO
As árvores como testemunhas Leonilia se casou pela primeira vez aos 43 anos com Giuseppe, mas não abriu mão de um namoro “à moda antiga”. “Namorava na sala e minha mãe de vez em quando botava a cabeça na porta pra ver a gente. Minha mãe foi muito boa. Antes dele, tive uns namorados, mas sempre fui direita, nós ficávamos sentados ao lado do portão num banco, debaixo das árvores. Só Giuseppe entrou em casa”, recorda. As árvores, “testemunhas” da história da família Mattos, são hoje o orgulho de parte dos herdeiros. “Nossa Manaus é muito grande, é importante construir, mas manter as árvores também é necessário. Aqui é maravilhoso, dei meu ventilador pro meu neto, porque não preciso, a
temperatura é muito boa. Um dia desses, duas senhoras pararam aqui e elogiaram a árvores”, afirma. Contudo, parte do paraíso já sofreu algumas baixas. Por conta da partilha, metade do terreno foi vendido e parte das árvores foram cortadas. Pedaços de troncos ainda jazem sobre a terra, em contraste com o jardim. Lúcida, a aposentada prevê que as outras árvores poderão ter o mesmo fim. “Enquanto não morrer, as árvores continuam. Só vou podar, não vou arrancar mais nada. Depois, eu não sei”, entristece. Enquanto o dia não chega, o casal permanece protegido sob um céu com vários tons de verde, compartilhando de um tempo só deles.
O meio ambiente ameaçado
DIEGO CAJA
ito verde que sobrevive há três gerações da família Mattos Gioia
Chácara do amor e da saudade Próximo dali, um terreno sobrevive há 80 anos nas mãos da mesma família. Os muros altos escondem quase que um universo paralelo, com sensação térmica agradável e um silêncio surpreendente. “Isso aqui é uma relíquia, uma riqueza deixada pela minha mãe e que quero preservar”, afirma a aposentada Leonília de Mattos Gioia, 93. Em homenagem à mãe, uma cearense que veio tentar a vida no Amazonas, Leonilia preserva o cenário quase idêntico ao deixado pela matriarca. Pés de acerola, caju, cupuaçu, laranja, manga, sapoti e até uma criação de galinhas reinam no terreno, batizado como “Chácara da Saudade”. “O nome é em homenagem à minha mãe. Ela ficou viúva com 40 anos e não quis mais saber de ninguém, tinha seis filhas em casa e ninguém se perdeu”, explica. Com uma memória invejável, Leonilia conta que foi morar na chácara com os 14 irmãos aos 13 anos de idade e lá permanece até hoje. A mãe viveu na
Do outro lado da cidade, outra família vive o mesmo dilema e assiste a área que possuía fragmentos verdes ser corroída dia após dia pela cobiça dos investidores. Num terreno de aproximadamente 70 por 100 metros, a família de descendentes de japoneses Takashi, vive há mais de 30 anos na terra que tiram parte do sustento. Parte do terreno é alugado para agricultores, e em outra área eles fazem questão de preservar algumas espécies nativas e outras frutíferas. “Apesar dos cuidados que são necessários na manutenção das árvores, acredito que é muito importante preservar esse ambiente. Assim, a gente contribui com a sensação térmica, tornando-a mais agradável e ainda traz tranquilidade”,
salientou o universitário Erick Takashi, 23. Abacateiro, coqueiros, goiabeiras e até pinheiros foram plantados no terreno da família. “Manaus precisa de revitalização nesse sentido. Nossa cidade é bastante quente e se houvesse mais árvores esse incômodo da sensação térmica seria resolvido”, defende. Contudo o universitário acredita que os fragmentos remanescentes estão com os dias contados. “Aqui na Colônia Japonesa tinha muita área verde que foi desmatada para a construção de condomínios. Esta área era tida como zona rural e não é mais. Acredito que como muitos já fizeram, o restante dos agricultores vão ceder e não conseguir manter até o fim, porque a área está bem valorizada”, observa.
casa até os 92 anos, já o pai morreu aos 80. O lugar abrigou três gerações da família. O local tornou-se o ponto de encontro dos familiares, e é lá que dona Leonilia vive também com o marido, o italiano Giuseppe Gioia, 83, companheiro há 43 anos.
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A Chácara da Saudade, no bairro Nossa Senhora das Graças, abrigou três gerações da família Mattos Gioia e hoje, com seu ambiente praticamente intocado, é ponto de reuniões
“Quando o conheci era um italiano enxuto. Uma comadre, colega de trabalho, teve dois nenês e minha irmã foi ser madrinha das crianças. Os tios dele foram ser padrinhos. No fim da tarde, eu fui lá tomar um refrigerante e encontrei com ele e ficamos flertando”, lembra. Arya Monassa de Paula: entre passarinhos e árvores frutíferas
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‘Guerra’ pelo troco pode estar na fase de trégua Com o valor da tarifa em R$ 3, pelo menos por enquanto brigas entre usuários e cobradores estão longe de acontecer DIEGO JANATÃ
LUCIANO LIMA Equipe EM TEMPO
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uem alguma vez não passou por algum desconforto ou até mesmo algum tipo de estresse por conta da falta de troco no ônibus? Talvez tanto para o usuário que utiliza o serviço, quanto para o cobrador, em alguns casos a situação ultrapassa o limite. As famosas moedinhas ou a falta delas durante o repasse do troco já foram motivo de um desgastante conflito para o assistente administrativo Eduardo Góes Martins, 22, um dos milhares de usuários do transporte coletivo na capital. “Isso acontecia quando o valor da passagem era ‘quebrado’, ou seja, R$ 2,75. Já me deparei várias vezes com essas situações, e sempre os cobradores tinham a mesma desculpa: de que teríamos que levar o dinheiro certo, caso contrário ficávamos do outro lado da catraca”, falou. “Uma vez cheguei a discutir com uma cobradora que não queria me deixar passar, sendo que o meu troco estava dentro do máximo que eles dizem que é permitido (R$ 10). O fato é que temos que esperar ou pela boa vontade do cobrador liberar o
troco que ele tem lá ‘escondido’. Para evitar confusão e até mesmo atraso nos meus compromissos eu procuro levar o dinheiro trocado, assim fica mais fácil e não me estresso”, completou Martins. Bom senso Mas a situação também é desconfortável para os funcionários do sistema de transporte coletivo em Manaus. Os cobradores também passam por verdadeiras saias justas quando o assunto é a falta de troco. Cobradora há sete anos, Ana Vera Lima, 42, explicou que essa é uma das grandes dificuldades enfrentadas diariamente por diversos cobradores que atuam diretamente com a população. “Assim como existem cobradores estressados, também nos deparamos com muitos usuários que não entendem nossa dificuldade com o troco. Saímos da estação do ônibus sem nenhum valor, e ao longo do itinerário é que teremos o caixa disponível”, frisou. “Sempre explico para o passageiro aguardar, só que muitos não entendem nosso lado, assim como também muitos cobradores tratam com desrespeito o passageiro. Infelizmente é algo ainda sem solução”, completou.
Velha briga entre usuários e cobradores por troco ocorre mais quando o valor da tarifa é quebrado, como o anterior, de R$ 2,75
Situação prevista na Lei Orgânica CHRIS REIS Equipe EM TEMPO
A emenda à Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman), do então vereador Francisco Praciano, no artigo 257, que trata dos direitos dos usuários do transporte coletivo, é clara quando diz que “o usuário deve receber troco integral ao efetuar pagamento com a moeda mais próxima de cinco vezes o valor de uma passagem inteira (sendo a passagem R$ 3, seu valor cinco vezes alcançaria R$15), sendo o passageiro transportado gratuitamente em caso de inexistência do troco”. Além disso, também obriga o empresário a afixar cartazes no interior dos ônibus, informando o valor da moeda com a indicação do artigo e parágrafo da Loman. É a “Lei do Troco”. Segundo Waldir Frazão, diretor de Tansportes Urbanos da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), o órgão desconhece o descumprimento da “Lei do Troco” pelas empresas de transporte coletivo. Ele afirmou que durante esses três meses em que está atuando na SMTU, não recebeu nenhuma denúncia sobre a questão”, assegura. Na opinião dele, atualmente o usuário também facilita e já usa o coletivo com o dinheiro trocado.
Compartilhando informações O assunto não tem recebido prioridade do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), de acordo com Fernando Borges, diretor da entidade. Ele confirmou que esse tipo de queixa, quanto a problemas com troco, não acontece, ou pelo menos não existem reclamações, principalmente agora que o valor está arredondado. “Com o valor inteiro não te-
mos problemas de troco, mas quando é quebrado isso pode acontecer”, disse, reclamando que quando pensam em alterar o valor da passagem não pensam em facilitar o troco, tanto para o passageiro quanto para o cobrador. Borges informa que sempre compartilha informações com a SMTU. Além disso, também esclarece que o cobrador já sai com volume de moedas suficientes. (CR) ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Segundo cobradores, ônibus saem das garagens sem dinheiro
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Ação elimina superlotação de cadeia em Eirunepé
Agindo juntos, juiz, delegado, promotor de Justiça e defensoria agilizaram julgamento de processos naquela comarca
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nquanto o país discute adequação na legislação e nas políticas públicas para tentar resolver o problema da superpopulação carcerária, em Eirunepé (a 1.160 quilômetros de Manaus) a iniciativa do juiz de direito Elci Simões, indicado para atuar na comarca, contou com a união de esforços do delegado, promotor de Justiça e do defensor público. A ação garantiu que a delegacia do município deixasse de ser um minipresídio, reduzindo o total de 78 presos para 24 – uma queda de 69,24%. Elci Simões, que é juiz titular da 12ª Vara Cível da capital, respondeu pela comarca entre junho de 2012 e fevereiro de 2013. Eirunepé possui 30.665 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. Desse total, segundo o delegado Danilo Bacarin Silva, titular da Delegacia Interativa local, a maioria está na área urbana, onde as ocorrências se concentram em muitos furtos, extorsão e tentativas de homicídio, principalmente com arma branca. O delegado explicou que na periferia da cidade, chamada de Baixada e atualmente prestes a ser atingida pela cheia do rio, ainda há uma cultura de defesa
DIEGO JANATÃ
da honra, e é fácil encontrar jovens portando facas na cintura como se fosse natural. “Contravenção penal de porte de arma branca é fato diário, e temos centenas de facas apreendidas. Por fim de semana, acabamos apreendendo sem estar fazendo operação direcionada para isso, facilmente, de seis a dez facas”, conta o delegado.
REDUÇÃO
Dos 78 presos na delegacia de Eirunepé, ficaram 24 após o julgamento das ações que estavam paradas, pela ação de magistrado, promotor de Justiça e Defensoria Pública Bacarin afirma que a cidade comportaria mais um promotor de Justiça e um delegado pelo número de ocorrências. Segundo o delegado de Eirunepé, a própria população carcerária ficava indignada por não saber se seria ou não julgada, e a iniciativa do juiz Elci Simões de atualizar os processos criminais deixou os presos aliviados. “Independentemente
da pena aplicada, para eles, o que importou foi que a sua situação foi resolvida de alguma forma”, explicou Danilo Bacarin. Até a chegada do magistrado para responder pela comarca, o delegado procurava distribuir os 78 encarcerados da melhor forma possível no espaço de oito celas, duas grandes e outras seis bem menores. “Faço a distribuição dos presos por direito e idade. Separo os menores, os condenados, os provisórios, reincidentes e não reincidentes. O interessante de trabalhar com um juiz com o perfil do doutor Elci é que sempre, quando foi muito necessário transferir algum detento para Manaus, ele fez tudo ao seu alcance e conseguiu”, afirma Bacarin, que conta que um dos detentos estava com o braço quebrado e necessitava de cirurgia. “Não tinha como operar aqui na cidade, e o juiz conseguiu transferi-lo para o Instituto Penal Antônio Trindade”, lembra. “A maior dificuldade que enfrentamos não é no quantitativo de presos, mas na falta de condenações e absolvições. Precisamos que os procedimentos cheguem a seu desfecho e isso só vai se resolver quando tiver um juiz titular na cidade”, conclui.
Antes da intervenção do Judiciário, a cadeia de Eirunepé era uma espécie de minipresídio lotado
Concurso deve resolver situação Segundo o juiz de direito Elci Simões, a falta de juízes titulares no interior resulta em acúmulo de processos. O magistrado lembra que o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), em razão dessa necessidade, está realizando o concurso público para o cargo de juiz substituto com o objetivo na prestação jurisdicional
adequada às populações carentes do Estado. “A comarca de Eirunepé está sem juiz titular há dois anos, então havia muitos presos, muitos processos atrasados e nós procuramos atualizar o que havia de mais urgente, principalmente de réu preso na delegacia, que parecia um minipresídio”, explicou
Elci Simões. Segundo ele, a partir de uma triagem, os primeiros a terem audiências realizadas foram os processos de presos com excesso de prazo. Os presos que permaneceram na delegacia foram apenas os que estavam com processos já julgados e alguns foram transferidos para Manaus.
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