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EM TEMPO - 10 de agosto de 2014

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RAIMUNDO VALENTIM

O IMPOSTO NOSSO

RAIMUNDO VALENTIM

ANO XXVI – N.º 8.442 – DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

DE CADA DIA DIEGO JANATÃ

LOGÍSTICA

Recebido ontem em Manaus pelo prefeito Arthur Neto, o candidato à Presidência, Aécio Neves (PSDB), se comprometeu a fortalecer a Zona Franca. Última Hora A2

Marcelo Ramos e os dois filhos

PATRIMÔNIO Pizzonia acredita que a temporada na Stock Car promete

A história recontada no Centro Construído no período da borracha, prédio que abriga a Galeria Espírito Santo deixa uma nova contribuição à história da cidade. Dia a dia C6

Protagonistas nas eleições deste ano, candidatos ao governo do Estado já foram eleitos no coração dos filhos. DIVULGAÇÃO

Aécio quer fortalecer Zona Franca

DIEGO JANATÃ

SÓ NOS SEIS PRIMEIROS MESES DESTE ANO, O AMAZONENSE JÁ PAGOU MAIS DE R$ 11,8 BI EM IMPOSTOS, INCLUINDO IPTU E IPVA, R$ 1 MI A MAIS QUE O VALOR ESTIMADO PELO IMPOSTÔMETRO. CONTRIBUINTE, MUITAS VEZES, DESCONHECE PARA ONDE VAI TANTO DINHEIRO. ECONOMIA B2 E B3 E DIA A DIA C4 E C5

Pizzonia: “Esporte no Amazonas é precário” Candidato Aécio Neves é recebido pelo prefeito Arthur Neto

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

Aos 33 anos, o “jungle boy” Antonio Pizzonia, que hoje corre na Stock Car, relembra sua trajetória no automobilismo – incluindo a passagem pela Fórmula 1– e lamenta que o esporte no Amazonas seja precário em todas as modalidades. Pódio E2

PLATEIA O espetáculo “Terça Insana – Adíos Amigos” encerra o ciclo da turnê de humor criado pela atriz e produtora Grace Gianoukas.

SAÚDE A quantidade de água presente no melão hidrata o corpo, ajuda a desintoxicar o organismo e é benéfica para os hipertensos. TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

Campanha de Aécio Neves estreia na Região Norte EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

P

ela primeira vez em Manaus como candidato à Presidência da República, pelo PSDB, o senador Aécio Neves se comprometeu com a Zona Franca de Manaus (ZFM), no que tange à infraestrutura e à logística para a capital amazonense, a fim de garantir as vantagens comparativas do modelo. No palanque montado na casa de shows Elegance, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, Aécio criticou o atual governo comandado pelo PT que, segundo ele, desde Lula até Dilma Rousseff, abriu mão de um projeto de Brasil e aparelhou o Estado. “Daqui a oito semanas, o povo vai decidir se quer continuar com aparelho do partido que deixou de lado um projeto de país para se contentar única e exclusivamente com um projeto de poder”, critou. O candidato tucano defendeu uma Presidência da República que faça decência e eficiência caminharem juntas. Ele se comprometeu, caso eleito, com a mobilidade urbana de Manaus e a infraestrutura dos demais municípios amazonenses. “Vamos trabalhar para que

as obras de mobilidade urbana prometidas e sempre adiadas se transformem em realidade para Manaus e as demais regiões do Estado”, disse. Outra promessa de Aécio foi com relacao à criação de uma plataforma de ciência e tecnologia para explorar o bioma amazônico. “Vamos fazer valer a força do goveno federal para criar aqui uma grande plataforma de estudo do nosso bioma, para que possamos cada vez mais explorar de forma adequada as potencialidades da nossa região”, discursou. O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, falou a Aécio dos prefeitos amazonenses que aderiram à sua campanha, citando Nonato do Nacimento, de Atalaia do Norte, Raimundo Carvalho, de Tabatinga, Iracema Maia, de Benjamin Constant, Raimundo Nonato, de São Paulo de Olivença, Cemião Garcia, de Tonantins, Marlene Gonçalves, de Jutaí, José Suediney de Fonte Boa, Antenor Moreira, de Tefé, Sansuray Xavier, de Anori, Abram Lincon, de Codajás, Gilmar Almeida, de Caapiranga, Jesimar Pinheiro, de Anamã, Felipe Antônio, de Urucará, Adalberto Silveira, de São Sebastião do Uatumã, e Fran Rosi, de Silves, entre outros.

PETROBRAS REPRODUÇÃO

DIEGO JANATÃ

Depois de Manaus, onde chegou no final da manhã de sábado, o candidato do PSDB ao Planalto seguiu para Rio Branco (AC)

No primeiro mês de campanha dos candidatos à Presidência da República, o campeão de deslocamentos pelo país foi o presidenciável do PSB, Eduardo Campos, que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas. O ex-governador de Pernambuco viajou 36 vezes, para 31 destinos diferentes. Aécio Neves aparece em seguida, com 26 viagens para 15 cidades em um mês. Atrás deles está a presidente Dilma Rousseff (PT), que lidera as pesquisas, com 12 viagens para fora de Brasília e dez cidades visitadas. Menos visitada pelos três candidatos, a Região Norte foi destino de duas viagens de Dilma e uma de Aécio. Campos ainda não tem previsão de quando irá. Aécio Neves cumpriu agenda em Manaus após entrevista coletiva no final da manhã de sábado

REINO UNIDO

Cantor defende separação

Multas equivalem a irregularidades vistas em plataformas

ANP determina pagamento de R$ 20 mi em multas No espaço de três semanas, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou à Petrobras o pagamento de quatro multas, no valor total de R$ 20,5 milhões, referentes a irregularidades técnicas relacionadas a equipamentos de plataformas nas Bacias de Campos e de Santos. Todas foram resultados de negação, por parte da ANP, ao pedido de reconsideração apresentado em recursos pela Petrobras em relação à decisão inicial da agência em multá-la. As duas mais recentes foram confirmadas pela ANP em reunião da diretoria do dia 30 de julho. Ambas referiram-se a problemas em equipamentos de medição nas plataformas, o que pode ter ocasionado variação para baixo ou para menos do volume reportado pela Petrobras à agência, que ainda vai decidir se será necessário recalcular os valores informados. Uma delas, no valor de R$ 3

milhões, é resultado de fiscalização rotineira em navio-plataforma (FPSO) instalado no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, com multa aplicada em abril. Outra, de R$ 4,95 milhões, é referente a cinco infrações verificadas na plataforma PCH-2, que recebe produção de três campos também na Bacia de Campos. A inspeção ocorreu em 2010 e a decisão pela multa inicial foi de janeiro deste ano. Na mesma fiscalização, a PCH-2 apresentou outras seis não conformidades, pelas quais a ANP também cobrou multa. Mas, por estas, a Petrobras pagou sem recorrer R$ 5,67 milhões, já com desconto de 30%. Nas semanas anteriores de julho, a Petrobras havia tido outros dois recursos a multas negados. Por isso, pagou R$ 5,5 milhões por “não conformidades” em uma plataforma na Bacia de Santos e outra de R$ 7 milhões em unidade na Bacia de Campos.

Candidatos têm ranking de viagens

Na contramão de artistas como o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, e a autora de “Harry Potter”, J. K. Rowling, o cantor britânico Morrissey afirmou que os eleitores escoceses devem votar a favor da proposta para separar o país do Reino Unido. “Eles devem cortar laços com o ‘United King-dumb’ [trocadilho com o nome do Reino Unido em inglês, United Kingdom, e a palavra ‘dumb’, que significa ‘burro’]”, afirmou o ex-líder dos Smiths em entrevista à revista irlandesa “Hot Press”. “Eu amo a Escócia e eu amo o espírito escocês, e eles não precisam de Westminster nem um pouquinho”, disse Morrissey, que é inglês, em referência ao local onde os reis britânicos são tradicionalmente coroados. O Reino Unido é um Estado que abriga Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales, além da Escócia. Em setembro, haverá um referendo para decidir se os escoceses querem continuar sendo parte dessa união. O cantor é conhecido por suas opiniões polêmicas, especialmente no que tange à defesa dos direitos dos animais, causa da qual é ativista ferrenho. No passado, ele já criticou a família real britânica por manter práticas como a caça.

SÍRIA E IRAQUE

Obama não vai permitir ‘califado’ “Não vamos deixá-los criar um califado na Síria e no Iraque”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em entrevista concedida ao “New York Times” na tarde de sexta-feira (8). Ainda sobre a crise política nos dois países - onde facções religiosas (xiitas, sunitas e curdos) brigam pelo poder -, Obama disse que considera reforçar a ação militar no território, mas que, antes, os líderes de cada facção devem encontrar uma maneira de trabalharem juntos. O presidente também abordou outras questões sobre a política externa dos EUA. Entre elas, o seu arrependimento em relação à intervenção militar na Líbia; o pessimismo sobre as perspectivas de paz no Oriente Médio; e a preocupação sobre a possível invasão da Ucrânia pela Rússia. Na última quinta-feira (7),

Obama autorizou ataques militares no norte do Iraque contra o grupo extremista chamado Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL). Na sexta-feira, durante a entrevista, disse que pode

CESSAR-FOGO

Obama manifestou dúvidas sobre se o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente palestino Mahmoud Abbas seriam capazes de estabelecer um acordo a longo prazo fazer ainda mais para ajudar o país a oprimir os militantes que lutam pela criação de um Estado islâmico. Sobre a intervenção militar dos EUA na Líbia, que depôs Muammar Gaddafi em 2011, Obama disse ser

esse um de seus maiores arrependimentos em relação à política externa, “por não ter dado apoio suficiente ao país para garantir a transição para um governo democrático”. Dúvidas Apesar da política dos EUA de tentar encorajar um cessar-fogo em Gaza, em um acordo de paz entre palestinos e israelenses, Obama manifestou dúvidas sobre se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, seriam capazes de estabelecer um acordo a longo prazo. Em relação à Rússia, Obama acredita que o presidente Vladimir Putin pode invadir a Ucrânia a qualquer momento. “Se ele o fizer, as relações de cooperação entre os EUA e a Rússia ficarão estremecidas até o fim do meu mandato”, afirmou. REPRODUÇÃO

Barack Obama, presidente dos EUA: pessimismo sobre as perspectivas de paz no Oriente Médio


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Quem se importa? Nesse país das desigualdades sociais, culturais e tudo o mais que houver nessa vida, há quem acorde às 4h da manhã para poder encarar o transporte coletivo às 5h e ir para o trabalho ganhar um salário que mal dá para pagar as contas e fazer um rancho. São trabalhadores honestos, que não veem outra opção a não ser sacrificar os próprios sonhos para tentar sobreviver. Do outro lado está a classe média, que já conseguiu comprar seu sonhado carrinho, pagar as prestações do “apertamento” e adquirir alguns bens duráveis, e vai sustentando o país ao pagar todos os impostos em tempo hábil para não correr o risco de ser humilhado por um telefonema ou mesmo uma correspondência lotada de ameaças. Enquanto isso, mais de 10 mil brasileiros têm hoje um patrimônio líquido de pelo menos US$ 10 milhões (R$ 22,8 milhões), conforme um estudo da consultoria sul-africana New World Wealth, publicado pela revista “Exame”. Essa constatação põe o Brasil no décimo lugar do ranking mundial de multimilionários, que é liderado pelo bem distribuído Estados Unidos e pela surpreendente China. São Paulo, inclusive, aparece no décimo sétimo lugar da lista, como a cidade que abriga mais multimilionários. O Rio de Janeiro surge em vigésimo sétimo. Não pense você que esses 10 mil brasileiros que possuem patrimônio líquido de R$ 22,8 milhões sustentam o Brasil também, a exemplo da calejada classe média e da tal nova classe média. Ledo engano. Os ricos e milionários não mantêm o país de pé. Quem sustenta esse país não pode nem se dar ao luxo de se encalacrar. Responsabilidades clamam pelos trabalhadores de boa-fé enquanto a minoria se diverte. Mas, quem se importa, não é mesmo?

Oito anos em quatro O candidato ao Senado pela coligação Fazendo Mais Por Nossa Gente, Omar Aziz (PSD), visitou neste fim de semana oito municípios da calha do Juruá. Por onde passou, comparou os avanços entre sua gestão como governador e gestões anteriores. — Não tive oito anos, mas em quatro pude fazer mais que meus antecessores. Fizemos uma gestão humana e transparente. Ficha limpa Em muitos municípios por onde tem passado, o candidato ao Senado Omar Aziz (PSD) faz questão de dizer que seu governo foi um governo “ficha limpa”. —No meu governo não teve escândalo. Não constrangi o povo amazonense. Nunca fui deselegante com ninguém. Cabo eleitoral Omar Aziz tem viajado na comitiva junto com José Melo e pedindo que a população dê oportunidade a eles de poder continuar trabalhando pelo Amazonas. —O Melo construiu comigo o governo mais bem avaliado do Brasil. Peço voto para ele porque sei que vai dar continuidade às políticas públicas necessárias para o nosso Estado se desenvolver. Modelo vencedor! Os números do Polo Industrial de Manaus (PIM) justificam tanto esforço para perenizar a Zona Franca? Analise você mesmo. O modelo gera uma média mensal de aproximadamente 120 mil empregos diretos e 600 mil empregos indiretos na região, segundo a Suframa. Empresas O Polo Industrial de Manaus (PIM), principal área da Zona Franca, atualmente conta com mais de 600 empresas instaladas, reunindo indústrias nacionais e multinacionais. Faturamento Até maio deste ano, o PIM registrou faturamento de R$ 35,8 bilhões (US$ 15.5 bilhões), segundo os dados dos Indicadores de

Desempenho do PIM do mês de maio, divulgados pela Suframa. Real e dólar O desempenho é 16,87% maior, na moeda brasileira – e 1,59% maior, em dólares – na comparação com o mesmo período do ano passado. Empregos Na mão de obra, a média mensal, de janeiro a maio, foi de 119.560 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. Isto representa um aumento de 2,25% em relação à média mensal do mesmo período no ano de 2013, quando foram registrados 116.923 empregos. Unanimidade O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, é “Cidadão de Itacoatiara”. O título foi concedido pela Câmara Municipal na noite desta sexta-feira, 08, após propositura do vereador Dário Nunes (PSDBAM), aprovado por unanimidade pelos vereadores. Hidrovias Durante visita à Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, esta semana, a candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), disse que o Brasil precisa aproveitar mais eficientemente os seus recursos hídricos, transponíveis para o transporte de produtos agrícolas pelo país. Água e terra Para a candidata à reeleição, a Amazônia devia utilizar seus rios para escoamento dos seus produtos.

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

— Uma das questões nos próximos quatro anos é a da ênfase no transporte hidroviário, combinado e articulado com ferroviário. Rumo ao rio Dilma citou possíveis trajetos da soja e do milho por ferrovias que saem do Mato Grosso, desembocam no Rio Amazonas e vão para o oceano. Fique atento Não só em Manaus, mas em outras capitais do Brasil o consumidor sempre corre o risco de continuar tomando remédio com a data de validade vencida.

É apenas um paliativo, porque, de acordo com os médicos, assim que o medicamento ultrapassar a data estipulada, não há como garantir que o princípio ativo terá o efeito terapêutico. Sem efeito Xarope, descongestionante nasal, colírio e medicamentos para problemas no ouvido, por exemplo, perdem o efeito depois de abertos no prazo de um mês. Cartela Já os medicamentos tipo comprimidos em cartelas, têm o prazo de validade fornecido pela indústria, identificados na caixa. Esse prazo é sugerido após vários testes. Olho na data Assim que o medicamento ultrapassar a data estipulada, não há como garantir que o princípio ativo terá o efeito terapêutico.

VAIAS

Meninas do vôlei

Regi

“Estacionamento” improvisado DIVULGAÇÃO/CBV

REPRODUÇÃO

Para as meninas do vôlei do Brasil, que fazem de cada jogo um ato de heroísmo, cheio de raça, emoção e coragem. Isso sem grandes salários, estrutura, mordomias e endeusamento. Bem diferente daquela seleção de futebol...

Para proprietário de carro que complica e entrada dos shoppings, estacionado do lado de fora – na via de acesso à entrada –, só para economizar alguns reais com o pagamento do ticket do estacionamento.

João Bosco Araújo jbosco@emtempo.com.br

O novo Deus dos homens Faz já muito tempo que Friedrich Nietzsche, do alto da sua competência filosófica, afirmou com autoridade: “Deus está morto”. Na verdade, não há como aceitar a proposição de Nietzsche, diante das possibilidades que se oferecem sobre a existência de Deus, pois, em não existindo Ele, não há como declará-lo morto, uma vez que o inexistente não pode morrer, já que a morte supõe antes a vida; e, existindo Ele, como Deus, a imortalidade estará necessariamente inserida entre os seus atributos. Realmente, o que o filósofo do pragmatismo alemão quis, foi apenas declarar que Deus não existe, a não ser como pura criação do homem, a quem serve como compensação e reparação, frente às suas carências, fraquezas e insuficiências. Nietzsche nasceu no século XIX e morreu exatamente no ano de 1900, quando se iniciava o século XX, ou seja, sofreu toda a influência do racionalismo iluminista. Hoje, já dentro do século XXI, não é a morte de Deus que se questiona e discute, como afirmou provocativamente o filósofo. Muito ao contrário, Deus nunca esteve tão presente aos homens e com tanta inconseqüência como agora, ao ponto de podermos afirmar que, de todos os mandamentos legados por Moisés, desrespeita-se mais freqüentemente aquele que manda que “não se tome o Santo Nome do Senhor em vão”. Verdadeiramente, ganhou Deus na sua frequente presença na boca dos homens, mas perdeu, para usar uma linguagem romântica, a sua morada no coração deles. Deus, agora, decide partidas de futebol, garante aprovação nos vestibulares e nos concursos, administra casamentos e até concede riqueza monetária. O homem vulgarizou a tal ponto o Divino, que, como era de se

esperar, acabou por banalizá-lo e enfraquecê-lo. O resto, o mundo fez: gerou um novo deus, mais palpável e eficiente para os fins que o também novo homem busca, incansável e insaciável. O deus do homem atual, na verdade, é o dinheiro, a pecúnia, que lhe dá poder e satisfaz às suas necessidades mais manifestas. O Deus verdadeiro, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, Aquele que também é Filho e Espírito Santo, continua aí, mas somente nas bocas dos homens, como uma reserva técnica, em “stand by”, apenas para ser o depositório das súplicas e dos pedidos que o dinheiro não conceda. A Ele não há contas a prestar, nada se deve, nem mesmo as satisfações mais ordinárias. Na vida do homem atual, vale tudo para conseguir e acumular o máximo de dinheiro e de tudo o mais que com ele vem, com destaque para o poder, poder sobre os outros homens, e o ajuntamento compulsivo e infindável de todos os bens (que nem sempre são do Bem) que a sociedade coloca no altar do Mercado. Perguntava-me, há poucos dias, um colega de trabalho: “Como pode alguém se deixar corromper, apropriar-se do dinheiro público que certamente fará falta nas escolas, nos hospitais, nas creches e depois encarar a sua própria família, os seus próprios filhos que inevitavelmente acabarão por tomar conhecimento da canalhice do pai?”. Respondo eu: se assim ocorresse, o tal pai seria considerado esperto, astuto e mesmo sábio, sintonizado com os tempos atuais e competente para suprir as necessidades da família. Se, diferentemente, fugisse da imoralidade e preservasse a integridade do seu caráter e o bom nome da família, provavelmente seria rotulado como burro e anacrônico, fora da realidade atual, ao recusar o que outros sabem desfrutar.

João Bosco Araújo, Diretor executivo do EM TEMPO

Deus, agora, decide partidas de futebol, garante aprovação nos vestibulares e nos concursos, administra casamentos e até concede riqueza monetária”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Freio de arrumação

A indústria brasileira vive o seu mais duro momento nos últimos 40 anos. Estamos vivendo um processo de desindustrialização. Os melhores empregos, que são os industriais, estão sendo perdidos

O presidente eleito do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Francisco Falcão, deve sacudir a corte com uma série de medidas após tomar posse, no próximo dia 1º. Ele promete dar freio às viagens internacionais de colegas e apurar quanto a atual gestão gastou em passagens e diárias no exterior. Além disso, vai desalojar um salão de beleza e uma academia de ginástica que funcionam na sede da corte, em Brasília. “Isso não era nem para existir. Tribunal não é lugar de salão de beleza”, critica. Tudo meu Falcão quer transferir o gabinete da presidência do oitavo para o nono andar, onde funcionam a academia e o salão que promete extinguir. “O espaço está subutilizado com coisas fúteis e passará a ser mais bem aproveitado pelo tribunal”, diz. Rádio corredor O ministro conta que se irritou ao ser questionado por colegas sobre o rumor de que instalaria um elevador panorâmico no prédio. “Isso não existe. Não farei obra nenhuma. Vou deslocar móveis que já existem e, no máximo, colocar algumas divisórias nos gabinetes”. Origens Falcão considera que causou incômodo nos últimos anos como corregedor do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Em abril, ele abriu investigação para apurar o suposto abuso em viagens de ministros do STJ e suas esposas ao exterior. O caso foi arquivado sem punições. Mudanças A partir de setembro, só o presidente e o vice terão autorização para viajar com despesas pagas pelo tribunal. “Vou divulgar tudo no Portal da Transparência, inclusive as via-

gens feitas nos últimos anos”, anuncia o novo chefe da corte. Empacou Apesar de ter passado por São Paulo em quatro dos seis últimos dias, Dilma Rousseff segue preocupada com sua campanha no Estado. Análises feitas para o PT não veem melhora no cenário eleitoral ou na imagem da presidente desde junho. Na gaveta As pesquisas qualitativas do partido afirmam que o noticiário sobre o uso de verba pública no aeroporto de Cláudio (MG) machucou “de leve” a imagem de Aécio Neves (PSDB). O comitê de Dilma agora estuda formas de reavivar o caso na propaganda de TV para ampliar o desgaste do tucano. Leite derramado Abatidos pelo caso Petrobras, petistas lamentam não ter indicado ao Tribunal de Contas da União ministros mais alinhados ao partido. Dos 9 titulares, 7 foram indicados nos governos Lula e Dilma. Entre as pernas A escolha mais lamentada é a de José Jorge, ex-senador do PFL (atual DEM), visto hoje como carrasco

Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República, afirmou que a indústria brasileira vive o seu pior momento em 40 anos e está na UTI.

do Planalto. Em 2008, quando o governo tinha maioria no Senado, ele venceu disputa contra Leomar Quintanilha (PMDB). Na seca A campanha de Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo paulista, gravou depoimentos de eleitores que sofrem com a falta d’água no Estado. A ideia é mostrar o problema a quem continua com o abastecimento regular em casa.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RICARDO OLIVEIRA

Tudo junto... A Secretaria dos Transportes Metropolitanos produziu parecer contrário à criação de vagões exclusivos para mulheres no Metrô e na CPTM, a companhia paulista de trens. ... e misturado Além de criticar a segregação, a pasta vê dificuldades para implantar a medida por causa do volume de passageiros. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem de sancionar ou vetar o texto nesta semana. Menina do Rio Ciumeira à vista no PT do Rio. A ministra Marta Suplicy (Cultura) gravou vídeo pedindo voto para a deputada Jandira Feghali, do PC do B.

Tiroteio

Depois de uma semana respirando a poluição do cotidiano manauense, o domingo pede uma caminhada saudável e nada mais apropriado do que o Parque do Mindu, um pouco de natureza no meio da selva de pedra.

D. Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Faz 20 anos que o PSDB não permite uma investigação sobre corrupção no governo do Estado. Daremos satisfação aos paulistas”

Pais

DEPUTADO RENATO SIMÕES (PT-SP), sobre a instalação da CPMI no Congresso para investigar acusações de cartel em contratos de transportes.

A menina de olhos azuis estava sentada entre as outras crianças que estávamos visitando numa obra social em uma comunidade da periferia da grande cidade. Sua postura era de extrema dignidade e seguia em silêncio as explicações da monitora. Não cantou os cantos de boas-vindas e não disse o seu nome na hora das apresentações. Depois descobrimos que só tinha quatro anos, estava sob os cuidados da avó porque os pais estão envolvidos com o tráfico e são dependentes químicos. Chegou do interior faz pouco tempo, e sem registro de nascimento não pode, por esta e outras razões, ser matriculada numa creche. Quando estávamos saindo, sussurrou aos meus ouvidos umas frases que sugerem ter sido agredida. Intuitivamente lembrei-me das crianças da Faixa de Gaza, dos meninos e meninas do Sudão do Sul, das crianças-soldados das diversas guerras em outros continentes, das meninas sequestradas na Nigéria. São as crianças que acabam sendo vitimas da irresponsabilidade, do descaso, da injustiça estrutural, da corrupção generalizada. Mas o sentimento de frustração era grande, pois não me encontrava numa situação de guerra e sim na periferia de uma cidade que se orgulhou de ter recebido turistas do mundo inteiro na Copa do Mundo, num país que sabe ser hospitaleiro e que se orgulha da religiosidade de seu povo, capaz de grandes manifestações de fé mostrando-se imbatível na construção de estádios e templos. O dia também era inesquecível, pois se promulgava a emenda constitucional que prorroga por cinquenta anos a

Contraponto

Sem pausa para o cafezinho Com uma fatia magra do tempo de TV, o presidenciável Eduardo Campos (PSB) tenta aproveitar ao máximo cada chance de se exibir neste início da campanha. Na sabatina da CNI (Confederação Nacional da Indústria), na semana passada, o presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, fez uma pergunta enquanto o candidato terminava de dar um gole em uma xícara. — Desculpe, estava tomando um cafezinho – disse ele. — Pode terminar – respondeu o executivo. — Mas aí eu perco os meus minutos... – devolveu Campos, provocando risos na plateia. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Zona Franca de Manaus. Espero que esta menina encontre solidariedade suficiente para que possa daqui a meio século celebrar esta vitória. Infelizmente esta história não é uma exceção e por isso a sociedade civil e de maneira especial a Igreja se organiza para criar espaços de educação suplementar onde traumas possam ser superados e alternativas de vida possam ser encontradas. Mas nada substitui a família e na família o exercício da paternidade. Não conheço o pai daquela criança, não quero julgá-lo, nem posso transformálo em vítima e muito menos em algoz, só sei que ele faz falta e ninguém pode substituí-lo. Seu lugar permanecerá vazio. Talvez tenha se tornado pai por acaso, talvez não tenha condições de ser pai. É bom saber que em meio a tanto sofrimento e humilhação brota a solidariedade. O Estado que não consegue garantir os direitos humanos fundamentais aos cidadãos deve apoiar estas iniciativas, ou ao menos não inviabilizá-las, e sobretudo gerir bem o que arrecada combatendo a corrupção e a má administração. Nas prestações de contas dos que querem continuar no poder, nos projetos dos que querem assumi-lo, deve estar presente como critério à situação das nossas crianças e aí há muito a se corrigir, e às vezes a se ressarcir, pois o desvio de dinheiro publico é criminoso pois gera miséria e destruição criando situações semelhantes a de uma guerra civil. Espero que chegue o dia em que não precisemos mais sentir vergonha das nossas crianças e desviar o olhar para não chorar diante delas.

D. Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus

Intuitivamente lembrei-me das crianças da Faixa de Gaza, dos meninos e meninas do Sudão do Sul, das criançassoldados das diversas guerras em outros continentes, das meninas sequestradas na Nigéria”


Política

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

A5

Aumento na arrecadação será alvo dos candidatos O

aumento da arrecadação tributária no Amazonas é alvo dos programas de governo dos quatro principais candidatos ao governo nestas eleições. Conselhos de economia dos postulantes ao cargo miram a desburocratização na indústria e comércio, falam em potencializar a arrecadação na Fazenda (Sefaz) e prometem novas manipulações de tributos para incentivar setores da economia. Só no primeiro semestre deste ano, o governo registrou arrecadação de R$ 4,3 bilhões, montante 20% superior ao mesmo período do ano passado. Pressionados pelo desgaste do empresariado amazonense com o excesso de burocracia na indústria e comércio, a facilitação de tramites burocráticos na abertura de novos negócios deverá ser também bandeira dos candidatos. No plano de governo do PMDB, do senador Eduardo Braga, a promessa é de “burocracia zero”. O senador fala ainda em criar políticas de desoneração fiscal para o empresariado do turismo e serviços. O setor apontado por economistas como forte potencial da economia amazonen-

se recebe também destaque nas propostas do governador José Melo (Pros), que fala em dinamizar incentivos para o turismo, serviços, além de estender os planos para o setor primário. A campanha de Melo reconhece o atraso dos sistemas de arrecadação da pasta de Fazenda (Sefaz) e fala em dotar a secretária de

RENOVAÇÃO

O candidato José Melo traz a proposta de renovar um dispositivo da legislação, criado em 2005, que permite ao governo aplicar o supeávit da UEA em ações que não dizem respeito à instituição estrutura e tecnologia. O plano de modernização chegou a ser iniciado neste ano, mas não avançou. O setor tributário da campanha de Melo traz ainda a proposta de renovar um dispositivo da legislação, criado em 2005, que permite ao governo aplicar o superávit da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) em ações que não dizem

respeito à instituição. O recurso vem de um fundo financiado a partir ICMS arrecadado pelo governo. A proposta de Melo, no entanto, é um dos carroschefe da campanha do PSB do deputado Marcelo Ramos, que defende a extinção dessa limitação desde o início do mandato. O plano de governo do parlamentar cita dar “total autonomia financeira” à instituição, depositando o fundo gerado a partir dos tributos em conta própria da UEA. O candidato promete ainda zerar alíquotas de ICSM no setor de informática e tecnologia de dados, além de aumentar os repasses aos municípios ao interior do Estado. Já na campanha do deputado Chico Preto (PMN), a aposta é em aumentar a arrecadação tributária a partir do plano do “dinheiro novo”, que traz iniciativas em incentivo fiscal para diversos setores da economia. Os setores foram divididos pela campanha do parlamentar em natureza, turismo de negócio e lazer, Zona Franca de Manaus (ZFM), Patrimônio Histórico e Urbano, além de Biotecnologia e tecnologia.

ARQUIVO EM TEMPO

Principais postulantes ao cargo de governador do Amazonas apresentam suas propostas para as arrecadações do Estado

Para o senador Eduardo Braga, no seu plano de governo, a promessa será burocratização zero


Política

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

Dilma volta a defender presidente da Petrobras

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Nós precisamos nos livrar desses artifícios” EX-BC ARMÍNIO FRAGA, sobre intervenções do governo nos preços da gasolina e eletricidade

Supremo ignora ‘calote’ na soltura de Genoino O mensaleiro José Genoino pode ter sido beneficiado por eventual “cochilo” do Supremo Tribunal Federal, ao concederlhe a chamada “progressão de pena” e a soltura: o artigo 33 do decreto-lei 2.848/40 condiciona a concessão da progressão de regime, no caso de crimes contra a administração pública, à “devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais”. Genoino nada devolveu. Montanha de dinheiro Laudos da Polícia Federal apontam que mais de R$ 100 milhões foram surrupiados no mensalão, e até agora nenhum centavo foi cobrado. Fogo amigo O parágrafo da lei não existia até novembro de 2003, quando foi sancionado pelo então presidente Lula. Dinheiro não falta Além da condenação por corrupção ativa, Genoino foi multado em R$ 667,5 mil. Fez uma vaquinha e, sem dificuldade, pagou à vista. Pobre cardiopata Genoino passou ao menos por cinco juntas médicas. Todas concluíram que a cardiopatia não o impedia de cumprir pena na Papuda. Planalto manobra para aprovar MPs sem quórum O governo Dilma encontrou uma nova forma de burlar o regimento interno do Congresso e aprovar medidas provisórias sem ter quórum mínimo. Em vez de encerrar a sessão, os presidentes das comissões mistas especiais foram orientados a “suspender os trabalhos”. A manobra permite que o presidente use o quórum registrado antes

para reabrir a sessão e aprovar MPs com a presença de só um parlamentar. Tudo dominado Para manter o controle, Romero Jucá (PMDB) e José Pimentel (PT) escolhem, com a Casa Civil, o relator e o presidente das comissões. Busca por holofote O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), também articula a indicação de deputados para os cargos de visibilidade nas comissões. Uma gula só À frente das indicações, o PT e o PMDB dominam praticamente todas as relatorias e o comando das comissões. Pouco sobra para os aliados. Ministro enquadrado O vice-presidente Michel Temer deu uma dura no ministro da Agricultura, Neri Geller, que se reuniu há dias com o grupo do senador Pedro Taques (PDT), candidato ao governo de Mato Grosso e opositor ferrenho da reeleição de Dilma. A reunião gerou revolta no PMDB local. Me erra! O Itamaraty culpou o Ministério do Planejamento pelo calote de R$ 380 milhões do Brasil junto à ONU. Informou que o pagamento a organismos internacionais é responsabilidade direta daquele ministério. Telhado de vidro Quebradas num protesto estilo black-bloc no final da Copa, em julho, vidraças da embaixada em Berlim continuam sem conserto. Mais despesa na lista de “penduras” internacionais do Itamaraty.

Jornalista

Vestiram a camisa Candidatos ao governo potiguar, Henrique Eduardo Alves (PMDB) e Robinson Faria (PSD) apelaram à ajuda das mulheres. Laurita Arruda e Juliane Faria estrearam na campanha com direito até a discurso. Estado policial O projeto oportunista, pósCopa, que autoriza o governo a “fiscalizar” a CBF, uma entidade privada, provoca inquietação até por sua inspiração fascista. É só o começo. Depois será a vez de entidades como OAB, contas pessoais dos cidadãos, empresas de todo tamanho etc. Bahia é aqui O deputado Silvio Costa (PSC-PE) compara o presidenciável Eduardo Campos com o “coronel” ACM: “Ele quer eleger Paulo Câmara, que está mais para um governado do que para um governador”. Cadê os santinhos? Em São Paulo, deputados desconfiam que Gilberto Kassab (PSD) pode desistir da candidatura ao Senado contra o ex-governador tucano José Serra. Até agora, o ex-prefeito não começou sua campanha de rua. Vai rolar Segundo o deputado Ricardo Izar, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP) é candidatíssimo ao Senado e o material gráfico deve ficar pronto em breve: “A campanha encurtou por causa da Copa”, justifica. Tiro no pé Marqueteiro nacional do PMDB, Elsinho Mouco não poupa Paulo Skaf, que negou palanque à Dilma em São Paulo: “Skaf é o maior adversário dele mesmo”.

PODER SEM PUDOR

Castigo dos céus Locutor da rádio Tabajara, do Governo da Paraíba, Pascoal Carrilho foi destacado para transmitir a chegada do então presidente Ernesto Geisel ao Aeroporto Castro Pinha. - Acaba de desembarcar Sua Excelência o Presidente Ernesto Geisel – anunciou Carrilho, com sua voz curiosa. Ouviu-se sonora vaia da multidão. Não ao visitante, mas àquela voz inconfundível, trôpega. Enquanto a comitiva desembarcava, ele atacou: - Acaba de desembarcar o presidente e esses moleques!... O tom era de reprimenda aos que o vaiaram, mas a ênfase na palavra “moleques” soou como um xingamento aos ministros e assessores. Pascoal não pôde terminar a frase: a transmissão foi interrompida por ordem superior. E ele passou boa parte dos anos seguintes tentando se explicar, coitado.

TERÇA-FEIRA

Genoino deve deixar a Papuda O ex-deputado federal José Genoino(PT-SP) deixará o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, na próxima terça-feira (12), quando participará de uma audiência com o juiz da Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas (Vepema) para assinar o termo sobre as regras da prisão domiciliar. Na última quinta-feira (7), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso autorizou Genoino a mu-

dar do regime semiaberto para o aberto. No DF, o aberto é sempre convertido em prisão domiciliar, já que não há estabelecimento prisional específico na capital federal para abrigar os detentos deste regime. A mesma autorização foi dada ao ex-tesoureiro do extinto PL Jacinto Lamas, também condenado no processo do mensalão do PT. Conforme o site do tribunal, o condenado em prisão domiciliar deve se recolher

Durante evento em Minas Gerais, presidente declarou que não há qualquer indício que pese contra Graça Foster ROBERTOSTUCKERT/PR

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em casa entre 21h e 5h, e permanecer na residência aos domingos e feriados por período integral. A decisão de Barroso foi enviada à Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas. O presídio será informado para levar Genoino e Lamas à vara na próxima terça, segundo o Tribunal de Justiça. Condenado a 4 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, Genoino pediu progressão de regime no final de julho.

Dilma declarou que a presidente da estatal é uma pessoa íntegra, correta, competente e capaz

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presidente Dilma Rousseff voltou a defender a presidente da Petrobras, Graça Foster. Durante um evento de campanha em Iturama (MG), onde vistoriou obras da ferrovia Norte-Sul, ela disse que “não há qualquer processo que pese contra” a presidente da estatal. “A posição do governo é clara. Nós não achamos que a Graça Foster tenha cometido qualquer irregularidade”, disse a presidente, em entrevista à imprensa. Dilma também falou que a presidente da Petrobras é uma pessoa íntegra, correta, competente e capaz, reconhecida não só pelo governo, mas por todo o mercado. “Ela não pode ser submetida a esse tipo de julgamento [dos adversários políticos e

dos órgãos de fiscalização e controle, a condenando sobre o caso de Pasadena], que eu acredito que tenha por trás outros interesses. Eu acho um absurdo colocar a diretoria da Petrobras submetida a esse tipo de procedimento”, afirmou. Ela afirmou ainda que apenas 0,05% dos processos que tramitam na CGU pediram a indisponibilidade dos bens de acusados. Sobre a ferrovia, Dilma afirmou que o Brasil, durante 27 anos, não fez o dever de casa em relação à construção de ferrovias. “[O país] não construiu ferrovias para transportar nossa produção agrícola, mineral e todos os produtos que havia para escoar. Isso significou grandes congestionamentos

nos portos de São Paulo e do Sul do país”, disse. Dilma afirmou também que a Norte-Sul é a “coluna vertebral do Brasil” em termos de ferrovia. E que dela vão sair outras ramificações. Na última sexta-feira, 8, a presidente participou, pela manhã, do encerramento de congresso da Assembleia de Deus, no Brás, com mais de 5 mil pastoras e missionárias da ala comandada pelo bispo Manoel Ferreira, que apoia seu adversário Pastor Everaldo (PSC). Questionada em Iturama sobre qual é a sua religião, Dilma afirmou ser católica, mas que tem um “grande respeito” por todas as crenças. “Eu respeito quem acredita, quem tem fé, que crê num ser supremo, superior, que protege todos nós”.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

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Herbert AMAZONAS

‘Defendo um GOVERNO feito pelo povo e PARA O povo’ FOTOS: IONE MORENO

JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

Nosso orçamento de campanha está em R$ 120 mil. Esse valor será para produzirmos todo o nosso material de divulgação, como panfletos e os programas eleitorais de rádio e televisão. Claro que essa verba é um pingo d’água diante da grana dos outros candidatos ao governo”

C

andidato ao Governo do Amazonas, Herbert Amazonas (PSTU) é um velho conhecido do eleitor amazonense, mesmo não tendo conseguido emplacar nenhuma das eleições das quais participou ao longo de 30 anos de militância política. Um dos principais nomes da esquerda amazonense, ele trava mais uma luta entre “Davi e Golias” em 2014 para alcançar o status de governador do Estado do Amazonas. Funcionário público federal, Herbert Amazonas tem 53 anos. Ao lado de Gilberto Vasconcelos, seu vice na chapa, defende um governo feito pelo povo e para o povo. No comitê central do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), localizado na avenida Manicoré, bairro Cachoeirinha, Herbert recebeu a equipe do EM TEMPO para uma conversa onde revelou, entre outras coisas, seu descontentamento com o governo feito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o qual ajudou a construir durante a juventude. EM TEMPO - Qual a diferença do esquerdista Herbert Amazonas para os demais candidatos que disputam o Governo do Amazonas? Herbert Amazonas - O PSTU tem um projeto de governo nacional, temos candidato a presidente da República, que é o companheiro Zé Maria, um metalúrgico e dirigente da nossa central sindical que tem uma enorme tradição na luta da organização da classe trabalhadora. Em Manaus e no Amazonas o PSTU também tem um projeto de governo, que coloca meu nome na disputa. Tenho boa parte da minha militância e vida dedicada ao trabalhador. Ainda jovem, comecei a militar no movimento operário, ajudei a construir o Partido dos Trabalhadores (PT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e parte da minha vida está pautada na organização e nos debates dos problemas do nosso Estado. Eu vivenciei de perto es-

sas questões de educação, moradia, transporte coletivo, segurança, e nada melhor do que uma pessoa que vem das lutas e dos movimentos sociais para implementar um projeto alternativo aos demais projetos que aparecem nessa eleição. EM TEMPO - O senhor vê alguma novidade no pleito 2014? HA- São 32 anos de governo do mesmo grupo e são três décadas que quando chegamos à eleição temos que combater os mesmos problemas, como o caos na educação, no transporte e demais áreas. E tudo muito repetitivo, por isso, nossa tentativa de emplacar um projeto diferente dos empresários e dos patrões. Nós queremos apresentar um projeto que defenda o socialismo, um governo dirigido pelos trabalhadores para resolver e solucionar parte dos problemas que o Estado apresenta. EM TEMPO - A campanha já tomou corpo nas ruas. Como está sendo montada a equipe pró-PSTU? HA- O registro da candidatura e as demais questões legais de um partido como o nosso leva bastante tempo, pois só começamos a fazer esse trabalho a partir do momento que somos liberados das nossas atividades diárias. Então, foi a partir de 5 de julho que nós podemos começar a nos movimentar. Diferente dos políticos de profissão, que acaba uma eleição e eles já estão de olho no próximo processo eleitoral. Nossa equipe é bastante pequena, nossos panfletos foram produzidos na semana passada, mas já temos uma agenda de panfletagem. Nosso alvo principal é a classe trabalhadora do Distrito Industrial. Também queremos ir aos bairros para falar do projeto político do PSTU. EM TEMPO - De onde vem a força para competir de maneira quase minúscula frente aos demais partidos e coligações? HA- O PSTU é um partido que defende o socialismo e a revolução, sou um militante. Para mim, e tenho certeza que para todos os companheiros,

isso é uma tarefa. Então, não acho que seria uma posição coerente não participar de um projeto eleitoral. Se você acompanhar o período analisando as candidaturas, pode constatar que o PSTU é o partido que apresenta as propostas mais diferentes. Incluindo a forma que pretende implementá-las. Se o PSTU não sai em processos eleitorais, ele deixa um vazio das propostas que atendem aos interesses da classe trabalhadora. As outras candidaturas falam dos problemas, das questões sociais, mas são apresentações de propostas vazias, que na verdade não vão ser implementadas, acabando apenas como propostas eleitorais. Nosso papel é meio pedagógico junto à população, mostrando que não há saída para eles se não pensarem na construção de um governo deles. Os outros candidatos são financiados por empresários da construção civil, dos transportes e essas candidaturas não vão ter propostas voltadas para o interesse da classe trabalhadora. Daí nasce o processo de corrupção, porque depois que o candidato se elege, os financiadores apresentam as faturas, querendo o dinheiro de volta, já que investiu. Para o PSTU, não existe financiamento de campanha, não aceitamos um centavo de empresário. EM TEMPO - Qual o orçamento do PSTU para a campanha 2014? HA- Nós fizemos um orçamento para chegar a uma faixa de R$ 120 mil, porque tudo é caro. Os valores para a propaganda são elevadíssimos. Então, pensamos em chegar com as coletas nesse valor. Mas, não sabemos se vamos conseguir. Claro que na frente dos outros é um pingo d’água no oceano. Com esse valor queremos apresentar o nosso programa de rádio, televisão e imprimir nossos panfletos. EM TEMPO - Podemos considerar que a esquerda amazonense é desunida? O que falta para que um ‘blocão’ entre os partidos venha a contribuir para uma maior visibilidade de

candidaturas como a sua? HÁ- Nós achamos que quando estamos nas ruas enfrentando as guerras dos movimentos sociais, alguns companheiros têm que estar com a gente. Gosto muito do companheiro Luiz Navarro, mas ele não pode estar conosco só no processo eleitoral. Na rua, nós enfrentamos o governo, a polícia, os empresários e os patrões. Então fica muito cômodo só usarmos o período eleitoral para falar do socialismo, falar de uma sociedade transformada. Então essa é uma das diferenças que não contribuem para essa tão sonhada união. No PSTU defendemos a revolução socialista o ano inteiro, construímos isso nas lutas e mobilizações. Achamos que os demais companheiros precisam ter essa compreensão e participação na construção da defesa da proposta esquerdista. EM TEMPO - Caso o senhor não vença a eleição, existe a possibilidade de declarar apoio a um candidato no segundo turno? HA- Não. Isso é impossível porque o PSTU é antagônico às demais candidaturas. As outras defendem o sistema capitalista, defendem o empresariado e estão alinhadas ao projeto governamental, e que para nós é um grande mal para a população. EM TEMPO - O que pode ser considerado destaque em seu plano de governo? HA- A forma de governar e estruturar a gestão do Estado. Nós tentamos exercitar e fazer a discussão dos conselhos populares, porque hoje existe um secretário que senta com o governador e elabora um projeto. Esse secretário vai implementar as políticas nos diversos setores do serviço público. Aquele secretário presta contas só com o governador e com o Tribunal de Contas. Essa forma de governar é corporativa. O Estado é de todos, e nós queremos inverter essa lógica, queremos devolver a administração pública para a população. Vamos fazer a população governar, qualquer tema vai ser analisado por pessoas da área.

Gosto muito do companheiro Luiz Navarro, mas ele não pode estar conosco na rua somente durante o processo eleitoral. Falar de socialismo só no período eleitoral é cômodo

Se eu não ganhar essa eleição e o pleito for para o segundo turno, não existe nenhuma possibilidade de apoiarmos um outro candidato. O PSTU é antagônico às demais candidaturas”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 10 AGOSTO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIVULGAÇÃO

Empresa abre vagas para curso em Lisboa Economia B4

Artesanato realiza sonho de dependentes químicos DIVULGAÇÃO

Atividade foi a opção encontrada por pessoas em tratamento contra as drogas para incrementar a renda da família

Residentes que se reabilitam da dependência química encontram no artesanato uma forma para conseguir uma renda extra

nesse período pós-tratamento. “Vou reunir com eles depois do tratamento para que eles consigam vencer por meio do artesanato. Eles merecem uma nova chance na vida”, ressalta a professora. Exposição Os itens fabricados pelos residentes na unidade de tratamento foram expostos na Feira Internacional de Artesanato, que termina hoje, no Manaus Plaza Shopping. A venda dos produtos vai incrementar a renda familiar deles. A oportunidade de participar da Feira, expor e comercializar os artesanatos garantiu aos residentes a chance de vivenciar como funciona o mercado. Também foi uma oportunidade de ter contato com outros profissionais e comparar produtos. “Essa experiência é única para os residentes que possuem a oportunidade de conhecer essa profissão e futuramente montar seu próprio negócio”, destaca ‘Manolo’ ao ressaltar que já participou de feiras de artesanatos pelo Brasil e sempre sai destes eventos com novas ideias. Parceria A participação dos residentes na Feira Internacional de Artesanato foi possível graças a uma parceria entre a Secretaria de Estado do Trabalho

(Setrab) e o Centro de Reabilitação. A Setrab é responsável por ministrar cursos na oficina de artesanato, que funciona como terapia ocupacional para os residentes. Os técnicos da Setrab perceberam que depois dos cursos muitos residentes estavam aptos a trabalhar como profissionais e garantiu a eles a Carteira de Artesão Profissional. “ N a feira,

eles possuem a oportunidade de ver na prática como funciona o mercado e relatam que querem montar seu próprio negócio e mudar de vida”, destaca a diretora do Centro, Anna Lopes. A gerente de Economia Solidária da Setrab, Socorro Papoula, afirma que os trabalhos confeccionados pelos residentes são de ótima qualidade e por conta disso mereciam ser expostos na feira. “Ficamos encantados

com tanto trabalho bom, confeccionados pelos residentes. Eles já são artesãos profissionais. Faltava apenas a carteira para oficializar esse trabalho”, afirma. A Feira Internacional acontece na praça de alimentação do Manaus Plaza Shopping até as 22h de hoje.

Barcos produzidos com bambu é um dos itens vendidos pelos residentes do Centro de Reabilitação na Feira de Artesanato

Produção Para atender a demanda de vendas de produtos no período da feira, os residentes do Centro de Reabilitação precisaram se organizar em grupos. Eles montaram uma linha de produção de peças como se fosse uma empresa do Distrito Industrial. Os residentes levaram para a

feira mais de 300 peças de diversos tipos de artesanato, como biojoias, chapéus, materiais confeccionados de bambu, quadros e desenhos artísticos. Os valores das peças expostas variam entre R$ 15 e R$ 600. Os residentes faturaram em média R$ 300, cada um, com as vendas dos produtos confeccionados por eles.

RICARDO OLIVEIRA

O

sonho de ter o próprio negócio e uma nova profissão se torna realidade para residentes do Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz. Eles se juntaram em grupos e pretendem fundar uma cooperativa de artesãos. A união no trabalho vai além, e um grupo de residentes já pensa em levar os ensinamentos em conjunto, após receber alta médica. “Depois de concluir o tratamento, vamos formar nossa cooperativa fora do Centro de Reabilitação e montar nosso próprio negócio”, afirma Emanoel Castro de Oliveira, o “Manolo”, 51. Alguns deles pensam, também, em ter sua loja para revender os materiais produzidos na cooperativa, como é o caso do residente Vernior Oliveira Rocha, 35. Ele conclui o tratamento terapêutico nos próximos dias e já articula com seus familiares para montar uma loja para revender seus artesanatos e de seus colegas internos. “Em três meses tive a oportunidade de aprender a fazer produtos artesanais. Mudei de profissão e hoje vou me dedicar exclusivamente à produção do artesanato”, conta ao lembrar que vai abandonar a profissão de industriário para se dedicar à nova profissão. A professora de artesanato, Lúcia Jeffes, afirma que vai dar ajuda aos residentes que pretendem montar seu próprio negócio. Segundo ela, eles têm potencial como artesão profissional e precisam de apoio


B2

Economia

‘Carga tributária Pequenos e grandes empresários e economistas falam o mesmo discurso quando o tema são os impostos brasileiros

EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

O

s impostos cobrados pelas forças recolhedoras do país seguem na vida do cidadão comum, de pequenos e de grandes empresários como barreiras cada vez mais difíceis de driblar. Nos seis primeiros meses do ano, o contribuinte amazonense já pagou mais de R$ 11,8 bilhões somente em impostos. O resultado é soma das receitas arrecadadas pelo Estado, União e pela Prefeitura de Manaus. O valor é R$ 1 milhão maior do que o estimado pelo site Impostômetro, que calculou que o contribuinte amazonense pagaria R$ 10 bilhões nos doze meses de 2014. A maior fatia do bolo foi

para os cofres do governo federal, por meio da Receita Federal que levou R$ 6,69 bilhões. Do valor global, as maiores participações vieram da arrecadação de receitas previdenciárias, com R$ 324,3 milhões, seguidas da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que apurou 305,8 milhões e do Imposto de Renda (IR) sobre pessoa jurídica de onde arrecadou R$ 162,4 milhões. O Estado, por sua vez, arrecadou valor na ordem de R$ 4,3 bilhões, de acordo com o Mapa da Arrecadação Econômica, elaborado pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Somente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) o montante recolhido foi de pouco mais de R$ 4 bilhões. Desse montante a indústria contribuiu com valor na ordem de R$ 2,07 bilhões, o comércio com R$ 1,5 bilhão e o segmento de serviços com R$ 369 milhões. No setor industrial os Insumos da Indústria Estrangeira tiveram a maior participação na contribuição fiscal com recurso de mais de R$ 955 milhões. Dentro do segmento comercial a colaboração mais expressiva veio das Notificações da Mercadoria Nacional com valor na ordem de R$ 572,6 milhões. Já na

área de serviços, o Apurado das Comunicações foi o principal contribuinte com R$ 189,9 milhões. Entre as três esferas públicas recolhedoras, a Prefeitura de Manaus apresentou a menor fatia de receita arrecadada. Contudo, na série histórica, a receita tributária da capital amazonense quebrou recorde, com crescimento de 20% no comparativo ao mesmo período de 2013, quando alcançou o patamar de R$ 523,1 milhões nos seis primeiros meses do ano. O melhor desempenho na tabela de arrecadação veio do Imposto Sobre Serviços (ISS) com recurso na ordem de R$ 281,8 milhões, valor que rendeu ao ISS crescimento de 22,8% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Conforme dados da Secretaria Municipal de Finanças (Semef), somente no mês de junho o imposto de serviços rendeu a Manaus valor de R$ 45,9 milhões, R$ 6,1 milhões a mais que o mesmo mês do ano anterior. De acordo com a Semef, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Alvará mantiveram seus desempenhos e renderam aos cofres municipais R$ 94,7 e R$ 21,7 milhões, respectivamente. O primeiro inflou em 22% e o segundo 26%, na comparação do acumulado anual.

Sem o Simples, impostos pesam 32% O pequeno empresário Rodrigo Bezerra, 28, é proprietário da empresa Sol Mídia, que presta serviços de design e comunicação visual há oito meses. Segundo ele, por um erro do contador, ao constituir a empresa, ela não foi incluída no programa Simples Nacional, que consiste num sistema de tributação diferenciado, que consolida, em um único recolhimento, diversos tributos federais, como por exemplo, Programa de Integração Social (PIS), Cofins e Imposto sobre Produtos Indus-

Rodrigo Bezerra mostra o calhamaço de boletos de impostos pagos por ele

trializados (IPI), estaduais como o ICMS) e municipais como o ISS, para facilitar a vida das micros e pequenas empresas. Segundo Bezerra, por conta dessa falha na abertura da firma, o custo das notas fiscais emitidas por mês é de 32%, porque sem o Simples Nacional a empresa contribui pelo Lucro Presumido. Além desse custo, o empresário lembra que para seguir na legal i dade ele ainda contribui com

IR, ISS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). “Até acho justo que haja cobrança de impostos. Mas, 32% sobre nota e outros tantos impostos a pagar não dá”, critica. Para Bezerra, a carga de impostos cobrados serve de barreira para que a empresa cresça em estrutura, pessoal e financeiramente. “Com um imposto justo nós poderíamos investir em mais insumos para criar mais produtos e gerar benefícios para empresa”, comenta.


MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

B3

Momento de repensar o Brasil O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, observa que o Brasil vive um momento oportuno para repensar a modelagem política e econômica do país, por conta do processo eleitoral que definirá quem serão o novo comandante da nação e os governadores dos Estados brasileiros. Segundo ele, as principais propostas dos empresários da indústria brasileira aos candidatos à Presidência da República, apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estão focadas na reforma tributária, na trabalhista e na previdenciária. Silva afirma que a carga tributária do setor é muito pesada e a arrecadação das esferas recolhedoras é sempre crescente. “O país precisa repensar a sua carga tributária. Os outros Estados acham que o nosso polo industrial é uma zona de renúncia fiscal, o que não é, haja vista uma série de impostos e taxas para Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) que deveriam ser revestidos

para infraestrutura de Manaus”, observa. Para o empresário, os impostos cobrados oneram demasiadamente a indústria brasileira. “Agora mesmo saímos da promulgação por mais 50 anos do nosso modelo ZFM. Mas não é só isso. Temos que pensar na infraestrutura e na logística para facilitar o

EMPREGOS

Como argumento usado para a necessidade das reformas, Antônio Silva cita os mais de 600 mil empregos diretos e indiretos que dependem do modelo Zona Franca de Manaus escoamento. O momento é esse para repensarmos de que forma atrairmos novos investidores para o PIM. Estamos chegando num extremo com a carga tributária. Precisamos aproveitar as nossas reservas financeiras. Temos que trabalhar pela redução do custo Brasil”, avalia Antônio.

ARQUIVO EM TEMPO/HUDSON FONSECA

Cálculo do Impostômetro sobre arrecadação no AM foi menor: R$ 4 bilhões

FOTOS: RAIMUNDO VALENTIN

é a mais perversa’

Reformas são apenas discursos “A reforma tributária nunca sairá do papel. Vai ficar só no discurso”, sentencia o economista Ailson Rezende. Cético, ele diz que a única forma de rever o peso dos impostos para o brasileiro é reforma. “Não sai porque envolve perda de arrecadação para alguns Estados. Quando alguém perde, não vai aceitar qualquer acordo. No mínimo tem que ficar como está”, diz. O economista aponta que carga tributária é elevada por conta das despesas do Estado, dos municípios e da União. “Essas esfera tem que ter uma estrutura mínima para funcionar, e principalmente o custeio de despesas eles tiram o dinheiro da arrecadação. A nossa carga tributária poderia ser menor. Ela não é maior entre os países, mas, é a mais perversa porque nós contribuímos e não recebemos de volta em segurança, educação, saúde

de qualidade”, critica. Segundo Rezende, estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) revela que durante os quatro primeiros meses

TRIBUTOS

Rezende diz que quem tem carro paga 5O% de imposto sobre a gasolina. Pela energia elétrica e telecomunicações paga 25% e 30% de ICMS, respectivamente. Na cerveja vai pagar 45% de imposto do ano o brasileiro trabalha para pagar impostos e por mais quatro meses trabalha para pagar os serviços que eram para ser prestados pelo Estado. “Pagamos plano de saúde, escolas particulares, sistema de segurança. Mas nós recolhermos os tributos

para esses serviços que o governo não oferece com qualidade”, salienta. Sem reforma tributária, o economista aponta o programa Simples Nacional, do governo federal, como uma boa medida para diminuir a carga sobre diversas categorias empresariais, que será estendia a outras de prestação de serviços como contadores, advogados, por exemplo, que antes da aprovação de proposta do Senado, não podiam participar. Entretanto, ele classifica como um programa de pequeno impacto frente o peso da carga tributária. “Mesmo assim ainda é uma medida paliativa, porque tem outros impostos que pagamos pelos produtos que compramos como o gênero de consumo que tem uma carga elevada. As famílias mais pobres estão pagando impostos”, observa o economista. Antônio Silva defende que momento é de debater reformas tributária, trabalhista e previdenciária


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 10 AGOSTO DE 2014

Workshop sobre gestão internacional em Lisboa SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

A

s previsões acerca da velocidade de recuperação da economia mundial são cuidadosamente moderadas, mas a Europa está em franca recuperação e os Estado Unidos da América (EUA) voltaram a crescer, segundo analistas. Para avaliar e discutir estes cenários, a MB Consultoria promoverá, entre os dias 15 e 19 de setembro, em Lisboa, Portugal, o 1º Europe Management Week (Semana de Gestão) 2014. De acordo com a coordenadora do projeto Suely Quadras, que está incluso no programa de Alta Perfomance da MB, o evento em parceria com o INDEG-IUL/ISCTE Executive Education, uma das principais escolas de formação de executivos em Portugal, vinculada ao Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), será realizado de 15 a 19 de setembro, no Instituto para o Desenvolvimento da Gestão Empresarial. Com 80% das vagas preenchidas, o programa pioneiro na região é voltado para executivos, empresários, sucessores empresariais e ges-

tores interessados no mercado globalizado. “O 1º Europe Management Week possibilitará aos participantes brasileiros a compreensão da gestão de negócios no contexto da União Europeia”, explica Suely. Durante uma semana de estudos, os participantes terão a oportunidade de conhecer in loco por meio de visitas téc-

ESTUDOS

As aulas do 1º Europe Management Week serão ministradas por professores do INDEG-IUL, baseadas em estudos de casos, workshops presenciais, debates e visitas técnicas a empresas nicas em empresas europeias varejistas, além de outras de serviço e indústria. A finalidade, conforme Suely, é proporcionar experiência vivencial de aprendizado sobre o ambiente econômico, empresarial e cultural europeu. Uma das vantagens para quem participa do evento, segundo os organizadores, são o aprendizado e a troca de

experiência entre os participantes, uma vez que estarão em contato com gestores de diversos segmentos, como da área de saúde, construção civil, indústria, dentre outros. Segundo Suely, na ocasião, os profissionais brasileiros descobrirão algumas técnicas de ferramentas de gestão internacional que poderão aplicar na empresa onde trabalham quando retornar. “Além do conhecimento, o network com os participantes, professores e coordenadores do INDEG-IUL será importante para a carreira de cada um”, afirma. O investimento para curso é de US$ 5,39 mil, sendo que os participantes terão direito a aulas, atividades culturais, material didático em português, almoço, apoio logístico entre as visitas técnicas e seguro viagem. Já as despesas com passagens aéreas, hospedagem, passaporte e demais consumos particulares não estão inclusas no pacote. O 1º Europe Management Week 2014, em Lisboa, Portugal, está atraindo a atenção de gestores de importantes grupos comerciais do Amazonas, que estão em busca de conhecimento sobre gestão empresarial de diferentes países.

DIVULGAÇÃO

MB Consultoria promoverá semana de debates e visitas técnicas durante o 1º Europe Management Week, em setembro

Investimento para o curso é de US$ 5,3 mil, com direito a aula, alimentação e atividades culturais

Para entender a realidade europeia O diretor de operações da Amazon Refrigerantes e Água Crim, Antônio José Alecrim, disse que participará do evento para vivenciar a realidade econômica Europeia. “Quero entender a estratégia e o modelo de liderança utilizada por eles para sobreviver num cenário de uma das maiores crises

dos últimos anos”, revela. Já a superintendente de Recursos Humanos (RH) da Bemol, Elane Medeiros, vai aproveitar o 1º Europe Management Week 2014, para atualização profissional, por meio do alcance de técnicas avançadas de gestão empresarial aplicadas no velho continente.

Elane afirmou que espera contribuir com este conhecimento para implementar práticas que mantenham firmes os vínculos e a fidelização dos clientes, colaboradores, fornecedores e acionistas. “Ações voltadas para manter vantagem competitiva sustentável das Lojas Bemol”, frisa.


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Economia

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Lei Maria da Penha: 8 anos e ainda sem total aplicação A

Lei Maria da Penha completa oito anos nesta semana (7/8). Marco no avanço dos direitos e empoderamento das mulheres em situação de violência, a legislação estabeleceu que todo caso de violência doméstica é crime, e deve ser apurado através de inquérito policial e encaminhado ao Ministério Público. No entanto, segundo especialistas e defensores dos direitos da mulher, a legislação ainda não foi inteirametne aplicada pelo Judiciário brasileiro. O texto da lei 11.340 foi o resultado de uma proposta elaborada por um conjunto de ONGs que atuam pelos direitos da mulher. O projeto foi discutido e reformulado por um grupo de trabalho interministerial, coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), e enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional, que aprovou a legislação em 2006. Seu maior mérito é reconhecer a violência doméstica como crime específico e um problema a ser enfrentado pela sociedade. “A lei mudou paradigmas na sociedade do ponto de vista

cultural. Colocou em pauta algo que estava no subtexto, que não levava atenção especial da mídia e dos estudos sociológicos e de pesquisa. Sua eficácia na contenção da violência é outra questão a ser avaliada”, opina a socióloga Fátima Pacheco Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão e especialista em

RESULTADO

O texto da lei 11.340 foi o resultado de uma proposta elaborada por um conjunto de ONGs que atuam pelos direitos da mulher. O projeto foi discutido e reformulado por um grupo de trabalho interministerial pesquisas de opinião. “Podemos mencionar o fortalecimento de políticas públicas nessa área, que é função do Estado. Ele tem responsabilidade em fortalecer apoio e a segurança para mulheres”, afirma Aline Yamamoto, coordenadora de acesso à Justiça e Enfrentamento à Violência da SPM-PR. A Secretaria ressalta que, desde 2006, a ampliação

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Legislação reconheceu a violência doméstica como crime específico e um problema a ser enfrentado pela sociedade da rede de atendimento à mulher em situação de violência aumentou consideravelmente. São cerca de 1,2 mil serviços especializados, entre juizados e varas, instrumentos do Ministério Público, da Defensoria Pública, da saúde, e da assistência social. Preparação “Efetivamente sabemos que precisamos aumentar mais ainda, mas hoje o Estado está mais preparado para atender essa demanda.“ Aline também afirma que a lei colocou em pauta e trouxe visibilidade para a questão. Um estudo do Instituto Avon publicado em 2011 mostra que 94% da população conhece a Lei Maria da Penha. “Não é à toa que ela é uma das leis mais conhecidas pela população.” Uma pesquisa do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostrou que nos primeiros cinco anos de vigência da Maria da Penha, a lei permitiu que fossem distribuídos 677,1 mil procedimentos entre inquéritos policiais, medidas protetivas e ações penais. Foram contabilizadas 26,4 mil ações em flagrante, 4,1 mil preventivas e aplicadas 280,1 mil medidas protetivas.

Mulheres se reúnem em Brasília no aniversário da lei para denunciar violência doméstica


País

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Médico salvou 50 milhões de vidas com receita caseira A

fórmula, hoje, é mundialmente conhecida: uma solução simples de açúcar, sal e água. Uma mistura que pode ter salvado até 50 milhões de pessoas. Encontrar um equilíbrio entre esses elementos foi o feito essencial dela, e o médico Norbert Hirschhorn teve um papel-chave na descoberta das medidas certas na preparação do soro caseiro. Um caso emblemático: depois de dois dias sofrendo diarreia, um bebê egípcio de três meses não tinha forças nem para levantar a cabeça e mamar no peito da mãe. Médicos temiam pelo pior: a diarreia grave é uma das principais causas de morte em países em desenvolvimento. Com um tratamento simples, pouco mais de quatro horas depois ele estava bem o suficiente para retomar a amamentação, tudo graças a uma solução barata de açúcar e sal. Hirschhorn descreve a transformação causada pela terapia de reidratação oral como incrível. “Você entra em uma sala e a criança ou o adulto está perto da morte. Eles têm olhos fundos, respiram acelerado, a pele e as unhas estão azuladas”, conta. Ver alguém se recuperar é “como ver Lázaro voltar dos

mortos - um milagre”, diz ele. Medida certa Hirschhorn se envolveu em pesquisas sobre terapia de reidratação oral em 1964. Ele prestava serviço militar nos Estados Unidos no serviço público de saúde e foi enviado para o que é hoje Bangladesh,

Ver alguém se recuperar é como ver Lázaro (a quem Jesus ressuscitou após quatro dias) voltar dos mortos - um milagre Norbert Hirschhorn, médico

que padecia de uma grave epidemia de cólera. A cólera causa diarreia grave e pacientes rapidamente perdem muita água e sais. Os infectados ficam extremamente desidratados e podem entrar em choque e morrer em poucas horas. Na região, até 40% dos moradores que não tratavam cólera estavam morrendo. À época, o

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Uma solução simples de açúcar, sal e água, mais conhecido como soro caseiro, ajudou a salvar milhares da desidratação tratamento de reidratação era administrado por via intravenosa no hospital. Era caro, e muitas vezes, inalcançável para os que mais precisavam dele. O objetivo era encontrar uma maneira de dar o tratamento por via oral e assim ajudar muito mais gente. Tentativas Outros haviam tentado no passado encontrar o equilíbrio certo de açúcar, sais e água para um tratamento oral. Hirschhorn trabalhava com o capitão Robert Phillips, que havia tentado ele próprio, sem sucesso, sua própria mistura anos antes. Vários pacientes morreram durante os testes. Phillips estava muito receoso em deixar Hirschhorn realizar sua própria pesquisa. “Ele já havia tentado a solução quando estava na Marinha em Taiwan e nas Filipinas, mas não acertou na medida, que era muito concentrada, e piorou as coisas”, disse Hirschhorn. O trabalho de Hirschhorn se baseou nos estudos de Phillips e de outro colega, David Sachar. Sachar havia mostrado que o corpo poderia transportar sódio assim que glicose fosse adicionada - algo fundamental no combate à desidratação.

Hirschhorn teve papel-chave na definição das medidas certas do soro caseiro: o avanço do século 20

Mistura bem simples, mas eficaz Hirschhorn disse que havia descrença de que uma mistura tão simples pudesse ser tão eficaz. “Sua simplicidade era sua própria inimiga. Levou muito tempo, muito tempo para convencer os pediatras de que fosse segura”. A publicação científica “Lancet” descreveu a terapia de

reidratação oral como “potencialmente o avanço médico mais importante” do século 20. O Unicef, fundo da ONU para infância, disse que nenhuma outra inovação médica do século “teve o potencial de evitar tantas mortes em um curto período de tempo e custo tão pequeno”. Agora, a eficácia

é mundialmente conhecida e usada por médicos em clínicas e em casas por pais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a diarreia é a segunda principal causa de morte de crianças menores de cinco anos, responsável pela morte de cerca de 760 mil crianças por ano.


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Mundo

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Túneis de Gaza: passagens que desafiam os israelenses I

srael começou a buscar soluções tecnológicas para neutralizar a estratégia palestina de cavar túneis que cruzam o território israelense, que abriu um debate sobre responsabilidades entre o governo e os altos comandantes do Exército. Uma das possibilidades em estudo é a criação de um obstáculo subterrâneo que evite a construção de túneis, projeto que necessitaria um investimento de 8 biilhões de shekels (US$ 2,38 bi), embora o exército avalie outras opções menos custosas para detectar trabalhos de escavação sob terra, informou o jornal “Haaretz”. O principal desafio é localizar infraestruturas que se desenvolvem a dezenas de metros sob a superfície e de larguras às vezes quilométricas. “Estamos a 1,2 quilômetros de Gaza, perante uma infraestrutura que foi escavada a mais de 15 metros de profundidade, embora haja outras que alcancem os 20”, explicou o capitão Roni Kaplan, portavoz do Exército israelense. A “boca” deste corredor se abre próxima ao local onde em outubro as forças armadas descobriram um dos primeiros túneis, o que fez disparar o alerta

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Estado hebraico busca na tecnologia uma solução para neutralizar a estratégia palestina de cruzar os territórios de Israel sobre as dimensões desta rede de passagens, principal alvo da atual operação militar. Ofensiva Há 30 dias, o Exército israelense embarcou em uma ofensiva com o objetivo de atacar com maior intensidade a infraestrutura militar do movimento islamita Hamas, força governante na Faixa de Gaza desde 2007, para pôr fim ao lançamento de foguetes. Mas, à medida em que a ofensiva avançou, a ideia de desmantelar os túneis que milícias palestinas construíram sob Gaza foi definida como máxima prioridade para Israel, que durante a operação se viu surpreendido por 30 galerias. Na de Ein Hashloshá, cabos telefônicos e de eletricidade cobrem os milhares de painéis de cimento alinhados ao longo de três quilômetros que separam sob o subsolo esta comunidade agrícola de argentinos e uruguaios imigrantes em Israel da palestina Khan Yunes, em Gaza. A luz fica cada vez menos evidente à medida que se avança nesta estreita brecha e abre passagem a um asfixiante caminho onde, em fila indiana, os milicianos teriam desfilado até solo israelense.

Desafio israelense é neutralizar o esforço dos palestinos do Hamas de escavar túneis para atravessar o território hebreu

Cada construção custa US$ 3 mi ao Hamas Na entrada do túnel, Kaplan explica que “a construção de uma infraestrutura como esta requer toneladas de cimento e tem um custo de cerca de US$ 3 milhões”. No total, os cálculos is-

raelenses mostram que os grupos armados palestinos em Gaza investiram “vários anos” e “cerca de US$ 100 milhões para levantar os corredores descobertos”. A advertência de possíveis

ataques sobre a população civil, nunca executados até o momento, mantém em expectativa as comunidades vizinhas à fronteira, que alguns moradores já abandonaram e se negam a retornar até

que o exército não resolva este problema. Após o cessar-fogo de 72 horas, o exército israelense mantém forças na área ao redor de Gaza, devastada após 30 dias de ofensiva.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 10 DE AGOSTO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

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Galeria faz contribuição à história Dia a Dia C6-C7

‘Filho, tu és meu exemplo’ Em uma comovente inversão de papeis, pai que se recupera de dependência química tem no filho mais velho um motivo de orgulho pelo sucesso e apoio que tem dele e de sua família em sua batalha na recuperação do vício FOTOS: DIVULGAÇÃO

Lenilson brinca com o filho mais novo: recuperação com base na ajuda

O

s papeis se invertem. O pai que tradicionalmente é o líder da família e imagem a ser seguida passa a se espelhar no exemplo de vida de seu filho e imitá-lo. Assim vive o residente Lenilson Ribeiro Viana, 33, no Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (Manaus/ Itacoatiara), na altura de Rio Preto da Eva. Erick Santos Viana, 18, desde a adolescência procurou seguir caminhos diferentes do pai. Começou a trabalhar ainda jovem. Hoje, ajuda sua mãe-avó com as despesas da casa. Já Lenilson não teve a mesma determinação de seu filho. Há mais de cinco anos, se enveredou pelo mundo das drogas e passou a não cumprir o papel de líder de sua família. Essa responsabilidade acabou sendo assumida por sua esposa e filho. “A droga lhe tirou o direito e o poder de liderança em nossa família”, conta a esposa do residente, Adriana de Souza Viana, 21. Apesar da história carregada de tristeza, Lenilson tem orgulho e abre um sorriso ao falar do filho. “Meu filho está empregado, ajuda a sustentar nossa família. Ele é um exemplo a ser seguido, por isso me espelho nele. Fraquejei, me entreguei as drogas, mas vou me libertar disso porque sou forte”, afirma. O residente conta que decidiu mudar o rumo de sua história de vida impulsionado pelo amor e perseverança de seus familiares, principalmente de seu filho, que luta para ver o pai reescrever seu futuro como um cidadão exemplar para a sociedade. Lenilson procurou tratamento médico e está internado no Centro de Reabilitação, unidade gerenciada

pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) em parceria com o Grupo Göes – Organização Social. Na unidade de tratamento, ele está tendo a oportunidade de reescrever o seu futuro e garantir a chance de ter uma melhor condição de vida. “Nós aqui no Centro temos um papel fundamental para a sociedade que é a de ajudar a resgatar vidas e restaurar famílias”, ressalta a diretora Anna Lopes. Em pouco mais de um mês, Lenilson terá completado o tratamento terapêutico, poderá voltar ao seu lar e assumir os compromissos familiares, que foram deixados para trás, depois que passou a usar abusivamente drogas. “A partir de agora quero assumir meu

INICIATIVA

Lenilson Viana decidiu mudar o rumo de sua história de vida impulsionado pelo amor e perseverança de seus familiares, principalmente de seu filho, que luta para ver o pai reescrever seu futuro compromisso com minha família e mostrar que mudei. Vou servir de exemplo para meus filhos que são meus maiores tesouros nessa terra”, ressalta o residente, ao se referir a esposa e seus cinco filhos. Mesmo com ausência da figura paterna, o jovem Erick afirma que o pai está sempre presente no seu dia a dia. “Ele merecia uma nova chance na vida, por isso buscamos ajuda para que ele pudesse voltar a ter uma vida social. Eu e meus irmãos nos orgulhamos muito dele. Sabemos que ele vai dar a volta por cima. Pois me ensinou a ser quem eu sou hoje”, afirma.

Um Dia dos Pais antecipado

O residente com o filho Erick (à dir.) e o restante da família

Auxílio, força e perseverança Erick faz questão de ressaltar que os papeis podem ter se invertido para Lenilson, mas o filho garante que o pai é exemplo de força e perseverança, ao assumir que necessitava de ajuda na luta contra a dependência química. “Fico orgulhoso em saber que meu pai se espelha em mim. Mas ele é meu maior incentivador a vencer na vida”, disse o jovem, acrescentando que o pai continua sendo seu herói. Lenilson, hoje, é exemplo dentro do Centro de Reabilitação. Dedicado, cumpre à risca todo o tratamento terapêutico. Ele afirma estar focado em sua cura da dependência química para em breve retornar ao convívio social e, assim, dedicar parte de seu tempo aos filhos e esposa. “O Lenilson ganhou nosso respeito, é dedicado e está se aplicando ao máximo ao tratamento terapêutico, com certeza vai vencer essa batalha”, afirma o assistente social Newton Cajueiro.

Mudando de vida Dentro da unidade de tratamento, Lenilson Ribeiro Viana pôde mudar de vida e também de profissão. Ele aprendeu a fazer artesanatos e em breve receberá a Carteira de Artesão Profissional que será expedida pela Secretaria de Estado de Trabalho (Setrab). O residente m breve poderá, em companhia de seus amigos residentes, montar seu próprio negócio. Lenilson está se profissionalizando em trabalhos artesanais com bambu, graças a ajuda de seu colega residente Emanoel Castro, 51. A parceria rendeu bons frutos e em pouco tempo de produção os residentes colocaram a vendas diversos produtos durante a Feira Internacional de Artesanato, Moda e Decoração, que acontece no Manaus Plaza Shopping, na avenida Djalma Batista, até este domingo.

No Dia dos Pais, quem ganha presente são os filhos, pois eles tiveram a oportunidade de está perto de seus “heróis”, no Centro de Reabilitação Dependência Química Ismael Abdel Aziz, localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010 (estrada que liga os municípios de Manaus e Rio Preto da Eva). A unidade de tratamento comemorou esta data tão importante ontem. No evento, os residentes tiveram a oportunidade de rever seus filhos em uma visita familiar. “A família é um dos tripés na luta contra a dependência química e o pai é um dos maiores incentivadores de seus filhos, além de servir de exemplos para eles, por isso programamos esse encontro”, disse Anna Lopes. Para muitos residentes

esse momento proporciona a oportunidade de fortalecer o corpo e a alma na luta contra a dependência química. “A luta contra as drogas é árdua, mas quando se tem o apoio das pessoas amadas tudo parece se tornar mais fácil”, descreve o residente José (nome fictício). Ele afirma que a relação de ajuda mútua existente entre pai e filho é um sentimento tão grande que se torna um suporte para vencer a abstinência. O residente Márcio Gibson vai aproveitar o domingo para ficar perto do seu pai. Ele completou o tratamento terapêutico no centro de reabilitação há pouco mais de uma semana e afirma que não perderá mais nenhum minuto da vida sem agradecer o seu maior incentivador na luta contra as drogas.

Com a recuperação, Lenilson reescreve a sua história


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Dia a dia

Espécie exótica fl

Depois de 4 anos e sete meses de cultivo, a coccoloba sp, detentora da maior folha do mundo, descoberta na região amazônica, tem sua florescência registrada no campus do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, facilitando seu estudo

FOTOS: IONE MORENO

O pesquisador Cid Ferreira mostra ramo com os botões florais da coccoloba sp: mais facilidade para estudos da espécie

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

A

espera foi longa. Cerca de 4 anos e sete meses de cultivo, com direito a acompanhamentos mensais do desenvolvimento, para ver a maior folha do mundo, coccoloba sp - antes encontrada somente em alguns locais às margens do rio Madeira - florescer no campus do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), na Zona Centro-Sul de Manaus. Antes tarde do que mais tarde. “Estudos fenológicos comprovam que a reserva Ducke tem plantas até com 20 anos que ainda não floresceram. A coccoloba florescer é muito importante porque daqui a gente tem a possibilidade de acompanhar melhor os estudos do que se ela estiver na natureza, pois aí teríamos que pegar o avião para ir a Rondônia ou a Borba. Aqui facilita mais. A gente pode fazer germinação”, explicou o botânico especialista em florística e fitossociologia, Cid Ferreira. Essa espécie da família da Polygonaceae, que chama atenção pelo tamanho incomum das folhas, foi semeada em 2005, trazida do Parque Nacional do Jamari, em Rondônia (RO). “Ela não florescia fora do ambiente natural, esta foi a primeira vez e a gente vem acompanhando. Logo após a coleta desta espécie, formamos um grupo de pesquisadores de várias coordenações do Inpa: Sidney Ferreira, cuja especialidade é germinação; o químico Augusto Cabral e o ecólogo Rogério Gribel. Isso porque você não faz pesquisa só”, ressaltou o botânico. Após semeadas, no final

de 2005 e inicio de 2006 as mudas foram formadas, transplantadas e plantadas nos campus da instituição. Mensalmente, as medidas de altura e de crescimento das folhas, assim como as características morfológicas, eram registradas para se analisar o desenvolvimento da espécie fora do ambiente natural. “Em 2005, durante um ano, coletei as folhas

COCCOLOBA SP

Fazer a coccoloba sp florescer aqui na reserva Ducke é muito importante, porque daqui a gente tem a possibilidade de acompanhar melhor os estudos do que se ela estiver na natureza Cid Ferreira estava no grupo que descobriu a coccoloba em Borba, em 1983. A folha hoje está preservada em um quadro no Inpa

maiores, coletei 98 folhas, que estão condicionadas em lugar apropriado”, apontou. Todo o monitoramento e cuidados foram importantes para que se pudesse reproduzir no interior do campus as condições similares às encontradas na natureza, para que a espécie pudesse se desenvolver e florescer. Dos quatro indivíduos cultivados, apenas dois atingiram a altura de 13 metros, semelhante ao encontrado pelo botânico Cid Ferreira em 1983, durante uma expedição pelo rio Canumã, afluente do rio Madeira, no município de Borba (a 150 quilômetros da capital). A expedição fez parte do projeto Flora Amazônica (convênio Inpa e Jardim Botânico de Nova York) desenvolvida na década de 1980.

Caule possui diâmetro de 48 centímetros Apesar dos 13 metros de altura, no meio da floresta e entre tantas outras árvores frondosas e mais imponentes, a espécie poderia até passar despercebida. Tudo porque a coccoloba possui um caule com cerca de apenas 48 centímetros de diâmetro e sem ramificações. Contudo, foi o tamanho das folhas que a tornou conhecida como a maior dicotiledônia do mundo, com direito a registro no Guinnes Book em 1997. A maior folha encontrada mede 2,50 metros por 1,44 metro e pesa 620 gramas. Ela permanece exposta no herbário do Inpa. “A espécie

não tem ramos, não é grossa, o diâmetro dela é de apenas 48 centímetros, possuía de 12 a 14 folhas e tem frutos pequenos. A Amazônia é muito interessante, se você vier a flor de uma samaúma, você quase não enxerga e a maior árvore da floresta de várzea é ela. São grandes, mas a flor é pequena, é completamente o inverso. A própria castanheira não possui flores grandes, são médias”, ressaltou. Não fosse o olhar atento do pesquisador no meio da mata, a coccoloba poderia ter permanecido no anonimato. “Estava caminhando na fren-

te do grupo, vi a coccoloba e comentei com um colega que mais a frente na mata parecia ser uma bananeira. Olhei de novo, coletei, fiz foto, mas não trouxe porque ela se encontrava estéril. As coletas botânicas só entram no herbário do Inpa com flor ou fruto e ela, na ocasião, não apresentava. Como não tinha muita experiência não trouxe, mas depois voltei para trazer e é esta no herbário, com 2,50 metros”, lembrou. Após encontrar a espécie em Borba, ela também foi encontrada em Rondônia, na Floresta Nacional do Jamari

e na hidrelétrica de Samuel. Em 1995, no quilômetro 10 da vicinal Rosarinho, em Autazes, foi feito o último registro da espécie. Além das medidas nada convencionais, a árvore apresenta outra característica peculiar, descoberta nas décadas seguintes à primeira coleta feita em 1983 por Cid. Diferente de outras plantas que realizam a fotossíntese, a coccoloba faz quimiofotossintese. “Ou seja, ela absorve durante o dia a luz e à noite ela vai processar a energia que recebeu durante o dia. Isso é uma raridade”, explicou.


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floresce no Inpa Décadas dedicadas à botânica A coccoloba foi uma das mais de 10 mil espécies coletadas pelo pesquisador Cid Ferreira durante os 32 anos dedicados à botânica. Em três décadas ele participou de mais de 50 expedições e tornou-se um dos principais coletores da Amazônia brasileira, junto a J.M. Pires e A. Ducke. Com o projeto Flora, ele participou da primeira viagem para Balbina (a 187 quilômetros da capital) e, em seguida, para Borba – onde encontrou a coccoloba. Na sétima viagem, uma das mais longas, que durou 82 dias, Cid saiu de Manaus e foi até o município de Barra do Garças, em Mato Grosso, fronteira com Goiás. “Foi o maior projeto de todos os tempos que objetivava fazer o levantamento da Amazônia. A coleta é importante para a distribuição geográfica das plantas para saber onde ela ocorre”, explicou. Contudo participar e permanecer no projeto, não foi tarefa fácil. O Flora atraia pesquisadores de várias partes do mundo, o que tornava a concorrência acirrada e a participação de Cid, estagi-

ário do instituto na época, quase impossível. “A gente só faz aquilo que gosta, gostei da botânica porque vim para cá estagiar na área de floresta e gostei do que vi. Mesmo sem remuneração, tinha em troca do estágio uma bandeja de comida, mas vi que era bacana lidar

Aqui é uma atração inigualável para um botânico. Eles dizem que não querem morrer antes de conhecer a Amazônia Cid Ferreira, botânico e pesquisador

com as plantas, ver como a riqueza da vegetação é grande, é inigualável. Foi quando veio gente do mundo todo via Jardim Botânico de Nova York (EUA) para cá, também vieram os paulistas participar do projeto. Dois colegas paulistas morreram por conta da malária, e o

restante do grupo foi embora. Então, foi feito o concurso em 1979 pelo doutor William Rodrigues. Eu tinha 28 anos e aproveitei o momento. Estava preparado e passei. Foi uma felicidade muito grande, porque estava me formando, minha família não era ‘de grana’, e para me sustentar era um dificuldade grande”, lembrou. Aprovado no concurso, iniciaram as expedições rumo à Amazônia brasileira do botânico recém-formado. De avião, barco ou mesmo no lombo de cavalos, ele atravessou os extremos da floresta coletando espécies. T. Ploman, G.T. Prance, Paul Mass, D. Daily, CRnokst, Aroldo Cavalcante, Pirani, Paulo Cavalcante, Scott More, B. Lowy... muitos foram os especialistas que Cid ressalta ter tido o privilégio de trabalhar. “O doutor Prance, o botânico do século 20, me convidou para um estágio no Jardim Botânico de Nova York (USA). Aqui é uma atração inigualável para um botânico. Eles dizem que não querem morrer antes de conhecer a Amazônia”, ressaltou. Cid Ferreira com a primeira foto da folha da coccoloba sp: 32 anos dedicados à botânica


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Dia a dia

Para que servem

Duas siglas - IPTU e IPVA - representam impostos pagos pelos cidadãos mais pela obrigação que pela compreensão. Em outras palavras, poucos entendem para que servem os tributos cobrados DENY CÂNCIO Especial EM TEMPO

“D

ai a César o que é de César”. A frase bíblica indica que todo cidadão possui o dever de honrar com os tributos. Mas quem nunca reclamou um dia por pagar tanto imposto? E por pagar para ter o direito de transitar livremente por todas as vias públicas? Mesmo desconhecendo a finalidade do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotares (IPVA), os donos de veículos de Manaus contribuem com a arrecadação anualmente. E quanto ao valor arrecadado, fica a pergunta: em que esses recursos estão sendo aplicados? A profissional de marketing, Enedina Campos, 36, faz parte da classe contribuinte do IPVA. Ela para o imposto antecipadamente em busca de saldo maior no orçamento financeiro, ao aproveitar o percentual de desconto. “Meu carro tem dois anos e pago muito caro para um carro popular - cerca de R$442 só de IPVA. Com mais acréscimo do seguro e taxas

adicionais, o valor chega a R$ 700”, conta. Enedina não sabe exatamente a finalidade do tributo, mas teme ficar sujeita a penalidade. “Só sei que tem que pagar. E quando inicia o ano já tem blitz para verificar a regularização do imposto. Sinceramente, ainda não tinha prestado atenção no quanto pagamos caro sem questionar o que se está pagando. E para onde vai tanto dinheiro?”, questionou. O microempresário Gelson Tavares, 27, disparou nem conhecer a significado a sigla do tributo, mas comentou que não acredita ser justo o valor a ser pago ao Estado. “Nem sei porque devo pagar, e mesmo assim honro o compromisso. Não acho justo o valor que pago, a conta é quase R$2mil, e este não é um carro a diesel, que ouvir dizer ser mais caro”, reclama o proprietário de uma Saveiro. “Acredito que o valor arrecadado deveria ser investido em mais sinalização e na organização do trânsito, como a instalação ou reparo de semáforos das vias da cidade”, afirma. Para a decoradora Eloísa

Vieira, 34, dona de um carro Fiat Dublo, o IPVA tem alto custo. “O carro da minha família, tem dois anos. Pago mais de R$ 800, que pesa no orçamento. Na verdade, não sei a real finalidade do IPVA, mas sei que serve para me deixar lisa”, brinca. Eloísa foi a única entrevistada a dizer que o valor destina-se ao orçamento do Estado, e sugere investimentos na mobilidade urbana. “Tenho ciência de que o valor arrecadado vai para os cofres públicos, e acredito que deveria ser totalmente investido em melhorias das ruas e organização do trânsito na cidade”.

Contribuintes na sede da Semef: a finalidade do IPTU ainda é desconhecida pela população


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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

as quatro letras? Objetivo do IPTU gera questionamentos BRUNO GRAÇA Especial EM TEMPO

Quando a história é o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a população também mostra desconhecimento total sobre a finalidade do imposto e onde ele exatamente é aplicado. De sete pessoas abordadas pela reportagem, uma admitiu não saber nada sobre o imposto, duas erraram a resposta e três informaram que não o pagam ou são isentos. Somente a cabeleireira Vânia Souza, 30, do bairro Nova Cidade, Zona Norte, arriscou uma resposta certeira: “sei que pago por causa da minha casa e o dinheiro vai para obras na cidade”. O IPTU é um imposto anual cobrado pela admininistração municipal de donos de propriedade localizadas na área urbana, podendo ser pago em nove parcelas ou em cota única com desconto. Seu cálculo tem como principais critérios a localização e o tipo do imóvel, a categoria e as caracte-

rísticas do terreno. O valor recolhido é utilizado na realização de serviços para a sociedade. De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Economia e Finanças (Semef), o imposto também é importante para a Prefeitura trabalhar em projetos e ações nas áreas de educação e saúde do cidadão. “Ainda sem repasses do governo federal, hoje todas as ações do executivo são sustentadas com recursos próprios”, expli-cou a assessoria. Os recursos adquiridos possuem regras constitucionais de uma aplicação mínima de 25% em educação e 15% em saúde, mas na última categoria, Manaus teve seu recurso elevado para 23%. “O restante é aplicado em infraestrutura e demais necessidades da cidade. Para este não há percentuais definidos”, informou a assessoria. Até julho deste ano, foram arrecadados cerca de R$ 101,4 milhões pelo IPTU. Em 2013, foram recolhidos R$ 99,4 milhões, e em 2012,

R$ 74,9 milhões. Turismo Sendo o IPTU um dos principais recursos para ainfraestrutura da cidade, também está diretamente envolvido com o turismo. O presidente da Associa-

Atualmente pagamos um grande imposto nos hotéis, porque o local paga o IPTU da sua totalidade e entra como prédio comercial Roberto Bulbol, Presidente da Abih-AM

ção Brasileira da Indústria de Hoteis do Amazonas (Abih-AM), Roberto Bulbol, explica que atualmente Manaus está no sexto lugar no ranking dos maiores valores cobrados no IPTU. “Só perdemos para São Paulo, Recife/Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza e Maceió/ João Pessoa/Campo Gran-

de”, explica. “A maior contribuição vem do Centro”, completa. De acordo com Bulbol, por muitos anos a área do Centro foi esquecida de investimentos, mas atualmente esse quadro tem mudado. “Hoje existe uma visão mais humana, que foca mais para poder receber o turista. Você anda na rua e começa a ver os prédios históricos restaurados. Isso tudo é o retorno da cobrança do IPTU e alvarás de funcionamento”, contou. Apesar disso, existem melhorias a serem feitas no segmento de turismo, como o investimento na indústria hoteleira. “Atualmente pagamos um grande imposto nos hotéis, porque o local paga o IPTU da sua totalidade e entra como prédio comercial. Outros locais como um apart-hotel, pagam por quarto, entrando na categoria residencial, logo tem um imposto menor”, explica resumidamente. “Além do que não podemos pagar por 100% dos apartamentos, se atualmente só utilizamos 40% deles. Nós somos penalizados”, completa.

DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

Investimento em patrimônio

Em busca de incentivo turístico

O fato é que o IPVA é um imposto com o objetivo de arrecadar dinheiro sobre os automóveis, qualquer que seja o tipo. Somente os Estados e o Distrito Federal têm competência para instituí-lo de acordo com o art.º 155, inciso III da Constituição Federal. De acordo com Jorge Jathay, secretário executivo da receita da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), este tributo tem importância no orçamento do Estado para que o possa cumprir seu papel primordial de atender as necessidades públicas. “O Estado sempre foi financeiro. Como uma via de mão dupla, ele recolhe dos tributos arrecadados e cobra percentuais para se regularizar a sociedade, mas, devolve em benefícios”, explica. Jathay fala que a sociedade precisar se conscientizar da importância

Atualmente, a AbihAM está desenvolvendo um projeto para tentar mudar essa situação de diferença de alíquota do IPTU entre os estabelecimentos da rede hoteleira. “Quando o concluirmos, queremos apresentar ao prefeito e à Câmara Municipal de Manaus (CMM) para mudar a alíquota dos hotéis de comércio para condomínio”, afirmou. “Quem sabe, assim, futuramente ainda vou conseguir um incentivo ao turismo, como os hoteis do Nordeste que possuem redução do IPTU e do alvará de funcionamento”, completa Roberto Bulbol.

dos tributos e envolver principalmente as crianças nessa importante discussão que envolve direitos, deveres e cidadania. “É um senso comum da população pensar que o conhecimento sobre tributo é para a classe política. No entanto, a questão tributária está presente no cotidiano das pessoas em suas mais variadas atividades de consumo e investimento em patrimônios”. O IPVA, cobrado anualmente, não tem relação nenhuma com a situação das estradas ou das ruas, é apenas de uso fiscal. Segundo o secretário executivo da Sefaz, ele tem a finalidade de custear as máquinas da administração. “O IPVA é mais imposto incorporado ao orçamento do Estado, e aplicado aos setores. Ele não tem fim específico”, ressalta Jorge. (DC)

Inadimplência A Sefaz, por meio do departamento de arrecadação, divulgou que no Estado há 215.420 inadimplentes quanto ao IPVA, o que totaliza um montante Impostos arrecadados são utilizados na infraestrutura da cidade

de R$158.949.571,16. De acordo com a subgerente do Departamento de Arrecadação da Secretaria, Alana Valério, os contribuintes que não se regularizem, terão os débitos inscritos na dívida ativa. “Os contribuintes e demais responsáveis que não efetuarem o recolhimento do imposto no prazo, além da atualização do débito pela Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), ficarão sujeitos à multa de mora, calculada à taxa de 0,33% , por dia de atraso, que capitaliza até atingir o limite de 20%, isto nos casos de recolhimento espontâneo e antes de qualquer ação fiscal”, explica. “No entanto, se o veiculo for objeto de ação fiscal, como apreensão, a penalidade pecuniária correspondente a 50%”, acrescenta a subgerente. (BG/DC)


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Dia a dia

Espaço resgata várias histó A galeria Espírito Santo, no Centro, que reúne hoje os novos microempreendedores, é um resgate da história da família J. G. Araújo, proprietária do local onde funcionou a Usina Rosas

O

riginalmente construído no período áureo da borracha, no início do século 20, o prédio que abriga hoje a galeria Espírito Santo deixa mais uma vez sua contribuição à história de Manaus por ser o primeiro espaço definitivo a receber os ex-camelôs, agora microempreendedores, realocados do Centro Histórico. Naquela época, a família que dá nome ao imóvel, J.G. Araújo, fez história nos anos 1920/30 como pioneira na industrialização e beneficiamento da borracha. Agora, em 2014 volta ao pioneirismo de ter sua antiga Usina Rosas, na rua Joaquim Sarmento esquina com 24 de Maio, escrevendo outra história comercial, incorporando um patrimônio histórico à dinâmica contemporânea da sociedade atual. “Todo o lugar foi projetado e criado com seus corredores, posições de escadas, passagens, passarelas, tudo para ter um espaço comercial energizado, onde todos os recantos são propícios e incentivam à circulação de pessoas no prédio”, explica o arquiteto Roberto Moita, presidente do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb). O projeto é de autoria da

equipe do Implurb, que também assina os projetos e plantas das duas galerias populares definitivas que serão entregues: a dos Remédios, na rua Miranda Leão, Centro, e o Shopping T4, na avenida Camapuã, Jorge Teixeira, Zona Leste. Por ser antigo o prédio da Galeria Espírito Santo, também há um resgate da memória da cidade: “A incorporação desses prédios, incluindo o da futura Galeria dos Remédios, que tem edificação histórica, é também uma forma de homenagem, pois cada imóvel tem uma história e ela é relembrada com o novo uso”. A história da J.G. Araújo, por exemplo, começou em 1879, quando a empresa familiar foi fundada, tornando-se uma das mais ricas e prósperas de Manaus, sob a gerência do comendador Joaquim Gonçalves de Araújo. Externamente, a fachada histórica e tombada foi preservada, com seus tijolos característicos da arquitetura dos anos 1920, e o local, onde já funcionou a primeira usina de beneficiamento de borracha, deu espaço para um empreendimento erguido em aço, em mais de 3 mil metros quadrados, com térreo, mezanino, 308 lojas,

praças de alimentação, PAC Municipal e loteria. Mudança Quando os trabalhadores começaram a ser transferidos para as galerias provisórias, Maria do Perpétuo Socorro de Oliveira Freitas era uma das mais incrédulas sobre a possibilidade de manter suas vendas fora das ruas. Durante a mudança, conversou com o presidente do Implurb, arquiteto Roberto Moita, que garantiu a ela o sucesso do projeto. Na entrega das chaves aos novos microempreendedores, Maria do Socorro teve um novo encontro com Moita, que entregou a ela a chave do box, de número 87. “Ele disse: nos encontramos de novo, mas agora em situação melhor, porque é um sonho realizado. Pegávamos sol e chuva, e agora vamos só baixar a porta e ir para casa, com dignidade”, comentou a empreendedora, que trabalhou nas ruas por 25 anos, acompanhando o pai, que também foi camelô. “O projeto é muito bonito, até me emociono. Estou feliz. Pena que meu pai não esteja aqui para ver esse resgate dos vendedores ambulantes. E para fazer isso tem que ter coragem.

Prédio histórico onde funciona a galeria Espírito Santo é tombado e manteve sua fachada original dos tempos de usina


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órias IMPLURB/DIVULGAÇÃO

Mudanças aprovadas por usuários Uma semana após a abertura da galeria, os microempreendedores mostram satisfação com a mudança. Exemplo é a comerciante Mirian Rosa, 39, vendedora no box 302. “A diferença é muito grande. Não estamos mais no sol, na chuva. Temos, agora, segurança e conforto. A expectativa é aumentar as vendas e acredito que o movimento será ótimo. Eu me sinto prestigiada por ser uma lojista daqui”, destacou. “Estou satisfeito com meu novo local de trabalho. Ter uma loja sempre foi meu sonho e agora estou conseguindo realizálo. Não há reclamações e a diferença de se trabalhar na rua e de estar aqui agora é extrema”, comentou o comerciante Ricardo Freitas, que trabalha com a assistência técnica de celulares. A aposentada Nazaré Alves, 63, aproveitou para conhecer a nova galeria e visitou o box de João Nunes, que há 30 anos amola alicates. Para a aposentada, o prédio ficou mais bonito, bem iluminado e organizado. “Ficou ótimo. Ao mesmo tempo em que posso comprar, também posso sentar para comer e beber algo”, comentou.

C7 REPRODUÇÃO

COMUNICAÇÃO

Portal é auditado pelo selo IVC O Portal EM TEMPO Online passou a integrar na sexta-feira (8) o grupo de periódicos brasileiros auditadas pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), sendo comprovado que o Portal triplicou o número de acessos nos últimos meses. O IVC é uma entidade sem fins lucrativos que funciona há mais de 50 anos no Brasil. Seus dados são apurados através de uma auditoria e dão informações sobre circulação em mídias impressas e online. O selo dá confiabilidade para

que os profissionais do mercado publicitário possam trabalhar com informações técnicas e precisas em relação à tiragem e circulação de jornais, revistas e audiência de sites. O novo projeto do Portal EM TEMPO começou a ser reformulado em maio deste ano. Passando quase dois anos sem qualquer alteração, o site aumentou o número de acessos diários, produzindo 24 horas de notícias em tempo real. Com um novo layout responsivo, que pode ser visuali-

zado em dispositivos móveis, a interatividade e convergência com outras mídias aproximou o leitor de suas redes sociais preferidas. O espaço publicitário ficou dinâmico, aumentando a visualização dos anunciantes nas páginas internas e externas do Portal EM TEMPO. Com o selo do IVC, o Portal corrobora a sua importância diante do leitor manauara, como também aumenta a confiança do mercado publicitário local e nacional perante seu público.

Desde a última sexta-feira (8), o portal é auditado pelo IVC


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Dia a dia

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CNJ destaca projeto do AM

Técnica de terapia comunitária posta em prática pelo Tribunal de Justiça do Amazonas junto aos cumpridores de penas alternativas foi escolhida como uma das melhores do país, ao lado de ações de destaque de Pernambuco, Maranhão e Ceará

O

projeto de técnica da terapia comunitária do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) colocou o Estado entre os detentores das melhores práticas adotadas pelos tribunais brasileiros na aplicação de alternativas penais no país. A apresentação foi feita durante o Fórum

Nacional de Alternativas Penais (Fonape), realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nas últimas quinta e sexta-feira (7 e 8) em São Luis (MA). As demais iniciativas de destaque são de Pernambuco, Maranhão e Ceará, escolhidas entre 14 inscritas no CNJ, de todas as regiões. A terapia comunitária ofere-

ce aos apenados de medidas alternativas espaço de escuta e construção de vínculos, com o intuito de apoiá-los nas situações de estresse, uso de álcool e outras drogas, violência doméstica e sofrimentos psíquicos durante o cumprimento da sanção penal alternativa. O objetivo não é aconselhar, dar soluções prontas aos pro-

blemas ou impor condutas às pessoas e, sim, na força no acolhimento e na união do grupo, no estreitamento de laços e na divisão de experiências. Mais de mil cumpridores dessa medida alternativa já participaram dos encontros de terapia comunitária, em levantamento de dados dos anos de 2010 até meados

de 2013, e 77% deles não se envolveram em novos delitos, segundo aponta o TJAM. Aperfeiçoamento Na abertura do Fórum, o representante do CNJ no evento, conselheiro Guilherme Calmon, avaliou o cenário jurídico e legislativo que envolve a questão das pe-

nas alternativas à prisão no Brasil, citando a realização do Fonape como parte das políticas de aperfeiçoamento do sistema de Justiça penal. “Hoje a população de encarcerados no Brasil chegou a 711 mil pessoas, o que mostra que sistema tradicional não vem dando conta daquilo para o qual foi criado”, afirmou.

Tribunal de Pernambuco dá exemplo O TJ de Pernambuco (TJPE) foi indicado pelo Programa de Monitoramento Psicossocial da Prestação de Serviços à Comunidade da Vara de Execução de Penas Alternativas. Por meio do Centro de Acompanhamento a Penas e Medidas Alternativas (Capema), o programa acompanha os cumpridores das penas de prestação de serviços à comunidade na perspectiva de uma compreensão holística da realidade, indo além da mera fiscalização do cumprimento da pena. Eles passam a ser acompanhados por Núcleos que auxiliam na acolhida, formação e Justiça terapêutica.

Maranhão e Ceará são reconhecidos O TJ do Maranhão (TJMA) foi indicado por um projeto executado na 2ª Vara de Execuções Penais da Comarca da Ilha de São Luís, voltado para apenados que cumprem o regime aberto, oriundos do regime fechado e, indiretamente, para toda a sociedade que demanda serviço jurisdicional efetivo. O projeto busca conhecer o preso em regime aberto na sua integralidade, no âmbito espiritual, psicossocial, familiar e econômico e, por meio do trabalho em rede e parcerias, desenvolve ações dirigidas à redução de danos resultados do encarceramento, facilitando, assim, sua reintegração social. O TJCE foi indicado pelo trabalho desenvolvido pelos Grupos Reflexivos para Cumpridores de Penas Alternativas e Autores de Violência Contra a Mulher. O projeto desenvolve atividades socioeducativas e reflexivas relacionadas à responsabilização e sensibilização da população assistida acerca do uso/ abuso de álcool e outras drogas e da violência contra a mulher. A partir das experiências dos apenados, o projeto previne e estimula o rompimento da violência, auxiliando na diminuição dos casos de reincidência e de violência contra a mulher.


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opiniao@emtempo.com.br

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(92) 3090-1010

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1 O tradutor de Tolkien

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A pátria de calculadoras

E outras 8 indicações culturais Pág. 2

Em 2018, Brasil receberá a ‘Copa da matemática’. Pág. 3

O Brasil vai lançar um foguete?

Ficamos para trás na corrida espacial. Págs. 4 e 5

4

O esporte nacional francês, a nu

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Feito e enfim posto o teu feitiço-adeus

Diário de Paris. Pág. 6

A imaginação de Wilfred Owen. Pág. 7

Capa

Escultura de Camille Kachani


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

ÇÃO LGA S: D IVU TO FO

LIVRO | ARQUITETURA “Vilanova Artigas: Habitação e Cidade na Modernização Brasileira”, dos professores Leandro Medrano e Luiz Recamán, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, busca apresentar a obra do arquiteto paranaense (1915-85) que se radicou em São Paulo. O volume trata de projetos realizados entre 1940 e 1960. Ed. Unicamp | R$ 34 | 160 págs.

SHOW | MARIANA AYDAR E NUNO RAMOS A cantora paulistana apresenta composições do artista plástico e escritor, como “Manhã Azul”, que Aydar gravou no disco “Peixes Pássaros Pessoas”, e “Caia na Risada”, gravada por Romulo Fróes. Em cenário idealizado por Ramos, o show faz parte da sétima edição do projeto Palavras Cruzadas, sob direção de Marcio Debellian, que busca colocar em contato artistas de diferentes mídias. Sesc Vila Mariana | tel. (11) 5080-3000 | sex. (15), às 21h | de R$ 4,80 a R$ 24

‘Vidros III A/ Patagonia’ (2014), de Geórgia Kyriakakis

EXPOSIÇÃO | GEÓRGIA KYRIAKAKIS A individual “Tectônicas” apresenta seis séries da artista baiana radicada em São Paulo inspiradas em uma viagem à Patagônia. No texto de apresentação, Paula Braga define a mostra como “um tratado sobre forças invisíveis: a força criadora, a gravitacional, e acima de tudo forças vitais de resistência”. Galeria Raquel Arnaud | tel. (11) 30836322 | de seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 12h às 16h | grátis | até 29/8

Folha - Como foi a leitura do livro hoje para a curadoria da mostra? Tobi Maier - A exposição gira em torno da experiência do artista como pesquisador e viajante aos ambientes tropicais. Quando Lévi-Strauss fala, no início do livro, que odeia as viagens e os exploradores, detectamos certo humor sobre a posição que ele assumiria em suas viagens. Muito deste humor também está na nossa mostra. Onde podemos ver Lévi-Strauss nos artistas da exposição? O filme “Hinterland”, de Voignier, traz uma ilha tropical dentro de um complexo de lazer perto de Berlim, criada numa base aérea soviética abandonada. Outro filme, “Home 2”, do Breuning, questiona temas como a busca por uma identidade cultural quando o narrador visita Gana, Papua-Nova Guiné e outros países.

EXPOSIÇÃO | CRISTINA CANALE Em “Entre o Ser e as Coisas”, a pintora carioca da Geração 80 apresenta 12 de seus trabalhos recentes, realizados desde 2013. Explorando fortemente as cores, sua produção é calcada no binômio figura-abstração desde 1993, quando se radicou em Berlim. Galeria Nara Roesler | tel. (11) 3063 2344 | de seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 11h às 15h | grátis | até 23/8

O que é o exótico na arte contemporânea? Não tem nada exótico na arte contemporânea. Ela é cheia de mistérios e, através das suas formas e conceitos nos leva a questionar parâmetros e padrões que temos aceitado como um dado. Mas o contemporâneo se pode entender melhor a partir de leituras da história. (ÚRSULA PASSOS)

LIVRO | FICHTE O volume “O Destino do Erudito” reúne cinco conferências realizadas pelo filósofo alemão em 1794 em que ele investiga o papel do intelectual na sociedade. Entre os ouvintes dessas preleções estavam alguns de seus contemporâneos mais ilustres, como Schiller e Hölderlin. trad. Ricardo Barbosa | Hedra | R$ 36,90 | 136 págs.

POP

ERUDITO

EXPOSIÇÃO | OS TRÓPICOS Sob a curadoria de Tobi Maier, a mostra reúne obras da francesa Marie Voignier, do suíço Olaf Breuning e do alemão Christoph Keller que dialogam com “Tristes Trópicos” (1955), de Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Caixa Cultural | tel. (11) 3321-4400 | de ter. a dom., das 9h às 20h | grátis até 28/9

CINEMA | ÁFRICA HOJE O MAR (Museu de Arte do Rio) exibe hoje dois filmes com a temática dos problemas socioeconômicos da África pós-colonial. A primeira sessão traz “Cadjigue”, de Guiné-Bissau, sobre uma aldeia que perde seu feiticeiro. Em seguida, o documentário “Sem Flash - Homenagem a Ricardo Rangel (1924-2009)” traz a trajetória do fotógrafo moçambicano. Museu de Arte do Rio (RJ) | tel. (21) 3031-2741 | hoje, às 15h e às 17h | grátis

PERFORMANCE | ACT LIKE YOU MEAN IT Os suíços Thomas Grunwald, neurologista, e Anton Rey, dramaturgo, apresentam o resultado de uma pesquisa neurocientífica sobre o trabalho de encenação dos atores. Eles partem da cena na varanda de “Romeu e Julieta” para questionar as emoções que envolvem plateia e palco. SP Escola de Teatro | tel. (11) 3775-8600 | qui. (14), às 19h30 | grátis | inscrições pelo site swissnexbrazil.org ‘Casa Triângulo’ (2014), de Cristina Canale

ESTRANGEIRO

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DEBATE | SOCIEDADE DE TOLKIEN BRASILEIRA O encontro de leitores deste mês terá a presença de Ronald Kyrmse, tradutor para o português de diversos livros do escritor britânico criador de “O Senhor dos Anéis”. O tema da sessão é o livro “Os Filhos de Húrin”. Livraria Martins Fontes - Paulista | tel. (11) 21679900 | sex. (15), às 19h | grátis

Folha.com

Ilustríssimos desta edição BRUNO MARON, 36, é quadrinista. CAMILLE KACHANI, 50, é artista plástico. FERNANDO TADEU MORAES, 29, é jornalista da Folha. LUCAS NEVES, 30, é jornalista. MAURÍCIO TUFFANI, 57, é jornalista especializado em ciência, colaborador da Folha e mantém um blog no site do jornal. TITE, ADENOR LEONARDO BACHI, 53, é treinador de futebol.

ARQUIVO/FOLHAPRESS

DIÁRIOS DE KIEV Escritor ucraniano lança livro sobre conflitos em seu país FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha BANKSY IRANIANO Em Teerã, grafiteiro Black Hand pinta muros e faz mistério de sua identidade >>folha.com/ilustrissima


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Ciência

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O Brasil vai levar a Copa Em 2018, a matemática se muda para o Rio RESUMO Nesta semana, o Rio será anunciado como a sede, em 2018, do Congresso Internacional de Matemáticos, encontro quadrienal que reúne a nata da ciência. Escolha inédita para um latinoamericano e consolidação da excelência de instituto carioca põem país no páreo para receber medalha que corresponde a Nobel do setor.

FERNANDO TADEU MORAES

A Copa do Mundo no Brasil ainda não começou. Ao menos para cerca de 5.000 matemáticos de todo o planeta. Nesta semana, o Rio de Janeiro será anunciado oficialmente como a sede do Congresso Internacional de Matemáticos de 2018. O encontro ocorre a cada quatro anos e é considerado o mais importante dessa ciência. Realizado desde 1897, e atualmente em sua 27ª edição, o evento nunca teve como sede uma cidade latino-americana. O anúncio do Rio-2018 será feito pouco antes da abertura do congresso deste ano, nesta quarta-feira (13), em Seul, capital da Coreia do Sul. Na ocasião, também serão revelados os novos donos da “taça”. Na abertura do congresso quadrienal se anuncia quem ganha a Medalha Fields, distinção popularmente conhecida como Nobel da matemática, que é concedida a cientistas abaixo de 40 anos que tenham se destacado recentemente. O Brasil começou a almejar a copa matemática há seis anos, quando postulou a candidatura para receber o congresso de 2014. Montréal, no Canadá, e Seul também estavam no páreo. “Na época não botei fé nos coreanos”, admite Marcelo Viana, presidente da Sociedade Brasileira de Matemática e organizador do evento de 2018. “Costuma haver uma alternância geográfica das sedes. E o congresso de 2010 seria realizado na Índia, ao lado da Coreia”. Aos 52 anos, cabelos lisos batendo nos ombros e jeito “bon vivant”, Viana é considerado um dos principais matemáticos de sua geração. Carioca, criou-se em Portugal, o que lhe confere sotaque sutil, mas marcante. Retornou ao Brasil em 1986, para fazer o doutorado no Impa (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada), no Rio. Não deixou mais a instituição, principal centro de excelência em matemática da América Latina, da qual ele é pesquisador.

Viana é a força por trás das duas candidaturas brasileiras. Imediatamente após a escolha de Seul, a delegação brasileira renovou sua candidatura. “Troquei figurinhas com o pessoal de Montréal e eles me confidenciaram que não iriam voltar à disputa. Além disso, notamos uma boa vontade para realizar o evento novamente nas Américas”, diz Viana. A última vez havia sido em Berkeley, nos Estados Unidos, em 1986. A nova candidatura foi oficializada em novembro de 2012. O comitê brasileiro chegou a ser contatado por delegações de outros países que consideravam entrar no pleito. “A diretora do Comitê Nacional de Matemática dos EUA me escreveu perguntando sobre a nossa intenção. Disse a eles que éramos candidatos e estávamos avançados na organização. Deixei claro que não iríamos desistir”, conta Viana. Os EUA declinariam em favor do Brasil, que concorre sozinho. A primeira coisa que chama a atenção no maior evento da matemática é o seu nome: Congresso Internacional de Matemáticos. “Esse nome não é por acaso. Ele sempre foi visto como um evento para congregar seres humanos, como uma oportunidade de os matemáticos de todo o mundo se juntarem e contarem uns aos outros os avanços obtidos na área”, diz Viana. É o único evento do mundo a congregar matemáticos e temas de todas as áreas. “Ao longo do século 20, a matemática cresceu e se espalhou muito. A existência do congresso é uma das razões de ela não ter se fragmentado”, pondera. Não há outro evento dessa natureza e importância em qualquer outro campo do conhecimento. “A grandeza do congresso reside em parte no apoio e engajamento dos maiores matemáticos da época quando do seu surgimento”, diz Jacob Palis, 74, pesquisador emérito do Impa e presidente da Academia Brasileira de Ciências. Mas, como insiste Viana, ele é um encontro com características bastante humanas e o seu surgimento se dá num contexto de rivalidade entre matemáticos franceses e alemães. O congresso de 1900, um dos mais célebres da história, realizado na Sorbonne, em Paris, é um exemplo dessas disputas. O maior matemático francês da época, Henri Poincaré, foi o presidente do congresso. O lado alemão era liderado por David Hilbert, o gigante matemático daquele país. Os dois defendiam pontos de vista conflitantes sobre diversas questões relativas aos fundamentos da matemática. Ambos, Hilbert e Poincaré, dariam conferência plenárias, as mais importantes. Não se sabe se por descuido ou desatenção, Hilbert não enviou seu trabalho a tempo, e sua conferência foi cancelada. O alemão, contudo,

acabou sendo convidado para dar uma palestra menor, numa sessão temática. “A ironia é que ela se tornou a mais conhecida e celebrada palestra de matemática de toda a história”, diz Viana. Hilbert teve uma sacada de gênio: ele apresentou uma lista de 23 problemas. Questões em aberto que, segundo ele, o século 19 legava para o 20. A lista acabou influenciando decisivamente diversos campos da matemática. “Os problemas eram tão importantes assim? Nesta altura não importa, tornaram-se”, diz Viana. Um problema da lista que ainda permanece aberto é a conjectura de Riemann, proposta pelo alemão Georg Bernhard Riemann. Uma das principais consequência da conjectura é estabelecer uma fórmula que descreve a distribuição de números primos, os números que só são divisíveis por 1 e por eles mesmos (como 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23...). Obter uma fórmula capaz de dizer quantos primos existem até um certo número poderia ter consequências que vão da segurança de computadores até as teorias sobre a origem do Universo. Tensão Viana descreve uma certa tensão que cresce a cada congresso e que se relaciona à excessiva especialização da matemática. “A pessoa vai num evento desses e não entende uma palestra que não seja da sua área. Há uma certa tensão interna. Vale a pena? Tenho colegas que não têm o menor interesse pelo congresso”. Ele diz que um espírito de humildade deve nortear os participantes da reunião. “Esse é um evento para a matemática toda. Eu não vou entender tudo, mas eu vou ganhar uma ideia do que está acontecendo nesse mundo”. Jacob Palis conta uma história que ilustra bem o nível de especialização da matemática. Durante as negociações para a realização do congresso na China, no fim dos anos 90, ele, na época presidente da IMU (International Mathematical Union) foi recebido, junto com uma comitiva formada por alguns dos maiores matemáticos do mundo, pelo presidente chinês Jiang Zemin, engenheiro e entusiasta da matemática. A certa altura do encontro, o grupo foi surpreendido por Zemin. O presidente chinês sacou um problema de geometria e pediu que os presentes o resolvessem. Ele explicou que o seu neto trouxera a questão da escola e que havia pedido a sua ajuda para solucioná-la, sem sucesso. “Era um problema de geometria elementar, mas desses intrincados.” Os participantes se debruçaram sobre a questão, mas, apesar de várias tentativas, não conseguiram resolvêla. “Você consegue imaginar? Alguns dos maiores matemáticos do mundo estavam lá e

ninguém conseguiu resolver o problema”, ri Jacob. Marcelo Viana diz que a realização do Congresso no Brasil em 2018 é um reconhecimento de que o país pertence a uma elite e tem capacidade para organizar um evento desse porte. Segundo ele, no entanto, a principal razão para realizar uma reunião dessas no país é o incentivo aos jovens para seguirem a carreira matemática. “Queremos que a garotada que está na escola agora saiba que existe uma coisa chamada carreira matemática, que alguns deles se tornem matemáticos e que outros, mesmo que não sigam a carreira, tomem gosto pelo tema. Quem sabe com isso mudemos o panorama dramático do ensino de matemático e engenharia no Brasil.” Floresta O Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada está localizado nas franjas da floresta da Tijuca, no Rio. Da varanda de alguns gabinetes dos pesquisadores é possível ver a lagoa Rodrigo de Freitas. Pássaros e macacos são presenças constantes nas árvores da mata que envolve o prédio. A arquitetura do instituto é simples e funcional, com quatro andares atravessados por longos corredores de cimento queimado negro. Vistos de cima, os três módulos que compõem a construção se distribuem como um “S” incrustado na mata. Nos dois andares superiores ficam os gabinetes de seus 50 pesquisadores. Há quadros negros espalhados pelos corredores do prédio e nas salas de uso comum, e sempre é possível achar duas ou mais pessoas diante deles, giz branco à mão, discutindo algum problema ou teorema. O Impa nasceu em 1952 em torno de três pessoas: seu primeiro diretor, Lélio Gama (1892-1981), e seus dois primeiros pesquisadores, Leopoldo Nachbin (1922-93) e Maurício Peixoto, 93. O início, no entanto, foi pouco glorioso. “Eu estava estudando na biblioteca

quando os três [Gama, Nachbin e Peixoto] chegaram até a mim, exultantes, ‘acabou de ser criado o Impa’. Não havia nada, o instituto ocupava uma salinha do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas [instituto fundado em 1949]”, lembra Elon Lima, 85, pesquisador emérito e um dos primeiros alunos do instituto. O Impa passou seus primeiros 15 anos com atividades intermitentes. Nachbin e Peixoto tinham também posições fora do Brasil. Os poucos membros do instituto viviam numa espécie de limbo, sem qualquer regulamentação profissional. “Os pesquisadores recebiam seus salários em envelopes, sem nenhum direito trabalhista”, diz Elon. A partir do final dos anos 1960, começaram a retornar ao Brasil alguns matemáticos que haviam ido fazer doutorado nos EUA, como Jacob Palis e Manfredo do Carmo. Quando terminou o regime militar, em 1985, o Impa já estava consolidado como “a” instituição de pesquisa de matemática do Brasil. A medalha Fields foi criada a partir das sobras financeiras do congresso de 1924, reali-

BRUNO MARON | Cartum

zado em Toronto. A ideia era criar um prêmio de incentivo a jovens matemáticos talentosos. As primeiras foram entregues no congresso de 1936. “A medalha muda a vida de quem ganha, sem dúvida”, diz Jacob. “Ela confere um prestígio que dura a vida toda”. É um prêmio raro – só foram conferidas 52 medalhas até hoje – e para jovens. O comitê que conferiu as duas primeiras medalhas interpretou a palavra jovem como alguém com menos de 40 anos e essa idade se tornou tradição. Apenas na década de 1960, esse limite se tornou uma regra escrita. Apesar de sua importância, o cheque que acompanha a Fields é modesto, quando comparado com o do Nobel, que paga cerca de US$ 1,1 milhão aos premiados. A medalha matemática rende 15 mil dólares canadenses (R$ 31 mil) aos seus vencedores. Nunca um brasileiro recebeu a distinção. Jacob conta que Ricardo Mañé, no fim dos anos 90, e Marcelo Viana, na década seguinte, chegaram perto da medalha. Hoje, os maiores candidatos brasileiros são Artur Avila e Fernando Codá. Todos foram formados pelo Impa.


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Ciência RESUMO

Atraso na produção de sistema eletrônico adia mais uma vez a operação do foguete lançador de satélites VLS-1. Onze anos após acidente que matou 21 em Alcântara, problemas como escassez de recursos, ausência de um comando unificado e pouca integração com a indústria mantêm o Brasil nanico no setor.

MAURÍCIO TUFFANI ESCULTURA CAMILLE KACHANI

Ainda não É desta vez que o Brasil fará seu primeiro lançamento ao espaço. Onze anos após o acidente que matou 21 técnicos em Alcântara, no Maranhão, o foguete VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites) não decolará mais neste ano, conforme programado, nem tem novo prazo previsto. A empresa Mectron, do grupo Odebrecht, contratada em dezembro de 2010 por R$ 21,5 milhões pela Aeronáutica para produzir o sistema de eletrônica do lançador, não concluiu o trabalho. O prazo de entrega inicial, que era agosto de 2012, já havia sido adiado para dezembro deste ano. Com isso já são 25 anos desde a primeira data marcada para a estreia, em 1989, desse lançador de pouco menos de 20 metros de altura, um metro de diâmetro, cerca de 50 toneladas, projetado para levar uma carga de 380 kg a uma órbita de 700 km de altitude. A causa para todo esse retardamento não tem sido apenas a aplicação insuficiente de recursos financeiros, mas também a ausência de um comando unificado, a falta de uma gestão com foco em resultados e o baixo grau de integração com a indústria. O espírito burocrático dessa empreitada brasileira esteve presente já na sua certidão de nascimento, em agosto de 1961, ao final da visita ao Brasil do soviético Iuri Gagarin, que naquele ano se tornara o primeiro homem a ter chegado ao espaço. Sem definir prazo, um decreto do presidente Jânio Quadros criou um grupo de trabalho, que, por sua vez, tinha a finalidade de criar uma comissão para tratar das atividades espaciais do país. Desde então, o programa espacial nacional só produziu cinco satélites – dois deles em parceria com a China – e um microssatélite, e nenhum foi colocado em órbita pelo Brasil, cujo único lançador é o VLS-1. Enquanto isso, a Índia, que entrou na exploração do espaço em 1963, já realizou 41 lançamentos de seus três modelos de foguetes a partir de 1975 e produziu 74 satélites de diversos tipos de aplicações. Fora isso, o país asiático mandou ao espaço 45 satélites estrangeiros, colocou duas sondas na órbita da Lua e enviou outra a Marte. A diferença entre os países começa nos investimentos em programas espaciais. A Índia destina mais de US$ 1 bilhão por ano. De 1980 a 2011, o Brasil gastou, somadas todas as ações do PNAE (Progra-

3 O espaço, esse rabo de foguete brasileiro Por que a sétima economia do mundo ainda é retardatária na corrida espacial ma Nacional de Atividades Espaciais), um total de R$ 6,15 bilhões (cerca de US$ 2,7 bilhões), segundo resposta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação a requerimento do deputado Claudio Cajado (DEM-BA). Vale? Em uma análise de julho de 2012, o consultor legislativo Fernando Carlos Wanderley Rocha, da Câmara dos Deputados, afirmou: “Só em infraestrutura, em apenas quatro anos o Brasil poderá gastar com a Copa do Mundo pelo menos 5,4 vezes mais do que o PNAE gastou em 32 anos”. A questão não seria, portanto, a falta de dinheiro, mas se vale a pena investir os recursos disponíveis em lançadores, satélites, pessoal especializado e a infraestrutura necessária. A resposta a essa questão exige considerar que as atividades espaciais deixaram de ser empreendimentos motivados apenas pela ciência e tecnologia e por razões geopolíticas e militares. Tanto para os EUA e para a Rússia, que deixaram para trás o foco no pioneirismo de fincar bandeiras fora da Terra, como para outros países, a corrida espacial passou a buscar resultados num mercado que em 2013 movimentou US$ 314 bilhões, com um crescimento de 4% em rela-

ção ao ano anterior, segundo a instituição norte-americana Space Foundation. Desenvolvidos cada vez mais por empresas privadas, os produtos e serviços espaciais extrapolaram as atividades de defesa e pesquisa científica, gerando novas oportunidades comerciais em observação da terra, sistemas de posicionamento global (GPS), telecomunicações – especialmente para telefonia e TV digital – e meteorologia, entre outras áreas. Integrada à indústria aeronáutica sob a denominação “aeroespacial”, a exploração espacial integra esse novo setor da economia, no qual o total de 36,8 mil patentes internacionais em 2012 cresceu para 49,6 mil no ano seguinte. Esse aumento de 30% em inovação foi maior que o das áreas de informática, farmacêutica e cosméticos, segundo relatório do grupo de pesquisas Thomson Reuters divulgado em 30 de junho. De 2004 a 2013 foram colocados em órbita ao todo 1.236 satélites e sondas por meio de 670 lançadores, segundo o relatório “Space Competitiveness Index 2014”. Nesse mesmo período, o PNAE produziu apenas dois satélites, ambos em parceria com a China, e não realizou mais nenhuma tentativa de lançamento com o VLS-1.

Enquanto outros países fizeram investimentos significativos e constantes em busca de maior competitividade na área espacial, o Brasil enfrentou a defasagem entre os valores planejados e os desembolsados. Sem falar no atraso e na descontinuidade dos repasses financeiros. Essas restrições também limitaram o número de testes do VLS-1. Nas primeiras décadas da corrida espacial, as falhas em testes de protótipos de foguetes nem sempre se tornavam notícia, principalmente na antiga União Soviética e na China. Enquanto nos programas estrangeiros as falhas foram superadas por resultados positivos alcançados com investimentos em testes de lançadores, o Brasil tem apenas a lembrança das tentativas de 1997 e de 1999 e do terrível acidente de 2003 no Maranhão. Os dois únicos protótipos do VLS-1 lançados até hoje foram detonados pela equipe de controle após a constatação de panes em 1997 e em 1999. As tentativas permitiram obter importantes resultados de qualificação de componentes e de validação de procedimentos. Cada protótipo desses custava na época entre US$ 6 milhões e US$ 7 milhões. O efeito cumulativo dessas restrições foi enfatizado em

ESCONDIDO

Nas primeiras décadas da corrida espacial internacional, as falhas em testes de protótipos de foguetes nem sempre se tornavam notícia, principalmente na antiga União Soviética e na China. 2007 no relatório da comissão externa criada pela Câmara dos Deputados para apurar o incêndio na torre em Alcântara em 2003, com 21 vítimas fatais. Segundo a investigação, a causa da ignição inesperada de um dos propulsores do VLS-1 três dias antes da data prevista para seu lançamento pode ter sido uma descarga eletrostática ou uma falha no sistema elétrico. Degradação O acidente escancarou também graves deficiências organizacionais do programa, a começar pela falta de gerenciamento de riscos. “A longa convivência do projeto com a escassez de recursos humanos e materiais pode ter conduzido a uma dificuldade crescente em perceber a degradação das condições de trabalho e da segurança”, destacou o relatório da comissão da Câmara.

“Por que havia 23 pessoas lá e o que cada um estava fazendo? Nada acontece do dia para a noite, há uma sequência de eventos que levaram a isso”, afirmou, em entrevista em 2003 ao “Jornal do Engenheiro”, o engenheiro húngaro naturalizado brasileiro Jayme Boscov, que gerenciou o programa do VLS-1 do seu início, em 1980, a 1992. Essas precariedades gerenciais não resultavam apenas da falta de recursos, mas também de uma deficiência organizacional maior e nada nova. O estabelecimento da CNAE (Comissão Nacional de Atividades Espaciais) só ocorreu dois anos depois do decreto de Jânio Quadros. Foram precisos mais dois anos para que começassem a ser testados pequenos foguetes para sondagem científica da atmosfera e desenvolvimento de lançadores de satélites e de mísseis, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. Em 1969, quando a Apollo11 chegou à superfície da Lua com dois astronautas dos EUA, o governo da primeiraministra Indira Gandhi criou a Isro (Organização Indiana de Pesquisa Espacial), com objetivos e metas já definidos para a década seguinte. No Brasil, em outubro daquele ano, ainda sem programa espacial estruturado, os três ministros da


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Junta Militar que governava o país criaram por decreto o IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), em São José dos Campos (SP), para executar projetos aeroespaciais da FAB (Força Aérea Brasileira). Contramão Em 1971 a CNAE foi extinta para dar lugar, fora da Aeronáutica, ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Para tentar coordenar as duas vertentes, o governo criou no mesmo ano a Cobae (Comissão Brasileira de Atividades Espaciais), ligada ao Estado-Maior das Forças Armadas. Com isso, o comando passou a ser militar, na contramão do que já acontecia em outros países, como destaca Ludmila Deute Ribeiro, consultora em política espacial. “Naquela época, mantendo a participação militar, os principais programas espaciais estrangeiros já estavam adotando o modelo de direção civil e avançavam na transferência, para a iniciativa privada, da produção de lançadores e satélites, completando o ciclo da pesquisa, produção e inovação”, observa a pesquisadora. Em abril de 1975, a Índia colocou em órbita um de seus primeiros satélites por meio de foguetes estrangeiros. “Enquanto isso, no Brasil, as ações do Inpe e do IAE eram estruturadas isoladamente e de baixo para cima, sem partir de um núcleo estruturador”, afirma o engenheiro químico Darly Pinto Montenegro, que em 2002 se aposentou do cargo de coordenador de Relações Institucionais do IAE. A Cobae patinava, “atravessada” pelos dois institutos, que não se reportavam a ela, mas aos seus órgãos hierarquicamente superiores. Foi necessário a comissão organizar um seminário em 1977, no Rio, com os dois institutos para tomar

conhecimento dos projetos e outras ações de ambos, explica Montenegro, com base em entrevistas que realizou para sua dissertação de mestrado de 1997 na Fundação Getúlio Vargas do Rio. Como resultado do seminário, surgiu o PNAE, tendo entre suas propostas colocar em órbita um satélite brasileiro com um lançador do próprio país, a Mecb (Missão Espacial Completa Brasileira). Em 1979, ainda sem o endosso do governo para a Mecb, já haviam se passado dois anos sem avanços. Enquanto isso, em agosto daquele ano, a Índia inaugurava seu lançador SLV-3, com sucesso parcial devido à falha que não permitiu

MERCADO

Para EUA e Rússia, que deixaram o foco no pioneirismo de fincar bandeiras fora da Terra, a corrida espacial passou a buscar resultados num mercado que em 2013 movimentou US$ 314 bilhões. colocar em órbita o satélite que levava. Em novembro, a Cobae realizou outro seminário, em São José dos Campos, do qual extraiu dos gestores do Inpe e do IAE a proposta de, em 1989, colocar em órbita o SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados) com o VLS-1. Em 9 de abril de 1980, o general João Baptista Figueiredo, então presidente da República, deu aval ao empreendimento e à previsão de 20,85 bilhões de cruzeiros (R$ 3,22 bilhões em valores atualizados), “condicionada a disponibilidade a recursos orçamentários a partir de 1981”. Foi o suficiente para a Mecb ter início, mas sem garantia de recursos suficientes.

Embargo Além de sofrer com limitação de recursos, o PNAE passou a enfrentar dificuldades também na importação de componentes e na cooperação internacional. Criado em 1987 por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, o MTCR (Regime de Controle da Tecnologia de Mísseis, na sigla em inglês) estabeleceu embargos visando a não proliferação de foguetes capazes de transportar armas químicas e bacteriológicas, as chamadas armas de destruição em massa. O alvo, na verdade, eram países não alinhados em sua política externa com esse bloco, como o Brasil, que, além disso, mantinha um programa espacial com um anacrônico comando militar. Não bastassem as restrições do MTCR ao Brasil, o VLS-1 tem uma característica que fortaleceu as suspeitas de fins militares do PNAE: o uso de combustível sólido. Quase todos os novos projetos de lançadores já haviam aderido à propulsão líquida, que tem a dupla vantagem de liberar mais energia de impulsionamento e de usar câmaras de combustão mais leves – ou seja, de aumentar a força do foguete e também diminuir seu peso –, além de poder ser interrompida, reativada e também controlada. Por outro lado, uma das poucas vantagens dos propelentes sólidos é não vazar, permitindo longos períodos de armazenamento, o que é importante para mísseis, que precisam ser acionados em poucos segundos após a decisão de dispará-los. Em outras palavras, além de reforçar as motivações políticas do MTCR, essa opção aumentou também as suspeitas de o VLS-1 ser um lançador de satélite adaptável para servir como míssil balístico. Vácuo A Cobae manteve sua fragilidade organizacional mesmo após a definição de objetivos e metas do PNAE. Longe de ser um núcleo estruturador, a comissão era apenas uma instância da burocracia militar do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), sem profissionais especializados. Segundo o engenheiro eletrônico Aydano Carleial, que foi gerente do programa do satélite no Inpe, ela não tinha capacidade técnica nem visão estratégica para administrar os complexos projetos que estavam sendo desenvolvidos. “A Cobae era apenas um comando militar com uma dificuldade muito grande para compreender até mesmo aspectos básicos dos programas que gerenciava. Esse vácuo de informação foi muito prejudicial na época”, diz Carleial. Passados oito anos desde o início do PNAE, seu desgoverno se tornou evidente para a Cobae no final de 1987. Enquanto o Inpe estava prestes a concluir o satélite SCD-1, o próprio IAE, da Aeronáutica, estava longe de concluir o primeiro protótipo do VLS-1. Isso ficou claro em uma conversa informal em Brasília entre o engenheiro aeronáutico e brigadeiro Hugo de Oliveira Piva, na época diretor-geral do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), e o tenente-brigadeiro Paulo Roberto Camarinha, então ministro-chefe do EMFA e presidente da Cobae. Piva propôs a redução do tamanho e do peso do SCD-1. A resposta de Camarinha foi revelada em uma reportagem da Folha de 29 de janeiro de 1989: “Ah, isso

não, Piva. Se for pra fazer um satélite menor, é melhor botar logo uma cabeça de negro [explosivo de festa junina] ou um buscapé na ogiva desse foguete de vocês, e soltar”. O diretor-geral do Inpe na época era o matemático Marco Antonio Raupp, que viria a se tornar ministro da Ciência e Tecnologia e Inovação (201214). Já informados extraoficialmente de que o primeiro VLS-1 não ficaria pronto em 1989 e talvez nem no ano seguinte, ele e Carleial pesquisavam custos de lançadores estrangeiros para o satélite. Em maio de 1988, ao saber disso, Camarinha declarou à Folha: “O seu Raupp e o seu Carleial não têm nada de querer comprar foguete lançador nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar. Eles estão sabotando o programa espacial brasileiro. Pode escrever isso no seu jornal”. Em abril de 1989, com Raupp e Carleial já exonerados, o Inpe empurrou para o ano seguinte a conclusão do SCD1, dando tempo ao programa do VLS-1. Essa espera nunca foi oficialmente assumida e foi inútil, pois o satélite acabou sendo lançado em dezembro de 1993 pelos EUA, na base aérea de Vandenberg, num foguete Pegasus. Agência A direção do PNAE deixou de ser militar em 1994, no governo Itamar Franco, com a criação da AEB (Agência Espacial Brasileira), vinculada diretamente à Presidência da República. Diferentemente da Cobae, o órgão nasceu com equipe especializada. “Mas nunca conseguiu negociar recursos suficientes para executar programas nem obteve resultados significativos para ampliar a participação da indústria”, diz Carleial. Em 2003, a agência foi transferida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Mesmo antes dessa queda de status governamental, o órgão não conseguiu eliminar

a duplicidade gerencial que já existia desde 1971. Em 2010, o Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, após debates realizados sobre o PNAE, concluiu em seu relatório que esse duplo comando permanecia, e com atuações isoladas do IAE e do Inpe. “Embora tenham sedes situadas lado a lado em São José dos Campos, entre as duas principais unidades executoras do programa espacial brasileiro, as distâncias programáticas e filosóficas são significativas”, afirmou o documento.

gando estar sob sigilo contratual. A reportagem apurou, no entanto, que uma das principais dificuldades da empresa para importar peças foi a recusa de fornecimento por parte de outros países. Apesar de ter concedido entrevista, o IAE respondeu somente por escrito que não houve alteração do custo contratado para a fabricação do sistema de eletrônica do VLS-1 e que a demora se deve a “dificuldades técnicas, relacionadas à complexidade do objeto, uma vez que se trata de equipamentos não disponíveis no país”.

Respostas Em resposta à pergunta da reportagem sobre a razão de o PNAE ainda manter combustível sólido para seu primeiro lançador, o IAE respondeu apenas que a propulsão líquida será adotada nos novos modelos da família VLS, a serem desenvolvidos em projetos de parceria com a Rússia. A reportagem solicitou entrevista a Raupp sobre supostas tentativas suas, desde que se tornou ministro em 2012, de fazer a AEB voltar a ser diretamente ligada à Presidência da República. Expresidente da agência (201112) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (2007-11), ele não atendeu à reportagem afirmando ainda estar sob a quarentena de sua saída em março do MCTI. A AEB não respondeu às perguntas sobre a duplicidade de comando civil e militar do PNAE. Sobre as restrições orçamentárias e financeiras, a agência afirmou por escrito que o programa “é apenas um instrumento de planejamento decenal, no qual são destacadas as orientações e diretrizes estratégicas de ação”, e que o governo busca “atender múltiplas necessidades e prioridades, entre elas, pagamento de pessoal, dívidas, investimentos em infraestrutura e projetos de desenvolvimento social e econômico”. A Mectron não atendeu às solicitações de entrevista ale-

Prioridades O Brasil precisa rever suas prioridades espaciais, afirmaram participantes de debates sobre o tema nos últimos anos. Além da Câmara dos Deputados, em 2010, conclusões semelhantes a essa também foram apontadas por especialistas em fóruns promovidos pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2011, e pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, em 2012. Essa é também a opinião de Carleial, aposentado do Inpe desde 1997 e hoje consultor independente e presidente da Associação Aeroespacial Brasileira. Um bom sinal do começo da libertação do PNAE do peso de sua tradição burocrática, segundo Ludmila Deute Ribeiro, foi o lançamento, em 19 de junho, na Rússia, do NanoSatC-Br1, o primeiro minissatélite brasileiro. A saída efetiva desse passado dependerá também da maior participação da iniciativa privada, que, de acordo com a pesquisadora, pode oxigenar o programa espacial brasileiro, sufocado pelas regras da administração pública, incompatíveis com o dinamismo necessário ao desenvolvimento tecnológico. “O governo federal, com as instituições militares, foi o berço do programa espacial brasileiro, mas nenhum programa deve viver eternamente no berço”.


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Diário de Paris O MAPA DA CULTURA

LUCAS NEVES

Não faltam semelhanças entre os protestos que tomaram as ruas do Brasil em 2013 e a sequência recente de manifestações pró-Palestina na França, sobretudo em Paris, assunto que praticamente monopoliza as atenções da imprensa local. Em cada um dos cenários, as redes sociais desempenham papel-chave na mobilização dos militantes e ajudam a interpretar as imagens em que neófitos de 20 ou 30 e poucos anos cerram fileiras com veteranos de partidos e organizações de extrema-esquerda. Que grupos isolados recorram ao vandalismo é outro ponto em comum, assim como a proibição à realização de alguns atos. Se no Brasil a Justiça de Minas Gerais vetou manifestações durante a Copa das Confederações, por aqui, até o fim de julho, pelo menos três delas haviam sido interditadas. O que não impediu milhares de saírem às ruas – a grande maioria entoando slogans pacíficos. No entanto, o eco localizado, mas claramente audível, de palavras de ordem como “Morte aos judeus!” em certos protestos, somado às agressões

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Franceses às ruas, de novo Pró-Palestina e pelados, juntos no esporte nacional

a jovens judeus e à legião crescente de seguidores de revisionistas do Holocausto, como o humorista Dieudonné, acendeu a luz amarela: o fantasma do antissemitismo está à espreita. O país que se orgulha de ser o berço do humanismo tem de se haver com estatísticas incômodas: nunca tantos judeus deixaram a França para se instalar em Israel. De 2012 para 2013, a emigração cresceu mais de 70%, segundo a Agência Judaica. No primeiro trimestre de 2014, a alta foi de quase 300% em relação ao mesmo período do ano anterior. A sensação de insegurança é apontada como a principal causa do êxodo. Nus com a mão no bolso Um grupo de modelosvivos se reuniu no dia 7 de julho em frente à prefeitura de Paris para praticar o esporte nacional por excelência: a manifestação. Ligados aos ateliês de belas-artes do município, eles denunciam a precariedade do ofício, agravada desde a proibição das gorjetas ao fim das sessões de pose – que respondiam por até 30% dos vencimentos de

alguns profissionais. O pagamento padrão é de 15 euros (R$ 45) por hora. Para além da revisão salarial, eles pedem a regulamentação da atividade, ainda não coberta por seguro-desemprego e assistência médica, e a melhora das condições de higiene nos ateliês. “Ao posarmos cenicamente, participamos ativamente do [processo de] aprendizado do olhar”, dizem, em manifesto lançado na ocasião. Enviado espacial O escultor e pintor ítalo-argentino Lucio Fontana (1899-1968) se fez conhecido por telas monocromáticas rasgadas ou com alinhamentos de furos. A retrospectiva em cartaz até o próximo dia 24 no Museu de Arte Moderna reúne mais de 200 obras para ampliar esse repertório. Lá estão as incisões em pano, terracota e metal, mas também a fase primitivista da juventude, as idas e vindas entre abstração e figuração e o ecumenismo de técnicas e materiais (da cerâmica ao óleo, do desenho à instalação), sempre desafiando o entendimento

consagrado de espaço. Fascinado pela corrida espacial, Fontana cava trilhas de sulcos em suas telas para ilustrar a angústia do homem diante da magnitude do cosmos, “a errância do astronauta, o medo de estar perdido”, “a forma dos habitantes do outro mundo”. Arte e metafísica em conjunção. Diz que fui por aí No cinema de Robert Guédiguian a crônica social sempre se insinua entre as frestas de um quiproquó familiar prosaico. Suas musas são insubstituíveis: a atriz Ariane Ascaride, sua mulher, e sua cidade natal, Marselha. Todos comparecem a “Au Fil d’Ariane” (jogo de palavras com o fio de Ariadne da mitologia grega e a expressão “au fil de”, no decorrer de), sem data de estreia no Brasil. A personagem-título sai de casa no dia de seu aniversário depois de receber telefonemas do marido e dos filhos se desculpando pela ausência. Logo ancora num bar cuja fauna inclui um poeta, um ex-guarda de museu e uma prostituta às turras com o namorado.


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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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Ao ver uma peça de nossa artilharia pesada posta em ação Tradução NELSON ASCHER

Armem-te aos poucos, longo braço preto, Grande arma arranha-céu pronta a imprecar; Mira-os sem trégua, emriste, e lança, feito Troante esconjuro, maldições sempar. A empáfia que requer tua ação brutal, Esmaga antes que agrida mais. Derrama, Canhão, nosso ódio; e esbanja em temporal Nosso alento, nosso ouro como chama.

Mas pelo bem daqueles, aço aziago, Que, nada hostis, tua praga há de prostrar, Não te recolham, findo o teu estrago, A salvo à paz de nosso bem-estar. Feito e enfim posto o teu feitiço-adeus: Deixa a nossa alma, e amaldiçoe-te Deus!

SONNET

On Seeinfg a piece of our Heavy Artillery brought into action WILFRED OWEN

Slowly liſted up, thou long black arm, Great Gun towering towards Heaven, about to curse; Sway steep against them, and for years rehearse Huge imprecations like a blasting charm! Reach at that Arrogance which needs thy harm, And beat it down before its sins grow worse. Spend our resentment, cannon,-yea, disburse Our gold in shapes of flame, our breaths in storm.

Yet, formen’s sakes whomthy vast malison Must wither innocent of enmity, Be not with drawn, dark arm, the spoilure done, Safe to the bosom of our prosperity. But when thy spell be cast complete andwhole, May God curse thee, and cut thee fromour soul!

Ilustração Pintura de Tatiana Blass SOBRE O TEXTO Considerado um dos grandes poetas da Primeira Guerra, Wilfred Owen escreveu este soneto provavelmente em julho de 1917 e o revisou em maio do ano seguinte, meses antes de ser morto em combate. O poema viria a integrar a composição “War Requiem”, de 1962, do músico britânico Benjamin Britten.


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Caderno D

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plateia@emtempo.com.br

DIEGO JANATÃ

Curta de Regina Melo estreia em setembro (92) 3090-1042

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Grace GIANOUKAS

‘O Terça INSANA NÃO é piada’ FOTOS: DIVULGAÇÃO

BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO

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anaus receberá, nos dias 6 e 7 de setembro, o espetáculo “Terça Insana – Adíos Amigos”. A montagem possui, realmente, um tom de despedida. Um dia após estrear, em São Paulo, o “Mulheres Insanas”, Grace Gianoukas, responsável pela criação da montagem que tempos depois se tornaria uma produtora – como é atualmente – conta ao EM TEMPO, como foi essa decisão de dar adeus às turnês nacionais, quais os planos para o futuro, declara seu amor pelo Amazonas e afirma que “o tipo de comédia que cada um gosta, é reflexo de sua cultura e de sua inteligência”. EM TEMPO – Do que se trata o “Mulheres Insanas”? Grace Gianoukas – Na verdade, é uma coletânea das personagens mulheres mais marcante do “Terça Insana”. Nesse espetáculo, abordamos o universo feminino e seus diversos questionamentos como a solidão, TPM, a expectativa da sociedade em cima do sexo feminino, a busca por relacionamento e vários outros aspectos. Dentre as personagens está a Fada (interpretada pela própria Grace) que diz não acreditar em duendes e conta que só quem os viu, até hoje, foi a Xuxa. Ficaremos com o espetáculo em cartaz no Teatro Folha, todas quartas e quintas, até final de setembro quando faremos uma nova estreia. EM TEMPO – Como foi a

decisão de dar fim as turnês do “Terça Insana”? GG – Nós existimos há 13 anos, mais de 500 personagens foram criadas, 350 atores passaram pelo nosso palco. Abrimos um caminho que estava fechado que era o da comédia contemporânea. Fomos uma “picada” na floresta fechada. Após essa iniciativa o humor ganhou uma nova proporção. Começaram a surgir concursos de comédia em todo o Brasil, o stand up comedy chegou e nada tem a ver conosco. Surgimos com a proposta de “cutucar” o careta, de falar sobre preconceito, falar dos homossexuais, do racismo... Tudo isso por meio de nossas personagens que tinham essas características. São gays, negros, loiras. Essa nossa última turnê é para fechar um ciclo, mas não vamos parar de trabalhar. Temos a Terça Insana Produções que poderá abrir um leque de opções na produção de espetáculos diferenciados. EM TEMPO – E o que virá de diferente? GG – Nosso público amadureceu, teve filhos e querem coisas mais novas. Pretendemos produzir espetáculos infantis, tenho dois solos prontos e que, por conta das turnês, não consegui colocálos no palco. Acho que tudo precisa ser reciclado, inclusive nossas iniciativas. EM TEMPO – Ao que você credita o sucesso do “Terça Insana”? GG – Falamos de temas polêmicos como política, cidadania. Como disse, damos umas “cutucadas” na sociedade no geral. São assuntos relevantes e que fazem parte da diretriz do grupo. Nossa meta foi nunca levar uma piada pronta para o palco e sim, a nossa espontaneidade. Incluímos até música, resgatamos sucessos

da música brasileira. Tudo é criado com muita pesquisa. Não fazemos humor de Facebook, onde alguém vê uma piada, chega no bar, conta e se acha engraçado. O “Terça Insana” não é piada, é uma crônica do cotidiano no qual as coisas se transformam. Não estamos ali para rir do público e, sim, de nós mesmos. Não imitamos e nem humilhamos ninguém. Realizamos grandes encontros filosóficos bem-humorados. Falamos do tabu com diversão. EM TEMPO – Hoje, se fala muito nos limites do humor. Afinal, ele tem limites? GG – Tem uma frase de um comediante alemão que diz o seguinte: “O caráter do homem se mede pelas coisas que ele acha engraçadas”. Existe humor para todos os gostos e tipos. Se um cara é careta, ele vai procurar um humor que faça piada com gays, por exemplo. Se o público não gosta de determinada coisa, ele não precisa ir. Agora, é bom deixar claro que as minorias – que nem são tão minorias assim – estão mais organizadas. Quando se ofende alguém, é preciso estar preparado para as mais diversas reações, principalmente, das minorias organizadas. Acredito que o tipo de comédia que cada um gosta, é reflexo de sua cultura, de sua inteligência. Nós, pelo menos, não somos batedores de carteira do público. EM TEMPO – Ao longo desses 13 anos, quando você olha para trás e vê toda essa evolução, o que dá orgulho? GG – Várias coisas. Entre elas, termos gravado um DVD que foi recorde de venda em todo o Brasil e também no exterior. Aliás, fomos pirateados com legendas em alemão e russo. Quando o YouTube surgiu, fomos líderes por mui-

to tempo dos vídeos que as pessoas mais assistiam. Pudemos servir de exemplo para uma geração inteira de atores que começaram suas carreiras ao longo desse tempo. Podemos provar que atores não são apenas aqueles da TV, todos somos artistas. Porém, acima de tudo, foi conseguir ajudar pessoas que estavam em depressão. Recebemos vários e-mails e mensagens de pessoas que riram conosco e encontraram uma vontade de viver. Relatos de familiares que presenciaram a melhora de seus parentes. Fizemos pessoas felizes. EM TEMPO – Como é sua relação com Manaus? GG – Amo Manaus! É claro que dentro do nosso trabalho sempre podemos visitar diversas cidades e sou muita grata pelo sucesso do “Terça Insana”, mas tenho um carinho enorme pelo Amazonas. Foi um dos lugares que a minha carreira possibilitou que eu conhecesse, tinha um sonho de conhecer essa região. Uma terra com um povo bonito e tenho muito respeito pela cultura de vocês, essa força dos povos da floresta, acho um luxo. Comida maravilhosa, um rio incrível. Quando volto para casa, me sinto abraçada e de alma lavada. Fico muito emocionada toda vez que chego em Manaus. Tenho o desejo de tirar um tempo, pegar um barco e descer todo o rio Amazonas somente com um caderninho e ficar bem quietinha. EM TEMPO – O que o público pode esperar dessa última turnê? GG – Personagens novos e clássicos. Além de mim, irão o Thiago do Gueto, Mila Ribeiro e Milton Rodrigues. Juntos temos a certeza que iremos proporcionar muita alegria a todo o público que for nos assistir.

O ‘Terça Insana’ não é piada, é uma crônica do cotidiano. Não estamos ali para rir do público e, sim, de nós mesmos. Realizamos grandes encontros filosóficos bem-humorados”

Existe humor para todos os gostos e tipos. Se um cara é careta, ele vai procurar um humor que faça piada com gays, por exemplo. Se o público não gosta de determinada coisa, ele não precisa ir”


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>> Vitrine >> A linda Valentina Coelho Damian estreia idade nova neste domingo. Seus pais, Fabiola Coelho e José Luiz Damian, comemoram a data em família. >> O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, desembargador do Trabalho David Alves de Mello Júnior, convida para o lançamento do livro ‘Estudos Avançados de Direito e Processo do Trabalho’, organizado pelo juiz do Trabalho Eduardo Melo de Mesquita em homenagem à desembargadora do Trabalho Francisca Rita Alencar Albuquerque, no próximo dia 21, no miniauditório do Fórum Trabalhista de Manaus. >> O querido Amin Aziz está aniversariando hoje. A comemoração aconteceu ontem, ao lado da família e de um grupo de amigos, no endereço do Parque das Laranjeiras. >> Na próxima sexta-feira, Gizella e Marco Bolognese serão anfitriões de um festão, no Diamond, comemorando os 15 anos da filha Giullia. Será um dos eventos do ano na cena social da cidade. >> Amanhã é a vez de cumprimentar Menga Junqueira e Karyna Cordeiro, aniversariantes da próxima segunda-feira. >> O superintendente do Manaus Plaza Shopping, Glauco Cruz Pinto, comemora aniversário neste domingo.

>> Ensino superior . O grupo Estácio acaba de assumir a Faculdade Literatus, em Manaus, em contrato anunciado na sexta-feira. . Com isso serão ofertadas novas vagas com a criação de novos cursos de graduação, na área de tecnologia da informação e, já em 2015, começando o planejamento para implantação de medicina. Também vai implantar três polos de graduação a distância. . O diretor regional Norte do Grupo, Adriano Remor, informou, ainda, que será protocolado, no Ministério da Educação, em 2015, pedido para transformar a Faculdade Literatus em Centro Universitário. Com isso, a instituição passará a ter uma atuação ainda mais forte em projetos de extensão universitária e em pesquisa. A aquisição da Faculdade Literatus, que tem duas unidades em Manaus – nas avenidas Constantino Nery e Djalma Batista –, controladas pelas empreendedoras Elaine Saldanha e Eliana Pinheiro, envolveu recursos da ordem de R$ 48 milhões.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Happy brithday Vera Bulbol

Tônia Seixas

. Julio Ventilari reuniu a ala feminina da cidade, quinta-feira, comemorando seu aniversário com dinner-party. . O local escolhido para o evento? O novo espaço Village Festas na avenida Ephigênio Sales. Socialites em profusão. Noite de boa mesa e muita animação.

Cristiane Aguiar e Sandra Lucia Saraiva Alice Lins Verena Frota, o querido Waisser Botelho e Sídia Góes

O aniversariante Julio Ventilari Rosiane Lima

Dodora Cavalcante, Fabiana e Fabiola Moraes e Patricia Akel

Iêda Carvalho, Selma Reis e Marcia Martins


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Filme aborda preconceito contra mulher do interior SÉRGIO VICTOR Especial EM TEMPO

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os anos 1980, a produtora audiovisual Regina Melo escreveu um poema que tratava da exclusão e do preconceito enfrentados pelas mulheres amazonenses que migram do interior para a capital. Em 2005, os versos ganharam o prêmio de melhor roteiro para histórias em quadrinhos do governo do Estado e, neste ano, encontraram na sétima arte mais uma forma de expressão no curta-metragem “Os Anseios das Cunhãs”. O projeto do primeiro curta de ficção de Regina, que carrega o mesmo nome do poema, foi o vencedor da primeira edição do edital Carmem Santos Cinema de Mulheres, lançado pelo Ministério da Cultura no ano passado e que incentiva políticas públicas transversais para as mulheres. As filmagens, que começaram em julho, já foram concluídas e, segundo Regina, a previsão de lançamento é para o mês de setembro. “Apesar de seguir uma história, o curta vai apresentar várias personagens em diferentes situações, ora apresentando diálogos declamatórios,

ora coloquiais. Isso fez com que o filme fosse bem ousado esteticamente”, explicou a diretora do curta Regina Melo, que já estuda as possibilidades de inscrever o filme em festivais. A prostituição é um dos principais temas tratados pelo curta e um dos objetivos do projeto foi apresentar o assunto sem fazer o uso de estereótipos

TEMA

O projeto é inspirado no poema homônimo de Regina Melo, também diretora do curta, que trata da exclusão e do preconceito sofrido por mulheres que migram do interior do Amazonas para a capital que contornam o tema. “Muitas dessas mulheres sofrem mais com o preconceito do que com a falta de emprego. Quando decidem pela prostituição, elas trabalham como profissionais, muitas delas são mulheres religiosas e possuem família. É uma questão complexa e o curta trabalha muito com essa dualidade entre o sagrado e o profano, ao mesmo tempo

que quebra essas barreiras de preconceito”, contou Regina. O filme ainda tem o apoio da Associação de Prostitutas do Amazonas, que participaram como figurantes. Com filmagens em vários locais emblemáticos da cidade de Manaus, como a praça Heliodoro Balbi, o Paço da Liberdade, mercado municipal e outros, “Anseios das Cunhãs” tem um elenco formado em sua maioria por mulheres. Regina acredita que a participação da mulher no cinema amazonense tem crescido progressivamente e que o filme é reflexo disso. “A mulher tem feito mais cinema no Amazonas e de forma qualitativa. Podemos citar Dheik Praia que já foi premiada várias vezes”, disse Regina. A cantora e compositora Djuena Tikuna fez sua primeira participação nos cinemas em 2009, no curta-metragem “Cachoeira” de Sérgio Andrade. Em “Anseios das Cunhãs”, ela interpreta a personagem “Cunhatã”, uma menina que chega a Manaus e enfrenta as dificuldades da cidade. Inicialmente, Djuena foi chamada para cantar a trilha sonora, composta por Regina Melo, mas, a cantora acabou sendo escalada para atuar.

DIVULGAÇÃO

O curta-metragem “Os Anseios das Cunhãs” tem previsão de lançamento para setembro. As filmagens já foram concluídas

Sexo feminino predomina no elenco de “O Anseio das Cunhãs”, que poderá ser inscrito em festivais


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OPINIÃO

Crítica,

Vida e Música PERFIL

Marco Antônio Ribeiro jornalista e produtor musical da WebRádio GarimPopRock www.radiogarimpoprock.com

Qual a finalidade da crítica? Pode ser uma expressão de preocupação com outrem, uma forma de denegrir a imagem/ obra, uma agressão gratuita, um “toque” etc. Está presente tanto no campo pessoal quanto no profissional, de forma explícita ou velada. Considerar as críticas que outras pessoas fazem em relação a nós, seja ela construtiva ou “destrutiva”, é interessante para identificar um outro ponto de vista em relação aos nossos padrões de comportamento. Ninguém é perfeito, certo? Considerar-se dono da verdade é extremamente perigoso. Essas afirmações são baseadas em experiências duramente adquiridas. O escriba aqui já quebrou muito a cara pelo fato de não prestar atenção no que observavam as pessoas ao redor. Hoje, não sou exatamente um Ghandi, mas cultivei a humildade suficiente para ouvir. Na verdade, essa é a etapa mais difícil. Ouvir e querer ouvir. E porque diabos eu falei nisso tudo? Para dizer que a crítica pessoal é importante, mas a crítica cultural não deve ser levada tão a sério. Pelas críticas que já escrevi (na verdade, opiniões), já fui ameaçado de agressão física e perdi boas amizades. Aí, entra uma faca de dois gumes. O crí-

tico analisa uma obra sob sua ótica, sempre incluindo suas preferências e formação cultural, mas não deve ser considerada como a verdade absoluta. É claro que tem gente que fala mal só para chamar atenção. Às vezes, o alvo da crítica é um lixo mesmo, mas não é assim sempre. Já me surpreendi com obras que, aparentemente, não me agradariam nem de longe (o tal do preconceito), mas que com uma audição mais apurada (estou falando de música, é claro), mudei totalmente de opinião. Na verdade, o crítico de arte profissional ou mesmo amador deve ser flexível para considerar que existe vida inteligente fora dos seus padrões pré-estabelecidos. E o público também deveria ser assim. Vale para qualquer segmento artístico. E quanto ao artista? Bom, alguns se abalam tanto quando recebem uma crítica que tentam agradar a qualquer custo. Poucos são aqueles que fazem o que acreditam e não dão a mínima importância para os que os outros pensam. Mas não é difícil encontrar artistas que se submetem aos caprichos da crítica e público só para conquistarem

um espaço e, naturalmente, sobreviverem de sua arte. Vendem a alma, na verdade. É deprimente saber que existem bandas com músicos talentosos e com grande potencial para compor seu próprio material e tenham que (só) tocar covers (música dos outros, de preferência, músicas de sucesso) em suas apresentações nos barzinhos fedidos da periferia. Ou mesmo que tenham um repertório autoral e se submetam às determinações de um produtor/empresário/dono de casa de shows viciado(s) em cifrão. Já assistiu a um daqueles programas tipo American Idol? Muita gente boa (talentosa) tem que escutar as bobagens proferidas por aquele corpo de jurados desfigurado com tantas caras e bocas, sempre com a postura tipo “quem entende das coisas aqui sou eu e minha palavra é lei!”. A originalidade não tem muito espaço. Duvido que Frank Zappa fosse

aprovado em um desses “pau-de-sebo” televisivo. Com tudo isso, não se pode esperar o surgimento de um (novo) movimento musical relevante nos próximos anos quando se esquece do feeling e segue – religiosamente - o padrão de aceitação da indústria. Há três décadas, o cara tinha que aparecer no Chacrinha para ter uma certa projeção. Hoje nem precisa mais. O YouTube já revelou talentos cibernéticos e de muita qualidade (outros nem tanto). A diferença fundamental é que antes, o que se tocava em programas de auditório era (na maioria) muito bom. Havia uma certa ingenuidade, mas sobrava sinceridade e espontaneidade. Até o que não era muito bom na época virou cult hoje em dia. Já nos tempos atuais, o que se toca/se vê é tão ruim que dá para sentir o mau cheiro. E a tendência é piorar. Ah, você acha que eu um pessimista incorrigível? Tudo bem, aceito sua crítica.

Já assistiu a um daqueles programas tipo American Idol? A originalidade não tem espaço. Duvido que Frank Zappa fosse aprovado em um desses “paude-sebo” televisivo”


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Cinema A cantora inglesa Rachel Jesuton foi convidada pelo diretor Bruno Saglia para a personagem Charlote, a vocalista de uma banda de jazz no filme “Diminuta”. Reynaldo Gianecchini será Cristian, um saxofonista. Deborah Evelyn, Carlos Vereza, Derico e Daniela Escobar, entre outros. Europa A autora Thelma Guedes se prepara para ficar um tempo em Londres. Na volta ao Brasil, ela terá duas reuniões importantes na Globo, a primeira, sobre uma minissérie, enquanto a outra, um projeto de novela para as 21h, em parceria com Duca Rachid. Chuva de projetos Atualmente, o fórum mais recheado da Globo é aquele que avalia novos projetos de séries, minisséries e seriados. São inúmeros os trabalhos que se encontram por lá aguardando uma posição oficial dos responsáveis pelo setor. E essa enorme carga de material só faz aumentar, muito em função de um anúncio do número 1, Car-

ELVIS

GLOBO/PAULO BELOTE

Vez das mulheres Hoje, no “Domingão do Faustão”, será a vez das mulheres se apresentarem, pela primeira vez, na “Dança dos Famosos”. O programa será transmitido dos estúdios da TV Globo, em São Paulo.

los Henrique Schroder, que promete investir pesado no gênero a partir de 2015. Agradou A primeira gravação do “Esse Artista Sou Eu” foi bem avaliada pela direção do SBT. E foi justamente a que Rosemary faz uma homenagem a Hebe Camargo. O programa estreia dia

25, no lugar do “Máquina da Fama”. Focado Para os que andam sentindo falta de Walcyr Carrasco das polêmicas, das discussões, vai a justificativa: é que ele tem trabalhado demais em seus novos projetos para a Globo. O Walcyr não para.

• A Fox vai promover dia 9, em São Paulo, um evento para imprensa e mercado para falar sobre as novidades dos seus canais... • ... Novidades que irão envolver Cazé Peçanha, com “Os Incríveis”, em suas edições adulta e infantil. • Em se tratando de relacionamento ou política de boa vizinhança, ninguém pode dizer que o Grupo Fox não é bom nisso... • ... Atualmente, seu raio de ação atinge nada menos que cinco grupos de comunicação no Brasil... • ... Isto, desde negócios envolvendo Entretenimento a Esporte. • Viviane Araújo já tem um fã clube apoiando o seu trabalho na novela “Império”... • ... Todas as suas cenas são repercutidas intensamente nas redes sociais. • “O Astro” estreia dia 18 na TV Azteca na faixa das 23h, hoje ocupado por programas jornalísticos. Uma aposta!

Deve manter a qualidade “Meu Pedacinho de Chão” pouca coisa conseguiu além de 20 pontos, mas ainda assim um número maior que o segundo e terceiro lugares somados. A origem de seu problema do começo de noite pode ser um reflexo do que não funciona à tarde. Trata-se de uma situação que não deve modificar a linha de conduta da Globo, no que diz respeito à qualidade de suas novelas.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Zezé di Camargo e Luciano vão lançar um clipe, com a música “Flores em vida” hoje, no “Fantástico”. E com a participação de outras pessoas da família, mais o ator Nando Rodrigues. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Poder público versus sociedade civil

GILMAL

MÁRIO ADOLFO

REGI

Existe um tipo de percepção bastante frequente no ambiente político - do qual já tratamos inúmeras vezes nesta coluna - que é o de confundir o interesse público com o privado, sociedade civil com o poder público. Muitas destas falsas argumentações, ou melhor, confusões, são provenientes muitas vezes da inabilidade política de muitos, além de pouca compreensão do processo democrático. O primeiro aspecto a ser destacado é que quando se fala em servidor público, muitas pessoas confundem a função - que é bastante digna, responsável e importante – com o servidor do público ou de um tipo de público. Este é um ponto crucial a ser destacado, pois em muitas reuniões com a chamada classe artística, por exemplo, vemos alguns destes desprovidos de qualquer habilidade intelectual e reflexiva a confundir o servidor do estado com uma secretária, que anota os recados e faz mandados. O interesse público é bem diferente, claro, do privado, assim como o poder público é diferente da sociedade civil. Estas esferas jamais podem ser confundidas; uma legisla os interesses e o bem comum; a outra, seus próprios interesses que querem ver contemplados. Claro que também está em jogo, muitas vezes, a inoperância do poder público em muitas matérias relacionadas aos civis como os problemas mal resolvidos de habitação, alimentação saneamento básico, reforma agrária, saúde e tantos outros. Mas acho que devemos sempre insistirmos nos princípios regidos por nossa constituição e isto não é só o dever de cada cidadão, mas de organismos importantes como a imprensa e os intelectuais. A imprensa tem sido acusada de muitos infortúnios, alguns com razão. Os debates políticos na te-

levisão a que os jornalistas dos “cadernos” de política impõem são quase uma espécie de diplomacia jornalística onde os profissionais da área se intimidam frente à matéria ou ao candidato/político com medo de perder seu emprego, afinal, o jornal é antes de tudo uma empresa e quem não joga o jogo, dança. A polarização entre os políticos tem tido mais relevância do que as ideias políticas. A revista Istoé de 30 de julho de 2014 publicou uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Frases como “Existe um mal-estar no país”, “O PT perdeu a credibilidade”, “a Dilma não fala com o Brasil” são respostas de FHC a perguntas cordiais, morais e não ideais no sentido de que as ideias poderiam ser o mote da entrevista. O populismo jornalístico permeou toda a entrevista. Se avaliou não o sistema político brasileiro, não as pautas importantes a que um ou outro governo tentou resolver, mas sim a preocupação com o jeito PT de governar. Mais do que o jeito, devemos pensar nos princípios de governança que, sem dúvida, interessam mais. Seria admirável vermos o sociólogo versar sobre as ideias políticas petistas que norteiam as condutas do partido, inclusive seu jeito de governar. Seria interessante uma análise do democratismo petista, do aparelhamento das estatais que dizem muito deste sistema de controle que o PT busca impor inclusive no chamado Sistema Nacional de Cultura (uma falácia, por sinal), cuja estrutura administrativa é ótima, mas o governo petista quer realmente que sua área cultural seja controlada por um conselho? Em 11 anos de experiências já vimos que não. Mas é assim. Os níveis de exigência política sobem e estaremos sempre de olho nos acordos.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

Acho que devemos sempre insistirmos nos princípios regidos por nossa constituição e isto não é só o dever de cada cidadão, mas de organismos importantes como a imprensa”


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Programação de TV

DIVULGAÇÃO

SBT 5h Jornal da Semana 6h Igreja Universal 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Planeta Turismo 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas da Sorte 10h domingo Legal 14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h de Frente Com Gabi 0h Nikita 1h Rizzola & Isles 2h Pessoa de Interesse 3h20 Big Bang 4h Igreja Universal

BAND

Sessão de Gala com o filme “Onde os fracos não têm vez”, hoje, na Globo

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 A harmonia emocional com a família, ou mesmo com as pessoas queridas, dão a você uma confiança e uma força especiais. Momento raro de entendimento entre vocês.

GLOBO

5h Power Rangers – Zeo 6h Popeye 6h30 Santa Missa no seu Lar 7h30 Sabadão do Baiano 8h Power Rangers + Popeye

Cinema

9h30 Popeye 9h45 Informercial – Polishop 10h15 Power Rangers – Zeo 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 Pé na Estrada 13h30 Só Risos 12h30 Band Esporte Clube 14h Gol - O Grande Momento do Futebol 14h30 Campeonato Brasileiro Atlético-pr X Botafogo 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Top 20 21h Pânico na Band 0h Canal Livre 1h Alex deneriaz 1h35 Show Business 2h25 Popeye 3h Igreja Universal

4h55 Santa Missa 5h55 Amazônia Rural 6h25 Pequenas empresas, Grandes Negócios 7h Globo Rural

7h55 Auto Esporte 8h30 Esporte Espetacular (Grand Prix - Brasil X Eua) 11h30 Esquenta 12h50 Temperatura Máxima - A Montanha Enfeitiçada 15h Campeonato Brasileiro – Atlético Pr X Botafogo 17h domingão do Faustão 20h Fantástico 22h25 24 Horas 23h40 domingo Maior - A Chamada 1h13 Sessão de Gala - Onde Os Fracos Não Têm Vez 3h01 Corujão - Kickboxer - O desafio do Dragão 4h38 Série

RECORD 5h Santo Culto em seu Lar 5h30 desenhos Bíblicos 7h desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids - Pica Pau 9h Amazonas da Sorte 10h domingo Show 14h15 Hora do Faro 18h20 domingo Espetacular 22h15 Tela Máxima - “A Águia da Legião Perdida” 0h15 Programação Iurd

Cruzadinhas

ESTREIA

TOURO - 20/4 a 20/5 É entre as pessoas do convívio diário, aquelas com quem pode esbarrar casualmente, que poderá saltar um amor ou uma amizade encantadores diante de seus olhos. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 As relações de trabalho ou negócio podem trazer um acordo ou um encontro bastante especial. Aproveite o momento para estabelecer os melhores contatos. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Você se encanta com as ideias que surgem em sua mente, assim como com as pessoas que lhe inspirem de modo especial ou com quem possa compartilhas tais ideias. LEÃO - 23/7 a 22/8 Seu íntimo é o palco dos encantamentos afetivos; ou seja, tudo pode se passar apenas na imaginação. Mas também pode ser realidade e lhe encantar profundamente. VIRGEM - 23/8 a 22/9 O convívio social estimula encontrar o jeito certo de se aproximar e estar com as pessoas que lhe são especiais - ou ainda, o clima do dia pode dar a elas um encanto especial. LIBRA - 23/9 a 22/10 As relações de trabalho estão positivamente favorecidas. Mas, dentre elas, pode haver alguém especial em seu coração, alguém que possa mesmo lhe enfeitiçar. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O amor está em plena ação em sua vida. Você se encanta e é correspondido da maneira mais evidente, agradável e espantosa. Mas há algo por demais idealizado nisso. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Momento de encontrar harmonia no ambiente familiar e de estar bem, no mais íntimo, com a pessoa amada. Os momentos de intimidade serão especiais, caso aceite se abrir. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Os encontros, por mais casuais que pareçam, nada têm de fortuito Há um enlaçamento pelo amor neste momento, e você se encanta e se envolve com muita facilidade. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 O ambiente de trabalho traz a oportunidade de bons relacionamentos, sejam de trabalho mesmo ou de pessoas com quem deseje compartilhar mais do que apenas trabalho. PEIXES - 19/2 a 20/3 O amor está em plena ação em sua vida. O idealismo mais exaltado ou mesmo delirante pode ser correspondido pela realidade. Não pense que será sempre assim.

Vestido pra Casar: BRA. 12 anos. Fernando (Leandro Hassum) acredita que uma mentirinha não faz mal a ninguém. Será? de mentira em mentira, ele transforma o dia do seu casamento numa série de confusões que envolvem sua ex-mulher, sua noiva, o sogro, o primo saidinho, um estilista, uma socialite deslumbrada, policiais e seguranças nada seguros, e um senador ciumento com sua mulher infiel. “Vestido pra Casar” é uma comédia de muitos erros que só se resolvem quando a verdade vem à tona, poucas horas antes do momento do “sim”. Cinemark 2 – 11h50 (somente sábado e domingo), 14h20, 16h40, 19h20, 21h50 (diariamente), 0h10 (somente sábado), Cinemark 6 – 13h10 (somente sábado e domingo), 15h45, 19h20, 20h45 (diariamente), 23h20 (somente sábado); Kinoplex 2 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h10 (diariamente).

CONTINUAÇÕES Guardiões da Galáxia: EUA. 12 anos. Cinemark 1 – 14h (dub/exceto domingo), 16h45 (dub/diariamente), 19h30 (dub/exceto quarta-feira), 22h10 (dub/diariamente), Cinemark 4 – 12h40 (3D/dub/somente sábado e domingo), 15h40 (3D/dub/diariamente), 18h25, 21h10 (dub/diariamente); Kinoplex 3 – 13h30, 16h, 18h35 (3D/dub/diariamente), 21h20 (3D/leg/diariamente), Kinoplex 4 – 15h50, 21h (dub/diariamente), 13h20 (dub/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 15h10 (3D/dub/diariamente), 22h50 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 20h20 (3D/leg/diariamente), Playarte 6 – 13h30, 16h, 18h30, 21h (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 13h31, 16h01, 18h31, 21h01 (dub/diariamente), 23h31 (dub/ somente sexta-feira e sábado). Planeta dos Macacos – O Confronto: EUA. 12 anos. Cinemark 5 – 13h (3D/dub/somente sábado e domingo), 16h (3D/dub/diariamente), 19h10, 22h (3D/dub/exceto quarta-feira), Cinemark 7 – 11h (dub/somente sábado e domingo), 14h10, 17h15, 20h10 (dub/diariamente), Cinemark 8 – 12h (dub/ somente sábado e domingo), 14h50, 17h50, 21h (dub/diairiamente); Cinépolis Millennium 1 – 13h, 19h (3D/dub/diariamente), 16h, 22h (3D/leg/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 12h, 15h, 18h10, 21h (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 14h, 16h50, 19h40, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 12h45, 15h45, 18h45, 21h45 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 16h15, 19h15 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 4 – 13h45, 16h45, 19h45, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h25 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h10, 21h (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h, 19h (3D/dub/diariamente), 16h, 22h (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h30, 19h30 (dub/diariamente), 16h30, 22h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 18h30 (dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 14h20 (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 15h45, 18h30, 21h15 (3D/dub/diariamente), 13 (dub/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 12h30 (3D/dub/diariamente), 17h40h (3D/leg/diariamente), Playarte 3 – 13h20, 15h55, 18h30, 21h05 (dub/diariamente), 23h40 (dub/ somente sábado e domingo), Playarte 4 – 18h31, 21h06 (dub/diariamente), 23h41 (dub/somente sexta-feira e sábado). Juntos e Misturados: EUA. 10 anos. Cinemark 8 – 23h30 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 6 – 13h30, 16h10, 18h50, 21h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h, 17h45, 20h50 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h10, 16h10, 20h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h30, 20h45 (dub/diariamente), 17h15 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 18h25 (dub/diariamente); Playarte 5 – 13h40, 16h, 18h20, 20h50 (dub/ diariamente). Aviões 2 – Heróis do Fogo ao Resgate: EUA. Livre. Cinépolis Millennium 2 – 13h20, 15h30, 18h (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 13h, 18h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h, 16h15 (dub/diariamente). Transformers - A Era da Extinção: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 16h30, 20h (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 2 – 20h (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 13h45, 17h15 (3D/dub/dia-

riamente), 20h45 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 14h45, 18h15, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 12h50, 22h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 13h40, 17h, 20h40 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 6 – 15h, 19h, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 22h25 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 2 – 17h20 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 18h45 (3D/dub/diariamente), 15h, 22h15 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h15, 21h45 (dub/diariamente), 17h45 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h15, 15h45 (dub/diariamente); Kinoplex 1 – 17h, 20h25 (dub/diariamente). Como Treinar o seu Dragão 2: EUA. Livre. Cinemark 3 – 13h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 14h30, 17h (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 15h50, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h10 (dub/diariamente); Playarte 4 – 14h10, 16h20 (dub/diariamente), Playarte 9 – 12h40, 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). A Culpa é das Estrelas: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 7 – 19h30, 22h20 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 18h15 (dub/diariamente), 21h15 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h15, 15h50, 18h25, 21h (dub/diariamente), 23h35 (dub/somente sexta-feira e sábado). Os Homens São de Marte... E é Pra Lá Que Eu Vou: BRA. 14 anos. Playarte 8 – 12h35, 14h45, 16h55, 19h05, 21h15 (diariamente), 23h25 (somente sextafeira e sábado). X-Men – Dias de um Futuro Esquecido: EUA. 12 anos. Playarte 2 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado).


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MANAUS, DOMINGO, 10 AGOSTO DE 2014

Anne Deneriaz Cardoso e Ademar Lopes estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. A Fieam lançou, durante a reunião de diretoria, na sede da Joaquim Nabuco, o livro “Moysés Israel”, da jornalista-historiadora Etelvina Garcia. Em tons biográficos, o livro cobre a trajetória pessoal e empresarial do decano da federação, o empresário MoysesBenarros Israel. Sâmia Nunes Cardoso ganhou festim intimista da mamma Dirce pelo seu niver no meio da semana. Os amantes do jiu-jítsu já podem ir se preparando para as lutas acirradas no tatame que irão acontecer hoje, no ginásio Ninimberg Guerra, o “Bergão”, no São Jorge, onde será realizada a 27ª edição da Copa Osvaldo Alves de Jiu-Jítsu.

Limpar é preciso Na verdade, limpar o centro de Manaus e efetivamente criar um projeto de recuperação para a área portuária é uma urgência. Afinal, Manaus fez bonito e calou a boca de muitos críticos que não apostaram que a cidade faria uma Copa do Mundo exemplar. Não só deu conta do recado como figurou como melhor sede da primeira fase do mundial. Bem cotada entre os turistas nacionais e estrangeiros, a capital do Amazonas tem que correr para ficar a altura do burburinho que causou porque muitos visitantes prometeram voltar e os que não vieram a querem conhecer. Então mãos a obra. Simples assim.

Quem vai tirar?

Jander Vieira

Referência no cenário do stand-upcomedy nacional, Léo Lins apresenta seu solo “Piadas Secretas”. Quando? No próximo dia 17, às 19h, no Teatro Manauara.

As lindas Claudia Bernardino e Adlinez Moreno conferindo as novidades da badalada Zen Maison

Hoje, o GACC-AM pilota o lançamento da campanha McDia Feliz 2014 com um café da manhã na Casa de Festas e Eventos Rubi, a partir das 8h.

Vencendo a batalha

Com direito a solenidade concorrida, a querida juíza Lúcia Viana vai receber a comenda da Ordem do Mérito Judiciário concedido pelo TRT, no próximo dia 15, às 18h, no Teatro Amazonas. A coluna entra hoje de férias, merecidas por sinal, e retorna no final do mês. Santo agosto!

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br FOTOS: MANOEL NETTO

Sala de Espera

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Hamilcar Silva com a sua Eliane Schneider em momento de puro carinho nos domínios de festim no Saint Moritz

Como tudo na vida real não é fácil, aos poucos a Prefeitura de Manaus vem vencendo a dura luta para limpar o centro de Manaus do comércio ambulante que suja as ruas e obstrui as calçadas. Agora chegou a vez da rua Henrique Martins começar a voltar ao que era antes. A via, que é uma das mais estreitas da área central, era quase intrafegável tanto por pedestres quanto por veículos. Agora está finalmente limpa aos olhos do morador de Manaus e dos visitantes que vêm à maior metrópole da Amazônia para conhecer um pouco de sua história. Pontos para a atual gestão de PMM.

Tudo bem, Manaus foi destaque nacional e mundial por sua apaixonada torcida que resolveu enfeitar as ruas de inúmeros bairros da capital amazonense de verde-amarelo. As centenas de fitas nas cores da bandeira brasileira fizeram a beleza de uma Copa que a seleção brasileira fez questão de estragar naquele fatídico 7 x 1. Passada a decepção, já é hora dos moradores retirarem as fitas que com o passar do tempo estão descolorindo, apodrecendo e sujando as ruas. Além de emporcalhar a cidade, as fitas também podem comprometer a segurança de inúmeros imóveis já que estão muito próximas das linhas de alta tensão. Fica a dica.

A competente advogada Mônica Bonfim em dia de festa-alegriadiversão no Tropical Hotel

Políticos na TV Vai começar a propaganda partidária obrigatória no rádio e na televisão. É chegada a hora de nós, humildes e penalizados eleitores termos que conviver com uma centena de candidatos que vão desde os mais sérios às verdadeiras figuras folclóricas. Tem gente que vem com remo e canoa, outros com frases de efeito sem efeito nenhum. Uns com apelidos que são um verdadeiro horror! Enfim, vale tudo para nos encantar. Fazer o quê? É o preço da democracia não é mesmo? Oremos...


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 10 AGOSTO DE 2014 DIVULGAÇÃO

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Festa celebra SERVIÇO A Boate Villa Mix é voltada para eventos de música sertaneja e possui unidades nos Estados de São Paulo, Goiânia e Brasília

‘Boate Villa Mix’

Casa noturna de Goiânia será o tema da festa do dia 4 de setembro, no Diamond Convention Center

U

ma casa noturna onde o cartão de visita é a sofisticação, o alto astral e o melhor da música sertaneja. A Boate Villa Mix, com unidades nos Estados de São Paulo, Goiânia e Brasília, atende a proposta de ser um ambiente exclusivo para um público que procura entretenimento com qualidade e requinte. No comando da boate está a dupla sertaneja Jorge & Mateus. E com eles, empresários conhecidos por adminstrar casas

nortunas e a carreiras de alguns artistas sertanejos. A casa conceito é o ponto de encontro entre celebridades, artistas, músicos e pessoas da alta sociedade, num espaço exclusivo e privilegiado para aqueles que priorizam um bom atendimento. A marca “Boate Villa Mix” foi pensada como um espaço sofisticado e inspirado em tendências de renomados clubes internacionais. Camarotes com luxo, ambientes privativos, área para fuman-

tes, uma infraestrutura completa e de primeira linha são itens indispensáveis. Em Manaus, esta proposta entra em prática com a festa “Uma Noite na Boate Villa Mix”. Promovida pela Fábrica de Eventos, a noite dedicada ao ritmo sertanejo será realizada no Diamond Convention Center, no dia 4 de setembro, véspera de feriado. O fenômeno do sertanejo universitário Gusttavo Lima será a atração principal do evento.

A festa com os moldes da boate contará com uma área exclusiva denominada Camarote da Balada. Um lugar com vista provilegiada do artista, open bar até às 3h e acesso diferenciado. A proprietária da Fábrica de Eventos, Bete Dezembro, destaca que a empresa preza pela realização de entretenimentos de qualidade e satisfação do público. Novo álbum A escolha pela atração na-

cional atende a mesma “pegada” do evento. Gustavo Lima chega a capital amazonense para divulgar o seu novo trabalho, intitulado “Do Outro Lado da Moeda”. O CD traz músicas inéditas como “Tô Solto na Night” e o hit “Diz Pra Mim”, versão da música “Just Give Me a Reason”, da cantora norteamericana Pink, que já é sucesso nas rádios de todo o Brasil e contabiliza mais de 23 milhões de visualizações no YouTube.

UMA NOITE NA BOATE VILLA MIX Quando: 4 de setembro, véspera de feriado Onde: Diamond Convention Center Quanto: Pista: 1º lote R$ 70 (3x no cartão de R$ 23,33) Pontos de Óticas Veja, Bar Venda: Chopp Brahma, Rommanel (Amazonas Shopping e Shopping Ponta Negra), Sinhazinha.com, Mind’s, stand da Fábrica de Eventos no Amazonas Shopping e loja da Fábrica de Eventos no Shopping Cidade Leste Camarote da R$ 150 (3x no Balada Open cartão) Open Bar Bar: de vodka, cerveja, whisky 8 anos, água, refrigerante e chopp Brahma até às 3h da manhã Pontos de Stand da Fábrica Venda: de Eventos no Amazonas Shopping e loja da Fábrica de Eventos no Shopping Cidade Leste


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EM TEMPO - 10 de agosto de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu