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EM TEMPO - 8 de fevereiro de 2015

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COMBUSTÍVEL DA ALEGRIA MANAUS NO RANKING DAS CIDADES QUE MAIS CONSOMEM CERVEJA

E COMBUSTÍVIA DA ALEGR

CÁSSIO VIANA/FREELANCER

CERVEJA L

NACIONAIS, ESTRANGEIRAS OU ARTESANAIS... NÃO IMPORTA. MANAUS OCUPA A 10ª POSIÇÃO NO RANKING BRASILEIRO DAS CIDADES QUE MAIS CONSOMEM CERVEJA. SEJA DEPOIS DO TRABALHO, NA HORA DO FUTEBOL, SOZINHO OU COM AMIGOS, UMA LOURA GELADA CAI BEM, DESDE QUE CONSUMIDA COM RESPONSABILIDADE. ATUALMENTE, 3,2 MILHÕES DE POSTOS DE TRABALHO ESTÃO LIGADOS AO SETOR DE BEBIDAS FRIAS NO PAÍS. A NOTÍCIA CHATA É QUE, A PARTIR DE MAIO, A BREJA VAI FICAR MAIS CARA. ECONOMIA B1 A B5, DIA A DIA C3 E PLATEIA D1 E D4

REPRODUÇÃO

Para curtir os dias de folia com muito estilo, vale a pena investir em looks simples, porém sofisticados, que passeiam por todos os tipos de festas carnavalescas.

Estado Islâmico consegue ser cruel até com crianças

Ciência que usa exclusivamente matérias-primas vegetais para tratamento e prevenção de doenças, a fitoterapia tem conquistado cada vez mais adeptos.

Num quadro de violência social e falhas institucionais, as polícias brasileiras matam demais, ignoram direitos e não têm a confiança dos cidadãos.

PLATEIA O Villa Mix está de volta com Victor & Leo, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Luan Santana, Israel Novaes, Wesley Safadão e banda Garota Safada.

Quando não mata, EI treina crianças para que sejam assassinas

Curta este Carnaval com estilo, charme, elegância e descontração

Militantes do Estado Islâmico estão recrutando crianças iraquianas para matar ou virar escravas sexuais, além de assassinar outras, inclusive crucificando e enterrando vivas, denuncia uma agência da ONU. Mundo B8

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CURUMIM.

CURUMIM O Curumim cai na folia e conta no jornalzinho a história do Carnaval, revelando curiosidades de personagens como Rei Momo e Zé Pereira. TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 33

MÍN.:

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RAIMUNDO VALENTIM

ANO XXVII – N.º 8.621 – DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO


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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015

Em meio a crise, Carnaval de Parintins muda estilo

Numa reunião que durou cerca de quatro horas, os blocos definiram com a prefeitura como será o Carnailha 2015 TADEU DE SOUZA

TADEU DE SOUZA Equipe EM TEMPO

P

arintins (AM) – Agora é oficial. Parintins terá as três noites de disputa do Carnailha com um novo formato. Os blocos definiram na noite de sexta-feira (6) que o Carnailha será realizado na Praça dos Bois, lado azul, e que não haverá desfile, e sim a apresentação das respectivas Rainhas e Comissões de Frente. “É o que o recurso hoje disponível para o evento permite realizar. Estamos enfrentando sérios problemas, não só Parintins, mas o país, então não há condição de fazer o Carnailha que queremos, no entanto, vamos realizar porque é uma referência no interior do Estado”, explicou o prefeito Alexandre da Carbrás. Para o presidente da Associação de Blocos de Parintins (Ascap), Neto Meneses, a decisão do município foi tomada em consenso com os blocos. “A Secretaria de Cultura promoveu este encontro para definirmos e, graças a Deus, já batemos o martelo: o Carnailha

será realizado adaptado às circunstâncias financeiras”. O presidente do Bloco Kam, um dos mais tradicionais da cidade, Maurício Porto, gostou da medida adotada pela Ascap e prefeitura. “Não poderia ser diferente, vamos ter as três noites, isso é bom para a economia do município e para os blocos também”. Novidades Uma outra novidade no Carnailha deste ano é a presença nas três de noites de baterias de escolas de samba da capital que farão apresentações especiais após a apresentação dos blocos na Praça dos Bois. O Carnailha atrai turistas da região e até do sul do país. Foi criado na gestão do ex-prefeito Enéas Gonçalves e o nome foi dado pelo então coordenador de Cultura do município, Raul Góes Filho. Nos seus primeiros anos, o evento foi realizado na rua Benjamim da Silva, depois na avenida Paraíba, Circuito Escorpião, atrás do Ginásio de Esportes Elias Assayag, e, a partir de agora, na Praça dos Bois.

PROTESTO

Grupo faz limpeza simbólica da Petrobras em Manaus ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

O protesto começou no Posto 700 e terminou na Darcy Vargas ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

Aproximadamente 40 pessoas participaram na manhã de sábado de uma manifestação contra o aumento do preço da gasolina, da passagem de ônibus e os escândalos que estão repercutindo no país. A manifestação agendada nas mídias digitais teve início em frente ao Posto 700, localizado no cruzamento da rua Pará e avenida Djalma Batista, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona CentroSul de Manaus. Nas primeiras horas de mobilização representantes do evento distribuíram 3 mil adesivos contra o aumento da gasolina. O universitário André Morais, 22, um dos organizadores, disse que a principal ideia do ato foi apresentar para a sociedade o motivo real do aumento da gasolina. “Todo escândalo de

corrupção que ocorreu com a empresa Petrobras tem prejudicado o convívio social. Enquanto outros países pagam um valor menor no preço da gasolina, o Brasil sofre com reajuste. O povo não tem culpa do que ocorreu, o governo precisa procurar outros meios de solucionar a situação sem prejudicar a população, por isso estamos organizando manifestações para que real situação seja apresentada a sociedade”, explicou. Depois da distribuição dos adesivos, os manifestantes foram em caminhada até a sede da empresa Petrobras na avenida Darcy Vargas, e como um ato simbólico lavaram a fachada do prédio da empresa. A coordenação no final, pediu que todos os manifestantes compartilhassem o ato e informou que outros estão sendo articulados para os próximos 15 dias e devem ocorrer mensalmente.

Parintins terá as três noites do Carnailha sem desfiles, apenas apresentação de Rainhas e Comissões de Frente dos blocos

SÃO PAULO

VENEZUELA

Maduro toma supermercados CARACAS, VENEZUELA - Em mais um ato de sua ofensiva contra empresas privadas, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou na última sexta (6) que o governo assuma controle de uma rede de supermercados cujas lojas já estavam ocupadas por fiscais e militares. Maduro não citou nominalmente a empresa visada, mas presume-se que se trata da Día Día, cujo dono está preso sob acusação de criar filas propositalmente para irritar a população e jogá-la contra o governo. “A partir de [sábado], a rede PDVAL [de supermercados estatais] assume todos os serviços desta empresa que estava travando guerra contra o

povo”, disse o presidente. As operações do Día Día passarão a ser coordenadas pela Superintendência dos Preços Justos, órgão do governo que controla preços impostos aos comerciantes. A tomada da rede é amplamente vista como uma expropriação semelhante às dezenas já ordenadas pelo governo esquerdista implantado por Hugo Chávez (1999-2013) e mantido por Maduro, seu sucessor. Maduro, porém, não especificou se a PDVAL manterá o controle da empresa de maneira definitiva. O ataque contra a rede Día Día começou na segunda (2), quando o presidente acusou a empresa de fazer parte da suposta “guerra

econômica” lançada pelo setor privado com apoio da oposição. No dia seguinte, fiscais do governo ocuparam as 35 lojas da rede espalhadas pelo país e prometeram acabar com as filas. Detido desde então, Manuel Andrés Morales Ordosgoitti, foi formalmente acusado na sexta (6) pelos delitos de boicote e desestabilização da economia. Duas outras empresas privadas foram alvos de medidas semelhantes. A distribuidora Cárnica 2005 passou a ser controlada pela PDVAL. Dois donos da rede de farmácias Farmatodo estão presos também sob a acusação de apoiar a “guerra econômica”. CARLOS BARRIOS/ABI

Ao tomar a rede privada de supermercados, Maduro a acusou de “guerra econômica”

Chuvas aumentam reservatórios SÃO PAULO, SP - A capacidade dos seis principais reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo registrou aumento no sábado (7), após a capital paulista registrar fortes chuvas no dia anterior. De acordo com a Sabesp, o Cantareira opera com 5,6% de sua capacidade, após subir 0,2 ponto percentual em relação ao índice do dia anterior. O sistema abastece 6,2 milhões de pessoas na zona norte e partes das zonas leste, oeste, central e sul da capital paulista e já opera com a segunda cota do volume morto (água do fundo do reservatório que não era contabilizada). O Cantareira tem se beneficiado das chuvas que atingem a cidade desde o início de fevereiro. Com a chuva de sexta-feira, o sistema acumulou 5 mm de água. No mês, o Cantareira acumula 85,1 mm de água - o que corresponde a 42,7% do volume esperado para fevereiro (199,1 mm). Já o nível do reservatório Alto Tietê, que também sofre as consequências da seca, opera com 12,1% de sua capacidade, após subir 0,6 ponto percentual em relação ao dia anterior. Nos primeiros dias de fevereiro, o sistema acumula 81,3 mm de água - ou 42,3% da média histórica do mês (192 mm). O sistema abastece 4,5 milhões de pessoas na região leste da capital paulista e Grande São Paulo. No dia 14 de dezembro, o Alto Tietê passou a contar com a adição do volume morto que gerou um volume adicional de 39,5 milhões de metros cúbicos de água da represa Ponte Nova.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Descendo ladeira Entre 2005 e 2014, mais de 200 empresas fecharam as portas no Distrito Industrial de Manaus, o PIM. O estrago está documentado em um estudo realizado pelo economista e conselheiro consultivo do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), José Laredo, divulgado ontem. Laredo vai na contramão dos que pretendem tapar o sol com a peneira e maquiar um otimismo impossível: o PIM fechou 2014 com 482 fábricas em operação contra 690 de 2004. “Algumas instituições informam que existem mais de 600 fábricas no polo industrial. Isso é conversa. Hoje, efetivamente são 482 funcionando com o laudo técnico em dia”. Nos últimos dois anos, José Laredo e o presidente do Corecon-AM, Marcus Evangelista, realizaram mais de dez seminários e congressos para alertar o Poder Público e a iniciativa privada sobre a necessidade de repensar o modelo Zona Franca e realizar um novo planejamento de gestão do PIM. Decepção: segundo Evangelista, “não vimos um retorno concreto por parte dos governos em todas as suas esferas”, apesar “de todos os estudos apresentados e as nossas sugestões para que o modelo recebesse maior atenção”. As críticas dos economistas atingem a Prefeitura de Manaus, que arrecada 25% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido das indústrias incentivadas, e “está há 47 anos está de costas para o modelo”. “Como tem assento no Conselho de Desenvolvimento do Amazonas e no Conselho de Administração da Suframa, poderia com toda certeza apresentar seu próprio modelo de captação”. Ontem também, a Fieam cobrou do governo José Melo medida para conter a crise no PIM. O presidente da entidade, Antônio Silva, entende que a prorrogação da Zona Franca não é um passe de mágica para resolver os problemas que emperram o modelo de desenvolvimento do Estado.

Regi regi@emtempo.com.br

Operação ‘Lava Leite’ O deputado Sabá Reis (PR) subiu na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para criticar a administração do prefeito de Autazes, Thomé Filho (PSD), que foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), a devolver mais de R$ 4 milhões aos cofres públicos. Alusão Sabá Reis sugeriu aos deputados que seja realizada a operação “Lava Leite” em alusão ao esquema de corrupção Lava Jato, que investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras. Provou e gostou Hiram Nicolau (PSD) não esconde a alegria de ter sido prefeito de Manaus por três dias nas ausências de Arthur Neto e Wilker Barreto. Nesta sexta-feira acompanhou o prefeito em obr as durante toda a manhã e postou um texto na rede social Instagram agradecendo ao prefeito. Entende a juventude No texto, Nicolau reconhece que Virgílio abre espaço no momento certo. — Ele demonstra que acredita na juventude e que quer ver os jovens progredindo, buscando a realização de sonhos e ideais – escreveu. A praça é nossa Falando em Nicolau, ele também se reuniu com moradores do bairro Jardim Paulista para apresentar o projeto de revitalização da praça da comunidade, que está há mais de 20 anos sem reforma.

O projeto terá recursos

vindos de uma emenda do parlamentar, no valor de R$ 300 mil. Cadeia neles

pessoas. E eu sempre me coloco na situação dessas famílias. Baixaria na Fátima

Em discurso no Senado, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu que todos os envolvidos em atos de corrupção, direta ou indiretamente, sejam rigorosamente punidos, para estancar o processo e para evitar que novos casos ocorram.

A pauta jornalística lá pela Rede Globo não deve andar muito bem. Prova disso é que o barraco do Miss Amazonas acabou virando destaque no programa de Fátima Bernardes.

Alfinetada nos tucanos

Se o telespectador não tivesse visto, não acreditaria. Sheislane Hayalla, aquela miss “Hulk” que arrancou a coroa da primeira colocada do concurso foi a estrela do programa desta sexta-feira.

A senadora comunista Vanessa referiu-se às denúncias de irregularidades na Petrobras, Mas também ao caso do cartel de trens em São Paulo, que aponta irregularidades nos contratos do governo do Estado com as empresas de metrô entre 1998 e 2008. Desaparecidos A ex-primeira-dama Nejmi Aziz vem fazendo intensas mobilizações pelos seus perfis nas redes sociais para apoiar campanhas e, também, ajudar na busca de pessoas desaparecidas. Vivendo o drama A multiplicação das informações fortalece o apoio para as famílias. — As redes sociais possuem um papel importante para ajudar as

APLAUSOS

“Estrela” sem brilho

Miss estressada Depois de ganhar uma faixa de “Miss Estressada”, no Encontro, a jovem foi questionada se faria novamente e não pensou duas vezes antes de responder. — Foi um ato de protesto contra o concurso. “Culpa do Lucius” Sheislane Hayalla acusou que a organização pede que as candidatas tenham padrões básicos de altura, peso e medidas. — Todas nos esforçamos para nos enquadrar. E ganha uma candidata que estava totalmente fora dos requisitos.

VAIAS

Banheiros químicos

Aldemir Bendine DIVULGAÇÃO

ABR

Para a estrutura das bandas, que estão colocando um número significativo de banheiros químicos. Resta agora aos foliões também fazerem a sua parte e não descarregarem o pipi no meio da rua.

Para a decisão da presidente Dilma Rousseff quanto a escolha do novo presidente da Petrobras. Aldemir Bendine nem assumiu e já está sendo detonado pelas mais escabrosas denúncias.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Entre ser e não ser Já lá se vão 25 séculos desde que o velho Aristóteles ensinou que a virtude sempre se encontra no meio, entre os dois extremos que se contestam, se chocam e tentam se excluir mutuamente e parece que ainda há gente, e não pouca, que não assimilou o ensinamento. Não é um ensinamento apenas porque foi passado pela autoridade do sábio de Estagira, na base do “magister dixit”, mas sim porque, passado tanto tempo, a experiência de muitos e a história têm demonstrado que o que de melhor a humanidade já colheu foi precisamente aquilo que se construiu ou se plantou como meio termo entre as posturas radicais e aparentemente inconciliáveis. Judeus e muçulmanos, mutuamente, não admitem ceder uns aos outros um mínimo de razão, de direito ou de justiça e por isso não conseguem se entender nem conviver, embora nós, de fora da disputa, saibamos que a única coisa que partilham é a intolerância que os cega e não permite que vejam que há razões em ambos os lados. Quem tem consciência do que é e do que vale, costuma ser mais condescendente e mais aberto à verdade, que nunca restringe nem escraviza, mas, ao contrário, liberta e abre portas para a pluralidade inerente à realidade. A radicalização sempre foi a mãe da intolerância e naturalmente engendra a cegueira, na medida em que impede a percepção do que há de verdadeiro na antítese. Hitler e Stalin, precisamente porque só sabiam jogar nas pontas, da direita e da esquerda, apesar da distância que os separava não conseguiam se avaliar mutuamente e apenas se esforçavam para submeter a realidade

às suas visões e não estas ao mundo real. Ao fim e ao cabo, por caminhos ideológicos diferentes e conflitantes, no tribunal da História apresentaram resultados idênticos, a saber, a morte de muitos milhões de pessoas, nos genocídios condicionados pelos antolhos que não lhes facultaram visões mais alargadas. Acautelemo-nos diante das propostas, das ofertas, das teses e das vantagens que nos forem apresentadas como únicas e exclusivas, porque sempre que lhes falte veracidade e fundamentação diante das alternativas, a ausência do mérito intrínseco será compensada pela ação do marketing que, no fundo, cumpre o papel de mascarar e de conduzir nossas vontades às conveniências de outrem. Quem, ou o que, tem o mérito em si, justifica a si mesmo e, em maior ou menor tempo, será reconhecido e valorizado, bastando apenas que se apresente e assim dispensa a insistência que aborrece e até agride, gerando muitas vezes reação de efeito invertido. Quem muito se promove e divulga com exagero e repetição seus supostos méritos e realizações, não está realmente seguro de tê-los e usa o marketing para tentar usurpar nosso senso crítico. Nesse sistema não há sucessos e fracassos, erros e acertos, mas apenas o êxito e o mérito, como se a infalibilidade fosse qualidade inerente ao pensamento e às proposições dessa pessoa. O dr. Joseph Goebbels sabia muito bem que a repetição exaustiva de uma versão acabava por prevalecer, independentemente de ser verdadeira ou não, tomando de maneira torta o pragmatismo de Nietzsche, que defendia antes a utilidade do que a veracidade da proposição.

João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

Quem muito se promove e divulga com exagero e repetição seus supostos méritos e realizações, não está realmente seguro e usa o marketing para tentar usurpar nosso senso crítico. Nesse sistema não há sucessos e fracassos, erros e acertos, apenas êxito e mérito, como se infalibilidade fosse qualidade”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

E essa agora?

Afirmar que o ‘partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral’ só pode ser brincadeira, depois que, para se defender no escândalo do mensalão, o PT tentou alegar oficialmente que se tratava ‘apenas de caixa 2’, prática comum na política brasileira, segundo o então presidente Lula

Às voltas com vários focos de crise, Dilma Rousseff pode enfrentar novo revés nesta semana. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), submeterá ao colégio de líderes a inclusão na pauta de votações de terça-feira no plenário da chamada PEC da Bengala. A proposta eleva de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria compulsória de magistrados. Se a medida passar, a presidente pode perder a chance de indicar quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal. Desfalque Depois de seis meses praticamente sem tocar no assunto, Dilma começou a ouvir conselheiros sobre o substituto de Joaquim Barbosa no Supremo. Aliados estimam que a decisão pode sair ainda em fevereiro. Memorabilia Joaquim Levy (Fazenda) pendurou na sala de reuniões de seu gabinete um quadro de 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, que celebrava a Lei de Responsabilidade Fiscal, com os dizeres: “Agora o Brasil só gasta o que arrecada”. Memorabilia 2 O cartaz ficava na sala de Levy quando foi secretário do Tesouro Nacional, de 2003 a 2006. Localizada numa sala no ministério, já desbotada, voltou à parede em lugar de destaque. Derrota... A reprovação a Dilma mais que dobrou no Nordeste em comparação ao ponto mais crítico dos protestos de junho de 2013. À época, só 16% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que a gestão da presidente era ruim ou péssima. Agora, são 36%. ... em casa A rejeição a

Dilma no Nordeste era de 4% até meados de 2012. Lula só tinha 2% de ruim ou péssimo na região quando terminou seu governo, em 2010. Efeito Petrolão O índice de brasileiros que diz que o principal problema do país é a corrupção é maior que em qualquer momento do governo Lula: 21%. Em 2009, após o arrefecimento da crise do mensalão, eram só 9%. De olho Advogados de presos da Lava Jato aguardam com ansiedade a sessão da Segunda Turma do STF, que vai analisar na terça recurso do Ministério Público Federal para que o ex-diretor da Petrobras Renato Duque volte para a prisão. Vela Para os criminalistas, a decisão sobre Duque indicará as chances libertação de seus clientes. Canja... A força-tarefa da Lava Jato não pediu a prisão de João Vaccari Neto por entender que não havia risco de fuga ou destruição de provas por parte do tesoureiro do PT. ... de galinha Policiais e procuradores também acre-

ditavam que a prisão de Vaccari alertaria outros suspeitos e atrapalharia investigações relacionadas ao tesoureiro, como a denúncia de corrupção na Sete Brasil. Sem Waze O juiz Sérgio Moro autorizou a condução coercitiva de Vaccari para depor em 18 de dezembro. A Polícia Federal precisou encontrar os endereços de todos os alvos da operação antes de deflagrá-la, 48 dias depois.

Merval Pereira, colunista do “Globo”, avalia em seu blog que a nota oficial onde o PT tenta rebater as denúncias de que recebeu dinheiro dos recursos desviados da Petrobras é uma demonstração de como o partido está desnorteado.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br RAIMUNDO VALENTIM

Chuva de tweets A crise hídrica de São Paulo foi assunto de 896 mil mensagens no Twitter só neste ano. O pico de postagens ocorreu em 27 de janeiro, quando a possibilidade de rodízio de 5 dias sem água por 2 com foi anunciada: 43.690 manifestações. Reencontro Geraldo Alckmin marcou para quarta-feira a primeira reunião do comitê da crise de água. Paulo Skaf, da Fiesp, rival do tucano em 2014, participará. E eu? Jonas Donizette teve de pedir para integrar o grupo. O prefeito de Campinas temia que a cidade, que é abastecida pelo Cantareira, fosse ignorada nas decisões.

Tiroteio

Durante os treinos, nesta semana, para o jogo de hoje em Rondônia com o Vilhena local, pela Copa Verde, que reúne times do Norte, Centro Oeste e o (sim) Espírito Santo, o Nacional amazonense recebeu os mais calorosos incentivos. E já sabe o que lhe espera se não honrar as chuteiras: o fiel da torcida não tem medo de Leão da Vila Municipal

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Tive uma grata surpresa: assumi a função de líder da minoria e descobri que esse posto parece, na verdade, o de líder da maioria. DO DEPUTADO BRUNO ARAÚJO (PSDB-PE), sobre a nova relação de forças na Câmara entre a oposição e a base aliada do governo Dilma Rousseff.

Contraponto

Agora aguenta Na segunda-feira passada, dia seguinte à derrota imposta pela Câmara ao PT na disputa pela presidência da Casa, peemedebistas e oposicionistas faziam piada nos corredores do Congresso. Ainda sob o efeito da vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sobre Arlindo Chinaglia (PT-SP), o tucano Antonio Imbassahy (BA) perguntou a Manoel Junior (PMDB-PB): – O que é que vocês vão dar ao PT agora que eles ficaram fora da Mesa Diretora? – Vamos dar muitos dias difíceis! – respondeu o peemedebista, e os dois caíram na risada.

Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Fraternidade Mais uma vez a Igreja Católica fará uma Campanha da Fraternidade. A primeira foi em sessenta e dois, portanto há cinquenta e um anos. Realizada no período quaresmal, o seu primeiro objetivo é a conversão, o grande apelo deste tempo litúrgico que vai da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos. A conversão brota do encontro com Jesus Cristo que anuncia o Reino e que o torna presente pelos mistérios de sua vida que tem seu ponto culminante na paixão, morte e ressurreição. Conversão não se resume a adesão intelectual a uma verdade e a um corpo doutrinal, mas implica mudança de comportamento. Para quem encontra o Cristo, significa um caminho de crescimento espiritual que leva a pessoa a identificar-se com Ele. Paulo no fim da vida, diz que já não é mais ele quem vive, mas é o Cristo que vive nele. Conversão não é entretenimento espiritual, mas mudança radical de atitudes. Não é também mudança de religião, podendo se dar e até devendo acontecer de maneira continua dentro da própria tradição religiosa. A Campanha da Fraternidade com seus temas e lemas ajudam e querem tornar real a conversão e mostrar as consequências práticas da mesma. A primeira consequência é a fraternidade. A pessoa convertida é necessariamente fraterna e seu comportamento gera fraternidade porque estabelece novas relações humanas baseadas nos valores e ideais do Evangelho. Se a conversão não leva a isto, ou ainda pior se a conversão destrói laços, cria preconceitos, diaboliza o diferente e em casos extremos leva a violência verbal e física, destruindo sím-

bolos e criando sentimentos de superioridade e desprezo, não passa de um processo psíquico mórbido de autoafirmação com consequências trágicas para a sociedade. Colocando diante de nós diversos temas que profeticamente denunciam a ausência de fraternidade, a Campanha da Fraternidade é um apelo a uma vivência autentica da fé. Como ficar indiferente diante do tráfico de pessoas, da exclusão de tantos do mercado de trabalho, da multidão de meninos e meninas em situação de risco e de vulnerabilidade, da situação deprimente da nossa população, privada de liberdade em prisões abarrotadas, da destruição da vida do planeta, dos afrodescendentes e índios, ainda tratados com preconceito, da juventude que vem sendo sistematicamente exterminada? Estas situações, entre outras, foram temas de campanhas que se tornaram memoráveis e incidiram profundamente na vida de nosso país. Estamos prestes a iniciar mais uma campanha. Neste ano, o tema é Igreja e Sociedade e o lema, Vim para Servir. Qual a incidência da nossa fé e consequentemente de nossa conversão na nossa vida social? O povo brasileiro é religioso e, na sua quase totalidade, cristão. Como explicar então tanta injustiça, corrupção e descaso pelo bem comum? Estou convencido de que a maioria das pessoas é de boa índole, e a minha fé me faz ter esperança, mas não é possível deixar de notar a contradição entre a fé e a vida concreta. Precisamos de conversão. E ela começa de verdade quando servimos e não somos servidos, porque este foi o caminho de Jesus.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus

Estamos prestes a iniciar mais uma campanha. Neste ano, o tema é Igreja e Sociedade e o lema, Vim para Servir. Qual a incidência da nossa fé e consequentemente de nossa conversão na nossa vida social? O povo brasileiro é religioso e, na sua quase totalidade, cristão”


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Josué NETO

Sou PRESIDENTE DE todos os 24 DEPUTADOS

FOTOS: WILLIAM RESENDE/ALEAM

NÁIS CAMPOS Equipe EM TEMPO

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Eu compreendo assim: essa reforma administrativa está há quatro meses no forno, sendo discutida com a melhor equipe técnica e qualificada disponível pelo Estado. Porém, um projeto não se faz apenas com questões técnicas, mas a sensibilidade política também deve ser observada.

e volta à presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), reconduzido pelo voto de 19 dos 24 deputados estaduais, Josué Neto (PSD) dará seguimento, nesta nova gestão, a alguns projetos iniciados na legislatura passada: dar aos parlamentares melhores condições para o exercício de seus mandatos; ampliar as estruturas da rádio e TV ALE, por meio de novas tecnologias. Também é desejo do deputado debater a reforma administrativa no parlamento oferecendo a oportunidade a cada ente da casa legislativa estadual o direito à emenda e sugestões. Nesta entrevista, concedida ao EM TEMPO, Josué Neto fala, entre outros assuntos, de como as afinidades com o governador José Melo (Pros) e o senador Omar Aziz (PSD) podem contribuir nas relações institucionais entre o Legislativo e Executivo. EM TEMPO - Reconduzido à presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) com a maioria dos votos dos deputados (19 a 2), de que maneira o senhor pretende conduzir sua gestão para quem votou e para quem não votou na sua chapa? Josué Neto - Da mesma forma como um governador administra o Estado: para todos e não apenas para as pessoas que votaram nele. Esse é o espírito da democracia e do homem público que é democrata. Eu conversei (logo após a eleição da mesa diretora) com o deputado Luiz Castro (PPS), que não votou em mim, mas o parabenizei por sua atitude de assumir o seu voto em José Ricardo (petista que concorria à presidência) como infinitamente melhor do que os colegas que se retiraram de plenário - Wanderley Dallas e Vicente Lopes, ambos do PMDB, e Francisco Souza (PSC). EM TEMPO - Ampliar o número de comissões, de 22 para 24, foi uma estratégia criada para “agasalhar” de certa forma agradar, todos os deputados? JN - Quem quer entender, entenda da forma que quiser, mas de qualquer modo vou explicar como se deu esse processo. Cada par-

lamentar representa um segmento. Por exemplo, o deputado Bosco Saraiva (PSDB), que todos devem conhecê-lo por sua história de engajamento na área cultural (que vem muito antes até da vida política) nunca pôde trabalhar pelos povos indígenas. Então, como nós conciliaríamos as presidências de Cultura com Povos Indígenas apenas com a participação do deputado Bosco? Nós não teríamos o nosso objetivo alcançado, pois ele está ligado à cultura. Pode ser que daqui a algum tempo o deputado tenha maior intimidade com os assuntos indígenas, mas ainda não tem. Assim, acredito que essa é a melhor forma de trabalhar e a melhor forma de fazer com que as comissões tenham à frente pessoas com bons direcionamentos; com pessoas que já tenham uma identidade com determinado tema ou determinado segmento da sociedade. Então, as escolhas para as presidências das comissões não tiveram a conotação “para agradar” e, sim, melhorar a qualidade dessas comissões segundo o perfil de cada parlamentar. EM TEMPO - Em quais pilares sua nova gestão será sustentada? Josué Neto - Sempre pelo respeito aos colegas e para que a Assembleia dê todas as condições de exercício para um bom mandato a cada um dos parlamentares. E essa determinação vale para os que votaram, os que não votaram e os que deixaram de votar. Independentemente de qualquer coisa, a nossa administração é pela democracia, pelo respeito aos colegas e pelo o que é público. EM TEMPO - Esse processo, então, será caracterizado por quais projetos? JN - Administrativamente temos vários projetos em vista. Nós ficamos impossibilitados de investir em tecnologia nos últimos dois anos e, agora vamos investir nessa área, pois qualquer pessoa que hoje vem à Assembleia observa o quanto temos de papel sendo utilizado e esse produto, alem de ser ecologicamente incorreto, é mais caro do que se investir em tecnologia e vamos assim fazer nesta gestão. Também vamos dar novo direcionamento ao prédio onde funcionaria a creche, mas antes vamos pedir uma orientação, tanto da Secretaria de Infraestrutura

(Seinfra), como do Ministério Público do Estado (MPE), para darmos nova destinação àquele local que deverá funcionar como um grande centro de informação e tecnologia, onde a imprensa terá toda a estrutura possível para realizar um bom trabalho. O prédio também abrigará a nova estrutura da rádio e da TV ALE, que serão ampliados. EM TEMPO - No seu discurso, antes de sua recondução à frente da Aleam, o senhor declarou que a Mensagem Governamental, a ser enviada à casa, virá de forma “aberta” e que tal medida é inédita entre os mandatários do Estado. Como a Assembleia assimila essa forma de atuação do governo? JN - O governador José Melo está na vida pública há 32 anos. Nessas mais de três décadas, ele mudou completamente sua forma de fazer política. Ele não faz política e nem exerce uma função pública como fazia 32 anos atrás. Então, nesse momento, todos cobram; toda a população cobra dele atitudes democráticas e as ações do professor José Melo são pautadas na democracia e na participação. Então, quando o professor Melo enviar para a Aleam a mensagem da reforma administrativa, ele já terá orientado todos os secretários, que estão diretamente ligados a essa reforma, como Educação, Saúde, Planejamento e as pastas ligadas ao social, que se façam presentes na casa no momento em que os deputados buscarem explicação sobre o que qualquer projeto prevê. E, claro, qualquer emenda ou mudança também será recebida como sugestão e debatida entre os colegas. Isso que significa “um projeto em aberto”, suscetível a qualquer mudança para que se torne melhor. Eu compreendo assim: essa reforma administrativa está há quatro meses no forno, sendo discutida com a melhor equipe técnica e qualificada disponível pelo Estado. Porém, um projeto não se faz apenas com questões técnicas, mas a sensibilidade política também deve ser observada. Então é a nossa sensibilidade, a nossa convivência e realidade que temos (deputados) com o interior do Estado – que muitas vezes é de desconhecimento do técnico, que nunca esteve lá – a grande contribuição da casa com os

projetos governamentais. EM TEMPO - Embora pequena, o senhor espera uma oposição ferrenha nessa nova legislatura? JN - Em política não existe quantidade, vale a máxima de que “qualidade é que prevê como o parlamento funciona”. Todos os colegas têm o seu valor, as bancadas são formadas a partir da linha de atuação partidária. Então, os parlamentares, muitas vezes, seguem uma orientação partidária, ou seja, algo que estão acostumados a seguir como prática interna dentro de suas próprias legendas. Acredito que a nossa bancada, do governo, contará com 16 deputados essencialmente governistas; vamos ter alguns independentes e aqueles declaradamente oposicionistas. Mas é para isto que existe o parlamento: para o debate, porque se assim não fosse só existiria “o poder da caneta”, para mandar construir uma casa, asfaltar uma rua, por exemplo. Não é essa nossa missão. Todos nós somos técnicos em debates, técnicos em política. E é isso que faremos aqui, e da forma mais respeitosa possível. A casa funciona para os 24 deputados, ela não funciona para deputados de partido A ou B, ela funciona de forma igual para todos. EM TEMPO - Sua relação com o governo do Estado é bem estreita. Até que ponto essa aproximação é benéfica para ambos os lados? JN - Eu espero que as pessoas entendam, pois existem coisas que só político entende. Por exemplo, quando um projeto chega na Assembleia Legislativa do Estado já aconteceu um diálogo antes ou acontecerá um diálogo depois. Essa relação institucional não é feita pelo papel, que não tem vida. Mas, com quem pode se dialogar ou contrapor-se, e falar o que entender por certo ou que entende que está errado. Dessa forma, a minha proximidade com o governador José Melo ou com o senador Omar Aziz facilita qualquer relação institucional. E em qualquer relação se você já tiver um grau de afinidade, essa prerrogativa só vai facilitar a questão do diálogo. Pois o diálogo, como disse anteriormente, vem antes ou depois, porque as pessoas não conversam por meio do papel – que é apenas uma ferramenta burocrática.

...as escolhas para as presidências das comissões não tiveram a conotação “para agradar” e, sim, melhorar a qualidade dessas comissões segundo o perfil de cada parlamentar.

...a minha proximidade com o governador Melo ou com o senador Omar Aziz facilita qualquer relação institucional. E em qualquer relação se você já tiver um grau de afinidade, essa prerrogativa só vai facilitar a questão do diálogo.

DIEGO JANATÃ

Com a palavra

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Política

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‘Petrobras representa o melhor e o pior do país’

Cláudio Humberto

www.claudiohumberto.com.br

“Bendine é um nome sem prestígio para reerguer a [Petrobras]” SENADOR RONALDO CAIADO (DEM-GO), sobre a escolha de Dilma para comandar a estatal

Lula e aliados querem Mercadante fora do governo O ex-presidente Lula, que o acusou de haver “sequestrado” o governo, e líderes de partidos aliados pressionam Dilma a se livrar de Aloizio Mercadante (Casa Civil), que azedou de vez as relações do governo com o Congresso. Trapalhão, ele conseguiu piorar o clima, após a vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao ameaçar distribuir cargos de segundo escalão segundo o grau de obediência dos parlamentares. Não entendeu nada Mercadante não percebeu que Eduardo Cunha venceu porque fez os deputados acreditarem que enfim seriam respeitados pelo governo. Refém de luxo Lula e os líderes aliados reconhecem ser difícil levar Dilma a demitir Mercadante. Ele é hoje o único contado dela com a vida “lá fora”. Isolamento Para tornar Dilma dependente, Mercadante afastou do Planalto todos os que tinham acesso a ela, inclusive o velho assessor Gilles Azevedo. Sr. Derrota A arrogância de Mercadante derrotou o candidato do PT a presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, segundo acredita a cúpula petista. Temer articula para aprovar distritão no Congresso Contrariando o PT, que quer implantar voto em lista na próxima eleição, o vicepresidente da República, Michel Temer, articula para aprovar ainda este ano a tese do “distritão”. O PMDB negocia o apoio do PSDB para derrotar a proposta

de reforma política do PT. O tucanato já está unido ao PMDB para impedir a criação do Partido Liberal, articulado pelo ministro Gilberto Kassab para esvaziar o PMDB e a oposição. Juntos na causa Michel Temer almoçou no dia 4 com deputado Miro Teixeira (PROS-RJ), a quem pediu para articular a aprovação do ‘distritão’ na Câmara. Consulta popular Fiel escudeiro de Temer, Moreira Franco elaborará até março proposta de reforma com base em enquete da Fundação Ulysses Guimarães. Sem puxadores O distritão, que se configura na eleição majoritária para deputados e vereadores, acabaria com puxadores de votos como Tiririca, Romário... Briga de foice Em meio ao escândalo do Petrolão, a Comissão de Minas e Energia da Câmara nunca foi tão cobiçada por deputados, aliados e de oposição. A fila de candidatos a membro titular e até suplente é enorme. Sem vergonha Apesar de o ministro Pepe Vargas (Rel. Institucionais) dar de ombros para o envolvimento do tesoureiro do PT João Vaccari Neto na operação Lava Jato, que apura o roubou à Petrobras, Vaccari foi um dos assuntos mais comentados (trending topics) no Twitter na semana. Racha no PSOL Isolado após se aproximar do governo Dilma, o senador Randolfe Rodrigues (AP) está negociando sua saída do PSOL. O deputado reeleito Jean Wyllys (RJ) também anda às turras com o partido.

Jornalista

Jornal britânico diz que a petrolífera, envolvida no caos de um escândalo de corrupção, é grande demais para falir EBC

COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

Pequena fortuna A diretoria-geral do Senado publicou portaria na sexta (29) concedendo pensão à Iracy Ramos Marinho, mulher do falecido senador Josaphat Ramos Marinho. A pensão corresponde a 50% dos vencimentos do ex-senador a partir de 31 de março de 2002, data do óbito. E o rodízio? Deputados do PSDB ficaram incomodados com a escolha da dupla Carlos Sampaio (SP) e Bruno Araújo (PE) para representar a bancada e o bloco da Minoria. Os dois foram líderes na legislatura passada. Entra na fila Ex-deputado, Edson Giroto (PR) tem coletado assinaturas na bancada do Mato Grosso do Sul para ser indicado à diretoria do DNIT, que tem orçamento de mais de R$ 8 bilhões e é muito cobiçado por autoridades. Futuro PMB Capitão Augusto (PR-SP) causou estranheza ao tomar posse e circular durante toda a semana usando farda de policial no Congresso. O deputado está na linha de frente da criação do Partido Militar Brasileiro. Finanças e tributação O PSDB indicará o tucano Giuseppe Vecci (GO), aliado do governador Marconi Perillo, para presidir a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. O acordo foi feito com o presidente Eduardo Cunha (PMDB). Fim da mamata Mal terminou eleição, deputados já descem a lenha no novo presidente da Câmara: eles não querem trabalhar às quintas, como determinou Eduardo Cunha.

PODER SEM PUDOR

Sem-vergonhice Certa vez, em 1988, o ex-ministro Nelson Jobim foi dar uma força na campanha do PMDB à prefeitura de Tupanciretã (RS), região em que os candidatos têm o hábito de demonstrar civilidade visitando os palanques dos adversários. Jobim já discursava quando o adversário, Dr. Marcel (PDS), subiu ao palanque. Ele impostou a voz para perguntar à platéia: - Por que será que o Dr. Marcel está no nosso comício?... O grito de um bêbado estragou a profunda reflexão pretendida por Jobim: - Porque ele é um sem-vergonha, tchê!

Dilma teve que dispensar a amiga e agora ex-presidente da Petrobras para acalmar ânimos

A

competência técnica da Petrobras “é conhecida e ela possui vastas reservas de petróleo em profundidade. Isto atraiu investidores para a maior oferta de ações do mundo alguns anos atrás, quando ele levantou US$ 70 bilhões nos mercados de capital internacionais. Mas a empresa também está envolvida por corrupção deflagrada pela operação Lava Jato e é algo de investigação também pela SEC”. Esta é a avaliação do Financial Times em artigo publicado após o rebaixamento de rating da companhia pela Moodv’s e depois da (não) divulgação de resultados pela Petrobras, destacando que o escândalo de corrupção traz o caos para o Brasil. De acordo com o FT, o escândalo de corrupção não tem apenas implicações sociais para a petrolífera mais endividada com US$ 170 bilhões de empréstimos pendentes, de acordo com a Moody’s. Ela é sistêmica para a economia brasileira e ameaça derrubar

seu governo. “Petrobras é grande demais para falir. Mas também é muito corrupta para continuar como está”. Incompreensível E o FT destaca que os montantes são quase “incompreensíveis”. Um executivo de segundo escalão (o ex-gerente Pedro Barusco) se ofereceu para devolver US$ 100 milhões aos cofres públicos. E alguns estimam que até US$ 20 bilhões “podem ter sido roubados, extraviados ou perdidos em projetos ‘elefante branco’ que foram tão mal concebidos que, mesmo a Venezuela de Hugo Chávez se recusou a investir. “Mas ninguém sabe o número exato”, destaca o jornal britânico. E é por isso que os auditores PwC se recusaram a assinar as contas do terceiro trimestre do ano passado, enquanto a Petrobras foi forçada a diminuir seus investimentos. E isto em um cenário em que a economia está em baixa e precisa desesperadamente melhorar o seu perfil de investidor interna-

cional uma vez que a história dos Brics entrou em colapso, afirma o jornal. Efeitos E o escândalo, ainda por cima, está se espalhando para o resto da economia. Em primeiro lugar, o setor de construção do Brasil foi envolvido nas investigações de corrupção, com ameaças aos contratos e colapsos empresariais. “É verdade que o governo poderia intervir com apoio financeiro. Mas isso colocaria em risco sua classificação de grau de investimento já ameaçada, aumentando potencialmente o custo de capital para as empresas do Brasil como um todo. A culpa, em última análise encontra-se com as decisões do PT e seu desejo de poder. O dinheiro roubado foi supostamente usado para ‘agradar’ parceiros de coalizão, ajudar nas contas de duas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff e para eleições para o Congresso também”, afirma.

Corrupção não é novidade, diz FT O Financial Times destaca, contudo, que a corrupção na política não é nova e que o sistema do Brasil sempre incentivou isso, com a Petrobras sendo sempre uma fonte de tentação. “Os seguidores de Dilma supostamente não acreditam que isso ocorreu para enriquecimento próprio. Mas, no comando do Partido dos Trabalhadores, a escala de roubo subiu”, ressaltou.

E o jornal afirma esperar que a SEC investigue fortemente as práticas dentro da Petrobras, ressaltando que a dimensão do escândalo sugere que a deficiência das instituições no Brasil tem um peso. A Lava Jato, afirma, segue o escândalo do mensalão, que levou a várias condenações de políticos importantes pela primeira vez para o Brasil. “Com a Petrobras, no entan-

to, a resposta deve ser mais rápida e mais firme”. “Dilma deve dar-lhe total apoio à investigação e permitir que o seu curso. Até agora, o escândalo rodou em torno dela. Não houve acusações de que ela estava diretamente envolvida, embora, como presidente do Conselho da Petrobras durante grande parte do tempo em questão, ela precisa explicar o que sabia”, afirma o jornal.


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Política

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Amazonas pode ser o 11º diretório de novo partido MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

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om mais de 16 mil assinaturas certificadas no Estado do Amazonas, o Partido Liberal (PL), pode ter o 11º Diretório Regional a ser legalizado no país ainda neste primeiro semestre do ano. Até o momento, o que se tem no Amazonas é uma Comissão Executiva Regional em formação, com registro no Tribunal Regional do Amazonas (TRE-AM), tendo como presidente o secretário geral do Partido Social Democrático (PSD), Paulo Radin e como secretária-geral, Alessandra Brasileiro. “O PL ainda não foi criado. O que há juridicamente é uma associação em 10 Estados e o Amazonas deve ser o 11º Diretório Regional. Uma comissão no Amazonas foi designada pela Comissão Executiva Nacional, a qual me indicou como presidente da Comissão no Amazonas e a Alessandra Brasileiro como secretária-geral”, explicou Radin. O presidente provisório explicou não haver políticos com mandato envolvido no processo de recriação da sigla. A medida, segundo ele, é para evitar especulações. “Nesse momento não

temos nenhum político, porque o partido ainda não existe. O que temos é o apoio do senador Omar Aziz que, a pedido do ministro Gilberto Kassab, está apoiando a criação do PL. Mas, no Amazonas não temos nenhum político envolvido”, disse, acrescentando que seu sonho é ter o maior número de políticos com mandatos filiados ao PL, mas que é um desejo apenas. O objetivo é chegar a 50 mil assinaturas certificadas no Amazonas. Segundo Radin, se os cartórios obedecessem aos prazos legais de 15 dias, agora o PL teria mais de 16 mil assinaturas e facilmente se chagaria ou ultrapassaria as 50 mil desejadas. O partido ainda não foi criado legalmente, mas já conta no Amazonas com 23. 672 mil assinaturas em tramitação em cartórios e 80.420 mil em processo de coleta. Segundo Radin, a intenção é chegar a 150 mil assinaturas coletadas, o que não representa que as 150 serão certificadas. “Queremos ajudar a nacional, pois para a criação do diretório regional bastam pouco mais de 2 mil assinaturas”, pontuou o presidente, lembrando que é necessário ter pelo menos quatro diretórios municipais para o registro do diretório regional.

DIVULGAÇÃO

Articulações em todo o Estado tentam ressuscitar o Partido Liberal (PL) com provável fusão de algumas siglas

Fusão de partidos fica para depois Com relação à fusão do PL ao PSD, Radin explicou que existem três possibilidades legais: fusão, incorporação ou bloco partidário, igual ao que os parlamentares novatos da (Aleam), estão solicitando na casa legislativa para garantir mais tempo de discurso no grande expediente. No entanto, Radin alegou ainda ser muito cedo para se falar em fusão, uma vez que o PL ainda está em processo de formação. “É muito cedo para se falar em fusão ou incorporação. O partido ainda não existe. Estamos em formação. Quando tiver o registro partidário no TRE, aí sim podemos falar em fusão”, explicou, acrescentando que muito provável após o feriado de carnaval a Comissão dê entrada no TRE.

Paulo Radin, do PSD, articula no Amazonas a coleta de assinaturas para a recriação do PL


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Política

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Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

PAIXÃO NACIONAL Manaus ocupa a 10ª posição no ranking das cidades que mais consomem cerveja no país

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que fazer em uma cidade de clima tropical, úmido, com poucas opções de lazer, onde os shows musicais e espetáculos de teatro – quando eles aparecem – custam os olhos da cara? Os mais consumistas e comportados, com certeza, vão ao cinema ou ao shopping. Mas a grande maioria pega o caminho do botequim, onde se encharca de cerveja e joga conversa fora horas a fio. Não se espante se, às vezes, em plena segunda-feira, no percurso para o trabalho você pousar os olhos em um bar e encontrar meia dúzia de malucos tomando cerveja no lugar do café da manhã. Por conta dessa falta de opção de lazer e da paixão por cerveja, Manaus ocupa o 10º lugar no ranking das cidades brasileiras que mais consomem bebida fermentada, como as cervejas. A lista é encabeçada por Salvador, sendo seguida por Recife, Fortaleza, Cuiabá e Belo Horizonte. Se o bom bebedor – digo, leitor – observar, as quatro primeiras cidades ranqueadas como principais consumidoras de cerveja são cidades de clima quente, com elevadas temperaturas a maior parte do ano, como Manaus. Provavelmente esse deve ser um ponto que, aliado ao aspecto cultural de cada cidade, faz com que o consumo de bebidas como a cerveja seja elevado.

CERVEJA L

E COMBUSTÍVIA DA ALEGR

No caso de Manaus, todos os caminhos levam à boa e velha cerva, justamente por causa do calor que convida ou “empurra” as pessoas a consumirem cada vez mais cerveja. Os sofisticados espumante, vinho ou whisky são colocados de lado por causa de um belo copo de cerveja dourada como ouro e com um colarinho branco de fazer estalar os lábios. Considerada a bebida mais sedutora há séculos, a cerveja foi inventada pelos sumérios, cultuada pelos antigos egípcios, usada para impedir guerras e para apagar incêndios, reinventada pelos britânicos e alemães e elevada à categoria de “preferência nacional” pelo povo brasileiro. A cerveja é a bebida preferida dos brasileiros para as grandes comemorações, como as festas de final de ano, a Copa do Mundo, o verão e, claro, o Carnaval, que explode hoje no país inteiro. Quem garante isso é o Ibope, conforme pesquisa realizada entre 7 e 11 de novembro do ano passado. Apesar de já ter errado feio alguns resultados d a s urnas,

A cerveja foi trazida para o Brasil em 1808, pela Família Real, porque o rei não podia ficar sem sua bebida predileta. Hoje, é a paixão do brasileiro

neste o instituto de pesquisa acertou em cheio. “A cerveja combina tanto com festa e o astral do país que quase dois terços dos entrevistados (64%) a definem como a bebida preferida do brasileiro para comemorar os bons momentos. Refrigerante, espumante e vinho vêm bem depois, com, respectivamente, 13%, 12% e 5% das citações”, aponta a pesquisa quantitati-

va, em âmbito nacional, que foi realizada com 1.958 pessoas, entre homens e mulheres com 18 anos ou mais, das classes A, B, C, D e E. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Apreciador de cervejas especiais e produtor de cerveja gourmet, o jornalista Rodrigo Araújo confirma o fascínio pela cerveja nos trópicos. Ele mesmo é um fabricante de cerveja artesanal

e em breve deve profissionalizar suas descobertas. — Não há como negar que a cerveja é a bebida preferida do brasileiro, e no Amazonas não poderia ser diferente. Nosso clima quente propicia o consumo dela, seja loira, morena, ruiva ou mulata. Se estiver gelada e numa rodada de amigos, o papo vai longe e o consumo corre solto –, atesta o jornalista. Rodrigo lembra que a cerve-

ja é a bebida de maior sociabilidade entre todas as outras. “Quem nunca chegou só no balcão de um bar e no final da noite já estava entre um grupo de ‘amigos inseparáveis’?”, pergunta. — Então, a cerveja é assim: agrupa pessoas, faz de encontros casuais grandes eventos e transforma simples desconhecidos em confidentes parceiros de copo -, define Rodrigo.

‘Somos a nação da cerveja’ O jornalista Rodrigo Araújo destaca que outro detalhe que pesa para a cerveja ser a loura mais desejada por homens e mulheres é o fato de “todo cervejeiro ser um cara gente boa”. — O certo é que conheço grandes amizades que começaram com um copo de cerveja. Ao mesmo tempo, não conheço nenhuma que começou com um bom copo de leite, ou de chá. Ele aposta que essa sociabilidade está crescendo no Amazonas com o crescimento do mercado de cervejas especiais e artesanais. — É cada vez mais comum encontrar pessoas dispostas a falar sobre determinada “cerveja diferente” consumida em uma viagem, apresentada por um amigo, ou mesmo descoberta nos novos bares especializados que estão surgindo em Manaus. E o interessante deste novo mercado de cervejas especiais, diz o jornalista, é que ele não distingue seus apreciadores. Rodrigo revela que tem falado sobre cerveja com homens, mulheres, ricos, pobres, brancos, negros, enfim, com pessoas que, simplesmente, apreciam essa bebida. — Sem nenhuma sombra de dúvidas, somos a nação da cerveja. Rodrigo garante que todo cervejeiro quase sempre é “um cara legal”

Simão Pessoa tem vários motivos para ser um apaixonado pela “loura suada”

‘Cerveja nos deixa mais inteligentes’ No caso de Manaus, o escritor Simão Pessoa, um dos maiores abatedores de ampolas geladas, garante que a paixão do amazonense pela “loura suada” não é só uma questão de clima ou de falta do que fazer. Para ele, a cerveja “nos deixa mais inteligentes”. — Pesquisadores de Illinois descobriram que, após ingerir algumas cervejas, os homens resolviam muito mais rápido um jogo de quebracabeças do que seus oponentes sóbrios. Porque hidrata igual água (e a gente não quer passar pelo sufoco dos sulistas com a crise da falta d’água). Porque diminui o risco

de ataques cardíacos e morte por doença cardiovascular em 25 a 40% (e o amazonense é volúvel, vive se apaixonando diariamente). De acordo com a pesquisa avaliada por Simão, a cerveja estimula o cérebro. Estudos têm demonstrado que uma cerveja diária pode manter o Alzheimer ou a demência controlada. “Isto é especialmente válido se você é um demente que nem eu e vive pensando em sexo 24 horas por dia”, ironiza o escritor. Boas goladas do “combustível da emoção” também aumentam a beleza feminina, apontam os pesquisadores de Illinois na pesquisa.


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Economia

Carnaval incrementa Escolas de samba, bailes e blocos contam com a mão de obra das profissionais na produção de fantasias e demais adereços da folia momesca SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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Carnaval gera oportunidades para muitas pessoas, entre elas as costureiras de fantasias e adereços. Nesta época, as profissionais que têm habilidades com corte, costura, bordado e customização podem até dobrar a renda mensal para atender as encomendas das prévias carnavalescas, os bailes e os desfiles de blocos e escolas de samba. A costureira Val da Silva, 44, revela que as escolas de samba do grupo B pagam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Já as do grupo especial de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil pela confecção de cada ala. Ela destaca que as agremiações fornecem todo o material e pagam somente pela mão de obra das profissionais. “Depende muito da situação financeira de cada escola. Tem umas que ainda ‘choram’ e pagam menos”, salienta. Produção Conforme Val, o pagamento só ocorre quando as fantasias são entregues, geralmente um dia antes ou até mesmo no próprio dia do desfile. Todavia,

segundo ela, o trabalho a mais no período de Carnaval vale a pena. “Eu trabalho o ano todo, principalmente em datas assim, de grande manifestação popular, mas o Carnaval é quando dá para ter uma renda melhor”, avalia. Este ano ela está costurando a ala das baianas de três escolas de samba do grupo B: Meninos Levados,MocidadeIndependente da Raiz e Grêmio Recreativo Escola de Samba Ipixuna. Ao todo, são 130 peças. Para atender a demanda, Val emprega aproximadamente cinco pessoas da família, entre elas a irmã, os filhos e o marido. “Quando chega nessa época, todo mundo trabalha, minha irmã nem vai para a casa dela, já dorme aqui mesmo”, comenta. A pequena empresária revela que chega a atingir quase 50% de incremento na renda. Conforme Val, ela só não ganha mais porque as despesas aumentam, mas a quantidade de fantasias que faz sempre são as mesmas. Além disso, há cinco anos ela trabalha prestando serviço para as agremiações e o valor pago por elas é o mesmo. Porém, Val ressalta que além das alas de escolas de samba também faz abadás de bandas e blocos de Carnaval de rua.

Pontualidade x compensações Iris Ângela da Silva, 40, costura desde os 17 anos de idade. Segundo ela, quando chega a época próximo ao Carnaval, os trabalhos se intensificam, sem hora para pegar e muito menos para largar o batente. “Já estamos na correria para deixar tudo pronto até o dia do desfile, embora muitas vezes as escolas atrasem a entrega do material ou, quando não, entregam tudo de uma vez. Temos que dar conta, porque senão quando chega no dia, não tem fantasia pronta e a culpa é

Fantasias geralmente são entregues às vésperas ou no dia dos desfiles das escolas, ocasião em que os pagamentos são realizados

da costureira”, brinca. Ela relata que nesse período do ano consegue ganhar 40% a mais que em outros períodos. Porém, os trabalhos mais que dobram no Carnaval. Conforme Iris Ângela, a cada ano a demanda aumenta, uma vez que novos trabalhos de escolas, blocos e bandas de Carnaval surgem. “Quando chega nesse período, ficamos sem tempo livre, até os filhos já sabem e entendem porque fico pouco em casa. Mas no final, o salário compensa”, declara.

Preparativos geralmente iniciam entre novembro e dezembro


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FOTOS: IONE MORENO

lucros de costureiras

Costureiras produzem uma média de 130 peças por ala e chegam a faturar em torno de 40% a mais durante o Carnaval

Diferenças entre fantasias também contam

Profissionais faturam, nesta época do ano, trabalhando para as escolas de samba

Os investimentos das escolas de samba na confecção de fantasias e adereços são altos. O carnavalesco e diretor de Carnaval da Grêmio Recreativo Escola de Samba Reino Unido da Liberdade, Antônio Wagner de Moura, conta que as escolas pagam de R$ 1 mil a R$ 2 mil por ala. A Reino

Unido, segundo ele, levará para a avenida 32 alas, cada uma com aproximadamente 80 componentes. Ele destaca que esse valor é somente para a confecção de fantasias, que engloba o serviço das costureiras, que é terceirizado, sendo que a parte das costas e da cabeça das fantasias dos brincantes

quem faz é a comunidade. “O preço depende muito do tipo de fantasia e costura, além da ala, por exemplo. Há diferença entre a ala das baianas e a da bateria”, enfatiza. Conforme Antônio, deixar para contratar costureira próximo ao Carnaval é complicado, visto que todas estão com muitos serviços,

além disso, não são todas as profissionais que sabem trabalhar com a confecção de fantasias. “Geralmente nós começamos a procurar costureiras em novembro. No final de dezembro já entregamos parte do tecido e o piloto das fantasias e elas começam a trabalhar”, informa.


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Economia

Cerveja ficará mais cara a partir do mês de maio No meio das incertezas, o comércio de bebidas não definiu ainda se repassará o reajuste para o consumidor final, num Estado que é considerado estratégico

JA CERVEÍV EL

COMBUST IA DA ALEGR SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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FATURAMENTO

Indicadores da Suframa apontam que de janeiro a novembro do ano passado o setor de bebidas do PIM faturou R$ 659,4 milhões, um crescimento de 21,57% se comparado a igual periodo de 2013 6,4%, o preço da bebida subiu 9,7%. O preço de refrigerantes e água mineral também aumentou bastante no período, subindo 8,8%. A reportagem tentou falar com o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral de Manaus, Luiz Cruz, responsável, segundo o presidente da entidade Antônio Silva, pelas informações desse segmento, mas ele não foi encontrado para debater sobre o assunto. Enquanto isso, as cervejarias da cidade estão apreensivas sobre o possível aumento. Um representante da cerve-

de cevada ao garçom que serve os produtos em um estabelecimento comercial. Dados do Anuário do setor cervejeiro lançado no segundo semestre do ano passado pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), revelam que a região Norte do Brasil conta com quatro fábricas e representa 2,7% no share na produção do mercado no país. Porém, não há dados regionais.

jaria Fellice, João Fernandes, disse que ainda não está definido se o aumento de tributos será repassado ao consumidor. Mas, conforme ele é provável que o preço do produto aumente a partir do momento que o reajuste começar a valer. Para ele, a medida impactará nas vendas. “Acredito que influenciará negativamente nas vendas, ainda mais nesse momento complicado da economia do país”, aponta. Estratégico A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), cuja presença é marcante no Polo Industrial de Manaus (PIM), informou por meio da assessoria de imprensa que o Amazonas é considerado um mercado estratégico para a empresa. Presente no Estado desde 1938, a companhia possui cinco fábricas na região e um centro de distribuição direta. “A filial Manaus concentra a produção de refrigerante e cerveja com capacidade de produzir três milhões de hectolitros de bebida por ano”, afirmar. Segundo a assessoria, com cinco linhas de produção, a unidade abastece os mercados do Amazonas, Roraima e parte do Pará e do Acre. A Companhia emprega aproximadamente 1046 funcionários entre diretos e indiretos, o que representa, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), quase 55 mil empregos gerados na cadeia produtiva, visto que para cada um emprego criado na indústria de bebidas, outros 52 postos de trabalho são gerados na cadeia produtiva, que engloba desde o cultivo XAXAXAXAXAX

ma das bebidas mais consumidas pelo amazonense, a cerveja ficará mais cara depois que entrar em vigor, no dia 1º de maio, a lei que aumenta impostos e altera o modelo de cobrança de tributos de bebidas frias (refrigerantes, cervejas, energéticos e isotônicos). As indústrias ainda calculam o impacto da mudança na carga tributária sobre os custos, mas os representantes adiantam que o reajuste para o consumidor será inevitável. Em outubro do ano passado, a Receita Federal informou que os novos multiplicadores usados para calcular os tributos sobre as bebidas frias teriam impacto mínimo sobre os preços finais dos produtos. Segundo o órgão, os preços subiriam no máximo 0,25% com o aumento da base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Na ocasião, a Receita anunciou que de todas as bebidas, o maior impacto seria sentido nas cervejas. O percentual corresponderá a 0,23% para

as garrafas retornáveis de vidro, 0,25% para a cerveja em lata e 0,22% para as garrafas descartáveis de vidro. Os representantes do setor declaram que o índice de reajuste para o consumidor só será constatado quando a medida estiver em vigor. A cerveja foi um dos produtos cujo preço mais aumentou em 2014, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a inflação acumulada no ano foi de

Mais de 3,2 milhões de empregos O setor de bebidas frias, o cervejeiro é um dos que mais empregam no Brasil, de acordo com dados da CervBrasil. Atualmente, em torno de 2,7 milhões de postos de trabalho – entre empregos diretos, indiretos e induzidos – estão ligados a esse mercado. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelam que para cada emprego gerado em uma fábrica de cerveja brasileira, pelo menos outros 52 postos de trabalho diretos e indiretos são criados na cadeia produtiva do setor cervejeiro. Para cada emprego gerado numa fábrica de cerveja, ao menos 52 nascem na cadeia produtiva

Conforme levantamento da CervBrasil, o número de postos de trabalho tem apresentado crescimento muito acima da média da indústria brasileira. De 2010 a 2014, o crescimento médio do número de empregos formais somente nas fábricas de cerveja do Brasil, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), foi de 5,4%, enquanto o índice geral da indústria mostrou aumento de 2,1%. Somente em 2013, o em-

prego nas cervejarias aumentou 7,7% e o índice da indústria geral foi de 1,1%. No geral, conforme dados do setor, atualmente, mais de 3,2 milhões de postos de trabalhos estão ligados ao segmento de bebidas frias, o que corresponde a empregar quase todos os habitantes da região metropolitana de Salvador, na Bahia. Esse setor gera R$ 33,4 bilhões em impostos por ano, além de contar com mais de 200 fábricas é responsável por 3% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) nacional.


DIVULGAÇÃO

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Setor responde por 2% do PIB No segundo semestre do ano passado, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) lançou o primeiro anuário do setor cervejeiro. O balanço trouxe dados inéditos sobre o segmento que gera 2,7 milhões de empregos na economia e responde por 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e também 15% da indústria de transformação. De acordo com o estudo, o setor é um dos mais relevantes da economia brasileira, com investimento de R$ 17 bilhões entre 2010 e 2013. A arrecadação do segmento de bebidas au-

mentou 104,5% em seis anos. Somente em 2013, segundo o Anuário, a aplicação do setor cervejeiro foi de R$ 4,3 bilhões. “Os investimentos mais que triplicaram nos últimos cinco anos, passando de R$ 2,2 bilhões em 2009 para R$ 7,4 bilhões em 2013. Neste período, as empresas de bebidas frias investiram R$ 30,8 bilhões”, informou a CervBrasil por meio da assessoria de imprensa. Ranking Em 2013, conforme o levantamento foi produzido no Brasil 14 bilhões de litros de cerveja e gerados R$

21 bilhões em impostos. O país ocupou o terceiro lugar no ranking mundial de produção, atrás apenas de China e Estados Unidos, segundo dados do Barth Haas Group. Com relação ao consumo per capita, o mercado brasileiro ainda tem um enorme potencial de crescimento, segundo o Anuário. O país está na 24ª posição mundial, com consumo de 68 litros por pessoa, em 2012. O ranking é liderado por República Tcheca (149 litros per capita), Áustria (108 litros) e Alemanha (106 litros), segundo levantamento da Kirin Beer University.

ARQUIVO EM TEMPO/ALEXANDRE FONSECA

De todas as bebidas frias, a cerveja sentirá o maior impacto, diz Receita

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Incentivado pela ZFM, a Ambev produz 3 milhões de hectolitros de cerveja e refrigerante por ano

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Mercado absorve modelo tributário

Uma das cervejas mais consumidas pelo amazonense, a Itaipava tenta instalar fábrica no AM

A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), informou por meio da assessoria de imprensa que considera positivo para o setor de bebidas frias o modelo tributário sancionado pela presidente Dilma Rouseff, no último dia 20 de janeiro, por meio da sanção da Lei 13.097/14. Para a entidade, o novo modelo traz melhorias e avanços, já que implica em simplificação do sistema tributário e, mais importante, garante previsibilidade dos negócios tanto para o governo quanto para o setor. “Haverá um impacto para o setor com aumento da arrecadação para o governo, mas que, em nome da previsibilidade do novo sistema tributário, poderá ser absorvido pelo mercado. Diante desse quadro, o

setor acredita na continuidade do ciclo virtuoso de aumento de investimentos, geração de empregos e do crescimento da arrecadação suportado na expansão da indústria”, frisa a CervBrasil em comunicado. O novo modelo aumenta a carga tributaria em 10% este ano. Pela nova regulamentação, a cobrança de PIS/Pasep será de 2,32% e a de Cofins, de 10,68%. O IPI será de 6% para as cervejas e de 4% para as outras bebidas. As alíquotas são fixas e vão incidir sobre o preço do produto ao sair da fábrica. Assim, itens mais caros pagarão mais imposto. Hoje, os tributos do setor são cobrados utilizando-se um cálculo que leva em conta o volume, a embalagem e o preço do produto. Até 2018, os percentuais

sobre os quais incidem as alíquotas subirão duas vezes por ano, em abril e outubro, até o limite de 53%. As alíquotas correspondem a 14% para PIS e Cofins de todas as bebidas frias, 10% para o IPI do refrigerante e 15% para o IPI da cerveja. De acordo com a portaria publicada no dia 1º de outubro, no Diário Oficial da União, os multiplicadores das garrafas PET, que estão no teto de 53%, não mudaram. O percentual passou 37,19% para 37,99% para os refrigerantes em garrafas de vidro e de 31,8% para 32,56% para o refrigerante em lata. Em relação às cervejas, o multiplicador passou de 37,14% para 37,89% (longneck), de 39,80% para 40,59% (cascos retornáveis) e de 42,55% para 43,3% (lata).


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País

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Profissão de vigia pode ser regulamentada no Senado B

rasília - Vigias de rua poderão ter a profissão regulamentada. O senador José Medeiros (PPS-MT) apresentou na última terça-feira – no retorno das atividades legislativas no Senado - projeto que beneficia cerca de 1,5 milhão de profissionais que exercem, desarmados, a guarda de condomínios ou ruas e o patrulhamento, a pé ou motorizado, de imóveis residenciais ou comerciais (PLS 12/2015). Geralmente os vigias autônomos são pagos pelos proprietários ou moradores da área abrangida pela vigilância. A intenção de Medeiros é tirar da informalidade os vigias não vinculados a empresas de segurança patrimonial, comercial ou bancária. Com o emprego formal, todos os vigias estarão abrangidos pela legislação trabalhista e previdenciária. De acordo com a proposta, eles precisarão ter mais de 18 anos, residência fixa, cadastro e registro em órgão oficial de segurança pública, treinamento específico em curso de habilitação em segurança privada, escolaridade correspondente

WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO

Projeto é do senador José Medeiros (PPS-MT). Objetivo é amparar na lei seguranças autônomos, de condomínios e de ruas ao ensino fundamental e aptidão física e psicológica atestada por instituição credenciada pelos órgãos de segurança pública. Outras exigências serão: não ter antecedentes criminais, estar em dia com as obrigações militares e eleitorais e não ser funcionário de órgão de segurança pública,

PROJETO

O projeto terá votação em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Caso seja aprovado sem recurso para ser analisado no plenário, seguirá para a Câmara dos Deputados a exemplo da polícia. Ao justificar sua proposta, José Medeiros disse que é preciso “organizar e valorizar essa classe de trabalhadores tão útil e operosa, já que a procura por esse tipo de serviço cresce cada vez mais, expressão do alto nível de insegurança verificado principalmente nos grandes centros urbanos”.

Autor do projeto, senador José Medeiros quer beneficiar mais de 1,5 milhão de profissionais que exercem desarmados a função

SUDESTE

Hidrelétricas terão fevereiro em baixa São Paulo (Reuters) - O nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste do país deverá fechar fevereiro em cerca de 19,4%, segundo revisão, na última sexta-feira, de projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que esperava na semana passada que o nível dessas represas fechasse em cerca de 20,1% de armazenamento. A região Sudeste concentra 70% dos reservatórios das hidrelétricas do país e é a principal consumidora de energia. As chuvas nessa área têm ficado muito abaixo da média desde o início do período úmido, em outubro/novembro do ano passado, e não há certeza de que melhorará até o fim da época que deveria ser chuvosa, que vai até abril. Houve redução de 1 ponto percentual na expectativa do ONS para as chuvas que deverão chegar às represas do Sudes-

te em fevereiro para geração de energia, em relação ao que havia sido previsto no fim de janeiro. As afluências deverão ser de 51% da média histórica para o período, sem indicar reversão do cenário de seca que atinge essa e outras regiões na época em que os reservatórios deveriam encher. Atualmente, o nível das represas do Sudeste está a 16,58%, bem inferior ao registrado antes do racionamento de 2001, quando estavam acima dos 30%. Já o consumo de carga de energia elétrica no sistema nacional deve cair em 2,2% em fevereiro, na comparação com mesmo mês de 2014, queda maior que a esperada inicialmente, em -0,7%. O governo federal já admitiu que estuda medidas de eficiência energética com o objetivo de reduzir o consumo de energia. O baixo nível das represas do

país leva diversas regiões a fazerem racionamento de água e, no setor elétrico, especialistas dizem que o incentivo à redução ao consumo já deveria ter iniciado e que as probabilidades de haver necessidade de racionamento neste ano já ultrapassam 50%. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) elevou, na semana passada, o risco de haver déficit de energia no Sudeste neste ano a um nível acima do considerado tolerável no sistema, a 6,1%, considerando todas as térmicas em funcionamento. Diante do cenário desfavorável o Custo Marginal de Operação (CMO) do sistema elétrico, que é o custo para produção de cada unidade adicional de energia, subiu a R$ 2.158,57 por megawatthora (MWh) no Sudeste/CentroOeste e Sul, para a próxima semana, ante R$ 1.916,92, na semana em vigor.


País

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Congresso debate crise hídrica que assola o país ZECA RIBEIRO/CÂMARA

Deputados e especialistas defendem melhoria da gestão do armazenamento de água e incentivos ao consumo consciente

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (no centro na mesa) já anunciou que o plenário vai realizar uma comissão geral para debater as crises hídricas e energéticas que o Brasil vem enfrentando

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rasília - O Brasil detém 12% de toda a água doce do planeta e abriga grandes bacias hidrográficas, como as dos rios São Francisco, Paraná e Amazonas, a maior do mundo. No entanto, o grande volume hídrico está concentrado na Região Norte, exatamente a menos habitada. Por sua vez, o semiárido e o sertão nordestino sempre estiveram associados aos cenários tórridos da seca que castigam a população. Nos últimos anos, porém, alterações no regime de chuva levaram as regiões mais populosas do Brasil, sobretudo a Sudeste, a também conviver com o drama da seca. Em São Paulo, por exemplo, que enfrenta grave problema de abastecimento no Sistema Cantareira, a chuva até que apareceu com força no início do ano, mas caiu longe dos reservatórios: desabou em cima da cidade impermeabilizada pelo asfalto e pelo concreto dos arranha-céus. Professor de engenharia civil e ambiental da Universidade de Brasília (UnB), Demétrius Christofidis critica a atual gerência dos sistemas de armazenamento de água pela falta de planejamento de médio e longo prazos. “Esses projetos foram feitos há muitos anos e são baseados em médias históricas de observações. Na fase que antecede o sinal amarelo, já deveriam ter feito estudos revisando essa situação”, diz. O próprio governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, admitiu que o Estado mais rico do país convive com racionamento: “Quando a ANA (Agência Nacional de Águas) determina que você tem de reduzir de 33 para 17 metros cúbicos por segundo a captação de água no Cantareira, é óbvio que você já está em restrição”. Dados da ANA indicam que 55% dos municípios brasileiros podem sofrer deficit de abastecimento em 2015. O alerta foi feito em audiência pública reali-

zada na Câmara dos Deputados no final do ano passado. Diante da gravidade do quadro, o deputado federal Sarney Filho (PV-MA) quer que a Câmara mantenha um comitê ou um grupo de trabalho permanentemente focado no acompanhamento das medidas que procuram combater ou, pelo menos, amenizar os efeitos da crise. “Tenho certeza de que essa é uma discussão que vai se prolongar porque os resultados das mudanças climáticas estão aparecendo cada vez mais. E isso vai ter repercussão aqui dentro do Congresso”, comenta o parlamentar. O novo presidente da Câmara

SECA

Mesmo com todas as negativas do governador de SP, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), de que o Estado estaria passando por uma seca e poderia racionar água, hoje ele já admite a crise hídrica na região

dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já anunciou que o plenário vai realizar, em breve, uma comissão geral para debater as crises hídrica e energética no país. A busca de soluções para a falta de água também mobilizou algumas comissões da casa no ano passado. Entre as sugestões apresentadas por deputados e especialistas estão: a melhoria da gestão da água; a conscientização sobre o desperdício; e o incentivo ao reflorestamento. O professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Antônio Venturi é um dos defendem mais planejamento no uso dos recursos hídricos. “A água existe e deve ser gerida de forma

eficiente. Há países com muito menos água do que o Brasil em que não há racionamento nem outro tipo de problema.”, destaca. “Mesmo em áreas semiáridas, como no Nordeste, é possível garantir água para todo mundo”, completa. Na opinião de Demétrius Christofidis, outro foco de atuação deve ser a prevenção de desperdício no trajeto da água entre os reservatórios e a casa do consumidor. Conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, gerido pelo Ministério das Cidades, a perda média de água no trajeto entre os reservatórios e a torneira da população foi de 37% em 2013. O recorde ocorreu no Amapá, com perda de 76%. Consumo consciente Para conter o desperdício do usuário, a Agência Nacional de Águas propõe sobretaxas para o consumo elevado, como já é feito em alguns Estados, como São Paulo. “Quem consome acima das quantidades médias recomendadas deve ter algum tipo de sanção para que se ajuste ao atual momento de crise”, defende o superintendente de usos múltiplos das águas da ANA, Joaquim Gondim. Em vez de sobretaxa ou punição para o alto consumo, Christofidis, por sua vez, sugere premiação para quem economiza água. Mananciais A preservação dos mananciais é outra necessidade que deve unir ações de governos e da população, conforme Geraldo Boaventura, professor do Instituto de Geociências da UnB. “Temos de preservar as áreas de recarga, responsáveis pelas nascentes e pelo ciclo da água na superfície e da água subterrânea”, diz. “Mesmo que voltemos a ter um período normal de chuva, vamos ter de continuar com os programas de educação ambiental”, complementa.

Estados da região Sudeste, como São Paulo, são os que mais estão sofrendo com a estiagem


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Mundo

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EI vende, crucifica e enterra

crianças vivas no Iraque G

enebra (Reuters) - Militantes do Estado Islâmico estão vendendo crianças iraquianas sequestradas em mercados como escravos sexuais e matando outras, inclusive crucificando e enterrando vivas, denunciou uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) na última quarta-feira. Meninos iraquianos menores de 18 anos estão sendo cada vez mais usados pelo grupo radical como homens-bomba, fabricantes de bomba, informantes ou escudos humanos para proteger instalações contra ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos, afirmou o Comitê das Nações Unidas para os Direitos da Criança. “Realmente estamos profundamente preocupados com a tortura e o assassinato destas crianças, especialmente daquelas que pertencem a minorias, mas não só das minorias”, disse Renate Winter, especialista do comitê, em boletim à imprensa. “A abrangência do problema é enorme”. Crianças da seita yazidi ou de comunidades cristãs, mas também xiitas e sunitas, têm sido vítimas, disse a especialista. “Temos tido relatos de crian-

ças, especialmente crianças com problemas mentais, que foram usadas como homensbomba, muito provavelmente sem sequer entender a situação”, declarou Winter à Reuters. “Foi publicado um vídeo (na Internet) que mostrava crianças de muito pouca idade, aproximadamente 8 anos ou mais novas, já sendo treinadas

INFANTICÍDIO

A perversidade praticada com as crianças do Iraque e do Oriente em geral passou de todos os limites. As autoridades têm que impor sanções e penalidades drásticas para conter esse infanticídio para serem soldados”. O Estado Islâmico é uma dissidência da Al Qaeda que declarou um califado islâmico em partes da Síria e do Iraque em meados do ano passado e já matou e expulsou de casa milhares de pessoas. No último dia 3, o grupo divulgou um vídeo que mostra um piloto jordaniano capturado sendo queimado vivo.

O organismo da ONU denunciou “a matança sistemática de crianças pertencentes a minorias religiosas e étnicas cometida pelo assim chamado Estado Islâmico, incluindo vários casos de execuções coletivas de meninos, assim como relatos de crianças decapitadas, crucificadas e enterradas vivas”. Um grande número de crianças foi morto ou ficou seriamente ferido durante ataques aéreos ou bombardeios das forças de seguranças iraquianas, e outras morreram de “desidratação, inanição e calor”, afirma a entidade. O Estado Islâmico cometeu “violência sexual sistemática”, inclusive “o sequestro e a escravização sexual de crianças”. “Crianças de minorias têm sido capturadas em vários lugares... vendidas no mercado com etiquetas, etiquetas de preço nelas, foram vendidas como escravas”, disse Winter. Os 18 especialistas independentes que elaboraram o relatório pediram às autoridades iraquianas que adotem todas as medidas necessárias para “resgatar as crianças” sob controle do grupo militante e processar os perpetradores dos crimes.

REPRODUÇÃO

Denúncia foi feita na semana passada pela ONU. Radicais sequestram esses menores e os treinam para serem homens-bombas

Mês passado, o Estado Islâmico divulgou um vídeo em que uma criança executa dois espiões


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diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

Boas ideias na luta contra o preconceito

Dois estudantes africanos trouxeram na bagagem a vontade de mostrar uma África ainda desconhecida LÍDIA FERREIRA Equipe EM TEMPO

E

les são dois jovens como muitos pelo mundo - sorridentes, cheios de garra e ideias na cabeça. Uma delas é desejo de muitas pessoas: estudar fora do seu país, conhecer um novo idioma e uma cultura diferente. Os africanos Fenou Gbohounon e Leonilde Manosse Semadi Zanou vieram cursar faculdade em Manaus e, além da vida acadêmica, resolveram fazer valer a experiência de intercâmbio cultural, criando um projeto para divulgar a cultura deles e afastar o preconceito. A língua portuguesa foi o primeiro desafio para os estudantes, que aprenderam tudo com a vivência cotidiana na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Mas o grande obstáculo mesmo foi o preconceito, não apenas o racial, mas principalmente o cultural. “As pessoas acham que a África é só miséria, pobreza e tristeza. Não é assim. Temos nossa dança, temos saúde, alegria, culinária, esporte e outros. Temos 54 países, há muita coisa diferente para se conhecer”, disse Leonilde Manosse. Para reverter essa situação, eles

criaram uma espécie de projeto informal, onde fazem palestras, mesas redondas e workshops sobre a cultura africana. O objetivo principal é “mostrar o lado invisível da África que as mídias escondem”, contam. Para quem vai assistir, o primeiro impacto é a vestimenta: eles se apresentam com roupas típicas, feitas de tecidos coloridos e brilhosos. “Apesar de todos os problemas, somos um povo alegre. Temos a nossa música, dança, poesia, teatro e nossa culinária que mostram isso”, conta Manosse. Durante os encontros, eles fazem apresentações artísticas, desfile de moda, apresentam vídeos, coreografias e realizam debates. “A cultura brasileira tem muito da nossa cultura. Eu nem sofri com a comida aqui porque a gente já come feijão e feijoada lá, além de muito peixe”, brinca Fenou Gbohounon. Naturais do Benin, Leonilde e Fenou ingressaram como universitários na Ufam por meio Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PECG), que é instrumento de cooperação educacional entre governos e países da América Latina e África. Aproximadamente 30 alunos africanos participam desse projeto. “Vim para cá pois o curso que eu queria fazer não tinha no meu país. Poderia ter ido para França

ou Canadá, mas o Brasil era mais barato, além disso, eu queria aprender o português, pois já falo inglês e francês”, conta Leonilde. Preconceito racial Finalista do curso de design, Leonilde Manosse Semadi Zanou vai completar, em 2015, quatro anos

Eu sofri muito, fiquei perturbado. As pessoas não queriam sentar ao meu lado no ônibus e no restaurante. Até na sala de aula era difícil Fenou Gbohnounon, estudante de Benin, África

morando em Manaus. Já Fenou Gbohounon chegou há um ano para cursar arquivologia na Ufam. Para o recém-morador de Manaus, o começo foi quase traumático. “Eu sofri muito, fiquei perturbado. As pessoas não queriam sentar ao meu lado no ônibus e no restaurante. Até

A professora Neice Pereira entre os dois estudantes de Benin: iniciativa para eliminar preconceitos

IONE MORENO

Dia a dia C4-C5

na sala de aula era difícil. Eu fui conversando, ensinando e agora tenho muitos amigos. Por isso tivemos essa ideia de divulgar nossa cultura para quebrar isso”, conta. A professora Neice de Sena Pereira, integrante da Assessoria da Diversidade, projeto da Secretaria Municipal de Educação (Semed) coordenado pela professora Lídia Helena, explica que o conhecimento é o único caminho para vencer a barreira do preconceito. “Estamos dando apoio a eles para que levem essas palestras para escolas, empresas e qualquer lugar para que as pessoas queiram mudar a ideia de que a África só tem coisa negativa”, disse. Ela ressalta que foi aprovada a lei 10.639, relacionada à afroeducação, que irá levar para as escolas o estudo da história, cultura africana e afrobrasileira. “O preconceito ainda é muito visível. Agora os livros vão contar uma outra história, que não era contada. Isso é muito importante, pois é nada mais que a raiz da nossa cultura brasileira”, ressalta. Para os interessados em entrar em contato com Fenou e Leonilde, os contatos podem ser feitos pelos e-mails moraydy@gmail. com e leolion0991@live.com, além dos celulares 98145-0781, 99429-5587 e 98199-2226.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Caderno C

Dia a dia

Memória cada vez mais ameaçada


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Dia a dia

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Centro de reabilitação já atendeu 550 internos E

que nossos pacientes, em geral, apresentam um elevado grau de vulnerabilidade biopsicossocial. Por isso nossa equipe multidisciplinar trabalha de forma individual cada caso, conforme o plano terapêutico”, disse o diretor do centro de reabilitação, o médico psiquiatra Pablo Gnuztmann. Primeiro do Brasil com a política de redução de danos, o centro de reabilitação, gerenciado pelo Instituto Novos Caminhos, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), está localizado no km 53 da rodovia AM-010 (ManausItacoatiara), no município de Rio Preto da Eva. “Existem no Brasil comunidades terapêuticas em que é feita a total abstinência da droga. Fazemos esse trabalho, mas também trabalhamos com a política da redução de danos, determinada pelo Ministério da Saúde, em que mostramos aos usuários os malefícios do uso exagerado de qualquer tipo de droga, seja lícita ou ilícita”, afirma a coordenadora de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas da Susam, Lourdes Siqueira.

Acompanhamento feito por profissionais tem papel importante no trabalho de recuperação dos internos do centro de recuperação DIVULGAÇÃO

m nove meses de funcionamento, o Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz já atendeu 550 dependentes químicos com alto índice de consumo de álcool e outras drogas. Os internos participam de cursos terapêuticos e profissionalizantes que otimizam o tratamento e lhes oferecem uma nova vida após o tratamento. Ao chegar ao Centro de Reabilitação, o residente passa por uma série de avaliações com uma equipe multiprofissional do centro de reabilitação formada por um médico psiquiatra, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social e técnico de enfermagem. O centro de reabilitação atende homens, mulheres e adolescentes adoecidos pelo consumo excessivo de álcool e outras drogas. Cada residente fica em tratamento por um período de 90 dias. Este prazo pode ser prorrogado por até 120 dias, caso seja necessário. “O serviço oferecido pelo centro de reabilitação a dependentes químicos prima pela inclusão social e cuidados da saúde do paciente. Identificamos

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Em nove meses de funcionamento, CR Ismael Abdel Aziz auxiliou na recuperação de dependentes químicos de diversas idades

Local de tratamento intensivo Com estrutura de cinco mil metros quadrados de área construída, o centro de reabilitação atende pacientes da capital e do interior do Amazonas, e conta com quadra poliesportiva, salas de aula, refeitório, enfermaria, quatro alojamentos divididos entre masculino, feminino e para adolescentes, além de salas de TV e cinema climatizadas.

Atividades de aprendizado profissional também auxiliam no processo de recuperação

Porta de entrada Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), municipais e estaduais, e policlínicas são as portas de entrada para pacientes com alto grau de consumo de álcool e outras drogas ao centro de reabilitação. “Os pacientes encaminhados ao centro de reabilitação são aqueles nos quais a Rede Psicossocial identificou a necessidade de permanência em um ambiente de tratamento intensivo.

Não é qualquer caso de consumo de drogas que necessita de internação. Felizmente, na maior parte dos caso, o tratamento nos Caps tem se mostrado muito eficaz”,

INÍCIO

Os Centros de Atenção Psicossocial, municipais e estaduais, e policlínicas são as portas de entrada para pacientes com alto grau de consumo de álcool e outras drogas ao centro de reabilitação ressaltou o diretor do Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz, médico psiquiatra Pablo Gnuztmann. Depois de cumprir os 90 dias de tratamento no centro de reabilitação, os pacientes retornam ao Caps

de sua origem e assim continuam o processo de recuperação, que envolve, agora, seus familiares. Futuro A unidade oferece a cada residente a oportunidade de mudar de vida por meio de cursos profissionalizantes. Dentre os cursos oferecidos pelo centro de reabilitação estão o de informática, artesanato, biojóias, corte e costura, cabeleireiro, panificação e confeitaria, entre outros. O residente tem ainda oportunidade de concluir seus estudos no período em que estiver em tratamento. Uma parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas (Seduc) garante aos internos fazerem a prova de conclusão dos estudos referentes ao ensino fundamental e médio.


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Carnaval, alegria, cerveja e muita ressaca na folia!

FOTOS: REPRODUÇÃO

Se o consumo de cerveja no Amazonas é alto, o amazonense deve se precaver para evitar a “rebordosa” após as folias

CERVEJA L

E COMBUSTÍVIA DA ALEGR

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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m copo (250 mililitros) para mulheres e o dobro para os homens. Esta é a quantidade indicada de consumo diário de cerveja pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). Contudo, dependendo da ocasião, há quem abuse das doses e ultrapasse em até 50 vezes o aconselhado, ignorando os problemas de saúde acarretados pelo alto consumo de álcool. Na temporada de folias, então, o consumo explode sem controle. As “receitas para ressaca” são a desculpa para “liberar geral”. Uma xícara de café com leite e muitos copos com água são o segredo do técnico de instrumentação Jean Carlos Teixeira, 33, para curar a ressaca. “Antes eu era barman e bebia de segunda a segunda. Para curar minha ressaca, a primeira coisa que eu tomava era somente um copo de café com leite e açúcar. Isso e bastante líquido, água e suco o dia inteiro. Coca-Cola não curava minha ressaca”, disse. A receita abreviava as dores de cabeça e o enjoo decorrente da mistura de bebidas da noite anterior. “O resultado era pior quando misturava uísque, cerveja, caipirinha, cachaça, vodca, o que tivesse eu tomava. Tomando bastante líquido no dia seguinte, às vezes, a ressaca acabava cedo, dava fome e eu conseguia almoçar”, afirmou Nas noites de festa, ele chegou a beber mais de 50 latinhas de cerveja. “Sempre estava comemorando alguma coisa que não sabia. Bebia para fica bêbado mesmo”, revelou. Há aproximadamente dois anos, o técnico restringiu o consumo de álcool somente aos fins de semana. “Estou mais preocupado com a saúde e deixei de beber todos os dias, agora só no final de semana”, afirmou.

Para curar a ressaca, outros substituem o tradicional café da manhã por comida ou refrigerante. “Funciona tomar um prato de sopa logo pela manhã, porque ajuda muito. Quando não tenho como tomar sopa, tomo bastante CocaCola, que ajuda, mas sopa é melhor”, disse o comerciante Valdir Pinto, 45. Há também aqueles que procuram agir antes para evitar qualquer sintoma. Intercalar as latinhas de cerveja com proteína é o segredo do funcionário público Osimar Marques, 55. “Sempre que vou beber, fico beliscando um churrasquinho ou faço um peixe assado. Nunca fico somente na cerveja porque sei que no outro dia a ressaca vem com tudo”, disse. Para manter o

Excesso vira grande armadilha “Por ser lícita, há uma grande permissividade e tolerância com o uso do álcool. Só se começa a ver consequências quando o uso é feito de forma abusiva ou quando vira dependência química”, denunciou. Não enxergar os perigos que o consumo do álcool representa é uma das grandes armadilhas da sociedade. “Quando falam em droga, muitos não conseguem compreender o álcool ou o cigarro como droga. A permissividade é muito grande. Vejo mães que dizem que os filhos não usam drogas, mas todo o fim de semana

ele chega em casa em estado de embriaguez a ponto de vomitar, ir ao hospital tomar glicose, e a sociedade ri disto. Isto é um uso abusivo de droga, que às vezes ocorre por muitos anos com permissividade e ninguém enxerga”, afirmou. Ele apontou que em nossa sociedade o consumo de bebidas alcoólicas é inserido cada vez mais cedo na dieta dos jovens. Muitas vezes, estimulado pelos próprios pais. “Ainda tem a prática do pai ‘melar’ na cerveja a chupeta, entregar para a criança e rir da situação. Tudo por

conta da permissividade do álcool, relacionado à pouca informação”, disse. A conscientização das famílias e da juventude sobre os efeitos do álcool pode trazer maior resultado que ações repressivas. “As coisas precisam estar mais claras, álcool é droga. Por mais que o país tenha leis para não vincular propagandas até determinado horário que estimulem o consumo do álcool. E as propagandas são sempre ligadas ao prazer, com pessoas bonitas e glamour, o que estimula o uso”, afirmou.

DICAS

Uma xícara de leite com café, muitos copos de água, intercalar a bebida com alimentos fontes de proteína, sopas e Coca-Cola são algumas das dicas dos foliões para “segurar a onda” no carnaval “ritual”, ele acostumou-se a beber nos fins de semana e sempre em casa ou na casa de algum amigo ou familiar. Problemas Para o especialista em dependência química da Gerência de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Sáude (Semsa), Jailson Barbosa, a falta de conhecimento e permissividade da sociedade quanto ao álcool faz dele uma substância tão ou mais nociva que outras drogas alucinógenas. “Das drogas lícitas, o álcool é a mais consumida do mundo. Ele se pulveriza no organismo todo e traz graves consequências, podendo até matar”, afirma.

Dores de cabeça, enjoo, falta de apetite: sintomas que às vezes não conseguem ser evitados

‘Questão do consumo é individual’ O especialista explica que não é possível mensurar um consumo que não represente risco. A questão do consumo é individual e as consequências podem variar de organismo para organismo. “Existe a droga, o consumo e a consequência. Esta relação é muito individual. Tem pessoas que se relacionam e tem consequências menores que outras”, analisou. Barbosa explicou que o relacionamento com a bebida e a diminuição das consequências envolve a Política Nacional de Redução de Danos. “A pessoa tem que ter clareza do que está consumindo, que vai ter consequências tanto para o organismo quanto para a vida social, e como reduzir os riscos”, afirmou. Uma maneira de reduzir os efeitos do álcool é estimular o consumo de água durante a ingestão de bebidas alcoólicas. “Em todo lugar que vende vinho, junto à taça de vinho há uma taça de água, justamente para que seja degustado da forma mais prazerosa, sem tanta consequência orgânica. Baseado nisso, uma vereadora de São Paulo propôs que todas as boates tivessem água para frequentadores beber gratuitamente”, informou.


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Dia a dia

Memórias so Mesmo tombados, imóveis antigos particulares do centro histórico continuam sendo descaracterizados. Falta conhecimento e incentivo para estimular os moradores a mantê-los preservados em suas características originais IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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amuflados entre edifícios modernos, eles mostram resistência e são o testemunho do apogeu econômico da áurea Belle Époque. Contudo, apesar do tombamento em 2010 do Centro Histórico de Manaus pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), muitos dos imóveis centenários tem tido seus projeto originais modificados, levando consigo memórias de nossa história. Às vésperas da restauração de três praças e da área no entorno do mercado Adolpho Lisboa - orçada em aproximadamente R$ 15,9 milhões, já repassados por meio do programa “PAC Cidades Históricas” - a preocupação é quanto ao futuro dos imóveis particulares. De acordo com a superintendente substituta do Iphan/AM, Heloiza Araújo, foram tombados cerca de 2 mil imóveis no centro histórico. Para ela, reconhecer a importância histórica do patrimônio é uma forma de preservar a história de um povo. “Creio que os moradores precisam conhecer o seu patrimônio para poder preservá-lo. Proteger um bem cultural significa impedir que ele desapareça, mantendo-o preservado para as gerações futuras. Existem leis federais, estaduais e municipais que atuam como instru-

mentos legais de proteção do patrimônio cultural do Brasil”, apontou. A notificação do tombamento foi publicada no Diário Oficial da União nº 222, seção 3, em 22 de novembro de 2010. “Trata-se de um tombamento em conjunto. O Iphan/AM ainda está executando o inventário desses imóveis”, afirmou Araújo. Ela lembrou que estão tombados o Teatro Amazonas,

PANORAMA

De acordo com a superintendente substituta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Naconal, Heloiza Araújo, foram tombados cerca de 2 mil imóveis no centro histórico o Reservatório do Mocó, o mercado Adolpho Lisboa, o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Porto de Manaus e o Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões. Após o processo, os imóveis não podem receber alterações em seus projetos originais. “Os imóveis tombados devem manter seus valores históricos e culturais preservados, adaptando o antigo à vida moderna sem descaracterizar as ruas, edificações e a paisagem”, explicou. Ela acrescentou ainda que qualquer intervenção deve

ser feita com o auxílio de um profissional capacitado em restauração e conservação de imóveis tombados, para que as intervenções nas edificações mantenham suas características originais, evitando sua descaracterização. “Os bens móveis e imóveis tombados não poderão ser destruídos ou mutilados, nem reparados, pintados ou restaurados sem a prévia autorização do Iphan, e estão sujeitos à vigilância permanente do instituto, que poderá inspecioná-los sempre que for julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar obstáculos à inspeção”, ressaltou. Araújo explicou que a atuação do órgão se insere na proteção da área tombada e de seu entorno. Quaisquer tipos de incentivos financeiros ou de qualquer outra natureza, para que os proprietários realizem a manutenção do imóvel sem danificar o projeto, podem ser oferecidos por meio de programas vinculados a administração nas três esferas. “Alguns municípios oferecem desconto de IPTU para bens tombados que forem mantidos em bom estado de conservação. Existem vários programas de governo que incentivam a manutenção dos imóveis reconhecidos como patrimônio nacional, estadual ou municipal. No caso de bens tombados, é necessária a manutenção de suas características originais”, informou.

Uma nova paixão descoberta Após retornar ao traçado original, o imóvel tornou mais que um ambiente de trabalho, e despertou uma nova paixão na vida do empresário. “Eu sou apaixonado por isso, se tivesse condições teria comprado outro. E, não vendo. Meu vizinho tentou comprar, já insistiu, mas não vendo”, revelou. Sensível ao reconhecer a importância de se preservar retratos da história, ele defende que deveria haver maior incentivo aos proprietários de imóveis centenários. “De certeza, se houvesse apoio os proprietários teriam mais incentivos. A Joaquim Nabuco, por exemplo, esta decadente

com os imóveis antigos abandonados. Deveriam valorizar mais”, apontou Pedro Albuquerque. Na época em que a restauração no imóvel dele ocorria, muitas fiscalizações foram feitas. “Se existe (alguma vantagem em ter o imóvel tombado) eu desconheço, não tive nenhum privilégio desse. Na época foi o contrário, tive fiscalizações em cima de fiscalizações. O IPTU vem normal, não tem incentivo, hoje em dia eles proíbem mexer. Antigamente, essas casas daqui até o hotel eram todas iguais, casas de portugueses. Mas, a maioria já teve a fachada alterada”, lamentou.

Pedro Albuquerque e seu imóvel recém-restaurado: paixão


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FOTOS: IONE MORENO

b ameaça

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O que pode ser tombado? A superintendente substituta Heloiza Araújo explicou que podem ser tombados bens móveis e imóveis, de interesse cultural ou ambiental. Entende-se por bens móveis as coleções arqueológicas, os acervos museológicos, documentais, bibliográficos, artísticos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos. Já os bens imóveis são as edificações, os sítios arqueológicos e paisagísticos, os núcleos urbanos e bens

individuais. “O tombamento é aplicado aos bens materiais de interesse para a preservação da memória coletiva. A preservação desses bens, por meio do tombamento, significa o reconhecimento oficial do seu valor e do seu significado para a compreensão da história e da identidade de uma comunidade, de uma região, de um povo, de uma nação e, por vezes, da Humanidade (Patrimônio Mundial)”, explicou.

Imóvel volta à antiga forma

Imóveis antigos ainda resistem no Centro

Recuperação de imóveis históricos particulares é desafio

Despesas altas para reformar As despesas na manutenção do telhado e das paredes representam uma baixa no orçamento do empresário Carlos Henrique Dewnani, 35. Desde 1987, sua família possui um imóvel antigo na avenida Getúlio Vargas, no Centro. Como os modelos de telhas não são mais vendidos, ele utiliza certas táticas para manter o telhado antigo e não mexer nas peças originais da casa. “Fazer manutenção no telhado é caro, tem muita dificuldade. Tiramos uma telha daqui, colocamos para cá... para trocar uma tem que trocar o telhado todo, é muito antigo”, revelou. Já para reformar as paredes, o investimento somente com pintura externa fica em torno de R$ 4 mil. “Gasta porque esse tipo de parede não é daquele tipo normal com cimento. Ela leva um barro e, para pintar, tem que passar massa. Com o tempo dá problema de tufar, por causa da umidade. Pode pintar que não vai durar. Numa casa com reboco de cimento dura mais”, analisou. O imóvel é utilizado pela família como restaurante. Por fora, a estrutura continua intacta, seguindo o traçado original. Mas, por dentro, piso

e forros foram trocados e não há mais divisórias, o que faz do espaço um grande salão. “Até então está do mesmo jeito como compramos. Mudamos somente o piso e colocamos gesso. Antes o teto era mais em cima, o gesso foi colocado desde 1987 quando meu pai veio para cá. Já não tinha divisão, era um salão aberto”, disse. Ele explicou que durante o processo de tombamento do Centro Histórico, a casa foi visitada pelos funcionários do Iphan/AM. “Só vieram tirar fotos, faz tempo”, afirmou. Contudo, segundo o empresário, a visita não esclareceu se poderia haver mudanças ou não. “Soubemos que não poderia alterar pelo jornal que na época falou dos prédios antigos e do tombamento. No salão onde corto cabelo, foi quebrada uma parede e eles pediram para refazer. Não pode mudar nada (da estrutura da casa), aqui mesmo mandaram tirar toldo da fachada”, disse. O empresário explicou que não recebe quaisquer incentivos para manter a estrutura original do imóvel.“Que eu saiba não tem vantagem, não que tivessem informado pra gente, nem desconto no IPTU”, analisou.

Na mesma avenida, um imóvel chama atenção pela preservação do traçado original. Do lado de fora, as imensas janelas de madeira maciça e vidraça colorida, casam com a porta da mesma forma imponente. Mas, nem sempre foi assim. Há aproximadamente 15 anos, quando o empresário Pedro Albuquerque, 61, tornou-se o novo proprietário, o espaço se confundia facilmente com outros estabelecimentos comerciais com suas portas de enrolar em ferro. A arquitetura original estava completamente descaracterizada, tanto por fora quanto no interior, e os problemas de infiltração do teto compunham o cenário de abandono. “Na fachada não

existiam as janelas nem nas laterais, eles fecharam dois vãos e abriram duas portas de ferro de correr na frente e na lateral. Na frente também tinha uma escada, porque aqui já tinha sido comércio, drogaria e dentro tinha uma laje que não permitia ver os vãos originais”, explicou o proprietário. Além de tapar as janelas, os proprietários antigos tinham também construído uma laje e apesar de “poupado” o chão de taco, ele padecia sem conservação. A idéia era somente reformar o local, para fazer dele a sede da agência de viagens, mas uma descoberta inusitada forçou uma mudança de planos. “Derrubamos a laje, o arquiteto

acompanhou tudo. Como a parede é larga, apareceu a marca por dentro,do molde dos arcos (originais) e resolvemos restaurar. O objetivo inicial não era esse, era só fazer uma reforma. O meu arquiteto ficou muito empolgadoquando viu como era, ai me convenceu. Ele é muito apaixonado por isso. Ai voltamos o que era, inclusive altura das portas, tiramos a laje e voltamos como era no início”, afirmou. A restauração começou em 2000 e finalizou dois anos depois. Em uma visita, Pedro se lembra de cada detalhe antes da restauração. “Fui fazendo aos poucos, coloquei um piso da Portobelo, projetado. Os caibros estavam na maioria podre, e troquei”, disse.


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Garantido promove ‘festa de todas as tribos’ dia 17 A

coordenação da torcida organizada do Boi Garantido, Comando Garantido Manaus (CG), realiza na Terça-Feira Gorda de Carnaval (17), no Centro de Convivência do Idoso de Aparecida, o seu “Dabacuri, o encontro de todas as tribos”. A programação tem como objetivo arrecadar recursos financeiros para o deslocamento dos mais de 150 integrantes para contribuir com o Garantido no Festival Folclórico de Parintins em 2015. O evento “Dabacuri” tem início marcado para as 15h e término previsto para as 23h. Para deleite e disposição dos foliões, será preparada uma praça de alimentação servindo diversos caldos regionais. “Esperamos um público alegre e disposto a cair na folia, preparamos uma programação para cima, bem ao gosto do torcedor do Garantido”, disse a assessora de Eventos do Garantido, Lydia Lúcia. A praça de alimentação será montada para venda de caldo verde, caldo de piranha, caldo de tucunaré e todos os legítimos representantes da culinária amazonense. “Para os registros da noite, as selfies, será

montado um espaço lúdico com bandeiras e adereços usados pela Galera do Garantido no Bumbódromo de Parintins”, acrescentou Paulo Silveira, coordenador do CG Manaus. Para o “Dabacuri, o encontro de todas as tribos”, os tururis estão sendo vendidos antecipadamente na CFC Confiança (avenida Mário Ypirgana, em frente à Semed) e virtualmente, pela fan page do comando no Facebook, segundo o coordenador André Siqueira. De acordo com Lydia Lucia, na quadra carnavalesca a diversidade cultural se torna muito mais evidente, e com a real possibilidade de “ajuntamento” de todas as tribos, atuantes no cenário musical de Manaus, “tudo junto e misturado em plena harmonia que o Dabacuri ganha força”. Dabacuri é o ritual que celebra a fartura e a união de diferentes povos indígenas da região do Alto rio Negro, extremo norte do Amazonas. Uma tradição milenar da vida social das tribos da família linguística Tukano. “Nele, a tribo anfitriã recebe visitantes de várias etnias para um banquete sagrado, onde cantam, dançam e bebem”, afirmou Lydia.

DIVULGAÇÃO

Torcida organizada do bumbá vermelho e branco quer juntar recursos para deslocamento de seus integrantes a Parintins

Objetivo do grupo é juntar recursos para que torcedores possam contribuir com o Garantido no próximo festival folclórico

CNJ/DIVULGAÇÃO

JUSTIÇA

CNJ lança projeto-piloto de Audiência de Custódia O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou em São Paulo (SP), na última sexta-feira (6), o projeto Audiência de Custódia, cujo projeto-piloto será desenvolvido no Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, a partir do próximo dia 23. Desenvolvido pelo CNJ em parceria com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e o Ministério da Justiça, o projeto Audiência de Custódia consiste na criação de estrutura multidisciplinar nos Tribunais de Justiça para receber presos em flagrante, visando a uma primeira análise sobre o cabimento e a necessidade de manutenção dessa prisão ou a imposição de medidas alternativas ao cárcere. Um dos objetivos do projeto é garantir a rápida apresentação do preso a um juiz nos

casos de prisões em flagrante. A ideia é que o acusado seja apresentado e entrevistado pelo juiz, em uma audiência em que serão ouvidas também as manifestações do Ministério Público, da Defensoria Pública ou do advogado do preso. Durante a audiência, o juiz analisará a prisão sob o aspecto da legalidade, da necessidade e adequação da continuidade da prisão ou da eventual concessão de liberdade, com ou sem a imposição de outras medidas cautelares. O juiz poderá avaliar também eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos, entre outras irregularidades. O projeto prevê ainda a estruturação de centrais de alternativas penais, centrais de monitoramento eletrônico, centrais de serviços e assistência social e câmaras de mediação penal.

Projeto do CNJ deverá ser estendido a todos os tribunais

CIDADANIA

Portadores de deficiência ganham serviço para RG A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped), em articulação com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), por meio do Instituto de Identificação Anderson Conceição de Melo, da Polícia Civil, irá disponibilizar durante os próximos meses de 2015, sempre às quartas feiras, na sede da Seped, a emissão de 1ª e 2ª vias da carteira de identidade (RG) para pessoas com deficiência de todas as idades. O documento fica pronto em três dias úteis e, em caso de extrema necessidade, poderá ser entregue em 24 horas. Na impossibilidade de deslocamento da pessoa com deficiência, o instituto poderá atender em domícilio, com agendamento prévio pela Seped. O novo serviço pode ser solicitado por meio

do setor de cadastro da Seped, que realiza levantamento das demandas e as repassa para a SSP-AM para agendamento.

VANTAGEM

Documento fica pronto em três dias úteis e, em caso de extrema necessidade, poderá ser entregue em 24 horas ou em domícilio se houver dificuldade de deslocamento, com agendamento prévio pela Seped Mais informações podem ser obtidas na sede da Seped, na avenida Mário Ypiranga, 1600, Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, e também por meio dos telefones 38780499 e 3878-0599 e e-mail seped@seped.am.gov.br.


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‘Carnaboi’ acontecerá em quatro zonas de Manaus O

governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), definiu as atrações que vão se apresentar no novo formato do “Carnaboi” 2015, na segunda-feira (16). Escolas de samba do grupo especial, artistas dos bumbás Garantido e Caprichoso e os Bumbás de Manaus estarão realizando shows simultaneamente em várias zonas da cidade. A ordem das atrações, assim como os locais, foi definida por meio de sorteio. Na Zona Leste de Manaus, o “Carnaboi” 2015 acontece no bairro do São José 3, rua 04, quadra 50, em frente ao Campo do Bahia. A programação inicia às 17h30 com o Baile Infantil, que encerra às 19h. Das 19h5 às 20h45, acontece a apresentação da escola de samba do grupo especial A Grande Família. Às 20h50, os artistas do Garantindo, P.A Chaves e Tony Medeiros, se apresentam até as 21h45. Às 21h50 começam as apresentações dos artistas do Caprichoso, Canto da Mata e Júnior Paulain. Às 23h5, começa a apresentação do Boi Brilhante, com encerramento às 23h45. Na Zona Norte, o “Carnaboi” 2015 acontece no bairro do Campos Salles, no Conjunto Viver Melhor (rua da Conquista, com a rotatória da avenida da União, em frente à Igreja da Sagrada Família). Das 17h30 às 19h, acontece o Baile Infantil. Das 19h05 às 20h45, começa a apresentação das escolas de samba do grupo especial Sem Compromisso e Vitória-Régia. Às 20h50 sobem ao palco os

ALFREDO FERNANDES/ARQUIVO AGECOM

Zonas Norte, Sul, Leste e Oeste receberão as atrações em 16 de janeiro. Aberturas terão bailes infantis a partir das 17h artistas do Garantido, Leonardo Castelo e Gaspar Medeiros. Às 21h50, é a vez dos artistas do Caprichoso, Arlindo Júnior e Klinger Araújo. Das 23h05 às 23h45, a atração é o Bumbá de Manaus, Boi Garanhão. O Japiim é o bairro que vai abrigar o “Carnaboi” 2015 na Zona Sul. O evento acontece na avenida General Rodrigo Otávio, entre as ruas 35 e 31. A festa começa com Baile Infantil das 17h30 às 19h. Às 19h05 inicia a apresentação das escolas de samba do grupo especial Andanças de Ciganos e Reino Unido da Liberdade. Às 20h50 o Garantido será representado por

ATRAÇÕES

Escolas de samba do grupo especial, artistas dos bumbás Garantido e Caprichoso e os Bumbás de Manaus estarão realizando shows simultaneamente em várias zonas da cidade Este ano, o “Carnaboi” será dividido em quatro das seis zonas da capital amazonense, saindo do palco tradicional do sambódromo

Márcia e Rafael Júnior. Às 21h50, é a vez dos artistas do Caprichoso, com Edmundo Oran e Renato Freitas. Das 23h5 às 23h45, a atração é o Bumbá de Manaus, Corre Campo. Na Zona Oeste, o “Carnaboi” 2015 acontece no bairro da Compensa, em endereço ainda a ser definido. O Baile Infantil abre o evento às 17h30. Às 19h5 é a vez das escolas de samba do grupo especial Império da Kamélia e Mocidade Independente de Aparecida.

Infraestrutura vai garantir qualidade da festa Ainda na Zona Oeste, às 20h50, entram os artistas do Garantido, Sebastião Júnior e Israel Paulain. Os artistas do Caprichoso sobem ao palco às 22h50, com a Marujada de Guerra, e Itamar Benarrós e o Prince do Boi encerram às 22h50. O “Carnaboi” também acontece na Zona Centro-

Oeste, no bairro Alvorada 2 (rua Vivaldo Lima, em frente ao Sesi). O Baile Infantil acontece das 17h30 às 19h. Às 19h5 haverá a apresentação das escolas de samba do grupo especial Balaku-Blaku e Unidos do Alvorada. Às 20h45, o show será com os artistas do Garantido, com a Batucada e Car-

linhos do Boi. Às 22h50, é a vez do levantador David Assayag, seguido de Edilson Santana, que encerra o show às 22h45. Governo e prefeitura vão dotar os locais do “Carnaboi” 2015 de infraestrutura, garantindo uma festa com qualidade, segurança e conforto para os moradores. As

ruas serão reservadas para os shows e o trânsito será desviado de forma ordenada. Serão disponibilizados banheiros químicos, haverá equipes das áreas de segurança, saúde, limpeza, controle de ambulantes e outros. A segurança ficará a cargo da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.


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Gratuidade do transporte para 1,6 milhão de usuários U

m levantamento feito pelo Acordo Operacional (Acop), que pertence ao Sindicato das Empresas de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), revela que mais de 1,6 milhão de pessoas utilizam o transporte gratuito por mês, aproximadamente 7,1% dos cerca de 25 milhões de usuários transportados mensalmente. A gratuidade é concedida a idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, porém não há como estimar o número de idosos que usam a gratuidade, já que eles não passam pela catraca. Ainda de acordo com a pesquisa, o número tem aumentado todos os meses. Os dados mostram que no mês de outubro de 2014, o percentual era de 5,86%; em novembro aumentou para 6,45%; em dezembro, 6,5%; e em janeiro de 2015, os números chegaram em 7,1%. Para o diretor da Acop/Sinetram, Azarias Carvalho, o aumento se dá por meio do uso indevido das carteiras de gratuidade. Segundo ele, as carteirinhas, na maioria das vezes, são usadas por

terceiros e quem arca com a conta são os usuários que pagam a tarifa normal. “Muita gente usa o cartão da gratuidade de algum familiar que tem o direito. Pessoas que não são portadoras de deficiência possuem o Cartão Gratuidade. Isso encarece a tarifa, pois quanto mais gratuidade,

ÍNDICES

Em outubro de 2014, o percentual de usuários com gratuidade era de 5,86%; em novembro aumentou para 6,45%; em dezembro, 6,5%; e em janeiro de 2015, os números chegaram a 7,1% mais caro para o usuário que paga a tarifa correta. Vamos diminuir essa prática quando implantarmos o reconhecimento facial”, destaca Carvalho. Ainda de acordo com o diretor, o cálculo para o valor da tarifa é feito por meio do custo do sistema, dividido pela quantidade de passageiros pagantes. “Se

DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

De acordo com dados do Acordo Operacional, o número representa 7,1% da média de 25 milhões transportados por mês começar a diminuir os pagantes, a tarifa aumenta. Se aumentar o número de passageiros, a tendência é que a tarifa diminua”, finaliza. Lei da gratuidade A gratuidade para idosos no transporte é garantida pelo artigo 39 da lei 10.741/2003 e reconhecido pelo Estatuto do Idoso como direito fundamental a maiores de 65 anos, independente de qualquer condição. O mesmo direito pode ser estendido às pessoas com faixa etária entre 60 e 65 anos, de acordo com a legislação de cada município. As pessoas portadoras de algum tipo de doença que utilizam a gratuidade têm o direito garantido no artigo 261 da Lei Orgânica do Município (Loman), regulamentada pelo decreto municipal 1.128/2011. A lei assegura o direito a pessoas com necessidades especiais de natureza física, auditiva, mental e visual, além de portadores de HIV/Aids, insuficiência renal (hemodiálise), em tratamento de câncer, hipertensão maligna, doenças crônicas do coração e transplantados de fígado.

Desde novembro do ano passado, índice de beneficiados com gratuidade nos ônibus tem crescido


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opiniao@emtempo.com.br

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Uma crítica de música erudita

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A fome e a vontade de comer

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Capa

(92) 3090-1010

E cinco indicações culturais. Pág. 2

A alimentação além das necessidades básicas. Pág. 3

Que polícia é essa?

O fracasso de um modelo violento e ineficaz. Págs. 4 até 7

Do arquivo de Raphael Montes São Paulo, 2013. Pág. 8

‘Exquadro’(2012) pintura de Emmanuel Nassur


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 5 INDICAÇÕES JESSICA LANGE/DIVULGAÇÃO

LIVRO | WILLIAM FAULKNER Publicado em 1936, “Absalão, Absalão!” conta, por meio de quatro narradores, a história de Thomas Sutpen, um fazendeiro que busca ficar rico no sul do Estados Unidos na época da Guerra de Secessão. O escritor americano (1897-1962) trata, nesta obra, de questões familiares e do racismo. trad. Celso Mauro Paciornik e Julia Romeu | Cosac Naify | R$ 69,90 | 352 págs.

EXPOSIÇÃO | JESSICA LANGE: FOTÓGRAFA A “Ilustríssima” fez três perguntas para a atriz de 65 anos que expõe em São Paulo suas fotografias. Museu da Imagem e do Som | tel. (11) 2117-4777 | abertura ter. (10), às 20h | de ter. a sex., das 12h às 21h; sáb., das 10h às 22h; dom. e feriados, das 11h às 20h | R$ 6 (grátis às ter.) | até 5/4 Folha - Qual Jessica veio primeiro: a atriz ou a fotógrafa? Lange - Provavelmente foi a pintora, essa era minha intenção quando me matriculei na faculdade de belas artes [em 1967]. Uma das disciplinas era fotografia e assim me iniciei, com [Francisco] Paco Grande, que foi meu professor.

CINEMA | NICOLAS PHILIBERT A mostra dedicada ao documentarista francês, diretor de “Ser e Ter” (2002), exibe oito de seus longa-metragens, como “A Cidade Louvre” (1990), no qual é possível conhecer as reservas técnicas e os segredos do museu parisiense. Com exceção de “A Estação de Rádio” (2013), seu filme mais recente, sobre a Radio France, todos os títulos serão exibidos em 35 mm. Centro Cultural Banco do Brasil | tel. (11) 3113-3651 programação em bb.com.br/cultura | R$ 4 | até 23/2

A fotografia influencia seu trabalho de atriz? É mais ao contrário. Como atriz, é indispensável saber ocupar o espaço e o tempo. Num set, ou na vida real, fotografando, tenho que estar no que interpreto, no que vejo; essa é uma característica que deve ser levada em conta nos dois âmbitos, se não, nada acontece. O que há em comum entre cinema e fotografia? A minha experiência no cinema me permitiu cultivar certa sensibilidade à luz. Nos filmes, como em minhas fotos, a protagonista é sempre a luz, principalmente em meu trabalho no México. Essa sensibilidade vem de 35 anos de cinema. (ÚRSULA PASSOS)

DIVULGAÇÃO

Retrato feito pela atriz em festa tradicional em Chiapas, no México

MÚSICA | HEITOR VILLA-LOBOS O CD da gravação da “Sinfonia nº 10, Ameríndia” pela Osesp, com o Coro da Osesp, sob regência de Isaac Karabtchevsky, é o terceiro lançamento do projeto da orquestra que pretende gravar as 11 sinfonias do músico carioca (1887-1959). Com trechos de coro em tupi e em latim, a peça foi uma encomenda para o 400º aniversário de São Paulo, em 1954, mas só estreou em 1957. Naxos/Movieplay | R$ 35,90

‘Rio’ (2013), de Myriam Zini

EXPOSIÇÃO | 6º SALÃO DOS ARTISTAS SEM GALERIA Com seleção de Adriano Casanova, Enock Sacramento e Mario Gioia, a mostra expõe, em dois espaços, dez artistas que não tenham contrato de representação com galerias – foram 145 inscritos, de 11 Estados. O vencedor ganha prêmio de R$ 1.000 e uma individual na Orlando Lemos Galeria, em Belo Horizonte. Zipper | tel. (11) 4306-4306 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 17h galeria Sancovsky | tel. (11) 3086-0784 | de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10h às 18h30 | grátis | até 21/2

Ponto Crítico

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CD - 16 VALSAS PARA FAGOTE SOLO

Música de primeira IRINEU FRANCO PERPETUO

Está na hora de abandonar os preconceitos e aceitar a realidade, por mais que ela pareça contrariar o bom senso: um CD de fagote solo está entre os melhores lançamentos de artistas brasileiros de música erudita nos últimos anos. Antes que algum engraçadinho diga que essa é a mais gritante prova da tão propalada crise da indústria fonográfica, vale salientar que o disco não sai na entressafra. Pelo contrário: vários músicos de talento têm aproveitado o barateamento das tecnologias de gravação para lançar álbuns independen-

tes de alta qualidade. O fato é que, ao registrar as 16 valsas para fagote solo de Francisco Mignone (18971986) para o Selo Sesc (R$ 20), Fábio Cury não apenas prestou um tremendo serviço à divulgação de seu instrumento ou da música erudita brasileira como fez um enorme favor a quem simplesmente aprecia música em geral, sem ligar para rótulos e fronteiras estéticas e geográficas. Ex-integrante da Osesp e atual chefe do naipe de fagotes da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Cury pode ser considerado, sem exageros, um dos maiores fagotistas que o Brasil já produziu. Instrumentista amadurecido, cujo assombroso virtuosismo técnico está a serviço de uma musicalidade transbordante,

ele produziu um daqueles álbuns que parecem adquirir vida e vontade próprias e simplesmente se recusam a sair do aparelho de som depois de colocados para tocar, oferecendo-se a escutas múltiplas e prazerosas. A exemplo de todos os compositores brasileiros que não se chamam Villa-Lobos, Mignone é um autor negligenciado mesmo por aqui. Filho de um flautista italiano, nasceu em São Paulo, mas passou a maior parte da vida no Rio de Janeiro, atuando como regente e pianista, e deixando uma produção prolífica em quase todos os gêneros, do piano solo à ópera, passando pelo violão, diversas formações camerísticas e partituras orquestrais regidas por mitos como Richard Strauss (1864-1949) e Arturo

Toscanini (1867-1957). Chorão de sucesso na juventude, sob o pseudônimo de Chico Bororó (com obras gravadas até pelo Rei da Voz, Francisco Alves), Mignone teve como guru Mário de Andrade e – à exceção de uma breve fase na qual, sob influência da conversão de Stravinsky ao credo de Schönberg, flertou com o dodecafonismo – sua produção é essencialmente marcada pela vontade de escrever em idioma “nacional”. Espécie de “patinho feio” dos instrumentos de madeira, o fagote, à primeira vista, está longe de parecer o veículo mais óbvio para arroubos de brasilidade musical – em que pesem os contracantos em que Airton Barbosa envolve a voz de Cartola na antológica gravação, de 1976, de “Preciso me

Encontrar”, de Candeia. Se a literatura universal para fagote já é reduzida, o repertório nacional anterior a Mignone não vai muito além da “Ciranda das Sete Notas” (1933), de VillaLobos. O despertar do autor das 16 valsas para o instrumento está ligado à chegada ao Rio de Janeiro, em 1952, do fagotista francês Noël Devos. Convidado por Eleazar de Carvalho para integrar a OSB, onde ficou por mais de três décadas, Devos impressionou Mignone não apenas por sua desenvoltura ao fagote como também por formar toda uma escola de fagotistas brasileiros (como o Barbosa que tocou com Cartola, por sinal). Fascinado por Devos, o compositor acabou produzindo uma série de obras para fagote, de solos a quartetos,

com destaque para as valsas gravadas por Cury. Mignone já tinha passado dos 80 anos ao escrevê-las, em 1979. Encontrava-se, portanto, no auge da maturidade, mas não parecia ter perdido em nada o frescor da juventude. Com títulos bem-humorados como “Apanhei-te Meu Fagotinho”, “Macunaíma, Valsa Sem Caráter” e “A Escrava que não Era Isaura”, as obras unem melodismo agradável e sofisticação formal. Sua dificuldade técnica pode chegar a níveis bem elevados – a execução de Cury, porém, é tão fluente, e ele parece tão mais interessado em mostrar as obras do que a si mesmo, que esse aspecto pode até passar despercebido para o ouvinte incauto. O virtuosismo desaparece, e fica só a música.

ACERVO PESSOAL

EMMANUEL NASSAR, 66, é artista plástico.

Ilustríssimos desta edição

RAPHAEL MONTES, 24, é advogado e escritor de literatura policial, autor de “Dias Perfeitos” (Companhia das Letras) e “Suicidas” (Benvirá). FERNANDA MENA, 37, é repórter especial da Folha. IRINEU FRANCO PERPETUO, 43, é jor-

nalista, tradutor e jurado do concurso musical “Prelúdio”, da TV Cultura. CARLOS ALBERTO DÓRIA, 64, sociólogo, autor de, entre outros, ‘Formação da Culinária Brasileira’ (Três Estrelas). ODYR, 47, é quadrinista. Ilustrou a novela gráfica ‘Guadalupe’ (Quadrinhos na Cia.), com roteiro da poeta Angélica Freitas.


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Comida

2 Comer de barriga cheia A ‘gastronomização’ da reflexão cultural

RESUMO A preocupação com a comida deixa de ser voltada para a fome e a carência proteica para se concentrar na qualidade daquilo que se come, um tema que já atravessa toda a sociedade. O filósofo Paolo Rossi diz em seu livro “Comer” que, no terceiro milênio, a alimentação será “um dos grandes cenários da antropologia”.

CARLOS ALBERTO DÓRIA

Quando um filósofo e historiador, especializado na história das ideias, se debruça sobre o comer e sobre metáforas alimentares, bem se nota a força centrípeta da “gastronomização da cultura”. Há algumas décadas não se podia prever isso, sendo mais comum temas como sexo e moda nuclearem as reflexões que, hoje, vêm se deslocando fortemente para o

fenômeno da valorização qualitativa dos alimentos. Por isso parece razoável a previsão do filósofo Paolo Rossi em “Comer” [trad. Ivan Esperança Rocha, ed. Unesp, 174 págs., R$ 25] quando diz que, no terceiro milênio, a alimentação será “um dos grandes cenários da antropologia” – socorrendose no fato de que já se encontram no Google 16,5 milhões de páginas relacionadas ao tema da dieta alimentar. De fato, enquanto chefes de cozinha se ocupam em discutir novas técnicas de cocção, como a “baixa temperatura”, ou a retomada dos produtos de “terroir”, uma legião de acadêmicos parece acordar para esse tema “menor”, como foi a alimentação até 30 anos atrás. Uma espécie de mito fundador dessa nova ocupação intelectual situa-se nos anos 1970-80, especialmente a partir do episódio conhecido como “vaca louca”, epidemia bovina que surgiu na Inglaterra e levou à quebra da confiança na indústria alimentar, substituindo-a pela “angústia alimentar” que assombra as escolhas que fazemos sobre o que levar à boca. Vários estudiosos se especializaram nas novas abordagens sobre a alimentação, e

mais notadamente Jean-Pierre Poulain, que organizou em 2012 o ambicioso “DictionnairedesCulturesAlimentaires” [PUF, 1.488 págs., R$ 165,70 na livraria Cultura], ainda sem tradução entre nós. Essa obra enciclopédica oferece 230 estudos, assinados por 162 especialistas do mundo todo, abordando os mais diferentes aspectos imagináveis, relacionados com a alimentação. A preocupação com a qualidade do que se come parece ter substituído em definitivo a abordagem da alimentação centrada na fome ou na carência proteica, como era a ênfase dada pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) nos anos 1950, projetado mundialmente especialistas como Josué de Castro (1908-73). Por outro lado, a mudança de ênfase parece suficiente para os chefes de cozinha como justificativa da ocupação obsessiva ao investigar, com a ajuda da ciência e da técnica, novas formas de produzir o prazer ao comer. Desnudando o caráter ideológico dessa nova diretriz, Paolo Rossi nos lembra que a fome, em absoluto, desapareceu: cerca de 925 milhões de subalimentados ainda povoavam a Terra em 2011.

Jejum Mas o que esse filósofo italiano busca é desfazer as certezas dos caminhos que nos levam, hoje, à centralidade cultural do tema “alimentação”. A fome, por exemplo, não é apenas a carência proteica, conforme Rossi nos mostra. Ela também está por trás do jejum, forma de autodisciplina e formação espiritual, negando o desejo por comida visto como fonte do mal. Há, nela, provação e expiação, ou mesmo busca de santidade, desde os tempos bíblicos. A fome pode ser vista, ainda, como um instrumento político, forma de protesto que une as “suffragettes” inglesas que lutavam pela emancipação feminina às famosas greves de fome de Mahatma Gandhi ou àquelas como na tradição das greves de fome da Irlanda, quando os militantes do IRA (Exército Republicano Irlandês) a transformaram em reivindicação de tratamento como prisioneiros políticos, e não “criminosos comuns”. A fome muda o status de quem a assume como opção. O caso mais dramático é o da anorexia moderna, distinta daquela das santas medievais, cujo jejum, levado ao extremo, era orientado pela fusão com a agonia de Cristo que contribuiria para a salvação do mundo.

Atualmente, a anorexia é uma doença e modo de produzir o corpo das meninas-palito, cultuadas pelo ideal de magreza da moda e da publicidade correspondente, segundo Rossi. No dizer de Jean-Pierre Corbeau, em uma das entradas do “DictionnairesdesCulturesAlimentaires” (“Gastro-anomie”, págs. 614-16), essas “anomias” se relacionam a profundas mudanças sociais que empurram os indivíduos em direção a novas utopias sobre o comer, imbricadas nas concepções nutricionais e estéticas correntes. A perspectiva do historiador das ideias é perseguir um tema cultural em suas metamorfoses temporais; e a palavra “comer” remete mesmo a um universo muito mais amplo de significações, além daquela relativa ao excesso/falta do que alimenta o corpo. Afinal, trata-se de um ato de incorporação através do qual se pode “obter prazer fazendo penetrar um objeto em si; destruir esse objeto; assimilar as qualidades desse objeto conservando-o dentro de si”, escreve Rossi. Nesse sentido, o canibalismo, o vampirismo, ou mesmo o amor físico são modalidades do comer. E o que Paolo Rossi ressalta é como temas históricos e arcaicos na cultura ociden-

tal gozam de impressionante atualidade, como na série de TV sobre o psiquiatra canibal Hannibal Lecter (“Hannibal”), o que sugere que “o canibalismo talvez deva ser reavaliado”; ou na série de livros “Crepúsculo”, cuja história gira em torno do vampirismo. Sem dúvida são modas culturais que nos atiram de cara contra as pluralidade e opacidade do comer na sua atual relevância cultural – que é preciso desvendar. Rossi é sensível, por exemplo, ao extraordinário avanço no conhecimento da fisiologia humana, relacionada com a formação da noção de gosto – especialmente o conhecimento dos sentidos do paladar e do olfato –, o que altera a nossa visão simplista que identifica o “gosto” apenas ao sabor. Mas talvez um dos aspectos mais momentosos abordados pelo autor seja a militância em torno da busca de uma comida “tradicional” e “saudável” como “uma transformação do tema ‘comer’ em um instrumento não só da cultura mas também da ‘libertação e resgate social’”, sendo que ele se pergunta: “Atrelar as lutas camponesas do Terceiro Mundo à criatividade da cozinha de luxo não é uma façanha impossível e esnobe?”


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Reportagem

3 Um inquérito sobre a polícia

Estudiosos e policiais discutem como reformar a instituição

RESUMO Num quadro de violência social e falhas institucionais, as polícias brasileiras matam demais, ignoram direitos, prestam serviços deficientes e não têm a confiança dos cidadãos. A reportagem faz um diagnóstico da situação e expõe as propostas de reformas, que vão desde mudanças estruturais a melhorias localizadas.

FERNANDA MENA ILUSTRAÇÃO EMMANUEL NASSAR

Os meninos começaram a chorar mal foram trancados na caçamba do carro de polícia. “A gente nem começou a bater em vocês e já tão chorando?”, gritou um policial para os adolescentes negros capturados como suspeitos de praticar furtos na região central do Rio. O camburão subia as curvas da floresta da Tijuca, na capital fluminense. Para os garotos, aquele desvio de percurso, da delegacia para a mata, seria um passeio fúnebre, registrado por câmeras instaladas no veículo – determinação de lei estadual de 2009, criada para vigiar os vigilantes e fornecer provas tanto de ações policiais legítimas como das consideradas ilegais. Em uma parada no morro do Sumaré, contudo, a gravação é interrompida. Dez minutos depois, câmeras religadas, as imagens mostram os oficiais sozinhos no carro, descendo as mesmas curvas. “Menos dois”, diz um deles ao parceiro. “Se a gente fizer isso toda semana, dá pra ir diminuindo. A gente bate meta, né?”, completa. Dias depois, o corpo de Matheus Alves dos Santos, 14, foi encontrado no local graças a informações de M., 15, que levou dois tiros, mas sobreviveu porque conseguiu se fingir de morto mesmo ao ser chutado por um dos policiais. Só em 2013, 2.212 pessoas foram mortas pelas polícias brasileiras, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Isso quer dizer que ao menos seis foram mortas por dia, ou uma a cada 100 mil brasileiros ao longo do ano. No mesmo período, a polícia norte-americana matou 409 pessoas. Já as corporações do Reino Unido e do Japão não mataram ninguém. O ano de 2014 promete elevar ainda mais o patamar dessa

barbárie: mortes cometidas por policiais paulistanos subiram mais de 100% em relação ao ano anterior. No Rio, o aumento foi de 40%, na comparação com números de 2013. No Brasil, como se sabe, não há pena de morte. O furto, infração não violenta que teriam cometido os meninos do Sumaré, tem como pena máxima oito anos de reclusão. Apenas juízes podem determinar as penas, após processo que contemple o direito de defesa. O marco jurídico, porém, parece não coibir ações como a dos cabos Vinícius Lima e Fábio Magalhães: a naturalidade com que desaparecem com os dois adolescentes na mata deixa claro que o procedimento não era excepcional. A falta de pudor com que comentam a ação diante da câmera levanta outra hipótese perversa: a de que contavam com a impunidade. “Não podemos dizer que esses sejam casos de desvio individual de policiais”, avalia Renato Sérgio de Lima – professor da FGV-SP, ele integra o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que produz o anuário estatístico. “Trata-se de um padrão institucional. É uma escolha encarar o crime como forma de enfrentamento”. Para o coronel José Vicente da Silva, da reserva da Polícia Militar de São Paulo, o número de mortos por policiais não pode ser visto isoladamente. “É desonestidade intelectual dizer que a polícia brasileira mata cinco vezes mais que a dos EUA porque aqui temos seis vezes mais homicídios do que lá. E nossos policiais morrem mais que os de qualquer outro lugar do mundo”, protesta ele, citando dados: só no ano passado, diz, 1.500 PMs pediram demissão motivados pelos baixos salários e pelo constante risco de morte. Nessa dinâmica, 490 policiais civis e militares foram mortos em serviço ou durante folgas em 2013. “Para outras sociedades é inadmissível que se mate um policial, porque quer dizer que ninguém respeita mais nada”, diz Alexandre de Moraes, secretário de Segurança Pública de São Paulo. “No Brasil, quem mata policial tatua um palhaço para mostrar para quem quiser ver que matou um tira ou um PM”, compara ele, favorável a alteração no Código Penal que aumente em 50% as penas para crimes contra autoridade pública. Os números de ambos os lados se inscrevem num contexto aterrador: o Brasil é um campeão mundial de homicídios. Em 2013, 54.269 pessoas foram assassinadas no país. O número corresponde a um estádio do Itaquerão lotado, como no jogo de abertura da Copa do Mundo – só que de cadáveres. Trata-se de uma taxa de 26,9 mortes por 100 mil habitantes, quase seis vezes

a dos EUA, de 4,7. Fora de controle A Organização Mundial da Saúde considera epidêmica, ou fora de controle, a violência que faz mais de 10 vítimas por 100 mil habitantes. Em rankings elaborados pela OMS e pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa as primeiras posições em taxa de homicídios, ao lado de países como Honduras, Venezuela, Jamaica, El Salvador e África do Sul. Somam-se aos números estatísticas que ilustram a relação negativa dos brasileiros com suas polícias: segundo o Índice Confiança da Justiça, realizado pela FGV em 2012, 70% da população do país não confia na instituição, e 63% se declaram insatisfeitos com a atuação da polícia. O medo diante da polícia também é registrado em cifras: um terço da população teme sofrer violência policial, e índice semelhante receia ser vítima de extorsão pela polícia – os dados são da Pesquisa Nacional de Vitimização (Datafolha/Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais, 2013). Especialistas em segurança pública dos mais diversos matizes ideológicos convergem em seus diagnósticos: salvaguardados alguns avanços pontuais e localizados, seja na diminuição de certos crimes, seja no aumento da coordenação e da transparência em um ou outro aspecto, a polícia mata demais, é ineficiente no atendimento à população e nas investigações, tem setores racistas e corruptos, além de outros que desprezam leis e regulamentos. Como se não bastasse, as corporações perdem tempo e desperdiçam recursos com rivalidades entre si. “A polícia tem vícios e defeitos inegáveis”, afirma José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. “Só que existe um reducionismo no conceito de segurança pública, que hoje é sinônimo de polícia, quando deveria englobar controle de fronteiras, Ministério Público, Tribunal de Justiça e sistema carcerário”, afirma. “A situação que vivemos é resultado de uma série de políticas descontinuadas e de uma tradição brasileira de falta de diálogo entre as instituições. É cada um na sua. E tudo vira jogo de poder e vaidade”. As polícias, de fato, não se encontram sós nesse quadro tenebroso, em cujo verso estão os baixos salários, o treinamento deficiente, a falta de equipamentos e o duro enfrentamento de criminosos cada vez mais organizados e armados, que não vacilam em atirar, na certeza de que, ao escaparem vivos de um cerco, dificilmente serão pegos por

uma investigação. O embrutecimento dessa polícia é também o da sociedade brasileira, um país em que se banalizaram o assassinato, o racismo, o desrespeito às leis e a corrupção. O que deveria causar assombro e repúdio virou folclore ou “coisa do Brasil”. “Apesar de 26 anos de democracia, os brasileiros são capazes de se mobilizar mais pelos simpáticos cartunistas mortos em Paris [na sede do ‘Charlie Hebdo’] do que pelas centenas ou milhares de negros já mortos pelas polícias militares nas favelas e periferias”, diz o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Estado de Direitos Humanos do governo FHC e um dos coordenadores da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Uma situação bem diferente da de Nova York, onde milhares foram às ruas no final do ano passado para protestar contra a decisão da Justiça de não indiciar um policial responsável pela morte, na cidade, de Eric Garner, um negro. O episódio do morro do Sumaré é emblemático porque, ainda que a ação tenha chocado parte dos telespectadores

do “Fantástico”, que revelou o caso num domingo à noite, na segunda-feira a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro já havia sido inundada por e-mails de apoio à ação criminosa dos policiais. Descompasso Sem alarde, o Ministério da Justiça criou no fim do ano passado um grupo de especialistas para estudar as raízes e os remédios do morticínio brasileiro. A discrição da iniciativa reitera o descompasso entre a ausência de um debate público, amplo e propositivo, e o fato de segurança pública ser a segunda maior preocupação dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha de 2014. Isso sem falar nos custos sociais da violência, estimados em 5,4% do PIB (Produto Interno Bruto) ou R$ 258 bilhões em 2013, segundo cálculos de Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, registrados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A relevância do tema se reflete na produção cinematográfica brasileira do ano passado, quando ao menos oito produções colocaram a polícia como

protagonista (não exatamente no papel de mocinho) ou pano de fundo de ações e debates. É o caso de documentários como “Sem Pena”, “À QueimaRoupa” e “Junho” e de ficções como “Branco Sai, Preto Fica”, vencedor do prêmio de melhor filme na última edição do Festival de Brasília. “O Brasil está estático nessa área. Os partidos que pretendem representar as classes populares são incapazes de reconhecer a prioridade desse tema que, por outro lado, é absolutamente central no cotidiano das massas, para as quais essa é questão de vida ou morte, de chegar ou não vivo em casa”, avalia o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) do primeiro governo Lula. Mobilizações de vítimas do crime comum ou daquele cometido pelas forças do Estado parecem se resumir a slogans como “queremos Justiça”, sem traduzir esse sentimento em propostas concretas. “É nessa fonte que bebem os demagogos e os oportunistas que advogam por penas mais duras e mais armas para as polícias. Isso é


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graves, como o homicídio de um PM por outro. A Justiça Militar Federal seria mantida como tribunal voltado a membros das Forças Armadas. Segundo a pesquisa Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização das Polícias, da FGV, quase 64% dos policiais defendem o fim da Justiça Militar, 74% apoiam a desvinculação do Exército e quase 94% querem a modernização dos regimentos e códigos disciplinares. Essas vozes interessadas, porém, parecem sub-representadas no debate. “A desmilitarização é importante, mas não é uma panaceia e ainda depende de pressão popular, porque o Congresso funciona por inércia e tem muita representação de setores que são contrários a isso”, diz o sociólogo Ignácio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O surgimento da “bancada da bala”, formada por parlamentares que pregam medidas como redução da maioridade penal, recrudescimento das penas e até pena de morte, promete barrar o andamento de mudanças estruturais. Outra proposta dessa linha, baseada na crença de que cada território tem necessidades muito específicas que só um administrador local conhece, é a municipalização das polícias. Seus opositores argumentam que, por questões orçamentárias, esse tipo de reforma aumentaria muito a desigualdade no serviço policial além de dificultar sua coordenação. Afirmam também que o município já tem papel fundamental na segurança pública ao cuidar da iluminação, das calçadas e da coleta de lixo. Mas há, ainda, outros caminhos. “Na Colômbia, por exemplo, há um modelo em que a polícia é nacional, mas as prefeituras podem investir nela e influenciar seu trabalho sem que a corporação seja municipal”, informa Cano.

mais do mesmo e não rompe o ciclo vicioso”, avalia Soares. O artigo 144 da Constituição de 1988 dispõe, genericamente, sobre as atribuições das instituições responsáveis por prover a segurança pública no país. A Carta herdou um sistema bipartido, com duas polícias, uma militar e outra judiciária ou civil, cada uma executando uma parte do trabalho. Um quarto de século depois, o artigo ainda aguarda regulamentação. “Os constituintes, por temor ou convicção, não mudaram uma vírgula da estrutura da segurança pública herdada do regime militar”, explica Paulo Sérgio Pinheiro, que, durante o trabalho da CNV, contou 434 mortos e desaparecidos nas mãos de agentes da ditadura. “O resultado é que temos esse traste, e 15 projetos de reforma que nunca são tocados pelos congressistas”. “Nos Estados Unidos, a coisa começou a mudar quando os governos passaram a perder processos e a pagar boas indenizações para vítimas de violência policial. Pegou no bolso”, conta Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de

Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes. Com esse arranjo institucional, a União tem pouca responsabilidade nos rumos da segurança pública, municípios se limitam a criar guardas civis, enquanto cabe aos Estados o desenho das políticas e o controle das polícias. Nesse contexto, entre os que pensam perspectivas para a segurança pública e para as polícias, emergiram duas correntes conflitantes. Reformas A primeira corrente prega reformas que envolvam mudanças de arquitetura do sistema legal e das instituições. Nesse vetor se inscrevem as propostas de desmilitarização e de unificação das polícias militar e civil em uma nova corporação, sem sobrenome. A proposta mais completa nessa linha está na PEC 51, desenhada pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares e apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Ela inclui o fim do vínculo e do espelhamento organizacional entre PM e Exército e cria o ciclo completo, quando uma só polícia faz o trabalho preven-

tivo, ostensivo e investigativo. Cada Estado poderia eleger um modelo próprio, seja ele o de corporações divididas por território ou por tipos criminais. “Mudanças significativas não podem ser feitas sem reformas do modelo, que pedem alterações estruturais e constitucionais”, avalia Soares. A bandeira da desmilitarização da polícia, proposta pela PEC, foi resgatada após junho de 2013, quando parte das manifestações foi reprimida com violência exacerbada pelas PMs de São Paulo, Rio e Minas, principalmente. O relatório da CNV trouxe também essa recomendação, que ficou em segundo plano, porém, em meio ao tímido debate gerado pelo trabalho final do grupo que investigou os crimes da ditadura militar. Há variações no entendimento sobre o que é desmilitarizar as polícias, mas todas compreendem a mudança do regime disciplinar, que permite prisão administrativa para questões ligadas à hierarquia, à vestimenta e à administração, além da extinção das instâncias estaduais da Justiça Militar, que julga policiais em crimes

Choques A segunda corrente de pensamento sobre segurança pública e polícia é a das reformas gerenciais, que se propõem a incrementar a eficiência dos processos valendo-se de choques de gestão. Nessa linha entram o aumento de recursos e de pessoal, a valorização das carreiras, a melhoria da formação, a maior participação da sociedade civil nas políticas de segurança pública e a integração do trabalho das duas polícias. Na opinião de Leandro Piquet Carneiro, do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP, “dá-se muita ênfase a reformas estruturais quando existem aspectos de microgerenciamento que podem ser implantados com mais rapidez”. “São medidas de alteração de procedimentos e regras e de cobrança de resultados feitas dentro do marco institucional atual”. Marcos Fuchs, diretor da ONG Conectas Direitos Humanos, prega o envolvimento da população por meio de conselhos – mecanismo que funciona com muito efeito em metrópoles como Nova York. “É preciso ampliar o debate e envolver a sociedade civil, seja com audiências públicas ou no âmbito dos Conseg [Conselhos Comunitários de Segurança], que já vêm se reunindo em cada bairro de São Paulo para discutir soluções para problemas locais, algo incentivado pela gestão passada da Segurança Pública do Estado”, avalia. Ainda nessa chave, estão

medidas como a que chegou a tirar das ruas de São Paulo policiais que cometiam a terceira morte em serviço, supostamente em legítima defesa ou de um terceiro – além da formação continuada e da melhoria dos sistemas de controle interno, via corregedorias, e externo, por meio das ouvidorias de polícia. Na qualidade de ex-ouvidora do Rio, a socióloga Julita Lemgruber defende que as ouvidorias tenham poder de investigação. “Sem isso, recebem as denúncias, mas ficam amarradas”, argumenta. Há ainda experiências de georreferenciamento, em que estatísticas sobre ocorrências, com o local de cada uma delas, permitem um planejamento mais racional das equipes de investigação e patrulha, otimizando recursos. Entre esses extremos, no entanto, há uma terceira via. “Essas propostas não são excludentes. É possível avançar em reformas normativas que garantam a continuidade de determinadas políticas e implementar reformas gerenciais para dar mais eficiência às polícias”, avalia Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Comum às duas pontas do debate é o imperativo de que as polícias trabalhem juntas, seja unificando-as em uma nova corporação, seja com processos graduais de integração – medida com o qual 75% dos policiais civis e militares concordam, segundo a pesquisa realizada pela FGV. “Ter duas polícias é um acidente histórico. Desenvolvemos essa duplicidade institucional, criando ineficiência. Uma só polícia seria mais racional e econômica em pelo menos 20%”, estima o coronel José Vicente da Silva. Com 52 anos de serviço, ele viveu em 1970 a fusão, imposta pela ditadura, da Força Pública, então com 25.000 homens, com a Guarda Civil, que tinha 9.000 membros – daí nasceu a atual PM. “Houve mal-estar, houve dúvida sobre quem iria mandar, se o inspetor ou o coronel, mas tudo foi, aos poucos, se acomodando”. Os exemplos de ineficiência na divisão do trabalho policial são cristalinos. Enquanto a Polícia Militar atua na prevenção e no patrulhamento, a Polícia Civil ou Judiciária investiga, tudo com troca de informações mínima. A simples criação de bancos de dados conjuntos revelou-se uma epopeia. “As polícias se detestam no Brasil inteiro, então a coisa não funciona”, avalia o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi. A PM é a primeira a chegar ao local do crime e é quem o resguarda para a Polícia Civil e a perícia. “Mas, quando elas chegam, não conversam com a PM porque acham que não tem nada a ver. Então muito PM não preserva direito o local dos crimes, já que é uma atividade desvalorizada”, explica ele, que trabalhou por dois anos na Polícia Civil em São Paulo, coletando dados para seu mestrado. Formação Em 2010, foi inaugurada a Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará. Celebrada como uma experiência exitosa, ela aposta na integração entre policiais civis e militares logo na formação, para que aprendam desde os primeiros treinamentos a trabalhar juntos. Para José Mariano Beltrame, “quando não há entendimento entre as polícias, há temor, e cada uma se fecha do seu lado”. A solução não virá de uma “canetada”.

“Tem de mudar a cultura, e isso se obtém mudando práticas”, diz o secretário da Segurança Pública do Rio, que vê na valorização salarial um fator fundamental para aperfeiçoar o serviço prestado pelas polícias. “Enquanto a diferença salarial entre polícia e Judiciário for oceânica, como é hoje, o resultado do trabalho deixará a desejar. Você tem de levantar essa polícia, pagar bem, dar condições, e ela entregará um resultado melhor”. Nas polícias da maioria dos Estados verificam-se diferenças salariais entre as carreiras, o que alimenta ainda mais as rivalidades. Pior: cada corporação é fraturada internamente. As carreiras civil e militar têm duas entradas, numa espécie de sistema de castas, em que status e salários são diferentes entre si e entre os Estados. Na Polícia Militar, ingressase como soldado ou tenente. Mas o soldado nunca chegará a ser tenente por progressão ou mérito. Enquanto um soldado gaúcho pode ganhar apenas R$ 1.375,71, o salário de um coronel, topo da carreira iniciada como tenente, pode ser de até R$ 21.531,36 no Paraná. Na Polícia Civil, o concurso é para investigador ou delegado, e o melhor investigador do país jamais se tornará um delegado, a não ser que preste novo concurso, para o qual é necessário ser bacharel em direito. O soldo de investigador varia de R$ 1.863,51 no Rio Grande do Sul, a R$ 7.514,33 no Distrito Federal. Já um delegado pode ganhar R$ 8.252, 59 em São Paulo, o salário mais baixo da categoria no país, ou R$ 22.339,75 no Amazonas. “Isso faz da polícia um lugar em que não se entra pensando em construir carreira”, opina Mingardi, para quem a corporação atrai ou gente pouco qualificada ou “concurseiros profissionais” à espera de oportunidade melhor. A Polícia Federal, que hoje tem plano de carreira e salário inicial de mais de R$ 7.500, exige como pré-requisito o diploma de ensino superior e coleciona em seus quadros médicos, contabilistas, engenheiros e advogados. “Se as carreiras das polícias civil e militar são, na maior parte dos casos, desprestigiadas, como é que você mantém um sujeito lá ganhando pouco?”, pergunta ele, que responde: “Simples: você permite o bico e cria uma escala de trabalho que acomode atividade extra”. Essa é uma das explicações para escalas como as de 12 horas de trabalho para 24 ou 36 de folga. São agentes de segurança pública atuando no setor de segurança privada – serviço que só faz sentido onde as polícias falham. O conflito de interesses é evidente. “Trata-se de um ‘gato’ orçamentário, um acordo entre o Estado e a ilegalidade. O Estado faz vista grossa para manter a estabilidade de um orçamento que é irreal”, avalia Luiz Eduardo Soares. “Há, dessa forma, uma autorização tácita para a criação de agências de segurança privada que estão na base das milícias”. Segundo a pesquisa da FGV, 95% dos policiais afirmam que a falta de integração entre as diferentes polícias torna seu trabalho menos eficiente, 99,1% avaliam que os baixos salários são causa deste problema e 93,6% apontam a corrupção como causa do mau serviço prestado à sociedade. Outro problema quase unânime nas corporações, segundo a avaliação dos próprios policiais, é a formação deficiente (98,2%).


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Reportagem Continuação Pacto Em 2007, Pernambuco criou um programa de redução de homicídios que previa metas, premiações e trabalho conjunto das várias instâncias da segurança pública. No Pacto pela Vida, elaborado pelo sociólogo José Luiz Ratton, o então governador Eduardo Campos (1965-2014) passou a coordenar pessoalmente reuniões entre as duas corporações, o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Tribunal de Justiça e secretarias de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, entre outras, no combate aos homicídios que sangravam o Estado – então um dos campeões em mortes violentas do Nordeste. “É impossível pensar no desenvolvimento do país com taxas de homicídio como as que temos. É uma tragédia que, para ser combatida, precisa de um esforço interinstitucional. É preciso ter uma visão sistêmica da violência no Brasil e articular áreas de desenvolvimento social com polícia e Justiça”, diz o mineiro Ratton, que é professor do departamento de sociologia da Universidade Federal de Pernambuco. Desde o pacto, as mortes por agressão no Estado caíram 39%, e o índice de elucidação dos crimes contra a vida subiu para mais de 60% – a média brasileira é de míseros 8%. No Reino Unido, 90% dos homicídios são esclarecidos. Na França, 80%. Nos EUA, 65%. O índice brasileiro é quase todo fruto de prisões em flagrante, e não de investigações – cujo resultado pífio é produto não só do caldo de rivalidades, corrupção e má formação das polícias, mas também de uma fraca participação do Ministério Público. O MP falha tanto na função de controle externo da atividade policial como na cobrança por diligências específicas. Na prática, pouco tem feito para cobrar ação da polícia, limitando-se a concordar com a extensão dos prazos regulamentares sem exigir qualidade na investigação. “Não sei o que aconteceu com a promotoria criminal”, comenta Alexandre de Moraes, secretário da Segurança paulista, que trabalhou no Ministério Público. “Parece que a área perdeu o charme. Vemos a promotoria do meio ambiente, por exemplo, fazendo ótimo trabalho, mas não a criminal”. Trata-se de um sistema que, além de pouco eficiente, favorece a famigerada lentidão da Justiça brasileira. Pesquisa recém-divulgada pelo Ministério da Justiça, que monitorou o tempo de trâmite de casos de homicídio doloso em cinco capitais brasileiras, não deixa dúvidas: a fase de inquérito policial, que leva ao menos 30 dias, chega a 700 dias em Belo Horizonte, onde a duração de um processo de assassinato intencional, da descoberta do crime à sentença, é de mais de nove anos. Trabalho dobrado Uma parte dessa lentidão se deve ao fato de o delegado de polícia funcionar como espécie de juiz de instrução ou de primeiríssima instância. Isso quer dizer que todos os procedimentos feitos na delegacia durante a investigação, como o depoimento de vítimas e testemunhas, são repetidos no Judiciário, fase do processo em que a defesa pode se manifestar. “O delegado brasileiro é uma figura ‘sui generis’ porque é um operador de direito dentro

da polícia e, como seus atos são feitos fora da estrutura do Judiciário, tudo tem de ser repetido quando o caso chega à Justiça”, explica o delegado Orlando Zaccone. Trabalho dobrado demora, claro, o dobro do tempo, o que ajuda a girar a máquina da impunidade, por um lado, e a punição desproporcional dos desprivilegiados, por outro. Pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da USP monitorou casos de prisão em flagrante feitas com base na Lei de Drogas, que determina reclusão para traficante e prestação de serviços para usuários. Dois casos acompanhados pelo estudo ilustram bem essa lógica. Um homem de 30 anos, desempregado, primeiro grau completo, com uma passagem por roubo e sem residência fixa foi preso em flagrante por dois PMs com 8,5 gramas de maconha e R$ 20. Na delegacia, apesar da pequena quantidade de droga, ele foi enquadrado como traficante. Aguardou seis meses para ser ouvido por um juiz, respondeu ao processo preso e foi condenado a cinco anos e dez meses em regime fechado. Dois jovens de 19 e 25 anos, universitários, moradores dos bairros de Perdizes e Lapa, zona oeste de São Paulo, sem antecedentes criminais foram presos em flagrante por dois PMs com 475,2 gramas de maconha, mais porções separadas que somavam 25,8 gramas e uma balança de precisão. Na delegacia, foram enquadrados como traficantes. Seus advogados obtiveram sua liberdade provisória um dia após o flagrante, sob o argumento de que a droga era para uso pessoal. Eles respondem ao processo em liberdade e, passados nove meses do flagrante, a sentença ainda não havia sido proferida. Segundo estudo do Instituto Sou da Paz, 37% dos detentos de São Paulo são presos provisórios que aguardam julgamento. Desses, apenas 3% foram presos após alguma investigação. A maior parte das prisões foi feita por abordagem, que se baseia no discernimento do policial para eleger quem é ou não parado e revistado. “A falência da investigação é endêmica. Como as polícias são sobrecarregadas, são seletivas, e essa seletividade abre espaço para critérios discricionários e para a corrupção”, explica Ignácio Cano. “Além disso, a polícia ostensiva sempre recebeu preferência em relação à polícia de investigação. As PMs têm um contingente sempre maior que o da Polícia Civil”. Para o antropólogo Luiz Eduardo Soares, a prevalência do flagrante sobre a investigação gera uma distorção. Ele explica que “os crimes passíveis de flagrante são aqueles que acontecem nas ruas, portanto, sob um filtro social, territorial e racial”. Abordagens policiais em São Paulo resultam, segundo estudo, na prisão preferencial de jovens (62,9% têm de 18 a 25 anos) e, apesar de ocorrerem em sua maioria em locais públicos e durante o dia, 76,6% têm como únicas testemunhas policiais militares. A polícia de São Paulo fez 15 milhões de abordagens em 2013 (mais de um terço da população do Estado, estimada em 44 milhões em 2014). Segundo a pesquisadora Tânia Pinc, major da PM paulista, que já comandou a Força Tática, “em Nova York, a polícia aborda 2,3% da população da cidade ao ano”.


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Continuação Para ela, as abordagens são uma prática rotineira banalizada. Basta ver seu resultado: enquanto os policiais do Estado de São Paulo fazem 100 abordagens para cada prisão, a polícia de Nova York faz 12. “Abordagem conta como indicador de desempenho policial, e tanto a polícia como o governo usam esses números para dizer que estão trabalhando”. Premiar desempenho é o tipo de política que tem de ser feita com cautela e critérios bem pensados. O maior absurdo nessa área foi apelidado de “gratificação faroeste”. Criada em 1995 no Rio de Janeiro, premiava policiais por “atos de bravura”, o que incluía envolvimento em casos nos quais a ação policial terminava com o corpo do suspeito no chão. A partir do prêmio, o número de óbitos pelas polícias fluminenses, em casos registrados como resistência à prisão seguida de morte, aumentou até atingir, em 2007, o pico de 1.330 mortos. Desde então, esse número vem caindo, apesar de ter subido, simultaneamente, o registro de homicídios a esclarecer no Estado. A maior parte dos casos de mortes envolvendo policiais é arquivada ao chegar ao Ministério Público, que muitas vezes acata procedimentos de exceção como quebra de sigilo e invasão de domicílio. Hoje, 98% das prisões realizadas em residências são feitas sem mandado judicial – expedido apenas quando uma investigação comprova que a prisão é necessária. Invade-se a casa sem autorização, o que é ilegal, não raro com base em denúncias anônimas. O caso das mortes, no entanto, segue como o mais grave. Em uma pesquisa na qual avaliou 300 processos de óbito por intervenção policial, o delegado Orlando Zaccone identificou que 99% dos autos que chegavam ao MP foram arquivados em menos de três anos. “O Judiciário tem de ser mais rigoroso com essas mortes, porque hoje participa delas”, diz. Segundo ele, a condição de vida de quem morreu, o local onde se deram os fatos ou a existência ou não de antecedentes criminais já são suficientes para que o Ministério Público identifique a morte como legítima e arquive o caso. “Como vamos reformar as polícias se a ideia de que o criminoso é matável não é só dela, mas do promotor, do jornalista e da sociedade como um todo?”, avalia ele. “Policial bom, no Brasil, é aquele treinado como guerreiro. Nossos ídolos são os operadores da guerra”. Não é coincidência, portanto, que o segundo deputado estadual mais votado em São Paulo, coronel Telhada (PSDB), seja aquele que, ao ser entrevistado pelo correspondente do jornal “The New York Times”, sorri para dizer que matou 30 “bandidos” ao longo de sua carreira na Polícia Militar. De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça em 2009, 44% dos brasileiros concorda com a máxima que diz que “bandido bom é bandido morto”. Guerra e paz O quartel-general da Polícia Militar do Rio de Janeiro é uma construção fortificada de 1740, no centro da cidade. A sisudez das escadas de madeira escura, das bandeiras e dos brasões destoa dos objetos escolhidos para a decoração de uma sala em particular. Naquelas paredes, um quadro vermelho com a imagem de Lênin faz par com uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Sobre a mesa larga, um pequeno porta-retratos com a foto de Nelson Mandela e a citação “Aprendi que coragem não é ausência de medo, mas o triunfo sobre ele” divide espaço com pilhas de livros, entre os quais “A República”, de Platão, “Guerra e Paz”, de Tolstói, e outros de Nietzsche, Fernando Pessoa e Simone Weil. Sentado atrás dos livros e diante das fotos dos 48 oficiais que o antecederam no posto de chefe de gabinete, o coronel Íbis Pereira da Silva se vangloria de duas ações ocorridas quando esteve no comando da PM do Rio, em dezembro do ano passado. “Fizemos duas desocupações de prédios para reintegração

de posse sem usar uma bomba de efeito moral nem disparar uma bala de borracha sequer. Tenho o maior orgulho disso”, gaba-se. Para ele, uma das tragédias do modelo atual de segurança pública é que, nele, “a polícia tem de prender, e não proteger as pessoas – e a polícia que não promove nem protege direitos, sejam eles das vítimas ou dos criminosos, é uma ameaça à cidadania e à democracia”. O coronel Íbis integra a primeira geração de policiais treinados no apagar das luzes do regime militar que chega aos comandos da corporação. Quando ingressou na Academia de Polícia, em 1982, estava sendo descontinuado o manual de segurança interna e defesa territorial cuja capa estampava a imagem de um vietcongue, comunista vietnamita, sentado sobre um mundo que sangrava. Sua primeira aula foi de direitos humanos. “Mas houve uma coincidência terrível e desastrosa. No momento em que saíamos da ditadura e da visão ideológica de guerra contra os comunistas, o presidente [norteamericano] Ronald Reagan declarou a guerra às drogas”, conjectura Íbis. “Então, o sistema de segurança que vinha operando contra um inimigo apenas mudou sua figura, mas a máquina continuou a rodar com as mesmas violações de direitos e a mesma lógica de combate”, avalia o coronel. Para ele, a dinâmica da guerra altera os marcos morais e a noção de certo e errado. “Quem acha que está em combate, como é o caso das nossas polícias, é capaz de cometer atos brutais e ofensivos porque acredita que é aquilo que se espera dele. Isso acontece comigo, com você, com um monge”, diz. A peculiaridade do trabalho policial, que pede resoluções imediatas para situações complexas e imprevisíveis, contribui para desvios de conduta e uso excessivo de armas de fogo, pondo tanto policial como suspeito em perigo. Quando começou a pesquisar abordagem policial, a major Pinc identificou problemas no treinamento. Havia protocolos e métodos, mas não eram seguidos. Propôs, então, um supertreinamento para uma equipe e comparou seu trabalho com o de outra. “Descobri que a premissa de que treinamento resolve está furada”, revela. Ela classificou os oficiais em diferentes padrões, quanto ao quesito letalidade. Vão do primeiro, que só age dentro da legalidade, ao quarto, o de policiais que matam intencionalmente. “São pessoas doentes, transformadas, que, se não têm oportunidade para matar, criam. Esses têm que sair”, diz. No meio estão os que devem ser objeto de programas que combinem treinamento com estratégias de supervisão, monitoramento por câmeras e premiação de boas práticas. O segundo é o tipo despreparado, que mata para se defender, mas não assume que atirou no susto. O terceiro é aquele que atira por sucumbir à pressão. “Ele tem controle da situação, mas sabe que, se não atirar, vai chegar no quartel e um colega vai dizer: ‘Pô, você teve a chance e não matou, por quê?’”, diz a major, que entrevistou centenas policiais. “Se esse tipo de ideia existe na sociedade, é claro que existe na polícia também”. “As polícias matam porque trabalham em locais violentos; porque há nas corporações uma doutrina do combate, e combate se faz atirando; porque não há fiscalização eficiente de suas atividades; e, sejamos sinceros, porque, na sociedade brasileira, isso responde a uma demanda social”, avalia Ignácio Cano, da Uerj. “A polícia é violenta desde a sua formação”. “Ainda que consideravelmente melhorada, a polícia não goza de grande prestígio junto à população, sem dúvida por causa da lembrança de antigos abusos. É aliás difícil conseguir que os policiais façam uma distinção perfeita entre a razão e o erro, e sobretudo lhes fazem falta o tato e a amenidade no trato.” O diagnóstico foi registrado em 1912 pelo viajante francês Paul Walle. Mais de cem anos depois, ele permanece atual.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

4 Dois homens e uma sentença São Paulo, 2013

RAPHAEL MONTES

No início de 2013, li na internet que aconteceria a primeira edição do Pauliceia Literária, evento com foco na literatura policial, sediado na Associação dos Advogados de São Paulo. Eu havia publicado “Suicidas”, meu romance de estreia, pela editora Benvirá em setembro do ano anterior. O livro havia tido feliz aceitação entre os leitores e boa recepção crítica. Depois de alguma investigação, cheguei ao nome da curadora do Pauliceia, Christina Baum. Consegui o contato dela e, na cara de pau, enviei um e-mail apresentando meu trabalho e manifestando interesse em participar do evento. Christina gentilmente respondeu explicando que não conhecia meu trabalho, mas pediu que eu lhe enviasse um exemplar de “Suicidas”. Uma semana depois, Christina me ligava para dizer que havia devorado o livro e fez o convite para que eu participasse do evento. Fiquei muito feliz. Entre os autores convidados, muitos que eu admirava e lia há anos: Patrícia Melo, William Landay, Marçal Aquino, Tony Bellotto e... Scott Turow. Sim, Scott Turow, o cara que escreveu “Acima de Qualquer Suspeita”, “O Ônus da Prova” e “Erros

Irreversíveis”, o mestre do suspense jurídico norte-americano. Entre tanta gente legal, eu mal podia me conter de expectativa. Cheguei em São Paulo e fui recebido por uma equipe atenciosa e bem organizada. Sem perder tempo, pedi um carro para me levar ao local das palestras: o belo prédio da AASP no centro paulistano. Passei a tarde lá, cheio de ânimo, um pouco escritor, um pouco fã de vários que falavam no palco. A curadora Christina, que finalmente conheci ao vivo, logo virou Chris, uma amiga por quem tenho grande carinho. Novas amizades nasceram: Renata Megale, Danilo Thomaz, Leonardo Sica e vários outros advogados da AASP. À noite, o jantar de abertura para os participantes do evento foi numa churrascaria. A van que saiu do hotel se perdeu no caminho e cheguei atrasado. A maioria das pessoas já tinha se sentado e havia um único lugar vago em uma das mesas: ao lado do Scott Turow. Tímido, me aproximei e sentei ao lado do mestre. Scott é um sujeito simpático, de sorriso largo e estava muito bem acompanhado da bela esposa, Adriane Glazier. Papo vai, papo vem, logo eles quiseram saber o que eu – aos 22 anos, sem barba, com cara de moleque – estava fazendo naquele evento. Expliquei que era escritor de suspense, tinha apenas um livro publicado etc. Contei a história de “Suicidas” e também a

ACERVO PESSOAL

O escritor americano Scott Turow (esq.) e o brasileiro Raphael Montes, em setembro de 2013, em SP

de “Dias Perfeitos” – que eu estava escrevendo na época – e prometi que assim que tivesse o texto em inglês lhes enviaria por e-mail. O papo durou horas. Falamos de literatura, de direito, de família e de amores. Scott é um sujeito fantástico, me deu conselhos, lições de vida. Em

certo momento, quis saber se havia muitos “thrillers jurídicos brasileiros” e eu disse que não, não havia. “O formato do nosso tribunal do júri não ajuda”, expliquei. Ele perguntou como funcionava e comentei sobre nosso processo penal. Depois de alguns minutos de silêncio, ele me olhou: por

que você não escreve uma história assim, assim e assim?. Tinha acabado de me dar uma ótima premissa para um thriller jurídico brasileiro. “Quando escrever esse livro, dedique a mim”, brincou, entre risadas. A ideia continua no meu bloco de notas. Quem sabe um dia?


(92) 3090-1042

Caderno D

ÃO

plateia@emtempo.com.br

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DIVU

Plateia

Villa Mix traz seis atrações em março Plateia 3

A exclusividade da cerveja artesanal

FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

Estabelecimentos em Manaus apostam cada vez mais nesse mercado e oferecem rótulos nacionais e internacionais ao público

SÉRGIO RODRIGUES Especial EM TEMPO

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cerveja artesanal é conhecida por usar processos diferenciados de produção e ingredientes que fogem da tradição, resultando em sabores inéditos. Em Manaus, houve um crescimento no número de casas que oferecem e apostam no mercado de bebidas especiais, como é o caso do Barão Cervejas & Empório, inaugurado há cerca de 10 meses, e que trouxe um catálogo diferenciado à cidade. Desde que abriu as portas, na Avenida Nilton Lins, bairro Flores, a variedade e a originalidade foram a premissa da carta de bebidas oferecida pelo estabelecimento, de acordo com o proprietário e gerente, George Costa. Com mais de 300 rótulos artesanais, entre 100 nacionais e 200 de mais de 20 países ao redor do mundo, a casa foi bem recebida pelo público manauense que encontra, no local, cervejas dos mais variados estilos e sabores. “Apesar de termos pouco tempo de casa, as pessoas aprovaram o Barão pelo fato de encontrarem cervejas que foram experimentadas apenas em viagens para outros países”, afirma Costa. “Por artesanal, entendemos aquelas cervejas que fogem da produção em larga escala comercial e prezam pela qualidade da bebida”, enfatiza. Os rótulos nacionais estão entre os mais requisitados e

chegam a 70% dos pedidos da casa, seguidos pelos títulos internacionais. A Colorado, vendida em garrafas de 310 ml até 600 ml, figura entre as mais exigidas pelos clientes. “Os preços variam de R$ 20 até R$ 36 e o teor alcoólico pode ir de 5% até 11,5%. Além dela, outros títulos nacionais como Bamberg, de São Paulo, e a Backer, de Minas Gerais, também agradam os clientes”, informa o proprietário. Fabricada no município de Ribeirão Preto, em São Paulo, a Cervejaria Colorado é uma

ATRATIVO

Entre os destaques dos rótulos internacionais do Barão Cervejas & Empório está a trapista, produzida de forma quase manual pela ordem católica de monges Trapista, criada no século 17

das precursoras do mercado artesanal no Brasil desde 1995 e já conquistou um público fiel. O malte e o lúpulo rigorosamente selecionados, combinados com ingredientes especiais como café, rapadura, mandioca, mel e castanha do Pará, formam sabores que são exportados para a França e Estados Unidos. A companhia também destaca o uso da água do aquífero Guarany, considerada uma das maiores e mais puras reservas de água doce do mundo, para

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

No Barão Cervejas & Empório, capitaneado por George Costa, os rótulos nacionais chegam a 70% dos pedidos da casa

CERVEJA L

E COMBUSTÍVIA DA ALEGR

fabricar os chopes e cervejas. Entre os destaques dos rótulos internacionais, Costa destaca a cerveja trapista. Produzidas de forma quase manual pela ordem católica de monges Trapista, criada no século 17, as cervejas trazem um selo de exclusividade que atesta a origem e qualidade do produto. O controle de autenticação é feito pela Associação Trapista Internacional que autorizou apenas dez mosteiros, localizados na Áustria, Bélgica, Holanda e EUA, entre os mais de 200 espalhados pelo mundo para fabricarem a cerveja. “As cervejas trapistas são produzidas de forma limitada e um dos requisitos de avaliação que a associação utiliza nos mosteiros é a verificação de lucro excedente com a bebida. Toda a verba arrecadada deve ser destinada a manutenção dos próprios mosteiros e equipamentos, ou revertida em ações de caridade”, esclarece Costa. As garrafas de cerveja trapista variam de 330 ml até 750 ml e podem custar de R$ 40 a R$ 60. Leia mais sobre o tema na página D4

A seleção da carta de bebidas, na Cachaçaria do Dedé, baseia-se na demanda dos clientes

Divulgação espontânea na web DANIEL AMORIM Especial EM TEMPO

Atendendo a sugestões, a Cachaçaria do Dedé começou a vender sua própria cerveja no ano passado. A boa fase deste segmento começou por volta de 2009, impulsionada pela divulgação espontânea de consumidores nas redes sociais. A partir de então, a seleção da carta de bebidas baseia-se na demanda e na opinião dos clientes sobre os produtos. Hoje, os destaques do acervo ficam por conta dos produtos que levam o nome do estabelecimento e as cervejas Amazon Beer, produzidas em

Belém. Apostando na diversidade do sabor regional, a empresa paraense possui um catálogo que inclui sabores como o bacuri e a priprioca (erva nativa da Amazônia, cujo uso culinário começou a ganhar destaque recentemente). Sucesso de vendas, a cerveja de açaí apresenta gradação mais elevada – a garrafa de 355 ml tem 7,2% de teor alcoólico. “Muitos programas de TV vêm mostrando o processo de fabricação deste tipo de produto, e isso acabou influenciando também o interesse do amazonense”, opina Luciano Pontes, atendente do estabelecimento.

Fabricadas exclusivamente em Nova Lima (MG), as cervejas Dedé seguem uma receita austríaca cujas origens remontam ao século 18. Atualmente, a loja dispõe de três tipos da marca: Waisser (trigo) Larger (pilsen tradicional clara, de baixa fermentação) e Dunkel (com sabor semelhante ao do café e tonalidade de malte torrado). Os preços variam de R$ 11,90 a R$ 13,90, respectivamente. O gás encontrado nas cervejas artesanais, ao contrário daquelas vendidas em larga escala, é resultado da fermentação do lúpulo produzida por bactérias. Essa é a diferença básica entre os dois tipos.


D2

Plateia

>> Baile da Vogue . O badaladíssimo baile de Carnaval da revista “Vogue” sacudiu os famosos na quintafeira em São Paulo. . A folia chic juntou gente bonita por todos os lados no Hotel Unique, com show de Ivete Sangalo, Aline Rosa e Ludmila. Na coluna de hoje, algumas mulheres que deram show na produção.

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>> Ação

Fernando Coelho Jr.

. Com o início das aulas na rede pública e particular de ensino no Estado, é necessário lembrar de algumas ações para garantir o bem-estar e a qualidade da educação na vida dos jovens que frequentam os ambientes escolares. Entre elas, está o combate ao Bullying. E quem levanta a bandeira dessa causa é Nejmi Jomaa Aziz (Foto) que chama atenção dos pais, alunos e da sociedade para combater esse problema que traz consequências graves na vida de muitas pessoas. . Nejmi Jomaa realizou palestras em escolas e apoiou projetos voltados para o combate a essa prática bastante comum nas escolas. “Defendo há mais de quatro anos essa campanha de combate ao Bullying e contínuo mobilizando nosso povo para lutar contra esse problema que existe nas escolas. Devemos saber conviver com as diferenças e respeitar cada ser humano seja na sala de aula, no trabalho ou em casa”, comentou Nejmi Jomaa. . Além dessa campanha, Nejmi divulga em seus perfis na redes sociais outras causas que possuem seu apoio junto à sociedade. Recentemente, ela mobilizou as pessoas para a doação de sangue com o intuito de aumentar os estoques da Fundação de Hemoterapia do Amazonas (FHemoam).

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Milena Toscano

Alessandra Ambrósio

Gianni Albertoni

Vivi Orth

Carolina Dieckman

>> Feijão . Hoje no Diamond Convention Center tem badalação com sabor carnavalesco. . Julio Ventilari e Marko Belém assinam a quatro mãos sua feijoada de Carnaval com a bateria da Escola de Samba de Aparecida.

Fiorella Mathei

Adriane Galisteu

Fernanda Keulla

>> Objeto de desejo . O novo relógio Monterubello Power Reserve, da Ermenegildo Zegna, fabricado pela relojoaria Girard Perregaux, tem edição mais que limitada, de apenas 50 peças no mundo, para comemorar os 50 anos da marca italiana no mundo da relojoaria. . De ouro rosa, com mostrador chocolate e números clássicos, é desejo imediato. Para o Brasil só vem um deles, que poderá ser conferido sob solicitação na loja Ermenegildo Zegna do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Sofisticação pura!


Villa Mix Manaus

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terá seis superatrações Victor & Leo, Jorge & Mateus, Matheus & Kauan, Luan Santana, Israel Novaes e a novidade Wesley Safadão e Banda Garota Safada são os artistas confirmados para o festival

SERVIÇO VILLA MIX FESTIVAL MANAUS Quando 14 de março Onde sambódromo Quanto Pista 1º lote – R$ 60 (estudante); Camarote 1º lote – R$ 200 por pessoa (estudante); Área VIP 1º lote – R$ 260 (estudante); Área Extra Vip R$ 500 (fem.) e R$ 600 (masc.) Estande da Fábrica no Amazonas Shopping, loja da Centrais de Fábrica no Shopvendas ping Cidade Leste e no site www. fabricaingressos. com Informações 3303-0100

Luan Santana ap resentará novos e antigos sucessos

O

Israel Novaes es tá entre os destaques do evento

Jorge & Mateus pr um show rechea omete do de hits

maior festival de música do país está de volta e promete repetir o sucesso do ano passado. A edição de 2015 do Villa Mix Festival Manaus acontece no dia 14 de março, no sambódromo, e traz a mistura de ritmos entre as novidades na grade de apresentação dos artistas. Destaque para a dupla Jorge & Mateus, que promete um show recheado de sucessos. Além desses sertanejos, também sobem no palco a dupla Victor & Leo e Wesley Safadão e a banda Garota Safada. A noite contará ainda com um time de grandes nomes da música sertaneja no país. São eles, Matheus & Kauan, Luan Santana e Israel Novaes. De acordo com Bete Dezembro, responsável por organizar e executar o festival, o Villa Mix Manaus é um dos eventos mais aguardados da cidade. Ela destaca que a escolha das atrações se deve ao formato apresentado no Villa Mix Goiânia. “O festival começou em Goiânia e, partir dali, outras grandes capitais foram fazendo as suas edições com o mesmo modelo. A Fábrica este ano apostou em trazer as atrações que se apresentaram na última edição de Goiânia para que a grade ficasse idêntica a do próprio festival”, diz Bete, se referindo a participação de Wesley Safadão e a banda Garota Safada. “Eles apresentam um trabalho de boa aceitação em todo o Brasil e aqui em Manaus não é diferente, até porque o forró é muito presente”, completa. Nesta terceira edição do festival em Manaus, o público contará com doses a mais de divertimento já que reúne um maior número de artistas. Bete adianta que o Villa Mix deste ano contará também com o que há de melhor quando se fala em estrutura, além de tecnologia de som, luz e palco. “Vamos abrir o calendário de eventos da Fábrica com esse grande

festival”, finaliza. Os ingressos já estão disponíveis para compra nas centrais de vendas da Fábrica de Eventos e também pelo site www.fabricaingressos. com. Os setores disponíveis são pista, camarote, área VIP e área extra VIP com vantagens exclusivas. Referência O projeto que é considerado uma referência no mercado do show e entretenimento surgiu com objetivo de reunir, em um mesmo palco, os artistas do casting da ÁudioMix. O evento, que teve sua primeira edição realizada em 2011, no estádio Serra Dourada, em Goiânia (GO), reuniu um público de 55 mil pessoas. A partir daí, percorrendo o Brasil, o festival foi conquistando cada vez mais pessoas: os índices apontaram mais de 100 mil pessoas em 2012, 650 mil em 2013 e mais de 800 mil pessoas em 2014, com projeção de 1 milhão para 2015. O festival impressiona por suas proporções, trazendo sempre uma estrutura compatível a de renomados shows internacionais, com palcos de gigantescas dimensões e o que hoje há de mais moderno em termos de tecnologia, cenografia, iluminação, efeitos visuais e som. No ano passado, o Villa Mix Festival teve 22 edições pelo país todo e a novidade para este ano é que o evento contará com mais de 25 edições pelo país e, pela primeira vez, ultrapassará as fronteiras nacionais. Outra novidade para 2015 é a presença do camarote Villa Mix no Carnaval de Salvador. No Carnaval do Brasil todos os povos se juntam para um só objetivo: se divertir e na terra da folia, da azaração e da alegria, o conceito do Villa Mix Festival, maior evento de música do país, se junta à energia incomparável da folia baiana.

Dupla Victor e Le o vulgar o CD “Viv vai dia Por Mim”

Direto de Goiás, os irmãos Matheus & Kauan

FOTOS: DIVULGAÇÃO

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MANAUS, DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015


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No Brasil dos cervejeiros, importadas estão reinando As cervejas importadas tomaram conta de Manaus e adeptos não faltam ao paladar Depois do trabalho amigos se reúnem para degustar uma boa cerveja importada e colocar o papo em dia

10 CERVEJAS IMPORTADAS MAIS VENDIDAS NO BEER’S 1. Brooklyn Black Chocolate Stout País de origem: Estados Unidos Álcool por volume: 10% Aroma: café, chocolate amargo e ameixa preta Sugestão de harmonização: queijos fortes, sobremesas de chocolate, sorvetes e trufas 2. Erdinger Weissbier País de origem: Alemanha Álcool por volume: 5,3% Aroma: banana, cravo, fermento Sugestão de harmonização: peixes, frutos do mar, saladas, salsichas

TRICIA CABRAL Equipe EM TEMPO

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ão é de hoje que as cervejas importadas vêm conquistando cada vez mais apreciadores em Manaus. Rótulos da Alemanha, Escócia, Bélgica, Dinamarca e Holanda, por exemplo, já fazem parte da rotina dos cervejeiros de plantão, que não dispensam nenhuma novidade que chega por aqui. No Beer’s & Beer (Container Mall) – que não é propriamente um bar comum, mas uma loja que permite uma boa degustação acompanhada de frios e chocolates – amigos se reúnem para apreciar desde a lager Pilsner Urquell (da República Tcheca), que tem aroma de biscoito e pão, até a stout Nostradamus (da Alemanha), que leva chocolate e café torrado. O teor alcoólico fica a critério das intenções etílicas do cliente. Há cervejas como a deliciosa Trappistes Rochefort 10, cuja garrafa de apenas 330 ml concentra 11,3% de volume de álcool, e a leve Carib, fabricada em Trinidad e Tobago, cujo teor alcoólico é de 5,2%. Apesar do preço salgado, que pode variar de R$ 10,90 a R$ 179,90 a garrafa, quem gosta mesmo de cerveja nem se importa quando o assunto é beber bem. Um dos proprietários do Beer’s, Bruno Lins, conta que o espaço recebe em torno de 200 clientes por semana, todos interessados em uma boa

breja. “Trabalhamos também com cervejas nacionais, mas o que predomina mesmo é a estrangeira”, afirma. Entre as mais vendidas no local estão a americana Brooklyn e a belga Delirium Tremens. O mais curioso é que o foco de interesse do manauense não é só a loura gelada. As escuras ganharam espaço e clientes fiéis. Uma das queridinhas é a intensa – e põe intensa nisso! – Dum Petroleum. Novos consumidores Essa tendência de investimento em cervejas importadas, que se estende a bares e supermercados, criou um novo tipo de consumidor e, de quebra, conquistou também o público feminino. É o caso do grupo Ladies Beer (Damas da Cerveja), que se reúne a cada 15 dias para apreciar uma boa breja importada – ou mesmo nacional, como a cerveja Insana, fabricada no Paraná, e de paladar irresistível. O público que frequenta o Beer’s tem mais de 30 anos e costuma optar por uma boa cerveja quando sai do trabalho, geralmente no fim da tarde, aproveitando a chamada happy hour. Nada melhor do que desestressar e esquecer dos problemas, concorda? Para o odontólogo Guilherme Carvalho, 36, um dos primeiros clientes a frequentar o espaço, degustar uma importada é como matar a saudade de um país que visitou. “Uma cerveja escura como a Guiness, por exemplo, me remete direto à Irlanda. Aprecio e ainda mato a saudade da viagem que fiz”, comenta.

3. Duvel Tripel Hop País de origem: Bélgica Álcool por volume: 9,5% Aroma: lupulado cítrico e herbal 4. Delirium Tremens País de origem: Bélgica Álcool por volume: 8,5% Aroma: malte, abacaxi, damasco Sugestão de harmonização: peixe com batatas, salada e frango

CERVEJA L

5. Chimay Triple País de origem: Bélgica Álcool por volume: 8% Aroma: frutas cítricas, pimenta Sugestão de harmonização: comida mediterrânea; queijo azul, cheddar, gorgonzola, limburguer; carne de porco e aves

E COMBUSTÍVIA DA ALEGR

Com um conceito diferente, no Beer’s não faltam rótulos internacionais de primeira linha

Conceito diferente de beber bem A ideia de investir em um lugar mais sofisticado, sem o rótulo de ser necessariamente um bar ou apenas uma revendedora de bebidas, surgiu dos sócios Bruno Lins e Alex Itaqui. “Queríamos ter um negócio próprio e apostamos nesse conceito diferente. Foi um investimento alto, porém inteligente”, conta Bruno. Segundo ele, os clientes do Beer’s podem ser divididos em três “categorias”: iniciantes, intermediários e avançados. Os iniciantes geralmente

são aqueles que surgem para conhecer e aceitam sugestões. Os intermediários já conhecem mais um pouco o que estão consumindo e demonstram um interesse a mais para o tipo de cerveja que vão degustar. Os avançados já não precisam mais de orientadores, porque conhecem bem as brejas disponíveis, sua procedência, estilo, aroma e até com que prato harmonizá-las. Bruno adianta que, em março, novos rótulos

estarão disponíveis para os apreciadores. Não há como negar. Depois de um dia de trabalho, uma cerveja gelada ainda é uma das melhores pedidas para abrandar a alta temperatura dessa cidade chamada Manaus. Conhecedor nato de uma boa breja, o cantor, compositor e cervejeiro Zeca Pagodinho sempre diz que “a cerveja e a cachaça são os piores inimigos do homem. Mas o homem que foge dos seus inimigos é um covarde”. Então, um brinde! (TC)

6. Trappistes Rochefort País de origem: Bélgica Álcool por volume: 7,5% Aroma: banana, ameixa, mel e caramelo Sugestão de harmonização: carnes vermelhas, de porco e de caça, azeitonas, bife grelhado, cassoulet, cogumelos, cordeiro assado, faisão, ossobuco e perdiz 7. Maisel Weisse País de origem: Alemanha Álcool por volume: 5,4% Aroma: trigo, banana, cravo e noz moscada Sugestão de harmonização: comida alemã, saladas, aves, peixes e crustáceos; queijos Brick, Edam e Fet

8. La Trappe Dubbel País de origem: Holanda Álcool por volume: 6,5% Aroma: malte torrado, chocolate, caramelo, frutas passas Sugestão de harmonização: sopas, carnes fritas ou grelhadas, presunto e pratos alemães 9. Yin País de origem: Dinamarca Álcool por volume: 10% Aroma: malte torrado, caramelo e chocolate 10. Yang País de origem: Dinamarca Álcool por volume: 10% Aroma: notas de lúpulo, cítrico, floral e frutado

FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Buraco da fechadura Dentro do que é possível adiantar, sabe-se que os primeiros trabalhos com o elenco completo de “Verdades Secretas” devem acontecer logo após o carnaval. Gravações, sob a direção de Mauro Mendonça Filho e equipe, só em março. Time fechado O diretor Wolf Maya não tem mais nenhuma pendência em relação ao elenco de “I Love Paraisópolis”, a substituta de “Alto Astral” na faixa das 19h da Globo. Time fechado. O papel da Françoise Forton, a professora de balé, era o último que faltava. Focado Durante os primeiros trabalhos dessa nova novela das sete, se cogitou a possibilidade de Wolf Maya, além de dirigir, também viver um de seus principais personagens, coisa que ele já fez em outras ocasiões, na Globo. Só que desta vez, Maya será apenas diretor. A Globo já não permite isso. Estreia Depois de passagens na Record e em outras emissoras, Amanda Françozo está firmando os pés na Rede Brasil de Televisão. Ama-

MARIO ADOLFO

REGI

GILMAL

ELVIS

DIVULGAÇÃO

Amante da vilã Em “Babilônia”, substituta de “Império”, André Bankoff viverá Pedro, um engenheiro mau caráter. E que será o braço direito, até mais que isso, de Beatriz, a vilã interpretada por Glória Pires. Paralelo às gravações da novela, Bankoff também viaja pelo Brasil com o monólogo “Não Existe Mulher Difícil”. A peça, dirigida por Lúcio Mauro Filho, retrata de forma divertida o comportamento dos homens após uma separação. nhã, segunda, às 22 horas, ela estreia o programa de entrevistas “Papo Vip”.

todas as emissoras, passaria a ser o primeiro ou um dos primeiros.

Tem um movimento A Rede TV!, sensível ao problema, está negociando a mudança no horário de apresentação do programa do RR Soares. Para evitar a coincidência de exibição, em se tratando do mesmo pastor, com a Bandeirantes.

Está de volta Depois das férias e enfrentar com muita coragem todos os desafios de Orlando, Glenda Kozlowski retorna neste domingo ao comando do “Esporte Espetacular”. Novamente formando dup com Ivan Moré.

Diante disso... Quem poderá sair no lucro é o “Rede TV! News”, o principal informativo da casa. É bem ampla a possibilidade de deixar a faixa das 22h30 e ser exibido próximo ao começo da noite. Em vez de ser o último do dia de

Acelerado Continua num ritmo dos mais interessantes a produção do sitcom do Tom Cavalcante no Multishow. Tudo quase no fim. Se tudo correr como espera, as gravações terão início entre os dias 20 e 23.

• É ou não é só apelação? O programa do Geraldo Luis, neste domingo anuncia que vai entrevistar, com exclusividade, o ex-boxeador Maguila... • ... Internado há quase um ano num hospital e que mal consegue falar... • ... E jogando para o público e talvez para a própria família do ex-boxeador, que se trata de uma homenagem. • Equipes da Globo já rodaram todos os barracões das escolas de samba do Rio e São Paulo... • ... Boa parte dessas pessoas já está inteiramente envolvida com o trabalho do carnaval. • Ainda a propósito do mesmo assunto, o pessoal da Band também começa a embarcar neste fim de semana para Salvador e Recife. • Depois da novela “Império”, Jackson Antunes fará o filme “Um Jogo para Tião Carreiro”, do diretor Clery Cunha.

C’est fini A Rede TV! promove em 1° de março, com exibição das 18h30 às 20h, a estreia do “Chega Mais”, seu novo programa de beleza, liderado por Adriano Doria, Matheus Mazzafera e Renata Kuerten. E devido a uma mudança em relação à primeira proposta, que era de início às 18h, o “Encrenca”, será apresentado das 20h às 21h. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Título ideal para novela A Globo nunca foi tão silenciosa em relação a um dos seus trabalhos como está sendo agora com “Verdades Secretas”, a próxima atração das 23 horas. Há quase que um juramento ao título escolhido. Por iniciativa da sua teledramaturgia ou do próprio autor, nada é revelado sobre a novela, nem do que pretende tratar ou mesmo dos atores que vão sendo chamados para formar o elenco. É um direito que não se discute. Se querem assim, que se esforcem para manter tudo escondidinho.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery


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Programação de TV

CAROL SOARES/SBT

8h Esporte Espetacular – Copa do Mundo de

10h30 Os Simpsons – Maratona

Futebol de Areia

12h30 Band Esporte Clube

3h45 Jornal da Semana SBT

11h Esquenta

14h Gol: O Grande Momento do Futebol

5h Brasil Caminhoneiro

12h30 Temperatura Máxima. Filme: Karatê

14h30 Futebol 2015 – Ao Vivo Fluminense

5h30 Planeta Turismo

Kid

X Bangu

6h30 Vrum

15h Futebol 2015: Campeonato Carioca -

7h Chaves

Fluminense X Bangu

9h Domingo Legal

17h Domingão do Faustão

13h Eliana

19h Fantástico

17h Roda a Roda Jequiti

21h17 Big Brother Brasil

17h45 Sorteio da Telesena

22h03 Planeta Extremo

18h Programa Silvio Santos

22h33 Domingo Maior. Filme: A Lista

22h De Frente com Gabi

0h05 Flash Big Brother Brasil

23h Série: Sobrenatural

0h11 Sessão de Gala. Filme: Janela Secreta

0h Série: Rizzola & Isles

1h49 Corujão. Filme: O Álibi Perfeito

1h Série: Pessoa de Interesse

3h28 Mentes Criminosas

4h Santo Culto em Seu Lar

2h Big Bang

3h59 Série

4h30 Desenhos Bíblicos

SBT

19h Só Risos 20h Polícia 24h 21h Pânico na Band – Melhores Momentos 0h Canal Livre 1h Show Business – Reapresentação 2h25 Igreja Universal

2h30 Série

GLOBO

O programa “De Frente com Gabi”, no SBT, recebe o cantor Saulo Fernandes, ex-Banda Eva

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Os cuidados com a saúde são agora fundamentais. O bem estar emocional e físico definem a qualidade deste seu dia. A força das emoções precisa ser bem direcionada. TOURO - 20/4 a 20/5 Dia de muita atividade social, mas com tendência a envolver-se em polêmicas ou mesmo um conflito. O modo como defende seu território e pontos de vista precisa ser moderado.

Cinema

9h Domingo Show

4h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 5h30 Santa Missa no Seu Lar 6h30 Sabadão do Baiano 7h Power Rangers + Jimmy Neutron 8h30 Palavra Cantada 9h30 Informercial – Polishop 9h45 Verdade e Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé na Estrada

13h30 Hora do Faro 17h30 Domingo Espetacular 21h15 Repórter em Ação 22h15 Roberto Justus + 23h15 Programação IURD

Cruzadinhas

ESTREIAS Um Santo Vizinho: EUA. 12 anos. Recém-chegada a um novo bairro dos subúrbios, Maggie é uma mãe solteira que faz o que pode por Oliver, o filho de 12 anos. Quando Vincent, o vizinho do lado, se apercebe que o rapaz fica muito tempo sozinho, oferece-se para, em troca de dinheiro, tomar conta dele depois da escola. Maggie, não encontrando melhor solução, aceita. O que ela não imaginava era que o seu novo vizinho, para além de misantropo e hedonista, tinha também uma ideia bastante peculiar sobre como cuidar de uma criança. Determinado a não abdicar do seu modo de vida pouco convencional, Vincent resolve levar Oliver com ele nas suas aventuras, mostrando-lhe as “vantagens” do jogo, da bebida e dos clubes de “strip”. Apesar de tudo isso, entre os dois estabelece-se uma amizade muito especial que os beneficiará a ambos e os mudará para sempre. Cinépolis Millennium 7 – 22h15 (leg/somente sexta-feira e sábado). DIVULGAÇÃO

Horóscopo

4h30 Santa Missa 5h30 Amazônia Rural 5h58 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h31 Globo Rural 7h25 Auto Esporte

RECORD 7h30 Record Kids - Pica Pau

BAND

4h Igreja Universal

16h50 3º Tempo

GÊMEOS - 21/5 a 21/6 É tempo de orientar o trabalho com as ideias unidas ao empenho pessoal. Um dia de ações decididas e enérgicas na profissão, mas dentro de condições instáveis. CÂNCER - 22/6 a 22/7 O dia favorece os estudos, o desenvolvimento da mente e o aprimoramento do espírito. Aumento da atividade intelectual. As viagens são favorecidas, desde que bem planejadas. LEÃO - 23/7 a 22/8 Possíveis prejuízos materiais, no caso de desatenção ou de precipitação. A dispersão e a falta de foco lhe prejudicam. Os encontros tendem a ser especialmente ricos e instrutivos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Uma atitude belicosa pode complicar a relação a dois e as associações. Antes de brigar e querer se separar das pessoas, analise e veja se esse é mesmo o melhor caminho. LIBRA - 23/9 a 22/10 O vigor que está imprimindo no trabalho e nos afazeres cotidianos é bom para superar obstáculos. Mas pode ser excessivo para as relações e situações delicadas. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Dia positivo para a comunicação dos sentimentos, embora estes sejam voluptuosos. Nem tudo o que sentirá hoje, virá a sentir com a mesma veemência amanhã. Seja cuidadoso. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você está especialmente envolvido com o trabalho intelectual e com formas de atuação em que esteja impulsionado por ideias. Contudo, você tende à irritação e à pressa. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A velocidade que as situações requerem é acelerada, mas talvez fosse melhor seguir em velocidade moderada. Mas também não se segure demais, ou pode se atrapalhar. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você coloca muita força e energia nos negócios e na lida material. Use apenas a força necessária, mesmo que esta seja muita. Atenção para os excessos com o corpo físico. PEIXES - 19/2 a 20/3 A conjunção Mercúrio e Marte em seu signo indica uma atitude franca e impositiva, colocando-se com evidência, seja lá qual for o ambiente ou condição em que se encontre.

Cinquenta Tons de Cinza: EUA. 18 anos. Adaptação para os cinemas do livro de E. L. James, o filme acompanha o intenso relacionamento entre a estudante de literatura Anastasia Steele (Dakota Johnson) e o milionário Christian Grey (Jamie Dornan), uma relação complexa que começa quando Anastasia deve entrevistar Christian para o jornal da faculdade. A partir daí, eles embarcam em um caso de amor e Anastasia não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também os segredos mais obscuros que Grey tenta esconder. Cinemark 7 – 0h01 (dub/somente quarta-feira).

O Destino de Júpiter: EUA. 12 anos. Em um universo onde os humanos estão em um dos níveis mais baixos da escala evolucionária, uma jovem desamparada se torna o alvo da Rainha do Universo, já que sua mera existência ameaça acabar com o reinado da Rainha. Cinemark 4 – 12h10, 17h50 (3D/dub/diariamente), 23h40 (3D/dub/somente sábado), 15h, 20h45 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 22h30 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 2 – 12h30, 18h15 (dub/diariamente), 15h30 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 22h (3D/leg/diariamente). Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. A vida corria tranquila para o otimista Bob Esponja e sua turma: o leal estrela-do-mar Patrick, o sarcástico Lula Molusco, a esquilo cientista Sandy e seu chefe, o crustáceo capitalista Sr. Sirigueijo. Quando a ultrassecreta receita do Hambúrguer de Siri é roubada, o caos se instaura no fundo do mar. Para salvar a pátria, Bob Esponja e o vilão Plankton precisam unir suas forças em uma viagem através do tempo e do espaço Em terra firme, a turma toda enfrenta o malvado pirata Barba Burguer que tem seus próprios planos para os deliciosos hambúrgueres e conta com a ajuda do seu fiel escudeiro – a gaivota Kyle. Cinemark 5 – 13h10, 15h30, 17h45 (3D/dub/diariamente), 20h (3D/dub/exceto segunda-feira), Cinemark 7 – 11h50, 14h10, 16h30, 18h45, 21h (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 14h, 16h30 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 13h, 15h15, 17h30, 19h40 (3D/dub/diariamente). Corações de Ferro: EUA. 16 anos. Durante o final da Segunda Guerra Mundial, um grupo de cinco soldados americanos é encarregado de atacar os nazistas dentro da própria Alemanha. Apesar de estarem em quantidade inferior e terem poucas armas, eles são liderados pelo enfurecido Wardaddy (Brad Pitt), sargento que pretende levá-los à vitória, enquanto ensina o novato Norman (Logan Lerman) a lutar. Cinemark 8 – 18h30, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 14h45 (dub/diariamente), 17h45, 20h45 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 13h15, 19h (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES O Jogo da Imitação: EUA/Reino Unido. 12 anos. Cinépolis Millennium 5 – 14h30, 17h, 19h (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 16h15 (leg/diariamente), 22h15 (leg/exceto sábado e domingo). Caminhos da Floresta: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 4 – 18h30 (leg/diariamente). A Entrevista: EUA. 16 anos.

Cinemark 3 – 12h30 (dub/exceto sábado e domingo), Cinemark 5 – 22h15 (dub/exceto segundafeira). A Mulher de Preto 2 – O Anjo da Morte: ING-CAN. 14 anos. Cinemark 3 – 15h20, 18h10 (dub/diariamente), 20h30 (dub/ exceto quarta-feira); Cinépolis Millennium 4 – 21h30 (dub/diariamente).

Minúsculos: FRA. Livre. Cinemark 3 – 11h (dub/diariamente). Busca Implacável 3: FRA. 14 anos. Cinemark 1 – 11h40 (dub/ exceto domingo), 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 21h (leg/diariamente). Os Pinguins de Madagascar: EUA. Livre. Cinemark 8 – 11h45,

14h, 16h15 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 4 – 13h45, 16h (3D/dub/diariamente). Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 11h10, 13h40, 16h10, 18h40, 21h15 (diariamente); Cinépolis Millennium 3 – 18h45, 21h15 (diariamente).


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Para enfermeiros

Jander Vieira

FOTOS: MANOEL NETTO

O Congresso Norte e Nordeste de Medicina Intensiva, que será realizado pela primeira vez no Amazonas, está com as inscrições abertas para os cursos “Monitorização Hemodinâmica” e “Assistência Ventilatória”, voltados aos profissionais, técnicos e estudantes de enfermagem. Os cursos, que fazem parte do calendário pré-congresso, serão realizados nos dias 22 e 23 de abril e as inscrições estão sendo realizadas no www.connemimanaus.com.br.

jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br

Entretenimento

Hoje, tem estreia do programa ‘Domingo na Praça’, a ação acontece no Parque Jefferson Péres, com várias apresentações culturais, como shows, artes cênicas, mostra de audiovisual, exposições fotográfica até performances ao vivo e vários debates. As bandas Johnny Jack Mesclado e Deskarados, Elisa Maia, Negro Lamar e Garcez Dirty Lion serão as atrações do evento que visa levar alegria a comunidade do entorno do lugar.

Pai do tipo de dedicado, Júnior Vieira vai ganhar festa de aniversário (amanhã) da mulher Bárbara e dos herdeiros Júlia e Henrique. O endereço do Ópera Prima será palco da celebração intimista

Chuva de confete

Sala de Espera

Ed Blair e Paulo Marinho estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Domingo tem folia garantida na João Valério. Trata-se da Banda do Vieiralves, às 18h, em frente da Degradê. As marchinhas tradicionais e o samba marcam o repertório, deste domingo, na praça de alimentação do Millennium com a Banda Moinhos de Vento, das 12h às 14h. Hoje, Marko Belém e Júlio Ventilari comandam feijoada divertida (no Diamond) para celebrar o Carnaval. O empresário Antônio Silva, presidente da Fieam, e o fotógrafo Barros serão os homenageados. A empresária Andréa Aziz vai pilotar coquetel de estreia da sua loja Onix Gold, no próximo dia 27, durante a inauguração do Parque 10 Mall – o mais novo centro de compras da cidade.

A cantora Marcia Novo representará o Amazonas no bloco “Acadêmicos do Baixo Augusta”, um dos mais tradicionais da cidade, a convite do cantor Wilson Simoninha. Ela cantará o Garantido com ‘Tic tic tac’ e ‘Vermelho’”, as toadas mais famosas do festim parintinense. Que tal? O gg do Tropical Hotel Ecoresort, Antônio Maglione, foi um dos convidados para a posse do novo comandante geral do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, em Brasília. Sônia Barros de Carvalho chegou da temporada de férias com Luana e seu amado Barros pelos redutos do Rio-Sampa. A querida Valderês Milério estará aniversariando amanhã, sem muitas comemorações.

A bela Kamila Jeniffer Barbosa desfilando simpatia nas cores do verão amazônico nos redutos do Village Casa de Comidas

Disputa concorrida

Com o incondicional apoio da PMM, concedido por meio da Portaria nº 126/2014, que oferece itens como palco, som, iluminação, telão e banheiros químicos, por meio da Manauscult, acontece hoje, a 28ª edição da Banda do Boulevard. Este ano, a BB coloca a mobilidade urbana em pauta, com a marchinha “Boulerbike: Eu quero é ir de ciclovia!”. A folia começa a partir das 16h, na avenida Senador Álvaro Maia.

Pós-Carnaval

Mesmo antes do skindô, a equipe de peritos médicos do Brasil já se prepara para participar do 5° Congresso Brasileiro de Perícia Médica Previdenciária. O evento acontecerá entre os dias 5 e 7 de março na hospitaleira e charmosa cidade de Bento Gonçalves. Médicos peritos, peritos judiciais, médicos do trabalho e especialistas da área já estão arrumando as malas para discutir os principais temas médico-periciais.

No próximo dia 28, às 8h, a praia da Ponta Negra se transformará no palco do Aquathlon, competição que envolve corredores e nadadores e que marcará o início das competições da Federação de Triathlon do Amazonas. A largada acontecerá, impreterivelmente, às 8h.

Aplausos O governador José Melo assinou, durante a solenidade de abertura do ano letivo das escolas da rede estadual de ensino, a homologação da lista dos aprovados no concurso público da Seduc. A previsão é publicar até amanhã, no Diário Oficial do Estado, as primeiras convocações, que totalizarão 2,5 mil candidatos nesta primeira chamada.

Márcio Braz E-mail: mbrazsantana@gmail.com

A reinvenção do Amazonas O Boi Bumbá Caprichoso prepara para o ano de 2015 o tema “Amazônia”, um agradecimento à região que serviu de foco e destino para inúmeros povos que, por sua vez, ajudaram a construir a sua diversidade cultural, bem como um agradecimento por ter permitido que em seu bojo, um festival e um boi com uma estrela na testa fosse criado. São raros os exemplos, como este do bumbá, em que se vê uma exaltação aos povos e sua contribuição regional; a repulsa nos surpreende cercada de atos de incompreensão histórica e preconceito. A realização do primeiro voo direto entre Manaus e Europa (Lisboa) ofertado pela TAP Linhas Aéreas provocou polêmicas nas redes sociais, meses atrás,a partir de uma montagem digital onde há uma comparação entre a chegada dos lusos nas terras tropicais no ano de 1.500 e o referido voo onde ambos, segundo o que a charge nos sugere, os portugueses se deparam com índios, no primeiro caso, arredios e em situação de combate e, no segundo, cordiais com belas índias do folclore de Parintins recepcionando os turistas. A charge digital ou même como é chamado, não deixa de ser uma crítica criativa, com uma construção de conteúdo irônica e racional, longe dos pieguismos da crítica apaixonada. O même não faz críticas ao voo, evidentemente, mas sim a forma com que recepcionamos os turistas onde, de fato, temos insistido na diluição de nossa identidade descambando-a no folclore parintinense. Talvez o tema da identidade tenha sido o mais explorado por esta coluna, assim como o de políticas culturais e o regionalismo. Como sabemos, a identidade tem sido estudada ao longo de muitos anos por um semnúmero de especialistas. Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil”, foi um dos pioneiros no pro-

cesso de compressão do tema voltado às questões nacionais, sem sequer usar o termo. A herança ibérica e o personalismo do “homem cordial” (este último, sobretudo), são os principais vetores a marcar a identidade brasileira, segundo Holanda. Gilberto Freyre contribuiu para a identificação de nosso tipo nos apresentando estudos relevantes onde a intimidade da casa grande e da senzala, as relações entre o coronel e as mucamas negras, forjaram o mestiço brasileiro identificados pelos traçosfísicos, cor, fala e outras formas de expressão. Neste sentido, cumpre-nos esclarecer que o mestiço é a composição por excelência do brasileiro. Não se enquadra, claro, na categoria de povos ou comunidades tradicionais, afinal, não é nem uma coisa e nem outra. É um tipo presente em muitas de nossas ações cotidianas e a reproduzimos de forma constante. Esta digressão sugere que a mestiçagem não só se deu entre negros e brancos, mas inúmeras culturas e povos também miscigenaram e contribuíram para a formação cultural do povo brasileiro. Logo, a identidade não deve ser fixada como algo e imutável. Ela é dinâmica, como a própria vida. No caso do Amazonas, inúmeros povos contribuíram para a sua formação social. Judeus, mulçumanos, africanos, barbadianos, italianos, entre outros, forjaram nossa identidade que podemos bem defini-la como diversa e plural. Logo, simplificarmos a riqueza de nossas expressões culturais, gestos, culinária e artes e reduzi-la a categoria folclórica,soa no mínimo estranha. A cultura do diálogo é importante para discutirmos o assunto e assim refletirmos sobre quem somos e de onde viemos. Parece mesmo que há uma confusão quando falamos de identidade. Já somos bem crescidinhos para compreender o tema.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

A herança ibérica e o personalismo do ‘homem cordial’ (este último, sobretudo), são os principais vetores a marcar a identidade brasileira, segundo Sérgio Buarque de Holanda”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE FEVEREIRO DE 2015


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