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EM TEMPO - 3 de agosto de 2014

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R$

2,00 PREÇO DESTA EDIÇÃO

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

RAIMUNDO VALENTIM

ANO XXVI – N.º 8.435 – DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

Os ônibus clandestinos têm a preferência de usuários que não querem esperar pelo transporte legalizado

ÔNIBUS PIRATAS

ROTA PERIGOSA

O EM TEMPO EMBARCOU EM UM DOS MUITOS ÔNIBUS CLANDESTINOS QUE CIRCULAM POR MANAUS E CONTA A EXPERIÊNCIA DE UMA VIAGEM SEM CONDIÇÕES MÍNIMAS DE SEGURANÇA. ESSES VEÍCULOS ATENDEM DIARIAMENTE TRABALHADORES QUE CHEGAM A PAGAR “TARIFA” DE R$ 3. “É PROIBIDO, MAS FAZ O TRAJETO PRÓXIMO, SEM PRECISAR TER DE PARAR NOS TERMINAIS”, RELATA UMA PASSAGEIRA. DIA A DIA C2 E C3

DIEGO JANATÃ

CANTATA

Uma nova leitura para ‘Dessana’ Maestro Adelson Santos (foto) prepara nova versão de “Dessana, Dessana”, com estreia prevista para setembro, no Teatro do Sesc. Plateia D1

PRATICIDADE

A hora e a vez dos serviços terceirizados

Desde a Idade Média, homens e mulheres já usavam bolsas. Os séculos passaram e o acessório é cada vez mais indispensável no dia a dia. Elenco 7

BRASILEIRÃO

Flamengo quer escapar da zona da degola Na zona do rebaixamento, o Flamengo, de Luxemburgo (foto), enfrenta a também ameaçada Chapecoense, hoje, na Arena Condá, em Chapecó (SC). Pódio E7

Duda, como é conhecida, morou 10 anos em Manaus até se mudar para os Estados Unidos

RAIMUNDO VALENTIM

GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

Economia B1

EDUARDA PAVÃO

De olho na seleção brasileira A jogadora de futebol Eduarda Pavão, que morou 10 anos em Manaus, brilha jogando futebol nos Estados Unidos, mas confessa que seu sonho é chegar à seleção brasileira. Pódio E5

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

E-mails vazados da Fecomércio do Rio mostram pedidos de favores do ex-governador Sérgio Cabral (caricatura) ao presidente da instituição. Ilustríssima G3

Além de deliciosos, sucos como maçã com couve e abacaxi com gengibre ajudam a fazer uma faxina no organismo, eliminando toxinas e auxiliando na perda de peso. Saúde F6 TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

Carreta de cerveja tomba na avenida das Torres Acidente ocorreu na manhã deste sábado e deixou trânsito caótico no local. Condutor do veículo sofreu ferimentos leves

IVE RYLO

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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ma carreta com 24 toneladas de engradado de cerveja tombou na avenida das Torres, na entrada da avenida Efigênio Sales, Zona CentroSul, na manhã de ontem. O veículo de placa OAK-4713 da empresa Porto Chibatão, fazia o translado da mercadoria do porto, no bairro Colônia Oliveira Machado, Zona Centro-Sul, até uma distribuidora localizada na avenida das Torres. De acordo com representante da empresa, que pediu para não ter o nome divulgado, o acidente ocorreu porque a carga se deslocou no interior do contêiner durante a curva e desestabilizou o veículo. “O contêiner vinha lacrado. A carga não foi armazenada corretamente, correu na curva e desequilibrou o eixo da carreta fazendo com que o conjunto carreta, cavalo e contêiner, viessem ao tombamento”, explicou. O motorista identificado somente como Patrício, 32, teve ferimentos leves por conta dos estilhaços do parabrisa e foi levado consciente ao hospital da Unimed, na ave-

nida professor Nilton Lins, no bairro Flores. “Nosso motorista era experiente, tinha curso para esse tipo de trabalho. Ele passou por avaliação médica, visivelmente ele sofreu um pequeno corte na cintura, mas vamos dar todo apoio ao colaborador”, disse o representante da transportadora. O funcionário reafirmou que o Porto Chibatão, responsável pelo transporte de 80% do volume de mercadorias de Manaus, seguiu todos os itens de segurança. Tanto caminhão como a carreta envolvidos no acidente, eram novos e estavam apenas com uma semana de uso. “O caminhão e a carreta estão atrelados. A carreta e o contêiner estão lockeados, isso significa que toda a parte técnica de segurança foi cumprida. O caminhão estava em velocidade baixa, estamos com tacógrafo, equipamento de segurança para fazer medição da velocidade. Há monitoramento via satélite que não permite que o motorista ultrapasse a velocidade de 60 quilômetros por hora. O motorista fez curva aberta, que demonstra que todos aspectos de segurança foram cumpridos”, salientou.

VAGAS

Concurso do Cetam será realizado neste domingo DIVULGAÇÃO

Concurso está oferecendo 125 vagas para todos os níveis

O governo do Estado, por meio do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), realiza neste domingo, dia 3, a prova referente ao Concurso Público para preenchimento de 125 vagas, nos níveis Médio, Técnico e Superior, em Manaus, Itacoatiara, Tabatinga e Tefé. Mais de 6 mil candidatos concorrem a uma das vagas e os salários variam de R$ 1.848,25 a R$ 3.760,60. Os portões de acesso aos locais das provas serão abertos às 8h (horário de Manaus) e serão fechados às 8h30 (horário de Manaus) e a prova terá a duração de 4h. Os candidatos precisam estar munidos do Cartão Informativo, onde consta o local da prova, e documento de identidade com foto. Não haverá segunda chamada ou repetição de prova. Os candidatos habilitados de acordo com critérios estabelecidos no Edital

do Concurso, ao cargo de Analista Técnico Educacional, serão convocados posteriormente para a Prova de Título, e deverão entregar documentação no período de 24 a 26 de setembro. Em Manaus, foram abertas 52 vagas para o cargo de Nível Superior e 52 vagas para cargos de Nível Médio, totalizando 104 vagas. Para o município de Itacoatiara foram destinadas três vagas para o cargo de nível superior e cinco vagas para cargos de nível médio. No município de Tefé, foram oito vagas, sendo três para nível superior e cinco para o cargo de nível Médio. Em Tabatinga, foi destinada uma vaga para o nível superior e quatro vagas para os cargos de nível médio. Em razão da diferença do fuso horário, no município de Tabatinga, o acesso dos candidatos aos locais da prova começa às 7h.

Acidente ocasionou um engarrafamento extenso na avenida durante toda a manhã. Apenas o motorista sofreu ferimentos leves

MADRUGADA

Homicídios registrados no sábado Dois homicídios foram registrados na última sexta-feira (31) e sábado (1º). O estudante Douglas Pereira de Almeida, 16, foi esfaqueado na madrugada de ontem, no bairro Armando Mendes, Zona Leste. De acordo com informações repassadas pelo Instituto Médico Legal (IML), Almeida foi atingido nas costas e no braço, na rua Armando Mendes , e foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Pronto Socorro João Lúcio, no São José, mas não resistiu aos ferimentos. Policiais da 14º Companhia Interativa Comunitária (Cicom) atenderam a vítima. O caso será investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A motivação do crime é desconhecida. O outro registro de homicídio ocorreu no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros da capital). Um homem identificado como Kemerson de Souza Brasil, foi encontrado morto na rua Margarida, no Centro. Segundo testemunhas, o crime ocorreu por volta das 19h20 da última sextafeira, quando o rapaz foi atingido por um projétil. O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A autoria do crime ainda é desconhecida.

LEI DETERMINA

Termina prazo para fim dos lixões Terminou ontem o prazo de quatro anos para as cidades brasileiras adequarem sua gestão do lixo às regras da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Sancionada em 2 de agosto de 2010, ela determina ações como a extinção dos lixões do país, além da implantação da reciclagem, reuso, compostagem, tratamento do lixo e coleta seletiva nos municípios. Pela lei, a partir deste domingo (3), as prefeituras com lixo a céu aberto podem responder por crime ambiental, com aplicação de multas de até R$ 50 milhões, além do risco de não receberem mais verbas do governo federal. Os prefeitos, por sua vez, correm o risco de perder o mandato. Em tese, se a legislação for cumprida à risca, muitas cidades podem ser punidas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente,

somente 2.202 municípios, de um total de 5.570, estabeleceram medidas para garantir a destinação adequada do lixo que não pode ser reciclado ou usado em compostagem.

PUNIÇÃO

Pela lei, a partir deste domingo, as prefeituras com lixo a céu aberto podem responder por crime ambiental, com aplicação de multas de até R$ 50 milhões, além de não receberem verbas Os municípios que não terão o aterro sanitário a tempo de se enquadrar na lei estão espalhados por todas as regiões do Brasil. No Paraná, por exemplo, há cidades que até dois meses atrás sequer haviam apre-

sentado um plano de adequação. Uma saída para os pequenos municípios paranaenses pode ser a formação de consórcios para uso conjunto dos aterros, para evitar que cada localidade tenha que arcar com os custos de ter o seu próprio. Mesmo sabendo que 60% dos municípios não cumprem a lei, o governo não pedirá prorrogação de prazo para que o programa passe a vigorar. André Vilhena, diretor da associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), afirma que o Brasil já venceu a fase de, na véspera, precisar esticar prazos por não haver cumprimento de metas. Atualmente, somente três estados possuem plano de resíduos sólidos: Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. O ministério não divulgou o total de municípios que já têm o plano definido. DIVULGAÇÃO

Somente os Estados de Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro possuem plano de resíduos sólidos


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

Contexto 3090-1016

A3

Editorial

contexto@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Intolerância e absurdos que levam à morte Quando parece que uma trégua está a caminho, a intolerância e os dogmas religiosos trazem de volta o horror de uma “guerra santa” que há tempos perdeu o mínimo propósito de existir. O cessar-fogo, tão desejado principalmente pelos palestinos da Faixa de Gaza, deveria durar 72 horas, mas durou pouco mais de 90 minutos. A trégua aos seguidos ataques foi anunciada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Jonh Kerry, e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-monn, e foi uma tentativa de amenizar a violência entre israelenses e palestinos que já dura três semanas. E um dos aspectos mais tristes desse combate é que nem mesmo a quantidade crescente de mortos é capaz de fazer com que os líderes dos dois lados vejam nele a insensatez que ele é e que produz. O portavoz do Hamas – braço armado dos palestinos – Osama Hamdan, culpou as ações israelenses pela violação da trégua, dizendo que os militares palestinos têm o direito de se proteger. Já Israel acusou membros do Hamas de dispararem foguetes e projéteis de morteiros contra o seu território. No meio dos argumentos frágeis e injustificáveis estão os milhares de civis que, acuados e temerosos, procuram os abrigos da ONU, locais que também há muito deixaram de ser “respeitados” pelos dois lados, tornando o confronto ainda mais sangrento. Prova disso foi a escola do campo de refugiados de Jabalya, em Gaza, que na semana passada foi atacada, deixando 15 pessoas, a maioria crianças, mortas. E embora sejam as crianças as que mais têm sofrido com essa irracionalidade, não há distinção a qualquer tipo de alvo, tanto é que até agora – conforme levantamento de autoridades de Gaza – 1.509 palestinos, civis em sua maioria, já morreram e outros sete mil ficaram feridos. Pelo lado israelense, 63 soldados morreram e 400 ficaram feridos. E se nem mesmo um cessar-fogo temporário tem sido respeitado por palestinos e israelenses, o que se pode esperar dos próximos dias? Que haja piedade aos que estão em meio ao fogo cruzado.

Desvantagem ‘tupiniquim’ Relatório das Nações Unidas mostra que as mulheres brasileiras ocupam apenas 9,6% dos cargos do Congresso Nacional, enquanto a média mundial é de 21%. Na América Latina e no Caribe, a ocupação das mulheres nos parlamentos nacionais é de cerca de 25% dos assentos. Isso quer dizer que o Brasil está no mesmo patamar de Estados árabes, onde as mulheres possuem menos de 14% dos assentos nos parlamentos. Finalmente O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional pode votar, na próxima quarta-feira (6), parecer sobre a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista. Diploma Esse parecer poderá ser utilizado pelos parlamentares como subsídio na discussão de propostas que restabelecem a necessidade de diploma específico para a categoria. Babaquice No dia 2 de junho, a Comissão de Liberdade de Expressão do conselho se manifestou contra a necessidade de curso superior específico para jornalistas. O placar da votação foi de 7 a 5. Respeito é bom É bom mesmo que se discuta a obrigatoriedade de diploma para o exercício do jornalismo. Pelo mínimo de respeito aos profissionais de comunicação que atuam no país. Seriedade Se para ser médico, engenheiro ou arquiteto, por exemplo, o diploma é obrigatório, por que para o jornalista seria diferente? E quem passou 4 anos em uma faculdade de comunicação? Perdeu tempo? Estudou à toa? É hora de mostrar que o Brasil não é a “casa da mãe Joana”.

Agora vai O senador Eduardo Braga, candidato ao governo pelo PMDB, já tem a fórmula para tirar Boca do Acre do marasmo econômico que sempre marcou a sua história. Vai construir, se eleito, um porto, uma hidrovia, uma estrada e um aeroporto. Grande salto Com isso, acredita o candidato que já foi governador duas vezes, Boca do Acre dará um grande salto para a economia, “com geração de emprego e renda, desenvolvimento e políticas públicas sociais importantes”. Parintins De 6 a 8 de agosto, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) realiza a Correição Ordinária na 2º Vara da comarca de Parintins e também no Cartório do 2º Ofício, para fiscalizar as atividades das unidades judicial e extrajudicial do município. Atualmente, a 2º Vara conta com um acervo de 1,6 mil processos ativos. Recomendação As correições realizadas pelos Tribunais de Justiça estaduais atendem a uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Meta 3, exclusivamente estabelecida para as Corregedorias Gerais de Justiça dos Tribunais do país, para o ano de 2014. Leonardo Boff Um dos mais renomados

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

teólogos do Brasil, Leonardo Boff concedeu uma polêmica, porém inteligentíssima, entrevista à agência de notícias “Adital”, onde falou sobre a situação no Oriente Médio e o fanatismo religioso. Nazismo Em um dos trechos, Boff fala sobre o conflito entre Israel e o Hamas: “Eles têm um país que foi vítima do nazismo e utiliza os métodos do nazismo para criar vítimas. Essa é a grande contradição”. Dízimo

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Sobre a cobrança de dízimo em algumas igrejas, ele dispara: “Dizem que você dá e Deus te devolve. Eu acho que é um abuso, porque religião não foi feita para fazer dinheiro, mas para atender às dimensões espirituais do ser humano e dar um horizonte de esperança”. Poder No fim da entrevista, Boff comenta sobre a disputa para a Presidência da República: “Notamos que é uma disputa de interesses de poder. Não se discute o projeto Brasil, se discute poder”. Assaltos Leitor enviou e-mail para a coluna alertando para a alta incidência de assaltos na rua Ramos Ferreira, no Centro, bem como nas vias próximas. Esses assaltos ocorrem em plena luz do dia e os criminosos continuam a transitar pela área, consumindo drogas abertamente.

VAIAS

Prefeitura de Manaus

ELVIS

Desrespeito a idosos SEMCOM

DIVULGAÇÃO

Para a Prefeitura de Manaus, que inaugurou a primeira galeria popular, tirando os camelôs da informalidade. O espaço tem 323 lojas e serviços como praças de alimentação, casa lotérica e PAC municipal.

Para o desrespeito a idosos em bancos, lojas e afins. Há uma lei que dá atendimento prioritário também a gestantes, portadores de deficiência e pessoas com crianças de colo. E lei é para ser obedecida.

Ave Lula Faz muito tempo que as pessoas dizem que de pretensão e de água benta cada um pega quanto quiser, pois não se conhece qualquer vigário que fiscalize e faça restrição à água benta que cada fiel tomar para si à entrada da igreja, assim como não há quem tenha o poder de dosar o volume de pedantismo de que alguém ache que, por justiça, mereça fazer uso. A mais eloquente demonstração da arrogância nos deu o nosso Lula quando, sozinho e, ao que parece, sem ouvir mais ninguém, tirou do bolso do colete, ou melhor, da cachola o nome daquela que pretendeu e logrou ter como sucessora na Presidência, como se esta fosse um domínio ou uma propriedade sua. Nem considerou que naquele momento, com a força política de que ainda desfrutava, tal escolha também atingiria a vida de mais duzentos milhões de brasileiros, sem contar alguns outros milhões de estrangeiros que por aqui tentam viver. Àquela altura, já plenamente arrependido do voto que lhe tinha dado, eu, numa atitude estritamente pessoal, sem negar respeito a quem dela discorde, não recorreria a Lula nem mesmo para que me indicasse um moto-boy para me trazer uma pizza com a mínima competência de fazê-la chegar ainda quente. Desse ato de arrogância, aí está o resultado: um governo incompetente que até a já superada inflação fez renascer, extremamente tolerante e propiciador da endêmica corrupção que ora nos fustiga. Como a arrogância é irmã e companheira inseparável do autoritarismo, o ex-presidente deliberou até imiscuir-se em questões vernaculistas e impor à nação o feminino “presidenta” que, mesmo sem constituir erro de linguagem, não é o usual e nem o seu patro-

cinador apresentou as credenciais acadêmicas compatíveis. É tamanha a atual arrogância lulesca, que o homem já pensa estar isento da básica obrigação de respeitar e se submeter às elementares regras da coerência lógica. Assim, logo depois de bradar a todos os ventos que jamais existiu esse acontecimento que todos designamos como “mensalão”, para ele pura invenção da direita política e da imprensa elitista e reacionária, vem a público afirmar que o julgamento do mesmo não foi isento e sequer respeitou os requisitos jurídicos, que ele certamente conhece melhor do que os juízes do fato. Ora, para julgar o inexistente, não há necessidade de grande saber jurídico. Agora, Sua Sumidade foi à Espanha, onde humildemente aquiesceu receber título de Doutor Honoris Causa da tradicionalíssima Universidade de Salamanca, e lá não teve pejo em fazer críticas à Suprema Corte brasileira, à qual acusou de julgamento 80% político e apenas 20% jurídico, precisamente do “inexistente” mensalão. E, naturalmente, a figura mais visada por Lula em meio a toda essa balbúrdia, outra não seria senão a do próprio presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, a quem toda a nação hoje deve o inusitado fato de um processo contra políticos e outros poderosos ter chegado ao fim e condenado figuras que sempre se colocaram acima da Lei. Aliás, nada mais estapafúrdio do que a declaração do ex-presidente, quando afirmou que nomeara Joaquim Barbosa ministro do Supremo por ser negro, categoria que ainda faltava na Corte. Belo critério para escolher-se um juiz em sua mais elevada posição. Parece que tripudiou de novo sobre o critério do mérito e levou ao Supremo o seu genial sistema de quotas.

João Bosco Araújo, Diretor executivo do jornal EM TEMPO

A mais eloquente demonstração de arrogância nos deu o nosso Lula, quando tirou da cachola o nome daquela que logrou como sucessora à Presidência da República. Desse ato de arrogância está o resultado: um governo incompetente e que fez a inflação renascer, e extremamente tolerante e propiciador da corrupção”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Ninho vazio

Se você observar, verá que a economia brasileira cresceu muito nos últimos 12 anos. Adotamos uma política de valorização real do salário mínimo. No governo tucano diziam que o aumento do salário mínimo causaria desemprego, mais informalidade no mercado e que a Previdência ia quebrar. Mas nós provamos o contrário

O turbulento início da disputa presidencial amplificou os ruídos na relação política entre Dilma Rousseff e Lula. O ex-presidente disse a aliados que a sucessora tem dado pouca atenção a suas sugestões sobre os rumos da campanha e que perdeu espaço na definição de sua estratégia. Lula reclamou que eles têm poucas oportunidades para conversar a sós e apontou que deve se limitar a fazer campanha para a presidente nas ruas e na TV, sem interferir no discurso da candidata. De cima... Em uma estratégia casada com Dilma, Fernando Pimentel (PT) vai reforçar seus ataques a Aécio Neves (PSDB) na campanha pelo governo de Minas. ...para baixo O objetivo é reforçar a polarização no Estado e evitar que o presidenciável transfira votos para Pimenta da Veiga (PSDB). Retaguarda Aécio tem viagens programadas ao Paraná e a Santa Catarina na próxima semana. A campanha tucana observou que a avaliação negativa do governo Dilma caiu na região Sul nos últimos meses. Fonte seca Deputados candidatos à reeleição sofrem para conseguir doações de empresas. Um dirigente de banco privado em São Paulo conta, “sem exagero”, que recebeu “mais de 50 ligações” de um congressista desde o início do mês passado. Fidelidade Autoridades que visitaram o Templo de Salomão, da Igreja Universal, na quinta-feira, se disseram

impressionadas ao ver uma mesa cheia de máquinas de cartão de crédito, usadas para arrecadar o dízimo eletrônico dos fiéis. Ecos do passado Repórteres japoneses que cobriam a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe a Brasília, na última sexta-feira, queriam saber se o chinês Xi Jinping teve mais pompa em sua passagem pela capital. As relações entre os dois países são historicamente tensas. Programa Livre A apresentação que Eduardo Campos e Marina Silva farão do programa de governo do PSB terá a plateia preenchida por jovens - público em que a dupla enxerga maior potencial de crescimento. A ideia é que os convidados façam intervenções durante o evento. Outro Skaf Michel Temer combinou com deputados do PMDB gaúcho que vai criar um comitê “paralelo” de apoio a Dilma no Estado. O candidato da sigla, José Ivo Sartori, é aliado de Campos.

Obra apócrifa O governo Geraldo Alckmin (PSDB) ficou furioso com a discrição das placas com o logo da administração paulista nas obras da linha da CPTM que chegará ao aeroporto de Guarulhos. A equipe foi cobrada pela falta de assinatura.

Ex-presidente Lula ao defender a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Trailer Com a vantagem de José Roberto Arruda (PR) nas pesquisas do Distrito Federal, a equipe de Agnelo Queiroz avisou à cúpula do PT que vai explorar o vídeo em que o ex-governador aparece recebendo propina.

RICARDO OLIVEIRA

Guerrilha A gravação deve ser usada inicialmente nas redes sociais, mas pode ir para as inserções na TV no futuro. Pesquisas petistas apontam que o eleitor de Arruda “se envergonha” quando confrontado com o vídeo. Seletiva A biografia de Luiz Fernando Pezão (PMDB) no site do governo do Rio informa que ele foi secretário estadual em 2006. Mas omite que a governadora, na época, era seu atual desafeto Rosinha Garotinho (PR).

Tiroteio

Apesar de não saber o motivo de estar nas ruas, nos braços do pai, em uma caminhada pedindo a paz na Faixa de Gaza, a pequena de olhos amendoados já começa a sentir o que é precisar, desde muito cedo, lutar por um mundo mais justo e igualitário. Onde o amor ao próximo e o respeito sejam mais importantes do que a religião que se propaga e o discurso que se defende.

D. Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Eduardo não terceirizou seu governo em Pernambuco, não o entregou a outra pessoa. Aviso: não dá para fazer isso na Presidência”

Vocação

MARINA SILVA, candidata a vice na chapa de Eduardo Campos (PSB), sobre a influência de Antonio Anastasia no governo de Aécio Neves (PSDB) em Minas.

Agosto na Igreja Católica é o mês das vocações. Nele se comemora o dia dos pais, o dia do padre, o dia dos catequistas, e ainda a Semana da Família, e um dia para a vida consagrada. Cada um destes dias tem seus objetivos, e às vezes seus desvios, como o dos pais que acaba sendo apropriado pelo comércio, mas que não deixam nunca de ser ocasião de homenagens, de agradecimentos, de expressão de carinho e, sobretudo, de reflexão sobre a dignidade de cada uma destas vocações, do seu lugar na sociedade e na Igreja. Reafirmamos a urgência que temos em ter pais responsáveis e famílias bem constituídas que sejam ambientes saudáveis para o crescimento espiritual, psicológico, físico e social daqueles que são chamados à vida. O mesmo se pode dizer dos padres, que para a Igreja são essenciais, pois garantem a celebração da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã, e a partir da Eucaristia pastoreiam as comunidades anunciando a Palavra e a Caridade. E o que seriam as nossas comunidades e paróquias sem os catequistas, que garantem a transmissão da fé e a iniciação à vida cristã? Consagrados e consagradas completam o quadro. A vida religiosa nas suas múltiplas expressões enriquece a Igreja e a humanidade com seus carismas, dons e serviços que nos remetem ao absoluto e ao universal, vividos na fidelidade e na alegria da consagração de toda a vida a Deus e aos outros. Todas as vocações, também as que não são celebradas neste mês têm um fundamento comum. A vida humana é uma resposta, por isto é responsável diante do

Contraponto

Questão de numerologia No julgamento sobre a legalidade das caravanas pré-eleitorais de Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo paulista, o juiz Alberto Toron defendeu a redução da multa aplicada ao ex-ministro por propaganda antecipada, de R$ 25 mil para R$ 18 mil. Argumentou que, diante da extensão dos eventos, Padilha não merecia a punição mínima, mas que, como não era reincidente, também não deveria receber a punição máxima. Ao final da conta, o magistrado brincou: — E o número 18 tem ainda simbologia para o judaísmo, significa vida! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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Amor criador. Não existimos por acaso, existimos por que Alguém nos amou primeiro e continua a nos amar com amor eterno e gratuitamente como é da natureza do amor. E o Amor só tem uma expectativa, ser amado. Ser amado a partir da liberdade radical que possibilita o amor. Por isso a vida humana só tem uma realização possível, o amor. Não é à toa que o cristianismo e todas as grandes religiões apontam o amor mútuo como realização da natureza humana, mandamento maior, caminho de felicidade. Possibilitar às crianças e adolescentes este caminho é a tarefa maior de toda educação. Destruir no coração de alguém a capacidade de amar é o maior dos crimes, e aí se igualam o pedófilo que destrói a inocência, o traficante que cria a dependência e escraviza o corrupto que roubando impede vida de qualidade, o Estado que mata em guerras irracionais e geradoras de ódio. Para o cristão, cada ser humano é único, porque são imagem e semelhança de Deus. Toda destruição de vidas, toda violência clama aos céus, mas entre todas a mais perversa é a que se faz em nome de Deus e da sua justiça. Um mês dedicado às vocações nos deve fazer mais humanos, e desta humanidade vivida em plenitude brotarão servidores que darão a vida para que outros tenham vida e a tenham em abundância segundo a proposta de Jesus. Nestes tempos de eleição este também é um critério de escolha. Os candidatos e partidos que se apresentam correspondem aos nossos ideais, ou são pessoas e grupos que só querem o poder para se locupletar, e defender interesses escusos?

D. Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus

A vida religiosa nas suas múltiplas expressões enriquece a Igreja e a humanidade com seus carismas, dons e serviços que nos remetem ao absoluto e ao universal, vividos na fidelidade e na alegria da consagração de toda a vida a Deus e aos outros. Tudo isso é vocação”


Política

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

A5

Vereador propõe iniciar sessão com plenário vazio

Vereador Mário Frota levantou discussão para que casa legislativa passe a imitar o registro de presença igual a Brasília ROBERVALDO ROCHA / DIRCO

JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

A

ideia de tornar o registro de presença da Câmara Municipal de Manaus (CMM) semelhante ao adotado pela Câmara Federal em Brasília parece que não tomará fôlego na casa, já que o seu idealizador, vereador Mário Frota (PSDB), não pretende formalizá-lo em Projeto de Lei. De acordo com o parlamentar, que sugeriu a mudança em discurso proferido na sessão plenária da última quarta-feira (30), seu objetivo foi apenas levantar a discussão, causada pelas recentes matérias jornalísticas que revelaram a baixa adesão dos vereadores ao início do horário regimental do parlamento, marcado para as 9h de segunda a quarta-feira. Caso a proposta de Frota fosse acatada, a Câmara Municipal passaria a registrar a presença dos parlamentares no momento de sua chegada ao prédio. Atualmente, o sistema é dado por meio da presença dos 41 vereadores no plenário de maneira específica, as ausências são visíveis, já que os dados são demonstrados pelo painel eletrônico disposto atrás da Mesa Diretora. O ápice da polêmica formada em volta da assiduidade dos vereadores aconteceu no dia 21 de julho, quando o presidente Bosco Saraiva (PSDB) anunciou falta para 16 colegas que não estavam presentes na sessão durante o expediente. O desconto em folha chegou a ser anunciado pelo corregedor, Francisco Jornada (PDT), mas foi descartado pelo próprio parlamentar no último dia 31, que informou motivo de “força maior” para ausência dos colegas. A “brechinha” consta no regimento interno, que está em fase final de revisão, e não especifica em que situações ela se enquadra. Com

o acolhimento do recurso, nenhum dos vereadores que “gazetaram” o grande expediente do dia 21, terá seu salário descontado. “Lancei uma ideia, pois realmente não vejo necessidade de esperar os 13 parlamentares (número referente ao quorum necessário para o início das atividades em plenário), para que se dê a abertura da sessão. Não é assim na Câmara Federal, e nem por isso os trabalhos são prejudicados. Não penso em lançar uma proposta em forma de projeto, mas penso que é valido o debate”, disse Mário Frota. No mesmo dia em que vereadores como Walfran Torres (PTC) e Ednailson Rosenha (PSDB) demonstraram apoio à mudança sugerida pelo tucano, à falta de quorum, quase impediu a realização da sessão, pois apenas quatro parlamentares - Socorro Sampaio (PP), Álvaro Campelo (PP), Amaury Colares (Pros) e Luis Neto (PSDC) - estavam de fato

PROPOSTA

Caso a proposta apresentada pelo vereador Mário Frota fosse acatada, cada parlamentar iria registrar sua presença assim que chegasse a Câmara e não somente quando estivesse na sessão Pelo atual horário regimental da Câmara Municipal, os trabalhos devem ser iniciados de segunda a quarta-feira às 9h

no plenário. Para evitar o cancelamento da sessão, que conforme o regimento interno possui tolerância de 15 minutos para ser iniciada, Bosco Saraiva, que contava com a presença de dez vereadores, até aquele momento, precisou pedir que três colegas descessem de seus gabinetes para a formação de quórum mínimo. Após o apelo de Saraiva, a sessão começou às 9h16, com a execução do hino nacional.

Recesso branco também será combatido Para combater a possibilidade de “recesso branco”, o presidente da casa ressaltou que tem encarado o período como um desafio pessoal, e que tem trabalhado para manter o quórum necessário para a realização do pequeno expediente e da ordem do dia. “Nosso desafio é levar

os trabalhos até a quarta-feira que antecederá as eleições. Tenho percebido que mantemos um quórum alto”, disse Bosco Saraiva. O vereador reconheceu a existência de baixa adesão dos vereadores, ao momento de abertura das sessões, ressaltando que “boa parte das ausências são ligadas

às atividades realizadas nos gabinetes”. Mas, mesmo se posicionando como “linha dura”, Saraiva propôs, em fevereiro de 2013, mudanças no regimento interno, visando o fim do quórum como exigência para o início das atividades em plenário. “Queremos começar as atividades mesmo

que esteja presente em plenário somente a mesa diretora, para que não deixe de ter debate”, disse à época ao conversar com a imprensa local. A reportagem tentou contato com os demais parlamentares citados, mas até o fechamento desta edição não obteve êxito.


Política

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

Comissões da Assembleia analisaram 223 projetos

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Se isso é um erro, eu assumo esse erro” AÉCIO NEVES (PSDB), admitindo uso de aeroporto construído em terra desapropriada do tio

Aécio teme prejuízo com julgamento de Cunha Lima Candidato à Presidência, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) está preocupado com pedido de impugnação da candidatura do tucano Cássio Cunha Lima ao governo da Paraíba, que será julgado nesta segunda (4) pelo Tribunal Regional Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. A equipe de campanha de Aécio avalia que o presidenciável perderá uma importante base no Nordeste caso Cássio Cunha Lima saia derrotado. Pau a pau A briga pela impugnação, impetrada pelo governador Ricardo Coutinho, será acirrada. Dois advogados de renome nacional vão atuar no caso. Experiente Cássio Cunha Lima contratou para defender sua candidatura ninguém menos que o exministro do Tribunal Superior Eleitoral, Eduardo Alckmin. Só fera Do outro lado, está Erick Pereira, doutor em Direito Constitucional pela PUCSP e parceiro de escritório do ex-presidente do STF Cezar Peluso. Eleições à parte Amigo também do ex-presidente Lula, Cássio Cunha Lima chegou a cuidar, no Nordeste, da pré-campanha de Aécio Neves à Presidência. Fugindo da hora extra, Caixa não exige ponto O Sindicato dos Bancários acusa a Caixa Econômica Federal de realizar “manobra” para obrigar gerentes a trabalharem cerca de 12 horas por dia, sem receber hora extra. O banco enviou

comunicado aos empregados com a lista do registro no Sistema de Ponto Eletrônico, onde vários gerentes tiveram os nomes excluídos sem qualquer explicação. O registro do ponto estava na pauta dos empregados da Caixa há mais de 10 anos. Quebra de acordo Em acordo firmado com o sindicato, a Caixa prometeu cobrar o ponto eletrônico de todos os gerentes a partir do dia 1º de agosto. Não é o caso Pelo artigo 62 da CLT, apenas os ocupantes de cargos máximos nas unidades ficam de fora do registro de entrada e saída do trabalho. Nos conformes A Caixa Econômica informou, por meio de sua assessoria, que a medida adotada está em consonância com a Legislação Trabalhista vigente. Bola dividida O PT quer que Dilma cumpra agenda com os candidatos ao governo, Robinson Farias (PSD-RN), e Senado, Fátima Bezerra (PT). O Planalto foge para não desagradar presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB). Processo de cassação O PSOL deverá protocolizar nesta terça (5) representação no Conselho de Ética da Câmara contra Rodrigo Bethlem (PMDB), flagrado admitindo, em áudio, ter recebido propina quando secretário de Assistência Social do RJ. Do nosso bolso Para o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), a presidente Dilma ofende o povo brasileiro ao tirar ministros do trabalho para “bater palmas em sua campanha”. Sete participaram

Jornalista

de sua sabatina na quarta (30) na CNI. Postura errada O sociólogo e ex-deputado Paulo Delgado (PT-MG) resume a visão dos empresários sobre os presidenciáveis Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos: “Quem precisa de gerente é empresa, o Brasil precisa de líder”. Submissão Diretora da União Indústria de Cana de Açúcar, Elizabeth Farina criticou, em reunião na CNA, a “submissão” e “falta de conhecimento” do senador Romero Jucá (PMDB-RO), relator do PL 432, que define trabalho escravo. Mal na fita A desconfiança no Congresso é tamanha que o presidente da Federação dos Agricultores do MS, Eduardo Riedel, também questionou na reunião o que a Frente Parlamentar da Agropecuária tem feito pelos ruralistas. 75% dos ministros O governo petista de Dilma e Lula foi responsável por nomear 54 dos 71 ministros que compõem constitucionalmente os quadros do STF, STJ e TST. Da gestão tucana de FHC, restam apenas 15 ministros. Estranhos no ninho Há, ainda, Celso de Mello, nomeado por José Sarney, e Marco Aurélio, da gestão de Collor, ambos ministros do STF. Já o STJ e TST estão polarizados: só há ministros nomeados pela dupla Lula/Dilma e por FHC. Vergonha coletiva Com a rejeição ao PT em SP, políticos comparam eleitores de Dilma com os de Maluf: eles até votam, mas não tem coragem de falar em quem.

PODER SEM PUDOR

Gato escaldado Depois que perdeu preciosos votos na eleição municipal de 1985, quando admitiu que era ateu, FHC ficou muito sensível ao tema. Certa vez, quando senador, ele deixou o então reitor da Unicamp plantado no meio do gabinete, porque precisava sair apressadamente. O reitor, atual ministro da Educação Paulo Renato Souza, estava ali para pegar o prefácio de FH a um livro que publicaria em breve. - Agora não posso! – disse o senador, saindo afobado. - O que houve? – insistiu Paulo Renato. - Vou a uma missa! – gritou FH, já no corredor, diante da expressão de incredulidade do amigo. O gato escaldado com horror à água fria estava a caminho de uma missa em memória a um parente falecido.

NOVO GESTOR

STF adia eleição de presidente Em uma rápida sessão na última sexta-feira (1º), os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) não elegeram um novo presidente, após a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa. Os ministros ignoraram o último ato de Barbosa, que havia marcado a eleição para esta sexta. De acordo com o ministro Ricardo Lewandowski, que será o sucessor de Barbosa, os colegas de corte optaram por não fazer a eleição em

razão da ausência dos ministros Luiz Fux e Luís Roberto Barroso. “A corte entendeu que com a ausência de dois ministros, com ausências justificadas previamente, que não seria conveniente realizar um ato de tamanha importância que é a eleição do futuro presidente com um plenário reduzido”, disse. Na prática, os ministros optaram por fazer valer o regimento interno da corte, que prevê a eleição na

Segundo a Comissão de Constituição de Justiça da casa, no primeiro semestre 275 proposituras foram apresentadas ARQUIVO EM TEMPO

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segunda sessão após a vacância do cargo, em vez de seguir a data marcada por Joaquim Barbosa. Perguntado se Barbosa havia se equivocado ao marcar a data sem o prazo exigido no regimento, Lewandowski disse que os ministros não discutiram isso ao optarem por não realizar a eleição. Na sessão desta sexta, os ministros julgaram em bloco recursos “residuais” de processos anteriores, segundo Lewandowski.

Presidente da Aleam, Josué Neto, definiu que 135 proposições serão analisadas neste semetre

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m levantamento preliminar, baseado nas proposituras recebidas pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) no primeiro semestre de 2014, indica que os deputados estaduais analisaram um total de 275 proposições no mesmo período. Desse total, 223 projetos são de 2014 e os demais são de anos anteriores. Ainda estão em tramitação na CCJR – e portanto, no parlamento – aproximadamente 135 proposições, que ficaram para serem analisadas no segundo semestre do ano, segundo definiu o presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD). A atividade da CCJR serve de parâmetro para o trabalho executado pelos deputados estaduais e pelas comissões permanentes do Legislativo amazonense porque todas as proposituras precisam ter sua constitucionalidade

analisada e aprovada, para que prossigam sua tramitação na Aleam. No âmbito das comissões permanentes, por exemplo, a Comissão de Esportes e Lazer indica que passaram por sua análise 50 novas proposituras, sendo 47 projetos de lei. E a Comissão de Jovens e Crianças trabalhou co 15 novos projetos que tratam de leis favorecendo o atendimento a esse segmento social. Temas O presidente Josué Neto destaca principalmente os temas estudados no âmbito das 22 comissões permanentes da Aleam. A reestruturação da UEA e o PCCS dos servidores da Universidade, por exemplo, foram muito debatidos na Comissão de Educação, assim como a reciclagem de resíduos e a inserção dos catadores de resíduos sólidos no processo de coleta seletiva nos municípios do interior

foram avaliados a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional. Na Comissão dos Direitos da Mulher, da Família e do Idoso, a garantia dos direitos da mulher e o cumprimento da Lei Maria da Penha foram pautas constantes dos debates entre parlamentares e com a sociedade. Assim como no seio da Comissão de Obras e Serviços Públicos, a segurança pública teve destaque tratando de assuntos como o programa Ronda nos Bairros, novos concursos para a Polícia Civil, plano de cargos e salários das polícias Civil, Militar e bombeiros militares, etc. A exploração do potássio da silvinita para fabricação de fertilizantes agrícolas e a implantação de um polo naval em Manaus, pautaram a Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos e Energia e deverão continuar em debate, no segundo semestre de 2014.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

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Chico PRETO

‘Nossa candidatura NÃO ESTAVA NO BALCÃO para negócios’

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

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Segui firme com o meu projeto político. Minha candidatura não estava na pratileira. Eu gostaria de ver a candidatura própria da Rebecca Garcia e do Hissa Abrahão. Eles eram nomes bem colocados e o debate, quanto mais diverso de ideias, melhor”

e férias da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Marco Antônio Chico Preto (PMN) tem se dedicado integralmente à sua campanha ao governo do Estado. Pela primeira vez na disputa do cargo, Chico Preto vem com o discurso da mudança e renovação para conquistar a fatia de eleitores que não apostam nos candidatos “velha-guarda”. Novato no meio de grandes candidatos, o deputado tem buscado o diferencial para destacar sua campanha e tem saído em campo pessoalmente para apresentar suas propostas aos eleitores. No fim do mês passado, o candidato recebeu a equipe do EM TEMPO para uma entrevista em seu comitê na Zona Sul da cidade. Vestindo calça jeans e camisa clássica de algodão, o deputado transita entre os assessores, conta piadas, atende telefonemas e se prepara para realizar mais uma panfletagem pelas ruas da capital. Distante da perspectiva dos números apontados pelas pesquisas eleitorais, Chico Preto se mostra confiante na sua candidatura. Em um plano macro que rejeita velhas agendas de gestão, traz um acervo de propostas que refletem “alguém que olhou para o que dá certo no resto do mundo”. Ligado às artes e à cultura, o deputado não esconde o carimbo intelectual que quer levar ao eleitorado. EM TEMPO - O senhor é de um partido nacionalmente aliado ao presidenciável Aécio Neves (PSDB), que, aqui, tem a campanha coordenada pelo prefeito tucano Arthur Neto, aliado a outro grupo. O senhor fará palanque para Aécio? Chico Preto - Eu não tive nenhum contato com Aécio Neves até hoje, então não posso dizer se estarei no palanque dele. Nosso partido apoia o Aécio nacionalmente, mas cada Estado tem a sua peculiaridade. E, por outro lado, se o PMN deu apoio para ele, o PSDB localmente está no palanque de Omar Aziz e de José Melo, que são nacionalmente aliados a Dilma Rousseff. EM TEMPO - O senhor quer dizer que o seu palanque seria mais apropriado para Aécio? Chico Preto – Não afirmo nada, o que posso dizer é que existe uma cerca de jurubeba formada em torno de Aécio. Em minha opinião, essa cerca é co-

mandada pelo prefeito Arthur Neto. Se ele (Arthur) entende que só ele é o palanque do Aécio, que continue assim. EM TEMPO - Mas o senhor fica sem um candidato à Presidência, sem a verticalização... Chico Preto - Eu não dependo de um candidato à Presidência para levar as minhas propostas ao povo amazonense. Nós temos maturidade e equilíbrio o suficiente para dialogar com qualquer presidenciável, com qualquer futuro presidente. E, a priori, já comuniquei a Executiva Nacional sobre a falta de diálogo com Aécio. EM TEMPO - Em acordos de última hora, as candidaturas de Rebecca Garia (PP), Hissa Abrahão (PPS) e Henrique Oliveira (SDD), foram absorvidas em dois blocos adversários, afunilando a disputa e dando espaço para o projeto dos demais candidatos. Esse cenário animou as suas expectativas de um segundo turno? Chico Preto - Nossa candidatura não estava no balcão para vendas. Eu gostaria de ver a candidatura própria de Rebecca Garcia, Hissa Abrahão... eram nomes bem colocados. O debate, quanto mais diverso em ideias, melhor. Seria algo interessante, mas a nossa candidatura não estava na prateleira. No processo, a possibilidade de alianças existe, mas você faz alianças em torno de que? Você discute cargos ou discute convergências? A nossa diferença com Eduardo Braga, José Melo e Marcelo Ramos nós já sabemos, agora eu não sei quais são as convergências. EM TEMPO - Então o senhor chegou a ser sondado para desistir da candidatura. Por quem? Chico Preto - Eu conversei com todos. Mas, na época ainda não se falava em cargos, se falava de projetos. Fui atrás das convergências, mas eu não conseguia avançar nessa discussão. Não tive medo do diálogo. Eu sei que o que pode pegar, no máximo, nesse tipo de conversa, é gripe. Mudar de opinião, me convencer daquilo que não quero, não acontece mais. Estamos aqui de maneira independente. EM TEMPO - A sua campanha fala em renovação na política, mas o senhor já foi aliado de Omar Aziz e de Eduardo Braga, em tempos distintos. O que é renovação para o senhor? Chico Preto - Renovação é gestão. Essa renovação se consolida quando a gente fala

em um novo modelo educacional, por exemplo. Hoje temos um modelo em que o jovem sai da escola com um diploma, mas na verdade, na minha opinião, ele sai com uma lacuna enorme em diversos conceitos de cidadania, meio ambiente. Renovação é tempo integral. Renovação é trazer pra dentro do ambiente de escola algo que hoje não existe. A educação está mecanizada, sem prática, com lacunas de cidadania. Eu falo de ensino técnico no nível médio. Um modelo pedagógico que possa preparar o jovem pra valer. EM TEMPO - O seu programa de governo fala em “dinheiro novo” na economia. O que seria isso? Chico Preto - É um conceito que abrange pelo menos cinco ações que vão poder trazer dinheiro para o Estado, além da economia da Zona Franca. A gente tem uma economia muito concentrada na Zona franca de Manaus. A ideia do dinheiro novo é fortalecer segmentos da economia que precisam ser explorados e diminuir a dependência do Polo. EM TEMPO - O senhor vai precisar de infraestrutura e logística... Chico Preto - Isso é meio para que a Zona Franca possa funcionar. É claro que isso é importante. A ideia do dinheiro novo se divide em cinco pontos: turismo de negócio e lazer, Zona Franca, tecnologia, biotecnologia, e patrimônio histórico e urbano. Cinco pontos que, se fomentados e induzidos, esses segmentos começam a se consolidar. A gente tem um patrimônio que muitos países queriam ter. A Costa Rica consegue levar quatro vezes mais turistas por conta de um bondinho que passa pelas árvores. E aqui temos muito mais que isso. A ideia será investirmos no manejo da fauna e da flora, criando fonte de turismo e receita. Um grande aquário, por exemplo, um grande centro gastronômico e cultural. Por que no Amazonas nós não temos o maior evento de pesca esportiva do mundo? EM TEMPO - A potencialização desses mercados está no programa de todos os candidatos. No entanto, é possível fazer isso em quatro anos e de onde virá esse investimento? Chico Preto - Os investimentos vêm do orçamento público e da iniciativa privada. Não é possível consolidar o mercado sem iniciativa privada. Incentivo para turismo, em hotéis e restaurantes. O Estado deve dialogar com esses segmentos. Os candidatos

que estão aí, salvo um ou dois, os demais já tiveram a oportunidade. Por que não fizeram? Oito anos? Quatro anos? Essa é uma questão de articulação, uma questão de compromisso com o Estado. Nós pretendemos triplicar os recursos de investimento no setor primário. Isso é algo que eu não falo só durante a campanha. EM TEMPO - Na sua gestão, então, não haverá partidos à frente de secretariais? Chico Preto - Dentro de setores estratégicos, não. Não haverá composição política na saúde, na educação, na Sefaz, nem na Sepror. EM TEMPO - Partidos no governo não geram resultados? Chico Preto - A história mostrou que sim. Pode até ser que daqui a dez anos isso mude, mas hoje o reflexo é esse. As composições onde não se privilegiou o fim, como no caso da Sepror, foi extremamente ruim para o Amazonas. Você tem um Estado que não tem produção no interior, um Estado que depende única e exclusivamente de folha de pagamento da máquina. EM TEMPO - O senhor pretende reduzir as secretarias? Chico Preto - Queremos reduzir entre 30 e 35. Temos hoje cerca de 55, entre fundações, empresas, autarquias. E temos detalhes, as secretarias que têm assuntos afins precisarão ter rotinas muito próximas. Saúde, educação e assistência, essas três precisam ter diálogo intenso, rotineiro. A organização de secretarias dentro de unidades gestoras para aperfeiçoar resultados é fundamental. Por certo, a quantidade de cargos comissionados que o estado tem hoje é absurda. Trabalhar com três mil a três mil e quinhentos cargos é o suficiente. É uma diminuição considerável. EM TEMPO - Por fim, o que garante para o senhor que haverá segundo turno? Chico Preto - A campanha está no início. A população vai chegar à conclusão que é preciso de outra história no Amazonas. Quando começar a TV e rádio, o povo vai passar a confrontar as ideias e o histórico dos candidatos. Essa comparação alterará os números. Hoje, os números são fruto de uma exposição de mídia maçante, de um e de outro. Quando a coisa começar a se desenvolver, veremos diferenças. Eu acredito que essa é uma eleição de dois turnos.

Não tenho promessa de fazer palanque para Aécio. O Arthur Neto entende que só ele é o palanque do Aécio e faz uma cerca de jurubeba nele. Então, que continue assim”

A Campanha ainda está no início. Tenho certeza que a população vai chegar à conclusão que é preciso mudar a história no Amazonas. Quando iniciar o horário eleitoral a coisa muda”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Contabilistas de ‘mãos atadas’ com o município Economia B4 e B5

Manauense recorre mais aos serviços terceirizados FOTOS: DIEGO JANATÃ

Agências de trabalhos domésticos comemoram crescimento do mercado, mas sentem falta de mão de obra especializada

A Ômega Empregadas do Lar é um exemplo de empresa que contrata mão de obra para limpar casas, passar e lavar, que representam 70% das buscas dos clientes por serviços terceirizados SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

S

eja por quem busca comodidade, rapidez e segurança ou pela simples falta de tempo por conta das longas jornadas de trabalho fora de casa, muitos manauenses estão recorrendo às agências especializadas em serviços domésticos terceirizados. Para o bom proveito dessa demanda, empresários dessa modalidade investem na ampliação do negócio e se dizem otimistas com o aumento da procura pelo segmento na região. A proprietária da agência Prátika Clean, Ana Cláudia, observa que o crescimento do setor é resultado do nível de conhecimento das pessoas sobre a oferta desse tipo de serviço em Manaus. Para ela, as empresas do segmento precisam de mais divulgação. A Prátika Clean, que está há um ano no mercado, tem como sede escritório localizado na rua do Comércio, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul. “Antes de criar a Prátika, pesquisei e vi que faltavam mais empresas dessa modalidade na cidade. Pensamos em trazer uma franquia, mas era muito caro. Então optamos por montar a nossa própria

empresa e a procura está sendo melhor à medida que os clientes passam a conhecer a agência”, ressalta. Diarista, cozinheira, babá, cuidador de idoso, passadeira, lavadeira, jardineiro, arrumadeira, são alguns dos profissionais das agências especializadas em mão de obra terceirizada disponíveis para a clientela.

SELEÇÃO

Profissionais das agências de serviços domésticos passam por um exigente processo de seleção. Empresários dizem ser grande a responsabilidade colocar uma pessoa desconhecida na casa do cliente Na Prátika Clean, o serviço mais solicitado é o de diarista. O motivo, segundo a proprietária da agência é o fato de não haver vínculo empregatício. Ana Cláudia explica que ao invés de pagar um salário mínimo e mais benefícios para uma empregada, eles preferem a diarista porque pagam menos. “Em média economizam a metade do valor”, conta. Para a gerente da A Pionei-

ra do Lar, Balbina Catunda, a demanda cresceu, porém, falta mão de obra qualificada. Com a empresa situada na rua Floriano Peixoto, Centro, Balbina salienta que a solução encontrada pela agência foi firmar parceria com instituições que oferecem cursos de qualificação para as pessoas interessadas em trabalhar nesse ramo. Dessa forma, A Pioneira fornece ao mercado profissionais capacitados para atuar em qualquer área doméstica. “Há uma forte procura, no entanto, temos dificuldades de conseguir mão de obra especializada”, frisa. Na agência Ômega Empregadas do Lar, os serviços gerais domésticos que compreendem limpar, passar e lavar representam 70% dos serviços contratados. Enquanto que as outras atividades domésticas, como babá, cozinheira, cuidador de idoso, dentre outras, concentram os 20% restantes. As informações são do próprio proprietário da agência, Cláudio Bortoleto. O empresário informa ainda que a demanda da Ômega, que funciona na Rua Sátiro Dias, bairro São Francisco, Zona Sul, é maior por profissionais que realizam trabalhos mensalmente do que por diários.

‘Sem tempo para cuidar de casa’ O perfil de quem contrata os serviços domésticos oferecidos pelas agências de Manaus, de acordo com os empresários do ramo, são de pessoas que trabalham fora de casa. “São aquelas pessoas que trabalham muito e não têm tempo para fazer as atividades do dia a dia do lar”, disse Ana Cláudia, da agência Prátika Clean. A maioria das agências recruta profissionais para trabalhos diários e men-

sais. O custo varia conforme a empresa e os locais onde os serviços serão feitos. Na Prática Clean, a diária custa em média R$ 140, já na A Pioneira do Lar, o preço gira em torno de R$ 80 a R$ 100, mesmo valor encontrado na Ômega Empregadas do Lar. Quanto aos três profissionais que são mais procurados para atuarem mensalmente estão a cozinheira, com valor entre R$ 1 mil e 1,5 mil; a

babá de R$ 800 a R$ 1,2 mil; e para doméstica que limpa, lava e passa o preço gira entre R$ 800 e R$ 1 mil. Se a doméstica for chamada para também cozinhar, o valor salta para R$ 1,2 mil. “Nesses casos, nós recrutamos e encaminhamos ao cliente. Daí em diante, o contrato e valor do salário é feito entre o solicitante e o profissional”, explicou Cláudio Bortoleto, da agência Ômega Empregadas do Lar.

Proprietário da Ômega diz que clientes podem optar por pagar mensalmente ou diariamente


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Economia

Lixo eletrônic JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO

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escartar o lixo eletrônico na natureza não é só considerado crime ambiental, passível de multa, como é extremamente prejudicial ao homem e à natureza. Há dois anos com negócios voltados para o setor, que tem “corrido” para acompanhar a demanda cada vez mais crescente dos produtos, que por sua vez possuem vida útil menor, dia após dia, a empresa social Descarte Correto tem procurado por meio de parcerias com a comunidade, empresas de pequeno a grande porte e órgãos públicos, disponibilizar soluções para a destinação correta deste tipo de resíduo. De acordo com o diretor da empresa, Alessandro Dinelli, ao longo dos anos mais de 100 toneladas de lixo eletroeletrônico foram retiradas de circulação e contribuíram para o aquecimento econômico das empresas parceiras. “Além do serviço de coleta, onde recebemos os produtos inteiros, trabalhamos com a separação de todos os com-

ponentes, dando destinação correta aos reutilizados e nãoreutilizados. As parcerias com empresas recicladoras que trabalham com cada um deles é o nosso diferencial”, ressalta Alessandro. Segundo ele, os computadores coletados são distribuídos pelos centros de ensino de informática, administrados por uma Orga-

ESTIMATIVA

Segundo pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil produz anualmente 360 mil toneladas de lixo tecnológico. Mas, acredita-se que o número é superior, já que a estimativa é de 2005 nização Não Governamental (ONG), que já formou mais de 20 mil alunos ao longo de 10 anos. Logística Dinelli lembrou que para minimizar as dificuldades enfrentadas por quem necessita descartar objetos que vão de celulares, baterias, impresso-

FOTOS: REPRODUÇÃO

Também conhecidos como e-lixo, os resíduos eletrônicos começam a ser descartados de forma correta em Manaus, preservando o meio ambiente e aquecendo a economia das empresas que atuam em parceria com a Descarte Correto ras, notebooks e outros, a Descarte Correto disponibiliza pontos de coleta em lugares estratégicos da cidade. Entre os locais, estão a própria sede da empresa, localizada na rua Carbonita, nº 1, no conjunto Parque Shangrilá I, bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul; loja Amazon Print, na Avenida Rodrigo Otávio, 4455, bairro Japiim, Zona Centro-Sul. Além dos Centros de Inclusão Digital, localizados nos bairros Rio Piorini, Terra Nova, na Zona Norte; Comunidade Ariaú, no município de Iranduba - Região Metropolitana de Manaus -, entre outros. Licenças Para operar, a empresa conta com o registro e o licenciamento no Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). De acordo com o diretor presidente do órgão, Antonio Stroski, iniciativas como a da Descarte Correto são importantes e somam com o trabalho feito pelo Ipaam, em conjunto com secretárias municipais e estaduais, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).

Eletrônicos em desuso já podem ser descartados de forma correta, sem poluir o meio ambiente


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o com destino Demanda ainda é grande Para o diretor-presidente do Ipaam, o trabalho tem colaborado com a diminuição de incidentes causados pelo descarte ilegal do lixo tecnológico no Amazonas. Mas, Stroski salienta que a tarefa não é fácil, em especial no Estado, que conta com o “desfavorecimento logístico”. “Temos a presença de alguns empreendimentos que já conseguem desempenhar um trabalho significativo nesta área, mas ainda sofremos com certa carência, muito por conta da grande demanda. E levar o material para outros Estados torna o custo de envio caro demais”, explica. O diretor presidente do Ipaam ressalta que além de multas - que conforme o tamanho do impacto sobre o meio ambiente podem chegar a R$ 50 milhões -, as empresas flagradas descartando indevidamente o material, podem sofrer até o embargo das suas atividades. “Com a nova Política

Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), as sanções ficaram mais pesadas, em sua base, ela diz que devem ser estruturados e implementados sistemas logísticos, para que o consumidor possa depois de utilizar os produtos devolverem aos fabricantes, para que lhes sejam dados os destinos corretos. E pela lei, esses organismos devem se adequar para receber os itens até este ano”, observa.

Segmento desperta interesse de operadora

De olho nas possibilidades financeiras e ecológicas que o mercado de reciclagem oferece de maneira crescente, a operadora de telefonia fixa e móvel, Oi, e a empresa Descarte Ambipar também apostam no segmento no Amazonas. Em 2013, a empresa que já possui duas fábricas de manufatura reversa nos Estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, anunciou a construção de uma fábrica no Amazonasas.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da empresa, o projeto está em fase de estudo de mercado e assim que for verificado o aquecimento da demanda, começará a ser implementado. A Oi é a primeira operadora de telefonia a viabilizar diretamente a gestão de resíduos sólidos. “A iniciativa permitirá à companhia antecipar sua adequação à lei nº 12.305. Na PNRS estão previstas

a redução da geração de resíduos, a reutilização dos resíduos sólidos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. Também está prevista a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos, o que inclui desde os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes até os consumidores, na logística reversa dos resíduos e embalagens pós-consumo”, informa a assessoria.

Do financiamento de R$ 10 milhões a ser feito ao longo de seis anos para implantação das fábricas de reciclagem, Manaus deve receber um aporte de R$ 2 milhões, de acordo com o que anunciou o presidente da Descarte Certo, Lucio Di Domenico, no ano passado. Devem ser gerados 120 postos de empregos diretos na cidade. Em todo o país, as unidades devem gerar em torno de 5 mil empregos diretos e indiretos.

Posicionamento A reportagem tentou contato com os representantes do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus (Sinaees), para conhecer quais as estratégias adotadas pelo setor, visando obedecer ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Celso Piacentini e Wilson Périco, presidente e vice-presidente respectivamente, mas até o fechamento desta matéria não teve as ligações telefônicas atendidas. Produtos eletrônicos apresentam materiais nocivos, que descartados incorretamente podem causar sérios prejuízos à natureza


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Economia

Contabilistas de EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

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agenda, e fica por isso mesmo. O que acontece? O cliente desiste e a empresa vai atuar informalmente”, observa. O resultado negativo, conforme a contabilista, é herdado pelo próprio município que perde na arrecadação do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte (ICMS), do Imposto Predial Territorial Urbano (Iptu) e do Alvará de Funcionamento. “Perde em arrecadação na ordem de 37% em cima do faturamento da empresa”, explica. Provisório A contabilista avalia que Manaus poderia se basear no

TRÂMITE

Semef informa que a criação da empresa se dá por meio do sistema iCad, programa de cadastro da Prefeitura (semef.manaus.am.gov. br). É necessário fazer breve cadastro para ter acesso ao sistema modelo aplicado em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP). Segundo ela, em Curitiba os profissionais conseguem viabilizar o alvará provisório via on-line. “Em três dias eles viabilizam o (alvará) provisório com prazo de um a dois anos, dependendo da empresa. Nesse prazo eles solicitam uma série de certidões como: contrato social de alteração e contrato de constituição social, por exemplo”, explica. Rita sugere que a cidade poderia adotar também o sistema sincronizado que funciona em Curitiba. “Lá, quando dão entrada na Junta Comercial (primeira empresa), com três dias sai a inscrição da Jucea, o CNPJ, o Alvará provisório e a Inscrição Estadual. E aqui, por que isso não funciona? Por que todo mundo não se reúne e vê o que está no sistema para consolidar e todo mundo falar uma linguagem só?”, questiona.

Semef afirma desconhecer esquema de propina e diz seguir procedimento de acordo com legislação municipal e Plano Diretor ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

economia da cidade de Manaus esbarra na burocracia e na falta de atualização de dados que facilitem a formalização de novas empresas e até mesmo a regularização de quem segue por anos na informalidade. A afirmação parte dos contabilistas manauenses, os quais apontam, entre outras coisas, o mau atendimento em órgãos municipais e a demora proposital na liberação de certidões necessárias à abertura das firmas, o que resulta na criação de clima para “negociação de facilidades” a partir de pagamento de propinas. A presidente do Sindicato dos Contabilistas do Estado do Amazonas (Sindcontab), Rita de Nazaré Melo Dias, aponta que o principal problema começa no processo de liberação do Alvará de Funcionamento. De acordo com ela, o entrave para conseguir o documento é encontrado em órgãos como as secretarias municipais de Finanças (Semef), Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), no Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e na Vigilância Sanitária (Visa Manaus). Na Semef, pasta responsável por organizar os processos de abertura das empresas, Rita afirma que a demora no atendimento gera precedente para o “esquema de propina”, cobrado por funcionários, com a promessa de facilitar o andamento. “Se o contador tem paciência ele espera de dois a três meses. Se não tem, vem um cara (funcionário) e diz que pode viabilizar. No final, quem não paga a propina é para o cliente o incompetente”, afirma. Outra falha no sistema da Prefeitura, relatada pela representante dos profissionais da contabilidade, está na Semmas. “Se dou entrada numa empresa que precisará de certidão da Semmas, terei que esperar de 30 a 45 dias, às vezes, até seis meses. E lá eles (funcionários) dizem que a secretária não tem tempo para assinar, que não tem

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Profissionais da área reclamam de dados desatualizados e da demora dos órgãos municipais na emissão de certidões necessárias para o processo de criação de empresas, e do clima criado para “esquema de propina” com a promessa de facilidades por parte de funcionários dos órgãos públicos

Atendimento na Semef demora até três meses, diz Sindcontab

Dados desatualizados e poucos fiscais O contador Davi Araújo da Rocha relata que a principal dificuldade encontrada por ele e por colegas de profissão está no Implurb, por conta de dados desatualizados no sistema de consulta de endereços passíveis de instalação de empresas. Segundo o profissional, bairros como São José 1, Zona Leste, e São Geraldo, Zona Centro-Oeste, nas últimas consultas que fez aparecem nos dados do Implurb como conjunto residencial e área de loteamento, respectivamente, desta forma, locais proibidos de instalar firmas. Ele conta que perdeu clientes que queriam re-

gularizar suas empresas nesses bairros por conta da configuração do órgão municipal. Ele lembra ainda que na avenida Grande Circular, região onde há uma rede comercial com grandes lojas e centros comercias, certa vez, quando precisou abrir outra empresa, nas consultas que fez ao Implurb, a localidade aparecia como loteamento. Outra situação ocorreu quando estava regularizando empresa que funcionaria dentro do DB do Nova Cidade. O funcionário do órgão disse ao contador que não era possível criar a empresa no lugar por se tratar de um conjunto.

“Felizmente, depois de muito insistir eu consegui criar a empresa dentro do DB. Agora, esse tipo de falha prejudica o Município, que perde com a criação de novas empresas que vão gerar renda e movimentar a economia da cidade, e afeta o nosso trabalho como contador”, diz Rocha. Ele lembra que a Sefaz era um dos órgão mais difíceis de lidar quanto ao papel do Estado na criação de empresas. Mas, hoje Rocha afirma que é um dos melhores órgãos para lidar nesse tipo de processo, porque melhorou o seu sistema de cadastro e de alteração. “Um negócio que levava de

20 a 30 dias, hoje, de 5 a 10 dias nós estamos com a inscrição na mão.” O contador Davi Rocha diz que outra dificuldade do profissional é com relação à Vigilância Sanitária (Visa Manaus). Segundo ele, hoje, para abrir qualquer empresa é obrigatória a certificação do órgão municipal. “A Visa Manaus chega a demorar de quatro a cinco meses para concluir um trabalho simples de certificação, o que faz com que uma empresa nova perca até mesmo o prazo de enquadramento no Simples Nacional, por exemplo, que é de 120 a 180 dias”, explica.


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ARQUIVO EM TEMPO/MARCELL MOTA

e ‘mãos atadas’

ARQUIVO EM TEMPO/MARCELO CADILHE

Avenida tomada por empresas do comércio e de serviços, a Grande Circular Autaz Mirim chegou a aparecer como região de loteamento em recente consulta ao Implurb

Irregularidades sanitárias O diretor do Visa Manaus, Marco Aurélio Fabris, confirma que a demanda para certificação de empresas é muito grande para a estrutura do órgão. Contudo, ele garante que sua equipe faz esforço para procurar atender em até 30 dias a primeira inspeção sanitária. “Estatisticamente, em torno de 90% dos estabelecimentos inspecionados sempre resta alguma irregularidade sanitária e isso retarda o processo de licenciamento, porque é na segunda inspeção que a empresa tem de 30 a 90 para se regularizar”, explica Fabris. Atualmente, para agilizar a segunda inspeção, o diretor da Visa Manaus assegura que, se o empresário já cumpriu com

as exigências sanitárias em menos de 30 dias, ele ou o contador podem procurar pelo órgão e solicitar prioridade para nova inspeção. “Quem já regularizou a situação nós buscamos atender logo. Nada impede que procure o órgão para solicitar prioridade. É só procurar a gerência do setor para fazer o agendamento para ela”, informa. Fabris informa que o órgão realiza aproximadamente oito mil inspeções no ano. Embora a Visa Manaus tenha recebido no início do mês 15 novos fiscais, aprovados no último concurso, ele reconhece que para dar mais agilidade ele precisa de pelo menos o dobro de recurso humano. Para Sindcontab, Jucea deveria operar a emissão sincronizada de certidões e Alvará Provisório

Denúncias à Ouvidoria do Município A Semef, por meio da assessoria de imprensa, informou que desconhece o suposto “esquema de propina” citado pela presidente do Sindcontab. Informa que qualquer indicativo de ato ilícito por parte dos funcionários dos órgãos fiscalizadores da Prefeitura deverá ser denunciado para a Ouvidoria do Município ou nos setores competentes de cada secretaria. O órgão informa que, a legislação municipal e o próprio Plano Diretor determinam que o Alvará de Funcionamento para empresas com atividades consideradas de risco ou alto risco, ou do ramo de alimentação, só poderá ser liberado após cumprimento das exigências dos órgãos competentes. No caso de empresas consideradas de baixo impacto, o processo pode ser concluído em até 48h. A Semmas informa, por meio da assessoria de imprensa, que o trâmite de assinatura das licenças no Departamento de Licenciamento e Diretoria Técnica Operacional - depois que todas as pendências são cumpridas -, dura em média de cinco a sete dias úteis. A pasta afirma que os documentos que chegam ao Gabinete ficam no máximo um dia, para que sejam cumpridas as formalidades de competência da titular da pasta. A Semmas diz ainda que, em função do repasse das atividades do Órgão Estadual de Meio Ambiente por meio do Termo de Cooperação Técnica nº 001/2013, ela recebe os processos enviados pelo Ipaam para continuidade dos procedimentos de licenciamento. Atualmente, encontra-se em tramitação no Departamento de Licenciamento Ambiental aproximadamente 1,1 mil processos.


País

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‘Não conseguirão destruir o movimento’, diz Sininho Acusada de ser a mentora dos movimentos violentos durante atos e protestos públicos, Sininho se diz “indestrutível”

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cusada de liderar uma “quadrilha armada para a prática de atos violentos em protestos” no inquérito policial que fundamentou a denúncia do Ministério Público contra 23 militantes no Rio, a produtora cultural Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, 28, afirma: “Por mais que mirem em mim, estão destruindo uma pessoa, mas não vão destruir o movimento”. Elisa foi presa na véspera da final da Copa do Mundo e ficou 13 dias em uma cela da penitenciária de Bangu, na Zona Oeste carioca, até ser beneficiada por habeas-corpus, no final da semana. Perguntada sobre a acusação de ser uma das lideranças da Frente Independente Popular (FIP), ela afirma: “Historicamente, o Estado, o poder, precisa criar um líder para matar e criminalizar o movimento. É isso o que estão fazendo. E vão fazer com todos. Vão destruir as identidades através da mídia, para depois justificar prisão, tortura e assassinato. Eles precisam disso. Mas o movimento é espontâneo, não aceita esse tipo de coisa. Não adianta tentar criar o que não existe”. Elisa classificou de “abobrinha e história surrealista” o conteúdo do processo de 15 volumes contra os 23 acusados. “Somos perseguidos po-

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líticos”, diz ela, que usa como perfil no Facebook uma foto de Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, presa, torturada e banida para o Chile durante a ditadura, que suicidou-se em 1976, em Berlim, no exílio. ‘Abrobrinhas’ “Vão fazer 5 mil, 20 mil páginas de abobrinhas, de história surrealista. Porque não existe, são 23 pessoas

SURREALISTA A ativista e líder de um movimento de repúdio em protestos públicos classificou de “abobrinha e história surrealista” o conteúdo do processo de 15 volumes contra os 23 acusados Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, não se considera ativista nem tampouco anarquista. Ela se auto-classifica como “libertária”

que mal se conhecem. Nunca falei com a maioria dessas pessoas. Que líder é esse que não fala com os seus? Não existe liderança”. Orientada pelo advogado Marino D’Icarahy, Elisa não comentou trechos do inquérito policial, como o depoimento de uma testemunha que a acusa de ter incitado manifestantes a incendiar o prédio da Câmara de Vereadores do Rio, o suposto plano teria sido abortado por outros militantes.

‘Sou uma libertária e longe de ser anarquista’ Elisa Quadros Sanzi, a Sininho não se diz anarquista, mas “libertária”. “A polícia não sabe o que é anarquismo. Dentro de um movimento espontâneo, de massa, que a gente está vivendo no Brasil, existem várias linhas de pensamento político diferentes, e cada um atua da forma que acredita. É

de cantar palavras de ordem e músicas de Chico Buarque e Geraldo Vandré, entre outras, no período em que ficou presa em Bangu. “Elas falavam: canta hino de louvor ou pagode. Você ali é refém, aí não canta.” Apoio Um ato “contra a criminaliza-

ção das lutas, movimentos sociais e ativistas” reuniu na noite de terça-feira (30/6) cerca de 300 manifestantes, segundo a Polícia Militar, na região da Cinelândia, no centro do Rio promovido pelo Comitê Popular Contra o Estado de Exceção e acompanhado por cerca de 350 policiais militares.

DISCUSSÃO

RELATÓRIO EBC

Coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari quer opinião da sociedade

CNV quer sugestões da sociedade A Comissão Nacional da Verdade (CNV) receberá sugestões entre 11 de agosto e 30 de setembro e poderá incluí-las como recomendações em seu relatório final, que vai reunir tudo o que foi apurado sobre o período da ditadura militar e considerações para que as violações de direitos humanos não se repitam no país. “Uma diretriz importante é começar a incorporar a própria sociedade na elaboração do relatório final. A responsabilidade é nossa, dos membros da comissão nomeados pela presidenta da República, mas entendemos que o relatório deve refletir a percepção da sociedade”, disse o coordenador da comissão, Pedro Dallari. As sugestões poderão ser feitas por meio do site da

isso o que faz (o movimento) ser horizontal. Tem anarquista, tem comunista, tem socialista e tem até capitalista no meio desse povo querendo destruir o sistema, como eu não sei. Eu sou uma libertária”. Elisa afirmou ter presenciado “torturas psicológicas” e ter sido impedida por agentes penitenciárias

comissão. O colegiado vai considerar principalmente contribuições de instituições usadas como aparelhos de repressão, como as polícias estaduais e as Forças Armadas, além da Justiça. A integrante da comissão Rosa Cardoso reforçou o pedido. “Não teremos tempo para fazer tudo nesse processo de muitas audiências para a conclusão do relatório. Esperamos ter, nesse período, uma participação muito grande da sociedade”. Temas como desmilitarização da polícia, Lei de Segurança Nacional, educação e formação nas Forças Armadas e a atuação do Poder Judiciário estão incluídos nesse universo que pode ser debatido, segundo Rosa. “Também inclui (informaçõe sobre) empresários,

porque hoje já se tem muito claro que essas foram ditaduras civis-militares, e esses empresários precisam saber que sua cumplicidade com agentes do governo também os torna responsáveis”.

Educação à distância será revisada A educação à distância (EaD) poderá ter um novo marco regulatório até o final deste ano. A discussão está na reta final no Conselho Nacional de Educação (CNE) e a intenção é que, até novembro, um documento consolidado seja enviado ao Ministério da Educação (MEC). Entre as mudanças está a elaboração de uma nova avaliação para a modalidade. O novo critério, necessário para o funcionamento dos cursos, credenciamento e recredencimento deles no MEC, deverá valorizar o projeto institucional e considerar a inovação, a estrutura, o corpo docente, a interdisciplinaridade da instituição. O conselheiro do CNE Luiz Roberto Curi explica que avaliação feita atualmente é mais quantitativa, considera

aspectos como o número de docentes ou número de livros disponíveis. A nova levará em conta também as especificidades de cada instituição e a qualidade ofertada. “O novo procedimento (de avaliação) deverá ter um novo instrumento, novos indicadores, que possam conduzir a uma percepção do projeto institucional, que consiga avaliar as diferenças. Se [uma instituição] amplia a base tecnológica, amplia o acesso à leitura, o contato com a sociedade, ela tem um projeto bem avaliado”. Também será levada em consideração a formação e capacitação dada aos docentes para atuarem no ensino à distância. O polo de educação à distância ou polo de apoio presencial, onde são desenvolvidas as atividades pedagógicas e

administrativas, terá destaque. No polo, os estudantes tem à disposição atividades de tutoria presencial, biblioteca, laboratórios, teleaulas, avaliação. Novos planos O CNE planeja estimular o uso dos polos como espaço de extensão, de integração com a comunidade. “A ideia é permitir que a instituição que quer ofertar o EaD construa o seu projeto institucional e o construa qualificando o polo, qualificando as tecnologias disponíveis”, diz Curi. Pelo projeto, a nova avaliação será elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e será considerada no processo de recredenciamento da instituição de ensino que oferta o EaD. DIVULGAÇÃO/USP

Defesa José Carlos Dias, também integrante da CNV, defendeu a inclusão de recomendações específicas sobre os direitos humanos nas áreas criminal e prisional. “Temos que enfrentar a questão da tortura, que continua a existir. O Estado democrático brasileiro está convivendo com a tortura. Temos que apresentar recomendações na área da investigação criminal e na área do sistema prisional, que no Brasil é uma barbaridade”, avaliou. Segundo o MEC, entre as mudanças está a elaboração de uma nova avaliação para a modalidade


País

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Eleições: 40% são pastores Pelo menos 270 candidatos declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ser pastores, o que significa um crescimento de 40% com relação às eleições de 2010, quando apenas 193 pessoas afirmaram ocupar uma posição eclesiástica

A

s eleições deste ano contarão com 270 candidatos que se declararam pastores, um crescimento de 40% com relação ao pleito de 2010, quando 193 pessoas disseram ocupar o cargo. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou a candidatura de 32 bispos (25% a menos

Bispos licenciados vão às urnas Comandados por bispos licenciados da Igreja Universal e bispos e pastores da igreja Assembleia de Deus, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) e o Partido Social Cristão (PSC) concentrarão esforços durante as eleições de 2014 para duplicar seu número de deputados federais e de deputados estaduais nos Estados brasileiros. Presidente do PRB, o pastor licenciado Marcos Pereira afirma que a pretensão do PRB é perder o status de partido pequeno, em relação ao tamanho de sua bancada federal, para um partido, médio. Atualmente, o partido conta com dez deputados no Congresso Nacional, 21 deputados estaduais e um distrital. Em 2010, o PRB teve 168 candidatos a deputados federais e 432 a deputados estaduais.

Em busca de novos rebanhos Novato em uma disputa presidencial, Pastor Everaldo tem 3% das intenções de votos, segundo pesquisa do Datafolha. Até o fim das eleições, Everaldo desfilará pelas ruas pedindo votos aos candidatos do partido. Hoje, o PSC é representado por 12 deputados federais e 22 deputados estatuais. Para este ano, 174 candidatos disputam uma vaga na Câmara dos Deputados e 744 fazem campanha para ocupar as assembleias legislativas. O PSC estabelece como meta a eleição de 30 deputados federais e manter a cadeira que tem no Senado. Na prática, os dois nanicos desejam conquistar mais tempo de TV e rádio para propagandas partidárias, o direito de presidir comissões permanentes e garantir assentos na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, além de uma maior fatia do Fundo Partidário. PRB e PSC terão um pouco mais do que um minuto de tempo de rádio e TV.

do que em 2010) e 16 padres (30% a menos). O PSC lidera a indicação de sacerdotes: são 37 clérigos evangélicos, um deles é o pastor Everaldo, que disputa a Presidência da República pelo partido. Nas últimas pesquisas Datafolha e Ibope, ele estava em quarto lugar com 3% das intenções de voto.

Os partidos de esquerda lideram as indicações de párocos católicos: o PT conta com cinco padres, e o PCdoB, com três. Nenhum candidato adotou o termo rabino ou irmão. A população evangélica do país cresceu 61,5% em dez anos e atingiu a marca de 42,3 milhões de fiéis, cerca de 22,2% da população brasileira,

segundo dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2012. Crescimento O voto evangélico é cortejado tanto pelo partido da presidente Dilma Rousseff (PT), quanto por seu principal adversário na disputa, o tucano Aécio Neves.

Atualmente, a bancada evangélica na Câmara Federal tem 66 parlamentares. Nesta semana, a presidente participou da inauguração do Templo de Salomão da Igreja Universal do Reino de Deus. O local tem 74 mil metros quadrados de área construída (3,2 vezes maior do que a Basílica de Aparecida), o equivalente a

18 andares de altura e capacidade para 10 mil pessoas. Durante as eleições presidenciais de 2010 a questão do aborto entrou na pauta dos candidatos. José Serra (então candidato do PSDB à Presidência) e seu vice, Índio da Costa (DEM), insinuaram que Dilma seria defensora da prática.


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Mundo

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Israel no impasse entre se retirar e insistir na guerra N

o dia 17 de julho, as tropas israelenses invadiram a Faixa de Gaza após semanas de bombardeios por mísseis disparados da região. Agora, enquanto o Exército anuncia os primeiros sucessos na operação terrestre e impõe severos danos à estrutura do Hamas, estuda os próximos passos. Enquanto, segundo especialistas, uma ocupação duradoura da Faixa de Gaza parece algo distante, aumentar ainda mais os padrões da operação se anuncia como decisão complicada - a pressão internacional cresce junto com o aumento no número de mortos civis do lado palestino. “Muitos túneis foram destruídos”, afirma o jornalista e historiador alemão nascido em Israel Michael Wolffsohn, em entrevista à TV alemã DW. “Havia entre 30 e 60 desses túneis na Faixa de Gaza e cerca de metade está destruída. Os outros túneis, os soldados ainda tentarão destruir, independentemente de uma trégua. Este é um ponto estratégico militar bastante decisivo”. As passagens ilegais, que os membros do Hamas construíram a partir de casas, creches,

DIVULGAÇÃO

Exército celebra avanços na ofensiva em Gaza. Mas, após quase duas semanas de guerra, terá logo que decidir o que fazer hospitais e escolas, para chegarem sem serem percebidos a Israel e realizarem lá atos terroristas, são um alvo importante para os israelenses. Poder do Hamas O Exército afirma ter destruído quase 50% do arsenal de mísseis do Hamas. “Israel tentará agora atingir politicamente que a Faixa de Gaza seja desmilitarizada sob supervisão internacional”, aposta Wolffsohn. Por isso, diz o israelense Ely Karmon, especialista em terrorismo, Israel decidiu intensificar os bombardeios na Faixa de Gaza, só na madrugada da última terça-feira (29/6) 150 alvos foram atacados. Do ponto de vista israelense, uma solução para o conflito no Oriente Médio, segundo ele, só será possível se o núcleo do Hamas for destruído. “Isso não significa que Israel ocupe Gaza, porque isso levaria a outras vítimas em ambos os lados”, diz Karmon. “O Exército deve agora estender sua operação para alguns pontos estratégicos e destruir mais foguetes do Hamas”, defende. No entanto, não é garantido que será isso que acontecerá.

‘Cessar-fogo pode não durar’ O presidente dos EUA, Barack Obama, e o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos já pediram um cessar-fogo. Karmon acredita que Israel pode, por isso, vir a retirar suas tropas. Já Michael Wolffsohn tem certeza que, mesmo no caso de uma trégua, os soldados israelenses não serão completamente retirados da Faixa de Gaza. “Eles vão permanecer lá até que eles tenham destruído os túneis”, prevê, observando que, para isso, não será necessária ação militar adicional, já que os israelenses ganharam terreno suficiente para ter acesso à maior parte dos túneis conhecidos. Evolução No que depender do equipamento, Israel tem boas chances de sucesso. “O Exército está equipado o suficiente, de forma que não há preocupação sobre quando os recursos se esgotarão”, garante Ely Karmon.

Soldado israelense percorre túnel construído pelo grupo Hamas

Financeiramente, o país também está bem preparado. A defesa de mísseis custa ao Estado cerca de 100 mil dólares. “Há recursos suficientes para se desenvolver ainda mais a tecnologia, de formas quantitativa e qualitativa”, diz Michael Wolffsohn. Além disso, Ely Karmon observa que o sistema de interceptação de mísseis é mais barato do que reconstruir infraestruturas destruídas. “Isso dá para ver na Faixa de Gaza, onde muito já foi destruído. Lá, eles recebem ajuda do Catar e da comunidade internacional, coisa que nós não temos”. Por outro lado, o Hamas enfrenta cada vez mais problemas. O movimento recebia apoio militar principalmente da Síria e do Irã. “A Síria está ocupada com a guerra civil em seu próprio país. O governo de lá está com água até o pescoço e não enviará mais armas”, acredita Wolffsohn.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

KARLA VIEIRA/SEMCOM

No Centro, ruas saem das sombras Dia a dia C4-C5

(92) 3090-1041

Sob a ponte, sobre o lixo MÁRIO OLIVEIRA/ARQUIVO EM TEMPO

Quem vive em meio ao lixaral jogado nos igarapés de Manaus revela o drama de se expor a doenças provocadas pela poluição das águas e pela vazante e a tentativa de levar conscientização aos vizinhos, minimizando os problemas

Cena comum durante as cheias e períodos chuvosos em Manaus: lixo que forma tapetes sobre os igarapés poluídos chegou a quase 4 mil toneladas retiradas pela prefeitura no primeiro semestre

Q

uando a dona de casa Ednelza Mineiro, 55, chegou a Manaus - trazida por uma família adotiva de Terra Santa, interior do Pará - o impacto da mudança de cenário não foi dos maiores. Na capital, com ares de interior, as mulheres da vizinhança se reuniam para lavar roupa na beira do igarapé da Cachoeira Grande, próximo onde hoje fica a ponte de acesso ao bairro São Jorge, Zona Oeste. Enquanto os homens pescavam, o divertimento das crianças era desbravar o rio de águas cristalinas. “Meus filhos já nadaram aqui. Apesar de o igarapé estar podre, os meninos da redondeza ainda tomam banho. Meus filhos tomaram quando água era limpa. Eles aprendem a nadar dentro desse igarapé. Dava para ver peixe, a água era muito limpa mesmo. As mulheres lavavam roupa cedinho. Hoje a gente lamenta ver o estado que está”, lembrou. E nem faz tanto tempo assim, a menina chegou a Manaus em 1972, aos 13 anos. De lá para cá, ela cresceu, se casou, tornou-se mãe de 10 filhos – que aprenderam a nadar no quintal de casa mesmo, no tal igarapé de águas cristalinas, luxo para poucos – e testemunhou a morte de um dos mananciais mais bonitos da cidade. Hoje, o cenário é muito diferente daquele descoberto pela menina no início da década de 1970. Mesmo com a cheia que se recusa a dar uma trégua, enxergar os igarapés de Manaus é tarefa reservada aos mais atenciosos, pois a maioria deles segue camuflado por um tapete de lixo durante boa parte do ano. A quantidade de resíduos

lançados nos igarapés gera estatísticas surpreendentes. Nas proximidades da ponte de acesso ao bairro São Jorge, no local em que Ednelza cresceu, 28 toneladas de lixo foram retiradas do igarapé da Cachoeira Grande em 2013. De janeiro a junho deste ano já foram coletadas 30,28 toneladas de puro lixo. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), 7.486,12 toneladas foram recolhidas de igarapés e córregos de Manaus em 2013 e 3.986 somente neste ano. As toneladas de lixo cresceram proporcionalmente à quantidade de residências que surgiram com o “desenvolvimento” da “metrópole”. “Quando cheguei aqui não tinha muitas casas, as ruas eram de barro e o igarapé era cristalino. Com o tempo, foi ficando poluído, vi toda a transformação, o lixo começou a aparecer. Antes, a correnteza era mais forte. Hoje, não tem muita correnteza e o lixo fica parado. Só quando chove que a correnteza fica forte e o lixo desce”, observou. Da janela de casa – na comunidade Santa Teresinha Ednelza viu os peixes perderem espaço para cães, ratos, cobras e jacarés que aparecem expostos sob a espessa camada de resíduo. “Quando chove, desce casco de geladeira, fogão e muita garrafa pet. Saco preto cheio de lixo. Uma manhã dessas, eu ia passando com minha vizinha, entramos no beco e quando saímos já tinha máquina de lavar roupa dentro de água, já pensou? A gente não viu quem colocou. Quer se desfazer dos entulhos? Quebra miudinho, põe dentro de um saco e coloca para o lixeiro levar. Hoje tudo é descartável mesmo, de plástico. Pior que plástico passa muitos anos pra se desfazer dentro do igarapé”, contabilizou.

Sujeira vem de outros bairros

Hábitos para serem mudados

Com uma correnteza tímida os moradores tentam se livrar do lixo acumulado nas margens. “Na beira do rio, a água fica parada e fica cheia de lixo, mato e os bichos mortos que o pessoal joga. Daí os vizinhos se juntam e espanam o lixo e vão varrendo para descer, se não fica acumulado e podre. Um dia desses, teve uma emissora de TV que falou que o pessoal do São Jorge joga lixo no rio, mas o lixo desce de outros bairros. As pessoas não têm consciência”, afirmou. No período mais crítico da cheia, o lixo acumulado sob a ponte foi recolhido quase que diariamente em mutirões organizados pela prefeitura. “O governador não tem nada a ver com isso nem o prefeito. É certo que eles deveriam no início ter se preocupado com saneamento básico, mas quem faz a bagunça maior é o povo. Tem gente

Na tentativa de mudar essa realidade, Ednelza começou por alterar pequenos hábitos dentro de casa. “A gente limpa o terreno, tira galho de árvore, casca de fruta e resto de comida e estamos fazendo uma horta no quintal de casa, usando as cascas como adubo. Também junto todo meu lixo e ponho na lixeira diariamente”, disse. Após dar um fim ao lixo orgânico, a dona de casa começou a tentar incentivar os vizinhos – famílias distribuídas em 120 residências que formam a comunidade - a se conscientizar da importância de destinar os resíduos sólidos a local adequado. “A gente conversa com os vizinhos, tenta conscientizar principalmente a não jogar lixo no igarapé e nas calçadas. Conseguimos uma lixeira. Pagamos um rapaz para varrer o beco e levar o lixo para a lixeira. Antes, a sujeira ficava acumulada na entrada da comunidade. Se você quisesse passar, tinha que passar por cima dele. Agora melhorou, é mais limpo”, observou. Os bons resultado alcançados com o trabalho em equipe, mesmo que ainda tímido, têm despertado a comunidade a ousar novas medidas. “Estamos pensando em reciclar, mas tememos colocar os camburões de reciclagem, porque tudo o que a gente coloca na rua, se não for vigiado, levam embora. Estamos pensando em colocar os depósitos coloridos, mas,

que não está nem aí. Mas eu lamento muito, dói meu coração”, reconheceu. Com a subida do rio, quando o lixo fica preso na beira da ponte, a iniciativa da comunidade em varrer o igarapé não surte o mesmo efeito do período da vazante. De posse dos ingredientes necessários, a proliferação de doenças é a cereja do bolo. “Além do mau cheiro, as crianças ficam doentes, tem muitos casos de diarreia, dor de cabeça, dor no corpo e surge também muito carapanã. Acho que é por isso que tem muitos casos de dengue”, apontou. Ela mesmo conta que já ficou de cama durante nove dias, com dengue. “Quer dizer, dentro de casa não tem caixa de água, não tem vaso de planta, nem água parada. A gente imagina que é do igarapé mesmo”, afirma.

DIEGO JANATÃ/ARQUIVO PESSOAL

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

Os próprios moradores tentam combater a poluição dos igarapés

como diz o ditado, ‘anoitece, mas não amanhece’ (risos)”, revelou. Com a idéia de transformar o material reciclável jogado no igarapé, surge também a oportunidade de aumentar a renda. “Estamos querendo trazer um pessoal para ensinar artesanato. É uma coisa tão bonita e todo mundo ganha o seu trocado”, observou. Consciência Crítica, Ednelza esboça as consequências de se lançar uma garrafa PET, que seja, no rio. “Do jeito que ´tá o andar da carruagem´ (sic), daqui a 20 anos como não vai ser? Principalmente na questão da violência e poluição! Falo para minhas filhas sobre a importância de preservar água. Vai haver muita necessidade de água, como já tem. Tem país que não tem mais água doce. Nós temos bastante, mas esse nosso recurso não vai servir só para nós brasileiros, mas para outros países”, analisou. Em efeito dominó, ao poluir os igarapés, também se contribui para a extinção das espécies e o encarecimento dos alimentos. “Quem pode comprar cinco pacus por R$ 20. Já imaginou? Logo aqui no Amazonas que tem bastante peixe. A poluição vai acabando com tudo, depois não vai ter água e como vamos ficar? Vai ser um grande sofrimento. Acho que a água ainda vai ser o ouro do mundo, como o petróleo é hoje”, profetizou.


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Dia a dia

Clandestino, mas b RAIMUNDO VALENTIM

Reportagem do EM TEMPO fez uma viagem em um ônibus clandestino que corta a cidade de leste a oeste, cobrando tarifa de R$ 3 e oferecendo, mesmo sem qualidade, fatores essenciais para sua popularização: rapidez e pontualidade

Os ônibus clandestinos, apesar da insegurança, conquistam a preferência de usuários insatisfeitos com a falta de organização do sistema de transporte coletivo normal na capital amazonense

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bordo de um ônibus precário e ilegal, dezenas de trabalhadores fazem diariamente uma viagem de ida e volta entre casa e trabalho, apesar de saberem dos riscos da falta de segurança nos ônibus clandestinos, cuja tarifa chega a R$ 3. O fato é que o transporte coletivo irregular circula normalmente e atravessa as zonas Centro-Oeste e Leste da cidade, ganha a confiança de passageiros castigados pela superlotação em horários de pico, atraídos pela pontualidade em endereços no Dom Pedro, Amazonas Shopping Center, Efigênio Sales e Coroado, terminando o itinerário na comunidade João Paulo 2, bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste. A equipe do EM TEMPO acompanhou a rotina de quem se aventura a entrar no “ônibus pirata”. A nossa partida começou no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste. Em um ponto de ônibus, trabalhadores rejeitavam o embarque nos coletivos comuns, mesmo que fossem chamados por colegas transportados nestes. Entre uma olhada no celular e outra no relógio do pulso, indicavam que esperavam por algo, e pontualmente às 17h20 o “pirata” de placa vermelha LCJ-1728 chega - um veículo velho, sujo, com algumas janelas sem vidro e ausência de equipamentos de segurança comuns nos

ônibus da frota comum. Os passageiros entram no veículo pela porta dos fundos. Alguns até se conhecem e se cumprimentam no interior do veículo. O motorista permanece discreto ao volante, na companhia da “cobradora”, que se senta na primeira cadeira próxima à porta de saída, trazendo no colo uma caixa plástica com tampa, usada como caixa registradora. Mesmo sendo o coletivo “pirata”, há o respeito com os passageiros idosos, os quais entram pela porta

TRANSPORTE

Pontualmente às 17h20, no Dom Pedro, o “pirata” de placa vermelha LCJ-1728 chega - um veículo velho, sujo, com algumas janelas sem vidro e ausência de equipamentos de segurança dianteira do veículo. O pagamento feito para a cobradora é acertado no momento em que cada passageiro se aproxima do motorista para indicar o seu ponto de descida. A prestação de contas é rápida, assim como as informações sobre os horários nos pontos de embarque no dia seguinte. Na parada de ônibus na avenida Darcy Vargas, em frente ao Amazonas Shopping, uma passageira observa a saída de passageiros, e o motorista faz o convite ao

dizer “Jorge Teixeira - João Paulo”. Ela faz sinal de positivo e a porta dos fundos se abre para ela. Rapidamente o ônibus lota. O motorista não se sente inibido em transportar passageiros na clandestinidade, com os usuários se acomodando pelo corredor. Alguns sentam na escada da porta do ônibus e outros, no capô interno. Durante a viagem, a porta dianteira segue aberta, aumentando a circulação do ar no interior do veículo, mas nas proximidades do viaduto Miguel Arraes, próximo ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), a porta se fecha. Rapidez Os passageiros que não abrem mão do serviço, mesmo em condições precárias, não reclamam de pagar 25 centavos a mais em relação à passagem cobrada nos transporte legal - entre eles, a diarista Joana (nome fictício), moradora da comunidade Nova Floresta, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus, que há aproximadamente seis meses segue de casa para o trabalho na avenida Efigênio Sales/V8, num ônibus “pirata”. Ciente do perigo, diz que foi a única solução para conseguir chegar ao trabalho a tempo. “É um transporte proibido, mas ele faz o trajeto próximo de casa até o trabalho, sem precisar ter que parar nos terminais. Só preciso chegar antes do horário que ele costuma a passar, às 5h40”, conta.

‘A pontualidade desse é certa’ Joana justifica a sua opção de embarcar no ônibus clandestino pela insatisfação com o sistema de transporte coletivo regular. “A pontualidade desse é certa, e a rota atende às nossas necessidades, nós que moramos em bairros mais distantes e dependemos de ficar pulando de terminal em terminal. A tarifa é mais cara 25 centavos, mas o importante é o total

de horas que diminuo com esta viagem aqui. No ônibus normal, levaria pelo menos umas duas horas para voltar para casa”, justifica. “Sabemos que ele irá passar pontualmente. Quando o motorista vai atrasar, ele avisa para alguém daqui do ponto”, acrescenta a diarista. Amigos Durante o flagrante, a equipe de reportagem ob-

servou que muitos trabalhadores já estão familiarizados com o “pirata”, alguns cumprimentam o motorista pelo nome de “Cleibson”. A bordo do transporte clandestino, atentamos que o motorista do ônibus atendia normalmente as chamadas no celular. Numa conversava ao celular, aparentava negociar a locação do veículo para algum evento - R$ 300 para um percurso combinado durante a ligação. DIEGO JANATÃ

DENY CÂNCIO Especial EM TEMPO

Flagrante no interior do ônibus clandestino: passageiros satisfeitos com a pontualidade


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om para usuários Tráfego segue livre ao redor do terminal trecho se compara com as dos alternativos, os ‘amarelinhos”’, diz o frentista Mauro (nome fictício), ao ser questionado sobre informações do trajeto. “Daqui (Grande Circular) o percurso é bem parecido com o do ‘amarelinho’. Se tivesse vindo de ônibus do trabalho para casa, teria que descer no T5 e seguir viagem no ‘amarelinho’ para descer mais perto

de casa”, comenta sobre a vantagem do clandestino, prestes a se despedir da repórter. Durante o percurso do ônibus clandestino, acompanhado pela equipe de reportagem, não foi vista nenhuma fiscalização. Migração Os passageiros abordados por uma conversa informal apontam a falta

de qualidade no serviço de transporte coletivo regular como causa da migração dos passageiros para o sistema clandestino. Além de reclamarem da demora dos ônibus de linha, os usuários citam os itinerários com percursos dispersos e a integração nos terminais, onde enfrentam filas enormes, e também por passarem muito tempo dentro do ônibus. DIEGO JANATÃ

Outro detalhe observado é que desde o início do trajeto, a cada parada, ao menos três trabalhadores embarcam no transporte clandestino. Além disso, o tráfego acontece livremente no entorno do Terminal de Integração 5. A caminho da Grande Circular, no mesmo ponto, é que, aos poucos, os passageiros começam a desembarcar. “A rota a partir deste

SMTU vai averiguar e multar

Dentro dos veículos clandestinos, não existe o mesmo sistema de segurança do transporte coletivo normal da capital

A equipe de reportagem foi a última a descer no final da linha, na Bola do Produtor, no João Paulo II. Após a viagem iniciada no Dom Pedro, Zona CentroOeste, desembarcamos por volta das 18h45 no local - um itinerário de menos de duas horas atravessando a cidade. Dessa forma o serviço de baixa qualidade ganha a concorrência com o sistema legalizado, mesmo com a cobrança de um valor um pouco mais alto dos passageiros. A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) em busca de informações sobre as linhas irregulares. Por meio de nota, a superintendência afirmou que tem feito constantes fiscalizações no intuito de combater a circulação de veículos que façam o transporte de passageiros clandestinamente. A SMTU salientou que somente esta semana, realizou três operações em zonas diferentes da cidade - Centro-Sul, Sul e Oeste. O órgão explica que as fiscalizações são direcionadas

para os locais informados por meio de denúncias que chegam ao conhecimento dos fiscais ou vindas da população, registradas junto a SMTU. Sobre o flagrante feito pela reportagem de uma

PUNIÇÃO

A multa aplicada para o transporte clandestino é de 40 UFMs, equivalente a R$ 3.151,60. Se o meso veículo for apreendido pela segunda vez, o valor dobra viagem de ônibus clandestinos nesses trajetos, a SMTU diz que irá averiguar, por meio do setor de fiscalização, e se houver o flagrante da irregularidade será feita a apreensão do veículo. A multa aplicada para o transporte clandestino é de 40 Unidades Fiscais do Município (UFMs), equivalente a R$ 3.151,60. Se o mesmo veículo for apreendido pela segunda vez, o valor dobra e vai para 80 UFMs, ou R$ 6.303, 20.


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Dia a dia

Novo olhar sobre o KARLA VIEIRA/SEMCOM

Com a inauguração da Galeria Espírito Santo, na última sexta-feira, resgate do Centro começa a ficar mais próximo da realidade, com ruas livres e a transformação dos antigos vendedores ambulantes das calçadas em empreendedores

Rua Henrique Martins, no Centro, agora sem as barracas dos vendedores ambulantes, que tumultuavam o tráfego de pedestres: revisão da forma de ocupação do Centro Histórico da capital

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inauguração da Galeria Espírito Santo, na última sexta-feira (1º), além de oferecer à população um novo local de compras em pleno Centro Histórico de Manaus, significou mais um capítulo no resgate daquela área, além da elevação dos camelôs à categoria de microempreendedores. A sua saída das ruas revelou o restante de uma região oculta pelas antigas barracas de ambulantes, dando outra cara à rua Henrique Martins após a liberação das calçadas das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro. Com mais de 3 mil metros quadrados, 323 lojas e serviços como praças de alimentação, casa lotérica e o primeiro Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) municipal, o primeiro shopping popular de Manaus, instalado no centenário prédio da Galeria Espírito Santo, na esquina das ruas Joaquim Sarmento e 24 de Maio. “Estamos começando vida nova. Vida nova para a administração pública, que ganha a chance de fazer um trabalho ímpar para a requa-

lificação do Centro. Vida nova para a população, que tem as ruas de volta, além de ganhar um novo centro de compras e, principalmente, vida nova para esses mais de 300 trabalhadores que hoje ganham a condição de microempreendedores e vão poder prosperar e manter um negócio de família, que pode ser passado de pai para filho”, resumiu o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. O que era um pesadelo, um grave problema social sem perspectiva de solução, virou um sonho por alguns meses e, agora, é uma realidade. Os primeiros 323 ex-camelôs das ruas do Centro ganharam um novo endereço comercial e, também, a chance de reconstruir suas histórias de vida e a história da própria cidade. A entrega das chaves das lojas, ocorridas no dia 29 de julho; a assinatura do Termo de Ocupação do Espaço Comercial; a transferência de comerciantes informais do camelódromo provisório onde aguardavam a construção do shopping definitivo e das ruas, ocorrida na última quarta-fei-

ra; e a inauguração do primeiro shopping popular marcaram o fim de um ciclo que demorou quase 30 anos para ser encerrado, e confirmam a solução definitiva que vem sendo construída há 19 meses, com ampla participação dos trabalhadores, comerciantes

Há muito tempo se esperava por isso. Estávamos na lama. Enfrentávamos sol, chuva, bandidos... Agora vamos ter um canto nosso Newton da Silva Souza, microempreendedor

e população, tudo mediado e coordenado pelo Poder Público Municipal. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e vamos continuar fazendo, para que este passo histórico seja o início de uma mudança pra valer”, afirmou o prefeito. “Agora, vamos

dar à cidade a fisionomia que ela merece para trabalharmos o turismo, termos as ruas do Centro desobstruídas e vermos os próprios empresários revitalizando o comércio”, disse. O sentimento do prefeito é compartilhado pelos novos empreendedores. “Hoje a gente vive um momento histórico. Há muito tempo se esperava por isso. Estávamos na lama. Enfrentávamos sol, chuva, bandidos... tudo de ruim. Agora, finalmente, vamos ter um canto nosso, vamos ser respeitados”, disse Newton da Silva Souza, primeiro microempreendedor a receber as chaves da sua loja das mãos do prefeito. A alegria dos novos empreendedores e dos moradores da cidade é traduzida por David Castelo, 60, há 40 trabalhando como camelô, que faz poesia em agradecimento. “Te devolvemos as ruas, Manaus! As calçadas são tuas. Retoma tua soberania! E devolve para a tua população a autoestima. Porque agora, querida cidade, todos nós, demos a volta por cima”, diz o poeta-empreendedor.

Dois desafios para a gestão Antes mesmo de assumir a prefeitura, Arthur Neto lançou para si dois desafios: reconstruir o Centro de Manaus, requalificando-o para a recepção aos turistas e reintegração ao cotidiano da cidade, e dar uma resposta para os mais de 2 mil camelôs que trabalhavam nas ruas há mais de 30 anos. Várias reuniões foram realizadas para dar início ao longo processo de negociação que culminaria com a retirada dos camelôs e suas transferências para outros locais apropriados ou outras atividades econômicas, longe das ruas. Ao longo de 2013, a prefeitura criou uma secretara extraordinária – depois transformada em Secretaria do Centro; realizou um censo, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro

e Pequenas Empresas (Sebrae), identificando 2.081 camelôs e conduziu várias etapas de negociação com os trabalhadores informais, que levaram ao lançamento, este ano, do programa Viva Centro Galerias Populares, com o projeto de construir três shoppings populares, dois no Centro – além da Galeria Espírito Santo está sendo construída também a Galeria dos Remédios - e outro no terminal T4, na Zona Leste, com infraestrutura e condições adequadas para os camelôs. De fevereiro até agora, 832 deixaram as ruas. Desses, 323 inauguraram suas lojas na Galeria Espírito Santo. Os demais aguardam a inauguração dos outros dois shoppings populares com bolsa mensal de R$ 1 mil, por meio do Fundo de Fomento à Micro e Pequena Empresa (Fumipeq).


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o Centro Histórico A Galeria Espírito Santo foi projetada por arquitetos, engenheiros, designers e técnicos do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) para oferecer qualidade e dignidade aos empreendedores e futuros frequentadores. Em mais de 3 mil metros quadrados estão instaladas 308 lojas, seis quiosques no térreo e nove lanches no pavimento superior, compondo praça de alimentação e serviços como PAC Municipal, caixas eletrônicos e casa lotérica. O prédio, de fachada histórica e tombada, de tijolinhos, foi projetado para ter acessibilidade total para portadores de necessidades especiais (PNE), inclusive com uma plataforma que dará acesso ao mezanino (ainda em instalação). Focada em uma arquitetura neutra, que priorizou o aço e menos concreto, usado na laje do segundo pavimento, no estilo deck, a Galeria EspíritoSanto ganhou as cores dos

comerciantes que vão ocupar boxes padronizados, também feitos em estrutura de aço, placa cimentícia e gesso. Outro ganho no imóvel foi a abertura de vãos e colocação de gradis, aumentando a circulação de ar, ampliada pela instalação de exausto-

VANTAGENS

O prédio da Galeria Espírito Santo, de fachada histórica e tombada, de tijolinhos, foi projetado para ter acessibilidade total para portadores de necessidades especiais res eólicos no telhado, que é dotado de isolamento térmico. Para aproveitar ao máximo a ventilação natural, venezianas foram instaladas na fachada oeste e a praça central ajudará na circulação de ar.

Ponto forte de atenção para a Espírito Santo foi a preocupação com a segurança, com escadas em aço e corrimão em aço inox e vãos dentro das normas de engenharia e arquitetura, com espaçamento entre os elementos de até 13 centímetros. Nos retoques finais, atenção especial para iluminação, a sinalização do edifício, de onde ficam banheiros (bloco pintado em vermelho), comunicação de orientação e as ruas internas, que ganharam letras. Cada loja é identificada com números e terá uma placa adesiva padronizada. A identidade visual, já divulgada em outras ações de lançamento da Galeria Espírito Santo, permanece, ganhando novos elementos para as lojas, produzidos pela Secretaria de Comunicação (Semcom), com coordenação ainda do Implurb e Secretária do Centro (Semc), seguindo as leis de tombamento e o Manual de Placas por estar em área histórica.

MARINHO RAMOS/SEMCOM

Galeria inaugurada é um marco

Galeria Espírito Santo preserva a fachada do prédio histórico da rua Joaquim Sarmento

Investimentos passam de R$ 47 milhões A prefeitura está construindo outros dois shoppings populares. A Galeria dos Remédios, localizada na rua Miranda Leão, Centro, terá uma área construída de 5.170 metros quadrados e vai disponibilizar 361 espaços comerciais além de servi-

ços públicos como o Sistema Nacional de Emprego (Sine), PAC, farmácia popular, Correios, praça de alimentação, elevadores, caixas eletrônicos e um mirante, no último andar, que vai abrigar, também, uma tacacaria. O investimento nesse empre-

endimento é da ordem de R$7.939.280,52. O Shopping T4 está sendo erguido na avenida Camapuã, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste. Terá 12.118,21 metros quadrados de área construída e vai disponibilizar 761 espaços co-

merciais, além de abrigar cinemas, supermercado, PAC, pista de caminhada, quadras de esporte, agências bancárias, loteria esportiva e praça de alimentação. O investimento nesse empreendimento é de R$40.305.176,22. TÁCIO MELO/SEMCOM

KARLA VIEIRA/SEMCOM

Parcerias foram fundamentais

Com o novo espaço, vendedores têm mais liberdade

Para ser um empreendedor, todos os trabalhadores têm que estar formalizados. Para isso, a prefeitura fechou parcerias com o Sebrae, que está ajudando na documentação; com o Banco da Amazônia (Basa), que está disponibilizando financiamento para capital de giro no valor mínimo de R$ 2, 5 mil e linha de crédito para Empreendedor Individual no valor de R$ 7,5 mil a R$ 15 mil; e Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), que

também está disponibilizando financiamento para os empreendedores. O microempreendedor Roosevelt Queiroz, 60, há 40 como camelô, sempre sonhou em ter sua própria loja. “Nós vivíamos na informalidade, agora somos formais. Na época que eu era camelô era marginalizado por muita gente, mesmo assim nunca tive vergonha do que fazia. Agora, com mais orgulho ainda digo a todos que sou microempreendedor”, orgulha-se.

Interior da Galeria Espírito Santo antes de sua inauguração na última sexta-feira: ajustes para melhor comodidade


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‘Construir viadutos não é a solução’, diz professor MÁRCIO JAMES/SEMCOM

Doutor da Ufam afirma que complexos apenas “empurram com a barriga” a solução para o problema de mobilidade urbana

BRUNO GRAÇA Especial EM TEMPO

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om a inauguração em breve do complexo viário 28 de Março, na Zona Norte de Manaus, a situação da mobilidade urbana na capital amazonense volta a entrar em foco. A nova intervenção no sistema viário será a décima-terceira com implantação de passagens de nível ou viadutos nos diversos complexos da capital amazonense. Mas, para o doutor em engenharia de transportes, Geraldo Alves de Souza, a solução dos problemas de mobilidade urbana está no investimento no transporte coletivo. Professor de pós-graduação em geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Geraldo critica as intervenções no sistema viário. “Gasta-se uma fortuna para construir um viaduto que resolve pouco, mas o que temos investindo em transporte coletivo?”, questionou. “De uma administração para outra o transporte público piora a cada ano. Faltam esforços para fazer e trazer melhorias para esse setor”, criticou. A falta de melhorias da qualidade do transporte coletivo só tende aumentar os problemas do trânsito na cidade, dificultando ainda mais a situação. “Com a precariedade do sistema público, não há como convencer os donos de transportes particulares a deixar os veículos em casa. Além disso, quem já é obrigado a utilizar esse sistema, está desesperado querendo comprar um particular porque não aguenta mais depender do transporte público”, afirmou. “Com tudo isso, cada vez mais haverá transportes na rua e logo, mais congestionamento e horas perdidas no trânsito”, analisou. O Bus Rapid Service (BRS) ou a linha azul também foi criticado pelo mestre em transporte, que explicou que em algumas

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

Vista aérea do complexo viário do São José, na Zona Leste, um dos mais recentes a ser inaugurado: para Geraldo Alves de Souza, solução para mobilidade está no investimento no transporte público

situações ele até dificulta mais que ajuda. “Às vezes tem situação de um ônibus parar na faixa da direita e o articulado (O BRS), na da esquerda, sobrando só uma faixa para todo o contingente de veículos que não param de aumentar na cidade”, explicou. Geraldo destacou ainda que entre algumas possíveis soluções interessantes para a cidade estão o veículo leve sobre trilhos (VLT) ou o veículo leve sobre pneus (VLP). “As duas tecnologias têm qualidades

PROBLEMA

Para Geraldo Alves de Souza, a falta de melhorias na qualidade do transporte coletivo só tende a aumentar os problemas de trânsito na cidade, dificultando ainda mais a situação do tráfego Parte do complexo viário Efigênio Sales: estrutura cresce, mas não suporta vazão de veículos

altíssimas e confiabilidade do sistema elevadíssima, ao contrário do sistema de ônibus tradicional ou articulado, e o custo de implantação e manutenção se equipara a um BRT (Bus Rapid Transit)”, explicou. “O sistema baseado em trilho é muito utilizado na Europa. Seria uma proposta interessante para estudar a viabilidade e contrapor ao BRT”, comentou. O VLT consegue transportar cerca de 25 mil passageiros por dia, alcança em média 35 quilômetros horários e teria custo de implantação aproximado de US$ 20 milhões. É utilizado atualmente no Brasil em Alagoas, Distrito Federal, Ceará, Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo. “A construção de viadutos não é a solução para trânsito. Estamos empurrando com a barriga as políticas para promover melhoria da qualidade do transporte coletivo”, disse Geraldo Alves.

Passagem de nível do complexo Gilberto Mestrinho: orçamento anunciado de R$ 41,9 milhões

Complexo entregue em agosto Orçado em R$ 24 milhões, o complexo viário 28 de Março, já está 95% concluído, com previsão de entrega ainda este mês. A obra pretende facilitar a entrada e saída do aeroporto internacional Eduardo Gomes, bem como os motoristas que têm como destino as rodovias BR-174 (ManausBoa Vista) e AM-010 (Manaus-Itacoatiara). O complexo recebeu esse nome em homenagem às vítimas do acidente entre uma caçamba e um microônibus, que matou 15 pessoas na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul, na noite de 28 de março. Um dos mais recentes sistemas construídos, o complexo viário Gilberto Mestrinho (bola do Coroado) foi inaugurado em janeiro de 2010. Na época da construção, o então secretário municipal de Obras, Serviços Básicos e Habitação, Paulo Farias, informou que o orçamento da obra era de R$ 41,9 milhões. A via é atualmente o principal eixo viário de ligação das zonas Leste, Norte e Sul, recebendo maior vazão de veículos na avenida André Araújo na parte da tarde, com 3.650 carros por hora, contra 4,7 mil veículos na avenida Rodrigo Otávio, pela manhã.


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FMT promove congresso de iniciação científica A

Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMTHVD) promove, nos dias 6 e 7 de agosto, o 4º Congresso de Iniciação Científica no auditório da instituição (avenida Pedro Teixeira, 25, Dom Pedro). O evento oferecerá palestras, mesas redondas e terá, ainda, a apresentação dos resultados de 48 trabalhos desenvolvidos nos últimos 12 meses, por bolsistas do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), que recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam). Cerca de 100 participantes são aguardados. O congresso inicia às 9h, nos dois dias, e segue até o final da tarde. As inscrições gratuitas já foram encerradas. De acordo com a diretora-presidente da FMT-HVD, Graça Alecrim, o principal objetivo do evento é promover a troca de conhecimento entre profissionais de saúde do Amazonas e de outros Estados, além de estudantes da área. Embora o evento seja aberto, ela destaca que o congresso tem como público-alvo, alunos de graduação da área de saúde, ciências biológicas e áreas afins, nas quais poderão ser

identificados os futuros alunos do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical (mestrado e doutorado em doenças tropicais infecciosas), desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Conforme a coordenadora do Departamento de Pesquisa da FMT-HVD, Maria das Gra-

PROGRAMA

O evento ofecerá palestras, mesas redondas e terá, ainda, a apresentação do resultado de 48 trabalhos desenvolvidos nos últimos 12 meses por bolsistas do Paic, com apoio da Fapeam ças Vale Barbosa, o congresso terá três palestras e duas mesas redondas, além das apresentações dos trabalhos do Paic, edição 2013/2014, e a participação dos novos jovens pesquisadores, que farão parte da edição 2014/2015 do programa. As novas pesquisas serão desenvolvidas nos 12 meses seguintes. As mesas redondas abor-

darão a interdisciplinaridade na saúde, discutindo assuntos como bioestatística, informática aplicada à saúde e geografia. Os palestrantes convidados são: os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Aldemir de Oliveira – geógrafo, ex-reitor da UEA, ex-diretor da Fapeam -, Marly Guimaraes Costa – ex-vice-reitora da UEA -, além do professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o parasitologista Gilberto Fontes. Também haverá uma mesa abordando o tema “Egressos do Paic”, composta por três exbolsistas que hoje são alunos do curso de doutorado em Doenças Tropicais Infecciosas. “Além da apresentação dos trabalhos, que acontecerá em diferentes salas da FMT-HVD, durante os horários da manhã e da tarde, nos dois dias, também ficarão disponíveis, em formato eletrônico, os 48 banners, à disposição dos participantes”, explicou. “Temos várias linhas de pesquisa dentro do Paic, entre elas, estudos relacionados à malária, AidsHIV, tuberculose, leishmaniose entre outras infecções”. Os três melhores trabalhos serão premiados, concluiu.

DIVULGAÇÃO

Evento acontecerá nos dias 6 e 7 de agosto no auditório da Fundação de Medicina Tropical, no bairro Dom Pedro

Evento acontecerá nos dias 6 e 7 de agosto, no auditório da Fundação de Medicina Tropical


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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Raul Bopp além de ‘Cobra Norato’

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Trata-se da minha cunhada...

E outras 10 indicações culturais. Pág. 2

Os favores que Sérgio Cabral pedia a um vizinho. Pág. 3

O fim da comida

Será o Soylent capaz de substituir as refeições? Págs. 4, 5 e 6

4 5

O manjericão camufla o cheiro de morte Diário de Gaza. Pág. 7

Do arquivo de Clóvis Rossi

Jenin, 2002. Pág. 8

Capa

aquarela de Alex Cerveny (2014)


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 11 INDICAÇÕES

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BRASILEIRO SABATINAS | PÓS-FLIP A Folha promove encontros com João Pereira Coutinho, cientista político e colunista do jornal, Michael Pollan, escritor e jornalista norte-americano, e com o colunista de mídia e cultura do jornal “The New York Times”, David Carr. As inscrições são pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br ou pelo telefone (11) 3224-3473. Coutinho - Museu da Imagem e do Som | tel. (11) 2117-4777 | amanhã (4), às 16h Pollan - Livraria da Vila - Shopping JK | tel. (11) 5180-4790 | amanhã (4), às 19h Carr - Auditório da Folha | terça (5), às 18h, com exibição do filme “Page One”, de Andrew Rossi ‘Pantheon Parede’ (2014), de Marcia Xavier

EXPOSIÇÃO | JESUÍTAS “Ad Maiorem Dei Gloriam: 200 Anos de Restauração da Companhia de Jesus” traz um recorte do acervo do museu de esculturas, pinturas e objetos religiosos com foco na evangelização. A mostra comemora o aniversário da bula papal de 7 de agosto de 1814 que permitiu a volta das atividades da ordem. Museu de Arte Sacra | tel (11) 3326-5393 | abertura qui. (7), às 19h | de ter. a sex., das 9h às 17h, sáb. e dom., das 10h às 18h | R$ 6, grátis aos sáb. | até 14/9

LIVRO | AS DESCOBERTAS DO BRASIL Com organização de Ana Cecilia Impellizieri Martins e Monique Sochaczewski, o volume reúne três ensaios sobre a compreensão do Brasil pelo mundo. O professor de história da Unesp Jean Marcel Carvalho França escreve sobre 1500, enquanto Teresa Cribelli discute a modernização do país em 1800 e Maurício Parada fala da alcunha de “país do futuro” no século 20. Casa da Palavra | R$ 90 | 240 págs.

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EXPOSIÇÃO | MARCUS VINÍCIUS Na individual “Estrutura Quadro: Revisão e Desdobramentos”, o artista paulista apresenta 34 obras em que investiga a tela como objeto. Estão ali trabalhos com alumínio escovado, ácido sobre vidro e MDF pintado, entre outros. Galeria Marcelo Guarnieri | tel. (11) 3063-5410 | de seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 10h às 17h | grátis | até 23/8 MAURÍCIO FROLDI/DIVULGAÇÃO

LIVRO | RAUL BOPP A nova edição de “Poesia Completa de Raul Bopp” traz poemas inéditos em livro e fortuna crítica com textos de autores como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Sérgio Buarque de Holanda. Sob organização de Augusto Massi, a publicação ajuda a conhecer a obra do poeta gaúcho (1898-1984) para além de seu famoso “Cobra Norato”, de 1931. José Olympio | R$ 45 | 392 págs.

MÚSICA | NATALIE DESSAY O Mozarteum apresenta, além da soprano francesa, o barítono Laurent Naouri e o pianista polonês Maciej Pikulski. Eles interpretam composições de Gabriel Fauré, Leo Delibes e outros, adaptadas de poemas de autores franceses como Victor Hugo, Baudelaire e Apollinaire. Sala São Paulo | tel (11) 3367-9500 | seg. (4) e ter. (5), às 21h | de R$ 90 a R$ 280

POP

ERUDITO

SHOW | ANTHONY BRAXTON O compositor e multi-instrumentista americano toca seu jazz misturado a efeitos eletrônicos. Apresentam-se com ele os músicos Mary Halvorson (guitarra e efeitos), Ingrid Laubrock (sax tenor) e Taylor Ho Bynum (trompete, flugelhorn e trombone). Sesc Pompeia | tel (11) 3871-7700 | qui. (7) e sex. (8), às 21h | de R$ 25 a R$ 50

EXPOSIÇÃO | MARCIA XAVIER Como resultado de uma residência artística em Roma no segundo semestre do ano passado, a artista apresenta “Querida”, com fotografias, vídeos, colagens e instalações. Entre os temas explorados estão aspectos caros à cidade italiana, como ruínas e religiosidade. Casa Triângulo | tel. (11) 3167-5621 | de ter. a sáb., das 11h às 19h | grátis | até 23/8

‘Expansivo’ (2013), de Marcus Vinícius

LIVRO | AGATHA CHRISTIE “Três Ratos Cegos e Outros Contos” traz nove histórias da escritora inglesa chamada de Rainha do Crime (1890-1976) protagonizadas por alguns de seus personagens mais famosos, como o detetive Poirot. O conto que dá nome ao volume deu origem à peça “The Mousetrap”, em cartaz em Londres desde 1952. trad. Celso Mauro Paciornik | Globo Livros | R$ 34,90 | 272 págs.

TEATRO | CHRISTIANE JATAHY Adaptação livre de “As Três Irmãs”, de Tchékhov, a peça “E se Elas Fossem para Moscou?” busca questionar os limites das artes cênicas, focando no tema das fronteiras, ao qual a diretora vem se dedicando nos últimos anos. É possível assistir ao espetáculo nas versões teatro ou cinema – na qual é exibido ao vivo o que se filma em cena na sala ao lado. Sesc Belenzinho | tel. (11) 20769700 sex. e sáb., às 21h30; dom., às 18h30 | de R$ 5 a R$ 25

CINEMA | RAOUL PECK A mostra reúne seis filmes do cineasta haitiano que concorreu à Palma de Ouro de 1993 com “O Homem nas Docas” – que será exibido – e fez parte do júri do festival de Cannes em 2012. Entre os filmes está “Lumumba” (2000), sobre o assassinato de um dos líderes da independência do Congo. Cine Olido | tel (11) 33970171 | R$ 1 | até 19/8


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Política & Amizade

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Querido vizinho... Como o governador do Rio pedia favores para a cozinheira, a prima, a cunhada e seus amigos RESUMO Sabe-se que, em todas as esferas de poder, há pedidos e troca de favores, embora nenhuma transparência dê conta de mostrar como isso acontece exatamente. Porém, um lote de e-mail vazados da Fecomércio do Rio dá conta de pedidos de favores do então governador do Estado, Sérgio Cabral, ao presidente da instituição.

FERNANDO RODRIGUES

Depois de assistir a “Getúlio” (o filme lançado neste ano), Dilma Rousseff passou a dizer que se identificou com uma frase atribuída ao ex-presidente, já próximo de cometer suicídio: “Nunca me pediram nada para o país. Sempre me pedem algo

para alguém”. Dilma, como seus antecessores no Palácio do Planalto, evita detalhar como se dá o assédio e a troca de favores. Nos governos estaduais e prefeituras, também é incomum saber como se processa o intercâmbio de gentilezas. Muito menos quando quem pede é o político que está no governo. Compadrio e troca de favores são comuns na política brasileira. Em Brasília, parlamentares pedindo cargos para amigos ou parentes fazem parte da paisagem. A taxa de sucesso dos pidões é desconhecida. Não há governo no mundo cuja transparência atinja esse nível. Mais raro ainda é conseguir documentar como se dá essa fisiologia miúda no momento exato em que o mimo é solicitado. Os detalhes ficam confinados às sombras. Quando a promiscuidade entre o poder público e o privado se torna conhecida, é sempre de maneira inadvertida. Foi o que se passou com o vazamento de um grande lote de e-mails de dentro da Federação do Comércio do Rio de Janeiro – um crime que deve

ser apurado no âmbito de um inquérito já aberto em fevereiro na polícia fluminense. Milhares de mensagens nesse vazamento parecem não ter importância. Mas algumas delas, no período de 2008 a 2011, demonstram como o então governador do RJ, Sérgio Cabral (PMDB), não fazia cerimônia ao pedir favores ao presidente da Fecomércio, Orlando Diniz. E como Diniz usufruía do prestígio do político. Cabral e Diniz são amigos e vizinhos em dois endereços. Eles moram no mesmo edifício na rua Aristides Espínola, no Leblon. O ex-governador ocupa o apartamento 401. O presidente da Fecomércio, o 201. Ambos também usam casas de veraneio em Mangaratiba, pequeno município situado 85 km ao sul da cidade do Rio de Janeiro. Masterchef “Querido Orlando (...) esqueci um pedido. Dá pra conceder um aumento para a minha chef Ana Rita? Ela é sensacional”, escreveu Sérgio Cabral num e-mail enviado de seu aparelho celular BlackBerry, no início da madrugada de 12 de maio de 2009.

A resposta, pela manhã: “Oi sergio estou chegando na sede já vejo isso abc orlando”. Antes do almoço, o então governador respondeu: “Maravilha”. A chef de cozinha Ana Rita Menegaz dá expediente no Palácio da Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro. À época dessa troca de mensagens, recebia um salário de aproximadamente R$ 8.700 do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), entidade sob o comando da Fecomércio. Na manhã de 19 de maio de 2009, Diniz mandou uma mensagem curta para Cabral, sem pontuação entre as palavras: “Bom dia Sérgio caso Ana Rita resolvido 10.369,29 Abc Orlando”. Era o salário da cozinheira reajustado: R$ 10.369,29. “Excelente! Muito obrigado!!”, escreveu o governador no dia seguinte. Hoje, os vencimentos da chef estão na faixa de R$ 15 mil. Ana Rita não quis comentar a promoção. A Folha a encontrou por celular em junho e explicou o assunto da entrevista. A chef ouviu e em seguida disse que a ligação havia perdido qualidade

– “Não estou entendendo”. Ainda assim, conseguiu recomendar à reportagem que procurasse a assessoria do Senac. Não atendeu mais as ligações. Não há nada de ilegal na situação funcional de Menegaz. Ela ganha pelo Senac e presta serviços no Palácio da Guanabara. É responsável pelo dia a dia da cozinha e por preparar os banquetes para ocasiões especiais. Quem busca referências sobre sua capacidade de trabalho encontrará elogios semelhantes ao “ela é sensacional” escrito por Sérgio Cabral. Mas chama a atenção o governador de um dos mais importantes Estados da Federação encontrar tempo, no início de uma madrugada, para pedir um aumento para sua chef de cozinha. Consultado, Cabral não quis falar. Por meio de sua assessoria, declarou que preferia não comentar um fato divulgado pela ação de um crime, a violação da privacidade de seus e-mails. A assessoria e o advogado de Diniz dizem que nada de ilegal ocorreu. A presença de alguém do Senac no Palácio da Guanabara compensaria o

salário de Ana Rita, por expor a marca da entidade e a excelência dos serviços prestados pela sua mão de obra. O advogado de Orlando Diniz também declarou que o presidente da Fecomércio não usava a conta de e-mail que aparece no lote de mensagens incluídas no vazamento. A Folha tem segurança, entretanto, sobre a integridade do material. São 62 gigabytes de dados que não sofreram alterações ao serem extraídos dos computadores da Federação do Comércio. A Folha teve acesso ao conteúdo dos e-mails e perguntou à Confederação Nacional do Comércio se a entidade tinha conhecimento dos dados – pois a CNC havia atuado como interventora do Sesc e do Senac do Rio. Eis a resposta: “A CNC confirma ter recebido conteúdo documental que corresponde exatamente ao apresentado em sua consulta. Tais documentos chegaram a nosso conhecimento por via de denúncia anônima. Não realizamos nenhuma averiguação sobre os documentos mencionados por não terem sido os mesmos encaminhados pelas vias oficiais”.


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É o Fim ALIMENTAÇÃO

RESUMO Sob a tese de que na sociedade atual refeições são perda de tempo, nerds norte-americanos misturaram os nutrientes necessários à sobrevivência e criaram o Soylent. A reportagem a seguir esclarece se há de fato novidade no produto que virou hit nos EUA e quais as implicações do seu consumo para a saúde humana.

LIZZIE WIDDICOMBE TRADUÇÃO CLARA ALLAIN ILUSTRAÇÃO ALEX CERVENY

Em dezembro de 2012, três jovens estavam morando num apartamento claustrofóbico no bairro Tenderloin, em San Francisco, trabalhando numa startup tecnológica. Tinham recebido US$ 175 mil da incubadora de empresas Y Combinator, mas seu projeto – um plano para construir torres de telefonia celular de baixo custo – tinha fracassado. Restando apenas US$ 70 mil, decidiram continuar a pesquisar novas ideias de soſtwares, até o dinheiro se esgotar. Mas como fazer o dinheiro render por mais tempo? O aluguel era um custo

irrecuperável. Como estavam trabalhando freneticamente, já não tinham vida social. Quando examinaram seu orçamento, viram que ainda restava um problema sério: a alimentação. Eles estavam vivendo principalmente de miojo, salsicha no palito e quesadillas congeladas do atacadista Costco, além de comprimidos de vitamina C, para evitar o escorbuto. Mesmo assim, os gastos com comida se acumulavam. Rob Rhinehart, um dos empreendedores, começou a sentir raiva do próprio fato de ser obrigado a comer. “A comida era um fardo. Também havia a questão do tempo e do trabalho perdidos. Nossa cozinha era minúscula, e não tínhamos máquina de lavar louça.” Ele experimentou viver sua própria versão de “Super Size Me”, consumindo apenas as opções mais baratas do McDonald’s e pizzas de US$ 5 da Little Caesars. Mas contou que, depois de uma semana, sentia-se “à beira da morte”. A couve-galega estava na moda e custava pouco, então ele tentou uma dieta à base dessa couve. Mas também não funcionou: “Eu estava morrendo de fome”. Rhinehart, de 25 anos, estudou engenharia elétrica na Georgia Tech. Ele começou a perceber a comida como um problema de engenharia. “Precisamos de aminoácidos e de lipídios, não do próprio leite”, explicou. “Precisamos de carboidratos, mas não de pão.” Frutas e verduras fornecem vitaminas e minerais essenciais, mas são compostas “principalmente de água”. Rhinehart começou a achar que a comida era uma maneira pouco eficiente de

comecei a viver disso”, disse Rhinehart. Ele batizou sua poção de Soylent, nome que, para a maioria, evoca o filme de ficção científica “Soylent Green” (“No Mundo de 2020”), de 1973, com Charlton Heston. A história acontece em um futuro distópico onde, devido à superpopulação e à poluição, as pessoas se alimentam de bolachas misteriosas chamadas Soylent Green. O filme termina com a revelação horripilante de que as bolachas são feitas de carne humana.

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Pergunte ao pó Da busca por um achado tecnológico nasceu a gosma que emula a comida obter o que ele precisava para sobreviver. “Parecia um sistema complexo demais, caro demais e frágil demais”. E se ele procurasse diretamente os componentes químicos básicos? Ele deu um tempo nos experimentos com soſtwares e

estudou livros didáticos sobre bioquímica nutricional e os sites da FDA (agência de vigilância sanitária dos EUA), do Departamento de Agricultura e do Instituto de Medicina. Compilou uma lista de 35 nutrientes necessários à sobrevivência. E então, em vez

de ir ao supermercado, encomendou os nutrientes pela internet – em sua maioria sob forma de pó ou comprimidos – e colocou tudo num liquidificador, com água. O resultado, uma mistura de substâncias químicas, pareceu uma limonada gosmenta. “Então

Eureca! Os colegas com quem Rhinehart vivia reagiram com ceticismo. Continuaram a comprar comida no Costco. Depois de um mês, Rhinehart publicou os resultados de seu experimento num blog, sob o título “Como parei de comer comida”. O post tem um tom de “eureca!”. Rhinehart escreveu que a poção química era “uma delícia! Eu me sentia como se tivesse acabado de tomar o melhor café da manhã de minha vida”. O fato de tomar Soylent estava lhe poupando tempo e dinheiro: seus gastos com alimentação tinham caído de US$ 470 mensais para US$ 50. E, fisicamente, escreveu, “me sinto como o Homem de Seis Milhões de Dólares. Meu físico melhorou nitidamente, minha pele melhorou, meus dentes estão mais brancos, meu cabelo ficou mais espesso, e não tenho mais caspa”. Ele concluiu: “Não como comida sólida nenhuma há 30 dias, e isso mudou minha vida”. Em poucas semanas seu post era o mais comentado do site Hacker News, um ponto de encontro virtual do setor tecnológico. As rea-


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ções eram polarizadas. “Descanse em paz, Rob”, foi um comentário deixado no blog de Rhinehart. Mas outras pessoas pediram sua fórmula, que, no espírito do movimento do “open source” (código aberto), ele postou. Um dos produtos culturais do Vale do Silício nos últimos dez anos tem sido o conceito do “lifehacking”: criar truques que ajudem a reduzir as obrigações do dia a dia, para liberar tempo para o que você preferiria estar fazendo. A “comida do futuro” criada por Rhinehart parecia ser uma ideia inteligente. “Lifehackers” de vários lugares começaram a testá-la e a criar suas versões. Em pouco tempo, comentaristas no Reddit estavam discutindo a dose apropriada de pó de cálcio e de magnésio. Rhinehart disse que, depois de três meses, percebeu que o shake criado por ele podia dar origem a uma empresa: “Ela agregava mais valor à minha vida que qualquer aplicativo”. Ele e seus colegas de quarto deixaram de lado suas ideias de soſtwares e mergulharam no negócio da comida sintética. Para atrair verbas, voltaramse à internet: criaram uma campanha de “crowdfunding” com a qual as pessoas podiam receber Soylent suficiente para uma semana, por US$ 65. Eles começaram com a meta de levantar US$ 100 mil e a esperança de alcançá-la em um mês. Mas, conta Rhinehart, quando abriram a campanha para doações, “recebemos esse montante em duas horas”. No início de maio deste ano, as primeiras 30 mil unidades de Soylent produzidas comercialmente foram enviadas a fregueses de todas as partes dos EUA. Além do dinheiro obtido com o “crowdfunding”, a produção foi financiada por investidores do Vale do Silício, incluindo a Y Combinator e o fundo de investimentos Andreessen Horowitz, que contribuiu com US$ 1 milhão. O Soylent foi saudado pela imprensa como “o fim da comida”, o que evoca uma perspectiva um tanto árida. A descrição traz à mente um mundo sem pizzarias ou barracas de pastéis, em que, em vez de bolo de banana, nossas cozinhas teriam estoques de um pó bege, e nossas macarronadas e idas à sorveteria dariam lugar a noites bebericando gosma. Mas Rhinehart diz que não é exatamente essa sua visão. “As pessoas esquecem a maioria das refeições que fazem.” Ele imagina que, no futuro, “haverá uma separação entre as refeições utilitárias e funcionais que fazemos e as refeições de socialização e prazer”. O Soylent não se destina a fazer parte de nossos encontros dominicais. Ele disputará lugar com as quesadillas congeladas. Clube Pouco depois de o primeiro lote de Soylent ser enviado aos compradores, visitei Rhinehart e sua equipe na nova sede deles, uma casa espaçosa no bairro Studio City, em Los Angeles (eles se mudaram de San Francisco há seis meses, em busca de um aluguel mais barato). Rhinehart abriu a porta de jeans, camiseta preta com gola em V e tênis pretos. Sua aparência era saudável, e isso é animador: há um ano e meio ele vive quase exclusivamente de Soylent, ou “90% de suas refeições”. Rhinehart pode parecer um jovem missionário: tem feições finas, uma voz suave e um modo de andar duro, com o corpo esticado. Apesar de fazer parte da geração do milênio, ele tem um jeitão que não dá margem a que se adivinhe sua idade, como alguém que não envelhece – e isso faz sentido, já que o Soylent inverte muitas das tendências comportamentais da

geração que inventou o almoço compartilhado no Instagram. Temas como cultura pop e fofocas não costumam vir à tona em suas conversas, e ele parece indiferente à cultura do consumo sob qualquer forma. Passei uma tarde longa assistindo a uma reunião de um “clube” em que ele e alguns amigos trocavam perguntas como “você acha que a lógica microfluídica pode ter aplicações fora do diagnóstico?”. Mas ele tem senso de humor, é irônico e seco. Em seu blog, Rhinehart escreve esquetes cômicos nos quais promove invenções imaginárias (gatinhos geneticamente modificados: “O futuro é miau”). Antes de ir para a sede da Soylent eu tinha feito uma parada numa casa de sucos da moda. Cheguei carregando um suco de US$ 9 extraído por compressão a frio e servido numa garrafa de vidro como as usadas para leite. Rhinehart examinou a bebida como se fosse uma ponta de flecha de pedra lascada. “É um pouco arcaico”, falou, e observou que o suco era feito sobretudo de açúcar. “Veja o design. A ideia é que seja rústico, natural e cômodo. Na realidade, é quase nocivo para você”. Ambrosia A ideia de que possamos nos alimentar de algo mais puro e mais eficaz que a comida faz parte de nossa fantasia coletiva há muito tempo. Os gregos antigos escreveram sobre ambrosia, o alimento dos deuses, que conferia imortalidade a quem a consumisse. O início da era espacial levou pessoas a fantasiar com “refeições em pílulas”; em “As Crônicas Marcianas”, de Ray Bradbury, um personagem guarda numa caixa de fósforos pílulas alimentares suficientes para várias semanas; em “Os Jetsons”, as pílulas alimentares produzem sensações gustativas deliciosas, mas podem provocar indigestão. Rhinehart diz que, na verdade, tirou o nome Soylent do romance de ficção científica que inspirou “Soylent Green” – “Make Room! Make Room!” (1966), de Harry Harrison, no qual uma combinação de soja e lentilhas vira a solução para os problemas decorrentes da superpopulação. Os sonhos alimentares podem facilmente virar pesadelos: há o chiclete desastroso de Willy Wonka, que vale por um jantar com três pratos, e, em “Matrix”, os humanos são criados sinteticamente em cápsulas, onde são alimentados com os restos liquefeitos de outros humanos, bombeados por cordões umbilicais. Hoje, avanços tecnológicos criaram uma nova onda de ansiedade sobre nosso presente comestível e uma nostalgia crescente do tempo anterior aos lobbies corporativos da indústria alimentícia, aos legumes geneticamente modificados, à agroindústria e ao pesticida Roundup. O Soylent nasceu em San Francisco, do outro lado da baía em relação ao restaurante Chez Panisse, de Alice Waters, que hoje tão bem define a gastronomia burguesa nos Estados Unidos. Os restaurantes californianos que empregam ingredientes vindos diretamente do campo servem aos comensais alimentos que estavam fora de moda desde a agricultura da Idade do Bronze (pensei por um instante em comprar uma salada de painço para acompanhar meu suco extraído a frio). Mas o etos da comida “do campo para a mesa” passou ao largo da classe trabalhadora, que, em vez disso, é relegada às consequências da indústria alimentícia de baixo custo: obesidade, diabetes e, ironicamente, subnutrição. Rhinehart não é fã de fazendas, que vê como “fábricas altamente ineficientes”. Ele acha que a agri-

cultura deveria industrializar-se mais, não menos. “É a mão-deobra que me incomoda”, ele diz. “O trabalho agrícola é um dos mais perigosos e sujos que existem e é tradicionalmente feito pela classe mais baixa. Há muito trabalho manual, feito a pé. Claro que isso devia ser automatizado.” Geladeira Ele me levou a um tour na sede da Soylent, que é também onde moram alguns funcionários e lembra a residência levemente fora de moda de um chefão do tráfico em “Miami Vice”: pisos pretos reluzentes, sofás brancos modulares, janelas imensas e uma piscina no quintal. Mas os grandes sacos de pó branco que eram pesados no subsolo estavam cheios não de cocaína, mas de nutrientes – proteínas, potássio – e de goma xantana (um espessante). A cozinha estava vazia, com a exceção de um liquidificador. Rhinehart abriu a geladeira e anunciou: “A geladeira de um universitário do futuro”. Ela continha Miller Lite (cerveja), temperos e uma jarra de Soylent. Observei um saquinho de minicenouras: comida! Rhinehart, que se refere a alimentos que não sejam Soylent como “comida recreativa”, explicou que um de seus colegas as tinha trazido para servir de lanche, só para curtir. Ele tirou o Soylent da geladeira. A fórmula pela qual ele e sua equipe se decidiram abrange todos os principais grupos alimentares. Os lipídios vêm de óleo de canola, os carboidratos, da maltodextrina e da farinha de aveia, e a proteína, de arroz. A isso eles somaram óleo de peixe (para o ômega-3; os veganos podem substituir o óleo de peixe por óleo de linhaça) e doses de diversos minerais e vitaminas: magnésio, cálcio, eletrólitos. Rhinehart reluta em associar o Soylent a qualquer sabor; por isso, por enquanto o produto contém apenas um pouco de sucralose, para mascarar o sabor das vitaminas. Isso parece combinar com sua ideia de que o Soylent deve ser um produto utilitário. “Acho que a melhor tecnologia é aquela que desaparece”, Rhinehart comenta. “A água não tem muito sabor, mas é a bebida mais popular do mundo.” Ele ergueu o jarro de líquido bege amarelado. “Aqui há tudo que seu corpo necessita”, falou. “Quer experimentar um pouco?”. As pessoas tendem a achar o gosto de Soylent familiar: a sensação predominante á de pastosidade. O líquido é suave e insoso, um pouco granuloso, e tem uma reconfortante consistência espumenta. Já soube de gente que comparou o gosto ao de mingau de semolina ou ao “do [laxante] Metamucil que meu avô tomava”. Bebi um pouco e tive a sensação não desagradável de estar bebericando goles de massa de panqueca aguada. Não era ruim. Tomei mais um pouco – e, de súbito, tive que parar. Tinha a sensação de estar muito estufada. “Quanto foi que tomei?” Rhinehart avaliou o copo. “Umas 150 ou 200 calorias”, respondeu. “Mais ou menos o equivalente a uma barra de granola”. O quarto de Rhinehart quase não tem decoração, exceto por livros científicos e tecno-utópicos: Steven Pinker, Isaac Asimov, R. Buckminster Fuller, o futurista criador do domo geodésico, que Rhinehart admira por combinar criatividade libertária e pragmatismo (e a quem trata pelo apelido, Bucky). Ele apontou para um pôster na parede que mostrava os caminhos metabólicos no corpo humano. “Esta é a vida: uma reação química ambulante”, explicou. “Bucky vê o corpo como uma máquina hidrelétrica”. Rhinehart disse que, em termos de política, é um “libertário desviado”. Ele acredita na maxi-

mização da liberdade, mas rejeita os desperdícios do capitalismo. “As coisas não têm valor”, disse. Em um esforço para otimizar o processo de vestir-se, ele alterna entre dois jeans e encomenda via Amazon camisetas de náilon ou poliéster que usa por algumas semanas antes de doá-las. Quando as roupas começam a cheirar mal, ele as coloca no freezer para que o odor ruim se desfaça. “Às vezes, durante o dia, bastam duas horas. Enquanto isso, fico de toalha.” ‘Boy band’ No cômodo que seria o quarto de casal, os outros membros da equipe da Soylent estão trabalhando em seus laptops. Eles lembram uma “boy band” de nerds. Matt Cauble tem visual de surfista; Dave Renteln, no passado presidente do time de rúgbi de Harvard, é musculoso; John Coogan é esguio e meigo, e Julio Miles ostenta uma barba ao estilo Guerra Civil. Como Rhinehart, esses jovens são todos exemplos rematados do estilo de vida Soylent. Renteln tinha perdido um pouco do peso extra de seus tempos universitários, e Coogan disse que sentiu “um ganho saudável de peso” desde que começou a viver de Soylent. Ele mede 2,03 metros. Na época em que eles viviam de miojo, tinha dificuldade para conseguir consumir as calorias suficientes . “Acho que estamos bonitos”, afirma Rhinehart. Perguntei se eles tinham realmente planejado dar a seu produto o nome “Soylent” – que, segundo minha pesquisa de campo extraoficial, evoca associações desagradáveis com “soja” e “solo” ou, ainda pior, a repetição assustadora do bordão do filme: “Soylent Green é feito de pessoas!”. “Todo mundo sugeriu que mudássemos o nome”, Rhinehart respondeu. “Os investidores, pessoas da mídia, minha mãe.” “Minha mãe também”, emendou Renteln. Rhinehart disse que gosta da natureza modesta do nome e de como ele ironiza as sensibi-

lidades dos gourmets. “O etos geral do natural, do fresco, do orgânico, do alegre – isso aqui é o contrário”. Marketing A alimentação líquida é dada a pacientes em hospitais há décadas. Cinquenta anos atrás, quando um paciente estava tão doente que não conseguia se alimentar, os médicos batiam comida normal no liquidificador e a “serviam” por tubos. Com o tempo, empresas como a Abbott Nutrition, fabricante do suplemento nutricional Ensure, começaram a atuar nesse campo. Os produtos substitutos da comida ficaram mais científicos. No início dos anos 1960 a Nasa celebrizou as bebidas em pó ao usar Tang nos voos espaciais; de acordo com Bruce Bistrian, chefe de nutrição clínica do Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, todo esse setor passou a crescer exponencialmente. Entre os anos 1960 e os 1990, produtos líquidos para substituir refeições ganharam popularidade como emagrecedores, porque com eles era fácil quantificar o número de calorias consumidas. Foi a era do Metrecal, do SlimFast e do “um shake no café da manhã, um shake no almoço e um jantar ajuizado”. Hoje os candidatos a fisiculturistas tomam Muscle Milk, um shake de proteínas feito para promover o acréscimo da massa muscular. Observando que a ideia por trás do Soylent não é “ciência de vanguarda”, Bistrian comentou: “Qualquer bom nutricionista poderia reunir esses ingredientes nas quantidades corretas e produzir uma fórmula como essa”. Talvez a principal diferença entre o Soylent e bebidas como Ensure e Muscle Milk esteja no marketing: o produto – e o misto de nutrientes balanceados – é feito para pessoas que trabalham em escritórios ou cubículos e buscam eficiência, e não para homens que malham na academia ou para idosos. Desde o ponto de vista de seus investidores, essa estratégia pode ser o suficiente

para o sucesso. Sam Altman, da Y Combinator, menciona o Google e o Facebook e observa que sites de busca e redes sociais já existiam antes de eles serem criados. “Podemos dizer que a maioria das ideias não é nova”, ele ponderou. “Muitas vezes elas apenas não foram bem executadas ou promovidas.” Rhinehart tende a enfatizar outra coisa relativa a seu produto: a ideia de que seria possível viver unicamente de Soylent. Chris Running, que foi presidente da Muscle Milk e é assessor da Soylent, considera essa ideia “mais ousada”. Os médicos com quem conversei me disseram que seria possível, sim, sobreviver apenas com Soylent. Mas seria recomendável? A discussão gira em torno principalmente de substâncias encontradas na comida de verdade, especialmente os fitoquímicos, encontrados em plantas. Esses compostos não são essenciais à sobrevivência, pelo que se sabe, mas estudos epidemiológicos revelam que eles parecem proporcionar benefícios importantes à saúde. O licopeno, responsável pela cor vermelha dos tomates, já foi vinculado a índices mais baixos de câncer de próstata; os compostos flavonoides, responsáveis pela cor azul dos mirtilos (e que estão presentes no chocolate), foram associados a índices mais baixos de diabetes. A ciência por trás de como nossos corpos utilizam essas substâncias não é compreendida com precisão. Mas Walter Willett, presidente do departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, disse que não seria aconselhável abrir mão deles. “É um pouco de presunção pensar que sabemos tudo que faz parte de uma dieta saudável. E nós estamos preocupados em muito mais do que apenas sobreviver”. Era um dia quente e estávamos na estrada, tendo entre nós uma garrafa d’água cheia de Soylent. Rhinehart tinha me convidado para acompanhá-lo numa viagem a El Segundo para encontrar outro tecnólogo alimentar.


G6 [Continuação] Estrada O tecnólogo alimentar era Ethan Brown, o CEO da Beyond Meat, empresa que usa a proteína encontrada em ervilhas e soja para criar substitutos de frango e carne bovina. Brown tinha estacionado uma picape diante da Whole Foods e estava distribuindo tacos de graça. O ambiente na picape era festivo: tocava soul nos alto-falantes, e vendedores ofereciam “tacos de graça!”. As pessoas que faziam compras na Whole Foods paravam para olhar, espantadas. Um cartaz sobre a picape proclamava: “CARNE DE VERDADE. Proteína 100% vegetal”. Rhinehart usava jeans, sua camiseta preta com gola em V e uma jaqueta fina de couro. Ele colocou seu vidro de Soylent numa bolsa de mensageiro e fomos encontrar Brown, o candidato a magnata de falsa carne. Alto, na casa dos 40, Brown trajava shorts de ginástica e boné de beisebol. Ele e Rhinehart trocaram dicas sobre separação de proteínas, e então Brown pegou um taco e abriu um pedaço de “frango”. A substância branca se assemelhava surpreendentemente à carne de frango; o gosto era ligeiramente gorduroso, e a textura lembra uma fibra muscular. “Está vendo como isso aqui é resistente?”, Brown perguntou. “É isso que realmente nos diferencia.” Para que se dar a tanto trabalho para fazer o produto se parecer com carne? Brown explicou que o maior problema da tecnologia alimentar é cultural. “As pessoas comem carne há 2 milhões de anos. São condicionadas a gostar de carne e adoram tudo que a acompanha: o Dia de Ação de Graças, o Natal, as partidas de beisebol.” A picape estava ali para demonstrar que a carne bovina e

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de frango feita de plantas podia fazer parte de um estilo de vida tipicamente americano. Uma mulher de meia idade que fazia compras na Whole Foods parou para experimentar um taco. Brown fez seu discurso promocional. “Você pode curtir tudo que gosta de curtir com carne”, afirmou. A mulher pareceu receptiva. “Como ela é embalada?”, quis saber. Rhinehart ficou em segundo plano. Ele ainda tinha um vidro de Soylent em sua bolsa, mas não parecia disposto a fazer a promoção. Finalmente um homem barbado, de camisa sem mangas e boné de camuflagem, aproximou-se da picape de tacos. Seu nome era Perry Gillotti. Ele experimentou o taco que Brown lhe ofereceu e, depois de mastigar por um minuto, opinou: “É bom”. Rhinehart entrou na conversa. Timidamente, perguntou se Gillotti gostaria de experimentar um pouco de Soylent. “Soylent?”. “É um substituto de refeições”, Brown explicou. “É um pouco diferente de um substituto de refeições”, Rhinehart o corrigiu. “É uma espécie de substituto completo da comida. Teoricamente, seria possível viver apenas disso. Na realidade, você seria muito saudável [se o fizesse].” Gillotti ergueu as sobrancelhas. “Você poderia me lançar ao espaço e eu poderia viver deste negócio?” “Esse é o plano”, Rhinehart respondeu. Adotando a voz ligeiramente tensa de alguém que faz propaganda de um produto, ele apresentou a garrafa. “Custa pouco, é fácil... É só acrescentar água; nem é preciso bater no liquidificador.” Ele despejou um pouco num copo de plás-

tico e Gillotti o experimentou. E pareceu surpreso. “É agradável. Não é muito granuloso”. “O que você faz?”, Rhinehart indagou. Gillotti disse que era trabalhador da construção civil em El Segundo. Nos fins de semana, pintava cenas da natureza. “OK”, Rhinehart respondeu. “Então você poderia tomar o Soylent durante o dia, enquanto está trabalhando”. Gillotti tirou um iPhone que levava numa capa camuflada e fez uma anotação. “Vou comprar”, respondeu. Ele disse que se interessou especialmente pelo Soylent porque é um “preparador”: ele mantém um estoque de alimentos e água para seis meses em casa, para o caso de algum desastre apocalíptico. Rhinehart pareceu satisfeito. Ele ergueu o vidro de Soylent: “Sob condições de armazenagem ideais, isso aqui pode durar muito mais tempo”. Enquanto seguia Rhinehart, comecei a me preocupar com uma possível falha em sua proposta comercial: como ele espera ganhar dinheiro com o Soylent quando a fórmula do produto está na internet? Seria difícil imaginar a Coca-Cola fazendo isso. Mas Alexis Ohanian, um dos fundadores do site Reddit e investidor na Soylent, disse que é “a estratégia de marketing mais brilhante possível, embora eles não a enxerguem assim”. As legiões de pessoas que estão mexendo com suas próprias fórmulas de Soylent em casa estão aprimorando e difundindo o produto. “É o sonho”, comentou Ohanian. Rhinehart tem uma visão mais filosófica: “Se outra pessoa encontrar uma maneira melhor de produzir o Soylent, ainda será um ganho para a humanidade”. Faça-você-mesmo Em vista do entusiasmo em tor-

no do Soylent faça-você-mesmo, eu sabia que em algum momento teria de fazê-lo eu mesma. O Soylent pronto chega em forma de pó. A quantidade suficiente para um dia vem em um saquinho plástico que contém 1.500 calorias de pó bege. O óleo, que equivale a 500 calorias, vem num vidrinho separado. A embalagem é digna da era espacial, com letras minimalistas em preto e branco. Dois acessórios são incluídos: uma concha metálica de medida e uma jarra de plástico com tampa que fecha hermeticamente. Para preparar uma refeição, você coloca pó na jarra, acrescenta água, óleo e gelo (este é opcional), e agita tudo. As instruções no pacote avisam: “Jogue fora imediatamente qualquer Soylent que pareça estar rançoso”. Fazer Soylent em casa já é um pouco mais trabalhoso. Gosto de cozinhar, mas, como diz Rhinehart, “não se trata de preparar uma torta”. Não é possível acrescentar uma pitada de ferro

ou potássio e torcer para ficar bom. (Na fase inicial, Rhinehart fez experimentos com doses maiores ou menores de alguns nutrientes. Menos sódio que o recomendado o fazia sentir-se “grogue”. O pior provavelmente foi quando tomou uma overdose de magnésio. “Senti dores agudas em todo o corpo e não conseguia me mexer”.) Entrei no site DIY.Soylent.me, criado pelo programador de computadores Nick Poulden, da região de San Francisco. Para começar, você registra no site seu peso, altura, idade e nível de atividade. Depois escolhe um perfil de nutrientes baseado em várias recomendações oficiais e não oficiais. Um exemplo: “Sujeito Gordo na Casa dos 30 Anos”. Então você monta sua receita. No site, percorri mais de 1.400 variações da fórmula de Rhinehart. Acabei decidindo pela Bachelorette Chow (“rango de solteira”), uma receita à base de farinha de milho que escolhi por sua popularidade – é uma variante da Bachelor Chow (“rango de solteiro”), uma das receitas mais conhecidas – e porque inclui chocolate. Levando em conta meu perfil nutricional (“Mulher Sedentária”), acabei com uma meta de 1.531 calorias diárias. Rhinehart disse que os nutrientes são “como um quebra-cabeças. Você pode montar as peças de muitos jeitos.” Uma função útil do site de Soylent faça-você-mesmo é que ele faz a matemática por você. A partir do momento em que conhece suas necessidades nutricionais, você pode satisfazê-las de muitas maneiras. Se você anotar um ingrediente – por exemplo 20 g de sementes de chia –, o site preencherá seu perfil nutricional. Meus ingredientes incluíam proteína do soro do leite, farinha de aveia, massa de farinha de milho pré-cozida, óleo de soja,

açúcar mascavo e sal iodado. Havia ingredientes mais estranhos, sob a forma de minerais e vitaminas em pó, que encomendei num site. Comprei o pó de cacau no armazém local, e, como muitos, decidi tomar um multivitamínico diário, em vez de moê-lo junto com minha fórmula. Era hora de “cozinhar”. Uma noite, na hora do jantar, medi meus pós e óleo, coloquei tudo no liquidificador e acrescentei água. O Bachelorette Chow revelou ser um líquido espesso e marrom com cheiro e sabor avassalador de chocolate e um pouquinho azedo. Era bebível – alguns colegas meus o descreveram como “uma mistura de brownie horrível” –, mas a ideia de viver disso era repulsiva. Fiquei aliviada quando o Soylent produzido em fábrica chegou pelo correio. Era basicamente a fórmula de Soylent que eu já tinha experimentado em Los Angeles: um líquido bege espesso, granuloso, com sabor ligeiramente fermentado e doce. Comparado com o sabor de minha versão achocolatada, o Soylent padrão era agradável. Comentários na degustação feita no meu escritório: “Shake de proteína feita de cascas”, “Um pouquinho melhor do que o negócio que se toma antes de fazer uma colonoscopia”. Vivi da mistura durante mais ou menos três dias. Muitas das dicas que eu tinha ouvido revelaram-se válidas. O Soylent tem sabor melhor depois de ficar na geladeira de um dia para outro. Ele é mais agradável quando tomado após atividade física – quando você está com fome, sentirá que realmente o deseja. O cheiro é um ponto negativo. Depois de algumas horas, o aroma de massa do Soylent parecia estar por toda parte – em minha boca, no meu hálito, em meus dedos, em meu rosto.


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Diário de Gaza O MAPA DA CULTURA

4 O esconderijo da caravana O lugar de encontro que virou refúgio

DIOGO BERCITO

Dois gatinhos ensaiam os primeiros passos fofos na terra suja de Khan Yunis. São duas bolas de pelo abaixo do portão que resta do um dia grandioso caravançarai – ou “khan”, em árabe – de Yunis, de onde vem o nome desta cidade no sul da faixa de Gaza. Eles são observados, durante a operação militar israelense, pela figura de dois leões talhados na pedra. O khan, hoje em ruínas, foi construído no século 14 pelo príncipe mameluco Yunis. A região de Gaza era, então, não um estreito de terra empobrecido e castigado pela guerra, mas um importante entreposto médio-oriental. Os moradores da cidade conhecem hoje esses muros como “o castelo”, apesar

de o khan ter sido uma pousada para comerciantes. Caravanas protegiam-se ali na rota entre o Egito e a Síria. A noite lhes servia para a troca cultural. Durante a semana passada, quando visitei a cidade, encontrei o caravançarai revivendo a sua vocação. Muhammad al-Amur refugiava-se em uma casa erguida atrás dos muros. Seu pai havia morrido uma semana antes, em um ataque aéreo israelense. Eram mais de 20 pessoas escondidas ali, recebidas pela família al-Agha – que diz ter há séculos o controle dos arredores do khan. “Nos tempos do príncipe Yunis, o khan era seguro. Ninguém atacava quem dormisse aqui”, diz Mazen al-Agha. Khan Yunis recebeu milhares de desprotegidos desde

o início da operação militar Margem Protetora, lançada por Israel em 8 de julho. A região de Khuzaa, ao leste, é um dos cenários mais devastados pelos ataques de artilharia e tanques de guerra, e seus moradores vivem agora no entorno do caravançarai. Refugiados estão apinhados nas calçadas da rua Saladino, cujo nome – me diz o morador local Wail al-Masri, 26 – celebra a passagem do Exército de Saladino por aquelas paragens áridas, no século 12. O herói da dinastia aiúbida rumava à Galileia, onde venceria os cruzados europeus na decisiva batalha de Hattin. Entre Khan Yunis e a cidade de Gaza, histórico porto de escoamento de incenso, o carro é flanqueado por terras

cultivadas. Um trecho curto, Deir al-Balah (monastério da palmeira), produz tâmaras. Mas as plantações em todo o estreito de terra foram abandonadas ao tornarem-se regiões fantasmas, assombradas pelos bombardeios. Manjericão Enquanto me preocupo com a possibilidade da morte, Jihad Rihan, minha tradutora, me conta casualmente como ela escuta, todas as noites, a artilharia naval na região costeira de Gaza. Na operação Pilar Defensivo, em 2012, a residência da família dela foi queimada por uma explosão. Seu primeiro nome significa “esforço”, em geral traduzido no Ocidente por “guerra santa”.

O sobrenome quer dizer “manjericão”. Numa manhã, ela me entrega, por gentileza, um ramo das folhas. Passamos o dia com a planta próxima das narinas, nos esquecendo do cheiro de fumaça dos cadáveres. Rihan me conta os planos de um dia estudar fora de Gaza, ignorando por um instante o bloqueio israelense que impede há sete anos a sua saída desse estreito de terra. Sem tabule O cerco israelense e o governo desastroso da facção palestina Hamas, que não reconhece a existência de Israel, arruinaram esta região. Passo, entre construções destruídas, por um cinema na cidade de Gaza – quase irreconhecível pelo tempo de desuso.

Em guerra ou na paz, não há opção de entretenimento. Ouvir música é considerado, pelo Hamas, um costume ocidental. A cozinha é um de seus últimos prazeres. A culinária de Gaza é conhecida pela variedade de peixes e de frutos do mar, mas é a “salada de Gaza”, uma espécie de vinagrete apimentado, que abre o paladar em sua mesa. Insisto, porém, em pedir um prato de tabule. Em todas as noites, o garçom do hotel Al-Deira me diz que a salada que leva alface, tomate e trigo não está disponível. Antes de partir, lhe pergunto a razão da negativa. Todo restaurante árabe tem tabule, penso. Ele dá de ombros. “Mas estamos em guerra. Não temos os ingredientes”.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 A maior angústia de um repórter Jenin, 2002

JEROME DELAY - 17.07.02/ASSOCIATED PRESS

CLÓVIS ROSSI

Já são cinco décadas de jornalismo, a maior parte delas sob fogo, não no sentido literal, mas por envolver coberturas que o jargão profissional define como “quentes”. É natural, nessas circunstâncias, que o estresse devore o repórter, ainda mais um repórter inseguro como sou, apesar do tempo de estrada. Mas, terminada a cobertura, entregue e publicado o texto, o estresse cede, pelo menos até uma nova missão. Uma única vez, no entanto, o estresse se prolongou por uns três meses. Foi em abril de 2002. A Folha me deslocou para Israel para cobrir a invasão dos territórios que o Estado judeu devolvera um tempo antes aos palestinos. Eles caçavam terroristas, como afirmam fazer agora em Gaza. Nessas ocasiões, as IDF (sigla em inglês para Forças de Defesa de Israel) bloqueiam completamente o acesso aos territórios palestinos, o que

Durante remoção de escombros de bombardeio, em Jenin, palestina visita terreno onde estava a sua casa

impede o trabalho de campo dos jornalistas. Um dado dia, ao centro de imprensa que o governo israelense montara ao lado do hotel Holiday Inn, na entrada de Jerusalém, chega a informação de que houvera um violento combate no campo de refugiados de Jenin, 103 km ao norte dali. Tentei chegar a Jenin pegando carona com uma equipe da

TV italiana. Ao sair da estrada principal, por um caminho de terra que levaria ao campo, fomos parados. Só deu para ver ambulâncias levantando poeira na pressa de levar feridos para algum hospital. No dia seguinte, no entanto, com um companheiro belga e outro holandês, conseguimos chegar ao campo. O resultado (uol.com/bydPr6) foi considerado “antológico” pelo om-

budsman da Folha na época, Bernardo Ajzenberg. Por quê, então, o estresse não se desfez? Lembro-me bem de ter chegado ao hotel e corrido para o banheiro para vomitar copiosamente, abalado pelas cenas vistas e incomodado com a perspectiva de descrever um conflito que eu não vira ocorrer. Havia uma pressão (aliás permanente quando se trata

de Israel e Palestina) para que o caso fosse tratado como “intenso combate” – versão israelense –, ou como “massacre” – versão palestina. A destruição que eu vira no campo e o cheiro de morte que o permeava mesmo dois dias depois do evento podiam tanto ser produto de um forte confronto como de um massacre. Meu texto ficou mais perto

do “massacre” do que do “forte combate”, mas não chegou ao limite. Nos dias e meses seguintes, fiquei me cobrando intimamente se não havia sido condescendente com Israel, ao não rotular como massacre o que ocorrera. Ou se não fora influenciado demais pelas fontes palestinas, a ponto de rejeitar a hipótese de um intenso combate. Uns três meses depois, saiu um relatório da Cruz Vermelha/Crescente Vermelho, insuspeito de inclinação por um lado ou outro e impecável no seu trabalho humanitário. Sem a ligeireza inevitável em uma reportagem apurada e escrita em poucas horas de um único dia, o relatório basicamente coincidia com a minha versão do que ocorrera – mais perto de massacre, mas sem chegar a tanto. Suspirei aliviado. Mais ainda por que, por incrível coincidência, um jornalista inglês (do “Guardian”, se a memória não me falha) escreveu um texto em que confessava a mesma angústia que eu alimentara silenciosamente, desfeita, a dele e a minha, pelo relatório da Cruz Vermelha.


Caderno D

Plateia plateia@emtempo.com.br

Associação Belarte vai a Joinville (92) 3090-1042

Plateia D3 FOTOS: DIEGO JANATÃ

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DIVULGAÇÃO

Adelson Santos rege a nova versão da obra, com a Orquestra Vozes da Ufam

‘Dessana, Dessana’ permanece atual Para dois dos autores da cantata “Dessana, Dessana”, o espetáculo não é datado e ainda chama a atenção para problemas do universo indígena LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

A

oportunidade de produzir o espetáculo “Dessana, Dessana” com uma qualidade musical melhor do que a da montagem original, encenada em 1975 pelo grupo Teatro Experimental do Sesc (Tesc), incentivou o maestro Adelson Santos a preparar uma nova versão desse marco das artes cênicas do Amazonas. O elenco que vai apresentar a produção desta vez é o da Orquestra Vozes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do qual é regente e diretor musical. Adelson Santos é o autor da trilha sonora e dos arranjos da cantata, escrita por Márcio Souza, também diretor da produção, e Aldisio Filgueiras, o narrador da primeira versão. Para o maestro, “Dessana, Dessana” é uma obra que está sempre atualizada graças ao tema apresentado. “Considero uma obra local de dimensões internacionais que reflete os processos de

criação do mundo. Aborda o desejo do indígena para resgatar a sua práxis, que está cada vez mais conturbada, e o do homem, que sempre precisa invadir terras”, analisa. Aldisio Filgueiras acredita que o musical continua sendo um manifesto em favor da questão indígena. “Ainda presenciamos o genocídio dos indígenas apesar de leis de proteção que existem, mas não funcionam. E a sociedade civil sempre detestou o índio porque o acusava de ser contra o progresso, quando na verdade é o progresso que é contra o índio”, comenta o escritor e jornalista. “Por isso acho atualíssimo chamar a atenção para esse assunto, principalmente porque não fizemos um espetáculo indígena, mas uma leitura ‘branca’ sobre um mito indígena. ‘Dessana, Dessana’ não é um espetáculo datado”, completa Aldisio. O texto da produção narra o mito da criação do mundo sob a perspectiva da etnia Dessana. A primeira encenação estreou

em 7 de janeiro de 1975, no Teatro do Sesc, o mesmo que recebeu uma segunda versão, em 2005, na programação do Festival Amazonas de Ópera. A montagem que Adelson Santos ensaia atualmente “a mil por hora” com a Orquestra de Vozes da Ufam tem estreia marcada para o mês de setembro, também no Sesc. Reduzido Ao contrário da primeira versão, formada por 32 músicas executadas por um grupo de apenas seis músicos ao longo de duas horas, o novo musical terá um formato mais reduzido, com 17 canções e uma hora de duração. O maestro revela que serão mantidas duas ou três canções originais e enfatiza que as composições escolhidas contêm os elementos fundamentais da produção. Ele acrescenta ainda que quer aproveitar a formação dos integrantes da orquestra da Ufam. “Esses jovens que têm estudado em cursos como os da Universidade do Estado do

A estreia de “Dessana, Dessana” será em setembro, no Teatro do Sesc

Amazonas e da Ufam são bons músicos e têm uma formação que não havia em 1975. O baixo, por exemplo, era tocado de forma desafinada. Agora temos uma equipe em Manaus mais competente”, analisa. Ópera-rock Na opinião de Aldisio Filgueiras, “Dessana, Dessana” é uma obra que ainda não foi explorada em sua totalidade, nem cenicamente, nem musicalmente. “É uma narrativa de música popular muito bem construída pelo Adelson Santos. A primeira montagem era uma ópera-rock e depois foi produzida com arranjos mais sofisticados, porém, sem a compreensão de seu contexto. ‘Dessana, Dessana’ ainda está à espera de sua grande apresentação”, afirma o escritor, que também destaca a existência, hoje, de bons músicos em Manaus. “E estou curioso para conferir o novo espetáculo. Afinal, acho que a boa música pode ser reapresentada em todos os tempos”, diz.

Adelson Santos criou os arranjos da produção


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>> Artsy . Dois universos aparentemente díspares de dois grandes artistas plásticos amazonenses, mas que revelam a seara amazônica com a mesma intensidade mutante e surpreendente. É assim que se pode definir as exposições “Meu universo visual” e “Onde nascem os mitos”, respectivamente de Zeca Nazaré e Nelson Falcão, que estarão movimentando a cena artsy local até hoje (para convidados), às 18h, na Galeria do Largo. . Evento dentro da programação cultural “Amazonas de Todas as Artes”.

O deputado Arthur Bisneto, um dos parlamentares amazonenses com excelente oratória, enchendo de simpatia evento em Manaus

>> Vitrine

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Palco

>> O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, deputado Josué Neto, está convidando para a solenidade de entrega do Título de Cidadã do Amazonas à procuradora de Justiça Jussara Pordeus e Silva, no próximo dia 13 de agosto, por meio de propositura do deputado Francisco Souza, na sede do Poder Legislativo estadual. >> Martinália e Martinho da Vila estão confirmadíssimos com show em Manaus, em breve. >> Ontem foi o aniversário de uma mulher incrível que a coluna adora: Helen Garcia. Uma pessoa para

O vereador Ednailson Rozenha e o empresário de entretenimento Juca Semem, no show da cantora Maria Bethânia, na quinta-feira

. Diva da música popular brasileira, Maria Bethânia cantou e encantou, na quinta-feira, em seu show, em Manaus, no Dulcila da Ponta Negra. . Pelas mãos do empresário Juca Semen, o evento movimentou a society de Manaus no fim de semana.

se curtir de perto. Cumprimentos especiais. >> A querida jornalista do Rio, Yacy Nunes Suarez, acaba de estrear como relações públicas do novo restaurante do empresário Arturo Recarey, o “King Crab”, na Praça 15, sucesso da temporada. >> Júlio Ventilari irá comemorar seu aniversário, com evento no dia 7, no Village Festas. >> O novo shopping de Boa Vista, o “Pátio Roraima” entregará as chaves aos lojistas em evento marcado para o próximo dia 3. Vai agitar a cidade.

>> Doação . Imperial College de Londres acaba de receber uma doação de £3 milhões (cerca de R$ 11 milhões) da Fundação Filantrópica Edmond J. Safra. O dinheiro será usado para apoiar projetos de pesquisas sobre a cura de doenças degenerativas do cérebro, como os males de Alzheimer e Parkinson. . A fundação é controlada pela bilionária brasileira Lily Safra, viúva de Edmond, morto em 1999, em um incêndio criminoso na sua cobertura, em Mônaco. Na época, Edmond já sofria com o estágio avançado do mal de Parkinson. A doença também havia sido diagnosticada no irmão de Edmond, Moise Safra, que morreu em junho passado. Generosidade é chic!

>> Objeto de desejo

Igor Mendonça e Cristiano Falcone, que inauguram o Bistrô Vieiralves, no Shopping Container Mall, no próximo dia 11

Denise e Rodrigo Junqueira, conferindo a performance de Bethânia, no Dulcila

. Uma das parcerias mais bem-sucedidas da All Star acaba de ganhar uma nova coleção. . A linha outono 2014 grifada pela Missoni foi revelada. Composta por 5 estampas diferentes, a linha, que chega às lojas no final deste mês, contará com o icônico modelo Chuck Taylor, nas versões cano alto e cano baixo.


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Bailarinos da Belarte participaram de aulas na Escola Bolshoi

Amazonenses

em Joinville

Pela primeira vez a associação Belarte marcou presença no mais expressivo festival de dança realizado no Brasil BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO

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restes a completar 10 anos de existência – em 2015 – a Associação Belas Artes do Amazonas (Belarte) participou pela primeira vez do Festival de Dança de Joinville, realizado em Santa Catarina, considerado o maior evento do gênero do país e também do mundo, como é citado no “Guinness Book” desde 2005. Ao todo, 16 alunos – sendo 14 meninas e dois meninos - do projeto idealizado por Carolina Soler, participaram de um workshop de balé clássico. “Sempre foi o nosso desejo. Como grande parte dos alunos está comigo há quase 6 anos, nunca tivemos essa oportunidade. Este ano, finalmente, conseguimos realizar esse sonho”, diz Soler. Apesar da ida dos alunos, a “comitiva” contou com 25 pessoas. “Além dos participantes, levamos algumas mães que nos deram suporte”, conta. Por se tratar de um projeto sem fins lucrativos, os custos foram pagos por meio de doações e iniciativas próprias. “Contamos

com alguns padrinhos do Rotary Club que custearam algumas passagens aéreas. O resto do dinheiro para pagar hospedagem, transporte e alimentação conseguimos por meio de rifas, bazares e também com a doação de alguns pais”, diz Soler. A organização do evento oferece aos participantes uma série de cursos de dança aos participantes. Carolina revela que optou pelo de balé clássico intermediário. “As aulas foram realizadas dentro da Escola Bolshoi com uma infraestrutura extremamente adequada com barras, espelhos, piso ideal e um pianista. Aliás, todas as aulas contaram com música ao vivo, algo muito difícil de se encontrar nas escolas de Manaus. Foi uma experiência única e tenho certeza que ficará marcado na história deles”. Sobre a competições, Carolina explica que houve uma inscrição, porém, competiu com mais de dois mil trabalhos. “Inclusive fiz uma crítica. Todos os dias os espetáculos apresentados na mostra não competitiva se repetiam. Sem falar que o nível

O grupo durante uma de suas apresentações nos palcos de Manaus

de seleção é desigual levando em consideração que na própria cidade e nos Estados próximos inúmeras companhias se inscreveram. Então, a facilidade para eles é maior, pois não existem tantos gastos. O importante é que pudemos proporcionar algo diferente e nada tirou o brilho da nossa ida”. Teste As bailarinas Jeane Caroline Vieira Sampaio e Giovana Lais Campos Pereira fizeram teste para entrar na Escola Bolshoi. “Infelizmente, não foram aprovadas. Ao todo, são quatro fases e elas conseguiram chegar até a segunda. Ambas confessaram que farão o teste novamente. Isso é bastante positivo”. Para Carolina, a baixa participação em festivais como o de Joinville, por exemplo, se deve a falta de oportunidade. “Precisamos crescer mais, principalmente, na questão técnica. Além do pouco interesse em balé clássico, tem a distância que dificulta esse intercâmbio”, desabafa.

Há 4 anos, instituição luta por uma sede própria

Preconceito e falta de apoio

Satisfação na arte de ensinar

O preconceito ainda existe quando o quesito é a participação de meninos nas aulas de balé. “É uma questão cultural. Na Europa de 1800, o balé era apresentado somente por mulheres, inclusive os papéis masculinos. Sem falar que falta incentivo na própria

Carolina Soler conta que ao longo desses quase 10 anos, mudou radicalmente a vida de diversos alunos. “Oportunizou a vivência em sociedade. O balé faz parte da vida deles, não é um hobby, apesar da nossa intenção que nunca foi de formar bai-

casa do aluno, muitas vezes eles demonstram vontade, mas falta esse apoio”. A Belarte sofre há 4 anos para conseguir uma sede própria. “Já entramos com um pedido na ProcuradoriaGeral do Município solicitando o uso de um terreno aban-

donado ao lado da escola onde acontecem as aulas, mas até hoje não houve resposta. Temos tanto interesse que já corremos atrás de patrocínio junto ao consulado japonês para conseguirmos recursos, mas precisamos do espaço primeiro”, relata.

larinos profissionais. Queríamos apenas levar a dança para as áreas mais carentes, tendo em vista que sempre foi taxado como uma arte elitizada. Temos muito prazer em realizar algo que muda a vida das pessoas”. Soler adianta que no fi-

nal do ano, os bailarinos apresentarão “A Bela Adormecida” em local a ser definido. Atualmente, a Belarte conta com 180 alunos e as aulas são realizadas às quartas e sábados, na escola municipal João Braga, no bairro Manôa.


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RESENHA

Obrigado, Bethânia! BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO

H PERFIL

Bruno Mazieri é jornalista e editor do caderno Salão Imobiliário

á uns 3 anos, todas as vezes que encontrava o amigo e produtor local Juca Sêmen a pergunta era inevitável: “Quando tu vais trazer a Maria Bethânia?”. Ele, sempre muito simpático, afirmava que em breve. O tempo passou e, finalmente, na última quinta-feira, dia 31, encerrando o mês de julho, eis que a “Abelha-Rainha” – como é conhecida – subiu ao palco montado no Ducila Festas e Convenções. O show apresentado foi o da turnê “Carta de Amor”, finalizada no ano passado, mas trazida de volta para o show único em Manaus. Confesso que a ansiedade tomou conta de mim ao longo de todo o dia. De fato, só consegui respirar aliviado ao som dos primeiros acordes da música “Canções e Momentos”. Ao vê-la adentrando ao palco, senti toda a sua grandiosidade. Não apenas vocalmente falando, mas também tamanha é a sua interpretação, dosada milimetricamente a cada música. Sem muitas palavras, ela cantou e encantou. Visivelmente feliz, não se importou nem mesmo com o público que, por vezes, não conseguia cessar as conversas paralelas. Aliás, os amazonenses, tão elogiados na Copa do Mundo, precisam aprender a se comportar melhor em determinadas ocasiões. Sob fortes aplausos, Bethânia interpretou clássicos de sua carreira como “Negue”, “Fera Ferida”, “Reconvexo” e “Explode Coração”. E como boa baiana que é, não deixou de interpretar composições no qual o samba de roda era perceptível. Um dos momentos mais aguar-

dados, sem dúvida, foi a música “Não Mexe Comigo”, na qual interpreta um texto escrito por ela própria em resposta as críticas que sofreu por ter a possibilidade de receber R$ 1,3 milhão para a criação de um site, por meio da Lei Rouanet. O projeto não chegou a ganhar forma. Nela, ela mistura religiões e crenças em perfeita harmonia. Quem ainda não ouviu, por favor, não deixe para depois. Até aqueles menos religiosos não conseguem conter a emoção em ouvir cada versos declamado pela cantora. Aliás, há muito tempo Bethânia inclui em seus shows poemas que declama com maestria. Afinal de contas, foi no teatro que sua história começou. Após um bis que rendeu três músicas, sua apresentação chegou ao final. Como uma espécie de ritual, “O Que É, O Que É?”, de Gonzaguinha, encerrou sua passagem pelo palco amazonense. Após largar o microfone, ela foi para o gargarejo e agradeceu a Manaus, a Amazônia. Porém, a emoção deste que vos escreve estava apenas começando. Felizmente, tive a sorte de conseguir chegar ao camarim da artista. Os amigos DIVULGAÇÃO

MARILZA

que me acompanhavam são prova viva da minha ansiedade. Quando a porta se abriu não consegui ver mais nada. Somente Bethânia em pé, com um largo sorriso e uma foto da Mãe Menininha do Gantois, a Iyálorixá mais conhecida do Brasil e que era uma espécie de guru da cantora, em uma espécie de altar. Salve! Minha reação foi segurar sua mão e baixar minha cabeça em forma de reverência. Como a amiga Lídia Ferreira falou, esperei muitos anos por aquele momento. Em seguida, abri os braços e dei um longo abraço. Ali, naquele momento, só consegui dizer: “Obrigado por existir”. Ela, muito simpática, agradeceu e com um largo sorriso perguntou se eu, um mero mortal, tinha gostado da sua apresentação. Não consegui responder. Apenas sorri e balancei a cabeça afirmando que

sim. Claro que a foto não poderia faltar. Ao final do nosso encontro, segurei em suas mãos novamente e desejei axé. Ela prontamente desejou o mesmo, mas para nós dois. Segui para minha casa em êxtase. Demorei muito para dormir, pensando naquele momento compartilhado com outras pessoas que estavam no camarim, mas que ao mesmo tempo era só meu e dela. No dia seguinte, sua imagem estava viva na minha mente e nela ficará por muitos e muitos anos. Não sei se um dia ela voltará ao Amazonas, mas cumpri a missão de dizer: obrigado, Bethânia. Obrigado por ser uma artista incrivelmente talentosa. Obrigado por embalar momentos da minha vida. Obrigado por ser um ser humano cheio de luz e com uma espiritualidade única. Muito obrigado e axé!

MASCARE

NHAS

Não sei se um dia ela voltará ao Amazonas, mas cumpri a missão de dizer: obrigado, Bethânia. Obrigado por ser uma artista incrivelmente talentosa, por embalar momentos da minha vida, por ser um alguém cheio de luz”

PROPOSTAS

Fórum discute festival de música LUIZ OTAVIO MARTINS Especial EM TEMPO

O Festival Amazonas de Música é realizado por meio da parceria entre o Fórum e a SEC

Os artistas que compõem o Fórum Permanente da Música no Amazonas vão se reunir na próxima semana para discutir propostas para a realização do 5º Festival Amazonas de Música. A cantora Lucilene Castro, que fez parte da comissão durante três edições do evento, conta que as datas para este ano ainda não foram definidas e que uma das pautas da reunião será a discussão de possíveis mudanças no formato do festival, realizado no mês de setembro, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Questionada sobre quais aspectos poderiam ser modificados, Lucilene sugere um aumento na quantidade de dias do festival. “O Estado poderia aumentar a programação do evento, que também poderia ser realizado no largo São Sebastião, já que a proposta do ano passado era que o festival tivesse um acesso maior para o público”, diz a artista. A cantora Elisa Maia observa que todo ano os participantes

do fórum avaliam que pontos do festival podem ser melhorados ou reajustados. “Depois de debater esses temas vamos encaminhar para a SEC as nossas propostas de formato para o evento”, explica. De acordo com Elisa, a avaliação do festival, que em 2013 foi realizado no município de

INDEFINIÇÃO

As datas para este ano ainda não foram definidas e que uma das pautas da reunião será a discussão de possíveis mudanças no formato do festival, realizado no mês de setembro

Parintins, foi positiva por parte da classe artística. A cantora apresentou-se na mostra nãocompetitiva em 2011 e participou da organização nos dois anos seguintes. Mas, revela que, este ano, não quer fazer parte da organização. Entre os aspectos do festival que Elisa Maia considera

positivo está o espaço que é aberto para bandas novas poderem mostrar sua música. Mas a artista acredita que falta manter uma conexão mais consistente entre o evento e o público. “Minha sugestão é que os recursos para o festival sejam pulverizados e que a nova produção artística amazonense seja levada para locais como praças, teatros e centros de convivência em bairros, por exemplo. Acho que eventos como esse devem começar a ser pensados de maneira mais diluída. O artista recebe um cachê, toca em bons palcos, mas falta uma conexão maior com o público. É preciso pensar a cultura para todos”, analisa. O Festival Amazonas de Música é realizado por meio de uma parceria entre o Fórum Permanente da Música no Amazonas – iniciativa da sociedade civil que reúne profissionais da cadeia produtiva e criativa da música no Estado – e a SEC. A programação prevê mostras competitivas e não competitivas, além de shows com artistas locais e convidados.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Mais fácil Depois de gravar como Hebe Camargo, inclusive usando um antigo vestido dela, Rosemary foi informada que os seus próximos desafios no “Esse artista sou eu” do SBT serão as imitações de Carmen Miranda e Marisa Monte. Quanto a Carmem, nada diferente do que ela já fez no palco do antigo “O Beco”, em shows dirigidos pelo Abelardo Figueiredo.

DIVULGAÇÃO

Mulherada Um desfile de mulheres bonitas tem agitado os bastidores da Rede TV!. Parece concurso de miss. São as seletivas do reality “The Bachelor”. A estreia está prevista para a segunda quinzena de setembro, mas falta escolher o “solteirão”. O ator Bruno Udovic, convidado, não aceitou.

em setembro, quando ela estará de volta com a família de uma temporada nos Estados Unidos.

Banda da Larissa Prestes a lançar um CD, Larissa Manoela também vai ganhar uma banda para fazer apresentações por todo país. O estafe da menina já está selecionando esses profissionais. Os ensaios começam

Fila das seis Logo depois de “Boogie Oogie”, que estreia dia 4 no lugar de “Meu Pedacinho de Chão”, a Globo exibirá na faixa das 18h uma história de Lícia Manzo intitulada “Sete Vidas”, com direção-geral de Jayme Monjardim.

ELVIS

Olha no que deu Vencedora do “Superstar” na Globo, a banda Malta já tem shows agendados até o fim do ano. E alguns, já para o começo do próximo. Na sequência, será a vez de uma novela escrita por Elizabeth Jhin. Homenagem O canal Viva terá Francisco Cuoco em uma programação dedicada ao Dia dos Pais, no outro domingo, 10. No “Sai de Baixo”, às 23h30, ele vai aparecer como Justo Antibes, pai de Caco, o personagem do Miguel Falabella.

• Ricardo Waddington, diretor de “Boogie Oogie”, pretende promover algumas participações especiais ao longo da trama, só com artistas do primeiro time. • Monique Alfradique, Marcos Veras e Lair Rennó serão atletas por um dia, neste domingo, 3 de agosto... • ... Os três confirmaram presença na Corrida e Caminhada Esperança, evento que inaugura a programação do “Criança Esperança” em 2014... • ... Monique e Veras correrão em São Paulo, enquanto Rennó competirá no Rio. A prova acontece, ainda, em outras 14 cidades. • “Dupla Identidade”, série policial de Glória Perez, vai se passar nos dias de hoje. • As gravações já começaram e a estreia acontecerá em setembro, com exibição nas noites de sexta-feira. • Bruna Linzmeyer, depois de “Amor à Vida” e “Meu Pedacinho de Chão”, só voltará às novelas no ano que vem.

Pela ordem A Bandeirantes concedeu folga de 10 dias para todo pessoal que trabalhou na Copa do Mundo. Entre os seus narradores, primeiro saiu o Téo José, Oliveira Andrade depois e, por último, Nivaldo Prieto. Nada que pudesse comprometer as transmissões do Campeonato Brasileiro.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Depois de um mês se apresentando de Campos do Jordão, Amaury Junior retoma a sua rotina de sempre. Aliás, já existe uma série de viagens programadas para este segundo semestre. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Estamos em apuros

GILMAL

MÁRIO ADOLFO

REGI

Tenho recebido em meu e-mail, as propostas de alguns candidatos - a maior parte deles ao legislativo - e já concluo que de fato estamos em sérios apuros. Não vou me ater a debater com os leitores questões levantadas em torno de algumas matérias importantes, e que por eles são, mas ao que me parece, quanto mais importante é o tema, menos eficiente são as propostas, sobretudo as ligadas à mobilidade urbana, cada qual mais hilária que a outra. Mas vamos nos deter apenas à questão da cultura, esta pobre área vítima de muitas incompetências políticas, com as exceções e situações de praxe, claro. Primeiramente a cultura tem sido cercada de boas intenções, igualzinha aquelas em que durante o último regime militar pretendeu colonizar e desenvolver a Amazônia a custa de genocídios de gentes e culturas. Um fato curioso é que ainda confundem, ou fingem que confundem, o Legislativo com o Executivo, prometendo melhorias de saneamento, habitação, tapa buracos etc. Eis a proposta de um candidato ao cargo no executivo: “Resgatar para os amazonenses a sua identidade cultural...”. Não sei quem foi o energúmeno que criou este plano de governo. Sem dúvida um arruaceiro da classe média que nunca leu um livro ou nunca foi a um teatro. Identidade, como bem falamos aqui nesta coluna por vezes, não se resgata. Ela apenas “é”. A identidade é dinâmica e fruto de muitas simbioses. Portanto, ninguém a resgata. Assim como “criar circuitos musicais e culturais permanentes na cidade, valorizando e tendo como palco os nossos principais ícones da

arquitetura e monumentos históricos” é uma proposta tão servilista e eventual que nos chega a causar pânico. Primeiro que o tal candidato pleiteiaao governo e está centralizando demais as suas propostas para a “cidade”. Embora saibamos que Manaus é uma espécie de cidade-estado – mais por ausência política do que por opção – o Amazonas é grande e específico e merece uma atenção mais acurada. Outra: “divulgar nacional e internacionalmente a influência indígena como elemento principal da cultura amazônica” é tão surpreendente ridículo que chego a ver com preocupação tal ideia. Os povos indígenas (alguns) cumpriram papel importante na formação social da Amazônia, mas os negros também exercem influência significativa, assim como outras culturas como a nordestina, a árabe, a judaica e outras tantassão fundamentais em nossa caracterização identitária. Seria, portanto, ridículo vender uma imagem que não é de todo nossa. A política brasileira é completamente defasada, formada na base do populismo, com táticas que ainda hoje surpreendem pela inabilidade. As estratégias são baseadas na queda do adversário frente a moral cristã ou mesmo na canhestra tentativa de negar água a mais de 500 pessoas. Ao invés de se debater os temas com seus mais profundos perfis analíticos, os políticos preferem atacar o adversário vendendo promessas a comunidades miseráveis, com a ajuda incondicional da grande mídia que incita o conflito entre um e outro candidato, ao invés de impor a discussão em torno de temas ligados ao Brasil e aos brasileiros.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

Tenho recebido propostas de alguns candidatos. Fato curioso é que ainda confundem - ou fingem - o Legislativo com o Executivo, prometendo melhorias de saneamento, habitação etc.”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

Programação de TV

DIVULGAÇÃO

SBT 5h - Jornal Da Semana 6h - Igreja Universal 7h - Brasil Caminhoneiro 7h30 - Planeta Turismo 8h30 - Vrum 9h - Sorteio Amazonas Da Sorte 10h - Domingo Legal 14h - Eliana 18h - Roda A Roda Jequiti 18h45 - Sorteio Da Telesena 19h - Programa Silvio Santos 23h - De Frente Com Gabi 0h - Nikita 1h - Rizzola & Isles 2h - Pessoa De Interesse 3h20 - Big Bang 4h - Igreja Universal

BAND

O “patrão” Silvio Santos sorteia os números premiados da Telesena, esta noite, pelo SBT

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 O momento é mesmo para viver os sentimentos plenamente, mas o quanto possível de uma maneira nova, sob uma nova perspectiva e visão. Você se renova pelo amor.

GLOBO

5h - Power Rangers – Zeo 6h - Popeye 6h30 - Santa Missa No Seu Lar 7h30 - Sabadão Do Baiano 8h - Power Rangers + Popeye 9h30 - Popeye 9h45 - Informercial – Polishop

Cinema

10h15 - Power Rangers – Zeo 10h45 - Verdade E Vida 11h - Irmão Caminhoneiro – Boletim 11h05 - Pé Na Estrada 11h30 - Band Esporte Clube 14h - Gol - O Grande Momento Do Futebol 14h30 - Futebol 2014 – Ao Vivo 16h50 - 3º Tempo 19h - Só Risos 20h - Polícia 24h 21h - Pânico Na Band 0h - Canal Livre 1h - Fórmula Indy – Compacto - Gp De Mid Ohio/eua 1h20 - Alex Deneriaz 1h55 - Show Business 2h45 - Popeye 3h - Igreja Universal

4h55 - Santa Missa 5h55 - Amazônia Rural 6h25 - Pequenas Empresas, grandes Negócios 7h - Globo Rural 7h55 - Auto Esporte 8h30 - Esporte Espetacular (Corrida e

Caminhada da Esperança / Stock Car - Corrida do Milhão/ ao vivo) 11h30 - Esquenta 12h57 - Temperatura Máxima - SEGURANÇA DE SHOPPING 15h - Campeonato Brasileiro - Chapecoense x Flamengo 17h - Domingão do Faustão 19h45 - Fantástico 22h05 - 24 Horas 23h22 - Domingo Maior - ASSALTO AO CARRO BLINDADO 0h50 - Sessão de Gala - LIÇÕES PARA TODA VIDA 2h40 - Corujão - DUPLA PERSONALIDADE 4h12 - Série

RECORD 5h - Santo Culto Em Seu Lar 5h30 - Desenhos Bíblicos 7h - Desenhos Bíblicos 8h30 - Record Kids - Pica Pau 9h - Amazonas Da Sorte 10h - Domingo Show 14h15 - Hora Do Faro 18h20 - Domingo Espetacular 22h15 - Tela Máxima - “Piratas Do Rock” 0h15 - Programação Iurd

Cruzadinhas

ESTREIA

TOURO - 20/4 a 20/5 A riqueza de sua vida interior se revela em sua melhor face. A harmonia está mais presente. Nascimento de sentimentos benévolos e afetuosos para com a família. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Sua inteligência se mostra ao se comunicar e ao projetar seus pensamentos. A sensibilidade conduz os encontros a um modo de convívio cativante e inspirado. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Bom momento para os negócios, para expandir suas propriedades e, enfim, para prosperar. Inspiração para os trabalhos que tragam prosperidade em longo prazo. LEÃO - 23/7 a 22/8 Mercúrio junto a Júpiter torna você mais magnético, encantador e, especialmente, sedutor. Você se envolve pessoas em causas elevadas e interesses além do comum. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Momento bastante oportuno para organizar sua interioridade, a começar dos lados mais subjetivos de sua pessoa. Há elementos importantes surgindo no limiar da consciência. LIBRA - 23/9 a 22/10 Um dia estimulante para o convívio humano, social e afetivo. Alguém tende a lhe encantar e a lhe atrair de modo especial. Entre os amigos, também você tende a ser encantador. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Você começa a ter novos sonhos e a imaginar projetos ambiciosos. Momento de encanto no trabalho, precedendo fase de prosperidade. Possibilidade de bom êxito profissional. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Inspiração filosófica, artística e religiosa de grande elevação e riqueza. Momento de encanto com valores estéticos. No amor, os sentimentos também são inspirados. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As transformações e as mudanças têm tudo para dar certo de um modo muito feliz e especial. A aproximação à pessoa amada cria ambiente encantador e fecundo. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você está mais comunicativo e encantador. Encontros gratificantes tendem a ocorrer. Ao enxergar as relações por um ângulo positivo, você irá envolver mais com as pessoas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Dia propício para conseguir bons resultados no trabalho, podendo inclusive alcançar boas recompensas financeiras. A sorte favorece as associações e os trabalhos em parceria.

Guardiões da Galáxia: EUA. 12 anos. Em uma Terra alternativa do século 31, o aventureiro Peter Quill (Chris Pratt) rouba uma esfera pertencente ao poderoso vilão Ronan, e passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Para escapar ao perigo, ele une forças com quatro personagens fora do sistema: Groot, uma árvore humanoide (Vin Diesel), a sombria e perigosa Gamora (Zoe Saldana), o texugo rápido no gatilho Rocket Racoon (Bradley Cooper) e o vingativo Drax, o Destruidor (Dave Bautista). Mas Quill descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de mudar os rumos do universo, e logo o grupo deverá proteger o objeto para salvar o futuro da galáxia. Cinemark 1 – 12h (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 15h, 18h, 21h (dub/diariamente), 0h (dub/somente sábado), Cinemrk 4 – 11h (dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado), 14h10, 17h, 20h (dub/diariamente), 23h (dub/somente sábado), Cinemark 6 – 22h (3D/dub/diariamente), 13h (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 16h, 19h (dub/diariamente); Kinoplex 3 – 14h, 16h30, 19h (3D/dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente), Kinoplex 4 – 13h20, 15h20, 21h (dub/diariamente); Playarte 1 – 22h50 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 15h10, 20h20 (3D/leg/diariamente), Playarte 7 – 13h31, 16h01, 18h31, 21h01 (dub/diariamente), 23h31 (dub/somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES Planeta dos Macacos – O Confronto: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 12h30 (dub/somente quinta-feira, sexta-feira e sábado), 15h30 (dub/diariamente), 18h30, 21h30 (dub/exceto quarta-feira), Cinemark 5 – 13h30 (3D/dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 16h30, 19h30, 22h30 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 11h30 (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 13h, 19h (3D/dub/diariamente), 16h, 22h (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 4 – 12h, 15h, 18h10, 21h (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 14h, 16h50, 19h40, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 12h45, 15h45, 18h45, 21h45 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 2 – 16h15, 19h15 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 4 – 13h45, 16h45, 19h45, 22h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h25 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 2 – 14h10, 21h (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h, 19h (3D/dub/diariamente), 16h, 22h (3D/leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h30, 19h30 (dub/diariamente), 16h30, 22h30 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 18h30 (dub/diariamente), 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 15h40 (dub/diariamente), Kinoplex 4 – 18h20 (dub/diariamente), Kinoplex 5 – 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 12h30, 17h40 (3D/dub/diariamente); Playarte 3 – 13h20, 15h55, 18h30, 21h05 (dub/ diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 18h31, 21h06 (dub/diariamente), 23h41 (dub/somente sexta-feira e sábado). Juntos e Misturados: EUA. 10 anos. Cinemark 3 – 17h10 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 13h30, 16h10, 18h50, 21h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h, 17h45, 20h50 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 13h10, 16h10, 20h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h30, 20h45 (dub/diariamente), 17h15 (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 13h10, 18h35, 21h10 (dub/diariamente); Playarte 5 – 13h40, 16h, 18h20, 20h50 (dub/diariamente), 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado). Aviões 2 – Heróis do Fogo ao Resgate: EUA. Livre. Cinemark 8 – 11h50 (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira); Cinépolis Millennium 2 – 13h20, 15h30, 18h (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 13h, 18h (dub/ diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h, 16h15 (dub/diariamente). Transformers - A Era da Extinção: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 20h10 (3D/dub/diariamente), Cinemark 8 – 14h, 17h40, 21h10 (dub/diariamente);

Cinépolis Millennium 2 – 20h (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 3 – 13h45, 17h15 (3D/dub/diariamente), 20h45 (3D/leg/diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 14h45, 18h15, 21h45 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 12h50, 22h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 13h40, 17h, 20h40 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 6 – 15h, 19h, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 22h25 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 2 – 17h20 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 18h45 (dub/diariamente), 15h, 22h15 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 14h15, 21h45 (dub/diariamente), 17h45 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 13h35, 16h50, 20h15 (dub/diariamente). Como Treinar o Seu Dragão 2: EUA. Livre. Cinemark 3 – 11h20 (dub/exceto segunda-feira, terça-feira e quarta-feira), 14h20 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 7 – 14h30, 17h (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 15h50, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 15h10 (dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h15, 15h45 (dub/diariamente); Playarte 4 – 14h10, 16h20 (dub/diariamente), Playarte 9 – 12h40, 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado). A Culpa é das Estrelas: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 7 – 19h30, 22h20 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 18h15 (dub/diariamente), 21h15 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h15, 15h50, 18h25, 21h (dub/diariamente), 23h35 (dub/somente sexta-feira e sábado). Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou: BRA. 14 anos. Playarte 8 – 12h35, 14h45, 16h55, 19h05, 21h15 (diariamente), 23h25 (somente sextafeira e sábado). X-Men – Dias de um Futuro Esquecido: EUA. 12 anos. Playarte 2 – 12h50, 15h20, 17h50, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

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FOTOS: MANOEL NETTO

A diva Maria Bethânia

Jander Vieira

jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br

Socorro Ferreira e Mônica Bonfim

A linda Deborah Camely Izabelle Souza e Nívia Barroso

Fenomenal Manaus foi presenteada com a divinal apresentação de Maria Bethânia, em turnê com o show “Cartas de Amor”, na última quinta-feira. Os privilegiados saíram com os corações a mil e literalmente estonteantes de felicidade. Além da apresentação avassaladora, Bethânia foi um poço de gentileza e recebeu seus súditos em seu camarim, a abelha-rainha mostrou que ainda é a melhor estrela musical do Brasil do tipo imprescindível. A “Rio Samba Show” está mais uma vez de parabéns, o empresário Juca Semen foi perfeito em sua escolha.

Eliane Schneider, Menga Junqueira, Thais, Natalie Sobral mais Denize Santana e Maria do Carmo Magalhães

Leila e Humberto Michilles

Mazé Chaves

Márcio Malta e Raul Sampaio mais Vanessa e mano Cavalcanti

O visionário Juca Semen A elegantíssima Ana Lúcia Raman Alexandre Prata e seu flûte para Bethânia

Marilza Mascarenhas, Alberto Chã Filho e Mazé Mourão

Francisca Ribeiro e Aluísio Gonçalves

Roberto Mendes

Karina Guimarães e Glaucia Penalber

Gleide Pinto, Odenir Machado e Andréa Aziz

Darclei Paula e Zenilde Pacífico

Ray Meirelles e Meg Hoaegen

Norma e Antônio Silva

Eliane Sampaio e Porfírio Lemos Filho Graça e Rosedilson Assis

Kiuse Krauss e Márcia Raquel Rizzato

Wenher Botelho

Graça Figueiredo e Gimol Prestes


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MANAUS, DOMINGO, 3 DE AGOSTO DE 2014

O pagode que se reinventa C

om quase 20 anos de carreira consolidada no Brasil, o Revelação é referência quando se fala em pagode dos anos 1990 e, de lá para cá, o grupo se mantém firme com as misturas que o gênero musical adquire com o passar do tempo. Eles apostam no romantismo com uma boa dose de partido-alto. É justamente esta “receita” que agrada o público de diferentes gerações. O Revelação volta a Manaus para colocar o povo para sambar no próximo dia 9, na arena externa do Studio 5. O sexteto do subúrbio carioca ganhou o mundo do samba em 1999, com o disco “Revelação”. O trabalho contou com a participação de alguns dos integrantes do Kiloucura, além de uma regravação de “Zé do Caroço”, canção de Leci Brandão. Mas, foi em 2002 que o grupo “varreu” a música brasileira com o disco “Ao Vivo no Olimpo”. Na época, foram mais de 700 mil cópias vendidas – o segundo maior sucesso fonográfico do ano, atrás apenas dos Tribalistas. Não era para menos, afinal, o grupo reunia toda semana no Olimpo cerca de 7 mil pessoas, em mais de três horas de show. O disco seguinte, “Novos Tempos”, um trabalho de estúdio e com músicas inéditas,

alcançou a marca de 140 mil cópias vendidas. O terceiro disco, com apenas 40 dias nas lojas, “Ao Vivo – Na Palma da Mão” atingiu a marca de 70 mil unidades comercializadas, garantindo ao grupo um disco de ouro. A qualidade do som do grupo e os números confirmam que o Revelação é sucesso e não é de hoje. Sem se desprender do suingue que o gênero musical

SUCESSO

O grupo conta com mais de 10 trabalhos. “Revelação 360º”, gravado no Rio traz o hit “Fala Baixinho”, que concorre à categoria de melhor música no Prêmio Multishow da Música Brasileira 2014 sugere, os sambistas fazem uma exaltação ao partido-alto dos anos 80 que aparece em pot-pourris como “Cadê Ioiô”, “Bagaço da Laranja”, “Quando Eu Contar (Iaiá)”, “Cabelo Pixaim” “Sambas-de-Roda da Bahia” e “Olha O Samba, Sinhá”. Até mesmo o repertório de Djavan, com a releitura de “Eu Te Devoro”. Com esta pegada, o grupo conta com mais de 10 trabalhos, entre discos e DVDs. O

último, “Revelação 360º”, foi gravado na HSBC Arena, no Rio de Janeiro e será apresentado pela segunda vez em Manaus. Neste álbum, está o hit “Fala Baixinho” que concorre à categoria de melhor música pelo Prêmio Multishow da Música Brasileira 2014. Além de outras canções que estouraram nas rádios de todo Brasil, como “Só Vai de Camarote”, “Mulher Traída”, “Filho da Simplicidade” e traz as participações especiais de Belo, Benito di Paula, Carlinhos Brown, Aviões do Forró, David Elliot e do grupo Clareou. Um dos momentos mais aguardados pelos fãs do Revelação em Manaus será a apresentação do novo vocalista, o Almirzinho, filho do sambista Almir Guineto. Ele já faz shows com o grupo, ocupando o lugar que pertenceu a Xande de Pilares. O novo integrante assume que a responsabilidade de encarar o posto nada mais é que: “não é ser melhor, nem pior, apenas diferente”. Com a certeza de lugar cativo, Almirzinho divulga pelo Brasil a música de trabalho, “Caminho das Flores” e conta com uma intensa agenda de shows. Em agosto, após o show de Manaus, o Revelação se apresenta na Bahia, Ceará, São Paulo, Goiânia e Distrito Federal.

JPLIMA/DIVULGAÇÃO

Aclamado por fãs de diferentes gerações, o grupo de samba e pagode Revelação traz à cidade de Manaus a turnê “Revelação 360º”, com sucessos que não podem faltar em uma roda de samba, o que inclui seus próprios hits atuais SERVIÇO SHOW DO REVELAÇÃO 360º Quando: 9 de agosto Onde:

Quanto:

Arena externa do Studio 5 Pista: 2º Lote R$ 55; Área VIP: 3º Lote R$ 140 (valores para estudante)

Óticas Veja, Minds Idiomas, Sinhazinha. Pontos de com, bar Chopp vendas: Brahma (Aleixo) e Romanel do Amazonas Shopping e Shopping Ponta Negra (somente para pista); loja da Fábrica de Eventos no Shopping Cidade Leste (para pista e área VIP) e stand da Fábrica de Eventos no Amazonas Shopping (para área VIP) Falta menos de uma semana para Revelação pisar em Manaus


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EM TEMPO - 3 de agosto de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu