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EM TEMPO - 13 de outubro de 2013

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

RICARDO OLIVEIRA

ANO XXV – N.º 8.152 – DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

MOMENTO MÁGICO NA FLORESTA O EM TEMPO enviou uma equipe para a aldeia Mari-Mari, na reserva ecológica do Uatumã, região de Balbina, para acompanhar o ritual de acasalamento do galo-da-serra, considerado uma ave rara de difícil visualização. Dia a dia C4 e C5

Numa vigília de mais de cinco horas dentro da floresta, na reserva ecológica do Uatumã, a equipe do EM TEMPO registrou o momento de sedução em que o galo-da-serra se exibe para a fêmea

ABUSO SEXUAL

MULHERES VIOLENTADAS QUEBRAM O SILÊNCIO RAPHAEL ALVES/TJ AM

DIA A DIA C1

MUTIRÃO CARCERÁRIO

CNJ coloca 900 presos em

liberdade no Amazonas

Vitória de Dilma no 1º turno Última Hora A2

Marina Silva vai parar no hospital Contexto A3

Vitaminas sim, mas sem excesso Saúde F6

Era digital seduz novas gerações

Mais de 900 presos do Amazonas foram liberados após 18 dias de mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O número representa 10% da população carcerária do Estado. Última Hora A2

Elenco 12

Os presos foram soltos após revisão em seus processos feita pelos próprios juízes que encarceraram esses detentos

MUNDO CÃO

HEAVY METAL

Brasil vence Coreia em amistoso

ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.

OS AR

AIV

A/F

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700

ARD

O fascínio de Ozzy Osbourne (foto) e sua banda Black Sabbath sobre os fãs brasileiros de heavy metal. Plateia D1

EDU

Apesar do consumo de carne canina ser uma antiga tradição no Sudeste Asiático, mercado negro despacha 300 mil cães por ano. Ilustríssima G4

RAM

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DIVULGAÇÃO

Há gosto para tudo na Ásia

2X0

A seleção brasileira venceu, ontem, a Coreia do Sul por 2 a 0, em Seul. Neymar (foto) e Oscar foram os autores dos gols da partida. Última Hora A2 TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Mais de 900 presos são soltos no AM em situação irregular Cerca de 10% da população carcerária do Estado foi liberada após um mutirão promovido pelo CNJ

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pós 18 dias de mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ainda em andamento, mais de 900 presos do Amazonas foram liberados. O número representa cerca de 10% da população carcerária do Estado. Os presos foram soltos após revisão em seus processos feita pelos próprios juízes que os encarceraram. No Estado, 78% dos presos são provisórios, ou seja, aguardam julgamento. O índice é considerado um dos mais altos do país pelo CNJ. “A maioria (dos presos liberados) foi por excesso de prazo. Outros simplesmente por reavaliação do juiz. Essas 911 pessoas não ficarão livres do processo, apenas responderão em liberdade”, disse Douglas Martins, coordenador do departamento de fiscalização do sistema carcerário do CNJ. “Se a maioria das pessoas presas no Estado não foi julgada ainda, é grande a probabilidade de que a maioria esteja em situação irregular.” O mutirão carcerário pretende revisar os processos de todos os detentos do Amazonas. Em 2010, o CNJ realizou o mesmo mutirão no Estado. “O cenário piorou em relação a 2010”, diz Martins.

RAPHAEL ALVES/TJ AM

Inspeção realizada por uma comissão do CNJ revisou algumas penas impostas a presidiários e decidiu pela liberação dos presos

DÍVIDA

Barack Obama pressiona republicanos O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou legisladores republicanos neste sábado (12) a elevarem o limite de endividamento da nação por mais tempo do que os oposicionistas gostariam, enquanto o impasse fiscal se arrasta pelo fim de semana, com apenas cinco dias faltando para o fim do prazo para um acordo. A guerra orçamentária entre Obama e os republicanos, que controlam da Câmara dos Representantes, causou a licença forçada de centenas de milhares de funcionários públicos durante uma paralisação do governo que já dura 12 dias. O impasse colocou a nação sob risco de não honrar suas dívidas pela primeira vez na história, possivelmente na quinta-feira, a não ser que o limite de empréstimo seja estendido. Com o potencial de uma calamidade econômica se aproximando, Obama e seus opo-

nentes republicanos tentam chegar a um acordo sobre a elevação do limite de endividamento. Os oposicionistas querem limitar a extensão do limite em seis semanas, para tentar forçar mais concessões do presidente. Obama deixou claro em

BRIGA

A guerra orçamentária entre Obama e os republicanos, que controlam da Câmara dos Representantes, causou a licença forçada de centenas de milhares de funcionários públicos durante paralisação seu programa semanal neste sábado que pretende uma extensão mais duradoura, para fazer a economia norte-americana passar pelas festas de fim de ano sem problemas. Os republicanos

ROBERTO STUCKERT FILHO/PR

Dilma Rousseff sai na frente em nova rodada de pesquisa

Contra Campos e Aécio, Dilma venceria com 42% Se disputasse a eleição de 2014 contra o tucano Aécio Neves e o socialista Eduardo Campos, os mais prováveis candidatos do PSDB e do PSB no pleito de 2014, a presidente Dilma Rousseff seria reeleita já no primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha realizada na sexta-feira, 11. A petista teria 42% das intenções de voto; Aécio, 21%; Campos, 15%. Nesta mesma simulação, votos brancos, nulos ou nenhum totalizam 16%; já 7% dos entrevistados disseram que não sabem em quem votar. Considerando as indefinições sobre as candidaturas à Presidência da República, uma vez que Marina Silva não conseguiu registro para o seu partido, o Rede Solidariedade, e acabou se aliando ao PSB, numa dobradinha na qual não se sabe ainda quem será o cabeça de chapa, o Datafolha fez quatro simula-

Casal tenta subornar policiais O casal Davi Andrade Artiagas, 35, e Maria Iraneide Seabra da Silva, 39, foram presos em flagrante por volta de 1h30 da madrugada deste sábado, no beco Canumã, bairro Petrópolis, Zona sul de Manaus. Após denúncia anônima de que os dois comercializavam e distribuíam drogas na localidade, foram encontradas na casa do casal, 57 trouxinhas de pasta base 19 trouxinhas de cocaína, 200 g de cocaína e 11 trouxinhas de maconha. De acordo com o Tenente da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), Marcelo Cruz, ao realizar o flagrante, Maria Iraneide ofereceu suborno aos policiais presentes na operação. “Ela pegou uma bolsa no quarto e tirou R$ 3.673 para pagar a liberação dela e do parceiro. Foi quando demos voz de prisão aos dois”, contou. Além de responder por tráfico e associação ao tráfico, os dois responderão pelo crime de corrupção ativa pela tentativa de suborno. O casal foi encaminhado ao 3º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde passou por exame de corpo de delito e depois foi encaminhados para a cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa.

AMISTOSO

PRIMEIRO TURNO

querem o comprometimento da Casa Branca com maiores discussões sobre a redução do déficit. “Eu não seria sábio, como alguns sugerem, se desse um tapa no limite de endividamento por dois meses e flertasse com o primeiro default intencional bem no meio da temporada de compras do fim de ano”, disse Obama. Progresso Embora as conversas de Obama no Congresso na quinta e sexta-feiras tenham sido vistas como um progresso, ainda há muitos detalhes para a chegada a um acordo. O senador republicano por Dakota do Norte John Hoeven disse que há várias ideias para serem discutidas, mas que o importante agora é encontrar a combinação certa delas para que o projeto seja aprovado na Câmara e no Senado.

TRÁFICO

ções, incluindo os nomes de Aécio e José Serra, por parte dos tucanos, e de Marina Silva e Eduardo Campos, pelo PSB. Com exceção de uma eventual disputa entre Dilma e Campos, a presidente não conseguiria votos suficientes para vencer as eleições já no primeiro turno. Marina e Serra A pesquisa aponta que a situação ficaria mais difícil para Dilma em uma disputa com Marina e Serra. Neste caso, a petista teria 37% das intenções de voto, enquanto a Marina atingiria 28% e Serra, 20%. Marina também é a concorrente mais difícil de bater: ela teria 29% das intenções de voto, numa eventual disputa com Dilma e Aécio, contra 39% da petista e 17% do tucano. As intenções de voto de Marina sobem de acordo com o aumento da escolaridade e da renda.

Brasil vence a Coreia em jogo violento Neymar apanhou na vitória de ontem da seleção brasileira sobre a Coreia do Sul, 2 a 0, em Seul. Somente o atacante recebeu 12 faltas, de um total de 21 cometidas pelo rival. Após uma delas, ele abriu o placar na cobrança. Oscar fez o segundo gol. As pancadas que recebeu aconteceram justo na semana na qual a polêmica se o jogador é “cai-cai” foi retomada pelo técnico do Chelsea, José Mourinho. O técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari havia defendido Neymar, nos últimos dias, e criticado o português, dizendo que Mourinho criava polêmica para pressionar o brasileiro quando o time inglês enfrentar o Barcelona. “Foi superação, não é fácil jogar sem adaptação no fuso. As faltas estou acostumado, virou rotina, são amigas (as faltas) que levo comigo”, disse Neymar. Felipão começou a partida com a base da Copa das Confederações. As exceções foram Jefferson, Dante e Jô nos lugares dos lesionados Julio César, Thiago Silva e Fred. Para a Coreia do Sul, uma das 14 seleções que já está classificada para a Copa, a partida parecia valer três pontos. Em vez da tradicional velocidade asiática, os sul-coreanos concentraram o jogo na marcação e nas faltas. Houve até princípio de confusão antes do primeiro gol brasileiro, após infração recebida por Neymar e que fez Marcelo tirar satisfação com Chung-Yong.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Esperando é que se perde tempo O deputado Jairo Ataíde (DEM-MG) “ordenou e fez veicular propagandas de feitos e realizações de sua administração, custeadas com recursos públicos, que caracterizam patente promoção pessoal, pois vinculam obras do poder público à pessoa física do prefeito”, de acordo com o Ministério Público. Essas propagandas de feitos e realizações de quando ele era prefeito de Montes Claros custaram R$ 90 mil ao bolso do contribuinte mineiro. Na quinta-feira (10), o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ataíde por esses crimes de responsabilidade cometidos em 2000. Mas como a denúncia contra ele só foi aceita em 2005 e o julgamento e condenação aconteceram 8 anos depois, a pena de 2 anos de cadeia... prescreveu. E não se fala mais nisso. Ataíde está solto e legislando com o apoio dos seus colegas de partido (dizem que o DEM está na oposição ao governo petista de Dilma Rousseff). Para que não houvesse prescrição seria preciso que a pena fosse superior a 2 anos. Os ministros do STF Luiz Fux e Rosa Weber defenderam uma condenação mais alta, só que a maioria concordou com Luís Roberto Barroso, que optou por uma punição mais branda, levando à prescrição. Retrospectiva: os crimes de Ataíde foram cometidos em 2000, inaugurando o século 21; a denúncia só foi aceita em 2005, 5 anos depois e, agora, em 2013; o imbróglio durou 13 anos entre as gavetas do tribunal e as elucubrações dos ministros, que nem sempre foram os mesmos nesse tempo absurdo. O cidadão comum, que só paga imposto e cada vez sabe menos para quê; que só vota e sabe cada vez menos para quem; que acredita na Justiça sem saber exatamente por quê, estranha que essa Justiça leve tão pouco a sério que se use e abuse do dinheiro público. E Ataíde é só uma gota no oceano de corrupção.

Marina no hospital A Marina Silva deu um susto ao ser foi hospitalizada na madrugada de segunda-feira, 7, em Brasília. Marina teve uma crise de alergia respiratória, provocada por uma alergia a chocolate. Chocolate A ex-senadora Marina gosta de sopa de aspargos e, ao preparar em casa o prato na noite de domingo, não observou que havia na pia restos de chocolate, alimento ao qual é alérgica. A ex-ministra foi levada então ao pronto-socorro, onde foi medicada e liberada poucas horas depois.

Identidade visual Não foi à toa que o governador Omar mudou radicalmente o direcionamento da comunicação do Estado nos últimos 60 dias. A página do Facebook está com nova programação visual, combinada com os filmes exibidos na TV e com todos os anúncios de jornais.

Saúde frágil Com uma saúde frágil, Marina tem um histórico de alergias e doenças, o que a obriga a ter uma alimentação restritiva, sem leite, ovos, soja e derivados, além de peixe de água salgada e frutos do mar. Contaminação Na adolescência no Acre, Marina contraiu malária, teve hepatite e leishmaniose. Também foi vítima de contaminação por mercúrio, chumbo e ferro.

– Hoje o Estado tem o que se chama de identidade visual – garante o marketeiro Jefferson Coronel, responsável pelo trabalho. Check up O prefeito Arthur Neto embarca para São Paulo, onde vai aproveitar o início da semana para fazer um check up completo. Arthur quer cuidar da saúde para continuar com a agenda intensa de trabalho. Agenda lotada

Batom de beterraba Na campanha de 2010, a alergia a obrigava a usar maquiagem especial. O batom, por exemplo, era improvisado com sumo de beterraba.

A preocupação do prefeito tem razão de ser. Na semana de aniversário da cidade, o cronograma será extenso. A agenda vai começar às 8h e não tem hora para acabar. Pé na estrada

Omar no Facebook Em dois meses a página do governo do Amazonas no Facebook saiu de pouco mais de 5 mil para 119 mil curtidores, ou likes como dizem os internautas. Com este número o Amazonas é campeão em likes, nenhum outro Estado tem este desempenho. Está aí um fato ou recorde pronto para virar case nacional de publicidade.

A principal, ferramenta do vicegovernador José Melo, caso se confirme sua candidatura ao governo, será um par de tênis com sola resistente. No próprio governo, Melo vem percorrendo todas as obras. Depois da Arena da Amazônia, ele visitou, na sexta-feira, a terceira etapa do Prosamim 3, na bacia do São Raimundo.

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

Lazer e praia José Melo garante que a obra, onde está sendo construído o parque Rio Negro, será uma área de lazer fantástica “numa região da cidade que não possui um espaço assim”. —Teremos até, em uma das partes, uma areia simulando uma praia. Sem rancor Demonstrando que não guarda nenhum rancor da ditadura, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) rasgou elogios para as Forças Armadas. Segundo ela, há muito tempo o Exército brasileiro desenvolve ações que vão muito além da defesa das fronteiras e da Nação. Amazônia Vanessa observa que o trabalho dos militares se destaca ainda mais na região amazônica, onde se torna ainda especial por conta dos poucos recursos, das distâncias e das dificuldades de acesso. Navio-hospital Vanessa deu como exemplo um navio-hospital, levado pelas Forças Armadas para atender os ribeirinhos da Amazônia, com médicos, dentistas e farmacêuticos. — Quero manifestar meu compromisso de continuar ajudando as Forças Armadas do país –, disse a senadora. O povo quer saber Por que ao invés daquele cimento horroroso, a prefeitura não enche os canteiros centrais da avenida Djalma Batista de terra preta e flores?

VAIAS

Procon do Amazonas

Charge

Superlotação dos presídios DIVULGAÇÃO

RAPHAEL ALVES TJ AM

À fiscalização do Proncon do Amazonas, que vem agindo de forma segura e enérgica contra aumentos abusivos na cobrança de taxas de estacionamento. Com isso, dá uma satisfação à sociedade que já vinha protestado contra a exploração.

Para a situação de superlotação em que se encontram os presídios do Amazonas, o que acaba obrigando o Conselho Nacional de Justiça a colocar na rua certos detentos que nem sempre merecem nova chance de se reintegrar à sociedade.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Condicionamento para o mal Passaram-se os dias e as investigações policiais parecem confirmar que o adolescente Marcelo Pesseghini deliberou matar e matou pai, mãe, avó e tia-avó, antes de executar a si mesmo. O que pode ter acontecido a esse jovem que parecia usufruir do amor dessa mesma família que destruiu e até de certa superproteção e valorização, ou não teria sido, como foi, objeto de identificação dos pais que o introduziram no manejo de arma de fogo e na condução de automóvel, como se o preparassem para uma vida futura? Na escola e na vizinhança também era bem relacionado e estimado, como atestaram as presunções sobre sua inocência, logo que surgiram as suspeitas de que teria sido autor da chacina. Um companheiro mais íntimo revelou que Marcelo desenvolvera uma fantasia de chegar a ser um matador profissional, o que exigiria como pré-condição o afastamento ou mesmo a eliminação da família. Esse segundo jovem parece que percebeu isso apenas como uma fantasia, uma fanfarronice, uma falácia. Jovens nessa idade misturam com facilidade a fantasia e a realidade e constroem assim seus sonhos de onipotência e de autorrealização privilegiada. Sobre essas construções quase delirantes os jogos virtuais de confrontos e lutas violentas realmente agem como estimuladores e alimentadores, sem que, ordinariamente, haja uma contaminação ou uma passagem entre os dois planos, o virtual e o real. É preciso, entretanto, considerar que os adolescentes em geral se comprazem nesses jogos e na autorrealização fantasiosa de si mesmos como super-heróis, mas são extremamente raros os que partem para a efetiva realização dessas construções quase oníricas.

E surge a pergunta fundamental: por que, então, Marcelo Pesseghini tornou-se um real matador e iniciou essa atividade precisamente ao matar sua própria família e, poucas horas depois, interrompeua definitivamente ao acabar com a sua vida? Não chegou a ser a realização de um projeto, embora tenha havido um planejamento, uma vez que, quando iniciou a passagem para a efetivação, parece ter ocorrido uma brusca revitalização do senso de realidade com a percepção da tragédia que praticara e, logo em seguida, a matança de si mesmo. O laudo elaborado pelo psiquiatra forense que atuou no caso considerou como condicionante de uma atividade delirante o fato de Marcelo ter sido portador de uma encefalopatia decorrente de um episódio de hipóxia, ou de anóxia, ocorrido num hospital. Tratando-se de uma lesão cerebral já cicatrizada, Marcelo teria uma área encefálica fibrosada, onde estariam neurônios mortos. É possível que tal lesão tenha sido facilitadora de uma atividade psicológica delirante que alterou seu ajustamento ao mundo real e distorceu seu código de valores. Marcelo Pesseghini, como soe acontecer com jovens em idade de passagem, sobretudo masculinos, mercê das nossas características culturais, mais estimulado do que cerceado pela família, creio eu, aspirava poder e autonomia e aí incluía a libertação em relação à família. Só que, no seu caso, não ficou apenas na fantasia. Algo comprometeu sua capacidade de avaliação e seu senso de realidade, embora sem referências anteriores de esquizofrenia, que seria a mais natural e razoável explicação para tudo o que aconteceu.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Tratando-se de uma lesão cerebral já cicatrizada, Marcelo teria uma área encefálica fibrosada, onde estariam neurônios mortos. É possível que tal lesão tenha sido facilitadora de uma atividade psicológica delirante que alterou seu ajustamento ao mundo real e distorceu seu código de valores”


B4

Economia

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Governo amplia o prazo de concessão de portos O

governo decidiu aumentar o prazo de concessão dos portos de Santos e do Pará para 25 anos, prorrogável por igual período. Inicialmente, o prazo para o arrendamento variava entre dez e 25 anos, de acordo com a área. Segundo o ministro da Secretaria Especial de Portos, Antônio Henrique Pinheiro Silveira, a mudança foi feita após consulta pública sobre o tema. “A questão foi muito debatida e o governo achou interessante fazer essa adequação para fins de um trabalho mais continuado dos terminais, por um prazo um pouco maior”, explicou. No total, serão licitadas 29 áreas, nove em Santos e 20 no Pará. O investimento previsto nos dois terminais é R$ 5,4 bilhões. Os estudos para a concessão dos portos de Santos e do Pará foram entregues, na semana passada, ao Tribunal de Contas da União (TCU) pela ministra-chefe da Casas Civil, Gleisi Hoffmann. Esses são os primeiros estudos de arrendamento de portos sob o novo marco regulatório que foi aprovado no primeiro semestre pelo Congresso Nacional. A licitação deve ocorrer ainda neste ano, de acordo com a previsão do governo. O presidente do TCU, ministro Augusto Nardes, disse que a matéria deve ser analisada até o final de novembro. “Esperamos poder finalizar o pro-

DIVULGAÇÃO

Arrendamento dos portos de Santos (SP) e de Belém, no Pará, foi ampliado para 25 anos, prorrogável por igual período cesso dos arrendamentos até o final do ano, para que o novo modelo seja implantado e possamos ter a competitividade que queremos para o sistema portuário brasileiro”. A Taxa Interna de Retorno (TIR) passou de 7% para 8%. Segundo Silveira, a mudança foi feita para compatibilizar a competição entre terminais de uso público e de uso privado. O ministro dos Portos disse que as alterações no primeiro edital devem servir de modelo para os demais arrendamentos de portos públicos, mas cada lote será

TRANQUILO

Segundo o advogadogeral da União, Luís Inácio Adams, o governo está calmo em relação à segurança jurídica do processo, pois não há riscos jurídicos e nem inconstitucionalidade no assunto Volume de investimentos total das concessões dos portos será de R$ 5,4 bilhões, sendo R$ 1,7 bilhão em Santos, diz secretaria

analisado profundamente. O critério para a escolha dos vencedores do leilão será o de menor tarifa, no caso de terminais de contêineres. Para terminais de cadeias integradas, como de agronegócios e de movimentação de graneis, o critério será o de metas de capacidade de movimentação. “Isso significa que não poderá haver a fixação de preço-teto”, disse Silveira.

Outras modificações são anunciadas O governo alterou uma das regras para a concessão de seguro-desemprego. O trabalhador que solicitar o benefício a partir da segunda vez, dentro de um período de dez anos,

terá que fazer curso com o mínimo de 160 horas para receber o pagamento. Antes, o curso deveria ser feito a partir do terceiro pedido de seguro-desemprego no prazo de dez anos.

Publicação A alteração está no Decreto n° 8.118 publicado na edição da última sextafeira (11) do Diário Oficial da União. O curso, com o mínimo de

160 horas, deve ser de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional. No ano passado, o Decreto n° 7.721, de 16 de abril, havia instituído a condicionalidade do curso.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Quo Vadis, Urbs? A expressão latina Quo Vadis, retirada da Bíblia, do livro de João Evangelista, descreve o clima de indagação – a busca de rumo e definições - que tomou conta dos cristãos após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo, nos primórdios do Cristianismo. Ela é retomada com frequência na literatura teológica da época e confere à pergunta contundente do apóstolo Pedro a Jesus, Quo Vadis, Domine?, o poder de traduzir a inquietação existencial e a configuração teológica da Igreja nascente. A expressão, por sua força e sentido, atravessou os séculos e virou um clássico da cinemateca de Hollywood. No Brasil, com o acréscimo do substantivo Urbs, o espaço urbano, foi inteligentemente apropriada pelos acertos urbanos da prefeitura de Curitiba, uma cidade premiada por seus parâmetros urbanos e sócio-ambientais de avanços civilizatórios: Quo Vadis Urbs é hoje a senha de localização e uso da bem sucedida estrutura viária de transportes, a mais laureada do planeta. Mas nem sempre foi assim. Como Manaus na virada do século XIX, pioneira na utilização da eletricidade para fins de locomoção popular, Curitiba adotou a modernidade dos bondes elétricos para substituir as charretes ou carroças

movidas a cavalo e fundou seu sistema de transporte no centro das estratégias urbanas de uso e ocupação do espaço público. Seu primeiro plano diretor é considerado pelos urbanistas como o mais democrático pelo nível de atendimento e satisfação das demandas do usuário. É importante destacar o caráter participativo de sua formulação original ocorrida em 1965 e de todas as oportunidades de atualização e ajustes que o progresso e o crescimento da cidade foram determinando historicamente. Aí, na captação de demandas, sugestões e críticas da sociedade, reside a origem e a chave de compreensão de seus acertos. Em Manaus, estamos nos ajustes, acessos e inclusões finais do novo Plano Diretor. Há que se reconhecer o esforço dos técnicos e parlamentares para traduzir a expectativa cívica de um planejamento participativo e focado no interessa comum. Cabe rememorar o primeiro Plano Diretor de Manaus, formulado em plena folia do látex, pelo engenheiro João Miguel Ribas, em 1893, sob a batuta de Eduardo Gonçalves Ribeiro. Um plano que só foi atualizado e ajustado com a expansão urbana da economia da Zona Franca na gestão de Jorge Teixeira, 82 anos depois,

em 1975, com algumas alterações e alinhamentos substantivos de Severiano Mário Porto, no governo municipal de Artur Neto em 1989. De lá pra cá, (des) mandos políticos, no sentido rasteiro da premissa ime diatista, e da importação apressada de parâmetros e talentos estranhos às demandas e avaliações nativas, fizeram de Manaus essa falta de rumo e definições urbanas que abriga toda sorte de confusão e desalinho, oportunismos e degradação que a estão levando a lugar nenhum. Para onde vai a cidade com a profusão de canetas e carimbos dos arautos de uma legalidade de plantão a serviço de forças inominadas e a escassez de entendimento, planejamento e comunhão de propósitos? Para onde pode caminhar numa cidade cuja área vital de sua economia tem sido alvo de intervenção vesga, estapafúrdia, obscura e federal, num arbítrio improcedente contra o qual a tribo não se levanta nem mais se espanta? Manaus tem uma estrutura viária específica, planejada há mais de um século, e maltratada desde então. Diferente de Brasília, que tem sua dinâmica de mobilidade urbana planejada e ancorada no transporte individual. Essa é a razão pela qual o metrô de lá teve suas obras se arrastando há anos

e o trecho em funcionamento é muito pequeno em relação às dimensões demográficas da cidade. Manaus tem sua dinâmica relacionada ao deslocamento a pé em 50%, e o restante por ônibus e por veículos individuais. Este item teve um crescimento assustador nos últimos 10 anos. São cinco mil carros novos nas ruas a cada mês, resultado do crescimento econômico e da própria realidade adversa do transporte coletivo precário na cidade. É claro que nem só de caos no trânsito e travamento do sistema viário se alimentam as demandas de planejamento urbano. É hora do fator político de ordenamento da polis, como postularam os gregos, anular a futrica estéril e sedimentar uma discussão que definirá responsabilidades e atores, a partir da elaboração do novo Plano Diretor de Manaus. Mais que interligar e priorizar uma visão holística e proativa, esta proposta contempla e exige seja monitorado o Plano Viário, Plano de Transporte Coletivo, Plano de Ciclovias, Plano Diretor de Águas, de Esgotos, de Drenagem, dos Transportes Aéreos, da Orla, da Estrutura Logística- Portuária, de Saneamento de Igarapés, de Coleta e Tratamento de Resíduos Sólidos, de Acessibilidade, de Áreas

Comerciais e Industriais, Uso do Solo e Código de Posturas, Comunicações (Internet, Celulares e Redes Sociais), enfim, uma visão integrada, transparente e coerente dessa gama enorme de demandas e serviços em favor do cidadão, fator essencial, sujeito, objeto e justificativa de toda gestão pública e ação política. Uma tarefa de fôlego e de todos. Por isso, ainda é possível e preciso meter o bedelho do palpite proativo nessa novidade urbana de planejar paradigmas decentes, coerentes e inteligentes de ocupação do espaço, suas fragilidades e potencialidades. Mais do que isso: é essencial e decisivo acompanhar cada passo do que for aprovado. Afinal, o ato de crescer - quando se trata de uma semeadura urdida de um sonho, uma planta, uma casa ou nossa cidade - está associado ao imperativo do cuidar, assegurar ao espaço público o mesmo caráter e o zelo doméstico de quem o ocupa com as mesmas obrigações e afeto com que cuidamos do lar, onde fabricamos e vivemos o desafio da partilha familiar. Um modelo de vida em comum, na abrangência da comunhão cívica, que subsidia, surpreende e gratifica respostas para essa indagação que se impõe formular: Quo vadis, Urbs?

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Aí, na captação de demandas, sugestões e críticas da sociedade, reside a origem e a chave de compreensão de seus acertos.


MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Economia

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Política

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Voto biométrico já atinge seis milhões de eleitores

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Penso que nós teremos um julgamento rápido” MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI (STF), sobre o novo julgamento do mensalão

Farra de cargos aumenta a cada Legislatura Deputados se apressam no início de cada legislatura para apresentar e aprovar atos da mesa diretora e resoluções do plenário que alteram a estrutura administrativa da Câmara dos Deputados, adicionando cada vez mais cargos aos quadros. No início da legislatura atual, em 2011, a “reestruturação” adicionou às oito maiores bancadas (à época PT, PP, PMDB, PSDB, DEM, PR, PSB e PDT) mais 84 cargos comissionados. Em miúdos A mudança na estrutura para acomodar aspones custa R$ 8,68 milhões a mais para cada um dos 4 anos de mandato dos deputados. Para todos O PSD ficou de fora da farra pois não existia no início de 2011, mas a resolução nº 9/2011 criou 56 cargos ao custo de R$ 5,6 milhões. Os novatos PROS e Solidariedade serão como o PSD: não existiam no começo da legislatura, mas serão agraciados com dezenas de cargos comissionados. Sempre no começo As resoluções de nº 4 de 2011 e nº 1 de 2007 alteraram as estruturas e presentearam partidos com cargos comissionados. Lula evita bater de frente com Campos e Marina O ex-presidente Lula aconselhou lideranças petistas a não partir para o enfrentamento público com o governador Eduardo Campos (PSB-PE) e a ex-senadora Marina Silva, que se uniram para disputar a Presidência em 2014. Para Lula, dar corda neste momento – sem a divulgação

de pesquisas para avaliar os riscos reais – só aumenta a exposição da dupla na mídia e pode inviabilizar apoio num eventual segundo turno. Cá entre nós Em reunião esta semana com políticos de Pernambuco, Lula pediu que a conversa ficasse em sigilo e reiterou: “Eduardo não tem limites”. Quem provoca... Jean Wyllys (Psol-RJ) acusou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), esta semana, de chamar índios de “vagabundos”, na Câmara. ... leva Heinze respondeu: Wyllys “veio com meia dúzia de votos”. Com 12 mil votos, Jean pegou carona com Chico Alencar (Psol), que teve 240 mil. Pode isso? Dilma e o governador Eduardo Campos (PSB-PE) nem disfarçam a campanha antecipada, na quinta (10): ela com Lula, Mercadante e o marqueteiro João Santana, no Planalto. Campos paparicando Marina. Acerto de contas Deve sair na próxima semana o resultado do inquérito interno do Itamaraty sobre as denúncias de assédio moral, sexual e homofobia envolvendo o embaixador em Sidney (Austrália) Américo Fontenelle, e seu adjunto, César Cidade. Eles foram afastados há três meses. Ninguém me ama Quando ouviu na presidência do Senado que a indicação de Vital do Rêgo para o Ministério da Integração é “questão de honra”, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), três vezes preterido para ser ministro, choramingou:

PODER SEM PUDOR

Pequena diferença Batiam papo, no início de 1991, os secretários de Cultura do município de São Paulo, Marilena Chauí, e do Estado, Fernando Morais. Ela contou sua reação ao ser convidada para o cargo pela prefeita Luiza Erundina: - Erundina, eu não posso aceitar, eu não devo aceitar, eu não quero aceitar. Morais disse quase a mesmo coisa ao governador Orestes Quércia: - Eu não posso aceitar, eu não devo aceitar, mas quero muito aceitar.

Jornalista

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 45% do eleitorado brasileiro já realizou o recadastramento DIVULGAÇÃO/TSE

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“Quando fui indicado, o partido não foi tão enfático...” Peixe na rede De olho em obter apoio na disputa ao governo do Rio, o deputado Miro Teixeira (PROS) – aliado de Marina Silva – brinca que o presidente do PSB-RJ, o ex-jogador Romário, “sempre teve como objetivo a rede”. Tiro no pé O deputado Fábio Ramalho considera um tiro no pé confiar que Marina Silva transfere votos: “Ela dá uma de popstar, mas, em 2010, apesar de sua boa votação, os deputados do PV caíram de 4 para 2 em Minas”. Firme e forte A cúpula nacional do PMDB quer manter Marcelo Miranda – cassado em 2009 pela Justiça Eleitoral – na disputa pelo governo de Tocantins; a senadora Kátia Abreu deve sair candidata à reeleição pela chapa. Tá feia a coisa O sindicato dos bancários anda preocupado com a saúde mental dos colegas do banco Santander, líder em queixas no Procon. É que as reclamações já viraram insultos, e o tímpano dos coitados é que sofre. Acertando as pontas O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, apresentou ao vice Michel Temer seis pontos “delicados” para melhorar as relações empresariais entre os dois países. Portugal é hoje o quarto maior investidor no Brasil, que ocupa o sétimo lugar no ranking português. Pensando bem... ... a greve dos bancários, que ninguém percebeu, acaba nesta segunda-feira sem nem mesmo ter começado.

Mais da metade das cidades brasileiras deverão ter o voto digital nas eleições do próximo ano

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té a última quintafeira, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais de 6,07 milhões de eleitores de 24 Estados e do Distrito Federal foram recadastrados biometricamente, o que corresponde a cerca de 45% dos 13,3 milhões de eleitores convocados com foco nas Eleições de 2014. Desta etapa do recadastramento não participam apenas os eleitores de Alagoas e Sergipe, Estados onde a revisão já foi concluída. Das 397 cidades previstas até o momento para realizar o recadastramento biométrico, 152 já encerraram os procedimentos, 240 continuam com a revisão e cinco ainda não iniciaram. No Paraná, mais de 81%

dos eleitores já passaram pelo recadastramento. Outros dois Estados também estão próximos de cumprir as respectivas metas: Rondônia, que já recadastrou 76% dos eleitores e Roraima, com 71% do eleitorado recadastrado. Dez capitais participam do recadastramento: Rio Branco-AC, Macapá-AP, Brasília-DF, São Luís-MA, João Pessoa-PB, Recife-PE, Teresina-PI, Natal-RN, Boa VistaRR e Palmas-TO. A meta do TSE para o pleito geral de 2014 é recadastrar cerca de 16 milhões de eleitores até o final de março. Para tanto, o recadastramento biométrico pode vir a ocorrer em outros municípios, além das 397 cidades já previstas. O objetivo é que, em 2014,

mais de 23 milhões de eleitores de todos os Estados brasileiros possam ser identificados pelas impressões digitais antes de votar na urna eletrônica. A tecnologia confere ainda mais segurança ao processo eleitoral, uma vez que cada pessoa possui digitais únicas e, por isso, a fraude na identificação se torna inviável. O Programa de Identificação Biométrica do Eleitor foi iniciado em 2007, com foco nas eleições de 2008, sendo recadastrados eleitores das seguintes cidades: Colorado do Oeste-RO, Fátima do SulMS e São João Batista-SC. Nas eleições municipais de 2012, mais de 7,7 milhões de eleitores votaram utilizando essa nova tecnologia de identificação de dados.

EM NÚMEROS

Justiça lança relatório na terça O relatório Justiça em Números de 2013, que será lançado na próxima terçafeira, traz algumas novidades que vão tornar mais fácil o acesso e a visualização dos principais dados contidos na versão impressa do estudo. Uma das novidades deste ano é que, junto aos infográficos de cada um dos tribunais analisados, o relatório trará uma análise da série histórica de cada tribunal, sob três vertentes: despesa, força de trabalho e litigiosidade. Outra novidade é a análise feita sob o ponto de vista da territorialização da informação. Nesse caso, é feita uma análise em alguns ramos de Justiça, a partir da distribuição geoespacial de dados e indicadores referentes às despesas, força de trabalho e litigiosidade.

Os dados são lançados em mapas e os resultados são diferenciados por cores, que representam indicadores de maior ou de menor valor. Dessa forma, é possível visualizar espacialmente a distribuição de despesas por habitante e o índice de processos eletrônicos, entre outros indicadores. O novo relatório trará ainda um termômetro da taxa de congestionamento. A partir da figura de um termômetro, é mostrado onde estão os principais gargalos que impactam a taxa de congestionamento daquele ramo da Justiça, a partir dos percentuais existentes em cada etapa do trâmite processual. Também foram feitas mudanças na parte de infográficos do relatório, onde estão as principais infor-

mações de cada tribunal. Foram mantidos apenas os principais números e, com isso, os gráficos ficaram mais leves visualmente. O lançamento da nova edição do relatório Justiça em Números será feito durante o 6º Seminário Justiça em Números, que será realizado nos dias 15 e 16 de outubro, na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília/DF. Feito a partir de dados da Justiça no ano de 2012, o estudo é considerado o mais importante panorama global da Justiça brasileira e traz informações relativas ao funcionamento de todos os ramos da Justiça, como movimentação processual, despesas com pessoal, taxa de congestionamento e carga de trabalho dos juízes, entre outras.


Política

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Sildomar ABTIBOL

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Elias EMANUEL

‘O Plano DIRETOR SERÁ um progresso PARA MANAUS’ ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM TIAGO CORRÊA/DIRCOM/CMM

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Se eu fosse coordenador de cursos superiores que contivessem matérias de geografia, história, arquitetura, urbanismo, cultura, engenharia, eu faria com que meus alunos fizessem deste ciclo de palestras um trabalho” ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

uando a Câmara Municipal de Manaus (CMM) decidiu criar uma comissão, para discutir a revisão de um novo, Plano Diretor para a cidade tinha como objetivo reunir a sociedade civil para, juntos, colherem propostas para melhorar a vida da população para os próximos 10 a 20 anos. Mas o resultado não saiu como o planejado. De 13 vereadores que compõe a Comissão Especial de Revisão do Plano Diretor de Manaus, apenas seis participaram ativamente das audiências públicas e a população também não demonstrou grande interesse em se reunir para discutir o assunto. Apesar do incansável trabalho de divulgação do presidente e do relator da comissão, os vereadores Sildomar Abtibol (PRP) e Elias Emanuel (PSB), respectivamente, os encontros foram, em sua maioria, esvaziados para a importância da causa. Na semana passada, quando terminou os debates públicos e o prazo para a apresentação de emendas ao projeto, a Câmara realizou um balanço geral dos trabalhos. Para os parlamentares, as atividades cumpriram o cronograma previsto. E, entre as propostas apresentadas, o grupo contabilizou 250 emendas oriundas da sociedade civil organizada e também dos vereadores do Legislativo municipal. Em entrevista ao EM TEMPO durante a última reunião de balanço dos trabalhos, Sildomar e Elias falaram sobre as atividades já executadas, as expectativas previstas, da participação dos parlamentares na causa e também dos resultados que essa discussão pode gerar para Manaus. EM TEMPO – O que é este

Plano Diretor de Manaus? Sildomar Abtibol - É um plano que iremos debater e dar sugestões sobre o futuro de nossa cidade. É uma reunião aberta para toda população apresentar ideias e propostas para melhorar a infraestrutura e a vida da população. Após essas apresentações iremos fazer um diagnóstico científico da realidade física, social, econômica, política e administrativa da cidade, do município e de sua região, apresentar um conjunto de propostas para o futuro desenvolvimento socioeconômico para Manaus.

sentação de emendas tinha a certeza que chegaríamos a 250. Somente a Associação Comercial do Amazonas (ACA), apresentou 15 sugestões. Tivemos também propostas da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), dos vereadores e de instituições e movimentos sociais. Mas, somente na segunda-feira (amanhã), teremos um balanço fechado dessas emendas.

EM TEMPO – Como o senhor avalia essa primeira etapa do Plano Diretor? EE – A participação da população nas audiências para mim foi satisfatória, agora eu esperava mais emendas apresentadas, por isso até dilatamos o prazo para que a população tivesse um período maior para entregar propostas. Se eu fosse coordenador de cursos superiores que contivessem matérias de geografia, história, arquitetura, urbanismo, cultura, engenharia, eu faria com que meus alunos fizessem deste ciclo de palestras um trabalho. Os alunos que estão nos bancos de escolas hoje serão os futuros arquitetos, urbanistas e engenheiros que irão trabalhar com essa ferramenta. Professores e acadêmicos poderiam ter se debruçado melhor nessa questão do Plano Diretor.

EE - Entre as entidades que apresentaram o maior número de proposituras, está o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A entidade apresentou 23 emendas. A maioria delas, propondo estruturas adaptadas à necessidades especiais no segmento de mobilidade urbana e às calçadas da cidade. A participação do conselho foi enriquecedora. Tivemos casos de moradores das comunidades do Brasileirinho e Ipiranga, que atravessaram a cidade para vir apresentar suas propostas sobre atividades da agricultura familiar naquela parte do cinturão verde de suas comunidades. Percebemos que a participação da população só é efetiva quando a comunidade se sente ameaçada daquilo que pode vir de uma nova legislação. Dos vereadores, o maior número de emendas foi apresentado por Marcel Alexandre (PMDB), com 42 proposituras com correções às leis que compõem o plano e propostas com ênfase na mobilidade urbana da cidade. O líder do prefeito na casa, Wilker Barreto (PHS), fez proposta voltada ao Código de Obras e de Postura do município.

EM TEMPO – Quantas emendas foram apresentadas? SA - Até a última terça-feira (8) foram 90, mas com a prorrogação do prazo para apre-

EM TEMPO – Quais são os pedidos abordados nestas emendas? SA – São os mais variáveis possíveis, a Suframa solicitou a limitação de área urbana

Elias Emanuel - Oportunidade como essa, só teremos novamente em 2023. É um momento de discussão do futuro da nossa cidade.

para evitar confronto de áreas residenciais com o Distrito Industrial, mas também tivemos propostas de movimentos sociais com base do aumento de pavimentos em prédios sem a exigência de elevadores, tivemos propostas para aumentar o número de andares em prédios construídos em Manaus, que hoje são apenas de 18 andares. EM TEMPO – O senhor acredita que até o fim deste ano os trabalhos sejam finalizados? SA – A previsão é que o relator, vereador Elias Emanuel, entregue no dia 29 o relatório em plenário, e de imediato vamos convocar a reunião da comissão para discutir esses resultados. Em seguida queremos encaminhar para o plenário, onde será discutido. Esperamos, que até meados de novembro, passarmos para o presidente da casa, Bosco Saraiva. A ideia é até 20 de dezembro encaminhar o Plano Diretor para o prefeito. Vamos virar o ano com a cidade já com seu plano organizado. EM TEMPO – A Comissão é formada por 13 vereadores, mas temos percebido que apenas cinco ou seis participaram de fato das reuniões. Falta interesse dos parlamentares? SA – De um modo geral a participação está sendo de seis vereadores. Cada qual com sua consciência. Eu, quando me propus aceitar ser o presidente desta comissão, sabia que teria muito trabalho e não me esquivei em momento nenhum. Todas as nossas reuniões que agendamos aconteceram no horário exato. Mas, não tenho dúvida de que os vereadores deveriam ter participado mais, e espero que eles estejam acompanhando os trabalhos para que no dia da votação possamos ter uma votação maciça.

A Suframa solicitou a limitação de área urbana para evitar confronto de áreas residenciais com o Distrito Industrial, mas também tivemos propostas de movimentos sociais”

De um modo geral, a participação está sendo de seis vereadores. Cada qual com sua consciência. Eu, quando me propus aceitar ser o presidente da comissão, sabia que teria muito trabalho”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Aliado de Marina Silva defende limpeza no PSB U

m dos aliados mais próximos da ex-senadora Marina Silva (PSB), o vereador de São Paulo Ricardo Young (PPS) diz que o PSB também abriga a “velha política”, combatida pelos partidários da Rede Sustentabilidade. Na avaliação do vereador, um dos idealizadores do novo partido, cabe à legenda presidida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, “limpar” de seus quadros o que ele chama de “redutos patrimonialistas”. “A Rede representa, talvez, a melhor expressão do que a gente chama de nova política. No PSB, tem muitos redutos da política patrimonialista. Esta é uma ótima oportunidade de limpar isso. Vamos ver a união dessas forças, agindo sempre com muito cuidado”, defende Young. Segundo o vereador, a aliança entre Marina e Eduardo é importante para reforçar as duas lideranças na “construção de um caminho novo”. “Mas não vamos ser ingênuos. Tem muitas questões para resolver. O próprio PSB tem estruturas nos Estados que nem sempre estão dispostas a colocar essa visão que foi posta aqui. Essa é uma responsabilidade que

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Um dos idealizadores da Rede, o vereador de SP Paulo Ricardo Young, diz que sigla tem que extinguir redutos patrimonialistas o PSB tem”, afirmou o vereador, em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, logo após o ato de filiação de Marina ao Partido Socialista Brasileiro, no último sábado, dia 5. Discurso Protagonista do horário partidário exibido na noite da última quinta-feira, Eduardo Campos condenou “as velhas práticas políticas” e também falou em “limpeza”, ao criticar a polarização entre petistas e tucanos, principal mote de seu discurso. “Chega de governar se contentando em dizer que no passado já foi pior. Essa conversa já não cabe. Pra começar, precisamos abandonar as velhas práticas políticas”, discursou. “O PSB quer ser o caminho pra gente continuar levando este país para dias melhores. Dá pra fazer. E tem de fazer limpando a política”, emendou. No ato de filiação, Marina e Eduardo defenderam a quebra da “falsa polarização” e a renovação das práticas políticas. “Não vim para pleitear candidatura, mas para apresentar um programa de realinhamento histórico e sepultar de vez a velha República”, afirmou a exministra do Meio Ambiente.

Marina Silva e Eduardo Campos, durante o anúncio oficial da filiação da ex-senadora ao PSB

PPS demorou em convidar ex-senadora Diferentemente de Marina e outros aliados, como os deputados federais Alfredo Sirkis (RJ) e Walter Feldman (SP), que se filiaram ao PSB para poder participar das próximas eleições, Young preferiu se manter no PPS. Mas reconhece que não é um militante do partido presidido pelo deputado Roberto Freire (SP). “Sou a primeira experiência de candidatura avulsa. Trabalho para que as teses da Rede se disseminem dentro do PPS”, afirma. De lá, só sairá para a Rede. Young também lamenta a demora do PPS em oferecer apoio à ex-senadora. “Namorou muito o Serra, apostou muito na fusão com o PMN. A Marina ficou insegura”, disse.


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

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Lançamentos movimentarão venda de motos Economia B2 e B3

Lojas apostam no poder de consumo das crianças

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Cientes do potencial de compra dos ‘pequenos’, empresas investem em produtos e serviços voltados para o público infantil

JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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e olho no potencial de consumo das crianças, empresas na capital amazonense apostam na especialização em produtos e serviços para o público infantil. Somente com roupas, este nicho promissor do mercado movimenta mais de R$ 60 bilhões em todo o país, enquanto os gastos com brinquedos vão somar R$ 6 bilhões em 2013. Atenta a esta realidade, a ABC Universo Infantil tem investido em novidades para as crianças. Segundo a líder de vendas da loja, Maria Auxiliadora Belmont, as roupas infantis, que variam de R$ 38 a R$ 440, têm bastante saída. “Há clientes que vêm para comprar um acessório, como luvinhas ou um par de sapatos, e fazem compras de até R$ 4 mil”, acrescenta. Segundo a vendedora, os pais estão com “a mão” mais aberta, porque hoje são mais exigentes com a qualidade. “Para comprar um berço ou uma cama, a regra é a mesma. Eles querem colchões antialérgicos, antirrefluxo, protetores de berço, tapetes antiderrapantes e travesseiros antissufocantes. Os pais pagam o que for preciso para ter o conforto dos filhos”, confirma. Além dos produtos, os serviços direcionados para as crianças rendem um lucro extra para os empresários. O fotógrafo Joedi Porto, que trabalha em uma grande empresa de fotografia da cidade, conta que a composição de books profissionais para crianças, por exemplo, varia de R$ 500 a R$ 3,5 mil. Ele explica que o valor, que é considerado salgado para alguns pais, não diminui a demanda, que pode chegar a 10 clientes por mês apenas para este serviço. “Os pais entendem que o valor paga o tipo de material do álbum, o tempo do fotógrafo e a atenção dada à criança, uma vez que em vários

DIVULGAÇÃO

Ramo de confecções movimenta mais de R$ 60 bilhões por ano no país somente com venda de roupas destinadas para os consumidores mirins, considerados a “mina de ouro” do comércio

casos, é preciso mais de uma sessão para finalizar o book com os pequenos. Como primam pelo resultado, a procura não diminui”, avalia. Outro serviço de saída regular, segundo o fotógrafo, é a cobertura de eventos, em especial, aniversários de crianças até sete anos. Neste caso o valor varia de R$ 900 a R$ 2,9 mil e depende do tempo empregado e da quantidade de fotógrafos necessários para o serviço. Conforto A empresária Sandra Mousse, mãe dos gêmeos Eduar José e Maria Clara, ambos de 4 anos, concorda que os pequenos ‘custam caro’, mas admite não economizar para vê-los confortáveis. Nos primeiros anos de vida dos filhos ela teve que arcar com despesas como 70 fraldas por semanas e mais de R$ 60 com a compra de iogurte. Hoje, Sandra explica que os gastos são outros, com a manutenção da rotina das crianças pesando mais no bolso. “Gastamos com meio período de creche, duas babás, empregada doméstica, motorista, um custo que gira em torno de R$ 3 mil por mês”, contabiliza. Sandra conta que não abre mão de possibilitar regalias aos filhos. Em 2012, no Dia das Crianças, comprou uma cama elástica no valor de R$ 1,5 mil. “O investimento foi para substituir, a médio prazo, o valor pago no parquinho, que não saia por menos de R$ 80 por visita, uma vez que são duas crianças”, argumenta. Entre custos básicos e regalias, a empresária calcula que as despesas dos filhos chegam a comprometer entre 45% e 50% do orçamento por mês. “Desde cedo, trabalhamos a questão da educação financeira, com cofrinhos e doação de brinquedos usados quando ganham novos. Quero dar conforto e não torná-los consumistas”, aconselha Sandra.

Pelo conforto das crianças, pais chegam a comprometer 50% do orçamento mensal da família

Despesas a preço de ‘ouro’ Para arcar com a despesa dos pequenos, os pais precisam se desdobrar para garantir, além do essencial, o conforto de roupas e brinquedos que custam caro, serviços diferenciados e novas opções de lazer. O “luxo” pesa no bolso e eleva em até 50% a renda mensal de algumas famílias. O advogado Roberto Elias Filho, pai de Artur Elias, 2, e de Letícia Elias, quatro meses, é exemplo de que, na ponta do lápis, a conta para manter as duas crianças é salgada. Segundo ele, gastos com creche, alimentação especial e fraldas, saem caro, mas estavam dentro do planejado

quando o casal resolveu ter filhos. “O que espanta é o preço cobrado por itens que deveriam ser essenciais, mas por serem voltados para o público infantil, chegam nas prateleiras a preços exorbitantes”, critica. Um deles é o vestuário infantil. “Já entrei em uma loja para comprar uma camisa para o Artur e um vestido para Letícia, e gastei R$ 120 no primeiro caso e R$ 140 no segundo. Uma camiseta para mim, não sai por mais de R$ 80. É um absurdo”, compara. Para garantir o lazer da criançada, a situação não é diferente. No mês passado,

Roberto teve que desembolsar um pouco a mais para satisfazer à vontade do filho de ir ao show da Galinha Pintadinha. “Como não permitimos que ele fosse sozinho, ao todo foram três ingressos, apenas para acompanhá-lo, ou seja, R$ 240 em um dia, sem contar alimentação”, relembra. Outro serviço “exclusivo” bancado que saiu caro foi a confecção de dois books fotográficos, um do período de gestação e outro do batismo das crianças. Cada um não saiu por menos de R$ 500. “Além de sustentar, dar conforto e garantir boas recordações, pagamos”, pondera.

Pais precisam ‘dosar’ gastos com os filhos Na avaliação do economista Francisco de Assis Mourão Junior, os pais precisam observar os dois lados da moeda para orçar os gastos com os pimpolhos. “É preciso doar o desejo incontrolável de dar todo o conforto que o filho merece e a condição financeira real da família”, alerta. Segundo ele, o segmento voltado para o público infantil não vai parar de crescer e cabe aos pais tomar as rédeas dos gastos. Para o especialista, são os pais que precisam botar no papel as contas com vencimento a curto prazo, o planejamento do mês como educação e saúde e o que sobrar fica dedicado aos gastos extras com as crianças. “O ideal é que, no máximo 5% sejam dedicados aos custos excedentes”, calcula. Outra sugestão, de acordo com o economista é o ensino da educação financeira aos filhos. “Além de praticar o controle de gastos, os pais devem colocar limites aos filhos desde cedo. Ensinar de onde vem o dinheiro e que é preciso poupar para alcançar objetivos são essenciais para não criar uma geração de futuros devedores e consumidores descontrolados”, complementa Mourão.


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Economia

Lançamentos aquecem o mercado de motocicletas RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO

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esmo que estimativas para este ano apontem que a produção de motos fique aquém do resultado obtido em 2012, o polo de duas rodas local não “freou” os planos de ampliar o portfólio de produtos. Para contornar os entraves e levar a melhor na competitividade, “gigantes” do ramo como Honda, Yamaha, Harley-Davidson, BMW e Triumph, anunciaram, semana passada, no Salão de Duas Rodas, em São Paulo, lançamentos de novos modelos de motos, que devem chegar ao mercado a partir deste mês. Disposta a manter a liderança como maior fabricante de motocicletas do Polo Industrial de Manaus (PIM), a Honda retomou a produção de motos de 500 cilindradas após um hiato de dez anos. Ao todo foram lançadas durante o evento três modelos da “família 500 cilindradas” pela japonesa — CB500F, CBR500R e CB 500X. “Ainda neste ano chegam ao mercado dois dos três modelos lançados. A versão CB500F estará disponível para comercialização ainda em outubro enquanto a CBR500R será vendida pela rede de concessio-

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‘Gigantes’ do polo de duas rodas anunciaram novos modelos que deverão acirrar concorrência e incrementar vendas do setor nária Honda até o final do ano”, afirma o diretor de Relações Institucionais da multinacional, Paulo Takeuchi. Sobre a descrição dos modelos, a Honda informa que as motocicletas, além de 500 cilindradas, terão chassi em aço, motor bicilíndrico, câmbio de seis velocidades, painel digital, entre outras especificações. “O modelo CB500F, que chega ao mercado neste mês, terá preço sugerido de R$ 22,5 mil e já está em fase de produção em Manaus”, pontua Takeuchi ao frisar que os valores das outras duas versões não serão divulgados antes de seus lançamentos. Yamaha Embora tenha lançado o modelo no final de agosto, a Yamaha reforçou a divulgação da Fazer 150 no Salão de Duas Rodas. A moto marca a entrada da japonesa na categoria de 150 cilindradas e estará disponível para venda no país neste mês pelo preço de R$ 7.390 a versão ED e R$ 7.850 a versão SD. Segundo a Yamaha, o modelo é bicombustível, possui potência de 12.2, injeção eletrônica, indicador de marcha, mostrador digital e motor de 12.2 cavalos e faz entre 40 e 46 quilômetros com um litro de combustível.

Em fase de produção, modelo Honda CB500F chegará este ano às concessionárias para ser comercializado a um preço de R$ 22,5 mil


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MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Empresa amplia a produção PREVISÃO

Caso a projeção de aumento se confirme, Harley-Davidson deverá fechar 2013 com 7,2 mil motos vendidas, ou seja, 200 mil a mais que volume comercializado ano passado Davidson também pretende aumentar o número de concessionárias no país, o que segundo o diretor industrial, favorecerá as vendas das motos da marca e refletirá na produção e na contratação de mão de obra local. No ano passado, a norte-americana vendeu 7 mil motos no país, número que deverá ser superado no acumulado de 2013, conforme estimativa de Ganeko.

A britânica Triumph vai lançar, este ano, quatro dos cinco modelos que anunciou durante o último Salão de Duas Rodas DIVULGAÇÃO

A Harley-Davidson também não se intimidou com momento desfavorável para o segmento de motocicletas. A norte-americana deu o “start” na produção de novos modelos na unidade fabril de Manaus, segundo informa o diretor industrial da multinacional, Celso Ganeko. Entre as apostas, estão os modelos a Super Glide Custon (R$ 42,1 mil), a Switchback (46,1 mil), Soſtail Deluxe (R$ 51,6 mil), a fat Boy (R$ 52,9 mil), Fat Boy Special (R$ 54,6 mil), a Heritage Soſtail Classic (R$ 55,5 mil), a V Rod Muscle e a Hight Rod Special (R$ 56,9 mil). “Todos esses modelos deverão estar no mercado entre o final deste ano e o primeiro trimestre de 2014”, destaca Ganeko. Para “dar conta” e ampliar o número de vendas no mercado nacional, a Harley-

Fazer 150 cilindradas é a principal aposta da Yamaha

Triumph e BMW apresentam novidades A Triumph e a BMW aproveitaram o Salão de Duas Rodas para anunciar novidades. A britânica Triumph foi uma das empresas que mais aproveitou o evento para divulgar as novidades e modelos Triumph 2014. Entre os modelos expostos no salão e que também serão produzidos em Manaus estão a Street Triple, a Tiger 800, Tiger Explorer XC e Tiger Sport. De acordo com o gerente geral da mul-

tinacional, Marcelo Silva, ainda neste ano estarão disponíveis para venda no país quatro dos cinco modelos anunciados — Street Triple, Tiger 800, Tiger Explorer XC e Tiger. A Tiger XC deverá ser lançada em abril de 2014. Todos os cinco modelos expostos pela empresa serão fabricados em Manaus. Para ter maior penetração no mercado, a Triumph, que possui sete concessio-

nárias no país, tem a meta de inaugurar outros pontos no país. Manaus está na rota da britânica, que pretende inaugurar uma loja em Manaus em, no máximo, dois anos. BMW Por sua vez, a BMW anuncia a estreia no segmento de scooter no Brasil. A multinacional alemã importará para o país a scooter BMW modelo C600 Sport a partir

do início de 2014. Porém, a empresa vai fabricar o modelo F800GS na unidade fabril no Polo Industrial de Manaus (PIM). O preço inicial sugerido da motocicleta é de R$ 47, 9 mil quando chegar ao mercado nacional ainda no próximo mês de novembro. De acordo com a empresa, 70% dos veículos da marca BMW comercializada no país são fabricados no parque industrial local.


B4

Economia

MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

Governo amplia o prazo de concessão de portos O

governo decidiu aumentar o prazo de concessão dos portos de Santos e do Pará para 25 anos, prorrogável por igual período. Inicialmente, o prazo para o arrendamento variava entre dez e 25 anos, de acordo com a área. Segundo o ministro da Secretaria Especial de Portos, Antônio Henrique Pinheiro Silveira, a mudança foi feita após consulta pública sobre o tema. “A questão foi muito debatida e o governo achou interessante fazer essa adequação para fins de um trabalho mais continuado dos terminais, por um prazo um pouco maior”, explicou. No total, serão licitadas 29 áreas, nove em Santos e 20 no Pará. O investimento previsto nos dois terminais é R$ 5,4 bilhões. Os estudos para a concessão dos portos de Santos e do Pará foram entregues, na semana passada, ao Tribunal de Contas da União (TCU) pela ministra-chefe da Casas Civil, Gleisi Hoffmann. Esses são os primeiros estudos de arrendamento de portos sob o novo marco regulatório que foi aprovado no primeiro semestre pelo Congresso Nacional. A licitação deve ocorrer ainda neste ano, de acordo com a previsão do governo. O presidente do TCU, ministro Augusto Nardes, disse que a matéria deve ser analisada até o final de novembro. “Esperamos poder finalizar o pro-

DIVULGAÇÃO

Arrendamento dos portos de Santos (SP) e de Belém, no Pará, foi ampliado para 25 anos, prorrogável por igual período cesso dos arrendamentos até o final do ano, para que o novo modelo seja implantado e possamos ter a competitividade que queremos para o sistema portuário brasileiro”. A Taxa Interna de Retorno (TIR) passou de 7% para 8%. Segundo Silveira, a mudança foi feita para compatibilizar a competição entre terminais de uso público e de uso privado. O ministro dos Portos disse que as alterações no primeiro edital devem servir de modelo para os demais arrendamentos de portos públicos, mas cada lote será

TRANQUILO

Segundo o advogadogeral da União, Luís Inácio Adams, o governo está calmo em relação à segurança jurídica do processo, pois não há riscos jurídicos e nem inconstitucionalidade no assunto Volume de investimentos total das concessões dos portos será de R$ 5,4 bilhões, sendo R$ 1,7 bilhão em Santos, diz secretaria

analisado profundamente. O critério para a escolha dos vencedores do leilão será o de menor tarifa, no caso de terminais de contêineres. Para terminais de cadeias integradas, como de agronegócios e de movimentação de graneis, o critério será o de metas de capacidade de movimentação. “Isso significa que não poderá haver a fixação de preço-teto”, disse Silveira.

Outras modificações são anunciadas O governo alterou uma das regras para a concessão de seguro-desemprego. O trabalhador que solicitar o benefício a partir da segunda vez, dentro de um período de dez anos,

terá que fazer curso com o mínimo de 160 horas para receber o pagamento. Antes, o curso deveria ser feito a partir do terceiro pedido de seguro-desemprego no prazo de dez anos.

Publicação A alteração está no Decreto n° 8.118 publicado na edição da última sextafeira (11) do Diário Oficial da União. O curso, com o mínimo de

160 horas, deve ser de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional. No ano passado, o Decreto n° 7.721, de 16 de abril, havia instituído a condicionalidade do curso.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Quo Vadis, Urbs? A expressão latina Quo Vadis, retirada da Bíblia, do livro de João Evangelista, descreve o clima de indagação – a busca de rumo e definições - que tomou conta dos cristãos após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo, nos primórdios do Cristianismo. Ela é retomada com frequência na literatura teológica da época e confere à pergunta contundente do apóstolo Pedro a Jesus, Quo Vadis, Domine?, o poder de traduzir a inquietação existencial e a configuração teológica da Igreja nascente. A expressão, por sua força e sentido, atravessou os séculos e virou um clássico da cinemateca de Hollywood. No Brasil, com o acréscimo do substantivo Urbs, o espaço urbano, foi inteligentemente apropriada pelos acertos urbanos da prefeitura de Curitiba, uma cidade premiada por seus parâmetros urbanos e sócio-ambientais de avanços civilizatórios: Quo Vadis Urbs é hoje a senha de localização e uso da bem sucedida estrutura viária de transportes, a mais laureada do planeta. Mas nem sempre foi assim. Como Manaus na virada do século XIX, pioneira na utilização da eletricidade para fins de locomoção popular, Curitiba adotou a modernidade dos bondes elétricos para substituir as charretes ou carroças

movidas a cavalo e fundou seu sistema de transporte no centro das estratégias urbanas de uso e ocupação do espaço público. Seu primeiro plano diretor é considerado pelos urbanistas como o mais democrático pelo nível de atendimento e satisfação das demandas do usuário. É importante destacar o caráter participativo de sua formulação original ocorrida em 1965 e de todas as oportunidades de atualização e ajustes que o progresso e o crescimento da cidade foram determinando historicamente. Aí, na captação de demandas, sugestões e críticas da sociedade, reside a origem e a chave de compreensão de seus acertos. Em Manaus, estamos nos ajustes, acessos e inclusões finais do novo Plano Diretor. Há que se reconhecer o esforço dos técnicos e parlamentares para traduzir a expectativa cívica de um planejamento participativo e focado no interessa comum. Cabe rememorar o primeiro Plano Diretor de Manaus, formulado em plena folia do látex, pelo engenheiro João Miguel Ribas, em 1893, sob a batuta de Eduardo Gonçalves Ribeiro. Um plano que só foi atualizado e ajustado com a expansão urbana da economia da Zona Franca na gestão de Jorge Teixeira, 82 anos depois,

em 1975, com algumas alterações e alinhamentos substantivos de Severiano Mário Porto, no governo municipal de Artur Neto em 1989. De lá pra cá, (des) mandos políticos, no sentido rasteiro da premissa ime diatista, e da importação apressada de parâmetros e talentos estranhos às demandas e avaliações nativas, fizeram de Manaus essa falta de rumo e definições urbanas que abriga toda sorte de confusão e desalinho, oportunismos e degradação que a estão levando a lugar nenhum. Para onde vai a cidade com a profusão de canetas e carimbos dos arautos de uma legalidade de plantão a serviço de forças inominadas e a escassez de entendimento, planejamento e comunhão de propósitos? Para onde pode caminhar numa cidade cuja área vital de sua economia tem sido alvo de intervenção vesga, estapafúrdia, obscura e federal, num arbítrio improcedente contra o qual a tribo não se levanta nem mais se espanta? Manaus tem uma estrutura viária específica, planejada há mais de um século, e maltratada desde então. Diferente de Brasília, que tem sua dinâmica de mobilidade urbana planejada e ancorada no transporte individual. Essa é a razão pela qual o metrô de lá teve suas obras se arrastando há anos

e o trecho em funcionamento é muito pequeno em relação às dimensões demográficas da cidade. Manaus tem sua dinâmica relacionada ao deslocamento a pé em 50%, e o restante por ônibus e por veículos individuais. Este item teve um crescimento assustador nos últimos 10 anos. São cinco mil carros novos nas ruas a cada mês, resultado do crescimento econômico e da própria realidade adversa do transporte coletivo precário na cidade. É claro que nem só de caos no trânsito e travamento do sistema viário se alimentam as demandas de planejamento urbano. É hora do fator político de ordenamento da polis, como postularam os gregos, anular a futrica estéril e sedimentar uma discussão que definirá responsabilidades e atores, a partir da elaboração do novo Plano Diretor de Manaus. Mais que interligar e priorizar uma visão holística e proativa, esta proposta contempla e exige seja monitorado o Plano Viário, Plano de Transporte Coletivo, Plano de Ciclovias, Plano Diretor de Águas, de Esgotos, de Drenagem, dos Transportes Aéreos, da Orla, da Estrutura Logística- Portuária, de Saneamento de Igarapés, de Coleta e Tratamento de Resíduos Sólidos, de Acessibilidade, de Áreas

Comerciais e Industriais, Uso do Solo e Código de Posturas, Comunicações (Internet, Celulares e Redes Sociais), enfim, uma visão integrada, transparente e coerente dessa gama enorme de demandas e serviços em favor do cidadão, fator essencial, sujeito, objeto e justificativa de toda gestão pública e ação política. Uma tarefa de fôlego e de todos. Por isso, ainda é possível e preciso meter o bedelho do palpite proativo nessa novidade urbana de planejar paradigmas decentes, coerentes e inteligentes de ocupação do espaço, suas fragilidades e potencialidades. Mais do que isso: é essencial e decisivo acompanhar cada passo do que for aprovado. Afinal, o ato de crescer - quando se trata de uma semeadura urdida de um sonho, uma planta, uma casa ou nossa cidade - está associado ao imperativo do cuidar, assegurar ao espaço público o mesmo caráter e o zelo doméstico de quem o ocupa com as mesmas obrigações e afeto com que cuidamos do lar, onde fabricamos e vivemos o desafio da partilha familiar. Um modelo de vida em comum, na abrangência da comunhão cívica, que subsidia, surpreende e gratifica respostas para essa indagação que se impõe formular: Quo vadis, Urbs?

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Aí, na captação de demandas, sugestões e críticas da sociedade, reside a origem e a chave de compreensão de seus acertos.


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Economia

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País

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Denúncias de tráfico de mulheres crescem 1.547% Dos casos registrados pelo “Ligue 180”, parte dos casos dizem respeito ao tráfico internacional de mulheres brasileiras

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número de denúncias de tráfico de mulheres no país teve aumento de 1.547% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2012. Nos meses de janeiro a junho, o canal de atendimento Ligue 180 recebeu 263 denúncias, das quais 173 sobre casos internacionais e 90 no Brasil. Em 34% dos registros, havia risco de morte da vítima. Os dados fazem parte do balanço semestral divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. De acordo com a ministra Eleonora Menicucci, o aumento das denúncias está relacionado ao impacto das campanhas e possibilitou o desbaratamento de quadrilhas que traficavam brasileiras. O levantamento apontou que a maior parte das denúncias foi feita pela mãe da vítima. As denúncias revelaram exploração sexual, de trabalho, remoção de órgãos e adoção. “O aumento é assustador, mais de 1.500%. Em 2012, foram apenas 17 denúncias”, disse a ministra. Nos 90 casos denunciados de tráfico de pessoas dentro do país, 64 eram sobre exploração sexual, 25

AE

exploração de trabalho e uma de adoção. Direitos O serviço Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher e também orienta sobre direitos, atende a 56% dos municípios. De janeiro a junho deste ano, foram registrados

QUADRILHAS

Aumento das denúncias está relacionado ao impacto das campanhas e possibilitou o desbaratamento de quadrilhas que traficavam brasileiras. O levantamento apontou que denúncias são feitas pela mãe da vítima 306.201 atendimentos, como em todo o país. Os 50 municípios que mais acessaram o canal têm até 20 mil habitantes. “Isso significa a interiorização do Ligue 180 e torna visível a violência contra as mulheres. O conhecimento está chegando nos grotões do país e está nos dizendo que também há violência contra as mulheres no interior do país”, avalia Eleonora Menicucci.

Para ministra Eleonora Menicucci, o aumento das denúncias de tráficos de mulheres está relacionado ao impacto das campanhas


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País

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Conferência reforça meta de erradicar o trabalho infantil A

Carta de Brasília, documento final da 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil, que ocorreu nesta semana, reafirmou o compromisso dos países em erradicar as piores formas de trabalho infantil em 2016, ainda que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) acredite que dificilmente a meta, assumida em 2010, será cumprida a tempo. Os líderes da conferência, representantes de trabalhadores, de empregadores e de governos debateram a carta, que menciona o reconhecimento da necessidade de se reforçarem as ações nacionais e internacionais em relação ao combate do uso de mão de obra de crianças e adolescentes. A expectativa é que fossem elencados, no documento final, novos compromissos dos países para depois de 2016, prazo abarcado pelas metas assumidas na Conferência de Haia, em 2010. O que ocorreu, no entanto, foi a manutenção e reforço das ações já existentes, como a intensificação e a melhoria dos serviços públicos; a cooperação tripartite entre governos, empregadores e trabalhadores; a formalização do mercado de trabalho;

AG_ABR

Países assinaram carta de Brasília, reafirmando interesse de acabar com as piores formas de trabalho infantil até 2016 o aprimoramento de métodos estatísticos e o engajamento da sociedade civil em relação ao tema. Piores trabalhos Atualmente, estima-se que haja 168 milhões de crianças exercendo algum tipo de atividade remunerada no mundo,

AÇÕES

Líderes da conferência, representantes de trabalhadores, de empregadores e de governos reconheceram a necessidade de se reforçarem ações de combate ao uso de mão de obra infantil das quais 85 milhões trabalham com as piores formas de trabalho infantil. No Brasil, há mais de 1,4 milhão de crianças e adolescentes no mercado de trabalho. De acordo com o documento final, ficou estabelecido que o próximo encontro será na Conferência Geral sobre a Erradicação Sustentada do Trabalho Infantil, na Argentina, em 2017.

Erradicar as piores formas de trabalho infantil é um dos objetivos de uma Conferência Global, encerrada esta semana no Brasil


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Mundo

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Opaq acabou com 81% dos arsenais químicos mundiais Vencedor do Nobel da Paz 2013, Organização para a Proibição das Armas Químicas é conhecida por ações discretas

A

Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), Nobel da Paz de 2013, é uma instituição que brilha tradicionalmente por sua discrição, mas, que com um trabalho de perseverança, conseguiu desmantelar em menos de duas décadas 81% dos agentes químicos do mundo. A notoriedade recente se deve à difícil missão recebida pelo Conselho de Segurança da ONU: destruir o arsenal químico da Síria em meio a uma guerra civil. A resolução permitiu evitar uma intervenção militar internacional neste país, em represália ao ataque químico contra uma zona rebelde perto de Damasco, em agosto, que a oposição e os países ocidentais atribuem ao regime. Mas a Opaq geralmente executa seu trabalho longe dos holofotes. “O trabalho da organização foi objeto de vários anos de paciência diplomática”, afirmou recentemente o porta-voz Michael Luhan. “Nossa persistência, sem alardes, é um trabalho lento de destruição (dos arsenais químicos), que esperamos seja mais apreciado com o tempo”, completou o porta-voz, antes de destacar que a entidade

AE

já destruiu 57 mil toneladas de armas químicas, a maioria dos Estados Unidos e Rússia. Supervisão A Opaq, com sede em Haia, supervisiona a aplicação da Convenção de Armas Químicas (CAQ), um tratado multilateral assinado em 13 de janeiro de 1993 em Paris e

MISSÃO

A notoriedade da Organização para a Proibição das Armas Químicas se deve à difícil missão recebida pelo Conselho de Segurança da ONU: destruir o arsenal químico da Síria em meio a uma guerra civil

que está em vigor desde 29 de abril de 1997. A organização tem 189 países membros, que representam 98% da população mundial. Quatro países - Coreia do Norte, Angola, Egito, Sudão do Sul - não assinaram nem ratificaram a Convenção. Israel e Mianmar assinaram em 1993, mas não ratificaram o texto.

Opaq busca intervenção em países que utilizam armas químicas, como a Síria que usou gás sarin e matou pelo menos 1,5 mil pessoas

AE

Ex-premiê italiano pediu a conversão de sua pena para serviços comunitários devido a idade

Berlusconi pede pena alternativa O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi pediu formalmente para cumprir sua pena fazendo trabalho comunitário, de acordo com um de seus advogados. Após vários processos judiciais, ele foi condenado a 4 anos de prisão, pelo crime de fraude fiscal no caso do grupo de comunicação Mediaset. Devido à sua idade, 77 anos, a outra opção seria cumprir a pena em prisão domiciliar. O bilionário magnata da mídia não deve começar a cumprir a sentença até o próximo ano. Os réus que prestam este tipo de serviço normalmente trabalham para organizações sem fins lucrativos que distribuem sopa a sem-teto, em centros para dependentes de drogas ou grupos que oferecem ajuda a idosos. O advogado não informou o tipo de trabalho comunitário que Berlusconi solicitou. O ex-premier, que pode perder sua cadeira no Se-

nado, alega com veemência sua inocência e se diz vítima de juízes e promotores com motivações políticas. Ele se beneficiou de redução da pena, e os quatro anos foram

SEM-TETO

Os réus que prestam este tipo de serviço normalmente trabalham para organizações sem fins lucrativos que distribuem sopa a sem-teto, em centros para dependentes de drogas reduzidos a um, de acordo com uma lei promulgada em 2006, destinada a reduzir a população prisional. Já uma comissão do Senado italiano recomendou a expulsão do ex-premier Silvio Berlusconi, numa medida que poderá levar à perda da imu-

nidade parlamentar do Cavaliere, condenado por fraude fiscal em agosto. A decisão deverá ser tomada pelo plenário em três semanas e poderá selar o fim político do homem que por duas décadas marcou a vida política italiana. Ausente Berlusconi preferiu não comparecer ao debate, que terminou com a proposta de expulsão aprovada por maioria. É a segunda derrota de Berlusconi em apenas uma semana. No meio da semana, o líder do Povo da Liberdade fracassou na tentativa de derrubar o governo do primeiro-ministro Enrico Letta, após sofrer uma rebelião de membros de seu partido. A comissão interpartidária de 23 senadores é dominada por parlamentares do Partido Democrático (PD), de centroesquerda, e por partidos de oposição, incluindo o Movimento 5 Estrelas.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

IONE MORENO

Ifam realiza semana de engenharia Dia a dia C6

Vítimas de abuso sexual quebram silêncio do medo MICHELE GOUVÊA Equipe EM TEMPO

O

s sentimentos de fragilidade e vergonha de ter sido vítima de abuso sexual estão cada vez mais sendo superados pelo senso de justiça e pelo aumento da confiança das vítimas e dos familiares na rede de proteção que envolve os que sofreram esse tipo de agressão. As estatísticas da polícia e do Judiciário demonstram um crescimento no número de registros do crime em Manaus, um reflexo do aumento da demanda de denúncias. Dados da Vara Especializada em Crimes contra Idosos, Crianças e Adolescentes (Vecica) indicam que de janeiro a dezembro de 2012 deram entrada na Justiça 356 processos, já de janeiro a setembro desse ano o número de processos já está em 773. A estatística da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) corrobora com a observação de crescimento no número de registros. De janeiro a junho de 2013 foram contabilizados pela Depca 687 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Em todo o ano de 2012 a especializada registrou 1.221 casos, com 1.062 vítimas do sexo feminino e 159 do sexo masculino. Somente na faixa etária de 0 a 6 anos foram contabilizados 204 casos de abuso sexual. Ao mesmo tempo em que os números dos crimes contra crian-

ças e adolescentes assustam, devido à demanda e à necessidade de mais ação, eles também refletem a maior coragem das vítimas em denunciar seus agressores, sustentam as titulares da Vecica e da Depca, juíza Patrícia Chacon de Oliveira e delegada Linda Gláucia, respectivamente. Para a delegada, além do aumento populacional, o crescimento no número de registros está associado à maior conscientização da família quanto à necessidade de denunciar, a diminuição do medo de que a vítima e a família sejam expostas e, sobretudo a confiança de que

ESTATÍSTICAS

De janeiro a junho de 2013 foram contabilizados pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente 687 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em Manaus o agressor será punido. “As pessoas estão cada vez mais convencidas do sigilo que envolve as vítimas de abuso sexual contra criança e adolescente e se sentem mais encorajadas em denunciar esse crime. O tratamento humanizado e respeitoso que é dispendido a essa vítima desde o momento da denúncia também incentiva para que o processo seja levado adiante. Porém, a meu ver, o

que mais contribui para essa perda do medo em denunciar é o sentimento de punição para o agressor. O que as pessoas mais temem é a impunidade”, opina. A observação é compartilhada pela juíza Patrícia Chacon, que, no entanto, chama a atenção para a dificuldade que alguns processos têm de chegar com êxito ao final. Entre algumas dessas dificuldades estão a mudança de endereço sem prévio aviso à Justiça, o não comparecimento para efetuar um novo depoimento além do prestado na delegacia especializada, e a ausência das testemunhas durante esse depoimento. “O medo do agressor e o pensamento de que o depoimento feito na delegacia é suficiente para conclusão do laudo são alguns dos fatores que fazem com que o processo seja mais demorado. O depoimento na Justiça é importante porque ela reforça o que foi dito perante a autoridade policial. Eu não posso julgar e condenar ninguém só com base no relato da polícia, pois essa fase é investigativa, não tem o contraditório e ampla defesa do réu, então não é tomado depoimento do acusado. Já na Justiça todas as pessoas envolvidas na denúncia são ouvidas novamente para ver se as afirmações feitas na delegacia serão confirmadas”, explicou. A pena para o crime varia de 8 a 15 anos de reclusão. Quando há laço de parentesco, ela aumenta pela metade, chegando a 12 anos de reclusão.

O temor que começa a sumir

Principal obstáculo à descoberta dos abusos sexuais, o medo da vítima tende a desaparecer

Os dados da Vara Especializada e da Delegacia Especializada em crimes contra crianças e adolescentes indicam que os agressores são, em sua grande maioria, intrafamiliares, ou seja, pessoas do seio familiar da vítima. Pais, padrastos, tios e irmãos lideram essas estatísticas. De janeiro a junho de 2013, a Depca identificou como causadores de crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes no seio familiar: 87 padrastos; 73 pais; 37 tios e sete irmãos. Dos casos que chegam à Vecica, de acordo com a titular, 99% também estão relacionados a autores do seio familiar. “Nossa estatística nesse

sentido é de pessoas que têm laços de confiança com a vítima, eram aquelas pessoas que se colocariam em condição de proteção e que acabam sendo denunciadas por estarem abusando sexualmente. É uma triste constatação”, resume Patrícia Chacon. Além de o agressor ser, em grande parte, da família, outro fator de grande preocupação está relacionado à faixa etária das vítimas. Para Linda Gláucia, uma das que mais preocupam é a de 0 a 6 anos, pois a denúncia só pode chegar às autoridades por meio de terceiros. De janeiro a dezembro de 2012 foram registradas 204 violências sexuais contra crianças de 0 a 6

anos. Em 2013, de janeiro a junho esse montante chegou a 119 ocorrências. As denúncias podem ser feitas pelo número 100, a conselheiros tutelares ou na própria sede da delegacia especializada (rua 6, quadra 7, conjunto Vista Bela, Planalto). O sigilo da fonte e a atenção à vítima e sua família são garantidas por meio de uma rede de atenção que envolve 34 instituições, como o Serviço de Acolhimento Institucional Emergencial (Saie); Serviço de Atenção às Vítimas de Agressão Sexual (Savas); o Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual e o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas).

FOTOS: ARTHUR CASTRO/AGORA

Números crescentes de registros indicam que as denúncias aumentaram por conta de maior conscientização sobre o crime


C2

Dia a dia

Uma luz no fim do túnel N

a próxima terça-feira (15), 60 novos defensores públicos serão empossados em solenidade no auditório do Ministério Público, no bairro Nova Esperança. O concurso – o segundo realizado pela Defensoria Pública do Estado (DPE) – classificou 157 candidatos de um total de 2.995 inscritos de vários Estados. Com essa nova “safra” de profissionais, o número de defensores sobe de 47 para 107 no Amazonas. Segundo o defensor público-geral, Ricardo Trindade, os 60 profissionais atuarão nas comarcas do interior, por força da Lei Orgânica da Defensoria Pública, pela qual o início de carreira se dá por lá, da mesma forma como ocorre no Ministério Público e na magistratura. “O interior estava desassistido da presença de defensores públicos para prestar assistência jurídica gratuita à população carente, gerando um acúmulo de processos envolvendo questões de diversas áreas. Atualmente, nenhum município do interior possui defensor público, uma vez que todos foram promovidos para a capital”, informa Trindade. ”Os novos profissionais vão se submeter ao estágio de adaptação à carreira, em

Manaus, visando colocá-los a par da realidade do exercício da função. Durante o estágio, os novos defensores públicos participarão inclusive de ações do “Defensoria Pública Itinerante” na capital e em alguns municípios”, acrescenta. O quadro atual da DPE – criada em 1990 - está bastante reduzido, segundo Trindade, suficiente apenas para a capital, mas ainda de forma precária.

PRINCÍPIO

Os 60 novos defensores públicos que serão empossados na terça-feira atuarão nas comarcas do interior do Estado, conforme determina a Lei Orgânica da Defensoria Pública “Isso, de certo modo, contribui para agravar as situações de superpopulação carcerária, que brevemente estará sendo amenizada com a posse dos novos defensores públicos, que ocorrerá na próxima terça-feira”, afirma. Ele salienta, ainda, que a Defensoria já atua nos presídios de Manaus por meio de um grupo de defensores públicos constituído exclusivamente para essa tarefa, des-

locando-se pelo menos uma vez por semana aos diversos presídios para prestar atendimentos aos encarcerados de modo geral. “Com a vinda dos novos defensores públicos esse atendimento passará a ser mais frequente, de modo que a Defensoria Pública tem muito a contribuir para minimizar o problema em Manaus e no interior”, afirma o defensor. Uma realidade que hoje afeta a Defensoria é a sobrecarga dos profissionais, principalmente por conta da inércia de advogados particulares – sobretudo na área criminal – que acabam abandonando a causa de seus clientes. Isso muito acontece, também, pela falta de conhecimento sobre o papel da DPE. “O advogado, como qualquer profissional faz jus aos seus honorários. Em muitos casos as pessoas carentes desconhecem a Defensoria Pública e terminam procurando esses profissionais, que naturalmente cobram pelos serviços prestados e em determinado momento tais pessoas terminam ficando sem condições de efetuar o pagamento acordado, fato que termina obrigando-os a procurar a Defensoria Pública para atuar na causa, resultando numa sobrecarga de trabalho para os defensores públicos”, atesta Trindade.

Segundo Ricardo Trindade, defensor público-geral, interior estava sem defensores públicos

Um bom começo profissional Para o presidente da Associação de Defensores Públicos do Amazonas (Adepam), Carlos Alberto Almeida Filho, a posse dos novos profissionais ainda não vai melhorar a atuação da DPE. “Os novos defensores deverão, por imperativo legal, atender no interior. Assim, mesmo que haja convocações, estas não suprirão as demandas da capital, que são gigantescas: os defensores cá continuarão acumulando várias varas, e com demanda reprimida de assistidos a atender”, aponta. “Para que o atendimento na capital possa ser normalizado é necessário que igual número de nomeados seja designado

AVALIAÇÃO

Segundo o presidente da Adepam, Carlos Alberto Almeida Filho, para que o atendimento na capital seja normalizado seria necessário que igual número de nomeados fossem designados para atuação, o que implica na necessidade de - para não desamparar, de novo, o interior - nomeação de novos colegas”, declara. A questão da sobrecarga de trabalho, no ponto de vista do presidente da Adepam, é complexa. “Em se tratando

de demandas criminais, à Defensoria se exige a tutela de todos que não possuem defesa, no caso, daqueles que possam ter sido abandonados por seus patronos. Não se pode dizer que a lentidão dos processos seja causada por este motivo, muito menos por estarem a cargo de defensores: no Amazonas, mesmo com a sobrecarga, os colegas defensores são diligentes. O problema é de outra natureza: o quantitativo sempre crescente de processos esgota os defensores e suas parcas equipes, a implicar no médio e longo prazo, em prejuízos à saúde e à necessária e perene atualização cultural”, avalia Almeida. ARQUIVO/ADEPAM

CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO

ARQUIVO/ASCOM DPEAM

Estado empossa 60 novos defensores públicos, número que, mesmo não resolvendo todos os problemas da DPE, assinala com o reforço de sua atuação na Justiça amazonense

Carlos Alberto Almeida Filho, presidente da Adepam: questão da sobrecarga é complexa


MANAUS, TERÇA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2012

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ARQUIVO/PESSOAL

da Justiça do Amazonas Ainda há falta de conhecimento na de assistência jurídica gratuita, onde um grupo de profissionais em atividade corrente dividirão as experiências com os novos colegas para garantir que eles tenham melhor desempenho frente às comarcas futuramente. O acesso à Justiça é garantido pela Constituição Federal desde 1988 e a assistência jurídica gratuita concretiza essa garantia, pois oferece aos mais pobres, carentes e necessitados a oportunidade de buscar seus direitos por intermédio desse servidor, o defensor público, um advogado que o Estado disponibiliza para atendê-lo nas mais diversas causas jurídicas.

Larissa Vianez Figueira foi a primeira colocada no concurso público da DPE, para o qual se preparou com muita dedicação

A realização do sonho após uma frustração ASCOM/DPE

“Para ser defensor público há uma série de qualidades inerentes ao tipo de trabalho que ele executa, atuando em prol dos cidadãos mais carentes, em grande parte desinformados a respeito dos seus direitos, necessitando, portanto, de uma atenção especial. A carreira de defensor público se constitui num verdadeiro sacerdócio”, afirma Ricardo Trindade. Os novos defensores públicos serão submetidos ao estágio de adaptação e curso de preparação à carreira, promovido pela Escolar Superior da DPE a partir de 16 de outubro. Serão 30 dias de atividades de integração à roti-

Sede da Defensoria, no bairro Nossa Senhora das Graças

Primeira colocada no concurso público da DPE, Larissa Vianez Figueira aguarda com ansiedade o início do trabalho, segundo ela a realização de um sonho. “Gosto muito de poder ajudar as pessoas, e vi na Defensoria essa oportunidade. A Defensoria Pública nos dá a chance de ajudar as pessoas mais carentes e humildes, que muitas vezes são esquecidas e destratadas em todos os meios sociais”, afirma. “A Defensoria Pública me chamou atenção

pelo seu lado humano. Sempre estudei muito e fiz disso um hábito na minha vida. Quando me apaixonei pela Defensoria Pública, passei a me dedicar ainda mais aos estudos”, acrescenta. Desde o primeiro concurso, ocorrido em 2011 e que culminou na anulação, Larissa fez muitas renúncias em função desse sonho. “Abdiquei de finais de semana, reuniões familiares, férias, folgas e feriados. Cada momento livre aproveitava para

me dedicar aos estudos. Todos os dias, quando chegava do trabalho, sentava na sala de casa com o meu namorado, que também é um dos nomeados à Defensoria Pública, e ficávamos horas estudando”, conta. Essa rotina de dedicação incluía sábados e domingos, e depois veio a frustração da anulação do primeiro concurso. “Apesar de tudo, não desistimos do nosso sonho e persistimos na nossa luta diária, com a força de Deus

e apoio dos nossos familiares e amigos. Então, veio o segundo concurso, e, finalmente, conseguimos realizar nosso tão esperado sonho, depois de muita batalha e dedicação”, afirma. “Espero, enfim, poder ajudar as pessoas carentes e necessitadas de Justiça, e fazer disso uma missão na minha vida. Sei que encontrarei dificuldades, mas não quero jamais perder a esperança de tornar esse nosso mundo um pouco mais justo e igualitário”, finaliza.


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Dia a dia FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

Beleza rara: O alaranjado das penas do galo-da-serra é vivo e fluorescente. Na sombra da floresta, o contraste com o verde torna a mata ainda mais bonita

GALO-DA-SERRA

UM MOMENTO MÁGICO NO CORAÇÃO DA FLORESTA MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

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oram quase cinco horas dentro da mata esperando que eles se aproximassem a uma distância em que a lente do fotógrafo Ricardo Oliveira, da equipe do EM TEMPO, pudesse registrar a imagem rara. São 12h45. Estamos no meio da floresta da aldeia Mari-Mari, na comunidade Marcos Freire, em Balbina, distante 100 quilômetros ao norte de Manaus. De longe, já é possível avistálos, em meio ao emaranhado de caules finos de arbustos, galhos e cipós – uma característica da vegetação campinarana, formada por árvores finas e muito trançadas, umas próximas às outras. Entre as sombras da floresta, eles são pequenos pontos alaranjados, mas um alaranjado forte, quase fluorescente. Enquanto eles não se aproximam, o nosso guia, Luiz Humberto Silva Costa, o “Betão”, 37, estala os dedos e a língua no céu da boca, reproduzindo o ruído emitido por nossos visitantes. Aliás, os “visitantes” somos nós, que invadimos seu habitat em busca de uma reportagem que é o sonho de jornalistas do mundo inteiro: ficar a poucos metros do galo-da-serra, uma ave rara que só tem nessa região. — Eles escolhem essa área para viver e acasalar justamente por causa desse tipo de vegetação, a campinarana, que é bem trançada e funciona como uma redoma protetora. Um predador, como por exemplo o gavião, não consegue voar por causa do emaranhado de galhos finos e cipós que protegem o galo-da-serra – explica “Betão”, voltando a estalar os dedos e a língua. Na outra extremidade da mata, os pássaros respondem. — Eles só vão se aproximar

quando estabelecerem uma certa confiança. Por isso é importante ficar quieto e não fazer barulho – observa o guia. O galo-da-serra é uma espécie rara pertencente à família Cotingidae, a ave passeriforme de nome científico Rupicola rupicola. Foi descoberta por Linaeus, em 1766. Nativo de regiões rochosas, igarapés e florestas da América do Sul, ele pode ser encontrado no Brasil, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Guiana Francesa entre outros. No nosso país ele pode ser encontrado somente no Amazonas, Roraima e no Pará. É também conhecido como o galo–da–rocha, isto porque se concentra em regi-

MOMENTO MÁGICO O primeiro galo-daserra voa para um galho mais perto. O momento é mágico. De perto, sua coloração alaranjada é ainda mais viva, chegando a ser fluorescente ões rochosas. Por exemplo, a floresta de Balbina já é parte da formação rochosa do monte Roraima, explica o guia, lembrando ainda que no final da tarde, os galos-da serra, depois de um dia intenso de atividade na floresta da aldeia Mari-Mari, voam para a gruta do Maruaga, onde dormem nas cavernas. É também nas grutas que as fêmeas procriam. Para chegar ao santuário do galo–da– serra, tomamos a BR-174 às 08h. A equipe do EM TEMPO é reforçada pelo fotógrafo Michel Dantas, que já viveu a aventura uma vez. Antes de Presidente Figueiredo, entramos na bifurcação do Km 104, pegando a estrada de Balbina. Mas

alguns minutos e chegamos à comunidade Marcos Freire, uma homenagem ao ministro da Reforma Agrária que morreu na explosão de um avião – supostamente sabotado – em setembro de 1987, depois de ter anunciado que iria fazer, de qualquer forma, a reforma agrária. Mas à frente, no Km 13, avistamos a placa cravada em alto relevo na madeira – Aldeia Mari-Mari, o território onde nosso guia, “Betão”, mantém uma pousada. — Vocês vão ter que me dar um tempo, não precisa pressa, o galinho-da serra só chega lá por volta das 13h, e fica até as 15h ou 16h. Às 13h em ponto, “Betão” dá o sinal e a gente entra na floresta. A porta de entrada da mata avisa que será uma jornada não muito fácil. A primeira tarefa é cruzar o igarapé do Mutum, com as águas da cor do guaraná, que corre entre as pedras em fortes corredeiras. A travessia é sobre um tronco apodrecido de árvore caída e a dificuldade para o pessoal da cidade atravessar chega a ser patética. Ultrapassado o obstáculo, começamos a nos embrenhar na floresta da reserva ecológica do Uatumã. Já estamos há quase duas horas sentados no chão úmido e coberto de folhas da floresta. Um exército de meruins ataca nossa pele de cidade, mas ninguém pode reagir para não fazer barulho. O mormaço da floresta é insuportável, o suor escorre pelo rosto e, diante de nossa impaciência, “Betão” solta mais uma dica para quem está ansioso e doido para captar a imagem do galo-da-serra. — Observar pássaros é o mesmo que pescar. Tem que ser um exercício de muita paciência e calma. Se você ficar parado, eles vão se aproximar do galho que está

aí à sua frente. Três horas depois, o primeiro galo-da-serra voa para um galho mais próximo de onde estamos. O momento é mágico. Finalmente podemos ver com detalhes a joia rara e graciosa que a mãe natureza produziu para contrastar com o exotismo selvagem da floresta tropical. Está explicado porque o galo-da-serra é considerado o pássaro mais bonito do Brasil. De perto, sua coloração alaranjada é ainda mais viva. Sua crista é majestosa, tem forma de meia-lua, com uma linha de contorno mais escura nas bordas, caindo como um leque sobre o bico que fica escondido sob as plumas. Vez por outra, a crista se abre e ele exibe o bico. Os olhos saltam, como duas pérolas negras que se destacam no alaranjado. Agora, em algazarra, vários deles começam a se movimentar entre os galhos finos. E também começam a cantar. “Betão” explica que eles estão “conversando”. Depois o guia chama a atenção para um círculo de terra, feito quando as folhas são afastadas pelos próprios galos. Ali é o palco, aliás, “arena”, onde os machos vão se exibir para as fêmeas. O vencedor será escolhido pela fêmea para o acasalamento. Ficamos por quase duas horas acompanhando a festa dos galos-da-serra. Em alguns momentos chegaram a somar oito. Por volta das 16h nosso guia avisa que está na hora de ir. A luz na floresta enfraquece e, daqui a pouco, os pássaros vão voar para as rochas. Um último olhar no santuário nos dá a impressão de que, ver esses pássaros de perto é uma dádiva de Deus. Protegê-los dos predadores é a obrigação dos homens de bom senso.

O galo-da-serra possui uma crista em forma de leque

Um pásssaro raro e de difícil visualização Considerado pelos ornitólogos o pássaro mais bonito do Brasil, o galo-da-serra é uma ave rara e de difícil visualização. Muitos tentaram fotografar e escrever sobre o pássaro laranja, mas poucos conseguiram. No ano de 1990, uma equipe do fantástico da Rede Globo esteve na aldeia Mari-Mari e, com o mesmo guia “Betão”, tentou fazer a grande reportagem que a equipe do EM TEMPO, num golpe de perseverança e sorte, fez esta semana. Com os cinegrafistas, o repórter Marcos Lozekan ficou na região por uma semana e meia e só conseguiu uma imagem de 1 minuto, com um único galo-da-serra. Tivemos mais sorte. Depois de uma espera de quase 4 horas, conseguimos ficar por quase uma hora a alguns metros de nada menos que oito galos-da-serra.

A avezinha tem apenas 28 centímetros de comprimento. É considerada uma das aves mais belas do continete americano, habitando as serras fronteiriças do norte do Brasil, desde o Amapá até a região do Alto Rio Negro e nas proximidades de Balbina. É encontrado também nas Guianas, Venezuela e Colômbia, “mas, como esses daqui, nessa tonalidade e possível de ser observado bem de pertinho, não existem em lugar nenhum do Brasil e do mundo”, adverte “Betão”, concordando que existe, sim, o galo-da-serra do Peru e da Guiana, “mas é diferente do nosso”. Dão preferência às florestas úmidas localizadas em escarpas, principalmente nas proximidades de córregos sombreados, como a aldeia Mari-Mari, do nosso guia “Betão”.


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O guardião da aldeia Mari–Mari Guia adverte que santuário do galo-da-serra está ameaçado por traficantes de animais e invasores de terra. Na luta contra predadores ele denuncia invasores e acompanha de perto o período de reprodução

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

O guia Betão é o guardião da aldeia MariMari. Ele construiu uma pousada para poder ficar mais perto do santuário do galoda-serra, onde luta contra os predadores

MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

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uiz Humberto Silva Costa nasceu e foi criado em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), mas se considera um “ser da floresta”. É ele que, descalço e sem qualquer proteção no corpo, caminha pela trilha à nossa frente, para nos levar ao san-

tuário do galo-da-serra. A primeira vez que ele posou os olhos sobre a ave rara foi 1987, quando guiou um pesquisador norte-americano à caverna do Maruaga. “Ele se chamava Wendell, era ornitólogo e queria documentar o galo-da-serra”, conta “Betão”. Foi paixão à primeira vista. De lá para cá, “Betão” virou uma espécie de “guardião do galo-

da-serra”. Construiu a aldeia Mari-Mari às margens do igarapé do Mutum, a uma hora de viagem pela floresta para chegar ao santuário dos pássaros. Objeto de cobiça dos predadores e da ação criminosa dos traficantes de animais, o galo-da-serra vive sob constante ameaça. Enquanto a presença do homem avança sobre a floresta, aos pou-

cos eles vão desaparecendo. Hoje, existem pouco mais que 20 galos-da-serra nas matas da aldeia Mari-Mari. O máximo que o guia “Betão” pôde contar foram 18 machos e três fêmeas. De acordo com o guia, os maiores predadores do galo-da-serra não são mais o gavião, a onça-pintada ou a cobra, mas sim o homem. “Betão” conta que, até 2010

fez muitas denúncias contra traficantes de animais que invadiam a floresta para capturar o pássaro e venderem para colecionadores de pássaros de gaiola. A outra ameaça são as invasões, que desmatam a floresta, abrindo clareiras em locais onde o galo-daserra costumava pousar e os carros que cruzam velozmente a estrada de Balbina.

Quando, no fim da tarde, os galos-da-serra retornam às rochas da caverna Maruaga, cruzam a estrada voado baixo e aí muitos deles acabam atropelados. “É de cortar o coração”, lamenta o defensor dos pássaros. Mas, no seu trabalho de monitoramento, “Betão” já viu três galos-daserra nascerem e voar livres para a floresta.

Mário Adolfo e Ricardo Oliveira, na reserva do Uatumã

Em busca do mais belo

pássaro do Brasil

Em florestas próximas a regiões rochosas, os galos-da-serra machos se exibem individualmente para as fêmeas

O ritual do acasalamento O galo-da-serra vive solitário buscando alimento na floresta. É somente depois da tarde que ele se aproxima dos outros, quase sempre quando estão se exibindo na “arena”, na disputa pela fêmea. Perguntamos ao Betão, quanto machos disputam uma única fêmea. “Só tem uma fêmea para aquele bando de machos?”.

— Isso eu não tenho como assegurar – responde o guia –, mas o máximo que já contei aqui foram três fêmeas para 18 machos. Pode até existir mais, mas aqui em nunca vi. — Sim, mas como você sabe quem é fêmea e é macho se é tudo alaranjado, tem crista e plumagem no rabo? Betão pega uma folha

que ainda não está totalmente seca e responde: — As fêmas são quase dessa cor. Um alaranjado mais escuro, quase marrom, porque passam um tempo nas grutas, chocando seus ovos. Está explicado porque as cores mudam de tonalidade. É de acordo com o sexo. Explica o guia que a fêmea

não voa para a clareira em círculo feita na terra. Isso só acontece quando se interessa por algum dos machos. Então ela desce até o chão onde é copulada pelo felizardo, numa fração de segundos. Em seguida a fêmea parte para procriar nas paredes rochosas e úmidas. E os machos, que são polígamos, estão prontos para cortejar outra fêmea. (MA)

O EM TEMPO deslocou na terça-feira, 8, o diretor de redação Mário Adolfo, e o editor de fotografia Ricardo Oliveira, para a região de Balbina, próximo ao município de Presidente Figueiredo, para tentar cobrir o ritual de acasalamento do galo-da-serra, considerado um dos mais bonitos pássaros do país. Guiados por Luiz Humberto Costa, o “Betão”, os jornalistas permaneceram por mais de cinco horas dentro da floresta da aldeia Mari-Mari, na reserva do Uatumã, a poucos metros do santuário, esperando que os pássaros se aproximassem das lentes fotográficas, a fim de que o “momento mágico” fosse registrado. Observar o galo-da-ser-

ra por várias horas até ele voar para um galho mais próximo da equipe foi um exercício de paciência, como alertou o guia “Betão”. Mas valeu a pena. Quando, finalmente conseguiram pousar os olhos sobre a pássaro alaranjado, os repórteres ficaram maravilhados e puderam observar, com detalhes, a beleza exótica da ave rara. — Muita gente tentou fazer essa reportagem e não conseguiu. Demos sorte, mas a sorte só chega para quem ousa e corre atrás – comentou Mário Adolfo. — Foi um momento importante para a minha fotografia. Mas, confesso, foram as fotos mais difíceis que já fiz – afirmou Ricardo Oliveira.


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Estrutura da Arena será analisada durante evento O projeto do novo estádio de Manaus vai ser tratado na 1ª Semana de Engenharia Mecânica do Ifam esta semana

IONE MORENO

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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om mais de 85% das obras concluídas, a estrutura arrojada da Arena da Amazônia chama atenção de quem passa pela avenida Constantino Nery. O interesse é tão grande que o espaço já recebeu cerca de 50 mil pessoas interessadas em acompanhar os avanços do investimento orçado em R$ 604 milhões. A análise do projeto de construção da Arena, com enfoque na estrutura metalizada, será um dos assuntos abordados durante o 1º Seminário de Engenharia Mecânica, que acontece de 16 a 18 deste mês, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), no Centro. Turistas de todo o mundo contam os dias para acompanhar os jogos da Copa, que serão realizados em 12 cidades brasileiras, por isso a contagem regressiva para o término das obras dos estádios. Apesar de a inauguração da Arena da Amazônia estar prevista para 20 de dezembro, é a estrutura inacabada que atrai o interesse de centenas de estudantes dos mais variados cursos de Manaus. “É preciso destacar que o projeto Copa não se trata somente de um evento, mas de um desafio. A cidade e todas as pessoas que se impõem para melhorar a atividades, ampliar o serviço prestado e com isso, veem a oportunidade de voltar a estudar ou se aprimorar. É muito legal perceber a preocupação das pessoas investirem em si mesmos neste momento e as faculdades de Manaus que com cursos mais específicos para melhorar a formação”, salientou o coordenador-geral da UGPCopa, Miguel Capobiango. Segundo ele, desde 2011 50 mil pessoas visitaram as obras da Arena por meio do projeto

do UGP, em parceria com a Secretaria do Estado de Desporto, Juventude e Lazer (Sejel), “Eu visitei a arena” e do programa com as universidades. De acordo com Capobiango, houve semanas que a canteiro de obras recebeu cerca de 400 alunos que perceberam na montagem do estádio, a oportunidade de acompanhar na prática o que aprendem em sala de aula. “Toda semana recebemos grupos de várias universidades, principalmente dos cursos de engenharia e arquitetura”, afirmou. Além das visitas guiadas, as instituições de ensino têm organizado encontros com representantes do grupo para saber mais sobre a arena. Nesta semana, Capobiango irá ministrar

CONHECER

Além das visitas guiadas à Arena da Amazônia, na avenida Constantino Nery, as instituições de ensino têm organizado encontros com representantes da UGP para saber mais sobre a estrutura a palestra “Montagem e soldagem da estrutura da Arena da Amazônia” que irá compor a programação da 1ª Semana de Engenharia Mecânica no Ifam. “Faremos uma apresentação do projeto da copa, com enfoque para evidenciar a estrutura metalizada da arena que envolve montagem da estrutura mecânica complexa como esta”, salientou. De acordo com o coordenador, mais que um evento esportivo a arena tem proporcionado um verdadeiro intercâmbio de conhecimento. “No fim vou sair altamente capacitado, estudando várias disciplinas”, brincou.

Obras na Arena da Amazônia: estrutura será analisada em evento promovido pelo Ifam a partir do próximo dia 16 de outubro

Inscrições ainda estão abertas Ainda estão abertas as inscrições para as cinco palestras que serão ministradas na 1ª Semana de Engenharia Mecânica, que inicia na próxima quarta-feira (16), no campus do Ifam, na avenida 7 de Setembro, Centro. Os interessados podem inscrever-se pelo site caemifam.wordpress.com, onde esta descrito a programação. A taxa de R$ 5, deve ser paga no local do evento, durante o credenciamento. O evento vai promover oito palestras que são “Projeto e construção de turbinas para hidrelétricas” que será ministrada por representante da empresa Voith Hydro da Amazônia e “Gerenciamento do ciclo de vida do produto (PLM)”, pelo professor Leandro Harraquian e Ivan Lima da empresa Expert 3D. A palestra “Engenharia mecânica e empreendedorismo” será ministrada pelo professor Carlos Machado, do Ifam. Os professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Altamir Dias e João Carlos Linhares, irão ministrar as palestras “Sistema

CAD/CAE/CAM no processo de projetos mecânicos” e “Metodologia de projeto de produto”, respectivamente. Também serão realizados dois minicursos: “Transformação de fases em fases de metais” pelo professor José Costa e “Solid Edge” com a empresa Expert 3D, além da apresentação da fábrica de equipamentos metrológicos Exagon. Para o presidente do Centro Acadêmico, Misael Brayon, a semana é uma oportunidade dos estudantes terem contato com profissionais que atuam na área. “Nosso objetivo é fazer a interação com profissionais experientes da nossa área. Aqui em Manaus a engenharia mecânica está crescendo, mas ainda não temos muitos eventos que abordem o assunto direcionado aos estudantes”, afirmou. Organizado pelo Centro Acadêmico do curso de Engenharia Mecânica, a coordenação do curso de engenharia e o departamento de ensino, o evento inicia as 17h30 com término às 22h, durante os três dias.


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Nova fase da campanha contra HPV inicia amanhã

Vacinação segue até final de outubro no interior, começando pelas escolas e depois seguindo para áreas urbanas e rurais

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omeça amanhã e vai até o dia 30 deste mês a segunda etapa da Campanha de Vacinação contra o HPV, no interior do Estado. O secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, informa que a nova fase seguirá o mesmo processo adotado na aplicação da primeira dose, com as equipes indo inicialmente nas escolas, nas áreas urbanas e rurais do interior, mas também possibilitará que as meninas não matriculadas possam receber a segunda dose em unidades de referência da Atenção Básica, definidas pelas próprias prefeituras. A campanha, realizada pelo governo do Estado, tem como público-alvo as meninas na faixa etária de 11 a 13 anos, que já receberam a primeira dose. A vacinação ocorre em três etapas, necessárias para completar o esquema de imunização. A primeira foi realizada no período de 10 a 30 de agosto. A terceira será em fevereiro de 2014. Em Manaus, o processo de imunização segue calendário específico, coordenado pela prefeitura. O trabalho todo é coordenado pela Secretaria de Estado

JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

de Saúde (Susam), por meio da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e secretarias municipais de saúde e educação. A ação também conta com o empenho e apoio pessoal da presidente do Fundo de Promoção Social e Desenvolvimento Humano (FDH), primeira-dama Nejmi Aziz.

FINALIDADE

A campanha, realizada pelo governo do Estado, tem como públicoalvo as meninas na faixa etária de 11 a 13 anos, que já receberam a primeira dose. A próxima etapa será em fevereiro de 2014 Nesta segunda etapa da campanha, o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, alerta para a importância do comparecimento de todas as meninas que receberam a primeira dose da vacina. Ele ressalta que não será preciso mais apresentar o formulário de autorização dos pais. Basta que

levem o cartão de vacinação, mostrando que receberam a primeira dose. Pioneirismo O Amazonas foi o primeiro Estado da federação a implantar o Programa de Imunização contra o Papilomavírus Humano (HPV), oferecendo a vacina, gratuitamente, na rede pública estadual de saúde. A medida, anunciada pelo governador Omar Aziz, faz parte das ações de enfrentamento e prevenção ao câncer do colo do útero, desenvolvidas pelo Estado. Este tipo de câncer – que tem uma alta taxa de incidência no Amazonas - está relacionado à infecção persistente por subtipos oncogênicos do vírus HPV. O vírus é responsável por mais de 90% dos casos de câncer de colo uterino no mundo. No Amazonas, este tipo de câncer é o que mais atinge as mulheres. O investimento do Estado para a realização da campanha é de aproximadamente R$ 15,2 milhões, sendo R$ 12,2 milhões para aquisição das vacinas e o restante para aplicação na logística, material de consumo e material educativo.

Segundo o secretário Wilson Alecrim, procedimentos na nova etapa serão os mesmos da anterior


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plateia@emtempo.com.br

Cordão do Marambaia lança disco (92) 3090-1042

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Black Sabbath atrai

legião de amazonenses

Aos 45 anos de idade, banda que é referência para roqueiros em todo o mundo, chega ao Brasil pela primeira vez GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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lássica, referência, pioneira, ícone, mito. Muitos são os adjetivos aplicados por fãs, músicos e críticos a respeito da banda de heavy metal Black Sabbath, que está no Brasil pela primeira vez em 45 anos de história. Um dos principais fatores que vem despertando as emoções do público é o fato de o grupo vir às terras tupiniquins com quase toda a formação original, com Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (contrabaixo). A única exceção é o baterista Bill Ward, que não está no time. Mais ansioso que os fãs brasileiros é o próprio Ozzy, que dois dias antes de chegar ao Brasil (o primeiro show aconteceu na última quarta-feira, dia 9, em Porto Alegre/RS), o cantor e compositor cometeu gafe em La Plata, na Argentina, ao surgir no palco com uma bandeira do Brasil. O momento foi destaque nos meios de comunicação daquele país. O “Clarín” chegou a publicar um comentário até ameno sobre o assunto: “Se vê que, como a turnê segue para o Brasil, o homem se confundiu. Mas tudo bem: depois de um show, tudo é perdoável”, dizia. O penúltimo show do Black Sabbath no Brasil acontece hoje, dia 13, no Rio de Janeiro e a aterrissagem seguinte é em Belo Horizonte (MG), na terça-feira (15). A banda passou ainda por São Paulo, na última sexta-feira, dia 11. Todos os shows contam com abertura da banda americana Megadeth. Com os pés garantidos em solo carioca, o jornalista e músico Raonny Oliveira não esconde a emoção de poder estar tão perto de um ídolo.

“É uma das últimas grandes bandas clássicas que ainda estão na ativa e que alguém da minha idade, que não conseguiu vê-las no auge, ainda pode conferir. Já vi o show do Ozzy em 2006, mas vindo com o Black Sabbath torna o show especial e histórico não só para quem é fã da banda, mas para quem é fã de música em geral”, afirma Oliveira, que reservou propositalmente uma semana das próprias férias guardada para eventuais urgências ou necessidades. “Foi o caso do show do Black Sabbath”, diz. Tão ansioso quanto o jornalista, está o baterista Tiago Falcão, que admite que a principal dificuldade que teve que transpor para poder estar presente ao show antológico foi convencer o patrão de que “tinha” que ir. “Fiz isso já com o ingresso na mão, que havia comprado com uns dois meses de antecedência. Falcão confessa que aguarda com atenção a execução da música “Snowblind”. “Essa foi a primeira música do Black Sabbath que eu toquei com a minha antiga banda, Helllover”, afirma. O segundo momento de tensão para Falcão foi a aquisição das passagens para a Cidade Maravilhosa. “Tive que esperar por uma promoção para poder reduzir custos, o que só aconteceu há duas semanas”, conta. O guitarrista e compositor Casé Mar saiu de Manaus para ver o Black Sabbath em São Paulo, na última sexta-feira, dia 11. “É a maior banda de metal do mundo. Eles

eram metal quando ainda não sabíamos que o metal seria criado. Hoje gostamos de metal que é fruto do que o Sabbath criou, como o próprio Iommi disse: “Para nós, o que tocamos era um blues mais obscuro”. Então, resumindo, seria impossível descrever em outras palavras, senão, emocionante”, diz Casé. Ele acredita que a oportunidade de ver o grupo clássico do heavy

SUCESSO

O primeiro álbum, homônimo, com as letras obscuras de Geezer Butler, os acordes de Tony Iommi, a cozinha pesada de Bill Ward, casadas com a voz de Ozzy Osbourne, vende um milhão de cópias em todo o mundo metal foi um grande divertimento. “Considero um entretenimento demasiadamente divertido e levo em consideração o fato de ser Iommi, Butler e Ozzy juntos, relembrando o Sabbath que eu mais gosto. Todos os vocalistas que passaram no Sabbath foram ótimos, técnicos etc, mas o Ozzy foi o único insubstituível, pois nenhuma voz se encaixou bem ao tentar cantar aquilo que Ozzy gravou, cantou e encantou por todas essas décadas. Hoje, o Ozzy canta seus clássicos na banda e não precisa cantar nada de outros vocalistas que gravaram outras canções, tal é a grandiosidade do seu trabalho com o Black Sabbath.

Todos os outros vocalistas tinham que cantar as músicas da fase Ozzy e muitas vezes ficavam bem ruins essas versões, independente da qualidade e timbre”, observa. História O primeiro álbum, homônimo, com as letras obscuras de Geezer Butler, os acordes distorcidos de Tony Iommi, a cozinha pesada de Bill Ward, casadas com a voz de Ozzy Osbourne, vendeu um milhão de cópias. Os quatro álbuns seguintes confirmariam o estilo, lançando os hits “Paranoid”, “Iron Man”, “War Pigs”, “Sweet Leaf”, “Snowblind” e “Sabbath Bloody Sabbath”. As desavenças pessoais e o próprio desgaste criativo fizeram com que Ozzy deixasse o Sabbath em 1978. Com a entrada do carismático Ronnie James Dio, veio uma energia extra com os lançamentos de “Heaven and Hell” e “Moby Rules”. Em 1983, Ian Gillan assume os vocais na gravação de “Born Again”, naquele que seria o último suspiro criativo da banda. Glenn Hughes, Ray Gillen, Tony Martin e Dio novamente foram os donos das vozes entre 1985 e meados de 2000. Uma fase que pode ser definida como uma tentativa de dar uma sobrevida ao Black Sabbath, sendo Tony Iommi o único integrante original a não abandonar o barco. Apenas “Reunion”, de 1998, é uma exceção. E como o próprio nome diz, reuniria novamente a formação original para shows e o posterior lançamento de um álbum ao vivo.

Setlist do show 1- “War Pigs” 2- “Into the Void” 3- “Under the Sun/Every Day Comes and Goes” 4- “Snowblind” 5- “Age of Reason” 6- “Black Sabbath” 7- “Behind the Wall of Sleep” 8- “N.I.B.” 9- “End of the Beginning” 10- “Fairies Boots”

Wear

11- “Rat Salad’ 12- “Iron Man” 13- “God Is Dead?” 14- “Dirty Women” 15- “Children of the Grave” 16- “Paranoid”

Raoni Oliveira (à dir.) e Tiago Falcão (à esq.) foram conferir o show dos ídolos

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Caderno D

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REPRODUÇÃO


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

>> Desarmamento infantil

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

Fernando, Oswaldo Neto e Oswaldo Said

>> Dolce Vita . Sérgio e Virna Lins exercitaram a veia de anfitriões, quinta-feira, no Touchdown. . Comemoravam o aniversário dele e os 20 anos de casamento do casal, reunindo um grupo de amigos em noite de degustação e champagne. Evento simpático e cheio de alegria, num dos espaços mais interessantes da cidade.

Gisele e Flávio Pascarelli

Os Anfitriões Sérgio e Virna Lins

Maria Helena Gesta de Melo e Yuri Ksoviny

Victor Liuzzi e Adriana Cordeiro

Murad Aziz e Marilia Zuazo

Paulinho Azize, Helena e Waisser Botelho

>> Objeto de desejo . O estilista Dudu Bertolini assinou uma linha para a marca de óculos ‘Absurda’. . Intitulada Absurda Lab by Dudu Bertholini, são criações com fortes influências dos anos 80, em três novos modelos para a marca que ganharam um ar retrô, com detalhes metálicos.

Enio Stelmach (operadora israelense Gênesis), Claudia Mendonça (Paradise Turismo) e Cleo Ickovsk (do Ministério de Turismo de Israel), durante o evento destinado a agentes de viagens e líderes espirituais, quintafeira no Hotel Ceasar Business

Mônica Said e Mônica Melo

. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Josué Neto, promoveu na última quinta-feira, audiência pública para debater a Campanha de Desarmamento Infantil “Violência nem Brincando”, no plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), de autoria do próprio deputado, Josué Neto, que destacou a importância da promoção de ações e políticas públicas voltadas para o combate à violência, argumentando que “o que deve nos mover é o sentimento coletivo de que precisamos mudar esse cenário, para que as

crianças tenham as condições apropriadas para viver”. . O presidente da Assembleia lamentou a exposição de crianças em notícias sobre o seu envolvimento em crimes, o que se constitui “um cenário triste e duro para todos os que almejam a construção de uma sociedade onde as crianças tenham realmente o direito de serem crianças”. Elogiando a ação do governo por meio da campanha, Josué Neto fez um “convite à reflexão e à participação de todos nesta campanha”.

>> Vitrine >> De 26 de outubro a 9 de novembro, a MSCASA sedia a 1ª Mostra Pan-Amazônica de Arte, com trabalhos de artistas plásticos de toda a Amazônia Ocidental, incluindo indígenas de diferentes etnias de Roraima e de países como o Peru e o Equador. A mostra é organizada pela Associação Pan Amazônica. Estarão na exposição obras de Otoni Mesquita, Sérgio Cardoso, Gisele Alfaia e Maria Thereza Negreiros. A mostra vai contar, ainda, com a participação da equatoriana Sara Palacios e o peruano Emilio Lopez. A abertura, dia 26, será com um coquetel para convidados, às 11h. >> A designer amazonense Rita Prossi estará expondo suas peças – produzidas com sementes amazônicas, couro de peixe, palha de arumã, madeira e fibras

naturais com metais preciosos, hoje, no projeto “Tacacá com Pavulagem” da Tacacaria Parintins ( localizada no Centro Social Urbano do Parque 10). >> Estreando idade nova hoje, Socorro Maia, Queila Rodrigues e Antonio Malheiros. Cumprimentos da coluna. >> O diretor-presidente da Fundação Hospital Adriano Jorge, Raymison Monteiro de Souza está convidando para a solenidade de abertura da V Jornada Científica da FHAJ e IV Jornada de Urgênucas em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cévico-Facial, que será realizada no dia 21, no auditório Dr. Juarez Klinger do Areal Souto. >> Fabio Marinho Lins estará aniversariando na segunda-feira.


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‘Cordão’ lança álbum de estreia Grupo genuinamente dedicado ao estilo beiradão faz show de lançamento do primeiro disco, dia 30 de outubro, no largo São Sebastião, dentro da programação do projeto cultural “Tacacá na Bossa” realizado pelo Tacacá da Gisela DIVULGAÇÃO

O grupo Cordão do Marambaia é formado por artistas amazonenses que levam uma carreira solo em paralelo

GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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grupo amazonense dedicado ao estilo de música conhecido por beiradão e seus integrantes já possuem experiência de sobra, mas o álbum que está prestes a ser lançado é debutante. O chamado Cordão do Marambaia está em contagem regressiva para apresentar ao público o primeiro disco da carreira de três anos de estrada musical. O lançamento oficial está marcado para o dia 30 deste mês, durante a programação cultural do “Tacacá na Bossa”, no largo São Sebastião. No disco, estão confirmadas as faixas “Som do Beiradão” e “Banzerê”, que têm sido consideradas os carroschefes do grupo durante os shows que fazem em Manaus

e no interior do Estado. De acordo com o compositor e idealizador do grupo, Gonzaga Blantez, o álbum está na fase de mixagem e em poucos dias será prensado. A produção técnica do álbum é de Marinho Bello Jr., o mesmo que produziu o mais recente disco de Gonzaga Blantez (batizado de “Cantigas, tambores e folias”, é o quarto de uma carreira que já somam 20 anos), que por sua vez assina a autoria de todas as letras das 10 faixas do CD. O show, de acordo com a cantora do grupo, Karine Aguiar, consistirá em interpretar todo o repertório do disco. “Mas, além disso, vamos apresentar composições de outros artistas do beiradão e do carimbó, como o Teixeira de Manaus e outras obras do Pará, por exemplo”, diz. O primeiro álbum do grupo DIVULGAÇÃO

surge como uma espécie de apresentação de si mesmo, mostrando a que veio. “Trabalhamos nesse disco uma linguagem muito direta e, talvez, fazer um álbum com mais de 10 faixas podia ficar cansativo ao público. Chegamos a selecionar e gravar 14 músicas dentre as várias que existem. Depois disso, ouvimos tudo e fizemos nova triagem, fechando o álbum com dez. A música do Marambaia é alegre, dançante, colorida, chega perto de um trabalho comercial sem ser apelativo”, define Aguiar. O Cordão do Marambaia vem conquistando públicos de várias faixas etárias e classes pelo som popular, com letras fáceis, mas sem a obviedade comum entre os sucessos popularescos contemporâneos. “Isso é resultado de muita pesquisa. Até a poesia é

simples, mas sem ser vulgar, lugar-comum. Tratamos de vários temas. Uma das faixas se chama “Lambada do piu-piu”, que mostra que o grupo, de fato, não é somente

COMEMORAÇÃO O Cordão do Marambaia completa 3 anos de existência em novembro e o lançamento do álbum aparece como um presente de aniversário. O grupo é formado apenas por artistas locais beiradão. Ele é, também, marabaixo, lambada e carimbó. Buscamos explorar os ritmos amazônicos e ser pé no chão”, completa a cantora. Concomitantemente, o dis-

co segue nas finalizações da sua identidade visual, com apoio de Os Bares, empresa de camisetas com “a cara” regional, que desenvolveu o design do disco e de outros produtos que serão comercializados no dia do lançamento do álbum. Outros patrocinadores da investida do grupo são o estúdio de gravação Amazon Arts e o quiosque Tacacá da Gisela, que além de abrir espaço para o show especial na programação cultural que regularmente organiza, assumiu o compromisso de investir recursos que permitiram a confecção desta primeira tiragem do CD, de mil cópias. O Cordão do Marambaia completa 3 anos de existência em novembro e o lançamento do álbum aparece como um presente de aniversário. O grupo é formado, também, por o Miqueias Pinheiro (baixista)

e o Ygor Saunier (baterista), Salomão Rossy (voz e violão), Gil Valente (voz e violão), Emerson Marcelo (guitarra), Felipe Romagna (saxofone), Júlio Sorriso (percussão) e Dheik Praia (produtora audiovisual que faz as honras como dançarina). O show de lançamento está marcado para começar às 19h e deve ter duração que deve variar entre uma hora e meia e duas horas.

SERVIÇO CD DO CORDÃO DO MARAMBAIA Quando: Dia 30 de outubro, às 19h Onde: Largo São Sebastião, Centro Informações: Gratuito

LOCAL

Literatura invade a Compensa

Zemaria Pinto terá sua obra incorporada no projeto cultural

A literatura vai tomar conta da Compensa a partir de amanhã, com o início do projeto “Biblioteca Volante”, do programa “Mania de Ler”, do governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), que levará mais de 600 títulos de livros para as ruas do bairro durante toda esta semana. Os próximos bairros a serem visitados serão o Cidade de Deus, São José e Zumbi. Às 8h, as três kombis batizadas em homenagem aos escritores Anibal Beça, Vinícius Câmara e ao ex-secretário de Educação, Elson Farias, que foram transformadas em verdadeiras bibliotecas, partem do Palácio Rio Negro em direção a diversos pontos do bairro da Zona Oeste de Manaus. Para alcançar o maior núme-

ro o possível de público foram escolhidos pontos estratégicos para fixar as kombis, sempre próximo de escolas. A biblioteca volante Anibal Beça ficará instalada na Vila Militar Plácido de Castro, na Compensa. Já a unidade Elson Farias, se fixará na rua Belo Horizonte, Compensa 2. Os moradores da Compensa 3, poderão visitar a biblioteca Vinícius Câmara, na rua da Estanave. “Nesta primeira fase vamos avaliar a aceitação do projeto nos bairros da Compensa, Cidade de Deus, São José e Zumbi, mas já há determinação do governador Omar Aziz para expandir o número de veículos em Manaus e também levar o projeto para o interior”, destacou o secretário de Cultura, Robério Braga.

O projeto consiste de três kombis, transformadas em verdadeiras bibliotecas com acervos de 600 livros de literatura em cada uma. No local, há ainda material didático, lúdico e estrutura para realizar pequenas apresentações e atividades ao ar livre para diversas faixas etárias com supervisão de equipes pedagógicas da secretaria nos bairros da periferia da capital. Obras Assim como a localização das kombis, o acervo das “Bibliotecas Volantes” também será itinerante com trocas periódicas de acordo com a demanda dos jovens leitores. Também fazem parte das obras locais selecionadas livros como “Sonhos de Cuirão“, de Neuton Corrêa, “O

Pescador e a Princesa Encantada” de Antônio Magalhães Morais e o “Urubu Albino”, de Zemaria Pinto, entre outras. De autores nacionais, Maurício de Souza e sua Turma da Mônica estão disponíveis para a criançada com diversas coleções e histórias, assim como a escritora Ruth Rocha, autora de clássicos do gênero como “Marcelo, Marmelo, Martelo” e “A Árvore do Beto”. Os grandes nomes internacionais e suas obras que fazem parte da cultura universal não podiam ficar de fora das “Bibliotecas Volantes”. De “Chapeuzinho Vermelho” e “As Aventuras de Robison Crusoé” até o imenso trabalho de Walt Disney também estão disponíveis para consulta e leitura gratuita.


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RESENHA

Passividade, provocação e violência PERFIL

César Augusto, editor do Dia a dia DIVULGAÇ

CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO

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am Peckinpah (1925-1984) foi um cineasta norte-americano considerado um “estilizador” da violência em seus filmes – uma marca que inspirou as gerações seguintes, como John Woo e Brian De Palma. Suas obras sempre expuseram a crueza da selvageria humana, atrelando-a à natureza do homem, até mesmo oculta sob uma aparência pacata e que vem à tona nos momentos mais extremos. Pelo menos é assim que acontece em “Sob o domínio do medo” (Straw Dogs, 1971), onde David Sumner (Dustin Hofrman) é um matemático americano que se muda com a esposa Amy (Susan George) para Cornwall, no interior da Inglaterra, em busca de tranquilidade para escrever um livro. Para tanto, aluga por um ano uma casa isolada. Paz, no entanto, é o que ele não terá. A jovem e indócil mulher o perturba com suas brincadeiras e exige atenção do marido, sempre distraído com cálculos e

mais cálculos no quadro negro de seu escritório. Para piorar, há a hostilidade de alguns nativos com o “americano esquisito”: são os rapazes que trabalham na construção de sua garagem coberta, entre eles um antigo namorado de Amy, Charles (Del Henney) - com quem ela flerta perigosamente -, cujo tio Tom (Peter Vaughan) é um beberrão encrenqueiro, assim como seus outros parentes. As implicâncias com David vão se acumulando, sem que o matemático revide. Essa passividade deixa Amy à beira de um ataque de nervos, ainda mais depois que ele não toma nenhuma atitude após a gata de estimação do casal aparecer estrangulada e pendurada dentro de seu guarda-roupa, barbaridade atribuida pela mulher aos rapazes da garagem. Seu caráter pacato só é deixado de lado por provocações ao reverendo local, Barney Hood (Colin Welland), acirradas por bebidas a mais tomadas no pub da aldeia, em uma discussão sobre responsabilidades: para o religioso, David deveria expressar algum pesar na consciência

por conta da bomba atômica (a Segunda Guerra havia terminado pouco mais de 20 anos antes), criada a partir de profissionais de sua área; já Sumner retruca sobre o “mar de sangue” sobre o qual se ergueu a Igreja. É o máximo de ousadia a que ele se permite. Assim é que tolera os abusos, inclusive ser levado para uma caça pelos seus contratados e abandonado na floresta por eles. A tragédia começa a tomar forma: enquanto David aguarda o aparecimento dos companheiros de caça, Charles e outro dos encrenqueiros estupram Amy enquanto ela está sozinha em casa. Na aldeia também vive um doente mental chamado Henry Niles (David Warner), repudiado por Tom e sua família. O rapaz acaba sendo o estopim para uma crise entre os encrenqueiros e os Sumners, ao matar acidentalmente Janice (Sally Thomsett), a filha adolescente (e muito atrevida) de Tom. Em sua fuga após causar a morte da jovem, é atropelado por David, que o leva para sua casa. Tom, Charles e outros três homens cercam o imóvel e exigem a entrega de Henry. O matemático, temeroso

de que seja cometida uma injustiça contra o rapaz, nega, apesar dos protestos de Amy. Começa então uma sequência de intimidações e ataques dos cinco agressores que irá levar David a romper seu ponto de equilíbrio, transformando-o de um homem pacífico em um defensor ferrenho de seu espaço, capaz inclusive de matar. O filme, adaptado de um livro de Gordon Williams, foi considerado inovador por mostrar cenas de violência estilizadas, sendo uma de suas melhores obras. Há ainda um quê de misoginia, pois, na conclusão mais imediata, os flertes de Amy, mulher liberal que se recusa inclusive a usar sutiãs, foram a causa da aproximação dos encrenqueiros. De qualquer modo, muitos cineastas adotaram seu estilo nos anos seguintes, sendo que considero seu maior discípulo o diretor John Woo ao realizar “A outra face”, com cenas de suspense de tirar o fôlego. Não é à toa que a falta de criatividade dos roteiristas de hoje levaram a um remake (o mesmo aconteceu com outro filme seu, “Os implacáveis”, com Steve McQueen e Ali McGraw, refilmado como “A fuga”, como casal Alec Baldwin e Kim Basinger).

ÃO

O filme, adaptado de um livro de Gordon Williams, foi considerado inovador por mostrar cenas de violência estilizadas, sendo uma de suas melhores obras”

AGITO

‘Segunda Sem Lei’ especial Pouca gente sabe, mas o cantor Eraldo Bandeira também é professor universitário. Por isso, nesta edição do projeto musical “Segunda Sem Lei”, nesta segunda-feira, dia 14, véspera do feriado do Dia do Professor, comemorado dia 15 de outubro, Eraldo Bandeira e a banda Official 80 irão prestar uma homenagem para esta classe, a partir das 21h, no gastropub o Chefão. O couvert artístico custa R$ 20 (por pessoa). “Quero reunir os professores numa noite divertida. Na segunda-feira, eles não podem ir para a ‘Segunda Sem Lei’, por conta dos compromissos e aulas. Mas, por causa do feriado, muitos professores estão me falando que não irão perder o evento, porque estarão de folga na segundafeira. Convido todos os professores para participarem,

DIVERSÃO

O evento, que já é tradicional na segunda-feira, terá a noite dedicada ao Dia dos Professores. O show inicia a partir das 21h, no O Chefão, e o couvert artístico custa R$ 20 quero fazer uma noite mega animada”, disse o artista. Bandeira ainda convidou para cantar no palco o professor Auzandir Souza, que já brilhou nas edições do concurso de calouros “O Melhor da Noite”. No repertório, Bandeira traz sucessos de bandas como Barão Vermelho, Capital Inicial, Legião Urbana e CPM 22, além das canções presentes no álbum “Saber Viver”,

como “Atitude”, “Me dê uma chance”, “Viagem fantástica” e “Medo de viver”. Para o “O Melhor do Ano”, a grande final do concurso de calouros, Bandeira está buscando alguns patrocínios, porém está certo que o vencedor terá o direito de realizar um show completo acompanhado pela banda Official 80, com direito a ensaio e a escolher o repertório. “As seletivas classificatórias do ‘O Melhor do Ano’ iniciaram neste mês. Já temos três classificados, sendo um deles Bruna Ene, que mora em Belém (PA). Ela veio passar o final de semana em Manaus e na segunda-feira veio conhecer o pub, participando do concurso e o ganhado. Ela adorou tanto, que já está se programando para vir em dezembro para a grande final”, finalizou o artista.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Faltou dizer Nada foi falado por aqui sobre a estreia, excelente, da Renata Vasconcellos no “Fantástico”. Esteve segura e elegante como sempre. Ela e o Tadeu formam uma dupla que deve fazer história. Supervisor de verdade Silvio de Abreu vai fazer a supervisão da novela de estreia do Daniel Ortiz, seu colaborador em outras jornadas. Assim como aconteceu com o Carlos Lombardi lá atrás ou o João Emanuel Carneiro mais recentemente, ele pretende se envolver diretamente com tudo. Desde a escalação do elenco ao desenvolvimento da trama. Curioso isso Na recente feira em Cannes, assim como as anteriores no mesmo local, o grande destaque em vendas da Bandeirantes ainda é a novela “Os Imigrantes”. Um trabalho do Benedito Ruy Barbosa, escrito e apresentado no início da década de 80. Curioso isso 2 Por essas e outras, o dono da Band, Johnny Saad, tem como frustração a sua emissora nunca ter se firmado ou dado continuidade na produção das novelas. Apesar

ESTAM AVELLAR/DIVULGAÇÃO

Amor O amor não tem idade: Ary Fontoura e Nathalia Timberg em cena de “Amor à Vida”, na Globo. das inúmeras tentativas e dos investimentos realizados.

metragem sobre o lutador José Aldo a partir de março.

Tudo daqui Ontem, em Seul, a Globo estava com uma equipe completa no estádio, transmitindo o amistoso da seleção brasileira. O SporTV, desta vez, preferiu economizar. Luiz Carlos Jr. e Lédio Carmona fizeram o jogo daqui.

Especial de dezembro O elenco da novela “Chiquititas” vai participar da programação de fim de ano do SBT. Algumas ideias, para o especial, já estão sendo estudadas pela direção musical da emissora.

Agenda comprometida A decisão da alta direção da Globo em espichar “Amor à Vida” até 31 de janeiro provocou, por tabela, alterações também na agenda de compromissos do seu elenco. Caso, por exemplo, de Malvino Salvador, que agora só poderá se dedicar às filmagens do longa-

Plano mantido A Globo está com todo o seu planejamento de HD mantido para os próximos meses. A expectativa é começar com a programação esportiva em novembro e todos os telejornais, locais e rede, ainda em dezembro. A ordem dos trabalhos, por enquanto, se mantém dentro do que foi estabelecido.

• A Globo e Fernanda Lima já estão acertadas sobre o próximo trabalho dela. • Mas o combinado é não falar nada, pelo menos por enquanto. • Já existe uma proposta para Maria Casadevall acertar contrato de longa duração com a Globo. • A mexicana Televisa tem outras intenções ao abrir um escritório em São Paulo. • Fala-se que o interesse da sua direção, a partir de agora, também diz respeito aos canais fechados. • A grande maioria do pessoal que foi trabalhar em Cannes, representando as diversas emissoras brasileiras, amanhã já estará reassumindo os seus postos por aqui. • O elenco de “Amor à Vida” já foi avisado que as gravações devem se estender até a segunda quinzena de janeiro. • Alguns atores, inclusive, se viram forçados a transferir alguns compromissos.

C’est fini Em homenagem ao centenário de nascimento de Vinícius de Moraes, no dia 19, sábado que vem, o Canal Brasil estará exibindo os filmes “Orfeu”, “Para Viver Um Grande Amor”, “Orfeu Negro” e o documentário “Vinícius”.

A volta do guerreiro Talma Nas últimas semanas, cada visita de Roberto Talma ao Projac, complexo de estúdios da Globo no Rio, foi motivo de festa, depois de um longo período de internação e recuperação em São Paulo. Todos sempre fizeram questão de saudá-lo e desejar a sua volta rápida. É um profissional que, com a sua experiência, fez muita falta. Sabe tudo de TV e é reconhecido como um dos maiores diretores.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery


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Programação de TV

REPRODUÇÃO

GLOBO 4h35 Santa Missa 5h35 Amazôniarural 6h05 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h35 Globo Rural 8h00 Esporte Espetacular 11h35 Temperatura Máxima 13h20 Esquenta 15h00 Futebol 2013 17h00 Domingão do Faustão 19h45 Fantástico 22h05 Revenge 23h40 Corujão 3h40 Corujão 2 4h25 Festival De Desenho

RECORD

Faustão apresenta aos domingos um programa na Rede Globo

Horóscopo

REDE TV

22:45 Tela Máxima 00:10 Programação Iurd

4:45 Bíblia Em Foco 5:00 Santo Culto Em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos 8:00 Record Kids - Pica Pau 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Record Kids 11:30 Tudo a Ver 14:15 O Melhor do Brasil 18:30 Domingo Espetacular

SBT

BAND 5h Igreja Mundial 5h50 Popeye 6h30 Santa Missa no Seu Lar 7h30 Sabadão do Baiano 8h00 Conexão Cargas 8h30 Desenho 9h30 Mackenzie em Movimento 9h45 Infomercial – Polishop 10h45 Verdade e Vida 11h Irmãos Caminhoneiro - Boletim 11h05 Pé na Estrada 11h30 Minuto do Futebol – Boletim 11h35 Band Esporte Clube – Parte 1 12h Fórmula Trcuk 13h30 De Olho No Futebol - Boletim 14h Gol, O Grande Momento 14h30 Futebol 2013 16h50 Terceiro Tempo 19h Só Risos 20h Quem Fica Em Pé? 21h Pânico Na Band 00h Canal Livre 1h Minuto do Futebol – Boletim 1h05 Alex Deneriaz 1h40 Show Business - Reapresentação 2h15 El, Arnold! 3h Igreja Mundial

6h30 Igreja Int.da Graça 7h30 Igreja Int.da Graça

3h45 Jornal da Semana Sbt 5h Igreja Universal 6h Pesca Alternativa 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Aventura Selvagem 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas da Sorte (Local) 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda a Roda Jequiti 18h45 Sorteio Da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h De Frente Com Gabi 00h Série: True Blood 1h Série: Divisão Criminal/ The Closer 2h Série: Cidade Do Crime// Southland 3h20 Big Bang 4h Igreja Universal

Cinema

8h30 A Voz do Servidor 9h Tv Kids 10h Blitz Top Tv 10h30 A Questão É 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado 13h Tv Kids 14h En Circuito 15h30 A Questão É 16h00 Tv Kids 16h45 Vídeo Mania 17h15 Ritmo Brasil 18h Morning Show 19h30 Te Peguei Na Tv 21h15 Teste de Fidelidade 22h35 Tv Shopping Manaus 23h35 Dr. Holywood 00h30 É Notícia 1h30 Bola na Rede 2h30 Igreja Int. da Graça

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Capacidade de organizar suas impressões, conseguindo perceber melhor o que se passa, dentro de você. Sua mente precisa aprender a se soltar para as grandes compreensões. TOURO - 20/4 a 20/5 Os sentimentos para com os amigos abremse em grande amplitude e com conteúdo elevado. Os sonhos mais bonitos e elevados parecem mais próximos da realidade. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você alcança visão ampla sobre o sentido de sua profissão. Os talentos vocacionais convertem-se em dons especiais. Há um apelo especial e você se deixa encantar. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Momento para refletir sobre o sentido da vida e encontrar, espantosamente, algum sentido. Sua mente está particularmente sensível à visão ampla da existência. LEÃO - 23/7 a 22/8 Você está sensível para captar os sentimentos a sua volta. Pode ajudar as pessoas com isso, mas pode também ir além do que é da sua conta. Prefira ajudar as pessoas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Momento de afinidades especiais e de magnetismo nas relações. Você pode se apaixonar ou se envolver forte e instantaneamente com as pessoas com as quais convive. LIBRA - 23/9 a 22/10 A disposição de servir e de se dedicar a causas humanitárias é algo especial a partir de agora em sua vida. Trabalhar para os outros é especialmente dignificante no momento. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A sintonia mental e emocional com a pessoa amada é impressionante. Momento de encontro amoroso inebriante e fascinante. Tudo flui como que por magia e encantamento. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Momento para organizar as coisas em sua casa em direção à harmonia e à conciliação entre os familiares. Seja compreensivo com as pessoas e tudo irá operar por magia. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Ideias elevadas e geniais vêm a sua mente, assim como pessoas especiais e fascinantes podem vir ter a sua vida. Um dia em que as situações cotidianas se abrilhantam. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Dia de planejar as finanças e dar o devido valor ao que possui. Entenda melhor que tipo de realidade material você necessita para se sentir seguro e confiante. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sua mente é capaz de contatar as camadas mais elevadas do pensamento, não somente humano, mas também cósmico. Sua sensibilidade se abre de maneira muito especial.

ESTREIA Rota de Fuga:EUA. 14 anos. Ray Breslin (Sylvester Stallone) é a maior autoridade existente ao se falar em segurança. Após analisar diversas prisões de segurança máxima, ele desenvolve um modelo à prova de fugas. Quando é preso, Ray é enviado justamente para a prisão que criou. Cinépolis 9 – 13h, 18h50 (dub/diariamente), 16h, 21h50 (leg/diariamente). Playart 5 – 13h20, 15h40, 18h, 20h20 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h50, 17h10, 19h30, 21h50 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (leg/diariamente).

Inventor de Sonhos: BRA.12 anos. Cinemark 1 – 13h15, 15h45, 18h45, 18h45, 21h35 (diariamente). Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses: JAP. 10 anos. Após dormir por 15 anos, o deus da destruição Bills desperta e logo fica surpreso ao saber que Freeza havia sido derrotado por um jovem sayadin chamado Goku. Cinemark 8 – 12h30 (somente sábado e domingo), 14h40, 16h50, 19h, 21h10, (dub/diariamente) 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinépolis 7 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (dub/diariamente). Playart 7 – 13h20, 15h10, 17h, 18h50, 20h40 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 13h30, 15h20, 17h15 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 13h50, 15h40 (dub/diariamente). Fragmento da Paixão – Que Raio de História: BRA. Livre. Cinemark 7 – 14h (dub/diariamente). É o Fim: EUA. 16 anos. Cinemark 2 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 16h40, 19h20, 21h50 (dub/ Diariamente). Cinépolis 6 – 13h10, 18h40 (dub/diariamente), 15h50, 21h50 (leg/diariamente). Cinemais Millennium – 14h20, 16h40, 18h50, 21h20 (leg/diariamente). Gravidade: EUA. 12 anos. Cinemark 4 – 13h50, 16h10, 18h30, 21h (3D/diariamente). Cinépolis 4 – 12h30, 17h10, 20h10, 22h05, 22h30 (3D/leg/diariamente). Playart 4 – 13h15, 15h10, 17h05, 19h, 20h55 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium – 17h30, 19h30, 21h45 (leg/diariamente). Riddick 3: EUA. 16 anos.Cinemark 5 – 14h20, 17h50, 20h30 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinépolis 10 – 13h20, 19h10 (dub/diariamente), 16h10, 22h10 (leg/diariamente). Playart 6 – 13h15, 15h40, 18h30, 20h30 (dub/diariamente), 22h55 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais - 14h35, 17h, 19h20, 21h40 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 15h, 17h20, 19h40, 22h (leg/diariamente). Silent Hill: Revelação: FRA/CAN. 16 anos. Heather Mason (Adelaide Clemens) e seu pai Harry (Sean Bean) estão sempre em fuga das perigosas forças demoníacas as quais não compreendem direito. Quando a garota está perto de completar 18 anos, ela passa a ter constantes pesadelos. Playart 10 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (leg/diariamente), 23h (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 17h30, 19h35, 21h45 (3D/dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES Invocação do mal: EUA. 14 anos. Cinemark 3 – 15h, 20h (dub/diariamente). Cinemais Plaza – 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/diariamente). Aposta Máxima: EUA. 12 anos. Ci-

népolis 8 – 18h30, 20h45 (leg/diariamente). Playart 8 – 13h, 15h, 17h (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 21h10 (leg/diariamente). Tá Chovendo Hambúrguer 2: EUA.

Livre. Cinemark 1 – 13h40, 16h, 18h20, 20h50 (dub/diariamente),

23h10 (somente sexta-feira e sábado), 12h20 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h50, 17h10, 19h30 (dub/3D/diariamente). Cinépolis 4 – 12h45, 14h,15h10, 16h20, 17h40 (dub/diariamente), 14h40, 19h40 (3D/dub/diariamente). Playart 9 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 18h50, 20h50 (3D/dub/ diariamente), 13h30, 15h30 (dub/ diariamente). Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h, 21h (3D/dub/

diariamente), 14h, 16h10, 18h10 (dub/diariamente). Mato Sem Cachorro: BRA. 12 anos.

Cinépolis 2 – 16h05, 22h (diariamente). Playart 8 – 19h, 21h25 (diariamente), 23h50 (somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza - 14h00, 16h30, 19h00, 21h30 (diariamente). Cinemais Millennium – 14h10, 16h45, 19h15, 21h40 (diariamente). O Tempo e o Vento: BRA. 14 anos.

Cinépolis 2 – 13h05, 19h (diaria-

mente). Elysium: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 12h10 (dub/somente sábado e domingo), 17h30. 22h30 (dub/ diariamente). Cinépolis 3 – 14h20, 17h, 20h, 22h35 (leg/diariamente). Cinemais Manaus Plaza – 14h30, 16h45, 19h10,21h20 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h50, 17h10, 19h35, 21h50 (leg/diariamente). Família do Bragulho: EUA. 14 anos.

Cinemais Plaza – 19h15, 21h35


Plateia AGECOM

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::::: Sala de Espera

Jander Vieira

Bárbara Soares e Socorro Maia estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

Amanhã, vai ter auê-divertido no Equilibrium para festejar a sessão parabéns da querida Andréa Cidade.

::::: Puro-poder

A designer amazonense Rita Prossi estará expondo suas peças – produzidas com sementes amazônicas, couro de peixe, palha de arumã, madeira e fibras naturais com metais preciosos – hoje, no projeto “Tacacá com Pavulagem” da Tacacaria Parintins, no CSU do Parque 10.

O ministro Joaquim Barbosa estará entre nós, no próximo dia 18. O presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça virá a Manaus para assinar o termo de compromisso que envolve o Tribunal de Justiça do Amazonas e o governo do Estado, na solenidade de encerramento dos trabalhos do mutirão carcerário. José Melo visitando as obras da Arena da Amazônia, que será entregue no dia 20 de dezembro. Melo analisou como positivo o ritmo de acabamento final e infraestrutura do estádio, durante visita feita na última quarta-feira. “Trata-se, portanto, de uma obra de grande porte que deixará uma marca indelével na história do Estado”, finalizou o vice-governador

::::: Pôr do sol chique As reservas estão a toda. No próximo dia 20, acontece o esperado Sunset do tipo indispensável com a Banda Redphone, no MonPlaisir. Vai ser apresentação única e exclusiva somente para poucos convivas. Depois do pôr do sol, a coluna fecha a noitada a trilha sonora do DJ Sidney Almada Almada até as 22h. O cenário tendo o majestoso rio Negro vai ferver.

A linha Natura Kaiak, que originalmente é masculina, ganhou reforço para as mulheres que gostam de cheiro marcante, o novo desodorante spray Kaiak Fluir. Lançado esse mês, o produto aparece em embalagem moderna, na versão de 100 ml. Um mimo!

::::: Boa semana Já diz o poeta Thiago de Mello “Faz escuro, mas eu canto”. Desejo a você amado leitor uma perfeita semana na certeza de que por pior que seja a falsidade, por pior que sejam aqueles que espalham tempestades, esses irão passar e o sol, na sua infinita plenitude, nos iluminará. Porque na escuridão vivem mesmo os que passam o dia inteiro a desejar ou praguejar o sucesso alheio. Boa semana a todos, os bons de coração – lógico!

Após o sucesso nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, chega a Manaus, no Centro Cultural Palácio Rio Negro, no próximo dia 16, a exposição itinerante “Retorno à Amazônia” apresentada pela VeoliaWater Brasil.

A ansiedade toma conta dos manauenses. A arquitetura do mercado municipal Adolfo Lisboa já pode ser vista novamente. O prefeito Arthur Virgílio Neto acompanhou a retirada dos primeiros tapumes que encobriam a fachada do prédio, revelando o presente que a cidade vai receber no 344º aniversário. Faltam poucos dias para a população conferir a esperada repaginação do mercadão após ficar fechado por 7 anos. A linda Elizeth Lange, a dona da LIZ, em noite chique comandada pela coluna no Diamond

MAURO SMITH

DOIS RIOS COMUNICAÇ

ÃO

::::: Todo lindo Ozeneide Nogueira – presidente da ABRH, seccional Amazonas – e YukihiroTsurunishi – vice-presidente da Moto Honda da Amazônia – durante o 13° Congresso Amazônico de Gestão de Pessoas que aconteceu, no Tropical Hotel Manaus. A Moto Honda da Amazônia foi uma das expositoras na Feira de Negócios que aconteceu paralelamente ao Congresso.

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O Fórum Estadual de Educação do Amazonas realizará, amanhã, às 10h, uma coletiva de imprensa sobre a Conferência Estadual de Educação do Amazonas, evento que ocorrerá de 16 a 18, deste mês. O auditório da Escola Superior de Tecnologia da UEA (antiga Utam) servirá de cenário para o evento. Hoje, tem apresentação da festejada peça carioca “Os Três Porquinhos – O Retorno do Lobo Mau”, no Teatro Direcional, às 17h. A Cia. de Teatro GoldFinch Entretenimentos é quem assina o espetáculo infantil.


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Plateia

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MANAUS, DOMINGO, 13 DE OUTUBRO DE 2013

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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Capa

ilustração de Ricardo Cammarota

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O jogo de Cortázar

2

Páginas da conjuração

e outras 8 indicações culturais. Pág. 2

O livro que inspirou a Inconfidência Mineira. Pág. 3

Abanou o rabo, parou no prato

O mercado da carne canina no Sudeste Asiático. Pág. 4

4

Boccaccio, 700

5

Diário de Frankfurt

6

Edições do ‘Decameron’ celebram seu autor. Pág. 5

Arte brasileira na capital alemã do crime. Pág. 6

Do arquivo de Marcia Fortes

Nova York, 1992. Pág. 7


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

NELSON KON/ DIVULGAÇÃO

TEATRO | OS SATYROS O grupo estreia a peça “Adormecidos”, do dramaturgo norueguês Jon Fosse, com direção de Rodolfo García Vázquez. Em um cenário onírico, espécie de instalação com jogos de espelho, o espetáculo retrata as aflições e anseios de dois casais. Espaço dos Satyros Um sex. (18), às 22h30 | qui., às 21h30; sex. e sáb., às 22h30 | até 19/12 | R$ 20 | 14 anos

LITERATURA | O JOGO DA AMARELINHA Edição especial celebra os 50 anos de publicação do principal livro de Julio Cortázar (1914-84). O caráter lúdico expresso no título do romance ganha corpo na estrutura da obra, que oferece duas possibilidades de leitura: uma linear, do capítulo 1 ao 56, e outra salteada a partir do capítulo 73, seguindo o percurso proposto pelo escritor argentino. trad. Fernando de Castro Ferro | Civilização Brasileira | R$ 70 | 606 págs.

1

DEBATE | SESC VIDEOBRASIL Uma conversa entre os diretores José Celso Martinez Corrêa, Tadeu Jungle, Walter Silveira e Pedro Vieira sobre o caráter subversivo do vídeo e sua inserção na TV serve de preparação para o evento, que será realizado entre 6/11 e 2/2. Nesta edição o festival comemorará seus 30 anos relembrando trabalhos que marcaram sua história. Sesc Pompeia qua. (16), às 20h | grátis

‘Do Nascer ao Pôr do Sol’, instalação de Laura Belém (2013)

LIVRO| MACHADO CRÍTICO Artigos que o autor de “Dom Casmurro” publicou em jornais e revistas entre os anos 1850 e 1900 são reunidos em “Machado de Assis - Crítica Literária e Textos Diversos”. A verve irônica e a elegância estilística dos romances e contos do bruxo do Cosme Velho revelam-se em muitas das páginas da coletânea, composta por textos fundamentais como “Ideal do Crítico”, “Notícia da Atual Literatura Brasileira” e as famosas diatribes ao “Primo Basílio” de Eça de Queiroz. ed. Unesp | org. de Sílvia Maria Azevedo, Adriana Dusilek e Daniela Mantarro Callipo | R$ 68 | 728 págs.

DEBATE | WALTER BENJAMIN Michael Löwy participa de dois encontros sobre “O Capitalismo como Religião” (Boitempo). No livro, o pesquisador reuniu ensaios pouco conhecidos do filósofo e crítico literário alemão (1892-1940). Fundação Escola de Sociologia e Política (qui., 17, às 19h) | Livraria Martins Fontes - debate com Maria Rita Kehl (dia 25, às 19h) | grátis SEMINÁRIO | MAQUIAVEL Principal obra do filósofo italiano (14691527), “O Príncipe” completa 500 anos e é tema de encontros na PUC-SP. Os professores Antonio Valverde, Tereza Sadek e Eunice Ostrensky, entre outros, e o diretor de teatro Eduardo Tolentino comentam o livro, um dos mais influentes tratados políticos da literatura. Auditório da Apropuc | de ter. (15) a qui. (17), às 19h | grátis

POP

ERUDITO

LIVRO | LAURA BELÉM Em dez anos de carreira, agora repassados em livro, Laura Belém construiu uma obra em três frentes. Suas peças lidam com a fragilidade do projeto moderno no Brasil, em delicadas peças com pipas ou canudos de plástico que simulam a robustez da escultura concreta, a natureza dispersiva do som e pequenos acasos do cotidiano transformados em achados plásticos e imortalizados só em fotografia, antes de evaporarem com o tempo. Em 2005, a artista de Belo Horizonte levou dois barcos à Bienal de Veneza. Vazios, eles trocavam sinais luminosos pelos faróis presos à proa, parecendo conversar sem causar abalos. Talvez esteja aí a síntese de sua obra sutil, o silêncio que substitui a palavra como mensagem mais direta. Mesmo quando entra o som, como uma música qualquer ou discursos desencontrados tocados num jardim japonês, Belém busca sua frequência mais frágil. No livro, o registro de tudo se dá na mesma chave – amplas imagens e poucas palavras que bastam para entrar nesse universo de sonoridades desbastadas. (Silas Martí) Laura Belém | Cosac Naify | R$ 65 | 205 págs.

DIVULGAÇÃO

ARTES PLÁSTICAS | GRANDES MESTRES DA ARTE POPULAR IBERO-AMERICANA Os mais de 1.300 objetos coletados formam um vasto panorama da produção artesanal ibero-americana. A exposição, que apresenta trabalhos de 600 artistas, traz 79 brasileiros, tais como Willi de Carvalho, Marcos de Nuca e Maria José Gomes da Silva. Galeria de Arte do Sesi-SP | de ter (15) até 19/1 | todos os dias, das 10h às 20h | grátis

LIVRO | A VIDA EM ANÁLISE O psicanalista Stephen Grosz relembra os casos mais marcantes de seus 25 anos de profissão e retrata 31 de seus pacientes, alterando apenas os detalhes que pudessem identificá-los. Além de ilustrar a atribulada rotina de um psicanalista, o volume flagra dramas cotidianos, histórias de superação e mudanças e casos de amor com final infeliz . trad. Maria Luiza X. de A. Borges Zahar | R$ 39,90 | 208 págs. ‘Casal’, de Maria José Gomes da Silva

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL

ALCIR PÉCORA, 59, é professor de teoria literária da Unicamp, autor do livro “Máquina de Gêneros” (Edusp) e organizador de “Por Que Ler Hilda Hilst” (Globo).

MARCIA FORTES, 45, é jornalista, curadora e sócia-diretora da Galeria Fortes Vilaça. Pág. 7

CAETANO W. GALINDO, 40, é tradutor e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Paraná. Verteu para o português, entre outros, “Ulysses”, de James Joyce.

RAQUEL COZER, 35, é colunista da Folha.

CLAUDIUS CECCON, 75, é cartunista. FRANCESCA ANGIOLILLO, 41, é editora-adjunta da “Ilustríssima”. KATE HODAL é correspondente do jornal “The Guardian” no Sudeste Asiático.

RICARDO CAMMAROTA, 41, é ilustrador. RONALDO VAINFAS, 57, é professor de história moderna da Universidade Federal Fluminense, autor de “Antônio Vieira: Jesuíta do Rei” (Companhia das Letras).

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha MESTRES DA ARTE POPULAR Exposição com obras artesanais ibero-americanos >>folha.com/ilustrissima


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História

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Escrevam o que eu li O livro a respeito do livro que inspirou Tiradentes RESUMO Capítulo desprezado na aurora da historiografia brasileira e valorizado nos anos 1970 por Kenneth Maxwell, a Inconfidência Mineira ganha, sob a coordenação do britânico, nova antologia. “O Livro de Tiradentes” retraça e analisa a influência das ideias libertárias dos colonos ingleses nos EUA sobre a conspiração das Gerais.

RONALDO VAINFAS

Poucos episódios da história brasileira deram tanto o que falar como a Inconfidência ou Conjuração Mineira de 1789. Inconfidência ou conjuração? Dá quase no mesmo, pois a primeira significa “infidelidade ao príncipe”, e a segunda, conspiração contra ele. Prosseguindo com os dilemas vocabulares, é válido dizer história brasileira sem que houvesse o Brasil como nação no final do século 18? Claro que sim, deixando os preciosismos de lado, sobretudo neste caso. Porque a Inconfidência Mineira, além de esboçar, na época, alianças com outras capitanias, foi tema impactante na construção da memória nacional. Memória, história e historiografia: dimensões do conhecimento que seguem juntas, rivalizando desde sempre. Basta lembrar que, no século 19, em meio à construção do Estado imperial, a Inconfidência nem sequer era considerada tema relevante e, no campo da memória, não tinha valor para a caracterização da identidade brasileira. O século 19 era tempo de Império, e a dinastia reinante era a mesma do século 18, em Portugal, a Casa de Bragança, contra a qual se insurgiram os inconfidentes. Melhor silenciar. O primeiro a mencionar a Inconfidência foi o historiador inglês Robert Southey, em sua “History of Brazil”, publicada antes mesmo da independência, entre 1810 e 1819. Minimizou, porém, a importância do episódio, assim como o principal historiador do oitocentos brasileiro, Francisco Adolpho de Varnhagen, autor da portentosa “História Geral do Brasil”, em cinco volumes (1854-57). Historiador competente nas lides da pesquisa documental, Varnhagen era, porém, um bajulador da monarquia e mentor da tese de que a nossa história era nada mais, nada menos do que uma continuação da his-

tória portuguesa. A intelectualidade abrigada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – criado em 1838 para escrever a história da jovem nação –, ainda que polemizasse sobre diversos temas, como a importância do índio (mas não a do africano) em nossa formação histórica, não dava bola para os movimentos conspiratórios do século 18 ou do início do 19. Celebravam o modelo de independência vencedor, encabeçado por dom Pedro 1º. Dos gabinetes do instituto às ruas do Rio de Janeiro: foi na atual praça Tiradentes, que já se chamou Rossio Grande, no século 17, e na praça da Constituição (a portuguesa), em 1821, que se erigiu a estátua equestre de dom Pedro 1º, em 1862. Justo no lugar onde Tiradentes foi enforcado e esquartejado, em 1792. A praça só ganhou o nome atual em 1890, com a Proclamação da República, esta sim valorizadora da Inconfidência Mineira como precursora da independência nacional. História ou memória? História nova, republicana, que por isto valorizou a primeira ideia de República esboçada no Brasil, à diferença da historiografia imperial. Justiça seja feita. O historiador carioca Joaquim Norberto de Sousa e Silva (1820-1891) publicou uma importante “História da Conjuração Mineira”, em 1873, editada pela Garnier. Foi o primeiro a utilizar os Autos da Devassa, em versão manuscrita, o que não é pouca coisa. Mas a importância da Inconfidência só foi reconhecida após 1889, sobretudo pelo Estado, empenhado em reconstruir a memória nacional à luz dos valores republicanos. José Murilo de Carvalho esclarece, no clássico “A Formação das Almas” (1990), como o até então obscuro Tiradentes foi transformado em herói nacional; em pinturas e retratos, é representado como o próprio Cristo,

LIBERDADE

Até mesmo Tiradentes, o mais modesto de todos eles, possuía cinco escravos. O lema dos conjurados, ‘Liberdade ainda que tardia’, valia apenas para os brancos inadimplentes - que esbanjavam

mártir da República: cabelos longos, barba e bigode. Nossa historiografia, neste ponto, ficou atrás da história e da memória. O celebrado Capistrano de Abreu, em seus “Capítulos de História Colonial” (1907), tratou a Inconfidência Mineira com desfaçatez, afirmando que mal se diferenciava dos levantes pernambucanos, quer a Guerra dos Mascates (1710-11), quer a Revolução de 1817 contra o futuro dom João 6º, pai de nosso primeiro imperador. Devassa Desprezada pelos historiadores brasileiros ou mitificada pela memória republicana, a Inconfidência Mineira precisou de um brasilianista para, de fato, vir à luz, como objeto da história brasileira. Coube ao britânico Kenneth Maxwell a tarefa demiúrgica de explicar a Inconfidência Mineira em livro que, na versão brasileira (1977), intitulou-se “A Devassa da Devassa”. O original em inglês data de 1973, mas as duas edições apareceram durante os anos de chumbo no Brasil. Maxwell “devassou” a urdidura da conspiração, considerando sua relação com a conjuntura europeia do período – tempo de revolução – e com o estilo da administração colonial, em especial o sistema de contratos. A cobrança de impostos atrasados (derrama) foi mesmo o estopim da conspiração, embora o próprio governador das Minas, o visconde de Barbacena, tenha considerado a cobrança abusiva. Não por acaso, Kenneth Maxwell é o coordenador de “O Livro de Tiradentes” [org. Bruno Carvalho, John Huffman e Gabriel de Avilez Rocha; trad. Maria Lucia Machado e Luciano Vieira Machado, Companhia das Letras, 2013, R$ 38 , 458 págs.], obra de grande valor, pois acrescenta novidades factuais e suscita reflexões sobre a mais badalada conjuração da história luso-brasileira. Que livro é esse? Tiradentes escreveu algum livro? Nada disso. Tiradentes tinha, sim, um exemplar do “Recueil des Loix Constitutives des États-Unis de l’Amérique”, tradução para o francês de vários documentos da Revolução Americana, com destaque para a Declaração de Independência, os Artigos da Confederação e as Constituições de 6 dos 13 Estados que compunham a república. O “Livro de Tiradentes” é, na verdade, a primeira tradução para o português daquele “Recueil”, publicado em Paris em 1778. Nada comprova melhor a presença das ideias dos revolucionários estadunidenses na Inconfidência do que a circulação deste livro entre os conspiradores das Gerais:

ideias e fórmulas políticas que prevaleciam, de longe, sobre as que motivaram a Revolução Francesa irrompida no mesmo ano. Pouco antes de ser preso no Rio, em 10 de maio de 1789, Tiradentes deu o livro para Francisco Xavier Machado, porta-estandarte dos Dragões de Minas, para que o levasse de volta às Gerais. O dragão, porém, entregou o livro ao governador, visconde de Barbacena, originando uma investigação paralela à devassa movida contra os inconfidentes. No seu ensaio introdutório, Maxwell conta em detalhes a história desse livro, traduzido para o francês por iniciativa de Benjamin Franklin, embaixador dos revolucionários americanos na corte dos Bourbons. Boa parte dessa história está relacionada à busca do apoio francês para a guerra contra os ingleses, o que acabou ocorrendo, além de divulgar a revolução na Europa. O francês era a língua diplomática por excelência, além de ser a língua dos “philosophes” do Iluminismo setecentista. No tempo da Conjuração Mineira, alguns desses textos normativos tinham caducado, como os Artigos da Confederação, pois a Constituição dos Estados Unidos já tinha sido aprovada em 1787. Em todo caso, o livro é de enorme interesse, pois permite rastrear a cultura política dos inconfidentes. A solução radical dos revoltosos das colônias inglesas, presente na Declaração de 1776, sem dúvida pesou na conspiração das Gerais, o que se confirma nos documentos da devassa, presos os inconfidentes. Afinal, entre 1788 e 1789, os conspiradores parecem ter se inspirado na Revolução Americana, sobretudo porque ela explodiu com motivações antifiscais. Nesta edição do “Livro de Tiradentes”, além do texto de Maxwell, há outros dois muito valiosos: uma aná-

DECISIVO

O livro permite rastrear toda a cultura política dos inconfidentes. A solução radical dos revoltosos das colônias inglesas sem dúvida pesou na famosa conspiração das Gerais

lise erudita do conteúdo do “Recueil” assinada por pesquisadores de Harvard e Princeton, e um estudo de Júnia Furtado e Heloísa Starling, docentes da UFMG, sobre a cultura política dos inconfidentes. Destaque para as considerações sobre o valor da república como regime de governo; a ideia de pátria, que variava do arraial do Tejuco até Minas, embora os conspiradores tenham buscado atiçar outras capitanias para o movimento, sem nenhum êxito; o lastro intelectual dos conspiradores, formados em Coimbra, na maioria, alguns em Montpellier, na França, um deles na Inglaterra. Entre outras qualidades, esse livro permite aprofundar o impacto real da ideias revolucionárias dos colonos ingleses na conspiração dos mineiros. O famoso encontro de José Joaquim da Maia, codinome Vendek, com Thomas Jefferson, na França, em 1786, é somente a ponta de um iceberg. Os conjurados não só estavam a par da experiência norte-americana como sonhavam com eventual apoio militar dos EUA. Delírio. Dois aspectos desse paralelismo merecem uma palavra a mais. A questão da representação política, por exemplo, nos EUA, se ancorava nos Estados federados, herdeiros da autonomia institucional de cada colônia; no Brasil – onde, já dizia Capistrano, não havia sequer uma “consciência capitaneal” –, os conspiradores apostaram nas câmaras municipais, reduto dos “homens bons” na América portuguesa. Uma instituição arcaica. Impossível compará-la com os comitês distritais do republicanismo da Pensilvânia, o mais radical da Revolução Americana. Outro ponto chave é o da escravidão, que já nos EUA se mostrava problemático. Em algumas constituições previa-se a extinção da escravidão, ou do tráfico, em outras não. O próprio Jefferson, embora considerasse a escravidão um opróbrio, defendia o regime como necessário para a economia da jovem nação. Ele mesmo possuía 267 escravos na Virgínia. No caso de Minas, houve quem cogitasse a libertação dos escravos para lutar pela causa, mas a maioria achava isso um perigo e um desastre, pois não haveria “ninguém para trabalhar nas minas”. Todos os conspiradores das Gerais, sem exceção, eram escravistas. Cláudio Manuel da Costa tinha 31, o traidor Joaquim Silvério do Reis, mais de 200, Alvarenga Peixoto, 132. Até Tiradentes, o mais modesto deles, possuía cinco escravos. O lema dos conjurados, “Liberdade ainda que tardia”, só valia para os brancos inadimplentes.


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Reportagem

3 Mundo cão O mercado ilegal de carne canina no Sudeste Asiático RESUMO Em países do Sudeste Asiático, o consumo de carne canina tem longa tradição, e a demanda crescente fomentou um mercado negro que despacha cerca de 300 mil cães ao ano entre a Tailândia e o Vietnã, via Laos. Operações tentam coibir o tráfico, mas enfrentam a barreira da corrupção e do poder econômico dos contrabandistas.

KATE HODAL TRADUÇÃO FRANCESCA ANGIOLILLO ILUSTRAÇÃO RICARDO CAMMAROTA

Nguyen Tien Tung é o tipo de homem que você imaginaria encontrar em um matadouro de Hanói (capital do Vietnã): atlético, frenético e imundo,

com a camiseta branca salpicada de manchas de sangue, os shorts de jeans frouxos sobre as pernas tesas e arranhadas, os pés espraiados em sandálias de plástico. Debruçado sobre sua bancada de metal, entre duas peças de carne penduradas, o homem de 42 anos vigia seu abatedouro – um pátio de concreto a céu aberto, que dá para uma rua movimentada. Outras duas peças sem pele, alvas e brilhantes, são lavadas por um dos primos de Nguyen. Bem ali ao lado ficam as jaulas, cada uma com cinco cães, todos mais ou menos do mesmo tamanho, alguns com coleiras. Nguyen se aproxima de uma jaula e acaricia o cão mais próximo da porta. Tão logo o bicho começa a abanar o rabo, ele agarra uma barra de metal e acerta em cheio a cabeça do cão. Depois, rindo alto, bate a porta da jaula. Em uma rua do verdejante bairro de Cau Giay, não muito longe do negócio da família Nguyen, fica um dos restaurantes mais famosos da cidade, o Quan Thit Cho

Chieu Hoa, que só tem uma iguaria no menu. Há cozido de cachorro, servido em sopa de sangue; churrasco de cachorro com capim-cidreira e gengibre; cachorro ao vapor com pasta de camarão; vísceras de cachorro cortadas fininhas como linguiça; e cachorro no espeto, marina do na pimenta com coentro. Entre os muitos restaurantes especializados em carne canina de Cau Giay, esse é o mais cultuado. Nele receitas tradicionais são servidas em um ambiente tranquilo à beira de um canal. “Eu sei que soa esquisito que eu coma aqui, já que eu tenho cachorros e nem me passaria pela cabeça comê-los”, diz Duc Cuong, um médico de 29 anos, enquanto dá uma mordida num bocado de vísceras caninas que acaba de enrolar numa folha de manjericão. “Carne de cachorro é gostosa e faz bem”. Ninguém sabe ao certo quando os vietnamitas começaram a comer carne canina, mas o consumo tem longa tradição. E sua popularidade vem aumentan-

do: segundo ativistas, hoje 5 milhões de animais são comidos por ano. Carne de cachorro é um hit em coquetéis, reuniões familiares e ocasiões especiais. Supostamente ela aumenta a virilidade, eleva a temperatura sanguínea nas noites frias e serve como um bom auxiliar terapêutico. É vista como uma carne abundante, de alto valor proteico, uma alternativa saudável ao porco, ao frango e à vaca que compõem o menu vietnamita diário. Alguns comensais acreditam que, quanto mais o animal sofre para morrer, mais saborosa é a carne, o que pode explicar a forma brutal como os cães são abatidos no Vietnã – muitas vezes espancados até a morte com um tubo de metal (o que pode exigir de 10 a 12 golpes); ou degolados; ou apunhalados no peito com uma faca imensa; ou ainda queimados vivos. “Tenho gravações de cães sendo alimentados à força ao chegarem no Vietnã, um pouco como se faz com gansos para foie gras”, diz John Dalley, um britânico magro

aposentado, que dirige a fundação tailandesa Soi Dog, dedicada ao combate ao comércio de carne canina no Sudeste Asiático. “Enfiam um tubo até o estômago dos bichos e enchem de arroz e água, para aumentar o peso para a venda”. O método de Nguyen para incrementar seu lucro é mais simples: “Quando quero que pesem mais, coloco uma pedra na boca do cachorro”. E dá de ombros, antes de abrir a jaula para outro abate. Demanda O governo estima que haja 10 milhões de cães no Vietnã, onde a carne canina é mais cara que a de porco; um prato dela pode custar mais de R$ 100 em restaurantes elegantes. A demanda crescente levou os fornecedores a buscar além dos vilarejos onde tradicionalmente se praticava a criação para abate, chegando a cidades em todo o país. O roubo de animais – de rua ou de estimação – se tornou tão comum que ladrões chegam a ser espancados em via pú-

blica, às vezes até a morte. Os efeitos da demanda se espalharam além-fronteiras, fazendo florescer um mercado multimilionário que despacha 300 mil cães ao ano em gaiolas de metal saindo da Tailândia, pelo rio Mekong, para o Laos e dali às fronteiras porosas na floresta, sem comida ou água, até encontrarem a morte nos abatedouros vietnamitas. É uma indústria baseada no mercado negro, conduzida por uma máfia internacional, com apoio de funcionários públicos corruptos; não é de estranhar que ativistas lutem para debelá-la. “No começo era um punhado de pequenos comerciantes que almejavam lucros modestos”, diz Roger Lohanan, da Thai Animal Guardians Associations, organização em Bangcoc que desde 1995 investiga o mercado de carne canina. “Mas agora é um item de exportação fundamental. É um mercado livre de impostos, com lucro que varia de 300% a 500%, então todo mundo quer meter a colher nele”.


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Crítica

4 Jornadas contra a realidade Dois olhares sobre os jogos de Decameron’ RESUMO Duas novas edições se voltam para o clássico de Boccaccio: uma antologia, lançada pela Cosac Naify, mais fiel a aspectos sintáticos do italiano; e uma versão integral do texto, pela L&PM. Apesar do bom nível das traduções, faltam aparatos críticos e notas para ampliar as possibilidades de interpretação do texto pelo leitor.

ALCIR PÉCORA

De uma vez, apareceram duas novas traduções do “Decameron” (1349-53, revisto em 1370-71), de Giovanni Boccaccio (1313-75). Uma delas, integral, efetuada por Ivone C. Benedetti [L± R$ 74; 632 págs.]. A outra, contendo uma seleção de dez histórias, escolhidas entre as mais celebradas do volume, de responsabilidade de Maurício Santana Dias [Cosac Naify; R$ 62; 128 págs.]. O argumento do livro é conhecido: atingida pela peste negra, em 1348, Florença vê-se na iminência do caos: a organização política entra em colapso, rompe-se a autoridade familiar e pública, desbaratam-se os costumes. A violência e o assombro das mortes sucessivas levam a situações extremas: da entrega a excessos luxuriosos imediatistas, sem esperança de futuro, à autoflagelação, quando apenas a expiação dolorosa parecia responder ao castigo. Nesse cenário tétrico, dez jovens da alta sociedade – sete mulheres e três rapazes, acompanhados de sete serviçais – buscam sobreviver à catástrofe, agindo com bom senso e lucidez. Retiram-se juntos para propriedades fora da cidade e, ali, procuram restabelecer uma rotina; o asseio pessoal, o decoro civil, as práticas cristãs e o prazer da conversação são a base do autogoverno do grupo. Decidem ainda que, da sesta ao crepúsculo, sob o comando de um “rei” ou “rainha” eleito a cada dia e que decidiria o tema da jornada, contar-se-iam histórias a fim de tornar mais leve o dia. E o plano é rigorosamente seguido durante dez jornadas – justamente o significado do termo grego “decameron”. As jornadas são dez, mas se estendem, de fato, por um período de 14 dias. Isto porque, dando início às sessões numa quarta-feira, interrompem as reuniões às sextas, dia simbólico da Paixão de Cristo, destinado a orações, e também aos sábados, reservados para lavar a cabeça e jejuar. Apenas duas das dez jornadas

têm temas livres; as demais seguem instruções, como a de contar histórias nas quais os protagonistas se saem bem, após tribulações várias; ou, ao contrário, histórias de amantes recíprocos que tiveram final infeliz; ou sobre pessoas que, por meio do engenho sutil, conseguiram conquistar um bem desejado; histórias nas quais alguém, com respostas prontas, safou-se de perigos etc. Por esse esquema, notam-se ao menos quatro forças posicionadas no centro do tabuleiro do “Decameron”, a saber: 1) o esforço dos jovens para recriar uma corte, refundar uma ordem política, quando a cidade real parece sucumbir ao caos; 2) o peso enorme da fortuna, isto é, do acaso e da contingência, que se abate sem causa ou aviso sobre as ações e vidas humanas; 3) a tirania e alcance das paixões amorosas, que não acatam condição de nascimento, situação econômica ou temperamento individual, a todos arrastando pelo desejo de gozo com promessas inseguras e perigosas; 4) a bravura do engenho, isto é, do entendimento pronto e perspicaz, apto como nenhuma outra faculdade humana a fazer frente ao imprevisto da fortuna. As cem narrativas contadas pelas dez personagens acomodam, com invenção copiosa, gêneros retóricos muito diversos, como as “novelas” (isto é, narrativas de assuntos diversos, compostas de vários episódios, quase independentes entre si), as “fábulas” (análogas aos “fabliaux” franceses, isto é, historietas em prosa ou verso, de natureza cômica, escabrosa ou obscena), as “parábolas” (vale dizer, alegorias, exemplos, contos moralizados de intenção pedagógica) ou, enfim, as “histórias” (que fazem referência a passagens históricas e personagens ilustres). No conjunto, as novelas organizam em “estilo médio” – equidistantes do sublime e do pedestre, como propõe um conhecido estudo de Francesco Bruni – uma enorme variedade de registros discursivos. Nessa perspectiva, as histórias contadas pelos jovens sobreviventes produzem, por meio da exímia arte de narrar, uma espécie de “Paideia”, reinterpretada em contexto cristão. Elas trazem à vida um repertório de invenções arquitetadas como educação da elite, mas uma educação menos apegada à pureza da doutrina ou à substância do conceito do que à conversação variada, ao entretenimento elegante, à sutileza com que a arte costura, num só tecido, os mil pontos da língua dos acidentes. Novas traduções Ambas as novas traduções, feitas diretamente do italiano, são de bom nível. Comparando trechos aleatórios do livro, a de Santana Dias parece mais literal, mais fiel aos termos repetidos e à sintaxe apta a múltiplas intercalações do italiano, o que pode, por vezes, soar

menos fluente em português. E poderia ser ainda mais literal, arcaizando e toscaneando o português até onde suportasse a inteligibilidade da língua. Com um exemplo simples: na primeira frase da primeira novela da primeira jornada, aparece duas vezes a palavra “coisa”, e na frase seguinte, o termo “coisas”. A tradução de Santana Dias mantém a repetição na primeira frase, mas a altera na terceira ocorrência por “obras”; Benedetti usa apenas uma vez “coisas” na primeira frase, substituindo-a, na segunda, por uma anáfora (“as fez”). Por quê? Talvez porque hoje soe mal a repetição? Ela, porém, é parte de um estilo que não a considera deselegante ou redundante, em parte porque são histórias para ser lidas em voz alta, em parte porque a repetição favorece o ritmo solto e o temperamento leve, um despejo médio, prosaico, cuja graça não convém desdenhar. O aparato crítico das duas edições é reduzido: no caso da antologia, se limita a uma breve introdução de Santana Dias, modesta na pretensão interpretativa, mas adequada na aproximação tanto do mais importante especialista no “Decameron”, Vittore Branca, que acentua os aspectos “medievais” do livro, quanto do já citado Bruni. Traz também uma seleta e útil bibliografia para os que desejem avançar os estudos sobre o livro. No caso da edição integral da L&PM, a introdução ficou a cargo de Carlos Eduardo Berriel, professor de teoria literária na Unicamp, estudioso do Renascimento e editor da revista “Morus”, dedicada aos estudos utópicos. Aqui a intenção interpretativa articula aspectos da vida social europeia e da biografia de Boccaccio – por exemplo, fazendo-o ver, em Nápoles, a sua amada Fiammetta, à imagem da Beatriz de Dante ou da Lauretta de Petrarca. No entanto, mais que vividas, tais passagens são lugares comuns do gênero biográfico, anedotas assentadas em tópicas retóricas e não histórias que se possam confirmar. Berriel também entrega o “Decameron”, sob uma “concepção inteiramente laica”, ao “Renascimento” e “à variedade da realidade da vida”, o que faria das suas novelas uma quase antecipação do “romance enquanto gênero”. É uma leitura que, mais recentemente, tende a ser criticada, porque reforça uma visão teleológica da história, segundo a qual os eventos de uma época se explicam mais pelo que resultariam em outra do que pelas referências próprias do seu modo de significação. Na edição da Cosac Naify, não há notas de nenhuma espécie, nem textuais, nem interpretativas, o que, no caso de um livro escrito há 650 anos atrás, enfraquece as possibilidades de uma leitura bem-feita. Não porque se deva ser didático a respeito dele, ou porque não sustente uma

inteligibilidade atual, mas sim porque notas bem informadas multiplicam a capacidade de o leitor aproveitar a potência significativa do texto. Na edição da L&PM, há algumas notas – poucas, a considerar qualquer boa edição italiana, como a da Mursia, a cargo de Cesare Segre, ou a da Einaudi, do citado Branca. Entretanto, parte delas se gasta por uma opção questionável, qual seja, a de reverter para o francês os nomes italianizados por Boccaccio. A opção se complica ao alterar o título alternativo do livro, apresentado por Boccaccio em sua primeira didascália: “Comincia il libro chiamato Decameron cognominato principe Galeotto...”. Ao traduzir Galeotto por Galehaut, Benedetti busca ser fiel ao nome original do amigo dedicado de Lancelote, no célebre ciclo bretão. Mas Galehaut é opção estranha ao original boccacciano. Se fosse para traduzir o nome, não seria mais próprio, em vez de lhe dar uma retroversão francesa, aportuguesá-lo para Galeote, nome consagrado do herói nas traduções do ciclo do Graal para nossa língua? Outra complicação se dá pelo honorífico “príncipe”, mantido pela tradutora junto a Galehaut, pois se trata de voz genérica italiana para referir um “cavaleiro nobre”. Ma, se o italianismo se mantém, não seria mais justo deixar tudo por conta do “Príncipe Galeotto”, assim como para os demais nomes italianizados, e ter mais espaço para notas filológicas, retóricas e históricas

que ampliassem as estratégias interpretativas do texto? Seja como for, estas são observações incidentais, que contam pouco diante do que um e outro tradutor tão bem fez ao presentear-nos com tal obra de cultura. Trabalho gráfico No que toca ao trabalho gráfico e de editoração, as duas edições são bem diferentes. A da L&PM, com número muito maior de páginas, é mais simples, sem deixar de ser bem impressa, revisada e facilmente manuseável. A capa faz uso de uma pintura a óleo de Gustaaf Wappers (também conhecido como Gustave Wappers, 1803-74), que, à maneira acadêmica do século 19, retrata o próprio Boccaccio a contar histórias para a rainha de Nápoles e uma dama, ambas vestidas como cortesãs e atiradas languidamente sobre o leito desarrumado. É uma cena conforme à fama mais licenciosa que os tempos acentuaram no “Decameron”, mas que pouco tem a ver com o rígido decoro com que se comporta o grupo dos dez jovens narradores, tal como o livro o propõe. Os grandes tipos do título e do autor, que ocupam um terço da capa, empregam uma tipologia de estilo híbrido, com detalhes da letra romana como na perna da frente do “R”, bem como na proporção geral; acrescentam-se estilizações e traços figurativos, como espadas no “M” e “N”, arco ogival e barra

CLAUDIUS CECCO/ cartum

dupla no “A” – esse arco, por exemplo, lembra a fórmula pseudogótica atualmente muito empregada em séries juvenis de sucesso. Portanto, não se cuidou, aqui, para que a capa fosse verossímil ao “trecento” italiano, mas tampouco se quis que parecesse completamente contemporânea: há uma referência genérica ao acadêmico, como a dizer que se trata de livro antigo ou clássico. A edição da Cosac Naify, ao contrário, faz uma clara opção por um livro visualmente autoral e contemporâneo ao delegar toda a ilustração do volume, em capa dura, ao artista plástico paulistano Alex Cerveny. A solução da capa se dá em termos tipológicos, com aplicações de vinhetas alusivas a grotescos de manuscritos iluminados. O efeito é elegante, já pela eliminação das serifas, pelo rigor geométrico e pelo emprego do estilo “monoline”, isto é, sem variação na espessura dos traços. Há ligaturas interessantes – por exemplo, entre “C” e “A” e entre “O” e o “N”. Internamente, as ilustrações são numerosas, não havendo página em que não se encontrem desenhos, vinhetas ou intervenções em vermelho e azul no próprio corpo do texto. A aparência geral é luxuosa, a ponto de dar ao livro certo ar decorativo, senão mesmo de “coffee table book”: aquele que não só se lê, mas se deixa estar sobre os móveis como ornamento.


G6

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Diário de Frankfurt O MAPA DA CULTURA

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O útero e o riso Arte brasileira em território germânico

RAQUEL COZER

Cerca de 20 crianças alemãs fazem fila para entrar no útero de Lygia Clark (1920-88). Nenhuma delas jamais ouviu falar na artista brasileira, mas isso não as impede de quererem ser concebidas, geradas e dadas à luz na instalação “A Casa É o Corpo” (1968), que recria o nascimento. “Bem-vinda à vida!”, graceja uma segurança a uma menina que conclui o périplo. A considerar as 3.000 pessoas que passaram por ali desde a abertura da mostra “Brasiliana”, cinco dias antes, não é uma piada nova. “Nunca vi os seguranças se divertirem tanto”, diz a curadora Martina Weinhart, que passou dois anos selecionando as obras que ficam até janeiro na galeria Schirn, uma das maiores de Frankfurt, no microcentro histórico da cidade. A mostra integra a programação local em torno do Brasil, convidado de honra da Feira do

Livro de Frankfurt deste ano. Seu conteúdo surpreendeu até Weinhart, que, em 30 anos de curadoria, nunca tinha ouvido falar em Lygia, Cildo Meireles e Tunga, para ficar em três dos mais famosos selecionados. “Eles são muito conhecidos no Brasil, mas aqui não. É tudo tão sensual”, diz, antes de ter a voz abafada pelos risos da obra sonora “rio oir” (2011), de Cildo. Dos dois mais jovens expostos, Henrique Oliveira, 40, e Maria Nepomuceno, 37, ela conseguiu obras exclusivas – respectivamente, como define, uma “gruta de compensados de favela” e uma “experiência brasileira em Marte”. Jeitinho ‘Brasilês’ Mais conhecido na Alemanha do que no Brasil é Zé do Rock, 57, que há duas décadas habita território germânico e lança agora livro de forte sotaque “brasilês”. “Per Anhalter Durch die Brasilianische Galaxis” (de carona pela galáxia brasilei-

ra), resultado de três meses de viagem, foi um dos títulos preparados para esta edição da feira pela A1 Verlag, editora “klein, aber fein” (pequena, mas fina) que também publica João Paulo Cuenca e Ana Paula Maia. O lançamento lhe rendeu espaço no nobre Sofá Azul, com entrevistas gravadas para a TV alemã. Zé do Rock não é uma estrela. Está para a cena literária alemã como o poeta marginal Chacal para a brasileira, como diz o poeta brasileiro Age de Carvalho, que vive em Viena. Mas não passa despercebido. “To em fremt do stand de informassoes. Eu tenho ropa colorida”, escreve, no “brasilês” que inventou, em SMS enviado para se identificar. Logo é localizado: veste calça amarela, camiseta azul, casaco branco, tênis com cadarços abóbora e mochila preta e cinza. O livro novo é seu quinto, dos quais só um, de 1998, saiu no Brasil, como “Zé do Rock - O Erói sem Nem Um Agá” (L&PM, esgotado).

Capital do crime Toda vez que vai à Feira de Frankfurt, a 153 km de Stuttgart, onde mora, Zé do Rock se lembra de São Paulo. “O que São Paulo é em termos de cidade a Feira de Frankfurt é em termos de feira. Um monstro”, diz. E vê outra semelhança: “A criminalidade em Frankfurt está igual à de São Paulo. Lá diminuiu, aqui aumentou”. A fama de capital do crime da Alemanha não é um título que Frankfurt ostente com orgulho como o de maior centro financeiro do país. A cidade lidera há mais de duas décadas pesquisa anual do Departamento Federal de Criminalística da Alemanha. Tem cerca de 700 mil habitantes e média de 16 mil delitos a cada 100 mil pessoas. Não é algo que o morador perceba tanto, mas o turista pode reparar de primeira. O maior índice de furtos acontece com desprevenidos no aeroporto. Fora de lá, terá mais chance de conhecer a violência local quem se aventurar pela zona de prostituição.

Sem desprendimento Por falar em delitos, quem anda frequentando as páginas policiais do “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, maior jornal da cidade, é um bispo católico em Limburg (a 76 km de Frankfurt). Franz-Peter Tebartz-van Elst já andava na mira da imprensa pelo pouco desprendimento material. Resolveu processar a “Der Spiegel” após texto da revista afirmar que ele tinha ido visitar crianças pobres da Índia viajando em primeira classe, mas acabou acusado de prestar falso testemunho na ação. Na última terça, o “Frankfurter” informou que a já polêmica construção de sua imensa casa custou não os “meros” 15 milhões de euros que se pensava, mas 31 milhões (R$ 93 milhões). Na quinta, o arcebispo alemão Robert Zollitsch disse que recomendaria ao papa Francisco, famoso por defender uma vida modesta, tirar Tebartz-van Elst do cargo.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

6 O perdão de Susan Sontag Nova York, 1992

MARCIA FORTES

Quando recebi a confirmação por fax fiquei hiperexcitada. Eu entrevistaria ninguém menos que Susan Sontag (1933-2004) e precisava compartilhar esse trunfo no “escritório”, como costumávamos chamar o bar da Lucy na avenida A. Levei a lista de perguntas formuladas pela editora e por mim para a turminha de artistas e intelectuais aspirantes que marcava ponto ali. Varamos madrugada debatendo os signos de Saturno, as metáforas da Aids, as notas sobre estilo e, claro, a próxima música no jukebox. Não me lembro, mas provavelmente fechei o bar. Era 1992, eu era correspondente cultural do “Jornal do Brasil”, crítica incipiente do circuito das artes plásticas do Soho e boêmia profissional do East Village nova-iorquino. Não é que eu tenha acordado de ressaca; eu ainda estava bêbada quando levantei num salto às 11h no dia seguin-

te. Agarrei gravador e bloquinho e saí correndo escada abaixo. Fui xingando a mim mesma pela rua enquanto cruzava para o outro lado da ilha. A entrevista estava marcada para as 10h. Era quase meio-dia quando toquei a campainha da cobertura no West Side. A própria Sontag abriu a porta. Deve ter sentido o cheiro de álcool exalado do meu suor frio. “Está muito atrasada e não tenho mais tempo para você”, disse, batendo a porta. Toquei a campainha uma, duas, não sei quantas vezes. Ela voltou, me olhando com escárnio: “Você está me perturbando”. Segurei a porta e desandei a falar. “Meu atraso é injustificável, sou uma jovem irresponsável, me perdoe, quero muito entrevistá-la, 1 milhão de leitores lerá suas palavras no jornal de domingo no Rio, o editor aguarda com uma página inteira em branco, por favor me receba!” Quase chorei. Sontag percebeu o desespero legítimo naquela trovoada de palavras. “Mudei de ideia, pode entrar.” Ela sentiu pena de mim. Quase a beijei.

Ficamos no sofá da sala, Manhattan desdobrando-se sob o janelão em frente. Dava pra ver uma parede coberta de livros ao fundo. Sentime confortável pela primeira vez naquele dia. Foi, no entanto, uma sensação fugaz. O lançamento do seu romance “O Amante do Vulcão” no Brasil era a pauta da entrevista, mas eu também trazia perguntas sobre sua admirável produção ensaística. Ela se recusava a respondê-las, dizia que estava ali exclusivamente como romancista, que não era mais a crítica dos anos 60 e 70, que essa falação de década era muito barata. Abriu-se um abismo de intenções naquela sala ampla – ela falando como a ficcionista que acabara de produzir sua melhor obra literária, e eu querendo ressuscitar a ensaísta radical de uma época. Ela estava irascível. Rosnou que não queria ser guia de consumo de uma estética cultural, que aquelas perguntas já não eram relevantes. Saí da linha novamente. Disse que a entrevista não funcionaria se ela negasse a própria biografia, que com certeza o rigor intelectual dos

seus ensaios haviam (in)formado os seus romances, que nada existia em um vácuo, que ela não podia refutar a minha admiração nem a de ninguém, pois ela era responsável pela formação crítica de um mundo de gente. Quanto dei por mim estava falando na velocidade da luz, comentando como aprendi com seus ensaios que há estilos e estilos e que algo pode ser tão ruim que chega a ser bom, que isso era genial, que mudei minha relação com a arte lendo seu livro “Contra a Interpretação”, que ela era a deusa dos “insights” brilhantes! Ela me interrompeu, “Acho que gosto de você, vamos adiante”. Aí a conversa rolou de verdade e me senti realmente bem, pondo à prova toda a filosofia diletante dos meus 25 anos diante do mais elevado intelecto. E, de repente, a glória máxima: sua companheira de tantos anos, a grande fotógrafa Annie Leibovitz, apareceu na sala com uma bandeja. Tinha vindo nos trazer chá! Ao que Susan Sontag agradeceu com um “Obrigada, querida”. Não era mais Sontag: eu estava com Susan, em sua casa.

EDUARDO

ORTEGA/

ACERVO PE SSOAL

Entrevista com Susan Sontag publicada no ‘Jornal do Brasil’ em 1992


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EM TEMPO - 13 de outubro de 2013 by Amazonas Em Tempo - Issuu