Skip to main content

EM TEMPO - 1º de março de 2015

Page 1

R$

2,00 PREÇO DESTA EDIÇÃO

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

DIEGO JANATÃ

ANO XXVII – N.º 8.641 – DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

Agentes de trânsito têm intensificado a fiscalização da Faixa Azul na avenida Constantino Nery, onde aproximadamente 2 mil multas foram aplicadas em apenas seis dias

6 DIAS, 2 MIL MULTAS OPINIÕES, MAS PODEM SER, A MÉDIO PRAZO, UM BRAÇO ALTERNATIVO PARA O COMPLICADO TRÂNSITO DE MANAUS. DUAS MIL MULTAS, EM UMA SEMANA, JÁ FORAM APLICADAS A MOTORISTAS NÃO AUTORIZADOS A TRAFEGAR PELA FAIXA AZUL. MESMO COM A

ENORME QUANTIDADE DE CARROS DE PASSEIO, AINDA SÃO OS ÔNIBUS QUE ATENDEM BOA PARTE DA POPULAÇÃO. SOMENTE NO CORREDOR EXCLUSIVO SÃO TRANSPORTADOS MAIS DE 240 MIL PASSAGEIROS. COM A PALAVRA A5, ECONOMIA B3 E DIA A DIA C1 A C3

IONE MORENO

DIVULGAÇÃO

OS PROJETOS DE MOBILIDADE URBANA QUE ESTÃO SENDO IMPLANTADOS EM MANAUS TÊM SIDO ALVO DE AMPLAS DISCUSSÕES EM VÁRIOS SETORES DA SOCIEDADE. A CICLOVIA DO BOULEVARD ÁLVARO MAIA E A FAIXA AZUL NA AVENIDA CONSTANTINO NERY DIVIDEM

Perder peso não é fácil, mas dietas restritas, que emagrecem a curto prazo, podem comprometer a saúde e trazer mais prejuízos que benefícios. Saúde F6

Sri Mulyani chegou ontem a Manaus e fica no país por quatro dias

AGENDA PODEROSA O governador José Melo se reúne, hoje, com a diretora-gerente e chefe de Operações do Banco Mundial, Sri Mulyani Indrawati, que visita o Brasil pela primeira vez. Contexto A3 Em abril, acontece a “Casa Nova Amazonas 2015”, que vai reunir as maiores incorporadoras, construtoras e corretoras de imóveis da Região Norte. Imobiliário 7

Curumim no planeta peixe As mamães devem insistir para que os curumins comam peixe, um alimento rico em proteína, substância que as crianças precisam no processo de crescimento. É a carne animal mais recomendada. Curumim

‘ÔNIBUS’ DAS ÁGUAS MANAUS VIROU AS COSTAS PARA SUAS ÁGUAS, MAS, EM TEMPOS DE CRISE NO SISTEMA DE TRANSPORTE COLETIVO, OS BARCOS SURGEM COMO UMA NOVA OPÇÃO DE MOBILIDADE URBANA. DIA A DIA C3 A utilização dos rios seria uma alternativa inteligente de interligar todas as zonas da cidade

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CURUMIM.

O look cigano sofisticado ou hippie-chic da década de 1970 volta com tudo e promete ser o “pêndulo da moda” na temporada primavera/verão. Elenco 9

A série “The Walking Dead”, exibida no Brasil pelo canal Fox, é o mais recente e desenvolvido produto da proliferação cultural dos mortos-vivos. Ilustríssima G3

TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 31

MÍN.:

23


A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Construtoras prevêem repasse da alta de custos

Reação nacional A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC)

REGIÃO SUL

Caminhoneiros mantêm 27 bloqueios em rodovias São Paulo, SP – Apesar das multas de até R$ 10 mil por hora de paralisação, caminhoneiros permaneceram bloqueando, na manhã de ontem, ao menos 27 pontos em rodovias de três Estados do país – todos da Região Sul. É no Rio Grande do Sul onde há mais registros de interdições parciais. No total, são 13 pontos, espalhados por 11 cidades. O número de bloqueios caiu em Santa Catarina e no Paraná. Na sexta (27), havia 18 pontos de paralisação em SC – hoje são 12. A região oeste do Estado segue a mais afetada pelo movimento nas cidades de Maravilha, Cunha Porã, Palmitos, Xanxere, São José do Cedro, Nova Erechim, São Miguel do Oeste, Guaraciaba, Guarujá do Sul, Faxinal dos Guedes, Pouso Redondo

O presidente do Sinduscom-AM, Eduardo Lopes, observa que o setor operou no limite em 2014

CARREGAMENTO

FÓRMULA 1

e Ponte Serrada que são as afetadas no momento. No Paraná, há bloqueios em pelo menos dois trechos, em Irati e Guarapuava, na BR-277. A Polícia Rodoviária Federal ainda não divulgou um balanço nacional do movimento. Cargas atrasadas Para Afrânio Kieling, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logísticas no Rio Grande do Sul, apesar da grande adesão dos caminhoneiros do Estado, é esperado um final de semana com afrouxamento nos protestos. “As empresas não têm mais onde colocar a carga, seus depósitos ficaram lotados. Os caminhoneiros vão trabalhar direto durante o fim de semana para liberar esse fluxo”.

CÂMARA

Mudanças no ECA serão votadas ainda este mês Brasília, DF – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou na quarta-feira (25) que vai levar para votação em plenário no mês de março as mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) propostas pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Pelo projeto, que já tramita na casa, a pena para adolescentes reincidentes em crimes graves, como homicídio e latrocínio, aumenta de três para oito anos. O projeto cria o chamado Regime Especial de Atendimento. A internação de até

publicou nota lamentando a ação do governo federal e fez uma análise de adensamento da crise a partir do engessamento do setor produtivo. Segundo o presidente da entidade, José Carlos Martins, a medida traz malefícios para o Brasil porque onera o investimento. O presidente da CBIC também considera que seria melhor o governo cortar despesas de custeio no lugar de encarecer o investimento e criar insegurança jurídica. “Medidas contingenciando recursos do PAC, aliadas a esta oneração, com inflação em alta, repasse de recursos atrasados e pouca expectativa de novas contratações só trazem prejuízo para o país e ameaçam paralisar obras de infraestrutura, que são vitais para o desenvolvimento do Brasil“, argumentou Martins. O dirigente salienta que o setor está indignado, pois não foi consultado para auxiliar na busca de alternativas que evitassem impactos negativos. A Confederação Nacional da Indútria (CNI) também lamentou a medida, por meio de nota publicada no Portal da Indústria. Por Equipe EM TEMPO Online

oito anos será determinada por um juiz, após avaliação técnica multiprofissional. São exigidos três critérios para a aplicação dessa pena ao menor: se o ato infracional for equivalente aos crimes hediondos, se o jovem iniciar o cumprimento da medida de internação com mais de 18 anos, ou completar essa idade durante o seu cumprimento. Atualmente, a internação máxima prevista pelo estatuto é de três anos, mas uma pessoa pode ficar internada até os 20 anos e 11 meses, se ela for pega na véspera de completar 18 anos.

Piloto da Williams registrou menor tempo em 1min23s262

Massa faz melhor tempo nos testes em Barcelona Barcelona, Espanha – Felipe Massa cravou a volta mais rápida na manhã de testes da F1 ontem, em Barcelona. O piloto da Williams registrou seu menor tempo em 1min23s262, melhor marca anotada por ele no circuito de Montmeló em sete dias de ensaios da prétemporada da categoria. O segundo mais veloz foi Kimi Raikkonen, da Ferrari, que ficou apenas 0s014 atrás do brasileiro, que já foi seu companheiro na escuderia de Maranello. Marcus Ericsson colocou a Sauber na terceira posição da manhã deste sábado, mas ficou a pouco mais de um segundo e dois décimos atrás do tempo registrado por Massa.

Nico Hulkenberg, da Force India, foi quarto mais rápido, seguido por Kevin Magnussen. O dinamarquês, que substitui Fernando Alonso na McLaren nesta sessão de treinos em Barcelona, fez sua melhor volta em 1min25s225. Atual campeão mundial, Lewis Hamilton ficou com o sexto tempo. O inglês, porém, encerrou a manhã de testes mais cedo em Barcelona depois que a Mercedes decidiu recolher o W06 para fazer algumas mudanças no acerto do carro. A pré-temporada da F-1 se encerra neste domingo, duas semanas antes da abertura do Mundial, no próximo dia 15, na Austrália.

Onze metros cúbicos de madeira são apreendidos O Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas apreendeu, na madrugada de ontem, no km 42 da rodovia AM-010 (Manaus – Itacoatiara), um carregamento de aproximadamente 11 metros cúbicos de madeira beneficiada (prancha) sem o Documento de Origem Florestal (DOF). A madeira era transportada por um caminhão, de modelo Mercedes Benz 1514, de cor verde e placas AFH-7424, guiado por Luiz Cardoso da Silva, de idade não revelada. Ele foi conduzido ao 15º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para os procedimentos

legais. O veículo foi deixado no local da abordagem, uma vez que este encontrava-se impossibilitado de locomoção, conforme informações do Batalhão Ambiental. A ação ocorreu durante fiscalização de rotina. O DOF é um documento obrigatório para o transporte e comercialização de produtos e subprodutos de origem florestal, conforme previsto no artigo 46, parágrafo único da lei número 9.605/98, a Lei dos Crimes Ambientais. Por Equipe EM TEMPO Online, com informações da assessoria

ZONA LESTE

Veículo é abandonado em viaduto do bairro São José DIVULGAÇÃO

“Ainda não temos como mensurar as consequências de mais este duro impacto. Se as perspectivas não eram otimistas para 2015, a partir de agora se tornam ainda piores”, desabafou. Nesta semana, o SindusconAM deve divulgar os resultados do setor em 2014, mas a estimativa atual dos operadores de mercado é que os números sejam desanimadores. Em virtude do estoque alto, o setor brecou os lançamentos no ano passado. No entendimento de Lopes, o Planalto deveria seguir o exemplo do governo do Amazonas ao cortar despesas de custeio e “não ter repassado ao já penalizado setor produtivo mais este encargo”. O Amazonas conta com mais de 200 empresas do segmento da construção civil ativas e com atividades contínuas voltadas para os setores industrial, imobiliário e de infraestrutura. Juntas, as construtoras geram mais de 76 mil empregos diretos e fomentam negócios em inúmeros segmentos da economia.

LUCA BRUNO/ASSOCIATED PRESS/AE

A

mudança no sistema de desoneração da folha de pagamento foi mal recebida pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM). O setor já prevê repasse de pelo menos 5% ao consumidor final por conta da medida, publicada no Diário Oficial da União, nesta sexta (27). “É inegável que, no longo prazo, os empresários serão obrigados a repassar esses gastos adicionais para o consumidor final. A população é a mais prejudicada”, lamentou o presidente da entidade, Eduardo Lopes, em texto distribuído pela assessoria de imprensa do Sinduscon-AM, na manhã de ontem. A medida provisória 669 estabelece que, a partir de junho, as empresas que recolhem 2% do faturamento para a Previdência passem a arcar com 4,5%. Já aquelas que pagam 1% terão de recolher 2,5%. Conforme o dirigente, o setor operou no limite em 2014 para equilibrar receita e despesa, sem desempregar. O receio agora é não ter como incorporar o novo aumento, em um cenário de demanda em baixa e de inflação em alta.

IONE MORENO

Setor da construção civil do Estado deverá repassar pelo menos 5% da alta de custos ao consumidor final

Dono do veículo não estava no local e o carro foi guinchado

Um veículo modelo Fiat Uno, placa AUY-6091, cor prata, foi encontrado por populares na manhã de ontem, debaixo do viaduto do São José, ao lado do Terminal (T5), na Zona Leste de Manaus. Segundo informações da Manaustrans, o automóvel estava abandonado e foi guinchado, devido à ausên-

cia do responsável no local. Ainda de acordo com a assessoria, o carro se encontra à disposição de reconhecimento do dono no Parqueamento do Manaustrans – localizado na rua 4, bairro da Paz – para a retirada o veículo. Por Equipe EM TEMPO Online


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

O eterno retorno dos seringais

Omar comanda a bancada O senador Omar Aziz (PSD) ganhou mais uma. Será o novo coordenador da bancada do Amazonas no Congresso Nacional. A oficialização do nome de Omar será feita, nesta quarta-feira, em reunião da bancada no gabinete de Alfredo. Na reunião, a bancada vai definir ainda a pauta de prioridades que defenderá junto ao governo federal e ao Congresso.

As constantes intervenções da Justiça no modus operandi de vereadores e prefeitos dos municípios amazonenses expõem o quanto o interior do Estado “está abandonado”, como é costume lembrar sempre que há eleições, isto é, de dois em dois anos, sem a menor desfaçatez. Expõe mais: a incompetência generalizada dos partidos políticos de propor qualquer coisa de sério para a gestão das problemáticas locais e sua conivência criminosa com o saque dos cofres públicos, o nepotismo descarado e a desmoralização dos princípios republicanos, que a humanidade, não só o povo brasileiro, conseguiu inventar com sangue, suor e lágrimas, para ter um marco da sua presença diferenciada “dos outros animais”, neste planeta. O interior amazonense é uma formação de currais (ou seringais) eleitorais, onde é muito difícil reconhecer o lado da lei. Os coronéis de barranco continuam ativos, sustentando a visão estreita da região com que se alimentam os caciques políticos engordados na capital do Estado. Vereadores e prefeitos do interior do Estado estão crentes de que realmente têm poder – esta é mais uma das ilusões com que a capital os mantém “na linha”. Na verdade, são paus-mandados, brincando de mandatários em seus pequenos e miseráveis reinos. Essa farsa tem-se mantido em cena, tempo demais. Mas os próprios amazonenses de Manaus ajudam a sustentá-la – embora, paradoxalmente, um grande (grande mesmo) número desses conterrâneos tenha um trânsito frequente no interior, o que já seria bastante para mudar a percepção dessa realidade perversa. O que também impacta, além dos interesses suspeitos dos partidos, é a lentidão com que a Justiça trata esses desmandos, como se não fosse importante o que acontece ali. O seringal ainda não concluiu sua história no interior do Estado.

Regi regi@emtempo.com.br

Até Alfredo votou Um dos votos que definiram a parada foi do deputado federal Alfredo Nascimento (PR). Alfredo e Omar bateram de frente em determinado momento de sua caminhada política e viraram adversários ferrenhos.

☐ Mas, agora, parece que lamberam as feridas e resolveram, pelo menos, se respeitar. Vou não O grupo do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) tentou conquistar o apoio de Alfredo para, assim, ter maioria e o direito de indicar o coordenador. Mas, Alfredo se definiu por Omar e garantiu a maioria para o senador do PSD. Quem desmata? Instituto do Homem e Meio Ambiente (Imazon) divulgou nesta semana um boletim do desmatamento na Amazônia Legal, referente ao primeiro mês do ano de 2015. O Amazonas contribuiu com apenas 1% do desmatamento da Amazônia Legal, enquanto o Mato Grosso e o Pará contribuíram 75% e 20%, respectivamente. Vamos reconhecer O resultado positivo é fruto de um arcabouço de ações que compreendem a regularização ambiental e ações de educação ambiental. Leia-se Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS). Agenda poderosa O governador do Amazonas,

José Melo, se reúne, neste domingo (1º), com a diretoragerente e chefe de Operações do Banco Mundial, Sri Mulyani Indrawati, que visita o Brasil pela primeira vez. Sri Mulyani desembarcou no Eduardo Gomes no sábado (28) e fica no Brasil por quatro dias. Vem comigo! O encontro de Melo e Mulyani será às 9h no hotel Park Suítes Manaus, na Ponta Negra. O prefeito de Manaus, Arthur Neto, participa do encontro. Prestação de contas Durante a reunião de trabalho, o governador apresentará o andamento de projetos executados pelo governo, com o apoio do Banco Mundial, e possibilidades de novas parcerias. Reforma política A exemplo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acabam de lançar o Manifesto em Defesa da Democracia, defendendo a reforma política, o Poder Legislativo do Amazonas deve participar ativamente do processo de discussões sobre o tema. Mano a mano Os deputados do Amazonas querem contribuir com sugestões ao Congresso sobre a reforma que está na ordem do dia. Para isso, o deputado Belarmino Lins (PMDB) sugeriu que a mesa diretora encaminhasse um documento ao seu irmão, deputado federal Átila Lins (PSD).

APLAUSOS

O convite é para a raposa felpuda da política vir debater o projeto em apreciação no Congresso Nacional. Salve o boto A atuação do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) na defesa dos botos da Amazônia recebeu, nesta sexta-feira (27), o apoio de 176.599 pessoas. Elas fizeram questão de colocar seu nome no manifesto lançado pela Organização Não Governamental (ONG) Whale and Dolphin Conservation (WDC), com sede no Reino Unido. ONG britânica A entrega simbólica do abaixo-assinado ao procurador da República Rafael da Silva Rocha, que conduz o caso, foi feita pela pesquisadora do Instituto Piagaçu, Sannie Brum, representando a ONG britânica. Chamem o Arthur! Moradores do conjunto Kíssia 1 voltam a reclamar à Contexto das condições da praça principal, que deveria ser o cartão de visitas do conjunto. Um matagal sórdido tomou conta do lugar, que só perde em feiúra para a praça de alimentação do Dom Pedro. Menor não bebe Atenção, lojas de conveniência, onde a garotada costuma encostar para curtir a noite, antes ou após a balada. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (24), o projeto de lei que tipifica como crime, no Estatuto da Criança e do Adolescente, a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos.

VAIAS

AMAZONAS

ALUNO VIOLENTO DIVULGAÇÃO

Para as políticas ambientais desenvolvidas no Amazonas. O Estado ficou com a porcentagem de 1% do total de 288 quilômetros de área desmatada, ou seja, apenas 2km2. Enquanto que o Mato Grosso foi o que mais desmatou, com 75%.

Para aluno que desrespeita seu professor em sala de aula. Em Manaus, já existem registros até de agressões físicas. A pensar que já houve um tempo em que a classe inteira levantava para cumprimentar o professor que chegava para ministrar a aula.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

A mãe de Mateus Não foi com a ajuda do meu voto que Dilma Rousseff chegou à Presidência da República. Nem na primeira nem na segunda das suas duas eleições. Na primeira, razões políticas levaram-me à rejeição do seu nome porque, após os oito anos de Lula, entendi que o projeto era de manter o PT no poder a qualquer custo e pelo mais longo tempo possível, quando na democracia a alternância do poder é saudável e necessária. Na segunda, persistiam as razões políticas, mas a elas se acrescentavam os nítidos indicativos de incompetência na gestão, nas delegações de poder e no conhecimento que deveria manter do que ocorria no governo. Nesta condição, de rejeição explícita e aberta, sinto-me livre para me posicionar diante dos movimentos que se iniciam e que parecem se estruturar como ameaças ao mandato da “presidenta”. Não se pense que me passa pela cabeça a idéia de atenuar a gravidade ou de incrementar a tolerância aos atos dos corruptos que, ao saquear o erário, tornaram-se os dolosos responsáveis por grande parte da miséria que assola a nação. Acho que é chegada a hora, já tardia, de o povo ganhar as ruas para exigir clara e explicitamente o saneamento do governo e o fim da retaliação dos poderes do Estado entre os partidos políticos, até incompatíveis entre si, em nome da tal governabilidade que, na verdade, apenas camufla e tenta justificar a cooptação de várias vertentes políticas que nas suas misérias ideológicas tudo se permitem para alcançar o único fim do poder econômico e político. Nada, porém, será suficiente para justificar a atitude golpista que ora se articula em setores da Nação. Parece que cresce a predominância das gerações que não viveram e sequer testemunharam o que foi um

país sem democracia e governado pelo autoritarismo da força. Dilma Rousseff foi feita duas vezes Presidente do Brasil pelo voto popular, em eleições livres e limpas, pelo menos quanto à forma como foram conduzidas. Tenta-se justificar um eventual apeamento de Dilma, do cargo de magistrada maior, ao alegar e mostrar a inundante corrupção que se espalha por todo o país. Pensar, entretanto, em “impeachment” sem que as investigações incidentes sobre os escandalosos fatos ora revelados, principalmente a envolver a Petrobrás e também agora o BNDES, cheguem ao fim e, eventualmente, venham a incriminar a própria presidente, seria simplesmente golpismo. E bem sabemos que um Golpe de Estado, mesmo camuflado como “impeachment” não atingiria apenas a Chefe de Estado e de governo, mas também o próprio regime democrático, reconquistado a duras penas. O governo de Dilma Rousseff é realmente um fracasso nacional em todas as áreas em que atuou, e mal, como também em todas aquelas em que se omitiu e deixou que o caos se implantasse e agisse livremente. Mas é preciso que se reconheça que grande parte do desastre foi plantada pelo seu antecessor, populista inconsequente, cujas condições de “mestre”, “benfeitor” e “criador” geraram grandes dificuldades para assim ser identificado e reconhecido por alguém que se sabia um “poste” transformado em sucesso político. Se há em Dilma alguma humildade para reconhecer a jaca em que nos fez enfiar os pés, deve agora estar a frequentar até terreiro de macumba, em busca de socorro. E é bom que o faça, pois, se não lhe for identificado dolo nas ações e intenções, a ela cabe, em primeiro plano, o ônus do conserto. Como se diz, a quem pariu Mateus, cabe embalá-lo.

João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

Se há em Dilma alguma humildade para reconhecer a jaca em que nos fez enfiar os pés, deve agora estar a frequentar até terreiro de macumba, em busca de socorro. E é bom que o faça, pois, se não lhe for identificado dolo nas ações e intenções, a ela cabe, em primeiro plano, o ônus do conserto”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Deixa isso para lá

O Google faz 3,5 bilhões de buscas por dia, tem mais de 90% do mercado em alguns países e vale mais de US$ 400 bilhões, mais de sete vezes que a montadora General Motors. Há sinais claros de que a internet alimenta monopólios. (...) A Amazon foi responsável pelo desparecimento de 27 mil empregos nos EUA, em 2012, e provocou a falência de um grande número de livrarias

O núcleo político do governo Dilma Rousseff vai adotar uma pauta “neutra” e engavetar projetos mais identificados com o PT, como a regulamentação da mídia, nos próximos meses, para evitar embates ideológicos no Congresso. Ministros avaliam que o perfil atual da Câmara e do Senado é refratário a esse tipo de pauta e que a melhor maneira de recompor a base aliada é priorizar uma pauta menos política e mais econômica, voltada para o setor produtivo, empresários e trabalhadores. Alô, Janot A pressão sobre Rodrigo Janot por conta da lista dos implicados na Lava Jato não vem de hoje. Em novembro passado, José Eduardo Cardozo (Justiça) pediu que o procuradorgeral da República recebesse diretores do Banco do Brasil para discutir as investigações. Risco... Janot e outros procuradores se reuniram em 24 de novembro com representantes da área jurídica e analistas econômicos do banco, que foram expor graves consequências econômicas caso empresas envolvidas nos desvios da Petrobras fossem severamente punidas. ...sistêmico Munidos de relatórios expostos aos procuradores em PowerPoint, descreveram um cenário alarmista, em que, a depender do valor das sanções financeiras aplicadas às empreiteiras, o país teria o crescimento afetado e o efeito se alastraria para vários outros setores. Instável Amigos do procurador-geral da República dizem que ele demonstra abatimento e ansiedade nos últimos dias com a pressão a que está submetido.

Acuado Outro que passou o final da última semana tenso com o desfecho iminente da lista da Lava Jato foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Acuado 2 Antes confiante de que ficaria fora do rol, o peemedebista disse a aliados ter recebido sinais de que seu nome poderá ser incluído. Diante da hipótese, Cunha se mostrou colérico e disposto a se vingar no governo. Pedra cantada Por mais que Dilma tenha mostrado indignação com a decisão da Moody’s de rebaixar a nota da Petrobras, ela já havia sido alertada por Graça Foster de que a decisão era inevitável. Boa... Empenhado em ter Eduardo Cunha como aliado na negociação do ajuste fiscal, Joaquim Levy está aberto a discutir com ele as considerações que o presidente da Câmara fez sobre a MP que reduz o subsídio para as empresas que não pagam contribuição patronal, por causa da desoneração da folha. ...vizinhança O ministro tem dito que acha importante todos estarem bem informa-

dos para se posicionar. Por isso a Fazenda já tem prontos estudos sobre o assunto. Luz do dia Além de apresentar requerimento para a criação de três sub-relatorias na CPI da Petrobras, o PSDB incluirá o mesmo pedido entre as sugestões que o relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), solicitou aos deputados.

Andrew Keen, cientista social anglo-americano, que chegou a ser chamado de “anticristo do Vale do Silício” por suas posições pouco otimistas sobre a tecnologia do mundo virtual, vê com reservas o papel crescente da internet na vida cotidiana.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Luz do dia 2 O partido espera que o petista recuse a ideia, mas quer aproveitar o fato para reunir munição e dizer que o relator está travando o andamento das investigações já no início.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Reserva Parte da oposição chegou a articular a candidatura de Onyx Lorenzoni (DEMRS) à presidência da CPI. O PSDB e o próprio DEM atuaram para demovê-lo da ideia para não se indispor com o estratégico PMDB. Vai ter bolo De um parlamentar do PSB sobre a possibilidade de entrada de Marta Suplicy no partido: “Ela faz aniversário em março. A lista da festa vai dizer se o coração dela virou socialista ou se ainda continua petista”.

Tiroteio

A cada dia, Manaus se qualifica melhor como a cidade do empreendedorismo e das invencionices mais arrojadas. Aí está um exemplo de rara criatividade, na avenida Itaúba, Jorge Teixeira, Zona Leste: uma exposição de garrafas de detergente, marcando o território do comerciante. Nenhuma bienal de arte teria expositor mais criativo

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Não sabia que a Ravenna prescrevia cortar PAC, Fies, Minha Casa Melhor, Pronatec... Só que quem emagrece é o PIB, não a presidente” RODRIGO MAIA (DEM-RJ), deputado federal, ironizando a dieta seguida por Dilma Rousseff, que determinou novos cortes para atingir a meta fiscal.

Contraponto

Vela para são Pedro Em sessão na Câmara paulistana, na quinta-feira, o presidente do PT, vereador Paulo Fiorilo, mostrou vídeo de uma comissão extraordinária da Casa em que o engenheiro Nelson Luiz Nucci, ex-diretor de Planejamento da Sabesp, comentou a crise hídrica de 2007. Segundo o engenheiro, disse Fiorilo, a estatal criou três grupos de trabalho para lidar com o problema: o de comunicação, outro técnico e um “de oração”, comandado por Gesner Oliveira, então presidente da estatal. – E, segundo o próprio professor, o grupo que deu certo foi o de oração! – concluiu o petista. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS

Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br

3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br

REDAÇÃO

Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br

3090-1010 redacao@emtempo.com.br

CIRCULAÇÃO

3090-1001

Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br

circulacao@emtempo.com.br Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM

Gerente de Marketing Aline Nobre alinenobre@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br

DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO

www.emtempo.com.br

Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo

@emtempo_online

/amazonasemtempo

/tvemtempo /

Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Carismáticos e pentecostais A morte do missionário Davi Miranda, fundador da igreja Pentecostal Deus é Amor, é certamente um acontecimento digno de nota e de reflexão. Sua igreja congrega milhares e milhares de pessoas em todo o Brasil e em mais de uma centena de países. São homens e mulheres que encontraram um caminho de vida na experiência pentecostal. Para quem olha de fora, ela se fundamenta na força da Palavra, na luta constante contra o demônio, no dom das línguas e na intervenção direta de Deus através de milagres. Surgida no ano de 1962, a igreja Deus é Amor se insere num grande movimento cristão que, tendo raízes na Reforma, se intensifica no início do século 20. Tem como característica a experiência pessoal e sem intermediários da ação do Espírito manifestada, sobretudo no batismo do Espírito Santo, que tem como efeito principal o falar em línguas. Quem faz esta experiência se converte mudando hábitos, abandonando vícios, dando testemunho, pagando o dízimo. O pentecostalismo se propagou fazendo surgir inúmeras congregações e ministérios até chegarmos às grandes igrejas neopentecostais. Na Igreja Católica, o pentecostalismo existe como renovação carismática. Conservando a maior parte das características do movimento pentecostal, mantém a vivência sacramental e inclusive a intensifica de maneira especial na participação na Eucaristia e no sacramento da Reconciliação. Católicos carismáticos também manifestam grande respeito pela hierarquia, embora muitas vezes entrem em conflito com a comunidade lo-

cal. Mas o grande diferencial é o reconhecimento de Maria na História da Salvação e sua presença materna na vida dos seguidores de Jesus. Sem dúvida nenhuma, o pentecostalismo e a renovação carismática marcam o cristianismo de nosso tempo. A história dirá até que ponto esta transformação é duradoura. O fato é que milhões de pessoas em todo o mundo têm encontrado sentido nesta forma de viver a vocação cristã. Como qualquer outra experiência, está também tem suas ambiguidades, e entre as mais perigosas está a tentação de demonizar o outro. Por isso, mais que nunca é real o desafio ecumênico que supõe o reconhecimento da boa vontade de quem é diferente. Podemos fazer análises sociológicas, psicológicas, culturais e até econômicas do fenômeno pentecostal e carismático, mas creio que para quem tem fé e acredita num Deus que age na história, ouvindo e caminhando com a humanidade, fica a pergunta: o que o Espírito está dizendo às igrejas? Sem esgotar o assunto, diria que somos desafiados a acreditar mais na força da Palavra, a sermos mais coerentes em nossos comportamentos, hábitos e atitudes, a não colocar obstáculos desnecessários à ação do Espírito. Isto sem cair nas armadilhas da teologia da prosperidade, sem ceder ao fundamentalismo destruidor da alteridade, mantendo a comunhão e não inventando doutrinas. A fé é dom que nos veio através da história com a qual devo confrontar a minha experiência pessoal, que nunca pode ser normativa. De coração, espero que o missionário se encontre com o Deus que é Amor.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus

Sem esgotar o assunto, diria que somos desafiados a acreditar mais na força da Palavra, a sermos mais coerentes em nossos comportamentos, hábitos e atitudes, a não colocar obstáculos desnecessários à ação do Espírito. Isto sem cair nas armadilhas da teologia da prosperidade”


Política

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

A5

Pedro CARVALHO

‘Criticar é fácil, difícil É DAR SOLUÇÕES’

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

NÁIS CAMPOS Equipe EM TEMPO

FAIXA AZUL

Em Manaus, 55% das pessoas se utilizam dos ônibus para se locomover e esse tipo de transporte representa apenas 2,5% da frota total de veículos em circulação na capital; os veículos particulares representam mais de 70% e só transportam 12% da população”

N

o olho de um “furacão” e centro de todas as críticas da sociedade e classe política desde a implantação, há dez dias, de um trecho exclusivo para a circulação de ônibus na avenida Constantino Nery, a chamada Faixa Azul, o titular da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, conta nesta entrevista quais os estudos realizados para a execução de uma obra que inflamou a população, principalmente os usuários de veículos de passeio, e quais as medidas que o órgão promove para amenizar o tão combalido trânsito de Manaus. Em um trecho da entrevista, o superintendente reclama da falta de compreensão das pessoas que acusam a intervenção viária de amadora e sem planejamento, e chega a convidar os críticos e os céticos para, ao invés de só atirarem pedras, opinarem e contribuírem para o aperfeiçoamento do que ele proclama como “mudanças para o futuro”. EM TEMPO - É sabido que, antes do início da implantação da Faixa Azul, a prefeitura gastou certo tempo com propaganda anunciando à sociedade sobre as mudanças viárias que aconteceriam na Constantino Nery. A que se deve, então, uma reação tão negativa por parte dos usuários? Pedro Carvalho - Primeiro, é preciso que a sociedade entenda que estamos cumprindo a determinação da lei 2577, que manda as cidades brasileiras priorizarem o transporte coletivo viário. Em segundo lugar, Manaus tem hoje duas grandes reclamações nessa área: demora na espera e coletivos lotados. Isso é consequência da falta de infraestrutura da cidade para esse tipo de modal e que foi construída para automóveis particulares e esqueceu de que necessitava de faixas exclusivas. Se voltarmos o nosso olhar para outras capitais, será fácil observar que todas operam com pistas exclusivas, e o motivo é óbvio: essa modalidade é a que mais transporta passageiros nos grandes centros. Aqui, 55% das pessoas se utilizam dos coletivos para se locomover e esse tipo de transporte representa apenas 2,5% da frota total de veículos em circulação na capital, enquanto a maioria dos veículos particulares representa mais de 70% do total e só transporta 12% da população. Então, se permanecermos na mesmice e na estaca zero, enquanto as outras cidades avançam, começaremos a ser

questionados por não cumprir a lei que determina um plano de mobilidade e outras diretrizes. EM TEMPO - E aonde a prefeitura quer chegar com esse início de mudança? PC - Diminuir o tempo de viagem, no caso dos usuários de ônibus que utilizam a Constantino Nery. Falo dos moradores da Zona Norte, que são as pessoas que gastam mais tempo para suas locomoções via transporte público. Essa massa vem em ônibus lotados e em pé, bem diferente de quem está no conforto de seus veículos particulares (não que eu seja contra e nem é essa imagem que quero passar), mas a grande parte da população se desloca por meio de coletivos para suas diversas atividades, tanto para trabalhar como de lazer ou outros afazeres. Agora, quem é que vai convencer o dono de um carro a andar de ônibus? Ele vai dizer que o sistema não tem condições de atendê-lo por ser precário. Contudo, a prefeitura não está promovendo essas mudanças para tirar o cidadão do seu automóvel, para que ele seja transportado por ônibus. Não é isso. Estamos buscando alternativas para quem necessita utilizar os coletivos. EM TEMPO - Mas, a SMTU esperava que essa medida fosse impopular? PC - Em nenhuma cidade brasileira onde foi implantado um corredor exclusivo para ônibus aconteceu de maneira pacífica, todas foram difíceis e por mais que trabalhemos para a melhoria, os ajustes serão necessários, pois a maioria das pessoas, embora estejamos noticiando que mudanças vão ocorrer em determinados trechos, ligam ou se atentam para a efetivação dos procedimentos. Como no caso dos motoristas que trafegam pela Constantino Nery sem respeitar a faixa exclusiva e circulam de um lado para o outro sem seguir as orientações. Ou seja: nossas campanhas não sensibilizaram essa fatia da população. EM TEMPO E melhorou? PC - Com dez dias de implantação, já conseguimos ouvir de muitos motoristas que a faixa exclusiva melhorou a trafegabilidade. Tivemos muitas reclamações logo no começo, mas agora percebemos certa normalidade. Então nossas motivações têm sido alcançadas, pois se não iniciarmos um processo e não fizermos nada para mudar, daqui a pouco trava toda a cidade. O que não se pode é jogar em cima das costas da Faixa Azul a culpa pelos engarrafamentos de Manaus. Ouvi absurdos de pessoas declarando que chegaram

atrasadas em seus empregos no Distrito Industrial em razão das mudanças na Constantino Nery, como se os ônibus especiais não gozassem de livre acesso a essa pista exclusiva. Se você perguntar aos passageiros que estão nas plataformas de espera dos ônibus, a maioria esmagadora afirma que é favorável à permanência da faixa. E tenho dúvidas que, se acabássemos com esse serviço, não haveria por parte deles um grande protesto. EM TEMPO - A escolha da Constantino Nery para iniciar esse projeto teve alguma motivação que a difere de outros corredores viários? PC- Essa avenida (que possui seis quilômetros) é o principal corredor de ônibus de Manaus e por lá trafegam diariamente 419 linhas de coletivos transportando mais de 248 mil passageiros, em uma média de quase 21 mil usuários por hora nos momentos de pico. Em números absolutos, a relação entre quem se utiliza de carros particulares é dez vezes menor de quem necessita do transporte coletivo. Então, quem possui carro tem a opção de mudar de itinerário, já os ônibus precisam cumprir uma rota previamente estabelecida para atender a demanda de usuários. Dessa forma, fizemos uma escolha de auxílio visando a maioria, mas quando chegarmos ao ponto de calmaria, todos verão que as mudanças serão ganho para toda a população. EM TEMPO - Mas, ainda existem ônibus que continuam trafegando à direita, o que deixa apenas uma faixa para os demais veículos. Esse procedimento vai mudar? PC - É impossível, hoje, colocar na Constantino Nery todos os ônibus para circular em apenas uma faixa como a maioria das pessoas acha. Volto, contudo, a afirmar que isso será amenizado, pois essa mudança é processual, apenas começou e iremos aperfeiçoando ao longo do tempo. Entendam que, cada mexida, em qualquer que seja a área, não acontece sem que esse procedimento tenha um tempo de informação para a população. Nós temos um sistema de transporte coletivo de Manaus, em função das intervenções viárias, muito irracional, devido aos itinerários, e a cidade não dispõe de manobras à esquerda. Estamos conscientes de que estamos fazendo o melhor para todos. EM TEMPO - O que falta para que esses problemas sejam amenizados? PC - Precisamos de um BRT (Bus Rapid Transit), pois com essa modalidade de transporte

não teremos necessidade de ônibus circulando nas faixas laterais. Quando alcançarmos esse nível, o número de passageiros será elevado para 40 mil/diário. Mesmo antes dessa implantação, com o atual sistema em vigor, e com as alterações realizadas, já se pode observar uma maior fluidez na Constantino Nery. Agora, quem hoje passa por aquela via e diz que está congestionada, dá a falsa impressão de que antes não engarrafava. O que Manaus precisa é de obras que desafoguem o trânsito (como os viadutos e passagens de níveis). Não somos os culpados de tudo. Se os governantes anteriores tivessem feito sua parte, talvez agora não estivéssemos sendo penalizados por essas mudanças. Por exemplo, o transporte coletivo estava há 10 anos sem nenhuma obra específica. Muitas pedras foram atiradas, como no Expresso, que a ideia bem poderia ter sido aperfeiçoada, mas não foi. Outra oportunidade desperdiçada, pela quantidade de recursos que havia para investir em mobilidade, foi na Copa do Mundo, mas na época não houve um entendimento político sobre o caso. E isso é um problema. Os gestores que sucedem outros administradores não dão seguimento aos projetos iniciados em gestões anteriores. Uns fazem e outros não continuam; outros começam e o próximo desfaz. O Expresso, caso fosse bem administrado, hoje poderia ser o BRT. Se eu voltar e retirar a Faixa Azul, vamos voltar à estaca zero, pois não há solução para transporte sem causar dificuldades para o trânsito. Mesmo com o monotrilho, esse transporte não tiraria de circulação completamente as linhas de ônibus, fora as colunas de sustentação da construção, que obstruiriam as faixas de rolamento. Então, qual a solução que não incomodaria o trânsito? Metrô. Só que não vamos fazer um projeto de modal aqui porque não encontraríamos quem o financiasse: nem banco e nem governo federal. Simplesmente pelo fato de que não possuímos o número de passageiros para atender à demanda de um metrô, que gira em torno de milhão. Hoje, incluindo quem não paga passagem, temos cerca de 800 mil passageiros. EM TEMPO - Como o senhor responde à legião de críticos da Faixa Azul? PC – Muitos questionam o transporte coletivo, mas ninguém nos oferece uma proposta. Aliás, para certos críticos, é até bom que tudo fique como está (um caos), pois se acontecer o contrário eles perdem a força de seus discursos. A prefeitura só não faz o BRT.

Eu estimo que hoje, para se melhorar o transporte, seja preciso 60 quilômetros de BRT, que ligariam a Zona Norte ao centro da capital, a um custo de R$ 900 milhões e mais R$ 300 milhões para as desapropriações”

Em números absolutos, a relação entre quem se utiliza de carros particulares é dez vezes menor de quem necessita do transporte coletivo; não sou contra quem usa seu carro, mas estamos pensando na maioria”


Política

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Abaixo-assinado contra ‘Bolsa Esposa’ é criado

COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

O slogan do governo está virando ‘Brasil, o país da mentira” AÉCIO NEVES (PSDB-MG), sobre arrocho que desdiz promessas de Dilma na campanha

EUA: Dilma impediu uma lei antiterror no Brasil Embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel endereçou em 2008 mensagem secreta ao Departamento de Estado dos EUA, “vazado” pelo site WikiLeaks, criticando a lentidão do governo brasileiro na aprovação da lei antiterrorismo. O governo alegava haver risco de enquadrar o Movimento dos Sem-Terra (MST) como grupo terrorista. Sobel não tinha dúvida: Dilma Rousseff foi quem sepultou o projeto. Compromisso Adotar legislação antiterror foi compromisso assumido pelo Brasil e uma centena de países, a partir do terrível 11 de setembro de 2001. Para inglês ver No e-mail, especialistas em antiterrorismo dizem que o trabalho do Planalto foi “cortina de fumaça” para fingir que levava o assunto a sério. Só na prática Sobel citou fonte do governo brasileiro para quem um ataque ao país é “tão improvável” que “o governo é incapaz de dar atenção ao assunto”. Escalada O ex-embaixador americano conclui: os esforços dos EUA para colocar a lei de volta na agenda do Brasil será um caminho “ladeira acima”. Odebrecht virou desdobramento da Lava Jato O depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que confessou ter recebido da Odebrecht ao menos R$ 59,8 milhões em propina, motivou apuração especial da força-tarefa da Lava Jato contra a empreiteira baiana. E os

resultados estariam na iminência de aparecer, segundo se acredita no Congresso, com devassa e prisão dos principais executivos, incluindo seu presidente, Marcelo Odebrecht. Azeitado Segundo Paulo Roberto Costa, a propina rendeu à Odebrecht, em consórcio com a OAS, um contrato de R$1,5 bilhão, em Abreu e Lima. Caixa cheio A Odebrecht foi a empreiteira que mais faturou na era Lula-Dilma: cerca de 53% dos R$ 71 bilhões gastos nos governos petistas. Lá vem bomba A eventual prisão de Marcelo Odebrecht preocupa Dilma, que antes o detestava e depois se ligou a ele. É o empreiteiro mais ligado a Lula. Alô O senador Agripino Maia (DEM-RN), enrolado na Operação Sinal Fechado, ligou para colegas – da oposição e do governo, à exceção do PT – para dar sua versão sobre a confusão. Negou tudo, claro. Amizades As facilidades que Val Marchiori teve no Banco do Brasil viraram piada no Congresso: “A perua era amiga íntima de Aldemir Bendine. “Assim como Rose Noronha era do ex-presidente Lula”, lembra um tucano. Tá feia a coisa Só se comentava a aparência de Dilma no lançamento do programa Bem Mais Simples. Nada a ver com a dieta Ravenna, que a fez perder uma dezena de quilos. Parecia ter saído de uma cirurgia.

Jornalista

Organizado pela internet, ato é contra os deputados usarem “cotão” para pagar passagem para suas esposas DIVULGAÇÃO

Cláudio Humberto

Constrangimento O governo da Espanha deixou claro que não se sente confortável com a designação de Antônio Simões para embaixador em Madri: teme que ele represente o elo de ligação entre a semiditadura venezuelana com o partido político espanhol Podemos, de inspiração fascista bolivariana. Combate à violência O ministro George Hilton (Esporte) discutiu com o chefe da Autoridade de Controle de Dopagem, Marco Klein, formas de coibir a violência nos estádios de futebol. A ideia é unir Estados, Ministério Público e Justiça. ‘Contramobilização’ No Twitter, internautas alertam para uma “contramobilização” planejada por partidos aliados do governo Dilma para esvaziar a manifestação contra a presidente, marcada para o dia 15. Deve ter confusão. Solidariedade O presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, explicou que sua posição é de solidariedade aos colegas, que, para ele, têm direito e de procurar qualquer autoridade, no exercício do seu trabalho. Sem controle A Controladoria-Geral da União não atualiza desde dezembro gastos do governo Dilma; despesas com cartões corporativos, Bolsa Família e diárias de servidores e comissionados não são atualizadas há dois meses. Biu se recupera Após dois picos de pressão baixa, na quinta-feira (26), o senador Benedito de Lira (PPAL) foi hospitalizado, mas logo se recuperou. Receberá alta neste domingo.

Tiririca disse que, apesar de não ter sido o criador da proposta, não será hipócrita de não usar

U

m abaixo-assinado organizado na internet contra a possibilidade de deputados federais usarem recursos do “cotão” para pagar passagens aéreas aos maridos e mulheres já possui cerca de 135 mil assinaturas. A medida foi aprovada na quarta-feira (25) junto ao reajuste de outras verbas à disposição dos deputados, que totalizam um impacto de R$ 150,3 milhões por ano. O abaixo-assinado foi organizado pelo site Avaaz, de petições on-line. O texto da petição chama de “abuso” o benefício e diz que os salários dos deputados já são suficientes para pagar as passagens aéreas dos cônjuges. “Se agirmos rápido e fizermos barulho contra esta medida, podemos envergonhar os deputados e fazê-los reverter a decisão, garantindo que nosso dinheiro vá para hospitais

ou escolas. Alguns deputados já se pronunciaram contra o aumento - isso significa que podemos vencer!”, diz o texto do abaixo-assinado. A medida não foi unânime. Bancadas partidárias também protestaram, e Psol, PPS e PSDB garantem que não usarão o benefício. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), porém, defendeu a medida argumentando que 80% dos deputados não deverão usar o benefício, mas que servirá para parlamentares idosos que precisam de seus cônjuges para ajudar na locomoção. ‘Hiprocrisia’, diz Tiririca A decisão da cúpula da Câmara de permitir que maridos e mulheres dos deputados tenham direito a passagens aéreas provocou um burburinho nos corredores da casa e num plenário com mais de 300 deputados.

Divididos, os parlamentares recorreram a piadas e até fizeram verdadeiros exercícios verbais para justificar a concessão do benefício, mas boa parte assegurou que não vai usar a regalia. Pela regra, só os cônjuges com registro em cartório poderão utilizar a cota de passagens do congressista. A medida foi aprovada junto ao reajuste de outras verbas à disposição dos deputados, que totalizam um impacto de R$ 150,3 milhões por ano. Nas rodas de conversa, as reações foram diferentes, mas é consenso o desgaste trazido pela casa num momento que o país discute um ajuste fiscal. A benesse ganhou até apelido de “Bolsa Esposa” e “transpatroa”. O deputado Tiririca (PR-SP) defendeu. “Estou na minha. Eles [comando da casa] fizeram e não vou ser hipócrita de dizer que não vou usar”, afirmou.

DIVULGAÇÃO

A6

PODER SEM PUDOR

Não é a mamãe Carlos Lacerda fazia mais um discurso devastador, na Câmara dos Deputados, contra o “mar de lama” do governo Getúlio Vargas. A deputada Ivete Vargas, sobrinha do presidente, pedia – em vão – um aparte. Cansada da insistência e muito irritada, Ivete perdeu a paciência: - F.D.P! – gritou ao microfone. Com sua estonteante rapidez de raciocínio, Lacerda respondeu na bucha: - Vossa Excelência é muito nova para ser minha mãe!

DIZ DILMA

‘Aumento na energia é passageiro’ A presidente Dilma Rousseff disse na última sextafeira (27) que o aumento nos preços da energia elétrica são passageiros e motivados pelo período de seca pelo qual passa o país. Segundo ela, a substituição das formas de produção de energia em momentos de estiagem, das usinas hidrelétricas para as térmicas ou biomassa, faz com que seja necessário arcar com as despesas das matérias-primas. “Você só vai usar ela [energia térmica], porque é mais cara, quando você precisar.

Nós estamos precisando. Os aumentos nos preços da energia são passageiros, estão em função do fato que o país enfrenta a maior falta de água dos últimos 100 anos”, justificou. De acordo com a presidente, a produção de energia hidrelétrica é a mais barata, porque não é necessário pagar pela água, diferentemente de itens como o gás, carvão ou biomassa. Dilma deu as declarações em Santa Vitória do Palmar (RS), durante inauguração do Parque Eólico Geribatu. Ela

disse que as consequências da seca não significam “que nós vamos ter qualquer problema sério ou mais sério na área de energia elétrica. Não iremos ter, porque temos todo um sistema de segurança. Isso também não significa que vamos sair por aí jogando energia pela janela e não consumindo de forma racional”, defendeu. Para a presidente, a parte do governo é garantir a oferta de energia. Em contrapartida, os cidadãos também têm que colaborar evitando o desperdício de energia.

Já o polêmico Bolsonaro disse que a casa extrapolou e não teve como defeder a instituição

Bolsonaro diz que casa extrapolou Jair Bolsonaro (PP-RJ) considerou que a casa “extrapolou”. “Não tem como defender”, disse. O líder do PRB, Celso Russomano (SP), sustentou que não vai fazer uso da medida, mas que não tem posição sobre o benefício. “Vou fazer uma consideração da vida parlamentar: você vem para Brasília, abandona sua família e muitos casamentos vão para o vinagre por causa disso”, ponderou. Para Marco Feliciano (PSC-SP), a medida é justa, mas arranha a casa. “É justo, mas é mais um desgaste para a imagem

do Parlamento, que já está desgastada demais”. Integrante da cúpula da Câmara, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) votou contra a concessão. “A sociedade vem colocando uma posição de muita indignação e reclamação em relação à casa. Neste momento, [o pacote de benefícios] acentua ainda mais o distanciamento entre o Parlamento e a sociedade”. Chico Alencar (Psol-RJ) disse que está tendo que se explicar a todo minuto se vai usar ou não a regalia. Até o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-

RJ), se apressou em negar que haja regalia. “Não tem esse negócio de namorada, não existe isso”, disse, ao rebater as críticas. Em 2009, durante o escândalo que ficou conhecido como “farra das passagens”, deputados usaram recursos públicos para custear passagens para familiares, namoradas, eleitores e até artistas. Na época, a casa restringiu os bilhetes a deputados e assessores. Cunha afirmou que a medida foi autorizada pensando em parlamentares que precisam de ajuda para locomoção e são mais idosos.


Política A7

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Impeachment de Dilma mobiliza as redes sociais AFP

Manifestações previstas para ocorrer em várias cidades do país, no dia 15 de março, vêm ganhando força na internet

Em novembro do ano passado, mais de duas mil pessoas foram às ruas, em São Paulo, para pedir o impeachment de Dilma. Desde então, outros protestos semelhantes começaram a se organizar

N

o próximo dia 15 de março, uma nova mobilização popular deve tomar conta das ruas de todo o país, em virtude de um evento que vem ganhando força nas redes sociais pela interrupção, ou melhor, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em Manaus, o evento está previsto para ocorrer a partir das 9h, na avenida Eduardo Ribeiro, Centro, e até as 17h desta sexta-feira (27), das 53 mil pessoas convidadas para participar da mobilização na capital amazonense, em torno de cinco mil internautas haviam confirmado presença no protesto, na página Impeachment Dilma - Manaus (AM). “Há uma mobilização nacional de iniciativa popular para que haja um enfretamento do governo Dilma”, avalia o antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Ademir Ramos. Segundo ele, as razões para a mobilização dos últimos meses são bem claras e envolvem o escândalo na Petrobras - desvendado a partir da operação Lava Jato; os casos de corrupção envolvendo não só integrantes dos partidos da base aliada do governo, bem como do próprio PT e da oposição; além da postura do Partido dos Trabalhadores em relação a tais acontecimentos. Peso Ramos chama a atenção para o fato de que, por se tratar de uma iniciativa popular, a mesma funcionará como

uma espécie de termômetro a respeito do impeachment de Dilma, em relação aos partidos políticos apoiarem a causa. “A mobilização popular se faz nas ruas. É um direito do cidadão protestar. Se este movimento pegar força nas ruas, como vem acontecendo nas redes sociais, vamos ver se haverá uma adesão da parte dos políticos”, analisa. Ao traçar um paralelo com o processo de impeachment do ex-presidente e atual senador da República Fernando Collor (PTB/AL), Ademir também chama a atenção para os cenários políticos de cada época, e o apoio que o movimento teve de uma rede de

Constituição prevê substitutos Em 1992, o Fernando Collor (PTB/AL) enfrentou um processo de impeachment. À época, 441 deputados federais votaram pela interrupção de seu mandato presidencial. Na ocasião, Collor - ou o “caçador de Marajás”, como ficou popularmente conhecido - estava diante de denúncias de corrupção, além de ter adotado medidas econômicas impopulares, entre elas o confisco das cadernetas de poupança

para tentar conter a inflação que se abatia sobre o país. Caso ocorra o segundo impeachment na história do Brasil, conforme o artigo 79 da Contituição Federal (CF), “substituirá o presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o vice-presidente”, no caso Michel Temer (PMDB/SP) - em 1992, vice de Collor, Itamar Franco (PMDB/MG) assumiu o governo. Na indisponibilidade do

vice, “serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal”, conforme consta na Legislação. Ou seja, Eduardo Cunha (Câmara) e Renan Calheiros (Senado) poderiam virar presidentes. Caso nenhum dos três pudesse ou aceitasse o cargo, Ricardo Lewandowski (STF) assumiria o comando do país.

PEDIDOS

Na última quarta-feira, o advogado Luís Carlos Crema protocolizou dois novos pedidos de impeachment, na Câmara dos Deputados, contra Dilma. Em outubro de 2014, Crema já havia protocolizado outros dois comunicação de massa. “Na época do impeachment do Collor, houve a força de uma grande empresa de comunicação de massa. Neste momento, o que temos são as redes sociais, por onde as pessoas se mobilizam para organizar estes protestos de rua. Pode ser que as redes sociais tenham força para levar este movimento à frente. Pode ser que não. Vamos aguardar, pois não deixa de ser um momento importante para a democracia do país”, avalia.

Grupo vende o ‘kit impeachment’

REPRODUÇÃO

SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

Collor foi o primeiro presidente do Brasil a sofrer um processo de interrupção do mandato

Se Dilma Rousseff terá ou não interrupção no seu segundo mandado presidencial, apenas o Congresso Nacional poderá dizer, mas o fato é que enquanto a possível saída da presidente não ocorre, algumas empresas, em momento de economia estagnada, estão aproveitando a onda para ganhar alguns trocados. A loja virtual ProlArt está comercializando o Kit Impeachment, composto de uma camiseta polo - com a frase “Impeachment Já” -, um boné e cinco adesivos “Fora Dilma”, ao valor de R$ 175. Caso o interessado queira apenas a camisa polo, a mesma sai a R$ 99. Há também as camisetas com as frases “Fora Dilma – Leve o PT junto com você” e “Fraude – Impeachment já”, que saem ao valor de R$ 50 cada uma. Conforme o site da ProlArt, parte da renda obtida na venda das camiesetas e kits é destinada para o combate contra pedofília, violência contra mulheres, corrupção na política, entre outras causas defendidas pelo grupo Revoltados On Line.


A8

Política

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Aperto de cinto: governo quer cortar R$ 65 bilhões E

m meio às intensas negociações com partidos da base aliada para a aprovação das medidas de ajuste fiscal, o governo deu mais um passo para reduzir suas despesas este ano: editou um decreto que limita os gastos de custeio e investimento dos ministérios em R$ 75,155 bilhões até abril. Se projetada até o fim do ano, a medida representa um corte de 22,5% no Orçamento de 2015, ainda não aprovado. Dos gastos previstos até abril, R$ 59,980 bilhões são para despesas de custeio e R$ 15,175 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) O valor total fixado para essas despesas na proposta Orçamentária de 2015 é de R$ 291 bilhões. Assim, pelos cálculos de técnicos da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, se o decreto relativo ao primeiro quadrimestre for aplicado durante todo o ano, os gastos autorizados chegarão a R$ 225,5 bilhões. Na prática, o governo está fazendo um contingenciamento de R$ 65,5 bilhões. Enquanto a tesoura do governo cortava mais despesas e o ministro do Plane-

jamento, Nelson Barbosa, em visita ao Congresso, afirmava que o ajuste “não tem nenhum excesso”, a Executiva Nacional do PT demonstrava que a aprovação das medidas do governo permanece um desafio. Em nota, a instância máxima do partido defendeu o “aperfeiçoamento” das medidas provisórias e a

DEFESA

Ministro Nelson Barbosa se reuniu com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para pedir apoio às MPs do ajuste fiscal e disse que os parlamentares entendem a necessidade das medidas manutenção do reajuste da tabela do Imposto de Renda em 6,5%, vetado pela presidente Dilma Rousseff. Como o Orçamento de 2015 ainda não foi aprovado pelo Congresso, a equipe econômica decidiu, com o decreto de ontem, dar um parâmetro para os gastos dos órgãos públicos e sinalizar que está comprometida com o ajuste

fiscal. Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a proposta “preserva a execução de atividades prioritárias” e também sinaliza o efetivo comprometimento do ajuste fiscal. O secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, lembrou que a medida abrange os gastos discricionários (incluindo investimentos), mas não os obrigatórios. E destacou que a ideia do decreto é mostrar que, num momento de aperto, é preciso ajustar o ritmo dos gastos à entrada de receitas: “Queremos dar previsibilidade aos pagamentos. É programar fluxo de caixa de acordo com a disponibilidade financeira”. No Congresso, o ministro Nelson Barbosa reagiu às pressões dos parlamentares e do próprio PT para que as medidas provisórias, que restringem direitos trabalhistas e previdenciários, sejam mudadas. Ele ressaltou que as ações definidas pelo governo estão “bem distribuídas” e ressaltou que o decreto suspendendo R$ 32,6 bilhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), revelado ontem, faz parte da estratégia fiscal do governo.

DIVULGAÇÃO

Para reduzir despesas, governo federal editou um decreto que limita o gasto de custeio e investimentos dos ministérios

Ministro do Planejamento disse que o ajuste no orçamento “não tem nenhum excesso”


Caderno B

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIVULGAÇÃO

Economia

O pesadelo da casa própria em Manaus Economia B4 B5

Chuva e impostos intimidam apostas no setor de bebidas

FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM

Depois da recuperação da indústria de bebidas, em 2014, agora os empresários esperam pelo verão para novos investimentos

As fábricas amazonenses de bebidas frias mantêm ritmo leve de produção por conta do período chuvoso, que seguirá até meados de maio, quando o volume de chuvas diminui, segundo o setor EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

N

o ano que medidas do governo intimidam novos investimentos do empresariado, o setor de bebidas frias no Amazonas deverá ter um crescimento médio de até 4% para 2015. Considerada pequena, a previsão é do Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral de Manaus. Conforme dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), depois de cair 12,20% em valores nominais no faturamento no ano de 2013 ante 2012, em 2014 o setor cresceu 27,55%, uma recuperação do crescimento em relação às médias históricas. No primeiro mês do ano, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral de Manaus, Luiz Carvalho Cruz, a produção e as vendas ficaram dentro da normalidade. De acordo com ele, os dados mais concretos do início de 2015 sobre o setor estarão fechados somente em meados de março. Por conta do período de chuvas do inverno amazônico, a previsão é de que a produção e o faturamento de todos os segmentos de bebidas frias pelo menos empatem com o mês de janeiro do ano passado. “Nessa época do ano as vendas de bebidas frias sempre são mais baixas por conta do clima”, comenta. Segundo Cruz, o Carnaval no mês de fevereiro para a indústria e o comércio de bebidas é sempre melhor para o segmento de cerveja em relação aos demais. No entanto, por conta do clima do período, o mês de apenas 28 dias não será melhor que os demais meses do ano. Se comparado a fevereiro do ano anterior, o período deverá ter crescimento médio de 2% a 3%, no máximo. Conforme o presidente do sindicato, o volume de vendas de

refrigerante e água está dentro da normalidade. O crescimento, ainda que pequeno, começará a se fortalecer somente a partir de maio, quando diminui o volume de chuvas, afirma Cruz. “É quando o calor começa a aumentar e, por consequência disso, as vendas melhoram para a nossa indústria”, diz. Diretor da fábrica Magistral, Cruz aponta que a previsão da empresa para este ano é de 5% de crescimento na venda de refrigerante. No segmento de água mineral, que cresce bem em todo o Brasil, segundo ele, o crescimento ficará entre 12% e 15%. “A previsão de crescimento do setor como um todo é muito

RECUPERAÇÃO

730 MILHÕES DE REAIS

Foi quanto o setor faturou no ano passado, conforme os indicadores de desempenho do PIM da Suframa Conforme o setor, enquanto o volume de vendas de refrigerante segue estável, o de água mineral tem crescimento de até 15%

pequena. Os empresários estão receosos por conta de um ano difícil que se desenha no noticiário”, avalia. Segundo o vice-presidente do sindicato e presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, o crescimento do setor no ano passado foi considerado pequeno e conseguiu um pequeno salto no final do ano por conta das festividades natalinas. “Agora com essas chuvas todas nós teremos quedas constantes. O Carnaval colabora, mas, como são poucos dias, não influencia tanto. Só no verão teremos grandes volumes e ficará muito mais a partir de agosto e setembro até dezembro”, explica Silva.

Reajustes fiscais e alta do dólar preocupam Por conta das previsões de crescimento tímido do país para esse ano e dos ajustes tributários aplicados pelo governo, os investimentos da indústria de bebidas frias que vinham sendo aplicados, nos dois últimos anos, ficarão para o próximo semestre ou para quando as vendas começarem a melhorar. Além do clima, segundo o diretor operacional e sócioproprietário da Amazon Bebidas, Antônio José Alecrim, pesa para o setor o reajus-

te da taxa básica de juro de meio ponto percentual, que elevou a taxa Selic para 12,25%. Conforme Alecrim, a alta do dólar encareceu uma gama de insumos de refrigerante, principalmente o açúcar, que sofre influência da bolsa de Nova Iorque. Outra preocupação está agendada para o mês de maio, quando serão reajustadas as taxas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Segundo o

empresário, todos os reajustes pressionam as empresas no sentido de aumentar o preço dos produtos. Eficiência Para não repassar o peso da nova tributação ao consumidor nem diminuir a mão de obra, Alecrim conta que a empresa produtora da Água Crim, do guaraná Tauá e do refrigerante Fresh procura fazer o dever de casa. “Melhoramos a eficiência de produção e custos internos para não repassar para o

mercado”, diz. A Amazon Bebidas, que atende a todos os municípios do Amazonas e ainda do oeste do Estado do Pará, prevê crescimento na produção de refrigerantes para este ano de até 5% e de água entre 10% e 15%. “Nos últimos dois anos, nós trabalhamos investimentos importantes. Mas, agora, seguramos um pouco por conta da taxa de juros. Se melhorar a tendência de vendas, nós voltaremos a trabalhar com novos investimentos”, afirma Alecrim.


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Economia e segurança com terceirização de data center T

erceirizar uma infraestrutura de data center (ambiente projetado para processamento de dados) é hoje a solução mais viável para indústrias e empresas que pretendem reduzir custos com energia e serviços técnicos especializados em Tecnologia da Informação (TI). No Amazonas, a Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) oferece o serviço com capacidade de hospedar serviços e aplicações de forma segura, com armazenamento e processamento em grande escala. Além da economia de até 50% com energia elétrica e ambiente de TI, estudo da Frost & Sullivan, empresa norte-americana de consultoria e inteligência de mercado, aponta que o serviço garante maior disponibilidade e segurança nas informações em serviços on-line que nunca podem ficar fora do ar, com o armazenamento de dados em nuvem e com o sistema de hospedagem (hosting). A Fucapi tem a capacidade de 96 Terabytes em tratamento de dados e oferece uma série de serviços, incluindo o de hosting (hospedagem de sistemas existentes e sites) e

o colocation (hospedagem dos servidores já implantados em uma empresa). “É importante frisar que em ambos os casos a Fucapi está apta a oferecer sua infraestrutura de data center, que pode incluir, ainda, serviços de monitoramento 24 horas por dia, todos os dias da semana, além de outros serviços

atender sua demanda e que não pretendem investir em novos equipamentos. “Podemos destacar também o aumento da disponibilidade, uma vez que a infraestrutura da Fucapi conta também com sistema de fornecimento ininterrupto de energia equipado com geradores movidos a diesel e no-breaks redundantes”, complementou.

CERTIFICAÇÕES

Segurança Para o analista de segurança da informação sênior da Fucapi, Rhand Leal, a adoção das práticas de segurança da informação, da ISO 27001, adquiridas pela Fundação desde 2005, permitiram adequar o ambiente de data center para minimizar a ocorrência de incidentes e possibilitar uma rápida recuperação em caso de interrupções. “Pelos resultados já obtidos na proteção de nossos sistemas e informações e por acreditarmos que nossos níveis de gestão e operação encontram-se maduros o suficiente é que a Fucapi decidiu por passar a oferecer sua infraestrutura de data center para suporte aos negócios de nossos clientes”, explicou o analista.

A Fucapi conta com uma equipe de especialistas com experiência em ambientes de alta disponibilidade e é detentora de algumas das principais certificações de mercado, como PMP, CISSP e CBCI como backup gerenciado, suporte técnico especializado, certificado e consultoria em projetos e segurança da informação”, destaca Mamed Neto, coordenador de Tecnologia da Informação do Centro de Dados da Fucapi. Mamed ressalta ainda que a hospedagem é a alternativa para empresas que não têm uma estrutura adequada para

DIVULGAÇÃO

A Fucapi detém um dos maiores ambientes tecnológicos para atender mercado regional de Tecnologia da Informação

Estudo aponta que serviço gera economia de até 50% no consumo de energia no ambiente de TI


Economia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

B3

Pegar ônibus ou custear o peso do veículo particular Apesar dos pesares, o transporte público é avaliado como econômico. Já o carro sobressai pela praticidade na locomoção

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

FAIXA AZUL

Mesmo com o trânsito cada vez mais carregado em Manaus, a maioria das pessoas prefere utilizar o carro próprio e com ele pagar IPVA, manutenção, seguro e o litro da gasolina mais caro EMERSON QUARESMA Equipe EM TEMPO

E

nfrentar os problemas históricos do transporte público para economizar, ou abraçar os custos do transporte particular na busca por tornar mais fáceis os trajetos do dia a dia, a fim de cumprir com os compromissos? Segundo analistas, a escolha depende da situação financeira ou até mesmo do conjunto de questões particulares que envolvem esse dilema. Em Manaus, desde 2009, o artista plástico Manoel Luiz Pereira, 40, optou pelo transporte público, por meio do qual percebeu a economia que faz nos dias de hoje. Mas, a decisão pelo abando do carro se deu para evitar aborrecimentos como os que ele enfrentou com duas seguradoras de veículos. O artista plástico conta que sofreu um acidente de carro ao atingir outro veículo. No contrato, a seguradora apontava cobertura para o conserto dos dois veículos, mas não foi o que aconteceu. “Depois do acidente, mandei os dois carros para a seguradora. Mas, ela ajeitou somente o carro do outro motorista e mandou o meu para casa sem ser consertado, sem explicação, e ficou por isso mesmo”, afirma. Manoel pagou a lanternagem e pintura do carro por conta própria. Um tempo depois, ele sofreu com nova batida, e a nova seguradora que deveria dar um carro reserva para ele enquanto o seu estava na ma-

nutenção, não deu. “Passaram mais de 40 dias para me devolverem o veículo e só devolveram depois que eu reclamei junto ao Procon”, lembra. Hoje, sem o veículo, o artista plástico observa que além da “chateação” que evita com seguradoras, ele economiza ao não ter pagar seguro, gastar com gasolina, bancar a manutenção como a troca de óleo,

O transporte público em Manaus é muito ruim, mas eu consigo me organizar para não me atrasar com os meus compromissos Manoel Luiz Pereira, artista plástico

por exemplo, e o dever com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). “O carro é um objeto para passeio. O meu foi vendido no mês passado. Eu só usava em casos extremos. Pode ser que um dia eu me reanime para voltar a dirigir. Mas, hoje sobra mais dinheiro para se divertir e viajar”, avalia. Tempo Do outro lado, a universitária Juliana Bastos, 21, deixou o transporte público há dois anos pelo veículo particular. Consciente do peso do custo

com a condução própria, ela diz que, apesar do trânsito caótico da cidade, o carro tem como vantagem a liberdade do condutor de se locomover na hora que quiser, sem ter que perder tempo à espera de ônibus. “A ideia obsessiva de aumentar a gasolina semana sim, semana não, torna o ônibus uma alternativa um pouco mais econômica. O que, para mim, mesmo com essa vantagem, continua não compensando porque preciso do veículo para agilizar as minhas atividades com faculdade e trabalho”, observa Juliana. A universitária conta que hoje gasta em média R$ 100 por semana com gasolina. Juliana avalia que o IPVA é uma despesa a mais, no entanto, para ela se dá só uma vez no ano e por isso não pesa no orçamento. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chamado “Tarifação e financiamento do transporte público urbano” concluiu que os usuários do transporte privado (carro ou moto) têm tido menos gastos do que quem precisa do transporte público nos últimos 12 anos. Conforme o estudo, no Brasil os aumentos das tarifas de ônibus, metrô e trem têm ocorrido acima da inflação, enquanto o cenário oposto é observado nos custos com veículo próprio. Pesam, no entanto, para o usuário de veículo particular, os reajustes da gasolina, que em Manaus, hoje, deve saltar de R$ 3,55 para R$ 3,65.

Carro é bom para o autônomo O economista Marcus Anselmo da Cunha Evangelista avalia que, se interpretarmos vantagens e desvantagens entre transporte público e particular pelo viés econômico, não restará dúvida de que o público é financeiramente mais vantajoso em relação à compra de um carro particular. Por outro lado, ao analisar o aspecto local e outras variáveis como segurança, praticidade de locomoção, conforto e confiabilidade, o economista observa que o carro sobressai ao transporte público. “Principalmente, para quem não é assalariado e trabalha como autônomo

na prestação de serviços ou venda de produtos. Perder tempo na espera de uma linha de ônibus pode significar a perda de um importante negócio”, diz. Evangelista diz que, nos países de terceiro mundo, entretanto, variáveis como condições do transporte coletivo, infraestrutura das ruas e trânsito são neutralizadas pela boa gestão, que torna o transporte público a melhor opção para todas as classes sociais. No Brasil, ele observa que a facilidade de compras de veículos com descontos sobre Impostos sobre Produto Industrializado (IPI), levou

ao aumento de veículos particulares nas ruas, desproporcional às melhorias no trânsito e nas vias, o que tornou o próprio transporte particular um meio de difícil locomoção. “Os engarrafamentos deixaram de ser características de certos horários para permanecerem o tempo todo nas principais vias da cidade. Diante desses engarrafamentos e pelo alto preço da gasolina, ainda paira a dúvida em comprar um carro ou optar pelo transporte público. Mas, dependendo da profissão do indivíduo, o carro ainda é a melhor opção”, avalia o economista.

Apesar de ruim, usuário do transporte coletivo diz que, com ele, economiza se divertir


B4

Economia

O pesadelo da c Clientes precisam tomar cuidados para evitar que o sonho de ter um “cantinho” para morar não vire dor de cabeça

O

sonho da casa própria pode virar um pesadelo para consumidores que são vítimas de empresários e corretores de imóveis inescrupulosos em Manaus. Além de perderem o bem comprado, em muitos casos, os clientes não conseguem reaver o dinheiro que foi desembolsado no afã de ter um “cantinho” para morar com a família. O caso mais recente envolve 56 pessoas que compraram lotes de terras na segunda etapa do Balneário Residencial Tarumã, localizado na estrada do Cetur, no bairro Tarumã, na Zona Oeste da cidade, de propriedade do empresário Paulo Lima de Souza Schawarcz, 40, e do pai dele, o eslovaco Michael Schwarcz. Elas afirmam que os empresários venderam um mesmo lote do empreendimento para vários compradores. Além da duplicidade de vendas, os donos do residencial são acusados de não entregarem os terrenos para os clientes que já quitaram o pagamento. É o caso da cirurgiã dentista Fernanda Melo, que desembolsou R$ 35 mil para comprar o lote número 3, situado na quadra I, da rua Roraima, de 450 metros quadrados. O contrato foi celebrado em 18 de fevereiro de 2011 entre ela, o empresário Michael e

a ex-esposa dele, a eslovaca Rivka Schawarcz - já falecida -, porém, até agora, a cirurgiã não pôde desfrutar do terreno onde iria construir seu futuro lar. “Ela já quitou todo o pagamento e, até hoje, não recebeu o lote”, afirma o industriário José Haroldo Fonseca Júnior, que é um dos coordenadores o grupo de clientes enganados pelos Schawarcz. Haroldo vive a mesma situação de Fernanda, porém, com um agravante. O lote de 375 metros quadrados que ele comprou inicialmente por R$ 30 mil, em 2012, foi vendido para outro cliente. Para contornar a situação, segundo Haroldo, o empresário Paulo Schawarcz ofereceu um outro lote menor – de 300 metros quadrados, que já havia sido comprado por Julio Cesar Pereira de Andrade por R$ 20 mi. “Ele ficou de pagar todos os custos cartoriais para compensar minhas perdas no terreno. Foi o acerto que fiz com ele. Porém, ele não cumpriu, nem me deu o lote e nem pagou o cartório até agora”, conta o industriário. Valores De acordo com os compradores que foram enganados pelos Schawarcz, os valores de alguns lotes comercializados chegam a custar R$ 70 mil. Segundo eles, os terrenos vendidos em duplicidade devem ter rendido, junto com os demais lotes, mais de R$ 2 milhões para os donos do Balneário Residencial Tarumã. Além dos Schawarcz, o empresário André Luiz Carrara, que é sócio de Paulo na empresa Ecotech da Amazonia Industria de Equipamentos de Tratamento de Agua, chegou a assinar alguns contratos.

Ocorrências foram registradas Cansado de esperar pelo lote de 600 metros quadrados que comprou por R$ 40 mil no Balneário Residencial Tarumã, em agosto de 2013, o contador Deivisti de Souza registrou um Boletim de Ocorrência (BO) por falsidade na informação de produtos ou serviços consumados na Delegacia Especializada em Proteção ao Consumidor (Decon), no dia 20 de janeiro de 2015. Além da Decon, clientes lesados registraram BO na Delegacia Especializada de Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD) e outros acionaram a própria Justiça. O EM TEMPO tentou entrar em contato com o empresário Paulo Lima Schawarcz e com o advogado dele, Edson Machado, mas Alguns lotes vendidos sofreram processo de erosão e ainda não foram entregues aos donos

não obteve sucesso. Outros casos A situação vivida pelos compradores que foram lesados no empreendimento Balneário Residencial Tarumã não é única em Manaus. Em setembro de 2013, o EM TEMPO mostrou o drama de clientes que foram enganados em, no mínimo, R$ 35,7 mil, desde o final de 2010, por uma empresa imobiliária na cidade de Manaus. De acordo com as denúncias da época, este valor pode ter superado os R$ 100 mil, uma vez que o número de prejudicados teria atingido mais de 40 compradores. Os clientes afirmaram que a corretora L.F Imóveis, situada na avenida Marga-

rita, número 12, no bairro Nova Cidade, praticou um golpe que consiste em se apropriar do dinheiro das pessoas sem cumprir com a promessa de entregar a casa no prazo de 180 dias, como era previsto no contrato de compra do imóvel. Eles alegaram que a imobiliária ofertava as casas para os compradores. No entanto, conforme as denúncias, na hora que era pressionada a adquirir o imóvel, a corretora “enrolava” os clientes com a desculpa que há entraves burocráticos relacionados com a documentação da propriedade que a impedia de fechar o negócio. Na época, a L.F Imóveis, afirmou que não realizava o trabalho direto das vendas

Comdec-CM


MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

B5

Compradores enganados fizeram protesto na primeira etapa do Balneário Residencial Tarumã

mdec-CMM promoveu, semana passada, reunião entre clientes lesados com MPE e DPE-AM

FOTOS: DIVULGAÇÃO

casa própria Corretores de imóveis sem o registro Os clientes lesados do Balneário Residencial Tarumã afirmam que alguns corretores que venderam lotes no local não possuem o registro profissional. De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis Amazonas e Roraima da 18ª Região (Creci AM/RR), Paulo Mota Junior, se a denúncia for confirmada, o caso será considerado grave. Segundo ele, mesmo que todos os corretores tenham registro, o Creci-AM/RR precisa ser acionado para apurar a situação dos profissionais. Neste caso, afirma Júnior, o corretor de imóvel responde cível e penalmente. “O profissional tem uma responsabilidade grande na venda dos loteamentos. Ele, por exemplo, tem o dever de checar se a documentação do loteamento está correta. Se estiver regular e o empresário não entregar o lote vendido, quem repsonde pelo crime é o empresário. Porém, se o loteamento é regular e o coretor de imóvel cometeu duplicidade de venda, entãom ele cometeu uma falta gravíssima”, analisa.

Paulo Schawarcz é acusado de estelionato e de violar o CDC

Compradores colocaram placas para demarcar os terrenos

Defesa do consumidor acionada Por iniciativa da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal de Manaus (Comdec-CMM), será realizada, no próximo dia 4 de março, às 14h, na casa legislativa, uma reunião ampla com vários órgãos do governo e da polícia para achar uma solução para o caso dos compradores lesados na compra de lotes no Balnerário Residencial Tarumã. O advogado Edson Machado e seu cliente, o empresário Paulo Lima de Souza Schawarcz, que é acusado de estelionato e de violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC), vão ser convidados também. “Será uma reunião de conciliação. Se o Paulo ou seus representan-

tes não aparecerem para apresentar uma solução, vamos acionar a Justiça para resolver a questão”, afirmou o presidente da Comdec-CMM, vereador Álvaro Campelo. Na semana passada, a Comdec-CMM realizou outra reunião, desta vez entre os compradores lesados e os representantes do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPEAM). Além do MPE e da DPE-AM, a próxima reunião contará com a presença de representantes da Delegacia do Consumidor (Decon), da Delegacia Especializada de Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD) e da Secretaria Municipal de Finanças (Semef).

DICAS PARA A COMPRA EM LOTEAMENTOS - Antes de comprar, o cliente deve verificar a documentação do imóvel; - Saber primeiro se o loteamento possui o Registro de Incorporação (RI), que mostra que o projeto está aprovado perante a Prefeitura de Manaus; - O protocolo do pedido de obtenção do RI não vale para comprovar que o loteamento está aprovado pelos órgãos competentes para a comercialização;, - As informações sobre o RI de determinada incorporadora podem ser obtidas junto ao próprio Creci-AM/RR; - Procurar saber se os corretores possuem o registro profissional junto ao Creci-AM/RR; - Buscar informações sobre a incorporadora que vende os lotes, em especial, sobre o histórico da empresa. FONTE: CRECI AM/RR


B6

País

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Rio de Janeiro completa 450 anos neste domingo JOSÉ PEDRO MONTEIRO/AGÊNCIA O GLOBO

Para celebrar a grande data, moradores de bairros tradicionais relembram os festejos dos quatro séculos, em 1965

Fernando França Leite e seu antiquário próximo à praça Saens Peña: saudade dos áureos tempos da Tijuca. Ele relembra os velhos tempos da capital carioca com saudosismo e nostalgia

“Em 1965, li no jornal ‘O Globo’ que iam lançar vários miniparaquedas com pequenos livros sobre a história do Rio, para lembrar os 400 anos. Consegui pegar um na Lapa. Já me ofereceram um dinheirão por ele e não aceitei. É um documento histórico”, destaca Santos. Assim como França, Santos ressalta a importância que os imponentes cinemas da época tinham para o bairro. “A praça Saens Peña era a cinelândia carioca. Existiam uns dez cinemas nas imediações. O Cine Olinda era o maior do Rio, com 3,5 mil lugares. Ficava onde hoje é

HISTÓRIA

Nos 450 anos de fundação, o Rio de Janeiro procura trazer à superfície traços de suas origens e de sua história, ao longo de mais de quatro séculos. Moradores relembram tempos áureos o Shopping 45. As pessoas saíam da sessão e iam fazer um lanche na Confeitaria Tijuca, que era a Confeitaria Colombo daqui. Tinha inclusive orquestra de violino nos almoços de domingo”. Segundo ele, todo mundo se conhecia, como numa cidade do interior. “Não havia tantos carros, o principal meio de locomoção eram os bondes. Muitas saudades desse tempo”, diz. Porém, 50 anos depois, Santos lamenta os problemas trazidos junto com o desenvolvimento do bairro. “Até uma década atrás a Tijuca sofreu com os tiro-

teios. Mas, depois das UPPs, a situação melhorou”. Sofisticação Ao estabelecer acampamento, em 1965, na praça Saens Peña (onde permanece até hoje), com sua barraca de flores artesanais, Dona Elzi Soares, de 70 anos, conheceu um ambiente charmoso, cercado de cinemas, lambelambes, coreto, espaços para peças teatrais e bondes. Hoje tudo isso é passado. Porém, mesmo com o passar do tempo, Elzi acredita que o Rio possa se reerguer e voltar aos tempos áureos, de uma forma diferente. “A Tijuca era um bairro isolado. Não havia o Túnel Rebouças e muito menos o metrô. Era um bairro chique. Depois, com a chegada do metrô, a Saens Peña mudou muito, caiu em decadência, mas acredito que esteja se reerguendo novamente. Não só a Tijuca, mas o Rio como um todo. Quero que o Rio, nos 500 anos, seja tão bonito e charmosos quanto nos 400. Não estou falando em volta de bondes ou de lambe-lambes, pois a tecnologia não permite isso, mas uma cidade mais limpa, sem violência e com mais amor entre as pessoas é viável, sim”, afirma Dona Elzi. Morador do Grajaú desde os 11 anos, seu Jair Queiroz, de 74, também vivenciou a época de ouro do Rio. Para ele, o clima no Grajaú é quase o mesmo de sua juventude. Ele pede que não haja construções grandes no bairro. “A parte de dentro do Grajaú não mudou. Mas não podem deixar construir prédios grandes para que o bairro não perca ascaracterísticas provincianas”.

Andar de bicicleta é destaque O Rio de Janeiro é a terceira cidade latino-americana onde mais se anda de bicicleta, de acordo com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), no âmbito do 4º FMB (Fórum Mundial da Bicicleta), realizado na cidade colombiana de Medellín. Bogotá é a cidade que aparece em primeiro lugar e a que conta com mais quilômetros de ciclovias. Com 611.472 viagens de bicicleta por dia e 392 quilômetros de ciclovias (dos 2.513 quilômetros da América Latina),

Bogotá é “uma das cidades que melhor funciona na região nesse sentido”, disse o coordenador de Cidades Emergentes e Sustentáveis do BID, Horacio Terraza. Segundo o estudo do BID “Ciclo-inclusão na América Latina e no Caribe”, apresentado por Terraza no FMB, em Medellín (noroeste), 5% dos deslocamentos da população em Bogotá são feitos de bicicleta. Isso equivale a mais de oito milhões de habitantes. Santiago é a segunda cidade na sub-região com

mais deslocamentos diários de bicicleta (510.569), seguida do Rio de Janeiro (217 mil). O BID informou que apenas 38 das 56 cidades consultadas repassaram dados sobre a mobilização de bicicleta. “Esses resultados demonstram a pouca informação que existe na região sobre o tema”, acrescentou a organização. O FMB termina hoje. O evento nasceu em Porto Alegre, depois que um automóvel atropelou 20 ciclistas em 2011. REPRODUÇÃO

R

io de Janeiro – Hoje, o Rio completa 450 anos. Para muitos moradores da região, a data redonda não é novidade. Eles se lembram bem de como era a Cidade Maravilhosa (e, por tabela, a Grande Tijuca) nas comemorações do quarto centenário. Dono de um antiquário próximo à praça Saens Peña há mais de 25 anos, Fernando França Leite, de 61 anos, é um deles. “Nasci em Vila Valqueire, mas desde criança frequento a Tijuca. Os cinemas importantes eram aqui. Por isso, a Tijuca era um ponto de encontro. E, antes de ir ao cinema, as pessoas ficavam fazendo hora, passeando. Aí você via um cara da Zona Sul namorando uma menina do Méier”, conta França. Para ele, muita coisa mudou entre o tempo dessa realidade bucólica, quase interiorana, e os dias atuais. “É uma diferença brutal. Antes, as pessoas vinham para a Tijuca também em busca de saúde e de qualidade de vida, por conta do ar da floresta, que fica próxima, assim como muita gente vai hoje para Nova Friburgo. Além disso, em 1965 não existia o metrô, que impulsionou a história da Tijuca a partir da década de 1980, deixando tudo mais perto”, compara. De tão apaixonado, França passou a acumular objetos sobre o bairro. Daí para montar sua loja foi um pulo. Outro colecionador, o aposentado Carlos dos Santos, de 78 anos, tem em sua casa, na rua Uruguai, entre diversos objetos que remetem à história da cidade e da Tijuca, uma relíquia: um suvenir dos 400 anos do Rio.

A tranquilidade da avenida Maracanã, no Rio, em 1930, sem veículos ou bicicletas nas ruas


País

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

B7

PEC das Domésticas será

regulamentada esta semana B

institui uma política permanente para o reajuste do salário mínimo semelhante à atual para os próximos dez anos (inflação mais variação do Produto Interno Bruto) e, depois disso, uma fórmula para aumentos maiores baseada na variação do PIB per capita mais a inflação. De 2003 a 2012, o PIB real per capita aumentou 27,8%. Assassinato de mulheres Também na pauta está o PL 8305/14, do Senado, que inclui o feminicídio como homicídio qualificado, com aumento de pena. O texto define como feminicídio o homicídio de mulher por questões de gênero, quando isso envolve violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Constam ainda na pauta o PL 7699/06, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência; e a Proposta de Emenda à Constituição 457/05, do Senado, que aumenta de 70 para 75 anos a idade máxima para aposentadoria de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União (TCU) e dos demais tribunais superiores. Os conteúdos dessas propostas estão em negociação entre os partidos e o governo.

Regulamentação da PEC das Domésticas deve ser votada nesta semana na Câmara dos Deputados, conforme pauta de votações

DIVULGAÇÃO

rasília -A regulamentação dos direitos dos trabalhadores domésticos é o destaque da pauta do plenário da Câmara dos Deputados para a primeira semana deste mês. Também estão marcadas comissões gerais (sessões de debates) nas manhãs de quarta-feira (4) e quinta-feira (5) com a presença dos ministros de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo (PCdoB), respectivamente. O primeiro item da pauta da próxima terça-feira é o PLC 302/13, que regulamenta a Constituição quanto aos direitos dos trabalhadores domésticos, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego, indenização por demissão sem justa causa, pagamento de horas extras, adicional noturno e seguro contra acidente de trabalho. A matéria, de autoria de uma comissão mista de regulamentação da Constituição, já foi aprovada pelo Senado. Se não houver mudanças, o texto irá à sanção presidencial. Outro projeto com regime de urgência que pode ser analisado é o PL 3771/12, do deputado Jorge Boeira (PP-SC). O texto

DIVULGAÇÃO

Projeto está na pauta de votações da Câmara dos Deputados, que também inclui PL que aumenta a pena para o feminicídio

Ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB) vai ser sabatinado pelos deputados

Crise hídrica e energética na pauta derão questionar as metas e soluções apontadas pelos ministros em sua gestão. A iniciativa do convite para a Câmara ouvir todos os ministros partiu do presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Vetos no Congresso Sessão do Congresso Nacional está marcada para quarta-feira (4), às 11h (horário de Brasília), na qual os parlamentares podem votar

o Projeto de Resolução (PRN) 1/15, que cria novos procedimentos para a votação de vetos. Após a votação do projeto, os congressistas poderão votar dez vetos a projetos de lei, inclusive o veto à medida provisória 656/14, que reajustava as tabelas do Imposto de Renda da Pessoa Física em 6,5%. Também poderá ser votada a proposta orçamentária de 2015 (PLN 13/14). ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

As duas primeiras comissões gerais com a presença de ministros de Estado para debater assuntos de suas pastas ocorrerão na quartafeira e na quinta-feira. A primeira será para debater a crise hídrica e energética no Brasil com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. A segunda contará com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo. Nas duas ocasiões, os deputados po-

Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, vai à Câmara falar sobre a crise energética


B8

Mundo

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Campanha em Israel ignora palestinos e exclui paz

Atual premiê, Benjamin Netanyahu está com uma campanha dura para se reeleger ao cargo

Itzhak Herzog é líder do Partido Trabalhista e candidato opositor da coalizão de centro-esquerda

plano elaborado com o Partido Republicano para enfraquecer o presidente democrata.

Cisjordânia e Faixa de Gaza esquecidos

Oposição A oposição de centro-esquerda, conduzida pelo líder do Partido Trabalhista, Itzhak Herzog, vem tentando direcionar a pauta da campanha para temas socioeconômicos e também se esquiva de abordar o conflito israelense-palestino. Herzog, acusado por Ne-

Enquanto isso, a situação dos palestinos na Faixa de Gaza é catastrófica e na Cisjordânia a autoridade palestina se encontra à beira de um colapso econômico. Em represália à decisão do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de aderir ao

TPI (Tribunal Penal Internacional), Israel suspendeu o repasse de taxas de importação que recolhe para os palestinos, deixando a autoridade palestina sem meios para pagar os salários dos funcionários públicos. Na Faixa de Gaza, centenas de milhares de pesso-

as continuam vivendo em meio aos escombros deixados pelos bombardeios israelenses em agosto do ano passado. Dos US$ 5 bilhões prometidos pelos países doadores para a reconstrução de Gaza, apenas US$ 130 milhões foram de fato transferidos.

Depois das eleições, seja quem for o próximo premiê — Netanyahu ou Herzog —, Israel terá que voltar a se deparar com a realidade. Os quatro milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza não vão evaporar, apesar das tentativas de ignorá-los. DIVULGAÇÃO

T

el Aviv - A campanha eleitoral em curso em Israel ignora o conflito com os palestinos, tema básico que irá definir o futuro do país. Três semanas antes das eleições, que serão realizadas no dia 17 de março, o debate político que ocorre na mídia e nas redes sociais se concentra nos gastos exorbitantes na residência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no alto custo dos apartamentos em Israel, nas relações com os Estados Unidos e no programa nuclear iraniano. Netanyahu, que na próxima terça-feira fará um discurso no Congresso norte-americano contra o acordo com o Irã, tem conseguido dominar a pauta do debate político com uma campanha baseada na fomentação do medo de que o país persa, antagonista de Israel, produza uma bomba atômica. Sua viagem aos Estados Unidos, contra a vontade explícita do presidente Barack Obama, tem óbvios fins eleitorais — Washington é o principal aliado estratégico de Israel. A conselheira de Segurança Nacional de Obama, Susan Rice, chegou a dizer que o discurso de Netanyahu no Congresso será “destrutivo” para as relações com o governo norte-americano, porém essa declaração não demoveu o premiê de levar adiante o

AGÊNCIA EFE

AGÊNCIA EFE

A três semanas das eleições, discussão se concentra em gastos pessoais de Netanyahu, além de relações com EUA e Irã

VISTA GROSSA

Há três semanas das eleições em Israel, marcadas para 17 de março, o clima entre os dois principais candidatos é de tensão. Apesar disso, Netanyahu e Herzog fogem da discussão sobre a Palestina tanyahu de ser de “extremaesquerda”, tenta criar uma imagem “patriota” e declara que “a meu ver Gush Etzion é essencial exatamente como Tel Aviv”, em referência ao grande bloco de assentamentos na Cisjordânia a sudeste de Jerusalém e sugerindo que no futuro esse território seria anexado a Israel. As palavras “paz”, “palestinos” e “ocupação” não fazem parte nem do discurso de Herzog.

Na Faixa de Gaza, milhares de pessoas continuam vivendo em meio aos escombros dos bombardeios israelenses de 2014


MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

IONE MORENO

Caderno C

Dia a dia

Praias ainda têm falta de segurança Dia a dia C4-C5

A faixa das contradições IONE MORENO

Depois da efetiva entrada em funcionamento da Faixa Azul como uma espécie de “embrião” do sistema de mobilidade urbana de que a capital sempre teve carência, as discussões sobre sua eficiência e os efeitos colaterais se acirram mais

FAIXA AZUL Desde 19 de fevereiro, a fiscalização em torno do uso da Faixa Azul da avenida Constantino Nery começou para valer. Congestionamentos e multas têm dividido opiniões entre os usuários ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

A

preocupação com a mobilidade urbana na capital amazonense acabou, por enquanto, gerando polêmica. A nova gestão da Superintendência Municipal dos Transportes Urbanos (SMTU) e do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), nos últimos dois anos, deram os primeiros passos em projetos que são questionados pela sociedade, que busca esclarecimentos. As reformas das paradas da primeira tentativa do Bus Rapid Transit (BRT), a ciclovia no boulevard Álvaro Maia e agora a implantação da faixa exclusiva (a Faixa Azul), para os dois órgãos, foram os primeiros passos. O titular da SMTU, Pedro Carvalho, explicou que desde seu retorno à superintendência tem procurado soluções para a mobilidade urbana, e logo de início pensou em readaptar a malha viária para de princípio receber o Bus Rapid System (BRS). “Quando falamos em mobilidade urbana, Manaus se encontra entre as últimas capitais que tenha projeto avançado. Estamos iniciando a estrutura para depois implantar e, para isso, precisamos da colaboração e compreensão da sociedade”, explicou. Carvalho, que morou alguns anos no Rio de Janeiro (RJ), disse que o projeto viário de mobilidade urbana na cidade tem dado muito certo, e, como nas demais capitais, o primeiro passo é a implantação do BRT, mas, antes, precisa implantar o BRS. Uma pesquisa realizada pela SMTU apontou que, em mé-

dia, os modais transportam por hora pelo BRT 13,5 mil pessoas. O mesmo número é relativo a pedestres, 4,5 mil ciclistas e 1,35 mil condutores de carros. Em percentuais, o ônibus transporta 36% da população por hora; o carro, 12%; a moto, 2%; e 28% andam a pé. Quanto ao corredor exclusivo, o superintendente explicou que por ali circulam diariamente 58 linhas de uma frota de 419 ônibus, dos quais 336 são comuns e 83 articulados, que, por dia, transportam 240.028 pessoas, com um número de 18.950 por hora no horário de pico. Com a faixa exclusiva, além dos 83 ônibus articulados, mais 26 ônibus comuns que possuem também porta lateral esquerda estão utilizando a faixa. Transportes de frete, táxis com ou sem passageiro, ambulâncias e transporte escolar podem utilizar a Faixa Azul, porém Pedro Carvalho afirmou que, quando o projeto passar para BRT, essas prioridades podem mudar. O superintendente informou que, além do início da orientação da faixa semi-exclusiva nas avenidas Mário Ypiranga e Umberto Calderaro, o projeto da Faixa Azul deve ser expandido para a avenida Torquato Tapajós. Uma plataforma deve ser construída em frente ao conjunto Santos Dumont e uma escada deve ser implantada na passarela, para que as pessoas possam ter acesso seguro ao utilizar a plataforma. Como continuação do projeto, a SMTU pretende construir um terminal na Zona Norte, o T6, nas proximidades da avenida do Turismo. Multas Em uma reunião com a Comissão de Transportes, Viação

e Obras Públicas da Câmara Municipal de Manaus, na última sexta-feira (27), o superintendente e o diretor-presidente foram convidados para apresentar os primeiros resultado do projeto Faixa Azul. O diretor-presidente do Manaustrans, Paulo Henrique do Nascimento Martins, informou que no primeiro dia (19) a desobediência na utilização da faixa gerou 1.066 multas; no segundo, 400 multas; 70 no primeiro final de semana; na segunda-feira (23), 77, e diariamente a média tem sido de 50 multas. Segundo Martins a faixa foi implantada no dia 14 de fevereiro de 2014, e desde esse período a população tem recebido um trabalho de conscientização. “Quando implantamos a faixa, a população começou a parar de utilizar a via que hoje é exclusiva, então o processo de conscientização colaborou para o nosso trabalho”, explicou. O diretor-presidente afirmou que o fluxo na Constantino Nery, desde o início da restrição da faixa, teve melhora na velocidade. Na Torquato Tapajós, o veículo anda a 12 quilômetros por hora, e na Constantino Nery passou para 15 quilômetros horários. O Manaustrans espera que os motoristas tenham mais conscientização e respeitem a exclusividade da faixa. Para evitar a presença diária dos agentes de trânsito na fiscalização da Faixa Azul, o instituto planeja implantar fiscalização eletrônica. A previsão é que até maio as câmeras do Manaustrans estejam remanejadas para a fiscalização na avenida Constantino Nery.

Soluções propostas para o setor DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO

Embora tenha sido pensada como meio de solução do tráfego, a faixa exclusiva atende apenas uma parte da população (no caso, os usuários do transporte coletivo). A análise, apresentada pela professora do curso de engenharia civil da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Kattylinne Melo, aponta para outras questões. O fato de que ainda existem ônibus não articulados que ocupam as duas faixas, por exemplo. Enquanto isso, os carros particulares são obrigados a permanecer na faixa central. “Além disso, os ônibus que utilizam a faixa da direita, ao fazer ultrapassagens, acabam invadindo também a faixa central, deixando o motorista sem opção”, acrescenta Kattylinne. O aumento da frota de ônibus adequados ao sistema é uma das soluções propostas pelo professor de engenharia de transportes e logística da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Cláudio Frota. “Com isso, obtém-se o aumento da velocidade operacional dos coletivos em quilômetros horários”, explica, enfatizando a importância de um trabalho de fiscalização constante. “Em caso de veículos não pertencentes ao sistema

BRS (Bus Rapid Service, ou Serviço Rápido por Ônibus) seu flagrante deve ser, se possível, imediato. A população, com o auxílio de dispositivos como os smartphones, poderia ajudar nesse sentido”, exemplifica Frota. Circulação De acordo com dados da SMTU, 54,97% da frota dos ônibus de Manaus atende apenas o Distrito Industrial de Manaus. Somada à circulação dos ve-

Cada governante busca soluções próprias (para a questão da mobilidade urbana) e prefere deixar de lado outras idéias Rubelmar Azevedo Filho, professor adjunto da UEA

ículos de carga pesada na área central e seu entorno, o resultado é um fluxo cada vez mais lento. O diagnóstico, apresentado pelo professor adjunto da Escola Superior de Tecnologia da UEA, Rubelmar de Azevedo Filho, revela aspectos ainda omitidos pelas autoridades quando o assunto é mobilidade urbana. “Deve-se encontrar

meios alternativos para o transporte de cargas. A partir daí, teremos condições de solucionar os pontos problemáticos do transporte coletivo”, diz. A tese foi apresentada em estudo elaborado com outros especialistas da área. De forma geral, propõe a criação de uma alça viária para transporte de cargas por meio de um sistema híbrido (rodoferroviário), baseado na interligação entre pontes e rodovias. Em meados de 2011, o projeto foi recebido com entusiasmo por representantes do Ministério dos Transportes e técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Porém, devido a circunstâncias políticas adversas, a ideia não chegou a sair do papel. “Cada governante busca soluções próprias e prefere deixar de lado outras idéias”, analisa. Com relação ao transporte público, Rubelmar defende a implementação de um anel viário que integre o sistema de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). O circuito prevê quatro linhas de interligação entre as diversas zonas, com foco no translado de funcionários do Distrito Industrial de Manaus. (Leia mais sobre o assunto nas páginas C2 e C3)


C2

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Rapidez: o ponto crucial IONE MORENO

Ônibus mais rápidos, trânsito mais lento. Nessa contradição, usuários do sistema de transporte coletivo expõem críticas e elogios ao projeto em implantação, revelando que a questão tempo é fundamental para o sucesso do BRS/BRT

FAIXA AZUL Plataformas do “finado” sistema Expresso, readaptadas para o novo modal de mobilidade urbana de Manaus: por um lado, viagens ficaram mais curtas; por outro, tráfego de veículos continuou um caos

F

oram 1.983 notificados em seis dias. Este foi o saldo da primeira semana de implantação da Faixa Azul na avenida Constantino Nery. O projeto, que em muito lembra o falido sistema Expresso, criado em 2002, tem dividido opiniões. Encontrar uma solução para organizar o trânsito da capital foi anunciado como prioridade no projeto dos governos estadual e municipal. Após abortada a ideia de implantar o monotrilho, as administrações apostaram no Bus Rapid Transit (BRT), um moderno sistema de transporte já implantado em Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ), onde o projeto ficou orçado em R$ 15 milhões por quilômetro. O sistema de transporte conta com ônibus articulados ou biarticulados, que trafegam em corredores exclusivos à esquerda. Há terminais e estações de transferência diferenciadas, com pagamento antecipado da passagem por meio de bilhetagem automática, além de sistemas e sonorização ambiente em terminais, estações e painéis de informação, bem como sistema de rastreamento com identificação do veículo, linha operada e tripulação. De acordo com o titular da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, além da tecnologia no ônibus, há toda uma estrutura nos corredores, estações e terminais de integração. “É uma forma mais rápida de transporte”, disse em entrevista concedida ao EM TEMPO em janeiro. Contudo, parece que as etapas de estudos, captação de recursos e implantação do modal caminham a passos lentos. Até agora, do sistema milionário há apenas uma Faixa Azul pintada no asfal-

to, além da intensificação da fiscalização dos agentes de trânsito. Estes têm multado os condutores desavisados que teimam em invadir o corredor da esquerda, de uso exclusivo dos coletivos. Para muitos condutores, a Faixa Azul é um “remake” do sistema Expresso, que há 13 anos prometia ser a solução para os problemas de mobilidade urbana da cidade, mas que após empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), falhou. “Implantar esse ‘novo’ Expresso numa cidade onde as avenidas têm no máximo três pistas não tem condição. Quando fui tirar minha carta de habilitação, tive aula de legislação e aprendi que carro grande anda devagar, sempre pela direita, aí hoje vem o expresso de novo. Como vai ser?”, analisou o empresário Luciano Vieira, 39. Para ele, as soluções deveriam ser pensadas a longo prazo, considerando o aumento da população e o acréscimo da frota de veículos. “A Faixa Azul é um projeto falido que inventaram para a Copa do Mundo, para arrecadar dinheiro do governo federal, e não vai dar em nada. Gostaria que a população deixasse de pagar impostos para no mínimo sentirem que quem manda neles somos nós. Eles ficam fazendo marketing na TV, mas a população não é mais besta, tem que perceber que nós buscamos informações todo dia, lemos notícias e vemos o que acontece na cidade”, disparou. A mesma ideia é compartilhada pelo comerciante João Duarte, 43. “Piorou o trânsito. Se era para ter uma faixa específica para os ônibus, eles teriam que liberar as duas faixas que sobraram aos carros e andar em uma só. As outras duas têm que ser somente para os veículos”, afirmou.

Pontos contrários e favoráveis Para o eletricista Zulmar Salins, 36, a mudança trouxe benefícios apenas aos usuários de transporte público. “Está melhor para quem viaja de ônibus. Mas, para quem usa carro ficou mais complicado, a pista ficou restrita e não tem para onde correr, o jeito é enfrentar o congestionamento mesmo”, analisou. Outros dois condutores lembraram que o sistema foi implantado no Rio de Janeiro e funciona perfeitamente. “Lá há a pista da esquerda para os ônibus e três pistas para o carro, e há radar a toda hora. Aqui, pelo que percebi, tem duas pistas para os ônibus e apenas uma específica para os veículos, aí fica meio complicado”, afirmou o pastor Ormeu Lima, 35. Já a dentista Kharys Faviola Oliveira, 34, observou que o congestionamento, principalmente no horário de pico, tem sido mais extenso. “Manaus não tem estrutura para ter a Faixa Azul. Temos hoje ônibus

na esquerda e na direita, o que dificulta o tráfego de carros e engarrafa ainda mais”, analisou. Não são apenas os motoristas que reprovaram a medida. Usuários que dependem dos ônibus que realizam a coleta na pista da direita veem o projeto com ressalvas. “Para quem pega ônibus nas plataformas melhorou, a viagem ficou mais rápida. Mas para quem pega na faixa da direita está demorando mais, porque o fluxo foi deslocado todo para pista do meio e da direita e ficou mais pesado. Então, estamos esperando mais agora”, analisou a professora Kezia de Souza, 54. O farmacêutico Francisco Martins, 50, que depende dos coletivos que passam à direita, reclamou da ação. “Esta Faixa Azul não funciona. O congestionamento continua e não resolve”, denunciou. Por outro lado, há quem aprove a Faixa Azul. Nas plataformas, muitos usuários con-

Capital precisa de alternativas

tabilizaram menos tempo de deslocamento nos coletivos. “Ficou mais rápido, principalmente para mim que pego quatro conduções por dia. O 500 está muito mais rápido”, afirmou a doméstica Zuleide Cordeiro, 60. A cabeleireira Francisca Garcia, 54, que apesar de ter um carro, utiliza ônibus para ir ao trabalho, também aprovou a mudança. “Creio que melhorou, se todo mundo respeitasse ia ficar mais rápido. Para o usuário é bom, atrapalhou quem tem carro. Acho que teria que ficar bom para os dois lados, mas estou de acordo com mudança, já que beneficiou os usuários de ônibus, que sofrem mais com o sistema”, disse. O pizzaiolo Paulo Sérgio Gomes, 24, comemorou a redução de tempo dentro do coletivo. “Antes passava quase duas horas vindo do bairro Novo Israel, Zona Norte, para o Centro, agora são só 40 minutos. Melhorou”, afirmou.

DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

Zulmar Salins, eletricista

Paulo Sérgio Gomes, pizzaiolo

Ormeu Lima, 35, pastor

Zuleide Cordeiro, doméstica

Kharys Oliveira, dentista

Francisca Garcia, cabeleireira

Em 2004, a então candidata à prefeitura Vanessa Grazziotin chegou a sugerir a utilização de lanchas no percurso entre os igarapés e a orla da cidade. Assim, o deslocamento de passageiros se daria de forma mais rápida que a dos trechos urbanos. O plano se baseava em estudo de doutorado da professora Marly Honda de Souza (Ufam), que visava racionalizar o consumo de combustíveis e melhoria do serviço ofertado, entre outras medidas. “A proposta seria boa se a cidade inteira fosse cortada por igarapés, o que não é verdade. Então, hoje seria viável apenas para o translado de locais específicos, onde haja igarapés, e, ainda assim, seria necessária a intermodalidade (utilização de outro meio de transporte para chegar ao destino final)”, argumenta Kattylinne Melo, professora de engenharia civil da UEA. Devido à ausência de estudos técnicos, o projeto não foi incluído no plano oficial de governo. A senadora defende a integração entre o sistema BRT (Ônibus de Transporte Rápido) e o monotrilho para atender os eixos de todas as zonas de Manaus.


Dia a dia

C3 FOTOS: IONE MORENO

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Saindo da Marina do David, o barco pode transportar passageiros pela orla do rio Negro, passando pelos principais portos da orla – Ponta Negra, Compensa, São Raimundo, Aparecida, Manaus Moderna, Panair e Ceasa

OS ‘ÔNIBUS’ DAS ÁGUAS FAIXA AZUL

MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

O

que seria melhor, esperar na parada de ônibus por quase 40 minutos, depois viajar imprensado como sardinha em lata em um veículo lotado e passar mais de uma hora e meia para chegar ao seu destino, enfrentando engarrafamentos estressantes, ou encurtar a distância em mais de uma hora, evitar o trânsito pesado, viajar sentado, se deliciando com o vento batendo em sua cara, respirando oxigênio limpo e evitando acidentes como colisões de carros? Essa opção de transporte coletivo saudável não é utopia. Ela existe e pode ser feita por meio de barcos. Para isso, basta ter vontade política e ousadia para aproveitar os rios, que são nossas estradas, e parar de cimentar igarapés, como foi feito com o que corria sob a ponte da Sete de Setembro – por conta das obras do Prosamim, as águas foram “presas” em caixas de concretos. Encravada à margem esquerda do rio Negro, Manaus é banhada pela baia do rio Negro, daí é possível transformar pequenas embarcações em “ônibus” das águas, sendo possível chegar ao centro de Manaus, saindo da Marina do David, em 40 minutos, parando, como fazem os ônibus do asfalto, nos portos (que seriam as paradas de transportes) do Tropical, Compensa, São Raimundo, Aparecida, Manaus Moderna, Educandos

e Encontro das Águas. Manaus é uma cidade de costas para o que tem de mais belo, o rio Negro. Com o tempo, essa distância foi aumentando ainda mais, pois continuou a dar as costas para suas águas com a construção de pontes e avenidas que pavimentaram o caminho para a explosão do número de automóveis que circulam na cidade. Esquecemos até a travessa de catraia, de Aparecida para o São Raimundo. A propósito, as novas gerações não sabem nem mesmo o que é catraia. Para provar que a utilização de barcos como meio de transporte coletivo é viável, uma equipe do EM TEMPO embarcou uma voadeira de tamanho médio na Marina do David e viajou até ao Porto de Manaus Moderna no tempo de 40 minutos. Saímos da marina às 10h25. O barco é pequeno, mas, de acordo com o barqueiro Caio carvalho, em caso de implantação de um projeto dessa natureza, existem barcos cobertos e até climatizados, com capacidade para 200 passageiros. Em um ônibus cabem apenas 74 passageiros – 34 sentados e 38 em pé. Além do tempo de viagem ser mais rápido – já que de barco fugimos dos engarrafamentos e gargalos crônicos no trânsito de Manaus –, a utilização de barcos como opção de transporte urbano reduz as emissões de gases poluentes e desafoga o trânsito, já que parte da população, com certeza, vai optar por essa modalidade bem mais inteligente, saudável, rápida e prática. Diante de um pagamento de R$ 150,00, o barqueiro Caio Carvalho, que há sete anos trabalha na Cooperativa da Marina do David, transportando banhistas para a praia da Lua, aceita fazer o percurso até o Porto da Manaus Moderna, no centro de Manaus, percorrendo toda a orla, com paradas rápidas

nos portos e localidades onde poderiam embarcar e desembarcar passageiros – Cabeça da Ponte, Porto da Compensa, São Raimundo, Aparecida, Feira da Manaus Moderna. Em caso de se implantar o sistema de transporte fluvial, o passageio poderia seguir viagem, passando pelo Porto do Ceasa e Colônia Antônio Aleixo. O barqueiro Caio Carvalho concorda que o tempo de viagem é bem mais curto pelo rio do que pelas rodovias. O mesmo percurso feito de ônibus pelo asfalto levaria de uma hora a uma hora e meia. Ele observa que nem todo mundo poderia usar esse mesmo tipo de transporte, somente os que moram perto da orla, como os habitantes das proximidades da Ponta Negra, Compensa, São Raimundo, Aparecida, zona portuária, Mauazinho e Ceasa. “Mas seria, sim, um sistema de transporte bastante rentável, devido à alta rotatividade de passageiros. Antes da ponte Rio Negro, por exemplo, os barqueiros que faziam a travessia para Cacau-Pirêra faturavam de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por dia. Imagine um transporte fluvial percorrendo toda a orla e transportando centenas de pessoas diariamente?”. Para o presidente da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do David, Adonis Custódio, a ideia pode ser boa, pela rapidez e pela aliviada que poderia dar na utilização do transporte convencional. “Mas talvez não seja economicamente viável”. “Uma embarcação consome mais combustível do que um ônibus. Um barco desses consome 40 litros de gasolina ou diesel/hora. Para que esse projeto fosse tirado do papel, seria preciso que o governo do Estado subsidiasse o combustível”, explica Custó-

dio, que trabalha com esse segmento há 30 anos. Às 10h50, o barqueiro Caio aponta para o prédio histórico da Cervejaria Amazonense Miranda Corrêa & Cia., avisando que acabamos de entrar na orla de Aparecida. Às 11h05, ele atracava na antiga Escadaria dos Remédios, hoje porto da Manaus Moderna. “Viu como foi rápido? De ônibus a gente deveria estar preso em algum engarrafamento”. Ele afirmou que pretende equipar as embarcações e climatizar os barcos para oferecer serviço de qualidade à população. O candidato disse que o transporte coletivo fluvial deve ter tarifa zero por meio de socialização com as prefeituras municipais.

Porque Serafim não implantou o sistema

O ex-prefeito Serafim Corrêa aponta limitações no custo-benefício do transporte hidroviário

O ex-prefeito Serafim Corrêa teve chances de implantar o sistema de transporte sobre as águas do rio Negro, que considera mais rápido, saudável e “até romântico”. Não o fez por algumas razões, uma delas pela limitação do sistema que não atenderia à grande massa. Hoje deputado estadual (PSB), Serafim avalia que Manaus é uma cidade que cresceu no sentido das zonas Norte, Leste e Oeste “como que fugindo da beira do rio”. Segundo ele, não seria mais lógico, hoje, correr atrás do transporte aquaviário que atenderia apenas a pequena parcela

da população que mora nas proximidades do rio. “Para atender além disso, a pessoa teria que pegar um ônibus até a beira da orla, de lá pegaria o barco e de novo o ônibus para chegar ao local exato do seu destino, já que o barco leva somente até o porto. E em Manaus, como sabemos, é cultural a rejeição dos usuários do transporte coletivo à troca de veículo”. Essas questões inviabilizam, segundo Serafim, o transporte aquaviário. Além disso, os portos de embarque e desembarque dependem de concessão do gGoverno federal, no caso, a

Antaq, o que vem a ser mais um complicador. “Seria possível fazer um projeto piloto da cabeça da Ponte Rio Negro, com destino à Feira da Panair, tendo duas estações, uma em São Raimundo e outra na Manaus Moderna”, sugere. No entanto, o ex-prefeito condena até mesmo essa opção, que também não resolve o sistema porque atende a uma reduzida parcela da sociedade. “E mais, isso custa dinheiro que a prefeitura não tem hoje, muito menos tinha na minha época, quando a receita era ainda menor”. (MA)

DIVULGAÇÃO

Manaus virou as costas para suas águas com a construção de pontes e avenidas que pavimentaram o caminho para a explosão dos automóveis. Mas ainda é possível criar um sistema de transporte fluvial navegando pela orla do rio Negro

Um barco catamarã em operação para fazer a travessia Porto Alegre-Guaíba

Lá em Porto Alegre o catamarã funcionou Em 2011, o catamarã foi implantada entre as cidades de Porto Alegre e Guaíba, no Rio Grande do Sul, onde o trajeto que de carro demorava 50 minutos e caiu para 20 minutos de barco. Em dez dias, mais de 20 mil pessoas adotaram a travessia fluvial, mais rápida e confortável. Os moradores de Porto Alegre e Guaíba aguardaram por cinquenta anos pela reinauguração da linha hidroviária entre as duas cidades. Nos primeiros dez dias de operação da travessia fluvial, a população aproveitou para recuperar o tempo perdido. Em dez dias, mais de 20 mil pessoas já cruzaram o Guaíba dentro dos novos catamarãs. Um público projetado para os primeiros seis meses do serviço, segundo a empresa responsável

pela travessia. Em um final de semana, cerca de cinco mil pessoas realizaram a travessia pelas águas, praticamente lotando todas as frequências dos dois catamarãs que se revezam para cumprir o trajeto de 20 minutos entre a região do Mercado Público de Porto Alegre e o centro de Guaíba. A empresa já ampliou a frequência de final de semana e estuda incluir uma nova parada próximo ao Barra Shopping Sul em alguns horários, atendendo a pedidos da população de Guaíba que vai a Porto Alegre para fazer compras. Com a possível nova escala, os passageiros terão acesso fácil ao transporte público para a Zona Sul, onde fica o museu da Fundação Iberê Camargo e, a apenas dois quilômetros, o estádio.


C4

Dia a dia

Balneários:: diversão FOTOS: DIEGO JANATÃ

Um dos principais destinos para o lazer de quem mora no Amazonas, as praias na capital e nas cidades próximas estão sem estrutura, com lixo na areia e no rio, e sem salva-vidas, o que coloca muitos banhistas em risco

Nos balneários visitados pela reportagem do EM TEMPO, banhistas ingerem bebidas alcoólicas próximo do rio, aumentando o risco de afogamento, inclusive, por não haver salva-vidas IVE RYLO Equipe EM TEMPO

P

rogramar um fim de semana nos balneários públicos afastados das cidades pode não ser a opção de lazer mais segura. Na praia do Açutuba, localizada no município de Iranduba (a dez quilômetros da capital), a ausência de salvavidas e o tráfego de jet skis e de embarcações próximo à areia ameaça a tranquilidade dos banhistas. A quantidade de lixo espalhada pela praia também transforma a paisagem. Em uma visita ao local, a reportagem do EM TEMPO constatou o tráfego de jet skis e de voadeiras que realizam o transporte das banana boats próximo à praia. De acordo com regulamento da Marinha, embarcações a motor podem trafegar a 200 metros da praia e a cem metros apenas as embarcações a remo ou vela. A área a 200 metros da areia é reservada aos banhistas, cuja segurança é responsabilidade das autoridades estaduais e municipais. As prefeituras devem baixar decretos determinando em quais praias podem ser usados banana boat e jet ski, de acordo com o que preceitua a Lei de Zoneamento Costeiro. Em visita ao local pela primeira vez, a eletrotécnica Maricelma Soares, 31, se

assustou com a proximidade das embarcações. “Vi uns rapazes nos jets brincando bem próximo à praia, perto dos banhistas. Achei muito perigoso, principalmente porque tem muitas crianças aqui”, afirmou. A praia também padece de salva-vidas. Não havia nenhum guarda situado em qualquer ponto da praia no dia da visita da equipe de reportagem. Por isso, a diversão dos cinco netos da dona Nair Marai Soares

NA CAPITAL

Um dos principais pontos turísticos de Manaus também sofre com a sujeira e falta de salva-vidas. É a praia da Ponta Negra, um dos locais mais requisitados nos fins de semana Batista, 60, foi acompanhada de perto por ela, que não perdia nenhum de vista. “Até agora não vi salva-vidas, mas estou de olho nos meus cinco netos, atenta a eles no rio. Não entrei no rio, mas estou aqui de olho”, afirmou a doméstica, que visitou o local pela primeira vez também em companhia da filha e do genro. O local da praia em que a família optou para curtir

o domingão é mais afastado dos restaurantes e menos concorrido pelos banhistas. “Aqui é limpinho, mas sempre digo para meus netos não jogarem lixo no chão. A gente tenta ensinar para que os netos deles possam curtir no futuro”, disse. A paisagem aparentemente preservada trouxe à aposentada boas lembranças de experiências vividas no passado. “Este lugar é muito bonito, lembrei da minha infância em Juruti Novo, que tinha um rio grande e uma comunidade próxima. Quando o rio baixava, conseguíamos chegar lá por um caminho de pedras. Tinha as Ueramas [árvores] que limpávamos de baixo. Aqui é idêntico”, lembrou. Próximo ao local escolhido pela família de dona Nair Marai, a paisagem se transformava consideravelmente. Mesmo com as lixeiras, havia copos e pratos de plásticos, latas, resto de comida, embalagens de blondor, palitos de churrasco espalhados por toda areia. “É muito bonito o banho, bom que o dia hoje não está muito quente, mas a areia tem muita sujeira, culpa da população. Acho que as pessoas tinham que ser melhor educadas. Tem lixeira, mas o pessoal prefere jogar no chão, não estão nem aí. Também não vi salva-vidas”, disse a operária Rosiene Magalhães, 39.

Embarcações próximas à areia e lixo são alguns dos problemas encontrados nas praias


MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

C5

rodeada de perigos

ARQUIVO EM TEMPO/JOEL ROSA

Na praia da Ponta Negra, na capital do Estado, o banhista encontra uma quantidade grande de lixo na areia e também no rio, o que pode ser prejudicial à saúde de quem frequenta o lugar

Locais não têm salva-vidas A falta de cuidado com o lixo também foi apontada pelo técnico elétrico Elvis Martins, 33, que também chamou atenção para a necessidade de uma estrutura melhor para os banhistas, com banheiro, mais mesinhas e salva-vidas. “Sempre venho nos fins de semana. Hoje não vi salva-vidas, mas da última vez que vim, eu vi. A limpeza não está muito legal. Acho que teria que ter mais quiosques, barracas, cadeiras; não vi banheiros. Acho que merecia uma estrutura melhor.

Os funcionários dos restaurantes vêm recolher o lixo, mas muita gente joga na areia”, analisou. Os banhistas reclamaram também da poluição sonora, com um tipo de música em cada restaurante, e a falta de banheiros públicos. “Para usar o banheiro tem que pagar R$ 1”, disse a operária Rosiene Magalhães, 39. No local, as opções de divertimento também são pagas, sendo R$ 5 a volta na banana boat e uma hora de bóia custa R$ 5.

Banhistas reclamam da falta de salva-vidas nas praias, que contam apenas com o patrulhamento do Corpo de Bombeiros

Próximo à praia do Açutuba, a paisagem muda completamente no interior da praia particular chamada Balneário do Japonês. Com as areais límpidas, o local chama atenção pela tranquilidade e organização. Contudo, assim como em Açutuba, no dia da visita da reportagem, não foi observado a presença de salva-vidas. Para entrar na praia, é preciso desembolsar R$ 15. O local oferece banheiro e vestuário, restaurantes e opções de lazer como o banana boat. O casal de estudantes Gustavo Feitoza, 22, e Alana de Oliveira, 23, em sua primeira visita, aprovou a organização do local. “Achei muito bom, bem organizado, completamente diferente de Açutuba. Boa organização, com comodidade. Só não vimos salva-vidas. O

banheiro é limpo”, afirmou Gustavo. Para Alana, os banhos particulares proporcionam uma melhor estrutura. “A

PARTICULAR

Em caso de praias e banhos particulares, a responsabilidade de contratar um salva-vidas é do próprio proprietário do estabelecimento, diferente dos banhos públicos partir de agora, viremos só aqui, é preferível pagar e ter acesso a esta estrutura e comodidade. A privatização ocasiona certas melhorias”, afirmou. No local também havia um espaço liberado para os jogos de futebol. “Achei muito

ALBERTOCÉSARARAÚJO

Banhos particulares são opção legal o banho, bem limpo e conservado. As comodidades são excelentes. Não vi salva-vidas. Mas acho aqui bem melhor que Açutuba, mais organizado. Gosto dos banhos do Rio Preto e Presidente Figueiredo, são bem limpos”, disse o autônomo Fabrício Marques, 32, que aproveitou o fim de semana na companhia de colegas e da filha. Salva-vidas De acordo com informações repassas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CB-AM), se for um empreendimento particular, se torna obrigação do empresário ter algum salvavidas particular. Contudo, se for um local público, vai de cada prefeitura e do Estado determinar por meio de estudos as áreas de proteção, vistos que os recursos de ambos são finitos.

Nos balneários particulares, a situação é diferente: as praias e rios são limpos e agradáveis


C6

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Melhoria na assistência médica no Alto Solimões H

á um ano os municípios do Alto Solimões ganharam duas unidades de saúde que ajudaram a melhorar a qualidade de vida dos moradores de nove municípios. Localizadas em Tabatinga, a Maternidade Celina Villacrez Ruiz e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tabatinga, deram “vida nova” àquela região. A dificuldade em se locomover à procura de atendimento médico na capital amazonense diminuiu. Nas unidades de saúde são realizados procedimentos médicos, cirúrgicos e partos, e também, campanhas de prevenção de acidentes e cuidados com os riscos à saúde. “Tive de ir a Manaus a procura de atendimento para meu marido que caiu e quebrou a clavícula. Antes era muito dificultoso, mas hoje, tenho atendimento imediato aqui”, disse Helena Santiago Cordeiro, de 74 anos. Incluída como uma das mais importantes obras na área de saúde do município, a Maternidade e UPA Tabatinga são resultado de parceria dos governos Federal e Estadual. As unidades de saúde são gerenciadas pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam), em parceria com o Instituto Novos Caminhos. A UPA Tabatinga funciona em regime de 24 horas, ofertando atendimento de urgência e emergência de média complexidade. A unidade de saúde organiza o atendimento de acordo com o protocolo de acolhimento com classificação de risco, dando prioridade aos pacientes mais graves e que correm risco de morte. A unidade possui estrutura moderna e profissional especializada, com Pediatra e Ortopedia. A Maternidade Celina Vilacrez Ruiz é a primeira do interior do Amazonas a implantar o Método Canguru, conforme o protocolo do Ministério Saúde. Durante esse primeiro ano de funcionamento a unidade realizou mais de 1,3 mil partos. Além de Tabatinga, as unidades de saúde também são referência para o atendimento de pacientes oriundos dos outros oito municípios da região do Alto

DIVULGAÇÃO

Moradores de Tabatinga e cidades adjacentes não precisam se descolar até a capital para fazer tratamentos de saúde Solimões - Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Içá, Amaturá, Tonantins, Jutaí e Fonte Boa . Método Canguru Médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionista, fisioterapeuta e técnicos de enfermagem da maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz iniciaram, também, treinamento para implantação do Método Canguru. A meta da unidade de saúde é que todos os profissionais estejam habilitados a lidar com bebês prematuros e de muito baixo peso. “O método deixou de ser exclusivamente da mãe do bebê e hoje todos da família ajudam o recém-nascido prematuro a substituir, paulatinamente, a incubadora pelo calor corporal

24 HORAS

Há um ano, a UPA Tabatinga funciona em regime de 24 horas, ofertando atendimento de urgência e emergência de média complexidade. Ela também até a população dos municípios ao redor do contato pele a pele, até que eles tenham condições médicas, gástricas e respiratórias de deixar a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)”, explica a tutora do Método Canguru no Ministério da Saúde, Paula Fortes. Ela ressalta que o Método acelera o desenvolvimento dos bebês e ainda aumenta o fortalecimento do vínculo entre o bebê com a mãe ou pai. “O método estimula o aleitamento materno, diminui o risco de infecção hospitalar e reduz o estresse do bebê prematuro”, afirma. Mãe e bebê recebem atendimento 24 horas na maternidade. A cada dia, mãe, pai ou familiar desenvolvem habilidades para executar as técnicas do Método Canguru. Após atingir o peso de 1,6 quilos e estando clinicamente estável, a criança pode receber alta hospitalar.

Além de Tabatinga, as unidades de saúde também são referência para outros oito muncípios da região do Alto Solimões

Unidade em busca de certificação nacional Para manter o padrão de atendimento com as diretrizes da “Humanização”, a maternidade iniciou o processo de credenciamento para receber o título de “Hospital Amigo da Criança”. Durante toda a semana os funcionários e terceirizados da unidade de saúde

participaram de capacitação para trabalhar dentro dos padrões e critérios estabelecidos para que possam ser credenciados e receber o título concedido pela Unicef e Ministério da Saúde. O atendimento humanizado já é procedimento padrão da maternidade e

após a capacitação tornouse mais fortalecida, uma vez que todos os funcionários, diretos e indiretos, foram capacitados. A capacitação foi realizada por profissionais do Ministério da Saúde e Secretarias Estadual e Municipal de Saúde do Amazonas.

“O acolhimento de nossos pacientes e acompanhantes é percebido desde a chegada da parturiente à maternidade. E isso se estende até o nascimento do bebê e recebimento da alta médica”, informa a diretora da Maternidade e Upa Tabatinga, Pauline Campos.

GRATUITO

Espaço dedicado às mulheres No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher e, para homenageá-las, o Sumaúma Park Shopping reservou um espaço destinado a “elas”. O Espaço Mulher, montado na praça de eventos do centro de compras, vai disponibilizar dicas de moda, tecnologia, beleza e facilidades. Com entrada e serviços gratuitos, o espaço está em funcionamento desde de ontem e segue até o dia 8 de março. No espaço, para fazer aquele “momento transformação”, as mulheres vão contar com o “itinerário da beleza”, promovido pela Comepi Sumaúma. Com o slogan ‘O melhor de ser mu-

lher’, a ação proporciona uma experiência transformadora, um momento de bem-estar e valorização da auto estima. Neste serviço, as mulheres usufruem de um cabelereiro, manicure, esteticistas (dermo facial) e maquiadoras. Tudo, de graça. Fotografia Outros parceiros também participam do “Espaço Mulher”. A Foto Nascimento, por exemplo, vai apresentar o serviço diferenciado da “Foto Nascimento Eventos” que faz cobertura fotográfica de casamentos, formaturas e festas infantis. A marca de fast fashion, Studio Z, vai fazer exposição dos produ-

tos com preços imbatíveis e ainda a emissão de cartão de crédito da loja. Já a Água de Cheiro e Amazon Print também vão demonstrar produtos e divulgar serviços. Aproposta do “Espaço da Mulher”, de acordo com o superintendente do Sumaúma, é “gerar uma experiência com a marca do shopping e, além disso, incentivar a aproximação dos clientes por meio de uma ação gratuita que o centro de compras proporciona”, disse. A estrutura segue o horário de funcionamento do shopping, das 10h às 22h, com exceção do itinerário da beleza da Comepi, que estará disponível das 15h às 20h.


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

C7

Escolas do AM passam a receber novas tecnologias

FOTOS: EDUARDO CAVALCANTE/SEDUC

Lousas interativas, com telas touch screen já fazem parte da realidade das escolas públicas estaduais do Amazonas

Lousas interativas chegam às escolas públicas estaduais, tanto na capital quanto no interior do Amazonas: investimento forte no setor de educação para uso pedagógico de estudantes e professores

P

ara favorecer a qualidade do ensino público no Amazonas, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), está investindo fortemente em novas tecnologias educacionais, tornado-as disponíveis para o uso pedagógico de estudantes e professores. Além da disponibilização de notebooks para os docentes, de tablets para educadores e estudantes e da ampliação da rede de internet para as unidades de ensino, o Estado está focado na instalação de lousas digitais em escolas da capital e do interior. Com tecnologia avançada que abrange o uso de soſtwares educacionais e tela touch screen, um total de 918 lousas digitais já foram instaladas em 138 escolas da Seduc no Estado – o que representa mais de 20% do total de escolas da rede – em um trabalho que está sendo expandido gradativamente. Cada lousa é composta por cerca de 900 soſtwares com conteúdos pedagógicos apropriados para todas as séries da educação básica. “O uso de novas tecnologias associadas à educação tornou-se algo ir-

reversível, por isso o governo do Estado, por decisão do governador José Melo, está investindo pesado nesse segmento. As lousas digitais vêm para somar às demais ‘ferramentas’ tecnológicas que estamos disponibilizando para nossas escolas, professores e alunos”, afirmou o secretário de Educação do Amazonas, Rossieli Soares da Silva. De acordo com a representante da Seduc e especialista em Informática e Educação, Wilmara Messa, para a utilização das lousas digitais em sala de aula, existe uma equipe especializada na formação dos professores. “Com uma equipe pedagógica especializada, a Seduc realiza oficinas de formação com os docentes da rede, a fim de capacitá-los para utilização dos equipamentos no dia-dia. Mais de 5 mil professores já receberam formação”, disse. As capacitações, segundo Wilmara Messa, ganharão grande impulso a partir deste mês de março, com a Seduc organizando ciclos de capacitação em Manaus em municípios do interior. Localizada na Avenida Joaquim Nabuco, no centro de Ma-

naus, e oferecendo atendimento a estudantes com necessidades especiais auditivas, a escola estadual Augusto Carneiro dos Santos é uma das 138 unidades de ensino da Seduc que já usufruem do recurso digital. Segundo a gestora da escola, professora Haideé dos Santos, as novas lousas trouxeram grandes benefícios para o ensino. “Elas (as lousas digitais) têm aprimorado o trabalho dos professores e, principalmente aqui em nossa escola, que é de atendimento especial, a ‘ferramenta’ tornou-se imprescindível, já que o aprendizado se dá de forma visual”, disse a gestora, acrescentando que o uso do recurso ampliou o campo de atuação do professor e facilitou o aprendizado dos nossos alunos, visto que eles interagem mais. Para a professora de Língua Portuguesa da escola, Elizandra de Lima Bastos, as lousas destacam-se pela praticidade. “O uso destes itens em sala de aula tem facilitado muito o nosso trabalho pedagógico, especialmente no atendimento aos nossos alunos cujo canal possível de informação é a visão”, ressaltou a educadora.

Interior também é contemplado A nova tecnologia está sendo repassada também a escolas do interior do Amazonas. A escola estadual Armando Mendes, localizada no município de Envira (distante 1.216 quilômetros de Manaus) iniciou o ano letivo de 2015 já equipado com o aparelho. Segundo a gestora da escola, Maria Antonieta Rufino, a utilização da lousa digital está favorecendo o ensino. “Com o novo recurso tecnológico o ensino ganhou uma atratividade maior aqui em nossa escola, pois tornou as aulas mais dinâmicas e mais ricas em conteúdo”, revelou a gestora. Com novas lousas digitais, aulas passaram a ser mais dinâmicas


C8

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 1ยบ DE MARร O DE 2015


MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

1

Uma crítica da Brasiliana

2

A volta dos que morreram

3

opiniao@emtempo.com.br

E cinco indicações culturais. Pág. 2

O mito pop do zumbi, por Otavio Frias Filho. Pág. 3

Premeditando o boom

A gênese do movimento literário latino-americano. Págs. 4 e 5

4

Charlie solta o cachorro

5

Do arquivo de Claudia Jaguaribe

6

(92) 3090-1010

Diário de Paris. Pág. 6

Cidade do México, 1996. Pág. 7

Nos porões de Pinochet

Um relato sobre a tortura no Chile. Pág. 8

Capa

ilustração de Deco Farkas


G2

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 5 INDICAÇÕES EDUARDO ORTEGA/DIVULGAÇÃO

Folha - Qual o papel do virtuosismo na separação entre arte e artesanato? Ferro - As corporações decaem no fim da Idade Média, contaminadas pela manufatura. Há subordinação formal do trabalho, sua decomposição e queda de salários. Alguns imageiros reagem: procuram revalorizar o métier. Sua primeira iniciativa é o virtuosismo, o aprimoramento extremo da execução. Introduzem assim uma dicotomia que marcará nossa arte: a separação entre a ideia e sua figuração. Raramente haverá acordo entre as duas, a ideia do cliente e a figuração do artista. O que é a marca? A marca (trace) é um conceito escorregadio. Nas artes plásticas aparece associado ao projeto de se tornarem artes liberais. Uma encrenca: as plásticas pressupõem trabalho material mas as liberais têm horror disto, são atividades nobres, e nobres não trabalham. A marca tenta resolver o impasse. Enquanto vestígio de um gesto técnico, testemunha sobre o trabalho; enquanto componente da imagem, remete à ideia. Como Janus, tem duas faces, mas seu antagonismo esconde-se em heterotopia. Quais outros recursos artistas usaram para alçar sua atividade a arte liberal? Os outros recursos me parecem menos determinantes: bajular príncipes, caprichar nas maneiras, cultivar-se etc. O esforço para ingressar entre as artes liberais é uma reação contra o desastre que a emergência do capital produtivo provoca. O trabalho material passa por um processo de desqualificação e desprestígio enormes. As artes plásticas tentam escapar disso com uma pirueta. Mostrarão vestígios de trabalho, mas opostos aos do trabalho subordinado ao capital: a sprezzatura e o non-finito. (ÚRSULA PASSOS)

EXPOSIÇÃO | LUIZ ZERBINI O artista apresenta na mostra “Natureza Espiritual da Realidade” uma instalação e oito pinturas, nas quais explora a justaposição entre natureza e arquitetura. Na instalação que dá nome ao conjunto dos trabalhos, Zerbini reúne dez mesas de madeira com objetos variados (conchas, pedras, tijolos, ladrilhos, plantas) – espécie de inventário das referências presentes em sua obra. Galpão Fortes Vilaça | tel. (11) 3392-3942 | de ter. a sex., das 10h às 19h sáb., das 10h às 18h | grátis | até 28/3 LIVRO | SÉRGIO FERRO A Ilustríssima fez três perguntas ao pintor e professor de história da arte e da arquitetura, que lança Artes Plásticas e Trabalho Livre,análise da produção artística do Renascimento. ed. 34 | R$ 44 |224 págs. Centro Universitário Maria Antonia |tel. (11) 3123-5200 | qui. (5), às 19h

‘Serra do Luar’ (2014) DIVULGAÇÃO

CINEMA | JERRY LEWIS Os curadores Paulo Santos Lima e Francis Vogner dos Reis selecionaram 23 filmes do comediante. As produções selecionadas contemplam desde suas atuações ao lado de Dean Martin dirigidas por craques como Frank Tashlin, como “Artistas e Modelos” (1955) e “Ou Vai Ou Racha” (1956), aos longas que Jerry Lewis dirigiu, protagonizou e escreveu, como “O Terror das Mulheres” (1961). Centro Cultural Banco do Brasil |tel. (11) 3113-3651 | a partir de qua. (4) | R$ 4 | programação em mostrajerrylewis.com.br | até 30/3

Jerry Lewis em ‘O Professor Aloprado’ (1963)

CURSO | LINA BO BARDI: UMA GRÁFICA PARA A CIDADE João Bandeira, curador de artes visuais do Centro Universitário Maria Antonia, apresenta uma vertente menos conhecida da produção da arquiteta (1914-92): a atuação como ilustradora, editora de revistas e programadora visual. O curso relaciona as particularidades da Lina designer gráfica às transformações culturais no país entre os anos 1940 e 1980. Casa do Saber | tel. (11) 3707-8900 | seg., das 20h às 22h | de 2/3 a 30/3 |R$ 640 LIVROS | GIORGIO AGAMBEN A editora Autêntica publica três livros do filósofo italiano. “Meios sem Fim: Notas sobre a Política” (1) agrupa ensaios que discutem o significado político do termo “povo”. “A Potência do Pensamento” (2) traz 21 textos, escritos nos últimos 30 anos, sobre três temas centrais do pensamento do autor: linguagem, história e potência. Já “Nudez” (3) parte de reflexões sobre obras de arte para traçar um panorama teológico-político do mundo hoje. (1) trad. Davi Pessoa | R$ 37 | 136 págs. (2) trad. Antônio Guerreiro | R$ 43 |368 págs. (3) trad. Davi Pessoa | R$ 39 |184 págs.

Ponto Crítico

EXPOSIÇÃO - COLEÇÃO BRASILIANA ITAÚ

1 Brasiliana clara e ‘clean’ MARCELO COELHO

O prédio do Itaú Cultural (av. Paulista, 149) é meio estreitinho, e isso costuma trazer dificuldades para as exposições que se fazem por lá. As obras de arte têm de se encarapitar em vários andares, e isso pode destruir o senso de “narrativa” (preparação, acúmulo, clímax, epílogo) que geralmente se constrói quando o espaço da mostra é horizontal. Daniela Thomas e Felipe Tassara, responsáveis pelo projeto expositivo da coleção Brasiliana do Itaú, resolveram com brilho esse problema. Uniram os dois andares do Espaço Olavo Setúbal num

altíssimo paredão, que serve de fundo para uma bonita escadaria em curva. Desse modo, quem sai do elevador e entra no quarto andar do Itaú Cultural se depara com uma surpresa luminosa. De todos os lados, numa ascensão colorida e delicada, expõe-se uma enorme coleção de gravuras retratando a fauna e a flora brasileiras. Como vários outros itens da coleção (as imagens de Debret sobre o cotidiano colonial, os índios de Spix e Martius), muita coisa aqui já foi vista em outro lugar – até mesmo nos livros escolares de história do Brasil. Pouco importa: o efeito que se alcança, logo na entrada, é como de um gás euforizante. O que poderia ser, admitamos, uma grande chatice (páginas e mais páginas com gravuras de macacos, orquí-

deas e periquitos) abriu-se para o alto e para os lados. O visitante se sente desincumbido daquele típico dever de quem entra numa exposição – o de examinar, uma por uma, as obras do início. Sabemos como funciona: no final, todos passam correndo pelas salas, ansiosos pelo café ou pela lojinha. Outra boa ideia dos expositores foi a de evitar um conhecido (e eficiente) clichê desse tipo de mostra histórica. Resistiu-se à tentação da grande sala escura, em que uma ou duas peças valiosas (cocar de araras, Cristo de Aleijadinho) surgem ressaltadas pela iluminação de impacto. Tudo é branco, claro, arejado. Esta Brasiliana não é barroca, mas “clean”. Aspira à visibilidade, à transparência. Daí que seus pontos mais

fortes sejam os amplíssimos panoramas (Rio de Janeiro, São Luís, São Paulo) feitos por viajantes no século 19. A não ser que você seja um especialista em história urbana, é inútil, naturalmente, procurar algo de reconhecível (exceto o Pão de Açúcar) nessas imagens. O que fica é o seu encanto visual. O uso da aquarela nas obras de menor dimensão, e o aspecto em geral luminoso e clarinho das tintas reitera a paleta geral da mostra permanente, entre o branco, o celeste e o dourado. Embora não faltem, nos textos de parede, reverências à figura de Olavo Setúbal, o toque autoral desta Brasiliana provém por certo do especialista Pedro Corrêa do Lago. É ele quem assina o espetacular volume de 708 páginas, publicado pela edi-

tora Capivara em 2009, com explicações detalhadas sobre os itens da coleção. Seu entusiasmo de colecionador se transmite quando lemos que um panorama da cidade de São Paulo, feito por Armand Pallière em 1821, ficou desaparecido por 110 anos; que um esboço a óleo de Debret, retratando o segundo casamento de d. Pedro 1º, só reapareceu para o público em 2007; que aquarelas secretamente feitas pelo francês Sydenham em 1795 (época em que era proibida a entrada de estrangeiros no Brasil) foram descobertas há pouquíssimo tempo. A Brasiliana do Itaú compõe-se, na verdade, de várias coleções. Habilmente dividida em módulos (“O Brasil da Escravidão”, “O Brasil dos Naturalistas”, o “Brasil Holandês” etc.), a mostra tem

de dar conta de objetos bastante diversos. Há, como vimos, a parte iconográfica. Há uma seção de moedas, também curiosa, mas um pouco menos. Outra seção é a de livros raros e de autógrafos (outra especialidade de Corrêa do Lago) em que entram primeiras edições de Oswald de Andrade ou João Cabral. Outra é a de documentos (contratos de escravos, ou papéis com assinaturas de presidentes da República). Mas esse é o momento em que o visitante, a despeito da bela organização expositiva, começa a apressar o passo. Valeria a pena fazer o rodízio de um ou dois destaques mensais, juntando mais algumas das vibrantes explicações do livro de Corrêa do Lago, que merecem máxima divulgação entre os que visitam o local.

ACERVO PESSOAL

CLAUDIA JAGUARIBE, 59, é artista visual e lançou recentemente o livro “Entrevistas” (Editora Madalena).

Ilustríssimos desta edição

DECO FARKAS, 29, é artista e ilustrador. JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA, 50, é professor de literatura comparada da Uerj. Seu texto foi escrito durante período como pesquisador e professor visitante no departamento de língua e cultura hispânica e portuguesa da Universidade de Princeton. LUCAS NEVES, 30, é jornalista.

MARCELO COELHO, 56, é colunista da Folha e autor de, entre outros, “Cine Bijou” (Cosac Naify). OTAVIO FRIAS FILHO, 57, é diretor de Redação da Folha, autor de “Queda Livre” (Companhia das Letras, 2003) e “Cinco Peças e Uma Farsa” (CosacNaify, 2013). DAVID SIPRESS é cartunista da revista americana “The New Yorker”. ERIC NEPOMUCENO, 66, é escritor e tradutor. Ele é autor de “O Massacre” (Planeta) e tradutor de diversos livros de García Márquez.


G3

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Cultura

2 Epidemia Z A mórbida história da obsessão pelos zumbis

RESUMO Sucessor de “Frankenstein” e “Drácula” no imaginário macabro, o mito dos zumbis, originário do Haiti, ganhou fôlego no cinema e nos quadrinhos. A série “The WalkingDead”, exibida no Brasil às segundas-feiras, às 22h30, pelo canal Fox, é o mais recente e desenvolvido produto da proliferação cultural dos mortos-vivos.

OTAVIO FRIAS FILHO

A série de TV paga “The WalkingDead” é o produto mais recente – e mais desenvolvido, ao entrar há três semanas na segunda parte do quinto ano – de uma epidemia cultural: a obsessão por zumbis. Tem sido vertiginosa, nas últimas décadas, a proliferação de filmes, séries televisivas, histórias em quadrinhos, paródias e videogames em torno desse tema bizarro. Quando certa mitologia irrompe e se dissemina assim, não demoram a aparecer interpretações que a associam ao espírito da época. As histórias de zumbi devem expressar, em termos de entretenimento ou arte pop, alguma angústia essencial, inconsciente e coletiva que atravessa fronteiras. À sombra das produções comerciais, surgiu uma ensaística, sobretudo nos departamentos norte-americanos de estudos culturais, voltada a essa dissecação. Terrorismo, minorias, fanatismo religioso, a exaustão ambiental, a massa de excluídos ou a própria sociedade de consumo – as mais diversas figuras de medo social e crítica política já foram projetadas sobre a superfície amorfa, passiva e plástica das hordas perambulantes de zumbis. É como se este fosse um mitoônibus em que coubessem todos os significados. Sugestivo, aliás, que sua ameaça imaginária ocorra numa era de superpopulação global e de frequência inédita nos contatos com a alteridade étnica, por causa da popularização das viagens internacionais, das migrações e da internet. Como o medo do “outro”, o temor aos mortos é generalizado entre as culturas. Parece plausível considerá-lo resquício evolutivo que premia comportamentos de aversão à matéria orgânica decomposta, propícios a reduzir os riscos de contágio e intoxicação. Como esse temor costuma ser esconjurado por rituais para aplacar a suposta ira dos mortos, a tradição psicanalítica passou a compreendê-lo como manifestação de culpa pelos desejos

inconscientes de matar nossos semelhantes, a começar por um dos progenitores. No terreno da mitologia macabra, os dois antecessores das histórias de zumbi têm raiz literária. “Frankenstein” (1818), da inglesa Mary Shelley, considerada a primeira obra de ficção científica, explora uma vertente do romantismo, a novela gótica, com suas atmosferas tumulares e motivos fantásticos. Na aurora da Revolução Industrial, o livro induz à ideia de que o homem, violando seus limites quando usurpa o papel divino para manipular a natureza por meio da tecnologia, chamava a si uma sinistra punição. Desde então, a ficção científica reteve esse caráter romântico, reacionário até, na medida em que hostil ao progresso material. “Drácula” (1897), do irlandês BramStoker, é uma história tardia do mesmo gênero, mas seu protagonista, diferente da criatura feita com pedaços de cadáver cerzido que uma descarga elétrica devolve à vida, é um aristocrático vampiro romeno a que não faltam artes de sedução hipnótica e voraz – o que reflete as irrupções de uma sexualidade tão reprimida quanto mal velada, própria do período vitoriano, a época de Freud. Embora o americano H.P. Lovecraſt, celebrado autor de histórias fantásticas, tenha deixado uma novela sobre mortos-vivos (“Herbert West “” Reanimator”, 1922), o gênero surgiu mais tarde, no cinema e nos quadrinhos. Afro-americano Também em contraste com “Drácula” e “Frankenstein”, que se nutriam do folclore europeu, o mito dos zumbis é afro-americano, originário do Haiti. Em 1929, o jornalista William Seabrook publicou um livro de viagens pseudo-etnográfico sobre aquela metade ocidental da ilha caribenha, “The Magic Island”. Relata ali que legiões de mortos, ressuscitados por sortilégio, trabalhavam nas plantações de feiticeiros haitianos. O próprio autor ventila uma explicação racional, ao supor que tais latifundiários conhecessem alguma substância capaz de induzir pessoas vivas a um estado catatônico que possibilitava escravizá-las. Essa crença percorria camadas de ressentimento. A ressurreição dos mortos era vinculada na ilha às sucessivas revogações da abolição depois da Revolução Haitiana de 1791, a única revolta de escravos vitoriosa na história. Movidos pelo interesse de explorar e assegurar abastecimento de açúcar e café produzidos no Haiti, os Estados Unidos mantiveram o país sob ocupação militar entre 1915 e 1934, sustentando um governo fantoche na capital, o que terá dado ensejo às habituais reações de medo e culpa nas camadas mais sensíveis da sociedade invasora. O livro de Seabrook inoculou, assim, a mania de zumbis na cultura popular americana.

FRANK OCKENFELS 3/AMC

Cena de episódio da quinta temporada da série ‘The Walking Dead’, adaptação de HQ lançada em 2003

Em 1932, estreou nos cinemas “White Zombie”, baseado na história. Bela Lugosi, ator de origem húngara que havia encarnado o conde Drácula num filme famoso no ano anterior, faz o papel do feiticeiro. Roteiro e diálogo soam hoje ingênuos, e os efeitos, como se pode imaginar, tosquíssimos; Lugosi é um canastrão experimentado que causou calafrios nas plateias da época ao perfurá-las com seu olhar captado num insistente primeiro plano. A partir daí o mito entra em latência, encerrado na subliteratura e nos quadrinhos onde continua, por assim dizer, morto-vivo. Os anos 50 acarretaram uma vaga de medo histérico que respondia a duas ameaças igualmente insidiosas, invisíveis e fulminantes: a radiatividade e o comunismo (figurado muitas vezes na forma de “marcianos”, invasores do planeta vermelho). Esse clima reanimou as histórias de zumbi, que se tornaram mais “científicas”. No livro “Eu Sou a Lenda”(1954), Richard Matheson imagina certa mutação, causada por acidente radiativo, que converte parte da humanidade numa nova espécie biológica, Homo vampiris. No filme “Zombies of Mora Tau” (1957), pela primeira vez o contágio é abordado numa perspectiva epidemiológica. ‘Kane’ dos zumbi Mas foi somente no simbólico ano de 1968 que apareceu “Night oſthe Living Dead”, (“A Noite dos Mortos-Vivos”), considerado o “Cidadão Kane” dos filmes de zumbi. Nessa obra e nas cinco que se seguiram, o

diretor George Romero (tendo por corroteirista, no início, John Russo) criou o mito do zumbi moderno, fixando em imagens seu léxico e sua gramática. A cena se passa na mais familiar paisagem de subúrbio americano, à maneira das histórias de terror de Stephen King. A mordida dos zumbis propaga o contágio, e eles se revelam canibais também. Seus corpos se apresentam em estágios patéticos de deterioração; seu avanço rumo às vítimas é lento e trôpego (o que permite esticar as cordas do suspense), mas inexorável, pois tendem a se agrupar numa multidão arfante, sôfrega, invencível. Não têm consciência nem enxergam, parece, mas ouvem bem demais. Romero não se ocupa das causas de seu apocalipse, adotando com displicência a convenção do efeito mutante. Os especialistas gostam de citar a frase de uma personagem de seu filme “DawnoftheDead” (“O Depertar dos Mortos”, 1978) que, quando alguém indaga sobre quem são os zumbis, responde apenas: “Somos nós”. O interesse da trama está mais focalizado nos sobreviventes do que nos seus perseguidores – ou antes no que a perseguição faz aflorar naqueles. Pois a procissão de mortos não deixa de ser um espelho escancarado diante dos vivos, que também zanzam em desespero, jogados da noite para o dia num mundo hobbesiano sem lei nem ordem onde a vida é “solitária, pobre, má, brutal e curta”. Apesar da força imaginativa, os filmes de Romero nunca

deixaram de ser rudimentares produções B; há algo de Ed Wood no seu sangue de tomate, nas locações improvisadas, na maquiagem amadorística. Outros autores e cineastas seguiram seu exemplo, procurando refinar seu estilo, tornando mais dinâmicos os roteiros e melhor a sua consecução. O ápice dessa evolução é “Guerra Mundial Z” (2013), baseado no romance de Max Brooks e dirigido por Marc Forster – na opinião deste resenhista, o mais satisfatório dentre os filmes do gênero. Frenéticos Acostumados à lentidão exasperante dos zumbis, ficamos estarrecidos quando, na frenética sequência inicial, o primeiro deles se atira com fúria sobre um carro, quebra o para-brisa a cabeçadas e investe num átimo contra seus ocupantes. O cinema contemporâneo impõe seu ritmo aos cadáveres desengonçados. Pelo meio do filme, é memorável a cena em que milhares de zumbis se amontoam como formigas fervilhantes até transbordar para dentro de um imenso muro, erigido em torno de Jerusalém no vão esforço de isolar a cidade sagrada. Em entrevista recente, o diretor brasileiro Fernando Meirelles identificou o cinema com o conto e a série de TV com o romance. “The WalkingDead”, que estreou em 2010, foi concebida para o canal AMC por Frank Darabont a partir das histórias em quadrinhos de Robert Kirkman e Tony Moore, publicadas desde 2003. A série tem a excelência técnica

de “Guerra Mundial Z”. Com mórbido detalhismo, sua cosmética mimetiza a putrefação em toda a terrível variedade de suas cores e formas. Na primeira vez em que alguém espatifa o crânio de um zumbi (única maneira, nas convenções do gênero, de matá-lo em definitivo), o efeito é tão repugnante que a tentação é desligar; na trigésima, você se pega bocejando. Dada a imensidão de horas disponíveis, porém, a série não se reduz aos horripilantes confrontos entre vivos e mortos, que acontecem quase sempre à luz do dia. Intercaladas com eles, quando as personagens – um bando de sobreviventes que se mantém mais ou menos unido – conseguem pernoitar a salvo num abrigo seguro como uma penitenciária ou igreja abandonada, surgem passagens intimistas nas quais vivem os dramas hobbesianos que opõem o interesse de cada um e a lealdade para com o grupo, em guerra com outros grupos. Os roteiristas têm tempo e fantasia para compor um sombrio tecido psicológico de dilemas, traições, alianças, condutas sublimes e abjetas. Ao longo dos episódios, cada protagonista adquire uma vida intensa e pessoal. Afinal de contas, tratase da celebração da vida. Despojada de toda crença transcendental – na pátria, na ideologia, na vida eterna, nos valores tradicionais –, certa de que nada mais existe além do hedonismo calculista do aqui-e-agora, a mentalidade da nossa época está livre para assassinar os defuntos e tripudiar sobre a morte.


G4

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Literatura

3 Às vésperas da grande explosão Como escritores se articularam para criar o boom literário latino-americano RESUMO Livro lançado por jornalista catalão reúne informações sobre o chamado boom da literatura latino-americana, que teria tido lugar em Barcelona, nos anos 1960 e 70. Arquivos guardados nos EUA, contudo, mostram que a troca de correspondência e a intensa articulação entre os autores datam já da década de 1950.

JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA ILUSTRAÇÃO DECO FARKAS

Nas décadas de 1960 e 1970, um movimento rees-

creveu o lugar da literatura latino-americana no cenário internacional. Amparado por dez anos de pesquisas, um jornalista espanhol quer reescrever sua história. Em “Aquellos Años del Boom: García Márquez, Vargas Llosa y el Grupo de Amigos que loCambiaron Todo” [RBA, 26€, 880 págs., R$ 31,15 em Kindle], de 2014, XaviAyén se propôs a um exaustivo estudo, composto a partir de uma miríade de entrevistas com personagenschave da geração do boom – autores, editores, agentes e críticos literários. Ganhador do Prêmio Gaziel de Biografias e Memórias 2013, o livro de Ayén, que se impõe como referência indispensável pela quantidade de informações reunidas, deixa a desejar, porém, no quesito interpretativo, ao tentar oferecer a narrativa definitiva acerca de uma geração privilegiada como “uma bonita história” que se passou em sua cidade – “vale dizer,

Barcelona”. Essa é uma meia verdade que mais obscurece do que ilumina. Meia verdade É certo que alguns dos mais destacados nomes do movimento fixaram residência na cidade catalã. O colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) e o peruano Mario Vargas Llosa, porém, mudaram-se para Barcelona depois de publicarem obras que possibilitaram a emergência do boom, respectivamente, “Cem Anos de Solidão” (1967) e “A Cidade e os Cachorros” (1963). Esse simples dado cronológico é importante porque ajuda a nuançar a ideia de que o boom tenha surgido a partir de uma bem-sucedida estratégia de mercado, liderada por uma agente literária de dimensões míticas – Carmen Balcells – e divulgada por poderosas editoras espanholas, destacando-se o empenho de Carlos Barral, da Seix Barral. Sem dúvida, Barcelona, com

sua importante indústria editorial, teve um papel catalisador, como continuaria tendo, inclusive na promoção do último grande fenômeno literário latino-americano – o chileno Roberto Bolaño (1953-2003), cujo êxito internacional foi favorecido pela atuação decidida de Jorge Herralde, editor da Anagrama. Contudo, recorde-se que “Cem Anos de Solidão” saiu inicialmente na Argentina, pela Editorial Sudamericana. E não é tudo. O mexicano Carlos Fuentes (1928-2012), nome incontornável na história do boom, nunca morou em Barcelona; além disso, seu romance “La Región Más Transparente” foi lançado em 1958 – uma década antes do êxodo latinoamericano à cidade catalã. Sem negligenciar a energia de Balcells e a rede transnacional proporcionada pelas editoras espanholas, o boom possui uma arqueologia própria, que precisa ser reconstituída. Vejamos.

Arquivos Melhor: consultemos os arquivos de Fuentes, que se encontram na coleção de manuscritos e livros raros da Biblioteca Firestone, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. A importância desse acervo pode ser avaliada pelas palavras de José Donoso (1924-96), destacado autor chileno e responsável pelo primeiro relato sobre o movimento, “HistoriaPersonaldel Boom” (1972): “Carlos Fuentes foi o primeiro agente ativo e consciente da internacionalização do romance hispano-americano da década de 1960”. O autor mexicano morreu em 15 de maio de 2012, e duas caixas de seu acervo – as de número 305 e 306 – somente poderiam ser abertas dois anos após sua morte. O conteúdo dessas caixas é decisivo para a reconstrução da pré-história do boom, pois guardam a correspondência de Fuentes com Donoso, García Márquez e Julio Cortázar, além de incluir nomes como Octavio Paz, Guillermo Cabrera Infante, Roberto Fernández Retamar e Elena Poniatowska. A leitura cruzada desse material estimula novas abordagens do boom: trata-se de combinar a releitura dos romances com o estudo detalhado da correspondência e da recepção crítica – e vale recordar que, entre muitos outros acervos, a Biblioteca Firestone também abriga os arquivos de Vargas Llosa, Donoso, Jorge Edwards e Sergio Pitol. Ora, XaviAyén parece acreditar que uma sucessão de “acasos” teria resultado em “algo que chamaremos boom”. A correspondência de Carlos Fuentes permite supor o contrário, na medida

em que sugere um esforço deliberado para a criação de um novo lugar para o autor latino-americano. Intencional A melhor maneira de entender essa dimensão consiste em acompanhar as iniciativas de Fuentes nesse sentido. A primeira carta trocada entre Fuentes e Julio Cortázar (1914-84) foi iniciativa do mexicano. Em 16 de novembro de 1955, convida o escritor argentino para um projeto comum: “Suponho que já estará em suas mãos o primeiro número da ‘Revista Mexicana de Literatura’: nos honraria contar com a sua colaboração para um dos futuros. Todos conhecemos sua qualidade de escritor; por Ema, sua qualidade de amigo. Contar com o senhor renderia esta dupla colheita”. Apesar do cerimonioso emprego do pronome de tratamento “senhor” (no original espanhol referido pelo “usted”), que perduraria por algum tempo, a colaboração começou de imediato e nunca foi interrompida: Cortázar respondeu no dia 21 de dezembro, enviando um conto para publicação. E, a partir desse momento, a correspondência se transformou num laboratório de ideias, discussões literárias e, sobretudo, inaugurou um espaço de leitura nada cordial da obra do outro. Esse ponto é fundamental: a franqueza crítica é a marca-d’água do núcleo duro do boom. Foi assim que, em carta de 7 de setembro de 1958, Cortázar não hesitou em criticar duramente a estrutura do romance que lançou internacionalmente o nome de Fuentes, “La Región Más Transparente”. No juízo do argentino,


G5

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Arquivos de autores relevantes estão nos EUA

que ainda não era o autor de “O Jogo da Amarelinha” (1963), Fuentes “incorreu no magnífico pecado do homem de talento que escreve seu primeiro romance”, isto é, “colocou um mundo em 500 páginas, concedeu-se o prazer de combinar o ataque com o gozo, a elegia com o panfleto, a sátira com a narrativa pura”. E seguia: “Não tenho o preconceito dos ‘gêneros literários’: um romance sempre é um baú no qual colocamos um pouco de tudo. Porém, Carlos, a não ser para os que conhecem como o senhor o seu México, todo o princípio do livro (...) provoca muito cansaço”. Fuentes acatou as ressalvas, e suas palavras não foram protocolares. Pegue-se a carta enviada ao argentino em 17 de maio de 1972: “(...) Aguilar começa a publicar todas as minhas obras; como se trata do que os saxões chamam ‘definitiveedition’, desejo que conte com os melhores elementos críticos e, para isso, peço sua autorização para incluir a maravilhosa carta que você escreveu em 1958 (já se passaram 14 anos!) sobre ‘La Región Más Transparente’. Você se recordará que é uma carta crítica e, para mim, um supremo exemplo do que deve ser o exercício crítico em nossos países”. O circuito criado pelo intenso carteio não apenas antecedeu ao boom como também ajudou a detoná-lo. Antes de conquistar o público, os autores submeteram-se a uma crítica interna de grande alcance. Em cartas memoráveis, Fuentes e García Márquez discutiram o processo de escrita de “Cem Anos de Solidão”. No dia 15 de abril de 1966, Fuentes não disfarçou seu encantamento: “Suas primeiras

70 páginas de CEM ANOS DE SOLIDÃO são magistrais (...). Que voo, mestre, que sabedoria, que humor! (...) A América Latina, culturalmente, passou da utopia da fundação à epopeia da encarnação e desta ao mito do re-conhecimento, da re-conquista: suas páginas são as três coisas, a totalidade do nosso mundo”. Além disso, inúmeros projetos foram articulados por meio dessa troca de opiniões. No âmbito do boom, muitos romances discutiram a figura do ditador latino-americano. Por exemplo, Mario Vargas Llosa lançou “Conversa no Catedral” (1969); Augusto Roa Bastos produziu “Eu, o Supremo” (1974); Alejo Carpentier escreveu “O Recurso do Método” (1974); Gabriel García Márquez publicou “O Outono do Patriarca” (1975). Simples coincidência? Ou teria sido uma iniciativa comum? Uma missiva de Fuentes, enviada a Cortázar em 6 de maio de 1967, permite um esclarecimento definitivo: “Escrevo para você em acordo com Mario Vargas.

Há pouco, em Paris, Mario e eu falamos com entusiasmo do ‘Patriotic Gore’ de Edmund Wilson e pensamos que nossos países prestavam-se muito a uma visão desse tipo. Elaborando a ideia, pensamos num volume coletivo que, com o título de ‘Los Benefactores’, ‘Los Padres de laPatria’, ou algo similar, reunisse a crônica negra dos nossos patriarcas inverossímeis: como diz Mario, uma espécie de ‘vidas paralelas’ grotescas”. Projeto coletivo Esta carta é preciosa, já que permite acompanhar, passo a passo, os primórdios da formação de um projeto coletivo específico: o romance do ditador. Em sentido amplo, o próprio boom pode ser relido nessa mesma chave. García Márquez respondeu a consulta com entusiasmo. Eis a carta que remeteu a Fuentes em 5 de junho de 1967. “Mestre querido, a ideia é boa e é necessário levá-la adiante. Acredito, isso sim, que se deve escrever, sem exceção, sobre um tirano de seu próprio país. Assim, se dispõe de maior autoridade, mais direito, e há menos inconvenientes para chegar aonde se deve”. No dia 12 de julho, o futuro autor de “O Outono do Patriarca” voltou ao tema: “Sobretudo, que seja um ditador para cada país. Enfim, o mais importante é que o projeto vai adquirindo uma forma estupenda”. De fato, pois, se o livro coletivo nunca veio à luz, em compensação, uma série de romances fundamentais conheceu sua gênese nessa troca de cartas. Em 24 de novembro de 1970, dirigindo-se a García Márquez, Fuentes voltou à carga, imaginando outra tarefa coletiva.

“Acaba de passar por México Jorge Lavelli com uma proposta indecorosa (...). Produzir uma grande revista musical latino-americana, de conteúdo crítico e político (...). Pensamos que a revista pode ser feita por meio de esquetes (...). E a melhor maneira de fazê-lo é recorrer a você, Mario, Julio, Alejo para a redação dos esquetes e as sugestões musicais”. No fundo, desejava-se ampliar ao máximo o público leitor: esse era o sentido dos esforços dos protagonistas do boom. Em janeiro de 1967, como se intuísse o êxito que aguardava “Cem Anos de Solidão”, que seria lançado em maio do mesmo ano, García Márquez escreveu a Fuentes. “O romance latino-americano bateu todos os recordes de venda no ano passado na Colômbia (...). Os livros mais vendidos foram ‘A Cidade e os Cachorros’, ‘O Jogo da Amarelinha’ e ‘A Morte de Artemio Cruz’... Também em primeiro lugar ficaram ‘O Século das Luzes’ [de Alejo Carpentier] e os meus. Isto quer dizer que

nosso público está respondendo muito bem”. Em breve, não apenas o público latino-americano, mas, num diapasão que surpreendeu a todos, Macondo conquistaria o mundo. A tal ponto o projeto triunfou que, em carta de 2 de dezembro de 1967, García Márquez pôde afirmar. “’Cem Anos’ continua vendendo como salsicha e já sai a quarta edição. Claro que isso me alegra, porém me alegra mais que a América Latina se tenha convertido subitamente em um dos grandes mercados de livros do mundo. Para mim, o famoso boom não é tanto um boom de escritores, mas um boom de leitores. Que maravilha!” E o Brasil? Em de maio de 1970, Nélida Piñon disse tudo em carta a Mario Vargas Llosa, definindo-se como “uma escritora brasileira, deste país surpreendentemente marginalizado do maravilhoso processo de conquista internacional, que ora invade a América hispânica”. A autora de “A República dos Sonhos” (1984) destacou-se pela criação de vínculos sólidos e permanentes com o universo hispano-americano. Por isso, em seu livro, XaviAyén principia o capítulo em que fala das mulheres escritoras em um grupo de homem dedicando cinco páginas à sua residência em Barcelona. A história familiar da escritora ajuda a entender esse laço, mas não explica a força de sua presença, construída por meio de um intercâmbio sistemático e produtivo com diversos autores dos países vizinhos. Não terá chegado a hora de emular esse gesto, inaugurando uma nova era de diálogo com as literaturas hispano-americanas

Escrever sobre os autores do boom envolve uma questão delicada: a exportação dos arquivos dos mais importantes autores latino-americanos para universidades norte-americanas. Carlos Fuentes reconheceu essa dificuldade em carta enviada a Gabriel García Márquez em 29 de março de 1974: “Em fevereiro viajamos para Washington com uma bolsa do Instituto Smithsonian e da Biblioteca do Congresso para utilizar o grande acervo hispano-americano da Biblioteca, o melhor do mundo”. Fuentes rematava a escrita de “Terra Nostra” – o mais ambicioso romance do autor; publicado no ano seguinte, obteve o relevante Prêmio Rómulo Gallegos em 1977. A temporada em Washington ajudou a lastrear o texto; afinal, nas palavras de Fuentes, “sigo o preceito do mestre Buñuel: não há imaginação sem história”. Esta, o autor mexicano buscava na Biblioteca do Congresso. García Márquez antecipou o dilema, imaginando uma solução à altura da criatividade de seus personagens. Em carta endereçada a Fuentes, em 2 de novembro de 1968, acrescentou uma nota maliciosa: “o autor desta carta certifica que ela é apócrifa e por isso não é vendável a Harvard”. Ironias à parte, recentemente os arquivos de García Márquez foram adquiridos pela Universidade do Texas, em Austin. Aliás, aí, o Centro Harry Ransom também abriga os arquivos de James Joyce, Jorge Luis Borges, William Faulkner, compondo, assim, um repositório incontornável na história da literatura da segunda metade do século 20. Brasileiros A Biblioteca Beinecke, da Universidade Yale, concentra alguns dos mais importantes arquivos das vanguardas do século 20; por exemplo, os manuscritos de Ezra Pound e FilippoTommaso Marinetti lá se encontram. E são importantes para os pesquisadores brasileiros, pois, nos papéis de Pound, há cartas decisivas dos jovens poetas concretos, anunciando seu projeto estético. O acervo de Marinetti dispõe de uma coleção de livros de modernistas brasileiros com dedicatórias eloquentes. Na esfera pública, todos procuravam se afastar do incômodo italiano; no circuito fechado das correspondências, a cordialidade reinava. A Biblioteca Firestone, da Universidade de Princeton, segue uma estratégia semelhante. Vale dizer, desenvolvem-se estratégias de aquisição de acervos aparentados, permitindo o cruzamento de dados e o aproveitamento ideal do tempo de imersão no arquivo. No caso da minha pesquisa, o êxito da iniciativa é evidente, pois a presença, no mesmo espaço, dos arquivos de Carlos Fuentes, Mario Vargas Llosa e José Donoso, Guillermo Cabrera Infante e Emir Rodríguez Monegal – para ficar apenas nesses nomes – torna o local uma referência obrigatória para todo estudioso interessado em reescrever a história do boom.


G6

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Diário de Paris O MAPA DA CULTURA

4 Com a coleira no pescoço Os dilemas do pitbull da imprensa francesa

LUCAS NEVES

“C’est reparti!” [recomeçou]. A manchete do primeiro número do jornal “Charlie Hebdo” pós-”edição dos sobreviventes” é mais assertiva do que qualquer prognóstico sobre o futuro da publicação. O semanário retomou sua periodicidade na última quarta (25) projetando-se, no cartum da capa, como “cachorro irresponsável” atrás do qual correm figuras como o papa, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, a líder da extrema-direita Marine Le Pen e um jihadista – todos igualmente cães, mas “submissos”, na explicação do desenhista Luz. Na fase de convalescença, no entanto, o pitbull do laicismo talvez não possa ser tão inconsequente quanto gostaria. A comoção causada pelo assassinato de 12 pessoas no ataque à Redação se reverteu num aporte de mais de 12 milhões de euros (R$ 39 mi) à conta bancária da empresa. Uma cifra exorbitante, ainda mais tendo em vista que, antes do episódio fatídico, o jornal ti-

nha apenas 8.000 assinantes e vendia 24 mil exemplares. “Fazíamos um fanzine, um gibi do Mickey... Como desenhar neste ‘Charlie’ idealizado que nos submerge?”, indagou Luz, enquanto preparava a “edição dos sobreviventes”. O “Le Monde” listou outros dilemas: como repor o banco de cartunistas da Redação, quando boa parte dos sondados pergunta se poderá trabalhar em casa? Que modelo gerencial adotar, visto que os jornalistas articulam a criação de cooperativa com participação acionária no “Charlie”? Voltarão as acusações de islamofobia? O “cachorro irresponsável” tem uma baita coleira estorvando-lhe a corrida. Cinémavérité Dois temas que voltaram à ordem do dia após os ataques de janeiro, a liberdade de expressão e o fosso entre a França berço do humanismo e o país de oportunidades variáveis segundo a etnia do cidadão, reverberam no cinema. Ao primeiro se dedicam os documentários “Caricaturistes, Fantassins de laDémocratie” (caricaturistas, soldados da democracia), em que dese-

nhistas de 12 países narram maus bocados com a censura; e “C’estDur d’ÊtreAimé par desCons” (é duro ser amado por idiotas), que acompanha o processo de que o “Charlie” foi alvo por publicar caricaturas do profeta Maomé. Ambos retornaram às salas depois dos atentados. Já a ficção “Qu’Allah Bénissela France” (que Alá abençoe a França) mostra a ascensão,

pela via do rap, de um jovem negro sobre quem pesam estigmas (filho de imigrantes morador da periferia, muçulmano) mais propícios a levá-lo à delegacia do que às paradas de sucesso. A crítica, no entanto, desaprovou o tratamento heroico e o discurso apaziguador, na linha “se você se esforçar de verdade, vai achar seu espaço neste país”.

Desafinação O arquiteto-superstar Jean Nouvel está processando os administradores da recéminaugurada Filarmônica de Paris, megacomplexo de salas de concerto, ensaio, espaços expositivos e gastronômicos erguido no parque La Villette, na região nordeste, a um custo de 350 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) – três vezes o previsto inicialmente.

Ele diz que, na ânsia de encerrar as obras, os clientes ignoraram 26 pontos de seu desenho original, como detalhes da fachada e dos foyers. Enquanto isso não for corrigido, Nouvel renegará a cria. A contenda por ora desvia o foco da interessante programação de abertura da Filarmônica, que intercala o cânone erudito a espetáculos de vocação mais popular, concebidos, por exemplo, a partir do cancioneiro de David Bowie ou das composições do violonista Paco de Lucía (1947-2014). Mais de um ano depois de ser aprovado pelos deputados franceses, o controverso projeto de lei que prevê a penalização dos clientes de prostitutas(os) deve ser votado no Senado no fim deste mês. Se instituída, a multa será de 1.500 euros (R$ 4.900). Os defensores da iniciativa dizem que a repressão enfraqueceria as redes de tráfico de pessoas e lembram que o projeto prevê também a destinação de uma “mesada” àquelas(es) que quiserem deixar a atividade. Por outro lado, há quem diga que a lei simplesmente estimularia a prostituição “indoor”, mais distante do radar dos serviços públicos de assistência médica e psicológica.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRARAM HISTÓRIAS

5 Um retrato marcante Cidade do México, 1996

EDUARDO MUYLAERT/DIVULGAÇÃO

Claudia Jaguaribe, Rubens Fernandes (centro) e Iatã Cannabrava em colóquio na Cidade do México, em 1996

CLAUDIA JAGUARIBE

O passado volta com força quando ele ecoa no presente. É o grande cenário para se entender o agora. Em novembro do ano passado, participei da Paris Photo, a maior feira de fotografia do mundo, e lá memórias voltaram. Percebi que muitas coisas na minha vida como artista visual, e agora também como editora, tinham como cenário um passado bem mais longínquo que estava ressoando ali. Lembrei os caminhos que me levaram até lá, que foram diversos, mas lembrei especialmente de um evento que foi comum a muitos de nós fotógrafos, curadores, críticos e editores participantes daquela Paris Photo. Tudo começou na Cidade do México, em 1996, no quinto Colóquio Latino-americano. Esteve lá um grande grupo de brasileiros – Iatã Cannabrava, Rosely Nakagawa, Rubens Fernandes, Isabel Amado, Tiago Santana, Eduardo Muylaert, eu e outros tantos. Chegando ao México, visita ao Museu de Antropologia, pânico do mal de Montezuma [uma diarreia muito agressiva] e tequilas. Visitamos a casa de Frida Kahlo, que me impressionou muito por ser uma vida tão mexicana e ao mesmo tempo tão influente para artistas de todo mundo. O evento tinha uma programação intensa e uma enorme estrutura, com tendas para workshops, palestras e

exposições. Lembro de ver muitos livros de fotografia. Era uma grande novidade esse tipo de organização e reunião de tantos artistas com o mesmo propósito. Encontramos um mundo inexistente no Brasil. Um Estado a serviço da imagem. No meu completo desconhecimento da realidade mexicana, fiquei fascinada ao ver como eles podiam fazer tanto pela cultura. Nem que seja para se opor aos Estados Unidos, a questão da identidade nacional é muito presente e eles não medem esforços em se representar bem nas artes. Muitos dos protagonistas da cena da fotografia brasileira foram direta ou indiretamente influenciados pelo colóquio. Lá entendemos a necessidade de criar redes que dinamizam o pensamento artístico e, assim, formam sistemas de produção da imagem. Os palestrantes e fotógrafos que estavam presentes – como Pedro Meyer, Joan Fontcuberta e Pablo Ortiz Monasterio – são alguns dos que ajudaram a abrir o caminho para uma fotografia contemporânea naquele momento na América Latina. Entendi o peso que a imagem tem na cultura e na vida de um país. Joan Fontcuberta, principalmente, foi um encontro muito marcante. O seu workshop abriu para mim um novo entendimento e modo de fazer fotografia. O tempo foi passando e o dia a dia da fotografia tomou conta da minha vida. Projetos, exposições, mudança para o digital e novos sistemas de produção. Tudo isso foi ganhando corpo, mas sempre

sentindo os efeitos de viver num país onde a cultura não é prioridade. A mesma turma continuou se encontrando, alguns caminhos se cruzando, mas a pesquisa de cada um se sobrepôs à vida do grupo que naquele momento fez coletivamente uma descoberta tão importante. Aos poucos as ideias que lá surgiram foram reaparecendo em outros formatos. Foi criado o Fórum Latino-Americano de Fotografia, no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, 11 anos depois. Lá estava um novo público que no Brasil sentiu a necessidade de se integrar à fotografia latinoamericana e dialogar com fotógrafos, curadores e críticos que integravam a turma do colóquio no México. Foi ficando cada vez mais evidente que a fotografia é um veículo de comunicação e integração da sociedade em muitos aspectos. Como tratar disso? Com um desses amigos de longa data, o Iatã Cannabrava, em associação com um novo integrante, Claudi Carreras, criamos a editora Madalena, um lugar para experimentar, pensar e divulgar a fotografia. Foi no Grand Palais, durante a feira de Paris, revendo as pessoas do evento no México, que o ciclo se fechou. Senti um grande alívio porque vi que, depois de todos esses anos de procura e de muito esforço para encontrar os meios certos, acertamos e ainda por cima encontramos muitos amigos e futuras gerações de fotógrafos que, como nós, procuram traçar caminhos novos para a sua arte.


G8

RESUMO No livro “A Memória de Todos Nós”, a sair pela Record em abril, Eric Nepomuceno aborda as ditaduras de Argentina, Chile, Uruguai e Brasil, e comissões criadas posteriormente para investigação de crimes. Recolhe relatos de presos e torturados, como este, da criadora do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile.

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

6

História

Memória, matéria viva Uma militante relata a tortura sob Pinochet

DAVID SIPRESS/ the new yorker

ERIC NEPOMUCENO

Marcia Scantlebury desceu aos infernos e conseguiu voltar ao mundo dos vivos. Lembra cada minuto de agonia e de miséria: abomina o esquecimento, se nega a esquecer. Para ela, a memória é matéria de vida, e a vida é matéria de memória. Sabe que mudar o passado é impossível, da mesma forma que tentar ocultá lo ou negálo é inútil. Também por isso foi encarregada, pela então presidente socialista Michelle Bachelet [2006-2010, reeleita em 2013], que conheceu os rigores da prisão durante a ditadura encabeçada pelo general Augusto Pinochet, de criar o projeto e depois implantar o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago do Chile. [...] Tudo no Museu da Memória resgata, revela e refaz o que os responsáveis e os cúmplices do terrorismo de Estado ao longo desses 17 anos tentaram ocultar. Há registros indicando que pelo menos 3.200 chilenos desapareceram durante a ditadura (entre eles 39 menores de idade), e que os presos políticos foram pelo menos 28.459 (1.244 deles eram menores). No Museu da Memória conta se essa história. [...] Marcia Scantlebury sabia que a possibilidade de cair presa era muito alta. Sabia o que esperaria por ela se isso acontecesse. Mas o que aconteceu superou até mesmo seus pesadelos mais atrozes. Uma de suas lembranças mais fundas guarda a dimensão do que aconteceu. Conta Marcia que, ao ser presa, foi revistada e despida por uma mulher, uma carcereira. E que foi bem tratada, e sentiu se um pouco reconfortada naquele cenário de horror. E que depois, nas sessões de tortura, era precisamente essa mulher a que com mais sanha se lançava contra ela. Certo dia, essa mulher tirou a da cela e pediu que a ajudasse a tricotar uma peça. Marcia então pôde tirar a venda dos olhos e percebeu que a mulher estava grávida. E ajudou a tricotar uma peça para o filho que sua algoz esperava. As duas nunca mais se encontraram. Marcia até hoje não sabe se teceu uma roupinha para um menino ou uma menina. Ela esteve presa no mesmo campo de tormentos que Michelle Bachelet, a Villa Grimaldi. Bachelet soube que estava lá porque uma de suas companheiras de cárcere era a dona da fábrica de lajotas e ladrilhos que cobriam o chão do pátio. Aquele chão, que era a única coisa que os presos e presas conseguiam ver quan-

‘Estou preocupado com meu legado — matemos historiadores’

do passavam com os olhos vendados a caminho do desconhecido – a vida, a tortura ou a morte. Por ali passaram uns 4.500 presos políticos entre 1973 e 1977. Cerca de 230 deles integram as listas dos desaparecidos para sempre. Marcia Scantlebury foi uma das sobreviventes, e, porque sobreviveu, lembra: “Jamais esquecerei aquele tempestuoso entardecer do dia 3 de junho de 1975. Nem do gemido da enorme porta de ferro deslizando pelo chão daquela terra maldita. Um par de horas antes eu estava ajudando meus filhos a fazer suas tarefas escolares, quando uma patrulha da polícia política irrompeu violentamente em minha casa e me forçou a entrar num veículo. Um de meus captores cobriu meus olhos com esparadrapo e um par de óculos escuros. Então a caminhonete de vidros espelhados desandou

numa enlouquecida corrida que concluiu diante de um recinto que, deduzi, pelo declive do terreno e pelo frio que doía nos ossos, estava aos pés da cordilheira. As mãos ásperas do condutor me empurraram com violência para fora. Depois, atravessei tateando o umbral de um portão e fiquei parada, tiritando de medo diante de uma paisagem invisível, tratando de decifrar os misteriosos sons que o silêncio contém. O vento gelado penetrava sem piedade o couro das minhas botas, e comecei a escutar, como num concerto macabro, uns gemidos intermitentes, prantos sufocados e um aterrorizante e prolongado grito. ‘Deve ser algum bicho’, quis pensar. Olhei para o chão por uma brecha da venda que cobria meus olhos e avistei ladrilhos como os italianos. E nesse instante entendi que havia chegado à antessala do inferno. Eu estava em Villa Grimaldi, o centro secreto de torturas mais famoso do Chile. Uma carcereira de aspecto descuidado me pegou pela mão e me guiou com inusitada delicadeza até um recinto ao lado. Mas, chegando lá, sem mais preâmbulos, começou a me despir com rapidez, enquanto outra mulher, com voz de entediada rotina, começava o inventário de meus pertences: ‘Três notas de dinheiro, uma corrente com uma cruz de prata, um lenço de cabelo, meio maço de cigarros, um isqueiro, uma agenda de telefones...’. Quando saí de Villa Grimaldi, depois de 23 dias infinitos, eu era outra pessoa. Após os sádicos interrogatórios e longas sessões de tortura, que incluíam a aplicação de eletricidade em todo o corpo, eu me sentia suja, vazia, humilhada. Até aquele instante o ódio havia sido, para mim, apenas

um conceito intelectual. E, no entanto, agora eles tinham me feito conhecer a perversa amplidão desse sentimento viscoso que ficou encolhido debaixo da minha pele. Nos sórdidos corredores de Villa Grimaldi aprendi a distinguir as sombras das vítimas, as vozes dos guardas, o estranho latir dos cães e as freadas dos veículos que descarregavam no pátio sua sinistra carga de seres humanos maltratados. Depois fui levada para Cuatro Álamos, outro recinto secreto para presos isolados, que estava sob a responsabilidade de um tenente psicopata que abusava sexualmente das presas e nos submetia a absurdas sessões de hipnose e a detectores de mentira. Éramos três ou quatro em cada cela, e jamais nos deixaram tomar um banho de chuveiro. Nos levavam ao banheiro uma vez por dia, deixando a porta aberta e tirando nossas vendas dos olhos para

nos humilhar diante do olhar mórbido dos guardas. Antes que nos trancassem para dormir, costumávamos cantar, grudadas na porta que dava para o corredor, e esparramávamos nomes, histórias, sonhos e desejos. Embora o aqui e o agora fossem incertos, nós nos empenhávamos em inventar um futuro e, com obstinado otimismo, nos preparávamos para ser livres. A questão era não nos desmoralizarmos, não nos darmos por vencidas. Mas às vezes a desesperança destroçava nossas almas, e escorríamos, desenfreadas, para um desânimo obscuro. E nos atormentava a lembrança dos que nunca chegaram à outra margem. E memorizávamos os nomes, as datas e preces dos que, nas paredes do recinto de presos isolados de Cuatro Álamos, haviam deixado seus desolados depoimentos. Os dos homens eram mais informativos e precisos: ‘Sou de Temuco. Permaneci nesta cela entre 13 de abril e 2 de junho de 1974’. Depois, davam os nomes, as idades, as profissões. Os depoimentos das mulheres, por sua vez, deixavam lacônico registro de suas existências, ou de suas tristezas: ‘Vivi dezesseis dias de horror, avisem a minha mãe. Cecília’. ‘Aqui estou, meu Deus. Você existe? Blanca’. Sabíamos que Cuatro Álamos era apenas uma parte perversa do caminho. Ninguém ficava muito tempo ali. Será que o preso de abril tinha voltado para Temuco? Onde teria acabado o pesadelo de Cecília? Será que Deus teria se lembrado de Blanca? Nos dias mais negros, quando de cela em cela se espalhavam rumores sangrentos, era difícil deter as atropeladas batidas do coração. E então eu ia até a pequena janela do meu quarto e permanecia

longos minutos em silêncio, perseguindo a rota do arame farpado sobre a muralha e imaginando as cores das paisagens livres. Este é o depoimento de uma presa política sobrevivente num país sitiado pelo terror e enfermo de medo. Este é o meu depoimento. Apenas um entre os de milhares de homens e mulheres militantes da resistência e vítimas da repressão no tempo triste da tirania. Passaram-se 36 anos desde aqueles dias de chumbo, e no Chile muita água passou por baixo da ponte. No entanto, ainda somos muitos os que lutamos para preservar a memória e não nos render diante da indiferença e do esquecimento. Nota: Os [...] indicam pontos em que a introdução do autor ao depoimento foi abreviada para esta edição.


Caderno D

plateia@emtempo.com.br

(92) 3090-1042

Plateia 7

FOTOS: DIVULGAÇÃO

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

DIVULGAÇÃO

Plateia

Lady Gaga em ‘American Horror Story’

Léo Verão em evento

VIP do Villa Mix

O compositor e multi-instrumentista desembarca em Manaus para animar festa que antecede o festival sertanejo

A

edição de 2015 do Villa Mix está chegando a cidade, mas antes disso, um público seleto vai poder sentir a “vibe” do que vai acontecer no Villa Mix Festival Manaus. Dia 13 de março, a Pink Elephant vai receber três atrações nacionais para a Festa VIP Villa Mix: a DJ mineira Larissa Lahw, a dupla de goianos Matheus & Kauan e uma das revelações da música sertaneja no Brasil, o sul matogrossense Léo Verão. Com um estilo diferenciado, o multiinstrumentista mudou o conceito no mercado musical sertanejo, trazendo para o estilo outros r i t mos

como o reggae e outras linguagens pop. Este recurso de composição é conhecido como “mashups”, uma técnica tradicionalmente usada por DJs, que mistura elementos de uma ou mais músicas já existentes para criar uma nova. Porém, no lugar do computador, Verão toca com uma banda de verdade, em formato acústico. Destaque para a mistura inusitada do clássico “Psycho Killer”, da banda Talking Heads com o hit “Gatinha Assanhada”, de Gusttavo Lima. Outros “mashups” que deram certo foram a do belgo australiano Gotye com Luan Santana, em “Te Vivo/ Somebody That I Used to Know”. A versão mais conhecida é a mistura de “I’m Yours”, de Jason Mraz, e “Chora Me Liga”, de Jorge & Mateus. A Festa VIP Villa Mix será uma prévia exclusiva para 400 convidados, que vão poder curtir algumas das atrações que es-

tarão no palco do Centro de Convenções (sambódromo), no dia 14 de março. Outro show que promete agradar o público VIP é o da dupla Matheus & Kauan. Na estrada desde 2010, os irmãos goianos fazem parte da nova geração de compositores da música sertaneja. Nomes como Jorge & Mateus, Gusttavo Lima, Michel Teló, Paula Fernandes, João Neto & Frederico e Israel Novaes, estão entre os artistas que já gravaram composições da dupla. Ou seja, a festa será recheada de sucessos. O line up terá também a DJ Larissa Lahw, que já esteve em Manaus e se encarregou de agitar os intervalos do Samba Manaus 2014. Ela está de volta e vai se apresentar com o time de grandes nomes do sertanejo no Villa Mix Festival Manaus. Atrativos Considerado um dos maiores

eventos de música sertaneja do país, o festival está de volta e promete repetir o sucesso do ano passado. Neste ano, o Villa Mix Festival Manaus traz para o palco do sambódromo Jorge & Mateus, Luan Santana, Matheus & Kauan, Israel Novaes, Victor & Leo, Wesley Safadão e a banda Garota Safada. Os espaços VIPs da festa contam com oito horas de open bar e serviços diferenciados, para que o público possa ver de perto seus ídolos com conforto e comodidade. Os ingressos de área VIP e área Extra VIP estão à venda no estande da Fábrica de Eventos, localizado no Amazonas Shopping, ou na loja da Fábrica, no Shopping Cidade Leste, podendo ser parcelados em até três vezes no cartão. Os passaportes também podem ser adquiridos no site www.fabricaingressos.com. Nesse caso, a parcelamento é feito em até seis vezes no cartão.

SERVIÇO VILLA MIX FESTIVAL MANAUS Quando dia 14 de março Onde Centro de Convenções (sambódromo) Ingressos R$ 75 (3º lote/ estudante), R$ 280 (2º lote/área VIP), R$ 500 (área Extra VIP/ feminino) e R$ 600 (área Extra VIP/masculino) Informações (92) 3303-0100 A dupla de goianos Matheus & Kauan também estará no evento do dia 13 de março, na boate Pink Elephant

Cantor Léo Verão toca “mashups” ao vivo, em formato acústico


D2

Plateia teia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

>> Cúpula

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br Claudia Asself Feitoza

Graça Oliveira, Adriana Benevides e Amanda Benzion

Cinthia Luz, Cilene Andrade e Fernanda Mendonça

A ótima Rossana Antony Feitoza, em sua happyhour de aniversário, no Zefinha Bistrô

Ana Lúcia Alencar, Lindi Silva e Silvania Procópio

COMÉDIA

>> Niver . A querida Rossana Antony Feitoza reuniu amigas para comemorar seu aniversário, durante happy hour para lá de animada. . O local escolhido para o evento foi o Zefinha Bistrô que recebeu as convidadas da aniversariante com comidinhas sensacionais. Festa alto-astral, assim como a anfitriã, uma das amigas superqueridas da coluna!

Patrícia Malcher, Daniele Chixaro e Carla Martins A bela Carol Antony Feitoza

. O presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador Wilker Barreto integrará a executiva nacional do PHS. . O convite para compor a alta cúpula da sigla foi feito nesta semana e a posse ocorrerá no próximo dia 20, em Brasília. A iniciativa se deu devido ao excelente desempenho de Wilker à frente do comando da CMM.

>> Objeto de desejo . Mais uma marca aposta na criação de um produto para celebrar o Ano Novo Chinês. . A Johnnie Walker lançou uma edição especial do seu Blue Label em comemoração ao Ano do Carneiro. O set, que já está à venda pelo preço aproximado de 250 dólares, é composto por 4 garrafas que unidas formam a imagem do animal.

Rosanila Pantoja, Jhena dos Santos e Ana Claudia Silva

DIVULGAÇÃO

Série ‘Two and a Half Men’ chega ao fim após 12 anos Los Angeles, EUA – Após 12 anos no ar, a sitcom “Two and a Half Men” finalmente acabou. A Warner Channel exibe nesta quinta (5), no Brasil, o último episódio do programa, que foi ao ar há duas semanas nos EUA. A grande expectativa para o capítulo final, que tem uma hora de duração, é o possível retorno do ator Charlie Sheen. Protagonista da comédia, ele deixou o programa há quatro anos, após problemas com drogas e prostitutas, além de brigar publicamente com o criador da série, Chuck Lorre. Em evento para jornalistas realizado há dois meses em Los Angeles, Lorre não confirmou nem desmentiu o boato. “Garanto que os fãs vão gostar, há várias participações especiais”, disse, sem contar quais. Para aqueles que não leram sobre o episódio, mas querem ter apenas um gostinho: há o retorno de personagens que já estiveram na série, além da participação inesperada de um ator veterano. O capítulo também conta com cenas em animação – técnica nunca antes utilizada no programa – e, pela primeira vez em 12 anos, Lorre mostra sua cara em uma de suas produções. Ele também criou os sucessos “The Big Bang Theory” e “Mom”. A série sobre o mulherengo Charlie Harper (Sheen), seu irmão Alan (Jon Cryer) e o sobrinho Jake (Angus T. Jones) nunca se recuperou do baque da saída de Sheen, em 2011. No lugar dele, entrou Ashton Kutcher no papel do bilionário Walden Schmidt, que manteve Alan na casa e levava uma vida parecida com a de Charlie – rico e mulherengo, mas

sem a rotina caótica de seu antecessor. A série teve mais problemas em 2012, quando Angus T. Jones, que se aproximou da Igreja Adventista do Sétimo Dia, postou vídeos na internet criticando a trama e pedindo que as pessoas não a vissem – ele deixou o programa oficialmente no ano passado. Na última temporada, a série tomou um rumo que fez até os fãs questionarem o que acontecia: Walden e Alan se casaram para adotarem um filho – sonho do ricaço. “Eu seria um babaca se não reco-

SERVIÇO TWO AND A HALF MEN Quando 5/3, às 19h (episódio inédito) e às 19h25 (capítulo final) Onde na Warner Channel

nhecesse o sucesso que tivemos com Charlie e sou grato a ele”, diz Lorre. “Eu poderia ter sido mais legal. Aprendi que não preciso ser um idiota para falar ‘não’. Quando Charlie foi embora, eu achei que seria o fim”, confessa. Jon Cryer diz que gostaria de ter Sheen no último episódio. “Ele foi um ótimo amigo. [Sua saída] foi um tanto agridoce. Mas me diverti muito nos últimos quatro anos, porque meu personagem cresceu”, conta ele, que garante: “Nunca mais quero fazer parte de um projeto tão longo”.

Os atores Jon Cryer (à esquerda) e Ashton Kutcher comandaram a atração após a saída de Charlie Sheen e de Angus T. Jones


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

D3

Dinossauros em exposição O

Shopping Manaus ViaNorte – no bairro Nova Cidade – abre suas portas para receber os gigantescos dinossauros do Mundo Jurássico, uma exposição gratuita e inédita, a partir do próximo dia 7 de março, no horário das 10h às 22h, de segunda a sábado, e de 12h às 22h, aos domingos. A exposição resgata os extintos animais pré-históricos e os coloca na capital da Amazônia com sons e movimentos originais. As réplicas, algumas com oito metros de altura e 15 de comprimento, estarão de passagem por Manaus em curta temporada após apresentação em mais de 20 cidades brasileiras, entre elas Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza e Belém. Da capital amazonense elas embarcam de navio com destino a China. Essa é a última oportunidade de conhecer de perto esses personagens do mundo jurássico. O trabalho de produção da mostra envolve técnicos especialistas em montagens de cenários cinematográficos, cenógrafos, museólogos e arquitetos que criaram o visual e funcionamento de todo o aparato da exposição, que terá os animais posicionados em diversos ambientes do shopping. No total são 21 réplicas que

DIVULGAÇÃO

A mostra “Mundo Jurássico” estreia no próximo dia 7, no Shopping ViaNorte, com uma coleção de réplicas dos animais extintos há milhões de anos. Ao todo, 21 dinossauros robôs vão estar espalhados pelo centro de compras irão proporcionar aos visitantes um pouco mais de conhecimento sobre espécies como o Tiranossauro Rex, Triceratops, Estegossauro, Alossauro, Paquicefalossauro, Espinossauro, Barionix e o Dilofossauro. São dinossauros robôs controlados por computadores e montados cenograficamente como se estivessem vivos há mais de 65 milhões de anos. “Estamos encerrando a tem-

SERVIÇO MUNDO JURÁSSICO Quando de 7/3 a 20/4 Shopping Manaus Onde ViaNorte (av. Arq. José Bento Rodrigues, 3.760, Nova Cidade Telefone 3198-9500

porada brasileira em Manaus. São peças gigantescas. O Rex, por exemplo, é a maior peça de robótica no Brasil. As réplicas se aproximam bem da realidade”, informa o coordenador geral da exposição, Leonardo Guelman. As informações sobre os animais extintos estarão disponíveis ao público em placas informativas com o nome de cada um deles e suas características.

Placas informativas detalham as características dos animais pré-históricos. Algumas réplicas chegam a ter oito metros de altura

Infantil

Roda de pagode

A programação do Parque Cidade da Criança (avenida André Araújo, s/nº, com entrada pela rua Castro Alves, Aleixo) destaca hoje oficinas criativas (de 10h às 11h), teatro de fantoches (11h às 12h), caça ao tesouro (12h às 12h30), pintura facial (16h às 17h), contação de histórias (17h às 17h40) e circuito de brincadeiras (18h às 19h). O acesso é gratuito.

O “Pagode dos Amigos” de hoje, no Lappa (rua Rio Mar, 98, conjunto Vieiralves), apresenta shows do grupo Pagode dos Amigos e dos cantores Ângelo Márcio e Uendel Pinheiro. A festa começa às 15h, com cerveja Budweiser em dobro até às 17h. Quem chegar mais cedo, até esse horário, já tem entrada garantida no pagode. O ingresso custa R$ 25.

Praça

Malta e Forfun

O grupo Moinhos de Vento tem shows marcados hoje, na praça de alimentação do Millennium Shopping, das 12h às 14h, e no projeto “Música na Praça”, realizado na praça de alimentação do Manaus Plaza Shopping, de 19h às 21h. A entrada para ambos os eventos é franca. No repertório, canções de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, entre elas, “Morena Tropicana”, “Coração Bobo”, “Moça Bonita” e “Dia Branco”.

A banda Malta é a atração na Arena Amadeu Teixeira, no dia 21 de março, em evento que contará ainda com a apresentação da banda Forfun. Os ingressos já estão à venda ao preço de R$ 40 (pista, estudante) e R$ 80 (front stage, estudante), no site ingresse. com, no Fast Temaki (Parque 10) e na loja da M1 Eventos (Amazonas Shopping). Os valores podem ser parcelados em até três vezes nos cartões Visa e Master.

CURSO

Escritor ministra oficinas literárias O jornalista e escritor amazonense Mário Bentes vai estar em Manaus a partir do mês de março para ministrar uma série de oficinas por meio do selo editorial “Lendari”, iniciativa criada por ele como meio de fomentar a produção de obras no Estado. De acordo com o escritor, o objetivo é capacitar jovens autores da capital a desenvolver melhor suas ideias e tornar menos complicado o trabalho de colocar tudo no papel, abrindo caminho para novos lançamentos. A ideia das oficinas surgiu durante o processo de recebimento de originais para a primeira antologia “Lendari”, que vai reunir contos baseados em lendas amazônicas. Serão três oficinas: “Escrita criativa para contos e crônicas”, “Planejamento

e execução de romance” e “Criação de personagens cativantes”, realizadas, respectivamente, nos dias 21, 22 e 28 de março. Todas as oficinas vão acontecer entre 14h e 18h. O valor da inscrição para cada uma é R$ 50, mas o pacote completo sai por R$ 120. As inscrições serão recebidas exclusivamente no site da Lendari (link: http:// www.lendari.com.br/inscricao-em-oficina/). As vagas são limitadas a 20 participantes por oficina. A primeira da série, de acordo com Mário Bentes, será focada em instruir métodos que possibilitem que os autores possam liberar fluxo de ideias no papel e, de acordo com ele, “perder o medo de escrever”. A segunda oficina, de planejamento e execução de

romance, é mais técnica e a última vem de uma inquietação pessoal do escritor com material inédito de jovens autores aos quais ele teve acesso nos últimos seis meses, por meio do trabalho de análise crítica e revisão feita pelo selo editorial “Lendari”. A capacitação, evidentemente, faz parte das estratégias do selo “Lendari” para títulos futuros, segundo explica Mário Bentes. “Não é impossível que usemos as oficinas para avaliar novos talentos. A ideia é que, em breve, a Lendari comece a receber originais para publicação de obras autorais. Assim, as oficinas são uma forma de preparar terreno para que os novos autores consigam produzir conteúdo de qualidade que pode vir a ser publicado mais à frente”.


D4

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

RESENHA

Memória: fonte nostálgica da poesia PERFIL

Ronaldo Cagiano Jornalista, professor e documentarista

D

esde sua estreia poética com o volume “O salto sem trapézio” (Coleção Lima Barreto, Edição Senado, DF, 1984), Paulo José Cunha (carioca de nascença, piauiense de alma e brasiliense de coração e adoção) vem trabalhando com a memória e o passado como fontes para sua peculiar construção literária. O mergulho no coloquial, nas fontes da cultura popular, imaginário social e do inconsciente (pessoal e coletivo) constitui toda uma práxis poética em que a palavra é repositório das lembranças da infância, capturando a memória do tempo, das coisas, das pessoas & dos acontecimentos para instauração de um olhar ao mesmo nostálgico e reflexivo sobre sua trajetória existencial. Não há segredos formais ou contorcionismos de linguagem para explicitar essa ancestralidade que acompanha P. J. Cunha, porque a poesia nasce sem esforço e sem mistificação, porque emerge das suas mais caras raízes, do mais (pro)fundo das sensações e experiências que o poeta tangenciou, com delicadeza, harmonia e ritmo próprios. Não há melhor definição para a sua escritura, como a que (re)colhemos num dos versos de sua primeira lavratura: “toda palavra se explica/ no próprio verso em que habita” e essa sensação se comunica plenamente na mais recente safra, “Perfume de resedá” (Ed. Oficina da Palavra, Teresina). Nessa obra de único fôlego, em que o poeta dá continuidade ao seu mapeamento afetivo, sentimental, histórico e mitológico da infância, lança, por meio de uma garimpagem no tempo & no espaço (geográfico, íntimo, psicológico) novas luzes sobre as andanças e

peripécias do ser. Em seu percurso poético, ressurgem emblemáticos, da fumaça difusa de um tempo não tão remoto, personagens, lendas, acontecimentos, imagens e tantos referenciais humanos, históricos e folclóricos, com sua carga mi(s)tica e sensorial. Nota-se toda uma eloqüência de detalhes (em que memória e invenção se consorciam) que vão num território catártico, como bem definiu Edmilson Caminha na apreciação de seus versos. O Piauí – seu cadinho e a instância a partir da qual transcende seu diálogo e faz suas incisões – oferece todo um potencial semântico e humaníssimo (para ser universal basta cantar o próprio quintal, advertiu Tolstoi) a essa poesia recolhida nos ermos da própria vida, aquela que pulsa e atrai os olhos do poeta, nos contornos de um lirismo não piegas, mas afirmativo de uma identidade com as raízes; na esteira de um espanto, porém sem tintas escatológicas, diante de uma paisagem povoada de seres & sombras; escandindo, numa cartografia onírica e fabular, a alma máter do interior. Nesse aluvião heterogêneo e cosmopolita, o homem cavalga na crina das lembranças e o poeta extrai dos modos, jeitos, costumes, falares, hábitos, cheiros, gestos, gostos, culinária e na cultura própria de uma região, matéria e circunstância para seu inventário particular. Verdadeiros flagrantes de uma infância alada e imagética, que nos remete aos ambientes e universos retratados

por um Juan Rulfo e um Gabriel García Márquez, cujos sertões se equivalem e são retratados com a mesma potência narrativa e a mesma riqueza plástica e metafórica, com idêntica e apurada artesania, harmonizando forma e conteúdo, numa dicção singular que confere a cada poema uma multifacética descrição de cenários e atmosferas. Cada objeto, situação, fato cotidiano deflagra uma recomposição emotiva; e é no caudal de cada emoção que o poeta se reencontra, nesse tempo e nesse mundo perdidos, porém transcriados. Com sutileza estilística, Paulo José Cunha instrumentaliza esse longo poemário de “Perfume de resedá” com o mais genuíno dos artefatos: sua intensa vivência, e com ela suscita uma louvação crítica do passado transmutado em presente. E sob a pele do jornalista e no fundo d’alma do escritor descobrimos “o menino/ que veio beijar as pedras/ e resgatar/ das ampulhetas/ a areia do tempo”. Esses versos de rica plasticidade e simbologia reverberam aquele íntimo e nostálgico nadar na terceira margem da própria vida:o passado

DIVULGAÇÃO

que nunca sossega. Feito as águas de um rio que vai ao mar, mas carrega consigo vestígios de onde passou, a palavra de P. J. Cunha transmitem aquela sensação de que somos eternamente alimentados pela seiva desse passado, como já mesmo nos alertou o saudoso poeta mineiro Cacaso: “minha pátria é minha infância/ por isso vivo sempre no exílio.” Sua poesia, testemunho de tensa e densa melancolia, de Pacatuba ao Distrito Federal, das encostas do Paranaíba às margens do Paranoá, é um delicioso encontro de contas. Ela irrompe vulcânica e suas lavas trazem notícias de antanho, “vem lá do fundo/ fundo/ do mais profundo/ do oco do mundo/” para provocar o leitor com o que viu e sentiu: “sou/ o que viveu numa cidade/ adormecida na lembrança.../ condenado à sina/ de estar sempre voltando sobre os próprios passos...”. A leitura genealógica de Paulo José Cunha nos remete àquela percepção de Augusto Meyer, para quem “a memória da infância é uma ilha perdida”, mas só passível de ser descoberta pela navegação poética, cuja única bússola é o verdadeiro sentimento do mundo.

Paulo José Cunha instrumentaliza esse longo poemário de ‘Perfume de resedá’ com o mais genuíno dos artefatos: sua intensa vivência, e com ela suscita uma louvação crítica do passado transmutado em presente”

FUNARTE DIVULGAÇÃO

Francisco Bosco tomou posse como presidente da Funarte em meio a uma crise na instituição

Bosco quer buscar novos recursos RIO DE JANEIRO, RJ – O filósofo e ensaísta carioca Francisco Bosco, 38, tomou posse como presidente da Funarte, órgão de fomento às artes do Ministério da Cultura, na manhã desta sexta (27), em meio a uma crise na instituição. “Uma das principais questões é a perda de capacidade de produzir acontecimentos relevantes para a cultura”, disse Bosco após a cerimônia, durante a qual fez um pronunciamento mais conceitual, sem tocar em questões práticas da instituição. Apesar de contar com um orçamento que sofre reduções a cada ano, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse

que o órgão, voltado a teatro, dança, circo, artes visuais e música, deve ganhar duas novas atribuições, a fotografia e a área digital. O orçamento da instituição cai desde 2012, ano em que o investimento de R$ 161 milhões foi anunciado como recorde pela Funarte. O valor diminuiu para R$ 122 milhões no ano seguinte, redução de 25%. Em 2014, o orçamento foi de R$ 103 milhões, queda de 18% sobre o ano anterior. Em 2015, a Funarte pediu um orçamento de R$ 160 milhões, mas acredita-se que ele não será autorizado. Em entrevista após a posse, Bosco disse que pretende buscar outros recursos. “Há

orçamentos que realizam ideias e ideias que realizam orçamentos. Vamos tentar instaurar uma produção de formulação que possa tentar engajar outros setores e recursos. Um ponto delicado das políticas públicas na área da cultura é a relação do Estado com a iniciativa privada. Temos que procurar engenharias jurídicas que possibilitem parcerias.” A Funarte é considerada peça chave no projeto do ministro de construir o que chama de política nacional das artes. “Vamos criar uma comissão para desenvolver a política nacional de artes que deve ter conclusão em dezembro”, disse o ministro.


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

D5

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

Primeira gravação Está marcada para o dia 17, a primeira gravação do “Programa Silvio Santos” deste ano. O Estúdio 3, do CDT da Anhanguera, depois de passar por necessárias reformas, já estará à sua disposição. Só dá o Comendador Alexandre Nero, já escalado como protagonista de “Favela Chic” na Globo, vai antes fazer cinema, quando terminarem as gravações de “Império”. Foi acertada a sua participação no filme sobre a trajetória do lutador José Aldo que terá direção de Afonso Poyart. O “comendador” vai se transformar no treinador Dedé Pederneiras. O segredo da Favela Como “Favela Chic” ainda demora para entrar no ar, lá por setembro ou outubro, há um esforço da sua equipe para manter em segredo a próxima “ousadia” do seu autor, João Emanuel Carneiro. Algo que está relacionado diretamente à maneira de apresentar os personagens da novela. Bem por aí Segundo se comenta, a ideia do autor é explorar apenas seis personagens,

REGI

Onde está pegando? Está estranha a situação que a Grazi Massafera foi colocada. No fim do ano passado, ela não pode negociar renovação de contrato com o GNT, porque estava cotada para um novo trabalho na Globo. Só que este “novo trabalho” não foi anunciado até agora. aqueles que irão ditar o ritmo, nos 12 primeiros capítulos. Foco total neles. E só depois disso começar a dispensar a devida atenção aos tantos outros. Registrado Quem usa, cuida. Marco de Vargas, narrador esportivo do canal Fox Sports, tratou de fazer o registro da sua principal marca. O “É rede”, em vez do grito de gol, agora é, para todos os fins, propriedade dele. Plano avançado Na Globo, embora não se admita de forma oficial, há o desejo de fazer um novo projeto musical e entregar a Ivete Sangalo a sua apresentação. E não por acaso a Ivete. Além dos seus bons

GLOBO XAXA

TV Tudo

serviços prestados na emissora, a sua participação no “Superbonita” no GNT é bem elogiada. Meio assim Já foram muito mais tranquilas as reuniões no SporTV. Nos encontros mais recentes os ânimos estiveram sempre exaltados, revelando que alguma coisa não está funcionando como deveria. O que será que está acontecendo? Está fora Em decorrência das modificações que serão feitas no jornalismo do “Domingo Legal”, André Basbaum não integra mais a equipe do programa. A sua saída do SBT foi oficialmente confirmada na última quinta-feira.

• Ficou na vontade o desejo da Bandeirantes em reformar os estúdios do BandNews e BandSports... • ... As condições que os funcionários encontram para trabalhar nas duas emissoras são as mais precárias. • A produção do próximo “Medida Certa”, na Globo, já está em curso... • ... Mas o grande desafio do quadro, ficou provado nas edições anteriores, não é emagrecer os participantes... • ... Porque isto, com a supervisão do Márcio Atala, de uma maneira ou outra acaba acontecendo... • ... Os participantes convidados não chegam a entrar em forma, mas acabam perdendo peso... • ... O problema, como ficou demonstrado, é que todos voltaram a engordar depois dele.

Só na TV Com o jornalista Juliano Dip agora à frente, o “Proteste Já” já contabiliza duas semanas de gravações pelo país. O desempenho dele no comando dos casos já rendeu muitos elogios da equipe do programa. Devido ao trabalho no “CQC”, Juliano precisou se desligar da rádio CBN em São Paulo.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Milhem Cortaz também estava conversando para integrar o elenco do filme sobre José Aldo, mas teve que desistir, por questões de agenda. O ator, que acaba de gravar uma participação em “Os Dez Mandamentos”, próxima novela da Record, já está fechado também com um novo projeto do cineasta Paulo Morelli sobre Pedro Malasartes.

Márcio Braz E-mail: mbrazsantana@gmail.com

O homem cordial

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

Um dos aspectos mais significativos da cultura manauara é aquilo que se convencionou chamar de “hospitalidade”. Todos os que aqui chegam são sempre bem recebidos pelos nativos, à disposição para o fino trato; seu jeito encoraja e desinibe o visitante mais embrutecido. Sem dúvida, como falamos, trata-se de um registro significativo, afinal, diante de tantas adversidades, a gentileza amazonense se sobressai como um ponto ilustrador e sinal de educação. Esta hospitalidade deita suas raízes e é prima de uma construção já bastante conhecida desenvolvida pelo historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, pai do famoso cantor. A tese de que o brasileiro seria o “homem cordial” é um dos aspectos essenciais advindos de nossas raízes ibéricas onde a cordialidade não quer dizer exatamente “bons modos”, ao contrário, ela esconde revezes que a legitimam, uma fina ironia, uma espécie de “meu querido” em diferentes conotações. Para Buarque de Holanda, o homem cordial é a grande contribuição do Brasil à humanidade. O “homem cordial” vem, como falamos, de nossa herança ibérica, onde o personalismo aparece como um traço inequívoco do brasileiro. A reverência ao superior, ao pai da família, se estende para o patrão, para o político, para o empresário, onde mesmo o ataque a algum deles, nos dias de hoje, pelos jornais ou redes sociais, são dissolvidas pela intimidade e o respeito logo ao primeiro contato. O questionamento e a dúvida se imiscuem em meio à pessoalidade das relações. Isto se estende à vida burocrática onde confundimos o público com o privado, como se os homens nativos não estabelecessem regras

de uso de espaços. Mas para uma país personalista como o nosso, a terra do “olha com quem você está falando”, onde o indivíduo interessa mais que o coletivo, onde subsiste um bloqueio a tudo que é racional, planejado, organizado e disciplinado, relacionar o Estado a vida familiar é, de fato, um problema e não compreender isto torna o pensamento e ação sobre a função do Estado democrático um acinte, visível em muitas de nossas instituições. Não pretendemos estabelecer com isso uma relação causal, mas sim, insinuar tal perspectiva como um fator determinante mas que não determina ação. Não é difícil, com tudo o que falamos, conjeturar ( e afirmar!) o tipo de política que é praticado em quase a totalidade deste universo em nosso país. A política deprebendas, de concessões, o empreguismo, clientelismo e o aparelhamento com finalidades escusas ao interesse público (este, acima de todos os outros), têm bases justamente nesta herança onde o Brasil passou a adaptar modelos estrangeiros tornandoos cada vez mais íntimos e praticáveis. Por isso, ao pensarmos numa reforma política, pensemos antes numa reforma cultura, numa revolução cultural. Pero Vaz de Caminha, na própria carta a Portugal, ao final do texto, já usa da cordialidade para seus intentos: pede ao Rei que seja enviado da Ilha de São Thomé, o seu genro. “Raízes do Brasil” do já citado historiador Sérgio Buarque de Holanda é leitura fundamental para que entendamos o perfil personalístico de nosso povo. Outras obrasnos ajudam a compreender esta feição, mas é em Buarque de Holanda que vemos sua essência mais bem desenvolvida.

Márcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

A tese de que o brasileiro seria o ‘homem cordial’ é um dos aspectos essenciais advindos de nossas raízes ibéricas onde a cordialidade não quer dizer exatamente ‘bons modos’”


D6

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Programação de TV

DIVULGAÇÃO

SBT 4h45 Jornal da Semana SBT 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Planeta Turismo 7h30 Vrum 8h Chaves 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda a Roda Jequiti 18h45 Sorteio da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h Conexão Repórter 0h Série: Sobrenatural 1h Série: Rizzola & Isles 2h Série: Pessoa de Interesse 3h Big Bang 3h30 Série 4h Igreja Universal

GLOBO

O programa de entretenimento e lazer “Eliana” vai ao ar, no SBT, a partir das 14h

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Hoje você pode ter êxito pleno ao lidar com aspectos complicados da atividade profissional. As dificuldades são superáveis por meio do uso adequado da força. TOURO - 20/4 a 20/5 Você pode hoje refazer o conteúdo de seus sonhos e projetos, tornando-os realmente algo novo. Lembre-se que, em tudo, não é a aparência que conta, mas o conteúdo. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Um decisivo apoio para seu trabalho aparece no momento mais que oportuno. Conte com as forças que apóiam, mas estas não serão muito de aparecer aos olhos do mundo.

Cinema

REDE TV! 5h30 Igreja Int. da Graça 8h Economia Amazonense 9h Construção Verde em Pauta 10h Gestão e Desenvolvimento 11h Igreja da Graça 12h Fique Ligado

13h En Circuito 14h30 Jardel Deltrudes 15h Até o Tucupi 15h30 TV Kids 16h15 Sempre Bem 16h45 TV Kids 17h Te Peguei 17h30 Viagem Cultural by Decolar 18h Te Peguei 18h30 Encrenca 20h15 Te Peguei na TV 21h45 Havaí 5.0 22h30 Luta Tribal 23h30 Teste de Fidelidade 0h30 É Notícia 1h30 Igreja Int. da Graça

RECORD 5h Santo Culto Em Seu Lar 5h30 Desenhos Bíblicos 8h30 Record Kids – Pica Pau 10h Domingo Show 14h30 Hora do Faro 18h30 Domingo Espetacular 22h15 Repórter em Ação 23h15 Roberto Justus + 0h15 Programação IURD

Cruzadinhas

ESTREIAS Superpai: BRA. 14 anos. Diogo (Danton Mello) era o garoto mais popular da escola, rei das festas e da bagunça. As meninas queriam estar com ele e os meninos queriam sê-lo. Agora, vinte anos mais tarde, é apenas um homem comum, pai, marido, trabalhador. Uma reunião da turma de colégio é sua chance de sair da rotina e a festa acaba levando a rumos inesperados. Cinépolis Millennium 2 – 13h45, 15h50, 18h, 20h20 (diariamente); Cinépolis Manaus Plaza 5 – 14h15, 16h15, 18h45, 21h15 (diariamente); Cinemark 7 – 12h10 (somente sábado e domingo); 14h10, 16h15, 18h30, 20h50 (diariamente); 23h (somente sábado); Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h20,16h30 18h30, 20h40 (diariamente); DIVULGAÇÃO

Horóscopo

5h30 Santa Missa 6h30 Amazônia Rural 6h59 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h30 Globo Rural

8h25 Auto Esporte 9h Esporte Espetacular 12h Esquenta 13h08 Temperatura Máxima. Filme: Piratas Pirados! 15h Futebol 2015: Campeonato Carioca - Botafogo X Flamengo 17h Domingão do Faustão 20h Fantástico 22h15 Big Brother Brasil 23h05 Planeta Extremo 23h35 Domingo Maior. Filme: Triplo X 1h34 Flash Big Brother Brasil 1h38 Sessão de Gala. Filme: Loucamente Apaixonados 3h10 Mentes Criminosas 3h51 Mentes Criminosas 4h32 Série

CÂNCER - 22/6 a 22/7 O entendimento no relacionamento a dois e nas parcerias vem de algo sutil: a natural convergência das energias pessoais em uma mesma direção. LEÃO - 23/7 a 22/8 Momento para todo tipo de renovação. Mas nem sempre o que precisa mudar está ao seu alcance discernir, e o processo corre, em parte, além dos desejos pessoais. VIRGEM - 23/8 a 22/9 As forças sutis operam nas relações afetivas e amorosas, revelando conteúdos novos e até de uma profundidade inusitada. Algo mais verdadeiro poderá ganhar evidência. LIBRA - 23/9 a 22/10 As pequenas mudanças na moradia abrem espaços renovadores. O conforto material pode melhorar, desde que se disponha a mexer em coisas que andavam estagnadas. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Momento de abandonar velhos dogmas e bobagens, sendo então mais simples e sincero. As relações afetivas, amorosas e sociais vivem hoje transformação significativa. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Plutão e Sol simbolizam a capacidade de captar recursos e reunir a força de muitos em suas mãos. Dê um bom uso a esta capacidade nas lidas materiais e familiares. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Ao se tornar mais íntimo das pessoas, certos aspectos de sua personalidade vão se revelar. Se em parte isso é perturbador, é também instigante e profundamente renovador. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você hoje tem recursos disponíveis talvez possa saldar ou resolver antiga pendência. Isto traz grande alívio. Mas você terá que movimentar forças sutis para isto acontecer. PEIXES - 19/2 a 20/3 Deixe de lado a superficialidade, e busque a essência das coisas Momento de contatar e reafirmar as propostas de vida que estão em linha com seus anseios mais legítimos.

Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca: EUA. Livre. A fada Fawn sempre teve um bom coração e se recusou a ver maldade nas pessoas. Por isso, ela torna-se amiga de um gigantesco monstros. Tinker Bell e suas amigas temem que essa relação possa ser nociva para todas as moradoras da cidade, e decide combater o vilão antes que seja tarde. Cinépolis Millennium 4 – 14h, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis Manaus Plaza 4 – 14h, 16h, 18h, 20h (3D/dub/diariamente); Cinemark – 13h20, 15h10, 17h20 (dub/diariamente); PlayArte 1 – 12:40, 15:20 (dub/diariamente); 19h (3D/dub/diariamente); Cinópolis Ponta Negra – 17h30, 1940 (dub/diariamente);

CONTINUAÇÕES Sniper Americano: EUA. 10 anos. Cinépolis Millennium 6 – 13h30, 16h30, 19h25, 22h15 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 17h, 19h, 22h (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 5 – 14h40, 21h50 (leg/diariamente); Bob Esponja – Um Herói Fora D’água: EUA. 12 anos. Cinépolis Millennium 1 – 14h20, 15h15, 15h20, 16h50 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Manaus Plaza 2 – 13h15, 15h30, 13h45 (3D/dub/ diariamente); Cinépolis Manaus Plaza 8 – 14h30, 16h45 (dub/diariamente); Cinemark 5 – 13h10, 14h, 15h20, 17h30, 19h45 (dub/ diariamente); PlayArte 2 – 17h (3D/ dub/diariamente); 13h10, 13h11, 15h10, 15h11, 17h10, 17h11, 19h10, 19h11, 21h10 (dub/diariamente); 23h10 (dub/somente sexta e sábado); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h (3D/dub/somente sábado e domingo); 16h (3D/dub/ diariamente); Cinquenta Tons de Cinza: EUA. 18 anos. Cinépolis Millennium 1 – 16h10, 18h50, 19h10, 22h (leg/diariamente); 15h35, 17h30, 19h50, 22h30 (dub/diaria-

mente); Cinépolis Manaus Plaza 1 – 13h30, 15h45, 16h30, 17h45 18h30, 19h30, 20h20, 21h30, 20h, 22h20(dub/diariamente); Cinemark 1 – 13h05, 15h50, 18h40, 21h30 (dub/diariamente), 00h20 (dub/ somente sábado); 12h00 (dub/somente sábado e domingo); 14h50, 17h40, 20h30 (dub/somente terçafeira) 23h20 (dub/somente sábado); 22h (leg/diariamente); PlayArte 5 – 13h50, 13h51, 16h20, 16h21, 18h50, 18h51, 21h20, 21h21(dub/ diariamente); 23h50, 23h51 (dub/ somente sexta e sábado); 12h50, 15h20, 17h50, 20h20 (leg/diariamente); 22h51 (leg/somente sexta e sábado); Cinépolis Ponta Negra 2 – 15h, 18h, 21h (leg/diariamente); 14h10, 17h10 (dub/diariamente); 21h10 (leg/diariamente); O jogo da Imitação: EUA, 12 anos. Cinépolis Millennium 5 – 13h (leg/diariamente); Birdman: EUA. 16 anos. Cinépolis Mille nnium 5 – 18h20, 21h (leg/diariamente); Cinépolis Manaus Plaza 6 – 15h15, 18h15, 21h (leg/diariamente); Cinemark – 19h30, 22h10 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 14h (leg/ diariamente); 23h (leg/somente sá-

bado); 13h30 (leg/somente sábado e domingo); 16h20, 19h20, 22h20 (leg/diariamente); A Casa dos Mortos: EUA. 14 anos. Cinépolis Manaus Plaza 7 – 15h, 17h15, 19h45, 21h10 (leg/ diariamente); Cinemark 9 – 16h30 (leg/diariamente); O Destino de Júpiter: EUA. 12 anos. Cinépolis Manaus Plaza 8 – 19h (dub/diariamente); Cinemark 3 – 13h (dub/somente domingo); 18h20 (dub/diariamente); PlayArte 3 – 20h40 (3D/dub/diariamente); 13h05, 15h40, 18h15, 20h50 (dub/ diariamente); 23h25 (dub/somente sexta e sábado); O Imperador: EUA. 14 anos. . Cinépolis Manaus Plaza 8 – 21h45 (dub/diariamente); Whiplash - Em Busca da Perfeição: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 15h40 (dub/diariamente), 21h10

(somente terça e quarta); A Teoria de Tudo: EUA. 10 anos. Cinemark 2 – 19h, 21h45 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 20h (leg/diariamente); 15h40, 18h40, 21h40 (leg/diariamente); Annie: EUA. 12 anos. Cinemark 8 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo); Corações de Ferro. EUA. 16 anos. PlayArte – 15h30, 20h10 (dub/ diariamente) A Mulher de Preto 2 – O Anjo da Morte: ING-CAN. 14 anos. PlayArte 8 – 13h30, 18h10 (dub/ diariamente). Um Santo Vizinho: EUA. 12 anos. Cinemark 4 – 23h15 (leg/somente sexta-feira e sábado). Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Playarte 2 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente), 22h20 (somente sexta-feira e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE MARÇO DE 2015

Apresentação

Sala de Espera Bosco Fonseca está trocando de idade hoje. Amanhã, Dacy Venânio e Anderson Farias estão aniversariando. Os cumprimentos da coluna. A Suframa recebeu homenagem pelos 48 anos de existência na Aleam. A homenagem foi proposta pelo deputado Serafim Corrêa (PSB). A sessão foi concorridíssima. A jovem empresária Regi Aquino abriu o Comida de Avó com delicioso menu trivial na Rio Purus, no Vieiralves. Amei! A Abrasel Amazonas lançou (na Loppiano) seu calendário de eventos 2015. Uma happy hour reuniu os associados e a press local. Janete Fernandes foi a anfitriã. A linda Alana Curia vai festejar seus 30 anos com B-day moderno no mezanino do Taboo, reduto da ala jovem antenada da cidade. Só para os mais íntimos, no próximo dia 7, às 22h.

O governo do Amazonas, Prefeitura de Manaus e instituições federais, além da sociedade civil, representada por ONGs, lançarão na próxima terça-feira, às 13h30, no Teatro Direcional, a campanha “Sauim-de-Coleira, Uma Espécie que Pede Socorro”. A mobilização terá sequência nos dias 4 e 5 com diversas atividades. Será um pontapé de uma extensa programação prevista para todo o ano de 2015, considerado “O Ano do Sauim”, proposta sugerida pela SDS para dar ênfase ao conjunto de ações protetivas da espécie e cuja execução conta com a participação de várias instituições de pesquisa e órgãos públicos, que se integraram no Plano de Ação Nacional de Conservação da mascote de Manaus.

Villa Mix

Pense em diversão, conforto e alto-astral reunidos em um só ambiente. Pensou? É o camarote VIP que a coluna comandará no próximo dia 14, no sambódromo, durante o esperado Villa Mix. Se revezando no megapalco: Mateus e Kauan, Vitor e Leo, Luan Santana, Jorge e Mateus, Wesley Safadão mais Israel Novaes e nos intervalos a top DJ Larissa Law. A Fábrica de Eventos sabe das coisas. Vai ser um festão daqueles.

A foto retrata a felicidade da tradição do clã Novoa – centenário na indústria cerâmica manauense – durante a sessão parabéns da bonita Maria Eduarda Novoa: Jória e o cônsul da Espanha, Modesto Novoa, mais os empresários Carmen e Ricardo Silva, no condomínio Villa-Lobos

FOTOS:JANDER VIEIRA

Jander Vieira jandervieira@uol.com.br - www.jandervieira.com JOSÉ CARLOS

Dorval Bentes e sua Antônia Brito em tarde de celebração para ela, no Fran’s Café

A irreverente Norma Araújo, a Manazinha, sacode os domínios da Jungle Beat com mais um Chá com Pimenta, no próximo dia 18, a partir das 19h. O jandervieira.com e Tânia Castro resolveram fazer uma noite de lançamento chique, no Atelier do Vieiralves, no próximo dia 31, às 18h33. Só para 61 convivas que conhecerão as novidades do Café &Chocolat e do Blog badalado. Hoje tem programação divertida exclusivas aos bambinos, no Parque Cidade da Criança, com contação de histórias, que acontece, a partir das 17h. E mais, oficinas criativas, o tradicional teatro de fantoches, a caça ao tesouro e um circuito de diversas brincadeiras. A PMM não para!

D7

Lentes poderosas Uma exposição fotográfica das trabalhadoras do Shopping Manaus ViaNorte será a justa homenagem prestada pelo maior centro de compras da Zona Norte da cidade em celebração ao Dia Internacional da Mulher, que acontece no próximo dia 8. Mais de 40 fotos tiradas pelo fotógrafo de mulheres Anderson Yamada, ficarão no primeiro piso do centro de compras durante todo o mês de março, a partir desta terça-feira. As imagens foram feitas no próprio ambiente de trabalho e em um espaço reservado para a produção.

Conhecimento

Tão engraçado...

Todo mundo está cansado de ouvir sobre a poluição dos igarapés de Manaus, mas ninguém faz nada para inibir essa sujeirada toda. Não adianta a PMM limpar e no dia seguinte a população mal-educada retornar a emporcalhar com lixogeladeira-fogão os mananciais da cidade. E quando vem a alagação culpam o governo pela desgraça que eles mesmos protagonizam. Francamente, tudo também tem limite.

Os irmãos-jovens-empresários Mariana e Márcio Villas Bôas contabilizando o sucesso do restaurante Suco Saúde, no Vieiralves, queridinho da ala que pratica saúde

Estão abertas as inscrições do curso preparatório para o exame de suficiência do Conselho Federal de Contabilidade, na Faculdade Martha Falcão DeVry. As aulas serão realizadas no período de 6 a 21 de março; às sextas-feiras, das 18h às 22h; e aos sábados, das 8h às 12h; com carga horária de 24 horas.

CANAL FOX

VÍDEOS

DIVULGAÇÃO

Assinatura vitalícia do Netflix São Paulo, SP – Silvio Santos, 84, acaba de confirmar, com louvor, a máxima de que quem não chora não mama. Após usar seu programa no SBT para pedir um mês de gratuidade, o apresentador ganhou uma assinatura vitalícia do serviço de vídeos sob demanda Netflix. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa,

Reed Hastings, em um vídeo publicado na noite de quinta-feira (26) no YouTube (https://www.youtube.com/ watch?v=5OvZjfMPhS8). Nele, o executivo agradece a preferência de Silvio e aproveita para fazer propaganda da terceira temporada de “House of Cards”. “Não é exatamente ‘The Bible’, mas você vai curtir”, afirma. No último domingo (22),

Silvio fez “propaganda gratuita” do serviço durante seu programa no SBT. Fã da série “The Bible”, que ele assiste por meio da plataforma de vídeos, ele recomendou: “Se você não tem Netflix na sua casa, passe a ter. A mensalidade é R$ 18,90, creio eu”, prosseguiu, antes de concluir pedindo aos donos do Netflix que lhe dessem o desconto. DIVULGAÇÃO

A cantora será a convidada especial da quinta temporada de “American Horror Story”

Lady Gaga em série de horror

Silvio Santos fez propaganda gratuita do Netflix e revelou ser fã da série “The Bible”

São Paulo, SP – A quinta temporada da série “American Horror Story” terá uma convidada especial. A cantora americana Lady Gaga, que recentemente chamou a atenção no Oscar com grandes luvas vermelhas, estará

na atração. Conforme a revista “Variety”, o produtor Ryan Murphy confirmou a participação de Gaga no seriado, que conta uma história de terror diferente a cada temporada. Detalhes sobre a persona-

gem que será interpretada pela artista, porém, ainda não foram divulgados. O quinto ano estreia em outubro nos EUA. No Brasil, a série é exibida pela Fox, ainda sem data marcada para o novo ano.


D8

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1ยบ DE MARร O DE 2015


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
EM TEMPO - 1º de março de 2015 by Amazonas Em Tempo - Issuu