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EM TEMPO - 8 março de 2015

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ANO XXVII – N.º 8.646 – DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

DESPERDÍCIO NO PLANETA

ÁGUA

“SÓ PERCEBEMOS O VALOR DA ÁGUA DEPOIS QUE A FONTE SECA”. ESSE PROVÉRBIO POPULAR SE ENCAIXA PERFEITAMENTE NOS DIAS ATUAIS, TENDO EM VISTA QUE A ÁGUA SE TORNOU UM RECURSO LIMITADO E, MAIS DO QUE NUNCA, PRECIOSO. DESPERDIÇÁ-LA PODE TRAZER CONSEQUÊNCIAS IRREVERSÍVEIS. POLÍTICA A6, ECONOMIA B4 E B5 E DIA A DIA C1 A C5

MULHER

MICHELDANTAS/SEJEL

HUDSON BARROS

As regiões Norte e Nordeste estão no topo do ranking do desperdício de água. O Amazonas aparece em segundo lugar entre os Estados do Norte

Mulheres que nunca se acomodaram, foram à luta e venceram. São essas as homenageadas da revista Elenco pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje. Elenco

CULTURA

Artistas falam sobre a evolução do papel feminino na arte e as dificuldades que ainda encontram para emplacar seus trabalhos no meio cultural. Plateia D1

LIBERDADES Após uma primeira onda de reivindicações de direitos políticos e de uma segunda concentrada na luta por igualdade de papéis, o feminismo incorpora novos temas. Ilustríssima G4 e G5

TRABALHO O número de mulheres empreendedoras no Amazonas está acima da média nacional. São mais de 44 mil apostando no próprio negócio. Economia B1

Amadeu Teixeira dedicou 65 anos de sua vida ao futebol amazonense. Para ele, atualmente, falta amor ao futebol

DESILUSÃO FUTEBOL CLUBE LENDA VIVA DO FUTEBOL AMAZONENSE, AMADEU TEIXEIRA RELEMBRA OS BONS TEMPOS DO AMÉRICA, CLUBE AO QUAL DEDICOU TODA A VIDA. AOS 88 ANOS, ELE SÓ LAMENTA O ESVAZIAMENTO NOS ESTÁDIOS. “FALTA AMOR AO FUTEBOL”, COMENTA. PÓDIO E2

CURUMIM RUMIM O jornalzinho também homenageia Sarah Patel e Murupi, as duas mulheres da floresta. E aproveita para contar a história das operárias de uma fábrica de tecidos em Nova York, que no dia 8 de março de 1857 foram mortas defendendo seus direitos. Curumim Jéssica Tayah é um exemplo de sucesso

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CURUMIM.

FLU

O Fluminense ocupa a terceira colocação no Estadual e, por isso, traz cartas na manga para vencer o Botafogo no “Clássico Vovô”.

FOG FOGÃO

Líder isolado da Taça Guanabara, o Botafogo permanece invicto e sem receio de enfrentar o tricolor, hoje. Pódio E7

TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

Aposentado morre na Faixa Azul da Constantino Nery

OCORRÊNCIAS

A morte de Orivaldo é o segundo caso, em menos de uma semana, ocorrido na Faixa Azul da avenida Constantino Nery. No dia 3, o urologista João Oliveira, 69, morreu ao tentar atravessar a via O motorista do BRS foi encaminhado para o 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para prestar depoimento. O caso será encaminhado para a Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (Deat). Compensa O que era para ser uma manhã tranquila de sábado com a família acabou em tra-

gédia, ontem, para o motorista José Malta da Silva, 51. Ele morreu atropelado pelo próprio caminhão caçamba, placa JXB 2676, na rua da Paz, Compensa 1, Zona Oeste, por volta das 8h. O caminhão que estava estacionado na frente da sua casa, localizada em uma ladeira, perdeu o calço de pedra e desceu ladeira abaixo e atingiu um carro de passeio modelo Palio, placas OAL 7187, até destruir a entrada de um escritório de advocacia. Segundo a esposa de Malta, que preferiu não dizer o nome, ele fazia a manutenção no motor do veículo que estava estacionado na ladeira. A tragédia ocorreu depois que ela o chamou para tomar café. Segundos depois ela ouviu um barulho de batida da tampa do motor que fez o caminhão passar sobre as pedras que seguravam os pneus. O biólogo Jorge Nasser, 25, vizinho da vítima, esposo da proprietária do Palio, Karen Freitas, 25, lamentou o episódio. “Não deu tempo dele sair da frente. Quando ele bateu a tampa o caminhão desceu por cima dele, atingiu o nosso carro que foi arrastado por alguns metros”, disse.

LAVA JATO

DIVULGAÇÃO

Antonio Anastasia (à direita) é aliado do tucano Aécio Neves

gressistas (12 senadores e 22 deputados). A bancada do PP na Câmara tem 40 deputados e terá 18 investigados. PSDB O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) será um dos investigados no STF (Supremo Tribunal Federal) por suposta participação no esquema de desvio na Petrobras. Relator do caso na corte, o ministro Teori Zavaski acatou pedido da Procuradoria-Geral da República com o objetivo

Na compensa, motorista José Malta morreu após ser atropelado pelo próprio caminhão (ao fundo)

BENEFÍCIOS

Pagamento de propinas era mensal Após a derrubada do sigilo dos inquéritos da operação Lava Jato, o Ministério Público informou, por meio de nota, que os pagamentos aos políticos eram feitos de forma mensais. Em depoimento à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef afirmou que eram entregues valores semanais, quinzenais ou até mensais aos líderes do PP em Brasília. O doleiro relatou que cada um dos líderes recebia por mês entre R$ 250 mil e R$ 500 mil a depender do mês. Como líderes da sigla, ele apontou o deputado Nelson Meurer (PP-PR), o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte e dos ex-deputados Pedro Corrêa (PP-PE) e João Pizzolati (PP-SC). Já o restante da bancada do partido recebia, em média, de R$ 1,2 milhão e R$ 1,5 milhão por mês, que eram divididos pelo PP. Os parlamentares do PP representam mais da metade do número total de investigados. Ao todo, são 49 pessoas alvos de inquéritos, sendo 34 con-

Corpo de Orivaldo ficou estendido em frente à Arena da Amazônia até ser removido pelo IML IONE MORENO

U

m homem identificado como Orivaldo Trindade de Oliveira, 59, morreu na manhã de ontem (7), no momento em que tentava atravessar a avenida Constantino Nery, em frente a Arena da Amazônia. A vítima não avistou o ônibus que passava na faixa azul e foi atropelado no sentido bairro-Centro. Segundo testemunhas, a vítima havia descido de outro ônibus em frente a Arena da Amazônia, onde desde a reforma não possui mais parada do transporte público. O condutor do ônibus em que a vítima estava deu a passagem para que pudesse atravessar. A vítima que se desviou de dois carros não conseguiu avistar um ônibus da empresa Eucatur que estava trafegando na via exclusiva do Bus Rapid Sistem (BRS), conhecida como Faixa Azul. Quando o aposentado correu pela faixa, não deu tempo para que o motorista do BRS fizesse algo. Ele bateu com a cabeça no parabrisa do ônibus e foi arremessado para

a calçada. A vítima estava a menos de 50 metros da faixa de pedestre. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas quando chegaram ao local do acidente, a vítima já havia entrado em óbito. O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).

de apurar se o tucano recebeu cerca de R$ 1 milhão do doleiro Alberto Youssef. Aliado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o nome do congressista foi citado em novembro, no depoimento do policial federal afastado Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca. Ele era encarregado de transportar valores a mando de Youssef e afirmou ter levado a quantia para uma pessoa em em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

AMB faz críticas ao STF e TCU A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) criticou avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que eleva de 70 aos para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida também vale para ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e demais tribunais superiores. Em nota, a AMB disse que a proposta está na contramão das regras vigentes em outros países. Ao defender a aposentadoria aos 70 anos, o presidente da AMB, João Ricardo Costa, disse que os tribunais precisam de oxigenação.

BORIS NEMTSOV

Dois suspeitos de assassinar opositor russo são detidos O Serviço Federal de Segurança (FSB), a antiga KGB) da Rússia anunciou neste sábado a detenção de dois suspeitos do assassinato do opositor russo, Boris Nemtsov, morto a tiros no último dia 28 de fevereiro em um local perto do Kremlin. “Hoje foram detidos dois suspeitos de terem cometido o crime. Trata-se de Anzor Gubashev e Zaur Dadaev”, disse Alexander Bortnikov, chefe do FSB, em entrevista à televisão pública da Rússia. Boris Nemtsov, 55, foi morto a tiros em Moscou, no final

do mês passado. Segundo a polícia, um atirador não identificado fez quatro disparos de dentro de um carro branco por volta das 23h40 do horário local (19h40 no horário de Brasília), quando Nemtsov cruzava uma ponte próxima ao Kremlin. Segundo aliados, ele foi morto horas depois de pedir apoio para o protesto marcado para domingo contra a guerra na Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, condenou o assassinato do poítico, disse o Kremlin. DIVULGAÇÃO

EMERSON QUARESMA E ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

DIVULGAÇÃO

Orivaldo Trindade de Oliveira, 59, morreu após ser atropelado por um ônibus, ontem, quando tentava atravessar a avenida

Principal opositor do Kremlin, Boris Nemtsov foi morto a tiros


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Comer, rezar e amar Manaus vive à beira de uma crise de nervos. Faz tempo. E torce, e reza e faz promessas para que o rio Negro não ultrapasse mais um dos seus desastrosos recordes. O clima que se respira na cidade, no entanto, é o de uma população que se conformou com as fatalidades. Ora, o rio enche todos os anos e, com a mesma frequência, vaza, o que há de novidade nisso? Talvez os números do prejuízo na economia do comércio e do afogamento da agricultura de subsistência, que são maiores a cada enchente e cada vazante. Talvez os números de crianças impedidas de ir à escola, igualmente maiores a cada ano. Talvez as estatísticas das doenças, próprias dos períodos de cheia e vazante. Nos bairros ribeirinhos, quem não tem nada, perde tudo. No centro, cujo sistema de esgoto data de mais de um século e está igualmente à margem do rio que sobe e desce todos os anos, as providências continuam as mesmas, tão primárias quanto as que os caboclos usavam – e ainda usam, quando são surpreendidos por uma cheia: construção de marombas (currais flutuantes), levantamento do piso das casas até o limite da resistência, pontes improvisadas, tanto quanto perigosas, nada que não se conheça com a maior intimidade. Manaus se inclui, também, entre as cidades que mais crescem no país e é a quarta melhor para se viver no Brasil. De que maneira? A paisagem é desoladora. Cortada por inúmeros vales, onde corriam igarapés caudalosos, a capital amazonense não conta com mais nenhum deles a salvo da ocupação desordenada, que é a sua característica de expansão urbana, nos últimos 40 anos. É por isso, talvez, que Manaus esteja se verticalizando, para fugir às enchentes e às vazantes. Ora, a vida é assim mesmo: o rio enche todos os anos e, com a mesma frequência, vaza. Que fazer? Comer, rezar e amar.

O amor nos tempos da mídia A primeira audiência de instrução do caso da socialite, nesta sexta-feira 7, foi um teste de resistência para os jornalistas e também para o juiz Mauro Anthony. Com 12 horas de interrogatório – apenas um rápido intervalo para o almoço -, muitas equipes foram substituídas ao longo do dia. Mas outras, não arredaram o pé do fórum Henoch Reis durante todo o dia, para não perder um lance do ruidoso processo.

Comoção

O deputado Vicente Lopes conheceu essa vertente quando tentou dizer que a casa estava adotando velhas práticas para aprovar mensagem do governo. Josué retrucou de pronto da tribuna: — Tramitou todo o tempo regimental, sem urgência, foi analisado em todas as comissões necessárias e secretários de governo estiveram aqui para dar esclarecimentos.

Olhos mais atentos captaram cenas às quais muitos não deram importância. Por exemplo, a comoção dos familiares quando os acusados chegaram. Muitos deles choravam e a irmã de Marcelaine, aos prantos, chegou a beijar sua fronte.

Sensibilizados, os PMs fingiram que não viram nada.

Novo tempo

Beijo na boca

Neto também observou que antigamente a prática era outra. — As coisas eram aprovadas na marra. Agora não! –, disparou.

Durante os depoimentos rolou de tudo. Até foto comprometedora de amor. O Ministério Público usou como prova para incriminar Marcelaine uma foto dela beijando Marcos Souto na boca. A foto foi encontrada em sua casa.

Veio, viu e gostou O ministro da Defesa, Jaques Wagner, veio, conheceu e gostou do que viu no Amazonas. Principalmente por conhecer as potencialidades do Exército na região. — Fico feliz em ver que temos a melhor escola de guerra na selva do mundo – revelou.

Nada a ver Mas a socialite tirou de letra. Alegou que aquela era uma foto muito antiga e que “não tem nada demais”. Conciliador...

Guerra na selva

O deputado Josué Neto adotou um estilo conciliador desde que assumiu a presidência da Assembleia Legislativa. No melhor estilo “light” ele vem conseguindo contornar muitas situações internas. Até mesmo com a oposição. Mas nem sempre o jogo de cintura resolve, por isso, em determinados momentos tem sido obrigado a jogar duro.

Jaques Wagner referia-se ao Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Referência internacional, a organização já formou mais de 5,5 mil militares ao longo de seus 50 anos de existência. Estrangeiros

...pero no mucho!

Em toda a história do Cigs,

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

já foram formados 466 combatentes de nações-amigas. Mas, a maior parte dos alunos do curso é do Exército. Lei de inclusão O deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM) comemorou a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei 7.699/06, que cria a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que garante acesso às pessoas com deficiência às mais diversas áreas da vida social. Mais de cem São mais de cem artigos que estabelecem os direitos das pessoas com deficiência. Seja por meio de políticas públicas ou iniciativas do setor privado. Terão direito Entre os cem artigos, os portadores de deficiência terão direito a 10% das vagas em instituições de ensino superior ou profissional de nível médio e superior; 3% de unidades habitacionais em programas públicos ou subsidiados com recursos públicos;10% de dormitórios nos hotéis acessíveis às pessoas com deficiência. Criminaliza A Lei de Inclusão também determina 2% das vagas em estacionamentos; assentos em cinemas, teatros e outros locais de grande concentração de espectadores em locais diversos de boa visibilidadee criminaliza a discriminação de pessoa em razão de sua deficiência.

VAIAS

Juiz Mauro Anthony

Elvis

Os mesmos de sempre

RAPAHAEL ALVES TJAM

DIVULGACAO

Para o juiz Mauro Anthony, que conduziu os depoimentos do caso socialite com nervos de aço e segurança, evitando que a mídia transformasse a audiência em espetáculo.

Para eleitor que manda para o Congresso político de mãos sujas. A lista do procuradorgeral da República, Rodrigo Janot, revela as mesmas figurinhas envolvidas em outros escândalos no passado, mas que continuam sendo eleitos em seus Estados.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

A ameaça dos Le Pen O mundo encolhe a cada dia e assim fica menor, sempre menor, de tal modo que nada acontece em alguma mínima parcela sua, sem refletir e repercutir em cada uma das outras, assim como no todo. Inevitavelmente vem-nos a imagem, poética, mas com força de verdade, da borboleta que, ao bater suas asas no Japão, causa efeitos insólitos e inesperados no outro lado do mundo. Nada mais, absolutamente nada, ocorra onde ocorrer, pode ser desprezado e negligenciado por qualquer habitante do planeta, esteja ele no Saara ou nos confins da Antártida. Se lá no Oriente Médio, na Síria ou no Iraque, muçulmanos radicais, por força de uma leitura equivocada do Corão, degolam ou queimam vivos seus prisioneiros, ou ainda os membros do Boko Haram sequestram adolescentes, surgirá a possibilidade concreta de que tais fatos venham a interferir decisivamente na eleição do sucessor de Barack Obama. A tese será, pois: a ninguém se admite que se considere isento e inatingível por qualquer acontecimento, apenas porque esse está a ocorrer a grande distância, fora do alcance da sua presença física e dos seus sentidos. Aquele que insistir em se posicionar com tal ingenuidade e simploriedade, inevitavelmente logo será surpreendido pelos efeitos do ruflar das asas da borboleta e estará inteiramente despreparado para recebê-los. Muito mais perto de nós, do ponto de vista geográfico e mais ainda pela importância e pela envergadura da sua influência cultural, está o que acontece na França, credora inequívoca de todas as sociedades da chamada Civilização Ocidental. Pela sua autoridade histórica, pelo peso da sua Cultura, pela importância da sua Economia e pelo desenvolvimento da sua Tecnologia, é muito mais do que o são as asas da borboleta,

quanto à capacidade de atuar no cenário mundial. Aliás, que nenhum de nós, enquanto crias dos chamados Estados Democráticos, se permita esquecer o que deve à Revolução de 1789, que instituiu a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade como lemas e objetivos, e que vem a ser quase tanto quanto o que deve à Grécia Clássica pela invenção do próprio Sistema Democrático. Pois bem! É essa França, das Letras, das Artes, da Política, do Direito, das Ciências, das Liberdades Sociais, que ora se vê, ainda que virtualmente, ameaçada pela possibilidade de ter Marine Le Pen como presidente. Precisamente essa Marine, filha, discípula e herdeira de Jean-Marie Le Pen que, incansavelmente, tentou chegar à Presidência da França com vista a implementar um governo de extrema direita, fundamentado na xenofobia e na defesa das elites capitalistas e raciais. Em entrevista concedida recentemente à revista “Veja”, Marine Le Pen apresentou um discurso “novo” que, em alguns pontos, chega a surpreender. Mantém o forte acento da rejeição aos imigrantes, vistos ainda por ela como uma ameaça que exige controle radical. Por outro lado, faz hoje pesadas críticas aos americanos, que responsabiliza pela crise na Ucrânia, enquanto manifesta simpatia pela Rússia de Vladmir Putin, assim como pelo governo da Venezuela e dos outros “bolivarianos”. Compreensível, se feita a observação de que, no fundo, é a velha herança de Hitler, a gerar simpatia por “governos fortes”. Certo que os franceses não têm sido muito felizes em suas últimas escolhas eleitorais, mas mantenhamos a esperança de que isso não os leve ao erro de abraçar o que é a própria negação da civilização que criaram.

João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

Marine Le Pen apresentou um discurso ‘novo’, com pesadas críticas aos americanos, que responsabiliza pela crise na Ucrânia, enquanto manifesta simpatia pela Rússia de Vladmir Putin, assim como pelo governo da Venezuela e dos outros ‘bolivarianos’”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

Frase

Selvino Heck opiniao@emtempo.com.br

A direção da Câmara [sob Eduardo Cunha] será um problema grave para o Brasil. Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas

Três mulheres do povo e da luta Rosângela, Lurdinha, Célia Maria. Quando os três caixões entraram ao som de “Maria, Maria”, do Milton, no Museu da República no dia 24 de fevereiro, em Brasília, muitos como eu não cantaram, porque as lágrimas não permitiam. Outras e outros, mais fortes, cantaram a plenos pulmões e coração doído: “Mas é preciso ter força/ É preciso ter raça/ É preciso ter gana sempre/ Quem traz no corpo a marca/ Maria, Maria/ Mistura a dor e a alegria”. Elas eram militantes, linha de frente, lutadoras das causas das mulheres, em especial dos direitos humanos e LGBT, lutadoras das causas do povo, dos sonhos de igualdade, justiça, liberdade. Lutadoras de um Brasil do qual, embora os avanços, as mulheres conquistando espaços e direitos, estamos ainda longe, muito longe. Rosângela, Lurdinha e Célia Maria morreram em acidente no fim de semana de carnaval, quando viajavam para a Chapada Diamantina, em local próximo a um acidente que vitimou Izabel do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) eda Rede de Rede de Educação Cidadã (Recid) anos atrás. Eu não queria mais escrever um artigo assim. Poucos dias antes do acidente falei que estava cansado de escrever artigos sobre pessoas/companheiras/companheiros que partiam antes do tempo, muito antes da hora, fora de época, coisa que tem acontecido por demais. Rosângela Rigo, gaúcha de Ernestina e gremista, tinha acabado de assumir a Secretaria de Articulação de Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR). A ministra Eleonora Menicucci, na fala de despedida, contou que ela andava especialmente feliz por estar assumindo a Secretaria, sabendo da responsabilidade e do desafio. Lurdinha Rodrigues, que encontrei nos primeiros dias de fevereiro nas andanças da vida, era Coordenadora da Diversidade da SPM/PR, militante feminista e do movimento LGBT. Célia Maria Escanfella, amiga de Rosângela e Lurdinha, era professora do Centro Universitário Senac de São Paulo, Mestrado em Letras e doutora em Psicologia.

Não são tempos de se perder alguém sem esperar, sem aviso prévio, abruptamente. E elas não terão a felicidade de estarem presentes na sanção da Lei de Tipificação do Feminicídio. A lei inclui o feminicídio na lista de homicídios qualificados e hediondos. A partir da sanção da lei, tirar a vida de uma mulher, pelo simples fato de ela ser do sexo feminino, é um crime hediondo, igualado ao latrocínio, o estupro e o genocídio. Rosângela, Lurdinha, Célia Maria não estarão (ou estarão em espírito e sonho) no Salão Oeste do Palácio do Planalto, dia 9 de março, 15 h, quando a presidenta Dilma Rousseff sancionará a lei. Na mensagem de pesar no Museu da República, disse a ministra Eleonora Menicucci: “Acima de tudo perdemos grandes amigas e companheiras de militância feminista. Deixam um legado excepcional de coragem, determinação e alegria para a transformação dos sonhos e utopias na luta pelo avanço das conquistas dos direitos das mulheres”. O Dia Internacional da Mulher é um momento de homenagens. E de luta. Mas a violência de todos os dias – estão aí os estupros em plena USP-, os assassinatos – (ex-)maridos e (ex-)namorados que não aceitam a separação –, as diferenças salariais entre homens e mulheres nos Estados Unidos de hoje – como denunciou a atriz Patrícia Arquette na solenidade do Oscar -, a discriminação e os preconceitos de todos os dias mostram que há ainda um longo caminho pela frente na busca da igualdade. Não podíamos perder vocês, Rosângela, Lurdinha, Célia, mulheres do povo, mulheres da luta, guerreiras, companheiras. Há tanto por fazer, tantas urgências, tanto futuro a construir. Todos os dias olho as fotos de vocês, no material de homenagem da SPM/PR, e penso sobre o quanto ainda há por fazer, que não se pode desesperar, que é preciso continuar. Vamos continuar, estamos continuando, cantando todas e todos com o Milton: “Mas é preciso ter manha/ É preciso ter graça/ É preciso ter sonho sempre/ Quem traz na pele essa marca/ Possui a estranha mania/ De ter fé na vida.” Viva as mulheres do povo! Viva as mulheres da luta!

Selvino Heck, Diretor do Departamento de Educação Popular e Mobilização Cidadã e Secretaria Geral da Presidência da República

ASSINATURA e CLASSIFICADOS

IONE MORENO

Não podíamos perder vocês, Rosângela, Lurdinha, Célia, mulheres do povo, mulheres da luta, guerreiras, companheiras. Há tanto por fazer, tantas urgências, tanto futuro a construir”

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Choveu tanto nesta semana, como havia muito não se via nem sentia em um inverno de Manaus, que a Arena Vivaldão da Amazônia foi flagrada tentando escapar daquele alagamento que assedia a entrada do glorioso bairro D. Pedro. Ali, a cópia da cestaria indígena parece mesmo uma cesta indígena, flutuando no excesso de milímetros de chuva, como havia muito não se via ou sentia

Dom Sérgio Eduardo Castriani

Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br

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CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante

Cid Gomes (Pros), ex-governador do Ceará e ministro da Educação, escolheu um momento ruim das relações do governo com o Congresso para fazer essa afirmação e será chamado a apontar os “achacadores”.

/tvemtempo /

Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Durante cinco anos da minha vida missionária, fiz visitas pastorais nos seringais do rio Envira e afluentes. A finalidade destas visitas era possibilitar aos seringueiros, que no início dos anos oitenta ainda eram numerosos, a celebração dos sacramentos, sobretudo o do batismo e o do matrimônio. Batizar os filhos não era somente uma questão de fé, mas também de cidadania, pois significava obter o batistério, único documento de identidade naquelas paragens. Guardo na lembrança o encontro com pessoas dignas, honestas, vivendo valores familiares profundos. Admirava o respeito dos filhos pelos pais, a hospitalidade, a dedicação ao trabalho duro do corte da seringa e da defumação da borracha. Também tomei consciência da perversidade de um sistema de trabalho secular. Impossível progredir no seringal. A única solução para uma vida melhor, com um mínimo de conforto, era ir embora. Testemunhei a derrocada do sistema, quando os últimos proprietários se foram e os gerentes já não deram mais conta do recado por falta de dinheiro e consequentemente de mercadoria, que era a moeda de troca. Os sindicatos se organizaram e quase todos foram para a cidade ou começaram a formar comunidades, lutando pela preservação dos lagos e se iniciando na arte de plantar e produzir, que lhes fora proibida na época áurea da borracha. Nestes dias, acompanhei pelos jornais a concessão de uma pensão, ou algo parecido, aos soldados da borracha, o que achei louvável e reparador de uma injustiça histórica. Mas quem mais me impressionava nas minhas viagens eram as mulheres. Um

fato me deixou estarrecido por ser revelador da situação em que viviam. Duas tarefas extremamente difíceis eram reservadas às mulheres: carregar água e fazer carvão. Quem andou pelo centro da floresta sabe que a casa do seringueiro, chamada de colocação, fica na terra firme à margem de um igarapé. Carregar água para casa no verão significava carregar um peso, barranco acima, muito superior ao razoável. Na várzea, a situação era pior porque podia significar longas caminhadas na areia quente das praias no tempo do verão. Mas o mais cruel era fazer carvão. Ateava-se fogo em grandes troncos, fogo que num determinado momento era apagado e enquanto a madeira estava ainda fumegando era quebrada em pedaços. As mulheres que faziam este trabalho eram mães, esposas, filhas e irmãs dos seringueiros. Mas o patriarcalismo e o machismo eram tão introjetados que não se percebia a dor e a humilhação a que eram submetidas aquelas que diziam amar e cuja honra defendiam. Neste Dia Internacional da Mulher, quero fazer memória dessas mulheres pouco lembradas, mesmo quando se resgata a memória dos heróis da borracha. Continuamos a conviver com situações semelhantes e a humanidade ainda precisa percorrer um longo caminho de libertação de preconceitos. Por isto na reforma política que estamos propondo consta a obrigatoriedade de alternância entre homens e mulheres nas listas de candidatos. Parece pouco, mas somando-se a outras ações afirmativas iremos fazendo um caminho que não terá retorno e nos fará a todos muito mais humanos.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus

Na reforma política que estamos propondo consta a obrigatoriedade de alternância entre homens e mulheres nas listas de candidatos. Parece pouco, mas somando-se a outras ações afirmativas iremos fazendo um caminho que não terá retorno e nos fará a todos muito mais humanos”


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

A5

Mauro CAMPBELL

‘Quem DECIDE

no meu GABINETE

sou EU’

FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

LUANA DÁVILA Equipe EM TEMPO

O

O meu expediente não termina quando eu deixo o STJ. Ele tem continuidade. Porque a responsabilidade que eu tenho com todos os meus processos é grande. Promotor e juiz tem que ter a grandeza e seriedade de saber que ele é promotor e juiz 24 horas”

ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Campbell, nome do cenário amazonense mais cotado entre os candidatos que pleiteiam a vaga em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), esteve em Manaus na última segunda-feira (2), onde negou uma proposta feita a ele, que surgiu nos bastidores da política, pela presidente Dilma Rousseff (PT), há alguns dias, e afirmou que “não há a mais remota possibilidade de que pleiteie esse cargo”. O ministro esteve na terra natal, na semana passada, quando participou da abertura do ano letivo da Escola de Contas Públicas (ECT) do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com uma palestra sobre improbidade administrativa. Mauro Campbell, em entrevista exclusiva para o EM TEMPO, disse que cuida de todos os processos minuciosamente e que não os repassa a nenhum assessor jurídico, pois “não pode entregar a vida e as almas que estão dentro dos processos a um assessor”. Casado com Lúcia Clara Gil de Brito Campbell Marques, com quem teve dois filhos, Manoella e Guilherme Campbell Marques, o ministro Campbell foi promotor de Justiça, procurador do Ministério Público do Amazonas (MP) e atualmente é ministro do STJ, cargo que ocupa desde 17 de julho de 2008. É membro da Corte Especial do STJ, da 1ª Seção, da 2º Turma, da qual é presidente. Também faz parte da Comissão de Jurisprudência. EM TEMPO - Especulase que o senhor seria o nome mais forte para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Houve alguma conversa ou convite? Mauro Campbell - Cargo de

ministro do Supremo não se pede e nem se recusa, porque o provimento desse cargo se dá por exclusiva decisão do chefe do Estado. Não há a mais remota possibilidade de que eu pleiteie esse cargo. Ao contrário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em que você concorre no STJ, forma-se uma lista tríplice no STF e é enviada ao presidente, e ali ele tem referências a escolher. Eu concorri por três vezes ao STJ. Na última vez, encabecei a lista e fui indicado. Para o STF, deixemos que a presidente da República e os deputados tomem a melhor decisão para os brasileiros. Quero registrar que eu não tive antecedência para tratar sobre esse ou qualquer outro assunto. Mas, agradeço, sensibilizado e lisonjeado, por ter visto o meu nome citado, eventualmente alguém habilitado para o cargo. EM TEMPO - E uma possível reunião com a presidente Dilma Rousseff, que teria acontecido na semana passada, procede ou não? MC - Não houve reunião alguma. EM TEMPO - E se o senhor recebesse o convite, aceitaria? MC - Não há convite. Isso não existe. É importe que vocês, jornalistas, esclareçam a população, que não se pode convidar ninguém a ser ministro. É um processo que requer uma maturidade exclusiva de uma única pessoa. A chefe de Estado pode escutar seus conselheiros, outras pessoas, mas é uma decisão dela. EM TEMPO - No STJ, nos seus primeiros cinco anos de atuação, o senhor foi destacado na atuação devido à celeridade dos seus processos e na relatoria de importantes temas. Como o senhor dá conta do volume de trabalho?

MC - Primeiro, por conta da estrutura de excelência que tem o Superior Tribunal de Justiça. O STJ é um tribunal que, o que o ministro precisar, como apoio técnico para decidir, ele tem imediatamente. Por exemplo, se eu, ministro, precisar de uma perícia do conhecimento técnico de um medicamento, que uma paciente esteja pedindo, e eu como não sou médico e não tenho conhecimento nessa área, a diretoria de serviços médicos reúne os peritos mais gabaritados e leva até o meu gabinete. Eles me dão uma aula sobre o medicamento. Eles saem e eu decido. O que eu sempre recomendo nos discursos que faço ao Judiciário nacional é que isso seja contaminado para os juízes de primeiro grau. Eu tenho uma assessoria qualificada. Agora, a par disso, eu não delego a ninguém a atividade de julgar. Só quem jurou a Constituição fui eu. Meu assessor não jurou. Eu não posso entregar a vida e as almas que estão dentro dos processos a um assessor. Quem decide no meu gabinete sou eu. A compensação que tem disso é a fotografia: quando eu assumi meu mandato eu tinha os cabelos pretos, agora já estão grisalhos. Eu julgo processos de segunda a segunda. Quando estou acordado sempre estou com um celular, com um tablet ou computador comigo para julgar processos. Isso é uma rotina. No meu gabinete vamos completar 7 anos de tribunal, em junho, e a gente completa com mais de 110 mil recursos julgados. EM TEMPO - O Judiciário é muito criticado pela morosidade. O que falta para melhorar essa imagem? MC - Eu acho que já foi mais criticado. O STJ vem recebendo uma qualificação cada vez melhor dos gestores públicos. A prova disso é que o número de processos que vêm

chegando ao tribunal é pouco em relação aos que vinham em 2008, por exemplo. Isso porque os órgãos de controle interno e externo dos Tribunais de Contas vêm exercendo as suas atribuições de uma forma mais célere e em sintonia com o STJ. Na área de direito público, principalmente, com a digitalização processual e a universalização dos processos para as partes, evita processos de vistas, cargas e sumiços dos processos e dos autos. Isso tudo contribuiu para que o Judiciário se qualificasse e desse maior celeridade aos seus julgamentos. O que é necessário ainda é uma readequação da estrutura judiciária nacional, que está vindo de cima para baixo, mas que o ideal seria de baixo para cima. O ideal seria que os juízes federais e estaduais tivessem ao redor a mesma equipe técnica e qualificada que eu tenho no STJ. É lógico que estamos longe da excelência, precisamos qualificar ainda mais. O que nós não podemos fazer é converter a atividade de gestão pública deste país em algo que gere perigo e acovarde os bons valores de irem para a vida pública. Em regra geral, os brasileiros são sérios e honestos e aqueles que não são, daremos o rigor da lei a eles. EM TEMPO - O senhor declarou que um juiz e um promotor não podem ficar atrelados a um horário de expediente. E destacou que a categoria deveria ser profissional 24 horas por dia. O que o senhor acha dos magistrados atualmente? MC - O meu expediente não termina quando eu deixo o STJ. Ele tem continuidade. Porque a responsabilidade que eu tenho com todos os meus processos é grande. Promotor e juiz tem que ter a grandeza e seriedade de saber que ele é promotor e juiz 24 horas.

Eu tenho uma assessoria qualificada. Agora, eu não delego a ninguém a atividade de julgar. Só quem jurou a Constituição fui eu. Não posso entregar a vida e as almas que estão dentro dos processos” “a um assessor.

Quando estou acordado, sempre estou com um celular, com um tablet ou computador comigo para julgar processos. Isso é uma rotina: em 7 anos, 110 mil recursos foram julgados”


Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

Crise hídrica no país traz alerta para o Amazonas

COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Vou defender o quê?” SENADORA MARTA SUPLICY (PT-SP), que diz não ter coragem de defender o governo.

Esquema no setor elétrico é igual ao petrolão A corrupção na Petrobras, desmantelada pela operação Lava Jato, prosperou a partir de estrutura semelhante às estatais do setor elétrico. O esquema montado pelo PT na Petrobras concentrou poder decisório em duas diretorias (Abastecimento e Serviços) definindo compras, licitações, contratos, parcerias, tudo que possibilitasse, digamos, negócios. No setor elétrico, o modelo adotado é exatamente o mesmo. Ele sabe o que diz Quando afirmou, em depoimento, que o escândalo no setor elétrico “é ainda pior”, o ex-diretor ladrão Paulo Roberto Costa sabia o que dizia. Só petistas mandam Implantado por Lula, o modelo decisório no setor elétrico se mantém até hoje: quem manda são os diretores de Engenharia, ligados ao PT. Rainhas da Inglaterra Diretores de Engenharia nem precisam dar satisfações aos presidentes das estatais, que, no máximo, apenas referendam suas decisões. Os maiorais São os diretores de Engenharia e não seus presidentes os maiorais nas estatais Eletrobas, Eletronorte, Chesf, Furnas e Eletrosul. Petrolão é motivo de novos protestos on-line As redes sociais estão movimentadas com o protesto nacional, marcado para o dia 15, que pede o impeachment de Dilma Rousseff. Ao menos 190 páginas no Facebook convidam para a manifestação. A expectativa dos

organizadores é que o ato seja tão expressivo quanto o de junho de 2013. A pauta desta vez é a bandalheira na Petrobras e a alta no preço do combustível, além de críticas à política econômica. Sem baderna No protesto contra Dilma não será permitida a presença de meliantes do black bloc: “Serão detidos e entregues à polícia”. Manipulação A petição pelo impeachment tem quase dois milhões de assinaturas no site Avaaz, que, controlado por petistas, é suspeito de manipulação. Pela Culatra O Planalto avalia que o “ato pela Petrobras”, marcado pela CUT e apoiado pelo PT, aumente ainda mais o movimento pró-impeachment. Sem remédio Madame não esconde sua preocupação com a situação geral do seu governo, mas anda muito satisfeita com os efeitos da dieta que a fez perder peso. Dilma até já dispensou os remédios para pressão. Infiltração petista Os organizadores do protesto contra corrupção no governo Dilma, dia 15, informaram as polícias militares dos Estados sobre a suspeita de infiltração de militantes do PT para promover baderna e quebra-quebra. Cadê todo mundo? Foi quase impossível encontrar uma excelência em Brasília neste fim de semana. Um senador confidenciou que o “fator Janot” causou a fuga em massa. Ninguém queria estar na capital com a lista pública do PGR.

Jornalista

Parlamentares que representam o Estado estão preocupados com a falta d’água em outros Estados e fazem alertas DIVULGAÇÃO

Cláudio Humberto

Derretendo Que o dólar subiu frente à maioria das moedas importantes, não dá para negar, mas o real também está fraco comparado a moedas como o dólar australiano e o canadense, o yuan (China) e do iene (Japão). E o trabalho? Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, usou sua conta no Twitter para chamar os seus seguidores para “defesa dos cultivadores de maconha para autoconsumo”, em plena segunda-feira. Melhor extinguir Passageiros que chegam a Curitiba chegam a esperar até 15 minutos por uma escada para desembarcar, e até uma hora pela bagagem. É a Infraero reiterando razões para ser extinta. Simples assim. Ministro do PMDB Apesar da relação difícil com Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, será “eleitor” na escolha do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal. A definição saiu das mãos de Dilma e está com o PMDB. Na contramão Mesmo com todo o Congresso contra, o presidente americano, Barack Obama, conseguiu mostrar como arrumar a economia e o país gerou 265 mil empregos só em fevereiro. Por aqui, mesmo com o Congresso na mão, o governo vai rumo à recessão enquanto o mundo se recupera Piada da hora Dilma está tranquila. Diz que apenas meia dúzia de brasileiros foram prejudicados com pela crise: eu, tu, ele, nós, vós e eles. Mais ninguém.

Marcos Rotta afirma que não é mais aceitável Manaus, banhada por rios, sofrer com falta d’água MOARA CABRA Equipe EM TEMPO

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evido à crise vivenciada pelo Sul e Sudeste de abastecimento de água, parlamentares chamam a atenção para evitar que o Amazonas passe pelo mesmo problema e promovem discussões em torno do assunto. Exemplo desse esforço, o deputado estadual Marcos Rotta (PMDB) afirma que é um paradoxo o Amazonas ser banhado pelos maiores rios do mundo e continuar com sérios problemas de distribuição e abastecimento de água. Ele ressalta que o assunto será tema entre a bancada amazonense na Câmara Federal. “Não tenho dúvida que esse assunto fará parte das nossas reuniões com a bancada, até mesmo para evitarmos o que já aconteceu em outros Estados brasileiros”, ressaltou Rotta. Ele disse, ainda, que certamente irá apresentar indica-

tivos aos governos estadual e federal para que ações sejam implantadas para evitar o desperdício, entre outras providências. “Vamos apresentar indicativos e sobretudo políticas públicas de conscientização a serem empreendidas por parte dos governos federal e estadual”, pontuou. Desperdíco será punido Na Câmara Municipal de Manaus (CMM) está em tramitação um Projeto de Lei (PL) de autoria do vereador Plínio Valério (PSDB), o qual irá punir quem desperdiçar água. A reportagem, no entanto, tentou ouvir o parlamentar para mais informações do PL, mas as ligações não foram atendidas. Na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), no entanto, o presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e Sustentável da casa legislativa, deputado Luiz Castro (PPS), estará promo-

vendo, por meio da comissão, uma audiência pública no dia 23 para tratar sobre a preservação e uso racional da água. A discussão terá como convidados cientistas, ambientalistas, comunidade acadêmica, educadores, entre outros seguimentos. Para o parlamentar, não é uma situação fácil, mas é preciso enfrentá-la o quanto antes para evitar prejuízos maiores. “Existem legislações e é preciso aplicá-las, como os códigos florestal e da água”, detalhou. Quanto a uma das legislações federais, Castro lembrou sobre a criação de Comitês de Bacias Hidrográficas, as quais deixam os governos estaduais e municipais à vontade, por não determinar data para a implantação. No Amazonas, por exemplo, foi criado o Comitê Hidrográfico do Tarumã, o qual não obteve êxito. Agora existe um projeto de criação da bacia do Puraquequara, mas sem data para sair do papel. CMM

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PODER SEM PUDOR

Guia para hipocondríacos O então senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) jantava no restaurante Alcaparra, no Rio, quando um cidadão, Dr. Tanus Tauk, foi à sua mesa, cumprimentou-o e lhe presenteou com um exemplar de um livreto de sua autoria, “Passaporte da Saúde”. É um guia útil para quem viaja ao exterior. Contém, em seis idiomas, nomes dos principais remédios de que um viajante pode necessitar e pode comprar sem receita. E explica como pedi-los nos seis idiomas. Arthur Virgílio pediu mais dois exemplares, autografados, para oferecer, um ao ex-presidente José Sarney, outro para o governador de São Paulo, José Serra. Elias Emanuel vai promover uma audiência pública para debater sobre o assunto água

LAVA JATO

Apologia à impunidade, diz PGR A disputa entre o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União para ver quem deve ou não ter o direito de fechar acordos de leniência com empresas investigadas na operação Lava Jato ganhou mais um capítulo. O procurador do MPF junto ao Tribunal de Contas da União Julio Marcelo de Oliveira enviou mais um pedido ao ministro do TCU João Augusto Ribeiro Nardes solicitando que a CGU, ligada ao Poder Executivo, se abstenha de celebrar esse tipo de acordo com as companhias envolvidas.

O procurador acusa, indiretamente, integrantes do governo de fazerem “apologia à impunidade”. Também vê “terrorismo” nos argumentos do Executivo. “Quem defende que apenas os executivos das empresas sejam punidos e que as empresas não devam ser punidas, faz apologia à impunidade”, escreveu em sua petição ao TCU. Em declarações públicas realizadas em janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff defendeu que apenas pessoas devem ser punidas e que empresas não podem ser destruídas. Em entrevista ao

jornal “O Estado de S. Paulo”, o advogado geral da União, Luis Inácio Adams, corroborou a fala da presidente. Procuradores temem que a colaboração das empresas com a CGU não seja tão frutífera e rigorosa como é hoje em termos assinados com o MPF. Na petição, Julio Marcelo escreve que um eventual acordo com a Controladoria não pode ser usado como “um pequeno e conveniente purgatório por onde as empresas podem escapar do inferno da inidoneidade para regressar felizes ao paraíso da impunidade”.

Câmara Municipal entra no debate O deputado Luiz Castro afirma que agora existe um projeto de criação da bacia do Puraquequara, mas sem data para sair do papel. O deputado Luiz Castro informou que irá apresentar um Projeto de Lei (PL), determinando prazos para que o Estado e municípios implantem o comitê. Assim como a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) vai discutir o assunto com seguimentos da sociedade, a Comissão de Serviços Públicos da Câmara

Municipal de Manaus (CMM), que tem como presidente o vereador Elias Emanuel (PSB), também vai promover no dia 26 desse mês uma audiência pública para debater sobre o assunto água. Em março do ano passado, a Câmara Municipal de Manaus criou a Comissão Especial da Água, com a finalidade de analisar a problemática da água na cidade de Manaus, especificamente a questão da implantação da tarifa social, da taxa de esgoto, religação de água e universalização

do serviço de abastecimento no município. Comissão No dia 16 de dezembro de 2014, a comissão apresentou um relatório final. Segundo o documento, a empresa Manaus Ambiental, ouvida durante o processo, não apresentou resposta aos questionamentos feitos pela comissão, o que fez com que o relator, vereador Luiz Mitoso (PSD), sugerisse a criação de uma Comissão Permanente, em 2015, para tratar sobre o tema.


Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

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Petrobras é financiada por empreiteiras, denuncia CPI A

primeira sessão deliberativa da CPI da Petrobras, marcada por tumultos e bate-boca, aprovou a convocação do ex-gerente da estatal Pedro Barusco como o primeiro depoimento a ser tomado e poupou os empreiteiros acusados de envolvimento no esquema de desvio de recursos da estatal. Não foi votado nenhum requerimento que pedia a convocação de empreiteiros para prestar esclarecimentos, nem requerimentos que pediam a quebra de sigilo dessas empresas, apontadas pelo Ministério Público Federal como integrantes de um cartel que pagava propina a agentes públicos para dividir entre si as obras da Petrobras. Levantamento da “Folha de S.Paulo” já mostrou que ao menos 12 dos 27 integrantes, incluindo o presidente Hugo Motta (PMDB-PB) e o relator Luiz Sérgio (PT-RJ), receberam doações, nas eleições passadas, de ao menos R$ 3 milhões de Braskem, Engevix, Queiroz Galvão, Odebrecht, UTC, OAS, Andrade Gutierrez, Carioca Engenharia e Toyo Setal. As transferências foram registradas legalmente na Justiça Eleitoral e não há notícia de que estejam sob suspeita ou

investigação, mas o Psol havia pedido à CPI o afastamento de deputados que receberam essas doações, por entender que não teriam imparcialidade para conduzir a investigação. O pedido foi negado pela CPI. “Foram aprovados depoimentos de ex-presidentes (da Petrobras), como José Sérgio Gabrielli, Graça Foster, os ex-

PROPINAS

Levantamento mostra que ao menos 12 dos 27 integrantes, incluindo o presidente Hugo Motta (PMDB-PB) e o relator Luiz Sérgio (PT-RJ), receberam doações, nas eleições passadas, de ao menos R$ 3 milhões diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque, o doleiro Alberto Youssef e o ex-gerente Pedro Barusco. Foram diversos requerimentos aprovados. Na minha avaliação um dia importante, começamos a CPI com o pé direito, produzindo, criando sub-relatorias e mostrando ao Brasil que queremos investigar”, declarou o presidente da CPI, Hugo Motta.

EBC

Nos primeiros levantamentos de investigação na estatal foi descoberto que cúpula da petrolífera era mantida por empresários O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) chegou a sugerir que fosse organizada uma viagem a Curitiba para ouvir executivos que estão presos e demais pessoas listadas em requerimentos, como o juiz Sérgio Moro, mas ainda não houve decisão da CPI sobre a sugestão. O plano de trabalho apresentado pelo deputado Luiz Sérgio, o relator, e aprovado na sessão também não cita os empreiteiros acusados na Lava Jato e nem inclui eles entre os depoimentos recomendados na apuração. Só diz que é necessário ouvir representantes da Associação Brasileira de Engenharia (Abemi), à qual estão associadas as empreiteiras. De empresas cita a SBM Offshore, empresa holandesa que pagou propina a funcionários da estatal, e a Sete Brasil, que fornece sondas a estaleiros. Barusco O plano prevê a convocação de Gabrielli e dois ex-diretores acusados do recebimento de propina: Nestor Cerveró e Renato Duque. Não há data para o depoimento deles. Foi dada prioridade à convocação de Barusco, já que tanto PT como PSDB têm interesse no seu depoimento.

Deputados (esq.-dir.): Hugo Motta, Luiz Sérgio e André Moura na abertura da CPI da Petrobras


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Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015


MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

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Uma Páscoa com chocolate e pimenta Economia B3

Guerreiras

Suelen aprendeu a arte de comercializar com o pai durante a infância

empreendedoras

Número de mulheres que decidem abrir o próprio negócio, no Estado, é maior que a média nacional, conforme o Sebrae-AM SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

O

número de mulheres empreendedoras no Amazonas está acima da média nacional. Conforme dados registrados pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM), até o último dia 28 de fevereiro, 44.695 mulheres estavam cadastradas na entidade como Microempreendedoras Individuais (MEIs). Deste total, 20.729, o que corresponde a 46%, estão em Manaus. Conforme dados de uma pesquisa divulgada no final do mês passado pela Serasa Experian, o Brasil possui 5.693.694 de mulheres empreendedoras, o equivalente a 8% da população feminina do país, o que significa que 43% dos donos de negócios em território nacional são do sexo feminino. “É possível verificar que as mulheres vêm empreendendo mais por oportunidade e não por necessidade. Há uma procura mais planejada delas, que envolvem habilidades manuais ou em vendas, por exemplo, e que elas desejam colocar em prática”, explica a gerente de atendimento da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae-AM, Ana Paula Campos. Segundo ela, grande parte das futuras empreendedoras que chegam ao Sebrae em busca de apoio para abrir o próprio negócio já sabe em que área irá atuar. Neste caso, a entidade orienta com pesquisas de mercado,

além de avaliações que envolvem investimentos próprios, preços, entre outros. Ela cita como exemplo uma pesquisa da empresa Genius, que dá conta de que as mulheres começam a empreender após identificarem uma oportunidade de mercado. “Avaliamos também qual é a essência e os parceiros de negócio, os canais de comunicação que serão utilizados com o público. A questão das redes sociais, por exemplo, facilita a exposição do produto. Basta uma postagem para que seja comentado, avaliado e adquirido por várias pessoas”, observa Ana Paula. De acordo com ela, outro fator determinante para algumas empreendedoras é a flexibilidade para gerenciar a própria empresa, conciliando com a vida familiar. Conforme Ana Paula, entre os ramos que se destacam nas empreendedoras no Amazonas, em primeiro lugar está o do comércio varejista de vestuário e acessórios; seguido dos cuidados com aparência pessoal e estética (cabeleireiras); varejo de cosmético, perfumes e higiene pessoal; lanchonete e restaurantes; e mercado varejista em geral.

Experiência ajuda empresária

Brincadeira virou um negócio

Desde a infância acompanhando o pai no comércio de produtos para pesca, no interior do Pará, a comerciante Suelen Patrícia Guimarães, 33, aproveitou o conhecimento adquirido na área para abrir um mercadinho, no bairro São Jorge, na Zona Oeste, ao se estabelecer em Manaus, há cinco anos. “O comércio de estivas é diferente do de pesca, mas como tinha um certo conhecimento sobre compras, atendimento ao público, entre outras habilidades que auxiliam no comércio, optei por abrir um mercadinho próprio”, explica Suelen.

Há menos de um ano atendendo encomendas de doces, tortas e bolos confeitados, a estudante de direito Willene Araújo, 20, conta que começou a empreitada por acaso. “Um amigo pediu que eu fizesse o bolo para o aniversário de um sobrinho dele, e resolveu publicar a imagem no Facebook. Em instantes, várias pessoas curtiram a publicação e ele também passou a me indicar. Desde então, não parei mais”, conta. Segundo Willene, as encomendas geralmente são mais atendidas nos finais de semana, cuja

Desistências Como a oportunidade é um dos principais fatores para que a mulher possa empreender, em detrimento à necessidade, esse fato contribui para que haja uma redução no fechamento das pequenas empresas, conta Ana Paula. Estudante passou a fazer bolos e tortas a partir da internet

Willene divulga no Instagram os quitutes criados por ela

Entretanto, por não ser da cidade e o segmento de mercado popular na área em que ela se instalou quase não existir na época, a empreendedora diz ter enfrentado algumas dificuldades logo no início. Apesar de hoje já estar consolidada na área, Suelen salienta que mantém um “olho no futuro”, avaliando em que área poderá empreender, caso deixe o comércio de estivas de lado. “A prática feminina em pesquisar preços, oferecer mercadorias em conta e conquistar a clientela auxilia também na manutenção do negócio”, observa a empresária.

demanda varia de sete a oito bolos ou tortas, para não conflitar com as atividades acadêmicas. “A procura maior são pelos bolos de chocolate”, relata a estudante universitária, que divulga os seus quitutes e criações, principalmente, por meio de sua conta no Instagram: @doce_perfeito. Suporte O apoio da família, segundo ela, também foi fundamental para atender os clientes e levar adiante as encomendas.

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Caderno B

Economia

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

Valorização do dólar gera oportunidades para lucrar A

alta do dólar, que na semana passada ultrapassou a faixa de R$ 3, ao mesmo tempo que pode trazer dificuldades para alguns, pode ser também uma oportunidade para lucrar. Especialistas do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon/AM) apontaram meios para lucrar com a subida da cotação da moeda norte-americana neste ano. Em 2015, a alta acumulada do dólar é de 13,3% em relação à moeda brasileira. No dia 5 de março, o dólar comercial fechou em R$ 3,012. Foi a primeira vez que a moeda americana ultrapassou a barreira dos R$ 3 desde agosto de 2014. Na última seção de dezembro de 2014, o dólar havia fechado a R$ 2,659. Com base no relatório do Banco Central, o presidente do Corecon/AM, Marcus Evangelista, acredita que a moeda norte-americana deve encerrar o ano cotada entre R$ 2,90 e R$ 3,20. “A alta do dólar está relacionada ao fato de que os investidores estrangeiros estão receosos em deixar dinheiro no oaís. Esse comportamento reduz a quantidade de dólar no

DIVULGAÇÃO

Especialistas indicam os caminhos para quem quer investir, em tempo de alta na cotação da moeda norte-americana mercado brasileiro, tornandoo mais valioso”, explicou. Ações Apesar do cenário aparentemente negativo para a economia brasileira, a valorização

CAUTELA

Os fundos raramente conseguem atingir a valorização, e como cobram taxas de administração, acabam sendo pouco atrativos como investimento, afirmam especialistas do Corecon/AM Apesar de ter superado a barreira dos R$ 3, valorização do dólar frente ao real oferece algumas vias para investidor ganhar

da moeda americana pode ser lucrativa para o investidor brasileiro, de acordo com especialistas do Corecon/AM. A primeira opção é a aplicação em ações no Brasil. “É bom ficar de olho nos papéis de empresas brasileiras exportadoras, que têm muita receita em dólar. As ações do setor de papel e celulose são importante potenciais por serem, essencialmente, exportadoras”, afirma Marcus Evangelista.

Investimento em fundos é uma alternativa O vice-presidente do Corecon/AM, Nelson Azevedo, lembra que investir fora do Brasil pode ser uma boa saída para quem quer aproveitar o momento de alta do dólar. “O investidor que não quer especular com a alta do dólar e sim construir uma

carteira bem estruturada e de longo prazo deve pensar em investir em mercados estrangeiros”, disse. De acordo com ele, uma maneira de entrar no negócio é comprar fundos que ofereçam o investimento em papéis de empresas es-

trangeiras. “Há fundos que oferecem ativos em renda fixa e notas de crédito de empresas, que equivalem a debênture brasileira”, disse. A debênture é um título de dívida, de médio e longo prazo, que confere a seu detentor um direito de

crédito contra a companhia emissora. “Quem investe em debêntures se torna credor dessas companhias”, completou Azevedo. Investimentos em fundos cambiais podem ser a terceira solução para lucrar com a valorização do dólar.


Economia

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Páscoa apimentada e ovos de chocolate zero açúcar

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Empresas apostam na inclusão de novos sabores regionais e no valor da saúde para incrementar as vendas do período Cestas de Páscoa custam em média de R$ 40 a R$ 400 e ovos de chocolate podem chegar até R$ 999

EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

C

hocolate acompanhado de molho de pimenta murupi e ovos de Páscoa zero açúcar são as grandes apostas da indústria de chocolates amazonense para o feriado de Páscoa deste ano, celebrado em abril. Entre grandes e pequenas empresas, as expectativas de crescimento para o período estão entre o empate com mesmo período do ano passado e o otimismo de até 30%. De acordo com o proprietário da pequena empresa Oiram Chocolates, Mário Oiram Fogaça, para este ano não há expectativa de crescimento no volume de produção e faturamento ante 2014. No entanto, manterá a busca por novidades, como a inclusão do molho de pimenta nas cestas que a empresa monta para vender nos seus quiosques, empresas parceiras e no mercado corporativo, que é o seu principal cliente. “A economia

está duvidosa, o mercado está retraído”, comentou. Os sabores dos recheios amazônicos de castanha e cupuaçu serão mantidos nos ovos de Páscoa da Oiram, que vão de R$ 16 (200 gramas) a R$ 37 (380 gramas).

EXPANSÃO

A empresa Bombons Finos busca ampliar o mercado local junto às lojas de conveniência, empórios e delicatessen. Os ovos vão de R$ 3 (25 gramas) a R$ 999 (10 quilos) e cestas de R$ 30 a R$ 400 Nas cestas que são vendidas de R$ 40 a R$ 200, além dos ovos, das geléias e dos vinhos produzidos pela empresa, serão incluídos os molhos de pimenta murupi com açaí, tucumã, cupuaçu, malagueta e com pimenta jiquitaia, que está

em fase de conclusão de testes. “Queremos apimentar a Páscoa com os molhos. A ideia é a cesta como presente”, disse Fogaça. Há 17 anos no mercado, a Oiram atende outros mercados, como Curitiba, Brasília e São Paulo, e começa a abrir no Rio de Janeiro. Em Manaus, os produtos são comercializados no shopping Manauarana na Cachaçaria do Dedé, em um quiosque no Shopping Ponta Negra, em uma empresa de produtos regionais e na sede da fábrica, localizada no Distrito Industrial de Micro e Pequenas Empresas, no Tarumã, Zona Oeste. Confiança A empresa Bombons Finos começou o ano confiante. As apostas começaram no ano passado, quando mudou para o Distrito Industrial I, Zona Sul, e já em dezembro iniciou a produção dos ovos de Páscoa para este ano, o que permitiu a ela ser a primeira empresa a expor os produtos nas suas lojas, segundo infor-

mou o gerente de marketing Jorge Alberto. “Reavaliamos os conceitos e deixamos de produzir muito próximo da data, o que torna os custos maiores, porque tínhamos que contratar mais mão de obra”, explicou Alberto. Segundo ele, com maior capacidade de produção e de estocagem, o crescimento estimado em 30% está relacionado não somente aos pontos de venda, mas também ao cliente corporativo. Desde 2013, a empresa trabalha com os recheios regionais como cupuaçu, tucumã e pupunha. No ano passado, incluiu o brigadeiro belga e o chocolate branco com cookie. Para a Páscoa deste ano, a Bombons Finos incluirá o açaí entre os sabores regionais, o doce de leite argentino, o chocolate zero açúcar e outro com proteína whey proten, voltado para pessoas do mundo fitness.

Pimenta murupi para o mercado A produção de molho de pimenta de caráter gourmet, em embalagens diferenciadas, entrou na vida da Oiram no ano passado, com testes iniciados em agosto do ano passado, conforme explicou a sócia administradora Adélia Menezes Pena. “Certo dia, precisamos do produto na nossa loja do aeroporto [internacional Eduardo Gomes] e não tínhamos. Foi quando nos perguntamos: por que não produzir?”, comentou. Depois de concluído os estudos sobre o produto, ele começou a ser testado no pequeno varejo, na loja do da empresa instalada no aeroporto Eduardo Gomes, e no quiosque do Manauara Oiram aposta nos molhos de pimenta entre os presentes de Páscoa

Shopping. De acordo com Adélia, a empresa começará a buscar o grande mercado de Manaus, em aproximadamente 30 dias, quando as diversas variedades do molho serão levadas à exposição em algumas redes de supermercado da cidade, para o teste de aceitação. “Percebemos que é um item muito bem aceito no mercado, por isso tiramos o projeto do campo das ideias”, disse Adélia. Ao gosto do cliente, como companhia aos ovos, segundo ela, antes de chegar às prateleiras, o molho de pimenta comporá as cestas de presente da Oiram criadas a partir do reaproveitamento de peças e também material reciclado.


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Economia

RAIMUNDO VALENTIM

Produção de pequena para

Indústria de água engarrafada cresce acima de 10% no Amazo SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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IONE MORENO

No Amazonas há cerca de cinco indústrias de água mineral instaladas

Cerca de 30% da água consumida vem da reserva de Alter do Chão

região amazônica é detentora de 80% do volume da água doce disponível no Brasil. No entanto, a produção de água mineral engarrafada no Estado do Amazonas ainda é insignificante diante da quantidade produzida no país. Enquanto a indústria nacional do setor engarrafa em torno de 80 bilhões de litros por ano, as fábricas amazonenses contribuem apenas com aproximadamente 80 milhões de litros, no mesmo período, segundo estimativas da Secretaria Estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (SEMGRH). De acordo com o titular da SEMGRH, Daniel Nava, o potencial de produção de água engarrafada no Amazonas é enorme, tendo em vista que o Estado está sobre o aquífero Alter do Chão. Nava estima que o volume de água mineral desse reservatório subterrâneo pode ultrapassar a quantidade encontrada no Aquífero Guarani, que está localizado entre o Brasil, o Uruguai, o Paraguai e a Argentina. Segundo o secretário de Mineração, aproximadamente 30% do consumo de água subterrânea da capital amazonense vêm da reserva subterrânea de Alter do Chão que, além da sua localização que abrange a área subetrrânea da Região Metropolitana de Manaus (RMM), também alcança os Estados do Pará e do Amapá. Nava ressalta o fato de o Estado estar dentro da maior bacia hidrográfica do planeta. Ele destaca que esse diferencial pode ser um atrativo para o desenvolvimento de estratégias para atrair empresários que invistam no setor. “Estamos esperando a conclusão da reforma administrativa do governo para seguirmos com os planejamentos de

investimentos. A água é uma matéria-prima necessária a todos os seres humanos. Riqueza que o Amazonas tem em abundância”, afirma. O secretário relata que, entre as ações do Plano Estadual de Recursos Hídricos está a busca pelo reconhecimento do reservatório subterrâneo de Alter do Chão e trabalhar para transformá-lo em patrimônio ativo econômico, social e ambiental. Para Nava, o potencial existente no Estado pode ser uma alternativa de desenvolvimento para os próximos 50 anos da Zona Franca de Manaus (ZFM), com o objetivo de atender outras regiões. “Com o mercado em pleno crescimento podemos atender outros Estados do Brasil e também fazer uma ponte direta com os países que precisam de água como a Índia e a China”, aponta. Conforme o superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral, no Amazonas (DNPM/AM), Fernando Burgos, existe hoje quatro empresas produzindo água mineral em Manaus. São elas: Santa Claudia Bebidas

ANÁLISE

Economista José Loredo afirma que a vinda de indústrias para Manaus, por conta da crise hídrica no Sudeste do Brasil, não procede. O que determina a instalação é a análise de custo e logística e Concentrados da Amazônia Ltda. (água Santa Cláudia); J. Cruz Indústria e Comércio Ltda. (Yara); Minalar Água Mineral da Amazônia Ltda. (Minalar) e Amazon Refrigerantes Ltda. (Aguacrim). Há ainda uma em Iranduba a empresa Jamile Pamplona Daibes (Nossa Água). Burgos ressalta que mais duas empresas estão em processo de instalação em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros de Manaus): a Bmam Comércio de Águas Ltda. e a Amazon Spring Agro Indústria e Comércio Ltda.


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B5 RAIMUNDO VALENTIM

água mineral a o mercado

IONE MORENO

nas, com produção aproximada de 80 milhões de litros por ano

Mesmo em período de chuvas a produção da indústria não para

Rigor na aprovação de projetos

Mercado aquecido sem verão O mercado de água mineral em Manaus vive aquecido, principalmente no período de verão, quando ocorre a maior onda de calor da região. A Minalar Água Mineral da Amazônia registra o crescimento em torno de 10% ao ano da produção e do faturamento, de acordo com o gerente comercial da empresa, Kleber Maia. O volume, segundo ele, é expressivo em relação à estagnação do mercado econômico brasileiro. A indústria - situada na avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte - que este ano completa 31 anos no mercado amazonense e conta com aproximadamente 35 funcionários tem um poço de 206 metros de profundidade e capacidade de evasão de 80 mil litros de água por hora, além de encher mil garrafões de 20 litros por hora. Segundo ele, o grupo pretende cavar um segundo poço com a mesma capacidade em aproximadamente um ano. “Mas, não vamos utilizar os dois poços ao mesmo

tempo, até porque não temos essa capacidade. Ele será reserva, para o caso de quando formos fazer manutenção em um, colocamos o outro para funcionar, desta forma, não vamos parar a produção”, explica Maia. De acordo com o gerente comercial da Minalar, a produção de água mineral da empresa atende o mercado da capital e também de municípios do interior do Estado como, por exemplo, Manacapuru, Iranduba, Itacoatiara e Presidente Figueiredo, na Região Metropolitana de Manaus e Manicoré na Calha do Rio Madeira. Ampliação Com o crescimento do setor produtivo de água mineral engarrafada no Estado e também da produtividade da empresa, Maia afirma que há projetos de ampliação da fábrica. “Já temos projetos prontos para investir até 2016, além disso, temos a intenção de importar água mineral para outras regiões do planeta”, relata.

dois a três anos somente de pesquisa e outros com quase cinco anos que ainda não conseguiram ser atendidos. Captar água não é para qualquer um, pois não pode haver nenhuma alteração na qualidade da água a ser comercializada”, frisa. Nava, diz que no município de Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus) o governo estuda a criação de uma indústria de água

engarrafada para atender a região sudoeste do Amazonas e ainda aproveitar o mercado colombiano. “Estudamos a possibilidade de aproveitarmos uma indústria de água mineral, que atenda Tabatinga, entre outros municípios daquela região, que hoje são atendidos com a água da Colômbia, pois temos dúvidas em relação à qualidade dessa água do país vizinho”, observa.

IONE MORENO

No AM, há duas indústrias em processo de instalação em Presidente Figueiredo

O secretario estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, Daniel Nava, explica que é bastante rigoroso o processo para que uma indústria de produção de água mineral, além dos investimentos para tal fim que são elevados. Ele observa que o DNPM precisa ser exigente quanto à exploração desse bem na região para manter a qualidade da água. “Há projetos que têm de

Empresa Minalar Água Mineral da Amazônia quer ampliar sua capacidade


País

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Mercado físico de café do país está travado A análise é de especialistas que afirmam que o cenário está paralisado e os produtores retraídos, à espera de boas cotações

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ão Paulo (Reuters) - O mercado físico de café arábica do Brasil está virtualmente paralisado, com os compradores tentando repassar para as ofertas a baixa registrada nos contratos futuros de Nova York, e os produtores retraídos, à espera de melhores cotações. Além disso, a grande oscilação de valores diários, com altas e baixas expressivas em Nova York, também prejudicou os negócios na semana passada. Segundo o Escritório Carvalhaes, tradicional corretora de Santos, os produtores aguardam “preços mais realistas, condizentes com o estado dos cafezais depois da longa seca e das altas temperaturas” dos dois últimos verões. “Com a forte crise econômica e política, inflação se aproximando dos 8% ao ano, dólar ultrapassando a barreira dos R$ 3 e, portanto, custos de produção em alta, consideram mais prudente ficar com o café do que aceitar vendêlo por preços que acreditam artificialmente pressionados e fora da realidade”, afirmou Carvalhaes na última sexta-

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feira, em nota. Os contratos futuros do café arábica negociados em Nova York atingiram na última semana uma mínima de 13 meses, com a fraqueza do real frente ao dólar, o que tende a favorecer vendas para a exportação, além de uma melhora do clima para a safra brasileira, segundo operadores dos EUA.

SAFRA 2015

O Conselho Nacional do Café disse, em nota, que a produção do café deste ano será fraca por conta dos problemas climáticos. A colheita se inicia dentro de dois meses, no Brasil

A moeda norte-americana subiu 1,49% anteontem, a R$ 3,0565 na venda, maior nível de fechamento desde 27 de julho de 2004. Na última sexta-feira, o contrato de maio fechou em alta de 4,85 centavos, ou 3,6%, a 1,399 dólar por libra-peso, mas encerrou a semana em baixa de 0,4%, a quarta perda

semanal consecutiva. Durante a semana, houve sessões com alta de cerca de 6% e outras com baixa de 6%. Na sessão de anteontem, a alta no mercado nova-iorquino impulsionou os preços no Brasil. O Indicador Cepea/Esalq do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 442,03/saca de 60 quilos, avanço de 3,12% em relação à véspera. “Essa constante e forte oscilação nova dos valores tem deixado o mercado praticamente travado para a variedade”, ressaltou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em nota. Recuperação? As coberturas de vendidos em Nova York ocorreram no último dia 6 com o mercado parecendo ter encontrado um piso no curto prazo, segundo operadores em Nova York. Por sua vez, o chefe de operações da Organização Internacional do Café (OIC), Mauricio Galindo, disse na semana passada que os preços poderão subir nos próximos meses devido a um déficit da oferta global.

DIREITO DA MULHER

SEMANA PASSADA

Fila de navios para soja cresce 61% São Paulo (Reuters) A fila de navios esperando para carregar soja nos portos brasileiros cresceu 61% em uma semana, mostraram dados divulgados na última sexta-feira, em um momento de grande chegada de embarcações para carregar a nova safra brasileira e após uma greve de caminhoneiros que atrapalhou o escoamento da produção. O número de embarcações ancoradas nas proximidades de portos brasileiros saltou para 82 anteontem, ante 51 uma semana atrás, enquanto o volume de soja em grãos previsto para ser carregado nesses navios totaliza 5,17 milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Williams analisados pela Reuters. Os embarques nos portos do Sudeste e Sul do Brasil foram afetados nas duas últimas semanas por uma pa-

Agroindustriais estão tensos com a colheita de café deste ano, que se desenha num cenário fraco

ralisação de caminhoneiros que bloquearam estradas e impediram o escoamento normal da safra. Além disso, este é o período de maior chegada de navios para carregar a soja

CRESCIMENTO

A fila de navios para soja ancorados na região de Santos (SP) cresceu para 26 esta semana, ante 13 na semana passada. A colheita está no auge em muitas regiões produtoras do Brasil recém-colhida. “Isso é comum nesta época. Os navios vão chegando, se acumulando, vai atrasando [o embarque]... Mas deve ter havido algum contratempo por causa da greve”,

disse o diretor da Williams, Glynne Williams. O gerente operacional da agência marítima Orion, em Santos, Willian Januzzi, afirma que tem havido falta de grãos para embarque no porto do litoral paulista, aquele que mais movimenta soja no país. “Está havendo falta de carga no porto, em quase todos os terminais de grãos. Isso acontece especialmente para grãos, porque eles chegam do Centro-Oeste [onde houve paralisações]”, disse. O diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, disse que a recomposição dos estoques de grãos nos portos brasileiros deverá demorar uma semana, após duas semanas de protestos que “baixaram muito” os estoques nos portos.

Comissão mista será instalada

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Brasília - A Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher será instalada na próxima terça-feira, às 15h (horário de Brasília), com uma solenidade no Salão Nobre do Senado para marcar a abertura dos trabalhos da comissão. Em seguida, haverá a instalação oficial e eleição dos integrantes da mesa do colegiado. Deverão participar da cerimônia o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e representantes da Câmara dos Deputados. Formada por dez senadores e 27 deputados, foi proposta pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher, que investigou até 2012 as agressões diretamente relacionadas ao gênero feminino.

DIVULGAÇÃO

A colheita da soja está no auge no Brasil e a greve de caminhoneiros atrapalhou escoamento

Atribuições Entre as atribuições da comissão, está a de apresentar propostas para a consolidação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. A comissão também deverá buscar as possíveis falhas nas ações e serviços da seguridade social e na prestação de segurança pública e jurídica às mulheres vítimas de violência, além de apresentar projetos com o objetivo de corrigir essas lacunas. Os dados oficiais mostram que o Brasil é o sétimo país do mundo mais perigoso para as mulheres, no que diz respeito à violência.

Presidente do Senado vai presidir cerimônia de instalação

Feminicídio agora é hediondo Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Câmara dos Deputados aprovou a lei federal 8305/14, em que torna o feminicídio crime hediondo e o inclui na lista de homicídios qualificados. Com isso, o assassino poderá cumprir pena entre 12 e 30 anos. Além disso, com a mo-

dificação do Código Penal, o feminicídio aumenta em um terço a pena, caso o crime ocorra enquanto a mulher estiver grávida ou logo após o parto, se for contra uma menor de 14 anos,s maior de 60 ou pessoa com deficiência. O acréscimo da pena também é aplicado se o crime for cometido na presença de parentes de primeiro grau.


País

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Projeto iguala mães e pais quanto ao registro de filhos Matéria já foi aprovada no Senado e na Câmara dos Deputados na semana passada e segue agora para sanção presidencial

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rasília - O Senado aprovou, na última quinta-feira, projeto que autoriza a mãe a se dirigir aos cartórios para providenciar o registro de nascimento de seu filho. A proposta (PLC 16/2013), que legalmente equipara mães e pais quanto à obrigação de registrar o recém-nascido, segue agora para a sanção presidencial. O texto da Câmara dos Deputados altera a Lei dos Registros Públicos, a Lei 6.015, de 1973. Pela regra vigente, cabe ao pai a iniciativa de registrar o filho nos primeiros 15 dias desde o nascimento. Havendo omissão ou impedimento do genitor, depois desse tempo a mãe poderá assumir seu lugar. Terá então mais 45 dias para providenciar o registro. A proposta aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da casa (CCJ), contudo, atribui ao pai ou à mãe, sozinhos ou juntos, o dever de fazer o registro no prazo de 15 dias. Se um dos dois não cumprir a exigência dentro do período, o outro terá um mês e meio para realizar a declaração.

DIVULGAÇÃO/SEDESE

Declaração de nascido Uma emenda de plenário, do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), promoveu uma mudança no texto para deixar claro que a mãe ou pai poderá fazer o registro, mas será sempre observado artigo já existente na Lei de Registro (art. 54) a respeito da utilização da Declaração

LEGALIDADE

Projeto de lei aprovado pelo Congresso equipara, do ponto de vista legal, mães e pais quanto à obrigação de registrar o recém-nascido. Atualmente, o genitor é que tem essa prerrogativa no prazo de 15 dias

de Nascidos Vivos (DNV) para basear o pedido. Pelo artigo citado, o nome do pai que consta da DVN não constitui prova ou presunção da paternidade. Portanto, esse documento, emitido por profissional de saúde que acompanha o parto, não será elemento suficiente para a mãe indicar o nome do pai,

para inclusão no registro. Isso porque a paternidade continua submetida às mesmas regras vigentes, dependendo de presunção que decorre de três hipóteses: a vigência de casamento (art. 1.597 do Código Civil); reconhecimento realizado pelo próprio pai (dispositivo do art. 1.609, do mesmo Código Civil); ou de procedimento de averiguação de paternidade aberto pela mãe (art. 2º da lei 8.560, de 1992). Como a emenda apenas inclui no texto referência a dispositivo que já vigora, a alteração é entendida apenas como redacional. Assim, o projeto pode seguir logo para a sanção, sem necessidade de retorno à Câmara para exame desse ponto. A DVN é regulamentada pela Lei 12.662, de 2012), sendo destinada a orientar a formulação de políticas públicas e, como estabelece o texto, também o pedido do registro de nascimento. Deve constar desse documento, além do nome do nascido e de seus pais, o dia, mês, ano, hora e município de nascimento, entre outros dados.

A partir dessa lei, a mãe do bebê terá a prerrogativa de registrar a criança após o nascimento


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Mundo

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Afeganistão vai ganhar universidade para mulheres Espaço será exclusivo para o sexo feminino e foi anunciado na semana passada pelo presidente do país, Ashraf Gani

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ão Paulo - O presidente do Afeganistão, Ashraf Gani, anunciou na última quinta-feira a criação de uma universidade especial para as mulheres na capital, Cabul, e assegurou que trabalhará para garantir os direitos femininos no território nacional. “O papel da mulher é muito importante em nossa cultura. Por isso, a primeira universidade para mulheres será construída. Cada departamento será responsável para defender os direitos das mulheres”, declarou Gani, de acordo com a emissora local TOLO News. O anúncio veio dias antes do Dia Internacional da Mulher, que é comemorado neste domingo. De acordo com um porta-voz do governo citado pela Agência Efe, apenas 20% das mulheres afegãs sabem ler e escrever. Dos cerca de 300 mil jovens que estudam em universidades no país asiático apenas 25% são mulheres. “A participação das mulheres é alta nas grandes cidades como Cabul e Herat, mas no sul e no leste a porcentagem baixa. Em algumas faculdades, não há mulheres”, explicou Akhtar Mohammed, do Ministério da Educação.

AGÊNCIA EFE

Além do anúncio da criação da universidade, o presidente afegão assegurou que seu governo trabalha para incluir mulheres nos gabinetes institucionais e outros postos políticos. “Nossa mensagem é clara, as mulheres devem ocupar postos como ministras, governadoras provinciais e embaixatrizes”, assegurou o

DIREITOS

A valorização da mulher afegã parece estar ganhando destaque no governo do presidente Ashraf Gani. Ele pretende implantar políticas públicas para garantir os direitos femininos no Afeganistão

chefe de Estado do país. Após quase quatro meses de ser empossado presidente do Afeganistão, Gani anunciou em meados de janeiro os nomes de 25 novos ministros que fariam parte do novo governo do país. Uma das principais críticas que recebeu foi que seu gabinete é composto por apenas três mulheres.

Presidente afegão Ashraf Gani em seu discurso sobre os direitos das mulheres no país, que foi transmitido em rede nacional de TV


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diadia@emtempo.com.br

O que abunda PODE ACABAR

Lixo nos igarapés, desperdício de água, iniciativas para conscientização: as várias faces de um problema ignorado que nunca deverá ser descartado

Poluição em um dos vários cursos d’água que cortam a capital amazonense: cenário desolador CÉSAR AUGUSTO Editor do Dia a dia

O

pensamento geral é: o que abunda não falta. Os problemas ambientais relativos à água são ignorados em uma região onde ela nos cerca, em uma situação privilegiada que, sem o devido cuidado para sua preservação, pode se transformar em pesadelo – mesmo que seja, como muitos gostam de afirmar, apenas em um futuro distante, como um problema a ser resolvido pelas futuras gerações. As cenas do drama da escassez de água na Região Sudeste que surpreendeu o país mostraram que o problema deixou há muito tempo de ser específico do Nordeste, onde o clima criou uma época de estiagem à qual o nordestino busca sobreviver há gerações. Ao Sul

do país, no entanto, a falta de políticas responsáveis quanto ao abastecimento e a depredação ambiental desenfreada mostraram sua conta alta como um alerta de que o que abunda não apenas falta, mas pode acabar. Nossa bacia hidrográfica nos serve como fonte de alimento, higiene e transporte, mas o crescimento populacional e econômico não tem acompanhado a evolução racional e a exploração ambientalmente responsável. Igarapés desapareceram sob tapetes de poluição ou foram transformados em esgotos. As águas do rio Negro são agredidas por lixo e dejetos jogados por uma população que se recusa a admitir a limitação do recurso e esbanja sem pena, inclusive de maneira ilegal, o líquido fornecido em suas torneiras. Mais fácil é criticar as autoridades e se

EDSON LOPES JR./GESP

Página C8

(92) 3090-1041

recusar a oferecer a contrapartida de colaborar com a preservação de nossa casa. Felizmente, há exceções, iniciativas que driblam essa cultura da ostentação equivocada de um bem que, em breve, pode desaparecer, como vem sido avisado há muitas décadas. São atos isolados para tentar aos poucos mudar a mentalidade de quem, por ignorância, incompetência ou pura preguiça, prefere destruir o habitat, condenando o futuro. A reportagem especial deste domingo nos mostra essas facetas do assunto água: a necessidade de preservação, os alertas, a análise da cultura do desperdício e as ações isoladas. O tema é amplo, difícil de se resumir a uma edição. O debate é – e deve ser – permanente. A abundância está em risco. (Leia nas páginas C2 a C5)

Torneira ligada, enquanto o carro é lavado: cenas comuns de desperdício em todas as zonas residenciais de Manaus

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Caderno C

Dia a dia

Projeto de lei facilita mamografias


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Dia a dia

A ilusão da abundância infinita de água é um problema cultural que cega quanto aos alertas de situações extremas ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

A

escassez do abastecimento de água, neste ano, na Região Sudeste do país é considerada por especialistas como a maior crise hídrica dos últimos cem anos. A abundância de água no Amazonas, entrecortado por rios e igarapés, parece mostrar que estamos longe de um quadro semelhante, mas, para pesquisadores, a população necessita passar por uma reeducação e conscientização sobre o desperdício do líquido, como na lavagem de carros, pátios e até mesmo banho no cachorro. O antropólogo Ademir Ramos explicou que no Amazonas ninguém está preparado para o caso de um dia a água escassear. Mesmo com algumas famílias adotando pequenos gestos para evitar o desperdício, como fechar a torneira enquanto se escova os dentes e ensaboa o corpo, a população em geral não está educada para economizar. Tudo está relacionado com a cultura. O antropólogo afirmou que o desperdício da água é visto nas várias classes sociais do Estado. “Falta realmente uma consciência ambiental desta sociedade, e para isso o governo precisa trabalhar nos principais focos contra a destruição do meio

ambiente”, explicou. Para Ramos, a ideia do desperdício é interligada com as condições financeiras de cada indivíduo. Como exemplo, ele ilustra a pessoa que mora na miséria, passa por necessidades e é capaz de fazer qual-

Trabalhos de conscientização devem ser a melhor forma de combater o que está enraizado na sociedade Ademir Ramos, antropólogo

quer coisa para sobreviver e gasta mais do que precisa. Nos casos das famílias que apenas pagam taxa (a tarifa social) pelo abastecimento de água, é o que mais ocorre. A tarde de banho das crianças na mangueira, a lavagem de um pátio, um chuveiro ligado no verão, entre outros exemplos, demonstram uma necessidade do indivíduo de passar por essa experiência para se satisfazer. “Não temos só a população em estado de miséria, mas os ricos também estão nesta linhagem, e a explicação é que

muda: ‘Estou pagando, então vou gastar o que eu posso’”, disse. Para Ademir Ramos, é preciso que o governo trabalhe com campanhas de conscientização e que a população esqueça o individualismo e comece a pensar no coletivo: o que aquele gesto pode propor para uma sociedade e assim reverter a cultura do povo. “Trabalhos de conscientização devem ser a melhor forma de combater o que está enraizado na sociedade. As campanhas de conscientização precisam ser massivas e mostrar a realidade para este povo, das condições e do trabalho que precisa ser realizado para que a sociedade mude esta característica do desperdício e, principalmente, de destruição do meio em que vive”, afirma. Segundo Ramos, o fato de as pessoas evitarem poupar água também é um reflexo da falta de conscientização de preservação do meio ambiente. “Como estamos rodeados de árvores e água, a população tem a ideia de que jamais vai acabar, mas a verdade não é bem essa. A reeducação deve ser a forma mais fácil de atingir esta cultura, até hoje o povo continua com o hábito de jogar lixo no chão, então precisamos encontrar esses principais focos para serem combatidos”, informou.

Estação de captação e tratamento de água da Manaus Ambiental: desperdício e desvio do líquido geram grandes prejuízos e podem comprometer mais o abastecimento

Exemplos do bom e do mau uso

Cena comum em Manaus: uso de mangueiras para lavar veículos, o que gera desperdício

Algumas famílias mantêm por gerações as noções de conscientização e de preservação. É o caso da auxiliar de serviços gerais Ana Lúcia Lima, 30, que desde criança sempre acompanhou a iniciativa do avô e de seu pai de aparar água da chuva para lavar a maior parte dos utensílios de casa. “O fato de morar em uma região rodeada de água não significa que ela nunca vai faltar. Precisamos observar que uma boa parte das águas dos nossos igarapés é tomada pelos lixos que nós mesmos jogamos, e se esta atitude não mudar, logo iremos perder o que mais temos de precioso”, disse. Ana Lúcia também passa para seus filhos a conscientização sobre a água. Ela relata que sempre utiliza o líquido com o qual lava a roupa para limpar o pátio ou lavar o banheiro, racionalizando o uso. “Além de colaborar com

o meio ambiente, evitamos pagar mais caro pelo que foi consumido”, afirmou. Já o proprietário de um lava-jato que preferiu não se identificar disse que diariamente enche duas caixas

RACIONAL

A auxiliar de serviços gerais Ana Lúcia Lima, 30, desde criança sempre acompanhou o avô e o pai na ação de aparar água da chuva para utilizar na limpeza da casa, passando isso aos seus filhos d’água para utilizar em seu estabelecimento. Poupar, para ele, é desnecessário. “Aqui em Manaus não precisamos nos preocupar com isso, pois somos rodeados de água. Precisamos traba-

lhar em outros assuntos que precisam ser discutidos. O que deveríamos questionar eram os problemas de falta de água nas torneiras, pois temos muita água e não deveríamos passar por essa situação”, disse. O empresário Jorge Souza, 45, disse que por causa de sua educação, sempre evitou deixar a torneira ligada enquanto escova os dentes ou ensaboa uma louça, mas acredita que é impossível haver falta de água no Estado. Para o autônomo Erivan Neto Morais, 35, a água é uma utilidade que precisa de cuidados, mas ele afirmou que não poupa. “Pago por mês uma taxa de consumo, então utilizo o que for suficiente para manter limpa a minha casa e também me refrescar, pois Manaus é muito quente e não tem como conviver com o calor sem tomar banho”, relatou. (IV)


FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

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Uma esperança surge com muita educação A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) possui um projeto de sensibilização sobre a crise hídrica, associando pesquisas de iniciação científica. Sob a orientação de professores e a chancela do

Programa Ciência na Escola (PCE), o trabalho se dá a partir da análise da qualidade da água dos bebedouros da escola. Associado à pesquisa, os alunos também têm acesso a palestras e a visitas técnicas

orientadas pela empresa Manaus Ambiental. Incentivo Para incentivar o desenvolvimento de projetos, a Seduc conta, em sua estrutura, com uma coordena-

ção de Educação Ambiental, que articula formações para professores e fomenta atividades transversais. Os trabalhos são destacados com os temas de portabilidade da água para o consumo humano. (IV)

Ligações clandestinas de água: uma forma de utilizar sem moderação um bem público, acarretando em prejuízos futuros

Amazonas se destaca quanto ao desperdício DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO

Arlindo Sales, da Manaus Ambiental: 20% de clandestinos

De acordo com o relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), serviço ligado ao Ministério das Cidades, o Brasil desperdiçou, em 2013, 37% de toda a água tratada. As regiões Norte e Nordeste figuram no topo do ranking de desperdício, superando a média nacional. O Amazonas aparece no segundo lugar dos Estados nortistas, com 47%. Estudo da Manaus Ambiental, concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário, mostra que o uso incorreto da água distribuída, bem como a prática de ligações clandestinas, são as principais causas dos atuais índices. Dos 630 milhões de litros distribuídos por dia pela concessionária, cerca de 252 milhões de litros não são faturados pela empresa. Esse

desperdício equivale a mais de 40% do total disponibilizado para o consumo diário. De acordo com a engenheira Sissy Vasconcelos, diretora técnica de Concessões e Regulação da Qualidade da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam), 63% do volume produzido é desperdiçado - cerca de 13 milhões de metros cúbicos por mês. Isso representa uma perda com custos de produção, transporte e distribuição do líquido, mediante o consumo de energia elétrica, de produtos químicos, entre outros. Coletividade O diretor de Regulação e Meio Ambiente da Manaus Ambiental, Arlindo Sales, identifica dois fatores que influenciam a prática de furto de água. A baixa qualidade da estrutura hidráulica em bairros como a Praça 14, por exemplo, acaba

refletindo no custo do serviço. Esse problema, muitas vezes, passa despercebido para a população, que acaba optando pelas instalações clandestinas. Este é outro aspecto apontado pelo diretor: a falta da consciência de coletividade. “Ao contrário dos demais Estados brasileiros, no Amazonas a população acha que deve receber tudo de graça”, analisa Sales. Hoje, 20% dos clientes utilizam os chamados “gatos”. Ainda assim, esta parcela da população tenta manter um padrão de consumo elevado, o que em média equivale ao consumo de três famílias. Em termos ambientais, tal hábito pode resultar na falta de água para o aproveitamento humano, uma vez que é uma fonte esgotável. “Apenas há algumas décadas a humanidade despertou para a dura realidade de que, diante dos usos abusivos, os recursos naturais estão se

tornando escassos. Além disso, é preciso acabar com a falsa ideia de que os recursos hídricos são inesgotáveis”, destaca Sissy. “Por isso, temos investido esforços em duas vertentes: a educação social em escolas, por exemplo, e a punitiva”, explica Sales. Por ano, a Manaus Ambiental gasta R$ 10 milhões na fiscalização e punição de fraudes. Por outro lado, ele reconhece que a gestão de perdas precisa ser melhorada, levando-se em conta a dinâmica do crescimento populacional. Cada cem litros de água distribuídos custam R$ 2,67 para cada cliente. Já a Arsam, enquanto órgão fiscalizador, também realiza a orientação ao uso racional da água, de porta em porta, ou em forma de palestras durante as ações de fiscalização. “A maioria não sabe o quanto consome e nem quanto paga por isso”, diz Sissy.


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Dia a dia

Um ‘tapa na cara’ d Enquanto a população sem consciência destrói nascentes e reservas com lixo, uma cooperativa luta no sentido de manter nossos cursos d’água livres da poluição IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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oram 7.486,12 toneladas de lixo retiradas dos igarapés que cortam Manaus em 2013. Somente no primeiro semestre de 2014, foram mais de 3.986 toneladas. Em uma batalha que parece estar longe do fim, o saldo não é nada animador. No mesmo período do ano passado foram R$ 2.136.270,38 retirados dos cofres públicos para liberar os cursos d’água e dar um destino mais acertado ao lixo, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). Em meio a esse cenário desanimador - patrocinado também pelo consumo desenfreado - uma alternativa chama a atenção pela aparente simplicidade e baixo custo. Incomodados com a quantidade de lixo lançada no igarapé do Gigante, na Zona Oeste da cidade, aquaviários da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (Coopacamdaf) resolveram arregaçar as mangas e colocar ordem na casa. Há dois anos, todas as garrafas PETs e latinhas de bebidas lançadas no igarapé que deságua nas proximidades da marina tem tido

atenção especial. Elas são recolhidas do rio e armazenadas em duas gaiolas gigantes içadas sobre as águas do rio Negro. Fabricada de alumínio e arame, a gaiola que mede 2 metros de altura por 2 de largura já virou atração entre os turistas que passam pela marina do Davi com destino às nove comunidades próximas. Tudo porque a estrutura, apoiada sobre boias, abriga toneladas de latas e garrafas de plástico que foram lançadas no rio. “Essa nossa ideia surgiu depois que percebemos que o pessoal dos bairros descarta lixo no igarapé do Gigante e a chuva traz tudo para cá. O igarapé nasce atrás do aeroporto e recebe o lixo por onde passa nos bairros Redenção, Alvorada e Lírio do Vale”, explicou o presidente da Cooperativa, o comandante Adonis Custódio, 59. Dentro de cinco meses, quando a gaiola atinge a cota máxima de 200 quilos, as latinhas de alumínio são vendidas e a gaiola é esvaziada. Além do lixo lançado irresponsavelmente no manancial, os profissionais também interceptam o lixo produzido pelos passageiros durante as viagens. Já as garrafas PETs são doadas para artesãos, pesquisado-

res, comunitários ou mesmo para os passageiros das lanchas. A quantidade de lixo varia de acordo com fluxo de passageiros, em determinadas épocas do ano e do regime das chuvas. Adonis explicou

INICIATIVA

Há dois anos, todas as garrafas PETs e latinhas de bebidas lançadas no igarapé do Gigante são recolhidas do rio e armazenadas em duas gaiolas gigantes içadas sobre as águas do rio Negro que a iniciativa é abraçada por todos os 54 cooperados que estão na ativa. Na folga entre as viagens, eles empregam o tempo dando exemplo de cidadania. “Todo mundo tem consciência de que fica feio. Então, a iniciativa é praticamente de 100% dos cooperados”, atestou. O dinheiro arrecadado com a venda de material reciclável “pescado” nos rios é usado para investir na cooperativa. Além de arrecadar um dinheiro, a iniciativa previne futuros prejuízos e incentiva outras pessoas. “Muitas

pessoas de fora tiram foto para reproduzir a ideia em outros locais, elogiam a iniciativa. O lixo, além de bater na hélice das lanchas, tem um problema que ‘pega mal’: as pessoas que não conhecem, chegam e veem o lixo, acham que é produzido aqui. O pessoal do meio ambiente investigou e viu de onde vem”, apontou. Há 36 anos navegando pelo Amazonas, o comandante tenta, à sua maneira, reproduzir na marina o cenário apaixonante que ainda encontra nas comunidades mais afastadas da metrópole. “Já naveguei pelo rio Purus, e lá ainda não tem essa poluição devido ter menos pessoas, além de ser muito distante um município do outro”, analisou. Ainda com esperanças, ele acredita que se cada um fizer sua parte, a natureza que temos poderá ser cultivada por muito tempo. “A gente faz a

nossa parte. Se todo mundo fizer um pouquinho para o ambiente, melhora bastante. Semana passada levei um pessoal do Piauí para fazer passeio e eles estavam comentando que para lá, a água é tão pouca e para nós tem essa imensidão e nunca vai acabar. Mas se a gente ver pelo lado da poluição, isso pode acabar. Quem diria que iriam desaparecer os igarapés de Educandos e São Raimundo? Hoje em dia até para navegar é difícil devido à poluição, o odor de tanto produto químico. Então esses imensos rios também podem ser poluídos. Temos que fazer algo para não deixar a poluição tomar conta, já temos o exemplo do Sudeste”, argumentou.

Aplausos para a criativida

As gaiolas feitas para recolhimento do que é jogado indevidamente de

Além de remover o lixo do rio, os aquaviários também investem em experimentos com a reutilização dos recicláveis. Com as aproximadamente 4,8 mil garrafas recolhidas do rio, eles construíram uma espécie de boia gigante, para dar maior sustentação ao flutuante utilizado pela cooperativa para atender aos passageiros. “Os flutuantes são construídos em cima de toras de madeiras que, com a continuação dos anos, vão encharcando e perdendo a sustentabilidade na

água devido à acidez do rio Negro. Então nós também fizemos uma boia que tem 10 metros de comprimento com 70 de largura. Construímos uma grade grande e a enchemos de garrafa PET. Auxiliou os troncos, aumentou a sustentabilidade do flutuante e tirou cerca de quase 5 mil PETs do meio ambiente”, disse. As PETs também ganharam espaço dentro das lanchas. Dependendo do tamanho, cerca de 200 a 300 garrafas servem de matéria-prima na construção


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FOTOS: IONE MORENO

a falta de educação O trajeto da sujeira que destrói nossas reservas de água Além do lixo despejado na reserva, a nascente também é ameaçada pelo igarapé poluído que sai do bairro Aliança com Deus e se une ao Bolívia. Mas de onde vem tanto lixo e onde ele pode parar? Em trabalhos desenvolvidos em várias zonas da capital, a pesquisadora questionou os moradores vizinhos ao igarapé da Pedreira, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. E a resposta foi uma só: do bairro vizinho, claro. “Eles disseram que vinha da Grande Circu-

lar. Em parte eles estavam falando a verdade. Você tem uma bacia hidrográfica que vai descendo, e tudo que você vai jogando na cabeceira acaba indo para o corpo principal. Quando jogam lixo na Grande Circular vai acabar indo para o igarapé da Pedreira, depois para o da Bolívia, Tarumãzinho, depois para o Tarumã-Açu, chegando ao Negro, ele segue para o rio Amazonas e deságua no mar”, especificou. Por onde passa, o lixo transforma a paisagem e pode

gerar prejuízos irreversíveis. Além da poluição visual, os resíduos dentro do igarapé criam o ambiente propício para propagação de mosquitos transmissores de doenças endêmicas como dengue e malária, além de tornar-se um perigo para a fauna local, bem como reproduzir condições favoráveis para o desenvolvimento de espécies que podem ser prejudicais ao homem. “Outra coisa é a floração de algas, que dependendo da toxina, pode levar o peixe à morte e ser ruim

para o homem. O lixo vai criando ambientes propícios para elas se desenvolverem. Fazer mal ou não, vai depender muito dos organismos que estão ali”, explicou. Para a bióloga, reverter esse desequilíbrio ambiental – que em alguns locais do país tornou-se também um desequilíbrio econômico - propagado pelo descarte irresponsável do lixo é possível, mas depende do esforço de diversos atores. “Uma vez eu falei que teoricamente é viável, já foi feito no Tamisa,

em Londres. É muito complicado, teria que trabalhar em três esferas simultaneamente. A população tem que ser educada e colaborar. O governo tem que agir, ele que vai ter que arcar com a despesa e encontrar formas de educar a população. E, por fim, entra também o pessoal ativo para sugerir mecanismos de solução. Mas, no fim das contas, quem vai dizer o que tem que ser feito, acaba sendo o governo, é uma questão de interesse”, analisou.

Lixo jogado de lanchas e outras embarcações recolhidas pelo pessoal da Coopacamdaf: iniciativa exemplar de quem se preocupa com a preservação

Lixo jogado na Reserva Ducke

de ribeirinha

Não é somente o igarapé do Gigante que padece com a poluição. Em uma visita à Reserva Florestal Adolpho Ducke na última segundafeira (2), a bióloga Domitila Pascoaloto surpreendeuse com a quantidade de lixo lançado a céu aberto. Garrafas PET, latas, embalagens de plástico, restos de obras e até brinquedos foram abandonados na mata. O jeito deplorável de se livrar dos resíduos ameaça uma das nascentes do igarapé da Bolívia, encontrado no interior do Jardim Botânico. Em uma análise da estrutura dos bairros vizinhos a reserva, Pascoaloto, que é pesquisadora há 12 anos

do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), observou a ausência de coleta de lixo periódica, além da falta de educação ambiental da população. “Vemos que além da ignorância da população nesse aspecto ambiental, há problemas de gestão, porque não tem lixeira para jogar lixo. Exemplos são os bairros Cidade de Deus e Aliança com Deus, que possuem locais de difícil acesso onde não tem como o caminhão de coleta chegar. E a população quer se livrar do lixo, vê a área verde e joga lá. Muitos passam de carro e jogam. Mais cedo ou mais tarde todo esse lixo vai acabar parando no igarapé”, salientou.

ntro do rio: consciência ambiental

das embarcações produzidas pelo grupo. “Antes as canoas eram fabricadas no espaço onde ficam os bancos, era colocado isopor para, no caso de alagar, não afundar. Nós não usamos mais isso, usamos garrafa PET que colhemos no igarapé. É a mesma sustentação, ainda tem mais uma vantagem que o isopor, que se dissolve com a gasolina e a canoa vai para o fundo, quando há derramamento de combustível. Já a garrafa não tem esse problema, nada destrói”, afirmou. Domitilia Pascoaloto: ignorância e problema de gestão Pureza da água está ameaçada em todo o Estado com a poluição e exploração desordenada


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Mulheres dependentes de drogas mudam a rotina A

vaidade é uma das principais características da mulher. E a mulher é um ser tão especial que tem um dia do ano dedicado exclusivamente a ela. O Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, aproveitando a data programou atividades dedicadas às pacientes e funcionárias da unidade. Durante essa semana foram realizadas atividades voltadas para os cuidados com a beleza e prevenção a saúde. Foram realizados também palestras e cursos, com distribuição de folders educativos e quites de beleza. Durante toda a semana, as mulheres do Centro de Reabilitação tiveram a oportunidade de dar um trato no visual com a oferta de serviços de corte, escova e pintura de cabelo, peeling, maquiagem, manicure e para enfrentar a rotina do dia a dia no trabalho as nutricionistas do centro realizaram palestras sobre nutrição e alimentação saudável, com distribuição de folders. “Muitas vezes esquecemos que a beleza está ligada diretamente com a boa alimentação e cuidados com a saúde. Portanto esse tipo de atividade nos alerta sobre os

cuidados em ter uma alimentação balanceada para adquirir energia suficiente para as atividades diárias”, conta a professora da Oficina de Biojoias, Solange Araújo. Social Além de dar um trato na beleza feminina, um dos principais fatores que levou a direção do Centro de Reabilitação a realizar a “Semana da Mulher” foi a oportunidade de promover um momento de integração social entre pacientes e funcionárias da unidade de saúde pública. “A programação permitiu uma melhora na autoestima das mulheres. Aqui elas cuidam da saúde diariamente e nessa semana ainda tiveram a oportunidade de cuidar do visual”, disse o idealizador do evento, professor e cabeleireiro do Centro de Reabilitação, Orlando da Silva. Outra palestra que chamou a atenção das participantes, principalmente das pacientes, foi a que tratou do tema empreendedorismo. Muitas mulheres se sentiram motivadas a montar seu próprio negócio, depois das orientações básicas de como montar uma empresa, ministrado pela professora de corte e costura, do Centro de

Reabilitação, e artesã, Lúcia Jeffes. “No centro de reabilitação pude fazer os cursos de cabeleireiro, panificação e confeitaria, que vão me garantir um futuro melhor quando receber alta. Esse curso abriu minha visão e quero ser uma microempresária”, disse uma paciente que pediu para não ter o nome revelado. Foram apresentadas ainda palestras sobre a autoestima feminina, Lei Maria da Penha e Violência Doméstica, prevenção ao câncer de colo e útero e mama com distribuição de informativos sobre as doenças que tem acometido muitas mulheres no mundo. Para a realização da “Semana da Mulher”, o Centro de Reabilitação contou com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde do Rio Preto da Eva, que realizou exames preventivos; Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) e Mary Kay produtos de beleza. A “Semana da Mulher” contou com uma força extra. Os homens do Centro de Reabilitação vestiram, literalmente, a camisa do evento e ajudaram as mulheres da unidade de saúde.“Mulheres gostam de elgoioa.Todas ficaram lindas”, disse motorista Emerson de Oliveira da Silva .

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Centro de Reabilitação realizo uma semana de atividades para melhorar autoestima e incentivar cuidados com a saúde

Durante a semana, as mulheres do centro puderam cuidar da beleza com tratamentos estéticos

Centro é referência no Brasil As mulheres aprovaram a iniciativa do Centro de Reabilitação de realizar o evento e compareceram em “massa” a toda as atividades oferecidas durante a “Semana da Mulher”. O Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz é o primeiro do Brasil, na área de reabilitação em dependência química, a trabalhar com a política de redução de danos. Mulheres, homens e adolescentes, a

partir de 13 anos, adoecidos pelo consumo excessivo de álcool e outras drogas são tratados no Centro de Reabilitação. O tempo de tratamento no Centro de Reabilitação é de 90 dias. No entanto, pode ser prorrogado por até 120 dias, caso seja necessário. Esta avaliação é feita por uma equipe multiprofissional do Centro de Reabilitação formado por médico psiquiatra, enfermeiro, psicólogo, nutri-

cionista, assistente social e técnico de enfermagem. O Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz está localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010, estrada que liga dos municípios de Manaus a Rio Preto da Eva. A unidade, construída e mantida pelo governo do Estado do Amazonas, tendo gerenciamento compartilhado entre a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e o Instituto Novos Caminhos.


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Doenças crônicas atingem quase 44,5% das mulheres E

m comemoração ao Dia Internacional da Mulher, promovido hoje, é preciso reforçar o cuidado com a saúde feminina. Conforme a primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 44,5% dos portadores de enfermidades crônicas no país são do sexo feminino. Essa porcentagem é o equivalente a 34,4 milhões de um total de 57,4 milhões de pessoas acometidas por uma doença crônica não transmissível (DCNT). De acordo com o instituto, atualmente, as DCNT respondem por mais de 70% das causas de morte no país. A hipertensão arterial, o diabetes, a doença crônica de coluna, o colesterol (principal fator de risco para as cardiovasculares) e a depressão são as que apresentam maior prevalência em todo o território brasileiro. Cuidados Uma das premissas básicas nos cuidados da saúde é estar ciente de que os exames femininos não se resumem apenas aos ginecológicos, conforme

lembra o médico cardiologista e diretor de Relacionamento com o Mercado do Laboratório Sabin, Anderson Rodrigues. Segundo ele, o ideal é consultar também um clínico geral ou um cardiologista para exames complementares

Ter os exames em dia pode prevenir, além do câncer ginecológico, doenças cardiovasculares e diabetes, que hoje têm alta incidência Anderson Rodrigues, médico

como hemograma, glicemia (para descartar a diabetes), colesterol, triglicérides, TSH (tireóide), PCR-us (risco cardíaco), ácido úrico e urina. O cardiologista ressalta que, como cada pessoa tem um organismo diferente, é necessário que o paciente faça uma avaliação completa anualmente e, em casos específi-

cos, até duas vezes. “É fundamental investigar com atenção alguns antecedentes pessoais e familiares, estilo de vida, hábitos alimentares, estresse no trabalho, tabagismo, sedentarismo e obesidade. No caso das mulheres, ter os exames em dia pode prevenir, além do câncer ginecológico, doenças cardiovasculares e diabetes, que hoje têm alta incidência na população mundial”, afirma. Alimentação saudável, praticar atividades físicas, evitar excessos e sempre buscar o acompanhamento médico são recomendações do diretor de Relacionamento com o Mercado do Laboratório Sabin. Com base no levantamento do IBGE, 22,5% dos entrevistados praticavam nível recomendado de atividade física no lazer. Dentre eles, apenas 18,4% de mulheres. Na Região Norte, esta proporção feminina era ainda menor, em torno de 15,4%. “O foco de atenção pode até mudar, de acordo com o desenvolvimento e a faixa etária de cada mulher, mas o cuidado precisa ser constante em todas as etapas da vida”, destaca o cardiologista Anderson Rodrigues.

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Entre as principais enfermidades estão hipertensão arterial, o diabetes, a doença crônica de coluna e o colesterol

Pesquisa aponta que 44,5% dos portadores de enfermidades crônicas no país são mulheres


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Projeto quer mamografia para mulheres de 30 anos E

m alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje, o deputado federal Hissa Abrahão (PPS-AM) defendeu durante a semana aprovação do projeto de lei de sua autoria, que tramita na Câmara Federal, que pretende reduz a idade mínima para a realização de exames de mamografia para 30 anos. Atualmente, o SUS (Sistema Único de Saúde) só possibilita que mulheres com mais de 40 anos se submetam à mamografia. Resolução do Ministério da Saúde do governo Dilma elevou a idade prioritária para a realização do exame para 50 anos e deixou para os municípios a responsabilidade de arcar com as despesas de atendimento às mulheres que desejam se submeter ao procedimento e que têm menos de 50. “Nós queremos ir na contramão do que fez o ministério e, em vez de restringir, ampliar o número de mulheres com direito à mamografia no SUS”, disse Hissa. O parlamentar argumenta que um número cada vez maior de especialistas indica que mulheres a partir dos 30 anos devem fazer o exame porque

EDSON LOPES JR/ GESP

O deputado federal Hissa Abrahão (PPS-AM) defendeu projeto de lei que reduz a idade mínima para o exame no SUS os aparelhos modernos têm condições de detectar o câncer de mama que, em 2012, de acordo com números do Inca (Instituto Nacional do Câncer), vitimou 913 mulheres brasileiras na faixa etária de 30 a 39 anos. “Embora alguns especialistas contestem a eficiência do

ARTIGO

O projeto de Hissa Abrahão altera o inciso III do artigo 2ª da lei 11.664, que estabelece a idade mínima da realização do exame mamográfico prestado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde exame para a comprovação do câncer de mama em mulheres a partir dos 30 anos, dados do Inca mostram o aumento da mortalidade pela doença na faixa etária entre os 30 e 39 anos”, justificou. O parlamentar do Amazonas salienta que “diagnosticando mais precocemente a doença, as chances de cura desse mal devastador que é o câncer são maiores”.

O governo federal só garante o exame após os 50 anos, por isso, cabe aos governos estaduais o exame acima dos 40 anos


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

Capa

pintura de Adriana Varejão

1

Um museu que dança entre dois espaços

2

Memórias concretas

3

E seis indicações culturais. Pág. 2

Inglaterra celebra 50 anos de mostra pioneira. Pág. 3

Os feminismos na terceira onda

Retrato brasileiro de um movimento multifacetado. Págs. 4 e 5

4

Correspondência desencontrada

5

Uma amizade chinesa

6

As cartas de Amoroso Lima e Drummond. Pág. 6

Diário de Pequim. Pág. 7

Spock no arquivo de Ederli Fortunato

São Paulo, 2003. Pág. 8


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 6 INDICAÇÕES DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | DAVID MAGILA A mostra “Tudo pelas Beiradas” enfoca o estranhamento estrutural e arquitetônico de espaços reais transfigurados pelas pinturas e desenhos do artista paulista. “São pinturas que não precisam ser justificadas com teoria artística ou pelo viés da história da arte. Basta vê-las para se perceber suas qualidades pictóricas e a subjetividade impressa nas imagens pintadas”, escreve Ricardo Resende no texto de apresentação. galeria Contempo | tel. (11) 3032-5795 | de seg. a sex., das 10h às 19h | grátis | até 20/3

LIVRO | O GÊNERO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS O trabalho procura elucidar de quais maneiras a questão da definição, ou oposição, do masculino e do feminino se manifesta no percurso intelectual de autores como Karl Marx (1818-83), Claude Lévi-Strauss (1908-2009) e Hannah Arendt (1906-75). O livro é organizado por pesquisadoras da França, entre elas Eleni Varikas, professora de teoria política da Universidade Paris 8. trad. Lineimar Pereira Martins | Unesp | R$ 108 | 584 págs.

‘Frequentes Conclusões Falsas #14’ (2015), de David Magila DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | PEQUENOS FORMATOS Reunião de cerca de 50 trabalhos recentes e inéditos de 22 artistas, como Nuno Ramos, Estela Sokol e Waltercio Caldas. A mostra é composta por fotografias, esculturas, pinturas e desenhos – todos em pequenos formatos e que estão à venda. Anita Schwartz Galeria de Arte - Rio | tel. (21) 2274-3873 | de seg. a sex., das 10h às 20h; sáb., das 12h às 18h | grátis | última semana DVD | FILME NOIR A distribuidora Versátil lança caixa com seis clássicos do cinema policial: “Dama Fantasma” (1944, Robert Siodmak), “O Justiceiro” (1947, Elia Kazan), “Ato de Violência” (1948, Fred Zinnemann), “Pecado sem Mácula” (1949, Anthony Mann), “Mortalmente Perigosa” (1950, Joseph H. Lewis) e “Os Corruptos” (1953, Fritz Lang). O material traz quase duas horas de entrevistas e documentário, incluindo depoimentos dos cineastas Martin Scorsese e Michael Mann. Versátil | R$ 69,90

Obra da série ‘A Cor É que Tem Cor na Asa da Borboleta’ (2011), de Estela Soko

TEATRO | BERTOLT BRECHT A Cia Estável de Teatro apresenta nas estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) o espetáculo “A Exceção e a Regra”, do poeta e dramaturgo alemão (1898-1956). O grupo teatral faz um paralelo entre a trama de Brecht, sobre os embates entre patrões e empregados em uma caravana em busca de petróleo, e a rotina do trabalhador brasileiro que viaja diariamente de trem. neste dom. (8), às 17h, na estação Ceasa; sex. (13), às 20h, na estação Perus; sáb. (14), às 14h, na estação Francisco Morato | tel. (11) 98121-6554 | programação em territorioestavel. blogspot.com | grátis | até 22/3 LIVRO | TEMPO, TRABALHO E DOMINAÇÃO SOCIAL O canadense Moishe Postone, professor de história moderna na Universidade de Chicago, elabora uma reinterpretação da teoria crítica de Marx neste trabalho publicado originalmente em 1993. O historiador propõe a renovação do marxismo ao recolocar no centro do debate as questões da alienação e do fetichismo. trad. Amilton Reis e Paulo Cézar Castanheira Boitempo | R$ 54 | 488 págs.

Ponto Crítico

EXPOSIÇÃO – ‘MUSEU DANÇANTE’

1 MAM nem tão dançante PAULA LEITE

Para a mostra “Museu Dançante”, o MAM-SP (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº) convidou a São Paulo Companhia de Dança a ocupar uma sala e fazer ensaios e performances, além de interagir com o público e com obras do acervo selecionadas por compartilhar características da dança. Visitei a mostra duas vezes. Na primeira, um domingo ensolarado, o parque do Ibirapuera estava cheio, mas a maioria dos frequentadores parecia se acanhar em entrar e explorar o museu. Os funcionários no balcão na entrada tampouco ajudaram em suas

orientações: informaram que os bailarinos estavam almoçando, apesar de a programação dizer que naquele horário haveria performances. Também não explicaram que as obras de arte expostas tinham relação com o “Museu Dançante”, dando a entender que se tratava de coisa separada. Por fim, tampouco tiveram a iniciativa de me alertar que a criança que me acompanhava poderia gostar de subir ou tocar nas obras em que isso se permite. Grupos que visitavam a mostra também não tiveram muita sorte com as explicações dadas pelos monitores do museu, que tentavam clarificar a relação entre a dança e as obras. Os visitantes pareciam gostar das peças expostas, mas predominava uma expressão facial de li-

geira confusão. Na segunda visita, em uma terça-feira, tive mais sorte, já que acontecia um ensaio aberto no momento em que cheguei. Surpreendentemente, tanto a sala de ensaio quanto a sala das obras de arte estavam mais cheias que no domingo. O espaço em que acontece a dança permite ao público sentar-se em meio aos bailarinos que descansam, esperam sua vez de dançar, se esticam, vestidos com meias-calças furadas ou usando pantufas para descansar os pés machucados pelas sapatilhas. Presenciar esse processo de criação e treino contribui mais para aproximar o público da dança que qualquer programa de formação de plateias. Sem figurino, sem maquiagem e sem iluminação, o que resta

é o corpo e o suor – a dança crua e sem glamour. Mesmo as coreografias mais vanguardistas são normalmente um produto mais lapidado entregue ao espectador totalmente pronto. Aqui, não: ensaio significa repetição, trechos entrecortados, música que vai e vem, erros, dores, desequilíbrio e mais repetição. Essa dinâmica do ensaio talvez seja o ponto em que os dançarinos mais se aproximam das obras de arte expostas, em que se pode identificar elementos similares. As esculturas em si ficam dispostas em um grande salão bastante claro, com boa distribuição e sem uma sequência definida de visitação a ser seguida. São poucas, mas o ambiente agradável encoraja o visitante a passear entre elas sem pressa

e até mesmo a sentar-se em uma das cadeiras de praia triplas e ficar por lá, lendo ou observando. Por vezes, a conexão entre a obra e o corpo humano dançante é bastante tênue; em outros casos, bastante óbvia. Ao menos em minhas visitas, a interação dançarinosobras-público ficou bastante comprometida. Não vi, conforme os curadores sugerem, nenhuma performance ou ensaio em meio às esculturas; os ambientes são separados. A interação do público com as obras também é prejudicada pelo fato de que algumas se pode tocar e outras ficam fora do alcance, cercadas por uma antipática linha branca no chão. Por fim, ao menos o ensaio que presenciei tratava de uma coreografia de balé clássico, que pouco dialoga

com as esculturas escolhidas. Separando as duas partes da mostra, trata-se, por um lado, de uma ótima oportunidade para acompanhar muito de perto o trabalho de um coreógrafo reconhecido, Rodrigo Pederneiras, e de um corpo de bailarinos de alto nível técnico. Por outro lado, o visitante pode conhecer algumas das boas obras do acervo do MAM em agradável exposição. Talvez caiba aos funcionários do museu guiar o visitante com explicações que ajudem a esclarecer a conexão entre as duas metades do “Museu Dançante”. Ou talvez seja o caso de os bailarinos e coreógrafos se dirigirem fisicamente ao espaço onde estão as obras de arte para conversar sobre seu processo de criação, movimentando-se junto ao público em meio às esculturas.

ZÔ GUIMARÃES - 15.08.14/FOLHAPRESS

ADRIANA VAREJÃO, 50, é artista plástica.

Ilustríssimos desta edição

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, 28, é jornalista da Folha e assina o blog Religiosamente no site do jornal. EDERLI FORTUNATO, 52, jornalista, tradutora e intérprete, é colaboradora da revista “Preview” e do site Omelete. ÚRSULA PASSOS, 27, é redatora da “Ilustríssima”.

MARCELO NINIO, 48, é correspondente da Folha em Pequim. MARINA DELLA VALLE, 38, é jornalista e tradutora. PAULA LEITE, 30, é redatora da Secretaria de Redação da Folha. FELIPE FORTUNA, 52, é diplomata, ensaísta e poeta. Publicou os livros “A Mesma Coisa” e “ O Mundo à Solta” (Topbooks).


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Poesia

2 Festejos concretos 50 anos de uma mostra inovadora

RESUMO Simpósio realizado no mês passado na Universidade de Cambridge celebrou o cinquentenário da primeira Mostra Internacional de Poesia Concreta, na Inglaterra. A homenagem destacou a forte presença brasileira na exposição de 1964 e defendeu a contribuição de alguns poetas menos famosos e valorizados.

MARINA DELLA VALLE

No térreo do prédio Alison Richard, onde fica o Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, acadêmicos e estudantes se aglomeram em torno de obras de Haroldo (19292003) e Augusto de Campos, Julio Plaza (1938-2003) e Décio Pignatari (1927-2012). O grupo esperava pelo início do simpósio “Concrete Poetry - International Exchanges” (poesia concreta - trocas internacionais), no último dia 14, organizado para celebrar os 50 anos da Primeira Mostra Internacional de Poesia Concreta, Fônica e Cinética, no St. Catharine’s College, parte da universidade. A exposição, de 28 de novembro a 5 de dezembro de 1964, teve uma forte presença brasileira – entre os mais de 90 trabalhos expostos estavam obras do grupo Noigandres, de Augusto e Haroldo de Campos, José Lino Grünewald (1931-2000), Décio Pignatari e Ronaldo Azeredo (1937-2006), e de Edgard Braga (1897-1985), Luiz Angelo Pinto e Pedro Xisto (1901-87). Todos estão representados agora na exposição que rodeia os participantes do simpósio e segue no segundo andar do prédio, uma das três mostras organizadas na cidade para celebrar a data. Os livros, cartas e obras – incluindo trabalhos de Wlademir Dias-Pino, Álvaro de Sá (1935-2001), entre outros – fazem parte do acervo do historiador de arte Stephen Bann, professor emérito da Universidade de Bristol e um dos organizadores da exposição de 1964, ao lado de Red Gadney, Philip Steadman e Mike Weaver. A primeira mostra exibiu obras vindas de diversos países, da Venezuela à Áustria, fazendo jus ao “internacional” de seu título. Entre os artistas com trabalhos expostos, além dos brasileiros, estavam o escocês Ian Hamilton Finlay (1925-2006), o norte-americano Frank Malina (1912-81), cientista pioneiro na arte cinética, o monge beneditino britânico Sylvester Houédard (1924-92) e Eugen Gomringer, boliviano naturalizado suíço, considerado um dos pais do movimento internacional de poesia concreta.

Como tal elenco foi reunido? Bann não consegue precisar como os trabalhos foram selecionados. “Eu apenas me lembro de Mark Weaver enviando dezenas de cartas para vários países pedindo colaborações de poetas de vários cantos do mundo”, diz ele à reportagem da Folha em sua casa, na cidade de Canterbury. Philip Steadman, que foi editor de “Image” e “Form”, publicações seminais na propagação da poesia concreta no Reino Unido, também não sabe dizer. “Para ser sincero, não me lembro”, diz ele, hoje professor da Faculdade de Ambiente Construído da University College London, durante abertura de outra das exposições em homenagem aos 50 anos do feito, “Graphic Constellations”, na galeria Ruskin. Para Bann, o momento era propício para a colaboração internacional. “Nos anos 1960, depois das barreiras criadas pela Segunda Guerra, as pessoas passaram a querer se comunicar”, diz. “Havia um desejo de estar conectado que transcendia todas as outras questões, como a financeira. As pessoas apenas enviavam suas obras”. À exposição se seguiriam publicações na “Form”, o festival de poesia concreta em Brighton, em 1967, também com obras do grupo brasileiro, e a coletânea editada por Bann no mesmo ano. Seu envolvimento com a poesia concreta se deu meses antes da mostra pioneira em 1964, quando conheceu o poeta Ian Hamilton Finlay, de quem se tornaria amigo. Seu livro mais recente é uma edição de cartas que recebeu do poeta, “Midway: Letters from Ian Hamilton Finlay to Stephen Bann 1964-69” [Wilmington Square Books, 400 págs., R$ 66,59 em Kindle]. Em termos gerais, “deixando de fora todo um contexto anterior, como o manifesto do grupo Art Concret, de Theo van Doesburg [um dos principais nomes do neoplasticismo], em 1930”, Bann marca o início do movimento internacional da poesia concreta com o encontro, em 1955, de Décio Pignatari e Gomringer, quando este era secretário do artista concreto suíço Max Bill (190894) na Escola de Design de Ulm, na Alemanha. “Ali eles perceberam que eram parte de pequenos grupos produzindo trabalhos com as mesmas raízes e antecedentes, ainda que não estivessem trabalhando juntos”, afirma. “Ambos concordaram em usar o termo poesia concreta.” A identificação, é claro, não apagou as diferenças entre os dois grupos, como a influência de Ezra Pound (1885-1972) sobre os brasileiros. “Falei com Gomringer há uns 15 dias e ele comentou que, na época, não sabiam nada sobre Pound na Alemanha e na Suíça”, conta Bann. “Eles não entendiam por que o grupo brasileiro se intitulava Noigandres”, diverte-se. O nome foi tirado de uma palavra enigmática em um verso do trovador provençal Arnaut Daniel, que depois ganhou vida nova em “Os Cantos”, de Pound. O marco inicial da poesia concreta citado por Bann, largamente aceito por estudiosos do

assunto, foi questionado pelo artista brasileiro Eduardo Kac durante sua palestra no simpósio em Cambridge, “Dispelling Myths of Origin” (dissipando mitos de origem). Pioneiro em uma longa carreira de experimentações artísticas com o uso de tecnologia, ciência e biologia, indo da holografia à bioarte – sua obra mais conhecida é “Alba”, uma coelha modificada geneticamente para emitir luz florescente –, apresentou exemplos anteriores do estilo poético e do uso do termo poesia concreta. O palestrante destacou a atuação do poeta Wlademir DiasPino, que também participou da primeira Exposição Nacional de Arte Concreta, organizada por poetas e artistas de São Paulo, em 1956 (e, no ano seguinte, no Rio). Dias-Pino, posteriormente um dos fundadores do movimento poema\processo (1967), apresentou na ocasião quatro versões de “SOLIDA”, poema que permite várias leituras de acordo com diferentes codificações gráficas das letras do título. No mesmo ano, publicou o livro-poema “A AVE”, cujas primeiras versões, segundo Kac, datam de 1948. Influência Se o concretismo e seus desdobramentos foram um marco na cena poética brasileira, no Reino Unido sua influência foi mais difusa. “O impacto foi forte. O problema era a dificuldade de distinguir a poesia concreta de outras formas poéticas que também estavam repercutindo no momento”, diz Bann. “Especialmente os que seguiam a geração beat e buscavam nos EUA maneiras de se conectar com aquela forma de poesia”. Um dos exemplos de Bann é o International Poetry Incarnation, no Royal Albert Hall, em 1965, evento com grande presença de poetas beat que atraiu 7.000 pessoas e se tornou lendário na história da contracultura britânica. “Uma das apresentações de mais sucesso foi a do concretista [austríaco] Ernst Jandl, que mostrou seus poemas sonoros”, diz. A lembrança do evento – que reuniu, entre outros, William Burroughs (1914-97) e Allen Ginsberg (1926-97)”” ainda diverte Bann. “Alguns dos beats estavam drogados e quase estragaram a exposição”. Na época, era inevitável a comparação entre o concretismo e a poesia beat – que Bann classifica como “um tanto autocondescendente”. As críticas que mais irritavam Finlay, segundo ele, eram as de que suas poesias “tinham poucas palavras” e eram “muito simples”. “Ninguém olha uma obra de Jesús Rafael Soto e diz que é muito simples”, exemplificava. De acordo com Bann, a separação de sua obra da poesia beat era muito importante para Finlay. “Ele buscava uma forma que acreditava ser mais pura”. E é sob os auspícios de Finlay que se fecha o ciclo iniciado e termina o simpósio – que, além do próprio Bann, teve palestras da brasileira Viviane Carvalho da Anunciação, que pesquisa o diálogos entre os poetas concretos brasileiros e britânicos, entre outros.

Imagem do livro ‘A Ave’, de Wlademir Dias-Pino, editado em 1956


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3 Mosaico feminista O movimento na era da dispersão RESUMO Após uma primeira onda marcada por reivindicações de direitos políticos, e de uma segunda concentrada na luta por igualdade de papéis e liberdade sexual, o feminismo atual incorpora novos temas. Potencializado pela internet, o discurso contemporâneo é mais diversificado e se entrelaça com reivindicações específicas.

ÚRSULA PASSOS PATRÍCIA CAMPOS MELLO ILUSTRAÇÕES ADRIANA VAREJÃO

Sob o sol forte do domingo de pré-Carnaval, um dos muitos blocos que desfilaram nas ruas de São Paulo cantava a marchinha pelo bairro do Bexiga: “Se a igualdade de direitos/ só se encontra no papel/ nossa luta é pra valer/ somos metade do céu// Este corpo que é nosso/ nós quem vamos decidir/ se a gravidez interrompemos/ ou se queremos parir”. Era o Bloco da Dona Yayá, que neste ano saiu com cerca

de cem pessoas. Criado em 2000 pela União de Mulheres do Município de São Paulo, as carnavalescas feministas homenageiam Sebastiana de Melo Freire, a dona Yayá (1887-1961), mulher da alta sociedade paulista que era considerada louca e viveu quase 40 anos isolada em seu casarão no Bexiga – hoje sede do Centro de Preservação Cultural da USP. Ainda nos anos 1990, junto ao movimento antimanicomial, a União mobilizou o bairro, onde também fica sua sede, para que a casa de Yayá fosse transformada em centro cultural e que sua história fosse contada. As marchinhas do bloco

paulistano são apenas mais uma evidência de que o feminismo está mais vivo do que nunca e enfrenta no Brasil temas já equacionados em outros países, como a descriminalização do aborto, e outros ainda universais, como a violência física e simbólica contra a mulher, a desigualdade salarial e a assimetria na representação política. Em sua primeira onda, na passagem do século 19 para o 20, a mobilização feminina concentrou-se na luta por direitos políticos (a começar pelo voto) e envolveu majoritariamente mulheres brancas heterossexuais. Na segunda onda, entre os anos 1960 e 1970, o alvo foi a igualdade de papéis e a livre expressão da sexualidade – quando o movimento se diversificou. Uma terceira onda ganhou corpo na década de 1990, tendo como traço marcante a diversidade e a diferença. Amplificado pela internet e entrelaçado a uma multiplicidade de reivindicações de grupos específicos, o feminismo tornou-se mais fragmentado. Representado por um mosaico de vertentes, coletivos e microgrupos, o movimento ampliou suas bandeiras e incluiu em sua agenda demandas de mulheres negras, lésbicas, travestis e transexuais. Certo é que o grande adversário continua a ser um velho conhecido: “O machismo é o inimigo de todos, ele é inclusive o pai da homofobia”, diz Márcia Balabes, da Liga Brasileira de Lésbicas e do Conselho Estadual LGBT, ligado à Secretaria da Justiça. Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, uma das fundadoras, em 1981, da União de Mulheres e autora de “Breve História do Feminismo no Brasil” (Brasiliense, 1993), considera que, ao contrário do que pode ser o feminismo hoje, o machismo nunca é novo. “É sempre uma coisa velha, rançosa, empoeirada”. “Existem muitos tipos de feminismo, é mais apropriado falar de feminismos, no plural”, diz Lola Aronovich, autora do blog Escreva Lola Escreva e professora de literatura em língua inglesa na Universidade Federal do

Ceará. “Não se pode falar de mulher sem falar de raça, de classe e de orientação sexual”, diz Djamila Ribeiro, que escreve no Blogueiras Negras e no Escritório Feminista, do site da revista “Carta Capital”. Para Aronovich, o feminismo “segue lutando contra a violência doméstica e sexual e contra todas as formas que mulheres são oprimidas”. Ela cita, porém, questões que ganharam visibilidade recentemente ou que não existiam e que têm pautado o movimento, como a violência obstétrica e a pornografia de vingança – quando ex-parceiros divulgam na internet fotos e vídeos íntimos sem consentimento do outro após o término da relação. “Uma opressão que nunca sai de moda é o padrão duplo de sexualidade. Três décadas atrás, quando eu era adolescente, só existiam termos pejorativos para uma mulher com vários parceiros sexuais. A situação não mudou hoje”, diz. A diversificação ficou mais uma vez patente nas reuniões para organizar o ato que acontece anualmente em São Paulo no Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo. Nesses encontros são decididos o trajeto da marcha, o tema da manifestação e o documento a ser divulgado com as reivindicações. Neste ano, participaram cerca de 50 entidades, entre sindicalistas, universitárias, lésbicas e representantes de movimentos de mulheres negras, de periferia e de luta por moradia. Ali também estava a travesti Amanda Palha, que preferiu o feminismo ao movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). “Você se faz questionamentos que naturalmente te aproximam do feminismo, se pergunta o que é ser homem, o que é ser mulher, o que é papel de gênero, por que existe esse conflito na gente. E o conflito, para mim, está muito mais próximo das discussões do movimento feminista do que do LGBT”, diz ela, que integra o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, nascido do Partido Comunista Brasileiro. Tanto quanto a escolha da reforma política como bandeira principal para o ato deste domingo, a participação da população T (travestis e transexuais) está longe de ser um consenso entre as diversas correntes. Este tem sido, aliás, um debate dos mais inflamados, presente em encontros, nas redes sociais e até nas portas de banheiros universitários: em dezembro

passado, na Unicamp, feministas radicais protestaram com ameaças escritas contra o uso por transexuais dos toaletes femininos. Para as radicais não faz sentido representantes da população T participarem do movimento pelo simples fato de que não são mulheres desde o nascimento e não são assim tratadas socialmente. “Gênero não é uma identidade, é uma construção social do que é o homem e do que é a mulher”, afirma Carolina Mendes, estudante de ciências sociais da USP, do Coletiva Feminista Radical Manas Chicas. O grupo, que tem dez integrantes, organizou o Festival de Feminismo Radical Só as Manas, que reuniu cerca de 250 pessoas em janeiro, em São Paulo. “Ser mulher é uma questão de imposição, uma imposição ligada a um grupo que é diferenciado socialmente. Desde que se nasce há um processo cultural que determina o que se pensa”, diz ela. “Nós sempre apoiamos a causa trans”, discorda Amelinha. “As pessoas têm o direito de ser o que são, não existe modelo de ser mulher e de ser homem, nós combatemos isso. Nosso paradigma é a liberdade de expressão de seu corpo; nós somos as avós desse movimento [da população T].” Djamila Ribeiro é mais assertiva: “Há vertentes que perdem tempo questionando quem é mulher e quem não é, quem é a feminista de verdade e quem não é, em vez de pensar os problemas a partir de nossa realidade”. Palha considera que não são só as mulheres “de fábrica” que sofrem discriminação por gênero. “O sistema de gênero é um só, é claro que ele não age com travestis e mulheres trans do mesmo jeito que age com mulheres, mas ele também não age da mesma forma com mulheres negras e brancas”, diz. A hipersexualização que atinge a população T – “as pessoas veem a gente como máquina de sexo” – também afeta a mulher negra, que, segundo Djamila Ribeiro, é a mais “objetificada”. “Ela carrega esse estereótipo de ser quente, boa de cama, é vista como uma mulher para sexo”, diz. violência As negras são as


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que mais sofrem com a violência doméstica e as maiores vítimas do feminicídio – morte de mulheres por conflito de gênero, aprovado pela Câmara dos Deputados, na semana passada, para inclusão no Código Penal como agravante do crime de homicídio. Pesquisa do Ipea apresentada em 2013 revela que entre 2009 e 2011 ocorreram, em média, 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, ou uma a cada hora e meia; das vítimas, 61% eram negras. Amanda Palha também considera que a imposição de um ideal feminino é ainda mais forte sobre a população T. “É a roupa, a aparência, a voz mais feminina, ter de ser delicada, ultrassensível, heterossexual”, enumera. “Tudo que de pior é imposto às mulheres é onde a gente cai: na prostituição, na exploração sexual, no trabalho marginalizado – porque para nós o mercado de trabalho é fechado”. A prostituição é um assunto central na discussão das feministas radicais, que defendem sua extinção, bem como a da pornografia. “Consideramos a prostituição como violência, é garantir o acesso dos homens aos corpos das mulheres”, diz Carolina Mendes. Nessa linha, defendem a adoção de uma lei que puna os que procuram as prostitutas, nos moldes da que está em fase de aprovação na França e já vigora na Suécia desde 1999. Segundo Mendes, uma legislação desse tipo permitiria dar visibilidade àqueles que nunca são vistos: os clientes. “A marginalização e o estigma sempre ficam sobre a prostituta, não sobre o cliente”, diz ela, que não defende pena de prisão, mas o registro: “Aquilo fica marcado na ficha, você é visto como consumidor de prostituição”. Um estudo do Ipea baseado em atendimentos do SUS dá números a outro tema tradicional das feministas: estimase em 527 mil os casos de estupro por ano, dos quais só 10% são relatados à polícia. Nos EUA, por exemplo, 19% dos casos são notificados. Do total das notificações de 2011 no Brasil, 88,5% das vítimas eram mulheres. Descendo a um plano mais específico, Márcia Balabes chama atenção para uma modalidade de estupro que acontece apenas com mulheres lésbicas, o chamado estupro corretivo, que visa “ensinar” a mulher homossexual a gostar de homens. Segundo ela, além da agenda que compartilha com outros grupos feministas, a luta pelo fim do estupro corretivo é uma das pautas particulares da Liga, junto do “enfrentamento à lesbofobia e pela visibilidade lésbica”. No ano passado ganharam evidência na mídia e no movimento feminista as ocorrências de assédio e abusos sexuais nos trens do metrô e da CPTM em São Paulo. Homens filmavam e fotografavam cenas em que esfregavam seus órgãos sexuais em pessoas no transporte público e postavam nas redes sociais. Investigações apontaram a existência de mais de 70 comunidades relacionadas ao assunto, uma delas, chamada “Encoxadores”, com mais de 10 mil participantes. Os casos deram lugar a um debate sobre a criação de um vagão exclusivo para mulheres no transporte público sobre trilhos, o chamado “vagão rosa”. Desde 2006, obedecendo a uma lei estadual, o metrô do Rio de Janeiro reserva um carro feminino em cada composição, nos horários de pico da manhã e da tarde. De auto-

ria do deputado Jorge Caruso (PMDB), lei semelhante chegou a ser aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo em julho passado, mas em agosto foi vetada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Alguns grupos feministas, na realidade, fizeram pressão na Assembleia e junto ao governo para que o dispositivo não fosse aprovado. “O vagão rosa é uma tapeação”, diz Amelinha. “Os homens é que devem ser ensinados a não assediar”, completa Ribeiro. Diverso A multiplicação do discurso feminista nas redes sociais, no contexto de radicalização ideológica em curso no Brasil, também provoca reações contrárias – e entre o próprio público feminino. “Ter um monte de mulheres malucas agressivas não melhora em nada a questão da mulher; aliás, afasta mulheres que gostariam de participar”, considera Mariliz Pereira Jorge, editora do programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da Globo, e colunista da Folha. “Eu também sinto um preconceito; é como se ser branca e de classe privilegiada me desautorizasse a falar sobre feminismo”, diz ela, que escreveu um artigo em resposta à foto de um homem segurando um cartaz com os dizeres “não mereço mulher rodada” que surgiu nas redes sociais. Ela critica as feministas que consideram machistas os homens que tentam se envolver em suas pautas, como ocorreu com Gregorio Duvivier. O ator e escritor foi atacado por aparecer na capa do número da revista “TPM” de novembro, que tratava de aborto. Vestindo uma camiseta com a hashtag “precisamos falar sobre aborto”, ele estampava uma das três capas da publicação – as outras duas traziam as atrizes Leandra Leal e a Alessandra Negrini. Foi acusado de querer protagonizar e ser porta-voz de uma luta que não é sua. Duvivier respondeu em sua coluna na Folha, dizendo não se interessar pelo protagonismo. “Fiz essa capa porque tenho empatia pelas mulheres que não podem optar pelo aborto, mas sei que não sou a grande vítima da proibição (embora eu acredite que todo o mundo é vítima da proibição). Apoiar uma causa não significa protagonizá-la, mas investi-la de protagonismo. Se há um protagonista, é a própria causa”, escreveu. Para Rosângela Talib, do Católicas pelo Direito de Decidir, é preciso chamar os homens para a discussão da responsabilidade pela gravidez. “O aborto é uma pauta feminina porque está no nosso corpo, nós que somos criminalizadas, mas os

homens também têm que discutir esse assunto”, diz. Djamila Ribeiro admite que preferiria, em vez de Duvivier, ter visto mais uma mulher na capa da revista. “Ele não é mulher e não sabe o que é isso.” Ela e outras ativistas acrescentaram uma crítica à reportagem da “TPM”: não evidenciar que as mulheres negras são as que mais sofrem as consequências da ilegalidade do aborto no país. “Não colocaram nenhuma mulher negra para falar e não citaram que são as que mais morrem, até por uma questão social, porque são as que menos têm condição de ir a uma clínica segura”, diz. Segundo a Pesquisa Nacional de Aborto feita pela Universidade de Brasília (UnB), em 2010, uma em cada cinco mulheres no Brasil entre 35 e 39 anos já fez aborto. Uma pesquisa de 2008, feita pela UnB e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, traça o perfil médio das mulheres que abortam: elas têm entre 20 e 29 anos, vivem em união estável, têm até oito anos de estudo, trabalhadoras, católicas, com pelo menos um filho e usuárias de métodos contraceptivos. “A mortalidade das mulheres por conta do abortamento inseguro é uma causa importante”, defende Talib. Uma pesquisa de 2009 do Instituto de Medicina Social da Uerj mostra que mulheres negras no Brasil morrem mais por causas maternas do que as brancas e que o risco de morrerem em decorrência do aborto induzido é, de fato, 2,5 vezes maior do que para mulheres brancas. O estudo considera, em seus comentários finais, que descriminalizar a interrupção da gestação poderia permitir a redução de “riscos de complicações e mortalidade materna por gravidez que termina em aborto”. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), porém, declarou no mês passado que não pretende pautar o assunto – tabu numa sociedade conservadora e num sistema político sob crescente influência religiosa. “Aborto eu não vou pautar nem que a vaca tussa. Vai ter que passar por cima do meu cadáver para votar”, disse em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”. “Não é possível que alguns parlamentares continuem achando que vão mandar na pauta”, responde Talib à declaração do deputado; para ela o aborto é uma questão de saúde pública. “Cadáveres já chegam os que a gente tem”, diz. “Desde que a legalização foi implementada no Uruguai, eles não perderam nenhuma mulher, é invejável, é isso que a gente quer”, reforça a psicóloga e integrante do Católicas pelo Direito de Decidir. Um outro grupo de católicos, contudo, tentou impedir, no fim de fevereiro, por meio de um abaixo-assinado online, a realização da Semana do Dia Internacional da Mulher na PUC-Rio, alegando que uma universidade católica não pode ser sede de um evento feminista porque ele “possui bandeiras que são contrárias à fé católica, podendo ser citada a legalização do aborto como exemplo”. Talib, no entanto, não vê problema em ser católica e defender a descriminalização do aborto. “O fiel pode recorrer à sua própria consciência em questões de sua saúde sexual e reprodutiva, e isso tem respaldo no catecismo”, afirma. A professora de filosofia e

antifeminista Talyta de Carvalho diz que a popularidade do feminismo se deve a ele “se traduzir num movimento do qual todo mundo faz parte”. “É fácil aderir, ele consegue angariar muitas pessoas com a ideia de que qualquer um com sensibilidade democrática já é parte”. Carvalho esclarece que, para ela, ser antifeminista não é apoiar o que o feminismo luta para dissolver. “Uma posição antifeminista é uma posição crítica, não atacar simplesmente, mas levantar questões”, afirma ela, para quem o debate atual carece de consistência teórica. “É importante, até para as feministas, reconhecer que têm um lastro histórico que também é teórico, e às vezes isso é esquecido na internet, e aí ser feminista é só defender mulher e ser a favor de igualdade para as mulheres”. Para Tamara do Nascimento Motta, uma das seis administradoras do grupo Mulheres contra o Feminismo, que tem 14.000 seguidores nas redes sociais, o movimento “atenta contra a integridade, a liberdade e a inteligência da mulher” ao fazê-la “acreditar que tem uma dívida histórica com ele, tirando assim toda e

qualquer liberdade de ela se posicionar contra o movimento, pois, quando isso acontece, a militância feminista se torna agressiva e intolerante”. Para ela, fazer parte do antifeminismo é “ser contra toda a agenda política da esquerda”. Na outra ponta, Amanda Palha diz que o feminismo pode ser de direita, mas que só é efetivo se for de esquerda. “Para ser eficaz ele precisa entender que o machismo não é só uma questão ideológica, é uma questão estrutural e é preciso lutar por mudanças estruturais, para mudar como a sociedade se organiza”, diz. “Num mundo tão desigual, qualquer pessoa sensata deve ser feminista e lutar não apenas contra o preconceito de gênero, mas também contra o racismo, a homofobia, a transfobia, a gordofobia”, reitera Aronovich. Talyta de Carvalho reconhece a existência de desigualdades. “O que eu não reconheço e não me identifico no feminismo é que a explicação para isso seja a opressão”, afirma. Ela diz que não “fecha” com o feminismo porque, embora seja multifacetado e heterogêneo, o denominador comum ao movimento é a ideia de que há uma opressão de gênero. Para ela, questionar o feminismo é questionar “a ideia de que tem um conceito como esse de opressão ou de machismo que determina as coisas que eu faço, as coisas que as outras pessoas fazem, mesmo que elas não reconheçam”. Ela crê que casos individuais de opressão de homens sobre mulheres se explicam pelo temperamento das pessoas. “O que explica as

posturas individuais é a natureza humana”, diz. “Dizer que tem uma estrutura que opera para um homem estuprar uma mulher é dizer que todo homem é um estuprador em potencial, e não me parece que seja o caso”. Assim como as integrantes do Mulheres contra o Feminismo, Carvalho, que em 2012 escreveu para a Folha um artigo intitulado “Não devemos nada ao feminismo”, não reconhece os ganhos e afirma que, como outros movimentos sociais de massa, o feminismo apenas precipita mudanças naturais da democracia. “Todas as conquistas sociais que a gente tem de alguma maneira já estão inseridas no contexto democrático, e elas vão tendendo a acontecer”, diz. Amelinha defende que se deve ao feminismo “termos hoje autonomia social, econômica, intelectual”. “Ainda que todas as mulheres não estejam usufruindo dessas conquistas atualmente, ninguém tira mais isso de nós”, diz. Mas a igualdade entre homens e mulheres, segundo ela, “não depende só do movimento feminista”. “Ele impulsiona, ele acende a luz, mas tem que ser toda a sociedade se movimentando”.


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Literatura DRUMMOND E AMOROSO LIMA

4 Uma troca de desencontros As cartas do poeta ateu e do crítico católico

RESUMO Lançada em livro, correspondência entre mineiro Carlos Drummond de Andrade e fluminense Alceu Amoroso Lima traz relação de dois intelectuais ideologicamente distantes. O embate do comunismo de um com o integralismo de outro foi além das cartas, nas quais encontramos pedidos de conselhos e por cargos.

PAULO WERNECK

Sem fé, sem religião, sem Deus: eis o interlocutor do pensador católico Alceu Amoroso Lima (1893-1983), o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-87). Foi ele, o poeta, quem deu início a uma correspondência agora reunida em “Drummond & Alceu” [Editora UFMG, 278 págs., R$55]: aos 27 anos, agradecia o envio da revista “A Ordem” e se culpava por não haver escri-

to uma carta após receber a primeira série dos “Estudos” (1927). Confessou, então, que a sua possível ingratidão era apenas “uma prova a mais da minha irremediável incapacidade epistolar”. Começava assim um diálogo mais ou menos constante, entre 1929 e 1982, que pode bem ser considerado uma troca de desencontros. Quase dez anos mais velho do que o autor de “No Meio do Caminho”, Alceu Amoroso Lima vinha acompanhando – e, sobretudo, valorizando – a produção dos escritores modernistas. O poeta, ainda jovem e prestes a estrear em livro com “Alguma Poesia” (1930), lhe escrevia de maneira resoluta: “Você é mesmo um dos raros críticos realmente severos e honestos que conheço”. Os dois homens poderiam debater nas cartas trocadas as obras literárias que surgiram a partir da década de 30 – como ocorreu, por exemplo, na imprescindível correspondência entre Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade. Mas o jovem poeta do “Poema de Sete Faces” (“Meu Deus, por que me abandonaste/ se sabias que eu não era Deus/ se sabias que eu era fraco”) abre um fosso já na primeira carta: “Sou dos maus, dos piores católicos que há por aí. (...) Sinto pouca disposição

para crer, e um contato extremamente doloroso que tive com os jesuítas me afastou ainda mais da religião”. Angústia Faltava cumplicidade entre Drummond e Alceu. A troca de desencontros é marcada, sobretudo na primeira fase, pela angústia do poeta, que busca orientação em momento de aguda crise, logo em seguida à sua estreia em livro, quando admite estar preocupado com “a solução de uns certos problemas freudianos que enchem a minha vida e dos quais eu tenho que me libertar, sob pena de suicídio (em que tenho pensado inúmeras vezes, mas sem a necessária coragem)” – escreve em carta de 1º de junho de 1931. Alceu Amoroso Lima, por sua vez, está longe de tratar de temas freudianos: invoca, quase sempre, o processo da sua própria conversão ao catolicismo, sob a égide do pensador Jackson de Figueiredo – e age, em muitas cartas, como se devesse também converter outros amigos, sem dar maior atenção à singularidade do que havia sido enfaticamente declarado: a origem familiar e a pulsão sexual do poeta. Resta a Carlos Drummond de Andrade reconhecer o território delimitado dessa amizade com o crítico literário mais ve-

lho: por isso mesmo, torna-se mau correspondente por meio de longos intervalos entre uma carta e outra; e se mostra apenas respeitoso e cordial diante da defesa que Alceu Amoroso Lima faz da igreja e seus corolários. O poeta admite: “Sou muito fraco para segui-lo, muito indeciso para traçar qualquer outro [itinerário], muito perplexo sobretudo. Não creio que ‘busque sinceramente a casa do Esperado’ como a sua caridade cristã escreveu n’ ‘A Ordem’, nem creio que lá chegarei nunca” (carta de 22 de março de 1932). São os dois escritores, afinal, que ficam no meio do caminho, sem que exista o esperado encontro. O pensador católico se esquiva das perguntas que lhe faz o poeta, o que é tanto mais estranho quando se percebe serem de natureza religiosa. Drummond insiste: “Não consigo compreender aqueles que dando tudo o que têm de melhor a Deus (como você) dele não recebem a paz”. Silêncio – o que talvez demonstre que o mau correspondente não é apenas aquele que não manda cartas, mas também aquele que não responde ao mandar cartas. Firmeza Essas esquivas, traduzidas pelas omissões de parte a parte, podem às vezes assumir gestos mais firmes e visíveis. É o que acontece, por exemplo, em 1936, quando o poeta se recusa a assistir à conferência “A Educação e o Comunismo”, proferida pelo pensador católico justamente no prédio onde o autor de “Poema que Aconteceu” trabalhava. Em carta dirigida a seu chefe, o então ministro da Educação Gustavo Capanema, o poeta colocou o cargo à disposição, seguro de que não poderia seguir adiante com aquela “orientação doutrinária”. É que a troca de desencontros não se limitava ao plano religioso: invadia também a seara política, na qual ocupavam os seus respectivos espaços o integralismo de Alceu Amoroso Lima e o comunismo do poeta, o futuro autor de “Elegia 1938” (“Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição/ porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan”). Na fase inicial da correspondência, o integralismo é defendido sem inibição pelo crítico literário: amalgama-se

à defesa de um catolicismo que “é uma doutrina de ordem e hierarquia”, em que a “autoridade é um elemento essencial” – e o “espírito católico verdadeiro” (itálico do autor da carta, de 1929) é o que falta ao Brasil. Alceu Amoroso Lima escreveria uma longa carta a Gustavo Capanema, em 1935, na qual tratou, em tom de advertência, da “impregnação comunista de muitos sindicatos e de alguns elementos do Ministério do Trabalho” e defendeu, como antídoto à desordem, a Ação Católica Brasileira. Não é mesmo surpresa que o poeta não tenha comparecido à conferência do ano seguinte. Tampouco surpreende que Alceu Amoroso Lima, em 1979, quando o ex-ministro da Educação se aposenta, tenha escrito: “Nada nos uniu politicamente, mas tudo intelectualmente nos aproximou”. A síntese formulada pelo crítico se ajusta bem à relação mantida com Carlos Drummond de Andrade, dando-se ao advérbio “intelectualmente” o sentido mais raro de um convívio civilizado e fraternal de escritores que, afinal, estampavam artigos e críticas, crônicas e poemas nas páginas dos jornais – sem recorrer a ataques pessoais. Favores Uma parte substancial e dolorosa da correspondência é dedicada a pedidos de emprego, recomendações, indicações de nomes, diversas solicitações à máquina burocrática. Aqui também se observa a troca de desencontros, considerando-se que Alceu Amoroso Lima é infatigável nos seus pedidos – geralmente curtos, telegráficos – ao então chefe de gabinete do ministro da Educação. Sucedem-se os nomes das muitas pessoas que precisam de algum favor governamental, em geral registrados pelo poeta em fórmulas como “muito estimaria surgisse outra oportunidade para servir ao seu recomendado”, “razão para que o pedido do seu recomendado seja anotado, com sincera simpatia, até melhor ocasião”, “no momento não se vagou nenhum dos cargos mencionados na petição de que você me remeteu cópia”, entre tantas outras. Mais raramente, Carlos Drummond de Andrade também recorre ao amigo para recomendar alguém “muito ligado à mi-

nha família, em Minas, (...) a quem eu desejaria sinceramente servir”. O conjunto enfadonho desse tipo de correspondência, ao longo de muitos anos, salienta a estrutura e as estratégias tão agudamente estudadas por Sergio Miceli em “Intelectuais e Classe Dirigente no Brasil (1920-1945)”. São exemplos do enquadramento ideológico realizado por intelectuais católicos, da constituição de um mercado central de postos públicos, da conformação de uma elite intelectual e burocrática. E talvez essas informações sobre o comportamento de intelectuais que detiveram altas funções na burocracia estatal sejam das mais importantes nessa correspondência. Não se discutem livros. E há sempre receios de inviabilizar a amizade pela exposição explícita das convicções religiosas e políticas. A anotação das cartas, realizada por Leandro Garcia Rodrigues, é correta e atenciosa – mas não escapa a alguns desequilíbrios. As notas de natureza biográfica são por vezes excessivamente longas, quase verbetes de enciclopédia. Por outro lado, faltam informações que poderiam ser importantes para a contextualização das cartas. Não se sabe a que “nota interessante de Augusto Frederico Schmidt” o pensador se refere (pág. 87). Tampouco se sabe se foi publicado “o elogio que ontem lhe fez o Manuel Bandeira” (pág. 124). Não há maior referência ao texto “A Pedra da Gávea”, de Alceu Amoroso Lima, numa carta escrita em 1972. Não se sabe qual artigo do crítico, em 1980, mereceu elogio e carta de Carlos Drummond de Andrade. Apesar de testemunhar a troca de desencontros, o leitor dessa correspondência poderá descobrir outras preciosidades: por exemplo, uma “Ode a Jackson de Figueiredo” escrita pelo poeta e conhecida apenas por estudiosos. Ou o fato de que o poema “A Máquina do Mundo” – alto momento da descrença do poeta – fora publicado justamente na revista católica “A Ordem”, em 1949, alguns anos antes de ser estampada em “Claro Enigma”. Em 1983, Alceu, em artigo elogioso a Drummond, lembrou que “a máquina tem um Maquinista...”. Era a ironia final de uma relação sem futuro.


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Diário de Pequim O MAPA DA CULTURA

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O amigo chinês Tao e o meu “guanxi”

MARCELO NINIO

“Guanxi” é uma das primeiras palavras em mandarim que todo estrangeiro aprende na China. Traduzida literalmente, significa “relacionamento”. Mas o termo tem um sentido cultural mais amplo do que em outros países. Como ensinam os muitos manuais de sobrevivência para forasteiros na China, “guanxi” é a rede de influência que se aplica a todas as esferas do convívio social, da paquera aos negócios. Para se dar bem na China, advertem, é fundamental ter “bom ‘guanxi’”. Verdade que a inclinação da China ao isolamento durante longos períodos de sua história e sua ambivalente abertura ao mundo exterior persistem como uma marca indelével do caráter chinês. Não é à toa que os símbolos nacionais são a Grande Muralha e a Cidade Proibida. É comum encontrar estran-

geiros que vivem no país há anos e não têm um só amigo chinês de verdade. Alguns conseguem ultrapassar a muralha, com tempo e paciência. Ou num golpe de sorte, como no meu caso. Eu tenho um amigo chinês, seu nome é Tao. Somos vizinhos em um conjunto residencial de prédios baixos, construído nos primeiros anos da abertura econômica da década de 1980, quando Pequim ainda não havia sido tomada pelos arranha-céus de hoje. Desde os primeiros papos sobre futebol, a empatia foi imediata. Tao se tornou meu professor de chinês, parceiro de peladas e melhor amigo. Nascido em Pequim em 1981, Tao faz parte da primeira geração da abertura, que cresceu sob o impacto da transição entre o pesadelo da Revolução Cultural e o sonho de prosperidade que explodiu nos anos seguintes. Bom de bola, quase virou jogador pro-

fissional. O futebol lhe rendeu uma vaga na Universidade de Pequim, a melhor do país. Formou-se em direito, mas a ideia de ser advogado na China comunista não o animou. Abriu uma escola de idiomas e dá aulas de chinês e inglês. O sonho é trabalhar com futebol. No luto No último mês, dois acontecimentos opostos aprofundaram nossa amizade. O primeiro foi a morte do sr. Li, pai de Tao. Morte é um assunto tabu na China, raramente levantado em público. A aversão é tamanha que o número quatro é evitado a todo custo, porque em mandarim ele tem o mesmo som da palavra morte. Muitos prédios não tem quarto andar e números de telefone com o algarismo são mais baratos. Tao se abriu comigo, compartilhou sua dor, numa prova de confiança e amizade nada trivial.

O funeral foi no cemitério de Babaoshan, no oeste de Pequim, o mais importante da China, onde estão sepultados os heróis da Revolução Comunista. Construído no local onde ficava um templo da dinastia Ming (1368-1644), ainda preserva algumas construções da época, quando era um retiro para eunucos que terminavam seu serviço ao imperador. Os rituais fúnebres variam muito na China, de acordo com as crenças de cada região, que incluem xamanismo, confucionismo, budismo, taoísmo e outras. Numa das dezenas de salas com composição semelhante estava o caixão aberto do sr. Li, cercado por coroas de flores de papel e uma foto grande dele. Ao entrar, parentes e amigos se curvavam três vezes diante do caixão, antes de dar os pêsames aos familiares. A viúva soluçava de forma contida, mas comovente. Terminado o ritual, fomos para um restaurante próximo, para um farto

almoço, com direito a cerveja e doses de baijiu, a cachaça chinesa. O álcool tornou o clima mais leve e houve mais riso que choro. Ano novo Duas semanas depois, chegou o Ano Novo lunar, principal festa do calendário chinês. Convidado por Tao, parti com ele para o sul de Pequim, onde fica a casa de sua avó. Aos 84 anos, mãos calejadas de ex-operária de fábrica e sorriso permanente, ela vive numa casa de dois cômodos sem banheiro em um bairro modesto. Família reunida, começa a tradicional e interminável sucessão de pratos. Contei mais de 20 pratos no jantar, saboreados numa alegre algazarra com todos falando ao mesmo tempo. Três gerações que conheceram Chinas muitos diferentes, mostrando a um “laowai” (estrangeiro) que o melhor “guanxi” é a amizade.


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Arquivo Aberto

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MEMÓRIAS QUE VIRARAM HISTÓRIAS

O estranho sorriso de Spock São Paulo, 2003 MIGUEL NASCIMENTO/DIVULGAÇÃO

EDERLI FORTUNATO

Havia algo errado com o homem que vinha pelo corredor. Levei alguns segundos para perceber que era o sorriso. Mesmo ciente de que Leonard Nimoy – morto em 27/2, aos 83 anos – era ator e diretor, e que Spock, o alienígena que ele interpretava em “Jornada nas Estrelas”, não existia fora da série criada por Gene Roddenberry em 1966, parecia errado vê-lo sorrindo como uma pessoa comum. Estava claro porque Nimoy travara uma batalha com seu personagem mais famoso, alternadamente declarando ser ou não ser Spock em duas autobiografias. A questão parecia resolvida naquele dia de outubro em São Paulo, quando o ator norte-americano chegou para sua primeira convenção de fãs no Brasil, mas já calejado por centenas de eventos similares aos quais compareceu ao longo de sua carreira. Fosse hoje, sua presença no auditório do Anhembi seria o principal assunto do dia nas redes sociais.

Leonard Nimoy, o Spock da série ‘Jornada nas Estrelas’, e Ederli Fortunato (à dir.) em evento em São Paulo

Em 2003, a chegada de Nimoy ao evento foi anunciada por um dos voluntários que aguardavam o carro do lado de fora do auditório, posto disputado pela chance de ver não apenas um ator famoso, mas o ícone de uma série que há muito havia deixado de ser apenas um programa de TV. Ciente de sua posição, Nimoy recusou a oferta de pedir calma ao público. “Let them be wild” (deixem eles serem livres), pediu

aos organizadores do evento no camarim, na voz rouca talvez provocada pelos muitos cigarros que acabaram por destruir sua saúde. Informado de que eu seria sua intérprete, interessou-se em saber onde eu havia estudado, se o público compreendia o inglês. Era um homem desenvolto no contato com os fãs, tão igual e tão diferente do personagem que mudou sua vida. Como última preparação an-

tes de entrar no palco, olhou para trás e trocou um sorriso amoroso, tão incomum a seu personagem, com sua mulher, antes de seguir para ser e não ser Spock mais uma vez. No palco, era uma estrela. Falou de “Jornada nas Estrelas”, mas também de seu trabalho como fotógrafo, carreira que parecia ser seu caminho final antes que o diretor J. J. Abrams o trouxesse para viver Spock mais uma vez – e, graciosamente,

dividir o personagem com o ator Zachary Quinto na reinvenção da franquia para o cinema, “Star Trek” (2009). Descreveu com detalhes a origem do golpe Vulcano, que fazia inimigos desmaiarem no seriado, e das imagens de “Shekhina”, livro de fotos em que explorou o conceito da presença divina em imagens de nus femininos com peças rituais judaicas tradicionalmente usadas por homens. Não se assustava com a polê-

mica levantada pelas imagens e nem com o fim da carreira de ator. Assim como havia feito as pazes com seu personagem, Nimoy também havia selado um acordo de convivência com os fãs. Como mostra “Heróis Fora de Órbita” (1999), filme que satirizou “Jornada nas Estrelas”, se a vida no planeta dependesse de saber minúcias de uma série, seria melhor consultar um fã e não um ator da produção. Mas não houve perguntas sem resposta, mesmo as dos fãs revoltados com o rumo da série após a morte de seu criador, em 1991. Eles imaginavam que, por ser Spock, o ator poderia mudar a direção da franquia que amavam. Nimoy sabia que não tinha essa carta na manga. Também não houve presente recusado, por mais insólito que fosse ou parecesse (como bonecos de Spock em papel e vários desenhos), gentileza de quem sabia dever parte da vida àquelas pessoas capazes de vestir um uniforme e passar o dia ao lado de seus pares. Atitude considerada aceitável quando envolve o futebol, nem tanto quando tem a ver com um seriado de TV. Ainda assim, vê-lo sorrindo era muito estranho.


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A mulher na cultura

No Dia Internacional da Mulher, artistas falam sobre o papel feminino no cenário artístico da cidade

SERGIO RODRIGUES Especial EM TEMPO

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ão faltam protagonistas femininas no cenário cultural de Manaus. Em diversos campos artísticos, as mulheres conquistaram o espaço e respeito do público pelas suas produções. O preconceito, no entanto, ainda é um tabu, e se disfarça por meio do cotidiano que algumas delas enfrentam para realizar o seu trabalho. No mês do dia internacional da mulher, o Plateia entrevistou artistas que analisaram a evolução do papel feminino e as dificuldades que ainda persistem no meio. A cantora Elisa Maia acredita que houve um crescimento exponencial de mulheres artistas e empreendedoras em Manaus. Há 15 anos atuando no cenário musical, tendo participado da banda Johnny Jack Mesclado e investido no trabalho solo “Ser da Cidade”, um EP lançado em 2013, Elisa observa colegas protagonizando na música e nas linguagens audiovisuais. “Cantoras que também apostam em trabalhos autorais, como a Anne Jezini, e cineastas que se destacam no cenário, como a Dhiek Praia e a Keila Serruya, representam esse movimento”, diz. Anne Jezini e Elisa dividiram o palco no último dia 6, durante o show “Grito Rock”, às 20h, no Les Artistes Café-Teatro. Segundo a cantora, o show lembra o Dia Internacional da Mulher em um evento produzido e apresentado por mulheres, numa forma de combater o precon-

ceito. “Em poucos dias, após divulgarmos nas redes sociais, já recebemos críticas dizendo que o show não tinha ‘nada a ver’, geralmente de um público masculino que não entende que o rock é menos uma questão de gênero e mais de atitude. Há um padrão cobrado à mulher que não é aplicado aos artistas masculinos”, afirma. O preconceito, conta Elisa, também aparece na falta de compromisso e seriedade que alguns homens demonstram em relação a seu trabalho, além da exigência de uma vestimenta ou aparência diferente das preferências da artista. “Além de sofrer por ser mulher, também sofro por ser negra. Então, ainda ouço essa de que o cabelo não pode ser crespo e que mulher não pode cantar certos estilos musicais. Tenho que mostrar uma rigorosidade maior no meu trabalho e muitos homens acabam me vendo como megera. É uma sociedade machista e precisa ser educada. Há mulheres talentosas na periferia que não tiveram as oportunidades que tive e por isso não se destacaram e, mesmo assim, muitas pessoas não entendem quando o Ministério da Cultura lança um edital que prioriza as produções dessas comunidades. É uma questão complexa”. A discussão social e a educação também são essenciais para a cineasta Keila Serruya quando analisa a questão feminista. “Os pontos positivos divulgados sobre a questão da mulher sempre estão relacionados à profissão e o espaço conquistado. Mas, o comportamento machista e preconceituoso continua se perpetuando nos ambientes de trabalho e isso é papel da educação. Infelizmente, mu-

lheres também criam machistas”, comenta. Desde 2009 dialogando com artes visuais, em curtas-metragens e videodanças, Keila conta que sempre gostou de realizar suas produções com amigos e optar por manter uma postura séria no trabalho para evitar situações de abuso masculino. “Já sofri mais preconceito por ser negra do que mulher, porém, infelizmente, no meio cultural, existem homens que acham que a mulher pode trocar sexo por mais oportunidades de carreira. A mulher pode transar com quem ela quiser, a questão é a falta de respeito que ainda é demonstrado. Eu não deixo barato, acredito que mesmo uma pessoa adulta pode passar por um processo educativo”, diz. No cenário atual, a cineasta destaca a coragem da mulher em diversos campos, desde o cultural até o esportivo, e acredita que o 8 de março deve ser debatido não no sentido da guerra de sexos, mas do respeito ao ser humano. “É irônico levantar um gênero contra o outro quando, atualmente, lutamos pelo direito da pessoa escolher seu próprio gênero sexual. Quero ser respeitada como profissional e como pessoa, assim como homens também têm esse direito”. Cenário diferente A violonista Elena Koynova veio para Manaus em 1999 e se apaixonou pela cidade. Atualmente integrante da Amazonas Filarmônica e professora no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a búlgara conta que se sentiu complet a -

mente aceita em seu meio e que nunca presenciou nenhum tipo de preconceito pelo fato de ser mulher. “O mundo é obviamente dominado por homens, mas também acho que nada impede uma mulher de lutar e realizar o seu sonho. Nunca dividi o mundo entre brancos e negros, homens e mulheres, mas, simplesmente, entre pessoas estúpidas e inteligentes”, aponta. Elena destaca que em seu meio as mulheres são muito presentes, tanto nas aulas como participando e liderando orquestras. “E são tratadas igualmente. Nunca recebi menos do que meus colegas exercendo a mesma função. O único cargo que ainda não vemos muitas mulheres é o de maestro, mas acredito que o mérito prevalece e que uma mulher pode ocupar o cargo num futuro breve”. A violinista anda enfatiza que à mulher foram dadas mais ferramentas e habilidades do que aos homens. “A mulher é multifuncional, leva vidas duplas tendo que se destacar no trabalho e ainda cuidar do lar e tem a esperteza para se superar. Antes da cobrança que possa vir de homens ou da sociedade em geral, existe a minha cobrança para ser melhor e acho isso importante, mas essa é apenas a minha visão”.

Produtora audiovisual Keila Serruya afirma que assédio ainda é obstáculo

Para a violinista Elena Koynova, pessoas dividemse em estúpidas e inteligentes

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A dança de Leandro Davi no ‘Louvarei’


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>> Doações . A primeira-dama do Amazonas, Edilene Gomes de Oliveira, realizou na manhã de sexta-feira, a entrega de fraldas e pacotes de leite arrecadados pela organização do Bloco das Piranhas, tradicional bloco de rua do carnaval amazonense, que promoveu neste ano uma edição solidária com o apoio do governo do Estado, por meio do Fundo de Promoção Social (FPS) e da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Seas). . As doações beneficiarão mais de 400 crianças atendidas pela Casa da Criança, Casa Mamãe Margarida, Abrigo Coração do Pai, Abrigo Infantil Monte Salem, Abrigo Moacyr Alves e Lar Batista Janell Doyle. . Uma parte das doações também foi repassada para as prefeituras de Envira e Itamarati, na região da Calha do Juruá, e irá atender famílias prejudicadas com a enchente. Ao todo, 12 mil pacotes de leite e mais de 2,5 mil pacotes de fraldas foram distribuídos para os abrigos de Manaus e para os dois municípios do interior.

>> Objeto de desejo

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Propostas

A vereadora Glória Carratte e Graça Alecrim, durante evento pelo Dia Internacional da Mulher na Câmara Municipal de Manaus

>> Hot . A apresentadora Norma Araújo pilotará programação very hot no próximo dia 18. . Editará seu famoso ‘Chá com Pimenta’ com a presença de três go-go boys de São Paulo. O evento promete ser caliente e divertidíssimo. . O local do evento? A boate Jungle Beats do Tropical Hotel. A querida primeira-dama Edilene Gomes de Oliveira com a diretora do Lar Batista Janell Doyle, Magaly Araújo

>> Batom . Na próxima terça-feira luluzinhas chiques se encotram na Zen Maison. . Com a presença da badalada jornalista da revista “Vogue”, Ale Farah, a tarde será recheada a lançamento de moda e também irá comemorar o aniversário de Carol Carvalho. . Espera-se um congestionamento de socialites no local.

Waleska Macêdo levando o charme para passear em festa no Touchdown

. Com o objetivo de atrair investimentos, adensar a cadeia local de componentes e aumentar a produção dos condicionadores de ar no Polo Industrial de Manaus (PIM), a Suframa apresentou na última quintafeira, no auditório da autarquia, um conjunto de propostas de alteração dos Processos Produtivos Básicos (PPB), de diversos produtos relacionados ao segmento. . Além de mudanças nas etapas de fabricação dos condicionadores de ar dos tipos split e janela, também foi exposta a proposta de criação de PPBs para induzir a produção do compressor de condicionador de ar e do condicionador de ar portátil. . A reunião foi conduzida pelo superintendente interino da Suframa, Gustavo Igrejas, e pelo representante do Grupo Técnico Interministerial de Análise de Processos Produtivos Básicos (GT-PPB), Leonardo Figueiredo. Também contou com a presença do secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas, Airton Claudino, e de representantes de indústrias, sindicatos e associações ligadas ao segmento produtor de condicionador de ar e de componentes para o bem final.

. Confirmado! Os dois novos modelos do Android da Samsung, o Galaxy S6 chegam ao Brasil em abril. Os aparelhos foram apresentados semana passada, em um evento que antecede a abertura do Mobile World Congress, em Barcelona. . Segundo o CEO da fabricante, J.K. Schin, os dois modelos são idênticos por dentro, a única diferença é que o “Edge” vem com a tela curva. Os aparelhos são metálicos e contêm a bateria integrada que, segundo eles, pode ser carregada em apenas 10 minutos, sendo a mais rápida do mercado, e ainda aguentar mais de 4 horas de uso intenso.

Charufe Nasser, Arlindo Paiva e Marilena Perales, durante evento na MS Casa

LEITURA

AM Shopping sedia feira de livros O universo literário está em evidência no Amazonas Shopping, com a presença da feira de livros “Book Lovers” até o dia 18 de março. Além dos mais de 1,5 mil títulos infantis e infantojuvenis disponíveis, os visitantes serão presenteados

com atividades culturais durante os domingos do período de feira. Hoje, a Companhia Metamorfose faz a alegria dos visitantes com a interpretação da história da “Sopa de Pedra”, a partir das 16h. No dia 15 de março, também

às 16h, os clientes do Amazonas Shopping também poderão ouvir a obra de Chico Buarque de Holanda, Chapeuzinho Amarelo. As performances são feitas na ‘Área Book Lovers’. Os preços dos exemplares estão cotados a partir de R$ 3.


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SertaNEJO

Jorge & Mateus E O FENÔMENO Villa Mix

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m dos festivais de música sertaneja de maior repercussão no país, o Villa Mix Festival está prestes a acontecer e promete surpreender nesta terceira edição em Manaus. Realizado pela Fábrica de Eventos, o encontro entre grandes nomes do ritmo será no próximo dia 14, no Sambódromo. Vão subir ao palco as atrações nacionais Jorge & Mateus, Vitor & Leo, Luan Santana, Israel Novaes, Matheus & Kauan e, desta vez, uma novidade: o forrozeiro Wesley Safadão e Banda Garota Safada. A musa do Villa Mix, a DJ mineira, Larissa Lawn, também é presença confirmada no palco do festival. Entre os artistas citados, a dupla Jorge & Mateus é uma das atrações mais esperadas pelo público manauense. Os cantores goianos falam sobre o festival, a carreira e o repertório que vão apresentar no show em Manaus, com direito a recado para os fãs: “Vamos fazer mais uma grande festa. Temos um carinho enorme por toda galera da região Norte, que sempre nos recepciona de uma forma incrível, tornando cada show ainda mais especial. Temos certeza de que desta vez não será diferente”. EM TEMPO – O festival teve início há 4 anos em Goiânia. Quem idealizou o Villa Mix, que hoje é o maior festival de música sertaneja do país? JORGE & MATEUS – O festival deu tão certo em suas primeiras edições em Goiânia, que logo a organização sentiu a necessidade

de levá-lo para todo o Brasil. O Villa Mix foi idealizado pela ÁudioMix, que é o escritório do nosso empresário. Inicialmente, o objetivo era reunir, em um mesmo palco, os artistas que fazem parte do casting da empresa, que além da nossa carreira, gerencia também a do Cristiano Araújo, Israel Novaes, Guilherme & Santiago, Humberto & Ronaldo e Matheus & Kauan, entre outros. De algumas edições para cá, abriram espaço para outros artistas que, pelos talentos que têm, não poderiam ficar de fora desta festa. ET – Como se dá a escolha das atrações para compor o time que se apresenta nas cidades brasileiras? J&M – Essa é uma definição do escritório, juntamente com a organização local, que procura adequar o Villa Mix a todos os seus públicos pelo Brasil afora. Com isso, eles têm conseguido criar um misto de shows nacionais, com artistas e atrações regionais que abrilhantam ainda mais este grande evento. ET – Como vocês avaliam esse crescimento e o sucesso do festival? J&M – Para nós, que estamos acompanhando tudo e participando do festival desde o começo, é uma alegria enorme ver todo esse crescimento e o potencial do Villa Mix – onde ele já chegou e ainda pode chegar. ET – Em algumas cidades, como Manaus, o Villa Mix é composto por artistas de outros gêneros musicais, como o forró. Vocês aprovam esta combinação?

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J&M – Sim. O Villa Mix a cada edição ganha novas proporções. Ele deixou de ser um evento da música sertaneja para ser um evento que representa a música brasileira, se adequando a cada região. ET – A dupla vai trazer novidades para a apresentação em Manaus? J&M – Sim. Estamos lançando, no começo deste mês, nosso CD “Os Anjos Cantam” e a música que dá título ao álbum. Estas são algumas das novidades do repertório, que está incrível, trazendo sucessos dos nossos 10 anos de parceria, além dos novos hits.

SERVIÇO VILLA MIX FESTIVAL MANAUS Quando 14 de março Onde Sambódromo Quanto Pista 4º lote – R$ 80 (estudante); área VIP 3º lote – R$ 290 (estudante) em até 3x no cartão; área Extra VIP – R$ 500 (meia, feminino) e R$ 600 (meia, masculino) em até 3x no cartão. Os ingressos são limitados Centrais de venda: estande da Fábrica de Eventos no Amazonas Shopping, loja da Fábrica no Shopping Cidade Leste e no site www.fabricaingressos.com Informações 3303-0100


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Carioca leva mistura de ritmos ao ‘Louvarei 2015’ D

ançar para Deus. Simplesmente dançar, sem se preocupar se alguém está olhando ou se os movimentos parecem desengonçados. Não importa o ritmo da música, apenas seja livre para expressar o amor pelo Criador. Este é um dos fundamentos do ministério de Leandro Davi, surpresa do “Louvarei 2015 – Conferência Voltando à Essência”, que será realizado nos próximos dias 17 e 18 de abril, em Manaus. Considerado uma das revelações do cenário gospel nacional deste ano, o carioca lançará o primeiro CD na capital amazonense. Intitulado “Nunca vou desistir”, o trabalho foi baseado nas experiências da vida dele com o Senhor. “Vocês, de Manaus, terão esse privilégio”, diz aos risos, ao declarar que preparou uma série de canções nos mais variados de estilos musicais. Todas compostas por ele em parceria com os integrantes da equipe. “Gosto de levar muita música dançante para alcançar os jovens. Eu creio que Deus colocou isso no meu coração. Temos música eletrônica, soul, uma pegada do black

e pop. Todas são agitadas. Sentamos e escrevemos juntos. Somos muito unidos, a equipe é a minha base. Somos uma mistura”, afirma, ao confessar que nunca tinha sido um músico profissional. “A minha experiência não era grande. Eu tocava um violão com os amigos”, revela. Inspirado em Salmos 150:6, o cantor promete

ATRAÇÕES

A programação do “Louvarei” este ano une música, palestras e oração. Durante o evento, Leandro Davi vai lançar o seu primeiro CD, intitulado “Nunca vou desistir” fazer os participantes do evento se soltarem na pista. “Pretendo levar a Manaus a prática da Palavra ‘todo ser que respira louve ao Senhor’, com muita dança e louvores”, afirma, ao ressaltar a importância da música para a juventude cristã. “Tem muitos jovens saindo das igrejas. Temos que trazê-los de volta,

FOTOS: DIVULGAÇÃO

O cantor Leandro Davi confirma participação no evento gospel, marcado para os dias 17 e 18 de abril, no sambódromo mostrar que temos liberdade para dançar e cantar diante do Deus”, completa Davi. ‘Turistar’ Esta será a primeira vez que ele virá a Manaus. E ele já soube que a organização do “Louvarei 2015 – Conferência Voltando à Essência”, a Di Campos Produções, deverá apresentar a região aos convidados. “Quero conhecer o rio e uma tribo indígena. Estou super empolgado, porque meu sonho era conhecer a Amazônia, ir a lugares da floresta”, diz, convidando o público para prestigiar o evento. “Que todos venham dançar com a gente”, enfatiza. Segundo o produtor da programação – que une música, palestras e oração –, Nailton Campos, o carioca fechou a vinda no último minuto. “O Leandro Davi está fazendo muito sucesso no Rio de Janeiro. Ele vai contar um testemunho muito forte na conferência. O cantor tem um trabalho com dança e um projeto social na comunidade de Madureira (Rio). É novo, mas está despontando. É uma das revelações de 2015”, declara.

Leandro Davi aposta em soul, pop e black music

Da favela para a música gospel Criado em uma comunidade carente do bairro de Madureira, região central do Rio de Janeiro, Leandro Davi é o mais velho de quatro irmãos e não nasceu em um lar evangélico. Com a separação dos pais, aos 15 anos, morou na casa de parentes. Dois anos depois, teve a primeira conversa com Deus. Convidado por um amigo do surfe, ele começou a frequentar uma igreja e se batizou. Anos depois, se tornou um

empresário do ramo de petróleo, em Macaé. Porém, deixou o dinheiro subir à cabeça. “Quando eu cheguei ao topo da minha carreira, deixei que aquilo me corrompesse. Comecei a me afastar de Deus e fazer besteiras. Quase perdi tudo. Entrei em depressão profunda”, conta. Sem forças até mesmo para levantar da cama, o carioca foi apresentado ao cantor Thalles – considerado um dos maiores nomes

da música gospel atual – e levado para Minas Gerais, onde morou na “Estância Paraíso”, da Igreja Batista da Lagoinha (IBL), berço do Diante do Trono. “Viajei um tempo com o Thalles e conheci a pastora Ezenete Rodrigues, da Lagoinha. Ela cuidou de mim”, lembra. De acordo com Davi, a música foi essencial para a recuperação dele na vida pessoal e um novo caminho para ajudar outras pessoas.

Artista aproveita a carreira para divulgar iniciativa

Projeto para famílias carentes Leandro Davi tem um projeto que trabalha com famílias que moram ao redor do “Lixão de Gramacho”, desativado há dois anos. Porém, o trabalho começou a sair do papel após quase um ano de orações, planejamentos e espera por dinheiro. “Orei por sete meses para ter certeza do que deveria fazer e anunciei tudo o que eu tinha para vender, inclusive, a casa que eu morava, mas não consegui vender nada. Deus queria fazer do jeito dele. Conheci um homem na academia, que pediu um conselho

sobre um negócio. Ele fechou e dividiu o lucro comigo. Foi o suficiente”, afirma. Em janeiro, o cantor comprou um terreno onde serão construídas oito casas populares. Como o primeiro álbum dele, o nome do projeto é “Eu nunca vou desistir”. “Pegamos famílias que vivem em condições sub-humanas e damos uma casa popular. Com ajuda de uma assistente social, vemos quais as aptidões dos pais e pagamos cursos para encaminhá-los ao mercado de trabalho para que possam

se sustentar. Essas famílias viviam do lixo”, enfatiza. De acordo com Leandro, o cenário ao redor do aterro sanitário é degradante e, por isso, ele pretende aproveitar a carreira musical para divulgar o projeto. “Parece um campo de refugiados, com pessoas famintas e doentes, em meio à sujeira”, lamenta, ao ressaltar que depende totalmente de Deus. “A gente quer confiar em Deus, mas desconfiando. Esse projeto me ajudou a aprender a confiar 100%”, conclui.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo

Hora de reforçar - 1 O grupo Porta dos Fundos, de Fábio Porchat & Cia., vai reforçar o seu elenco de humoristas. Falta apenas definir como será o critério de seleção, mas que certamente seguirá o estilo aloprado da equipe. Hora de reforçar - 2 Há pouco tempo, o Porta dos Fundos perdeu a atriz Letícia Lima para a novela “Favela Chic”, da Globo. Ela fará uma funkeira na novela de João Emanuel Carneiro que estreia no segundo semestre. Comando Luis Henrique Rios será o diretor-geral de “Poderosa”, de Rosane Svartman e Paulo Halm, na fila das 19h da Globo. É a novela que vai substituir “I Love Paraisópolis” e terá Marina Ruy Barbosa e Juliana Paes como protagonistas. Calma nessa hora Os fãs de Sophia Abrahão, que são muitos nas redes sociais, ficaram apavorados com a notícia do corte do seu

REGI

GLOBO/ALEX CARVALHO XAXA

Decisão XAXAAXAA A segunda temporada da minissérie “Plano Alto”, de Marcílio Moraes, até poderá ser gravada este ano.

Estrelas Adriana Esteves e Glória Pires, vilãs de “Babilônia”, se ajustam em estúdio antes do sinal de “gravando”. Intérpretes de Inês e Beatriz, elas são as grandes apostas desta nova novela das 21h da Globo, escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. cabelo nos próximos capítulos de “Alto Astral”. Mas, muita calma nessa hora. Não é nada tão radical assim. É só até na altura do ombro. Já tinha gente pensando em máquina zero, o que não é o caso. Amigos de infância Dani Calabresa, ex-“CQC”, se adaptou muito rapidamente ao esquema de trabalho do novo “Zorra Total” na Globo, fato que até surpreendeu a equipe. Mas, para tanto, foi fundamental também, além do seu profissionalismo, o entrosamento com seus novos

companheiros em estúdio, que a receberam de braços abertos. E até já “esqueceram” das chacotas que ela fazia sobre o velho “Zorra”. Incógnita Amanhã é o grande dia, o momento da estreia de Dan Stulbach no comando do “CQC” na Bandeirantes, em um posto que foi muito bem defendido por Marcelo Tas nos últimos anos. Vai dar certo? Não vai dar certo? Essa dúvida está na cabeça de muita gente dentro e fora da emissora. A resposta vira a partir desta segunda-feira.

• Fernanda Paes Leme se junta a Bruno Gagliasso e tantos outros no cast da NoPlanB, do publicitário Pedro Tourinho. • Carla Perez e Xanddy, a exemplo de meio mundo, também passam férias em Orlando. • Nada decidido ainda sobre a nova temporada de “O Negócio” no HBO. • Mateus Solano desistiu do quadro “Como manda o figurino”, novidade do “Fantástico”, para não comprometer seu trabalho no filme “Em nome da lei”, no qual fará um juiz federal... • ... Curiosamente, Paolla Oliveira teve uma atitude totalmente diferente... • ... Chamada para o lugar de Solano na apresentação do “Como manda o figurino”, ela também será companheira do ator no filme “Em nome da Lei”, no papel de uma promotora de justiça. Disse que vai fazer os dois, sem problema nenhum. • Carlos Henrique Schroder e Silvio de Abreu recepcionam equipe de “Império” quinta-feira no Projac.

XA Consequências Nos bastidores do Projac, há quem garanta que Murilo Benício vaiXAficar um bom tempo no banco das novelas da Globo. Isso ainda como resultado da sua desistência do papel de protagonista de “Favela chic”. Ele deixou o elenco, dizem, por causa do trabalho como diretor no filme “Beijo no Asfalto” e porque estava exigindo horários especiais de gravação.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini O nome de Vanessa Giácomo também aparece na disputa pelo papel de protagonista de “Favela chic”, ao lado de Mariana Rios, Mariana Ximenes e Carolina Dieckmann. Porém, há quem diga ainda que existe o interesse da Globo em levá-la para o elenco de “Velho Chico”, novela de Benedito Ruy Barbosa. E aí? Chic ou Chico? Eis a questão. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

O grafite e São Paulo

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

O artigo do último dia 4 de março do Estadão assinado por Roberto Duailibi intitulado “Queremos ser a capital do grafite” exprime uma insatisfação de parte da população paulistana a respeito dos grafites que andam tomando conta da capital, invadindo viadutos, galerias e prédios públicos. No artigo, o jornalista chama o grafite de “manifestação fascista, pois não permite escolha, é-nos imposto, horrorizando, ainda, os visitantes de São Paulo, “sem termos o direito de opinar se queremos ver isto ou não”. Está certo que aquilo que vi nos arcos da 23 de maio é horrendo e estranho ao mesmo tempo. Horrendo porque parece não ter havido nenhuma seleção de trabalhos, estudos de arte a serem aplicados no espaço, composição de forma, curadoria etc. Não é porque é o grafite ou porque é no espaço público que tenha que ser livre, o tal do “chega lá e faz”. Também não estou dizendo que deveria se utilizar a técnica neste espaço e tampouco considero os arcos da 23 de maio uma obra prima, ao contrário, achoo até que o arquiteto responsável o tenha tirado do currículo. Poderíamos dizer que tudo se tornou uma espécie de acúmulo do mal gosto (sim, existe um gosto) e acho uma pena o grafite ter se metido nisso em vão, pois é o lado mais fraco desta história. Ou não. Acontece que para se colocar uma banner na fachada do Masp, estes que estão em qualquer museu no mundo, o Iphan não autorizou, ao contrário do nosso objeto em questão, que passou não apenas pelo Iphan mas pelo conselho responsável pelo patrimônio da cidade. Portanto, horrendo e estranho podem definir tudo aquilo, e daí a revolta de muitos, sobretudo os de relação mais afetiva com a cidade. Torno a repetir que existe uma

noção, um senso comum, de que tudo aquilo que é público é privado, é meu, seu, nosso, assim, sem critério, e o principal erro da administração municipal da cidade foi não ter impactado ou conceituado tal façanha no referido espaço. Por que uma intervenção no espaço? Que tipo de intervenção? Como intervir? Ela obedece as leis de preservação patrimonial? Estas e outras perguntas poderiam sugerir um caminho, inclusive para a negação. O Estado é regulador, é dele as regras pois fora construída através da democracia. O poder público deve compreender que sua função é facilitadora e nunca diretora; apoiadora, estimuladora e nunca realizadora. Por isso o cuidado que se deve ter ao trabalhar com a memória afetiva de uma cidade pois ela mexe com a identidade local e de seus comunitas. Mas voltando ao nosso jornalista, não acho que fazer plebiscito pra tudo funciona. O poder público deve ser capaz de promover, reivindicar, executar, anular o que quiser, afinal, por isso tem este nome. Poderia consultar a população também, se quisesse, mas a questão é tão banal e simples de resolver onde qualquer técnico da área de patrimônio ou de cultura poderia orientar que não vejo motivo para alarde. Portanto, não precisa perguntar “o que queremos ou não queremos ver na cidade”. Se fosse assim, acho que seria consenso que não gostaríamos de ver tanta desigualdade nas ruas, pobreza, fome, mendicância, enfim, e que tudo isso fosse solucionado gerando uma sociedade harmônica e igualitária. O grafite ou grafitti é uma arte antiga, onde se conhece relatos desde a antiga Roma. Surgiu de modo mais embasado nos anos de 1970 em Nova Iorque como parte da expressão do Hip Hop e hoje é uma atividade artística em expansão.

Márcio Braz *Ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

O poder público deve compreender que sua função é facilitadora e nunca diretora. Por isso o cuidado que se deve ter ao trabalhar com a memória afetiva de uma cidade”


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Programação de TV

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SBT

12h Esquenta 13h01 Temperatura Máxima. Filme: Os Três Mosqueteiros 15h Futebol 2015: Campeonato Carioca - Bonsucesso X Vasco Da Gama 17h Domingão Do Faustão 20h Fantástico 22h22 Big Brother Brasil. 23h13 Planeta Extremo 23h42 Domingo Maior. Filme: Tropa De Elite 2 1h38 Flash Big Brother Brasil 1h44 Sessão De Gala. Filme: Um Crime Nada Perfeito 3h10 Mentes Criminosas 3h51 Mentes Criminosas 4h32 Série

4h45 Jornal Da Semana Sbt 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum 8h Chaves 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio Da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Repórter 0h Série: Sobrenatural 1h Série: Rizzola & Isles 2h Série: Pessoa De Interesse 3h Big Bang 3h30 Série 4h Igreja Universal

BAND

GLOBO

“Temperatura Máxima” traz “Os três mosqueteiros”, na Globo

Horóscopo

5h26 Santa Missa 6h27 Amazônia Rural 6h55 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h32 Globo Rural 8h28 Auto Esporte 9h Esporte Espetacular

Cinema

5h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 6h30 Santa Missa No Seu Lar 7h30 Sabadão Do Baiano 8h Power Rangers + Jimmy Neutron 9h30 Palavra Cantada 10h45 Verdade E Vida 11h Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 Pé Na Estrada

11h30 Porsche Cup – Etapa De Curitiba/pr 12h30 Band Esporte Clube 14h Gol: O Grande Momento Do Futebol 14h30 Futebol 2015 – Ao Vivo – Campeonato Carioca – Bonsucesso X Vasco – A Informar 17h50 3º Tempo 19h Sabe Ou Não Sabe 20h A Liga 21h30 Pânico Na Band – Temporada 2015 0h15 Canal Livre 1h15 Alex Deneriaz 1h50 Show Business – Reapresentação 2h40 Igreja Universal

RECORD 5h santo culto em seu lar 5h30 desenhos bíblicos 8h30 record kids – pica pau 10h domingo show 14h30 hora do faro 18h30 domingo espetacular 22h15 repórter em ação 23h15 roberto justus + 0h15 programação iurd

Cruzadinhas

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Sua relação com a carreira profissional está em

ESTREIAS

momento de ajustes com parceiros e parcerias. sua atividade principal. TOURO - 20/4 a 20/5 Mais alguns ajustes serão importantes para os projetos na vida a dois e em suas parcerias. Você terá que dar mais de você para que estes ajustes sejam satisfatórios. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você será solicitado a dar mais de você, de seu tem-

Kingsman – Serviço Secreto: RUS. 16 anos. Eggsy (Taron Egerton) é um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Determinado dia, ele entra em contato com Harry (Colin Firth), que lhe apresenta à agência de espionagem Kingsman. O jovem se une a um time de recrutas em busca de uma vaga na agência. Ao mesmo tempo, Harry tenta impedir a ascensão do vilão Valentine (Samuel L. Jackson). Adaptação da série de quadrinhos criada por Mark Millar e Dave Gibbons. Cinépolis ponta Negra 3 – 15h45, 16h, 21h20, 22h (leg/diariamente); 13h (dub/somente sábado e domingo); 18h (dub/diariamente); Cinemark 7 – 13h, 15h50, 18h40, 21h30 (dub/ diariamente); PlayArte 1 – 12h50, 15h20, 16h30, 17h50, (leg/diariamente); 20h20 (dub/diariamente); 20h45 DIVULGAÇÃO

Procure situações e pessoas que colaborem com

po e de seus recursos, para realizar os trabalhos e as melhorias a serem feitas em sua rotina e no seu conforto pessoal. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Conhecer e considerar mais a fundo seus sentimentos e os das outras pessoas é o elemento fundamental dos relacionamentos. Por difícil que seja, este é o caminho agora. LEÃO - 23/7 a 22/8 Reorganizar seu lar e as condições materiais de conforto é fundamental para ajudar a criar uma nova ordem de vida. Procure se estabelecer em bases mais seguras. VIRGEM - 23/8 a 22/9 A boa comunicação nas relações afetivas continua sendo um ponto importante de desenvolvimento para você. Utilize mais suas capacidades criativas e expressivas. LIBRA - 23/9 a 22/10 Construir uma estabilidade financeira e patrimonial continua na ordem do dia. Isso se faz aos poucos, mesmo. Os esforços são lentos, aos resultados se chega progressivamente. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A capacidade de comunicação e de organizar a mente é importante para sua personalidade se desenvolver. Mantenha a firmeza em suas proposições de vida.

Renascida do Inferno: EUA. 14 anos. Um grupo de cientistas está fazendo uma pesquisa sobre o cérebro humano, buscando uma fórmula capaz de reanimar animais que acabam de morrer. Durante um dos experimentos, a pesquisadora Zoe (Olivia Wilde) sofre uma descarga elétrica e morre dentro do laboratório. Desesperados para trazê-la de volta à vida, eles aplicam o medicamento experimental na colega, fazendo com que ela acorde. Apesar de estar viva, Zoe manifesta um comportamento estranho, como se estivesse possuída por forças malignas. Enquanto tentam se proteger do perigo, eles também devem impedir que a amiga fuja do laboratório e mate as pessoas ao redor. Cinépolis ponta Negra 6 – 20h20, 22h30 (leg/diariamente); 19h20, 21h30 (dub/diariamente); Cinemark 8 – 13h50, 16h10, 18h15, 20h30 (dub/diairamente); 23h (dub/somente sábado); Simplesmente Acontece: RU/ALE. 14 anos. Os jovens britânicos Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin) são amigos inseparáveis desde a infância, experimentando juntos as dificuldades amorosas, familiares e escolares. Embora exista uma atração entre eles, os dois mantêm a amizade acima de tudo. Um dia, Alex decide aceitar um convite para estudar medicina em Harvard, nos Estados Unidos. A distância entre eles faz com que nasçam os primeiros segredos, enquanto cada um encontra outros namorados e namoradas. Mas o destino continua atraindo Rosie e Alex um ao outro. Cinépolis ponta Negra – 14h40, 19h40 (dub/diariamente); 17h10, 22h20 (leg/diariamente); Cinemark 1 – 12h20 (dub/somente sábado e domingo); - 14h40, 17h05, 19h20, 21h45 (dub/diariamente); PlayArte 3 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/diariamente);

SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Cuidar da saúde e de seu equilíbrio profundo continuar a ser fundamental para você se estabelecer em novas condições. Aceite o que for preciso fazer para cuidar de você. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Continua sendo o tempo de você usar sua força empreendedora para caminhar numa direção definida. Firme um projeto que lhe é fundamental e siga firme e fiel a ele. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Para você estabelecer uma nova condição em sua atividade profissional terá que lidar lenta e pacientemente com as limitações existentes. Não desista nem mude de caminho. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sua visão de mundo e da direção que quer para sua vida está se construindo aos poucos, e lhe renovando, também aos poucos. Persista no caminho que escolheu para você.

CONTINUAÇÕES Superpai: BRA. 14 anos. Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h20,16h20 18h20, (diariamente); Cinemark 2 – 13h20,15h30, 17h45, 20h, 22h10 (diariamente); PlayArte 10 – 13h10, 15h, 16h50, 18h40, 20h30 (diariamente); 22h20 (somente sexta e sábado); Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca: EUA. Livre. Cinópolis Ponta Negra 3 – 15h30, 20h10 (3D/dub/diariamente); Cinemark 6 – 14h, 16h (dub/diariamente); PlayArte 1 – 13h, 14h45 (dub/diariamente); 19h (3D/dub/diariamente) Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h, 17h30, (3D/dub/ diariamente); 13h20 (3D/dub/diariamente); Cinemark 3 – 14h30, 16h45, 19h (3D/dub/diariamente); PlayArte 4 – 13h10, 15h10, 17h10, 19h10, 21h10 (dub/diariamente); 23h10

(somente sexta e sábado); Sniper Americano: EUA. 10 anos. Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h, 16h30,19h, 21h, 21h50 (leg/diariamente); A Teoria de Tudo: EUA. 10 anos. Cinépolis Ponta Negra 3 – 17h, 19h10 (leg/ diariamente); 13h50 (leg/somente sábado e domingo); Cinemark 3 – 21h15 (dub/somente quarta-feira); Birdman: EUA. 16 anos. Cinépolis Ponta Negra 3 – 14h10, 16h45, 20h (leg/diariamente); 23h (leg/somente sábado); Cinemark – 0h10 (dub/somente sábado); Cinquenta Tons de Cinza: EUA. 18 anos. Cinépolis Ponta Negra 2 – 13h10 (leg/somente sábado e domingo); 15h10, 19h, 21h10, 22h10 (leg/diariamente); 18h10

(dub/diariamente); Cinemark 4 – 13h30, 16h20, 18h, 19h10, 22h (dub/diariamente); 20h50 (não será exibida na segunda-feira) - 23h45 (dub/somente sábado); PlayArte 5 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (dub/diariamente); 13h10, 15h40, 18h10, 20h40 (leg/diariamente); Corações de Ferro. EUA. 16 anos. PlayArte – 13h, 15h40, 18h20, 21h (dub/ diariamente); 23h35 (dub/somente sexta e sábado); O Destino de Júpiter: EUA. 12 anos. PlayArte 3 – 13h05, 15h40, 18h15, 20h50 (dub/diariamente); Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Playarte 2 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente), 22h15 (somente sexta-feira e sábado).


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015

Regional chic

As jovens empresárias Bruna Iannuzzi e Suzanna Batista convidam para conferir a inauguração do surpreendente Bistrôzin, fincado na Rio Içá, no próximo dia 12. O novo templo gastronômico do Vieiralves terá em seu menu as delícias regionais. Destaque maior para o espaço de exposição e ambientação do lugar.

O querido Nelson Nunes ganhou festa de aniversário de sua Dirce, ontem. O endereço da General Glicério ferveu. Ainda há tempo de conferir a bela exposição de fotografias “Infância Amazônica”, de Danieri Ferreira, no Centro Cultural Usina Chaminé: de terça a sexta, das 10h às 16h, e aos domingos, das 17h às 20h. A exposição tem curadoria de Jandr Reis e é gratuita. Hoje, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Manauara Shopping vai distribuir três mil vouchers cortesia com dois tratamentos de beleza para as mulheres que visitarem o centro de compras.

Estilo vem de berço e não de shopping. É o que lulus verão no próximo dia 31, às 18h33, no lançamento do cardápio do Café & Chocolat. Será uma noite de novidades com degustação das delícias de Tânia Castro e novidades da coluna. O Atelier do Vieiralves vai ferver, os convites já estão circulando.

jandervieira@uol.com.br - www.jandervieira.com DIVULGAÇÃO

Na sessão parabéns da querida Vivi Cariolano: Maza Lopes, Baby Rizzato, Zenaldo Mota Menga Junqueira e Norma Araújo no almoço da Búfalo

Dani Grosso está trocando de idade hoje. Amanhã, André Marinho Gesta estará aniversariando. Os cumprimentos da coluna.

O Milllennium Shopping apresenta hoje, das 12h30 às 14h30, o retorno do saxofonista Jair Pereira Marques, mais conhecido como Dom Carioca, na programação musical na praça de alimentação.

Encontro gostoso

Jander Vieira

Sala de Espera

A Dell Anno Best vai comandar noite de apresentação de destinos incríveis de seu programa, no próximo dia 11, às 20h, no Adrianópolis.

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Chique, hein!

Atuação

Presidida pelo deputado Ricardo Nicolau (PSD), a Comissão de Saúde e Previdência da Aleam promove, na próxima terçafeira, uma audiência pública cujo tema será a situação do programa de Tratamento Fora de Domicílio administrado pela administração Melo. O evento será no miniauditório Cônego Azevedo da Casa, às 15h30. O TFD é um instrumento legal garantido a todos os usuários do SUS que necessitem de tratamento fora de seu município ou Estado de origem, após esgotadas todas as possibilidades de recuperação da saúde do paciente. O benefício – ajuda de custo e passagens de ida e volta – é pago pelos governos estadual e federal. JOEL ARTHUS

O Espaço VIP que agradará os olhos dos sobrenomados será comandado pela coluna, no próximo dia 14, no sambódromo, no concorrido Villa Mix. Também pudera. Serviço do Empório dos Reis, ambientação moderna, champanhe a rodo serão algumas das bossas que os seletos convivas terão durante os megashows de Israel Novaes, Jorge & Mateus, Wesley Safadão, Luan Santana, Matheus e Kauan e Victor & Leo. Quem assina é a Fábrica de Eventos. Formando par dos mais festejados nos domínios do Empório dos Reis: Márcia e Sérgio Martins em noite de celebração Edilene Gomes de Oliveira não pára. A primeira-dama demonstra mais uma vez que a união será a tônica no Social na administração Melo. Anteontem, foi feita a entrega de fraldas e pacotes de leite arrecadados pela organização do Bloco das Piranhas. As doações beneficiarão mais de 400 crianças atendidas pela Casa da Criança, Casa Mamãe Margarida, Abrigo Coração do Pai, Abrigo Infantil Monte Salem, Abrigo Moacyr Alves e Lar Batista Janell Doyle. Uma parte das doações também foi repassada para as prefeituras de Envira e Itamarati às famílias prejudicadas com a cheia dos rios.

O carinho e mimos de hoje da coluna serão todos para elas em seu dia. Viva, o Dia Internacional da Mulher! MAURO SMITH


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MANAUS, DOMINGO, 8 DE MARÇO DE 2015


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