R$ EXEMPLAR
2,00 DE ASSINANTE
VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO
O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
ILUSTRAÇÃO ELVIS
ANO XXVI – N.º 8.351 – DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
José Melo (Pros)
Eduardo Braga (PMDB)
Rebecca Garcia (PP)
Marcelo Ramos (PSB)
Hissa Abrahão (PPS)
Chico Preto (PMN)
ELES QUEREM O
GOVERNO
A 148 DIAS DAS ELEIÇÕES, SEIS CANDIDATOS JÁ DERAM A LARGADA À CORRIDA PARA A SUCESSÃO DO GOVERNO DO ESTADO. NESTA EDIÇÃO, O EM TEMPO SAI NA FRENTE E TRAÇA O PERFIL DOS PRÉ-CANDIDATOS JOSÉ MELO, EDUARDO BRAGA, REBECCA GARCIA, MARCELO RAMOS, HISSA ABRAHÃO E CHICO PRETO, SUAS TRAJETÓRIAS POLÍTICAS, ESTRATÉGIAS PARA CHEGAR AO PODER E AS IDEIAS QUE PODERÃO SE TRANSFORMAR EM PLATAFORMA ELEITORAL. POLÍTICA A5 A A12
QUANTO CUSTARÁ A ELEIÇÃO
Pesquisa aponta que 94% das mães postam fotos dos filhos na internet, mas especialistas alertam que é preciso cuidado.
CAMPEÃO SAI HOJE Se vencer hoje, o Princesa do Solimões sagra-se campeão do Amazonense. Por outro lado, o Nacional espera conquistar o returno e forçar mais dois jogos. Pódio E5
Livros contam a história da correspondência em papel e debatem suas peculiaridades, como a de traçar retratos vívidos de seus autores.
Oſtalmologista Renato Neves afirma que os olhos dizem muito sobre o estado geral de uma pessoa e aponta sete doenças mais comuns.
Quem tem casa ou quer comprar imóvel, muitas vezes não se preocupa com a regularização junto ao Cartório de Registro de Imóveis e à prefeitura.
DIVULGAÇÃO
Uma torre de observação de 42 metros de altura está sendo montada dentro do Museu da Amazônia (Musa), no interior do jardim botânico e da reserva, para inaugurar antes da Copa do Mundo. Dia a dia C1
DIEGO JANATÃ
DIVULGAÇÃO
VISTA ASSIM DO ALTO
RICARDO OLIVEIRA
MARKETING NÃO FAZ MILAGRE
Diretor do Musa, Ennio Candotte contempla, da torre de observação na reserva Ducke, a Floresta Amazônica
Hamilton vai largar na pole
Taís Bandeira, do Amazonas
Última Hora A2
Plateia D1
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.
Novo golpe pela internet Economia B2 TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 27
MÍN.:
23
A2
Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Temer contempla Braga por prorrogação da ZFM
OPERAÇÃO
Militares lançam Ágata 8
RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
N
a corrida para carimbar as articulações em prol da aprovação da PEC da Zona Franca de Manaus (ZFM) e levar o ato às vitrines da sua campanha, o senador e pré-candidato ao Governo, Eduardo Braga (PMDB), levou ontem ao seu programa de rádio “Bate Papo na Cidade” o vice-presidente da república Michel Temer (PMDB), que afirmou que os acordos para o segundo turno da votação estão firmados e que o primeiro turno só foi possível graças à “insistência” do seu colega de partido. A convocação de Temer para o pronunciamento teve objetivo de esvaziar as recentes declarações da bancada federal do Estado na Câmara de que ainda não haveria acordo pelo segundo turno. Braga iniciou seu programa, veiculado aos sábados das 9h às 10h, falando que daria um “presente” às mulheres no Dia das Mães e, então, Michel Temer inicia um pronunciamento de três minutos garantindo à votação. - Quero cumprimentar o senador (Braga) pelo trabalho em prol da ZFM, ele insistiu comigo e a insistência que ele fez conosco no primeiro turno
foi decisiva. No dia seguinte já estava comigo, com Guido, para insistir novamente. Tivemos um trabalho extraordinário para a aprovação do projeto e para um acordo para que se aprovasse a lei de informática. Foi um trabalho de fôlego, quero desejar ao povo todo sucesso - disse Temer. Para tentar destravar os empecilhos estabelecidos para o segundo turno, a bancada federal se reuniu com o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, na última quarta-feira (6) e alegou que Berzoini desconhecia qualquer negociação em torno da Lei da Informática e das Áreas de Livre Comércio (ALC) na Região Norte, que foram colocadas como condicionantes para a votação da lei que prorroga por mais 50 anos os incentivos fiscais da ZFM. O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Henrique de Oliveira, também se pronunciou no programa de Braga e reiterou a nota oficial divulgada pela Secretaria de Relações Institucionais na última quarta-feira, que garante que os acordos serão firmados com base na proposta entregue pelo líder do governo no Senado ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/ RN), no dia 30 de abril.
POLE-POSITION DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
Vice-presidente afirma que senador Eduardo Braga foi principal articulador para resultado de votação
Para Temer, primeiro turno de votação da PEC da Zona Franca se deve à insistência de Braga
Divergência entre grupos políticos Nas palavras de Dyogo, “o entendimento que tivemos no Ministério para votarmos muito em breve da prorrogação da ZFM, tivemos a concordância para fazer a prorrogação dos incentivos da Lei de Informática até 2029, que serão debatidas, isso já está
CRIME
Adolescente assassinado no São José
Piloto inglês foi o mais rápido em treino da Espanha
Hamilton sai na frente em busca quarta vitória O piloto inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, foi o mais rápido do treino oficial e vai largar na pole position do GP da Espanha, hoje, às 8h. A segunda colocação ficou com o alemão Nico Rosberg, também da Mercedes, e a terceira pelo australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull. O espanhol Fernando Alonso, da Ferrari, ocupará a sétima posição. O brasileiro Felipe Massa, da Williams, sairá da nona posição. Até agora neste Mundial, só pilotos da Mercedes venceram as corridas. Hamilton ganhou as três últimas: China, Bahrein e Malásia. Rosberg triunfou na Austrália. Eles também dominaram os treinos oficiais, com três
MERCEDES
Até agora neste Mundial, somente pilotos da Mercedes venceram as corridas. Hamilton ganhou as três últimas: China, Bahrein e Malásia. Rosberg triunfou na Austrália poles de Hamilton e uma de Rosberg. Largar na frente no circuito de Montmeló tem sido muito importante para vencer essa corrida devido às características do circuito catalão, Das 23 provas já disputadas em Montmeló, 17 foram vencidas pelo pole position.
Um estudante de 17 anos foi morto a tiros, no fim da noite de sexta-feira (9), no bairro São José 4, Zona Leste de Manaus. O Instituto Médico-Legal (IML) afirmou que o jovem foi atingido por tiros de arma de fogo no tórax e na cabeça. O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e até a manhã de ontem ainda não havia registro de prisão dos suspeitos. O crime ocorreu por volta das às 22h na Rua das Palmeiras. Moradores da região afirmaram que o estudante foi morto após sair da escola onde estudava no Novo Reino, bairro vizinho, e teria sido perseguido antes de ser morto. O jovem foi atingido com vários tiros. A PM informou que quatro tiros atingiram o abdômen, dois o pescoço e três o braço esquerdo da vítima. O jovem não identificado foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital João Lúcio, mas chegou sem vida à unidade de saúde. As duas jovens que estavam com o rapaz não ficaram feridas. Próximo ao corpo da vítima, foram encontradas três cápsulas deflagradas de pistola de uso exclusivo da polícia.
acertado”. Dyogo Henrique é o braço direito do ministro Guido Mantega. O apadrinhamento da ZFM gerou divergências entre os grupos políticos que participaram das movimentações durante o primeiro turno na Câmara. Na época, o pre-
feito Arthur Neto (PSDB) e o pré-candidato ao Senado, Omar Aziz (PSD), disseram que “não há heróis da ZFM”, reagindo à utilização do ato nas vitrines eleitorais, em inserções partidárias na TV e rádio e até em outdoors espalhados pela cidade.
Cerca de 12 mil militares das três forças atuarão nos 12 mil quilômetros de fronteira da Amazônia, durante a 8º edição da “Operação Ágata”, que iniciou ontem e se estende por tempo indeterminado. O lançamento foi feito na sede do Comando Militar da Amazônia (CMA), Zona Oeste, na manhã de ontem. Além da faixa de fronteira, os militares irão atuar nas calhas dos rios Negro, Solimões, Amazonas e nas proximidades da cidade de Manaus, reforçando a segurança para a Copa do Mundo. A ação busca combater o tráfico de armas e munições, contrabando, garimpo ilegal, crime contra o meio ambiente e narcotráfico. Em todo país, 30 mil militares mais policias militares e federais e agencias governamentais participarão da operação orçada em aproximadamente de R$ 5 milhões.
CRATERA
Desabamento prejudica trânsito IVE RYLO Equipe EM TEMPO
O tráfego de carros, ônibus e tratores causou congestionamento nas ruas de acesso às quadras dos cemitérios Parque Tarumã e Nossa Senhora Aparecida, localizados na avenida do Turismo, bairro Tarumã, zona Oeste, ontem. Tudo porque, desde a última sexta-feira (9), os cemitérios tornaram-se o único acesso de veículos ao conjunto Augusto Montenegro, que ficou isolado após a abertura da enorme cratera na ponte e principal entrada do local. Nas estreitas ruas, os veículos tiveram que disputar espaço com as máquinas e caminhões da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) que auxiliavam na abertura e alargamento de vias para facilitar o acesso dos moradores. Pistas foram abertas
pelo barranco e carradas de areia foram jogada para disponibilizar condições mínimas de tráfego. Em meio ao lamaçal, um ônibus chegou a atolar o que causou mais congestionamento,
TRÁFEGO
Veículos tiveram que disputar espaço com máquinas e caminhões da Seminf, que auxiliavam na abertura e alargamento de vias para facilitar o acesso dos moradores ao conjunto na manhã de ontem. “Hoje está melhor que na sexta-feira, mas trafegar aqui continua muito complicado. Imagina se chover, não vamos ter como passar porque vai atolar de certeza. A gente sai de casa e já pensa em voltar logo, antes da
chuva”, disse a comerciante Cristina Andrade, 38. O Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) designou 4 agentes de trânsito, que foram deslocados para auxiliar os motoristas e os pedestres que não tinham outra alternativa a não ser caminhavar entre os tratores na tentativa de chegar ao conjunto Augusto Montenegro. Aproximadamente 15 funcionários da Seminf já haviam sido encaminhados pelo órgão para trabalhar na ponte que rompeu durante a chuva. Enquanto isso, uma outra ponte de madeira foi construída ao lado da cratera para acesso exclusivo dos pedestres ao conjunto. A secretaria ainda estuda se irá construir uma nova ponte ou uma galeria. A estimativa da Seminf é que a obra de emergência seja finalizada em 45 dias. DIEGO JANATÃ
Moradores aguardam criação de acesso alternativo mais seguro até recuperação da ponte
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
A3
Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Operando no vermelho Os governos federal, estaduais e municipais deram-se as mãos para ressarcir as empresas de transporte coletivo da enorme perda dos R$ 0,20, valor simbólico que alcançou alta cotação na bolsa de valores da política, na segunda metade do ano passado. Em particular, na capital do Amazonas, para ratificar o esforço oficial, as empresas postaram-se de joelhos e declararam o que se sabia, mas era calado: o capitalismo nestas plagas não sobrevive sem o Estado, isto é, sem o dinheiro do contribuinte, ou seja, todo e qualquer cidadão envolvido em relações de consumo de bens ou serviços (Estado como é notório não tem dinheiro, é, ou deveria ser, um administrador da riqueza de um povo). Há mais de três décadas, essas empresas, que mudam de nome, mas jamais de donos, operam no vermelho, como afirmou recentemente o presidente do sindicato patronal. Por isso, não pagam o FGTS dos trabalhadores e descontam, mas não recolhem à previdência valores significativos para o trabalhador, tolhido em seu direito de aposentadoria, entre outros benefícios. Mais de uma vez, o funcionamento dessas empresas foi comparado ao jogo do bicho: só o dono da banca sabe quanto dinheiro rola nesse negócio, proibido, mas tolerado até dentro de repartições públicas. Incomodada em sua área de conforto, até a presidente Dilma Rousseff se declarou pressionada pelas vozes de junho, interessada em discutir a planilha de cálculo das tarifas do transporte público. Nesse nível, o “malfeito”, como gosta de suavizar a presidente, não é feito por um só malfeitor, claro. Nesses 30 anos, quanto dinheiro circulou no transporte coletivo? Quantas vezes Estado e município intervieram para “salvar” as empresas, não cobrando o cumprimento dos acordos assinados? E fica tudo por isso mesmo por mais 30 anos?
Sarafa agora é estadual O ex–prefeito Serafim Corrêa (PSB) não é mais candidato a deputado federal, como havia anunciado. Agora Sarafa vai brigar por uma cadeira na Assembleia Legislativa. A mudança de estratégia tem a ver com a legenda que não teria peso suficiente e, para se eleger, Serafim teria que abocanhar mais de 220 mil votos. Seriam votos demais! — O projeto é nacional. Para elevar Eduardo Campos, os interesses pessoais serão colocados de lado. Lembrando Aldo
Marcelo–Marcelo Agora a chapa do PSB para outubro 2014 vai ficar assim. Marcelo Ramos para o governo, Marcelo Serafim para o senado e Serafim Corrêa para deputado estadual. Som na caixa! Radialistas da CBN fizeram críticas ao sistema de som da Arena da Amazônia, no início do jogo Santos X Princesa. Na hora do hino Nacional, o narrador falou: — Vamos ver se o sistema de som da Arena está bom, porque também está em teste. Nos primeiros acordes: — Ih, parece que não está não. Hino fanho Não é a primeira vez que o som da Arena é questionado. No jogo Nacional X Corinthians, a voz de cantora Márcia Siqueira saiu meio fanha por culpa do som. Arruma aí! Não se concebe, em plena Zona Fraca de Manaus, paraíso eletrônico do país, nossa arena não ter um som digno e competente. Braga e o UFC O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB/AM), recebeu a visita de cortesia do vice-presidente e chefe mundial de Operações do Ultimate Fighting Championship (UFC), Ike Laurence Epstein. Estavam lá A entidade organiza as lutas de MMA em todo mundo. Epstein foi acompanhado da vice-presidente da marca UFC no Brasil, Grace Tourinho, e do consultor Guilherme Fahrat.
Durante o encontro, que ocorreu no gabinete da liderança do governo no Senado, Braga e os convidados falaram sobre o crescimento das lutas do MMA no Brasil e no Amazonas, Estado de uma das estrelas do esporte, o lutador José Aldo, com vários títulos na carreira. Abacaxi Corregedor da Câmara Federal, o deputado Átila Lins (PSD-AM) está com um abacaxi no colo que terá que descascar. Átila vai analisar a representação popular contra o colega, deputado federal Leonardo Quintão (PMDB-MG), que admitiu ser financiado por empresas de mineração e por isso defende o setor. Sem vergonha Quintão admite que defende o setor mineral, sem vergonha de ser financiado “dentro da lei” pelas empresas do ramo. Babita A ArcelorMittal, Usiminas e Gerdau estão entre as que contribuíram com pelo menos 20% do total de R$ 2 milhões arrecadados pelo deputado Leonardo Quintão na campanha de 2010 Huck presidente Apertem os cintos. O apresentador Luciano Huck quer mesmo ser presidente da República. — Como cidadão, tento transformar o poder que a televisão me dá em coisas positivas. É assim que eu faço política – disse, em entrevista ao Globo. Populismo eletrônico Questionado sobre fazer assistencialismo na TV, ele responde: — Não sou político. Então não
APLAUSOS
elvis@emtempo.com.br
sou populista. Sonho meu O comunicador, no entanto, não descarta, um dia, se lançar como candidato à Presidência do Brasil no futuro. Mas desconversa: —Não faço plano para além do sábado que vem –, desconversa. Dificuldade até pra pagar Muitos brasileiros que contratam crédito enfrentam dificuldades para obter do banco informações sobre a situação do empréstimo. Principalmente em relação à quantidade de parcelas vencidas e a vencer, encargos, multas por inadimplemento e tributos, entre outras.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Obrigatório Para resolver o problema, o senador Alfredo Nascimento (PRAM) apresentou projeto que obriga as instituições financeiras a prestar, sempre que solicitado por seus clientes, informações detalhadas sobre contratos de crédito. Na comissão A matéria está na pauta da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), que se reúne na terça-feira (13). Empurra–empurra Nascimento cita como exemplo situação em que o consumidor quer pagar antecipadamente o empréstimo ou algumas das parcelas.
— Mas, ao procurar os serviços de atendimento ao cliente, é empurrado de atendente em atendente de telemarketing, isso quando não é simplesmente desconectado da ligação sem qualquer explicação – diz Alfredo.
VAIAS
Christiane Torloni
Elvis
Invasão da faixa azul
HUDSON FONSECA/ALEAM
DIEGO JANATÃ
Para atriz global Christiane Torloni, que veio a Manaus com a equipe da Globo Filmes para gravar um filme sobre a Amazônia, e interrompeu o trabalho para prestigiar o poeta amazonense Thiago de Mello, na homenagem da Assembleia Legislativa.
Para motoristas que invadem, sem nenhum escrúpulo, a faixa azul, criada para o transporte exclusivo de ônibus. Depois reclamam que o trânsito de Manaus é tumultuado, mas se recusam a dar sua parcela de colaboração para organizar a cidade.
O Magnífico Não vá alguém pensar que pretendo escrever sobre Lorenzo De Medici, Senhor de Florença, chamado “O Magnífico”. Não! O meu Magnífico é mesmo o Lula da Silva, tal como ele considera a si mesmo. Faz muito tempo que as pessoas dizem que, de pretensão e água benta, cada um pega quanto quiser, pois não se conhece vigário que faça restrição à quantidade que cada fiel tomar para si, assim como não há quem tenha o poder de dosar o volume de pedantismo que alguém ache que mereça por justiça. A mais eloquente demonstração da arrogância do nosso ex-presidente se deu quando, sozinho e sem ouvir mais ninguém, tirou do bolso do colete, ou melhor, da cachola, o nome daquela que pretendeu e logrou ter como sucessora na Presidência, como se esta fosse propriedade sua. Nem considerou que naquele momento tal escolha também atingiria a vida de mais duzentos milhões de brasileiros, sem contar alguns outros milhões de estrangeiros que por aqui tentam viver. Àquela altura, já plenamente arrependido do voto que lhe tinha dado, eu, numa atitude estritamente pessoal, sem negar respeito a quem dela discorde, não recorreria a Lula nem mesmo para que me indicasse um motoboy para me trazer uma pizza com a mínima competência de fazê-la chegar ainda quente. Desse ato de arrogância, aí está o resultado: um governo incompetente que até a já superada inflação fez renascer, extremamente tolerante e propiciador da endêmica corrupção que ora nos fustiga. Como a arrogância é irmã do autoritarismo, o ex-presidente deliberou até imiscuir-se em questões do vernáculo e impor à nação o feminino “presidenta” que, mesmo sem constituir erro ortográfico, não
é o usual na nossa linguagem e nem o seu patrocinador apresentou as credenciais acadêmicas compatíveis. É tamanha a atual arrogância lulesca, que o homem já pensa estar isento da básica obrigação de respeitar e se submeter às elementares regras da coerência lógica. Assim, logo depois de bradar a todos os ventos que jamais existiu esse acontecimento que designamos como “mensalão”, pura invenção da direita política e da imprensa elitista e reacionária, vem a público afirmar que o julgamento do mesmo não foi isento e sequer respeitou os requisitos jurídicos, que ele certamente conhece melhor do que os juízes do fato. Aliás, para julgar o inexistente, não há necessidade de grande saber jurídico. Agora, Sua Sumidade foi à Espanha, onde humildemente aquiesceu receber título de Doutor Honoris Causa da tradicionalíssima Universidade de Salamanca, e lá não teve pejo em fazer críticas à Suprema Corte do Brasil, à qual acusou de julgamento 80% político e apenas 20% jurídico, precisamente do “inexistente” mensalão. E, naturalmente, a figura mais visada por toda a arrogância de Lula, outra não seria senão a do próprio presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, a quem a nação hoje deve o inusitado fato de um processo contra políticos e outros poderosos ter chegado ao fim e condenado figuras que sempre se colocaram acima da lei. Por sinal, nada mais estapafúrdio do que a declaração do ex-presidente quando afirmou que nomeara Joaquim Barbosa ministro do Supremo por ser negro, categoria que ainda faltava na corte. Belo critério para escolher-se um juiz em sua mais elevada posição. Atirou no que viu, acertou no que não viu...
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
A figura mais visada por toda a arrogância de Lula não seria senão a do próprio presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, a quem a nação hoje deve o inusitado fato de um processo contra políticos e outros poderosos ter chegado ao fim e condenado figuras que sempre se colocaram acima da lei”
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Antidepressivo
Não creio que o Brasil vá trazer mais riscos, nem Manaus para os ingleses, do que o risco que eles enfrentaram nas Províncias iraquianas, nas guerras que praticaram recentemente. [...] Creio que o Brasil tenha uma exposição de risco muito baixo a esse tipo de violência [ataque terrorista]
Dados econômicos de 2013 compilados por Marcelo Neri (Assuntos Estratégicos) foram apresentados aos principais ministros para convencê-los de que o cenário parou de se deteriorar e pode voltar a beneficiar a reeleição de Dilma Rousseff. Segundo o economista, a renda média do brasileiro cresceu 8% no segundo semestre depois de uma estagnação na primeira metade do ano passado - apontada como estopim para os protestos de junho e a insatisfação geral com a economia. Curva A Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE mostra que o rendimento médio real do trabalhador patinou no início de 2013. Em julho, era de R$ 1.937, abaixo do valor de junho de 2012. A partir de agosto, voltou a crescer e chegou a R$ 2.026 em março. Cilada 1 Coordenadores da campanha de Dilma notaram que Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) engataram discurso “reativo” às ações do governo e vêm sendo cobrados sobre a continuidade ou encerramento de programas lançados pelo PT. Cilada 2 Para os dilmistas, a continuidade desse cenário garante à presidente o poder de pautar o debate eleitoral nos próximos meses. Na Copa Depois de discussões internas sobre a data da convenção que oficializará a candidatura de Dilma, o PT marcou o evento para o dia 21 de junho, um sábado, provavelmente em Brasília. Cipoal O modelo de discussão do programa de governo de Campos e Marina Silva afu-
gentou parte dos especialistas convidados. Um colaborador disse não ter ido à oficina sobre energia porque “centenas” de propostas seriam levantadas. Brainstorm Mas ao menos um mote surgido no debate deve ir para a campanha: “racionalizar agora para não racionar depois”, que alfineta tanto Dilma quanto Aécio, devido ao racionamento do governo FHC, em 2001. Mudou Antes avessos a uma aliança, deputados do PSD agora defendem abertamente que Gilberto Kassab (PSD) seja vice de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo. “Se a candidatura Kassab não prosperar, defendo caminharmos com o governador”, diz Guilherme Campos (PSD-SP). Canetada 1 O PSDB acionou a presidência do Tribunal de Contas paulista colocando sob suspeição a conduta do conselheiro Roque Citadini, que mandou paralisar o processo licitatório da linha 18-Bronze do metrô após pedido de uma empresa alheia ao assunto. Canetada 2 “Qual seria o
incômodo ou interesse do conselheiro no modelo [de licitação] que está sendo realizado?”, questiona o deputado estadual tucano, Orlando Morando, que assina a representação contra Citadini. Vacina David Uip, secretário de Saúde de Alckmin, se reúne amanhã com militantes tucanos para orientá-los no debate que será travado com Alexandre Padilha (PT) sobre o tema. Um dos objetivos é fornecer dados para um discurso de tentar desconstruir o Mais Médicos.
Aldo Rebelo, ministro do Esporte, chama a atenção da imprensa inglesa ao assegurar aos torcedores do país que o Brasil é mais seguro do que o Iraque, mas pisa em terreno minado: segundo a ONU, o Iraque registrou uma taxa de homicídios de 8 por 100 mil habitantes em 2012, enquanto, no Brasil, a proporção é de 25/100 mil.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
RICARDO OLIVEIRA
Importação O delegado federal Márcio Anselmo, que coordenou a Operação Lava Jato, relatou a colegas que, às vésperas de deflagrar as prisões no Paraná, teve de recrutar agentes em outros Estados, porque detectou tentativa de boicote à ação. Na mira A corregedoria da PF no Paraná também abriu procedimento para investigar a tentativa de representantes do sindicato local dos policiais federais de entrar na carceragem onde estão presos acusados de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro.
Tiroteio
Pois muito bem: não é lá muito educada nem cidadã a ocupação da calçada da Secretaria Municipal de Educação, com um protótipo meio que defasado de uma lanchonete ou minirrestaurante ou o que quer que seja. Tomemos a ocupação como uma proposta de solidariedade aos mestres, pelo ponto de vista da alimentação, que deve ser muito boa
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
Empresários aplaudiram promessa de ações impopulares. Aécio revela a primeira: acabar com créditos a juros baixos para a indústria.
Mães
DA SENADORA GLEISI HOFFMANN (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil, ironizando as críticas feita pelo tucano aos créditos subsidiados do BNDES.
Minha mãe uma vez disse que não gostava de Dia das Mães. Sua afirmativa me impressionou tanto que já chegando à terceira idade ainda me lembro da sua expressão séria e sofrida ao fazer tal afirmação. Ao ser indagada sobre o porquê, explicou que era um dia de saudade pois se lembrava muito da sua mãe. Compreendi então que mães também têm mãe, e que estas são nossas avós, mães em dose dupla. Sempre gostei da avó que conheci, a paterna, porque pai também tem mãe. Sua casa era o lugar da acolhida, do colo aconchegante, da benção, da comida farta, das histórias vividas num país distante, das peripécias da viagem de navio da Itália para Argentina, e depois de lá para o Brasil, a chegada ao porto de Santos, a vida de agricultores, a derrubada da mata, as doenças, enfim, era o reencontro com as minhas raízes. Mães também têm irmãs, que são nossas tias. Recordo os presentes, mas também as perguntas curiosas, as observações e comentários nem sempre tão bondosos assim, o genuíno interesse pelos meus progressos. Como é bom ter mãe, tias e avós. E a elas se juntavam às amigas da minha mãe, todas chamadas carinhosamente de tias. Uma delas perdeu um filho jovem para a ditadura militar, filho que até hoje continua no número dos desaparecidos. Acompanhando respeitosamente o seu luto sem fim e a sua dor, aprendi na adolescência a admirar a dor das mães que perdem filhos prematuramente e de forma injusta. A estas lembranças dos primeiros anos se junta à minha já longa vida pastoral acompanhando, ouvindo, sofrendo e me
Contraponto
Fé demais não cheira bem No início da campanha de Antonio Anastasia (PSDB) ao governo de Minas, em 2010, sua equipe sofreu com a descrença de alguns em sua vitória. Com 4% nas pesquisas, chegou a levar um chá de cadeira de horas quando visitou Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial. Assim que disparou nas pesquisas, Anastasia foi recebido como rei pelo pastor, e convidado a acompanhar uma sessão de cura. A vontade de agradar era tão grande que tucanos estranharam quando Valdemiro tentou curar uma mulher muda. Sua primeira palavra depois de curada foi: “”A-A-A-Anastasia! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
3090-1001 circulacao@emtempo.com.br
Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
www.emtempo.com.br
@emtempo_online
Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
/amazonasemtempo
/tvemtempo
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
alegrando com tantas mães que fazem parte das nossas comunidades. Fazer parte é dizer pouco, pois elas são de fato colunas sobre as quais se edifica a nossa Igreja e a sociedade. Conheci e conheço mulheres que criam seus filhos, cuidam de seus maridos, tem vida profissional, e dão tudo de si para a comunidade, como catequistas, lideres de pastorais, fazendo parte e liderando equipes de administração, liturgia, limpeza. Visitam doentes, organizam o dízimo, rezam nos velórios, celebram exéquias. A história da humanidade tem mudado com a presença mais visível das mulheres e das mães nos centros do poder, e nós até temos uma mãe presidente e uma mãe senadora. Por isso é incompreensível e inadmissível qualquer forma de violência contra as mulheres que já são mães ou que trazem no seu ser feminino a vocação para a maternidade. Que o dia das mães, dia de muita saudade, seja também o do compromisso de cada um de fazer todo o possível para eliminar a violência, toda violência, mas em especial a que atinge as mães, mesmo se o possível se resumir a um gesto de carinho. Vivemos num mundo extremamente violento, uma violência que mostra suas garras no trânsito, no tráfico humano, no crime organizado, nas relações de poder, na impunidade, na corrupção. O amor de mãe, os amores das mães, o amor pelas mães, talvez sejam os últimos redutos de possibilidade de construção de uma civilização do amor. Por isso, ao contrário da minha mãe, gosto tanto do dia das mães, apesar da saudade e da dor que ele traz consigo.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
A história da humanidade tem mudado com a presença mais visível das mulheres e das mães nos centros do poder, e nós até temos uma mãe presidente e uma mãe senadora. Por isso é incompreensível e inadmissível qualquer forma de violência contra as mulheres”
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Tensão pré-eleitoral domina o Amazonas Aspirantes ao governo do Estado lutam para formalizar suas candidaturas VALÉRIA COSTA Equipe EM TEMPO
A
exatos 30 dias para o início das convenções partidárias, onde tudo será definido e todo o nervosismo préeleitoral amenizado, o caderno de Política do Amazonas Em Tempo traz nesta edição especial um panorama sobre os pré-candidatos que se apresentam e que desejam conquistar a confiança do eleitor. Os deputados estaduais e federal Chico Preto (PMN), Marcelo Ramos (PSB) e Rebecca Garcia (PP), além do vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão (PPS), do senador Eduardo Braga (PMDB) e do governador José Melo (Pros), travam uma batalha hercúlea nos bastidores para conseguir firmar o maior número de alianças e de apoios. Entretanto, contrário ao cenário político de décadas passadas, onde uma campanha eleitoral era apenas para ratificar o candidato do “sistema”, a eleição de 2014 promete ser o divisor na história recente da política brasileira, em que o principal alvo, o eleitor, já não suporta mais ser massa de manobra. E para atingir este eleitor mais esclarecido e questionador, as redes sociais se desenham como uma nova aliada na corrida pelo poder. Quem sentencia é o marqueteiro Jefferson Coronel. Ele alerta para o cuidado nas abordagens e discussões postas nos diversos canais virtuais, mas não recomenda o candidato ficar fora destas novas mídias digitais. O publicitário Durango Duarte afirma ainda que este pleito regional será um dos mais caros da história, inclusive do Brasil, em que para eleger o novo governador poderão ser desembolsados em torno de R$ 120 milhões. Uma campanha multimilionária, portanto se avizinha. O que não é novidade. Entretanto, face ao poder do dinheiro, o discurso de persuasão será exaustivamente testado seja no corpo a corpo seja no debate televisivo. E, nessa matéria, estes pré-candidatos apostam todas as suas fichas. Chico Preto e Marcelo Ramos querem ser a mudança. Hissa Abrahão e Rebecca Garcia
também. Os quatro até ensaiaram fazer o diferente e apresentar um projeto inovador de como administrar o Amazonas e os anseios do povo. Mas, esbarraram nos projetos pessoais de cada um: encabeçar uma chapa majoritária. Antes aliado do grupo político vigente no Estado, Chico Preto viu num rompimento uma forma de extravasar seu desejo de pleitear uma candidatura majoritária sem ser reprimido. Marcelo Ramos e Hissa, ambos
ARTICULAÇÃO
As inserções partidárias a que as siglas têm direito todos os anos, veiculadas neste primeiro semestre que antecede o período eleitoral, têm dado o tom e o som de como serão esta campanha egressos do movimento estudantil universitário, apostam na juventude e ousadia para pavimentar suas trajetórias na política amazonense. Hissa se rebelou e, contra a vontade de seu “líder”, o prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB), decidiu apresentar seu nome como uma alternativa de gestão estadual. Ramos, usando de habilidade política, conseguiu convencer o PSB local e nacional de que seu nome é o melhor quadro da aliança PSBPPS-Rede para disputar o governo do Estado. Neste mesmo cenário, Rebecca Garcia aposta na costura de alianças entre seu partido e o PSDB, comandado no Estado por Arthur Neto e que tem como pré-candidato a presidente da República, o senador mineiro Aécio Neves. Rebecca, cujo partido integra a base aliada
à presidente Dilma Rousseff (PT), em nível nacional, quer ser palanque regional de Aécio. E não tem medido esforço nesta empreitada. Convicta, ela garante que não recuará da candidatura majoritária como aconteceu em 2012, quando, faltando menos de nove horas para as convenções partidárias, em que iria ser oficializada pelo então governador Omar Aziz (PSD) sua candidata à prefeita de Manaus, “forças ocultas” a impediram de seguir adiante. Na outra ponta, o governador José Melo e o senador Eduardo Braga duelam para mostrar ao eleitor quem é mais experiente na vida política. Ambos acreditam que a experiência adquirida nos caminhos do poder pode ser o diferencial para conquistar aquele voto, dos confins do Amazonas à cidade de Manaus. A diferença é que Braga possui uma vantagem entre todos: já foi governador duas vezes do Estado, conhece o interior e aponta para si a autoria de inúmeros projetos que considera exitosos no governo, iniciados em sua gestão, mas executados na de Omar. Melo, que sempre esteve inserido neste grupo durante mais de três décadas, quer mostrar que também sabe e pode governar. E que o grito preso em sua garganta quer encontrar eco. Diante de todo este cenário nervoso, especulativo, tenso e oculto, o EM TEMPO se propôs a mostrar ao leitor, neste domingo, quem são os políticos précandidatos que desejam governar o Amazonas por 4 anos e administrar um orçamento bilionário de um Estado em ascensão.
A5
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Pré-candidatos buscam firmar alianças eleitorais
É só gritar ‘refúgio!’, e haitianos entram no Brasil A Polícia Federal está proibida de conter a entrada dos haitianos no Brasil, como tem acontecido, sem qualquer controle, nem documentos. Entre os mais de 4 mil que chegaram este ano, pode haver criminosos comuns, fugitivos da Justiça, terroristas procurados etc, mas instruídos pelos “coiotes”, pagos para trazêlos do Haiti, apenas precisam gritar “refúgio!”, e os agentes são obrigados a permitir o ingresso no Brasil. Casa de mãe Joana Já no Brasil, os haitianos recebem “visto humanitário” de permanência, além de carteiras de trabalho com a identidade que declaram. Irresponsabilidade O Brasil, irresponsável, nem sequer faz gestões junto aos governos da Bolívia e do Peru, por onde chegam os haitianos, para exigir vistos. PF marginalizada O Ministério Público Federal e o governo paulista criaram comissão para examinar o problema dos haitianos. E excluíram a Polícia Federal. É só o começo Com estímulo inconsequente do governo, o problema deve se agravar: estudo recente mostra que 91% dos haitianos querem viver no Brasil. Vandalismo contra ônibus gera perda milionária Têm sido frequentes a depredação e queima de ônibus durante manifestações, em Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Só em 2014, foram 522 casos de vandalismo contra transporte público, quase 17 vezes
o número registrado em 2013, que foi de 31 ocorrências, com perdas de mais de R$ 3,9 milhões. Em 14 anos, as empresas contabilizam prejuízo de R$ 120,5 milhões com vandalismo. Sem seguro Ao contrário do que muitos pensam, os ônibus urbanos e rodoviários não possuem seguro, nem tampouco amparo financeiro do Estado. População prejudicada Quando incendiados, as empresas não conseguem repor os ônibus imediatamente, pois só são produzidos por encomenda. Na estrada Após ter sido vaiado em aeroporto, o enrolado André Vargas agora só viaja de carro do Paraná até Brasília. São cerca de 1,2 mil quilômetros. Engavetado O processo contra Rose Noronha, a amiga íntima do ex-presidente Lula, não anda. Apesar das 5 mil páginas, nenhum dos 18 acusados da Operação Porto Seguro foi julgado ou condenado. Salão privado Como Delúbio Soares, outro condenado do mensalão, Jacinto Lamas, também se utiliza de barbeiro em seu local de trabalho, de onde somente pode sair para retornar à cadeia, no começo da noite. Sem apoio Com os dois pés na campanha de Henrique Alves (PMDB) ao governo, o senador José Agripino (DEM-RN) descarta candidatura à reeleição de Rosalba Ciarlini: “Ela nem recorreu ao TSE, continua inelegível”. Outro mensalão
Jornalista
Na Câmara, deputados expõem nos bastidores o pânico com eventual delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que revelaria um mensalão, com grana para diversos partidos, que faria aquele do governo Lula parecer brincadeira de crianças. A história de cada um Ascendência italiana e pulso firme unem dois juízes na roda da história: Sérgio Moro, o “xerife” da operação Lava a Jato, e Aldo Moro, cinco vezes premiê da Itália, morto pelas Brigadas Vermelhas. Faltou combinar O governador João Lyra Filho está incomodado com o “abacaxi” que herdou de Eduardo Campos: a promessa de doar terreno ao lado da Arena Pernambuco para a “Cidade da Copa”, megaprojeto imobiliário da Odebrecht. É que, sem autorização da Assembleia, nada feito. Pontes partidas O chanceler Luiz Alberto Figueiredo acalmou os ânimos de movimento, liderado por dois filhos de embaixadores, disposto a “resgatar” o “prestígio perdido” do Itamaraty, numa carta aberta criticando Dilma. Briga religiosa Na tentativa de contrapor bloco comandado por evangélicos no Distrito Federal – PTN, PP, PROS, PSC e PRB –, candidatos católicos se reuniram para lançar dez candidatos a deputado distrital e um a federal. Mamãe, mamãe Os filhos da Dilma, “mãe do PAC”, avisam que, com a disparada da inflação, vão fazer vaquinha para ela ganhar um nariz de Pinóquio.
PODER SEM PUDOR
Anúncio oficial Faltava pouco para as 20h de 16 de janeiro de 1969 e musiquinha característica já encerrava a Voz do Brasil quando o locutor emendou: - O conselho aproveitou a oportunidade para aposentar os ministros Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Víctor Nunes Leal, do Supremo Tribunal Federal. Hermes Lima jamais perdoaria que três ministros do STF tenham sido informados da própria cassação pelo rádio. E ainda conseguia brincar: - “Aproveitou a oportunidade”, como disse o locutor oficial? Ora, a gente aproveita para desejar Feliz Natal ou Feliz Ano novo. Aproveitar a oportunidade para anunciar cassação, isso não!
JUSTIÇA ELEITORAL
Cresce número de votantes no país O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio, divulgou na última sexta-feira, durante entrevista coletiva, o primeiro balanço parcial do recadastramento de eleitores, encerrado no dia 7 de maio. Foi registrado um aumento de mais de 6 milhões de inscritos que estarão aptos a votar nas eleições de outubro deste ano. O número do eleitorado nacional saltou de 135.804.433 eleitores em 2010, para 141.824.607 em 2014, um
incremento de 4,43%. Outro número expressivo é o de solicitações para votar em seções especiais, por eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida. Esse dado saltou de 148.102 eleitores em 2010, para 1.047.263 em 2014, um incremento de 607,12%. Os procedimentos que devem ser adotados para atender da melhor forma esse público especial estão previstos na resolução TSE nº 21.008, aprovada em 2002. O texto determina que os locais de
votação para os deficientes tenham fácil acesso, com estacionamento próximo e instalações que atendam às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O número de pedidos de transferência do título eleitoral, nos casos em que o eleitor mudou de endereço para outro município, Estado ou país, diminuiu 47,32% em 2014, se comparado aos números de 2010. Foram solicitadas 1.130.315 transferências este ano, contra 2.138.031 em 2010.
DIVULGAÇÃO/ASSESSORIA
RUI FALCÃO, PRESIDENTE DO PT, minimizando pesquisas que deixam Dilma mal
O momento é de conversa, debates, convencimento. Nada se confirma, mas tudo se trata nos bastidores pré-convenção
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
“O pior já passou”
IONE MORENO
www.claudiohumberto.com.br
DIEGO JANATÃ
COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Cláudio Humberto
ARQUIVO EM TEMPO
A6
Chico Preto, Braga, Hissa, Melo, Ramos e Rebecca: todos almejam governar o Estado do Amazonas RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
C
ada vez menos presente em meio às crises envolvendo a presidente Dilma Rousseff (PT) no Congresso, o senador Eduardo Braga (PMDB) não parou mais desde que anunciou sua pré-candidatura em janeiro deste ano. Desde lá, tem dedicado cada final de semana a eventos que reúnem milhares de eleitores em municípios do interior, as chamadas “convenções do PMDB”. Nessa maratona de “selfies” e discursos aquecidos de tom eleitoral, Braga já passou por 13 municípios, alguns por mais de uma vez. Sempre classificando “o povo” como invocador da sua pré-candidatura, o peemedebista flerta, sem sucesso, com o PSDB do prefeito Arthur Virgílio Neto e caminha para emplacar o PT do Estado exclusivamente no seu reduto, apesar da Executiva nacional encabeçada por Rui Falcão se distanciar do assunto. Após colocar o PMDB da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) à disposição da oposição na casa, anunciou a família Castelo Branco – o deputado federal Sabino, a deputada Vera Lúcia e o vereador Reizo, todos do PTB, como novos integrantes da empreitada rumo ao Palácio do Compensa. Por outro lado, o herdeiro de Omar Aziz (PSD), o novo governador José Melo (Pros), corre para massificar seu nome e seus projetos junto
ao eleitorado. S e m direito às inserções partidárias em cadeia de rádio e TV, Melo tem apostado em submeter a máquina estadual a uma grande exposição, desde que assumiu a cadeira, sob lágrimas derramadas no Teatro Amazonas na noite do dia 4 de abril. O ex-governador Omar, na maratona de inaugurações de obras que fez antes de iniciar a sua caminhada rumo
FILTRO
A cinco meses das eleições estaduais, o clima promete esquentar na campanha eleitoral. Mas, até lá, muitas das pré-candidaturas postas serão filtradas conforme a conveniência e aliança política ao Senado, tratou de deixar claro em seus discursos e ironias que, desta vez, o grupo político que se relaciona há 32 anos terá novos rumos e, também, fissuras. Essa “quebra” da hegemonia deste grupo pode ser vista na crescente parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus, administrada pelo tucano Arthur Neto, cuja
aliança já é vista como irreversível para estas eleições. Amanhã, por exemplo, Melo deverá assinar um repasse de R$ 100 milhões ao Executivo municipal que serão investidos pelo tucano em obras de infraestrutura na cidade. Unidade Quem começou a discussão eleitoral defendendo uma “unificação” e não a quebra do grupo foi o exprefeito Amazonino Mendes (PDT), que agora se divide numa agenda de encontros entre Pros-PSD e PMDB. Se dependesse da cúpula do partido, Amazonino já estaria com Braga nas “convenções” pelo interior e, também seria o candidato ao Senado pela chapa. Mas o “Negão”, agora “consultor”, prefere esperar mais para ser decisivo na indicação de seu candidato ao governo. Desejo Após a tumultuada desistência à competição pela Prefeitura de Manaus em 2012, a deputada Rebecca Garcia (PP) tem carta branca dos progressistas para articular com quem quer seja a sua pré-candidatura e vê no PSDB de Arthur a chance surfar pela popularidade do tucano. O prefeito, apesar de distante do assunto “eleições”, não esconde a proximidade à progressista e assiste com empatia a maratona de encontros entre Rebecca e o presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), com quem ela articula uma recepção nos palanques.
Assédio em torno de Arthur Neto Arthur Neto também tem sido paquerado pelo seu viceprefeito Hissa Abrahão (PPS) que, num impulso de rebeldia, bateu o pé e tem afirmado que vai sair candidato ao governo, mesmo causando a ira do tucano. Distante da máquina municipal, Abrahão flertou com a chapa PSB-Rede, mas não conseguiu o acordo ideal e continua se declarando para Virgílio. Apesar de trabalhar com menos holofotes e “selfies”, Hissa não para de se articular e faz misteriosas viagens ao interior. Durante a passagem do presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) pela Câmara Municipal de Manaus
(CMM), no final de abril, o socialista mostrou um tom ainda desconhecido quando fez ecoar pela casa que irá combater os “faraós” da política amazonense. Próximo dali estava o deputado e pré-candidato ao governo, Marcelo Ramos (PSB), que é apadrinhado da pré-candidata a vice-presidente na chapa de Campos, a ex-senadora Marina Silva (PSB). Ramos se diz favorecido nesta disputa por não ter em seu “DNA” nenhum vestígio do grupo político. Da oposição para a pré-candidatura, Marcelo Ramos irá figurar ao lado do ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) e aposta num discurso
do tímido crescimento da economia amazonense. Classificada pelo deputado estadual Belarmino Lins (PMDB) como um “voo supersônico”, a pré-candidatura de Chico Preto (PMN) permanece tímida, mas começou a ser pensada há muito tempo, desde quando deixou o PSD de Omar e a liderança da maioria na Assembleia Legislativa para dar início a maratona de discursos em críticas ao governo. O deputado não irá à TV, nem decidiu se irá manter ou retirar a barba durante a campanha, mas, em meio ao difícil cenário deste ano, pode surfar pela onda de dúvidas sobre o que serão estas eleições.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
A7
Marcelo SERÁFICO
‘A PRÁTICA DE BUSCAR A POPULAÇÃO EM PERÍODO ELEITORAL CONTINUA’
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
P
Lamentavelmente, a política no Amazonas, assim como em outras regiões do país, tem sido marcada por uma continuidade surpreendente. Porque mesmo quando há aparentes rachas de grupos, logo elas se aproximam e reconstituem as mesmas linhas de ações”
rofessor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o sociólogo Marcelo Seráfico é um dos profissionais mais respeitados de sua área de atuação. Com opiniões fortes, quanto ao período político vivenciado pelo Amazonas, Seráfico, conversou com a reportagem do Amazonas Em Tempo, nas instalações da Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas (Adua), localizada no Campus da Ufam e avaliou aspectos que poderão influenciar o pleito eleitoral de outubro. Identificando problemas crônicos da política praticada no Estado, o sociólogo, criticou a postura adotada por velhos conhecidos do processo, que usam da companhia do povo apenas nos períodos pré-eleitorais. “Você passa 3 anos deixando de lado o interior e no último ano você começa a fazer bondade. Difícil é identificar o candidato que vem construindo ao longo da sua militância um movimento intenso voltado para esse povo, que já está atento ao candidato que só aparece na cidade para pedir votos”. EM TEMPO - Para o senhor, qual é a principal característica da política praticada no Amazonas? Marcelo Seráfico – Lamentavelmente, a política no Amazonas, assim como em outras regiões do país, tem sido marcada por uma continuidade surpreendente. Porque mesmo quando há aparentes rachas de grupos, separação de pessoas que nasceram no mesmo berço, logo elas se aproximam e reconstituem as mesmas linhas de ações. Agora o que eu acho importante, e que é necessário investigar mais quais são as bases dessas rearticulações. Porque geralmente as análises são concentradas em momentos eleitorais e todos expressam uma preocupação muito grande sobre quem vai ser eleito. As pesquisas de opinião vão sendo realizadas e a gente esquece que o fundamental é entender como essa escola de política se mantém ao logo do tempo; quais são as bases sociais que subsidiam a eleição desses sujeitos, e como é que elas são mantidas. EM TEMPO - O que leva a população a colaborar com a sobrevivência desses grupos do qual o senhor se refere? MS - Essa é uma pergunta que só pode ser dada por
meio de uma investigação minuciosa. Temos que levar em consideração quais são e onde estão os redutos eleitorais dessas pessoas. O que está visível é a relação de extrema dependência formada envolta de certos nomes e partidos políticos. Houve algumas situações, onde eles foram postos à prova, mas, mesmo assim na época terminaram sem grandes apoios. Isso aconteceu quando o atual prefeito Arthur Neto foi eleito prefeito no final dos anos 80 e o segundo quando o então candidato Serafim Corrêa foi eleito prefeito. Nos dois casos que citei, temos que nos perguntar quais foram as dificuldades daqueles que se propunham a mostrar o novo, de afirmar esse projeto. Afinal, quais foram os limites que eles encontraram de romper com um ciclo de reprodução do meio político, que já atua no Estado por mais de 30 anos. Nós estamos talvez devendo uma explicação para isso, afinal quem é e como esse grupo se reproduz no poder? Usa de que estratégias? O que faz com que as pessoas sejam levadas a votar neles e não em outros? Isso tem alguma relação com o domínio de várias esferas do governo? Tem relação com articulação no plano do Legislativo, que assegura a eles a manutenção de políticas? EM TEMPO - O período é de se levantar bandeiras, qual delas o senhor acredita que será a preferida dos candidatos? MS - Me parece até surpreendente a necessidade de se forjar alternativas econômicas para o Amazonas. É um assunto que insistentemente volta à pauta: a articulação em torno da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga os benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM) é um exemplo. Já existe certo atrito dos nossos representantes em Brasília porque todos eles querem ser pais da criança. Então isso é curioso, geralmente o sujeito procura ser livre, pede exame de DNA. Mas, no caso da Zona Franca, que tem uma costa larguíssima, todo mundo quer associar a própria imagem no conjunto de incentivos que depende muito menos do interesse local e mais dos interesses das grandes indústrias ins-
taladas aqui. É curioso como de repente os parlamentares, políticos de uma maneira geral, se convertem em embaixadores da economia. EM TEMPO - Em sua opinião, qual seria o discurso mais coerente a ser praticado pelos candidatos quanto à economia do Estado? MS - Quais são as alternativas para o modelo da Zona Franca? Houve duas iniciativas de se emplacar esse tema nos últimos anos: a primeira foi o ‘Terceiro Ciclo’, algo que nem se pode intitular como projeto. Outra medida foi o ‘Zona Franca Verde’, que aparentemente não tem resultado na projeção das atividades agrícolas, o tal bacalhau da Amazônia não deixa claro qual é a cadeia produtiva, quem está se beneficiando dela. É preciso essencialmente que eles mudem esse discurso que é quase mágico, de cifras gigantescas e se dediquem a pensar no simples, que vai da melhoria na infraestrutura viária até o uso dos rios para alavancar setores de produção, turismo e outros. EM TEMPO - Quais são os questionamentos que o eleitor deve fazer aos postulantes ao governo, em especial àqueles que já ocuparam cargos de comando? MS - Uma das coisas que deve ser cobrada dos candidatos é o que fizeram para reverter esse constrangimento, que é a profunda dependência de um único instrumento econômico. O que fizeram e o que pretendem fazer para superar os péssimos indicadores sociais que nós temos? Nós temos uma alta concentração de renda na capital, concentração de renda espacial em alguns bairros da cidade, problemas gravíssimos relativos à educação e à saúde, saneamento nem se fala. Transporte, infraestrutura. Isso tudo tendo tido políticos daqui, exercendo papel de ministros da Casa Civil, ministros dos Transportes e agora líder do governo. EM TEMPO - Se a falta da resolução de problemas básicos vividos por quem está em Manaus e no interior não está em um isolamento político do Estado. Para o senhor está onde? MS - O problema não parece estar relacionado com o lugar em que esses sujeitos estão, é mais com os compromissos que de fatos eles assumem. Daí surge uma hipótese desconfortável, talvez a manutenção dessas condições pre-
cárias sejam pré-requisitos para a reprodução deles nos lugares em que estão e para a própria ascensão dentro do poder, o que é dramático. Porque se for assim, como imaginar o surgimento de outros quadros? É difícil que esses sujeitos tomando conta das lideranças partidárias permitam que outras forças que não se ajustam nessa temática ascendam. EM TEMPO - Dos nomes que já se mostraram dispostos a disputar o governo em outubro, o senhor aponta algum que possa surpreender? MS - O deputado Marcelo Ramos, talvez seja o que mais represente uma tentativa de mudança, só não consigo ver ainda a base social que ele representa. As forças que movem a candidatura do Marcelo Ramos são quais? Agora estamos falando de uma eleição estadual e não municipal, então é preciso saber quem vai levá-lo adiante. Porque são eles, que lá no futuro vão cobrar suas iniciativas. EM TEMPO - A fase de caravanas ao interior começou com força total, essa é uma boa estratégia para angariar votos? MS - O que eu vejo é que a prática de buscar a população, apenas em período eleitoral continua. Você passa 3 anos deixando de lado o interior e no último ano você começa a fazer bondade. Difícil é identificar o candidato que vem construindo ao longo da sua militância um movimento intenso voltado para esse povo, que já está atento ao candidato que só aparece na cidade para pedir votos. EM TEMPO - O que um candidato precisa para governar o Amazonas e quais as principais qualidades que a sociedade espera dele? MS - Já está claro que as alianças políticas são imprescindíveis para o espaço e a visibilidade que esse candidato precisa ter, mesmo que ela atualmente não esteja se formando em prol de um projeto para a sociedade. O apoio financeiro também pode ser considerado outro fator importante. Um candidato que encarne a transparência, se mostrando preparado para revelar quem são os interessados em ajudar na manutenção da ordem pública e insira nas pautas as minorias, que com o passar dos anos tem sido deixada às margens, sem dúvidas seria olhado com outros olhos por aqueles eleitores mais desconfiados.
O deputado Marcelo Ramos, talvez seja o que mais represente uma tentativa de mudança, só não consigo ver ainda a base social que ele representa. Que forças movem sua candidatura”
Já está claro que as alianças políticas são imprescindíveis para a visibilidade que esse candidato precisa ter, mesmo que ela atualmente não esteja se formando em prol de um projeto para a sociedade”
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Braga e Rebecca duelam para governar o Estado FOTOS: REPRODUÇÃO/FACEBOOK
Adversários, a deputada costura apoio do prefeito Arthur Neto. Braga cerca aliados e não aliados para fortalecer seu nome
Com formação intelectual bem delineada, Rebecca Garcia já formata seu programa de governo RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
A
dversários desde 2012, quando recuou de sua pré-candidatura à Prefeitura de Manaus, a deputada federal Rebecca Garcia (PP) e o senador Eduardo Braga (PMDB) disputam a “unhas e dentes” o apoio, nos bastidores, aos seus nomes para estas eleições. Rebecca conta com sua mocidade e habilidade para reunir alianças. Braga, que está no auge da carreira política, tem em seu favor a experiência, além de já ter sido governador por duas vezes. Os dois romperam e uma aliança entre ambos é descartada veemente pela deputada. Após atuar por 6 anos e três meses na Câmara Federal e por pouco menos de um ano na Secretaria do Governo de Omar Aziz (PSD), Rebecca afirma que agora, aos 41 anos, se sente “preparada” para disputar o governo estadual. A progressista, que não emplacou a sua candidatura à Prefeitura de Manaus, em 2012, garante que desta vez vai levar aos eleitores seu projeto de gestão para o Estado. Nos bastidores, articula aliança com o PSDB. A pré-candidata afirma que as negociações em torno de quem será vice na sua chapa ainda não terminaram. Essa será possivelmente uma indicação do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), que caminha para suplementar o palanque de Rebecca com seus altos índices de popularidade. A tabelinha com o PSDB se mostra ainda com o presidenciável Aécio Neves, senador mineiro que se prepara para enfrentar a presidente Dilma Rousseff (PT) nas urnas, com quem a deputada tem estreitado cada vez mais as relações e mantido regulares reuniões. “Sonhamos com muitos nomes, mas isso ficará a cargo de prefeito, que, com certeza, irá debater com todos
antes da escolha”, antecipou a précandidata. Graduada em Economia em Boston, nos Estados Unidos, Rebecca Garcia tem feito uma maratona de reuniões com economistas aliados aos tucanos para preparar um pacote em que defenderá, “em números”, alternativas econômicas para o Estado. O programa defenderá investimentos em logística nacional e internacional e a potencialização do
DIVULGAÇÃO
Rebecca Garcia defende o aumento “exaustivo” da transparência nas contas públicas como forma de coibir a corrupção. Com isso, frisa, o povo brasileiro pode voltar a acreditar na política setor primário. Para garantir o fôlego orçamentário necessário para essas empreitadas, a progressista, filha do ex-senador Francisco Garcia, diz apostará no modelo de gestão administrativa que tem dado bons resultados nos governos de Minas Gerais e de Pernambuco: a redução do peso financeiro da máquina estadual. A famosa “reforma administrativa”, segundo ela, começa na mudança do pensamento do órgão público, que precisa ser encarado de forma institucional, com resultados estatísticos e “não políticos”. A manauense que compromete uma hora por dia para praticar exercícios físicos diz que acredita na criação
de alternativas sociais para a juventude, revertendo os índices de criminalidade entre adolescentes. Rebecca tem articulado em Brasília um projeto para criação de academias ao ar livre que já inaugurou 12 unidades na capital e no interior e espera mais 60 para serem liberadas até o fim deste ano. Graduada também em Cinema e História da Arte nos EUA, a parlamentar quer inovar no setor cultural do Estado. Ela afirma que as políticas voltadas para a cultura encontramse “elitizadas” e distantes de uma democratização. EM TEMPO - Por que a senhora quer ser governadora? Rebecca Garcia - É algo que tenho me preparado. Entendo que fazer parte da política tem como objetivo melhorar a cidade, o Estado e a vida dos que moram ao redor. Ao longo dessa trajetória, você acaba percebendo que é no Executivo que as coisas acontecem. EM TEMPO - Então, na Câmara, a senhora não consegue representar como queria? Rebecca Garcia - Foi fundamental a experiência que tive na Câmara. Lá, entendemos como funciona a tramitação dos projetos e como o Legislativo é importante no processo. É bom entender como é a movimentação em Brasília, mas sempre mantive contato direto com os amazonenses. EM TEMPO - Quem é a Rebecca longe da política? Rebecca Garcia - Sou alguém que gosta muito de experimentar coisas diferentes, lugares que nunca estive antes, comidas diferentes. Aqui no Amazonas, meus lugares favoritos são aqueles que têm mais espaços naturais, com rios, próximo à cultura do nosso Estado.
Adepto de uma nova forma de se ver: os “selfies”, Braga quer reconquistar o mandato Executivo
Senador aposta na experiência Há 31 anos na política amazonense, o senador Eduardo Braga já passou por todas as esferas da carreira política e agora, aos 54 anos, e líder da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado, quer voltar a governar o Estado, posição que já ocupou por 7,5 anos. Nessa corrida, tem concentrado esforços no interior, por onde já percorreu 13 municípios, atraindo milhares de eleitores às convenções do partido. Natural do Pará, casado com Sandra Braga e pai de três filhas, Brenda, Bruna e Bianca, Braga vem de uma família de empresários. Formado engenheiro elétrico pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ele ingressou na política aos 21 anos, quando foi eleito vereador de Manaus. Em seguida, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), onde já exercia posição de liderança, relatando a Constituição do Estado. No início da década de 90, se elegeu deputado federal. Dois anos depois, inicia sua trajetória pelo Executivo na condição de vice-prefeito de Amazonino Mendes (PDT). Em 1994, Braga assume a Prefeitura de Manaus com a eleição de Amazonino ao governo. Neste período começa a história de “amor e ódio” entre os dois políticos. Em 1998, o senador se via na oposição, disputando o governo com seu criador e conhecendo o amargor da derrota. Nas eleições de 2000, quando buscava se eleger pre-
feito, Braga novamente perde, desta vez para o candidato do “sistema”, Alfredo Nascimento. Entretanto, essa “briga” entre Braga e Amazonino deu uma trégua nas convenções partidárias de 2002. Naquele 30 de junho, o então governador do Estado anunciou como candidato à sua sucessão seu ex-desafeto: Eduardo Braga. Eleito com 52,4% dos votos pelo PPS, o novo governador iniciava sua trajetória no governo do Estado e, não tardou para abandonar a sigla, migrar
CONFIANÇA
No auge da carreira política, Eduardo Braga não teme deixar o Senado e a liderança do governo Dilma. Para ele, a melhor expressão de um mandato é estar no Executivo estadual para o PMDB e, consequentemente, tomar para si o controle da legenda que até então era comandada pelo ex-senador Gilberto Mestrinho, já morto. Reeleito governador e, posteriormente senador em 2010, Braga estava disposto a se destacar no cenário federal. Conseguiu. Em 2013 foi alçado a líder do governo Dilma no Senado, posto que foi ocupado por muitos anos pelo colega de partido, Romero Jucá (RR). Aliados políticos ao senador afirmam que ele se destaca pelo perfil de estudar exaustivamente
questões antes de tomar decisões. Segundo o secretário-geral do PMDB, Miguel Capobianco, que atua na coordenação da Copa em Manaus do governo José Melo, exemplos disso são os projetos que devem compor a campanha do senador neste ano, como o Proama, o Prosamim, a avenida das Torres e a ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município de Iranduba e adjacências. “Tive oportunidade de trabalhar no governo dele e de outros governadores. Ele tem sido um político de grande visão administrativa, com um olhar específico, nas questões de desenvolvimento social. Foram muitas as ações que perpassaram mais de um governo. Como administrador, é uma pessoa que procura estudar muito, é o que eu posso dizer”, disse Capobianco. Interlocutores do senador afirmam também que o que deve diferenciar Braga dos demais candidatos é a preferência por temas ligados à comunidade e aos interesses sociais. “Ele (Braga) tem perfil de quem gosta de resolver primeiro as dificuldades do povo, de quem passa por dificuldades, é uma marca não só verbal, há ações espalhadas pelo Amazonas que exemplificam isso”, disse um aliado. A reportagem tentou, por dois dias consecutivos, contato com Eduardo Braga, sem sucesso. Na última sexta-feira, ele chegou em Manaus e foi direto cumprir uma agenda no município de Santa Isabel do Rio Negro.
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
A9
Modus diferentes colocados em ‘xeque’ na urna eleitoral Melo afirma ter o necessário para fazer o Estado avançar mais, sobretudo, na educação. Hissa diz ser a via diferenciada
A
Perfil Entre 1970 e 1984 trabalhou na Universidade do Amazonas em várias funções, entre elas as de datilógrafo e diretor do Departamento de Educação e Desportos; foi interino na SubReitoria para Assuntos Acadêmicos, membro do Conselho Universitário e assessor para Assuntos Acadêmicos. Ingressou na política pelas mãos do ex-governador Amazonino Mendes (PTB), que o convidou para compor uma chapa no cargo de deputado federal, onde ficou entre os mais votados e conseguiu a reeleição. Em 1995 assumiu a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Desportos do Amazonas. Esteve à frente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas e da Secretaria de Estado de Coordenação do Interior (Seint). Em 2002, foi eleito deputado estadual. Em 2005 foi presidente da Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH). Em 2006, assumiu a Secretaria de Governo do Amazonas (Segov), onde permaneceu até abril de 2010, quando se desincompatibilizou para concorrer à vaga de vice-governador.
José Melo acredita que agora chegou a sua vez de governar o Amazonas e aposta no passado político para conquistar o posto
Educação para melhorar o Amazonas EM TEMPO- Qual foi o momento que o senhor decidiu colocar o seu nome para disputar o governo? José Melo – Ao longo desses 32 anos de vida pública fui vendo as coisas acontecerem no Amazonas. Vi governadores acertarem e também vi muitos governadores errarem. Acumulei experiência e criei dentro de mim um sentimento de que tudo que
DIVULGAÇÃO
tual governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (Pros), 67 anos, diz que “chegou a sua vez”. Economista formado pela Universidade do Amazonas (hoje Universidade Federal do Amazonas) foi eleito vicegovernador ao lado de Omar Aziz (PSD), em outubro de 2010 e agora se diz mais do que preparado para assumir a cadeira por meio do voto popular. Em abril deste ano, José Melo assumiu definitivamente o posto de governador após a renúncia de Omar Aziz para disputar uma vaga ao Senado Federal e “com a máquina na mão” vem demonstrando sinais de quem irá dar trabalho nesta disputa eleitoral. Apontado como o principal adversário do senador Eduardo Braga (PMDB), professor José Melo, como é conhecido, disse que ajudou Braga a se eleger e também colaborou com a vitória de Aziz, e, portanto, nada mais justo do que ser o “nome da vez”. Para realizar o sonho de ser governador no ano passado, deixou o PMDB, que é liderado pelo senador Eduardo Braga, para fundar o Partido Republicano da Ordem Social (Pros), onde é presidente. No entanto, Melo diz que seu desligamento não ocasionou arranhaduras na relação que mantém com o senador. “Não somos inimigos, apenas adversários políticos”, comenta. Filho de seringueiros, nascido em Juruá, Melo foi alfabetizado apenas aos 11 anos. Torcedor do Flamengo e do Nacional, ele também é torcedor do boi-bumbá Garantido. Professor, Melo lecionou História no Ginásio Estadual Estelita Tapajós e também na antiga Escola Técnica
Federal do Amazonas, e promete ter a educação c o m o uma das principais bandeiras de campanha. Ele iniciou a vida pública em 1967. “Acredito que a mudança deste país está toda na educação, e este será sempre o meu xodó”, disse.
IONE MORENO
ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
sou foi fruto do esforço do povo do Amazonas. Foi aí que decidi retribuir. Quero ser governador para aprimorar as políticas públicas para Educação e dar a este segmento a importância que ela merece. Sonho também em criar outra Zona Franca de Manaus, através da biodiversidade que temos na região. Não estou entrando na disputa apenas por vaidade.
Vejo poucos pré-candidatos falando sobre o interior e o potencial que essas regiões poderão influenciar para os nossos filhos. Outra característica minha é que sou uma pessoa do diálogo, não trato mal ninguém e nem levanto a minha voz, mas isso não quer dizer que eu seja um fraco e não tenha pulso firme. Faço isso de forma terna.
Ousadia e vontade política O mais novo entre os précandidatos ao governo, Hissa Nagib Abrahão Filho, 33 anos, promete ser nesta eleição a grande surpresa das urnas. Atual vice-prefeito de Manaus, Hissa usa o discurso da “renovação política” como carro-chefe da sua candidatura. Formado em Economia, e pós-graduado em Gestão Empresarial iniciou na militância política aos 16 anos, quando foi presidente da União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA). Ingressou na política aos 19 anos, quando se candidatou ao cargo de vereador, mas não obteve êxito. Em 2008, porém, foi eleito vereador com 2.338 votos. Envolvido em lutas pelo direito da população de baixa renda, foi um dos mais jovens vereadores da Câmara de Manaus. Em 2010, concorreu pela primeira vez ao cargo de governador do Estado e obteve 158 mil votos, ficando em terceiro lugar no ranking do pleito. Com votação expressiva, foi considerado a revelação da política amazonense e dois anos depois foi convidado, pelo então candidato a prefeito Arthur Neto (PSDB), para se unir a ele em uma
Hissa aposta em seu ímpeto de mudança para sair vitorioso pela corrida ao governo do Estado
EM TEMPO – O que o senhor tem de melhor diante dos outros candidatos? José Melo – O meu conhecimento. Experiência, por experiência muitos candidatos têm, mas acredito que o diferencial será o conhecimento. Sou uma pessoa que tem um profundo amor pela Educação e não vejo nenhum outro pré-candidato falando sobre isso.
disputa municipal. “Havia lançado meu nome para o cargo de prefeito, mas fui procurado de oito a dez vezes pelo então candidato a prefeito Arthur Neto para formar com ele uma chapa, e acabei me convencendo”, comentou Hissa. Vitoriosos nas eleições de 2012 com 65% dos votos, Hissa e Arthur viveram no primeiro ano de gestão um relacionamento de grande parceria, mas em dezembro do ano passado, ocorreu um racha entre os dois gestores. Arthur achou ousada a proposta de Hissa em se lançar candidato ao governo. “Em um ano fizemos uma renovação grande no setor de pavimentação da cidade, a população percebeu a diferença. Eu poderia ter feito mais, só que peguei uma pernada, mas estou conseguindo me reerguer. O povo do Amazonas está me ajudando a empurrar essa cadeira de rodas”, disse. Firme no propósito de ser governador do Amazonas, Hissa tem iniciado as visitas ao interior do Amazonas, mas afirma que são apenas ações para o fortalecimento do partido socialista, onde exerce a função de presi-
dente municipal. Na semana passada esteve em Manaquiri, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Nova Olinda do Norte e Autazes. Ímpeto de mudança EM TEMPO – Como iniciou o seu interesse em entrar na disputa ao governo? Hissa Abrahão - Todo mundo que entra no meio político deseja sempre poder fazer mais pelo seu Estado e comigo não foi diferente. Sonho sim, em ser governador do Amazonas. Esta será a minha segunda tentativa. Sei que me criticam pelo ímpeto de mudança que tenho, mas sei que posso fazer a diferença. EM TEMPO – O que irá lhe diferencia dos demais pré-candidatos? Hissa Abrahão - O povo vive um clima de mudança e não querem candidatos com megaestruturas de campanha, e sim postura. E eu venho com esse propósito, isso sim vai fazer a diferença nas urnas. Estou me preparando com ideias e projetos. Quero implementar ideias de compromisso com a gestão pública e os servidores.
A10
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Oposicionista na Aleam, Marcelo Ramos é o único representante do PSB na casa. Nacionalmente, sua cadidatura é apoiada pelo pré-candidado à Presidência da República Eduardo Campos (PSB-PE)
Atuante na Aleam, Chico Preto trocou de partido a fim de concorrer ao pleito eleitoral, que irá eleger o próximo governador do Amazonas
Audácia e juventude entram na disputa pelo voto popular Marcelo Ramos e Chico Preto colocam à disposição dos eleitores propostas de cunho tecnológico e inovador para o Amazonas JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
D
os oito principais postulantes ao governo do Amazonas, dois integram o corpo de deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Chico Preto (PMN) e Marcelo Ramos (PSB) já confirmaram suas pré-candidaturas e sinalizam vontade e confiança para vencer o desafio. Eles apostam em campanhas voltadas para o diálogo e compromisso com a sociedade. A vida política da dupla tem em comum, a ruptura com seus partidos de origem. Trazendo na bagagem a militância em movimentos estudantis, Marcelo Ramos (PSB) é dono de discursos que movimentam a Aleam. A postura de oposição lhe rendeu o respeito do seu partido, que o escolheu para representá-lo no pleito de outubro. Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas com 22 anos, Marcelo é pósgraduado em Direito Processo Civil pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Advogado na área trabalhista e sindical, professor de Direito do Trabalho e Direito Civil, Ramos ingressou na política por meio do movimento estudantil secundarista. Foi presidente do Grêmio Lassalista do Centro Educacional La Salle em 1991 e posteriormente tornou-se presidente do Centro Acadêmico de Direito da Ufam. Em 2004 concorreu a uma cadeira na Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde foi suplente e assumiu a vaga em 2007. Ramos ocupou ainda cargos no serviço público. Foi subsecretário municipal de esportes em 2005 e chefe de gabinete do Departamento de Relações Internacionais do Ministério do Esporte em Brasília em 2006. Em 2007 retornou a Manaus para assumir o mandato na CMM. Dois meses depois de assumir a cadeira, se licenciou do cargo para se tornar presidente do Instituto Municipal de Transportes Urbanos (IMTU), onde permaneceu até abril de 2008, quando reassumiu o cargo de vereador, para o qual foi ree-
leito com mais de cinco mil votos. S u a ida para a Aleam ocorreu em 2010, quando 19 mil votos lhe renderam o status de único representante do Partido Socialista Brasileiro (PSB) na Casa. Sua participação em comissões internas é intensa. Ramos é presidente da comissão de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana e membro das comissões de Esporte, Lazer e Juventude; Comissão de Constituição, Justiça e Redação; Comissão de Gestão e Serviços Públicos e Comissão
MUDANÇA
Os dois pré-candidatos deixaram as siglas às quais pertenciam para lançarem-se em partidos que apoiassem suas propostas de mudança, por meio de outros cargos dentro da hierarquia política de Segurança Pública. O plano de governo de Ramos está sendo formulado em reuniões com integrantes do PSB e, segundo ele, é estruturado em três pilares básicos: transparência, eficiência administrativa e participação popular. “Não abrimos mão desses preceitos, entendemos que é tudo o que tem faltado para as administrações anteriores”, comenta. O pré-candidato ressalta ainda que outros cinco itens terão lugar cativo no projeto que está sendo pensado. A proposta é da implantação de um pacto pela educação, de mecanismos que otimizem os serviços de saúde pública, de projetos que ajudem o município a gerenciar os problemas de infraestrutura, além de políticas que valorizem os profissionais ligados à segurança pública e a mobilidade urbana.
Desenvolvimento humano EM TEMPO: No que seu projeto de campanha difere dos demais? Marcelo Ramos: O grupo que mantém alternância no poder há mais de 30 anos deixou um legado extremamente negativo para o Estado e nos diferenciamos dele porque queremos melhorar os índices de desenvolvimento humano e educacional do Amazonas. Queremos valorizar os professores e policiais como eles não fizeram, queremos montar estratégias para a gerência da saúde, que está sem controle. Também pensamos nas hidrovias como alternativa de reforço para o Polo Industrial
de Manaus, pretendemos dar fim a crises na energia e na comunicação. EM TEMPO: Por que o eleitor deve lhe dar um voto de confiança? Marcelo Ramos: Porque sou o único candidato que não tem esse grupo no DNA. Represento a mudança que a população almeja, não tenho dúvidas de que o momento histórico exige de mim uma atitude de desprendimento e coragem. Exige de mim oferecer ao povo do Amazonas uma alternativa de mudança e renovação. Uma alternativa que resgate a esperança das pessoas na boa política.
Área de tecnologia é ponto convergente em ambas as propostas
Figura política ‘consistente e madura’ Chico Preto é cria do PMDB, legenda comandada pelo senador Eduardo Braga, com o qual disputará o cargo. Mas, em 2013 surpreendeu ao romper com o grupo e ingressar no Partido da Mobilização Nacional (PMN), onde é presidente estadual. Um dos motivos alegados pelo parlamentar foi a falta de espaço dada à sua vontade de disputar o governo do Estado na eleição deste ano.
A defesa de sua candidatura é feita com base em preceitos de combate às drogas, reinserção da família ao ambiente escolar e a criação de oportunidades de lazer. Chico sustenta que pretende fazer uma campanha de diálogo e convergência com a sociedade. Conforme a secretária nacional do PMN, Telma Ribeiro, a escolha do deputado para representar o partido tem como principal objetivo pro-
porcionar aos eleitores uma nova possibilidade. “É uma figura consistente e madura”, ressaltou ela. O pré-candidato também quer unir juventude e experiência para dar “um olhar especial” às necessidades do interior. Segundo ele, seu plano de governo dará à sociedade propostas de melhorias nos setores básicos do serviço público, tais como educação, saúde e infraestrutura.
Em 2006 conquistou a suplência para o cargo de deputado estadual, alcançando a nomeação em 2008 e sendo eleito dois anos depois para o segundo mandato. Durante sua atuação como vereador, foi responsável por 13 projetos de lei, aprovados e sancionados. Na Aleam conseguiu emplacar 18 projetos, sendo o que institui 5% das unidades habitacionais a pessoas com deficiência o mais importante.
Setor primário como uma das prioridades EM TEMPO: No que seu projeto de campanha difere dos demais? Chico Preto: Nossa campanha terá foco no desenvolvimento. Diferente das outras gestões que muito prometeram para o setor primário, queremos alavancar o poder econômico deste segmento. Sonho em ver o Amazonas para o peixe, como o Mato
Grosso é para a soja. Faremos isso com base na consolidação de uma telecomunicação eficaz. Ela será a chave de tudo, porque por meio de uma boa conexão de internet, um sistema de telefonia que funcione, poderemos agilizar a liberação de recursos, aperfeiçoaremos a educação, saúde e mesmo a transparência que são extremamente ligados ao setor.
EM TEMPO: Por que o eleitor deve lhe dar um voto de confiança? Chico Preto: Por que tenho o compromisso de tirar o Estado do abandono e estou habilitado, por meio dos meus mandatos de vereador e deputado estadual, a fazer isso. Quero levar as políticas públicas para outro nível, acabar com o uso das secretarias
como moeda de trocas política. Tenho certeza que em quatro anos, com articulações junto ao governo federal e empresários, poderemos mudar os rumos econômicos do Estado. Pretendemos ainda diminuir o tamanho da máquina pública, atualmente 6 mil cargos comissionados fazem com que ela fique pesada, mas de forma responsável.
Política A11
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
FOTOS: DIVULGAÇÃO
1992
Chico Santa Rita (no destaque) foi o marqueteiro do grupo político de Amazonino Mendes, que fez a lição de casa e todos – Eduardo Braga, Alfredo Nascimento e Omar Aziz –, chegaram ao poder
MARKETING POLÍTICO
É fundamental, mas não faz milagres MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
L
embram do Lula candidato nas três primeiras eleições em que foi derrotado nas urnas? Barba rebelde, cabelo desgrenhado, testa franzida, semblante carregado, voz raivosa e ternos malcortados. Comandava um partido que exagerava na cor vermelha até então associada ao comunismo, o que espantava os votos dos conservadores. Foi o trabalho do marqueteiro Duda Mendonça, em 2002, que transformou o “Lula não estou muito bem hoje” no “Lulinha paz e amor”. A despeito dos acontecimentos do mensalão, Duda fez um trabalho magnífico e ninguém deve colocar em jogo sua competência profissional. O visual do candidato mudou radicalmente. Lula passou a aparecer com a barba bem aparada, cabelo cortado por grandes profissionais cabeleireiros, ternos bem cortados e camisas com colarinho inglês. Passou a sorrir mais, falar mais suavemente e o material de campanha do PT manteve a estrela vermelha, mas carregou no fundo branco que deu um toque de suavidade ao visual da campanha. Comparando o ano de 2002 com os anteriores (1989, 1994, 1998) salta aos olhos uma grande mudança na imagem do presidente Lula, principalmente, no peso corporal, nas roupas, na barba e no cabelo. Em 2002 Lula venceu as eleições presidenciais, concorrendo com José Serra (PSDB/PMDB). No primeiro turno, Lula teve 46,44% dos
votos contra 23,19% de Serra. No segundo turno, Lula garantiu a vitória com 61,27% dos votos. Na campanha às eleições municipais de 1992, que foi vencida inteligentemente por Amazonino Mendes, o candidato montou uma equipe de peso em Manaus e recebeu a assessoria do pioneiro do marketing político, Chico Santa Rita. Naquela época, Santa Rita já dizia que, num futuro bem próximo, seria quase impossível fazer uma campanha sem um marqueteiro. De 15 em 15 dias, Chico Santa Rita vinha em Manaus e fazia uma reunião em uma das salas da Oana Publicidade. Primeiro conversava com o candidato, depois com a equipe de jornalistas e publicitários. Avaliava a estratégia dos adversários, e dizia onde Amazonino tinha avançado e onde estava errando. O candidato, por mais incrível que possa parecer, ouvia e fazia a lição de casa direitinho, coisa rara nos políticos que geralmente “sabem tudo” e “nenhum assessor sabe nada”. Amazonino soube ouvir e derrotou nas urnas José Dutra, candidato do então governador Gilberto Mestrinho, do prefeito Arthur Virgílio Neto e de 70% dos veículos de comunicação de
Durango: Amazonas tem a eleição mais cara do Brasil, proporcionalmente
Manaus, numa das mais duras eleições da história da capital. De acordo com Santa Rita, toda campanha necessita de um acompanhamento atento, capaz de antever facilidades ou problemas de percurso, para acelerar ou frear nos momentos adequados. — Quem faz isso é o candidato? Não. É isso o que o marketing político faz. O candidato vai para a rua, para os encontros, para o corpo a corpo, para as atividades que ninguém pode fazer por ele. É esse entendimento que muitas vezes falta nas campanhas eleitorais, com a presença do político ‘faz tudo’ e ‘sabe tudo’. – explica. Para ele, entre os políticos também há muita desinformação. “Ora se entende que esse trabalho é capaz de realizar milagres; ora se desdenha da sua eficácia. Nem lá, nem cá” explica. Para o diretor-presidente da Perspectiva e Marketing, Durango Duarte, no mercado de
Manaus já existe, de fato, o profissional de marketing político no Amazonas e não apenas agências de publicidade que enriqueceram montando campanha para político, como há 10 anos. Ele garante que algumas pessoas já atuam nessa atividade em Manaus, “seja por sua experiência histórica ou por formação acadêmica”. — Mas, ainda é um universo muito pequeno. E sobre as agências, não existe nenhuma em Manaus que tenha um profissional especializado em marketing político. Durango avalia que a relação entre o marketeiro e o candidato deve ser profissional e equilibrada. Isto é, não necessariamente o candidato tem que obedecer cegamente o marqueteiro e nem o político deve adotar o estilo do candidato que sabe tudo, que faz tudo e que entende de tudo. — O bom candidato não pode ser uma marionete do marketing e muito menos um esponta-
O peso das redes sociais nas eleições Nas campanhas políticas às eleições de outubro, além da imagem, do discurso, das propostas e do financiamento de campanha, o candidato também terá que se preocupar com uma coisa chamada rede social, hoje uma das mais poderosas ferramentas para se chegar ao eleitorado. Bem utilizada, poderá ser eficaz na conquista do voto, como foi para o presidente Barack Obama. Mas, um erro, uma frase malcolocada ou uma opinião errada pode colocar tudo a perder. Para o jornalista e marqueteiro Jefferson Coronel, nas eleições do Amazonas, o peso que a internet poderia ter nas próximas eleições será prejudicado pela dificuldade da rede chegar aos municípios. — Mas na capital, esse peso será grande. Creio que ainda não vai dar esse voto todo, mas, como se diz, faz liga, mantém o eleitor em contato,
interagindo com o candidato. Abre uma proximidade candidato/eleitor. O perigo é o erro. Quem cometer erros poderá perder muito mais que ganhar. Por outro lado, não recomendo candidato ficar fora das redes sociais – aconselha Coronel. Marqueteiros vencedores como Duda Mendonca, dizem que a internet “ainda poderá vir a ser a ferramenta mais poderosa” de uma campanha política, mas que no momento a “televisão ainda é a mais forte”. Jefferson Coronel concorda. Para ele, a TV ainda é mais impactante, ainda tem muito crédito. — Depois, o modelo de campanha com TV está sedimentado. Então, candidato que quiser ganhar a eleição tem de estar consciente de que será necessário fazer um bom investimento em televisão – observa Jefferson. O marqueteiro alerta que o marketing digital – as ações
Jefferson: é preciso cuidado com o conteúdo das redes sociais
via internet como um todo –, já é indispensável e fala mais que as redes sociais isoladas. Há blogs de apoio, sites, portais e um monte de ferramentas de internet ampliando o raio de alcance do conhecimento de uma candidatura e do conteúdos dos candidatos. — Só que é preciso muito cuidado com o conteúdo falso,
com conteúdo que não tem a cara do candidato. Autenticidade é coisa séria – adverte. Para citar um exemplo mais recente, Coronel lembra que as mídias sociais podem não ser apontadas como as culpadas pela derrota da candidata Vanessa Grazziotin à Prefeitura de Manaus, mas contribuíram para abalar a imagem dela.
Lula antes e depois de Duda Mendonça
neísta que acha que sabe tudo. Nem uma solução, nem outra. Deve haver o meio termo. Segundo Durango Duarte, o marketing é importante ‘mas não faz milagres”. Perguntado se é possível mudar a imagem de um “candidato ficha-suja”, ele é incisivo. — Esse milagre não existe. O problema é que existem mais fichas-sujas do que limpas. O eleitor, então, não tem muitas opções. Em alguns casos do Amazonas, parece que os meios de comunicação e a velocidade com que as notícias chegam ao eleitor não contam muito. Alguns candidatos tiveram comportamentos repugnantes e cometeram crimes bárbaros,
mas continuam se elegendo e exercendo o mandato como se nada tivesse acontecido. Cai por terra um conhecido mandamento do marketing político que diz que as pessoas possuem características que influenciam na eficácia do seu discurso, dentre elas estão a credibilidade, a atratividade física e a simpatia. “A primeira característica refere-se ao grau de crédito que a pessoa possui, com base no conhecimento de sua capacidade e probidade. A capacidade refere-se ao que a pessoa conhece sobre determinado assunto, e a probabilidade é o grau de imparcialidade e honestidade da pessoa”. Quantos políticos você conhece com essas características?
R$ 120 milhões. É quanto custa eleger um governador Conheça a seis dicas do marqueteiro Durango Duarte para eleger o próximo mandatário do Estado. EM TEMPO – O que é necessário para que um político possa ter a pretensão de querer governar seu Estado, amparado pelos votos de seu povo? Durango Duarte – Ter o controle de um partido político; 2) ter desejo e ambição em chegar ao poder; 3) possuir um histórico político reconhecido; 4) ter uma razoável densidade eleitoral; 5) ser dotado de capacidade de articulação com as forças políticas da sociedade, incluindo os partidos políticos; e 6) ter um discurso sintonizado com os anseios da sociedade, capaz de mobilizar o sentimento da população. EM TEMPO – Pelo perfil do eleitor amazonense, o que conta mais: ideias, aparência física, facilidade de comunicação ou dinheiro para investir pesado em uma campanha? Durango – Para o cargo de governador, o eleitor ama-
zonense tem de reconhecer no político as realizações que ele conseguiu: ter sido um excelente parlamentar, um bom prefeito etc. Deve haver o reconhecimento por ter um trabalho bem feito pelo Estado. O amazonense gosta muito da ideia do político trabalhador, realizador e empreendedor. EM TEMPO – Que conselho o senhor daria para um candidato que pretende se eleger governador do Estado? Durango – Que ele não tenha pena de gastar e já comece a correr atrás do dinheiro. A eleição mais cara de governador no Brasil, proporcionalmente, é a daqui do Amazonas. EM TEMPO – Em termos de comunicação, propaganda e marketing, quanto custaria eleger hoje o governador do Amazonas? Durango – Historicamente, as campanhas vitoriosas custam de R$ 60 milhões a R$ 120 milhões. As que apenas participam da eleição podem gastar de R$ 500 mil a R$ 3 milhões.
A12
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
População estará atenta às propostas que irão às ruas DENY CÄNCIO Especial EM TEMPO
À
s vésperas da eleição que irá decidir quem será o escolhido pelo voto popular para exercer, pelos próximos 4 anos, o cargo de governador do Amazonas, a população se posiciona sobre o perfil do candidato que melhor irá representar o Estado. Educação, saúde e economia são os pontos que
‘‘Perfil voltado para as necessidades do povo. Quero um governador que se preocupe com a saúde e educação, o Amazonas precisa melhorar nestas áreas. Tem que investir nas escolas, em infraestrutura e no ensino. Os jovens precisam desejar estudar e buscar bom emprego e o governo pode contribuir com isto. Há lugares que o ano letivo começa e o local onde eles fizeram matrícula está em reforma, e isto é péssimo, desanimador. A base de tudo é o ensino e com qualidade’’.
Taiza Helena, 47, acadêmica de Nutrição.
‘‘Tem que ser sério, isto é, responsável com a área da saúde, que está precária. Se quero atendimento tenho que acordar às 5h, amanhecer na porta do hospital para receber ficha de atendimento. A educação também precisa de investimento, o governador ideal é o que vai ao encontro dos interesses e necessidades da população’’. Joana D’ arc, 59, autônoma
mais preocupam os eleitores, que classificam essas áreas como críticas e com investimentos insuficientes. Para os entrevistados, o Amazonas precisa de um governante democrata e atento às necessidades apontadas pela população. Os eleitores também mostraram ter mais consciência política e que estão se preparando melhor para o período eleitoral que se apresenta.
‘‘Se o governador que será eleito atender às questões de obras sociais, investimento na educação e melhorias no serviço de saúde já é ideal para mim. Eu lembro quem votei nas últimas eleições, de certa forma correspondeu com alguns avanços. Ainda não é o bastante, a saúde está devagar. O interior está isolado. Cadê as estradas, que além gerar empregos diretos e indiretos irão contribuir com o desenvolvimento nos municípios?’’.
Edson Souza, 33, ajudante de obras.
Muitos dizem lembrar dos candidatos em que votaram nas últimas eleições e que buscam acompanhar as realizações, ou falta delas, por parte dos candidatos eleitos. Mais criteriosos na hora de depositarem os votos na urnas, os eleitores mostram interesse em conhecer os planos de governo dos candidatos que pleiteiam chegar à chefia do executivo estadual.
‘‘Governador presente tanto na capital como no interior. Em tempos de eleição constantemente estão nos municípios. Como prioridade aponto segurança, infraestrutura e melhor ensino. As creches também não podem ser esquecidas, ainda tem criança que não frequenta escola, não tem contato com o ensino logo nos primeiros anos de vida. O ensino acadêmico tem melhorado, isso porque temos as opções particulares e com isso tem crescido o Anacleto Barbosa, 52, Técnico nível superior na população’’. administrativo em educação
‘‘Ele precisa ser humano para estar comprometido com o Estado e conhecer as precariedades. Precisamos de mudanças urgentes na segurança e na limpeza pública, no que a atual administração deixou a desejar. Outra questão de vergonha é o trânsito, uma desorganização, transtorno em todos os horários. Penso também na área habitacional. É preciso um progresso, com as cheias e chuvas Wanderson de Souza, intensas vem a calamidade’’. 32, segurança
“Idealizo um político, no sentido literal da palavra, um ser preocupado com o bem comum, portador de uma visão ampla nas questões que afetam o nosso Estado. Além de ser crítico e sensível com relação à preservação do meio ambiente e das carências da população. Perfil
Otoni Mesquita, artista plástico.
do governador que almejo não tem atenção ao seu ganho pessoal, e compõe perfil seguro diante da troca de favores e da corrupção. Espero que elejam um governante firme em suas convicções voltadas ao bem comum, como já dito”.
“Em minha opinião, ele precisa ser compromissado com as questões sociais e intransigente com a corrupção, e em hipótese alguma, possa compactuar com ações que fujam do interesse da população, não faltando com a ética. Sabendo ter um governo
Fábio Monteiro, promotor de Ministério Público.
comprometido com os princípios da constituição, que são a ética e a moralidade. Sendo assim, com o poder irá melhorar e investir nas melhoras para o Amazonas”.
Edson Simões, 49, Técnico em elétrica
‘‘Penso no governador jovem e interessado com as políticas públicas e com o clamor social. O ideal é que sua atenção seja na saúde, economia e segurança. Este é o trio de melhorias que a população amazonense deseja. Não basta ter médico se os hospitais não têm equipamentos e estrutura adequada. Quero um governador com o poder de melhorar a vida do cidadão’’.
“O Amazonas precisa de um homem comprometido com o desenvolvimento sustentável e valorizador da administração pública de forma séria. Este perfil, se adotado pelo próximo e futuros, e demais envolvidos nesta esfera pública, transformaria o Estado e a administração pública amazonense”.
“O perfil do governador que imagino é puramente democrata e voltado às questões das classes menos favorecidas, que ouça as vozes roucas das ruas e tenha olhos voltados para as máquinas humanas no serviço público, que são os professores, agentes de saúde, médicos, enfim,
Érico Desterro, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE/AM)
Desembargador Rafael Romano, Vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
todas as classes que impulsionam o crescimento e desenvolvimento de um Estado. O novo governador deve ser aberto ao diálogo, acompanhar as obras de interesse social e executar melhorias na educação. Além de tratar bem o orçamento e o sistema de transporte público.
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
IONE MORENO
Soſtware em prol da rede hoteleira local Economia B2
Merenda regionalizada, um bem a alunos e produtores De 2005 para 2014, o Preme contratou mais de R$ 200 milhões de uma lista de 53 produtos do setor primário
FOTOS ARQUIVO EM TEMPO/SHANA REIS
Para substituir os enlatados servidos às crianças nas escolas, o Programa de Regionalização da Merenda Escolar incentivou a produção de frutas, verduras, peixes e carne bovina no Amazonas EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
D
esde quando deixaram de oferecer bolachas, enlatados e sucos industrializados na merenda escolar, de 2005 a abril de 2014, o Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme), do governo do Amazonas, contratou mais de R$ 200,6 milhões, por aproximadamente 50,6 mil toneladas de produtos oriundos do agricultor do setor primário amazonense. Os dados estão na última planilha da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS). Segundo o presidente da ADS, Miberwal Juca, em 9 anos de existência do Preme, o total de 14.535 produtores credenciados à agência ajudaram a aumentar a lista de oito produtos em 2005 para 53 rateados entre a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que nesse período contratou mais de R$ 162,8 milhões e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), de Manaus, cujo valor contratado, de 2007 a 2014 chegou a R$ 37,8 milhões. “O Preme foi uma grande sacada que põe na mesa das crianças das redes de ensino do Estado e do município de Manaus, produtos do setor primário do Amazonas”, comenta o presidente da ADS.
Os itens que chegam às 582 escolas da Seduc e às 510 da Semed para os 776 mil alunos dos dois órgãos de educação, de acordo com Miberwal, obedecem à sazonalidade de cada produto e ao cardápio escolar, elaborado por nutricionista das redes, com todas as
PRODUÇÃO
De 2003 para 2014, a produção adquirida pelo programa saltou de 43.033 para 50.685 toneladas, produzidas por 61 entes entre cooperativas, associações e produtores individuais e 75 agroindústrias exigências da faixa etária dos alunos, e cumpri normas federais. “O Preme leva aos alunos frutas, carne, peixe, leite, queijo, polpa de frutas como o açaí, cupuaçu e até mesmo buriti, como prova da regionalização”, observa. Para o presidente, a vantagem do programa é que o aluno come hoje durante o período escolar produtos regionais que passam por análise bacteriana, para atestar a qualidade e sanidade do produto. “Havia um período que só havia enlatado. Hoje tem carne, peixe fresco e frutas frescas”, completa. Segundo Miberwall, os for-
necedores do Preme atualizam seus credenciamentos todos os anos para garantir, junto a ADS, para garantir a legalidade do processo de compra dos produtos. O último processo de regularização iniciou em dezembro do ano passado e encerrou em fevereiro. “Todos que procuraram a ADS para se credenciar foram efetuados. Um ou outro que apresentou problema de certidão, e nós demos 15 dias para se regularizar”, afirma. Miberwal informa que, para se credenciar, o produtor individual precisa apresentar os seus documentos pessoais e a carteira de produtor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam). Enquanto as cooperativas e as associações de produtores, por serem personalidades jurídicas, precisam apresentar toda a documentação, desde a criação da entidade à sua capacidade produtiva. Os produtores que participam do Preme recebem a assistências técnica do Idam e estão aptos aos financiamentos ofertados pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), do Basa e do Banco do Brasil, a juros baixos, principalmente aqueles que participam do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar(Pronaf).
O total de 775 mil alunos, da rede estadual e municipal de ensino, consomem alimento regional
Segurança para o agricultor O produtor rural Aluísio Pollmeier, do município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus) está no programa há cinco anos, sendo que nos dois últimos anos realizou entrega individual. Seu contrato com a ADS é da ordem de R$ 130 mil, ao ano, por 40 toneladas. Ele avalia o Preme como uma segurança para o produtor em termos de o preço bom e pagamento garanti-
do. “Embora não consuma toda a minha produção, vejo que o produtor é realmente valorizado”, salienta. Produtor de legumes, frutas e hortaliças, Pollmeier que é mais conhecido como Gaúcho, embora seja catarinense, tem como principal item o pimentão que para o programa negocia o quilo a R$ 4,10. “Continuo com o programa por que sei que vou vender com o preço jus-
to, e as crianças das escolas terão um produto fresquinho e saudável”, comenta. Além do pimentão o agricultor produz tomate, cuja produção sofre por conta do calor e da umidade do ar, cheiro verde, pepino e limão. “Enquanto estiver aula, eu sigo entregando produto. Quando começam as férias, a nossa situação fica difícil. Tenho que procurar outros compradores”, conta.
B2
Economia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Soſtware amplia vendas na hotelaria de Manaus
Pelo menos quatro empreendimentos situados na capital amazonense já aderiram à ferramenta de marketing digital REPRODUÇÃO
EMERSON QUARESMA E ASSESSORIA Equipe EM TEMPO
N
a busca de transformar o próprio site em uma ferramenta de vendas capaz de gerar mais reservas diretas, on-line do hóspede, sem intermediadores, a Rede Manaus Hotéis aderiu ao sistema de marketing digital “Buutteq” e a sua nova ferramenta “Collections”, o primeiro no mundo a utilizar o cloud computing (computação na nuvem) para grupos de rede hoteleira. A Rede Manaus Hotéis possui na capital amazonense quatro empreendimentos (hotéis Adrianópolis, Millennium, Saint Paul e Express Vieiralves). De acordo com o gerente de marketing do grupo, Rafael Degelo, tem características e serviços distintos. “O Buuteeq é oferece um produto único. É uma ferramenta que nos permite destacar cada uma das propriedades, sem perder de vista a força da nossa marca”, avalia. Degelo lembra que, desde quando aderiram ao soſtware criado em Seattle, nos Estados Unidos, por ex-funcionários da área de marketing e negócios da Microsoſt, o grupo de hotéis sentiu o resultado efetivo no seu site. “Recebemos um excelente feedback de nossos clientes desde que começamos a utili-
zar a buuteeq. Os sites aumentaram o poder das imagens de nossa propriedade, gerando maior interesse dos consumidores pelo nossos hotéis”, afirma o gerente.
Adesão de 6 mil clientes no mundo
Lançamento Para o executivo de contas da rede, Lucas Correa, nos dois anos, a conversão do acesso ao site em reservas duplicou a demanda de hóspedes comuns. “Atingimos o cliente individual, mais do que o corporativo que tem outra relação de parceria. Conseguimos trazer aquele que procura um hotel da sua casa e compara preço e estrutura”, explica. Lançada recentemente no mercado latino-americano, a tecnologia foi criada para estimular o tráfego no site, reter as visitas na página e convertê-las em reservas. Além disso, todo o conteúdo do site aparece de forma otimizada em smartphones, tablets e facebook. Outro benefício é que a plataforma é auto administrável, ou seja, o hoteleiro pode fazer as alterações desejadas em sua página a qualquer momento. Adesão A tendência é que o novo soſtware ganhe a adesão de novos adeptos na rede hoteleira de Manaus, em função da sua praticidade. A tecnologia já caiu “na graça” de clientes em vários países ao redor do planeta.
Com mais de 6 mil hotéis clientes no mundo, o soſtware Buuteeq, segundo a assessoria de comunicação no Brasil, arquitetou o novo sistema “Collections” especialmente para grupos, por conta da demanda crescente das redes hoteleiras. Elas buscavam uma forma de padronizar e facilitar o processo de compra on-line por parte do turista. “O Collections une as informações de todas as unidades da rede em um único site, desenvolvido para ser claro, prático e eficiente”, explica o fundador e diretor na América Latina de Buuteeq, Adam Brownstein. Estratégia Segundo ele, o sistema fornece também ao setor hoteleiro, estatísticas que mostram quais são as estratégias on-line que geram mais reservas diretas. Grupo Rede Manaus Hotéis utiliza o soſtware Buutteq em seu site institucional na internet
Vitrine Tech economia@emtempo.com.br
Mensalidades mais caras do Netflix no Brasil A partir de agora, os usuários que quiserem contratar o serviço de streaming de vídeos Netflix - empresa norteamericana que aluga filmes on-line -, vão desembolsar um pouco mais para usufruir da plataforma no Brasil. O preço dos serviços subiu de R$ 16,90 para R$ 19,90. A Netflix alega que o reajuste é necessário para melhorar a infraestrutura e investir na aquisição de filmes e produção de séries próprias. A empresa também disponibilizou um plano de R$ 17,90 mensais por uma assinatura que garante acesso ao conteúdo em definição padrão. Porém, os assinantes antigos no país só terão o valor ajustado em junho de 2015. Já nos Estados Unidos, esse congelamento será de 2 anos, segundo a Netflix, que possui quase 45 milhões de assinantes em mais de 40 países.
Clicks Quem acha que é rápido em digitar no celular vai ter que treinar mais. O catarinense Marcel Filho, 18, entrou para o livro dos recordes Guinness Book como a pessoa mais rápida do mundo a digitar em um celular touchscreen. São nove letras por segundo. Será realizada nos próximos dias 14 e 15 de maio, em Porto Alegre, a 4ª. Edição do Encontro de Negócios BITS Business Matchmaking, que debaterá novos rumos do setor de Tecnologia
da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil. Os melhores registros feitos de uma explosão solar podem ser vistos no link w w w. y o u t u b e . c o m / watch?v=p6puosuDpqI. As fotos foram tiradas pela Nasa, no dia 29 de março, captadas por quatro telescópios espaciais e um observatório situado no solo. A Internet é o setor que mais recebe investimentos, segundo a consultoria Transactional Track Record.
Amazonas ficou “de fora” O Amazonas ficou sem nenhum representante entre as 32 empresas que concorrem à final do Prêmio Nacional de Inovação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Os vencedores serão anunciados no dia 13.
“Deu zica” na Zynga Famosa pelos jogos Mafia Wars, FarmVille e City Ville, a Zynga perdeu quase metade dos seus jogadores durante
RF alerta para golpe
o último ano. A crise obrigou a empresa a demitir 15% de sua força de trabalho. Missão brasileira Até o dia 17 de maio, uma missão com 12 empresas e entidades brasileiras de TI ficará nos Estados Unidos para tratar de negócios de tecnologia. A delegação foi levada pela Câmara Americana de Comércio para se encontrar com líderes, investidores e pesquisadores norte-americanos.
Centro de dados compartilhados
Os contribuintes amazonenses devem ficar atentos, pois há um novo golpe que usa o logotipo e nome da Receita Federal, que pede atualização do programa do Imposto de Renda por meio de um link. Segundo o Fisco, o contribuinte deve ignorar essa mensagem eletrônica e não deve acessar o endereço indicado. Quem precisar fazer alterações, regularizações e consultas cadastrais devem utilizar o site www.receita.fazenda.gov.br. Fica o alerta para a população!
Compras on-line Por falar em golpe, uma pesquisa realizada pela consultoria GS&MD - Gouvêa de Souza mostrou que os internautas estão mais receosos em comprar na internet e não é por causa da exposição dos dados bancários. Segundo o estudo, a desconfiança agora é sobre a entrega dos produtos (51% dos entrevistados). O levantamento sugeriu que os e-commerces trabalhem mais a confiança do consumidor. A pesquisa foi realizada via internet com 2,2 mil internautas das cinco regiões do país.
Desde o último dia 8, Manaus abriga o primeiro Centro de Dados Compartilhados (CDC) para computação em nuvem do país, que foi inaugurado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI). Segundo o instituto, o projeto deve contribuir para elevar a ciberinfraestrutura de fortalecimento da pesquisa no Brasil. Os sistemas foram instalados pela Huawei. No total, serão mais de 1 mil servidores disponíveis à comunidade científica, com capacidade de armazenamento de toda a estrutura de 0,5 petabite. Para comparar, se colocar três fotografias com capacidade de três megabytes uma ao lado da outra daria para armazenar 39 mil quilômetros de fotos no CDC.
Economia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
B3
Recuperação da BR-319 é esquecida pelo Amazonas E
nquanto as lideranças econômicas do Estado concentram forças para pressionar pela aprovação do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), outro debate importante tem ficado em segundo plano: a recuperação da BR-319. Considerada essencial para escoamento dos produtos fabricados no parque fabril local, a estrada reduziria em quase 60% o tempo gasto para transportar um contêiner de Manaus a São Paulo, que hoje é de quase 12 dias, segundo dados da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agencimento de Cargas da Amazônia (Fetramaz). Segundo a entidade, hoje, esse percurso entre a capital amazonense e a cidade paulista exige investimentos de aproximadamente R$ 12 mil. Porém, com a BR-319, além de diminuir o tempo de escoamento para 5 dias, ainda haveria uma economia de 20% com o transporte. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), a BR-319 teria um papel importante para reduzir o tempo e os custos com a logística para ecoar a produção das empresas instaladas na região. Durante pelo
DIVULGAÇÃO
Debate sobre obras de revitalização foi relegada a um segundo plano com a discussão sobre a prorrogação da ZFM menos dez anos, a rodovia foi um suporte para o transporte de produtos fabricados no Amazonas, como motocicletas, por exemplo, entre outros. Por sua vez, o deputado estadual Sidney Leite anunciou que irá coletar assinatura
SUSTENTÁVEL
Para os defensores da BR-319, a utilização da rodovia não vai trazer impacto ambiental, uma vez que a estrada já está aberta, porém, com obras de recuperação paralisadas por falta de licenciamento Uso da BR-319 permitirá redução de tempo e dos custos para escoar produtos fabricados em Manaus para outros Estados
dos 23 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) em um requerimento que será enviado a Brasília, solicitando a retomada das obras da BR319. O parlamentar defende uma movimentação política para ‘destravar’ o processo de recuperação da rodovia. Sidney Leite revelou que vai articular ainda o endosso do documento com as Assembleias Legislativas de Roraima e Rondônia.
Momento é propício para investimentos Para Sidney Leite, o momento é ideal para pressionar o governo federal a investir na recuperação da BR-319. “Durante a campanha, a então candidata, e hoje presidente, Dilma Rousseff, veio visitar a BR-319 e disse que se tratava de uma
questão de honra. Nosso desafio é entender que não podemos deixar passar esse momento para fazer valer o compromisso assumido, renovando o pacto do governo federal com a Região Norte”, frisou em discurso, semana passada, na Aleam.
O parlamentar ressaltou que o modal poderá beneficiar, ainda, o escoamento da produção agrícola da Região Centro-Oeste, por meio do porto de Itacoatiara (a 177 quilômetros de Manaus), que é mais próximo do que os utilizados atualmente, no
Sudeste do país. Turismo Outra vantagem da viabilização da BR-319, levantada pelo deputado, seria o fomento do turismo, a partir da integração do Brasil com a Venezuela.
Economia
B4
Profissão de mães Neste dia de homenagens às nossas genitoras, o EM TEMPO conta histórias de mulheres que nos últimos dez anos passaram a ocupar o posto de esteio da família JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO
P
rofessoras, artesãs, agricultoras. O que mães de diferentes profissões possuem em comum? Entre as inúmeras qualidades, elas são dedicadas e competentes e presentes em meio ao novo modelo de família, que não conta apenas com a figura do homem, como o provedor do lar. E no dia delas, o EM TEMPO conta um pouco da vida de mães que trazem a responsabilidade de repassar às filhas o valor do trabalho. A artesã Omaida Pereira Vasque, 32, cresceu observando as mãos ágeis e delicadas da mãe Arquelima Ramos Pereira, 48, na confecção de peças artesanais. Índias da etnia tikuna, as duas enfrentam o desafio de trabalhar para ajudar no sustento da família e principalmente para não deixar a cultura do seu povo morrer. Dona Arquelima é compenetrada no que faz e lembra que a característica foi adquirida na observação de seus pais. “Aos 11 anos comecei a observar os meus pais e tomei gosto pelo artesanato. Fiquei feliz quando vi que minhas filhas também gostavam”, salienta.
Omaida que é mãe de uma menina, conta que começou a ajudar a mãe aos 12 anos e diz que ainda tenta aprender os segredos do trabalho que a matriarca desempenha. “Não é fácil. Ainda não sei fazer várias coisas. Ela é uma profissional muito boa”, comenta. Os brincos, colares, pulsei-
É uma lição prazerosa. Ela está com todo gás para ensinar e isso me entusiasma. Minha filha me ensina novidades todos os dias Claudete Pimentel, mãe e professora
ras e redes feitas pela família de Arquelima são famosas na cidade e podem ser encontradas em exposição no Centro Cultural Woutchimaücü, bairro Cidade de Deus, Zona Leste. De quinze em quinze dias, a exposição acontece no Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A professora Claudete Pi-
mentel, 55, não esconde a emoção de ter a filha Patrícia Sampaio, 28, como colega de trabalho, na escola municipal Sociólogo Herbert José de Souza, bairro Novo Aleixo, Zona Norte. As duas usam da sintonia natural de mãe e filha, para trocar experiências. As reflexões sobre a melhor maneira de transmitir conhecimento nascem na casa das duas, ao final do dia, quando elas procuram se atualizar. Quando as informações chegam por meio das novas tecnologias, Patrícia ajuda a mãe, que orgulhosa escuta os ensinamentos. Mas, nada como a sensatez e a experiência da mãe, para puxar um pouco o freio da nova geração, que no afã de novidades esquece que o tradicional também é importante. Patrícia, que quando criança acompanhava a mãe nas aulas, conta que tentou desviar dos caminhos de Claudete. Hoje, contudo, não se diz arrependida de seguir a profissão da mãe, a exemplo da sua irmã, que também é professora. “A educação me pegou de jeito. Muito por gostar da área, mas principalmente por admirar o modo com que minha mãe tratava a profissão”, reflete.
A índia tikuna Omaida Pereira (à esq.) aprende as técnicas de artesã com a mãe Arquelima
Pr
A década das mães como c A última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na síntese de indicadores sociais em 2012, revelou que o número de famílias no país chefiadas por mulheres cresceu mais do que quatro vezes,
nos últimos dez anos. No quesito casal sem filhos, a força do trabalho da mulher saltou substancialmente de 4,5% para 18,3%. Na média dos que possuem crianças a autoridade feminina passou de 3,4% para 18,4%.
Em 1996, 20,81% das casas tinham como chefe uma mulher, segundo pesquisa doinstituto à época. Quatro anos depois, na pesquisa realizada pelo IBGE no ano de 2000, a porcentagem subiu para 26,55%. A pesquisa Nacional por
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
B5
s para filhas
Mulheres que plantam, colhem e vendem Presidente Figueiredo, localizado na Região Metropolitana de Manaus (RMM), as feirantes também são agricultoras que plantam os produtos que vendem. O resultado de tanto esforço está estampado no rosto de cada uma, que emocionadas lembram que dali sai o dinheiro para pagar a faculdade da irmã caçula, que cursa o 6º pe-
ríodo da faculdade de assistência social. “Tenho cinco filhas e 25 netos, uma delas trabalha aqui comigo. Nossa vida não é e não foi fácil. Tive que trabalhar de sol a sol para criar minhas filhas. Hoje ajudo a criar os netos. Não me arrependo de nada, sou apenas muito grata a Deus e às minhas filhas que são o meu maior motivo de não
parar”, salientou Valdolina. Alexandra Rodrigues, 31, a caçula da família, não mede elogios à mãe que a tem como “guerreira e trabalhadora”. A futura assistente social se diz orgulhosa de participar da família trabalhadora que a mãe gerou. “Abaixo de Deus só ela. Não tenho palavras para descrever o orgulho que tenho da minha agricultora”, afirma. FOTOS: DIEGO JANATÃ
E que tal uma banca de verduras comandada por seis mulheres? Na feira do Produtor, localizada no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, é possível encontrar a dona Valdonila Rodrigues, 61, cheia de alegria. Ela está cercada por filhas e netas, e juntas são responsáveis por sustentar a família que vem de longe. Naturais do município de
Professoras Claudete e Patrícia, mãe e filha unidas pela educação
chefes de família Amostra de Domicílio (Pnad), divulgada em setembro de 2012, realizada também pelo IBGE, apontou que 37,4% das famílias têm como pessoa de referência uma mulher. Conforme o estudo, as mudanças no quadro familiar que
passam a ter as mães como principal esteio, seguem sendo favorecidas e consolidadas entre outras coisas, pelo “ingresso maior de mulheres no mercado de trabalho, a postergação da idade ao casar e o contínuo aumento da escolaridade”.
Valdolina Rodrigues (no centro) rodeada por filhas e netas que a seguem na produção e na venda sem deixar de sonhar
País
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Mães participam da vida escolar dos filhos em SP TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
T
rês em cada cinco mães de alunos das escolas estaduais paulistas acompanham de perto a vida escolar dos filhos. O dado faz parte de uma pesquisa recém-publicada pela Secretaria de Estado de Educação de São Paulo. O objetivo é alertar os pais ou responsáveis sobre a importância da presença deles no aprendizado das crianças. Essa informação consta da enquete com 1,1 milhão de alunos em torno do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) na edição de 2013, feita em novembro do ano passado, e foi publicada na última sexta-feira (9) em lembrança ao Dia das Mães,
comemorado hoje. Por meio do questionário, que é aplicado tanto aos alunos quanto aos pais, professores e gestores de ensino, foi constatado que rotineiramente as mães frequentam as reuniões na escola para checar o aprendizado e o comportamento dos filhos em sala de aula. Segundo o levantamento, elas ficam atentas às lições de casa, acompanhando, principalmente, os menores de 12 anos. “O acompanhamento durante o dever de casa é reconhecido pelos filhos como a atividade mais frequente”, destaca a nota da Secretaria. A maioria dessas mães (45%) tem idade entre 35 anos e 44
anos. As de 25 anos a 34 anos aparecem em seguida, com 29,8% do total analisado. O secretário de Educação, Herman Voorward, destacou que a participação da mãe, assim como a do pai e dos responsáveis, é de grande importância na vida escolar e no desenvolvimento das crianças e adolescentes. “Essa parceria não só garante a qualidade do ensino, mas também ajuda a construir um ambiente mais harmônico e de respeito ao outro”. A secretaria alerta que é preciso manter um canal de comunicação constante com a escola, acompanhando a agenda de eventos e as datas das reuniões.
MPF recebe denúncias de médicos
Campanha incentiva uso de bike até o trabalho
Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Educação revela que alunos das escolas públicas são acompanhados em casa
Acompanhamento rotineiro se dá principalmente com as crianças menores de 12 anos
SAÚDE
MOBILIDADE
Para estimular e promover a bicicleta como meio de transporte na cidade, a campanha “De bike para o trabalho” vem movimentando dezenas de pessoas em Brasília. Elas saem em grupos de pontos do Plano Piloto, Guará, Gama, Sudoeste, e Recanto das Emas, entre outras regiões do Distrito Federal, para demonstrar que é possível ir trabalhar de forma agradável, rápida, segura e não poluente. A campanha é uma parceria da ONG Rodas da Paz com a rede Bike Anjo, cujos voluntários lideraram os grupos de ciclistas. O evento tem caráter nacional, com a realização dos passeios em outras cida-
des, além de oficinas que ensinam a pedalar e também conhecer a mecânica de bicicletas. Nos encontros, os ciclistas também recebem orientações sobre como se locomover com esse veículo em centros urbanos. “De Bike para o trabalho” é uma iniciativa inspirada no Bike To Work Day, evento que, desde 1956, realiza, em maio, atividades para promover a bicicleta como uma opção viável de transporte para o trabalho em cidades do mundo inteiro. Jonas Bertucci, que reuniu um grupo de seis pessoas para pedalar uma distância de aproximadamente 5 quilômetros, conta que aprovou a experiência. IONE MORENO
B6
Bicicleta é opção viável de transporte até o trabalho
Denúncias sobre problemas na oferta de serviços de saúde pelas redes pública e privada foram encaminhadas ao Ministério Público Federal, pela Associação Médica Brasileira (AMB). A demora no atendimento é a principal reclamação recebida pela entidade. Problemas desse tipo foram responsáveis por 59% das reclamações enviadas ao site da associação. “A demora acontece em pronto-socorro, exames radiológicos. Para cirurgias, às vezes, passam seis meses, um ano e, depois disso, os exames necessários para o procedimento perdem a validade”, relatou o diretor da AMB, José Luiz Mestrinho. A falta de medicamentos foi o segundo maior motivo de queixas, com 32% das denúncias. Em seguida, vieram a falta de materiais e a ausência de leitos, com 23% e 21% das reclamações, respectivamente. São Paulo teve um terço das quase 2,5 mil denúncias registradas. Minas Gerais e Bahia ficaram em segundo e terceiro lugar no número de reclamações. As denúncias foram recebidas entre os dias 12 de março e 7 de fevereiro, por meio do site colaborativo Caixa Preta da Saúde, que recebe críticas ao atendimento ofertado no sistema de saúde brasileiro.
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
País
B7
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
França abre inquérito contra Malaysia Airlines
VENEZUELA
Escassez de farinha de trigo fecha várias padarias
Quatro cidadãos franceses estavam dentro da aeronave desaparecida há 2 meses, o que contribuiu para que o Ministério Público entrasse no caso AP PHOTO
O
Ministério Público de Paris decidiu abrir inquérito judicial por homicídio involuntário pelo desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines, há dois meses, com 239 pessoas a bordo. De acordo com fontes oficiais entrevistadas por agências francesas, o inquérito foi aberto na quarta-feira (7), porque quatro cidadãos franceses estavam na lista de passageiros do avião, que continua desaparecido até hoje. Três estudantes do Liceu Francês Internacional e a mãe de dois dos jovens estavam no voo MH370. A maioria dos passageiros (153) era de nacionalidade chinesa. O Ministério Público tinha aberto um inquérito preliminar, no dia 11 de março, três dias depois após o desaparecimento do avião que ia de Kuala Lumpur a Pequim. O inquérito judicial é destinado a apurar “homicídio involuntário, por violação deliberada de uma obrigação particular de prudência ou de segurança imposta por lei ou regulamento”. O aparelho pode ter caído no oceano Índico, mas as buscas não conseguiram encontrar vestígios de eventuais destroços.
Várias padarias na localidade venezuelana de Caripe, a leste de Caracas, voltaram a ficar fechadas devido à escassez de farinha de trigo para produzir pão, informou a imprensa local. Segundo as rádios locais, ao longo da tarde de sextafeira (9), um pequeno número de padarias permanecia aberto, mas com longas filas de clientes à espera para comprar pão. A localidade é muito conhecida por ser montanhosa e registrar alto consumo de trigo para a
produção artesanal com fins turísticos. Além das dificuldades para conseguir farinha de trigo, os padeiros queixam-se de que a escassa matéria-prima que conseguem comprar tem o preço elevado em 370% ao estipulado pelas autoridades. Por outro lado, em El Tigre, Estado de Anzoátegui, localidade situada também a leste de Caracas, os padeiros declararam um período de “emergência” devido à falta de farinha.
INTERNET
Falso intérprete de funeral de Mandela ressurge em anúncio Falta de informações sobre o ocorrido, por parte da empresa, revoltou parentes das vítimas
Irregularidades são apontadas Na semana passada, a Malásia publicou relatório preliminar sobre o caso, no qual reconhece a lentidão da resposta das autoridades de Kuala Lumpur no dia do desaparecimento do aparelho. Entre outros aspectos, o documento apontou demora de quatro horas, entre o momento em que foi constatado
o desaparecimento do avião, à 1h38, no horário local, e o momento em que o alerta foi acionado oficialmente. O governo da Malásia foi criticado pela maneira como conduziu as buscas sobre o desaparecimento do avião. As autoridades australianas que coordenaram as buscas pelo avião malaio
deram por concluídos, no dia 30 de abril, as missões aéreas no oceano Índico para encontrar os destroços da aeronave. China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão, Malásia, Nova Zelândia e Reino Unido também ajudaram nas buscas em uma grande região do oceano Índico.
“Oi, eu sou Thamsanqa Jantjie, do funeral do Nelson Mandela e, acredite em mim, eu sou um verdadeiro intérprete”. É assim que começa o novo comercial da empresa israelense LiveLens, especializada em aplicativos de vídeos para internet. A propaganda, disponível no YouTube, tem como estrela o falso intérprete que ficou conhecido quando não conseguiu fazer a tradução, para a linguagem de sinais, dos discursos feitos durante cerimônia em homenagem ao líder sul-africano, em dezembro de 2013. Na época, ele culpou pro-
blemas mentais e se internou em uma clínica psiquiátrica. No comercial, enquanto Jantjie pede desculpas pelo episódio e garante que consegue traduzir para a linguagem de sinais, uma voz feminina o desmente. A propaganda, de pouco mais de um minuto, mostra ainda o intérprete em cenas surreais. Ele dança, monta a cavalo e tem a cabeça cortada durante uma entrevista. A LiveLens é uma empresa de aplicativos de internet que transmite vídeos ao vivo. A propaganda foi alvo de críticas nas redes sociais.
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
DIEGO CAJA/DIVULGAÇÃO
Policiais mães inspiram suas filhas Dia a dia C6 e C7
Nova torre de observação liga o homem à natureza FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
Estrutura está sendo finalizada dentro da reserva Ducke e será inaugurada na primeira quinzena de junho para visitação
Com 42 metros de altura, a torre de observação na reserva Ducke permitirá uma visão melhor da floresta amazônica em Manaus, dando contato mais próximo com diversidade de espécies (no detalhe) IVE RYLO Equipe EM TEMPO
D
o alto de um angelim o exótico lagarto de listras pretas da espécie uracentron azureum parece contemplar a vastidão verde, que ainda resiste às pressões da população na reserva florestal Adolpho Ducke, localizada no bairro Cidade de Deus, Zona Norte. A vista privilegiada do pequenino, dentro de algumas semanas, poderá ser compartilhada com estudantes, profissionais, curiosos e amantes da natureza. Tudo porque uma torre de observação com 42 metros de altura
está sendo montada dentro do Museu da Amazônia (Musa), no interior do jardim botânico e da reserva. Construída em aço galvanizado, a torre orçada aproximadamente R$ 1 milhão é a primeira autoportante para observação e visitação do Amazonas. Para chegar à estrutura, o visitante tem que caminhar por uma trilha por cerca de 480 metros pela mata, desde a entrada do Jardim Botânico. Comparando com torres estreitas, velhas conhecidas pelos observadores, a estrutura chama atenção pela grandiosidade. Ao longo dos 42 metros, ela possui três plataformas distribuídas a 14,20 metros, 28 me-
tros e no topo, acima da copa das árvores. Em uma base de 9 metros, foram inseridos oito pilares com 7 metros de profundidade, sendo que cada uma suporta 45 toneladas. Apesar, de toda a imponência, a estrutura pode não entusiasmar o observador leigo à primeira vista. Contudo, 243 degraus depois, a 42 metros do chão, um horizonte verde é revelado. Lá de cima, a rotina do lagartinho que descansa na cavidade da árvore, as flores vermelhas do cajuí e a imponência do angelim, que serve de berço para a preguiça, proporcionam surpreendentes momentos contemplação. Ao sul também é possível flagrar a expansão descontrolada da
cidade. “Esta é uma cidadela em defesa da floresta e tem como objetivo mostrar que a floresta não é apenas árvore, madeira e folha seca. É um mundo de segredos dos quais desconhecemos grande parte e que esta nos convidando a conversar, entender”, apontou o diretor-geral do Musa, Ennio Candotte. A previsão é inaugurar a torre antes do início da Copa do Mundo, na primeira quinzena de junho. Para isto, a estrutura passa pelos últimos ajustes. “Estamos vendo detalhes, acabamentos que às vezes demoram um pouco. Também por questões de segurança só vamos liberar após a licença dos bombeiros. Nos próximos
dias apresentaremos a documentação”, explicou o diretor adjunto operacional do Musa, Roberto Morais. O horário para visitação seguirá o horário de funcionamento do museu, de terça a domingo, das 8h às 17h. Todo o material para a construção da torre foi importado de outros Estados: o aço veio de Minas Gerais e as telas de Cuiabá (MT). O engenheiro George Suli e mais três funcionários também vieram do Mato Grosso especialmente para realizar o trabalho. Para os ajustes finais, a equipe foi reforçada com profissionais do Estado. Suli foi responsável pela execução e adaptação do projeto ao Musa. Ele já construiu torres de
observação em hotéis de selva e para a Universidade Federal de Mato Grosso, onde foi solicitada uma estrutura que pudesse ser instalados equipamentos de micrometeorologia. “Em Manaus é bastante comum torres em florestas, mas não são adequadas para visitação. São torres fininhas, que um pesquisador especializado sobe precariamente e não tem estrutura adequada para visita ou observação de pássaros, porque o observador esta sempre levando equipamento pesados e volumosos. Este projeto para visitação foi especial”, disse. Na reserva Adolpho Ducke, a estrutura levou 90 dias para ser montada, mas as obras iniciaram em 2013.
Construção não foi tarefa fácil
Construção da estrutura foi considerada como uma façanha em meio às intempéries da região
Além das intempéries, transportar o material e os equipamentos no meio da mata, por uma trilha estreita, também não foi tarefa fácil. “Foi uma façanha, por conta do acesso não podemos colocar guindaste aqui. O único instrumento que tínhamos foi um tratorzinho”, especificou o diretor-geral do Musa, Ennio Candotte. O local escolhido para a implantação - que mede cerca de 12 por 12 metros - foi uma clareira que surgiu na mata após a queda de uma árvore. “Inicialmente não havia intenção de avistarmos a cidade (de cima do observatório), mas
foi até positivo para poder chamar atenção, que amanhã a cidade pode estar aqui dentro. Há uma dificuldade em conter a expansão”, salientou Roberto Morais. Durante o processo de escolha, o parataxonomo maranhense José Ribamar Mesquita, 25, subiu em um angelim gigante e, com uma câmera acoplada a um tubo de 11m, fez as filmagens para analisar a vista que o local proporcionaria. “Como a árvore era muito alta, subi nela de rapel. O meu gosto pelo trabalho na floresta começou depois que servi no quartel, passei 6 anos lá e participei de muitas mis-
sões na mata”, disse Ribamar que já trabalhou no Inpa e esta há 4 anos no Musa. Além dos acabamentos, dois cabos de aço também serão acoplados à torre para diminuir o balanço natural da estrutura. O engenheiro salientou que o cabo não tem função estrutural importante, uma vez que a estrutura independe dele. No segundo semestre está no planejamento a inserção de um elevador para facilitar o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção, além de lunetas ou telescópios para tornar a observação ainda mais interessante.
C2
Dia a dia
Sociedade acorda para DENY CÂNCIO Especial para o EM TEMPO
P
ercorrer as ruas de Manaus e se deparar com animais sem donos, desnutridos e deixados à própria sorte tem sido algo corriqueiro. O fato é que esse fato penetra nas diversas camadas sociais, e a pouca expressão das campanhas educativas que alcancem a massa parece contribuir para proliferação de maus tratos em cães e gatos. Um crime de maus tratos que ganhou notoriedade na capital foi o ocorrido em março deste ano, quando um servidor público de 37 anos matou um cachorro após atirar o animal da varanda e teria ainda tentado matar outro filhote canino. O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), da delegada titular, Isolda de Castro, e o homem foi indiciado com base no artigo 32 da Lei 9605/98, a Lei de Crimes Ambientais, por conta da consistência do depoimento das testemunhas. Segundo a Isolda, o servidor público negou que o crime de maus tratos, e com base do depoimento de uma única testemunha foi registrado o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). A delegada titular da Dema
explica que o mesmo artigo que trata de crimes ambientais determina a pena para quem pratica crimes dessa natureza com três meses a um ano de detenção, além de multa. Se houver morte do animal, a pena é aumentada de um terço a um sexto. O crime não tem pena restritiva de liberdade. “No caso desse servidor público foi configurado crime de maus tratos. Julgado na Vemaqa (Vara Especializada do Meio Ambiente e de Questões Agrárias), no último dia 15, a pena aplicada foi prestação de serviços comunitários ao Centro Controle de Zoonoses, ou seja, dentro do que se pode fazer, foi uma pena sensata”, salienta a delegada Isolda. Envolvida com grupos de proteção animal, Edleni Pereira, do grupo Ajuda Animais Manaus (AMA) diz que a boa parte das ações realizadas tem sido o resgate em via pública. “A maioria consiste de pessoas que tem cães ou gatos não castrados em casa, e quando eles tem filhotes, essas pessoas querem se ‘desfazer’ desses filhotes”, diz Edleni ao apontar uma das causas do crescente número de animais deixados em feiras livres e ruas da cidade. A delegada Isolda explica que o cidadão, ao adotar um animal, torna-se responsável pelo bem estar do bicho. “Quando
SHANA REIS/ARQUIVO EM TEMPO
Denúncias constantes sobre maus-tratos a animais e abandono mostram que aumentou a conscientização sobre a proteção animal com o trabalho de ONGs e órgãos ambientais, mas ainda falta muito a ser feito para a eficiência se pega o bichinho para criar, tem uma questão de amor, você dá o que você tem e vai cuidar daquele animal como se fosse da família, criando laços afetivos”, afirma. Isolda diz que uma pessoa capaz de causar sofrimento no ser indefeso pode ser perigosa para as pessoas. “Ela é capaz de trazer sofrimento a qualquer ser vivo, começando pelo animal, e se tiver oportunidade poderá ferir uma pessoa, podendo migrar a outro patamar de crueldade. Claro, que não são todas as pessoas e todos os casos em que percebemos esta migração”, adverte. Soltos na rua A representante do AMA conta que os cães e felinos condenados ao despejo pela cidade ficam à mercê do pior, tornando-se vítimas frequentes de acidentes no trânsito, e nestas condições os animais tem chegados ao grupo de ajuda. “Ultimamente, observamos que a maioria de nossos resgates é de cães atropelados. Esta semana resgatamos um ‘salsichinha’ que estava rastejando nas ruas devido a um acidente. Estamos com muitos animais ditos ‘especiais’, com casos sempre de cunho ortopédico, que foram atropelados e tiverem uma de suas patas amputadas”, conta.
A violência contra animais domésticos tem recebido maior atenção por parte da sociedade
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
C3
crimes contra animais CCZ recebe até 70 bichos doentes por mês zoonose de interesse da saúde pública. Também cabe a nós o serviço de castrações. Somos unidade de saúde e vigilância. Quanto aos animais considerados saudáveis, encaminhamos aos serviços informais e voluntários, lá eles promovem a adoção”, explica Zardo. O CCZ recebe em média de 60 a 70 animais por mês, todos com saúde bastante
comprometida, e muitas pessoas insistem em deixar seus animais no Centro, muitas vezes ameaçando funcionários e debochando da legislação. O diretor revela ainda que a sociedade confunde as atribuições do CCZ, que em média recebe 10 chamadas diárias referentes a crimes de maus tratos. O mesmo ocorre com as organizações não
governamentais e grupos de apoio aos animais, no entanto cabem as penalidades aos órgãos competentes. “Somos contra todos os tipos de crueldade contra animais. A justiça deve punir os agressores. O Centro de Controle não tem a atribuição de prender, investigar ou aplicar as penalidades, isto cabe a qualquer delegacia”, orienta. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO
O Centro de Controle de Zoonoses de Manaus (CCZ) é o departamento público aliado à saúde pública, explica o diretor Francisco Zardo de Oliveira. Assim, animais nessas condições cabem ao departamento. “O CCZ tem como atribuição receber apenas animais doentes em estado considerado irreversível, agonizantes, agressores ou suspeito de alguma
Iniciativas para mudar ideias
Cães de rua em Manaus: geralmente o abandono vitimiza filhotes de animais domésticos cujos donos não tem responsabilidade
Proteção e leis versus omissão ambientais da cidade e suas competências. “A sociedade é mal informada. Até chegar à Dema as denúncias, o cidadão já ligou para vários lugares, e confundem as competências dos órgãos ambientais”, frisa a delegada, que diariamente recebe cerca de cinco denúncias de crimes contra animais. Segundo Victor, em alguns países a agressividade com animais domésticos é investigada como um risco à sociedade. “Sabemos que podemos medir o nível de ética e desenvolvimento de uma nação pelo modo com que a mesma trata e defende seus animais. O Brasil possui lei e penas vergonhosas em relação aos animais. Europa e Estados Unidos começaram a se desenvolver como um
todo, quando investiram na base do ser humano, com leis mais duras a quem vitimiza um animal, afinal quando se respeita um animal automaticamente se respeita um ser humano”, frisa o representante da ComPaixão. Edleni Pereira, do grupo AMA, alega que a legislação é branda ao punir o agressor, mesmo assim dá importância às denúncias, pois, mesmo o réu sendo primário passará a ter antecedentes criminais. ‘‘Fica explícito o quanto nossa legislação é branda quando pune o agressor, pois o máximo que acontecerá com o réu, será restrição de seus direitos, através de prestação de serviços à comunidade ou o pagamento de um salário mínimo para o poder judiciário”, conclui. SHANA REIS/ARQUIVO EM TEMPO
Victor Santos, da ONG ComPaixão Animal, percebe que a população timidamente tem registrado legalmente as ocorrências, e comovidos com a brutalidade contra animais, recorrem aos grupos e ONGs envolvidas com a causa. “O ideal sempre é o registro do crime na Dema, porém a maior parte das pessoas se diz protetora de animais, mas são omissas, não os protegem de acordo com as leis e cooperam para o aumento de crimes contra animais. Por isso, a ONG tem investido em campanhas nas mídias sociais e em nossos eventos de adoção, onde explicamos todo o processo”, ressalta. A titular da Dema, contesta que a sociedade tem sido omissa. Para ela, a sociedade precisa conhecer os órgãos
As feiras de adoção tem sido a forma de auxiliar e proteger animais em situação de risco
Iniciativas foram tomadas pelo Centro de Controle de Zoonoses, em março, com o inicio do trabalho de conscientização nas escolas para atingir as crianças a fim de que sejam transmissores em seus lares e disseminar na nova geração a responsabilidade com os animais, com as palestras “Educação em saúde e guarda responsável” nas escolas de ensino fundamental que integram o programa Saúde na Escola. Ele é coordenado pelo professor Benedito Ribeiro Filho, e no primeiro mês foram feitas 16 palestras educativas. “A Secretaria Municipal de Saúde sabe que este é um trabalho de longo prazo e entende que uma consciência ambiental e de saúde deve ser criada desde a infância’’, diz o diretor Francisco Oliveira. Na última terça-feira (6), a Câmara Municipal de Manaus (CMM), aprovou o Projeto de Resolução nº 007/2014, de autoria do vereador Everaldo Farias (PV), que cria a Frente Parlamentar de Defesa e Direito dos Animais na casa, com adesão de mais de 30 vereadores. “Um passo importante foi dado nesta di-
reção, a criação do Conselho é uma necessidade e como tal deve ser considerada um grande avanço para a cidade de Manaus, tanto que diz respeito aos animais de companhia (cães e gatos) quanto aos animais silvestres”, fala Oliveira. A delegada Isolda diz que a Dema aponta que 70% das queixas registradas pelo Disk Denúncia (32393840) são anônimas. Para eficácia das atividades no próximo mês, os registros de maus-tratos de forma anônima serão pontuadas no formulário especifico. “A fragilidade é que se não for dado ponto de referência correto para podermos chegar ao local, compromete a nossa investigação. Por isso, estamos elaborando formulários mais simples, e específicos com base nestas denúncias anônimas”. O Grupo AMA anuncia a organização do mutirão de castração. “Estamos querendo realizá-lo em uma comunidade, a data prevista será final de junho. Contamos com dois veterinários voluntários. E todos os sábados, promovemos a feirinha de adoção no bairro de Adrianópolis”, expõe Edleni.
C4
Dia a dia
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2014
Estado anuncia estratégia para gerenciar resíduos A
gestão de resíduos sólidos nos municípios do interior do Amazonas será feita por calhas de rios. A afirmação foi da secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Kamila Amaral. A medida vai nortear o processo de elaboração do Plano de Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos do Estado e da Região Metropolitana de Manaus lançado, ontem, pelo governo do Estado e que vai estabelecer uma nova política para a questão. Segundo a secretária, a gestão por calha de rios é o caminho mais adequado para promover avanços nos sistemas de coleta e despejo adequado de lixo no interior, onde distâncias geográficas são um entrave. O sistema de zoneamento de resíduos é inspirado nos modelos de zoneamentos ecológicos e econômicos, que viabilizam o desenvolvimento sustentável por microrregiões. “O plano estadual visa enxergar essas realidades e trazer ações que atendam cada microrregião, fazendo um verdadeiro zoneamento de resíduos sólidos. Pela imensidão geográfica, a opção mais inteligente e estratégica é trabalhar
com as calhas de rios. Já temos zoneamentos ecológicos e econômicos trabalhados nas calhas do Purus e Madeira e, na política de resíduos sólidos, a estratégia será a mesma”, frisou a secretária, ressaltando que a nova política que será criada pelo governo amazonense deve consolidar o trabalho feito com os planos municipais de resíduos sólidos, aprovados em 58 municípios. Prefeitos do interior, secretários de meio ambiente, representantes de entidades ligadas à coleta seletiva e ambientalistas participaram do lançamento do plano de gestão de resíduos sólidos. Na solenidade, que ocorreu na sede do governo, na Compensa, Zona Oeste, foram assinados os termos de serviço para a elaboração dos planos e as portarias que nomeiam os membros do Comitê Consultivo Estadual de Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos, o que significa um avanço importante na implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no Amazonas. O grande desafio dos planos de gestão é promover avanços na implantação de aterros sanitários em substituição aos lixões. Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazo-
W. REDMAN/AGECOM
A gestão por calha de rios pode ser o caminho para avanços nos sistemas de coleta e despejo de lixo no interior nas (Ipaam), nenhum município do interior tem aterro sanitário. Em Manaus, o aterro encontra-se em processo de análise documental para a concessão de licenciamento. “Implantar os aterros sanitários é o desafio do momento e que a gente tem de encaminhar. As responsabilidades estão no âmbito municipal, mas deverão estar em um programa em sintonia com o governo”, frisou o presidente do órgão, Antônio Stroski. Investimento O investimento na elaboração dos planos é de R$ 4 milhões, em parceria com o governo federal. A previsão de entrega da nova política é de um ano. Nesse período, além do levantamento de informações, audiências e consultas públicas ocorrerão nos municípios para identificar problemas crônicos e buscar as alternativas. Para a coleta de lixo nos municípios, o governo avança em melhorias. Oito municípios foram beneficiados, este ano, com caminhões para recolhimento de lixo. Em junho, outros 30 vão receber novos veículos, como parte da programação do Dia Mundial de Meio Ambiente.
Elaboração do Plano de Gestão e Gerenciamento de Resíduos vai estabelecer nova política
MANAUS, SEXTA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2014
Dia a dia
C5
CRO reforça fiscalização contra falsos dentistas O
Conselho Regional de Odontologia do Amazonas (CROAM) está intensificado a fiscalização no interior do Estado como forma de coibir a atuação de falsos dentistas e ainda ouvir as demandas dos profissionais que atuam nessas localidades. Nas últimas semanas, o órgão esteve em São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Atalaia do Norte e Benjamim Constant, na região oeste do Estado. Em alguns municípios, a presidente do CRO-AM, Vera Louzada, explica que as fiscalizações foram solicitadas pelo Ministério Público do Estado (MPE). “No ano passado, cerca de 28 municípios foram fiscalizados, onde flagramos irregularidades e também aproveitamos para orientar os cirurgiões-dentistas que trabalham no interior”, disse. Vera destaca que nos últimos 2 anos, o CRO flagrou mais de 600 ilegalidades na capital e no interior, como exercício ilegal da profissão (falsos dentistas), acadêmicos fazendo atendimentos como dentistas (o que é proibido pela legislação brasileira), além de clínicas e laboratórios sem registros.
“A principal ocorrência que verificamos no interior do Amazonas, de maneira geral, é a atuação de técnicos em prótese dentária como dentistas. É algo muito perigoso para a saúde. Temos vários casos de pessoas que ficaram com graves sequelas após serem submetidas a procedimentos por profissionais sem formação”, disse Louzada. A presidente alerta que somente o cirurgião-dentista é capacitado e autorizado a fazer procedimentos na boca do paciente, garantindo a saúde e o bem-estar. “A prática ilegal pode resultar em complicações graves como a contaminação por doenças: hepatite, HIV, herpes e infecções bacterianas, ocasionadas pela falta de higiene ou esterilização inadequada de equipamentos entre outros”, afirmou. A população pode ajudar no combate aos falsos dentistas denunciando para o conselho e ainda para os órgãos de polícia, já que o exercício ilegal da profissão é um crime previsto no Código Penal Brasileiro (CPB). A sede do CRO-AM fica na rua Silva Ramos, 71, Centro. As denúncias podem também ser feitas pelo 0800 284 1380 e pelo telefone 3131-2200.
DIVULGAÇÃO
Em 2 anos, o Conselho Regional de Odontologia flagrou mais de 600 ilegalidades na capital e no interior do Amazonas
Vera Louzada, presidente do CRO-AM, afirmou que o principal problema é a atuação de protéticos como dentistas no interior
C6
Dia a dia
Inspirações que surgem Filhas de policiais civis mulheres, que seguiram a carreira das mães, falam sobre a influência do trabalho materno na escolha profissional e no envolvimento que tiveram com um mundo difícil, onde tem uma forma especial para atuar
“R
elações maternais são construídas com amor, dedicação, afeto e respeito. Sentimentos que ultrapassam as barreiras sanguíneas e os limites da genética”. A afirmação é da delegada Lia Gazineu, 35, que está de licença-maternidade e não esconde o orgulho que sente da mãe adotiva, Cleonice Prado, 67, que dedicou boa parte da vida à atividade policial, sendo conhecida pelo comprometimento com o trabalho na Polícia Civil do Amazonas. Cleonice, hoje delegada aposentada, atuou em muitos setores dentro da instituição. Ela foi perita no Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), que já foi dirigido pela filha, também foi diretora do Instituto de Criminalística (IC), além de ter sido escrivã e delegada em algumas delegacias da capital. Ela também assumiu o cargo de titular na Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd) e na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), contribuindo também no atendimento realizado no interior do Estado ao ocupar a titularidade da Delegacia de Parintins, a 369 quilômetros em linha reta da capital. Criada dentro de um am-
biente policial, Lia conta que grande parte das lembranças infantis, que mantêm, são ligadas à dedicação que a mãe tinha ao trabalho. “É viva ainda a lembrança dos documentos que ajudava a tirar do carro da minha mãe, pois, como policial dedicada que era, sempre que necessário levava trabalho para concluir em casa”, recorda. O apoio à profissão escolhida não foi imediato. Segundo Lia, a mãe sempre pediu para que ela não se tornasse uma policial, deixando a preocupação maternal falar mais alto. No entanto, durante 13 anos de atuação, Lia Gazineu possui no currículo passagem pelas Delegacias Especializadas em Crimes contra a Mulher (DECCM) e em Proteção ao Consumidor (Decon). Fã Inspiração é a palavra que pode definir o que Cleonice significa para Lia, quando as lembranças dos momentos no passado ao lado da mãe, dentro ou fora do ambiente policial, vêm à mente. “Certamente sou uma das maiores fãs dela e costumo dizer que se eu for um quinto da profissional que ela foi já me sentirei extremamente realizada. Minha mãe é inspiradora como profissional e como ser humano que ela é e sempre foi”, pontua.
A radialista Bruna e sua mãe Francisca Brandão, assistente social na Polícia Civil: primeiros passos dentro da instituição
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
C7
do exemplo materno FOTOS: DIEGO CAJA/DIVULGAÇÃO
Crescendo dentro da delegacia Ainda menina, a radialista Bruna Brandão, 31, andava pelos corredores da Delegacia Geral na companhia da mãe, a assistente social Francisca Brandão, 54, e por lá deu seus primeiros passos, brincou de boneca e passou horas pintando sob o olhar atento da servidora, que tinha os deveres profissionais para cumprir, mas não tinha com quem deixar a filha e por isso a levava para o trabalho. Hoje, Bruna também faz parte do quadro funcional da Polícia Civil, e, com isso, realizou o sonho que a mãe cultivava de ter a filha atuando na mesma
instituição que ela. Bruna fala orgulhosa da mãe e diz que ela é seu exemplo de mulher e profissional, pois sempre buscou fazer tudo com ética e respeito ao próximo. “Minha mãe passou valores para mim e para minha irmã que nos fizeram ser quem somos hoje. Nossa educação, nossa índole e o respeito que temos por todos é resultado da nossa criação. Antes de dizer como era certo fazer, ela nos mostrava fazendo”, disse. Há três décadas fazendo parte da Polícia Civil do Amazonas, atualmente Francisca
trabalha no Programa de Prevenção, Respeito, Orientação, Vida, Independência, Dignidade e Amor (Pró-Vida), uma iniciativa de funcionários da instituição, que tem por objetivo recuperar dependentes químicos. Francisca já passou por setores como o de Recursos Humanos, Financeiro e Instituto de Identificação, mas foi no Instituto Médico Legal (IML) que ela conseguiu implantar o serviço social e dar a assistência a quem visita o local e muitas vezes está fragilizado, feito que a deixou muito realizada profissionalmente.
A investigadora Adriene com a mãe Júlia: inspiração na forma de agir corretamente
Lia Gazineu, filha da delegada aposentada Cleonice Prado: orgulho em seguir carreira
Postura e tato nas situações Quando criança, a investigadora Adriene Belota falava que queria ser juíza, mas foi na adolescência, acompanhando a trajetória da mãe, a delegada de Polícia Júlia Belota, que ele decidiu fazer parte da Polícia Civil do Amazonas, ingressando na instituição em 2011, por meio de concurso público. “Minha mãe é meu maior exemplo. Eu me inspiro nela, na forma que ela trata as pessoas. Procuro agir como ela, ter uma boa conduta, tratar todos com respeito. Ficava fascinada observando as técnicas
que ela adotava na condução das investigações e fui me identificando tanto que não me vejo fazendo outra coisa”, justificou. Adriene recorda de um episódio ocorrido na época em que a mãe, que trabalha há mais de duas décadas na Polícia Civil do Estado e atualmente ocupa o cargo de diretora do Instituto Integrado de Ensino de Segurança Pública do Estado do Amazonas (IespAM) Campus 2, estava à frente da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM).
“Eu era adolescente e frequentava o Centro Social Urbano (CSU), no bairro Parque 10 de Novembro. Quando saí de lá fui ao encontro da minha mãe na Delegacia da Mulher, que fica naquela mesma área da cidade, e acompanhei o momento em que os investigadores da unidade policial, coordenados pela mamãe, conduziam um infrator que agia naquele bairro. Ela foi incrível. Explicou os direitos dele e em momento algum o tratou mal. É essa postura que busco para o meu dia a dia”, declarou.
C8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
1
2
A materialidade de Bruno Dunley E outras 8 indicações culturais. Pág. 2
Do que falam, por e-mail, dois autores brasileiros. Págs. 3, 4 e 5
4
Capa
(92) 3090-1010
Epístolas eletrônicas 3
ilustração de Paulo Bruscky
opiniao@emtempo.com.br
Gabo assombra Vargas Llosa na Colômbia
Diário de Bogotá. Pág. 6
Do arquivo de Andreas e Thomas Valentin Rio/Nova York, 1974. Pág. 7
G2
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
DIVULGAÇÃO
BRASILEIRO WORKSHOP | JORNADAS CULTURAIS Inaugurando evento que seguirá ao longo do ano, o curso “Preservação de documentos digitais”, com o pesquisador da Unicamp Humberto Innarelli, ocorre nesta semana. A 10ª edição das jornadas promovidas pelo Centro de Memória do Itaú Cultural e pelo Centro de Memória Bunge enfoca o gerenciamento e o acesso a documentos digitais. Catavento Cultural e Educacional | tel. (11) 3315-0051 | qua. (14), das 9h às 16h | inscrições e programação em jornadas.fundacaobunge.org.br
CURSO | CHICO BUARQUE O letrista e jornalista Carlos Rennó ministra “Chico Buarque: Tema, Forma e Estilo”. Em três encontros, serão abordadas questões como a relação entre poesia e canção, as aliterações presentes na obra do compositor e seu sistema rímico. Centro Universitário Maria Antonia | tel. (11) 31235213 | dias 28/5, 3 e 10/6, das 20h às 22h30 | R$ 200 | descontos para terceira idade (40%), estudantes e professores (20%)
LIVRO | LEÃO SERVA O jornalista e colunista da Folha lança em Salvador “Um Tipógrafo na Colônia” com debate com Luis Guilherme Pontes Tavares, pesquisador da história da imprensa na Bahia, e Pablo Iglesias Magalhães, especialista em obras raras e manuscritos do período colonial. No livro, o autor investiga o trabalho da tipografia de Manoel Antonio Silva Serva, criada em 13 de maio de 1811. Livraria Cultura Salvador Shopping | tel. (71) 3505-9050 | amanhã, às 18h30 | grátis Publifolha | R$ 19,90 | 200 págs.
LÁSZLÓ ZINNER/DIVULGAÇÃO
CINEMA APICHATPONG WEERASETHAKUL Filmado na província de Nong Khai, noroeste da Tailândia, na divisa com o Laos, “Hotel Mekong”traz de volta os fantasmas do cineasta e videoartista tailandês. À beira do rio que cruza parte da Ásia, da China ao Vietnã, os personagens discutem uma enchente que assola a Tailândia. Cinesesc | tel. (11) 3087-0500 qua. (14), às 20h30 estreia qui. (15)
1
EXPOSIÇÃO | BRUNO DUNLEY Primeira individual do artista fluminense, “No Lugar em que já Estamos” reúne 20 de suas pinturas recentes. João Bandeira evidencia, no texto de apresentação da mostra, o quanto a obra de Dunley valoriza a materialidade da tela. “Tudo se dá, literal e implicitamente, em camadas, cuja extensão no tempo percebe-se nos indícios de alterações e de deslocamento por todo o suporte”, escreve. Galeria Nara Roesler | tel. (11) 3063-2344 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 8/6
‘Homem Marroquino’ (1944), de László Zinner
ESTRANGEIRO
EXPOSIÇÃO | LÁSZLÓ ZINNER Com curadoria da professora de história da USP Maria Luiza Tucci Carneiro, a mostra “Ateliê Universalista” apresenta trabalhos do escultor e desenhista nascido na Hungria (1908-77). O artista, que se estabeleceu no Brasil logo após a Segunda Guerra e se naturalizou em 1961, foi o criador do Troféu Juca Pato, prêmio literário concedido pela União Brasileira de Escritores. Casa da Fazenda | tel. (11) 3742-2810 | de ter. a sáb., das 11h às 18h | grátis | até 10/6
POP
ERUDITO
‘Sem título’ (2013), de Bruno Dunley
TEATRO | SYNGUÉ SABOUR A atriz Ester Laccava protagoniza a adaptação do romance com que o autor afegão Atiq Rahimi venceu o prêmio literário francês Goncourt em 2008. Com direção de Fernanda DUmbra e trilha sonora de André Abujamra, a peça parte da história real da poeta Nadia Anjuman, morta, com o apoio de sua própria mãe, pelo marido. Sesc Belenzinho | tel. (11) 20769700 de qui. a sáb., às 21h30; dom., às 18h30 | R$ 25 | até 8/6
LIVRO | CARTAS 1 A partir dos arquivos do Instituto de Estudos Brasileiros da USP e de pesquisas em outros centros, a Coleção Correspondência Mário de Andrade vem reunindo as trocas epistolares do escritor paulistano. O quarto volume traz cartas entre Mário e escritores e artistas argentinos. Já o quinto abarca as missivas trocadas com Luiz Camillo de Oliveira Netto, bibliófilo mineiro. Edusp e IEB | Vol. 4; trad. Gênese Andrade; org. Patricia Artundo | R$ 83 | 416 págs. Vol. 5; org. Maria Luiza Penna | R$ 60 | 288 págs.
LIVRO | CARTAS 2 Um livro de Marcel Proust numa lancheira, dentro de um saco plástico, perdido numa praia, esconde o diário de Nao. A escritora que o encontra em “A Terra Inteira e o Céu Infinito”, de Ruth Ozeki, descobre ali uma garota japonesa que lê as cartas de seu bisavô, um kamikaze da Segunda Guerra Mundial, e que conta a história de sua avó, uma monja budista. Casa da Palavra | R$ 39,90 (464 págs.)
Folha.com
Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL
ANDREAS VALENTIN, 61, fotógrafo e professor de pós-graduação em fotografia no Iuperj, é autor de “A Fotografia Amazônica de George Huebner” (Nau). SYLVIA COLOMBO, 42, é repórter especial da Folha e assina o blog “Latinidades” no site do jornal. BETTY MILAN, 69, psicanalista e escritora, é autora de “Carta ao Filho” (Record). FRANCISCO QUINTEIRO PIRES, 31, é jornalista em Nova York.
MARCELO COELHO, 55, é colunista da Folha. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 44, é ilustrador e cartunista, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.). DONALD REILLY (1933-2006) foi cartunista da revista “The New Yorker”. THOMAS VALENTIN, 66, é engenheiro e fotógrafo. Como irmão Andreas, exibe Call Me Helium no Centro Cultural Correios (RJ) até 13/7.
ORIENTE MÉDIO Crianças refugiadas sírias voltam a estudar em escolas libanesas FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ARTES PLÁSTICAS Galeria de obras de Bruno Dunley expostas na Nara Roesler >>folha.com/ilustrissima
G3
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Correspondência
2
O fim do mundo epistolar O que perdemos ao abrir mão das cartas? RESUMO Substituídas, ainda que de forma incompleta, pelo e-mail, as cartas escasseiam. Livros recentes contam a história da correspondência em papel e debatem suas peculiaridades, como a de traçar retratos vívidos de seus autores, a exemplo do Van Gogh que surge de “Cartas a Theo”, que terá nova edição brasileira.
MARCELO COELHO ILUSTRAÇÃO PAULO BRUSCKY
Alguns anos atrás, a moda era discutir o “fim” de qualquer coisa: o fim do Estado-nação (Jean Guéhenno), o fim do predomínio americano (Fareed Zakaria), o fim da história (Francis Fukuya-
ma), o fim dos livros (Umberto Eco, Jane Yellowlees Douglas) e até mesmo o fim das colmeias de abelhas (Rowan Jacobsen). O momento talvez seja mais propício para livros propondo o contrário: a volta do vinil, a volta da rivalidade russoamericana e mesmo a volta da fritura na manteiga – uma vez que, segundo pesquisa recente da revista “Annals of Internal Medicine”, não há prova de que gorduras saturadas façam mesmo mal ao coração. Ainda assim, parece bastante seguro afirmar que acabou o tempo das cartas pessoais – aquelas manuscritas, com selo e envelope. É possível que, nos últimos dez anos, eu não tenha recebido mais de cinco, e escrito ainda menos do que isso. O e-mail eliminou inapelavelmente essa forma de comunicação, sem, no entanto, substituí-la por completo. Há quem preveja, aliás, o fim do e-mail também. Enquanto isso não acontece, o sistema ajuda muito a combinar compromissos, trocar informações rápidas e enviar textos de trabalho; não funciona tanto, imagino, para as ocasiões mais
importantes da vida. Declarações de amor, conselhos paternais, enunciados de intenção artística ou existencial sem dúvida exigem outro tipo de preparo psicológico – e receber um envelope selado em casa sempre despertou emoções que nenhuma tela do Outlook pode reproduzir. Sem se dedicar a exercícios de futurologia, três livros recentes celebram a beleza, a variedade e antiguidade da comunicação postal. O ensaísta inglês Simon Garfield assina o melhor deles, “To the Letter - A Journey through a Vanishing World” [Canongate, e-book, R$ 35,18]. Do jornalista John O’Connell, colaborador do “Guardian” e do “Times”, vem “For the Love of Letters- The Joy of Slow Communication” [Short Books, e-book, R$ 22,88]. O mais boboca é “Kind Regards “”The Lost Art of Letter-Writing” [Michael O’Mara Books, e-book, R$ 22,21], de Liz Williams. O “amor às cartas” do leitor brasileiro se vê recompensado, enquanto isso, com uma nova edição das cartas de Vincent van Gogh (1853-90) pela edi-
tora L&PM, prevista para o segundo semestre. Além das cartas do pintor holandês a seu irmão Theo, já publicadas muitas vezes, o volume trará também as que ele recebeu de volta, numa das mais famosas demonstrações de dedicação fraterna e sustento material de que se tem notícia na história da arte. Vem junto a importante correspondência de Van Gogh com um pintor mais moço, Émile Bernard (1868-1941), além de notas, glossário, cronologia e a biografia de Vincent escrita pela mulher de Theo, Johanna van Gogh-Bonger. Rudeza É comum que, lendo as cartas de algum artista admirável, nossa admiração por ele diminua um bocado. As do escritor Gustave Flaubert (1821-80), que perfazem cinco volumes em papel-bíblia na coleção da Pléiade, podem ser incomparáveis no que expressam de autoexigência artística e de espírito crítico, mas não deixam de incomodar pela frequente rudeza de expressões e sentimentos.
No caso de Van Gogh, ainda que o pintor holandês tenha sido vítima de perigosos surtos de violência psicótica no final da vida, a impressão que deixam suas cartas é a de alguém próximo da santidade. “Neste inverno”, escreve ele a Theo em abril de 1882, “encontrei uma mulher grávida, que tinha sido abandonada pelo pai da criança que ela estava esperando”. “Uma mulher grávida que, no inverno, vagava pelas ruas, que devia ganhar seu pão você bem sabe como.” Van Gogh conta que a levou para casa e a tomou como modelo pelo resto da estação. “Eu a fiz tomar banhos, deilhe fortificantes tanto quanto pude, e ela ficou bem mais saudável.” Passaram a morar juntos – sendo que, como sempre, Van Gogh não tinha um tostão além do que Theo lhe dava. “Esta mulher agora está ligada a mim como uma pomba domesticada”. Van Gogh imagina a resposta que receberá do irmão. “Vincent, você vai passar por momentos péssimos e preocupações tremendas.” Profecia que, de resto, iria se cumprir.
Mas naquele momento o pintor não se importa. “Sei disso, você tem razão, mas, meu caro, eu estaria ainda pior se, bem no fundo de mim mesmo, eu ficasse com a sensação de ter perfidamente abandonado uma mulher que encontrei no inverno, grávida e doente, e a lançado de volta às cruéis pedras do calçamento mais uma vez.” (Uso neste trecho tradução minha da edição inglesa das cartas para a Penguin Classics, já que nem todas as missivas constam da edição brasileira, que faz outra seleção do material, sempre riquíssimo, deixado pelo pintor.) Generosidade A generosidade de Vincent van Gogh, que o levara a empreender uma carreira como pregador leigo entre os mineiros miseráveis da região carvoeira de Borinage, no oeste da Bélgica, mantém-se mesmo depois dessa fase ultrarreligiosa de finais dos anos 1870. É difícil, no seu caso, separar a produção estética do que nasce de uma particular conformação emocional.
G4
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Correspondência [Continuação] Não para dizer, como o filósofo e psiquiatra Karl Jaspers (1883-1969) em seu estudo sobre as relações entre loucura e arte na pintura de Van Gogh e na dramaturgia de Strindberg, que a última fase de desequilíbrio psíquico do gênio holandês se refletia num enfraquecimento da qualidade de seus quadros, mais mecânicos e maneiristas, segundo Jaspers. A relação entre arte e psicologia, ou, melhor dizendo, entre pintura e “alma”, se expressa nas palavras do próprio Van Gogh. Apesar de próximo da estética dos impressionistas e pós-impressionistas, o holandês tinha afinidades maiores com a pintura de românticos como Eugène Delacroix (17981863) e realistas como JeanFrançois Millet (1814-75). No primeiro, ele encontrava a possibilidade de usar a cor como meio de transmitir “conteúdos” expressivos; em Millet, a representação evangélica da vida do trabalhador do campo. Leitor de Dickens e Tolstói, Van Gogh está sempre buscando a proximidade com os mais pobres. “Cristo é o maior artista de todos”, diria – e os atormentados ciprestes que ele pintou no fim da vida eram para ser, em sua concepção, como as árvores do Gólgota. Um sofrimento recorrente nas cartas do tão célebre pintor de paisagens e girassóis é a falta de modelos vivos, que o permitissem retratar não só a natureza – que ele vê sempre
em estado de germinação, movimento e desejo – mas também o ser humano. Seja como for, suas cartas funcionam como uma segunda obra, além das realizações pictóricas, nas quais ele mostra uma alma por inteiro. Na esmagadora maioria das missivas, o que vemos é uma pessoa fervorosa, “pintando como uma locomotiva”, sempre descontente com seu trabalho, mas sem nenhum ingrediente de loucura mais notável. Depois de uma juventude desorientada, e de vários desentendimentos com a família, Van Gogh sabe o que quer, o que procura e entrega-se a isso com energia e constância. Muita gente menos louca do que ele deveria invejá-lo nesse aspecto. Tratado As cartas de Vincent van Gogh não são citadas por Simon Garfield no seu divertido e emocionante “tratado” sobre a comunicação pessoal escrita. Mas outro caso de arte, loucura e suicídio – o da poeta americana Sylvia Plath (1932-63) – ganha destaque em “To The Letter”. Um dos capítulos do livro é dedicado à correspondência do viúvo de Plath, o também poeta Ted Hughes (1930-98). Uma coletânea das cartas do autor britânico foi publicada em 2007, e Simon Garfield transcreve um trecho do que Hughes escreveu para a mãe de Plath, um mês após o suicídio: “Cara Aurelia, foi impossível para mim escreverlhe antes. Nunca vou superar o choque e esse nem é particu-
larmente um desejo meu. Vi as cartas que Sylvia escreveu para os meus pais e imagino que ela tenha escrito outras parecidas, ou piores, a você”. Hughes continua: “Nós estávamos totalmente cegos, nós dois estávamos desesperados, fomos estúpidos e orgulhosos – e o orgulho nos fez tortuosos, ela mais ainda. Sei que Sylvia era constituída de forma a impingir terríveis punições às pessoas a quem mais amava, mas todo mundo é um pouco assim, e era necessário apenas um pouco de inteligência da minha parte para lidar com isso”. Ele conclui: “Não quero ser perdoado nunca. Não quero dizer com isso que vou me tornar um altar público de lamento e de remorso; o mais cedo possível vou me transformar no oposto disso. Mas se houver uma eternidade, estarei nela em danação”. Durante o resto da vida, Hughes recusou-se a alimentar a indústria de especulações em torno de sua responsabilidade pelo suicídio de Sylvia Plath. Só em 1998 ele publicaria um livro de poemas – cujo título, “Birthday Letters”, evoca a ideia de correspondência – escritos ao longo dos 25 anos transcorridos desde o suicídio dela. Tendo morrido nesse mesmo 1998, Ted Hughes pode ser considerado um dos últimos escritores a nunca ter encostado as mãos num computador, e suas cartas servem como um testemunho pessoal que, sem dúvida, e-mail nenhum é capaz de oferecer.
G5
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Babilônia A história começa muitos séculos antes, obviamente. Em “Kind Regards”, Liz Williams informa que o rei Hamurabi, da Babilônia, foi dos primeiros a organizar um “sistema postal”, por volta de 1750 antes de Cristo. Como prevaleceria até a invenção do telégrafo, distribuíam-se “postos”, ou “estações”, ao longo das estradas, nos quais mensageiros trocavam de cavalo para prosseguir viagem. No século 13, Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, teria espalhado 1.400 desses postos pelo território chinês, separados por uma distância de no máximo 60 quilômetros. Mecanismos desse tipo estavam reservados, entretanto, para a correspondência oficial e militar. Na Inglaterra, foi só em 1657 que se instituiu, por decreto do republicano Oliver Cromwell, um serviço geral de correios aberto ao público. Daniel Defoe, no começo do século seguinte, orgulhava-se de que em Londres, diferentemente das outras grandes cidades do mundo, era possível mandar e receber cartas no mesmo dia, em “quatro, cinco, seis ou oito horários diferentes”. Cerca de 1 milhão de cartas circulavam pela Inglaterra em 1703, conta Simon Garfield. Quase dois séculos se passariam, entretanto, até que Oscar Wilde pudesse se dar ao luxo de simplesmente jogar uma carta pela janela – confiando que o primeiro passante que a visse na calçada teria a civilidade de colocá-la na caixa de correio mais próxima. Para isso, os selos tiveram de ser inventados (em 1840, por Rowland Hill). O Brasil foi o segundo país do mundo a adotá-los, em 1843. Também as caixas de correio tiveram de ser instituídas. Embora desde a Renascença existissem recipientes postais nas igrejas para que os cidadãos se denunciassem mutuamente, um mecanismo mais confiável só veio a ser implantado
em Londres em abril de 1855. O responsável pela inovação teria sido (a autoria é contestada) um romancista vitoriano de peso, Anthony Trollope (1815-82) – o prolífico escritor foi também funcionário dos correios por 33 anos. As curiosidades em torno do assunto são o forte, como se vê, de “Kind Regards”. O problema do livro de Williams é o seu ar de “manual do escoteiro-mirim”. Surgem coisas como uma tabela de como se diz “carta” em diversas línguas do mundo (“dopis”, em tcheco, “barua”, em suaíli), além de considerações do tipo “por que você deveria escrever cartas”: a resposta, segundo a autora, está em que “bem escrita ou não, a carta proporciona uma conexão humana”. Trivialidades desse tipo não ocupam o livro de Simon Garfield. “To the Letter” sabe alternar com maestria o fatual e o comovente, e talvez nisso esteja o segredo das cartas realmente memoráveis. Não faltam exemplos. Uma carta banalíssima – convidando para uma festa de aniversário – ganha força quando sabemos que foi escrita numa tabuinha, milagrosamente preservada nas terras úmidas do norte da Inglaterra, por Claudia Severa a Lepidina, por volta do ano 100 d.C. “O dia será muito mais prazeroso com a sua vinda”, diz a aniversariante, no que provavelmente é um dos primeiros exemplares de um texto manuscrito por uma mulher. Outro manuscrito impressionante, mas provavelmente forjado, é a carta de Ana Bolena a Henrique 8º, protestando sua inocência ao marido, pouco antes de ser decapitada na Torre de Londres. Um pouco menos deprimente é a correspondência entre Napoleão e Josefina de Beauharnais, que vai da paixão mais obsessiva às corteses tratativas de separação. Ilustrações (que, na versão física do livro, se veem um pouco prejudicadas
pela qualidade do papel) aparecem com regularidade em “To The Letter”. Simon Garfield é um entusiasta dos leilões de manuscritos, e agrega bastante suspense ao livro contando de que modo alguns tesouros epistolográficos vieram a público. Um desses tesouros é a correspondência da família Paston, que se estende por várias gerações durante o século 15. “Estou comendo como um cavalo”, diz um rapaz da família em 1469; “estou sem cartas de você desde o Natal, e meu coração não ficará sossegado se não receber notícias”, diz Margaret Paston ao marido. Presença As notícias chegaram até nós. Mais do que a qualidade literária, certamente notável nos grandes autores de cartas como Madame de Sévigné (1626-96), Voltaire (1694-1778) ou William Cowper (1731-1800), o que chama a atenção nessas correspondências preservadas é algo muito simples, e inimitável: a presença da vida. Sobre William Cowper, uma boa e rápida introdução é oferecida por John O’Connell, em “The Joy of Letters”. O livro se divide nos diferentes tipos de “alegria”, ou contentamento, que as cartas são capazes de produzir. Falando sobre “a alegria de coisa nenhuma”, O’Connell dá exemplos daquelas cartas em que nada de importante se comunica. “Você quer ter notícias minhas”, escreve Cowper a William Unwin, em 1780. “Essa é uma boa razão para eu escrever a você “”mas não tenho nada a contar – e essa é uma razão igualmente boa para eu não escrever a você. Mas, se você tivesse desmontado do seu cavalo na nossa casa de manhã, e no momento em que escrevo esta carta, às cinco da tarde, tivesse tido a oportunidade de dizer para mim, sr. Cowper, o senhor
nada disse desde que eu entrei, está determinado a nunca mais falar comigo?, seria uma péssima réplica se, ao atender a sua convocação, eu mencionasse a falta de coisa importante como minha melhor e única desculpa...” E por aí ele vai, bordando o texto em torno de nada. Dos livros aqui comentados, o de John O’Connell é, sem dúvida, o mais “literário”, menos interessado em descobertas históricas do que na graça, na eloquência, no gênio dos grandes missivistas. Já Simon Garfield, num livro mais extenso, dá atenção ao que, mesmo na correspondência entre excelentes escritores, faz parte do cotidiano trivial da humanidade, sem grandes diferenças ao longo dos séculos. As mesmas queixas quanto à demora em responder, as mesmas desculpas por não ter tido tempo, as mesmas preocupações com a saúde dos parentes, os mesmos desejos de que tudo corra bem, a mesma perplexidade diante da morte, os mesmos pedidos, ciúmes e promessas atravessam as linhas escritas por Plínio, o Moço (“como é que você não apareceu para jantar ontem?”, pergunta ele a Septício Claro, por volta de 100 d.C) e Henry Miller (1891-1980), lamentando que sua amada Anaïs Nin tenha saído para jantar com a família em vez de ficar com ele. Lugares-comuns, sem dúvida – mas que ganham calor e pulso a cada novo contexto. Para quem conhece os extraordinários quadros em que Van Gogh retratava apenas um par de sapatos velhos, a simplicidade do menor testemunho de vida sempre há de se cobrir de um grande valor. Ainda mais quando, num dia especialmente animado, Vincent se despede de Theo anunciando que irá em seguida se dedicar a uma tarefa que estava adiando há muito tempo: engraxar as próprias botinas.
G6
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Diário de Bogotá O MAPA DA CULTURA
3
Vargas Llosa de saia justa Achincalhes e Santos dominam festa literária
uma repórter da revista “Proceso” foi deixada em cima de seu teclado, numa mensagem sem ambiguidades nem toques literários. SYLVIA COLOMBO
D e longe, mais parece um encontro de numismatas ou filatelistas, reunidos no suntuoso Palácio Chapultepec, de onde se vê a Cidade do México em 360 graus. Na semana passada, quase uma centena de “jornalistas literários” latino-americanos (em espanhol, “cronistas”) – editores, feras da reportagem internacional e 15 repórteres nascidos depois de 1980 – debateram um gênero que, segundo Elena Poniatowska, 82, decana do jornalismo mexicano, é a “poesia do futuro”. O encontro “Nuevos Cronistas de Indias” (cronistas.fnpi.org) foi organizado pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), que a partir deste mês adota o nome de seu fundador, Gabriel García Márquez. O México é o país mais perigoso para o metiê, segundo o repórter da revista “The New Yorker” Jon Lee Anderson – o único norte-americano presente. Um exemplo: em 2011, a cabeça de
Banalização Cabeças cortadas e cadáveres se multiplicam nos tabloides. A tensão entre o cultivo do estilo e a urgência de reportar situações que nada têm de poéticas é um dos eixos das discussões. “Não aguentamos mais ler perfis de chefes do tráfico”, disse o colombiano Camilo Jiménez. Já a chilena Mónica González, da CIPER, criticou o preciosismo de editores que cultivam o texto em detrimento da informação relevante. O dilema entre as reportagens feitas de “algodão-doce” e as que têm real impacto na vida das pessoas é falso, afirma o chileno Cristian Alarcón, diretor da revista argentina “Anfibia”: “Toda narrativa jornalística depende da investigação, mas nem toda investigação depende da narrativa”. Seja como for, o encontro mostra um bom momento para o tal “jornalismo literário” na América Latina. E o foco nos meios impressos mostra que a internet, no jornalismo, ainda não passa de uma promessa. Nos últimos 15 anos, assinala
Lee Anderson, o continente viveu uma explosão de revistas, algumas muito refinadas, como a mexicana “Gatopardo”, a colombiana “El Malpensante”, a peruana “Etiqueta Negra”, a chilena “The Clinic” e a brasileira “Piauí”. Além dessas publicações, estavam representados jornais – a Folha, o mexicano “Reforma”, o espanhol “El País”, os argentinos “Página/12” e “Clarín”–, entidades como a Fundação Tomás Eloy Martínez (links para os sites dos participantes em folha.com/ilus trissima) e editores de livros. Elitismo Esse florescimento num continente marcado pelo analfabetismo traz desafios. “O perigo do jornalismo literário é cair na frivolidade, na cobertura de celebridades voltada para uma elite”, disse à Folha Jon Lee Anderson. “Não podemos competir com o ‘hard news’ e todos precisamos dele, mas a reportagem de fôlego pode conter muitos gêneros ao mesmo tempo e, em três meses de apuração, alimentar a história”. Lee Anderson também pede mais rigor na definição do que é uma reportagem de fôlego e defende
o caráter democrático da grande reportagem, que deve atingir todos os meios sociais. Isso também vale na América Latina, que não tem uma revista de grande alcance como a “New Yorker”? Como driblar a vocação para o elitismo? Anderson reconhece que, no México, ainda se escreve para uma elite: “Afinal, somos meia dúzia de escritores reunidos no palácio de um imperador”. Mendigos, Uni-Vos! Enquanto isso, no Zócalo, praça no centro histórico, desenrolava-se outro encontro internacional: Homeless World Cup, a Copa do Mundo de moradores de rua. Em pequenas quadras, com arquibancadas, patrocinadores, torcidas e uniformes, 56 seleções formadas por mendigos barbeados e arrumadinhos disputavam o título mundial. Até o fechamento desta edição, a campanha brasileira era perfeita: entre várias goleadas, batemos a Argentina por 8 a 2, e a Coreia do Sul, num formidável 17 a 3. Os resultados e os melhores momentos em homelessworldcup.org. O jornalista Paulo Werneck viajou a convite da FNPI.
G7 G
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
4 Leve como o ar
A C E RVO
PESSOA
L
Rio/ Nova York, 1974
ANDREAS VALENTIN THOMAS VALENTIN
Conhecemos Hélio Oiticica (1937-80) no início dos anos 1960, quando, uma vez por semana, ele ia à nossa casa nos dar aulas de pintura. “Inventa!”, repetia ele, quando, diante de uma cartolina vazia, perguntávamos o que fazer. Sempre em permanente invenção e experimentação, Hélio passou grande parte de sua efêmera vida escrevendo: foram milhares de páginas de anotações e, principalmente, cartas que enviava para os amigos mundo afora. Nosso convívio com ele transformou-se em amizade duradoura e consolidou-se em parcerias criativas. Em março de 1974, após uma temporada em Nova York, estabelecemo-nos novamente no Rio de Janeiro onde, ainda sob o “estado inventivo”, realizamos projetos artísticos que se concretizaram em filmes, fotografias e proposições. Mantínhamos contato
constante com nosso querido amigo por meio de telefonemas internacionais e, claro, muitas cartas. Esses escritos eram detalhados relatos de ideias, experiências e reflexões. De um lado, enviávamos informações do Rio, em plena ditadura militar, porém pulsando com shows de rock no Maracanãzinho, de Miles Davis no Theatro Municipal, filmes no Paissandu, no Cinema 1, além da praia de Ipanema, com seu hedonismo balneário, onde tudo e todos se encontravam. As cartas recebidas de Nova York presentificavam e davam continuidade às experiências por nós ali vividas, mas sem qualquer sentimento de nostalgia. Ao contrário: eram como um criativo, divertido e performático “travelogue” do cotidiano nova-iorquino relatado por quem o conhecia tão bem. Muitas obras que tiveram a participação de Hélio Oiticica foram pensadas e desenvolvidas por meio de generosas trocas de informações escritas. Uma delas é a nossa CALL ME HELIUM que, agora, 40 anos depois de ser concebida, é realizada no Centro Cultural
Correios no Rio de Janeiro. Antes mesmo de conceituar a obra, já tínhamos o nome. A frase foi pinçada por Hélio da última entrevista de Jimi Hendrix antes de sua morte e inserida no início de uma carta sua a Waly Salomão publicada na revista “Polem”, em janeiro de 1974. Pensada como uma homenagem nossa a Hélio, a obra foi tomando forma através das cartas. A proposta inicial era, num domingo de sol na praia de Ipanema, içar um balão vermelho a uma altura de 20 metros com a frase pintada em dois lados. Enviamos as ideias para Hélio, que, euforicamente, respondeu com sugestões como as de que não usássemos aspas na frase, evitássemos sentimentalismo e moralismo quanto a Hendrix e que Silviano Santiago e os irmãos Campos fossem convidados. Em 7 de abril, poucos dias depois de receber a carta com essas reflexões, respondemos que logo enviaríamos a proposição, que deveria ser a mais simples possível, de fácil e imediata execução, como se “fosse algo chamando a atenção numa situação onde
normalmente nada acontece e que, depois de acontecer, novamente nada aconteceria”. Sucederam-se vários longos telefonemas, nos quais, claro, o assunto nunca era apenas CALL ME HELIUM. Falávamos das coisas e pessoas daqui, e ele, das de lá, chegando sempre ao mesmo desfecho, com Hélio, aos gritos e gargalhadas, dizendo: “Pois é, eu aqui sei de mais coisas daí que vocês aí!”. Ou, ainda: “Eu aqui faço coisas aí! Ha! Ha! Ha!”. No final daquele mês, ele nos enviou cópias de três páginas de seu caderno NTBK 4/73, com contribuições e reflexões minuciosamente detalhadas, que deveriam se somar às nossas. E, assim, a obra foi
se construindo e tomando forma, sempre colaborativa e, principalmente, leve como o ar. Nossa troca epistolar foi mantida até a volta de Hélio ao Brasil, em 1978. São dezenas de páginas que se configuram como relatos de
Trecho de carta de Hélio Oiticica aos irmãos Valentin (31-03-74)
tempos passados, nos quais, em meio também a muitas fofocas, afloram emoções que legitimam aquilo que de mais precioso pode haver entre indivíduos: amizade e confiança eternas.
G8
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Caderno D
Plateia MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
plateia@emtempo.com.br
Ivete Sangalo é alegria pura em novo CD e DVD (92) 3090-1042
Plateia 4 DIVULGAÇÃO
Taís BANDEIRA
‘Em SP, CONHECI O QUE ERA concorrência’ FOTOS: DIVULGAÇÃO
GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
O rock e o popular sempre estiveram me rondando. Nos recitais mais recentes que fiz em São Paulo e Minas Gerais, cantei ‘Fear of The Dark’ (Iron Maiden) e ‘Enter Sandman’ (Metallica). Sou imensamente fã do Robert Plant, do David Coverdale e, principalmente, do Eddie Vedder”
H
á 12 anos longe de Manaus, um nome da arte amazonense segue assumindo novos desafios e obtendo por consequência novas conquistas. Em plena realização do 18º Festival Amazonas de Ópera (FAO), o EM TEMPO conversou com a cantora Taís Bandeira, uma das vozes mais significativas já produzidas pelo Amazonas, radicada em São Paulo. Aos 20 anos de idade, Taís descobriu a ópera cantando “Alma”, de Cláudio Santoro, no Teatro Amazonas. Em seguida, cantou no FAO por 7 anos tendo se destacado como Pamina (A Flauta Mágica, Mozart). Vencedora de concursos de canto como “Maria Callas”, “Aldo Baldin” (ambos de 2007) e ”Carlos Gomes” (2008), por exemplo, Taís foi a primeira cantora brasileira a participar do concurso de canto “Operalia”, do tenor Plácido Domingo, tendo cantado sob sua regência no “Dorothy Chandler Pavilion Opera House”, em Los Angeles/EUA. É dela, ainda, a honra de ter sido a primeira soprano amazonense a cantar ópera como solista na história do Teatro Amazonas. Ao EM TEMPO, a cantora, cuja carreira passa por um repertório de concertos e recitais como Manon Lescaut, Tosca, Madame Butterfly, La Traviata, Carmen, O Forrobodó, Carmina Burana e outros títulos, conta curiosidades sobre seu trabalho. EM TEMPO – Foi difícil se adaptar a uma nova realidade fora de Manaus? Taís Bandeira – Um pouco. Sofri nos seis meses iniciais da minha vida em São Paulo. Nunca tinha desejado morar aqui, achava a cidade muito opressora. Nunca tinha almejado, por exemplo, cantar no Teatro Municipal de São Paulo.
Mas depois de cortar o cordão umbilical com Manaus, virei quase paulistana. EM TEMPO – Que principais dificuldades você enfrentou? TB – Assédios diversos. Sexual e moral também. Preconceito por ser do Amazonas. E pessoas me assediando por ser a cabocla “gostosa” que veio de Manaus. O assédio moral e bullying sofri com colegas na faculdade (UNESP, onde fez mestrado em canto). Nas aulas e masterclasses de canto, por exemplo, tive colegas cantoras que não me cumprimentavam. Conheci de cara o que era concorrência. No meu primeiro teste de canto, uma professora do Rio de Janeiro me disse que eu não tinha voz. Na mesma semana fui escolhida por uma professora incrível, Mirtes Landi, e me mudei para Belo Horizonte onde fiquei por 1 ano e meio estudando canto com ela e com o maestro Nivaldo Santiago. Recebi algum tempo depois uma bolsa de estudos do Estado do Amazonas, outorgada pelo secretário Robério Braga. EM TEMPO – Soube que você gosta de rock e que adoraria ter uma banda. Quão próximo você esteve perto disso? TB – Antes de cantar ópera eu cantei MPB e iniciei uma banda de rock com amigos. Sempre gostei de rock e heavy metal. Minha irmã mais velha namorava um baixista que tinha uma banda que ensaiava perto de casa. Eu tinha 10 anos e frequentava os ensaios e shows deles no Rio Negro e no Colégio Militar, pois minha irmã era obrigada a me levar nos shows. Alguns anos depois, quando eu estava formando uma banda, meu baterista foi para Londres e nunca mais voltou, e eu acabei seguindo o caminho da ópera. Mas o rock e o popular sem-
pre estiveram me rondando. O rock entra sempre que é possível em meus recitais e concertos. Nos recitais mais recentes que fiz em São Paulo e Minas Gerais, cantei “Fear of The Dark” (Iron Maiden) e “Enter Sandman” (Metallica). Ainda não consegui colocar nos shows nada do Pearl Jam, Whitesnake e do Led Zeppelin. É como se as músicas fossem “encantadas”. Sou tão imensamente fã do Robert Plant, do David Coverdale e, principalmente, do Eddie Vedder que acho que minha voz estragaria as criações deles. EM TEMPO – O que está desenvolvendo atualmente na sua carreira artística? TB – Continuo dando aulas na universidade. O meu foco é a formação de cantores e professores de canto capacitados verdadeiramente ou para o palco, seja erudito ou popular, ou para sala de aula. Lá desenvolvo também um projeto de pesquisa em ópera e heavy metal. Acabei de fazer dois concertos de canções de Carlos Gomes com a Orquestra Sinfônica de Campinas, regida pelo Maestro VictorHugo Toro. No dia 9 de abril, estreei a personagem Cio Cio San, de Madame Butterfly, de Puccini (ópera que apresentará em mais de 50 cidades, ainda). E acabo de formatar o programa de um CD de músicas sacras, que farei para angariar fundos para entidades que reabilitam dependentes químicos. EM TEMPO – Mesmo à distância, você acompanha de alguma forma o que acontece em Manaus, em relação ao seu campo de atuação? TB – Não acompanho como gostaria, pois é sempre um período de muito trabalho para mim aqui no Sudeste. Mas fico imensamente feliz com os sucessos e as glórias do FAO.
Nas aulas e masterclasses de canto, tive colegas cantoras que não me cumprimentavam. No meu primeiro teste de canto, uma professora do Rio de Janeiro me disse que eu não tinha voz”
D2
Plateia teia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
FOTOS: CÉSAR CATINGUEIRA
>> Vitrine
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
>> Passarela
As chiques Milena Desterro e Silva e Fernanda Mendonça
Sandra Frota e Angela Bulbol de Lima enchendo de classe a festa
. A chic Cris Topdjian abriu o endereço do Jardim das Américas para um evento de moda e charme.
A anfitriã Cris Topdjian, na festa que reuniu elenco feminino VIP no Jardim das Américas
. Apresentou desfile de kaſtans e batas sofisticadas assinadas pela estilista paulista Mariana Penteado - com a presença dela em si – no evento. Miss Penteado é it girl e faz parte do novo time de socialites descoladas do Brasil. Assina moda up to date, no estilo gipsy-jet-setter. . Desfile-show e coquetel com as finas locais. Noite badaladíssima!
Gisele Maranhão e Manu Gil
A estilista e it girl paulista Mariana Penteado
Márcia Martins, Alexandre Prata e Adriane Gonçalves
O charme de Marthinha Pinheiro e Brenda Furtado
A bela Ane Cameli
>>. A querida Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque é a mais nova Mestra em Direito Processual Civil da Universidade de São Paulo- USP. Ela apresentou bela defesa perante a banca composta por José Carlos Puoli, William Santos Ferreira e Rodolfo Mancuso. Aplausos! >>. Anabel Souza estréia idade nova neste domingo. Cumprimentos da coluna.
Maza Lopes e Farah Neves
Jéssica Tayah, de Hervé Lerger
>> . A jornalista Mazé Mourão promove noite de autógrafos de seu livro ‘Poucas e Boas – Crônicas e Reportagens’, na H. Stern no Manauara, no dia 13 deste mês.
Alessandra Brandão, de Paco Rabanne
>>. Nejmi Aziz ganhou almoço c o n c o rr i d í s s i m o comemorando a passagem de seu aniversário, sextafeira no Bistrô Zefinha, reunindo time especial de mulheres do society de Manaus. Foi cumprimentadíssima.
>>. No dia 24, no Studio 5, show do cantor Luan Santana e Lucas Lucco. >>. Marko Belém e Marcos Cruz também estão na lista de aniversariantes de hoje. >>. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, anunciou ontem, em reunião de diretoria, a lista dos homenageados da solenidade “Industrial do Ano”, a realizar-se no dia 23, às 20h30, no salão de festa do Clube do Trabalhador. A empresária Valdenice Garcia, diretora-presidente da Amazongás Distribuidora de Gás Liquefeito de Petróleo Ltda., Fredson Encarnação, diretor da FabriQ Ltda. e Recofarma Indústria do Amazonas serão os grandes homenageados da indústria, respectivamente, com os títulos de Industrial do Ano, Microindustrial e Exportadora de 2013. >>. Amanhã é a vez de cumprimentar Norimar Muller, aniversariando.
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
D3
História por meio do futebol O
s campeões mundiais Cafu, Ronaldão e Mengálvio estarão em Manaus no dia 31 de maio, véspera da estreia da exposição “Brasil um país um mundo”, no Shopping Ponta Negra. A partir das 11h, os atletas vão conceder uma entrevista coletiva e guiar os jornalistas pela mostra, que abrirá para a visitação no dia 1º de junho. A exposição apresenta um acervo exclusivo de peças históricas do futebol brasileiro, entre objetos, fotos, vídeos, instalações interativas que também mostram como esse esporte permeia as mais diversas áreas de conhecimento. Desde sua estreia em Brasília, em dezembro passado, “Brasil um país um mundo” já passou por Curitiba, Salvador, Recife, Porto Alegre, Natal, Fortaleza, Belo Horizonte e Cuiabá e rodará até julho pelas demais cidades-sede da Copa. Integrante da Programação Oficial do Governo Federal da Copa do Mundo Fifa 2014, a exposição traz um acervo composto de relíquias que levam o visitante numa viagem pelo tempo até os anos 30, e reúne camisas usadas em jogos de Copas,
campeonatos oficiais e jogos amistosos, troféus, medalhas, bolas e chuteiras. “Peças raras e exclusivas vão ilustrar não só a evolução do futebol em termos de moda e equipamentos, mas também o desenvolvimento do esporte do ponto de vista antropológico, social, na publicidade e entretenimento”, diz o jornalista Ricardo Corrêa, curador da exposição. Ana Gonçalves, diretora da Footwise, idealizadora de “Brasil um país um mundo”, diz que a exposição foi pensada para contar a história do Brasil por meio do futebol. “O projeto contempla o universo do futebol da maneira mais ampla possível, delineando a verdadeira dimensão que o esporte tem para o país”, diz Ana. “Brasil um país um mundo” será dividida em eixos temáticos. No segmento “Paixão, Diversidade & Sagrado”, vídeos, objetos e fotos mostram as mandingas, as promessas e outras práticas do sincretismo religioso brasileiro invocadas pelo torcedor – o visitante poderá gravar um depoimento de 30 segundos sobre seu amor pelo futebol, que será publicado no
site do projeto. Na seção “Tecnologia”, fotos e painéis multimídia com infográficos ilustram a evolução do futebol em termos de estrutura, aparelhagem e de cobertura midiática. O papel reconciliador desempenhado pelo futebol em diversos episódios da história é tema do segmento “História”, que documenta as emocionantes excursões do Santos de Pelé e da Canarinho durante a Guerra de Biafra, na Nigéria, e a Guerra do Haiti. Em “Moda”, o recorte e o estilo dos uniformes de futebol nas várias décadas desde o século 19 são analisados. Artesanato A arte, a cultura e as belezas turísticas das 12 cidades-sede terão um espaço exclusivo em cada cidade que receberá a exposição, que também terá uma loja de artesanato com produtos e objetos de artistas locais. A renda gerada será revertida para a Associação dos Campeões Mundiais e Fundação Cafu. Educativo O conteúdo das exposi-
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Campeões mundiais apresentam a exposição “Brasil um país um mundo”, que abre para visitação em junho, no Shopping Ponta Negra ções alimentará o canal educativo do site www.brasilumpaisummundo.com.br, que disponibilizará material para professores de instituições públicas, com intuito de orientá-los como agentes multiplicadores, replicando um legado de conhecimento – e reconhecimento – da cultura do futebol aos jovens estudantes brasileiros. Outro objetivo do projeto é valorizar a memória dos campeões mundiais do país. Por isso, semanalmente em cada exposição, um campeão mundial estará no local e lembrará junto com o público das glórias da seleção.
SERVIÇO EXPOSIÇÃO “BRASIL UM PAÍS UM MUNDO” Quando: De 1º a 25 de junho Onde Shopping Ponta Negra, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 14h às 20h Entrada: Gratuita O público poderá conferir a mostra a partir de 1º de junho
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
RESENHA
O axé de Ivete Sangalo BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO
PERFIL
Bruno Mazieri, editor do caderno Salão Imobiliário
S
egundo o candomblé, a palavra axé significa energia, força, poder. Usada constantemente na Bahia, ela traduz bem o que é a cantora Ivete Sangalo, que acaba de lançar seu mais recente trabalho, um combo que reúne CD e DVD gravados ao vivo na Arena Fonte Nova, em Salvador – claro! – e que comemora seus 20 anos de carreira. Reunindo seus maiores sucessos, o registro audiovisual não leva apenas a artista, mas também o espectador em uma viagem no tempo. Sem dúvida Ivete é um dos nomes mais famosos quando o assunto é Música Popular Brasileira (MPB) atual. Sim, porque este que vos escreve, acredita que toda e qualquer música produzida neste país e que ganha as rádios, novelas e outros veículos de comunicação são populares e isso não desmerece em nada o trabalho da artista, que ganhou notoriedade em meados dos anos 90, ainda à frente da famosa e, por que não dizer, saudosa banda Eva.
De lá para cá, a cantora passou por diversas mudanças não apenas na questão empresarial, mas também na forma de se apresentar. O que no início era essencialmente axé music ultrapassou fronteiras se transformando em um axé pop music, por assim dizer. E isso foi positivo, tendo em vista que ela ganhou os palcos do mundo – Europa, África e América do Norte – merecendo, inclusive, um registro no famoso Madison Square Garden. Mas voltando ao novo trabalho. O DVD conta com 23 faixas e diversas participações especiais. Dentre elas Bell Marques, ex-Chiclete com Banana; Alexandre Carlo, do Natiruts; Alexandre Pires e Saulo Fernandes. O show inicia com a música “Tempo de Alegria”, hit no Carnaval de Salvador deste e ano que não será surpresa se “estourar” ao longo da Copa do Mundo. Daí para frente sucessos como “Acelera Aê”, “Festa”, “Sorte Grande” e “Dançando” são interpretados com uma emoção visível no rosto da cantora. Porém, o que mais chama atenção é o momento “baianidade nagô”, comumente vista nas apresentações de
RA
FA
T MA
Daniela Mercury. Confesso que nunca antes na história tinha visto uma Ivete tão baiana, exaltando a cultura de seu Estado de forma tão evidente. Composições como “Muito Obrigado Axé”, “Faraó Divindade do Egito”, “Ladeira do Pelô”, e “Doce Obsessão” dão o tom certo ao espetáculo. Tudo devidamente acompanhado do Olodum. Só por isso, o trabalho já é digno de um salve! Mas “Veveta” – como é chamada por sua família e fãs – não para por aí. O momento romântico chega e mostra a cantora acompanhada de um violão, provando por A+B que é uma artista completa. “Faz Tempo”, “Deixo”, “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” e “Quando A Chuva Passar” são apenas alguns dos inúmeros temas que, certamente, já embalaram um romance seu ou de algum amigo. E engajada na carreira internacional, Ivete não poderia deixar de incluir no seu diversificado setlist “Could You Be Loved”, imortalizada na voz de Bob Marley; “Crusin’” e “Careless Whisper”. Uma ressalva importante: desde o trabalho no Madison Square, a cantora
TE
I/D
I
GA
L VU
ÇÃ
O
aperfeiçoou e muito seu inglês, provando que não existem limites quando se foca em algo. A apresentação termina do jeito que o povo gosta, com a artista em cima de um “trio elétrico” e fazendo aquilo que sabe fazer de melhor: colocando seus fãs para pular, deixando um gostinho de quero mais. Bom seria se em um mundo onde temos Jennifer Lopez e Pitbull cantando a música oficial da Copa no Brasil, houvesse espaço e sensibilidade para “convocar” Ivete Sangalo e sua seleção de músicos. Não sei se há tempo para isso, caso contrário, bom mesmo é comprar o DVD e se perder em um tempo de pura alegria. Axé, Ivete!
Bom seria se em um mundo onde temos Jennifer Lopez e Pitbull cantando a música oficial da Copa, houvesse espaço e sensibilidade para ‘convocar’ Ivete Sangalo”
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
D5
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
TV Tudo
GLOBO / JOÃO COTTA
• Renata Fan e Paloma Tocci, sem participação nenhuma nisso, estão com os seus fãs se pegando nos meios sociais. Tem cabimento?
Não adianta falar Dizer que os canais pagos deveriam respeitar um pouco mais os seus assinantes virou quase uma ladainha. Os horários não são observados, existem enganos nas atrações anunciadas, sobram reprises e por aí afora.
• Gilberto Barros também vai aparecer no “Tudo Pela Audiência”, do Fábio Porchat e Tatá Werneck. Gravou quarta-feira.
Mas nada... Causa tanta irritação quanto às interrupções dos filmes, agora comuns em quase todos os canais. De um momento para o outro, para a desagradável surpresa de todos, entra uma vinheta anunciando a entrada de intervalos comerciais... Que, às vezes... De comerciais não tem rigorosamente nada. É só um festival de calhau, que leva até o mais paciente dos telespectadores a perder a paciência. É sempre aquela historinha do “voltamos em 2 minutos”. Nada mais aborrecido. E outra... Vamos parar com essa besteira que a TV fechada continua imprimindo perdas importantes na TV aberta. Isso é uma bobagem. As programações dos canais por assinatura ainda deixam muito a desejar. Em números e repercussão. As mais assistidas na TV fechada são
REGI
Bate–Rebate
• Neste domingo, às 21h15, para comemorar o Dia das Mães, o Multishow exibe o especial inédito com Andre Rieu, acompanhado da Johann Strauss Orchestra.
Calouros Ana Terra Blanco, a Luene, de “Geração Brasil”, se apresenta no show de calouros da novela, em capítulo desta segunda-feira. Como jurados Ney Matogrosso, Luane, do “Esquenta”, e Pamela Parker-Marra (Cláudia Abreu). as emissoras convencionais e com larga vantagem.
trabalho dos dois, Braga e Linhares.
Na pista A boa atriz, Isabela Garcia, como já era aguardado, fará a próxima novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, substituta de “Falso Brilhante”. Ela ainda está envolvida nas gravações da atual “Malhação”. ”Babilônia” é o título do novo
Bola nas costas Lucas, ex-São Paulo e hoje PSG, com toda certeza é um que deve lamentar bastante não ter seu nome incluído na lista do Luiz Felipe Scolari. Nos últimos tempos, por causa da seleção, foram muitos os comerciais em cima da seleção.
Na TV não existem leis para as igrejas Como já ficou atestado, a Igreja Universal não tem limites para o seu plano de expansão nos meios de comunicação, especialmente nas emissoras de rádio e televisão. Se pegar na letra da lei isto não poderia e nem deveria acontecer. Mas a lei, ora a lei. A Universal está agora com a CNT. Nos resta apenas ser solidários aos trabalhadores comuns, que ainda tentam se encaixar neste cada vez mais fechado mercado de trabalho.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Os jurados do “Superstar” não estão sabendo usar a liberdade que o diretor Boninho oferece a eles. Todos intervindo no momento que acham oportuno, só que isto vem acontecendo além da medida do suportável. O telespectador, em algumas vezes, fica de idiota. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br
Notas sobre a política
MÁRIO ADOLFO
GILMAL
ELVIS
O documentário “Flávio Rangel: o teatro na palma da mão” tem revelado uma personagem estranha ao pitoresco mundo amazonense. Rangel, diretor teatral dos mais importantes da história brasileira, era também dono de uma rara inteligência, e digo rara pois em se tratando de Brasil onde todos os tipos de arroubos políticos foram ofertados contra a educação, a saúde, a economia e, sobretudo, ao moral brasileiro, a inteligência acabou se tornado de fato um privilégio. Acontece que o Brasil ainda se mantém firme e inflexível em sua tradição de país agrário, onde já em fins do século 19 a estrutura política baseada em prebendas e concessões, financiavam as máfias aristocráticas como bem podemos notar na brilhante exposição feita pelo dramaturgo França Júnior em “Como se fazer um deputado”. Além disto, a valorização excessiva de profissionais das áreas de Direito e Medicina assumiam ( e ainda assumem!) esta situação cujo pedantismo de muitos dos nossos “artistas bacharéis” – como bem nos situa Márcio Souza - travestidos de poetas, cantavam versos afetados e beletristas. Mas se tradição é herança é certo que nossa perspicácia ainda não se viu refletida nos tipos mais progressistas de emancipação política. As escolas partidárias são receptáculos de estruturas que só mudam o nome e as circunstâncias, mas a pança e a arrogância são as mesmas. Para os que pleiteiam uma vaga em cargos do legislativo ou que queiram participar do agressivo mundo político, pensem que a maior virtude é a inteligência, a sofisticação e o desejo de mudança de nossas práticas, afinal, a sociedade não é mais a mesma, está mais atenta e cansada dos
discursos políticos de apenas dez vocábulos e de sintaxe rarefeita. As exceções existem, é claro, onde situações políticas muitas vezes surgem como um alento à vida de tão sofrida gente. Mas também é certo que a visão de nossas ações políticas não se prendem somente ao legislativo. Diversas instituições tem se relacionado com os tipos mais vis de poder. Somente há poucos anos a Universidade Federal do Amazonas, por exemplo, decidiu atender às solicitações de seus docentes ao, finalmente, desenvolver um sólido projeto de estudos e ensino em antropologia, afinal, como um Estado em plena Amazônia não era capaz de produzir pesquisas voltadas a cultura de seus povos e saberes de suas gentes? Embora a própria universidade esteja presa aos interesses escusos, há sempre uma estratégia para burlar a burocracia e efetivar um projeto de ação longe das boas intenções que só acendem mais as chamas do inferno e se travestem de solidariedade. Esta solidariedade já rendeu frutos e pagamos caro até hoje este preço. A transamazônica, a fábrica de celulose, o “grande lago” do Dr. Fantástico e muitos outros exemplos são frutos desta solidariedade que agora se veste de Belo Monte para obsoletar ainda mais a velha mania de progresso, emprego e renda para a Amazônia. Não se pode, hoje, ser um político digno sem ser “progressista” no sentido de avançar rumo a real democracia e romper com velhas práticas do passado. Talvez aí esteja o político do século 21, aquele capaz de promover novos debates e novos discursos, onde a palavra não seja um remendo, onde o saber seja quase um culto e a prática uma reverência a sutileza e a bondade humana.
Márcio Braz* *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural
Embora a própria universidade esteja presa aos interesses escusos, há sempre uma estratégia para burlar a burocracia e efetivar um projeto de ação longe das boas intenções que só acendem mais as chamas do inferno e se transvestem de solidariedade”
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
Programação da TV
REPRODUÇÃO
GLOBO 4h34 – Santa Missa 5h36 – Amazônia Rural 6h04 – Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h38 – Globo Rural 8h – Fórmula 1 – GP da Espanha – (Montmeló) 9h55 – Auto Esporte 10h15 – Esporte Espetacular 11h30 – Esquenta 12h51 – Temperatura Máxima – Toy Story 3 15h – Futebol 2014 – Fluminense x Flamengo 17h – Domingão do Faustão 19h45 – Fantástico 22h11 – SuperStar 23h24 – TUF – Em Busca de Campeões 0h22 – Domingo Maior – Sou Espião 1h58 – Sessão de Gala – Procurando Mônica Velour
SBT O desenho “Toy Story 3” está em cartaz na “Temperatura Máxima”
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES – 21/3 a 19/4 Atos impensados e situações incontroláveis podem trazer prejuízo contra seus bens materiais. Aceitar desafios sem sentido também faz desperdiçar energia e recursos.
5h – JORNAL DA SEMANA 6h – IGREJA UNIVERSAL 7h – BRASIL CAMINHONEIRO
Cinema ESTREIA
7h30 – PLANETA TURISMO 8h30 – VRUM 9h – SORTEIO AMAZONAS DA SORTE (LOCAL) 10h – DOMINGO LEGAL 14h – ELIANA 18h – RODA A RODA JEQUITI 18h45 – SORTEIO DA TELESENA 19h – PROGRAMA SILVIO SANTOS 23h – DE FRENTE COM GABI 0h – NIKITA 1h – ALVO HUMANO 2h – CULT 3h20 – BIG BANG 4h – IGREJA UNIVERSAL
BAND 5h – POWER RANGER – RPM 6h – POPEYE 6h30 – SANTA MISSA NO SEU LAR 7h30 – SABADÃO DO BAIANO 8h – POWER RANGER + POPEYE 9h30 – POPEYE 9h45 – INFOMERCIAL – Polishop 10h15 – POWER RANGERS – SUPER PATRULHA DELTA 10h45 – VERDADE E VIDA 11h – IRMÃO CAMINHONEIRO – boletim 11h05 – MINUTO DA COPA – boletim
11h10 – PÉ NA ESTRADA 11h35 – DE OLHO NA COPA – boletim 11h40 – SÓ RISOS 12h20 – BAND ESPORTE CLUBE 14h – GOL, O GRANDE MOMENTO DO FUTEBOL 14h30 – FUTEBOL 2014 16h50 – 3º TEMPO 19h – SÓ RISOS 20h – POLÍCIA 24H 21h – PÂNICO NA BAND 0h – CANAL LIVRE 1h – MINUTO DA COPA – boletim 1h05 – ALEX DENERIAZ 1h40 – SHOW BUSINESS – reapresentação 2h30 – IGREJA UNIVERSAL
RECORD 6h – Santo Culto em Seu Lar 6h30 – Desenhos Bíblicos 9h – Amazonas dá Sorte – Local 10h – Record Kids - Local 11h – Domingo Show 15h15 – Hora do Faro 19h20 – Domingo Espetacular 23h15 – Série: Spartacus 0h15 – Série: a Nova Super Máquina 1h15 – Programação IURD
Cruzadinhas REPRODUÇÃO
TOURO – 20/4 a 20/5 Um dia de sentimentos contraditórios, talvez até mesmo contrários a seus princípios morais. O relacionamento afetivo está sendo conturbado por contradições internas. GÊMEOS – 21/5 a 21/6 Você entra em descompasso com o grupo social e os amigos. O anseio por ser diferente tende a ser mais prejudicial que construtivo. Seja como você é, simplesmente. CÂNCER – 22/6 a 22/7 Desafios no trabalho podem pressioná-lo, levando a reagir do modo errado. Cuidado com a impaciência. Há muita tensão a ser liberada, sem ferir a si mesmo e às pessoas. LEÃO – 23/7 a 22/8 É bom descarregar um tanto da energia vital e da tensão que tem acumulado. Mas tende a rejeitar qualquer ideia ou direção como definitiva, discutindo com tudo e com todos. VIRGEM – 23/8 a 22/9 A tendência a alimentar rancores e ódios com relação aos parceiros e pessoas com quem partilha sua vida deve ser evitada. Ou poderá vir a prejudicar situações futuras. LIBRA – 23/9 a 22/10 Você tende a afirmar seu modo de pensar mesmo quando não tenha muita certeza sobre coisa alguma. Disposição rebelde e renovadora, mesmo quando inconveniente. ESCORPIÃO – 23/10 a 21/11 Bom momento para buscar o entendimento com seus parceiros e sócios, em especial nas questões materiais. A falta de ritmo prejudica o trabalho e as atividades em cooperação. SAGITÁRIO – 22/11 a 21/12 A comunicação e atividades intelectuais estão desfavorecidas. Terá que se esforçar para de entender-se melhor com os parceiros Os impulsos temperamentais levam a nada. CAPRICÓRNIO – 22/12 a 19/1 Um dia complicado para as questões que envolvam trabalho, conforto e subordinados. A rebeldia diante da família é mais um problema. Antes de tudo, acalme-se. AQUÁRIO – 20/1 a 18/2 Os desejos contrafeitos tendem a colocá-lo de má vontade com os amigos e familiares. Você teima em se manter em certos pontos que irão se colocar contra você. PEIXES – 19/2 a 20/3 Atritos e discussões tomam o lugar das conversas e do entendimento. Talvez queira se destacar demais ou mostrar-se superior a todos os demais intelectos.
Mulheres ao Ataque: EUA. 12 anos. No longa, Cameron Diaz descobre que seu namorado é casado. Enquanto tenta se recompor, ela acidentalmente conhece a esposa traída e logo descobre que as duas têm muito em comum. Elas viram melhores amigas e quando percebem que o namorado-marido tem outra amante, criam um trio feminino para planejar sua vingança. Cinemark 1 – 13h10, 15h40, 18h10, 20h45 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 5 – 13h15, 15h45, 18h15, 20h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 14h15, 16h45, 19h10, 21h40 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h, 19h30 (dub/diariamente), 16h45, 22h10 (leg/diariamente); Playarte 4 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). A Grande Vitória: BRA. 12 anos. Max Trombini (Caio Castro) teve uma infância humilde e conturbada. Abandonado pelo pai ainda hoje, ele foi criado pela mãe e pelo avô, que morreu quando tinha 11 anos. Revoltado, passou a se envolver em diversas confusões em sua cidade natal, Ubatuba, e depois em Bastos, onde passou a morar. Foi através do aprendizado das artes marciais, em especial o judô, que ele conseguiu se estabelecer emocionalmente e construir uma carreira que fez com que se tornasse um dos principais técnicos do esporte no Brasil. Cinemark 3 – 13h40, 16h10, 18h45, 21h15 (diariamente), 23h50 (somente sábado); Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h30, 16h30, 19h, 21h45 (diariamente). Jogada de Rei: EUA. 14 anos. Após 18 anos na cadeia, Eugene Brown tenta recomeçar a vida trabalhando como faxineiro em uma escola pública. O local enfrenta diversos problemas causados por um grupo de alunos problemáticos, que conseguiu até mesmo expulsar uma professora. Encarregado de tomar conta deles, Eugene tem uma ideia: criar um clube de xadrez, de forma que possa ensiná-los a pensar antes de agir. Entretanto, a iniciativa não agrada a um mafioso local, que vê ao tráfico de drogas cair devido ao sucesso do clube. Cinépolis Ponta Negra 3 – 16h15, 22h35 (leg/diariamente). Hoje Eu Quero Voltar Sozinho: BRA. 12 anos. Leonardo, um adolescente cego, busca a independência e descobre mais sobre sua sexualidade ao se apaixonar por um colega de classe. Baseado no curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”. Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h45, 22h20 (diariamente).
CONTINUAÇÕES O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro: EUA. 12 anos. Cinemark 4 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 17h45, 21h (dub/diariamente), 0h10 (dub/somente sábado), Cinemark 5 – 22h10 (3D/dub/exceto segunda-feira), 15h50 (3D/dub/diariamente), Cinemark 6 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 15h, 18h20, 21h40 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 11h (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 17h20, 20h30 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 15h, 18h (3D/ dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 14h, 17h, 20h (leg/diariamente); Cinépolis Millennium 8 – 13h, 16h, 19h, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h, 16h, 19h, 22h (dub/ diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 12h (dub/somente sexta-feira e sábado), 15h, 18h, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h, 17h, 20h (dub/diariamente); Ciné-
polis Ponta Negra 1 – 15h10, 18h30, 21h50 (3D/leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h, 19h15 (3D/dub/diariamente), 16h10, 22h30 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 15h, 18h25, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h45, 17h45, 20h30 (leg/diariamente); Playarte 1 – 14h10, 17h (3D/dub/diariamente), 20h (3D/leg/diariamente), 23h45 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 5 – 12h30, 15h15, 18h, 20h45 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h31, 15h16, 18h01, 20h46 (dub/diariamente), 23h31 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 7 – 18h02, 20h47 (dub/diariamente). Getúlio: BRA. 12 anos. Cinemark 5 – 13h30 (diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 21h15 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h10, 19h25 (diariamente); Playarte 10 – 13h20 (diariamente).
Inatividade Paranormal: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 6 – 15h15 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 14h45, 19h45 (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 8 – 20h50 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Copa de Elite: BRA. 14 anos. Cinépolis Millennium 2 – 14h10, 16h45, 19h30 (diairamente); Cinépolis Plaza 8 – 17h15, 21h50 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 17h (dub/diariamente); Playarte 10 – 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (diariamente), 23h35 (somente sexta-feira e sábado). Divergente: EUA. 14 anos. Cinemark 2 – 16h20, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 15h30, 18h30, 21h30 (dub/diariamente); Playarte 8 – 12h50, 15h30, 18h10 (dub/diariamente). Capitão América 2 – O Soldado Invernal: EUA. 12 anos. Cinemark 8 – 11h05 (dub/somente sábado e domingo), 14h, 17h10, 20h10 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 3 – 13h25, 19h15, 22h10
(leg/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 13h30, 16h30, 19h20, 22h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 17h30 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 20h45 (3D/leg/diariamente); Playarte 9 – 12h30, 15h10, 17h50 (dub/diariamente), 20h30 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado). Noé: EUA. 14 anos. Cinemark 5 – 19h (dub/exceto segundafeira); Cinépolis Millennium 2 – 22h (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 17h45, 20h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h10, 20h50 (leg/diariamente); Playarte 2 – 13h, 15h40, 18h20 (dub/diariamente), 21h (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Rio 2: EUA. Livre. Cinemark 2 – 11h25 (dub/somente sábado e domingo), 13h50, 19h30 (dub/ diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 13h45, 16h25, 18h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 12h45, 15h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 13h15, 15h45, 18h15 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h30 (dub/ diariamente); Playarte 7 – 13h40, 15h50 (dub/diariamente).
Plateia teia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014
D7
FOTOS: MANOEL NETTO E HERICK PEREIRA
Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Dacy Barroso, Mazé Mourão e Menga Junqueira
::::: Viva, a dama! Emmanuelle Lins Gil com a aniversariante
Nejmi Jomaa Aziz continua sendo alvo de homenagens e carinho de todas as esferas sociais. Desta vez, foi recepcionada pela ala chique da cidade para uma tarde de descontração e, sobretudo, comemoração. Muita alegria e bufê delicioso do Zefinha Bistrô, ao som da ótima cantora Ellen Mendonça, deram o tom ao evento em torno da sua troca de idade. Ela é queridíssima.
Nejmi Jomaa Aziz e sua elegância indispensável Márcia Martins
Joyce Loureiro e Márcia Koga
Andréa Magalhães, Karina Bessa e Eliane Schneider
Danielle Chíxaro e a aniversariante
Neybe Lentz e Lou Souza
Núbia Lentz e Aneth Perrone
Mônica Bonfim só carinhos com Nejmi
Carla Ismail, Andréa, Giovana, Nejmi e Kamila Aziz A celebrada Nejmi dividindo os flashes com a juíza federal Jaiza Fraxe e a desembargadora Liana Mendonça
Evelise pessoa, Denize Santana e Odenir Machado
Lúcia Viana
Nathy Sobral e Sandra Lúcia Saraiva
Betinha Veleiko e Marcelo Motta
Dorinha Abrantes
Norma Simões Silva com Nejmi
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE MAIO DE 2014