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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVII – N.º 8.532 – DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
EM JUTAÍ
PARA ONDE FOI O
GÁS?
Duas balsas que transportavam gasolina de Manaus para Tabatinga, explodiram próximo ao município de Jutaí. Três pessoas ficaram feridas, mas não há informação de desaparecidos. Última Hora A2
GUERREIRAS
Kobani, terror dos homens DIVULGAÇÃO
IONE MORENO
Saiba por que a irreverente personagem da jornalista Tricia Cabral foi inserida no jornalismo e na literatura amazonenses. O livro foi lançado neste sábado (foto) na Valer.
Balsas com gasolina explodem
FOTOS: DIVULGAÇÃO/PETROBRAS
D. Maria saracoteia na Valer
Cuidado com o sol de verão
Na cidade síria de Kobani, as mulheres lutam corpo a corpo com os homens em suas ruas, em um fato excepcional no Oriente Médio. Mundo B7
A pele é o nosso maior órgão e o sol do Amazonas é inclemente. Cuide-se, antes de pegar um bronzeado. O câncer de pele é o que mais atinge a população.
Dois de junho de 2006: o presidente foi a Coari, onde deu, simbolicamente, o primeiro pingo de solda no gasoduto
Máquinas roncam no GP Brasil
DIVULGAÇÃO
As cinco vitórias consecutivas na Fórmula 1 não garantiram a Lewis Hamilton, da Mercedes, a oportunidade de faturar o seu bicampeonato no GP do Brasil de Fórmula 1, em Interlagos.
Plateia
DIVULGAÇÃO
A arte vai ao largo de S. Sebastião Operários rasgaram matas para levar em frente a tubulação
Nas ruas de Manaus, placa de advertência para o perigo
A
PETROBRAS RASGOU FLORESTAS, VENCEU RIOS, INVESTIU EM HOMENS, MÁQUINAS E GASTOU R$ 4,58 BILHÕES – ANTE UM ORÇAMENTO INICIAL DE R$ 1,2 BILHÃO – PARA FAZER O GASODUTO COARI-MANAUS, UMA MONUMENTAL OBRA DE 667 QUILÔMETROS PARA TRANSPORTAR 4,1 MILHÕES DE METROS CÚBICOS/DIA. ANUNCIADO COMO A “REVOLUÇÃO NA MATRIZ ENERGÉTICA” DO AMAZONAS, O GASODUTO TINHA COMO PRINCIPAL FOCO O ABASTECIMENTO DAS SETE USINAS TERMELÉTRICAS INSTALADAS NO ENTORNO DE MANAUS, EM SUBSTITUIÇÃO AO DIESEL, QUE REDUZIRIA A TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA.
A arte toma conta do largo de São Sebastião, neste domingo, com o projeto “Pintura ao Vivo”. Além das tintas e traços, é uma boa opção, também, para curtir jogos de capoeira, dança e teatro.
A OUTRA MARAVILHA ANUNCIADA GARANTIA QUE, COM A CHEGADA DA PRIMEIRA CARGA DE GÁS NATURAL VEICULAR (GNV) DA ESTAÇÃO PETROLÍFERA DE URUCU, OS TAXISTAS QUE ADERISSEM À “CULTURA DO GÁS”, TERIAM COMBUSTÍVEL MAIS BARATO E UMA FONTE DE ENERGIA MAIS LIMPA. CINCO ANOS DEPOIS, A “SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL”, COMO ANUNCIOU O PRESIDENTE LULA, AINDA NÃO ACONTECEU. ESPECIAL GASODUTO
FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELEIÇÕES E ELENCO.
TEMPO EM MANAUS
MÁX.: 31
MÍN.:
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Última Hora
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MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Explosão em balsa deixa três gravemente feridos Casco da embarcação foi supostamente perfurado por um tronco, provocando a explosão próxima a Jutaí
T
rês pessoas ficaram gravemente feridas após uma balsa que transportava combustível explodir nas proximidades do município de Jutaí (a 751 quilômetros de Manaus). O sinistro ocorreu na tarde da sexta-feira (7), quando, segundo informações preliminares, a embarcação teve o casco furado por um tronco submerso e na tentativa dos tripulantes de fazer a transferência do material, ocorreu a explosão. A Marinha do Brasil, por intermédio do Comando do 9º Distrito Naval, comunicou que a empresa Cidade Transporte Ltda., enviou, ainda no início da noite de sexta-feira, a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC), uma carta relatando a explosão envolvendo o comboio de duas balsas com o empurrador “City XIII”. Segundo o Comando 9º Distrito Naval, no documento a empresa informou que o acidente com a balsa que transportava derivado de petróleo (gasolina) de Manaus a Tabatinga, no rio Solimões, ocorreu a quatro horas do município de Jutaí-AM, sendo que três pessoas ficaram feridas. Ainda conforme a nota do comando, a empresa não relatou a existência de desaparecidos, mas de acordo com
REPRODUÇÃO
o despacho realizado pela CFAOC, haviam seis tripulantes na embarcação. As vítimas que tiveram queimaduras em quase 95% do corpo seriam removidas ontem para Manaus. Até o fechamento desta edição ainda não se sabia o estado em que se encontravam as mesmas. Também ontem pela manhã, uma aeronave da Marinha foi
RELATÓRIO
Marinha do Brasil comunicou que a empresa Cidade Transporte Ltda., enviou, ainda no início da noite de sexta-feira, à Capitania Fluvial da Amazônia, uma carta relatando a explosão empregada para condição de Inspetores Navais da Agência Fluvial de Tefé ao local do sinistro. Segundo o comando, os inspetores foram deslocados a fim apurar o ocorrido e iniciar os procedimentos para instaurar o competente Inquérito Administrativo sobre Fatos da Navegação (IAFN), visando apurar as causas e as responsabilidades pelo acidente.
Balsa que transportava combustível explodiu ao ter o casco perfurado por um tronco
CAMPANHA
HUMOR ÁCIDO IONE MORENO
Jornalista Tricia Cabral lançou versão atualizada das crônicas da personagem Dona Maria
Dona Maria volta à cena em livro O livro “As Aventuras de Dona Maria: a Sogra que Ninguém Merece” teve lançamento especial na manhã de ontem, na Livraria Valer, no centro de Manaus, com sessão de autógrafos da autora, a jornalista e editoraexecutiva do EM TEMPO, Tricia Cabral. A obra é uma reunião de 35 crônicas envolvendo a personagem Dona Maria, criada pela jornalista em histórias publicadas nos jornais “O Estado do Amazonas”, “Diário do Amazonas”, “Correio Amazonense” e “EM TEMPO”. “Tenho mais de 60 crônicas, mas resolvi enxugar para essas 35 e dei algumas atualiza-
CRÔNICAS
A obra de Tricia Cabral é uma reunião de 35 crônicas envolvendo a personagem Dona Maria, criada pela jornalista em histórias publicadas em alguns jornais do Amazonas das para a situação atual”, comenta a autora. Tricia diz que Dona Maria é uma personagem tragicômica e que aborda temas como política e cotidiano com um humor ácido. “Ela é uma personagem pessimis-
ta, mas ao mesmo tempo leve”, justifica. Dona Maria já tem seus 70 anos, mas não gosta de ser chamada de vó pelos netos, a qual chama de “sobrinhos”; é viúva e costuma se relacionar com homens bem mais novos. Uma personagem complexa e que cativa. “As Aventuras de Dona Maria: a Sogra que Ninguém Merece” já pode ser adquirido no valor de R$ 30. Por enquanto o livro está à venda somente na Livraria Valer, mas a autora diz que vai conversar com outras editoras para lançamento futuros e fazer com que o livro consiga atingir um público maior.
Mais de 180 mil no Enem O primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aconteceu neste sábado (8) com questões de ciências humanas e ciências da natureza. No Amazonas, aproximadamente 185 mil candidatos de 56 municípios e mais a capital participam do certame. O exame contará com quatro provas objetivas contendo 45 questões cada e uma redação. A duração da prova é de quatro horas. A saída do local de prova é permitida após duas horas do início do exame, mas para levar o caderno de questões para casa é preciso esperar até 30 minutos antes do término. Hoje (9), as provas serão de linguagens, códigos e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; e a redação. As provas realizadas no domingo terão cinco horas e meia de duração, uma hora a mais do que o dia anterior. Os cadernos de questões estarão distribuídos em cinco cores diferentes: azul, amarelo, branco, rosa e cinza. Cabe ao participante marcar no cartão de resposta a cor do caderno de questões, assim como transcrever a frase apresentada na capa do caderno. O gabarito oficial do Enem deve ser divulgado no dia 12 de novembro e o resultado final, a partir do dia 28 de dezembro.
FÓRMULA 1
Vacinação contra sarampo vai até dia 28 em Manaus A Prefeitura de Manaus realizou ontem o Dia D da Campanha contra a Paralisia Infantil e Sarampo. O evento realizado na Unidade Básica de Saúde Balbina Mestrinho, na Cidade Nova, Zona Norte da cidade, marcou a abertura da 35ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo, promovida em todo o país. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, foi montado um grande esquema para alcançar aproximadamente 160.807 crianças entre seis meses e cinco anos contra a poliomielite. A meta, segundo ele é vacinar 95% (153.716 crianças), deste público. No mesmo período também serão vacinadas crianças com idades de 1 a 5 anos contra o sarampo. Segundo o secretário municipal de Saúde o público-alvo são 141.224 crianças e a meta também é vacinar 95% (134.163) do público. “A partir
ONTEM
de hoje (ontem) serão 1.030 postos espalhados em toda a cidade, com mobilização de 5.384 profissionais de saúde para atender as mães que trouxerem os filhos para tomar as vacinas”, informou. Meta Conforme Leão, se a meta for alcançada a cidade ficará dentro da faixa de segurança que o Ministério da Saúde considera adequado com relação ao controle dessas doenças. A doméstica Marciane de Almeida, 25, levou o filho de um ano e três meses para receber as vacinas. Segundo ela, sempre trouxe a criança para ser vacinada nas campanhas anteriores. “É importante vacinar nossos filhos para evitar que fique doente. Eu prefiro vir logo no primeiro dia do que deixar para depois”, afirmou. A Campanha contra a Paralisia Infantil e o Sarampo ocorre em todo o Estado e segue até o dia 28 de novembro. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Vacinação começou ontem em Manaus e se estende até dia 28
Rosberg tem recorde em Interlagos A Mercedes não cansa de quebrar recordes. Na última sessão de treinos livres antes do classificatório para o GP do Brasil de Fórmula 1, ontem (8), o alemão Nico Rosberg foi o mais rápido. De quebra, cravou a volta mais rápida da história do circuito na categoria, com 1m10s446. Para se ter noção do tamanho do domínio da Mercedes, o segundo colocado no treino, o britânico Lewis Hamilton, também quebou o recorde de 2004, que era de Rubens Barrichello na Ferrari (1m10s646). O líder da F-1 neste ano foi o segundo melhor, com 1m10s560. A terceira colocação ficou com o brasileiro da Williams, Felipe Massa, que mostrou novamente que tem carro para brigar na frente neste GP. O brasileiro cravou o tempo de 1m10s875, superando seu companheiro de equipe, o finlandês Valtteri Bottas por 179 décimos. Pelotão da frente Completando o pelotão da frente, esteve o australiano da Red Bull, Daniel Ricciardo, que marcou 1m11s188, e foi seguido pelo britânico da McLaren, Jenson Button, que ficou na marca de 1m11s210. O finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, foi o sétimo, com 1m11s316. O GP do Brasil será disputado hoje (9), com largada prevista ara as 14 horas (12h de Manaus).
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Contexto 3090-1017/8115-1149
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Editorial
marioadolfo@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
O que todo mundo pergunta Depois de um jantar, quinta-feira 6, com a presidente Dilma Rousseff, o presidente do PT, Rui Falcão, conseguiu articular uma frase que reflete o pensamento de todos os que participaram do encontro, de quem não esteve lá, de quem não votou na presidente e de quem votou, enfim, de toda a nação brasileira e observadores estrangeiros: “Todo mundo está curioso para saber o que vai acontecer nos próximos meses”. E mais não disse nem lhe foi perguntado. O PT saiu das eleições, “magoado” com o distanciamento que a da presidente teria tido com os petistas. Eles querem mais intimidade política com a reeleita, o que não teria havido no primeiro mandato. Durante esse primeiro mandato, a presidente recebeu críticas por não ouvir a sigla na tomada de decisões estratégicas de governo e por não participar mais intensamente das discussões internas do partido. A quem Dilma teria ouvido, então? E por que não teria se recusado a participar do assembleísmo do partido, que marca reunião para marcar reunião? Dilma saiu vitoriosa com 3,5 milhões a mais de votos (o que não é muita vantagem, quando se avalia o universo de eleitores e o perfil das duas candidaturas que lhe tiraram o sono... e o humor, que já não é a sua melhor marca), apelando para um diálogo com a nação, mais vazio do que sua proposta de mudança, que foi o top da sua campanha. O que Dilma mudará, que não pôde ter mudado nos últimos quatro anos? Por que se deixou tentar em manter uma inflação “sob controle”, com medidas absolutamente descontroladas? Rui Falcão amou o jantar com Dilma. Enfim, ele e todos os companheiros e companheiras estiveram perto da presidente, como sempre sonharam. Mas ainda não têm a menor ideia de como será amanhã. Se eles que estiveram perto não sabem, imagine-se quem nunca esteve, nem estará.
Braga ministeriável Como alguns pitaqueiros de plantão anunciaram logo depois da eleição, o senador Eduardo Braga, candidato derrotado ao governo do Estado, pode vir a ser ministro no segundo governo de Dilma Rousseff. De acordo com notícias do Planalto, o PMDB está de olho gordo no Ministério da Integração Nacional. E já até considera a pasta como sua, caso a presidente Dilma Rousseff conceda o Ministério da Educação para Cid Gomes (Pros), que deixa no final do ano o governo do Ceará, depois de dois mandatos. É meu, é meu, é meu! Se o ministério for parar nas mãos do PMDB, será inevitável um embate interno entre os senadores Eduardo Braga (AM) e Vital do Rêgo (PB) na disputa por essa nova vaga. Atualmente o Ministério da Integração está sob o comando de Francisco José Coelho Teixeira, do Pros. Meu xodó Braga pode sair na frente porque é líder do governo no Senado, cargo que o aproximou de Dilma nos últimos dois anos. Na verdade, o senador amazonense sempre foi xodó de Lula. Articulação Depois de perder a eleição, Eduardo começou a se articular para viabilizar como ministeriável. Ele, contudo, não tem apoio da maioria da bancada peemedebista no Senado, que vê Braga como um articulador que joga apenas para si e não para o partido. Vozes da seca Vital do Rêgo, que esteve cotado para Integração no ano passado, é o favorito do PMDB do Senado para comandar a pasta a partir de 2015. Pesa a favor dele o fato de o Ministério da Integração ser uma pasta com programas voltados para o Nordeste, especialmente com ações de combate à seca no sertão. Se hay tucano... A presidente Dilma terá que re-
ver essa decisão, equivocada, de não enviar dinheiro para Manaus porque o prefeito é um tucano. De acordo com Arthur Virgílio, se a presidente entendeu o “recado das urnas”, ela não terá mais força para perseguir ninguém. Barriga cheia Esta semana, pela rádio Tiradentes, a senadora Vanessa Grazziotin disse que Arthur Neto reclama de barriga cheia quando afirma que a presidente Dilma Rousseff não manda recursos para Manaus. Ela citou o mercado Adolpho Lisboa e a Ponta Negra como obras bancadas pelo governo federal. Sabe de nada! Cinco minutos depois o prefeito Arthur Neto entrou ao vivo e disse que Vanessa não sabe o que diz. Explicou que a Ponta Negra foi construída com recursos da Corporação Andina de Fomento (CAF) e que o mercadão foi terminado após seis anos parado e por conta de um novo acordo com a empresa que havia vencido a licitação em administrações passadas. Pendura as chuteiras No final, Arthur mandou um conselho malcriado à senadora: — Ela deveria é pendurar as chuteiras. Não sabe nem o que se passa na cidade –, disparou Virgílio. Cara, crachá! Virou rotina. Em todo jogo na Arena da Amazônia os responsáveis da
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
Aclea (Associação de Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas) ficam em frente à entrada da zona mista do estádio “fiscalizando” se os profissionais que vão trabalhar na cobertura dos jogos têm a carteirinha da entidade. Se não tiverem são barrados. Constrangimento Aqueles que não batem o pé para exercer livremente sua profissão, são constrangidos a preencher o formulário de adesão e pagar a taxa de R$ 60 para ter a tal carteirinha. Para isso, até um guichê foi montado na entrada dos jornalistas na arena. Democracia F. C. No próximo dia 30, Manaus vai receber o duelo entre Flamengo e Vitória. E a prática deve se repetir. O ideal não seria deixar o jornalista livre para decidir se quer ou não entrar para a Aclea? Até ela Até a senadora Vanessa Grazziotin, lulista desde pequenina, admite que o projeto político iniciado com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva precisa de ajustes. Mesmo assim, acredita que ele permitiu que o Brasil enfrentasse a crise internacional preservando empregos e benefícios sociais. Mudanças Para Vanessa, o eleitorado brasileiro deu a maior parte dos votos a Dilma Rousseff, porque exige o aprofundamento das mudanças e a manutenção do compromisso com a justiça social.
VAIAS
Rock solidário
Regi
Motoqueiro sem capacete DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
Para as bandas de rock de Manaus, que em torno do show “Ação entre Amigos”, vão se juntar ao Lar das Marias na luta contra o câncer. O dinheiro arrecadado no show será doado à entidade.
Para os motoqueiros, que continuam carregando seus capacetes no braço e, por conta dessa irresponsabilidade, a maioria acaba morrendo nos acidentes frequentes nas ruas de Manaus.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
O peso da decisão Toda decisão é um ato que se processa sob tensão, uma vez que acontece numa situação de encruzilhada, onde a bifurcação já nos diz que um dos caminhos leva ao sucesso e o outro inevitavelmente ao fracasso, senão ao desastre. Por vezes, as circunstâncias envolvidas são tão delicadas ou ameaçadoras que fazem parecer melhor não decidir, fugir do risco da opção, o que, afinal, não deixará de ser também uma decisão. Esta é uma reflexão que foi deflagrada pela visita que recebi do indefectível Robério Braga, secretário de Cultura de longa duração e inegável sucesso. Aliás, ninguém permanece 18 anos em tão árdua função, sem êxito. De saída, reconheçamos que, à vista do que havia e do que hoje há nesse difícil terreno, a lide foi certamente pesada. Como não é possível ignorar e muito menos negar a realidade cultural que se criou, antes em Manaus e depois em todo o Estado, alguns há que creditam o que foi feito ao puro fato de que foi concedido à gestão todo o tempo de que ela necessitou. É claro que isso contou e muito, pois nessa área nada pode ser construído em curto prazo e de afogadilho. Na minha avaliação, contudo, o sucesso do trabalho de Robério deveu-se, sobretudo à feliz e rara coincidência da junção de duas qualidades pessoais que dificilmente se encontram num mesmo indivíduo: o acervo de conhecimento e de erudição que não pode faltar a quem pretenda gerir a cultura e, do outro lado, o talento de gestor, que lhe permitiu planejar e implementar as ações culturais. Isso juntado à sensibilidade de respeitar as espontâneas, pré-existentes e naturais manifestações culturais de cada comunidade. Mas, afinal, por que iniciei a falar da gravidade e da tensão que en-
volvem as decisões que a vida nos coloca à frente com tanta frequência? Lembremos de que os filósofos existencialistas contrapuseram as situações de que a liberdade de escolher é um dado concreto da existência humana, mas que coincide com a obrigatoriedade de não poder deixar de escolher. Robério Braga, desde que recebeu em suas mãos a Secretaria de Cultura, já passou por quatro governadores, de índoles, estilos e ideologias diferentes e, neste momento, outra eleição se fez e um novo governo se institui para ocupar a cadeira. Fala-se já em renovação, segundo a ética da alternância do poder que, como princípio, é um dos pilares dos governos democráticos. Há, porém, dois lados nesse preciso caso da Secretaria de Cultura: um aspecto seria a saída de Robério, decidida em nome de um revigoramento que, hipoteticamente, se supõe decorra da substituição do antigo pelo novo, o que nem sempre é certo. O outro se prende ao fato subjacente de que o gestor da cultura fará dela um extravasamento daquilo que ele mesmo entende e vive como produção cultural e que, não sendo um produto científico, será sempre defensável e justificável, mesmo quando não se mostre o mais adequado e conveniente. Com absoluta sinceridade, tenho muito medo de que se mudem os padrões culturais, hoje claramente sofisticados e ricos, que Robério instituiu na sua gestão e, em seu lugar, venha um populismo cultural que sempre se acompanha do simplismo e da simploriedade. Muita falta faria a este Estado se nos tirassem a Filarmônica, o Corpo de Baile, o Coral, a Orquestra de Câmara e ainda todos os festivais e eventos que Robério nos deu. Estaríamos irremediavelmente mutilados no âmbito cultural.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Com absoluta sinceridade, tenho muito medo de que se mudem os padrões culturais, hoje claramente sofisticados e ricos, que Robério instituiu na sua gestão e, em seu lugar, venha um populismo cultural que sempre se acompanha do simplismo e da simploriedade”
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Tudo menos isso
Quando eu coloco os dados na tela, o criminoso pega aquilo ali e vai olhar onde tem o polígono do desmatamento e aonde vai o Ibama. ‘Ih, o Ibama me pegou. Atenção pessoal, vamos sair da área’. Muitos dizem que o Ibama esconde os dados: o Ibama esconde os dados do bandido, é isso que você tem que começar a entender
A presidente Dilma Rousseff incumbiu o ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) de dar dois recados ao PMDB. O primeiro: o governo está disposto a apoiar qualquer deputado da base aliada para a presidência da Câmara, desde que o nome não seja o do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ). O segundo é o apoio total e irrestrito à reeleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado, num gesto para obter ajuda da cúpula do partido para desarmar a bomba da Câmara. nário e nas comissões.
Para fora Aécio Neves (PSDB) tem dito a aliados que vai concentrar sua atuação mais no front externo que na tribuna do Senado.
Overbooking 2 Pela nova regra, viagens para o exterior e para seminários só podem ser aceitas se forem pagas por quem convidou.
Operação... Dois ministros de Dilma dizem que a discussão sobre regulação da mídia, que a petista foi pressionada a encampar para o segundo mandato, será feita em câmera lenta.
No show Lewandowski vetou viagens recentes para intercâmbio de conselheiros para a Espanha e para Hong Kong. No caso da última, o conselheiro Saulo Bahia fez uma justificativa de quase uma hora em plenário, mas não obteve autorização.
... Tartaruga O Planalto vai ouvir todos os lados antes de mandar uma proposta ao Congresso. E não moverá uma palha para que, uma vez lá, a proposta ande rápido. Infantaria O ex-candidato tucano à Presidência lembra que o PSDB terá uma bancada reforçada a partir de janeiro. Deverá caber aos outros caciques o embate com a tropa de choque governista no ple-
Overbooking 1 Outra razão de insatisfação dos conselheiros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com a gestão de Ricardo Lewandowski foi uma resolução sobre gastos com viagens.
Portfólio Cotado para o Ministério das Cidades, Gilberto Kassab (PSD) passou a usar sua conta no Twitter nas últimas semanas para divulgar ações de prevenção de acidentes de trânsito e planos de habitação popular --dois temas afeitos à pasta. Pode, Arnaldo? Geraldo Alckmin (PSDB) solicitou ao corpo
jurídico do governo paulista que analise as propostas de fusão de secretarias que pretende anunciar para o próximo mandato. Ele não O prefeito Fernando Haddad não vê com bons olhos a candidatura do exsecretário Antonio Donato à presidência da Câmara. Aliados do prefeito de São Paulo lembram que as relações entre ele e o antigo auxiliar nunca se restabeleceram.
Luciano de Meneses Evaristo, diretor do Ibama, tenta convencer que a não divulgação do aumento do desmatamento na Amazônia, que disparou em agosto e setembro, não tinha intenção de favorecer a votação da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ
Pista livre Berzoini dirá aos peemedebistas que, se houver um nome de consenso na Câmara, o Planalto dissuadirá o PT de lançar candidato. Ele e Aloizio Mercadante (Casa Civil) se reúnem na quinta com a bancada petista para tratar do tema.
Penitência A bancada evangélica da Câmara Municipal de São Paulo promete obstruir a pauta e dificultar a vida da prefeitura até que seja regularizado o templo de Salomão, da Igreja Universal. Provisório O templo obteve alvará normalmente concedido para eventos para que pudesse ser inaugurado, mas o aval definitivo ainda depende de regularização. 1 + 1 Avançaram as negociações para a fusão entre DEM e Solidariedade, capitaneadas pelo prefeito de Salvador, ACM Neto. A ideia enfrenta resistências no exPFL, a começar do presidente, senador José Agripino.
Tiroteio
Está congelada, diante dos seus olhos, aquela que pode ser a última imagem de um “jaraqui de rio”, pois essa espécie, que é a mais popular, a mais abundante, a que tem mais ômega 3 do que o salmão e muitos outros peixes fashions dos nossos restaurantes, já foi colocada no defeso, o que significa: até ele será consumido de viveiro. E virá de Roraima...
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
A Dilma da campanha e esta não parecem ser a mesma pessoa. O eleitor votou em uma e agora está sendo apresentado à outra. DE AÉCIO NEVES (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência, sobre a presidente adotar medidas econômicas que, na eleição, atribuía aos opositores.
Contraponto
Terceirizando o milagre No segundo turno da disputa presidencial, quando as pesquisas mostravam Aécio Neves (PSDB) numericamente à frente de Dilma Rousseff, o vice Michel Temer e o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) participaram de um evento no Rio. Na volta, de helicóptero, sobrevoaram a igreja de Nossa Senhora da Penha, que fica no alto de uma escadaria de 382 degraus. Moreira desabafou: – Michel, nós deveríamos fazer uma promessa para ganhar essa eleição... – Que promessa? – perguntou Temer. – Se nós ganharmos, você sobe a escadaria de joelhos! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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Igínio Mazzuchi Um dia destes recebi uma aula sobre a região do Careiro e os dois municípios que partilham este nome. Tomei conhecimento de que o Castanho é o Careiro e o mais antigo é o da Várzea. Quem me esclareceu com detalhes foi o padre Igínio, missionário, padre, religioso da congregação dos Oblatos de Maria Virgem. A ocasião foi o encontro que tivemos para celebrar os 50 anos de sua ordenação. Deste meio século, trinta e seis anos foram passados no Careiro, fazendo deste sacerdote uma das figuras chaves de toda esta história que acabava de conhecer, exatamente dele, fonte fidedigna por que participante dos acontecimentos. Pe. Igínio é parte de uma geração que viveu um momento histórico fecundo e dramático da história da igreja e do Brasil. Chegando à Amazônia em pleno regime de exceção, mas no qual já apareciam sinais de restabelecimento da ordem democrática fica ao lado do povo, das multidões e dos pobres. Dando testemunho de pobreza pessoal, frequentando as casas das pessoas, visitando comunidades de difícil acesso, deixa claro de que lado está, qual a sociedade que deseja, que valores abraça. Empenha-se na formação de pessoas, organiza a ação social para que os mais pobres tenham acesso à educação e a profissionalização. Mas não esquece a educação formal, habilitandose como professor e assumindo aulas na rede publica. A igreja também dá uma guinada neste período da história. Formado durante a realização do Concilio Vaticano 2º, de que acabamos de celebrar o cinquentenário, abraça de corpo e alma a renovação da Igreja
que na Amazônia significou a formação de comunidades, incluindo aí a formação de lideranças que fossem capazes de romper a estrutura do aviamento que tornava todos dependentes dos patrões com seus barracões. Com o passar do tempo o nosso homenageado fez um pouco de tudo, mas nos últimos anos empenhou-se na área da comunicação, organizando uma rádio, pupila dos seus olhos, a qual dedica suas madrugadas, se comunicando e anunciando a Boa Nova ao seu povo. Nada tem de seu. Sua figura não lembra em nada os pregadores de sucesso que se enriquecem com a religião. Está mais para o servo inútil do Evangelho, que está convencido de que não fez mais que a sua obrigação, e que encontrou a felicidade e a realização na graça que é participar da Missão, que é de Deus. Diante dele estamos diante de um seguidor de Jesus, que não é perfeito, pois os perfeitos bastam-se a si mesmos e quando servem humilham. Continua com espírito jovem, sonhador, empreendedor, cheio de sonhos. É daqueles que incomodam, porque tem palavra e por que são coerentes. De sandálias havaianas entra nas casas tirando-as como é o hábito nas residências dos pobres. Um gesto que na sua simplicidade indica respeito, dignidade, acolhida. Como ele tantas pessoas fazem história de forma anônima, mas real. Semeiam verdade, amor, sabedoria, partilha, dignidade, respeito. Sem estas pessoas o mundo seria um caos. São elas que movidas pelo Espírito, o mesmo que pairava sobre o caos primordial, possibilitam a ordem e a vida.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
Diante dele estamos diante de um seguidor de Jesus, que não é perfeito, pois os perfeitos bastam-se a si mesmos e quando servem humilham. Continua com espírito jovem, sonhador, empreendedor, cheio de sonhos. É daqueles que incomodam, porque são coerentes”
Política
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Três suplentes estreiam mandato na CMM em 2015
ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM
Ceará do Santa Etelvina, Doutor Ewerton e Pastora Luciana têm em comum histórias de lideranças em suas comunidades
BENEFÍCIOS
Líder comunitário, médico e pastora evangélica, os três irão receber salário mensal de R$ 15 mil e benefícios para seus respectivos gabinetes, como a Ceap de R$ 14 mil e verba de gabinete, de R$ 60 mil tende abandonar as origens e que deve aliar as atividades no parlamento ao trabalho corpo a corpo, junto à população. Apesar de ocupar um mandato pela primeira vez, Ceará do Santa Etelvina participou de quatro processos eleitorais. O primeiro em 2008, quando disputou uma vaga na CMM, e saiu com 1.562 votos; 2010, quando tentou uma cadeira na Aleam e terminou com aproximadamente cinco mil votos; 2012, quando conseguiu a atual suplência e, neste pleito, onde mais uma vez concorreu a uma das 24 vagas da Aleam. Neste processo, Ceará do Santa Etelvina angariou 6.597 votos.
Ainda de acordo com o futuro vereador, dependendo de como for seu desempenho no Legislativo municipal, existe a possibilidade de tentar a reeleição para o cargo. “Vou trabalhar, fazer o meu melhor, e se achar que realmente vale a pena, posso pensar em uma reeleição”, ponderou. Luciana Alves da Silva, ou pastora Luciana, como é conhecida, é ex-moradora de rua e promete manter o mandato voltado ao resgate dos considerados grupos de risco. Ela é a segunda suplente da coligação formada entre PP/PSD/ PCdoB e ainda nas eleições deste ano concorreu ao cargo de deputada estadual. No lugar do então presidente da CMM, vereador Bosco Saraiva, entrará o médico Ewerton Wanderley. Casado e pai de dois filhos, o tucano já conhece o parlamento, do qual fez parte entre março e novembro do ano passado, quando assumiu a vaga do titular, Plínio Valério (PSDB) que, por sua vez, havia assumido a suplência do deputado federal Pauderney Avelino (DEM), que estava licenciado à época ocupando o cargo de secretário municipal de Educação. Nesta curta experiência no Legislativo, Doutor Ewerton chegou a apresentar projetos de lei voltados para a captação de energia solar, mobilidade urbana e defesa dos animais. “Como médico, sempre estou em órgãos públicos com grande circulação de pessoas; dessa experiência, sentia vontade de fazer mais e ajudar mais. Sei que escolhi uma boa casa para isso. Meu partido me dá grandes exemplos de homens públicos, como o prefeito da cidade Arthur Neto, e sei que, como ele, vou poder fazer a diferença na vida das pessoas”, finalizou.
Médico Ewerton Wanderley é o único entre os três que já teve experiência no Legislativo municipal REPRODUÇÃO/FACEBOOK
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Câmara Municipal de Manaus (CMM) contará com a presença de três vereadores novatos a partir de 1º de janeiro de 2015, que prometem endossar a voz das comunidades carentes dentro do parlamento. Ceará do Santa Etelvina (DEM), Pastora Luciana (PP) e Doutor Ewerton Wanderley (PSDB), que substituirão Carlos Alberto (PRB), Doutor Gomes (PSD) e Bosco Saraiva (PSDB), respectivamente, eleitos deputados estaduais nestas últimas eleições. Com a ascensão destes três vereadores à Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), eles abrem espaço para os suplentes, que têm o papel de substituir os titulares em caso de vacância do cargo (por morte, renúncia, impedimento, concessão de licença saúde, concessão de licença por interesse próprio). Serão 2 anos de mandato para estes suplentes, que irão se tornar titulares e donos em definitivo destas cadeiras. Médico e natural do Pará, Doutor Ewerton Campos Wanderley obteve 5.665 votos (0,60%) nas eleições municipais de 2012, ficando na suplência do PSDB; Pastora Luciana (PP), suplente da coligação Melhor para Manaus I, obteve 5.654 votos (0,60%) e Ceará do Santa Etelvina (DEM) que ficou como suplente na coligação Renova Manaus, recebeu naquele pleito 2.611 votos (0,28%). O suplente do vereador Pastor Carlos Alberto, o líder comunitário Ceará do Santa Etelvina, que é casado e pai de oito filhos, chega à vida política com o objetivo de dar continuidade ao trabalho iniciado jun-
to aos núcleos comunitários. Areas de saneamento básico, educação, saúde e mobilidade urbana devem ser os focos do estreante na Câmara. “Meu sonho é e sempre foi ver as áreas mais pobres de Manaus oferecendo o mínimo de dignidade para seus moradores. Comecei a lutar por essa causa dentro da comunidade em que moro e agora terei a oportunidade de estender para o restante da cidade. Nunca tive pretensões políticas, mas com a influência de um amigo, pude perceber que ela é o meio para que as coisas aconteçam”, declarou. Ceará ressaltou que não pre-
Ex-moradora de rua, pastora Luciana quer focar seu mandato no resgate de grupos de risco DIVULGAÇÃO
JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
TIAGO CORRÊA/DIRCOM/CMM
Câmara Municipal de Manaus será o ambiente de trabalho dos três suplentes nos próximos 2 anos de mandato. Eles vão integrar o grupo de 41 vereadores que representam o povo de Manaus
Ceará do Santa Etelvina promete estender suas bandeiras de lutas para toda a cidade de Manaus
Política
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Marqueteiro aposta em campanha humanizada
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
O governo começa com a herança maldita que ele mesmo criou” SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF), criticando os desacertos do governo Dilma
Lobista do PMDB se ofereceu para depor 3 vezes Citado como o lobista do PMDB junto à maracutaia da Petrobras, Fernando Soares, o “Fernando Baiano”, já se ofereceu três vezes, por meio dos advogados, para prestar depoimento à Justiça Federal no âmbito da operação Lava Jato. Ainda não obteve resposta. Ansioso, considera fechar acordo de delação premiada para contar tudo o que sabe. Se fizer isso mesmo, pode comprometer toda a cúpula do PMDB. Bem longe Pelo sim, pelo não, “Fernando Baiano” está no exterior, bem distante de uma eventual operação Lava Jato II. Dias atrás foi visto em Miami. Delação O megadoleiro Alberto Youssef, que fazia o “varejo” do esquema de corrupção e pagamento de propinas, implicou “Fernando Baiano”. Esclarecimentos O lobista do PMDB disse a amigos não fazer ideia do que é acusado, por isso procurou a Justiça para “prestar esclarecimentos”. Belos ‘parceiros’ Investiga-se a “parceria” de Fernando Baiano com Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras na época da negociata da refinaria de Pasadena. Processo de Maluf dormita no TSE há um mês O processo contra Paulo Maluf parou no Tribunal Superior Eleitoral desde 2 de outubro, quando foi liberado para ir a plenário pela relatora, ministra Luciana Lóssio. O TSE barrou a candidatura de Maluf a deputado federal com base na Lei da Ficha Limpa. A pauta do TSE está bem
enxuta, mas o presidente, ministro DiasToffoli, que define o que vai ou não a julgamento, mantém o recurso longe da apreciação. Pela praxe, registros de candidatura devem ter prioridade máxima. Vapt-vupt Na quinta (6), a sessão ordinária do TSE, onde pendências devem ser apreciadas, foi encerrada em menos de uma hora. Reversão possível Com a demora, Maluf e seus advogados podem trabalhar para reverter algum voto contrário. A votação contra ele foi apertada: 4x3. Na mira da Interpol Paulo Maluf não pode sair do país para não ser preso pela Interpol, que está à espreita. A França irá julgá-lo por lavagem de dinheiro. Bem me quer, mal me quer Lula prefere o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, mas a “nova” Dilma só aceita na Fazenda quem tem tímpano complacente, como Guido Mantega, que além de ouvir seus gritos sem reclamar, ainda se sujeita a “chás de cadeira” que chegam a quatro horas. Mais do que nunca Líder da oposição, Domingos Sávio (MG) defende o compartilhamento das delações premiadas da Lava Jato com a CPMI da Petrobras, “até para dissipar a ideia de conluio para livrar quem quer que seja”. ‘Prost!’ O parlamento alemão aprovou a prorrogação por cinco anos do acordo nuclear Brasil-Alemanha, sob protesto do Partido Verde. Assinado na
Jornalista
Responsável pelo marketing político do senador eleito Omar Aziz, Jefferson Coronel fala da trajetória da eleição DIEGO JANATÃ
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ditadura, o acordo garante mais R$ 3 bilhões para a encrencada usina Angra II. A Alemanha está fechando suas usinas nucleares. Fumo de rolo Dilma recebeu na sexta (7) o presidente do Uruguai. Parece que José Mujica tentou em vão calçar nela suas sandálias da humildade. Ele, que de bobo não tem nada, quer vender o excedente de gás ao Brasil. Apenas barbeiragem? Tucanos criticam os erros do deputado Carlos Sampaio (SP), que teria agido sozinho ao pedir ao TSE a auditoria do resultado das eleições e ao fazer acordo com o PT para matar a CPMI da Petrobras. Fora do padrão Habituados ao temperamento difícil de Dilma, parlamentares e governadores do PT ficaram surpresos com o aparente bom humor delana confraternização (inédita, em quatro anos) na última quinta (6). Fraude no Pronaf O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) tentará aprovar na Comissão de Agricultura a convocação do ministro Guido Mantega (Fazenda) para explicar desvios no Programa de Agricultura Familiar (Pronaf). ‘Tamos’ aí O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) topa disputar a presidência do Senado, após Renan Calheiros (AL) negar interesse em novo mandato. Há pelo menos outros cinco candidatos ao cargo, só no PMDB. Pensando bem... ...se Renan Calheiros não fosse mesmo candidato a novo mandato de dois anos na presidência do Senado, ele jamais diria isso.
PODER SEM PUDOR
A mão da História A mão trêmula de José Sarney, nas imagens do seu voto em Aécio Neves (PSDB), no 2º turno das eleições presidenciais de 2014, lembra outro momento histórico: sua posse na Presidência da República, em 1985. Sarney estava devastado com a morte de Tancredo Neves e assustado com a “herança”. Percebendo seu nervosismo instantes do juramento (que faria com a mesma mão trêmula, estendida), o então presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, sob testemunho do fiel escudeiro Heráclito Fortes, deu uma força: - Vamos lá, Sarney, isto é como a primeira vez em que uma donzela faz sexo: dói, mas é bom... As gargalhadas o fizeram relaxar, e Sarney prestou o juramento e entrou para a História.
Experiente, Jefferson Coronel foi um dos responsáveis pela eleição vitoriosa de Omar Aziz (PSD) VALÉRIA COSTA Equipe EM TEMPO
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campanha política das eleições 2014 no Amazonas não produziu apenas os vitoriosos nas urnas, mas sobretudo um conceito de marketing eleitoral que gira em torno das características do próprio candidato. Foi isso que o marqueteiro Jefferson Coronel e sua equipe da JCoronel Comunicação e Marketing aplicou na candidatura do ex-governador Omar Aziz (PSD) ao Senado. Eleito senador com quase um milhão de votos, o equivalente a 58,5% da totalidade das urnas apuradas, a campanha de Omar é tratada como um “case” pelo marqueteiro. Segundo Coronel, não foi sua expertise que construiu a candidatura do ex-governador, mas sim o próprio Omar, com suas características e experiência de vida. “Eu não construo campanha. Junto as peças de um quebra-cabeça e formulo uma proposta de marketing, de comunicação, a partir da história do candidato. Não fizemos nada diferente do que é a personalidade do Omar”, explicou o marqueteiro. Segundo ele, a trajetória da campanha do senador eleito foi toda baseada numa linha editorial que priorizava o lado mais humano do candidato, da sua experiência positiva como gestor e o contato direto com a população. “A ideia foi fazer uma campanha com cara de gente. Do Omar se relacionando com as pessoas, interagindo, conversando. Mostrar uma pessoa que havia promovido uma grande mudança de atitude do governo, o qual se
voltou mais para a prestação de serviço do que somente para a construção de obras ou produção de números”, disse. Coronel acrescentou que o próprio candidato participou da construção de seu programa eleitoral e do marketing político de sua campanha. Ele acrescenta ainda que a mulher de Omar, Nejmi Aziz, teve papel fundamental nessa vitória e arrisca dizer que, mesmo ela não tendo mandato político, é o ser político mais carismático desse Estado. O empresário frisou que o
A ideia foi fazer uma campanha com cara de gente. Do Omar se relacionando com as pessoas, interagindo, conversando Jefferson Coronel, empresário
marketing adotado por ele ao seu cliente não foi a criação de uma imagem falsa e sim potencializar no vídeo as características do candidato. E ele cita como um desastre de carreira política o marketing aplicado ao então candidato à presidente da República nas eleições presidenciais de 1989, Fernando Collor de Mello (PTB). “O marketing do Collor destruiu sua carreira política porque criaram um fantoche que, quando chegou ao governo, não funcionou. Muito embora ele seja hoje um senador, Fer-
nando Collor é um homem de um semblante pesado. E, naquela época, ele era um político de futuro”, analisou Coronel. Na sua avaliação, a meteórica ascensão do ex-presidente Collor vista por marqueteiros como um grande “case” nada foi senão uma aula de como destruir uma carreira política. UFC eleitoral Com 24 anos atuando no marketing político, com 13 campanhas eleitorais no currículo e oito vezes secretário de Comunicação seja do Estado ou da Prefeitura de Manaus, o gaúcho de nascimento, mas amazonense de coração, Jefferson Coronel, avalia que nestas eleições 2014 o que se viu foi um verdadeiro “UFC eleitoral”. “Está valendo tudo em campanha, infelizmente. As pessoas estão perdendo o limite daquilo que pode ser levado para o vídeo e daquilo que pode ser explorado durante uma campanha eleitoral. Virou um vale-tudo. Um UFC eleitoral”, analisou. Mas ele fez questão de frisar que essa tática da “pancadaria” não foi característica da campanha de seu cliente. “Os programas eleitorais do Omar foram todos positivos. A única fugidinha que nós demos foi um direito de resposta que ganhamos na Justiça Eleitoral”, acrescentou. Segundo ele, a “pancadaria degradante” que houve em muitas candidaturas, não só do Amazonas, mas em nível de Brasil, atribui-se muito ao estilo do PT, não da presidente Dilma Rousseff. “A frase de Lula: ‘vocês não sabem do que somos capazes de fazer para ganhar a eleição’ balizou um pouco o marketing eleitoral”, afirmou.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
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Ricardo BERZOINI
‘A Região NORTE É uma das PRIORIDADES do governo FEDERAL’
FOTOS: THAMYRES FERREIRA/SRI/PR
VALÉRIA COSTA Equipe EM TEMPO
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No Amazonas, por exemplo, há mais de mil empreendimentos do PAC 2, dos quais 170 já foram concluídos. Só em Manaus são 242 empreendimentos. Há um diálogo permanente com os prefeitos e governadores da região, que já resultou em várias parcerias”
inistro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do governo da presidente Dilma Rousseff, o petista Ricardo Berzoini é um dos quadros mais influentes do Partido dos Trabalhadores (PT). Com um extenso currículo de serviços prestados à legenda – ele já foi presidente do partido por duas vezes – Berzoini desponta, hoje, como um dos cotados para assumir o Ministério das Comunicações e levar a cabo o projeto de regulação da mídia, matéria que tem causado tanta polêmica neste período pós-eleição, em que os ânimos ainda estão extremamente exaltados. Entrevistado pelo EM TEMPO numa conversa por e-mail, o ministro das Relações Institucionais defende o governo Dilma das acusações do prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), de que não estaria recebendo verbas federais para o município. Segundo ele, a gestão petista tem uma postura “completamente republicana” na distribuição dos recursos. Questionado sobre os projetos do governo federal para o Amazonas, ele afirma que a Região Norte é uma das prioridades. EM TEMPO – Na qualidade de ministro das Relações Institucionais, como o senhor vem trabalhando as demandas do Amazonas e da cidade de Manaus junto ao governo federal? Ricardo Berzoini - A Região Norte é uma das prioridades do governo federal desde o primeiro governo Lula, devido aos enormes gargalos acumulados durante anos dos governos passados. No Amazonas, por exemplo, há mais de mil empreendimentos do PAC 2 - dos quais 170 já foram concluídos. Só em Manaus são 242 empreendimentos. Há um diálogo permanente com os prefeitos e governadores da região, que já resultou em várias parcerias. EM TEMPO - O prefeito de Manaus, Arthur Neto, do PSDB, tem afirmado ter tido muita dificuldade, desde que assumiu a prefeitura, de conseguir recursos federais para cá
ou mesmo diálogo com a presidente Dilma. Como o senhor explica isso? RB - Isso não é verdade. Nosso governo tem uma postura completamente republicana na distribuição de recursos. A administração da presidente Dilma já repassou quase R$ 5 bilhões a Manaus desde 2011 - só neste ano já houve um repasse de mais de R$ 1 bilhão. Basta consultar o Portal da Transparência na internet. O que é preciso deixar claro é que o governo não pode passar um cheque em branco para os governantes - é preciso que haja projetos prontos para que, aí, sim, o governo federal entre com os recursos. Milhares de prefeitos em todo o país, de diversos partidos, são contemplados com recursos federais, contanto que apresentem bons projetos. Os investimentos da Copa do Mundo são um exemplo disso. EM TEMPO - O senhor poderia, então, enumerar recursos e articulações tratadas no âmbito de seu ministério para a nossa região? RB - Só em Manaus, mais de dez mil estudantes se matricularam no Pronatec para obter ensino técnico gratuito e de qualidade. Educação é uma prioridade. Já são mais de 23 mil manauenses beneficiados pelo ProUni e outros 21 mil atendidos pelo Fies. O Ciência Sem Fronteiras já concedeu bolsas a mais de 600 estudantes na capital do Amazonas. Além disso, entre 2010 e 2013, os repasses para a saúde cresceram quase 50%, saltando de R$ 113 milhões para R$ 166 milhões. Há ainda 101 médicos do programa Mais Médicos no município. Mais de 1,5 mil ligações de energia elétrica foram feitas em Manaus pelo programa Luz para Todos desde 2011. Na cidade também temos 129 mil famílias atendidas pelo Bolsa Família - um acréscimo de quase 15 mil famílias desde o início do governo Dilma. EM TEMPO - Uma grande “grita” entre prefeitos de todo o Brasil, inclusive do Amazonas, é sobre os recursos do FPM. Tramita no Congresso projeto que reajusta o percentual deste repasse. O Planalto vai
apoiar este projeto? RB - Um acordo entre o nosso governo e uma maioria no Congresso pode possibilitar às prefeituras de todo o Brasil um incremento de R$ 3,8 bilhões em repasses diretos entre 2015 e 2016. Se aprovado, isso será obtido com o reajuste do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que será feito em 2 anos: 0,5 ponto no primeiro e 0,5 ponto no segundo. Com isso, o repasse total aos municípios, hoje de 23,5%, passará a 24,5%. (Na semana passada, num acordo entre líderes e governo, a Câmara Federal aprovou em primeiro turno este projeto). EM TEMPO - Desde que o ex-presidente Lula foi eleito, em 2002, o Amazonas sempre tem sido generoso com votos para o projeto do PT. E este ano não foi diferente. Como o Amazonas está nos planos de governo da presidente Dilma? RB - Nossa prioridade é combater a desigualdade social e desenvolver a economia por meio da geração de emprego, investindo em educação e saúde, como vem sendo feito desde 2003, quando o ex-presidente Lula iniciou no Brasil um novo modelo de desenvolvimento que traz como foco principal a expansão social dos que sempre foram excluídos, uma verdadeira mudança de paradigma. Hoje, há mais de 554 mil vagas formais de emprego na cidade - um recorde absoluto que representa uma alta de 112% em relação a janeiro de 2003, no fim do governo FHC. Recentemente, comemoramos a aprovação da PEC que renova a Zona Franca de Manaus por mais 50 anos, bem como os benefícios concedidos para as companhias instaladas na região. O fim deles estava previsto para 2023, mas agora serão prorrogados até 2073. Ao mesmo tempo, aprovamos a prorrogação aos incentivos da Lei de Informática por mais dez anos. A indústria de informática terá redução de 80% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até 2024; de 75% até 2026, e de 70% até 2029. Isso vai gerar empregos e continuar a desenvolver a economia de toda a Região Norte.
EM TEMPO - Nos bastidores, o senhor é cotado para assumir o Ministério das Comunicações. O senhor confirma? Tem interesse em dirigir esta pasta? RB - Eu estou à disposição da presidente Dilma e do meu partido para qualquer missão no governo. Não há nada de concreto. Por enquanto é tudo especulação. EM TEMPO - Com a reeleição da presidente Dilma e os recentes acontecimentos envolvendo sua candidatura e a imprensa, veio à tona pelo governo levar a cabo o projeto de regulação da mídia. O senhor é a favor dessa iniciativa? Por quê? RB -Sou favorável à regulamentação para o cumprimento do que está na Constituição. É importante acabar de vez com essa discussão de que querem controlar conteúdo, fazer censura, porque a nossa proposta é exatamente o contrário disso: não haverá lei que possa limitar a liberdade de expressão, de comunicação. É isso que nós defendemos. O que nós estamos querendo discutir é o papel econômico da Comunicação e o amplo direito de defesa da sociedade, da mesma forma que já foi feito em países como Portugal e Inglaterra. EM TEMPO - Nesta eleição, ficou mais evidente a polarização entre PT e PSDB. Qual a estratégia do PT para se reinventar na política partidária e dar um novo ar ao segundo mandato de Dilma? RB - O PT seguirá lutando para implementar o projeto de desenvolvimento com inclusão iniciado há 12 anos, mas sempre com a certeza de que ainda temos muito a fazer, sabendo que estamos longe daquilo que consideramos ideal. Queremos um segundo governo da presidente Dilma pautado pelo diálogo com todos os setores da sociedade. Há tempos eu não via uma juventude tão ávida por política de qualidade, por participação e isso é um excelente sinal - acho que o caminho para um governo de sucesso passa por ouvirmos muito e praticarmos aquilo que foi pactuado com a sociedade nas urnas. Tenho certeza que ao final de 4 anos teremos sucesso.
Nossa prioridade é combater a desigualdade social e desenvolver a economia por meio da geração de emprego, investindo em educação e saúde, como vem sendo feito desde 2003”
É importante acabar de vez com essa discussão de que querem controlar conteúdo (...). Nossa proposta é exatamente o contrário: não haverá lei que possa limitar a liberdade de expressão”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
PSDB ensaia apresentar relatório paralelo de CPMI Conclusão oficial da comissão parlamentar será elaborado pelo relator, deputado Marco Maia (PT), para votação em dezembro
O
PSDB poderá apresentar um relatório paralelo ao final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, em dezembro. A informação foi dada pelo deputado Izalci (PSDB-DF), que é vice-líder do partido. “Já sabemos que houve cartel, superfaturamentos, vários aditivos maiores do que os contratos originais, notas emitidas por empresas fantasmas e desvios”, disse Izalci. Ele afirmou que ainda falta saber, no entanto, para onde foi o dinheiro e quais autoridades foram beneficiadas. A CPMI quer identificar os beneficiários do dinheiro desviado da Petrobras por meio do acesso à delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Esse acesso dependerá da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que aguarda manifestação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na tentativa de identificar os beneficiários mesmo sem o acesso à delação premiada, o deputado Izalci apresentou
DIVULGAÇÃO
requerimento, neste mês, para convocar o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda. O deputado argumenta que houve vários saques na boca do caixa que poderiam ser identificados, caso a regra do Coaf de registro de saques acima de R$ 10 mil esteja sendo cumprida. Nova CPMI A CPMI da Petrobras já dispõe de assinaturas (de 27 senadores e 171 deputados) para prorrogar seus trabalhos de 23 deste mês até 22 de dezembro. Além disso, os líderes do PSDB, do DEM, do PPS e do Solidariedade (SDD) anunciaram a coleta de assinaturas para a criação de uma nova CPMI da Petrobras, logo no início da próxima legislatura, em 2015. Esses partidos divulgaram nota para esclarecer que não fizeram acordo para proteger políticos na CPMI. Em nota oficial, o PSDB afirma defender “a responsabilização de todos que cometeram eventuais crimes, independentemente da filiação partidária”. O relator da CPMI, deputado Marco Maia (PT-RS), anunciou
nesta semana um acordo dos parlamentares para focar o período restante de trabalho nas irregularidades da Petrobras relacionadas ao esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas investigado na operação Lava Jato, da Polícia Federal. Diante do acordo, os depoimentos de políticos, tesoureiros e dirigentes partidários que possam estar citados nas delações premiadas de Costa e Youssef foram descartados. “Foi um acordo político feito por todos os presentes, de todos os partidos. Resolveu-se, em função da falta de densidade das denúncias que foram feitas, não produzir nenhum tipo de convocação de oitiva [de políticos] neste momento”, disse Marco Maia. Prorrogação Enquanto a CPI mista quer prorrogar o prazo das investigações, a comissão de inquérito que acontece somente no Senado conseguiu, na última sexta-feira, prorrogar os trabalhos da CPI da Petrobras para até 22 de dezembro. A manobra foi dos integrantes do PMDB que integram a comissão como forma de pressionar o Palácio do Planalto.
Deputado do PSDB disse que seu partido vai apresentar relatório paralelo da CPMI da Petrobras
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
GASODUTO
A REVOLUÇÃO QUE NÃO ACONTECEU
GASOD UTO COARIMANAU S
Junho de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Coari para fazer simbolicamente a primeira solda do gasoduto Urucu-Manaus, simbolizando o início das obras MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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largada para que o gasoduto CoariManaus rasgasse a Floresta Amazônica e atravessasse rios em direção à capital foi dada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 2 de junho de 2006. Com um sorriso que ia de ponta a ponta da orelha e ao lado do também feliz governador da época, Eduardo Braga (PMDB), o presidente deu o pingo de solda simbólico na obra. O gesto, aplaudido por políticos, empresários e operários que foram a Coari para o dia simbólico, marcava o início das obras. Apesar de ser apenas um pingo de solda, o presidente fez um desabafo como se a obra já estivesse sendo inaugurada. Disse que não foi fácil chegar até ali. Isto porque rolou muita discussão e demora no licenciamento ambiental para a realização do gasoduto. Por isso o trabalho só pôde ser iniciado naquele junho de 2006, com a expectativa de que ficaria pronto em 2008, isto é, no prazo de 21 meses. Sendo assim, o gasoduto já começava atrasado. — Não pensem que foi fácil. Foram mais de dois anos entre planejar essa obra e executá-la. Foram brigas e mais brigas, na Justiça Estadual, na Justiça Federal, no Ibama, no Ministério Público Federal, uma confusão. Depois teve briga com as empresas para que baixassem os preços.
Ao jogar na cara daqueles que “não acreditam e torciam contra o gasoduto ”, o presidente exagerou, chamando o gás de Coari de “a segunda revolução industrial que o Estado do Amazonas vive”. - A primeira foi a Zona Franca – disse, empolgado, Lula. Após o pingo de solda presidencial, começava a mais fantástica aventura na selva. A “segunda revolução industrial”, como chamou Lula. Com aproximadamente 520 quilômetros de extensão (incluindo ramais), o gasoduto Coari–Manaus começou a avançar vencendo todas as intempéries da hostil Floresta Amazônica. Como uma serpente se arrastando no capinzal, atravessou os municípios de Coari, Codajás, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, até “boiar” em Manaus. Adicionado ao trecho já existente do Urucu, o gasoduto atingiria uma extensão total de 667 quilômetros. Para se ter ideia da saga na floresta, a Petrobras também implantou medidas adicionais para preservação dos rios e igarapés da região. Nos 661 quilômetros de extensão da linha tronco do gasoduto, foram realizados 19 furos direcionais, obras especiais onde o gasoduto é enterrado abaixo do leito do rio. O mais longo e profundo foi o do rio Solimões. Foram 1.841, 72 metros de extensão, sob 102 metros de profundidade. A operação do gasoduto foi feita pela Transpetro que, por conta das condições específicas da Amazônia, treinou uma equipe de operadores
durante dois anos para assumir o trabalho. Assim como os demais gasodutos sob a responsabilidade operacional da Transpetro, o UrucuCoari-Manaus também foi operado de forma remota e automatizada por meio do Centro Nacional de Controle Operacional (CNCO), com sede no Rio de Janeiro. Mas, enquanto homens e máquinas enterravam tubos na solo da floresta e no leito dos rios, os políticos vendiam na mídia o passo a passo daquela incrível revolução na matriz energética do Amazonas. O governo federal e AVENTURA NA FLORESTA
Enquanto homens e máquinas enterravam tubos na solo da floresta e no leito dos rios, o governo vendia, na mídia, as maravilhas daquela incrível revolução na “matriz energética do Amazonas” o governo do Estado garantiam que o gás que estava sendo trazido pelo gasoduto das reservas da Petrobras em Urucu, no meio da selva amazônica, priorizaria o abastecimento das sete usinas termelétricas instaladas no entorno de Manaus. Isso tudo a um custo de R$ 4,58 bilhões - ante um orçamento inicial de R$ 1,2 bilhão. Diziam também que, com a substituição do diesel nas sete termoelétricas que geram energia para Manaus, o preço da conta de luz ia cair,
beneficiando a população, a indústria e o comércio. Mas isso não aconteceu. O gás chegou sim, mas parcialmente, a algumas termoelétricas. Outras continuam utilizando o Diesel. E o amazonense continua pagando uma das mais caras contas de energia do país. Uma outra maravilha do gasoduto garantiria que, com a chegada da primeira carga de Gás Natural Veicular (GNV) da estação petrolífera de Urucu, os taxistas que aderissem à “ cultura do gás” seriam beneficiados, economicamente, além de adotar um combustível mais barato e limpo. Mas, quando o gás chegou a Manaus, pela primeira vez, apenas 246 taxistas se inscreveram no Projeto Experimental de Gás Natural Veicular, da Zona Franca Verde, a menina dos olhos do governador Eduardo Braga. Eles passaram a abastecer seus veículos com o gás que seria trazido de 15 em 15 dias, do Urucu, em Coari. Cinco anos depois, existem apenas três postos de abastecimento a gás. O gás de Coari também era cantado em verso e prosa como a “segunda maior reserva de gás natural do país” e o gasoduto Coari-Manaus teria capacidade inicial para transportar 4,1 milhões de metros cúbicos/dia. “Com a instalação de duas estações de compressão intermediárias entre Urucu e Coari, será alcançado 5,5 milhões, a capacidade total contratada, em setembro de 2010–11”, antecipava a Petrobras. Isso também não aconteceu.
Eduardo culpa governos passados pelo fato do gás não ter entrado na vida dos amazonenses
Para Braga faltou ‘vontade política’ ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
Trazido para o Estado na gestão do ex-governador Eduardo Braga (PMDB), o gás natural, segundo o senador, não teve grandes avanços nos últimos anos. Durante entrevista ao grupo EM TEMPO ainda quando era candidato ao governo do Amazonas, o peemdebista destacou que fez implantações no setor, mas que os investimentos não foram levados em frente. Questionado durante entrevista ao programa Agora, da TV EM TEMPO, porque a “revolução à matriz energética do Amazonas” não aconteceu, o senador contra-atacou dizendo que não houve vontade política. “O gás chegou a Manaus e pertencente a uma empresa do Estado, a Cigás, mas ainda assim o governo abandonou esse projeto que iniciei e não colocou o gás veicular para os
taxistas”, destacou Braga. Outro investimento levantado pelo senador foi que, durante o seu governo, conseguiu junto ao governo federal mudar a matriz energética do Estado onde gerou energia a base do gás com uma usina de 600 megawatts, mas que agora está parada devido à falta de diálogo entre o governo do Amazonas e o setor federal. “A construção desta obra está completamente parada e não vemos uma voz, seja no Executivo ou em outra esfera se manifestar sobre a questão”, indagou o senador. Ao deixar o governo, Eduardo Braga ressaltou que implementou o gasoduto em Manaus, inaugurou transformadores e distribuiu geradores para os produtores independentes, além de fazer a distribuição nos ramais onde precisavam instalar novos postos para passar o gás.
FOTOS: DIVULGAÇÃO/PETROBRAS
A Petrobras rasgou florestas, venceu rios, investiu em homens, máquinas e gastou 2,4 bilhões para fazer o gasoduto chegar a Manaus. Mas até hoje o gás não entrou na vida do amazonense
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“O gasoduto só vai ter sentido se vocês usufruírem” O presidente Lula parece que estava profetizando o que aconteceria no futuro. O amazonense ainda não usufruiu da “nova matriz energética”
Lula com os trabalhadores do gasoduto: “O país vivia um crescente desenvolvimento, por consequência, o Amazonas, com o gás, em uma nova fase”, disse o presidente
Para entender os custos O relatório do comitê de representantes da Eletrobras, Petrobras, Manaus Energia e Cigás, traça, passo a passo, o que elevou os custos do gasoduto Coari–Manaus. Entenda o caso:
GASODUTO
US COARI-MANA
MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
O
primeiro compromisso que não foi honrado no sonho do gasoduto Coari-Manaus foi quanto à data de inauguração. De acordo com o discurso de 2006 do presidente Lula, a expectativa era de que a obra ficaria pronta em 2008. Mas, depois de tantas batalha, a cerimônia de inauguração do gasoduto Urucu-CoariManaus só viria a acontecer no dia 26 de novembro de 2009, com a presença do presidente Lula e da então ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O palco da solenidade foi a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), da Petrobras, a primeira unidade a receber o gás natural. O segundo grande erro foi quanto ao valor do gasoduto. Inicialmente, ele deveria custar R$ 1,2 bilhão, passou para 2,4 bilhões e chegou
a Manaus sangrando em R$ 4,58 bilhões os cofres públicos. Uma diferença de 84%, de acordo com de um relatório do comitê de representantes da Eletrobras, Petrobras, Manaus Energia e Cigás (Companhia de Gás
DÍVIDA SOCIAL
Ao lado do presidente Lula e da sua futura sucessora, Eduardo Braga garantiu que o gasoduto representava o “resgate de uma dívida social que o governo brasileiro tinha com o Amazonas” do Amazonas), encarregado de avaliar o custo do transporte do gás natural, publicado pelo jornal “Folha de S. Paulo”. Na festa de inauguração, os discursos eram os mais otimistas. A previsão era de
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Para administrar os 660 quilômetros de extensão, a Petrobras criou uma empresa de propósito específico chamada Transportadora Urucu-Manaus S/A, que contratou três consórcios de empreiteiras para executar o serviço. As contratações foram por sistema de convite, em que a estatal escolhe as empresas que apresentam propostas.
que a Reman dava a largada com um consumo de 77 mil metros cúbicos por dia. Mas a partir de janeiro de 2010, alcançará 253 mil. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, como um dos “pais” do projeto, lambia a cria: — Tivemos muitos desafios para construir essa obra. Principalmente os primeiros operários que no meio da floresta fizeram as buscas iniciais pelo gás. Durante os trabalhos mantivemos uma relação de respeito com a natureza. Urucu é um orgulho para a Petrobras. É um orgulho para o Amazonas – discursou Gabtrielli, explicando que o gasoduto terminou com 661 quilômetros de extensão na linha tronco, que liga Urucu a Manaus, e sete ramais para atendimento às cidades de Coari, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, com 140 quilômetros de extensão.
de 2009.
Segundo o relatório obtido pela Folha, o custo total do projeto, em 2006, era de R$ 2.487 bilhões, dos quais R$ 1.438 bilhão referia-se aos contratos com as empreiteiras. Com os aditivos autorizados pela Petrobras, o valor dos contratos com as empreiteiras já somava R$ 2.240 bilhões em março
O primeiro trecho do gasoduto, de 279 quilômetros, foi entregue ao consórcio da Gasam, formado por OAS e Etesco. O contrato foi assinado no valor de R$ 342.590 milhões, em julho de 2006. Ele sofreu um aditivo de aumento de preço em setembro de 2007, de R$ 49,4 milhões, e dois no ano passado: de R$ 31.970 milhões, em junho, e de R$ 159.520 milhões, em dezembro. Assim, o valor subiu para R$ 583.480 milhões. O segundo trecho, de 196 quilômetros, foi entregue ao consórcio formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia. Este foi considerado o trajeto mais complicado da obra, com áreas alagadas. O valor inicial do contrato, assinado em julho de 2006, era de R$ 666.780 milhões. Em 2007, a Petrobras fez um aditivo no valor de R$ 563.480 milhões (84,5% de aumento), para compensar custos não previstos, como o gasto de R$ 85 milhões com helicópteros e a paralisação dos trabalhos por causa de chuvas.
O terceiro trecho, de 186 quilômetros, entre Anamã e Manaus, foi o único que não teve aumento de preço. O contrato com o consórcio Gasoduto Amazonas (Camargo Corrêa e Skanska Brazil) foi assinado em julho de 2007, com preço de R$ 428 milhões. Segundo o relatório, pelas medições realizadas naquela época, houve variação de 3,19% sobre os preços contratados. A obra também acumulou mais de um ano de atraso. Em junho de 2006, o prazo para conclusão era março de 2008. Em setembro do 2008, a Petrobras anunciou que o gasoduto entraria em operação em setembro de 2009.
Resgate de uma dívida O governador Eduardo Braga, ao lado do presidente e da sua futura sucessora, garantiu que o gasoduto representava o “resgate de uma dívida social que o governo brasileiro tinha com o Amazonas”. — Muitos prometeram e não cumpriram. Foi preciso o senhor (Lula) assumir este país para tornar realidade o sonho desse Estado. Isso é valorizar a floresta. Isso é valorizar o homem desta terra. Hoje foi fundamentada uma nova pedra para as futuras gerações do Amazonas e do Brasil – discursou o governador. O presidente Lula fechou
a cerimônia com chave de ouro, destacando a importância do gás. Para ele, aquela obra mostrava que o país vivia um crescente desenvolvimento e que, por consequência, o Amazonas, com o gás, “entrava em uma nova fase”. — Porém, o gás e o gasoduto só vão ter sentido se vocês usufruírem. Usufruir o gás significa que é acreditar que o Amazonas vai gerar mais desenvolvimento, mais riquezas e vai deixar de ser visto apenas por conta da Zona Franca. Queremos o melhor para este Estado. Essa obra começou conosco e terminou conosco. Eu vi o sacrifício com que os trabalhadores
ficavam na floresta. E vi também a responsabilidade com que a empresa fez a obra. Esse é um momento glorioso. Hoje é dia de festa. Eu trabalho com um sonho: que este país não pode ter uma parte mais rica e outra mais pobre. E essa obra faz parte desse trabalho–, arregaçou Lula. Cinco anos depois que o gasoduto chegou a Manaus, revolvendo terras e asfalto, sem cumprir quase nenhuma de sua promessas da propaganda “revolução na matriz energética”, está na hora de perguntar: “para onde foi parar a segunda revolução industrial, presidente Lula?”.
Apesar da “relação de respeito com a natureza”, as obras no meio da Floresta Amazônica acabaram atrasando o gasoduto
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Eletrônicos são a preferência para o Black Friday do Brasil Levantamento com mais de 20 mil e-consumidores no país aponta que esses produtos serão os mais procurados
P Nos EUA, o Black Friday transforma as lojas em arena de “selvagens e loucos” por descontos
esquisa realizada pelo Busca Descontos criadora do www.blackfriday.com.br - que ouviu 20.841 e-consumidores, entre agosto e outubro, aponta que os produtos eletrônicos serão os mais procurados durante o Black Friday brasileiro, que este ano acontece em 28
de novembro. A preferência dos e-consumidores segue com produtos do segmento de Informática que motivam 13% dos planos para as promoções no varejo, telefonia (12%) e eletrodomésticos (11%). Portal com foco em promoções e que conglomera cupons de descontos, o Busca Des-
contos - http://www.buscadescontos.com.br - reúne as principais ofertas dos maiores players do e-commerce nacional. O portal conta com uma base de 12 milhões de usuários cadastrados, que recebem as principais ofertas por e-mail. O canal traz ao consumidor descontos em eletrônicos, eletrodomésticos, informática, celulares, CDs e DVDs, livros, games, vestuários, perfumes, móveis, viagens, entre outras categorias. O Busca Descontos também promove uma série de datas importantes para o comércio eletrônico, as chamadas “big dates”, como Black Friday, Boxing Day, Brasil Game Day e Web Fashion Day. Por meio delas, o portal ajuda a alavancar as vendas no e-commerce brasileiro ao mesmo tempo em que traz descontos e oportunidades aos consumidores.
Peixe Urbano faz esquenta com ofertas Na expectativa do Black Friday, o Peixe Urbano, uma das maiores empresas do país de e-commerce, usa da estratégia do aquecimento para manter os e-consumidores ligados nas ofertas. A empresa traz uma nova oferta por dia durante todo o mês de novembro com descontos superiores aos já aplicados regularmente no site. O foco da campanha será em ofertas de produtos, entre eles artigos de moda, fotografia, casa & decoração e fitness, além de diversos tipos de eletrônicos e seus assessórios. “A intenção é oferecer ao usuário um aperitivo do que teremos no próprio dia 28 – uma pequena prévia dos descontos ainda maiores e mais variados que estarão disponíveis em comemoração a essa data” diz Adalberto Da Pieve, novo diretor de marketing do Peixe Urbano No site, desde a primeira edição do Black Friday em 2011, a ação cresce em termos de trafego e vendas a cada ano. Em 2013, o site observou um aumento de 38% no número de cupons vendidos por dia durante o mês de novembro comparado com o mesmo período no ano anterior. As principais buscas foram por câmeras fotográficas, revelação de fotos, HD externo, smartphones, bicicletas e acessórios para celulares e tablets. Este ano, a expectativa é de crescimento de duplos dígitos novamente, segundo Da Pieve. A previsão de grande procura pelos mesmos tipos de produto, incluindo eletrônicos e artigos de moda, casa e fitness, já que muitos usuários utilizam esta oportunidade para antecipar suas compras de Natal.
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Economia
EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO
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GERAÇÃO
Hoje, 15 termelétricas no AM trabalham com gás natural. São elas: Mauá, Aparecida, Tambaqui, Manauara, Jaraqui, Gera, e Cristiano Rocha, em Manaus, e Codajás, Caapiranga, Anamã e Anori, no interior tados. O repasse do subsídio diminuiu para o Amazonas, primeiro por conta da troca da matriz energética para o gás natural e, segundo, pela interligação de Manaus ao SIN pelo Linhão de Tucuruí, que já chegou, mas ainda não está 100% em uso”, observa o diretor da Cigás. Com a troca do óleo combustível pelo gás natural, segundo Clovis, a economia da geradora de energia alcançou valor na ordem de R$ 800 milhões (última atualização
repassada à Cigás pela Eletrobras Amazonas Energia), desde dezembro de 2010. “Isso não significa que a energia elétrica vai ficar mais barata, porque a tendência é que nós reduzamos por completo esse subsídio [o CCC] que hoje é pago pelo Brasil”, avalia. Atualmente chega a Manaus, conforme dados da Cigás, aproximadamente 3,6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, oriundos da Usina Petrolífera de Urucu, no município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus). Desse total, as termelétricas da Eletrobras Amazonas Energia são as maiores receptoras do gás que chega através dos mais de 70 quilômetros de dutos já construídos em Manaus, frutos do investimento de valor na ordem de R$ 200 milhões sobre as obras que iniciaram em 2007. Elas consomem 3,5 milhões de metros cúbicos/ dia. O diretor técnico comercial da Cigás diz que a companhia tem condições, por meio do gasoduto de Urucu, de ampliar o volume de gás natural para Manaus, contudo, depende da demanda da geradora de energia da cidade e de novos contratos com a indústria e o comércio. “Quem dita o volume é quem compra. A Amazonas Energia tem uma térmica em construção que, se entrar, agregará aproximadamente mais 2 milhões de metro cúbico/ dia, um volume extremamente interessante”, aponta.
A energia nã amazonense
A energia de Manaus é 57,5% ge de preço ocorreu no custo Brasil ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
distribuição de gás natural, que há 4 anos começou a operar em Manaus, com a promessa de baratear o custo da energia para o consumidor amazonense, até hoje diminuiu apenas o custo Brasil para o governo federal. Segundo dados da Eletrobras Amazonas Energia, 57,5% da energia distribuída na cidade é gerada pelo gás natural. No entanto, a diminuição do valor da energia não chegou ao consumidor final na conta do amazonense, de acordo com o diretor técnico comercial da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), Clovis Correa Junior, porque a cidade, que ainda hoje opera como sistema isolado do Sistema Interligado Nacional (SIN), conseguia funcionar a partir do subsídio concedido pelo governo federal chamado Conta de Compensação de Combustíveis Fósseis (CCC). O CCC é um encargo inserido nas contas de energia elétrica do consumidor brasileiro, criado para bancar a diferença de preço dos sistemas isolados que geram energia por meio do óleo combustível. “O custo desse óleo fazia com que a nossa energia custasse até cinco vezes mais caro que a energia gerada pelo SIN. Com o CCC, o Amazonas conseguia ter o megawatts mais barato que o do Nordeste”, explica Clovis.
À medida que o gás natural começou a ser distribuído para as termelétricas de Manaus, de responsabilidade da Eletrobras Amazonas Energia, em substituição ao óleo combustível, a tarifa não baixou para o consumidor porque a Medida Provisória 579, anunciada pelo governo federal no ano passado, interferiu sobre o subsídio do CCC. “Uma das medidas tinha a ver com a diminuição da cobrança do CCC nas contas dos brasileiros dos outros Es-
A Videolar, da avenida Torquato Tapajós, é uma das fábricas do PIM que funciona com gás natural
Fábricas operam com gás natural A Cigás possui hoje 48 contratos com empresas para distribuição de gás natural, entre as termelétricas, fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e comércio. O total de 32 já opera com gás natural. O PIM é o segundo maior cliente da companhia. Os atuais 51,5 mil metros cúbicos consumidos pelo setor, diariamente, são resultado dos contratos com 16 empresas. As fábricas instaladas em Manaus que funcionam com gás natural são: Ambev, Carboman, Ceras Johnson, Coca-Cola, Neotec, Procoating, Videolar, Honda via CDGN, Keihin, EMS - Novamed, Flax Fitas, Houston - Bikenorte, Metalfino, Climazon, Weber Quartizolit - Saint Gobain, e DDW. A maioria no Distrito 1, Zona Sul, onde já foram construídos 26 quilômetros de gasoduto, de novembro de 2013 a outubro de 2014.
Para 2015, segundo o diretor técnico comercial, a Cigás alcançará o total de 25 fábricas distribuídas nos Distritos 1, 2 e 3. As nove empresas com os contratos fechados que passarão a funcionar com gás natural são: Samsung, Hevi Embalagens, Yamaha, Brasjuta, Nissin Brake, Bipacel, Videolar IV, WapMetal Componentes e Showa. Somente no Distrito 2, Zona Leste, para atender os novos contratos, a companhia segue com construção de mais 22 quilômetros de gasodutos. Investimento na ordem de R$ 40 milhões, até o final de 2015. Somados os contratos do PIM, com os das termoelétricas e do comércio, a meta da Cigás, de acordo com Clovis, é chegar em 2017 com mais de 300 empresas operando com gás natural. No comércio, a Cigás atende atualmente o Shopping Ponta Negra, no bairro de
mesmo nome, Zona Oeste, e já tem contrato com a Lavanderia Lavasecpassa. Para 2016, a companhia estima novo investimento de R$ 25 milhões em obras de gasoduto em Manaus. Desta vez, com foco voltado para projeto de distribuição de gás natural para residências. Segundo Clovis, o projeto piloto começará pelo conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul. A região foi escolhida por conta do adensamento de edificações verticalizadas e shoppings que, de acordo com ele, ajudam a não impactar na tarifa. “Casa residente consome meio metro cúbico por dia, um posto (de combustível) consome 3 mil metros cúbicos/dia. Inicialmente para não afetar a tarifa, começamos pelas termelétricas, que é o maior volume, depois a indústria, depois postos e residências verticais e por último as residências horizontais”, explica.
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Oito cidades recebem o gás tros. Considerado um dos maiores empreendimentos para o transporte de gás natural do país, o gasoduto foi obra integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele viabiliza o transporte de gás natural produzido na Bacia do Solimões, interligando as unidades de produção do Polo Arara, em Urucu, à cidade de Manaus. Conforme a Petrobras, além da linha tronco do gasoduto, foram construídas duas estações de compressão (Juaruna e Coari) e nove ramais, com extensão total de 139 quilômetros para abastecimento das cidades localizadas ao longo do seu traçado. São 12
pontos de entrega por onde são realizados o controle e a medição do gás fornecido aos consumidores. Segundo a assessoria, em Manaus, os pontos de entrega são dois em Aparecida, dois em Mauá, e um na Reman. Com capacidade inicial para transportar 4,1 milhões de metros cúbicos, o gasoduto iniciou sua operação em 9 de novembro de 2009, com a primeira entrega de gás natural para a refinaria Isaac Sabá (Reman), em Manaus. Em setembro de 2010, com a entrada em operação das estações de Juaruna e Coari, a capacidade de transporte do gasoduto Urucu-CoariManaus foi elevada para 6,8 milhões de metros cúbicos.
DIEGO JANATÃ
Antes de chegar à capital amazonense, o gasoduto Coari/Manaus passa por sete municípios que, de acordo com a assessoria da Petrobras, também são abastecidos de gás natural. No mês de outubro, a estatal informa que Manaus recebeu 3,8 milhões de metros cúbicos do produto, enquanto nos municípios de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru, e Iranduba a média de consumo no mês período foi de 0,04 milhão de metros cúbicos. O gás natural produzido em Urucu é transportado pelo gasoduto Urucu-Coari-Manaus, que tem uma extensão de 663,2 quilôme-
ão barateou para o como o prometido ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
erada por meio do gás natural, mas a única redução que subsidiava os altos valores do óleo combustível
Grandes filas de táxis se formam nos postos devido ao baixo número de bombas de GNV
Muita procura para pouca oferta Um dos argumentos políticos usados para justificar a construção do gasoduto Coari/Manaus foi a instalação de bombas de Gás Natural Veicular (GNV) nos postos de combustível de Manaus. Inicialmente o governo incentivou os taxistas a transformarem seus sistemas para a recepção do GNV. Contudo, hoje há apenas três postos com bombas de GNV, sendo dois das bandeiras BR Distribuidora, que são o Posto San Remo, próximo à Bola da Suframa, bairro Distrito 1, Zona Sul, e o Vitória Régia, na avenida Constantino Nery, bairro Chapada, Zona Centro-Oeste, e da Distribuidora Equador, o San Remo, na avenida Torquato Tapajós, Zona Norte. As poucas bombas de GNV são alvo de muita reclama-
A termelétrica Jaraqui é uma das 11 que geram energia elétrica no Amazonas com gás natural
ção por parte dos taxistas que optaram pelo gás natural. Para o taxista Marco Antônio Holanda, 44, o maior problema são as grandes filas que a categoria enfrenta para abastecer. Há 25 anos na praça, Marco conta que há três anos investiu R$ 5,5 mil no sistema. “São poucas bombas e as filas ficam quilométricas”, reclama. Por outro lado, ela comemora a economia que faz. “Apesar de tudo, valeu muito a pena para um táxi como o meu, que faz de 250 a 300 quilômetros por dia. Chegou a economizar de 30% a 40%, dependendo do trânsito”, diz. De acordo com o diretor técnico comercial da Cigás, Clovis Correa, a companhia já entregou nesse ano o sistema e as bombas da GNV para três novos postos. Para
entrar em funcionamento dependem apenas de ajustes de responsabilidade dos seus proprietários. São eles: o Posto Torquato II, da Atem Distribuidora, na avenida Torquato Tapajós, o Posto Constantino Nery também Atem, na avenida Constantino Nery, e o Posto Ponta Negra, da BR Distribuidor, na avenida Coronel Teixeira, próximo ao Dulcilas. Segundo a gerente do posto Atem da Constantino, Lilian Cordeiro, a previsão de funcionamento das bombas de GNV é até o final de novembro, uma vez que a instalação está na fase final da parte elétrica e de segurança. “Iniciadas as obras para a instalação das duas bombas de GNV em agosto. Por conta da presença das bombas a procura pelo gás natural é muito grande”, conta.
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País
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Brasil tem 220 mil pessoas mantidas como escravas pode ser diferente”, disse. Tráfico de pessoas Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta. Os últimos dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2012, apontam que quase 21 milhões de crianças e adultos estão presos em regimes de escravidão em todo o mundo. O maior número de trabalhadores forçados, segundo a OIT, está na Ásia e região do Pacífico, com 11,7 milhões de pessoas nessas condições. No último dia 23 de outubro, Sandra Miranda, de Brasília, recebeu uma encomenda do site chinês AliExpress com um pedido de socorro: “I slave. Help me (Sou escravo, ajude-me)”. A filha da advogada colocou a foto da mensagem nas redes sociais e já teve mais de 15 mil compartilhamentos. “Fiquei perplexa, pensei até que fosse brincadeira, mas o pacote estava muito bem fechado, então veio mesmo de quem embalou”, disse.
Trabalhadores submetidos a atividades análogas à escravidão somam mais de 220 mil no Brasil, segundo a fundação Walk Free
Chineses fazem pedido de socorro a brasileiros A Embaixada da China no Brasil respondeu dizendo que o país asiático tem leis que proíbem rigorosamente o trabalho escravo e um órgão que atua para sua erradicação, similar ao Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE) no Brasil. Sobre o pedido de socorro no pacote de Sandra Miranda, não há solução, segundo a embaixada, já que no bilhete não havia nome, nem nada que pudesse levar
à identificação da vítima. A mensagem, entretanto, chamou atenção para a situação dos trabalhadores daquele país. Segundo o coordenador Nacional do Programa de Combate ao
Trabalho Forçado da OIT no Brasil, Luiz Machado, já houve outras mensagens semelhantes, não só no Brasil, e mostra um problema grave que deve ser endereçado às autoridades chinesas.
VACINAÇÃO
Sarampo pode voltar, alerta ministro Apesar de o Brasil não registrar casos autóctones de sarampo desde o ano 2000, a chance de reintrodução da doença no país é grande, caso não haja forte adesão à vacinação. O alerta é do ministro da Saúde, Arthur Chioro. Dados indicam que o Brasil identificou, entre 2013 e 2014, 755 casos importados de sarampo (pessoas que chegaram ao país já contaminados), 503 no Ceará e 224 em Pernambuco. Em todo o mundo, ocorreram mais de 150 mil casos, apenas nos últimos meses. Em entrevista, Chioro convocou pais e responsáveis para que, a partir do início do período de vacinação contra o sarampo e a poliomielite levem as crianças maiores de seis meses e menores de cinco anos aos postos de saúde para serem imu-
nizadas. “Todas as crianças, mesmo as que estão com a carteira de vacinação em dia, devem ser imunizadas. É um reforço”, explicou. O ministro lembrou que, no caso específico da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, o Brasil não tem ocorrências desde 1990. No entanto, países da África e da Ásia ainda notificam a circulação do vírus. “Não podemos diminuir um esforço que deu esse resultado maravilhoso de ter erradicado a pólio no país”, reforçou Chioro. Eficácia Sobre a segurança e eficácia de ambas as doses, Chioro destacou que o programa de imunização adotado pela pasta é reconhecido como exemplo pela Organização Mundial da Saúde. Segundo
ele, as vacinas são consideradas extremamente seguras. Há contraindicação apenas para crianças com infecções agudas, com febre acima de 38 graus, com hipersensibilidade a algum dos componentes da vacina, com deficiência imunológica ou em tratamento para doenças como câncer e aids. Força-tarefa “Teremos dois dias de mobilização, dois sábados, 8 e 22 (de novembro), quando mais de 100 mil postos de saúde ficarão abertos para poder ampliar ao máximo a cobertura”, disse. “Quero fazer uma convocação de pais e responsáveis de crianças entre 6 meses e menores de 5 anos para que compareçam aos postos de saúde munidos com a carteira de vacinação”, concluiu. VALTER CAMPANATO/AB
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ados inéditos da fundação internacional Walk Free revelam que cerca de 35,8 milhões de pessoas são mantidas em situação de escravidão no mundo. O relatório de 2014 da organização ainda será lançado no dia 18 de novembro e a versão em português será apresentada em 1º de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a entrega do Prêmio João Canuto, de direitos humanos. Em entrevista à “Agência Brasil”, a representante da Walk Free no país, Diana Maggiore, conta que o número de pessoas escravizadas hoje cresceu 20%, em relação aos 29,8 milhões de pessoas apontadas no The Global Slavery Index 2013, o primeiro relatório da organização. Segundo a Walk Free, no Brasil há cerca de 220 mil pessoas trabalhando como escravos. Diana Maggiore explicou que, em 2013, pela primeira vez, o número de pessoas resgatadas de situações de escravidão no setor urbano foi maior que no setor rural no país. “Por causa dos eventos esportivos, tivemos muitos registros na construção civil e a tendência deve continuar até as Olimpíadas. O Brasil está crescendo, daqui a alguns anos
AGÊNCIA BRASIL
Em 2013, pela primeira vez, o número de resgatados de situações de escravidão nas cidades foi maior que no setor rural no país
Ministro da Saúde alerta aos pais que levem seus filhos para vacinar durante campanha nacional
Mundo
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Guerreiras de Kobani lutam em igualdade com homens A
cidade síria de Kobani, onde a feroz resistência ao assédio do Estado Islâmico (EI) se tornou símbolo de unidade para os curdos, é um exemplo inédito de igualdade para suas mulheres, que lutam corpo a corpo com os homens em suas ruas, em um fato excepcional no Oriente Médio. Depois de mais de 40 dias de cerco, as imagens de Kobani, e especialmente das jovens combatentes das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) defendendo sua cidade com um kalashnikov no braço e um sorriso no rosto, deram a volta ao mundo nas redes sociais. “A resistência de Kobani mobilizou toda nossa sociedade e muitos de seus líderes, incluindo eu mesma, são mulheres. Nós que estamos na frente sabemos muito bem como o EI trata as mulheres. Esperamos que todas as mulheres do mundo nos ajudem porque lutamos pelos direitos das mulheres do mundo todo”, escreveu a comandante Meysa Abdo na terça-feira passada no jornal “The New York Times”. Em artigo intitulado “Uma cidade não pode lutar sozinha contra o Estado Islâmico”, Meysa, uma das duas responsáveis
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militares da defesa do enclave curdo, pede ao mundo “atenção e ajuda para o povo de Kobani”. Reconhecida Conhecida por seu nome de guerra, “Narin Afrin”, a comandante, de cerca de 40 anos, é admirada e muito querida por seus milicianos, que a consideram uma líder forte,
RESPEITO
Depois de mais de 40 dias de cerco, as imagens de Kobani, e especialmente das jovens combatentes defendendo sua cidade com um sorriso no rosto, deram a volta ao mundo nas redes sociais capaz de tomar decisões em qualquer circunstância, além de ressaltar sua completa entrega a seus soldados. Outro nome de mulher vinculado a Kobani monopolizou nos últimos dias um grande interesse da mídia: se trata de “Rehana”, apelido de uma combatente curda da qual se diz que conseguiu matar mais de cem milicianos do EI. Parece que
“Rehana” foi capturada recentemente pelos jihadistas, que a decapitaram e divulgaram uma foto de um de seus membros exibindo sua cabeça. Embora alguns jornalistas da região digam que se trata de uma montagem, suas companheiras de armas já juraram vingá-la. Trata-se de apenas dois exemplos, pois, segundo a televisão catariana “Al Jazeera”, as mulheres representam pelo menos 35% (cerca de 15 mil milicianas) das forças das YPG que lutam há mais de dois anos na Síria. E sua presença aumenta significativamente para entre 50% e 60% nas fileiras da resistência de Kobani, formadas no total por cerca de 2 mil combatentes, segundo fontes curdas. Elas asseguram que os terroristas do EI, além de considerar as mulheres objetos sem nenhum direito, acreditam que se forem mortos por uma delas não poderão entrar no paraíso, que é o que mais desejam. “Os jihadistas distorceram o islã. Em sua filosofia, as mulheres não têm um papel próprio na sociedade. Eles acham que se forem mortos por uma mulher irão para o inferno”, explicou Dalil Derki, responsável por um batalhão feminino.
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Exemplo é inédito na igualdade de gênero no mundo Árabe: as mulheres lutam ao lado dos homens contra domínio do EI
Pela tradição árabe, um homem não pode ser morto por uma mulher, por isso elas lutam ao lado deles
‘Mulher com arma na mão é temida’ “Por isso, quando veem uma mulher com uma arma começam a tremer e fogem como ratos”, disse uma de suas combatentes, enquanto Derki ressalta que a metade dos jihadistas na fronteira foram abatidos pelas milicianas e se mostra orgulhosa de suas tro-
pas, que “são um exemplo para as mulheres no mundo todo”. De fato, as mulheres do Curdistão têm um longo histórico como guerreiras dentro de um povo habituado a lutar contra a opressão. Adela Kham, conhecida como “princesa valente”, que governou nos anos 20 os
territórios curdos entre Irã e Iraque ao redor de Halabja, e Leyla Qasim, que em 1974, com 22 anos, foi a primeira mulher executada pelo regime baathista do Iraque por seu envolvimento no movimento estudantil curdo, demonstram esse espírito de luta.
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Drogas preocupam Parintins Página C7
Mackenzie quer expandir atividades para o Estado
Instituição paulista vai abrir unidade de ensino médio em Tocantins e analisa oferta de graduação para o Amazonas DIVULGAÇÃO
Em seus planos de expansão, a Universidade Prebisteriana Mackenzie anunciou implantação de uma unidade de ensino médio em Palmas (TO) e estuda expandir sua atuação até o Amazonas MICHELE GOUVÊA
MICHELE GOUVÊA* Equipe EM TEMPO
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ão Paulo (SP) - Instituição particular pioneira no Brasil, a Universidade Presbiteriana Mackenzie tem planos de expandir suas atividades para o norte do país. A princípio, o primeiro Estado a ser contemplado será Tocantins, onde uma unidade de ensino médio será instalada em Palmas e, posteriormente, há planos de que o Amazonas seja contemplado com uma unidade física ou com cursos de ensino à distância. A iniciativa foi anunciada pelo reitor da universidade, Benedito Guimarães Aguiar Neto, em cerimônia esta semana em São Paulo. De acordo com o reitor, os 42 cursos de graduação, os 19 cursos de pós-graduação, os 60 cursos de especialização, bem como os 40 mil alunos de graduação, aliados aos 144 anos de história na educação credenciam a entidade educacional a expandir ainda mais seus horizontes. Hoje a Mackenzie possui cinco campi, sendo dois em São Paulo, um em Campinas, um em Brasília e um no Rio de Janeiro. “Nossa política de expansão está mais consolidada em Recife, Belo Horizonte e Curitiba, mas também estamos expandindo para Palmas, só que nesse caso não em nível superior, mas no ensino médio. Estivemos no Amazonas há pouco tempo, mas ainda não definimos como e quando pode ser que essa expansão ocorra, isso depende de muitos fatores ainda”, afirmou. Dentre os fatores que impedem essas definições está o processo de credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC), que consiste na visitação aos polos onde o projeto de educação deve
ser implementado, bem como análise dessa inserção educacional e, por fim, a autorização para que a unidade seja instalada ou o tipo de ensino a ser desenvolvido. “Temos planos de expandir para 18 polos. Até o momento 11 foram visitados, mas esse processo de credenciamento pelo MEC é lento. Talvez somente no final do próximo ano novas parcerias com municípios possam ser firmadas e a Mackenzie então consolide projetos. Para o Amazonas não estamos pensando, a princípio, em uma unidade física, mas sim em uma especialização com proposta Latu Sensu”, adiantou o reitor. A Universidade Mackenzie possui cursos de graduação que contemplam diversas áreas do conhecimento, den-
CREDIBILIDADE
De acordo com o reitor da Mackenzie, Benedito Guimarães Aguiar Neto, o volume de cursos oferecidos e o corpo discente credenciam a instituição a expandir mais seus horizontes tre as quais se destacam engenharia, que foi o primeiro curso criado na instituição em 1896, e o de ciência da computação. Este último possui um laboratório denominado Apple Mobile, onde são desenvolvidos, em parceria com a Apple, sistemas IOS para celulares smartphones e onde os alunos têm acesso para as mais sofisticadas e novas ferramentas de tecnologia desenvolvidas pela gigante da computação. * A jornalista viajou a convite do Prêmio Santander Universidades
Natural de Maceió (AL) e acadêmico de fisioterapia da Unip, Robson desenvolve projeto de terapia preventiva em casas de repouso
Estudante amazonense ganha bolsa de estudo O Santander beneficiou com 100 bolsas de estudos para alunos de 46 universidades brasileiras, durante a quinta edição do programa Fórmula Santander. A entrega das bolsas no valor de 5 mil euros, o equivalente a R$ 16 mil, foi feita no autódromo de Interlagos, em São Paulo. O evento contou com a presença do presidente do Santander no Brasil, Jesús Zabalza, e do piloto de Fórmula 1, Fernando Alonso. Os alunos contemplados podem cursar um semestre em uma das mais de 1,1 mil universidades conveniadas em todo o mundo. O programa de bolsas contempla alunos de graduação e de pós-graduação que se destacaram em suas universidades e que não teriam condições financeiras de fazer mobilidade internacional por conta própria. O
valor da bolsa é destinado às despesas com transporte, alimentação e hospedagem. De acordo com Zabalza, em 2014, o Fórmula Santander teve o maior número de inscrições, demostrando a confiança do estudante brasileiro no programa de mobilidade internacional oferecido pelo grupo. Neste ano, mais de 17 mil alunos se inscreveram, o que corresponde a 170 estudantes por vaga. O programa envolve universidades brasileiras, espanholas e britânicas. “Somente no Brasil já são mais de 500 bolsas de mobilidade internacional oferecida, o que para nós é motivo de muito orgulho e satisfação, além de representar nosso compromisso com o enriquecimento profissional, cultural e pessoal desses estudantes. Sendo assim, peço que eles
aproveitem ao máximo essa oportunidade e o que essa experiência pode gerar para ao longo da vida. Parabéns ao vencedores dessa grande concorrência e que formem ciclos de desenvolvimento pessoal e acadêmico”, disse. Contemplado Um dos contemplados pelo programa de mobilidade internacional do Santander foi o estudante do quarto período de fisioterapia da Universidade Paulista (Unip) de Manaus, Robson Fernandes de Lima Filho. Oriundo de Maceió (AL), Robson ficará de fevereiro a julho de 2015 na Universidade do Porto, em Portugal, onde dará continuidade aos estudos acadêmicos e cursará matérias extracurriculares. Em Portugal, Robson irá aprimorar o projeto de fisio-
terapia preventiva em casas de repouso de Manaus. Conforme ele, o projeto, iniciado em março, está em fase embrionária, será amadurecido durante o intercâmbio e deverá ser aplicado, inicialmente, na Fundação Doutor Thomas, Parque 10, Zona Centro-Sul da capital. “Senti a necessidade de dar atenção a esses idosos. Muitos têm problemas de locomoção ou outras limitações de mobilidade que poderiam ser melhorados com algumas intervenções. Estou desenvolvendo o projeto e quero colocá-lo em prática o mais breve possível. Quando voltar deste intercâmbio, quero atuar como agente disseminador do aprendizado que adquiri lá e incentivar que mais pessoas tenham esse interesse pela pesquisa e pela extensão”, afirmou.
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Dia a dia
Rede ainda é ignora Tubulações do gasoduto Coari-Manaus atravessam toda a cidade em uma rede complexa de dutos, mas boa parte da população ignora esse fato. Cigás monitora o sistema constantemente, mas garante que riscos de explosão são baixos
FOTOS: IONE MORENO
Sistemas de proteção indicam o local onde passa o gasoduto, no entanto, muitos moradores ainda desconhecem o fato e até mesmo a origem e importância da fonte de fornecimento de energia IVE RYLO E DANIEL AMORIM Equipe EM TEMPO
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anaus é dividida, de sul a norte, por 70 quilômetros de dutos com Gás Natural (GN) extraído da Província de Urucu, no município de Coari (a 362 quilômetros da capital) e explorado comercialmente pela Companhia de Gás do Amazonas (Cigás). O percurso já atinge 17 bairros, entre áreas comerciais e residenciais. Mas será que você conhece a rota do combustível responsável por gerar aproximadamente 60% da energia elétrica de Manaus? Hoje, de acordo com a concessionária estadual de distribuição, são oferecidos 3,6 milhões de metros cúbicos por dia, extraídos da Província de Urucu, em Coari, cruzando os municípios de Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, até desembocar em Manaus. Na capital, o gás entra pelo bairro de Aparecida (na usina termelétrica UTE Aparecida), atravessa o Centro, Chapada, Flores, Colônia Santo Antônio, Novo Israel, Terra Nova, Tarumã e Santa Etelvina, até a barreira policial. Neste percurso, o gás é distribuído a 12 empresas do setor industrial e automotivo e uma UTE. Após a barreira, a tubulação segue por mais 10 quilômetros pela rodovia BR-174
(Manaus - Boa Vista), onde chega a três empresas do segmento industrial e uma do segmento termoelétrico, estende-se em cinco quilômetros o gasoduto na AM010 (Manaus-Itacoatiara), que abastece duas empresas do setor industrial e uma do termoelétrico. Nesse percurso há um braço, com sete quilômetros de extensão, que segue pela Zona Oeste. Nele, o gás passa sob os pés de moradores dos bairros Dom
EXTENSÃO
O percurso do gasoduto na área urbana de Manaus já atinge 17 bairros em 70 quilômetros, entre zonas de comércio e residências, mas as tubulações não abrangem terrenos particulares Pedro, São Jorge, Santo Agostinho e Nova Esperança, até desembocar na Ponta Negra. No trajeto, o gás é utilizado em uma indústria do segmento termoelétrico, uma do comercial e uma do automotivo. Nas zonas Leste e Sul, o gasoduto parte da UTE de Mauá, no bairro Mauazinho, e se estende a diversas avenidas do Distrito 1 e 2. Há previsão de que mais 21 quilômetros de tubulação sejam inseridos no Distrito, atingindo também os bairros
do Armando Mendes, Zumbi, São José, Puraquequara e Jorge Teixeira. E, os investimentos para o ano de 2015, estão orçados em R$ 40 milhões. Nestes bairros, muitas ruas foram rasgadas para a colocação da tubulação. Feitos de aço carbono, revestido de polietileno para evitar corrosão, e com espessura de no mínimo 3,91 polegadas, os dutos ficam no mínimo a 1,20 metro de profundidade. “A espessura nossa de trabalho é maior que a requerida pela norma, primeiro pela segurança e segundo porque existem diâmetros mais comerciais e acabam reduzindo o custo também”, explicou o diretor técnico e comercial da Cigás, Clóvis Correia. Os dutos são inseridos abaixo de areia, de placas de concreto (proteção mecânica) e de uma rede que vem com o aviso “Perigo não escavar”, soterrados ainda por mais areia compactada e pela pavimentação em asfalto. “Na hora em que alguém escavar, encontrará a fita e depois a placa de concreto e o duto é em aço. Ele sentirá resistência”, disse o diretor. Na vala, passam também dois tubos com fibra ótica, que são importantes para mandar informações – 24 horas por dias, sete dias por semana - de tudo o que ocorre no sistema para a sala de controle na sede da Cigás, na avenida Torquato Tapajós.
Obra com cuidados ambientais Segundo Clóvis Correia, a instalação foi concedida apenas após a licença de vários órgãos como Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), além de seguir normas e certificados
nacionais e internacionais. “Duto de gás é extremamente normatizado. Esses dutos são bem construídos e feitos para durar 30 anos, sem manutenção. Se tomar cuidado, ele dura a vida toda”, afirmou. De acordo com a concessionária, ao longo de todo o trajeto há placas alertando para a existência do gasoduto e, segundo a empresa, desde o processo de implantação, programas que informaram sobre
a colocação da rede vêm sendo difundidos. “A única coisa que a pessoa não pode fazer, e não deve em hipótese nenhuma, é escavar no lugar do duto. Sempre têm placas que ficam instaladas na rede e tachões (placas assentadas) no asfalto e nos passeios. Temos também nosso telefone 0800 723 3202 descrito nas placas espalhadas em toda a cidade”, afirmou o diretor da Cigás.
Placas indicam locais onde passam as tubulações e onde não são permitidas escavações
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PETROBRAS/DIVULGAÇÃO/ARQUIVO
da sob os nossos pés Sinalização em todos os pontos Apesar da sinalização espalhada pelas avenidas, a rota do gasoduto ainda é desconhecida por muitos moradores da capital. “Sei que eles colocaram os tubos na avenida Constantino Nery. Na verdade, não sei nem para que serve isto. Quando implantaram esse negócio, fiquei até me perguntando. Também não sei os cuidados necessários. Alguém pode fumar perto? Pode explodir? Nenhum tipo de informação sobre os cuidados foi passado para a população”, questionou a universitária Jaqueline de Oliveira, 25.
O empresário Luiz Ricardo Souza de Oliveira, 39, também desconhece grande parte do percurso feito pelo gasoduto. “Sei que ele passa pela Constantino Nery e lá na Ponta Negra também, que faz parte do meu percurso diário. Onde eu moro, no Parque das Laranjeiras, não passa o gasoduto. Nunca obtive nenhuma informação, nem na televisão, de prevenção e nem como agir se acontecer algum problema na tubulação. Mas me preocupo em saber como deveria agir no caso de um acidente”, apontou.
Correia explicou que a canalização nunca é inserida em terrenos particulares, mas sempre nas vias públicas. Contudo, na AM-010 já foi registrada invasão sobre um trecho onde passa o gasoduto. “Não fazemos dentro dos terrenos das pessoas, mas pode acontecer de ter uma invasão. Temos processo na procuradoria sobre isto. É perigoso escavar. Fazemos inspeção diariamente nos dutos. Vão dois funcionários, um no veículo e outro a pé, roçando a linha para não deixar mato em cima”, afirmou. CIGÁS/DIVULGAÇÃO
Mapa mostra o trajeto de 70 quilômetros dos dutos dentro da área urbana da capital Obras do gasoduto na região da Província Petrolífera de Urucu: alto investimento no Estado
Risco de explosão não é alto Contudo, de acordo com o diretor técnico Clovis Correia, não existe risco de explosão do gasoduto, uma vez que só corre chance de fogo se houver três elementos juntos: combustível, componente e ignição. “No caso, temos o gás natural, que serve como combustível, mas possui densidade menor que a do ar e se dissipa mais rápido. Por isso, a possibilidade desse tipo de
ocorrência aumenta com o uso do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), cuja densidade é maior”, explica. Segundo a assessoria da empresa, não existem casos de vazamento registrados até hoje, apenas suspeitas por parte da população. “Se eu for escavar - na hipótese de chegar ao gás - dentro da tubulação, tem gás pressurizado a 17 quilos de pressão. Gás sem oxigê-
nio não queima. É só gás. Nem se botar fogo dentro do duto. O gás só queima de 4 a 14%. Ele tem que estar 4% da mistura gás e ar. Ou 14%. Menos que 4%, é uma mistura pobre e não consegue pegar fogo, e mais de 14% é uma mistura muito rica e também não pega fogo e não explode. Dentro da tubulação não tem oxigênio, é zero”, detalhou Correia. CIGÁS/DIVULGAÇÃO
Monitoramento permite segurança nos dutos instalados pela cidade contra vazamentos
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Dia a dia
Cuidados para gar FOTOS: REPRODUÇÃO
Apesar de haver registros de fatos relativos a explosões de gasodutos em diversas partes do mundo, inclusive da América Latina, companhia garante que trabalho constante de simulações evita que tragédias possam ocorrer
Atividade de simulação de vazamento de gás e atendimento de emergência: trabalho é executado periodicamente para garantir a segurança da população quanto às tubulações do gasoduto IVE RYLO E DANIEL AMORIM Equipe EM TEMPO
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m 2010, a Cigás iniciou a operação comercial do combustível. Contudo, as obras de implantação do gasoduto iniciaram três anos antes. E foi nessa época que trechos de muitas ruas foram interditadas para a abertura das valas, o que causou transtornos aos condutores e moradores de bairros que se encontravam na rota do gasoduto. Por essa razão, em 2010 foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em ação civil pública aberta pelo Ministério Público do Estado (MPE). Na época, a Cigás repassou à prefeitura uma quantia para o recapeamento das ruas. “Quando a obra teve aqui causou certo transtorno no trânsito. A prefeitura embargou a obra e exigiu a assinatura do TAC. A Cigás pagou R$ 3 milhões em 2010 para o recapeamento asfáltico nos locais onde iríamos
passar com o duto”, disse. Como uma espécie de compensação ambiental, a concessionária também doou à Prefeitura de Manaus 10,5 mil mudas de plantas nativas para cultivo em áreas afetadas pela implantação da rede de dutos na BR-174. De acordo com a empresa, a compensação ambiental é exigida em casos de supressão vegetal, ou seja, quando as obras atingem locais de vegetação. Contudo, praticamente não existiu impacto ambiental na rede de distribuição de gás natural em Manaus. Além disso, a empresa promove um trabalho de educação ambiental a cargo de sua área de Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança e Comunicação. São realizadas visitas às comunidades impactadas e realizada a distribuição de folhetos informativos, além de orientações para os devidos cuidados não só no período da obra, mas também após o início da operação. Durante as reuniões nos centros comunitários, a em-
presa explicou que repassa à população informações sobre o traçado da rede, aspectos de segurança e outros temas relevantes relacionados ao gás natural, além de participar de atividades culturais das escolas dos bairros e
RESPONSÁVEL
Em 2010 foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta em ação civil pública aberta pelo Ministério Público, quando a Cigás repassou à prefeitura verba para recapeamento das ruas estar à disposição da comunidade por meio do 0800 723 3202, número de atendimento divulgado em panfletagem nos locais. O gás natural é utilizado nos setores industrial, automotivo, hidroviário, comercial e residencial, além de gerar energia nas termoelétricas.
A aplicação do combustível na indústria dá-se para geração de energia em caldeiras, fornos, estufas, refeitório, empilhadeiras, secadores. Também a partir do gás é possível fabricar etanol e metanol. É um combustível não tóxico, menos poluente que outras fontes energéticas e, por ser mais leve, se dissipa o que diminui a ocorrência de explosões. “A partir do gás natural pode gerar energia elétrica, água gelada para climatização de ambientes, água quente para processos, vapor e CO2. Na mesma molécula de gás você consegue esta quantidade de utilidade”, afirmou Correia. Ele explicou também que a inserção do combustível canalizado retirou das ruas de Manaus 170 carretas que realizavam o transporte de óleo diariamente. Segundo informações da assessoria, não existem casos registrados até hoje. Apesar disso, empresa investe em medidas de controle em caso de vazamentos.
‘Plano de Emergência’ sempre em andamento As mensagem de alerta sobre o gasoduto podem suscitar dúvidas quanto aos riscos de vazamento do gás, como explosões, mas o diretor técnico da concessionária, Clovis Correia Júnior, reafirmou que não há motivos para preocupação. O diretor informa que a Cigás possui um Plano de Ação de Emergência, que consiste em simulações coordenadas com o Corpo
de Bombeiros e a Polícia Militar. O ensaio já foi realizado nos bairros Mauazinho e Santa Etelvina e na avenida Constantino Nery. “Nessas situações, temos a oportunidade de aperfeiçoar nossa atuação em casos de urgência”, diz Clovis. Na sede da empresa, localizada na avenida Torquato Tapajós, funciona o Centro de Controle Operacional (CCO), que monitora o desempenho do sistema
24 horas por dia - incluindo os 32 clientes atendidos. Para alertar a população, o sistema abriga tanques que espalham mercaptano, substância à base de enxofre, já que o gás natural é inodoro e não tóxico. Compactação Os dutos, cuja parte mais baixa fica a três metros de profundidade, são inseridos por meio de furo direcional. “Apesar do custo
unitário elevado, trata-se de um sistema mais compacto, o que oferece maior velocidade na execução e menor espaço ocupado pela obra”, informa Clovis. As empreiteiras devem obedecer a uma lista de critérios, como normas sobre o material utilizado. “Para garantir a segurança, nossas normas têm valor dobrado ao especificado pela instruções oficiais”, complementa Clovis.
Uma tragédia em Guadalajara Uma série de explosões na rede de esgoto de Guadalajara, no México, causou a morte de pelo menos 300 pessoas. O rastro de destruição se estendeu por oito quilômetros naquela manhã de 22 de abril de 1992. A cidade de 4 milhões de habitantes vivenciou naquele momento a maior tragédia de sua história. A primeira explosão atingiu a via principal que ligava os bairros de Olímpicas e Analco. Na sequência, pelo menos quatro ruas adjacentes foram atingidas. Moradores – e por que não dizer sobreviventes? – relataram na época que a primeira impressão era de que Guadalajara havia sido atingida por um forte terremoto. Dias antes, dezenas de moradores daquela região telefonaram para uma rádio local e relataram que um forte cheiro de gás era sentido cada vez que se abria uma das torneiras de suas residências. As autoridades, então, enviaram técnicos às redes subterrâneas para que fizessem uma vistoria. A nove metros de profundidade foram detectados gases e muita gasolina. A saída encontrada foi destampar os bueiros. O cheiro forte de gás persistiu e moradores continuaram reclamando. Funcionários do governo decidiram limpar os bueiros e destampar todas as redes de esgoto para permitir a circulação dos
fluidos que estavam retidos na área subterrânea. De nada adiantou. No dia 22 de abril a explosão do gasoduto matou 300 pessoas e feriu mais de 1,5 mil, além de destruir casas e veículos. As ruas atingidas tinham buracos de até 15 metros de profundidade. Veículos foram parar nos telhados das casas e nas copas das árvores. A primeira suspeita foi em cima da empresa Petróleo Mexicano, que administrava um gasoduto na cidade, mas a Pemex tratou de se
FATO
Exemplo de acidente com estrutura ocorreu em Guadalajara, no México, em abril de 1992, quando uma explosão no gasoduto matou 300 pessoas e causou prejuízo de US$ 75 milhões
eximir da culpa e garantiu que nada tinha a ver com as explosões. No entanto, ficou comprovado o vazamento de gás hexano, considerado letal e insolúvel na água. A fábrica La Central foi responsabilizada pela tragédia e foi fechada. Os sobreviventes ficaram abrigados em 20 albergues e no estádio de futebol de Guadalajara. Os prejuízos chegaram a 75 milhões de dólares.
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rantir a segurança História trágica se repete em Kaohsiung Em julho deste ano, na cidade de Kaohsiung, em Taiwan, cinco explosões seguidas em um gasoduto deixaram 25 mortos e mais de 270 feridos. Entre as vítimas fatais estavam cinco bombeiros, que faziam inspeções, após avisos de vazamento de gás. Antes das explosões havia muita fumaça com um “cheiro semelhante a gás” saindo das “bocas” de esgoto. Os danos se espalharam por várias
ruas da cidade, que tem 2,8 milhões de habitantes. Segundo a prefeita de Kaohsiung, Chen Chu, “várias empresas petroquímicas instalaram dutos subterrâneos paralelos na rede de esgoto do bairro de ChianChen, onde há fábricas e edifícios residenciais”. Os sobreviventes ficaram abrigados em escolas da região. Era a história se repetindo. Moradores de Kaohsiung
chegaram a avisar sobre o vazamento de gás pelo menos quatro horas antes das explosões. No mês seguinte, um gasoduto que alimenta uma central elétrica na província de Córdoba, na Argentina, deixou sete pessoas gravemente feridas, com queimaduras de segundo e terceiro graus. Os feridos não eram funcionários do gasoduto, mas pessoas que passavam
próximas ao local. Há 6 anos, 30 famílias foram atingidas por deslizamentos de terras após a explosão do gasoduto Bolívia-Brasil. Por sorte, ninguém morreu. Tragédias como essa acendem o alerta em relação ao que pode acontecer em Manaus, caso medidas preventivas e necessárias não sejam tomadas a tempo, apesar da garantia de segurança da empresa responsável.
Em Guadalajara, em abril de 1992, explosão de gasoduto matou 300 pessoas. Moradores afirmaram terem sentido odor de gás Em Kaohsiung, série de explosões em dutos ocorreu em julho
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Consumo de drogas em escolas preocupa Parintins P
arintins (AM) – A imagem de estudantes consumindo maconha em plena escola, que circulou durante um dia nas redes sociais em Parintins, causou impacto em quem viu e provocou uma ampla discussão na cidade sobre as drogas na rede pública de ensino depois que a TV EM TEMPO mostrou na última quarta-feira (5) uma reportagem sobre o caso. Mais forte ainda, no entanto, foi o desabafo da conselheira tutelar Nilciara Barbosa. “Infelizmente essa é a nossa realidade hoje”, diz a experiente conselheira. Mesmo com o intenso combate por parte das polícias Civil e Militar ao tráfico na cidade de Parintins (a 331 quilômetros de Manaus), os traficantes continuam ousados em suas operações para vender drogas. A exemplo do que já acontece em centros maiores, o tráfico se voltou agora para as escolas onde crianças estão sendo cooptadas pelos traficantes para atuarem como “aviões” das bocas de fumo espalhadas pela cidade. Na semana passada, alunos, professores, gestores e pais foram surpreendidos com a foto que circulou por uma manhã nas redes sociais, onde três adolescentes preparam supostamente um cigarro de maconha dentro de uma escola da rede estadual de ensino no centro de Parintins. “Eu já tinha escutado essa história de que crianças estão levando drogas para dentro das salas de aula, mas confesso que imaginei não estar tão avança-
do assim”, disse Carla Santos de Oliveira, mãe de uma aluna. A conselheira tutelar Nilciara Barbosa revelou que diariamente chegam até ela denúncias relacionadas à presença de maconha e pasta-base de cocaína em estabelecimentos de ensino, levadas pelos alunos. “Não é só isso. Muitos desses adolescentes andam armados com facas. É uma realidade que precisa ser combatida, mas o primeiro passo deve ser na família, pois os pais são os responsáveis em acompanhar o cotidiano de seus filhos, não podem simplesmente fechar os olhos para esse fato e jogar toda a responsabilidade nos ombros de professores e gestores”, adverte Nilciara. Outra conselheira tutelar, Edna Garcia, salienta que é importante que os gestores em parceria com o conselho possam organizar eventos de orientação aos pais. “Nós já estamos fazendo palestras com apoio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), mas não tem sido o suficiente. É preciso que sejamos mais ofensivos em nossa estratégia de combate às drogas nas escolas de Parintins”, ressalta. O problema já chegou à coordenação da Secretaria de Educação do Estado em Parintins. A coordenadora Ana Ester Paulino contou que, além da droga, os professores hoje se deparam na sala de aula com o alcoolismo. “Eu mesma passei por essa experiência ao ministrar uma palestra numa escola e percebi que um aluno retrucava tudo o que eu falava, me aproximei dele e percebi que ele estava completamente embriagado”, informou Ana Ester.
Foto de alunos com maconha, publicada nas redes sociais, provocou muita revolta na cidade TADEU DE SOUZA
TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO
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Foto de estudantes supostamente preparando maconha dentro de escola gerou discussões sobre a luta contra o tráfico
Ferramentas a favor da consciência Uma ferramenta no combate às drogas nas escolas da rede pública de ensino é o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), implantado em Parintins em 2002 e já atendeu cerca de 16 mil alunos com palestras e outras atividades. O programa é comandado pelo cabo PM Gildo Assis, formado em jornalismo, com os soldados Ozeias Neto e André Bacre. O Proerd funciona nas dependências do Pelotão Mirim, no antigo quartel da Polícia Militar, no bairro de São José Operário. Gildo confirma o tráfico nas escolas e conta que recentemente um aluno foi flagrado com uma porção de pasta base de cocaína dentro da cueca. Segundo ele, neste ano o Proerd fecha suas atividades alcançando cerca de 2,4 mil alunos. “A droga na escola não é novidade para nós, é uma realidade muito difícil e preocupante. O Proerd está também fazendo o que pode, alertando pais e alunos contra esse mal que infesta a sociedade”, disse.
Coordenador do Proerd, Gildo Assis diz que o programa é uma ferramenta contra o tráfico TADEU DE SOUZA
Operação Brasil Integrado, realizada na última semana em Parintins, combateu ao tráfico
‘Responsabilidade é das famílias’ Para o titular da 3ª Delegacia Interativa de Parintins, Bruno Fraga, a polícia vem fazendo a sua parte no combate ao tráfico de drogas na cidade. Na semana que findou ele e mais três delegados da Polícia Civil, além de policiais militares comandou a operação Brasil Integrado para coibir infrações como o tráfico de drogas no município e região. “Evidentemente, que nesse caso em especial a responsabilidade é, sobretudo, dos pais, da família que precisa fiscalizar e acompanhar os atos dos filhos, estarem atentos”, salienta o delegado.
Quando o delegado diz que a polícia faz a sua parte está se referindo às ações de combate ao tráfico realizadas diariamente para estourar bocas de fumo que surgem nos bairros da periferia da Ilha. Atualmente, a delegacia de Parintins conta com cinco delegados, sendo que a delegada da Mulher, Ana Denise, está licenciada para tratamento médico. Sem milagre O bispo de Parintins, dom Giuliano Frigenne, reconheceu a gravidade da situação e disse que o próprio colégio da Igreja Católica em Parintins já se deparou com o
problema. No seu entendimento, hoje as famílias não vivem em profundidade com a sua fé. “Nós temos uma fé superficial que lota as igrejas, promove o turismo religioso, mas não é capaz de consolidar o papel da família na construção da sociedade”. Dom Giuliano disse ainda que essa “fé superficial” contribui para a situação lamentável registrada hoje na cidade. Ele diz que a fragilidade da fé influencia as famílias, que perdem a capacidade de acompanhar os filhos deixando-os vulneráveis. “A escola não faz milagre”, lembra o bispo.
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Preconceito ainda resiste e agrava casos de câncer M
edo, vergonha e preconceito são fatores determinantes para que muitos homens negligenciem a própria saúde e esqueçam que a detecção precoce é a melhor defesa do corpo. A recente pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em parceria com a Bayer, mostra que mais da metade dos homens brasileiros (51%) admite não consultar um urologista ou cardiologista regularmente. O número preocupa, especialmente quando o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, até o final do ano, 68,80 mil homens serão diagnosticados com câncer de próstata. Conforme o levantamento, o Amazonas contabilizará 510 casos novos referentes à neoplasia neste período, dos quais 320 somente em Manaus. A taxa de incidência desse tipo de câncer representa 27,94% de todos os casos previstos para os homens do Estado em 2014 (2,25 mil). A exemplo do “Outubro Rosa”, o Instituto Lado a Lado pela Vida e a SBU desenvolvem o “Novembro Azul” para desmistificar a doença e conscientizar a população
masculina sobre os cuidados com a saúde. O microempreendedor Maurício Gonçalves, 39, perdeu o pai José Getúlio Gonçalves, 67, há dez anos, vítima da doença. Segundo ele, durante muito tempo, as piadas em relação ao exame realizado (toque retal) impediram que José procurasse um médico especializado. Maurício pontua que, quando o pai se deu conta de que sua virilidade não seria perdida por conta do processo, já era tarde demais: o diagnóstico mostrou um câncer em fase avançada. “Foi por conta da situação do meu pai que passei a tomar mais cuidado com a minha saúde. Ainda que eu não esteja na fase recomendada, sempre procuro anualmente um urologista”, detalhou. Cuidados A SBU aconselha que homens a partir de 50 anos procurem seu urologista para discutir a prática e a realização da avaliação. Já os com maior risco da doença (aqueles com histórico familiar, por exemplo) devem procurar o especialista a partir dos 45 anos. Segundo o gestor técnico
do Laboratório Sabin, Régis Torres, o check-up periódico é fundamental para identificar a doença ainda em estágio inicial e aumentar as chances de cura. “Todo homem deve fazer uma avaliação periódica que inclui consulta médica e exames como hemograma, glicose, perfil lipídico, ácido úrico, ureia, creatina, PSA, sumário de urina (EAS) e sangue oculto, para identificar precocemente possíveis doenças. Quanto mais precocemente for diagnosticado o câncer de próstata, mais fácil de ser controlado”, afirma. Régis Torres destaca ainda que os fatores de risco da doença incluem idade (acima dos 50 anos), histórico familiar de câncer, tabagismo, obesidade, fatores hormonais e ambientais e hábitos alimentares. “É importante estar atento a estes fatores, consultar-se regularmente com um urologista e caso seja observada alguma anormalidade, como dificuldade para urinar ou presença de sangue na urina, o paciente deve procurar um médico”. Alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos regularmente também são recomendações importantes para prevenir a doença.
DIVULGAÇÃO
Falta de bom senso quanto à seriedade do exame que detecta o câncer de próstata eleva casos da enfermidade
Campanha “Novembro Azul” foi criada para incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce
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Obra da série ‘Lilith’ (1990), de Anselm Kiefer, técnica mista sobre tela
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Os ângulos de Lothar Charoux
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Tudo o que você disser pode ser usado...
E outras 8 indicações culturais. Pág. 2
O site jornalístico que checa dados na Argentina. Pág. 3
Eles viram o mundo (em 2064)
A imaginação futurista de alemães e brasileiros. Págs. 4
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Censores ligados e motores desligados
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Do arquivo de Sérgio de Carvalho
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Diário de Pequim. Pág. 6
João Pessoa, 1997. Pág. 7
As bem-traçadas linhas de Kennan
O diplomata que interpretou os russos. Pág. 8
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MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Ilustríssima Ciência
O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES EDUARDO BARCELLOS/DIVULGAÇÃO
LIVRO | DARCY RIBEIRO Publicado pela primeira vez em 1988, “Migo” é uma das ficções que o antropólogo e educador mineiro escreveu, entre títulos como “Maíra” e “O Mulo”. Narrado em primeira pessoa, ele trata das memórias de um escritor. Global | R$ 55 | 432 págs.
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LANÇAMENTO | ANTONIO PETICOV O artista paulista lança o livro “Homo Faber”, no qual apresenta suas obras de 1967 a 1987 e uma espécie de guia para elas. Os trabalhos lidam com questões da matemática, da física e do taoismo. Livraria da Vila - JK Iguatemi tel. (11) 5180-4790 | ter. (11), às 19h Luste | R$ 90 | 392 págs.
EXPOSIÇÃO | LOTHAR CHAROUX O IAC (Instituto de Arte Contemporânea) abriga “Razão e Sensibilidade”, que, sob a curadoria de Maria Alice Milliet, reúne 75 obras do artista austríaco que viveu em São Paulo (1912-1987). Estão expostos desenhos em nanquim e guache, pinturas, projetos para painéis, serigrafias, trabalhos em acrílica sobre papel, esculturas, azulejos e cartões de Natal. Instituto de Arte Contemporânea | tel. (11) 3255-2009 | seg. a sex., das 10h às 20h; sáb., das 10h às 16h | grátis | até 6/12
BRASILEIRO
Sem título (2014), de Deborah Paiva
“TRIÂNGULOS” (1973)
‘Triângulos’ (1973)
CINEMA | MIX BRASIL A 22ª edição do festival de cultura da diversidade tem, além de filmes, teatro, dança e leituras dramáticas. Na coreografia “Blood”, apresentada na Inglaterra ano passado, o dançarino Jean Abreu se apresenta diante de imagens da dupla de artistas plásticos britânicos Gilbert & George. Entre os filmes, há os documentários “Nan Goldin - Lembro do seu Rosto”, de Sabine Lidl, sobre as relações da artista com seus amigos que também são temas de suas obras, e “E Agora? - Lembra-me”, do português Joaquim Pinto, em que o cineasta mostra sua busca de 20 anos por tratamento contra o HIV. Programação completa em mixbrasil.org.br
EVENTO | 25 ANOS DA QUEDA DO MURO A mesa-redonda com os professores Marcio Seligmann-Silva (teoria literária, Unicamp) e Rainer Schmidt (ciência política, USP) inaugura a série de eventos “Tempos de Mudança”, que segue até outubro de 2015. O debate, evento com apoio do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da USP, rememora quatro acontecimentos na Alemanha do dia 9 de novembro: a queda do Muro de Berlim em 1989, o início do “pogrom” de novembro em 1938, o putsch de Hitler e Ludendorff em 1923 e a revolução de novembro em 1918, proclamação da república alemã. Leia textos de alemães e brasileiros nas págs. 4 a 6. Goethe-Institut | tel. (11) 3296-7000 | amanhã (10), às 19h30 | grátis
EXPOSIÇÃO | CHRISTIAN VINCK E MARIANA MAURICIO “Álbum nº 3/pintura S U D A K A”, individual do artista venezuelano, traz pinturas inspiradas em locais do Chile e em pisos e cerâmicas da Venezuela. Já a artista carioca radicada em Londres apresenta instalações e “assemblages” inéditas feitas com objetos recolhidos pela rua. Leme | tel. (11) 3093-8184 | seg. a sex., das 10h às 19h | grátis última semana
EVENTO | FLIPP A Festa Literária Internacional das Periferias, no Rio, recebe a primeira Rio Poetry Slam, competição de poesia falada, com curadoria de Roberta Estrela D’Alva e participação do britânico Keith Jarrett. O sociólogo francês Denis Merklen, que estuda leitura e classes populares e participa de mesa na quinta (13), às 14h, responde a três perguntas da “Ilustríssima”. Escola de Artes Técnicas Mangueira | flupp.net.br | de qua. (12) a dom. (16) | grátis Folha - Qual a importância da leitura hoje? Denis Merklen - É cada vez mais fundamental. Na revolução digital em que vivemos, os meios de comunicação exigem leitura e escrita para nos comunicarmos. As classes populares dependem das políticas públicas para resolver uma série de problemas e, para entrar em contato com a burocracia, necessitam poder ler e escrever. A leitura, além disso, continua a veicular um modo de emancipação, de integração social e de relação coletiva que não se faz de outra forma.
POP
ERUDITO
FOTOGRAFIA | VICENTE DE MELLO O livro “Parallaxis” traz 14 séries do fotógrafo carioca com apresentação de Jean-Luc Monterosso, fundador e diretor da Casa Europeia de Fotografia, em Paris. Em uma das séries, “Slidetrip”, ele mostra fotos em pequeno formato em molduras de slides antigos. Cosac Naify | R$ 130 | 320 págs.
EXPOSIÇÃO | CONTÍNUO A coletiva reúne obras recentes de 27 artistas representados pela galeria de Ribeirão Preto que chegou a São Paulo neste ano. Há, entre outros, uma instalação inédita de Amélia Toledo, esculturas em pequeno formato de Ana Paula Oliveira e pinturas inéditas de Luiz Paulo Baravelli e de Deborah Paiva. galeria Marcelo Guarnieri | tel. (11) 3083-4873 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 17h grátis | até 23/12
A leitura pode ser integração? Ler pode ser uma forma de se diferenciar do outro, se colocando acima de seu interlocutor e construindo fronteiras sociais. Mas, quando a leitura se torna uma ferramenta de troca e de encontro, lemos para estar com os outros. Qual o papel das bibliotecas? A biblioteca não é um depósito de livros, ela e os bibliotecários têm o papel de orientar o leitor, de ir buscar na imensa floresta de frutas e legumes quais são os frutos preciosos. O bibliotecário é um agente social que devemos cultivar porque ele conhece seu público e, ao mesmo tempo, tem uma formação cultural importante. Essa orientação de leitura é mais importante do que a internet, que nos dá acesso a tudo. (ÚRSULA PASSOS)
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL
ALBERT OSTERMAIER, 46, escritor alemão, é conhecido sobretudo pela sua poesia e peças teatrais.
JULI ZEH, 40, escritora alemã, autora de peças de teatro, ensaios e romances, como “Juncos” (Record).
ALEXANDER KLUGE, 82, cineasta e escritor alemão, foi um dos fundadores nos anos 1960 do que viria a ser conhecido como o novo cinema alemão.
LUIS S. KRAUSZ, 53, escritor e tradutor, finalista do Prêmio Jabuti deste ano com o romance “Deserto” (Benvirá).
ANSELM KIEFER, 69, é artista plástico alemão. Uma retrospectiva de sua obra está em cartaz na Royal Academy of Arts, em Londres, até 14/12. BRUNO MARON, 36, é quadrinista. CLAUDIUS CECCON, 76, é arquiteto e cartunista.
MARCELO NINIO, 48, é correspondente da Folha em Pequim. MARCOS AZAMBUJA, 79, é embaixador brasileiro. SÉRGIO DE CARVALHO, 47, é diretor do grupo teatral Companhia do Latão e professor de dramaturgia na USP. SYLVIA COLOMBO, 42, é repórter especial da Folha.
CHINA Séries estrangeiras como “Downton Abbey” e franquias como “The Voice” fazem sucesso no gigante asiático FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha DENIS MERKLEN Leia a íntegra da entrevista como sociólogo francês que virá à Flupp >>folha.com/ilustrissima
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Jornalismo
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Informação passada a limpo O site argentino que checa o que se diz e se escreve no país RESUMO Site argentino checa e rebate declarações e textos de políticos, empresários e jornalistas, transformando-se em opção de veículo de informação em meio à guerra entre governo e diários independentes. Laura Zommer, diretora do empreendimento, participa, em São Paulo, do Fórum Piauí de Jornalismo, nos dias 15 e 16.
SYLVIA COLOMBO
Na tarde de 5 de outubro de 2011, uma faixa medindo 10 metros por 20 passou a cobrir parte de um edifício na movimentada avenida Presidente Julio Argentino Roca, em Buenos Aires. Os dizeres sobre a fachada do Indec – sigla para Instituto Nacional de Estatística e Censos, equivalente ao IBGE – repetiam o que se lia em cartazes colados na calada da noite nas principais vias da cidade: “Clarín miente”. A imagem do edifício do órgão estatal de estatísticas – sob intervenção federal desde 2009 – acusando o mais importante jornal do país de “mentiroso” é um resumo do que tem sido a batalha entre o governo e os meios de comunicação independentes na Argentina desde 2008. Enquanto o Indec foi desacreditado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pelo mercado internacional por maquiar os dados da inflação, o “Clarín” perde circulação (1/4 dos leitores desde 2007, segundo dados do IVC - Instituto Verificador de Circulação) e credibilidade, ao passo que exagera nas cores e força títulos contra a gestão da presidente Cristina Kirchner. Nesse cenário de cisão ideológica e política, um grupo de três acadêmicos de distintas formações (química, física e economia) saiu a tentar resgatar, entre os mortos e feridos dessa guerra, a informação factual. Há quatro anos no ar, o site Chequeado (chequeado. com) confere, dado por dado, informações incluídas em discursos de políticos, reportagens de jornais, programas de televisão e entrevistas dadas por empresários. “Buscamos um equilíbrio; se um dia checamos um pronunciamento de Cristina, no outro vamos buscar um opositor, mas sempre obedecendo critérios
de relevância jornalística, os assuntos importantes daquela semana. É difícil, mas a ideia é criar uma cultura de não aceitação passiva dos dados”, diz Laura Zommer, 40, diretoraexecutiva do site. A jornalista participa do Festival Piauí de Jornalismo (festivalpiaui.com. br), que ocorre nos próximos dias 15 e 16, no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Zommer explica que o site segue um método em oito etapas, que começa com a seleção da frase ou discurso de um determinado personagem, passa pelo cruzamento de fontes oficiais com alternativas, a explicação do contexto e a formulação de uma qualificação. Num cenário em que as estatísticas oficiais são contestadas, o Chequeado trabalha muito com fontes de bastidores instaladas em ministérios ou outros órgãos de governo. Com mais de 68 mil seguidores, o Chequeado tem como inspiração o norte-americano FactCheck.org, criado em 2003 pelo jornalista Brooks Jackson, ex-”Wall Street Journal” e CNN. O site argentino é pioneiro na América Latina, e ajudou a criar o sistema de checagens políticas do colombiano La Silla Vacía (lasillavacia.com), utilizado durante as últimas eleições naquele país, no primeiro semestre deste ano. A experiência levou o presidente Juan Manuel Santos, então candidato à reeleição, a retificar dados numéricos relacionados ao desemprego. Inaugurado há pouco mais de um mês, o UYCheck.com seguiu de perto o discurso dos candidatos à Presidência do Uruguai, disputa cujo primeiro turno foi no dia 26 de outubro. O candidato favorito para vencer o pleito no próximo dia 30, o socialista Tabaré Vázquez, teve alto índice de acerto em suas afirmações, como quando disse que “a classe média uruguaia é proporcionalmente a maior classe média dos países latino-americanos” – de fato: 63% da população. Código penal No início do mês, a presidente Cristina Kirchner enviou ao Congresso um projeto de lei para endurecer o código penal argentino. Se aprovado, permitirá que estrangeiros acusados de cometerem crimes sejam expulsos do país antes mesmo de serem julgados. A ideia encontrou resistência de grupos de direitos humanos e da oposição. O argumento do governo se baseava em uma cifra divulgada pelo Serviço Penitenciário Federal, que dava conta de que 1 em cada 5 presidiários na Argentina era estrangeiro. O Chequeado retrucou, e a afirmação foi classificada como “enganosa”, por entrarem na conta apenas as penitenciárias federais, onde há mais condenados por narcotrá-
fico e, portanto, mais estrangeiros – responsáveis pela maior parte da operação no país. Se consideradas as prisões provinciais, onde está a maioria da população carcerária da Argentina, o número diminuiria para 1 em cada 20. Considerações feitas por colunistas de jornais opositores também entram no foco do site. Em 2010, um mês antes da morte de Néstor Kirchner (19502010), marido e antecessor da presidente Cristina, articulistas do “Clarín” e do “La Nación” atribuíram a doença cardíaca da qual sofria o ex-presidente ao seu temperamento hostil e irritadiço. O Chequeado ouviu médicos e especialistas para concluir que tal afirmação era “falsa” e não se sustentava em evidências científicas. Também ficou famoso o escorregão histórico de Cristina quando, em discurso na Feira do Livro de Frankfurt em 2010, disse que a corrente filosófica alemã que leva o nome da cidade havia nascido após a Segunda Guerra (1939-45). Chequeado detectou o erro – a Escola de Frankfurt nasceu nos anos 1920 – e o divulgou. Em setembro, o chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, disse que a indigência havia sido “praticamente erradicada” nos últimos dez anos. Chequeado qualificou como “falsa” a afirmação, ao comparar dados do Indec com os de instituições independentes. Para o instituto governamental, só 1,4% da população estaria nessa faixa. Porém investigação considerada tradicional e independente, realizada pela Universidade Católica, aponta 5,5%, dado que foi cruzado e confirmado com outras fontes alternativas. Capitanich, que sofre um processo de desgaste no governo e teve de desistir de sua ambição de ser candidato à Presidência, teve o erro exposto em alguns meios. Para Zommer, uma amostra da imparcialidade do Chequeado é que resultados foram mencionados por lideranças de diferentes vertentes. O ex-vicepresidente argentino Julio Cobos, da União Cívica Radical, já se retificou publicamente após ter tido informação questionada, assim como o prefeito direitista de Buenos Aires, Mauricio Macri. Qualificação “Antes trabalhávamos apenas com os conceitos de ‘verdadeiro’ e ‘falso’, mas isso se mostrou insuficiente para explicar a complexidade de algumas informações”, diz Zommer. Hoje, o Chequeado trabalha com nove categorias. Além das duas afirmativas, estão “verdadeiro +”, “verdadeiro, mas”, “discutível”, “apressado”, “enganoso”, “exagerado” e “insustentável”. “Vivemos num tempo em que
tanto uma notícia de jornal conceituado como o que sua amiga postou no Facebook são tomados como verdades nas redes sociais. É um ambiente em que emoções e orientações ideológicas podem induzir facilmente as pessoas. Tentamos ir contra a transformação de lugares-comuns em verdades”, resume a jornalista. Além das informações políticas, o Chequeado tem uma sessão mais pop: “Mitos & Fraudes”. Ali se questionam desde expressões da sabedoria popular (misturar vinho com melancia mata?) ou lugares-comuns que reforçam preconceitos, como “pobre mora em favela porque não quer pagar nada”. Como outras iniciativas jornalísticas digitais que surgiram nos últimos anos na América Latina (Animal Político, do México, El Faro, de El Salvador, entre outros), o Chequeado também depende de doações particulares. O site aceita dinheiro tanto de indivíduos quanto de empresas, e os doadores são especificados e expostos. Para fechar o orçamento anual de US$ 200 mil, o site realiza também eventos em que se vendem convites. Não há propaganda na página. Na Redação, além de Zommer, há outros nove profissionais. Polarização Para a cientista social María O’Donnell, especialista na análise de meios de comunicação na Argentina, o cenário no país é ideal para que surjam iniciativas desse tipo.
“A guerra entre governo e meios fez com que as pessoas questionassem mais as informações e as intenções por trás de quem as divulga. Os meios e as redes sociais viraram notícia, e o que o Chequeado faz é pegar carona nessa perda da inocência dos leitores”, avalia. A estudiosa crê que, no ano que vem, quando haverá eleições presidenciais na Argentina, a batalha entre a mídia independente e o governo viverá um novo capítulo. O atual conflito começou quando os jornais tradicionais passaram a criticar a política de arrecadação de impostos no campo defendida por Cristina, em 2008. A presidente, por sua vez, vestiu a camisa da necessidade de redemocratizar os meios de comunicação no país – o principal argumento era de que o Grupo Clarín havia se tornado um monopólio (com jornais, TV paga, rádios e internet). O governo estatizou a transmissão das partidas de futebol (que pertenciam a canal do Grupo Clarín), aprovou uma Lei de Meios que obriga empresas de comunicação a desfazeremse de negócios e provocou o sufocamento de alguns veículos através da pressão a anunciantes. Sua principal arma, porém, foi o financiamento de meios que apoiassem o kirchnerismo. Com isso, o governo se tornou o maior anunciante da mídia argentina, arcando com mais de 90% do custo de alguns jornais impressos. O oficialismo, assim, armou uma rede que conta com
mais de 30 jornais e dezenas de canais e emissoras de rádio por todo o país. “Esse aparato provavelmente vai se desmontar com uma possível troca de governo. Primeiro, porque já não há mais tantos recursos; depois, porque é difícil que um governo não kirchnerista queira seguir com essa política”, diz Jorge Lanata, mais renomado jornalista do país, que tem um programa crítico ao governo no Canal 13, pertencente ao Grupo Clarín. Por outro lado, nos últimos anos, a mídia opositora tornou-se muito mais agressiva e passou a omitir notícias positivas do governo, privilegiando as críticas. “Nunca ‘Clarín’ e ‘La Nación’ estiveram tão parecidos”, afirma María O’Donnell. Cristina está impedida pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato e ainda não escolheu a quem dará apoio. Bem posicionados na disputa estão os peronistas da ala mais conservadora do partido, Daniel Scioli e Sergio Massa, além do prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri (PRO). Zommer prevê, para 2015, um cenário de mais polarização, em que o noticiário estará mais vulnerável a paixões políticas. “Vivemos num mundo com muito mais informações, mas também no qual o emocional desempenha papel muito importante. É um cenário que favorece o preconceito e a violência do debate. Espero que o Chequeado colabore para uma discussão mais baseada em fatos e mais racional”, conclui.
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MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO
3 Daqui a 50 anos O futuro do pretério
RESUMO Estes escritos são fruto do projeto “11 Crônicas para o Futuro”, concebido pelo Goethe-Institut. O projeto integra a iniciativa Alemanha+Brasil 2013-2014, promovida pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, em cooperação com o Goethe, o Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha, o Ministério da Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha e a Federação das Indústrias Alemãs, para celebrar as relações entre os dois países. Com o apoio da “Ilustríssima”, foram selecionados 11 nomes representativos das culturas alemã e brasileira, que responderam à questão: “Estamos no ano de 2064 e hoje você está celebrando seu 50º aniversário. Como está o mundo neste dia?”.
TRADUÇÃO LUIS S. KRAUSZ ILUSTRAÇÃO ANSELM KIEFER
Conseguimos escapar ainda mais uma vez ALEXANDER KLUGE
Tenho, agora, 83 anos de idade, mas continuo à caça de grandes ossos de dinossauros, na Terra do Fogo. Esse é o meu passatempo favorito. Afastei-me dos meus negócios, dos quais agora quem cuida é minha filha mais velha. Agora, no verão de 2064, ela completou 50 anos de idade. Quando ela nasceu, no verão de 2014, numa noite quente do mês de julho, com um rosto rosado e enrugado e com uma mancha acima do olho direito, eu não poderia imaginar qual seria sua aparência dali a 50 anos, nem tampouco esperava ainda estar vivo quando chegasse esse dia. Meus cinco filhos são os meus relógios, e é por meio deles que constato que estou envelhecendo. Nada daquilo que planejei para eles e nada daquilo que eles receberam como educação em
troca dos meus euros tem qualquer tipo de utilidade no ano de 2064. Exceto o fato de que, por sempre terem sido bons cabuladores de aulas, hoje eles sabem improvisar muito bem. Há 40 anos ainda se dizia: no futuro, 80% das pessoas viverão em aglomerações urbanas e em megalópoles, ou seja, todos se tornarão citadinos. E, em vez disto, estamos todos espalhados no campo. É uma pena que quase já não existam mais livros. O alfabeto foi substituído por listas e fileiras de sinais: In / Out / Like / Share / Shit / Next e mais 36 outras figuras e símbolos autorizados, que não se pode escrever, não se pode pintar, apenas clicar. Estes não são, nem de longe, tão inexatos (e por isso tão flexíveis) e nem tão gramaticais quanto a nossa língua de antes, cujos remanescentes eu coleciono assim como meus ossos de dinossauros. Quem
poderia imaginar que a língua anglo-saxã, que no passado foi tão poderosa, agora só seria falada por uma minoria na Escócia, e que, por outro lado, um dialeto do Emsland, na região da Baixa Saxônia, seria uma língua dominante, e que aquela língua dos legionários romanos que nós denominamos português se tornaria a mais importante das línguas mundiais? Ao mesmo tempo, a comunicação global que liga, intimamente, uns aos outros, a todos nós que vivemos como Robinson Crusoé (longe das cidades, que estão em ruínas), tornou-se mais artística, em decorrência do fato de que as interfaces agora não são mais implantadas no cérebro, mas em partes mais convenientes do corpo. Uma mensagem que vai de um diafragma a outro diafragma, de um intestino a outro intestino, de uma pele a outra pele é mais poética e mais plásti-
ca do que uma informação que vai de cabeça a cabeça. Como os corpos são capazes de se lembrar muito bem dos fragmentos do espírito, são capazes de narrar melhor do que seria capaz de formular o ser humano inteiro. Desde que a alimentação espiritual se tornou possível (“nem só de pão vive o homem”), as gigantescas plantações que os chineses estabeleceram na África perderam seu significado. Em compensação, o planeta esfriou consideravelmente. Não imaginávamos que a catástrofe climática e o aquecimento global, que ainda se manifestavam há 20 anos, seriam superados por uma era glacial. O Mediterrâneo, por exemplo, congelou. E, por isso, as correntes quentes provenientes da costa oriental do Brasil se tornaram ainda mais importantes. Agora, o rio Amazonas corre na direção oposta, passando
pelos Andes, rumo ao oeste. Não sei explicar por quê. Nada acontece da maneira que se esperava. Ainda deveriam existir cardumes de peixes diante da ilha da Terra Nova. Mas não há. Por outro lado, nós, humanos, somos criaturas tenazes. A todo instante, nascem novas pessoas, frequentemente com olhares confiantes. Contrariando as probabilidades, sobrevivemos a todas as crises, até mesmo à breve guerra pelas ilhas Spratly, que poderia ter sido fatal para todos. Os genes que os pássaros (como répteis emplumados) e que nós mesmos portamos de nossos antepassados (as águas-vivas) são indolentes e tiquetaqueiam em ritmo constante. Talvez seja isso o que nos tenha salvo. Ainda hoje sentimos as consequências da crise ucraniana de 2014. Naquele tempo, a crise desencadeou uma explosão de postos de trabalho
no funcionalismo público e uma corrida armamentista na Otan e na Rússia que continua até hoje. Mas quem conhece os dinossauros sabe que as armas sempre acabam prejudicando quem as porta. Elas envelhecem. Seus subprodutos, porém, a corrupção e os campos minados que estão vinculados às armas, têm vida eterna. O único tipo de armamento que considero eficaz é a zarabatana, uma arma secreta que atinge a todos os tiranos que se expõem ao público. E, se o tirano não ousar se expor, também deixará de governar. Daí a minha proposta de deixar de tentar resolver os conflitos internacionais por meio de sanções, guerras ou tribunais, e sim por meio de um jogo de futebol ritual e, se isto não funcionar (por causa dos espectadores exaltados), de arbitrar por meio do jogo de azar: a assim chamada solução brasileira.
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CHARLES DUPRAT/DIVULGAÇÃO
2064 ALBERT OSTERMAIER
Obra da série ‘Lilith’” (1990), técnica mista sobre tela
Amy JULI ZEH
“Bom dia, Juli”, diz Amy. “São 7h30. Hora de levantar. Hoje é dia 30 de junho de 2064. Parabéns pelo seu 50º aniversário. Sua temperatura corporal está em 36,9 graus, seu índice de glicemia em 85 mg/dl, seu batimento cardíaco em repouso em 60. Não, 70. Um pouco nervosa agora que sabe que hoje é seu aniversário, não?” Configurei Amy de tal forma que ela fala num tom descontraído e, às vezes, se permite fazer alguma piada. Mas, para dizer a verdade, mesmo assim, na maior parte do tempo, ela me dá nos nervos. Amy é do tamanho de uma cabeça de alfinete e mora atrás da minha orelha esquerda. Na verdade, ela se chama E-Me, minha personalidade eletrônica. Ela foi inventada para ser uma “life assistant”, uma secretária particular eletrônica. Há dez anos
que ela me foi imposta. “Agora vamos tomar banho e fazer a higiene matinal”, diz Amy. “Enquanto isso, vou encarregar a cozinha de preparar um café da manhã vitalizante, com 375 calorias, assim como uma xícara de chá. Se você quiser comer alguma outra coisa, por favor informe imediatamente.” “Quero torta de ricota e um copo de vinho espumante”, respondo. “Hoje é o dia do meu aniversário”. Amy ri. Qualquer hora, é preciso proibi-la de fazer isso. É o riso alegre de uma mulher de 30 anos. Soa um pouco como meu próprio riso 20 anos atrás, quando eu ainda investia toda minha energia na batalha política contra o controle digital dos cidadãos. Os fabricantes de Amy se orgulham dos seus “voice-prints”. Afinal, os clientes devem sentir que lhes está falando uma versão melhor deles mesmos. “Ainda não se passaram três minutos”, diz Amy, referindo-se ao tempo que passei escovando os dentes. Mesmo assim, coloco
o Dental Service System de volta em seu suporte. Sei que Amy se irrita com isso. O Dental Service System é o melhor amigo dela. Assim como todos os outros aparelhos elétricos da casa. “Você sabe que vou ser obrigada a informar o seguro de saúde se isso voltar a acontecer”, diz Amy. Enquanto estou me vestindo, Amy conta como estou. Minha saúde está excelente. Eu me alimento muito bem, pratico duas horas de esporte, todos os dias, apesar dos meus 50 anos. Desde que a política foi abandonada porque, numa sociedade otimizada, não há mais a necessidade de tomar nenhum tipo de decisão, eu me ocupo unicamente com a literatura. Amy não se cansa de enfatizar que vida maravilhosa eu tenho. “Você é feliz porque você pode se dedicar às coisas belas. Livre de doenças, livre de ameaças, livre de preocupações. Essa é uma vida privilegiada num mundo privilegiado. São 7h43 e você já recebeu 588 votos de parabéns pelo seu aniversário,
Para meu 50º aniversário desejei, para mim mesmo, dores nas costas. Queria que não fosse uma dessas manhãs inúteis em que se acorda sem sentir uma dor lancinante nas vértebras cervicais, sem sentir que está cabeceando um pêndulo com as têmporas, sem sentir as dunas da surdez que passeiam pelo corpo. Queria me lembrar de como eram aquelas dores que eu sentia depois de jogar futebol na praia, quando me arrebentava contra as pedras sob a areia, ao me esticar para alcançar a bola, quando cortava as solas dos pés com os cacos de garrafas de cerveja ou quando os dedos dos meus pés se enganchavam na órbita do olho de um semienterrado e meu crânio se precipitava sobre a praia como se fosse uma segunda bola de futebol. Eles tinham pensado em tudo aqui, nestes prédios de apartamentos. As telas que balançavam ao vento mostravam o mar, as ondas que quebravam, vindo em nossa direção e superando os gritos provenientes dos bairros pobres no abismo que há aos nossos pés. Tudo parecia enganosamente verdadeiro: a areia, os sóis, eles tinham pensado até mesmo nas queimaduras de sol nas nossas peles. À noite, era possível despir-se delas, como se fossem tatuagens, caveiras e cobras que partiam do coração e rastejavam pela garganta, até alcançarem o queixo, as asas nas omoplatas no azul do céu, que neste ano foi vendido a um magnata do ramo dos transplantes, cujo logotipo pendia das nuvens como uma marca d’água. Eu também teria desejado uma gota de água, de água legítima, na ponta da língua, na ponta da sua língua, uma gota que nós pudéssemos esconder do mundo em meio às nossas bocas unidas por um beijo, uma gota de água que você engoliria como se fosse o amor, e que voltasse na forma de uma lágrima, que eu capturaria com um cílio que cairia sobre a minha face, de onde você o retiraria com a ponta do dedo, dando-o de presente para mim, juntamente com um desejo no qual não quero pensar pois, imediatamente, eles haveriam de realizá-lo para mim, ou mandariam me lançar no poço de energia no qual despencamos sempre que
que nós vamos ler juntas mais tarde. Você está contente com a videoconferência com sua família, às 11h30. Nelson e Ada, seus filhos, se inscreveram para participar, por dez minutos cada um, de uma seção de HoloSkype. Até lá, temos que concluir nosso programa de saúde e precisamos nos apressar um pouco. Será que você poderia, por favor, terminar de se vestir?”. Saio do banheiro, passo pela cozinha, onde me aguardam chá, que acaba de ser preparado, e müsli, e calço os sapatos no corredor. “O que é que você está fazendo aí?”, pergunta Amy. Não respondo e saio de casa. Deixo o carro, pois Amy tem acesso ao computador de bordo e jamais autorizaria o percurso que pretendo fazer. “Um passeio a pé antes do café da manhã? Incomum, mas aceitável. Posso lhe dar um crédito de dois quilômetros de esporte, mas recomendo-lhe planejar o caminho passando pelo Parque Municipal. Pois o teor de oxigênio do ar, aqui no
pensamos em qualquer coisa que se pareça a um desejo imaterial. Que excitante era amar-se depois do jogo de futebol, quando o cansaço saía pela pele, quando o calor das juntas corria pelos membros como um fogo, quando cada beijo significava uma segunda chance e cada sonho tinha um jeito para passar do seu coração para o meu, quando nos desencaminhávamos um para dentro do outro, estreitando os espaços e nos surpreendendo, mutuamente, com lances inesperados. Quando então, na manhã seguinte, as costas doíam e o amor doía, porque eu estava só e porque eles tinham apagado você da minha memória, seus lábios, sua boca em minha orelha, seus seios nas palmas das minhas mãos, que ainda conservavam o cheiro da bola, da praia, eu podia comprar minhas memórias de volta, filtradas, com o logotipo de um patrocinador sobre as suas costas e com implantes de silicone nos lábios e nos mamilos pontiagudos, sob o decote dourado. Eles diziam que tudo era para um bom propósito, pois isso permitia aos pobres adquirir novos rostos, e a fome deles, os temores e as preocupações deles seriam cirurgicamente removidos e harmoniosamente substituídos por um sorriso feliz. Não espantaria que, em toda a parte, só se vissem rostos felizes? Até mesmo nos olhos dos mais pobres, quando nós os espiávamos com o rabo dos olhos ou os víamos nos estádios com as bandeiras tremulantes, depois que ele foi declarado imortal e sua múmia quatarizada voltou a ser eleita, ano após ano? Depois da Guerra dos Trinta Anos entre Google, Amazon e Facebook, eles achavam que tinham tudo sob seu controle, por meio dos dados. Porém não foi possível escanear a minha saudade, não foi possível digitalizá-la, assim como não foi possível escanear ou digitalizar meu amor pela bola de couro, quando a Fifa proibiu o couro, e o Google nos tirou a pele, e o Facebook a selou. Eles cometem erros, e o meu segundo aniversário de 50 anos chegou três anos antes do dia certo, e eu realmente estou sentindo dores nas costas. Vou pegar o tampo da mesa, tomar impulso, arrebentar a tela de projeção e surfar, lá fora, na grande onda, e todos eles vão ver que, se nós acreditarmos em nós mesmos, no amor e no futebol, poderemos governar o mundo, sem eles!
centro da cidade...”. Amy emudece porque precisa fazer cálculos. Há anos que não ando a pé pela cidade, motivo pelo qual o meu incomum e súbito projeto de passeio não se encaixa em meu perfil. As ruas estão mortas. Desde que as pessoas trabalham em suas casas e o Domestic Providing System se encarrega de fornecer todas as coisas de que precisam, há poucos motivos para andar pela cidade. Já há muito tempo que não existem mais lojas na cidade e, mesmo se as houvesse, a venda de vinho espumante e de torta é ilegal. Mas qualquer idiota sabe onde se pode obter estas coisas. Amy também sabe. “Juli!”, ela me chama, quando termina seus cálculos. “Essa não é uma boa ideia. Peço-lhe fazer meia-volta imediatamente”. Apresso meus passos; agora tudo é uma questão de tempo. “Você está prestes a transgredir as leis. Conforme o § 14 Inciso III da Lei de Entorpecentes, o vinho espumante é uma
substância que contém álcool, ou seja, uma droga proibida. Torta de ricota consta no § 342 da legislação antiaçúcar. Vou ser obrigada a denunciar suas intenções!” “Se você tivesse papilas gustativas, você calaria a boca e se alegraria”, digo eu. Mas Amy é incapaz de compreender frases como essa. “Última advertência. Agora farei a denúncia. Denúncia em 5, 4, 3, 2, 1 segundo. Denúncia efetuada”. À minha frente está a estação de trens, atrás da estação de trens estão os traficantes. Estou com água na boca. Torta de ricota e vinho espumante. Já se passaram 20 anos. As notas de e-100 dólares estão preparadas. Talvez eu devesse acrescentar mais 1.000 e aproveitar a oportunidade para mandar tirar Amy do lóbulo da minha orelha? Também há especialistas nisso atrás da estação de trens. “Desvio identificado, normalização iniciada”, diz Amy, satisfeita. “Chegada da Health Security prevista em 0,3 minuto”.
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Diário de Pequim O MAPA DA CULTURA
MARCELO NINIO
“U
ma obra de arte deve ser como um raio de sol num céu azul, uma brisa de primavera que inspire as mentes, aqueça os corações, cultive o bom gosto e limpe os estilos indesejáveis”. O discurso cheira a anos 40 e parece ter saído da cartilha de Mao Tse-tung, mas é obra do atual líder chinês, Xi Jinping. Numa pregação feita a um grupo de artistas há algumas semanas, Xi lembrou que o Estado continua de olho neles. Foi um encontro da elite cultural chinesa como não se via há décadas. Chamados ao Grande Palácio do Povo, palco principal do protocolo comunista, lá estavam nomes consagrados – como o Nobel de literatura Mo Yan e o diretor de cinema Chen Kaige, de “Adeus Minha Concubina”. Entre eles, representantes de outras artes, da ópera à caligrafia, além de militares de alta patente, atentos aos preceitos éticos e estéticos de Xi. Não é de hoje que líderes chineses propalam diretrizes para a cultura. Em 1942, sete anos antes de fundar a República comunista, Mao Tse-tung fez o mais célebre discurso sobre o tema.
Na cidade de Yanan, bastião histórico do movimento vermelho, Mao reiterou que via a arte como uma das frentes da revolução. Anos depois, essa filosofia levaria aos excessos da Revolução Cultural (1966-76), quando intelectuais foram perseguidos e uma histeria coletiva tomou conta do país. Todos os sucessores de Mao antes de Xi também tiveram momentos como doutrinadores da cultura. A diferença é que hoje a retórica tem muito mais obstáculos para contornar. Como encaixar a estética socialista no capitalismo de Estado que fez do país a segunda economia do mundo? É possível infiltrar ideologia na arte e usá-la como “soſt power”, ou seja, incrementar no mundo o poder de sedução do estilo chinês? Estranha arquitetura Desde o início da abertura econômica em 1978, na ressaca da Revolução Cultural, artistas sofrem menos pressão do partido. Mas o discurso retrô de Xi fez ressurgir algumas nuvens do passado. Xi defendeu a criação de uma “arte moral” inspirada no socialismo, criticou o apelo comercial dos artistas que cedem ao “cheiro do
dinheiro” e bateu forte nas construções “estranhas” que proliferam na China na onda da expansão econômica. Criticou especificamente o prédio moderno mais famoso de Pequim, conhecido popularmente como “Calças” por seu formato e que é a sede da TV estatal. Nesse ponto, deve ter agradado a muitos residentes da capital, incomodados com as bizarrices que substituíram parte do tradicional casario da cidade.
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Nuvens do passado A marca do dragão e um céu azul artificial
Sem a marca do dragão O Festival de Cinema Brasileiro da China sobrevive, apesar dos percalços. Em seu quinto ano, o evento será aberto no final do mês e levará sete filmes da produção nacional recente a Pequim e Xangai. Uma mudança nas regras da censura, porém, atingiu festivais de cinema estrangeiro. O governo passou a exigir legendas em chinês já na pré-seleção dos filmes, o que encarece a produção. A opção dos organizadores brasileiros foi abrir mão do selo da censura, necessário para a exibição em lugares públicos, e realizar o festival em centros alternativos, como o Instituto Italiano de Cultura e a Academia de Cinema de Pequim.
Sem a “marca do dragão”, como é conhecido o selo de aprovação, o festival pôde incluir um longa como “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”. Com tema gay, dificilmente teria passado pelo controle oficial. Piratas no armário Um céu azul olímpico, incomum numa cidade que tem a poluição como cartão-postal, imperou nos últimos dias em Pequim. Lembrou para muitos a Olimpíada de 2008, quando o governo fechou fábricas e limitou o número de carros em circulação para fazer bonito para o mundo. Agora o ar ficou respirável devido a outro evento internacional, a cúpula do fórum Cooperação Econômica Ásia-Pacífico. A cidade foi maquiada para receber Barack Obama, Vladimir Putin e os demais governantes que virão nos próximos dias. Além do ar, também foram tomadas providências para disfarçar outra mancha na reputação chinesa: a pirataria. Nos bairros mais badalados, lojas de DVDs piratas foram temporariamente fechadas. Algumas continuam abertas, mas com um acervo bem-comportado: só cópias legais, a maioria de filmes clássicos como “Casablanca” (1942).
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS
MARLENE BERGAMO/FOLHAPRESS
5 De Ariano para Heleninha João Pessoa, 1997 Livro dedicado a Helena Albergaria pelo pai (1974) e por Suassuna (1997)
SÉRGIO DE CARVALHO
Em quatro ocasiões me encontrei com o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna (1927-2014). Já na primeira delas, em 1997, na capital da Paraíba, notei que estava diante de uma pessoa admirável. Vi isso num pequeno gesto, uma dedicatória escrita às pressas, quando estava embaixo de uma lona de circo. Na segunda e na terceira vez, foram cenas públicas, em que ele atuava como figura da cultura. Um almoço com políticos da Paraíba, em que constavam, decorativamente, também eu e Antonio Nóbrega. E na abertura de um festival no Recife, quando Suassuna, então secretário do governo pernambucano, teve de enfrentar a vaia bruta de uma plateia após encenação feita por seu sobrinho Romero de Andrade. O coro cresceu com o refrão “abuso de poder”, até virar pateada agressiva. Até hoje não sei se surgiu da precariedade da peça ou do valor do cachê pago. Suassuna teve tranquilidade para se pôr de pé na poltrona e responder sorrindo: “A grande arte sempre provoca revolta”. Com mais calma, nos encontramos um ano depois do autógrafo, em seu gabinete oficial, em frente ao rio Capibaribe, no Recife. Vínhamos num pequeno grupo da Companhia do Latão para uma entrevista que seria
publicada na nossa revista, a “Vintém”. Ele folheou alguns exemplares, entendeu logo do que se tratava, não sem alguma estranheza (artistas marxistas!), e organizou a pauta: “Vocês sabem que eu não gosto de Brecht?”. Talvez ele tenha se perturbado com a própria frase. Logo viu que nossas perguntas desarmadas pediam histórias de seus anos de formação com Hermilo Borba Filho (1917-76), teórico e artista brilhante, que tanto o influenciou em seu começo no teatro. Ou da proximidade entre o barroco ibérico e a arte popular brasileira. Não estávamos ali para inquirição política. Então, do nada, ele lançou: “Não tenho simpatia pela burguesia”. E explicou: “Pertenço a uma classe, o patriarcado rural brasileiro, que gosta do povo”. No mesmo compasso classista, deu um jeito de falar na derrocada da União Soviética e dizer, para nosso riso, que tinha saudades de Stálin. “Quem muito se agacha, o fiofó lhe aparece”, foi a frase sobre o “bandido” Boris Ieltsin. E sintetizou: “A utopia é uma coisa importante. A gente tem que pôr o sonho de liberdade e justiça na frente e caminhar até ele. Então vou começar a relembrar o que Stálin tinha de positivo. Não vou mais brigar”. A fala ambígua de Suassuna surgia como proposta de relação: um tanto de uma armadilha irônica, outro tanto de desejo de acordo, sempre interessada em nossa reação fraterna. “Uma peça é um tumulto”, eu
disse a ele. “Você lembra que escreveu isso?” “Foi, é?”, ele me respondeu. “É mesmo? É mesmo? Um tumulto? Não me lembro mais, não. Mas é isso, os dramaturgos são mais desse outro mundo: da impureza, da misturada, não é?” Entre o conflito e o encontro, pensei na confusão do teatro e na dedicatória do ano anterior: era uma reunião de palhaços e artistas populares na Paraíba. Nós dois também estávamos presentes, alguém de imaginação achou que podíamos contribuir como intelectuais da palhaçada. Eu levava uma encomenda embaixo do braço: uma edição da “Farsa da Boa Preguiça” para ser autografada. Era de Helena Albergaria, minha amada companheira, ela sim leitora entusiasmada de Suassuna. Faço o pedido na saída de sua conferência. Ele abre o exemplar e vê outra dedicatória mais antiga: “À Heleninha, do papai, S. Paulo, setembro de 74”. Pela data, uma menina de dois anos. Um médico deu à filha, a brasileirinha que havia pouco chegava ao mundo, um livro, aquele livro. Juarez Ricardo morreria muito jovem. Mas viu Helena se tornar atriz. Suassuna entendeu, antes que eu explicasse. Eu contei a ele a história, aos pedaços, e ele escreveu sua dedicatória embaixo: “Para Helena, referendando o oferecimento do seu Pai, o carinho e o afeto de Ariano Suassuna”. Ainda disse: mande meu abraço a Heleninha.
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História
Ele combinou com os russos
Memórias do homem que norteou a Guerra Fria
RESUMO Premiadas memórias de George F. Kennan (1904-2005) ganham tradução brasileira. Obra em dois volumes cobre de 1925 a 1963 e é analisada por embaixador, que frisa sobretudo como a sensibilidade e as orientações do cientista político e diplomata em Moscou evitaram que a Guerra Fria se tornasse um conflito bélico.
MARCOS AZAMBUJA
O “longo telegrama” foi enviado pela Embaixada dos Estados Unidos em Moscou para o Departamento de Estado, em partes, no mês de fevereiro de 1946. Era o “blueprint” do que seria, no essencial, a política de contenção adotada por sucessivas administrações norte-americanas como resposta à política expansionista da União Soviética.
Merecia o nome: era, sem qualquer dúvida, um telegrama e foi, até o momento de sua expedição, o mais extenso texto da história das comunicações telegráficas enviadas pelos canais da diplomacia americana. Seu autor era George F. Kennan; então com 40 anos, ele era a segunda pessoa da hierarquia do posto e responsável pelo setor político da representação diplomática de seu país em Moscou. Poucos textos de análise prospectiva de aspectos do comportamento internacional se revelaram tão prescientes quanto a avaliação original de Kennan, que tem suas “Memórias 1925-1963” [trad. Vera Giambastiani e Antonio Sepulveda, Topbooks; R$ 119; vol. 1, 491 págs. e vol. 2, 297 págs.; não vendidos separadamente] publicadas agora no Brasil. Kennan partia de uma avaliação lúcida e informada do que a Rússia era e ambicionava conseguir e, por ser eminentemente realista, escapava das simplificações ou demonizações com que costumavam ser vistos naqueles idos os projetos de Moscou. Embora reconhecesse as especificidades próprias do regime soviético, identificava no comportamento russo elementos que transcendiam as circunstâncias do momento e correspondiam a uma
certa maneira russa de pensar e interpretar o mundo. As linhas de conduta que preconizava e que recomendavam uma política de “containment” da União Soviética serviram como guia de conduta para Washington por várias décadas, funcionando como modelo ao longo dos mais de 40 anos que durou a chamada Guerra Fria, extraordinária prova de longevidade em um universo em que os diagnósticos e as terapias que deles derivam costumam ter vida muito mais efêmera. Embora a Guerra Fria tenha a sua data inicial associada com o bloqueio de Berlim em 1949, é evidente que, em 1946, a reflexão dos melhores analistas já havia antevisto e identificado o longo ciclo de enfrentamentos e desconfiança que, com oscilações de intensidade, persistiria entre americanos e russos até a queda ao Muro de Berlim em 1989. Se não tivesse sido escrito o longo telegrama, ou se ele não tivesse sido acolhido como matriz da política que foi perseguida por Washington por um tão longo período, talvez a palavra “fria” não servisse para descrever a natureza do amplo enfrentamento político, militar e ideológico que existiu entre as duas superpotências daquele tempo e tivéssemos deslizado tragicamente em direção
a um enfrentamento militar direto entre elas, que poderia se ter transformado na Terceira Guerra Mundial, com sua catastrófica dimensão nuclear. Vitoriosos George Kennan pertence àquela geração de jovens americanos que, vitoriosos na Segunda Guerra Mundial, tiveram o desafio de organizar o mundo em linhas e espaços que reconhecemos ainda hoje. No campo das relações internacionais, os atores decisivos não foram muitos: George Marshall, Dean Acheson, Chester Bowles, Paul Nitze, John McCloy e Robert Lovett, para reunir os seis contemporâneos que são frequentemente identificados como os principais arquitetos da filosofia de ação norte-americana na Guerra Fria. Mais tarde, seria preciso somar John Foster Dulles e Henry Kissinger a essa lista como as pessoas que, de perspectivas diversas e em momentos diferentes e com importantes divergências entre si, desenharam as linhas gerais do mundo em que vivemos. Kennan, além de ter sido um dos maiores estrategistas diplomáticos de seu tempo, é também um escritor de estilo fácil e fluido que reflete os pontos de vista de uma elite política e cultural dos Estados
Unidos formada nas suas grandes universidades. Essa elite via seu país como o titular de um destino manifesto e não mostrava um interesse maior ou uma sensibilidade especial senão para as que eram as grandes potências tradicionais, negligenciando as que não participassem da equação central da disputa pela hegemonia mundial. Se o enfrentamento soviético-americano é o confronto central da história mundial na segunda metade do século 20, George Kennan é, ao mesmo tempo, ator privilegiado no desenho dos termos e condições desse enfrentamento e, também, cronista idealmente colocado para contar o que então acontecia e avaliar as consequências daqueles atos sobre o futuro das relações internacionais. É significativo que o interesse pelas memórias de Kennan não tenha desaparecido depois de 70 anos passados dos acontecimentos descritos e que, pelo contrário, como os recentes acontecimentos na Crimeia evidenciam, George Kennan continue a ser um mestre em identificar aquela dualidade de comportamento – temeroso e agressivo – que é tão característica do repertório tradicional russo. Algumas das questões ex-
ploradas por Kennan voltaram a ter, em um novo contexto, relevância e atualidade. Uma Rússia revigorada voltou a adotar posições que são as que o país costuma quase automaticamente assumir quando se sente cercado e ameaçado. Kennan foi dos primeiros a identificar aquela característica dualidade de um país que se percebe como um ator internacional poderoso por suas imensas extensões, não menores recursos naturais, cultura e população e, ao mesmo tempo, aberto e vulnerável a vários inimigos que se aproveitam das vastas planícies de seu território como caminhos abertos para a invasão e a conquista. Os fundos traumas da história próxima e remota continuavam a atuar (como acontece até hoje) sobre o espírito e o imaginário russos. Os quase 30 milhões de mortos e feridos na resistência à invasão hitleriana haviam caído um punhado de anos antes. A invasão napoleônica estava distante de apenas pouco mais de um século. O que torna a percepção de Kennan aguda e relevante é que sua profunda compreensão do psiquismo russo não o faz cego para as ameaças que o regime comunista implantado em Moscou representava para o resto da Europa e para a ordem internacional.
Caderno D
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plateia@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Plateia
Entrevista com dupla Bruno e Marrone Plateia 3
(92) 3090-1042
Domingo de arte integrada no largo
A população de Manaus tem motivo a mais para frequentar o largo São Sebastião aos domingos, com a consolidação de uma iniciativa criada no fim de setembro
LÍDIA FERREIRA Equipe EM TEMPO
O
nimento e também contatos profissionais. Muitos artistas já venderam quadros ou mesmo conseguiram alunos para suas oficinas durante essas ações”, disse. Rosa dos Anjos ressalta que o próximo passo da associação é levar o projeto para os bairros de Manaus, uma forma de descentralizar as atividades culturais que, na opinião dela, se limitam ao redor do Teatro Amazonas. “A arte precisa ir até o público. Precisamos fortalecer a política cultural para que seja mais acessível a todos”, disse. Na próxima semana, artistas ligados à Aceam irão realizar uma exposição na Zona Norte da cidade, por meio do
projeto “Domingo de Arte”. Nomes como Rodney Marques, Hadna Abreu e Marius Bell estão na ficha técnica. Grafite, cartum e outras linguagem também fazem parte da programação. “Também estamos participando de editais de cultura para levar os projetos para o interior do Estado”, conta a presidente. Paralelo às ações culturais, a Aceam está mobilizado artistas e o poder legislativo para que a Lei de Incentivo a Cultura Municipal saia do papel. A proposta prevê 2% do ISS para projetos culturais. “Semana passada nos reunimos na Câmara (Municipal de Manaus) para cobrar a aprovação desse projeto de lei
que está parado há 10 anos”, contou Rosa dos Anjos. Com 150 associados, a Aceam foi fundada em abril deste ano e tem 12 membros na diretoria. O contato pode ser feito pelo e-mail aceam. arteintegrada@gmail.com. Atualmente, conta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) e Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). Teatro Além das exposições de artes visuais, a agenda de hoje tem a apresentação do grupo de teatro Ulha Já, que apresentará espetáculo “O mala da arte”, a partir das 9h, no próprio largo de São Sebastião.
Com a proposta estética de teatro de rua, a montagem é uma comédia que questiona a ética e faz críticas às autoridades políticas. O protagonista, interpretado por Ismael Farias, é o personagem Pedro Malasartes, figura folclórica trazido pelos colonizadores portugueses e incorporado à cultura nordestina. Com direção de Emile Nóbrega, o elenco conta ainda com Adriano Holmes como a personagem espirro do cão, Fabiano Baraúna como Foquito e Beariz e Fábio Moura dando vida ao Suspiro do Diabo, além de Laury Gitana como a Dama. A trilha sonora terá Júnior Victorino nos vocais e Alan Silva na percussão. FOTOS: DIVULGAÇÃO
projeto “Pintura ao vivo” ultrapassou o objetivo de reunir artistas visuais e agora une outros segmentos de arte, como apresentações de capoeira, dança e teatro ao ar livre, todos os domingos, a partir das 8h, no largo São Sebastião. Realizado pela Associação de Cultura do Estado do Amazonas (Aceam), o evento teve a primeira edição no dia 28 de setembro e contou com a presença do padrinho da ação, o artista plástico Moacyr Andrade. A ideia inicial era, como o próprio nome
sugere, os artistas pintarem seus quadros em tempo real, ao lado dos espectadores, conforme conta a presidente da Aceam, Rosa dos Anjos. “A repercussão foi tão positiva que atraímos fotógrafos, bailarinos, atores e poetas. A associação quer justamente isso, fazer um trabalho de arte integrada”, comenta. Em todo o largo, artistas colocam seus cavaletes para realizarem pinturas, bem como expõe quadros e varais de fotografias. Performances também são realizadas ao ar livre. O movimento tem atraído um público de quase 500 pessoas por domingo, segundo Rosa dos Anjos. “Isso proporciona discussões culturais, entrete-
Diversas expressões da arte se fazem presentes na programação, que deve ser expandida para outros bairros
SERVIÇO ‘PINTURA AO VIVO’ Quando Domingo, a partir das 8h Onde largo de São Sebastião 3404-4027 Quanto Gratuito
Plateia teia >> Chá e charme
. A bela Suelem Herrera Pacheco pilotou seu chá de baby, quintafeira, comemorando a chegada de Maitê, sua primeira filha com o marido Marcos Pacheco. . O local escolhido para a festa? A Casa das Artes, que esteve cheio de nomes do time de jovens e bonitas socialites de Manaus. Festa cheia de charme!
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>> Objeto de desejo
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br
FOTOS: MAURO SMITH
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A anfitriã Suelem Herrera Pacheco, em seu movimentado e elegante baby chá
. Já virou tradição uma das coleções de maquiagem mais desejada no final do ano, a Golden Collection da Dior, que foi revelada, e assim como as coleções anteriores, está incrível! Composta por batom, paleta de sombras, pó compacto e esmalte, a coleção promete deixar qualquer mulher muito mais iluminada neste Natal. O destaque da edição? As novas tonalidades de esmalte, o já conhecido top coat e os batons Diorific, que chegam em oito tonalidades diferentes e com dois tons em cada um (mate e com microesferas douradas). Para brilhar!
>> Vitrine
Erika Vieira, Silvia Sodré e Mariana Garcia Suelem Pacheco e o amigo Waisser Botelho
>> A tradicional festa de fim de ano desta coluna dará o start para a temporada de festas da cidade. Na versão 2014, o evento será temático – uma noite árabe, com todo o luxo que o tema prevê -, no dia 4 de dezembro, no Diamond. O evento irá comemorar 30 anos de colunismo social do editor deste espaço. Aguardem! >> A querida Florência Ayub estreia idade nova neste domingo. Cumprimentos especiais da coluna. >> Boa notícia para a turma que curte o mar do Caribe: a partir de janeiro, Manaus passa a ter dois voos semanais para Aruba, pela Insel Air, uma subsidiaria da Air Aruba. A Paradise Turismo já está fazendo reservas. Oba!
Suelem Pacheco com as amigas Mariana Garcia, Mirla Souza, Renata Ruiz, Carla Pacheco, Michelle Carratte, Diana e Raphaela Sampaio
>> Na lista de aniversariantes de amanhã, Robertinho CamiElizandra Xavier, Karla Henderson e a filha Manuela
nha, Juliana Lengler, Alfredo Filho e Terezinha Frota Uchôa. >> Zenaldo Mota e Cândida Barbosa convidam para o almoço de lançamento de novidades de fim de ano, no Cândida Buffet, no dia 17. >> A artista plástica Clio Baraúna de Carvalho terá vernissage da exposição “Flores de Clio” na MS Casa. >> A secretária municipal de Comunicação, Mônica Santaella, será cumprimentadíssima na terça-feira pelo seu aniversário. >> O badalado restaurante Alentejo passa a abrir para almoço e jantar a partir do dia 14, para a temporada de fim de ano. O maitre Geraldo Teixeira recebendo os habitués com a simpatia de sempre.
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Bruno & Marrone cantam hits de
28 anos de carreira
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anter-se no mercado e continuar fazendo sucesso, mesmo com tanto tempo de estrada, não é para qualquer um. Uma dupla goiana, conhecida por canções cheias de romantismo, ultrapassou barreiras e chegou o topo do sucesso. Com 28 anos de carreira, Bruno & Marrone estarão em Manaus no dia 22 de novembro, para cantar no “Último Sertanejo do Ano”, show que será realizado no sambódromo. A festa promovida pela Fábrica de Eventos contará ainda com a presença de Jorge & Mateus. A dupla Bruno & Marone já lançou 17 CDs e 7 DVDs ao longo de quase três décadas. Atualmente, eles divulgam em turnê o CD/DVD “Bruno & Marrone – Agora ao vivo”. O álbum traz cinco faixas inéditas e 18 regravações, sendo quatro delas sertanejas e o restante de outros segmentos. Em entrevista exclusiva ao EM TEMPO, Bruno destaca que o novo trabalho está sendo bem aceito pelo público. A dupla, que ao longo dos anos já gravou em diversos formatos, desta vez optou pelo intimista.“É positivo ver o ritmo crescer e cada dia mais as pessoas se interessando, não só pelo que toca na atualidade, mas também pelo que já tocou. Os jovens se interessam pelo sertanejo mais antigo, assim como nós, que já estamos há mais tempo, também procuramos nos atualizar”, afirma. O novo álbum viaja pelo clássico sertanejo até a MPB de Roberto Carlos. Entram no set list, “Fren-
te a Frente” (Chico Roque/Carlos Colla), “Garçom” (Reginaldo Rossi) e “Ausência” (Christian & Ralf). A música “Oceano”, de Djavan, aparece acompanhada pelo choro melódico da sanfona. Outras surpresas aparecem, como “Apenas mais uma de amor” (Lulu Santos) e “Primeiros erros” (Kiko Zambianchi), que foram as eleitas para representar o rock nacional. Para fechar os anos 90, “Evidências” (Paulo Sérgio Valle/José Augusto) e “Alma gêmea” (Peninha). Os anos 2000 são representados por outros ritmos como os sambas “Deixa acontecer” (Carlos Caetano/Alex Freitas) e “Você me vira a cabeça” (Chico Roque/Paulo Sérgio Valle) e a música baiana aparece com “Quando a chuva passar” (Ramon Cruz) e “Não vou chorar” (Alexandre Peixe/Beto Garrido). A canção “Dormi na Praça” também está presente no álbum e é, sem dúvida, a música que mudou a vida de Bruno & Marrone. Público renovado Atualmente, até mesmo a nova geração de músicos sertanejos acompanha com frequência as apresentações da dupla. Para Bruno, o reconhecimento de outros artistas se deve ao romantismo aplicado nas canções. “O romantismo nunca acaba. As pessoas ainda buscam ir aos shows e ouvir músicas que tocam o coração, mas também gostam de alegria, então misturamos os momentos. Acredito que foi assim que conseguimos atingir esse público que tem várias idades”, revela.
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Os goianos tocarão na festa “Último Sertanejo do Ano”, com Jorge & Mateus, no sambódromo DIVULGAÇÃO
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CRÔNICA
As desventuras de D. Maria Q PERFIL
Aldisio Filgueiras Jornalista e membro da Academia Amazonense de Letras
uando vocês acabarem de ler estas “Aventuras de dona Maria, a sogra que ninguém merece”, não acreditarão que ela tenha existido e que essa mulher, que sonha com a fonte da juventude não passa de simples invenção de uma escritora, cumprindo seu ofício de inventar. Mas a situação é muito pior: dona Maria existe. Ela sobreviveu à Revolução Francesa e, por isso, mais de 200 anos depois de a guilhotina ter separado a cabeça de Maria do corpo de Antonieta, essa ex-caboquinha que ora lhes é apresentada pela Tricia Cabral ainda acredita que é princesa. Eu sei que dona Maria existe porque ela é da minha geração, um grupo de estrangeiros que nasceu e continua habitando em Manaus, mas para o bem de todos e felicidade geral da nação, está em extinção. Eu sei que ela existe, porque já cruzei com ela (no bom sentido) em várias situações, de ouvir falar ou por estar passando por perto dos acontecimentos. Como prova de que é amazonense, dona Maria costuma anunciar que nasceu no Rio de Janeiro, mas o aquecimento global a transferiu para Manaus, ainda nos cueiros, sem noção do que significava a mudança. Eu sei porque ouvi falar de bocas incapazes de mentir. Quando a pessoinha de-
sembarcou na feira da Panair (segundo a versão que ela utiliza para impressionar colunista social), a Panair ainda era “paner” e não havia feira. De cima do barranco, ouviu-se um coro: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...”. Sim, pois sempre existiu e existirá um Vinicius de Morais de olho nas coisas mais cheias de graça, que vão e que passam. Maria desembarcou em Manaus podendo, como desembarca podendo todos os anos, vinda sabese lá de onde, a Kamélia do Carnaval do Olímpico. Uma cartomante recentemente chegada de Faro foi textual: “Essa menina não se cria”. Foi a primeira vez que uma cartomante errou a profecia, na história de Manaus. Essa uma adivinhou o advento de Gilberto Mestrinho e seus vários monstrinhos, que ainda assombram por aí; mas com Maria, ah, ah, ah, ah... Maria, que ainda não era dona nem do próprio nariz, se criou, como o livro da Tricia Cabral não me deixa mentir. Lembro de ouvir falar ou por estar passando por perto, faz já muito tempo, do seu aniversário de 5 anos. Ela odiava ter 5 anos; queria ter 15; depois queria ter 20; agora, quer de novo ter cinco. Dentro de um vestido cor de rosa, ela parecia um desconfortável morango artificial no meio da sala. Maria queria
ser adulta. Foi por isso que fugiu para Belém com um funcionário do Banco da Amazônia, para boicotar a festa de 15 anos, que aconteceria no Salão os Espelhos do Rio Negro. Maria debutou assim, mas foi o primeiro e único erro financeiro que cometeu; nunca mais confundiu bancário com banqueiro. Dona Maria existe, mas não pode processar a Tricia, por um simples motivo: a ficção é a nossa realidade e o direito não alcança essa sutileza. Dona Maria, a criatura de Tricia, é a mulher à beira de uma crise de nervos. Ligue a televisão, leia os suplementos dos jornais, acompanhe a moda, enfim, dê uma chance à mulher que não seja aquela cheia de graça que vem e que passa, e estaremos diante de dona Maria, a Louca; a estressada; a infeliz; a mula sem cabeça, a mulher de branco, a obsessão pela eterna juventude, essa mitologia criada para manter a mulher na retaguarda dos direitos republicanos e na linha de frente dos privilégios da monarquia. Em busca da eternidade, dona Maria pensou em entrar para a Academia Amazonense de Letras. “O que a Mazé
Mourão tem que eu não tenho”, perguntou-se já investida de imortalidade. Mas ao ler o dicionário de biografias dos acadêmicos, escrita pelo Almir Diniz, ela se espantou: “Mas isso não é uma academia, é o Parque dos Dinossauros”. E desistiu. É nesse contexto que a crônica de Tricia Cabral se insere no jornalismo e na literatura amazonenses, na linhagem de um Stanislaw Ponte Preta ou de um Ribamar Bessa Freire, do “Taqui pra ti”. O riso é o anúncio dos desacertos nossos de cada dia. Bem-vinda à ficção, Tricia. Só ela pode dar conta da nossa triste realidade.
Dona Maria existe, mas não pode processar a Tricia, por um simples motivo: a ficção é a nossa realidade e o direito não alcança essa sutileza”
Plateia
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
Bate-rebate
Foi assim Há dois meses, o humorista Ceará se reuniu com Emílio Surita e Tutinha e avisou que iria embora do “Pânico”. Como já havia um desgaste nas relações, entre outras coisas pelo fato de ele continuar ligado à empresária e irmã de Sabrina Sato, Karina, o comando do programa não criou qualquer objeção e a saída foi acertada. O Ceará se despede em dezembro. Foi assim 2 Curioso é que o Ceará, naquele momento, tratou de “distribuir” a notícia para a equipe de produção do “Pânico” e ninguém o levou a sério. Acharam que era brincadeira. Segundo os seus próprios companheiros, o humorista anunciou ida para o Multishow, mas na verdade já estaria fechado com um programa de fim de semana da Globo. Vida que segue Número 1 do “Pânico” na Band, Emílio Surita informa que o seu pessoal já está trabalhando nos preparativos de algumas novidades para a temporada de 2015. O programa vai apostar muito em segmentos de competição e também apresentará no-
Mário Adolfo
Divergências Sabe aquela do “o que a personagem tem a ver com você?” É bem por aí o próximo trabalho de Letícia Spiller na Globo, “Lady Marizete”, substituta de “Alto Astral”, que estreia em abril de 2015. Já está tudo acertado para ela viver Soraya, uma personagem “linda e charmosa”, mãe do protagonista. Agora, o que não combina: viúva, odeia favela e os pobres. vos integrantes no decorrer do ano. A última edição ao vivo neste 2014, antes das férias, irá ao ar em 21 de dezembro.
GLOBO
TV Tudo
mais em produções próprias.
Parceria antiga As TVs Globo e SIC estão muitos próximas de fechar um novo contrato para a manutenção da parceria. Sobre o assunto, a assessoria da Globo não dá mais detalhes, informa apenas que “a SIC é uma parceira de longa data” e que “permanece tudo como está”.
Distância regulamentar Wolf Maya é o diretor escalado para “Lady Marizete” e, segundo se informa, desta vez ele pretende trabalhar com um elenco bem diferente das suas últimas novelas. Isso até para evitar comentários maldosos de que privilegia um determinado grupo de atores. Entre as exceções, no entanto, Maria Casadevall – que já possui luz própria.
Porém... Parece que não é bem assim não. Comenta-se que a SIC planeja reduzir a presença brasileira na sua “grelha” de programação, a partir de 2015. E apostar
Premiação Mateus Solano foi o escolhido para comandar a festa de entrega do prêmio de Responsabilidade Social 2014 promovido pela Globo.
• João Côrtes, o ruivinho dos comerciais, vai gravar nesta segunda-feira entrevista para o “Programa do Jô” na Globo. • Rodrigo Scarpa, o Vesgo, segue firme e forte no “Pânico”. Contrato renovado por mais 2 anos. • Várias jornalistas da Globo estranharam o enorme interesse nas tatuagens da Poliana Abritta, nova apresentadora do “Fantástico”... • ... As colegas acharam que não era para tanto e que Abritta precisa, nesse importante momento da carreira, ganhar espaço com seu trabalho. • Ratinho encerra suas atividades deste ano, no SBT, dia 20 de dezembro... • ... A equipe do apresentador retomará os trabalhos do programa exatamente um mês depois.
Da Globo para TV paga Muitos autores da Globo, quase 250, têm preferido enviar projetos para os canais Globosat – GNT, Viva e Multishow, porque observam ali uma possibilidade mais tranquila e acessível de colocarem as suas ideias, longe da pressão por audiência da TV aberta. Além disso, esses projetos não necessitam da bênção dos Fóruns de Seriado e de Humor, o que torna tudo mais fácil.
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Fábio Porchat fala sobre a expectativa de concorrer com Serginho Groisman e Marcos Mion nas noites de sábado. “Se der alguma audiência já está bom”, diverte-se. O humorista vai assinar contrato com o SBT no fim do mês. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br
Os revezes da cultura
Elvis
Regi
Gilmal
Esta coluna recebeu alguns e-mails a respeito da lucidez com que tratamos a questão da política cultural do nosso Estado tratados no artigo anterior. Prontamente nos foi solicitado um aprofundamento maior e um exemplo do que sugerimos. Antes, uma digressão: a notícia quetem tomado a todos ultimamente diz respeitoa saída da então ministra da Cultura Marta Suplicy. Sabe-se, porém, que sua demissão já esta0va prevista, afinal, Suplicy foi uma dasprincipais articuladoras do movimento “Volta Lula” na qual se pedia a substituição da candidata do PT ao pleito de 2014, Dilma Roussef, pelo ex-presidente Lula. Como sabemos, Dilma ganhou e, ao que muitos sabem, estamos diante de uma mulher vingativa e perseguidora. Marta jamais seria poupada desta afronta. Mas o pior ainda está por vir: quem será o novo ministro da cultura? Tema para um artigo. Semana passada pusemos em discussão a questão regional onde, ao que muitos pensam, o então secretário de cultura do Amazonas Robério Braga deixaria o cargo. Não sabemos ao certo do teor destas especulações, o que importa é mensurarmos a política mais do que o político e daí tirarmos de pronto duas conclusões: a primeira é a de que Braga fez muito pela cultura de nosso Estado, nos livrou do primitivismo tacanho e embrionário da mentalidade baré e nos alçou a viagens bastante sofisticadas de participação. Pensar, como temos acompanhado nas redes sociais, em acabar com os festivais de ópera ou cinema e dizer que isto faz parte da cultura “elitista” ou pensar que estas manifestações “não tem nada a ver com a gente (sic)” seria o maior atentado à nossa inteligência e à história regional. Robério Braga transformou não apenas os aspectos mais comezinhos da política cultural regional, mas sobretudo o modo de pensar da população sobre as mais diferentes áreas de conhecimento.Teatro, dança, cinema, folclore, patrimônio e memória ganharam contornos sinuosos; a ópera ao ar livre atrai mais público em
um dia de evento do que vários dias de Festival Folclórico do Amazonas, ao contrário do que muitos desavisados pensam - elitismo? O que deve ser repensado, e aí seja quem for o secretário, é o processo de valorização do artista amazonense. Mas não de forma mecânica, afinal, a mediocridade não perdoa raízes e nascimento, mas pensemos assim: a cada ópera, por exemplo, teríamos como assistente de direção um diretor amazonense que receberiauma bolsa de estudos onde aprenderia a ler partituras, interpretar os clássicos, técnicas de direção para ópera etc. O mesmo se daria com os cantores, os figurinistas, os cenógrafos, etc - até que um dia nós teríamos uma ópera produzida e encenada genuinamente por artistas locais. Não pretendemos sugerir bairrismos. É claro que no programa do Festival teríamos grandes artistas de diferentes latitudes atuando por aqui. Mas negligenciar o talento da nata da casa ou mesmo deixar de experimentar suas vocações seria um truísmo leviano. O melhor exemplo disso foi o que Robério Braga fez com a música erudita. Em 1998, todos os músicos da Orquestra Amazonas Filarmônica eram do Leste Europeu e hoje são em sua esmagadora maioria, nativos da região, de outros estados e uns poucos de outros países. Uma bela composição por sinal! Uma primeira etapa da história da política cultural do Estado foi cumprida. Temos festivais, espaços artísticos e patrimônio bem unificados. Para um segundo momento eu penso na valorização do artista local, na inserção destes artistas transformados na ponta de lança das ações culturais, na interação do objeto cultural com a comunidade e na difusão das artes para o interior do Amazonas. Além disso, a criação de um Sistema Municipal de Inovação, uma parceria entre três secretarias com um braço de suas políticas de forma integrada (educação, ciência e tecnologia e cultura) nos daria um avanço significativo na base da gestão do Estado.
Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.
A ópera ao ar livre atrai mais público em um dia de evento do que vários dias de Festival Folclórico do Amazonas, ao contrário do que muitos desavisados pensam elitismo?”
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Plateia
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Programação de TV
VW DIVULGAÇÃO
SBT
5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves 8h Sorteio Amazonas Dá Sorte 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Série: Nikita 0h15 Série: Rizzola & Isles 1h Série: Pessoa De Interesse 2h Big Bang 2h30 Agora É Festa 3h15 Jogo Da Gente 4h Igreja Universal
GLOBO
“Jumper”, adaptação para o cinema do livro de Steven Gould, está na tela do “Domingo Maior”
Horóscopo
3h50 Santa Missa 4h50 Amazônia Rural 5h20 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 5h55 Globo Rural 6h55 Auto Esporte 7h30 Esporte Espetacular
Cinema
10h30 Esquenta 11h35 Fórmula 1: Grande prêmio do Brasil 13h50 Domingão do Faustão 15h Futebol 2014: Campeonato Brasileiro - Sport x Flamengo 17h Domingão do Faustão (continuação) 19h Fantástico 21h22 Domingo Maior. Filme: Jumper 22h51 Sessão de Gala. Filme: Justiça a qualquer preço 0h33 Corujão 1. Filme: Hot Rod – Loucos Sobre Rodas 2h Corujão 2. Filme: Uma Eleição Muito Atrapalhada 3h47 Série
BAND 4h Tartarugas Ninja - “Cabeça De Metal Religado” - “Minhocaos! Parte I E Ii” 5h30 Santa Missa No Seu Lar 6h30 Sabadão Do Baiano 7h Power Rangers + Popeye 8h30 Minúsculos 8h45 Informercial – Polishop 9h45 Verdade E Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé Na Estrada
10h35 Só Risos 12h Band Esporte Clube 13h35 Gol: O Grande Momento Do Futebol 14h25 Futebol 2014 – Ao Vivo - Campeonato Brasileiro - Sport X Flamengo – Direto Do Estádio Ilha Do Retiro / Recife-pe 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Policia 24h 21h Pânico Na Band 0h Canal Livre 1h Alex Deneriaz 1h35 Show Business 2h25 Ei Arnold! 3h Igreja Universal
RECORD 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h30 Record Kids - Pica Pau 8h Amazonas Dá Sorte 9h Domingo Show 13h15 Hora Do Faro 17h30 Domingo Espetacular 21h15 A Fazenda 22h15 Programação Iurd 23h15 Manutenção Técnica
Cruzadinhas
GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um dia em que podem acontecer encantos instantâneos com as pessoas. Vocês se envolvem a partir de alguma afinidade que é estimulante para seu crescimento pessoal.
ESTREIAS
FOTOS: DIVULGAÇÃO
TOURO - 20/4 a 20/5 Bom momento para valer-se de recursos materiais para se desvencilhar de pequenos problemas. Use o que tem de melhor para cuidar da saúde e corrigir deficiências. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você deve ser hoje mais afetuoso e humano para com as pessoas amigas. Possível fascínio com alguém do ambiente social, talvez até com a conotação de atração amorosa. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Procure seguir a direção profissional que julga mais legítima, mesmo que seja difícil. Essa direção pode hoje aparecer por meio de algum interesse que lhe atraia de modo especial. LEÃO - 23/7 a 22/8 As pessoas lhe ajudam a cultivar os pensamentos e valores que lhe são necessários e lhe fazem crescer como pessoa humana neste momento da vida. Queira bem a todos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Talvez você tenha que assumir responsabilidades que, a princípio, seriam de outras pessoas. Esta é uma maneira positiva de contribuir para firmar bons relacionamentos. LIBRA - 23/9 a 22/10 Uma visão ampla a respeito dos relacionamentos favorece que estes se estabeleçam em bases mais harmoniosas. Mas será preciso ceder de você para harmonizar a relação. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Você terá facilidade para desenvolver uma atitude mais caridosa e generosa no trabalho. Momentos agradáveis com as pessoas no trabalho e ao longo dos afazeres cotidianos. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você tende a mostrar seu lado mais encantador e sedutor ao se aproximar das pessoas. Momento de forte atração amorosa e um fascínio que pode vir a ser muito especial. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Novidades encantadoras favorecem você a se relacionar melhor com a família. Situações agradáveis no lar, com os familiares e nos afazeres práticos tornam este um dia legal. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Hoje, inesperadamente, você pode encontrar alguém por quem sinta um interesse especial. Pode vir a nascer um encanto ou fascínio à primeira vista por algo ou alguém. PEIXES - 19/2 a 20/3 Um dia de facilidades na lida com questões materiais e para fechar negócios. Um dia também para você usufruir os benefícios materiais que estão a sua disposição.
Uma Viagem Extraordinária: FRA-CAN. 14 anos. Aos 12 anos, T.S. Spivet é um garoto superdotado, apaixonado por cartografia. Quando ele ganha um prêmio científico prestigioso, o garoto decide abandonar sua família em Montana para atravessar sozinho aos Estados Unidos, até chegar a Washington. O único problema é que o júri não sabe que o vencedor ainda é uma criança. Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h35 (3D/dub/diariamente), 21h25 (3D/leg/diariamente). A Mansão Mágica: EUA. 12 anos. Abandonado pela família, o pequeno Trovão é acolhido na misteriosa mansão do mágico Leonardo. Sem imaginar onde está se metendo, ele encontra um divertido grupo de animais e uma incrível variedade de autômatos e aparelhos com poderes mágicos, que auxiliam o velho mago em seus truques. Porém, nem todos ficam felizes com a chegada do novo morador. Inconformados, o coelho Zeca e a rata Nina iniciam planos para expulsar Trovão de uma vez por todas. A situação piora ainda mais quando Leonardo vai parar no hospital e seu sobrinho tenta se aproveitar da situação para lucrar com a venda da mansão. Agora cabe ao jovem Trovão criar um plano para salvar o seu novo lar e provar que também merece um lugar na mansão mágica. Cinemark 3 – 14h20, 16h30, 18h40 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 14h20, 16h20, 18h20 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 14h40, 16h40 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h45, 17h, 19h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 11h30, 13h20, 15h10 (3D/dub/somente sábado e domingo), 13h, 17h (3D/dub/exceto sábado e domingo). Made In China: BRA. 12 anos. Vendedora na Casa São Jorge, a loja de brinquedos de Seu Nazir (Otávio Augusto), que fica na Saara, Francis (Regina Casé) decide investigar como os recém-chegados chineses da loja Casa do Dragão vendem mercadorias a preços tão baixos. Para salvar o comércio do patrão e garantir sua clientela, ela vai investigar os concorrentes com a ajuda do namorado Carlos Eduardo (Xande de Pilares) e da companheira de trabalho Andressa (Juliana Alves). Cinemark 7 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h15 (diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 13h15, 15h45, 18h10, 20h30 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (diariamente); Kinoplex 1 – 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (diariamente). November Man – Um Espião Nunca Morre: EUA. 14 anos. Um ex-agente da CIA é trazido de volta para uma missão de cunho pessoal e se volta contra seu pupilo em uma batalha mortal envolvendo a alta hierarquia da CIA e o presidente da Rússia recém eleito. Cinépolis Millennium 1 – 20h20 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 17h (dub/diariamente), 22h25 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza – 19h20, 21h50 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 19h30, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 6 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). Interestelar: EUA. 12 anos. O filme narra as aventuras de um grupo de exploradores que faz uso de um buraco negro recém-descoberto para superar as limitações de uma viagem espacial humana e conquistar as grandes distâncias relacionadas a uma viagem interestelar. Cinemark 3 – 20h45 (dub/diariamente), Cinemark 8 – 18h15, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 8 – 14h40, 18h, 21h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 14h30, 17h55, 21h40 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 15h05, 22h10 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h30 (dub/diariamente), 18h, 21h40 (leg/diariamente); Kinoplex 3 – 13h20, 16h45 (dub/diariamente), 20h10 (leg/diariamente); Playarte 7 – 13h30, 16h50, 20h10 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado).
CONTINUAÇÕES Tim Maia: BRA. 16 anos. Cinemark 2 – 14h, 17h10, 20h30 (diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 14h, 19h30 (diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 15h10, 18h10, 21h10 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 18h30, 21h25 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h05, 17h05, 20h20 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 15h, 18h15, 21h20 (diariamente); Kinoplex 5 – 13h10, 18h20 (diariamente); Playarte 9 – 14h, 17h, 20h05 (diariamente), 22h50 (somente sexta-feira e sábado). O Melhor de Mim: EUA. 14 anos. Cinépolis Millennium 7 – 19h, 21h40 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 21h50 (leg/diariamente). O Apocalipse: EUA. 12 anos. Cinemark 5 - 14h10, 16h40 (dub/diariamente), 19h (dub/somente terça-feira), 22h10 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h15, 16h45 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 13h40, 18h30 (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h20,
15h40, 18h, 20h20 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Drácula – A História Nunca Contada: EUA. 14 anos. Cinemark 4 – 13h45, 16h10, 18h30, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 15h20, 17h30, 19h50, 21h55 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 15h25, 17h30, 20h, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 19h20 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 15h15, 19h45 (dub/diariamente), 17h30, 22h (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 17h, 21h30 (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 16h (dub/diariamente); Playarte 1 – 21h (leg/exceto sábado e domingo), 23h15 (leg/somente sábado), Playarte 5 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). Annabelle: EUA. 14 anos. Cinemark 1 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millen-
nium 6 – 17h45, 20h, 22h10 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 15h35, 18h, 20h15, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 19h (dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 14h50, 19h10 (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 21h20 (dub/diariamente); Playarte 1 – 15h, 19h (dub/exceto sábado e domingo), 19h15, 21h15 (dub/somente sábado e domingo), 23h15 (leg/somente sexta-feira).
17h05, 19h10, 21h20 (diariamente), 23h30 (somente sexta-feira e sábado).
Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso: EUA. Livre. Cinemark 8 – 13h55, 15h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 15h40 (dub/diariamente).
O Doador de Memórias: EUA. 12 anos. Playarte 2 – 13h25, 15h25, 17h25, 19h25, 21h25 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado).
O Candidato Honesto: BRA. 14 anos. Cinépolis Millennium 7 – 14h30, 16h55 (diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 13h30, 16h10 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h45, 16h30 (diariamente); Kinoplex 4 – 16h10, 21h (diariamente); Playarte 4 – 12h50, 14h55,
A Bela e a Fera: FRA. 12 anos. Playarte 8 – 13h15, 15h45, 18h15, 20h45 (dub/diariamente), 23h15 (dub/ somente sexta-feira e sábado).
Festa No Céu: EUA. 10 anos. Cinépolis Ponta Negra 1 – 16h05 (3D/ dub/diariamente); Kinoplex 4 – 13h45 (3D/dub/diariamente). Um Amor de Vizinha: EUA. 12 anos. Playarte 10 – 13h30, 18h30 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado).
O Protetor: EUA. 14 anos. Playarte 10 – 15h35, 20h35 (dub/diariamente).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Sem medida
Uma das espécies de peixes mais populares do Amazonas, o jaraqui, vai poder ser consumido normalmente pela população nos próximos meses, sem qualquer restrição na captura e no consumo. O Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas decidiu, por unanimidade, adiar para 2015 o período do defeso do delicioso peixe. A reunião do conselho aconteceu no auditório da Suframa com a participação de 42 conselheiros e representantes do setor pesqueiro do Amazonas.
Então é Natal!
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
O casal Aziz está de parabéns!
É para celebrar a data mais linda e sensível do ano que a coluna vai orquestrar, no próximo dia 1°, nos domínios do ótimo Zefinha Bistrô, sua festa de confraternização e celebração dos 21 anos de colunismo deste editor. Uma noite com delícias regionais e muitas amenidades não faltarão. Somente para cem coroados, podendo chegar aos 130, quem sabe!
A ala empresarial da cidade estava em peso, conferindo a HSM Expomanagement, em Sampa, no Trasamérica Expocenter: Dodó Carvalho, Victor Silva, Ieda Carvalho, Marcia Pinheiro, Vanessa e Mano Cavalcanti, Rodrigo Pinheiro, do Grupo Simões, engrossavam a lista durante o maior fórum de gestão do país FOTOS: JANDER VIEIRA
Carmen Novoa Silva, Yara Lanza, Adiene Vieralves, Liana Mendonça, Marita Monteiro, Marinildes e Marcelo Lima conferindo a divertida noite de celebração ao pequeno José Elias Novoa Silva
Sala de Espera A desembargadora Marinildes Lima, Charles Guerreiro e Terezinha Frota estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Amanhã, Lino Chíxaro e Norbi Correia estarão aniversariando.
Na semana que passou, mais uma conquista foi carimbada com a escolha do senador Omar Aziz como líder do PSD, no Senado Federal. Omar e Nejmi vão longe, pois essa honra é fruto de trabalho junto ao povo amazonense. A coluna aplaude de pé!
Os jovens pais Elias Ricardo e Ana Beatriz, com o bambino José Elias, na badalada sessão parabéns que movimentou a Latorre
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Muito chique!
A Importadora Nossa Senhora de Fátima vai pilotar indispensáveis encontros enograstronômico na cidade. Serão três eventos importantes que irão apresentar as novidades da grife Freixenet. O primeiro evento acontecerá no próximo dia 13, apenas para 40 convivas no Alentejo, com a participação do diretor da Qualimport, João Palhinha. No dia 19, acontece o lançamento da Nova Proposta Freixenet para Manaus, com coquetel de apresentação para imprensa e cerimonialistas. Seguido do encerramento no dia 21, com jantar de harmonização, para seletos coroados.
Zenaldo Mota e Cândida Barbosa comandarão, no próximo dia 17, almoço batizado de “Sonho de Natal”, para apresentação das delícias do cardápio natalino da festejada quituteira do Parque 10. A Ditoca pilotou (ontem) um coquetel badalado para comemorar os quatro meses de reinauguração, além de apresentar as novas coleções de roupas e acessórios da loja do Vieiralves. A Coca-Cola e o Grupo Simões estarão promovendo o evento “Felicidade em Movimento – Qual é a sua Parada?”, nos próximos dias 15 e 16, com bandas regionais e encerrando no último dia com o cantor Ivo Mozart. O evento, com entrada gratuita, será no Centro de Convenções Vasco Vasques, das 14h às 21h.
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO DE 2014
Roqueiros unidos na luta contra o câncer
Ao todo, sete bandas de várias vertentes do rock se apresentam no Colégio La Salle, a partir de 19h SERGIO VICTOR Especial EM TEMPO
N
Mário Logan afirma que esta é a primeira vez que participa desse tipo de ação
o dia 29 de novembro, bandas reconhecidas do cenário musical amazonense vão se reunir para ajudar na luta contra o câncer. O evento “Ação e n t r e Amigos” foi proposto pela Associação de Apoio As Mulheres Portadoras de Câncer, o Lar das Marias, e o dinheiro arrecadado vai ajudar nas atividades d a instituição. Ao todo, sete bandas de várias vertentes do rock se apresentarão no Colégio La Salle, a partir das 19h, entre elas: Anestesia, Banda Máfia, Black Cold, Espantalho, 00:00 (Midnight), Nekrost e The Blackcaps. Vocalista do Anestesia, Ehud Abensur afirma que a partir da ideia do
Lar das Marias, os músicos se uniram rapidamente para participar do evento.“Todos aceitaram tocar gratuitamente e o público terá a chance de ouvir rock de qualidade por um bom preço”. De acordo com Rodrigo Mosca, guitarrista da banda Nekrost, os eventos beneficentes como esse deveriam receber a colaboração de empresários e produtores. “É algo que pode acontecer com qualquer um e acaba sendo um gesto tão pequeno, mas com resultados significativos para as pessoas que precisam”, declara. O vocalista da banda Máfia, Mário Logan, conta que é a primeira vez que o grupo participa de um evento beneficente e que os integrantes aceitaram sem hesitar. “Todos da banda são adeptos de ideias que possam ajudar os outros. Quando ficamos sabendo por meio do Ehud, topamos na hora. Nossa banda é relativamente nova e, apesar de sermos músicos “carimbados” na cidade, será a primeira vez que vamos tocar em um evento desses”, explica. Os ingressos para o “Ação Entre Amigos” serão rifas de apenas R$ 10, que darão direito a brindes no dia do evento. “Serão diversos brindes, desde camisetas, brincos até tatuagens”, diz Ehud. As rifas para contribuir com a causa beneficente já estão disponíveis nas lojas Daray, do Amazonas Shopping, Rico Skates, na Avenida Brasil, Compensa, e no próprio Lar das Marias, que fica na rua Venceslau Brás, 374, no Dom Pedro.
MANAUS
Cantor Ivo Mozart encerra campanha da Coca-Cola O evento “Felicidade em Movimento – Qual é a sua Parada?” reunirá bandas regionais e o cantor Ivo Mozart conhecido pela música “Vagalumes”, nos dias 15 e 16 de novembro, no Centro de Convenções Vasco Vasques, recentemente inaugurado, ao lado da Arena da Amazônia, das 14h às 21h. O show está inserido na campanha “Descubra sua parada para não ficar parado”, uma iniciativa da Coca-Cola que assumiu o compromisso de ajudar os jovens a saírem do sofá e adotarem um estilo de vida mais ativo. A ação entra no clima que vai envolver a Coca-Cola, ao longo do próximo ano, durante os preparativos para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
Para participar da campanha, o jovem deve entrar no site www.felicidadeemmovimento.com.br, onde poderá escolher as paradas que mais se identifica – como algum esporte, dança, malabarismo, entre outras – e enviar fotos e vídeos praticando a sua parada. Espaço para bandas O espaço está aberto também para as bandas que desejam tocar no evento. Para isso, basta enviar um vídeo, até o dia 10 de novembro, para o canal “Escolha sua Banda” no site www. felicidadeemmovimento. com.br e usar a hashtag #minhabandabombando. As bandas com os vídeos mais votados serão convidadas a participar dos shows. DIVULGAÇÃO
MILENA DI CASTRO
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Cantor Ivo Mozart é conhecido pela música “Vagalumes”