Suplemento integrante da edição nº 4365 de 12 de novembro de 2020 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.
90 Ricardo Romero Artista urbano
Se a arte for arte tem o poder de tocar nas pessoas págs. 6 e 7
Politécnico de leiria
Investigar sem fronteiras, da floresta ao fundo do mar págs. 4 e 5
2 ELEIÇÕES COM HUMOR No rescaldo das mais concorridas eleições norteamericanas de sempre, os ecos da declaração de vitória de Joe Biden fazem-se sentir em todo o mundo. Como não podia deixar de ser, o Saturday Night Live, o programa de humor mais icónico dos Estados Unidos, aproveita a oportunidade do momento para criar um dos sketches mais marcantes do ano, através das geniais imitações de Alec Baldwin (Trump), Jim Carrey (Biden) e Maya Rudolph (Harris).
A ABRIR
A não perder em @Saturdaynightlive
Até 31 de dezembro, Peniche
“Por teu livre pensamento”
Está a decorrer no Museu Nacional Resistência e Liberdade, na Fortaleza de Peniche, uma exposição que recorda momentos da História contemporânea portuguesa. Desde o Estado Novo até ao 25 de Abril, é lembrada a repressão e a violação dos direitos humanos. A mostra tem entrada gratuita, de quarta-feira a domingo, a partir das 14h00.
Não perkas Texto Catarina Mendanha, Denys Yaremko e Inês Ribeiro
20 de novembro, Teatro José Lúcio da Silva
“Quem acredita vai”
A personagem fictícia Beatriz Gosta apresenta, agora em palco, um espetáculo de stand-up comedy, que terá lugar em Leiria. Fala sobre temas centrais da vida, sem moralismos, nem tabus. O espetáculo inicia às 21h30.
27 e 29 de novembro, m|i|mo
“Reimaginar uma floresta de objetos”
O Museu da Imagem em Movimento acolhe uma exposição dançada, protagonizada pela bailarina Inesa Markava. O evento decorre no dia 27 de novembro às 14h30 e no dia 29 pelas 10h30. É gratuito, mas está sujeito a inscrição prévia.
Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt
Apoio à Edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt
Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt
Marta Oliveira marta.s.oliveira@ipleiria.pt
Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt
Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt
Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt
Maquetização Leonel Brites
Até 31 de dezembro, Moinho do Papel
Exposição de esculturas de papel
Cristina Sousa apresenta-se com a exposição “Outras Histórias”, em Leiria. A designer é conhecida pelo seu projeto Atelier de Papel – Escultura & Ilustração, onde cria esculturas a partir desse material. A mostra pode ser vista até ao final do ano de forma gratuita. Para mais informações, contactar através do e-mail moinhodopapel@cm-leiria.pt.
Até 29 de novembro, Caldas da Rainha
Exposição “Um bocadinho desconfinado”
“Um bocadinho desconfinado” é a mais recente exposição de banda desenhada de Antero Valério, em que olha com humor os temas da atualidade. A exposição decorre até 29 de novembro e pode ser vista no Café-Concerto Sons, Tons e Sabores, em Caldas da Rainha. A entrada é livre.
Redação e colaboradores Alexandra Ovelheiro, Ana Silva, Beatriz Sousa, Carolina Domingos, Carolina Faustino, Catarina Mendanha, Catarina Nogueira, Cláudia Pereira, Daniel Santos, Daniela Piedade, Denys Yaremko, Diogo Maçarico, Fábio Aguiar, Inês Ribeiro, Jéssica Patrício, Laura Gordillo, Luís Ferreira, Maria Carolina Gomes, Mariana Bento, Mariana Cruz, Mariana Gabriel, Mariana Lourenço, Mariana Santos, Marta Gonçalves,
Pedro Fernandes, Rita Silva, Ruben Filipe, Tânia Santos, Tiago Ribeiro.
Presidente do Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt
Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do Politécnico de Leiria e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.
Diretora da ESECS Sandrina Milhano dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes catarina.menezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt
3 Politécnico de Leiria faz rastreios à comunidade académica
está –a– dar
Texto Alexandra Ovelheiro, Claúdia Pereira, Luís Ferreira e Rita Silva
O Politécnico de Leiria estreou dia 18 de setembro um posto de colheitas, no campus 5, que pretende realizar testes aleatórios de rastreio ao novo coronavírus entre a comunidade académica. O espaço dispõe de equipamento e conta com equipas de enfermeiros, contratados pelo Politécnico de Leiria, prontos para efetuarem a colheita para teste PCR. As zaragatoas são posteriormente transportadas para o polo de investigação científica CETEMARES, onde é investigada a presença de DNA viral. Perante os imprevistos, Maria Guarino, coordenadora da unidade de investigação ciTechCare, destaca a importância da preparação: “Tem sido desafiante gerir tudo isto, nem sabíamos se ia haver segunda vaga, portanto temos de estar preparados para a imprevisibilidade e conseguir dar resposta a vários cenários”, menciona. Além desta unidade de colheita, foram ativadas duas outras, nos polos das Caldas da Rainha e Peni-
Covid-19: Que impacto ambiental? Texto Catarina Nogueira, Mariana Bento e Mariana Gabriel
“É fundamental uma educação ambiental, mas mais do que isso uma educação cívica”, explica Mário Oliveira, presidente da OIKOS – Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria e professor de Educação Ambiental da ESECS, a propósito do atual uso de máscaras descartáveis. “As máscaras que se encontram no chão irão chegar aos oceanos, entrar na cadeia alimentar dos animais marinhos e futuramente na nossa alimentação”. A World Wide Fund for Nature (WWF) estima que, apesar de apenas 1% das máscaras ser descartado de forma inapropriada, isso corresponde a 40 toneladas de plástico que chegam aos oceanos. A sustentabilidade ambiental do planeta tornou-se ainda mais relevante no atual contexto da pandemia. Na versão descartável, este equipamento de proteção individual tem um período de utilização curto e é composto por cerca de quatro gramas de plástico, o que envolve a exploração de petróleo, um recurso escasso e não renovável. Por outro lado, a eliminação destas máscaras após o seu uso também levanta questões ambientais. A incineração, uma das soluções habituais, liberta gases nocivos, quer para o ambiente, quer para a espécie humana, tornando-se num problema adicional. A viagem deste produto não reciclável termina, muitas vezes, nos aterros sanitários. Tem vindo a identificar-se a presença de máscaras descartáveis nos filtros de entrada de água, o que permite con-
che, para que os estudantes não tenham de se deslocar a Leiria. Os testes dirigem-se à população assintomática, pois, como refere José Carlos Gomes, pró-presidente do Politécnico de Leiria e responsável pela coordenação do plano de contingência do Instituto, o objetivo é perceber se existe algum surto, de modo a agir o mais rapidamente possível e garantir a segurança de todos. A seleção é feita aleatoriamente, por um sistema informático, após as mais de 14 mil pessoas que compõem a comunidade académica serem divididas em grupos (alunos, investigadores, docentes e funcionários). Os escolhidos recebem um e-mail, onde é assegurada a sua privacidade e carácter voluntário de cooperação. Caso a pessoa concorde, dá-se início ao registo através do preenchimento de uma ficha online. Embora se estejam apenas a realizar 20 a 30 testes semanais, o Politécnico de Leiria pretende fazer em média 250 testes mensais. Juntam-se ainda testes para casos de controlo ou para solicitações de locais onde se fazem ensinos clínicos, práticas pedagógicas e estágios. “Prevemos testar pelo menos 10% de toda a comunidade académica até fevereiro”, declara José Carlos Gomes. Até agora, o Politécnico de Leiria registou 39 casos de infeção, com registo de 22 recuperações e 17 casos ainda ativos, segundo dados revelados por José Carlos Gomes. Maria Guarino reforça a necessidade de seguir normas de segurança, como higienizar frequentemente as mãos, manter o distanciamento físico, estar em grupos pequenos em espaços ventilados e utilizar máscara. “A arma certa para matar o vírus é o nosso comportamento”, afirma José Carlos Gomes. k
cluir que há despejo diretamente na via pública ou, por exemplo, em esgotos domésticos. Susana Fonseca, secretária da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, explica que têm sido discutidas medidas políticas junto das entidades governamentais para que o uso de material descartável seja ponderado. Para a ambientalista, a adaptação de algumas empresas durante a fase de confinamento não teve em conta o impacto ambiental das soluções escolhidas. “A restauração reinventou-se através das refeições take-away, causando um pico do consumo de plástico”. Em relação aos cabeleireiros, Susana defende que “não faz sentido o uso de toalhas e batas descartáveis quando o recurso à água e sabão resolvem, tal como fazemos com a lavagem das mãos”. De forma a minimizar o impacto e consciencializar a comunidade quanto às consequências do inadequado uso e eliminação da máscara, a ZERO, a Associação de Ciências Marinhas e Cooperação e a Associação Natureza Portugal apelam à utilização racional de máscaras descartáveis através da campanha “Não sufoque a Natureza”, afirmando que as alternativas reutilizáveis são uma opção a considerar. Ainda assim, a consciencialização ambiental das pessoas é essencial na escolha de máscaras reutilizáveis, num contexto em que as empresas produtoras destes acessórios estão a adaptar-se. Mário Oliveira alerta para os perigos de se “privilegiar a estética”, sem considerar o impacto para o ambiente. “Existem indústrias têxteis a produzir máscaras cujo padrão está de acordo com o vestuário, com todo o processo de emissão de gases já conhecido deste setor”, reforça o professor. k
12 novembro 2020
TAK Texto
Carolina Domingos, Mariana Santos e Tânia Santos
Ana Matos Neves O jornalismo como motivação Nascida em Santarém, Ana Matos Neves desde cedo sentiu que queria seguir jornalismo e fazer disso a sua vida. Hoje, com 28 anos, vê o sonho cumprido e Bruxelas passou a ser a sua segunda casa. Concluiu a licenciatura na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria há sete anos. Além dos trabalhos curriculares que realizou enquanto frequentava Comunicação Social e Educação Multimédia, Ana Matos Neves procurou outras formações e afirma que o jornal Akadémicos e a Rádio IPLay desempenharam um papel fundamental para ganhar o máximo de experiência profissional e assim ir mais bem preparada para o mundo do trabalho. Quando chegou o momento do estágio, integrado na licenciatura, escolheu a agência Lusa, em Lisboa. Foi lá que “apanhou o bichinho” do jornalismo de agência e compreendeu a importância de dar voz a um trabalho de equipa imprescindível no panorama mediático nacional. É jornalista da Lusa há quase sete anos e há dois surgiu a oportunidade de integrar a delegação de Bruxelas. Com o setor dos media cada vez mais enfraquecido, Ana defende que os conteúdos produzidos pela agência se tornam essenciais para os meios de comunicação nacionais, que reconhecem e confiam no trabalho da Lusa. “Nem tudo são rosas e a verdade é que esta é uma profissão muitas vezes ingrata pela falta de reconhecimento e pela enorme responsabilidade que carregamos”. Ainda assim, afirma que “não trocaria a profissão de jornalista por nada neste mundo”, sublinhando que “não há nada que imagine mais fazer do que relatar esta busca diária pela verdade dos acontecimentos”. A jornalista vive esta fase de pandemia mundial não só como cidadã que tem de respeitar as regras de contenção e de proteção, mas também enquanto profissional, que relata todos os dias a crise sanitária e económica. Até ao final de 2021 tem a certeza de que Bruxelas vai ser a sua segunda casa. Não pensa em deixar a cidade, até porque, como trabalha enquanto correspondente internacional para um meio de comunicação português, tem sempre a língua e o país bastante presentes, o que também encurta o facto de estar fora de Portugal. “Apesar de me sentir já bastante realizada a nível profissional, quero continuar a ser correspondente internacional, por agora em Bruxelas, mas quem sabe um dia noutra capital europeia ou fora”. k
4 Politécnico de Leiria
Investigação explora novos rumos KAPA A celebrar o 40.º aniversário, o Politécnico de Leiria coloca a investigação como uma das suas prioridades. Fomos conhecer alguns projetos em curso em áreas tão distintas como os recursos marinhos, a engenharia ou o ensino.
Texto Alexandra Ovelheiro, Cláudia Pereira, Luís Ferreira e Rita Silva
N
as áreas das Ciências Sociais e Humanas, Engenharia e Ciências Exatas, Ciências Naturais e do Ambiente e Ciências da Vida e da Saúde, o Politécnico de Leiria conta hoje com 15 Unidades de Investigação. Muitos dos projetos são desenvolvidos em articulação com a comunidade e o tecido empresarial. Como resultado contabilizam-se já 270 direitos de propriedade industrial registados, dos quais 32 patentes nacionais e sete internacionais, entre muitos outros dados dignos de registo. Com um esforço ao nível do investimento nas instalações, nos instrumentos de trabalho e na formação dos docentes para a realização de diversas experiências, a investigação procura superar constrangimentos financeiros, mas vai atravessando fronteiras. Os investigadores salientam que no Politécnico de Leiria encontram as condições necessárias para a criação de um instituto de excelência: “não tenho dúvidas nenhumas de que o Politécnico de Leiria tem os instrumentos necessários para se afirmar cientificamente, sobretudo no MARE, especificamente na área do mar e nos recursos marinhos, uma vez que já fomos reconhecidos a nível nacional como bom grupo de investigação”, afirma Teresa Mouga, investigadora e docente da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM). Já Rafael Caldeirinha, investigador do Instituto de Telecomunicações (polo do Politécnico de Leiria) e docente da
Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), acrescenta que o Politécnico “está muito bem a nível internacional, mas também é fruto de ter uma delegação de Leiria que tem um laboratório associado ao Estado, ou seja, é um centro de investigação nacional com outros vários polos e é importante referir que estes trabalhos são dinamizados com os nossos estudantes”. Atualmente estão a decorrer vários projetos de investigação guiados por professores e investigadores pertencentes à comunidade académica. Fomos conhecer quatro destes projetos: “Ouriceira AQUA”, orientado por Ana Pombo; “Limo do Cais”, dirigido por Teresa Mouga; “Educação nos Países em Desenvolvimento”, conduzido por Antónia Barreto; e, por último, “Cobertura de rádio para sistemas de comunicação de emergência de fogos florestais”, coordenado por Rafael Caldeirinha. Ouriceira AQUA O projeto é desenvolvido no edifício CETEMARES, em Peniche, onde são elaborados protocolos, ou seja, formas eficientes de produzir ouriços-do-mar em aquacultura. O projeto teve início em 2018 e prevê finalizar no fim do ano. O projeto foca-se em desenvolver técnicas que consigam produzir ouriços-do-mar, um petisco muito procurado pelas suas ovas e de elevado valor comercial, sobretudo, em países como Japão e China. A produção destes animais em aquacultura contribuí para a sua proteção no seu habitat natural, sem os extinguir. A produção de ouriços-do-mar em aquacultura tem três etapas: produção de larvas de ouriços, crescimento dos juvenis e o desenvolvimento das ovas. Através da aquacultura, é possível também, reduzir o tempo que os ouriços-do-mar demoram a chegar ao seu tamanho comercial, o que aumenta a oferta. O maior desafio é “reproduzir em cativeiro aquilo que o mar e a natureza nos oferecem, neste caso, as ovas, com a qualidade, cor, sabor e o aspeto que o consumidor final pretende”, declara Sílvia Lourenço, bióloga marinha e investigadora do Politécnico de Leiria no centro de investigação MARE, em Peniche. A equipa do projeto é composta por cinco investigadores do Politécnico de Leiria, com a cooperação de professores da ESTM, ou seja, doze pessoas no total. Agem em parceria com a Faculdade de Ciências de Lisboa, que contém um projeto irmão. “Neste momento, estamos a tentar produzir juvenis de ouriços-do-mar para eles fazerem experiências de repovoamento das populações selvagens e eles também nos ajudam na recolha de adultos para nós podermos fazer as nossas experiências aqui”, relata Sílvia Lourenço.
Segundo Sílvia Lourenço, o Politécnico de Leiria reúne as condições e instrumentos necessários para se afirmar cientificamente tanto nacional como internacionalmente, porque contém boas instalações, sobretudo, o edifício CETEMARES, para desenvolver projetos ligados à investigação marinha, a biotecnologia marinha, aquacultura, crescimento azul e ecologia. Limo do Cais O projeto foca-se no estudo de algas macroscópicas que crescem na zona costeira rochosa dentro e fora de água entre a maré alta e a maré baixa. É também desenvolvido no MARE, que se dedica à biologia marinha e aos recursos marinhos. Estão envolvidas seis pessoas no projeto, entre eles professores e bolseiros e tem como objetivo criar novos produtos a partir das algas, tais como, cosméticos e têxteis, para “oferecer artigos diferentes e que ainda não existem”, afirma Teresa Mouga. Este projeto tem várias parcerias locais e nacionais. A colheita de algas vermelhas é feita no verão, em São Martinho do Porto. A Escola Superior de Artes e Design (ESAD.CR) contribui para a investigação na parte criativa, dinamizada pela professora Isabel Barreto. A alga Gelidium corneum “pode ser utilizada para alimentação ou como fertilizante e tem diversas propriedades medicinais.”, declara Teresa Mouga. Na parte têxtil colabora com o departamento de engenharia têxtil da Universidade do Minho (2C2T), coordenado por Teresa Amorim. Neste domínio científico estão a realizar-se outros projetos como é o caso do Seeweedfeeds que tem como fim a suplementação de ração de peixe, ou seja, suplementar ração dos peixes com uma pequena percentagem de macroalgas, neste caso Gracilaria gracilis, o que faz com que estes cresçam mais depressa, porque têm uma proteína de melhor qualidade. “O facto das macroalgas terem propriedades antioxidantes e antimicrobianas ajuda no sistema imunitário dos peixes, que ficam mais saudáveis logo resistem melhor a doenças”, informa Teresa Mouga. Educação nos Países em Desenvolvimento Educadores em Movimento é um projeto em que participa a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), no Chibuto, província de Gaza, Moçambique. Está a ser implementado pela ONG AIDGLOBAL e vai prolongar-se até 2021. O projeto consiste em criar e acompanhar alguns jardins de infância em comunidades que não dispõem deste tipo de equipamento. A coordenação científico-pedagógica é da responsabilidade da ESECS que orienta também a investigação sobre o modelo educativo, competências das crianças dos 3 aos 6 anos e impacto da frequência do jardim de infância na aprendizagem futura das crianças. O projeto é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Na mesma linha, a ESECS está a colaborar num projeto implementado pela ONG HELPO de apoio a alguns jardins de infância em São Tomé e Príncipe, com o objetivo de “promover a qualidade dos mesmos, o que passa por melhorar a formação das educadoras e fomentar a relação dos pais com os jardins de infância”, afirma Antónia Barreto, docente na ESECS, que tem assegurado a coordenação científica. A iniciativa tem a duração de três anos, tendo início em 2020. O projeto é, também, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Ainda no domínio da educação, docentes da ESECS e da ESTG participam no projeto “Consulting services for preparatory and tutorial program”, finan-
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12 novembro 2020
KAPAS Texto
Ana Silva, Pedro Fernandes e Tiago Ribeiro
Quarantine Pop Os álbuns da quarentena
ciado pelo Banco Africano para o Desenvolvimento e implementado pela ONG HELPO. Tem a finalidade de formar pedagogicamente formadores que irão preparar grupos de estudantes para as provas de aptidão aos cursos de engenharia da Universidade Moçambicana UNILURIO. A formação será no âmbito da didática geral, biologia, física e matemática. Estão associados ao projeto quatro professores, Antónia Barreto, Mário Oliveira e Hugo Menino da ESECS e o professor Ricardo Manso da ESTG. “É um projeto de três anos que teve início em 2020 e implica a deslocação dos professores do IPL a Moçambique. A primeira deslocação deveria ser no mês de novembro, mas foi adiada para o mês de fevereiro de 2021 devido ao Covid-19”, relata Antónia Barreto. A ESECS participa na Cooperação para o Desenvolvimento desde 1990, tendo tido projetos em todos os PALOP, com a participação de diversos docentes. “Ao colaborarmos nestes projetos a aprendizagem é mútua”, declara Antónia Barreto.
O principal objetivo da iniciativa é “estudar o fenómeno e depois aplicar ao caso da emergência nacional para trazer o contributo que a comunidade científica pode dar na área dos fogos, sendo os principais beneficiários diretos a proteção civil, bombeiros e todos os operacionais no terreno“, diz Rafael Caldeirinha, professor e coordenador de Comunicações Móveis na Escola Superior de Tecnologias e Gestão do Politécnico de Leiria. Em fevereiro de 2020, realizaram-se ensaios de experimentação no Laboratório de Estudos de Incêndios Florestais da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), na Universidade de Coimbra em conjunto com o grupo de investigação do professor Xavier Viegas. Os ensaios foram “interrompidos por causa da pandemia, mas vamos retoma-los numa escala maior”, conta Rafael Caldeirinha. O projeto desenvolveu um instrumento que permite ver em mapas de cobertura a propagação de rádio em áreas rurais, sobretudo em zonas florestais densas, o que facilita a identificação de regiões de Cobertura de rádio para sistemas de comunica- exclusão de rádio em tempo real, enquanto que a ção de emergência de fogos florestais frente de incêndio se propaga. Em sequência dos incêndios florestais em PedróO projeto conta com uma parceria entre o Instigão Grande em 2017, que devastaram a maior par- tuto de Telecomunicações (IT), o Instituto Superior te da paisagem florestal portuguesa e também, das Técnico e o Politécnico de Leiria. Estão associados grandes falhas de comunicação do SIRESP, foi ela- vários investigadores, tais como, Rafael Caldeiriborado um projeto de investigação que aborda os nha, Nuno Leonor, Stefânia Faria e Mário Vala do casos de propagação de ondas de rádio em áreas Politécnico de Leiria e João Felício, Pedro Coimbra, de incêndios. Carlos Fernandes e Carlos Salema do Instituto SuO projeto RESCuE-TOOL (Radio coverage for perior Técnico. emergency communication systems to operate unO projeto já obteve muitos resultados e pretende der critical wildfire environments - TOOL), preten- passar da pequena escala de laboratório para um de estudar o fenómeno de combustão e perceber o ambiente exterior em grande escala. Tencionam impacto que tem nas ondas de rádio pois, os gases ainda “no final do projeto criar uma aplicação que que são libertados durante um incêndio de grandes permita utilizar esta ferramenta para a decisão dimensões originam uma barreira eletromagnética operacional sobre as comunicações”, relata Rafael que bloqueia as ondas de rádio. Caldeirinha. k
Após meses de confinamento e um lento regresso à normalidade, é quase impossível imaginar o que teria sido 2020 se a pandemia não tivesse ocorrido. Isto aplica-se não só à vida pessoal e ao mundo do trabalho, mas também a outros universos, como o da música pop. Planos de lançamento alterados, digressões canceladas e até álbuns gravados em quarentena. A primeira vítima foi After Hours do The Weeknd. Lançado a 20 de março, o melhor projeto do artista canadiano desde a compilação Trilogy consegue satisfazer todas as fações da sua base de fãs sem perder a coesão. Nele há R&B, há trap, há new wave... Uma semana depois, Dua Lipa lançou o seu esperado segundo álbum, Future Nostalgia. Precedido pelos êxitos Don’t Start Now e Physical, o LP é inspirado por uma variedade de géneros musicais, seja disco dos anos 70, dance-pop dos anos 80, ou nu-disco ao estilo de Kylie Minogue. Contendo uma variedade de referências ao passado, Future Nostalgia e After Hours são quase como álbuns irmãos: o primeiro para o dia, o segundo para a noite. A nostalgia foi um dos temas mais explorados nos lançamentos da primeira metade deste ano, não só em termos musicais, mas também em termos estéticos. Sawayama, o (subvalorizado) álbum de estreia da artista nipo-britânica Rina Sawayama, é um flashback à música dos anos 2000, combinando o pop adolescente de Britney Spears com o punk britânico e o nu-metal. Também Lady Gaga regressou em maio com Chromatica, após um adiamento causado pela pandemia. O título do disco refere-se a um imaginário mundo distópico e o álbum aborda temas como saúde mental, autoestima e trauma, com uma produção que revive a música house dos anos 90. A quarentena deu igualmente a oportunidade a alguns artistas para criar música. A 15 de maio, Charli XCX lançou How I’m Feeling Now. Gravado em isolamento com a colaboração dos seus fãs, o quarto álbum da artista britânica foi aclamado pela crítica. A 23 de julho, Taylor Swift colocou as redes sociais num frenesim ao anunciar inesperadamente que iria lançar, no dia seguinte, um novo álbum gravado em isolamento. Folklore é o disco que muitos queriam que Swift lançasse. Com uma mistura de folk e pop, o LP vendeu 846 mil cópias na primeira semana nos Estados Unidos. Durante os tempos confusos do confinamento, estes foram alguns dos álbuns capazes de ocupar e distrair os fãs. É bom saber que, independentemente da complexidade do momento, podemos sempre contar com a música. k
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Pintar paredes SENTADO por pintar NO MOCHO não é o nosso objetivo
A minha área de formação nunca esteve relacionada com as artes. Única e exclusivamente comecei a trabalhar na rua com 13 anos e até hoje, passados 26 anos, continuo a fazer exatamente o mesmo, da mesma forma e com a mesma vontade. Por isso, sim, considerome um bocadinho artista. Que formação teve? Nasci e cresci em Évora e, na altura, a única escola que tinha artes era a escola onde eu andava, mas sempre tive alguma dificuldade em me identificar. Ou seja, eu queria fazer algo, achava que tinha algo a dizer ao mundo, mas nunca me identifiquei muito com certos movimentos. Optei por seguir um caminho totalmente diferente. Inicialmente, estudei Economia, depois, quando vim para Leiria, acabei por entrar para Gestão e por aí fora. Ou seja, a minha área de formação sempre foi muito mais diversa do que a questão das artes, mas também é engraçado poder ter esta formação que me dá um background muito grande para encarar esta carreira de artista de forma totalmente diferente e muito mais focada na realidade.
nar muito mais. Estamos no fim desta edição e sinto que existe mais gente a questionar o que estamos a fazer. O papel artístico, e não só o decorativo, está a vingar e é esse o nosso principal objetivo, que as pessoas tenham mais questões e mais dúvidas acerca do que estamos a fazer. Isso comprova que estamos no caminho certo e que estamos a fazer arte pela arte e não única e exclusivamente a decorar um espaço. Como são escolhidos os lugares para as obras? E qual o processo? Primeiro surge a obra e depois o local para a pintar, ou é do local que surge a obra? Um projeto destes tem muitas condicionantes. Começamos logo com o tempo. Se o artista estiver na cidade, se chove, se faz sol, se tem 7, 10 ou 20 dias. Posso dizer-vos que estivemos três anos à espera que um artista pudesse vir a Leiria porque não tínhamos a parede certa para ele. Este ano veio. Ou seja, todos os locais são escolhidos com base naquele artista que achamos que devemos trazer a Leiria. É por aí que a escolha é feita.
E como são escolhidos os artistas? Está a terminar a 4ª edição da Arte Pública – Leiria Essa curadoria é feita por mim e pela minha equipa. Paredes com História. Como e com que objetivo Sou eu a pessoa responsável e há depois uma série de Artista urbano nasceu este projeto em particular? pessoas que me acompanham e que também orientam O Arte Pública – Leiria Paredes com História surge em aquilo que é a nossa visão para o projeto. Mas, por nor2017 de uma vontade que tinha. Moro em Leiria há ma, a escolha dos artistas é feita por mim. Procuro traNascido em Évora, Ricardo cerca de 11 anos e quando vim para Leiria, apesar de zer artistas que estão a tentar elevar a fasquia daquilo haver algumas manifestações artísticas na rua ao ní- que fazem, seja o que for, seja ilustração, seja pintura, Romero escolheu Leiria para ser vel da pintura ou mesmo ao nível da escultura mais seja escultura. Procuramos artistas que dentro deste a sua galeria a céu aberto. Na contemporânea, existia muito pouco. Sempre tive mundo da street art tenham um discurso forte. vontade de mostrar às pessoas que era possível terorigem de Leiria, Paredes com mos aqui em Leiria um projeto deste tipo. E foi nesse O que sente que diferencia a arte urbana de outro História, explica que o objetivo sentido que em 2017, em conjunto com o Município tipo de arte? e com o senhor Vereador da Cultura, na altura, Gon- A principal coisa é mesmo a democratização da arte, ou do projeto é democratizar a arte, çalo Lopes, decidimos criar este projeto Paredes com seja, o livre acesso das pessoas ao que estamos a fazer. consciencializando a sociedade História. O projeto parte do conceito inicial da criação Aqui em Leiria temos uma galeria. No dia da inaugude uma galeria a céu aberto onde convidamos artistas ração toda a gente aparece, toda a gente vai ver, faz-se para problemas atuais. No final diferentes para poderem vir à cidade e deixarem a sua uma festa e as pessoas aderem muito bem. Nos outros da 4.ª edição, já pensa na próxima melhor peça. Hoje, temos uma galeria com 21 peças de dias é complicado as pessoas irem à galeria. Isto não. artistas distintos e de toda a parte do mundo. Isto é visto por milhares de pessoas todos os dias, a toda e promete trazer novidades. a hora. Ou seja, aqui, a arte vai ter com as pessoas. Daí Dizem que todo começo é difícil, foi o caso? Texto e Foto Beatriz Sousa, Laura Gordillo e Marta Gonçalves Isto tem sido um percurso. Eu sempre acreditei que é possível vivermos daquilo de que realmente gostamos e hoje eu consigo ter uma equipa comigo, consigo chegar ao final do mês e pagar salários e tudo o mais. Mas Está na origem de uma série de Projetos: Riscas Va- não é nada fácil em Portugal ser-se artista, muito medias, Projeto Matilha, Arte Pública… O que une es- nos ser-se artista da forma que eu sempre fui, porque há 26 anos o graffiti era totalmente ilegal, as pessoas tes três projetos? A vontade de mostrar que é possível, através deste tipo condenavam, ninguém gostava. Hoje, o que eu conside intervenções urbanas, haver um diálogo com o ter- go através do meu trabalho é fruto de uma persistênritório e com as pessoas que nele habitam, democrati- cia e de uma resiliência muito, muito grandes. zando e dando um livre acesso à arte. É sobretudo isso que os une. Sente que o projeto tem mudado a forma como Leiria é vista a nível nacional? Porque sentiu necessidade de intervir nestas áreas? Até vos posso dizer mais: acho que este projeto tem Comecei muito novo a pintar e a rua sempre foi a mudado a visão que o mundo tem de Leiria. Portugal é minha galeria. A rua é algo que sempre me disse mui- muito pequenino. Mas a nível mundial, sim, acho que to. É o sítio onde me sinto confortável para fazer as há muitos olhos atentos ao que se está a passar em Leiminhas intervenções. ria. Conseguir ter um projeto com esta qualidade, com estes nomes, com estes artistas numa cidade pequena Considera-se um artista? como Leiria não é muito fácil. Graças a isso, os olhos do Essa é uma pergunta muito engraçada. Até costumo mundo estão atentos ao que aqui se está a passar. brincar e dizer que sou artista porque efetivamente as pessoas me procuram como artista. Sou sobretudo E os habitantes? Como é que as pessoas da cidade uma pessoa que tem umas ideias e uma vontade mui- têm reagido? to grande de fazer coisas novas. Felizmente, as pessoas Até esta edição, acho que, no geral, as opiniões eram identificam-se com elas e procuram-me nesse sentido, sempre muito, muito positivas. Como em todos os mas atenção, eu sou um artista totalmente autodidata. projetos que crescem, as pessoas começam a questio-
Ricardo Romero
7 a nossa preocupação em que seja arte, que não seja meramente decorativa. É esse o nosso interesse. Estes projetos têm vindo a defender as práticas artísticas como instrumentos facilitadores das relações interpessoais. Qual impacto que a arte pode ter no quotidiano das pessoas? Como a arte teve impacto na minha vida, acho que pode ter na vida de qualquer um. Pode ser um escape para o que vivemos no dia a dia. Adotámos uma postura em que canalizamos as nossas energias para projetos que, em termos sociais, funcionassem, sobretudo, com crianças e jovens, para que pudéssemos, através de um diálogo com eles, criar a vontade de usar as práticas artísticas para melhorar a sua vida. E é nesse sentido que, sempre que podemos, procuramos passar aquilo que é a nossa experiência e o nosso trabalho para essas gerações mais novas, sobretudo para que acreditem que é possível. É possível fazer-se diferente e é possível acreditarmos que, através das práticas artísticas, vamos conseguir desbloquear muitos problemas do nosso dia a dia e da nossa sociedade.
12 novembro 2020
Hoje penso que a aposta passa por aí, não tanto pela ajuda direta à causa, que é fundamental, mas para a educação e sensibilização. Para além da intervenção urbana, o projeto Arte Pública tem procurado desenvolver uma componente científica. Há pouca investigação sobre o tema? Penso que não há pouca investigação. Não sou da área das ciências sociais, mas por algumas pessoas com quem eu trabalho, acho que há pouco investimento para que possa haver mais estudos. Mas existem uma série de pessoas a trabalhar e não só em Portugal. Há dois anos, fizemos um congresso internacional no Politécnico de Leiria e vieram pessoas de todos os lados, debater estas questões. Creio que há cada vez mais pessoas interessadas nesta área, em termos sociológicos e até mesmo noutras áreas, da arquitetura, do urbanismo. Qual o objetivo desta componente do projeto? Pintar paredes por pintar não é o nosso objetivo. Efetivamente queremos criar diálogos com as pessoas e, para isso, é importantíssimo que haja essa reflexão sobre o que estamos a fazer e sobre o impacto que tem efetivamente na vida das pessoas.
As pessoas são sensíveis à arte? Eu acho que sim. Penso que se a arte for arte tem esse poder, de tocar nas pessoas. E, a partir do mo- Vamos ter uma 5.ª Edição? mento em que toca as pessoas tudo muda e as pes- Vamos sim. Estamos a trabalhar nela. soas passam a sentir, gostem ou não gostem. Se não Como vê a evolução do projeto? mexe com as pessoas, dificilmente é arte. Eu sempre parti do princípio de que este conceito O que poderia ser feito para desenvolver a educa- Paredes Com História chegaria a uma altura em que ção artística? não se esgota, mas que fica cansadinho e este ano Essa é uma pergunta um bocadinho mais difícil. nós sentimos isso. Acho que para o ano será a últiPode ser feita muita coisa. Mas eu acho que falta ma edição deste conceito inicial. Se da nossa parte sobretudo passar a mensagem de que, efetivamen- houver vontade e também da parte do município, te, a arte pela arte pode ser uma mais valia. E come- de continuarmos este tipo de intervenções ao nível çarmos a encarar isso de forma mais séria, desde da arte urbana, vamos procurar ter outros tipos de muito pequeninos. Todos nós somos artistas até aos linguagem e não nos focarmos exclusivamente na dez anos. A partir do momento em que começamos pintura ou na escultura, mas possivelmente em proa questionar mais ou a ter alguns medos deixamos jetos de instalação artística, que possam criar uma de ser artistas. Se em determinadas alturas da nos- maior interação com as pessoas. Coisas talvez mais sa vida houver os impulsos certos, acredito que vai efémeras. Vamos ver. Em vez de termos um Paredes haver um fator desbloqueador que vai levar a que as Com História, se calhar vamos ter outra coisa qualpessoas consigam ser mais vezes artistas ao longo quer. Depende das vontades. da sua vida. Falta isso. Falta desbloquear alguns medos e alguns preconceitos que existem associados ao Qual é a mensagem que quer comunicar? ser artista, nomeadamente num país como Portugal. Tentar que as pessoas reflitam sobre problemáticas atuais e que nós atualmente, por falta de tempo, não Também tem sido um defensor da causa animal. valorizamos. A pessoa quando chega e olha para o O que andamos a fazer errado? E o que pode ser gato, por exemplo, pensa que é um gato bonito, mas mudado? depois se for pesquisar ou se questionar, o papel da Essa questão é bastante pertinente e isso foi uma arte está a ser cumprido. Este gato, por exemplo, tem das razões para que, ao longo dos anos, eu tenha um texto que o acompanha, fala da falta de tempo. O mudado a minha visão em relação à energia que nome da peça é “Olhar e não ver”, precisamente porestava a despender em determinadas causas. Ou que vivemos num mundo onde as pessoas conseguem seja, o Projeto Matilha, por exemplo, que atualmente ver tudo, mas efetivamente não se focam em nada. evoluiu para o Matilha Estúdio, surge de uma forma de estar na vida. Mais do que um projeto artístico, Qual o seu sonho para Leiria? acho que é uma coisa que nunca vai acabar porque Posso confidenciar-vos uma coisa: Leiria é a cidade é a minha forma de estar na vida. Sempre procurei que eu escolhi para viver. Vim para cá há 11 anos, tetentar dar voz a quem não a tem. Os animais são os nho cá uma casa, a minha filha nasceu cá e vou conseres do planeta que mais precisam disso. Com o tinuar a viver aqui. Gosto imenso, imenso de Leiria. E passar dos anos fui-me apercebendo que a sinergia o sonho que eu tenho é que cada vez mais as pessoas e dinheiro que tentamos angariar devia de ser cana- possam, em conjunto, criar sinergias para termos lizado, não para o ato em si, não diretamente para condições para cada um de nós conseguir cumprir as associações, mas sim para educar os mais jovens o que é o nosso sonho, quer seja ser artista, quer seja em relação a estas questões. Passados quatro ou cin- outro tipo de coisa. É esse o sonho que eu tenho para co anos dessa opção, temos cada vez mais jovens e Leiria: que cada vez sejamos mais coesos, consigacrianças com mais consciência do que deve ser feito mos todos remar para o mesmo lado, que mais pespara que a situação desses seres vivos possa mudar. soas como eu acreditem e possam fazer coisas. k
Verdade ou Mentira O preço da mentira
kultos
Verdade ou Mentira é o nome do Texto filme realizado por Billy Ray, que Daniel Santos, Fábio expõe a vida de Stephen Glass Aguiar, Maria Carolina (Hayden Christensen), escritor de Gomes e Mariana artigos para o The New Republic Lourenço na década de 90, o período de maior prestígio da revista americana. Glass tinha tudo para ser bem-sucedido no mundo do jornalismo. No entanto, para garantir artigos notáveis para apresentar na editora, inventava as próprias personagens e histórias, que surpreendiam todos os seus leitores. Durante os três anos em que trabalhou para a revista, Stephen Glass falsificou 27 dos 41 artigos que escreveu. O seu percurso como jornalista na revista The New Republic teve os dias contados ao ser descoberto com a escrita de um artigo nomeado “The Hack Heaven”. A peça contava a história de um jovem hacker de 15 anos e despertou o interesse de Adam Penenberg, jornalista da revista Forbes, visto tratar-se de uma área em que tinha conhecimento aprofundado. Penenberg pediu mais informações sobre o artigo, levando ao início da desacreditação de Stephen Glass. Sem encontrar qualquer tipo de dados sobre o hacker nem sobre a empresa a que estaria associado no artigo escrito por Glass, Adam desmascarou o colega de profissão. Verdade ou Mentira retrata a importância da ética e deontologia do jornalismo, numa profissão de extrema importância na divulgação da informação mundial, demonstrando que o não cumprimento das regras poderá levar a consequências drásticas. Assim, alerta todos os espectadores para a importância da confirmação das fontes noticiosas, tornando-os mais alerta para erros na informação. Um dos elementos mais curiosos do filme é tratar-se de uma história baseada em acontecimentos reais. Além do desapontamento que pode causar em quem vê, levanta algumas questões em relação a profissionais da área que adulteram informações para tornar a história mais cativante. Apesar de retratar factos passados no final da década de 90, Verdade ou Mentira mostra-se atual na sua mensagem. k
8 VI Conferência Internacional para a Inclusão A 6.ª edição da ConTexto Laura Melícias, Neuza Santos ferência Internacioe Sofia Morgado nal para a Inclusão (INCLUDiT) decorre entre os próximos dias 20 e 21 de novembro. O evento tem por objetivo foTexto mentar a divulgação Daniela Piedade, científica e a partilha Mariana Cruz de boas práticas na e Ruben Filipe área da inclusão e da acessibilidade. Serão abordados temas como educação inclusiva, comunicação acessível ou saúde e bem-estar para todos. O evento irá decorrer em formato online.
Últimas
Conferência de Mediação Intercultural e Intervenção Social A 8.ª edição da Conferência de Mediação Intercultural e Intervenção Social tem como tema “Ócio, Jogo e Brincadeira: aprendizagens e mediação intercultural” e decorre nos próximos dias 27 e 28 de novembro. Será debatida a importância do ócio, do jogo e da brincadeira enquanto espaços de sociabilização, interculturalidade e aprendizagem. A conferência contempla o formato virtual e presencial, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Politécnico de Leiria. Os links de acesso para participação online estarão disponíveis no site oficial da conferência. Curso de Suporte Avançado de Vida A Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria irá realizar o Curso de Suporte Avançado de Vida nos dias 23 e 24 de novembro. Os participantes irão receber formação sobre como estabelecer prioridades nos cuidados do Suporte Básico de Vida, reconhecer situações de paragem cardíaca, desenvolver competências em reanimação cardiopulmonar (RCP), entre outras competências. Com a duração de 16 horas, a formação irá decorrer no campus 5 e destina-se a estudantes ou licenciados em medicina e enfermagem.
Ouve já em akademicos.ipleiria.pt/contrakapa
ACADEMIA
Politécnico de Leiria distinguido como Líder na Inovação O Politécnico de Leiria foi considerado Líder na Inovação, na categoria “Institutos Politécnicos”, pelo Consumer Guidance Institute Portugal no ranking de 2017-2019, publicado no passado mês de outubro. O relatório tem em conta o desempenho de instituições públicas e privadas em atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) e considera o número e qualidade das patentes registadas. Os 48,2 registos associados ao Politécnico garantiram-lhe o lugar de destaque entre os politécnicos nacionais e ainda o quinto lugar em duas categorias de patentes entre todas as instituições.
Desporto Universitário tem início seguindo normas da DGS Texto Catarina Nogueira, Mariana Bento e Mariana Gabriel
Em colaboração com as Federações Desportivas de cada modalidade, a DireçãoGeral da Saúde (DGS) e a Federação Académica Desporto Universitário (FADU), o Politécnico de Leiria decidiu integrar as competições de desporto universitário da época 2020/2021. As práticas desportivas irão ocorrer de maneira atípica e com as devidas precauções. Ao longo do ano foram muitas as dúvidas a ser levantadas, inclusive se o desporto universitário se iria realizar e em que condições. Para dissipar questões, a DGS emitiu um documento orientador para o desporto e competi-
Para Ana Sargento, vice-presidente do Politécnico de Leiria, “as atividades de investigação e desenvolvimento fazem parte integrante da missão de qualquer instituição de ensino superior e não podem ser encaradas como algo desligado da atividade de ensino”. As parcerias estabelecidas com empresas durante o processo de criação e registo de patentes são também um fator essencial que, nas palavras da vice-presidente, permite colocar o “conhecimento ao serviço da sociedade”. Num futuro próximo, o objetivo é continuar o caminho realizado. Ana Sargento frisa a importância de “aumentar a produção científica de relevância” e de “promover uma maior integração entre investigadores de diferentes áreas disciplinares”. k
a fechar Texto Catarina Mendanha e Denys Yaremko
ções desportivas, considerando as preO treinador de atletismo Miguel cauções necessárias para um regresso Lucas expressa algumas preocupações em segurança. É seguindo estas me- e admite que o número de atletas em didas que os Campeonatos Nacionais formação pode diminuir, podendo não Universitários (CNU) retornam já no se verificar a participação habitual nos início deste ano letivo, com a particu- anos anteriores. Além do fator adesão, laridade de um arranque desfasado das Miguel Lucas refere que as condições várias modalidades, que não era habi- do presente ano letivo irão afetar os tual nos anos anteriores. atletas e explica que a falta de compeUm dos fatores que se destaca no tições tem impacto negativo na motivadocumento da DGS é a classificação ção e desempenho dos jovens que partidas modalidades consoante o seu ris- cipam nos CNU. k co (baixo, médio ou alto). A definição é feita tendo em conta critérios como o número de atletas, a distância física durante a partida e a existência de conOver tato face a face. A Over é uma apliA Técnica Superior do Setor de Desporcação de edição to dos Serviços de Ação Social do Politécde imagem para Android e iOS que nico de Leiria, Cândida Bairrada, avança permite a seleção que até ao final de 2020 os desportos em de tipos de letra, competição serão o bodyboard, o surf, o gráficos, filtros e duatlo, karting e natação. Quanto aos modelos. Através do treinos, vão avançar em três modalidades: telemóvel é possível atletismo, andebol e futsal, tanto na equiaceder à aplicação, pa masculina como na feminina. k personalizar qual-
ON LINE
Texto quer tipo de fotogra- Carolina Faustino, Diogo Maçarico e fia e criar logotipos Jéssica Patricio ou folhetos, de forma fácil e intuitiva. Estão disponíveis as versões gratuita e premium na Play Store e na Apple Store.
Plataforma Estamos Abertos A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) criou a plataforma Estamos Abertos, que permite aos restaurantes informarem os clientes que estão a servir refeições. O site é atualizado constantemente e mostra um mapa que dá outras informações, como horários, serviços de take-away e meios de pagamento. O serviço começou em Lisboa, mas acabou por se estender a outras zonas do país, como Leiria, de forma a facilitar a vida dos consumidores e dos comerciantes. https://ahresp.com/2020/04/ estabelecimentos-leiria/