BOLSONARO
ARTUR CASTRO
Polêmico, radical e ambicioso
Política A5
DENÚNCIAS • FLAGRANTES
98116 3529 R$ EXEMPLAR
2,00 DE ASSINANTE
VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO
O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
RICARDO OLIVEIRA
ANO XXVIII N.º 8.965 DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015 PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
Terror do zika vírus O vírus que tem deixado preocupadas as grávidas de todo o país fez com que a Prefeitura de Manaus decretasse situação de emergência por 180 dias em decorrência da epidemia de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. E, embora o Ministério da Saúde também já trabalhe com a informação de circulação do vírus no Amazonas, as autoridades de saúde recomendam cautela na associação do vírus à microcefalia, para evitar pânico entre as futuras mães. Dia a dia C1
CHAFARIZES
Decadência e inutilidade das belezas por Manaus
André Vasconcelos não resistiu aos ferimentos após atear fogo no próprio corpo durante a reintegração na comunidade Cidade das Luzes. Última hora A2
Antigos ou recentes, em estilo clássico ou moderno, chafarizes em Manaus são monumentos públicos praticamente inúteis. Não jorram água e, consequentemente, não servem à função para a qual foram construídos. Dia a dia C4 e C5 IONE MORENO
Morre homem que ateou fogo em si próprio
CENI NELSON ANTOINE/FRAME
REINTEGRAÇÃO
BALAS
Goleiro artilheiro deixa legado de conquistas IO
NE
M
OR
EN
O
Vitorioso embaixo das traves, Rogério Ceni também se destacou pelos gols que fez durante sua trajetória profissional. Exemplo seguido por outros goleiros do país. Pódio E5
Mangarataia no combate a infecções Conhecida por auxiliar no combate a infecções na garganta, a bala de mangarataia tem outras funções terapêuticas. Dia a dia C3
SUPLEMENTOS
Chafariz do Paço da Liberdade, mesmo revitalizado, não funciona como atrativo ao público
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, ELENCO, CURUMIM E IMÓVEIS&DECOR.
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 37
MÍN.:
26
A2
Ultima hora
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Morre homem que ateou fogo no corpo em invasão HENDERSON MARTINS E MICHELLE FREITAS
C
om 90% do corpo queimado após atear fogo em si mesmo durante a reintegração de posse na comunidade Cidade das Luzes, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, André Júnior de Oliveira Vasconcelos, 32, morreu na noite de sexta-feira (11) as 21h53 no hospital prontosocorro 28 de Agosto. De acordo com a secretaria de Estado de Saúde, o paciente deu entrada na unidade hospitalar às 8h18, já em estado gravíssimo, com os órgãos comprometidos
e respirando por ventilação mecânica. Em seguida passou por uma cirurgia e depois foi encaminhado para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro de Tratamento de Queimados (CQT) onde ficou entubado. Segundo informações da assessoria de imprensa do hospital 28 Agosto, como se tratou de uma morte violenta foi instaurado um inquérito policial e o Instituto Médico Legal (IML) é quem vai atestar a causa oficial da morte. Até o fechamento desta edição, o corpo ainda não havia sido removido do hospital para o Instituto Médico Legal.
MÁRCIO MELO
Com 90 % do corpo queimado, André Júnior Oliveira morreu no hospital 28 de Agosto após passar por cirurgia e ficar na UTI Entenda o caso Em situação de desespero, André Junior tentou impedir a derrubada do barraco onde morava durante reintegração de posse na comunidade Cidade das Luzes, e se acorrentou a um balde de gasolina e abriu a válvula do botijão de gás. Em seguida ateou fogo no próprio corpo. O titular do Comando de Operações Especiais, capitão Laércio Jandir Arndt, em um ato de bravura, apagou o fogo que envolvia o corpo de André Júnior, com isso, chegou a queimar parte do seu corpo. O comandante foi internado no HPS 28 de Agosto e passa por observação.
Famílias passam a noite no local Ao menos cinco famílias dormiram ao relento após a reintegração de posse na comunidade Cidade das Luzes, que iniciou na manhã de sexta-feira (11) e continuou no sábado (12). Em barracas improvisadas de lona, colchões velhos e pedaços de papelão, homens, mulheres, idosas e crianças, decidiram passar a noite no local, na esperança de continuar morando na comunidade. A dona de casa Gilsandra Barroso da Silva, 32, foi uma das pessoas que decidiram dormir com o marido, e os três filhos, com idades de
6, 5 e 12 anos, em um local improvisado com lençóis e colchões velhos. Ela explicou, que a polícia não ficou na comunidade durante a noite, por isso muitas famílias decidiram ficar. Porém sábado pela manhã, as famílias decidiram deixar o local e foram para casa de amigos e parentes. “Aqui na rua em que eu morava, a Esteroide com Lua Nova, havia cinco famílias, mas nas outras ruas havia mais. Teve gente que dormiu no chão, sem nenhuma proteção, e ficou desconfortável. Pela manhã, a polícia voltou e todos saíram”, disse.
De acordo com a dona de casa, os moradores não têm para onde ir, por isso decidiram que, farão uma manifestação e tentarão voltar a adentrar o terreno para reconstruir suas casas. “Não queremos desistir, porque não temos a quem pedir ajuda. Precisamos desse terreno para ter nossa casa. Nossos filhos não podem ficar na rua”, disse. O titular do Comando de Policiamento Especial (CPE) coronel Cleitman Rabelo, negou que as famílias tivessem dormido no local, e afirmou que as pessoas que ainda estavam no terreno,
Ex-presidiário é morto a tiros de roubo, realizando arrastões na área da Compensa, também na Zona Oeste. Os policiais militares avistaram o veículo na avenida Cirilo Neves e ordenaram que o trio parasse. Os ocupantes iniciaram fuga até a rua Santa Rita (sem saída) e, quando a polícia se aproximou do veículo, os suspeitos atiraram contra a viatura. Os policiais também atiraram e Marcos Paulo foi atingido morrendo no local. Os dois suspeitos conseguiram fugir. Ainda segundo a polícia, Marcos Paulo havia recebido o induto de Natal, onde cumpria pena por latrocínio na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) e estava em liberdade há uma semana. Ele morava no bairro da Betânia, Zona Sul.
voltaram apenas para pegar seus pertences. Ele disse ainda, que policiais da Força Tática devem continuar na comunidade por mais três dias, para evitar que o terreno volte a ser ocupado. “Hoje (sábado) estávamos
apenas fazendo o acompanhamento das famílias que tiravam seus pertences. Não tem mais nenhuma família morando por aqui e agora vamos apenas manter a polícia no local, para evitar novas invasões”, afirmou.
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), para verificar se as famílias receberiam ajuda, porém as ligações não foram atendidas.
ELEIÇÕES 2016
NA ZONA OESTE
O ex-presidiário Marcos Paulo Articlino Mota, o ‘Presença’, 22, foi morto com quatro tiros na noite da última sexta-feira (11), por volta das 19h30, após atirar contra policiais militares da 21ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), na rua Santa Rita, bairro Santo Augustinho, Zona Oeste de Manaus. Na troca de tiros, Presença foi alvejado quatro vezes, sendo um na cabeça, um na perna direita e duas vezes no peito. De acordo com a polícia, a viatura foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), com informações de que três homens estavam em um veículo de modelo Fox, cor preta, placa NOX-6700, com restrição
Moradores foram na comunidade Cidade das Luzes para retirar o que sobrou dos pertences após reeintegração
O corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML). O veículo foi levado ao 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde o caso foi registrado. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) vai investigar o crime. Operação Águia Um homem identificado por Anderson Oliveira Sifuente, 33, foi preso por policiais militares durante uma abordagem da operação Águia, na noite de sexta-feira (11), na rua Acopiara, conjunto Hiléia II, bairro Redenção, Zona Centro-Oeste com 33 trouxinha de cocaína, revólver com numeração raspada, além de R$ 1,5 mil, dentro do interior de uma veículo S10, placa NOJ 8532
PTdoB declara apoio a Ramos Durante reunião na manhã de sábado (12), no auditório João Bosco, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), o Partido trabalhista do Brasil (PTdoB) e definiu participação nas eleições de 2016 apoiando o pré-candidato a Prefeitura de Manaus e ex-deputado estadual Marcelo Ramos (PR). De acordo com o presidente do PTdoB, Evilásio Nascimento, a decisão foi tomada com o objetivo de lançar chapa própria de vereadores e para fortalecer a pré-candidatura de Marcelo Ramos. “Nós vamos lançar 124 vereadores, sendo 62 do PR e 62 do PTdoB. Isso
dividindo a mesma estrutura para o pleito de 2016. O Marcelo é uma jovem liderança, mas que já tem experiência política e está preparado”, disse Evilásio Nascimento. Marcelo Ramos fez duras críticas a gestão do prefeito Arthur Neto, e afirmou ainda que está fazendo uma leitura em toda a cidade para avaliar as condições da capital amazonense. “O Alfredo construiu a Vila Olímpica, fez escolas, investiu na saúde, criando o programa Casinha do Médico, isso com um orçamento de R$ 700 milhões. Hoje o prefeito Arthur com 4,5 bilhões está fechando
escolas e não consegue asfaltar os bairros da cidade”, disse Ramos. O ex-deputado afirmou ainda , que o atual prefeito de Manaus aumentou seus gastos com propagandas para R$ 190 milhões. “Isso representa um aumento de 57% em relação a anos anteriores. O ex prefeito Serafim gastava R$ 57 milhões em propaganda e o Arthur quadruplicou esse valor”, contou Marcelo. No encontro, o PTdoB anunciou a nova composição do Diretório Municipal, que passa a ser presidida por Roberval Cabral um dos pré-candidatos para a Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Opinião A3
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Editorial
Contexto 3090-1017/8115-1149
marioadolfo@emtempo.com.br | contexto@emtempo.com.br
Vice-prefeito, eu? Perguntado à queima-roupa, quando chegava ao Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam), na manhã de sexta-feira, se era candidato a vice-prefeito na chapa de Arthur Virgílio nas eleições de 2016, o governador interino Henrique Oliveira (SDD) nem piscou. — Não tem nem como! — Por quê? – insistiu o repórter. — Porque eu também sou candidato a prefeito. Muito pelo contrário Oliveira disse que sua decisão não se caracteriza um ato de rebeldia contra o governador José Melo (Pros) ou contra o prefeito, Arthur Virgílio (PSDB).
— Pelo contrário, isso vai ajudar o próprio Arthur, porque todos os outros candidatos são do esquema de Eduardo Braga (PMDB). Vou chegar para pulverizar esses votos – avaliou o “cabeção”. Conta de luz Enfim, uma boa notícia partindo do setor elétrico. Consumidores inadimplentes com a Eletrobras Distribuição Amazonas terão a oportunidade de quitar seus débitos junto à concessionária, com direito à dispensa de até 100% de juros e multa. 100% de desconto Os clientes que optarem pelo pagamento à vista das pendências terão 100% de desconto de juros e multas. Caso decidam pelo parcelamento, a redução é de 80% de juros e multas, sendo que 5% do valor da dívida deve ser pago como entrada, parcelando o restante em até 12 vezes. Adimplência A campanha de adimplência da Eletrobras atende aos clientes residenciais, comerciais, industriais e rurais e vai até o dia 31 de dezembro de 2015. Onde negociar Para quitar a dívida haverá expediente na sede da avenida 7 de Setembro, no Centro, em Manaus.
Os acordos podem ser feitos em qualquer um dos seis pontos de atendimento da Eletrobras Distribuição Amazonas em Manaus ou nas agências do interior. Concessões Falando em Eletrobras, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, garantiu que o governo terá um plano responsável para as distribuidoras de energia elétrica vinculadas ao Grupo Eletrobras. Até o fim deste mês, as seis distribuidoras ligadas à estatal assinarão os contratos de renovação de suas concessões por mais 30 anos. Privatizações As dúvidas sobre a renovação dos contratos constituem entraves para que a Eletrobras possa, enfim, dar início ao processo de privatização dessas empresas.
— Teremos plano responsável para distribuidoras de energia da Eletrobras. A privatização da Celg no começo de 2016 pode ser o modelo para as demais empresas do grupo – , disse Braga. Vem mais por aí De acordo com o ministro, após a privatização da companhia goiana, o governo fará um balanço para decidir sobre as demais distribuidoras da Eletrobras. Relatório de Omar Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) tem reunião na terça-feira (15) para apresentação de relatório do senador Omar
APLAUSOS
A fama da insensatez Preso por racismo contra Maria Júlia Coutinho, a moça do tempo do Jornal Nacional, Erico Monteiro dos Santos, que administra grupo na internet, em Sorocaba (SP), declarou: “O grupo queria ficar famoso e achar uma maneira de propagar a fama fácil, fazendo ataque de racismo”. Ele negou ser racista. Negação que pouco ameniza a atitude do grupo contra “Maju”. O preconceito revela mais o que, e quem, somos do que sobre as pessoas atacadas por manifestações racistas. Não só sobre a personalidade, mas a relação que tem com o ambiente social. Na era da exposição midiática, aparecer se tornou uma obsessão. É quase como uma obrigação sair do anonimato. A selfie e o YouTube permitiram a qualquer um se revelar por inteiro e arrebanhar seguidores. A tecnologia criou a sensação de fama fácil e, na mesma proporção, de frustração. Erico pode ser um “produto” desse novo “homem midiaticus”, embora sua insensatez tenha mais a ver com o tipo de educação que recebeu na vida escolar e familiar. Ou seja, com a qualidade da educação praticada no país e da orientação que os pais estão dando aos filhos. Deduzir que obteria fama fácil revela uma desorientação social. A opção, no caso, foi pela má fama. Em um ponto, Erico tem razão. A internet ampliou de forma universal a liberdade de manifestação, para o bem e para o mal. É cada vez mais fácil se manifestar, seja em palavras, em áudio e vídeo. Na mesma proporção, as consequências da expressão são imediatas, o que aumenta a responsabilidade com o que se diz e se mostra. Sem estar em evidência, Erico e seu grupo optaram por ficar conhecidos pelas ofensas e pelo sentimento de exclusão dos que não se “enquadram” em seu conceito de humanidade. Se tonaram famosos pela manifestação de insanidade.
GILMAL
arteurucum@gmail.com
Aziz (PSD-AM) sobre políticas públicas voltadas à formação de recursos humanos para ciência, tecnologia e inovação. Sem Fronteiras No documento, Omar Aziz dá especial enfoque ao Programa Ciência sem Fronteiras. O programa foi instituído pelo decreto 7.642/2011 e busca propiciar a formação e capacitação de brasileiros em universidades, instituições de educação profissional e tecnológica, e centros de pesquisa estrangeiros de excelência. Verba de publicidade Além de votar o relatório de Omar Aziz, a CCT também pode votar uma série de projetos de lei, entre eles o PLS 86/2014, que obriga órgãos públicos federais do Executivo, Legislativo e Judiciário a divulgar as despesas com publicidade. Day a er O senador José Serra (PSDB-SP), o mais próximo entre os tucanos do vice-presidente Michel Temer (PMDB), fez uma revelação nesta sexta-feira, 11. O tucano disse enxergar claramente que Dilma Rousseff provavelmente perderá o mandato de presidente da República.
Pensando nisso, Serra defendeu que é preciso pensar no “day a®er” do impeachment. Mirem-se no exemplo O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), determinou nesta sexta-feira a redução em 10% do próprio salário e dos salários do vice-governador Francisco Dornelles (PP) e dos secretários estaduais.
VAIAS
Licença-maternidade ampliada
opiniao@emtempo.com.br
Afasta de mim esse cálice!
DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
Para o Senado, que aprovou uma PEC que amplia a licença-maternidade das mães de bebês prematuros. Hoje, esse prazo está limitado a 120 dias para trabalhadoras do setor privado, e 180 dias no serviço público. Pelo texto, o prazo da licença-maternidade passa a ser contado a partir da alta hospitalar da criança. Com isso, a mãe ‘ganha’ cinco semanas.
Para o senador José Serra (PSDB-SP) e para a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que protagonizaram a cena mais esdrúxula da semana. Se dirigndo à ministra, Serra comentou: “Kátia, dizem por aí que você é muito namoradeira”. Em resposta, Kátia jogou vinho na cara de Serra e disse: “Nunca lhe dei esse direito nem essa ousadia. Por favor, saia dessa roda, saia daqui imediatamente”.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Por que a França? Conta-se que, no Senado Romano, Catão, o Velho, grande tribuno, diariamente discursava e diariamente concluía sua oração com a insistente conclamação “Delenda est Carthago” (É preciso destruir Cartago), porque de lá, na África, partia a grande ameaça que pairava sobre Roma e seu Império. E este fato tinha que ser mantido vivo na consciência de todos os cidadãos. Pela ameaça que Cartago representava para Roma, enquanto entre ambas se travavam as históricas Guerras Púnicas, nos últimos séculos antes da era cristã, vencer definitivamente os cartagineses constituía o mote que motivava a Catão e certamente aos romanos em geral. Recentemente, sob a liderança de Osama Bin Laden, inúmeros grupos islâmicos, árabes, afegãos, paquistaneses, se organizaram com o objetivo de travar uma “guerra santa”, como se alguma guerra pudesse ter santidade, uma “jihad”, contra principalmente os Estados Unidos da América, porque entendiam que o seu principal inimigo, o Estado Judeu de Israel, subsistia e ganhava força graças ao apoio e à ajuda econômica e militar que recebia dos americanos. E daí partiu a Al Qaeda para os ataques e atentados contra o gigante americano e seus aliados, até conseguir chegar ao absurdo do 11 de setembro de 2001. Vigorava como norma a velha máxima que diz que o amigo do meu inimigo necessariamente é também meu inimigo. Nesses casos não pontificou a razão que predominou, por exemplo, nos confrontos da Segunda Guerra Mundial, 1939 a 1945, quando países se armaram e atacaram outros países, nitidamente numa atitude expansionista e de conquista da hegemonia política e econômica. Assim, pelo menos, atuaram os membros do Eixo: Alemanha, Japão e Itália.
As Guerras Púnicas, como eram defendidas no Senado Romano, tinham apenas o sentido de prevenir o avanço cartaginês. Os ataques da Al Qaeda não traziam a ingênua esperança de derrotar e dominar os Estados Unidos, mas significavam somente o desejo de vingança e de desforra, prenhe de conteúdo ideológico, contra a nação que julgavam sustentar seu maior inimigo que, aliás, nenhuma diferença étnica ostenta em relação aos povos islâmicos, mas simplesmente se distancia deles pela crença religiosa. Agora, enfraquecida a Al Qaeda, surge uma nova organização que denomina a si mesma como Estado Islâmico, ISIS ou Califado Islâmico, incrustado em territórios tradicionalmente sírios e iraquianos, onde se apropria de petróleo que vende a preço aviltado e de onde parte, de novo em jihads, contra o que consideram “nações infiéis e corrompidas”. Neste momento, o alvo preferencial do ISIS parece ser a Europa Ocidental, geograficamente mais acessível para quem tem suas bases no Oriente Médio e cujas fronteiras se vêem fragilizadas em razão das levas de refugiados que chegam, no meio dos quais todos os gatos são pardos e indiscerníveis. Na perspectiva de um islamismo estreito e distorcido, nenhuma nação ocidental melhor se presta à sua ação destrutiva do que a França. Afinal, pela sua tradição de respeito às individualidades humanas, fica muito fácil apresentá-la como exemplo de tolerância ao pecado. Aliás, o pecado, no caso, nunca será a morte impiedosa de entes humanos. A tradição humanística da França, a sua postura tolerante e, de início, a sua audaciosa bandeira de “liberdade, igualdade, fraternidade”, para esse modelo de crença, sempre será uma forma de degenerescência.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Neste momento, o alvo preferencial do ISIS parece ser a Europa Ocidental, geograficamente mais acessível para quem tem suas bases no Oriente Médio e cujas fronteiras se vêem fragilizadas em razão das levas de refugiados que chegam, no meio dos quais todos os gatos são pardos e indiscerníveis
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Painel Saída pela esquerda
de votos se amplie, expondo ainda mais a fragilidade da base governista.
O governo prepara o que chama de uma “suave correção de rota” caso a presidente da República sobreviva ao processo de impeachment. Auxiliares asseguram que Dilma Rousseff tenderá, aos poucos, para a esquerda. “Não a esquerda irresponsável e expansionista”, diz um ministro próximo. Há pressão na Esplanada, mas a cobrança maior vem do PT e do ex-presidente Lula, em resposta àqueles que, na hora do aperto, vão para as ruas defender o mandato da petista.
Elenco Líderes de oposição começam a elencar nomes para falar na comissão. Augusto Nardes, do TCU, o ex-ministro Guido Mantega e o jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma, são alguns dos mais lembrados.
Primeira vítima Mesmo ministros que, até agora, estavam ao lado de Joaquim Levy na defesa de um superavit primário de 0,7% do PIB em 2016 já começam a dizer que a meta estabelecida pelo titular da Fazenda não é “razoável”. Galileu Eis a explicação: o PIB está “em queda livre”. Não se trata mais de adotar medidas para estimular a atividade –mas sim para estabilizar a economia, pondera um dos aliados de Levy. Eu sozinho O pedido de impeachment foi aceito há 11 dias e, até o momento, a presidente ainda não conta com um gabinete de crise nos moldes do montado pelo antecessor na época do mensalão. Muita calma Durante o segundo turno das eleições de 2014, o risco de derrota fez o Estado-Maior petista passar a se reunir regularmente. Agora, com o impeachment em curso, nem mesmo uma reunião entre a presidente e o antecessor foi marcada.
Exílio Lula, a propósito, praticamente não falou com Dilma desde a abertura do processo por Eduardo Cunha. Pouca prosa Apesar de afastado da pupila, o ex-presidente telefona quase que diariamente para ministros próximos a ele. Dá palpites e reclama da falta de acenos para a base política do PT. Agora é sério De tanto ameaçar que deixará a Fazenda, colegas brincam que o ministro Joaquim Levy já mandou plastificar sua carta de demissão e anda com ela no bolso. “Só passa Liquid Paper na data”, atira um gaiato. Pensando bem 1 Apesar da versão adotada por articuladores do Planalto para justificar a derrota na escolha da comissão do impeachmente –de que o “voto secreto é a tentação do demônio”–, parte do governo tem receio de uma nova eleição aberta. Pensando bem 2 O temor é que a derrota inicial dê fôlego à oposição e a diferença
Pipoca Bicudo, 93, estará em um dos trios elétricos do Vem Pra Rua nos protestos deste domingo em São Paulo. O grupo prepara esquema de segurança para que ele consiga chegar até o caminhão.
Voo solo Em recente reunião com tucanos no Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin reclamou do silêncio do PSDB durante as manifestações contra a reorganização escolar que era proposta pelo seu governo. Bom entendedor João Doria, pré-candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, recebeu o apoio de José Herinque Reis Lobo, fiel escudeiro do senador José Serra.
DO DEPUTADO BRUNO COVAS PSDBSP , sobre o PSDB ter fechado apoio à deposição da presidente e a carta do vice Michel Temer a Dilma.
CONTRAPONTO
Direto e reto Vice-líder do governo, Silvio Costa (PSC-PE) passou a quarta-feira provocando e cobrando de deputados da base a posição sobre a votação da véspera, que escolheu a comissão do impeachment –chapa um, governista, ou chapa dois, de oposição. Na hora do almoço, esbarrou com Guilherme Mussi (PP-SP) e cutucou, já sabendo a resposta: –Deputado, me diga uma coisa. Votou como ontem? Chapa um ou chapa dois? –Chapa dois –cravou Mussi. –Mas o PP é da base! –retrucou Costa. –F...-se! –encerrou Mussi. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
CENTRAL DE RELACIONAMENTO ASSINATURA e CLASSIFICADOS
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br
3090-1031 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
Editoras-Executivas Jeane Glay — MTB 001/02 jeaneglay@emtempo.com.br Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br
REDAÇÃO
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
3090-1001 circulacao@emtempo.com.br
Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
Chefe de Reportagem Cleber Oliveira — MTB 00146/ JP cleberoliveira@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br Gerente de Marketing Aline Nobre alinenobre@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
@emtempo_online
De Vladimir Putin, presidente da Rússia, durante um encontro com a cúpula militar russa. Declaração foi avaliada por analistas como um aceno de Putin à coalizão liderada pelos Estados Unidos que atua na Síria
OLHO DA RUA
opiniao@emtempo.com.br RICARDO OLIVEIRA
Deadline Foi a própria magistrada que, em sua decisão, determinou o fim do sigilo tão logo fossem cumpridos os atos de busca e apreensão no escritório de Luís Cláudio.
O voto no processo de impeachment vai ser o meu momento de também mandar uma cartinha para a presidente Dilma.
Atendimento ao leitor e assinante
Nossa Força Aérea está unindo os esforços das tropas governamentais e do ELS. Assim como fazemos com o Exército sírio, damos apoio aéreo ao ELS. Também o ajudamos com armas, munição e suprimentos
Liberado A Polícia Federal usa o parecer da juíza Célia Regina Ody Bernardes para refutar a afirmação dos advogados da família Lula de que informações sobre Luís Cláudio, filho caçula do ex-presidente, foram vazadas à imprensa por servidores.
TIROTEIO
www.emtempo.com.br
Frase
Natuza Nery
/amazonasemtempo
/tvemtempo
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
As belezas do interior do Amazonas são sempre impressionantes. Há um potencial no turismo ecológico praticamente ilimitado em nossa região. Há paisagens disponíveis para entretenimento sustentável ao longo de todo ano. É uma pena que esse potencial seja deixado de lado em detrimento a outras políticas econômicas, muito menos eficientes
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Crime ambiental Na semana passada fiz uma visita à ocupação que ficou conhecida como Cidade das Luzes. Quem chega, facilmente constata que aí aconteceu um grave crime ambiental. Não se entende como isto pode acontecer numa cidade tão machucada pela ocupação desordenada de outras áreas que poderiam ter sido preservadas. Hoje a consciência e a legislação ambiental deveriam impedir tais ações criminosas. Ora, se houve crime que os criminosos sejam punidos. Que se identifiquem os organizadores da invasão, os que traçaram as ruas, os que fizeram terraplanagem, os que venderam os terrenos, mas também os que foram omissos na função de proteger o patrimônio público, os traficantes que aí se instalaram, os que roubaram energia e a venderam para o povo. Nossa polícia tem capacidade investigativa para apurar nomes e responsabilidades e o judiciário tem os meios para clarear a situação jurídica de uma vez por todas, quem realmente é dono e quais os seus direitos. Deveria ficar claro que este crime não compensa e que outras invasões não serão toleradas e imediatamente reprimidas rompendo a lógica de que tudo finalmente se ajeita. Mas ali houve também um crime social. Encontrei pessoas pobres, não necessariamente abaixo da linha da miséria, que seguindo o sonho da casa própria para si e para seus filhos compraram um pedaço de terra para construir sua moradia. Pode-se dizer que sabiam dos riscos, mas a grande maioria não agiu de má fé. E estão ali senhoras idosas que passaram a vida indo de um lado para outro, crianças de colo,
pessoas com deficiência, estrangeiros e migrantes. São vítimas do engodo, da falta de moradia, do crescimento desordenado da metrópole. Não são criminosos mas vítimas, sobretudo as crianças. Tirar todos a força talvez traga de volta a ordem legal, isto se o jogo de liminares e titularidades realmente permitir que se restaure o que foi destruído, mas não quebra a corrente das invasões porque os verdadeiros criminosos já lucraram e como num filme já visto se aproveitarão da dor e da revolta e partirão para a enésima invasão. Não seria o caso de identificar culpados, ver quem realmente precisa de moradia, encaminhar os casos de verdadeira necessidade, já começar a restauração do local? Na ocupação existem numerosas igrejas, pessoas que participavam de associações antes de aí chegar, enfim muita gente séria com liderança, capazes de ajudar neste levantamento. O poder público gastaria menos se desse estes encaminhamentos e evitaria outras invasões. Minhas reflexões não são de cunho cientifico, mas temos pessoas altamente qualificadas que poderiam colaborar com argumentos sociológicos, geográficos e até psicológicos para achar uma solução que deveria partir da proteção as vítimas, a natureza e os indefesos aí colocados. Também a dimensão religiosa deve ser levada em conta. A maioria das pessoas católicas ou não tem hoje uma experiência pentecostal da fé que longe de alienar dá força e sentido às lutas diárias por melhoria de vida. Querer resolver só com bases jurídicas e como caso de polícia não parece ser o melhor caminho.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Encontrei pessoas pobres, não necessariamente abaixo da linha da miséria, que seguindo o sonho da casa própria para si e para seus filhos compraram um pedaço de terra para construir sua moradia. Pode-se dizer que sabiam dos riscos, mas a grande maioria não agiu de má fé
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
3090-1019
politica@emtempo.com.br
EM TEMPO
Política
A5
2015
Prefeituras terminam no vermelho Política A6 e A7
ARTHUR CASTRO
Jair BOLSONARO
‘ALGUNS políticos PERDERAM A noção de roubar’ Visto como radical, com declarações polêmicas e, ao mesmo tempo idolatrado e odiado, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) não perde o sono com os protestos e críticas que fazem aos seus posicionamentos. Paulista de nascimento, mas residente no Rio de Janeiro, Bolsonaro tem sido protagonista de diversos fatos infelizes, como posicionamentos racistas, machistas e homofóbicos. Mas ele não se importa. Pelo contrário, vendo que é querido por uma parcela da população, já articula sua candidatura presidencial para as eleições de 2018. Em Manaus na última semana para receber uma medalha, ele recebeu o EM TEMPO para uma entrevista FRED SANTANA
Vou te falar como capitão do Exército. Em combate, você não escolhe quem está ao seu lado. Assim fizeram os Estados Unidos ao se aliarem à URSS contra o mal maior que era o nazismo. Aqui é a mesma coisa. Eduardo Cunha, ao que tudo indica, tem uma culpa muito grande. Mas, sem ele, jamais o processo de impeachment iria adiante. O impeachment é um processo legal”
EM TEMPO - O senhor tem uma grande quantidade de admiradores que defendem sua candidatura à Presidência. Ela é um fato ou ainda é apenas uma hipótese? Jair Bolsonaro - Se você se colocar na pele do próximo presidente da República, você tem de chorar. Os problemas estão aí. Mas alguém tem de limpar esse chiqueiro, que foi no que se transformou a política do atual governo. É o que eu tenho conversado com o PSC (Partido Social Cristão), que deve ser meu futuro partido. Caso tenhamos condições de disputar uma Presidência, que essa legenda não seja negociada com outro partido, como foi o que aconteceu no ano passado. E estou andando pelo Brasil. Em linguajar popular: estou treinando, conversando com as pessoas e sendo muito bem recebido. Os que protestam contra mim são os mesmos de sempre: LGBT, gente ligada à OAB e outros grupos minoritários que vivem de dinheiro público e ainda fazem demagogia em cima disso.
EM TEMPO - Essa semana começou o processo que pode levar ao impeachment da presidente Dilma. O senhor integra a comissão que vai analisar o processo. Como será a linha de trabalho do grupo? JB - Demos um golpe (risos). Estamos congelados pela decisão do ministro (do STF, Luís Edson) Fachin. Eu espero que a decisão do Fachin não seja manter o rito principal sem solução de continuidade, ou seja, sem a questão do recesso. Porque aí resolve o problema do PT. Sem recesso, as chances dela (presidente Dilma) são muito grandes. Esse mês a mais é um mês a mais com o povo nas ruas, sentindo os efeitos da inflação, da recessão, do desemprego. E há uma conscientização que vem das ruas de quantos malefícios esse governo tem causado em todas as áreas. EM TEMPO - A perda do mandato de um presidente gera um impacto forte na economia do país. É seguro passar por este processo em um momento tão delicado da economia brasileira? JB - Eu entendo que a economia só poderá encontrar seu ponto de inflexão quando extirparmos o PT de lá. A economia está com um viés ideológico. Estive há pouco tempo em Recife. Pernambuco é o Estado que mais vai decrescer economicamente por falta de investimentos no porto de Suape. Isso porque o senhor Lula e a senhora Dilma preferiram investir no porto de Mariel (em Havana, Cuba). Para se ter uma ideia, há poucos meses foi inaugurada uma linha de transmissão energética entre Itaipu e Assunção, capital do Paraguai. Isso porque o Lugo (ex-presidente do Paraguai), na época em que estava no poder, fez muita pressão no Mercosul. Agora, se coloque na pele do empresário de São Paulo, que não possui nenhuma garantia energética, depende mais de 40% do gás da Bolívia, e responda: você investiria? Modernizaria seu parque industrial? Não. Eles estão nesse impasse. São Pedro não tem nos ajudado. E a explosão populacional pesa contra nós. Crescemos quase 1 milhão de pessoas ao ano. E essas pessoas precisam se
vestir, consumir água, etc. E o governo, ao invés de adotar uma política de planejamento familiar, adota uma política de paternalismo irresponsável, conhecido como Brasil Carinhoso, onde cada criança rende R$ 70 para cada mãe até os 17 anos. EM TEMPO - É saudável para esse processo a presença na Câmara do presidente Eduardo Cunha, sendo que pairam sobre ele acusações graves? Não seria melhor o seu afastamento para o andamento dos trabalhos? JB - Vou te falar como capitão do Exército. Em combate, você não escolhe quem está ao seu lado. Assim fizeram os Estados Unidos ao se aliarem à URSS contra o mal maior que era o nazismo. Aqui é a mesma coisa. Eduardo Cunha, ao que tudo indica, tem uma culpa muito grande. Mas sem ele, jamais o processo de impeachment iria adiante. O impeachment é um processo legal. Um dos incisos do artigo 86 (que trata do impeachment) é a interferência do Executivo nos trabalhos do Legislativo. E foi o que aconteceu quando o governo escancarou as portas da Petrobras em troca de apoio na Câmara. EM TEMPO - Se eleito presidente, quais seriam seus
principais atos administrativos imediatos? JB – Eu preferia não responder porque seria o mesmo que marcar a data de casamento sem ter namorada. Seria a brecha que a mídia quer para me atacar. EM TEMPO - O senhor enxerga condições de um bom governo do vice, Michel Temer? JB – Eu não quero criticar aqui o Temer. Acredito que a carta dele é uma mistura de estadismo com oportunismo, visto que ele está no sexto ano como vice e o partido há 13 na base do governo nessa espécie de concubinato. A meu ver, a carta é uma declaração de que o barco está afundando e que eles precisam de uma saída honrosa para não morrerem abraçados. EM TEMPO - Como o senhor articularia sua governabilidade tendo posições consideradas por muitos como radicais? O senhor enxerga condições para construir uma plataforma de governo mesmo tendo de negociar com opositores? JB – Quem assumir em 2019 vai ter uma caneta sem tinta e uma vaca sem leite. Acho que o Congresso não vai querer partir para negociações de cargos e ministérios como é feito hoje em dia. Eu não tenho nada disso e
não quero fazer parte. Inclusive, não tenho nenhuma acusação no STF. O Joaquim Barbosa (exministro do STF) disse que fui o único que não fui comprado pela base aliada. O Alberto Youssef disse que fui um dos únicos que não recebeu dinheiro da Petrobras. Isso é minha virtude. Estou vendo que vai dar coisa errada. De onde eu vim, de uma das áreas mais pobres de São Paulo, estou muito bem. Não me interessa ter três lagostas na mesa. Comendo uma estou bem. Veja bem a besteira que vou dizer: alguns políticos perderam a noção de roubar. EM TEMPO – Seria possível erradicar a corrupção do meio político? JB – Não é possível. Se um candidato disser que vai acabar com a corrupção, eu não voto nele. É como a violência: é possível atenuá-la. Eu gostaria de, se fosse presidente, nomear como ministro da Educação um general do Exército. O modelo das escolas militares dá muito certo e deveria ser copiado. Nele, professor se preocupa em lecionar, em exercer sua autoridade. Acabaria com a indisciplina, o homossexualismo e o partidarismo. Hoje, a doutrinação começa na infância. Marx é visto como um herói. O capitalismo é o céu e o socialismo é o inferno. Isso tem de acabar.
A6
Política
Prefeituras do interior fe FOTOS: DIVULGAÇÃO
Além da crise econômica que castiga o país, os municípios amazonenses ainda sofrem com má gestão de prefeitos corruptos, acusados de chefiar quadrilhas, desviar recursos públicos e ainda cometer crimes contra quem deveria proteger
Todos os 61 municípios do Amazonas sofrem com as consequências da crise e da corrupção
ANDRÉ TOBIAS CAMILA CARVALHO
A
s prefeituras do interior do Amazonas fecharão 2015 em meio a uma crise política, financeira e administrativa. Às vésperas das eleições municipais, onde grande parte dos prefeitos do interior do Estado podia ser candidata à reeleição, parte dos gestores terminará o ano presa, afastada dos cargos e/ou denunciada por improbidade administrativa. Nem o presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM) e prefeito de Boca do Acre, Iran Lima (PSD), escapa dessa estatística. Responsável por administrar uma entidade que cuida dos interesses de 61 municípios, o gestor já foi afastado do cargo por duas vezes desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2013. A última, no final de novembro, foi fruto de uma liminar do juiz de Boca do Acre, Jefferson Galvão Melo, em que proibia Lima de chegar a menos de 100 metros dos órgãos municipais da cidade. A liminar atende a uma ação civil pública de improbidade administrativa movida contra o gestor pelo Ministério Público do Estado (MPE). Mas, no último dia 4, Iran Lima conseguiu derrubar a proibição e reassumiu suas funções. Em seu terceiro mandato, ele é acusado por servidores públicos das Secretarias de Saúde e Meio Ambiente de não pagar o 13º salário e as férias do funcionalismo dos anos de 2013 e 2014. Para este ano, os servidores informaram que já foram comunicados que não há previsão de pagamento. A situação é semelhante em Juruá, Beruri e Maués, comandadas, respectivamente, pelo secretário-geral da AAM, Tabira Ferreira (PSD), Odemilson Magalhães (PSD) e padre Carlos Goés (PT), onde servidores denunciaram à imprensa, na última semana, o atraso no
pagamento do funcionalismo público. Em Rio Preto da Eva, o então prefeito Ricardo Chagas (PRP) renunciou ao cargo, no início do mês, após tomar conhecimento de que o pedido de cassação do mandato seria aceito no Legislativo municipal. O prefeito tinha sido afastado em junho deste ano também acusado de atrasar, sem justificativa, o pagamento do salário dos servidores municipais. Em 2013, ele foi afastado pelo Legislativo municipal após denúncias de irregularidades nas contas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Em entrevista ao EM TEMPO, o procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, informou que tramitam no Ministério Público do Estado (MPE) ações de investigação contra mais de 30 das 62 prefeituras do Amazonas. “Não se trata de caça às bruxas. Não estamos dizendo que há corrupção em todas as gestões. O que existe são denúncias aos promotores no interior do Estado e procedimentos instaurados. Ou seja, vamos investigar”, frisou Monteiro. Aliado a denúncias de má gestão, corrupção e descaso com os munícipes, ainda há casos extremos em que gestores foram presos no exercício do mandato, pesando sobre eles acusações gravíssimas, como crimes sexuais, de pedofilia, e de comandar organizações criminosas que praticavam atos ilícitos dentro das prefeituras. Nesses casos, podemos citar o ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, preso em 8 de fevereiro de 2014, no exercício do mandato, acusado de chefiar uma rede de pedofilia na cidade; e mais recente, o prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (Pros), preso no dia 10 de novembro, acusado de comandar uma quadrilha que fraudava licitações na prefeitura. Adail teve o mandato cassado, enquanto Xinaik foi afastado do cargo e está sendo alvo de uma comissão processante na
Câmara Municipal de Iranduba para cassar seu mandato. De todos os 61 prefeitos do interior, ao menos estes dois últimos já estão inelegíveis para as eleições de 2016. Adail e Xinaik dividem a mesma cela, em Manaus, no Comando de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) não se manifestou quanto às prisões dos prefeitos por corrupção, mas tem realizado, desde 2014, diversos estudos que demonstram a queda no repasse de recursos federais para as cidades brasileiras e os cortes orçamentários que acarretam em mais despesas para os orçamentos municipais. Em recente pesquisa realizada, 18 municípios do Amazonas informaram à CNM que vêm sofrendo os efeitos da crise. A pesquisa foi realizada entre os meses de setembro e novembro com 4 mil dos 5,5 mil municípios brasileiros. “Fica o questionamento se os gestores vão conseguir fechar o ano com o pagamento em dia das despesas. Os números preocupam. O estudo da CNM revela que para 43% dos municípios essa tarefa não será possível. Certamente, o cenário de instabilidade na economia brasileira, aliado à queda de repasses vitais, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), torna a missão dos prefeitos de fechar as contas em dia quase impossível”, informou a Confederação na conclusão da pesquisa. Descrença em 2016 Se 2015 já foi um ano para lá de conturbado no cenário político de algumas cidades do interior, seja por escândalos envolvendo prefeitos e secretários ou até mesmo por conta da crise econômica pela qual o país passa, a tendência é que 2016 seja ainda pior no que diz respeito a investimentos. Com o repasse de recursos
O município de Coari foi um dos mais afetados com insegurança política e jurídica nos últimos 3 anos
reduzidos, “enxugar” custos deve ser uma das palavras mais utilizadas pelos gestores dos municípios amazonenses. Para o prefeito de Autazes, José Thomé Filho (PSD), a previsão é de um 2016 sofrível. Segundo ele, que esteve em Brasília há duas semanas, a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) deve agravar ainda mais a situação do país, já que todas as atenções se voltarão para a disputa entre ela e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Vai piorar (ano que vem). Está tudo parado e orçamento fechado. É um momento desesperador, você não consegue enxergar uma luz no fim do túnel. O governo não sinaliza nada, o que é muito frustrante para nós, que pensamos em trazer melhoria de vida para o povo do interior. Ainda estou com a folha de pagamento dos servidores públicos em dia, mas tenho vários colegas prefeitos, que já estão devendo duas folhas”, disse. De acordo com Thomé Filho, alguns municípios do Amazonas já começaram a demitir funcio-
nários para enxugar a folha de pagamento e manter as contas em dia. Sobre os investimentos para o ano que vem, ele acredita que dificilmente grandes obras sejam realizadas em Autazes, já que o recurso recebido pela cidade foi reduzido ou está engessado e comprometido. “O prefeito só vive do Fundo de Participação dos Municípios. Nós somos dependentes de uma receita que está praticamente congelada, por conta do próprio Distrito (Polo Industrial de Manaus) que está praticamente parado. O próprio Estado está com dificuldade em fechar a folha, imagina os municípios. Nós temos que, ao menos, fazer o funcionalismo respirar com a folha em dia e fazer o dinheiro girar na cidade, no momento em que atrasa a folha a situação tende a piorar”, disse. Assim como Thomé Filho, a prefeita de Anori, Sansuray Xavier (PSD), acredita que o cenário em 2016 não será dos mais favoráveis. Neste ano, o município sofreu com enchente, seca e queimadas e, por conta desse cenário desalentador, reduções ou cortes terão de ser feitos, o que pode impactar nos serviços prestados pelo funcio-
nalismo público local. “Nós estamos atravessando uma dificuldade muito grande, os municípios estão com dificuldade de honrar suas folhas de pagamento. As prefeituras nunca viveram isso antes e a perspectiva não é das melhores. Estamos fazendo reajustes e cortes no orçamento, readequando as secretarias para poder manter a cidade funcionando com os serviços essenciais, como saúde e educação, que têm sido tratados com prioridade”, disse Sansuray. Para o vice-prefeito de Apuí, Delmar Hister (PRP), ajustes serão feitos para encarar o ano de 2016. À espera de uma arrecadação menor do que foi neste ano, as prioridades do município serão manter os serviços na área de saúde, educação e segurança. “O repasse do recurso de saúde está em atraso e o governo fez o compromisso de passar 50% agora em dezembro e outros 50% ainda não tem nem previsão. Pode haver redução na compra de medicamentos por conta da redução de custos, o que pode afetar diretamente o atendimento aos cidadãos de Apuí”, disse Hister.
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
A7
echam 2015 no ‘vermelho’ Criatividade é a aposta da AAM
Recessão pode durar até 2017
A Associação Amazonense de Municípios (AAM) também não vê 2016 com otimismo. Segundo a direção da entidade, a melhoria do quadro econômico, caso aconteça, tende a ser devagar. Diante desse quadro, cabe aos gestores municipais dar continuidade em ações criativas para conseguir administrar as cidades da melhor maneira possível. “Assim como no restante do Brasil, os prefeitos amazonenses continuarão se esforçando para fazer muito com pouco. Os programas básicos de assistência à população terão prioridade
Ao expor indicadores da economia brasileira e do Amazonas, durante o lançamento do pacote de combate à sonegação fiscal, na última semana, o secretário de Estado da Fazenda, Afonso Lobo, destaca que o cenário da economia para os anos de 2016 e 2017 é de recessão, podendo evoluir para uma depressão econômica. Ele mostrou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que o PIB brasileiro caiu 3,2% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014 Grande parte dessa queda
na gestão pública. A Associação vai continuar dando toda a assistência técnica aos gestores municipais, além de articular encontros e reuniões que visem à melhoria da qualidade de vida dos moradores dos 62 municípios do Amazonas”, assegura a direção da AAM, em nota. Sobre os cortes nos gastos, a entidade afirma que isso já está sendo feito desde o início de 2015, já que os prefeitos precisam se adaptar à realidade econômica atual. Contudo, assegura que a redução não compromete a gestão pública.
do PIB é atribuída à diminuição da produção industrial, que foi de 5,6% nesse mesmo período de comparação, com grande impacto na economia do Amazonas. Conforme dados do IBGE, o Amazonas é o Estado brasileiro em que há maior queda da produção industrial, da ordem de 14% neste ano comparado 2014. “Não há um indicador que mostre reversão da trajetória de queda do desempenho da economia do país, o que indica que a crise deve se agravar em 2016 e 2017. É possível que tenhamos alguma recuperação somente em 2018”, afirmou Lobo. Manaquiri encontra-se abandonada, com um prefeito ausente da cidade
Em Tefé pesam denúncias contra o prefeito Jucimar Veloso, que assumiu ano passado, após a cassação do mandato do então gestor, Antenor Paz
Na cidade de Autazes, prefeito projeta um cenário sofrível para 2016
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Cláudio Humberto Com Ana paula Leitão e Teresa Barros
www.claudiohumberto.com.br
O julgamento do Supremo será muito bem-vindo”
MINISTRO EDUARDO CARDOZO JUSTIÇA apostando suas fichas na virada de mesa do STF
Cunha quer ajudar a derrubar Dilma antes de cair Mesmo preocupado com a ameaça de ação da Justiça por atrapalhar o processo contra ele no Conselho de Ética, o deputado Eduardo Cunha tem deixado claro aos aliados que é sua determinação não aceitar qualquer aceno de conciliação com o governo. Ele não acredita na perda da presidência da Câmara e o mandato, mas sustenta que qualquer das hipóteses só aconteceria após o impeachment de Dilma. Sem volta Aliado fiel de Cunha, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) considera certa a aprovação admissibilidade: “Todos já sabemos disso”. Pena abrandada No Conselho de Ética, aliados tentam negociar punição alternativa à cassação de Eduardo Cunha, como suspensão ou censura. Punição dura A cassação por mentir à CPI da Petrobras é o grau de punição mais duro previsto no regimento da Câmara. O mais ameno é a advertência. Um pelo outro Em último caso, Cunha poderá repetir Renan Calheiros e abrir mão da presidência da Câmara para preservar
o mandato de deputado. Governo corta R$ 10 bi da educação sem protestos O corte de quase R$ 70 bilhões (R$ 69,9 bilhões) na Lei Orçamentária da “Pátria Educadora” atingiu em cheio o Ministério da Educação, que perdeu R$ 9,42 bilhões. Esse corte foi maior que o dos ministérios de Cidades e de Saúde. Esse cancelamento de recursos é considerado o mais duro golpe à Educação na nossa História recente, mas entidades ligadas à área educacional nem sequer esboçaram qualquer protesto.
Cláudio Humberto
O corte de Dilma nos recursos para Educação não mereceu protesto da União Nacional dos Estudantes (UNE), que é controlada pelo PCdoB. Quem se importa? Sindicatos de professores, em geral controlados pelo PT, não demonstraram incômodo com os cortes de recursos para Educação. Acordo precário Na reunião entre Dilma e Michel Temer ficou definido um acordo de não agressão, com direito a cumprimentos em eventos oficiais. “Só falta combinar com os russos”, como disse o Garrincha ao receber instruções do treinador para driblar toda defesa da Rússia e fazer o gol. Barco à deriva Circula no Congresso, entre governistas e oposição, que ninguém “vai se agarrar com um barco afundando”. Todos correm para o que chamam de “bote inflado”, no caso o vice-presidente Michel Temer. Prisão à vista “Quando pensa que não pode piorar, ele se supera”, critica Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) sobre o adiamento do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética. “Vai acabar preso”, prevê.
Corte de 20% O Congresso havia aprovado um orDerretendo çamento de R$ 48,81 bilhões, mas com O Planalto refez as contas, sob a o corte de quase 20%, isso recuou para coordenação do ministro Ricardo BerR$ 39,38 bilhões. zoini (Governo), e concluiu que, no dia Mordaça do PCdoB
seguinte, já não repetiria a votação de 199 votos da chapa governista. O governo derrete. Disputa pelo PP Os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Agnaldo Ribeiro (PP-PB) estão de olho na liderança da bancada do partido na Câmara. Lutam para, em 2016, tomarem a cadeira ocupada por Eduardo da Fonte (PP-PE). Otimismo Aliados afirmam que Eduardo Cunha tem esperanças de que a eventual posse de Michel Temer na Presidência da República aumentam as chances de ele não ser cassado. Piada pronta O Código de Conduta da Alta Administração Federal do Brasil determina que autoridades a ele submetidas devem atuar de maneira a motivar o respeito e a confiança do público. Na Suíça, talvez. Tá feia a coisa A crise econômica acendeu o sinal vermelho na Confederação Nacional do Comércio. Dados da CNC mostram que, na crise de 2008, houve 50 recuperações judiciais. Neste ano, já são mais de mil. Responda rápido Você compraria um carro usado do deputado Eduardo Cunha?
Jornalista
PODER SEM PUDOR
Memória seletiva José Maria Alkimin, a mais célebre das “raposas políticas” mineiras, era secretário de Estado e foi ao interior inaugurar obras. Cometeu o erro de esquecer o deputado da região, que depois o procurou para se queixar: - O sr. foi à cidade onde sou majoritário e se esqueceu de me chamar... O malandro arranjou uma desculpa em cima da bucha: - “Esqueceu”, não! Não te chamei porque sabia que a cidade não tem um hotel digno de te hospedar!
3090-1019
economia@emtempo.com.br
Falta coco para vender em Manaus Economia B5
REPRODUÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
DIVULGAÇÃO
Economia
B1
MERCADO
Ceia do amazonense está mais salgada neste Natal
Consumidores que optarem em fazer a mesa natalina tradicional vão encontrar produtos que variam 366% em Manaus
O
consumidor que pretende manter os produtos requintados da tradicional ceia de Natal terá que pesquisar os preços antes de comprar. Isto porque a variação de alguns itens essenciais para o jantar natalino chega a 366, 63% nos estabelecimentos de Manaus. Dentre os itens com preços mais elevados estão ameixas, uvas passas, castanhas e nozes, que são os produtos mais solicitados entre os clientes. A apenas duas semanas para a comemoração do Natal, alguns consumidores afirmaram que estão indecisos sobre o que levar, depois que foram surpreendidos com os preços altos. Exclusão A aposentada Maria Lindalva, 67, contou que neste ano, precisou excluir alguns itens da lista para não ter que pagar mais caro. “Fiquei surpresa com os preços das frutas. Não são produtos tão baratos, mas neste ano estão mais caros. Para levar todos os itens da lista é preciso abrir o bolso e com essa crise, o melhor é economizar. Neste ano, não vou levar kiwi e nem as nozes, pois achei o preço desses produtos muito caro”, revela. Após uma comparação de preços realizada pelo EM TEMPO em alguns estabelecimentos visitados por consumidores de classe média alta foi possível identificar uma grande diferença nos valores. É o caso da ameixa seca. No empório Roma, na Zona Centro-Sul, o quilo do produto custa R$18,50, enquanto que o quilo no supermercado Fuji, no Centro, o cliente pode pagar apenas R$ 8,09, uma diferença
equivalente a 366,63%. Outro item que também causou espanto no preço para alguns clientes são as nozes. No empório Roma elas custam, em média, entre R$156 e R$ 200, o quilo. Já no empório Santa Fé, o quilo custa R$119, enquanto que no Fuji, o preço cobrado pelo quilo das nozes é de R$ 88,50, variação de 39% entre o maior e o menor valor. O ingrediente, que é utilizado em vários pratos da ceia de Natal, pode ser substituído no momento da compra, como disse a veterinária Sandra Vieira, 34. “Alguns produtos dá para relevar os preços e colocar no
Novidades para atrair a clientela De acordo com a gerente de vendas Gleice Ladeslau, que trabalha no Empório Santa Fé, na avenida Constantino Nery, na Zona Centro-Sul, com o aumento do dólar, alguns produtos da loja sofreram um reajuste de até 30%. “Os consumidores reclamam bastante dos preços. Foi preciso aumentar o valor da mercadoria, principal-
mente dos produtos que são importados. O nosso custo aumentou e, infelizmente, reflete no bolso dos clientes. Tivemos uma queda de 35% de compras por conta dessas mudanças”, explica. A gerente contou que para atrair os clientes a empresa tem investido em produtos novos para compor as cestas desse fim de ano. “O que salva as nossas vendas são as
frutas Blueberry e Cramberry cristalizadas. Elas são novidades. É a primeira vez que colocamos nas prateleiras. São bastante procuradas pelos clientes. Elas custam R$ 63,61 e R$ 181, respectivamente, o quilo. Mesmo sendo um produto um pouco mais caro quando comparado aos outros do mesmo porte, tem vendido com frequência”, relata a gerente.
Ainda conforme a funcionária, mesmo com os preços em alta, a expectativa é que as vendas melhorem até a semana do Natal. “No ano passado, entre os dias 10 e 15, a nossa loja estava cheia de clientes, hoje é bem diferente. O número caiu bastante. Se não aumentar o fluxo de clientes, teremos que rever o que pode ser feito”, revela Gleice. ARQUIVO EM TEMPO
BRUNA SOUZA
FRUTAS O quilo da tâmara varia quase 200% entre os supermercados e os empórios pesquisados pelo EM TEMPO, enquanto que o preço do quilo do figo tem variação de 281% entre os estabelecimentos de Manaus carrinho de compras, outros a gente tem que substituir, porque o valor está bem elevado. O importante é não deixar faltar o pernil e o peru na mesa”, comenta. A famosa uva passa, que também é acrescentada na maioria dos pratos servidos nas festas de fim de ano, apresenta um preço bem diferente, comparando o valor de um estabelecimento para o outro. O consumidor que pretende comprar o alimento mais em conta no supermercado pode achá-lo no valor de R$ 4,22, mas nos empórios pode pagar até R$18 no quilo, variação de 338%, entre os estabelecimentos comerciais.
Itens essenciais na mesa natalina tradicional estão com diferenças de preços de até 466% nos estabelecimentos comerciais de Manaus
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Startups e suas ‘armas’ para alcançar o sucesso A
Barão Cervejas & Empório Manaus. A FabriQ Aceleradora de Negócios está entre as finalistas na categoria Ação Incentivadora ao Empreendedorismo e Daniel finalista na mentoria regional. Networking Segundo o especialista em Melhoria de Processo de Software pela Universidade de Lavras em Minas Gerais, Saulo Arruda, um dos mentores finalistas do Jaraqui Graúdo, a oportunidade de oferecer mentoria significa aprender, obter mais conhecimentos e ampliar o networking, ou seja, a rede de contatos profissionais que acaba gerando oportunidades de negócios. “A mentoria é importante tanto para a startup quanto para a carreira pessoal. O mentor precisa ser alguém em
ECOSSISTEMA As startups de base tecnológica em Manaus tem ampliado o ecossistema do segmento nos últimos 2 últimos anos e virado pauta frequente no âmbito privado e governamental (município e do Estado) Daniel, da aceleradora de startups FabriQ, diz que, além de apontar acertos e falhas de uma ideia, o mentor deve provocar reflexões sobre o negócio
que o empreendedor confie e que o ajude na tomada de decisões estratégicas e operacionais. Toda empresa precisa de mentores que serão úteis em determinado momento, mas é preciso lembrar que o principal mentor de uma empresa é o mercado”, destaca Saulo, que é o CEO da Jera, empresa especializada em desenvolvimento de aplicativos. Saulo está entre os mentores nacionais finalistas do prêmio Jaraqui Graúdo, que acontecerá no próximo dia 15 de dezembro.
Uma boa relação de pai para filho A mentora Fabiany Lima, reconhecida mundialmente e fundadora da Timo Kids explica que ser mentor não é um status e sim ser uma pessoa comprometida com a ideia de ajudar e também ser humilde e entender que a decisão final é sempre do empreendedor. “Para mim a mentoria é um pouco como uma relação de
DIVULGAÇÃO
s startups contam com uma figura essencial para o seu crescimento, fortalecimento e sucesso, já que, em regra geral, uma startup pode significar um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza. Essa figura primordial, conhecida como “mentor”, e também carinhosamente chamada de “Guru”, é uma pessoa que reúne experiência prévia e aconselha nos passos iniciais de uma startup. Para o analista de sistemas e especialista em gerenciamento de projetos da FabriQ Aceleradora de Negócios, Daniel Goettenauer, o maior benefício em ser um mentor é a troca de experiências e a possibilidade de contribuir com quem está começando. Ele destaca ainda, que ser mentor não é apenas dizer o que está certo ou errado em uma iniciativa de empreendedorismo. “O ponto mais importante não é apontar acertos ou falhas de uma ideia. Ser um mentor é muito mais que isso, é provocar uma reflexão porque, refletindo é possível encontrar uma forma melhor de iniciar um negócio”, enfatiza Goettenauer. Armas secretas das startups de sucesso, os mentores são pessoas reconhecidas por terem conhecimentos e experiências em determinados segmentos, que podem ser técnicos ou conhecimentos de negócios. A mentoria é uma das categorias do prêmio “Jaraqui Graúdo”, promovido pela Comunidade de Ecossistemas Jaraqui Valley, cuja votação ocorre pela internet até o dia 14 de dezembro no site http:// goo.gl/forms/jhElIM9q6j. Os vencedores serão conhecidos nesta terça-feira, dia 15, durante evento no
DIVULGAÇÃO
Mentores de startups amazonenses falam do cenário e da troca de experiências com pequenas empresas de base tecnológica
Eliana Pinheiro diz que para manter um negócio de sucesso é necessário lidar com as mudanças de mercado
pai para filho, eu faço com muita paixão, visto a camisa da empresa e penso como se fosse o meu dinheiro que tivesse sendo gasto. Tenho uma relação bem intensa com as startups. Separo horas e horas para a dedicação, mas sempre dando a liberdade para que o grupo aprenda e ao mesmo tempo caminhe sozinho
a partir de um determinado momento”. Ela também faz questão de revelar o que mais a inspira em ser mentora. “Eu faço isso porque é mais que acreditar em um projeto em si, eu acredito nas pessoas porque as pessoas que buscam orientação são pessoas que querem crescer e elas sempre terão meu apoio”, concluiu.
Fabiany atua em startups de tecnologia há 4 anos, com ênfase na gestão de pessoas. Possui 10 anos de experiência na área comercial, fundou três startups, além de três empresas no mercado tradicional. Ao lado de Saulo, ela disputa a final na categoria Mentor Nacional no Jaraqui Graúdo.
COMPORTAMENTO
Adoção de postura empreendedora Diante da instabilidade financeira do país, a adoção de uma postura empreendedora e um perfil voltado para a adaptação às novidades de mercado são fundamentais para a obtenção do sucesso em qualquer segmento profissional. Com isso, o estudo a respeito das potencialidades de cada profissional é a primeira etapa para que o empreendedorismo resulte em ações que resultem objetivamente no crescimento de qualquer empresa. “Manter um negócio de sucesso requer uma habilidade especial para lidar com as mudanças do mercado. Independente do ramo de atuação, para tudo é preciso ter espírito empreendedor, que faz reconhecer as oportunidades e transformá-las em resultados que potencializem a atuação tanto dos profissionais quanto das empresas”, afirma a corporate partner da SBCoaching, Eliana Pinheiro. De acordo com a especialista, ter uma base definida de onde quer chegar e no
seu autoconhecimento são as bases fundamentais para que um empreendedor obtenha sucesso profissional. “Quando uma pessoa sabe exatamente quais são seus pontos fortes e fracos, ela identifica as situações onde pode aplicá-los e se permi-
SOLUÇÕES A SBCoaching é referência em soluções de performances de pessoas, times e empresas que queiram maximizar resultados e desempenhos, por meio de serviços e treinamentos de coaching te corre riscos dentro desse universo, lidando com os desafios de maneira prática e a seu favor, e na maioria das vezes transformando-os em oportunidades”, ressalta. Ainda de acordo com Eliana, o perfil empreendedor de um líder causa um gran-
de impacto positivo dentro das organizações. Segundo ela, um líder bem treinado, com ideias inovadoras, e o estabelecimento de um novo padrão para agir, que alia ao empreendedorismo e postura coaching, é capaz de manter a equipe motivada e de desenvolver projetos eficientes, mesmo em períodos e cenários desafiadores. Cotidiano A postura coaching para empreendedores possibilita transformar as situações do cotidiano corporativo em vantagens, extraindo sempre o máximo de potencial dos envolvidos. Ele dá as pessoas e às empresas novas perspectivas de mercado, mais sólidas e adequadas para enfrentar mudanças. As conquistas atingidas com as mudanças comportamentais, têm efeito duradouro e formam uma cadeia crescente de benefícios, pois cada líder treinado é uma fonte de conhecimento para os colaboradores.
Economia B3
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Trabalho escravo ainda é um grande desafio no AM CECÍLIA SIQUEIRA
O
número de denúncias contra a exploração do trabalho escravo contemporâneo no Amazonas caiu 14,2% neste ano (36), em relação a 2014 (42). Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) da 11ª Região, Manaus encabeça a lista de cidades do Amazonas com maior incidência de trabalho escravo, com um total de 125 procedimentos instaurados ao longo dos últimos para apurar supostos casos de escravidão. Conforme o procurador do MPT, Renan Bernardi Kalil, a maior dificuldade para combater essa exploração, no âmbito preventivo, é a situação socioeconômica de muitos amazonenses. O que dificulta a tentativa de tirar o trabalhador do ciclo de escravidão ou mesmo impedir o seu ingresso em trabalhos forçados, principalmente no meio rural. “Dentro desta perspectiva, de não deixar que ele ingresse, é mais difícil, pois geralmente o trabalhador aliciado para esse tipo de atividade tem vulnerabilidade econômica ou social muito grande. No Amazonas, tem uma incidência
muito grande no meio rural. Se fizermos um levantamento nos últimos 5 anos, onde teve o maior número de trabalhadores resgatados, a gente vai ver em Barcelos, Boca do Acre e Humaitá, onde existe maior incidência”, afirma Kalil. Segundo dados do MPT, de 2008 a 2014 foram resgatados 376 trabalhadores em situações análogas ao trabalho escravo no Amazonas. Atualmente existe no MPT 11ª Região um acervo de 50 processos ativos. “A lista suja que congrega as empresas que foram flagradas explorando o trabalho escravo está suspensa por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). No âmbito criminal há uma dificuldade de fazer uma responsabilização entre as empresas que compõem a lista. Isso ocorre em grande parte pelo tempo da pena. O fato de a pena ser muito baixa, durante o processo o crime prescreve”, explica Kalil. Após a capital amazonense o município de Lábrea registra 25 procedimentos, seguida de Manicoré com 23 e Boca do Acre com 9 ocorrências. Em 2014, foram realizadas duas ações fiscais que resultaram no resgate de vários trabalha-
RICARDO OLIVEIRA
MPT avalia que a maior barreira para combater essa exploração é a vulnerabilidade socioeconômica de muitos amazonenses dores, nas cidades de Barcelos e Lábrea. Dentre as atividades mais propensas a serem realizadas por pessoas em regime de escravidão estão o extrativismo e atividades agrícolas. A agroindústria e subempregos em fazendas também figuram nesse tipo de crime. O procurador observa que em áreas de difícil acesso, longe do centro urbano, em madeireiras e serrarias possívelmente se encontraria trabalhadores em condições de escravidão. Brasília Em Brasília, o procuradorgeral do Trabalho, Ronaldo Fleury, critica a proposta de votação na próxima terça-feira (15) do projeto de lei do Senado 432/2013, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RO), que regulamenta a Emenda Constitucional 81 sobre a expropriação das terras onde for constatada o trabalho escravo. A proposta de regulamentação quer amenizar a punição e mudar a definição desse crime estabelecida no artigo 149 do Código Penal. Dessa forma, a ação criminosa só valeria para os casos de trabalho forçado e servidão, excluindo condições degradantes e jornada exaustiva.
Apesar de Manaus liderar o número de incidências de trabalho escravo, é no interior o maior desafio do MPT
B4
Economia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Estudantes criam linguiça com carne de caititu no AM U
m alimento que faz sucesso como petisco e até mesmo como prato principal num dia de churrasco de família, a linguiça ganha uma nova fonte de produção no Amazonas. Com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), estudantes desenvolveram a linguiça com carne de caititu, conhecido popularmente como porco do mato. O produto, que está em fase de finalização, tem como previsão para ser comercializado o segundo semestre do ano que vem, de acordo com a coordenadora do projeto, Kilma Neves. A linguiça é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido no âmbito do Programa de Iniciação Científica da Fapeam pelos acadêmicos de medicina veterinária do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), campus Zona Leste, Alessandro Pereira e Rafaela Vieira, orientados por Kilma. A proposta surgiu, segundo a coordenadora, a partir de um estudo da professora Flávia de Carvalho, co-orientadora do projeto, ao longo do curso de especialização em tecnologia de alimentos do Ifam. Na primeira
experiência ela desenvolveu um tender com a carne do caititu. “A ideia surgiu em parceria com o professor Paulo Andrade, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) a partir do trabalho da minha então orientanda Flávia de Carvalho, que elaborou o tender de caititu e avaliou as características nutricionais e microbiológicas deste produto e da carne in natura de caititu”, conta. Foi então depois da confirmação do sabor e do seu valor nutritivo que o grupo partiu para a nova fase do produto. “A partir do entendimento de que a carne de caititu é saborosa, com baixo teor de lipídios, fonte de proteína e com potencial comercial para nossa região, decidimos prosseguir com os estudos elaborando outro produto”, afirma a professora. O acadêmico do 4º período de medicina veterinária e integrante do grupo de pesquisa, Alessandro Pereira, diz que a experiência tem sido enriquecedora. Segundo ele, o sabor da linguiça é inconfundível. “Me sinto privilegiado em poder participar da pesquisa. Elaboramos um projeto e conseguimos o recurso da Fapeam e isso nos motivou ainda mais”, comenta. Alessandro, que tem atu-
DIVULGAÇÃO
Desenvolvida com apoio da Fapeam, a linguiça estará disponível para comercialização no segundo semestre de 2016 ado nos laboratórios, avalia a experiência de mergulhar nesse universo como importante para o desenvolvimento de novos mercados na região. “A linguiça que desenvolvemos tem um sabor único”, aponta. Processo A linguiça defumada foi elaborada de forma artesanal, com carne moída de caititu e condimentos. Segundo a coordenadora do estudo, após a homogeneização dos ingredientes e embutimento em tripa natural, as linguiças foram defumadas. O projeto deve ser concluído até julho de 2016. Ate lá, segundo a professora, outras análises deverão ser realizadas para que, de fato, a linguiça possa ser disponibilizada ao consumidor. Enquanto isso, o grupo de pesquisa já trabalha no desenvolvimento de outros alimentos a partir do processamento da carne de caititu. “O produto é elaborado em nível experimental, para a realização das análises. Os resultados poderão ser utilizados como parâmetros para futuras possibilidades de comercialização. Nosso grupo de pesquisa também está elaborando um hambúrguer de carne de caititu”, conta a pesquisadora.
Projeto é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido no Programa de Iniciação Científica da Fapeam
Economia B5
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Coco fica mais caro por conta da falta de chuva STÊNIO URBANO
A
falta de chuvas em Manaus e em cidades do interior do Amazonas e de Estados vizinhos tem prejudicado um dos produtos mais consumidos pelos manauenses em dias de calor. A escassez do coco tem sido sentida tanto por comerciantes quanto pelos consumidores, que reclamam da má qualidade do produto e também do aumento no valor. Segundo o revendedor Cosme Loureiro, o coco que vem para Manaus é plantado em sítios próximos à cidade como Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e de lugares mais distantes, como a capital roraimense Boa Vista e a cidade paraense de Óbitos. Segundo ele, a falta de chuva é um dos principais fatores que têm causado a carência. “A falta de água diminuiu a produção e até diminui o tamanho do fruto, e os vendedores reclamam, mas não temos o que fazer”, afirma. Em um dos pontos de maior movimento de venda do coco, os quiosques localizado na entrada da praia da Ponta Negra e na estrada do turismo, Zona Oeste, vendedores falam da dificuldade de comprar o fruto.
B05 - ECONOMIA.indd 5
Segundo John Kelvit, proprietário de um quiosque, o preço do produto subiu muito nos últimos meses. “O preço do coco, como ele está em falta, subiu demais. Estamos vendendo um coco a R$ 6, o que antes vendíamos a R$ 5, e as vendas têm caído”, afirma. Conforme o vendedor, os comerciantes têm comprado
PONTOS Além dos mercadinhos e mercearias que vendem coco na cidade, os principais pontos de comercialização do produto em Manaus são a praia do bairro Ponta Negra e a estrada do Turismo, no Tarumã o produto no Pará, da cidade de Óbitos. Segundo ele, os fornecedores de Manaus e Presidente Figueiredo, não estão conseguindo atender a demanda, devido à escassez. “Esse produto vem de balsa e tem encarecido bastante o preço final do produto”, aponta. Em outro ponto da cidade, no bairro Alvorada, Zona Centro -Oeste, o vendedor de verduras
DIEGO JANATÃ
Vendedores reclamam de contingenciamento por parte dos distribuidores do produto, que vem do interior e Estados vizinhos Wilzon Urbano garante que os consumidores têm reclamado da má qualidade dos cocos fornecidos em Manaus. “A dificuldade de encontrar coco está muito grande. Meu fornecedor, que trazia duas vezes por semana, agora só traz uma vez. Ele vem do Rio Preto da Eva, mas é um coco de baixa qualidade, sem água. Estamos comprando do fornecedor R$ 1,80. Comprávamos de R$ 1,50, e é bem pequeno”, garante. O comerciante conta que ele teve que repassar o aumento para os consumidores, que reclamam da má qualidade do fruto. “Isso é causado pelo verão. Os cocos de boa qualidade só devem chegar com a período das chuvas, que já deveriam ter chegado com mais intensidade neste mês”, finaliza. Contingenciamento Comerciantes da avenida do Turismo afirmam que os distribuidores diminuíram a quantidade das unidades fornecidas e elevaram o preço consideravelmente. “Agora temos comprado apenas de 60 a 70 cocos por semana. Antes pegávamos mais de 400. O preço também aumentou. O que antes eles nos repassavam a R$ 1,50, hoje é R$ 2”, afirma a vendedora Luiza.
Além de mais caro, o coco que chega em Manaus tem apresentado qualidade inferior, segundo consumidores
11/12/2015 23:56:16
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
3090-1019
economia@emtempo.com.br
EBC
País
B6
LARVICIDAS Dengue - O Ministério da Saúde enviou esta semana larvicida para estados do Nordeste e do Sudeste como parte das ações de combate ao Aedes aegypti. Segundo a pasta, foram enviadas 17,9 toneladas do produto, conforme solicitação dos governos estaduais.
Vacina contra a dengue está ainda mais próxima (BNDES) poderão participar como parceiros. Na manhã desta sexta-feira, a Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que havia aprovado o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento sobre a vacina enviado pelo Butantan. “A documentação, enviada à Anvisa no último dia 8, possibilita o sinal verde para que o Instituto Butantan inicie os estudos Fase 3. Esta é a última etapa necessária para que o Instituto protocole o pedido de registro da vacina à Anvisa, que avaliará a qualidade, segurança e eficácia do produto”, destacou a agência em nota. Os interessados em participar dos testes como voluntários devem aguardar a divulgação do convite para que façam parte do estudo em sua cidade. Eles precisam se enquadrar em três faixas-etárias (2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos) e estar saudáveis.
Vacina desenvolvida mostrou capacidade de combater os quatro tipos de vírus da dengue, mas não tem eficácia contra o vírus da febre chikungunya
A história da dengue no Brasil O Aedes aegypti – mosquito transmissor de doenças como a dengue, a febre amarela, a febre chikungunya e o vírus zika – é originário do Egito, na África, e vem se espalhando pelas regiões tropicais e subtropicais do planeta desde o século 16. No Brasil, segundo pesquisadores, o vetor chegou ainda no período colonial. “O mosquito veio nos navios com os escravos”, explica a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Margareth Capurro. De acordo com o Instituto Oswaldo Cruz, o Aedes aegypti foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1762, quando foi denominado Culex aegypti. O nome definitivo veio em 1818, após a descrição do gênero Aedes. Em território nacional, desde o início do século 20, o mosquito já era considerado um problema. À época, no entanto, a principal preocupação era a transmissão da febre ama-
rela. “Na campanha contra a febre, o Aedes aegypti foi erradicado do Brasil usando inseticida químico”, lembra a pesquisadora. Porém, não demorou muito para o mosquito voltar e se espalhar pelo extenso território brasileiro. Em meados dos anos de 1980, o Aedes aegypti foi reintroduzido no país, por meio de espécies que vieram principalmente de Cingapura. Hoje, conforme estudiosos, falar em erradicação é algo improvável. “O fato de usarmos muitos inseticidas químicos fez com que sejam selecionados os mosquitos mais resistentes. A resistência atual desses vetores é muito grande. Justamente por isso, tende-se a diminuir ao máximo o uso de inseticida químico”, esclarece Capurro. Segundo o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa) – que se baseia em dados dos meses de outubro e novembro de 2015 e acumula informa-
ções de 1.792 cidades –, um total de 199 municípios brasileiros estão em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e vírus Zika devido à presença significativa do Aedes aegypti. A classificação, feita com base em dados reunidos pelo Ministério da Saúde, leva em conta o fato de que em mais de 4% das casas visitadas nesses locais foram encontradas larvas do mosquito. Em situação um pouco menos crítica – com 1% a 3,9% dos imóveis com foco do mosquito –, o ministério identificou um total de 665 municípios brasileiros em alerta. Outros 928 foram considerados com índices satisfatórios – já que nessas localidades menos de 1% das residências apresentaram larvas do mosquito. O levantamento identificou ainda a presença do mosquito Aedes albopictus em 261 municípios. Esse vetor também pode transmitir a chikungunya e o vírus zika. DIVULGAÇÃO
O
Instituto Butantan iniciou na sextafeira (11) a terceira e última etapa de desenvolvimento da vacina contra o vírus da dengue. Nesta etapa, a vacina será testada em 17 mil voluntários de 13 cidades, em 12 Estados das cinco regiões brasileiras. O Butantan e o governo do Estado de São Paulo estimam que a vacina poderá ser disponibilizada até 2017. A vacina desenvolvida pelo Butantan mostrou capacidade, nas duas primeiras fases de testes, de combater os quatro tipos de vírus da dengue, mas não tem eficácia contra o vírus causador da febre chikungunya e o vírus Zika, também transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. O desenvolvimento da terceira fase da vacina custará cerca de R$ 270 milhões. Segundo o governo de São Paulo, o setor privado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
DIVULGAÇÃO
Nesta etapa, a vacina será testada em 17 mil voluntários de 13 cidades, em 12 Estados das cinco regiões brasileiras
“O mosquito veio nos navios com os escravos”, explica a pesquisadora da USP, Margareth Capurro
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
País B7
Collor foi afastado pelo Senado em rito sumário Ú
nica referência histórica de um impeachment no Brasil, o afastamento do expresidente Fernando Collor de Mello foi decidido, em 1992, a toque de caixa pelo Senado. Segundo registros oficiais da época, entre a decisão da Câmara a favor do impeachment e o afastamento de Collor, autorizado pelo Senado, passaram-se apenas três dias. No dia seguinte à decisão dos deputados, em 30 de setembro, o Senado recebeu o ofício comunicando o resultado da votação e, ato contínuo, fez a leitura do documento em plenário e elegeu, em votação secreta, a chamada “comissão processante”, que elaborou um parecer pela continuidade do processo no Senado. Esse documento foi votado no dia seguinte pelos senadores, em procedimento simbólico. Nenhum deles teve que registrar o voto, apenas se manifestar em plenário. Na ocasião, o então senador Odacir Soares chegou a questionar o presidente do Senado sobre a celeridade do processo. Na sessão, ele sugeriu que a Casa havia recebido da Constituição de 1988 a atri-
DIVULGAÇÃO
Entre a decisão da Câmara a favor do impeachment e o afastamento do ex-presidente, passaram-se apenas três dias buição de “processar e julgar” o presidente da República. Com esse argumento, perguntou se não seria necessário ampliar a discussão sobre o afastamento de Collor. O argumento se assemelha ao que o Senado usa hoje para levantar, no STF (Supremo Tribunal Federal) a dúvida se pode ou não derrubar eventual decisão
HISTÓRIA Na ocasião, o então senador Odacir Soares sugeriu que a casa havia recebido da Constituição de 1988 a atribuição de “processar e julgar” o presidente da República
proferida pela Câmara. Hoje, o Senado defende que uma eventual decisão da Câmara de admitir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff teria, que obrigatoriamente ser validada pelo Senado. No dia 2 de outubro, Collor foi oficialmente afastado da Presidência e o então vice, Itamar Franco, assumiu.
No dia 2 de outubro de 1992, Fernando Collor de Mello foi oficialmente afastado da Presidência da República e o então vice, Itamar Franco, assumiu
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
3090-1019
economia@emtempo.com.br
PNUMA
Mundo
B8
TECNOLOGIA NOVIDADE Ministros e altos representantes da indústria, da sociedade civil e de organizações internacionais pediram na terça-feira (08) uma mudança para veículos zero emissões (VZE) como um componente-chave da futura estratégia global contra a mudança do clima
ONU faz alerta sobre violência contra a mulher E
os gêneros. A representante da ONU explica que a violência contra a mulher assume diferentes formas, o que dificulta a possibilidade de responder a esse problema com uma única solução que possa ser aplicada em todos os casos. Muitas vezes, os agressores não sabem que estão agindo de forma criminosa, segundo Puri. Casos de violência doméstica, por exemplo, são reconhecidos como crime em apenas 119 países. Ela destacou que, em muitos países, o crime de violência doméstica é visto muitas vezes como questão de família que deve ser resolvida em casa, e declarou que a violência contra a mulher é um problema epidêmico. Puri citou que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n° 5 promove um mundo igualitário entre homens e
mulheres. “Pela primeira vez na história da igualdade de gênero e do ativismo e ação relacionado ao empoderamento, existe um reconhecimento na Agenda 2030 de que o fim da discriminação e violência contra a mulher é, sobretudo, uma questão de desenvolvimento sustentável. Isso tem consequências para além dos direitos das mulheres.”, afirmou Puri. Para se dirigir à questão, agências da ONU, membros da academia e organizações não governamentais se reuniram no encontro global das Nações Unidas em Istambul entre os Violência assume diferentes formas, o que dificulta a possibilidade de responder ao problema de única maneira dias 9 e 10 de dezembro, marcando o final dos 16 dias de líticos globais para pôr fim à específicos para a prevenção mudança de leis, seja através de programas educacionais ativismos pelo fim da violência violência contra mulheres e da violência. A chefe do Fundo Fiduciário, que ressaltem que homens e de gênero. Com o tema, “Aca- meninas. Desde 1996, a ONU possui Adijana Sisic, explicou que o mulheres são iguais. “A única bar com a Violência Contra as Mulheres: Gerando Progresso um Fundo Fiduciário dedicado impacto dos projetos realiza- maneira de acabar com a Para Acelerar a Mudança”, a ao fim da violência conta as dos com este financiamento violência contra a mulher é reunião identificou desafios mulheres. Nos próximos anos, específico ocorre através da prevenir que ela acontece em e renovou compromissos po- a entidade dedicará fundos prevenção. Seja através da primeiro lugar”, disse.
DIVULGAÇÃO
m 1993, a Assembleia Geral da ONU adotou a Declaração Para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que forneceu um quadro de ação para responder à questão. No entanto, após mais de duas décadas, agências da ONU alertam que uma em cada três mulheres continuam a sofrer violência sexual ou física, sendo a maioria realizada por parceiros. “Existem causas sociais, culturais e interpretação religiosa de normas, que reforçam as construções patriarcais de papéis e responsabilidades das mulheres e meninas diante da autoridade de homens e meninos”, afirmou a vice-diretora executiva da ONU Mulheres, Lakshmi Puri, acrescentando que uma das causas principais deste tipo de violência é a crença em muitas partes do mundo na superioridade entre
Com a decisão, o tratado econômico com o país persa deixará de existir
ARGENTINA
Macri encerra acordo com Irã O novo governo argentino anunciou na sexta-feira (11) que retirará, na segundafeira, a apelação feita pelo governo de Cristina Kirchner contra o pedido de inconstitucionalidade do acordo comercial do país com o Irã. Com a decisão, o tratado econômico com o país persa deixará de existir. Fontes do Ministério da Justiça argentino confirmaram ao jornal “Clarín” que o ministro German Garavano apresentará na segunda-feira a carta.
Nela, o governo retirará a apelação contra a decisão do Tribunal Federal de Buenos Aires que havia declarado inconstitucional o acordo. A presidente Cristina Kirchner havia insistido obsessivamente no tratado com o Irã, a ponto de retirar dois juízes da Câmara Nacional de Cassação Penal -Luis Cabral e Juan Carlos Gemignani- que defendiam a inconstitucionalidade da aliança. A inconstitucionalidade do pacto com o Irã é passo fundamental para reabrir
denúncia do ex-promotor Alberto Nisman contra Cristina Kirchner e o ex-ministro das Relações Exteriores Héctor Timerman. O ex-promotor, que morreu em janeiro deste ano, em circunstâncias ainda não esclarecidas, havia denunciado a ex-presidente por supostamente prejudicar, em troca do acordo comercial, investigações sobre a participação do Irã no atentado a uma organização judia em Buenos Aires. Em 1994, a sede da Amia
(Associação Mutual Israelita Argentina) na capital argentina foi alvo de um atentado que deixou 85 mortos. Investigações preliminares indicaram a participação de cinco agentes iranianos no ataque. O pacto do governo de Cristina feito com o Irã previa a criação de uma “comissão da verdade” que agiria como intermediário entre a Justiça argentina e os cinco iranianos, que seriam apenas interrogados, e não “indagados”, como prevê o Código Penal.
MINISTÉRIO DA CULTURA
Entidade diz que uma em cada três mulheres continua a sofrer violência física, a maioria causada por seus parceiros
3090-1041
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
DIEGO JANATÃ
Dia a dia
C1
RETIRADA
A realidade da Cidade das Luzes Dia a dia C2
diadia@emtempo.com.br
ZIKA e d s o p m
e t m e z
e d i v a r G
RICARDO OLIVEIRA
Apesar de Manaus não registrar nenhum caso oficial da doença, futuras mãe estão preocupadas com o caso e mudando a rotina para não serem infectadas
CECÍLIA SIQUEIRA
M
esmo sem nenhum caso confirmado de grávidas que tenham contraído o vírus zika em Manaus, o surto de microcefalia no Nordeste do país tem deixado as gestantes do Amazonas em pânico. Dentre as 11 amostras de sangue de mulheres gestantes recebidas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) na última semana, nove deram negativa e duas, que tiveram resultado indeterminado, serão analisadas pelo laboratório Evandro Chagas, no Pará. Prestes a completar oito meses de gestação de Isaac, a gerente de recursos humanos Viviane Paes, 34, diz que se ficou assustada quando soube dos casos de bebês nascidos com a má-formação. O temor foi em dobro: Viviane é alérgica a várias substâncias químicas e por isso não pode utilizar repelentes. Apreensiva, Viviane aproveitou a última consulta com o obstetra que faz o pré-natal para tirar dúvidas de como se prevenir do vírus zika. “Na minha consulta, este mês, o médico me deu todas as instruções para prevenir contra essas doenças. Eu tenho alergia a várias coisas, inclusive a repelentes. Até mandei dedetizar minha casa”, disse. Para se prevenir, Viviane evitar andar por áreas propensas a serem focos do Aedes aegypti e isso a privou do lazer nos fins de semana em um sítio afastado da cidade. “Há quase um mês não vou ao meu sítio. Estou evitando ao máximo ficar perto de lugares com mato. Evito me expor”, afirma, acrescentando que todos os dias faz uma espécie de inspeção na casa para detectar possíveis criadouros. Além de Isaac, previsto para nascer em janeiro, a gerente aumentou os cuidados com a filha de 6 anos. “Eu me assus-
LEIA MAIS Leia mais informações sobre o assunto aqui
Patrocínio
Estou sem ir ao meu sítio há mais de um mês. Estou mantendo também a constante vigilância na minha casa. Tudo para protejer a mim e a minha família contra a transmissão” Viviane Paes,
mãe do Isaac
tei muito com esse surto e protejo a mim e minha família da melhor forma que posso”, concluiu Viviane. Outra grávida que vem adotado medidas de prevenção, entretanto, sem paranoia é a auxiliar de departamento pessoal Jéssica Stem, 23, mãe de primeira viagem. Ela foi pega de surpresa com a gravidez há duas semanas. Com cautela, Jéssica se apressou a marcar o pré-natal, pois ainda tem quatro meses de gestação pela frente. Yasmin deve vir ao mundo em abril. “Não sou dessas grávidas paranoícas, mas ando bem preocupada com essas coisas que estão acontecendo. Minha médica pediu para eu usar um repelente e eu vou fazer novamente todos os exa-
mes que fiz assim que descobri a gravidez”, conta Jéssica. Assim como Viviane, a auxiliar também deixou de lado o lazer por precaução. Após ter descoberto dois pneus com água parada, em casa, Jéssica assegura que vai ficar mais atenta. “Na última quinta-feira uma prima do meu marido morreu de dengue hemorrágica. Estou triste com isso. Todos temos que nos conscientizar”, destaca. Circulação do vírus O vice-diretor e pesquisador do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, acredita que o vírus zika já esteja em circulação na Região Norte, mas para que a hipótese seja confirmada, será preciso fazer a coleta de
Preferi não entrar em paranoica com essa questão da infecção do zika vírus, mas estou procurando manter certos cuidados com a minha saúde e evitar locais que possam ser possíveis focos da doença” Jéssica Sten
Grávida há duas semanas
um número maior de amostras de sangue. “O próprio Ministério da Saúde já trabalha com a informação de circulação do vírus no Amazonas, assim como em quase todos os estados”, afirma. Naveca afirma que a correlação entre o zika e a microcefalia precisa ser bem observada no Amazonas, pois existe uma média de casos de má-formação de bebês antes mesmo da epidemia. “Estamos monitorando de perto e, inclusive, as grávidas compõem um grupo de risco que estamos acompanhando e fazendo o diagnóstico delas preferencialmente para ver se vai acontecer aquilo que acontece no Nordeste”, diz. Por conta da incidência do vírus, a Prefeitura de Manaus decretou situação de emergência em razão da epidemia por doenças infecciosas virais, em especial às de transmissão pelo mosquito Aedes aegypti. Em decreto publicado no Diário Oficial do Município na sexta-feira (4). A situação de emergência terá vigência pelo período de 180 dias. Pré-natal De acordo com o diretor da maternidade Balbina Mestrinho, Marco Lourenço, independente da epidemia de microcefalia em outros Estados, as mulheres que estão esperando bebês devem fazer o pré-natal tão logo a gravidez seja descoberta, para que qualquer problema na formação do feto seja detectado desde o início. “Existem muitas mulheres que vêm até nós para fazer o fim do pré-natal, ou seja, não se tratamento nenhum momento. O Ministério da Saúde preconiza a partir de sete consultas são aceitáveis para um bom pré-natal. Em primeiro lugar, a grávida deve evitar que em torno de si tenha algo propício a ser criadouro do mosquito”, explica o obstetra.
C2
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
O lado escuro da
Cidade das Luzes
RICARDO OLIVEIRA
O drama dos moradores que tentaram implantar uma das maiores invasões do Amazonas
Reintegração da área ocorreu na última sexta-feira. Clima foi de tensão no local
POR LUÍS OLIVEIRA
C
idade das Luzes, 6h de 11 de dezembro de 2015. Enquanto mais de 700 policiais se preparavam para cumprir a reintegração na comunidade, pelo menos 5 mil famílias viviam o dilema entre atender a Justiça e deixar para trás tudo o que construíram em quase 2 anos. Moradora da área há 2 anos, a desempregada Elke Helena, 35, mãe de três filhos com idade inferior a 7 anos, viu sua casa destruída por tratores na manhã da última sexta-feira (11). “Perdi tudo. Meus filhos perguntam para onde vamos e eu não sei o que responder para eles. Porque não temos para onde ir. Estávamos tão bem aqui na Cidade das Luzes, não entendo porque só vieram tirar a gente daqui agora. Moramos aqui há 2 anos. Tudo o que conquistei foi fruto de trabalho, mas agora estou desempregada e nem tenho para onde ir com meus filhos”. Investindo mais de R$ 2 mil em tijolos na construção de sua casa, a autônoma Elisângela Brilhante, 37, explicou que ganhou o terreno da vizinha e
que a vida na ocupação era tranquila e sem problemas. “Morávamos aqui e era tudo muito bom. Muita gente aqui não tem casa e vem de lugares que já passavam por problemas. Eu não sou bandida para ser tratada como tal, porque nem um animal deve ser tratado assim. Chegar atirando não é a solução. O gosto de perder a casa é mais amargo do que o gosto desse gás que eles (policiais) jogam na gente”, disse. A autônoma Elísia Lucas Ferreira, 52, que teve a casa devastada, disse que mora com sete filhos. Ela foi morar na invasão após ganhar o terreno. Na manhã da reintegração, com dois filhos ainda crianças, ela erguia uma bandeira branca como alusão a um pedido de paz. “Se eles (policiais) têm que tirar a gente daqui, que tire com uma forma mais humana. Eles têm que entender que não temos para onde ir. Queremos uma resposta. Será que ninguém se coloca no nosso lugar?”, indagou. Com cabelos brancos e rosto cansado, a dona de casa Dalva Rosária, 52, natural de Porto Alegre, tentava salvar com cuidado o que escapava da linha
de frente dos grandes veículos. “Minhas plantas, poxa vida. Passaram por cima das minhas plantas”, lastimou. A todo momento, informações desencontradas deixavam o ambiente ainda mais tenso. No cenário apocalíptico, a rejuntadora Terezinha Cardoso, 42, disse que ficou ao lado de fora da área da reintegração porque era mais seguro, mas a preocupação do sumiço de suas coisas era existente. “Não sabemos como estão as nossas coisas lá dentro (ocupação). Fiquei do lado de fora, e só estou com a roupa do corpo. Eles vão destruir nossas casas com tudo o que estiver dentro”, disse. Pensativo, o morador Ângelo Alves, 23, assistia à demolição da sua casa sentado ao lado de sua vizinha, uma senhora em aparente estado de choque. “Vamos passar o Natal na rua. Eu ainda não estou acreditando nisso”, afirmou. Desesperança Cansados e com os olhos cheios de esperanças, inúmeras pessoas retiravam o pouco que restava. Eram televisores, camas e geladeiras. Enquanto os
tratores passavam por cima das casas, crianças ajudavam seus pais a retirarem os pertences e, aos poucos, tudo era deixado ao lado de fora, em meio à grande poeira, nas ruas. Inconformada, a costureira Keyla Corrêa, 41, explicou que cada pessoa sente amor por aquilo que acha mais importante na vida. Ela explicou que só iria sair de sua casa quando encontrasse seus 25 gatos de estimação. “Eu tentei sair de casa com todos eles, mas eu só encontrei 20. Estou muito triste porque não sei o que vou fazer da minha vida sem os meus bichos. As pessoas estão esquecendo os seus animais aqui (ocupação) e eu não consigo entender que amor é esse”, lamentou, com os olhos cheios de lágrimas. Um estudante de 11 anos que passeava com seu cachorro nas ruas de terra batida da invasão disse que estava preocupado a alimentação do animal. “Eu ainda não comi nada o dia todo, estou sem fome. A única coisa que eu queria agora era encontrar alguma coisa para dar para o meu cachorro comer. Não tem água e nem comida”, comentou.
Serviço para combater as novas ações A Secretaria de Segurança Pública (SSP–AM) revelou, por meio do secretário executivo do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), Frederico Mendes, que ações para o impedimento de formação de novas invasões sejam erguidas em Manaus. De acordo com o secretário, a capital está regredindo em termos de formação de áreas habitacioanais. “O que preocupa é que o crime organizado está presente em todas essas invasões que estão surgindo, porque corre muito dinheiro. Tudo é pago e as pessoas boas são induzidas cada vez mais a entrarem nesse negócio pelo simples fato do sonho da casa própria”.
Dia a dia C3
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
FOTOS: IONE MORENO
Mangarataia
para combater o ‘ram ram’ Conhecida pelos manauenses, a mangarataia é figura fácil de encontrar na área central da cidade e está sempre presente na memória afetiva dos filhos da capital do Amazonas THIAGO FERNANDO
Q
uem anda de ônibus pela cidade com certeza já teve em suas mãos uma sacolinha com as famosas balas de mangarataia e, inevitavelmente, já escutou algum daqueles versinhos que rimam com tirar o “ram ram” da garganta. Sutilmente picantes, as balas de mangarataia também são conhecidas como balas de gengibre. Originária da China, da Índia e da ilha de Java, a mangarataia ou mangaratiá, tem seus benefícios comprovados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora seja mais conhecida entre os manauenses por amenizar tosses e coceira na garganta, as balas de mangarataia também podem ser utilizadas para tratar náuseas, dores de cabeça, vômitos, cólera, gripe e reumatismo. Produzidas, em sua maioria, em pequenas fábricas, as balas também são indicadas como anti-inflamatório, anticoagulante, antioxidante e bactericida. Apesar de ter tantos princípios ativos, o consumo de balas de mangarataia, em
sua maioria, está associado a lembranças afetivas. Este é o caso da turismóloga, Valentina Ferreira, 23, que diz lembrar da avó materna sempre que vê alguém vendendo balas de mangarataia nos ônibus da cidade, isso porque a senhora sempre presenteava a neta com um saquinho das balas embrulhadas em papel manteiga. “Minha avó sempre foi muito carinhosa e gostava de mimar os netos com saquinhos com balas de mangarataia. Eu comia sem saber para o que servia e até hoje não sei bem ao certo, só sei que aquele sabor meio picante me lembra um tempo bom, quando havia mais simplicidade no paladar e quando o carinho era mais singelo. Ainda não tenho filhos, mas quando os tiver vou apresentar a eles como é que se tira o ‘ram ram’ da garganta de um jeito diferente”, diverte-se. A planta da mangarataia é ainda um excelente remédio para inflamações na garganta, asma, bronquite e auxilia no combate ao câncer. O gengibre pode ainda ser utilizado como antibiótico, além de possuir componentes que tratam a depressão. Os extratos de gengi-
bre estimulam os centros vasomotor e respiratório. A mangarataia também é um eficiente termogênico natural, o que ajuda a acelerar o metabolismo. No final de 2014, o enfermeiro Maurício Ladeia, em trabalho conjunto o com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), desenvolveu um gel do óleo essencial do gengibre amargo para ser utilizado na cicatrização de feridas causadas pelo diabetes. O produto está em fase de estudo e teste com pacientes. Além dos princípios terapêuticos, a mangarataia também pode ser utilizada no preparo de receitas doces e salgadas. Contraindicações do gengibre Apesar de ser natural e de seus inúmeros benefícios para a nossa saúde, a mangarataia deve ser consumida com moderação por pessoas que sofrem de problemas cardíacos e também por quem tem úlcera estomacal, uma vez que acelera o metabolismo. Após manusear o gengibre, lave bem as mãos, pois assim como o limão causa manchas na pele quando exposto ao sol.
Bala de mangarataia Ingredientes 1 quilo de açúcar refinado 100 gramas de gengibre ralado 20 gramas de margarina 1 copo de suco de limão Modo de Preparo Misturar todos os ingredientes, levar ao fogo, deixar ferver até dar ponto de bala. Para ver o ponto de bala é só encher um prato de água e ir pingando até obter o ponto. Despeje no mármore, deixe esfriar, puxe os pedaços e enrole a bola. Embrulhe em papéis celofane coloridos.
C4
Dia a dia
FOTOS: IONE MORENO
Beleza e inutilidade de
Praça das águas na Ponta Negra não funciona mais durante o dia
O mesmo acontece com o momunento da rotatória da praia. Pedeu a funcionalidade
Em passeio pela ci admira o chafariz d Negra, mesmo sem
Tradicional, monumento do largo São Sebastião é um chafariz sem utilidade
Revitalizado, monumento do Paço da Liberdade também não funciona
Polêmico, monume tatória do Mindu at mostrou sua utilida
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
C5
ade, casal Ponta uncionar
o da rohoje não e
Vistos como monumentos charmosos antigamente, hoje os chafarizes perderam a funcionalidade e o glamour e se tornaram apenas um objeto ilustrativo
MICHELE FREITAS
A
ntigos ou recentes, em estilo clássico ou moderno, chafarizes em Manaus são monumentos públicos praticamente inúteis. Não jorram água e, consequentemente, não servem à função para a qual foram construídos: decorar praças e outros locais públicos. Alguns custaram mais de R$ 2 milhões, em obra e desapropriações, sem sair uma cota de água. É o caso do chafariz na rotatória do Parque do Mindu, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus. Em forma de cilindro, a obra custou R$ 1,7 milhão em indenização a comerciantes que ocupavam o local. Foi construída na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), em 2012. No Complexo Turístico da praia de Ponta Negra, Zona Oeste, o chafariz foi inaugurado em 2011 também ao custo de R$ 1 milhão. A única água vista no local é a do rio Negro. Nada jorra do chafariz. Outro monumento, considerado histórico, é o do largo São Sebastiao, no Centro. Localizado em um dos principais pontos turísticos da cidade, não funciona há anos. Manauaras ouvidos pelo EM TEMPO revelaram indignação. A universitária Paula Tavares, 24, disse que diariamente passa pelo largo São Sebastião e
que nunca viu o chafariz funcionando. Situação semelhante acontece no monumento do Paço da Liberdade, no Centro. “Eu acredito que se o chafariz recebesse manutenção, iria deixar a praça muito mais bonita”, declarou. Já o taxista José Nogueira, 50, lembrou que esteve na Ponta Negra logo após a reinauguração. Nogueira disse ter ficado encantado com as luzes e a água do chafariz. “Faz tempo que não vejo essa fonte funcionando, mas me lembro que, quando ela ficava ligada, era muito bonita. Nesse período de fim de ano, ficaria muito bonito se o chafariz voltasse a funcionar”, disse. Para a bancária Tatiane Monteiro, 37, Manaus deveria ter mais lugares com lagos e fontes jorrando. Ela relembrou que o chafariz da rotatória do Mindu foi alvo de vandalismo. Adolescentes tomavam banho na fonte. “Elas são lindas e aliviam o calor, mas atualmente poucas estão de fato funcionando. Infelizmente, quem perde é a própria cidade, que fica feia e sem atrativos”, afirmou Monteiro. O historiador Otoni Mesquita disse que a cidade em situação de abandono e os chafarizes são apenas um pequeno detalhe dessa situação. Mesquista diz que é preciso uma mudança no modelo de gestão pública,
DIEGO JANATÃ
DIEGO JANATÃ
chafarizes pela cidade
Um dos poucos chafarizes que funcionam é o um dentro de um hotel
com mais preocupação com a urbanização. “Não são só os chafarizes que estão abandonados, mas a cidade como um todo. Não há valorização das praças, dos monumentos, de nada. Também não adianta fazer a valorização de apenas uma praça por ser considerada histórica, como a do largo São Sebastiao, e deixar o resto entregue às moscas. É preciso que tenhamos bons gestores desses espaços, pessoas especialistas no assunto e que tenham verdadeiro envolvimento”, criticou. Em, nota, o Instituto Municipal de Planejamento Urba-
no (Implurb) informou que o chafariz da primeira etapa da Ponta Negra recebeu decoração natalina, mas ficará desativado em função dos enfeites. Quanto ao chafariz do Mindu, o órgão explicou que no momento não tem projetos novos para recuperar a obra. Segundo o Implurb, uma série de projetos urbanos de intervenções e de melhorias em espaços públicos já estão sendo elaborados. Serão reformados o chafariz da Praça da Matriz, Praça Adalberto Valle, Praça Tenreiro Aranha. Os projetos devem ser implementados somente em 2016.
C6
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Consumo de tucumã para prevenção da obesidade DIVULGAÇÃO
Pesquisa utilizará o tucumã em análises e avaliará o efeito do fruto nos níveis de glicemia e colesterol no sangue
Estudo irá avaliar o efeito do tucumã no perfil de pessoas com obesidades e diabetes
U
tilizando o potencial de frutos amazônicos, especialmente o do tucumã, a pós-doutora e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Paty Karoll Picardi, está desenvolvendo, com apoio do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), um estudo para avaliar o efeito do tucumã para a prevenção e tratamento da obesidade e do diabetes. O projeto de pesquisa con-
siste em induzir animais, entre eles camundongos, a um estado pré-diabético e avaliar o efeito do tucumã no perfil lipídico (série de exames laboratoriais para determinar dosagens de colesterol) e glicêmico (testes para verificar os níveis de açúcar). Segundo a pesquisadora, como o tucumã é rico em ácidos graxos, especialmente o ácido oleico e o ômega 3, que podem ter um importante papel na prevenção e no tratamento de doenças, como o diabetes, a influência do consumo da fruta
pode trazer novas abordagens terapêuticas para a prevenção e tratamento da obesidade e do diabetes. “Inicialmente, induziremos camundongos à obesidade, através de uma alimentação hiperlipídica (dieta com muita gordura), e, com o tempo, eles ficarão pré-diabéticos. Após isso, incluiremos na dieta deles o consumo do tucumã e analisaremos se há melhora no quadro pré-diabético, avaliando os níveis de glicemia e a dosagem de colesterol no
sangue”, explicou Karoll. Com os resultados obtidos, pode-se ter uma nova forma de combate à diabesidade (diabetes atrelada à obesidade), o que trará um grande avanço para a medicina, principalmente no Amazonas, onde o estudo está sendo desenvolvido. “A obesidade é uma doença inflamatória, podendo estar associada a morbidades como o diabetes. Os ácidos graxos insaturados podem diminuir essa inflamação e o tucumã, com suas propriedades nutri-
cionais, pode ter um efeito de reversão nesse status inflamatório”, disse. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 bilhão de adultos em todo o mundo estão acima do peso. E não é só a estrutura física corporal que motiva a preocupação. A obesidade está relacionada a uma série de problemas de saúde como, por exemplo, doenças cardiovasculares, Síndrome Metabólica (que envolve o desenvolvimento de resistência à insulina) e diabetes tipo 2
(doença crônica que afeta a forma como o corpo metaboliza a glicose, principal fonte de energia do corpo humano). Programa O programa Universal Amazonas tem por objetivo ampliar a produção científica, tecnológica e de inovação em caráter interdisciplinar, incentivando a consolidação da infraestrutura institucional e a difusão dos resultados das pesquisas, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do Amazonas.
Dia a dia C7
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Voluntariado também é feito no local de trabalho F
uncionários de uma empresa fabricante de latas e tampas para bebidas da América do Sul vêm desenvolvendo o espírito solidário entre funcionários. Durante a próxima semana, a fábrica Rexam vai conduzir uma ação social em que vai entregar alimentos, roupas e brinquedos, fruto da campanha de Natal, para a instituição Família do Amazonas, localizada no bairro Lírio do Vale, Zona Oeste de Manaus, que atende 63 crianças órfãs e sobrevive com o apoio da comunidade e de voluntários. A entrega será feita no próximo dia 17. O programa Good Day é uma iniciativa da companhia para reverter recursos para instituições e comunidades carentes a partir do atingimento das metas de produção, seguindo a segurança e qualidade conforme as políticas da empresa. Cada recorde batido é revertido em doações da fábrica, que se acumulam e são destinadas a quem precisa. A companhia ainda possui um calendário de doações, no qual funcionários participam com contribuições. Ao todo são cinco campanhas anuais, todas relacionadas a datas
especiais, como o Dia das Mães, das Crianças e Natal. “Além de incentivar os funcionários a bater suas metas, o programa Good Day é uma oportunidade de ajudarmos instituições e comunidades da nossa região de atuação. Temos como compromisso ajudar quem está ao nosso redor, faz parte da cultura da
INCENTIVO Somente neste ano, o grupo já auxiliou quatro instituições. Em todas as campanhas, já foram arrecadados mais de R$ 73 mil, que foram revertidos em 1,5 mil cestas básicas para 35 instituições carentes empresa a responsabilidade social e o que nos posiciona como uma empresa atuante nessa área”, destaca Brigite Garrido, supervisora de Recursos Humanos da empresa. Desde que a empresa começou a atuar em Manaus, já arrecadou o equivalente a R$ 73 mil pelos colaboradores e já distribuiu sozinha cerca de 1,5 mil cestas básicas a 35
instituições de caridade da cidade. Somente neste ano, a Rexam já auxiliou outras quatro instituições, com a doação de itens escolares, cestas básicas e latas de leite. A empresa ainda incentiva os funcionários a irem junto na entrega das doações. Um exemplo é o operador de produção da fábrica, Antônio Laurindo, 27. Recém-contratado da empresa, o funcionário conta feliz como foi fazer parte de uma das entregas das doações da empresa neste ano. “Fiquei muito satisfeito em poder praticar a generosidade por meio de uma empresa, embora eu já tenha a generosidade como hábito em minha vida pessoal. Topei a ideia na hora. Estou satisfeito em trabalhar numa empresa que se preocupa com a sociedade e em fazer o bem”, diz o colaborador, que é do Maranhão e mora há pouco tempo em Manaus. A gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Rexam na América do Sul, Thaís Moraes, diz que o grande objetivo da campanha é gerar engajamento para o voluntariado. Além disso, acrescentou, cada funcionário pode indicar uma instituição para ser beneficiada nas ações.
DIVULGAÇÃO
Grupo de funcionários, em parceria com a empresa, se reuniu para transformar o Natal de pessoas carentes de Manaus
Grupo de funcionários de uma fábrica promove uma ação de Natal em diversas instituições carentes
C8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
MOSTRA
Direitos humanos em exibição no Caua
Plateia MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
3090-1042
DIVULGAÇÃO
Plateia D7
D1
plateia@emtempo.com.br
Tudo o que se pode aprender pela arte FOTOS: DIVULGAÇÃO
Diretor do filme “Tudo que aprendemos juntos”, Sérgio Machado questiona a distribuição para as produções nacionais EMERSON QUARESMA*
P
ALMAS (TO) – Sucesso de crítica nos Estados Unidos (EUA) e em países da Europa como a Alemanha e a Suíça, o longa nacional “Tudo que aprendemos juntos” chegou às salas de cinema de Manaus, com a promessa de emocionar o público e sentir orgulho do cinema nacional. A equipe EM TEMPO conferiu o lançamento do filme para a região Norte do país, realizado na última quarta-feira (9), durante o 1º Ciclo de Debates e Capacitação Audiovisual de Tocantins, realizado em Palmas, pelo Instituto Soma Palmas (Ispa), Spatium Arte e Cultura e Associação Tocantinense de Cinema e Vídeo (ATCV). Com a direção de Sérgio Machado e o ator Lázaro Ramos como protagonista, o filme que tem potencial para indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, busca fugir da fórmula convencional da narrativa do cinema brasileiro da violência pela violência, impressa em longas de sucesso como Tropa de Elite e Cidades de Deus, por exemplo, que não apontam uma luz no fim do túnel. Machado, que é filho de músico, explica que “Tudo que aprendemos juntos” tem como ideia central a educação e a cultura como elementos de transformação. Vivida na favela de Heliópolis, a história baseada na peça “Acorda Brasil” conta – sem perder ritmo – a construção da relação do talentoso violinista Laerte (Lázaro Ramos) com alunos de uma escola pública que participavam de um projeto social que buscava transformá-los em uma pequena orquestra – hoje Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Laerte que se cobrava muito para alavancar a sua carreira viveu uma frustração na sua primeira oitiva para integrar aos quadros da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), o que o levou a virar o professor do projeto na favela. Num mosaico de várias narrativas secundárias, a obra se fortalece com cada um dos pequenos dramas construídos a partir de histórias reais, extraídas do cotidiano dos adolescentes da comunidade, convidados a participar do filme. Entre os relatos estavam o envolvimento com a criminalidade e os efeitos da desestrutura familiar, intensamente mostrados na interpretação dos atores Kaique Jesus (Samuel) e Elzio Vieira (o VR). O filme conta ainda com a participação especial do rapper Crioulo, no papel do traficante Cleyton, que comanda a comunidade. “Houve de fato histórias reais que foram usadas pelos adolescentes na cena como argumen-
Lázaro Ramos dá vida ao violinista Laerte, que transforma a realidade de adolescentes
GALERIA Veja outras imagens deste evento aqui
Patrocínio
tos para justificar a presença ou não nas aulas no sábado. Os relatos fizeram o Lázaro Ramos chorar, o que mostrou para nós o momento que marca a transformação do professor pelos alunos”, comenta Machado, também diretor de filmes como “Cidade Baixa”, e roteirista de “Abril Despedaçado”. O diretor conta que essa essência do filme nasceu quando no primeiro ensaio, com a preparadora de elenco Fátima Toledo,
Kaique Jesus diz que esperiência com ONG ajudou a interpretar Samuel
RESULTADOS Além da boa recepção da crítica internacional, “Tudo que aprendemos juntos” foi o vencedor do prêmio do público como melhor filme brasileiro da 39ª Mostra de Cinema de São Paulo
pediu-se que os meninos e as meninas falassem um pouco da vida deles. “Vi naquele momento que esses adolescentes já tinham sofrido o que muito adulto não sofreu a vida inteira. Achei muito duro. Para amenizar o clima, a Fátima pediu para que cada um mostrasse o talento que tinha e ali descobrimos grandes dançarinos, músicos, poetas e uma adolescente soprano que, na Alemanha, quando mostramos o filme, as pessoas
acharam até que ela estava sendo dublada”, conta. Valorização O lançamento diferenciado do “Tudo que aprendemos juntos” para o Norte, com uma avant -première numa das capitais da região, segundo vem como estratégia de melhorar a bilheteria do e vencer o preconceito sobre o cinema nacional. “O desafio no Brasil é que estamos lançando o filme entre “Jogos Vorazes” e
“Star Wars”. Há indicadores que lá fora estamos muito bem. E é ridículo o volume de dinheiro que temos com blockbuster americano”. Machado avalia que a produção de cinema no Brasil está descentralizada e tem bastante recurso disponível. Ele diz achar até melhor filmar no Brasil do que na maioria dos países do mundo. Para eles, a produção brasileira enfrenta dois problemas, um que já está sendo enfrentado, que é conse-
guir fazer o filme, mas tem ainda a dificuldade de desenvolver o projeto, de escrever a história. O principal desafio do cinema no Brasil, para o diretor e roteirista, é a distribuição que é muito inferior à das grandes produções estrangeiras. Ele observa que a divulgação dos filmes nacionais é quase sempre com material simples, enquanto “o filme americano chega com um negócio 30 vezes maior”. “É muito mais fácil para um filme estrangeiro vender no Brasil, onde temos afirmações absurdas como, por exemplo, o cara que chega na bilheteria e diz com desdém que o filme é nacional. Por isso essa ideia de vir um pouco para o Norte, onde as pessoas diziam que não dá público. Mas eu sempre questionei: como você sabe se isso nunca é uma prática? Por que não lançar uma vez em Belém, outra vez em Manaus e outra em Palmas?”, diz Machado. O diretor que tem filmado documentários no Norte, aponta as belezas da região, mas sugere que ela não pode ser só cenário. “A região tem que ser lugar de debate. O pessoal estranhou quando eu quis trazer para Norte, porque no máximo que eles vão, fora do eixo Rio São Paulo, é Minas Gerais, Pernambuco no Nordeste e Rio Grande do Sul, no Sul”, afirma.
Ermírio de Moraes, que se baseia em experiência do terceiro setor de Heliópolis, sobre a criação Instituto Baccarelli, o filme tira da peça, segundo Machado, apenas a relação central entre o professor e dois garotos. Na vida real, Kaique e Elzio relataram experiências com Organizações Não Governamentais (ONGs) que ajudaram a superar o ambiente onde cresceram. Para Kaique, que já atuou em “Linha de passe” (Walter Salles e Daniela Thomas), conta que contou muito a experiência que ele viveu numa ONG próximo a sua casa. Ele lembra de casos em que a coordenadora precisou ir resgatar adolescentes em boca de fumo. “E hoje muitos desses caras são professores lá na ONG”, conta. Elzio que é dançarino e passou a fazer artes cênicas por conta do filme, avalia que ele é um bom exemplo de que, assim como no filme, na vida real a música salva. “Tive um bom professor de dança. Anos depois eu e outros amigos formamos um coletivo, com recursos próprios, que buscava salvar mais pessoas. Eu já tive professores que falavam que eu ia ser lixeiro. Mas esse trabalho social me ajudou a chegar até aqui hoje”, comemora.
Inspiração Inspirado na peça “Acorda Brasil”, escrita por Antônio
* O repórter viajou a convite do Ispa, Spatium e ATCV
Plateia
FOTOS: BARROS
D2
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
1.
Fashion
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
Símbolo cultural Comemoração . A querida Maria do Carmo Lins ganhou comemoração de aniversário, no fim de semana. . A família organizou festa cheia de charme, no espaço de eventos da Fametro. A aniversariante é uma das amizades queridas da coluna, ela é antenada, preparada, viajada, educada e faz parte do elenco que tem conteúdo especial na cidade. . Painel da Hermès decorava a mesa dos parabéns na festa alto astral.
2.
. Em comemoração aos 346 da cidade de Manaus, até o dia 31 de dezembro, o Manauara Shopping realiza, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (SEC), por meio de edital público, uma exposição sobre o principal símbolo da arte e da cultura do Estado, o Teatro Amazonas.
5.
. Intitulada “Teatro Amazonas - A Glorificação das Artes”, a mostra propõe um passeio pela história do Teatro Amazonas através de imagens, maquete, livros, sons e a reprodução das plantas de construção do monumento. . A mostra faz parte da programação especial que o Governo do Amazonas, por meio da SEC, está realizando em comemoração ao aniversário de 346 de Manaus, completados no dia 24 de outubro.
Brazilian boy . Tem um baiano trabalhando com Madonna que está dando o que falar nas redes sociais.
3.
4.
. A turma ligada a fast-fashion está contando os dias. . Inaugura no próximo dia 17, com exclusive so opening, a loja Forever 21 no Amazonas Shopping. . A marca que se iniciou em Los Angeles, Eastados Unidos, é hoje uma das campeãs em vendas de roupa em todo o mundo.
. É que o bonitão Bruno Alcântara, que trabalha na nova turnê da rainha do pop, apareceu sensualizando ao lado dela durante a apresentação da música “Unapologetic Bitch”, no show da Rebel Heart Tour em Amsterdam, causando furor na plateia. Durante a performance, Madonna chegou até a dar tapinhas no bumbum dele e pedir para ele colocar uma banana nas suas calças, isso porque Bruno é chamado por Madonna de Banana Boy. O apelido caiu tão bem, que o pessoal da produção do show quer fazer uma camiseta com Bruno, Madonna e a banana.
1- Maria do Carmo e Wellington Lins, na festa de comemoração do aniversário dela, no fim de semana passado, no espaço de eventos da Fametro 2- Wellington Lins com os filhos Leandro e Wellington Junior 3- A querida Maria Eugênia Lins com os filhos Isabel e Bernardo 4- A presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, Graça Figueiredo com a nova desembargadora Nélia Caminha Jorge, durante sua posse 5- O juiz Cássio Borges, o desembargador Flávio Pascarelli, o vice-governador Henrique Oliveira, o desembargador Domingos Chalub e a desembargadora Socorro Guedes Moura, na posse da nova desembargadora Nélia Caminha Jorge
Objeto de desejo
• .Uma das maiores reclamações dos donos de iPhone é a pouca duração de sua bateria, ou melhor, era. Já está à venda nas lojas da Apple, nos Estados Unidos, uma capinha “carregador” que dará mais 25 horas de vida útil para o seu smartphone, e até 18 horas de navegação no 4G. . Disponível para iPhones 6 e 6s o acessório custa US$ 100 e está disponível em três cores, branco, cinza e preto.
Plateia D3
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Lugar Uma promove oficina de literatura infantojuvenil A
literatura feita para crianças e adolescentes e suas particularidades serão tema de uma oficina no Lugar Uma de Artes, no Centro. A atividade será comandada pela professora e pesquisadora amazonense Ecila Mabelini, e acontecerá a partir desta segunda-feira (14) até a próxima sextafeira (18), das 10h às 12h. As inscrições para a oficina são gratuitas e podem ser feitas no primeiro dia da atividade. O trabalho integra a agenda da Ocupação Lugar Uma, iniciativa do Projeto Cênica Corporal Uma contemplada pelo Prêmio Manaus de Ocupação Artística 2015, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). O tema da oficina é “Literatura infantil e juvenil: Relações de interação da criança e do jovem com o universo literário e com o mundo dos sentidos percebidos”. A proposta, segundo Ecila, é explorar obras literárias infantojuvenis e evidenciar sua linguagem diferenciada em relação às obras para adultos. “Algumas obras da literatura infantil e juvenil lidam com uma lingua-
DIVULGAÇÃO
A professora e pesquisadora Ecila Mabelini comanda atividade de formação de 14 a 18 de dezembro. Inscrições gratuitas gem carregada de significações, porém transmitidas via percepção, no nível sensível”, destaca a pesquisadora. “A ideia é explorar a sensibilidade que essa literatura traz”. Verbo-visuais Ecila assinala que as obras em questão não se resumem a textos escritos, mas a textos verbo-visuais – formato mais comum às obras voltadas ao público juvenil no Brasil a partir dos anos 1970, como aponta a especialista. “É uma outra forma de leitura, que passa também pelo sentido”, explica ela. “É uma linguagem que cria uma interação, em que o jovem tem lugar, não é mero espectador. Não é uma literatura doutrinária ou pedagógica, como se fazia antes, mas arte”. A pesquisadora salienta ainda a importância de desfazer a visão de que a literatura para crianças e jovens é mero “entretenimento”. “Ela explora o universo, o mundo e as relações por meio de uma linguagem sensível, delicada, mas também muito potente. Não é uma literatura menor, mas literatura, e literatura que cumpre um papel fundamental na iniciação e cons-
Iniciativa analisa as particularidades da literatura infantojuvenil
SERVIÇO Oficina “Literatura infantil e juvenil: Relações de interação da criança e do jovem com o universo literário e com o mundo dos sentidos percebidos”, com Ecila Mabelini ONDE: Lugar Uma de Artes (avenida Joaquim Nabuco, 1.436, Centro) QUANDO: de 14 a 18/12, das 10h às 12h QUANTO: inscrições gratuitas, a serem realizadas no primeiro dia da atividade Palestra “Artes e diálogos intercódigos: A percepção possível”, com Ecila Mabelini ONDE: Lugar Uma de Artes QUANDO: dia 19/12 (sábado), das 18h30 às 19h30 QUANTO: acesso gratuito
cientização do público infantil e juvenil”, declara. Palestra Além da oficina, Ecila Mabelini irá realizar uma palestra gratuita no Lugar Uma de Artes, no dia 19, sábado, também dentro da agenda da Ocupação Lugar Uma. “Artes e diálogos intercódigos: A percepção possível” será o tema da preleção. “A proposta é pensar a questão da linguagem na arte. Notar os diálogos que se travam entre artes como a literatura, o cinema, a dança, e como elas estreitam relações, como articulam sentidos”, explica a pesquisadora, que vai enfocar, entre outras, a ideia da intertextualidade, estendida ao campo das artes em geral. “É algo muito recorrente na arte. Em cada obra há traços de outras obras, rastros, outros sentidos”, aponta. A partir dessas relações, a especialista busca apontar o caráter efetivamente criativo na produção artística. “A intenção é ver como esses diálogos acontecem, como produzem significação, como destituem o sujeito do seu lugar comum”, afirma ela, explicando o que chama de “movência” das artes. “São as linguagens se interligando
e desconstruindo os lugares e pensares. Um diálogo em que as artes se articulam e desarticulam o outro”. A oficina e a palestra de Ecila Mabelini no Lugar Uma são voltadas a estudantes de graduação de cursos de Letras e Artes, pedagogos, professores, escritores, artistas, psicólogos e interessados no universo da literatura infantojuvenil. Os participantes das atividades irão receber declaração de participação e/ou declaração para horas complementares. Nascida em Manaus (AM), Ecila Mabelini é professora e pesquisadora, graduada em Letras pelo Centro Universitário Fundação Santo André (SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atualmente é Doutoranda no Programa de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP). Atuou como professora em diversas instituições de ensino superior de Manaus, entre elas a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Uninorte Laureate International Universities e Escola Superior Batista do Amazonas (Esbam).
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Impunidade protagoniza a tragédia do Bateau Mouche Embora tenha argumento intenso, conteúdo do livro de Ivan Sant’Anna por pouco não atinge a marca de “satisfatório”
S
ÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A classificação de “Bateau Mouche – Uma tragédia brasileira” como “livro -reportagem” é imprecisa. A obra de Ivan Sant’Anna sobre o naufrágio que matou 55 pessoas no Rio de Janeiro não chega a ser uma reportagem muito boa. Mas é um livro muito bom. O escritor entrevistou sete pessoas, sendo duas por telefone. A magreza de depoimentos enfraquece o resultado. A repetição de informações na narrativa também não ajuda. A compensação vem de consultas a material de imprensa e processos. A detalhada reconstituição do que aconteceu na noite de 31 de dezembro de 1988 é um dos maiores trunfos da obra. O outro é a capacidade do autor de prender a atenção do leitor, já demonstrada nas obras anteriores sobre desastres aéreos. Lê-se o livro com rapidez, tensão e até ódio. Explica-se o ódio no subtítulo “Uma tragédia brasileira”: Sant’Anna faz a crônica de um naufrágio anunciado, uma desgraça que poderia ter sido evitada, não fossem a inépcia, a
corrupção, a ganância. Construído no início dos anos 1970, o Bateau Mouche IV era a transformação grosseira de um lagosteiro com capacidade para 20 pessoas num barco de passeio autorizado a levar 153. No réveillon trágico, transportava 142 ou 143 – não se sabe ao certo, pois nenhum responsável se preocupou em contar naquela noite. Permitida pela Capitania dos Portos, a lotação temerária se tornava criminosa diante do estado precário da embarcação, que tinha, entre outros problemas, seis furos no casco. A Capitania não viu. O mestre arrais Camilo Faro, cuja decisão de levar o barco até Copacabana para o espetáculo dos fogos resultou no naufrágio, voltou ao cais por volta de 22h15, acompanhado de dois sargentos da Marinha. Tinha noção do perigo. Mas a insistência dos donos do barco fez o Bateau Mouche IV retomar sua jornada. Ele virou por volta de 23h50 e afundou de vez vinte minutos depois. A tragédia só não teve mais vítimas porque Jorge Souza Viana, dono de uma traineira, e Oscar Gabriel Júnior, de um iate, salvaram dezenas
de pessoas. Já um sócio do Iate Clube se recusou a zarpar para ajudar quem se afogava. Morreram a atriz Yara Amaral, crianças, idosos, gente que sabia e não sabia nadar. Não havia coletes salva-vidas para todos – e o acesso aos que havia não era fácil. O português Álvaro Pereira da Costa e os espanhóis Avelino Rivera e Faustino Puertas Vidal, donos da Bateau Mouche Rio Turismo, chegaram a ser condenados por homicídio culposo, mas fugiram para a Europa e nunca retornaram. Após 27 anos, as famílias das vítimas ainda buscam indenizações na Justiça. Só uma conseguiu até hoje. O país em que coisas como essas acontecem é o protagonista oculto do livro de Sant’Anna. Por Luiz Fernando Vianna
SERVIÇO BATEAU MOUCHE UMA TRAGÉDIA BRASILEIRA AUTOR: Ivan Sant’Anna EDITORA: Objetiva QUANTO: R$ 23,90 (168 págs)
DIVULG
Famílias ainda esperam respostas e indenizações pelo naufrágio de 1988
AÇÃO
Plateia D5
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Canal 1 Bate – Rebate
Destino O repórter Juliano Dip, atualmente no “CQC”, vai migrar para o jornalismo da Bandeirantes em 2016. Pelo menos este é o desejo da emissora, uma vez que o programas das noites de segunda-feira não será apresentado na próxima temporada. Dip foi muito elogiado internamente devido ao trabalho na cobertura da tragédia de Mariana, em Minas Gerais. Outro plano O jornalismo da Band será a primeira opção para o Dip no ano que vem. Mas existe também uma ala da Eyeworks que defende sua entrada no elenco de “A Liga”, para trabalhar ao lado de Mariana Weickert e Thaide. Desconfiômetro Apesar de a Band ter garantido em comunicado que o “CQC” voltará em 2017, 9 entre 10 profissionais envolvidos no programa não estão acreditando muito nessa história de ano sabático. Para eles, o programa, que terá sua última edição ao vivo dia 21, acabou e pronto. Em todo caso, a versão da emissora é outra e só resta aguardar. Música O canal Viva preparou uma programação musical espe-
MÁRIO ADOLFO
Vida que segue Vice-campeão da “Dança dos Famosos”, Arthur Aguiar faz primeira imagem caracterizado como Osório, em “Êta Mundo Bom!”, próxima novela das 18h da Globo. Na história de Walcyr Carrasco que se passa nos anos 1940, o personagem mora na pensão de Camélia (Ana Lúcia Torre) e se apaixona pela neta dela, Gerusa (Giovanna Grigio), que sofre de uma doença misteriosa. Uma trama com requintes de “A culpa é das estrelas”. cial para o fim de ano. No dia 23, a emissora exibe um show dos “Três Tenores” José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti. No dia 24, vai ao ar uma apresentação de Michael Bublé. O destaque do dia 30 fica por conta de Andrea Bocelli, que, em 2011, em Nova York estrelou um concerto com as participações de Celine Dion, Tony Bennett, Bryn Terfel, Chris Botti, David Foster, Andrea Griminelli, Nicola Benedetti, Anna Maria Martinez e Pretty Yende. Aguardando estreia O longa “Mais forte que o mundo”, sobre a trajetória de José Aldo e protagonizado por José Loreto, chegará aos
JOÃO COTTA/GLOBO
TV Tudo
cinemas no primeiro semestre de 2016. A ideia é lançar num período que não sofra tanto a concorrência de produções norte-americanas. Sai pra lá Em relação ao desejo da Record em fazer um remake de “Pai Herói” baseado na radionovela “Um Estranho na Terra de Ninguém”, na qual Janete Clair se baseou para escrever o folhetim, duas informações: a primeira, é que a Globo renovou seu domínio sobre o título, portanto, a concorrente não poderá fazer uso dele. E a segunda, os direitos da novela de Janete Clair, exibida em 1979, permanecem com a emissora carioca.
• A Endemol, além do quadro dos gordinhos, tenta emplacar um outro formato de reality na Record... • ...Por enquanto, silêncio sobre o assunto. • A Conspiração vai fazer a terceira temporada do “Adotada” na MTV... • ...Ocupa um espaço que foi da produtora Formata. • Neto conversa com o cantor Daniel no programa “Baita Amigos”, amanhã, no BandSports. • Lázaro Ramos está investindo também no trabalho de roteirista... • ...Ele escreveu um episódio de “Mister Brau” e ganhou elogios da equipe de roteiristas do programa. • Programa da Renata Fan, “Jogo Aberto”, poderá apresentar uma ou duas mudanças na equipe de vídeo, para 2016... • ...Contratos estão sendo discutidos.
plateia@emtempo.com.br Flávio Ricco
Novo modelo de negócio com autores
Colaboração: José Carlos Nery
Em outubro do ano passado, foi destacado neste espaço que a forma de administrar o negócio televisão obedeceu transformações importantes. Entende-se que, nos dias atuais, não há mais a menor condição de pagar uma fortuna, para esse pessoal ficar dois ou até três anos fora da grade de programação. Essa nova ordem, segundo se comenta nas principais redes, valerá inclusive para as chamadas “grandes cabeças” da nossa TV.
C’est fini Com apresentação de Gugu Liberato e Sabrina Sato, a Record grava nesta segunda o especial “Amigo Secreto” para exibição dia 22, às 22h30. Uma gravação que promete, afinal, o que tem de apresentador se estranhando, na casa, é uma grandeza. Resta saber como vão administrar essa confusão toda e se os principais nomes irão participar. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz plateia@emtempo.com.br
Um cinema de herança
GILMAL
ELVIS
Depois de um curto período de desarticulação, o Fórum do Audiovisual do Amazonas realiza, de 9 a 16 deste mês, a I Mostra do Cinema Amazonense, com filmes de diferentes durações, todos produzidos por artistas locais, naturais ou não. Até a escrita deste artigo foram dois dias de exibições seguidas de debates, além de palestras, análises fílmicas e oficinas de capacitação. Há algum tempo não vemos reunidas as produções de filmes regionais, fora do âmbito das universidades, de modo que pudéssemos ter uma ideia, ainda que vaga, das condições de produção e dos caminhos estéticos trilhados pelos realizadores amazonenses e, o que podemos notar, é que houve um avanço significativo no que diz respeito ao perfil de produção, que se desenha mais profissional, em todas as suas etapas. Do ponto de vista estético, a fotografia e o roteiro dos filmes se destacam. O primeiro é composto por traços refinados, sinuosos, poéticos e embasados retratando a atmosfera do filme sem os vícios e reducionismos de outrora (produções de dez anos atrás) fazendo o bom uso das qualidades da câmera. Os roteiros têm se apresentado de forma criativa, embora em alguns casos, percebo que a trama e a linguagem adotada para conduzi-las tem tido atropelos, talvez por conta da duração dos filmes – a maioria são curtas ou médias – onde em muitos casos, vide o depoimento de vários cineastas, para atender aos objetivos dos editais, partes significativas do filme são cortadas – ou preenchidas, a famosa “encheção de linguiça”. Mas há outros filmes em que o roteiro não consegue dar espaço para que as personagens se desenvolvam tornando o conjunto inverossímil do ponto de vista narrativo. Em “O Compromisso”, por exemplo, filme dirigido por Max Michel, tive a impressão de que todo o mote da ação deveria girar sob a garota e não sob o namorado (noivo, ficante, paquera et cetera) de modo
que, assim, pudéssemos compreender o desfecho da história (suicídio? Por quê?). São dispensáveis os planos que mostram a preparação do namorado para o encontro, assim como a câmera que passeia pelo seu quarto como se isto contribuísse para a trama. Em “Os Monstros”, dirigido por Bernardo Ale Abinader, enquadrado nos chamados filmes “DR” (Discussão de Relação), termo cunhado por Arnaldo Jabor, autor da pavorosa peça teatral “Eu sei que vou te amar” e do filme de mesmo nome, igualmente chato e cheio de fetiches visuais, um casal discute o vivido e o que se deixou de viver de sua relação, através da verbalização de suas lembranças e sensações. A falha também é de roteiro, pois não chegamos a compreender o porquê da explosão final das personagens, uma vez que não fomos conduzidos dramaticamente para tal. Não posso deixar de mencionar, por outro lado, “Aquário” dirigido por Cristiane Garcia. Este é o exemplo do corte profissional a que venho me referindo neste e em outros artigos – assim como “A Floresta de Jonathas”, de Sérgio Andrade. Não estamos diante de um pieguismo malsão ou de uma obra puramente de deleite; Garcia sempre quis e quer mais com seu cinema, marcado pelo rigor estético, pelo traço tênue da fotografia e por atores que alcançam bons momentos, com destaque especial para Paulo Queiroz que não conduz a personagem para o melodrama, armadilha para um ator desatento. O aquário “rosebudiano” surge como elemento fulcral, ao contrário de outros filmes da programação, cujos objetos dispostos carecem de contribuição simbólica, pois são fugidios e decorativos. No mais, as produções locais nos mostram um grupo de cineastas, atores e técnicos de grande talento. Foram apresentados filmes que, sem dúvida, nos afetam de forma positiva, legado que faria o saudoso Narciso Lôbo enrubescer de orgulho.
Márcio Braz ator, diretor e cientista social
Há algum tempo não vemos reunidas as produções de filmes regionais, fora do âmbito das universidades, de modo que pudéssemos ter uma ideia, ainda que vaga, das condições de produção e dos caminhos estéticos trilhados pelos realizadores amazonenses”
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
DIVULGAÇÃO
Programação de TV SBT
GLOBO
3H45 JORNAL DA SEMANA SBT
5H10 SANTA MISSA
5H BRASIL CAMINHONEIRO
6H11 AMAZÔNIA RURAL
5H30 TURISMO & AVENTURA
6H39 PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES
6H15 ACELERADOS 7H CHAVES 9H15 PEQUENOS CAMPEÕES
NEGÓCIOS 7H14 GLOBO RURAL 8H12 AUTO ESPORTE 8H45 ESPORTE ESPETACULAR
10H MUNDO DISNEY
11H55 ESQUENTA
11H DOMINGO LEGAL
13H25 ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUN
13H ELIANA
DO NOVA GERAÇÃO ©ESTREIAª
17H RODA A RODA JEQUITI
14H17 TEMPERATURA MÁXIMA. FILME: HO
17H45 SORTEIO DA TELESENA
MEM ARANHA 2
18H PROGRAMA SILVIO SANTOS 22H CONEXÃO REPÓRTER 23H SÉRIE: ARQUEIRO
Roberto Cabrini lidera reportagens investigativas em “Conexão Repórter”
BAND
16H31 DOMINGÃO DO FAUSTÃO ©MELHORES DO ANOª 20H FANTÁSTICO 22H18 DOMINGO MAIOR. FILME: 007
0H15 SÉRIE: TRUE BLOOD
QUANTUM OF SOLACE
1H BIG BANG
0H10 ENCERRAMENTO PREVISTO ©MANU
2H30 IGREJA UNIVERSAL
TENÇÃO MENSALª
Cinema
4H DRAGON BALL Z KAI 6H SANTA MISSA NO SEU LAR 7H DRAGON BALL Z KAI 8H30 QUAL É O DESAFIO? 9H45 VERDADE E VIDA 10H PÉ NA ESTRADA 10H30 PAGUE MENOS SEMPRE BEM 11H BAND ESPORTE CLUBE 12H COPA PETROBRAS DE MAR CAS AO VIVO ETAPA DE INTER LAGOS/SP 13H MUNDIALITO DE CLUBES BE ACH SOCCER AO VIVO FINAL 14H15 GOL: O GRANDE MOMEN TO DO FUTEBOL 14H45 COPA CAIXA: TORNEIO INTERNACIONAL DE FUTEBOL FEMININO BRASIL X MÉXICO 16H50 3º TEMPO 18H40 SABE OU NÃO SABE 19H40 SÓ RISOS 20H40 SÓ RISOS EXTRA 21H20 PÂNICO NA BAND 0H15 CANAL LIVRE 1H15 WENDELL & VINNIE 1H45 EI ARNOLD! 2H05 IGREJA UNIVERSAL
5H30 IGREJA INT. DA GRAÇA 9H TV KIDS 9H30 PROGRAMA AD & D 10H IGREJA DA GRAÇA 11H FIQUE LIGADO 12H EN CIRCUITO 13H30 TV KIDS 14H TE PEGUEI 14H30 SENSACIONAL 16H PROGRAMA VIAGEM CUL TURAL 16H30 CHEGA MAIS 18H ENCRENCA 20H30 TE PEGUEI NA TV 21H45 MEGA SENHA REPRISE 22H45 OPERAÇÃO DE RISCO REPRISE 23H30 LUTA TRIBAL 0H30 BOLA NA REDE 1H30 IGREJA INT. DA GRAÇA
Cruzadinhas
PRÉ ESTREIA Star Wars – O Despertar da Força: EUA. 12 anos. No sexto capítulo da franquia, Star Wars: Episódio VI - O Retorno de Jedi (1983), Luke Skywalker (Mark Hamill) consegue fazer com que Darth Vader encontre o seu lado bom e elimine o Imperador Palpatine na segunda Estrela da Morte. Trinta anos se passam e Luke volta a unir forças com Princesa Leia (Carrie Fisher), Han Solo (Harrison Ford), Chewbacca (Peter Mayhew) e os robôs C-3PO (Anthony Daniels) e R2-D2 (Kenny Baker) para uma nova aventura espacial na disputa pela Força. Cinemark 4 – 00h01 (3D/dub/somente quarta-feira).
ESTREIAS
No Coração do Mar: EUA. 14 anos. No inverno de 1820, o barco baleeiro da Nova Inglaterra Essex foi atacado por algo em que ninguém podia acreditar: uma baleia de imenso tamanho e determinação, e um sentido de vingança quase humano. O desastre marítimo que ocorreu na vida real inspiraria Melville a escrever Moby-Dick. Entretanto, o livro contou apenas metade da história. Heart of the Sea revela as terríveis consequências do encontro, à medida que a tripulação sobrevivente do barco é levada aos seus limites e forçada a fazer o impensável para permanecer viva. Enfrentando tempestades, fome, pânico e desespero, os homens serão levados a questionar suas crenças mais profundas, do valor de suas vidas à moralidade de sua atividade, enquanto seu capitão busca orientação no mar aberto e seu primeiro suboficial ainda tenta derrotar a grande baleia. Kinoplex 3 – 16h15, 18h50, 21h35 (3D/dub/diariamente), 13h45 (3D/dub/somente sábado e domingo), 16h15, 18h50 (3D/dub/diariamente), 21h25 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Bem Casados: BRA. 10 anos. Cinemark 5 – 12h40 (exceto terça-feira), 14h50, 17h30, 19h50, 22h (diariamente); Kinoplex 2 – 15h, 16h55, 18h55, 20h55 (diariamente). Victor Frankestein: EUA. 12 anos. Kinoplex 1 – 16h45, 19h05, 21h25 (dub/diariamente). Jogos Vorazes: A Esperança – O Final: EUA. 14 anos. Cinemark 1 – 12h (3D/dub/exceto terça-feira), 15h10, 18h25, 21h30 (3D/dub/diariamente), Cinemark 2 – 20h30 (dub/exceto quarta-feira); Kinoplex 5 – 15h10, 18h, 20h50 (3D/dub/diariamente). O Reino Gelado 2: RUS. Livre. Cinemark 2 – 14h, 16h (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 14h45 (dub/diariamente). O Último Caçador de Bruxas: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 18h (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 16h45, 19h10, 21h35 (dub/diariamente).
Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 Se você acalentava uma visão erroneamente positiva a respeito de algum lado de sua personalidade, isto hoje vem por água abaixo. Uma autodesilusão pode acontecer. TOURO - 20/4 a 20/5 Sua relação com o prazer sensual está sendo refinada. Seus afetos não podem se realizar como gostaria. Risco de perdas materiais ao teimar impor suas vontades. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 As relações sociais e financeiras lhe reservam uma mudança difícil de ser aceita. As amizades e as reações
instintivas estão em momento de transformação. CÂNCER - 22/6 a 22/7 As ilusões que você pudesse alimentar no trabalho serão transfiguradas pelo aspecto de Plutão e Vênus. Momento para olhar de perto a realidade que vive neste âmbito. LEÃO - 23/7 a 22/8 As questões que envolvam amigos e dinheiro provocam conflitos e prejuízos, a você ou a eles. O cultivo intelectual tende a ser interrompido bruscamente por urgências práticas.
VIRGEM - 23/8 a 22/9 Momento de confronto com autoridades no trabalho. Talvez você use de sua autoridade de modo inconveniente. Sentimentos fortes mudam a frágil harmonia de suas relações. LIBRA - 23/9 a 22/10 O momento requer uma revisão de seu planejamento, nos assuntos materiais. É preciso que a relação a dois coloque os pés no chão, para evitar que vocês se desiludam. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Vênus sob forte aspecto com
Plutão indica mudança imprescindível na atitude diante do trabalho e do conforto material. Não tente idealizar condições que você não tem. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você vive momento de conflito no amor, pela distância entre seus sentimentos e a condição concreta com a pessoa amada. Idealizar a beleza não a torna mais possível. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Não se iluda quanto a certas conquistas. Uma forte ansiedade ou uma inquietação, como
se nada lhe agradasse ou fosse satisfatório, toma conta de você neste dia. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Mesmo os obstáculos mais difíceis de lidar trabalham para refinar seus sentimentos e afetos. Momento para você aprender sobre a comunicação e a troca com as pessoas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Seu gosto pessoal com relação a objetos e bens materiais será contrariado. Você terá que se adequar a situações contrárias à sua vontade pessoal.
Plateia D7
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015
Guto Oliveira
As especulações talvez não tivessem prevalecido se os investigadores tivessem se dado ao trabalho de me ouvir”
gutomosaico@hotmail.com
Arte
*** E a nova parceria de Pedro Lourenço com a Nike que acaba de chegar nas lojas surpreende: é uma versão do Nike Air Ri®! Sabe aquele tênis, pra alguns bem polêmico, que tem separação pro dedão e os outros dedos, e que é tão leve que parece uma sapatilha? Pois bem: a versão de Pedro é toda branca, que combina com a tendência de tênis brancos do momento. Mas, segundo ele, é uma homenagem à nossa tradição de se vestir de branco no Réveillon!
A loja SCA foi o cenário escolhido pelo artista plástico Arnaldo Gargcez, para a mostra “Essência da Cor” com curadoria da arquiteta Sihame Cruz. As obras inspiradas no cotidiano, com cores intensas e movimento. Na foto, Gisela Bolognese e Monica Mello foram conferir a exposição.
O relator geral do Orçamento da União para 2016, deputado Ricardo Barros (PP -PR), oficializou que manterá a proposta de corte de R$ 10 bilhões dos recursos que serão destinados ao Bolsa Família no próximo ano em seu parecer final. De acordo com o deputado, o corte não prejudicará os beneficiários do programa, mas o governo já se declarou contra a proposta. O corte representa 35% dos R$ 28,2 bilhões que haviam sido estimados inicialmente. Dessa forma, o programa terá um orçamento de R$ 18,2 bilhões para o próximo ano. A economia é feita para que o governo cumpra a meta de superavit de 0,7% do PIB para o ano que vem.
Marcelo Odebrecht
*** Grupos anti-Dilma em Manaus, que apoiam o impeachment da presidente, se articulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApps chamando a população para aderir a um grande ato hoje. Ao mesmo tempo, apoiadores da presidente que se posicionam contrários ao que classificam de “golpe”, articulam um protesto para o próximo dia 16.
*** A mantenedora do Grupo Literatus, Elaine Saldanha, foi empossada como presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM), na sede da entidade. Durante a solenidade, ela destacou a importância da união das instituições particulares em prol da categoria. *** O Governo do Estado encaminhou à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) mensagem com o Projeto de Lei que institui o Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp-AM). A medida segue tendência que já
vem sendo adotada na maioria dos Estados da federação, de criação de um fundo para captação de recursos que possam ser usados no custeio e investimento dos órgãos de Segurança Pública. Também foi encaminhado, na mesma ocasião, o PL para criação, nos mesmos moldes, do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (Funesbom). *** Os boatos sobre o fechamento da Lanvin no Brasil circulam faz tempo – há mais de um ano! Mas agora, após baque da saída do estilista Alber Elbaz, a notícia ruim é que o boato finalmente se confirmou. Os clientes da marca
receberam um e-mail bem simples agradecendo e informando que a loja do JK Iguatemi (a única da marca no país) só fica aberta até dia 31/12. Ele conclui convidando a continuar comprando Lanvin nas lojas de Miami, NY e Paris. Uma pena. *** O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para que o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff volte a tramitar. Com a decisão, o ministro reafirmou que a Corte vai julgar na próxima quarta-feira (16) a legalidade da Lei 1079/50, que define as regras do procedimento de impeachment.
Victor e Sihame Simões, na exposição de Arnaldo Gargcez na loja SCA
CAUA
A partir de amanhã, Manaus receberá a 10ª edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo. São mais de 45 filmes que serão exibidos por todo país nas principais capitais brasileiras. Em Manaus, as sessões serão realizadas até o próximo dia 19, no Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (Caua-Ufam). Estão incluídos filmes com temáticas ligadas a diversidade, a escravidão, formas de violência social e repressão política. A mostra está dividida na exibição de filmes em quatro categorias: Mostra Panorama, Crianças e Adolescente, Homenagem e Acessibilidade. A proposta da mostra é contribuir, por meio do cinema, para o desenvolvimento de uma sociedade baseada nos princípios da democracia, da cidadania e da justiça social. Criada em 2006, pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a iniciativa busca despertar no público o exercício da solidariedade e do respeito à diversidade. Este ano, entre os des-
DIVULGAÇÃO
Mostra destaca filmes sobre direitos humanos taques estão “Betinho – A esperança equilibrista”, “500 – Os bebês roubados pela ditadura argentina” e “Encantados”. A programação completa está no site http://mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov. br/2015/programacao/. A Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo é uma realização da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres e da Igualdade Racial em parceria com o Ministério da Cultura. Em Manaus, a produção local é da empresa cinematográfica Amazon Film, com apoio do Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas e Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania.
SERVIÇO MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NO MUNDO ONDE: Centro de Artes da Ufam (rua Monsenhor Coutinho, 724, Centro) QUANDO: de 14 a 19/12 Informações: 3305-5150
“Betinho - A esperança equilibrista” está entre os destaques
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2015