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Revista Alternativa L edição 03 ano 03/ 2016

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ALTERNATIVA L 1

Uma opção para a mulher Lés Correndo com

La Loba

PONTO G

E se não fosse assim ?

Rap Plus Size A renovacão no Hip hop

Etnia, Religião e Luta na história de Nair Jacinto


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ALTERNATIVA-L edição 02/ano 03

ALTERNATIVA-L 2016

Simone Almeida de Araújo

Email.: alternatival.revista@gmail.com @RevistaAlternativaL

Aleska Drychan B. Mendonça

Sheila Farias

CARA LEITORA , SE VOCÊ DISCORDA DAS OPINIÕES EXPRESSAS EM ALTERNATIVA L ESCREVA-NOS . ESTAMOS DISPOSTAS A PUBLICAR SUA OPINIÃO COM O MESMO TÍTULO COMO “SEGUNDA VISÃO”. ALTERNATIVA L RESERVA-SE O DIREITO DE RESUMIR OS TEXTOS E ESTES,SEM IDENTIFICAÇÃO (NOME E EMAIL)SERÃO DESCONSIDERADOS.

Costa

Colaboraram nesta edição: Roberto Souza

Isa Liberalino S.P

2016


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Carta à leitora Cara leitora Chegamos em mais uma edição e estamos muito felizes com os resultados da nossa revista. Nesta edição abordamos a luta, direta ou indireta, de mulheres que por uma ou outra razão não estão dentro dos padrões de beleza contemporâneos ditados pela mídia e pelo senso comum. Etnia, porte físico, religião, sexualidade, gordofobia são algumas das vertentes de um mesmo problema enfrentado por mulheres do mundo todo e em todas as idades. Uma dessas formas de opressão está presente na moda imposta para nossas “roupas de baixo” e a desconstrução destas peças transitando entre o masculino e feminino e empresas que ofertam uma gama de possibilidades No processo da criação de mais uma edição a Equipe Alternativa L percorreu novos desafios e caminhos em companhia destas mulheres fascinantes que amam mulheres.A reciprocidade de aprendizado e fortalecimento de amizades foram essenciais no processo.Ressaltamos Amizade ,pois ao longo de todas as edições ainda não nos ficou esclarecido o por quê de algumas mulheres(independente de seus contextos sociais,econômicos,étnicos e por aí vai)não serem unidas,pois todas amam mulheres.Mas isto é uma outra História,afinal todas as mulheres lésbicas ou não são plurais. Se você tem uma teoria bem particular escrevanos.Radicalismos à parte mais uma vez agradecemos a Todas e Todos que colaboraram para a presente edição.


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NOSSA CAPA

A equipe da Revista Alternativa L, participou de uma oficina de fotografia em estúdio, sob instruções da fotógrafa Isa Liberalino ( fanpage @Isa liberalino fotografia) e a nossa amiga Stefani Trindade (Fani) aceitou ser a nossa modelo e capa desta edição.

Agradecimento: Casa de Cultura São Mateus Foto: Equipe Alternativa L


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S

ou Stefani Trindade, mas gosto de ser

chamada de Fani, tenho 23 anos, sagitariana da gema, cursando o 6° semestre do curso de cinema. Amo cozinhar bolos e cupcakes, sou viciada em Açai e comida japonesa.. Séries pra mim é quase uma religião. Tenho que fazer maratonas, daquelas que só sai do quarto quando está morta de vontade de fazer xixi. Amo colecionar livros. Amo ler, claro, mas ter livros é uma paixão, tenho mais de 230 e não tenho a mínima vontade de parar. Além de estudar, cozinhar e assistir séries, eu sou produtora de um grupo de teatro chamado Total Desfoque e sou umas das criadoras do Coletivo Migas periféricas, que trabalha a questão da arte LGBT periférica, na periferia de São Mateus. Atualmente estou escrevendo um roteiro que retrata a solidão da mulher negra e a questão de HIV na mulher negra e periférica.

O Roteiro conta a história de Juliana, uma garçonete que se apaixona por Jazz quando uma banda feminina de Jazz começa a se apresentar no bar onde ela trabalha. Ela conhece o Jazz e a Mariana, uma das Saxofonistas. Elas viram amigas e começam a estudar música juntas. Juliana começa a passar por várias questões de reconhecimento da sua cor e sua sexualidade e entra em crise. Sendo salva por uma canção de Jazz.. Juliana se apaixona por Mariana, ela faz um teste de HIV e descobre que está doente. Ela larga tudo e some, faz igual ao elefante, que abandona a manada quando está prestes a morrer. O final ? se eu contar estragará a surpresa.


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Rap Plus Size Uma renovação dentro do hip hop. MUITO ALÉM de questionar sobre Racismo, discriminação, bullying ou violência etnica. As letras falam sobre violência psicologica às mulheres ,GORDOFOBIA , empoderamento e FEMINISMO para as mulheres periféricas. Conversamos com Issa Paz e Sara Donato e mais duas convidadas: Gabi Nyarai e Souto MC. Texto :Sheila Costa Fotos: Alessandra Zuniga ( canal “Diz ai Minas”


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Issa Paz e Sara Donato formam o Rap Pluz size, e lançaram um album com letras de cunho feminista e de empoderamento para mulheres gordas e periféricas. As meninas já possuem longa trajetória dentro do movimento hip hop , mas como dupla estão compondo e cantando a menos de um ano. A repercussão de suas letras tem geralmente dois tipos de divulgação e reconhecimento por parte do público. Geralmente as mulheres acompanham via web, curtem, comaprtilham divulgando para mais mulheres e os homens só passam a admirar e reconhecer como artistas que de fato são após conferir suas performances no palco. As letras ácidas e realistas tem conquistado a cada dia mais ouvintes que identificam-se com a temática.

Como o nome da dupla sugere a luta contra a gordofobia e padrões de beleza é uma constante nas letrras deste album. A música IMC abriu portas para participações em rodas de conversas e palestras em várias cidades paulistas.

“Falar sobre gordofobia tem sido muito importante para ajudar outras mulheres na luta contra padrões de beleza impostos pela

mídia e repetidos pela sociedade.”

Abordar o assunto no hip hop tornou-se falar do novo no meio, outro tipo de discussão não cantada antes das meninas do RPS. É sabido que o universo hip hop é permeado por machismo e lutar contra sua opressão é uma luta constante e árdua para as mulheres que “ousam” invadir este espaço que faz das suas falas um ato paradoxal com suas atitudes. E com as meninas não foi diferente. Desde as batalhas de rima na estação São Bento do metro, que dificilmente tinham meninas batalhando o RPS percebeu que as caracteristicas fisicas das meninas era ponto forte nas rimas dos homens , no intuito de ofendê-las e provocar a desistência de continuarem na batalha e mostrarem que


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As mulheres também “mandam bem na rima”. Tanto Sara como Issa não se reconheciam gordas na infancia ou adolescência e conhecem na pele as dores desta negação . “Foi doloroso desde a infância devido a cobrança para ser magra, a gordofobia sofrido dentro de casa foi destrutiva e quando somada à discriminação das ruas chega em um grau de não me reocnhecer como gorda e ser gorda era ofensa. Hoje eu sou gorda e nãome ofendo por isso” Issa Paz “...Por causa da sua música eu passei a me amar” Frase de uma fã

“Sempre soube nitidamente que era gorda . Em sonhos eu era magra e anos depois acabei me dando conta da gordofobia . Os meninos só ficamvam comigo escondido e depois desfilavam com meninas “padrão” . O feminismo me fez entender que eu sou muito além de um corpo Sara Donato Quando a gente canta e divide essas informações com mulheres que não conhecem os termos gordofobia, mas sofrem na pele suas consequências e elas percebem que não são doentes ou feias e por nossas músicas seus pares a tratam melhor, percebemos que o objetivo da arte foi atingido: Tocamos a alma de alguém”

Da esquerda para a direita: Issa Paz, Gabi Nyarai , Souto MC e Sara Donato . Agradecimento :Casa de Cultura São Mateus.


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air Aparecida Jacinto, nascida em 1963, negra, lésbica e candomblecista, tem mais três irmãs uma delas é sua Irma gêmea uma família de mulheres negras quando todas eram mais novas moravam com os pais, porem quando Nair estava com seis anos de idade seus pais se separaram, e sua mãe sozinha batalhou muito pra cuidar das suas filhas, passaram por muitas dificuldades e pré-conceito. Nair que sempre teve um espírito mais masculino ajudou muito sua mãe a cuidar de suas irmãs, pelo fato de passarem por necessidades todas começaram a trabalhar muito cedo, pois se não trabalhassem iriam morrer de fome, muitas das vezes Nair viu sua mãe deixando de comer pra que sobrasse comida pra ela e suas irmãs. O Trabalho Começou a trabalhar aos 14 anos, porém era muito complicado, pois naquela época sofria muito pré-conceito, trabalhou em uma empresa que o dono era Austríaco, o chefe dela na época chegou dizer que o dono queria que ela fosse demitida, somente pelo fato dela ser negra. Ele deixava-se influenciar pelo senso comum de todos os preconceitos relacionados com a cor de pele dela, como se negros não soubessem trabalhar, mais essa é só uma das historias de préconceito sofridos por Nair.


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A irmã A Irmã gêmea, Nadir, também sofreu por ser negra e ter um chefe intolerante. Há mais ou menos 20 anos Nadir trabalhava em um shopping de alto padrão em São Paulo, quando ficou grávida, teve sua licença maternidade, seu cargo era de confiança, quando ela voltou da licença, após três meses seu chefe virou diretor e ela foi mandada embora, de primeiro momento ela tinha achado que foi mandada embora por ter engravidado, somente depois dois meses veio a verdade, o sub gerente da loja disse que eles mandaram ela embora, não por ter ficado grávida e sim por ser negra, “onde já se viu um diretor com uma secretaria negra”. A principio todos queriam processar o tal “chefe”, mais naquela época tinha acabado de sair a lei contra discriminação racial, Lei n° 7.716 criada em 5 de janeiro de 1989 e havia muita burocracia para que se entrasse com esse tipo de processo, o sub gerente disse que não

poderia depor a favor dela, pois ainda trabalhava na empresa, então ficou por isso mesmo.

forças da natureza e ancestrais.

Religião

Como se não bastasse o pré-conceito por ser negra e candomblecista, Nair também sofria muito por ser lésbica. Sempre sofreu por ter a cabeça raspada e ser confundida muita vezes com um homem, ela relata também ter entrado no banheiro feminino público, e quando estava lavando a mão, dois seguranças entraram no banheiro dizendo que havia informações de que tinha um homem dentro do banheiro, ela toda constrangida disse que não havia nenhum homem no banheiro, secou a mão e saiu. Ela diz estar acostumada com esse tipo de constrangimento, até porque quando seus seios não estão à mostra, por vezes a confundem com um homem.

Aos 15 anos ela assumiu sua religião umbandista, conseguiu encontrar uma religião que se enquadrava no que ela procurava, sabia que era esse o caminho que seguiria, sempre gostou do som do atabaque, aquela emoção, aquele calor que vinha da terra . Pela umbanda conheceu o candomblé, e desde então o candomblé é sua religião, que hoje é sua maior paixão. E ela pede: “Quem não gosta da religião saiba pelo menos respeitar, pois a parte mais difícil do ser humano é o respeito, se as pessoas soubessem respeitar o próximo o mundo seria bem melhor, e não estaríamos enfrentando crise e nem guerras” O candomblé é uma religião trazida por africanos escravizados, é uma convivência com

Sexualidade


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O estranhamento tem diminuido ao longo dos anos, pois existem muitas mulheres com cabelo curto e a população já esta mais “familiarizada” com estilos diferentes do que é imposto pela sociedade. Nair assumiu sua identidade, porém não foi fácil, mas a maturidade trouxe as certezas sobre quem era e como permaneceria. Hoje com sua experiência consegue ajudar as pessoas, até pensou em abrir um consultório – Atende-se sapa, perereca e girinas, para assim poder ajudar meninas assim como ela, que não conseguiam se aceitar Por conta da depressão sempre tomou remédio e ainda toma. Antes de se descobrir as pessoas sempre comentavam sobre sua postura masculinizada, faziam chacota, até então ela não havia se descoberto, não gostando muito das pessoas comentando sobre como ela era ou como se portava, começou a namorar um rapaz aos 17 anos, seu namoro durou mais ou menos três anos, por fim não deu muito certo desde isso nunca mais se relacionou com outros homens, mas mesmo assim, não queria aceitar o fato de sentir atração e gostar de mulher, tudo aquilo era estranho pra ela, até porque a sociedade, não aceitava de forma alguma e a lei não amparava

“Hoje temos leis que nos amparam, pois o preconceito existe e não vai acabar . As pessoas não nos aceitam elas nos aturam” Nair diz que sua mãe sempre foi muito preconceituosa, tanto com a cor quanto com a homossexualidade, , quando Nair contou sobre sua identidade sexual, sua mãe não aceitou, pois o sonho dela era que as duas morassem sozinhas e que Nair cuidasse dela até ela morrer. Nair casou-se e logo em seguida sua mãe adoecera e fora morar com ela e sua esposa e acabou por falecer em abril de 2014.

“Hoje bato no peito e digo: Sou homossexual, candomblecista e isso não diz sobre meu caráter. Sou Negra, Lésbica e candomblecista Sou Nair Aparecida Jacinto. Texto: Aleska Drychan Foto: Arquivo pessoal


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VIDE

O VERSO

Em meados dos anos 20 Mademoiselle Coco Chanel, uma mulher à frente de seu tempo, quebrou padrões ao incluir peças consideradas tradicionalmente masculinas nos guardaroupas das mulheres,contribuindo assim para a liberdade de escolha da mulher em seu vestuário. Nossa transgressora Chanel costumava afirmar :”Não é a aparência é a essência”. Feminilidade não é um monobloco pronto e definitivo, pois cada mulher tem a sua definição. Feminilidade esta que sempre fora confundida com fragilidade porque tudo que se refere à mulher há séculos é considerado inferior, inaceitável. Mesmo em tempos de avanços contra o machismo ainda nos deparamos com a repressão social contra mulheres independente de sua orientação sexual que adotam um estilo, um comportamento, um acessório que seja julgado masculino. A liberdade da mulher está à solta seja na aparência ou em sua essência.

Mari Barbaroto, proprietária de uma empresa especializada em underwear voltada para as mulheres a Herstyle, nos fala sobre esta peça que um dia foi exclusivamente masculina, mas que há décadas foi adotada por mulheres que sequer conheciam o termo genderless (sem gênero).


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AL- Como surgiu a ideia inicial de produzir cuecas para mulheres? MB-A ideia surgiu durante uma viagem à Suécia, pois lá o uso desse tipo de "underwear" é fácil de encontrar. Então vimos que no Brasil existiria grande potencial e decidimos investir na ideia.

AL- Qual a essência da consumidora da sua empresa? MB- nossas consumidoras são mulheres independentes que gostam de modernidade e esportividade.

AL- Para qual perfil de consumidora a empresa baseou-se ? MB-A Herstyle não rotula suas clientes, focamos no público que gosta dos modelos mais esportivos. AL- Como é o processo de criação das peças? MB-O design vem de inspiração de marcas globais e modelos que atendam nosso perfil. Estamos sempre acompanhando as novidades.

AL-Vocês estão confortáveis com o mercado consumidor , e como é a relação de concorrência neste mercado? MB-Acho que nunca devemos ficar "confortáveis" com o mercado. A concorrência sempre irá existir, mas o que nos diferencia muito é a excelência no atendimento e uma comunicação direta com nosso público.

AL-No site vcs mencionam que " a Herstyle tem um design marcante e esportivo que transmite a alma da mulher moderna sem perder aa sensualidade." Bem sabemos que mulheres são plurais o que faz uma mulher perder a sensualidade? MB- O que quisemos dizer com essa afirmação é que mesmo uma mulher usando uma lingerie que, cobre todo o bumbum por exemplo, não deixa de ser sensual. Ser sensual é diferente de ser vulgar, e isso, com certeza nossas clientes não são (vulgares). Temos orgulho de nossas clientes.

A Herstyle, tem mais de 16.000 fãs no Facebook e está no mercado a pouco mais de um ano e meio . Ilustração: Ananda Feliciano Foto: Dorival Zucatto Modelo: Carol Chafauzer /herstylewear


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Correndo com

La Loba Alternativa L mergulhou no universo do desconstruir, do reinventar-se de ser mulher, no espetáculo La Loba, inspirado no conto homônimo do livro ” Mulheres que Correm com os Lobos” de Clarissa Pinkola e interpretado pelo grupo Raízes. Ser mulher é ser forte? Determinada? Frágil? Mãe? (in) decidida?

Texto e fotos:Simone Araujo Ilustração: Fabiana Reis


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O grupo Raízes, contemplado pelo Programa VAI-2016, e circulando por Sapopemba (Zona Leste da capital) trouxe a articulação entre a população e espaços culturais da região como: CEUS, Fábricas de Cultura, Casa de Cultura São Mateus, Instituto Pombas Urbanas e Espaço Pedro Costa. Formado em 2013, o grupo Raízes é formado por jovens que iniciaram seus estudos na profissionalização em dança na Fábrica de Cultura de Sapopemba.O grupo também foi de encontro ao público a exemplo de uma feira livre da região onde chegaram a ser hostilizados por alguns transeuntes que não ousaram em tentar entender a mensagem,mas por outro lado Raízes recebeu aplausos dos que absorveram a atmosfera que a arte pode proporcionar. Antes do espetáculo é distribuída uma enquete para entrega ao término. Uma maneira de o público contribuir para a conexão do feminino. “O que você faz para cuidar de si”, ”O que te conecta com o feminino” e “O que você entende por correr” são questões presentes. É uma verdadeira viagem à psique feminina e a presença de um integrante masculino não interfere o andamento da obra(deveria?).Ao final o público é convidado a participar de uma conversa sobre a mulher e suas transformações no espetáculo,a dança

contemporânea e todo o despertar do universo La Loba.. “Há pessoas que defendem a realização da dança contemporânea, e há espaços públicos na periferia para apresentações [...] há pouco incentivo o que resulta certo desconhecimento da população periférica sobre a dança contemporânea”. “É preciso entender que a dança contemporânea é muito mais do que a grande mídia apresenta” . Adriana Gerizani Diretora do Grupo Raízes

Referencias: La Huesera, a Mulher dos Ossos: La Trapera, a Trapeira: La Loba , a Mulher-lobo é objeto constante de estudos e conexões para TODAS e todos.


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Ponto G

E se não fosse assim? Estereótipo é o que nos limita a compreender as diferenças e entender tudo como simplicíssimo comportamento aceitável.

Texto: Roberto Souza


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Lembro sempre dos dias em que

estava

junto

conversando

sobre

com

A quem devemos agradar?

amigos

Creio que ninguém além de si

estereótipo

mesmo, afinal, lhes respondo com

(entendendo que o estereótipo é o

outro questionamento. Quem deve

que nos limita a compreender as

ser feliz, aqueles que buscam de fato

diferenças e entender tudo como

a felicidade ou aqueles que dizem o

simplicíssimo

que tem que ser feito para sermos

o

comportamento

aceitável) que lhes atraía, de fato nada

surpreende,

sempre

aquele

mesmo padrão, tem que ser másculo, alto, forte, cabelo liso e todo o resto que já se conhece.

felizes? Porque vestir assim ou não daquele jeito que lhe agrada? Porque usar o cabelo liso e não

o lindo Afro?

Desde então vejo sempre esta

Porque soltar as mãos em

cena se repetir o que o interior, o

público quando seria a demonstração

saber, o conhecimento, o carinho e a

de um simples gesto de aliança?

dedicação

que

alguém

pode

te

oferecer, em muitas das vezes pode

Quando os Porquê, porque, por

ser jogado fora, pelo fato de não

quê, e por que estiverem vindo em

atender o padrão.

sua direção apropria-se sempre da

Poderíamos criar uma série de

frase PORQUE EU AMO ASSIM! Venho neste pequeno trecho

questões que nos faria investigar e buscar os motivos de tal fato estar

deixar

algumas

presente em nosso dia a dia, mas,

quase

nunca

pretende aqui discorrer sem a sombra

conseguimos

de dúvida do tempo, oportunidades e

desconstruir.

pessoas que perdemos ao buscar o que seria o ideal para si e para todos.

inquietações

nos

(ou

nunca

responder

que )

ou


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A mulher selvagem carrega consigo os elementos para a cura. Ela ĂŠ tanto o veĂ­culo quanto o destino. Clarissa Pinkola


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