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Akadémicos 93

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estilo de vida

Descobrir o mundo em quatro rodas págs. 4 e 5

Afonso Cruz Escritor

93 É muito difícil viver da escrita, porque somos um país pequeno

págs. 6 e 7

/ @viajeconnosco

Suplemento integrante da edição nº 4395 de 10 de junho de 2021 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.


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Voltamos no próximo ano letivo. Boas férias.

A abrir para promover uma jornada introspetiva sobre a vida, a morte e a repetição monótona da rotina. Os bilhetes podem ser adquiridos no website do Teatro José Lúcio da Silva ou na bilheteira física por 12,50 euros. 19 de junho, Caldas da Rainha

Não perkas Texto Ana Pinto, Débora Pacheco, Inês Quintas e Marina Fonseca

“Zeca” de Pedro Jóia O sétimo disco de Pedro Jóia, editado no final de maio de 2020, é dedicado a José Afonso (1929-1987), fonte de inspiração para o artista desde os seus 16 anos. O novo trabalho “Zeca” conta com a participação de José Salgueiro na percussão e é apresentado no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, às 21h00. O bilhete tem o valor de 10 euros.

13 de junho, Teatro Miguel Franco

“Cores” – Teatro de Marionetas

18 de junho, Porto de Mós

“A culpa é da mãe” – Teatro

O espetáculo “Cores” conta a história de uma marioneta que se senta só no seu baloiço quando, de repente, inicia uma aventura colorida. A peça, animada num jogo de formas e luz negra, começa às 11h00 e tem bilhetes à venda por 5 euros, no website do Teatro José Lúcio da Silva e na bilheteira.

“A culpa é da mãe” é uma peça de teatro que sobe ao palco a 18 de junho, às 21h00, no Cineteatro de Porto de Mós. Escrito por Ana Carolina Ribeiro e encenado por Fábio Sílex, o espetáculo é organizado pela ALA D’ARTISTAS (Associação Cultural e Artística) e o bilhete tem o custo de 2,5 euros.

17 a 30 de junho, Figueiró dos Vinhos

19 de junho, Peniche

“15 - Três anos depois” – Exposição “15 - Três Anos Depois” é uma exposição que decorre de 17 a 30 de junho na Biblioteca Municipal de Figueiró dos Vinhos. Através de fotografias, depoimentos e paisagens sonoras, a mostra lança um olhar sobre os três anos após os grandes incêndios de outubro de 2017.

Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt

Apoio à Edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt

Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt

Marta Oliveira marta.s.oliveira@ipleiria.pt

Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt

Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt

Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt

Maquetização Leonel Brites

Jornadas Europeias de Arqueologia

18 de junho, Teatro José Lúcio da Silva

"Autópsia" – Dança “Autópsia’’ é um espetáculo que comemora 25 anos da Companhia de Dança Olga Roriz. No dia 18 de junho, às 19h30, o palco do Teatro José Lúcio da Silva ganha vida com coreografias únicas que se unem

Redação e colaboradores Ana Pinto, Ana Rita Garcia, Ana Santos, Ângela Pereira, Anícia Carvalho, Beatriz Sousa, Beatriz Vieira, Carlos Santo, Carolina Domingos, Catarina Nogueira, Daniel Santos, Débora Pacheco, Denys Yaremko, Inês Fonseca, Inês Quintas, Juan Cardenas, Júlia Chang, Laura Gordillo, Luís Ferreira, Luis Trujillo, Margarida Policarpo, Margarida Teodósio, Mariana Bento, Mariana Gabriel, Mariana Santos, Mariana Sebastião, Mariana Vieira, Marina Fonseca, Marta Gonçalves,

Nathalia Posada, Pedro Fernandes, Randeson Lima, Samuel Silva, Sofia Relva, Tânia Santos, Tiago Ribeiro, Valentina Guedes

Presidente do Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt

As Jornadas Europeias de Arqueologia (JEA) são um evento organizado por cerca de 47 países europeus, incluindo Portugal. Este ano passam por Peniche, a 19 de junho, entre entre as 10h00 e as 18h00. As entidades ligadas à arqueologia mobilizam-se para dar a conhecer ao público os tesouros do património arqueológico e os bastidores da disciplina. Arqueólogos, investigadores, institutos, universidades, museus e autoridades locais são incentivados a organizar atividades inovadoras, originais e interativas para o público em geral.

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do Politécnico de Leiria e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Diretor da ESECS Pedro Morouço dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt


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Politécnico de Leiria promove Desafios Dourados Texto Beatriz Sousa, Laura Gordillo e Marta Gonçalves

A iniciativa Desafios Dourados, organizada pelo Politécnico de Leiria, decorreu nos meses de abril e maio, com o objetivo de angariar fundos para a Associação ACREDITAR – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. Susana Mendes, professora na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) desafiou os Serviços de Ação Social do Politécnico de Leiria para organizarem e promoverem a participação da comunidade académica no evento Desafios Dourados, composto por duas iniciativas: o Quiz Dourado e os Quilómetros Dourados. A 29 de abril, a comunidade académica foi convidada a participar num quiz online, via Zoom, composto por “80 perguntas de cultura geral, em que o valor do donativo reverteu na íntegra para a associação ACREDITAR”, segundo Cândida Bairrada, coordenadora técnica do setor do Desporto do Politécnico de Leiria que organizou e promoveu os

está –a– dar

Desafios Dourados. Esse valor do donativo foi angariado através das inscrições. Aquando da inscrição, as pessoas tiveram de doar 2 a 5 euros, a reverter para a associação. Por sua vez, os Quilómetros Dourados realizaram-se entre os dias 3 e 14 de maio e tiveram como objetivo incentivar a comunidade académica a adotar um estilo de vida ativo e a percorrer “quilómetros: a andar, a correr, a nadar ou de bicicleta, em casa ou na rua, sozinho, com a família ou amigos”, como explica Cândida Bairrada. Nesta prova, estiveram presentes a corrida, a caminhada, a bicicleta ao ar livre e a bicicleta virtual (bicicleta normal fixada num suporte, a partir da qual é possível pedalar sem sair de casa através de realidade virtual). No total, os participantes percorreram cerca de 870 quilómetros. O vencedor dos Quilómetros, Guilherme Henriques, percorreu aproximadamente 600km. Estes eventos contaram com a participação de funcionários, professores e alunos do Politécnico de Leiria. Os vencedores do Quiz Dourado foram Luís Coelho (1º lugar), Romain Gillain (2º lugar) e Ana Duarte (3º lugar), enquanto no desafio dos Quilómetros Dourados estiveram em destaque Guilherme Henriques (1º lugar), Lino Ferreira (2º lugar) e Susana Mendes (em 3º lugar). Estes participantes receberam um certificado da Associação Acreditar e vários brindes surpresa do Politécnico de Leiria. A organização faz um balanço positivo do evento e, segundo indicação de Cândida Bairrada, o futuro deverá trazer iniciativas semelhantes. k

Maio Criativo regressa à ESECS Texto Anícia Carvalho, Denys Yaremko e Samuel Silva

A terceira edição do projeto “Maio Criativo” concretizou-se na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria entre os dias 3 e 31 de maio. O programa, organizado pelos estudantes e Comissão Científica do mestrado em Intervenção e Animação Artísticas (MIAA) da ESECS, voltou, após um ano de interrupção, abrindo um espaço de formação e de experiências práticas de intervenção com base em linguagens artísticas. A iniciativa promoveu experiências diferenciadoras que levam à reflexão sobre a importância das linguagens artísticas para os espaços de intervenção educativa, social e cultural. Procurou também promover a partilha de conhecimento teórico e prático sobre animação artística e divulgar trabalhos de expressão plástica realizados por estudantes da ESECS com formação na área das artes nos seus planos de estudos. “Numa lógica de pressão plástica, dança criativa, fotografia, expresstudents teach students [estudantes ensinam estu- sões integradas, abordagem à obra de arte, aulas dantes], pusemos os nossos estudantes de 1º ano abertas online e exposições. do MIAA em experiências de partilha de conheDo conjunto de produções do evento “Maio Criaticimento e de práticas artísticas”, explica Lúcia vo” permanecerá em exibição, até dia 17 de julho, na Magueta, docente do Departamento de Motrici- Biblioteca da ESECS, a exposição “Upcycled Art”. A dade Humana e Linguagens Artísticas. “Também mostra representa um exercício de reutilização criaestiveram envolvidas as turmas de 2º e de 3º anos tiva de materiais, cuja perspetiva de transformação de Educação Básica, que dinamizaram diferentes pretende formar os participantes em relação à susateliês”, acrescenta a docente, além de terem sido tentabilidade. “Tratou-se de uma experiência formaincluídos trabalhos de alunos do Agrupamento de tiva que espero que tenha impacto nas práticas dos Escolas Marinha Grande Nascente. futuros educadores e professores, pelo trabalho de A programação estendeu-se até ao fim de maio e sensibilização que podem fazer junto das novas geincluiu ateliês de música, circo contemporâneo, ex- rações”, refere Lúcia Magueta. k

10 junho 2021

Nuno André Ferreira O mundo aos olhos de uma máquina fotográfica

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Natural de Leiria, mas atualmente a residir em Viseu, Nuno André Ferreira, fotojornalista de 41 anos, conquistou um prémio na categoria de Texto fotojornalismo, na edição de 2021 Ângela Pereira, do concurso World Press Photo. Margarida Teodósio, Com um percurso académico Mariana Sebastião que começou em Leiria e se estendeu até à licenciatura no Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra, o fotojornalismo pareceu-lhe uma escolha natural: “Sempre gostei de fotografia, não me via a escrever nem a falar para um microfone de rádio, nem mesmo à frente de uma câmara de televisão“. Foi na UC de Fotojornalismo que vincou a sua certeza. Três semanas após terminar o curso, começou a colaborar com outros fotógrafos de Leiria, trabalhando, depois, no gabinete de imprensa da Câmara Municipal da cidade. Volvido um ano, aceitou uma proposta do Grupo Cofina. Com uma carreira de 16 anos em fotojornalismo, recebeu em 2010 o prémio da associação cultural Estação Imagem, na categoria ambiente, com imagens de incêndio. Em 2013 e 2018 foi igualmente distinguido pela mesma associação. Em 2014 foi agraciado pelas Agências do Mediterrâneo e em 2019 recebeu o prémio Internacional de Jornalismo do Rei de Espanha. Embora refira que “todos os prémios têm a sua importância”, o fotojornalista garante, porém, que o primeiro prémio, em 2010, foi “o mais importante”. A fotografia que agora lhe garante o prémio do World Press Photo, captada em setembro de 2020, mostra um bebé dentro de um carro, iluminado, à distância, por um incêndio de grandes proporções na zona de Oliveira de Frades. Depois de se ter candidatado em outras tantas edições, garante, agora, sentir-se realizado. Nuno André Ferreira admite, no entanto, que era algo esperado, uma vez que “o concurso tem vários processos em que é percetível perceber quem está ou não perto da final”. Nuno enfrenta todos os ambientes como um desafio, sempre com profissionalismo: “Não tenho cenários que goste mais ou menos, encaro cada cenário como um trabalho e tento ser o mais profissional possível”. Quanto aos trabalhos de eleição, é nos projetos de fotodocumentário que sente mais liberdade e realização pessoal. O fotojornalista leiriense tem como referência os colegas de trabalho e assegura que Portugal tem excelentes fotógrafos. Apesar do reconhecimento do seu trabalho e das distinções, garante que não são o foco da sua vida. Para o futuro ambiciona, apenas, continuar a desenvolver trabalhos de excelência. k


4 turismo

Viajar pelo mundo sempre em ‘casa’

KAPA Em busca de novas aventuras, são muitos os que começam a praticar o autocaravanismo. A liberdade, a autonomia e o espírito de aventura são os principais motivos que levam as pessoas a optar por esta forma de turismo. Texto Luís Ferreira, Margarida Policarpo e Nathalia Posada

paixonados pela procura do desconhecido, os antigos escuteiros da Marinha Grande Rúben Gomes (mais conhecido como Ruka) e Carolina Barroca (mais conhecida como Carol) de 32 e 30 anos, criaram o projeto Vanilla Connosco, com o objetivo de partilhar as suas experiências e dar a conhecer novos lugares ao seu público. A família Neves arriscou tudo para viver a aventura das suas vidas: Tânia, de 29 anos, e Fernando, de 32, habitantes de Sintra, decidiram viajar durante dois anos pela Ásia. Através da página de Instagram @ viajeconnosco, começaram a partilhar as suas viagens com amigos e familiares. Já Cremilde Zuzarte, 73 anos, oriunda de uma pequena aldeia alto-alentejana e a viver em Lisboa, viaja com a sua família há cerca de 25 anos. De acordo com o Turismo de Portugal, a prática do autocaravanismo tem aumentado. As vantagens indicadas são muitas. As vans e as autocaravanas, por serem veículos autossuficientes, permitem um turismo itinerante. Muitas, já equipadas com comodidades essenciais, como casa de banho e cozinha, proporcionam conforto durante as viagens e ajudam a reduzir gastos com a estadia, por exemplo. Outra vantagem é a oportunidade de conhecer lugares não turísticos, durante o trajeto, o que não seria possível numa viagem de avião. A viagem não se resume apenas ao destino final, “tudo é uma experiência, não é só o sítio para onde tu vais. Mas é todo o caminho que tu fazes para lá chegar”, explica Carol. Cremilde Zuzarte é da mesma opinião: “viajar de autocaravana proporciona-nos novas experiências” e permite “explorar e descobrir locais que de outra forma não seria viável”.

Em contexto pandémico, as autocaravanas também têm sido uma solução positiva para quem quer viajar com segurança. “Com a pandemia temos mais privacidade e estamos mais seguros”, explica Fernando Neves, que salienta ainda a compatibilidade da caravana com o teletrabalho: “a autocaravana é muito boa para quem trabalha online, porque podes ao mesmo tempo estar a trabalhar e a viajar. Ali é a tua casa, tens a tua comodidade”. Evitar os meses de verão Quando se fala na melhor altura para viajar as respostas são unânimes. Os viajantes têm preferência pela atividade “fora da época alta”, como refere a família Neves. “Nos meses de julho e agosto, há sempre muito movimento nos centros turísticos o que representa uma dificuldade acrescida para a prática do autocaravanismo”, menciona também Cremilde Zuzarte, elegendo “os meses de abril, maio, junho, setembro e outubro” como os melhores para viajar. Os elementos da Vanilla, mencionam a preferência de viajar na Primavera e no Outono, onde há um equilíbrio entre o frio e o calor. Apesar disso, os Vanilla não deixam de mencionar a “maravilha” de viajar no verão: “porque podes usufruir das praias e está bom tempo, podes fazer outro tipo de coisas”. Reconhecem, no entanto, que nessa época “o país está completamente sobrecarregado e lotado”, e brincam, indicando que o ideal “seria no verão, mas sem pessoas”. Excluídos de alguns espaços Mas não são só maravilhas. Os viajantes referem que as dificuldades que encontram durante as suas viagens são a escassez de áreas de serviço de autocaravanas (conhecidas pelo acrónimo, ASA), o aumento das placas de proibição de circulação e estacionamento de autocaravanas, principalmente depois de ter entrado em vigor o novo Decreto-Lei n.º 102-B/2020, que proíbe a pernoita e aparcamento em todos os locais

“Viajar de autocaravana proporciona-nos novas experiências (…) explorar e descobrir locais que de outra forma não seria viável” Cremilde Zuzarte Viajante

que não sejam expressamente designados para autocaravanas, o que faz com que a viagem tenha de ser muito mais planeada e não possa ter “a liberdade que tinha no passado”, como refere Ruka. A nova lei, que entrou em vigor no final de 2020, suscitou nos autocaravanistas com gosto pela mobilidade alguma indignação. Sentem-se excluídos de muitos espaços e empurrados para áreas de serviço de autocaravanas, parques exclusivos para autocaravanas e parques de campismo. Com a nova legislação surgiu uma disparidade de direitos entre os automobilistas, alega um dos elementos do @vanillaconnosco: “Uma pessoa num automóvel ou num camião, por exemplo, pode dormir no carro, desde que esteja devidamente estacionado. Se estou numa autocaravana, que é exatamente um veículo como outro qualquer, mas que tem todas as condições para dormir, que tem uma casa de banho e tudo, não posso. Não tenho a culpa de o meu ter mais condições”. Ainda assim, consideram que deveriam existir regras para que não ocorram abusos, como acontecia antigamente. “É muito contraditório, porque a verdade é que houve muitos abusos para sair esta lei. As pessoas abusaram, abriram toldos e estacionaram em reservas naturais. Por isso chegamos a este ponto. Se tivesse havido mais respeito, acho que não tínhamos chegado a este ponto”, refere Tânia Neves, uma das responsáveis pela criação do @viajeconnosco.


5 ba por facilitar a prática da reciclagem. “Nós, por exemplo, sempre fizemos reciclagem na autocaravana”, explica Fernando. Para quem está interessado em adquirir uma caravana ou uma campervan, a sugestão dada por todos os viajantes é experimentar, alugar por alguns dias, perceber qual é o tipo de autocaravana de que necessitam para se aventurarem à descoberta de novos lugares. No entanto, alertam para o que é ser caravanista, que implica todo um modo de vida, de respeito pelas pessoas e pela própria natureza. Carol revela que o contacto com a natureza os fez ser mais conscientes: “tivemos mais consciência da quantidade de lixo que produzimos, e vamos mudando a nossa forma de viver em determinadas situações”. k

“Tudo é uma experiência, não é só o sítio para onde tu vais. Mas é todo o caminho que tu fazes para lá chegar” Carolina Barroca Viajante

/ @vanillaconnosco

Ecologia e sustentabilidade Tanto nas autocaravanas, como nas vans, o sentimento é de como se estivessem em casa, mas com algumas limitações, e isso faz com que as pessoas adotem um estilo de vida mais consciente. Algumas vans, como é o caso da Vanilla, possuem um depósito com capacidade para 100 litros de água, o que eventualmente chega ao fim. O consumo de bens essenciais como água e energia tem de ser feitos de forma racional, pois, como sustenta Fernando Neves, “a questão da água é muito importante, e nós que já damos atenção a isso em casa, na autocaravana é por necessidade mesmo, uma vez que até chegar a uma ASA de reabastecimento, pode ser um longo caminho”. O autocaravanismo incentiva as pessoas a terem um estilo de vida mais sustentável e minimalista, como explica Tânia: “faz-nos perceber que não precisamos de metade das coisas que achamos que precisamos”. Nestes veículos, por conta do espaço limitado, as pessoas acabam por ser obrigadas a viver com menos e dar valor ao que realmente importa. “Decidimos abdicar disso tudo para viver uma vida muito mais simples, onde gastamos menos e a nossa pegada ecológica é muito menor, onde estamos mais conectados com a natureza”, refere também Carol. A nível de sustentabilidade, as autocaravanas já estão preparadas para armazenar lixo, o que aca-

10 junho 2021

kultos Texto

Luis Mateo, Tiago Ribeiro e Pedro Fernandes

O dilema das redes sociais A verdade sobre o sistema Especialistas em tecnologia e profissionais da área exploram o mundo das redes sociais, alertando para o impacto devastador que podem ter para a Humanidade. O resultado da investigação feita em 2020 é O dilema das redes sociais, documentário da Netflix que conta com Skyler Gisondo, Kara Hayward e Vincent Karthesier no elenco. Com a crescente presença das redes sociais nas nossas vidas, tornaram-se tão necessárias que não podemos viver sem elas. Será que são meras ferramentas? Como é que os seus criadores geram dinheiro para continuar a prosperar nesse mercado? O documentário da Netflix descreve estratégias para manter os utilizadores “presos” à rede, à medida que os anunciantes ganham dinheiro através da publicidade. “Se não pagas por um serviço, é porque és o produto”, reforçam vários especialistas. Quando aceita os termos e condições sobre qualquer serviço online, a maioria das pessoas não presta muita atenção ao que está a autorizar. Muitos termos e condições estão destinados a armazenar informações pessoais, como acontece no Facebook, Instagram ou Twitter. Saber tudo sobre as nossas vidas, onde vivemos, os nossos amigos próximos ou o que estudamos torna-se relevante para as marcas que querem promover e vender os seus produtos. O papel das redes sociais é direcionar a publicidade aos públicos-alvo certos através de algoritmos e, assim, construir o feed de cada utilizador e potencial consumidor. O aumento de utilizadores é constante e preocupante e, com a pandemia, agravou-se o nível de dependência das tecnologias, ao ponto de comprometer a privacidade de cada um. O documentário confirma que os jovens são mais propensos a apresentar uma adição às redes sociais, o que cria ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Os utilizadores refugiam-se num mundo imaginário que não existe além dos ecrãs, procurando adaptar-se aos perfis dos seus influencers favoritos, e criando uma geração moralmente insegura. São ainda abordadas as consequências sociais e políticas das redes, como os populismos e os fenómenos de fragmentação social. O dilema das redes sociais deixa-nos intrigados e desafia-nos para fazer um consumo mais consciente da tecnologia, num título imperdível para os amantes da verdade dos factos. k


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Se houver investimento na cultura, as pessoas terão criatividade SENTADO suficiente para NO MOCHO arranjarem soluções Afonso Cruz Escritor ou “Os livros que devoraram o meu pai”. São livros especificamente dedicados à literatura.

Nascido na Figueira da Foz, Afonso Cruz é um multifacetado do mundo artístico. Da realização à ilustração, da escrita à música, já fez de tudo. Com mais de 30 títulos publicados, acaba de lançar “O vício dos livros”, onde aborda uma das suas temáticas prediletas: a leitura.

Quanto tempo durou esse processo de criação? Foi fruto do confinamento? Não. Eu relato inúmeros episódios que aconteceram ao longo da minha vida, alguns que têm que ver com a minha infância, outros têm que ver com a minha juventude e outros mais recentes. Foram escritos há relativamente pouco tempo, se calhar há dois ou três anos, talvez um pouco mais. O tempo deste livro está condensado. Foi escrito a determinada altura, mas ele não se refere a um tempo ou a algo que possa ter acontecido recentemente.

Como descreveria o seu processo criativo? Por onde é que começa um livro? Depende dos livros, depende do formato, depende das ideias, mas normalmente vou anotando as ideias que vou tendo. Para um escritor, pelo menos no que me diz respeito, é muito importante ir apontando as ideias, quase como os sonhos. Se nós não os anotarmos, uma hora depois de acordarmos já nos esquecemos deles. As ideias são um pouco assim, mesmo que não sejam Texto Carolina Domingos, Mariana Santos e Tânia Santos grande coisa, mesmo que a determinada altura nos pareçam frágeis, sem interesse, por vezes num outro contexto ou combinadas com outras ideias. Pode ser Como começou o seu percurso? Sempre fui aluno de artes e essa sempre foi essa a mi- que façam alguma coisa especial. nha área de formação. A determinada altura comecei a trabalhar com cinema de animação e durante cerca Em média quantos livros lê num ano? Tem noção? de dez anos foi a minha profissão. Fazia ilustrações es- Não tenho noção. Não contabilizo, mas sei que gasto poradicamente. Em 2007, 2008, comecei a escrever e a muito dinheiro. Compro livros todos os meses. Até ilustrar com regularidade. Passei a ter outras áreas de posso dizer que é provavelmente onde gasto mais diinteresse. Transferi a minha dedicação profissional nheiro. É raro haver uma semana em que não venham para a ilustração e a escrita, e, por isso, foram acon- cá entregar um livro. Vivo isolado e por isso compro tecendo uma série de coisas que mudaram bastante livros em muitas bibliotecas online. a minha vida. Como é que decide o que vai ler a seguir? Acabou de lançar “O vício dos livros”. Como é que Isso tem muito que ver com o próprio livro. É como se eles tivessem uma espécie de vontade própria. Quansurge a ideia de escrever um livro sobre livros? Muitas vezes falo do tema. Evidentemente que para do leio determinado tipo de livro, se gostar muito (o um leitor e especificamente no meu caso que sou que pode ter a ver com a sua forma, com o seu formaum escritor, os livros são uma parte fundamental da to estético, com a técnica literária, ou até mesmo com minha vida. E, por isso mesmo, são eles próprios um o tema), compro e leio mais. E é também por isso que tema. Acabo por falar muitas vezes de livros, mesmo eu tenho muitos livros que não leio, porque a determinos livros que não são sobre livros. No caso de novelas nada altura acabei um livro de determinado autor e ou romances, muitas vezes abordo o tema de outras quero ler mais desse autor e acabo por comprar mais maneiras. Acabo por ter personagens que são edito- três livros. Dantes sentia alguma culpa em relação a res, leitores ou até escritores. Os próprios temas des- isso, porque gastava dinheiro e achava que não fazia sas ficções giram em torno da literatura ou do livro sentido, depois não os lia. Hoje em dia já não penso como, por exemplo, em “Vamos comprar um poeta” assim, penso que um dia posso voltar a esses livros.

Na obra, tem um capítulo sobre a forma como as pessoas organizam as suas bibliotecas. Como é que é a sua biblioteca? Organiza por ordem alfabética? Separa os que adora dos que gosta menos? É isso mesmo, é por adoração, tem que ver com amizades. Portanto, os livros de que eu mais gosto são os que estão mais próximos de mim. São livros recorrentes, a que preciso de voltar muitas vezes para consultas, para me inspirar ou outra coisa qualquer. São livros que estão normalmente próximos. Se há um livro que é muito importante para mim, mas eu não recorro a esse livro, então pode ficar um pouco mais afastado e vão ficando mais afastados conforme a minha relação com eles se vai desvanecendo. Da mesma forma que tem uma relação com os livros, cria também uma relação com os autores? Sim, claro que sim. Na realidade, tenho uma relação bastante mais forte com o que o autor escreve do que propriamente com um livro isolado. “Gosto muito deste livro, mas o resto dos livros do autor não me dizem nada”: é muito raro acontecer, até porque quando acontece significa que esse autor teve um golpe de sorte, escreveu um livro bom e nunca mais conseguiu repetir a mesma proeza e, portanto, há ali alguma coisa de errado. Eu sinto que tenho uma afinidade muito maior com a obra no seu conjunto do que com um livro em particular. Quando gosto muito de um escritor, costumo comprar tudo o que ele escreveu e, se gostar realmente do escritor, também gosto de ler a biografia, de saber um pouco sobre a sua vida. Gosto muito de ler, precisamente quando é um autor com o qual me identifico e essa identificação muitas vezes transcende a própria literatura. É também a técnica literária do escritor, mas é um pouco mais do que isso, é o seu modo de pensar, a sua maneira de estar na vida, o seu comportamento social, político. Há uma série de fatores que têm de se conjugar para que ele seja um dos meus escritores favoritos. E quais são os seus autores preferidos? Tenho muitos e variam ao longo dos anos. Quando tinha 12 anos tinha alguns preferidos que hoje já não são, outros mantiveram-se. Um deles é o Dostoiévski. É autor de um dos primeiros livros que li que não era para crianças e manteve-se um escritor que ainda hoje é um dos meus favoritos, mas há muitos outros que foram entrando na minha vida de outras maneiras ou mais recentemente, como por exemplo, o caso do Kurt Vonnegut, um escritor conotado com a ficção científica. Fui lendo livros dele e fui gostando cada vez mais da sua abordagem, da maneira como como escreve, como pensa, gosto muito dos seus textos políticos, da maneira como ele olhava para a guerra, não só na ficção, mas também através da sua experiência de vida, porque foi soldado na Segunda Guerra Mundial. Gosto muito do Rilke, que é um poeta, e também gosto muito do Manoel de Barros. Poderia passar aqui muito tempo a falar disto, pois ainda tenho outros como o Saint-Exupéry, o Thomas Mann, a Simone Weil… Há muitos escritores que são muito importantes para mim. Qual o cenário ideal para ler? É curioso, mas eu acho que a literatura só tem a ganhar com maus cenários, desde que sejam silenciosos. Se o cenário é demasiado bonito, eu distraio-me e começa a competir com o livro. Portanto, se calhar um lugar que seja calmo e recatado, perfeito, mas mais vale que não seja maravilhosamente cativante, porque, aí, estou sempre a levantar a cabeça do livro para olhar em volta.


7 Diz-se que agora os jovens não leem ou pelo menos leem menos. Qual é a sua perceção? Eu acho que não devem acreditar nisso. Todas as gerações são sempre criticadas por tudo e mais alguma coisa. ‘No meu tempo era igualzinho’, ‘as pessoas hoje já não têm palavras’, ‘as pessoas hoje não têm honra’, ‘não têm compromissos’, ‘as pessoas hoje em dia não leem, não pensam, não tem massa crítica, distraem-se muito mais do que antigamente’ e por aí fora. O meu pai nasceu nos anos 40, e nos anos 40 em Portugal 50% das pessoas eram analfabetas. Os jovens liam? Não os jovens estavam todos a trabalhar nos campos, ou quase todos, que era o que a maior parte da população fazia. O meu avô, por exemplo, começou a trabalhar aos 12 anos. Portugal mudou muito desde esse tempo até hoje. Agora com um clique mando o livro vir até a minha casa e, portanto, as facilidades são muito maiores. Há também o plano nacional de leitura que não existia, há muito mais bibliotecas, e as bibliotecas também mudaram muito. Quando era miúdo, ia às bibliotecas e não podíamos mexer nos livros, os livros não estavam acessíveis. E, portanto, nada desse discurso faz sentido. Não é que haja muito mais leitores do que havia, porque há que distinguir as pessoas que leem e as pessoas que leem com muita frequência, que são os leitores assíduos. Esse número é uma proporção que não aumenta muito, é verdade, mas não tem nada que ver com estas gerações, porque em nenhuma geração houve tantos leitores assíduos. Esta geração lê muito mais do que a anterior, até porque é obrigada a isso mesmo, na escola.

Não posso dizer que algum deles me tenha feito vender muito ou tornar-me um best-seller, até porque eu acho que a maior parte dos leitores não é muito sensível aos prémios. Muitas vezes são os próprios autores que fazem os prémios. Não são todos os casos, mas se ganha alguém que ninguém conhece, é muito pouco noticiado, se for alguém que é muito conhecido, fala-se muito do prémio. É mais o escritor que dá importância ao prémio e não o prémio ao escritor.

10 junho 2021

zes, enquanto jurado de alguns prémios, é que há muita gente que lê muito pouco, conhece mal a literatura, julga que está a fazer alguma coisa original, e não está, nem em termos de estilo, nem em termos de ideia, nem em termos formais da própria história ou estrutura narrativa. Para ser bom, seja em que género for, o que interessa é conhecer o seu meio. Saber o que já foi escrito, o que os seus pares escrevem, quais foram as inovações, a própria estrutura, se tem vindo a ser alterada ao longo dos anos, os temas, como se define uma história, e por aí fora. Por isso, precisamos da leitura. E é graças a ela que vamos adquirindo técnicas, comportamentos e informação. A leitura permite-nos ir acumulando uma série de elementos literários, a todos os níveis, seja de arquitetura, de uma intriga ou seja pelo próprio formato, o modo como um escritor escreve, como usa os adjetivos, ou como os evita.

Prefere prosa ou poesia? Depende. Sou um leitor de ambos os géneros. Gosto muito de ler romances, contos ou poesia. Eu ia dizer que são muito diferentes, mas muitas vezes tocam-se. Há muita prosa que é bastante poética e há muita poesia que é bastante narrativa. Mas a minha preferência tem normalmente mais a ver com aquilo que preciso em determinadas alturas. Há momentos em que procuro esta beleza depurada, que muitas vezes encontra- A música, a ilustração, a realização também fazem mos num poema e outras vezes preciso de um diálogo parte do seu currículo. Tem alguma área de eleição? que me permite mergulhar no enredo e ir vivendo per- De eleição não. São expressões diferentes. Às vezes gossonagens ao longo dos dias. Portanto, é outro tipo de tamos de visitar uma cidade, às vezes gostamos de esmaravilhamento. Os dois funcionam muito bem. Não tar no meio da natureza. Há muitas maneiras de viver uma viagem e as expressões artísticas são um pouco consigo dizer que gosto mais disto ou mais daquilo. assim. Gosto muito de visitar um museu, mas também gosto muito de ir a um bar com os amigos e as duas coiÉ fácil sobreviver da escrita em Portugal? Não. É muito difícil viver da escrita, porque somos um sas coexistem, não há propriamente uma hierarquia. país pequeno. Eu vendo muito pouco e o insuficiente para viver disso. Evidentemente que também há Qual é o papel da cultura em tempos de pandemia? vantagens no país pequeno, em que a confrontação é É importantíssima. Em todas as crises. Se houver em menor. Portanto, eu consigo chegar ao topo, se calhar, determinados lugares ou determinados países invesOs livros estão sempre muito presentes na sua obra, com mais facilidade. Depois também terá que ver com timento na cultura, as pessoas terão criatividade sucomo referiu. Qual é para si o poder dos livros? a própria política do país, como é que ele olha para a ficiente para arranjarem soluções para os problemas Não é uma resposta fácil. Não por ser difícil arranjar cultura, o que é investido. Não é por acaso que a maior com que se vão deparando. Se não tiverem acesso à uma justificação para a importância do livro, porque há parte dos países com mais dinheiro e com mais rique- cultura, não têm inovação. É necessário que exista muitas, há demasiadas, na realidade. Se pensarmos, é za, são precisamente aqueles onde o índice de leitura criatividade e essa criatividade é exercitada, maioritaum dos suportes mais antigos de que temos memória. é maior. O acesso às artes e o investimento cultural é riamente, pelo acesso às artes. Se a população não tem Jorge Luís Borges, um escritor argentino, dizia que nós muito maior do que nos países mais pobres. Normal- capacidade para se inventar, para superar determinatemos acrescentos para tudo, temos as bengalas para ca- mente, num país mais pobre, as pessoas têm um em- dos problemas, para imaginar como é que pode soluminhar, sapatos para caminhar, óculos para ajudar os prego e se gostarem muito de escrever podem escrever cioná-los, jamais sairá da crise. O que acontece com olhos... A única que existia no tempo de Jorge Luís Bor- nos tempos livres. Não me dedico a cem por cento à uma crise é que de repente deixa de haver dinheiro ges para ampliar a memória era a escrita. Era a única escrita, portanto, dificilmente posso competir com um para uma série de coisas e corta-se na cultura, porque maneira que tínhamos de ampliar a memória. Quando escritor que se dedica a cem por cento. Quanto mais há outras prioridades. Obviamente que determinadas estou a ler, estou também a colocar aqueles pensamen- pobre é uma sociedade, ou quanto menos dinheiro ti- necessidades são muito mais urgentes do que outras tos de alguém que viveu há milhares de anos dentro da ver, menos eu posso arriscar. Parar de trabalhar para e, portanto, cortam-se naquelas que sentimos serem minha própria cabeça. Portanto, há aqui um manancial me dedicar a escrever um romance pode correr mal. menos urgentes, e a cultura normalmente é uma demágico que tem que ver com o tempo em que eu estou las. Nunca houve um investimento continuado na a dialogar com pessoas que já morreram há muito Que conselhos daria a um jovem escritor? cultura quando há dinheiro. Se houvesse esse esforço, tempo. Esta é uma vantagem clara em relação a outras O único conselho possível, creio eu, é ler. A leitura é a quando chegássemos à crise, ela afetaria menos, porsociedades que não têm livros e em que a transmissão é matéria-prima do escritor. O que eu sinto muitas ve- que seríamos capazes de controlar. k oral. Aí, quando morre uma pessoa, morre uma biblioteca, porque todo o conhecimento desaparece com a pessoa. Quando temos livros, o conhecimento daquela pessoa pode ficar da outra pessoa também. De repente, o que temos acessível é o conhecimento de milhões de pessoas. Isso é uma vantagem tremenda. Um livro A gravidade e a graça, Simone Weil O que representam para si os prémios? Representam várias coisas. Quando comecei a escrever, Um filme recebi alguns prémios e foram importantes, não para Noite na Terra, de Jim Jarmusch as vendas, mas importantes para que o livro tivesse outra perceção por parte dos media e isso obviamente inUma cidade teressa. Há muitos prémios que têm uma recompensa La Paz – Bolívia em dinheiro associada e para os que vendem pouco isso é importante, porque pode compor o seu orçamenUma obra de arte to. Além disso, é também uma boa vaidade, porque os Qualquer quadro de Hieronymus Bosch prémios são dados por outros escritores, críticos, literários, que, em princípio, serão pessoas com grande Uma música conhecimento naquilo que estão a julgar. No meu caso La Llorona em específico, alguns mudaram um pouco a minha vida, foram importantes e deram algumas guinadas.

Kurtas


8 EXPOSIÇÃO “UM OLHAR CÁ DENTRO” A exposição “Um Olhar Cá Dentro” Texto Laura Melícias, Neuza Santos encontra-se aberta e Sofia Morgado ao público até 14 de junho, na Cooperativa de Comunicação e Cultura, em Torres Vedras. O projeto partiu Texto da troca de conheAna Rita García, cimentos entre Inês Fonseca e estudantes de mesMarina Fonseca trado em Gestão Cultural, da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, e os cidadãos de Torres Vedras. A partir de um workshop e do meio fotográfico, os habitantes foram desafiados a mostrar a sua perspetiva sobre o património e o ambiente de cada uma das 13 freguesias do concelho. A entrada é livre.

Últimas

A DIGITALIZAÇÃO DO MUNDO E OS NOVOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL A Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra promove um congresso sobre o impacto do contexto digital para a comunicação social. O evento acontece a 16 de junho, às 15h00, através da plataforma Zoom, e conta com a presença de vários investigadores da área da comunicação social e do direito. O programa inclui a discussão de alguns tópicos principais, como o discurso de ódio na comunicação social ou os direitos de autor nas plataformas digitais. A entrada é livre, mas sujeita a inscrição. III COLÓQUIO INTERNACIONAL - DIÁLOGOS LUSO-SEFARDITAS O Colóquio Internacional “Diálogos Luso-Sefarditas” procura construir um espaço de encontro e partilha de conversas e leituras sobre a história e a identidade cultural sefardita, sobretudo dentro do contexto lusíada. A terceira edição do evento ocorre a 15 e 16 de julho com a colaboração de diversas entidades, como o Politécnico de Leiria, a Câmara Municipal de Leiria, o Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra e a Academia Portuguesa de História. Propostas de tópicos de discussão podem ser efetuadas através do correio eletrónico cdil@cm-leiria.pt até o dia 20 de junho. A seleção será feita pela comissão científica do evento. Mais informações disponíveis no website da Rede Cultura 2027.

Ouve já em akademicos.ipleiria.pt/contrakapa

Europa e América Latina unidas através da educação A X Conferência Internacional de Investigação, Práticas e Contextos em Educação (IPCE) proporcionou o debate e a partilha de conhecimento entre investigadores e profissionais ligados ao contexto educativo em diversos países europeus e latino-americanos. Na sessão de abertura do encontro organizado pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), entre 28 e 29 de maio, Rui Pedrosa, presidente do Politécnico de Leiria, realçou a importância destes momentos para aprofundar conhecimento e a necessidade de formação que complemente os diversos ciclos de estudos. Em sessão plenária, Romain Gillain, docente da ESECS e membro da Comissão Organizadora, destacou o investimento feito em Espanha na área das línguas, sugerindo que “deveria haver mais investimento público [em Portugal] para que toda a gente futsal

Rumo à fase final Texto Carlos Santo, Daniel Santos e Mariana Bento

A equipa masculina de futsal do Politécnico de Leiria apurou-se para a fase final do Campeonato Nacional de Universitário (CNU). As provas de apuramento da modalidade decorreram entre os dias 17 e 19 de maio, em Caldas da Rainha e em Braga, em jornada concentrada. A equipa, conduzida por Hélder Silva, irá disputar a final que se realiza na Covilhã entre os dias 19 e 30 de julho deste ano. A equipa da academia leiriense venceu três dos quatro jogos que realizou no apuramento, conseguindo o segundo lugar de passagem direta da zona sul, e o quarto na geral. Na próxima etapa, o Politécnico de Leiria terá como adversários o Instituto Poli-

tenha acesso ao ensino democrático das línguas”. Além das sessões paralelas onde foram apresentadas múltiplas abordagens do fenómeno educativo, o primeiro dia foi dedicado à apresentação de experiências e olhares em relação à inclusão e motivação do ensino de línguas entre adultos. Pablo Estévez abordou, por sua vez, os motivos que levam um estudante a abraçar a carreira de professor, uma espécie de “vontade de mudar o mundo”. Para o psicólogo em contexto escolar e formador, trata-se de uma predisposição que é mais fácil de desenvolver quando a aula é encarada como “um elemento vivo, em que os alunos se sentem integrados, ouvidos”. Sob o tema “Intencionalidade educativa nas tarefas matemáticas”, Miguel Ribeiro, docente da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas, vincou o facto de as crianças gostarem de matemática quando a entendem e a importância desse entendimento nos mais velhos. A segunda jornada de debate abarcou temas como a educação ambiental, técnico de Coimbra (IPC), a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) e a Associação Académica Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD). A passagem à final só foi decidida no último jogo contra o Instituto Politécnico de Castelo Branco, onde a equipa leiriense venceu por 2-1. O atleta Ricardo Rodrigues marcou o golo da vitória a poucos segundos do final da partida, através da conversão de um livre de dez metros, garantindo assim o apuramento. O licenciado em Comunicação e Media reconhece a qualidade das equipas que vão enfrentar na final, mas mantém uma atitude positiva. “A fase final é um momento especial, queremos desfrutar ao máximo, mas é também mais uma oportunidade de mostrar o nosso valor. Vamos com ambições e muita vontade de vencer, a mentalidade é sempre essa”, conclui Ricardo Rodrigues. k

as metodologias na construção de políticas públicas e a gestão curricular em áreas como a matemática. A conferência terminou com o testemunho de Nádia Ferreira, membro da Direção-Geral da Educação. k

a fechar Texto Beatriz Vieira, Júlia Chang, Randeson Lima e Valentina Guedes

CamScanner CamScanner é um aplicativo que permite digitalizar documentos em formatos PDF ou JPEG, a partir de fotos tiradas pela câmara de dispositivos iOS ou Android. Disponível em Google Play Store e Apple App Store.

ON LINE Texto

Ana Santos, Mariana Vieira, Sofia Relva

Chordify Chordify é um serviço online de educação musical que ajuda as pessoas a identificarem os acordes musicais de qualquer canção que tencionam aprender a tocar. Tem ferramentas úteis como a opção de aprender em diferentes instrumentos musicais, exportar para uma partitura ou alterar o tempo. Disponível em App Store e Google Play.

What Should I Read Next? O site tem o objetivo de fornecer recomendações de leitura a partir dos livros preferidos ou do último livro lido. Ao indicar o título de uma obra, a plataforma analisa a base de dados, tendo em conta os géneros literários e as opiniões do leitor, de modo a sugerir a próxima leitura. Disponível em: https://www. whatshouldireadnext.com


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