Skip to main content

EM TEMPO - 11 de janeiro de 2015

Page 1

R$ EXEMPLAR

2,00 DE ASSINANTE

VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO

98116-3529 DENÚNCIAS • FLAGRANTES

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

ANO XXVII – N.º 8.593 – DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

SANDRA BRAGA: ‘FICO ATÉ O FIM DO MANDATO’ Com a palavra A5

VAGNERCARVALHO

APERTEM O CINTO

2015 COMEÇOU

DIVULGAÇÃO

Em tempos de vacas magras, profissionais recém-formados enfrentam o maior índice de desemprego. O pior é que as perspectivas para 2015 não são nada otimistas… No mínimo, será um ano desafiador

O MOMENTO DELICADO PELO QUAL PASSA A ECONOMIA BRASILEIRA – QUE O GOVERNO FEDERAL SE NEGA A CHAMAR DE RECESSÃO – JÁ COMEÇA A AFETAR A VIDA DOS BRASILEIROS. NO ENTANTO, REPRESENTANTES DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇO DO AMAZONAS DIVERDIVULGAÇÃO

Três estão desaparecidos após colisão

Três pessoas desapareceram após a colisão de duas lanchas, na noite de sexta-feira. O acidente aconteceu entre a marina Rio Belo e a marina do Davi, no rio Negro. Última Hora A2

MOÇÃO DE APOIO

Zilda Arns pode ser beatificada Documento que já tem mais de 130 mil assinaturas pede a beatificação da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, que morreu em 2010, durante um terremoto no Haiti. País B7

Curumim conta onta a

É hora de trocar o carro pela bicicleta

história do vinil

A “bicycle chic” é um movimento que vem ganhando muitos adeptos no Brasil. Surgida em 2007, a expressão traduz o estilo de quem troca o carro pela bicicleta no dia a dia. Elenco 9 a 11

Zilda foi a fundadora da Pastoral da Criança

O vinil é uma mídia desenvolvida no início da década de 1940. Era fabricado em material plástico e de cor preta, e tocava com o auxílio de uma agulha. Era nessa “bolacha” que o vovô ouvia suas músicas. E o Curumim (ilustração) resgata essa história. Curumim

FABIO ZAMBOM

Mercado de luxo em alta na cidade

GEM QUANTO A POSSIBILIDADE DE HAVER UMA CRISE EM 2015. O FATO É QUE, APESAR DO OTIMISMO EMBALADO PELO SEGUNDO MANDATO DE DILMA ROUSSEFF, É BOM IR PREPARANDO O BOLSO PARA OS AUMENTOS QUE VÊM POR AÍ. POLÍTICA A7 E ECONOMIA B1 E B2

Construtoras apostam em empreendimentos que são valorizados não somente pela localização, mas por exclusividades que vão desde itens de lazer até unidades com metragens únicas. Salão 1

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICAS, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

A SENSUALIDADE DA

DANÇA FLAMENCA Assistido por mais de dois mil espectadores em 3 anos de turnê, o espetáculo de dança flamenca “Las Cuatro Esquinas”, da Companhia de Flamenco Del Puerto (foto), de Porto Alegre, vai se apresentar em Manaus nos dias 20 e 21, com entrada gratuita. Plateia D8

TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 30

MÍN.:

23


A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Três pessoas somem em

acidente fluvial em Manaus Colisão entre duas embarcações, na sexta-feira à noite no igarapé Tarumã-Açu, também deixou outras quatro vítimas

DIVULGAÇÃO/CORPO DE BOMBEIROS

MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

U

ma colisão envolvendo duas embarcações de pequeno porte, nas proximidades do igarapé Tarumã-Açu, na Zona Oeste de Manaus, por volta das 19h40 de sexta-feira (9), deixou três pessoas desaparecidas e outras quatro feridas, que conforme informações do Corpo de Bombeiros, foram atendidas e levadas para um pronto-socorro da cidade. Uma equipe de mergulhadores do Pelotão Fluvial iniciou ainda na sexta-feira, buscas na região, mas sem obter sucesso. Os trabalhos foram reiniciados na manhã deste sábado (10), por volta das 7h30 por uma equipe com três mergulhadores. Por volta das 12h, uma embarcação do tipo rabeta, de aproximadamente 6 metros, foi localizada. Os nomes dos desaparecidos e dos feridos não foram informados. Porém, segundo os bombeiros, entre os desaparecidos estão duas mulheres e um homem. Em nota, o Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN), informou que tão logo tomou conhecimento do acidente, a

Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental direcionou uma lancha da Inspeção Naval ao local do acidente para apoiar e iniciar as buscas. A Capitania instaurou o Inquérito Administrativo sobre Fatos da Navegação (IAFN), para esclarecer as causas e circunstâncias do ocorrido e apurar possíveis responsáveis. Tupé Horas antes do acidente no igarapé Tarumã-Açu, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender a ocorrência de uma lancha tipo “Expresso”que pegou fogo próximo à praia do Tupé. A lancha estava à deriva e teve perda total. O proprietário da embarcação não foi identificado. Conforme o Comando do 9º Distrito Naval (Com9ºDN), não havia passageiros a bordo. Tão logo tomou conhecimento do acidente, a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, direcionou uma lancha da Inspeção Naval ao local, para dar apoio aos trabalhos de combate ao incêndio junto com o Corpo de Bombeiros. Devido ao elevado estágio do incêndio na embarcação, a mesma afundou no local, não sendo possível a sua identificação. O acidente não ocasionou poluição hídrica.

FRANÇA PRÉFECTURE DE POLICE

Equipe de mergulhadores do Corpos de Bombeiros reiniciou as buscas pelos desaparecidos na manhã de sábado, apesar do mau tempo

CRIME

Pescado irregular é apreendido CONCEIÇÃO MELQUÍADES Equipe EM TEMPO Online

Boumeddiene teria participado de ataques terroristas

Polícia segue nas buscas por cúmplice de ataque A polícia francesa segue nas buscas por Hayat Boumeddiene, 26, parceira de Amedy Coulibaly, responsável pelo ataque ao mercado judaico de Paris, na última sexta-feira (9). Ambos são suspeitos pela morte de uma policial. Amedy foi morto durante uma ação policial, no estabelecimento, para liberar os reféns. A França permanece em alerta para a possibilidade de novos ataques. Boumeddiene, que ainda não fora encontrada até o início da tarde, é descrita como “armada e perigosa”. Um promotor francês disse que ela havia conversado durante mais de 500 ligações com Izzana Hamyd, a mulher de Chérif Kouachi, um dos suspeitos pelo recente ataque à publicação. Em uma das fotografias de Boumeddiene divulgadas pela imprensa francesa, ela aparece com o rosto coberto

por um véu. Esse tipo de vestuário foi proibido na França. Na imagem, a mulher aponta uma besta para a câmera. De acordo com informações divulgadas nos últimos dias, Boumeddiene cobria o rosto desde 2009 e, por isso, havia deixado o emprego como caixa. Ela nasceu em Villers-surMarne (leste) em 1988, em uma família com sete filhos e de origem argelina. A mãe morreu em 1994. Boumeddiene ficou sob os cuidados dos serviços sociais franceses em 1996, de acordo com o jornal “Le Parisien”, já que seu pai não tinha condições de cuidar da família - ela só voltou a manter contato com ele há um ano, depois de viajar até Meca. Interrogado pela Polícia, o pai de Boumeddiene disse estar “em choque” e não conseguia acreditar que a filha esteja ligada aos recentes ataques.

Policiais do Batalhão Ambiental prenderam na madrugada deste sábado (10), Jair Alencar de Azevedo, 30, e Messias Moraes de Alencar, 40, transportando aproximadamente 400 quilos de pescado ilegal. A ação aconteceu próximo ao Encontro das Águas. A dupla estava a bordo da embarcação Almirante Moreira 1, que vinha do município de Manacapuru - a 86 quilômetros de Manaus O pescado seria comercializado nas feiras populares da capital. Entre as espécies apreendidas estão 87 quilos de surubim, 110 de tambaqui, oito de aruanã - em período de defeso -, e 195 quilos de peixes diversos, que estavam sem registro de origem. A dupla foi conduzida ao 3º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde foi registrado o flagrante. Após pagamento de multa no valor de R$ 800, para cada um, eles foram liberados e responderão ao crime ambiental em liberdade. Os peixes serão doados para o abrigo “O Coração do Pai”, no bairro Japiim, Zona Centro-Sul, que recebe e acolhe crianças indígenas e não indígenas em situação de vulnerabilidade social.

BICA 2015

Enredo junta política e periquitos Depois de quase duas horas de discussões, a diretoria da Banda Independente e Confraria do Armando (Bica), a mais tradicional banda de Manaus, chegou finalmente ao enredo que vai incendiar o Carnaval de rua da capital: “Na Bica não tem conflito, votamos em careca e gostamos de periquito!”. A reunião para se chegar a essa “decisão tão séria” e de “tamanha importância para a cultura popular”, aconteceu na sexta-feira à noite, no bar do Armando, e contou com a participação da “General da Banda”, Ana Cláudia Soares, de dois dos fundadores da banda, Mário Adolfo e Américo Madrugada, além do cantor e compositor Adal, que hoje anima a zorra carnavalesca no largo São Sebastião e do artista plástico Rui Machado. “O grande foco da Bica

sempre foi o escracho e o humor mordaz. Este ano não poderia ser diferente, pegamos dois lances que mexeram com o emocional da cidade: a matança dos periquitos na avenida Ephigênio Sales e a eleição para o governo, uma das mais acirradas dos últimos tempos”, explicou Cláudia, herdeira de Armando, o português e patriarca da Bica, que morreu em abril de 2011. Fatos irreverentes Para o jornalista Mário Adolfo, que sugeriu o tema do “periquitocídio”, a Bica faz humor com todo mundo, do governador ao prefeito, mas nunca atacou ninguém pelo lado pessoal ou que fira a dignidade humana. No caso político, Mário lembra que a banda explora os fatos. “Já brincamos com os exgovernadores Gilberto Mes-

trinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz; com ao atual prefeito Arthur Virgílio e com os ex-prefeitos Alfredo Nascimento e Serafim Corrêa, que todo ano entra na Bica, além da senadora Vanessa Grazziotin, biqueira desde os primeiros carnavais”, conta o jornalista. Marchinhas Este ano, como no ano passado, a Bica vai gravar em um único CD todas as marchinhas composta especificamente com o enredo “Na Bica não tem conflito, votamos em careca e gostamos de periquito!”. As músicas serão apresentadas no primeiro esquenta, que acontecerá nas três últimas quintas-feiras que antecedem a saída da banda, no Sábado Magro de Carnaval. DIVULGAÇÃO

“General da Banda”, Cláudia comanda reunião com Américo, Mário Adolfo, Adal e Rui Machado


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Está só começando A primeira leva de políticos ungidos ministros neste segundo mandato de Dilma Rousseff não se cansam de mostrar quanto estão dispostos a exercer carreira solo. A própria presidente demonstra estar muito integrada a essa disposição: depois de nomear o Brasil como a “Pátria Educadora”, cortou mais de R$ 7 bilhões, justamente da área de educação, sempre com a perspectiva de que o pré-sal vai salvar os déficits consideráveis do setor. Por esse tipo de pista não dá para seguir o projeto de governo. Aldo Rebelo sai do Ministério do Esporte para o da Ciência e Tecnologia, questionado pela imprensa e por especialistas, sobretudo aqueles da área ambiental, ao escrever carta em que negava aquecimento global, apontado por ele como incompatível com o conhecimento contemporâneo. Não custará muito e negará o Holocausto. Kátia Abreu, que não agrada nem aos seus colegas ruralistas e muito menos aos senadores da sua bancada peemedebista (como não agrada a índios, quilombolas e agentes dos direitos humanos), está batendo de frente com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias. Kátia, ministra da Agricultura, nega a existência de latifúndios no país e passa ao largo desse tabu do governo petista que é a reforma agrária. Patrus não tem dúvidas sobre o latifúndio e põe a reforma agrária na pauta. O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, contraria o interesse de Dilma Rousseff, ao defender que a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) é um “grande retrocesso”. Ao mesmo tempo, minimiza as demissões de trabalhadores anunciadas recentemente pela Volkswagen e pela Mercedes-Benz. Não é grande coisa, para ele. E o ano está só começando.

“Somos todos Charlie” Esse é o tom dos jornais franceses na manhã desta quinta-feira (8). A imprensa, assim como os franceses, se mostra perplexa e assustada com a barbárie do ataque contra a sede do jornal “Charlie Hebdo”.

Mario Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br

Equivocados Enquanto isso, no Brasil, há quem julgue o humor dos cartunistas do jornal francês “Charlie Hebdo”, assassinados brutalmente por dois terroristas covardes, um trabalho de mau gosto e até mesmo racista. Então, tá! Por mais incrível que possa parecer, há quem inclusive afirme que o atentado terrorista à redação do semanário “não foi um massacre à liberdade de expressão, mas apenas intolerância religiosa”. Profissão perigo Ora, o mundo lutou durante décadas pela liberdade de expressão. Nesses anos de trevas, os jornalistas foram algumas das principais vítimas dos regimes militares. O óbvio O óbvio ululante é que o trabalho desenvolvido pelos renomados colegas – por mais ácido que fosse –, era também uma crítica aos radicais extremistas. E não à religião em si, sejam católicos, muçulmanos, evangélicos etc. Não à violência Houve quem achasse que os cartunistas assassinados colheram o que plantaram. Mas, não é com tiros, com atentados e massacres que se mostra uma indignação àquilo que fere a dignidade alheia. Por quê? Nada justifica a barbárie praticada por esses jiha-

distas aos funcionários do “Charlie Hebdo”. Revolta e indignação não se revolvem com armas, mas em frente a um juiz em uma sala de tribunal. E agora, José? Quando é que o governador José Melo vai anunciar o seu secretariado? Se Melo está no governo há seis meses, no mínimo deve saber quem para ou continua no primeiro escalão. Ou então, deve estar arquitetando mudanças radicais. Tempo de crise Ao discursar na posse dos 16 novos juízes, em solenidade do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), o presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon), Ludimilson Figueiredo, fez um alerta aos jovens colegas. — O Brasil vive uma crise que atinge as instituições que asseguram o nosso sistema democrático de direito. Bom conselho Em seguida, Ludmilson avaliou que essa crise é ética. E aconselhou os magistrados a lutarem para combater o mal. — Cabe aos magistrados e aos demais operadores do Direito a responsabilidade de reverter essa situação! Seguro–cheia Está tramitado no Senado projeto destinado a instituir o Seguro-Cheia. De autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), destina-se a contar o período das cheias de rios que prejudicam a agricultura familiar

APLAUSOS

como tempo de contribuição previdenciária e regulamentar aposentadoria especial para esse agricultor. Sem previsão Grazziotin argumenta que a dificuldade de previsão das cheias prejudica o planejamento dessas populações. — O mesmo acontece com o poder público, que não consegue viabilizar alternativas de inclusão produtiva nessas localidades. Sem renda De acordo com a comunista, as cheias dos rios representam desafio ao cotidiano de agricultores. — Seja por lhes inviabilizar momentaneamente a geração de renda, seja por aumentar a insalubridade da região em que habitam, na qual inexiste rede de esgoto adequada – justifica. Templo ameaçado O bispo Edir Macedo não vai gostar nada disso. O Ministério Público de São Paulo aconselhou a prefeitura da capital paulista a cancelar a licença provisória que permite o funcionamento do Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus. Não vale A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo investiga irregularidades na concessão do alvará que liberou a construção. O promotor de Habitação e Urbanismo, Maurício Lopes, afirmou que o alvará emitido pela prefeitura é válido apenas para eventos e, portanto, não se aplicaria a um templo.

VAIAS

Enredo da Bica

Vereador Bibiano IONE MORENO

RICARDO OLIVEIRA

Para o enredo da Banda Independente da Confraria do Armando (B ica), que vai atacar a questão da matança dos periquitos, episódio que sensibilizou toda a cidade.

Para o projeto equivocado do vereador Professor Bibiano (PT), que quer substituir o nome da avenida Ephigênio Sales por avenida dos Pássaros.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Em nome de Deus Um velho amigo meu, pedagogo, psicólogo e, sobretudo, teólogo, pelos vários anos em que esteve sob a guarda e a jurisdição da ordem dos salesianos, não aceita e me repreende como blasfemo sempre que afirmo, e o faço com frequência e por convicção, que Deus, mesmo portando o dom da infalibilidade e da onisciência, cometeu o primário erro de ter criado o homem. Digo-o porque nada me parece mais claro e evidente do que o fato de que tudo o que há ou ocorre de mal e de perverso neste mundo, que continua a ser “mundo de Deus”, vem das mãos e da inteligência dos homens. Claro que estou a referir-me ao mal e à perversidade que trazem em si uma conotação moral. As destruições e as mortes que um vulcão ou um terremoto, por exemplo, provocam são evidentemente um mal para quantos são por elas atingidos. Mas, pela ausência de uma vontade livre que as tenha desencadeado, a não ser que se chegue a supor que a vontade de Deus esteve por trás, o que o meu amigo certamente identificaria como mais uma blasfêmia, não há como vinculá-las a uma dimensão moral. São apenas fatos, ocorrências que se sucedem por obra e graça das forças da natureza, que a ninguém “querem” prejudicar ou beneficiar. Em resumo, no rol das chamadas criaturas vivas, não se testemunha um só ato de maldade ou de perversidade, a não ser aqueles que se vinculam à espécie humana, tida por muitos como a suprema obra da criação. Fosse o mundo habitado apenas pelos não humanos, jacarés, rinocerontes, macacos, leões e congêneres, não teríamos guerras, trabalho escravo, assassinatos (o que é diferente do caçar para sobreviver), ações de terror, estupros, injustiças sociais etc., porque essas e muitas outras são ações que apenas o ser humano

é capaz de perpetrar. Esse mesmo homem, ladrão, assassino, estuprador, terrorista, escravocrata, explorador do seu semelhante, que já foi até chamado de lobo de si mesmo, simultaneamente também se revela capaz de amar, de ser altruísta, de se sacrificar por outrem e, milagrosamente, de criar maravilhas na sua inerente produção cultural, onde se insere a criação da moral e da religião, já que uma implica na outra, sempre presentes em todas as sociedades, comunidades e quaisquer grupamentos. E é precisamente nesse ato e nesse momento que vai se manifestar talvez a maior contradição de quantas acompanham o ser humano em sua já bem longa caminhada: as mesmas religiões e as mesmas morais aderidas a elas, que pregam a paz entre os homens, a fraternidade social, a solidariedade, a caridade e a harmonia universal, elas mesmas se voltaram contra os homens, na medida em que se tornaram encruzilhadas de separação e de discórdia. Como são essencialmente catequéticas, sonham em se espraiar cada vez mais, em ganhar cada vez mais universalidade, ou seja, em suplantar e até em suprimir todas as outras, pois cada uma se julga o verdadeiro e único caminho traçado pelo Deus único. Por que foram destruídas as Torres Gêmeas e com elas milhares de vidas, dentro dos prédios e dos aviões? Porque assim estariam sendo castigados os “infiéis” que se opõem à vontade do Senhor. Esses mesmos “infiéis” que há muitos séculos, nas Cruzadas, invadiram e atacaram impiedosamente as nações que não aderiram ao cristianismo. Agora mesmo, foram assassinados 12 profissionais franceses da Comunicação e mais 20 foram feridos. Tudo em nome de uma das mais exitosas e importantes das religiões que disputam a fé dos homens.

João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

E é nesse ato e nesse momento que vai se manifestar talvez a maior contradição de quantas acompanham o ser humano em sua já bem longa caminhada: as mesmas religiões e as mesmas morais aderidas a elas, que pregam a harmonia universal, se se tornaram encruzilhadas de separação e discórdia”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Direto na fonte

Os princípios islâmicos são totalmente contrários a qualquer tipo de agressão. É uma religião de paz. É uma religião que sempre apregoa a liberdade de pensamento. Ver o nosso islamismo sendo rotulado por uma minoria extremista é muito lamentável. Estamos com a dor dessas perdas de seres humanos

O presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), entrou em campo para rebater a acusação de que o exgovernador de Minas Antonio Anastasia, um de seus principais aliados, teria recebido R$ 1 milhão a mando do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato. Aécio fez chegar ao advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, uma consulta sobre se o doleiro deu dinheiro a Anastasia. Nesta segunda-feira, a defesa do doleiro vai apresentar à Justiça uma petição isentando o tucano.

Canal A ponte entre Aécio e o advogado de Youssef foi feita por Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, criminalista próximo ao PT.

são transmitidos ao vivo e nem podem ser gravados por emissoras de TV. Ministros pretendem rediscutir a regra graças à Lava Jato.

reúnem na terça-feira para discutir um plano integrado de obras para ampliar a capacidade de escoamento da produção de soja brasileira.

Tira-teima Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também procurou Figueiredo Basto em busca de informações sobre o depoimento de Youssef. Peemedebistas dizem que o advogado do doleiro relatou não haver menção a Cunha.

Na tela Só serão julgados pelo plenário, com transmissão pela TV Justiça, processos que envolvam presidentes do Senado ou da Câmara --o que pode ocorrer se Renan Calheiros (PMDB-AL) ou Eduardo Cunha, que disputam os postos, virarem réus.

Em pedacinhos A Presidência da República abriu licitação para comprar uma fragmentadora capaz de destruir até 50 folhas de papel por vez, além de CDs e cartões de crédito. O preço máximo fixado é de R$ 18 mil.

Sem chancela Aliados de Anastasia e de Cunha usam o mesmo argumento para defendê-los: o de que a Justiça não deu ao policial Jayme Alves Oliveira Filho, o benefício da delação premiada.

Vem por aí Entre os processos que devem ir ao plenário do Supremo em 2015 estão a liberação de biografias não autorizadas, o poder de investigação do Ministério Público e a regra de distribuição de royalties do pré-sal.

Conexão Desde que tomou posse na Câmara Municipal paulistana, em 2013, o secretário de Esporte do Estado, Jean Madeira, pagou a um assistente parlamentar filiado ao PRB R$ 1 mil mensais para fornecimento de computadores e impressoras.

Tropa unida O PT planeja um megaevento em Belo Horizonte para comemorar seus 35 anos entre os dias 6 e 10 de fevereiro. A ideia é reunir os caciques do partido, Lula à frente, para animar a militância e afinar o discurso.

Conexão 2 O dono da empresa de equipamentos, Alexander Santanna Antônio, trabalhou até maio no gabinete do vereador Atilio Francisco, também do PRB.

Maestro Os primeiros julgamentos de políticos envolvidos na Lava Jato serão comandados pelo próprio relator dos processos. Teori Zavascki preside a turma que vai julgar os parlamentares. Maestro 2 Quando presidiu o STF, Joaquim Barbosa pautou parte do julgamento do mensalão, que relatava. Inédito na TV Segundo o regimento do STF, os julgamentos das turmas não

Colheita Antônio Carlos Rodrigues (Transportes), Kátia Abreu (Agricultura) e Edinho Araújo (Portos) se

Outro lado A assessoria de Madeira diz que a contratação ocorreu antes da nomeação do assessor, após “pesquisa de mercado” em que a empresa apresentou “custo-benefício adequado”.

Tiroteio

Ali Hussein El Zoghbi, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, em entrevista à GloboNews, disse que o ataque à “Charlie Hebdo” não tem nada a ver com os princípios islâmicos: “O islã rejeita todo tipo de ato de violência”.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RAIMUNDO VALENTIM

Fusquinha pré-histórico (que já foi “meu primeiro carro” de alguém) espera o momento certo de uma enxurrada para cair naquele esgoto que um dia foi um igarapé famoso no bairro Petrópolis. Nem a turma motorizada que compra sucata a preço de nada quis levar a carcaça que enferruja sob o sol e a chuva

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

A boa notícia é que o PT admitiu que não entende de educação. A má é que, em vez de procurar estudar, optou por lotear as pastas.

Ilha de Tonga

DO VEREADOR ANDREA MATARAZZO (PSDB) sobre a escolha de Cid Gomes (Pros) para o ministério e Gabriel Chalita (PMDB) para a secretaria de Haddad.

Há muitos anos, conheci uma cidadã de Tonga. Era uma teóloga católica que todos os anos passava seis meses numa faculdade de teologia na Nigéria. Dela obtive a informação de que Tonga é um pais independente, integrante da Polinésia, governado por uma monarquia constitucional. Na cultura local, a presença feminina é forte e marcante. Num conjunto de ilhas, vive um pouco mais de cem mil habitantes. O cristianismo é a religião da maioria, e os católicos são pouco mais de dez por cento da população. Essa pequena comunidade católica tem seu bispo, dom Soane Patita Paini Mafi, sendo, portanto uma igreja local em comunhão com o bispo de Roma. Esse bispo será criado, é assim que se diz, cardeal, no mês de fevereiro, conforme anunciado pelo papa Francisco no dia em que nós, no Brasil, celebrávamos a festa da Epifania do Senhor. Epifania quer dizer manifestação e o mistério celebrado é o da reconciliação de todos os povos em Cristo. Todas as nações são chamadas a fazer parte do Povo de Deus, a serem membros do mesmo Corpo e a participarem da mesma herança. Os cardeais são escolhidos para participar mais intimamente do serviço do sucessor de Pedro: confirmar os irmãos na fé a manter a comunhão. Além do bispo de Tonga ele nomeou os bispos de Santiago de Cabo Verde, de Morelia no México, de Yangon em Myanmar, de Bangkok na Tailândia, de Adis Abeba na Etiópia e outros nove, entre eles só o patriarca de Lisboa vindo de uma sede tradicionalmente cardinalícia. Estas nomeações darão voz à igreja

Contraponto

Vida de gado O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ouviu de Benedito Ruy Barbosa uma confidência: o teledramaturgo se inspirara nele para criar o senador idealista Roberto Caxias, interpretado por Carlos Vereza na novela “O Rei do Gado” (1996-1997), da Globo. Quando o personagem, que defendia a reforma agrária e discursava para plenários quase vazios, morreu numa emboscada, Suplicy foi convidado para fazer uma ponta e participar do velório fictício. – Meus pêsames... Deve fazer falta – dizia o parlamentar petista para os enlutados de mentirinha. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS

Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br

3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br

REDAÇÃO

Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br

3090-1010 redacao@emtempo.com.br

CIRCULAÇÃO

3090-1001

Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br

circulacao@emtempo.com.br Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM

Gerente de Marketing Aline Nobre alinenobre@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br

DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO

www.emtempo.com.br

Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo

@emtempo_online

/amazonasemtempo

/tvemtempo /

Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

que está na periferia, vivendo em situações difíceis, enfrentando a pobreza e a violência e fazendo a experiência de ser minoria. No mesmo final de semana destas nomeações, tive a graça e o privilégio de visitar as comunidades católicas do Assentamento Iporá, no município de Rio Preto da Eva. Celebramos, conversamos, fizemos visitas, participamos de refeições comunitárias e percorremos todos os ramais. Testemunhamos a fé das pessoas, mas também o seu desejo de participar, de produzir, de dar aos filhos uma vida melhor. Constatamos as grandes possibilidades de geração de renda, de produção agrícola, ao mesmo tempo a fragilidade dos meios de transporte, o atendimento precário a saúde e a fragilidade da educação das crianças. A multiplicidade de órgãos públicos e a superposição de responsabilidades e funções entre os entes federativos burocratizam e dificultam soluções duradouras e estruturantes. Mas, o que tem uma coisa a ver com a outra? Trata-se da mesma igreja. Uma das riquezas da Igreja Católica é a sua unidade, que não é uniformidade, mas comunhão. O papa garante esta unidade visível e sacramental. Porém, como em qualquer outra instituição humana as tentações do centro do poder são muitas e é preciso estar atento às periferias, trazendo-as para o centro. Também o Brasil se quiser ser um grande pais precisa ouvir a voz dos seus grotões, das pessoas que querem trabalhar e produzir e que pedem tão pouco em troca. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, profetizou Isaias. Permitamos que esta luz nos ilumine.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Uma das riquezas da Igreja Católica é a sua unidade, que não é uniformidade, mas comunhão. O papa garante esta unidade visível e sacramental. Porém, como em qualquer outra instituição humana as tentações do centro do poder são muitas e é preciso estar atento às periferias”


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

A5

Sandra BRAGA

‘Fico no MANDATO até o fim’ FOTOS: VAGNER CARVALHO/DIVULGAÇÃO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

S

Vou manter uma convivência institucional e republicana com todos os nossos adversários políticos, pois entendo que os interesses do Amazonas estão acima de qualquer disputa política”

andra Backsmann Braga, de 55 anos, é a nova senadora do Amazonas. Empossada para o cargo no último dia 1º, na vaga deixada pelo marido, Eduardo Braga (PMDB), que assumiu o Ministério de Minas e Energia, a parlamentar promete realizar o mandato até o fim de forma íntegra e sempre voltada a defender os interesses do Amazonas. Avessa a holofotes, Sandra foi primeira-dama do Amazonas entre 2003 e 2010 e sempre adotou uma postura de discrição, mas para buscar recursos ao Estado promete ir às tribunas e atrair mais recursos para a região. Já em Brasília para organizar a vida da família, que terá uma vida intensa na capital federal, Sandra quer ser vista além da esposa do ministro. Um dia após sua posse, iniciou um levantamento de todos os projetos de interesse do Amazonas que estão em tramitação do Senado. Entre as suas primeiras bandeiras de luta está o desarquivamento de um projeto de lei que estende os benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM) para Região Metropolitana de Manaus. Em sua primeira entrevista à imprensa após assumir o cargo, Sandra falou com exclusividade ao EM TEMPO sobre seus projetos e atuação no Congresso Nacional, assim como também será sua relação com a bancada federal do Amazonas e principalmente com o ex-aliado do grupo, o senador Omar Aziz. EM TEMPO - Neste pri-

meiro mandato, quais serão suas prioridades de projetos? Sandra Braga - Em um primeiro momento, estamos fazendo um levantamento de todos os projetos que interessam ao Amazonas e estão tramitando não só no Senado, mas também na Câmara dos Deputados. De início, uma das prioridades será a aprovação do projeto de lei nº 2633/2011, de autoria da presidente da República, que estende os benefícios da Zona Franca para a Região Metropolitana de Manaus. O projeto foi apensado a outra proposta e junto com essa proposta acabou sendo rejeitado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e arquivado. Esse arquivamento foi um grande prejuízo para o Estado, especialmente para os municípios que poderiam melhorar suas economias com a instalação de indústrias incentivadas pelo modelo Zona Franca. Sabemos que há recursos pendentes de votação na Câmara para que essa matéria volte a tramitar e vamos conversar e dialogar com quem for necessário para que essa tramitação (e sua aprovação) ocorra. EM TEMPO - Especulações apontam que a senhora irá deixar a vaga para que o terceiro suplente, Lírio Parisotto, assuma. Isso procede? SB - Não. Quando discutimos a composição para o Senado Federal, na eleição de 2010, definimos que eu assumiria a suplência, em caso de afastamento do senador Eduardo Braga do cargo. Pretendo permanecer no mandato até

o fim ou até a volta de Eduardo ao Senado. O segundo suplente, Lírio Parisotto, é um dos maiores investidores individuais do Amazonas, responsável pela criação de milhares de empregos. Conhece muito bem o Estado e por isso seu nome foi consenso na composição da chapa. Mas, as informações de que eu deixaria de assumir a vaga no Senado são passam de especulações. EM TEMPO - Como está sua preparação para assumir o cargo? A senhora vai morar em Brasília ou manterá rotina na capital federal e em Manaus? SB - Assumi o cargo no dia 1º de janeiro e já no dia 2 comecei a reunir a equipe de assessores. Neste momento estamos conhecendo toda a estrutura do Senado, os projetos iniciados pelo senador Eduardo Braga e também estou no momento de conhecer toda a equipe. Sobre morar em Brasília ou Manaus, já moro nas duas cidades há quatro anos. Sempre acompanhei o Eduardo em Brasília e agora terei um motivo ainda mais forte para estar na capital. Mas Manaus é onde fica nossa casa, é onde está nossa base eleitoral e com certeza é onde sempre estaremos quando não for necessária a presença em Brasília. EM TEMPO – O Amazonas será um dos Estados com duas senadoras mulheres, a senhora e Vanessa Grazziotin, isso poderá ser positivo em projetos voltados para as mulheres? SB - Em um Congresso Nacional em que as mulheres são minoria absoluta, creio que mais uma mulher ocupando esse es-

paço é de grande importância para a luta feminina. A Vanessa é uma aliada, já está há mais tempo no parlamento e acredito que poderemos atuar em parceria em prol das mulheres do Amazonas e do Brasil. EM TEMPO - Após essa experiência no cargo do Senado, a senhora pensa em manter carreira política? SB - Na verdade, minha vida política sempre foi muito intensa. Sou presidente estadual do PMDB Mulher e faço militância política desde que casei com o Eduardo. Isso significa que minha vida política não começou agora, na verdade, lá se vão 33 anos de militância política no Estado do Amazonas. EM TEMPO - A senhora pensa em ser líder de bancada? SB- Acredito que ainda é cedo para pensar nisso. Mas, minha intenção é ter uma atuação forte dentro da bancada em prol do nosso Estado. EM TEMPO - O outro senador do Amazonas será Omar Aziz, que é ex-aliado de seu marido na disputa eleitoral. Como será sua relação na bancada com ele? SB- Vamos manter uma convivência institucional e republicana com todos os nossos adversários políticos, pois entendemos que os interesses do Amazonas estão acima de qualquer disputa política. Sempre que um projeto necessitar da união da bancada para ajudar o Estado, estaremos juntos. Ser um adversário político não significa estar em lado oposto quando o objetivo principal for o bem do povo do Amazonas.

Fico até o fim. Lírio Parisotto é um dos maiores investidores do Estado e compôs a nossa chapa, mas não vou deixar a vaga. Essas afirmações são apenas especulações”

Minha vida política sempre foi muito intensa. Sou presidente do PMDB Mulher e faço militância política desde que casei com o Eduardo. São mais de 33 anos de luta”


A6

Política

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Cortes: 11 Estados ajustam contas para sair do ‘aperto’

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Estamos orgulhosos dos nossos agentes” FRANÇOIS HOLLANDE, presidente francês, em coletiva após confirmar morte de terroristas

França pediu a Dilma para condenar terrorismo Dilma somente se pronunciou sobre o massacre terrorista no jornal Charlie Hebdo, quarta (7), após veemente apelo do embaixador da França no Brasil, Denis Pietton. Diante do silêncio constrangedor do Brasil, enquanto todo o mundo rechaçava a chacina, Pietton telefonou a Marco Aurélio Garcia, aspone de assuntos internacionais aleatórios, cobrando a solidariedade do Brasil. Só então a nota oficial foi redigida. Igual aos outros A nota condenando o terrorismo chegou a ser atribuída a Mauro Vieira, o novo chanceler. Mas, como os antecessores, ele tem medo de Dilma. Anão diplomático O Brasil sempre se posicionou rapidamente, mas nos governos do PT tem sido reticente, quando não omisso, diante de atos de terrorismo. Parafuso a menos Na última derrapada diplomática de Dilma, às vésperas de discursar na ONU, a presidente disse que é preciso “dialogar” com terroristas. Artilharia O ex-secretário de Justiça de Lula, Romeu Tuma Jr, não perdoou e disparou: “No Brasil os temos [os terroristas] como autoridades”. Medalhas continuarão no peito dos mensaleiros Ofício da Procuradoria da República-DF questionando o Comando do Exército por não cumprir a lei e cassar condecorações de mensaleiros está desde o dia 16 de dezembro com o Ministério da Defesa. A pasta já desconversou ale-

gando que a demanda é da gestão Celso Amorim e não deu prazo para retirada das medalhas de José Genoino, Zé Dirceu, Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson e João Paulo Cunha. É ‘nóis’ José Genoino e João Paulo Cunha receberam Medalha do Pacificador assim que PT chegou ao poder em 2003, no primeiro mandato de Lula. Na sequência Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson ostentam a honraria militar há muito mais tempo. Receberam em 1993 e 1995, respectivamente. O responsável Por morrer de medo de desagradar a presidente Dilma, o general Enzo Peri, antigo chefe do Exército, ignorou a legislação militar durante anos. Mais nocivo Cresce entendimento no Congresso de que o deputado Eduardo Cunha (RJ) representa mais “perigo” para o governo Dilma estando na liderança do PMDB do que na Presidência da Câmara dos Deputados. Decisão conjunta O líder do PSDB, Antônio Imbassahy, teve o cuidado de conversar com os 44 deputados e alguns novatos antes de apoiar Júlio Delgado (PSB) ao comando da Câmara: “Se há descontentes, são casos isolados” Na mira do PT O ministro Armando Monteiro (Indústria e Comércio) é alvo de críticas do PTPE, que o acusa de traição por se aproximar de Paulo Câmara e Fernando Coe-

Jornalista

Coro dos descontentes Dirigentes petistas reclamam ainda que foram abandonados pela presidente Dilma na montagem do governo. A sigla, que não fez um único deputado federal em Pernambuco, foi excluída do 1º escalão. Só no PMDB mesmo Lúcio Vieira Lima (PMDBBA) ironiza escolha de Lindolfo Sales, braço direito de Garibaldi Alves, para trabalhar na Previdência com Carlos Gabas: “O PMDB abre mão do ministro para indicar chefe de gabinete”. Recalque Deputados do PRB só veem um motivo para declarações de Marcelo Crivella (PRB-RJ) negando participação na escolha de George Hilton no Esporte: o senador é quem queria ter sido nomeado ministro. O caos continua... O rombo nas contas tem deixado equipe do governo do DF de cabelos em pé. O novo governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), enfrenta greve na Saúde e atraso do início do ano letivo. Todos estão sem salário. ...e o desafio também Enquanto isso, o deputado Chico Vigilante (PT) insiste na tese de que há saldo de mais de R$ 1,4 bilhão na conta do governo. Nos últimos dez dias, ele enviou vários vídeos divulgando a existência da grana. Participações avulsas Ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa sumiu do mapa. Vez ou outra, o agora advogado dá as caras no Twitter, longe da forma que prometeu

Repelente de amantes No governo do general Emílio Médici, o Incra mantinha uma casa em Padre Bernardo, no entorno do DF, freqüentada por figurões da República, dentre os quais ministros e um ilustre parente do presidente, acompanhados de amantes. O jovem presidente da autarquia, Walter Costa Porto, que mais tarde se transformaria numa grande autoridade em Direito Eleitoral no País, temia um escândalo e não sabia o que fazer até que bolou um repelente infalível: Synteko. Mandou besuntar o piso de madeira da casa uma vez por semana, religiosamente. O cheiro forte e as emanações lacrimogênicas puserem fim aos encontros galantes dos amigos e do parente do ditador.

FISCALIZAÇÃO

Ministro da CGU admite falhas um pedido da presidente Dilma Rousseff, que, segundo o ministro, quer uma atuação mais “presente e preventiva” do órgão não só na Petrobras, mas nas demais empresas controladas pela União, a exemplo da Infraero (que administra os aeroportos), da Valec (responsável por obras ferroviárias) e da Eletrobras (estatal do setor elétrico). “A gente tem de ampliar a nossa capacidade de al-

AGECOM

lho. O PSB impôs vexame histórico ao PT nas urnas.

PODER SEM PUDOR

O novo chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), ministro Valdir Simão, pretende criar um novo setor no órgão, especializado na fiscalização das estatais. A decisão foi tomada após a operação Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal, revelar um esquema de cartel que desviava recursos das principais obras da Petrobras. O reforço no controle é

Em tempos de baixo crescimento econômico, maior parte dos Executivos estaduais prevê diminuir despesas em 2015

cance, o raio de alcance da controladoria. Uma das formas é a especialização da atuação da CGU nas estatais”, disse Simão. A pedido do ministro, a área técnica da Controladoria-Geral trabalha desde o início da semana num modelo de fiscalização a ser apresentado à presidente. “O prazo, com ela (Dilma), é sempre ontem. Minha proposta é ainda dentro deste mês”, afirmou Simão.

No Amazonas, governador José Melo (Pros) pretende economizar R$ 700 milhões do orçamento

G

overnadores de pelo menos 11 Estados anunciaram redução de cargos de confiança e de secretarias, mas os cortes efetivos de gastos não são imediatos. A maioria dos Executivos estaduais prevê diminuir despesas em 2015, mas o detalhamento da maioria das medidas não foi divulgado. Em tempos de baixo crescimento econômico e com o governo federal adotando medidas de maior rigor fiscal, a maioria dos governos estaduais procurou demonstrar austeridade nesse início de mandato. Parte das medidas, porém, acaba tendo mais efeito simbólico, como a extinção de secretarias ou o corte de cargos comissionados que não eram efetivamente ocupados, que orçamentários. Um exemplo disso é o governador reeleito do Amazonas, José Melo (Pros). Ele disse querer economizar R$ 700 milhões do orçamento de R$ 15,6 bilhões para 2015 e que vai extinguir secretarias, mas não especificou detalhes dessas medidas. No Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD) afirmou que vai analisar todos os contratos assinados pela antecessora, Rosalba Ciarlini (DEM). Ele não especificou metas, mas procurou acalmar os fornecedores. “Não daremos calote.” A revisão de

pagamentos vai atingir até a parcela mensal de R$ 10 milhões à construtora OAS pela Arena das Dunas, usada na Copa. Contenção O corte de secretarias não é consenso para contenção de gastos. Em São Paulo, foram mantidas as 25 pastas pelo governador reeleito, Geraldo Alckmin (PSDB). “Existem secretarias

ECONOMIA

Governador do Amazonas, José Melo quer economizar R$ 700 milhões do orçamento de R$ 15,6 bilhões para 2015 e vai extinguir secretarias, mas não especificou detalhes dessas medidas como os Direitos da Pessoa com Deficiência, que tem 48 pessoas. Às vezes as estruturas são muito pequenas. O que vamos fazer é muito mais (significativo no orçamento)”, disse, no dia 2, quando anunciou medidas como o contingenciamento de 10% das medidas discricionárias do orçamento para 2015, equivalente a R$ 6,6 bilhões, segundo o governo. Decisão semelhante tomou

Luiz Fernando Pezão (PMDB) no Rio. Ele quer cortar R$ 1,5 bilhão em despesas e determinou às 25 secretarias - número igual ao do mandato anterior - que definam os cargos a serem extintos. Outros governadores reeleitos recorreram ao corte de secretarias para demonstrar austeridade no segundo mandato. Na Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) determinou a redução de 300 postos e extinguiu uma das 33 pastas existentes. O paranaense Beto Richa (PSDB) cortou 2 das 19 secretarias do primeiro mandato. Mas o tucano, depois de visar economia de R$ 1,5 bilhão, elevou alíquotas de tributos como IPVA e ICMS da gasolina, além do imposto cobrado de pensionistas do Estado. Extinção O mais comum são governadores que eram da oposição extinguirem cargos mantidos pelos antecessores. É o caso de Mato Grosso, onde Pedro Taques (PDT) cortou 5 das 24 secretarias da gestão Silval Barbosa (PMDB). No vizinho Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB) cortou pela metade o próprio salário e o do primeiro escalão, visando economia anual de R$ 800 mil. Em Minas, Fernando Pimentel (PT) exonerou mais de 50 funcionários de confiança, a maioria ligada ao tucano Aécio Neves.


Política

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

A7

...E a vaca tossiu, FOTOS: DIVULGAÇÃO

presidente! Durante a campanha eleitoral, Dilma disse que não mexeria em direitos trabalhistas “nem que a vaca tossisse”. Será?

I

JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

ntegrantes de um grupo seleto de trabalhadores, os políticos brasileiros, ao contrário dos trabalhadores comuns, já começam o ano de 2015 comemorando reajustes significativos em seus vencimentos. Na contramão das políticas já anunciadas sob a justificativa de ajustar as contas públicas, com o controle de gastos da máquina, que incluem um pacote de ações que endurecem as regras de pagamento de cinco benefícios trabalhistas e previdenciários abono salarial, seguro-desemprego, seguro-defeso, pensão por morte e auxílio-doença -, somente a presidente Dilma Rousseff (PT) teve seu salário reajustado em 15,76%, valor 6,96% maior que o pretendido para o novo salário mínimo. O reajuste salarial que começou pelo Palácio do Planalto, Câmara Federal, Supremo Tribunal Federal (STF) e Procuradoria-Geral da República também chegou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), onde os 24 novos deputados passarão a receber R$ 25,2 mil mensais, sem contar com benefícios como Cota para

QUEM TEM MEDO DA RECESSÃO? o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). O valor representa 75% do valor dos salários dos deputados federais, cujo salário passou de R$ 26,7 mil para R$ 33,8 mil. Os aumentos terão um custo total estimado em 3,8 bilhões de reais. Aumento Na ocasião do anúncio do aumento, o então deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) comentou que o Poder Legislativo deveria ser exemplo no enxugamento do custeio da máquina pública. “Já que o Brasil passa por um momento de aperto, qualquer parâmetro de reajuste deve levar em conta o parâmetro de reajuste dos trabalhadores brasileiros. Penso que os poderes Legislativo e Judiciário devem dar sua parcela de exemplo. Não

adianta apertar só o povo. O parlamento daria um bom sinal para o povo brasileiro de que é preciso sacrifícios para reequilibrar as contas públicas”, analisou Ramos, mostrando-se contrário à proposta de aumento salarial. Deputada federal eleita no último pleito, Conceição Sampaio (PP) chegou a falar que aquele “não era o momento de discutir salários, mas de avaliar todos os escândalos pelo qual passa o país”. Efeito cascata Favorável ao reajuste, o deputado reeleito Vicente Lopes (PMDB) enfatizou que os reajustes acontecem em “efeito cascata”, e que o maior motivo para a descredibilidade da sociedade aos políticos acontece não pelos aumentos dos salários, mas por mudanças de comportamento. “O que me causa incômodo como político é essa mudança de postura antes e após a campanha. O grande motivo da sociedade não depositar credibilidade em nós [políticos] não é pelo aumento dos salários, mas sim pela mudança de comportamento de acordo com as circunstâncias”, minimizou.

Contradições entre classes Para o professor, sociólogo e cientista político Antônio Pereira de Oliveira, as contradições entre os benefícios/ganhos da classe política e os demais trabalhadores é fortalecida, entre outros fatores, pelos modelos econômicos adotados pelos governos, que ao longo dos anos vêm praticando políticas que ampliaram o problema, e pela postura tomada pelos eleitores no momento do voto. De acordo com Antônio Oliveira, apesar das grandes manifestações ocorridas em 2013, quando milhares de pessoas foram às ruas pedir o fim da corrupção e melhores condições de vida para a população, em especial a mais carente, nem eleitores, nem políticos conseguiram levar adiante os propósitos e promessas. “Existe uma crise e o governo não pode mais negá-la, exemplo disso são demissões como as realizadas pela empresa Volkswagen, em São Paulo. Entretanto, o governo mostra uma falta de sintonia significativa entre seu discurso e sua prática.

Quem não lembra quando a presidente eleita prometeu que não mexeria em nada que dissesse respeito aos direitos conquistados pelos trabalhadores brasileiros? Pois bem, o que vemos hoje é uma redução drástica e o rebaixamento de direitos, além do aumento de impostos e tarifas”, analisou. Antônio Oliveira destaca que em suas últimas

PROPÓSITOS

Sociólogo afirma que, apesar das grandes manifestações ocorridas em 2013, nem eleitores, nem políticos conseguiram levar a diante os propósitos e promessas reclamadas pela população ações, o governo mostrou mais preocupação em pagar valores ligados à dívida pública do que com o direcionamento de verba para saúde e educação, e que isso prejudica o resgate de sua credibilidade.

Dilma quebra promessa e ofende trabalhadores

ENTENDA AS NOVAS REGRAS DO GOVERNO » Abono Salarial Para ter acesso ao benefício, o trabalhador passará a ter de comprovar seis meses ininterruptos de trabalho com carteira assinada. Na regra atual, o abono é concedido com apenas um mês de contribuição. O valor do benefício, que hoje é de um salário mínimo, passa a ser proporcional ao tempo de serviço, como no 13º salário. » Seguro-desemprego Para ter acesso serão necessários 18 meses de trabalho com carteira assinada e não mais seis meses. Para a segunda solicitação do seguro, o trabalhador deverá ter contribuído por 12 meses com o INSS. Já no terceiro acesso ao seguro, o trabalhador terá de ter ocupado um emprego formal pelo mínimo de seis meses.

Especialistas dizem que greves revelam indignação do povo

» Pensão por morte Será preciso comprovar o pagamento de 24 meses da contribuição previdenciária

para ter acesso ao benefício, além de ter dois anos de casamento ou união estável. O valor a ser recebido será de 50% do salário-benefício para o cônjuge, seguido de acréscimos de 10% por dependente até poder completar 100% do total do vencimento. O benefício mínimo segue sendo de um salário mínimo por pensão. » Benefício vitalício Também acaba o benefício vitalício para cônjuges jovens. Será vitalício apenas para quem tem até 35 anos de expectativa de sobrevida (hoje, pessoas com 44 anos ou mais). A partir desse limite depende da idade. Entre 39 a 43 anos de idade, o tempo de pagamento, por exemplo, cai para 15 anos de pensão. » Auxílio-doença Foi determinado o aumento do prazo de afastamento pago pelo empregador antes do início do pagamento do auxílio-

doença pelo INSS, de 15 para 30 dias para segurados empregados. Também será fixado um teto no valor do auxíliodoença, equivalente à média das últimas 12 contribuições. » Seguro-defeso A partir de agora, os pescadores não poderão receber o seguro-defeso se já forem beneficiários de outros programas sociais, como o Bolsa Família. Eles precisarão ter pelo menos três anos de registro como pescador artesanal. Terão de comprovar comercialização de pescador ou pagamento de contribuição previdenciária por pelo menos 12 meses. A concessão do salário mínimo do benefício será avalia por um Comitê Gestor. As medidas provisórias assinadas pela presidente Dilma Rousseff serão encaminhadas ao Congresso Nacional e devem ser votadas em 120 dias, após o retorno do recesso, em 2 de fevereiro.


A8

Política

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

‘Conquista do voto feminino’ agora é data comemorativa Presidente Dilma Rousseff sanciona lei que marca o dia 24 de fevereiro como data da conquista do voto pelas mulheres

A

conquista do voto feminino ganhará espaço no Calendário Oficial do governo federal. A presidente Dilma Rousseff sancionou leis para criar cinco novas datas comemorativas no país, entre elas 24 de fevereiro, quando mulheres tiveram garantido o direito de serem eleitoras. Apesar do gesto, o segundo mandato de Dilma começa com menos ministras do que há quatro anos. Agora, dos 39 ministérios, seis serão comandados por mulheres, três a menos do que em 2011. Ainda assim, a presidente é a responsável pela maior participação feminina no primeiro escalão do governo federal desde 1985. Para o segundo mandato, Dilma nomeou como ministras Kátia Abreu (Agricultura), Eleonora Menicucci (Política para as Mulheres) e Nilma Gomes (Igualdade Racial) e manteve em seus cargos Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Ideli Salvatti (Direitos Humanos). O movimento feito por Dilma é semelhante ao de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). O petista iniciou seu primeiro mandato nomeando um número até então recorde de cinco mulheres para ocupar ministérios. No segundo mandato, porém, nomeou uma a menos. Até então, apenas cinco mu-

DIVULGAÇÃO

lheres tinham exercido, como titulares, cargos de ministra. Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Itamar Franco (1992-1994) nomearam uma, cada um; Fernando Collor de Mello (1990-1992), duas. José Sarney (1986-1990) não iniciou mandato com mulheres em seu ministério. Não constam neste levantamento as mulheres que assumiram ministérios de forma interina. Menos ministras Além de diminuir o número de ministras, Dilma também arrefeceu a ênfase que deu ao assunto se comparado o discurso de posse feito este ano com o de 2010. Há quatro anos, a recém-eleita presidente usou o fato de ser a primeira mulher na história do Brasil a chegar ao cargo mais importante do país para ressaltar a importância do aumento da presença feminina em todos os segmentos da sociedade. “Hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher”, disse ela ao iniciar um discurso todo focado na força da mulher. Quatro anos depois, Dilma também abriu o discurso citando a “alegria por ter vencido os desafios e honrado o nome da mulher brasileira”, mas sua ênfase estava em defender o governo em meio a acusações de irregularidades na Petrobras reveladas pela operação Lava Jato.

O dia 24 de fevereiro será marcado como o Dia da Conquista do Voto Feminino, lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff

Feministas reclamam da falta de espaço político Para a socióloga Fátima Pacheco Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, Organização Não-Governamental (ONG) de representação e defesa dos direitos da mulheres, a redução do número de ministras no iní-

DIVULGAÇÃO/PF

cio do segundo mandato é só a parte visível de uma expectativa que foi criada a partir da eleição da primeira mulher e frustrada após quatro anos. Ela cita como exemplo a promessa de promover

a integração de políticas voltadas para as mulheres de forma intersetorial, em todas as instâncias do governo. “Isso jamais ocorreu”, disse. “O que foi feito está muito aquém do que se esperava para uma presidente

mulher. Ela criou expectativas e não cumpriu promessas simples”. Ela cita como exemplo o fato de o Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres ser um órgão subordinado à Secretaria Especial.

CORRUPÇÃO

Expulsão de servidores bate recorde

Pelos cálculos da CGU, foram expulsos 550 funcionários públicos por algum tipo de corrupção

A Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou que 2014 registrou o maior número de expulsões de funcionários públicos federais desde que o banco de dados sobre o tema foi inaugurado, em 2003. Foram 550 expulsões no ano passado contra 528 em 2013, 506 em 2012 e 533 em 2011. Em 2003, 268 foram expulsos e, até 2014, o cômputo geral é de 5.125 expulsões - o governo federal tem 1,26 milhão de funcionários ativos e inativos. O envolvimento em casos de corrupção é o motivo da maior parte das punições em todos os anos. Essa tendência foi confirmada em 2014: das 550 expulsões, 365 foram motivadas por atos relacionados à cor-

rupção, equivalente a 66% do total. Na série histórica, essa foi a razão de 67% dos desligamentos. O ano passado registrou ainda o segundo maior número de expulsões por corrupção. O primeiro lugar fica com 2013, com 377 punidos por esse motivo. Abandono de emprego, baixa frequência e acumulação ilícita de cargos explicam 126 dos desligamentos compulsórios de 2014 - em 2013, foram 98. A desídia, que abrange preguiça, descaso e negligência, é justificativa de 11 desligamentos, ante 12 do ano anterior. Participação em gerência ou administração de sociedade privada motivou três expulsões, duas a menos do que em 2013.

Legislação Outros 45 servidores foram expulsos do setor público federal em 2014 por motivos diversos, como conduta escandalosa na repartição, insubordinação grave e agressão física. Todos os punidos, segundo a CGU, praticaram atos que violam a lei 8.112, de 1990, que estabelece o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. O balanço não inclui expulsões em empresas públicas como a Caixa Econômica Federal, a Petrobras e os Correios. A maior parte das 550 punições de 2014 foi aplicada a servidores efetivos. Segundo a CGU, 423 deles foram demitidos no mesmo ano.


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Oito profissões em alta para 2015 no AM Economia B4 e B5

Analistas dizem que sim e o governo diz que não

Para evitar a recessão econômica, economistas dizem que governo federal começou a tomar medidas desagradáveis IONE MORENO

Relatório do Ipea diz que a sinalização de recessão começou em 2013, quando iniciaram os problemas da econômica brasileira por conta da queda dos investimentos da produção da indústria DIEGO JANATÃ

SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

A

economia brasileira vive um momento complexo e o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) leva os especialistas a falarem sobre uma possível recessão econômica em 2015, descartada pelo governo federal. Entretanto, em outubro do ano passado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou em sua carta de conjuntura, que o país estava em “recessão técnica”. Segundo o relatório, os dados sugeriam que os problemas da economia brasileira começaram a se intensificar no terceiro trimestre de 2013, com a queda dos investimentos e da produção no setor industrial. Já o quadro de recessão técnica, conforme o Ipea foi ocasionado com a queda de 0,6% do PIB, na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2014, após queda de 0,2% no primeiro, no número revisado. Na ocasião, o instituto reiterou que, nas últimas décadas, recessões técnicas só ocorreram em momentos em que o país foi atingido por choques negativos importantes como na virada de 2008 para 2009, sob pleno efeito da crise financeira internacional; em 2001, por conta do “apagão” energético; no início de 2003, como reação à crise cambial de

QUEM TEM MEDO DA RECESSÃO? 2002; e entre 1998 e 1999, após a crise da Rússia e a flutuação cambial no Brasil. Para o economista Ailson Rezende, o risco de haver uma recessão em 2015 é real em função do menor

RISCO

Rezende diz que o risco da economia brasileira - que hoje é a 7ª maior do mundo - perder espaço é alto, uma vez que a classificação é dada pelo PIB, que está em baixa, enquanto outros países crescem investimento em infraestrutura. Mas, ele destaca que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já informou que tomará medidas que não agradará a todos, como o aumento de tributos, que inclusive desagrada alguns segmentos. “São atitudes necessárias para evitar a recessão”, afirma. Segundo Rezende, recessão é quando o país não tem

infraestrutura para atender a demanda, sendo que nesse ciclo não se produz e sem produção não há geração de emprego. O resultado, conforme ele, é um “batalhão” de pessoas desempregadas e dependendo do governo que, por sua vez, não tem arrecadação e compromete todas suas reservas. “Sem poder investir em infraestrutura o efeito tende a paralisar o país”, explica. Reajustes No caso do aumento da conta de energia elétrica, água, gasolina, entre outros serviços, o economista revela que o reajuste não evita a recessão. Segundo ele, esses aumentos são necessários apenas para que haja melhoria no fornecimento dos serviços. “É claro que o fato impacta em alguns postos de trabalho, mas é preciso mais que isso para conter a recessão”, enfatiza. Rezende lembra que o aumento dos valores dos serviços não quer dizer aumento efetivo de tributos, mas que esta já existe em cima do serviço. Conforme ele, telecomunicação tem em torno de 30% de tributação e energia 25%, sendo que em alguns casos chega a 70%. “Mas o problema maior é que o país não está crescendo, ou seja, não está havendo desenvolvimento industrial e nem infraestrutura para produção de bem e serviços”, completa.

Economista afirma que reajustes nos preços de combustível, luz e água não evitam a recessão

Redução de despesas é necessária Enquanto a recessão econômica bate na porta do Brasil, especialistas observam que há muitas medidas capazes de evitar que o país passe por um período de estagnação. O economista Ailson Rezende destaca que o governo precisa reduzir as despesas, investir em infraestrutura para desonerar a produção e controlar a inflação. Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-

AM), José Roberto Tadros, ter uma gestão equilibrada e eficiente, evitando desperdícios, gastos e investimentos sem retornos, além de boa gestão da economia, são fatores essenciais para dar um fim à recessão. “Também é preciso diminuir os tributos, pois a economia não tem mais espaço para aumento de impostos”, destaca. Já o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, defende três pontos chaves.

Segundo ele, o primeiro já foi feito no Ministério da Fazenda, que foi a troca do ministro, o segundo seria a realização de medidas de análises de gastos públicos, sendo que o governo deve saber administrar seus gastos, e o terceiro as reformas previdenciária, política, tributária e trabalhista. “Com essas mudanças os empresários voltarão a ter credibilidade na economia para fazer novos investimentos”, observa.


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Setores divergem sobre a recessão econômica cobrir os gastos administrativos e financeiros do Estado, município e União”, lembra.

SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

S

obre o risco de recessão econômica, que assombra do país, representantes da indústria, comércio e serviço do Amazonas divergem quanto à possibilidade de haver em 2015. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, diz que o cenário é dificultoso nesse primeiro semestre, mas que é preciso ter confiança que o foco mudará para pensar em crescimento. “Acredito que não haverá recessão, apenas dias bastante difíceis”, conta. Ele aponta como uma das soluções a redução de custeio da máquina pública que todos os governos eleitos estão prometendo fazer. “Logicamente que essa atitude afeta a indústria, pois diminui o consumo, mas acreditamos numa reviravolta. Porém, é preciso que haja logo a definição da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para que possas voltar a aprovar os projetos de investimentos”, ressalta. Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas

DIVULGAÇÃO

Indústria, comércio e serviços concordam apenas que há um cenário de incertezas sobre investimentos para o ano de 2015

QUEM TEM MEDO DA RECESSÃO? (Fecomércio-AM), José Roberto Tadros, o país não está em recessão. Mas, conforme ele, o crescimento extremamente lento do Produto Interno Bruto (PIB) é preocupante, uma vez que impende que o país tenha crescimento demográfico mais contido. “Na medida em que o PIB cresce menos que a população o bolo de cada cidadão diminui”, revela. A respeito da recessão, Tadros afirma que espera não haver. No entanto, ele aponta que deve ocorrer ajustes porque infelizmente o país está em crise em razão da irresponsabilidade dos governantes que gastam acima da capacidade e penalizam a população de modo geral aumentando os tributos. “O brasileiro não aguenta mais tamanha atrocidade. A população não suporta mais, por meio do tributo,

China O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, explica que a economia é um ciclo, sobe e desce, sendo que se o país já chegou ao final do poço ainda não dá para saber. Mas, ele avalia que, com a queda no PIB, o problema na China, que crescerá menos este ano, afetando diretamente o Brasil e os juros maiores do mundo cria um cenário de incerteza. “Eu acho que estamos em recessão desde a Copa, pelos números de queda da indústria e do comércio”, frisa. Ele salienta que não é pessimista, apenas interpreta o que a realidade mostra. “O Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec) nunca esteve tão baixo desde que começou a ser analisado com relação à economia, fora isso vemos apagões em todo o Brasil em termos estruturais, a construção civil está passando por um momento complicado também. Então, com esse cenário tudo leva a crer que 2015 será um ano de arrocho financeiro”, declara.

Obras públicas abandonadas são exemplos do desperdício de recursos que penalizam a população


Economia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

B3

Nintendo se despede do Brasil e culpa impostos

Companhia culpa o peso dos impostos aplicados no país sobre o segmento, que a fez perder espaço para os concorrentes

S

ão Paulo - A Nintendo, que teve fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) até o final dos anos 1990, agora anunciou que deixará de distribuir seus produtos oficialmente no Brasil. Isso ocorre porque a representante da companhia no país, nos últimos quatro anos, a Gaming do Brasil, fechou as portas. O principal motivo para a saída, segundo a empresa japonesa, são as tarifas sobre importação impostas pelo país. “O modelo de distribuição que havíamos adotado simplesmente não era mais sustentável”, afirma Bill van Zyll, diretor e gerente-geral para América Latina. Segundo ele, os seus produtos estavam sendo prejudicados por conta do peso da importação. “Os custos de importação no Brasil são muito altos, e isso fazia com que o preço dos produtos subisse muito no mercado”, afirma. Apesar da antiga fábrica localizada no Distrito 2, Zona Leste, a informação é que a Nintendo nunca fabricou seus produtos no Brasil. Segundo van Zyll, a empresa já considerou abrir uma unidade de produção por aqui em mais de uma oportunidade, mas, a curto prazo, “seria algo impossível por muitos e diferentes motivos”. A assistência técnica e a garantia dos produtos da Nintendo no país são atendidas por outra empresa e continuarão a ser oferecidas normalmente, diz a empresa. Mercado A falta de ação da Nintendo no mercado brasileiro foi evidente nos últimos tempos. A companhia não esteve presente nas duas últimas edições da Brasil Game Show, principal evento de games da América Latina que acontece anualmente em São Paulo. A loja virtual do Wii U nem sequer possui versão nacio-

nal. Já o comércio on-line do Nintendo 3DS enfrenta problemas com consumidores brasileiros há mais de um ano, devido a mudanças nas regras de transação por cartão de crédito internacional. No fim de 2013, algumas instituições financeiras do país, como os bancos Itaú e Bradesco, passaram a impedir a efetuação de compras com cartão de crédito em sites que apresentam o preço em reais, mas cobram em moedas estrangeiras. A Sony e a Microsoſt contornaram o problema rapidamente, mas a questão persiste na loja da Nintendo até hoje. De acordo com Van Zyll, a companhia tem enfrentado dificuldades para resolver o problema porque as lojas virtuais não pertencem diretamente à Nintendo. Crise A Nintendo, que vem de três anos fiscais seguidos de prejuízo, não conseguiu acompanhar o ritmo de venda das companhias rivais na última geração de consoles. As vendas do Wii U cerca de 7,3 milhões de unidades, um dos números mais baixos da história para um produto da empresa- foram consideradas oficialmente um fracasso pela empresa. O número da Nintendo é bem inferior ao do Playstation 4, que vendeu 18,5 milhões de unidades desde o seu lançamento, de acordo com a fabricante Sony. Em novembro, a Microsoſt afirma ter vendido 10 milhões de unidades do Xbox One.

Japonesa que formou gerações de apaixonados por seus jogos e consoles perdeu mercado para Sony e Microsoſt


B4

Economia

As oito profissões requisitadas para Apesar das especulações sobre um ano ruim para a economia brasileira, especialistas apontam as áreas que o mercado precisará ALIK MENEZES Especial EM TEMPO

O

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ano de 2015 não será um ano bom para a economia do país, segundo especialistas, o que, possivelmente, afetará a geração de empregos. Contudo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas (ABRH-AM), pelo menos oito profissões, como a de engenharia naval, estarão em alta neste ano. E os salários podem chegar a R$ 20 mil. Segundo a presidente da ABRHAM, Ozeneide Casanova, a pesquisa que avaliou o nível de necessidade de algumas empresas apontou que alguns blocos de profissionais estarão em alta este ano no Estado. “Em alguns casos, o Amazonas segue a tendência nacional. São oito os principais blocos. Entre eles estão engenharia, informática e financeiro”, diz Casanova. No caso da engenharia, o destaque é para as áreas de tecnologia, computação e polo naval. O salário inicial é de R$ 6 mil e pode chegar aos R$ 20 mil. “A engenharia naval é uma das principais cotadas. Esses profissionais estarão no mercado como prioridade para algumas empresas devido alguns investimentos que serão feitos nesse segmento ao longo dos próximos anos no polo naval de Manaus”, explica. Outros segmentos que terão destaque ao longo do ano serão os técnicos em informática e hidráulica. O salário inicial é de R$ 3 mil. “Percebemos um investimento muito grande das pessoas em busca de qualificação e também das escolas de ensino técnico na formação desses profissionais. Esses profissionais, mesmo não tendo o ensino superior, têm certa garantia de emprego porque toda empresa de médio e grande porte necessita de um profissional. Isso sem contar os ‘bicos’ que eles podem fazer”, observa. Mesmo com a situação econômica do país não tão animadora, uma das áreas que também está em alta este ano é a de vendas. Esses profissionais serão responsáveis por incentivar as pessoas a consumirem. “Eles tem papel de incentivar, de estimular às pessoas a comprarem. Eles terão grande importância para estimular a economia do Estado. O salário depende de quanto eles vendem, mas as perspectivas de bons salários dependem muito do carisma do vendedor”, avalia. E por falar em financeiro, esse é um dos segmentos que possibilitará

Joana Nasian é a profissional de controller no Confort Hotel

muitas oportunidades aos profissionais da área, principalmente, os controllers. Nessa área os salários variam entre R$ 8 a R$ 10 mil. “Os controllers são fundamentais na empresa, em virtude da exigência da companhia de fazer o controle dos seus gastos e acompanhar como está o seu andamento financeiro”, explica a presidente da ABRH-AM. Casanova destacou que profissionais de recursos humanos serão bem cotados este ano. Segundo ele, esse profissional tem salário inicial estimado em R$ 3 mil. “O salário deles depende do porte da empresa, mas todas as companhias precisam de alguém competente para recrutar as pessoas que serão responsáveis pela eficiência das empresas”, diz. Outro setor que está aquecido desde o ano passado, por conta da Copa do Mundo de Futebol, de acordo com Casanova, é o da gastronomia. O salário inicial de um chef de cozinha é de R$ 3 mil e pode chegar na casa dos R$ 8 mil. Contudo, depende da qualificação do profissional. “A Copa do Mundo ajudou bastante na divulgação desse setor e com isso colaborou para que esses profissionais sejam bem requisitados”, aponta. Completam a lista dos profissionais mais requisitados os desenvolvedores de mobile e os advogados. No caso dos dois profissionais o salário inicial é estimado em R$ 5 mil. Mas, no caso dos advogados, os lucros podem ser ainda maiores em virtude das comissões.

Ex-gestora de RH da Masa da Amazônia, Kellenn Osmidio

Aldenor Rebelo é advogado e procurador do Estado do Amazonas

Sollow Henrique é vendedor na rede de lojas de vestuário Adji


MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Equipe de desenvolvedores de mobile da Fabriq Aceleradora

FUNÇÃO DE CADA PROFISSIONAL

Controller Esse profissional é responsável pela coordenação, pelo planejamento e pelo controle das finanças da empresa. “Não é somente um contador voltado a atribuições básicas como antigamente. Hoje, temos um profissional mais moderno, que interage com os setores e que utiliza habilidades interpessoais para gerenciar e controlar o patrimônio como um todo”, explicou a controller do Comfort Hotel, Joana Nasian. Engenheiro naval Esse segmento é o responsável pelos projetos de construção e manutenção de embarcações e equipamentos. O profissional projeta a estrutura, os motores e todos os demais componentes do navio. Ele atua, também, em casos de construção, supervisionando os técnicos e os operários e verifica os métodos de trabalho e acompanha todos os períodos da construção. Vendedor É o profissional que, em muitos casos, dependendo da área de atuação, não tem formação superior, mas tem a responsabilidade de vender a mercadoria da loja e para isso é preciso dedicação. Além de se dedicar ao cliente para ganhar a sua preferência, o vendedor deve também organizar todo o ambiente de trabalho. Gestor de RH O gestor de RH é o profissional responsável por desenvolver e gerenciar planos de carreiras nas empresas, além de analisar estratégias institucionais, elaborar planos táticos e operacionais para o recrutamento e seleção. Ele também avalia o desempenho dos candidatos

e orienta no treinamento dos novos colaboradores. Tem ainda como responsabilidade a gestão de interação dos vários setores da empresa. Chef de cozinha Cabe a esse profissional organizar a cozinha de restaurantes e hotéis, elaborar cardápios e, sobretudo, supervisionar o trabalho dos cozinheiros. Diferente do que muitas pessoas imaginam, o chef não cozinha. Esse trabalho fica a cargo das cozinheiras, mas o chef tem papel fundamental em todos os processos. Ele é o responsável, por exemplo, pela escolha dos alimentos. Advogado O advogado é responsável por representar indivíduos e empresas e defender os seus interesses. De acordo com o advogado Aldenor Rabelo, em virtude de muitas leis que regulam as atividades empresariais, é importante que haja os serviços de um advogado. “É imprescindível para o desenvolvimento saudável da atividade empresarial que haja o acompanhamento jurídico adequado, de forma que, no dia a dia, os contratos e diversos atos praticados estejam em consonância com o ordenamento jurídico”, avalia. Técnico em informática Tem como responsabilidade atuar na configuração de sistemas informáticos, instalar equipamentos, além verificar a causa das falhas na programação das redes de informática. Desenvolvedor mobile É um profissional novo no mercado responsável por desenhar e desenvolver aplicativos para o mundo mobile.

Graduação para os mercados No Amazonas, algumas universidades como Uninorte, Ciesa e Fametro oferecem alguns dos cursos que possibilitam que muitas pessoas entrem no mercado de trabalho e tenham uma oportunidade em uma dessas profissões que estão em alta. O Uninorte, por exemplo, tem disponível o curso de engenharia em diversas áreas como engenharia ambiental, da computação, elétrica, mecânica. Segundo o reitor do centro universitário, professor Vicente Nogueira, essa é uma área em crescimento e há investimentos nessa área. “Nós temos investimentos altos em infraestrutura com laboratórios que dis-

Max Alcantra é empresário da Interativa Informática

põem de equipamentos de alto nível”, afirma. Na área de gastronomia, há duas universidades que oferecem o curso, a Fametro e o Ciesa. O Uninorte é o único que disponibiliza o curso de pós-graduação. Na área de cursos técnicos, o centro educacional disponibiliza o curso de técnico em informática para a internet. “Oferecemos o curso de técnico em informática para a Internet, que hoje é também uma das maiores tendências do mercado, assim como também o técnico em computação gráfica e em hidráulica ainda não há previsão de oferta”, informa Nogueira.

Douglas Barthel é chef do restaurante Cozinha Asiática, no Vieiralves

IONE MORENO

IONE MORENO

mais 2015

B5


B6

País

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Manifestações voltam com o reajuste de tarifas Rio Branco (AC) e Florianópolis (SC). Atos pacíficos já aconteceram no Rio de Janeiro, em Joinville (SC) e Salvador (BA). Para a representante do Movimento Passe Livre Érika de Oliveira, o aumento impactará principalmente as classes sociais mais baixas. “(Elas) já estão nos pontos

MELHORIAS

Também tramitam no Congresso diversos projetos que propõem medidas para evitar o transporte público de baixa qualidade; ruas engarrafadas; poucas ciclovias; e falta de calçadas para o pedestre mais extremos da cidade, já sofrem com o aperto dos ônibus, todos os dias, e com altas tarifas. Para se locomover, precisam pegar ônibus, trem, metrô, demorando horas para chegar aos seus locais de trabalho; e que não acessam a cidade para além do deslocamento casa-trabalho. Essas pessoas que serão prejudicadas”, disse.

Direito social No Congresso Nacional, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 90/11, da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), pretende incluir o transporte no grupo de direitos sociais estabelecidos pela Constituição Federal (artigo 6º). Em 2010, esse mesmo artigo foi alterado para incluir a alimentação como direito social. A PEC 90/11 já foi aprovada em dois turnos de votação na Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado Federal. O relator da proposta, deputado Nilmário Miranda (PTMG), defendeu a aprovação da matéria. “O transporte, como direito social, criaria a obrigatoriedade da universalização. O acesso deve ser razoável, por meio de tarifa zero ou subsidiada, como existe em vários países onde (o transporte) já é um direito social”, afirma. Também tramitam no Congresso Nacional diversos projetos de lei que propõem medidas para evitar o transporte público de baixa qualidade; ruas engarrafadas; poucas ciclovias; e falta de calçadas para o pedestre.

Centenas de pessoas foram às ruas, na capital carioca, para protestar contra o aumento da tarifa

RIO DE JANEIRO

Incidência de raios aumenta 681% O Sistema de Monitoramento de Descargas Atmosféricas da concessionária de energia Ampla registrou, nos seis primeiros dias deste mês, um total de 3.939 raios em toda a área de concessão da companhia, que abrange 66 dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro. O engenheiro Keison Thurler, responsável pela Área de Distribuição da companhia, disse à Agência Brasil que o número de raios foi recorde para o início do ano, registrando aumento de 681% em relação ao mesmo período do ano passado. “Foi praticamente oito vezes maior do que o registrado no início do

ano passado. Foi, de fato, um aumento de descargas muito significativo.” Na primeira semana de janeiro de 2014, foram 504 descargas na área de concessão da distribuidora de energia elétrica. A incidência de raios se intensifica na época do verão e pode acarretar instabilidade no fornecimento de energia elétrica e até causar mortes. Os municípios de Resende e Itatiaia, no centro-sul do Estado, apresentaram a maior incidência de raios no início de janeiro, com 1.675 e 340 descargas elétricas, respectivamente, seguidos

por Paraty (181), na Costa Verde; e Petrópolis, na região serrana, com 178. Em todo o ano passado, a Ampla registrou a incidência de 28.516 descargas atmosféricas em sua área de concessão. A empresa recomenda alguns cuidados: dentro de casa, os principais são permanecer dentro da residência enquanto durar a tempestade, não ficar perto de partes metálicas, evitar fazer conserto de instalações elétricas, evitar o uso de celular, secador de cabelo e ferro elétrico conectados à tomada; evitar usar telefone, chuveiro ou torneira elétrica. REPRODUÇÃO

C

om a promessa de levar a discussão para a periferia, o Movimento Passe Livre anuncia novos protestos, semelhantes aos que aconteceram em junho de 2013 sob o lema “não é apenas por 20 centavos”, para questionar os novos aumentos na tarifa de transporte público em diversas cidades brasileiras. Manifestações contra o reajuste já começam a agitar o país. Nesta sexta-feira (9), ocorreram protestos nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Outros atos também estão sendo organizados por entidades da sociedade civil que defendem o fim da cobrança de tarifas nos transportes públicos para os estudantes. Na capital paulista, a nova tarifa aumentou de R$ 3 para R$ 3,50. O reajuste entrou em vigor na terça-feira (6). No Rio de Janeiro, o reajuste foi de 13,3%, a partir de 3 de janeiro. Com o aumento, o usuário começou a desembolsar R$ 0,40 a mais pela passagem de ônibus, que custa agora R$ 3,40. Outras cidades já estão praticando novos valores, entre elas Belo Horizonte (MG),

FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

Protestos voltam a agitar o país, após o anúncio realizado pelas prefeituras, do aumento no valor do transporte público

Nos seis primeiros dias do ano, o Rio de Janeiro registrou a ocorrência de 3.939 raios


País

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

O ministro da Educação, Cid Gomes, pretende discutir a possibilidade de tornar públicas as questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), liberando ao público um banco de dados com mais de 70 mil questões de todas as áreas. Com isso, a prova poderia ser feita por computador, aplicada em terminais em todo o país. Na sexta-feira (9), em Recife, ele comentou a proposta, uma alternativa que simplificaria e manteria a confiabilidade do exame. De acordo com o ministro, tornar público não faria o exame mais fácil. Seria necessário ser “um gênio para memorizar todas as questões”. A prática, segundo o Ministério da Educação (MEC), já ocorre em outros países. “Existe um esforço violento para fazer com que 7 milhões de pessoas sentem para fazer uma prova e isso, naturalmente, gera uma série de complicações”, disse. A intenção é que o exame não ocorra apenas uma vez por ano, mas que o candidato possa se inscrever e tenha um tempo para ir ao local de prova e fazê-la. Não há prazo para colocar em prática o novo modelo, cuja proposta será debatida com técnicos, acadêmicos e a sociedade, antes de ser apresentada para análise da presidente Dilma Rousseff.

Evento pede beatificação da médica Zilda Arns

Protetor solar poderá ter preços mais baixos O protetor solar pode vir a fazer parte da lista de medicamentos do programa Farmácia Popular. A proposta, que consta do Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 341/2014, tem a intenção de baratear o custo dos protetores para incentivar a população a usar o produto e evitar a incidência de câncer de pele. De autoria do ex-senador Kaká Andrade, o projeto altera a lei nº 10.858/2004 para incluir os protetores solares entre os produtos oferecidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio da Farmácia Popular.

Médica sanitarista brasileira e uma das fundadoras da Pastoral da Criança morreu em um terremoto no Haiti

Conforme o autor da proposta, apesar da importância dos protetores na prevenção do câncer e de outras doenças de pele, “sua utilização no país ainda é muito baixa”, em decorrência dos altos preços cobrados pelo produto. “O objetivo primordial desta proposta é proporcionar a aquisição do filtro solar a pessoas de baixa renda, que não têm condições de arcar com mais essa despesa. Nada mais justo que o poder público dê condições para que essas pessoas carentes adquiram o protetor solar sem custo nenhum”, argumenta.

DIVULGAÇÃO

Ministro vai debater novo modelo

CÂNCER DE PELE

Zilda Arns popularizou o soro caseiro, que até hoje ajuda a salvar crianças da desnutrição

DIVULGAÇÃO

ENEM

Com valor acessível, população terá acesso ao produto

B7

A

lembrança da médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e morta durante um terremoto no Haiti em 2010, faz a aposentada Teresinha Cardoso, 60, chorar. “Rezo muito para ela, todo dia”, diz. Voluntária da Pastoral, ela ora por um neto. A nora já perdeu dois bebês. “Neste ano, vou ganhar um e dar esse testemunho”. A médica que já recebe orações e cujo trabalho popularizou o soro caseiro, salvando crianças da desnutrição, foi homenageada num megaevento neste sábado (10), marcando o início do seu pedido de beatificação. A cerimônia foi realizada no

estádio Arena da Baixada, em Curitiba (sede da Pastoral). Na ocasião, uma moção com aproximadamente 200 mil assinaturas pedindo a beatificação foi entregue para a arquidiocese de Curitiba, responsável pela abertura do processo. Pelas regras da Igreja Católica, o processo só pode ser iniciado após 5 anos da morte do candidato, que, no caso de Zilda, serão completados no próximo dia 12. Para ser proclamada beata, ela precisa ter reconhecido seu caráter de santidade, ou seja, viver as virtudes do cristianismo com excelência, e ter feito um milagre. No segundo, vira santa.

O processo é “rigorosíssimo” e leva vários anos, explica o teólogo Angelo Ricordi, do grupo Marista de Curitiba. A avaliação final e a homologação cabem ao Vaticano. O primeiro passo é o reconhecimento público do caráter de santidade de Zilda, que o evento deste sábado pretendeu evidenciar. Milhares de visitantes chegaram em caravanas, após viagens de até 32 horas. Para ir ao estádio, eles tiveram uma linha de ônibus especial, criada pela prefeitura. O ato aconteceu das 19h às 22h. O custo do evento foi estimado em R$ 6 milhões. Será pago pela Pastoral, com a ajuda de doadores.


B8

Mundo

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

‘Jihadistas são nocivos ao islã’, diz Hezbollah

VENEZUELA

Consumidores lutam para comprar produtos básicos

Para o líder do partido xiita, Hassan Nasrallah, extremistas são mais prejudiciais ao islamismo que as piadas feitas contra o profeta Maomé REUTERS

O

chefe do Hezbollah xiita libanês estimou neste final de semana, que os jihadistas que realizam atentados no mundo são mais nocivos para o Islã que as obras que fazem piada com Maomé, sem se referir, no entanto, ao ataque contra a revista “Charlie Hebdo”, em Paris. “Nesse momento, é mais do que nunca necessário falar do profeta devido à conduta de alguns grupos terroristas que reivindicam defender o Islã”, afirmou Hassan Nasrallah, cujo partido xiita combate os movimentos jihadistas sunitas na Síria com o regime de Bashar al-Assad. “Por meio de seus atos imundos, violentos e desumanos, esses grupos atentaram contra o profeta e os muçulmanos mais do que fizeram seus inimigos (...) mais que os livros, os filmes e as caricaturas que injuriaram o profeta”, acrescentou o chefe do Hebollah, em um discurso televisivo. “Os piores atos são os que prejudicaram o profeta em sua história”, prosseguiu Nasrallah. Referia-se, sobretudo, ao famoso romance de Salman Rushdie, “Os Versos Satânicos”, pelo qual o autor foi alvo de uma fatwa emitida pelo aiatolá Khomeini em 1989.

As filas estão aumentando nos supermercados venezuelanos, com alguns consumidores aparecendo antes do amanhecer na busca por produtos que vão de frango a sabão para lavar roupas, no momento em que a redução do ritmo de entregas, por causa de feriados, piora a falta de mercadorias no país. As filas em mercados e farmácias na sexta-feira davam a volta no quarteirão, com as pessoas em alguns casos chegando

antes do amanhecer sob o olhar das tropas da Guarda Nacional, enviadas para manter a ordem. Líderes empresariais asseguraram que a situação vai melhorar nos próximos dias, pois os distribuidores retornarão dos feriados prolongados de fim do ano. Porém, alguns consumidores culpam as políticas econômicas socialistas do presidente do país, Nicolás Maduro, pelo problema.

FRANÇA

Suspeito teve encontro com ex-presidente Sarkozy “Atos imundos e desumanos”, segundo Nasrallah, atentaram contra o profeta e os muçulmanos

Partido já condenou desenhos Nasrallah não mencionou ou condenou o ataque contra a “Charlie Hebdo” que deixou 12 mortos na quarta-feira em Paris. Durante a crise das caricaturas do jornal dinamarquês, o Hezbollah, como muitos partidos islâmicos, condenou os desenhos e convocou ma-

nifestações. Nasrallah se referiu, no entanto, à França ao afirmar que após as atrocidades cometidas pelos jihadistas em Síria, Iraque, Líbano, Paquistão, Afeganistão e Iêmen, “o flagelo alcançou agora os Estados que exportaram (esses extremistas) para

nossos países”. Apoiado por Teerã, o Hezbollah xiita, que se tornou conhecido por seus sequestros de ocidentais nos anos 1980 no Líbano, está em guerra contra os rebeldes e jihadistas na Síria, alegando que defende o Líbano contra o extremismo.

Amedy Coulibaly, 32, identificado como o sequestrador que matou quatro reféns em um mercado kosher na periferia de Paris na sexta (9), tinha diversas passagens pela polícia - e, segundo o jornal francês “Parisien”, pelo menos uma no Palácio do Eliseu. Em 2009, ele teria conhecido o então presidente da França, Nicolas Sarkozy. O encontro era uma reunião sobre as oportunidades de emprego para a juventude francesa. Antes do evento, Coulibaly concedeu uma entrevista ao “Parisien”, em que dizia es-

perar conseguir um emprego com o presidente. Naquela época, Coulibaly tinha um contrato de profissionalização com a CocaCola, espécie de estágio voltado à qualificação de jovens ou à reinserção de desempregados no mercado de trabalho. Segundo a reportagem do “Parisien” de 2009, que não menciona se Coulibaly fazia parte de um programa para egressos da prisão, Sarkozy iria se encontrar com dez jovens que tinham aquela modalidade de emprego.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

IDIVULGAÇÃO

Projetos para os indígenas Dia a dia C4 e C5

Acidentes nas estradas diminuem cerca de 33%

Mesmo com crítica dos motoristas, os equipamentos de medição de velocidade ajudaram na redução dos acidentes RAIMUNDO VALENTIM

A atitude do motorista representa um fator decisivo na prevenção de acidentes. Além da direção preventiva, ele também deve fazer a revisão e ajustar a documentação do veículo DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

A

pesar dos casos de acidentes de trânsito ocorridos na BR174 (Manaus-Boa Vista) no período entre o final de 2014 e o início deste ano, a Polícia Rodoviária Federal registrou uma diminuição de 33% dos casos em relação ao mesmo período do ano passado. O dado, referente às rodovias regionais, foi fornecido pelo Chefe de Policiamento do Núcleo de Policiamento e Fiscalização do órgão, Wirlley Menezes. A operação realizada pela PRF-AM entre 23 de dezembro e 4 de janeiro registrou 7 acidentes, sendo 3 com vítimas fatais. As ações foram intensificadas a partir do dia 12 daquele mês, quando teve início a operação Rodovia. A iniciativa, efetuada em nível nacional, deve se estender até meados de fevereiro. Menezes atribui esse índice ao trabalho de fiscalização e conscientização realizado pelo órgão desde julho do ano passado. Naquela época, o sistema de radares e lombadas eletrônicos instalado na BR-174 resultou numa queda de 50% do número de ocorrências em comparação ao mesmo

período de 2013. “Outro elemento importante são as ações integradas com a Polícia Militar, que realiza análises do nível de alcoolemia (presença de álcool no sangue) em diferentes áreas dessas vias”, complementa. Por outro lado, Menezes lembra que a atitude do motorista representa um fator decisivo na prevenção de acidentes. “A maioria dos casos ocorre em situações climáticas favoráveis que,

TECNOLOGIA

Com o auxílio da tecnologia, a Polícia Rodoviária Federal atua na prevenção de acidentes em rodovias regionais. Equipamentos de medição de velocidade, no entanto, são alvos de críticas associadas à condução em linha reta e às boas condições da pista, dão ao motorista a falsa sensação de segurança. O excesso de confiança acaba motivando ultrapassagens arriscadas e o aumento de velocidade”. A manobra é apontada pelo taxista Francirômulo Pimentas Pontes, que

trabalha há oito anos no transporte de passageiros na BR-174, como o principal tipo de imprudência verificada durante as viagens. “Isso tem a ver com a falta de conhecimento de pessoas que não conhecem o percurso e acabam se arriscando, principalmente nos finais de semana”, observa. Os equipamentos de medição de velocidade, no entanto, são alvos de críticas por parte do taxista. “Os radares estão no lugar certo, mas às vezes você passa a 40 km por hora e o sistema registra valores que variam entre 5 km a 122 km/h”. Para quem vai aproveitar as férias e viajar de carro, Wirlley sugere algumas medidas para garantir a segurança. “Antes de assumir a direção, o motorista deve observar alguns critérios. Em primeiro lugar, verificar se está em condições físicas e psicológicas de realizar a tarefa; se a documentação encontra-se regularizada; averiguar o funcionamento do sistema de freio, estepes, chave de rede e extintor de incêndio, por exemplo. Não se recomenda transportar pessoas além do número de vagas disponível e, além disso, é importante conhecer o limite de velocidade de cada rodovia”, explica.

Ano inicia com mortes na BR-174 No ínicio do ano, um acidente ocorrido no km 55 da BR-174 matou as estudantes Brenda Braga Batista de Sousa, 21, e Raysa Rossi Brito Claudino, 21. Na ocasião, elas estavam acompanhadas por Camila Mendes Lauria Ferreira, 21, Bruna Lorena Passos Saraiva Leão, 22, Thiago Fish Pinto, 23, e Uatuã Campos, 22, que sobreviveram. Segundo informações da Polícia Civil, o carro modelo Mitsubishi Pajero Dakar, de cor prata e placa OAO-3637, trafegava pela rodovia quando teria perdido o controle e caído em barranco. No momento do acidente, apenas um dos sobreviventes estava consciente, o estudan-

tes Leonardo Henrique Silva Couto, 25. Thiago se recusou a fazer o teste do bafômetro e deverá responder processo administrativo no Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Ele também recebeu multa de R$ 1.915 e, dependendo da avaliação do processo, ele pode ter a carteira de motorista suspensa por 12 meses. No dia 5, por volta das 4h30, um ônibus que havia saído de Boa Vista (RR) com destino a Manaus capotou no quilômetro 120 da rodovia BR-174. O coletivo da empresa Amatur transportava 40 passageiros, mas ninguém teve lesões mais graves. O veículo que havia saído

por volta de 20h de Boa Vista no dia anterior saiu da pista nas proximidades do município de Presidente Figueiredo (localizado a 107 quilômetros da capital). Na manhã do dia 24 de dezembro último, uma idosa ainda não identificada morreu após um acidente com um ônibus da empresa Amatur Transportadora e Turismo, que fazia viagem de Manaus para Boa Vista (RR). Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal de Roraima (PRF-RR), o acidente ocorreu após o coletivo tombar no quilômetro 500 da BR-174, no sentido região Sul de Roraima. RAIMUNDO VALENTIM

O mês de janeiro ainda nem chegou à segunda quinzena e ocorreram três acidentes


C2

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Amazonas teve primeira audiência de custódia P

ela primeira vez, o Amazonas teve uma audiência de custódia, realizada pelo defensor público plantonista João Carlos Bermeguy Camerini, na defensoria pública especializada em Flagrantes Criminais. Esse tipo de procedimento, que está em tramitação para se tornar lei, assegura os direitos humanos do indiciado, preso ou não em flagrante, após a constatação de indícios de tortura. Ou seja, o suspeito pode responder ao processo em liberdade. O defensor público João Carlos Bermeguy Camerini garantiu a liberdade de um suspeito de assaltar um posto de gasolina, após justificar ao juiz as irregularidades e a desnecessidade de prisão antecipada, uma vez que foram identificados indícios de tortura. Camerini destacou ainda que a realização da audiência de custódia é um fato inédito na histórica jurídica do Amazonas. “A audiência de custódia não apenas concretiza o direito fundamental à liberdade de ir e vir sob o ângulo individual. Ao lado da função precípua de

possibilitar um controle judicial eficaz de prisões ilegais e a repressão de atos de violência ou tortura praticados pela polícia, o procedimento pode contribuir ainda para a solução de uma das piores mazelas brasileiras: a violação sistemática e massiva de direitos humanos decorrente da superlotação do siste-

OBJETIVO

O procedimento jurídico assegura os direitos humanos do indiciado, preso ou não em flagrante, após a constatação de indícios de tortura durante a prisão, seja em flagrante ou não ma carcerário, causada, em grande medida, pelo uso desnecessário, formalista e rotinizado da prisão provisória pelos juízes”, explicou o defensor público. Após a audiência, o suspeito do delito foi libertado e responderá ao processo em liberdade, conforme explicou o defensor público. Para o juiz Luís Carlos

Honório de Valois Coelho, embora ainda esteja em tramitação, o projeto que determina a audiência de custódia deve-se cumprir o decreto 672/1998. “Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais”, explicou o magistrado. O promotor de Justiça, que atuou no caso do Amazonas, Armando Gurgel Maia, ponderou que o Código de Processo Penal prevê, somente, a comunicação formal do juiz, por expediente, o que está bem distante da disposição convencional e pode gerar responsabilização internacional do Brasil pelo descumprimento da convenção. “É preciso que o Judiciário, o MP e a DPE se estruturem para atender este direito humano, realizando essas audiências. A audiência marcada pelo juízo foi solicitada pela promotoria, uma vez que o autuado estava sem identificação, fato que possibilita a prisão preventiva, como prevê o artigo 313, parágrafo único, do Código Processo Penal (CPP)”, ressaltou.

DIVULGAÇÃO

Em tramitação para se tornar lei, procedimento garante que o suspeito responda o processo em liberdade, caso seja torturado

A primeira audiência de custódia história do Amazonas foi realizada na semana passada


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

C3

Acidentes de trânsito no Réveillon foram menores O

feriadão da virada de ano registrou queda de 54,32% no número total de acidentes (com danos materiais e vítimas) em comparação com o mesmo período do Réveillon do ano passado nas ruas de Manaus, segundo dados da Prefeitura de Manaus. A redução foi constatada no período de 31 de dezembro de 2014 a 4 de janeiro de 2015. Os dados foram divulgados pelo setor de estatística do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) que acompanhou as ocorrências registradas pelo Centro de Controle Operacional (CCO) e pelo Instituto Médico Legal (IML). De 31 de dezembro a 4 de janeiro de 2013/2014, foram registrados 38 acidentes com danos materiais. Na virada de 2014/2015, ocorreram 15 acidentes com danos materiais, representando uma redução de 60,53%. Os acidentes com vítimas também apontam queda no feriadão. De 31 de dezembro a 4 de janeiro de 2013/2014, ocorreram 43 acidentes. Na virada de 2014/2015 foram registrados 22. O total de acidentes (danos materiais

RICARDO OLIVEIRA

O feriadão da virada de ano teve uma queda de 54,32% no número total de acidentes se comparado ao ano passado e com vítimas) ficou em 81 registros para 2013/2014 e 37 no Réveillon 2014/2015, indicando uma redução de 48,84%. Os números de pessoas feridas no trânsito também apontam uma queda de 56,60%. Na virada de 2013/2014 foram registradas 55 pessoas feridas. No feriadão

DADOS

De 31 de dezembro a 4 de janeiro de 2013/2014, foram registrados 38 acidentes com danos materiais. Na virada de 2014/2015, ocorreram 15 acidentes com danos materiais de 2014/2015 os dados confirmam 25 pessoas lesionadas no trânsito. Apenas o número de vítimas fatais permaneceu inalterado. No Réveillon passado, as ocorrências indicaram duas vítimas fatais em acidentes de trânsito. Neste ano, os dados indicam uma vítima no dia 1 de janeiro e outra no dia 4, último domingo.

Um dos períodos mais movimentados do ano, as festas de Révellion tiveram um trânsito mais tranquilo este ano

ELEIÇÃO DIVULGAÇÃO

MOTOTAXISTAS

O órgão tem como função acompanhar a execução das políticas públicas e assistência social

Ceas escolhe novos dirigentes O Conselho Estadual da Assistência Social (Ceas-AM) realizará, no próximo dia 5 de fevereiro, das 8h às 12h, no auditório do Colégio PróMenor Dom Bosco (avenida J, nº 2, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus), a assembleia para a escolha dos novos representantes de organizações da sociedade civil que vão compor a nova diretoria do órgão de controle social para o biênio 2015/17. De acordo com a presidente do Ceas, Claudete Ivo Moisés, a reunião foi convocada por meio do edital nº 01/2014, publicada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 23 de dezembro de 2014. O processo será acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Comissão Eleitoral, presidida pela conselheira Rosemery Karsellys. O conselho é formado por 18 representantes da área governamental (nove titulares e nove suplentes), indicados pelos secretários de Estado, e 18 da sociedade civil. Este ano, pela primeira

vez, serão escolhidos membros dos três segmentos: entidades de assistência, trabalhadores do Sistema Único da Assistência Social (Suas) e usuários como, por exemplo, associações. Objetivo O órgão de controle social tem como função formular e acompanhar a execução das políticas públicas na área da assistência social no Estado. Para participar da eleição, as entidades devem se inscrever até o dia 20 de janeiro na secretaria executiva do Ceas-AM (avenida Darcy Vargas, nº 77, bairro Chapada, Zona Centro-Sul (Casa dos Conselhos), das 8h às 12h e das 14h às 17h, de segunda a sexta. “É o momento importante porque a assistência social está no processo de consolidação do seu Sistema Único”, avaliou. No ato da inscrição, os representantes das organizações deverão apresentar o Requerimento de Habilitação, Declaração de Funcionamento, cópia do Estatuto Social da Entidade e da ata

de eleição e posse da atual diretoria, autenticadas em Cartório de Títulos Especiais (RTD), e a inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) de acordo com o artigo 9º da lei n. 8.742 de 1993. Também serão exigidos o relatório anual de atividades do exercício anterior, inscrição junto ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), ofício indicando formalmente o representante da entidade e respectivo suplente para a participação na assembleia com cópias da documentação pessoal dos mesmos (RG, CPF e comprovante de residência). A presidente do Ceas, Claudete Ivo Moisés, lembrou que não serão aceitos termos de parcerias, acordos, ajustes ou similares entre as entidades, conforme reza o edital. Ela disse, também, que as organizações de trabalhadores do Suas ficam dispensados de apresentar o comprovante de Inscrição do Conselho Municipal de Assistência Social.

Edital previsto para esta semana A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) prometeu, após uma comissão formada por representantes dos permissionários do serviço de mototáxi comparecer à sede do órgão, na última sexta-feira, lançar o edital de licitação ainda esta semana. Os mototaxistas também querem discutir a cobrança de taxas municipais para este ano. A reunião foi conduzida pelo superintendente da SMTU, Pedro Carvalho, e resultou em acordo aceito pela categoria, que inclui a

manutenção da exigência do pagamento do licenciamento anual da permissão, além da comprovação do pagamento do seguro e da contribuição do INSS. Carvalho explica que o pagamento das taxas de vistoria e renovação da licença de tráfego (carteirão) foi feito durante o cadastro dos permissionários, iniciado no segundo semestre do ano passado. “O processo de regularização iniciou no meio do ano passado. A maioria dos permissionários se cadastrou nos meses de outubro,

novembro e dezembro e pagou as taxas municipais. Então, vamos deixar essas taxas válidas para este ano”, afirmou. Durante a reunião, o superintendente da SMTU também afirmou aos mototaxistas que o lançamento do edital da segunda licitação realizada pela Prefeitura de Manaus para o serviço ocorrerá na próxima semana, provavelmente na terça-feira, 13. A nova licitação disponibilizará cerca de 1,6 mil vagas de mototaxistas que não foram preenchidas no primeiro certame.


C4

Dia a dia

Plano de gestão indígen Esta semana, o projeto que visa gerenciar e orientar duas comunidades será iniciado no interior do Amazonas. Aproximadamente R$ 22 milhões serão investidos IVE RYLO Equipe EM TEMPO

A

partir desta quintafeira, equipes iniciam os trabalhos nas duas primeiras terras indígenas que irão receber o projeto de gestão ambiental elaborado pela Secretaria de Estado para Povos Indígenas (Seind) e financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto, que visa garantir a hegemonia das terras e a geração de renda por meio de uma produção sustentável, que não prejudique o meio ambiente, vai atingir 28 áreas indígenas - das 178 existentes - distribuídas em 15 municípios. As duas comunidades que começam a ter o plano desenvolvido serão Tenharim Marmelo, no município de Humaitá (a 590 quilômetros da capital), e Kamikuã, em Boca do Acre (a 1.028 quilômetros de Manaus). Elas possuem o menor número de habitantes, em comparação com as outras. Tenharim Marmelo possui 1.200 pessoas da etnia Tenharim e em Kamikuã há registro de somente 700 habitantes do povo Apurinã. “Escolhemos terras pequenas, mas com bastante conflito. Da experiência pequena esperamos atingir terras médias e grandes, como no Vale do Javari”, explicou o secretário da Seind, Bonifácio José Baniwa. Atualmente, a renda é retirada da pesca, agricultura, artesanato e do turismodesenvolvidos nos locais. Com o início das atividades, os profissionais iniciam O projeto irá incentivar a pesca e a agricultura

o mapeamento de tudo que existe na localidade, tanto as riquezas naturais (tamanho total, quantidade de igarapés que cortam a área, castanheiras, açaizeiros) como a produção local já empreendida pela comunidade. “Realizaremos o plano de manejo da terra, analisaremos o que pode ser trabalhado e o potencial para ser extraído. Hoje, entendemos que a riqueza nas terras indígenas é possível que seja utilizada pelo próprio povo para seu benefício, para gerar renda, mas sem degradar ou comprometer as próximas gerações, que são o principal

COMUNIDADES

As duas comunidades que começam a ter o plano desenvolvido serão Tenharim Marmelo, no município de Humaitá (a 590 quilômetros da capital), e Kamikuã, em Boca do Acre

ponto defendido pelos povos indígenas”, explicou Baniwá. Além de estudar o potencial de cada comunidade, o projeto também prevê a formulação de uma norma de uso racional dos recursos em terras indígenas. “A Constituição garante o uso exclusivo da terra pelos indígenas, mas não diz como tem que ser. E acho que não tem pessoas mais indicadas para discutir isto que os próprios indígenas que moram ali. Eles podem dizer o que dever ser feito ou evitado, com apoio de técnicos, cientistas, das universidades e

possíveis parceiros investidores”, analisou. A produção de castanha ou açaí, ou o desenvolvimento das áreas de turismo, fármaco e cosméticos. “Temos hoje técnica suficiente para trabalhar estes polos. No plano, iremos ver o possível tipo de pesquisa que pode ser trabalhado, como trabalhar os recursos, além, claro, de proteger para não ter invasão”, ressaltou. Será investido o total de R$ 20.385.631,18, financiados pelo BNDES com contrapartida da Seind, nos próximos três anos. “Pela primeira vez, o governo do Estado, com apoio do Fundo Amazônico do BNDES, vai ter experiência de elaborar o plano de gestão da terra indígena e, a partir dali, esperamos ter experiência suficiente para trabalhar com o restante das terras. As terras indígenas foram demarcadas, mas não têm plano de desenvolvimento ou qualquer um que seja elaborado pelo governo. Tem uns existentes, mas foram elaborados pelas ONGs”, informou. A primeira parcela do repasse já está em caixa e a Seind tem 12 meses para trabalhar com o recurso e prestar contas, para posterior recebimento da segunda parcela e, em seguida, do terceiro montante. Os municípios que possuem comunidades indígenas e que serão englobados no projeto serão Alvarães, Autazes, Atalaia do Norte, Boca do Acre, Humaitá, Jutaí, Lábrea, Manicoré, Maraã, Maués, Borba, Nhamundá, Pauini, Rio preto da Eva e Tefé, o que corresponde a 15.869.341 hectares.

Seind tem 16 secretarias Em cinco anos de existência da Seind, foram criadas 16 secretarias municipais de assuntos indígenas por lei municipal aprovada na Câmara, além de departamentos e setores. “O termo de cooperação assinado pelo governador e presidente da Funai gerou um plano de atuação integrada, coordenado pelo Comitê Gestor e Câmaras Técnicas, e possibilitou muitos avanços, além de chegarmos em regiões que o Estado nunca chegou”, disse Baniwa. De acordo com o secretário-executivo adjunto, Amarildo Maciel Munduruku, a Seind busca captar recursos e prestar assessoria para que as comunidades tenham acesso aos projetos do governo. “Fora nossa representatividade em quase todos os conselhos, discutindo ou encaminhando ações referentes a questões indígenas. Participamos dos conselhos de saúde e educação com representantes para tentar orientar como se trabalha com a questão indígena. Também vamos em busca da conquista da participação da Seind em

captar recursos”, disse. Contudo, de acordo com o secretário Bonifácio José Baniwa, ainda falta entendimento de parte da sociedade quanto ao trabalho executado pela Seind. “Quanto à formação de profissionais, por exemplo, somos sempre questionados sobre o papel da Seind, se quem oferece os cursos são o Cetam ou a Seduc. Nós que chegamos na comunidade, mobilizamos, fazemos levantamento, falamos da importância de como tem que ser feito o curso e o Cetam entra pagando profissionais que vão dar as aulas. Mas, toda mobilização com poder público local e com comunidade é nosso papel”, afirmou Baniwa. Quando os cursos são oferecidos em Manaus, por exemplo, todo o custo de hospedagem e logística é arcado pela secretaria, de acordo com Baniwa. “Nós que mobilizamos Sesai, prefeitura, hospital, Exército. Quem dá o curso é o Cetam, mas essa parte de logística e mobilização é nosso papel”, finalizou.

Indígena


MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

C5

na inicia a fase prática FOTOS: DIVULGAÇÃO

s terão apoio financeiro e técnico para desenvolver suas atividades durante a realização do projeto

Incentivo à produção artesanal Tanto a produção que será incentivada pelo projeto quanto a que já vem sendo desenvolvida nas comunidades indígenas terá maior facilidade de escoamento para chegar à mesa do consumidor. Serão construídos três Centros de Referência Cultural, Capacitação e Comercialização de produtos indígenas nos municípios de Lábrea, Atalaia do Norte e Autazes. “São pontos estratégicos para a distribuição. Esperamos expandir a experiência porque queremos ter em Manaus uma central”, afirmou Bonifácio José. As obras estão orçadas em R$ 3.190.210,00. A partir da criação do centro, será criado um selo, pelo governo do Estado, para a identificação dos produtos de origem indígena. No final de 2014, o governo federal publicou o lançamento de

um selo nacional. “Às vezes, a população acha que é muita terra para pouco índio. Mas, já come castanha, pirarucu, tambaqui que vem de terra indígena, contudo o produto não é identificado no mercado. Quando tivermos o selo, quem comprar o produto, saberá que vem de terra indígena, e que está preservando cultura, identidade, floresta, rios”, afirmou. Ao longo dos últimos quatro anos, vem sendo implantado o manejo do pescado, incentivo ao artesanato e apoio ao extrativismo, agricultura familiar e comercialização da produção em diversos municípios. “Na área de projetos de desenvolvimento sustentável, nós desenvolvemos diretamente com apoio dos parceiros como UEA, Ufam, Inpa, Fapeam. Temos alguns resultados práticos das parcerias, como manejo

de pescado, que teve pesquisa que virou projeto de política pública, que gerou atividade e oportuniza renda hoje”, disse Baniwa. De acordo com o secretário, a comercialização de 49 toneladas de pirarucu gerou renda de R$ 245 mil na comunidade de Acapuri de Lima no Jutaí. Além da comercialização de 36 toneladas de Tambaqui, com renda de R$ 252 mil. “Foi um projeto com assessoria técnica nossa, que ajudamos a implantar. Quem financiou foi o Ministério do Meio Ambiente. Queremos acabar com a ideia de que terra indígena não produz”, afirmou. Na terra comunidade de Espírito Santo, também em Jutaí, foram produzidas 220 toneladas de pirarucu e 84 de tambaqui, com uma renda de mais de R$ 2,5 milhões.

Serão construídos três Centros de Referencia Cultural, Capacitação e Comercialização


C6

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Exercícios fundamentais no tratamento antidrogas CRÉDITO DO FOTÓGRAFO

Profissionais do Centro de Reabilitação falam como a atividade física ajuda na recuperação do dependente químico

No Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, os residentes praticam exercício físico de segunda a sexta-feira e ganham descanso corporal nos fins de semana

A

prática de exercício físico é um dos alicerces para o combate à dependência química. Graças às atividades diárias de educação física os residentes do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, localizado no km 53 da rodovia AM-010 (Manaus/Rio Preto), tem mostrado evolução no tratamento, além de disposição e ânimo para enfrentar a doença. A equipe médica do Centro de Reabilitação percebeu que a prática diária de exercícios físicos tem ajudado bastante para a libertação da dependência de álcool e outras drogas. Outro benefício da atividade física moderada é a melhora do metabolismo corporal, além de reduzir sintomas característicos de depressão, melhora a qualidade do sono, fadiga, estresse e, também, o humor. “Poderia elencar vários benefícios que as atividades físicas fazem para o residente, mas o principal delas é a saúde. A prática de determinados exercícios é vista desde a aparência da pele, pois retarda envelhecimento e vai mais além, minimiza dores agudas do corpo, melhor os batimentos cardíacos, a respiração e tonifica a musculatura”, disse o diretor do centro de reabilitação, o médico psiquiatra Pablo Gnuztmann. O centro de reabilitação conta com quatro professores de educação física diariamente os quais montam tabelas de exercícios para cada residente. Os residentes praticam exercício físico de segunda a sexta-feira e ganham descanso corporal nos fins de semana. Os residentes seguem à risca as orientações dos professores de educação física do centro de reabilitação.

Porém, um fator que deve ser levado em consideração para melhora do rendimento de cada residente é a atenção diária de uma nutricionista que acompanha de perto a alimentação deles. “Não adianta passar horas se exercitando se não houver uma alimentação controlada e balanceada. Por isso, identificamos o perfil de cada residente e montamos uma tabela nutricional para que

Remédio para corpo e alma

EQUIPE

O Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, conta com quatro professores de educação física diariamente, os quais montam tabelas de exercícios para cada residente Todos os residentes são acompanhados por educadores físicos

ele tenha condição corporal para realizar as atividades e ganhar massa muscular pela alimentação”, disse a professora de educação física Lorena Almeida Rocha. O professor de educação física Wendell Andrade afirma que a prática de uma atividade física diária ajuda no bem-estar do residente. “A prática adequada de qualquer exercício físico mantém os residentes, seja mulher ou homem, mais alegre e disposto para enfrentar a luta contra as drogas”, frisa o profissional que faz parte do quadro do local. Pioneiro no Brasil com a política de redução de danos, o Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz é gerido pelo Instituto Novos Caminhos (Organização Social) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

O exercício físico ajuda a liberar o hormônio do humor

Educadores físicos montaram uma estratégia para um grupo de residentes. Eles são avaliados e somente a partir deste primeiro contato com o profissional da área é que iniciam, de forma gradativa, a prática dos exercícios. “Temos o cuidado de acompanhar junto a equipe médica o estado de saúde de cada residente, para assim iniciar as atividades físicas”, ressalta a professora de educação física Lorena Almeida Rocha. Praticar exercício físico de forma continua aumenta a produção da endorfina, substância ligada diretamente ao humor. “Vale lembrar que toda atividade física deve ter o aval de um médico e um profissional da área de educação física, pois se a pessoa exagerar ou fizer exercícios desregulados pode causar lesões graves que evoluem para doenças mais graves”, frisa o educador físico Wendell Andrade, que atua no local. Um benefício alcançado por meio de exercícios físicos é a oxigenação do corpo. Os exercícios aeróbicos ajudam no rejuvenescimento da pessoa, pois retardam o ritmo em que a pele sofre com o passar dos anos. “Os exercícios aeróbicos ajudam pessoas que sofrem de hipertensão arterial e diabetes”, lembra o diretor do centro de reabilitação.

O residente José Afito de Souza Gomes afirma que graças aos exercícios físicos sua vidamuda diariamente. “É por meio do exercício físico e academia que descarrego todos os meus problemas. Depois das atividades fico mais leve, mais disposto e a vontade de viver e me curar da dependência química é maior”, disse. Os exercícios aeróbicos regulares vão além do rejuvenescimento, eles podem agir até como um anti-in-

AVALIAÇÃO

Educadores físicos montaram uma estratégia para um grupo de residentes. Eles são avaliados e somente a partir desse primeiro contato com o profissional da área iniciam as atividades

flamatório natural contra dores agudas, conforme pesquisa realizada pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). O centro de reabilitação conta com uma quadra poliesportiva e uma academia completa para que os residentes possam praticar as atividades físicas de forma moderada e sadia.


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

C7

Mulher cria tabela para ajudar marido adoentado FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Silvana Andrade descobriu método para se comunicar com esposo portador da doença esclerose lateral amiotrófica

Inconformada com a falta de comunicação com o marido, que só tinha como movimento o piscar de olhos, Silvana Andrade inventou uma tabela que permitiu a conversa entre o casal ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

Q

uase cinco anos sem poder falar, a primeira frase que o motorista Francisco das Graças, 60, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), conseguiu transcrever para sua esposa foi “Eu te amo”, por meio de uma tabela que a própria companheira criou depois de presenciar suas dificuldades diárias. A executiva de vendas Silvana Andrade, 44, desde que descobriu que o marido tinha a doença, procurou de todas as formas tentar ajudá-lo pois a cada dia ele regredia nos movimentos e na fala. Silvana não sabia que sua pequena tabela iria ajudar milhares de pessoas que foram diagnosticadas com esclerose e que continua ajudar, pois o método que foi adaptado de uma tabela mais simples que apenas usava as palavras dor e fome, relatando necessidades além do que poderia ser imaginado. Foi dessa forma que a executiva de vendas descobriu o que durante 1 ano e 8 meses se passava quando ela não estava presente e chegou a denunciar para a direção de um hospital particular as formas de maus tratos que o marido recebia de médicos e enfermeiros. A descoberta Num dia de chuva de 2005, o motorista precisou concertar o telhado da casa do casal, no momento em que teve o primeiro sintoma e que não conseguiu segurar, pois a mão direita deixou completamente de responder aos movimentos. Com a queda, Francisco ficou com a perna e braço direitos completamente sem movimento. Preocupado com a situação, o casal procurou um neurologista, que diag-

nosticou o motorista com um tipo de derrame raro e começou a tratá-lo. O caso de Francisco foi piorando, até que começou a atingir a sua fala. “Uma vez, ele bateu um carro no momento em que dirigia. O outro motorista, que pensava que meu marido estava bêbado, chegou até a acionar um agente de trânsito”, contou. Depois de fazer o exame do bafômetro e comprovar que não estava alcoolizado, Francisco e Silvana resolveram procurar outros especialistas, desde fonoaudiólogo a fisioterapeuta e cardiologista, para verificar se a situação podia melhorar. “Mesmo com todos os tratamentos, o Chico não melhorava, e cada vez mais a situação foi se agravando, foi quando resolvemos procurar outro neurologista mais reconhecido em Manaus”, lembrou Silvana. Com apenas alguns exames clínicos, o especialista identificou que o caso de Francisco se tratava de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), e que se a família quisesse, poderia procurar outros métodos em São Paulo (SP), para confirmar o diagnóstico. “O neurologista foi bem sincero e disse que a doença era degenerativa, e que meu esposo não teria muitos anos de vida, que havia vários estudos, mas nenhum tinha encontrado a cura para o Ela”, relembrou. O casal foi a São Paulo e só confirmou a doença. De volta a Manaus, o casal começou a fazer o tratamento em clínicas fisioterapeutas, mas como Francisco foi perdendo os movimentos, chegou um período que não conseguia mais andar. “Encomendei uma cadeira de rodas que teve que passar por reformas para ser adaptada para o Chico, pois com um tempo ele não conseguia nem controlar o movimento do pescoço”, detalhou.

Método simples e muito eficaz Depois que o motorista perdeu completamente os movimentos, Silvana tinha dificuldades para levá-lo ao médico e por isso começou a pagar pelas visitas na própria casa. Francisco começou a ter dificuldades até para se alimentar e passou por um acompanhamento nutricional. Como perdeu até a sensibilidade da garganta, começou a ter problemas quando se alimentava, com isso ficou desnutrido e foi internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Como

perdeu todos os movimentos, a única cominicação era o piscar dos olhos. “Então, comecei a buscar soluções para que ele pudesse se comunicar e foi quando pesquisava e pedia ajuda de Deus que tive a ideia de criar a tabela”, relatou. Silvana no outro dia levou uma prancheta para o hospital e uma tabela simples em que estava escrito o alfabeto. Do mesmo modo que fazia com a tabela dor e fome, a executiva contou para o marido que iria usar a técnica para tentar ver

se por meio das piscadas Francisco pudia contar o que sentia e conversar com as pessoas. A primeira tentativa foi logo um sucesso e um momento de emoção. “Quando chegou parte do ‘eu te’, já imaginava o resto da frase, mas me comoveu por saber que o método ira dar certo”. Foi dessa forma que ela conseguiu descobrir que o marido era mal tratado no hospital. “Ele contou até que um enfermeiro o abusava sexualmente, contou indignada.

Tabela de Silvana Andrade permite pessoas com esclerose lateral amiotrófica se comunicarem

Tabela foi reconhecida por médicos Quando Silvana contou na direção o que estava ocorrendo com o marido, os responsáveis foram surpreendidos, pois sabiam que Francisco não tinha condições de falar, então a executiva apresentou seu novo método. Desde então, Francisco começou a escrever várias cartas juntamente com sua esposa, e também relatou que uma de suas filhas, que não aguentava ver o pai daquele jeito, chegou a desligar seus aparelhos, mas os enfermeiros apareceram e religaram. Foi então que os médicos e enfermeiros começaram a utilizar a forma de comunicação da tabela com Francisco para saber detalhes do que ele sentia. Sempre sorridente, o motorista começou a fazer novas amizades no CTI, pois falava mais do que toda a equipe médica esperava. Com o sucesso da tabela, Silvana resolveu contar toda a história que estava passando com o marido no portal da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (Abrela), e então houve o reconhecimento do trabalho nacionalmente, onde outras famílias que tinham parentes nesse estado começaram a utilizá-lo.


C8

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015


MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

3 Capa

Detalhe de réplica de Klimt em cena do filme ‘Affordable Art’, de Loh Yeuk Sun

1

Dois Jean Genet em São Paulo

2

Cópias para decoração

E outras 7 indicações culturais. Pág. 2

As reproduções chinesas dos mestres da pintura. Pág. 3

Ao vencedor, tudo

A guerra cibernética veio para ficar. Pág. 4

4

Toucinho peludo

5

Uns soltos, outros presos

A sinuosa censura no Twitter chinês. Pág. 5

Diário de Havana. Pág. 6

Do arquivo de Joaquim Paiva

6

Paris, 1986. Pág. 7

7

A imaginação de Lina Meruane. Pág. 8

Sapateando eles, lá na sala. Eu não


G2

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 8 INDICAÇÕES

FOTOS: DIVULGAÇÃO

BRASILEIRO LIVRO | FERREIRA GULLAR O poeta e colunista da Folha agrupou nesta antologia alguns de seus versos prediletos, aqueles que provocam “aquele curto-circuito” e deslumbram as pessoas. “O Prazer do Poema” incluiu o romano Horácio, os franceses Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire, os norte-americanos Walt Whitman e Emily Dickinson. Do Brasil foram escolhidos, entre outros, Jorge de Lima, Murilo Mendes e Augusto dos Anjos. Edições de Janeiro | R$ 58 | 368 págs.

EXPOSIÇÃO | 14/15 A mostra coletiva com curadoria de Luiz Roque apresenta trabalhos de 17 artistas, entre eles Erika Verzutti, Marcos Chaves, Nino Cais e Regina Silveira. Apostando em obras figurativas, com predominância da escultura, a exposição faz alusão às exposições universais do início do século passado, científica e artística, que buscavam apresentar um panorama do conhecimento humano. galeria Bolsa de Arte | tel. (11) 3097-9673 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h | grátis | até 14/2

“Dupla {CZ1405 + AB1107}” (2014)

POP

ERUDITO

EXPOSIÇÃO | LUCIA KOCH “Duplas”, a nova mostra individual da artista gaúcha, propõe interação entre a arquitetura e a pintura ao apresentar um conjunto de portas e janelas que ganha novo significado pelo uso da cor. Mais uma vez Koch enfoca como nossa tentativa de compreender o mundo externo é limitada pelo o caráter transitório da visão. galeria Nara Roesler - Rio | tel. (21) 3591-0052 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 31/1

LIVROS | HABERMAS A editora Unesp lança duas coletâneas de ensaios do filósofo alemão, um dos principais intelectuais da atualidade. “Na Esteira da Tecnocracia” (2013) analisa os impasses da Alemanha e da Europa no começo do século 21. Já “Técnica e Ciência como ‘Ideologia’” (1968) compila textos acerca do impacto do progresso nas sociedades. “Na Esteira da Tecnocracia” | trad. Luiz Repa | R$ 52 | 264 págs. “Técnica e Ciência como “Ideologia”” | trad. Felipe Gonçalves Silva | R$ 42 | 208 págs.

SHOW | CHICO 70 Espetáculo com as cantoras Marina de la Riva e Roberta Sá e o grupo MPB4 celebra os 70 de Chico Buarque. No repertório estão canções célebres do compositor, como “Gota d’Água”, “Apesar de Você” e “Cálice”. Sesc Vila Mariana | sex. (16) e sáb. (17), às 21h; dom. (18), às 18h | R$ 12 a R$ 40

LIVRO | WALTER PATER “O Renascimento”, clássico estudo do ensaísta inglês (1839-1894) publicado pela primeira vez em 1873, contribuiu decisivamente para a compreensão da Renascença. Os comentários de Pater, dotados de sensibilidade única, sobre “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci, e “A Criação de Adão”, de Michelangelo, estão entre as grandes passagens da crítica de arte. “O Renascimento” | trad. Jorge Henrique Bastos | Iluminuras | R$ 48 | 212 págs.

CURSO | CINEMA “Blaxploitation e o Cinema Negro” irá abordar o boom de filmes produzidos por artistas negros nos EUA durante os anos 1970, traçando um panorama das transformações sociais e políticas ocorridas no país no período. Além de revisitar as principais obras do movimento (“Shaſt”, “Foxy Brown”), o curso ministrado pelo crítico Heitor Augusto comenta a influência desses filmes na carreira de diretores como Quentin Tarantino e Spike Lee. CineSesc | tel. (11) 30870500 | de seg. (12) a sex. (16), das 19h30 às 21h30 | R$ 15 a R$ 50

1 TEATRO | JEAN GENET O controverso escritor francês (1910-1986) volta aos palcos brasileiros em dose dupla. “As Criadas”, clássica peça de Genet na qual duas criadas planejam a morte da patroa, é encenada por Eduardo Tolentino de Araújo. A própria trajetória atribulada do autor, várias vezes encarcerado por crimes que cometeu, é retratada em “Genet - O Poeta Ladrão”, com texto de Zen Salles e direção de Sérgio Ferrara. “As Criadas” | Teatro Aliança Francesa | tel. (11) 3017-5699 | estreia na sex. (16) | de qui. à sáb., às 20h30; dom., às 19h | R$ 20 | até 22/3 “Genet - O Poeta Ladrão” | Teatro Nair Bello | tel. (11) 3472-2414 reestreia na qua. (14) | qua. e qui., às 21h | R$ 46 | até 12/2

ESTRANGEIRO

Obra sem título (2014), de Nino Cais

Folha.com

Ilustríssimos desta edição ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, 28, é jornalista da Folha. Assina o blog “Religiosamente” no site do jornal. CLAUDIUS CECCON, 77, é arquiteto e cartunista. GABRIELA LONGMAN, 31, é jornalista e mestre em história da cultura pela Escola de Altos Estudos de Paris. JOAQUIM PAIVA, 68, é fotógrafo e colecionador de fotografia. Parte de seu acervo fica em cartaz na exposição “Limiares”, no MAM do Rio, até 18/1.

JOSELY VIANNA BAPTISTA, 57, escritora e tradutora, publicou “Roça Barroca” (Cosac Naify). LOH YEUK SUN, 36, é cineasta. LINA MERUANE, 44, é escritora chilena. Publica em fevereiro o livro “Sangue no Olho” (ed. Cosac Naify). MARCO CHIARETTI, 56, é jornalista. MARIANA SERRI, 32, é artista plástica (marianaserri.com). ÚRSULA PASSOS, 27, é redatora da “Ilustríssima”.

DAFEN Veja trailer do filme “Affordable Art”, do chinês Loh Yeuk Sun FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ALMODÓVAR Cineasta espanhol fala da crise na Espanha, domusical baseado emseu filme e revela o nome de seu novo longa >>folha.com/ilustrissima


G3

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Artes CHINA

LOH YEUK SUN

RESUMO Dafen, na região de Shenzhen, no sul da China, produz cerca de 60% de todas as reproduções de pintura do mundo – no topo da lista estão obras de Monet e Van Gogh. Tema de livro e documentário, o local levanta questões centrais para a teoria da arte, como a identidade do artista e o valor da imitação.

2

Artistas trabalham em oficina de Dafen em cena do documentário ‘Affordable Art’

Fabricantes de réplicas Chineses fazem cópias de grandes mestres

ÚRSULA PASSOS

Imagine ter uma pintura de Monet na sala de sua casa, ou de Van Gogh, ou de Klimt. Não uma impressão sobre papel, mas um óleo sobre tela. Pois para quem não tem cifras que giram em torno dos US$ 100 milhões (R$ 270 milhões) – “O Retrato de Adele Bloch-Bauer II”, de 1912, de Klimt, foi vendido em 2006 por cerca de US$ 88 mi (R$ 237 mi) – e não se importa com autenticidade, há opções na China. O país dos grandes números e das cópias não fica atrás no quesito pinturas e produz, em um só lugar, cerca de 60% das reproduções de arte do mundo. Dafen, intitulado o bairro da pintura a óleo, na periferia de Shenzhen, cidade no sul da China, reúne em torno de 5.000 artistas. A região repleta de lojas,

ateliês e galerias – onde são pintadas e vendidas cópias de pinturas dos grandes mestres tanto das artes ocidentais quanto da arte chinesa – é tema do documentário “Affordable Art” (arte acessível) que o cineasta Loh Yeuk Sun, chinês de Hong Kong, está finalizando. Sun, que foi diretor de programas de televisão e já esteve no Brasil para o Festival Internacional de Curtas de São Paulo em 2011 com o filme “Random Travel” (viagem aleatória), conta à Folha que na primeira visita que fez ao local se sentiu hipnotizado. “É surpreendente ver tantos pintores nas ruas ou do lado de fora das galerias desenhando a óleo com grande habilidade e eficiência”, diz. “Aquilo me fez pensar se existe arte naquelas cópias profissionais. Quando conversei com eles percebi que a maioria daqueles pintores

ama tanto pintar que extrai satisfação no processo, mesmo que seja apenas uma imitação vendida por preços tão baixos”. Em Dafen, e também on-line em galerias que entregam em diversos países do mundo, é possível comprar réplicas dos girassóis de Van Gogh por US$ 50 (cerca de R$ 135). Shenzhen é também sede do parque Window of the World (janela do mundo), semelhante ao parque menor próximo a Pequim que serve de cenário ao filme “O Mundo” (2004), de Jia Zhang-ke. Aberto em 1994, o espaço reúne 130 reproduções em tamanho reduzido de marcos de diferentes lugares do mundo, como o Taj Mahal, as pirâmides do Egito e a Torre Eiffel, em escala de 1:3. É como dar a volta ao mundo em um dia. Modelo Em 2004, Dafen foi ele-

vada a modelo de indústria cultural. Na ocasião, o governo chinês, respondendo a acusações de violações de direitos autorais do Ocidente, alegou que, graças às habilidades de imitação dos artistas dali, consumidores de todo o planeta podiam ter acesso ao mundo da grande arte, como conta Winnie Wong em “Van Gogh on Demand: China and the Readymade” [University of Chicago Press; 320 págs., R$ 66,71, e-book na Livraria Cultura]. O livro da professora da Universidade da Califórnia em Berkeley parte do caso de Dafen para investigar a relação entre a apropriação chinesa da cultura ocidental e a construção no imaginário do Ocidente de uma China que representa o mimetismo por excelência. A cópia como método de aprendizagem, comum nas academias de artes no mun-

do todo, faz parte da cultura chinesa e de sua pedagogia, ligada ao pensamento de Confúcio, para quem copiar é um exercício de humildade, grande valor de seus ensinamentos. No bairro de pintores, donos de oficinas contratam e treinam centenas de aspirantes a artistas e camponeses que abandonaram o meio rural mudando-se para Shenzhen, uma das Zonas Econômicas Especiais do país. “Se você for eficiente e tiver habilidades básicas de desenho você pode trabalhar ali”, afirma Sun. “Com exceção daqueles que passaram por escolas de artes nas grandes cidades, muitos dos pintores não estão interessados nos artistas das pinturas originais e não têm conhecimentos sobre esses personagens. Eles estão preocupados com o tamanho da pintura, porque é o tamanho que determina o preço”. Desde 2008, existe um órgão fiscalizador de violações de direitos autorais em Dafen. Porém, ainda que a lei chinesa permita reproduções de artistas que morreram há mais de 50 anos, os quadros de Salvador Dalí, morto em 1989, por exemplo, estão entre os copiados. Os outros favoritos em Dafen são Monet, Van Gogh, Bouguereau, Klimt e o russo Ivan Chichkin. Ainda que existam pintores originais na região e copistas que realizam todas as etapas de um mesmo quadro – estes mais caros –, grande parte dos empregados ali executa tarefas como em uma linha de montagem. Venda Cerca de um terço do valor da venda do quadro fica com os pintores. “Eles encaram isso como um trabalho e o fazem para sobreviver, recebem ordens e repetem a tarefa como trabalhadores de fábricas. Mas o dinheiro que recebem é bem mais do que o salário de uma fábrica qualquer na China e as condições de trabalho também são muito melhores”, afirma Sun. Há também artistas recémsaídos das escolas de artes que, por conta da grande concorrência em Xangai e Pequim, começam a carreira em Dafen. “Eles insistem em fazer pinturas originais, muitas vezes por um preço abaixo da cópia”. Em seu livro, Wong defende que Dafen não é apenas onde são feitas “cópias chinesas ‘perfeitas’ de originais ‘verdadeiros’ ocidentais” por trabalhadores explorados em más condições de trabalho, mas um lugar que abarca práticas artísticas eminentemente modernas e

contemporâneas. Para ela, assim como os artistas conceituais, os de Dafen levantam questões centrais para a história e a teoria da arte, tais como técnica, habilidade, delegação, autoria, fotografia, gênero e participação do Estado. Segundo Sun, artistas chineses famosos vão em busca das habilidades técnicas dos pintores de Dafen para finalização de seus próprios trabalhos, antes de vendêlos pelo preço que o prestígio de seus nomes acrescenta às obras. Para ele, o local estimula a discussão sobre a comercialização da arte, a identidade do artista e do pintor copista e sobre os valores da arte e de sua própria imitação. Dança das paredes Ainda que a região próxima ao porto de Hong Kong tenha ligações com a pintura desde o século 18, com número crescente de oficinas nos anos 1980, e que exista uma demanda de pinturas para exportação para a Europa no sul da China desde a década de 1760, o governo criou uma narrativa oficial de “fundação” de Dafen que remete a apenas um homem: Huang Jiang, um negociante de Hong Kong que fundou “a primeira” oficina de pintura em Dafen em 1989. A região conheceu o auge da fama e das vendas em meados dos anos 2000, exportando cerca de US$ 193 milhões (R$ 521 milhões) entre 2006 e o começo de 2008, segundo a Associação da Indústria de Arte de Dafen. Porém, a região sentiu as consequências da crise financeira que atingiu os Estados Unidos e a Europa – então maiores compradores de suas reproduções. “A maioria dos quadros vendidos em Dafen são para decoração de ambientes, não apenas de casas, mas de hotéis e centros de compras”, explica Sun. “O cliente pode até ter algum conhecimento de arte, mas não tem dinheiro o suficiente para comprar obras de artistas conhecidos”. Em 2012, as exportações em Dafen caíram 50% e os chefes das mais de 1.200 oficinas tiveram de cortar seu pessoal. Hoje, praticamente recuperada, a região dá mais atenção ao gosto local e, além de reproduções ocidentais em óleo, produz cópias de arte tradicional do país. Criações originais respondem por cerca de 20% das vendas. Afinal, apesar da crise imobiliária nos EUA, as paredes chinesas não param de subir e precisam de quadros para serem pendurados nelas.


G4

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Internet

RESUMO O conflito cibernético entre EUA e Coreia do Norte evidenciou a emergência da era da guerra virtual, que envolve dois gigantes, os EUA e a China. Os norte-americanos preparam-se desde que a internet foi inventada e a China é acusada, há mais de uma década, de promover ataques virtuais contra países rivais.

MARCO CHIARETTI

A Coreia do Norte já foi a parte mais rica da Coreia. Foi. Décadas de ditadura depois, é um lugar miserável, onde milhões passam fome, e o poder é ocupado por uma dinastia imperial-comunista, a família Kim. O ditador de turno, Kim Jong-un, neto do fundador do regime, governa com mão de ferro. No fim do ano passado, Kim enfureceu-se com uma comédia produzida pela Sony. Ele até teria uma boa razão para se irritar: no filme, dois norte-americanos viajam ao país com um plano para assassiná-lo. Aliás, teria duas boas razões: “A Entrevista” é muito ruim. Mas como tudo que incomoda Pyongyang é problema, computadores da Sony foram “invadidos” por desconhecidos. Milhares de

3

O campo de batalha dos guerreiros virtuais Potências trocam tiros na rede dados confidenciais, inclusive filmes que ainda não haviam estreado e e-mails comprometedores dos dirigentes da companhia, foram distribuídos pela web. As ações da Sony despencaram. Poucos dias depois, o que já era ruim, piorou: enquanto a empresa, assustada, declarava que desistia de lançar o filme (mais tarde, desistiu de desistir), a internet coreana sofreu uma série de apagões, e o que eram ataques de crackers viraram batalhas cibernéticas, com Pyongyang acusando Washington. O mundo entendeu que já havia começado a era da “cyberwar”, a guerra cibernética. Nela, há dois protagonistas: Estados Unidos e China. Os norte-americanos estão nisso desde que a internet foi inventada, ou antes. Os chineses são acusados há mais de uma década de atacarem virtualmente alvos no Ocidente, de forma sistemática e planejada. De fato, a guerra já começou – e faz algum tempo. A China tem uma milenar

tradição militar, e mais de um bilhão de habitantes. Tem conhecimento e gente. Ao mesmo tempo, a ditadura chinesa há anos vem desenvolvendo maneiras de interferir na internet, parte do processo de controle que o sistema exige para se manter. Há no país, que afinal é uma ditadura, o ambiente de segredo que facilita o processo todo. É difícil, se não impossível, saber o que o Estado chinês e seu aparato de segurança estão desenvolvendo. Há décadas sabe-se que as Forças Armadas do país espionam segredos industriais pelo mundo. E há dezenas de casos relatados de vírus que infectaram computadores ocidentais cuja origem mais do que provável foi chinesa. Uma série de ataques cibernéticos a instalações em vários países do mundo, entre os quais os Estados Unidos e a Índia, teriam partido da China, segundo os atacados. O Exército chinês teria até uma unidade especial, a Unidade 61.398, treinada só

para a guerra virtual, cuja existência os norte-americanos dizem ter detectado ao menos desde 2002. Cinco membros da unidade foram indiciados pela Justiça dos EUA – embora pareça difícil imaginar um processo desses avançando. Uma operação apelidada GhostNet, descoberta em 2009, espionou gente em dezenas de países durante anos. Também em 2009, essa mesma unidade militar, cuja sede parece estar em Xangai, teria desfechado uma série de ataques contra empresas, como Adobe, Yahoo, Symantec e Morgan Stanley, na chamada Operação Aurora. Desde 2006, uma empresa de segurança vinha detectando ataques remotos, sempre originados da China, que chegaram a atingir o Comitê Olímpico Internacional. É claro que a China sempre negou qualquer responsabilidade, e nunca reconheceu a existência da Unidade 61.398. E é claro que o país se prepara para essa nova guerra há muito tempo.

Antiga Em suas diversas formas, a guerra é tão antiga quanto os homens. Seu princípio básico é sempre o mesmo: ganha quem matar mais, fizer mais prisioneiros, destruir mais, arrasar mais. Guerrear é para os fortes, e azar dos vencidos. Como o vencedor fica com os despojos, desde a origem as guerras tinham um aspecto complementar: é para destruir e matar, mas, se for possível, deixar uma parte para os vencedores. Guerra é também um negócio. Um negócio que desde sempre impulsionou a tecnologia. A necessidade de matar mais e mais rápido – e impedir que os outros façam o mesmo com o seu lado – é uma espécie de processo veloz de seleção natural. Sobram os “melhores”. No século passado, o radar, os aviões a jato, os computadores, por exemplo, foram inventados ou desenvolvidos porque militares precisavam deles. Os avanços tecnológicos acabaram criando uma situação sem saída: a guerra

tornou-se destrutiva demais. Com a invenção da bomba atômica e seu filhote mais terrível, a bomba de hidrogênio, já não havia mais nada para se apropriar. O vencido, em uma guerra termonuclear, desaparece. Seu território torna-se um deserto radioativo. Vencer uma guerra assim é inútil. E perigoso: se o outro lado revidar da mesma forma, não sobra mais ninguém. Guerras termonucleares foram concebidas para não serem travadas, seguindo a tese da Mutual Assured Destruction, destruição mútua assegurada, cuja sigla em inglês, MAD [louco], diz tudo. Os chineses também construíram suas bombas, no começo dos anos 1970, mas nessa briga eles eram coadjuvantes. O momento inicial da saga de James Bond no cinema nasce justamente aí: o satânico dr. No é um chinês. Mas seus esforços são inúteis. O lado de lá era muito mais forte, mais esperto, mais preparado. Houve, é claro, muitas guerras depois da invenção da bomba H, mas só entre países sem armas nucleares, ou guerras nas quais um dos lados tem armas nucleares, mas o outro não. A Guerra do Vietnã é um exemplo de guerra assimétrica, e nela o mais fraco conseguiu desenvolver táticas que o favoreceram. Os vietnamitas não venceram nenhuma batalha, mas ganharam a guerra. Novo cenário Ao mesmo tempo em que as bombas se tornavam cada vez mais terríveis, os norte-americanos criaram algo que alterou esse cenário todo: uma rede de computa-


G5

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

KNS - 24.04.2014/AFP

4 RESUMO O conflito cibernético entre EUA e Coreia do Norte evidenciou a emergência da era da guerra virtual, que envolve dois gigantes, os EUA e a China. Os norte-americanos preparam-se desde que a internet foi inventada e a China é acusada, há mais de uma década, de promover ataques virtuais contra países rivais.

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

O ditador Kim Jong-un mostra a militares da Coreia do Norte as possibilidades de um computador

dores, que poderia continuar funcionando caso a capital do país fosse destruída. A Arpa (depois Darpa, sigla em inglês para a Agência de Pesquisa Avançada de Projetos de Defesa dos EUA) criou a internet há mais de 40 anos. A rede cresceu, mudou, invadiu o mundo. Tudo é operado via internet, via rede. Sistemas de gás e eletricidade, por exemplo, só funcionam na escala necessária hoje em dia por causa de redes de computadores conectados. O mesmo se dá com a distribuição de água, o sistema de esgoto, a logística das empresas, os malhas de transporte, as telecomunicações. E com as escolas, o metrô, os bancos, as bolsas de valores e a receita federal. A Justiça está conectada – e os processos começam a existir somente em forma de bits e bytes. Os governos funcionam (ou não) em rede. Nada está fora dela. Atacar a internet de um país pode ser letal. Imagine o que aconteceria se o sistema bancário brasileiro fosse paralisado, por exemplo: a economia do país sofreria um colapso. Intacta A “cyberwar” é rápida, imperceptível, virtual. E tem, em relação a outras formas de guerrear, uma enorme vantagem (para o vencedor): terminadas as batalhas virtuais, a infraestrutura do derrotado continuará lá, intacta. O sistema está parado, mas as fábricas existem e os operários estão vivos. Não há como alimentá-los, transportá-los, curá-los, mas estão lá. O vencedor leva tudo. Além disso, países mais fracos, militar e economi-

camente, podem usar suas armas. É a forma perfeita para uma guerra assimétrica. Basta treinar pessoas – e esconder tudo isso dos potenciais inimigos. Guerras cibernéticas exigem quadros preparados, conhecimento e segredo – nada assim é simples de obter. É preciso gente capaz de desenvolver programas, e capaz de desenhar as defesas contra esses mesmos programas. Exige-se uma enorme quantidade de conhecimento. E é preciso segredo, já que o segredo é, no fundo, a principal arma dessa nova guerra. O inimigo nem sabe de onde veio o ataque. Ao contrário de armas nucleares, por exemplo, que precisam ser testadas, precisam de mísseis que podem ser fotografados e exigem grandes fábricas e instalações para serem montadas, a guerra cibernética é quase invisível. São só pessoas, afinal. Os norte-americanos saíram na frente nesse cenário. Há centenas de milhares de pessoas no país potencialmente treinadas para se tornarem guerreiros cibernéticos. A enorme maioria delas nem pensa nisso. Mesmo assim, há gente suficiente. E estruturas voltadas para isso: a mais conhecida é a NSA, a Agência Nacional de Segurança, cujo objetivo é preparar-se para essa nova forma de lutar, onde o segredo é a alma do negócio. Nos seus primeiros 30 anos de existência, a NSA nem existia oficialmente. Seu trabalho principal era e é ouvir os segredos do mundo (inclusive do Brasil). Por isso, sua atenção especial nos sistemas de criptografia

– e nas formas de sabotar esses sistemas. Os Estados Unidos têm outra vantagem: são norte-americanas as empresas que desenham e produzem a maior parte do hardware da internet mundial: Cisco, Oracle, Intel, AT&T, Verizon, Microsoft, IBM. Esse poder todo é usado há décadas, e não só para espionar. Em 2010, um vírus extremamente complexo, o Stuxnet, infectou o sistema que controlava as centrífugas do programa nuclear iraniano, reprogramando as máquinas e atrasando em anos o desenvolvimento eventual de uma arma nuclear por Teerã. Suspeitos principais: Estados Unidos e Israel. A Rússia, a herdeira da União Soviética, também tem quadros suficientes para uma guerra dessas. Aliás, foram russos alguns dos primeiros momentos deste novo tipo de conflito. Na Estônia, em 2007, e na Ossétia do Sul, em 2008, o braço virtual do urso russo foi posto em funcionamento. O país é conhecido por ser a pátria de crackers extremamente competentes no que fazem, e é claro que o Estado russo tem sua parte nisso. Mas o país cedeu seu lugar para a atual superpotência rival de Washington, a segunda economia do mundo, a China. Na guerra cibernética, o Império do Meio não é coadjuvante, mas protagonista. Como se vê, a Coreia do Norte tem seguido os passos de seu gigantesco vizinho. A guerra cibernética é barata, afinal, e seus efeitos, devastadores. Como, aliás, os acionistas da Sony já perceberam.

Quem manda na internet chinesa? Boa pergunta. O sino-americano Jason Ng, professor de ativismo digital na Universidade Columbia, em Nova York, ainda não sabe como respondê-la. “Seria simplista dizer ‘ah, foram aqueles comunistas do partido’. É mais complexo do que isso”. Mas uma coisa é certa para Ng: quem quer que dê (ou tire) a palavra final, não tem muito senso de humor ou tem até demais. O que talvez explique por que já foi impossível buscar por “fetiche por pé”, “meia-calça” e “toucinho peludo” no Sina Weibo, a rede social predileta num país com cerca de 600 milhões de conectados – três vezes a população do Brasil. Em 2013, Ng compilou 150 termos “proibidões” no livro “Blocked on Weibo: What Gets Suppressed on China’s Version of Twitter and Why” (Bloqueado no Weibo: o que é suprimido na versão chinesa do Twitter e por quê; The New Press). O pesquisador selecionou 700 mil palavras em mandarim a partir do Wikipedia, “uma base melhor do que o dicionário por incluir apelidos e termos coloquiais”. Criou então um soſtware que, 24 horas por dia, ao longo de dois meses, detectou quais palavras caíam na malha fina da internet chinesa. Chegou a 1.000 expressões (0,14%) e explorou as 150 que julgou mais simbólicas. Na prática, as palavras podem ser postadas pelo internauta, mas uma busca por elas levaria a zero resultados e ao recado: “Com base em leis e regulamentos chineses, os resultados da pesquisa não foram mostrados”. Os termos não são exilados para sempre. Às vezes, só ficam bloqueados em períodos sensíveis. Próximo ao aniversário do massacre da praça da Paz Celestial, por exemplo, a rede social baniu referências a “6/4” (4 de junho em inglês), “LXIV” (64 em algoritmos romanos) ou “oito ao quadrado” (... 64). Até o videogame Nintendo 64 entrou no balaio. “Mas isso provavelmente foi só alguém fazendo cagada”, afirma Ng. Proibidão No quesito sexo, os censores do Weibo parecem ter sido selecionados pelo RH da

Sina Weibo, Twitter chinês, veta termos sexuais e políticos Liga das Senhoras Católicas. O que é considerado perversão pode acabar no limbo virtual. Daí banirem temporariamente expressões como “liànzú” (podolatria), “zhao xiaojie” (“procurando por uma garota”, eufemismo para prostituição), “mimi” (onomatopeia do miado e também sinônimo para “tetas”) e “kùwà” (meia-calça, considerada sexy demais). “Wúmáo”, que em português significa “sem pelos”, entrou no índex como coisa de quem está atrás de genitálias depiladas. Já “hairy bacon” (toucinho peludo) é um assunto cabeludo por outro motivo. Trata-se de um pseudônimo para o corpo embalsamado de Mao Tse-tung (1893-1976), explica Ng enquanto morde um sanduíche de presunto no Hungry Ghost, café no Brooklyn nova-iorquino. Ao contrário do que o Ocidente pensa, o dia a dia não se resume a uma incessante caça de gato e rato entre governo e ativistas, diz Ng. Na maioria das vezes, a decisão de bloquear esta ou aquela palavra para seus usuários vem do próprio Weibo. “A censura é bem menos óbvia do que parece e muitas vezes parte das próprias empresas. Assim como o Facebook contrata gente para saber que tipo de conteúdo deve ser deletado”, explica o pesquisador. Babygate Chineses adoram um bafo. Em 2011, por exemplo, o de Baby Guo Meimei, uma linda menina de 20 anos, era tão saboroso quanto deletável. Baby, que lembra a Mulan da Disney no guarda-roupa da Miley Cyrus, exibia sua vida “VVip” (very, very important people) para quase dois milhões de seguidores no Weibo. Ela postava selfies num closet para bolsas da grife Hermès. Posava com seu “pequeno touro”, o Lamborghini laranja que dirigia no Sul. O Maserati branco para as tardes de Pequim era o “pequeno cavalo”. Não demorou para Baby cair desse cavalo. Ao mesmo tempo em que divulgava a filosofia “beijinho no ombro” de vida, dizia ser gerente na Cruz Vermelha chinesa. Um internauta apontou que a jovem, na verdade, era a amante bancada por um conselheiro da entidade. O Weibo não gosta de escândalos. Sobretudo um que possa colocar o Partido Comunista Chinês no olho do furacão: cabe a ele regular a Cruz Vermelha, seriamente abalada após as peripécias de Baby. Saldo: volta e meia, a busca por “fu nu” (mulher rica) no Weibo volta zerada. O termo é usado pejorativamente para criticar a riqueza obscena de esposas, amantes e filhas de empresários e funcionários públicos. “Quando a província Sichuan, dizimada por um grande terremoto em 2008, experimentou tremores mais mortais em 2013, o nome de Meimei reapareceu on-line. Sua corrupção virou advertência para quem quisesse doar a instituições de caridade do Estado”, diz Ng, um tipo magro que cultiva um ralo bigode sob os óculos de aro preto. Para Ng, a politização em larga escala do Weibo é uma

fantasia ocidental. A maioria dos internautas prefere compartilhar no Weibo (“microblog” em mandarim) pequenezas cotidianas, como o que comeu no café da manhã (macarrão cozido é bem popular), imagens fofinhas de filhotes de gato e panda e fofocas sobre celebridades. Não muito diferente do que se vê no Brasil. Boa parte da juventude chinesa, mesmo viciada em web, nunca viu a ocidentalmente famosa foto do homem que desafiou sozinho uma fileira de tanques em 1989 – Ng cita uma pesquisa informal em que apenas 15 de cem universitários de Pequim souberam identificar a imagem icônica. É como se, em 2026, menções ao “9/11/2001” fossem tão memoráveis para os Estados Unidos quanto um quadro do aspirante a pintor George W. Bush. O “Babygate”, contudo, tinha sex appeal para envolver o “cidadão comum” na crítica massificada ao governo. “Nem todos os internautas escrevem sobre política, mas a internet ainda pode ter um impacto político muito grande na China”, diz Emily Parker, autora de “Now I Know Who My Comrades Are: Voices from the Internet Underground” (Agora eu sei quem meus camaradas são: vozes da internet underground; Sarah Crichton Books, 2014). “Mesmo sem fazer uma revolução, ela pode transformar a China. Não vai criar instantaneamente a democracia, é claro, e os grupos nacionalistas também estão on-line. Mas a internet está proporcionando maior acesso à informação e a sensação de que você não está sozinho”. Em seu livro, Parker, exeditora do “New York Times” e colaboradora do “Wall Street Journal”, narra como a internet vem transformando a vida na China a partir de histórias como a de Zhao Jing. Em 1999, ele era o recepcionista que entreouvia nos corredores do hotel sobre o protesto de estudantes que o governo literalmente atropelara numa praça na capital do país, dez anos antes – episódio que nenhum jornal gastara tinta para divulgar. Acabou chegando em suas mãos um dossiê com fotos e relatos do que aconteceu na praça da Paz Celestial. Sob o codinome Michel Anti, ele foi fundo no tema e acabou criando seu próprio blog com críticas ao Partido – fechado em 2005 pela Microsoſt, que o hospedava. “Perguntei-lhe por que a internet era importante na China, e ele disse: ‘Porque agora eu sei onde meus camaradas estão’”, relata Parker. Em 2000, o então presidente americano, Bill Clinton, comparou a censura imposta aos “camaradas” chineses à tentativa de pregar gelatina na parede. Quinze anos depois, a autocensura virou uma poderosa ferramenta para silenciar vozes dissidentes. Atinge o Sina Weibo, que prefere pisar em ovos a pisar no calo do governo, e também o internauta receoso de ser convidado para “tomar um chá” com a polícia. Por ora, diz Jason Ng, “a China tem tido sucesso em manter a gelatina longe do chão”.


G6

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Diário de Havana O MAPA DA CULTURA

5 O berço dos heróis Libertação e prisões anunciam ano agitado

GABRIELA LONGMAN

É 26 de dezembro. Num antigo casarão estilo francês no bairro de Vedado, quase 300 pessoas se reúnem no pátio arborizado. A confraternização de final de ano do Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos – órgão vinculado ao Ministério das Relações Exteriores – é um misto de discursos inflamados, música e comida. Teria tudo para ser a típica “festa da firma” à la cubana. Uma porção de costela de porco e arroz é servida em bandejas de isopor, enquanto um conjunto ao vivo dá o tom do baile. Um tipo de bigode, no entanto, circula por ali com status de celebridade: todos querem lhe apertar a mão, todos querem uma foto. Fernando González vai de mesa em mesa distribuindo cumprimentos e sorrisos. Ao lado de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González e Ramón Labañino, González é um dos “cinco heróis”, agentes de inteligência cubanos presos nos Estados Unidos em 1998. Desde o dia 17 de dezembro, quando anunciou-se a liberação

dos três que faltavam , os órgãos de informação do governo só falam do quinteto. No dia 28, uma escultura gigante em homenagem aos heróis foi inaugurada no vilarejo de Jaimanitas, a 30 quilômetros da capital. Lembrete No Museo de Bellas Artes, o acontecimento reverbera na forma de uma instalação do artista cubano Kcho, “No Agradezcan el Silencio”. Ali, num espaço que reproduz uma cela de segurança máxima da prisão federal americana (FDC), o visitante é convidado a colocar um macacão laranja de prisioneiro e a ler sobre a rotina que os “cinco heróis” tiveram durante 17 meses nesse tipo de detenção. De acordo com um artista contemporâneo que não quis ter seu nome identificado, Kcho vem comprometendo seu trabalho e sua reputação artística ao vincular-se, sem ressalvas, à política oficialesca. “Nenhum general jamais foi visto num evento de arte em Havana, mas Kcho, sim, tornou-se o grande amigo de Fidel”, cutuca. Depois que nomes importantes da arte contemporânea deixaram o país (Los Carpinteros vivem

especialmente em Madri; Ricardo Brey estabeleceu-se na Bélgica), uma nova geração começa a se estruturar em torno da FAC (Fabrica de Arte Cubana), fábrica de azeites transformada num misto de galeria de arte, espaço de projeções e balada. Em torno desse grupo alternativo circula também Tania Bruguera, presa no dia 30 depois de articular uma performance

na praça da Revolução. Intitulada “El Susurro de Tatlin #6”, a ação planejada consistia em deixar um microfone aberto para que os cidadãos expressassem sua opinião sobre o governo. O Conselho Nacional de Artes Plásticas de Cuba (CNAP) classificou a proposta como “inaceitável”. A prisão de Tânia e ao menos 12 outros dissidentes gerou uma grita internacional que fez com que

a soltassem poucos dias depois, mas soa como um lembrete. O controle não terminou. Desconfiados O palavreado excessivo sobre o retorno dos heróis parece inversamente proporcional ao silêncio sobre a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos e os próximos passos da abertura econômica. De taxistas

a músicos, de artistas a manicures, as esperanças para o novo ano se renovam, mas sempre com reticência. “Dos americanos nunca se sabe o que se pode esperar. Mas quem passou pelo Período Especial [entre 1989 e 1994, momento de racionamento e fome em todo o país] está preparado para tudo”, diz Suarez, barman do Hotel Nacional. Espécie de Copacabana Palace havanês, o Nacional é o hotel histórico que hospeda chefes de Estado, abonados e artistas. No lobby, uma grande árvore de Natal recebe hóspedes e visitantes com uma faixa ao redor: “Fidel: volveran nuestros héroes”. “Nada nos deixa mais felizes que saber que os heróis vão passar o Ano Novo com suas famílias”, conta Milena Lopez, bilheteira no Memorial José Marti, fã de Fidel e de boas novelas brasileiras. “As mulheres brasileiras são lindas. A Camila Pintanga bem poderia ser cubana”, diz, diante da praça da Revolução. A prisão de vários dos dissidentes aconteceria ali mesmo, poucas horas depois, anunciando a chegada de um ano efervescente, sin perder la ternura.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

6 Um jantar com Cartier-Bresson Paris, 1986

DEBORAH NÚÑEZ/DIVULGAÇÃO

JOAQUIM PAIVA

Uma das noites de que me lembro com maior prazer foi aquela em que conheci Henri Cartier-Bresson, o grande fotógrafo francês. Eu estava com Sebastião Salgado e Lélia, sua mulher. Lélia me telefonara alguns dias antes para convidar-me a acompanhá-los à casa de Cartier-Bresson, em Paris, que nos receberia para jantar. O convite era irrecusável. Foi no final de novembro de 1986, quando me encontrava em Paris para uma reunião da Unesco. Henri, como o chamam os amigos, morava na rue de Rivoli, em um apartamento com vista para o Jardin des Tuileries, ao fundo da Torre Eiffel, que naquela noite me parecia mais iluminada do que nunca. Estavam presentes na ocasião a mulher de Bresson, Martine Frank, fotógrafa; o filho deles, que saiu mais cedo pois viajava para Milão; Josef Koudelka, fotógrafo tcheco; sua mulher, americana; e Ana Fárová, curadora de fotografia, tcheca. Um saboroso menu libanês, com um toque vegetariano, nos foi servido. Sebastião Salgado comentou, na ocasião, que eu colecionava fotografias, e Cartier-Bresson me perguntou o que eu colecionava. Disse-lhe que principalmente fotografia brasileira contemporânea, mas que também tinha seis fotos de Diane Arbus e dez de Ansel Adams, ambos americanos. Bresson me questionou sobre o fato de eu possuir fotografias desses dois famosos fotógrafos, como a insinuar que nada via neles de especial. Fiquei sem saber o que lhe responder, pois não imaginava que se pudesse duvidar da importância de Arbus e Adams. Arrependo-me de não lhe ter afirmado com maior ênfase a minha admiração por ambos. A recordação que guardo de Cartier-Bresson é a de uma pessoa elegante. Não haveria como ser de outra maneira, já que a elegância é uma das marcas da sua obra fotográfica. Presenteou-me com o livro “Henri Cartier-Bresson”, edição Les Cahiers de la Photographie, com fotos e desenhos seus, no qual escreveu “À Joachim très cordialement Henri”, e com o catálogo “Henri Cartier-Bresson, Zeichnung und Fotografie”, que reunia desenhos e fotografias de exposição que realizara pouco antes em Mannheim, Alemanha. Dedicou este “à Joachim avec mon souvenir le meilleur Henri”. Em retribuição, dei-lhe exemplar do catálogo da exposição “A Imagem do Corpo Nu”, organizada pela Funarte, no Rio, em setembro daquele ano, da qual eu era um dos oito fotógrafos convidados. Koudelka, cujo trabalho eu já conhecia e de quem o Centre National de la Photographie, em Paris, publicaria em 1998 seu belo livro “Exils”, impressionou-me por parecer muito arredio, calado, distante. Mas as pessoas podem ser assim... A capa de “Exils” mostra um cão sobre um campo coberto de neve, na França, em 1987, fotografia na qual se sobressai o contraste entre o animal, exageradamente negro, quase uma silhueta, e a neve branca e cinza a perder-se de vista. O cão inquieto, a procurar algo com impaciência e avidez. “Ele [Koudelka] fotografa cães magnificamente. Errantes, como ele próprio”, diz Robert Delpire na introdução de “Exils”, que recebeu o prêmio de melhor livro de fotografia de 1988, concedido pelo International Center of Photography de Nova York. Anna Fárová surpreendeu-se quando lhe disse que já a conhecia, em mais de uma oportunidade, de minhas leituras fotográficas. Ela redigira a introdução do livro de fotografias do seu compatriota Josef Sudek, de autoria de Sonja Bullaty, amiga e ex-assistente do fotógrafo. Ele, que viveu em Praga, foi um poeta da imagem. O livro é muito bonito, um dos meus preferidos. “As fotografias de Sudek, impressionantemente belas – desde as primeiras fotos dos anos 20, de uma atmosfera esfumaçada, até as posteriores, imagens mais surrealistas – parecem ainda mais notáveis à luz de sua deficiência física”, lê-se na orelha do livro. Sudek perdera o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial, lutando na Itália. Fárová admirou-se por eu a ter lido. A surpresa dela parecia maior quando se dava conta de que o seu leitor vinha do outro lado do oceano. Apesar de tudo, o mundo da fotografia não é assim tão grande. Terminado o jantar, Sebastião e Lélia estavam alegres e irradiando vigor. A alegria de Tião me chama a atenção, desde que a percebi melhor uma vez, quando o vi sair de sua casa parisiense, de moto, assobiando animadamente. Anos mais tarde, viria a saber que ele costuma fotografar cantarolando. Na despedida, agradeci aos dois pela carona oferecida, mas preferi caminhar até o meu hotel do outro lado do Sena, para poder sentir o frio da noite de outono e passar pela bela ponte Alexandre 3º, embalado pelo delicioso vinho que tomara na companhia de pessoas tão especiais.

Dedicatória de Cartier-Bresson para Joaquim Paiva em que se lê: para Joaquim, com minha melhor lembrança


G8

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

7

O estouro

RESUMO O trecho aqui reproduzido abre o livro “Sangue no Olho”, que a Cosac Naify lança em fevereiro. O primeiro romance da escritora chilena a ser traduzido no Brasil narra em primeira pessoa os obstáculos enfrentados por uma mulher que fica cega após ter seu olho encharcado de sangue.

LINA MERUANE TRADUÇÃO JOSELY VIANNA BAPTISTA ILUSTRAÇÃO MARIANA SERRI

Estava acontecendo. Naquele momento. Fazia tempo que tinham me avisado e, no entanto. Fiquei paralisada, as mãos molhadas de suor empunhando o ar. As pessoas na sala prosseguiam com suas conversas e gargalhadas, até sussurrando exageravam, enquanto eu. E alguém gritava mais alto que os outros, baixem o volume do rádio, não façam tanta bagunça que à meia-noite em ponto os vizinhos vão chamar a polícia. Me concentrei naquela voz estrondosa que parecia não cansar de insistir que mesmo aos sábados os vizinhos iam dormir cedo. Aqueles gringos não eram gente de passar noites em claro como nós, não eram dados a farras, de jeito nenhum. Eram protestantes e protestariam se não os deixássemos dormir em paz. Do outro lado das paredes, sobre nossos corpos e também sob nossos pés, agitavam-se todos aqueles gringos acostumados a madrugar já com a meia no pé e os cadarços amarrados. Gringos que, com a roupa de baixo impecável e a cara engomada, sentam-se toda manhã para comer seu cereal com leite frio. Mas ninguém ligava para aqueles que não conseguiam pregar os olhos, para suas cabeças afundadas sob os travesseiros, para suas gargantas atulhadas de comprimidos que não lhes trariam nenhum alívio se continuássemos sapateando em seu descanso. Sapateando eles, lá na sala. Eu não. Eu fiquei agachada no quarto, com o braço estendido para o chão. E de repente me peguei pensando na insuportável vigília dos vizinhos, imaginando que iam apagar as luzes depois de enfiar tampões ressecados nos ouvidos; que os empurrariam com tanta força que o silicone acabaria estourando.

Pensei que preferia ser eu a ter os tampões arrebentados, ser eu a ter os tímpanos trepanados por seus estilhaços. Queria ser a velha que cobre firmemente as pálpebras com a máscara, para tirá-la em seguida e acender a luz. Queria isso porque minha mão ainda suspensa não encontrava nada. Só gargalhadas etílicas atravessando as paredes e me salpicando com sua saliva. Só a voz estridente da Manuela dizendo sem parar por cima da gritaria, pô, galera, um pouco de silêncio! Não, por favor, não, pensei, continuem falando, continuem vociferando, uivem, soltem grunhidos se for preciso. Morram de rir. Eu dizia isso a mim mesma com o corpo todo tenso, embora poucos segundos tivessem se passado. Tinha acabado de entrar no quarto de casal, acabado de me inclinar, eu, em busca da minha bolsa e da seringa. Precisava me injetar à meia-noite em ponto, mas não ia conseguir, porque o precário equilíbrio dos casacos derrubou minha bolsa no chão, porque em vez de parar cuidadosamente, como devia, eu me dobrei e estiquei o braço para apanhá-la. Foi então que um fogo de artifício atravessou minha cabeça. Só que o que eu via não era fogo e sim sangue vertendo dentro do meu olho. O sangue mais espantosamente belo que já vi na vida. O mais incrível. O mais assombroso. Fluía aos borbotões, mas só eu podia percebê-lo. Vi com absoluta clareza como o sangue se adensava, vi que a pressão aumentava, vi que estava atordoada, vi que meu estômago revirava, que sentia ânsia de vômito e, no entanto. Não me levantei nem me movi um milímetro, nem mesmo tentei respirar enquanto observava o espetáculo. Porque essa era a última coisa que eu veria, naquela noite, com esse olho: um sangue intensamente negro.


plateia@emtempo.com.br

(92) 3090-1042

DIVULGAÇÃO

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Artistas x fãs

A cantora Lucilene Castro acredita que a educação é a medida mais indicada para evitar conflitos

Além de uma poderosa plataforma de divulgação de trabalhos artísticos, as redes sociais também facilitam o contato entre artistas e fãs, dos elogios às críticas

A

pesar de constituir uma poderosa plataforma para a divulgação do trabalho artístico, as redes sociais também facilitam o acesso entre o público e ídolo. A exposição de uma opinião ou fato da vida pessoal podem ser motivos de grandes polêmicas para os artistas, que às vezes reagem negativamente ao assédio no meio digital. Um caso bastante conhecido envolveu Zezé Di Camargo, que discutiu com fãs na rede social Instagram, sobre uma foto que revelava a tatuagem da nova namorado do cantor. Nos comentários, ele se irritou e respondeu de forma grosseira, chamando a atenção da mídia nacional. Para o cantor Zezinho Corrêa, a publicação de informações que fogem de assuntos profissionais pode ser perigosa. “As pessoas têm opiniões diferentes e diversas formas de se analisar um assunto. Ao emitir uma opinião sem ser solicitado ou contatado para aquilo, o artista enfrenta um público amplo que pode ou não concordar com o que ele diz”, esclarece. Zezinho, que alcançou sucesso internacional com a banda Carrapicho na dé-

cada de 90, faz parte de uma geração artística que não teve as redes sociais como principais aliadas na carreira. Porém, ele acredita nos benefícios do meio digital e aconselha que, apesar do cuidado, o artista precisa aceitar as vaias e tentar não se manter distante de seu público. “Acima de tudo, os artistas são seres humanos, são imperfeitos. As críticas têm que ser aceitas e entendidas como uma forma de melhorar o nosso trabalho, de entender que erramos. O público nem sempre vai gostar do que os artistas publicam, eles têm uma expectativa muito alta quando se trata dos próprios ídolos e então não querem ver algo contrário às suas opiniões”, diz o cantor. Pessoalmente, Zezinho confessa que nunca entrou em uma discussão pública na web e que procurou sempre resolver o conflito de forma pacífica. “Eu tento solucionar marcando reuniões com grupos e dialogando sobre o problema. Acredito que a presença humana e o olhar ainda são essenciais. É muito fácil criticar alguém por meio da máquina, mas pessoalmente a situação é diferente. A dica é nunca quebrar, nunca partir e sempre encontrar uma solução”, afirma.

Discernimento A cantora Lucilene Castro acha que quando se é artista, a exposição é imediata. “É preciso que você tenha um discernimento para receber os elogios e críticas de uma forma serena. Obviamente, as críticas muito pesadas ofendem, pois, ninguém gosta de ser atingido por pedras e sempre que fazemos um trabalho acreditamos que fazemos o melhor. Porém, também defendo que o feedback do público tem que ser feito de forma respeitosa”. Quanto às opiniões pessoais que acabam ofendendo parte do público, Lucilene acredita que a educação é a medida mais indicada para evitar conflitos. “Se você emite opiniões grosseiras e mal educadas, é claro que você vai ofender alguém. O artista, por ser uma figura pública, tem que ter esse cuidado sempre”. Embora já tenha se manifestado algumas vezes nas redes sociais em repostas às críticas, a cantora amazonense afirma que procura a sensatez. “Eu procuro não me envolver muito e entender que aquilo é uma coisa rápida e efêmera. Logo, surge outro assunto para se criticar e as pessoas acabam esquecendo. Em vez de me estressar, acho melhor deixar a poeira baixar”, declara.

Irritado com comentários O cantor sertanejo Zezé Di Camargo se irritou com fãs que criticaram a tatuagem feita pela namorada, Graciele Lacerda, em outubro de 2014, na rede social Instagram. Ao agradecer à Graciele, que tatuou as iniciais G e ZC com um coração, Zezé acabou entrando numa discussão por meio dos comentários. Além das críticas à própria tatuagem, uma das inter-

nautas falou sobre o relacionamento do cantor. “Como você é burro Zé, ela vai dar um golpe em você. Eu acho é pouco, tá se achando demais porque está namorando uma...”, escreveu a fã. A resposta polêmica do cantor ao comentário veio logo em seguida. “Ela pode até dar um golpe porque ela é linda, agora você com essa cara não consegue dar um nem em um jumento”. Zezé Di Camargo já discutiu com uma internauta por discordar de comentários feitos por ela

DIEGO JANATÃ

SÉRGIO RODRIGUES Especial EM TEMPO

Cantor já foi alvo de críticas Cileno já foi alvo de críticas no Facebook há cerca de dois anos quando opinou sobre homossexualidade na rede social. Segundo o cantor, o texto publicado não expressou corretamente seu argumento e abriu margens para interpretações erradas. “Sofri um terrorismo virtual por umas duas semanas, mas admito que não usei as palavras corretas e que quando se é uma pessoa pública você

passa por esse tipo de coisa. Mesmo após esse caso, não deixei de usar o Facebook, só que agora tomo muito mais cuidado com o que escrevo. Respeito as opiniões de todos que têm críticas contra mim e não deleto comentários a não ser que sejam ofensas muito pesadas”. De acordo com Cileno, o artista tem que estar preparado para lidar com os dois lados da moeda em uma rede social. “É uma

ferramenta muito poderosa para eu me comunicar com meus fãs quando estou longe dos palcos. Mas, é também um lugar onde você pode sofrer represálias. Acho que quando o artista reage de uma forma ofensiva contra seus fãs, devido a críticas a seu trabalho ou a sua vida pessoal, isso mostra o quanto ele não está preparado para ser uma figura pública”, ressalta o cantor.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Caderno D

Plateia

Cileno diz que respeita as opiniões de todos que têm críticas em relação a ele, mas deleta comentários ofensivos


D2

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

>> Niver com charme . A bela Yasmin Aziz ganhou festa de aniversário, quinta-feira com jantar très chic. . O local onde aconteceu o petit comitê? No restaurante Village, com uma ala fechada para o evento, que reunia apenas a família da aniversariante e um grupo de amigos. . Noite cheia de charme com menu especial e a simpatia dos Aziz, amigos queridos da coluna. Noite dez.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br A bela Yasmin Aziz, aniversariante da temporada, no jantar que movimentou o Village, na quinta-feira Yasmin Aziz e a mãe Ingrid Fraxe

Amin Aziz com a filha Yasmin e a noiva Camila Barbosa

Andréa e Mansur Aziz com Lili Cantisani

Murad Aziz e Marília Zuazo e Júlia Zuazo

Ítalo, Júlia e Carla Ismail

Marcos e Josana Mundstock

Ana Paula Perrone e o filho Léo

Samara Aziz e Maurício de Souza

Os irmãos Yasser, Yasmin e Aminzinho Aziz

>> Feijoada de Carnaval vai agitar o society

Yndira Aziz

. Tudo ok! O principal evento do high society de Manaus no Carnaval, já tem data e local escolhidos! . Será no dia 7 de fevereiro, no novíssimo Village Festas, juntando o melhor elenco da cidade, no evento que tem uma bela camiseta/convite, item que será customizado pelo time de socialites de Manaus, que anualmente dão o charme especial na festa com tempero carnavalesco. Aliás, este é um dos poucos eventos de Carnaval que ainda reúne society em Manaus. . A feijoada será preparada pela equipe cinco estrelas do Village e a Banda Impakto, além de uma bateria de escola de samba, dará tom à festa. As camisetas podem ser adquiridas pelo contatos : 99985-1422, fone e whatsaap. Agendem. Muhammad Aziz, Guilherme Pinto e Geovana Andrade

Amim Aziz e a bela Camila Barbosa

‘DRAG RACE’

AMAZON

Del Toro produz série de fantasia SÃO PAULO, SP – Guillermo del Toro, diretor de “O Labirinto do Fauno”, vai transformar um de seus projetos de filme em uma série na Amazon. O cineasta escreverá o roteiro do

primeiro episódio de “A Killing on Carnival Row” com Travis Beacham e Rene Echevarria, além de assumir a direção e produzir a série. A trama se passa em uma

cidade em que humanos, fadas e outras criaturas coexistem. No roteiro original, um detetive busca um assassino serial que tem como alvo criaturas místicas.

Reality estreia nova temporada SÃO PAULO, SP – “Nascemos nus, o resto é drag”, canta a artista norte-americana RuPaul, 54, na canção “Born Naked”. Os versos parecem traduzir o estilo e o legado da estrela do mundo drag – termo que designa homens que se travestem de mulher em performances. Desde 2009, ele está à frente do reality show “RuPaul’s Drag Race”, exibido no país pelo serviço de TV sob demanda Netflix. Em sua sétima temporada (estreia em 26/1 nos EUA e chega ao Brasil ainda em 2015), a atração é uma competição em que participantes disputam a

coroa de “próxima superstar drag”. Ganha quem mostrar mais “carisma, singularidade, determinação e talento” nas provas de costura, atuação e “montação”. As provas transformaram o programa em fenômeno onde é exibido. A Netflix não fornece dados de audiência, mas é possível perceber que a atração caiu no gosto brasileiro pelas festas em homenagem à atração e as turnês de ex-participantes pelas capitais do país. “Sério?”, surpreende-se RuPaul, aos risos, quando a reportagem explica que haverá sete shows de suas “afilhadas” no Brasil de janeiro a março de 2015. “Esperava sucesso nos EUA, mas jamais imaginei que virasse hit mundo afora”, diz à reportagem, por telefone. Na conversa, ele – fora dos palcos,

Competição entre drag queens comandada por RuPaul é exibida no país pelo Netflix

RuPaul pede para ser chamado no masculino – confirmou a versão inglesa do programa, disse que está negociando uma edição alemã e contou que adoraria produzir um “Drag Race” brasileiro. “Estive no Rio de Janeiro no Carnaval de 1996 e adoraria voltar. Me diverti muito!”, relembra. “[Os brasileiros] são as pessoas mais bonitas que já vi na vida”, completa. O sucesso, os fãs célebres – Scarlett Johansson e Lady Gaga são espectadoras declaradas – e os contratos publicitários obtidos pelas participantes, porém, não mudam sua crença de que o drag ainda é uma cultura underground e deve permanecer assim. “Mesmo no mainstream, o drag tem um quê de politicamente incorreto”, comenta. Supermodel RuPaul Andre Charles, seu nome de batismo, cresceu em San Diego (EUA) como um garoto obcecado pelo trio pop e soul The Supremes, liderado pela cantora Diana Ross. Em 1987, ele se mudou para Nova York, onde se firmou nos clubes locais e conseguiu uma ponta no clipe “Love Shack”, do B-52’s. O sucesso veio com o disco “Supermodel of the World”, de 1992. Até a estreia de “Drag Race”, RuPaul estava relegado à memória do início dos anos 1990. “Agora vivo o auge da minha carreira, como vivi.” Apesar de estar há sete anos no ar, “mama Ru”, como é chamada pelas competidoras, diz que só agora o programa teve suas primeiras filhas. “Pela primeira vez, as concorrentes cresceram vendo ‘RuPaul’s Drag Race’. Elas entendem a linguagem e são competitivas de um jeito inédito.”


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

D3

Casarão oferece curso de férias com foco na dança BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO

P

ela primeira vez o Casarão de Ideias – espaço cultural ligado a todas as artes – realizará um curso de férias com foco na dança, mais especificamente no balé clássico intermediário e na dança contemporânea. As aulas, ministradas pelos bailarinos Getúlio Lima e Adriana Góes, iniciam amanhã e seguem até sexta-feira, 16, das 16h às 17h30 (clássico) e 17h30 às 19h (contemporânea). As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no próprio local, localizado na rua Monsenhor Coutinho, 275, Centro. Segundo João Fernandes, diretor do espaço cultural, um dos diferenciais do curso de férias é a música ao vivo. “No caso do clássico, muitas escolas oferecem as aulas, mas as músicas são por meio de CD. Neste curso, especificamente, os bailarinos terão a participação da pianista Halina Kuusshynchykava que, juntamente com o Getúlio, poderão trabalhar a questão dos movimentos do corpo no tempo da música, tudo ao vivo. Algo que é bem diferente quando se usa um disco, por exemplo”, explica.

Getúlio Lima, que é diretor e integrante do Corpo de Dança do Amazonas (CDA), apresentará técnicas para alunos que já possuem noção de balé clássico. “A ideia é potencializar as técnicas ensinadas nas escolas de Manaus. Ele é um profissional com um respeitado currículo e, durante o curso, poderá trocar informa-

AO VIVO

Um dos diferenciais do curso de férias, de acordo com o diretor do Casarão de Ideias, João Fernandes, é a utilização de música ao vivo com a pianista Halina Kuusshynchykava ções com os alunos, ter esse feedback sobre o balé clássico dentro do Estado”, comenta. Responsável pelas aulas de dança contemporânea, a bailarina Adriana Góes – também integrante do CDA – apresentará aulas mais “livres”, como o próprio Fernandes fez questão de ressaltar. “Nesse caso, a intenção é explorar o corpo, explorar movimentos de pes-

soas que estejam na mesma vibe. A Adriana é coreógrafa e sabe a melhor maneira de despertar os movimentos certos em cada um”, diz. Professor do curso de Dança da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fernandes afirma que o curso tem ganhado cada vez mais destaque dentro do Estado. “Temos essa noção quando abrimos as inscrições para o vestibular. Sempre são disponibilizadas 40 vagas e contamos com 300 inscritos, o que é um número expressivo”, avalia. Ele atribuiu essa procura ao fato da população ter se conscientizado que a dança pode ser muito mais do que uma atividade de bem estar. “Ela pode ser um ofício. A dança tem conquistado espaço no mercado de trabalho. E agora na UEA estamos, inclusive, com uma pós-graduação. Porém, é bom lembrar que somente a universidade não é o suficiente. O bailarino tem que se especializar”, finaliza. Para participar do curso de férias, os interessados precisam ter acima de 14 anos. No caso do curso intermediário clássico, é necessário experiência no balé clássico. O investimento é R$ 100, por curso.

DIVULGAÇÃO

ARTCENA

Além do público infantil, a Artcena oferece cursos de férias para adolescentes e adultos

Atividades culturais variadas A Escola de Teatro Artcena preparou várias atividades culturais para as férias do público amazonense, com opções para todas as idades. Na última semana teve início o Curso de Teatro Intensivo, que vai até o próximo dia 30, onde será estudado o primeiro módulo e toda a base teatral. Para as crianças, está sendo finalizada a primeira semana da Colônia de Férias Cultural, com 25 participantes. Durante esta semana elas aprenderam teatro, dança, artes circenses e jogos criativos em equipe. E, atendendo a pedidos, a duração da colônia foi prolongada e, na próxima semana, haverá atividades para as crianças que já participam e também

para novos inscritos. A colônia será realizada de amanhã até o dia 16 de janeiro. A programação inclui jogos teatrais, oficinas de expressão corporal, artes circenses com malabares, acrobacias e perna de pau, artes manuais, confecção de balangandãs, origami, brinquedos com objetos recicláveis e jogos de competição na gincana, para estimular nos pequenos o espírito esportivo, liderança e a importância do trabalho em equipe. O público-alvo são crianças de 5 a 11 anos. E para os adolescentes e adultos, a professora chilena Luna Toselli – que tem no currículo formação em desenho, corte e confecção de moda pela Escuela de Diseño e Vestuário IK – vai ministrar a Oficina

de Máscaras, voltada para artesãos, atores, cenógrafos e interessados. Nesse curso, o aluno irá aprender as técnicas de papel machê, pintura, gesso e uso de materiais reutilizáveis. O objetivo é estimular o aluno a reutilizar materiais que também poderão ser a matéria-prima para criar e confeccionar um dos grandes símbolos do teatro, a máscara. O curso vai ser promovido de 12 a 16 de janeiro, de 14h às 17h. As inscrições para os cursos podem ser realizadas na Escola de Teatro Artcena (avenida Tancredo Neves, 619, Parque 10). Os telefones para informações são 3342-2425 e 9112-1866. O site da escola é o www. artcena.art.br.

DIVULGAÇÃO

O espaço cultural promoverá, a partir de amanhã, oficinas de balé clássico intermediário e dança contemporânea

SERVIÇO CURSO DE FÉRIAS Quando: De 12 a 16 de janeiro, das 16h às 17h30 e das 17h30 às 19h Onde: Casarão de Ideias (rua Monsenhor Coutinho, 275, Centro) Quanto: R$ 100, por curso Informações: (92) 3633-4008 ou 98116-7098

A oficina de balé clássico intermediário será orientada pelo bailarino Getúlio Lima


D4

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

RESENHA

EP novo para a Katastro E

PERFIL

Emir Fadul Radialista da Rádio EM TEMPO

m uma de minhas visitas ao site de acervo musical SoundCloud descobri essa fantástica banda americana do Arizona chamada Katastro. Fundada em 2007, após injetar no mercado quatro álbuns de pouca expressão, a banda revoluciona sua sonoridade e nos presenteia com seu quinto CD, intitulado “No Mud No Lotus”, lançado em novembro do ano passado. O quarteto é formado por Andy Chaves nos vocais, Andrew Stravers na bateria, Tanner Riccio na guitarra, e Ryan Weddle no baixo. Influências à parte, a banda se inspira no West Coast Hip Hop tendo presença marcante a atmosfera noventista, como Red Hot Chili Peppers, Incubuse até o lendário mestre das guitarras, Jimi Hendrix. O primeiro single do novo LP, “Runaway”, rapidamente saltou para o topo do SoundCloudeTrending Música Chart, com mais de 35 mil acessos em apenas uma semana. Esta é a primeira vez que a banda trabalha com um produtor ao longo de todo o processo de composição e gravação. Curtis Douglas (The Maine, Eagles, Austin Gibbs e Sarah Robinson, The MidnightSpecial) no Mountain Studios Red se propôs a criar um trabalho que seja aberto e acessível, preservando o seu estilo de assinatura. Com um novo pro-

DIVULGAÇÃO

dutor e uma visão objetiva, a Katastro entrou em estúdio por um mês e meio, e surgiu com o EP “No Mud No Lotus”. O nome é derivado da ideia de Yin e Yang em que, para alcançar o sucesso e felicidade, você tem que experimentar alguns momentos difíceis, ou seja, significa que para ter a felicidade que você deve experimentar o sofrimento. A flor de lótus só pode crescer na lama. Você não pode ter um sem o outro e eles andam de mãos dadas, aí justifica-se o nome. O vocalista Andy Chaves é conhecido por sua versatilidade vocal natural, capaz de mudar habilmente de estilos indo do rock ao hip hop facilmente. O trabalho com Douglas como produtor fez toda a diferença na concepção do álbum. O grupo produz uma sonoridade muito peculiar, aplicando grooves com bastante contratempo e utilizando efeitos de delay na guitarra, que faz um preenchimento saudável no sumo musical. Letras falando de amor sempre dão certo, e com os americanos não foi diferente. Neste álbum as melodias recorrem a arranjos simples, mas coesos, resultando uma sonoridade bem agradável. Destaque para a música de trabalho “Runaway”, campeã de acessos mostrando uma nova cara aos grooves tradi-

SERVIÇO cionais. Sempre batendo no tempo inverso, imprime um volume diferente e sempre subindo o clima da música. Acha-se pouco esta combinação no mercado musical, principalmente no pop-rock tradicional. Ouvindo os discos anteriores da banda, percebe-se um amadurecimento incrível atribuído ao produtor Douglas, que percebeu o potencial dos gringos e o fez aflorar! Esta então vai como dica para os que optam por um som bem desenvolvido e rico em acordes sinuosos e bem diferente das produções cotidianas. Ouça a Katastro com a

FICHA TÉCNICA Título No Mud No Lotus (9 faixas) Artista Katastro Produção Moutain Studios Red Ano Novembro/2014

mente aberta e descubra que muitas surpresas agradáveis virão nesta esplêndida audição. Espero que todos sejam surpreendidos como eu fui ao conhecer esta banda! Os fãs podem encontrar maiores informações no site oficial, www.katastro.com.

O grupo produz uma sonoridade muito peculiar, aplicando grooves com bastante contratempo e utilizando efeitos de delay na guitarra, que faz um preenchimento saudável no sumo musical”

DIVULGAÇÃO

‘INDIE COMICS’

Quadrinhos locais em destaque De 15 a 31 de janeiro, mais precisamente nas quintas, sextas e sábados deste mês, sempre a partir das 15h, a Strat Cult realizará o “Indie Comics Manaus”, no Sesc Centro, que tem como objetivo apresentar artistas locais por meio de seus trabalhos, além de ministrar palestras e promover encontros. O evento contará ainda com a exposição “A Voz do Fogo”, com quadrinhos que homenageiam Alan Moore, e a mostra “Tiras de Humor e Liberdade”, com trabalhos de diversos artistas. A ideia é mostrar aos fãs de quadrinhos o material produzido na cidade, ampliar a visibilidade dos artistas e aumentar o alcance de suas obras. “Para que haja um mercado de quadrinhos autorais na cidade, precisamos fomentar um público disposto a consumir esse material, e nada melhor para isso que viabilizar a

aproximação artista-público”, diz Evaldo Vasconcelos, organizador do evento. As três formas de interação desenvolvidas foram: mesas dos artistas, no qual o público poderá comprar o material e conhecer o trabalho de cada um dos artistas convidados; palestras e encontros com os profissionais, onde será possível conhecer o processo de criação dos quadrinhos e informações técnicas sobre a nona arte e as duas exposições coletivas. Exposições A principal atração do evento, sem dúvida, será um espaço para exposições e venda de obras autorais. Nele, os fãs de quadrinhos poderão encontrar com quadrinhistas, chargistas, ilustradores e profissionais de diversas outras áreas. A organização do evento já

tinha em seu planejamento uma exposição coletiva de trabalhos com tema livre, mas devido ao atentado à equipe do “Charlie Hebdo”, na França, que matou 12 pessoas entre elas quatro cartunistas (um

ATRATIVOS

A exposição “A Voz do Fogo”, com quadrinhos que homenageiam Alan Moore, e a mostra “Tiras de Humor e Liberdade”, com trabalhos de diversos artistas, estão entre os destaques do evento deles sendo Wolinski, que veio a Manaus em 2007 como jurado do Amazonas Film Festival), o tema foi alterado. “O que aconteceu foi um atentado à liberdade de expressão, à tolerância. Cartu-

nistas morreram por terem satirizado e questionado. Isso nos faz pensar e rever conceitos e analisar os limites da fé, e repensar valores”, comenta Vasconcelos. Ainda durante o evento temas ligados a agressão aos chargistas serão abordados. Para completar as atividades, todas as sextas e sábados haverá mesas abertas de RPG e Boardgames, com a equipe do grupo RPG Urbano, ensinando os interessados e apresentando o mundo dos jogos desplugados. A organização conta com o apoio de artistas visuais que tenham interesse em colaborar com a exposição coletiva. As obras serão recolhidas até o dia 13 de janeiro, na Galeria Moacyr de Andrade, no Sesc Centro (rua Henrique Martins, 427), das 15h às 20h. Mais informações podem ser adquiridas pelo e-mail strategoscultura@gmail.com.

Objetivo do “Indie Comics” é ampliar a visibilidade de artistas da cidade

CINEMA

Proibidas filmagens de perseguição em Roma SÃO PAULO, SP – Autoridades romanas negaram o pedido da produção do longa “Spectre”, da franquia James Bond, para filmar uma perseguição de carro na esquina das Quattro Fontane, monumentos históricos renascentistas. Federica Galloni, conselheira municipal, disse em entrevista ao jornal italiano “Il Messagero” que a cena foi vetada porque o local

“é frágil demais em termos de arquitetura”. Ela disse ainda que os produtores foram aconselhados a utilizar efeitos especiais para criar a sequência. O local chamado de “Quattro Fontane” é a intersecção entre a Via delle Quattro Fontane e a Via del Quirinale, na capital italiana, que tem, em cada uma de suas esquinas, uma fonte do período renascentista.


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

D5

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

TV Tudo Observação Já foram feitas mudanças no posicionamento dos repórteres e gravações de cabeças. Mas algo que, particularmente chamou atenção e acabou sendo alvo de críticas, foi uma reportagem do Zeca Camargo no exterior – cujo objetivo era mostrar os bastidores da teledramaturgia. Entendeu o Boninho que não tem cabimento ele, o Zeca, sair daqui do Brasil, para fazer “prova de roupa” na Índia. Não pode falar Como aqui se falou, a Globo só irá anunciar o elenco de “Verdades Secretas”, nova novela do Walcyr Carrasco para as 23 horas, depois de resolvidas as questões contratuais. Até lá, todos, incluindo o seu autor, estão terminantemente proibidos de se manifestar sobre isso. Vale lembrar “Verdades Secretas” tem alguns nomes assegurados em seu elenco, solicitados pelo seu autor desde o início dos trabalhos. Deborah Secco, Rodrigo Lombardi e Reynaldo Gianecchini, entre eles. Passo importante Ainda sobre “Verdades

REGI

GLOBO

Curiosidade Sérgio Guizé, um dos protagonistas de “Alto Astral”, tem dois amores na novela. O primeiro é Nathalia Dill, seu par romântico dentro e fora da história. E o outro, Nathália Costa, a Bella. O ator tem um carinho tão grande pela menina, que faz questão até de convidar os familiares dela para os eventos em sua casa. Secretas”, há o desejo de se encerrar a busca pela protagonista da novela, uma lolita, nesses próximos dias. A informação é que o diretor Mauro Mendonça Filho até já tem essa pessoa. Agora sim Uma antiga reivindicação do telespectador da Globo, finalmente, será atendida. O programa “Profissão Repórter”, comandado por Caco Barcellos nas noites de terça-feira, passará a ser apresentado mais cedo, a partir deste ano. Agora sim 2 Conforme a coluna havia informado, o programa irá ao ar imediatamente após a primeira linha de shows. Na sequência do “BBB 15”

no primeiro momento e, em abril, depois de “Tapas & Beijos”. Tal informação... Apenas vem aumentar ainda mais as suspeitas de que a chamada terceira linha de shows da Globo não vai mais existir. Os programas que a ela pertenciam, ou irão mudar de horário ou simplesmente deixarão de ser produzidos. A origem de Bella Em cenas previstas para exibição em fevereiro, o autor Daniel Ortiz começa a revelar os mistérios da personagem Bella, vivida pela menina Nathália Costa, em “Alto Astral”, da Globo. Também a partir daí, a novela entrará em uma nova fase.

Bate–Rebate • A Caprichosos de Pilares está oferecendo todo suporte necessário para a escola de samba da “Império”... • ... Durante o desfile da novela vários dos seus integrantes irão servir como apoio. • A grade da Rede Globo para este 2015 ainda não está totalmente fechada... • ... Existe ainda uma série de detalhes que só serão resolvidos no decorrer dos próximos dois meses. • Luiz Bacci passou a última semana gravando pilotos do novo jornal que irá apresentar, a partir desta segunda, na Band... • ... O programa, sob o título “Café com Jornal – edição Brasil”, será exibido às 8 da manhã. • Novela “Babilônia” continua acelerando os trabalhos em externas. Na última semana foram feitas várias cenas na praia do Leme.

Estreia transferida Longe da tradicional pressão que existe sobre as novidades da televisão, o que se observa na Globo, agora, é que o seu alto comando passou a oferecer o oxigênio necessário para que suas equipes possam implantar seus novos projetos. O “Zorra Total”, com novo formato, não vai mais estrear em abril. Ficou para maio, mais precisamente no dia 2, opção que a sua nova equipe entendeu como suficiente para realizar todos os ajustes prometidos.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Aqui se disse, há alguns dias, que Marcelo Meira conquistou um novo posto na Band. De acordo com o comunicado distribuído para todos os setores, ele assumiu a VicePresidência Executiva de Televisão, cargo que até então não existia. Dentro desse novo organograma, Meira só fica atrás do dono, Johnny Saad, e de Walter Ceneviva Vieira – vice-presidente executivo.

Márcio Braz E-mail: mbrazsantana@gmail.com

A gestão cultural

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

O processo de formação regional no âmbito das políticas públicas para a cultura e, neste sentido, pensarmos qual o tipo de gestor cultural que melhor sincroniza com o espírito do ambiente é sempre relevante nos voltarmos ao processo de construção de tais políticas ao longo da história de modo com que tenhamos, por fim, uma panorama dos obstáculos enfrentados para a efetivação de um projeto nacional para a cultura e quais os principais itens que moldaram a face política brasileira remediada para o plano cultural – consequentemente e supracitadamente para o gestor cultural (ou os gestores culturais) habilitados a desempenhar tal tarefa, ou diríamos melhor, desafio. Preferimos direcionar melhor nosso olhar ao profissional que atua em órgãos públicos pois convergente de modo mais objetivo às nossas necessidades e interesses. É difícil enfrentarmos o fantasma do populismo onde tudo é festa, pão e circo, enquanto que ações de mapeamentos culturais, políticas de inovação entre ciência, tecnologia, cultura e educação são deixadas de escanteio pois não dão voto e não interessam ao espetáculo da mídia a que os políticos almejam. De repente você, um universitário, pós-graduado, falante de dois ou mais idiomas, viajado, conhecedor de vários aspectos da gestão cultural e da administração se vê como um tecnocrata a mais, uma secretária sempre com o caderno apostos a anotar o último recado. As políticas culturais no Bra-

sil, neste começo de século 21, de algum modo atualizam e ressignificam os debates em torno dos chamados direitos culturais, formulados pela Unesco em 1966. A autonomização do indivíduo em detrimento do Estado é a principal evidência sugerida pelos direitos humanos. O que não é de se espantar, haja vista as atrocidades cometidas não só pelo partido nazista mas sobretudo a dos próprios regimes imperialistas que subjugavam as gentes de suas colônias de forma a deixálas à revelia de toda a sorte de infortúnios – como foi o caso da Inglaterra, por exemplo, e suas posses na Ásia. Para pensarmos no futuro da gestão cultural e do sujeito que o realiza é necessário que haja uma revolução cultural na política de modo que nossos representantes compreendam a cultura como algo presente, natural e essencial na vida dos seres humanos e que uma política cultural tende não só a potencializá-la mais a compreender os aspectos mais comezinhos de sua produção. Já temos uma experiência relevante neste sentido: o país consolidou-se aos trancos e barrancos como nação, estabeleceu uma literatura e uma indústria editorial; além disso, produziu um músico de talento sem igual nas Américas em todo e século 19, Carlos Gomes; investiu em tecnologia patrocinando as audácias e marcantes peripécias de Alberto dos Santos Dumont; além de uma série de escritores que começaram suas carreiras em ambiente profissional, como Machado de Assis, um dos maiores das Américas.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

É difícil enfrentarmos o fantasma do populismo onde tudo é festa, pão e circo, enquanto que ações de mapeamentos culturais são deixadas de escanteio”


D6

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Programação de TV

DIVULGAÇÃO

SBT 3h45 Jornal da Semana SBT 5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda a Roda Jequiti 17h45 Sorteio da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente com Gabi 23h Série: Nikita 0h Série: Rizzola & Isles 1h Série: Pessoa de Interesse 2h Big Bang 3h15 Jogo da Gente 4h Igreja Universal

GLOBO

A dupla Victor & Leo comanda as atrações do programa “Sai do Chão”, na Rede Globo

Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um dia para ter uma visão sem ilusões a respeito de si mesmo, e também de sentimentos e afeições. Pode ser desconcertante, mas você se perceberá com mais clareza.

4h28 Santa Missa 5h29 Amazônia Rural 5h57 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h30 Globo Rural 7h25 Auto Esporte

Cinema

8h Esporte Espetacular – Basquete 3x3 11h Esquenta 12h29 Sai do Chão: Victor & Leo 13h38 Temperatura Máxima. Filme: O Dia Depois de Amanhã 15h40 Domingão do Faustão 19h Fantástico 21h18 Domingo Maior. Filme: O Dia Que a Terra Parou 23h02 Sessão de Gala. Filme: Revolução em Dagenham 0h48 Corujão. Filme: Busca Explosiva 2h13 Mentes Criminosas 2h55 Mentes Criminosas 3h36 Série

RECORD 4h Santo Culto em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids – Pica Pau 9h Domingo Show 13h30 Hora do Faro 17h30 Domingo Espetacular 21h15 Repórter em Ação

22h15 Roberto Justus + 23h15 Programação IURD

REDE TV! 5h30 Igreja Int. da Graça 8h TV Kids 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado 13h En Circuito 14h30 Jardel Deltrudes 15h15 Sempre Bem 15h45 Concessionário 16h Te Peguei 16h30 Viagem Cultural by Decolar 17h Te Peguei 17h30 Encrenca 19h15 Te Peguei na TV 20h45 Havaí 5.0 21h30 Teste de Fidelidade 22h30 Luta Tribal 23h30 É Notícia 0h30 XFC Internacional – VT 1h30 Igreja Int. da Graça

Cruzadinhas

PRÉ-ESTREIA

TOURO - 20/4 a 20/5 Sua relação com o prazer sensual precisa ser transformada e refinada. A manutenção de seus princípios deve impedir algo que lhe agrada, mas lhe faz mal. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Seus desejos afetivos podem ser negados por situações duras e impositivas. As relações sociais e as amizades sofrem por isso algum tipo de baque ou mesmo uma perda. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Momento para olhar de perto os aspectos mais difíceis e conflituosos em sua profissão. As ilusões que pudesse estar alimentando no trabalho serão transfiguradas. LEÃO - 23/7 a 22/8 A realidade imediata impõe os caminhos do dia. O cultivo de pensamentos agradáveis, mas talvez superficiais, será interrompido bruscamente por urgências práticas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Sentimentos fortes tendem a invadir, perturbar e mudar a sempre frágil harmonia das relações afetivas. Pode haver uma decepção consigo mesmo ou com a pessoa amada. LIBRA - 23/9 a 22/10 O momento requer uma revisão das relações afetivas e do modo como confia nas pessoas. É preciso não se empolgar superficialmente, para evitar mais desilusões ainda. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Vênus em conflito com Plutão, seu regente, indica mudança forçada e imprescindível no trabalho e na lida com conforto e hábitos de saúde. Cuide bem das outras pessoas. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Tendência a viver fortes conflitos no amor, em seus sentimentos e com a pessoa amada. Você sonhou errado e agora a realidade lhe cobra voltar ao que faz sentido de verdade. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Possível rejeição ao que tentem lhe trazer de bom e agradável. Sua insatisfação ou angústia perturba o clima emocional a sua volta, e em especial em seu lar. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento para aprender sobre o amor e sobre a maneira de se aproximar das pessoas. Algum impedimento exige refinar e ampliar o uso da sensibilidade nas relações. PEIXES - 19/2 a 20/3 As situações exigem dispor de suas coisas de modo mais impessoal O gosto por certos bens materiais é contrariado frontalmente, exigindo rever o apego que mantém com eles.

Os Pinguins de Madagascar: EUA. Livre. O público vai descobrir os segredos dos mais adoráveis e misteriosos pinguins do mundo da espionagem. Capitão, Kowalski, Rico e Recruta vão ter que juntar forças com uma agência de espiões, a Vento do Norte, liderada pelo Agente Secreto (a gente até podia contar o nome dele, mas aí... você sabe) para impedir que o vilão Dr. Otavius Brine consiga dominar o mundo. Cinemark 4 – 15h (3D/dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 1 – 13h, 15h20 (3D/dub/somente quarta-feira); Cinépolis Plaza 2 – 14h15, 16h30 (3D/dub/somente quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h, 16h15 (3D/dub/somente quartafeira); Kinoplex 3 – 13h (3D/dub/somente quarta-feira), Kinoplex 5 – 17h50 (3D/somente quarta-feira).

ESTREIA

Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Malu (Ingrid Guimarães), Lúcia (Suzana Pires) e Maria (Tatá Werneck) encontraram o homem ideal e planejam se casar. Até que elas descobrem que esse homem, na verdade, é o mesmo: Samuel (Márcio Garcia), que vinha mantendo um namoro com todas elas nos últimos anos. As três terão que decidir se vão disputar entre si pela exclusividade ou unir-se pela vingança. Cinemark 2 – 18h50, 21h30 (diariamente), Cinemark 7 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h30 (diriamente), 23h (somente sábado); Cinépolis Millennium 4 – 13h20, 15h50, 18h30, 21h (diairiamente), Cinépolis Millennium 8 – 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h, 15h30, 18h, 20h25 (diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 14h20, 16h45, 19h10, 21h35 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 14h30, 18h, 20h40 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 - 15h, 17h30, 20h (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 14h30, 16h40, 19h15, 21h45 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 14h45, 17h (dub/diariamente); Kinoplex 2 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h10 (diariamente); Playarte 3 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente), Playarte 4 – 13h21, 15h36, 17h51, 20h06 (diariamente), 22h21 (somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES A Noite da Virada: BRA. 12 anos. Playarte 2 – 19h20, 21h20 (diariamente), 23h20 (somente sexta-feira e sábado). Os Caras de Pau: BRA. 10 anos. Cinemark 8 – 11h50, 14h, 16h30, 19h, 21h15 (diariamente), 23h40 (somente sábado); Cinépolis Millennium 6 – 15h40, 17h55, 20h10, 22h20 (diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 18h45, 20h50 (diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 16h20, 18h30, 20h35, 22h30 (diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 13h45, 15h45, 17h50, 19h50 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 13h30, 15h55, 18h45, 21h15 (diairiamente); Kinoplex 1 – 14h25, 16h50, 19h15, 21h40 (diariamente); Playarte 2 – 13h25, 15h25, 17h25 (diariamente), Playarte 8 – 14h15, 16h15, 18h15, 20h15 (diariamente), 22h15 (somente sexta-feira e sábado). Êxodo – Deuses e Reis: ING-EUA.

14 anos. Cinemark 4 – 11h40, 17h30, 21h (diariamente), Cinemark 5 – 13h40, 16h50, 20h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 17h30, 20h35 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis Millennium 2 – 15h, 18h10, 21h20 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 22h (3D/dub/ diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 18h45, 21h55 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 13h55, 17h, 20h05 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 19h05, 22h20 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h05, 17h35, 21h35 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h30 (3D/dub/ diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 18h30, 22h (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h30 (dub/ diariamente); Kinoplex 3 – 15h, 18h, 21h (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 15h20, 20h40 (3D/dub/diariamente), 23h30 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 5 – 12h20, 15h10, 18h, 20h55 (dub/diariamente), 23h45

(sub/somente sexta-feira e sábado). Operação Big Hero 6: EUA. Livre. Cinemark 2 – 11h20, 13h50, 16h20 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 12h (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h, 19h40 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 13h40, 16h05 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 13h15, 15h40, 18h55 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h20, 16h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 13h45, 16h30, 19h (3D/dub/ diariamente); Kinoplex 5 – 13h20, 15h35 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 13h, 18h20 (3D/dub/diariamente), Playarte 10 – 14h, 16h20, 18h40 (dub/diariamente). Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba: EUA. Livre. Cinemark 1 – 11h10 (dub/exceto sábado e domingo), 13h30, 15h50, 18h20, 20h45 (dub/diariamente), Cinemark 3 – 12h20, 14h40, 17h15, 19h40 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 5 – 14h05, 16h35, 19h, 21h35 (dub/diariamente); Cinépolis

Plaza 6 – 12h45, 15h, 17h15, 19h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 13h, 17h55 (dub/diariamente), 15h30, 20h30 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 13h, 15h05, 17h25, 19h40, 21h55 (dub/diariamente); Playarte 6 – 12h50, 14h50, 16h50, 18h50, 20h50 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 12h51, 14h51, 16h51, 18h51, 20h51 (dub/diariamente). O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos: EUA. 10 anos. Cinemark 3 – 22h (dub/diairiamente); Cinépolis Plaza 3 – 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 22h30 (leg/diariamente); Playarte 9 – 12h40, 15h30, 18h20, 21h05 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 10 – 21h (leg/diariamente), 23h45 (leg/somente sexta-feira e sábado). Ouija – O Jogo dos Espíritos: EUA. 14 anos. Kinoplex 5 – 19h50, 21h50 (dub/diariamente).


Plateia Pla teia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

D7

Sala de Espera Geanne Fernandes e Amadeu Soares Júnior estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

Julia Labib e Ítalo Vinícius

Rogério Cunha vai ganhar festão de aniversário em family, amanhã.

A inteligentíssima Luiza e sua mamma Mirza Ribeiro estão na cidade. A visita relâmpago da dupla é para m a t a r a saudade da família e amigos.

Coronel Heriberto Corrêa, Marita e a princesa Marianna em noite de pura alegria nos domínios do Centro de Convenção Vasco Vasquez

Andréa e Mansur Aziz

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br Labib Ismail e Yasser Aziz

Tradição espanhola. Na noite de celebração ao Dia de Reis, com jantar no endereço chique do Centro Antigo dos queridos Carmen e Ricardo Silva mais Ana Beatriz, Romyne e José Elias

‘Girls’ tomam decisões mais sábias A mudança de rumo de sua protagonista traz uma nova dinâmica para a série: pela primeira vez, a história não é ambientada apenas em NY. “Nós tivemos momentos ótimos gravando em Iowa. Foi muito divertido entrar em um mundo totalmente novo para a série e colocar Hannah em outras situações complexas”, afirma Dunham, em entrevista a um grupo de jornalistas. “Foi como fazer uma série derivada. As pessoas estão muito acostumadas a Hannah no mundo de ‘Girls’”, completa a produtora-executiva Jennifer Konner. “É interessante colocá-la num cenário em que ninguém a conhece e ver o que as pessoas pensam dela.” O novo cenário dá origem a cenas cômicas, como a surpresa de Hannah com o tamanho da casa que pode alugar por tão pouco dinheiro em Iowa – em comparação aos aluguéis milionários por lugares minúsculos em Nova York. Drama No Brooklyn, Marnie (Allison Williams) finalmente descobre

o que quer e tenta a vida como cantora, enquanto tem um caso com seu parceiro musical. Shoshanna (Zosia Mamet) conseguiu se formar na faculdade e tenta conseguir um emprego, e Jessa (Jemima Kirke) parece estar fora da espiral de drama em que se vê envolvida durante basicamente todo o tempo. “Vamos vê-la tentando construir lentamente uma vida. Isso começa nessa temporada com o estabelecimento de relações consistentes, algo que ela viu como entediante por muito tempo”, diz Kirke. Mas, apesar das mudanças, todos os elementos que fizeram de “Girls” a série mais odiada e amada da televisão norte-americana desde a primeira temporada – a quinta, aliás, já foi anunciada pela HBO – estão lá. As protagonistas estão tão autocentradas quanto sempre, algumas situações ainda soam absurdas e elas são, na maior parte do tempo, péssimas amigas. As cenas de nudez também são parte importante do roteiro.

Lili Cantisani

Hygor Andrade, Ilka Macambira, Yuri Cristhian, Tálita Gama, Samara Aziz e Maurício Souza

DIVULGAÇÃO

O quarto ano da série “Girls”, produzida pelo canal HBO, estreia hoje, nos EUA e no Brasil

Aluguéis milionários No retorno às telas, Hannah (Lena) decide se mudar para Iowa, no centro-oeste dos Estados Unidos, para participar de uma renomada oficina de escritores e perseguir o sonho de ser “a voz de sua geração”.

Murad Aziz e sua Marília Zuazo

Yasmin e Indyra Aziz

Aisha e Carla Labib

Viva, Yasmim!!

SERIADO

NOVA YORK, EUA – As protagonistas de “Girls” chegam à quarta temporada, que estreia hoje, nos EUA e no Brasil (às 22h, na HBO), com alguns de seus conflitos resolvidos. Crescer, no entanto, não parece mais fácil. “As garotas estão tomando decisões mais inteligentes – e descobrindo que a vida ainda é difícil”, diz Lena Dunham, diretora, roteirista e protagonista da série em um vídeo sobre os novos episódios. Mas se a vida continua dura, os novos caminhos tornam a quarta temporada mais crível. Aos poucos, as personagens abandonam os estereótipos que cada uma representava até então e possibilitam ao espectador criar uma relação de empatia com aquilo que elas sentem.

Aminzinho e Ingrid Fraxe

Nejmi Jomaa Aziz é uma mulher incrível. Seu alto-astral e sua simpatia inegável são marcantes. Sinais de bons frutos para um 2015 recheado de surpresas

Lucimar Augusto está pilotando uma megasale da Morena Modas. Ótimo para renovar os closets das sobrenomadas. Ieda Carvalho vai pilotar um festão típico parintinense para seu Dodó, no próximo dia 17, nos domínios do Ephigênio Salles, celebrando seus 50 anos. Dono de um coração ímpar, o aniversariante dispensou os presentes em prol da Casa Vhida. Os amigos levarão valores que serão doados às ações da instituição. Aplausos.

Amin e os paparicos da aniversariante

FOTOS: MANOEL NETTO

Amin Aziz e sua Kamila Jennifer

Foi para celebrar os 17 aninhos da linda Yasmim que o paizão Amin Aziz reuniu a family e os amigos mais chegados para um delicioso jantar no Village Casa de Comidas. Não faltou alto-astral, bom menu e muito amor na sessão parabéns da princesa dos Aziz. Noite sem retoques.

Léo do Valle e Ana Paula Perrone


D8

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 11 DE JANEIRO DE 2015

Espetáculo de flamenco em duas apresentações A

ssistido por mais de dois mil espectadores em seus 3 anos de circulação, o espetáculo de dança flamenca “Las Cuatro Esquinas”, da Companhia de Flamenco Del Puerto, de Porto Alegre, vai se apresentar em Manaus nos dia 20 de janeiro, no Teatro Amazonas, e 21 de janeiro, no Teatro da Instalação, ambos às 20h, com entrada gratuita. “Las Cuatro Esquinas”, que apresenta três bailarinas e um bailarino em seu corpo de baile, foi contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Viana 2013. A Companhia de Flamenco Del Puerto acumula 15 anos de existência, e é reconhecida como um centro de pesquisa, formação e realização dessta arte no Brasil. “Las Cuatro Esquinas” contempla, além da dança flamenca em si, o uso dos elementos de baile, como os mantóns, as batas de cola, os abanicos e as castanholas, sempre acompanhados do virtuosismo da guitarra flamenca. A montagem conta com uma banda flamenca formada por mais sete músicos, que executam ao vivo a trilha composta especialmente para o espetáculo.

Resultado de mais de dez anos de trabalho da Cia. Del Puerto, a produção exibe um passeio pelas madrugadas quando a cidade está adormecida. O espetáculo já realizou temporadas em Porto Alegre, circulou por mais de 15 cidades, e participou de 5 festivais nacionais. Em 2015 percorrerá

AULA

Além das apresentações de “Las Cuatro Esquinas”, os integrantes da companhia vão orientar uma oficina de arte flamenca no Sesc, no dia 21 de janeiro, gratuita, e aberta a qualquer pessoa interessada ainda Manaus, Belém, Palmas e Vitória. Com o espetáculo, a Companhia Del Puerto recebeu históricos oito Prêmios Açorianos de Dança 2012: melhor espetáculo, bailarina, bailarino, trilha, figurino, coreografia, produção e troféu Destaque em Flamenco. Oficina Além das duas apresenta-

ções, o grupo ainda vai realizar uma oficina gratuita de flamenco para quem tem interesse em conhecer esse estilo, no dia 21 de janeiro, a partir das 15h, no Sesc (rua Henrique Martins, 427, Centro). A oficina está aberta a todas as pessoas interessadas em vivenciar alguns dos movimentos do baile flamenco, além de percorrer, por meio de explanação oral, um breve apanhado de sua origem e contextualização histórica, e não é necessário ter experiência em dança. A aula será ministrada pelas bailarinas Ana Medeiros, Daniele Zill, Juliana Prestes e Tatiana Flores, sempre acompanhadas do guitarrista Giovani Capeletti. A duração é de uma hora e trinta minutos, sendo dividida em 45 minutos de exposição oral e 45 minutos de vivência prática de movimentos. Serão aceitas inscrições de participantes de 6 a 75 anos e não é necessária nenhuma indumentária específica/especial para efetivar sua participação. Os interessados em participar devem enviar um email para oficinaflamencom anaus@gmail.com informando nome completo, idade e contato telefônico.

FABIO ZAMBOM/DIVULGAÇÃO

O premiado “Las Cuatro Esquinas” será encenado nos teatros Amazonas e da Instalação, dias 20 e 21, respectivamente

A Companhia de Flamenco Del Puerto, de Porto Alegre, possui 15 anos de existência


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook