ESCREVENDO COM
Camaleões
abril \ 2018 ano 4 - ed.10
cara leitora, Se você discorda das opniões expressas nesta revista, escreva-nos. Estamos dispostas a publicar sua opnião com o mesmo título como “segunda visão”. Dispomos de um espaço especialmente para você leitor(a). Esta revista reserva-se no direito de resumir os textos e estes, sem identificação (nome e email) serão desconsiderados.
créditos
Participação Especial Luiz Fernando Uchoa Fernanda Reis
Realização Equipe Alternativa L
Notas da redação
Foto de Capa Simone Almeida
A revista Alternativa-L - Escrevendo com
Modelo de Capa Ana Nery e Guilherme Fernandes Apoio téc. e foto de contra capa Larissa Rocha da Silva Revisão de textos Luana Farias Costa Design Gráfico Ananda Feliciano facebook RevistaAlternativaL Instagram @AlternativaL
camaleões em 2018/2019 apresentará uma roupagem abrangente dentro da sigla LGBTIQ+ e atenderá 50% de suas matérias para o público L e os outros 50% distribuidos entre as outras letras(camaleões). Escrevendo com camaleões tem patrocínio da politica pública Fomento à Cultura da Periferia 2ª edição. Ensejamos continuar atendendo nossas leitoras em território nacional, conquistar novas leitoras/leitores e nossas amigas em Boston, Miami e Japão.
sumário 04
Editorial
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L, o musical
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espaço das leitoras geracaos
atemporal
19 21
será que sao as contradições que regem nossa sociedade ?
só trago realidades
INSPIRAÇÃO CUBANA
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SOBRE O FOTÓGRAFO JOSÉ ALBERTO FIGUEROA
e d i to ri a l
Alternativas
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Após passagem de aprendizado no programa VAI (2014 e 2015) e VAI II (2016) o Projeto Revista Alternativa L, contemplado no Fomento à Cultura da Periferia (Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo) desembarca em 2018 com Alternativa-L Escrevendo com Camaleões. Uma continuidade do projeto em revista física, onde toda a vivacidade de cores das letras da diversidade além L foram incluídas, aliás, convidadas a escrever conosco. Também abordaremos fora de nossas páginas e com participação do público, textos de teóricas e teóricos dos estudos de gêneros em rodas conversa, ciclo de palestras exibição de filmes. O debate se faz urgente em nossa contemporaneidade que insiste na into lerância com os grupos populacionais LGBTIQA+ desencadeando violências físicas e psicológicas, o que contribui para evasão escolar e transtornos mentais. Felizmente nossa liberdade de ser também reside em representatividades, oportunidades de empregos, do inconformismo pessoal, a criação de coletivos ligados às causas LGBTTIQA+, enfatizando que setores privados e políticas públicas são tão relevantes para a visibilidade quanto para qualquer pessoa que deseja ver além.
Boa Leitura Equipe Alternativa L
Será que são as c o n t r a d i ç õ e s
que regem nossa
sociedade
?
por Luiz Fernando Uchoa
Q
uestões como a financialização do prazer, dos sentimentos, a segregação/marginalização, que faz com que os ditos corpos dissidentes sejam arrastados para a solidão compulsória, a hierarquização dos saberes, a deturpação das filosofias em prol de interesses escusos, a maniqueização das histórias, a usurpação dos direitos, as punições em demasia com o único objetivo de regulamentar corporalidades, sexualidades e expressões de gênero, tudo isso permeou-me durante estes últimos tempos e transbordou-se em textos e discursos, em eventos de militância, em minha efervescência pelas cidades. Após um destes eventos, estava eu em um lanche com amigas queridíssimas e os diálogos fluíram por diversos campos, mas um deles me chamou a atenção: Thalia* disse que, ao sermos desafiados por
alguém com ideias opostas às nossas, a tendência é nos sentirmos atraídos por este alguém, por mais estranho que isso possa soar. “Aquele ser machista, misógino e conservador ousou me enfrentar e aquilo, por mais que me fizesse odiá-lo, me fez sentir um tesão imenso por ele. Queria senti-lo em mim em todos os sentidos”. Fiquei um tanto confuso: ver uma mulher empoderada, tomada pela ideia de dominar aquele homem e, ao mesmo tempo, vivenciar o oposto em uma relação sexual e talvez sentimental. A vivência dessa amiga é algo que me fez entender uma série de dualidades existentes nas relações. Por mais libertária que seja uma mulher nessa sociedade cisheteronormativa, se por acaso for casada com um homem cisgênero que tenha uma mentalidade tingida de algumas nuances conservadoras e essa mulher confessar sentir
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desejo por outras mulheres, as chances de ela o fazer sem ter de passar por qualquer tipo de objetificação ou necessidade de se definir dentro de uma das caixas das orientações sexuais, são tão pequenas que nenhuma acadêmica, militante, quer, por mais que tenha conquistado a quebra de algumas barreiras de gênero no âmbito individual, consegue se ver totalmente livre delas, afinal essas barreiras são essencialmente estruturais e afetam todes os integrantes da sociedade.
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feminino, logo, o seu posto de mulher cis é fragilizado diante das normas.
Ela reafirmou o seu gênero e vive essa reafirmação por acreditar em diversos tipos de mulheridades existentes, pelo fato de entender que ser mulher nem sempre está ligado a vestimentas e a determinados comportamentos, mas sim ao pertencimento ao gênero. Como se não bastasse essa montanha de sensações e indagações, combinei uma saída para um bar no Itaim com a Em meio a essa efervescên- minha ex-noiva, numa tentativa de cia, conversando com outra amiga no tê-la em minha vida como amiga e facebook, percebi seu estranhamento companheira de saídas. diante de uma mensagem recebida a respeito de um evento no qual fizemos Lá bebemos, cantamos, dançamos, uma palestra na semana anterior; a conversamos longamente sobre mensagem era uma pergunta: “Como certas escolhas feitas em nossas assim você reivindica ser mulher cis, vidas, sobre o futuro e o presente. se não segue todos os aspectos da cis- Repentinamente, me interessei por generidade?”, ela prontamente con- um rapaz. Houve um certo descontestou, alegando que a cisgêneridade forto por parte dela não havia espeseria um posicionamento sociopo- rança de um possível retorno, mas lítico passível de críticas por simples- ela ainda não conseguia me ver como mente não representar um padrão homossexual. Fomos para a minha adequado a todas as pessoas e ter sido casa, dormimos na mesma cama e foi criado por homens cisheteronormati- como se estivesse ao lado de minha vos e, por esta razão, nunca se sentirá mãe ou irmã. Pensei em como senti pertencente a ele por ser uma mulher tesão por ela algum dia. cis bissexual e totalmente não Acordamos, almoçamos com condizente com os padrões con- minha mãe, assistimos um pouco siderados corretos para o gênero de TV e fomos ao ponto de ônibus,
onde nos separamos. Segui rumo a uma festa, `Rebuceteio`, na prainha no Arouche. Chegando lá percebi o quanto fracassamos por ainda insistirmos na existência de guetos. O tic tac dos relógios insistia em denunciar a instantaneidade das relações. O ambiente dito alternativo prioriza cada vez mais um estilo de corpo, de poder de compra e de assuntos muito distantes daqueles propagados em ambientes de militância e ativismo, e eu, seduzido pela ideia de inclusão e liberdade, só vi uma bolha de ilusão pós-capitalista, permeada por mentira e exclusão. As bebidas, petiscos, cigarros e souvenirs ganham contornos gourmetizados com a dita desculpa de manutenção do espaço de festa. O consumo de uma taça de vinho `Cantinho do Vale` e uma salada com duas fatias de tomate, três folhas de alface e um filé de frango pequeno me renderam 30 reais a menos na conta. A trilha sonora era vibrante em alguns momentos e insossa em outros. A música é outro estimulo existente em caráter de gueto para a livre manifestação de corporeidades e afetividades daqueles que possuem recurso financeiro e/ou de acesso para ocuparem aquele espaço. A hostilidade mascarada de
diversas formas mostrava aos olhos sensíveis o seguinte panorama: As travestis em sua maioria não estavam, as mulheres transexuais também não, os homens trans nem eram perceptíveis como sujeitos, lesbianeidade e homossexualidade gourmetizadas, discurso universitário/central/hypster, inacessível para aqueles que não possuem algum poder aquisitivo e/ou discurso empoderado, leia-se coletivo independente, partido político, movimento estudantil ou outros dessa vertente. A demarcação das noções de feminilidade e masculinidade “dissidentes” tão opressoras quanto as cisheteronormativas e provocam dores em todos, de um extremo a outro do espectro de gênero: desde a mulher cis hetero, lésbica, bissexual, transexual, travesti, ao homem cis e trans, por delimitarem e aprisionarem o pensamento do outro acerca do que deve ser enca rado como correto em relação a ser mulher/homem. Isto acarreta sofrimento e, consequentemente, a criação de guetos ofertando falsa sensação de segurança. Se por um lado a afirmação “sou mulher e gosto de mulheres de todas as aparências (expressão de gênero,
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idade e etnia) e que tenham todos os tipos e formatos de VAGINAS” é empoderadora por afirmar ao gênero cis feminino a possibilidade de amar em uma sociedade machista e misógina, por outro lado violenta e oprime mulheres transexuais e travestis por segregá-las do espaço afetivo-sexual, caso sejam lésbicas, bissexuais ou pansexuais, pois essa fala carrega o discurso de que genitálias são o elemento central de determinação de gênero. No caso dos homens trans, construir sua masculinidade habitando um corpo tido como feminino é viver uma luta diária de reafirmação de gênero no ambiente LGBT, no ambiente cis-hetero conservador e até no dito ambiente hypster. Imagine perceber desejar outros homens em um panorama tão hostil a sua hombridade, resolver assumir esse desejo e seu desabafo não possuir valor, sua imagem não possuir nenhum atrativo ou só servir de consolo para alguém carente ou de fetiche para outro que pensa que o seu corpo é um mero receptáculo. Ser essa dissidência política corpórea acarreta cicatrizes psicológicas e físicas profundas. O excesso de padronizações sufoca a tal ponto que muitas vezes o melhor a fazer é: *Nome fictício.
Sublimar e transformar toda a opressão e dor em qualquer tipo de arte.
L
O Musical
Foto: Acervo Alternativa L
Por Sheila Costa e Aleska Drychan 11 A equipe da Alternativa-L foi conferir “L o Musical” no CCBB-SP e nos emocionamos do inicio ao fim do espetáculo. Impossível não cantar ou não se identificar com as personagens. A trama nos transporta para dentro do universo lésbico de forma quase didática e extremamente delicada, sem clichês heteronormativos e recheado de amores e agruras da vida de qualquer lésbica. O musical aborda temas tensos como estupro corretivo, traição, liberdade sexual e elucida expressões próprias da “sapataria”:” Chá de Buceta” e “Rebuceteio”. O humor é dosado em todo o espetáculo amenizando os termos sem perder sua complexidade e importância da luta contra as violências sofridas pelas mulheres independente de sua sexualidade. A platéia tem seus momentos de glória e participa de forma ativa em algumas cenas, trazendo a naturalidade devida ao enredo.
A nossa repórter Aleska Drychan, participou de um bate papo descontraído com parte do elenco (Tainá Baldez e Luiza Guimarães) quase um “chá”. As atrizes nos contaram momentos prazerosos ao longo do processo de criação e apresentação do espetáculo. No começo da pesquisa a ligação entre elas (Elisa, Ellen, Gabriela Correa, Luiza Guimarães, Tainá Baldez e Renata Celidonio) foi tão intensa que a natureza sintonizou seus ciclos menstruais. A sororidade aconteceu naturalmente, mesmo cada uma delas sendo de um signo diferente. (risos) O musical já passou pelo Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Minas Gerais, a cada fase da construção ou das apresentações a convivência entre elas tornava-se mais intensa e os laços femininos mais abrangentes. Indagadas sobre a importância de L o Musical para a visibilidade lésbica a emoção tomou conta da fala de Tainá Baldez e ela exaltou a alegria de poder interpretar uma personagem livre de estereótipos e que se permite experimentar a sua sexualidade com toda a liberdade intrínseca a todos os seres humanos. 12
“A emoção de cada espetáculo e o carinho da platéia tão diversa proporciona um enriquecimento à minha carreira”. As apresentações foram marcadas por momentos de muita emoção: pedidos de namoro, casamento e homenagem para a namorada que acabara de ser aprovada na OAB. L o musical trouxe uma liberdade um sentimento de fazer parte de algo maior que representa toda uma sexualidade excluída mesmo dentro da sigla LGBTT. Ao longo da temporada diversos grupos de movimentos lésbicos, bissexuais e que abordam as transexualidades procuraram
o elenco para um bate papo e entender as maneiras de construção dos personagens. A partir da pesquisa e abordagem para constituição do elenco o musical trouxe consigo um desafio de interpretar personagens deste universo com tantos recortes de gênero e especificidades, o resultado é simplesmente encantador. Questionadas se receberam alguma crítica por terem homens na equipe, salientaram que foram apontadas algumas observações e comentários nas “entrelinhas” - “Curioso mulheres falarem sobre o universo lésbico e serem dirigidas por homens”. Outro ponto questionado, mesmo que sutilmente, foi o fato de atrizes não lésbicas na sua maioria e não trans interpretarem tais personagens, as indagações foram sanadas ao passo que o elenco interagia/interage com esse público. Frases ditas por algumas atrizes do elenco
“Ser lésbica é realmente um ato político” – Tainá Baldez “A lesbiandade é para além do sexo” - Luiza Guimarães
“Algumas meninas fazem abordagens sutis, mas algumas são mais atiradas”
“É envolvente ver as mulheres empoderadas, decididas e declarando-se para outra mulher”
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Espaço das leitoras
Ge r a Cao s por Fernanda reis
Eu, você, seus amigos, meus amigos, todo mundo: fazemos parte dessa geração que está em pleno caos afetivo. Não sei como chegamos a esse ponto mas sim, conseguimos. A geração que complicou o simples e não sabe amar, e por consequência se relacionar. É gente namorando mas não está 14 feliz, é gente curtindo a solteirice por fora e a bad por dentro, é mulher que diz ser apaixonada e fazendo merda a ponto de perder a tal pessoa, é homem dizendo que não se importa mas fazendo inferno a vida da ex que só quer seguir em frente. Tá tudo confuso, complexo e bagunçado. E quer saber o grande culpado?
Vocês.
Querem racionalizar sentimentos, criar jogos de conquista e sedução no que deveria ser apenas emoção. É básico, emoção a gente sente e deixa se levar, flui e é natural. Não é premeditado, não é arquitetado nem combinado. TEM QUE SER NATURAL! Desculpa se soar rude mas E DAÍ que você sofreu antes? E daí que vacilaram contigo, te machucaram ou até marcaram? Não se torne aquilo que te feriu, não se deixa a janela fechada só porque a esqueceu aberta e ao chover molhou tudo lá dentro. Amanhã tem sol, tem um céu azul foda e a noite vem um céu estrelado pra você se perder nessa imensidão, da até pra namorar a lua. Vai perder tudo isso só porque um dia choveu? Nós devemos aprender com os erros e não ser uma consequência torta do que nos aconteceu. A propósito, não importa o que quer que te aconteça na vida mas sim o que você vai fazer em relação a isso. Qual sua postura? Qual sua atitude? Quem é você quando tudo dá errado deve ser quem você é
quando tudo dá certo, isso se chama essência. Ninguém pode te mudar, ninguém. Só você! Como as pessoas vão te afetar, é você quem escolhe como vai deixar... se vai deixar. Demonstra o que sente, porra. Não deixa pra amanhã ou depois, enfrente seus medos e fantasmas e traumas. Permita-se experenciar, não tenha compromisso com o erro afinal faz parte, errar e acertar. Você só sabe, se tentar. Se arriscar. Se relacionar é troca, se voce fica esperando a outra pessoa dar o primeiro passo, dizer o que sente ou tomar uma atitude... você não toma as rédeas da própria vida e vira espectadora da própria história. Sei lá como a nossa geração transformou tudo nesse mar de ressaca que dá até medo de entrar, mas se conseguimos complicar é nossa obrigação encontrar um meio de simplificar. Esse texto é um primeiro passo, me dê a mão e quem sabe a gente não possa chegar longe, junto.”
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A.TEM.PO.RAL
(A+TEMPORAL) 1. é um adjetivo usado para qualificar algo ou alguém que não é afetado pelo passar do tempo, ou seja, que faz parte de qualquer época ou tempo.
A possibilidade de viajar no tempo sempre me fascinou, mas ultimamente esse fascínio diminuiu e muito.
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Em minhas leituras diárias, o jornal de ontem parecia o Correio da manhã do Rio de janeiro em 1962: o povo contra o povo, o povo contra o governo, a mídia dividida, a massa separatista e a polarização política com direito a referencias de tradicionais lanches e salgados das padarias paulistanas. Uma miscelânea de opiniões sobre possibilidades de reformas sociais, políticas, dentre elas o plebiscito para parlamentarismo; assunto que em breve será tratado neste país, de novo. Os movimentos sociais continuam com as mesmas causas, renovando apenas os bordões. “não nos calarão”, “não passarão”... Silenciam-nos, transgridem e ignoram nossos corpos e orientações todos os dias.
Todo líder que “ouse” ir contra o sistema governamental foi, é ou será punido de diversas formas, exclusão social ou partidária, difamação com as massas, ou quando esses recursos falharem são silenciados definitivamente com a morte. Não posso acusar, mas posso criar a possibilidade de causa o assassinato de Marielle e a difamação de atos atribuídos a ela como uma das formas de menosprezar a importância de sua militância no Rio de Janeiro e justificar a sua morte como algo bom para todos, felizmente essa tentativa deu errado e grupos sociais e parte da mídia uniram-se para desmascarar as farsas. As dinâmicas dos poderes são complexas e simples ao mesmo tempo. As formas mais antigas de desarticular o povo são usadas a todo o momento: criam-se grupos rivais e inflamam suas iras e a mídia impressa,
a mídia televisiva, a política e agora as redes sociais ajudam com a polarização e disseminação das intrigas e dos ódios; vivemos de novo a era do ódio ao outro. A ordem dos fatos é simples: abandono, instituição do caos dificultando ou impossibilitando o uso de equipamentos públicos, apresentação de solução. Com o caos dos serviços estabelecido e a população cansada do descaso, qualquer solução dada por órgãos administrativos será bem recebida, pois acabará com os problemas gerados pelo próprio Estado, mesmo que esta solução vise excluir a grande massa de usar os espaços públicos, sejam eles parques, sistema de saúde ou educação, e estes dois últimos já estão bem sucateados há muito tempo.
Até quando a
ciclicidade
da História nos perseguirá
?
Até quando não vamos aprender de fato o bordão aprendido na escola. A professora pergunta para que estudamos História e nós prontamente respondemos: “para apren-
der com erros do passado”, mas não aprendemos; repetimos os erros a todo momento e queremos consertá-los da mesma forma do passado, forma essa que deu errado e a todo momento viajamos no tempo, mas não como nos filmes vivenciando aventuras épicas, mas resolvendo velhos problemas com velhas fórmulas errôneas. Não tenho a pretensão de saber a solução para este enigma e talvez também minhas tentativas e erros sejam tão velhos quanto da maioria, mas meu coração inquieto busca novas fórmulas mágicas de transgredir e ver um mundo melhor, nem que seja usando este veículo de circulação entre a minoria LGBTIQ+ produzido na periferia da zona leste de São Paulo.
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Só Trago realidades
Cientistas pioneiras como Bertha Lutz (biologia), Neusa Amato (física), Marie Curie (química /física), Hipátia de Alexandria (matemática/astronomia) e, também Seu Leonardo (arte renascentista), ficariam fascinados com nossos portais tecnológicos na palma da mão e eles, estariam bombando nas redes sociais. Toda energia, talento e
tempo seriam dedicados nos softwares sempre atualizados em suas áreas, mas, ficariam decepcionados com certos indivíduos que utilizam dessas tecnologias avançadas desperdiçando seu precioso tempo, e talvez, um talento que jamais será despertado em prol da humanidade. Pessoas embrutecidas na miniatura de suas realidades utilizam as redes para disseminar, divulgar seus vômitos em toda uma categoria de ódio e violências contra quem discorda de suas ideias. Quem não se encaixa no seu perfil econômico/
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social ? Quem não simpatiza com seu partido político ou partido C ou D? Quem é LGBTTIQ+....? Não somos caixas dentro de caixas, e para um bom entendedor nosso momento requer união e não exclusão. Pessoas violentas são incapazes de lidar com as diferenças e rejeições. O objetivo do violento é despedaçar, anular a mente e, por vezes, literalmente, o corpo do outro. Segundo um estudo realizado pelo Grupo Gay da Bahia apontou que houve crescimento de 30% nos casos de morte relacionada à homo20 fobia em 2017, somando-se 445 mortes. Os casos de cyberbullying dispararam pelo país, principalmente, entre jovens de 11 a 17 anos, bem como a polarização política no país. Minha observação nas redes e nas ruas demonstra que a polarização também é um ingrediente altamente explosivo na prática de crimes virtuais...E reais. Em alguns casos para identificação de agressores virtuais
temos o IP (Internet Protocol) identificação única do computador conectado na rede e o auxílio de Leis de Crimes Cibernéticos. Somos compostos por elementos químicos presentes na massa de todos os organismos vivos há milhões de anos, por exemplo: Potássio, Iodo e o famoso Carbono. Temos a liberdade para direcionar toda essa energia aliada em novas tecnologias para resgatar valores do humanismo que parecem estar ameaçados de extinção como: solidariedade, cooperação e empatia. Neste momento em diversas partes do mundo há pessoas em suas realidades expandidas que escolheram investir seu tempo e talentos na melhoria da sociedade, com auxílio das tecnologias constantemente atualizadas.
A mente é eh poderosa. Liberte-a.
inspiração cubana Em fevereiro de 2018 a produção da revista Alternativa L ,ainda na fase de ideias transbordando precisava de ajustes, ou seja, descartar devaneios para absorver ideias viáveis. Tínhamos textos, entrevista, concepção de páginas, estúdio fotográfico nos aguardando, mas com ausência DA IMAGEM, aquela imagem para nossa capa. Visitei a Caixa Cultural /SP onde mergulhei na exposição do fotógrafo cubano José Alberto Figueroa. Sua fotografia entitulada Chuni and Angelito (Havana 1970), descortinou toda dúvida em relação à nossa capa. Eis que nasceu uma releitura de Chuni and Angelito: Cliquei Ana Nery estilo anos 70, Guilherme Fernandes anos 20, e Aleska Drychan com seus sapatos atemporais. Eternizar um encontro de amigos, eis uma das magias da fotografia. 21
Foto: José A. Figueroa
Refeleitura: Simone Almeida de Araújo
sobre o fotógrafo Conhecido por fotografias que
ilustram as questões sociais e políticas de Cuba que a mídia não mostra. È considerado o percursor da fotografia conceitual. Além de fotos casuais de parentes e pessoas que tinham permissão de deixar Cuba. Conheça algumas de suas obras
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José Alberto
Figueroa
Equipe Alternativa-L roberto Souza, aleska Drychan, Simone almeida, Guilherme Fernandes e Sheila Costa.
PaTroCÍnio
rEaliZaÇÃo