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EM TEMPO - 1º de fevereiro de 2015

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

DOR QUE NÃO PASSA

O marceneiro Jhonny Souza perdeu o pai, Domingos

Francineide Guedes perdeu a filha, Quézia, e o neto, Luís

O borracheiro Manuel Fernandes perdeu a filha, Adriane

O BRASIL DEIXA MUITO A DESEJAR QUANDO O ASSUNTO É LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO. NEM A MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE CONSEGUE EVITAR A IMPUNIDADE PRESENTE EM UMA INFINIDADE DE CASOS, COMO O DA TRAGÉDIA NO COMPLEXO VIÁRIO 28 DE MARÇO, QUE DEIXOU 16 VIDAS PARA TRÁS. SÃO FERIDAS ABERTAS QUE NENHUM REMÉDIO CONSEGUE CICATRIZAR. UMA DOR QUE NÃO PASSA. POLÍTICA A6 E DIA A DIA C4 E C5

DIVULGAÇÃO

Fevereiro começa com posse

Saladas são fontes de vitaminas e minerais, porém o acréscimo de frutas, linhaça, chia, quinoa e até temperos como o alho agrega valor nutricional ao prato.

Hoje, 24 deputados serão empossados na Assembleia Legislativa do Estado. Em Brasília, tomam posse o senador Omar Aziz e oito deputados do Amazonas. Política A7

A medicina ortomolecular também é aplicada no tratamento de animais que sofrem com problemas digestivos e até patologias degenerativas crônicas.

Tentou matar mulher com 12 facadas Harrison de Souto Silva, 30, desferiu 12 facadas em sua companheira, Valéria de Freitas Santana, 20, depois que ela resolveu romper o relacionamento. Ele tentava fugir para o município de Presidente Figueiredo quando foi preso no ônibus. Última Hora A2

Flu estreia na Taça Guanabara O primeiro desafio do Fluminense na Taça Guanabara será hoje, contra o Friburguense, no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Pódio E3

O arquiteto Severiano Porto mora hoje em Niterói, no Rio, onde se trata do mal de Alzheimer

Comprar um imóvel na planta oferece benefícios ao cliente, mas há fatores que podem acabar influenciando no resultado final do investimento.

O arquiteto da Amazônia

EM TEMPO relembra a contribuição de Severiano Porto para a arquitetura do Amazonas. Seus projetos, que sempre respeitaram a identidade regional, muitas vezes foram alterados e até mesmo demolidos, numa demonstração de ingratidão com a história da cidade e com o legado de um dos gênios do urbanismo brasileiro. Dia a dia C2 e C3

CURUMIM

Personagem Sherlock Holmes (ilustração) tem hoje uma nova fama com séries de TV que reencarnam suas histórias e outras, de investigação, baseadas em suas características.

Início de ano é período de muita chuva. E quando chove é um dia bom para ficar em casa, tomar um chocolate quente, ler um gibi ou ver um bom filme. Mas você sabe como ocorre o fenômeno da chuva? O CURUMIM conta tudo, tintim por tintim.

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CURUMIM.

TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 33

MÍN.:

24

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

ANO XXVII – N.º 8.614 – DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO


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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

Corregedoria de Justiça analisa processos no AM Entre análises que serão feitas pela Coordenação de Controle Regional estão processos que envolvem Adail Pinheiro, prefeito cassado do município de Coari

Serena Williams é hexa na Austrália e busca recorde SÃO PAULO, SP - O favoritismo prevaleceu. Pela sexta vez, Serena Williams, número um do mundo, conquistou o Aberto da Austrália, após derrotar Maria Sharapova em dois sets, 6/3 e 7/6 (7-5). A segunda colocada do ranking veio com tudo contra Serena e até levou o último set para o tie-break, mas não conseguiu reverter o retrospecto de 17 vitórias da norte-americana no duelo. Serena soma agora 19 títulos em Grand Slams e se tornou a segunda maior vencedora da história na Era Aberta do tênis, atrás da alemã Steffi Graf, com 22 conquistas. O primeiro set chegou a ser paralisado devido à chuva, interrompendo um jogo bem igual entre as duas, sem quebras de serviço. Após a quadra ser coberta, Serena confirmou

o saque e quebrou o da adversária, abrindo caminho para a vitória. No segundo set, Sharapova trouxe seu melhor jogo, esbanjando força nas bolas e sacando junto ao corpo da adversária. Apesar de cometer mais erros, Serena conseguiu se manter à frente devido ao aproveitamento de aces, marcando 18, contra apenas cinco da russa. Esta foi a quarta final de Grand Slams entre Serena e Sharapova. A primeira leva vantagem com as conquistas na Austrália em 2007 e Roland Garros em 2013. A russa conseguiu a vitória apenas em 2004, em Wimbledon. Com a conquista, Serena chega ao sexto título na competição, juntando às conquistas de 2003, 2005, 2007, 2009 e 2010. DIVULGAÇÃO

ARQUIVO EM TEMPO

TÊNIS

Além do andamento dos processos contra Adail Pinheiro (foto), membros da CNJ devem acompanhar ações contra juízes do AM

repercussão social. Entre os processos que serão analisados pelo grupo, durante a inspeção no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), estão os que envolvem o prefeito cassado de Coari, Adail Pinheiro, e administrativos disciplinares contra juízes de 1º e 2º graus do próprio TJAM. A correição do CNJ foi informada à presidente da

corte, desembargadora Graça Figueiredo, por meio do ofício circular 004 de 16 de janeiro de 2015, assinado pela corregedora nacional de Justiça, Nancy Andrigui. De acordo com o documento, as ações implicarão na análise dos autos dos processos, devendo os mesmos serem disponibilizados a acessos “ao inteiro teor do processo,

RERODUÇÃO

MISSES

Miss Amazonas 2015 é marcado por atitude de candidata revoltada com o resultado

Confusão em concurso de beleza A confusão formada entorno do Miss Amazonas, realizado na noite da última sexta-feira (30), quando a segunda colocada, Sheislaine Hayalla, em um gesto de fúria arrancou a coroa de Carol Toledo, anunciada vencedora do concurso, rendeu e virou tema principal das redes sociais por todo o país. Blogueiros com renome nacional repercutiram o destempero de Sheislaine, que não pensou duas vezes em escancarar sua raiva. O evento aconteceu no Centro de Convenções Vasco Vasques, localizado na Zona Oeste de Manaus. De acordo com declarações dadas por Sheislaine, após o

incidente, a ação foi movida pelo sentimento de revolta, pois a vitória de Toledo teria sido armada em virtude de acordo financeiro. “Cada candidata tem potencial, mas acho injusto que uma candidata que não está preparada, uma candidata que não tem condições nenhuma de chegar ao Miss Brasil, para levantar o nome do Estado, ser classificada e até mesmo ganhar o Miss Amazonas”, e emendou, “simplesmente, em Manaus, é o dinheiro que manda e estou mostrando para o povo amazonense que o dinheiro não manda aqui”. A reportagem tentou contato com os princi-

pais envolvidos, Sheislaine Hayalla, Carol Toledo e Lucios Gonçalves, que é o responsável pela organização do Miss Amazonas 2015, mas até o fechamento desta edição não teve as ligações atendidas. A candidata Roci Souza, quinta colocada na disputa, foi localizada, mas preferiu não comentar o assunto. Em 2015, o Miss Amazonas contou com a participação de 12 candidatas e celebrou o jubileu de diamante, em comemoração aos 60 anos do concurso no Estado. Carol Toledo, 20, estudante de direito, representará o Amazonas na versão nacional da disputa.

esteja ele tramitando por meio físico ou eletrônico”, diz trecho do ofício. Essa não será a primeira vez que o Tribunal de Justiça do Amazonas recebe membros da Corregedoria Nacional de Justiça. Em abril de 2013, atividades de correição foram dirigidas pelo conselheiro Gilberto Valente Martins.

SÃO JOSÉ 2

Polícia investiga homicídio A Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS) investiga o assassinato de um estudante identificado como Ewerton Araújo Lima, 18, que foi morto com quatro tiros na cabeça. O crime aconteceu na madrugada de ontem (31), após a vítima ser abordada na rua Marginal, localizada no bairro São José 2, Zona Leste de Manaus, por dois homens que estavam em uma motocicleta de características não identificadas por testemunhas. O fato de Ewerton Lima ter recebido quatro tiros na cabeça é interpretado pelos investigadores da DEHS e familiares como caracteríca de execução. De acordo com os relatos feitos por familiares da vítima à polícia, os suspeitos rondavam as ruas do bairro e dispararam contra o estudante no momento que o reconheceram. O jovem chegou a ser levado ao hospital e pronto-socorro João Lúcio, que também fica localizado na Zona Leste de Manaus, mas teve o óbito constatado antes de dar entrada na unidade de saúde. A polícia ainda não aponta suspeitos pelo assassinato.

Serena Williams pode alcançar recordista Steffi Graf

FLORES

Homem é preso por dar 12 facadas em ex-companheira JOSEMAR ANTUNES Especial EM TEMPO Online

O industriário Harrison de Souto Silva, 30, foi preso em flagrante por policiais civis do 12° Distrito Integrado de Polícia (DIP), por volta das 15h de sexta-feira, na Rodoviária, bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus. Ele é suspeito de ter desferido 12 golpes de faca na companheira, identificada como Valéria de Freitas Santana, 20. Segundo o padrasto da vítima, o agente de portaria Jonas Oliveira Colares, 42, o casal viveu cinco meses juntos e após muitas idas e vindas, brigas entre eles, além de proibições feitas por Harrison, a jovem decidiu terminar o relacionamento. “Valéria estava morando conosco há cinco dias e Harrison estava perseguindo e ameaçando constantemen-

te caso ela não voltasse para ele”, contou. De acordo com a delegada titular do 12° DIP, Fabíola Queiroz, a prisão ocorreu após denúncias e ajuda de familiares da vítima. Segundo ela, Harrison tentava fugir para o município de Presidente Figueiredo. Em depoimento, Harrison disse que flagrou Valéria com outro homem. “Ao chegar do serviço encontrei ela se agarrando com outro homem e depois comecei a esfaquear. Estou arrependido”, diz. O crime ocorreu por volta das 11h. A vítima passou por dois procedimentos cirúrgicos e permanece em estado grave. Harrison foi autuado pelos crimes de lesão corporal, pela Lei Maria da Penha, e tentativa de homicídio. Ele será encaminhado à cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa. JOSEMAR ANTUNES

M

embros do grupo de trabalho da Coordenação de Controle Regional, da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), estarão em Manaus de fevereiro a abril para analisar o andamento de processos inclusos no programa Justiça Plena, que monitora o andamento de autos judiciais de grande

Harrison foi preso quando tentava fugir para outra cidade


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

E depois, relaxa? Na relação entre Estados, a diplomacia e o direito exigem uma declaração explícita antes que um ou mais deles inicie ações de guerra. Na questão interna da segurança pública, descarta-se esse protocolo: não existe guerra, mas a defesa do direito público e privado. O bandido age sozinho ou em quadrilha, não precisa ser avisado que será atacado, ainda mais porque ataca sem avisar. Mas, na sexta-feira 30, bandidos e não bandidos foram avisados pelas emissoras de rádio locais que a Secretaria de Segurança dedicaria este fim de semana a combater o crime, em uma blitz radical. Desde a carteira de motorista e os documentos do veículo vencidos até a “parada para verificação” daqueles que eventualmente “têm cara de bandido”, tudo que fosse suspeito de crime, transgressão ou qualquer tipo de delito ou ilegalidade seria alvo da mais minuciosa investigação. Um bom momento para a bandidagem tirar uma folga e passar um fim de semana em um sítio da região metropolitana, longe da polícia e próxima de novas e incautas vítimas. Existem dois ângulos importantes para se observar essa estratégia. Primeiro: ninguém avisa bandido de que a polícia está chegando, a não o ser o olheiro que ele planta na esquina. Segundo, mas não por ordem de importância: a Secretaria de Segurança e seus braços de prevenção e repressão ao crime são um instituto da ordenação do Estado. Está dito: Secretaria de Estado de Segurança, com objetivos claros de servir e defender a sociedade e o cidadão. Estranha-se que o combate ao crime seja anunciado como um evento de fim de semana, quando bandidos e contraventores estariam em cardume, à espera das malhas policiais, e não seja uma ação contínua, cotidiana, que devolva a credibilidade das polícias Civil e Militar. Não pode haver trégua no combate ao crime.

Massami no Guiness Book O deputado federal Massami Miki (PSL) pode entrar, nas próximas horas, para o Guiness Book. A façanha do nissei amazonense foi cumprir o mais curto mandato da história política do país. Massami esteve deputado federal por 11 dias, em substituição a Humberto Michiles (PR), que se licenciou para assumir a Secretaria de Educação da cidade de Manaus. Ligeirinho O mandato de Massami foi tão curto que não deu nem tempo de aprontar o paletó que ele havia encomendado para a posse. E sequer conheceu todos os funcionários do gabinete. Obra do destino Miki caiu de paraquedas na Câmara por obra e graça do destino. O mandato pertenceria a Humberto Michiles, que preferiu continuar secretário de Educação, abrindo espaço para o terceiro suplente: ele mesmo, Massami Miki. Honrou mandato Mas nosso destemido samurai foi lá e honrou o “mandato”. Ao deixar a Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (30), ainda teve tempo de mandar uma carta à presidente Dilma Rousseff, pedindo “melhor atenção” para o desenvolvimento social do Amazonas.

— Se comparado aos outros Estados da Federação, estamos entre os últimos em crescimento do IDH! –, advertiu Massami. Suspiro aliviado Dilma deve ter tremido nas bases. E suspirado aliviada quando soube que Massami ia embora e ela não teria que enfrentar sua oposição sistemática. Rota no Planalto Eleito com 117.995 mil votos no Amazonas, o deputado federal Marcos Rotta (PMDB–AM) desembarca em Brasília decidido a

fortalecer a luta por melhorias na qualidade dos serviços de telefonia móvel e fixa no Amazonas. Estreante Marcos Rotta assume pela primeira vez um cargo no Congresso Nacional. Mas tem a experiência acumulada no exercício de quatro mandatos consecutivos de deputado estadual, entre 1999 e 2014. No Pará é pior A explosão da população carcerária no Amazonas está complicada, mas no Pará está pior. Enquanto o Amazonas possui 5.276 detentos em seus presídios, e o Acre, 4.320, o Estado vizinho concentra hoje a maior população carcerária da Amazônia, com quase 12.800 presos. Triplicou Nos últimos 13 anos, segundo dados da Susipe (Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado), o número de encarcerados no Pará quase quadriplicou. Saltando de 3.210, em 2001, para 12.767, em 2014. Roraima O menor número de encarcerados está em Roraima, com 1.645 presos. O Estado também tem o menor déficit, com carência de 543 vagas no sistema prisional. Insensatez Houve vereador que não conseguiu se eleger deputado estadual. E ao invés de tomar isso como uma lição para rever sua atuação política, decidiu encontrar um culpado para o fiasco nas

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

urnas. E aí saiu demitindo todos os assessores. ‘Periquiticídio’ A marchinha “O Mistério do Periquiticídio”, que animará o Carnaval da Banda Independente e Confraria do Armando (Bica), será lançada nesta quinta-feira no “esquenta” da banda. Mas já vai estar à venda, a partir de terça-feira, no balcão do bar, juntamente com a camiseta. Mais polêmica Este ano, para variar, o enredo da Bica é polêmico. “Na Bica não tem conflito, votamos em careca e gostamos de periquito”, unindo a última eleição com a morte misteriosa dos periquitos na avenida Ephigênio Sales. Samsung A Samsung anunciou, nesta quinta (29), o lançamento da linha de smartphones Galaxy A, que inclui os aparelhos Galaxy A3, Galaxy A5 e Galaxy A7. Os dispositivos chegam às lojas brasileiras em fevereiro por R$ 1.199, R$ 1.499 e R$ 2.099, respectivamente. Fãs de selfie Voltados para os fãs das selfies, os celulares têm câmera frontal de cinco megapixel e permitem disparar fotos com comandos de voz ou movimentos das mãos. Além disso, possuem tecnologia para a captura de autorretratos panorâmicos. ‘Pau de selfie’ Para ele, a característica faz com que os celulares Galaxy A excluam a necessidade do “pau de selfie”.

VAIAS

Dudu Brasil

Regi

Barraco no Miss Amazonas DIVULGAÇÃO

REPRODUÇÃO

Para o músico amazonense Dudu Brasil, que com apenas 16 anos, é o convidado especial do G.R.E.S Estácio de Sá para desfilar no carro de som, tocando seu violão de sete cordas ao lado do lendário puxador Dominguinhos do Estácio. A escola desfila no sábado.

Para o gesto tresloucado da candidata ao Miss Amazonas, Sheislane Hayall, que arrancou a coroa da cabeça da vencedora, Carolina Toledo. Inconformada com o segundo lugar, Sheislane armou o maior barraco no concurso, criando uma situação vexatória e inusitada.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Aonde chegamos A História está repleta de relatos referentes a sociedades que se organizaram para o crescimento e assim subiram a um nível máximo, para depois entrarem num processo de gradativa desagregação que as levou à decadência em todas as diferentes dimensões: como não há compartimentos estanques, quando uma sociedade ascende ou decai, o faz nos planos econômico, cultural, moral, religioso, organizacional. O propósito aqui é tentar compreender e analisar o que presentemente acontece ao nosso Brasil. Se Babilônia teve o seu tempo de império, antes de entrar em declínio; se a Grécia assombrou o mundo até ser engolida pelo império romano; se Roma praticamente governou o mundo antigo antes da decadência; se a Alemanha nazista e o Japão estiveram a ponto de dominar o planeta e depois foram aniquilados; se a Inglaterra forjou um império “onde o sol nunca se punha”, para depois ser superada; se os Estados Unidos da América, hoje a nação de maior poder, já assistiu à debacle da sua parelha e maior concorrente, a poderosa União Soviética; então se torna inevitável a angustiante pergunta: por que o Brasil, sem jamais ter alcançado a posição de grande potência e de país que oferecesse um padrão de vida de boa qualidade à sua população, portanto antes do pico, se vê neste declínio, nesta decadência que o leva a situar-se entre os piores índices sociais e culturais do planeta? A economia nacional entra em processo de estagnação e recessão; a educação é vergonhosa e leva centenas de milhares de estudantes do nível médio ao prodígio de ganhar nota zero na tarefa de produzir uma redação; dentre os que vão adiante no processo escolar uma grande parte se caracteriza como analfabeta funcional; a corrupção grassa no seio

do governo, onde seus agentes se promiscuem com um empresariado canalha, absolutamente desprovido de ética e, sobretudo, de senso de responsabilidade social. Tudo leva a crer que vivemos hoje numa sociedade em que o mal da imoralidade, da inconsciência social, do despudor, contaminou de tal forma a nação, que os poucos que reagem à síndrome do mau caráter, além de quase raridade, ainda são apontados pela massa como anacrônicos e paspalhos. Enfim, o contágio se deu e a doença se propagou de forma endêmica. E quando pensamos que o fundo do poço foi alcançado, eis que de novo o milagre brasileiro se manifesta e nos atinge com um golpe surpreendente. Agora foi a vez dos médicos, uma categoria que fomos condicionados a admirar e sobretudo a respeitar. Afinal, o médico, nas sociedades contemporâneas, incorporou o papel que outrora pertenceu ao xamã, ao grã-sacerdote, pajé ou curandeiro, cujos poderes mágicos e saberes pessoais eram buscados pelos membros da comunidade nos momentos em que deles necessitava. Pela sede de dinheiro que a todos conspurca e quase a ninguém poupa, assistimos à chocante revelação de médicos que realizam procedimentos desnecessários, a fim de por eles receber; que indicam próteses apenas para ganhar comissões de quem as vende; que usam materiais vencidos e impróprios, pelos quais cobram, enquanto põem em risco as vidas dos que neles confiaram. Quando ao dinheiro era dado apenas o justo valor que realmente tem, nossos médicos eram outros. Respondiam pelos nomes de Adriano Jorge, Comte Telles, Rayol dos Santos, Romualdo Seixas, Hosannah da Silva, Osvaldo Gesta, João Lúcio Machado e alguns mais. A estes, a nossa saudade e, mais ainda, o nosso respeito.

João Bosco Araújo Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

Tudo leva a crer que vivemos hoje numa sociedade em que o mal da imoralidade, da inconsciência social, do despudor, contaminou de tal forma a nação, que os poucos que reagem à síndrome do mau caráter, além de quase raridade, ainda são apontados pela massa como anacrônicos e paspalhos”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Os anéis e os dedos

No Brasil, para ser médico hoje, basta pagar R$ 6 mil por mês. Não posso impedir que um incompetente se torne médico, e que ele tenha o mesmo direito que eu tenho. Isso porque ele tem um papel que uma instituição credenciada pelo MEC emitiu. E eu tenho que reconhecer. (...) A prova do Enade não tem consequência, nem para o aluno, nem para a escola

Dilma Rousseff teme, caso Eduardo Cunha (PMDB-RJ) seja eleito presidente da Câmara, ficar sem aliados no comando das comissões - porta de entrada dos projetos de lei de interesse do governo - e ser surpreendida por uma “pauta-bomba”. O peemedebista tem prometido que votará a redução do percentual da receita que o governo pode usar livremente (a chamada DRU) e levará a plenário, já nesta semana, o Orçamento impositivo, que obriga o governo a liberar recursos para emendas. No guichê Diante do risco de os partidos aliados serem alijados dos postos estratégicos da casa, ganhou força nos últimos dias a pressão de ministros sobre partidos da base para formarem um “blocão”, liderado pelo PT, que tenha primazia nas escolhas. Tesoureiro Uma das razões elencadas por vários deputados para hipotecar apoio a Cunha é a atuação direta do peemedebista para que empresas fizessem doações que foram fundamentais na reeleição de vários deles. Não vai... Adversários de Cunha estudam fazer um requerimento à Mesa para que haja proibição de uso de celulares no plenário da Câmara durante a eleição.

Valeu Arlindo Chinaglia (SP) telefonou para o senador eleito José Serra (SP) para agradecer a declaração do tucano favorável a um apoio ao petista num eventual segundo turno contra Cunha. Só que não No entanto, tucanos dizem que, nesse cenário, a bancada votará em peso no peemedebista. No lápis A ministra Kátia Abreu (Agricultura) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR), encarregados de contar votos na sucessão do comando do Senado, apontam 46 votos “seguros” em Renan Calheiros (PMDB-AL), margem considerada muito apertada.

...ter selfie Boatos dão conta de que o QG de Cunha estaria exigindo fotos da urna eletrônica para comprovar votos no peemedebista.

Voo solo Marta Suplicy (SP) não deu explicações para sua ausência na reunião da bancada do PT que discutiu a posição do partido na eleição do Senado. Há poucos dias, disse a um colega que votaria em Renan.

Nota 10 Questionados sobre as razões para a exigência da foto, um petista arrisca: “Sabe aquele bom aluno que leva o boletim para a mãe para ganhar um presente? Então...”.

Fazer o quê? Ministros de Dilma relatam que a adoção da candidatura de Luiz Henrique (PMDB-SC) pela oposição forçou um engajamento que o palácio não queria ter na

reeleição de Renan. Nós e eles Antevendo a oportunidade, Renan, que andava desgastado com o governo graças à composição do primeiro escalão, adotou o discurso de que sua derrota seria a vitória de Aécio Neves (PSDB-MG) sobre Dilma. Inflexível A Força Sindical quer levar uma ação de inconstitucionalidade já pronta para a reunião de terça-feira com ministros sobre as medidas provisórias que impõem regras mais rígidas para concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários.

Braulio Luna Filho, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo encontra na má qualidade do ensino nas faculdades paulistas uma das causas para a reprovação de 55% dos recém-formados na última edição do exame aplicado pelo órgão. As instituições particulares atingiram 65,1% de reprovação, e as públicas, 33%.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

IONE MORENO

Fecha o chuveiro O governo federal considera real o risco de que a crise hídrica de São Paulo se repita no Rio e vai cobrar do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) medidas para racionalizar o consumo e ampliar o tratamento de esgoto. Caminhão-pipa As obras e medidas de aperto no consumo que o governo discute com Rio e Minas levam em conta que a água desses Estados poderá ser usada para socorrer São Paulo.

Tiroteio

Aí está uma atitude de verdadeiro campeão, que honrou a Arena da Amazônia no último fim de semana, com a vitória do Flamengo sobre o São Paulo, em um dia em que as torcidas tinham tomado em casa seu remédio “senta que o leão é manso” e se mostraram dóceis, como jamais visto nos gramados do país. Uma vez Flamengo... é porque nasceu Flamengo

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Sem escrúpulos, o PT construiu tal supremacia que tem duas chances de vitória no Senado. Nem um nem outro criará dificuldade a Dilma”

Vida religiosa

SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), sobre a disputa entre Renan Calheiros e Luiz Henrique; para ele, no entanto, o segundo representa mais autonomia.

Noventa anos atrás, chegavam ao Brasil as Franciscanas Missionárias de Maria, uma congregação de religiosas missionárias. O grupo era formado por sete irmãs, todas de nacionalidades diferentes. Este primeiro grupo se dirigiu para o interior do Amazonas ocupando-se de imediato com serviços de saúde e de educação. Dez anos antes, haviam chegado os salesianos, que aqui já encontraram, entre outros, as irmãs Doroteias, os capuchinhos, os espiritanos. Ao longo dos anos, foram chegando outras congregações religiosas, masculinas e femininas. Estes homens e mulheres provenientes de diversos países fazem parte da história da igreja na Amazônia e transcendem seus limites. Suas escolas educaram e continuam a educar, seus hospitais e postos de saúde salvaram vidas e supriram durante décadas a ausência do Estado. Nós os vemos participando da vida do povo, visitando comunidades, ajudando a sua organização, transmitindo a fé. Na explosão urbana, lá estavam eles e elas, fundando comunidades, exigindo a presença do poder público, humanizando relações. Seus nomes estão nas escolas, nas ruas, em hospitais e casas de saúde. A sociedade reconhece a dedicação e a coragem desta pequena multidão de irmãs, irmãos, padres e freis, como são chamados. São parte essencial da Igreja. Para agradecer a Deus o dom da vida religiosa, mas também para agradecer a eles, reconhecendo a sua presença inestimável na vida da igreja e do mundo, para fortalecer e dar ânimo aos consagrados e consagradas e ao mesmo tempo pedir ao Senhor que continue a suscitar nos co-

Contraponto

Ouça um bom conselho Na reunião que fez com seus apoiadores na sexta-feira, Renan Calheiros (AL) contou que o também peemedebista Luiz Henrique (SC) demonstrou autoconfiança quando foi comunicá-lo sobre sua decisão de enfrentá-lo na eleição para a presidência do Senado. – Renan, sou experiente. Nunca perdi uma eleição – disse o senador dissidente. Favorito na disputa, o atual presidente da Casa não se abalou e devolveu na mesma moeda: – Acho que sou mais experiente que você, porque já perdi mais de uma. E vou te dizer uma coisa: é duro! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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rações o desejo da consagração, o papa Francisco proclamou o Ano da Vida Consagrada, que começou no primeiro Domingo do Advento, no ano passado, e vai até a festa de Cristo Rei deste ano. É uma ocasião para refletirmos sobre este estado de vida, que atrai, mas que também causa estranheza, pois fazendo da obediência, da pobreza e da castidade modos de vida, vai ao encontro de ideais e desejos legítimos e arraigados. Só se pode entender a vida religiosa a partir da fé. É o encontro com Jesus Cristo que nos últimos dois mil anos tem levado pessoas a deixar tudo e a viver exclusivamente a serviço do Reino. De forma radical, alguns se retiram para os claustros, onde dia e noite perseguem o objetivo de conformar-se com o mestre. Vivendo em comunidade, formam as grandes ordens contemplativas. A maioria, partilhando o carisma de um fundador, encontra em atividades concretas de serviço, sem perder a dimensão contemplativa numa vida de oração intensa, a realização concreta da consagração que se traduz em uma vida de serviço. Todos conhecemos Francisco de Assis, Teresa de Ávila, João Bosco e tantos outros, mas com certeza nos lembraremos de irmãs que fizeram e fazem parte da nossa vida. Gente que veio de longe e gente que aqui nasceu. O mundo seria mais pobre sem eles e sem elas. E a messe continua grande. Mesmo que o Estado tenha assumido suas funções e serviços, o essencial da vida religiosa, que é o amor sem limites, continua necessário e é um caminho que realiza e que torna o caminhante feliz e livre.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo metropolitano de Manaus

Todos conhecemos Francisco de Assis, Teresa de Ávila, João Bosco e tantos outros, mas com certeza nos lembraremos de irmãs que fizeram e fazem parte da nossa vida. Gente que veio de longe e gente que aqui nasceu. O mundo seria mais pobre sem eles e sem elas”


Com a Palavra

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

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Ricardo BRITTO

‘As Conquistas DO ESTADO SOCIAL não podem SER DESPREZADAS’

RAIMUNDO VALENTIM

SÍNTIA MACIEL Equipe EM TEMPO

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a semana em que se celebrou o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo – 28 de janeiro -, o subprocurador-geral do Trabalho, Ricardo José Macedo de Britto Pereira, 53, esteve de passagem por Manaus, para tratar de assuntos institucionais e, em entrevista ao EM TEMPO, falou, entre outras coisas, sobre o referido tema. Autor de um livro recém-lançado, sobre ações coletivas, Ricardo Britto também abordou questões trabalhistas e as medidas provisórias do governo federal, que alteram regras de acesso a benefícios como segurodesemprego, abono salarial e seguro-defeso.

Geralmente, onde o Estado se faz menos presente é onde se verificam as maiores violações. E ao mesmo tempo, existe uma espécie de naturalização dessas violações, ou seja, os trabalhadores, em razão deste desamparo, consideram a exploração da mão-de-obra barata como sendo uma oportunidade de ganhar alguma coisa, para sustentar a família, e acabam aceitando condições inadequadas de trabalho e não tem a quem recorrer”

EM TEMPO - Esta semana foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, uma prática ainda recorrente no país. O que falta para eliminá-la? Ricardo Britto - As instituições têm se fortalecido e onde o Estado se faz presente, estas práticas são menos frequentes, e onde o Estado tem menos acesso, ainda temos situações bem preocupantes de exploração de trabalhadores de várias formas: trabalho infantil, trabalho em condições análoga a escravo, discriminação, total descaso com o meio ambiente de trabalho. As instituições fortes são um instrumento importante para implantar um padrão de trabalho descente no nosso país. EM TEMPO - A falta de sanções mais duras contribui para tal prática? RB - As pessoas confiam muito na impunidade. Este é um fator que ainda determina essas práticas, por isso que precisamos ter um instrumento de reação muito duro contra ela, para mostrar que não vale a pena utilizar trabalho em condições totalmente desumanas. Afora outros descumprimentos da legislação. EM TEMPO - Os trabalhadores conhecem os seus direitos? RB - Os trabalhadores têm consciência de seus direitos, mas existe às vezes uma dificuldade, por parte do próprio trabalhador, em exigir o cumprimento desses direitos, em razão de atitudes que algumas empresas adotam, e também de receios. Por exemplo, em algumas localidades, se o trabalhador toma providências para ter o seu direito respeitado, ele pode não conseguir emprego, ele

pode ser discriminado. O trabalhador, sozinho, tem dificuldade de exigir respeito integral a tudo o que está previsto no ordenamento jurídico. Por isso que nós temos a figura dos sindicatos e principalmente a figura do Ministério Público do Trabalho, que atua na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores coletivamente. É um instrumento de reação eficaz para que não haja desrespeito aos direitos dos trabalhadores, no plano coletivo. EM TEMPO - O senhor lançou um livro, recentemente, sobre as ações coletivas, que em geral dão mais resultados que as individuais. Uma ação inviabiliza a outra ou, dependendo do caso, uma é mais eficaz que a outra? RB - Na verdade, a reclamação trabalhista individual é um direito de todo trabalhador. O fato de existir atuação coletiva do sindicato, atuação coletiva do Ministério Público, não elimina essa possibilidade do trabalhador reclamar os seus direitos na Justiça do Trabalho. O problema é que muitas vezes essa reclamação acaba não atendendo aquilo que o trabalhador espera, em primeiro lugar, pelo custo do tempo do processo. Muitas vezes, o empregado não tem como suportar aquilo, o empregador tem condições de arcar com o tempo do processo. Para ele é até vantajoso. Então o que ele faz, ele viola o direito. Depois de muito tempo, ele tenta fazer um acordo para resolver a situação, pagando metade ou menos da metade daquilo que seria devido. Esse aceso à Justiça é um acesso garantido a todos os trabalhadores, e muitas vezes se mostra inefetivo, porque o trabalhador, sozinho, tem muita dificuldade para conseguir, na integralidade, aquilo que não foi observado pelos empregadores. A ação coletiva não inviabiliza a ação individual, mas a ação individual não resolve o problema como um todo. Geralmente, como essas violações dizem respeito não apenas a um trabalhador, mas um grupo de trabalhadores, então é a ação coletiva que vai resolver o problema. EM TEMPO - As entidades que atuam em benefício do trabalhador têm se mostrado eficientes em assegurar e combater as violações dos direitos trabalhistas? RB - No caso do Ministério Público do Trabalho, a atuação é muito impactante, e tem se verificado em várias partes do país. É claro que a estrutura ainda não é a adequada para combater todas as violações. Precisa de mais procuradores, mais servi-

dores, mais procuradorias. EM TEMPO - E qual seria essa estrutura ideal? RB - Precisa aumentar bastante, justamente para penetrar em todo o país. Há regiões que há uma urgência do Estado, não só do Ministério Público do Trabalho, mas do Estado em geral. É preciso adentrar no interior do país para que haja um respeito ao trabalhador e aos seus direitos. Geralmente, onde o Estado se faz menos presente, é onde se verificam as maiores violações. E ao mesmo tempo existe uma espécie de naturalização dessas violações, ou seja, os trabalhadores, em razão deste desamparo, consideram que a exploração da mão-de-obra barata acaba sendo uma oportunidade de ganhar alguma coisa, para sustentar a família, e acabam aceitando condições inadequadas de trabalho e não têm a quem recorrer. É importante que essas instituições se fortaleçam mais, para prestar esse serviço público, de defesa dos interesses e dos direitos da coletividade trabalhista. EM TEMPO - Por falar em violação dos direitos trabalhistas, como o senhor avalia as medidas propostas pelo governo federal, que alteram as regras de acesso a benefícios previstos em lei? RB - Eu vejo com muita preocupação esse anúncio do governo de reduzir direitos, até porque a Constituição Federal prevê expressamente, no artigo 7º, que trata dos direitos dos trabalhadores rurais e urbanos, a melhoria das condições sociais dos trabalhadores. A Constituição, a princípio, não admite retrocesso. Essa redução de direitos é percebida claramente no seguro-desemprego. Vai haver um desamparo para várias pessoas desempregadas, em razão do período exigido para receber o primeiro benefício do seguro-desemprego, que passa de seis meses para dezoito meses. Haverá um grande número de pessoas sem possibilidade de empregá-las. Estamos em um quadro de crise econômica preocupante, e, na minha opinião, ela não é resolvida pela eliminação de direitos. As conquistas do estado social não podem ser desprezadas. Tem que ser pensado em outras maneiras de obter recursos, mas não às custas de direitos trabalhistas. EM TEMPO - Então a medida do governo federal seria inconstitucional? RB - Essa questão da inconstitucionalidade gera muita discussão. Em um primeiro momento, considerando esta imposição

constitucional, você pode perfeitamente defender que a supressão de direitos é inconstitucional. Depende também por qual via virá essa supressão de direitos. Se é por medida provisória ou se é por uma lei. A medida provisória não é um instrumento adequado para tratar de direitos fundamentais. Isso deveria ser regulado por lei, precedido de um amplo debate na sociedade, para que essa decisão seja considerada legítima. Mas, assim mesmo, verificando as alternativas possíveis. Não dá simplesmente para reduzir direitos e achar que isso pode ser feito de qualquer maneira. EM TEMPO - O país, neste caso, estaria regredindo nos benefícios sociais ao trabalhador? RB - Sem dúvidas. A supressão de direitos é uma regressão vedada pela Constituição Federal. Se não, ela [Constituição] não falaria nada sobre as melhorias da condição social. Simplesmente seriam apenas direitos. A melhoria da condição social é a progressão dos direitos, que é imposta pela Constituição. Há uma carência ainda de direitos sociais trabalhistas, que a Constituição, ou melhor, o constituinte originário detectou e impôs este projeto de melhorar a cada dia a condição dos trabalhadores. Isso tem que ser perseguido. Como primeira medida de um governo, a supressão de direitos trabalhistas, para mim, é bastante questionável. Porém, as instituições estão atentas a esse quadro. O Ministério Público do Trabalho, os sindicatos, que estão pressionando. As centrais sindicais levaram à presidente da República o descontentamento da classe trabalhadora com essas medidas. Acredito que a reforma não será feita, como inicialmente pensado ou como inicialmente anunciado. A supressão de direitos, como ocorreu em alguns países europeus, não obteve nenhum resultado para superar a crise econômica. Isso é muito questionável. É importante que se observe a Constituição, a imposição constitucional de estabelecer um patamar de condições de trabalho que deve ser observado. Isso eleva a condição da sociedade como um todo. Se você observa os direitos trabalhistas, você está contribuindo para aumentar a capacidade dos trabalhadores como consumidores. Não adianta você superar uma crise econômica tirando dinheiro da população. Isto porque a população para de consumir, o empresário para de produzir, e a crise é acentuada. Deixar ao desamparo os trabalhadores, não é a medida correta para ser adotada neste momento.

Vai haver um desamparo para várias pessoas desempregadas em razão do período exigido, para receber o primeiro benefício do seguro-desemprego, que passa de seis para dezoito meses”

Como primeira medida de um governo, a supressão de direitos trabalhistas é bastante questionável. Porém, as instituições estão atentas a esse quadro”


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Rigor nas leis de trânsito e vontade política resolvem?

COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Como a gente está no governo, eu defendo essa posição” LUCIANO DE CASTRO (PR-RR), sem demonstrar ânimo para votar em Arlindo Chinaglia (PT)

Petrobras pode ser punida por relatórios falsos Pode render indenizações bilionárias a acionistas da Petrobras, na Justiça de Nova York (EUA), investigação das autoridades fiscais americanas, como a Comissão da Valores Mobiliários de lá (SEC), em relação aos relatórios 20-F (“Form 20-F”), documentação obrigatória e anual de empresas estrangeiras que atuam nos Estados Unidos. Esse tipo de investigação tira o sono de Graça Foster, presidente da estatal. Mais prejuízos Se for atestada a falsidade dos relatórios, a Petrobras está sujeita a indenizações na Justiça e multas na Bolsa de Nova York. Risco de bancarrota Indenizações bilionárias, multas e derretimento no valor das ações nos EUA podem levar a Petrobras à bancarrota, segundo especialistas. Titanic brasileiro Roubo, gestão temerária e perdas bilionárias com indenizações podem formar a “tempestade perfeita” que leva qualquer Titanic ao naufrágio. ‘Pinóquia’ Líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA) bate firme: “Além de mentir na campanha, Dilma agora pede aos seus ministros que mintam também”. Dilma ainda não viu 10 dos seus 39 ministros Ao final do primeiro mês do novo mandato, Dilma ainda não recebeu 10 dos 39 ministros da Esplanada. Aloizio Mercadante (Casa Civil) despachou cinco vezes com ela, segundo a agenda oficial, enquanto a crise a fez

se reunir com Joaquim Levy (Fazenda) por quatro vezes e Dilma convocou Eduardo Braga (Minas e Energia) para aplicar três broncas. Todos os demais já foram recebidos pela presidente. Ministros ‘tipo B’ Dilma ainda não recebeu os ministros importantes, como da Justiça, Previdência, Comunicações, Relações Exteriores e Banco Central. Falta mais Os ministros do Trabalho, Assuntos Estratégicos, Advocacia-Geral, Comunicação Social e Segurança Institucionais aguardam despachos. Bolão otimista “Bolão” de deputados do PMDB, que deve chegar a 200 apostadores (R$ 50 cada), indica vitória de Eduardo Cunha com até 335 votos. Dia da Traição Este domingo é o Dia da Traição no Congresso, quando deputados e senadores dão razão à bem humorada sentença do falecido Tancredo Neves, num dia como o de hoje: “Na solidão da cabine indevassável, dá uma vontade louca de trair…” Vencerão os que forem menos traídos.

Jornalista

de Arlindo Chinaglia (PT) e Júlio Delgado (PSB) são limitadas.

Políticos e especialistas ouvidos pelo EM TEMPO afirmam que a educação também poderia ajudar a diminuir os acidentes DIVULGAÇÃO/DENATRAN

Cláudio Humberto

A maioria dos políticos ouvidos defendem mais campanhas educativas no país

Poço de mágoas Derrotado por Renan Filho (PMDB) no primeiro turno, na disputa pelo governo de Alagoas, Benedito de Lira (PP-AL) faz campanha contra a reeleição de Renan na presidência do Senado. Deve perder de novo. Comissão de Aloysio O PSDB quer a presidência a Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, na divisão de espaços do início da legislatura, mas pode ficar com a de Relações Exteriores, pretendida por Aloysio Nunes (SP). Nova no pedaço O tropa de choque do senador Renan Calheiros não sabe como se comportará a senadora eleita Rose de Freitas (PMDB-ES) na eleição ao comando do Senado. O assédio de Luiz Henrique (SC) é grande. PSDB rachado O PMDB aposta na divisão do PSDB em torno da candidatura de Luiz Henrique (SC) ao comando do Senado. Renan Calheiros visita e pede votos a amigos que tem entre os senadores tucanos.

Favorito no Senado As estimativas de experientes observadores do Congresso indicam que Renan Calheiros será reeleito presidente do Senado, neste domingo, com os votos de pelo menos 52 dos 81 senadores.

Efeito borboleta O PT culpa Dilma pela dificuldade de Arlindo Chinaglia na disputa pela presidência da Câmara. Ela diminuiu a interlocução com o Congresso, ao mesmo tempo que esvaziou o poder de suas lideranças.

Favorito na Câmara Eduardo Cunha (PMDB) pode vencer no primeiro turno a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, neste domingo. As chances

Pensando bem... ...Em um país como o Brasil, Eduardo Cunha na Câmara e Renan Calheiros no Senado são a mais perfeita tradução da classe política.

PODER SEM PUDOR

Humor na feira Maurício Fruet era uma figuraça. Sem mandato, em 1994, resolveu reformar sua loja, em Curitiba. Vestia roupas velhas e metia a mão na massa. Certo dia, foi caminhando da obra ao escritório. Encontrou um velho amigo, que pareceu chocado com sua roupa surrada. Fruet resolveu pregar-lhe uma peça: - A coisa não está boa. Perdi a eleição, estou desempregado, mas vou tocando: vendo laranjas na feira... Compadecido, o amigo enfiou discretamente em seu bolso uma nota de cem reais. No dia seguinte, às gargalhadas, Fruet o convidou para jantar e pagou a conta usando a mesma nota.

JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

R

igor na formação de condutores e vontade política são, segundo o especialista em segurança no trânsito Marcos Ferraz, elementos principais para a redução de mortes nas vias do país. O especialista lembra que o Brasil está entre os 50 países onde mais se morre em tragédias envolvendo automóveis, como asseguraram dados divulgados pelo Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat), divulgado em setembro de 2014, e precisa com urgência de leis ainda mais rigorosas na punição das pessoas flagradas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Junto com o rigor das leis, também se faz necessário uma intensificação maior nas campanhas de conscientização. Os responsáveis pela elaboração de leis têm papel fundamental nessas ações, é fato que temos evoluído, mas isso precisa ser constante. As brechas precisam ser fechadas, todos devem ser vistos de maneira igual, quando o assunto é trânsito”, comentou Ferraz. Em Manaus, que registrou 3,61 mortos a cada dez mil veículos, conforme divulgou o Manaustrans, projetos como o que pede a criação do Plano Estadual de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, elaborado pelo exdeputado Marcelo Ramos (PSB), tramita na Assembleia Legislativa Estadual (Aleam). O deputado reeleito Vicente Lopes (PMDB) também chegou

a apresentar requerimento solicitando que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Amazonas informasse a quantidade de mortes nas áreas protegidas pela sua jurisdição. O objetivo, disse Lopes, é a identificação dos locais com maiores índices de acidentes, para que “os remédios legais sejam elaborados pelas casas legislativas”. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o tema também esteve em destaque em 2014. O superintendente unicipal de transportes urbanos, Pedro Carvalho, e do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, chegaram a ser convidados a dar explicações sobre o fluxo de caminhões e carretas em horários de grande fluxo.

‘Emissão da CNH deve ser repensada’ TIAGO CORREA/CMM

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Para o deputado Carlos Alberto, deve haver mais rigor no Detran quanto à emissão das CNHs

Cristian Silva Souza, responsável pela morte de Mateus Gomes, 4, após atropelamento durante uma procissão, foi condenado em 2013, pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a 31 anos de prisão, enquadrado no crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar). Na ocasião, o vereador Marcelo Serafim (PSB), tio do menino, desabafou na tribuna da Câmara Municipal sobre

a decisão até então inédita no país. “O fato comoveu a opinião pública, repercutiu no país e agora, em decisão inédita, a Justiça do Amazonas condena em Júri Popular o Cristian por homicídio doloso”, falou. O deputado eleito Carlos Alberto (PRB) defende mais maior rigor na emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e afirma que, logo após assumir seu man-

dato, hoje (1º), vai propor um projeto de lei sugerindo ao Detran maior rigidez. “Não se pode entregar a qualquer pessoa uma carta, pois hoje observamos que alguns portadores de CNH não demonstram habilidade alguma. Vamos trabalhar para que o Detran seja mais rigoroso na emissão dessas carteiras”, sugere o parlamentar, que ainda defende as campanhas educativas.


Política

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POLÍTICOS TOMAM POSSE

Hoje, às 10h, tomam posse, em Manaus, os 24 deputados estaduais para o início da 18ª legislatura, em cerimônia na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Em Brasília, assumem o senador Omar Aziz (PSD) e os 8 deputados federais MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

O

s 24 deputados estaduais se preparam para logo mais, às 10h, serem empossados para quatro anos de mandato na 18ª legislatura. Os novatos têm expectativa de um bom desempenho em representar a população que os elegeu e, para os reeleitos, há segurança na experiência dos mandatos anteriores. Para o deputado Sinésio Campos (PT), apesar de estar assumindo o quinto mandato, sente a juventude e o vigor como se fosse o primeiro mandato. “Eu inicio esse novo mandato com a experiência adquirida com os mandatos anteriores, mas com o vigor e a juventude como se eu estivesse assumindo o primeiro mandato”, destacou. Representando as mulheres no parlamento estadual, a deputada Alessandra Campêlo (PCdoB) lamentou não ter conseguido fazer parte da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), mas disse estar preparada para novos desafios. “Eu me articulei para tentar compor a Mesa Diretora, mas não consegui. No entanto, vou trabalhar em conjunto com demais deputados”, disse.

Nova liderança O novo líder do governo, deputado David Almeida (PSD), que abraçou as demandas dos servidores públicos do Estado, agora trabalhará as questões do governo voltadas para a juventude, educação e esportes. “Por ser líder, vou me empenhar

EXPECTATIVAS

Com os novatos na Assembleia Legislativa do Estado, a expectativa de um bom desempenho em representar a população que os elegeu, e para os reeleitos, a segurança na experiência dos mandatos anteriores Na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) assumem os 24 deputados estaduais, entre eles dez são novatos e apenas uma mulher

em defender e implementar as propostas do governo, com ênfase na juventude, educação e esporte”, defendeu Almeida. Fiscalização e cobranças dos investimentos do governo nas áreas de educação, saúde e segurança continuarão sendo as grandes bandeiras defendidas pelo petista José Ricardo, além de apresentação de propostas, entre elas, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recomenda que o governo invista 30% do orçamento em educação. “Eu devo manter a mesma linha de fiscalização e cobranças ao governo do Estado”, destacou.

Senador e deputados federais assumem mandatos Quatro deputados estão se apresentando como independentes ou um tipo de “oposição responsável” para a 18ª legislatura, Vicente Lopes e Wanderley Dallas, ambos do PMDB, Sinésio Campos (PT) e Alessandra Campêlo (PCdoB). Os quatro parlamentares apoiaram a candidatura do ex-senador e atual ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga

(PMDB), nas últimas eleições para o governo. Apesar de se intitularem independentes, pelo menos dois deputados têm o discurso parecido. A deputada Alessandra Campelo, única mulher no parlamento estadual, disse que não fará “oposição por oposição”, e qualquer proposta do governo ou de outro colega que seja para beneficiar a

sociedade ela não terá problemas em votar a favor. No entanto, disparou: “Governa quem ganha e quem perdeu tem que fiscalizar”, se referindo à derrota de Braga. Posse federal O ex-governador Omar Aziz (PSD) também será empossado, hoje, em Brasília, no mesmo horário em que ocorre a posse na

Aleam. Assim como Omar, os oito deputados estaduais do Amazonas, Alfredo Nascimento (PR), Artur Bisneto (PSDB), Átila Lins (PSD), Conceição Sampaio (PP), Hissa Abrahão (PPS), Marcos Rotta (PMDB), Pauderney Avelino (DEM) e Silas Câmara (PSD) também tomarão posse para a Câmara Federal, para um mandato de quatro anos.


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Política

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‘Não sugeri a suspensão dos contratos da Petrobras’ Magistrado esclareceu que a manutenção da prisão dos executivos das empreiteiras é necessária para não cancelar contratos

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juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da operação Lava Jato, negou que tenha sugerido a suspensão dos contratos da Petrobras que estão em andamento. Em nota à imprensa, o juiz esclareceu que a manutenção da prisão dos executivos das empreiteiras é necessária justamente porque não há como substuí-las pela paralisação dos contratos com as empresas investigadas. No entendimento do juiz, a suspensão traria consequências para os empregados das empreiteiras e para o andamento das obras. De acordo com a nota, as reportagens divulgadas na imprensa afirmando que a suspensão foi sugerida “decorrem de mero equívoco de interpretação de decisões judiciais”. “O que o juízo argumentou nas decisões e nas informações é que, segundo seu entendimento, as prisões cautelares dos dirigentes das empreiteiras eram, lamentavelmente, necessárias para coibir a continuidade do ciclo delitivo de formação de cartel, fraude a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, já que haveria indícios

DIVULGAÇÃO

de habitualidade criminosa, e que a única alternativa eficaz à prisão cautelar seria a suspensão dos contratos. Daí a necessidade de permanência das preventivas, pois a outra medida, suspensão dos contratos em curso, seria mais gravosa para terceiros, empregados das empreiteiras, e para as obras em andamento”, esclareceu o juiz. Mérito O despacho ao qual Moro se refere foi proferido quarta-feira (28), quando o juiz enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestação para o julgamento do mérito dos pedidos de habeas corpus rejeitados de quatro presos ligados à empreiteira OAS. No documento, Sérgio Moro disse que a prisão dos executivos das empreiteiras investigadas é uma advertência para mudar a forma de fazer negócios com a administração pública. Ao STJ, Moro reafirmou que a prisão cautelar dos acusados tem por objetivo “prevenir a continuidade do ciclo delituoso” na Petrobras. Matéria sobre o assunto foi publicada corretamente pela Agência Brasil no último dia 28.

Esquemas da operação Lava Jato Deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, a operação Lava Jato investigou esquema de desvio de recursos públicos na Petrobras. Em razão das denúncias de superfaturamento e pagamento de propina, diversos órgãos públicos decidiram investigar a estatal – entre os quais o Ministério Público, a ControladoriaGeral da União, o Tribunal de Contas da União e o Congresso Nacional. Em 14 de novembro, quando foi deflagrada a sétima fase da operação Lava Jato, 25 pessoas foram presas, incluindo executivos de empreiteiras que têm contrato assinado com a Petrobras e o ex-diretor da estatal Renato Duque. Segundo o juiz Sérgio Moro, sua decisão apenas quis manter investigados na prisão


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economia@emtempo.com.br

EMERSON FRANÇA

Caderno B

Economia

Setor mineral se fortalece no Amazonas Economia B4 e B5

(92) 3090-1045

Papelarias do Amazonas querem Cartão Educação ARQUIVO EM TEMPO/GIOVANNA CONSENTINI

Empresários do setor abrem o debate sobre o programa por meio do qual buscam fortalecer as empresas do ramo local

SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

P

ara fortalecer o mercado e impulsionar a economia regional, empresários do setor de papelaria buscam apoio para trazer a Manaus a proposta do Cartão Educação, que já vigora em algumas cidades do Brasil. O programa permite que a própria família do aluno compre o material da rede pública no comércio local e ainda elimina o trabalho do governo de abrir licitação para comprar material escolar. Desta forma, de acordo com o diretor comercial da Rymo Imagens e Produtos Gráficos da Amazônia, José Marques, o projeto dá oportunidade para empresas locais impulsionarem as vendas, visto que não enfrentam concorrência de empresas de outras regiões. “Quando há processo licitatório, as papelarias da cidade nunca conseguem participar e muito menos ganhar, haja vista que concorrem com empresas de fora que são especializadas nessa modalidade de concorrência”, ressalta. A implantação do programa também traria outros benefícios, segundo Marques. Para ele, com o projeto implantado, o dinheiro gasto nas licitações que, quase sempre são vencidas por distribuidoras de fora do Estado, seria pulverizado entre os empresários locais. Com isso, além de dar chance de o aluno escolher o material, o dinheiro fica na cidade fomentando a economia. “Além disso, gera

mais emprego e renda para o município”, observou. Outra vantagem, segundo o empresário, seria a distribuição de material de melhor qualidade, fabricado pelas principais empresas do ramo que estão instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Ele explicou ainda que muitas vezes há atraso na entrega dos materiais pelas empresas contratadas pelo governo e a qualidade dos produtos nem sempre é a melhor, tendo em vista que os vencedores das licitações são, em geral, as companhias que oferecem os menores preços. Governo José Marques quer difundir a ideia entre outros empresários do setor para que o assunto seja discutido com representares do governo local. Conforme ele, uma vez havendo interesse por parte de todo o segmento, a proposta será levada à Associação Comercial do Amazonas (ACA) e posteriormente defendida na Câmara Municipal ou prefeitura. “Já conversei com o presidente da ACA, Ismael Bichara, e ele foi super-receptivo”, disse. José Marques revela que o mercado de papelaria anda está em crescente desenvolvimento, sendo que o setor não está sendo impactado pela crise econômica do país. Segundo ele, somente em 2014 houve crescimento de mais de 18% em faturamento das empresas em relação ao ano anterior. “A previsão para este ano também é otimista”, frisa.

REPRODUÇÃO

Programa elimina a necessidade de abertura de concorrência pública por parte dos governos estadual e municipal e dá o direito ao estudante de adquirir o material escolar no mercado local

Cartão Educação pode ser criado por meio de projeto de lei

‘É preciso evitar a majoração’ A possibilidade de dar a gestão da compra do material escolar para a família do estudante da rede pública, ao invés de deixar nas mãos do governo, que compra os produtos por meio de processo de licitação, é vista com bons olhos pela economia local. A avaliação é do presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (CoreconAM), Marcus Anselmo da Cunha Evangelista. Para o economista, toda ação que envolve injeção de recursos à economia local é positiva para o crescimento econômico do Estado. No entanto, ele destaca que é preciso saber se não haverá majoração de preço entre os empresários do setor com a implantação do projeto

e trabalhar para evitar cobranças desnecessárias. “Tem que ver se eles não vão querer aumentar o preço dos materiais escolares”, observa. Município Sobre o fim da abertura de licitação para a compra de material escolar, Evangelista diz que pode ser benéfico ao município. Conforme ele, se forem observados os preços pelos quais os livros são comercializados, visto que muitas vezes são vendidos com preço acima do mercado, seria uma vantagem dar autonomia para os estudantes. “Na licitação, a empresa demora a receber e para compensar acaba vendendo o material pouco acima do que pode ser encontrado nas prateleiras das livrarias”, comenta.

Programa está em 39 cidades O projeto Cartão Educação visa disponibilizar um cartão com créditos para que alunos da rede pública de ensino possam comprar seu próprio material escolar. O meio é usado exclusivamente para esta finalidade e por um período pré-fixado. Desta forma, a mudança é a troca da distribuição de material escolar feita pela prefeitura aos alunos da rede pública municipal pela concessão de um cartão que pode ser utilizado em papelarias credenciadas para este fim. De acordo com dados publicados na “Revista da Papelaria”, em novembro do ano passado, os Cartões Educação têm em Brasília seu caso de maior sucesso, onde são utilizados desde 2012 na rede pública da capital federal. Conforme a publicação, o sistema desse crédito educacional é controlado por meio da internet, com o débito realizado no momento da emissão da nota fiscal sobre a compra dos produtos. Assim, a administração pública tem total controle sobre o que é comprado, por quem, e em quais lojas. Além de Brasília, o modelo, que começou a se espalhar em 2010, foi ado-

tado em 12 cidades de São Paulo (Agudos, Bariri, Bauru, Cabreúva, Campos do Jordão, Capivari, Itapeva, Mogi Mirim, Porto Feliz, Salto, São Carlos e São Jose dos Campos), duas em Minas Gerais (Poços de Caldas e Três Pontas) e uma no Espírito Santo (Serra). O programa está em estudo para ser implantado também em Porto Alegre (RS), Recife (PE),

AMAZONAS

No Estado do Amazonas, estudantes da rede pública estadual e municipal recebem materiais escolares oriundos da compra via concorrências abertas pelo governo e prefeitura Rio de Janeiro (RJ) e em São Luiz (MA). Ao todo, conforme a revista do setor de papelaria, até o mês de novembro do ano passado, 39 cidades adotaram o sistema Cartão Educação, sendo que entre os municípios que já implantaram e os que estudam a adesão para 2015, aproximadamente 870.091 alunos matriculados serão atendidos.


B2

Economia

Agricultura familiar Projeto envolvendo Sepror, Embrapa, Idam, ADS e Ufam vai incrementar renda e qualidade de vida dos produtores

C

inco órgãos ligados à agricultura no Amazonas iniciaram uma “força-tarefa” para formatar metodologias de trabalho com foco nas reais necessidades dos produtores do interior do Estado e melhorar as relações dos trabalhadores do campo com o mercado. Um dos objetivos da “força-tarefa” é proporcionar ganhos na qualidade de vida da população do interior que atua na agricultura familiar. De acordo com o secretário de Estado da Produção Rural (Sepror), Valdenor Pontes Cardoso, aproximadamente 90% dos agricultores do Amazonas estão às margens de processos que permitem aos produtores avaliar suas formas de trabalho, melhorar lucros e qualidade de vida. “Temos produtores participando do processo de discussão. Alguns já estão mais estruturados e atualizados. Temos produtores que vendem direto para a merenda escolar sem intermediadores, por exemplo. Outros ainda estão em processo de independência e outros já têm autogestão. Mas a grande maioria, 90% deles, está excluída do processo e subordinada à economia de mercado. E os produtores precisam ser capacitados para encarar o

mercado. O mercado é cruel. É o lucro pelo lucro e os produtores não preparados para esta realidade tendem a não avançar”, declara Cardoso. Além da Sepror, estão envolvidos no projeto a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário Florestal Sustentável do Amazonas (Idam). “A ideia é envolver vários órgãos, inclusive para financiamento de ações concretas e de pesquisa. Esse é um projeto que todo mundo vai ter vontade de apoiar: a estruturação de unidades piloto da Embrapa no interior como centros de referência tecnológica para apoiar a agricultura familiar. Envolve várias ações setoriais que mexem com questões estratégicas, de sorte a chegar com eficácia na ponta, que é o produtor”, avalia o secretário. Conforme o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, José Olenilson Pinheiro, construir um projeto em conjunto com a Sepror é importante porque a secretaria é uma referência na formulação de políticas públicas que beneficiam os produtores rurais e no incentivo da agricultu-

ra familiar no interior. “Nós desenvolvemos estudos em diversas áreas, dentre elas as de culturas alimentares e agroindustriais e dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. Dessa forma, ter uma parceria com a Sepror significa dar eficiência a nossas ações e pesquisas, pois os técnicos da Sepror conhecem na prática as problemáticas e os gargalos da cadeia produtiva do Estado”, salienta. Diagnóstico Por enquanto, a equipe está organizando a metodologia para fazer um diagnóstico do campo no Amazonas. Primeiro serão levantados os índices das lavouras para fornecer subsídios aos órgãos de financiamento, análise e avaliação. A fase seguinte é identificar e estimular os projetos de pesquisa para buscar novas informações sobre a sócioeconomia na Amazônia. “O que significa isso? Precisamos ver o processo de comercialização. Como está se dando o processo de comercialização dos vários produtos que trabalhamos na agricultura familiar, a exemplo do açaí, jerimum, melancia, peixe e pescado? Quanto o produtor está sendo beneficiado por essa produção?”, explica o titular da Sepror.

Parceria entre as cinco instituições irá identificar as reais necessidades dos produtores que atuam no


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o interior do Amazonas, além de auxiliar na melhoria das atividades

GIOVANA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO

r no AM terá apoio Culturas produtivas serão mapeadas A terceira fase implicará em identificar como os órgãos públicos estão atuando, para regular o processo de forma a agregar mais valor e premiar melhor o esforço do produtor. “Todos os órgãos do sistema de produção estarão unidos para dar diagnósticos precisos sobre quanto o produtor está sendo beneficiado ou não. A ideia é corrigirmos distorções da cadeia de comercialização para melhorar a receita e a

renda do produtor e, como consequência, a qualidade de vida do produtor”, acrescenta Valdenor Cardoso. O projeto também tem outros objetivos, que, segundo ele, vão provocar reajuste nos projetos de pesquisas da Embrapa para atender a real necessidade dos produtores. Mapeamentos No primeiro encontro da equipe de trabalho, na última

terça-feira, foram feitos os encaminhamentos e a construção de uma agenda para acompanhar as fases e os direcionamentos do projeto. Os órgãos farão um mapeamento das culturas produtivas desenvolvidas na Região Metropolitana de Manaus (RMM), tais como as culturas do cupuaçu, mandioca, açaí, guaraná, mamão, abacaxi, maracujá, hortaliças e piscicultura. “Nesta primeira fase, con-

tribuiremos, principalmente, com a sistematização dos dados do custo de produção dessas culturas e os disponibilizaremos para a Embrapa”, acrescenta o secretário-executivo adjunto de Planejamento da Sepror, Luiz Herval Filho. A próxima reunião para a definição da metodologia a ser utilizada e a execução do projeto foi marcada para o dia 23 de fevereiro.

Entre as culturas a serem mapeadas pelo projeto na RMM está a do guaraná, incluindo psicultura e hortaliças


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Economia

Amazonas avança nov Enquanto estudos sobre a silvinita dão novo passo, segmentos minerais como terras raras, brita e argila crescem SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

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s trabalhos para viabilizar a exploração de reservas de silvinita - minério de onde extraído o potássio - encontradas no Amazonas ganham um novo capítulo. No último dia 23 de janeiro, a mineradora Potássio do Brasil entregou ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) o estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/ Rima) referentes ao licenciamento ambiental de uma mina subterrânea, localizada no município de Autazes (a 112 quilômetros de Manaus). A assessoria de imprensa do Ipaam informou que sete técnicos estão analisando os documentos para saber se estão de acordo com o Termo de Referência, que foi disponibilizado à Potássio do Brasil como roteiro obrigatório para a elaboração do EIA/Rima. “O presidente do instituto, Antonio Stroski, destaca que o governador deseja que flua de maneira ágil essa tramitação, mas tudo dentro da legislação ambiental”, disse o Ipaam por meio de nota. Após esse procedimento, o segundo passo, conforme o Ipaam, será a realização de audiências públicas, sendo uma em Manaus e outra em Autazes. A primeira está prevista para acontecer na segunda quinzena do mês de março. “Se for preciso poderão ser marcadas outras audiências. Tudo vai depender da participação do plenário dessas audiências. Depois, se não houver necessidades de ajustes, será concedido um prazo para emissão da licença ambiental”, explica a assessoria. O processo também está em pleno andamento no Departamento Nacional de Produção Mineral, no Amazonas (DNPM/AM). De acordo com o superintendente do órgão, Fernando Burgos, há possibilidade real para que o projeto da Potássio do Brasil obtenha a licença de instalação, uma vez

que os estudos já estão consolidados junto ao DNPM/AM. “Hoje os relatórios já foram apresentados ao DNPM/AM e estão em fase final de análises, com parecer favorável para sua aprovação”, revela. Burgos comenta que a empresa tem que seguir todos os passos definidos pela própria legislação mineral, que consistem em obter as licenças ambientais. Ele relata que a Potássio já está fazendo os acordos com os superficiários para iniciar os projetos de lavra da exploração mineral. “Para ter a portaria de lavra, que é o direito dado pelo governo federal para fazer a exploração, tem que ter no mínimo a licença de instalação; já para a exploração do minério é a

O Amazonas é mais competitivo que o Canadá, que tem que fazer uma rota maior para atender os EUA, grande produtor de alimentos Daniel Nava, secretário de Mineração

licença de operação. As coisas vão caminhar paralelamente entre o DNPM/AM e o órgão ambiental”, evidencia. Para o titular da Secretaria Estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas (SEMGRH), Daniel Nava, o Estado está consolidando a relação do licenciamento ambiental da operação em Autazes, cujos trabalhos estão em fase mais avançada. O progresso, segundo ele, é fruto da política de parceria entre o governo do Estado e o governo federal. “Nos últimos quatro anos, os governos trabalharam aliados, na perspectiva de um programa de aceleração de crescimento com aproveitamento econômico viável”, afirma.

‘Não queremos o gás apenas para energia’ O governo federal tem projeto estratégico para produção de fertilizante que visa diminuir as importações. De acordo com o titular da SEMGRH, Daniel Nava, atualmente a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) comercializa o gás natural encontrado no Estado, porém, só como energia. Segundo Nava, essa visão de ampliação do plano industrial para o polo gásquímico, gerando produção de uréia, é elemento importante que será trabalhado nas instâncias de planejamento e desenvolvimento econômico do Estado. “Nós não queremos o gás sendo queimado somente para produzir energia. Também existem, próximo de Autazes, as reservas de gás natural de Silves e Itapiranga”, salienta o secretário. O secretário de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM), Afonso Lobo, conta que o Estado tem potencial Estado tem planos de transformar o AM em polo de fertilizantes

para a exploração de dois dos três principais fertilizantes agrícolas - nitrogênio, fósforo e potássio. “Já está comprovado que nós temos uma mina de silvinita, minério de onde é extraído o potássio, além do gás natural, matéria-prima para produção do nitrogênio. E temos em grandes proporções”, observa. Ele revela que o governo do Estado tem planos para transformar o Amazonas num polo produtor de fertilizante. Para isso, busca investidores para explorar o gás natural com objetivo de transformá-lo em uréia. “Já temos investidor para produção de potássio, agora estamos tentando atrair investidores para o nitrogênio. Vamos articular junto à Petrobras e ao governo federal para explorar a grande reserva que nós temos com o propósito de produzir fertilizantes”, frisa. Para Lobo, a planta pode

ser instalada em Coari ou Manaus, uma vez que há o gasoduto na capital. Ele destaca que o gás teria um uso mais nobre e não apenas só para geração de energia, mas, sim, para produção de outros produtos finais como é feito no polo gás-químico do Estado do Rio de Janeiro. “Lá se produz vários produtos que são muito utilizados pela indústria como polietileno, polipropileno e plástico. O Amazonas tem essa possibilidade também, mas precisamos de investidores, que juntamente com a Petrobras pudessem fazer um projeto para exploração do nosso gás natural”, diz Lobo. Ele ressalta que o Amazonas já conta com certa planta química em Coari, onde há uma Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGM), que retira o gás da natureza e faz a separação entre o gás de cozinha, gasolina e o

restante envia por meio do gasoduto para Manaus. “Mas a parte nobre do gás já ficou, pois foi retirado o propano, butano [gás de cozinha] e o C5+ [gasolina natural]”, apontou o titular da Sefaz-AM. Segundo ele, o gás de cozinha de Coari abastece não só o Norte, mas também grande parte do Nordeste. Afonso Lobo destaca que, quando a exploração do potássio e do nitrogênio estiver concretizada, o Estado terá um crescimento substancial na receita, que atualmente já vem em processo crescente. “Já temos uma tendência de crescimento com os projetos aliados do governo federal e do governo do Estado. E no momento que começarem a produzir os fertilizantes, a arrecadação da receita vai aumentar consideravelmente, mas ainda não sabemos o volume, isso vai depender das empresas”, comenta.


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Investimentos e o potencial O secretário de Mineração, Daniel Nava, diz que o potencial mineral do Amazonas é competitivo em escala internacional, de tal forma que pode superar os grandes produtores e exportadores de potássio, como o Canadá. “Se pensar que pela hidrovia do Amazonas se chega ao Atlântico, podemos atender o Sul dos Estados Unidos, que é um grande produtor de alimentos. Somos mais competitivos do que o Canadá, que tem que fazer uma rota maior para chegar ao mesmo local”, afirma. Segundo ele, recentemente a Marinha do Brasil anunciou a chegada do navio oceanográfico que vai fazer toda a relação de navegabilidade da hidrovia do Madeira, por onde deverá ser escoado o potássio. As jazidas descobertas até agora na Bacia Sedimentar do Amazonas pela empresa Potássio do Brasil

estão situadas em profundidades que variam de 680 a 1 mil metros e apresentam teores médios de 33 a 40% de cloreto de potássio (KCl). No depósito do município de Autazes, as reservas geológicas já são superiores a 600 milhões de toneladas, segundo Nava. 2018 A mineradora pretende iniciar a produção no primeiro trimestre de 2018 e trabalha com meta de produção anual mínima de dois milhões de toneladas de Cloreto de Potássio. Conforme Nava, o volume vai atender de 20% a 25% do mercado brasileiro, que atualmente importa 92% do potássio que utiliza. O secretário de Mineração destaca que o investimento da empresa é da ordem de US$ 2 a US$ 4 bilhões, que poderá ser capitado junto ao Banco

Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e agências de desenvolvimento econômico. Além da jazida explorada em Autazes, Nava conta que foram encontradas jazidas de potássio em Novo Remanso, no município de Itacoatiara, Nova Olinda do Norte e Itapiranga (a 176, 135 e 227 quilômetros de Manaus, respectivamente). Segundo ele, também foram encontradas jazidas na bacia do Amazonas, mas os investimentos são altos. Segundo Nava, cada poço custa mais de R$ 2 milhões, sendo que a Potássio do Brasil já investiu quase R$ 200 milhões no Estado só para fazer a avaliação do depósito que está sendo apresentado pela empresa. “São investimentos pesados, mas o volume de potássio descoberto já viabiliza uma exploração comercial no Amazonas”, conclui. IONE MORENO

FOTOS: EMERSON FRANÇA

as fronteiras minerais

Audiências públicas sobre exploração da silvinita serão realizadas em Manaus e Autazes

Nava, Lobo e Burgos apontam AM como lugar para grandes investimentos no setor mineral

Arrecadação do setor cresce 236% em quatro anos Nos últimos quatro anos, o Estado registrou crescimento de 236% na arrecadação de impostos correspondentes ao setor mineral e de óleo e gás. Houve aumento também na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), de acordo com o superintendente do DNPM-AM, Fernando Burgos. O volume arrecadado saltou de mais de R$ 4,46 milhões em 2011, para pouco mais de R$ 9,42 milhões em 2014. Burgos aponta o crescimento de 2011 a 2014 como resultado do aumento da produção mineral no Estado. Segundo ele, no ano passado, por exemplo, a mina do Pitinga, localizada no município de Presidente Figueiredo (distante a 107 quilômetros de Manaus), teve aumento de 14% na produção de minérios de terras raras em comparação com o ano anterior. “A alta de 2014 está relacionada exatamente ao aumento da produção da Setor arrecadou mais de R$ 9 mi nos últimos quatro anos no AM

mina do Pitinga, que é hoje nosso carro-chefe”, revela. Outro segmento que também aumentou sua produção foi o da água mineral, conforme Burgos. O crescimento foi registrado em Manaus e Iranduba (a 27 quilômetros da capital), principais municípios que produzem e comercializam o produto. “As principais fontes ficam em Manaus, mas temos uma em Iranduba. Também há mais três fontes que estão em fase final de regularização, ou seja, teremos mais três fontes na capital, além das que já produzem aqui”, conta. Brita O superintendente do DNPM-AM destaca ainda o crescimento considerável no setor de brita. Segundo ele, após o governo do Estado, Prefeitura de Manaus e a construção civil utilizarem a brita, ao invés do seixo, na pavimentação e obras de infraestrutura, houve credibi-

lidade e novos investimentos no setor. “Hoje a brita é realidade no Amazonas, coisa que em anos anteriores não era possível. Existia sempre uma rivalidade, toda vez que a brita tentava entrar no mercado o preço do seixo baixava e acabava inviabilizando a produção da brita”, explica. O motivo, segundo Burgos, é que a brita é produzida principalmente ao longo da BR-174, próximo ao município de Presidente Figueiredo, sendo que os custos de ida e volta mais frete eram altos e acabavam inibindo o avanço do segmento. Porém, hoje, ele ressalta que o mercado está consolidado e a brita é uma realidade no Estado. “A Ebam, empresa que atua no mercado de agregados minerais, triplicou a produção que vinha produzindo nesses últimos anos com os novos investimentos que fez”, revela. Ele ressalta que a brita também vem do município de Barcelos (a 399 quilômetros

de Manaus. Segundo ele, duas empresas exploram a brita naquela região e trazem o minério para a capital amazonense. Também há mais seis pedreiras em atividade na BR-174 que atendem perfeitamente a demanda do Estado. “Dentre todos os municípios, Manaus é o maior consumidor”, disse. Argila Burgos lembra ainda o avanço do Polo Oleiro de Iranduba e Manacapuru e o crescimento na produção de argila na região. Ele destaca que apesar de haver um inibidor na fiscalização para saber quanto do material foi retirado das argileiras, cuja maior concentração encontra-se no município de Iranduba, o departamento consegue calcular o volume da produção. “Hoje nós sabemos que cada milheiro de tijolo leva de duas toneladas a duas toneladas e meia. Então, fazemos a fiscalização ao inverso”, aponta.


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País

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Posse de congressistas será marcada por protestos B

rasília - Movimentos populares de todo o país devem se reunir hoje em frente ao Congresso Nacional, para protestar contra a corrupção. De acordo com o professor Josemar Dorilêo, integrante do Movimento Brasil Livre, pelo menos cinco Estados serão representados no dia da posse dos novos deputados e senadores. “No domingo [hoje], virão caravanas de São Paulo, Goiânia, Salvador, Belo Horizonte e do Rio de Janeiro. A partir das 8h, estaremos concentrados em frente ao Congresso Nacional”, disse o professor. Ele adiantou que os ativistas devem fixar 300 cartazes ao longo da Esplanada dos Ministérios, com mensagens contra a corrupção e pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Conforme Dorilêo, as denúncias de corrupção na Petrobras motivaram os manifestantes. “Já realizamos atos no portão da Embaixada dos Estados Unidos, um ‘faxinaço’ nas proximidades da sede da Petrobras e um ‘buzinaço’ pela moralidade. Mas esta é a primeira aliança de todos os movimentos”, informou o professor.

Segundo ele, são dez movimentos, organizados em redes sociais, que se uniram para o ato deste domingo. “A meta é contar com o maior número de pessoas que querem um país sem corrupção, um país limpo, um país decente. Nossos movimentos são contra a corrupção. Precisamos unir os movimentos oposicionistas do Brasil em nossas manifestações”, ressaltou a médica Neila Aidar, uma das organizadoras do ato. Hoje o dia também será movimentado no Congresso. Além da posse dos novos parlamentares, PT e PMDB disputarão o comando da Câmara dos Deputados. Apesar de compor a base governista, o PMDB lançou Eduardo Cunha, enquanto, pelo PT, Arlindo Chinaglia tenta retornar à presidência da casa. Líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG) corre por fora e também concorre. A eleição já é considerada a mais disputada desde 2005, quando o então deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) derrotou o petista Luís Eduardo Greenhalgh (SP). No Senado, a disputa vai ficar somente com o PMDB, que tem dois candidatos: Renan Calheiros (AL) e Luiz Henrique (SC).

DIVULGAÇÃO

Movimentos anticorrupção estão convocando militantes de todo o país para ato hoje em Brasília, em frente ao Congresso

Movimento Brasil Livre promete grande manifestação contra corrupção hoje, em Brasília, durante a posse dos novos congressistas


País

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Siemens é questionada por ‘ajuda’ à ditadura brasileira Sócios alemães da multinacional cobraram explicações sobre um financiamento ao regime ditatorial, segundo relatório da CNV REPRODUÇÃO

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Multinacional alemã é citada no relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) por financiar órgão de repressão durante a ditadura militar no Brasil REPRODUÇÃO

ão Paulo - Durante a reunião anual de prestação de contas da multinacional alemã Siemens, em Munique, um grupo de acionistas minoritários questionou a empresa por seu envolvimento com a ditadura militar brasileira (1964-1985). Ao exigir esclarecimentos, a Associação de Acionistas Críticos fez uso do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que cita a Siemens como uma das financiadoras da Oban (Operação Bandeirante), órgão da repressão que mais tarde daria origem ao DOI-Codi — o principal centro de tortura e morte do regime militar. “O Conselho de Supervisão da Siemens se negou a investigar e esclarecer estes incidentes, nem mesmo tendo em vista o contexto do aniversário de 50 anos do golpe militar no Brasil. A Siemens deve encarar sua responsabilidade histórica e admitir os atos que cometeu”, assinala o documento entregue pela associação e lido diante dos demais acionistas e diretores da multinacional na reunião da última terça-feira. O questionamento da associação se baseou no trabalho de investigação da CNV, cujo relatório final foi publicado no dia 10 de dezembro de 2014. Na página 320 do volume II do documento, a comissão escreve: “Ao lado dos banqueiros, diversas multinacionais financiaram a formação da Oban, como os grupos Ultra, Ford, General Motors, Camargo Corrêa, Objetivo e Folha. Também colaboraram multinacionais como a Nestlé, General Eletric, Mercedes Benz, Siemens e Light”. Ao expor o caso na reunião, Christian Russau, membro da diretoria da Associação dos Acionistas Críticos, acrescentou que relatos dão conta de que, no total, 66 pessoas foram assassinadas nas dependências do complexo Oban/DOI-Codi, entre as quais 39 morreram sob tortura — número também confirmado pelo jornalista Marcelo Godoy, autor do livro “A casa da vovó”, biografia sobre o centro de repressão paulista. “Isto aconteceu há 40 anos. O que nos interessa é a Siemens hoje”, respondeu Gerhard Cromme, chefe do Conselho de Administração da multinacional. “Você denigre a memória dos homens que morreram sob tortura. Isto é cínico”, replicou Russau, insistindo na importância de esclarecer as violações, ainda que ocorridas décadas atrás. O acionista também inquiriu Joe Kaeser, CEO da Siemens, perguntando se a empresa tem conhecimento sobre o conluio com os órgãos de repressão da ditadura brasileira, ou se há planos para investigar as denúncias. Kaeser disse que a Siemens, ao ter notícia do envolvimento, pesquisou nos arquivos financeiros e não encontrou nada. Procurada, a Siemens Brasil não se posicionou sobre o episódio. A associação é um grupo sem fins lucrativos que possui ações em mais de 25 das maiores empresas da Alemanha e, por isso, tem o direito de se posicionar nas reuniões anuais de de balanço. A companhia questionada é obrigada a responder algo no mesmo evento.

Volkswagen também é cobrada A montadora Volkswagen foi outra empresa alemã questionada pela Associação dos Acionistas Críticos. Em maio, na cidade de Hannover, a diretoria da Volks também foi inquirida sobre a participação no regime militar — a empresa já se comprometeu a investigar o passado e esclarecer sua relação com as violações aos direitos humanos na ditadura brasileira. O relatório final da CNV também apontou, entre outros episódios, que o aparelho de segurança interna da multinacional alemã foi montado por Franz Paul Stangl, criminoso de guerra nazista. Stangl havia fugido para o Brasil após o fim da Segunda Guerra Mundial. Conforme o relatório final da CNV, o nazista teria sido contratado pela concessionária alemã para montar o sistema de segurança interna da empresa para vigiar e monitorar os funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo durante a ditadura militar. O aparato acompanhava de perto o dia a dia da fábrica e, especialmente atento às atividades sindicalistas consideradas “subversivas”, estava em

Franz Paul Stangl (em destaque), nazista que se refugiou no Brasil foi contratado pela Volks

constante contato com órgãos da repressão do governo brasileiro na ditadura. O nazista foi preso no Brasil em 1967 e extraditado para a Alemanha. No relatório da CNV, ainda consta o depoimento de um sindicalista e ex-funcionário da Volkswagen, Lúcio Bellentani, que relata ter sido preso e torturado

RELATÓRIO

A Comissão Nacional da Verdade investigou, durante 2 anos, todos os bastidores do regime ditatorial do país, principalmente no que diz respeito aos desaparecidos políticos pela ditadura na própria fábrica da multinacional em São Bernardo do Campo. “Estava trabalhando e chegaram dois indivíduos com metralhadora, encostaram nas minhas costas, já me algemaram. Na hora em que cheguei à sala de segurança da Volkswagen já começou a tortura, já comecei a apanhar ali”, conta Bellentani.


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Mundo

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Brics planejam criar agência

de classificação de risco S

ão Paulo - O embaixador brasileiro na Rússia, José Vallim Antônio Guerreiro, disse que o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) discutirá no mês de março a criação de uma agência de classificação de risco própria, para servir de alternativa às “três grandes do Ocidente” (Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch), que dominam o mercado de rating. “Um grupo de contato sobre assuntos econômicos e comerciais está trabalhando em nível de especialização. A proposta de estabelecer uma agência de rating dentro dos Brics já existe há muito tempo”, disse o embaixador brasileiro, em entrevista à agência de notícias russa RIA na quarta-feira da semana passada. A sinalização para criar uma agência própria de classificação de risco constitui outro passo no sentido de buscar alternativas a organismos e entidades com interesses econômicos distintos dos países em desenvolvimento. Há alguns meses, na cúpula do bloco em Fortaleza, já havia sido formalizada a criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics,

AGÊNCIA EFE

Grupo de cinco países, entre eles o Brasil, quer ter mecanismo próprio como alternativa às “três grandes do Ocidente” cujo objetivo é funcionar como uma alternativa ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao Banco Mundial. “O ponto central é se esses procedimentos incluirão todos os fatores relevantes. Podemos precisar procurar por indicadores alternativos e abordagens amplas para avaliar a ‘saúde’ das economias”,

ALTERNATIVA

No próximo mês, o grupo - que é composto por cinco países, entre eles o Brasil - deve discutir a criacão de uma agência própria de classificação de risco, a exemplo de outras, como a Standard & Poor’s ressaltou o diplomata. Desde o surgimento da crise financeira norte-americana em 2008, os Brics reivindicam uma maior transparência das agências classificadoras de risco, criticadas por ter supostamente manipulado dados para esconder o estado real dos investimentos frágeis originados nas potências ocidentais.

Presidentes dos cinco países que compõem o Brics: Putin, Modi, Rousseff, Jinping e Zuma querem uma nova alternativa financeira


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

diadia@emtempo.com.br

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REPRODUÇÃO/PORTAL DA ARQUITETURA

Obras de Severiano sem espaço Dia a dia C2 e C3

Fumantes driblam a lei e ‘contaminam’ ambientes

Fumar em locais fechados e prédios públicos é proibido há quase dois meses, mas falta de denúncias torna legislação inútil ARQUIVO EM TEMPO

Lei Antifumo acabou ficando sem força em razão da falta de denúncias, desde que passou a vigorar, em 3 de dezembro do ano passado, segundo explica a Vigilância Sanitária do município IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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pesar de a Lei Antifumo - que restringe o uso do cigarro em locais fechados - completar na próxima terça-feira (3) dois meses em vigor, proprietários de estabelecimentos residenciais, comerciais e de entretenimento parecem ignorar a medida. Áreas comuns de condomínios, casas de show e de jogos de azar continuam a ser utilizadas livremente por fumantes, ainda que sejam ambientes climatizados e fechados, transgredindo a lei. Nem mesmo a multa que pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão intimida o proprietário de uma casa de jogo de azar, localizada na rua Lobo D´Álmada, no Centro. Lá, a nuvem de fumaça que encobre o salão principal é velha conhecida dos jogadores de bingo. “É uma falta de respeito com que não fuma. Está certo que bingo é ilícito, mas você mata pessoas aos poucos e ninguém faz nada”, reclamou um aposentado de 53 anos, que pediu para não ter o nome divulgado. O local é fechado, não possui janelas e a climatização fica por conta dos condicionadores de ar espalhados pelo salão de jogos. “Colocaram exaustores que não funcionam. Inventaram um lugar reservado a não fumantes, mas não passa de conversa, a fumaça vai toda para lá também”, assegurou. Segundo o aposentado, a minoria dos apostadores fuma, mas como o local é fechado, a fumaça se espalha por todo o espaço. “A fumaça toma conta de tudo. Eles justificam que não tomam atitude por conta dos

parceiros fumantes. Este é o único bingo que desrespeita a Lei Antifumo”, afirmou. Sem janelas, o cliente que não fuma é obrigado a arcar com o ônus de quem também alimenta o vício do cigarro - além do jogo, claro. “Muita gente adoeceu por causa de cigarro. Fui entrar uma vez e doeu meu pulmão de tanto cheiro de fumaça de cigarro, passei mal e fui embora. Fui ao médico, gastei dinheiro com tratamento, tirei raio-x, fui no pneumologista. Foi quando fui saber que eu era um fumante passivo, que é pior, aí fiquei com mais raiva ainda”, revelou. Os problemas de saúde fizeram o aposentado reduzir a frequência de visitas à casa.

PROIBIÇÃO

A medida, que vale para todo o país, proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado “Mesmo jogando na parte do não fumante ainda me faz mal, porque como não tem divisória, a fumaça chega. Eu gosto de jogar bingo, mas não sou obrigado a cheirar a fumaça dos outros, não. Odeio cigarro”, afirmou. Ele apontou ainda que nunca testemunhou qualquer blitz feita pela Fundação de Vigilância em Saúde, nem antes, nem após a lei ter passado a valer. “Já vi fecharem o Rêmulo’s, mas não por este motivo. Lá no bingo,

nunca. Além da contravenção, ainda cometem outra falta, porque fumar em ambiente fechado é crime”, analisou. Além da casa de jogos, muitas casas de show da cidade ainda são cenário para a livre ação dos fumantes. “Fui em uma casa de música sertaneja no bairro Flores, e havia pessoas fumando livremente, sentadas em frente ao bar. Apesar de o proprietário perceber tudo, ninguém chamou a atenção delas. Acaba que nada mudou, quem não fuma é obrigado a conviver com a fumaça”, denunciou o publicitário Adalberto Silva, 27. Sobre a lei A lei 12.546 foi aprovada em 2011 e regulamentada em 31 de maio de 2014. Ela passou a vigorar em 3 de dezembro do ano passado. A medida, que vale para todo o país, proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo fechado, privado ou público, de acordo com o artigo 49 da lei 12.546, que alterou a lei 9.294 de 1996. A mudança chega a especificar o “recinto coletivo fechado” como local público ou privado, acessível ao público em geral ou de uso coletivo, total ou parcialmente fechado em qualquer de seus lados por parede, divisória, teto, toldo ou telhado, de forma permanente ou provisória. Com isso, a nova lei extingue os chamados “fumódromos”, locais reservados para fumantes nos ambientes coletivos, anteriormente permitidos pela lei 9.294. A proibição se estende a aeronaves e veículos de transporte coletivo.

Multa chega a R$ 1,5 milhão A lei permite o consumo de cigarros em cultos religiosos em que seu uso faça parte dos rituais e em tabacarias, desde que a condição seja anunciada na entrada do estabelecimento e que haja um local reservado, com isolamento, ventilação ou exaustão do ar que impeçam a contaminação dos demais ambientes. A lei também permite o fumo em estúdios e locais de filmagem ou gravação de produções audiovisuais, quando necessário à produção da obra; locais destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco; instituições de tratamento da saúde que tenham pacientes autorizados a fumar pelo médico que os assista. Também é permitido fumar em locais abertos, sem divisórias ou toldos, como ruas, parques ou calçadas. A lei determina a extinção da propaganda de cigarros, com exceção apenas da exposição dos produtos nos locais de vendas. Tanto os expositores quanto as embalagens devem conter as cláusulas de advertência sobre os malefícios do fumo para a saúde e sua proibição para menores de 18 anos. A lei prevê ainda que partir de 1º de janeiro de 2016, as embalagens devem conter um texto de advertência que ocupe 30% da parte inferior

da face frontal. Multa A multa aos proprietários dos estabelecimentos que não seguirem a lei pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, além de interdição e cancelamento da licença de funcionamento. As denúncias podem ser feitas aos órgãos de vigilância sanitária, de onde devem partir as fiscalizações. Em Manaus, o contato da Vigilância Sanitária do município (Visa Manaus) é pelo telefone 0800 092 0123. De acordo com a assessoria do órgão, as blitze podem ocorrer nos estabelecimentos de maneira rotineira, ou após demanda de denúncias do 0800, do Ministério Público do Estado (MPE) e de outros órgãos da administração estadual ou municipal. Contudo, até agora, ainda não foi encaminhada nenhuma denúncia sobre o assunto por meio do 0800 e as blitze rotineiras ainda não identificaram esse tipo de irregularidade. Malefícios De acordo com o diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon), o pneumologista Edson de Oliveira Andrade, comparado a uma pessoa que não fuma, um fumante passivo tem duas vezes mais chance de con-

trair doenças ocasionadas pelo cigarro. “Quanto mais se fuma, mais o risco de ficar doente. Você pode fumar de maneira oblíqua, por exemplo, em um ambiente de trabalho fechado, se um colega fuma e você respira a fumaça do ar. Pessoas que convivem com fumantes, em relação a pessoas que não fumam, têm probabilidade de ter doença respiratória dobrada”, disse. Ele apontou que mais de 90% dos casos da doença de câncer de pulmão, laringe e garganta estão associados ao fumo e têm alta taxa de mortalidade. Além disso, o cigarro também é um dos principais causadores do câncer de bexiga. “Quando se fuma, se ingere uma série de substâncias cancerígenas. E, para sair do organismo, o principal meio de saída é pela urina”, explicou. Em 2014, foram registrados 270 casos de câncer (no pulmão, traqueia e brônquio) no Amazonas, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Do total, foram 160 em homens, tornando-se o terceiro tipo de câncer com maior incidência entre o sexo masculino no Estado. “O cigarro é o campeão das doenças que podem ser prevenidas em todo o mundo. O cigarro causa câncer, doenças cardiovasculares, AVC, derrame, uma série de coisas”, disse.


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Dia a dia

Intervenções na história Reforma na sede do TRE é criticada por profissionais e admiradores da obra do arquiteto Severiano Mário Porto DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO

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s reformas na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), localizada na avenida André Araújo, Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, têm chamado a atenção de profissionais, engenheiros e estudiosos da trajetória do arquiteto Severiano Mário Porto, autor do projeto original, que no próximo dia 19 completará 85 anos. Na página em homenagem ao arquiteto no Facebook, comentários chamam a atenção para as alterações na fachada, que recebeu revestimento com pastilhas de cerâmica, e a construção de uma cobertura. Isso resultaria numa alteração do original elaborado por Severiano em parceria com o arquiteto Mário Emilio, em 1978. Para o professor de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcos Cereto, a polêmica levanta a questão: até que ponto um arquiteto pode modificar o projeto de outro profissional? Por outro lado, as obras de Severiano limitam-se a um caso específico, já que ainda não foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O tombamento é uma me-

dida em geral aplicada a obras de autores já mortos e cujas obras precisem de reformas. No entanto, o profissional encarregado da intervenção deve respeitar o modelo e a sensibilidade de seu criador”, explica Cereto. Ele esclarece que o projeto de reformas da sede do TRE foi submetido à avaliação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU-AM). Ainda de acordo com o professor, as intervenções vêm atender a necessidade de adequação desses edifícios, como as alterações no entorno da obra e o surgimento de novas tecnologias, como ar-condicionado. “Notificamos o arquiteto responsável para que apresente sua proposta e obtenha autorização do arquiteto [Severiano] ou de seu representante. Essa é a condição sine qua non para que a intervenção possa acontecer”, informa Jamime Kuck, presidente do CAU-AM. Critérios A arquiteta Paula Porto, neta de Severiano, considera a iniciativa parte de um processo natural, porém observa que o desafio é estabelecer critérios para preservar as características do patrimônio. “Acredito que intervir em suas obras é necessário, pois vivemos em um mundo dinâmico e a

arquitetura deve se adequar aos movimentos da vida, para não estagnar e morrer. Entretanto, interferir em obras de tamanha relevância será sempre um desafio àquele que assumir esse papel”, comenta a neta de Severiano, hoje internado em uma clínica de Niterói (RJ), em decorrência do mal de Alzheimer. Abalados Um dos trabalhos de Severiano foi o estádio Vivaldo Lima, demolido em 2010, 30 anos depois de sua inauguração, para dar lugar à Arena da Amazônia. “Ficamos todos abalados. A família se ressente com o descaso no tratamento de suas obras. Mas não podemos culpar o Estado do Amazonas. Isso é parte de uma cultura brasileira de não preservação de sua própria história, uma questão de autoestima colonial. Mas isso precisa mudar, pois Severiano foi autor de grande parte da identidade da cidade de Manaus que está se perdendo”, observa Paula. “Já ouvi algumas ideias de ‘transportar’ certas obras de um local para outro e ressalto que isso acarretaria na completa perda de sentido do projeto. Sua arquitetura apresenta fortíssimo vínculo com o entorno e esta relação não deve ser rompida”, finaliza Paula.

Marcos de Severiano: Campus da Ufam, prédio do ICHL e sede do TRE-AM (sentido horário). Abaixo, a sede do TRE, em reforma


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Trajetória de um mineiro-carioca-amazonense Nascido em Uberlândia (MG), em 1928, Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto formou-se em arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1954. Chegou a Manaus em meados da década de 1960 e foi convidado pelo então governador, Arthur Reis, a projetar a sede da Assembleia Legislativa do Estado. A obra não chegou a ser concretizada; no entanto, nas décadas seguintes, o nome de Severiano se

consolidaria no cenário local e internacional. Ele assinou vários projetos de destaque, como o estádio Vivaldo Lima, o famoso restaurante Chapéu de Palha, a sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e o Campus da Ufam. A residência do arquiteto, premiada em 1971, foi demolida em 2004. A cobertura da pousada de Silves foi reformada e substituída por uma estrutura metálica. “Sua atuação está dire-

tamente relacionada ao crescimento econômico de Manaus no final da década de 1960. Ele idealizou vários símbolos da explosão econômica daquele período, buscando aliar a linguagem da industrialização com a identidade regional, simbolizada na madeira que utilizou em vários trabalhos”, analisa Cereto. Em artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” em junho de 2012, o escritor Milton Hatoum re-

sume as características que tornaram Severiano figura de referência na criação de uma identidade regional. “As soluções técnicas para proteção do sol e da chuva, o uso consciencioso da madeira em estrutura, janelas, portas, escadas e painéis, um sentido estético que integra a estrutura à fachada e ao espaço interior, tudo isso fez dos projetos desse mineirocarioca-amazonense um lugar para se viver e trabalhar com conforto”. PORTAL DO ARQUITETO/REPRODUÇÃO

FOTOS: JULIANA ROSA PESQUEIRA (ICHL), IONE MORENO (TRE NOVO), MARCELO SUSSUARANA LIRA (TRE ANTIGO) E REPRODUÇÃO (VISTA AÉREA DA UFAM)

da nossa arquitetura

Prestes a completar 85 anos em 19 de fevereiro, Severiano Porto hoje está em uma clínica de Niterói (RJ), vítima de Alzheimer


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Dia a dia

Justiça ainda não re Caso Cissa Guimarães mostra que os acidentes de trânsito ainda estão longe de responder ao anseio social por julgamentos realmente justos DANIEL AMORIM Especial para o EM TEMPO IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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cusado de atropelar e matar o estudante Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Bussamra teve a prisão revogada na última quarta-feira (28). O desembargador Marcus Henrique Pinto Basílio, da 1º Câmara Criminal do Rio de Janeiro, considerou que não havia risco de fuga e, estando solto, o acusado deveria apelar em liberdade. Condenado a 12 anos e nove meses de prisão, ele estava preso desde 23 de janeiro. O pai de Rafael, Roberto Martins, também foi beneficiado pela ordem. Ele subornou policiais na tentativa de livrar o filho da acusação de atropelamento, em julho de 2010. O caso levanta discussões sobre a efetividade da legislação brasileira no que se refere a acidentes de trânsito. A juíza Luiza Cristina Marques, da Vara Especializada em Crimes de Trânsito, afirma que desconhece os autos do processo, mas considera as normas um resultado da mobilização da própria sociedade e que, portanto, devem ser respeitadas. “De maneira geral, o acidente de trânsito com vítima é considerado crime culposo (sem intenção de matar), pois pressupõe ato falho do motorista. No entanto, defendo a modificação da legislação referente a casos que envolvam consumo de bebida alcoólica”, argumenta. Ainda de acordo com Cristina, o número de casos de acidentes de trânsito triplicou nos últimos três anos. Ela atribui esse índice ao aumento da quantidade

veículos na cidade, à falta de manutenção das rodovias e à conduta dos motoristas. O dado, no entanto, baseiase na observação da própria magistrada, já que não existem estatísticas específicas desse tipo de caso. A Divisão de Estatística do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) segue o padrão de registro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O sistema inclui critérios mais amplos como “crime contra a vida”, “crime contra o patrimônio” e “lesão corporal”. Este último responde pela maioria das ocorrências, seguido por embriaguez. “Estive afastada por dois anos e, ao retornar, percebi que o número de homicídios vem diminuindo, enquanto as prisões por porte de entorpecente seguem o caminho inverso”, relata Cristina. Ela diz que faltam dados que possibilitem estabelecer a relação entre o uso de drogas e ocorrências no trânsito. Repercussão Em Manaus, um dos acidentes que mais gerou comoção social, foi o que vitimou 16 pessoas após o choque entre um micro-ônibus da linha 825 e uma caçamba, na avenida Djalma Batista, Zona Centro- Sul, no dia 28 de março de 2014. O acidente ocorreu quando o motorista da caçamba, Ozaias Costa de Almeida, 36, que transitava no sentido bairro-Centro, avançou pela pista contrária e atingiu frontalmente o microônibus que fazia o percurso inverso. O laudo do Instituto de Criminalística (IC) atestou que o veículo – que prestava serviço para a Prefeitura de Manaus - trafegava a cerca de 80 quilômetros por hora no momento do acidente.


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ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

Uma questão de responsabilidade Mais de 200 páginas compuseram o inquérito organizado pelo titular da delegacia especializada em Acidentes de Trânsito (Deat), Luiz Humberto Monteiro. Nele, foram ouvidas testemunhas do acidente, os sobreviventes e também foram inseridos laudos de necrópsia e de corpo de delito das vítimas lesionadas, fornecidos pelo Instituto Médico Legal (IML), o laudo do IC e o estudo que atestou a presença de substâncias tóxicas no sangue do motorista. Dias após a colisão, o local foi visitado por familiares e pessoas sensibilizadas com o acidente deixaram flores, acenderam velas e mensagens de apoio. Seis dias após a tragédia, foi celebrada uma missa ministrada por padres e pastores e acompanhada por, ao menos, 150 pessoas. Ao final, fo-

ram soltos balões brancos e uma placa com o nome das 16 vítimas e o Salmo 23, foi colocado sob o viaduto. As famílias pedem indenização à empresa Consórcio Manaus Etacom, proprietária da caçamba envolvida no acidente. “O valor da indenização que será pedido ainda vai ser conversado com cada família. Não existe um valor para todas. Cada caso é um caso”, analisou a advogada das vítimas, Cyntia Costa. Ela explicou que duas famílias já tiveram as petições protocolizadas, e o restante deve ficar pronto nos próximos dias. “Nem todas as petições foram protocolizadas, são muitos documentos que têm que ser organizados. É um trâmite delicado. Mas acredito que nos próximos dias esteja tudo pronto para começar a tramitar”, afirmou.

Dor e comoção após o acidente: leis fracas e impunidade

Lembranças vivas da tragédia

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/ARQUIVO EM TEMPO

RICARDO OLIVEIRA

para a dor da perda

Francineide com a foto da filha e do neto, mortos em 28 de março

A tragédia de 28 de março de 2014: feridas ainda abertas

Passados 10 meses, detalhes da tragédia ainda estão vivos na cabeça da autônoma Francineide Guedes Silva, 47. Sua filha Quézia Guedes Souza, 24, e o neto Luis Miguel Guedes Souza, de 1 ano, morreram no acidente. “Lembro tudo. Eu estava trabalhando num lanche que eu tinha. Minha filha e meu netinho tinham ido para o Centro comprar um presente porque no outro dia iriam num aniversário. Eles saíram umas 17h30 de casa e estavam muito felizes”, afirmou Francineide. Mãe e filho foram acompanhados da madrinha do menino, Adriane da Silva Fernandes, 20, que também morreu. Francineide trabalhava no lanche, no bairro da Redenção, Zona Centro-Oeste, quando soube do acidente por uma prima de Adriane. “Achei que eles estavam demorando, cheguei a mandar mensagens para o celular da Quézia, mas ela não respondeu. Um amigo da Adriane

e da prima dela estava no micro-ônibus, mas sobreviveu e contou”, disse. Na hora, Francineide fechou o lanche e foi de moto com o pai de Quézia atrás de informações, primeiro no pronto-socorro 28 de Agosto. “O pronto-socorro parecia que estava em guerra, tinha muita gente. Dei o nome da minha filha, do meu neto e da Adriane, mas não encontraram. Aí me aconselharam a ir ao local do acidente”, lembrou-se. No local da tragédia, a irmã de Francineide informou que os três estavam mortos. “Minha filha saiu toda alegre e voltou arrebentada, muito machucada. Não tive condições de ir reconhecer os corpos”, disse, sem conseguir segurar as lágrimas. Traumatizada, desde aquele dia ela não vai abriu o lanche e buscou tratamento com psicólogo. “Não consigo mais trabalhar, ela me ajudava em tudo. Sempre fez parte da minha vida”, reconheceu.

Hoje, Francineide tem dedicado tempo aos dois netinhos e tentado driblar a saudade que parece não ter fim. “Tenho dois netos pequenos que a minha nora sempre traz aqui para me verem, senão já teria enlouquecido. Peço perdão de Deus e agradeço o tempo que minha filha passou comigo”, disse. Diferentemente de outros, a família de Quézia preferiu não buscar indenização judicialmente. “O motorista pode ter consumido álcool, mas nesses momentos temos que nos

apegar a Deus, porque nada acontece fora de hora, mesmo sendo difícil aceitar. A família do motorista não tem culpa”, defendeu Francineide. Outra tragédia Quase dois meses após a tragédia de março, um casal morreu vítima de acidente de trânsito na avenida Coronel Teixeira, Zona Oeste. Na madrugada de 12 de maio, um veículo modelo S10, prateado e placa OAK-2643 - conduzido por Renato Fabiano dos Santos Benigno, 37, - atingiu

um Fiat Strada em pane que estava sendo empurrado por cinco jovens. Com o choque, Keyllene Nogueira de Almeida, 28, e José Henrique Monteiro Galvão, 18, morreram na hora e tiveram os membros decepados. Outras três pessoas, que também empurravam o veículo, tiveram ferimentos, mas sobreviveram. Na época, a polícia revelou que Benigno apresentava sinais de embriaguez, prendendo-o em flagrante. Hoje o processo aguarda decisão de análise de compa-

tência no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) - se cabe o julgamento à Vara Especializada de Crimes de Trânsito - onde até agora permanece - ou a uma das varas do Tribunal do Júri, por se tratar de crime doloso (com intenção de matar), o que é rechaçado pela defesa de Benigno. Ele foi solto em agosto do ano passado, por força de um habeas corpus. A reportagem tentou contato com o advogado do caso, mas até o fechamento desta edição não obteve sucesso.

IONE MORENO/ARQUIVO EM TEMPO

‘A família do motorista não tem culpa’

Renato Benigno: processo está em discussão de competência


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Dia a dia

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Estudo é caminho contra o uso de entorpecentes U

m dos meios utilizados para reintegração social é o estudo. Pensando dessa forma, o Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz ofereceu aos residentes a oportunidade de voltar a uma cadeira escolar e dar prosseguimento aos estudos. Seis residentes que estudaram na instituição receberam certificados de conclusão dos ensinos fundamental e médio reconhecidos pela Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc). Mais de cem residentes são estudantes. Os pacientes são incentivados, desde a sua chegada, a retomar seus estudos, seja em nível fundamental, médio ou superior. “Conduzimos cada paciente de forma diferente. Primeiro, nivelamos os que ainda não concluíram seus estudos conforme sua escolaridade. Depois, traçamos metas para que ele recupere o tempo perdido e seja aprovado no ‘Provão’ da Seduc. Dessa forma, consiguirá uma chance de concorrer a empregos ou até mesmo entrar em uma universidade”, afirma a pedagoga Mariângela Saldanha. Gerenciado pelo Instituto Novos Caminhos, em parceria

com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), o centro de reabilitação está localizado no km 53 da Rodovia AM-010, estrada que liga os municípios de Manaus e Rio Preto da Eva. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o centro de reabilitação e o setor de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Seduc. “A Secretaria de Educação garante a todo cidadão, seja ele amazonense ou não, o direito de formação escolar”, afirmou Vera Lúcia Lima, da Seduc. Provas Dos cem residentes que estão por concluir seus estudos, 80% precisam concluir o ensino médio e apenas 20% o ensino fundamental. O certificado é emitido pela Seduc e reconhecido pelo MEC. As provas são realizadas na sala de informática do centro de reabilitação via internet. Os residentes do ensino fundamental fazem dez avaliações: língua portuguesa, matemática, física, química, história, geografia, filosofia, sociologia, inglês e ciências. As avaliações têm duração de 45 minutos por matéria executada e contam com acompanhamento e fiscalização de profissionais da Se-

duc. “Preparamos o residente para retornar ao convívio social e o estudo é um dos mecanismos que facilitam essa reintegração. Outro ponto que vale ser ressaltado é que também oferecemos cursos profissionalizantes que podem garantir a formação profissional do residente”, disse o diretor da unidade, Pablo Gnutzmann. Eliandro Marques da Silva, 33, afirma que depois de sua chegada ao centro de reabilitação, sua vida mudou por conta do incentivo que ganhou para retomar seus estudos. Há pelo menos oito anos tentando retornar aos estudos, ele foi o primeiro residente da unidade de tratamento a concluir os estudos por meio do “Provão” da Seduc. Agora, Eliandro - que recebeu seu certificado de conclusão do ensino médio - traça suas metas para o próximo ano. Ele pretende fazer curso superior na área de enfermagem para, em um futuro próximo, poder ajudar pessoas que têm a mesma doença, que o acomete há pelo menos 15 anos. “Agora, vou fazer minha faculdade de enfermagem e contribuir com pessoas que estão acometidas pela mesma doença”.

DIVULGAÇÃO

Residentes do Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz podem concluir os ensinos fundamental e médio na instituição

O residente Eliandro Marques da Silva, 33, foi o primeiro estudante certificado pelo centro


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‘Mãe Canguru’ salva vida de prematuros no interior DIVULGAÇÃO

Implantado na maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, de Tabatinga, método ajuda bebês a ganhar peso e segurança

O método “Mãe Canguru”, que tem um papel importante para o fortalecimento e desenvolvimento de crianças de baixo peso, substitui a incubadora pelo calor corporal da mãe

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colo materno é um dos melhores confortos para se ganhar coragem para enfrentar as dificuldades da vida. Quando esse colo vem como medida para salvar vida, a luta fica fortalecida. É por meio do método “Mãe Canguru” que muitas crianças prematuras estão vencendo a luta contra a morte. Na maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga, esse método tem se mostrado como fator primordial para estimular o recém-nascido a ganhar peso e segurança. O método “Mãe Canguru” tem um papel importante para o fortalecimento e desenvolvimento de crianças de baixo peso. Ele substitui a incubadora, progressivamente, por meio do calor corporal da mãe. Da mesma forma que os cangurus, as mães carregam seus bebês até que eles tenham condições médicas, gástricas e respiratórias de deixar a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). O método é um modelo assistencial que envolve pais e parentes do recém-nascido prematuro. O tratamento humanizado tem se mostrado

eficiente para salvar a vida dos pequeninos. “O contato mãe e filho melhora o desenvolvimento neurológico e psicoafetivo, estimula o aleitamento materno, além de diminuir o risco de infecção hospitalar e reduzir o estresse e dor do recém-nascido”, ressalta a diretora da maternidade Celina Villacrez Ruiz, Pauline Azevedo

APROVAÇÃO

Na maternidade, desde a sua implantação, três mães com bebês prematuros passaram pelo método “Mãe Canguru” e obtiveram resultado satisfatório, elevando a 100% o aproveitamento do tratamento Sá Campos. Esse método precisa ser acompanhado por profissionais para obter o resultado desejado. Na maternidade, desde a sua implantação, três mães com bebês prematuros passaram pelo método “Mãe Canguru” e obtiveram resultado satisfatório, levando a 100% de aproveitamen-

to o tratamento na unidade de saúde. A criança pode receber alta médica após atingir o peso de 1,6 quilo. A mãe e o bebê recebem atendimento 24 horas na maternidade. A cada dia, a mãe desenvolve habilidades para executar as tarefas. Antes de implantar o tratamento na maternidade Celina Villacrez Ruiz, duas profissionais da unidade passaram por um estágio na maternidade Ana Braga, em Manaus, que é referência neste tratamento em toda a Região Norte. O estágio teve duração de uma semana e passou tanto pela parte teórica quanto pela prática do tratamento. Ao voltarem para Tabatinga, as profissionais implantaram o método, que substitui a incubadora tradicional e ajuda a salvar vidas por meio do contato pele a pele entre mãe e bebê. As enfermeiras e a neonatologista da maternidade, Tânia Rocha, ministraram um curso para os profissionais da unidade de saúde. Pelo menos 20 profissionais da maternidade de Tabatinga estão habilitados a executar o método “Mãe Canguru”.

Segundo estudos, o colo materno é um dos melhores confortos para os bebês se desenvolverem


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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Ilustríssima Semana O MELHOR DA CULTURA EM 6 INDICAÇÕES

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LIVRO | UM CÂNTICO PARA LEIBOWITZ Publicada em 1959, a história criada pelo americano Walter M. Miller Jr. se passa no século 26. Ela narra o esforço de monges para manter a cultura humana viva num mundo pós-apocalipse nuclear. trad. Maria Silvia Mourão Netto | Aleph | R$ 49,90 | 400 págs.

CINEMA | NEO-NOIR A seleção do evento abarca filmes feitos após a chamada era clássica do filme noir, nos anos 1940 e 50, mostrando como as produções reforçaram ou subverteram as convenções do gênero. Entre os longas estão desde os cultuados “Blade Runner” (1982) e “Chinatown” (1974) até produções menos conhecidas, como “A Piscina Mortal” (1975), com Paul Newman. Cinusp Cidade Universitária e Maria Antonia | tel. (11) 31235200 | grátis | programação em usp.br/cinusp | até 22/2

DANÇA | CIA. PERVERSOS POLIMORFOS A ocupação da companhia dirigida por Ricardo Gali é oportunidade para ver “Movimento para um Homem Só” (2014), nos dias 3 e 4, e “Ânsia” (2011), neste domingo e de 5 a 8/2. Além dos espetáculos, haverá o workshop “O Neutro e a Potencialização do Movimento”, em que os integrantes compartilham suas pesquisas corporais e dramatúrgicas. Paço das Artes | tel. (11) 38144832 | de ter. a sáb., às 21h; dom., às 20h; workshop qui. (5), às 14h | grátis | até 8/2

‘Smoked The Hologram’ (2014), de Theo Michael

EXPOSIÇÃO | NO SOUND Com curadoria de Sofia Borges, a mostra ocupa o anexo da galeria Millan, ainda em construção, com um projeto que coloca em destaque a mutação e a incompreensão. São obras de Antonio Malta, Erika Verzutti, Paulo Monteiro, Rafael Carneiro e Theo Michael, as quais serão submetidas, ainda, a intervenções de Chico Togni e Suiá Ferlauto. galeria Millan | tel. (11) 3031-6007 | abertura ter. (3), às 19h | de ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 18h | grátis | até 12/2

LIVROS | NIETZSCHE Em “Introdução à Tragédia de Sófocles” (1) o filósofo alemão (1844-1900) discute a peça “Édipo Rei” – o ensaio resulta de aulas que ele deu sobre o autor grego aos 25 anos. O francês Michel Onfray interpreta a obra de Nietzsche em “A Sabedoria Trágica: Sobre o Bom Uso de Nietzsche” (2), enquanto, valendo-se de cartas e anotações, o italiano Paolo D’Iorio reconstrói, em “Nietzsche na Itália” (3), viagem do autor de “Assim Falava Zaratustra” em 1876. (1) trad. Marcos Sinésio Pereira | WMF Martins Fontes R$ 24,50 | 136 págs. (2) trad. Carla Rodrigues Autêntica | R$ 39 | 160 págs. (3) trad. Joana Angélica d’Avila Melo | Zahar | R$ 44,90 | 222 págs.

HIROSUKE KITAMURA/DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | HIROSUKE KITAMURA A mostra exibe 16 imagens do fotógrafo nipobrasileiro que vive em Salvador. A série exposta, chamada “Samsara”, é fruto de sua viagem para Índia. galeria 1500 Babilônia - Rio | tel. (21) 3827-3727 qui. e sex., das 11 às 20h; sáb., das 12 às 18h ou por agendamento | grátis | até 21/2 ‘Holds’ (2014)

Ponto Crítico

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EXPOSIÇÃO - FLIEG FOTÓGRAFO

O trabalho como arte TIAGO MESQUITA

Hans Gunter Flieg nunca pediu para ser artista. É fotógrafo de profissão. Mesmo assim, talvez por isso, fez um dos trabalhos visuais mais consistentes do Brasil no século 20. A sua exposição, em cartaz na unidade Ibirapuera do Museu de Arte Contemporânea da USP, em São Paulo até 29/3, mostra a construção de um pensamento estético fino sobre a modernização acelerada da cidade no século passado. Flieg nasceu na Alemanha em 1923. Com 16 anos, veio para o Brasil. Filho de uma culta família judia da Saxônia,

trouxe na bagagem sua experiência com o modernismo alemão, a nova objetividade e o gosto pela fotografia. Aqui, ampliou seus conhecimentos técnicos e se entusiasmou com a produção dos fotógrafos da revista “Life”. Ele participou do processo de atualização da publicidade, da imprensa e da comunicação visual. Fotografou o Masp, a primeira Bienal de São Paulo e o MAM. Além disso, participou do rico debate artístico e arquitetônico das vanguardas paulistas. Atendendo a diferentes clientes, suas fotos acompanhavam relatórios de fábrica, apareciam reproduzidas nos calendários, ilustravam textos e anúncios. As imagens eram feitas de acordo com as exigências do contratante. Flieg, em um aspecto, tra-

balha de maneira similar a artistas contemporâneos. As suas imagens são encenadas. Tudo é controlado, o modo como a luz pousa sobre os objetos e o espaço, a pose dos personagens, a sujeira no chão, o estado das máquinas, as proporções. Eram cenas dirigidas, que levavam tempo para montar. O sentido das imagens não é a captura de um momento decisivo, é composição, no sentido estrito. Em uma fotografia que ele fez na Indústria Elétrica Brown Boveri, em 1961, um homem aparece no fundo da imagem com uma prancheta, a inspecionar uma das duas máquinas diante dele. Perto das máquinas, o inspetor se apequena em seu guarda-pó. Isso se deve à composição, que amplia a escala das máquinas e diminui

o inspetor. A máquina, em um espaço amplo e quase vazio, está isolada, desconectada do complexo fabril, sem função. Frontal, ela domina a composição. Aparece, entretanto, como objeto de contemplação, que obriga o inspetor a se concentrar, como os personagens de uma tela de Chardin (16991779), e tomar notas. Na mesma sessão, Flieg retrata um fuso elétrico centralizado no plano em 90 graus do chão. O fotógrafo nos mostra os refletores em torno da peça, iluminada como uma obra de arte, permitindo-nos ver todas as suas reentrâncias. O objeto é descrito como a escultura “Unidade Tripartida”, de Max Bill. Está isolado, como uma relíquia futurista. Por isso, nas fotografias de Flieg, as esculturas de Jean Tinguely

(1925-91) e os equipamentos da indústria Zauli são aparentadas. São feitos do trabalho humano que guardam diferenças, mas podem, nos dois casos, serem mostrados de modo contemplativo. Uma ética do trabalho permeia a produção do fotógrafo. As diferentes atividades que ele retratou, apresentam homens dignos realizando seus afazeres com dedicação e sabedoria. Sejam eles operários, escultores ou sopradores de vidro, todos parecem fazer o melhor. As hierarquias existem, são visíveis em algumas fotografias, mas nenhum trabalho é qualitativamente superior. A imagem do trabalho não é a impositiva linha de produção do filme “A Nós a Liberdade” (1931), de René Clair. Em uma foto da fábrica Cristais

Prado, de 1947, os operários surgem em duas fileiras polindo vidros. Os trabalhadores se diferenciam uns dos outros. São gestos diferentes, expressões faciais diferentes, humores diferentes. A cena é feita para individualizar os personagens e mostrar a maestria deles na atividade. Flieg pensava atividade como profissão. A empatia por esses personagens provavelmente passa por alguma identidade entre o fotógrafo e o que era fotografado. São cenas de um período histórico peculiar, otimista. De um futuro que se aproximava velozmente, com violência. Era uma época de muitas promessas. Flieg deu forma a algumas delas em imagens também otimistas, de homens a criar outra vida.

ACERVO PESSOAL

Ilustríssimos desta edição

MARCELO GLEISER, 55, é professor titular de física, astronomia e filosofia natural no Dartmouth College, nos EUA. Seu livro mais recente é “A Ilha do Conhecimento” (Record). DI MELO, 64, cantor e compositor pernambucano, faz show no Sesc São José dos Campos no dia 7/2. FELIPE COHEN, 38, é artista plástico. CLAUDIO LEAL, 33, é jornalista.

RAFAEL CORRÊA, 38, cartunista gaúcho, é autor de “Piolhos Invaders” (Razão Bureau Editorial). ALVARO COSTA E SILVA, o Marechal, 52, é jornalista. RICARDO BONALUME NETO, 54, é repórter da Folha. TIAGO MESQUITA, 36, é crítico de arte, autor de “O Olhar do Colecionador” (Bei Editora).


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Ciência

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Artifícios da inteligência O que será da mente se máquinas pensarem? RESUMO A busca do ser humano por ampliar sua capacidade física e intelectual deu origem a tecnologias transhumanas. Apesar disso, as máquinas não devem ser capazes de destruir a humanidade, já que só conseguirão evoluir junto ao cérebro que conhecemos hoje, sem uma inteligência superior independente.

MARCELO GLEISER

Considere a seguinte situação: você acorda atrasado para o trabalho e, na pressa, esquece o celular em casa. Só quando engavetado no tráfego ou amassado no metrô você se dá conta. E agora é tarde para voltar. Olhando em volta, você vê pessoas com celular em punho conversando, mandando torpedos, navegando na internet. Aos poucos, você vai sendo possuído por uma sensação de perda, de desconexão. Sem o seu celular, você não é mais você. A junção do humano com a máquina é conhecida como “transhumanismo”. Tema de vários livros e filmes de ficção científica, hoje é um tópico essencial na pesquisa de muitos cientistas e filósofos. A questão que nos interessa aqui é até que ponto essa junção pode ocorrer e o que isso significa para o futuro da nossa espécie. Será que, ao inventarmos tecnologias que nos permitam ampliar nossas capacidades físicas e mentais, ou mesmo máquinas pensantes, estaremos decretando nosso próprio

RAFAEL CORRÊA | cartum

fim? Será esse nosso destino evolucionário, criar uma nova espécie além do humano? É bom começar distinguindo tecnologias transhumanas daquelas que são apenas corretivas, como óculos ou aparelhos de surdez. Tecnologias corretivas não têm como função ampliar nossa capacidade cognitiva: só regularizam alguma deficiência existente. A diferença ocorre quando uma tecnologia não apenas corrige uma deficiência como leva seu portador a um novo patamar, além da capacidade normal da espécie humana. Por exemplo, braços robóticos que permitem que uma pessoa levante 300 quilos, ou óculos com lentes que dotam o usuário de visão no infravermelho. No caso de atletas com deficiência física, a questão se torna bem interessante: a partir de que ponto uma prótese como uma perna artificial de fibra de carbono cria condições além da capacidade humana? Nesse caso, será que é justo que esses atletas compitam com humanos sem próteses? Poderia parecer que esse tipo de hibridização entre tecnologia e biologia é coisa de um futuro distante. Ledo engano. Como no caso do celular, está acontecendo agora. Estamos redefinindo a espécie humana através da interação – na maior parte ainda externa – com tecnologias que ampliam nossa capacidade. Sem nossos aparelhos digitais – celulares, tabletes, laptops – já não somos os mesmos. Criamos personalidades virtuais, ativas apenas na internet, outros que interagem em redes sociais com selfies arranjados para impressionar; criações remotas, onipresentes. Cientistas e engenheiros usam computadores para ampliar sua habilidade cerebral, enfrentando problemas que, há apenas algumas décadas, eram considerados impossíveis. Como resultado, a cada dia surgem questões que antes nem podíamos contemplar. O ritmo do progresso

científico está diretamente relacionado a nossa aliança à máquinas digitais. Somos já transhumanos. Aonde isso nos levará? Em livro recente, o filósofo sueco Nick Boström, professor na Universidade de Oxford, no Reino Unido, soa o alarme: se criarmos inteligências superiores à nossa, poderemos nos tornar obsoletos. Em “Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies” [Oxford University Press, 352 págs., R$ 110; e-book R$ 44,45] (Superin- teligência: caminhos, perigos, estratégias), Boström faz uma analogia entre nós e gorilas e entre nós e as inteligências artificiais sobre-humanas: do mesmo modo que a sobrevivência dos gorilas depende de nossa benevolência, se máquinas mais inteligentes e poderosas do que nós existirem, nossa sobrevivência dependerá delas. O que garante que elas nos preservarão? É o mito do Frankenstein revisitado, cientistas criando nosso fim. Considerando, claro, a premissa de que seja possível criar tais máquinas superinteligentes. Nisso, a comunidade científica e filosófica está dividida. De um lado, temos os que acreditam que é apenas questão de tempo: assim como a natureza “criou” ao menos uma espécie inteligente (sim, golfinhos, baleias, cachorros e gatos são inteligentes, mas não desenharam computadores ou sondas espaciais, ou escreveram sinfonias e poesia), não há qualquer empecilho fundamental para que possamos repetir a façanha, criando outras entidades inteligentes. As leis da natureza não proíbem a construção de inteligências artificiais. Críticos rebatem dizendo que a questão não é assim tão simples. Primeiro, não sabemos exatamente o que é a inteligência. E, se não temos uma definição, fica bem difícil recriá-la artificialmente. Por exemplo, o supercomputador da IBM Deep Blue, que ganhou

do campeão mundial de xadrez Garry Kasparov em 1997, não era inteligente. Ao menos não no sentido de ser uma entidade autônoma, capaz de tomar suas próprias decisões. O Deep Blue reunia uma velocidade incrível de processamento de informação com um programa altamente sofisticado de seleção de estratégias, escolhendo seus movimentos com base num processo refinado de otimização. A inteligência era de seus programadores, e não da máquina em si. Na Europa e nos EUA, duas grandes iniciativas tentam criar uma máquina inteligente baseada na desconstrução do cérebro humano. Em essência, trata-se de mapear o cérebro minuciosamente, detalhando cada neurônio, suas ligações sinápticas com outros neurônios (sua “cognitividade”), o fluxo de substâncias neurotransmissoras de neurônio a neurônio, recriando toda essa informação num gigantesco programa de computador, uma simulação do cérebro humano em uma entidade de silício. Uma pesquisa fascinante, que leva a uma pergunta essencial: como saber que temos toda a informação requerida para recriar um cérebro humano, o objeto mais complexo do universo conhecido? Mapa No famoso conto “Sobre o Rigor na Ciência”, de Jorge Luis Borges, observa-se que um mapa perfeito, contendo todos os detalhes do original, teria que ser do tamanho do que se propõe a mapear, sen-

do, portanto, inútil. No caso do mapeamento do cérebro, esse tipo de iniciativa é extremamente importante e válida, e nos trará muita informação valiosa sobre seu funcionamento e estrutura. Mas seu objetivo final, a compreensão completa do cérebro humano, me parece um mito. Afinal, sabemos que nossa aferição do que existe é sempre limitada: o que vemos do mundo, mesmo com nossos instrumentos, jamais é tudo o que poderia ser visto. Portanto qualquer simulação de uma entidade real será necessariamente incompleta. No máximo, podemos tentar captar o essencial, recriando um modelo parcial do que existe – e talvez não seja possível concluir que esse modelo parcial teria funções cognitivas idênticas ao cérebro real; nem mesmo sabemos se podemos entender o cérebro destituído do corpo que comanda. Ainda que programas de computador cheguem a ser inteligentes, sua inteligência não será como a nossa. Será outra coisa, desprovida de um corpo. E o que é um humano sem um corpo? Impossível contemplar. O que é uma inteligência que não sofre ou sente dor? Até que ponto essas emoções podem ser capturadas num programa, numa sequência de instruções? Esse objetivo – a construção de máquinas autônomas inteligentes – parece bem mais distante do que o fato já em curso da nossa hibridização com tecnologias que expandem nossas habilidades cognitivas. No filme “Ela” [dir. Spike

Jonze, EUA, 2013, Sony, 125 min., 14 anos, DVD R$ 39,90, Blu-ray R$ 69,90], um homem se apaixona por uma máquina, um sistema operacional inteligente capaz de aprender com a informação que recebe. A história é trágica, explorando a solidão humana e como a tecnologia do futuro – à medida que nos definimos pelas nossas interações com os outros – irá redefinir quem somos. Ao menos no filme, os “outros” poderão não ser mais humanos. Apesar da beleza do filme, é bom não confundi-lo com a realidade. Como argumentei acima, é muito possível que a premissa das máquinas inteligentes, ou mais inteligentes do que nós, seja falsa. Bem mais provável que o futuro da inteligência esteja dentro do cérebro humano, e não fora. Seremos nós, ou nossos híbridos, a nos tornarmos superinteligentes, estendendo nossa capacidade mental através da união do biológico com o cibernético. O futuro não está nas máquinas, mas na inteligência humana artificialmente ampliada. Não estamos desenhando nosso fim, mas uma nova espécie, capaz de transcender os limites evolucionários que determinam o funcionamento do cérebro e do corpo. Com isso, não devemos temer o futuro da pesquisa em inteligência artificial, mas vê-la como uma oportunidade de emancipação, de crescimento da espécie. Certamente, nossos descendentes serão mais inteligentes e, esperemos, mais sábios.


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Literatura RESUMO Criado no século 19, o personagem de Sherlock Holmes conhece hoje uma nova fama com séries de TV que reencarnam suas histórias e outras, de investigações, baseadas em suas características. Irascível, o investigador de Arthur Conan Doyle influenciou figuras como o doutor House e mesmo o jogo Detetive.

RICARDO BONALUME NETO ILUSTRAÇÃO FELIPE COHEN

“Você é um psicopata!”. “Sociopata altamente produtivo!”, corrigiu Holmes. O curto diálogo foi tirado da série britânica de TV “Sherlock”, na qual o ator Benedict Cumberbatch interpreta o clássico detetive inglês Sherlock Holmes, criado pelo escritor escocês Arthur Conan Doyle (1859-1930) no hoje distante século 19. A série, cuja terceira temporada foi ao ar em 2014, adapta as histórias do detetive para o momento atual – todos os episódios estão disponíveis no serviço por assinatura Netflix. Não existe semelhante diálogo no cânone, isto é, os nove livros de Conan Doyle contendo os 56 contos e quatro romances de Holmes, o “primeiro detetive consultor” da história. Os casos foram apresentados nos livros pelo amigo do detetive, o médico John Watson – interpretado pelo ator Martin Freeman nessa série recente. O médico Watson tinha servido no Exército britânico na campanha do Afeganistão de 1878-80, onde foi ferido por bala de fuzil. Como a história gosta de se repetir, o Watson vivido por Freeman também era médico do Exército de sua majestade e foi ferido no Afeganistão – na campanha ainda em curso. O novo Watson não publica suas histórias dos casos de Holmes em revistas ou em livros, como o Watson vitoriano. Ele tem um blog. Insultos Um diálogo semelhante ao do começo deste texto seria plausível nos livros, assim como Holmes se assumir um sociopata. Pois o Holmes de Doyle tem um lado bem irascível. Ele realmente detesta gente burra. Logo, os Holmes modernos da TV e do cinema agem do mesmo jeito. Não faltam Holmes na recente indústria cultural, ou seus discípulos, mesmo que estejam longe de serem detetives ou policiais – como o médico Gregory House, da série “House” (uma espécie de “detetive médico” baseado no personagem de Conan Doyle – e igualmente ou até mais irascível). “Cala a boca! Você diminui o QI da rua inteira!”, diz Holmes/ Cumberbatch a um desafeto em outro episódio. Irascível, sem dúvida. Quando surgiu o que hoje tem vários nomes – “romance policial”, de “crime”, de “detetive” ou de “mistério” –, tudo girava basicamente em torno

3 Sherlock em série A permanência pop do detetive de Baker Street de desvendar uma ocorrência misteriosa como se fosse uma equação matemática, ou um quebra-cabeças. O detetive – embora ainda sem esse nome –, conhecido como o primeiro de todos, Auguste Dupin, apresentado em 1841 pelo escritor americano Edgar Allan Poe (1809-49), era um cérebro sem grande charme, mas capaz de resolver enigmas. Ou melhor, alguém sem grandes maneirismos. Holmes tornou-se o mestre disso. Não faltam manias na caracterização do mais famoso personagem do romance policial: é recluso e deprimido, toca violino, foi viciado em cocaína, é bom em disfarces, é boxeador e atirador, fuma cachimbo, não tem interesse em mulheres etc. É um homem de intelecto e de ação. Foi graças a essa paixão por resolver mistérios que surgiram na “era dourada” do romance policial – pósConan Doyle/Holmes – os casos de “quartos fechados”. É exatamente o que o jogo de tabuleiro Detetive (originariamente Clue, “pista”, em inglês) procura fazer. Há possíveis criminosos, várias opções de armas do crime (revólver? faca? castiçal?) e cenas aristocraticamente britânicas: a biblioteca, a sala de armas, a sala de jantar. Misture as

cartas, jogue os dados e escreva um romance. A mera ênfase em saber quem cometeu a coisa – a literatura policial do “whodunit”, “quem fez?” – foi um abastardamento do legado de Sherlock Holmes. Mas, como se sabe, apesar de serem autores menores, tiveram grande sucesso de vendas – por exemplo, britânicos como Agatha Christie e Dorothy L. Sayers, ou americanos como S. S. van Dine, John Dickson Carr e Ellery Queen. Imbatível Holmes era bem mais fascinante. O caso a ser revolvido e o método para resolvê-lo eram importantes, claro, mas o caráter do personagem e do seu auxiliar, o doutor Watson, eram fundamentais. Mais do que o quebra-cabeça, a história é o que importava no cânone holmesiano. “As histórias de Holmes deviam seu imenso sucesso aos talentos de Doyle como um contador de contos”, afirmou o também autor de romances policiais britânico Julian Symons (1912-94) em uma pequena biografia do escritor (“Conan Doyle - Portrait of an Artist”). O enigma nos contos nem sempre é muito enigmático, lembra Symons. Há mesmo erros factuais. Mas a maneira

como Sherlock Holmes deduz fatos a partir de pequenas pistas que estão na frente de todos é algo único. da poltrona O padrão detetive irascível, cheio de manias e brilhante continuou a existir na literatura em personagens que descendem de Holmes em suas habilidades de detecção e dedução, como Nero Wolfe, criado pelo americano Rex Stout (1886-1975). Wolfe é o clássico “detetive de poltrona”, que nunca sai de casa para resolver os crimes. Protagonizou mais de 50 livros de 1934 a 1975. Nero Wolfe nasceu em Montenegro, nos Balcãs; coleciona milhares de orquídeas, é muito, muito, genioso, gosta de comer (pesa algo entre 130 e 140 kg), detesta mulheres (assim como Holmes, é assexuado, não homossexual). Seria mais um detetive inverossímil que soluciona mistérios se não tivesse o assistente Archie Goodwin, versão jovem e atlética de Watson, para coletar fatos na rua. Por “detetive inverossímil” leia-se um monte de velhinhas, padres, jornalistas, aristocratas “blasés”. Um séquito de amadores criados para resolver crimes da tradição do “whodunit”, enquanto na vida dita real quem costuma fazer isso são os detetives das

forças policiais estatais – ou, em casos bem mais raros, detetives particulares. O comissário Salvo Montalbano é um bom exemplo do detetive verossímil – ele de fato é um policial. Criado pelo italiano Andrea Camilleri, mora na Sicília e reúne traços de Holmes e de Wolfe: também é irritadiço e aprecia culinária. Mas tem namorada e é fiel a ela. Além dos aspectos de personalidade, a figura física de Sherlock Holmes foi muito caracterizada em imagem – no papel, no cinema ou na televisão. Conan Doyle tem parte da “culpa”, pois avalizou as ilustrações que acompanhavam seus contos publicados na revista popular “Strand”. Ou seja: o Holmes de que todos se lembram é o sujeito magro e alto desenhado por Sidney Paget na “Strand”. Paget acrescentou detalhes importantes no visual: a capa de “tweed”, o boné de pano de caçador de veado, o cachimbo curvo – elementos que aparecem muito pouco nos textos. Apesar do longilíneo perfil consagrado, o investigador britânico foi interpretado por mais de 70 atores no cinema e na TV, tão diferentes como os britânicos Michael Caine ou Roger Moore (que tam-

bém fez James Bond, outro ícone clássico da cultura pop britânica). Graças a Paget, o ator Basil Rathbone – versão perfeita em carne e osso das ilustrações – deu vida ao personagem em filmes das décadas de 1930 e 1940. Os filmes com Rathbone também levaram Holmes à atualidade da época das produções. Neles o detetive, que o cânone informa ter se aposentado nos anos 1920 para criar abelhas, combate nazistas décadas mais tarde. Viciado “Eu sou um viciado, não um acadêmico; e este é um registro de entusiasmo e de desapontamento ocasional, não um catálogo”, escreveu Julian Symons na introdução de seu clássico livro sobre o romance policial “Bloody Murder - From the Detective Story to the Crime Novel” (assassinato sangrento - da história de detetive ao romance policial). Holmes e Doyle eram dois dos vícios do escritor Symons. Em seu “registro de entusiasmo”, ele deixa claro como a imagem que ficou do personagem é descolada do texto canônico: “Se a concepção original de Conan Doyle tivesse sido totalmente realizada, teríamos um personagem mais durão e menos intelectual em aparência. Era a combinação, em Holmes, do grande pensador com o homem de ação que apelava aos seus primeiros leitores”. O assistente Watson também foi modificado pelo cinema. Nos filmes protagonizados por Rathbone ele aparece como um colaborador bobão, sempre assombrado pelos poderes de dedução do amigo. Culpa do ator Nigel Bruce, perfeito no papel de bobalhão.


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FOTOS: EVERTON BALLARDIN/DIVULGAÇÃO

Quem conta um conto aumenta um ponto – ou mais. Nunca constou do cânone o “elementar, meu caro Watson!”. Há “elementar, Watson”; e “meu caro Watson”; mas nenhum “elementar, meu caro Watson”. Isso surgiu depois, no cinema e em outros autores. O detetive mais “puro” está na série de TV britânica “Sherlock Holmes”, filmada entre 1984 e 1994 com o ator Jeremy Brett (1933-95). Watson não é um paspalho. Holmes é alto e magro. E as histórias são razoavelmente fiéis ao original, como todo bom holmesiano de carteirinha gostaria. Mito revisitado Depois dessa década de um Holmes ortodoxo, a melhor opção da indústria cultural era revisitar o mito, deixando de lado a representação anterior. Cumberbatch, o Holmes de “Sherlock”, é alto – no entanto bem mais jovem e bonito que o padrão criado por Paget/Rathbone. Mas não assustaria os ortodoxos. Já a série americana “Elementary” (que também tem suas duas primeiras temporadas no Netflix – a terceira irá ao ar no canal Universal a partir de março), é de deixar os fãs puristas palpitando. O ator que interpreta Holmes, Jonny Lee Miller, é mais baixo e tem entradas de calvície; o personagem se veste mal, e cultiva uma eterna barba por fazer, com esmerado e trabalhoso desleixo. Pior, muito pior: apesar de Holmes ser inglês, ele está exilado em Nova York... Muito pior ainda: Watson é mulher! Em vez de um dr. John Watson, temos uma dra. Joan Watson, e ainda por cima de origem asiática, interpretada por Lucy Liu.

Bem, Rex Stout escreveu um ensaio certa vez argumentado que “Watson era uma mulher”; portanto, a idiossincrasia americana em relação ao doutor é antiga. Joan Watson tem a mesma exasperação que John Watson com as excentricidades de Holmes, e seus poderes aparentemente sobrenaturais de detecção. Logo no começo da primeira temporada de “Elementary”, depois de uma série de revelações pessoais bombásticas, ela pergunta como ele “adivinha” as coisas. “Eu não adivinho, eu observo. E depois que observo, eu deduzo”, responde o Holmes de Nova York. Tudo perfeitamente adequado ao cânone. Mas Joan pergunta sobre como ele soube algo difícil de deduzir sobre o pai dela. “Google. Nem tudo é deduzível”. O Sherlock Holmes original, como este moderno, é uma pessoa que entende muito de química e outras disciplinas científicas. Mas ele assume ser ignorante em muitos assuntos, como arte ou literatura. Sua tese clássica é de que os escaninhos do cérebro têm espaço limitado e não convém preenchê-los com “besteira” (“como arte, literatura etc”). Muitas frases clássicas do sujeito saem direto do livro para as telas de cinema e TV. Por exemplo: “Quantas vezes eu te disse que, quando você eliminou o impossível, o que quer que tenha restado, por mais improvável que seja, deve ser a verdade?”. Em algum momento você vai ouvir isso na boca de um dos atores citados acima. Ancestral A primeira vez que Conan Doyle pensou em Holmes data de 1886. O Brasil à

época vivia tempos de escravidão e monarquia. Os personagens nasceram como Sherrinford Holmes e dr. Ormond Sacker. Os nomes mudaram, mas não o endereço da dupla – Baker Street, 221B. Conan Doyle não conseguiu vender o livro imediatamente. Foi rejeitado pelo primeiro editor. O primeiro livro de Holmes já deixa claro no título o “diferencial” do personagem: “Um Estudo em Vermelho” se refere a um teste que o detetive cria para conseguir diferenciar uma mancha de sangue de outra coisa vermelha qualquer. É por isso que Holmes é o verdadeiro pai de muita coisa que veio depois na cultura pop, mais especificamente a enorme quantidade de séries de TV americanas ligadas à ciência forense ou que se baseiam fortemente nela. “CSI” (Crime Scene Investigation, a investigação de cena de crime) em todas suas variantes – Las Vegas, Miami, Nova York; “NCIS” (Naval Criminal Investigative Service, serviço naval de investigação criminal) nas variantes Washington, Los Angeles e Nova Orleans; ou outras como “Bones”, “Body of Proof”, “Law and Order” etc. Quem nunca tinha ouvido falar em teste de DNA com certeza descobriu depois de ver uns poucos episódios de uma dessas séries. E foi um feito notável ser o ancestral dessa linhagem, pois, quando o químico Sherlock Holmes desenvolvia seu teste de detecção de sangue, não existia ainda nem o sistema de identificação de pessoas por impressão digital. Havia muita pseudociência na criminologia, como as ideias de Cesare Lombroso ou

Alphonse Bertillon, segundo as quais determinadas medidas do corpo humano – com destaque para as do crânio – poderiam identificar “criminosos natos”. “A reverência geral vitoriana pela ciência era forte, por isso um detetive que alegava lidar com casos de crime por métodos científicos tinha uma audiência à sua espera”, escreve Symons. “As referências nas histórias de Holmes à sua monografia sobre 140 variedades de tabacos de cachimbo, charuto e cigarro, sua capacidade de fazer análises químicas e de reconhecer diferentes tipos de jornal com uma olhada, tudo ajudava a assegurar aos leitores que Sherlock Holmes era um homem verdadeiramente excepcional”, exemplifica. Excepcional Homens excepcionais são raros, pois “demandam uma combinação de qualidades que não se acha na mesma mente”, como argumenta outro clássico autor de romances policiais, de uma escola bem diferente, altamente realista: o americano Raymond Chandler (1888-1959). Chandler foi um crítico rigoroso do romance policial da “era dourada” ou da “escola britânica”, o que demonstrou em uma das mais brilhantes análises sobre essa forma de literatura de todos os tempos, o curto ensaio de 1944 “The Simple Art of Murder” – o texto depois serviu de introdução e deu título a uma coletânea de contos, publicada no Brasil como “A Simples Arte de Matar” pela L&PM (2009). “Cada escritor de história de detetive comete erros, e nenhum nunca vai saber o tanto que deveria. Conan Doyle cometeu erros que in-

validavam completamente algumas de suas histórias, mas ele era um pioneiro, e Sherlock Holmes, no fundo, é principalmente uma atitude e algumas poucas dúzias de linhas de diálogo inesquecíveis”, escreveu Chandler. Para ele, o “detetive científico” pode até ter seu “brilhante laboratório novo; mas me desculpe se eu não consigo lembrar seu rosto”. É simples, diz o americano. Se você conhece tudo sobre algo bem exótico – como cerâmica egípcia antiga –, dificilmente sabe como a polícia funciona no dia a dia. Curiosamente, o detetive de Chandler, Philip Marlowe, de Los Angeles, não deixa de ser um sujeito excepcional. Marlowe era irônico, durão, não tão irascível quanto os demais detetives acima. Mas era sentimentalista, “um sir Galahad com uma pistola automática”. Como Chandler disse, é um sujeito que poderia seduzir uma duquesa, mas nunca deflorar uma virgem. Marlowe bebia uísque, brandy, bourbon – e tinha verdadeiro horror a qualquer coquetel cuja apresentação incluísse um pequeno guarda-chuva. Chandler e Dashiell Hammett (1894-1961) são os dois grandes nomes da escola realista que Symons chamou “revolução americana”. Chandler tem muita admiração pelo colega mais novo: “Hammett devolveu o assassinato às pessoas que o cometem por motivos, não apenas para providenciar um cadáver; e, com os meios à mão, não com pistolas de duelar artesanais, curare, e peixes tropicais”. Sem joguinho Chandler ficaria indignado com o jogo Detetive. Para ele, “a ficção em qualquer forma

sempre teve a intenção de ser realista”; e não existe literatura de mero entretenimento ou “escapismo”. Todo mundo escapa da realidade para se entreter lendo um livro, seja ele de Marcel Proust ou de Paulo Coelho. Realista, Hammett certamente era. Ele trabalhou como detetive particular da agência Pinkerton, serviu no Exército americano e até se filiou ao Partido Comunista. O PC também enriqueceu as fileiras dessa literatura com o italiano Camilleri e seu comissário Montalbano, por sua vez uma homenagem a outro autor comunista, o espanhol Manuel Vázquez Montalbán (19392003), criador do detetive particular galego, gourmand e algo irascível (com certeza o adjetivo mais usado neste texto) Pepe Carvalho. Holmes, convém relembrar, é o pai de todos. A literatura policial nasceu e tem sua espinha dorsal no mundo anglosaxão, de onde se expandiu para o resto do mundo. A França, com seu “roman noir” (romance negro), fornece o exemplo básico. Mas o belga Georges Simenon (1903-89) e o seu comissário Maigret, estrela de incríveis 75 romances e 28 contos, oferece um caso à parte, uma literatura quase mais social do que policial. Um dos autores mais interessantes fora do universo anglo-saxão é Jean-François Parot, criador do detetive Nicolas Le Floch, policial que revela casos na Paris do século 18, durante o reinado de Luís 15. Floch é um Holmes literalmente “avant la lettre” – antes de ser inventado. Faz deduções com base em pistas quase irrelevantes, analisa cadáveres como um moderno membro do CSI e tem até sua tropa de mendigos e meninos de rua informantes, como os “BakerStreet Irregulars” de Holmes. Também virou série de televisão. Como Symons previra, muitos outros países criaram sua literatura do gênero. O Brasil, por exemplo, demorou, mas hoje tem dois autores excepcionais, Luiz Alfredo GarciaRoza e Joaquim Nogueira. Nada, contudo, escapa incólume aos modismos da indústria cultural. Nem Sherlock Holmes. O diretor de cinema Guy Ritchie produziu filmes recentes com o ator Robert Downey Jr. (o mesmo de “Homem de Ferro”) como um Holmes meio dândi, meio boxeador; e um Jude Law como um Watson mais bonito e mais homem de ação. Perfeito para o momento atual, sem fugir demais do cânone. Esses filmes, assim como as séries “Sherlock” e “Elementary”, abusam, porém, da influência da cultura das novelas, dos quadrinhos e dos super-heróis. Neles, personagens menores e pouco citados na obra literária de Conan Doyle ganham importância e relevância. Moriarty, o “Napoleão do crime”, é o arquirrival, arquivilão, por quase ter matado o detetive; Irene Adler, “a mulher” descrita por Holmes, por ter conseguido enganálo, vira um par romântico; e o irmão igualmente gênio que pouco aparece nos livros, Mycroſt Holmes, surge o tempo todo no vídeo (no caso, com razão, os roteiristas e atores criaram personagens muito divertidos para o irmão mais velho). Elementar, meu caro leitor.


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Cinema PERFIL

4 O contador de histórias Conversa com Carrière, Oscar honorário do ano

ERIC FOUGERE - 10.04.08/VIP IMAGES/CORBIS

RESUMO Colaborador de nomes como Jacques Tati e Luis Buñuel, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière repassa aqui sua trajetória. Autor, com Peter Brook, do “Mahabharata”, adaptação em nove horas do mito indiano, o francês que nasceu numa casa sem livros e se tornou um bibliófilo é um narrador, nas diferentes acepções do termo.

CLAUDIO LEAL

Uma chuva afilada e teimosa, dessas de Paris em qualquer estação, batizaria a entrada de Jean-Claude Carrière no universo do cinema. Por segundos atento às calçadas da rue Dumont d’Urville, o cômico francês Jacques Tati se encantou com uma observação do escritor de 26 anos, abrigado sob a porta de sua produtora. “Engraçado! Quando chove, os carros vão devagar e os pedestres andam rápido”, atentou Carrière. Seguiu-se um lampejo de Tati: “Você tem percebido isso?”. Editora de seu romance de estreia (“Lézard”, de 1957), a Robert Laffont selecionara Carrière para a adaptação literária dos filmes “As Férias do Sr. Hulot” e “Meu Tio”, dirigidos por Tati. Assim, viu-se compelido a aprender a técnica da montagem, e logo receberia um roteiro das mãos da montadora Suzanne Baron, aproximandose, cena por cena, da linguagem secreta e quase muda de Hulot, o personagem de alma inadaptada à modernidade. O escritor francês atribui ao encontro com Tati a dádiva da iniciação profissional. Em 8 de novembro de 2014, aos 83 anos, Carrière ganhou um Oscar honorário em Los Angeles, numa cerimônia a ser exibida na festa de fevereiro deste ano. A Academia premiou um dos mais conceituados roteiristas da história do cinema, presente em cerca de 80 filmes e, em seis décadas, associado a obras de criadores como Peter Brook, Louis Malle, Jean-Luc Godard, Andrzej Wajda, Nagisa Oshima, Miloš Forman, Michael Haneke, Hector Babenco e Fernando Trueba. A parceria com o diretor espanhol Luis Buñuel rendeu seis longas, que incluem “O Diário de uma Camareira” (1964) e “Esse Obscuro Objeto do Desejo” (1977), e inúmeras narrativas de uma amizade aprofundada em vinhos e viagens. A chuva parisiense, ou melhor, aquela frase sobre os carros e os pedestres, de honrar um criador de gags, funcionou como um abracadabra, em 1957. Sem esse pitaco, acredita Carrière, Tati poderia abrir o guardachuva e dar adeus. Meses antes do anúncio do Oscar, Jean-Claude Carrière avisou ao repórter quais ape-

ritivos seriam servidos em seu palacete do século 19: “Haverá chá, vinho ou uísque”. Dentro de um pátio privado de Pigalle, um dos distritos da vida libertina de Paris, o imóvel de quatro andares acolheu outrora um bordel e um antro de jogadores, ambos fechados em 1931 – por algum deboche dos astros, o ano de nascimento do atual morador. No último piso, a poucos degraus do bafafá, o pintor Toulouse-Lautrec se empoleirava num ateliê. “Não há razão especial para morar aqui. Tive a sorte de comprar esta casa (em 1976)”, diz ele, na sala de visita, cercado de obras de arte asiáticas e africanas. “Baudelaire, Jean Renoir, Mallarmé, Paul Valéry e André Breton viveram na vizinhança. Gosto do bairro”, sorri. De longe ressoam as vozes da mulher, a escritora iraniana Nahal Tajadod, 54, e da filha Kiara, 12. O roteirista instalou duas salas de trabalho no porão, e nele construiu ainda um ambiente para a banheira, decorado com elementos orientais, a partir do qual se abre um closet em que as roupas mínguam ante centenas de livros em vários idiomas. A escultura de Buda oferece um mal-entendido. “Não tenho religião. Sempre fui ateu, mas sem violência”, graceja. Livros A biblioteca barroca despediu-se da casa em dezembro de 2013. Dentre os 273 livros raros levados a leilão, os colecionadores salivaram por oito volumes do cosmólogo, matemático e ocultista inglês Robert Fludd (1574-1637), o autor de uma “História do Macrocosmo e do Microcosmo”. O conjunto de obras de Fludd chegou a ser cotado em 55 mil euros. As buscas livrescas de Carrière estão narradas em “Não Contem com o Fim do Livro” (Record, 2010), uma conversa com o escritor italiano Umberto Eco mediada pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac. Essa paixão reage à abstinência de sua infância em Colombièressur-Orb, no sul da França. “Nasci numa casa de pequenos camponeses, onde não havia nem livros nem gravuras. Nada, salvo os livros do colégio”. Com a mudança para a capital francesa, em 1945, descobriu Sade e duas obras traumáticas: “O Estrangeiro”, de Albert Camus, e o “Manifesto Surrealista”, de André Breton. “São dois livros que marcaram a minha geração”, diz Carrière. “’O Manifesto Surrealista’ me conduziu num sentido. Breton aconselhava a ler isso, isso e isso. Depois, li outras coisas. Não é bom escutar uma pessoa dizendo ‘tem que ler isso, isso não!’, mesmo que essa pessoa se chame André Breton”. O selo de roteirista não contempla sua personalidade de polímata. Mestre em história, Carrière é autor de romances – “O Mahabharata” (Brasiliense, 1991), “A Controvérsia” (Companhia das Letras, 2003) –, manuais de roteiro, ensaios, dicionários (um deles sobre a burrice) e traduções para o francês do escritor inglês William Shakespeare, do espanhol José Bergamín e, com a mulher, da poesia do cineasta iraniano Abbas Kiarostami.

O escritor e roteirista francês JeanClaude Carrière

Em 2014, movido pelos transtornos financeiros da Europa, o escritor lançou o ensaio “L’Argent: Sa vie, sa Mort” [Dinheiro: sua vida, sua morte, Éditions Odile Jacob], no qual transforma o dinheiro em personagem, “para entender o que não entendia na crise de 2009”. Desenha, compõe e, desde a infância, é capaz de produzir o próprio vinho. “Jean-Claude sabe tudo o que pergunto. É um ser universal”, declarou a cantora Juliette Gréco à Folha. Em 1998, ela gravou um álbum com canções do amigo: “Un Jour d’Été et Quelques Nuits”. Todas essas habilidades deságuam no “contador de histórias”. Assim se vê o homem de barba irregular e olhos zelosos. “Rapidamente decidi não ser diretor e continuar a escrever para todas as áreas. No momento em que fosse diretor de cinema, iria esquecer a literatura, o teatro etc. Seria o fim”, reconheceu Carrière, que dirigiu apenas três curtas. Mímica O boulevard de Clichy o separa de um artista central em suas incursões pela mise-en-scène. Do outro lado de Pigalle, num prédio agregado a velho casarão, o palhaço Pierre Étaix, 86 anos, preserva a elegância corporal de mímico. Ficaram amigos nas jornadas de finalização de “Meu Tio”. “Jean-Claude me disse que queria fazer cinema, mas lhe interessava essencialmente o cinema cômico”, conta o exassistente de direção de Tati. “Ele me falava muito de Buster Keaton, que eu não conhecia. Os filmes americanos não chegavam à França em guerra”.

A dupla realizou “Rupture” (1961) e o vencedor do Oscar de melhor curta “Heureux Anniversaire” (Feliz aniversário, 1962), esticando a cumplicidade aos roteiros de outros seis filmes, numa febre só interrompida pela falta de grana. “Uma pobreza terrível”, queixa-se Étaix. “Em ‘Rupture’, durante um traveling, usei uma mão empurrando a câmera e a outra para fazer as regulações. Foi uma proeza”, gaba-se Carrière, que abandonou a direção em 1969. “La Pince à Ongles” (O cortador de unhas), escrito com Miloš Forman, se inspira numa situação surreal vivida no Rio, em meio à filmagem de “Pour un Amour Lointain” (Por um amor longínquo, 1968), de Edmond Séchan. “Estava no meu quarto, falando com um colega, e havia deixado um cortador de unha no banheiro. Nunca mais encontrei esse maldito cortador”. O processo de escrita de roteiros não se modificaria, substancialmente, na convivência com cineastas excêntricos. “Meu trabalho é sempre o mesmo: fazer um bom filme”, simplifica Carrière. “O roteirista deve estar totalmente integrado ao diretor. Se ele não se reconhece no roteiro, é porque o roteiro não é bom. Para mim, é uma exigência ter o mesmo nível de conhecimento técnico”. A prevenção de Godard contra qualquer roteiro lhe abriu uma escola diferente. Na gênese do script de “Salve-se Quem Puder”, de 1980, Carrière e a cineasta suíça Anne-Marie Miéville, mulher do diretor de “Acossado”, adaptaram-se ao método godardiano: de uma história nebulosa, partiram para os rabiscos sobre o fil-

me, amparados por projeções de fotos, vídeos e quadros de pintores como Pierre Bonnard (1867-1947). O trabalho com Buñuel projetou sua mística de roteirista e originou um caso de simbiose criadora, inabalada nos confinamentos que chegavam a durar cinco semanas. Os clássicos “A Bela da Tarde” (1967) e “O Discreto Charme da Burguesia” (1972) talvez sejam as obras mais conhecidas dessa união iniciada por uma pergunta de Buñuel, tão singela quanto eliminadora: “Bebe vinho?”. O espanhol gostava dos claustros e dos monges; desgostava dos cegos (Jorge Luis Borges, em especial) e dos chapéus mexicanos; admirava os anões e a arte gótica. Odiava as estátuas de Dom Quixote. Na entrevista, Carrière definiu a amizade com a famosa frase de Montaigne ao explicar sua proximidade com Étienne de La Boétie: “Porque era ele, porque era eu”. Esforça-se um pouco mais e extrai alguns elos: “A diferença de geração era importante. Havia 31 anos de diferença entre ele e eu. Havia coisas do mundo contemporâneo que ele não conhecia. E havia coisas do mundo antigo que ele conhecia. Em comum, o Mediterrâneo. Eu sou do sul da França, ele é espanhol. Éramos do Mediterrâneo. O latim, o catolicismo, meu gosto pelo surrealismo. Gostava do surrealismo antes de conhecê-lo”. Pelas suas contas, comeram juntos mais de mil vezes. A partir de “A Bela da Tarde”, Buñuel instituiu o “direito de veto”, uma regra criada pelo pintor espanhol Salvador Dalí nos tempos

de “Um Cão Andaluz” (1929): cada um teria somente três segundos para dizer sim ou não à ideia proposta pelo outro; uma negativa, dentro dessa margem, derrubaria a sugestão. O livro de memórias “Meu Último Suspiro” (Cosac Naify, 2013), depoimento de Buñuel a Carrière lançado em 1982, é a obra-prima derradeira dos amigos. “Ele tinha 80 anos e se cansou de fazer filmes. Encontrei um pretexto para ir ao México e propor o livro a dois. De início, ele não quis e disse que todas as camareiras escreviam memórias”, recorda, rindo. Teatro Com o diretor teatral britânico radicado na França Peter Brook, 89, ele consolidou sua presença nos palcos. Em 21 de maio de 2014, a dupla se reencontrou no bate-papo de lançamento de “La Qualité du Pardon Réflexions sur Shakespeare” (A qualidade do perdão - reflexões sobre Shakespeare, Seuil), ensaios de Brook traduzidos pelo parceiro. Na Maison de la Poésie, em Paris, Carrière surgiu de chapéu, casaco preto e camisa roxa. Algo nele fazia lembrar o lendário ator Jean Gabin. Peça de nove horas encenada em 1985 e convertida em filme e série de TV, “O Mahabharata” virou a maior aventura cultural da dupla. “Trabalhamos por muito tempo (dez anos). Foi um imenso trabalho”, disse Brook, tomando um vinho tinto enquanto esperava o fim da chuva. “Certamente é a coisa mais difícil que fiz em minha vida”, afirma o escritor. “’O Mahabharata’ é a própria Índia. Não podia adaptá-lo sem conhecer a Índia”. Quinze vezes mais longo que a Bíblia e um dos pilares do hinduísmo, “O Mahabharata” é um poema épico em sânscrito que, estima-se, começou a ser escrito nos séculos 4 ou 5 a.C., com sucessivas alterações. “Embora entenda que o filme não tenha sido bem recebido na Índia, creio que consegue transmitir ao público algo da gravidade e do teor emocional deste que é, sob muitos aspectos, um conto sombrio de intriga, violência e guerra, não obstante atravessado por uma profunda espiritualidade”, avalia, por e-mail, o professor de sânscrito Robert Goldman, da Universidade da Califórnia em Berkeley. Jean-Claude Carrière mantém uma rotina plena de viagens, conferências e novos filmes. “Não há dois dias que sejam iguais. É uma regra em minha vida. Amanhã, por exemplo, não vou te ver!”, troçou. Em breve, serão filmados roteiros seus com o afegão Atiq Rahimi, de “A Pedra de Paciência”, e o americano Julian Schnabel, de “O Escafandro e a Borboleta”. “O cinema se renova sempre. Se você assiste a um filme de hoje, ele não é montado como outro feito há 50 anos. Tudo muda. Todo grande cineasta – por exemplo, Kiarostami, Lars von Trier e (Michael) Haneke – muda a linguagem”, reflete Carrière, contestando a tese de uma decadência criativa. “Há 50 anos, quem pensaria que a Coreia do Sul, Taiwan, Irã e Argentina – ou a Turquia! – se tornariam grandes países cinematográficos?”.


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Diário do Rio O MAPA DA CULTURA

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Desafios cariocas Calor, praias cheias e os relatos de taxistas

ALVARO COSTA E SILVA

A praia, sempre a praia. Fazer o quê, se ela está ali perto, e a cidade registrou, nos primeiros dias do verão, seis das dez temperaturas mais altas do mundo, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos? Fevereiro, com possíveis chuvas, promete um refresco, mas será? Quem pode amanhece na praia – e anoitece também, pois a frequência à noite está batendo outros recordes. As preferidas são, claro, as da zona sul, o litoral do Tim Maia: “Do Leme ao Pontal, não há nada igual”. Nos fins de semana, com a afluência absurda de locais e turistas, encontrar um lugarzinho ao sol é tarefa difícil. Algumas fotos tiradas do alto são assustadoras: perto da beira-mar, não se vê a faixa branca de areia, entupida de gente e barracas coloridas. Uma visão do inferno no paraíso. Faz um calor de – como dizia o Eça – “derreter o bestunto” do cidadão. O resultado não poderia ser outro: a pouca inteligência grassa nessa época como em nenhuma outra do ano. Volta-se a discutir a necessidade de limitar o transporte para as pessoas que vêm da zona norte, e surgem até propostas de cobrar ingresso para entrar na praia (imagine as catracas ao longo da orla). O que se quer é uma espécie de faxina social para combater os tumultos e arrastões que a segurança pública

não consegue evitar. Enquanto isso, aquele que seria o espaço democrático por excelência do carioca consagra mais um modismo. Depois do verão do píer, da lata, do apito, do créu, 2015 desponta como o do “pau de selfie”. Ou “pau de belfie”, extensor de câmera projetado para capturar a própria bunda. Tudo a ver com praia.

uma placa informando sua extensão: 4.300 metros. Triste é ver que o canal está atulhado de todo tipo de lixo. Suas águas, antes potáveis e abundantes, e que abasteciam os primeiros moradores e navios portugueses, franceses, holandeses, hoje abrigam uma superbactéria. Salvar o rio Carioca seria um presente saudável.

Sexo oral Em seu segundo e excelente livro de contos, “Cantos Profanos” [Biblioteca Azul, 152 págs., R$34,90], Evando Nascimento flagra as atividades de um personagem velho conhecido da cidade: o taxista conquistador que, não satisfeito, narra com detalhes suas transas. Ao pobre passageiro, resta ouvi-las, ou descer do carro. O relato “Táxi” é preciso ao mostrar a frustração do motorista: “(...) vontade mesmo tenho de escrever um romance contando minhas aventuras, desventuras, muito além da imaginação”. Cuidado com o tipo, leitor, ainda mais sabendo que o tempo perdido no Rio em engarrafamentos triplicou nos últimos dez anos.

Quem sabe mais? Virou moda de verão o jogo de tabuleiro “Desafio Carioca”, criado pelo jornalista Luiz André Alzer, com ilustrações de Bruno Drummond e Renato Machado. Ganha quem tem sorte, mas também quem conhece mais o Rio. Qual a distância entre o Leme e o Pontal? Pode ser disputado por até seis pessoas. Num mapa, estão os lugares mais manjados: Pão de Açúcar, sambódromo, igreja da Penha. O objetivo é visitar três cartões-postais e uma praia (de novo, ela), além de cruzar a cidade de uma região a outra. Se você cair num botequim, tem direito a uma bolacha de chope, que substitui um ponto turístico de visita obrigatória. O passatempo custa R$ 84 e é vendido on-line, pelo site desafio carioca.com.br. São 360 questões, algumas difíceis. Nada, contudo, semelhante às perguntas, apelidadas de “Horta da Luzia”, que Ivan Lessa propunha no “Pasquim”. Ali, sim, o grau de dificuldade era “profissa”: que cigarro fumava Noel Rosa? Quais os dois campeões cariocas de 1948 pelo Botafogo que foram pracinhas? Que criminoso de guerra nazista explorava os pedalinhos da Lagoa?

Ai de ti, Carioca É uma pena, mas, em meio à pompa pelo aniversário dos 450 anos, o principal marco civilizatório da cidade está morrendo. O rio Carioca – que nasce no Corcovado e desce ao longo do Cosme Velho e Laranjeiras, silencioso e subterrâneo, em direção ao mar do Flamengo – resume-se a um filete negro de puro esgoto. No único trecho em que corre a céu aberto, no largo do Boticário, há


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

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Andanças com Vandré Foz do Iguaçu, 1982 JÔ ABADE/ACERVO PESSOAL

DI MELO

Lancei meu primeiro disco em 1975, pela EMI Odeon, gravadora à qual fui apresentado por Alaíde Costa, companheira de palco no Jogral. E foi no Jogral, boate do centro de São Paulo, que conheci Geraldo Vandré. Meu disco, chamado simplesmente “Di Melo”, fez um sucesso repentino: “Se o Mundo Acabasse em Mel”, “A Vida em seus Métodos Diz Calma” e “Kilariô” estouraram, e tinha rádio que tocava o LP inteiro. Outros cantores gravavam músicas minhas e vendiam milhares de cópias, parecia que tudo corria às mil maravilhas. Fui receber o pagamento pelos direitos autorais: 11 cruzeiros. Larguei o disco de lado e comecei a minha andança com Vandré. Ficamos seis meses na Paraíba, terra dele. Paramos na praia do Seixas, depois seguimos para a praia de Tambaú – sempre em casinhas alu-

gadas; nossa turma não era grande. Chegamos a gravar um disco com nossas parcerias em Forte de Cabedelo, em um caminhão-estúdio. A certa altura, já depois de alguns desentendimentos, ele entrou numa de tocar serrote. Eu parei a gravação e pedi para que ele parasse de “tocar”. E ele tentando tirar um som do serrote, mas não estava dando certo. “Pare com esse serrote!”, pedi mais uma vez, e nada. Na terceira vez, eu me mandei. Ele foi ao aeroporto, tentou me impedir de voltar, mas já era tarde. Quando nos reencontramos em São Paulo, a primeira coisa que eu ouvi foi: “Você nem me deixou dizer que eu gostei muito das gravações”. Xinguei-o com gosto. É uma pena: o disco e o material fotográfico perderam-se por aí. Mas em breve vou regravar essas obras. Depois andamos muito por Porto Alegre, terra da mulher dele. Não saíamos de Foz do Iguaçu, íamos muito ao Paraguai, de um lado para o outro. São Paulo, Paraíba, sem parar. Dez anos de andança. Nessa época, fizemos 12 canções

juntos. Não eram músicas de protesto, era poesia pura. Geraldo Vandré é uma das pessoas mais incríveis desse planeta, é um banco de cultura. Tocando, narrando ou escrevendo, é um crânio, é um dicionário. Aliás, teriam que montar um dicionário das peculiaridades de Vandré. Uma vez, em Foz do Iguaçu, organizamos um show nosso. Foi um bochicho, muita expectativa em torno do retorno de Vandré e de seus novos parceiros de estrada. Um repórter da rádio Bandeirantes foi entrevistá-lo. Vandré bateu o pé: “Só vou fazer a reportagem em águas paraguaias, após o espetáculo”. O jornalista tinha vindo de Cascavel só para a entrevista, ficou possesso. No dia seguinte, saiu a manchete vingativa: “Inimigo Número 1 do Estado brasileiro, após 14 anos de isolamento, apresenta-se em águas paraguaias, em Itaipu Binacional Área II”. A Polícia Federal baixou, e até provar que focinho de porco não era tomada, o show foi cancelado. Isso foi no começo da década de 1980. Insistimos no sul do país mais um pouco e, enfim, con-

Geraldo Vandré (esq.) em visita a Di Melo, na casa deste, em abril do ano passado, em SP

seguimos realizar esse show. “Das Terras de Benvirá”, no lado de lá da fronteira, em Ciudad del Este (então Puerto Stroessner), no Cine Ópera. Na estreia, Vandré mandou apagar os holofotes da Ban-

deirantes, porque estariam “atrapalhando a gravação”. Ficamos no escuro, ninguém viu mais ninguém. Estivemos brigados por um tempo, mas nos trombamos por acaso e fizemos as pazes.

Ele me liga às três da manhã, eu também telefono, de vez em quando ele passa lá em casa, damos muita risada. Vandré é um gênio, foge totalmente ao lugar-comum. Geraldinho é um irmão meu.


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Cantora vai visitar uma estação espacial Plateia D8

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Abracadabra!

RICARDO OLIVEIRA

Mágicos que atuam em Manaus comentam sobre os prós e contras de uma das profissões mais misteriosas do mundo

Retorno Ao que tudo indica, a profissão tem rendido um lucro bastante satisfatório ao profissional, principalmente porque Manaus conta com poucos mágicos. “Trabalhamos pouco e ganhamos bem. Conseguimos pagar nossas contas, o INSS e ainda sobra dinheiro para investir. O Amazonas conta com alguns profissionais que muitas vezes nem são conhecidos do grande público. É preciso investir na divulgação, seja em TVs ou jornais”. Para o futuro, Alvarez pretende ir além das festas infantis. “Tenho o desejo de ir além das festas para crianças ou empresas. Quero ir além dos palcos”.

‘É legal deixar uma pessoa feliz’ “Sempre quis fazer algo de diferente. Ninguém é igual a ninguém. Todo mundo quer ser um superstar ou coisa parecida, e isso era comum quando eu era criança”, comenta o mágico William Reiss, 37. “Descobri a profissão quando ganhei um kit de mágica. Na época não existia internet, então era necessário buscar livros, fazer grandes pesquisas, conhecer pessoas que pudessem dar alguma luz sobre o assunto”. Frequentador de eventos relacionados ao tema – principalmente em São Paulo –, ele afirma que com o quadro “Truque VIP”, no “Domingão do Faustão”, está sendo possível mostrar a qualidade dos mágicos brasileiros. “Não perdemos em nada para Las Vegas. Isso só se reafirma com os convites frequentes e agendas lotadas”, declara. Por outro lado, e ao contrário de Davis Alvarez, Reiss não vê com bons olhos os programas que desvendam os segredos dos ilusionistas. “Ninguém mais quer fazer mágica, mas, sim, descobrir como são feitos os truques. As mães vão às lojas para os filhos brincarem de mágica e não serem mágicos. Ainda existe aquela ideia de que profissão é somente médico, advogado, engenheiro. ‘Se você for mágico, vai passar fome, vai ser vagabundo’. E isso não é uma verdade”. Sobre os seus direitos, o artista diz que uma lei específica para a profissão faz falta. “Nem todo mundo

tem como provar que é mágico. No meu caso, tenho certificados, participei do programa da Ana Maria Braga, tenho vídeos. Porém, qualquer um pode se dizer mágico e isso acaba banalizando e prejudicando um pouco”, lembra. Proprietário de um quiosque no Millennium Shopping, Reiss adianta que o contratante muitas vezes não quer pagar o valor estipulado. “Cada ser é único. Infelizmente, isso é complicado, mas com uma boa conversa conseguimos solucionar esse problema”. Para o futuro, o mágico espera que a profissão seja mais valorizada. “É muito legal deixar uma pessoa que estava triste feliz. E tudo isso com um simples gesto, em segundos”, finaliza.

GAÇÃO

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universo do ilusionismo sempre encantou adultos e crianças. Responsáveis por mexer com a curiosidade do ser humano, os mágicos são figuras indispensáveis em praças públicas, aniversários e, atualmente, em eventos corporativos. Comemorado no dia 31 de janeiro, o Dia do Mágico serve como reflexão para a profissão que deixou de ser apenas um hobby, como muitos imaginam. Com 10 anos de estrada, o mágico amazonense Davis Alvarez é um dos poucos profissionais na região. Seu encanto pelo ilusionismo começou ainda jovem. “Sem dúvida, um dos responsáveis por despertar esse interesse em mim foi o Mr. M, conhecido nacionalmente por revelar os segredos da mágica aos domingos no ‘Fantástico’”, diz. Ele começou com truques simples, como os de mesa, por exemplo, e ao longo do tempo foi se aperfeiçoando. “Até que passei para as plateias, utilizando mesas que levitam e cordas”. Entre suas referências estão nomes famosos como Houdini. Em tempos de comemoração pela passagem da data, Alvarez afirma que o momento da profissão é positivo. “Para mim está tudo ótimo. Se as pessoas soubessem que mágico ganha bem, todo mundo iria querer ser mágico. Somos prestigiados e cada vez mais as portas estão se abrindo. A Secretaria de Estado de Cultura (SEC) tem oferecido ótimas oportunidades e valorizado a profissão”, avalia ele, que é cadastrado na Associação de Artistas Circenses do Amazonas (ACA).

Apesar da proliferação de programas que desvendam os segredos das mágicas, Davis Alvarez afirma que não vê problema algum. “Na verdade, existem dois aspectos. O primeiro é que graças a isso me tornei mágico e o segundo é que houve uma banalização da mágica para a criança. Aqueles truques que foram apresentados não fazem mais sentido. Apesar de achar que o Mr. M já caiu um pouco no esquecimento. Como ele mesmo declarou, a sua atitude teve como objetivo fazer com que os profissionais se reinventassem”, comenta. Para se aperfeiçoar, o artista diz que acompanha as novidades do ilusionismo pela internet. “Aprendemos muito acompanhando vídeos online. Mas é bom manter o cuidado, pois existem truques que podem ser facilmente revelados se o espectador estiver sentado nas laterais ou atrás do mágico”. O baralho e as bolas de espuma ainda são campeões de pedidos.

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BRUNO MAZIERI Equipe EM TEMPO

Davis Alvarez considera positivo o atual momento para a profissão na cidade


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>> Caixa-alta

>> Posse . O senador eleito pelo Amazonas, Omar Aziz (Foto) será empossado neste domingo, no plenário do Senado Federal, em Brasília. Se houver acordo entre os parlamentares, haverá a eleição do presidente e dos demais membros da mesa. . Para Omar Aziz, chegou a hora de retribuir toda a confiança depositada pela população amazonense em seu trabalho e trajetória política. Ele faz questão de ressaltar que vai lutar pelos interesses do Amazonas em todas As áreas. . “Agradeço à população do Amazonas que depositou sua confiança e me fez chegar aqui. Agora é arregaçar as mangas e começar os trabalhos, pois temos muitos assuntos que estão atrasados em nosso Estado e precisam de rapidez para serem resolvidos aqui em Brasília”, destaca o senador. Aplausos de pé!

>> Vitrine >> O querido Miguel Carratte estreia idade nova neste domingo. Receberá incontáveis cumprimentos de sua verdadeira legião de amigos. Miguel e Glória Carratte formam um dos casais mais queridos da cidade. >> A bela Sihame Cruz Silva será a ‘Rainha da 4ª Edição da Banda do Vieiralves’, no dia 8, a partir das 17h, em frente à loja Dgradê.

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Feijoada de Carnaval . No próximo sábado, no Village Festas, o society de Manaus se encontra na feijoada anual de Carnaval que esta coluna promove, abrindo a temporada Carnavalesca da cidade. . O evento é uma realização de todos os anos, com uma bela camiseta/convite que dá acesso ao badalado almoço, onde as socialites customizam e produzem suas t-shirts cheias de charme. A badalação começa a partir das 12h30, com a Banda Impakto comandando a animação da pista; em seguida, a Bateria Swing Samba Show (formada com integrantes de várias escolas de samba de Manaus) sacode a festa com os sambas do momento. . As camisetas da feijoada podem ser adquiridas pelos números 98118-9717 ou 99985-1422. Nos vemos por lá!

. Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, vai terminou a semana com ainda mais dinheiro. . É que a recente alta das ações da cervejaria Anheuser-Busch InBev, que atingiu sua maior cotação nos últimos 12 meses, fez com que o patrimônio de Lemann aumentasse US$ 643,7 milhões. E isso somente na sexta-feira. . Lemann, que também detém o controle de outras gigantes globais como a fabricante de ketchup Hein e a rede de fast-food Burger King, possui hoje uma fortuna avaliada em US$ 24,5 bilhões, o que faz dele o 25º homem mais rico do mundo.

O deputado federal eleito Arthur Virgílio Bisneto, tomará posse hoje na Câmara Federal. Brilhante, ele deverá ser um dos parlamentares de notoriedade em Brasília

>> Objeto de desejo >> Fernanda Falabella e Abelardo pilotam baby chá do filho Raul, sábado, no salão de festas do condomínio Alpha Garden. >> Quem também está aniversariando neste domingo é a querida Eliane Yamada. >> Na segunda-feira será a vez de cumprimentar a ótima Gisélle Lins Maranhão, que estará trocando de idade.

. Se você faz parte do grupo de pessoas que já perdeu o celular, então anime-se. O case “Kenu Highline” traz uma espécie de “cordinha” para você prender o seu smartphone na bolsa, no cinto, no jeans… . O “sistema de segurança” mostra que, mesmo com toda a tecnologia, às vezes o que funciona são ideias simples e funcionais. Para levar em shows, baladas, festas, ou para quem adora esporte de aventura e vive deixando o celular cair no chão.

A bela socialite Alessandra Brandão usando a camiseta da badalada feijoada de Carnaval que esta coluna irá promover no próximo sábado no Village Festas, customizada pelo stylist Edinho Serrão


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Shopping oferece

espaço para a leitura

Parceria entre o Sesc e o Shopping Manaus ViaNorte, o projeto ‘Leitura no Shopping’ começa amanhã e reúne um acervo com mais de 400 títulos para crianças e adultos

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partir de amanhã até março, o Shopping Manaus ViaNorte abrigará o projeto “Leitura no Shopping”, que colocará à disposição dos frequentadores adultos e infantis do local um acervo com mais de 400 livros de contos, clássicos da literatura universal, aventura, ficção e histórias reais. A atração funcionará de segunda-feira a domingo, das 10h às 22h. Esta é a primeira vez que o projeto, uma parceria com a Gerência de Programas Educacionais do Serviço Social do Comércio (Sesc), é realizado em um shopping. O objetivo da direção do Manaus ViaNorte é estimular a leitura e atender aproximadamente duas mil pessoas por mês num ambiente preparado exclusivamente para este fim, com poltronas, carpete e puffs. A ação também visa desenvolver o exercício da cidadania e das potencialidades culturais da região. “Nossa intenção é sempre abrir espaço para a arte, leitura, música e outros, com o propósito de levar, cada vez mais, a oportunidade de acesso à cultura para a Zona

Norte de Manaus”, explica a gerente de Marketing do ViaNorte, Isabela Teles. Para a direção do Sesc, a parceria com o ViaNorte é inédita e vai estimular outros projetos culturais. “A ideia é levar o livro até o frequentador do shopping para proporcionar entretenimento por meio da leitura, contri-

VARIEDADE

Contos, clássicos da literatura universal, aventura e ficção estão entre os títulos selecionados para o projeto, que funcionará num ambiente preparado exclusivamente para essa atividade

buindo para o fortalecimento da imagem do shopping junto à sociedade”, afirma a gerente de Marketing do Sesc, Odetila Couto Rocha. Acesso Desde 1986, o Sesc realiza projetos e atividades de incentivo à leitura, como feiras de livros, mostras e sarais

literários, oficinas com escritores, além do Bibliosesc e Sesc Ler. O Bibliosesc leva leitura aos bairros de Manaus e ao interior do Amazonas. A unidade móvel permite à população acesso a livros de vários estilos e segmentos por meio de 3 mil exemplares de clássicos da literatura, aventuras, ficções, histórias reais, gibis, contos de fadas, literatura brasileira e estrangeira, biografias, livros de culinária, livros didáticos, para vestibulares e para concursos, jornais, revistas, entre outros. O projeto Sesc Ler também incentiva a prática da leitura e está presente na capital e em mais seis municípios do Amazonas: Manacapuru, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Parintins, Maués e Tefé. O objetivo principal dessa iniciativa é incentivar o desenvolvimento do gosto pela leitura em crianças, jovens e adultos. As salas de leitura das unidades do projeto são equipadas com acervos literários técnicos, jornais e demais periódicos. Os locais contam ainda com espaços de recepção para teleconferências e exibição de filmes.

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Objetivo da iniciativa é estimular a prática da leitura em pessoas de todas as idades


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RESENHA

Malta ou Creed A

PERFIL

Emir Fadul Radialista da Rádio Em Tempo

banda formada em 2013 por Bruno Boncini, Thor Moraes, Diego Lopes e Adriano Daga foi a grande vencedora da primeira temporada do reality show “SuperStar”. A mistura de músicas românticas com rock e os vocais rasgados garantem a identidade da banda. A banda campeã da primeira temporada do programa “SuperStar” lança o seu primeiro álbum, “Supernova”, reunindo 13 faixas, sendo nove delas já conhecidas por quem acompanhou a banda nas fases de eliminação do programa, como “Memórias” e “Diz pra Mim”. A faixa título dá um tom mais pesado misturado ao repertório romântico dos quatro rapazes de São Paulo. Para quem curte bandas como Nickelback e Creed, eis sua versão brazuca. No reality show, a banda foi apadrinhada por Dinho Ouro Preto e surpreendeu a todos, sobretudo na estreia com a música “Memórias”, inspirada no single “Come Wake Me Up”. Após a primeira apresentação na TV, o vocalista Bruno Boncini declarou: “A gente pode dizer que essa foi a primeira vez que fizemos um show juntos. Estávamos em estúdio, gravando, porque pretendemos ser uma banda de música autorais”. O vocalista ainda fez questão de comemorar o bom resultado na votação popular, que superou a marca de 80% de aprovação: “Para nós, é uma alegria muito grande ter sido aprovado com uma música nossa. Foi tudo muito rápido, mas a gente meteu a cara”. Sempre no topo das bandas com melhores resultados no “SuperStar”, a Malta não

perdeu o primeiro lugar e ainda apresentou outras grandes composições próprias, como “Nova História” e “Diz pra Mim”. O quarteto paulista iniciou em agosto de 2014 uma grande excursão pelo país. A Malta é uma banda de pop rock que foi empurrada pela mídia, mas continua na árdua missão de conquistar o público brasileiro. O grupo apostou em uma linha já praticada por bandas de fora do país, como Creed, criando letras em português. Muitos fãs não são adeptos desta prática, pois julgam ser uma letra forçada, visto o costume de sempre escutar músicas cantadas no idioma inglês. A sonoridade da banda tem pouca novidade musical e tenta imitar os gringos sem dar um toque nacional na coisa. A banda se define como “bruto romântico”, já que todas as letras falam muito de amor e relacionamentos,

mas na prática isso passa bem longe. A banda utiliza uma linha sonora bem comercial, sem grandes atrativos, salvo a voz, que também se “inspira” em bandas de fora do país. O objetivo do grupo está aliado à proposta comercial da Malta, que é sinônimo de banda popular, com refrão fácil, melodia simples, solos bobos e pouca inovação. Direcionada à grande massa, a banda usa o romantismo nas letras para atrair fãs, mas foi-se o tempo que isso era sinônimo de sucesso. Trabalhar na produção musical e buscar algo original é um caminho que deve ser buscado para quem quer realmente se tornar inesquecível e marcante. A Malta subiu ao palco do Prêmio Rock Show Santos não só para fazer mais um show da turnê “Live The Dream”, mas para receber os três prêmios

das categorias artista revelação 2014, melhor vocalista (Bruno Boncini) e melhor baixista (Diego Lopes). A votação foi aberta ao público e em pouco menos de um mês a banda foi campeã em todas as categorias a que estava concorrendo. A banda tem um forte trabalho de mídia tendo mais de 3 milhões de seguidores no Facebook. Para os fãs conferirem mais informações, segue o site oficial da banda: www.maltaoficial.com.br.

O objetivo do grupo está aliado à proposta comercial da Malta, que é sinônimo de banda popular, com refrão fácil, melodia simples, solos bobos e pouca inovação”

Ficha Técnica Título: SUPERNOVA (13 faixas) Artista: MALTA Gravação: SOM LIVRE Ano: 2014

UEA

Projeto com inscrições para cursos de dança de salão O período de inscrições para o curso livre de dança de salão que será oferecido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Projeto de Extensão “Rosas”, da Escola Superior de Artes e Turismo (Esat), inicia na próxima quarta (4). Um total de 150 vagas será distribuído em três turmas e as aulas serão ministradas aos sábados, das 14h às 16h30. As aulas são oferecidas nos níveis iniciante e avançado dos seguintes ritmos: bolero, bachata, forró, salsa, samba de salão, soltinho, tango, valsa e souk. As inscrições deverão ser realizadas até o dia 14 de fevereiro (exceto no domingo, 7), das 15h30 às 18h, e no sábado (14), das 9h às 12h, no centro acadêmico de dança da Esat, localizado na rua Leonardo Malcher, 1728, bairro Praça 14. No ato da inscrição, o interessado deve apresentar uma foto 3x4, RG, CPF e um comprovante de residência. O objetivo do projeto é difundir a cultura da dança de salão e aproximar a sociedade manauense da co-

munidade acadêmica. Coordenado pela professora Carmem Lúcia Meira Arce, o projeto é desenvolvido desde julho 2001 e, ao longo de quase 15 anos de atividades, mais de 3,5 mil alunos já participaram. Até o final deste ano, a iniciativa também será desenvolvida nos municípios de Iranduba, Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo. Mais informações pelos telefones 98160-7959 e 98255-5040.


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

D5

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

TV Tudo Sinal liberado Em Portugal, o canal Globo Premium vai estar disponível em sinal aberto em todas as operadoras nacionais do país, entre 6 e 12 de fevereiro. O público poderá acompanhar os preparativos do carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de flashes de outras cidades brasileiras. Mexer em tudo Os que respondem pelo “CQC”, liderados pelo Diego Barredo, passaram praticamente a última semana promovendo diversas reuniões para definir todo o esquema desta próxima temporada. A ideia é reformular de 80% a 90% do programa. É um pecado Dá uma dó muito grande ver o estado de abandono do RecNov, construído para ser um dos maiores polos produtores de teledramaturgia do mundo. A sua subutilização tem provocado deteriorações comprometedoras em suas instalações e em seus equipamentos. Uma pena. Mariana trapezista Depois de tomar várias aulas de trapézio, neces-

REGI

ALEX CARVALHO/GLOBO

Mudou a cor Depois de “Em Família”, Maria Eduarda Carvalho volta às novelas da Globo no elenco de ”Sete Vidas”, a próxima das 18h. A personagem é a irreverente Laila. Por causa da novela, a atriz ficou loira. sárias para a composição da sua personagem, Mariana Ximenes está de viagem marcada para Portugal. Em Lisboa, terão início as filmagens de “O Grande Circo Místico”, do Cacá Diegues.

Segunda temporada As gravações da segunda temporada de “Trair e Coçar é só Começar”, do Multishow, estão previstas para começar em abril e devem se estender até junho. Serão mais 19 episódios.

• A Globo e a GloboNews estarão presentes na 8ª Campus Party Brasil, entre os dias 3 e 8 próximos, na São Paulo Expo, na Água Funda... • ...No dia 4, haverá um debate mediado por Zeca Camargo, com as presenças de Ronaldo Lemos e Mikael Ahlström, da Hyper Island – uma das principais escolas de mídias digitais do mundo. • Neste domingo às 19h30 estreia na MTV o reality “Are you the one?”, com apresentação de Felipe Titto e a promessa de ser mais quente que o “BBB”... • ...A primeira temporada, dirigida por Cacá Marcondes, já está inteiramente gravada. Uma segunda, ainda não foi confirmada. • As transmissões da final do final do Super Bowl, na Espn, terão início às 19 horas deste domingo... (hora Brasília).

Emissoras são coniventes De nada tem adiantado chamar a atenção das nossas autoridades contra o abuso cometido pelas igrejas, das mais diversas bandeiras, em programas de rádio e televisão. Através de óleos, gotinhas, passes e toalhinhas, tudo é prometido aos desavisados. Leis existem. Ninguém tem direito de enganar tanta gente o tempo todo.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Dentro da própria Bandeirantes há um pessimismo muito grande em relação ao novo “CQC”. A maioria mesmo entende que as chances de dar certo são muito remotas. A verdade é que perderam a mão, deixando de agir no momento certo. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Questões de antropologia

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

Muitas questões têm sido postas em discussão no âmbito das ciências sociais. Natureza e Cultura são dois conceitos (ou um só!) é um destes debates que tem norteado acaloradas discussões ao longo de décadas. Natureza e Ecologia Política também são terminologias, conceitos e/ou expressões que podemos chamar de legítimas no momento atual pois configuram-se como temas centrais de aspectos presentes na vida moderna. Começamos com Eduardo Viveiros de Castro. Entre os indígenas, o modo como os humanos vêem os animais e as coisas do universo é diferente de como estes seres vêem os humanos e se vêem a si mesmos o que, segundo o antropólogo, esta noção ameríndia determina o “contexto” de dois conceitos chaves da antropologia, Natureza e Cultura, de modo a ressignificálas redimensionando-as a outras explicações. Mas de cara já nos deixa uma advertência: “Natureza e Cultura não pode ser utilizada para escrever dimensões ou domínios internos a cosmologias não-ocidentais sem passar antes por uma crítica etnológica rigorosa”. As sociedades modernas distinguem Natureza e Cultura como se fossem dualidades diversas, afirmando sempre a unicidade da natureza e a multiplicidade das culturas. Já a concepção ameríndia, do contrário, supõe a unicidade do espírito e a diversidade dos corpos e não enquadra natureza e cultura sob leis distintas. O que norteia esta distinção empreendida por Viveiros de Castro é a concepção dada sobre a “qualidade perspectiva” ou “relatividade perspectiva, de onde o autor

chegou, a partir destes princípios, a cunhar o termo “perspectivismo ameríndio” onde se baseia na concepção comum a muitos povos do continente americano de que “o mundo é habitado por diferentes espécies de sujeito ou pessoas, humanos e não humanos, que o apreendem segundo pontos de vistas distintos”. Bruno Latour é outro autor que tem levantado questionamentos importantes sobre o ethos de muitas estruturas. O autor parte do objetivo de comprovar a ligação entre a ecologia política e a natureza e, para tanto, de que existe Ciência e ciências. Diante dos conceitos advindos da sociologia da ciência, Latour parte da ideia de que a Ciência é a “politização das ciências pela epistemologia, a fim de tornar impotente a via política ordinária, fazendo pesar sobre ela a ameaça de uma natureza indiscutível”. A partir do mito da caverna de Platão, o autor busca apresentar algumas explicações como a que coloca o Sábio, o filósofo, como uma entidade a transitar por obre dois mundos: o mundo real e o mundo construído, o da verdade. Latour reafirma o discurso de que a Ciência não tem nada a ver com a vida das ciências, e que esta diferenciação deve ser básica de modo a compreender todo o seu exercício de compreensão do que ele chama de ecologia política. Se ainda não somos capazes de compreender a Ciência é porque a própria Ciência não é social, não é um exercício coletivo. Daí a proposta deste autor e de outros colegas de implementar uma “rede de atores” como forma de discutir e compreender as perspectivas da Ciência sobre as ciências.

CMárcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.

Natureza e Cultura não pode ser utilizada para escrever dimensões ou domínios internos a cosmologias nãoocidentais sem passar antes por uma crítica etnológica rigorosa”


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MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

Programação de TV

SBT

DIVULGAÇÃO

3h45

6h32 Globo Rural 7h26 Auto Esporte 8h Esporte Espetacular 11h Esquenta

Jornal Da Semana Sbt

12h30 Temperatura Máxima - Transformersh A Vingança Dos Derrotados 15h Futebol 2015h Cabofriense X Vasco

5h Brasil Caminhoneiro 5h30 Planeta Turismo 6h30 Vrum 7h Mundo Pet 7h45 Chaves

Da Gama 17h Domingão Do Faustão

9h Domingo Legal 13h Eliana

19h Fantástico 21h12 Bi G Brother Brasil

17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio Da Telesena

21h47 Planeta Extremo Jungle Marathon 22h23 Domingo Maior -

18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h Nikita

Bem-vindo À Selva 0h07 Flash Big Brother Brasil

0h Rizzola & Isles 1h Pessoa De Interesse

0h13 Sessão De Gala - Os Homens Que Encaravam Cabras

2h Big Bang 2h30 Serie 4h Igreja Universal

1h43 Corujão 3h09 Mentes Criminosas 3h55 Série

4h31 Santa Missa 5h32 Amazônia Rural

Kelly Key é a entrevistada de hoje, no programa “De frente com Gabi”, no SBT

Horóscopo ÁRIES - 21/3 a 19/4 Marte, seu regente, muda de signo e significa que você lutará pelo impossível, talvez ansiando mais que nunca alcançar resultados que não são deste mundo. TOURO - 20/4 a 20/5 Você luta muito mais por seus sonhos de vida, por projetos que sonha de maneira ampla e idealista. Seu gosto se volta para a carreira profissional e quer se sentir realizado nela.

6h Pequenas Empresas, Grandes Negócios

Cinema

RECORD 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos

BAND

GLOBO

9h30 Informercial – Polishop 9h45 Verdade E Vida 10h Irmão Caminhoneiro – Boletim 10h05 Pé Na Estrada 10h30 Só Risos 12h30 Band Esporte Clube 14h Gol - O Grande Momento Do Futebol 14h30 Futebol 2015 – cabofriense X Vasco 16h50 3º Tempo 19h Só Risos 20h Policia 24h 21h Pânico Na Band – Melhores Momentos 0h Canal Livre 1h Alez Deneriaz 1h35 Show Business – Reapresentação 2h25 Igreja Universal

7h30 Record Kids - Pica Pau 9h Domingo Show

4h Power Rangers – Na Galáxia Perdida 5h30 Santa Missa No Seu Lar 6h30 Sabadão Do Baiano 7h Power Rangers + Jimmy Neutron 8h30 Palavra Cantada

13h30 Hora Do Faro 17h30 Domingo Espetacular 21h15 Repórter Em Ação 22h15 Roberto Justus + 23h15 Programação Iurd

Cruzadinhas

PRÉ-ESTREIA Um Santo Vizinho: EUA. 12 anos. Recém-chegada a um novo bairro dos subúrbios, Maggie é uma mãe solteira que faz o que pode por Oliver, o filho de 12 anos. Quando Vincent, o vizinho do lado, se apercebe que o rapaz fica muito tempo sozinho, oferece-se para, em troca de dinheiro, tomar conta dele depois da escola. Maggie, não encontrando melhor solução, aceita. O que ela não imaginava era que o seu novo vizinho, para além de misantropo e hedonista, tinha também uma ideia bastante peculiar sobre como cuidar de uma criança. Determinado a não abdicar do seu modo de vida pouco convencional, Vincent resolve levar Oliver com ele nas suas aventuras, mostrando-lhe as “vantagens” do jogo, da bebida e dos clubes de “strip”. Apesar de tudo isso, entre os dois estabelece-se uma amizade muito especial que os beneficiará a ambos e os mudará para sempre. Cinépolis Millennium 7 – 19h30 (leg/somente quarta-feira); Cinépolis Ponta Negra 3 – 17h (leg/somente quarta-feira).

GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você luta por conquistas profissionais de modo sonhador e disperso. É preciso orientação firme e ambição bem projetada. Você quer abraçar o mundo por todos os seus lados. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Sua luta principal é reformar os valores morais e espirituais que norteiam sua atitude de vida. É tempo de aspirar melhorar seu potencial como pessoa humana. LEÃO - 23/7 a 22/8 Marte em Peixes indica o começo de uma fase de eliminação radical e direta de muitos elementos e situações. Antes talvez “enrolasse” sem resolver nada diante da necessidade de por fim a alguma coisa. Repare como agora estará mais decidido e corajoso VIRGEM - 23/8 a 22/9 Você se mostrará mais aguerrido e corajoso nos relacionamentos, mas também estará mais irritado, precipitado e com forte tendência a romper pelo menor motivo. LIBRA - 23/9 a 22/10 Mais energia para o trabalho cotidiano, mas também precipitação e arrojo. Maior independência nas ações do dia a dia. Disposição mais amorosa e apaixonada, no geral. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Marte em Peixes exacerba os sentimentos amorosos, tornando-os abrangentes e difusos. Você deseja tudo e abraçar pouco. Os amores têm uma tendência platônica e idealizada. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Início de fase de maior tensão no lar e nas relações em família. Se você tentar lutar somente em seu nome, se colocará contra os outros. Comunique-se com afetuosidade. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Você se defende e ataca nas relações de rotina, como se tudo fosse conflituoso e urgente. Afirme uma organização mínima de vida, ou irá gastar muita energia à toa. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Marte sai de seu signo e Vênus entra nele. De aguerrido, você se torna afetuoso. De combativo e implicante, você passa a buscar a concórdia e a acomodar todas as coisas. PEIXES - 19/2 a 20/3 Marte ingressa em Peixes e indica maior vitalidade física e psíquica, e um arrojo incomum na afirmação de seus motivos e interesses. Você se mostra mais egoísta que de costume.

ESTREIAS A Mulher de Preto 2 – O Anjo da Morte: ING-CAN. 14 anos. Após a destruidora queda de uma bomba em Londres, durante a segunda guerra mundial, um grupo de crianças é evacuado para o interior da Inglaterra, para ficar em segurança. Elas vão para a Mansão do Pântano – a Eel Marsh House, sob os cuidados da severa governanta Jean (Helen McCrory, de Harry Potter e as Relíquias da Morte, A Invenção de Hugo Cabret) e da jovem e delicada professora do grupo, Eve (Phoebe Fox). Aos poucos, os assustadores e inexplicáveis eventos que começam a acontecer na mansão revelam que a presença dos novos hóspedes acordou uma força ainda mais vil e aterradora do que os ataques aéreos à cidade. Cinemark 4 – 11h20 (dub/exceto sábado e domingo), 13h30, 15h50, 18h10, 20h40 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 4 – 14h45, 19h45 (dub/diariamente), 17h15, 22h15 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 15h15, 17h30, 22h (dub/diariamente), 19h45 (leg/diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 18h50, 21h05 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 6 – 15h20, 20h15 (dub/diariamente), 17h40, 22h30 (leg/diariamente); Kinoplex 5 – 13h40, 18h40 (dub/diariamente); Multiplex 4 – 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (dub/diariamente), Multiplex 5 – 21h (diariamente); Playarte 6 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado). Caminhos da Floresta: EUA. 12 anos. O filme é uma visão moderna uma visão moderna dos adorados contos dos irmãos Grimm, cruzando as tramas de algumas histórias e explorando as consequências dos desejos e das buscas dos personagens. Este musical engraçado e emocionante segue os contos clássicos de Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), João e o Pé de Feijão (Daniel Hittlestone) e Rapunzel (Mackenzie Mauzy). Cinemark 5 – 12h50 (dub/exceto sábado), 15h45, 18h30, 21h15 (dub/diariamente), 0h10 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 8 – 13h30, 16h15, 19h05, 21h50 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 13h, 19h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 13h45, 16h35, 22h20 (leg/diariamente); Kinoplex 4 – 15h40, 18h20, 21h (leg/diariamente); Multiplex 1 – 14h30, 16h45, 19h (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h20, 15h55, 18h30, 21h05 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). A Entrevista: EUA. 16 anos. Por acidente, um famoso apresentador de um programa de televisão e seu produtor são envolvidos nos planos para assassinar o presidente da Coreia do Norte. Cinemark 7 – 12h40, 15h20, 18h20, 21h (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 3 – 12h40 (dub/somente sábado e domingo), 17h45 (dub/diariamente), 15h10, 20h20 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 14h35, 17h05, 22h30 (dub/diariamente), 19h55 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 16h, 22h10 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h10, 18h30 (dub/diariamente), 15h45, 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 5 – 16h, 20h55 (dub/diariamente); Multiplex 6 – 16h30, 19h15, 21h30 (dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES Minúsculos: FRA. Livre. Cinemark 3 – 11h (dub/diariamente). Busca Implacável 3: FRA. 14 anos. Cinemark 1 – 11h50, 14h20, 16h520, 19h20, 21h50 (dub/diariamente), 0h20 (dub/somente sábado), Cinemark 3 – 17h50 (dub/diariamente), 20h20 (dub/ exceto quarta-feira), 22h15 (dub/somente quarta-feira); Cinépolis Millennium 5 – 13h15, 18h15 (dub/diariamente), 15h45, 20h45 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 14h30, 17h (dub/ diariamente); Cinépolis Plaza 5 – 13h45, 16h05, 20h55 (dub/diariamente), 18h30 (leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 14h, 19h45 (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 14h45, 20h (dub/ diariamente), 17h15 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (dub/diariamente); Multiplex 3 – 16h, 19h, 21h15 (dub/diariamente); Playarte 7 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (dub/diariamente), 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado).

Os Pinguins de Madagascar: EUA. Livre. Cinemark 2 – 13h10 (3D/dub/ exceto domingo), 15h30 (3D/dub/diariamente), Cinemark 8 – 12h20, 14h40, 17h10, 19h40 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 13h45, 16h05 (3D/dub/ diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 13h30, 15h35, 17h45, 20h (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h10, 19h35 (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 13h20, 18h45 (3D/ dub/diariamente); Kinoplex 3 – 14h15, 16h25, 18h35 (dub/diariamente); Multiplex 5 – 15h, 17h, 19h (diariamente); Playarte 1 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40 (3D/dub/diariamente), Playarte 3 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). Loucas Pra Casar: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 11h30, 14h, 16h30, 19h, 21h30 (diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 14h55, 17h30, 20h, 22h30

(diariamente), Cinépolis Millennium 6 – 14h, 16h30, 18h55, 21h35 (diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 14h05, 16h50, 19h15, 21h40 (diariamente), Cinépolis Plaza 8 – 13h15, 15h50, 18h15, 20h40 (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 18h15 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h20, 16h45, 19h15, 21h45 (diariamente); Kinoplex 2 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h10 (diariamente); Multiplex 2 – 17h, 21h (diariamente); Playarte 4 – 13h20, 15h35, 17h50, 20h05 (diariamente). Os Caras de Pau: BRA. 10 anos. Playarte 2 – 13h50, 15h50 (diariamente). Êxodo – Deuses e Reis: ING-EUA. 14 anos. Cinemark 8 – 22h (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 1 – 18h30, 21h25 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 4 – 17h20, 20h25 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 4 – 16h25, 22h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 5 – 15h30, 21h (3D/leg/diariamente); Playarte 1 – 20h40 (3D/dub/diariamente),

23h35 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 8 – 14h10, 17h10, 20h10 (dub/diariamente), 23h05 (dub/somente sexta-feira e sábado). Operação Big Hero 6: EUA. Livre. Cinépolis Plaza 4 – 12h30, 14h55 (3D/dub/ diariamente); Playarte 9 – 13h45, 16h, 18h20, 20h35 (dub/diariamente), 22h50 (dub/somente sexta-feira e sábado). Uma Noite no Museu 3 - O Segredo da Tumba: EUA. Livre. Cinépolis Plaza 7 – 14h20, 16h35 (dub/diariamente); Kinoplex 3 – 20h45 (dub/diariamente); Kinoplex 4 – 13h30 (dub/diariamente); Multiplex 2 – 15h, 19h (dub/diariamente); Playarte 10 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). O Hobbit – A batalha dos 5 exércitos: EUA. Playarte 2 – 17h50, 20h45 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sexta-feira e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

Sol, praia e folia

A Terra do Guaraná vem despontando como a queridinha entre os que desejam uma boa folia neste Carnaval. Além da programação festiva de Maués, que vai do dia 7 a 17 de fevereiro, a cidade oferece um cenário natural de praias – em especial a Ponta da Maresia – sua culinária amazônica e a alegria daquele povo. A tradição de 30 anos se repetirá em 2015 com a batalha da maisena, trigo e talco, no próximo dia 8, com a chegada da famosa boneca Camélia. Agendável.

Recepção inovadora

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br AGECOM

Divas em boa ação

Fátima Silva, Márcia Siqueira e Ketlen Nascimento uniram-se. Amanhã, elas realizarão uma ação social no Hemoam com o objetivo de incentivar a população a doar sangue para fortalecer o estoque de sangue durante o período carnavalesco. As cantoras irão interpretar marchinhas tradicionais de Carnaval e se apresentarão a partir das 10h, no Bloco C da sede da Constantino Nery, onde funciona o setor de captação de sangue. As pessoas interessadas em doar sangue serão atendidas a partir das 7h.

Com mais de 930 mil votos, equivalente a 58,51% da população amazonense, o senador eleito pelo Amazonas, Omar Aziz (PSD), será empossado hoje, em Brasília. A coluna deseja serenidade e luz ao querido amigo

Altar

A Arquidiocese de Manaus convida para conferir, na próxima quinta-feira, às 9h, no auditório da Fundação Rio Mar, o lançamento da Campanha da Fraternidade 2015, que terá como tema “Igreja e Sociedade” e o lema “Eu vim para servir”. Em Manaus, a abertura acontece no próximo dia 18, na celebração da Quarta-Feira de Cinzas, na Catedral Metropolitana de Manaus. O arcebispo de Manaus, dom Sérgio Castriani, e o coordenador de Pastoral da Arquidiocese, padre Geraldo Bendaham serão os anfitriões.

A atuante primeira-dama Edilene Gomes de Oliveira é presença confirmada, ao lado do governador José Melo, na solenidade de posse dos deputados estaduais, hoje, às 10h, na Aleam

A Top Internacional é só novidades. Amanhã, a grife inicia uma nova campanha, que tem como coqueluche o delicioso Eau Tropicale da Sisley Paris. A fragrância inspirada na Floresta Tropical foi criada por Isabelle d’Ornano que mergulhou nos aromas e essências que o ambiente proporciona. As vitrines das lojas ganharão uma ambientação especial e, em algumas unidades, acontecerão ações promocionais como a borrifação do eau de toilette e distribuição de brindes.

Kamila Barbosa da Costa e Jalil Fraxe Campos vão protagonizar um dos mais modernos casórios da temporada. Quando? No próximo dia 6, no novíssimo Party House, às 20h. Merci pelo convite

A Faculdade Martha Falcão|DeVry iniciará o ano letivo amanhã para calouros e terçafeira para os veteranos na unidade do Adrianópolis. O diferencial deste ano, é que a instituição dará as boas-vindas com uma estrutura física ampliada com novos departamentos de atendimento aos alunos e em formato de festa, comandada por um DJ local, visando integrar os alunos à instituição e apresentar os benefícios que a faculdade proporciona.

Sala de Espera Lucas Almeida está trocando de idade hoje. Amanhã, Camilla Assis está aniversariando. Os cumprimentos da coluna.

Jhonatan Dantas abre a temporada de fevereiro do projeto “Música na Praça” realizado no Sumaúma Park Shopping, de 13h às 15h, na praça de alimentação do centro de compras.

Toque mágico

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A bela-talentosaarquiteta Sihame Cruz foi escolhida a rainha da quarta edi-

ção da Banda do Vieiralves, que acontecerá no próximo dia 8, às 17h, no Vieiralves – precisamente em frente da Degradê. Ruth e Marcelo Viana tiraram um descanso merecido das importações. Em férias, o casal embarcou para Las Vegas – ontem. Hoje tem esquenta da Banda do Boulevard, com muita marchinha e sambas antológicos, no final da tarde.

VÍDEO

Mostra destaca produções nacionais premiadas

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Uma pequena amostra de filmes nacionais que vão além das produções cômicas e superficiais de padrão global – que carecem de bons roteiros e tramas – é o destaque desta semana no Cine & Vídeo Tarumã, atividade de extensão do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os filmes selecionados são “Cine Holliúdy”, “Latitudes” e “Entre Nós”, e as sessões acontecerão, respectivamente, amanhã, quarta e sexta, sempre a partir de 12h30, no Auditório Rio Negro (Instituto de Ciências Humanas e Letras, no Setor Norte do Campus Universitário). A entrada é gratuita. Amanhã, a atração é “Cine Holliúdy” (2012), comédia “cerealence” de Halder Gomes. A ação se passa no interior do Ceará, na década de 1970, quando a popularização da TV permitiu que os habitantes da cidade desfrutassem de um bem até então desconhecido. Porém, o televisor afastou as pessoas dos cinemas. Francisgleydisson (Edmilson Filho) é um pequeno exibidor, proprietário do Cine Holliúdy, que luta para manter sua sala aberta. Após fracassar em uma cidade, ele e sua família se mudam para o município de Pacatuba, onde encontra uma plateia pitoresca para os seus filmes. O filme ganhou o prêmio de Melhor Comédia e o prêmio do Público de Melhor Filme no Grande Prêmio Cinema Brasil no ano passado, além de nove indicações. Além disso, teve Menção Honrosa no Festival do Cinema Brasileiro de Los Angeles de 2013.

“Entre nós”, de Paulo Morelli, com Caio Blat, Carolina Dieckmann, Paulo Vilhena, Júlio Andrade, Martha Nowill e Lee Taylor, em cartaz na sexta-feira (6)

Casualidade e amizade em cena “Latitudes”, de Felipe Braga, será exibido na quarta-feira (4), e destaca o romance dramático de dois personagens que se cruzam e se separam vivendo uma história de amor especial. José (Daniel de Oliveira) é um fotógrafo requisitado que viaja pelo mundo a trabalho. Olívia (Alice Braga) é uma editora que cruza

os continentes para cobrir eventos de moda. Eles se conhecem em Paris, têm uma noite de sexo casual e se despedem pela manhã. Podia acabar ali, mas eles resolvem repetir os “encontros acidentais” em Londres, Veneza, Porto, Istambul e outras cidades pelo mundo. Sabem o mínimo sobre o outro, mas da relação descompromis-

sada surgem sentimentos. Cada um, porém, possui um parceiro fixo. Cartas Para fechar a semana, será apresentado na sexta-feira (6), o filme “Entre Nós”, de Paulo Morelli. Isolados numa casa de campo, sete jovens amigos escritores (Caio Blat, Maria Ribeiro, Carolina Dieck-

mann, Paulo Vilhena, Julio Andrade, Martha Nowill e Lee Taylor) celebram a publicação do primeiro livro. Lá, eles decidem escrever e enterrar cartas destinadas a eles mesmos, para serem abertas 10 anos depois. Porém, após uma tragédia ocorrida com um dos amigos naquele dia, eles ficam todo esse tempo sem se reunirem. O reencontro,

dez anos depois, traz à tona antigas paixões, novas frustrações e um segredo mal enterrado. O filme deu a Caio Blat o prêmio de Melhor Ator no Amazonas Film Festival de 2013, além de Melhor Fotografia. Ganhou ainda o prêmio de Melhor Roteiro no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em 2013.


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015

Sarah Brightman vai fazer viagem espacial Em setembro deste ano, a cantora britânica poderá visitar a Estação Espacial Internacional, da Rússia

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cantora britânica Sarah Brightman completou um teste de sobrevivência, que foi realizado em uma floresta russa como parte do treinamento básico para realizar uma viagem até a Estação Espacial Internacional (ISS) programada para setembro deste ano. “Brightman está se preparando e já superou a prova de sobrevivência na floresta”, informou um porta-voz do Centro de Controle de Voos à agência de notícias russa “RIA Novosti”. Ele também afirmou que a cantora “está estudando russo” e aprendendo “os sistemas de comando da nave e da estação”. Sarah, que completará 55 anos em agosto, começou neste ano seu treinamento, que terá

A artista já concluiu o treinamento básico para realizar a viagem até a estação

duração de seis meses. Em função dos preparativos para a viagem, a cantora precisará fazer uma pausa em sua carreira, pois um dos requisitos é que se instale de forma permanente perto de Moscou. Turista A cantora viajará a bordo de uma nave espacial russa, a Soyuz, acompanhada por dois cosmonautas, o russo Sergei Volkov e o dinamarquês Andreas Mogensen, e ficará em órbita na plataforma durante dez dias. Se tudo der certo, a britânica se tornará a oitava turista espacial da história e a primeira a voar para a ISS desde setembro de 2009, quando o canadense Guy Laliberté, fundador do “Cirque du Soleil”, realizou uma viagem. Se ocorrer algum imprevisto, Sarah será

substituída pelo japonês Satoshi Katamtsu, que também poderá viajar para a plataforma dentro de dois ou três anos. Os voos de turismo espacial - que no caso de Laliberté custou cerca de US$ 50 milhões (R$ 130 milhões) - são organizados pela companhia Space Adventures. A Rússia decidiu suspender as viagens turísticas para a ISS por causa da falta de espaço, pois a tripulação da plataforma dobrou para seis tripulantes, e em função da decisão dos EUA de suspender seus voos. A ISS já abriu as portas para sete turistas espaciais. Destes, o americano Denis Tito foi o primeiro a viajar até a plataforma, em 2001, e a americana de origem iraniana Anousha Ansari, a primeira mulher a visitar a estação, em 2006.

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