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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ
TORQUATO TAPAJÓS AVENIDA DA MORTE As colunas que sustentam a passarela da avenida Torquato Tapajós são um dos pontos mais perigosos da via
JOEL ROSA
CHAMADA DE “AVENIDA DA MORTE”, A TORQUATO TAPAJÓS – PRINCIPAL CORREDOR DE ACESSO ÀS RODOVIAS AM-010 E BR-174 – É CENÁRIO DE TRAGÉDIAS E RISCO PARA QUEM A UTILIZA DIARIAMENTE. SOMENTE NA SEMANA PASSADA, DOIS ACIDENTES CHOCARAM OS MANAUENSES: A MORTE DA ESTUDANTE DE MEDICINA HEVENI LOPES, 24, E O ATROPELAMENTO DOS IRMÃOS BEATRIZ, 14, E MATEUS, 8. A ADOLESCENTE TEVE MORTE CEREBRAL. DIA A DIA C4 E C5
Omar lança campanha do HPV em Borba
CLÁSSICO
FLA X FLU de volta ao Maraca Maracanã volta a receber seu mais tradicional confronto: o FlaFlu, que detém o recorde de público da história do estádio. Pódio E5
10 CARROS ENGAVETADOS. 15 FERIDOS
Última Hora A2
D
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Paixão à moda antiga
Vinho tinto para cuidar do coração
O premiado ator Tom Hanks escreve um artigo exclusivo sobre uma de suas maiores paixões: colecionar máquinas de escrever. Ilustríssima G2
Uma taça de vinho tinto possui propriedades antioxidantes, vasodilatadoras e anticoagulante plaquetária. Saúde F2
MÚSICA
Sertanejo universitário ganha força Ritmo conquistou o Brasil e Manaus já é vista como expoente de novos artistas do gênero musical. Plateia D1
Com a palavra A7
I
N
G
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.
O HUDSON FONSECA
VELOZES E PERIGOSOS
‘A Justiça tem grandes gargalos’, diz Ives Gandra
IDE GOMES/FRAME
Última Hora A2
Em nome do pai e dos filhos Histórias de pais que são referência para os filhos e são exemplo de amor verdadeiro. Dia a dia C1, Saúde F4 e F5, Elenco 16 a 19, Pódio E3
TEMPO EM MANAUS
MÁX.:
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MÍN.:
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ALEXANDRE FONSECA
ANO XXV – N.º 8.089 – DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
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Última Hora
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Acidente envolvendo 10 carros deixa 15 feridos Engavetamento ocorreu na avenida do Turismo, no Tarumã, após um grupo de curiosos pararem os carros no acostamento para ver um acidente de trânsito JOEL ROSA
HENRIQUE XAVIER Equipe EM TEMPO ON LINE
U
m engavetamento envolvendo 10 veículos deixou um saldo de 15 pessoas feridas, das quais três em estado grave na manhã deste sábado (10), na avenida do Turismo, logo após a estrada da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Segundo o cabo militar Nádio dos Santos, da 19ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o acidente ocorreu por volta de 7h30, quando alguns condutores que trafegavam no sentido Centrobairro praticamente fecharam a pista, ao lado da ponte sobre o igarapé do Tarumã, para ver o acidente, onde um carro modelo gol, placa AWM 4037, havia caído, após ter capotado, por volta das 5h30. O policial contou que dois caminhões, ambos modelo Mercedes, nas cores branca e azul, placas NOY2847 e JXK 1127, respectivamente, que transportavam em alta velocidade uma carga de cimento, ao fazerem a curva de acesso ao bairro da Ponta Negra não tiveram tempo de frear e acabaram arrastando consigo a fileira de carros que se formou ao longo da ponte, localizada na saída da avenida do Turismo.
“Segundo testemunhas, os dois caminhões vinham emparelhados, como que disputando uma corrida, mas ao perceberem o congestionamento formado pelos curiosos que queriam ver de perto o acidente da madrugada não conseguiram frear a tempo”, explicou o militar. No impacto, os veículos envolvidos na batida foram dois Fiat, modelo Siena, placas OAZ 5729 e JXV 1503, um Pálio, placa JWO 3866, duas picapes modelo Montana, placas OAG6587 e JXY 3577, duas peruas modelo Kombi, placas OAM 9226 e JXY 6846 (pertencente à empresa Sky Link), além do Gol, placa JWV 8524. Segundo o médico Messias Fróes, responsável pela operação de primeiros socorros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), as vítimas tiveram trauma de pequena a média gravidade e foram encaminhadas ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) da Redenção e aos hospitais Platão Araújo, João Lúcio e 28 de Agosto. Ele disse ainda que foram necessárias 14 ambulâncias para ajudar no socorro das vítimas. Até o fechamento desta edição, três pessoas ainda permaneciam internadas em estado grave no pronto-socorro.
MANACAPURU
Embarcação pega fogo no meio do rio e deixa feridos Um barco escolar com dois tripulantes e cinco passageiros pegou fogo momentos antes de aportar na comunidade Bom Jesus do Paraná do Iauara, em Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus. Segundo o delegado da Polícia Civil de Manacapuru, Antonio Rodrigues da Silva, o acidente aconteceu por volta das 20h30 da última sexta-feira (9), quando a embarcação, vinda da sede do município, seguia irregularmente com as luzes apagadas para uma vistoria
de rotina na comunidade. Ele explicou que, a cerca de 10 metros da margem, um dos tripulantes acionou o motor de luz. “Uma faísca atingiu um galão grande de combustível, que explodiu”, explicou. Entre os cinco passageiros, havia duas crianças (3 e 8 anos), que sofreram as maiores queimaduras. As vítimas deram entrada no início da manhã do sábado (10), no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do hospital 28 de Agosto, em Manaus. (HX)
PESQUISA
Popularidade de Dilma tem crescimento de 36% Após ver sua popularidade despencar em junho, em decorrência dos protestos pelo país, a presidente Dilma Rousseff apresentou uma melhora na avaliação de seu governo, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. Dilma, que chegou a apenas 30% no índice dos que consideram ótimo ou bom o governo, tem agora 36%. O auge de sua popularidade se deu em março desse ano, quando atingiu 65% de aprovação. O índice dos que consideram seu gover-
no ruim ou péssimo, que em junho chegou a 25%, caiu para 22%. E os que avaliam o governo como regular passaram de 43% para 42%. A aprovação a Dilma é maior na faixa da população que recebe até dois salários mínimos: 41%. A menor aprovação está entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, 29%. Na classificação por escolaridade, a avaliação mais positiva está entre os que cursaram apenas o ensino fundamental.
Acidente aconteceu no início da manhã deste sábado
SAÚDE
Vacinação contra HPV em Borba A campanha de vacinação contra o HPV, iniciada na última sexta feira, 9, em Manaus, chegou até o interior. O município de Borba (a 150 quilômetros da capital) foi o primeiro contemplado com ação do governo do Estado, que visa combater o vírus causador do câncer de colo de útero. Acompanhado dos secre-
tários estaduais de saúde e educação, o governador Omar Aziz foi recepcionado por jovens e crianças em um auditório na sede do município, onde a população recebeu informações e orientações sobre a campanha. “Hoje estamos dando início a uma campanha pioneira no Brasil que pretende prevenir o câncer entre as mulheres amazonenses,
que são as que mais sofrem desse mal. Foram investidos R$ 15 milhões nesse projeto”, ressaltou Omar ao lembrar que todos os 62 municípios receberão a vacina. O secretário de Saúde do Amazonas, Wilson Alecrim, disse que a campanha pretende atingir 117 mil garotas com idades entre 11 e 13 anos. ALEZ PAZUELLO/AGECOM
Omar Aziz, acompanhado da primeira-dama, faz lançamento da campanha no interior do AM
REORGANIZAÇÃO
Arthur lança projeto ‘Viva Centro’ Na manhã de ontem, o projeto “Viva Centro” - que busca reorganizar as ruas de maior tráfego do centro da cidade - começou a ser implantado nas ruas Marcílio Dias e Doutor Moreira. Dezenove locais receberão até o dia 28 de dezembro equipes de diversas secretarias municipais que atuarão em conjunto na ação. A ideia é conscientizar comerciantes e visitantes de como ocupar o espa-
ço de maneira consciente. “Vamos atuar da rua 24 de maio até a Floriano Peixoto e da avenida Getulio Vargas até a rua da Instalação. Esta é uma região muito degradada, com maior desordem e agora o momento é de ordem”, disse o secretário municipal do Centro, Rafael Assayag. A ação prevê recuperação de calçadas, meios-fios, sarjetas, iluminação, recapeamento asfáltico, instalação
de bancos, e a despoluição visual por meio da retirada de placas irregulares. Será realizada, ainda, a reorganização das barracas de camelôs, reduzindo-as ao seu tamanho original. Durante a inauguração do projeto, os secretários e o prefeito Artur Neto distribuíram informativos aos vendedores sobre as ações. “Ficamos muitos felizes com a recepção do projeto pelos comerciantes”, disse Arthur.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
A pavulagem tem penas curtas Quem melhor definiu a meteórica ascensão (e queda) de Eike Batista foi a historiadora econômica e colunista do jornal “O Globo”, Miriam Leitão: “Ele empacotou e vendeu vento”. E quem vende vento dissemina tempestade. Eike surfou no surto da euforia brasileira que confundiu o tsunami financeiro de 2007/2008 com marola, onda curta – banzeiro, se diria em Manaus, se fosse consultada. O que se creditou como ousadia a Eike Batista nesse curto tempo em que foi financiado pelo BNDES, de quem emprestou mais de R$ 10 bilhões, e comprou e engatilhou empresas foi um revival do que a Europa e os Estados Unidos já tinham sofrido desde os anos 1970, com uma geração de jovens “empreendedores”, desenvoltos, apesar dos terninhos justos, bem falantes, energizados principalmente por carreiras de cocaína e vodka (essa bebida, preferivelmente destilada da batata, não deixaria “bafo” de álcool e seria um realimentador da coca, outro produto destilado). Eram os yuppies, os antípodas dos hippies, que sonhavam com uma vida à base de um amor e uma cabana. Os yuppies conseguiram recolocar no mercado o antigo “golpe da pirâmide”, que transforma uma simples moeda, que viaja de mão em mão, em uma enorme fortuna. Um surto psicótico no mercado financeiro, devidamente desregulado por Margareth Thatcher e Ronald Reagan. Eike Batista aparece na pavulagem brasileira do lulismo como um yuppie retardatário (e retardado). O administrador de fundos Jack Deino, que a princípio acreditou no “investidor” brasileiro, em entrevista ao “The New York Times”, concorda com a leitura de Miriam Leitão: “Batista construiu seus negócios com muita conversa de vendedor e muito exagero. Sinto que saí queimado, e não pretendo passar nem perto de nenhum outro de seus empreendimentos”.
Respeito é bom! O governador Omar Aziz (PSD) fez valer sua autoridade esta semana, quando desembarcou em Brasília para um encontro com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Ao saber que ele e o prefeito Arthur Neto (PSD) seriam recebidos por técnicos do ministério, porque a ministra estava ocupada, Omar reagiu e disse que não conversava com técnicos pois “eles não resolvem nada”. – Vou voltar agora para Manaus e não volto mais aqui enquanto o governo federal não respeitar os governadores da Região Norte. São coisas como essas que estão dissolvendo a popularidade da presidente Dilma! – disparou. Ao saber disso, a ministra saiu da reunião e resolveu atender o governador do Amazonas.
Nós podemos Omar é um dos poucos políticos do país que pode impor esse respeito em Brasília. Além de ser detentor de um índice de aceitação que ultrapassa os 70%, será o próximo senador da República com uma larga votação. Sem contar que – diferente de muitos governantes do país –, as manifestações populares não respingaram sobre seu nome. Peregrinação Omar e Arthur estavam em Brasília terça-feira, 6, para apresentar projetos de mobilidade urbana para Manaus e outros projetos de infraestrutura visando a Copa do Mundo de 2014. O que estava em jogo nesta reunião era nada menos que R$ 953 milhões em recursos federais para obras de mobilidade urbana. Renuncia, Cassol A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) chutou a canela do colega Ivo Cassol (PP-RO) condenado ontem (8) a 4 anos e oito meses em regime semiaberto por fraude em licitação. Enquanto os senadores comemoram nesta sexta-feira (9) a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de deixar nas mãos dos parlamentares a palavra final sobre a perda de mandato de Cassol (PP-RO), Vanessa antecipava o que pensa do caso.
□ – Acho que se ele tiver essa consciência, isso será melhor para ele, para a sociedade brasileira e será melhor para o parlamento brasileiro –, bateu a comunista. Tem que cassar Apesar da pressão, Cassol já avisou que não pretende renunciar ao cargo. Ao saber disso, o senador Jorge Viana (PT-AC) também antecipou seu voto: – A sociedade certamente vai nos vigiar, vai nos policiar, vai nos cobrar por meio da imprensa, para que adotemos aquilo que a própria Constituição estabelece: que qualquer parlamentar condenado tem que ser cassado –, disse o vicepresidente da casa. Lapela Na inauguração do Shopping Ponta Negra, o ex-prefeito Serafim Corrêa exibia um broche na lapela do paletó escuro. Os mais curiosos aguçaram a visão para conferir se era o símbolo do PSB, partido do qual é presidente. Não era. Serafim, mais novo advogado da cidade, exibe orgulhosamente o broche da OAB. Dia de Nasser A Câmara Municipal de Manaus vai realizar uma justa homenagem ao médico e membro da casa, Paulo Nasser. Por meio da proposta do vereador Arlindo Júnior, ele
APLAUSOS
elvis@emtempo.com.br
recebe a Medalha de Ouro Cidade de Manaus no dia 15 de agosto, às 10h, no plenário Adriano Jorge. Na medicina Nasser é médico graduado pela Ufam, com residência em urologia pelo instituto de servidores do Rio de Janeiro. Tem título de Especialista expedido pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). No parlamento Também foi vereador por três mandatos. Em 12 anos, conseguiu aprovar 159 projetos. Todos com o objetivo de beneficiar diretamente a população. Tablet barato A Tectoy está lançando o Acqua 7” e Octopus 8”, tablets que se destacam pelo preço e configurações, produzidos na fábrica da empresa, em Manaus. O Acqua 7” poderá ser encontrado no mercado brasileiro por R$ 349,00 e o Octopus 8” por R$ 549,00. Evolução A Tectoy acompanha a evolução do mercado de tablets e acredita que esse item tende a se tornar cada vez mais presente na vida das pessoas. – Nossa linha de produtos conta com modelos para diferentes perfis e procuramos sempre garantir o melhor custo-benefício aos consumidores –, disse Sergio Bastos, CEO da Tectoy.
VAIAS
Geração de empregos
Charge
Pista de corrida
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO
Para o Shopping Ponta Negra que vai gerar, de saída, mais de 2,5 mil empregos em Manaus, garantindo que oferecerá muito mais até o final do ano.
Para a falta de policiamento de trânsito na avenida do Turismo, onde todo fim de semana acontece acidentes terríveis por excesso de velocidade e alcoolismo.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
O sábio e os sabidos Faz muito tempo, li num dos textos de Platão a significativa narrativa de que, um dia, o velho Thales de Mileto, tido como o primeiro dos pensadores présocráticos, vagava em seu jardim a observar o firmamento, absorto nos cálculos que lhe possibilitariam a previsão de um eclipse solar, quando deixou de ver, diante dos seus pés, um buraco em que teria caído como se fosse cego. No caso específico de Thales, nada a objetar, pois a sua atenção estava toda concentrada no seu ofício de filósofo, matemático e astrônomo e nada o obrigava ou recomendava que atentasse para os acidentes topográficos do solo em que pisava. Correu o risco de quem exerce o pensamento abstrato e pagou por ele. Casos há, entretanto, em que ocorrem desvios inaceitáveis, precisamente porque redundam no descumprimento daquilo que constituiria o que se consagrou chamar “dever de ofício”. Imagine-se um engenheiro que, ao invés de se concentrar prioritariamente nos cálculos das estruturas de sustentação do prédio a edificar, dispersasse sua atenção em cuidar principalmente da escolha das cores com que pretenda pintar sua obra. Ou um médico que negligenciasse o ato cirúrgico e os cuidados com o seu paciente, preocupado mais com a escolha do modelo do carro esportivo que pretende comprar tão logo venha a receber os honorários pelos serviços que está a prestar. Esta é precisamente a impressão que me passa o presidente que recebeu um mandato, ou
seja, a incumbência de cuidar e prover o bem-estar do povo que lhe outorgou o mesmo, e deixa esse mesmo povo sem saneamento básico, sem boa educação, sem assistência à saúde, sem segurança, porque deliberou levianamente utilizar os recursos do Estado para promover dois campeonatos de futebol e uma competição olímpica. E ainda lega ao sucessor o projeto de um trembala, ao custo absurdo de R$ 50 bilhões e, o que completa a loucura, o sucessor, no caso a sucessora, se apaixona pela estapafúrdia ideia. E como, quanto mais de cima vier o exemplo, maior será sua força paradigmática, o modelo logo se espraia para atingir as instâncias de poder mais baixas. Aí, os governos estaduais e municipais, os gestores de empresas, bancos e fundos estatais passam a seguir os mesmos padrões e a substituir o essencial pelo supérfluo. Elefantes e dinossauros brancos são edificados, sem que suas utilidades apareçam ou justifiquem seus preços. É quando estádios já existentes, bem projetados e bem construídos, são sumariamente demolidos, para que outros, menores e mais caros sejam edificados. Pontes majestosas são erguidas e, mais de um ano depois, continuam a exibir seu deprimente vazio. Obviamente, não estou a falar da ponte Rio-Niteroi, de custo/benefício perceptível. Enfim, enquanto Thales, por acidente, meteu o pé no buraco, outros, nem tão sábios, matemáticos ou filósofos, meteram o pé na jaca, na nossa jaca.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Esta é precisamente a impressão que me passa o presidente que recebeu um mandato, ou seja, a incumbência de cuidar e prover o bemestar do povo que lhe outorgou o mesmo, e deixa esse mesmo povo sem saneamento básico, sem boa educação, sem assistência à saúde, sem segurança”.
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Cabralização
Eu não faço campanha, sabe por quê? Todo o resto tem de fazer campanha porque quer o meu lugar. Eu estou exercendo o governo. A troco de que eu vou fazer campanha? Eu vou é governar. Tem muita gente querendo. Agora, isso é normal
O PT decidiu replicar com Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo o cerco que Sérgio Cabral (PMDB) enfrenta no Rio. O partido atua na organização de protestos marcados para esta semana e a próxima, que farão menção à investigação de cartel em governos tucanos. Dirigentes da CUT vão engrossar ato do Movimento Passe Livre na quarta-feira. No dia 28, na marcha pela reforma urbana, movimentos de moradia também ligados ao PT vão para a rua pedir CPI sobre o caso Siemens. Baixo astral Auxiliares e aliados de Alckmin relatam que o escândalo dos trens atingiu em cheio o humor do governador, que tem se queixado de o caso ter estourado no seu colo. Calma A despeito da movimentação do partido, Lula recomendou a petistas próximos cautela nos ataques ao PSDB após as denúncias. Citando o exemplo do mensalão, o ex-presidente disse que não se pode condenar ninguém antes da hora. Timing O PT do Rio deve aprovar já em setembro uma moção referendando a candidatura de Lindbergh Farias ao governo. O partido quer criar um fato consumado antes do prazo final para que candidatos mudem de partido, em outubro, e sepultar pressões do PMDB por apoio a Luiz Fernando Pezão. Rei posto Conselheiros de Sérgio Cabral defendem que o governador antecipe para dezembro a saída do cargo. Só assim, acreditam, haverá tempo de tornar Pezão conhecido e dissociá-lo do desgaste de imagem do governador, apresentando o
vice como alguém ‘’humilde’’ e diferente do antecessor. Sinal amarelo O último cálculo do Planalto mostra que PT e PMDB estarão separados em 18 Estados. A preocupação de auxiliares de Dilma é que o efeito das disputas locais com o PT possam interferir na convenção nacional do PMDB, que terá de aprovar a aliança para 2014. Fora... A recuperação da popularidade de Dilma Rousseff é mais lenta nas grandes cidades. Segundo o Datafolha, o percentual de eleitores que avaliam o governo como ótimo ou bom, que na média nacional cresceu 6 pontos, subiu apenas 3 (de 24% para 27%) nos municípios com mais de 500 mil habitantes. ... do eixo Nas cidades médias, esse percentual saltou de 22% para 29%. Nos grandes centros, os eleitores também não mudaram de opinião sobre a gestão de Dilma na economia. O índice de ótimo e bom nessas cidades ficou estável em 24%. Com partido Caiu a parcela de eleitores que dizem não ter nenhum partido de preferên-
cia: de 64% no fim de junho para 58%. Antes dos protestos, esse índice era de 55%. As palavras de ordem ‘’sem partido’’ foram uma tônica no auge das manifestações de junho. DNA João Augusto Henriques, pivô das acusações de caixa dois na campanha de Dilma em 2010 noticiadas na última edição da revista “Época’’, é ligado ao líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e ao deputado Mauro Lopes (PMDB-MG).
Dilma Rousseff, presidente, nega, em visita ao Rio Grande do Sul, estar em campanha pela reeleição, mas não perde uma oportunidade de atacar os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, já se vão lá uns 12 anos.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Ontem e hoje A primeira reação do governo e do PT às denúncias envolvendo contratos da Petrobras será tentar circunscrever o desgaste a José Sérgio Gabrielli e bater na tecla de que a atual presidente da empresa, Graça Foster, vetou a nomeação de Henriques para a diretoria internacional da estatal. Blindagem Na mesma linha, outra vacina será dizer que a atual presidente da Petrobras reduziu para a metade o contrato de R$ 860 milhões da empresa na Namíbia, que teria sido a origem do suposto caixa dois para PT e PMDB.
Tiroteio
Em tese, desse ponto em diante (atravessando o rio Amazonas) começaria a BR-319, uma rodovia que continua em lugar desconhecido e não sabido. Por isso, só os urubus ainda prestam atenção a essas sinalizações sem sinais, apurando o que pode sair de feio do meio desse mato. A BR-319 existe ou foi um conto de vigário?
Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
O STF não pode impor sua vontade. Viver em um Estado de Direito significa fazer tudo o que eu posso, e não tudo o que eu quero.
Viver é responder ao amor
DO MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO, para quem a Constituição diz que cabe ao Congresso decidir sobre a perda de mandato de parlamentares condenados.
Agosto é o mês das vocações. Cada domingo somos convidados a conhecer melhor as diferentes formas de vida, caminhos de santidade, isto é caminhos de realização pessoal na linha do serviço e da doação. Assim são celebrados o Dia do Padre e também o ministério dos diáconos que junto com os bispos exercem os ministérios ordenados, isto é serviços vividos a partir do sacramento da ordem. No segundo domingo celebra-se a vocação à paternidade, e toda uma semana é dedicada à família. A igreja também não se esquece da vida religiosa consagrada. Sempre houve na história homens e mulheres que se consagraram a Deus na oração e no trabalho, quer na vida contemplativa vivendo em conventos e mosteiros quer na vida ativa exercendo os mais diversos serviços e colocando-se em situações de marginalização onde muitas vezes foram os únicos agentes de civilização ou melhor dizendo de humanização. E no final do mês celebra-se o dia do catequista e com eles todos os serviços prestados à comunidade eclesial, serviços que arrastam jovens, adultos, homens e mulheres que não se furtam para a responsabilidade de ajudar os outros na transmissão da doutrina, na liturgia e nos serviços para a vida nas pastorais sociais. Em tudo isto está uma convicção mais profunda que responde a visão cristã da pessoa humana e que subjaz a todo este movimento; a vida é uma resposta. Não existimos por acaso. Somos fruto do amor divino. Cada ser humano, sem exceção, é amado por Deus, e encontrará
Contraponto
Competidor de peso Durante reunião em Milagres, no interior do Maranhão, no último fim de semana, o deputado Domingos Dutra, de saída do PT para a Rede, lançou seu nome como pré-candidato a senador, na chapa que terá Flávio Dino (PC do B) como candidato a governador. - Quero ser o primeiro senador do Maranhão que é negro, quilombola, e que vai enfrentar o Sarney - discursou o dissidente petista. Um militante da plateia emendou, provocando risos: - Você vai competir com Edison Lobão no Senado para ver quem é mais magro! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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sua felicidade respondendo a este amor. Resposta supõem liberdade, e liberdade supõem conhecimento. Somos responsáveis, isto é capazes de responder. No decorrer da história o cristianismo na pessoa de místicos e mestres espirituais elaborou como que roteiros de descoberta da proposta de Deus na oração e na contemplação, caminhos de discernimento espiritual. Felizes os que têm a possibilidade de percorrer estes caminhos e assim descobrirem a vontade de Deus na liberdade e no amor. Dói no coração ver tantas vidas truncadas, diminuídas e cerceadas por tantas razões. Jovens assassinados e assassinos, por exemplo, são sinais de uma sociedade e de um mundo que tem muita religião, mas que afastou Deus do seu interior. Só na liberdade e na responsabilidade podemos de fato ser plenamente humanos e assim felizes e protagonistas. Oxalá este mês vocacional, com suas propostas e celebrações ajudem a muitos a descobrir ou a redescobrir o sentido profundo da vida que é responder com amor ao amor que nos criou e nos faz existir. Para nós Jesus Cristo é a resposta definitiva e total ao amor do Pai. Esta resposta ele a deu no serviço, pois assim definiu sua missão, na renúncia a si mesmo e na entrega da própria vida pelos amigos. Assim ele redimiu a humanidade restaurando-lhe a dignidade perdida. Segui-lo é o caminho que leva à vida. A proposta cristã é perder a vida no amor, viver plenamente amando, na liberdade plena que é resposta ao amor. Menos que isto é sempre pouco.
Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Para nós Jesus Cristo é a resposta definitiva e total ao amor do Pai. Esta resposta ele a deu no serviço, pois assim definiu sua missão, na renúncia a si mesmo e na entrega da própria vida pelos amigos. Assim ele redimiu a humanidade restaurandolhe a dignidade perdida”
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
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Partidos ficam sem poder veicular inserções na TV As siglas PSD, PPS e PDT, mesmo com os pedidos aprovados no TRE não conseguiram espaço na grade de programação SARA MATOS Equipe EM TEMPO
L
evantamento feito pelo EM TEMPO mostra que, neste primeiro semestre, três partidos políticos, o PSD, PPS e PDT, não conseguiram emplacar suas inserções partidárias em emissoras de televisão, mesmo tendo seus pedidos deferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TREAM). Neste período, a corte do tribunal deferiu o pedido de 16 legendas: PMDB, PTB, PDT, PT, DEM, PCdoB, PSDB, PSC, PPS, PV, PP, PHS, PSOL, PR, PSD e PEN. Dirigentes do PSD, PPS e PDT confirmaram à reportagem que, mesmo com os programas gravados, eles não foram ao ar devido à grade de programação das emissoras estarem fechadas. O problema tem se dado por uma defasagem no procedimento de pedido das inserções desde o momento que é protocolizado até o último trâmite, o julgamento e consequentemente a decisão do pleno do tribunal. A advogada do PSD, Maria Benigno, disse que a emissora alegou que a grade de programação estava preenchida e não poderia veicular as inserções. No último dia 5 deste mês em sessão do TRE, um pedido da legenda para que a emissora veiculasse as inserções do primeiro semestre entrou na pauta de julgamento, porém, o pedido foi indeferido, pois o relator do processo, o juiz Victor Liuzzi, entendeu que não poderiam ser veiculadas inserções do primeiro semestre no segundo semestre do ano. Ela afirmou que vai esperar a decisão ser publicada no Diário de Justiça Eletrônico para ingressar com recurso. Maria Benigno também defendeu que o TRE se adeque à forma em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trabalha com as inserções partidárias. “No TSE, quando é feito o pedido do diretório nacional dos partidos eles bloqueiam aquela data e fica pré-reservada enquanto o pedido está em trâmite. Aqui pedimos a data, mas não fica reservada, quem chega primeiro na emissora
consegue espaço”, contou. O próprio Victor Liuzzi observou que a corte local deveria seguir o padrão do TSE e gerar uma lista com datas definidas para as inserções de cada partido. O presidente estadual do PPS, Guto Rodrigues, contou que as inserções da sigla também não foram ao ar pela mesma alegação dada ao PSD. “O pedido foi aceito pelo TRE, mas não conseguimos veicular as inserções em uma emissora. Querendo ou não, nós fomos prejudicados”, enfatizou. Segundo o secretário-geral do PDT, Dermilson Chagas, o pedido de inserção da legenda também foi aceito, mas não veiculado em apenas uma emissora de televisão no Estado. Em abril deste ano o presidente estadual da legenda, Stones Machado,
COBRANÇA
Dirigentes partidários querem que o Tribunal Regional Eleitoral se adeque às normas do Tribunal Superior Eleitoral quanto ao procedimento das inserções partidárias e reserva de datas nas emissoras confirmou que as gravações já estavam sendo feitas e que a “estrela” das inserções seria o ex-prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. Trâmite no TRE Os pedidos de inserções dos partidos políticos são protocolizados no tribunal, em seguida enviados para a Secretaria Judiciária do órgão e, então submetidos ao pleno para serem julgados após a análise do respectivo relator. Somente após o deferimento é que as legendas podem ir às emissoras com a mídia e as datas para que sejam veiculadas. E, tem sido neste momento, que alguns partidos são prejudicados segundo seus responsáveis, pois a alegação das emissoras é que a grade de programação está cheia e que as datas escolhidas são as mesmas às de outras legendas.
Tribunal busca uma solução
Siglas preparam programas
Para acabar com esses problemas, o TRE-AM começou a elaborar uma forma para que haja um controle dos pedidos de inserções. Segundo o responsável pela Seção de Registros Partidários da Secretaria Judiciária do tribunal, Rodrigo Matos, o que deve ser feito é uma uniformização para que os pedidos tenham um controle. Ele informou que na semana passada foi enviado um documento com uma série de sugestões à presidência do órgão para a padronização do procedimento. “Estamos buscando adequar essa questão, pois o procedimen-
As inserções para o segundo semestre deste ano de alguns partidos também já foram deferidas, no TRE, a exemplo do PCdoB, marcadas para dezembro. Os programas do PSDB deverão ser veiculados entre os meses de novembro e dezembro e os do PHS para os meses de outubro, novembro e dezembro, de acordo com seus dirigentes. As veiculações têm um limite de duração: por semestre os partidos têm 20 minutos para a veiculação, eles podem escolher inserções de 30 segundos ou de um minuto; por dia, o limite é de dez inserções de 30
to para todos os processos é o mesmo. Após julgados pelo pleno eles não voltam para a seção de partidos. O que estamos trabalhando é uma forma para que esses processos específicos de inserções voltem para cá e assim termos o controle das datas de cada legenda. Estamos com um projeto para que uma lista possa ser disponibilizada na página do tribunal na internet”, explicou. O documento enviado à presidência, segundo Rodrigo, é com base no procedimento do TSE. Ele estima que até o próximo mês, a padronização esteja pronta para que as inserções de
2014 já passem pelo sistema de uniformização do tribunal. “Começamos a fazer um banco de dados para que os próximos processos de inserções para o segundo semestre possam ser organizados num sistema, que é um modelo de calendário, onde as legendas poderão consultar as datas disponíveis e as que não mais estão”, frisou. Para as inserções de 2014 os partidos têm até o dia 1˚ de dezembro deste ano para ingressarem com o pedido no tribunal. No próximo ano, por ser eleitoral, as inserções serão veiculadas somente no primeiro semestre.
REGRAS
Por semestre, as siglas têm 20 minutos para veicular suas inserções, que podem durar entre 30 segundos e um minuto por dia e, cujo limite é de dez inserções de 30 segundos ou cinco de um minuto segundos ou cinco inserções de um minuto, não podendo extrapolar o limite de cinco minutos por dia. Segundo a legislação eleitoral, a propaganda partidária tem como objetivo difun-
dir os programas partidários; transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário, dos eventos com estes relacionados e das atividades congressuais do partido; divulgar a posição do partido em relação a temas políticocomunitários e promover e difundir a participação política feminina, dedicando às mulheres o tempo que será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 10%. Para garantir esse espaço, as legendas devem se articular até o dia 1º de dezembro do ano anterior ao da transmissão.
Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
STF julga esta semana embargos do mensalão
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
O Supremo pode muito, mas não pode tudo” SENADOR JORGE VIANA (PT-AC) e a prerrogativa do Congresso de cassar condenados
PT paga jatinho para Gleisi em viagem oficial A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) se enrolou para explicar viagem em jato particular a Toledo (PR), dia 3. Primeiro, informou que a viagem foi “privada”, só para negar o uso de avião da FAB. Mas quem bancou o aluguel, caríssimo? Logo o PT se apresentou como fonte pagadora. Mas em seguida a Casa Civil confirmou que a viagem era “oficial”: a ministra não é da Agricultura, mas foi ao Paraná lançar o “Plano Safra”. A dúvida é se um partido pode custear a viagem de autoridade pública.
(PR-RJ), empacou na “fase preliminar” – como a PF informou em março à coluna, que tenta desde quinta (8) saber de novo que fim levou a investigação. Parece assunto-tabu.
Velhos conhecidos A empresa que o PT contratou para levar Gleisi ao Paraná é a Helisul, que também tem convênio com a Assembléia Legislativa do Estado.
Marasmo A Câmara dos Deputados comprou apontadores de lápis eletrônico, símbolo do marasmo no serviço público. País rico é assim mesmo.
Outros passageiros Também estavam a bordo do jato o ministro Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) e representantes do Banco do Brasil.
Metamorfose ambulante O governador gaúcho Tarso Genro tem criticado o Supremo e a “espetacularização” do combate à corrupção. Não dizia disso quando era ministro e a PF promovia operações espetaculares. Mas após a pedra do mensalão incomodar o sapato do PT, Genro mudou de ideia.
Pânico geral Deputados calculam que a renovação na Câmara pode chegar a 70% na próxima legislatura, em detrimento dos 46% da última eleição. Planos B, C, D... O PV lista Célia Sacramento (BA), Eduardo Jorge (SP) e o escritor de autoajuda Augusto Cury para disputar o Planalto, caso Gabeira desista. Euros de ‘Rose’ Noronha viraram ‘lenda’ na PF Tem tudo para virar mais uma lenda a investigação na PF do suposto transporte de € 25 milhões da ex-assessora de Lula, Rosemary Noronha, a “Rose”, por meio de mala diplomática. A denúncia do deputado Anthony Garotinho
Pega mal Velhas disputas de poder na PF contribuem para prolongar o mistério “Rose”, que só aumenta, passando limites razoáveis para conclusão. Carga pesada A Indústrias Nucleares do Brasil levará estrada afora 14 contêineres de urânio, perigoso material radioativo, da INB de Caetité a Salvador.
Xingamentos O certo seria cada um na sua, mas o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), o da “cura gay”, foi alvo de xingamentos de um grupo de gays num voo Brasília-São Paulo da Azul. O piloto ameaçou retornar ao aeroporto. Racha pernambucano Após intervenção do expresidente Lula, o senador Humberto Costa se juntou a João Paulo para fazer Bruno Ribeiro presidente do PT-PE. Já o ex-prefeito João da Costa articula para emplacar Fernando Ferro.
Jornalista
A corte terá que decidir se é legal a interposição dos “embargos infringentes” apresentados por Delúbio Soares FELLIPE SAMPAIO/SCO/STF
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Compra de terras no MS Em encontro com José Eduardo Cardozo (Justiça) e Gilberto Carvalho, terça, o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), exigirá que títulos da União, usados para comprar as terras do governo estadual, sejam convertidos em indenização dos fazendeiros. Na ponta do lápis Embora cogite ser vice de Eduardo Campos (PSB-PE) à Presidência, Cristovam Buarque (PDT-DF) tem recebido forte apelo para sair cabeça de chapa, o que pode aumentar a bancada de 29 a 40 deputados. Pode esquecer Para o presidente do DEM, José Agripino (RN), não há aliança nacional que resolva rompimento entre o deputado Ronaldo Caiado (DEM), pré-candidato ao governo de Goiás, e governador Marconi Perillo (PSDB). Só pensa nisso Virtual candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG) empossou em seu gabinete o tucano capixaba Luiz Paulo Vellozo, que deverá ajudá-lo na elaboração do programa de governo para 2014. Mal na fita Aspirante ao governo potiguar, o atual vice Robinson Faria (PSD) torce para ter como adversária a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), cujos índices de desaprovação alcançaram 68% nas últimas pesquisas. Mãos molhadas Seis meses após a CPMI do Cachoeira, Dr. Rosinha (PTPR) acusa sem citar nomes: “Só deu cascata de dinheiro na mão de alguns”.
PODER SEM PUDOR
Semblante conhecido O tucano Eduardo Azeredo era prefeito de Belo Horizonte, em 1992, e fazia campanha para governador quando foi a uma ótica trocar os óculos. - Conheço o senhor de algum lugar... – saudou o vendedor. - Talvez seja do Colégio Santa Helena – experimentou Azeredo, encabulado – ou do colégio estadual, talvez da escola de engenharia...�E o vendedor balançando a cabeça, recusando as possibilidades. - Então deve ser da prefeitura – arriscou Azeredo, vermelho como pimentão. - É, pode ser. O que o senhor faz lá? – liquidou o vendedor.
Presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, colocou na pauta o agravo de Delúbio Soares
O
Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir na próxima quarta-feira se é legal a interposição dos chamados embargos infringentes contra as decisões do tribunal tomadas em ações penais. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, colocou na pauta o agravo apresentado pela defesa do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, condenado a 8 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha na ação penal 470, o processo do mensalão. Além do agravo de Delúbio, estão na pauta outros três processos (dois agravos e um embargo de declaração) que também atacam as decisões
tomadas na ação. Em um deles, a defesa do ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP) sustenta que não são sequer necessários quatro votos divergentes na condenação para que sejam admitidos embargos infringentes. Em maio, o ministro Joaquim Barbosa rejeitou os embargos infringentes interpostos pela defesa de Delúbio. Segundo ele, o recurso é ilegal porque não é previsto no ordenamento jurídico. O Regimento Interno do Supremo prevê a possibilidade de a defesa ingressar com embargos infringentes. O texto fixa, em seu artigo 333, que “cabem embargos infringentes à decisão não unânime do plenário ou da Turma: I – que julgar
procedente a ação penal. (...). Parágrafo único – O cabimento dos embargos, em decisão do Plenário, depende da existência, no mínimo, de quatro votos divergentes, salvo nos casos de julgamento criminal em sessão secreta”. Se os embargos infringentes forem admitidos, eles devem ser interpostos pela defesa dos condenados depois do julgamento dos demais embargos de declaração. Os infringentes são como um novo processo, que podem efetivamente mudar algumas das condenações. Neste caso, seriam distribuídos aleatoriamente e teriam um novo relator. Delúbio Soares foi condenado por formação de quadrilha por seis votos a quatro.
NA QUARTA
CCJ do Senado vai votar PEC 18 Uma atitude de prudência, segundo os senadores, levou a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado a adiar, para a próxima quarta-feira, a votação de proposta de emenda à Constituição (PEC 18/2013) que estipula perda automática de mandato a deputados federais e senadores condenados definitivamente pela Justiça por improbidade administrativa ou crimes contra a administração pública. O adiamento da análise da matéria – que vai abrir a pauta de votações da CCJ da próxima semana – foi defendido pelo relator, senador Eduardo Braga (PMDB-AM). O motivo foi a apresentação de duas emendas de última hora pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o que deixaria o relator com pouco tempo para avaliá-las. “É uma matéria que requer a atenção de todos, pois es-
tabelece a perda automática do mandato que é conferido pelo povo”, advertiu Braga, reforçando a necessidade de se produzir um parecer sem precipitações, passível de gerar dúvidas sobre
MANDATO
PEC 18/2013 que estipula perda automática de mandato a deputados federais e senadores condenados em definitivo pela Justiça está na pauta de votações da CCJ do Senado de quarta-feira sua constitucionalidade. As ponderações do relator foram reforçadas pelos senadores Pedro Taques (PDTMT), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), José Agripino (DEM-RN) e Rodrigo Rollem-
berg (PSB-DF). Na condição de líderes partidários, Agripino e Rollemberg chegaram a defender, em reunião da mesa do Senado na última terça-feira-feira, a inclusão da PEC 18/2013 na lista de propostas prioritárias para votação no Senado. “Está claro que a CCJ e o Senado querem combater a impunidade e tomar todos os cuidados para que o texto não seja questionado por inconstitucionalidade”, afirmou Rollemberg. A PEC 18/2013 foi apresentada por iniciativa do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Pela proposta, a mesa da qual fizer parte o parlamentar condenado definitivamente pela Justiça – sem possibilidade, portanto, de recorrer da decisão – deverá se limitar a declarar a perda do cargo. Jarbas resolveu inserir este procedimento na Constituição.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
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Ives GANDRA
‘Temos MUITA lei e POUCA NEGOCIAÇÃO’ FOTOS: DIEGO CAJA
LUCIANO FALBO Equipe EM TEMPO
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Hoje, nós temos dois grandes gargalos na Justiça do Trabalho. Um é a execução. Temos 70% de média, no Brasil, de processos que estão parados na execução, ou seja, o trabalhador ganhou, mas não conseguiu receber. Um outro, é o próprio TST. Lá, um processo pode ficar até 10 anos para ser julgado”
o Brasil, os conflitos trabalhistas estão sempre em destaque porque além de crescentes, são extremamente difíceis de serem resolvidos, seja pela falta de acordos, seja pela excessiva demora na espera para o julgamento de uma causa ou pelo alto índice de sentenças não cumpridas (70%). As reclamações são consequências dessa morosidade. Entretanto, o Poder Judiciário tem se mostrado mais aberto para mudanças. Para falar sobre isso, o EM TEMPO conversou com o ministro corregedor do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, que esteve em Manaus na semana passada acompanhando o processo de correição no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª região (TRT/AM/RR). Gandra, que assumiu o cargo em março deste ano, acredita que a Justiça pode se tornar mais célere simplificando os processos e os tornando compreensíveis à sociedade. O ministro também acredita que é preciso que os tribunais fortaleçam suas jurisprudências com a prática da sumulação, assim orientando decisões que acabariam tomando um tempo maior dos magistrados. EM TEMPO - Qual é a maior dificuldade de atuação da Justiça do Trabalho? Ives Gandra - Hoje, nós temos dois grandes gargalos na Justiça do Trabalho. Um é a execução. Temos 70% de média, no Brasil, de processos que estão parados na execução, ou seja, o trabalhador ganhou, mas não conseguiu receber. Um outro gargalo é o próprio Tribunal Superior do Trabalho (TST). Se você recorre para lá, pode ficar até 10 anos de julgamento de um processo. A média hoje está em torno de um ano e meio, no mínimo, para ser julgado um processo no TST. Então, esses dois gargalos nós temos que resolver.
EM TEMPO – Esta semana o senhor falou que a superproteção do trabalhador o prejudica. Como isso acontece? IG - Quando há uma jurisprudência que passa a ser superprotetiva ao trabalhador começa a haver uma maior resistência na hora de executar. Se o empregador acha que não devia tanto ou ele nem tem condições de pagar tudo, porque em geral é micro e pequena empresa, ele resiste e vai recorrendo até ver se chega ao Supremo. Ou então ele quebra. Porque dependendo da decisão, a empresa não tem condições de assimilar. Muitas
vezes, a gente vai ver esses pedidos de dano moral são (desculpa dizer) alguns até estapafúrdios. “Ah, me senti lesado porque o empregador olhou feio para mim, está me discriminando, não sorri todo dia”. (risos) Não sei... É claro que estou exagerando um pouquinho... EM TEMPO - Então, há uma banalização da procura da Justiça do Trabalho? IG - Não a banalização da procura da Justiça. Existe a banalização do pedido de dano moral, ou seja, quando é pedida uma coisa concreta como aviso prévio, férias não gozadas ou saldo de salário. Agora, quando é pedido: “Ah, eu quero R$ 100 mil porque houve assédio moral. O meu empregador não me dava o trabalho que eu queria”. Em alguns casos ele não está discriminando, está distribuindo trabalhos. Aí fica difícil de conciliar e de pagar espontaneamente se o valor é muito alto. EM TEMPO - Tem um percentual desses casos em relação aos outros? IG – Hoje, em praticamente 80% das reclamações trabalhistas, sempre tem um pedido de dano moral. Lá no TST está acontecendo uma discussão muito séria para conseguir estabelecer parâmetros. Vou dar um exemplo: bancos que usam funcionário para transporte de valores em vez de contratar empresa de segurança. O que acaba acontecendo é que ela economiza por não contratar e o empregado corre o risco e aí ele pede indenização por danos morais. Tem variado as decisões dos regionais de dar entre R$ 20 mil a R$ 200 mil. É o mesmo tipo de dano. Como é que pode? Tem-se colocado como parâmetro o tempo que o fulano trabalhou fazendo esse tipo de serviço e qual salário que ele recebia. Então se estabelece um percentual. Aí se entende porque varia, mas variar tanto é difícil. EM TEMPO – O senhor falou que a terceirização tem contribuído para engessar a Justiça trabalhista. Por quê? IG – A terceirização é um fenômeno reversível. Não dá para acabar como alguns querem, até por meio de decisão judicial. Mas dá para dar sinalizações para a não admissão de algumas formas. A forma que mais precariza o trabalho humano é a locação de mão de obra com subordinação direta à empresa tomadora do serviço e, ao mesmo tempo, pagando o mínimo e sem dar as condições de segurança. O que tem acontecido, principalmente no setor público, é que existe a Lei das
Licitações dizendo que tem que contratar pelo menor preço e a empresa que ganha está no limite. Ela aguenta um ano. No ano seguinte quebra, não consegue manter o trabalhador. Muitas vezes o empresário some. Em alguns tribunais foram criados núcleos de pesquisa patrimoniais para descobrir onde foi parar esse empresário, se tem laranja operando. Aí o trabalhador quer receber e não acha e fica sem receber. EM TEMPO – Como o a corregedoria do TST tem agido em relação aos desvios de precatórios? IG – Nós temos ficado muito atentos a esse tipo de problema. Não só precatórios, mas sempre que um juiz passa a ser também administrador de recursos, administrando seu tribunal ou o dinheiro para pagamento de precatórios. Na época que eu estava no CNJ, eu afastei dez desembargadores por desvio de verbas e o mesmo acontece com os precatórios. Esse tipo de coisa tanto o CNJ quanto a corregedoria do TST estão de olho. EM TEMPO – A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, disse recentemente em Manaus que o Poder Judiciário precisa mudar e dar respostas mais rápidas. Diante das reclamações de morosidade, o que a Justiça do Trabalho poder fazer para mudar e ficar mais próxima da sociedade? IG – Duas coisas. O TST tem como finalidade pegar cada uma das leis trabalhistas e dar a sua interpretação e dizer: “Essa lei se aplica dessa forma”. Isso se faz por meio das decisões e das súmulas. O TST tem que sumular mais. Tem que dizer: “A lei tem que ser interpretada desta forma”. Eu sinto que hoje está faltando esse dinamismo na sumulação. E, segundo, o juiz trabalhista tem que saber gerenciar melhor os processos. A forma de julgar mais rápido é dizer sim, não e porquê. Rápido e objetivo numa linguagem que todo mundo entenda. Estar mais próximo do povo significa escrever do jeito que o povo entenda, ser objetivo e rápido. EM TEMPO – Na sua avaliação, a legislação trabalhista deve ser revisada? IG – Nós estamos hoje com excesso de leis. Temos muita lei e pouca negociação. Eu acho que o que nós teríamos que fazer o mais rápido possível, para dar um dinamismo às relações trabalhistas e torná-las menos conflituosas, seria ter o mínimo de direitos trabalhistas que seriam comum a todas as classes. O que fosse específico
de cada profissão seria dado liberdade às partes para acordos coletivos. A cada ano se verificaria o que precisa mudar ou avançar. EM TEMPO – O que o senhor pensa sobre a polêmica criação dos TRFs? IG - Eu estou convencido que não é multiplicando o número de tribunais e de juízes que resolveremos o problema da demanda judicial. Resolvemos de duas formas: racionalizando o processo e simplificando os recursos. E a outra criando meios alternativos de resolver os conflitos, com a criação de comissões de conciliação prévia, por exemplo. Tendo um filtro antes de chegar ao Judiciário e lá ter um filtro que faça com que a decisão de um juiz seja revista por um tribunal e pronto. A partir daí, o direito do cidadão foi observado do ponto de vista processual. Agora, o direto do Estado brasileiro de ter a interpretação vai ser respeitado por meio dos tribunais superiores e pelo Supremo, mas que não seja uma instância que necessariamente todo mundo vai percorrer. EM TEMPO – De que forma a experiência no CNJ colaborou para o exercício do cargo de corregedor? IG – Estou a menos de um ano como corregedor. No CNJ fiquei 2 anos. O tipo de atividade é muito similar: o controle disciplinar da magistratura. O CNJ vê por dois ângulos o Poder Judiciário. O de coordenação para que ele desempenhe melhor suas atividades. E há também o prisma disciplinar e correicional para saber se há algum desvio ético. Então, essas duas feições eu tenho procurado levar para a corregedoria da Justiça do Trabalho. Não só verificar se está havendo o não cumprimento das normas e desvios éticos da magistratura, mas também verificar, o que me parece mais importante, como é que está o desempenho da Justiça do Trabalho. Verificar se estamos julgando com qualidade, de forma barata porque o processo não pode sair caro para as partes, nem para o contribuinte. É isso que tenho procurado ver nas correições. EM TEMPO – Qual o maior desafio à frente do cargo de corregedor? IG – O maior desafio é mesmo o que tive no CNJ: julgar, corrigir colegas. Uma coisa é ter as partes, empregado e empregador, e eu estar como juiz. Agora, eu ter que julgar um julgador... Quer dizer – eu posso também estar do outro lado. E uma das coisas que mais nos faz sofrer é ver aquele que deveria distribuir Justiça não estar sendo justo.
Nós estamos hoje com excesso de leis. Temos muita lei e pouca negociação. Eu acho que o que nós teríamos que fazer o mais rápido possível, seria ter o minímo de direitos trabalhistas”
O maior desafio é mesmo que tive no CNj: julgar, corrigir colegas. (...) E uma das coisas que mais nos faz sofrer é ver aquele que deveria distribuir Justiça não estar sendo justo”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
PL dos mototaxistas vai a 2ª discussão até quarta
Previsão é do relator da matéria, vereador Wilker Barreto (PHS), já que o prazo constitucional termina amanhã, dia 12 JOEL ROSA
THIAGO GONÇALVES Equipe EM TEMPO
O
projeto de lei que regulamenta a profissão de mototaxista em Manaus deve ser votado em segunda discussão até a próxima quarta-feira, após os dez dias de interstício constitucional, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), segundo informou o relator da matéria, vereador Wilker Barreto (PHS). O PL 282/13 e o projeto de emenda 017/13 à Lei Orgânica do Município (Loman), ambos de autoria do Executivo municipal, foram aprovados em primeira discussão no último dia 31 de julho. Durante esse período, o projeto de lei recebeu mais três emendas parlamentares que foram apreciadas e derrubadas durante análise das propostas, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da casa, realizada na última quintafeira. Já a emenda, que teve os pareceres favoráveis das comissões aprovados e foi preservada, prevê que as permissões para o serviço de mototáxi não ultrapassarão
a proporção de uma moto para cada 600 habitantes. Wilker Barreto explicou que para aprovar o projeto da regulamentação dos mototaxistas primeiro é necessário emplacar a emenda da prefeitura. “Não podemos aprovar o projeto (282/2013) sem antes fazer a alteração à Loman, que muda a pro-
DE OLHO
No dia 31 de julho, durante votação em 1ª discussão do projeto de lei que trata sobre o transporte em motatáxi e táxi, as discussões na CMM foram acompanhadas por cerca de 500 mototaxistas porção de uma motocicleta para 900 habitantes para a proporção de uma moto para 600 habitantes”, disse. “Até a quarta-feira essa matéria estará aprovada”, garantiu. Barreto afirmou que a proposta do Executivo municipal que define 3 mil vagas para mototaxistas permissionários e mais 3 mil para auxiliares, foi acordada com
os integrantes da categoria. “O número de vagas para operação no sistema é um consenso entre prefeitura e os trabalhadores”, frisou. Regulamentação O PL 282/13 dispõe sobre a regulamentação do serviço de transporte por mototaxista e também por taxista, sob regime de permissão e processo licitatório em Manaus, uma vez que novas regras foram estabelecidas para essa modalidade pela lei federal 12.009/ 2009 ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A regulamentação ocorre, ainda, em função da necessidade do poder público permitir, controlar e fiscalizar o serviço, de modo a garantir ao usuário maior segurança e conforto, com minimização dos riscos a que estão expostos. Já a emenda 017/13 pretende modificar a Loman, de forma a adequar a legislação vigente à realidade de Manaus no que diz respeito à regulamentação das permissões do serviço de transporte de passageiros em veículos de duas rodas por mototaxistas.
Estimativas de entidades ligadas ao setor afirmam que Manaus possui mais de 10 mil mototaxistas
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
economia@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Seguro pouco usual aquece mercado local Economia B3
(92) 3090-1045
Empresas estimulam a produtividade com lazer Aposta nos espaços de descanso e entretenimento visa incentivar a saúde e o espírito de trabalho dos colaboradores FOTOS: ALEXANDRE S. FONSECA
Trabalhadores se divertem jogando uma partida de sinuca durante o intervalo das refeições em uma fábrica do Distrito Industrial para amenizar o estresse causado pelo serviço pesado diário
P
reocupadas em manter a eficiência da mão-de-obra no trabalho, empresas de Manaus perceberam que valorizar o descanso e lazer dos funcionários pode render um retorno de curto prazo, principalmente, na parte da produção e criação. Elas passaram a oferecer ambientes de integração e descontração, cientes de que esses espaços podem diminuir os riscos à saúde e o estresse dos empregados. Em Manaus, algumas em-
presas adotam essa medida como forma de investimento prioritário e estratégico. De olho no retorno que a relação tempo e produtividade proporciona, a Sotreq - empresa que atua na área de construção, mineração, energia e petróleo -, chegou a mudar para uma sede maior para poder proporcionar uma área de lazer e descanso para seus funcionários. De acordo com o gerente regional da Sotreq, Alexandre Moura, na antiga sede, onde o espaço era pequeno, notavase uma dificuldade maior para cumprir a jornada de trabalho após o almoço por parte dos
colaboradores. “Muitos ficavam naturalmente ociosos com a barriga cheia devido ao calor forte da região. Para tentar resolver esse problema, a nova sede da empresa foi concebida para abrigar espaços de entretenimento físico e mental. Desde que nos mudamos para a nova sede, percebemos um aumento na produtividade, o que está diretamente ligado ao bem-estar dos funcionários” ressalta. Moura explica que essas iniciativas aproximam os funcionários de todos os níveis sem dar espaço para a criação de grupos distintos da maioria. Segundo ele, os
funcionários da Sotreq possuem um “serviço” que muitas empresas não disponibilizam para os empregados. “Trabalhei em outras empresas que ofereciam no máximo os refeitórios”, completa. “Para criar um ambiente de satisfação e motivação contínua é preciso um trabalho de base, que instiga os colaboradores a darem o melhor. Com as baterias recarregadas todos ficam mais dispostos e atuam de maneira harmoniosa”, salienta o presidente da Sotreq, Carl Orberg, após muitos anos sem visitar a capital amazonense e se deparar com a nova sede da Sotreq. DIVULGAÇÃO
BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO
Áreas democráticas de integração Na capital amazonense, algumas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) investem nos espaços de lazer como forma de promoção de relacionamentos interpessoais. Na unidade da Whirpool no PIM há uma área equipada com mesa de sinuca, tênis de mesa, pebolim, dominó, dama e sala de vídeos. O local fica disponível diariamente para os funcionários nos intervalos do almoço, jantar e ceia. O gerente de
Recursos Humanos da Whirpool, Edmar Freitas, ressalta que é uma política interna da empresa promover o bemestar e otimizar o tempo de descanso dos funcionários. “Esses espaços são democráticos, pois são frequentados por todos, desde o operário do chão de fábrica até os executivos da companhia. Somos uma das empresas pioneiras no mundo a perceber que esse tipo de investimento traz um retorno prático e de curto prazo”, ressalta.
Unidade local da Whirpool possui sala com vários jogos
Rodada de dominó anima funcionários enquanto descansam
Futebol ‘dissemina’ cultura Para manter o clima agradável e o engajamento dos trabalhos, a Whirpool promove a Semana da Mentalidade Enxuta, um evento que visa fortalecer e disseminar a integração dos funcionários durante seis dias, sempre nos intervalos das refeições. Além dos espaços de descanso, a empresa realiza também um campeonato interno de futebol há três anos, que vai de
janeiro a abril. O evento mobiliza 500 pessoas entre funcionários e familiares. Todos os custos com uniformes e premiações são pagos pela empresa. “De maneira clara e informal, conseguimos reforçar nossos valores e transmitir a cultura da empresa por meio de diversão, jogos, concursos de paródia e palestras”, enfatiza o gerente de Recursos Humanos, Edmar Freitas.
Economia
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
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Seguros ‘diferenciados’ movimentam corretoras
Além de veículos e residências, manauenses fazem apólices para serviços e produtos poucos usuais como animais e bicicletas DIVULGAÇÃO
Uma das apostas das empresas em Manaus é o seguro para eventos, que é adotado como forma de se precaver de acidentes e imprevistos, inclusive, com a má qualidade da comida oferecida
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os últimos cinco anos, além das triviais apólices para veículos, saúde e residências, os manauenses têm estimulado o mercado ao demandar seguros para serviços ou produtos diferenciados. Para prevenir riscos, eles fecham contratos para garantir a segurança de animais, festas, convenções de trabalho, casamento e até mesmo a bicicleta, artigo que tem sido a “estrela” da retomada dos movimentos de pedaladas nas ruas de Manaus. O diretor da operadora de seguros GG Moura, Gilvandro Moura, conta que ele mesmo aderiu aos “seguros inusitados”, em especial, para as reuniões de trabalho que realiza para até 500 pessoas, evento em que contrata antecipadamente apólice de quase R$
600. “Depois que adquiri o hábito me sinto mais tranqüilo. O seguro me protege de qualquer imprevisto, desde um lustre que caia e possa machucar alguém até problemas de saúde provocados por algum alimento servido no local”, revela. A empresa J Malucelli, que se prepara para abrir nos próximos meses um escritório em Manaus, vai oferecer produtos inusitados apostando no crescimento dessa fatia do mercado local, conforme explica a coordenadora comercial da seguradora, Manuela Lemos. O seguro de bicicletas é um deles. “Há clientes que faziam o seguro por São Paulo pela falta da oferta do produto em Manaus. Na cidade, algumas bicicletas chegam a custar R$ 35 mil, geralmente, per-
tencentes a atletas que se preocupam em resguardar o bem em caso de acidente ou roubo”, detalha. Outra modalidade é o segu-
ADEQUAÇÃO
Apesar dos avanços dos seguros diferenciados, conforme corretores, procura por apólices de saúde, casa e carros ainda continua em alta no mercado local, que precisa se adequar às exigências dos clientes ro de garantias contratuais. Mais voltado para a classe empresarial, o seguro é feito nas etapas de licitação para fornecimento de serviços e JOEL ROSA
Procura por seguro de bicicletas tem apresentado crescimento na capital amazonense
mercadorias. “Um empresário que contrate esse tipo de seguro fica respaldado com a garantia de que o serviço será entregue em tempo hábil, ou que a mercadoria chegará ao destino no prazo determinado. Esse será o nosso carro-chefe”, adianta a coordenadora. Animais Porém, a novidade destacada por Manuela é o seguro Pet. Manuela diz acreditar no aumento de proprietários de cães de grande porte, como já ocorre em outras cidades brasileiras, que fazem o seguro para eventuais danos. “Se o cachorro fugir e morder alguém, o seguro cobre. Também existe cobertura para danos materiais como partes de carros que são destruídas pelos bichos”, ressalta.
Consumidor precisa ficar atento O sócio administrador do salão Dulcila Festas, Marcondes Luniere Júnior, explica que a cultura do amazonense não contempla a prática de contratar seguros diferenciados. Segundo ele, esta realidade ocorre, em geral, devido aos preços. “Mesmo com valores variados, não observamos de forma consistente entre os clientes, a preocupação com os detalhes que podem comprometer o evento. Aqueles que possuem cuidado, por vezes, voltam atrás para não onerar ainda mais a realização de um casamento”, frisa.
Conforme o empresário, mesmo com as dificuldades, há clientes que pagam alto para realizar um evento que, geralmente, é um momento único como uma festa de casamento ou formatura. “Se algo der errado, qualquer detalhe como um alimento mal preparado ou um móvel que possa causar acidente, o momento especial não volta atrás. É preciso tomar cuidado. Saber escolher a empresa realizadora do evento e avaliar o custo benefício são medidas importantes, caso contrário, o barato pode sair caro”, aconselha.
Preço elevado inibe expansão O diretor da operadora de seguros GG Moura, Gilvandro Moura, explica que o valor pode variar bastante. Segundo ele, no momento de fazer a apólice, são levados em consideração fatores como localização, espaço, número de convidados e tempo de duração do evento. “O valor vai depender da grande complexidade e dos riscos envolvidos. Quanto maior o número de convidados, maior o perigo de acidentes”, exemplifica o empresário.
Com apenas seis clientes fixos na modalidade em sua seguradora, Moura ressalta que o mercado ainda é tímido em Manaus se comparado a outras capitais brasileiras, mas que a tendência é de crescimento nos próximos anos. “O manauense tem se mostrado mais atento, não apenas em relação à sua própria proteção como também em relação aos seus próximos. A responsabilidade social, ou seja, com o que acontece com o outro
está mais em evidência do que nunca”, aponta. Mesmo sem detalhar, o diretor que também representa o Sindicato dos Corretores de Seguro do Amazonas e Roraima (Sincor-AM/RR), afirma que das 200 seguradoras em atividade na capital amazonense, boa parte começa a diversificar os produtos, deixando de lado o foco apenas nas apólices convencionais para serviços mais especializados como os voltados para eventos.
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Economia
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DIVULGAÇÃO
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
A boa notícia de Anne Frank
Destinos históricos de cidades brasileiras situadas em 17 Estados vão receber identificação
Governo destina recursos para sinalização turística Ao todo, serão repassados R$ 19 milhões para implantação de placas e equipamentos que vão facilitar a localização
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Ministério do Turismo abrirá, amanhã (12) o Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Governo Federal (Siconv) para inscrições de propostas de projetos de infraestrutura no valor mínimo de R$ 100 mil, num total previsto para investimento de R$ 6 milhões. O ministro do Turismo, Gastão Vieira, e os prefeitos assinaram o pacto de sinalização das cidades históricas, na semana passada, em Brasília. O documento formaliza o repasse de R$ 19 milhões para a implantação de placas e equipamentos que facilitam a localização de visitantes em 34 destinos históricos de 17 Estados de todas as regiões brasileiras. O anúncio da abertura do Siconv foi feito pelo secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Fábio Mota, que também participou da reunião com
representantes dos 34 municípios contemplados pelo PAC do Turismo. De acordo com Fábio Mota por falta de elaboração de projetos e atraso na apresentação dos documentos, municípios de todo o país deixaram de
PROJETOS
Além da placas físicas, é possível fazer projetos de sinalização com totens iluminados, usando telas sensíveis ao toque, e interagir com celulares por meio de transmissão de dados digitais receber R$ 180 milhões do MTur, referente a obras empenhadas em 2011. Para o ministro Gastão Vieira, a sinalização turística tem por objetivo incentivar o turista brasileiro a viajar pelo Brasil, uma das premissas do
Plano Nacional de Turismo (2013-2016). A proposta é inserir as cidades históricas nos roteiros turísticos nacionais e internacionais, gerando empregos, melhorando as condições de vida dos moradores e aumentando a arrecadação de impostos. “A sinalização garante segurança e conforto aos turistas. É importante estar com essa sinalização pronta antes da Copa do Mundo”, afirma o ministro. Padrão Elemento fundamental para motoristas e pedestres, especialmente aos que não conhecem a região que visitam, a sinalização deverá informar sobre a distância, o percurso e a existência de atrativos turísticos. “Já existe um modelo de placa, que segue padrões e recomendações internacionais”, enfatiza o diretor de Infraestrutura Turística do MTur, Neusvaldo Lima.
Nordeste receberá maior fatia Na divisão dos recursos para sinalização turística, a Região Nordeste receberá R$ 7,3 milhões para investimento em 13 cidades históricas. Na lista de beneficiários, estão destinos que recebem grandes fluxos de turistas como Fernando de Noronha (PE), Itaparica (BA), Penedo (AL), São Luis (MA), Parnaíba (PI), Aracati (CE), João Pessoa (PB) e São Cristóvão (SE).
No Sudeste, os Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro receberam um total R$ 5,5 milhões. A sinalização turística será implantada nas principais cidades históricas mineiras, como Congonhas, Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Sabará e São João Del Rei. Importante destino turístico de São Paulo, São Luiz do Paraitinga, bastante afetada
com as enchentes de 2010, também foi contemplada no pacote do MTur. São Miguel das Missões (RS), com suas ruínas tombadas pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, está no rol das cidades do sul do país que recebeu recursos para sinalização turística. A região terá um total de R$ 3,1 milhões.
“Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana”, diz em seu Diário Anne Frank, essa adolescente iluminada, uma judia que experimentou a escuridão opressiva da discriminação nazista, sem perder a esperança do mundo mais fraterno, sem deixar arrefecer a própria fé na condição humana, ao se fazer alimentar pela semente do amor, a celebração da vida cujo impulso persiste em todos nós. “Amor é entender alguém, se importar, compartilhar as alegrias e tristezas”. Só por isso é oportuna, emblemática e atualíssima, a exposição Anne Frank, uma história para hoje, que o Comitê Israelita do Amazonas, tendo à frente Anne Benchimol, presenteou a Manaus durante todo o mês de agosto, no Manauara Shopping. Depois de passar por várias cidades do país, além de Brasília e Portugal, a exposição vem falar aos jovens, de idade e em espírito, para acender a luz cotidiana da harmonia e alumiar a cultura da paz. O momento que o Brasil vive pede reflexão intensa e mobilização fraterna por essa paz, pela tolerância, pelo respeito às diferenças, pela afirmação dos direitos humanos e exercício livre e efetivo da cidadania. “Todo mundo tem dentro de si um fragmento de boas notícias. A boa notícia é que você não sabe quão extraordinário você pode ser! O quanto você pode amar! O que você pode executar! E qual é o seu potencial!”. A presença de Anne Frank entre nós, seu legado de esperança, sua crença na comunhão, na democracia e na potencialidade das pessoas para a construção da civilização fraterna, nos convida a revisitar a saga de dois séculos do povo hebreu na Amazônia. O empreendedorismo dos Benayon Sabá, Benarrós, Benzecry, Assayag, Benchimol... em completa harmonia com sírio-libaneses, turcos, palestinos, gregos e troianos, precisa, pois, ser revisto e compreendido sob a ótica da obstinação atávica, paradigma de construção da prosperidade nos limites fecundos dos referenciais de cooperação e solidariedade, premissas essenciais de que hoje o mundo urgentemente precisa para construir o verdadeiro congraçamento da paz. No livro Manaós-do-Amazonas, são listados pelo professor e pioneiro Samuel Benchimol, ele e seus irmãos, 41 produtos extraídos da floresta e que faziam a base da economia regional nos anos 1940 em diante, quando esses empreendedores, a despeito do marasmo econômico da Amazônia de então, consolidaram teimosamente investimentos robustos na região. Uma verdadeira empreitada de bons negócios da floresta. Farinha, cacau, castanha, borracha, malva e juta, óleos medicinais e cosméticos... são alguns carros-chefes das empresas que a saga de Abraão fez florescer a partir do almoxarifado de produtos naturais da Hiléia demandados pelo mercado internacional. O engenho e a arte hebraica para os negócios desembarcaram nos anos 1950 na Companhia de Petróleo da Amazônia, de Isaac Sabbá, matriz de uma rede de terminais para distribuição
do combustível que possibilitou o ensaio de integração da Amazônia com a vida econômica do país. Omnia vincit labor, o trabalho vence tudo, diria Virgílio, bafejado na floresta pela presença benéfica e generosa da congregação dos Salesianos, mostrou sua eficácia redentora. As várzeas do Nilo foram berço e suporte material de muitas civilizações. Na Amazônia, tais projetos, devido à escassez demográfica, o rodízio entre o extrativismo e o cultivo racional, sempre disputaram mão de obra extensiva e esperam do poder público e órgãos de pesquisa as atenções e os recursos necessários para a sua consolidação. As várzeas regionais são, pois, promessas densas de progresso e abundância. E são testemunhas da saga judaica de empreendedores regionais, seu DNA de qualidade, solidariedade e partilha de paz, o sucedâneo fraterno da prosperidade geral, insumos sagrados e inerentes desta Amazônia que se pode credenciar a uma nova terra prometida. Em 1967, o papa Paulo 4º publicou a Populorum progressio (Progresso dos povos) uma carta famosa e polêmica, dedicada à cooperação entre os povos e ao problema dos países do terceiro mundo. O texto denuncia o agravamento do desequilíbrio entre países ricos e pobres, critica o neocolonialismo e direito de todos os povos ao bem-estar, à liberdade e o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, incluindo o acesso à saúde, moradia digna e educacao de qualidade. Sim, educação de qualidade, a única ferramenta capaz de promover a verdadeira transformação. Nesse contexto, a paz é a premissa de partilha do progresso, aqui entendido à luz da encíclica de Paulo 4º. Os últimos números do IDHÍndice de Desenvolvimento Humano no Brasil, entretanto, denunciam o quanto ainda temos que caminhar para difundir e tornar efetiva a boa notícia de Anne Frank. O Amazonas, a sexta economia do Brasil, que teve taxas de crescimento econômico semelhantes à China nos últimos 20 anos, e arrecadará em 2013, algo em torno de R$ 13 bilhões de impostos, não tem um município entre os 50 melhores do país, mas tem 11 entre as piores. As taxas e contribuições apenas das empresas do polo industrial, R$ 2,3 bilhões, anualmente, se destinam especificamente para a pesquisa, desenvolvimento, turismo, cadeias produtivas e formação acadêmica e, apesar disso, o Amazonas está atrás de Rondônia, Roraima e Amapá no indicador educacional.O exercício da cidadania, da liberdade, da verdadeira democracia, do combate à discriminação e opressão do analfabetismo, da exclusão, supõem a partilha, a distribuição equânime de oportunidades e os benefícios entre os potenciais construtores da pr osperidade, sobretudo os benefícios da boa notícia educacional, educação de qualidade que assegura a vigência e a perenidade da capacidade e do potencial de cada um, a boa notícia da cidadania, por Anne Frank. “ A boa notícia é que você não sabe quão extraordinário você pode ser!” (*) Alfredo é filósofo e ensaísta.
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta
Os últimos números do IDH- Índice de Desenvolvimento Humano no Brasil, entretanto, denunciam o quanto ainda temos que caminhar para difundir e tornar efetiva a boa notícia de Anne Frank”
Economia
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Em busca do promissor mercado de aplicativos BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO
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a esteira do crescimento do uso de smartphones, desenvolvedores de aplicativos em Manaus buscam se especializar para “abocanhar” fatia maior desse nicho em expansão. A Fundação Centro de Análises, Pesquisas e Inovação Tecnológica (Fucapi) investe no desenvolvimento de aplicativos criados a partir de demandas locais e nacionais, uma vez que o Brasil é grande detentor do mercado de telefonia móvel da América Latina. Para a gerente de gestão de soſtware do Centro de Tecnologia da Informação (Cetin), Rosane Teixeira, o mercado é muito promissor e em poucos anos deverá ser o mais rentável e lucrativo da área de tecnologia da informação em todo mundo. “A expectativa é que o segmento “mobile” (tecnologias móveis) domine a troca de informações, isto é, envio e recebimentos de dados, até 2015. De acordo com as projeções de especialistas o segmento deverá ser responsável por metade do faturamento mundial em soſtware e publicidade”, frisa. Os profissionais em forma-
ALBERTO CÉASAR ARAÚJO
Amazonenses se especializam no desenvolvimento de soſtwares para smartphones, cujo uso está em expansão no mundo ção pela Fucapi Mobile estão preparados para desenvolver soluções em aplicativos para Android, iOS e Windows Mobile. “Dentro da Fucapi estamos constantemente nos atualizando para continuarmos na trilha desenvolvimentista do mercado para aplicativos moveis” ressalta Rosane. Um exemplo prático de aplicação de programas para smartphones desenvolvidos pela Fucapi é um jogo educativo voltado para estudantes de língua japonesa, que orienta a prática dos estudos, enquanto os alunos executam outras atividades. Petit Fabrik Com menos de um ano de criação, a Petit Fabrik ganhou notoriedade ao receber um prêmio internacional por criar jogos para smartphones e tablets. O produtor executivo da Petit Fabrik, Olimpio Neto, revela que foi uma questão de juntar as “cabeças certas” para iniciar as atividades no estúdio, onde hoje trabalham mais de dez profissionais. “Os desafios técnicos são enormes tanto em estrutura de telecomunicações, quanto na oferta de cursos. Contudo, é animador e desafiante desbravar no Amazonas um mercado pouco explorado”, afirma.
Brasil é o quarto maior consumidor de smartphones do planeta, fato que atrai interesse de desenvolvedores de aplicativos
Programa capacita jovens talentos locais Criado em 2005, o programa “Honda Jovem”, da Moto Honda da Amazônia, capacita e dá suporte a criação de novos modelos industriais de fabricação e aplicação da força de trabalho por meio de vias tecnológicas como os aplicativos para smartphones. Para participar do progra-
ma basta estar matriculado na rede pública de ensino e se submeter a uma pré-seleção. Premiação Uma das equipes do “Honda Jovem” foi vencedora da 5ª edição da Feira de Projetos do Senai (Feipro) este ano. Todos os alunos
da equipe são do curso de operador de linha de montagem da escola Senai Antônio Simões. Eles entraram na escola por meio do projeto “Jovem Aprendiz” da Moto Honda da Amazônia, que busca dar oportunidade a pessoas na faixa etária de 17 a 24 anos. O gerente institucional da
Moto Honda da Amazônia, Mário Okubo, destaca que a premiação vem como um incentivo para a empresa. “Somente este ano entraram na empresa por meio desse projeto 145 jovens, que se preparam com cursos direcionados para área onde vão atuar na fabrica”, explica.
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País
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O SUS, os m A polêmica resolução do governo federal que instituiu o programa “Mais Médicos” continua provocando várias contestações sobre sua aplicabilidade na prática
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ançada pelo governo federal, a medida provisória do programa “Mais Médicos”, representa, segundo Florisval Meinão e Renato Azevedo Júnior, presidentes da Associação Paulista de Medicina e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, grave risco à assistência à saúde da população, além de piorar a qualidade dos cursos de medicina. A MP gerou protestos dos médicos que foram às ruas em todos os Estados. Mais de 500 emendas foram apresentadas à MP por deputados e senadores, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda esclarecimentos da Presidência da República.
“Fora as mobilizações e ações judiciais movidas pelas entidades médicas, - conselhos, sindicatos e associações, renomadas instituições que mantêm cursos de medicina também posicionaramse contrárias às medidas. A exemplo da USP, Unifesp e Unicamp”, afirma Florisval Meinão.
O programa “Mais Médicos” não se sustenta porque foi idealizado como uma estratégia de marketing eleitoral
Renato Júnior presidente CRM-SP
Para Renato Júnior, ao invés de ouvir argumentos lúcidos de pessoas e entidades comprometidas com a saúde da população e do ensino médico no país, o governo insiste em propostas unilaterais, temperadas com o discurso maniqueísta de que os médicos brasileiros e suas entidades são os responsáveis pelas difi-
culdades de acesso ao SUS. “O programa ‘Mais Médicos’ não se sustenta porque foi idealizado como uma estratégia de marketing eleitoral, concebido não como uma política de saúde, mas como uma resposta às ruas e à queda de popularidade do governo”, declara. Para o CRM-SP, são inadiáveis medidas para solucionar um problema real que aflige tantos brasileiros, a dificuldade de contratação de médicos no SUS em pequenos municípios e nas periferias das grandes cidades. De acordo com a entidade de classe, o programa foi feito às pressas e sem nenhum debate prévio. Ou seja: contém propostas demagógicas que não surtirão o efeito anunciado, seja porque são tecnicamente inviáveis ou inconstitucionais. “Não podemos concordar com a forma ilegal de vinculação precária proposta, por meio de bolsa sem direitos trabalhistas, como 13º salário, FGTS e horas extras. Somos receptivos à vinda de médicos formados no exterior, mas o Brasil não pode abrir mão da revalidação de diplomas, única maneira de proteger a população de profissionais mal formados”, pondera Meinão.
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Mundo
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Terrorismo da Al Qaeda volta a ameaçar o mundo Plano de ataque terrorista arquitetado pela rede de terrorismo Al Qaeda deixou o serviço de inteligência americano em alerta
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suposto plano de ataque de dois líderes da Al-Qaeda, interceptado por agentes americanos, claramente aturdiu o serviço de inteligência dos EUA, a ponto de Washington fechar 22 de suas missões diplomáticas no Oriente Médio, na Ásia e na África. Na capital do Iêmen, Sanaa, onde a ameaça de ataque era considerada maior, Reino Unido, França e Alemanha também fecharam suas embaixadas. EUA e Grã-Bretanha também retiraram toda a sua equipe diplomática do território iemenita. Mas por que o ramo iemenita da Al-Qaeda causa tanta preocupação em Washington? A Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP, na sigla em inglês), braço da organização radical no Iêmen, não é a maior ramificação do grupo de Osama Bin Laden, nem necessariamente a mais ativa. Há outras células mais ruidosas de jihadistas espalhadas pela Síria e pelo Iraque, envolvidas em confrontos quase diários com outros muçulmanos. No entanto, a Casa Branca considera a AQAP como sendo,
AE
de longe, a mais perigosa delas sob os olhos do Ocidente, por ter tanto habilidades técnicas como alcance global. Além disso, essa célula é leal ao líder nominal da AlQaeda, Ayman al-Zawahiri, e ao que resta da liderança central do grupo escondida no Paquistão. Em agosto de 2009, o prin-
QUESTÃO
EUA e Grã-Bretanha também retiraram toda a sua equipe diplomática do território iemenita. Mas por que o ramo iemenita da Al-Qaeda causa tanta preocupação em Washington? cipal fabricante de bombas da AQAP, o saudita Ibrahim al-Asiri, construiu um dispositivo explosivo tão difícil de ser detectado que ou estava amarrado junto à virilha do jihadista ou estava dentro de seu corpo. Ele então encarregou seu irmão, Abdullah, de fazerse de homem-bomba para
matar o príncipe saudita responsável pelas ações de contraterrorismo de seu país. O plano quase deu certo. Fingindo estar se entregando à polícia, Abdullah al-Asiri enganou as forças de seguranças sauditas e conseguiu ficar próximo ao príncipe Mohammed Bin Nayef para que a bomba fosse detonada remotamente, possivelmente via telefone celular. A explosão matou Abdullah, mas o príncipe apenas teve uma mão ferida. A AQAP prometeu tentar novamente e de fato tentou. Ofensiva Em dezembro de 2009, Ibrahim al-Asiri construiu um novo dispositivo para ser usado por um voluntário, desta vez, um jovem nigeriano chamado Omar Farouk Abdulmutallab. O jovem conseguiu embarcar da Europa a Detroit, nos Estados Unidos, com um explosivo escondido em sua roupa de baixo, num grave erro de inteligência e segurança das autoridades ocidentais. Mas quando ele tentou detonar a bomba, na hora que o avião se preparava para pousar em Detroit, ele foi identificado.
Soldado americano observa escombros de veículo destruído por suposto ataque terrorista
Ataques de drones americanos Desde então, a liderança do grupo tem sido alvo de ataques de aviões não-tripulados dos EUA. Diversos líderes foram mortos, inclusive Saeed al-Shihri e os influentes Anwar al-Awlaki e Samir Khan. Segundo o think tank New America Foundation, os ataques não-tripulados dos EUA no Iêmen cresceram de 18 em
2011 para 53 em 2012. Na semana passada, um drone supostamente atingiu um carro que levava militantes da Al-Qaeda no país. Esses aviões não-tripulados são altamente impopulares no Iêmen, porque muitas vezes erram o alvo e acabam matando famílias inteiras de civis. Grupos de direitos humanos os qualificam de matanças
extrajudiciais. E os iemenitas também os consideram uma violação de sua soberania. As autoridades americanas e iemenitas argumentam que, nas partes mais remotas do país, como as províncias Shabwa, Abyan e Marib, as ofensivas aéreas baseadas em dicas de informantes são a única maneira de prevenir novos atentados.
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
diadia@emtempo.com.br
(92) 3090-1041
MICHELL MELLO/PROURBIS
Prourbis muda rotina no Jorge Teixeira Dia a dia C7 FOTOS: ALEXANDRE FONSECA
Luiz Gonzaga com a filha caçula, Amanda, e o netinho Luiz Alexandre: carinho e lições de vida com boas lembranças
Pai, herói e ‘muito chato’
A vida do pedagogo Luiz Gonzaga de Araújo Lima é um exemplo de superação a limitações visuais e amor familiar no melhor estilo “A grande família”, com histórias divertidas e emocionantes envolvendo seus três filhos, hoje adultos IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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le dedicou a vida a lecionar para crianças das séries iniciais. Hoje, também ensina informática a pessoas que, como ele, perderam a visão e precisam lidar com as novidades da rotina. Mas, foi em outra área que o talento do pedagogo Luiz Gonzaga de Araújo Lima, 48, floresceu: desvendar e sobreviver aos mistérios da paternidade. Após anos de meticulosa negociação, o sonhado time de futebol de herdeiros findou em um trio com esquema tático para técnico nenhum botar defeito. A inclinação de Luiz para tornar-se pai vem superando qualquer dificuldade. “Parece algo diferente, mas quando a pessoa passa a conviver com a deficiência ou com as pessoas que têm deficiência, passa ser uma vida normal, mas adaptada, é claro”, analisa. Porém, poucos atentavam a isso. Por muito tempo, a atração preferida da vizinhança eram os passeios de Luiz com as crianças pelas ruas do bairro, momento em que mexeriqueiras de plantão aproveitavam para esvaziar o pote de preconceito. “Quando minha mulher engravidou do primeiro menino, eu ouvia os comentários: ‘olha, a mulher do ceguinho tá buchuda’”, lembra. Foi quando nasceu o primeiro filho do casal, há 23 anos. Anos mais tarde, “desapontado” em ver a criança brincando sozinha, Luiz - que cresceu junto a dez irmãos - investiu novamente. E, após muita argumentação, conseguiu dois irmãozinhos para o primogênito. Foram duas “barrigadas seguidas”, o suficiente para causar frisson na vigilante plateia. “E o pessoal falava. Uma vez eu
saí com meus filhos e a minha mulher. O mais velho andava ao meu lado, segurando na minha calça e os outros dois nos meus braços. A minha mulher, com uma bolsa, ia na frente. E os vizinhos diziam: olha o ceguinho com dois no colo, um embaixo e outro no pensamento. Nunca liguei para isso, mas depois ela não quis mais e fiz vasectomia, porque pensei na qualidade de vida que poderia oferecer”, diverte-se. Não enxergar nunca foi barreira na hora de cuidar das crianças. Ele lembra que fez tudo o que um pai “normal” poderia fazer e adotou até um estilo “sargentão”. “Ia
SUCESSO
A história da paternidade de Luiz Gonzaga é marcada pela tolerância a preconceitos de vizinhos durante a infância de seus filhos, mas a resposta foi dada pelo sucesso da vida da família para a cozinha, lavava fralda, sempre fui muito participativo. Eles me chamavam de chato. Se sou chato porque não deixo ir para a rua, quero que escove os dentes, então vou continuar sendo chato”, orgulha-se. Nem mesmo da alimentação das crianças ele descuidava. “Queria dar o melhor daquilo que podia oferecer. Eu exigia que acordassem no horário, comessem verdura. Eu contava história, fazia de tudo, e quando não dava certo eu pegava o cinturão. A Amanda e o Henrique eram magrinhos e o Marno era gordo. Eu dizia: come, Amanda; come, Henrique; se não comer vão apanhar, e para de comer Marno, se não parar vai apanhar”, brinca.
‘Métodos ninja’ para lidar com a criançada Desde cedo as crianças aprenderam a lidar com o jeito diferente do pai em perceber o mundo. “Os meninos eram pequenos e falavam ‘papai dodói’ e colocavam minha mão onde machucou. Quando a gente saía de ônibus, a Amanda pulava na frente para ajudar a descer. Quando a gente informa, eles passam a entender rápido”, aponta. Luiz também teve que desenvolver “métodos ninja” para tentar driblar a esperteza do
trio. “Eles estavam brincando no quintal e eu disse que se passassem para a rua ia dar três lambadas em cada um. Entrei no quarto, contei até cinco e saí, ouvi o cachorro latindo. Chamei os três, eles não estavam lá. O Henrique, que era o mais moleque, subiu no muro e disse: Estamos aqui, papai. E eu: Henrique, querendo me enganar!”, lembra. A deficiência não impediu Luiz de cuidar dos cabelos da caçula e até tentar protegê-la
das travessuras dos irmãos. “Amanda era pequena e tinha um cabelo grande, bonito, e chamei meu filho Marno para ajudar a pentear enquanto eu fui arrumar a mala. Quando me chamaram, o Marno tinha enrolado o cabelo da Amanda no pente. Eu puxei como se tivesse desenrolando linha de papagaio e não saiu. Liguei para minha irmã e ela disse para jogar óleo. Eu ensopei e puxei, mas não saiu. Peguei uma faca e saí cortando os
dentinhos dos pentes, e ficou um bolo de cabelo. Puxei o bolo mais para a ponta e cortei uns quatro dedos. Quando a mãe dela chegou cortou direito”, recorda. Com os filhos na casa dos 20 anos, Luiz observa que todo o esforço foi importante. “Outro dia uma aluna me falou: Poxa, professor, o senhor nunca viu o rosto dos seus filhos. Realmente nunca vi e fiquei pensando: que falta faz ver ou não, se eu toco, abraço, beijo?”, analisa.
Uma experiência de emoções e esperança A caçula de Luiz, Amanda Santos Lima, 19, lembra que desde cedo entendeu que tinha um pai diferente. “Ele colocava as mãos nos meus olhos e dizia: o papai é assim. E assim faço com meu filho hoje, para ele entender o avô”, explica. Ela observa que a deficiência nunca o impediu de fazer nada. “Ele nos ensinava tudo que podia, foi superprotetor, nos educou muito bem. Tenho muito orgulho dele, porque é muito esforçado. O fato de ser cego não diminuiu a vontade de lutar. Ele é o porto seguro de todos nós”, revela. O filho mais velho de Luiz, Marno Santos Lima, 23, conta que o pai também contava histórias, tocava violão, e quando viajava fazia o trio chorar. “A gente fazia reunião em família na rede, e ele lia história com livro em braile. Até que um dia a gente cresceu, a rede rasgou e todo mundo caiu”, diverte-se. Nem Rambo ou Rambú da Amazônia: para Marno, Luiz bate qualquer herói. “Meu pai
é meu orgulho. Ele consegue fazer tudo, e eu que enxergo não consigo. Sempre foi muito guerreiro, forte. E nunca esqueço quando ele disse que nunca vai me abandonar”, lembra. Há 13 anos uma das principais alegrias do presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Amazonas (Advam), Cristiano Rodrigues, 40, chama-se Vanessa Rayanne de Queiroz, 13. Junto com a esposa, Cristiano adotou a menina ainda recém-nascida e os dois irmãos dela. Para ele, a deficiência nunca foi uma barreira na criação das crianças. “Não houve nenhum problema, me acho bom pai, apesar de ser chato às vezes, porque pego no pé”, afirma. O presidente estima que pelo menos 100 mil habitantes da capital amazonense possuam deficiência visual. Contudo, a maior parte das pessoas deficientes tem filhos sadios. “Eu pedi uma menina e Deus me atendeu. Até hoje agradeço pelo presente”, revela.
Cristiano Rodrigues com os filhos adotivos: bênção divina
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Dia a dia
‘Armadilhas’ podem IONE MORENO
Problemas de infraestrutura nas ruas da cidade que causem acidentes com ferimentos são passíveis de processos na Justiça, mas população ainda desconhece seus direitos. Exemplo de problema ocorreu no Rio de Janeiro, com a atriz Beatriz Segall, na semana passada, que caiu em uma calçada na capital carioca IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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ez meses após um tropeçar em um toco de ferro em uma calçada da avenida Djalma Batista, a jornalista Márcia Daniella Santos ainda enfrenta um árduo processo de recuperação para reaver os movimentos do braço e mão direita. Ela quebrou o braço em três partes, teve grave lesão no nervo e hoje, após cirurgia e 150 sessões de fisioterapia, comemora a conquista de parte do movimento da mão direita. Focada na reabilitação, Daniela ainda não buscou ingressar com ação na Justiça. Acidentes como estes são mais comuns do que parecem, contudo especialistas apontam que poucas vítimas buscam a Justiça atrás de indenização. Ciente da morosidade da Justiça, a jornalista priorizou esforços para recuperar os movimentos do braço, os ferimentos que teve no rosto e sair do processo de depressão. “Pensei em processar, mas estava tão abalada e concentrada na reabilitação que, sinceramente, não quis me desgastar. O acidente me deixou muito deprimida, foi ‘muito barra’ psicologicamente. Às vezes dá vontade de chorar, porque me acidentei em uma calçada, um local que deveria ser seguro e aconteceu uma coisa dessas”, analisa. O acidente aconteceu por volta do meio-dia de 1º de outubro de 2012. Ela lembra que tinha acabado de sair do trabalho e estava caminhando na calçada da esquina da avenida Djalma Batista e rua João Valério, quando tropeçou em um toco de ferro, que havia sido pintado de cinza, da mesma cor da calçada. “O toco não foi serrado rente à calçada e tem o diâmetro de uma lata de leite. Ele foi pintado de cinza, o que dificultava a visualização, uma verdadeira armadilha. Ali tem uma faixa de pedestres que não tem semáforo e não adianta levantar as mãos que os carros não dão preferência aos pedestres. No que eu levantei o olhar pra ver se havia carros dobrando, meus pés engataram no toco”, lembra. Jogada no chão, ela recorda
que nenhum dos comerciantes que testemunharam o acidente prestou socorro. “As pessoas que passavam na rua que me socorreram e um rapaz num carro, chamado Silas, que viu desde o momento em que caí, veio me socorrer. Ninguém do prédio me procurou para saber se eu precisava de ajuda. E o poder público não fez nada até hoje”, lamenta. Dez meses após o acidente, apesar das denúncias feitas, o toco continua lá pronto para vitimar outras pessoas. Com a queda, Daniella estilhaçou o braço em três partes e a lesão atingiu um nervo importante na movimentação da mão e braço direitos. Ela também feriu o maxilar. “Nos primeiros meses não conseguia fazer nada, minha mão ficou caída, sem movimento nenhum. Não conseguia sequer segurar uma caneta”, afirma.
Calçadas quebradas em rua da Zona Sul de Manaus: muitos acidentes causados por infraestrutura deficiente podem gerar processos MARCOS ANTÔNIO EMILIANO
Pensei em processar, mas estava tão abalada e concentrada na reabilitação que, sinceramente, não quis me desgastar Detalhe do ferro que causou o acidente da jornalista Márcia Daniella Santos, no ano passado, causando-lhe ferimentos graves Márcia Daniella Santos, jornalista
Ela passou por cirurgia, teve que colocar uma placa e seis parafusos no braço para tentar corrigir a fratura. Hoje, após 150 sessões de fisioterapia, conseguiu recuperar parte do movimento da mão. “Voltei a assinar meu nome, mas ainda preciso mais sessões e ter paciência para prosseguir com a fisioterapia, já que foi uma fratura grave com lesão de nervo. Culpa do toco serrado e, pior de tudo, pintado da cor da calçada, provavelmente pelo proprietário do prédio que se deu ao trabalho de pintar calçadas e o toco”, aponta. Em recuperação, Daniela teve que se afastar do emprego, a contragosto. “Não é fácil afastar do trabalho e receber via INSS. Gostaria de voltar à atividade, infelizmente minha vida foi interrompida pela total negligência”, salienta.
Vítima da falta de infraestrutura Um pedaço de ferro não removido da calçada no centro da cidade fez outra vítima. O produtor Luciano Francisco, 28, tropeçou em um toco implantado próximo ao Palacete Provincial. Apesar de ter tido mais sorte que a jornalista, o acidente lhe rendeu uma unha e o pé inchados por três dias. “Quando chutei o toco senti uma dor descomunal, falta de ar e tive que sentar na calçada. Sem saber o que fazer, fiquei lá. Pensei que tinha quebrado o dedo, tirei devagar o sapato e vi sangue na meia. A topada levantou a unha. Ainda tive que voltar de ônibus para casa, comprei uma sandália e uma gaze e fui”, lembra. O produtor passou quatro
FERIMENTOS
A morosidade da Justiça e uma ação em trâmite na família por 22 anos foram os motivos que levaram o produtor Luciano Francisco a deixar de lado a busca por uma indenização pelos danos sofridos dias sem poder andar direito, por conta da forte dor no dedo mais atingido. “A unha cicatrizou, mas tive medo de perder o dedo, pensei que tinha deslocado, porque a dor era muito forte”, afirma. Recentemente, Luciano também foi vítima por con-
ta de outros problemas na infraestrutura das ruas da cidade. Ele já caiu duas vezes em bueiros destampados. “Eu estava saindo do trabalho quando caí no bueiro sem tampa, fiquei cheio de arroz no sapato e sujo. Sorte que não quebrei nada. Tirando a distração, é inadmissível ter bueiro aberto. Não quero cair pra constatar que o poder público está vendando os olhos para os problemas estruturais da cidade”, reclama. Ele também não se interessou em buscar indenização. “Sabendo da morosidade dos processos no Amazonas, visto que minha família tem ação com 22 anos, desisti. Achei que não dariam importância”, lamenta.
Um Natal imóvel após acidente Um buraco na avenida Leonardo Malcher, no Centro, próximo a um ponto de ônibus, marcou o Natal da secretária Oneide Dantas, 62. Ela caiu no buraco que estava coberto de água e machucou o joelho. “Passei os dias deitadas sem poder mexer o joelho”, lembra. Ela também não procurou processar a prefeitura, e preferiu adequar os calçados às necessidades impostas pelas ruas. “Já desisti de andar de salto no Centro, de tanto buraco”.
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m gerar indenizações
MARCOS ANTÔNIO EMILIANO
Direitos ainda desconhecidos No final do mês de julho, um acidente que envolveu a atriz Beatriz Segall, no Rio de Janeiro, ganhou repercussão nacional. Ela caiu em um buraco na calçada e bateu gravemente o rosto. A queda deixou o rosto da atriz desfigurado e ainda atingiu-lhe o olho direito. Segall comentou que iria processar a prefeitura carioca. A iniciativa da atriz, segundo o presidente da Ordem dos Advogados (OAB-AM), o advogado Alberto Simonetti não é muito comum, uma vez que a população desconhece os próprios direitos. “Além disso, o acúmulo de processos contra o município é grande, o que pode demorar bastante”, anuncia. Contudo, é direito do cidadão requerer indenização do município, após sofrer acidentes dessa natureza. “O advogado dá entrada na Justiça, e a indenização vai depender do valor do dano causado - o que a pessoa deixou de ganhar no período em razão do acidente – e ele pede que o juiz estime dano moral”, explica. A quantia a receber varia de caso para caso, cabendo ao juiz decidir.
Portanto, quem ousar se aventurar pelos vaivéns judiciais – que podem levar anos - deve estar ciente que cabe à prefeitura fiscalizar e manter em condições adequadas de trânsito a via pública. “A questão é bem simples: existem locais - na maioria deles – onde a pre-
REPARAÇÃO
A iniciativa da atriz Beatriz Segall, que iria processar a Prefeitura do Rio de Janeiro por causa da queda em um buraco na calçada, foi positiva mas ainda não é muito comum Na esquina da avenida Djalma Batista com rua João Valério, o toco de ferro serrado (no detalhe) ainda permanece até hoje
feitura tem que fazer as calçadas. Nos lugares onde não tem essa obrigação, que é do proprietário do imóvel, a prefeitura deve fiscalizar para que elas estejam em estado de trânsito perfeito. Dessa forma, em qualquer dos casos a prefeitura é responsável por um dano causado em razão de um defeito grave numa calçada”, garante.
Uma responsabilidade que é compartilhada O Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) responsável pela manutenção das calçadas da cidade, informou que chegam ao órgão apenas reclamações quanto a obstrução de calçadas, mas não quanto a acidentes
ocasionados pela falta de manutenção nas vias. Para cobrir mais de 13 mil ruas da cidade, o Implurb realiza fiscalização diária para manutenção do espaço público, além de buscar incutir na população uma responsabilidade compartilhada, por
meio da conscientização de que cada cidadão deve cuidar bem da calçada, que é pública, e não fazê-la um prolongamento da sua casa. Em breve serão lançadas campanhas de conscientização. Há também projetos de requalificação de vias, que
envolvem renovação em padrão universal para calçadas nas avenidas Djalma Batista e Getúlio Vargas. O projeto pretende acabar com os desníveis, utilizar material antiderrapante e permitir maior acessibilidade a pessoas com deficiência.
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Dia a dia
A avenida que Atropelamentos e acidentes fatais recentes mostram que a avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte de Manaus, está se tornando uma das vias mais perigosas da capital amazonense. Somente nos últimos sete dias houve dois acidentes com vítimas fatais, mostrando o resultado da imprudência
LUCIANO LIMA Equipe EM TEMPO
A
população amazonense está a cada dia mais temerosa quanto aos riscos diários e perigos no trânsito. Casos de acidentes com vítimas fatais são comuns principalmente em avenidas com intenso fluxo de veículos e altos índices de infrações em Manaus. Apelidada de “avenida da morte”, a Torquato Tapajós, na Zona Norte, principal corredor de acesso às rodovias AM-010 (Manaus-Itacoatiara) e BR-174 (Manaus-Boa Vista), se tornou cenário de muitas tragédias e risco para quem a utiliza diariamente. Nessa batalha diária por segurança e pela vida, resta saber se a avenida é grande vilã por falta de estrutura ou se motoristas e pedestres estão contribuindo ainda mais para o aumento dessa triste estatística. Em maio de 2011, o grupo
Chega de Acidentes instalou na rotatória próxima ao aeroclube de Manaus um relógio que contabiliza o número de vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. O mais alarmante, além do atual número, é o fato de os motoristas não respeitarem os limites de velocidade ou os pedestres desempenharem um papel exemplar. O relógio faz parte de uma iniciativa criada em 18 de setembro de 2009 pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Associação Nacional dos Departamentos de Trânsito (AND), Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil) e da seguradora Líder e tem como principal objetivo a sensibilização diante de dados alarmantes. Final da linha Não é por acaso que a avenida é considerada perigosa, principalmente para famílias
que perderam seus entes em acidentes ao longo da avenida. No último domingo (4) a estudante de medicina Heveni dos Santos Lopes, 24, morreu vítima de traumatismo craniano após capotar seu carro, modelo Hyundai HB20, próximo à empresa Philips, sentido bairro-Centro. Após o acidente, agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) informaram que a jovem estava sozinha e conduzia o veículo provavelmente em alta velocidade. Um dia após a morte de Heveni, a adolescente Beatriz Souza, 14, e o irmão Mateus Páscoa, 8, foram atropelados na entrada do bairro Novo Israel no sentido bairro-Centro. Os irmãos, que atravessavam a rua, foram atingidos pelo veículo modelo Voyage, de cor preta, placa NOX 9806 conduzido pela motorista Antônia Esmerinda Bandeira da Silva, 47. A condutora acionou imediatamente Serviço de Aten-
dimento Móvel de Urgência (Samu) e ambos foram levados em estado grave para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio Infantil (Joãozinho), na Zona Leste. Na noite da última quintafeira (8) a adolescente não resistiu aos ferimentos e teve morte cerebral no hospital, e até o início da noite de sextafeira (9) o irmão estava em em estado delicado. Perigo constante A possibilidade de acidentes na Torquato Tapajós é assustadora tanto pela falta de sinalização adequada na pista quanto pela necessidade de manutenção em calçamentos. As passarelas de travessia de pedestres são escassas, contando apenas com três: uma perto do aeroclube de Manaus, outra situada em uma área escolar próximo ao condomínio João Bosco e uma disponível na entrada do conjunto Santos Dumont (Flores).
Passarelas na avenida: insuficientes e com estrutura sem lógica
e pode matar
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FOTOS: DIEGO CAJA
Pedestres atravessam a Torquato Tapajós em uma “trégua” no trânsito: perigo constante
Trânsito na Torquato Tapajós durante o dia e à noite (foto maior)
Desafios para pedestres e motoristas Vale ressaltar que alguns locais tornam-se verdadeiros desafios para pedestres e motoristas, principalmente em horários de pico entre 17h e 20h, diariamente. Os gargalos formados pelo congestionamento contribuem com certa “preguiça” para o pedestre usar as passarelas, mas parte desse problema fica por conta da quantidade e da distância dessas estruturas vitais para a segurança da população. O eletricista Robson Araújo, 32, contou que tem um motivo para atravessar fora da passarela. “Imagine que tenho que pegar dois ônibus, e a distância de uma passarela para outra é imensa. Confesso que às vezes atravessar é mais rápido”, disse. “Outras vezes atravesso na passarela daqui do João Bosco, mas tenho medo de altura e acaba sendo uma tortura
ter que fazer isso”, revelou o eletricista. Outro problema constante na Torquato Tapajós é o grande fluxo de veículos pesados que transitam a todo instante na via. Os espaços e faixas são disputados por motoristas que conduzem seus veículos em alta velocidade, o que facilita os riscos de acidentes envolvendo motoristas e pedestres. O perigo aumenta em áreas onde o pedestre coloca em risco a própria vida, driblando locais com sinalização e faixa de pedestres. Requalificação Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que realizará requalificação completa na avenida Torquato Tapajós e que a via está contemplada no cronograma de revitalização de avenidas com vistas para
a Copa do Mundo de 2014, cuja licitação está prevista para setembro e inclui pavimentação, reestruturação das calçadas, projeto de mobilidade urbana, urba-
SOLUÇÕES
Um programa de revitalização anunciado pela prefeitura, com licitação em setembro, poderá melhorar a situação da avenida, que vai se aplicar a outras vias da capital amazonense nismo e sinalização vertical e horizontal com placas de identificação em português e inglês para melhor orientação dos turistas. A secretaria também informou que além da Torquato
Tapajós, as avenidas no entorno do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Ponta Negra, Centro, Constantino Nery, Umberto Calderaro, Mário Ypiranga, Coronel Teixeira, Santos Dumont, Getúlio Vargas, 7 de Setembro e outras também serão reestruturadas por meio do Departamento Técnico Operacional (DTO). As obras deverão ser divididas em cinco lotes e orçadas em aproximadamente R$ 200 milhões, com recursos do Tesouro Municipal e Caixa Econômica Federal. De acordo com a Seminf, as obras de estruturação competem ao órgão até o futuro complexo viário com passagem inferior (PI), na avenida Santos Dumont com Torquato, e desse trecho até a barreira para as rodovias AM-010 e BR-174 a responsabilidade de reestruturação está a cargo do Estado.
ALEXANDRE FONSECA
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A ocasião que faz o ladrão GUILHERME ALVES Equipe EM TEMPO
U
m simples e rápido descuido com o portão de entrada ou uma janela pode se tornar uma oportunidade para que bandidos invadam uma casa. O que é pior: hoje eles espreitam sem que a vítima perceba e estão cada vez mais audaciosos no ataque. Um fato como esse ocorreu na casa do jornalista Mário Adolfo, no dia 4 de junho deste ano. Mesmo com vários equipamentos de segurança, três assaltantes armados conseguiram entrar em sua residência e fizeram duas empregadas reféns, após um descuido com a porta. Foram cerca de duas horas na ação, durante as quais as mulheres ficaram sob ameaça. O pior momento foi quando os bandidos amarraram as duas com cadarços de tênis, jogaram álcool nelas e ameaçaram atear fogo. Mário Adolfo explicou que situações como essa jamais são esquecidas. “O que você sofre emocionalmente e psicologicamente não sai mais da cabeça. Todo barulho o deixa preocupado”, afirmou. A falta de cuidado e de atitudes de precaução fizeram com que o universitário Gustavo Albert de Brito Júnior, 20,
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Onda de assaltos que traumatiza a população exige uma série de cuidados para evitar a ação dos bandidos que estão nas ruas de Manaus. Um deles é evitar demonstrar a posse de bens que podem ser alvo do ataque dos criminosos fosse assaltado a caminho de sua casa. Segundo a vítima, após descer em uma parada de ônibus no centro de Manaus, seus dois celulares tocaram ao mesmo tempo, e por estar em um lugar deserto, apenas colocou a mão nos bolsos, para recusar as ligações. “Isso foi suficiente para os assaltantes. Eles me seguiram até perto de casa,
CUIDADO
Uma das vítimas de assalto, o universitário Gustavo Albert de Brito Júnior reconheceu que o crime poderia ter sido evitado se o celular em seu bolso estivesse no modo silencioso A proliferação de roubos e furtos pode ser evitada com atitudes simples dos habitantes
colocaram a arma na minha cabeça e foram direto nos bolsos onde estavam meus celulares. Cheguei a vê-los me seguindo, mas já era tarde demais”, narrou. Segundo a vítima, uma das atitudes que poderiam ter tomada para evitar o assalto seria ter colocado o celular no modo silencioso ou até desligado. Além disso, ele afirmou que, em alguns casos, guardar nas partes íntimas é a única saída.
Dicas para dificultar os assaltos De acordo com o titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), Orlando Amaral, a dica é sempre não reagir, pois os criminosos usam o que for preciso para concluir a ação. “Quando os bandidos e quadrilhas
entram na residência, eles realmente fazem um terror com as vítimas, fazem graves ameaças e praticam violência, pois eles não têm nada a perder”, disse. O delegado afirma que o bandido busca, na maioria das vezes, a maneira mais
fácil para cometer o delito. “Eu sempre digo que tudo que se fizer para dificultar a vida do bandido é válido, seja uma porta de boa qualidade ou uma grade, não importa: faz toda a diferença. O bandido não quer ter trabalho e quer ser rápido”, explicou.
Zona Norte lidera registros No primeiro semestre deste ano, foram registrados na Zona CentroSul de Manaus 1.064 roubos e furtos. A quantidade é 28% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando ocorreram no local 1.487 ações, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Já a Zona Norte da cidade foi a que menos apresentou redução. No primeiro semestre deste ano, os bairros daquela área registraram 3.144 roubos e furtos contra 3.270 no ano passado - diminuição de 4%. A baixa redução na Zona Norte deixou a área em primeiro lugar com o maior registro de roubos e furtos de Manaus, lugar ocupado antes pela Zona Leste, que possuía 3.927 registros no primeiro semestre de 2012 - agora foram 3.104 ações.
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Obras no Jorge Teixeira levam alívio a moradores P
ara alguns moradores do bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste de Manaus, a chegada da pavimentação às ruas é uma grande vitória. São os portadores de necessidades especiais que, a partir de agora, terão mais facilidade para sair de suas residências com segurança. Antes da chegada da pavimentação na rua Arapapá, a aposentada Dezembrina Medeiros, 80, portadora de necessidades especiais, não saía de casa. E, quando precisava sair, tinha que ser carregada de dentro do quarto até as vias principais, as avenidas Tambaqui ou Tamoatá. “É um sofrimento. Como eu tenho esse problema na perna, é o maior sacrifício para sair de casa. Meu filho, que trabalha no ônibus, tem que parar o carro lá em cima e vir me buscar aqui para eu poder sair. Um transtorno, um aborrecimento e muito cansativo para mim, que já estou com 80 anos”, disse a aposentada. Ela comemora com esperança a pavimentação que está sendo executada pela empresa contratada pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), dentro do Programa
de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Prourbis), cujas obras iniciaram em julho deste ano. Dezembrina disse que mora na rua desde 1980. Antigamente tinha o asfaltamento, mas com o passar dos anos, a rua ficou destruída e o barro tomou conta. “Agora vai melhorar. Essa rua estava só buraco e lama.
AVANÇO
De acordo com o coordenador-geral do Prourbis, Claudemir Andrade, os trabalhos de pavimentação no bairro servirão como referência para a realização das demais obras na região Não tinha como subir, porque de muletas eu podia cair e de cadeiras ficava deslizando muito e não dava para passar”, explicou. Ela tornou-se portadora de deficiência física ao pisar num prego e contrair erisipela. “O médico cortou minha perna e peguei ‘vermelha’. Por isso, fiquei aleijada”, relembra. As filhas de dona Dezembrina não aguentavam ver o
MICHELL MELLO/PROURBIS
Pavimentação das ruas por conta do Prourbis elimina obstáculos para os portadores de necessidades especiais sofrimento da mãe e, constantemente, se emocionavam ao vê-la ter que ser carregada, por entre o barro, para poder sair de casa. “Era pior quando chovia. Isso aqui ficava um barranco só. Quando tinha alagamento na casa era pior. Como ela é cadeirante, era muito dificultoso. Agora, espero que com esse asfaltamento as condições de locomoção dela melhorem”, disse uma das filhas, Ângela Kátia Marques. Pavimentação Na rua Arapapá, a primeira a receber as obras de pavimentação e asfaltamento, as equipes de obras contratadas pela Seminf, por meio do Prourbis, iniciaram a terraplanagem e depois a colocação de breu, fases que antecedem o asfaltamento, no trecho de via plana. No trecho de via inclinado também já foram iniciados os trabalhos de pavimentação. Em breve esse trecho ficará semelhante ao piso do largo São Sebastião, no centro de Manaus. “Essa será uma ruamodelo, onde os trabalhos servirão como referência para realizarmos as demais obras de pavimentação”, disse o coordenador-geral do Prourbis, Claudemir Andrade.
Antes com acesso dificultado, ruas do bairro Jorge Teixeira começam a ter benefícios do Prourbis
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Fecani anuncia suas atrações nacionais (92) 3090-1042
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A força do
sertanejo
universitário
Conquistando cada vez mais adeptos, o ritmo ganhou o país e Manaus está como expoente de novos artistas do gênero musical que participarão de show FOTOS: DIVULGAÇÃO
Pegada Sertaneja é um dos grupos de destaque de Manaus
O
sertanejo universitário caiu no gosto do brasileiro. E claro que Manaus também aderiu ao ritmo que tem conquistado cada vez mais fãs por todo o país. Na busca de oferecer sempre mais novidades, a Fábrica de Eventos traz à capital do Amazonas, no próximo dia 30 de agosto, a sensação do momento Israel Novaes, conhecido nacionalmente como “O cara do arrocha”. O show acontecerá no Diamond Convention Center dentro da festa “Open Bar Sertanejo” que terá, ainda, a banda local Pegada Sertaneja e o cantor Luigi Zonny. Responsável pela carreira de Luigi Zonny e também da banda Pegada Sertaneja, Hans Young acredita que o crescimento do sertanejo universitário deve-se ao investimento não apenas nas letras das músicas, mas também no próprio artista. “Na verdade as composições estão sendo mais bem trabalhadas e, justamente por isso, começou a crescer o número de adeptos. Mas isso também tem muito a ver com pessoas como César Menotti & Fabiano e Luan Santana, por exemplo. Eles foram os responsáveis pelo tão comentado sertanejo universitário”, explica. Para o empresário, o sucesso do estilo tem como principal suporte compor e cantar diretamente para o público jovem. “As músicas que fazem sucesso atualmente são segmentadas para um determinado grupo de pessoas. E esse grupo é grande, no caso, os universitários. Os artistas falam muito sobre ir para a balada, ser solteiro, gostar de ficar e acaba que é uma fase da vida. A fase que é feita para curtir. Então daí vem todo essa ad-
Luigi Zoony é a promessa local do sertanejo universitário
miração por tantos cantores nacionais”, diz. Hans faz questão de analisar de uma maneira rápida o trabalho do cantor Israel Novaes. “Primeiramente ele é do Pará, lugar onde o ritmo arrocha é bastante forte. Ao contrário de Manaus, onde o forró tinha uma grande força. Então, ele decidiu misturar o sertanejo com o arrocha. O resultado foi essa explosão de sucesso no qual ele se tornou. Na realidade, é uma nova roupagem de tudo aquilo que artistas como Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone, por exemplo, faziam há alguns anos”, comenta.
Manaus dentro do circuito
“O cara do arrocha”, Israel Novaes é uma das atrações do “Open Bar Sertanejo”, promovido pela Fábrica de Eventos no dia 30
O empresário da banda Pegada Sertaneja e do cantor Luigi Zonny acredita que Manaus melhorou muito no quesito sertanejo universitário. “O cenário na cidade cresceu graças à quantidade de casas noturnas que estão investindo no estilo. Atualmente estamos bem servidos de artistas. Aliás, não tanto quanto o mercado pede ou como Goiânia, mas temos bons cantores e bandas. Mas quem deu o pontapé nisso tudo foram personalidades como Edu Guedes, Eduardo & Alessandro, Rodrigo Raniely, que estão na estrada há bastante tempo”, acrescenta. Ele destaca, ainda, o crescimento da banda Pegada Sertaneja. “Estamos vivendo um momento bem bacana. No nosso repertório não apenas tocamos o sertanejo universitário, mas também o de raiz. Gostamos de agradar as pessoas de todas as idades e que gostam dos mesmos segmentos. E não deixamos de fora o arrocha também. É bom que isso fique bastante claro”. Ele também divide seu tempo com o cantor revelação Luigi Zonny, de 23 anos e somente com oito meses de carreira, e já pensa no seu primeiro CD, que será gravado no próximo mês. “Acredite ou não, mas ele (Luigi) já está com canções estouradas em cidades como Boa Vista, Belém e Anori. As atuais músicas de trabalho são “Desesperada” e “A Mina”. O primeiro disco dele contará com 12 canções sendo quatro de repercussão na-
cional”, detalha. Hans comenta também que o cantor tem como espelho Israel Novaes. “Eles já puderam manter contato em Boa Vista. O Luigi não apenas é fãs, mas também cantor. Usa bastante das influências do Novaes para seguir a sua carreira. O trabalho deles é muito parecido e tem trazido bastante resultado. Estamos ansiosos por esse pré-show no dia 30 de agosto”, finaliza. O “Open Bar Sertanejo” é o primeiro evento da Fábrica de Eventos 100% com bebida liberada em todos os seus setores. Quem adquirir o ingresso de pista, por exemplo, contará com cerveja Brahma, água e refrigerante à vontade até as 3h. Já no Camarote VIP, os atrativos ficam por conta do chope Brahma, caipirinha, caipirosca, vodca importada, água e refrigerante.
SERVIÇO
“OPEN BAR SERTANEJO” Quando: Dia 30 de agosto Onde: Diamond Convention Center (avenida do Turismo, Tarumã) Quanto: R$ 70 (pista/meia) e R$ 110 (Camarote VIP/meia), à venda no estande da Fábrica de Eventos (Amazonas Shopping) e por meio do site www.fabricaingresso.com
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Domingo ao som de samba O projeto “Escritório do Samba”, realizado todos os domingos no Lappa bar, localizado no Vieiralves, está agendando a apresentação de sambistas consagrados que atuam nos bares mais badalados da Lapa, reduto de boêmios localizado no Rio de Janeiro. Para conhecer as músicas desses artistas, domingo, a partir das 15h, haverá uma apresentação especial com as bandas Cuka Fresca e Samba & Cevada. Além disso, o evento terá nos intervalos a apresentação do DJ Bruno Campagnucci com um set list que mistura samba brasileiro com house music. A casa ainda oferece chope liberado até as 18h e transmissão dos principais jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol. . Os ingressos para curtir o projeto domingo, no Lappa, é vendido na entrada do bar ao valor de R$ 30 para homem e R$ 20 mulher. Informações pelos telefones 82364657 ou 9108-9405.
Diogo Nogueira faz show em Manaus no dia 29 Artista apresenta novo CD “Mais amor” acompanhado de uma companhia de dança carioca PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO
Em sua segunda participação no projeto “Rio Samba Show”, o cantor e compositor Diogo Nogueira retorna a Manaus para apresentar o seu mais recente trabalho intitulado “Mais amor”. O show conta com a participação do elenco carioca da Companhia de Dança Carlinhos de Jesus. A festa acontece no dia 29, no Dulcila Festas e Convenções, na estrada da Ponta Negra. Por telefone, o produtor de Nogueira, Afonso Carvalho, disse que o cantor traz o show que apresenta o novo álbum que contém 14 faixas, uma delas conta com a participação do sambista Zeca Pagodinho. No repertório, o público confere 27 canções, distribuídas entre as músicas do disco e demais sucessos de carreira. “Diogo tem divulgado esse CD em turnê nacional. Após sair da capital amazonense ele segue para Belém”, informa. Carvalho disse que o cantor não pôde conceder entrevista porque estava em viagem com destino ao município de São José do Rio Preto, São Paulo. De acordo com o produtor, o cantor está feliz em poder retornar à capital amazonense. “Ele adora fa-
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zer shows em Manaus e por várias vezes comentou que o público local é participativo. A expectativa é sempre a melhor possível”, disse. Segundo o produtor, o público pode aguardar uma noite animada e dançante. Ele garante que também haverá espaço para os corações apaixonados. “Com certeza todos podem aguardar muito samba e ‘mais amor’, como o próprio nome do trabalho anuncia. Além da agitação do samba, o show também exibe músicas românticas e homenagens a nomes como Gonzaguinha e Tim Maia”, adianta. Carreira Diogo Nogueira é filho do saudoso sambista João Nogueira, de quem recebeu influências musicais, nos gêneros de choro e samba. A partir de suas aparições junto ao sambista, o jovem começou a receber convites para participar de rodas de samba, no Rio de Janeiro. Outra faceta de Diogo Nogueira é o futebol. O músico, quando pequeno, chegou a treinar na categoria de base de clubes no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. Mas uma contusão no joelho o fez deixar a profissão e ingressar na música. Em 2007, ele gravou o seu primeiro DVD com clássicos do samba. DIVULGAÇÃO
No repertório do show de Diogo Nogueira, o público confere 27 canções, incluindo os hits
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Dia dos Pais com muita diversão
Um dos destaques da programação gratuita dedicada aos pais é o “Felício Show”, no Plaza
Para comemorar o Dia dos Pais, vários espaços culturais estão com programação especial hoje. Para marcar a data mais especial deste mês, o grupo Flauta Mágica, formado por crianças de 9 a 13 anos, fará apresentação dedicada aos pais, do almoço de domingo, na praça de alimentação do Manaus Plaza. Sete integrantes do grupo prometem emocionar o público do Plaza no almoço de domingo, tocando as canções mais marcantes da música brasileira e que muito lembram a figura paterna. O coordenador do projeto, Ulysses Abitbol, disse que as crianças farão o show instrumental, com flautas, violão e percussão. Entre as músicas escolhidas estão “Aquarela brasileira”, “Eu sei que vou te amar”, “Meu querido, meu velho, meu amigo”, entre outras. O grupo é formado por alunos
da Escola Municipal Irmã Helena Augusto Walcott. O encerramento da programação especial ficará por conta do cantor Antônio Carlos Felício, com o seu “Felício Show”. O artista
ESPECIAL
O encerramento da programação especial no Manaus Plaza ficará por conta do cantor Antônio Carlos Felício, com o seu “Felício Show”, com músicas de Frank Sinatra, Tony Benett e outros
adianta que o público poderá curtir canções eternizadas por ícones da música internacional como Frank Sinatra, Tony Benett, Michael Bublé, Elton John e Lionel Richie. Mas o set list tam-
bém irá prestigiar talentos da música popular brasileira como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, além das mais pedidas do rei Roberto Carlos. No Millennium Shopping, a apresentação fica por conta do trio “Orfeu”, que vai estar com um novo repertório. “Nosso som está cada vez mais popular, com sucessos de Guilherme Arantes, Emílio Santiago e Luan Santana. A apresentação será ainda mais especial por ser no dia dos pais”, destacou o saxofonista da banda, Ulisses Abtibol. O show acontece a partir 12h. Para curtir com os filhos, o mágico Davis diverte a criançada a partir das 17h30, no largo São Sebastião, que em seguida, às 18h30 recebe o tradicional trio “Em Sí”. O mágico William se apresenta na praça Antônio Bitencourt, às 17h30.
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RESENHA
A busca pelas origens do mal PERFIL
CÉSAR AUGUSTO* Equipe EM TEMPO
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César Augusto, editor do Dia a dia e cinéfilo
er a sinopse de “Precisamos falar sobre o Kevin” (“We need do talk about Kevin”, 2011), filme de Lynne Ramsay lançado em 2011, foi o suficiente para minha busca pelo filme. A mãe de um jovem que comete assassinato em massa em sua escola tenta compreender o que poderia ter levado o filho a um ato tão selvagem. Dois nomes no elenco já chamaram minha atenção: Tilda Swinton (“Queime depois de ler”, “As crônicas de Nárnia” e “Constantine”) e John C. Reilly (“Boogie Nights” e “Magnólia”), atores competentes e dignos de premiações. Na cena inicial, vista de cima, uma multidão se aglomera em algum lugar não especificado, todos jogando um líquido vermelho (sangue? tinta?) uns nos outros, e no meio dessa confusão humana emerge Eva (Tilda Swinton), carregada pela multidão, pregada em uma cruz imaginária. Logo se vê que se tratava de um sonho.
Eva desperta em sua pequena casa e descobre que o imóvel foi todo manchado de tinta vermelha. Obra da vizinhança que a repudia e hostiliza, chegando ao ponto da agressão física: ao conseguir um emprego em uma agência de viagens, a satisfação de Eva é eliminada por uma mulher que a esbofeteia ao ver tamanha felicidade da mulher. Toda essa hostilidade será explicada no decorrer do filme, que alterna a condição atual de Eva com fragmentos de sua vida a partir do nascimento de Kevin. Nessas idas e vindas temporais da trama, Eva tentará compreender sua relação com o menino, tumultuada desde o princípio. Kevin chora constantemente, a ponto de a mãe preferir o barulho ensurdecedor de uma britadeira que sufoca os gritos do bebê. A medida que o tempo passa, o menino vai se tornando arredio com a mãe, mas convive bem com o pai Franklin (John C. Reilly). O garoto parece ter o propósito de atormentar Eva: defeca nas fraldas recém-trocadas que ainda usa por volta
dos 4 anos para obrigá-la a trocá-lo constantemente, lambuza com tinta toda a decoração das paredes do quarto de Eva, feita com mapas, ignora a mãe e chega ao absurdo de permitir um acidente doméstico que causa a perda de um dos olhos da irmã menor, Celia, não sem antes matar o hamster da menina (as duas últimas situações não ficam explícitas, mas com muita atenção se compreende o que realmente ocorreu). Já adolescente, Kevin (Ezra Miller) parece dar uma trégua a Eva, apesar de provocá-la constantemente, como na sequência em que ela o flagra se masturbando no banheiro. Em vez de ficar constrangido, ele continua o ato encarandoa com ódio. A situação foge ao controle quando, na véspera do seu 16º aniversário, Kevin mata e fere dezenas de colegas a flechadas em sua escola, consumando a tragédia com a destruição de sua própria família. Em vez de se prender ao massacre, o filme é uma busca de Eva pela compreensão de uma maldade que
viu desde o início estampada nos olhos do filho. Desse modo, ficou claro que buscou como opção uma segunda gravidez, da qual nasceu Celia (Ursula Parker), para revolta inicial do marido, o qual sempre foi conivente com as atitudes do filho, buscando botar panos quentes no clima negativo entre mãe e filho. Nesses retrospectos, ela tenta lidar com a culpa ao mesmo tempo em que busca recomeçar a vida depois da tragédia. “Precisamos falar sobre o Kevin” acabou sendo um filme impactante para mim. Perturbador e traumatizante, até. Mas é um ótimo trabalho sobre a maldade inata do ser humano e a nossa própria impotência diante de tanta perversidade.
Tilda Swinton interpreta a mãe que tenta compreender as ações do filho assassino em massa em ‘Precisamos falar sobre o Kevin’, de Lynne Ramsay”
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
TV Tudo Recuperado Thiaguinho, superados os seus problemas de saúde, procurou a Globo e confirmou participação no especial “Criança Esperança”, inclusive na etapa de ensaios. O programa será exibido dia 31 deste mês, direto do Citibank Hall, Rio de Janeiro. Possível data O novo jornal da TV Cultura, faixa do meio-dia, tem previsão de estreia para a primeira quinzena de setembro. Na verdade, existe até a possibilidade de entrar no ar um pouco antes. Tudo passa a depender da aprovação do seu orçamento. Pode acabar Devido ao investimento nesse novo informativo, a Cultura estuda acabar com o “Guia do Dia”. Isso ainda está em discussão. Mas a ideia é levar toda a sua equipe para o novo jornal, evitando-se assim as indesejáveis demissões – que é uma bandeira da nova administração. Chegando O ator Daniel Marques se acertou novamente com a Globo. Depois de “Lado a Lado”, agora ele entra em “Malhação”,
GLOBO/JOÃO JANUÁRIO
Primeira vez No ar em “Saramandaia”, no papel de Risoleta, Débora Bloch estará hoje no “Esquenta”, da Regina Casé, na Globo. É a primeira vez que a atriz participa do programa. Ao lado da Casé, ela vai relembrar os tempos de “TV Pirata”. como Toninho, funcionário de uma padaria. As suas primeiras cenas serão exibidas na próxima terça-feira, dia 13. Cinema De volta ao Brasil, o diretor Afonso Poyart trabalha na edição, o primeiro corte, do filme “Solace”, que marca a sua estreia em Hollywood. É a história de um detetive do FBI que procura a ajuda de um médico, perito no assunto, para solucionar uma série de assassinatos. No elenco Anthony Hopkins, Colin Farrell, Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish, entre outros. Cinema 2 Dentro de 20 dias aproximadamente, Afonso Poyart deve viajar de novo aos Estados Unidos para apresentar o
resultado deste seu trabalho aos produtores do filme e ao próprio Hopkins. Só depois disso é que ele voltará suas atenções para o projeto do filme sobre a trajetória do lutador de MMA, José Aldo, que será vivido por Malvino Salvador. Barrado no baile De qualquer forma, Malvino Salvador só poderá se dedicar ao filme quando se encerrarem as gravações de “Amor à Vida”, entre dezembro e janeiro. Não existe outro jeito. Na Globo há uma ordem bem explícita para que os atores não se envolvam em outros trabalhos, enquanto estiverem gravando. Danielle Winits, por causa disso, se viu recentemente obrigada a desistir do “Até que a sorte nos separe – 2”.
Márcio Braz
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Bandeirantes está com chamadas no ar, destacando a transmissão da “Liga dos Campeões”, que será retomada no dia 21. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
MTV reúne velha guarda em ‘adeus’
Questões de antropologia: breves linhas destes princípios, a cunhar o termo “perspectivismo ameríndio” onde se baseia na concepção comum a muitos povos do continente americano de que “o mundo é habitado por diferentes espécies de sujeito ou pessoas, humanos e não humanos, que o apreendem segundo pontos de vistas distintos”. Bruno Latour é outro autor que tem levantado questionamentos importantes sobre o ethos de muitas estruturas. O autor parte do objetivo de comprovar a ligação entre a ecologia política e a natureza e, para tanto, de que existe Ciência e ciências. Diante dos conceitos advindos da sociologia da ciência, Latour parte da ideia de que a Ciência é a “politização das ciências pela epistemologia, a fim de tornar impotente a via política ordinária, fazendo pesar sobre ela a ameaça de uma natureza indiscutível”. A partir do mito da caverna de Platão, o autor busca apresentar algumas explicações como a que coloca o Sábio, o filósofo, como uma entidade a transitar por sobre dois mundos: o mundo real e o mundo construído, o da verdade. Latour reafirma o discurso de que a Ciência não tem nada a ver com a vida das ciências, e que esta diferenciação deve ser básica de modo a compreender todo o seu exercício de compreensão do que ele chama de ecologia política. Se ainda não somos capazes de compreender a Ciência é porque a própria Ciência não é social, não é um exercício coletivo. Daí a proposta deste autor e de outros colegas de implementar uma “rede de atores” como forma de discutir e compreender as perspectivas da Ciência sobre as ciências.
Logo depois de “Amor à Vida” e de uma sequência de trabalhos na Globo, Walcyr Carrasco pretende tirar um período maior de férias. E antes da sua próxima novela, daqui a 2 ou 3 anos, ele fará a supervisão-geral de uma outra.
TV
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Muitas questões têm sido postas em discussão no âmbito das ciências sociais. Natureza e Cultura são dois conceitos (ou um só!) é um destes debates que tem norteado acaloradas discussões ao longo de décadas. Natureza e Ecologia Política também são terminologias, conceitos e/ou expressões que podemos chamar de legítimas no momento atual, pois configuram-se como temas centrais de aspectos presentes na vida moderna. Começamos com Eduardo Viveiros de Castro. Entre os indígenas, o modo como os humanos veem os animais e as coisas do universo é diferente de como estes seres veem os humanos e veem a si mesmos o que, segundo o antropólogo, esta noção ameríndia determina o “contexto” de dois conceitos chaves da antropologia, Natureza e Cultura, de modo a ressignificálas redimensionando-as a outras explicações. Mas de cara já nos deixa uma advertência: “Natureza e Cultura não pode ser utilizada para escrever dimensões ou domínios internos a cosmologias não ocidentais sem passar antes por uma crítica etnológica rigorosa”. As sociedades modernas distinguem Natureza e Cultura como se fossem dualidades diversas, afirmando sempre a unicidade da natureza e a multiplicidade das culturas. Já a concepção ameríndia, do contrário, supõe a unicidade do espírito e a diversidade dos corpos e não enquadra natureza e cultura sob leis distintas. O que norteia esta distinção empreendida por Viveiros de Castro é a concepção dada sobre a “qualidade perspectiva” ou “relatividade perspectiva, de onde o autor chegou, a partir
• O “Programa do Jô” voltou a registrar bons índices de audiência na Globo, alcançando até 7 pontos no horário. Dados da Grande São Paulo. • Marília Gabriela segue firme e forte com seus programas no SBT e GNT, além de apresentar palestras. Gabi que também batalha recursos para uma produção no teatro. • Tatá Werneck, na mudança da MTV para a Globo, viu sua agenda de eventos disparar. • Essa turma que promete todo tipo de milagre no rádio e televisão consegue se superar a cada dia... • ... Além de tudo que já está aí, como cego que volta a enxergar, paralíticos que voltam a andar, agora, também, surgem os casos dos que conseguem se aposentar rapidamente pelo INSS após depósitos nas contas das igrejas. Aí, é “milagre” mesmo. • Paloma (Paolla Oliveira) e Bruno (Malvino Salvador) deverão se reconciliar de vez agora, numa nova etapa no Peru. • Zezé di Camargo e Luciano já gravaram participação no “Caldeirão do Huck”, dia 17.
Planos
Márcio Braz ator, diretor, membro do Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Cultura
Natureza e Cultura são dois conceitos (ou um só!) é um desses debates que tem norteado acaloradas discussões ao longo de décadas”
Não foi preciso perguntar quem iria apagar a luz. “Eu acendi, eu apago. Pode vir para mim essa “responsa”.” Assim Astrid Fontenelle, exVJ da MTV Brasil, se ofereceu parar apresentar o último clipe a ser exibido pela emissora em sinal aberto, no próximo dia 30 de setembro. Foi Astrid, hoje no GNT (“Saia Justa”, “Chegadas e Partidas”), quem apresentou o clipe de estreia do canal, em 20 de outubro de 1990 -Marina Lima interpretando “Garota de Ipanema” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). A oferta de Astrid foi feita
ao diretor de conteúdo e programação da MTV Brasil, Zico Goes, quando ele a convidou para gravar o “My MTV”, série de retrospectivas com ex-VJs que dará “uma cara ‘vintage’” à etapa final das transmissões da emissora, como diz Goes. A MTV sairá do ar em sinal aberto porque o grupo Abril, que licenciava a marca de sua proprietária, a americana Viacom, optou por não renovar o contrato, já que a operação era deficitária. A Viacom assumiu o controle da MTV Brasil e planeja relançá-la na TV por assinatura, no dia 1º de outubro.
Para o “My MTV”, que deve estrear no próximo dia 19, Goes diz que convidou “ex-VJs literalmente de A, de Astrid, a Z, de Zeca Camargo”. Zeca deixou o posto de editor-assistente da Folha “Ilustrada” em 1990, para comandar o jornalismo da MTV Brasil. “Era uma oferta irrecusável - um canal que só ia falar de música, um assunto que eu adorava”, diz ele. Atual apresentador do “Fantástico” (Globo), Zeca vê o início da MTV Brasil como “a época da inocência”, em que “a possibilidade de arriscar era fascinante”.
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Programação da TV
Silvio Santos anima o fim de noite, no domingo, do canal SBT
Horóscopo
GLOBO
REPRODUÇÃO
SBT
4:40 Sagrado 4:55 Santa Missa em Seu Lar 5:55 Amazônia Rural 6:02 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7:00 Globo Rural 07:55 Auto Esporte 08:30 Esporte Espetacular (Stock Car - ao vivo) 11:25 Temperatura Máxima 13:00 Esquenta! 15:00 Futebol 2013: Campeonato Brasileiro – Coritiba x Vasco da Gama. 17:00 Domingão do Faustão (Papa Francisco: Cerimônia de Despedida - dentro do Domingão) 20:00 Fantástico 22:05 Revenge 23:35 Domingo Maior 00:40 Sessão de Gala 01:50 Programete - Mundial de Atletismo 2013 (Moscou) 2:45 Corujão 4:20 Festival de Desenhos
5:30 Jornal da Semana 6:00 Arnold 6:30 Pesca Alternativa 7:30 Brasil Caminhoneiro 8:00 Aventura Selvagem 8:30 Vrum 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Domingo Legal 14:00 Eliana 18:00 Vamos Brincar de Forca 18:45 Sorteio da Telesena 19:00 Programa Sílvio Santos 23:00 De Frente com Gabi 0:00 True Blood 1:00 O Mentalista 2:00 Rizzoli & Isles 4:30 Igreja Universal
BAND 05:00 Igreja mundial 05:50 Popeye 06:30 Santa missa no seu lar 07:30 Fé na verdade 08:30 Ação na tv 09:30 Mackenzie em movimento 09:45 Infomercial polishop 10:45 Verdade e vida
Cinema
11:00 Irmão caminhoneiro boletim 11:05 Pé na estrada 11:35 Gol, o grande momento 11:55 De olho na copa 12:00 Fórmula truck etapa cascavel 13:30 Band esporte clube 14:30 Futebol 2013 campeonato brasileiro 16:50 Terceiro tempo fórmula indy gp de mid-ohio/eua 19:15 As detetives 20:15 Só risos 21:00 Pânico na band 00:00 Canal livre 01:00 Alex Deneriaz 01:35 Show business-reapresentação 02:25 O encantador de cães 02:35 Oscar - desenho 03:00 Igreja mundial
REDETV 6:30 Igreja Internacional da Graça 7:30 Igreja Internacional da Graça 8:30 TV Kids 9:00 TV Shopping Manaus 10:00 Super Oferta 10:30 A Questão É 11:00 Igreja Internacional da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Esporte Performance 14:00 Encircuito
15:30 A Questão É 16:00 TV Kids 16:45 Video Mania 17:30 Ritmo Brasil 18:10 O Último Passageiro 19:30 Te Peguei 20:30 Teste de Fidelidade 22:30 TV Shopping Manaus 23:30 Dr. Hollywood 0:30 É Notícia 1:30 Bola na Rede 2:30 Igreja Internacional da Graça
RECORD 4:45 Bíblia em Foco 5:00 Santo Culto em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos 8:00 Record Kids 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Record Kids 12:00 Tudo a Ver 14:00 Programa do Gugu 18:30 Domingo Espetacular 22:15 Tela Máxima 0:15 Programação IURD
Cruzadinhas
GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 O principal do dia se passa no seu mundo interior. E este tende a interferir na vida amorosa, trazendo uma sensibilidade difícil de atender ou de ser satisfeita.
PRÉ-ESTREIA
REPRODUÇÃO
TOURO - 20/4 a 20/5 Os compromissos assumidos devem ser cumpridos no dia de hoje, com ou sem disposição para com eles. Um clima estranho ou confuso pode surgir no convívio social. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 A comunicação errada pode gerar confusão no trabalho. É importante relaxar entre os momentos de trabalho. Perceba se não poderia conduzir as ações com mais eficiência. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Sua mente está um pouco confusa, prejudicando a organização na vida prática e o modo como lida com seu dinheiro. Talvez você não enxergue direito o que se passa. LEÃO - 23/7 a 22/8 Você tende a perceber as outras pessoas de maneira confusa e nebulosa, o que lhe perturbará. Não pense que é capaz de tanta clareza e objetividade assim neste dia. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Os relacionamentos tornam-se instáveis pela dificuldade de entendimento, inclusive em questões básicas e bem práticas. Não se esqueça do que é importante para você. LIBRA - 23/9 a 22/10 Ideias muito amplas e complexas são pouco práticas para o trabalho hoje. Contudo, ideias e talentos originais devem ser aproveitados. Veja quando é um caso e quando é outro. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A aplicação da criatividade no trabalho tende a complicar, mas pode ainda assim propiciar melhorias. Saiba o momento certo de ousar, e o momento de permanecer nos trilhos. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Dia em que pode se defrontar com obstáculos e problemas nas relações familiares e quanto à definição de seus pensamentos. Tendência a se desorientar . CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Pequenas confusões e enganos podem gerar perdas. Não desanime diante de tudo o que precisa ser feito para que seus projetos se tornem realidade. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Use de seu talento criativo diante das limitações que existirão para o relacionamento a dois. Há muita coisa importante em jogo para ficar passivamente esperando. PEIXES - 19/2 a 20/3 Uma certa indisposição para trabalhar pode estar presente. É difícil encontrar a concentração certa. É como se você mesmo agisse contra o trabalho que tem a realizar.
Percy Jackson e o Mar de Monstros: 10 anos. EUA. Para salvar o seu acampamento, Percy Jackson e seus amigos precisam encontrar o lendário e mágico Velocino de Ouro. Eles embarcarão em uma odisseia traiçoeira para as águas desconhecidas do Mar de Monstros - conhecido para os seres humanos como o Triângulo das Bermudas, onde eles lutarão contra criaturas aterrorizantes, um exército de zumbis, e o mal supremo. Cinemark – 23h30 (3D/dub/somente sexta e sábado).
ESTREIA Circulo de Fogo: 12 anos. EUA. Quando legiões de criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, começaram a emergir do mar, iniciou-se uma guerra que acabaria com milhões de vidas e consumiria recursos da humanidade por anos a fio. Para combater os gigantes Kaiju, um tipo especial de arma foi criado: robôs gigantes, chamados de Jaegers, controlados simultaneamente por dois pilotos que têm suas mentes trancadas em uma ponte neural. Cinemark – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 12h50, 14h50, 15h50, 17h50, 18h50 e 21h50 (dub/diariamente); Cinemark – 20h50 (3D/dub/diariamente) e 23h50 (3D/dub/somente sexta e sábado); Playarte 1 – 17h50 (3D/dub/diariamente) e 20h25 (3D/leg/diariamente); Playarte 6 – 13h25, 16h, 18h35, 21h10 (dub/diariamente) e 23h45 (dub/somente sexta e sábado); Cinépolis 5 – 12h45, 15h40 (3D/dub/diariamente), 18h30 e 21h45 (3D/leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h, 16h40, 19h25 e 22h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 16h30 e 21h40 (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h, 18h30 e 21h10 (dub/diariamente). Vendo ou Alugo: 14 anos. BRA. Em uma casa de luxo no Rio de Janeiro, uma bisavó, uma avó, a mãe e a filha vivem endividadas, longe do alto padrão de vida que tinham antigamente. Elas desejam vender o imóvel, mas a proximidade com a favela atrapalha os negócios. Quando a favela é pacificada, possíveis compradores aparecem no local, mas uma das visitas é interrompida por um tiroteio, que deixa todos encurralados na casa. Cinemark – 12h20, 14h30, 16h50, 19h10, 21h20 (diariamente) e 23h40 (somente sexta e sábado); Cinépolis 3 – 13h, 15h30, 18h, 20h e 22h30 (diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 16h50, 18h40 e 21h (diariamente). Os Escolhidos: 14 anos. EUA. A família Barret leva uma vida pacata e tranquila no subúrbio, mas isso começa a mudar quando uma série de estranhos e misteriosos eventos passa a fazer parte de sua rotina. A família acaba descobrindo que existe uma terrível e mortal força atrás dela e precisará lutar por sua sobrevivência. Cinemais Plaza – 15h, 17h10, 19h10 e 21h30 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h20, 17h30, 19h40 e 21h50 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Wolverine: Imortal – 14 anos: Cinemark – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 17h10, 20h10 (dub/ diariamente) e 23h (dub/somente sexta e sábado); Cinemark – 15h20, 18h30 e 21h30 (3D/dub/diariamente); Playarte 2 – 13h20, 15h55, 18h30, 21h05 (leg/diariamente) e 23h40 (leg/somente sexta e sábado); Playarte 7 – 12h50, 15h25, 18h, 20h35 (dub/diariamente) e 23h10 (dub/somente sexta e sábado); Cinépolis 1 – 13h30 (3D/ dub/diariamente), 16h20, 19h15 e 22h (3D/ leg/diariamente); Cinemais Plaza – 13h50, 16h20, 18h50 e 21h20 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 19h20 e 21h50 (3D/dub/ diariamente); Cinemais Millennium – 14h e 19h10 (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h30 e 19h35 (dub/diaria-
mente); Cinemais Millennium – 17h e 22h (leg/diariamente). Meu Malvado Favorito 2 – Livre: 12h40 e 15h (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (dub/diariamente) e 23h45 (dub/somente sexta e sábado); Cinépolis 2 – 12h15, 14h30 e 17h (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30 e 16h45 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h50 e 17h10 (dub/diariamente). Minha Mãe é Uma Peça – 12 anos: 22h20 (diariamente); Playarte – 13h40, 15h40, 17h40, 19h40, 21h40 (diariamente) e 23h40 (somente sexta e sábado); Cinemais Plaza – 17h30 e 21h40 (diariamente).
Os Smurfs 2 – Livre: 12h10, 13h10, 14h40, 15h40, 17h20, 18h20, 19h50 e 21h (dub/diariamente); Playarte 1 – 13h30 e 15h40 (3D/dub/diariamente); Playarte 4 – 12h30, 14h40, 16h50, 19h, 21h10 (dub/ diariamente) e 23h20 (dub/somente sexta e sábado); Playarte 5 – 13h45, 15h55, 18h05, 20h15 (dub/diariamente) e 22h25 (dub/somente sexta e sábado); Cinemais Plaza – 14h10 e 16h30 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 17h, 19h e 21h10 (dub/ diariamente); Cinemais Millennium – 14h40, 16h50, 19h e 21h20 (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h10, 16h10, 18h20 e 20h30 (dub/diariamente). Red 2: Aposentados e Ainda Mais Perigosos – 14 anos: Cinemark - 17h40,
20h20 e 23h10 (dub/diariamente); Playarte 8 – 16h, 18h20, 20h40 (leg/diariamente) e 23h (leg/diariamente); Cinépolis 2 – 19h45 e 22h15 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 18h45 e 21h15 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 19h15 e 21h30 (leg/diariamente). Turbo – Livre: Cinemark – 13h (dub/ diariamente); Playarte 8 – 14h (dub/diariamente). O Concurso – 12 anos: Playarte 10 – 13h10, 15h, 16h50, 18h40, 20h30 (diariamente) e 22h20 (somente sexta e sábado); Cinemais Plaza – 15h20 e 19h30 (diariamente); Cinemais Millennium – 14h45, 16h40, 18h50 e 21h (diariamente).
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Fecani define as atrações locais e nacionais de 2013 Detonautas, Turma do Pagode, Diante do Trono e dupla sertaneja Victor & Léo estão na programação do festival
FOTOS:DIVULGAÇÃO
PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO
A
29ª edição do Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani) vai apresentar 21 atrações locais, além das quatro nacionais, são elas: as bandas Detonautas Roque Clube e Turma do Pagode, o grupo gospel Diante do Trono, além da dupla sertaneja Victor & Léo. As inscrições para o concurso encerram segunda-feira e a divulgação dos classificados acontece no próximo dia 17. Dentre os nomes que integram o quadro de músicos amazonenses estão: Raízes Caboclas, Nunes Filho e banda, Eliana Printes, Cuka Fresca, Rabo de Vaca, Critical Age, a dupla Eduardo e Alessandro, entre outros. De acordo com o presidente da Associação dos Itacoatiarenses Residentes em Manaus (Airma) e um dos coordenadores do Fecani, Bruno Azedo, não há um critério específico para a escolha das atrações que sobem ao palco anualmente. Ele afirma que a coordenação avalia a periodicidade das participações de cada artista no festival, também procura ouvir
as solicitações do público e ainda analisar as propostas que recebem por e-mail, com os pedidos enviados pelos próprios músicos. “Fazemos uma espécie de revezamento. Se um grupo esteve conosco no ano passado, neste deve dar a oportunidade para outro colega. Também procuramos incluir as bandas mais solicitadas pela
LOCAIS
Entre as atrações locais confirmadas estão Raízes Caboclas, Nunes Filho e banda, Eliana Printes, Cuka Fresca, Rabo de Vaca, Critical Age, a dupla Eduardo & Alessandro, entre outros população”, comenta. Uma novidade citada pelo organizador é que, neste ano, a quantidade de bandas a serem apresentadas em cada noite será reduzida. Os préshows serão feitos por três grupos. Azedo conta que a proposta é encerrar o evento mais cedo, no máximo às 6h, com o intuito de atender
aos horários de trabalho das equipes de segurança que vão atuar no local. “Precisamos trabalhar em conjunto com as guarnições das polícias Civil e Militar e ainda com os bombeiros. Se estendermos o horário além de 6h não teremos os profissionais da segurança, e isso é um risco”, disse. Bruno Azedo também disse que a programação está em fase de conclusão e que até sábado os organizadores saberão as ordens de apresentação. Ele adiantou que o público deve conferir a seguinte sequência artística: os shows regionais, o concurso de música, uma apresentação humorística, com término com o show da atração nacional. “Tentamos elaborar um cronograma com ritmos diversificados com o intuito de prender a atenção do público até o final do evento. Podem ter certeza que o último artista também vai seguir a linha mais badalada, o que vai garantir que todos ainda estejam animados”, informa. Até ontem, havia 50 inscritos. Até o próximo dia 17, a comissão formada por professores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) vão divulgar os selecionados.
Recorde de público nacional, a dupla Victor & Léo representa os sertanejos na programação
SERVIÇO FESTIVAL DA CANÇÃO DE ITACOATIARA Quando: de 4 a 7 de setembro, a partir das 20h Onde: Município de Itacoatiara Quanto: Entrada gratuita O grupo Diante do Trono participará da 29ª edição do Fecani
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
3
opiniao@emtempo.com.br
1
A galáxia de Haroldo de Campos
2
Uma coleção retumbante
(92) 3090-1010
E outras 8 indicações culturais. Pág 2
O elogio de Tom Hanks às máquinas de escrever. Pág. 3
Um urinol na mão e uma ideia na cabeça Será arte a arte contemporânea? Págs. 4 e 5
4
Diário de Pequim
5
Do arquivo de Domingos Oliveira
6
O dragão imperial assombra as telas dos cinemas. Pág. 6
Rio de Janeiro, 1959. Pág. 7
O ano quente da Guerra Fria
Em 1983, estivemos mais perto da hecatombe. Pág. 8
Capa
ilustração de Sandro Castelli
G2
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES
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BRASILEIRO TEATRO | ÉDIPO NA PRAÇA O grupo Os Satyros transporta a tragédia grega para o Brasil contemporâneo, incorporando à trama de Sófocles debates sobre as manifestações no país e inseminação artificial. A versão moderna da peça, com direção de Rodolfo García Vázquez, terá acompanhamento musical do Coral da Cidade de São Paulo. Espaço dos Satyros Um | estreia na sexta (dia 16) | sex., sáb. e dom., às 20h | R$ 30
LITERATURA | HAROLDO DE CAMPOS O poeta e tradutor (1929-2003) recebe homenagens na Casa das Rosas de sexta (16), quando sua morte completa dez anos, até domingo (18). A programação inclui show, sarau, debates, lançamentos de CDs, livros de ensaio e poemas. Também será inaugurada a instalação “Tempo-Vero”, trabalho de Leonardo Tepedino a partir de livro do concretista - “A Máquina do Mundo Repensada”. Programação no site www.casadasrosas.org.br. abertura na sexta (dia 16), às 19h30 | grátis
CINEMA | FLORES RARAS O diretor Bruno Barreto leva às telas a história de amor entre a poeta americana Elizabeth Bishop (1911-79) e a paisagista brasileira Lota de Macedo Soares (1910-67). Miranda Otto e Glória Pires interpretam os papéis, respectivamente. O longa foi aplaudido no Festival de Berlim deste ano, em fevereiro. estreia nacional na sexta (dia 16)
LIVRO | GEORGES DUBY “As Damas do Século 12” reúne, em edição de bolso, a trilogia de ensaios do historiador francês (1919-96) sobre a representação medieval de personagens femininas. A partir de fragmentos de discurso produzidos por homens, Duby tenta traçar o retrato de mulheres como Alienor da Aquitânia ou a abadessa Heloísa, inquirindo sobre seus anseios, motivações e a extensão de sua participação numa sociedade masculina. trad. Paulo Neves e Maria Lúcia Machado | Companhia das Letras | R$ 26,50 | 384 págs.
POP
ERUDITO
EXPOSIÇÃO | LEDA CATUNDA Mostra no Museu de Arte Moderna do Rio apresenta 18 trabalhos inéditos da artista plástica, uma das principais da chamada Geração 80. As pinturas de cores fortes e vibrantes recuperam procedimentos do universo da colagem para retratar o repertório visual do esporte. de ter. a sex, de 12h às 18h | sáb., dom. e feriado, de 12h às 19h | até 6 de outubro R$ 12
EXPOSIÇÃO | DAVID BATCHELOR O artista britânico, reconhecido por suas instalações luminosas inspiradas na paisagem urbana, exibe pinturas, fotografias e desenhos no Centro Universitário Maria Antonia. Batchelor também participa de debate sobre seu trabalho e o uso da cor. debate na terça (dia 13), às 20h | abertura da exposição na quinta (dia 15), 20h | de ter. a sex., de 10h às 21h sáb., dom. e feriados, de 10h às 20h | eventos grátis
LIVRO | NIKOS KAZANTZÁKIS Inédito no Brasil, o livro “O Capitão Mihális” ganha tradução direta do grego. O romance compõe um intrincado painel sobre o personagem-título, figura irascível inspirada no pai do escritor, em meio a uma revolta na ilha de Creta. Kazantzákis (1883-1957) ganhou fama após um de seus romances inspirar o filme “Zorba, o Grego” (1964). trad. Silvia Ricardino | Grua Livros | 568 págs. | R$ 69,80
LIVRO | SAMUEL BECKETT O primeiro romance do escritor irlandês (19061989) ganha sua primeira edição no Brasil. Publicado originalmente em 1938, “Murphy”, retrato da vida errática do personagem-título, seus amigos e da prostituta Celia, antecipa o humor negro e a falta de sentido da existência que marcariam as obras futuras do escritor, como “Esperando Godot”. Em julho, os manuscritos de “Murphy” foram vendidos por quase 1 milhão de libras (cerca de R$ 3,4 milhões) em leilão realizado na casa Sotheby’s, em Londres. trad. Fábio de Souza Andrade | Cosac Naify | R$ 256 págs. | R$ 36
LIVRO | CIÊNCIA PICARETA Colunista do jornal britânico “The Guardian”, Ben Goldacre recolhe mitos e charlatanice divulgados sobre ciência. Com ironia, comenta tratamentos com homeopatia, atuação de nutricionistas na TV, falsas estatísticas e vegetais que supostamente combatem o câncer. trad. Renato Rezende | Civilização Brasileira | 378 págs. | R$ 39,90
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição LUCAS JACKSON/ REUTERS
AGNALDO FARIAS, 58, é professor da FAU-USP. CASSIANO ELEK MACHADO, 38, é repórter especial da Folha. DOMINGOS OLIVEIRA, 77, cineasta, ator e dramaturgo, dirigiu “Todas as Mulheres do Mundo” (1967) e “Separações” (2002). FRANCESCA ANGIOLILLO, 41, é editora-adjunta da “Ilustríssima”.
IGOR GIELOW, 40, é diretor da sucursal da Folha em Brasília. MARCELO NINIO, 47, é correspondente da Folha em Pequim. SANDRO CASTELLI, 39, é ilustrador. TOM HANKS, 57, ator americano, declarou originalmente no “New York Times” sua paixão por máquinas de escrever.
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ISSO É ARTE? Confira o mapa dos principais momentos da arte moderna >>folha.com/ilustrissima
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Nostalgia ARQUIVO/ FOLHAPRESS
RESUMO Tom Hanks conhece bem o barulho atordoante que se pode tirar das máquinas de escrever. Desde 1978 o protagonista de “Forrest Gump” e “O Resgate do Soldado Ryan” coleciona várias delas. No texto a seguir, elenca três razões que, na sua visão, tornam as velhas peças robustas superiores a laptops e iPads de última geração.
TOM HANKS TRADUÇÃO FRANCESCA ANGIOLILLO
Como foi só em 1985 que Mike McAlary começou a cobrir polícia para os tabloides de Nova York, o cenário que representava uma Redação em “Lucky Guy”, peça de Nora Ephron com a qual estreei recentemente na Broadway, tinha processadores de texto, e não máquinas de escrever. Foi uma pena. Nós, da trupe, teríamos amado batucar desajeitadas, enormes máquinas de escrever, pelo simples som que elas fazem. Bom, eu teria amado, uma vez que tenho pleno conhecimento do barulho atordoante que dá para se tirar de uma velha máquina de escrever manual. Eu uso uma dessas – e também uso os correios – quase todos os dias. Minhas vagarosas cartas e meus bilhetes de agradecimento, meus memorandos e minhas listas de afazeres, além de vagos – realmente vagos – esboços de histórias são bagunçados, mas poucas coisas no meu cotidiano me satisfazem mais do que produzir esses papéis. Confesso que, quando é trabalho de verdade o que tenho de fazer – documentos que exigem tanto rigor quanto um ensaio de fim de ano de faculdade –, eu uso um computador. O fluxo da escrita pede a fluência da tecnologia moderna, e quem não gosta de poder escolher uma nova fonte como Franklin Gothic Medium, Bernard MT Condensed ou Plantagenet Cherokee? Para escritos desimportantes, do tipo que não vai além da sua escrivaninha ou da porta da geladeira, o prazer táctil de escrever à moda antiga não encontra comparação naquilo que se obtém de um laptop último tipo. Teclados de computador emitem um tímido tec-tec-tec, do tipo que você ouve quando vai ao Starbucks – pode ser que o ruído venha de trabalho sério sendo produzido, mas ele parece pequeno e discreto, como agulhas de tricô das quais brotam pares de meias. Tudo o que se datilografa numa máquina de escrever soa grandioso, as palavras se formam em miniexplosões: TCHAC, THAC, THAC. Um bilhete de agradecimento ressoa com o mesmo fragor que uma obraprima da literatura. O ruído produzido ao datilografar é uma boa razão para ter uma velha máquina de escrever
Máquina de escrever na antiga redação da Folha, 1975
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Um prazer à moda antiga Máquinas de escrever tornam tudo grandioso – infelizmente, são só três razões, e nenhuma delas é conforto ou agilidade. Além do som, há o genuíno prazer físico que envolve o ato de datilografar; a sensação é tão boa quanto soa, os músculos das suas mãos controlam o volume e a cadência do assalto auditivo, de modo que o espaço ao redor ecoa o staccato das suas sinapses. Você pode escolher o modelo da sua máquina de escrever que mais se encaixe com a sua identidade sonora. Remingtons dos anos 30 fazem THICK THICK. Uma Midcentury Royal parece uma voz repetindo CHALK. CHALK. CHALK CHALK. Mesmo as máquinas de escrever fabricadas na aurora
dos aviões a jato (suficientemente compactas para caberem nas mesinhas dos primeiros 707s), como a Smith Corona Skyriter e as joias do design da Olivetti, fazem FITT FITT FITT, como balas disparadas pela pistola automática de James Bond. Escrever numa Groma, exportada para o Ocidente de um país comunista que não existe mais, soa a trabalho, trabalho duro. Feche os olhos enquanto você martela o teclado, e você se sentirá como um ferreiro dando forma a frases que saem, incandescentes, direto da fornalha da sua mente. Moby Dick Faça essa experiência: escre-
va, no seu laptop, a primeira frase de “Moby Dick” e ela vai soar como chamaimeishmael. Agora repita o procedimento numa Olympia dos anos 1950 (tenho duas, caso você precise de uma) e observe: CHAMAI! ME! ISHMAEL! Use seu iPad para fazer uma lista de tarefas e ninguém vai nem notar – não que devesse. Mas datilografe a mesma lista numa velha Triumph, Voss ou Cole Steel, e o mundo saberá que você tem uma agenda a cumprir: ETIQUETAS DE BAGAGEM! EXTENSÕES! LIGAR PARA A EMMA! Para ter uma máquina de escrever, é necessário ter espaço e renunciar ao luxo fácil da tecla “delete”, mas cada centímetro
do que se sacrifica em precisão se conquista em exuberância. Nem se preocupe em usar uma fita corretiva, líquido corretor ou papel translúcido, daquele que facilita apagar. Não há por que se envergonhar das sobreposições e de cobrir com XXXXX uma palavra tão mal batida que um corretor ortográfico não seria capaz de decifrar. Essas cicatrizes serão um fator tão importante da sua escrita quanto o seu dom (ou falta de) para as palavras. O aspecto físico da datilografia fornece a terceira razão para usar uma relíquia do passado como instrumento de escrita: permanência. Talvez somente palavras gravadas em pedra durem mais do que uma carta datilografada, porque a tinta de fato se impregna na fibra do papel, em vez de ser depositada sobre a sua superfície como acontece com um documento impresso a laser ou na definitiva IBM Selectric – o artefato que fez da máquina de escrever manual um objeto obsoleto. Acerte um Y numa máquina alemã Erika e um verdadeiro martelo atinge a fita da máquina, levando a tinta até o âmago do papel, onde será visível para toda a eternidade, a não ser que você pinte algo por cima ou queime a folha. Ninguém se desfaz de cartas datilografadas, pois elas são
como peças de artes gráficas, tão singulares quanto impressões digitais, uma vez que nenhuma máquina manual grava o papel exatamente da mesma forma como outra. E-mails desaparecem de qualquer servidor que não seja do Google ou da NSA. Mas saque uma Brother De Lux 895 dos anos 1960 para disparar um “A festa foi demais! Obrigada por sacudir nossos esqueletos até as três da manhã!” e daqui a 300 anos aquele bilhete ainda vai ter lugar na coleção de um aficionado, que o guardará com o mesmo zelo com que conserva uma nota fiscal de 1776 registrando a venda de 12 belos barris de cerveja. A máquina em si pode durar tanto quanto as pedras de Stonehenge. Máquinas de escrever são peças robustas, feitas de aço, e foram pensadas para ser espancadas, como de fato são. Algumas teclas da Underwood do meu pai – comprada de segunda mão logo depois da guerra e usada durante o único ano em que frequentou a universidade – estavam tão gastas pelo castigo infligido por seus dedos que acabaram deformadas e apagadas. A tecla S era só um cotoco. Eu a levei a uma oficina com a ideia de dar só uma limpada, mas ela voltou com todas as teclas novinhas. Adeus, papai, e maldito seja o funcionário da oficina. De todo modo, eu ainda tenho a máquina, e ela funciona, assim como quase todas as máquinas de escrever que ocupam meu escritório, minha casa, meu depósito e o porta-malas do meu carro, uma coleção que teve início quando, em 1978, o proprietário de uma oficina se recusou a consertar a minha máquina de escrever, quase toda feita de plástico. “Um brinquedo sem serventia!”, o homem berrou. Sim, ele berrou. Ele apontou para prateleiras cheias de máquinas recondicionadas – tinham décadas de existência, mas todas funcionavam perfeitamente. “Uma máquina de escrever era uma máquina”, gritou ele, “que podia ser jogada em pleno voo de um avião e continuaria a funcionar!”. Ele me ofereceu, por um bom preço, uma Hermes 2000 (“O Cadillac das máquinas de escrever!”) que tinha uma alavanca para regular a tensão das teclas e cuja régua era a mais precisa e afinada que já se viu. Desde então, comprei a 3000, a Baby e a gloriosa Hermes Rocket: todas ocupam minhas prateleiras e cada uma delas é mesmo um carrão. Não existe nenhum outro motivo – além de uma avareza mal dirigida (culpado!) – que justifique alguém acumular centenas de máquinas de escrever velhas. Quase todas saem por uns US$ 50, a não ser que, digamos, Hemingway ou Woody Allen as tenham usado antes de você. As fitas se encontram facilmente no eBay. Uma ou outra máquina de escrever dos anos 70 ainda pode ser deixada para seus netos ou ficar guardada numa garagem até o milênio que vem, quando um arqueólogo vai desencavála, limpá-la, lubrificá-la. Certamente em 3013 será possível renovar a tinta da fita, e uma carta batida a máquina poderá então ser expedida naquele exato dia.
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Entrevista
3 Um mar de tubarões Crítico traça guia para navegar por 150 anos de produção artística RESUMO Autor de “Isso é Arte?”, Will Gompertz afirma que os artistas nunca se guiaram tanto como agora pela relação com o dinheiro e diz que isso define a ausência de crítica quanto ao que se produz e exibe. Para o editor da BBC, falta ao grande público informação que permita ficar à vontade para avaliar a produção atual.
CASSIANO ELEK MACHADO ILUSTRAÇÃO SANDRO CASTELLI
O cliente que pede “quero esta em azul” e que ouve o lojista responder “esta só vou ter bege”, numa loja da cadeia Gap na 5ª Avenida, em Nova York, não tem como saber, mas naquela mesma esquina começou o maior terremoto da arte do século 20. Numa segunda-feira de início de abril, em 1917, outro cliente entrou no estabelecimento que então ocupava o número 118 da avenida, a tradicional loja de ferragens J. L. Mott e, daquela barafunda de maçanetas, pias e banheiras de ferro, saiu carregando no colo um mictório de porcelana branca. O nome do rapaz, claro, era Marcel Duchamp (1887-1968), e o tal urinol, igual aos que eram instalados em milhares de banheiros comuns, se converteria pouco depois na “obra de arte mais influente criada no século 20”. As aspas são do inglês Will Gompertz, 47, editor de artes da emissora britânica BBC e ex-diretor da Tate Gallery, em Londres. E é com este episódio emblemático, do mictório que o artista francês transformou numa “escultura” chamada “Fonte”, que ele abre o seu livro “Isso É Arte?” [Zahar, tradução Maria Luiza X. de A. Borges, R$ 59,90, 464 págs.], recémlançado no Brasil. Pouco importa que Duchamp não tenha conseguido à época expor o urinol e que a peça “original” tenha se perdido. Até a concepção de “Fonte”, era o meio (tela, madeira, papel, mármore) que ditava o modo como o artista trataria da realização de sua obra. “Duchamp queria inverter isso. Considerava o meio secundário: o primordial era a ideia”, escreve. Gompertz não nos conta nada de revolucionário com isso. Há muitas décadas críticos e historiadores de arte de todo o mundo vêm mascando
nervosamente esse momento de epifania artística. Mas não haveria outro começo para o livro que ele decidiu escrever. Ao longo de centenas de páginas, o autor se propõe a discutir a pergunta expressa no título, segundo ele bastante frequente a espectadores cada vez mais numerosos de mostras mundo afora – e a fonte da questão foi o urinol. O visitante do museu olha a cama desfeita e amarfanhada, com lençóis manchados (obra de 1998 da britânica Tracey Emin), ou o tubarão-tigre num aquário com formol (escultura de 1991 do também inglês Damien Hirst), coça o queixo e questiona: “Isso é arte?”. O escritor peruano Mario Vargas Llosa responderia que não, como expressa com veemência em “A Civilização do Espetáculo” [Alfaguara, tradução Ivone Benedetti, R$ 34,90, 208 páginas], analisado no texto ao lado. Mas, para Gompertz, obras como o célebre tubarão de Hirst não só são arte como constituem grandes marcos do maior movimento em voga hoje, que ele ensaia batizar de “artetenimento” ou simplesmente de “empreendedorismo”. O autor inglês, que virá ao Brasil pela primeira vez em setembro, como convidado da Bienal Internacional do Livro do Rio, conversou com a Folha por telefone sobre o cenário da mercantilização da arte. Folha - Em “Isso É Arte?” o sr. enfatiza os aspectos financeiros do universo artístico e toma o leilão promovido por Damien Hirst em 2008 como um marco de um “movimento” atual, o empreendedorismo. Por que tamanho destaque para essa mercantilização? Will Gompertz - É um encontro muito interessante o da arte com o dinheiro. Quase sempre foram sinônimo, como vimos no tempo dos Médici, em Florença, e na relação de Leonardo da Vinci com as cortes italianas. A novidade do momento que vivemos é que
Não há mais crítica a nada. Isso tem clara relação com a mercantilização da arte e com esses museus que têm colecionadores milionários como conselheiros
a relação entre dinheiro e arte ficou mais explícita, até um ponto, recente, no qual o artista virou literalmente um homem de negócios. Os artistas estão cumprindo a profecia de Andy Warhol de que a arte seria feita em fábricas. Artistas como Jeff Koons estabeleceram verdadeiras indústrias para elaborar obras para um mercado em crescimento constante. Antes abasteciam Europa e EUA, agora vendem para todo o planeta. Como a relação entre dinheiro e arte tende a afetar a qualidade da produção artística? Ela tem um efeito ruim para a arte em geral. Não acho que, de um ponto de vista histórico, a relação do artista com seus mecenas ou com homens de negócios tenha sido negativa. O impressionismo e o expressionismo abstrato, por exemplo, provavelmente não teriam sobrevivido sem o apoio inicial de agentes e outros investidores. Mas agora as coisas mudaram: o dinheiro assumiu um protagonismo inédito. E artistas gastam milhões de libras para produzirem objetos gigantescos e lustrosos, que parecem menos interessantes do que o que realizavam quando não tinham dinheiro algum. Por outro lado, o sr. aponta que nunca tantas pessoas frequentaram exposições de arte como agora. Esse movimento não pode funcionar como um antídoto para a “mercantilização” artística? É por isso que decidi escrever o livro. Há um grande público que precisa das informações históricas, para que possa decidir por conta própria o que acha que é boa ou má arte. Vivemos numa época em que nos é imposta a ideia de que tudo o que está em museus ou galerias é maravilhoso. Não há mais crítica a nada. Isso tem claramente relação com a mercantilização da arte e com todos esses museus que escolhem colecionadores milionários para serem conselheiros. Uma vez que o nome de um artista é estabelecido, não interessa a ninguém que seu valor de mercado seja afetado. Há, portanto, desonestidade e corrupção no sistema. Isso significa que nós, os espectadores de arte, nunca temos ajuda. Um filme de Woody Allen ou um livro de um escritor famoso pode ser bem ou mal avaliado. Na arte é tudo bom. O sr. faz um grande esforço para explicar por que centenas de artistas são realmente artistas, e não charlatões, mas não para mostrar que algum grande artista é um enganador. Por quê?
Acho que os verdadeiros charlatões são alguns colecionadores. O artista faz suas obras, e esse é o papel que cabe a ele. Se o colecionador ganancioso decide comprálas só porque o nome do artista é conhecido, ele é que é o enganador. Não existem obras de arte ruins que mereçam ser apontadas como tal? O que eu tento fazer no livro é guiar as pessoas para o que é bom, o que não significa afirmar, e é o que eu acho, que 99% da arte produzida hoje é ruim, da mesma forma que a maior parte dos livros, filmes ou peças recentes não são muito bons. Não creio que faça sentido escrever um livro sobre a arte que não é boa. Seria estimular as pessoas a verem o que é ruim. Quero ajudar as pessoas a fugirem do que é um lixo apontando obras que merecem seu tempo. No ensaio “O Pintor da Vida Moderna”, de 1863, Charles Baudelaire dizia que “poucos homens são dotados da capacidade de ver”. Após 150 anos, nós enxergamos melhor? Acho que não. Talvez ainda pior do que há 150 anos. Tornamo-nos obcecados por nós mesmos. É a geração “eu”. Você vê pessoas andando nos parques olhando para seus celulares, sem nem conseguirem manter uma conversa com o vizinho. Hoje há muito pouca gente apta a enxergar a vida além de suas experiências mais pessoais. A objetividade parece ser uma ação em queda no mercado. A aproximação de multidões de pessoas à cultura da fotografia, com a difusão do digital e de aplicativos como o Instagram, não pode ajudar a educar o olhar? Acho que isso só faz as pessoas se interessarem cada vez mais por elas mesmas e pararem de prestar atenção no universo do outro.
A arte não existe só na bolha dos artistas. Ela reflete a vida cotidiana. Deveríamos nos sentir tão confortáveis com a arte quanto nos sentimos com ‘Os Simpsons’
O sr. faz um trabalho de grande síntese, ao aglutinar 150 anos de arte. O sr. acredita que tenha conseguido acrescentar elementos novos à narrativa dessa história? Acho que a razão de existir do livro é olhar a arte moderna a partir do século 21. Muitos o fizeram no século 20, mas faltava uma visão nova. O realmente novo, entretanto, seria um olhar para o que aconteceu nesse período fora da Europa e dos EUA. O que acontecia na China, na África, na América da Sul, nas áreas ignoradas pelo “establishment”? Esse talvez seja o tema de meu próximo livro. Em sua história da arte, o sr. faz referências ao universo pop, como “Onde Está Wally?”, Beyoncé, “Os Simpsons” e Susan Boyle. O sr. usou esses elementos a fim de atrair um público novo? Sim, eu considero essas referências muito importantes para meu trabalho. O que quero afirmar ao citá-los é que a arte não existe só dentro da bolha dos artistas. Ela reflete a vida cotidiana. Deveríamos nos sentir tão confortáveis com a arte quanto nos sentimos com “Os Simpsons”. O sr. cita o Brasil em três ocasiões no seu livro, ao se referir ao Carnaval do Rio, a Brasília e ao artista contemporâneo Cildo Meireles. O sr. já esteve no País? Não, e estou ansioso para chegar aí para a Bienal do Livro do Rio. Cito Meireles porque, na minha opinião, é um dos melhores artistas do mundo. É um gênio. Também sou um grande fã de Helio Oiticica e de Caetano Veloso, um de meus cantores preferidos.
Você tomou a decisão de não citar as fontes bibliográficas de sua pesquisa. Houve alguma obra central para a sua pesquisa? Não. Usei muitos catálogos de mostras individuais de artistas. Também consultei instituições de pesquisa, visitei acervos e falei com curadores e críticos. Foram fontes mais importantes do que livros gerais de história da arte. O sr. não menciona no livro diversos artistas contemporâneos destacados, como Anselm Kiefer, Gerhrad Richter, Anish Kapoor, Bill Viola. O sr. não acha que eles sejam de grande importância? Ou foi por uma questão de espaço? A estrutura do livro foi construída em torno das escolas de arte moderna, não dos artistas. Trato essencialmente dos artistas que estabeleceram esses movimentos. No universo do expressionismo, por exemplo, eu começo em Van Gogh, em 1880. Mas o expressionismo continua até hoje, com grandes artistas como Kiefer. Eu poderia ter feito um livro inteiro só sobre o expressionismo, ou sobre Picasso, mas, por conta do formato que escolhi, tive de deixar alguns autores icônicos de lado. É impressão ou o sr. gosta mais de Cézanne do que de Picasso? Essa é difícil. Os dois foram colossos. Foram mestres e gênios e não consigo pensar numa obra da qual eu goste mais do que a pintura “O Retrato de Gertrude Stein” (1906), de Picasso. Mas Cézanne foi mais consistente e inovador. Picasso não poderia ter acontecido sem Cézanne.
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
A arte não tem mandamentos AGNALDO FARIAS
A história é antiga, para lá de conhecida, mas sempre surpreende: em 1857, ao publicar seu romance “Madame Bovary”, Gustave Flaubert e seu editor foram processados pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, por ofender a moral e a religião. Durante sua defesa pronunciou a sentença provavelmente mais imortal de toda sua obra: “Emma Bovary c’est moi”. A astuciosa confusão que Flaubert estabeleceu entre ele mesmo e sua personagem serviu para que se pensasse sobre a confusão entre leitores e personagens. O tema é vasto, fértil, encantador. Vargas Llosa inicia seu ensaio “A Orgia Perpétua” (1957), sobre Flaubert e “Madame Bovary” dizendo que o grande drama de sua vida é a vida e morte de Emma Bovary. Com isso, assenta mais uma pedra no monumento em homenagem à genialidade de Flaubert, a mesma com que achata as mentes obtusas dos inúmeros críticos que não o compreenderam. O Nobel peruano não foi o primeiro e não será o último a se impor a ingente tarefa de demonstrar aos seus contemporâneos, mesmo os mais ardentemente reacionários, o valor de uma obra que agride os cânones, os valores estabelecidos, a tradição. Pensando bem, há muito tempo Flaubert não precisa de quem o defenda – muito mais problemático mesmo era defendê-lo em
1857. Como se sabe, nunca foi fácil discordar das matérias e visões consensuais, até porque podia e pode dar processo, prisão, banimento. Mario Vargas Llosa é brilhante analisando o passado assim como o é em grande parte de sua ficção. Mas ,quando se propõe a examinar o presente, comporta-se como um verdadeiro promotor Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena. Sem tirar nem pôr. A prova está no seu “A Civilização do Espetáculo”. A consistente defesa que ele faz da importância da cultura contrasta com a indigência de seus comentários sobre a miséria intelectual da cultura contemporânea em geral e da produção artística contemporânea em particular. A seu ver, uma decorrência direta do florescimento da “sociedade do espetáculo” – o uso chapado da expressão cunhada por Guy Debord, é bem ao gosto de um intelectual anacoreta, que assiste do alto a derrocada do seu velho mundinho, sem perceber as nuances da inteligência que, por exemplo, circulam pelas redes sociais. Fé cega O problema de Vargas Llosa é a fé cega no seu repertório, a pretensão de que sua indiscutivelmente sólida educação seja absoluta. Foi confiando totalmente nela que o autor (como contou em uma palestra em São Paulo) afirmou que, ao passear por toda uma edição da Bienal de Veneza, não viu absolutamente nada de interessante – o que teria catalisado o livro em questão –, concluindo que “o que antes era revolucionário virou moda, passatempo, brincadeira” e que a “frivolidade [nas artes plásticas] chegou a níveis alarmantes”. É certo que Mario Vargas Llosa é um grande artista, mas não lhe ocorre que seria no mínimo uma imprudência e no máximo uma burrice fazer um juízo tão peremptório sobre o mundo em que vive? Vargas Llosa, assim como vários detratores da arte contemporânea, conclui pelo seu desacerto, sua inconsequência, seu vazio. E chega a isso por duas vias: desqualificando obras com comentários tão rasos quanto definitivos e comparando-as à produção do passado: seja ela a moderna, ou a alinhada com a fundação da estética no século 18, ou mesmo a produção do Renascimento, períodos esses em que a arte ganhou novos estatutos e graus de importância. Tal atitude é desonesta, por dois motivos: primeiro, porque tenta fazer com que uma opinião passe por visada analítica; segundo, porque pretende medir algo por um sistema métrico alheio ao que ele traz consigo, esquecendo-se cinicamente de que isso equivale a julgar a
qualidade de uma instalação tendo pinturas como parâmetro, ou avaliar um jogo de futebol usando regras do beisebol. A omissão de fatos históricos é um aspecto fundamental da argumentação desenvolvida pelos arautos da morte da arte na contemporaneidade. Admira que não aprendam nada com seus inumeráveis antecessores – aqueles que jogaram ovos em Nijinsky e Stravinsky; os que ignoraram Van Gogh, os que processaram Flaubert. Causam espanto aqueles que saem em defesa de uma arte absoluta, esquecendo-se, ou querendo-nos fazer esquecer, de que a arte, na qualidade de produto da história, varia no tempo e no espaço; nada tem de fixa; não teve seus mandamentos trazidos por nenhum Moisés. Parafraseando Brecht, a arte [como tudo] é filha do tempo, e não da autoridade. Recepção A história da arte é pródiga em casos de mudança de recepção, em aclamar obras esquecidas por anos e até séculos, e em colocar no chão produções antes consideradas eternas. Se é fato que Shakespeare foi um caso de sucesso imediato, o mesmo não se aplica ao grande Sandro Boticelli, vizinho de Michelangelo na Sistina, que, como escreveu Michael Levey, “passou por séculos de abandono”. Mesmo em meados do século 19, a crítica de arte era unânime em considerá-lo um pintor de “mulheres rudes de um modo geral destituídas de beleza”. Se as reputações artísticas sofrem altos e baixos, o mesmo não se pode dizer dos seus conceitos, que, arraigados ao público, sobrevivem duradouramente. O público, dizia Delacroix, “é um relógio que atrasa”. A questão é: quem não é público? Se até mesmo os artistas o são, o que dizer de críticos e das demais autoridades que falam em nome da arte? O grande desapontamento e irritação por parte de quem, como Vargas Llosa, visita exposições de arte contemporânea, deve-se a sua frustração por não encontrar nem sombra daquilo que já conhecia. Para todos esses caberia lembrar a lição de Rimbaud que, tendo a beleza em seu colo, injuriou-a. A beleza, assim como alguns dos mais célebres pressupostos e objetivos da produção artística, foi paulatinamente despojada de seu estatuto porque possuía a imobilidade – e o tédio – dos entes perfeitos. A partir de Baudelaire, a modernidade é associada ao movimento, à transformação ininterrupta – o que por certo inclui a produção artística. O que é arte afinal? Como pretender fixar um conceito que de há muito afirma sua aversão a qualquer camisa de força?
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MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Diário de Pequim O MAPA DA CULTURA
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A mordida do dragão “O Som ao Redor” cai nas garras da censura
MARCELO NINIO
Com a presença do diretor Breno Silveira, o filme “Gonzaga - De Pai pra Filho” abrirá o quarto Festival de Cinema Brasileiro na China, que terá projeções de outros cinco filmes em Pequim e Xangai, de 5 a 15 de setembro. A mordida do dragão deixou de fora quatro filmes, barrados pela censura chinesa: “Chamada a Cobrar”, de Anna Muylaert; “Rânia”, de Roberta Marques; “O que se Move”, de Caetano Gotardo; e “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho. Mesmo com a experiência das duas últimas edições, a diretora artística do festival, Anamaria Boschi, não arrisca um palpite sobre o que provocou os vetos. “A censura não dá explicações.
É sim ou não”, diz ela. Sem o carimbo da Administração Estatal chinesa para Rádio, Cinema e Televisão (SARFT, na sigla em inglês), nenhum filme tem permissão para ser exibido publicamente no país. Por via das dúvidas, a atriz Huang Lu, que integra o júri do festival, preferiu conferir se os filmes da seleção contavam com o carimbo. “Eles têm a marca do dragão?”, quis saber Huang, quando recebeu o telefonema de Boschi. Sinônimo de poder supremo na mitologia chinesa, no passado o dragão era o símbolo do imperador. Hoje ele representa a força da censura: sua imagem aparece antes de todo filme exibido legalmente no país. Embora habituada ao processo que envolve a aprovação – uma cópia de cada filme é enviada à SARFT por meio da embaixada do Brasil em Pequim, com sinopse em inglês e chinês –, Boschi admite que os
critérios da censura ainda são um mistério para ela. Neste ano, achava que a animação “Rio 2096” tinha poucas chances de ser liberada, pela enxurrada de cenas violentas da história do Brasil. O filme passou. Por outro lado, ela não entendeu o veto ao premiado “O Som ao Redor”, sobre a violência latente numa rua de Recife. “Quem sabe?”, diz Boschi. “Pode ter sido a cena em que uma personagem fuma maconha no aspirador de pó.” Luz própria Fazer cinema sem passar pelas garras do dragão é uma viagem bem mais turbulenta. Para o Festival de Cinema Independente de Pequim, que no fim deste mês tenta chegar heroicamente a sua décima edição, o equipamento mais importante nem é o projetor. É o gerador elétrico. No ano passado, a sessão
de abertura foi interrompida pouco depois do início, quando um blecaute misterioso deixou no escuro um quarteirão inteiro do distrito artístico de Songzhuang, nos arredores de Pequim. Nem assim o festival se deu por vencido. Cinéfilos abriram suas casas, galerias e escritórios, que se transformaram em cinemas improvisados. Durante oito dias foram exibidos 46 documentários e 29 filmes de ficção, enquanto policiais à paisana zanzavam nas redondezas. O governo negou estar por trás do apagão, mas não convenceu. Antes da abertura, a organização do festival havia recebido recados para que não abrisse o evento com o filme “Ovo e Pedra”, sobre abuso sexual numa área rural da China. “Dificilmente será pior que no ano passado. Agora temos nosso próprio gerador”, disse à revista “Time Out Beijing”
o organizador do festival, Dong Bingfeng. Se o gerador aguentar, mais de cem filmes serão exibidos. Desmemória A China fechou 2012 com 1,1 bilhão de usuários de celular. Isso significa o mesmo número de fotógrafos em potencial. Chineses adoram usar seus telefones para fotografar e filmar tudo o que acontece a sua volta. O prazer e a facilidade do clique instantâneo não significam um apego à fotografia. “Não é exagero dizer que os chineses são analfabetos em imagens”, diz Rong Rong, um dos principais fotógrafos experimentais do país. Fotos de momentos cruciais da história moderna foram deletadas do olhar público pela censura. Basta dizer que uma das imagens mais marcantes do século 20, a do manifestante solitário diante de uma fileira de tanques
na praça da Paz Celestial, durante os protestos de 1989, é desconhecida de muitos jovens. Incomodado com a dilapidação do patrimônio de imagens históricas, Rong criou há seis anos em Pequim o primeiro centro privado de fotografia do país. “Quero usar a fotografia como uma ponte entre passado, presente e futuro”, diz. A nova revolução é digital, um celular na mão, mas poucas ideias na cabeça. “As pessoas consomem as novas tecnologias capturando imagens, mas são incapazes de criar um mundo próprio”, lamenta Rong. Em meio à pior onda de calor em 140 anos, pandas dormem em cubos de gelo, dançarinos de rua somem do mapa e piscinas públicas viram um mar de gente e boias coloridas. Significa também uma corrida a museus e espaços culturais refrigerados. Mas, na hiperconsumista Pequim, o oásis favorito continua no mesmo o shopping.
G7 G
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
5 A Torradeira do poeta Rio de Janeiro, 1959
ARQUIVO PESSOAL
DOMINGOS OLIVEIRA
Joaquim Pedro de Andrade era um príncipe. E foi através dele que entrei no cinema, no cargo de segundo assistente do curtametragem “O Poeta do Castelo”, em que ele retratava o padrinho, Manuel Bandeira. De família tradicional, cultíssimo, Joaquim falava baixo e de boca fechada, como se não quisesse ser ouvido. Joaquim era o único que Glauber Rocha levava em consideração. Se Glauber era o rei do cinema novo, então o Joaquim era o primeiro-ministro. E somente tinha amigos do mesmo alto gabarito, como o longilíneo e levemente gago Mário Carneiro, grande fotógrafo do cinema novo. Eu, menino ignorante de Botafogo, estremecia diante daqueles deuses. Naquele tempo, para juntar pedaços de filme, era necessário gilete para raspar um celuloide e cola para colar. Ou no mínimo durex. Provando assim o milagre de Eisenstein: duas imagens juntas criam um
terceiro significado. No quarto dia de filmagem, constava o plano “cena da torradeira”. Manuel entrava na cozinha, em seu pijama matinal, botava manteiga numa fatia de pão, enfiava na torradeira e ia para dentro de casa. A câmera ficava na torradeira. Bem, nenhum estudante de cinema de hoje pode imaginar como pode ser complicado iluminar uma torradeira. E a câmera refletida no metal? E o “eixo”, estava certo? Nunca esquecerei a gravidade da equipe inteira no pequeno apartamento do Bandeira, olhando atentamente para uma torradeira e esperando o momento decisivo em que o pão ia saltar. O filme virgem naquele tempo custava caríssimo. Muitas vezes não continha TriX (filme sensível), era preciso arranjar vários rolos de máquina fotográfica, esvaziá-los no escuro e juntá-los imediatamente para compor um rolo de 3 minutos digno da câmera cinematográfica. Esta sacralidade do cinema foi totalmente esquecida e não pode ser entendida pelos cineastas de hoje. Muita coisa
De esquerda para direita: Manuel Bandeira, Joaquim Pedro de Andrade e Domingos Oliveira no apartamento do poeta
foi banalizada nos tempos modernos. O crime é uma delas; o cinema é outra. “Django” (2012), “Melancolia” (2011) ou “A Pele que Habito” (2011) podem ser bons filmes, mas não são o “Cidadão Kane” (1941) nem “O Garoto” (1921). Será um dia de glória quando o cinema resgatar aquele momento da torradeira. Eu morria de timidez ali dentro da casa do poeta, num beco do Castelo, no centro da cidade. Eu
ficava de mão fria toda vez que ia me aproximar do poeta. Já era muito ficar na mesma sala durante horas. Um dia a equipe atrasou por causa do trânsito. O encontro era na esquina do Palácio Capanema e chegamos só nós dois: o poeta e eu. Calados, sem nenhum assunto possível, ficamos ali uns intermináveis 15 minutos. Foi nesse momento que Manuel abriu a boca e externou uma reflexão de
poeta. Espantei-me: ele sabia meu nome! “Domingos, esse lugar aqui não é mais o meu. Não existia nenhum desses edifícios e a cidade era outra. Está vendo essa multidão que anda de um lado para o outro? Eu não conheço nenhum deles. Esse mundo não é mais o meu.” Não sei se ruborizei em febre ou se fiquei calado. O poeta tinha falado. Comigo. Alguns dias depois, usando um equipamento moderníssimo
(um trilho sobre o qual deslizava a câmera sobre rodinhas), Manuel passava em frente à Academia Brasileira de Letras ao som de sua voz dizendo que ia para a Pasárgada. Aproveitemos o momento para enfatizar que o pequeno documentário, “O Poeta do Castelo”, é dos melhores trabalhos do Joaquim Pedro. Tem uma magia que não se sabe de onde vem. Talvez da torradeira ao som da “Pavane”, de Gabriel Faurè.
G8
MANAUS, DOMINGO, 11 DE AGOSTO DE 2013
História
6 O ano em que vivemos em perigo RESUMO Embora o senso comum aponte a crise dos mísseis em Cuba, em 1962, como o apogeu do conflito entre EUA e União Soviética, o período mais arriscado da Guerra Fria talvez tenha sido há 30 anos. Programas militares e simulações de ataques puseram os contendentes em alerta, o que poderia ter gerado uma guerra real.
IGOR GIELOW
Em 4 de março de 1983, ao meio-dia, a rainha Elizabeth 2ª dirigiu-se a seus súditos, cumprindo um “dever solene e terrível”, para informá-los de que “a loucura da guerra” estava “novamente se espalhando pelo mundo”.Os britânicos deveriam preparar-se para o pior momento de “sua longa história”, enfrentando não “soldados com rifles”, como em 1914, ou o “aviador sobre nossas cidades”, como em 1940. O inimigo seria a “força letal de uma tecnologia abusada”: o fogo nuclear soviético na Terceira Guerra Mundial. O texto, revelado neste mês, naturalmente nunca foi lido. Não se sabe, tampouco, se a soberana aprovou o conteúdo do discurso, preparado por burocratas que participavam de um exercício que simulava a reação de governos à eventualidade de um conflito atômico na Europa. Mas dificilmente a rainha teria escolhido palavras tão precisas para descrever 1983, talvez o mais perigoso momento da Guerra Fria. O senso comum aponta 1962 e a crise dos mísseis russos instalados em Cuba como o zênite do conflito surdo entre Estados Unidos e União Soviética. Mas, 30 anos atrás, com bem menos publicidade, o apocalipse esteve à porta. A metáfora bíblica inclusive se aplica melhor a 1983. Conforme um detalhado estudo feito
pelo cientista político americano Robert S. Norris em 2012 sobre os beligerantes em 1962, a capacidade nuclear dos EUA superava em 17 vezes a da URSS à época. Ou seja, em caso de a escaramuça evoluir a uma guerra global, era grande a possibilidade de que os soviéticos fossem dizimados antes de o planeta ser engolfado. A Europa seria reduzida a pó, certamente, mas talvez não fosse o fim do mundo – ainda que estudos recentes mostrem que mesmo uma guerra limitada a umas cem explosões menores, iguais à que destruiu Hiroshima em 1945, pudesse alterar o clima irreversivelmente. Vinte e um anos depois, o jogo era outro. Moscou tinha 36 mil ogivas atômicas à disposição; Washington, 23,5 mil. Em 1962, os mísseis balísticos intercontinentais perdiam em importância para os menos eficazes bombardeios, equação invertida em 1983. O perigo “era de longe maior do que em qualquer outro momento de nossa longa história”, como diz o discurso simulado da rainha para a operação Wintex-Cimex. O exercício era bienal, mas o cenário político estava carregado. O ex-ator de faroeste Ronald Reagan (1911-2004) havia assumido a Presidência dos EUA em 1981 com uma retórica anticomunista virulenta. Em março de 1983, cunhara o termo “Império do Mal” para classificar o adversário e lançou o programa conhecido como Guerra nas Estrelas, que visava abater foguetes com armas no espaço. Para piorar, Reagan estava decidido a instalar os mísseis de alcance intermediário Pershing-2 na Europa Ocidental. Enquanto seus similares russos SS-20 poderiam aniquilar alvos em países aliados aos EUA em minutos e sem tempo de reação, os foguetes americanos prometiam o mesmo diretamente contra a matriz do bloco soviético. Ambos os lados demonstravam agressividade. Em setembro, os soviéticos abateram um Jumbo da Korean Air Lines alegando que era um avião em missão espiã. No mês seguinte, os EUA invadiram a ilhota caribenha de Granada para erradicar o regime esquerdista local. Escalada As raízes da escalada estavam no ano de 1981, quando a União
ABC/ GETTY IMAGES
Em 1983, o apocalipse nuclear esteve à porta
Cena do telefime “O Dia Seguinte” (1983)
Soviética vivia a instabilidade do ocaso político e econômico do governo de Leonid Brejnev (196482). O então chefe da KGB e sucessor de Brejnev no ano seguinte, Iuri Andropov, anunciou que era certa a intenção de Washington de dar o primeiro golpe, visando decapitar o regime. O fato de os americanos estarem testando aviões perto das fronteiras soviéticas só aumentava a paranoia. Andropov, ignorante do “éthos” ocidental, determinou o lançamento da Operação Ryan – acrônimo russo para Ataque com Míssil Nuclear. Foi o maior esforço de espionagem da Guerra Fria, e por dois anos agentes soviéticos pelo mundo buscavam provas da intenção americana de atacar, a fim de justificar uma guerra preventiva. Segundo documentos inéditos compilados pelo pesquisador do Arquivo de Segurança Nacional Nate Jones para marcar o 30º aniversário da crise, o Kremlin temia uma reedição da invasão nazista de 1941, que pegou a liderança soviética de surpresa. O recrudescimento de Reagan e a decisão de instalar os Pershing-2 só reforçou as suspeitas comunistas. Ainda que considerassem a iniciativa exagerada, agentes duplos como Oleg Gordievsky alertaram o Ocidente para o risco de um conflito ocorrer por má interpretação ou por alguma banalidade. Em 1979, por exemplo, uma fita de simulação de ataque acabou por engano no sistema de defesa americano. Por alguns segundos numa madrugada de novembro, o assessor de segurança nacional do presidente Jimmy Carter não avisou ao chefe que ele teria de lançar um contra-ataque real. Isso se repetia com frequência, e dos dois lados. O próprio Andropov, cuja saúde deteriorava-se rapidamente após uma falência renal em fevereiro de 1983, tratou de alertar os EUA. Em junho, ele convidou o veterano diplomata Averell Harriman para uma conversa. No encontro, revelado este ano por Nate Jones, Andropov falou quatro vezes sobre o risco de uma guerra por “erro de cálculo” e ressaltou que Washington se aproximava perigosamente da “linha vermelha”. Após o exercício para o qual o discurso da rainha foi preparado, houve a sequência de três simulações militares da Otan (a aliança militar ocidental) nas quais a tal linha foi tocada. Nas duas primeiras, Autumn Forge e Reforger, houve exercícios de guerra convencionais, com deslocamento de 40 mil homens, simulando a fortificação da Alemanha Ocidental. Os jogos culminaram no Able Archer 83, iniciado em 2 de novembro, no qual era simulada a transição de um conflito convencional para uma guerra química e nuclear. Houve inovações, como ataques virtuais com Pershing-2, o uso de criptologia avançada e a participação de líderes como a premiê britânica Margaret Thatcher (1925-2013) e o chanceler alemão Helmut Kohl no exercício. Só que o Ocidente não sabia que os soviéticos estavam de orelha em pé pela Operação Ryan. Entre 8 e 9 de novembro, conta Gordievsky, a KGB enviou alerta máximo pedindo informações a seus agentes. Aviões foram mobilizados na Polônia e na Alemanha Oriental.