FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
ANO XXIV – N.º 7.655 – MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES - DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO - PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00
ESSA É A BR–319 Os repórteres Náferson Cruz e Ricardo Oliveira percorreram 50 quilômetros da BR–319 — que liga Manaus a Porto Velho — e vicinais, e se depararam com a fúria das águas invadindo propriedades e levando destruição em função da cheia recorde no Amazonas. Dia a dia C1
Para pesquisadores, a BR–319 é a estrada mais desastrosa da região amazônica
HISSA ABRAHÃO
Fogão e Coxa fazem jogo dos desfalcadosLance! 6
Dia a dia C4 e C5
E SODRÉ/A SATIRO
ARQUIVO EM TEMPO/ANTÔNIO SOARES
Apesar das crises, a indústria entrou para a história como mola propulsora da economia amazonense. Economia B1 a B4
TUCUMÃ
BRASILEIRÃO
O lixo nosso de cada dia enfeia a cidade
O ‘combustível’ que sustenta o Amazonas
Com a palavra A7
Dia a dia C8
MEIO AMBIENTE
ESPECIAL INDÚSTRIA
‘Manaus precisa de um choque de sinceridade’ Fruta pode ser potencial ‘arma’ contra o câncer
A rodovia, inaugurada na década de 1970, não resistiu à velocidade das águas
MOVIMENTO
Projeto ‘Jaraqui’ busca limpeza ética no Brasil Política A8
A2
Opinião/Última Hora
Contexto 3090-1017/8115-1149
contexto@emtempo.com.br
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Evento busca informar a população sobre a tireoide Ação realizada na manhã de ontem, na Fundação Hospital Adriano Jorge, contou com a distribuição de informativos, além da realização de palestra sobre a doença
P
Muitos candidatos e páreo apertado para a prefeitura Enquanto o prazo para a realização das convenções partidárias se aproxima, já é possível fazer duas previsões: se confirmadas todas a intenções de pré-candidatura à Prefeitura de Manaus, a capital terá, pelo menos, nove candidatos. PMDB, PSDB, PPS, PSB, PDT, por exemplo, já têm praticamente definido seus candidatos. Ainda há PSOL e o PSTU que, tradicionalmente, apresentam candidatos. PSD, PT, DEM e PP ainda articulam possíveis candidaturas ou mesmo a participação em alianças. Ainda assim, o páreo não será fácil para quem tentar ser eleito prefeito. A eleição majoritária, em Manaus, deverá ir para o segundo turno, como acontece tradicionalmente. Pelos cálculos de pesquisadores, o primeiro colocado no primeiro turno não deve ter mais de 28% dos votos. O segundo, não terá menos de 20%. Com o páreo equilibrado, a disputa promete ser acirrada. PMDB E PT Tudo indica que PMDB e PT devem coligar para concorrer à Prefeitura de Manaus. O pré-candidato peemedebista Marcos Rotta, internamente, aceita a indicação de Sinésio Campos (PT) para ser vice na chapa encabeçada por ele. NEGOCIAÇÕES Segundo Sinésio Campos, todas as negociações do partido passam pela executiva nacional petista, que é quem terá papel preponderante na escolha. Ele disse que “agora, efetivamente, começaram as discussões quanto à composição política para a eleição”. Resta esperar. FORA DA COLETIVA Na últma sexta-feira (25), a presidente da ManausCult, Lívia Mendes, não participou da coletiva de imprensa que tratava da “Virada Cultural” deste fim de semana. Chegou, falou com os artistas e saiu à francesa. Na ocasião, ninguém soube informar, com precisão, o orçamento disponibilizado para a realização do evento. APROXIMAÇÃO Já há um processo de aproximação entre o PSC e o PPS, na capital e no interior. Prova disso é que o vereador Hissa Abrahão, pré-candidato do PPS à Prefeitura de Manaus, e o deputado estadual Francisco Souza, pré-candidato à Prefeitura de Iranduba, almoçaram juntos na última sexta-feira (25). ALIANÇA AMPLA Eles conversaram sobre uma possível aliança entre as siglas para as eleições deste ano. Hissa aceitou o convite de Souza para participar do congresso estadual do PSC que acontece no próximo dia 31. Será neste dia que ambos
acertarão se os dois partidos formarão parte de uma ampla coligação para a disputa em Manaus e Iranduba. RECONHECIMENTO A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, já começou a peregrinação pelos tribunais regionais eleitorais (TREs). Visitou três até agora e deve chegar a Manaus em agosto. A vinda é de “reconhecimento”. CONTRACHEQUE O deputado estadual Sidney Leite (DEM) divulgou, em seu site, cópia de seu contracheque alegando que cumpre a Lei de Acesso à Informação Pública, embora a lei não determine isso. ALFINETADAS No despacho que cassou, mais uma vez, o mandato de Edson Bessa, em Manacapuru, a juíza Rosália Guimarães deixou escapar inúmeros elogios ao governador Omar Aziz (PSD) e algumas alfinetadas no senador Eduardo Braga (PMDB).
APLAUSOS
VAIAS
Eike Batista
Roubo
Para o empresário Eike Batista, pelas ações da sua empresa de mineração de carvão, CCX, em alta no primeiro pregão.
Para o índice de roubos de veículos em São Paulo, que teve aumento de 20% no 1º quadrimestre, segundo o governo.
acientes em tratamento da tireoide e seus familiares lotaram o saguão da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), na avenida Carvalho Leal, na Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, na manhã de ontem, para participar do evento de abertura da “Campanha de Tireoide 2012”, promovido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, seccional Amazonas (SBEM-Amazonas) O evento é foi realizado para lembrar o Dia Internacional da Tireoide, comemorado na última sexta-feira, dia 25, e teve como objetivo informar e alertar a população sobre problemas com o funcionamento da doença. “Isso é muito importante para nós. Saber que temos essa atenção me tranquiliza”, disse a aposentada Maria Benevides, que sofre com a doença e tem outros dois casos na família. De acordo com ela, o mutirão de exames e diagnósticos beneficia os pacientes que aguardam nas filas dos hospitais para começar a fazer o tratamento da doença. “Tem gente que espera quase um ano para conseguir diagnosticar o problema e a partir daí começar a se tratar, mas essa é a oportunidade de mudar a situação”, completou Maria.
REUNIÃO
MÁRIO OLIVEIRA
O evento reuniu pacientes e familiares locais que tiveram dúvidas esclarecidas sobre a tireoide
Atenção para os pacientes locais Também portadora do problema, Jacira Muniz se disse emocionada, pois não esperava que o público tivesse tanta atenção. “Fui diagnosticada este ano e achava que eu ia ser mais uma dessas senhoras pelos corredores dos hospitais, sem atendimento, mas pelo que eu estou vendo,
vou receber o tratamento que eu mereço”, salientou. Segundo a coordenadora da campanha em Manaus, a endocrinologista Deborah Laredo Jezini, o objetivo desta ação é informar e alertar a população sobre os problemas da tireoide, esclarecendo as principais dúvidas
POLÍCIA MÁRIO OLIVEIRA
Catadores terão dois galpões Em reunião realizada na sede do Ministério Público do Estado, na última sexta-feira, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública apresentou aos representantes das associações e núcleos de catadores de resíduos sólidos de Manaus o projeto da futura licitação para a modernização do sistema de limpeza urbana da capital, na qual os catadores terão papel fundamental, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – lei nº 12.305/2010). Na audiência, o assessor jurídico da Semulsp, Eisenhower Campos, revelou aos catadores que dentro de até 60 dias eles irão receber dois galpões de grandes dimensões, para montar um centro de armazenamento, triagem e processamento de materiais recicláveis, para serem comercializados posteriormente com empresas recicladoras. Os dois galpões estarão localizados nas zonas Leste e Norte de Manaus. O apoio ao desenvolvimento econômico da categoria profissional dos “catadores de produtos recicláveis” é previsto na PNRS, lei que estimula a inclusão socioeconômica desses trabalhadores e os torna peça fundamental da engrenagem dos sistemas de limpeza urbana. A cidade de Manaus tem seguido à risca as determinações da PNRS no que diz respeito aos catadores, tendo montado uma parceria com o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver projetos.
relacionadas às doenças da glândula, inclusive visando identificar precocemente nódulos e evitar o desenvolvimento de câncer. Na manhã de ontem, foram distribuídos folhetos informativos e realizadas palestras visando o esclarecimento e exames.
A vítima, segundo moradores, tinha envolvimento com o tráfico de drogas na Betânia
Corpo é encontrado em igarapé O corpo de um homem foi encontrado boiando, na manhã de ontem, pelos moradores da rua do Aterro, em um igarapé, no bairro Betânia, Zona Sul de Manaus. A família do autônomo Jhonny Souza Queiroz, 26, acha que o corpo seja dele, pois o mesmo encontra-se desaparecido desde a última quinta-feira, dia 24, e a as características coincidem com as de Jhonny.
Segundo a tia de Jhonny, que não quis se identificar, a suposta vítima tinha envolvimento com o tráfico de drogas e na noite de quinta-feira, ele teria participado de um tiroteio envolvendo outros traficantes daquela área. Os policiais da 7ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) informaram que é provável que a vítima tenha sido alvejada no tiroteio que
ocorreu entre os traficantes e para se esconder entrou no igarapé, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. Ainda de acordo com os policiais, o local em que ocorreu o crime deve receber patrulhamento reforçado para combater a violência e o tráfico na região. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestro (DEHS).
DEFESA CIVIL
Vítimas da cheia recebem madeira Moradores da comunidade São Raimundo, na ponte do São Jorge, receberam na manhã de ontem doações de madeira para a construção de pontes. A ação foi feita pela Defesa Civil do Municipal, como ajuda aos afetados pela cheia. “A ajuda é bem-vinda já que nossas pontes não estavam mais dando conta de tanta água”, disse a aposentada Efigênia Arruda, que mora na comunidade com dois filhos
e três netos. De acordo com ela, o órgão da prefeitura já havia levado madeira dias atrás, mas como o nível das águas aumentou, foi preciso mais uma intervenção. A Defesa Civil tem feito verificações rotineiras em todos os bairros da capital amazonense. “Nós fizemos um protesto na rua principal do bairro, pois ninguém tinha vindo nos ajudar. Agora, eles estão fazem limpeza e constroem pontes e marombas”,
completou a aposentada. Em Manaus, pelo menos 12 bairros e mais de 11 mil famílias foram afetados pela cheia. No Centro, várias ruas estão interditadas. Cerca de 120 feirantes da Manaus Moderna, foram transferidos para um local provisório em que a prefeitura liberou verba no valor de R$ 626 mil para construção dos boxes. Além disso, um valor de R$ 600, do programa “SOS Enchente” é destinado aos afetados na cidade.
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
A3
Fala leitor
Editorial
falaleitor@emtempo.com.br
www.emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br
Manaus tem menos árvores que Belém Havia muito que se sabia, mas saber, às vezes, costuma criar situações incômodas, culpas e arrependimentos, então é melhor dar a volta por cima. Desta vez não é mais possível fugir à realidade: Manaus disputa com a Belém o título pouco honroso de ser a cidade com o menor percentual de arborização urbana entre 15 cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes. O estudo, divulgado sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi realizado em 96,9% dos domicílios urbanos durante a pré-coleta do Censo 2010, com o objetivo de conhecer a infraestrutura urbana brasileira. Manaus perde para Belém e o que poderia ser bom para a capital amazonense apenas enfatiza a situação vexatória, pois está situada mais no interior da última floresta do planeta do que a sua “rival”. Segundo o IBGE, Belém registrou o menor percentual entre os 15 municípios citados, com 22,4% do entorno dos domicílios com alguma árvore ao redor, em área pública. Em segundo, aparece Manaus, com 25,1%. O estudo não contou as árvores dentro das residências ou áreas particulares. Quer dizer, até quando “ganha” de Belém, Manaus perde. O cuidado paraense com suas tradições, sua história e o sentido de pertencimento que os faz parecer, muitas vezes, bairristas, são condições que o mais ranzinza dos amazonenses já admite como virtudes que fazem uma grande diferença. Não se pode recusar, também, que a capital do Amazonas confunde a cada dia crescimento com desenvolvimento e a palavra sustentável soa mais como um recurso abstrato de retórica do que uma intencionalidade concreta de tratar o assunto. O estudo do IBGE tem o cuidado de alertar que considera apenas as árvores presentes na frente dos domicílios. Por esse motivo, segundo os pesquisadores, um percentual baixo não significa necessariamente que uma área não tem árvores, mas que elas podem estar concentradas em regiões específicas. Mas são palavras que não consolam. Manaus é uma ilha de calor no meio da Amazônia brasileira. Isto não é orgulho para ninguém.
Representantes dos Estados da Amazônia Legal não querem passar despercebidos ou serem apenas espectadores da Rio+20 e decidiram se unir para fazer da Conferência um espaço democrático e de construção de propostas, de acordo com a realidade regional e com a participação da sociedade civil. Sob o comando do governo
do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), representantes dos Estados da Amazônia Legal trabalham na elaboração da “Carta da Amazônia para a Rio+20”, retratando uma visão positiva e pró-ativa, na busca por soluções, entre todos os grupos majoritários da região, um passo importante para
que modelos de desenvolvimento sustentável possam se tornar uma realidade. O documento será definido de 30 de maio a 1º de junho, no Tropical Hotel. Na ocasião, acontecerá o Fórum de Governadores da Amazônia, que reunirá os líderes dos nove Estados da Amazônia Legal, para a consolidação da carta. O primeiro encontro de gover-
nadores ocorreu em março, em Belém (PA). Além do governador Omar Aziz, participaram os governadores do Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Nívia Rodrigues, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Charge elvis@emtempo.com.br
Olho da Rua
Dora Kramer
opiniao@emtempo.com.br
opiniao@emtempo.com.br IONE MORENO
A questão não é ver, mas enxergar que a consequência arrasa quarteirão da especulação imobiliária na cidade (que já atravessou o rio) não deixa muito espaço nem para os pequenos habitantes da antiga floresta. Se canoeiro vira motorista de táxi, por que não um pássaro?
CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS
3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br
REDAÇÃO
Editores-Chefes Aldisio Filgueiras — MTB 213 aldisio@emtempo.com.br Náis Campos — MTB 033 nais@emtempo.com.br Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa michelegouvea@emtempo.com.br
3090-1010 redacao@emtempo.com.br
CIRCULAÇÃO
3090-1001
Diretor Administrativo Maurício Alves mauricio@emtempo.com.br Diretor de Marketing/Comercial Renato Bassille comercial@emtempo.com.br
circulacao@emtempo.com.br Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM
Diretor de Arte Kyko Cruz kykocruz@emtempo.com.br EM TEMPO Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br
DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO
www.emtempo.com.br
Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo
@emtempo_online
/amazonasemtempo
/ /tvemtempo
Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
Espalha brasa Convocado ou não, o governador Marconi Perillo está pronto para ir à CPMI que investiga as conexões público-privadas da organização Cachoeira e nesta terça-feira decide, além da quebra de sigilos da matriz da construtora Delta, se chama ou não para depor os governadores de Goiás, Brasília e Rio de Janeiro. Caso a comissão resolva não convocar os governadores, Perillo (GO) examina fortemente a hipótese de ainda assim se oferecer para depor. Contraria, nessa posição, a opinião de seu partido (PSDB) que considera sua ida arriscada por expor o governador a um massacre político patrocinado pelo PT. Marconi Perillo concorda em parte. Acha que é mesmo alvo de “uma CPI que nasceu direcionada para atingir a imprensa, desmoralizar o procurador da República, enfraquecer a oposição e desviar o foco do julgamento do mensalão”. Por isso, em princípio não veria “razão objetiva” para ser convocado. Mas, segundo ele, as “razões subjetivas” existem e não podem ser ignoradas. Dos três governadores, reconhece, é o mais atingido. Portanto, melhor ir “e esclarecer tudo de uma vez” do que não ir e sangrar na opinião pública como suspeito. Uma espécie de contra-ataque no qual incluirá a apresentação de uma proposta para que se faça a CPI das Empreiteiras. “Aí se poderia obter um quadro bastante realista sobre financiamentos de campanhas eleitorais no Brasil”. O roteiro de Perillo na CPI já está praticamente concluído: da exposição inicial – em que ressaltará a importância de instrumentos de fiscalização como comissões de inquérito – aos documentos que levará mostrando que os negócios da Delta em Goiás começaram no governo do PMDB e prosperaram também em administrações do PT.
Sobre a venda da casa onde foi preso Carlos Augusto de Almeida Ramos no fim de fevereiro, exibirá uma entrevista que deu na ocasião dizendo exatamente o que Wladimir Garcez Henrique – lobista da Delta e braço direito de Cachoeira – à CPI na última quinta-feira. “Não há choque de versões”, atesta. Na edição de 3 de março, o jornal “O Popular”, de Goiás, registra que o governador contou ter sido procurado por Wladimir, interessado em comprar a casa. “Quando fui passar a escritura, ele me informou que o (empresário) Walter Paulo seria o comprador. Recebi três cheques e fui fazendo os depósitos como combinado”. Sim, mas como o governador explica ter recebido os três cheques assinados por Leonardo de Almeida Ramos, sobrinho de alguém que já havia sido protagonista do escândalo Waldomiro Diniz? Pois é, não explica. Atribui a “erro imperdoável” o fato de não ter verificado a identidade de quem assinada os cheques. “Daí o desgaste extremo que venho sofrendo”. Segundo ele, injusto, pois “quem primeiro levou Cachoeira a fazer negócios com o governo foi o Maguito (Vilela, do PMDB), em 1995, para exploração da loteria estadual por meio da empresa Gerplan”. A Delta, de acordo com o governador, entrou em Goiás pelas mãos do mesmo partido quando Íris Rezende era prefeito de Goiânia, em 2005. Perillo apresentará à comissão certidões do tribunal de contas mostrando que entre 2005 e 2011 a empreiteira recebeu cerca de R$ 300 milhões de contratos firmados em Goiânia, Aparecida de Goiás, Anápolis e Catalão, em gestões do PT e do PMDB. Com isso, pretende demonstrar a “diversificação” geográfica e partidária da atuação da Delta em Goiás.
Dora Kramer Jornalista, escreve simultaneamente no jornal “O Estado de S.Paulo”
Perillo acha que é mesmo alvo de uma CPI que nasceu para atingir a imprensa, desmoralizar o procurador da República, enfraquecer a oposição e desviar o foco do mensalão”.
A4
Opinião
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Dinheiro e a ambivalência entre o querer e o temor
Neste domingo, vamos festejar o Pentecostes
Segundo a revista “Veja”, a bem-nascida Carmen Mayrink Veiga, uma das mulheres mais elegantes deste país, teria declarado que apenas dois dos seus desejos não foram satisfeitos: ganhar a Mega Sena e ser dona de um jatinho “gulfstream”, especificamente, porque de outra marca já teve e não quer mais. Pelo visto, d. Carmen não é uma exceção no mundo de hoje e por isso seus objetivos vinculam-se ao dinheiro e à prosperidade econômica. Quanto ao “gulfstream”, não posso especular, pois nada sei das suas atuais possibilidades financeiras, mas, se d. Carmen vier a ganhar a Mega Sena, com certeza dará ao dinheiro o óbvio destino de usufruí-lo com abundância e requinte em compras e serviços de alta sofisticação. Posso até vê-la hospedada no Hotel Crillon, fazendo compras na Maison Chanel e na Louis Vuitton. Ainda bem, pois assim o dinheiro apenas terá gerado prazer e atingido fins que, em si, não são condenáveis e, quando muito, podem ser censurados como levianos e fúteis. O problema está na elevação do dinheiro à categoria de valor supremo, na definição dos objetivos e fins que por intermédio dele se pretende alcançar, nos meios que se tem como legítimos para obtê-lo, enfim, em toda uma ética que se constrói em torno e em função dele. O atualíssimo Carlinhos Cachoeira, personagem do momento brasileiro, construiu sua vida em função do dinheiro e correr atrás dele parece ter sido o leitmotiv e o grande objetivo da sua existência. Na sua busca cega tudo certamente valia e, pelo fim, qualquer meio se justificava. Acumular dinheiro pelo dinheiro e pelo poder político que este certamente assegurava. Aí o círculo se fechava, pois o poder político lhe assegurava a impunidade para prosseguir e perseguir o ganho do dinheiro e sua acumulação infindável e insaciável. Além dos bens materiais usufruídos, pessoas também eram compradas e, com elas, os cargos, funções ou mandatos que portavam por ofício ou por outorga e que passavam a servir aos interesses pessoais e organizacionais do Senhor Cachoeira. E como o dinheiro e o poder, sobretudo quando se entrelaçam, cegam a quem os detém e levam à perda do senso de realidade, também o senhor Cachoeira acabou vítima da sua própria ética e hoje é mais um ser humano execrado e um habitante do Presídio da Papuda. Com ele desmoronou um senador que antes se colocava como vestal da República, três governadores estão ameaçados e se, ao invés de água rolarem palavras na cachoeira, certamente muitas outras cabeças serão entregues ao dr. Guillotin para que teste sua máquina. Nesse contexto, nada mais justo e ético do que expressar meu respeito e meu apoio a dona Carmen Mayrink Veiga, que muito deseja aumentar sua fortuna, mas, para isso, mantém-se pacientemente à espera que a sorte lhe traga a Mega Sena e foge das traquinagens dos políticos e dos bicheiros que infestam este país.
Este domingo, que acontece 50 dias após a Páscoa da Ressurreição, é muito especial para nós, cristãos católicos, porque celebra a descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus. Aquele acontecimento foi importante por ter a igreja nascido nele. O Espírito Santo, que é a vida, o amor e a força de Deus, uniu homens e mulheres e lhes deu a vida de filhos e filhas do Pai Celeste, irmãos e irmãs do Senhor. Como fazemos há quase 20 anos, comemoraremos a data com entusiasmo no Centro de Convenções (sambódromo). Aqui vai o convite para sua participação conosco. O programa começará às 16h com a concentração de pessoas vindas de todas as partes da cidade. Às 17h30 presidirei a missa de Pentecostes concelebrada por dom Mário Pasqualotto, dom Mário Antônio e pelos padres da arquidiocese bem como participada pelos presentes. Daremos atenção especial aos jovens. Por falar em jovens, aconteceu no domingo passado, 20 de maio, nas dependências da igreja de São José Operário, Praça 14, uma belíssima concentração deles. Eram mais ou menos oito mil. Reuniram-se comigo e com dom Mário Antônio para uma conversa e missa em preparação para a festa de hoje, para a Jornada Mundial da Juventude que se realizará no Rio de Janeiro em 2013, para a chegada da cruz que percorre o Brasil e para a Campanha da Fraternidade sobre a juventude. Deu gosto ver a alegria e o entusiasmo de nossos jovens, especialmente dos que serão crismados nestes 2012. Podemos esperar dias melhores para a igreja e para a sociedade. Retornando à programação da festa, após a missa haverá show do padre Zezinho, uma atividade da Virada Cultural da Prefeitura de Manaus que abrilhantará nossa concentração. Como sempre, teremos um tema que servirá de luz para a celebração. A Campanha da Fraternidade deste ano não pode ser esquecida; por isso, o tema será “Vinde, Espírito Santo, difundi a saúde sobre o povo”. A história de nossos encontros de Pentecostes tem sido marcada por fatos impressionantes. Quando cheguei a Manaus, em janeiro de 1992, eles eram realizados nas paróquias. Um grupo de pessoas ligadas à Renovação Carismática Católica começou timidamente a promovê-los em pequenos ginásios de esporte. Foi aí que a Arquidiocese de Manaus se pôs à frente e conseguiu espaços para realizá-los. Os católicos sentiram que era coisa de Deus e aumentou o número de participantes ano a ano. Desde o início, ficou bem estabelecido que essa festa não poderia ter finalidades escusas como mostrar poder, desafiar outras religiões, buscar lucros financeiros ou coisas semelhantes. O único objetivo deve ser louvar a Deus Pai e a Jesus pelo presente que é o Espírito Santo. Quase todos os anos, a chuva tem sido companheira inseparável e, por vezes, em forma de torós bravos. Em 2011, ele se superou em volume de água, relâmpagos e barulho. Vamos ver se, ao menos hoje, ela nos deixará em paz. O convite está feito. Sua presença será de muita alegria.
João Bosco Araújo Diretor-executivo do Amazonas EM TEMPO
O problema está na elevação do dinheiro à categoria de valor supremo, na definição dos objetivos e fins que por intermédio dele se quer alcançar, e que se quer legítimos para obtê-lo”.
Painel RENATA LO PRETE
Cada um por si
Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus
Carga... Para refutar a afirmação do Ministério Público de que Delúbio recebia ordens de Dirceu, a defesa do exministro sustenta que o extesoureiro tinha “autonomia” para contrair empréstimos e repassar recursos.
Como fazemos há quase 20 anos, comemoraremos o Pentecostes com entusiasmo no Centro de Convenções (sambódromo). Aqui vai o convite para sua participação conosco”.
Frases Sinto-me aliviada por estar nesta fase de minha vida. Se quero usar óculos, uso. Se quero pentear o cabelo para trás, penteio Hillary Clinton, secretária de Estado americana, mostrase mais relaxada ao agradecer um blog pelas piadas sobre ela, escrever para um ator de Hollywood e reagir com leveza ao ser criticada sobre sua aparência.
Em termos de meio ambiente acho que a lei deveria ter sido totalmente derrubada, mas nós sabemos que isso seria politicamente muito difícil, então estou meio feliz porque pelo menos uma parte foi vetada Luiz Antônio Martinelli, engenheiro agrônomo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo gostaria de ter visto um veto total ao Código Florestal, mas acredita que o governo fez o possível dentro do atual clima político.
A linha de defesa de José Dirceu no mensalão incomodou advogados do “núcleo político” do processo. Ao sustentar que o ex-ministro não sabia dos empréstimos contraídos pelo PT junto aos bancos Rural e BMG, nem tinha ingerência sobre o partido ou nas nomeações no governo, Dirceu reforça o papel de José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira nessas questões. “O presidente do PT, José Genoino, bem como os demais dirigentes partidários, Delúbio Soares e Silvio Pereira, exerciam a administração sem qualquer espécie de subordinação ao então ministro-chefe da Casa Civil”, dizem os advogados de Dirceu, nas alegações finais.
Ficamos felizes que a presidente tenha resistido à provocação para que vetasse uma lei que já está há tantos anos em discussão no Parlamento. O Brasil certamente vai perder áreas de plantio, mas exatamente quanto é algo que ainda temos que calcular Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira disse que “num primeiro momento” a entidade “avalia bem” as decisões da presidente Dilma Rousseff, porque o código não foi vetado totalmente.
... ao mar O título desse capítulo da defesa diz, em letras maiúsculas: “A comprovação de que José Dirceu não exercia controle e sequer tinha ciência das atividades do secretário de Finanças do Partido dos Trabalhadores”. Superpoderes Mesmo com o desconforto decorrente das estratégias conflitantes, os advogados estrelados do mensalão vão continuar agindo em conjunto em questões de interesse comum até o julgamento. O grupo foi apelidado de Liga da Justiça. Aéreo Se o presidente François Hollande vier mesmo para a Rio+20, discutirá menos sustentabilidade e mais o FX-2, o programa de renovação da frota da FAB. O caça francês Rafale é um dos três finalistas e Dilma aproveita a disputa para melhorar as condições do negócio. Bônus Afastado do governo após a revelação de que havia multiplicado seu patrimônio por 20 em 4 anos, Antonio Palocci doou ao PT R$ 11.800. Fez o repasse em agosto de 2011, dois meses depois de deixar a Casa Civil. Nos trilhos Em seminário que terá o pré-candidato Fernando Haddad e a senadora Marta Suplicy como protagonistas, amanhã, a bancada
do PT na Assembleia paulista apresentará dossiê em que escrutina os gastos do governo do Estado em transportes metropolitanos. Nos trilhos 2 O texto compara o apoio federal, via empréstimos, a obras de metrô e trens. Segundo o estudo, durante a gestão FHC, a expansão das linhas era de 0,5 km/ano. Sob Lula/Dilma, saltou para 3,24 km. A aceleração é atribuída por petistas ao aumento de 226% no crédito fomentado pela União. Em branco No contra-ataque, tucanos insistirão na tecla de que Marta, quando prefeita, não investiu no metrô. Aliados de José Serra afirmam, como exemplo, que a petista destinou R$ 1 para o setor no Orçamento de 2003. Mãozinha O PSDB prometeu apoio à reeleição do prefeito de Santo André, Aidan Ravin, como parte do pacote para tentar obter o apoio do PTB do cacique Campos Machado a Serra na capital. Os tucanos ensaiavam candidatura própria na cidade. Anemia O PSDB prevê desempenho tímido no ABC. Em São Bernardo, o ex-prefeito William Dib e o deputado estadual Orlando Morando não toparam enfrentar Luiz Marinho (PT), e o candidato será Alex Manente. Por cima Cid Gomes quer negociar a sucessão de Fortaleza com a direção nacional do PT, isolando a prefeita Luizianne Lins. Na semana passada, o governador disse que “não deve nada” a ela.
Tiroteio A diferença de doações ao PT e aos demais partidos, inclusive o PMDB, em 2011 reflete exatamente a participação das siglas no governo federal, do que eles têm e nós não” DO DEPUTADO FEDERAL EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), sobre a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral pelo partido de Dilma Rousseff, que recebeu R$ 50 milhões em doações contra R$ 2,8 milhões declarados pelo PMDB.
Contraponto
Era uma vez Com o Palácio dos Bandeirantes repleto de crianças, na sexta-feira, Geraldo Alckmin lia texto a ser divulgado no plano de busca de menores desaparecidos: — Vocês conhecem a história do Chapeuzinho Vermelho? Lembram que o Lobo afasta Chapeuzinho do caminho para a casa da vovó e a história quase acaba mal? Pois é... Lobo Mau não existe, mas pessoas más, que levam crianças para longe de seus pais, sim. Um garoto de 7 anos, intrigado, perguntou: — Quem é Chapeuzinho Vermelho mesmo? Publicado simultaneamente com o jornal ‘Folha de S.Paulo’
Política
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
A5 JOEL ROSA
Todos querem uma ‘carona’ Num ano de eleições municipais, cujo pleito se desenha bastante acirrado tanto na capital quanto no interior, a enchente histórica de 2012 dos rios amazônicos dá um “empurrãozinho” aos políticos em suas ambições partidárias MEG ROCHA Equipe EM TEMPO
A
cheia histórica dos rios Negro e Solimões mudou não somente a rotina dos 53 municípios do Estado e 76 mil famílias atingidas pela enchente. Mas, também trouxe junto com as águas os representantes políticos, outrora distantes da realidade regional que culminou no desastre natural assistido pelo país. As visitas do governador Omar Aziz (PSD) a pelo menos quatro áreas alagadas da capital, no início deste mês, foram umas dessas oportunidades que proporcionaram a um número expressivo de parlamentares – a maioria pretensos candidatos nestas eleições municipais -, a estreitar de forma antecipada, o contato com a população antes do início oficial da campanha eleitoral. Dentre os políticos que tiveram presença constante nessas visitas aparecem os deputados federais Carlos
Souza (PSD), Silas Câmara (PSD) e Sabino Castelo Branco (PTB), os estaduais, Chico Preto (PSD), Conceição Sampaio (PP), Ricardo Nicolau (PSD), Belarmino Lins (PMDB), Adjuto Afonso (PP), Francisco Souza (PSC), Wanderley Dallas (PMDB), Josué Neto (PSD) e Vicente Lopes (PMDB). Participaram também da ação os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Isaac Tayah (PSD), Dr. Gomes (PSD), Jaildo dos Rodoviários (PRP), Glória Carratte (PSD), Leonel Feitoza (PSD), Socorro Sampaio (PP), Dr. Modesto (PTdoB), Homero de Miranda Leão (PHS), Mário Bastos (PRP), Luís Mitoso (PSD), Massimi Miki (PSL) e Cida Gurgel (PRP). Um dos políticos que esteve em todas as visitas aos alagados de Manaus, o presidente do Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado Ricardo Nicolau (PSD), esclareceu que a participação política se deu como uma manifestação de apoio às ações do governo.
“Estamos preocupados com essa situação que todo mundo esta vendo. É situação difícil mesmo. Não um ato político partidário”, contestou. Nicolau observou que como parlamentar, pode contribuir,
É um momento em que suas aparições não são proibidas, nem o Tribunal Regional Eleitoral irá reclamar a respeito delas Gilson Gil, Cientista político
por exemplo, com a aprovação de leis específicas sobre remanejamento do orçamento para socorrer as vítimas da enchente. “Na verdade estamos prestando o apoio ao governador, mas no que depender da Assembleia, estaremos
à disposição. No orçamento que aprovamos, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA), já se prevê um remanejamento e suplementação, justamente para casos como estes”, disse. Associar-se ao fato Na avaliação do cientista político, Gilson Gil, “é normal em uma época na qual a mídia é forte, que os políticos aproveitem todos os momentos que podem para aparecer”. “É um momento em que a suas aparições não são proibidas, nem o Tribunal Regional Eleitoral irá reclamar a respeito delas”, observou. No entanto, acrescentou, o povo reclama se eles não saem do gabinete e nada fazem. Gil afirmou, porém, que é importante a aproximação do político com a população, fazendo-o vivenciar os problemas. “O importante é que a população e a imprensa não o façam esquecer das promessas feitas e fiscalizem os desdobramentos daquela
visita”, sugeriu. A opinião é compartilhada pelo professor de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Renan Freitas Pinto, que disse ser comum em situações de calamidade o político querer aparecer como o “socorro” ou se associar às ações em prol das vítimas. Renan, porém, ressaltou que teoricamente desastres, guerras, calamidades, tendem a aproximar a sociedade como um todo em função do acontecimento. “Em um momento traumático e em situações excepcionais, os interesses imediatos e partidários são superados, os opositores se unem para combater um inimigo em comum, como em uma guerra”, analisou. Reserva orçamentária A técnica orçamentária da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Joria Makaren, informou que no orçamento estadual há uma reserva de contingência de 2% da receita corrente líquida para desti-
nar às intempéries, como a enchente e a seca. A técnica explicou que, por conta disso, os deputados não têm como propor emendas específicas ao orçamento voltadas para desastres naturais, visto que é algo que possa ser previsto ou mensurável. Ela destacou que o governo do Estado trabalha em situações emergenciais por meio dos recursos da Defesa Civil. “Vai deixar uma verba para uma enchente?! Não é viável por se tratar de algo variável de ano a ano”, explicou. A assessoria da Secretaria Municipal de Finanças (Semef) comunicou que na previsão financeira da capital, não existe um percentual prévio para auxiliar calamidades, mas há a possibilidade de se remanejar os recursos necessários de outras secretárias. Ainda segundo a assessoria, após declarado “situação emergência”, a verba para socorrer o município vem do governo federal, que encaminha com base na magnitude da situação.
A6
Política
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
ARQUIVO EM TEMPO/MARCELL MOTA
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
A ideia é essa mesma. A República é pública”
Jornalista
MINISTRA CÁRMEN LÚCIA, que preside o TSE, sobre a divulgação do próprio salário
Mantega nega cargo e se indispõe com Marco Maia O presidente da Câmara, Marco Maia (RS), e os líderes do PT, Jilmar Tatto (SP), e do governo, Arlindo Chinaglia (SP), estão irritados com o ministro Guido Mantega (Fazenda). Em almoço dias atrás na residência oficial do presidente da Câmara, sugeriram a Mantega um substituto para Ricardo Oliveira na vice-presidência de Governo do Banco do Brasil. “Aí tem vento”, recusou o ministro. Maia saiu da sala, irritado. Reduto petista Ricardo Oliveira é ligado ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e ao ministro Gilberto Carvalho. Foi substituído por César Borges, do PR. Gota d’água A saída de Ricardo Oliveira foi uma tentativa de acabar com disputa entre a Previ e o BB, que quase levou à demissão de Guido Mantega. Dança das cadeiras Pivô da guerra fria com o BB, o presidente da Previ, Ricardo Flores, deve entregar as contas na sexta. Assume Dan Conrado, vice do BB. Boicote Marco Maia já protestou contra a falta de atenção do governo boicotando eventos no Palácio do Planalto. PT queria o PMDB no ataque a Roberto Gurgel Frustrada a tentativa de convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para a CPI mista de Cachoeira, o PT tentou convencer o PMDB a levá-lo à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Os petistas José Pimentel (CE) e Jorge Viana (AC) procuraram o presidente
da CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Queriam votar a convocação de Gurgel. A cúpula do PMDB recusou o pedido. Frasista O deputado Fernando Francischini (PSDB-PA) tem revelado talento para criar frases de efeito. “A CPI está na UTI” é uma delas. Almas gêmeas Cara de outro, voz de um: falando, o atuante senador Randolfe Rodrigues (AP) lembra a exsenadora Heloisa Helena, musa do PSOL. Rota do tráfico O CPI do Tráfico de Pessoas fará amanhã audiência pública em Natal, “uma das 240 rotas de tráfico”, diz o senador Paulo Davim (PV-RN). Perda de tempo O deputado Fernando Ferro (PT-PE) avisa: foi inútil a direção nacional petista anular as prévias em Recife: o prefeito João da Costa vai ganhar de novo, em 3 de junho. Tem prometido “uma surra de votos” no pré-candidato Maurício Rands, apoiado pela facção de Lula no PT. Leis inúteis Das leis ordinárias sancionadas pela presidenta Dilma entre 8 e 15 de maio, treze tratam do “dia de alguma coisa”. De um abobalhado “Dia do Reggae” a um certo “Dia do Quilo”, entre outras tolices. Um pé lá, outro cá O senador Vital do Rego (PMDB-PB) terá de conciliar seu trabalho como presidente da CPI do Cachoeira com a coordenação da campanha de Tatiana Medeiros à prefeitura de Campina Grande. Ela é candidata a substituir o
prefeito atual, Veneziano, que é irmão de Vital. Chapa forte O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) já não esconde o projeto de concorrer ao governo do Paraná em 2014 pelo PT. O deputado petista André Vargas (PR) deve disputar o Senado Federal. Brasil Carinhoso Projeto da deputada e ex-ministra da Mulher Iriny Lopes (PT-ES), já aprovado na Câmara, determina auxílio financeiro às vítimas da violência doméstica, melhorando muito a Lei Maria da Pena. Rebelião nordestina O PSB briga com o PT no Nordeste, segundo advertiu o governador pernambucano Eduardo Campos ao amigo Lula. Dilma teve larga maioria de votos em 210, mas não quer se meter nas brigas paroquiais para definir candidatos a prefeito. Os petistas querem tudo. Déjà vu Para enfrentar a tentativa de jogar o governador de Goiás, Marconi Perillo, no olho do furacão da CPI do Cachoeira, o PSDB vasculha as CPIs dos Correios e dos Bingos à procura de malfeitorias petistas. Plantão médico O governo não deu bola, mas a ONG Grupo Otimismo recomenda exames para detectar hepatite C, na faixa de 47 e 67 anos. Os EUA fazem mutirão contra a “doença silenciosa”, mais mortal que a Aids. Periscópio Já está na Justiça Militar o inquérito sigiloso sobre o incêndio que destruiu a base na Antártida, matando dois militares, em fevereiro.
PODER SEM PUDOR
Solução rápida A questão de água, no Nordeste, sempre aguçou rivalidades. Certa vez Juarez Távora, ministro da Viação de Castello Branco, visitou obras no Rio Grande do Norte. Ao desembarcar, ouviu de um líder político local: - Precisamos de um grande açude aqui, porque estamos inferiorizados em relação ao Ceará. Lá, existem 19; aqui, 18. Távora sacou a solução na hora: - Não tem problema. Mando arrombar um no Ceará e fica empatado.
O Tribunal de Contas recomenda a reprovação das prestações de gestores às câmaras municipais
Câmaras que contrariam TCEs podem ser punidas Para que isso realmente aconteça, teria que ser alterado o parágrafo 2º, do artigo 71, da Constituição Federal de 1988 CAMILA CARVALHO Equipe EM TEMPO
N
os últimos quatro anos, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), reprovou 62 prestações de contas referentes aos exercícios financeiros de 2008 a 2010 de prefeituras do interior do Estado. As decisões foram encaminhadas para análise das câmaras municipais que contrariaram 45 das 62 “recomendações” da corte de contas. Os dados estão disponíveis no Serviço de Informação ao Público (SIP) no portal do tribunal desde o último dia 16. Para coibir essa prática, de as câmaras municipais “desprezarem” as decisões dos tribunais de contas, o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPE-PE), Aguinaldo Fenelon, sugeriu ao Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG) que o órgão ministerial puna vereadores favoráveis à prestação de contas de prefeitos que tenham sido previamente reprovadas por essas cortes.
Mas, para isso, teria que alterar o parágrafo 2º, do artigo 71, da Constituição Federal. Na avaliação dele, se os parlamentares são favoráveis a atos de improbidade administrativa cometidos pelo chefe do Executivo, eles também devem ser penalizados. “Se é uma decisão política,
PODER
O presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM) e prefeito de Manaquiri, Jair Souto, defende a decisão das câmaras municipais e que o artigo 71 da CF deve ser seguido e não alterado ambos têm de ser punidos politicamente”, argumentou o procurador. Conforme a Constituição Federal de 1988, os tribunais de contas não julgam prestações de contas de Executivos estaduais ou municipais, mas sim devem encaminhar uma recomendação de aprovação ou reprovação das presta-
ções para o Legislativo decidir a regularidade ou não das contas das prefeituras. “O tribunal fazia o julgamento técnico e vinha o Legislativo para fazer a análise política das contas. Com uma bancada maior, qualquer prefeito se safa da condenação”, criticou Fenelon. O presidente do TCE-AM, conselheiro Érico Desterro concorda com o procurador e acrescenta que, para efeito de inelegibilidade, basta que o tribunal ou o Legislativo julgue irregular a prestação de contas. Inelegibilidade Segundo a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2011), estão inelegíveis por oito anos políticos condenados por órgãos colegiados pelos crimes eleitorais (compra de votos, fraude, falsificação de documento público), lavagem e ocultação de bens, improbidade administrativa e os que tiveram a prestação de contas julgadas irregulares. Portanto, disse Fenelon, o que vale para inelegibilidade é o julgamento do tribunal de contas.
Vereadores votam politicamente No município de Boa Vista do Ramos, em 2008 e 2009 os vereadores aprovaram as contas dos ex-prefeitos Roberto Carmo Dácio Dias (PT) e Elmir Lima Mota (PSC), mesmo com a recomendação de reprovação dada pelo TCE-AM. Apesar de ter sido “inocentado” pela Câmara de Boa Vista do Ramos, Elmir teve o mandato cassado no final de 2011 após irregularidades ao longo da gestão naquela
prefeitura municipal. Atualmente, o comando do município está com o ex-presidente da Câmara, Marlon Trindade (PT), que admitiu a aprovação das contas mesmo com a recomendação para desaprovação. “Nós fazíamos oposição ao Elmir e éramos minoria. A base governista aprovou as contas na marra”, contou. Em Beruri, o TCE recomendou que os vereadores aprovassem com ressalvas
as contas do prefeito José Domingos de Oliveira (PP), referentes ao exercício de 2009. Contrariando a recomendação da corte, a maioria oposicionistas desaprovou as contas do prefeito. Entre os 62 municípios amazonenses, os parlamentares de São Paulo de Olivença são os únicos que vem seguindo à risca a recomendação do TCE-AM em relação às contas do Executivo municipal.
Com a palavra
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
A7
HISSA Abrahão
‘CHOQUE DE sinceridade PARA MANAUS’
FOTOS: DIVULGAÇÃO
NÁFERSON CRUZ Equipe EM TEMPO
P
residente do diretório municipal do Partido Popular Social (PPS), Hissa Abrahão foi eleito vereador em 2008. Dois anos depois concorreu para o cargo de governador do Amazonas, tendo recebido 138.281 votos, o equivalente a 9,7% no Estado e 14% na capital. A ousadia o colocou como um dos candidatos mais novos do país a disputar o posto de governador, desde a redemocratização do Brasil com a Constituição de 1988. Nesta entrevista, o parlamentar – que tem 31 anos - fala da conjuntura política e dos planos para disputar a Prefeitura de Manaus e o possível aceno com o PSC e PSDC. O vereador também comenta sobre seus projetos e a baixa credibilidade do atual parlamento, e encerra a entrevista alfinetando o prefeito Amazonino Mendes.
Hoje o PPS não é um partido que está anexado ao gabinete de nenhum político. O PPS é um partido da cidade. Nós crescemos de tal modo que hoje o PPS tem uma representatividade, tem pessoas humildes e outras com o poder aquisitivo elevado”
EM TEMPO – Que alianças o senhor vislumbra para compor com o seu partido? Hissa Abrahão - Já conversei com vários partidos, mas as conversas estão bem avançadas com PSC e o PSDC. É evidente que em política nada é impossível. Existe a conjuntura que é muito dinâmica e até os dias das convenções tudo pode acontecer, mas pelo andar de todas as deliberações e decisões que emperram, o PPS dificilmente abrirá mão de uma candidatura própria para cabeça de chapa. Temos conversado com os outros partidos, mas a maioria depende da posição dos “caciques” para saberem se estão livres para fechar com outros. Como nós não temos ligação com cacique algum, temos liberdade para conversar com partidos da base de oposição e da situação. EM TEMPO - Existe a possibilidade de uma aliança com o PSDB? HA - Com o PSDB (risos). Pode ser. Pode sim. Talvez. Eles sabem o que é melhor para eles. EM TEMPO - O PPS está à procura de gabinetes ou secretarias? HA - Não, de jeito nenhum. Hoje o PPS não é um partido que está anexado a gabinete de nenhum político. O PPS é um partido da cidade. Nós crescemos de tal modo que hoje o PPS tem uma representatividade, tem pessoas humildes e outras que têm o poder aquisitivo elevado.
EM TEMPO – O senhor não pensa em se aliar a um “cacique” político? HA - Não fiz aliança com eles no passado e não vai ser agora que vou fazer isso, faltando sete meses para concluir meu mandato. Mas, apoio algumas iniciativas relacionadas às causas sociais, algumas delas com a participação da primeira-dama do Estado, Nejmi Aziz, sendo que nessas causas não se pode fazer política e sempre que posso, a gente participa. Mas isso em absoluto tem haver com política ou com eleição. A minha postura na Câmara (Municipal de Manaus) é a mesma que eu gostaria de ter, se eu fosse prefeito e que os vereadores tivessem uma postura entre aquilo que se propõe de bom e, de benefício para a cidade e, que eles pudessem colaborar e dizer que é uma ideia interessante. E aquilo que eles não considerem que não é interessante que eles fossem contra, e assim tem sido minha postura. EM TEMPO - Então o senhor é a favor de projetos do Executivo? HA - Sim. Sou a favor do “Zona Azul”, “Bolsa Universidade”, “Cidade da Criança”, a construção do viaduto do São José. Não dá para dizer que isso é ruim. Portanto, não é para agradar uma pequena parcela da sociedade que eu vou votar contra ações que eu considero positivas. Agora, outras questões entre elas o aumento dos professores, que eu votei com o posicionamento de o reajuste fosse dado em outubro do ano passado e não esse ano. Eu critiquei e votei com a oposição. Portanto, eu tenho uma postura muito livre, muito independente e, em muitos casos, sou mal interpretado. EM TEMPO – Como seria o conceito para uma excelente atuação no parlamento? HA - Uma coisa que percebi nesse meio político é que temos que ser honestos com a cidade e com o povo, mas acima de tudo honestos com a nossa consciência. Em muitas ocasiões acontece de o veículo de comunicação, ou de um segmento da sociedade, sempre falar contra a atitude de um membro do Poder Executivo, só que não posso também ir de encontro àquela decisão só para agradar o veículo de comunicação ou aquele segmento da sociedade. Temos que ter coragem para tomar posição. EM TEMPO - O que o senhor consegue extrair
do passado da política amazonense? HA - Eu não sou homem de olhar para trás de ficar remoendo as coisas. Acho que nós temos um futuro brilhante pela frente. Manaus pode melhorar em muito a sua gestão, as pessoas podem viver aqui com muito mais alegria e felicidade. Se eu puder usar o tempo de TV que o partido tem disponível, vou usá-lo em 100% para debater ideias e propostas de futuro, nunca de críticas, de fofocas, do passado e de picuinhas. EM TEMPO - Quanto aos investimentos, de que forma o vereador pretende articular e lidar com esse fator primordial numa campanha? HA - Sou um homem simples e tenho um bom tráfego de influência com a classe empresarial, até por conta da minha atividade. Eu, antes de ser político era comerciante. Vou atuar de forma sólida, o que talvez seja um dos pontos positivos para que tenhamos o mínimo ou necessário para se fazer uma campanha boa e com chances reais de disputar uma eleição para vencer. Eu não sou imbatível e também não acho que ninguém que vai disputar seja imbatível, e creio que com a proposta e, com um nível de estrutura e respeito a todos os adversários nós haveremos de alcançar um resultado positivo. EM TEMPO - Existe um plano “B”, caso não obtenha êxito na eleição? HA - Numa eleição não sabemos definitivamente o que vai acontecer. Assim como podemos vencer, podemos perder, é um risco que a gente corre. E se eu porventura não ganhar a eleição vou continuar minha vida como professor universitário e comerciante. Mas eu não vou querer largar a minha veia política. Confesso que hoje a minha atividade empresarial também recebe pessoas da sociedade para tratar de política. Então, não dá mais para me desvincular mesmo não tendo um mandato. Vale destacar o seguinte: que antes de eu ter o mandato eu já fazia política partidária e estudantil. Então, a política sempre fez parte de mim, sempre quis ser político. Então, não é um mandato que vai deixar de fazer com que eu não seja político. Muito pelo contrário, acredito que vou viver mais do que já vivenciei, então muitas vezes é na derrota que se aprende mais do que na vitória. Já perdi uma eleição para vereador e uma para governador e,
desta vez espero que consiga realmente ganhar. EM TEMPO – A população sofre com ausência de bons projetos? HA - Apresentar projeto não é o suficiente. Exige uma articulação muito grande para o político, para o projeto ser aprovado. E essa articulação é a maior ineficiência do parlamento e isso acontece com todos os vereadores. A prioridade são os projetos do Executivo. Às vezes a gente rema contra a maré, por entender que se remar contra a maré estaremos construindo um novo pensamento. Não consigo admitir. Não consigo votar contra ou torcer pelo pior. Tem político que consegue se eleger mesmo votando contra os projetos bons. A credibilidade do parlamento está em baixa. EM TEMPO - Quais dos seus projetos poderíamos destacar? HA - Apresentei mais de 50 projetos e talvez 20% tenham sido aprovados. Mas, destaco o projeto “Jovem Empreendedor”, “IPTU Progressivo” e o “Área de Segurança Escolar”. Este último, determina que em cada escola tenha um policial num raio de 200 metros. Posso dizer que eu tive muitas ideias para todos os temas e problemas que a cidade possui. EM TEMPO - Como o vereador observa o atual modelo de gestão? HA - Os modelos de gestão que passaram não foram capazes de resolver metade dos problemas que a cidade possui. Falta mudar a forma de fazer política. A renovação que a gente vem propondo, tanto por meio do nosso mandato quanto a que nós propusemos na eleição para governador, é uma renovação não na idade, mas na prática de fazer política, pois, Manaus precisa hoje de um choque de sinceridade. EM TEMPO – Então falta um modelo de gestão? HA - Sim. Um modelo de gestão onde se possa reconstruir a cidade e que não atrapalhe a vida das pessoas e respeite o direito de ir e vir. Há mais de 12 anos os políticos não estão sendo capazes de desenvolver a cidade com políticas simples e vontade política. Precisamos resgatar em Manaus o vigor administrativo. À medida que o prefeito estiver à frente dessa nova política pública, não deve só mandar assessor ou secretário, o prefeito deve estar à frente para resgatar a credibilidade das pessoas que vão passar a confiar naquela gestão.
Eu não sou imbatível e também não acho que ninguém que vai disputar seja imbatível, e creio que com a proposta e um nível de estrutura (...), haveremos de alcançar um resultado positivo”
Precisamos resgatar em Manaus o vigor administrativo. À medida que o prefeito estiver à frente dessa nova política pública (...). O prefeito deve estar à frente para resgatar a credibilidade”
A8
Política
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Alvo do ‘Projeto Jaraqui’ é o combate à corrupção Movimento que dominou a cidade no final dos anos 70 e início dos 80 retorna para discutir a ação de vários “inimigos” HUDSON FONSECA
MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
M
ais de 30 anos após a primeira versão do “Projeto Jaraqui”, que envolvia estudantes, intelectuais, políticos e a sociedade amazonense engajada contra a ditadura militar vigente no Brasil, no final dos anos 70, a Praça Heliodoro Balbi, mais conhecida como praça da Polícia volta a ser palco das tribunas populares matinais dos sábados. A diferença deste movimento do século 21, para o de há mais de três décadas, é justamente o foco. Um dos coordenadores do “Projeto Jaraqui”, o assessor parlamentar Paulo Onofre, disse que na década de 70 e 80, o grupo lutava contra um único inimigo: a ditadura. Hoje, acrescentou, a sociedade vive apática frente aos problemas sociais e à corrupção que atinge o país. “Naquela época, sabíamos que o inimigo era a ditadura. Hoje não sabemos quem são os inimigos e qual será o novo escândalo”, disse. Onofre explicou que o renascimento do “Jaraqui” se
deu após ler uma notícia de que estudantes amazonenses iriam fazer uma marcha contra a corrupção no parque dos Bilhares, na Avenida Constantino Nery, Zona Centro-Oeste, no ferido de Tiradentes. “Como fazer uma marcha às 15h num feriado? Nesse momento percebi a importância de retornar os trabalhos do
DISCUSSÃO
O renascimento do “Jaraqui”, após mais de 30 anos, aconteceu depois que integrantes do grupo nos anos 70 perceberem que a juventude do século 21 necessita de apoio nas discussões sociais projeto jaraqui, pois vi que esses estudantes estavam perdidos e sem orientação para uma cobrança que ganhasse impacto. Com o projeto, podemos apoiá-los e fortalecer os estudantes e a sociedade em prol das lutas populares”, disse. Para Onofre, os sindicatos se tornaram inúteis, com a
finalidade apenas de recolher a arrecadação dos trabalhadores e não fazem mais protestos porque seus presidentes estão, de certa forma, envolvidos com os Poderes. “Um exemplo é o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana, que também é presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e tem contrato com a prefeitura e o governo e ainda quer ser o presidente da CUT novamente”, exemplificou. Inimigos diversos O professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, que nos anos 70 participou do projeto como estudante, afirmou que hoje o problema não é mais a ditadura, mas garante que existem muitos problemas a serem discutidos. “Na época tínhamos um problema que era a ditadura, hoje as discussões são em cima de vários problemas que afetam a sociedade, como sustentabilidade, direitos humanos e a criminalização dos partidos políticos, para por em evidência o ficha limpa, não só para os políticos, mas para os partidos”, alegou.
A praça da Polícia revive os sábados matinais da década de 70, quando se discutia a ditadura
Grupo quer participação popular Apesar da falta de um inimigo único e da apatia da sociedade, um dos coordenadores, Paulo Onofre acredita que a reinvenção do “Projeto Jaraqui” vai encontrar eco na sociedade manauense, entre as “pessoas que realmente querem
mudanças, que querem lutar para o fim da corrupção”. Mário Frota, deputado federal, no final da década de 70, disse que percebe no renascimento do movimento, a oportunidade de combater de fato a corrupção e trazer à tona a participação da so-
ciedade e dos movimentos sociais, os quais se intimidam perante a máquina. “A sociedade não pode se resignar com a situação atual, com hospitais precários e a merenda escolar sendo roubada abertamente”, finalizou o parlamentar.
Caderno B
Economia MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
economia@emtempo.com.br
(92) 3090-1045
Indústria: mola que move a economia há 200 anos Em dois séculos, a indústria amazonense nasceu, se consolidou e hoje é uma das mais importantes do país
FOTOS: ACERVO SUFRAMA
ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO
C
omemorado no último dia 25, o Dia da Indústria recebe, hoje, do EM TEMPO o seu “brinde”. Nesta edição especial, o leitor vai encontrar um pouco do ontem, hoje e perspectiva de futuro do setor que se tornou a “mola” propulsora do crescimento econômico do Amazonas. Das drogas do sertão aos smartphones, a indústria amazonense apresentou uma evolução apoteótica que a tornou uma das mais fortes do país. Mesmo depois de 200 anos da instalação, a atividade é o principal “combustível” que alimenta a economia local. Mas, para atingir o patamar de hoje, a indústria amazonense passou por vários estágios. No primeiro, o polo industrial se limitava ao beneficiamento de produtos naturais. De acordo com o livro “Fieam 50 Anos - A Marca da Indústria do Amazonas”, da historiadora Etelvina Garcia, pequenas fábricas agregavam valor às chamadas
Implantação da Zona Franca de Manaus veio para alanvacar todos os processos produtivos existentes à época e garantir desenvolvimento econômico
REGISTRO
Famílias em grandes grupos
Confirmação do Estado do Amazonas como um dos principais parques industriais do Brasil veio no final da década de 60, com a implantação da Zona Franca de Manaus drogas do sertão e aos produtos regionais, que abasteciam unidades fabris de tecido e de anilinas. Elas também faziam o beneficiamento de fibras e de algodão cultivados na várzea do rio Negro, onde foram instalados pequenos núcleos de colonização. Entre as décadas de 1940 a 1950, começou um novo ciclo da indústria local, conforme o historiador e escritor Gaitano Antonaccio. À época surgiram os grupos de médio e grande portes com destaque para o Grupo Sabbá, um dos mais importantes da época. Além dele, tiveram papel fundamental grupos empresariais como os dos Benzecry, Daou, Garcia, Hauache, J.G. Araújo e Simões, entre outros. Porém, a confirmação do Estado como um dos principais parques industriais do Brasil veio, no final da década de 60, com a implantação da Zona Franca de Manaus (ZFM), quando grandes corporações mundiais, líderes nos seus segmentos, vieram para o Amazonas. “Manaus passou então a ser um destacado polo industrial e comercial do país”, explica a presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva.
Um marco para o Amazonas Um dos principais marcos do desenvolvimento da indústria foi a implantação da Zona Franca de Manaus. Criada como modelo de desenvolvimento da região, ao longo de seus 45 anos, a ZFM foi responsável por viabilizar três polos - comercial, industrial e agropecuário -, atraindo investimentos por meio de incentivos fiscais concedidos às empresas que se instalaram na cidade. Conforme a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a ZFM foi criada oficialmente, em
28 de fevereiro de 1967, por meio do decreto-lei nº 288. Porém, somente um ano depois é que a primeira empresa se instalou no parque industrial, no caso, a Beta S.A. Indústria e Comércio, que produzia joias. Ao longo de mais de quatro décadas, a ZFM se diversificou ao ponto que foi considerada, em 2011, como uma das três maiores áreas incentivadas da América Latina. Segundo a Suframa, só no primeiro trimestre deste ano o PIM atingiu faturamento de US$ 9 bilhões.
Grupos familiares sempre tiveram papel importante no desenvolvimento da indústria amazonense. Segundo o historiador Gaitano Antonaccio, atualmente, 90% das indústrias nativas do Estado são liderados por empresas dirigidas por famílias, que resistiram ao “assédio” estrangeiro e se mantêm firmes no mercado. Um dos grandes exemplos é o Grupo Simões, fundado pelo empresário Antônio de Andrade Simões. Ele começou a montar seu “império” a partir de 1943, quando comprou um pequeno restaurante. Em seguida, o empresário expandiu os negócios ao adquirir, em quase duas décadas, uma rede de padarias, até fundar, em 1962, com outros dois sócios a Papaguara Massas Alimentícias, a mais importante do Amazonas. Com o advento da Zona Franca de Manaus, Antônio Simões, diversificou ainda mais o “império”, ao criar,
em 1970, a Indústria de Refrigerantes da Amazônia, e instalar a primeira fábrica da Coca-Cola no Amazonas. Em 1987, junto com os sócios, montou a holding Simões Participações e, em 1993, foi implantada nova fábrica da Coca-Cola em Manaus, na avenida Torquato Tapajós. O grupo também investiu nos setores de comunicação - com a Rede Brasil Norte (RBN) - e de automóveis, ao instalar a Murano Veículos, Shizen Veículos e Monttana. Atualmente, o Grupo Simões é formado pelas divisões de bebidas, gases e de veículos e emprega em torno de 15 mil pessoas. “Para atender à demanda do mercado regional, as indústrias tradicionais também investiram em máquinas e equipamentos, com a facilidade de importar esses bens de capital pelos incentivos fiscais e modernizaram as suas gestões para um ambiente mais competitivo”, enfatiza o presidente da Fieam, Antônio Silva.
B2
Economia
PIM é referê Com 600 unidades fabris funcionando a todo o vapor, o parque do mundo. Para a economia local, o polo representa a maior RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO
C
onsiderado um dos complexos fabris mais importantes do mundo, hoje, o Polo Industrial de Manaus (PIM) concentra 600 empresas em funcionamento. Com as linhas de produção a pleno vapor, a indústria local garantiu ao Estado avançar economicamente e hoje responde por 32% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, conforme o último estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo diante dos entraves enfrentados, como a localização geográfica do Estado e problemas de logística, entidades ligadas ao setor garantem que a atividade industrial é o principal “motor” da economia amazonense. Isso porque, além do poder de atrair empresas para Manaus, outro fator preponderante é a quantidade de empregos pelos quais o PIM é responsável. “Em 2010, 32% do PIB do Amazonas veio das indústrias do PIM, que a cada ano gera mais emprego e renda em território local. Além disso, as indústrias instaladas por aqui estão desenvolvendo expertise no ramo da tecnologia
de ponta, o que torna alguns setores, como é o caso dos polos de duas rodas e eletroeletrônico, que são referências em produtividade nas matrizes dos grupos de capital estrangeiro instalados em Manaus”, observa o titular da Secretaria de Estado e Planejamento Econômico (Seplan), Airton Claudino. O secretário ressalta que
EMPREGO
117 MIL
É o total de trabalhadores contratados pelas empresas do Polo Industrial de Manaus além de ter “peso” no PIB amazonense, o PIM também é um polo rentável para as indústrias, e a prova disso é que o faturamento das empresas locais avança ano após ano, ocasionado por uma série de ações para fortalecer a atividade. “Os bons resultados contínuos são consequência de uma combinação virtuosa entre o
momento de crescimento da economia nacional nos últimos anos, traduzida no aumento do poder de compra da população e políticas setoriais de fortalecimento da indústria local”, enfatiza Claudino. Alternativa econômica A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) confirma a importância do PIM para o desenvolvimento econômico do Amazonas. Segundo a autarquia, o parque fabril oferece uma alternativa econômica, com a geração de 117 mil empregos diretos e, aproximadamente, 600 empresas atuantes no complexo, o que consiste em um parque industrial moderno e pujante. Conforme a Suframa, o polo industrial local beneficia o Estado de diversas maneiras, que vão muito além da geração de empregos e da quantidade de empresas em atuação em Manaus. Para a superintendência, o parque fabril também incentiva a capacitação da mão de obra empregada nos segmentos industrial e comercial amazonense, assim como também contribui para o PIB estadual e a arrecadação de tributos como o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
ncia mundial industrial de Manaus é um dos complexos mais importantes fatia de todas as riquezas geradas no Estado do Amazonas
Motos e eletrônicos na liderança Das 600 empresas em atividade no Polo Industrial de Manaus, as líderes de faturamento e empregabilidade no parque fabril são as indústrias de eletroeletrônicos e motocicletas. Juntas, as gigantes dos setores respondem por 68.172 postos de trabalho em Manaus, assim como são as maiores contribuintes de faturamento. “O avanço dos segmentos do PIM, principalmente es-
ses dois, tem a ver com os investimentos dos grandes grupos a partir da confiança que depositam no modelo industrial de Manaus, que tem uma legislação que assegura a produção no parque local por meio dos Processos Produtivos Básicos (PPBs) e não apenas a montagem de produtos, como supõem alguns representantes da indústria nacional”, observa Airton Claudino. Já a Suframa creditou a
liderança desses dois setores ao alto nível de investimentos dos dois polos e o adensamento da cadeia produtiva, o que os torna mais competitivos e contribui para o fortalecimento e a importância econômica do PIM. A autarquia avalia esses fatores de forma extremamente positiva, pois demonstram o compromisso do modelo Zona Franca para com a evolução da economia da região e do país.
Participação na arrecadação Além de promover a geração de emprego e renda no Estado, a indústria local também é uma das principais contribuintes dos cofres públicos. Conforme dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), nos quatro primeiros meses deste ano o Amazonas obteve, por meio do recolhimento de tributos R$ 2,1 bilhões,
dos quais R$ 929,8 milhões vieram do PIM. Ainda segundo a Sefaz, a indústria é o setor que tem maior representatividade no recolhimento de ICMS na arrecadação estadual, superando os segmentos de comércio e serviços. Somente neste ano, a contribuição esteve, mensalmente, acima dos R$ 200 milhões.
Em janeiro o setor contribuiu para os cofres públicos com R$ 200 milhões, enquanto no mês de fevereiro o valor foi de R$ 250,7 milhões. Em março, o valor destinado ao Estado foi de R$ 224,6 milhões e no mês de abril o montante foi de R$ 254,4 milhões, tornando o PIM o líder na contribuição de impostos no Amazonas.
B3
B4
Economia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012 IONE MORENO
Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br
Inadimplência política Segundo o CT-PIM, o processo de fabricação local é semelhante ao desenvolvido mundialmente
Futuro da produção está nas mãos da tecnologia Principal aposta da indústria local para os próximos anos é a utilização das inovações tecnológicas nas produções LUANA GOMES Especial EM TEMPO
C
om as constantes turbulências, o Polo Industrial de Manaus (PIM) se prepara para “abraçar” tecnologias que favoreçam o processo fabril. Este ano, o grande marco dessa nova estratégia deve ser a regulamentação do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Até o final de junho, o instituto de pesquisa deve ganhar autonomia, com a definição de sua personalidade jurídica. Ao anunciar a independência do CBA, o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Thomaz Nogueira, reforça que o processo é tratado como prioridade pelo governo federal. Para a autarquia, a regularização do CBA permitirá que processos e itens desenvolvidos no órgão sejam incorporados às indústrias, agregando valor ambiental à produção local. Por meio da assessoria, a Suframa informa que o Mi-
nistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) entende que é preciso investir em alternativas sustentáveis para a região, como o estímulo na produção de farmacêuticos/fitoterápicos e de cosméticos. Segundo o ministério, o CBA é a peça fundamental para a “decolagem” desses setores.
INOVAÇÃO
Com o lançamento do Laboratório de Síntese e Caracterização de Nanomateriais, a expectativa é de que sejam criados novos materiais para áreas como construção, reciclagem e metalurgia Alto padrão Com um parque industrial que conta com grandes multinacionais, o processo de fabricação local é semelhante ao que é desenvolvido mundialmente, segundo o diretor do Centro de Ciência, Tecno-
logia e Inovação do Polo Industrial de Manaus (CT-PIM), Wesley Alves. Alves lembra que os institutos de desenvolvimento impulsionam a adequação dos processos e produtos. Entre as apostas do CT-PIM para a indústria está a medição de sinais de TV digital. O equipamento permite a análise e medição do sinal transmitido pelas emissoras. Nanotecnologia em foco O polo também dá largada para investir em outros ramos da tecnologia. Uma das tentativas foi o lançamento do primeiro laboratório de nanotecnologia da Região Norte, com foco em pesquisa nas empresas do PIM. Para a concepção do Laboratório de Síntese e Caracterização de Nanomateriais (LSCN), foram investidos em torno de R$ 900 mil. A estimativa é de que o investimento resulte no desenvolvimento de novos materiais para as áreas de química, plásticos, construção, reciclagem, metalurgia e cerâmica.
É antiga, e se aproxima de uma solução positiva, a tentativa politica de ampliar a quantidade de deputados de nossa bancada federal. Um esforço meritório relevante que merece, entretanto, acurada reflexão à luz das expectativas, atribuições e responsabilidades que a a representação parlamentar encerra. Parece que, além da quantidade, a qualidade e habilidade de articulação e partilha dos representantes do Amazonas precisam ser incrementadas. E com vigorosa emergência. Deputados e senadores, resguardadas pontuais exceções, estão inadimplentes na contabilidade da ação politica que deles se espera. Temos contabilizado, a rigor, frequentes derrotas na defesa do modelo e na cobrança da contrapartida federal, considerando o percentual generoso da arrecadação do modelo, mais de 60% de todos os recursos federais da Região Norte. Além das derrotas frequentes na discussão e encaminhamento das demandas locais, a bancada padece de agenda, cumplicidade e propostas; e da percepção de que as bandeiras da ZFM são de interesse de toda a bancada regional da Amazônia Ocidental, parceiros virtuais que podem tornar-se cúmplices reais. Carentes de informação e pouco afeitos à interatividade institucional, com os organismos de fomento, pesquisa, gestão e planejamento, os parlamentares – alguns não falam, muito menos interagem entre si – parecem focados, em sua maioria, na pauta eleitoral que se aproxima. Faltalhes intimidade e cumplicidade, por exemplo, com os riscos gravíssimos de desindustrialização que ameaça, a cada dia, nesse clima de crise que se aproxima, o modelo Zona Franca de Manaus,
de onde emana a base material de sobrevivência do tecido social onde atuam e do qual dependem, inclusive financeiramente. Em abril último, para ilustrar a narrativa, apenas um parlamentar federal atendeu à convocação da Suframa para mobilizar esforços de conferir um CNPJ, a carteira de identidade, do Centro de Biotecnologia da Amazônia, o polo mais promissor e coerente com nossa vocação de negócios e oportunidades. Há 10 anos, Jéferson Peres e Gilberto Mestrinho colocaram letras no Orçamento para trazer ao Amazonas, onde imperam as termelétricas subsidiadas e precárias, a energia do linhão de Tucuruí, no Pará. Na mesma ocasião, foram priorizados recursos para o balizamento do rio Madeira, visando a navegação fluvial permanente, a logística mais coerente com a geomorfologia regional. Nem linhão, nem balizamento, nem BR-319, muito menos inclusão no Programa Nacional de Banda Larga e outras demandas de responsabilidade federal de infraestrutura. Há quatro anos, atendendo rigorosamente a legislação socioambiental e paisagística em vigor, um grupo privado tenta, embalde até aqui, implantar uma estrutura portuária nas proximidades do polo industrial de Manaus. Eis, pois, uma amostragem alternativa da demanda e pauta eleitoral emergencial, entre tantas de que dependemos, para conferir competitividade e densidade ao modelo ZFM, cuja diversificação e interiorização é preciso cuidar para assegurar – nesse contexto de inadimplência politica – quantidade e qualidade da representação parlamentar.
Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental
Carentes de informação e pouco afeitos à interatividade institucional, os parlamentares – alguns não falam, muito menos interagem entre si – parecem focados na pauta eleitoral que se aproxima”
País
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
B5
Famílias criam perfis de crianças fora da realidade Exigências com relação ao tipo da criança que desejam dificultam a adoção e fazem com que abrigos permaneçam lotados
O
s abrigos que acolhem crianças e adolescentes no país estão cheios, mas ainda assim famílias esperam anos na fila para adotar um filho. A demora nos processos de destituição do poder familiar, em que os pais perdem a guarda e a criança pode ser encaminhada à adoção, explica em parte esse fenômeno. Outro motivo é a discrepância entre o perfil das crianças disponíveis e as expectativas das famílias. A maior parte dos pretendentes procura crianças pequenas, da cor branca e sem irmãos. Dos 28 mil candidatos a pais incluídos no Cadastro Nacional de Adoção, 35,2% aceitam apenas crianças brancas e 58,7% buscam alguma com até 3 anos. Enquanto isso, nas instituições de acolhimento, mais de 75% dos 5 mil abrigados têm entre 10 e 17 anos, faixa etária que apenas 1,31% dos candidatos está disposto a aceitar. Quase mil crianças e adolescentes já foram adotados por meio do cadastro, criado em 2008. Antes da ferramenta, que é administrada pelo Conselho Nacional de Justiça
MARCELLO CASAL/ABR
(CNJ), as unidades federativas tinham bancos de dados próprios, o que dificultava a troca de informações e a adoção interestadual. Para o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Nicolau Lupianhes Neto, é possível perceber uma mudança na postura das famílias pretendentes, que têm flexi-
DISCREPÂNCIA
Dos 28 mil candidatos a pais, 35,2% aceitam apenas crianças brancas e 58,7% querem com até 3 anos. Nas instituições de acolhimento, mais de 75% dos 5 mil abrigados têm entre 10 e 17 anos bilizado o perfil buscado. A principal delas diz respeito à faixa etária: antes a maioria aceitava apenas bebês, mas hoje a adoção de crianças com até 4 ou 5 anos de idade está mais fácil. “A gente observa que isso tem mudado, pelos próprios números do cadastro, mas essa transformação não vai
acontecer da noite para o dia porque faz parte de uma cultura”, aponta o magistrado. Uma barreira difícil de ser superada ainda é a adoção de irmãos. Apenas 18% aceitam adotar irmãos e 35% dos meninos e meninas têm irmãos no cadastro. A lei determina que, caso a criança ou adolescente tenha irmãos também disponíveis para adoção, o grupo não deve ser separado. Os vínculos fraternais só podem ser rompidos em casos excepcionais, que serão avaliados pela Vara da Infância. Outros fatores são entraves para que uma criança ou adolescente seja adotado, entre eles a presença de algum tipo de deficiência física ou doença grave, condição que atinge 22% dos incluídos no cadastro. Bianca tem 5 meses de idade e chegou com poucos dias de vida ao Lar da Criança Padre Cícero, em Taguatinga, no Distrito Federal. A mãe, usuária de crack, tentou fazer um aborto e Bianca ficou com sequelas em função das agressões que sofreu ainda na barriga. Ela tem paralisia cerebral parcial. Apesar da deficiência, é uma menina esperta, ativa e muito carinhosa.
Crianças acolhidas pelo abrigo Nosso Lar, onde vivem desde recém-nascidos a adolescentes
Relato de quem recebeu amor Aos 37 anos, Renata Brito sabe muito bem como é a realidade das crianças que vivem nos abrigos, mas têm poucas chances de serem adotadas. Ela chegou ao Lar da Criança Padre Cícero aos 7 anos de idade, com três
irmãos. Órfãos de mãe, eles não podiam morar com o pai, que era alcoólatra. “Não deu certo”, lembra. Dois de seus irmãos saíram do abrigo após completar 18 anos e formaram suas próprias famílias. Renata quis con-
tinuar o trabalho de Maria da Glória Nascimento, a dona Glorinha, diretora do lar. Ela nunca foi adotada oficialmente por Glorinha, mas ela e os irmãos são tratados como se fossem filhos biológicos.
B6
País
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
ONU questiona o Brasil sobre as grandes obras A construção da usina de Belo Monte foi questionada por outros países em razão do impacto para indígenas do Xingu
A
política do Brasil para grandes obras de infraestrutura foi um dos principais temas da sabatina a que o país foi submetido pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. O país foi questionado pelas remoções forçadas de populações de terrenos que darão lugar a obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Para grandes obras de forma geral (como as do PAC, embora o programa não tenha sido citado especificamente), houve cobrança por diálogo com populações locais afetadas. Foi a segunda participação do país na Revisão Periódica Universal da ONU, que avalia questões de direitos humanos a cada 4 anos. Após a sabatina, é feito um relatório com recomendações ao país, que deve responder a elas. Nenhum caso concreto foi citado, porém. No ano passado, o Brasil foi repreendido pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos pela construção da usina de Belo Monte, no Pará, em razão do impacto em comunidades indígenas. Em uma de suas manifes-
ANTONIO CRUZ ABR
tações, a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), chefe da delegação do país, afirmou que o Brasil terá “respeito aos direitos humanos nos grandes eventos” e que está orgulhoso por recebê-los e por contar com a confiança internacional. O Brasil ouviu comentários de 78 países. Entre os mais assertivos estiveram Canadá, Holanda e Reino Unido. Abordagem Os temas mais abordados foram a situação do superlotado sistema prisional, a violência contra a mulher e contra defensores de direitos humanos, execuções extrajudiciais e direitos dos indígenas. Sobre o tema dos índios, a ministra Maria do Rosário declarou que “nenhuma terra indígena será alagada e nenhum índio será removido” por conta das grandes obras de infraestrutura no país. Ela afirmou que o Brasil vem promovendo desenvolvimento econômico aliado à inclusão social e ao respeito aos direitos humanos, exaltando a importância do plano “Brasil sem Miséria”, que pretende erradicar a pobreza extrema.
Indígenas promoveram várias manifestações em frente ao Congresso Nacional contra a construção da usina de Belo Monte
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Mundo
B7
Israel quer atrair 120 mil brasileiros para as férias Os belos locais e a história do país são o ponto forte para o Ministério do Turismo captar o interesse dos brasileiros
O
Ministério do Turismo de Israel quer atrair cada vez mais o interesse dos brasileiros em conhecer a história, as tradições e a cultura do país. A meta é chegar em 2014 com 120 mil turistas brasileiros em Israel, o dobro do número registrado em 2011, segundo informou o diretor-geral do Ministério do Turismo, Noaz Bar Nir. “Entre 2008 e 2011, duplicamos o número de turistas do Brasil em viagens para Israel e nos preparamos para duplicá-lo novamente, pois vamos incrementar nossas ações aqui no país, com ampliação do staff, maior atenção às operadoras de turismo e às agências de viagens e maiores investimentos em publicidade”, explica Noaz Nir. Em 2011, Israel quebrou o recorde no número de visitantes estrangeiros: cerca de 3,5 milhões; e dos 60 mil brasileiros incluídos nesse total, 60% viajaram em grupos e 40% foram em viagens individuais. “Grande parte é de peregrinos cristãos, das mais variadas denominações, que têm como objetivo maior visitar roteiros e lugares associados à vida de Jesus.”
REPRODUÇÃO
De acordo com o Ministério do Turismo israelense, o turista brasileiro fica entre sete e 12 dias no país e gasta perto de US$ 1,3 mil por estada - fora o gasto com a parte aérea.
Terra Santa é ponto de paz entre castas
Guerra histórica Os feriados do Natal e do Réveillon levam milhões de turistas para os locais sagrados
“Não temos disputa alguma no que diz respeito aos peregrinos na Terra Santa porque isso é uma ponte para a paz”, disse o vice-diretor-geral de Turismo israelense, Raphael Ben Hur, ressaltando os benefícios econômicos da cooperação com a Autoridade Nacional Palestina (ANP). “Você não pode dizer a um hóspede ‘venha para Jerusalém e não vá para Belém’”. Palestinos e israelenses travam uma guerra histórica na região e causa vítimas constantes. Por medida de segurança, Israel alega que os turistas que pretendem seguir para Belém devem ingressar na cidade sagrada por meio de Jerusalém – sob controle de Israel.
RELIGIOSO
De acordo com as autoridades israelenses, pelo menos 2,4 milhões dos turistas são cristãos. Belém, Nazaré e outras cidades sagradas para os cristãos estão sob poder dos palestinos em Jerusalém, Belém, Nazaré e outras cidades sagradas em Israel e na Cisjordânia, segundo o Ministério do Turismo israelense. De acordo com as autoridades israelenses, pelo menos 2,4 milhões dos turistas são cristãos. Belém, Nazaré e outras cidades sagradas para os cristãos estão sob poder dos palestinos.
Parques e templos são atrações no país, que também oferece a opção do turismo religioso
B8
Mundo
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Caderno C
Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
diadia@emtempo.com.br
DIEGO JANATÃ
Manaus, a cidade do lixo
(92) 3090-1041
Página C4 e c5
A BR-319 e sua viabilidade Calamidade de rodovia, evidenciada pela cheia dos rios do Amazonas, traz de volta à discussão a reconstrução da via. Diante da deterioração da estrada, o superintendente do Ibama, Mário Lúcio, a define como desnecessária e prejudicial
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
NÁFERSON CRUZ Equipe EM TEMPO
O
povo amazônida já se acostumou com a figura do ribeirinho em sua canoa, remando pelas “estradas” de rios. Entretanto, os adventos da natureza extrema, ou melhor, com a subida das águas, levaram o nobre caboclo a se aventurar também sobre as faixas amarelas da rodovia BR-319, com trechos tomados pelas águas dos rios, lagos, furos e paranás. A calamidade na rodovia começa na saída do porto da balsa, no município do Careiro da Várzea (a 25 quilômetros de Manaus), sequência da rodovia. Antes de “ganharem” a estrada, os veículos têm de percorrer ao menos cem metros com a água atingindo 40 centímetros sobre a pista. Quem pensa que tudo acabou, se engana, pois outros pontos inundados vão surgindo ao longo da rodovia. A cheia que atingiu a maior marca da história, expôs não só aflição, solidariedade e incertezas do caboclo ribeirinho, mas também revela a fragilidade de uma rodovia, construída sob os alicerces alagadiços. Desde 2005, quando foi anunciada a reconstrução da BR-319 — que liga Manaus a Porto Velho (RO) — surgiram críticas e discussões envolvendo ambientalistas e movimentos sociais, em torno de sua viabilidade, benefícios ambientais, econômicos e sociais desse projeto. Se por um lado os benefícios reiteram o fim do iso-
lamento com o escoamento dos produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM), assim como a chegada de insumos vindos de outras regiões do país, por outro, representa carência no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e na construção da rodovia. Entre 2005 e 2007 até a assinatura do Termo de Acordo e Compromisso, o licenciamento ambiental da rodovia BR-319 foi motivo de divergência entre o Departamento Nacional do Trânsito (Dnit) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sendo inclusive instituída a Câmara de Conciliação junto à Advocacia-Geral da União (AGU), para mediação dos conflitos. Falha na construção O superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio, aponta que a grande falha do projeto original feito na década de 70, partiu dos especialistas que subestimaram a natureza. “Onde foram instalados os bueiros, agora há necessidade de se construir pequenas pontes, pois a rodovia foi construída sobre uma grande planície de área alagada, por isso houve a necessidade de se fazer um estudo de impacto ambiental”, ressaltou. Quanto ao andamento do processo, ele adianta que a inviabilidade se dá por conta das falhas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA). “A notícia que eu tenho é que agora que o empreendedor (Dnit) estaria refazendo o estudo e que ele notificou, há algum tempo, para apresentar ao Ibama”.
Dnit aguarda licença do Ibama
Cheia tem dificultado, até mesmo, a passagem de veículos de grande porte na BR-319
Via é considerada desnecessária Segundo do superintendente do Ibama, Mário Lúcio, o licenciamento consiste na parte central da BR-319, um trecho que compreende 400 quilômetros. “Apesar de a rodovia já existir, muitos acham que é apenas fazer uma pavimentação. Mas é necessário fazer a abertura de uma nova estrada porque a floresta já tomou conta do que foi a rodovia”, completa o superintendente do Ibama.
Para o ecólogo norteamericano e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, não se pode pensar em desenvolvimento econômico da Amazônia, sem políticas públicas reais de preservação do meio ambiente. O pesquisador diz que a BR-319 é a obra planejada mais desastrosa para a Amazônia. Ele realça que a rodovia não é necessária
para a economia de Manaus, muito menos para a sua sobrevivência. De acordo com tese da pesquisadora Karenina Teixeira, da Universidade de São Paulo (USP), é 19% mais barato levar os produtos das fábricas da capital amazonense para São Paulo usando o sistema atual de barcaças (balsas) e rodovias do que pela BR-319, mesmo reestruturando a rodovia sem ônus.
O Dnit informou que a obra de recuperação da BR-319 tem recursos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, do governo federal, e confirmou que o único trecho que pendente (aguardando licenciamento ambiental do Ibama) são os 400 quilômetros da rodovia. O Dnit diz, ainda, que tem cumprido as últimas exigências feitas pelo Ibama para liberar a obra. Entre elas, a principal é um levantamento de fauna e flora que será feito no período de chuvas e vazante. Assim que o levantamento for concluído, a obra poderá ser licitada e concluída em dois anos. A BR-319 possui atualmente cerca de 300 quilômetros pavimentados e com contratos de manutenção. O órgão reitera que os trechos atingidos com a alagação deste ano foram identificados na cheia de 2009. Antes das marcas históricas, a BR nunca havia sofrido esse problema. Após 2009, foi elaborado um projeto para elevar o nível da estrada nesses pontos.
C2
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Levar o ‘mundo’ na bolsa pode gerar danos à saúde Mania de carregar tudo o que se precisa na bolsa, pode resultar em sérios danos à postura de mulheres e adolescentes SHANA REIS
MÔNICA FIGUEIREDO Equipe EM TEMPO
Q
uanto maiores elas são, maiores as quantidades de objetos dentro. Podem ser de couro, pano ou qualquer outro material. As bolsas femininas, muitas vezes indispensáveis na rotina da mulher moderna, estão cada vez mais pesadas. A mania pode, no entanto, ser dolorosa para o corpo. O ideal é saber equilibrar e dividir o peso. Maquiagens, chaves, cadernos, escovas de dente, cremes, ipads, livros, produtos de higiene pessoal, roupas, chicletes, balas e até mesmo comida. A lista varia conforme o tamanho e o espaço da bolsa. A publicitária Cássia Menini, 26, é conhecida entre os amigos por carregar um pouco de tudo dentro da bolsa. Por conta disso, ela já coleciona uma série de histórias engraçadas. Cássia diz que sempre tem problemas ao passar pelos detectores de metal dos aeroportos e agências bancárias, por exemplo. Em um desses casos, o detector da agência
acionou e um segurança pediu para verificar o que tinha dentro de sua bolsa. “Eu perguntei: Você realmente quer ver tudo o que eu tenho na minha bolsa? Ele disse que sim, então eu comecei a tirar, um por um. Então, após alguns minutos ele disse: Moça, não precisa mais tirar nada. Só me mostre a bolsa”, conta. A publicitária justifica a grande quantidade de material dentro da bolsa pelo fato de passar mais de 12 horas longe de casa. Na bolsa de Cássia é possível encontrar desde comida até escova de dente. “O peso da minha bolsa chega a ser deV Na bolsa de Danielle Pacífico, 23, a situação é semelhante. Devido à rotina, ela afirma ser mais fácil deixar tudo a seu alcance. “Minha bolsa é muito pesada. O pior é que eu ando com ela só de um lado do ombro”.
Ideal é dividir todo o peso A fisioterapeuta Rhanda Amin, da Physio Vida, explica que esse tipo de ação pode resultar em problemas tanto em adolescentes quanto em mulheres adultas. Ela ressalta que, no caso das adolescentes, o perigo está nas mochilas, pois o corpo ainda não está formado e o peso pode resultar em uma escoliose. “Quando a adolescente para de crescer, a escoliose não
aumenta mais, mas não diminui o problema”. Já nos adultos, quem tem tendência à hérnia de disco, o peso da bolsa pode causar dores nas costas, muscular e torcicolo, com possibilidade de evolução para uma hérnia de disco lombar ou cervical. “O ideal é tentar dividir o peso. Eu, por exemplo, faço isso. Deixo metade na bolsa e a outra metade levo na mão, como o notebook”.
Os sintomas do exagero O quiroprata Asplinger Alves destaca os principais sintomas de quem costuma carregar bolsas muito pesadas: cansaço, dor de cabeça, ombros curvados para frente, visíveis quando a pessoa se olha no espelho. Segundo o especialista, a Publicitária, Cássia confessa sentir dores por conta da bolsa
melhor forma de resolver o problema é corrigir o desalinhamento da coluna com sessões de quiropraxia. “A pessoa pode usar a bolsa com tranquilidade, mas é importante que faça o acompanhamento a cada seis meses”, conclui.
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
C3
Guerra do tráfico acumula crianças orfãs em Manaus Assassinatos de pais na frente dos filhos têm virado rotina em Manaus e gera preocupação quanto ao futuro dos pequenos ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
NILSON BELÉM Equipe EM TEMPO
“S
inceramente não sei como vamos fazer para criar essas crianças”. O lamento é do industriário Jailson Dias, 32, tio de três crianças — de 3, 4 e 5 anos —, que ficaram órfãs após os pais, o casal Geovane Pinto dos Santos, 32, o “Macaquinho”; e Jucenilda Dias Silva, 36, terem sido executados na última semana, por envolvimento com o tráfico. O casal, juntamente com o pai de Geovane, Francisco Chagas Nascimento, 50, o “Chicão”, foi morto a tiros em uma casa de madeira que servia de ponto de venda de drogas, no beco Itapemirim, no Terra Nova 3, Zona Norte, no último dia 21. A filha mais nova do casal, de apenas 3 anos, viu os pais serem assassinados. De acordo com um vizinho, que assistiu o crime, antes de atirar o pistoleiro viu a menina e disse: “Vai-te embora daqui”. A cena de crianças presenciando a morte dos pais se repetiu na morte de Hugo Alcântara Cipriano, 30, o “Japinha”. Ele estava com
o filho de 3 anos no colo, em uma lanchonete no bairro União, Zona Centro-Sul, quando foi executado com 15 tiros, todos na cabeça, no último dia 15. Para especialistas, as crianças que assistiram o assassinato dos pais por pistoleiros, a mando de traficantes, têm grandes possibilidades de
REGISTROS
Apenas nas últimas semanas, duas crianças presenciaram o assassinato dos pais, suspeitos de envolvimento no tráfico de entorpecentes. Hoje, elas vivem com parentes próximos
apresentarem sequelas pelo resto da vida. “Fora a lembrança de terem o pai assassinado, elas podem desenvolver agressividade”, ressalta a conselheira tutelar da Zona Norte, Silvânia Silveira. Os três filhos do casal Geovane e Jucenilda vivem agora com os tios, no mesmo bairro onde os pais foram executados.
Segundo os vizinhos, os pais não tinham muito cuidado com as crianças, que viviam nas ruas do bairro, sem infraestrutura e violento. Ainda de acordo com moradores da área, os pequenos não recebiam educação adequada e eram maltratados. “Vai ser difícil criá-los, mas vamos lutar para educá-los e ensinar as coisas boas a fim de mantê-los longe de coisas ruins, como as que levaram os pais à morte”, disse um parente, que pediu para não ser identificado. Sem apoio e ajuda Em Manaus não há uma estatística de crianças que hoje estão órfãs porque seus pais foram presos ou assassinados por conta do tráfico de drogas. A conselheira tutelar Silvânia Silveira admitiu que também não há política direcionada para prestar apoio a essas crianças. O que existe é uma rede de atendimento direcionada a essas vítimas mirins, principalmente de maus-tratos, atendidas em centros de referência em Assistência Social (Cras) e nos Centros de Atendimento Integral a Mulher e a Infância (Caimis).
Mortos são jovens de 15 a 25 anos Não são só as crianças que têm sofrido na pele a violência do tráfico. Muitos jovens também são assassinados. Levantamento da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) aponta que as as vítimas de homicídios são jovens entre 15 a 25 anos, de classe A e B, e pouca escolaridade. O problema social, principalmente o desemprego e pobreza, são as oportunidades que tornam esse público presa fácil para os traficantes. De acordo com a Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre), a guerra tem deixado crianças órfãs e matado jovens. Filhos são os que mais sofrem com os assassinatos do tráfico
C4
Dia a dia
Manaus: a ci
Mesmo diante de uma série de ações de limpeza, de campanhas de conscientização quanto à coleta seletiva, a capital amazonense vive e IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO
E
videnciado com a elevação do nível das águas do rio Negro, o lixo acumulado em igarapés da cidade é considerado, por especialistas e ambientalistas, o reflexo da falta de consciência ambiental da população. A mesma ausência de educação pode ser constatada, não somente na orla de Manaus, mas em ruas, terrenos baldios, áreas verdes e canteiros centrais de praticamente todas as zonas da capital amazonense. E para constatar tal fato, basta dar uma volta pela cidade, que de ponto turístico e futura cidade-sede da Copa de 2014, tem se tornado a cidade do lixo. Um dos focos do descaso e de acúmulo de lixo está na rua H do conjunto Osvaldo Frota, Zona Norte. No local há um terreno baldio, onde moradores da área costumam jogar garrafas plásticas, geladeiras, fogões velhos, e objetos que poderiam ser reciclados ou reaproveitados. A denúncia é feita pelos próprios residentes no bairro. Próximo a área existe, inclusive, uma lixeira, Comerciantes da área questionam e criticam a atitude. Para o vendedor Auri Gonçalves, 39, o ato é preocupante, pois prejudica a toda população. “Eles jogam tudo aqui nesse terreno. A área, pelo o que sabemos, é de
um advogado e está abandonada, mas isso não justifica as pessoas jogarem lixo lá e prejudicarem o restante da população”, protesta. Situação semelhante ocorre constantemente, segundo moradores, em área verde localizada nas proximidades da rua 3, no conjunto Hileia, Zona Centro-Oeste. No local, sinalizado com placas de preservação ambiental, o lixo acumulado pode ser observado em diversos pontos.
REVOLTA
Ainda existem na capital amazonense moradores que se revoltam com a atitude “porca” e despreocupada de vizinhos que despejam lixo nas ruas e em áreas verdes como se fosse algo normal O material jogado nas proximidades do matagal gera sujeira e foi, por inúmeras vezes, denunciado aos órgãos fiscalizadores e responsáveis pela limpeza publica da cidade. Para um dos moradores do conjunto, que não quis ser identificado, o problema é resultado da junção de uma série de fatores. “É preciso uma união entre a população e o poder público. Esse lixo não é o domiciliar, pois a coleta aqui passa todos
os dias, mas o povo joga garrafas, colchões. Até carcaça de carro já vi”, comenta. O morador diz, ainda, que atualmente o mato toma conta da área e quando é feita uma limpeza na redondeza, pessoas costumam evitar jogar lixo. “Quando o local é limpo, eles não sujam, mas quando tem muito mato, eles se acham no direito de sujar ainda mais”, lamenta. Para ele, além de medidas educativas, como orientações e explicações sobre as consequências de se jogar lixo em qualquer lugar, é preciso apresentar alternativas para a população. Reeduçação A gerente de licenciamento industrial do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) e química, Aldenira Queiroz, aposta na coleta seletiva e na mudança de hábito dos moradores, como alternativas. De acordo com ela, resíduos espalhados por locais impróprios entopem bueiros, potencializam as enchentes e alagações, contribuem para a proliferação de doenças, como dengue, leptospirose, diarreia e outras de veiculação hídrica. “Não há saída se não houver mudança de hábito de consumo, mudança de hábito de vida, reeducação dos cidadãos, por mais que o sistema público de limpeza evolua”, afirma. DIEGO JANATA
Enchente fez com que lixo despejado nos rios deixasse moradores “ilhados”, em alguns bairros
Um milhão por mês, em limpeza Tanto lixo sendo produzido e acumulado reflete na ação de limpeza da cidade. Mensalmente, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) recolhe em média, por dia, somente de lixo domiciliar, aproximadamente três mil toneladas. Por mês, esse número chega a 80 mil toneladas ao ano. Quanto à limpeza dos igarapés, o órgão retirou, somente nos primeiros 15 dias do mês de maio, mais de mil toneladas de resíduos sólidos, despejaTerrenos baldios de Manaus também são alvo de pessoas sem consciência ambiental
dos em igarapés. Segundo o secretário municipal de limpeza pública, Túlio Kniphoff, somente a limpeza dos igarapés — para onde vai o lixo jogado nas ruas e bueiros —, gera gasto mensal de cerca de R$ 1,6 milhão. Esse valor, segundo o secretário da Semulsp, poderia ser investido em outras ações para melhor atender a população, se não fosse a falta de educação ambiental das pessoas. Para ele, a população per-
de dinheiro com a mania de jogar lixo fora. Isso porque, até objetos recicláveis, que poderiam ser vendidos e render lucro para as pessoas que os descartaram, foram encontrados dentro dos igarapés. “Já retiramos até uma carcaça de Kombi de dentro d’água. Isso só mostra o descaso de como a população está jogando o próprio dinheiro no lixo, já que encontramos ferro e PETs que poderiam ser vendidos”, afirmou.
C5
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
cidade do lixo vive em meio ao lixo. A cheia parece ter vindo apenas evidenciar, principalmente, a falta de consciência ambiental de quem vive nela JOEL ROSA
DIEGO JANATA
Lixo é despejado, mesmo que áreas da cidade tenham placa avisando sobre a proibição
Conscientização e alternativas Na tentativa de conscientizar as pessoas, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) estruturou uma equipe especializada para monitorar ocorrências. O grupo é coordenado pela Comissão Especial de Divulgação e Orientação da Política de Limpeza Pública (Cedolp) e reali-
za trabalho nas casas às margens dos igarapés e em outras zonas da cidade. Durante as “visitas”, as pessoas são orientadas a não jogar o lixo nas águas e a fazer coleta seletiva, reduzindo a quantidade de resíduos gerados em cada casa. Para isso, foram montados 67 pontos de entrega voluntária (PEVs) de resídu-
os recicláveis em escolas municipais da cidade, além das cooperativas que trabalham com lixo e materiais reaproveitáveis. Os endereços desses locais podem ser encontrados no site da Semuslp, por meio do endereço eletrônico http://semulsp.manaus. am.gov ou pelo telefone 0800-0926356.
os DIEGO JANATA
IONE MORENO
Moradores de algumas zonas de Manaus despejam restos de móveis em cima das calçadas
Quem sujar, pode ser multado Além da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), que recebe média de 195 denúncias relacionadas ao descarte incorreto de lixo na cidade, por mês, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) também atua na notificação dos responsáveis por lixo despejado em áreas de preservação ambiental da cidade. No caso das empresas, Com a subida dos rios, alguns igarapés de Manaus transbordaram e evidenciaram o lixo
o proprietário que for flagrado fazendo o descarte nas ruas, será multado com base nos artigos 136 e 137 do Código Ambiental do Município de Manaus. O valor das multas , segundo informações da Semmas, varia de R$ 663,40 a R$ 6 milhões. As penalidades para quem suja a cidade são enquadradas como leve, grave, muito grave e gravíssima.
O valor dessas infrações é aplicado em Unidades Fiscais do Município (UFM), que atualmente custam R$ 66,34 cada. No caso das áreas verdes, o órgão informou que as denúncias não são frequentes, mas a Semmas mapeou esses locais e fez a colocação de placas que ajudam a visualizar o espaço e alertam sobre a proibição de despejo de lixo.
C6
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Indígenas tiram sustento de lixão no interior do AM Moradores de uma comunidade em São Gabriel da Cachoeira, índios são vizinhos de lixão e levam vida de catadores
DIVULGAÇÃO
WILLIAM GASPAR Especial EM TEMPO
A
comunidade indígena Nova Esperança, localizada no município de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus), tem vivido em meio ao lixo. Dividindo terreno com o lixão municipal, instalado bem em frente às suas terras, os mesmos índios que antigamente se sentiam incomodados e consideravam o lixão uma agressão à sua cultura, tornaram-se dependentes do ‘amontoado vizinho’. Hoje, as mais de 30 famílias do local vivem da venda de resíduos e chegam até a procurar comida no meio dos detritos. Ladslau Navarro, líder da comunidade, disse que a postura dos moradores diante do lixão não é opção e sim, necessidade. “Todos acabamos nos tornando catadores e isso tem nos sustentado até agora. O principal objetivo é garantir a sobrevivência e a continuidade da nossa comunidade”, afirma. Ele admite, no entanto, que existem pessoas que ultrapassam os limites, chegando a procurar por comida no lixão. “Sei de casos de pessoas
que foram procurar comida por lá, mas eles já foram orientados para evitar esse tipo de coisa. Mas aqui isso acontece”, conta. Ciente da situação, o agente de vigilância sanitária Claudêncio de Menezes, entrega, constantemente alimentos para os comunitários. “Se nós jogarmos fora alimentos ven-
MUDANÇA
Se antigamente os índios reclamavam da presenção do lixão próximo à comunidade e o encaravam como uma ofensa a sua cultura, hoje, eles o veem como fonte de renda e sobrevivência cidos, daqui a pouco eles vêm e pegam. Uma vez enterramos e, mesmo assim, eles desenterraram tudo poucos minutos depois”, lembra o agente. Outro morador da Nova Esperança, o índio baré Angles Bentes, disse que, como catadores de lixo, as famílias têm mantido o sustento, mesmo que com pouco. “Não é vergonhoso viver do lixo. O
importante é ter como viver honestamente, mas as condições poderiam ser melhores do que essas”, ressalta. Sobre a estrutura e funcionamento do lixão, a inspeção realizada pela promotoria de Justiça de São Gabriel da Cachoeira verificou que o local está cercado, mas não há nenhum tipo de controle de entrada e saída de pessoas. Além disso, não é realizada a separação dos resíduos, que chegam a ser queimados. Navarro afirma que um grupo de pessoas vive na área, muito antes da instalação do lixão no outro lado da rua. Segundo ele, os moradores da área reclamam de problemas na pele, diarréia, dores de cabeça e excesso de moscas na comunidade, ocasionadas pela presença do lixão. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) realiza ações sobre o uso de equipamentos de proteção individual pelos lixeiros, e colocação de lixeiras na cidade. A prefeitura do município afirma que existe projeto para a criação de um aterro sanitário. A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que elabora plano de apoio para as comunidades da região.
Moradores de área próxima ao lixão, índios criaram relação de dependência com lixo encontrado
Totalmente dependentes do lixo Representante da Arquidiocese de Manaus, que acompanha a situação dos indígenas no município, Marcela Vieira diz acreditar que com a implantação da lixeira pública no local, a população se tornou dependente. “Antes, essas pessoas viviam da agricultura fami-
liar, cultivavam para sobreviver. Hoje em dia o lixo é sua principal fonte de renda. Eles se acomodaram com essa posição”, ressalta. Marcela afirma que o comprador da coleta da comunidade tem feito fortuna com o trabalho dos indígenas. “Eles colhem e vendem para
um único atravessador, que paga muito pouco e vende caro depois. Ele fica rico e os catadores têm que sobreviver com pouco”, lamenta. Ela acha que, com a implantação da coleta seletiva e com a construção do galpão, a vida dos índios será facilitada.
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
C7
Reforço escolar é ‘aliado’ bastante utilizado por pais Deixar os filhos em aulas particulares ainda é o recurso a que muitos pais, que vivem a correria do dia a dia, recorrem hoje MÁRIO OLIVEIRA
IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO
S
eja por dificuldade de aprendizado ou para ocupar o tempo das crianças e adolescentes, as aulas de reforço seguem como medidas alternativas para muitos pais que, devido a correria do dia a dia, não têm tempo para lidar com a rotina escolar dos filhos. O método, utilizado e procurado por muitas pessoas, é hoje a ocupação de profissionais da educação que optaram em deixar de lado a rotina das escolas para se dedicarem somente às aulas ministrada em casa. Mesmo utilizando a metodologia como meio lucrativo, esses professores afirmam que a paixão por ensinar é mais gratificante que o lucro. Edilson Moraes, 50, é uma dessas pessoas. Atualmente, ele dá aulas de reforço em um pequeno espaço de sua casa, no bairro Raiz, Zona Sul, onde concilia seu dia e o ensino com alunos de vários graus escolares e faixas etárias. No exercício da profissão há 20 anos, ele diz que o maior reconhecimento do trabalho
dele é ver ex-alunos levando os filhos para também estudarem no local. “Tenho ex-alunos que são formados, doutores. Muitos deles trazem os filhos para ter aula aqui comigo. Isso é sinal de que estou fazendo o meu trabalho direito”, comemora. Moraes lembra que o iní-
GRATIFICANTE
Professores de aulas particulares dizem que a maior gratificação de ministrar aulas em casa é, após algum tempo, ver ex-alunos se graduando ou levando os filhos para ter aulas no mesmo lugar cio das aulas particulares foi quando ele ainda estudava e auxiliava os colegas com dificuldades em matemática. Desde então, ele diz não ter parado mais e se especializado na profissão. Edilson Moraes ressalta ainda, que a maioria dos pais de estudantes — na faixa etária de 12 a 16 anos — busca, por
meio de aulas de reforço, melhor empenho do filho em determinada matéria. “Não posso afirmar que eles trazem o filho para ocupar o tempo deles, mas com certeza buscam melhoria no aprendizado dos pequenos”, ressalta. Recompensa A professora Maria Alecrim, 54, também diz ter uma ligação de amor com a profissão. Formada em magistério, ela diz nunca ter lecionado em escolas públicas ou particulares, por trabalhar apenas com aulas de reforço há mais de 30 anos. Hoje ela ministra aulas para crianças com idade entre 6 e 13 anos e diz ter preferência por crianças pequenas. As aulas são dadas em um pequeno espaço de sua casa, no São Jorge, Zona Centro-Oeste, em horários diferenciados durante o dia. Para ela, o mais gratificante na sua profissão é o reconhecimento dos alunos quando o objetivo é alcançado. Maria Alecrim diz ter se emocionado ao saber que um aluno dela havia passado em um concurso público. “Eu fiquei emocionada”, lembra.
Edilson Moraes divide um espaço, na sua casa mesmo, para ensinar crianças e adolescentes
Resultado além do aprendizado A mãe de Sâmia Mendonça, 10, a administradora Cláudia Mendonça, 34, diz ter optado por colocar a filha em uma aula de reforço, para amenizar as dificuldades da menina nas aulas de matemática.
A criança, apesar de estudar em uma escola particular da cidade, apresenta dificuldades em algumas disciplinas. A administradora afirma que a medida também serve para ocupar o tempo.
“Para mim, a aula de reforço tem dois sentidos. Melhora o aprendizado da Sâmia e ocupa o seu tempo também. Até porque eu trabalho muito e não tenho tempo de acompanhar o aprendizado dela”, conclui.
C8
Dia a dia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Hábito de comer tucumã pode prevenir um câncer
Segundo resultados iniciais de estudo da Unati, o fruto tem uma substância que protege de vírus, bactéria e melhora a visão DIVULGAÇÃO
LUCAS PRATA Equipe EM TEMPO
O
tucumã, um dos frutos mais consumidos pela população amazonense pode ser um dos antídotos para o câncer. Estudos realizados pela Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati), em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) do Rio Grande do Sul, apontaram que a fruta é rica em flavonóide (substância antioxidante que protege do câncer, retarda o envelhecimento e evita doenças cardíacas). O primeiro teste foi realizado, inicialmente, com células infectadas com o câncer de mama e o resultado foi considerado satisfatório para os pesquisadores. Um estudo realizado pelo doutor em geriatria, Euler Ribeiro — em parceria com a doutora em genética do envelhecimento, Ivana Manica da Cruz (UFSM) — sobre a nutrição do homem da floresta, levanta dados que comprovam que idosos do município de Maués (a 276 quilômetros da capital amazonense) vivem mais por conta da alimentação baseada em
frutos na floresta. Entre eles estão o pescado, derivados de mandioca e os frutos, especialmente o tucumã. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município é a região onde as pessoas apresentam idade acima da média brasileira, e a maioria dos idosos leva uma vida saudável mes-
EXPERIÊNCIA
O primeiro teste com a substância flavonóide, contida no tucumã, foi feito em células infectadas com câncer. Após 24 horas mergulhadas no óleo de tucumã, todas as cancerígenas morreram mo com mais de 80 anos. De acordo com Ribeiro, há três frutos ricos em flavonóide: a pupunha, o buriti e o tucumã. Quanto mais as pessoas se alimentam deles, mas elas ficam protegidas das bactérias, vírus e, ainda, melhoram a visão. “Durante pesquisa com o extrato alcoólico do tucumã, pegamos a casca e a pol-
pa da fruta e colocamos em placas de vidro próprias para laboratório. Em uma, pusemos células de mamas normais, e em outras, células de câncer de mama. Após 24 horas no óleo do tucumã, as células cancerígenas morreram. Com as células normais nada aconteceu”, comenta o geriatra. O próximo passo é realizar pesquisas em camundongos, que receberão injeções de células cancerígenas. Caso haja resultados positivos, os experimentos passarão a ser feitos em humanos. Será concluído que quem ingere o fruto pode, frequentemente e sem querer, estar aumentando a imunidade contra a degeneração de tumores. “Alguns laboratórios médicos nos procuraram para fazer estudos adiantados. Pode ser que no futuro possamos ter um produto anticancerígeno a partir do tucumã. Se isso acontecer, será uma descoberta fantástica”, ressalta. Dados da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) mostram que em 2010 o número de casos de câncer no Estado era de 821.611 mil pessoas. Em 2011, o total subiu para 855.082 mil pessoas.
Tucumã é parte integrante da alimentação do amazonense. Fruto regional é alvo de estudos
Recomendado por nutricionistas A nutricionista Jovana Benoliel recomenda o consumo diário do tucumã e informa que ele se assemelha a uma fruta riquíssima em fibra, que acelera o transito intestinal. O consumo só deve ser balanceado para pessoas que tem algum tipo
de doença específica, ocasionada por gordura. “O pigmento alaranjado que contém no tucumã, produz a vitamina A, muito importante para o organismo. A combinação pão com tucumã é muito melhor do que a combinação com quei-
jo, por conta das calorias e das fibras encontradas no queijo, que podem não ser boas para o intestino. Como é um alimento saudável, as pessoas podem comer sem preocupação, caso não tenha problemas relacionados a nenhum tipo de gordura”.
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
plateia@emtempo.com.br
(92) 3090-1042
ARQUIVO EM TEMPO/ALEX PAZUELLO
Plateia D5
Os ‘novos caras’ da música regional Bandas locais conquistam cada vez mais o público jovem com letras que retratam realidades da região amazônica
N
ão. Falar sobre a Amazônia, ou precisamente sobre as peculiaridades amazonenses, em forma de música não é uma novidade, de fato. Há pelo menos 30 anos, o grupo Raízes Caboclas, idealizado pelo músico e poeta Celdo Braga (atualmente no grupo Imbaúba), já se propunha a isso de maneira própria. Antes disso, o artista Adelson Santos – atualmente regente da Orquestra Vozes da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) – também o fez. Então, o que há de tão diferente na música considerada regional produzida por bandas com no máximo 10 dez anos de estrada, para atrair uma legião crescente de fãs? Embora exista certo clichê no discurso da maioria dos músicos, sobre a discordância da aplicação de “rótulos”, é preciso estabelecer que nesse aspecto está sendo considerada música regional como aquela que exalta ora as características naturais da terra, ora o cotidiano de sua população, entre outros temas. Para o cofundador do grupo Raízes Caboclas, o percussionista Eliberto Barroncas, tempo e espaço são fatores determinantes para justificar a aceitabilidade da nova geração de compositores locais. “Acredito que as iniciativas artísticas do passado motivaram essas outras
bandas de hoje. Uma das maiores diferenças é que agora os grupos têm maior consciência político-cultural. “O nosso momento era outro, pois havia uma necessidade de ter uma representação cultural que pudesse traduzir os valores da terra. Começamos atraindo o público adulto, depois o universitário que, motivado pelos pais, passou a gostar do trabalho”, reflete Barroncas, enfatizando que a cria-
Não é fabricado um produto para vender a Amazônia. É uma identificação natural, sem apelação ou mesmo estilo definido Denilson Novo, guitarrista da Tucumanus
ção do Raízes, por exemplo, foi motivada por uma leitura romântica de iniciar algo semelhante a alguns grupos do Sul do país, que cantavam suas naturezas. Barroncas também admite que os grupos atuais têm um apelo atrativo vinculado à sonoridade assumida. “Observo que as bandas atuais trabalham com uma estética musical mais madura do que tínhamos naquela época. Elas atraem muito mais os jovens, o ‘povo’ do rock, etc.”, diz.
Experimental Formada por Clovis Rodrigues (voz), Denilson Novo (guitarra), Miquéias Pinheiro (baixo) e Ygor Saunier (bateria), a banda Os Tucumanus tem no setlist, por exemplo, as obras autorais “Palafitas” e “O boto”, que transportam em si leituras sociais explícitas. “O regional não é uma bandeira de marketing. É uma constatação. Na época da Platinados (antiga banda de rock local), já se cantava o nosso jeito de falar. A gente se despiu do estigma de que roqueiro não pode curtir outro som e demos vazão ao lance experimental, atendendo a uma necessidade de ampliar os horizontes. Decidimos cantar de uma forma a explorar o nosso som, nossa musicalidade, falando do caboclo, do governo, sem melodias chorosas pela mata. Não que não gostemos, mas nossa realidade é diferente”, comenta Denilson. Para ele, muito do atrativo exercido sobre o público se deve pela reprodução das sonoridades, o que perpassa pelas melodias de rock. “A pessoas divulgam o nosso trabalho porque a gente está no meio do segmento que eles curtem ouvir, não é fabricado um produto para vender a Amazônia. É uma identificação natural, sem apelação. A música ‘Churrasco de gato’ é um ‘beiradão’ e, antes de incluí-la no setlist, a gente achava que a galera não ia gostar, mas não houve rejeição porque todos entenderam que era algo nosso”, completa.
A pulsação da Alaidenegão Davi Escobar, guitarrista e vocalista da banda Alaidenegão, afirma que embora tivesse sido difícil o acesso aos palcos da cidade no início da trajetória lá pelos idos de 2008, pelo fato de interpretarem exclusivamente músicas próprias, a conquista de público se tornou relativamente fácil a partir da identificação com
Identidade sonora e nas letras
as letras e com a “pulsação” da melodia. “Acho que a mistura de ritmos regionais com algo mais dançante, uma pegada mais latina e as letras que falam de algo sobre o qual a pessoa entende, como Praia da Lua, que as pessoas vão lá, associam a letra com suas próprias histórias, são fatores que atraem o público”, analisa. DIVULGAÇÃO
GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO
Uma das revelações amazonese é a banda Alaídenegão
A banda Cabocrioulo, liderada por Milton Jorge, traduz o sucesso popular por meio da própria musicalidade. “A gente sempre conseguiu as coisas por causa da música. Nunca fomos muito organizados mesmo. São 7 anos de banda e já fizemos alguns eventos que movimentaram a cena em Manaus, muitos shows em botequinhos, que ajudaram a popularizar nosso nome e fizeram com que tocássemos mais. O conteúdo das músicas fala o nosso dia a dia, não existe nada publicitário por trás disso”, diz o cantor e violonista. Diferentemente das demais bandas, a Cabocrioulo é que mais mescla canções de outros artistas famosos no repertório. “O grupo toca coisas antigas, o que atrai muita gente diferente. Como a gente mistura as músicas próprias, até cover parece que é nossa e a galera curte”, afirma o vocalista Milton.
HUDSON FONSECA
Caderno D
Plateia
Chaminé está fechado
D2
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
CÉSAR CATINGUEIRA
>> Vitrine >> A lista de presenças confirmadas na Festa dos Namorados em ritmo junino que esta coluna irá promover, no dia 12 de junho no Diamond, já está bem extensa de nomes do society estrelado: Jéssica e David Tayah, Alessandra e Cristiano Brandão, Lúcia e Livio Assayag, Beth e Silvestre Castro Filho, Helena e Júlio Verne do Carmo Ribeiro, Patrícia e Douglas Akel, Milena e Érico Desterro e Silva, Glória e Miguel Carratte, Carol e Mario Frota, Andréa e Niltinho Lins, Seonize e Ivan Souza, Aline e Paulo Girardi, Suely e Átila Yurtsever, Gizella e Marco Bolognese, Gisele e Éfrem Maranhão, Kalina e Marco Cohen, Danielle e Sidney Leite, Najla e Jorge Akel, Sandra Lúcia e Alberto Saraiva, Carmem e Ricardo Silva, Ana Beatriz e Elias Nóvoa Silva, Rosiane e Eduardo Lima, Cláudia e Mário Bernardino, Fernanda e Jean Mendonça, Michelle e Edson Cunha, Marinildes e Marcelo Lima, Carla Braga e Pedro Elias, Ângela e Luís Otávio Bastos, Ana Paula Perrone, Izete Bacry, Marilza Mascarenhas, Adriane Antony, Norma Araújo, Lúcia Viana, Jero Sanches, entre muitos outros. >> O padre Igínio Mazzucchi receberá o título de “Cidadão do Amazonas,” por meio de projeto de lei de autoria da deputada Vera Castelo Branco,
durante solenidade no dia 13 de junho, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. >> Charufe Nasser comemora seu aniversário com sua tradicional festa junina no Parque do Idoso, no dia 29.
Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br CÉSAR CATINGUEIRA
>> No jantar de quintafeira, em mesas diferentes, no Alentejo, Isabel e Rômulo de Paula Nunes, Renato e Tammy Simões, Paulo Ney e Regina Avelino, Alexandre Prata, Waltinho Oliva Pinto. >> O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, deputado Ricardo Nicolau está convidando para a sessão especial de outorga da Medalha Ruy Araújo ao desembargador Ari Moutinho da Costa, de autoria do deputado Vicente Lopes, no dia 21 de junho na sede do Poder Legislativo estadual. >> O novo projeto de expansão do Amazonas Shopping será apresentado no dia 31, na Expansão do Segundo Piso. >> Janaina Machado estréia idade nova amanhã. Cumprimentos. >> Hoje, o segundo dia da sensacional “Virada Cultural” que movimenta a cidade de ponta a ponta. Nota dez!
>> Centro de Preservação . A recém-nascida fêmea de peixe-boi do CPPMA (Centros de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos) da Eletrobras Amazonas Energia, na Vila de Balbina, acaba de ser batizada.
Clycinha Garcia na cena social de Manaus
>> Love Valentine’s . O mês mais romântico do ano está chegando e para comemorar a Calvin Klein Jeans preparou uma campanha especial para data tão esperada pelos casais de plantão, a Love Valentine. . A campanha presenteará clientes com o kit Love Valentine nas compras acima de R$500 nas lojas Calvin Klein Jeans e acima de R$300 na Calvin Klein Underwear. O presente compõe uma sacola personalizada com duas minigarrafas de champagne e adesivos com mensagens divertidas para cada um personalizar sua baby Mumm. A ação durará até acabarem os estoques, nas lojas de Manaus.
. O sétimo animal nascido em cativeiro será chamado de Amã, nome sugerido por Juliano Prado, um garoto de apenas nove anos, que vive com a família na comunidade ribeirinha Santa Helena do Abacate, localizada no rio Abacate, afluente da margem esquerda do rio Uatumã. O concurso para selecionar o nome do filhote foi realizado na última semana durante a segunda expedição do projeto “Protegendo a vida na Amazônia”.
Juarezinho, Juarez, João Gabriel e Ângela de Lima, circulando em evento cinco estrelas na cidade
>> ‘Ronda no Bairro’ . O governador do Amazonas, Omar Aziz, esteve na quinta-feira na solenidade de formatura de 1.828 novos policiais militares, no Centro de Convenções de Manaus (Sambódromo). Omar Aziz destacou que o reforço do efetivo policial vai permitir a ampliação do programa Ronda no Bairro para outras zonas da cidade de Manaus. . Ao todo, os investimentos que o governo do Estado está fazendo na segurança pública, principalmente na consolidação do “Ronda no Bairro”, devem chegar a R$ 400 milhões até o final deste ano. “Estamos aqui num momento histórico para a segurança do Amazonas, porque estamos formando a maior turma de policiais da história da Polícia Militar. E esses investimentos não param por aqui. Esta semana empenhamos mais R$ 80 milhões para a compra de armamentos e equipamentos”, destacou Omar. Aplausos de pé!
>> Objeto de desejo . Nem só de relógios feitos de metais preciosos vive a turma antenada, um Swatchzinho também vai muito bem.
Leofran, Gigi e Jefferson Cunha brindando o sucesso da nova revista Em Visão Medical, durante coquetel concorrido
. Esse é um modelo de duas voltas na tonalidade nude, básico e chic. Valor do mimo, R$ 149, nas lojas Swatch do Brasil.
Plateia
D3 FOTOS: DIVULGAÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
‘Boi Fantasma’ na Ilha CHRIS REIS Equipe EM TEMPO
A
ilha de Parintins está recebendo desde o dia 21 maio até o dia 15 de junho, o “Boi Fantasma”, projeto contemplado no Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, que tem como proposta fazer uma série de oficinas de desenho e animação, além de entrevistar moradores da região para resgatar histórias pouco conhecidas sobre as origens da festa do boi-bumbá, que se tornarão em um curta-metragem. O projeto está sendo realizado pelo paulista Rogério Nunes, produtor cultural, animador e ilustrador independente, especializado em preservação e resgate de patrimônio memorial e conta com o apoio do Instituto Memorial de Parintins (IMPI). Estão participando das oficinas 20 pessoas que se interessam por audiovisual e artes plásticas. “Sempre tive vontade de fazer algo na Região Norte, porém nunca apareceu a oportunidade. Então surgiu o edital e uma das exigências é que o projeto fosse realizado em outras regiões do país. Logo de cara pintou a ideia de fazer em Parintins.
Entrei em contato com a Irian Butel, presidente do IMPI, que me deu uma resposta positiva”, explica Rogério, que define o projeto como um documentário experimental e poético. Ele enfatiza também que a escolha da ilha deu-se por conta do Festival Folclórico de Parintins, que, na visão dele, trabalha com a tradição oral local e o sincretismo. “Gosto muito de histórias, festa e tradições populares. E em Parintins, o festival junta tudo isso”, avalia o animador, que nunca esteve presente no evento e é a primeira vez que está em Parintins. Os depoimentos dos personagens serão gravados, editados e ilustrados com o material produzido nas oficinas. Os filmes de animação resultante das oficinas serão projetados em vários espaços da cidade. Durante as projeções, as pessoas entrevistadas serão convidadas a interagirem com as imagens exibidas. A ideia é documentar tudo em vídeo de alta definição. O produto final será um curta-metragem/vídeo poema de sete minutos de duração. Os DVDs serão distribuídos aos participantes das oficinas e também às escolas e bibliotecas públicas de Parintins.
Temática A intenção maior do projeto, nas palavras de Rogério, é fazer oficinas de animação com a temática do boi, cujo resultado será projetado pela cidade como se fossem fantasmas do boi, daí nome. “Mostraremos um boi que não existe mais pela perda das origens, como
Gosto muito de histórias, festas e tradições populares. E em Parintins, o festival folclórico do boi-bumbá junta tudo isso Rogério Nunes, animador e ilustrador
o Auto do Boi. As imagens serão projetadas à noite, como intervenções audiovisuais. Queremos projetar em lugares que tenham a ver com a tradição oral, como os currais, o rio e até a mata”, adianta. Segundo Irian Butel, o produtor cultural trabalha com as memórias da cidade que
ainda não foram trabalhadas e estão “vagando” sem ter um local que as congregue. Ela explica que Rogério segue o roteiro do Auto do Boi para criar as animações. “A proposta é gravar depoimentos de personalidades que conhecem a história do boi, produzir animações com base nos relatos e, a seguir, fazer as projeções em locais públicos”, diz. Rogério avalia que o trabalho está sendo muito produtivo e diz perceber que as pessoas estão abertas a falar das raízes e têm uma real necessidade de contar coisas que foram esquecidas, mas que de qualquer forma estão presentes no festival e são repassadas a outras gerações. Porém, expõe que teve uma surpresa ao saber que o Auto do Boi, que deu origem à festa, não é encenado mais durante o festival. “Por isso, a proposta é fazer um auto do boi projetado”. O produtor adianta que o trabalho deve durar ainda três semanas de oficina e uma semana de projeção. “Tudo será finalizado até o dia 15 de junho”, assegura Rogério, que é um dos poucos animadores do Brasil, especializado em resgates históricos e memória.
DIVULGAÇÃO
Projeto idealizado pelo animador e ilustrador paulista Rogério Nunes está sendo implantado em Parintins e o resultado será exibido em diversos cantos da cidade em formato de curta-metragem e de forma gratuita para a população
Rogério Nunes está ministrando oficina em Parintins
Produtor cultural e ilustrador Responsável pelo projeto “Boi Fantasma”, Rogério Nunes nasceu em São Paulo. É produtor cultural, animador e ilustrador independente, especializado em preservação e resgate de patrimônio memorial.
Ele iniciou seus trabalhos em animação, em 2004, com a animação “Dona Noemi”. Desde então, vem exibindo sua produção independente de animações em vários festivais do gênero, no Brasil e no exterior.
D4
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Mais atrações na ‘Virada’ D
ando continuidade a “Virada Cultural 2012”, hoje, os 11 palcos da cidade receberão mais atrações locais e, claro, nacionais. O primeiro artista nacional será o cantor de reggae Dagô Miranda, no palco avenida das Torres, às 17h. Ainda no mesmo palco, mas às 18h, a banda de rock nacional RPM apresenta seus clássicos como “Olhar 43”, “Alvorada Voraz” e “Rádio Pirata”. No mesmo horário, mas no palco Ponta Negra, a banda Sambô, pela primeira vez em Manaus promete dar o seu recado com releituras modernas e com muito samba de clássicos nacionais e internacionais. Às 20h, Oswaldo Montenegro, considerado um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) interpretará canções como “A Lista” e “Bandolins”. Em outro ponto da cidade, um pouco mais cedo, às 19h, a bateria da escola de samba Grande Rio, sobe ao palco do conjunto Eldorado, Parque Dez, para animar os que preferem mais agitação. Após a apresentação, às 20h30, será a vez do filho do cantor João Nogueira, Diogo Nogueira, mostrar que o talento é de pai para filho. E para quem gosta de um bom forró, o palco do Jorge Teixeira terá a banda Gaviões do Forró. Estrutura Ao todo, estarão envolvidos
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Entre as atrações nacionais de hoje estão Benito de Paula, RPM, Seu Jorge, Sambô, Oswaldo Montenegro, Diogo Nogueira, Grande Rio e Gaviões do Forró que se apresentarão em horários diferenciados em 11 palcos espalhados pela cidade mais de 3 mil profissionais de diversos órgãos e secretarias municipais, além da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, nas mais de 24 horas da 3ª. Virada Cultural. Eles trabalharão para garantir segurança e tranquilidade das pessoas que prestigiarem a programação cultural. Todos os locais de espetáculos e apresentações estarão equipados com banheiros químicos, tendas para atendimento ao pú-
Principais atrações de hoje Palco CSU – Parque 10 19h30 – Benito de Paula 21h30 – Consciência Tranquila 23h30 – Júnior Lima Palco Avenida das Torres 17h – Dagô Miranda 18h – RPM 20h – Seu Jorge
DESTAQUE
Palco Ponta Negra 18h – Sambô 20h – Oswaldo Montenegro 22h – Lincoln Olivetti Palco Eldorado 19h – Grande Rio 20h30 – Diogo Nogueira Palco Jorge Teixeira 19h – Gaviões do Forró 20h20 – Higor e Hugo
Uma das atrações mais esperadas pelo público amazonense é a apresentação do cantor Oswaldo Montenegro, que estará no palco Ponta Negra, a partir das 20h com clássicos da música popular blico, segurança, telões, painéis de LED, iluminação, camarins e geradores de energia. Além disso, em função da cheia recorde do rio Negro, que afeta mais de 6 mil famílias na capital, a “Virada” já se transformou em uma ação humanitária. Durante o evento, a população poderá participar doando alimentos, material de higiene, roupas, colchões e itens para as vítimas da enchente.
Oswaldo Montenegro estará no palco da Ponta Negra O cantor Diogo Nogueira mostra seu talento no palco Eldorado
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
D5
Chaminé fecha as portas CHRIS REIS Equipe EM TEMPO
O
Centro Cultural Usina Chaminé, localizado na avenida Lourenço da Silva Braga, na Manaus Moderna, Centro, está temporariamente fechado, de acordo com informações da Secretaria de Cultura do Estado (SEC). Devido ao fenômeno da cheia do rio Negro, a subestação de energia foi desligada para evitar acidentes com os frequentadores do espaço cultural. Segundo Ângela Simões, diretora dos Centros Culturais da SEC, a água está entrando pela subestação e, por isso, a rede elétrica teve que ser fechada e explica que só haverá o funcionamento interno. “Dá para funcionar internamente, durante o dia, porém não podemos receber visitantes sem energia elétrica e ar-condicionado”, diz. Ela adianta que a Usina Chaminé retornará as atividades direcionadas aos visitantes assim que a água baixar. Ângela explica também que o acervo das exposições, que estavam acontecendo no local, continuam no espaço cultural. “Ainda não existe perigo de as águas atingirem o local, pois elas estão vindo pela tubulação e falta muito para atravessar a rua e chegar ao nível do prédio histórico”, acentua.
FOTOS: ARQUIVO EM TEMPO/ALEX PAZUELLO
Espaço cultural está desativado temporariamente devido a cheia do rio Negro tendo, até mesmo, que desligar a subestação de energia para evitar acidentes, mas todo o acervo permanece no local pois não oferece risco de perda ou estrago Exposição Atualmente, estavam abertas a visitações no Centro Cultural Usina Chaminé, as exposições “Sentidos da Amazônia”, que tem curadoria de Veralúcia Ferreira e aborda os aspectos da cultura amazônica utilizando como veículo os cinco sentidos humanos, relacionando os mesmos com os aspectos da cultura da região, e “Arte Rupestre”, que
CUIDADOS
Segundo Ângela Simões, diretora dos Centros Culturais da Secretaria de Estado de Cultura, apesar de poder funcionar durante o dia, o prédio não pode receber a visita do público mostra desenhos antigos em pedras. Além das exposições, a Usina também oferece um espaço dedicado às crianças, com o intuito de desenvolverem atividades lúdicas, com atividades como: projeção de filmes; outra atividade é a apresentação de bandas de rock aos domingos. “Esperamos que as águas parem de subir e em breve a população volte a ter acesso ao local”, opinou.
O Teatro Chaminé fica localizado na área da Manaus Moderna
DIVULGAÇÃO
Entre os contemplados do “Natura Musical” do ano passado está Vanessa da Mata
Edital terá verba de R$ 3 mi e o processo de aprovação junto ao MinC poderá ocorrer ao final do processo seletivo do edital. A Natura irá integrar os dois editais nacionais que aconteceriam este ano
INSCRIÇÃO
O prazo para as inscrições no “Edital Nacional 2012 Natura Musical”, que incentiva projetos de cultura ligados à musica brasileira, foi prorrogado até 15 de julho em apenas um processo seletivo, que somará os valores a serem investido durante todo o ano. Com isso, o total a ser distribuído entre todos os selecionados do Edital
O prédio, originalmente – que tem características neo-renascentistas - foi construído, em 1910 pela empresa inglesa Manaos Improviments, concessionária de serviços de saneamento, para ser a usina de tratamento de esgotos da cidade. Como o prédio possui ao lado direito uma chaminé de 24 metros, construída com tijolos maciços refratários, ficou conhecido como chaminé. Porém, em 1913 como o sistema de tratamento de esgotos ainda não havia começado a funcionar, a população - revoltada con-
tra as altas taxas cobradas pelo serviço - destruiu o escritório da empresa. Apesar de ter sido tombado como Monumento Histórico do Amazonas em 1988, o local somente foi reformado em 1993 como Centro de Artes Chaminé para abrigar a Pinacoteca do Estado, com exposições temporárias. Em 14 de novembro de 2002, o prédio, já como Usina Chaminé, foi reaberto como parte das ações do Programa de Preservação da Natureza da Memória Cultural e Histórica do Amazonas e recebe vários eventos culturais até hoje.
A água do rio Negro toma conta da entrada do teatro
NATURA MUSICAL
O prazo para as inscrições no Edital Nacional 2012 Natura Musical, que incentiva projetos de cultura ligados à música brasileira, foi prorrogado até 15 de julho. Com isso, os interessados ganharam mais 50 dias para apresentar propostas, já que a data prevista para o encerramento finalizava no dia 25 de maio. A partir de um termo de cooperação firmado entre a Natura e o Ministério da Cultura em maio de 2012, foram ampliadas as oportunidades para proponentes inscreverem seus projetos no edital nacional do programa Natura Musical. Além da ampliação no prazo de inscrições, a partir de agora não há obrigatoriedade de inscrição ou aprovação prévia no Ministério da Cultura no momento da inscrição no edital nacional,
Prédio foi construído em 1910
Nacional 2012 passa a ser de R$ 3 milhões. Com essas mudanças, a Natura realizará duas etapas de seleção para o Edital Nacional 2012. Na primeira serão avaliados os projetos inscritos entre 24/4/2012 e 25/5/12 e que já possuam autorização para captação de recursos via Lei Rouanet ou Lei do Audiovisual publicada no Diário Oficial da União. O valor destinado aos projetos selecionados nesta primeira fase será de R$ 1 milhão, que serão divulgados em agosto de 2012. Na segunda, serão avaliados os projetos inscritos entre 24/4/12 e 15/7/12, que no momento da inscrição não possuam a aprovação prévia junto ao MinC para captação de recursos via Lei Rouanet para captação de recursos via Lei Rouanet.
D6
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
Programação de TV SBT
GLOBO
RECORD
05h00 – Aventura Selvagem – reprise
04h36 – Santa Missa em Seu Lar
05h30 – Desenhos Bíblicos
06h00 – Pesca Alternativa
05h36 – Sagrado: Compacto - Tradalimentos
07h20 – Record Kids – Pica-Pau
07h00 – A Grande Ideia
05h47 – Amazônia Rural
09h00 – Amazonas dá Sorte – Bingo
07h30 – VRUM
06h17 – Pequenas Empresas – Grandes
- local
Negócios
10h00 – Record Kids – Pica-pau
06h52 – Globo Rural
11h30 – Tudo é Possível – PGM 354
08h00 – Fórmula 1: GP de Mônaco
15h30 – Programa do Gugu – PGM
09h55 – Auto Esporte
143
10h13 – Esporte Espetacular
19h30 – Domingo Espetacular – PGM
10h00 – Domingo Legal
11h40 – As Aventuras de Didi
422
14h00 – Eliana
12h14 – Os Caras de Pau
18h00 – Vamos Brincar de Forca
13h02 – Temperatura Máxima. Filme: Os Sem
08h00 – PGM Manazinha – local 08h30 – Chaves 09h00 – Sorteio Amazonas dá Sorte (local)
18h40 – Sorteio da Telesena
Floresta
19h00 – Programa Sílvio Santos
15h00 – Futebol 2012: Campeonato Brasileiro
23h00 – De Frente com Gabi
– Coritiba x Botafogo
00h00 – Série: O Mentalista/ The Mentalist 01h00 – Série: O Alvo / Human Target 02h00 – Série: Agentes Secretos /
22h15 – Repórter Record 23h30 – Série: Casais Perfeitos (1ª Temporada – inédita) 00h00 – Programação IURD
REDE TV
17h00 – Domingão do Faustão 19h45 – Fantástico 22h05 – Programete UFC 22h19 – Reality UFC - Em Busca de Campões 23h08 – Domingo Maior. Filme: O Vôo da Fúria
Undercovers
00h54 – Sessão de Gala. Filme: Adoração
03h00 – Encerramento da Progra-
02h36 – Corujão I. Filme: Apostando a Vida
mação
04h20 – Festival de Desenhos
Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ
06h30 – Igreja Internacional da Graça – local 07h30 – Igreja Internacional da Graça – local 09h15 – Programa: Viva Amazônia – local 09h45 – Break Obrigatório 10h00 – Programa: Show de Ofertas da Cidade 11h00 – Igreja da Graça – local
12h00 – Programa: Fique Ligado – local 13h00 – Programa: Esporte Performance – local 14h00 – Programa: Semeando Bênçãos – local 14h30 – Programa: Amigos do Volante – local 15h00 – Sabores & Ideias – local 15h30 – Programa: Despertar – local 16h00 – TV Kids – local 16h30 – Break Obrigatório 16h45 – Ritmo Brasil 17h15 – O Encantador de Cães 18h10 – O Último Passageiro 19h45 – Mega Senha 21h00 – Sessão Especial 22h30 – Programa: Amazon Trip – local 23h00 – Dr. Hollywood 00h00 – É Notícia 01h00 – Bola na Rede – 2º Tempo 01h30 – Igreja Internacional da Graça – local
BAND 05h00 06h00 06h30 07h30 08h30 09h00 11h00
– – – – – – –
Igreja Mundial Sol Brilhante Santa Missa no Seu Lar Fé na Verdade Conexão Cargas Esporte Total Fala Malafaia
Cinema ESTREIA
11h30 – Fórmula Indy – ao vivo
10h30 – A Turma do Pererê
– 500 Milhas de Indianápolis/UEA
11h00 – ABZ do Ziraldo
14h30 – Futebol 2012 – Série A
11h30 – Anima TV Tromba Trem
– Coritiba x Botafogo
11h45 – Anima TV Carrapatos e
16h50 – Terceiro Tempo
Catapultas
19h00 – Um Tio da Pesada
12h00 – A Turma do Pererê
20h00 – Quem Fica em Pé?
13h00 – Dango Balango
21h00 – Pânico na TV 22h45 – Perdidos na Tribo – reapre-
13h30 – TV Piá
sentação
14h00 – Stadium
23h15 – Canal Livre
15h00 – Os Protetores do Planeta
00h45 – Show Business – reap.
16h00 – Ver TV
01h30 – L.O.L.
17h00 – De Lá Pra Cá
03h00 – Igreja Mundial
17h30 – Cara e Coroa
TV CULTURA 05h55 – Abertura da Estação/ Hino Nacional 06h00 – Via Legal 06h30 – Brasil Eleitor 07h00 – Palavras de Vida 08h00 – Santa Missa 09h00 – Viola, Minha Viola 09h15 – Curta Criança 09h30 – Nova Amazônia – local – reprise 10h00 – Escola Pra Cachorro 10h15 – Meu Amigãozão
18h00 – Papo de Mãe 19h00 – Conexão Roberto D’Ávila 20h00 – Esportvisão 21h30 – MPTV – Reprise – local 22h00 – Roda Viva Amazônia – local ao vivo 23h00 – Doc. Especial 00h00 – Hino Nacional / Encerramento da Emissora
Cruzadinhas REPRODUÇÃO
ÁRIES - 21/3 a 19/4 Grande atividade intelectual e boa capacidade para exprimir os pensamentos. Mas não fique só na teoria, use as boas ideias para melhorar sua própria vida, em todos os níveis. TOURO - 20/4 a 20/5 Surpresas, nem totalmente boas ou ruins, afetam os negócios e as finanças. É preciso adaptar-se a novas condições, que talvez venham até a liberar certos potenciais. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 O trabalho recebe o apoio do círculo de amigos e protetores. O cotidiano está em boa sintonia com os apoios trazidos pelos amigos. As relações de amizade são favorecidas. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Uma visão esclarecedora pode ajudá-lo a resolver o que estava empacado ou obscuro. O momento favorece pensar nos problemas com a mente aberta a outras opções. LEÃO - 23/7 a 22/8 Dia estimulante para os assuntos filosóficos e intelectuais. O convívio com pessoas de mesmos interesses é recomendado. As aspirações pessoais tornam-se mais claras. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Uma alteração nos procedimentos de trabalho pode facilitar as coisas e estimular uma melhor organização. Os apoios ao trabalho tendem a vir de modo surpreendente. LIBRA - 23/9 a 22/10 A troca de ideias e o bom entendimento são a chave para aprimorar os acordos, alianças e associações. Talvez mude algum ponto de vista para melhor receber seus parceiros. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Momento de doação e entrega bastante positiva. Um dia para trabalhar por causas que não sejam somente suas, mas que atendam a necessidades amplas. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As conversações e o convívio intelectual são tão estimulante que você se envolve com eles inteiramente. Desejos amorosos fortes, mas que tendem a ser racionalizados. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Momento para organizar a vida pessoal, assuntos domésticos e tarefas cotidianas. Boas ideias irão renovar esses assuntos. Coloque o intelecto para dar o tom principal. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 O convívio humano e amoroso está beneficiado. Dia estimulante para a criatividade intelectual e a comunicação artística. Acrescente afetividade em sua comunicação. PEIXES - 19/2 a 20/3 Os bens que possui passam a funcionar melhor em sua rotina doméstica e familiar. É tempo de colocar em funcionamento tudo o que você tem e possa ser útil.
Homens de Preto 3: USA. 10 anos. Yaz (Jemaine Clement) decide voltar no tempo para matar Kay (Tommy Lee Jones) e desencadeia uma série de acontecimentos que pode levar ao fim do mundo. Jay (Will Smith) precisa, então, ir atrás de Yaz para salvar seu companheiro e o destino da humanidade. Playarte 1 – 12h50, 15h, 17h10, 19h20 (3D/dub/diariamente), 21h30 (3D/leg/diariamente) e 23h55 (3D/leg/sexta e sábado); Playarte 5 - 14h15, 16h25, 18h35, 20h45 (leg/diariamente) e 22h55 (leg/sexta e sábado); Playarte 6 - 14h, 16h10, 18h20, 20h30 (dub/diariamente) e 22h40 (dub/sexta e sábado); Cinemark 1 – 12h50, 15h30, 18h, 20h30 (dub/ diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemark 4 - 17h10, 22h10 (3D/leg/diariamente), 12h, 14h30, 19h40 (3D/dub/diariamente); Cinemark 5 - 14h10, 16h40, 19h10, 21h40 (dub/diariamente); 11h30 (dub/
sábado e domingo); Cinemark 6 - 13h30, 16h, 18h30, 21h (3D/ dub/diariamente); 11h (3D/dub/ sábado e domingo); 23h30 (3D/ dub/sexta-feira e sábado); Cinemas Amazonas 4 - 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (dub/diariamente); Cinemas Amazonas 5 - 19h10, 21h30 (dub/diariamente). Flores do Oriente: CHI. 16 anos. Durante a segunda guerra entre China e Japão, em 1937, John Miller (Christian Bale) chega a uma igreja católica para providenciar o enterro de um padre. Uma vez lá, ele se depara com jovens estudantes de um convento e prostitutas de um bordel próximo do local. Solitário, acaba se tornando protetor dos dois grupos heterogêneos, constantemente em pânico devido ao consecutivos estupros e execuções promovidas pelos homens do exército japonês. Playarte 3 – 12h30, 15h20, 18h10, 21h (leg/diariamente) e 23h50.
CONTINUAÇÕES Plano de Fuga - 16 anos. Playarte 8 – 14h25, 16h25 (leg/ diariamente); Cinemark 3 – 15h, 20h (dub/diariamente). O Corvo - 14 anos. Playarte 10 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h15 (leg/diariamente) e 22h35 (leg/ sexta-feira e sábado); Cinemark 3 - 12h20, 17h20, 22h20 (dub/
diariamente). Battleship – 10 anos. Cinemas Amazonas 3 – 13h30 (dub/diariamente); Playarte 9 – 12h20, 15h (dub/diariamente), 17h40, 20h20 (leg/diariamente) e 23h (leg/sexta e sábado); Cinemark 2 – 13h10, 16h20, 19h20, 22h30 (dub/diariamente).
Os Vingadores – 12 anos: Cinemas Amazonas 5 – 16h20 (dub/diariamente); Cinemas Amazonas 6 – 15h, 18h, 21h (dub/diariamente); Playarte 4 – 13h30, 16h30, 19h30 (dub/diariamente); Playarte 7 – 14h40, 17h40, 20h40 (dub/diariamente) e 23h40 (dub/ sex e sáb); Playarte 8 – 18h25,
21h05 (leg/diariamente) e 23h45 (leg/sex e sáb); Cinemark 8 – 15h20, 18h20, 21h20. American Pie – O Reencontro – 16 anos: Playarte 2 – 14h10, 16h30, 18h50, 21h10 (leg/diariamente) e 23h30 (leg/sex e sáb). Paraísos Artificiais – 16 anos: Cinemark 8 – 12h (diariamente).
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012
D7
Fernando Coelho Jr. vai animar o setor chique da cidade no próximo dia 12, no Diamond. Trata-se do jantar dançante junino do Dia dos Namorados. Reserve seu passaporte para a folia sobrenomada pelos 99851422 e 8118-9717. As araras da loja Planeta das Fantasias transpiram looks que transpiram alegria da temporada junina. Victor de Miranda Pereira comemorou em família sua troca de idade. Já a irmã Virna de Miranda Pereira chegou das merecidas férias por Salvador. Agende: no dia 26 de agosto no Teatro Direcional tem espetáculo indispensável com Gustavo Mendes, a presidente Dilma do “Zorra Total”, às 19h. No próximo dia 8, Manaus conhecerá a turnê do novo CD e DVD da banda Charlie Brown Jr., Música Popular Caiçara, gravados ao vivo em Santos e Curitiba. O evento, que ocorrerá a partir das 23h, no Diamond, ainda terá como atração nacional o cantor Armandinho, considerado um dos principais nomes do reggae brasileiro. Os cooperados da Uni-
jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br
Nos próximos dias 18 e 19 das 18h às 22h a Arrumar realizará o 1° curso básico para cozinheiras, ministrado pela personal Chef Cintia Macedo. As vagas são limitadas. Garanta a inscrição da sua assessora do lar: 3302-2008.
GEC A/A EIR
::::: Simulação Parte das avenidas Darcy Vargas e Mário Ypiranga Monteiro, antiga Recife, serão interditadas hoje, às 10h, para realização de treinamento do Corpo de Bombeiros no Hotel Caesar Business Manaus. A atividade tem como objetivo simular a ação conjunta do Corpo de Bombeiros, Samur, polícias Federal, Civil e Militar, como parte dos preparativos para a Copa de 2014, atuando em um evento hipotético em um hotel de grande porte que represente o parque hoteleiro da cidade.
A Banda Fênulo abre neste domingo, a programação de shows do segundo dia da Virada Cultural, na Ponta Negra, a partir das 13h. Com um repertório 100% autoral, a banda de pop rock amazonense traz músicas como “Quarentena”, “Algo em Mim”, “Frágil Coração”, e todas do álbum “Longas horas... longos dias”. O bistrô Mon Plaisir está preparando um espaço especial onde os clientes poderão assistir ao por do sol, em frente ao rio Negro, e ainda degustar um charuto sem atrapalhar os não fumantes. O Clube do Charuto é uma das novidades previstas para o início de junho e atende a um dos pedidos mais solicitados pelos homens que frequentam o local.
PER
Jander Vieira
ICK
med Manaus usaram do bom senso e votaram em unanimidade pela aprovação do balanço da empresa em assembleia geral ordinária, no auditório do Hospital Parque das Laranjeiras. Uma decisão consciente e uma vitória do presidente Asdrúbal Melo e todo seu staff.
HER
Amanhã, a competente Grace Benayon estará trocando de idade. Vai ter festim só para family.
OM
::::: Sala de Espera
::::: Celebração Em noite de flûtes e muita diversão: a elegância discreta de Cláudia Bernardino
Amanhã é Dia do Hambúguer. E para festejar o dia da delícia que conquistou fãs em todas as partes do mundo a Eightys Burguer & Beer realiza uma promoção durante a semana de aniversário. Na compra de qualquer um dos hambúrgueres recheados o cliente ganha um The Smiths de brinde. Além disso, a hamburgueria, que passa por um processo de franquia, deverá ganhar mais espaço para oferecer mais conforto e qualidade para seus clientes.
::::: Intercâmbio no exterior Na festa de aniversário da transada loja Hug Me, de Flávia Lopes: o charme indispensável da queridinha Patrícia Amed
A Fundação Escola de Serviço Público Municipal irá lançar um novo projeto, voltado à qualificação do servidor municipal. Trata-se do Programa de Internacionalização da Capacitação na Prefeitura de Manaus. O objetivo é proporcionar ao servidor intercâmbio profissional no exterior, em áreas estratégicas da administração municipal. A titular do órgão, Ângela Bulbol de Lima, que está à frente da iniciativa, frisa que o programa é resultado de parceria entre a PMM e o governo federal.
Amanhã, a primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz participa da entrega de cartões “Amazonas Solidário” para as vítimas da cheia no município de Manacapuru. Ainda no município, Nejmi faz a entrega de um ônibus de 40 lugares, adaptado para cadeirantes para a entidade Apae-AM, beneficiada pelo Fundo de Promoção Social da qual é presidente
::::: Esperadíssimo A ala bovina que não dispensa uma boa agitação agendou para o próximo dia 15, no Planeta Talismã, a partir das 22h, a gravação do DVD do Pop da Selva, Arlindo Jr. durante o lançamento de seu CD. No repertório: as antológicas toadas imortalizadas que deixaram saudades na voz do vereador-secretário.
D8
Plateia
MANAUS, DOMINGO, 27 DE MAIO DE 2012