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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 8.110 – DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO
VIDEOGAMES
INFLUÊNCIA CRIMINOSA?
WORKAHOLIC
A fórmula da felicidade no trabalho
O massacre com a família Pesseghini, em São Paulo, supostamente executado pelo menino Marcelo, reacende uma discussão sobre a influência dos jogos de videogame violentos no comportamento humano. Marcelo costumava jogar “Assassin’s Creed” (foto).
A psicóloga Nelma Romano explica que os jogos eletrônicos contribuem, sim, para uma patologia. “Ao assistir ou brincar com um jogo violento, tende-se a repetir isso na interação com os familiares e também na escola”, afirma. Dia a dia C3
TRICIA CABRAL
Elenco selecionou algumas personalidades, consideradas “workaholics”, que afirmam que o entusiasmo pelo trabalho é o caminho mais rápido para a felicidade. Elenco 14 e 15
IDOSOS
Chocolate quente para a memória
VIAGENS
Com dólar em alta, o jeito é mudar de voo
Beber dois copos de chocolate quente, diariamente, ajuda os idosos a manter o cérebro mais saudável, segundo recente pesquisa. Saúde e Bem-estar F2 DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
A escalada da moeda americana mudou os planos do amazonense, que optou por outras alternativas para curtir férias ou feriado. Economia B1
TIMÃO X MENGÃO
“OITO E MEIO”
O filme que deu sentido a Fellini Apesar do sucesso de “A Doce Vida”, dirigido por Federico Fellini (foto), foi com o filme “Oito e Meio”, que o adjetivo “felliniano” nasceu para o mundo. Ilustríssima G8
DUAS MAIORES TORCIDAS DO BRASIL DUELAM HOJE Em situações diferentes na tabela, Corinthians e Flamengo se enfrentam, neste domingo, diante das duas maiores torcidas do país. Pódio E6
BOTAFOGO
CORINTHIANS
SÃO PAULO
X
FLAMENGO
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CRICIÚMA
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INTERNACIONAL
Machu Picchu é uma das alternativas para quem não quer gastar muito
15H00 | PACAEMBU
VITÓRIA
LUXO
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Duplex é garantia de conforto Salão Imobiliário 4 e 5
CORITIBA
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CRUZEIRO
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VASCO
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FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.
THERASUIT
ENTORPECENTES
Crianças na conquista da superação
Mulheres no submundo do tráfico
Método reabilitatório denomimado TheraSuit ajuda crianças com paralisia cerebral a conquistar independência. Saúde e Bem-estar F4 e F5
Em sete meses, mais de 300 toneladas de drogas foram apreendidas pela polícia no Amazonas, em posse das chamadas “mulas”, a maioria mulheres. Dia a dia C2 TEMPO EM MANAUS
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Última Hora
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MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Francisco escolhe novo secretário do Vaticano
O novo secretário de Estado é o italiano Pietro Parolin, 58, que até então atuava como núncio da Venezuela
O
papa Francisco anunciou ontem uma troca no segundo cargo mais importante da hierarquia do Vaticano, o de secretário de Estado. Ele trocou o influente cardeal italiano Tarcisio Bertone pelo também italiano Pietro Parolin, 58, que atuava como núncio da Venezuela. É uma das nomeações mais esperadas do pontificado do argentino, já que a imagem de Bertone, 78, tinha ficado manchada por causa do escândalo de vazamento de documentos vaticanos -apelidado de VatiLeaks- nos quais era acusado de má gestão e de abuso de poder. Em nota oficial, o escritório de imprensa do Vaticano comunicou que o papa aceitou a renúncia daquele que foi durante muitos anos o braço direito de Bento 16. Bertone deverá permanecer no cargo, porém, até 15 de outubro, quando Parolin tomará posse. Uma vasta reforma da Cúria está sendo realizada pelo papa Francisco desde a sua eleição, em março passado. Várias comissões foram criadas com este intuito. Os principais objetivos desta reforma devem ser anunciados
DIVULGAÇÃO
no início de outubro. Relativamente jovem nos escalões superiores do Vaticano, o novo secretário de Estado é um homem especializado em diplomacia vaticana e com experiência na Cúria, já que de 2002 a 2009 foi subsecretário da Seção para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado.
PERFIL
Relativamente jovem nos escalões superiores do Vaticano, o novo secretário de Estado é um homem especializado em diplomacia vaticana e com experiência na Cúria Ele nasceu na cidade de Schiavon, na região do Vêneto, no norte da Itália, em 1955, e foi ordenado sacerdote em 1980. É formado em direito canônico, fala italiano, francês, inglês e espanhol. Trabalhou no México (1989) e na Nigéria (1986) e já lidou com temas sensíveis, tais como as relações com a China
comunista, o Vietnã e Israel. Bento 16 o nomeou em 2009 núncio na Venezuela. “Sinto o peso da responsabilidade a que fui incumbido para um missão difícil e exigente, frente à qual poucas são minhas forças e fracas as minhas capacidades”, afirmou Parolin em comunicado. Bertone continuará a ser presidente da comissão de cardeais que cuida do IOR, o Banco do Vaticano, até ser completado o estudo exigido a esta instituição financeira pelo Moneyval, o órgão do Conselho Europeu que avalia a transparência das entidades. Ele também manterá o cargo de camerlengo até completar 80 anos. O camerlengo é quem guia a Igreja Católica na eventual transição entre um papa e outro. Também ontem, Francisco confirmou à frente da Casa Pontifícia (encarregada das audiências e da logística do pequeno Estado) a permanência de um próximo colaborador de Bento 16, o monsenhor Georg Gänswein. Ele continuará a ser secretário particular do papa alemão, que se retirou para viver em um antigo monastério localizado dentro dos muros do Vaticano.
SÍRIA
Inspetores da ONU deixam o país O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança que seus inspetores poderão levar até duas semanas para apresentar o resultado final das análises das amostras recolhidas no local de um ataque com armas químicas na Síria. Ban afirmou isso a representantes de Reino Unido,
China, França, Rússia e Estados Unidos durante uma reunião em Nova York. Os inspetores da ONU deixaram a Síria ontem após investigar um ataque com gás que matou centenas de civis no bairro Ghouta, subúrbio da capital, Damasco. Uma testemunha disse que a equipe chegou ao aeroporto internacional de Beirute ontem,
após cruzar a pé a fronteira da Síria para o Líbano, no início do dia. A equipe de 20 membros, incluindo especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas, esteve na área do suposto ataque três vezes, pegando amostras de sangue e tecidos das vítimas. Eles também pegaram amostras do solo, roupas e fragmentos de foguetes. DIVULGAÇÃO
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, revelou que o resultado das análises vai demorar
ZONA NORTE
Cadastramento no Mundo Novo Aproximadamente 900 moradores da comunidade Mundo Novo, Zona Norte de Manaus, participaram de uma reunião na manhã de ontem, para discutir a emissão de 1,2 mil títulos de terra pelo governo do Estado. De acordo com o secretário de Política Fundiária, Ivanhoé Mendes, as equipes do órgão visitarão nos próximos dias as casas dos morado-
res e farão a medição dos terrenos e o cadastro socioeconômico das famílias. Os comunitários deverão apresentar documentos pessoais necessários como registro geral (RG) e cadastro de pessoa física (CPF). As ruas que serão cadastradas são: Dr. Astrolábio Passos, Colômbia, Barão de Parina, Conde Vera Cruz; ruas 01-A, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 15,
16, 17, 18, avenida B; avenida C, avenida D, avenida E, avenida F e a atual rua Conde de Sapucaí. Mendes disse que a Secretaria de Política Fundiária está fazendo trabalhos de regularização fundiária em mais de dez bairros de Manaus. A entrega dos títulos definitivos dessas áreas deve ocorrer no primeiro semestre do próximo ano, a partir do mês de janeiro.
Ainda jovem, o novo secretário de Estado é um homem especializado em diplomacia vaticana
CIDADANIA
Ação social no Tarumã Serviços como atendimentos médicos, odontológicos e jurídicos, distribuição de remédios, cadastros no programa “Minha Casa Minha Vida”, corte de cabelo, serviços na área de educação, cultura e lazer foram oferecidos no dia de ontem à comunidade do Parque São Pedro, no Bairro do Tarumã, Zona Oeste de Manaus. A ação social foi promovida pela Eletrobras Amazonas Energia, empresa coordenadora do evento, em parceria com o Colégio Santa Dorotéia. Segundo o gerente da Assessoria de Sustentabilidade e de Meio Ambiente da empresa, Thiago Flores, “o evento promove o estreitamento da relação entre cliente e empresa, resultando em benefícios principalmente para a comunidade, como o cadastro na tarifa social, um desconto na conta de energia para as famílias de baixa renda já cadastradas nos programas do governo federal”. A programação se iniciou às 8h e se estendeu até as 15h, na Escola Waldok Frick de Lira. A prática visa construir um relacionamento com a comunidade oferecendo os serviços da Eletrobras Amazonas Energia e demais órgãos.
TRAGÉDIA
Dique rompe e deixa duas mil pessoas desabrigadas Um alagamento que começou por volta da meianoite de sábado pegou de surpresa os moradores das vilas Asa Branca, Brasília e Elisabete, no Bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre. A cheia foi provocada por um rompimento de cerca de seis metros de um dique do rio Gravataí, segundo a Defesa Civil. A estimativa inicial é que cerca de 2 mil pessoas tiveram que deixar suas moradias. Em poucos minutos, a água tomou conta das ruas e atingiu cerca de 500 casas, conforme o coordenador da Defesa Civil de Porto Alegre, Hélio Oliveira. Ninguém ficou ferido. As famílias desalojadas pela enchente foram transferidas inicialmente para a igreja Santa Catarina, no Sarandi. A capacidade no local, de 200 pessoas, foi atingida no início da manhã e os necessitados foram levados para Escola Municipal
João Goulart. A suspeita é que tenha sido uma ação humana, já que a vegetação está cortada perto do local do rompimento. Até ontem a água continuava subindo rapidamente. A Defesa Civil informou
PERDAS
Desesperadas com o avanço rápido das águas, as pessoas estão se deslocando de suas residências com o máximo de pertences que conseguem carregar com segurança que equipamentos pesados estão sendo movimentados para tentar sanar o fluxo da água na região onde houve o rompimento. Apesar das perdas materiais e do clima de insegurança, não há registros de feridos. DIVULGAÇÃO
Os desabrigados saíram de casa com o que podiam levar
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Contexto 3090-1017/8115-1149
marioadolfo@emtempo.com.br
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Editorial opiniao@emtempo.com.br
O garçom de costeleta Oswald de Andrade (1890-1954), o modernista que os professores de literatura e língua portuguesa tratam ainda como o poeta da piada pronta, não tinha muitos motivos para levar o Brasil (e sua literatura) a sério. Era a maneira dele, antropofágica, de cuidar da realidade com seriedade – “A alegria é a verdadeira prova dos noves”. Oswald (ele insistia na pronúncia osválde, e não ósvald) cunhou, entre outras expressões iluminadas, “venceu o garçom de costeleta”, que neste momento crucial da República Federativa do Brasil ficaria bem com a vitória de um pastor evangélico, um guarda de trânsito, um ministro, um deputado presidiário e outros indivíduos da fauna sociopolítica nacional, não apenas com um garçom ou um(a) alpinista social, a sorrir porque está sendo filmado(a). Por volta dos anos 20/30 do século passado, Oswald de Andrade fotografou o Brasil com sua Rolleitflex e revelou-se “a sua imensa ingratidão” da primeira década do século 21, em que se tornou impossível distinguir onde se concentram os intermediários da gorjeta, entre os emergentes de A a Z. Os garçons de costeleta ficaram incomodados com o mico que pagaram nesta semana, ao confrontarem o Supremo Tribunal de Federal para garantir o mandato de um ladrão de dinheiro público devidamente condenado por esse tribunal a mais de 13 anos de prisão (onde já está), em regime fechado. Os garçons de costeleta não respeitaram o “Estatuto de gafieira”, porque o rádio de hoje não toca mais música inteligente nem fala mais português inteligível. Querem anular a burrada em que se meteram, “tocando alto para a polícia não manjar”, mas ainda faltam mandatos a garantir: os dos condenados no processo do mensalão. Esta é a próxima etapa do desastre moral, não a última. Era uma vez o Brasil (parafraseando Oswald).
Vem aí a CPI da Espionagem A instalação da CPI da Espionagem, que vai investigar denúncias de que o governo americano monitorou milhões de e-mails e telefonemas no Brasil, ocorre nesta terçafeira (3). A CPI terá 11 membros titulares e sete suplentes. O Brasil seria um dos países mais vigiados, segundo o jornalista Glenn Greenwald, que falou à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) no início de agosto. Informações secretas Glenn Greenwald foi o responsável por expor programas secretos dos Estados Unidos com base em dados vazados pelo ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden. Segundo o jornalista, documentos em análise, que podem ser divulgados a qualquer momento, trazem informações estratégicas sobre a política e o comércio do Brasil. Interceptações A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que propôs a apuração, afirmou que a CPI vai investigar quais empresas de telecomunicação no país estariam colaborando com os Estados Unidos por meio de transferência de dados sigilosos e também avaliar medidas para aumentar a segurança da informação. “Nos dedicaremos ao estudo, ao conhecimento do grau de segurança do nosso país em relação a essas interceptações”, disse. Reivindicações O Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep) continua no encalço do governo federal pelo fim do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução do salário, suspensão dos leilões de petróleo e a não aprovação do PL 4.330 sobre a terceirização. Bloqueio O governo federal anunciou um corte de R$ 10 bi-
lhões em gastos com serviço público, no orçamento de 2013, segundo informações do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O bloqueio adicional se soma aos R$ 28 bilhões já cortados em maio deste ano. O bloqueio total de 2013 agora é de R$ 38 bilhões. Cortes Segundo o Sindsep, no Amazonas isso gerou o corte de R$ 4 milhões no quadro orçamentário do Inpa, o corte orçamentário de R$ 2 milhões do Ibama, falta de condições de trabalho na Funai e a suspensão do pagamento dos créditos da reforma agrária no Incra. E agora, José? Médicos desembarcam Susam, Semsa e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) realizam amanhã, no auditório da Fundação de Medicina Tropical, a solenidade de acolhimento aos primeiros 52 médicos que vão atuar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Estado, por meio do programa “Mais Médicos”, do governo federal. Museu O caso do “Monstro da Colina”, que aconteceu na década de 1970, em Manaus, é um dos julgamentos que farão parte do acervo do Museu do Crime do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que vai funcionar no térreo do Anexo
APLAUSOS
regi@emtempo.com.br
1. A intenção dos organizadores é inaugurar esse espaço até fim do ano. Acervo O Museu do Crime vai mostrar aspectos marcantes da história do Poder Judiciário estadual, por meio de peças, fotos e documentos históricos que estão sendo coletados pela equipe de servidores do Depósito Público do TJAM. Novidade A Yamaha vai estreitar laços com o Amazonas. A japonesa lança, neste mês, a produção da Fazer, a primeira motocicleta de 150 cilindradas da marca no PIM. A motocicleta chega ao mercado no dia 1º de outubro. Nova fase A motocicleta é a primeira da categoria que foi desenvolvida por engenheiros brasileiros e japoneses da Yamaha, o que marca a nova fase da multinacional no país. Mais uma Além de anunciar o “start” da produção da Fazer, a multinacional informou que trará para o país a TMax, scooter mais vendida na Europa em 2012. Produção em Manaus De início, a TMax que será comercializada no país será importada, mas a Yamaha já estuda a possibilidade de produzir o modelo de 550 cilindradas em Manaus.
VAIAS
Ministério da Saúde
Charge
Brigas de torcidas DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO
Para o Ministério da Saúde que determinou que cidades que substituírem médicos pagos pelas prefeituras por profissionais pagos pelo “Mais Médicos” podem ser excluídas do programa.
Para as constantes brigas nos estádios de futebol, orquestradas pelas torcidas “organizadas”. Esporte deve ser encarado como entretenimento em vez de palco para badernaços como o da semana passada.
João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br
Não se oculta o óbvio Faz muito tempo, li num dos textos de Platão a significativa narrativa de que, um dia, o velho Thales de Mileto, tido como o primeiro dos pensadores pré-socráticos, vagava em seu jardim a observar o firmamento, absorto nos cálculos que lhe possibilitariam a previsão de um eclipse solar, quando deixou de ver, diante dos seus pés, um buraco em que teria caído como se fosse cego. No caso específico de Thales, nada a objetar, pois a sua atenção estava toda concentrada no ofício de filósofo, matemático e astrônomo e nada o obrigava ou recomendava que atentasse para os acidentes topográficos do solo em que pisava. Correu o risco de quem exerce o pensamento abstrato e pagou por isso. Casos há, entretanto, em que ocorrem desvios inaceitáveis, precisamente porque redundam do descumprimento daquilo que constituiria o que se consagrou chamar “dever de ofício”. Imagine-se um engenheiro que, ao invés de se concentrar prioritariamente nos cálculos das estruturas de sustentação do prédio a edificar, dispersasse sua atenção em cuidar principalmente da escolha das cores com que pretenda pintar sua obra. Ou um médico que negligenciasse o ato cirúrgico e os cuidados com o seu paciente, preocupado mais com a escolha do modelo do carro esportivo que pretende comprar tão logo venha a receber os honorários pelos serviços que está a prestar. Esta é precisamente a impressão que me passa o presidente que recebeu um mandato, ou seja, a incumbência de cuidar e prover o bem-estar do povo que lhe outorgou o mesmo, e deixa esse mesmo povo sem sanea-
mento básico, sem boa educação, sem assistência à saúde, sem segurança, porque deliberou levianamente utilizar os recursos do Estado para promover dois campeonatos de futebol e uma competição olímpica. E ainda lega ao sucessor o projeto de um trem-bala, ao custo absurdo de 50 bilhões e, o que completa a loucura, o sucessor, no caso a sucessora, se apaixona pela estapafúrdia ideia. E como, quanto mais de cima vier o exemplo, maior será sua força paradigmática, o modelo logo se espraia para atingir as instâncias de poder mais baixas. Aí, os governos estaduais e municipais, os gestores de empresas, bancos e fundos estatais passam a seguir os mesmos padrões e a substituir o essencial pelo supérfluo. Elefantes e dinossauros brancos são edificados, sem que suas utilidades apareçam ou justifiquem seus preços. É quando estádios já existentes, bem projetados e bem construídos, são sumariamente demolidos, para que outros, menores e mais caros sejam edificados. Pontes majestosas são erguidas e, mais de um ano depois, continuam a exibir seu deprimente vazio. Obviamente, não estou a falar da ponte Rio-Niteroi, de custo/benefício perceptível. Ah! Será que essa turma viu o último “Profissão Repórter” e ali conheceu o retrato nu e cru da estarrecedora e revoltante situação dos serviços de saúde do nosso país? Enfim, enquanto Thales, por acidente, meteu o pé no buraco, outros, nem tão sábios, nem tão matemáticos, nem tão filósofos, meteram o pé na jaca, na nossa jaca, e a esparramaram no chão.
João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
Quanto mais de cima vier o exemplo, o modelo logo se espraia para atingir as instâncias de poder mais baixas. Aí, os governos estaduais e municipais, os gestores de empresas, bancos e fundos estatais passam a seguir os mesmos padrões e a substituir o essencial pelo supérfluo”.
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Opinião
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Frase
Painel VERA MAGALHÃES
Dedicação exclusiva
(Com direitos políticos suspensos) A gente não pode nem se candidatar, muito menos exercer mandato. Lamento muito que estejamos hoje diante desse impasse constitucional absurdo. Mas o Congresso é soberano, tomou a sua decisão. Ele terá que conviver e lidar com as conseqüências
Dilma Rousseff estipulou o início de janeiro como prazo para que os ministros-candidatos deixem suas pastas. Até lá, no entanto, a presidente orientou Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Alexandre Padilha (Saúde), os mais proeminentes, a só marcar atividades políticas nos fins de semana. Com o “Mais Médicos”, no entanto, Padilha tem sido acionado pela petista aos sábados e domingos, sem tempo para percorrer os municípios de São Paulo. Fora do ar A prioridade à transferência de médicos para o interior é tal que a ordem no PT é só exibir o virtual candidato ao governo nas inserções de TV em São Paulo em novembro, quando, acredita o Planalto, a medida provisória do programa já terá sido aprovada no Congresso. Vaza Já em relação aos dois ministros do PSB, a ordem é pressionar para que saiam dos cargos imediatamente, dada a clara disposição de Eduardo Campos de se candidatar a presidente. Âncora Há duas semanas, a cúpula do PSB discutiu o timing da saída de Leônidas Cristino (Portos) e Fernando Bezerra (Integração Nacional), mas os deputados presentes pressionaram para que esticassem a corda. Pelo... Marina Silva quer evitar embates com a Justiça Eleitoral, mas a Rede decidiu que vai reclamar novamente ao TSE sobre o atraso na certificação de assinaturas de apoio à sigla em Estados como São Paulo e Pará. Neste, há fichas que estão há 60 dias nos cartórios, sem análise.
... cansaço Por outro lado, o partido admite que a lentidão na obtenção do registro se deve também a falhas de sua própria equipe: no interior de Goiás e de Minas, há certidões prontas que não foram retiradas pelos representantes da Rede. Em casa Na última semana, a Rede conseguiu registro regional no Acre, o terceiro diretório estadual do partido e base eleitoral da pré-candidata a presidente. O pedido estava na fila há um mês. Leva eu Marco Feliciano (PSC-SP) se insinuou recentemente para o PMDB. Ele tem procurado caciques da legenda de olho em uma candidatura ao Senado em 2014. Quites Preso por ordem do STF, Natan Donadon (exPMDB-RO) usou sua verba indenizatória de 2011 a 2013 para contratar a Rádio Planalto de Vilhena, do senador Ivo Cassol (PP-RO), também condenado pela corte por fraude em licitação. Os repasses variam de R$ 1.200 a R$ 1.850. Outro lado A assessoria de Cassol diz que o repasse
é “normal”, com objetivo de divulgação. Informa também que a emissora é a estação de maior audiência da região e que só o senador é proibido de fazer divulgação na rádio. Plantão... O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, operou pessoalmente e convenceu a Amil a desistir da compra do hospital Santa Marina, no Jabaquara, arrematado em leilão em agosto por R$ 55 milhões.
Joaquim Barbosa, presidente do STF, disse na sexta-feira 30, lamentar o “impasse constitucional absurdo” provocado pela decisão do plenário da Câmara, que rejeitou a cassação do deputado Natan Donadon (sem partido-RO), que cumpre pena de 13 anos, no presídio Papuda, em Brasília.
Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br
IONE MORENO
... médico A empresa vai vender o prédio à prefeitura, que repassará a gestão ao hospital Albert Einstein. Virou moda Parlamentares da base aliada planejam novo revés para o governo caso o Planalto se recuse a retirar a urgência do Código de Mineração, em discussão na Câmara. Por tramitar em regime de urgência, o projeto tranca a pauta e nenhuma matéria pode ser votada. Clonagem A ideia dos deputados é derrubar o projeto do governo e propor um novo texto nos mesmos termos, para que permaneça em discussão por mais tempo nas comissões da casa.
Tiroteio
Em Iranduba, cenário da expansão imobiliária de uma Manaus que não tem mais para onde expandir, todo dia é Dia de Índio, segundo os brancos quase negros, quase amarelos, que usam até as enfezadas indiazinhas como entradas e bandeiras rumo à conquista da margem leste do rio Negro. Ou vai ou racha!, é a ordem do progresso
Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br
O governo trocou o certo pelo duvidoso. Agora, só falta criar um seguro-desemprego para os brasileiros que podem ser demitidos.
Pátria amada
DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), sobre os municípios que declararam intenção de demitir brasileiros para receber profissionais do “Mais Médicos”.
Assim como temos família temos pátria. Nascemos num povo, num momento da história, num território. Assim como não escolhemos família, não escolhemos pátria, mas dela herdamos a língua com a qual nos expressamos e a cultura que nos faz interagir com as outras pessoas e com o meio ambiente. Da pátria recebemos mitos e histórias, expressões, senso de humor, heróis e bandidos. A pátria nos emociona, quando desfila com seus símbolos. Quando fiz o ensino médio, tínhamos aula de moral e cívica, e nos ensinaram a diferença entre pátria, nação, Estado. Os conceitos eram claros, mas a realidade nem tanto. Naquela época, o Estado autoritário tinha se apropriado dos símbolos nacionais para fazer propaganda de si mesmo e justificar a sua ação repressora e autoritária, o que nos levou a um certo mal-estar diante desses símbolos que voltaram a nos encantar com a volta da democracia. Mais tarde, descobri que na mesma pátria podem viver várias nações ou nacionalidades. As nações indígenas não são uma ameaça à unidade nacional, mas partilham com outros povos e nações a mesma pátria, os mesmos sentimentos e ideais de pertença. Pátria é uma construção histórica, que se fez a custa de muito sangue, destruição, escravidão, injustiças, mas também de muita abnegação, trabalho, luta por justiça e liberdade, sonhos e ideais. Os sonhadores, os utópicos, os que não tiveram medo de perder a vida pelos ideais de justiça e liberdade, são os verdadeiros responsáveis pela pátria que temos hoje.
Contraponto
Carência zero Durante reunião no Palácio do Planalto com ministros, na quinta-feira, Garibaldi Alves (Previdência) levantou-se e fez uma rápida prestação de contas da pasta. Ao concluir sua apresentação, provocou Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que coordenava a reunião: — Nosso atendimento ao público melhorou muito. Quando estava com problemas, a ministra Gleisi me ligava todos os dias. Agora que melhorou, não liga mais! — brincou Garibaldi. A chefe da Casa Civil riu e respondeu: — Parabéns, ministro! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”
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O cristão, a pessoa de fé, sabe que não temos pátria permanente neste mundo, e por isto tem consciência da relatividade dos conceitos e da necessidade de permanecer crítico e nunca se deixar manipular por aqueles que tornam absoluto o relativo. Entre outros perigos em relação aos sentimentos patrióticos está o populismo que usa e abusa destes sentimentos para promover modelos econômicos e projetos de poder que aparentemente são para todos, mas privilegiam grupos, classes e elites. Há também o perigo do fundamentalismo, que faz da pátria valor absoluto, gerando e justificando a violência na obtenção de objetivos aparentemente bons e salvadores. No meio de tantas ambiguidades, é bom ser brasileiro, é desafiador participar da construção de uma pátria que seja de fato para todos, é bom sonhar e não perder a utopia de um Brasil justo e fraterno. O Brasil é uma pátria que pode ser amada, e, como cantamos, até idolatrada, no sentido de afeto profundo. Mas porque amado, precisa ser olhado com muita verdade e honestidade, também no seu passado, e aí não pode deixar de doer em nós a visão da multidão dos excluídos, dos que vivem e viveram na pátria amada em situações de miséria e humilhação. Que a Semana da Pátria nos permita continuar a sonhar o Brasil, um Brasil de todos, de raças e nações diversas, com um Estado a serviço da nação, num território onde reine a paz, sem medo do futuro e sem vergonha do passado que nos fez ser aquilo que somos.
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus
No meio de tantas ambiguidades, é bom ser brasileiro, é desafiador participar da construção de uma pátria que seja de fato para todos, é bom sonhar e não perder a utopia de um Brasil justo e fraterno. O Brasil é uma pátria que pode ser amada, e, como cantamos, até idolatrada”.
Política
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
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Prefeitos articulam apoio ao candidato de Omar Inclusive filiados ao PMDB já estudam a possibilidade de sair do partido e ingressar em outro para garantir a unidade DIVULGAÇÃO/AAM
Prefeitos já trabalham uma aliança em favor do candidato do governador Omar Aziz. Tabira Ferreira (de terno marrom), de Juruá, disse que gestores do PMDB estudam sair do partido para outro sigla LUCIANO FALBO Equipe EM TEMPO
A
34 dias do término do prazo imposto pela Justiça Eleitoral para a troca de partido, a movimentação no interior entre os prefeitos dos 61 municípios é intensa, principalmente aqueles filiados ao PMDB que não descartam a hipótese de sair da legenda e migrar para outro partido a fim de apoiar uma candidatura majoritária indicada pelo governador Omar Aziz (PSD). Entre os nomes, os mais cotados são o vice-governador José Melo (sem partido) e a secretária de Governo, Rebecca Garcia (PP). Apesar da tensão pré-eleitoral e com as costuras de bastidores a todo vapor, os nomes dos candidatos que irão disputar a cadeira de Omar Aziz somente serão oficializados entre os dias 10 e 30 de junho de 2014, data limite da realização das convenções partidárias. Portanto, dentro de pouco mais de nove meses.
Conforme apurado pelo EM TEMPO, 12 dos 17 prefeitos do interior do Estado filiados ao Partido da Mobilização Democrática Brasileiro (PMDB) poderão trocar de sigla para viabilizar o apoio à candidatura de José Melo – dada como certa pela maioria dos prefeitos consultados. A informação foi repassada pelo prefeito de Juruá, Tabira Ferreira (PSD). Na correlação de forças partidárias, o PSD de Omar Aziz conquistou 24 prefeituras nas eleições municipais de 2012, enquanto o PMDB, comandado pelo senador Eduardo Braga, elegeu 17. Gestores peemedebistas entrevistados pela reportagem, mas que preferiram o anonimato, confirmaram a intenção de se filiar a partidos que estão em processo de criação, se afastando, dessa forma, da possibilidade de apoio à uma chapa encabeçada por Braga. O senador é o único entre os seis pré-candidatos ao governo que não tornou pública sua intenção “Aqui a gente é governo, com certeza”, disse um deles.
“Existe sim esse entendimento, mas estamos esperando para ver como desenrola isso e até o fim do ano teremos uma posição definitiva”. O nome do vice-governador é o que mais recebe adesão. Nas contas de Tabira, apenas quatro ou cinco prefeitos dos
RECUO
O anúncio da pré-candidatura do vice-prefeito Hissa Abrahão (PPS) parece que desagradou o grupo que o circunda, sob o comando do prefeito Arthur Neto. Desde então, Hissa tem se recolhido 61 municípios do interior não apoiarão a candidatura de Melo. “Como sou secretário-geral da Associação Amazonense de Municípios (AAM) converso muito com todos os prefeitos e eles estão sinalizando para isso. A gente sabe que esse negócio
de partidarismo não funciona aqui no Amazonas”, disse. Para Tabira, José Melo será o candidato apoiado pelo governador e ganhará musculatura política assumindo o governo em abril do próximo ano, caso Omar se desincompatibilize do cargo para disputar a única vaga do Amazonas ao Senado. O prefeito de Nhamundá, Gledson Machado (PDT), também confirmou essa articulação e disse que isso se deve ao apoio que o governo tem dado a todas às prefeituras. “O governador Omar e o professor José Melo têm estado ao nosso lado, conversando e tratando bem a todos os prefeitos”, disse. O único prefeito peemedebista que se identificou, Ivon Rates, gestor do município de Envira, foi mais cauteloso e disse que não há uma definição concreta quanto à troca de partidos, mas também não poupou elogios ao vice-governador. “O que eu lamento muito é que essas forças políticas do Estado poderiam estar juntas nesta eleição”, disse.
“Agora, não posso deixar de reconhecer que o professor José Melo com a experiência de governo que ele tem, com o conhecimento do interior do Estado e as amizades com as lideranças que ele conquistou, é muito justo que ele tenha esse pleito”, acrescentou. Rates repete um discurso frequente na boca de todos os políticos que, receosos, querem esconder o jogo: “Muitas águas ainda vão rolar por debaixo da ponte”. Na possibilidade cada vez mais aparente de uma disputa entre Melo e Braga, Rates disse que esperará a hora que o embate acontecer para decidir se toma, ou não, “uma medida radical”. Além do possível apoio desses prefeitos do PMDB, o futuro candidato da situação também tenderá a receber o apoio da maioria dos demais partidos que integram a base de governo. O prefeito de Japurá, Raimundo Guedes (PCdoB), disse que sua gestão apoiará o candidato indicado por Omar, independentemente de quem seja. Apesar
do partido dele ter uma aliança muito forte com o PMDB, Guedes afirmou que a legenda dá espaço para que ele escolha o palanque de apoio. “O meu partido me dá liberdade para eu apoiar o que eu quiser. Aqui, estamos com o governador para o que der e vier”, reforçou. O pedetista Gledson Machado, de Nhamundá, também confirmou apoio à candidatura da situação. “Marcharemos juntos com o governador Omar para onde ele seguir”, disse. Rebecca resiste Apesar de uma aparente preferência por José Melo entre os prefeitos do interior, a maioria dos consultados foi categórico que o apoio é, principalmente, ao candidato do governador, não descartando a possibilidade de candidatura da secretária de Governo, Rebecca Garcia Mesmo, assim há linhas de raciocínio, como a de Tabira Ferreira, que na atual conjuntura política, o mais provável é que Rebecca componha a chapa na vice-governança.
Analista vê cenário com ressalvas
Cresce aposta em favor de Arthur
Para o cientista político, coordenador do Núcleo de Cultura Política da Ufam e professor universitário, Ademir Ramos, a relação entre os caciques Omar Aziz, Eduardo Braga e o ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT) é “visceral e estruturante”. Por conta disso, Ramos acredita que José Melo ainda poderá ficar sozinho nesta disputa. “Não há contraditório entre esse grupo. O único que diferente é o Arthur (Neto, prefeito de Manaus) e não sei se ele vai conseguir se firmar nesse grupo”, observou o analista. O cientista ressaltou que Braga tem uma gran-
Mesmo negando ter interesse em disputar o pleito estadual, o prefeito Arthur Neto é apontado por aliados como um dos poucos políticos com grande densidade eleitoral que atualmente teria chances de um embate mais equilibrado com Braga nas urnas. No último dia 28 de agosto, o prefeito chegou a dizer que esqueceu como fazer política e que está mais interessado em tocar os trabalhos da prefeitura. “Eu simplesmente desaprendi a fazer política e estou muito pouco preocupado com eleição”, afirmou. Apesar da pré-candidatura de Hissa Abraão, o presidente da Câmara Municipal de Ma-
DÚVIDA
Para Ademir Ramos, a chance de José Melo sair candidato ao governo ainda é contestada. Tudo porque, explica, a relação entre Aziz, Braga e Amazonino é “visceral e estruturante” de densidade eleitoral e que isso será um peso na hora das definições finais. Para ele, Omar está querendo referendar um candidato para afirmar e consolidar sua posição. Entretanto, segundo
Ramos, esse movimento ainda é um ensaio. “As definições dessas chapas ao governo passam pelos cartolas da política do Estado”, frisou. Ademir Ramos avaliou a pré-candidatura de José Melo como positiva para o vice-governador e observou que o grupo político do qual ele faz parte, lhe havia prometido que seria o próximo candidato ao governo, ao fim do mandato de Braga em 2010. Quanto a troca de partidos dos prefeitos peemedebistas, Ramos considera uma possibilidade remota, sendo mais especulação do jogo político.
naus (CMM) e colega de partido de Arthur, Bosco Saraiva, disse que nada está definido e que não está descartada nenhuma possibilidade. “Nada está acertado ainda. As águas ainda estão rolando, não era para nem para chover este verão e está chovendo (risos)”, desconversou. Bosco não quis comentar a pré-candidatura de Hissa e disse que a orientação do partido é de apenas trabalhar e que as questões políticas só serão discutidas no momento oportuno, mais próximo das eleições. “O que eu posso dizer é que o PSDB, em todo o Brasil, terá desde candidato à presidente quanto a
deputado estadual, concorrendo em todos os níveis”, frisou. Para ele, antes das definições finais de candidaturas é necessário ser feito um balanço das filiações e ter início o processo de desincompatibilizações. Questionado sobre um movimento dentro do partido que considera que o PSDB tem condições de concorrer com uma candidatura própria, o presidente do diretório municipal da legenda, Danízio Elias, sem mais detalhes, adiantou que dentro da convenção regional do partido haverá um amadurecimento das idéias relativas a essa e outras possibilidades.
Política
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Senador petista critica absolvição de Donadon
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
A postura do diplomata Saboia deve ser elogiada e reconhecida” AÉCIO NEVES (PSDB), sobre a operação que resgatou o senador boliviano Roger Molina
Cuba paga a médico salário de 573 pesos (R$ 58) A ditadura cubana esfrega as mãos de ansiedade pelos R$ 510,9 milhões que espera faturar no Brasil explorando a mão-de-obra barata dos 4 mil médicos que atuarão em municípios brasileiros. Cuba promete continuar pagandolhes o de sempre, ou seja, 573 pesos (25 dólares ou 58 reais) por mês. Não há negócio tão lucrativo nem no capitalismo selvagem: cada um renderá R$ 10 mil aos irmãos Castro. Vaivém Além dos salários que jamais chegarão aos médicos cubanos, o Brasil vai gastar R$ 12,2 milhões para custear suas passagens aéreas. Filme velho... Evo Morales humilhou o Brasil surrupiando refinaria da Petrobras e revistando avião (da FAB) do ministro da Defesa. Não houve resposta. ...a continuação O Planalto finge não saber que a Convenção Caracas obrigava o cocaleiro Evo Morales a liberar salvo conduto ao senador Molina. Bullying, não Assim como ninguém quis substituir uma ajudante-deordens cansada de humilhações, já não há diplomatas dispostos a trabalhar com Dilma. Com Patriota, não havia hierarquia a ser quebrada O Itamaraty considera falta grave a “quebra de hierarquia”. Mas isso não pode ser aplicado ao caso do diplomata Eduardo Saboia porque, com o ex-chanceler Antonio Patriota, não havia liderança, vontade política, autoridade.
A rigor, nem havia hierarquia. Apenas omissão e pouco caso com questões graves da diplomacia brasileira. Algo teria de acontecer, e aconteceu de forma exitosa graças à competência de Eduardo Saboia, por isso ele merece reconhecimento e não punição. Ajuda Internautas em todas as redes sociais participam de movimento para livrar Eduardo Saboia de perseguição. Tem até abaixo-assinado. Representação O custo do escritório político da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre passou de R$ 6 mil em maio, para R$ 13 mil em junho. Mestre universal Guido Mantega (Fazenda) disse que “o fundo do poço” da crise estava “superado”. Ou o poço não tem fundo ou além dele vemos a China. Ao menos isso Os R$ 26 mil recebidos na Câmara dos Deputados impedem o ladrão transitado em julgado Natan Donadon de pedir o auxílio-reclusão. Só quem ganhava até R$ 971,78 antes de ser preso tem direito ao auxílio. Dedo na ferida Deputados apostam que o presidiário Natan Donadon (RO) conseguiu reverter votos e se safar da cassação no momento em que acusou o Ministério Público de cometer injustiças, posição unânime na Câmara. Procura-se Isolado após comprar briga com o dono do PDT, Carlos Lupi, o ex-ministro do Trabalho Brizola Neto (RJ) está em busca de outro partido pelo
PODER SEM PUDOR
Vendendo saúde Empossado governador do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz nomeou o engenheiro José Nilson de Sá para o Departamento de Estradas e Rodagens, mas, com problemas pulmonares, o amigo não obteve o atestado médico exigido pela diretora de pessoal do Palácio, e não pôde assumir. Mas só até Mariz tomar conhecimento do fato: - Doutora Nani – disse o governador à diretora – quando eu nomeio um amigo é porque ele tem saúde para dar e vender. Nem precisa de atestado médico. José Nilson, subitamente restabelecido, assumiu o cargo.
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Jornalista
Para o parlamentar baiano Walter Pinheiro, tanto a Câmara dos Deputados quanto o PT erraram na condução desse caso WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO
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qual possa sair candidato a deputado federal em 2014. Baixa no PSD O PSD de Gilberto Kassab está em vias de perder seis deputados federais: entre eles, Cesar Halum (TO), Armando Vergílio (GO), Ricardo Izar (SP) e Raul Lima (RR), todos prontos para outras siglas. Enganação A multinacional italiana Saipem ganhou Licença Ambiental e de Operação junto à Marinha, Ibama, Cetesb e Codesp para operar em Guarujá alegando que aplicaria na obra dragas da Bandeirantes Dragagem Construção Ltda, com a qual não tem sequer um contrato. Bombeiros Após ter ameaçado intervenção no PSB-RJ, o presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) pediu aos fiéis escudeiros Carlos Siqueira e Roberto Amaral para pôr panos quentes na conversa com Alexandre Cardoso. Conseqüência Presidente do DEM, José Agripino (RN), joga no colo da presidente Dilma a culpa pelo apagão no Nordeste, na quarta (28): “Ela baixou a tarifa da energia, mas não compensou as empresas pelas despesas”. Se acha o favorito Presidente do PT, Rui Falcão lançará sua chapa ‘Partido é para todos, na luta’ ao comando do PT, na terça (3), em Brasília. A chapa teria apoio de cinco das dez correntes na sigla. E de ministros de Dilma. Pensando bem... ...já está na hora de Lula reaparecer em público. De jaleco.
Mesmo sendo do PT, senador baiano criticou a postura do seu partido quanto ao caso Donadon
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espeitado até pelos adversários em razão da franqueza com que expõe suas opiniões, o senador baiano Walter Pinheiro faz, na condição tanto de parlamentar federal quanto de membro do Partido dos Trabalhadores, severa autocrítica da atuação do Legislativo e do PT na votação da cassação do ainda deputado Natan Donadon (sem partido-RO). Como mostrou o Congresso em Foco, o comportamento do PT foi decisivo para que o assunto fosse levado à votação em plenário, ignorando os alertas já então feitos pelos partidos da oposição e por vozes isoladas na base do governo. Eles defendiam que a mesa da Câmara simplesmente acatasse, por ato de ofício – isto é, sem consulta a qualquer outra instância deliberativa –, a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou Donadon a mais de 13 anos de prisão, numa sentença que não pode
mais ser alterada (porque, conforme o jargão jurídico, “transitou em julgado”). O principal adversário da ideia foi o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDBRN), alegando necessidade
AFRONTA
O senador Walter Pinheiro afirmou que a decisão da Câmara Federal, em manter o mandato de Donadon na noite da última quartafeira, não foi uma birra ao STF, mas sim uma afronta à sociedade de afirmar a autonomia da Câmara em matéria que ele julgava ser da alçada do Poder Legislativo. Henrique, o PT e os demais partidos da base governistas eram favoráveis ao encaminhamento da questão ao plenário, decisão afinal
adotada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tendo como motivação dupla dar uma resposta ao STF e ao que os congressistas costumam chamar de “judicialização da política” e uma tentativa de lançar a última boia salva-vida para os condenados do mensalão. “Foi uma loucura. Gostemos ou não, a sorte dos nossos companheiros condenados no assim denominado mensalão está selada. Esse erro na votação de Donadon está nos custando caro”, disse um deputado federal petista a este site. O desgaste foi mais retumbante quando se viu que 11 parlamentares petistas (uma delas, a deputada capixaba Iriny Lopes, por razões de saúde), não votaram na cassação de Natan Donadon, mesmo após terem assinado a lista de presença. Walter Pinheiro analisa a questão sem se referir ao caso mensalão ou a qualquer outra acusação criminal específica.
Senado deverá reagir à decisão A péssima repercussão da preservação do mandato de Donadon pela Câmara levará o Congresso a antecipar a votação de algumas propostas legislativas no caminho da transparência e do combate à corrupção. Na Câmara, Henrique Alves já anunciou que o caso Donadon foi o último em que uma cassação de deputado foi apreciada com voto secreto. No Senado, antecipa Pinheiro, costura-se o entendimento para que sejam aprovadas duas
medidas de impacto já na semana que vem. Uma delas é a proposta de emenda constitucional (PEC) 18/2013, de autoria do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que elimina qualquer dúvida de interpretação do texto constitucional e torna automática a perda de mandato parlamentar em caso de condenação transitada em julgado por improbidade administrativa ou crime contra a administração pública. A ideia é votá-la, em
primeiro turno, na terça ou na quarta-feira. A outra medida é uma versão mais ampla da PEC do Voto Aberto, proposta pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que reduz as possibilidades de votação secreta em relação a outra PEC, já aprovada pelo Senado e em tramitação na Câmara. Mudanças à parte, Pinheiro acredita que a bancada do PT na Câmara deve rediscutir o posicionamento que encampou durante o debate na CCJ.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
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Afrânio SOARES
‘O cenário para 2014 SERÁ pesado’
FOTOS: ALEXANDRE FONSECA
ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO
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Os políticos já pensam em 2014, porém as coisas estão acontecendo nos bastidores. O que temos são apenas indicadores de pessoas que vão disputar. A correria agora está na definição de partidos, pois para que se saia candidato é preciso estar filiado um ano antes”
m 1996, quando Afrânio Soares decidiu instalar a empresa Action Pesquisa de Mercado em Manaus, o projeto seria abranger apenas a área mercadológica sem qualquer ligação com pesquisas eleitorais. Mas, com a expansão e a credibilidade da empresa percebeu que este nicho tinha espaço e a Action entrou para esse segmento tornando-se uma das empresas mais especializadas da Região Norte. Professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração de marketing e doutorando em mercadologia, Afrânio recebeu o EM TEMPO para falar sobre cenário político para 2014, dos potenciais nomes que poderão ser eleitos e também da campanha eleitoral, que praticamente já se iniciou. Segundo Afrânio, o vicegovernador José Melo, senador Eduardo Braga, governador Omar Aziz, prefeito Arthur Neto e o ex-prefeito Amazonino Mendes são nomes de grande potencial e que devem fazer toda diferença na corrida eleitoral no próximo ano. E ressaltou também, que caso Eduardo Braga e Omar Aziz coloquem seus nomes na disputa para qualquer cargo, terão como certa a vitória nas urnas. EM TEMPO – Qual é o intervalo de tempo para as pesquisas eleitorais? Afrânio Soares – As pesquisas nunca cessam e se intensificam 1 ano antes de cada período eleitoral. Mas, no ano da eleição, a coisa fica mais intensa. A maioria das pesquisas é solicitada por coligações para dar apoio na estrutura política nas definições de siglas. Já chegamos também a ter pesquisas diárias, principalmente quando começa o
horário eleitoral gratuito. Em média, para cada campanha eleitoral, chegamos a realizar 300 pesquisas eleitorais. EM TEMPO – Então é necessária uma estrutura muito grande para desenvolver esse trabalho? AS – Temos um grupo flexível de trabalho. Mas claro que precisamos de toda uma logística. Temos casos em que somos contratados para apresentar uma pesquisa eleitoral em 15 dias e, em campanhas, principalmente para governo, realizamos trabalho em todos os 61 municípios do interior do Amazonas. Isso requer um custo e uma organização enorme. Temos um setor de planejamento e análise de coleta de dados, que faz esse resultado dar certo. EM TEMPO – Na prática como são feitas as pesquisas? AS – Cada município tem uma amostragem eleitoral, por exemplo, em Manaus temos 1,4 milhão de eleitores. E por meio da amostragem probabilística, você ouvindo 1,3 mil eleitores, podemos desenvolver uma pesquisa com uma margem de erro de apenas 3%. Hoje, temos um trabalho grande em relação a isso, mas em resumo há uma equipe que atua em sistema de rota e cota, onde enviamos o pesquisador, que passa por um treinamento para cair em campo com um aparelho especializado e faz essa pesquisa em locais já selecionados. Imediatamente, os resultados dessas pesquisas chegam ao nosso sistema, onde temos um coordenador que faz uma vistoria desse trabalho ligando para o entrevistado e confirmando os dados. EM TEMPO – Mas, muita gente questiona o resultado das pesquisas e dizem que os índices foram manipulados.
AS – Têm pessoas que analisam como torcedores, e não são realistas. A pesquisa nada mais é que uma fotografia da opinião do eleitor naquele momento. As críticas são uma bobagem, fazem parte da democracia. É a mesma história do cara que torce por um time e quando ele não vai bem no jogo culpa o técnico. E candidatos que criticam os resultados fazem isso por puro medo de prejudicar sua campanha. EM TEMPO – Estamos há um ano de uma campanha eleitoral. Como está o cenário político atual? AS – A classe política já pensa em 2014, porém as coisas estão acontecendo nos bastidores. O que temos são apenas indicadores de pessoas que vão disputar. A correria agora está na definição de partidos, pois para que se saia candidato é preciso estar filiado a uma sigla no período de um ano pelo menos. EM TEMPO – Então, qual a melhor estratégia para que um bom candidato possa ter mais chance de ser eleito? AS - Tem que se fazer uma conta para que seja possível atingir o coeficiente eleitoral. Optar por uma coligação menor e que tenha muita gente de expressão pode ser uma boa escolha. Atualmente, para você colocar seu nome como candidato são necessárias duas coisas: domínio sobre um partido e ter condições de coligar com outras siglas para formar uma coligação forte. Agora claro, temos exceções como a que ocorreu com o PTN em 2012, que tinha candidatos com grande expressão em classes sociais, e que apesar de não ter coligado com ninguém conseguiu fazer cinco vereadores porque atingiu o coeficiente eleitoral. EM TEMPO – O senhor acredita que teremos uma
renovação nas casas legislativas? AS – Na Assembleia Legislativa do Estado acredito que teremos uma renovação expressiva em 35%. Aposto que 1/3 dos parlamentares da casa serão novos. Já na bancada federal, suponho que dos oito já existentes, três serão novos. EM TEMPO – Quais as chances de eleição para os candidatos ao governo e ao Legislativo federal? AS - Esse quadro ainda pode mudar. Mas, para o governo, se o Eduardo Braga vier candidato, ele tem grande chance de se eleger. Temos outros pré-candidatos que também já lançam nomes, como José Melo, Rebecca Garcia e Hissa Abrahão e nesse trio, Melo tem uma grande vantagem, pois assume o governo em março de 2014 e tem conhecimento no interior do Estado. Na outra ponta do Senado, Omar tem todas as chances de garantir a cadeira e, Alfredo Nascimento, em uma disputa direta com Omar está em desvantagem. Na Câmara Federal é difícil de apontar ainda, pois temos casos de pessoas que após lançarem seus nomes tem um crescimento meteórico e apresentam grandes surpresas, como foi o caso de Rebecca Garcia quando entrou na disputa pela primeira vez. Podemos dizer que nomes antigos certamente irão se reeleger, como Atila Lins, Silas Câmara, Francisco Praciano, que atuam em segmentos certos de massa. Sabino Castelo Branco também tem voto e boas chances de retornar para Brasília, mas a votação dele não flutua muito. EM TEMPO – Quem são os candidatos que nos últimos anos apresentaram grande maturidade política? AS – Hissa Abrahão, Rebecca Garcia, Henrique Oliveira estão em potencial formação. Já Braga e Aziz são veteranos.
As pesquisas nunca cessam e se intensificam 1 ano antes de cada período eleitoral. Mas, no ano da eleição, a coisa fica mais intensa. A maioria das pesquisas é solicitada por coligações”
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Política
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Serviços básicos lideram pedidos de requerimentos THIAGO GONÇALVES Equipe EM TEMPO
O
s 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) apresentaram, em sete meses de legislatura, aproximadamente 4,8 mil requerimentos, 1,3 mil indicações e 846 moções, como parte das proposituras parlamentares. De acordo com o gerente do Departamento de Registro Parlamentar (DRP) da CMM, Francisco Assis Lima, as requisições de serviços básicos ao Poder Executivo lideram entre as proposituras apresentadas. “Geralmente o maior volume de proposituras é de requerimentos que se atém, sobretudo, a pedidos para a execução de serviços que são feitos aos próprios expedientes das secretarias municipais, como tapa-buracos, desobstrução de esgoto, limpeza das vias públicas e, também, de alguns serviços ligados a reformas”, informou. O setor registrou exatos 4.796 requerimentos, entre os pedidos, também estão solicitações de dados de órgãos da administração municipal, sobre gastos e contratações de serviços e até a convocação
de secretários para prestarem esclarecimentos das ações de suas gestões. Lima explicou que, na maioria das vezes, o parlamentar quer saber do Executivo, por exemplo, quanto as secretarias municipais investiram durante determinado período na área da sua atribuição; sobre contratos mantidos com terceiros; também dos permissionários ou concessionários sobre o que prestaram a partir daquele contrato com a prefeitura; além de obras e repasses de recursos. “Um pedido que é comum também por meio de requerimento é a oitiva de um secretário em sessão plenária ou audiências públicas e, todos os pedidos têm sido aceitos”, acrescentou. O gerente observou que todos os requerimentos, de autoria de um ou mais vereadores, vão para análise e votação no plenário, onde podem ser acatados ou rejeitados. Quanto às indicações, que são ideias, opiniões ou mesmo sugestões ao Poder Executivo, Lima enumerou 1.306, de fevereiro até 31 de agosto. E, segundo explicou, estes documentos são apenas lidos e deferidos pela mesa diretora para, depois, serem encaminhados aos seus destinos.
ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM
Vereadores da Câmara de Manaus apostam nos mecanismos junto à prefeitura para atender anseios da população
Requerimentos, indicações e moções são submetidos ao plenário durante as sessões legislativas, na ordem do dia
Câmara zera pauta de indicativos em sessão Em relação à moção, proposição pela qual o vereador expressa seu louvor, congratulação ou pesar, o setor registrou 848 propostas. “Estas proposituras são de agravo e de desagravo, este último, que seria em caso de o vereador achar que algo foi indigno para a população e que vem ferir a democracia, a
dignidade da pessoa humana, ou até mesmo os princípios da administração pública”, explicou o gerente. Apresentada à mesa diretora, a moção é imediatamente despachada pelo presidente e enviada à publicação. Quando seus autores pretendem traduzir manifestações coletivas da casa, a moção deve
ser assinada, no mínimo, pela maioria absoluta dos vereadores. “O nosso regimento interno fala sobre propor solidariedade e pesar, e existe também o de protesto”. Na última terça-feira,o presidente da Câmara, vereador Bosco Saraiva (PSDB), revezou com o vice-presidente, Sildomar Abtibol (PRP), na
leitura e deferimento de um volume de mais de cem indicações que, segundo Bosco, foram zeradas na mesa. Um deles requer a presença de órgãos competentes para a audiência pública na CMM para discutir sobre VLP (Veículo Leve Sob Pneus), como uma das propostas do Executivo municipal para o trânsito.
HOJE
Novas eleições em cinco cidades Eleitores de cinco municípios de cinco diferentes Estados voltam às urnas neste domingo para eleger prefeitos e vice-prefeitos. As novas eleições ocorrerão nas seguintes cidades: Goiatuba-GO, Santana de Cataguases-MG, Soledade-PB, Augusto Pestana-RS e Taipas do Tocantins-TO. Esses novos pleitos ocorrerão porque as eleições de outubro do ano passado nessas cidades foram anuladas pela Justiça Eleitoral, uma vez que o registro de candidatura dos candidatos a prefeito que obtiveram mais de 50% dos votos válidos foi indeferido.
Assim, a Justiça Eleitoral anulou os votos recebidos por tais candidatos, que ficaram impedidos de serem diplomados e empossados. Segundo o Código Eleitoral (lei nº 4.737/1965, artigo 224), no caso de nulidade de mais de 50% dos votos, novas eleições devem ser marcadas pelos respectivos Tribunais Regionais Eleitorais, no prazo de 20 a 40 dias a partir da decisão judicial que determinou a anulação. Além disso, em conformidade com a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os regionais devem agendar
os pleitos para o primeiro domingo de cada mês. Até que os novos prefeitos e vices eleitos assumam suas funções, as prefeituras dos municípios estão sendo comandadas pelos presidentes das respectivas Câmaras de Vereadores. Treze candidatos a prefeito irão disputar as eleições suplementares nos cinco municípios. A maioria dos prefeitos e vice-prefeitos das cidades que tiveram os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral foi por compra de voto e abuso de poder econômico, no pleito municipal de 2012.
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
IONE MORENO
Produção de abelhas atrai investidores Economia B4
Amazonenses procuram alternativas de viagens Devido à alta do dólar, turistas locais buscam outras opções mais baratas do que visitar destinos famosos nos EUA
FOTOS: DIVULGAÇÃO
A Disney, no Estado da Flórida, nos Estados Unidos, é considerada como um dos points turísticos que são bastante procurado por quem quer visitar a terra do Tio Sam durante as férias JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO
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turista amazonense que planeja ir aos Estados Unidos tem pisado no freio na hora de realizar a viagem. A escalada da moeda americana, que esta semana alcançou a casa de R$ 2,56, afugentou os interessados em visitar a terra do Tio Sam. A queda na procura pelas passagens aéreas para destinos como Orlando e Miami, registrada por algumas agências de turismo da cidade, chegou a 70%. O gerente geral da Amazon Explores, Andrey Lima, conta que nos últimos quatro meses observou a procura de seus clientes por destinos nos Estados Unidos diminuir gradualmente. “A palavra de ordem dos turistas é aguardar. Com exceção dos que já adquiriram pacotes e passagens com muita antecedência, 70% dos interessados resolveu dar um tempo nos planos”, contou. O diretor da FM turismo, Pedro Mendonça, por sua vez, classificou o momento como turbulento para quem deseja viajar aos Estados Unidos. Ele
calcula que de 30 a 40% de seus clientes tenham deixado de realizar a viagem nas últimas duas semanas em função da alta cotação. Mendonça observou que o maior número de desistências foi de clientes que decidiram fazer a viagem de última hora.
PASSEIO Com apenas R$ 200, um casal pode passar um final de semana em clube fechado com direito a ter acesso à piscina, igarapé e café da manhã gratuito em Presidente Figueiredo, no interior do Estado “Eles não desistem do bilhete, mas quando pensam na compra das notas americanas no câmbio para alimentação, atividades de lazer e hospedagem, pensam duas vezes e deixam o projeto de lado”, comenta. Mendonça diz ainda que o período de turbulência está passando e que a situação deve voltar ao normal em breve. O dólar turismo, responsável por
nivelar as operações de câmbio, estava cotado a R$ 2,40 e esta semana caiu para R$ 2,30. “Essa retração nos leva a crer que, aos poucos, o volume de negócios e o interesse dos turistas pelos Estados Unidos voltarão a ser como era antes”, avalia o empresário. “Jeitinho” Enquanto esperam a cotação do dólar se tornar mais atrativa, os turistas partindo da capital amazonense decidem entre desistir da viagem, mudar de destino ou dar o famoso “jeitinho brasileiro”, adaptando os gastos à nova realidade. A última opção foi a escolhida pelo profissional de educação física, André Galvão, que na semana passada embarcou para Miami e Orlando, em função de compromissos de trabalho. Ele conta que chegou a pensar em desistir, mas como havia marcado reuniões realizou a viagem, não sem antes, fazer alguns ajustes. “Na última viagem, quando o dólar custava R$ 2,20, gastei US$ 1 mil em compras. Este ano, deixei os presentes de lado. Até os gastos com restaurantes precisaram ser dosados”, relata.
Subida da moeda norte-americana frente ao real motivou mudança de hábito do viajante local
Vizinhos são opções de turismo
Machu-Pichu, no Peru, é um dos destinos que amazonenses têm procurado com frequência
Na medida em que os Estados Unidos deixaram de ser a preferência dos manauenses, nos últimos meses, destinos nacionais e regionais surgem como solução. Um programa alternativo é a vila de Alter do Chão, em Santarém, no Pará. No lugar do passeio em dólar, o turista de Manaus pode ter acesso ao chamado “caribe brasileiro” pagando a partir de R$ 900 por pacote completo de três dias. Outros destinos também estão em alta. O gerente geral da Amazon Explorers, Andrey Lima conta que sentiu uma procura maior para passagens e pacotes para Fortaleza, “O Ceará, que é um destino bastante popu-
lar entre os manauenses, foi ainda mais solicitado neste período de dólar alto. Até que a poeira baixe, o Estado é apontado como alternativo para quem deseje fazer turismo”, avalia. Exterior Outra alternativa é trocar os Estados Unidos por países europeus como Portugal e sul-americanos, como Argentina, Chile e Peru têm chamado a atenção de manuenses que não estão dispostos a perder a viagem. A jornalista Layana Rios, por exemplo, que em abril deste ano passou 20 dias nos Estados Unidos, reservou as férias de julho para viajar com os amigos para o
Peru. “O real é valorizado no Peru, então o dinheiro rende bem mais. Lembro de ter gasto em torno de mil reais para ficar no país durante nove dias e não ter passado nenhum aperto”, destaca. Uma das grandes diferenças notadas por ela, que torna o destino sul-americano vantajoso no momento, são os gastos com cartão de crédito. Para ela, o “dinheiro de plástico” foi útil. “Na minha viagem de abril, nos Estados Unidos, fiz compras no cartão de crédito. Agora, as faturas chegam com a cotação atual do dólar, o que fez meus gastos dispararem. Em um destino mais próximo, esse problema não ocorre”, acrescenta.
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Balbina poderá dobrar a produção de peixes no AM Meta é ampliar a criação do pescado no lago da hidrelétrica e, desta forma, beneficiar expansão da piscicultura no Estado HUDSON FONSECA
BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO
O
uso de apenas 1% do lago de Balbina – o equivalente a 2,6 mil quilômetros quadrados da área total do local -, poderá triplicar a produção de peixes em cativeiro no Amazonas. De acordo com o secretário executivo adjunto da Pesca e Aquicultura do Amazonas (Sepa), Geraldo Bernardino, o Estado - que hoje produz em torno de 20 mil toneladas de pescado por ano -, passará a ter um potencial de 60 mil toneladas, em particular, de tambaqui, matrinxã e surubim. “Esses peixes são vendidos com um valor agregado diferenciado para o mercado porque são utilizados para a produção de polpa de peixes, que é consumida em grandes escala por empresas e distribuída nas escolas estaduais e municipais”, declarou Para ser implementado, porém, o projeto depende da conclusão de estudos de impacto ambiental que estão sendo apurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O Ministério da Pesca e Aquicultura (Mapa) destinou R$ 600 mil para que o Inpa elaborasse um estudo de viabilidade econômica e ambiental do projeto. A pesquisadora do Inpa e bióloga de água doce e pesca, Elizabeth Gusmão, explica que
a piscicultura é um processo muito delicado que requer estudos específicos e coordenados para que os peixes não padeçam de estresse, prejudicando seu crescimento, reprodução ou até mesmo, causando a morte. “Para viabilizar uma produção grande é preciso ter domínio de aspectos como a temperatura, a qualidade da água, alimentação, nível de oxigênio e demais agentes macrobióticos”, salienta. O superintendente federal de
ESCASSEZ
Segundo a Sepror, a criação de peixes nos rios amazônicos está escassa. Para piorar, dentro de 40 dias começará o período de defeso 2013/2014, que proíbe a pesca de várias espécies Pesca e Aquicultura no Estado do Amazonas, Raimundo Pereira Costa, destaca que metade da verba para os estudos e pesquisas socioambientais foi liberada. Segundo ele, a outra parte dos recursos deverá ser repassada até o final deste mês. “O potencial do lago de Balbina para a produção de pescado é imenso. Ele vai beneficiar as políticas sociais do governo federal, além de abrir espaços
para a piscicultura familiar porque está prevista a concessão de espaços para a produção privada de peixes”, ressalta. Para capacitar os pescadores do Amazonas, o Ministério da Pesca e Aquicultura firmou convênio com a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) para que a Sepa capacite os pescadores às novas práticas de produção. “As famílias que não tinham renda fixa passarão a se organizar conforme o pescado que produzem. Mas, antes, é preciso formar homens e mulheres que devem demonstrar na prática conhecimentos que eles ainda não possuem”, frisa Raimundo Costa. Independência O chefe do Departamento de Pesca e Aquicultura da Sepror, Ivo Calado, afirma que com o uso do lago de Balbina seria possível eliminar a atual dependência que o mercado interno tem em relação a outros Estados que produzem peixes em cativeiro. “O lago de Balbina possui o que é mais importante para a produção de peixes com qualidade superior. O que não depende de ração nem de conhecimentos técnicos porque a água é de uma qualidade excelente, o PH é perfeito, a clarividade contribui e a alcalinação é ótima. A maior matéria-prima para a criação dos peixes não é a ração, mas a qualidade da água”, frisa.
Tambaqui, matrinxã e surubim são os principais tipos de peixes que serão criados em Balbina
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
A lei e o espírito
A Constituição de 1988 é uma conquista de toda a sociedade brasileira, assim como as leis trabalhistas, que normatizam o interesse do fator humano, essencial e sagrado na dinâmica da economia e do tecido social. Ambas, porém, como toda a legislação e instituições, a despeito da universalidade de seus princípios, precisam de permanentes ajustes, adaptações e revisões na aplicação cotidiana de seus postulados. Daí a importância do entendimento, da oitiva entre as partes e da negociação solidária. Recentemente, para dar um exemplo dessa flexibilidade diante dos dogmas, no caso a discussão sobre homossexualismo nas instituições, o papa Francisco - titular da mais sólida instituição da história, e a despeito de poder invocar a infalibilidade do cargo em matéria de fé e dogma – foi enfático: “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” A magnanimidade da postura do pontífice sinaliza e ilustra a sabedoria do entendimento, a grandeza de olhar mais longe quando alguém chega mais perto de uma questão. Isso permite retomar o preceito segundo o qual a lei, do ponto de vista do legalismo intransi-
o espírito vivifica, no sentido da acolhida, da negociação transparente e positiva da boa vontade. Isso nada tem a ver com anarquia ou anomia de valores ou adoção da amoralidade, muito pelo contrário. Ensaia-se aqui a defesa e a procura de um humanismo sadio, que transcenda o autoritarismo legalista e afirme a ética solidária da conversação fecunda. Essas premissas são invocadas para comentar o recente posicionamento do Ministério Público do Trabalho ao multar algumas empresas do Polo Industrial de Manaus em valores surpreendentes e descabidos, um posicionamento muito parecido ao que o Ministério Público Federal e Estadual, tomados de rigidez exacerbada e preciosismo estéril, nos último anos, assumiram na condução do projeto do Terminal Portuário das Lajes, condenando-o, no limite e sequela danosa de suas insinuações e acusações, a habitar nos escaninhos imprevisíveis da corte suprema. Como nenhum outro até então, o projeto de modernização portuária, que iria incrementar a competitividade da indústria e a reduzir os custos da cesta básica, foi demonizado sob a acusação de destruir o Encontro das Águas, entre ou-
que incluíam a ausência de “...estudo conclusivo com o devido esclarecimento sobre o local ser ou não habitat do peixe-boi ou do morcegopescador”, numa orla ocupada há 500 anos, antropizada e manejada por históricos empreendimentos, onde roda 90% da economia do Estado. Em cima do fenômeno ancoram navios petroleiros há 60 anos e não há notícia de que isso comprometa o curso e a beleza do Encontro das Águas. Faltou conversa, no sentido do entendimento proativo, ou atenção maior ao interesse público ali envolvido. Ou será que não merece trela a consideração de que a empresa, diferentemente de todas as outras do ramo, cumpriu rigorosamente toda a legislação exigida pelo órgão ambiental? As multas aplicadas por questões trabalhistas pelo MPT às empresas do distrito devem alcançar, até aqui, quase R$ 1 bilhão, valores próximos aos que têm sido aprovados nas reuniões do Conselho de Administração da Suframa, com a previsão de gerar milhares de empregos. É essencial registrar que não se está advogando aqui o desrespeito às leis trabalhistas, jamais o faremos. Elas fazem parte do acordo maior entre capital e trabalho, para
cessária interatividade entre economia e cidadania. E mais: as entidades do setor produtivo se mostram abertas e dispostas a debater mecanismos de ajustes, a combater excessos, apurar responsabilidades em nome do bemcomum. A saúde é um bem universal e a do trabalhador é um bem do cidadão colaborador e da empresa, supostamente. É vesgo, e passível de punição exemplar, descuidar disso. Surpreende-nos, entretanto, a forma, o conteúdo e o valor da medida disciplinar, seus efeitos, de curto e médio prazo, na manutenção do modelo, do qual emerge parte determinante do substrato econômico do tecido social. A medida alcançou diversas empresas, entre elas empreendimentos premiados, nacionalmente, como o melhor lugar para trabalhar. No caso do Porto das Lajes, o Ministério Público, com toda boa vontade e movido pelo zelo do estatuto legal - mas baseado em pareceres questionáveis, parte deles formulados por profissionais desqualificados - focou no detalhe e descuidou da totalidade, chegando ao ponto de confundir Estado de Direito com direito de levar no grito uma decisão. E a solicitar da Justiça suspender audiência pública e proibir a empresa
de (sic!). Assim procedendo, e indiretamente, combateu a modernização portuária de Manaus, a estrutura logística mais cara do país. A concorrência aplaudiu e o combate à carestia da cesta básica lamentou. Uma extrapolação de funções e um abuso impune e inaceitável de autoridade superposto ao interesse público. Em 1988, nas discussões que precederam a promulgação da Carta Magna, além dos militares e da bancada ruralista, a pressão do Ministério Público sobre os constituintes para assegurar independência, deu a seus membros o privilégio de confundir autonomia com inimputabilidade. Eis um beco em que se meteu a instituição para o qual ela própria não vê saída, sempre e quando constata exageros e confusões, típica do ser humano, entre seus membros. As multas aplicadas – supostamente respaldadas em ilícitos objetivos - alcançaram espetacular efeito publicitário mas não foram precedidas de negociação, aquelas focadas nos ajustes de conduta, com arbitragem comum, dentro do verdadeiro espírito franciscano de assegurar a boa-vontade efetiva e a transparência obrigatória que dão suporte sadio ao acerto desejável e ao desfecho da comunhão.
Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta
Isso nada tem a ver com anarquia ou anomia de valores ou adoção da amoralidade, muito pelo contrário”
Economia
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Novo modelo acirrará o mercado de motos
B3 RICHARD RODRIGUES
Yamaha lança a Fazer, a primeira motocicleta com 150 cilindradas da empresa, cuja venda começará em outubro RICHARDO RODRIGUES* Equipe EM TEMPO
D
entro de 30 dias chegará ao mercado nacional a YS150 Fazer, a primeira motocicleta de 150 cilindradas da Yamaha produzida no Polo Industrial de Manaus (PIM). O veículo, desenvolvido por engenheiros brasileiros e japoneses, estará disponível nas versões ED e SED pelos preços de R$ 7.390 e R$ 7.850 respectivamente, conforme anunciado pela multinacional em evento de lançamento do produto na Bahia. De acordo com o gerente comercial da Yamaha, Márcio Hegenberg, o “start” na produção do modelo será dado nesta semana, quando será industrializado o primeiro lote que abastecerá parte das concessionárias da japonesa no país. “É um modelo da Yamaha inédito no Brasil desenvolvido pela engenharia da Yamaha no Brasil e Japão para atender o público brasileiro”, destaca o diretor, ao informar que a moto é bicombustível e possui uma potência de 12,2 cavalos. Segundo Hegenberg, os modelos vão “bater de frente” com o modelo de 150 cilindradas da concorrente pelas características que
possui. “A Fazer é um modelo com característica de moto de alta cilindrada. Por ter design arrojado, é econômica e, por fazer entre 40 e 46 quilômetros com um litro de combustível, tem injeção eletrônica, mostrador digital e indicador de marcha, tanque com capacidade para receber até 15,2 litros de combustível, entre outros atrativos. Com o modelo, pretendemos conquistar entre 10% e 12% de
PLANOS
Yamaha não descarta a possibilidade de produzir a TMax, futuramente, no PIM. A empresa possui também novos projetos de modelos de motos voltados para o público brasileiro que estão em estudo market share de vendas nas motos da categoria”, observa o executivo, ao frisar que o projeto da Fazer foi “pensado” por três anos. O diretor-presidente da Yamaha, Shigeo Hayakawa, também mostrou otimismo com a entrada da japonesa no ramo de 150 cilindradas. “É um modelo que supera as expectativas e que representa
uma nova era para a Yamaha”, disse o presidente durante o lançamento da Fazer e do novo slogan da multinacional — Revs your heart (acelerando o seu coração). As versões As duas versões da Fazer estarão disponíveis nas 500 concessionárias da marca no país a partir de 1º de outubro. A SED é a mais completa por ter cavalete central, pintura e grafismo diferenciados, piscas com lente cristal, além do acabamento do banco com textura especial e molas amortecedoras traseiras na cor vermelha. O modelo também será contemplado pela exclusiva revisão com preço fixo Yamaha, onde o cliente sabe exatamente quanto vai pagar desde a primeira até a sétima revisão (até os 30 mil quilômetros), permitindo economia, valorização do modelo e maior segurança. Além disso, a Fazer oferecerá linha de peças de reposição Y-TEQ, com qualidade Yamaha e preços competitivos. A versão ED conta com as cores preto sólido e vermelho metálico, a versão SED azul, branco e laranja metálicos. *O repórter viajou a convite da Yamaha
Apresentada na semana passada, moto Fazer será produzida a partir de setembro no PIM
Estreitando laços com o Brasil Além de anunciar um novo modelo de motos, a Yamaha garante que estreitará laços com o Brasil, país considerado pela japonesa um dos cinco mercados mais importante no qual atua. De acordo com o diretor-presidente da multinacional, Shigeo Hayakawa, a Yamaha entra em uma etapa onde o Brasil será mais “ativo” no processo de elaboração de projetos para motos vol-
tadas para os brasileiros. “É o que aconteceu com a Fazer e vai acontecer com mais frequência daqui para frente”, destacou. O presidente salientou ainda que até 2015 a Yamaha pretende laçar 250 novos modelos de motocicletas no mundo e conquistar novos patamares de vendas. Ele projeta que nos próximos dois anos a quantidade de veículos da marca comercializados dê
um salto de seis milhões de unidades vendidas em 2012 para oito milhões até o final de 2015. Novidades Somado ao lançamento da Fazer, a Yamaha promete mais novidades para os “amantes” e admiradores de motocicletas. A japonesa deverá trazer, em breve, para o país a TMax, a scooter mais vendida na Europa em 2012.
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Economia
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Cultivo de abelhas atrai o interesse de investidores C
om uma produção anual estimada em seis toneladas no Amazonas, o mel tem atraído a atenção de pequenos produtores rurais da região que “olham” para a substância como um negócio rentável. Eles chegam a investir até R$ 5 mil para dar início a atividade com a obtenção das abelhas e dos equipamentos necessários para o cultivo. De acordo com a Associação dos Criadores de Abelha do Amazonas (Acam), a população do Estado precisa conhecer os benefícios do consumo de mel para aumentar a produção e baratear o preço do produto que é comercializado hoje a R$ 20 o quilo. “A cultura da produção do mel no Amazonas é muito baixa se comparada aos Estados das regiões Sul e Sudeste, onde as pessoas usam a substância para substituir o açúcar nas refeições comumente. Na Região Norte é mais usado como remédio para garganta”, explica o presidente da Acam, João Fernandes. Atualmente, o consumo anual de mel por habitante no
Estado é 10 vezes inferior a média nacional. Um amazonense consome em média 100 gramas por ano, enquanto as populações do Sul e Sudeste consomem um quilo e, na Suíça, cinco quilos por habitante. “A condição financeira pesa muito. As indústrias locais, que utilizam o mel como insumo de seus produtos, compram tudo do Nordeste, principalmente, do Ceará e da Bahia”, avalia Fernandes. O apicultor Marcos Estenes, que atua há mais de 20 anos no ramo, garante que uma colmeia de abelhas rende mais que uma vaca por ano. Ele revela que com R$ 5 mil é possível começar o negócio, mas para comercializar é preciso obter um certificado do Ministério da Agricultura, cujo nome é Serviço de Inspeção Federal (SIF). “Por R$ 1 mil pode-se adquirir um enxame de abelhas. Uma caixa onde será instalada a colmeia custa R$ 500 reais. Não é recomendado trabalhar sozinho nessa atividade, portanto será preciso comprar dois macacões de abelha ao custo de R$ 250 cada. O fumegador que é essencial para acalmar as abelhas custa R$ 130 e um par de botar R$ 40”, revela.
Consumo de mel ainda tem sido baixo no Amazonas se comparado com outros Estados do país IONE MORENO
BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO
IONE MORENO
De olho em um negócio rentável, novos apicultores aplicam um capital de até 5 mil para atuar na atividade na região
Segundo produtores, uma colmeia tem rentabilidade anual maior do que uma vaca leiteira
Temporada favorece a produção A temporada mais favorável para os apicultores do Amazonas começa neste mês e seguirá até o final de outubro, quando as flores da região desabrocham em grandes quantidades. “Neste período transporto as abelhas até o outro lado do rio Negro, onde existem flores que possuem um néctar que geram uma qualidade superior de mel nas minhas abelhas”, destaca Marcos Estenes. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Mapa), os Estados do Norte e Nordeste lideraram o incremento (2002/2011) da produção. O Amazonas apresentou um crescimento de aproximadamente 9.000%.
Economia
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
B5 DIVULGAÇÃO
Empresários estão pouco otimistas Pesquisa nacional mediu o humor dos principais setores da economia brasileira
O
s empresários brasileiros apontam expectativas menores para o mercado para o terceiro trimestre de 2013. Causas como o impacto dos últimos eventos sociais, a baixa expectativa em relação ao crescimento econômico e o cenário internacional incerto impactaram negativamente a avaliação para ao cenário de curto prazo. É o que aponta o Boletim Clima Empresarial (BCE), da consultoria Boucinhas&Campos. O Índice de Expectativa para o terceiro trimestre totalizou 5,42 pontos. Com o nível mais baixo para o ano, a expectativa futura das vendas foi o elemento que sofreu a maior variação negativa da composição, atingindo 5,5 pontos, que havia sido indicado no boletim anterior em 7,08 pontos.
Índice O Índice do Clima Empresarial é resultado da combinação de dois índices que avaliam momentos diferentes: a Expectativa para o Trimestre e o Momento Atual. Cada índice é composto por três indicadores qualitativos, que combinados, permitem uma avaliação geral sobre o Clima Empresarial para cada trimestre do ano. “Os resultados do Boletim corroboram com o clima de cautela por parte do mercado em geral. Com expectativas de crescimento menores que o esperado por parte da indústria e do comércio para o ano, o impacto sobre estes acabou sendo de maior expressão”, afirma a diretora da Boucinhas&Campos, Celeste Boucinhas. Segundo ela, este clima geral ao longo de 2013 é reforçado, em parte, pelas constantes indicações sobre a redução do crescimento econômico previsto, que somados aos últimos fatos econômicos globais influenciam na percepção geral. DIVULGAÇÃO
Serviços Seguindo o padrão dos boletins anteriores, o setor de serviços apresenta os maiores índices em relação aos critérios qualitativos. Já a indústria sentiu o impacto deste contexto, apontando os menores valores para todos os indicadores. Em geral, o comércio apresentou pontuações intermediárias entre os demais setores. Apenas serviços
avaliou positivamente todos os indicadores, ao contrário da indústria que apresentou avaliações negativas em todos os critérios, apontando ainda que a expectativa para o próximo período é inferior à atual.
Manifestações responsabilizadas por desempenho ruim
Protestos são mal avaliados O Boletim do Clima Empresarial questionou os participantes sobre as manifestações sociais que ocorreram entre os meses de junho e julho deste ano. Diferentes pesquisas apontaram que a percepção e avaliação da economia e política brasileira sofreram forte impacto em decorrência destas manifestações. As respostas dos participantes se dividiram em dois principais grupos, que de forma geral atribuem a outros fatores econômicos o impacto negativo atual do cenário brasileiro. Cerca de 45% apontam as manifestações como parte complementar a fatores econômicos que influenciaram de forma representativa a economia. Outros 44% avaliam que as manifestações não influenciaram negativamente a economia e 6% acreditam que não há nenhum impacto negativo sobre a economia brasileira atualmente. Em relação à avaliação geral sobre o impacto das manifestações, 51% indicam que o resultado será positivo para o cenário sociopolítico
brasileiro. Os demais 49%
não esperam mudanças significativas deste contexto. “As manifestações somam-se a insatisfações de uma parcela significativa da população que já demonstrava descontentamento com questões estruturais econômicas, e que impactou diretamente sobre o clima e visão geral da economia, bem como da política brasileira”, analisa Tiago Vianna Martins, diretor de operações da Boucinhas&Campos. Impostos Em consideração ao posicionamento do governo em relação à atual conjuntura político econômica, o boletim apontou que a prioridade do governo Dilma para este momento deve ser a redução da carga tributária, indicada por cerca de 50% dos participantes.
Constantes mudanças dos indicadores econômicos como os da inflação influenciam a percepção geral do empresariado do país
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País
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Brasil sondou cubanos antes de projetar o ‘Mais Médicos’ M
édicos cubanos recrutados para trabalhar no Brasil recebem aulas de português e informações sobre o Sistema Único de Saúde há pelo menos seis meses. Mesmo sem a formalização de um acordo, professores brasileiros, usando material didático do “Mais Médicos”, viajaram para diversas localidades de Cuba para iniciar a formação dos profissionais, em uma sinalização de que o governo há tempos trabalha com a meta de trazê-los para o país. “Agora é só revisão. Boa parte do conteúdo aprendemos lá”, assegurou o médico Alfredo Rousseaux, que desembarcou semana passada em Brasília para um estágio de três semanas. “Um dos professores daqui conheço de vista, já deu curso lá em Cuba”, completou. A apostila de português, distribuída nesta semana para os alunos com o logo do “Mais Médicos”, também já é conhecida de Rousseaux. “Os professores exibiam projeções com o mesmo conteúdo”. Os amigos Veronico Gallardo, Marisel Velasquez Hernandez e Diego Correa também se preparam para a temporada no país há meses. Desde o início do ano recebem
ABR
Professores brasileiros viajaram para diversas regiões de Cuba para ensinar português e passar informações sobre o SUS uma formação específica, voltada para o trabalho que seria feito aqui. Com domínio razoável de português, Gallardo afirma ter estudado bastante sobre problemas comuns na Região Norte, onde espera atuar. “Devo trabalhar no Amazonas”. Rousseaux conta que todos estavam convictos de que o desembarque no Brasil seria questão de tempo. “Fui informado sobre a vinda mais ou menos 15 dias antes da viagem. Disseram que era para deixar tudo pronto”. Relações O acordo entre Brasil e Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), organismo internacional encarregado de fazer a triangulação com o governo cubano, contudo, foi formalizado somente na quarta-feira da semana passada. Três dias depois, 400 dos 4 mil médicos desembarcaram no país. A rapidez no desfecho destoou com o restante do processo. A vinda dos médicos cubanos é cogitada há meses. Só que o primeiro anúncio foi feito em maio, pelo então ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Ele afirmara na época que 6 mil profissionais viriam ao Brasil para trabalhar em locais com carência de médicos.
Médicos brasileiros se recusam a aceitar as condições impostas pelo governo federal para inserção de estrangeiros nos municípios
BOLIVIANO
Senador asilado critica politização O advogado Fernando Tibúrcio Peña, que defende o senador oposicionista boliviano Roger Pinto Molina, disse que está negociando a possibilidade de obter asilo político para seu cliente em dois países latino-americanos que fazem fronteira com o Brasil, se o processo dele for politizado. Em entrevista à Agência Brasil, Tibúrcio lamentou “a politização do processo”. Segundo ele, politizar o caso influencia nas questões técnicas e jurídicas. O parlamentar boliviano continua em Brasília, mas se prepara para visitar a mulher e as filhas no Acre. “É uma pena essa politização toda, porque a discussão técnica e jurídica se perde em meio a tudo isso”, reforçou o advogado. “Insistimos na manutenção do senador em terri-
tório brasileiro, mas temos que negociar alternativas, se isso não for possível”. Tibúrcio disse que já conversou com os embaixadores de dois países latino-americanos sobre a possibilidade asilo político para Pinto Molina. Porém, para evitar prejuízos às negociações, o advogado mantém sigilo sobre os países cujos representantes foram consultados. Sabe-se, no entanto, que são países que fazem fronteira e para os quais há voos diretos partindo do Brasil. Retorno Perguntado sobre a possibilidade de Molina ser enviado de volta à Bolívia, como pediu o presidente Evo Morales, o advogado disse que a “devolução” é a proposta “mais esdrúxula” que ouviu nos últimos dias.
“Não restam dúvidas de que, hoje, a situação do senador é a de quem tem status de asilado político, como afirmou o vicepresidente Michel Temer, que é um jurista brilhante. Imaginar a devolução do senador é a coisa mais impossível e mais esdrúxula que há. As chances são abaixo de zero”, afirmou. Há uma semana, o senador Roger Pinto Molina, que faz oposição ao governo de Evo Morales, deixou a embaixada brasileira em La Paz, onde passou cerca de um ano e meio, com a ajuda do diplomata Eduardo Saboia, que assumiu a responsabilidade pela operação de retirada do parlamentar da Bolívia. Mesmo com as autoridades bolivianas afirmando que as relações entre o Brasil e a Bolívia não foram afetadas, o caso provocou uma crise diplomática. ABR
A entrada de Molina no Brasil provocou uma crise diplomática com o governo boliviano
MANAUS, DOMINGO, 1ยบ DE SETEMBRO DE 2013
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MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Será que um ataque dos EUA contra a Síria é inevitável? Com o deslocamento de navios de guerra para as proximidades da Síria, ataque é visto por analistas como iminente
O
tom da Casa Branca mudou no último final de semana, adotando uma retórica mais dura com o governo da Síria, partindo do pressusposto de que as mortes observadas em vídeos divulgados na semana passada foram causadas por ataques químicos perpetrados pelo governo de Bashar Assad. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que as cenas vistas na Síria, que não puderam ser verificadas de forma independente, “desafiam qualquer código de moralidade”. “A matança indiscriminada de civis (...) com armas químicas é uma obscenidade moral e, apesar de desculpas fabricadas por alguns, é inegável”, disse Kerry. Antes disso, um comunicado da Casa Branca menosprezou o gesto do governo sírio de permitir o acesso de inspetores da ONU ao local do ataque. A nota argumenta que as provas do que ocorreu já teriam sido destruídas por bombardeios. Ao presidente americano, Barack Obama, foram dadas diversas opções militares como resposta. Ele também falou com os líderes de França e Grã-Bretanha, seus aliados-chave. Três navios de guerra americanos estão na região, e um quarto está a caminho. Muitos congressistas americanos defendem
AE
que essas embarcações realizem um ataque com mísseis.
Ao presidente americano, Barack Obama, foram dadas diversas opções militares como resposta. Ele também falou com os líderes de França e Grã-Bretanha, seus aliadoschave contra os sírios
sem resposta. Enquanto o fato de um governo usar armas químicas contra seu próprio povo seja uma afronta e demande reação internacional, parece óbvio que, do ponto de vista dos EUA, um horror maior seria o fato de essas armas serem usadas contra seu próprio povo ou contra aliados. O grande temor, desde o 11 de Setembro, é o de armas como essas caírem nas mãos de grupos que o Ocidente tacha de terroristas. Considerando que um dos principais grupos de oposição na Síria se declarou aliado formal da al-Qaeda, essa é uma possibilidade real. Seria de interesse dos EUA obter o controle dessas armas e inutilizá-las. Mas temos visto poucas discussões relacionadas a essa opção.
todos os membros do Conselho de Segurança da ONU. Jornais britânicos sugerem que ainda nesta semana possa haver uma ofensiva de retaliação à Síria, mas pode haver um exagero da imprensa quanto à possibilidade de conflito. Obama, por sua vez, tem sido cauteloso e relutante em agir. Agora, porém, terá dificuldades em recuar sem perder sua credibilidade. A não ser que algo mude. Uma pergunta ainda permanece
Rússia É importante lembrar também que diplomatas americanos e russos devem se encontrar nesta semana na Holanda para discutir a pacificação da Síria - e um ataque perpetrado pelos EUA reduziria suas chances de sucesso no diálogo. Ameaças, por sua vez, podem aumentá-las. Ainda que Obama possa ignorar as advertências russas, o argumento central de Moscou reverbera: os russos querem evitar uma iminente guerra.
Possível ofensiva? Em entrevista à BBC, o chanceler britânico, William Hague, disse que Reino Unido e seus aliados podem intervir militarmente na Síria mesmo sem ter o aval de
CONFRONTO
Manifestantes pedem a Obama que tenha cautela ao provocar uma guerra contra os sírios
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
diadia@emtempo.com.br
Apreensões de drogas chegam a 300 toneladas
(92) 3090-1041
Dia a dia C2
Uma vida sobre
duas rodas
Ainda alvo de muita desconfiança, o mototaxista em Manaus quer conquistar clientela e respeito em meio a tantos problemas gerados por maus condutores, entre vários outros GUILHERME ALVES Equipe EM TEMPO
E
m qualquer cidade, grande ou pequena, a melhor alternativa para se chegar rápido a um lugar, por via terrestre, é utilizando a moto. Os que não possuem o veículo de duas rodas dependem dos mototaxistas - categoria que, após a regulamentação, busca alcançar um objetivo ainda maior: conquistar o cliente. O desafio para tentar ganhar um passageiro está em atitudes simples e pequenos detalhes que vão ganhando espaço no meio. A gentileza, honestidade, acessórios bem cuidados e um cartão de visita sempre em mãos podem até mesmo fidelizar a clientela. Com os capacetes regularmente limpos e com uma maneira humilde de tratar o cliente, o mototaxista Edelton Vieira, 34, há seis anos no ramo, tem sustentando sua família com o trabalho e ainda não pensa em trocar de função. “É preciso ser gentil, educado, prezar pela limpeza é saúde do cliente. Temos que estar prontos para oferecer o melhor
serviço, pois nem todos os clientes são iguais. Consigo tirar o sustento apenas com este trabalho”, disse. Para se destacar no ramo, Edelton afirma, há pessoas que não se importam se o capacete está limpo ou se vai sujar o equipamento, porém a diferença está nas precauções que serão tomadas para agradar quem se preocupa, e inovar é uma boa opção.
SEGREDO
O desafio para tentar ganhar um passageiro está em atitudes simples que vão ganhando espaço no meio, como gentileza, honestidade e acessórios bem cuidados “A gente trabalha com o público, e nem sempre todos se cuidam da mesma maneira, por isso tenho sempre comigo toucas para proteger o cabelo, lenços de rosto caso a pessoa esteja suada ou queira utilizar para limpar o assento ou o capacete”, explicou. As “touquinhas” chamam atenção de várias pessoas que passam. A equipe do EM TEMPO passou um
curto tempo no ponto onde o mototaxista aguarda os clientes e notou que, sempre quando um passageiro colocava a touca, as pessoas que passavam ficavam observando o que estaria ocorrendo e a opinião era sempre igual: uma ideia boa e diferente. “É a primeira vez que eu vejo, mas gostei, acho que ele deve conseguir mais clientes que muitos outros. Eu não pego um mototaxista com um capacete melado de suor”, opinou a vendedora Paula Ferreira, 28. Sol e chuva Diferente do motorista comum, o mototaxista está sujeito a diferentes condições climáticas e do ambiente, uma vez que sua proteção se limita à própria roupa e ao capacete. O sol, a chuva, a poeira, as imprudências no trânsito e os mototaxistas “piratas” são os principais problemas enfrentados. “É um trabalho cansativo e desgastante. Além de ter que enfrentar qualquer tempo e em qualquer lugar, às vezes eu acordo 4h, passo o dia todo trabalhando e só termino 23h”, comentou Edelton. Além disso, precisam se preocupar com o trânsito, pois em uma colisão, por exemplo, não importa quem está certo ou no direito: o menor sempre perde.
Problemas e regulamentação Outro problema enfrentado pelos mototaxistas é a desconfiança dos clientes quanto ao valor cobrado. Até que sejam implantados os motocímetros – aferidores de percurso percorrido pela moto, semelhante ao taxímetro – os trabalhadores precisam sempre ser questionados quanto ao preço informado. “Há mototaxistas que cobram valores muito altos, assim como tem clientes que querem pagar o valor referente ao gasto de gasolina da quilometragem rodada”, conta Edelton. “Infelizmente a forma como as pessoas veem nosso trabalho não é boa, pois tem muita gente que acha que todo mototaxista é pilantra”, afirmou a mototaxista Suziane Neves, 28. Segundo ela, existem vantagens e desvantagens de ser mulher no ramo. “Por um lado é bom porque
O mototaxista Edelton Vieira em atividade: honestidade e gentileza com o cliente são essenciais para o negócio
o cliente sente mais confiança e acaba preferindo ir comigo, mas por outro lado ser mulher facilita o assalto. Eu já fui assaltada uma vez”, acrescentou. Os mototaxistas registrados também afirmam que outro grande problema são os “piratas” que não pertencem a nenhuma associação ou sindicato e oferecem o serviço de qualquer jeito. Aprovado em 14 de agosto último, o projeto de lei 282/2013, que regulamenta a atividade de mototaxista em Manaus, determina que, além das exigências da lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), o mototaxista deve ter 21 anos completos; possuir habilitação, por pelo menos dois anos na categoria, e ser aprovado em curso especializado, nos termos da regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
ALEXANDRE FONSECA
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Criminosos por trocados Em sete meses, mais de 300 toneladas de entorpecentes foram apreendidas pela polícia no Estado, na posse de ‘mulas’ que, na maioria, são mulheres que decidem arriscar suas vidas no transporte de drogas dentro e fora do país
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Mulher presa com entorpecentes escondidos sob as roupas em uma das operações desencadeadas pela Polícia Civil: levantamento mostrou que mulheres se submetem mais ao trabalho de “mulas” PAULA CASTRO Equipe EM TEMPO Online
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volume do tráfico de drogas aumentou nos últimos seis meses, conforme dados apurados pela Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecente (Depre). Há constatações de que, em 2013, cada vez mais pessoas estão sendo presas por transportarem os entorpecentes. Conhecidos como “mulas”, esses indivíduos colocam suas vidas em risco por pequenas quantias em dinheiro, como explica a delegada titular da Depre, Vanêssa Ricardo. Somente nos primeiros sete meses deste ano, já foram apreendidos 303.606 quilos de entorpecentes na Depre, e, junto da mercadoria, dezenas de pessoas detidas. Se a estatística continuar nessa linha crescente, conforme assinalam os números, a tendência é que vários outros flagrantes desse tipo se tornem mais comuns em Manaus. A maconha foi a droga que registrou maior apreensão apenas no primeiro semestre do ano, seguida pela cocaína. Normalmente, as “mulas”
chegam de avião e vêm de diferentes locais. E, apesar de não existir um perfil típico, a maioria é de mulheres entre 21 e 50 anos, e que representa um comportamento diferenciado dos demais passageiros. A delegada Vanêssa Ricardo preferiu não revelar as técni-
Geralmente as apreensões e prisões acontecem após alguns meses de investigação. Temos como peça fundamental as denúncias Vanêssa Ricardo, delegada
cas usadas para identificar os traficantes, mas adiantou que a sensibilidade dos investigadores da Polícia Civil (PC), aliada à tecnologia, dificulta que os investigados consigam seguir viagem. Vale ressaltar que as maiores apreensões realizadas neste ano foram em embarcações
oriundas do interior do Amazonas ou da cidade de Porto Velho (RO). “Geralmente as apreensões e prisões acontecem após alguns meses de investigação. Sem contar que temos como peça fundamental as denúncias”, apontou. Os “bons” valores pagos pelos “barões” do tráfico às mulas fazem com que pessoas comuns e desesperadas por dinheiro aceitem arriscar a própria vida nesse comércio ilegal. As investidas policiais mandaram para a cadeia, nos últimos sete meses, 21 pessoas acusadas de tentarem embarcar em voos domésticos com substâncias proibidas. Em maio passado, a polícia recebeu a informação de que duas pessoas iriam desembarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, provenientes de São Paulo, com drogas nas malas. No desembarque foram identificadas as “mulas” e, por solicitação policial, suas bagagens foram submetidas à máquina de raio-X, quando foi constatada a existência de drogas. Eles foram conduzidos ao saguão do aeroporto, e, na saída, receberam voz de prisão.
Investigações intensificadas O delegado titular do 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Ivo Martins, explicou que a polícia tem intensificado as investigações para combater os atos ilícitos. “A gente trabalha com sistema de investigação. Ou seja, recebemos as informações, muitas vezes através de denúncias, que nos chegam por meio do disque 181 da Secretaria de Segurança, que apura a veracidade das informações. Constatando que são verdadeiras, a
gente monta um cerco para identificar as pessoas e, efetivamente, fazer as prisões. Assim ocorreram com essas quatro grandes quantidades apreendidas neste ano, no aeroporto da capital amazonense. Os ‘mulas’ sempre existiram, e, eu creio, até que passe muito mais delas do que consigamos pegar, acabam passando mais drogas do que a gente imagina. Porém, os próprios traficantes têm visto que a empreitada deles não é correta e pro-
curam outras vias. É quando eles enviam pelos rios ou outras maneiras que não pelo aeroporto de Manaus”, emendando que nos últimos dias uma menor foi apreendida quando vinha de Campo Grande, mas, antes passou por Cuiabá, Santarém até o seu destino final Manaus com 15 quilos de drogas. De janeiro a julho de 2013, o 18º DIP realizou quatro grandes apreensões, o que resultou em 135 quilos de maconha.
Segundo balanço da Depre, em sete meses foram apreendidos 303.606 quilos de drogas
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Games no banco dos réus
Massacre da família Pesseghini, em São Paulo, supostamente executado pelo filho do casal, reacende a antiga - e aparentemente infindável - discussão sobre a influência dos jogos de características violentas sobre o comportamento REPRODUÇÃO
LUCIANO LIMA Equipe EM TEMPO
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recente chacina da família Pesseghini na vila Brasilândia, em São Paulo, reacendeu a polêmica em torno da influência de jogos de videogames violentos sobre crianças e adolescentes. Apesar de muitos questionamentos e divergências na investigação da morte das cinco pessoas, o principal suspeito ainda é o jovem Marcelo Pesseghini, 13, que supostamente planejou os crimes, executou a família e em seguida teria tirado a própria vida. A hipótese atualmente sustentada pela polícia gira em torno do fascínio que o garoto possuía por jogos como “Assassin’s Creed”, cuja série de ficção-história faz alusão a uma batalha travada entre assassinos e templários em momentos distintos da história da humanidade. A afirmação de que esse seria um dos fatores que motivaram o garoto a supostamente cometer os crimes tem dividido amantes dos jogos e levantando dúvidas quanto aos limites que devem ser impostos aos jovens na escolha de jogos de entretenimento. A psicóloga Nelma Campelo da Mata Romano explicou que os jogos eletrônicos contribuem para uma patologia. “Os
games interferem, e muito, na vida da criança. Se o jovem começar a assistir diversas vezes ela tende a repetir esse comportamento segundo a teoria da aprendizagem de Albert Bandura”, afirmou. “Ao assistir ou brincar com um jogo violento ele tende a repetir isso na interação com os familiares e também na escola, onde justamente afloram os problemas de desempenho educacional e a convivência até com os colegas de turma”, explicou a psicóloga. Defesa Apesar das duras críticas da opinião pública quanto à influência negativa dos jogos, adeptos desses passatempos defendem uma investigação mais apurada acerca do caso “Pesseghini”. O acadêmico de administração Andrew Kartes, 18, acredita que deva haver um olhar mais apurado. “Não acho que influencie, pois tudo depende da formação da pessoa, se os pais passaram uma boa educação. A criança conseguindo absorver que realmente é apenas um jogo, ela não levará isso para sua vida e nem se tornará o personagem”, falou. “Eu jogo ‘Call of Duty: Black Ops’ e há um prazer sim. Acredito que na minha condição é uma questão de autossuperação, evolução de táticas e estratégias”, argumentou.
Imagem do jogo “Assassin’s Creed”, um dos mais populares da atualidade: jogos que podem influenciar negativamente o homem
Um mercado sedutor e cheio de cuidados O avanço da tecnologia e a realidade empregada em gráficos cada vez mais perfeitos nos jogos chamam a atenção dos amantes dessa fatia de mercado crescente no mundo. Como qualquer produto os jogos possuem classificação de uso por faixa etária. Nos Estados Unidos, a ESRB (Entertainment Soſtware Raſting Board) é o órgão que regula
e faz a classificação do conteúdo por meio de selo de identificação. No entanto, esta classificação passa muitas vezes despercebida por pais que não observam o selo ou muitas vezes até desconhecem o conteúdo do jogo. O designer gráfico Cláudio Cruz, 23, defende a política de uso dos jogos. “Esse tipo de argumento não sustenta uma acusação, já que a limitação
da faixa etária para os jogos está aí para ser respeitada e os próprios pais não se dão conta disso às vezes”, contou. “Eu nunca deixaria meus filhos jogarem jogos violentos, pois eu seria o primeiro a estar com eles na compra dos jogos. Acho que para uma boa formação de personalidade da criança os pais têm que estar presentes”, completou o designer.
A psicóloga Nelma Romano reforçou que a neurociência explica também que aquilo que o ser vivencia consciente ou inconscientemente, tende a ser potencializado pelo cérebro humano. A profissional também lembrou que uma criança que joga videogame violento pode reproduzir o conteúdo no mundo real por ainda não possuir crivo para separar fantasia de realidade.
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FOTOS: IONE MORENO
Opressão, sim. Ministério Público do Trabalho expõe a verdadeira face do trabalho infantil que deve ser combatida sobretudo no interior do Estado, onde a “ajuda” de crianças e adolescentes é banalizada por costumes sociais CHRIS REIS Equipe EM TEMPO
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Para a procuradora do MPT, Alzira Melo Costa, apesar de muito batido, o tema do trabalho infantil é bastante complexo e tem que levar em consideração uma série de situações bem regionalizadas
essa é uma forma de escaparem da marginalização. A sociedade fecha os olhos e finge que não está vendo e não é errado. Na verdade, é o inverso do que pensam, pois as crianças pobres precisam ter oportunidades de ascensão social e somente a conseguirão estudando, e não trabalhando.
Permitir que crianças pobres trabalhem é condená-las duas vezes”, opina. Outra ponta dessa situação, avalia a procuradora, é quanto às famílias das cidades do interior, onde a economia gira em torno da agricultura. Elas não veem nada errado no fato de as crianças “ajudarem” nos trabalhos. “Os pais dizem que os filhos não estão trabalhando, mas apenas dando uma ajudinha nos trabalhos da roça. Nas cidades do interior nosso trabalho é muito grande, pois a aceitação com essa prática é bem maior”, acentua. De acordo com a procuradora, o Ministério Público tem um papel abrangente porque o objetivo é “quebrar” a cultura (errada) que está impregnada na cabeça da população. Para ela, é um trabalho de “formiguinha” realizado pelo MPT. “Temos um trabalho de incentivo e construção de implementação de políticas públicas para tirar as crianças do trabalho”, disse, complementando que são responsáveis ainda por verificar se os órgãos estão implementando medidas de erradicação do trabalho infantil. HUDSON FONSECA
om os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelando que a exploração do trabalho de crianças e jovens de 5 a 17 anos aumentou na Região Norte entre 2009 a 2011 de 10,1% para 10,8%, e levando em conta que a questão, muito além de mostrar apenas números frios, revela uma questão cultural arraigada nas famílias, foi necessário que o Ministério Público do Trabalho (MPT) tomasse algumas medidas de prevenção e orientação. Para a procuradora do MPT, Alzira Melo Costa, apesar de muito batido, esse tema é bastante complexo e tem que levar em consideração uma série de situações bem regionalizadas. Ela, que também é coordenadora regional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e Adolescente, explica que em muitas situações existe por parte de todos um pacto de não enxergar a exploração que acontece ao lado. Ela cita os casos de meninas que são trazidas dos municípios do interior
para cuidarem de crianças e em turnos diferentes estudarem. “As pessoas acham que estão fazendo caridade, afinal, dão tudo e ainda deixam estudar, mas isso é uma falsa caridade. Isso é oprimir”, salienta, completando que muitas pessoas acham normal crianças em estado de vulnerabilidade trabalharem. Na opinião delas,
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Em muitos casos crianças são utilizadas como mão de obra exposta a perigos e sem formação
Meninos fazem malabarismo em sinal de trânsito: cena cada vez mais comum Garoto trabalha em obra: imagem combatida cada vez mais pelo Ministério Público do Trabalho
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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Caridade, não
A utilização sem limites do trabalho infantil muitas vezes vem disfarçada como uma forma de auxílio no rendimento da família
‘Ajustes para funcionar melhor’ Para tentar reverter essa situação, a Coordenação Regional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e Adolescente já visitou algumas cidades, entre elas Parintins, onde buscou informações nos Conselhos Tutelares, prefeitura e escolas. “Em Parintins, assim como em outros municípios, essa rede precisa de ajustes para funcionar melhor”, avalia Alzira Costa. Sobre as políticas públicas, a procuradora explica que segundo a Constituição Federal, todas as prefeituras têm que destinar um percentual do orçamento para ser implementado na prevenção e erradicação do trabalho infantil. Visando não apenas a retirada das crianças e adolescentes do trabalho, mas também aumentar o nível de conscientização da população, o MPT está implementando algumas ações, de acordo com a procuradora. Segundo Alzira, a primeiro é da aprendizagem, realizada concomitantemente junto a jovens e instituições, que visa a conscientização
de todos, implementando políticas públicas evitando trabalhos em feiras e mercados, que podem levar à exploração sexual. O outro é o projeto Sinaleira, que, como o nome sugere, tem a intenção de tirar crianças e jovens dos sinais. “Mas não basta apenas dizer que não pode, temos que dar opção, como colocá-los em programas educacionais tanto no município quanto no governo federal”, revela. O projeto que é “menina dos olhos” da procuradora é o “MPT na escola” – que está em via de ser assinado com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) - consiste em levar o tema sobre o trabalho infantil aos estudantes. “A implantação está avançada. Será tratado de forma transversal e não jurídica em todas as disciplinas possíveis. Não daremos um enfoque jurídico, afinal estamos tratando com crianças e adolescentes, mas vamos mostrar que se ele não trabalhar terá mais oportunidades de ganhar dinheiro. Isso numa aula de matemática, por exemplo”, informa.
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Dia a dia
Sujou, pagou? IVE RYLO Equipe EM TEMPO
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ultas que variam de R$ 157 a R$ 3 mil para quem jogar lixo nas ruas cariocas parecem estar mesmo surtindo efeito. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio divulgou que apenas uma semana após a aplicação da lei, o volume de lixo coletado nas ruas reduziu em 34%. Um projeto semelhante hiberna há dois anos na Câmara Municipal de Manaus (CMM), na capital que emprega cerca de R$ 12 milhões por mês em coleta e aterro dos resíduos sólidos. A medida divide opiniões entre moradores e representantes da administração municipal. A maioria das pessoas entrevistadas elogiou a iniciativa deflagrada no Rio. Para o autônomo Luciano Silva, 37, a medida coercitiva pode ser uma saída, uma vez que a população não contribui com a limpeza da própria cidade. “Acho essa lei muito importante. O povo não tem preocupação com o meio ambiente ou com o que o município vai gastar coletando o lixo para limpar as ruas. Acho que só existe uma maneira de educar o povo: fazer com que a lei seja cumprida, aplicando multas. Que doa no bolso, dessa forma o povo vai se educar. É um absurdo a pessoa esperar a prefeitura limpar frente da casa, isso é papel de quem mora”, afirmou o autônomo Luciano Silva, 37. A doméstica Gracileide Lopes, 50, acredita que a aplicação das multas pode garantir que o centro comercial da cidade seja mais limpo. “Acho válido, só assim poderemos ter uma cidade limpa, principalmente o Centro que é mais sujo, próximo aos lanches e camelôs nas paradas de ônibus”, disse a doméstica Gracileide Lopes, 50. Além de diminuir a quantidade de resíduos lançados em via pública, a cozinheira Zeneide Silva do Nascimento, 58, acredita que a lei poderia reduzir até mesmo a sujeira nas áreas de convivência dos conjuntos habitacionais. “Achei a lei ótima, e seria importante se fosse aplicada aqui, principalmente no Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus), onde eu moro. Vai
FOTOS: IONE MORENO
A aplicação de multas para quem joga lixo nas ruas, já em prática no Rio de Janeiro, tem ecos de apoio na capital amazonense. O problema é estrutura e a “ressurreição” do projeto local, parado desde 2011 fazer seis anos e todo tempo eu falo para a minha vizinha, que mora em cima, não jogar pito de cigarro e os filhos dela pacote de ‘milhitos’ no chão. Mas, não tem jeito”, afirmou a cozinheira. O estudante de enfermagem Ismael da Mota, 28, acredita que essa é uma maneira de garantir todas as zonas da cidade limpas, não apenas as áreas nobres. “O governo do Rio agiu correto. Nos bairros mais ricos como o Leblon, são mais organizados. Mas nas outras áreas em que a TV não mostra, tem muita sujeira. Falta mais consciência da população para ter uma cidade limpa. Acho que a lei deveria ser aplicada aqui”, afirmou o Ismael da Mota. Para a auxiliar de cozinha Lucileina Gonzaga, 46, as multas poderiam incentivar a população a desenvolver hábitos saudáveis. “Acho que em Manaus já deveria ter sido aplicada há mais tempo. Lá onde moro, próximo à avenida das Torres, tem coleta seletiva, mas não tem capinação. O povo ainda joga lixo e fica pior”, afirmou Gonzaga.
Projeto local ainda está ‘estacionado’ Há dois anos tramita na CMM o projeto de lei 086, chamado “Manaus Saudável”, que proíbe e prevê inclusive multa a quem jogar lixo em via pública. O morador que sujar a cidade, seria multado de 1 a 20 unidades fiscais do município (UFMs). Cada UFM equivale a R$ 74,59. O projeto apresentado em junho de 2011, de autoria do vereador Massami Miki, foi aprovado em dezembro daquele ano pela Comissão de Constituição Justiça e Redação (CCJR), e está sob análise da Comissão de Finanças, Economia e Orçamento (CFEO), desde então. Enquanto no Rio de Janeiro o ato de jogar lixo na rua gera multa, em Manaus e outras cidades cenas como esta se repetem
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SEMULSP DIVULGAÇÃO
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Paulo Ricardo Farias, da Semulsp: cidade não tem estrutura
Experiência difícil em Manaus Dos R$ 12 milhões mensais gastos com coleta e aterro dos resíduos sólidos em Manaus, R$ 1 milhão é direcionado à coleta de lixo lançado nos igarapés que cortam a cidade, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). A secretaria não tem estimativa de quanto é gasto, ou quantas toneladas de lixo lançadas em via pública são recolhidas pelos agentes. Para o secretário da Semulsp, Paulo Ricardo Rocha Farias, a experiência vivenciada no Rio de Janeiro pode não se adequar às necessidades de Manaus, uma vez que poderia ser difícil deslocar policiais militares para trabalhar no programa. “No Rio foram criadas 190 equipes compostas por um PM, um gari e um fiscal de meio ambiente. Foram deslocados 190 policiais, uma coisa que no nosso caso, seria muito difícil: colocar o PM para limpeza urbana. Com certeza a população de Manaus tem como ajudar e disposição para isso, sem precisar mobilizar todo o efetivo militar para evitar que joguem papel no chão”, salientou.
Falta mais motivação para o povo Para Farias, o uso da força militar na segurança seria mais interessante, e o investimento em campanhas educativas pode gerar um resultado mais efetivo. “As pessoas já têm consciência, o que falta é motivação”, defendeu. Ele lembrou que o Código de Postura prevê a destinação de um fiscal de postura, que diariamente está em campo para analisar e multar casos de descarte clandestino ou lixeiras viciadas. “O valor gasto com coleta e aterro se reduziria muito com a implementação efetiva da Política Nacional de Resíduo Sólido”, pontuou.
Lixo jogado em rua da Zona Sul da capital amazonense: problema de conscientização cada vez mais difícil sem punições
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MANAUS, DOMINGO, 1ยบ DE SETEMBRO DE 2013
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Plateia MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
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(92) 3090-1042 1042
Três décadas
A primeira ópera que o maestro regeu foi em 1983, no Theatro Municipal de São Paulo
no comando das batutas No Amazonas desde 2000, maestro Luiz Fernando Malheiro comemora 30 anos de carreira com concerto especial
FOTOS: MICHAEL DANTAS/ARQUIVO
GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
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primeiro fim de semana do mês de setembro será marcado pelo concerto especial que a Orquestra Amazonas Filarmônica (OAF) prepara em homenagem aos 30 anos de atividade artística do maestro Luiz Fernando Malheiro. A apresentação acontece no domingo, dia 8, no Teatro Amazonas, e faz parte da “Série Guaraná”. Com pelo menos uma hora e meia de duração prevista, segundo o maestro Marcelo de Jesus, o espetáculo que homenageia o regente titular a OAF está dividido em três momentos distintos e contará com algumas participações especiais. Na primeira parte, o maestro adjunto Otávio Simões será o responsável por reger a abertura da ópera “Fosca”, de Carlos Gomes. Na sequência, o maestro Malheiro assume a batuta e executa “O guarani”, igualmente de Carlos Gomes. “Esta, talvez, seja a mais emblemática obra dele com a OAF”, diz Marcelo de Jesus. Logo depois, Malheiro rege três trechos de ópera, que são compostos por duas árias e um dueto. As árias (“Song to the moon”, da ópera “Rusalka”, e uma parte da ópera “Madame Butterfly”, de Giacomo Puccini) serão interpretadas pela soprano carioca Daniella Carvalho, que mora em Nova York. O dueto será referente a outro trecho de “Madame Butterfly”, no qual Daniella cantará junto com o tenor gaúcho Juremir Vieira, amigo do maestro Malheiro desde o início de carreira musical e que por diversas vezes foi convidado no Festival Amazonas de Ópera (FAO). “Vieira esteve na primeira ópera que o maestro Malheiro regeu, no Theatro Municipal de São Paulo (em 1983)”, lembra Marcelo
de Jesus, que é o responsável pela terceira e última parte do concerto. “Vou reger “Mandu Sarará” e “Choro nº 10”, ambos de Villa-Lobos”, diz. O dia 8 de setembro é a data exata em que Luiz Fernando Malheiro regeu pela primeira vez uma ópera (“Werther”, do francês Jules Massenet) e, por isso, é a escolhida como marco inicial de sua carreira como maestro. Em Manaus, o maestro esteve
Desde 2000, o maestro se fixou no Amazonas
Semana da Pátria sonora
Há 30 anos, quando comecei a me envolver mais na carreira, tudo era bem diferente. Os maestros não se comunicavam entre eles. Hoje não é assim
No dia que o Estado celebra a data de elevação do Amazonas à categoria de província (5 de setembro), a OAF apresenta um concerto especial. Em continuação ao programa de execução integral dos choros de VillaLobos, a orquestra toca o “Choro nº 11”, considerado pelo próprio maestro Marcelo de Jesus, que vai reger o concerto, o mais difícil da série. “Esse é o penúltimo choro escrito por ele e igualmente o penúltimo da orquestra para completar os 12 que compõem o ciclo de Choros & Bachianas Brasileiras. A duração somente dessa peça, por exemplo, é uma hora e 20 minutos, aproximadamente”, diz. A composição é destinada para orquestra e piano solista. Para isso, a OAF recebe a participação especial do pianista paulista Paulo Henrique Almeida, que esteve no FAO deste ano. Formado em música pela Universidade de São
Luiz Fernando Malheiro, maestro
em concerto em 1998, retornou no ano seguinte como convidado para ser o diretor artístico da edição do FAO daquele ano e, em 2000, assumiu em definitivo o cargo. Para Malheiro, a realidade de produzir música clássica na região Norte e no Brasil como um todo já vem apresentando novos sinais de mudanças. “Há 30 anos, quando comecei a me envolver mais na carreira, tudo era bem diferente. Os maestros não se comunicavam entre eles. Hoje não é assim. Quase todos conversam, trocam experiências, regem uns as orquestras dos outros. Hoje, os diálogos são mais possíveis. Ainda existem resistências, mas o quadro é outro, sem dúvidas”, afirma.
Fernando Malheiro é diretor artístico do festival de ópera
Paulo (USP), Paulo detém diversos prêmios como instrumentista e atua como preparador de ópera no Theatro Municipal de São Paulo. “É um dos nomes mais importantes da nova geração. Ele tem apenas 26 anos de idade, mas possui uma maturidade muito grande”, comenta Marcelo de Jesus. A Série Guaraná contempla, ainda, para o próximo fim de semana, um concerto específico para a não deixar em branco a passagem do Dia da Independência. No sábado, dia 7, a OAF faz apresentação em dois momentos, a partir das 20h. O maestro Otávio Simões rege os hinos do Brasil, do Amazonas, da Independência e de Manaus. Logo depois, o maestro Marcelo de Jesus apresenta “Mandu Sarará” e “Choro nº 10”, de Villa-Lobos. Estão confirmadas as participações do Coral do Amazonas e do Coro Infantil do Laocs.
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>> Nova top
Fernando Coelho Jr.
. O Grupo Top Internacional está prestes a inaugurar nova loja em Manaus.
fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br James Cavalcanti, Waisser Botelho e Rafael Kowalski
>> Brigadeiro . Martha e Clóvis Cruz Jr. pilotaram uma bela festa quinta-feira no Mega Planet, comemorando o primeiro ano da filha Sophia.
Clóvis e Marthinha Cruz com a aniversariante Sophia, na festa no Magic Planet
. A festinha tinha o tema ‘Jardim Oriental’, com lindas cerejeiras e as bonecas Kokeshi no décor. Noite superagradável com a simpatia dos anfitriões, Marthinha e Clóvis, que recebem de forma especial seus convidados. Superprodução assinada pelo expert Junior Carvalho, the Best no quesito festas infantis em Manaus.
Guto Oliveira e a filha Bárbara
. Com mais de 600 metros quadrados, será no Amazonas Shopping , com ênfase em eletrônicos e casa e decoração com marcas exclusivas, além de perfumaria e bebidas com espaço para degustação. A inauguração está prevista para este mês de setembro. A cereja do bolo será o espaço da L’occitane.
Guto e Ana Rodrigues FOTOS: MAURO SMITH
O vice-governador José Melo com Edilene O desembargador Ari Moutinho e Lourdinha, avós maternos da aniversariante Guto Oliveira e a filha Bárbara
Hissa e Amanda Abrahão
>> Niver
Taisa Neves, Lene Oliveira e Isabel Prata
Ari e Andréa Moutinho com o filho Ari Neto
Michele e Edson Cunha
Mauro Gabriel, Vanda, Odete Figueiredo, Daiana Pereira com a filha Elizabeth e o sr. João Pereira
. Bete Dezembro e Daiana Pereira festejaram o primeiro aniversario da bambina Elizabeth, no Elegance, na noite de quinta-feira.
Marcello Coelho e Ana Rachel Lobo
. Linda festa com o personagem ‘Galinha Pintadinha’. Ambientação e organização ímpar com cerimonial da competente Zeina Neves e serviço do estrelado Buffet Village. Festão que movimentou o Alto de Adrianópolis. Bete e Daiana grandes anfitriãs!
Daiana Pereira e Bete Dezembro com a aniversariante Elizabeth na linda festinha no Elegance
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‘Mais que Dilmais’, hoje
Além das sátiras à presidente da República, Dilma Rousseff, o show de Gustavo Mendes, com apresentação única no Teatro Direcional, conta com imitações de nomes como Maria Betânia, Alcione, Fagner, Ana Carolina, entre outros
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nterpretações musicais, stand-ups, piadas e ainda sátiras aos comportamentos da presidenta da República, Dilma Rousseff, compõem o show “Mais que Dilmais” apresentado pelo comediante global Gustavo Mendes. O espetáculo será exibido hoje no palco do Teatro
Comediante é exigente e profissional De acordo com o comediante, o segredo para apresentar espetáculos diferentes a cada agendamento está na reformulação semanal da estrutura do show. Ele se identifica como um profissional perfeccionista e exigente, que precisa se divertir junto com o público para entender que está fazendo um bom trabalho. “Se não estiver à vontade a cada interpretação penso que meu trabalho não está alcançando o objetivo . Enjoo facilmente das coisas, só ainda não mudei o nome do show porque o meu produtor não deixou”, declarou.
GRATUITO
Cantora faz show no teatro O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), promove no dia 1º de setembro o show “Um canto para a América Latina”, da cantora peruana radicada no México, Tania Liberdad. O evento acontecerá no Teatro Amazonas (largo de São Sebastião, s/nº, Centro, Zona Sul). A entrada é gratuita. A turnê da artista será apresentada em Manaus por meio de uma parceria com as embaixadas do México e do Peru no Brasil. A capital do Amazonas é a sexta e última parada da série de seis apresentações no país. Uma característica marcante dos shows aplaudidos por crítica e público de São Paulo, Brasília, Ceilândia, Rio de Janeiro e Niterói é a capacidade de Liberdad de transcender com o que conhecemos como a “tradicional música peruana/andina” e revisitar gêneros como a música negra, baladas e boleros tão característicos dos latinos assim como canções de protesto, árias operísticas, rancheiras e claro, a música brasileira, com a qual mantém uma estreita relação e já dividiu o palco com Gal Costa, Chico Buarque e Caetano Veloso, no show em homenagem ao baiano em Las Vegas (EUA) em 2012. Premiada com o Grammy Latino, Libertad começou sua carreira artística aos 8 anos de idade e soma 37 discos gravados e mais de 40 milhões vendidos no mundo. Sua obra transcende a música tradicional peruana.
Direcional a partir de 19h. A apresentação inicia com uma conversa entre o humorista e o público, momento em que ele cria um diálogo rápido e engraçado que deve determinar a linha cômica a ser adotada pelas próximas horas. O mineiro explica que adotou essa prática ao perceber as
diferenças existentes entre os públicos da cada cidade brasileira. “Faço isso de cara limpa, sem caracterização. A partir do primeiro contato vou saber como proceder até o final do show. Há públicos que são conservadores, outros mais joviais ou que mantém características voltadas para
casais”, explica. O espetáculo é uma soma das principais personagens interpretadas pelo comediante e dos seus melhores textos. Imitações a artistas como Maria Betânia, Alcione, Fagner, Ana Carolina, Joana, entre outros, fazem parte do seu repertório. Além das performances em
que Mendes retrata os acontecimentos atuais do cenário local e nacional. O show tem duração de uma hora e meia. “Tenho buscado informações sobre Manaus. Como está a questão das manifestações e outros assuntos que possa vir a abordar”, disse o artista. Em poucas palavras, Men-
des anunciou que o público vai conferir uma surpresa. “Será em um momento bem especial do show, mas só quem for ao teatro vai saber do que se trata”, disse aos risos. O ingresso custa R$ 40 e estão à venda na bilheteria do teatro, no Manauara Shopping.
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RESENHA
Paixões
em família CÉSAR AUGUSTO* Equipe EM TEMPO
PERFIL
César Augusto é jornalista, editor do caderno Dia a dia
A
rnaldo Jabor se aventurou pelo universo do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) em duas ocasiões, em adaptações bem-sucedidas, ainda que limitadas pelas condições técnicas da produção cinematográfica brasileira na década de 1970. Depois de “Toda nudez será castigada”, de 1973, 2 anos depois ele exploraria o tema do incesto em “O casamento”. No filme, baseado no romance escrito por Rodrigues em 1966, Glorinha (Adriana Prieto, bela atriz que morreria em um acidente de automóvel no ano do lançamento da película de Jabor) está prestes a casar com Zé Honório (André Valli). A jovem, sem saber, desperta o amor do próprio pai, o industrial Sabino (Paulo Porto), casado com Noêmia (Camila Amado) mas que mantém um caso com sua secretária DIVULGAÇÃO
Eudóxia (Mara Rúbia), em quem “desconta” sua atração incestuosa pela própria filha. Desse modo, tenta esconder sua paixão proibida, centrado em levar adiante o casamento de Glorinha mesmo após descobrir que seu genro é homossexual por meio do amigo Camarinha (Fregolente). Esse drama se estende nos flashbacks de Glorinha, quando se descobre sua vida desregrada com Antônio Carlos (Érico Vidal), filho desajustado e suicida de Camarinha, até o final trágico, bem ao estilo rodrigueano, envolvendo crimes passionais e autopunição. O mesmo tema teve uma adaptação mais sofrível dirigida por Braz Chediak em 1981. “Álbum de família” trazia o incesto para mostrar a degradação moral, mas acabou se tornando um filme arrastado e superficial, apesar do bom nível do elenco, que trazia estrelas de destaque daquela década, como Lucélia Santos, Dina Sfat, Rubens Correa e Vanda Lacerda. Na história, Jonas
(Rubens Correa) é casado com Senhorinha (Dina Sfat), mas a aparente harmonia familiar começa a se destruir aos poucos por conta do amor que sente pela filha mais nova, Glória (Lucélia Santos), também desejada pelo irmão Guilherme (Marcos Alvisi). Enquanto este se refugia em um seminário para escapar da paixão proibida, Jonas manda Glória para um colégio de freiras e, na intenção de satisfazer seus desejos, tira a virgindade de garotas da vizinhança com ajuda da cunhada Ruth (Vanda Lacerda), a qual o ama. O outro filho do casal, Edmundo (Carlos Gregório), mesmo casado, nutre paixão pela própria mãe, que o leva a não consumar o casamento, mas Senhorinha ama o caçula louco, Nonô (Gustavo José), o qual corre pelos campos da propriedade da família nu e aos gritos. A volta de Glória, Guilher-
me e Edmundo para casa vai gerar conflitos entre os familiares movidos por essas paixões proibidas. Bem adaptada, a peça de Nelson Rodrigues poderia ter sido melhor aproveitada. Em vez disso, tornou-se um desperdício de talentos naquela época. Foi lançado em VHS, mas nunca chegou à era do DVD, ao contrário de “O casamento”, disponível juntamente com outros filmes de Arnaldo Jabor. “Álbum de família” vale, apenas, como curiosidade e para conhecer trabalhos de artistas de grande potencial já falecidos, como Dina Sfat, Rubens Correa e Vanda Lacerda.
As adaptações de “O casamento” e “Álbum de família” retratam o tema talvez mais polêmico de Nelson Rodrigues em sua obra: o incesto”
HOJE
Dessanas na Tacacaria Parintins
Grupo é pioneiro em colocar mulheres para cantar toadas
Hoje, a partir das 17h, a Tacacaria Parintins, localizada no Centro Social Urbano (CSU) do bairro Parque 10, terá a presença do grupo As Dessanas, dentro do projeto “Tacacá com pavulagem”. Elas prometem um show com um repertório repleto de toadas de Garantido e Caprichoso. Além de música, o espaço também terá exposição do artista plástico Edh Soares, que cria miniaturas dos bois de Parintins, além de outros souvenires temáticos.
Não há cobrança de couvert artístico. De acordo com Suzanna Batista, proprietária do espaço, a ideia é sempre trazer alguma artista local ou até mesmo fotógrafo local para expor na tacacaria. “Afinal temos que fazer jus ao nosso slogan”, explicou, lembrando a frase que marca a tacacaria: “Somos mais que sabor, somos a identidade de um povo”. Na opinião de Hêmilly Lira, uma das integrantes do grupo, cantar na Tacacaria Parintins é uma boa
oportunidade para mostrar o trabalho nessa volta do grupo, pois é um lugar onde as pessoas que se identificam com a cultura da toadas sempre prestigiam os artistas. Grupo As Dessanas são Ana Claudia Ribeiro, Susy Maury, Hêmilly Lira e Isabela Nogueira. O grupo teve o nome inspirado na primeira toada interpretada por essas vozes feminina, que narra o mito da criação do mundo na visão do povo
Dessana, que habita o alto Rio Negro.Criado em2006 pelo jornalista, Herman Marinho, tem como objetivo levar ao mundo as canções inspiradas no imaginário dos povos que habitam a maior floresta tropical do planeta. Pioneiro no gênero entre as mulheres, marcou o cenário musical amazonense, e após alguns anos separadas decidiram retornar aos palcos para enaltecer a cultura amazonense e relembrar todo o encanto da união de vozes das quatro cantoras.
LANÇAMENTO
Hip-hop no CD de Arctic Monkeys O novo disco da banda de indie rock Arctic Monkeys, elaborado e gravado na Califórnia, mostra que os garotos ingleses de Sheffield aprenderam alguma lição do hip-hop americano. “AM”, que será lançado no próximo dia 9, tem influência do rapper Dr. Dre, referência mencionada pelo vocalista do grupo, Alex Turner. Mas o sucesso de vendas de Jay-Z e Kanye West também foi uma inspiração. Os jovens introduziram ao repertório uma bateria eletrônica, outra novidade na carreira que caminha para completar uma década. O rock dos anos 1970 do Black Sabbath, que já faz parte do cânone da banda, também foi motivação para este quinto trabalho, pilotado pelo produtor e amigo James Ford e co-pilotado por Ross Orton, “o grande responsável por unir a equipe”, disse o baterista Matt Helders à “Folha”.
Josh Homme, do grupo americano Queens of the Stone Age, participa com vocais que, segundo Tuner, vieram à tona em uma noite em que a turma tomava seus drinques. Turner participara com letras e voz no sexto disco da banda de Homme. A imagem que abre “AM”, uma simulação de ondas de rádio formando as iniciais de Arctic Monkeys, é obra do vocalista, que desconversa ao ser questionado se suas habilidades extrapolam a fronteira musical. “Foi só uma ideia que me veio à cabeça”. Conhecidas O disco já tem três músicas divulgadas e uma fila de pedidos dos fãs para, segundo Helders, “liberar isso de uma vez”. “R U Mine?” saiu no ano passado, “Do I Wanna Know?”, em junho, e “Why’d You Only Call Me When You’re High?”, em agosto.
A estratégia foi intencional, diferentemente do que ocorreu no lançamento anterior. Em tempos de revelações sobre a vigilância praticada pelo governo dos EUA, Turner considera “crucial” o debate sobre monitoramento na rede. “Vigilância é como tantas outras coisas, pode ser usado para o bem e o mal.” “Eu não me sinto sendo muito vigiado, mas, se fosse, seria um problema, pois faço coisas bem estranhas”, completa o baterista.
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Canal 1 plateia@emtempo.com.br
TV Tudo
DIVULGAÇÃO
Bom senso Elenco de “Sangue Bom”, a das sete na Globo, torce para que não aconteçam participações especiais na reta final da novela. E simplesmente porque já existem muitos atores do seu elenco esquecidos, reclamando de tão poucas oportunidades... Se chegar mais gente, então, vai ficar pior ainda. Perguntar não ofende Aliás, excesso de personagens e núcleos não é algo novo na teledramaturgia. Vira e mexe, algumas produções derrapam feio no mesmo problema, revoltando o seu pessoal. Mas, para que insistir nisso? Todos já conhecem o final dessa história.
Modelo na luta Fã de MMA, o modelo Jesus Luz fala da sua paixão por artes marciais, hoje, 22h, no canal Combate, em entrevista a repórter Renata Aymoré.
Esconde-esconde Veja, só como mais um exemplo, o caso da Cristina Mutarelli em “Amor à Vida”. Um nome importante da nossa dramaturgia, colocada como figurante de luxo, irmã do Fagundes, na novela. A maioria não deve saber que o nome da personagem é Priscila.
do autor Tiago Santiago com o SBT, mesmo com a sua saída comunicada há algum tempo. Além disso, foi avisado também que a emissora terá apenas Iris Abravanel, mulher de Silvio Santos, como autora-adaptadora na sua teledramaturgia.
Vida que segue Ontem, 31, terminou oficialmente o contrato
Futebol Com a volta de Marcos Mendonça ao comando da
TV Cultura, são aguardadas também algumas mudanças no “Cartão Verde”, exibido nas noites de terça-feira. Há tantos anos no ar é impossível contar quantas foram as modificações realizadas. Se vira como pode A Cultura ainda adota sistema de rodízio na apresentação do seu principal telejornal, após saída da Maria Cristina Poli.
‘AMOR À VIDA’ DIVULGAÇÃO
Bate–rebate • Os preparativos da Bruna Linzmeyer nas gravações da personagem, Linda Rodrigues, autista em “Amor à Vida”, impressionam os próprios companheiros do elenco... • ...Um processo interessante, que inclui até um tempinho extra para se desconectar, depois do “ok”. • Nesta altura do campeonato, tudo indica que o novo programa da Patrícia Abravanel no SBT, só irá estrear em 2014. • Emissoras da Bandeirantes, no Rio e Brasília, aguardam investimentos na área de equipamentos... • ...Só que isso não é uma prioridade no momento. • Após “Joia Rara”, Bruno Gagliasso vai retomar trabalhos no cinema.
Protagonista de Violetta é sucesso A série “Violetta”, exibida pelo Disney Channel, se tornou um furor na Argentina. E muito desse sucesso se deve principalmente ao trabalho de sua protagonista, Martina Stoessel, atriz e cantora. Recentemente, a produção conquistou prêmios importantes naquele país, como os troféus “Martin Fierro” de Melhor Programa Infantil/Juvenil e Talento Revelação, além de um “Gardel” de melhor álbum de trilha sonora para TV..
Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery
C’est fini Um quadro de sinusite pegou Humberto Martins de jeito. Baixou enfermaria. Entre um remédio e outro, ele já iniciou preparação para a próxima novela de Manoel Carlos, substituta de “Amor à Vida”. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!
Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br
O reduzido espaço para a crítica de arte
Paloma vai sofrer ainda mais Basta Paloma (Paolla Oliveira) e Paulinha (Klara Castanho) se encontrarem em cena para o público se sentir cúmplice de suas histórias, em “Amor à Vida” (Globo). O telespectador que acompanha a trama sabe que a médica é a verdadeira mãe da menina, mas um exame de DNA coloca a protagonista em conflito. “Ela sente esse amor incondicional. Minha mãe me dizia que eu sentiria isso quando tivesse um filho. Hoje, experimento esse sentimento pela Paloma”, conta Paolla, que encara sua segunda mocinha na faixa das nove. Na lista das personagens que dividem a opinião do público, Paloma deve revelar uma outra face nos próximos capítulos da novela. Depois de resgatar Paulinha no Peru, a médica cairá na armadilha de Alejandra (Maria Maya) e acabará presa por tráfico de drogas quando chegar ao Brasil. “Na prisão, ela será espancada por uma
detenta, e isso vai fazer com que ela se torne uma outra pessoa. Uma mulher guerreira’’, conta Paolla. Segundo a atriz, o calvário de Paloma não parará por aí. Félix (Mateus Solano), que quer se ver livre da irmã, convencerá a família de que a pediatra está louca, pois vive chamando por Paulinha, e precisa ser internada. “É graças ao irmão que a Paloma vai parar em um hospício e passará por tratamentos pesados. Ela lutará para provar que está bem e, enfim, poder ter a filha nos braços’’, diz a atriz. Para o doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade de São Paulo), Claudino Mayer, a fase de transição de Paloma pode aproximá-la do público, que, agora, a considera chata. “Ela ganhou antipatia, pois está apenas em um plano ficcional. Quando luta pela filha, começa, então, uma conexão com a realidade. Principalmente com as mães, que se identificam com
esse tipo de drama”, diz. Sobre as críticas do público, Paolla garante que avalia o que pode ser acrescentado a seu trabalho. “É bom saber a opinião das pessoas, pois significa que elas estão assistindo à novela. Mas é preciso filtrar algumas coisas e não ser refém dos comentários”, afirma a atriz, que, na semana passada, já foi apontada como um dos nomes no elenco da próxima novela de Aguinaldo Silva. “Quero primeiro concluir esse trabalho e fazer com que ele me abra portas. Mas todo papel é bem-vindo”. Paolla revela que espera por um acerto de contas entre Paloma e Félix, o principal responsável pelo sofrimento da médica. “Todo o mundo quer que ela acorde e veja o quanto o irmão a prejudicou a vida toda. Eu torço para que ela dê uma boa surra nele quando descobrir que ele jogou a filha em uma caçamba”, conta.
Já é sabido que o espaço destinado à crítica de arte nos jornais impressos e revistas no Brasil é cada vez mais restrito e reduzidos a textos com um pouco mais de 3.000 caracteres (com espaço) quando não a risíveis bonequinhos que aplaudem sentado ou de pé, ou então são substituídos por “bolinhas pretas” ou estrelinhas, e em outros mais, frases inspiradas que buscam “ resumir” às impressões sobre a peça. Quando lemos as críticas de Yan Michalski, Décio de Almeida Prado, Henrique Oscar, Eric Bentley, Machado de Assis e confrontamos suas impressões com as de artistas e grupos que tiveram seus trabalhos analisados por eles percebemos claramente a importância do crítico para o aprimoramento, no caso, do fazer teatral e para a emergência da linguagem atribuída, além da indicação de caminhos a serem trilhados pelos grupos/artistas no que tange ao aperfeiçoamento do próprio trabalho. Os jornais abriam, à época, significativos espaços para tais análises onde o público recorria às críticas como método indicativo e de orientação do que assistir (e por que assistir) e do compromisso para com o trabalho. Em Manaus, nomes como Leyla Leong e Mário Freire exerceram importantes papéis como críticos teatrais numa época em que os cadernos de cultura eram bem mais comprometidos com a formação de público para as artes e com a diversidade artística. Não se trata de uma divagação nostálgica a rememorar os tempos em que havia uma linha editorial comprometida e criativa (e menos envolvida com o modo de produção capitalista - embora saibamos que o jornal “aberto” é uma empresa com patrões e empregados antes
de ser constituído como um veículo de comunicação), mas sim, talvez, de sugerirmos aos empresários do ramo, bem como aos editores dos cadernos e chefes de redação que observem e ponham como ponto de pauta a importância de atividades como esta que quando exercidas de forma constante e comprometida contribui não só para o engrandecimento do trabalho dos artistas mas também (e principalmente) para o olhar do público. Este condicionamento do olhar não se impõe sobre o público leitor de forma passiva e mecânica, mas sim procurando elos dialógicos entre a famosa tríade composta pelo autor/artista, a obra e o público de forma a reconhecer as forças possíveis que regem a ligação entre eles. Os atributos a que se deve ter um crítico de arte já foi motivo de artigos e textos de diversos críticos. Em suas premissas básicas são, primeiramente, um profundo amor pelo objeto e gênero a que vai analisar. Um segundo dado é possuir um conhecimento adequado da história das artes, suas evoluções e imbricações sociais. E um terceiro (e não definitivo!) é o olhar tensionado sobre a obra de modo dialético e não descritivo procurando os entrechos que a enfeixam e as relações formais e sociais que a estruturam. O externo se faz interno e é dentro da obra/objeto que vamos descobrir até que ponto os meios sociais condicionam a feitura da obra de arte e quais os limites para se avaliar a autonomia da expressão artística dentro do próprio campo de produção simbólica. Parece academicista, é verdade, mas é justamente aí que o exercício crítico poderá encontrar paralelos possíveis de análise de modo equânime ao objeto artístico.
Márcio Braz* *ator e diretor teatral
Já é sabido que o espaço destinado à crítica de arte nos jornais impressos e revistas no Brasil é cada vez mais restrito e reduzidos a textos com um pouco mais de 3.000 caracteres”
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Programação da TV REPRODUÇÃO
GLOBO
SBT
4:40 Sagrado
5:30 Jornal da Semana
4:55 Santa Missa em Seu Lar
6:00 Arnold
5:55 Amazônia Rural
6:30 Pesca Alternativa
6:02 Pequenas Empresas, Grandes
7:30 Brasil Caminhoneiro
Negócios
8:00 Aventura Selvagem
7:00 Globo Rural
REDE TV!
8:30 Vrum
8:00 Auto Esporte 8:40 Esporte Espetacular 11:25 Temperatura Máxima 13:00 Esquenta! 15:00 Futebol 2013: Campeonato
9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Domingo Legal 14:00 Eliana 18:00 Vamos Brincar de Forca
Brasileiro – Corinthians x Flamengo
18:45 Sorteio da Telesena
17:00 Domingão do Faustão
19:00 Programa Sílvio Santos
20:00 Fantástico
23:00 De Frente com Gabi
22:05 Revenge
0:00 True Blood
23:35 Domingo Maior
1:00 O Mentalista
00:40 Sessão de Gala
2:00 Rizzoli & Isles
2:45 Corujão
4:30 Igreja Universal
BAND
6:30 Igreja Internacional da Graça 7:30 Igreja Internacional da Graça 8:30 TV Kids 9:00 TV Shopping Manaus 10:00 Super Oferta 10:30 A Questão É 11:00 Igreja Internacional da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Esporte Performance 14:00 Encircuito 15:30 A Questão É 16:00 TV Kids 16:45 Video Mania 17:30 Ritmo Brasil 18:10 O Último Passageiro 19:30 Te Peguei 20:30 Teste de Fidelidade 22:30 TV Shopping Manaus 23:30 Dr. Hollywood 0:30 É Notícia 1:30 Bola na Rede 2:30 Igreja Internacional da Graça
4:20 Festival de Desenhos
05:00 – Igreja Mundial 05:50 – Popeye 06:30 – Santa Missa No Seu Lar 07:30 – Desenho 08:30 – Ação Na Tv 09:30 – Mackenzie Em Movimento 09:45 – Infomercial – Polishop 10:45 – Verdade E Vida 11:00 – Irmão Caminhoneiro - Boletim 11:05 – Pé Na Estrada 11:35 – Campeonato Sudamericano De Gran Turismo 12:30 – Minuto Da Copa 12:35 – Gol, O Grande Momento 13:00 – De Olho Na Copa 13:05 – Band Esporte Clube 14:30 – Futebol 2013 Campeonato Brasileiro 16:50 – Terceiro Tempo 19:00 – As Detetives 20:00 – Só Risos 21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre
01:00 – Minuto Da Copa 01:05 – Alex Deneriaz 01:45 – Show Business-reapresentação 02:35 – O Encantador De Cães 03:00 – Igreja Mundial
RECORD 4:45 Bíblia em Foco 5:00 Santo Culto em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos 8:00 Record Kids 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Record Kids 12:00 Tudo a Ver 14:00 Programa do Gugu 18:30 Domingo Espetacular 22:15 Tela Máxima 0:15 Programação IURD
“Fantástico” é exibido hoje
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Você poderá interferir positivamente em seu trabalho, ao sair da roda maçante das rotinas obrigatórias e introduzir outras opções na maneira de conduzir essas atividades. TOURO - 20/4 a 20/5 A dificuldade de expressão pessoal e amorosa é algo a ser resolvido, ao menos em pequenos passos. Aceite formulações renovadoras em seu comportamento. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Não adianta tentar sustentar a ordem familiar sempre do mesmo jeito. As situações aí já estão cansadas disso. É preciso abrir perspectivas novas para o futuro de vocês. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Modifique a importância de certas atividades no trabalho. Só assim você poderá encontrar outra formulação para a rotina, de modo a esta ser menos desgastante e mais produtiva. LEÃO - 23/7 a 22/8 Você se aferra a algumas coisas, mas estas já não dão mais resultado, não vão lhe resolver nada. Olhe para os horizontes que estão se abrindo diante de seu nariz. VIRGEM - 23/8 a 22/9 É tempo de se aventurar em novos territórios, indo além do que já conhece. Você quer defender aquilo que já tem, o que já constituiu, mas isso não vai levá-lo a nada mais. LIBRA - 23/9 a 22/10 Seus temores, fundados ou infundados, tendem a afundá-lo, se perseverar em olhar só para eles. O mundo lhe oferece oportunidades diferentes e você deveria ir por essa trilha. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Os velhos sonhos e projetos precisam, mais do que nunca, ser reformulados. Há muita atividade interessante acontecendo. Envolva-se com ela e vá seguindo um caminho novo SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Teimar em manter uma situação insustentável em seu trabalho é o erro provável neste momento. Seja criativo em procurar soluções que não estavam em sua programação. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Não adianta apontar seus esforços para algo que já não pode acontecer. Antes de se esforçar à toa, fortaleça a calma e um estado interior de autoconfiança. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você deverá procurar novas alternativas para os acordos e compromissos com seus parceiros. Nem tudo está perdido, mas é preciso que você proponha outras saídas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Antes de exigir do outro, para se aproximar ou fortalecer um relacionamento, você terá que dar de você. Sem ceder bastante de você, será difícil formar uma boa parceria.
Cruzadinhas
Cinema ESTREIA Se Puder... Dirija!: BRA. 12 anos. João trabalha como manobrista de estacionamento, está separado de Ana e virou pai ausente de Quinho. Infeliz no amor e na família, ele quer reverter esse cenário e promete para a ex que irá passar um dia daqueles com o filhão. Para isso, ele resolve pegar “emprestado” o carro de uma fiel cliente do estacionamento onde trabalha com Ednelson. O problema é que a saidinha simples acabou virando uma complicada aventura. Playarte 1 – 13h40, 15h30, 17h20, 19h10, 21h (3D/diariamente) e 22h50 (3D/somente sexta e sábado); Playarte 7 – 12h50, 14h40, 16h30, 18h20, 20h10 (diariamente) e 22h (somente sexta e sábado); Cinemark 7 – 12h20, 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (3D/diariamente) e 23h40 (3D/somente sexta e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h10, 21h20 (3D/diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 19h40, 21h40 (3D/diariamente), 14h20, 16h20, 18h40, 20h50 (diariamente); Cinépolis 1 – 13h15, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (3D/diariamente). Cine Holliúdy: BRA. 12 anos. Interior do Ceará, década de 1970. A popularização da TV permitiu que os habitantes da cidade desfrutassem de um bem até então desconhecido. Porém, o televisor afastou as pessoas dos cinemas. É aí que Francisgleydisson entra em ação. Ele é o proprietário do Cine Holiúdy, um pequeno cinema da cidade que terá a difícil missão de se manter vivo como opção de entretenimento. Playarte 3 – 13h30, 15h25, 17h20, 19h15, 21h10 (diariamente) e 23h05 (somente sexta e sábado); Playarte 6 – 12h20, 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (diariamente) e 23h40 (somente sexta e sábado); Cinemais Millennium – 15h20, 17h30, 19h40, 21h45 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h, 19h, 21h10 (diariamente); Cinépolis 4 – 13h, 15h05, 17h15, 19h45, 22h (leg/diariamente). Os Estagiários: EUA. 12 anos. Quando são demitidos, dois homens na casa dos quarenta anos de idade (Vince Vaughn e Owen Wilson) começam a procurar por novas alternativas de trabalho. Apesar de não conhecerem nada de mídias digitais, eles são contratados como estagiários em uma grande empresa de produtos eletrônicos, onde devem conviver com chefes vinte anos mais novos do que eles. Playarte 6 – 13h10, 15h35, 18h, 20h25 (leg/diariamente) e 22h50 (leg/somente sexta e sábado); Cinemark 1 – 12h10, 15h10, 18h, 21h (dub/diariamente) e 23h50 (dub/somente sexta e sábado); Cinemais Millennium – 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h, 16h30, 18h50, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis 5 – 12h45, 15h40 (dub/diariamente), 18h20, 21h (leg/diariamente). O Casamento do Ano: EUA. 14 anos. Missy e Alejandro se conhecem desde pequenos e estão prestes a se casar. Al, como é chamado pelos mais íntimos é adotado e fica feliz com a notícia de que sua mãe biológica irá ao seu casamento. Mas tem um problema... Ela é muito religiosa e não acredita no divórcio. Com isso, o jovem pede para seus pais adotivos, divorciados há anos, para fingirem que vivem juntos e felizes. Playarte 9 – 13h15, 15h10, 17h05, 19h, 20h55 (leg/diariamente) e 22h50 (leg/somente sexta e sábado); Cinemark 2 – 12h40, 14h50, 17h10, 19h30, 21h50 (dub/diariamente) e 0h00 (dub/somente sexta e sábado); Cinemais Millennium – 14h50, 17h, 19h, 21h10 (leg/diariamente).
CONTINUAÇÕES Percy Jackson e O Mar de Monstros – Livre: Playarte 5 – 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (dub/diariamente) e 23h (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 8 – 12h30, 15h, 17h30, 20h e 22h30 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (dub/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 19h15, 21h25 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 16h15 (dub/diariamente), 21h45 (leg/diariamente). Minha Mãe é Uma Peça – 12 anos: Playarte 2 – 13h15, 15h05,
16h55 e 18h45 (diariamente).
Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos – 12 anos: Cinemark 3 – 13h10, 19h e 22h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 16h30, 22h (leg/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h05, 16h40, 19h20, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 13h30 (dub/diariamente), 18h45 (leg/diariamente).
Playarte 8 – 14h, 16h05 e 18h10 (dub/ diariamente).
Os Smurfs 2 – Livre: Playarte 10 – 13h30, 15h40 e 17h50 (dub/diariamente); Cinemark 4 – 13h40, 16h10, 18h40 e 21h20 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h30, 16h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 16h15 (dub/diariamente).
Gente Grande 2 – 12 anos: Playarte 4 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (leg/diariamente) e 23h35 (leg/somente sexta e sábado); Playarte 5 – 12h, 14h40, 17h20, 19h50 e 22h20 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h40, 17h15,
Círculo de Fogo – 12 anos: Playarte 8 – 20h15 (dub/diariamente) e 22h50 (dub/somente sexta e sábado); Cinemais Millennium – 18h50, 21h35 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 19h05, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 3 - 20h45 (leg/
Wolverine: Imortal – 12 anos: Playarte 10 – 20h (dub/diariamente) e 22h35 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 3 – 16h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h, 19h15 (dub/diariamente).
19h25, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 16h45, 19h10, 21h15 (dub/ diariamente); Cinépolis 3 – 17h45 (leg/diariamente), 15h15 (dub/diariamente).
Meu Malvado Favorito 2 – Livre:
diariamente), 12h20 (dub/diariamente).
Plateia Pla
MANAUS,, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Jander Vieira
Tereza e Bete Dezembro mais a bambina aniversariante com Daiana e Vanda Pereira
::::: Sala de Espera
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Tereza e Duda Dezembro
Patrícia e Gaio Rocha com Louise e Loren
A competente Zeina Neves
Mazé Mourão tietando a Galinha Pintadinha
Manu Mourão
Gabriel Dezembro
::::: Pódio merecido Os clãs Pinheiro, Pacífico e Simões estão em êxtase. E não é para menos, o Grupo Simões – que tem 70 anos de sucesso no mercado empresarial – conquistou o cobiçadíssimo Prêmio Família Empresária, em São Paulo. Concedido pela Höft, consultoria especializada em empresas familiares. O evento está na sua quarta edição. Detalhe visionário: o negócio que começou como uma pequena sorveteria pelo fundador Antônio Simões e depois se transformou em uma fábrica de massas e bolachas, tem hoje cinco mil funcionários diretos e é composto por 21 empresas organizadas em três principais divisões: bebidas, gases e veículos – fincadas no Pará, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas.
Doralice Santos está trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. O Lappa Bar vai ferver hoje. O motivo? A comemoração dos 22 anos do programa pilotado pelo amigo Waisser Botelho. Samba de roda, ala puro-poder, vaivém de gente bonita e divertida não faltarão. Eu vou!
::::: Viva, Elizabeth! Anteontem, o Elegance transpirava bom gosto, diversão, elegância e tudo que há de chique, sob a coordenação impecável da Ativa Eventos, durante a sessão parabéns da linda Elizabeth Dezembro Pereira. Aliás, Júnior Carvalho caprichou na montagem da Fazendinha com presença da famosa Galinha Pintadinha e sua turma. As mães da princesa Daiana e Bete eram o retrato da felicidade.
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Renata Levy e Selma Reis
Olavo Castro e Alê Mourão
Juliane e Denis Pereira
Waisser Botelho e Fernando Coelho Jr.
Bárbara e Guto Oliveira
Escolhida como o melhor corpo dos desfiles do Fashion Rio, a top model Patrícia Beck ilustra a capa da terceira edição da revista Manauara Mag, do Manauara Shopping, recheada de dicas e looks primavera/verão adaptados para Manaus. Um luxo. O renomado arquiteto Benedito Abbud, assina todo o projeto paisagístico do primeiro empreendimento da linha business center da Villa Municipal, o The Office, que a Engeco inaugura no próximo mês.
::::: Burburinho Ecos e mais ecos do “grand monde” dão conta de que não há nada melhor do que comemorar datas simbólicas, como 20 anos de colunismo, por exemplo, em meio a muitas e boas gargalhadas, por isso a festa deste colunista é o comentário nas altas rodas. No próximo dia 26, no Diamond, com show do global Gustavo Mendes. Simples e sorridente, assim como eu…
A querida Lucimar Augusto reunirá amanhã, no Naoca, elenco interessante de sobrenomadas para festejar seu aniversário – a partir das 19h.
Rubens Rangel e Dacy Barroso
Hoje, às 19h, tem o espetáculo risonho do “Mais que Dilmais” com o global Gustavo Mendes, no Teatro Direcional, assinado pela Tribus Produções e Eventos.
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Plateia
MANAUS, DOMINGO, 1º DE SETEMBRO DE 2013
Uma parceria que deu samba para a cidade
SERVIÇO DIVU
LGA
Fábrica de Eventos e água Yara estão juntas, mais uma vez, no maior espetáculo de samba do mundo, o Samba Manaus 2013
M
uito samba, calor humano e água gelada. A combinação não poderia ser melhor. Para refrescar o público que prestigia o maior festival de samba do país, a Fábrica de Eventos formou mais uma parceria de sucesso com a empresa Magistral, responsável pela fabricação e comercialização de refrigerantes e água mineral, das marcas Magistral, Magistral Gold e Yara. O Samba Manaus 2013 será nos dias 11 e 12 de outubro, mas as ações para oferecer todo o conforto ao público no sambódromo já estão confirmadas, inclusive as parcerias de sucesso de temporadas anteriores, como a firmada com a água Yara, que mais uma vez traz as garrafinhas personalizadas que hoje já fazem parte dos objetos de colecionadores. “É uma parceria que fazemos questão de manter porque a Fábrica de Eventos é uma empresa séria que traz eventos de grande sucesso e, com isso, estamos aliados a uma marca bem-sucedida. A Fábrica tem feito a diferença, em matéria de eventos, em Manaus e a presença das nossas garrafas personalizadas é um fator muito bom, tanto para nós, quanto para o pú-
blico que prestigia o show”, ressalta o gerente-geral da Yara, Loreni Berlt. Segundo Berlt, a água é tão popular quanto o samba, o ritmo brasileiro mais amado. “Água mineral é um produto natural, popular, de baixo custo e que todo mundo compra. No Samba Manaus 2013 estaremos presentes com muito prazer nessa parceria. É uma maneira de aliar a marca a esse evento de sucesso”, completou. Para Daiana Pereira, uma das organizadoras do evento, essa é uma parceria de anos que, mais uma vez, chega ao Samba Manaus como uma maneira da empresa homenagear a Fábrica de Eventos por meio da realização do maior espetáculo de samba do mundo. “Em anos anteriores o público adorou as garrafinhas personalizadas, que acabaram virando até mania de colecionadores. A água Yara é um produto da terra e a parceria foi uma ideia que deu certo”. As atrações O Samba Manaus apresenta na sexta-feira, dia 11, o swing inconfundível de Jeito Moleque, Sorriso Maroto, Arlindo Cruz, Péricles, Bom Gosto e o talento da Turma do Pagode.
Thiaguinho é uma das atrações do Samba Manaus 2013
ÇÃO
SAMBA MANAUS 2013 Quando: 11 e 12 de outubro, no sambódromo valores: Individual: Pista R$ 40 (1º lote estudante). Área Vip Brahmeiro R$ 120 (1º lote estudante) com open bar até às 3h (Chopp Brahma, água, refrigerante, caipirinha e caipiroska). Passaporte: Pista R$ 70 (1º lote estudante). Área Vip Brahmeiro R$ 200 (1º lote estudante) com open bar até às 3h (Chopp Brahma, água, refrigerante, caipirinha e caipiroska). Camarote Stage Brahma R$ 400 (1º lote estudante) com open bar até 4h (Chopp Brahma, água, refrigerante, caipirinha, caripiroska, vodka importada e whisky 8 anos).
Ingressos para o Samba Manaus à venda No sábado, dia 12, a alegria continua com os grandes sucessos do Raça Negra, SPC, Revelação, Belo, Thiaguinho e, como não poderia deixar de ser, um encerramento apoteótico com Neguinho da Beija-Flor e a bateria da escola de samba da Beija-Flor. É para arrepiar. A abertura dos portões será às 20h e o
início do show às 21h. Ingressos à venda Quem quiser se antecipar e garantir o seu ingresso para a 13ª edição do maior espetáculo de samba que Manaus já viu pode acessar o site www.fabricaingresso.com e confirmar sua participação nos dois dias de festa.
Os passaportes para pista, Área VIP Brahmeiro e Camarote Stage Brahma estão disponíveis na loja virtual da Fábrica de Eventos, mais um diferencial que a empresa traz para o seu público, a exemplo de outras produtoras nacionais, provando mais uma vez seu pioneirismo na área.
Outra novidade é a venda de ingressos individuais, uma tendência dos grandes festivais de música no país. Os ingressos, individual (uma noite) ou passaporte (duas noites), podem ser adquiridos no estande da Fábrica de Eventos, segundo piso do Amazonas Shopping.
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O mundo gráfico de Jan Tschichold
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Eles querem seu dinheiro
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opiniao@emtempo.com.br
(92) 3090-1010
E outras 7 indicações culturais. Pág. 2
A imprensa independente passa o chapéu. Pág. 3
Por terra, mar e ar
Invadir o Brasil, como e por quê? Págs. 4 e 5
Diário de Lisboa
Do novo mirante, a cidade em seu esplendor. Pág. 6
Do arquivo de Carlos Diegues Veneza, 1969. Pág. 7
A invenção de Federico
O Fellini ‘felliniano’ nasceu com ‘Oito e Meio’. Pág. 8
Capa
pintura de Deborah Paiva
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Ilustríssima Semana
O MELHOR DA CULTURA EM 8 INDICAÇÕES
PALESTRA | TRADUÇÕES DE HAROLDO DE CAMPOS Aurora Fornoni Bernardini, professora de literatura da USP, comenta a teoria de tradução do poeta concreto (1929 - 2003), além de apresentar uma versão de Campos para versos do italiano Eugenio Montale. Casa das Rosas | quinta (5), às 20h | grátis
BRASILEIRO
EDUARDO ORTEGA/ GALERIA FORTES VILAÇA
EXPOSIÇÃO | NUNO RAMOS O artista plástico apresenta uma série de desenhos, todos feitos com guache, carvão e pastel seco, na exposição “Anjo e Boneco”. O título, extraído de um verso do livro “Elegias de Duíno”, de Rainer Maria Rilke, expõe a faceta literária do também poeta Ramos. Galeria Fortes Vilaça | ter. a sex., de 10h às 19h; sáb., de 10h às 18h, até 14/9 | grátis
‘Prefiro o Boneco de Corpo Cheio’, desenho de Nuno Ramos
TEATRO | NADA, UMA PEÇA PARA MANOEL DE BARROS O espetáculo criado por Adriano e Fernando Guimarães parte da obra do poeta Manoel de Barros. A história, de tom lírico, trata de uma família no meio do nada. Sesc Belenzinho | estreia na quinta (5), às 21h30; qui. e sex., às 21h30; sáb. e dom., às 18h30 | até 6/10 | de R$ 4,80 a R$ 24 LIVRO | PAULO HENRIQUES BRITTO O escritor e tradutor reuniu em um único volume seus dois primeiros livros de poemas, “Liturgia da Matéria” (1982) e “Mínima Lírica” (1989) – este último dá nome à compilação. O rigor formal e ironia marcam o olhar do poeta sobre a realidade e a tradição literária. Companhia das Letras 112 págs. | R$ 29,50 FOTOS DIVULGAÇÃO
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POP
ERUDITO
Esboço de Jan Tschichold para cartaz (à esq.) e a peça já concluída, de 1931
LIVRO | JAN TSCHICHOLD O artista plástico alemão (1902-74) foi um dos principais nomes da tipografia no século 20. Este volume lançado pela Edusp comenta vida e obra de Tschichold, contextualiza o momento histórico de sua produção e as inovações de seus trabalhos, entre eles o design de livros da Penguin. trad. Flavia Bancher | 352 págs. | R$ 137
LIVRO | MEU KAFKA A artista alemã Stefanie Harjes transpõe o universo perturbador do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924) para desenhos, pinturas e fotografias. Harjes selecionou trechos de clássicos do autor (“O Processo”, “A Metamorfose”) e os intercala com suas imagens, ora líricas, ora verdadeiros pesadelos kafkianos. trad. Priscila Figueiredo | Cosac Naify | 130 págs. | R$ 42
CINEMA | O CINEMA EM BUSCA DE EMPREGO O Instituto Moreira Salles apresenta, a partir desta sexta (dia 6), em sua sede carioca, festival de filmes com a temática do trabalho. “Ladrões de Bicicleta” (1948), de Vittorio De Sica, inicia a programação. O IMS também lança em DVD o filme “O Emprego” (1961), do italiano Ermanno Olmi. IMS - Rio | até 12/9 | programação: ims.uol.com.br | grátis
LIVRO | O CAPITALISMO COMO RELIGIÃO Ensaios pouco conhecidos do filósofo e crítico literário alemão Walter Benjamin (1892-1940) compõem o livro. A seleção abarca desde textos de juventude, antes do primeiro contato de Benjamin com a teoria marxista, até outros, do final dos anos 1930, seu período mais militante. trad. Nélio Schneider | Boitempo | 192 págs. | R$ 42
ESTRANGEIRO Folha.com
Ilustríssimos desta edição ZANONE FRAISSAT - 15.05.13/ FOLHAPRESS
CARLOS DIEGUES, 73, cineasta, dirigiu “Os Herdeiros” (1969), “Xica da Silva” (1976) e “Bye Bye Brasil” (1979). CLAUDIUS CECCON, 75, é arquiteto e cartunista. DEBORAH PAIVA, 62, é artista plástica. EDUARDO BERLINER, 35, é artista plástico. EUCLIDES SANTOS MENDES, 33, é editor do “Painel do Leitor” e doutor em multimeios (cinema) pela Unicamp com a tese “Cristais de Tempo: Fellini e o Neorrealismo Italiano”.
ISABEL COUTINHO, 47, é repórter do jornal português “Público”. MARIA CELESTE CONSOLIN DEZOTTI é professora de língua e literatura grega na Unesp. NELSON DE SÁ, 52, é repórter especial da Folha e coordenador, ao lado da repórter-fotográfica Lenise Pinheiro, do blog Cacilda (www.cacilda.blogfolha.uol.com. br), dedicado ao teatro. RICARDO BONALUME NETO, 52, é repórter da Folha especializado em ciência, história militar e assuntos militares atuais. É autor de “A Nossa Segunda Guerra - Os Brasileiros em Combate, 1942-1945” (editora Expressão e Cultura, 1995).
A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ‘MEU KAFKA’ Seleção de desenhos da artista alemã Stefanie Harjes para textos do escritor >>folha.com/ilustrissima
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Jornalismo
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Quem paga a conta? Mídia independente sai à busca de alternativas de financiamento RESUMO O anúncio de que a Open Society, instituição de George Soros, iria cortar a subvenção a sites latino-americanos de reportagem acelerou a corrida por novas formas de financiamento. Doações de indivíduos e de empresas de tecnologia ganham força, mas podem trazer riscos ao jornalismo dos veículos.
NELSON DE SÁ
Em abril, durante encontro de jornalismo no Texas, a Open Society Foundations (OSF), instituição mantida pelo investidor George Soros, patrocinador de campanhas democratas nos EUA e de bandeiras como a legalização da maconha, alertou uma série de sites latinoamericanos de reportagem de que iria cortar a subvenção que lhes provinha. Entre os meios eletrônicos beneficiados listam-se o salvadorenho El Faro, o colombiano La Silla Vacía, o chileno Ciper e o brasileiro Agência Pública. O apoio fornecido pela Open Society, em muitos casos realizado em paralelo ao da Fundação Ford, ambas sediadas em Nova York, ajudou a estabelecer uma rede on-line de jornalismo alternativo na região. Com o anúncio do corte, ainda não concretizado, acelerou-se a corrida por outras formas de financiamento que permitam a sobrevivência dos sites. Os veículos passaram a procurar outras fundações, além de “crowdfunding” (mecanismo de financiamento direto, por indivíduos). A Open Society foi formada por Soros em 1993, nos Estados Unidos, para coordenar ações que o investidor americano de origem húngara apoiou no período de transição do Leste Europeu para a democracia e o capitalismo. Com o tempo, diversificou seu campo de atuação para a América Latina e a África. O advogado Pedro Abramovay, 33, ex-secretário nacional de Justiça (governo Lula), assume neste mês a direção da Open Society para a América Latina. Ele explica que a instituição passa por uma “grande reestruturação interna”. Os programas regionais, como o latino-americano, estão “ganhando força” em detrimento dos temáticos, como o programa de mídia, que vinha financiando os sites de jornalismo – não só na América Latina, mas em outras áreas do globo, como o Leste Europeu. Abramovay foi indicado para a fundação pelo ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, que preside a Comissão Global sobre Política de Drogas, “financiada em grande medida”, segundo o advogado, pela própria Open Society. Ele chegou a ser o secretário nacional de Políticas Antidrogas do governo Dilma Rousseff, mas deixou o cargo em poucos dias, depois de defender penas alternativas para pequenos traficantes. A reestruturação e a escolha do diretor brasileiro apontam para a priorização do tema das drogas nas ações regionais da instituição. Além da aproximação com FHC e Abramovay, o próprio Soros se encontrou com Lula há quatro meses, quando o expresidente recebeu prêmio do International Crisis Group, organização nova-iorquina também financiada, em parte, pela Open Society. Paralelamente, o fundo de investimento de Soros, baseado nas ilhas Cayman, passou a investir no setor brasileiro de comunicações, um ano atrás. O primeiro passo foi a aquisição da operadora de TV paga Sunrise, de São Paulo. O segundo, o lançamento, há um mês, da On Telecom, operadora que começa oferecendo acesso à internet de banda larga no interior paulista. Questionado sobre os interesses comerciais de Soros no Brasil, Abramovay – lembrando ainda não ter assumido seu cargo na Open Society – diz ter sido informado de que “há uma política muito rígida de separação das coisas, para que não exista nenhum conflito de interesses”. Para tanto, a fundação vem buscando cada vez mais uma “governança própria, independente da vontade” do investidor. Democratização Se a Open Society revê suas subvenções, cujos beneficiados incluem ainda organizações como o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, no Texas, e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Fundação Ford segue firme na área de “democratização da mídia”, que começou a se desenvolver na última década, segundo Mauro Porto, coordenador do projeto dedicado a “mídia e liberdade de expressão” na instituição. Há mais de meio século no país, a Fundação Ford tem linhas tradicionais de doação, como direitos humanos e igualdade racial. “A área mais nova, que é de acesso à mídia, tem um portfólio de doações principalmente para organizações da sociedade civil”, diz ele. Além da Pública, do Centro Knight e da Abraji, lista o Coletivo Intervozes e o Observatório da Imprensa. As subvenções seguem “dois eixos estratégicos: a necessidade de atualização do marco regulatório para as comunicações e o monitoramento de como os meios tratam determinadas temáticas”. Segundo Porto, o
projeto surgiu há dez anos, quando a fundação avaliou ser “fundamental, para consolidação da democracia no Brasil, a democratização dos meios de comunicação”. Questionado sobre as doações de mídia da Fundação Ford nos anos 50 e 60, que seguiam a política externa dos EUA, como relata o livro “The Cultural Cold War” (no Brasil, “Quem Pagou a Conta?”, Record, 2008), Porto responde que “certamente ocorreram erros na história” da instituição, mas agora ela “atua com a mais absoluta independência e transparência”. A exemplo de Abramovay sobre a Open Society, ele afirma que a Fundação Ford é hoje mantida “única e exclusivamente pelo seu ‘endowment’”, dotação de grande volume feita pela família Ford, cujos rendimentos financeiros sustentam “tudo o que a instituição faz ao redor do mundo e no Brasil”. Enfatiza que “a fundação não recebe dinheiro de nenhuma empresa nem de nenhum governo”. Ameaça A Fundação Ford, porém, não quer ser o sustentáculo da mídia alternativa na América Latina e, segundo Porto, “incentiva a que nenhum dos parceiros dependa dela”, o que representaria “ameaça à sustentabilidade e à independência financeira” dos meios apoiados pela instituição. O problema é que no Brasil, acrescenta Pedro Abramovay, “falta cultura de doação”, tanto de fundações como de indivíduos. Nos últimos dois anos, fora do governo, Abramovay esteve à frente do site global Avaaz, de campanhas e petições, que não aceita financiamento de governos ou fundações, só “crowdfunding”. Com base na sua experiência, avisa que, junto aos brasileiros, não é tarefa fácil. “O Brasil tem o maior número de membros da Avaaz, está
em primeiro lugar, com 5 milhões, mas em doações fica lá atrás”. Natália Viana, da Agência Pública, que iniciou em agosto um programa de financiamento coletivo para reportagens, discorda. “Se fosse dois anos atrás, também teria essa visão, mas o fenômeno do ‘crowdfunding’ no Brasil está muito forte, especialmente através do Catarse”, diz, citando o site escolhido pela agência para levantar recursos. “Há várias campanhas bem-sucedidas no Catarse”. Ela apresenta dois argumentos contra “essa coisa de que brasileiro não doa”. O primeiro é que as experiências que já deram certo, aqui, seguem estratégia diferente daquela usada nos EUA. “Não é uma lógica de doar todo mês um valor para uma ONG, mas uma lógica de campanha mesmo. É o momento em que todos se juntam. Depois, passou. No Brasil, com o Catarse, tem funcionado”. O segundo é o exemplo de outras organizações. “O Greenpeace já tem arrecadação muito grande no Brasil. E a Anistia Internacional reabriu no Rio depois de anos, apostando que dá para fazer ‘fund-raising’ [levantamento de fundos]”. Até a última quarta, segundo Viana, a Agência Pública havia levantado R$ 16 mil via Catarse – o valor salta para R$ 32 mil, com a decisão da fundação americana Omidyar (entidade filantrópica criada por Pierre Omidyar, fundador do site de leilões eBay, e sua mulher) de doar R$ 1 para cada R$ 1 real arrecadado. O objetivo é chegar a R$ 47,5 mil até o dia 20, quando acaba a campanha. Gigantes Além de fundações e indivíduos, outros personagens têm surgido na subvenção ao jornalismo alternativo: os gigantes da tecnologia. Carlos Castilho, do Observatório
DAVID SIPRESS/cartum
da Imprensa, confirma que o Google Brasil “financiou a ida de pessoas” ao Texas para o encontro de jornalistas em que foi anunciada a retirada de cena da Open Society. Na conferência, que reuniu representantes de 12 sites jornalísticos latino-americanos, do México à Argentina, as ferramentas de mídia do Google, como o YouTube, foram apresentadas como alternativa de monetização. “O Google está começando a apresentar alguma coisa”, diz Castilho. “Mas está fazendo coisas pontuais. Não há um projeto de médio e longo prazo. Pelo menos até agora”. A aproximação com o jornalismo começou no último ano, nos EUA, quando a empresa passou a patrocinar a série de conferências TechRaking, do Center for Investigative Reporting, organização americana voltada ao jornalismo investigativo. E não é só o Google que tem “se achegado aos jornalistas”, segundo Nick Winfield, do “New York Times”, que cita o site de classificados Craigslist e outros. Para Winfield, a movimentação talvez se deva ao sentido de responsabilidade, até “culpa”, pela disrupção do jornalismo nos meios tradicionais. Na sua opinião, porém, “o dinheiro que as empresas de tecnologia estão gastando para apoiar o jornalismo pode ser visto de modo mais cínico: como investimento de relações públicas em uma indústria que se debate, mas ainda pode causar problemas ou, pelo contrário, favorecer seus interesses empresariais”. Quaisquer que sejam as intenções dos financiadores, da parte dos sites sem fins lucrativos “o dilema é a sustentabilidade dos projetos”, alerta Castilho. “Não existe receita pronta para ser aplicada ou caso para ser copiado. Está todo mundo tentando, na base de erro e acerto. E provavelmente não haverá uma solução para todos”.
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Estratégia
3 Exercícios de guerra Como o Brasil poderia ser invadido RESUMO Embora hoje pareça improvável uma invasão do território, as fragilidades do sistema de Defesa e a porosidade das fronteiras do país tornariam viável um ataque. Neste texto, desenham-se cinco cenários hipotéticos de invasões por terra, mar e ar, uma dos quais chegou a ser planejada pelos Estados Unidos, em 1942.
RICARDO BONALUME NETO ILUSTRAÇÃO DEBORAH PAIVA
“Si vis pacem, para bellum.” “Se quer a paz, prepare a guerra”, diz o clássico provérbio latino atribuído a Publius Flavius Vegetius Renatus. O romano sabia do que falava. Além de autor de um importante tratado militar, ele vivia a decadência do Império Romano do Ocidente, que cedia aos bárbaros invasores partes de seu território. Mesmo os EUA não estavam preparados para a Segunda Guerra Mundial; tinham uma respeitável Marinha, mas Exército e aviação ridiculamente pequenos quando Japão e Alemanha declararam guerra em 1941. E conflitos podem surgir de repente. Ninguém previu o ataque argentino a uma colônia britânica em 1982 no Atlântico Sul, as Falklands (ou “Malvinas”, para os invasores). Havia menos de cem fuzileiros navais para defender a colônia habitada por cerca de 2.000 britânicos. Graças à diplomacia ao longo de dezenas de anos, com destaque para o barão do Rio Branco no começo do século passado, o Brasil tem as fronteiras mais tranquilas do planeta. Ninguém quer um pedaço dos seus 8.511.865 quilômetros quadrados. Ninguém ambiciona os recursos naturais do país. No entanto nem sempre foi assim, como mostra a história. E se os cenários mudarem? Um país com perto de 200 milhões de habitantes e apenas 325 mil militares teria como se defender? São cerca de 200 mil homens e mulheres no Exército, 60 mil na Marinha e 65 mil na Força Aérea. Mas a disponibilidade de equipamento para esse pessoal costuma ser baixa. Faltam recursos para a manutenção e operação. Dos cerca de cem navios da Marinha, só metade está disponível. Dos 200 aviões de combate (caça-bombardeiros), o normal é ter só uns 85 operacionais. Dos quase 300 aviões de transporte, só um terço poderia decolar
agora. E dos perto de 2.000 blindados de vários tipos do Exército, só metade conseguiria sair dos quartéis. Existe ainda a questão da obsolescência. O único portaaviões, de segunda mão, é de 1963 (além de passar a maior parte do tempo no porto, seus caça-bombardeiros foram projetados nos anos 1950). O país tem investido no desenvolvimento e compra de novos equipamentos, mas em quantidade pequena. Se algum inimigo hoje insuspeito atacasse de repente, hipoteticamente, o que poderia acontecer? Cenário 1 – Amazônia “Jovens, bem-vindos ao Amapá. Soube que entre vocês estão estudantes de várias disciplinas. História, geografia, ciência política, arquitetura, engenharia. Ótimo. Embora vocês provavelmente interajam pouco com seus colegas de outras áreas, aqui é o lugar em que um enfoque multidisciplinar faz sentido. É preciso entender um pouco de tudo para apreciar essa obra-prima, esse monumento que ajuda a explicar o motivo de a maior parte da Amazônia ser brasileira”. Os estudantes continuam em silêncio. Alguns olham para a anatomia das colegas mais jeitosas, outros ficam pensando se foi boa ideia embarcar nessa viagem até o fim do mundo para ver um monte de pedras empilhadas, algumas moças pensam no efeito que o calor equatorial vai ter na sua maquiagem. E, surpresa, há até alguns que param para digerir o que diz o anfitrião. “Moças, rapazes; vocês agora têm o prazer de conhecer uma joia da arquitetura militar lusobrasileira, a fortaleza de São José de Macapá. E seu simbolismo é tão forte que seu traçado está na própria bandeira do Estado”. Os estudantes automaticamente levantam o olhar para uma das bandeiras. Logo em seguida, olham estarrecidos na direção do mar. Uma explosão, um clarão. Novas explosões. Eles saem correndo em várias direções. Uns poucos têm o bom senso de se jogar no chão ou de
FORÇA
O Brasil, um país com perto de 200 milhões de habitantes e apenas 325 mil militares, teria como poderia se defender de verdade? Faltam recursos para manter e operar equipamentos militares
se proteger atrás das muralhas da velha fortaleza. As explosões continuam. A Amazônia está sendo invadida. Obstáculo Um historiador tinha deixado claro o papel da fortaleza: “Imensa e bem construída, esta fortificação se ajustou razoavelmente às propostas do marquês de Pombal para a região, servindo de prova efetiva e tangível de que a Coroa portuguesa era a proprietária do cabo do Norte e de que qualquer pessoa que tentasse disputar a posse teria que superar esse gigantesco obstáculo antes de atingir seu objetivo. A fortaleza passava a ser o verdadeiro ‘fecho do Império’ na foz do Amazonas”. Continuando, o historiador Adler Homero Fonseca de Castro foi preciso: “Em 1863, um relatório que examinou as fortificações do Brasil teceu novas considerações elogiosas sobre a posição”, “a mais vantajosa e interessante, por estar situada na foz do norte do Amazonas”, apesar de não defender “totalmente” a entrada do rio. Embora esteja obsoleta há mais de um século, a fortaleza, num ataque como o descrito, não seria o alvo, a despeito de ser uma das antigas “fechaduras” da região. Um dos objetivos era relativamente pequeno e modesto: um navio de patrulha da classe “G” ali atracado, com deslocamento de apenas 217 toneladas, comprimento de 46,5 metros e velocidade máxima de 27 nós (50 km/h). O armamento principal é um modesto canhão de calibre 40 mm de duplo emprego (antiaéreo e antinavio). Os 12 navios de patrulha brasileiros da classe Grajaú têm todos os nomes começando com “G”, como Guarujá, Guanabara e Gurupi. Refletem uma tradição; durante a Segunda Guerra Mundial, a Marinha deu os mesmos nomes para também pequenos caça-submarinos de fabricação americana, usados para patrulhar o litoral do país contra submarinos “invasores” no mar territorial do país vindos da Alemanha e da Itália. É tudo muito pouco para defender o extenso litoral do país. Um invasor facilmente ocuparia as chaves da região amazônica, Macapá e Belém. Cenário 2 – ‘Amazônia azul’ Para mostrar a importância do mar territorial, a Marinha criou a curiosa expressão “Amazônia azul”. Mais ao sul, mais especificamente no sudeste do país, um dos três mais modernos navios da Marinha do Brasil estava em operação, uma missão de rotina. A Marinha adora siglas; logo, os três navios da mesma classe, Amazonas, são conhecidos como NPaOc, acrônimo para Navio Patrulha Oceânico. São navios modernos – os mais novos de todos, com um maior grau de informatização –, apesar de não serem os navios
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CHINA
Mas e se, em um futuro não tão distante, os chineses conseguissem bases no oeste africano e prosseguissem por algum motivo na sua busca insaciável por recursos naturais no Brasil
com maior poder de combate para seu tamanho: mesmo com mais de 2.000 toneladas completamente carregados, só têm armamento leve. Nem mísseis nem torpedos; e o canhão principal tem calibre 30 mm. Já as fragatas e corvetas da Marinha têm canhões principais de calibre 114 mm, além de ter mísseis e armas antissubmarinas. Os três NPaOc servem mais a uma função “policial” do que “militar”. Não foram projetados para a guerra convencional contra uma marinha inimiga, mas para lidar com problemas mundanos como narcotráfico, pirataria e contrabando. A Marinha, afinal, tem que proteger instalações como as plataformas de petróleo. À noite, essas plataformas parecem inusitadas cidades em pleno oceano. Luzes no horizonte, contatos no radar. É difícil imaginar isso em pleno mar. Mas ali vivem e trabalham milhares de brasileiros, extraindo do fundo do mar um recurso cada vez mais raro no planeta. Isso faz as plataformas se multiplicarem e, cada vez mais, se aprofundarem em busca do combustível fóssil. O navio classe A estava patrulhando entre dois grandes campos de plataformas quando um marinheiro observou um clarão no horizonte. Quase simultaneamente, um sargento notou um contato no radar se aproximando rapidamente. Lembrou-se de um treinamento anterior. Parece um míssil vindo na direção do navio. Como? Não há nenhum exercício planejado!
Seria um alvo fácil para um ataque surpresa. E o resto da esquadra, concentrada na baía da Guanabara, seria fácil de achar e atacar. Claro, apenas os americanos teriam hoje condições de fazer um ataque destes. Mas e se, em um futuro não tão distante, os chineses conseguissem bases no oeste africano e prosseguissem por algum motivo na sua busca insaciável por recursos naturais? Cenário 3 – Mais Amazônia O veículo, ou “viatura”, como prefere o pessoal do Exército, foi chamado de VBTP-MR Guarani. Veículo (ou “Viatura”) Blindado de Transporte de Pessoal, Médio, Sobre Rodas. Produzido em Minas Gerais, projeto em parceria com a empresa italiana Iveco. Alguns deles estão sendo testados em um lugar incomum: Roraima. Detalhes do veículo? Comprimento: 6,91 m/altura: 2,34 m/ largura total: 2,7 m/peso vazio: 14,5 toneladas/peso carregado: de 17 a 20 toneladas/velocidade máxima em estrada: 100 km/h. Demorou anos, mas o Exército Brasileiro, o EB, resolveu substituir seus velhos blindados sobre rodas Urutu e Cascavel, produtos da jurássica empresa (faz tempos falida) Engesa. Eram bons veículos de seis rodas, exportados para vários países, usados pelo EB em missões de paz em Angola, Moçambique, Haiti – lamentavelmente, porém, são obsoletos hoje. O Guarani começou a ser pro-
FRACASSO
O plano de invasão poderia certamente redundar em fracasso. Nem tanto pela competência brasileira, mas pela notável falta de experiência americana em desembarques anfíbios
duzido em uma versão básica de transporte de infantaria, levando um grupo de combate de infantes, com uma metralhadora no teto, de calibre 12,7 mm, de controle remoto. Mas também se criou uma versão experimental de “veículo de combate de infantaria”, com um mais parrudo canhão calibre 30 mm; e uma versão para substituir o Cascavel, um carro de reconhecimento, com canhão calibre 90 mm ou o mais poderoso 105 mm. Sejam quais forem as decisões sobre armamento, ainda pendentes, dois grupos desses VBTP-MR foram enviados para dois possíveis locais de emprego em guerras convencionais contra vizinhos, por mais que os vizinhos da República Federativa do Brasil sejam em geral amistosos. Com certeza um dos destinos previstos e previsíveis foi o Rio Grande do Sul. Esse sempre foi o local de praxe paras as forças mais móveis do Exército, onde se concentrou o grosso da cavalaria e da sua versão moderna, mecanizada, os tanques (que o EB chama de “carros de combate”) e os blindados de transporte de tropas. Durante muito tempo se pensou em uma “Blitzkrieg” de blindados argentinos atacando a região (Uruguai e Paraguai nunca foram ameaças sérias no século 20). Cenário cada vez mais improvável. Os primeiros testes com o Guarani foram feitos no Rio, no campo de provas do Exército. Depois duas pequenas unidades foram enviadas a campo. E, além do óbvio Rio Grande do Sul, outro lugar foi Roraima – a Amazônia não inclui apenas floresta: Roraima tem campos perfeitamente adequados para veículos militares. Clareira Um pelotão de Guaranis – quatro veículos – fazia uma patrulha perto da fronteira. Uma opção de organização desse tipo de unidade, ainda não definitiva, inclui um veículo armado com o canhão de 30 mm, e os restantes com o tradicional 12,7 mm (a clássica metralhadora “ponto cinquenta”, ou .05 polegada). De repente saem de uma clareira alguns blindados não identificados. O tenente comandante do pelotão ordena que os VBTP parem e procurem cobertura possível atrás das poucas árvores e colinas em torno. Ele abre a escotilha para observar melhor, quando vê um clarão e ouve logo em seguida uma explosão. O inimigo avançaria rápido por esses campos com forças blindadas. Supondo que fossem venezuelanos bolivarianos fanáticos, também tomariam a região de Essequibo, na vizinha Guiana. Foi pura coincidência. Alguém no Exército também resolveu testar na região uma bateria de artilharia bem especial: o sistema Astros II, da Avibrás, um sistema de foguetes de múltiplos calibres capaz de atingir alvos a distâncias entre 9 e 300 km, que logo entraria em ação, tornando o resultado do conflito menos previsível. Cenário 4 – Fronteiras Em vários pontos do país existe outro produto da indústria de defesa nacional em operação no mesmo momento, um avião de transporte. Levou algum tempo para produzi-lo, um pouco mais que o previsto, mas compreensivelmente, pois o objetivo era substituir um dos aviões mais icônicos, seminais e clássicos da história, o avião de transporte americano Hercules C-130. “O substituto de um Hercules é outro Hercules”, dizia a fabricante, a Lockheed. A empresa brasileira Embraer resolveu apostar que teria uma opção melhor: a aeronave de
transporte e reabastecimento aéreo de combustível KC-390. O C-130 é um turboélice de quatro motores; o KC-390 é um bimotor a jato, o primeiro grande projeto multinacional na área de aviação em que uma empresa brasileira é a principal envolvida. E os novos aviões estavam voando pelo país em diferentes missões. As fronteiras do país, no mar ou em terra, costumavam ter os fortes como principais barreiras a uma invasão. Muralhas e canhões eram o principal desafio que um inimigo tinha que contornar, assim como – e principalmente – os homens por trás das defesas. A ameaça passou a ter novas dimensões. Um dos novos “fechos” da Amazônia, e das fronteiras em geral, é outra classe de aviões da Embraer, os EMB 145 ISR – aviões-radar, de vigilância área e de sensoriamento remoto. A empresa usou como plataforma para o equipamento eletrônico seu bem-sucedido avião comercial ERJ 145 e criou a dupla R-99 e E-99. O EMB 145 Multi Intel, ou R-99, é voltado para sensoriamento remoto, e o EMB-145 AEW&C (do inglês “Airborne Early Warning and Control”), ou E-99, é um avião-radar de alerta aéreo antecipado e controle de tráfego aéreo. Aviões-radar dão informações. Mas é preciso que existam aviões de combate aptos a utilizá-las. A depender da ameaça, não precisam ser caças de última geração: aviões de traficantes e contrabandistas podem ser visados por aeronaves de ataque leve como o Embraer EMB-312 T-27 Tucano (um sucesso internacional de vendas: cerca de 650 aeronaves operando em 15 forças aéreas mundo afora) ou seu sucessor, o EMB 314 A-29 Super Tucano – ou ALX. O Super Tucano também tem uma função de ataque a guerrilhas, ou “insurgentes”, como é moda defini-las hoje. Tem sido usado nessa função pela Força Aérea da Colômbia. Míssil O par de Super Tucanos patrulhava a fronteira sobre a floresta. Impossível identificar qualquer coisa debaixo das árvores. O avião-radar, contudo, tem uma visão mais precisa e detalhada. É possível “enxergar” parte do que acontece no solo. De repente surge um clarão na tela. Que se repete visualmente, na direção dos dois aviões de ataque leve. Um míssil terraar, certamente disparado do ombro, da classe do antigo soviético SAM-7, ou do americano Stinger. Seja qual for o míssil, é barato, é simples de operar, e um grupo de narcotraficantes pode usar. Os dois Tucanos percebem a ameaça e começam manobras evasivas. Meio-dia, terça-feira, 26 de fevereiro de 1991; cerca de 40 homens realizam uma incursão em território brasileiro. Eles atacaram um destacamento do Exército na margem do rio Traíra, na fronteira entre Brasil e Colômbia. Durante a ação, a unidade brasileira de 17 homens teve três soldados mortos e nove feridos; armas e equipamento brasileiros foram capturados. Uma retaliação depois recuperaria parte do armamento roubado e mataria parte dos “insurgentes”. O episódio deixa claro a “área cinzenta” entre tráfico de drogas, guerrilha e banditismo puro em partes da fronteira do país, retratada também em artigo do coronel Álvaro de Souza Pinheiro (“Guerrilla in The Brazilian Amazon”, Foreign Military Studies Office, Fort Leavenworth, KS., 1995).
História Um pouco de história: em 1624 os holandeses atacaram e tomaram Salvador. Perderam no ano seguinte. Atacaram e tomaram Recife e Olinda em 1630; só foram expulsos em 1654. Mesmo antes disso, tinham iniciativas na Amazônia – pequenos fortes e feitorias –, assim como ingleses, franceses e mesmo irlandeses. Franceses fundaram, na prática, duas cidades brasileiras, duas capitais de Estados: Rio de Janeiro e São Luís. Foram expulsos pelos portugueses. Em 1710 e 1711, atacaram de novo o Rio, mas apenas para saquear – com sucesso, na segunda vez. Os holandeses queriam dominar o comércio do açúcar, e também o dos escravos necessários para sua produção (por esse mesmo motivo chegaram a dominar Luanda, em Angola, antes de serem rechaçados). Novos invasores podem ir atrás de outros recursos. Como o petróleo do pré-sal. Biodiversidade amazônica? Difícil; a biotecnologia resolve as coisas com mais facilidade nos laboratórios, sem precisar invadir um país para ter acesso a folhas e formigas. Recurso mais raro e valioso no futuro: a simples água doce. Na Amazônia está a maior reserva do mundo, que pode ter cada vez mais sede, dependendo do aumento da população e da mudança climática. Cenário 5 – Plano “Em 22 de fevereiro de 1942, dois meses e meio após o ataque japonês a Pearl Harbor, os Estados Unidos invadiram e ocuparam o Nordeste do Brasil. Após 12 dias de navegação a partir de Hampton Roads, Virgínia, EUA, uma força naval de apoio de fogo – incluindo o couraçado USS Texas (BB-35), e o 11º Grupo de Aviação dos fuzileiros navais embarcado no porta-aviões USS Ranger (CV4), e um comboio de navios de transporte carregados de equipamento de combate para a força de desembarque de batalhões da 1ª Divisão de Fuzileiros Navais e 9ª Divisão do Exército –, apareceu na madrugada ao largo da cidade de Natal na ‘protuberância’ a leste do Brasil”, foi a descrição de um historiador da invasão que poderia ter acontecido, e foi planejada, mas não houve, graças à diplomacia (“Invade Brazil?!”, por Michael Gannon, United States Naval Institute Proceedings, Vol. 125, No. 10, Oct. 1999). Segundo Gannon, o “problema” do governo americano com o Brasil era a ditadura liderada por Getúlio Vargas e a noção de que a maior parte das Forças Armadas, especialmente o Exército, era a favor do eixo BerlimRoma-Tóquio. O curioso, como ele mostra, é que o plano de invasão poderia redundar em um grande fracasso. Nem tanto pela competência das Forças Armadas brasileiras, mas pela falta de experiência americana em desembarques anfíbios e pelas praias de difícil acesso do Nordeste por embarcações ainda não testadas. O número de tropas era pequeno para lidar com eventual insurgência. Os EUA poderiam ter tido no Brasil em 1942 o que teriam no Iraque depois de 2003. Preservado hoje no Estado que lhe deu o nome, o USS Texas foi veterano da Primeira Guerra Mundial e da Segunda. Seus canhões deram apoio de fogo em operações importantes, como a invasão da África do Norte em 1942, a da Normandia em 1944 (o “Dia D”) e depois, no Pacífico, contra os japoneses em Iwo Jima e Okinawa, em 1945. Recebeu cinco “battle stars” (“estrelas de batalha”) por operações como essas. Para sorte dos brasileiros, Natal não entrou nessa lista.
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Diário de Lisboa O MAPA DA CULTURA
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Terrinha à vista, em 360º Mirante e nova fadista maravilham lisboetas
ISABEL COUTINHO
Há um novo mirante na cidade de onde se pode ver Lisboa em todo o seu esplendor. Fica no alto do arco da rua Augusta, monumento que começou a ser pensado em 1759, a seguir ao terramoto, e foi concluído em 1875. A Associação Turismo de Lisboa, que gere o espaço, fez um investimento de 950 mil euros para restaurá-lo e instalar um elevador que permite que o monumento seja agora visitável. Está aberto ao público desde o dia 9 de agosto. Para chegar ao topo do arco, vai-se de elevador, mas depois é preciso subir dezenas de degraus para se chegar ao salão (onde fica a maquinaria do relógio) e, mais ainda, de uma escada em caracol para se chegar ao mirante. Dali se vê o Terreiro do Paço (a praça com a estátua equestre de D. José 1º, também restaurada), o Cais das Colunas, a ponte
sobre o rio Tejo, o CristoRei do outro lado do rio, a Baixa Pombalina, a Sé e o castelo de São Jorge. O arco da rua Augusta, que tem a inscrição “Às virtudes dos maiores, para que sirva a todos de ensinamento”, pode ser visitado das 9h às 19h, todos os dias, e o bilhete custa 2,50 euros. A vista e o restauro têm deixado todos maravilhados. Fado musical Lisboa também anda entusiasmada com uma nova fadista que veio do norte de Portugal. O primeiro disco de Gisela João, 29, acaba de sair (está à venda no iTunes) e a crítica foi unânime. Desde o aparecimento de Carminho que não se ouviam elogios assim. Tudo começou quando Gisela, ainda criança, ouviu na rádio a fadista Amália a cantar “Que Deus Me Perdoe”. Achou que a canção falava do que ela sentia. “Isto sou eu, caraças”, pensou a rapariga, que comprou então uma fita com as músicas da diva e sozinha,
no quarto, imitava-a. Sua mãe adorava Elis Regina, mas em casa ninguém ouvia fado. Mais tarde, quando em Barcelos abriu uma casa de fado Adega Lusitana, Gisela foi para lá cantar. Mudou-se para o Porto; de dia trabalhava numa loja, de noite cantava fado. Conheceu o fadista Helder Moutinho, que a trouxe a Lisboa, à casa de fados Sr. Vinho (www.srvinho.com), onde a fadista Maria da Fé a convidou a fazer parte do elenco. Gisela João já cantou com Nicolas Jaar, gravou com o brasileiro Pierre Aderne (“Um Lugar pra Ficar”) e cantou “Os Argonautas”, de Caetano, no filme “Lisbon Soul of Music”, de João Botelho. Tal como o verso de uma das canções que ela canta: “Não é fadista quem quer, mas sim quem nasceu fadista”. Quero ser Casa Nova John Malkovich está em Lisboa a gravar o filme “As Variações de Giaco-
mo”, de Michael Sturminger. Depois de interpretar Giacomo Casanova (172598) na ópera de mesmo nome, também dirigida por Sturminger, agora vai encarnar o famoso libertino no cinema. Produzido por Paulo Branco, o filme será inteiramente rodado em Portugal. Malkovich atuará com o tenor Jonas Kaufmann no teatro Nacional de São Carlos, onde se passa grande parte do longa. O ator norte-americano irá cantar na produção. “Irei abrir a boca e vamos ver o que sairá”, brincou. A exemplo do que ocorria no filme “Quero Ser John Malkovich” (1999), faz o papel dele mesmo na parte do novo projeto que se passa nos dias de hoje. A ideia foi do diretor do novo longa, mas Malkovich encontra uma explicação para ela. “Casanova era uma celebridade, as histórias que se contavam sobre ele podiam não ter nenhuma base factual. Isso acontece comigo e com
qualquer figura pública”. Cinema em transe Nesta semana foi lançada uma petição à Assembleia da República em defesa da Cinemateca Portuguesa, reagindo às notícias de que a instituição está a lutar para não fechar as portas por falta de verbas. Há duas semanas a diretora da Cinemateca, Maria João Seixas, disse que a instituição corria o risco de suspender as atividades já neste mês. Parte do orçamento da Cinemateca vem das receitas provenientes da taxa cobrada sobre a publicidade televisiva. Como houve uma quebra acentuada nessas receitas, foi necessário nos últimos meses arranjar dinheiro de outra forma. O secretário de Estado da Cultura português, Jorge Barreto Xavier, já veio assegurar que a Cinemateca não vai fechar, mas não disse ainda como vai resolver o problema do financiamento.
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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIA
5 Concorrência desleal Veneza, 1969
CARLOS DIEGUES
A grande atração do festival de Veneza de 1969 era a esperadíssima estreia mundial de “Satyricon”, de Federico Fellini. Fellini estava sem lançar um longa havia quatro anos. Com a saúde abalada, se retirara para sua casa na praia de Ostia, perto de Roma, e desaparecera do noticiário. Parece que só saía de Ostia para jantar com Marcello Mastroianni, seu ator preferido e amigo fiel. Mas diziam também que, na maior parte das vezes, eles marcavam seus encontros e nenhum dos dois aparecia no restaurante. “Satyricon”, superprodução com estrelas de várias nacionalidades, ia passar no fim do festival, no mesmo dia previsto para meu filme “Os Herdeiros”, que também estava na seleção oficial. Eu ainda não tinha 30 anos e dividia a última jornada do festival com o mestre italiano, com seu filme
mais esperado dos últimos tempos. No Lido de Veneza, só se falava de “Satyricon”, não se lia nenhum jornal que não o tivesse como assunto principal. Ou único. No dia 4 de setembro, data marcada para sua exibição, “Os Herdeiros” deveria passar três vezes – de manhã, no fim da tarde e às 21h. A última sessão se daria na Arena do Lido, um espaço popular; as anteriores, no Palácio do Festival, palco oficial do evento. Todas as três antecederiam projeções de “Satyricon”. Naquele dia, acordei bem cedo e fui para a porta do palácio. Uma fila gigantesca parecia estar ali há horas, esperando o sol nascer para entrar na sala de exibição. Estando “Os Herdeiros” programado para a primeira sessão, desconfiei de que havia algo errado. Chegando mais perto, vi que havia outra fila, de tamanho muito menor, que começava a se mover antes da mais comprida. A fila maior esperava pela sessão
de “Satyricon”, que se daria dali a umas duas horas, depois que o pessoal da fila menor visse “Os Herdeiros” e que déssemos nossa entrevista coletiva, ao final da projeção, no palco do próprio palácio. A projeção de “Os Herdeiros” mal terminara e a multidão já começava a forçar a entrada na sala. Uma autoridade do festival tentou gentilmente me explicar o que estava acontecendo. Como tudo se passasse cada vez mais rápido, entrou logo no assunto que o afligia e me pediu o favor de aceitar duas alterações na programação: dar a entrevista nos camarins do palácio em vez de no palco, evitando assim as hordas que entravam na sala para ver “Satyricon”; e abrir mão da sessão da tarde de “Os Herdeiros”, para que pudessem programar mais uma projeção do filme de Felllini, a fim de atender a demanda. Ainda estávamos nos camarins do palácio quando o presidente do festival, Ernesto Laura, apareceu vindo
dos fundos do prédio, trazendo Federico Fellini pelo braço para que fosse ao palco apresentar seu filme. Ao me ver, Laura teve a delicadeza de interromper sua marcha em direção à glória de programador e me apresentou o mestre. Fellini, que devia estar a par do que acontecia, estendeu-me a mão, fez um gesto na direção do teatro agitado e, muito simpaticamente, disse-me apenas: “Mi dispiace”. Em bom português, queria me dizer “desculpe qualquer coisa”. Só voltei a encontrá-lo muitos anos depois, em 1986, quando “Quilombo” estreou em Nova York. Durante os dias em que ficamos na cidade, fomos a uma sessão especial do filme dele, “Ginger e Fred”, e depois a uma festa em sua homenagem. Ao nos encontrarmos, lembrei-o daquele festival de 1969, e Fellini riu muito. Dessa vez estava mais feliz – porque, em Veneza, “Satyricon” acabara se tornando uma grande decepção. Bem feito. ARCHIVIO CAMERA PHOTO EPOCHE/ GETTY IMAGES
O cineasta Federico Fellini (de gravata) e parte da trupe de ‘Satyricon’ navegam por Veneza, em 1969
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Cinema
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O documentarista do sonho Filme que cunhou estilo de Fellini faz 50 anos
EUCLIDES SANTOS MENDES
Acredita-se que alguns dos personagens mais característicos da obra de Federico Fellini (1920-93) tenham tido seu primeiro sopro de vida nas recordações que o cineasta reunia no seu “Libro dei Sogni”. Esse “livro dos sonhos” se relaciona ao modo de criação artística por meio do inconsciente e da subjetividade. Ao que se supõe, há nos desenhos registrados ali impulsos profundos de criação de personagens e episódios, alguns recriados na tela cinematográfica. Em “Oito e Meio”, filme que completa agora 50 anos, o cineasta traz o mundo onírico que anotava em seus álbuns ao primeiro plano, ao tentar explicar as motivações do protagonista, o cineasta Guido, naquilo, em suma, que o crítico italiano Ennio Bispuri qualificou, no livro “Interpretare Fellini”, como “o sonho de onipotência de um impotente”. Não se sabe ao certo se os registros imagéticos do “Livro dos Sonhos” – obra ainda a ser devidamente estudada – têm relação direta com a criação de “Oito e Meio”. Vale observar, no entanto, que há uma camada onírica essencial no enredo do filme. Guido Anselmi (interpretado por Marcello Mastroianni, ator-fetiche de Fellini) é um cineasta que, prestes a começar seu próximo trabalho, não tem ideia de que filme fazer. A crise criativa mergulha o personagem em sonhos assombrados pela família, recordações da infância e mulheres que marcaram sua vida. A arquitetura visual arrebatadora circula pelo inconsciente de Guido, mas também avança pela memória decodificada do personagem e pelo tempo presente. Rimini A relação de Fellini com o desenho se estabeleceu ainda na infância e na adolescência em Rimini, cidade na costa do mar Adriático onde nasceu. Apreciava caricaturas, charges e histórias em quadrinhos – tornou-se “fumettista” (cartunista) precocemente. Foi no começo dos anos 1960 que o talento para desenhar transformouse numa terapia. Aconselhado por um psicanalista junguiano, o berlinense Ernst Bernhard, com quem passou a se consultar, Fellini decidiu registrar graficamente os próprios sonhos. Quase todas as manhãs, assim que despertava, punha-se a desenhar efusivamente as lembranças da noite. O hábito durou até 1990; quando se deu por satisfeito, possuía três grandes álbuns preenchidos por imagens coloridas e voluptuosas, com histórias carregadas de simbolismo. Após a morte do diretor, em 1993, dois dos álbuns – o terceiro desapareceu – foram trancados no cofre de um banco italiano, a salvo da disputa entre os herdeiros de Fellini e os de sua mulher, a atriz Giulietta Masina (1921-94). Em 2006, após um acordo que envolveu a Fundação Federico Fellini (se-
diada em Rimini), o governo da Emilia Romagna (região italiana onde Fellini nasceu) e os herdeiros de Masina, os enigmáticos livros foram, enfim, abertos e apresentados publicamente como um precioso instrumento para ajudar a compreender a estilística e a poética do diretor de “Oito e Meio”. Seu conjunto foi publicado de fato como livro em 2007, na França e na Itália. Mergulho Em “8 1/2 de Fellini - O Menino Perdido e a Indústria”, publicado no livro “A Sereia e o Desconfiado - Ensaios Críticos”, o crítico Roberto Schwarz vê na estrutura atemporal do filme o sinal e, por conseguinte, o caminho para o mergulho simbólico na “alma” do protagonista. O crítico adverte, todavia, ser um artifício enganoso o espelhamento que costumeiramente se faz entre Fellini e Guido – identificação “autorizada pelos colunistas de mexerico, pelo próprio diretor, talvez, mas não pelo filme”. “Se Fellini é Guido”, escreve Schwarz, “os conflitos deste campeiam idênticos no peito daquele, que seria o bobo de suas próprias limitações, um pequeno-burguês nostálgico e fantasioso, incapaz de fazer qualquer coisa que preste”. A potência subjetiva de “Oito e Meio” é reveladora de um gesto maior, que vai além da psicologia do diretor e que avança pelo campo do imaginário na criação artística, como um tratado poético em forma de imagens, cujo
CLAUDIUS CECCON/cartum
pensamento, vivo e pulsante, alcança densidade poética inigualável. É como se o filme e o gesto de pensálo criassem, em película, a experiência de uma aventura em que o mundo da memória e dos sonhos se manifesta por meio de imagens “significantes”. No ensaio “O Salto Mortal de Fellini”, publicado no livro “Exercícios de Leitura”, a crítica Gilda de Mello e Souza avalia que o filme se inscreve na linha de vanguarda da narrativa contemporânea. Segundo a ensaísta, apesar de dúvidas e indecisões, avanços e recuos, “foi para a aventura de saltar da torre no espaço vertiginoso da arte que Guido se preparou longamente. O filme de Fellini é a fenomenologia deste gesto frágil e arriscado”. De onde vêm, contudo, essa fragilidade e esse risco? Talvez da própria tentativa de construção imagético-discursiva do “cinema de poesia” em Fellini. “Cinema de poesia”, tal como pensado e analisado pelo cineasta e crítico italiano Pier Paolo Pasolini no ensaio de mesmo nome, é um termo que se relaciona ao uso da “subjetiva indireta livre”, meio narrativo, derivado do discurso indireto livre da literatura, em que o autor manifesta suas ideias, seus sentimentos e suas perspectivas de mundo por meio da psicologia dos personagens e da poética inerente ao discurso cinematográfico. A existência contraditória de Guido evidencia a experiência do impasse no filme como gesto criativo complexo. O
personagem é o “álibi narrativo” para Fellini tecer seu argumento poético, na medida em que ele expressa em Guido condições análogas – e, por isso, enganosas numa relação direta de identificação – na cultura e na psicologia, como requintados atributos de onde ecoa sua própria voz. Guido, num ambiente marcado pela decadência e pelo posterior reencontro moral, talvez seja o ápice da experiência de confronto do cineasta com a criação cinematográfica tal como pensada pelo “cinema de poesia”. É por meio da expressão ambígua e desnorteante do personagem que se evidencia o sentido da formação individual do diretor, pois “Oito e Meio” se resume nisto: é como Fellini torna-se cineasta. Em 1960, “A Doce Vida” havia feito de Fellini um ícone do cinema; mas foi “Oito e Meio” o filme que fez nascer para o mundo o adjetivo “felliniano”. Federico Fellini, esse “documentarista do sonho”, como diz Glauber Rocha no ensaio “Glauber Fellini”, dá adeus à escola em que se formou – desde que, em 1945, colaborou como corroteirista em “Roma, Cidade Aberta”, de Roberto Rosselini, filme-manifesto do neorrealismo. Com “Oito e Meio”, Fellini mergulha na poesia de seu próprio cinema, retornando ao magma neorrealista originário, mas moldando-o como artifício da sua própria expressão, colocando o artista em confronto com sua subjetividade mais real e, por isso, também, configurando-se como um exame de maturidade.