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EM TEMPO - 12 de janeiro de 2014

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.234 – DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

DIVERGÊNCIAS NO PLANO DIRETOR

DIVULGAÇÃO

DOMINGO

A PREFEITURA DE MANAUS E A PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO (PGM) ANALISAM DIVERGÊNCIAS TÉCNICAS APONTADAS PELO INSTITUTO MUNICIPAL DE ORDEM SOCIAL E PLANEJAMENTO URBANO (IMPLURB) NA ESTRUTURA DO PLANO DIRETOR, URBANO E AMBIENTAL DE MANAUS, QUE PODE SOFRER PELO MENOS OITO VETOS. POLÍTICA A5

DIVULGAÇÃO

A partir da próxima quinta-feira, a Vila dos Smurfs, montada no Manauara Shopping, promete tornar as férias da criançada ainda mais animadas. Elenco 16 e 17

PRECONCEITO

MICHAEL DANTAS/SEJEL

RICARDO OLIVEIRA

Conflitos envolvendo índios e brancos são históricos. No entanto, o preconceito contra os indígenas muitas vezes prevalece, explica o antropólogo Ademir Ramos. Dia a dia C1

Escritor inglês argumenta que a Apple, de Steve Jobs (foto), mais do que comercializar equipamentos eletrônicos, aspira a uma estética transcendental. Ilustríssima G3

AMAZONAS

DIVULGAÇÃO/STCK

Vale vaga na seleção de luta olímpica

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Os amazonenses Waldeci Silva e Allan Ferreira (foto) lutam, hoje, por um lugar na seleção brasileira que participará dos Jogos Sul-Americanos de Luta Olímpica em Santiago, no Chile. Pódio E2

DIVULGAÇÃO

Pesquisadores descobriram que quem come abacate tem menor risco de concentrar níveis elevados de colesterol e ter pressão arterial alta. Saúde e bem-estar F2

ARIEL SHARON

Ex-premiê de Israel morre aos 85 anos Em estado vegetativo desde 2006, o ex-premiê israelense Ariel Sharon (foto) morreu, ontem, aos 85 anos. Ele apresentou insuficiência renal, que afetou outros órgãos vitais. Última Hora A2

Além de garantir um clima mais aconchegante, fechamento da varanda ainda transforma o espaço em uma extensão da sala de estar. Salão Imobiliário 4

Presos por sumiço de videogame Grupo de militares estaria preso desde sexta-feira (10), depois que um game, do tipo X-BOX, desapareceu do Batalhão de Operações Ribeirinhas de Manaus. Última Hora A2

Bell em ritmo de despedida

Fábrica de Eventos traz o show show de despedida do cantor Bell Marques (foto), da banda Chiclete com Banana. Plateia D3

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

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MILITARES

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TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

Ariel Sharon morre após passar 8 anos em coma

Ex-premiê israelense teve derrame em 2006. Carreira foi marcada pela determinação da saída de Israel da faixa de Gaza

M

antido em estado vegetativo desde 2006, após décadas de controvérsia carreira política e militar, o ex-premiê israelense Ariel Sharon morreu ontem, aos 85 anos, deixando como legado a fama de belicista e, na contramão, a histórica retirada da faixa de Gaza que liderou durante seu mandato. Apelidado “Arik”, Sharon nasceu em 1928 no vilarejo de Kfar Malal. Aos 14 anos, juntou-se às fileiras da Haganah, a versão embrionária das Forças de Defesa de Israel. O início de sua biografia é um apanhado de sucessivas promoções no Exército, incluindo ter comandado uma companhia de infantaria na guerra de independência de 1948 e ter fundado, em 1953, uma unidade de elite responsável por retaliar ataques árabes. Sharon estudou na Universidade de Tel Aviv, onde graduou-se em direito, em 1962. No Exército, ele comandou, nos anos 1960, tanto as regiões norte quanto sul, tendo também ocupado o posto de líder da divisão de treinamento militar. Suas vitórias nas guerras de 1968 e 1973, como elogiado estrategista, lhe renderam os

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títulos hiperbólicos de “rei de Israel” e “Leão de Deus”. A carreira de Sharon tomou a senda política na década seguinte, em uma breve passagem pelo parlamento, em 1973, seguida de sua renúncia. Em 1975, ele assessorou o primeiro-ministro Yitzhak Rabin no campo de segurança e, 2 anos depois, foi eleito parlamentar, após o que se juntou ao partido de direita Herut - que mais tarde se tornaria o Likud. No governo, Sharon foi ministro da Agricultura e, em 1981, assumiu a pasta da Defesa durante o período crítico da Guerra do Líbano. Foi nesse país inimigo que os papéis de sua carreira se mancharam, diante da opinião pública, após Sharon ser considerado por uma comissão de inquérito como “pessoalmente responsável” pelo massacre de refugiados palestinos em Sabra e Shatila, em Beirute. Na década seguinte, em uma provocativa visita à Esplanada do Templo de Jerusalém, local sagrado disputado por judeus e muçulmanos, Sharon desencadeou uma onda de revoltas que culminaram na Segunda Intifada, levante palestino com graves consequências políticas e centenas de mortos em am-

bos os lados. Meses depois, responsável por reformular o partido de direita Likud, Sharon foi eleito em 2001 para o cargo de primeiro-ministro com a maior margem de vitória na história de Israel. Ele foi reeleito em 2003, após ter convocado eleições antecipadas. Na liderança do país, em seu último grande feito como político e militar, Sharon manobrou governo e Parlamento a aprovar a retirada dos assentamentos israelenses na faixa de Gaza, em um gesto de grande dano entre o eleitorado colono. Seu ato concessivo, de certa maneira incoerente com as décadas em que promoveu a expansão de assentamentos nos territórios ocupados, levou ao fortalecimento da facção terrorista Hamas, que tomou o controle da faixa de Gaza. Mas Sharon não testemunhou os desdobramentos de seu último gesto de liderança, assim como não viu as insurgências da Primavera Árabe ou a sombria crise histórica que encobriu a Síria. Em 4 de janeiro de 2006, o premiê Sharon sofreu um derrame com hemorragia cerebral, pelo qual esteve por anos em coma.

Sharon entrou em coma após um derrame com hemorragia cerebral ocorrido em janeiro de 2006

ABUSO DE PODER

MARLY MARLEY DIVULGAÇÃO

Presos por causa de videogame Pelo menos 700 militares estão presos desde a última sexta-feira (10), após ter desaparecido um videogame, tipo X-Box, do Batalhão de Operações Ribeirinhas de Manaus (Base Naval), localizado na Ceasa, Zona Sul da capital amazonense. De acordo com um militar, que preferiu não se identificar por receio de retaliação, o comandante da

unidade, identificado como capitão-de-fragata Ferreira, ameaçou manter todos aquartelados no local até o próximo dia 5 de fevereiro, caso o brinquedo não aparecesse, impedindo, assim, o descanso do final de semana dos fuzileiros navais. Imagens obtidas pela reportagem mostram que os militares detidos no batalhão estão dormindo em

cima de mesas, debaixo de escadas e nas calçadas que cercam o local. A reportagem tentou entrar em contato com o comando do batalhão, no entanto as ligações não foram atendidas. A assessoria de imprensa da Marinha informou que iria mandar uma nota a respeito do assunto, no entanto, até o fechamento desta edição, não houve contato. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Marly Marley era casada com o comediante Ary Toledo

Câncer mata jurada do ‘Programa Raul Gil’ A atriz e diretora Marly Marley morreu na noite de sexta-feira (10), aos 75 anos, em São Paulo. Casada com o comediante Ary Toledo há mais de 40 anos, destacou-se como importante vedete no teatro de revista e atualmente fazia parte do corpo de jurados do “Programa Raul Gil”. Marley estava internada no hospital São Camilo, de São Paulo, em tratamento quimioterápico de câncer no pâncreas, segundo a assessoria de imprensa do local. O enterro estava marcado para as 17h, no cemitério Morumbi, na capital paulista. Natural de Três Lagoas (MG), Marly Marley formou-se professora e psicóloga, mas optou pela

DOENÇA

Marly Marley estava internada no hospital São Camilo, em São Paulo, em tratamento quimioterápico de câncer no pâncreas. Ela era casada com Ary Toledo há mais de 40 anos carreira artística. Na televisão, trabalhou nas redes Tupi, Excelsior, Band, SBT e Record. No cinema, Marly Marley participou, na década de 1960, dos filmes “O puritano da rua Augusta” e “Casinha pequenina”. No teatro, foi parceira de cena de artistas como Dercy Gonçalves e José Vasconcelos. Fotos obtidas pela reportagem mostra militares detidos dentro do Batalhão de Operações

PRESÍDIOS

OAB quer acionar governos A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vai entrar com ações civis públicas em todos os Estados do país para que os governadores tomem providências em relação à situação dos presídios. Segundo a OAB, as ações irão “requerer providências enérgicas e que os Estados sejam compelidos a dar assistência às famílias dos presos mortos, bem como garantir indenizações pela falta de proteção efetiva aos apenados”. A medida foi anunciada pelo presidente da entidade, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. “As ações simbolizam uma medida de pressão aos governos estaduais para vencerem a inércia que se encontram no tema do sistema carcerário”, afirmou. A atitude ocorre após período de silêncio de Coêlho, ex-advogado da governadora Roseana Sarney (PMDB), diante da situação do complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), onde três detentos foram decapitados. Segundo a OAB, as ações serão protocoladas em cada Estado a partir da próxima semana. Elas irão pedir a separação dos presos em provisórios (ainda não julgados) e definitivos e também segundo a gravidade do crime.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

Contexto 3090-1010/8115-1149

A3

Editorial

contexto@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Não se serve a dois diabos

107 prefeitos têm mandato cassado Levantamento divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que, um ano após a posse dos prefeitos eleitos em 2012, 125 deles não estão mais no comando do Executivo municipal. A maior parte, 107, teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, número que representa 85,6% dos afastamentos. Segundo os dados da CNM, as demais causas de afastamento dos prefeitos eleitos são morte (12), motivo de saúde (2), renúncia (3), além de um que deixou o cargo por motivo não identificado. Na avaliação da confederação, o número de trocas dos eleitos em 2012 se manteve praticamente igual em relação ao levantamento feito em 2011, período em que 128 prefeitos deixaram os cargos. Precisou acontecer... Em função dos recentes acidentes envolvendo crianças que foram feridas ou mortas em piscinas, o deputado Darcíso Perondi (PMDB-RS) pediu ao presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, apoio para votar o projeto de lei 1.162, elaborado há 7 anos. O texto quer aumentar a segurança, especialmente dos ralos das piscinas. Afogamentos O Brasil lidera o ranking de afogamentos no mundo, que é a segunda causa de mortes entre crianças até 3 anos. Só em dezembro, duas meninas e um menino morreram em acidentes causados pela falta de segurança em piscinas. Parado no tempo O projeto de lei, que prevê a instalação de dispositivos de segurança nas piscinas, está desde 2007 estacionado na Comissão de Seguridade Social e Família. Pela proposta, as piscinas já construídas e que tenham sistemas hidráulicos em desacordo com as novas regras, terão que ser adaptadas no prazo de seis meses após a publicação da lei. Dilma O governador Omar Aziz quer saber quando a presidente Dilma Rousseff (PT) virá a Manaus. Aziz ligou para o Planalto na terça-feira (7) para falar com a presidente sobre a questão, mas Dilma estava gripada e não pôde atender. O governador está, agora, esperando uma confirmação.

Planejamento A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, também, recebeu uma ligação do governador. Aziz conversou com a ministra para falar sobre os projetos do Estado em andamento no Planalto. O governador não espera receber todos os recursos até o fim do seu mandato, mas quer deixá-los encaminhados. Sem rótulo Irritado com o PT, inclusive por conta da falta de investimentos do governo federal em Manaus, o prefeito Arthur Neto (PSDB) classificou como “deselegante” os recentes ataques dos petistas ao pré-candidato ao Planalto, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Arthur, cujo pai foi amigo íntimo do avô de Campos, disse que o governador é “simples” e “trabalhador”, longe do rótulo de “playboy” aplicado pelo ataque. Mudança de nomes No ano em que o golpe militar completa 50 anos, o vereador Waldemir José (PT) encaminhou expediente ao prefeito Arthur Neto (PSDB), solicitando que o chefe do Executivo municipal promova debates com a sociedade com o objetivo de discutir mudanças nos nomes de ruas, praças, prédios públicos e bairros, para homenagear políticos e autoridades que lutaram contra a ditadura militar no país. Exemplo de Salvador Waldemir lembra que, no ano passado, o colégio estadual Pre-

APLAUSOS

Regi regi@emtempo.com.br

sidente Emílio Garrastazu Médici, em Salvador, fez uma votação com alunos, professores, ex-alunos e pais para realizar a mudança do nome da escola por meio de uma eleição. O nome do guerrilheiro baiano Carlos Marighella teve 406 votos e venceu o do geógrafo Milton Santos, que obteve 128. Ação cautelar O Ministério Público do Trabalho no Amazonas, por meio da procuradora Fabíola Bessa Salmito Lima, ajuizou na sexta-feira, 10, ação cautelar preparatória inominada contra as escolas de samba do Grupo Especial de Manaus. Interdição Na ação, a procuradora pede, em caráter liminar, a interdição dos galpões de cinco agremiações fiscalizadas, na quinta-feira, 9, pelo órgão ministerial. O pedido tem como base “o risco iminente à vida dos trabalhadores lotados nos galpões, depois de constatadas condições insalubres em que são desenvolvidas as atividades de confecção de alegorias e demais itens para o carnaval”. Na pauta Além dos projetos que já estão na pauta do Senado, pelo menos três temas deverão chegar para análise da casa no primeiro semestre, após votação na Câmara dos Deputados: reforma política, Marco Civil da Internet e Código Regulatório da Mineração. Há também a expectativa da lei que define o crime de terrorismo seja aprovada pelo Congresso até março, para entrar em vigor antes da Copa do Mundo.

VAIAS

Atendimento especial

Muito se tem falado e escrito sobre a impossibilidade de servir a dois diabos ao mesmo tempo. Ainda assim, continua sendo mais fácil repetir uma mentira até transformá-la em verdade, do que vislumbrar algum crédito para uma verdade que tenha sido ao menos nomeada um milhão de vezes. O esforço de servir a dois diabos, como se a mão esquerda não soubesse o que faz ou desfaz a direita, continua sendo uma prática triste do jornalismo amazonense: “coleguinhas” ainda não conseguiram – apesar de 4 ou 5 anos frequentando (ou fazendo de conta quê) a faculdade de comunicação – esclarecer a diferença entre o jornalista assessor de imprensa (atividade muito mais tendente a relações públicas) e a de “jornalista de redação”. Essa ignorância sobre as duas funções (uma atrelada à institucionalização de uma determinada informação, e a outra, comprometida com o esclarecimento público) tem sido exercitada com tanta frequência, que se pode alçá-la à condição de má-fé. A ignorância do que seja a própria profissão se transforma muito mais rápida e solidamente em má-fé quando o (a) jornalista torna-se íntima do poder e usa essa proximidade promíscua para favorecer a um dos diabos a que serve. Essa é a doença infantil do jornalismo amazonense, que ainda não encontrou (porque foge dela como o diabo da cruz) a vacina que pode devolver-lhe a saúde moral: o exercício da ética, disciplina obscura que mal atravessa as salas dos cursos de comunicação, travados no mecanismo emissor-receptor. Íntimo do poder, o (a) jornalista aproveita-se da informação privilegiada, um crime quando se trata de economia e finanças, mas que não tem considerado o seu dolo, quando se trata de comunicação. Pode não ser crime (ainda), mas recomenda mal, não apenas os servidores, como os patrões também.

Mau atendimento

ALEX PAZUELLO/AGECOM

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Para o governo do Estado, que inaugurou o novo Centro de Especialidades Odontológicas da Universidade do Estado do Amazonas, especializado no atendimento de pessoas com deficiência.

Para o atendimento precário de algumas operadoras de celular. Além da falta de tato para lidar com o consumidor, continuam deixando os clientes “de molho” na espera pelo atendimento.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Invasão indevida A previsão inicial, que já se confirmou amplamente, era de que um grande aparato de espionagem seria construído e, daí e por força dele, toda a nossa privacidade se dissolveria e seríamos fiscalizados em toda a amplitude e nos menores detalhes das nossas vidas. Tal aparato estaria sob o controle pessoal de um homem, ou organismo, absoluto ditador, que seria designado como “O Grande Irmão”, que se dizia sempre estar “de olho”, a cuidar de todos nós. Hoje quase chegamos a essa situação, vigiados por câmeras e grampeados em nossos telefones, e Orwell apenas estimou com antecipação no tempo, o que não se concretizou em 1984, como vaticinado. Na primeira metade do século 20, o autor do romance tido como distópico, precisamente porque se refere a um mundo que não desejamos, oposto ao utópico, sempre desejado e jamais alcançado, assistindo ao avanço da tecnologia dos apetrechos digitais e, ao mesmo tempo, postos diante dele os exemplos de Estados e de chefes de Estado autoritários e invasivos, como Joseph Stalin, Adolf Hitler e Mussolini, como um visionário, levou para a ficção o que temia que viesse a acontecer. Não seria difícil de prever que a pura e simples invasão da privacidade nossa não satisfaria por muito tempo a sede de controle de um Estado intervencionista. Logo haveria a passagem do simples conhecer e registrar para a ação mais direta e efetiva do intervir e controlar e, nesse particular, o Estado brasileiro tem se mostrado

extremamente empenhado. Ainda há poucos dias, a televisão anunciava a tramitação no Congresso Nacional de um projeto de lei que deverá definir medidas e pesos das mochilas que as crianças deverão portar, quando forem às escolas. Para o cumprimento dessa obrigação, os estabelecimentos deverão fiscalizar, ou seja, conferir cada mochila e ainda providenciar armários individuais para cada criança guardar seus pertences excedentes. O resultado é previsível: os custos aumentarão e as escolas os repassarão prontamente para os valores das mensalidades, ou seja, para as famílias. Nada justifica essa intervenção num terreno que não compete ao Estado. Se este se preocupa com a saúde das crianças, cabe a ele orientar os pais e definir os limites considerados seguros, a fim de que a própria família aja, no seu papel de educadora. Ao Estado cabem deveres e prerrogativas que se orientem sempre para o resguardo das liberdades individuais, para a preservação da segurança, da ordem, da saúde e da educação, como condições que se colocam previamente a fim de garantir que cada indivíduo e a sociedade como um todo possam escolher seus caminhos e a eles trilhar com seus próprios pés. Sempre que um Estado, por seu chefe e por suas leis, acha que o melhor a fazer é deliberar e padronizar condutas e valores para todos, conseguirá apenas instituir a intervenção e submeter a sociedade a um regime totalitário, ditatorial e autoritário.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Não seria difícil de prever que a pura e simples invasão da privacidade nossa não satisfaria por muito tempo a sede de controle de um Estado intervencionista. Logo haveria a passagem do simples conhecer e registrar para a ação mais direta e efetiva do intervir e controlar


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Imagina na Copa

O que aconteceu me chocou. O que aconteceu lá é algo inexplicável. Estou até agora chocada com o que aconteceu lá (...) O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes

A Polícia Federal foi acionada para monitorar a situação dos presídios nas 12 cidades que receberão jogos da Copa. Depois das cenas de barbárie no Maranhão, o Planalto passou a ter pesadelos com a possibilidade de rebeliões perto dos estádios. A ordem é reduzir os riscos de novo desgaste à imagem do país quando toda a imprensa mundial estiver aqui. No governo Dilma, já houve motins em presídios de cinco Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Santa Catarina e Paraná. Além das 12 O governo também está preocupado com a segurança das seleções que se hospedarão fora das capitais, onde acontecem os jogos. Só no interior e no litoral de São Paulo, por exemplo, ficarão 12 delegações.

dos do pernambucano, ele deve comandar a comunicação da campanha.

Rédea curta Em contagem regressiva para a Copa, Dilma Rousseff decidiu se reunir a cada 15 dias com todos os ministros envolvidos na organização dos jogos.

Ele é o cara O alckmista Márcio França (PSB-SP) criou mais um atrito com a Rede. No fim de 2013, seu gabinete distribuiu informativo que atribuía a Marina um depoimento cheio de elogios ao deputado. “Foi o Márcio França que me trouxe para o PSB”, dizia a ex-senadora no texto.

Tô nem aí Alvo de críticas do mercado, o ministro Guido Mantega (Fazenda) estará de ferias durante o Fórum Econômico Mundial, no fim do mês. Dilma vai a Davos com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Só que não Ao lado da frase, o jornalzinho trazia uma foto de Marina, sorridente. O problema é que ela nunca disse nada daquilo. França reconheceu o erro pelo Facebook, mas os sonháticos ainda estão irritadíssimos.

Alforria Petistas querem que a presidente libere Alexandre Padilha (Saúde) para a campanha assim que chegar da Suíça. No cargo, o ministro só tem os fins de semana para tocar sua candidatura ao governo paulista.

Lagosta A família Sarney comemorou o Ano-Novo com uma grande festa na residência oficial de veraneio do governo do Maranhão. A casa é a mesma que receberia encomenda de 80 kg de lagosta fresca às custas do Estado.

O argentino O publicitário Diego Brandy, espécie de guru de Eduardo Campos (PSB), já teve as primeiras conversas com a equipe de Marina Silva. Segundo alia-

Champanhe Além de reunir o clã, Roseana Sarney (PMDB) convidou empresários e socialites para brindar o Réveillon. Entre eles, Luiz

Carlos Cantanhede, cuja empresa recebeu R$ 7,6 milhões em 2013 para ajudar a gerir os presídios maranhenses. Discurso Perto da meianoite, o patriarca José Sarney (PMDB-AP) fez a saudação de Ano-Novo. Segundo o jornal da família, o senador “leu trechos da Bíblia e fez prece por dias melhores para o Maranhão, para o Brasil e para toda a humanidade”.

Roseana Sarney, governadora do Maranhão (PMDB), faz discurso sobre as atrocidades registradas no presídio de Pedrinhas (mais de 100 assassinatos) e revela que o seu Estado ficou mais violento porque está mais rico e tem mais habitantes.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

DIEGO JANATÃ

Filósofo De acordo com a coluna social do jornal “O Estado do Maranhão”, as palavras do ex-presidente tiveram “a força das lições que ficam e que se vão, sopradas pelos ventos constantes, mas que devem nos fazer refletir”. De uma vez Prestes a mexer na equipe, Geraldo Alckmin (PSDB) avalia uma sugestão inusitada: exonerar todos os secretários e renomear, em seguida, os que devem ficar até o fim do ano. Tem lógica? A ideia, explica um aliado, é poupar o governador de constrangimento ao se livrar de secretários que não deram certo. Alckmin ficou de pensar.

Tiroteio

A revitalização da Ponta Negra, que tem oferecido aos frequentadores um visual unificado dos novos equipamentos, está criando uma espécie de “filhos bastardos” dos antigos pontos de venda de produtos, o que pode ser visto com abundância em um longo trecho da avenida Coronel Teixeira. Não fica bem na foto do conjunto

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Com tanto partido interessado, tem gente sugerindo trocar o nome do ministério para Desintegração Nacional. Da base, é claro!

Comunidades

DO DEPUTADO LÚCIO VIEIRA LIMA (PMDB-BA), sobre a disputa entre PMDB e PP para assumir o Ministério da Integração Nacional após a reforma de Dilma.

Romeiros e romeiras se dirigem durante todo o ano a Juazeiro, terra do padre Cícero, uma verdadeira multidão. São homens e mulheres movidos por sonhos e utopias, gente do campo e da cidade, de coração grande e agradecido, marcados pelo sofrimento, mas sábios para encontrar razões de alegria e canto. Entre os dias 7 e 11 de janeiro, a Diocese de Crato recebeu, em Juazeiro, uma romaria especial, formada por delegados das Comunidades Eclesiais de Base, as famosas CEBs, que teimam em continuar a existir, resistindo a toda e qualquer tentativa de fazer calar a voz daqueles que creem num mundo justo e fraterno e profeticamente se colocam a serviço da vida, recusando-se a seguir o individualismo crescente e a globalização da indiferença, como se Deus não estivesse atento aos gritos e clamores do seu povo, ou como se os pobres estivessem desaparecido por um toque de mágica, na manipulação dos dados e nas palavras falaciosas dos discursos dos poderosos de plantão. Quem são e o que move estas centenas de pessoas que representam outras milhares espalhadas por este nosso imenso Brasil? São comunitários que não permitiram como pediu o papa na sua última exortação que lhes roubassem as comunidades. Continuam acreditando que ser cristão é encontrar irmãos e irmãs que reunidos em torno da palavra e fortificados por ela criam relações novas entre si e na força do espírito lutam por justiça e por vida plena para todos. São pessoas

Contraponto

Para que lado eu vou? O ex-presidente Lula chegou animado à sessão solene em homenagem aos 25 anos da Constituição, em setembro passado. Na hora de discursar, perguntou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), qual das duas tribunas era usada pelos políticos de situação. – Eu estava preocupado e perguntei ao Renan qual era a tribuna da oposição e qual era a da situação – contou o presidente, ao iniciar sua fala. – Ele me disse que esta aqui era a da situação. E eu respondi: “Então é dessa que vou falar, para a imprensa não me confundir!” – arrematou.

Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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que sonham com fraternidade e este sonho as faz arregaçar as mangas enfrentar poderes, denunciar injustiças, organizar os pobres para que sejam sujeitos da história. Estamos sempre a caminho do Reino de Deus, que transcende o tempo e desemboca na eternidade, mas que já começa aqui. Recusam-se a viver um cristianismo que se reduza ao discurso e ao espetáculo e tiram as consequências éticas da adesão a Jesus Cristo. Respeitam sentimentos e emoções, mas afirmam que o pecado estrutural tem que ser combatido para que haja mais vida; que a vida humana é sagrada e que nada se equipara a ela. Defendem a natureza não por razões românticas, mas por que sabem que sua destruição é o fim da aventura humana com dignidade. Não têm medo de fazer opção pelos pobres, por que deles é o reino dos céus e o amor preferencial por eles está claro na revelação de um Deus que é amor e que só pode ser misericórdia plena. É evidente que a alegria tomou conta dessa romaria, pois a alegria é a característica maior da boa-nova, do Evangelho anunciado e vivido concretamente nestas festas da fraternidade que sãos os intereclesiais, e este já foi o décimo terceiro. Alegria que espanta o medo e que na sombra da estátua imensa do padrinho padre Cícero se fortaleceu, pois reafirmou a certeza de que Deus está conosco, é Emanuel e sua glória são seus filhos e filhas. Que a alegria das comunidades se espalhe por este nosso Brasil como profecia de tempos novos anunciados por estes profetas da justiça a serviço da vida.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

É evidente que a alegria tomou conta dessa romaria. Alegria que espanta o medo e que na sombra da estátua imensa do padrinho padre Cícero se fortaleceu, pois reafirmou a certeza de que Deus está conosco, é Emanuel e sua glória são seus filhos e filhas”


Política

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

A5

Plano Diretor de Manaus poderá sofrer oito vetos

RICARDO OLIVEIRA

Análise técnica realizada pelo Implurb identificou a existência de oito pontos divergentes no Plano Diretor de Manaus

Sem destacar possibilidade de vetos, o prefeito deverá finalizar a análise até o dia 20 de janeiro, quando pretende realizar uma cerimônia para a assinatura do Plano Diretor de Manaus RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

O

prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSD), e a Procuradoria Geral do Município (PGM), analisam um conjunto de divergências técnicas identificadas pelo Instituto de Planejamento Urbano (Implurb) na estrutura do Plano Diretor, Urbano e Ambiental de Manaus. Sem descartar possibilidade de vetos, o prefeito deve finalizar a análise até o

dia 20 de janeiro, quando pretende realizar uma cerimônia de assinatura do Plano. Setores ligados à administração dizem que pode chegar a oito o número de propostas com problemas técnicos. O diretor do Implurb, Roberto Moita Machado, informou que a análise técnica seguiu em rede com titulares das principais pastas impactadas pelo Plano, como Infraestrutura (Seminf), Meio Ambiente/Sustentabilidade (Semmas) e Habitação (Sehab). Moita

Machado diz que o trabalho foi finalizado ainda em dezembro do ano passado e desde o começo de janeiro o relatório já se encontra na Casa Civil, onde tem sido alvo de novas discussões. O documento entregue ao Chefe da Casa Civil, Lourenço Braga, tem destaque para oito pontos “sensíveis”, dos quais quatro apresentam grandes possibilidades de veto, visto a complexidade dos conflitos de normas. Alegando tratarse de um assunto “sigiloso”,

Moita Machado não confirma o número exato de divergências técnicas, nem em quais leis foram encontradas. Segundo ele, o assunto tem sido tratado internamente pelo prefeito, que tem se reunido com assessores jurídicos para tratar do assunto. Principal aconselhadora de Arthur no caso, a Procuradoria Geral do Município (PGM) deve fechar até segunda-feira (13) um parecer preliminar a respeito dos conflitos. O subprocurador-geral Rafael Albuquerque afirma que os pontos

não afetam notoriamente a estrutura do Plano, tratando-se de “pequenas incongruências”. O papel da procuradoria no caso, segundo ele, será de evitar futuros questionamentos jurídicos do Plano. Sem sinalizar que deve seguir integralmente o parecer da PGM, Arthur afirmou que a cerimônia de sanção do Plano não deve passar do dia 20. O tucano deverá aproveitar a ocasião, dedicada principalmente para selar a “satisfação” do Executivo com a bancada, para

anunciar os vetos. “Ainda estou analisando. Quero entregar esses vetos na ocasião”, disse. Nesse caso, os dispositivos vetados devem ser encaminhados à Câmara Municipal de Manaus (CMM) para serem votados em sessão simples. Apesar de ter afirmado que não sabia das divergências, o vereador Sildomar Abtibol (Pros), que presidiu a comissão especial responsável pela análise do Plano, afirmou que serão respeitados os laudos técnicos do Executivo Municipal.

RENATO ARAÚJO / ABR

ELEITORAIS

TSE tira o poder de Ministério O Tribunal Superior Eleitoral tirou do Ministério Público o poder de pedir a instauração de inquéritos policiais para investigação de crimes nas eleições deste ano. A partir de agora, promotores e procuradores terão de pedir autorização à Justiça Eleitoral para abrir uma apuração de suspeita de caixa dois, compra de votos, abuso de poder econômico, difamação e várias outras práticas. Até a eleição de 2012, o TSE tinha entendimento diferente. As resoluções anteriores que regulavam as eleições diziam: “o inquérito policial eleitoral somente será instaurado mediante requisição do Ministério Público ou da Justiça Eleitoral”. Para o pleito de 2014, os ministros mudaram o texto: “o inquérito policial eleitoral somente será instaurado mediante de-

terminação da Justiça Eleitoral”. Ou seja, o Ministério Público foi excluído. O relator da nova norma, ministro José Antonio Dias Toffoli, que irá assumir o comando da corte em maio, afirma que o tribunal mudou o entendimento histórico por duas razões: processos que não tinham o aval inicial da Justiça estavam sendo anulados; outra razão, garantir maior transparência. “O Ministério Público terá que requerer à Justiça. O que não pode haver é uma investigação de gaveta, que ninguém sabe se existe ou não existe. Qualquer investigação, para se iniciar, tem que ter autorização da Justiça”, diz. “A polícia e o Ministério Público não podem agir de ofício.” O atual presidente do tribunal, ministro Marco Aurélio Mello, foi o único contrário à

restrição na corte ao considerar que “o sistema para instauração de inquéritos não provém do Código Eleitoral, mas sim do Código Penal, não cabendo afastar essa competência da Polícia Federal e do Ministério Público.” O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho, afirmou que a medida é inconstitucional. “Se o MP pode investigar, então ele pode requisitar à polícia que o faça. Isso também é parte da investigação”, afirmou. A associação não descarta ingressar com medida judicial para derrubar a norma. A nova regra, válida apenas para as eleições de 2014, foi publicada no Diário de Justiça no dia 30 de dezembro e aprovada pelo plenário em sessão administrativa 13 dias antes.

Atual presidente do TSE, ministro Marco Aurélio, foi o único contrário a decisão da Corte


Política

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

STF avalia que irá fazer sobre prisão de deputado

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não é à toa que Deus nos deu dois ouvidos e uma boca só” GOVERNADOR EDUARDO CAMPOS (PSB-PE), rebatendo críticas do PT que o chamou de ‘tolo’

Propaganda faturou mais que Segurança no MA Descontados as lagostas, camarões e uísques do dia a dia no palácio, o governo do Maranhão gastou R$ 38,6 milhões com propaganda em 2013, mostram dados da Secretaria de Comunicação Social, no Portal da Transparência do Estado. A Secretaria de Segurança Pública foi mais modesta: R$ 33,2 milhões, e a de Direitos Humanos mais ainda: míseros R$ 702,1 mil. A propaganda só perdeu o pódio para a melhoria do abastecimento de água no Maranhão: R$ 39,7 milhões em 2013. A hora da estrela A capital, São Luís, foi a recordista de repasses ao Estado, segundo o Portal da Transparência do governo federal: R$ 813 milhões. Pedreiras Ideia de slogan para Roseana Sarney (PMDB-MA), que sai do governo em abril: “Com as pedrinhas que me atiras estarei no Senado.” Inflação criativa Recomeçou a “novidade” nos supermercados: o coador de café Melitta 2 tem menos 1cm de papel pelo mesmo preço. Há outros na onda. A grande fome Foi-se o tempo em que comunistas comiam criancinhas. O jovem ditador da Coreia do Norte mandou cães comerem o tio “corrupto” dele. Presidente da Fiesp, Skaf é apenas 5% industrial Candidato já em campanha para o governo paulista, o presidente da Federação das Indústrias do Estado, Paulo Skaf, curiosamente, não é industrial. Seu pai tinha uma indústria têxtil, que fechou, e

ele vive de alugar os galpões da empresa no Vale do Paraíba, Pindamonhangaba (SP). Para disputar a presidência da Fiesp, Skaf recebeu uma pequena parte das ações da empresa de um amigo, e virou 5% de industrial. ‘Tradição’ Antecessor de Skaf na Fiesp, Carlos Eduardo Moreira Ferreira não era industrial: tinha apenas pequena parcela de uma central hidrelétrica. Industrial? Antes de Moreira Ferreira, presidiu a Fiesp Theobaldo de Nigris, que era um comerciante: tinha concessionárias Mercedes-Benz na capital. Cabide de exO que mais se vê na Fiesp são ex-empresários: Paulo Villares (ex-Villares) e Fernando Greiber (ex-Ferragens Brasil) e Cláudio Bardella. Nossos comerciais Com dezenas de concursados para a função, a Empresa Brasil de Comunicação, a TV do Lula, vai pagar R$156 mil para um redator-chefe extra-quadro dirigir o “Repórter Brasil”, com traço de audiência. A Síria é aqui Ministério de Ciência e Tecnologia abriu licitação para contratar vans e transportar os membros da Organização para Proibição de Armas Químicas durante visita ao Brasil. Estarão as armas no Congresso? Força-tarefa Novo líder da Minoria, Domingos Sávio (PSDB) procurou lideranças do DEM, PSOL e Solidariedade para unificar a ação da oposição: “Juntos, temos mais poder

Jornalista

Antes de sair de férias, Barbosa não expediu o mandado de prisão de João Cunha e agora tenta assinar do exterior VALTER CAMPANATO / ABR

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de negociação contra rolo compressor do governo”. Restos a pagar Sob forte pressão de prefeitos, que começaram o ano de pires na mão, líderes da base aliada reclamam da dificuldade para executar emendas empenhadas em 2013, referentes ao orçamento aprovado ainda em 2012. E não é Copa Foi manchete no jornal alemão General-Anzeiger, de Bonn, o processo contra taxista que cobrou de turista mexicano € 400 por corrida de 10km. Do aeroporto de Berlim ao sul da cidade, custa uns € 40 euros. Dá na mesma Forte defensor de Marina Silva ao Palácio do Planalto, o presidente do PEN, Adilson Barroso, agora diz não ver muita diferença entre a candidatura dela e a do governador Eduardo Campos (PSB-PE). Sem embargos Por corrupção ativa e formação de quadrilha, José Genoino recebeu sentença de seis anos de prisão. Já Eudis Donizete Batistel Junior foi condenado ao mesmo tempo por roubar R$ 345 de uma moça no DF. Mal das pernas Após atrasar o pagamento das férias dos servidores, o governo do Distrito Federal agora enfrenta fechamento do restaurante comunitário de Brazlândia por deixar de renovar contrato recentemente encerrado. Pirata do Caribe O comentário é irresistível, diante da recente aparição de Fidel Castro em Cuba: lembrou um robô animado da Disney.

PODER SEM PUDOR

Passageiro paciente Após uma festa que varou a madrugada, Juscelino Kubitschek voltava de Mantena (leste mineiro) no bimotor Beechraſt quando o piloto Milton Prates percebeu que o “Mata Sete” (como chamavam o avião) perdia altura e gritou uma ordem para o copiloto improvisado, coronel Affonso Heliodoro, chefe da Casa Militar. A gritaria perturbou o sono de JK: - Que escarcéu é este? Não vêem que preciso de um pouco de descanso? - Foi o avião, governador, quase íamos pro chão! – explicou Prates. - Ora, tenham a paciência! Vão amolar o boi! – desdenhou JK, voltando a dormir.

Mesmo de férias, Barbosa avalia se, do exterior, pode assinar digitalmente o documento

F

ora da presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) devido a seu período de férias, Joaquim Barbosa avalia o que fazer para resolver o impasse sobre a detenção de João Paulo Cunha (PT-SP) caso a presidente em exercício, Cármen Lúcia, não assine o mandado de prisão. Antes de sair para o recesso, Barbosa rejeitou dois recursos do deputado e determinou que sua pena fosse cumprida. Mas ele não fez o último ato burocrático: expedir o mandado de prisão. A situação criou um mal-estar na corte, segundo três ministros ouvidos pela reportagem eles dizem que Barbosa deveria ter resolvido a situação antes de sair de férias. Os três avaliam que, ape-

sar do regimento dizer que expedição do mandado cabe ao relator, Cármen poderia assinar o documento, se achar que há urgência. Para Barbosa, a principal decisão, que rejeitou os recursos determinou o cumprimento de pena, foi tomada. Caberia a ela apenas uma burocracia. Mas pessoas próximas à ministra dizem que ela não assinará o mandado. Por isso, Barbosa avalia se, do exterior, pode assinar digitalmente o documento ou se terá que voltar ao Brasil. O advogado Alberto Toron, defensor do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), afirmou que, na avaliação dele, somente o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, pode expedir o mandado de prisão do parlamentar.

Para o advogado de João Paulo Cunha, a ordem para prender o petista é prerrogativa exclusiva do relator da ação penal. “Acho que só o relator é que pode [assinar mandado de prisão], pois é ato privativo dele”, afirmou Toron. A ministra Cármen Lúcia ocupará a presidência em exercício do tribunal até o dia 19 de janeiro, quando será substituída pelo vice-presidente do STF, Ricardo Lewandowski. A previsão é de que Joaquim Barbosa só retorne em fevereiro, após o fim do recesso do Judiciário. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha foi condenado no julgamento do processo do mensalão, em 2012, a 9 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

MENSALÃO

Condenado começa a trabalhar Primeiro condenado do mensalão autorizado a trabalhar fora da prisão, o ex-deputado federal Pedro Henry (PP-MT) cumpriu ontem seu primeiro dia de expediente em um hospital de Cuiabá. Henry, que é médico legista e especialista em medicina hiperbárica (terapia com oxigênio), chegou pouco antes das 7h ao hospital Santa Rosa, o maior da rede privada de Mato Grosso. Segundo a assessoria da instituição, ele assumiu o cargo de coordenador administrativo, com salário de R$ 7.500, e não terá atuação clínica. O hospital não autorizou a

entrada de repórteres. Condenado a sete anos e dois meses em regime semiaberto por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Henry renunciou ao mandato no último dia 13, logo após o STF (Supremo Tribunal Federal) ter decretado sua prisão. O principal controlador do hospital é a família Maluf, uma das mais ricas do Estado, com atuação principalmente na construção civil. Na política, o representante mais destacado é o médico Guilherme Maluf (PSDB), deputado estadual –não há parentesco próximo com o deputado Paulo Maluf (PP-SP).

No hospital, funciona uma clínica que consta da declaração de bens entregue em 2010 pelo ex-deputado à Justiça Eleitoral. No documento, Henry afirma ter cotas da clínica Hiperbárica Santa Rosa. Uma sobrinha, médica, é diretora técnica da clínica. O advogado de Henry, Décio Arantes, disse ter assumido sua defesa ontem e que não tinha como comentar o tema. Henry havia sido detido na Papuda, em Brasília, mas acabou transferido em 27 de dezembro, após obter autorização para cumprir pena no anexo da penitenciária central do Estado, em Cuiabá.


Com a palavra

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FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

FOTOS: DIEGO JANATÃ

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

CLÓVIS BARRETO

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RICARDO TRINDADE

“DEFENSORIA pública PARA todos”

onstituída desde 1990 para dar assistência aos mais carentes, a Defensoria Pública do Estado (DPE) passa por um novo processo eleitoral no dia 24 de janeiro. A eleição conta com dois candidatos: o ex-defensor público geral do Estado, José Ricardo Vieira Trindade – que se licenciou da função para tentar a reeleição –, e do defensor público Clóvis Barreto. Nascido no dia 13 de fevereiro de 1959, Trindade se formou em direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em julho de 1983, dedicando-se a advocacia particular até 1986, quando foi aprovado no concurso para advogado de ofício do antigo departamento de assistência judiciária da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus). A partir da Constituição de 1988, ele pôde optar pela carreira de defensor público, a qual ele acredita ser uma questão de vocação. Também nascido em fevereiro (no dia 16 de 1965), o defensor Clóvis Roberto Soares Muniz Barreto se formou em Direito pela Ufam em 1997 e, logo em seguida, se especializou em direito civil e processo civil. Embora sua carreira de sonho na faculdade tenha sido de promotor de Justiça, foi na Defensoria que ele encontrou sua paixão. Com todo um currículo prestado ao órgão, os dois já se enfrentaram no último processo eleitoral do órgão e agora lutam para ser o novo nome escolhido pelo colégio eleitoral formado por 107 defensores, 47 mais antigos e os 60 recém-empossados pelo órgão.

Essa atual administração ainda não disse para o que veio. Tivemos só um concurso público, importante, mas isso não pode ser a única obra de destaque durante 2 anos de gestão do ex-gestor da Defensoria

EM TEMPO - Como iniciou o seu interesse pela função de defensor? Clóvis Barreto: Na verdade, na faculdade eu tinha uma paixão pelo Ministério Público. Minha carreira do sonho era ser promotor de Justiça. Pouco se conhecia da Defensoria naquela época, ela era muito incipiente no Estado. Logo após sair da faculdade prestei concurso para o Ministério e para a Defensoria, em ambas fui aprovado. Primeiramente fui chamado pela Defensoria e me apaixonei pela carreira, por ser uma profissão que trata essencialmente de dar voz àqueles que não têm, de garantir o direito das pessoas pobres, e por ser a defensoria um fator importante de inclusão social e de transformação das mazelas que testemunhamos historicamente no nosso país. EM TEMPO - Para o senhor, quais as maiores conquistas da Defensoria desde sua Constituição? CB - Nós temos um déficit. O Estado do Amazonas na verdade tem uma dívida histórica com a Defensoria Pública. Ela começa a avançar notadamente no governo Omar Aziz, que tem mostrado uma grande sensibilidade para com a causa dos mais pobres. Nós temos a criação do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Defensoria, incentivado pelo governador. O concurso público que foi realizado foi neste governo. Eu posso afixar que até 2000, pouca coisa tínhamos a comemorar. Tivemos um incremento de melhores condições de trabalho na capital, porque no interior não tínhamos defensores. Tivemos aquisição de computadores, melhores locais para atendimento ao público, automóveis para o serviço e assim sucessivamente. Isto não é obra de um momento só. A Defensoria Pública é uma construção coletiva que ainda está em processo de afirmação. EM TEMPO - Quais são os projetos que serão desenvolvidos na sua gestão, caso o senhor seja eleito no pleito do dia 14? CB - Eu penso que falta atualmente a Defensoria Pública dialogar com a sociedade civil, com os movimentos sociais. Para amenizar esta falta de interação com a sociedade, eu pretendo instalar uma ouvidoria externa, que seria o canal de comunicação da sociedade civil com a gestão da Defensoria Pública. Eu gos-

taria também de implementar na Defensoria mecanismos de comunicação que hoje temos a disposição, um projeto de Educação em Direito, ou seja, as pessoas muitas vezes acabam batendo as portas do Judiciário porque fazem negócios, assinam contratos, sem ter conhecimento das regras que norteiam aquele ato e isto se resolve com educação em direito. Gostaria também de apontar como metas da minha gestão, se tiver a honra de ser escolhido pela minha classe, o aumento do orçamento da Defensoria Pública, porque poucas medidas poderão ser adotadas sem recursos. Temos hoje aprovado para 2014 um orçamento na casa dos R$ 40 milhões, que é insuficiente para as demandas da Defensoria. EM TEMPO - Hoje a Defensoria conta com 107 defensores,.. Qual seria o quantitativo que o senhor poderia citar como suficiente para atender a demanda do Estado? CB - Estes 107 sequer preenchem as vagas estabelecidas desde 1990, de 156 defensores. Hoje, passado 23 anos, temos 107, com uma população que beira quatro milhões de pessoas no Estado. Isto dá uma relação de um defensor para 65 mil habitantes, quando o Ministério da Justiça indica que o ideal é uma relação de um defensor para 15 mil habitantes. É isto que se deve buscar. Além de não estar preenchidos o número de vagas existentes ainda tem esta lei que está defasada, porque é de 1990. EM TEMPO - Em relação ao seu concorrente no pleito, quais qualidades suas se sobressaem e podem lhe garantir a vitória? CB - Eu acho que me coloquei a disposição da classe porque acredito que tenho condições técnicas e políticas para dirigir a instituição. A nossa instituição desde a crise deflagrada por conta do concurso público (fraude de 2011) fez com que a Defensoria Pública se tornasse uma instituição trincada, nós temos feridas até hoje não cicatrizadas. E esta divisão da nossa instituição só nos enfraquece. Uma parcela significativa dos defensores que já se encontravam na carreira identificou na minha candidatura a possibilidade de reunificar, de pacificar a Defensoria e a colocar em um caminho seguro para as conquistas que se fazem necessárias.

EM TEMPO: Como iniciou o seu interesse pela função de defensor? Ricardo Trindade: Assim que me formei, em julho de 83, eu me dediquei a advocacia particular. Quando foi em 1986 surgiu o concurso para advogado de ofício do antigo departamento de assistência judiciária da Secretaria de Justiça, por meio do qual era prestada a assistência jurídica gratuita aos carentes. Por uma questão de vocação, eu tinha perfeita noção do que seria desenvolver o papel de advogado de ofício, fiz o concurso e fui aprovado. Então, desde esta data eu estou neste órgão, que agora é constitucionalmente encarregado de prestar assistência jurídica integral e gratuita às pessoas carentes. EM TEMPO - Para o senhor, quais as maiores conquistas da Defensoria desde sua Constituição? RT - A população pobre pôde ter acesso a este serviço de uma maneira mais consistente, a partir da existência de uma instituição voltada especificamente para a prestação deste serviço. Atualmente, por exemplo, tem na sua atuação: autonomia funcional, direito a contagem em dobro dos prazos, intimação pessoal. Enfim, uma série de garantias que foram conquistadas com o advento da Defensoria e que permitem ao profissional que atende o carente uma condição de igualdade com os advogados particulares e com o Ministério Público, para que o carente seja bem assistido pelo profissional. Além deste fortalecimento institucional, houve um ganho no que diz respeito principalmente a questão da sua autonomia administrativa, orçamentária e financeira, como também um ganho ao aperfeiçoamento do quadro de pessoal e no aspecto material. EM TEMPO - Quais são os projetos a serem desenvolvidos na sua gestão, caso o senhor seja eleito? RT - Bem, eu sou candidato a reeleição. Meu mandato encerra agora no dia primeiro de março. Então durante esses 2 anos, uma das maiores conquistas, além da autonomia financeira, foi exatamente o concurso público que conseguimos realizar, por meio do qual ingressaram 60 novos defensores públicos. Nós estamos instalando agora defensorias em 49 municípios. Estamos saindo do zero, porque antes do concurso não tínhamos nenhum defensor público no interior e agora estamos presentes em praticamente todos

os municípios. Nosso projeto para o futuro será também reforçar o atendimento da capital, onde ainda continuamos com uma certa carência desses profissionais. EM TEMPO - Quando se fala em carência de profissionais, qual seria o quantitativo que poderia citar como suficiente para atender a demanda do Estado? RT - É importante que se diga que a Lei Orgânica da Defensoria Pública é de 1990. E naquela ocasião a nossa lei fixou o número de apenas 156 cargos de defensor público, número este que está totalmente defasado em função do aumento da população e da estrutura do Poder Judiciário. Então, hoje é necessário que se faça uma alteração nessa nossa lei, aumentando este número de cargos para pelo menos 300, para que possamos atender de modo geral a todos os municípios, inclusive a capital. Outro projeto é também fazer um concurso para servidores administrativos, que nunca houve. Então pretendemos não só fortalecer a Defensoria, aumentando o número de quadros de defensores públicos como também fortalecer o quadro administrativo, o quadro de apoio, não só a parte administrativa, como também a técnica, de apoio, a atuação dos defensores. EM TEMPO - Em relação ao seu concorrente no pleito, quais qualidades suas se sobressaem e podem lhe garantir a vitória? RT - Primeiro eu gostaria de dizer que tenho maior respeito pelo meu concorrente, mas o que teria dizer é que temos todo um trabalho já realizado e grandes conquistas alcançadas na questão macro da defensoria que foram, justamente, a realização do concurso público e obtenção da autonomia orçamentária e financeira. Então já demos demonstrações que temos condições de levar adiante projetos extremamente significativos para nossa instituição. Além desses dois grandes avanços nós obtivemos também um avanço no que diz respeito a instalações. Aqui em Manaus alugamos dois prédios próximos ao Fórum Henoch Reis, onde hoje está funcionando o Núcleo de Atendimento Criminal e o Núcleo de Atendimento Psicossocial e o de Atendimento a Pessoal Idosa. Uma outra conquista da nossa administração é a inauguração da Escola Superior da Defensoria Pública que deve ocorrer dia 23 de janeiro próximo.

Com a criação da Defensoria Pública a população pôde ter acesso a este serviço de uma maneira mais consistente, a partir da existência de uma instituição voltada especificamente para prestação deste serviço


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Política

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

Senado examinou mais de mil propostas legislativas O

Senado concluiu a análise, no ano passado, de 1.050 proposições legislativas, segundo levantamento da Secretaria-Geral da Mesa Diretora. Somente o Plenário aprovou 305 matérias, além de 29 medidas provisórias (MPs). Somadas todas as comissões permanentes, 504 propostas foram aprovadas em caráter terminativo. As comissões também rejeitaram outras 56 propostas, e o Plenário rejeitou integralmente seis proposições. As demais matérias ou foram retiradas pelos seus autores (37) ou tiveram sua tramitação prejudicada por diferentes razões (113). O mais frequente desses motivos foi a aprovação de proposições de conteúdo semelhante ou mais abrangente que o das propostas descartadas – veja um resumo da produção legislativa do Senado em 2013. Os senadores aprovaram ainda mais de 1.300 requerimentos. As comissões permanentes e suas subcomissões realizaram 321 audiências públicas, e foram apresentados mais de 1.200 pareceres e relatórios em suas reuniões ordinárias. A secretária-geral da Mesa

Diretora do Senado Federal, Cláudia Lyra, ressaltou tanto a relevância quanto o expressivo número das propostas aprovadas. “O Senado trabalhou muito. Muitas vezes se privilegia a quantidade ao invés da qualidade daquilo que se vota. A relevância das matérias que o Senado aprovou em 2013 é indiscutível. O

PROJETOS

Vários outros projetos, aprovados pelo Senado em 2013, seguiram para apreciação da Câmara dos Deputados, e ainda dependem de deliberação daquela casa para transformarem em normas Senado deliberou de maneira significativa não só em quantidade, mas também quanto à qualidade das matérias, da importância do mérito dessas propostas para a mudança da sociedade, regulando a nossa vida em sociedade em vários segmentos, nos mais variados setores”, afirmou. Cláudia Lyra destacou, entre as matérias aprovadas pelos

senadores em 2013, várias proposições que já viraram regra legal, como a nova distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), a regulamentação do Ato Médico, a destinação dos royalties do petróleo para saúde e educação, os Programas Mais Médicos e Minha Casa Melhor e as normas para aceitação de meia-entrada em espetáculos. Mencionou ainda, como exemplos da boa produtividade da Casa em 2013, a aprovação do fim do voto secreto nas votações de vetos presidenciais e na cassação de mandatos parlamentares, a minirreforma eleitoral, a definição de organizações criminosas, o atendimento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às mulheres vítimas de violência sexual, o Sistema Nacional de Combate à Tortura, o Estatuto da Juventude e a criação da Procuradoria Especial da Mulher do Senado. Vários outros projetos, aprovados pelo Senado em 2013, seguiram para apreciação da Câmara dos Deputados, e ainda dependem de deliberação daquela Casa para se transformarem ou não em normas jurídicas.

REPRODUÇÃO

Levantamento apresentado pela secretaria-geral da casa, destaca tanto o número quanto a relevância das propostas

Este ano, somente no Plenário foram aprovadas 305 matériais, além de 29 medidas provisórias


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

IONE MORENO

Lojas inovam para conquistar a clientela Economia B2 e B3

Novas regras do IRPF vão beneficiar os contribuintes Conforme especialistas, mudanças ampliam a faixa de isenção e o limite de gastos a serem deduzidos na declaração

IONE MORENO

Quem ganhar um pouco mais de dois salários mínimos, cujo valor foi elevado para R$ 724 neste ano, terá que declarar o IRPF, deixando parte da renda recebida pelo aumento com o governo JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

O

s contribuintes que forem declarar o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) junto à Receita Federal vão se deparar com algumas mudanças a partir deste ano. Embora o órgão não tenha divulgado oficialmente as regras para a declaração do tributo, algumas modificações já podem ser adiantadas. De acordo com especialistas ouvidos pelo EM TEMPO, as alterações são benéficas, mas podem desagradar alguns contribuintes. Uma das medidas consideradas polêmicas é a correção da tabela para pessoas físicas em 4,5%, percentual que vai alterar o limite de rendimento mensal do contribuinte para ser considerado isento. Conforme explica o delegado da Receita Federal em Manaus, Leonardo Frota, estarão isentos da declaração os trabalhadores que receberam até 1.787,77 por mês este ano. Em 2013, a faixa de isenção era até 1.710,78. “Ou seja, quem recebia até 1.710,78 era obrigado a declarar e a partir do exercício de 2014 esse limite foi expandido”, esclarece. Entretanto, o aumento do limite da isenção, aparentemente positivo, pode ser

uma desvantagem para alguns trabalhadores. O economista Francisco de Assis Mourão Junior defende que a perda se deve ao percentual de correção (4,5%), inferior ao índice inflacionário, que deve alcançar 5,97% este ano. “Se a correção fosse nivelada com a inflação, a taxa de isenção subiria, passando para R$ 1.812,91 e mais trabalhadores estariam isentos”, ressalta. Porém, da forma como está definido atualmente, o nú-

PAGAMENTO

O IRPF com novas alíquotas ficou assim: entre R$ 1.710,78 até R$ 2.679,29 (7,5%), de R$ 2.679,30 até R$ 3.572,43 (15%), de R$ 3.572,44 e R$ 4.463,81 (22,5%) e acima de R$ 4.463,81 (27,5%) mero de contribuintes deve crescer. O efeito contrário ocorre, segundo o especialista, por que o salário mínimo foi reajustado para R$ 724 em janeiro e os trabalhadores receberão ainda o dissídio coletivo, que pode representar até 10% de aumento para algumas profissões. “Com o acréscimo nos ganhos, quem receber mais de dois salários

mínimos já vai compor a lista de declarantes”, justifica. A industriária Eleonora Maia, 50, que foi promovida recentemente, conta que era isenta da declaração até o ano passado. Neste ano, ela terá que prestar contas com o “leão” por causa do aumento do salário. “Estou fazendo as contas, mas dependendo de quanto terei que pagar à Receita, ao fazer a declaração, o valor a mais que receberei no salário será diluído em pagamento do imposto”, desaprova. Vantagens Por outro lado, conforme rebate o delegado Leonardo Frota, a correção traz vantagens para a dedução de gastos no imposto de renda. Segundo ele, o contribuinte terá um limite mais elástico para realizar pagamentos a fim de reduzir o valor a ser recolhido junto à Receita Federal. No caso da dedução por dependentes, o limite sobe de R$ 1.974,72 em 2013 para R$ 2.063,64 em 2014. Nas despesas com educação, o alcance da dedução passa de R$ 3.091,35 para R$ 3.230,46. “Para despesas com médicos, psicólogos, hospitais e exames laboratoriais, em geral, as deduções não têm teto máximo estabelecido”, acrescenta Frota.

Dicas para fugir da malha fina Para evitar, a malha fina, o economista Francisco de Assis Mourão Junior, sugere que o contribuinte reúna antecipadamente a documentação e se familiarize com o programa para evitar erros no momento de computar os dados. Segundo ele, com essa ação, o trabalhador pode declarar mais cedo e evitar, desta forma, tumultos no sistema, além de receber a restituição do imposto ainda nos primeiros lotes. O economista, que também é vice-presidente do Conselho Regional de Economia no Amazonas (Corecon-AM), adianta que o órgão vai realizar a partir do dia 1º de março em sua sede, na rua Leonardo Malcher, 768, no Centro, um plantão para tirar dúvidas quanto à forma de preencher a declaração A DRF-Manaus acrescenta que na página da Receita Federal na internet (receita.fazenda.gov. br), o contribuinte tem a sua disposição um si-

mulador para fazer uma prévia de sua declaração. Na mesma página, ele também pode consultar a opção “Como preencher corretamente a sua declaração do IRPF”, evitando ocorrência de pendências. Alternativa A quantidade de contribuintes que optaram

SEGURANÇA

A malha fina é um sistema de segurança da Receita Federal criado para inibir a sonegação, que em várias situações é causada por erros de informações na declaração do IRPF pelo modelo simplificado no Brasil em 2013 foram 15,4 milhões de um total de 26,8 milhões de declarações realizadas. No Amazonas, foram entregues 310 mil declarações, sendo 146 mil no modelo simplificado.

Benefício do ‘simplificado’ é uma opção Quem fizer a declaração neste ano, referente ao exercício de 2013, e possuir o certificado digital (cartão que funciona como assinatura e custa quase R$ 100) poderá contar com o benefício da declaração simplificada pré-preenchida. O trabalhador que aceitar a opção deverá proceder só com o preenchimento das informações básicas. A medida, ainda em fase de aprovação pela Receita Federal, a princípio seria estendida a todos os contribuintes com declaração simplificada. Entretanto, o órgão voltou atrás e deve aprovar a opção só para portadores do certificado. Segundo informações da DRF-Manaus, as novas regras do IRPF 2014 – referente ao exercício de 2013 –, devem ser oficializadas até fevereiro. O prazo para declarar inicia no dia 1º de março e segue até 30 de abril.


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Economia IONE MORENO

Lojas inovam para

Estabelecimentos comerciais implantam serviços diferenciados para conquistar os consumidores da capital amazonense LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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iante de um atendimento mal avaliado pelos clientes, empresas da capital amazonense apostam em serviços diferenciados para fugir do “padrão manauense” comumente reclamado nas redes sociais. Entrega de roupas para escolha em casa, elaboração de croquis para auxílio na compra, drive thru em lojas de brinquedos para economizar tempo são exemplos de atividades adotadas em empresas locais dispostas a agradar os consumidores. Na loja Serafina, na rua Desembargador João Machado, Campos Elíseos, no prédio da academia Top Life, as irmãs Silvania Ferreira Azevedo e Maria Luíza Lima resolveram apostar na experiência de levar as roupas em casa para os clientes sem compromisso, ainda que a loja tenha um espaço físico. De acordo com Silvania, o serviço é ofertado especialmente para os clientes fiéis. Porém, sob indicação, clientes de primeira viagem também podem solicitar o “delivery”. “Antes do espaço físico, que foi montado em

setembro de 2012, costumavámos vender as roupas de casa em casa, o que gerou uma gama de clientes que preferiram manter esta opção”, explica a empresária. Conforme Silvania, em relação aos fregueses mais antigos, uma sacola de roupas – feita com base em suas preferências –, deixada por um período de no máximo 24 horas na residência deles. No caso de clientes novatos, as proprietárias aguardam no local, enquanto os consumidores experimentam as vestimentas. Comodidade O mesmo serviço é adotado pela Richards, no shopping Ponta Negra. Conforme o caixa responsável, Diego Júlio Araújo, a ideia surgiu para os consumidores não terem dificuldade na locomoção por conta da transferência da loja, que antes funcionava no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul. Segundo ele, o “pacote” pode ficar até dois dias na casa do consumidor para que ele tenha tempo de analisar o que vai comprar. “O serviço auxilia para não perder os clientes acostumados com o antigo endereço”, detalha Araújo.

Empresas que comercializam tecidos em Manaus contrataram estilistas para ajudar na confecção dos vestidos das clientes


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atrair a clientela Estilistas auxiliam as freguesas

Em funcionamento há mais de 20 anos, a Tapajós Tecidos investiu na contratação de especialistas em moda - autodidatas ou em formação -, para preparação de rascunhos que facilitem a escolha dos tecidos. De acordo com a gerente de compras da loja matriz, na rua Lobo D’Almada, Centro, Aline Damaceno, a inclusão do serviço ocorreu pela necessidade de dar assistência aos consumidores que procuravam o establecimento e

não sabiam como planejar a execução da costura das roupas. “Os clientes pediam ideias e percebemos que poderíamos oferecer algo a mais”, destaca. A matriz conta com duas profissionais em um setor instalado na loja justamente para o serviço, nominado como “Espaço da Moda”. Segundo a gerente, o ambiente tem quase cinco anos. Ela exemplifica que uma pessoa que deseja ir a um casamento pode chegar ao

Espaço com a ideia e sentar com a estilista para colocá-la no papel conforme seu gosto. A desenhista trabalha, então, em cima destas opiniões e ajuda a escolher os tecidos para o modelo. “Este é um ponto crucial. Quando compramos uma roupa, experimentamos e vemos se gostamos ou não. No caso do tecido, é preciso alguém para direcionar, até porque nem todo mundo é acostumado a mandar costurar roupa”, ressaltou.

Meta para melhorar atendimento Para atender os pais que não contam com tempo de olhar as prateleiras da loja, a Hobby Brinquedos inaugurou, ano passado, o primeiro drive thru de brinquedos da região, garantindo um ambiente onde o atendimento seja o mais rápido possível. O sistema da empresa funciona com três kits classificados em baby, para meninas e outro meninos, cada qual com três opções tabeladas em R$ 49,99, R$ 99,99 e R$ 149,99.

A aceitação foi positiva pelo consumidor amazonense, segundo a assistente administrativa da empresa, Deuziete Fernandes, atualmente responsável pelas demandas do setor. Conforme ela, houve uma melhora, em especial, no fluxo de clientes nos finais de semana. “A Hobby tem trabalhado para ampliar o leque de opções ofertados, principalmente quando a experiência deu bons frutos”, argumenta a funcionária.

O presidente da Câmara dos Dirigentes dos Lojistas (CDL-Manaus), Ralph Assayag, que é proprietário de um posto de gasolina, destaca que é sempre preciso adotar estratégias para competir com 250 postos da capital, conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcool e Gás Natural do Amazonas (Sindicam). “Tenho que ir atrás do cliente. Quem ficar sentado, fica para trás”, declara. Lojas de brinquedos investiram na comodidade do sistema de entrega rápida do produto

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Economia

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Produção leiteira pode dobrar até 2015 no AM LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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produção leiteira do Amazonas pode dobrar até 2015. A meta faz parte do plano do governo em ampliar o atual volume produzido, que finalizou 2013 com um total de 19,1 milhões de litros de leite, conforme dado da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) obtido a partir de levantamento do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam). O secretário adjunto da Sepror, Christian Barnadd, comenta que neste ano, o programa Residência Agrária conta com recursos da ordem de R$ 5 milhões, administrados junto a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Ele explica que o projeto é um dos “braços” do Amazonas Rural, no qual um doutor especialista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) junto a equipe de mais 30 profissionais concede atenção exclusiva a pecuária. De acordo com o secretário adjunto, com a inclusão de tecnologias orientadas

pela assistência técnica, os produtores podem elevar a produção de uma vaca. “Se antes ela produzia um litro por dia, agora tem capacidade de fabricar seis a dez litros diariamente”, destaca Barnadd. A assistência é realizada em 12 municípios do Estado: Careiro da Várzea, Autazes, Itacoatiara, Presidente Figuei-

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Outros pontos que beneficiam a produção leiteira são a nova metodologia de adubação de pastagem e o melhoramento genético, estratégia usada para facilitar escolha do sexo do animal redo, Iranduba, Manacapuru, Apuí, Boca do Acre, Humaitá, Distrito de Santo Antônio do Matupi (em Manicoré), Parintins e Lábrea. Barnadd explica que grande parte das metodologias adotadas foi inspirada no programa “Balde Cheio”, desenvolvido pelo Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea)/

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Existência de recursos e introdução de novas técnicas de criação do gado favorecem expansão da atividade no Estado Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Com um rebanho em Autazes, o produtor Aldrin Santos Silva se dedica a produção de leite há três anos. Ele avalia como positivo o Programa Balde Cheio, do qual participa. “As metodologias assistidas pelo projeto garantem a melhoria das pastagens e, consequentemente, do rebanho”, frisa. Intensificação O presidente da Federação, Muni Lourenço, explica que o programa é implantado em praticamente todos os Estados brasileiros garantindo a intensificação da atividade leiteira. Segundo ele, existe uma série de medidas utilizadas para aumentar a produção, como a análise do solo, que permite conhecer a necessidade de adubo e calcário para o local. São adotadas práticas para correção da acidez e para pastejo rotacionado, onde o pasto é dividido em piquetes que são submetidos a períodos alternados de pastejo, possibilitando o descanso do solo. “A vaca fica um dia no piquete, retornando ao primeiro normalmente após 30 dias”, detalha Lourenço.

Com rebanho de 286 mil animais, produção deve chegar a quase 40 milhões de litros de leite

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

ZFM: aonde queremos aportar? Em seu Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais – Ano Base 2012, no âmbito da chamada Lei do Bem, de 2005, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI mostra que, apesar do crescimento de 8% no total de formulários recebidos em relação a 2011, houve redução de 22% no valor dos investimentos aplicados em PD&I quando comparado 2012 a 2011. Essa retração, segundo o levantamento, é decorrente, em parte, “dos efeitos colaterais gerados pelo cenário macroeconômico, que tem até certo ponto, desestimulado ou inibido novos investimentos em atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica”. A maior demanda pelos incentivos fiscais foi dos segmentos de mecânica e transportes; eletroquímica; química; alimentos; e soſtware, respectivamente, setores vitais da economia. Reduzir investimentos na única atividade que rentabiliza investimentos é, no mínimo, irônico. O relato sobre os usos das verbas da Lei de Informática não é menos desolador à vista das expectativas de sua formulação para a Amazônia. Por que os contribuintes, representados por suas entidades, não integram mais diretamente o núcleo de decisão para equacionar tais engasgos e embaraços? No universo modesto das 787 empresas habilitadas, a análise dos dados revela que o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação atingiu R$ 5,34 bilhões no último ano. E pra variar,

as regiões Sul e Sudeste concentram as maiores demandas e contemplação dos benefícios fiscais. O volume até poderia ser considerado robusto se não fossem apenas R$ 120 milhões aplicados em bens de capital (aparelhos de pesquisa e outros equipamentos) e R$ 5,22 bilhões em despesas de custeio (como recursos humanos, insumos de pesquisa e serviços de terceiros). Emergem aqui as mesmas indagações sobre o modelo de gestão adotado, invocadas para explicar a precariedade dos resultados na Educação. Investimentos existem em alguns segmentos de pesquisa e ensino mas costumam ser mal administrados. Bons cientistas e bons professores, decididamente, não significa que sejam bons gestores. Falta, de um lado, o p rofissionalismo operacional, e sobram, por outro, as distorções habituais. Em seu blog, o engenheiro Cláudio Nogueira, doutor em desenvolvimento industrial, publicou recentemente um alerta em forma de ensaio, oportuno e emblemático: “Polo Industrial de Manaus, para onde estamos indo?”, http://nogueiraclaudio. blogspot.com.br/, no qual coteja, nas duas últimas décadas, os caminhos percorrido pela ZFM, Cingapura e Dubai, deixando claro, de antemão, que não existe etnia superior nem ninguém é melhor do que ninguém. Com a premissa de Nogueira já tivemos oportunidade de mencionar, neste espaço, a Biópolis que a Novartis construiu em Cingapura,

contratando cem dos melhores cientistas do mundo para produzir soluções médicas para as doenças tropicais, depois de ser acusada de biopirataria no Brasil, em seus propósitos de investir no CBA-Centro de Biotecnologia da Amazônia. O contrato era coletar até 10 mil micro-organismos, algo simbólico à luz das quantidades e diversidades amazônicas. Na ocasião, anos 2000, com o precioso CNPJ em mãos, a BioAmazônia, era uma Organização Social criada para gerir o CBA. Além de receber 1,5 milhão de francos suíços (R$ 1,6 milhão) no momento que algum produto for submetido a testes clínicos, mais 750 mil pela patente e 500 mil no primeiro dia de comercialização, receberia 1% sobre o valor das vendas por um período de dez anos. A empresa foi enxotada de Manaus e, no momento seguinte, aportou em Cingapura. O que fez este país – com muitas similaridades com o bioma e o processo de industrialização do Amazonas – pular de um PIB que era de US$ 7.634 em 1987, inferior ao do Amazonas na ocasião, para US$ 50.087 em 2011, segundo a ONU, senão investimentos em Educação, PD&I e infraestrutura? Nas palavras de seu dirigente, “Tudo que tínhamos era um povo trabalhador, uma boa infraestrutura básica, e um governo que estava determinado a ser honesto e competente.” Em seu ensaio, Nogueira lembra que Cingapura conseguiu fazer a transição de uma aglomeração industrial de capital exógeno,

para clusters tecnológicos inovadores com firmas endógenas. “Isso mesmo, aglomeração no singular e clusters no plural. Coincidentemente começamos juntos. A Zona Franca de Manaus foi instalada em 28 de fevereiro de 1967. Nós conseguimos grandes avanços nesses 45 anos. Quanto era o nosso PIB naquela época, e quanto é hoje?” O bom senso lhe confere razão quando afirma que, no PIM, não podemos contar com as isenções fiscais para manter a competitividade de nossos produtos; pois se fabricados de forma mais eficientes em outro lugar, esse aumento na produtividade e/ou redução dos custos vão anular os ganhos obtidos no PIM com a redução dos impos- tos. “Vamos continuar produzindo o que estamos fazendo, mas vamos buscar a transformação do PIM atual para um iPIM. Não existe raça superior. O povo de Cingapura não é mais inteligente que nós, e nem nós mais do que eles. Mas eles tinham uma meta, e souberam passar de uma fase para seguinte; coisa que ainda não conseguimos. Aqui, devemos nos unir e ter uma reivindicação uníssona, política, empresarial, sindical, das associações de classes, etc. etc. Nós, moradores de Manaus, somos a parte interessada.” A proposição de Cláudio Nogueira é, em escalas e intensidades semelhantes, a inquietação de cada um que aqui vive e investe, sobretudo energia, confiança e esperança, na formulação do rumo aonde todos queremos aportar!

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaista

O relato sobre os usos das verbas da Lei de Informática não é menos desolador à vista das expectativas de sua formulação para a Amazônia


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Trabalhadores buscam abrir a própria empresa ARQUIVO EM TEMPO

Cansados da vida de assalariados, empregados abandonam postos de trabalho para enveredar no mundo dos negócios

Conforme o diretor do Sebrae/AM, Nelson Rocha, 2014 será bom para o empreendedorismo JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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da entidade orienta ao empreendedor observar um negócio similar e conferir suas dificuldades. Buscar informações, pesquisar e planejar, avaliando os riscos envolvidos por meio de um plano de negócios estão entre as ações que podem garantir o sucesso da empreitada. Gargalos Entre as principais dificuldades enfrentadas, especificamente para empreendedores amazonenses, Rocha cita gargalos como a infraestrutura e as questões da logística, além da burocracia dos controles. “A desburocratização nos negócios tem recebido atenção tanto do governo federal como o estadual e municipal, entretanto é necessário avançar mais para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento dos pequenos negócios, tanto no amazonas quanto no resto do país”, salienta.

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começo de um novo ano é sempre uma oportunidade para apostar na abertura do próprio negócio. Em 2014, essa realidade não será diferente, pois será um ano bom para quem sonha com a primeira empresa. Em Manaus as maiores expectativas para micro e pequenos empresários, neste ano, quando será realizada a Copa do Mundo, estão nas áreas de comércio e serviço, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae-Am). O diretor-superintendente do Sebrae/AM, Nelson Rocha, avalia que mesmo os negócios pretendidos pelos empreendedores não tenham relação direta com o evento futebolístico, o otimismo dos micro

e pequenos empreendedores aumentou este ano. “O índice de confiança dos pequenos negócios no Brasil, desenvolvido pela entidade, mostrou que o Micro Empreendedor Individual (MEI) da Região Norte é o mais otimista, junto com o empresário nordestino neste ano”, destaca. Conforme o diretor, 48,3% das buscas de novos investidores no Sebrae-AM por orientação para abrir pequenas empresas este ano são voltadas para a atividade comercial e 37,3%, para o setor de serviços. No comércio, o maior volume de iniciativas é voltado para abertura de lojas de vestuário e acessórios e de mini-mercados, mercearias e armazéns. No setor de serviços, os salões de beleza, lanchonetes, casas de café e sucos e restaurantes estão entre os preferidos. Independente do tipo de negócio escolhido, o diretor

Pequenos empresários locais investem em negócios de serviços como as borracharias

Sonhando com voos mais altos O técnico de refrigeração, Deivys Maciel, 37, decidiu começar 2014 dirigindo seu próprio negócio. Após adquirir a experiência necessária com técnico de refrigeração, na semana passada, ele deu entrada em todos os documentos necessários e abriu a própria empresa de prestação de serviços em refrigeração – a Arcon Service. O novo empresário conta que há um ano e seis meses guarda dinheiro para comprar os equipamentos necessários para abrir sua própria loja. “Após juntar um pequeno capital de giro, em torno de R$ 2,5 mil, no dia 30 de dezembro do ano passado pedi as contas.

Agora, posso ser meu próprio patrão”, comemora. O mecânico Sonival Carvalho Gomes começou seu próprio negócio em 2013. Após abrir um pequeno bar no município de Tonantins (a 865 quilômetros de Manaus), no Amazonas, ele observou o número de motocicletas estacionadas no local diariamente. “Resolvi então aproveitar o movimento e abri um lava a jato, que depois passou a oferecer serviços de borracharia e agora revenda de auto peças”, conta. A borracharia Trem Bala se tornou uma empresa também, após Sonival verificar que poderia fazer melhores negócios de compra

das peças se tivesse a situação da firma formalizada. “Apenas dois dias foram necessários para regularizar a situação. Acredito que agora, a minha empresa vá realmente crescer”, aposta o mecânico. Cadastro No Amazonas, mais de 75 mil empresas fazem parte do Simples Nacional. Desse montante, 38 mil correspondem aos MEIS, dos quais 19 mil estão na capital. De acordo com o Sebrae-AM, Manaus concentra 73% do número total de empreendimentos formais do Estado e 84% considerando a região metropolitana.


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Aumenta a pressão para resolver crise no Maranhão O

rganismos internacionais, órgãos do governo e organizações não governamentais aumentaram a pressão sobre autoridades do Maranhão, da Justiça e da União para resolver o caos do sistema prisional do Estado, que já resultou em mais de 60 mortes em pouco mais de um ano. Nesta semana, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e as organizações Anistia Internacional e a Human Rights Watch divulgaram comunicados oficiais reprovando os abusos de direitos humanos praticados no complexo prisional de Pedrinhas, na capital São Luiz. O caso, em particular os episódios de violência na prisão registrados em vídeo, como a decapitação de prisoneiros por outros prisioneiros, obteve grande destaque na imprensa internacional. Segundo o “New York Times”, os episódios e vídeos “estão concentrando as análises sobre o agravamento da situação de segurança do Estado do Maranhão, bastião de uma das mais poderosas famílias políticas do Brasil”. Em dezembro, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Tanto entidades nacionais, como internacionais fazem pressão para que caos prisional no Maranhão tenha um breve desfecho Estados Americanos (OEA) já havia adotado medidas cautelares (recomendações) ao Brasil para investigar abusos e diminuir a superlotação de prisões do Maranhão. O Conselho Nacional de Justiça produziu relatório informando que o Estado já não tinha capacidade de manter a segurança no complexo de Pedrinhas. Argumentos O governo do Maranhão afirmou no início da semana já ter prendido grande parte dos responsáveis pelos ataques a ônibus e carros e bases da polícia em São Luís realizados por facções criminosas do Estado. A administração Roseana Sarney também disse que tem um plano detalhado para investir R$ 130 milhões em melhorias de infraestrutura e abertura de novas vagas no sistema prisional maranhense. “Lamentamos ter que, mais uma vez, expressar preocupação com o péssimo estado das prisões no Brasil e instamos as autoridades a tomarem medidas imediatas para restaurar a ordem na penitenciária de Pedrinhas e outros centros de detenção em todo o país”, afirmou o comunicado da ONU.

Comissão formada pelos governos estadual e federal montaram uma força-tarefa para tentar resolver a crise prisional maranhense

Estado foi omisso, diz ONG

Diretora defende intervenção

“O governo do Maranhão tem que ser responsabilizado por ter abdicado de manter uma presença efetiva dentro do presídio (de Pedrinhas)”, disse Maria Laura Canineu, uma das porta-vozes da ONG Human Rights Watch. “O complexo prisional está hoje loteado por duas facções criminosas”, disse. Segundo ela, o Executivo do Estado culpa a Justiça por não resolver o problema da existência de um grande número de presos sem julgamento no sistema penitenciário. Já os magistrados acusam o governo por não elevar o número de vagas nas prisões. De acordo com a entidade, os dois órgãos têm responsabilidade pela situação e devem atuar juntos para chegar a uma solução. Segundo Canineu, imagens como a de um vídeo brutal divulgado pela imprensa – que mostra corpos de detentos de-

Segundo a diretora executiva da organização defensora de direitos humanos Conectas, o governo federal deve estudar a realização de uma intervenção no Estado do Maranhão. “Achamos que poderia haver uma intervenção localizada, especificamente no complexo prisional de Pedrinhas”, afirmou. Para ser viabilizada, uma ação dessa natureza precisaria de aprovação da Procuradoria-Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e da própria presidente Dilma Rousseff. Segundo Nader, os abusos de direitos humanos nos presídios do Maranhão podem abrir a discussão sobre a federalização dos crimes contra os Direitos Humanos, o que na prática significaria que sua investigação ficaria a cargo da Polícia Federal. Ela afirmou que embora os abusos sejam muito graves,

capitados e com diversos ferimentos – prejudicam a imagem do Brasil junto à comunidade internacional. Na opinião dela, a capacidade do Brasil de exercer pressão em questões internacionais que envolvam direitos humanos sai prejudicada. “Isso assusta os interlocutores e afeta o poder de influenciar que o Brasil almeja ter”. No país Nacionalmente, a pressão feita por entidades civis e pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos também cresce. A pasta classificou a situação no Maranhão como gravíssima e a ministra Maria do Rosário disse a um jornal local que “é preciso retomar o controle”. Ela coordenará nesta semana uma reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana para tratar da situação em Pedrinhas. Uma das medidas é a transferência de presos para outros Estados

sua ocorrência não surpreende devido às deficiências gerais do sistema prisional brasileiro – especialmente em termos de violação de garantias constitucionais. Medidas Autoridades estaduais e federais vêm adotando uma série de medidas emergenciais para tentar resolver a crise de segurança no Maranhão. O Ministério da Justiça decidiu, por exemplo, que a Força Nacional deve prorrogar até o fim de fevereiro a presença no interior de presídios do Maranhão. Junto com a tropa de choque da Polícia Militar do Estado, esses policiais estão tentando garantir a ordem no complexo de Pedrinhas desde dezembro. Em paralelo, a polícia maranhense e o governo federal viabilizam a transferência de detentos líderes das facções em conflito para presídios federais.


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Número de refugiados no Brasil triplicou em 2013 O

número de refugiados no Brasil mais do que triplicou de 2012 para 2013, segundo balanço do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), divulgado no final de semana pelo Ministério da Justiça. No ano passado, foram expedidas 649 autorizações de refúgio para estrangeiros no país; em 2012, foram 199. Do total de pessoas para as quais foi concedido refúgio no ano passado, 283 têm a Síria como país de origem, o que representa 43,6%. Essas pessoas fugiram da guerra civil que atinge o país. A crise na Síria também teve impacto no aumento do número de refugiados no mundo em 2013, diz o relatório Mid-Year Trends 2013 (em tradução livre, Tendências do Primeiro Semestre), divulgado em dezembro pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Do total de 1,5 milhão de novos refugiados no primeiro semestre do ano passado, 1,3 milhão são da Síria. Mundialmente, elas se abrigam principalmente nos países vizinhos, Líbano, Turquia, Jordânia e Iraque.

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De acordo com o Ministério da Justiça, o número de pessoas que fogem dos horrores da guerra civil triplicou entre 2012 e 2013 Entre os países de origem de pessoas que conseguiram refúgio no Brasil em 2013 também estão a República Democrática do Congo, com 106 concessões, a Colômbia (87), o Paquistão (32) e a Angola (17). Entre os países da América do Sul, estão na lista a Bolívia (16) e a Venezuela (seis). Histórico Todos os países em que foi verificado maior número de pedidos, tanto para o Brasil quanto para outras nações, têm histórico de conflito político, étnico e com disseminação de violência. A maioria é formada por Estados em desenvolvimento ou de menor desenvolvimento relativo – especialmente os da África. De acordo com o Ministério da Justiça, foram enviados ao governo brasileiro, ao todo, 5,2 mil pedidos de refúgio em 2013 – mais do que em 2012, quando houve 2,1 mil. Segundo a legislação brasileira, o pedido de refúgio no país é autorizado quando há justificados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política.

Refugiados da Síria se amontoam em acampamentos de países vizinhos e tentam escapar para outras nações, como o Brasil


Mundo

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Maduro reforma governo para fazer frente à crise

Pressionado pela onda de violência que cresce na Venezuela, presidente faz mudanças políticas, mas mantém base chavista

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ob a sombra do assassinato da ex-miss Mónica Spear, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou mudanças em seu governo. O presidente optou pela continuidade e nomeou sete ministros próximos ao ex-presidente morto Hugo Chávez. Ele confirmou para o Ministério do Interior o general Miguel Rodriguez Torres, que ficará encarregado de executar o plano de pacificação do país, no olho do furacão após o crime contra a ex-miss que chocou a nação. “São movimentos necessários para ajustar, melhorar a marcha (...) ajustes para seguir com a luta pela paz em nossa pátria e fortalecer nossa Venezuela amada e querida”, afirmou Maduro. O presidente, que chamou os novos ministros de “filhos de Chávez”, anunciou apenas a primeira leva de alterações. Alguns analistas avaliaram as mudanças como uma “manobra de distração”. “Nos próximos dias completarei os ajustes para a batalha econômica”, disse ele, que já deixou claro que os militares serão os responsáveis por combater a “guerra econômica da burguesia”.

AFP

Continuidade Ele confirmou a permanência dos ministros da Justiça, Miguel Rodríguez, da Defesa, o almirante Carmen Meléndez, da Comunicação, Delcy Rodríguez, e da Mulher, Andreína Tarazona, além de parte do Comando Estratégico Operacional. O presidente designou Antonio El Potro Álvarez para a pasta dos Esportes; Héctor Rodríguez para o ministério da Educação; Ricardo Menéndez ficará à frente do ministério da Educação Universitária, Victor Clark do ministério da Juventude e o general Wilmer Barrientos - exsecretário da Presidência - do ministério da Indústria. Ofensiva Além disso, Hugo Cabezas foi nomeado ministro da Secretaria da Presidência e Jesús Martínez da pasta do Trabalho. A reforma começa dois dias após o assassinato de Mónica Spear e seu ex-marido, que levou a Venezuela a preparar para uma ofensiva contra a violência. Antes de anunciar as mudanças, Maduro se reuniu com prefeitos e governadores no Palácio de Miraflores, em Caracas, para discutir medidas de segurança.

FRANÇA

CONFLITOS AFP

Sudão do Sul recebe milhões de dólares em ajuda dos EUA

EUA cogita sanções para pressionar paz no Sudão Cerca de um mês após o início do conflito armado no Sudão do Sul, os Estados Unidos demonstram insatisfação com os rumos do país mais jovem do mundo, que ajudaram a criar, em 2011, e já consideram impor sanções contra grupos e pessoas que, sob o ponto de vista de Washington, estão atrapalhando os esforços de mediação no país, disseram fontes do governo americano. O Sudão do Sul recebe milhões de dólares em ajuda americana, e esta semana foi publicamente pressionado pelos EUA para que encontre uma solução para o conflito entre as tropas leais ao presidente Salva Kiir, da etnia majoritária dinka, e as forças do ex-vice-presidente Riek Machar, da etnia nuer, a segunda mais numerosa do país. A informação sobre a possível punição americana vem no momento em

Crise financeira e de segurança forçaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro a empreender uma reforma política

que novos dados apontam para um recrudescimento da violência em território sul-sudanês. Segundo uma estimativa do centro de estudos International Crisis Group, que monitora conflitos ao redor do mundo, cerca de dez mil pessoas já morreram desde o início dos combates - segundo a ONU, no fim de dezembro, havia pouco mais de mil vítimas fatais.

Revista revela romance de Holande O presidente francês, François Hollande, ameaçou tomar medidas legais contra a revista “Closer”, que revelou um suposto romance entre ele e a atriz Julie Gayet. Em um comunicado, o presidente afirmou que “lamenta profundamente os atentados de respeito à privacidade, à qual ele tem direito como qualquer cidadão”. Sem abordar o tema, ele acrescentou que está pensando em alguma possível ação, inclusive por meio dos tribunais. Filha de um famoso cirurgião, e nascida nos arredores de Paris em uma família tradicionalmente de esquerda, a atriz casou-se em 2003 com o escritor e roteirista argentino Santiago Amigorena, diretor de “Alguns dias em setembro”, de 2006. O casal, já divorciado, tem dois filhos. Julie

participou, em 2012, de um vídeo de campanha do então candidato presidencial. A publicação, a mesma que foi condenada em 2012 por publicar fotos do topless de Kate Middleton, anunciou em seu site uma edição especial “onde revela em um dossiê de sete páginas as fotos da relação entre o chefe de Estado e a atriz”. Horas depois, as informações foram retiradas do ar. O pedido foi feito pelo advogado da atriz, de acordo com Laurence Pieau, diretora da revista. Segundo ela, no entanto, o mesmo não foi pedido para a versão impressa. “O advogado de Julie Gayet entrou em contato para nos pedir que retirássemos de nosso site toda menção desta relação e de garantir o mesmo no Google”, declarou Laurence Pieau.

Flagra As imagens mostram um homem parecido com um dos guarda-costas de Hollande e uma segunda pessoa, que supostamente seria o presidente, chegando e saindo de um apartamento de Paris. De acordo com a publicação, o chefe de Estado francês “passa as noites com a atriz a dois passos do Eliseu”. Ele chega ao local do encontro em uma moto, acompanhado de apenas um guardacostas, que se encarrega de comprar croissants para os pombinhos. “No dia do Ano-Novo, o chefe de Estado visita de scooter a atriz em sua residência, onde o presidente costuma passar a noite”, informou a revista. DIVULGAÇÃO

Rebeldes As Nações Unidas admitem que o número divulgado antes já está defasado, mas não anunciaram uma nova cifra. Os rebeldes, por sua vez, estimam que a quantidade de vítimas está na casa de 6 mil pessoas. A tragédia se complementa com os mais de 250 mil sul-sudaneses que foram obrigados a deixar suas casas devido aos combates, segundo a ONU. Presidente francês François Hollande nega seu envolvimento com a atriz Julie Gayet

VIOLÊNCIA

Milícias avançam no México A violência derivada do narcotráfico já não estampa tantas manchetes no México como fazia durante o mandato de Felipe Calderón (20062012). Mas continua ali, sob variadas facetas num problema complexo ainda longe de solução. Depois da guerra aos cartéis declarada por Calderón e da nova estratégia de segurança do atual presidente, Enrique Peña Nieto, que evita alardear massacres e detenções, os mexicanos assistem agora a um aumento dos grupos civis de autodefesa. São milícias formadas por cidadãos e lideradas por empresários que, diante das extorsões de traficantes e sem o respaldo do Exército, decidiram armar-se e defender-se por contra própria. Em Michoacán, parada estratégica no sudoeste do país para o tráfico de drogas rumo aos EUA, esses grupos prendem pessoas, destituem políticos e já controlam um quinto do território. No ano passado, as milícias sofreram um boom principalmente em Michoacán e Guerrero, Estados com comunidades rurais onde a polícia, além de escassa, é tida como corrupta. Calderón havia enviado o Exército para fazer a segurança nessa e em outras partes do país, como parte do combate ao narcotráfico.


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IONE MORENO

Caderno C

Dia a dia

O difícil combate ao vandalismo Dia a dia C4 e C5

Índios são a ‘bola da vez’ RICARDO OLIVEIRA

Clima de tensão envolvendo a população tenharim em Humaitá e desaparecimento de família em reserva da rodovia BR-174 são dois exemplos de fatos que acabam gerando suspeitas sobre indígenas, muitas vezes por puro preconceito

Em meio a fatos ocorridos em suas terras ou proximidades, populações indígenas tornam-se alvos de acusações de crimes, principalmente em redes sociais, revelando preconceito da sociedade

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ois casos de desaparecimentos de pessoas em área de reserva indígena ocorreram no ano passado. O último, ocorrido em Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus) em dezembro, ainda passa por fechamento de inquérito, mas como no anterior, de forma precipitada as suspeitas são jogadas sobre os indígenas, que são ofendidos por palavras e ações. Nas redes sociais, as primeiras divulgações do desaparecimento das pessoas nas proximidades das reservas, geraram acusações direcionadas aos índios, fato que pode ocasionar uma revolta crescente que pode fugir ao controle. Foi o que aconteceu no final de dezembro passado em Humaitá, quando cerca de 7 mil pessoas fecharam o porto do município para chamar atenção das autoridades sobre o desaparecimento do comerciante Luciano Ferreira Freire, do professor Stef Pinheiro de Souza e do funcionário da empresa Eletrobrás Amazonas Energia do Distrito de Santo Antônio do Matupi, Aldeney Ribeiro Salvador. Os três foram vistos pela última vez no dia 16 de dezembro na rodovia BR-230 (Transamazônica), na área da reserva indígena empurrando um carro modelo gol de cor preta. Como as buscas pelos homens só começariam depois

das festas do fim de ano, a mobilização perdeu o controle e a população revoltada, acusando os indígenas tenharins, em cujas terras aconteceu o desaparecimento, incendiou as sedes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e na Casa do Índio (Casai) do município. Os manifestantes também atearam fogo no barco da Funai, carros que estavam em frente aos prédios da Funai e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), somando ao todo 16 veículos.

PRINCÍPIO

Para os moradores de Humaitá, a ideia de que os índios seriam responsáveis pelo sumiço do grupo surgiu após a morte do cacique Ivan Tenharim, encontrado agonizante no dia 2 de dezembro No dia 28 de dezembro, madeireiros e fazendeiros atearam fogo nas cancelas usadas pelos indígenas para cobrar pedágio na rodovia BR-230. Para os moradores de Humaitá, a conclusão de que os índios seriam responsáveis pelo sumiço do grupo foi a morte do cacique dos Tenharim, Ivan Tenharim, encontrado agonizante no dia 2 de dezembro na estrada, após sofrer um acidente de moto. No dia seguinte, ele morreu. O laudo médico informou

que o cacique dirigia após ter consumido grande quantidade de álcool. Mas o excoordenador da Funai, Ivã Bocchini, difundiu a ideia de que o cacique havia sido assassinado, lançando a suspeita da população de algum ato de vingança. Outra situação ocorreu com a família desaparecida dentro da reserva WaimiriAtroari, na rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista), em outubro de 2013. Levy Oliveira Nascimento, 32, sua esposa Gislane Santos Mesquita Nascimento, 34, e o filho Ian Levy Mesquita Nascimento, 6, desapareceram quando retornavam de Boa Vista para Manaus e desapareceram dentro da reserva indígena Waimiri-Atroari. O veículo da família, um Honda City, de cor grafite e de placa NON-9378, foi visto pela última vez no quilômetro 247 da rodovia federal, na entrada da reserva indígena, imagem registrada pelas câmeras do posto da Funai. Com a divulgação do desaparecimento da família pelas redes sociais, muitos dos comentários dos internautas já atribuíam o fato aos indígenas que vivem na reserva, principalmente após a localização do carro dentro de um lago naquela região, com todos mortos. O laudo pericial depois revelou que o acidente fora causado por Gislane, que teria dormido ao volante e perdido o controle da direção, levando o carro a cair dentro do lago.

Situação clara de preconceito Para o coordenador do Núcleo de Cultura Política do Amazonas, o antropólogo Ademir Ramos, toda a situação revela um claro preconceito. A questão dos conflitos é considerada histórica e nunca deixou de existir, mas é necessário que o governo brasileiro trace planos de trabalho para os povos indígenas que vivem principalmente na região do Amazonas. “Estivemos reunidos com os tenharins em outubro do ano passado, para verificar toda a situação no sul

do Amazonas. É notável como os povos indígenas são esquecidos até pelos órgãos de sua competência”, explicou. O antropólogo detalhou que, dos indígenas, a maior porcentagem da etnia é formada por mulheres e crianças. “As lideranças são bastante inteligentes, mas o sul do Amazonas está esquecido. Há muitos minérios naquela região, mas não existe apoio aos índios, e muito menos fiscalização da extração, e repito é preciso que o go-

verno federal retorne um trabalho voltado para os índios, pois são esquecidos, e uma forma de conseguir seus mantimentos é cobrar o pedágio”, disse. Outra lembrança de conflitos envolvendo indígenas na região de Humaitá foi quando um madeireiro foi encontrado morto, há alguns anos. “Foi um fato provocado por pistoleiros, e novamente os culpados foram os índios”, relatou. Procurada pela reportagem, a Funai não se manifestou sobre o assunto. DIEGO JANATÃ

ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

Indígenas acabam se tornando bode expiatório para diversas situações de conflito


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Dia a dia WERTHER SANTANA/AE

Nova Lei Seca tem Segundo o Detran-AM, acidentes fatais relacionados ao consumo de álcool caíram mais de 50% em 2013 ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO

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alanço do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) mostrou que no Amazonas a nova Lei Seca produziu resultados positivos. Dados do órgão mostram que Manaus teve queda de mais de 50% no número de mortes em acidentes de trânsito associados ao consumo de bebidas alcoólicas, no período de janeiro a novembro de 2013. Foram 104 óbitos, contra 248 no mesmo intervalo de 2012. Em 2008 foi promulgada a Lei Seca para penalizar os motoristas que dirigem embriagados, entretanto sua aplicação vinha sendo limitada pelos tribunais brasileiros. Para dar mais vigor à legislação, em dezembro de 2012 entrou em vigor a lei 12.760/12, que vem sendo chamada de nova Lei Seca. Com a inovação legislativa, atualmente nas blitze, os agentes de trânsito e policiais ganharam mais chances de comprovar que o motorista dirige sob efeito de álcool. Além do testemunho de policiais e de terceiros, a lei passou a aceitar diversos outros meios de prova, como testes clínicos

e vídeos, entre outros. Antes, a alteração só era constatada por meio do exame de bafômetro ou de sangue. O condutor não era obrigado a fazer o teste do bafômetro, pois pela lei ele não é obrigado a produzir provas contra si, onde a simples recusa não configurará a sua culpabili-

MUDANÇA

Para dar maior vigor à Lei Seca de 2008, em dezembro de 2012 entrou em vigor a lei 12.760, que possibilita a agentes de trânsito e policiais mais chances de comprovar ingestão de álcool ao volante dade na espera penal. Segundo resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as regras determinam: quando o motorista apresenta dosagem acima de 0,33 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões ao soprar o bafômetro ou tem concentração de álcool por litro de sangue igual ou maior a 6 decigramas, ele vai responder por crime de trânsito.

Aplicação do bafômetro em blitz: com a nova Lei Seca, infrações de motoristas alcoolizados foram mais observadas


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bom saldo no AM Multa alta incentiva cuidados

Além dos riscos que os motoristas correm ao beber e dirigir, com a mudança na legislação os condutores também irão sentir o “peso no bolso”. A multa para motoristas embriagados passou de R$ 957,70 para R$ 1.915,40. No ano passado, em Manaus, 1.571 condutores foram multados ao dirigir com sintomas de embriaguez. O condutor ainda tem a carteira de habilitação recolhida, suspenso o direito de dirigir por 12 meses, além da retenção do veículoaté a apresentação de condutor habilitado. Na penalidade criminal, o motorista será encaminhado à delegacia para cumprir detenção de seis meses a 3 anos, multa e suspensão do direito de dirigir. A lei prevê, ainda, que caso o motorista reincida na mesma infração dentro de um ano, o valor da multa será duplicado e poderá chegar a R$ 3.830,60, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses. De acordo com o Detran– AM, durante todo o ano serão realizadas blitze com a intenção de diminuir ainda mais o número de acidentes no Estado. Muitas vezes, as pessoas

ficam em dúvida de quanto tempo depois de beber o motorista pode dirigir sem infringir a lei e, principalmente, com segurança. De acordo com professor titular de psiquiatria e dependência química da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira,

BOLSO

A multa para motoristas embriagados passou de R$ 957,70 para R$ 1.915,40. No ano passado, 1.571 condutores foram multados ao dirigir com sintomas de embriaguez há um conceito na medicina que afirma que o organismo se livra do equivalente a uma dose de álcool por hora. “Uma dose pode ser uma taça de vinho ou chope, ou ainda um daqueles copos bem pequenos de destilado, que o fígado levará cerca de uma hora para metabolizar o álcool no corpo humano”, explica. Sendo assim, se uma pessoa de aproximadamente 70 quilos ingeriu três copos de

chope, por exemplo, terá de esperar três horas para dirigir. Caso tenha tomado dez taças de vinho, serão necessárias dez horas para que o organismo esteja livre dos efeitos do álcool. Mas o médico esclarece que os efeitos do álcool variam de acordo com cada pessoa e com uma série de fatores. “Se o indivíduo bebe com o estômago vazio, os efeitos do álcool pelo corpo podem aparecer mais rápido, assim como o corpo feminino demora mais para metabolizar o álcool”. Por isso, a Polícia Rodoviária Federal recomenda que se espere pelo menos 12 horas antes de dirigir após a ingestão de álcool. No entanto, o mais importante para dirigir com segurança é a conscientização. Para o especialista, no Brasil ainda é preciso aprender que não se deve beber e dirigir. “Se você pensa em dirigir, não deve consumir álcool. Este é o ponto principal que se deve por em prática no país. O brasileiro tem de se planejar antes de sair para festas ou locais onde é possível beber. As pessoas têm que encontrar formas de se locomover, o que já acontece nos países desenvolvidos”.

DETRAN/DIVULGAÇÃO

Consumo de bebidas alcoólicas em posto de gasolina: falta ainda muita conscientização

DETRAN/DIVULGAÇÃO

Blitz do Detran: balanço mostrou resultados positivos em relação a mortes no trânsito na capital

Moto apreendida em operação de fiscalização: multas para bêbados chegaram a 1.571 em 2013

HUDSON FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO

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Dia a dia DIEGO JANATÃ

O desafio de prote

Casos de vandalismo na capital podem estar relacionados a questões políticas e problemas familiares ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO

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m dia após inauguração da segunda etapa da Ponta Negra, em mais uma atitude de vandalismo, uma parada de ônibus foi pichada. Por que fazem isso? Segundo o cientista social Luis Antonio Nascimento, apesar das obras serem realizadas com contribuição de impostos, essas pessoas não se sentem representadas, então se manifestam por meio de atos de destruição do patrimônio público. “O Estado e os governantes constroem a cidade sem levar em conta o que pensa a população. Nunca se ouviu a juventude, por exemplo”, enfatiza o cientista. O vandalismo é uma atitude ou um modo de expressão que tem como objetivo tentar destruir uma determinada cultura e sua arte, bem como o patrimônio alheio. Geralmente é um caminho trilhado por jovens que não encontram outra forma de canalizar sua energia e sua agressividade. O coronel da Polícia Militar, Amadeu Soares relata que a polícia sempre autua menores de idade em flagrante. “Não temos como trabalhar uma linha de repreensão, o cara que está com espírito de fazer pichação, vai fazer e pronto. Para eles, é um trabalho para mostrar que ficaria mais bonito pichado”, diz o coronel. No Brasil, a lei que pune a pichação tem base na lei de crimes ambientais - lei 9.605 -, que em seu artigo 65 prevê pena de detenção de três meses a um ano, mais multa. Se o ato for realizado em monu-

mento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de seis meses a um ano de detenção e multa. Assim como acontece na Ponta Negra, outros desrespeitos ao patrimônio público podem ser constatados andando pela cidade, como lixeiras quebradas e banheiros públicos em péssimo estado. De acordo com o cientista social Luiz Nascimento, há uma parte da população que nunca teve responsabilidade com a cidade e ficam à margem da sociedade.

DEFINIÇÃO

O vandalismo é uma atitude ou um modo de expressão de um indivíduo que tem como objetivo tentar destruir uma determinada cultura e sua arte, bem como o patrimônio alheio “Essa prefeitura, esse grupo político não ouve a sociedade, não faz parte do modo de gerir. Mas se você perguntar, eles vão dizer que ouviram os arquitetos, os poetas... Ele ouve as pessoas mais elitistas”, afirma Luiz. Para o cientista social, o primeiro passo seria compartilhar poder e responsabilidade, chamar a população para pensar o uso da cidade, desde o orçamento, considerando inclusive os diferentes grupos sociais. “Os lugares são preservados quando as pessoas se sentem usuários do local”, revela Nascimento.

Prédio pichado em bairro de Manaus: população da capital ainda precisa ter pensamento voltado para o melhor uso da cidade

Grupo realiza trabalho com ‘desajustados’ necessários muitos guardas municipais para vigiar a extensão do parque durante 24 horas por dia. Chance Em Manaus, um grupo chamado “Atos de quem Ama” vem há 7 anos desenvolvendo um trabalho voltado para os menos favorecidos, inclusive na questão de delinquentes e jovens que ficam nas ruas pichando e realizando atos de vandalismo. Para o coordenador do

grupo, o pastor Vander Rodrigues, essas pessoas são pessoas extremamente revoltadas e não querem o convívio social. Muitos deles têm um dispositivo emocional de vingança justamente por causa desse complexo de injustiça. “A pichação, a depredação e os delitos cometidos são o modo de demonstrarem o ódio pela sociedade, mas também de se protegerem. Infelizmente é muito fácil você condenar sem saber as circunstâncias que a le-

varam”, afirma Vander. Hoje essa questão do vandalismo vem ganhando corpo entre os jovens. Com a intensificação da violência, seus praticantes vêm aprimorando seus métodos, unindo-se em gangues cada vez mais poderosas e letais, não só pichando e danificando o patrimônio público, mas também recorrendo cada vez mais a atos de extrema selvageria, como, por exemplo, queimar pessoas vivas – geralmente aqueles que são excluídos socialmente. DIVULGAÇÃO

Entretanto, o coronel Amadeu Soares analisa que o mais eficiente seria a instalação de câmeras para identificar os infratores. “Com as câmeras, muitos ficam inibidos”, frisa. A Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) informou que o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) estuda a possibilidade de contratar uma empresa terceirizada de conservação e limpeza para manter a Ponta Negra, pois seriam

Uma profunda crise de valores

Integrantes do grupo “Atos de quem Ama”: iniciativa que visa mudar a atitude de jovens que destroem o patrimônio

Ao contrário da opinião comum, porém, esses atos não acontecem apenas no interior de escolas e universidades públicas, mas são também muito frequentes nas entidades particulares. Assim, não é um problema de classe social, mas educacional, comportamental, fruto de uma profunda crise de valores, da impunidade, de uma descrença completa em princípios morais básicos, como o respeito, a solidariedade e a aceitação das diferenças. Um exemplo é do jovem universitário R.L.*, da Uninorte, que ao sair das aulas ia para a rua danificar tudo e ainda espancava as pessoas. Quando o grupo “Atos de quem Ama” o encontrou, direcionou-o para um tratamento psicológico, quando foi descoberto que toda a família precisava ser tratada juntamente com ele. Desvios Outro caso interessante é de um rapaz de 28 anos, filho de juiz. Ele realiza atos de vandalismo e pichação de ônibus, quebrando tudo que encontrava pela frente e ainda é viciado em drogas. O grupo foi então procurar a família do jovem e descobriu que a mãe não

quer nem falar com ele por ser viciado, e também não quer ajudar. “Essa família trabalha no sentindo de se esconder o problema, que para eles é melhor”, afirma Vander Rodrigues. “Para o patrimônio público de Manaus manter-se com uma aparência atrativa é preciso que o governo zele pelo patrimônio que é a família. Não temos mais

PROBLEMAS

Os atos de vândalos não são problemas de classe social, mas educacional, comportamental, fruto de uma profunda crise de valores, da impunidade e da descrença em princípios morais base familiar para que surja o princípio de cidadania”, frisa o coordenador. O programa existe ainda nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador, e a cada 15 dias o grupo vai às ruas do centro de Manaus com o intuito de resgatar essas pessoas. * Nome omitido para proteger a identidade


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IONE MORENO

eger o patrimônio

Parada de ônibus pichada no complexo da Ponta Negra, um dia após sua reabertura: descaso

Pichações, segundo cientista social, também podem revelar inconformismo com o poder público

DIEGO JANATÃ

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Dia a dia

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FOTOS: TADEU DE SOUZA

Emerson Souza da Silva, farmacêutico e diretor da policlínica Padre Vitório Giurin, aponta que na primeira semana de janeiro já foram registrados dois novos casos de pessoas soropositivas

Número de soropositivos tem aumento em Parintins

Estatística divulgada pela policlínica Padre Vitório mostra os números da doença, que atingiu 211 pessoas em 2013 TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

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arintins (AM) – Estatísticas da policlínica Padre Vitório Giurin, responsável pelo tratamento de pacientes portadores do vírus HIV em Parintins, apontaram um crescimento no número de pessoas infectadas na cidade no ano passado. Em 2012, segundo os dados divulgados, a policlínica registrou 193 casos. Em 2013, esse número subiu para 211 casos, sendo que a maioria, 125, são de pessoas do sexo masculino, enquanto 86 correspondem ao feminino, entre essas três mulheres grávidas. Os dados abrangem as áreas urbana e rural. Neste início de ano, ainda na primeira semana de janeiro, a policlínica, segundo informou seu diretor, o farmacêutico Emerson Souza da Silva, já registrou dois casos. “Já estamos cuidando e iniciando o acompanhamento”, afirmou. Emerson disse que em 2012 a policlínica perdeu 76 pacientes. No ano passado morreram 86 pessoas. “É sempre motivo de muita tristeza perder um paciente para a Aids”, assinala Emerson. Ele contou que na gestão do prefeito Alexandre da Carbrás a secretaria de Saúde do município adotou uma nova política de apoio aos portadores do HIV. “Foi adquirida uma máquina que nos permite em menos de 20 minutos identificar a carga viral dos nossos pacientes. Antigamente, isso levava em média de 15 a 20 dias”, recorda. O diretor da policlínica também enfatizou as campanhas que são executadas na cidade com a finalidade de alertar a população no

sentido de se preservar. “O uso da camisinha é essencial, não tem outra forma de evitar o vírus”, alerta Emerson, enfatizando que os jovens, por não se cuidarem, estão sendo hoje as maiores vítimas. Ele enfatiza que atualmente a policlínica tem uma equipe multiprofissional para acompanhar os pacientes. “Essa equipe é formada por psicóloga, nutricionista, assistente social, além de enfermeiros e médicos. São dedicados e fazem acompanhamento rigoroso dos

Falta de informação aos jovens Aluísio afirma que a princípio sentiu que seu mundo havia acabado. “Mas, depois me acalmei, iniciei o tratamento e hoje tenho uma vida normal. Eu me cuido, durmo cedo, não bebo e nem fumo, apenas isso”, conta. Inicialmente, ele não revelou aos pais que era soropositivo. Porém, ao conceder uma entrevista a uma emissora de rádio local, sua mãe identificou sua voz. “Ai eu fui obrigado a contar a verdade. Imaginei que seria repreendido, que meus pais e demais familiares iriam virar as costas para mim, mas, pelo contrário, passaram a me apoiar”. Aluísio Santos considera essenciais as campanhas de orientação desenvolvidas pela secretaria de Saúde. “Tem quem não leve em conta, mas a grande maioria da população é atingida pela mensagem, principalmente nos períodos de festa”. Para professora Luciana Carvalhos Pires, as campanhas poderiam ser mais incisivas. “É preciso que haja uma atenção maior nas escolas da rede pública, como foi feito naquela atividade contra o HPV. São campanhas assim que dão resultado. Os adolescentes precisam se conscientizar mais do perigo”.

DADOS

No ano passado, 211 pessoas foram diagnosticadas como portadoras do vírus HIV, contra 193 em 2012. As mortes chegaram em 86 casos, enquanto no ano anterior foram 76 fatalidades nossos pacientes”. Alerta “Quero fazer um alerta a todos que não têm o vírus HIV: cuidem-se, usem preservativos, porque essa doença não tem cura”. As palavras são de Aluísio Santos (nome fictício) que há mais de 15 anos convive com a Aids. Aluísio fazia tratamento contra hanseníase na Casa Padre Vitório, hoje policlínica, quando foi convidado a fazer o “teste Elisa”. Ele o repetiu três vezes até que os médicos confirmaram que era soropositivo. “Recebi o resultado em Manaus, no Hospital Alfredo da Mata. Uma psicóloga conversou comigo por mais de três horas e por fim me entregou o exame, abri e li o resultado: positivo”, disse.

Aluísio Santos foi diagnosticado soropositivo há 15 anos e hoje leva uma vida muito normal


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Dia a dia

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Pais devem se envolver mais no universo escolar O

incentivo à participação dos pais de alunos e o envolvimento da comunidade junto ao universo escolar estão entre as principais ações a serem trabalhadas durante o ano de 2014 pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), a fim de que possam ser discutidas alternativas para combater problemas sociais como a droga, violência e o alto índice de evasão escolar. Os trabalhos estão sendo feitos diretamente com as Coordenadorias Distritais de Educação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), na capital. Para o presidente da Comissão de Educação, deputado estadual Sidney Leite (PROS), essa interação com os pais é fundamental, uma vez que a questão das drogas e da violência são temas que foram considerados preocupantes pelos coordenadores educacionais que já se reuniram com o parlamentar. “Ouço muitos relatos preocupantes sobre essas duas questões dentro e fora das escolas. Por isso, afirmo que a participação dos pais dos

alunos é essencial, isso porque quando esses problemas ultrapassam as barreiras escolares, passam a ser da comunidade de modo geral”. Ainda em 2013, o parlamentar iniciou uma série de visitas às coordenadorias que atendem todas as zonas da cidade. As ações consistem desde o acompanhamento de projetos ao incentivo da prática de esportes. Em pauta destacase: o alto índice de evasão escolar no ensino médio. “A equipe técnica da Comissão está desenvolvendo um projeto a fim de que possamos trabalhar alternativas que possam vir a reduzir esses números”. Segundo Leite, com a aproximação da Comissão de Educação das escolas, a ideia é que haja apoio aos professores, gestores, aluno e comunidade. “Esperamos poder contribuir tanto com o profissional quanto com os estudantes que precisam de apoio e suporte. O que pudermos fazer dentro da Comissão estaremos dispostos a fazer, como dar encaminhamentos as demandas e fazer valer os direitos e deveres de todos”, comentou.

IONE MORENO

Problemas sociais inseridos na escola são alvos da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Amazonas

Comissão da Aleam acredita que interação dos estudantes com seus pais é essencial para evitar futuros problemas sociais


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Caderno D

Plateia teia MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

plateia@emtempo.com.br @emtempo.com.br

REPRODUÇÃO

Despedida do Bell Marques em Manaus (92) 3090-1042 3090-

Plateia 3

UEA forma os 12 primeiros profissionais das artes cênicas

FOTOS: IONE MORENO

Teatro nos palcos

e nas escolas

A primeira turma do curso superior de teatro da UEA é composta por dois alunos de licenciatura e dez de bacharelado LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

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longa história do teatro na capital amazonense ganhará, em breve, mais um capítulo, com a formação dos primeiros profissionais da área em graduação superior. A cerimônia de colação de grau da primeira turma do curso de teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está marcada para abril de 2014. Dos pouco mais de 50 alunos que ingressaram na instituição há 4 anos buscando qualificação acadêmica em artes cênicas, dois são formandos de licenciatura e dez de bacharelado. A coordenadora pedagógica do curso, Gislaine Pozzetti, reconhece que os estudantes enfrentaram dificuldades típicas de cursos superiores estreantes, mas destaca que parte desses obstáculos foi superada ao longo desses últimos anos e que os alunos participaram de diversas conquistas. “Nós conseguimos que se tornasse um curso regular da UEA. É um momento de muita alegria para alunos e professores que estiveram envolvidos nessa primeira jornada e querem que o curso se torne referência. É uma turma que abriu caminho para outras turmas”, afirma. Em meio a deficiências como, por exemplo, a falta de espaços físicos adequados para ensaios e de profissionais graduados e especializados para ministrar as aulas, não faltaram também apoios diversos para suprir alguns desses problemas. “A SEC (Secretaria de Estado de Cultura) nos cedeu o Teatro Américo Alvarez, onde pudemos desenvolver disciplinas como i n terpretação,

direção e montagem cênica”, diz a coordenadora. “E no início nos deparamos com grandes profissionais da cidade, porém, sem graduação para ministrar. Mas, eles estiveram presentes no curso por meio de oficinas e estimularam os alunos. Nomes como Márcio Souza e Wagner Melo não podem ser esquecidos, pois contribuíram para o curso. E poderemos continuar contando com o apoio dos artistas locais”. Gislaine enfatiza que os formandos sairão da academia prontos para o mercado de trabalho, em escolas ou palcos, e com um olhar crítico sobre todas as questões que envolvem o fazer teatral. E destaca que já existem propostas para que o curso seja oferecido pela manhã. “Acho o horário da tarde complicado. Em 2015 pode passar para o período matutino. É um curso que exige muita prática e muitas atividades extra-classe, como ensaios”, observa. A falta de um quadro de professores ideal e a ausência de um espaço com acústica, piso e instalações mais adequadas para exercícios práticos também são questões a serem resolvidas. “A estrutura física do prédio e das salas de aula não estava apropriada para receber o curso. Por causa da acústica, o barulho incomodava outros cursos. Mas, estamos nos prepa-

rando-se para resolver esse problema”, diz Gislaine. O quadro docente do curso de Teatro pode contar com a experiência de professores

FORMATURA

A cerimônia de colação de grau da primeira turma do curso de teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está marcada para abril de 2014. De 50, apenas 12 concluíram o curso como Eneila Almeida dos Santos. Ela foi integrante dos grupos Jurupari e Vitória-Régia e mudou-se para o Sudeste em busca de formação. “Em 1988, époc a

dos grupos de teatro estudantis, fui para São Paulo e ingressei na Faculdade Marcelo Tupinambá e fiz o curso técnico Macunaíma. Também cursei pedagogia e fiz doutorado em Portugal”, conta. Na UEA, Eneila ministra a disciplina pedagogia teatral, voltada para a formação de professores de teatro. “Nós precisamos da disciplina de teatro na educação, e não de educação artística”, sugere. Gislaine Pozzetti acredita que existem condições para melhorar a grade curricular do curso e que os estudantes da primeira turma foram de fundamental importância para estabelecer essas futuras melhorias. “A importância do curso hoje é que temos muitas frentes se abrindo. A arte tem um papel muito plural na sociedade e acho importante que as pessoas que trabalham com arte tenham embasamento teórico”, afirma, lembrando que, para 2014, a coordenação aguarda a avaliação do curso pelo Conselho Estadual de Educação. Gislaine Pozzetti é a coordenadora pedagógica do curso

Preparação de peças teatrais As aulas do curso de teatro da UEA já foram concluídas e os projetos finais dos alunos apresentados. Os que optaram pela licenciatura escreveram monografias. Helena Almeida analisou o ensino do teatro nas escolas rurais do município de Manaus e Tiago Oliveira assinou o trabalho sobre ensino de teatro à distância. Os dez formandos que optaram pelo bacharelado apresentaram montagens cênicas em grupo e artigos individuais sobre elementos exibidos nessas produções, como voz e iluminação, por exemplo. As peças encenadas ao longo de uma semana foram “Eik Tu, o que É que Aconteceu?”, no Teatro Américo Alvarez; “A Morte Bate à Porta, no Teatro do Serviço Social do Comércio (Sesc); “O Último Godot”, no Les Artistes CaféTeatro; e “Nesse Asfalto Tem Cor”, na própria UEA. “São trabalhos maravilhosos que merecem entrar em temporada. Temos espaços na cidade que podem abrigar

essas montagens”, comenta Gislaine Pozzetti. Além da encenação e direção, todos os alunos tiveram que entrar em contato com todas as questões que envolvem a apresentação de uma temporada teatral, como a busca de apoio e de locais para encenar. “Existiu uma orientação do

TCC Para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), os formandos de bacharelado apresentaram montagens cênicas em grupo e artigos individuais sobre elementos dessas produções professor, mas não a imposição de um olhar externo. Os alunos puderam contar com a ajuda técnica de dois professores para elementos como a sonoplastia. E foi possível observar quem tem qualidade para interpretar ou dirigir”, afirma Gislaine.

Entre o empírico e o acadêmico A experiência profissional na área de teatro foi o que estimulou Tiago Oliveira a optar pela licenciatura do curso da UEA. Há 2 anos é coordenador do núcleo de teatro do Centro Cultural Cláudio Santoro, onde ingressou como aluno em 2002 e tornou-se professor 5 anos depois. Para ele, a maior conquista ao participar do curso superior foi entender a parte teórica que compreende o ensino. “Eu tinha conhecimento

empírico, mas aprendi a criar um embasamento para o que eu preciso em sala de aula”, diz Tiago, que considera essa primeira turma um grupo de desbravadores. “O curso foi se estruturando ao longo de 4 anos. Como toda primeira turma nós enfrentamos dificuldade, mas a coordenação lutou para que houvesse uma continuidade. Hoje dialogamos com outras turmas que estão tomando a nossa como referência”, comemora.


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

FOTOS: DIVULGAÇÃO

>> Objeto de desejo . Bossa e fé. . As pulseiras de São Bento de borracha, da loja carioca Agnus Dei, viraram hit absoluto. São descoladas e devem ser usadas com muitas outras pulseiras, inclusive joias como as famosas Tennis Bracelet. Puro charme!

Indra Bessa e Baby Rizzato

>> Sofitel . Chez Zeca Nascimento, feijoada reunindo um grupo de amazonenses no Sofitel da avenida Atlântica. . Tarde superbadalada com o gentleman Zeca, um dos nomes mais identificadas no high society local. Tarde ótima com o charme da turma de Manaus encantando o society carioca.

Lucia Viana, Alexandre Prata, o anfitrião Zeca Nascimento e Menga Junqueira, durante feijoada badalada no Sofitel Rio

Isabel Prata, Menga Junqueira e Waltinho Oliva Pinto

Mazé Chaves e Socorro Iannuzzi

>> Férias . Depois de um dolce far niente de uma semaninha, a coluna volta a ser publicada diariamente no nosso EM TEMPO, trazendo a ferveção social de Manaus. . Voltamos ao laboro divulgando toda a movimentação da society de Manaus, que começa o ano cheio de energias e eventos. Enjoy!

>> Feijão Top, top, top . A coluna orquestrará sua famosa feijoada de Carnaval, agendada para o dia 22 de fevereiro, no Diamond, no que será uma verdadeira celebração à alegria! Festão que sacudirá o chamado “sábado magro” – o sábado que antecede o Carnaval em si. . Será uma feijoada butique, voltada para o high society, ao grand monde ao charme do grupo bonito e badalado de Manaus. As camisetas/convites estão sendo produzidas prontas para serem customizadas pelas socialites da cidade, que sempre dão um show de charme neste evento. Aguardem!

>> Avant-premiére . O evento será direcionando a arquitetos e a imprensa. . A MS Casa convida para o pré-lançamento do seu novo endereço na rua Pará, Vieiralves, no próximo dia 16. Comenta-se um festão!

>> Primeiras atrações . Para dar início a um ano que promete ser repleto de grandes shows de artistas consagrados, a Fábrica de Eventos traz a Manaus o show de despedida do cantor Bell Marques, vocalista da banda Chiclete com Banana, que está excursionando por algumas das principais capitais brasileiras. . O primeiro grande evento da Fábrica de Eventos em 2014 será no dia 16 de fevereiro (domingo), na área externa do Diamond Convention Center e contará também com a apresentação do cantor Latino. Será um sunset começando às 17h. Não dá para perder.

Casal top, Dayse e Rômulo Mêne em jantar que reuniu grupo VIP no restaurante Antiquariu’s, no Rio

Exposição na largo tem serviço de audioescrição

Vida ribeirinha é apresentada em 40 obras de artes visuais

Escola de samba Aparecida recebe Sem Compromisso

Está em cartaz, na galeria do Centro Cultural Largo de São Sebastião, a exposição “Euros – Do Risco ao Pixel”, com serviço de audiodescrição. O evento disponibilizará o serviço em mais de dez obras de artes com canetas interativas (pentop), que proporcionarão a audiodescrição. Além disso, os visitantes também terão acesso à informação em áudio sobre a galeria e as salas de exposição, bem como, a distribuição de folders em braille e fonte ampliada, tudo isso para atender com qualidade as necessidades do público dirigido. A entrada é gratuita.

A vida ribeirinha em sua essência e morada é retratada nas mais de 40 obras do artista plástico amazonense Pedro Falabella, que apresenta, a partir do dia 1° de outubro, no Centro Cultural Palácio da Justiça, a exposição “Amazonas: Um olhar quase caboclo”. A exposição ficará aberta ao público de 1° de outubro de 2013 a 16 de fevereiro de 2014, no Centro Cultural Palácio da Justiça, localizado na avenida Eduardo Ribeiro, s/nº, Centro, com horário de visitação de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h e no domingo, das 17h às 21h. A entrada é gratuita.

A disputa existe no sambódromo. Baseado no lema do presidente do GRES Mocidade Independente de Aparecida, Luiz Pacheco, o projeto Aparecida Convida tem reunido pessoas de todas as comunidades na quadra da soberana aos domingos (localizada na rua Ramos Ferreira, 102 – Centro). Hoje é a vez da escola Sem Compromisso participar do evento, a partir das 18h, na quadra da Aparecida. Os ingressos custam R$ 5 (pista), R$ 40 (mesa com quatro lugares) e R$ 20 (camarote por pessoa).


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Chiclete com Banana ao lado de Latino em Manaus P

ara dar início a um ano que promete ser repleto de grandes shows e artistas consagrados, a Fábrica de Eventos traz a Manaus o show de despedida do cantor Bell Marques, vocalista da banda Chiclete com Banana, que está excursionando por algumas das principais capitais brasileiras. O primeiro grande evento da Fábrica de Eventos em 2014 será realizado no dia 16 de fevereiro (domingo), na área externa do Diamond Convention Center e contará também com a apresentação do cantor Latino. Bell Marques é cofundador de uma das bandas mais famosas do Carnaval baiano e está há 30 anos à frente do grupo musical que é formado também por Wado Marques (teclado), Waltinho Cruz (percussão), Lelo Lobão (contrabaixo), Deny (percussão) e Walmar Paim (bateria). A banda, que fará sua despedida oficial durante o Carnaval de Salvador do ano que vem, tem 27 discos gravados, além de dois DVD, faz uma média de 130 shows por ano e já conquistou prêmios. De acordo com a proprietária da Fábrica de Eventos, Bete Dezembro

por todo o histórico da banda e por respeito aos “chicleteiros” de Manaus, a cidade não poderia ficar fora do roteiro de despedida da banda. “O Chiclete com Banana está na história de muitas pessoas, afinal, figura como uma das bandas mais carismáticas do cenário nacional há mais 30 anos, e nós não poderíamos deixar os fãs de Manaus de fora”, adianta. Despedida O show em Manaus ocorrerá pouco mais de 20 dias antes da despedida oficial de Bell Marques do Chiclete com Banana. O grupo faz shows ainda em Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Piauí, Maranhão, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, entre outros Estados brasileiros até o carnaval de Salvador. Além da despedida do cantor Bell Marques, o show do dia 16 de fevereiro terá também como atração o cantor Latino. Com 20 anos de carreira, o cantor está em turnê pelo Brasil com o CD e DVD Latino Live in Copacabana, que reúne hits e músicas inéditas. Entre as faixas do novo trabalho estão “Me Leva”, “Só Você”, “Renata”, “Dança Kuduro” e as novas

“Caranguejo”, “In Love” e “Gigante”, esta composta para festejar a Copa do Mundo no Brasil no ano que vem. Com um formato diferenciado, tipo sunset, tendo em vista que o show terá início às 17h, a apresentação dos artistas tem tudo para cair no gosto dos amazonenses. De acordo com Bete Dezembro o novo formato e o local de realização dos shows serão algumas das novidades deste ano. “A Fábrica de Eventos vai inovar seus shows em 2014. Vamos fazer shows mais cedo, estilo sunset, algo novo em Manaus e que tende a agradar o público, já que não é nem naquele horário de calor intenso e nem a noite. Tem tudo para ser agradável”, afirma. Outra novidade da Fábrica em 2014 será em relação aos locais dos shows, que tendem a ser realizados também na área externa do Diamond Convention Center. “Normalmente fazemos nossos shows no Sambódromo devido à estrutura do local, mas resolvemos diversificar e optamos pelo Diamond. Lá disponibilizaremos também a estrutura e a qualidade que o público que prestigia os shows realizados pela Fábrica já conhecem”, finaliza.

DIVULGAÇÃO

Despedida do líder Bell Marques é um atrativo a mais ao show promovido pela Fábrica de Eventos no mês que vem

SERVIÇO CHICLETE COM BANANA E LATINO Quando: 16 de fevereiro (domingo), a partir das 17h Onde: Diamond Convention Center – avenida do Turismo, Tarumã Ingressos: Pista – R$ 50 Camarote VIP – R$ 150 (2x no cartão) com open bar até as 23h (chopp Brahma, caipirinha, caipiroska, água e refrigerante). Pontos de Stand da Fábrica venda: de Eventos (Amazonas Shopping – 2º piso) Informações: 3303-0100 www.fabricaingressos.com

A apresentação em Manaus será 20 dias antes da saída oficial de Bell Marques do “Chiclete”


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo ESTEVAM AVELLAR / GLOBO

Hermanos Neste domingo, o “Divertics”, da Globo, reserva espaço para provocar os argentinos. Leandro Hassum será “infectado” por uma epidemia de “argentinite”. Carnaval Chico Pinheiro, apresentador do “Bom Dia Brasil”, foi confirmado pela Globo nos trabalhos de cobertura do Carnaval de São Paulo. Sinal amarelo As rádios Jovem Pan e Bandeirantes ainda não confirmaram as transmissões da Fórmula 1 nesta

REGI

temporada. Isso pode estar relacionado à contenção de gastos ou falta de apoio de anunciantes. País do penta O canal Nat Geo está produzindo uma série para exibir antes da Copa do Mundo. “Joga Bonito” é o título. O programa terá um total de cinco episódios, cada um sobre uma das conquistas da

seleção brasileira. Está fora Os planos da Globo para Tatá Werneck, no campo do humor, não incluem o programa “Zorra Total”. Ela renovou contrato para ficar à disposição de novos projetos da emissora. Também fará uma participação no “Caldeirão do Huck”.

• Constata-se que o ambiente no “Pânico” nunca esteve tão bom. • Sua equipe, das modelos ao elenco, se uniu ainda mais após a saída da Sabrina. • Outra coisa: não existe esse negócio de não poder falar o nome da ex-colega nos bastidores do programa. Isso é uma grande bobagem. • Simplesmente não haverá referências a japa quando o pessoal estiver trabalhando, em externas ou estúdio. E vida que segue. • O elenco de “Tapas & Beijos” aguarda um posicionamento oficial sobre a temporada deste ano do programa. É que esta também poderá ser a última. •Maurício Farias, diretor de núcleo, admite inclusive que o pessoal do “Tapas” pretende respirar novos ares.

Prejudicada Até os colegas mais próximos reconhecem que Maria Casadevall, a Patrícia, poderia encerrar “Amor à Vida” como grande revelação... Se a personagem não tivesse tomado outro rumo, desandado, depois de um bom começo. O esquema de pegação - nada mais que pegação acabou com a personagem. Uma pena.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Caso se confirmem as previsões, haverá três programas do gênero talk show no sistema aberto disputando a atenção do telespectador nesta temporada. O Jô Soares na Globo, o Danilo Gentili no SBT, e um outro alguém na Bandeirantes.

FILME

Grace Kelly volta aos holofotes

ELVIS

MÁRIO ADOLFO

Por que o diretor Gregory Ratoff gostava dela? Nas palavras dele: “Ela é perfeita! O que eu amo nesta garota é que ela não é bonita”. Falava de Grace Kelly. O ano era 1950 e ela fazia um teste para o filme “Taxi”, no papel de uma jovem irlandesa que chega a Nova York para procurar o marido. Ratoff a queria, mas os executivos da Twentieth Century Fox acharam que Grace era muito elegante e sofisticada para a personagem, e a vetaram. “Eu estive na categoria do ‘muito’ por longo tempo”, contava ela. “Muito alta, pernas muito longas, muito sofisticada.” Esses “muitos” não atrapalharam sua carreira. A vida de Grace Kelly tem novas revelações na biografia do escritor Donald Spoto, “High Society: The Life of Grace Kelly” (Alta Sociedade: A Vida de Grace Kelly), lançada em 2010 nos Estados Unidos e que será publicada no Brasil pela editora LeYa, no próximo dia 20.

Kelly fez uma exigência a Spoto: o livro só deveria sair 25 anos após sua morte (ela morreu em 1982). Em 7 de fevereiro, estreia no Brasil o filme “Grace: A Princesa de Mônaco”, com Nicole Kidman no papel principal. O filme aborda um período -de dezembro de 1961 a novembro de 1962- quando Grace teve um importante papel em uma negociação entre Charles de Gaulle, presidente da França, e o príncipe Rainier, de Mônaco, seu marido. De Gaulle insistia em que os impostos cobrados dos franceses em Mônaco fossem enviados a Paris e ameaçou Rainier, que não concordava. O príncipe venceu a disputa. influência familiar Grace Kelly nasceu em 12 de novembro de 1929 na Filadélfia, EUA, filha de John B. Kelly, irlandês, e Margareth Majer Kelly, alemã. Eram ricos. Grace foi uma garota alegre, sempre sorridente, que fazia

amigos com facilidade. Inspirou-se em seus tios, Walter Kelly e, principalmente, Georges Kelly, dois atores ligados ao teatro e ao cinema, e desde menina sonhava ser atriz. Georges era um homossexual com quem a família não convivia muito bem. Mas foi por insistência dele que John Kelly aceitou que Grace fizesse, aos 12 anos, seu primeiro papel no teatro. No final dos anos 1940, ela matriculou-se na Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York. Na época, trabalhou como modelo e morava em pensionato de moças. “Eu me rebelei contra minha família e fui para Nova York para descobrir quem eu era e quem não era”, diria ela mais tarde a Donald Spoto. De 1947 a 1949, foi modelo. Começou ganhando US$ 7,50 por hora. Fez muito sucesso, foi capa de revistas como “Cosmopolitan” e seu salário subiu para US$ 400 semanais. Por Análio Barreto REPRODUÇÃO

GILMAL

No filme “Grace: A Princesa de Mônaco” a atriz Nicole Kidman irá interpretar Grace Kelly


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Programação da TV

REPRODUÇÃO

GLOBO 4H SANTA MISSA EM SEU LAR 5H AMAZÔNIA RURAL 5H30 PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS 6H05 GLOBO RURAL 6H55 AUTO ESPORTE 7H30 ESPORTE ESPETACULAR 10H45 CINEMA ESPECIAL 12H05 TEMPERATURA MÁXIMA 14H05 SAI DO CHÃO 15H25 DOMINGÃO DO FAUSTÃO 18H45 FANTÁSTICO 21H10 DOMINGO MAIOR 23H35 SESSÃO DE GALA 1H25 CORUJÃO 2H45 HAVAII FIVE - 0. 3H40 FESTIVAL DE DESENHOS

9H ROMPENDO BARREIRAS 10H TV KIDS 10H30 A QUESTÃO É 11H IGREJA DA GRAÇA 12H FIQUE LIGADO 13H EN CIRCUITO 14H30 A QUESTÃO É 15H AD & D 15H30 TV KIDS 15H45 VÍDEO MANIA 16H15 RITMO BRASIL 17H MORNIGNG SHOW – MELHORES MOMENTOS 18H30 TE PEGUEI NA TV 20H15 TESTE DE FIDELIDADE 21H35 TV SHOPPING MANAUS 22H35 DR HOLLYWOOD 23H30 FIQUE LIGADO (REPRISE) 0H30 É NOTÍCIA 1H30 BOLA NA REDE 2H GOOD NEWS ESPECIAL 2H30 IGREJA INT. DA GRAÇA

8H AMAZONAS DA SORTE 9H DOMINGO LEGAL 13H ELIANA 17H RODA A RODA JEQUITI 17H45 SORTEIO DA TELESENA 18H PROGRAMA SÍLVIO SANTOS 22H DE FRENTE COM GABI 23H SÉRIE 0H SÉRIE 2 1H SÉRIE 3 2H20 BIG BANG 3H IGREJA UNIVERSAL

RECORD 3H45 BÍBLIA EM FOCO 4H SANTO CULTO EM SEU LAR 4H30 DESENHOS BÍBLICOS 7H DESENHOS BÍBLICOS 7H30 RECORD KIDS 8H AMAZONAS DA SORTE 9H NOSSO ENCONTRO 10H15 RECORD KIDS 11H00 DOMINGO DA GENTE 13H15 O MELHOR DO BRASIL 17H20 DOMINGO ESPETACULAR 21H15 SÉRIE SPARTACUS 22H15 50 POR 1 23H10 PROGRAMAÇÃO IURD

SBT REDE TV O apresentador Silvio Santos comanda o “Roda a Roda Jequiti” na tarde de hoje, no canal SBT

Horóscopo

6H30 7H30 8H30

IGREJA INT.DA GRAÇA IGREJA INT.DA GRAÇA AMAZONAS DRAGWAY NA TV

Cinema

3H15 JORNAL DA SEMANA SBT 4H IGREJA UNIVERSAL 5H PESCA ALTERNATIVA 6H BRASIL CAMINHONEIRO 6H30 AVENTURA SELVAGEM 7H30 VRUM

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Tensão no ambiente doméstico e nas atividades em que tenha que cooperar com outras pessoas. Você se mostra contra tudo o que venha em seu favor e apoio. TOURO - 20/4 a 20/5 Você não sabe como colocar sua energia de modo orientado. Momento que desfavorece a comunicação e o entendimento, em especial no trabalho e no cumprimento da rotina. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Momento de ações desordenadas, forte anseio de superar o impossível e tendência a incorrer em riscos ou prejuízos materiais. Controle seu gosto por apostar e arriscar. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Alguma certa aflição ou nervosismo, talvez uma ansiedade por ação, pode fazer você se precipitar. Os assuntos familiares devem causar esse estado de perturbação. LEÃO - 23/7 a 22/8 Uma visão positiva da vida tende a prevalecer, mesmo quando certos impulsos agressivos surjam no cotidiano. Procure sempre a opção que melhor concilie as pessoas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Seu espírito estará mais agressivo e impulsivo, especialmente na lida com as finanças e as posses materiais. Talvez arrisque mais do que seria prudente. Cresça com segurança. LIBRA - 23/9 a 22/10 O desejo de se movimentar sem restrição é prejudicial para as ações no trabalho. É aconselhável canalizar melhor as energias, do que deixar que elas se dissipem. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Forças internas criam pressão e levam você a querer superar o impossível. Prudência diante de um possível excesso de confiança. Maior anseio por segurança material. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Tendência a se envolver em disputas e brigas com amigos ou ambientes sociais. A inspiração criativa e amorosa continua em alta. Algum receio pode ser estimulado. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Talvez queiram se intrometer em seu território profissional ou você próprio pode interferir na vida alheia para alcançar suas metas. De tais situações poderão surgir atritos fortes. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 O ímpeto para impor suas ideias no ambiente de trabalho desgasta as relações e mesmo provoca alguma briga. É preciso se colocar com um sentido maior de conciliação. PEIXES - 19/2 a 20/3 Seus desejos podem ser bem diferentes dos da pessoa amada, criando uma tendência a divergirem. Não obstante, canalize suas energias para um bom entendimento

PRÉ-ESTREIA Muita Calma Nessa Hora 2: BRA. 12 anos. Três anos depois da viagem para Búzios, as amigas Mari (Gianne Albertoni), Tita (Andréia Horta), Aninha (Fernanda Souza) e Estrella (Débora Lamm) se reencontram no Rio de Janeiro. Mari está coordenando a produção de um grande Festival de Música e convida as amigas para o evento. Estrella volta da Argentina depois da morte da avó, mas sua única herança é uma samambaia. Aninha pede ajuda a uma vidente, mas presságios inusitados a deixam ainda mais indecisa. Tita, depois de passar três anos na Europa, está decidida a arrumar um emprego como fotógrafa. Juntas, vão perceber que estão prontas para novos desafios. Cinemark 7 – 19h; Cinépolis 10 – 15h10.

ESTREIA

Confissões de Adolescente: BRA. 12 anos. Baseado no livro homônimo de Maria Mariana, que também originou a peça teatral e a série televisiva. O filme mostra agora, em 2013, as confissões e confusões de irmãs adolescentes que vivem os amores, dúvidas, decisões e aventuras de sua geração. O difícil rito de passagem dos 13 aos 19 anos. Cinemark 1 – 11h, 13h30, 16h, 18h30, 21h10 (diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 13h05, 18h30 (diariamente); Cinépolis 6 – 17h, 22h (diariamente); Playarte 9 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40, 20h40 (diariamente), 22h45 (somente sexta-feira e sábado). De Repente, Pai: EUA. 12 anos. Um homem de meia idade descobre ter sido pai de 533 crianças, por meio da doação de esperma. Ele passa a enfrentar problemas quando algumas dezenas destas crianças, já crescidas, passam a sentir a enorme necessidade de conhecer quem é seu pai biológico. Cinemark 2 – 11h20, 13h40, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente); Cinépolis 9 – 13h30, 16h (dub/diariamente), 18h35, 21h15 (leg/diariamente); Playarte 2 – 14h, 16h10, 18h20, 20h30 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Ajuste de Contas: EUA. 12 anos. Grudge Match conta a história de dois lutadores de boxes aposentados que decidem realizar uma última luta décadas após a última disputa. A direção é de Peter Segal e o roteiro foi escrito por Doug Ellin. Cinemark 3 – 12h10, 14h50, 17h30, 20h10 (dub/diariamente), 22h50 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 15h40 (dub/diariamente), 21h10 (leg/diariamente); Cinépolis 6 – 14h30 (dub/diariamente), 19h25 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h45, 16h05, 18h25, 20h45 (leg/diariamente), 23h05 (leg/somente sexta-feira e sábado). Atividade Paranormal – Marcados Pelo Mal: EUA. 14 anos. Quinto episódio da saga Atividade Paranormal, que se foca no terror passado dentro de uma casa, por meio de aparições sobrenaturais. O filme vai explorar mais uma vez o estilo “found-footage”, ou seja, as imagens amadoras que são apresentadas como reais. Cinemark 8 – 12h40, 15h, 17h10, 19h30, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 13h, 17h45 (dub/diariamente), 20h, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h05 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 7 – 14h, 15h50, 17h40, 19h30, 21h30 (leg/somente sexta-feira e sábado). Caminhando com Dinossauros – O Filme: EUA. Livre. Pela primeira vez na história do cinema, o público vai realmente ver e sentir como era quando os dinossauros dominavam a Terra. `Walking With Dinosaurs´ é a experiência total de imersão, utilizando o 3D para colocar o público no meio de um mundo emocionante e épico pré-histórico, onde um dinossauro indefeso se tornará o herói. Baseado na série de TV enorme sucesso e no show, que já arrecadou mais de US$ 250 milhões em bilheteria em todo o mundo. Cinemais Millennium – 14h30 (dub/exceto sexta-feira).

CONTINUAÇÕES Frozen, Uma Aventura Congelante: EUA. Livre. Cinemark 5 – 11h10, 13h50, 16h40, 19h20 (dub/diariamente), Cinemark 6 – 12h30, 15h30, 18h10, 20h50 (dub/diariamente), 23h20 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 4 – 13h15, 15h50, 18h20 (3D/dub/diariamente); Cinépolis 5 – 14h15, 16h45, 19h15, 21h50 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 13h50, 16h10, 18h30, 20h50 (3D/dub/ diariamente), 23h10 (3d/dub/ somente sexta-feira e sábado); Playarte 3 – 12h40, 14h55,

17h10 (dub/diariamente), Playarte 4 – 12h41, 14h56, 17h11 (dub/diariamente). Até Que a Sorte Nos Separe 2: BRA. 10 anos. Cinemark 4 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h30 (diariamente), 23h (somente sexta-feira e sábado); Cinemark 7 – 11h30, 14h, 16h30, 21h30 (diariamente); Cinépolis 1 – 17h10, 19h45, 22h20 (diariamente); Cinépolis 7 – 16h35, 19h, 21h30 (diariamente), 14h (Cinematerna somente 16/01); Playarte 3 – 19h25, 21h30 (diariamente),

23h35 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h30, 14h35, 16h40, 18h50, 21h (diariamente), 23h05 (somente sexta-feira e sábado). Ender´s Game - O jogo do exterminador: EUA. 10 anos. Playarte 8 – 15h50, 18h05 (dub/ diariamente). A Vida Secreta de Walter Mitty: EUA. 10 anos. Cinépolis 1 – 14h05 (leg/diariamente). O Hobbit – A Desolação de

Smaug: EUA. 12 anos. Cinemark 5 – 22h (diariamente); Cinépolis 4 – 20h50 (3D/dub/diariamente); Playarte 8 – 20h25 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Última Viagem a Vegas: EUA. 12 anos. Playarte 4 – 19h25, 21h35 (dub/diariamente), 23h45 (dub/somente sexta-feira e sábado). Jogos Vorazes – Em Chamas: EUA. 14 anos. Playarte 8 – 13h (dub/diariamente).


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MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014

RESENHA

Cativantes dramas adolescentes O

PERFIL

Bruno Mazieri É jornalista, editor do Salão Imobiliário

mercado editorial, salve o engano, tem passado por algumas transformações. Há 10 anos, época dos meus 18 anos, era muito comum chegar às livrarias e encontrar uma infinidade de romances e dramas ligados ao conturbado mundo dos adolescentes. Porém, atualmente, os novos adolescentes tem mostrado preferência por vampiros, lobisomens e afins. Nada contra, por favor! Mas confesso que as histórias de adolescentes tem lugar cativo na estante e no coração deste que vos escreve. Seguindo com o raciocínio, tive uma agradável surpresa ao ler o bestseller “Will & Will – Um Nome, Um Destino”, escrito a quatro mãos por John Green e David Levithan. O livro conta a saga de dois Will Grayson, que moram em cidades diferentes, possuem personalidades diferentes, orientações sexuais diferentes - um é gay e o outro hétero -, mas que em determinado momento, por interferência do destino, se encontram. John Green – que é um dos grandes escritores

dessa geração e é responsável por “Quem é você, Alasca?” e “A Culpa é das Estrelas”, por exemplo – teve a missão de retratar o Will hétero, que possui um amigo gay, é desajeitado e sem muita sociabilidade. Já David Levithan assumiu o compromisso de dar vida ao Will gay, que possui mantém um relacionamento pela internet, tem uma amiga que é apaixonada por ele, é depressivo e o pior: vive no armário. E para que haja uma diferenciação entre as duas personagens, o Will hétero tem todo seu texto escrito em caixa baixa e caixa alta – leia-se: letras maiúsculas e minúsculas - enquanto o Will gay tem o texto todo escrito em caixa baixa, ou seja, letras minúsculas. Dando assim, uma característica diferenciada para cada um deles. Entre dramas e mais dramas, a parte mais interessante é o encontro das duas personagens. Eles se “esbarram” em um momento delicado para ambos e, a

partir daí, suas histórias se misturam. Isso, diante da perspectiva de cada um deles. É claro que não é possível amar apenas um dos dois, mas sim ambos. É como se tivéssemos uma afeição por aquele colega estranho da época da escola que, por algum motivo, entra mudou e sai calado das aulas. Além dos protagonistas, claro, quem rouba a cena por diversos momentos da trama é Tiny Cooper, melhor amigo do Will hétero e que não sente vergonha de dizer que é gay e com muito orgulho. Aliás, até mesmo um musical sobre sua própria

vida é criado por ele e apresentado na escola e vem de encontro ao que muito se tem falado: preconceito. Assim como “A Culpa é das Estrelas”, também de John Green, está ganhando sua adaptação para os cinemas, creio que “Will & Will” também deva ganhar o mundo das grandes telas. Não apenas pelo sucesso que foi nas livrarias espalhadas pelo mundo – eu mesmo tentei comprar duas vezes e sempre tinha acabado –, mas pela história cativante e emocionante que a obra carrega.

Há 10 anos, época dos meus 18 anos, era muito comum chegar às livrarias e encontrar uma infinidade de romances e dramas ligados ao conturbado mundo dos adolescentes, diferente de hoje em dia”

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MANAUS, DOMINGO, 12 DE JANEIRO DE 2014


MANAUS, DOMINGO, 5 DE JANEIRO DE 2014

Capa

Fotografia de Alan Marques

opiniao@emtempo.com.br

1

(92) 3090-1010

Visão inglesa sobre indígenas do Brasil Trecho de ‘Prosa’, de Elizabeth Bishop. Págs. 2 e 3

2

Abertura da peça ‘Um Réquiem para Antonio’

A imaginação de Dib Carneiro Neto. Pág. 4


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MANAUS, DOMINGO, 22 DE DEZEMBRO DE 2013

Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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Natal branco Quando Jesus foram dois RESUMO Inédito em português, este conto de Quim Monzó integra a coletânea “Tres Nadals” (Três Natais), lançada em 2003 pela Quaderns Crema, selo da editora Acantilado para livros em catalão. Considerado um dos principais prosadores de seu idioma, o autor de Barcelona teve títulos editados em mais de 20 idiomas.

QUIM MONZÓ TRADUÇÃO RONALD POLITO ILUSTRAÇÃO DANIEL BUENO

No princípio tudo continuava normal, se por normal se entende que um ser fabuloso, de cabelos encaracolados louros até os ombros e asas de pena de ganso, como as que às vezes escapolem pelas costuras dos edredons, descesse até a casa de Maria e, lá, no átrio de colunas românicas – isso sim é que era estranho: colunas românicas em Nazaré – lhe anunciasse a boa-nova. Mas, de fato, tudo continuava exatamente desse jeito: o ser fabuloso, de cabelos encaracolados louros até os ombros e asas de pena de ganso, com olhos amendoados entre o azul, o verde e o rosa, e de uma beleza, mais que inenarrável, assexuada, desceu até a casa

de Maria – uma casa humilde, mas limpa e bem cuidada, com vasos de gerânio ao longo do átrio de colunas, românicas tal como dissemos – para anunciar-lhe a boa-nova: que era cheia de graça e bendita entre todas as mulheres. Maria ficou boquiaberta. O arcanjo, vendo a perturbação da mulher, entendeu que o aparato cênico tinha sido realmente impressionante; talvez tivesse pesado um pouquinho a mão. Para tranquilizá-la disse que não precisava ter medo, que somente tinha vindo anunciarlhe que teria um filho que se chamaria Jesus. A mulher – claro – aceitou a notícia de bom grado, e o arcanjo desapareceu instantaneamente, com a mesma desenvoltura com que havia aparecido. Horas mais tarde, quando o marido, José, voltou da oficina – era carpinteiro –, Maria lhe contou o que havia acontecido. José ficou pasmo. Também fica dentro da normalidade mais absoluta a disposição do imperador Augusto,

que ordenava que todos os súditos do Império Romano se recenseassem, cada um no povoado ou na cidade de onde a família fosse originária. Por isso, José e Maria pegaram o burro e seguiram rumo a Belém. Maria ia sobre o animal, sentada de lado, e José a pé, puxando as rédeas. O que – como as colunas românicas – também não era nada normal era aquela história toda de neve. Quando chegaram a Belém viram que o povoado inteiro estava coberto de neve, até o horizonte, sobre o qual pairava um céu negro e com estrelas de cinco e seis pontas, imóveis e como que recortadas. Na Palestina a neve era um fenômeno meteorológico quase ignorado. Gerações e gerações de cidadãos nasciam e morriam sem tê-la conhecido, sem que isso os preocupasse nem um pouco. E se já tinham ouvido falar, era por viajantes de países distantes, que mencionavam até mesmo montanhas onde a neve é eterna. Os nativos os

escutavam encantados, mas, assim que os viajantes terminavam a narrativa, voltavam ao trabalho sem que a neve lhes tirasse nem uma hora de sono. Por outro lado, agora tudo estava nevado: as montanhas, as ruas, os terraços das casas, a barraca da vendedora de castanhas... Era neve em pó, tão em pó que parecia farinha. Por causa da afluência de gente para se recensear, não encontraram nenhum quarto livre em toda Belém. Os habitantes não eram muito acolhedores; nem a imagem de uma mulher grávida os movia à piedade. Por isso se viram forçados a instalar-se em um estábulo abandonado. Limparam um canto, perto de um boi adormecido e do burro que levavam. Foi lá que, no dia 25 de dezembro, Maria deu à luz. Era um menino lindo, saudável e chorão. José pegou-o nos braços para limpá-lo. Mas Maria reclamou novamente sua atenção. Estava nascendo um segundo menino. Eram dois meninos lindos, e cada um com sua auréola

tipo holograma sobre a cabeça. Depois de alimentá-los e pôr as fraldas – sorte que Maria tinha previsto algumas de reserva –, deitaram-nos sobre um monte de palha, um ao lado do outro. Moviam as mãos. O boi e o burro contemplavam a cena com o rabo do olho. – Você tem certeza de que ele falou em um menino? Será que não eram dois e você não prestou atenção? José não entendia o que tinha acontecido. Que fossem dois perturbava todos os planos. Até mesmo uma coisa tão pouco importante como a questão do nome. O arcanjo tinha noticiado que havia de se chamar Jesus. Era um nome que não os desagradava: tampouco os entusiasmava, se temos de ser sinceros. Naquela época, os nomes predominantes eram Sandra, Vanessa, Kevin, Jonathan e mesmo Sue Ellen, que lhes pareciam frívolos e pretensiosos. José e Maria haviam considerado outros nomes e até tinham feito uma lista.


MANAUS, DOMINGO, 22 DE DEZEMBRO DE 2013

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Um ícone de carne e osso Sobre uma amizade com Nelson Mandela RESUMO A escritora sul-africana Nadine Gordimer, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1991, comenta sua convivência com o compatriota Nelson Mandela e sublinha como o líder político, morto no dia 5 deste mês, era, no dia a dia, muito mais doce e bem-humorado do que o retrato corrente dele dá a entender.

NADINE GORDIMER TRADUÇÃO CLARA ALLAIN ILUSTRAÇÃO PAULO MONTEIRO

Ter vivido ao mesmo tempo e no mesmo país de Nelson Rolihlahla Mandela representou um norte e um privilégio que nós, sul-africanos, compartilhamos. Eu tive ainda o privilégio de tornar-me amiga dele. Nos conhecemos em 1964, durante o julgamento de Rivonia, no qual ele estava sendo julgado por atos de sabotagem contra o governo, e eu estava presente no tribunal quando ele foi sentenciado à prisão perpétua. Em 1979 escrevi um romance, “A Filha de Burger”, sobre o tema da vida familiar dos filhos de revolucionários, uma vida governada pela fé política de seus pais e pela ameaça diária do encarceramento. Não sei como o livro, proibido na África do Sul logo após ser publicado, foi levado clandestinamente até Mandela na prisão de Robben Island. Mas ele, o leitor mais rigoroso que eu poderia ter desejado, me escreveu uma carta demonstrando profunda aceitação e compreensão do livro. Mesmo quando não vinha a público nenhuma notícia a respeito dele nem havia qualquer indicação sobre o que ele estaria pensando ou planejando para continuar a luta pelo fim do apartheid, resguardávamos suas convicções, os discursos que ele fizera enquanto estava fisicamente presente entre nós. Para um espírito como o dele, “muros não fazem uma prisão”; seu espírito não podia ficar sob a custódia do apartheid. Ainda tínhamos presente sua mentalidade política. Pude manter contato com Mandela durante esse período graças ao notável George Bizos, seu mais-do-queadvogado, que ficou ao lado dele mesmo durante o isolamento de Robben Island. Em 1985, P. W. Botha, presidente do regime do apartheid, ofereceu a Mandela a liberdade, desde que ele renunciasse incondicionalmente a toda violência como instrumento político. A resposta de Mandela foi lida por sua filha Zindzi num estádio enorme em Soweto: “Que ele renuncie à violência. Que ele diga que vai desmontar o

apartheid. Que ele desfaça a proibição da organização do povo, o Congresso Nacional Africano. Não posso e não vou assumir qualquer compromisso enquanto eu e vocês, o povo, não formos livres”. Até ele ser transferido, em 1982, da prisão de Robben Island para outra, destinada a presos comuns, na porção continental da Cidade do Cabo, Winnie Madikizela-Mandela, com quem ele era casado, e por quem nutria um amor escancaradamente apaixonado, só podia visitá-lo sob severas restrições. Finalmente, em 1990, Nelson Mandela seria visto em liberdade, de mãos dadas com sua mulher. Força esgotada Em 1990, o presidente F. W. de Klerk, um tipo muito particular de realista, viu que o apartheid era uma força que se esgotara. Ele revogou a proibição ao CNA e a seus aliados e filiados e libertou os prisioneiros políticos remanescentes. Reagi com alguma descrença quando George Bizos me disse que Mandela, recém-libertado, queria me ver. Acho que, com certa vaidade de escritora, pensei que o grande homem quisesse conversar comigo sobre “A Filha de Burger”. Alguns dias depois, estávamos a sós em Johannesburgo. Não foi sobre meu livro que ele falou, mas sobre o fato de ter descoberto, em seu primeiro dia de liberdade, que Winnie Mandela tinha um amante. Essa notícia devastadora só seria levada a público no divórcio deles, seis anos mais tarde. Eu nunca antes havia falado nisso porque acredito que a dimensão de seu sacrifício, a força que ele demonstrava na forma como vivia, não era reservada somente ao seu “éthos” político. Seu modo de viver era viver pela liberdade dos outros. A Convenção para a África do Sul Democrática, ou Codesa, que se reuniu pela primeira vez no ano seguinte, foi realizada num prédio chamado World Trade Centre, mas, em alguns momentos, os participantes, entre eles membros do CNA, precisavam ter conversas em âmbito privado. Havia acordos de vida e morte a serem selados, sob a liderança suprema de Mandela, disposto a ouvir aquele que, no momento, representava o poder do povo contra as forças fortemente armadas do apartheid, financiadas por aliados ocidentais. Camaradas de diferentes campos de batalha, à frente de partidos como o Comunista sul-africano, o Congresso PanAfricanista e o da Liberdade Inkatha, cada um com ideias próprias sobre como deveria ser criada a democracia, queriam se reunir com a CNA a salvo dos espiões de De Klerk. Um líder do CNA escolheu a casa em que eu vivia com meu marido, Reinhold Cassirer, num subúrbio branco de Johannesburgo, como local de encontro. É claro que não tínhamos conhecimento do que era dito. Eu levava uma bandeja de chá até a varanda onde o grupo se reuniu diversas vezes. Apenas em uma

G3 ocasião Mandela esteve entre eles. Eu não ficava ouvindo de soslaio. A Codesa foi tema de reportagens e análises exaustivas na imprensa, inclusive a africâner, que engoliu em seco, tentando, por lealdade aos líderes do apartheid envolvidos, ser indulgente com aquele processo inacreditável. Mandela não era – não àquela altura – um ícone nem para os negros sul-africanos nem para os brancos que integraram a luta. Alguns africâneres que passaram a condenar o regime racista sentiram um alívio tingido de culpa, torcendo por algum acordo de forças que suavizasse a condenação do apartheid pelo mundo. Mandela: não uma figura esculpida em pedra, mas um homem alto, de carne e osso, que o sofrimento não fez vingativo, e sim ainda mais humano – mesmo em relação aos criadores da prisão que era o apartheid. Ele seria capaz de manter um diálogo natural com aqueles que haviam impedido milhões de sul-africanos negros de exercer o papel de cidadãos em seu país. Conforme a Codesa prosseguiu, as negociações estancaram, e a certa altura se viram ameaçadas por um confronto violento entre a polícia e um grupo de extremistas pró-apartheid na entrada do edifício onde transcorriam as discussões. A Codesa se concluiria meses mais tarde, sob impasse. Sua maior realização foi, sem dúvida, o fato de ter aberto o caminho para a nova Constituição, estabelecendo direitos iguais para todas as pessoas na África do Sul. Em 1993, quando anunciouse que Nelson Mandela receberia o Nobel da Paz, nossa alegria foi levemente abalada pela decisão do comitê de dar o prêmio também a De Klerk. Haveria uma cerimônia em Oslo para os dois laureados. George Bizos e eu fomos convidados a integrar a comitiva de Mandela. Viajamos para a Noruega ao lado dele e de outros líderes do CNA e tivemos a experiência inesquecível de vê-lo receber a honraria. Depois da cerimônia, tivemos outro tipo de experiência. Como participantes da comitiva, saímos à sacada do hotel onde todos nós, incluindo Madiba (como Mandela era conhecido), estávamos hospedados. Diante de nossos olhos, uma enorme multidão, composta de pessoas de diferentes nacionalidades, o saudava cantando temas de libertação do CNA. George e eu notamos De Klerk e sua mulher numa sacada adjacente e não pudemos crer no que vimos a seguir. Os De Klerk deram as costas à multidão exultante que ocupava a rua e se retiraram para dentro do hotel. Teria De Klerk percebido apenas então que as canções não eram para ele? Nos últimos anos de vida de Madiba, eu o visitei vez e outra na casa grande, elegante e confortável, que lhe tinha sido dada em um subúrbio de alto padrão de Johannesburgo. George e eu tomávamos o café da manhã com ele ali. Mandela se levantava tarde, numa concessão à idade avançada, de modo que era mais como um “brunch”. Ele presidia a mesa em seu lugar habitual na cabeceira, como chefe da casa. Da cozinha ali ao lado, empregados cordiais traziam uma fartura de comidas simples. Mostravam um prato e outro a Mandela, ouvindo suas perguntas e ordens. O café da manhã era sua refeição favorita e era também a hora em que gostava de receber pessoas. Depois disso, íamos à sala de estar, onde Madiba se sentava em sua cadeira especial. De vez em quando, estendia a mão para segurar a de George, que havia enfrentado com ele questionamentos.


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MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013

Tudo sobre Belo Monte RESUMO Este é o primeiro capítulo de “A Batalha de Belo Monte”, que inaugura a série digital Tudo Sobre, no site da Folha. Além desta descrição da obra, outras quatro partes, disponíveis on-line, abordam os impactos na Volta Grande do Xingu, o caos em Altamira, a situação dos índios e as décadas de polêmica em torno da hidrelétrica.

MARCELO LEITE DIMMI AMORA MORRIS KACHANI LALO DE ALMEIDA RODRIGO MACHADO ILUSTRAÇÃO NUNO RAMOS

A explosão às 6h da manhã arranca uma camada de 9 m de espessura do bloco de migmatito numa área de 750 m que já foi a morada de árvores centenárias na zona rural de Altamira e Vitória do Xingu (PA). Assentada a poeira, resta uma montanha de fragmentos dessa rocha dura, aparentada com o granito. À meia-noite, nem um pedregulho estará mais ali. Duas escavadeiras se posicionam lado a lado, a 50 m uma da outra. Cinco levantamentos de cada uma e, em menos de três minutos, enche-se uma carreta com 32 toneladas de pedras. Sai um caminhão, encosta outro. Em 20 minutos, partem 18 caçambas cheias. Não há um segundo de descanso. O ritmo frenético de homens e máquinas marca a construção de um canal de 20 km de comprimento, para dar passagem aos 14 milhões de litros de água por segundo desviados do rio Xingu – vazão quase 140 vezes maior que a do canal de transposição do São Francisco – que vão movimentar as turbinas da terceira maior hidrelétrica do mundo, e também uma das mais controversas: Belo Monte, da empresa Norte Energia S.A. Quando estiver funcionando a toda força, a usina poderá produzir até 11.233 megawatts (MW) de eletricidade. Uma capacidade instalada suficiente para iluminar as casas de pelo menos 18 milhões de pessoas e ficar atrás só da hidrelétrica chinesa Três Gargantas (22.720 MW) e da paraguaio-brasileira Itaipu (14 mil MW). Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, o Brasil precisa acrescentar 6.350 MW anuais de geração elétrica, até 2022, ao seu parque atual de 121 mil MW (70% produzidos por hidrelétricas). Se pudesse produzir a toda carga o ano inteiro, Belo Monte garantiria quase um quinto da eletricidade adicional de que o país vai precisar – mas isso só tem chance de ocorrer em quatro meses do ano. A maior parte da capacidade de geração (11 mil MW) da nova usina ficará instalada na casa de força principal, junto da antiga vila de Belo Monte do Pontal, cuja obra já avançou 47%. A barragem propriamente dita, contudo, ficará 60 km rio acima, do outro lado da Volta Grande do Xingu, no sítio Pimental, pouco depois do ponto em que o canal captará água para encher os 130 km do reservatório intermediário. Junto ao vertedouro da barragem de Pimental, seis turbinas poderão produzir até 233 MW na casa de força auxiliar.

O pico de 11.233 MW só poderá ser alcançado entre fevereiro e maio, quando o Xingu atinge suas vazões máximas. Nos outros meses, as turbinas serão progressivamente desligadas. Entre altos e baixos, espera-se que Belo Monte garanta uma média de 4.571 MW, ou apenas 41% de sua capacidade instalada. “Para começar a gerar, isso tudo tem de estar concluído”, diz a engenheira civil Roberta Martinelli Pimentel Pereira, 35, apontando para o canal onde poderiam acomodar-se facilmente 60 caminhões lado a lado. Belo Monte precisa começar a produzir energia em fevereiro de 2015, com o funcionamento da primeira turbina da casa de força auxiliar, mas isso vai atrasar uns três meses. Depois, de março de 2016 até janeiro de 2019, entram em linha as 18 turbinas da casa de força principal. Nesse caso, nada pode atrasar. Na realidade, a Norte Energia trabalha com a hipótese de antecipar a montagem das turbinas principais, a partir da quarta ou quinta máquina, de modo a que todas estejam em operação antes do prazo contratual – o que trará ganhos consideráveis para o empreendedor. No presente, o maior desafio de Roberta Pereira é domar as águas dos igarapés que cortam o curso do grande canal e completar, ainda em dezembro, a ensecadeira – espécie de barragem provisória, para manter a construção isolada do rio Xingu. A engenheira miúda comanda 7.000 empregados e tem 12 anos “no trecho”, como se refere às grandes obras de infraestrutura por que passou. A ensecadeira já tem fundações prontas, e a maior parte do aterro já alcançou a cota de segurança contra cheias, 95 m. Belo Monte fervilha 24 horas por dia, dois anos e meio após o início oficial de sua construção, em junho de 2011. Com um custo estimado em R$ 30 bilhões, o prazo para começar a produzir energia é apertado: só 44 meses. Em Itaipu foram 120 meses; a previsão para a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), era de 52 meses, mas a usina começou a gerar energia nove meses antes disso. Clímax As obras de Belo Monte atingiram o clímax em outubro, com 25 mil trabalhadores (87% deles homens). Três quartos dos mais de 5.600 municípios brasileiros têm população menor que esse exército de operários. De cidades bem menores que os canteiros da usina vieram João, José, Antônio, Pedro e Joaquim (que pedem para não ter seus verdadeiros nomes revelados). Sentados domingo à tarde na calçada da av. João Rodrigues, em Altamira, os cinco bebem vodca com soda. Chegaram há pouco mais de um mês e já pensam em ir embora. Belo Monte foi para eles uma decepção. “Nosso salário, em vista de outros Estados, tá aqui”, diz João, com o dedo indicador perto

TEMPO

Com um custo inicial estimado em R$ 30 bilhões, a hidrelétrica de Belo Monte tem prazo apertado para começar a produzir energia: só 44 meses. Na usina Itaipu foram 120 meses

3 O controvertido colosso do Xingu As dúvidas e o gigantismo dos números que erguem Belo Monte do chão. João não é barrageiro de primeira campanha. Em 2011, trabalhou na usina de Santo Antônio, no rio Madeira. Diz que lá sua renda mensal ficava entre R$ 1.700 e R$ 1.800. Em Belo Monte, o primeiro salário não passou de R$ 1.200. O teto de dez horas extras semanais negociado entre o Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) e o Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada do Pará) impede os operários confinados nos canteiros de trabalhar mais que 54 horas por semana – e, portanto, de aumentar o pagamento. Mais de dois terços dos trabalhadores vêm de fora de Altamira. O isolamento da família é agravado pelo fato de nos canteiros só haver sinal da operadora Oi, que tem entre seus controladores a Andrade Gutierrez, líder das empreiteiras do CCBM (que conta ainda com Odebrecht e Camargo Corrêa). Quem tem celular de outras redes pena para falar com a mulher e os filhos. Os mais

persistentes descobriram vestígios de sinal no morro da caixa d’água perto do alojamento de Pimental, onde podem ser vistos usando aparelhos amarrados em estacas fincadas no chão. Segundo pesquisa Datafolha com 246 trabalhadores da obra entrevistados em Altamira, a maioria é de casados (51%), dos quais só 40% têm mulher ou marido vivendo na cidade. Dois entre três trabalham em Belo Monte há menos de um ano e pelo menos a metade não pretende ficar, só veio em busca do emprego (38% já trabalharam em outras barragens). Os alojamentos têm dormitórios para no máximo quatro pessoas, com ar-condicionado, banheiro interno e água quente. Dezenas de quartos compõem os “condomínios”, em cada um dos quais só se entra com o crachá magnético correspondente. No pátio interno entre os condomínios, os quartos são isolados por alambrados. As opções de lazer são ver TV, ir à academia, jogar sinuca, dominó ou pebolim. Há espaço para cultos religiosos e aulas

de informática. Um cinema com 200 lugares está para ser inaugurado. De acordo com o Datafolha, 57% dos trabalhadores da usina moram nos alojamentos dos canteiros. A maioria aprova conforto (89% de ótimo e bom) e limpeza (84%) do local, assim como sua organização (71%) e as opções de lazer (70%). Só a qualidade da alimentação divide opiniões: 45% de ótimo/bom contra 45% de regular. Prazo Greves de trabalhadores (como a que parou toda a obra

DISPUTA

O diretor de obras Antonio Kelson recorda sua reação, após a Norte vencer no leilão um consórcio favorito: ‘O Piauí ganhou a guerra com os Estados Unidos. Agora tem de ocupar’

no final de novembro, por melhor remuneração), protestos de índios, paralisações determinadas pela Justiça e problemas com licenças ambientais podem forçar a Norte Energia a atrasar o início da geração. Pelo contrato assinado com a União, a multa por descumprimento do prazo pode chegar a 2% do faturamento anual. A Norte Energia ainda teria de comprar de outras empresas a energia que não entregar, ao custo diário de até R$ 1 milhão por turbina não acionada, dependendo do preço da energia na época. Esse prejuízo acabaria assumido pelos contribuintes, pois, apesar de planejado como empreendimento privado, Belo Monte no fundo é estatal – não é à toa que a Força Nacional de Segurança participa da vigilância na obra. Em 2010, quando a Norte Energia venceu o leilão para construir Belo Monte, o grupo era pouco mais que um aglomerado de empresas médias de construção civil e energia (Bertin, Queiroz Galvão, J. Malucelli, Cetenco, Galvão Engenha-


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MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013

senta em torno de 8% do custo total do projeto Belo Monte. “Se tivéssemos a Transamazônica asfaltada, teríamos uma economia de R$ 200 milhões, dos R$ 800 milhões já gastos com transporte”, calcula Marcos Sordi, diretor administrativo do CCBM. Na avaliação do consórcio, ao final deste ano cerca de metade de toda a obra civil de Belo Monte estará realizada. Na barragem do rio Xingu, a parte que precisa ficar pronta em 2014 para acionar as turbinas na casa de força auxiliar de Pimental, as obras devem chegar a 47%. Os engenheiros afirmam que tudo está dentro do cronograma.

ria, Mendes Júnior e Serveng) com estatais lideradas pela Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco). Desde então, sua composição evoluiu para uma associação entre as estatais e fundos de pensão, que contratou para tocar a obra civil boa parte das empreiteiras perdedoras do leilão, agora reunidas no CCBM. Antonio Kelson Elias Filho, 55, é o diretor de obras da Norte Energia. Com seu sotaque mineiro, modos diretos e voz poderosa, Kelson é o próprio comandante-em-chefe da megaconstrução. Distribui ordens o tempo todo, pessoalmente e por telefone. Ao recordar sua reação após a vitória no leilão sobre um consórcio dado como favorito, Kelson deixa claro qual era o estado de espírito da tropa improvisada ao assumir o domínio sobre Belo Monte: “O Piauí ganhou a guerra com os Estados Unidos. Agora tem de ocupar”. Tudo em Belo Monte é colossal. O canal de 20 km sob o comando da engenheira Roberta Pereira tem no mínimo 200 m de largura no fundo e pode ultrapassar 300 m na borda superior dos taludes. A água alcançará uma profundidade de 22 m, o equivalente a um prédio de sete andares. A barragem em Pimental terá 8 km. O coração da usina, em Belo Monte, vai abrigar 18 turbinas de 5 m de altura e 8,5 m de diâmetro em nichos escavados na rocha viva, com altura equivalente a 45 andares. O gerador movimentado pela turbina tem 22 m de diâmetro e precisa ser levado aos pedaços até a região, pela impossibilidade de transportá-lo numa peça só. Sete dessas unidades geradoras começaram a ser montadas neste mês na fábrica da Alstom em Taubaté (SP), a mais de 2.300 km de Altamira. A finalização da roda da tur-

bina exige soldar três tipos de peças: o cubo (roda menor), fundido na Coreia do Sul; a cinta (roda maior), produzida na China; e as pás fabricadas em Piracicaba pela empresa brasileira Dedini. Ao contrário do gerador, a roda segue inteira – 320 toneladas de aço inoxidável – para o Pará. Cada viagem deve tomar de três a quatro meses, de carreta até Santos, depois de navio até Belém e, por fim, de balsa até o porto construído em Belo Monte. Só o contrato da Alstom, firma de origem francesa envolta em escândalos que lidera o consórcio para fabricar 14 das 18 unidades geradoras, vale R$ 1,3 bilhão. Ela entregará a primeira turbina para geração no início de 2016, na casa de força principal do sítio Belo Monte. Os outros quatro conjuntos de turbina e gerador estão sendo fabricados em Suape (PE) pela Impsa, multinacional argentina contratada separadamente pela Norte Energia.

Logística A logística da construção não tem sido fácil. A rodovia Transamazônica, aberta na década de 1970, ainda tem trechos não asfaltados nos 906 km que separam Altamira da capital do Estado, Belém, os quais se tornam intransitáveis no período de chuvas, de dezembro a junho. A construção de 270 km de acessos da Transamazônica até os canteiros permitiu aumentar o ritmo das obras. Em 2011, quando ela começou, um caminhão levava quatro ou cinco horas para ir da rodovia ao sítio Pimental. Agora, leva 40 minutos. Em julho de 2011, protestos fecharam a Transamazônica. Para alimentar os empregados, foi necessário fretar dois aviões, ao custo total de R$ 80 mil, que foram buscar em Belém toneladas de arroz e outros víveres. Quando a carga chegou, havia comida só para três dias de alimentação. A rubrica transporte repre-

Pedra O migmatito é um dos grandes segredos de Belo Monte. A abundância e a dureza da rocha permitiram aos engenheiros, após dez meses de testes, alterar o projeto original: em lugar de revestir o leito do canal com concreto, optaram por cobri-lo com pedra britada – pedregulhos de até 20 cm. Isso vai economizar 1 milhão de m de concreto e R$ 200 milhões no custo da obra, além de encurtar de 27 para 16 meses o tempo de construção do canal. As pedras, porém, formam uma superfície mais rugosa que o concreto, o que faz com que a água avance do rio para o reservatório com velocidade menor, pelo atrito. E a velocidade da água é fundamental na geração da energia, para garantir que o volume adequado seja abocanhado pelas turbinas. O princípio do funcionamento de uma hidrelétrica é que um grande volume de água desça o mais rapidamente possível do ponto mais alto para o mais baixo, a fim de girar turbinas que vão acionar os geradores. A energia é produzida pelo movimento circular de um rotor com enrolamento de cobre no interior de outro circuito imóvel do mesmo metal (o estator) – exatamente o inverso do processo de um motor elétrico, que consome eletricidade para produzir movimento, enquanto o gerador converte a energia mecânica em elétrica. Para compensar a perda de velocidade da água no canal revestido com pedras, foi necessário “alargar o cano”, ou seja, aumentar sua seção (em 35%). São mais árvores para

LOCAL

Para os altamirenses, a usina por ora só trouxe quedas de energia. A rede elétrica, com fios e transformadores das décadas de 1970 e 1980, não suporta o aumento do consumo

retirar, migmatito para explodir, escavadeiras para levantar e caminhões para transportar. Kelson afirma que foi tudo calculado para o balanço entre receita e despesa ser positivo. “Não brinca. Se chegar à conclusão de que é negativo, melhor não mudar”, diz o diretor de obras. A Norte Energia não tem margem para errar nas contas. Mesmo com 35 anos de estudos sobre o empreendimento, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou, antes da licitação de 2010, que o projeto de Belo Monte implicava “elevado nível de incerteza, incompatível com o porte da obra”. O orçamento do projeto estimado pelo governo foi considerado por empresas interessadas insuficiente para construir a usina, pagar suas despesas e gerar um retorno por volta de 6% ao ano sobre o capital investido. Quem disputa a concessão de uma hidrelétrica tem como principal fonte de receita a venda de energia para o sistema interligado nacional. No caso de Belo Monte, o governo estimou em 2008 que uma tarifa de R$ 83 por MWh (megawatt-hora) seria suficiente para cobrir todos os custos e dar lucro. Venceria quem oferecesse a menor tarifa. Quando há disputa, a empresa precisa oferecer um desconto sobre essa tarifa – desde que as simulações indiquem que ela pode ganhar mais com a comercialização de energia, ter um lucro menor ou fazer uma obra a custo mais baixo que o previsto. Por outro lado, se a obra sair mais cara que o orçado pela vencedora do leilão, ou se a usina não gerar energia na quantidade e no prazo previstos, é ela quem arca com o prejuízo. “O que vale para o consumidor é o preço final. O que consideramos nas nossas hipóteses é irrelevante”, diz Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Planejamento Energético), estatal responsável por definir os parâmetros dos editais da licitação. Suspeita Em abril de 2010, a Norte Energia venceu a concorrência pela concessão de Belo Monte oferecendo um valor 6% menor (R$ 78) que o preço de referência. O custo da obra estimado pela Norte Energia, contudo, era 30% superior ao máximo previsto pelo governo. Para o mercado, não parecia possível recuperar o investimento com a tarifa oferecida. Uma decisão da Eletrobras tomada meses depois do leilão reforçou essa suspeita. A Eletrobras, holding estatal que controla a Chesf, firmou um contrato com a Norte Energia para comprar, por R$ 130 o MWh, a energia excedente que Belo Monte puder vender no mercado. Esse preço da eletricidade extra, vendida no mer-

cado livre, varia diariamente e, na média dos últimos dez anos, ficou em R$ 79. Portanto, a estatal-mãe deu uma bela ajuda à filha, que a usou para convencer o BNDES a liberar um empréstimo subsidiado de R$ 22,5 bilhões. “A isso se dá o nome de energia limpa e barata”, ironiza Célio Bermann, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP. Para o especialista, Belo Monte está acima da média mundial de US$ 1.000 por MW instalado e vai ocasionar despesas para o contribuinte com os subsídios implícitos no financiamento e na comercialização da energia. A Norte Energia depende ainda do Ibama para saber, de fato, quanto Belo Monte vai produzir de eletricidade. Por contrato, ela precisa gerar 4.571 MW em média, ao longo de cada ano (meros 41% de sua capacidade instalada), sendo que 70% dessa energia garantida vai para o sistema integrado. Como o reservatório que alimentará a casa de força principal é relativamente pequeno, a água que for reservada no período de cheia não bastará para gerar nem 10% da capacidade quando chegar o auge da seca. Uma das condições do Ibama para dar a licença de operação da usina é que o rio Xingu precisa de uma vazão mínima nas cheias para manter em boa saúde os ecossistemas na Volta Grande, abaixo da barragem de Pimental. Belo Monte tem, no entanto, um atributo que pesou na decisão de seguir em frente com a sua construção: poderá gerar energia em abundância nos períodos do ano em que as usinas hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste, principais regiões produtoras, operam com restrições para não esgotar seus reservatórios. Em 2012, foi necessário gerar 14,3 mil MW em média, ao mês, acionando usinas térmicas, o que custou ao país R$ 12 bilhões a mais que a geração hidrelétrica. Para os altamirenses, a eletricidade de Belo Monte ainda é uma ficção. Por ora, a usina só lhes trouxe seguidas interrupções de energia. A rede elétrica de distribuição, com seus fios e transformadores das décadas de 1970 e 1980, não suporta o aumento do consumo. No verão amazônico, quando as temperaturas quase não baixam dos 35’C, os clientes em busca de sistemas de arcondicionado não podem ser atendidos na Climatech, porque os aparelhos da loja não funcionam, e o local se transforma numa estufa. “Estamos fazendo a maior usina do Brasil e não temos energia”, lamenta Evaldo André, 33, dono da empresa, que deve a própria prosperidade de seu empreendimento a Belo Monte: em dois anos a firma passou de 5 para 25 funcionários.

Reportagem consumiu dez meses MARCELO LEITE

A primeira visita à obra de Belo Monte aconteceu debaixo d’água. Chovia como só chove na Amazônia, em março, e foi preciso amassar muito barro para fazer o reconhecimento do terreno nos três canteiros de construção, separados por dezenas de quilômetros. Ficou evidente que um só repórter, em poucos dias, não daria conta de abarcar todos os aspectos do empreendimento controverso, que

enfrenta resistências desde os anos 1980. Planejou-se enviar quatro ou cinco jornalistas à área, em agosto (estação seca), por duas semanas. Uma decisão acertada. Com o Xingu mais baixo, a transparência de suas águas revelou toda a majestade do rio que margeia duas dezenas de terras indígenas em seus cerca de 2.700 km. Em paralelo, aprofundavam-se as pesquisas para produzir os infográficos sobre a intrincada engenharia da usina.

Na Volta Grande, agora ameaçada pela barragem, o Xingu se espraia por uma enormidade de canais límpidos. Ali vicejam os acaris, família de peixes ornamentais que está na base da sobrevivência de muitos índios e ribeirinhos. O contraste com Altamira, rio acima, é chocante. A cidade viu sua população aumentar pelo menos 40% em dois anos. “Caos” é a palavra que mais se ouve – no trânsito, na violência, nas obras de saneamento

que rasgam as ruas da noite para o dia. Isso para não falar do despreparo do poder público em mitigar os previsíveis impactos sociais do empreendimento. O resultado de quase dez meses de trabalho, no qual se envolveram de uma maneira ou de outra 15 jornalistas, aparece hoje na série Tudo Sobre, do site da Folha. Uma extensa reportagem acompanhada de gráficos dinâmicos, vídeos e fotos para mostrar todas as facetas da maior obra em curso no país.


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Arquivo Aberto

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MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

De mãos dadas MANUEL DANTAS VILAR/ACERVO PESSOAL

Fazenda Acauã, sertão da Paraíba, 1991

Fazenda Acauã, onde Ariano Suassuna passou parte de sua infância

LUIZ FERNANDO CARVALHO

Desde menino minha ligação com o sertão foi visceral, um conjunto de impressões e sentimentos muitas vezes estimulados por mim mesmo, já que minha mãe, Glicia Carvalho, que perdi logo na primeira infância, era sertaneja. Dentro de mim, o sertão corresponde a um espaço onde o mítico e o real convivem de mãos dadas. Nas escavações em busca da imagem mais nítida da mãe, recorri, adulto, a uma infinidade de pesquisas, que me ajudaram também, e fundamentalmente, na construção da imagem de um país. Eram curiosidades que davam conta de um mundo. Qual o folguedo popular preferido? Qual a música? A comida? Os livros? Foi assim que, pela primeira vez, ouvi um tio meu dizer “Graciliano Ramos”. Anotei o nome, li os livros.

No fim dos anos 1930, quando acabava “Vidas Secas”, Graciliano concluiu o primeiro livro que daria origem a “Alexandre e Outros Heróis”. O escritor teve, no entanto, o cuidado de advertir: “As histórias de Alexandre não são originais, pertencem ao folclore do Nordeste, e é possível que algumas tenham sido escritas”. Mais que uma criação literária, as histórias encerrariam um valor de observação antropológica. O ficcionista empreendera trabalho de escrevinhador das histórias ouvidas no sertão. Seria Graciliano Ramos, neste caso, simples intermediário sem discernimento? Onde estará o escritor em “Alexandre e Outros Heróis”? Com sua presença “mascarada”, ele está em tudo. Pergunto-me quando o li pela primeira vez. Folheei as primeiras páginas do meu exemplar em busca de alguma informação e reencontro em garran-

chos quase ilegíveis o seguinte registro: “Lá vou eu em busca do meu passado. Lá vou eu à cata de meus heróis”. E a data: 04 de fevereiro de 1991. A primeira leitura me surgiu na memória e, ao me enveredar pela lembrança, uma figura foi se formando, enquanto eu me dizia: mas este “mentiroso”, esse “mascarado” eu conheço! Já me sentei à sua volta para ouvir histórias. Essa máscara alquímica que mescla palhaço e rei, eu sei de quem é! Em 1991 estávamos, Ariano Suassuna e eu, cruzando o sertão paraibano rumo à fazenda Acauã, onde ele passou parte da infância. A viagem era um misto de aventura e aula, por isso não seria exagero dizer que estava adentrando o sertão pelas mãos de Ariano. Eu perguntava sobre a diferença entre um cabra e um jagunço e ouvia aquela resposta de três horas, que incluía geologia, culinária, música, cordel

– e, claro, a diferença. Assim que chegamos à fazenda e após cumprimentar, um a um, todos os que ali estavam, pediu para rever a casa, que já não era de sua família. Revisitou os cômodos e a capela. Seus olhos reconheciam os espaços, buscando a antiga disposição da mobília, perdida sob o jogo de sombra e luz que compunha, com as paredes grossas, um ar de convento medieval. Depois pediu que o levassem para ver o rio. Fomos caminhando pelo meio de um espinheiro até alcançarmos aquele leito seco. Ariano parou, e eu, um pouco mais atrás. Ficamos um bom tempo assim, cercados pelo silêncio: ele, imóvel diante daquela cicatriz na carne do chão. Até que, exatamente acima dele, veio sobrevoar um gavião. “Eu sabia que vocês não abandonariam um sertanejo”, disse ele, com alegria de menino.

Nos despedimos e partimos. Avistada do carro, a fazenda Acauã e os acenos de seus camponeses iam desaparecendo na distância. De repente, Ariano pediu que o motorista parasse. Atravessando a poeira vagarosa que ainda repousava no ar, largou alguns passos em direção ao velho castelo. A poeira cedeu, definindo a cruz da capela, o telhado e as janelas. O olhar do escritor encontrara ainda uma vez sua Acauã de menino. Suas pernas avançaram mais um passo na direção da miragem, mas ele logo estancou. Caiu novamente naquele silêncio, cortado agora – pude ver! – por uma golfada que lhe invadiu o peito. Vieram as lágrimas. Com voz embargada, Ariano girou o corpo e disse: “Agora podemos ir. Pronto!”. E, secando o sal do rosto, ainda pude ouvir: “Desculpe esse velho bobo”.


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Filosofia

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A essência das coisas Husserl em busca da verdade absoluta RESUMO Em fins do século 19, a busca por um conhecimento objetivo e universal era questionada por diversos grupos. Contrário a essa tendência, Edmund Husserl erigiu um novo método de investigação filosófico, a fenomenologia, ao propor um retorno “às coisas”, livre das teorias anteriores, para alcançar a certeza transcendental.

CÉSAR BENJAMIN

Múltiplas formas de relativismo somavam-se, no fim do século 19, para questionar as possibilidades de produzirmos conhecimento objetivo e verdadeiro. Não só as percepções diretas, baseadas nas sensações, eram vistas com desconfiança mas também até mesmo as verdades matemáticas. Sua certeza aparente, dizia-se, decorria do fato de serem tautologias vazias, que nada informam sobre o mun-

do. Considerava-se que todo raciocínio dedutivo continha um vício, pois as conclusões estavam sempre embutidas nas suas premissas. Impossibilitados de alcançar as fontes últimas de qualquer certeza, deveríamos considerar o conhecimento como um conjunto de instruções práticas, úteis à vida, mas incapazes de nos dizer como o mundo, de fato, é. O sensacionismo, teoria do filósofo austríaco Ernst Mach (1838-1916), afirmava que a busca do conhecimento era apenas um tipo de conduta da espécie humana, voltado para nos ajustar melhor ao ambiente; o conceito de verdade era uma relíquia metafísica que a ciência deveria substituir pelo conceito de “aceitabilidade”. Os adeptos do psicologismo pretendiam redefinir o estatuto da lógica, considerando-a apenas uma descrição abstrata – baseada no costume e em certos hábitos de economia mental – de fatos psicológicos empíricos; ela deveria ser parte da psicologia, não da filosofia. Positivistas e pragmatistas só viam fatos e relações entre fatos. Para eles, a validade das ciências naturais dependia fundamentalmente de sua eficácia, ou seja, sua capacidade de fazer previsões sobre fenômenos que aparecem no tempo e no espaço. A filosofia era vista como tributária dos resultados das ciências

positivas. Todos esses movimentos convergiam para a ideia de que pode existir conhecimento, mas não uma teoria do conhecimento autorizada a reivindicar, legitimamente, universalidade e objetividade. Ceticismo Ao destruir as bases de todo conhecimento seguro, as diferentes formas de ceticismo ameaçavam destituir a cultura ocidental de sua posição singular. O filósofo alemão Edmund Husserl (1859-1938) compreendeu a gravidade disso: a busca de certezas e o estabelecimento de verdades eram parte essencial da milenar cultura europeia e fonte de sua universalidade. Matemático de formação, considerava especialmente perigoso interpretar a lógica a partir de categorias psicológicas, pois as leis da lógica são universais e necessárias, enquanto a psicologia é uma ciência empírica, que deduz suas leis por indução. Para restaurar a validade absoluta da verdade, Husserl concebeu um programa radical. Precisava encontrar um fundamento transcendental para a certeza e desenvolver um método voltado para descobrir as estruturas necessárias do mundo. Buscou um recomeço da filosofia, ao modo cartesiano, para lançar as bases de um conhecimento cuja validade

não dependesse da psicologia, dos fatos empíricos, da espécie humana e nem mesmo da existência do mundo, tal como o vemos. Isso exigia alterar o lugar que a filosofia ocupava. Estávamos acostumados a outorgar às ciências a tarefa de conhecer a realidade, cabendo à filosofia refletir sobre esse conhecimento. Assim, a atividade filosófica havia se afastado das coisas, restringindo-se a examinar o conhecimento que tínhamos delas. Husserl viu que a nova filosofia primeira que tinha em mente – que, por ser primeira, não podia ter pressupostos – teria de “retornar às coisas”, eliminando os diversos estratos de sentido que as teorias haviam depositado sobre elas. É certo que a quantidade sempre crescente de fatos, teorias, hipóteses e classificações nos permite prever melhor certos acontecimentos e aumenta nosso poder sobre a natureza, mas isso, ele dizia, não nos ajuda a compreender o mundo: as ciências medem as coisas sem conhecer o que medem. “Conhecer formas objetivas de construção de corpos físicos ou químicos e fazer previsões de acordo com isso – nada disso explica coisa alguma, mas precisa de explicação”. Percepção A certeza só pode ser obtida se conseguirmos eliminar a distância entre a percepção e as coisas, bem como a necessidade, dela decorrente, de construir uma ponte entre ambas. Conhecimento certo, seguro de si, deve ser conhecimento imediato, sem que entre o ato de conhecer e o seu conteúdo seja necessária alguma mediação. Uma certeza que exige mediações não é mais certeza. E a necessidade de transmitila destrói sua imediaticidade, pois tudo o que entra no campo da comunicação humana é incerto, questionável e frágil. As ciências, tal como as conhecemos – conhecimentos indiretos e comunicáveis por natureza –, são incapazes de nos prover tal certeza. Husserl viu que para “alcançar as coisas” precisamos partir de uma intuição na qual elas se revelem diretamente à consciência, sem distorções. Tal intuição precisa cumprir duas condições: (a) ser independente de um “eu” particular; (b) não se ater a fatos contingentes, mas buscar verdades universais, revelando suas conexões necessárias. Descartes duvidou de tudo para livrar-se de toda dúvida. Conservou apenas o ego substancial, o único lugar que resistia à dúvida hiperbólica. Husserl seguiu o mesmo caminho, colocando em suspenso a existência do mundo, mas deu um passo adiante. Não se deteve no ego cartesiano, a substância pensante. Considerou que o caminho

da certeza exigia a eliminação também desse ego e a construção ideal de um ego transcendental, um recipiente vazio onde os fenômenos simplesmente aparecem. O caminho para isso passava pela “epoché”, a suspensão do juízo, especialmente sobre o que nos dizem as doutrinas filosóficas e as ciências. “Eu” e “mundo” ficam em suspenso, colocados entre parênteses. Não recusamos a existência deles, nem sequer duvidamos dela, mas a deixamos provisoriamente de lado para que só reste o puro fenômeno, aquele que não pertence a uma pessoa empírica nem representa um objeto real. Nem as doutrinas filosóficas nem os resultados das ciências nem as crenças da “atitude natural” são pontos de partida indubitáveis, aqueles que Husserl buscava para reconstruir a filosofia como ciência rigorosa. Só a consciência resiste à “epoché”. Ela é, pois, o resíduo fenomenológico imediatamente evidente. Mas consciência é sempre consciência de algo. A esse traço, que diferencia o psíquico e o físico, Husserl denomina intencionalidade. Os modos típicos como as coisas e os fatos aparecem na consciência são os universais que a consciência intui quando a ela se apresentam os fenômenos. Ao prescindir dos aspectos empíricos e das preocupações que nos ligam aos fenômenos, purificando o campo da consciência, podemos buscar a intuição das essências, operação necessária no caminho para a certeza. Radical Husserl encontrou o ponto de partida radical, que buscava, no domínio do absolutamente dado, do fenômeno puro, aquilo que se oferece diante de nós em qualquer das formas da nossa experiência. Era preciso deixar que o “olho do espírito” se dirigisse livremente às coisas para reconquistá-las com confiança profunda, captando em visão imediata o seu conteúdo ideal. Em vez de valorizar as duas maneiras bem conhecidas de aproximar-se do mundo – a intuição sensível, mas vaga e imprecisa, e a construção intelectual rigorosa, mas hipotética –, ele nos mostrou um outro tipo de intuição, a intuição categórica. Ela não é um processo de abstração que tenha como ponto de partida um dado fenômeno. É uma experiência direta dos universais que se revelam a nós com irresistível evidência. Diferentemente do que nos diz o senso comum, o individual chega à consciência pelas mãos do universal. Nossa consciência só pode captar um fato (uma cor, um som) se captou sua essência. Não partimos dos fatos e fazemos uma abstração para conhecer tais essências. Ao contrário: só podemos compreender fatos se

já captamos uma essência que os torna compreensíveis e comparáveis. Reconhecemos uma essência comum – uma “essência de som” – quando ouvimos qualquer som. Sem esse reconhecimento, não poderíamos identificá-lo. A fenomenologia pretende ser a ciência das essências, não dos fatos. Seu objeto são os universais que a consciência intui a partir dos fenômenos. Husserl chamou “redução fenomenológica” a operação mental que converte a intuição individual (que nos dá esta rosa, esta cadeira, objetos que existem no tempo e no espaço, em constante mutação) em intuição eidética (que nos dá as essências, imutáveis e eternas, de rosa e cadeira). O objetivo é construir um conhecimento que independa de sujeitos definidos. O que permanece depois da redução são os conteúdos dos fenômenos, que aparecem no ego transcendental, aquele recipiente desprovido das propriedades dos sujeitos psicológicos e que é o sujeito do conhecimento puro. A fenomenologia foi a corrente filosófica mais renovadora do século 20. Representou o início de uma nova época na filosofia, algo parecido com o que foi o sistema cartesiano a partir do século 17 e o kantiano a partir do 18. A Descartes segue-se uma época cartesiana, a Kant, uma época kantiana, em que os debates passam a se dar em torno dos temas propostos por esses pioneiros. Husserl ocupa posição semelhante. Sua enorme influência contrasta com uma personalidade silenciosa e retirada. Viveu obcecado pelos problemas últimos dos quais depende o desenvolvimento do espírito, fixando-se neles com tenacidade exemplar. Morreu solitário na Alemanha em 1938. De ascendência judaica, ele havia sido afastado do mundo acadêmico pelos nazistas e proibido de deixar o país. Depois de sua morte, o franciscano belga Herman Leo van Breda (191174) conseguiu salvar seus manuscritos inéditos – bem mais numerosos que a obra publicada –, levando-os para a Universidade de Louvain, onde estão até hoje. A obra de Husserl vem sendo publicada gradativamente. Em 1954, como volume seis da Husserliana, veio à luz a versão definitiva de “A Crise das Ciências Europeias e a Fenomenologia Transcendental”, que finalmente chega ao Brasil em tradução competente de Diogo Falcão Ferrer [Forense Universitária, R$ 107, 456 págs.]. Na verdade, é de uma ampla crise espiritual e existencial, não só das ciências e nem só da Europa, mas de toda humanidade, que o livro trata, pois a crise nos fundamentos das ciências é também uma crise da filosofia e da subjetividade.


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EM TEMPO - 12 de janeiro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu