PATRIMÓNIO REGIONAL
Memórias que unem gerações pág. 4 e 5 Suplemento integrante da edição nº 4282 de 11 de abril de 2019 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.
84 As figuras públicas constroem uma imagem de si que é unidimensional
Sérgio Godinho Músico págs. 6 e 7
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Ativar objetos e rememorar palavras
A ABRIR
Uma viagem etnográfica
6 a 21 de abril, Porto de Mós
16 de abril, Teatro Miguel Franco
FAHRENHEIT 11/9
NÃO PERKAS Texto Felipe Dourado, Ivanna Carrasco, Joana Ângelo e Maria Bucho
O mais recente documentário de Michael Moore será exibido às 21h30 no Teatro Miguel Franco. A obra cria uma linha cronológica entre o maior atentado terrorista sofrido pelos Estados Unidos, em 2001, e a eleição de Donald Trump, em 2016. O trabalho do realizador norte-americano, lançado em 2018, alcançou vários prémios internacionais, nos festivais de Toronto e Estocolmo, além de ter sido distinguido como Melhor Documentário Político pelo Critic’s Choice Awards.
Até 30 de abril, ESECS
CABRITO E BORREGO PARA TODOS EM PORTO DE MÓS
MULTIPLI 2019
O I Festival Gastronómico do Cabrito e do Borrego está a decorrer até 21 de abril e tem como objetivo associar estas iguarias aos produtos regionais. A Câmara Municipal de Porto de Mós pretende, desta forma, promover a gastronomia da região, bem como um conjunto de estabelecimentos de referência no âmbito dos pratos dedicados ao cabrito e borrego. A primeira edição conta com 13 restaurantes.
O Politécnico de Leiria quer descobrir quem será o próximo herói da matemática. A 2ª edição do Multipli acontece a 14 de junho na Escola Superior de Ciências Sociais (ESECS). O jogo consiste num duelo de cartas travado com base na tabuada, com o intuito de estimular a agilidade de raciocínio e a compreensão matemática. As inscrições estão abertas até 30 de abril para estudantes do ensino básico, do 3º ao 6º ano, através da página http://campeonato.multipli.pt. 9 de maio, ESECS
QUIMICOMIC
A companhia teatral “Encerrado Para Obras” apresenta a 44ª produção musical do grupo, que envolve o mundo da Química como tema principal. A peça, com duração de 50 minutos, inicia às 21h30 e será apresentada na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) de Leiria com entrada gratuita para todas as idades. 14 de abril, Teatro Miguel Franco
BARROCOS, ROMÂNTICOS E OUSADOS
Pais e filhos irão juntar-se ao som de músicas clássicas e barrocas, misturadas ao estilo mais contemporâneo. O concerto, promovido pela Sociedade Artística Musical dos Pousos, conta com um grupo de 6 músicos portugueses que acompanha o dueto solista composto por Daniel Miguéis e Rogério Medeiros. Os ingressos podem ser adquiridos no Teatro Miguel Franco, no dia do concerto, no site http://www.ticketline.sapo.pt ou nas lojas FNAC e Worten. As apresentações têm a duração de 45 minutos, com sessões às 10h00 e 11h30.
Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt
Apoio à Edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt
Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt
Marta Oliveira marta.s.oliveira@ipleiria.pt
Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt
Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt
Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt
Maquetização Leonel Brites
Redação e colaboradores André Ferreira, Andreia Leandro, Beatriz Silva, Carolina Frade, Carolina Santos, Catarina Marques, Cibele Bonacasata, Daniel Martins, Diogo da Silva, Felipe Dourado, Ibrahim Jerome, Inês Gonçalves, Inês Gonçalves, Ivanna Carrasco, Joana Ângelo, Juan Alban, Juliana Oliveira, Lluis Hernández, Luís Pedro, Luísa Jacinto, Maria Bucho, Maria Gomes, Maria Marques, Marília Bernardino, Miriam Tormenta, Ricardo Cordeiro, Tatiana
Pimentel, Tatiana Santa Rosa, Tetiana Boichuk
Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt
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Diretora da ESECS Sandrina Milhano dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt
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Livro sobre moda e feminismo lançado em Leiria
ESTÁ –a– DAR
Texto Cibele Bonacasata, Felipe Dourado, Juan Albán e Marília Bernardino
“Diz-me o que vestes, dir-te-ei quem és”. Com esta máxima, a socióloga Cristina L. Duarte apresentou o seu mais recente livro, Moda e Feminismos em Portugal – O género como espartilho. A apresentação do livro aconteceu no início de março, em Leiria, na livraria Arquivo. A obra reflete o estudo sociológico da relação do vestuário com o comportamento social de 23 mulheres portuguesas. Ao longo do livro é abordada a ligação às roupas nas várias fases da vida, as normas do vestuário, a construção e representação de si mesmo e as questões associadas à relação quotidiana com a roupa, sua valorização e consumo.
LEIRIA
Presente e futuro das artes discutidos na ESECS Texto André Ferreira, Daniel Martins, Maria Gomes e Tatiana Pimentel
“Vias Alternativas”, fórum sobre o estado das artes em Leiria, inaugurou a sua 2ª edição a 9 de março no Auditório 1 da ESECS. A sessão foi aberta por António Sampaio da Nóvoa, embaixador de Portugal junto da UNESCO, e Sandra Coelho, integrante da Cooperativa CAL (coletiva de artistas e criadores de Montemor-o-Novo), que deram o seu testemunho e perspetivas ligadas à criação artística fora dos grandes centros.
“A roupa que vestimos ocupou no século passado um lugar pivot na definição da identidade e da sociedade, do individual e do coletivo”, assegurou a autora, sublinhando que a afirmação é válida para os dias de hoje. A importância da moda na interpretação dos “diversos feminismos” presentes em Portugal, a feminilidade, a masculinidade e as associações do vestuário à construção de estereótipos ligados à imagem foram alguns dos temas discutidos durante o evento. Numa altura de especial preocupação quanto ao machismo institucional e agressões contra as mulheres em Portugal –de acordo com a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), 82% das mais de nove mil pessoas vítimas de algum tipo de violência no país em 2018 eram mulheres–a socióloga defende que o pensamento que associa o vestuário das mulheres à violência é usado como desculpa, responsabilizando-as por crimes sexuais em que elas mesmas são as vítimas. “Esse discurso é uma falácia. Elas não são violadas por causa da forma como se vestem. São outras coisas”, explica. Do ponto de vista sociológico, Cristina L. Duarte percebeu que as entrevistadas possuem conhecimentos de moda e sabem atribuir valores às peças escolhidas. “A sensação que tive é que todas as mulheres fazem e podem fazer uma tese sobre moda”, concluiu. k
“As ‘Vias Alternativas’ nasceram As ideias debatidas no primeiro de conversas informais entre ami- encontro, em outubro do ano pasgos que partilham preocupações sado, foram transpostas para um comuns. Acabou por surgir a ideia manifesto enviado às instituições de juntar um grupo de pessoas competentes e à Assembleia da Rediversificado para discutir estes pública. Considerando o ato como assuntos e possíveis soluções para uma afirmação perante as entidades, os problemas”, explicou Luís Mou- o facto de não ter obtido resposta já rão, dramaturgo com 40 anos de era esperado pela organização. Por carreira e um dos organizadores, sua vez, esta edição encerrou com sublinhando ainda a importância alguns projetos para o futuro: a criação de uma plataforma digital onde destes raros espaços de discussão. “Um dos obstáculos para os cria- os criadores possam expor as suas dores é a falta de uma organização obras e portefólios e a organização entre eles. Em Leiria existem muitos de uma mostra no próximo ano. Dos dois encontros realizados, artistas, pintores, músicos que não se conhecem. A ideia foi juntá-los destaca-se a exploração de três num espaço para se conhecerem, fa- ideias: o espaço comum, o enconlarem, trocarem experiências, para tro das pessoas para partilha de se unirem e lutarem mais eficaz- testemunhos e a criação de uma mente pelos seus direitos, criando rede de divulgação pessoal online. pressão para as suas vozes serem ou- “Cada encontro é uma continuavidas”, declarou Andrzej Kowalski, ção das conclusões do anterior”, professor do Politécnico de Leiria e, por isso “é natural que vá aconteparalelamente, encenador de teatro cer um terceiro”, revela Andrzej Kowalski. k e realizador de documentários.
11 abril 2019
Tattoo Artes: agulhas sem linha Texto Beatriz Silva, Catarina Marques e Luís Pedro
Tatuadores espanhóis e de várias regiões de Portugal
reuniram-se entre os dias 15 e 17 de março, no Mercado de Sant’Ana, para a realização da segunda edição do Tattoo Artes Leiria. O evento organizado pela loja Seven Tattoo surgiu para cumprir o desejo de uma iniciativa em Leiria que pudesse dar a conhecer os seus produtos e serviços. O Tattoo Artes engloba diversas áreas, desde as tatuagens à barbearia, dos piercings à arte e roupa alternativa. “O mundo da tatuagem está sempre ligado ao aspeto de cada um, e por isso é normal estes mundos unirem-se”, esclarece Eduardo Moreira, gerente da Seven Tattoo. Os profissionais presentes nesta edição olham o Tattoo Artes de uma perspetiva diferente da dos visitantes. Para Manuel Figueiredo, um dos tatuadores da Balm Tattoos, o evento é uma oportunidade de “ter uma interação com os outros tatuadores, partilhar ideias, intercalar formas de trabalhar, conhecer os produtos que os outros utilizam”. Além de um momento de aprendizagem, a iniciativa possibilita às lojas representadas darem a conhecer o seu trabalho. Verónica Pereira, tatuadora da The Clock Tattoo, explica a importância da exposição para a “divulgação do trabalho, da arte, o que é bastante interessante e vantajoso para sair da zona de conforto”. O desenrolar de atividades temáticas e especializadas como o Tattoo Artes é um novo fator de atração turística e, segundo a organização, tem sido notório o aumento do número de aficionados da arte das tatuagens. “A evolução é cada vez mais visível. Há 14 anos era de senso comum que quem tivesse uma tatuagem era um bocado estranho. Hoje em dia já é o oposto: é uma prática não só cada vez mais aceite, como quase obrigatória, e Leiria não é exceção a este fenómeno”, afirma Teresa Rufino, artista da loja Seven Tattoo. k
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KAPA ETNOGRAFIA
Preservar histórias, costumes e tradições Do adocicado xarope de cenoura ao vira-vira de um rancho folclórico, do cheiro a resina e trabalho madeireiro às brincadeiras ritmadas por lengalengas de recreio. Se muitas destas manifestações já se esfumam nas memórias das regiões do litoral e interior, outras permanecem ativas e merecem um aturado trabalho de recolha e preservação. Missão de quem olha para a cultura popular como uma âncora identitária em tempos de algoritmos e redes sociais. Texto André Ferreira, Daniel Martins, Maria Gomes e Tatiana Pimentel
À
beira de uma estrada secundária, por detrás da réplica metálica da Torre Eiffel, repousam mais de 2000 peças que contam a história das freguesias da Bajouca e Monte Redondo-Carreira. A maioria são utensílios ligados à agricultura, pecuária, e ferramentas de profissões que existiam na região, como os serradores, resineiros e carpinteiros. Facilmente confundido com uma casa rural de dois andares, o Museu do Casal de Monte Redondo foi fundado em 1981 e acolhe o encanto nostálgico e familiar da memória. As atuais instalações chegaram uma década depois em resultado dos esforços das gentes da terra. No meio deste processo, o antropólogo e arquiteto Mário Moutinho surge como o principal mentor da ideia de fundar uma casa etnográfica. Muitos artefatos estão relegados para arquivos ou encobertos por lençóis de plástico. longe do olhar do público. São opções que decorrem do limitado espaço das instalações do museu, mas cujo cenário pode mudar a breve prazo, como explica João Moital, o antigo presidente da Junta de Freguesia de Monte Redondo e o fiel guardião do acervo recolhido: “Não temos onde guardar mais material. Esperamos construir a médio prazo um pavilhão adjacente de modo a expor o espólio preservado”. Apesar de preferir o trabalho solitário, João Moital não deixa de louvar a ajuda que os mais jovens têm prestado às atividades do museu, nomeadamente a realização do festival “Museum Festum”. A iniciativa começou em 2012 e assenta numa dimensão cultural e ecológica, além de procurar dinamizar a comunidade local com espetáculos de música e exposições artísticas. Conferir mais visibilidade ao Museu Casal de Monte Redondo é o objetivo de um festival que, nos últimos dois anos, esteve ausente do seu público. Os jovens, os organizadores, fizeram uma pausa e o silêncio desagrada a João Moital: “é um grande problema não haver aquilo que existiu em anos anteriores, de malta nova a fazer coisas”. O responsável do museu olha, no entanto, para 2019 como uma oportunidade para introduzir sangue novo nas atividades da instituição: “Agora estamos a agitar um pouco as águas”. A razão é o projeto Renova Museu, inserido no Programa de Museologia da Universidade Lusófona de Lisboa e apoiado pela UNESCO, que consiste num conjunto de ações educativas levadas a cabo por estudantes do ensino superior. A iniciativa disponibiliza workshops para a comunidade, tendo já realizado ações de inventariação do material em acervo e sido distinguida na IX Edição do Prémio Ibermuseus da Educação.
Rememorar pelas mãos dos mais novos Entrando no IC8, percorrendo cerca de 75 km para o interior do distrito, chega-se ao concelho de Figueiró dos Vinhos, limitado a leste por Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande. Os três munícipios estão recheados de histórias, costumes e saberes colhidos ao longo da vida, confidenciados no boca-a-boca às próximas gerações. É o património imaterial que a rede de bibliotecas dos três concelhos procura preservar através do projeto Memórias das Terras de Monsalude, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito do Fundo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de 2017. O objetivo passa pela recolha e o registo das memórias que o tempo dissipa. O trabalho de campo faz-se junto das populações locais pela mão de uma autênti-
ca corrente intergeracional formada por adolescentes, jovens e adultos. Ainda marcados pela destruição causada pelos recentes incêndios, lançam-se em busca dos costumes e tradições populares. Os alunos do ensino básico da região são alguns dos coletores de saberes e práticas tradicionais junto dos familiares. O resultado é o convívio e a partilha de experiências desconhecidas dos mais novos que, depois, registam e entregam a professores motivados pelas atividades etnográficas. “É importante que as crianças conheçam as tradições e as possam transmitir. E há a vertente das pessoas terem algum gosto em querer retomar as tradições antigas, como festas que agora estão a voltar”, comenta Lucília Santos, coordenadora interconcelhia da rede de bibliotecas escolares, referindo-se ao retorno do Carnaval em Vila Facaia. Trabalhando temáticas diversas, os alunos acabam por descobrir, por exemplo, que na época dos seus pais e avós os tempos de recreio eram passados com brincadeiras e brinquedos como o pião, o berlinde ou o jogo do prego, em tudo diferentes das consolas e videojogos atuais. Acabam, também, por descobrir remédios naturais feitos através de plantas e produtos encontrados em qualquer cozinha que, associados a rezas, se acreditava terem poder curativo. O registo, a transmissão e a revitalização de memórias e costumes são os propósitos de um projeto que, segundo Lucília Santos, “procura colocar as comunidades em contacto com as tradições mais antigas e disponibilizá-las em repositórios de bibliotecas e plataformas digitais”. Das lendas aos provérbios e ditados populares, passando por práticas gastronómicas, rituais matrimoniais, objetos litúrgicos e memórias da guerra colonial ou do 25 de Abril, existe um manancial de elementos iconográficos e linguísticos que urge preservar. É o caso, por exemplo, do Laínte da Casconha, dialeto exclusivo da região criado por vendedores ambulantes de tecidos de Castanheira de Pêra, que “importa trazer para o domínio público, uma vez que é atualmente falado por um único habitante”, salienta Cristina Bernardo, também membro do projeto. Danças com cheiro a mar De volta ao litoral, o mar da Nazaré parece conduzir o imaginário de uma vila cuja relação com o oceano se divide entre a nostalgia das atividades piscatórias e o impacto do turismo. O Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré nasceu há 22 anos, privilegia o folclore, as tradições da região e procura contagiar as gerações mais jovens com as memórias dos seus avós ou bisavós. Grande parte do espólio etnográfico recolhido centra-se entre 1920 e 1940, período muito marcado pelas consequências das duas guerras mundiais. Começou-se com pouco, com recolhas de material abandonado ou deitado fora. A construção do acervo ganhou, depois, ritmo através de doações e da vontade da comunidade em participar. “As pessoas gostam que as suas memórias passem para as outras”, afirma Fernando Barqueiro, presidente do Grupo Etnográfico.
5 As iniciativas promovidas pela associação são outro meio que permite transformar a antiga lota da Nazaré, sede do Grupo Etnográfico, num autêntico espaço rememorativo. Lá se encontra um vasto conjunto de elementos eclesiásticos, do altar caseiro aos trajes litúrgicos, e materiais ligados à faina, como a lancha, o barco de arrasto, o xalavar (saco de rede) para transportar o pescado, cabazes, boías, caixas, redes e canastras. A evocação do passado faz-se também através do mobiliário original que dá corpo à antiga taberna, à loja (mercearia), à cabana onde os pescadores guardavam os apetrechos de pesca, ou a casa típica representada através do quarto e da cozinha. Fernando Barqueiro recorda o sentimento de luto que acompanhava a partida de familiares para o mar e para a Guerra Colonial, sem certezas de voltarem. Os cantares prendiam-se muito a esse sentimento, ao mar e ao vento, à fé, à religiosidade, à beleza da terra. Atualmente, parece que se assiste ao ressuscitar de alguns símbolos tradicionais, como o cachené (lenço), as camisas ou os casacos do passado, muito por força do trabalho que a associação tem realizado. “O traje tem proliferado de ano para o ano. As pessoas que normalmente se recusavam ao uso do traje tradicional servem-se hoje dessas peças de vestuário em dias simbólicos, muitas delas inspiradas pelo nosso espólio ou exposições que se vão organizando”, refere o responsável do Grupo Etnográfico. A coletividade participa em diversos festivais de outras regiões, em Portugal e no estrangeiro, contando com a ajuda da Câmara Municipal ao nível do transporte. Também organiza as Festas em Honra da Nossa Senhora da Nazaré, em setembro, e o Festival Nacional do Folclore, em julho. O estudo das danças e do folclore O folclore é um dos relevantes géneros da cultura popular que representa a identidade social de uma comunidade. Tanto o é na Nazaré como em outras localidades do distrito de Leiria e do resto
do território nacional. O projeto piloto “Salvaguarda das Danças Tradicionais e Populares Portuguesas” surgiu da necessidade de estabelecer critérios científicos para a sistematização escrita da dança tradicional. O objetivo consiste em desenvolver estudos sobre as danças e dotar os grupos locais de competências técnicas e pedagógicas para o ensino, registo e disseminação deste tipo de cultura. A recolha etnográfica realiza-se em quatro grupos de Porto de Mós. “Guardamos quatro danças de cada grupo, em termos escritos, e damos formação para escrever as outras. Convidámos, também, músicos para o projeto, que estão a recriar músicas para as danças, além da realização de bailes folk onde as pessoas podem aprender esses tipos de manifestações artísticas”, afirma Marisa Barroso, professora de danças tradicionais na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria e uma das responsáveis do projeto. Ana Rita Leitão, vice-presidente da Federação do Folclore Português e coordenadora-parceira do projeto, reforça a pertinência da iniciativa, uma vez que não existiam formas de recolha aplicadas à dança: “Existe uma necessidade de salvaguarda dos grupos de folclore que comporte não só a história da dança e o processo temporal que decorreu até aos dias de hoje, bem como a sua letra, pauta musical e a descrição dos movimentos dos intervenientes na dança”. O interesse pelas danças é já secundado por mais de uma década de investigação, trabalho que Marisa Barroso enquadra na “necessidade de responder a vários problemas pedagógicos e didáticos, como a pobre qualidade dos materiais que existem para o ensino, nomeadamente a reduzida qualidade de CDs de música”. São preocupações que evoluíram para uma questão de identidade cultural e de defesa do património artístico português. É nesse sentido que em 2018 foi lançado o DVD “Dançante”, uma coletânea de danças tradicionais e populares da região de Leiria e Alta Estremadura. k
11 abril 2019
TAK Texto
Carolina Frade Inês Gonçalves Miriam Tormenta
Sara de Brito A atleta que move montanhas Com 49 anos e mãe de duas filhas, Sara de Brito é um ícone do desporto leiriense. Pratica atividade física desde que se conhece e muito cedo sonhou com um futuro ligado à Educação Física ou à carreira militar. Hoje, divide-se profissionalmente entre as aulas de Educação Física na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo e noutras instituições. Um dos maiores desafios é a falta de tempo para as atividades que realiza. “Não é fácil ser mãe, mulher, dona de casa, professora na escola, em ginásios e na cadeia e ainda treinar. Costumo dizer que treino a correr”, refere Sara, explicando que “é preciso ser muito organizado, ter muito espírito de sacrifício e alguém ao lado que nos apoie e compreenda”. Estreou-se no atletismo com 38 anos nas modalidades de Skyrunning e Trail Running, representando o Clube de Atletismo da Barreira. No mesmo ano ganhou o seu primeiro prémio nacional na Prova do Arrimal num percurso de 15 quilómetros. Aos 46 anos, Sara foi apurada para o Mundial de Trail de 2016, uma prova de 85 quilómetros pelas serras do Gerês, caracterizada pela elevada altitude e percursos muito técnicos. “Foi das provas mais duras que fiz, mas talvez das que me tenha marcado mais”, afirma a docente. Cruzou a meta de gatas devido ao desgaste da energia muscular e foi a portuguesa mais bem classificada da prova, a 21º a nível mundial de entre 43 seleções com 187 atletas, vencendo a Taça de Portugal. “Foi um momento único, porque fiquei surpreendida pela resiliência do meu organismo. Consegui superar-me e atingir o objetivo: dar o melhor de mim em nome de Portugal”, acrescentou. No início deste ano a atleta foi homenageada pelo presidente da Câmara Municipal de Leiria, com o prémio “Atleta feminina do ano em modalidade individual” pela excelente prestação ao longo do seu percurso desportivo e participação na Seleção Nacional em dois Mundiais de Trail (Portugal 2016/Itália 2017) e num Mundial de Skyrunning (Escócia 2018). Atualmente prepara-se para voltar a representar Portugal, sendo a atleta mais velha da Seleção, no Mundial de Trail que se realizará em Miranda do Corvo, no dia 8 de junho. Sente-se realizada e, mais do que receber troféus, salienta a importância da sua prática desportiva como possibilidade de servir de exemplo às filhas e a quem a rodeia. Novos desafios não a assustam. Por isso, aconselha todos a incluir exercício regular no seu quotidiano, mesmo em versão ligeira, em qualquer idade e para toda a vida. “Nunca é tarde! O céu é o limite e isso move montanhas!” k
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Nenhum de nós SENTADO quer ficar NO MOCHO arrumado numa estante
Uma música She Loves You – Beatles
KURTAS Sérgio Godinho
É uma das personalidades Músico portuguesas que dispensam internet. Havia novos cartazes nas paredes todos os dias, feitos durante a noite, alguns deles com slogans apresentações. A par do muito icónicos. Portanto, acho que não posso compaseu percurso como cantor, rar com a juventude hoje. Nós vivemos num país que, com todas as suas imperfeições, é uma democracia. compositor e letrista, tem Vive-se muito precariamente neste país, existe muita desigualdade, no entanto podemos afirmar que vivetambém publicado poesia, mos numa democracia formal. ficção e literatura infantil. Compositor, cantor, poeta, ator e até realizador. O novo livro Estocolmo, que Na sua formação foram fundamentais a sua mãe e o seu pai, dos primeiros sócios do Teatro Exapresentou na Feira do Livro perimental do Porto, mas também os livros e os discos. De que forma é que estas influências se de Leiria, foi o pretexto para uma repercutem na sua vida e, em especial, na sua relação com o mundo das artes? conversa sobre o seu percurso Tive interesses pelas artes desde cedo, já em casa dos na música e na literatura. meus pais, e também através de outras pessoas e dos
Um instrumento Piano Uma palavra Liberdade Um livro O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz Um poeta Cesário Verde
Queiroz. O primeiro que li, quando tinha 13 anos, foi “O Crime do Padre Amaro”, que é desde logo um livro ousado e que afronta os dogmas da igreja católica. Uma das coisas importantes na ficção é imaginar a vida de outras pessoas, que são diferentes de mim.
Publicou poesia, romances, contos e literatura infantil. Já experimentou a dramaturgia e escreveu guiões para cinema, além de bandas sonoras. A escrita tem feito parte de um percurso onde se destaca como letrista. A sua família e as memórias de infância são uma fonte de inspiração? A avó Marocas, por exemplo, faz parte desse imaginário? A avó Marocas, que era madrasta da minha mãe, mas que eu adorava, era muito melhor pessoa do que a minha avó paterna, que era um bocado desequilibrada, doentia, embora inteligente. Era alfarrabista, teve meus amigos. Há interesses comuns que se partilham. uma loja de livros usados, era uma pessoa cultíssima. Eu e alguns dos meus amigos gostávamos muito de Sempre que saía um livro do Tintin, ela levava-me à cinema e de ler, de teatro também, mas sobretudo de livraria Lello, no Porto, e oferecia-me um livro, em Texto Beatriz Silva, Catarina Marques e Luís Pedro cinema, eu era mesmo um cinéfilo. Na adolescência ia francês, pois na altura aprendíamos primeiro francês. muito ao cinema, na medida do possível, e digo na me- Ambas as avós, de uma maneira diferente, foram uma Tendo vivido o maio de 68, em Paris, que dife- dida do possível porque havia muitos filmes que não influência. Essa minha avó tinha um programa de porenças encontra entre a juventude da época e vinham para Portugal. Outros vinham censurados e esia numa rádio no Porto chamada Ideal Rádio, onde a atual? muitas vezes até as legendas eram sucintas, pouco rela- ela declamava poesia que eu gostava muito de ouvir. Todos os acontecimentos históricos, como foi o maio cionadas com o que de facto se dizia na cena em ques- Mas a minha outra avó era uma pessoa muito humade 68 (que foi muito distinto do 25 de abril) são acon- tão. A casa dos meus pais era uma casa de música. A na, próxima de nós, que nos contava histórias. tecimentos diferentes e também as minhas circuns- minha mãe tinha o curso de piano e o meu pai gostava tâncias eram diferentes. Era uma outra época. O maio muito de música, cantava bem, era verdadeiramente de 68 foi, em si, um acontecimento muito inesperado um melómano. Trazia discos de fora e ouvia-se muita na própria sociedade francesa. De repente rebentou música, da dita clássica ou erudita. Também se ouvia num núcleo estudantil, numa universidade para ser muita música francesa, americana, e nós próprios, mais concreto. A polícia entrou lá – e há que frisar que adolescentes, ouvíamos muita música anglo-saxónica, antes disto a polícia de choque nunca tinha entrado mas também italiana e francesa. Quando tinha 18 anos numa universidade – e tudo aquilo se propagou para apareceram os Beatles, logo a seguir os Rolling Stones um movimento social. Estavam sete milhões e meio e os Kinks, o Bob Dylan, o Zeca Afonso, que acabaram de pessoas em greve, num país com cerca de 19 mi- por ser influências muito marcantes. Em minha casa lhões de pessoas ativas. Foi um acontecimento que também se lia muito, lia-se com grande prazer. Comerevelou uma criatividade muito grande da juventude cei com os livros para adolescentes, como “Os Cinco”, da época, e devo relembrar que nessa altura não havia mas depois passei a coisas mais diversas como Eça de
Em Portugal há muito preconceito em relação a experimentar outros géneros, e eu faço-o, não tenho medo.
7 O escritor Alberto Moravia dizia que “os poetas são escassos, que em cada cem anos nascem três ou quatro”. Concorda com a imagem do poeta como alguém visionário e com uma sensibilidade especial para relacionar o mundo terreno com uma qualquer dimensão metafísica? Isso é uma explicação, mas que pode ser um bocado pretensiosa, porque existe também uma dimensão metafísica na prosa e, portanto, não é exclusivo dos poetas na sua conceção comum. Eu acho que há imensos bons poetas. Também há coisas que se intitulam poesia, mas que são más. Portugal é um país de poetas, não quer dizer que haja muitos leitores de poesia, mas produz-se muita poesia. Acho a frase um tanto arrogante porque é dar um estatuto de exceção ao poeta e, verdadeiramente, a poesia é uma prática. Eu considero as minhas letras poesia, aliás, é curioso que o Bob Dylan tenha ganho o prémio Nobel… é uma escrita poética ligada à música. Em Portugal há muito preconceito em relação a experimentar outros géneros, e eu faço-o, não tenho medo. Uma das marcas das suas canções assenta no jogo de palavras, nos sentidos binários e, sobretudo, num vastíssimo vocabulário. De onde vem esta forma tão particular de criar sonoridades? Acho que é uma coisa intuitiva, que está em mim. Talvez tenha que ver com uma herança familiar, a minha mãe era muito assim. Sempre tive uma coisa, que no limite acho quase neurótica, de decompor as palavras, encontrar novos significados. O sentido da métrica e da rima são muito intuitivos para mim, mas também muito trabalhados. Às vezes uso o dicionário de rimas, porque ficar refém da rima e não fazer sentido não corresponde a nada, tem de ter um encadeamento. E mesmo na música, uma arte tem de se casar com a outra, tem de se fazer com que essas duas formas de expressão se tornem sociáveis. Mas não pratico tantos jogos de palavras como às vezes seria de meu impulso, porque senão tornava-se um exercício gratuito. Tenho uma canção que se chama “Eu contigo”, em que digo “eu contigo consigo fazer o que digo”. Evidentemente é um jogo de palavras, mas não faço sem que isso corresponda a algo.
11 abril 2019
jam tocadas pelo livro, pela história e pela maneira como é escrito. Trata-se de uma narrativa bem fechada na privacidade das suas personagens. Quer falar um pouco de Vicente e de Diana? O que eu quis como ponto de partida foi inverter o paradigma mais usual, de homem mais velho que prende uma rapariga mais nova – de facto uma violência enorme. Há relatos de casos muito célebres, de uma grande perversidade. Quis, como ponto de partida, contrariar essa tendência. Diana é uma mulher de 40 anos que aluga um quarto a um jovem de 20, Vicente, com quem se envolve. Ela acaba por fechá-lo à chave e o que acontece é que ele acaba a experienciar algo que nunca antes lhe tinha ocorrido. Ironicamente, Vicente é um estudante de psicologia, é mais fraco do que Diana e acaba por conseguir libertar-se de uma teia de relações de opressão com a ajuda da mãe dela. Quis jogar com estas situações que não são prováveis, mas são possíveis. De onde surgiu a ideia de fazer um raptado sentir-se atraído pela raptora? A síndrome de Estocolmo foi o ponto de partida. Achei um assunto ficcional fascinante. A tentativa de inverter os papéis de agressor-agredido relaciona-se com o papel relevante que normalmente confere às figuras femininas, como na música “Linhagem Feminina”? Foi o ponto de partida de interrogação narrativa. Era um desafio narrativo. Enalteço muitas vezes as figuras femininas, mas no caso de Diana, não, ela é uma tipa muito doentia.
A Diana é uma personagem reconhecida publicamente e com um papel ativo na televisão portuguesa. Está implícita alguma mensagem nesta escolha ou surgiu espontaneamente? Está implícito desde o princípio. Pensei que seria interessante que fosse uma pessoa muito conhecida e que tem uma imagem positiva perante a opinião pública. O que acontece é que as figuras públicas constroem uma imagem de si que é unidimensional, ou então pluridimensional, mas suscitada por circunstâncias que são muitas vezes condicionadas pelas mesmas. Muitas vezes tem-se a imagem de A criatividade dá trabalho, exige método e dis- uma certa pessoa que não corresponde à verdade ciplina? Ou, no seu caso, decorre naturalmente toda. Não sabemos tudo o que julgamos saber. do pulsar da vida e das experiências que lhe Consegue descrever o sentimento que o acomestão associadas? A criatividade exige muito método e disciplina, mas panhou no momento de se despedir do sótão, eu não tenho método nem disciplina. Com a ficção do Vicente e da Diana? narrativa descobri uma continuidade de trabalho É sempre um sentimento semelhante ao de orfanque nem sequer costumava praticar. A feitoria de dade, sendo que somos os pais das personagens. É canções é muito fragmentada, pegamos numa coisa, um sentimento de vazio. Acho que é por isso que depois fazemos uma harmonia, e depois as letras. nestes três trabalhos tive necessidade de continuGeralmente começo pela música e as palavras vêm ar. Tenho um quarto livro começado, mas tenho já com o fraseado da música. Ou seja, a aparência de olhar para ele para decidir se vale a pena conde simplicidade corresponde a um trabalho prévio, tinuar. Eu acho que sim, mas tenho de decidir em e depois é fazer parecer natural, como se tivesse sa- que moldes. ído naquele momento. Tem alguma relação especial com Leiria? Ou Quais eram as suas expetativas para o lança- algum episódio na cidade que mereça ser remento deste seu mais recente livro, Estocolmo? cordado? As expetativas eram que as pessoas gostassem do Gosto muito de Leiria. Conheço sobejamente o Tealivro e o lessem. Nenhum de nós quer ficar arruma- tro José Lúcio da Silva. Cantei lá, antes e depois da do numa estante. A expetativa é que as pessoas se- renovação, e espero continuar a cantar. k
KULTOS Texto
Diogo da Silva Ibrahim Jerome Luísa Jacinto Maria Marques
Agarra-te à vida, não ao cabelo A aparência não é tudo Uma crítica à pressão da mãe sobre a própria filha, pela aparência da menina negra de cabelo crespo que não se podia descuidar com a sua imagem. Agarra-te à Vida, Não ao Cabelo é uma comédia romântica americana de 2018, dirigida por Haifaa al-Mansour, numa adaptação cinematográfica do livro Nappily Ever After, de Thrisha R. Thomas, com o elenco composto por Sanna Lathan (Violet ou Vi), Ricky Whittle (Clint – namorado de Vi), Lynn Whitfield (Paulette – mãe de Vi), entre outros. Com a pontuação de 6.4 (em dez) no IMDb (base de dados online dedicada a filmes, séries e outros conteúdos), é um filme que transmite uma mensagem de aceitação e superação de preconceitos sociais em relação à aparência. Violet, a personagem principal, tem uma vida aparentemente perfeita. Trabalha no mundo da publicidade, ligado à imagem e sob o condicionamento das conceções de beleza da sociedade, o que, a somar à pressão da mãe, se torna mais um fator de influência para si. A indecisão acerca do que é, do que sente ou do que o cabelo a faz ser, surge porque, no seu dia de aniversário, todos os planos e metas de vida não se viram concretizados. Clint não a pede em casamento e isso faz Vi duvidar de si. Devido à pressão acaba por cometer um ato que vai contra as suas ideias de “boa aparência”. Após uma noite de reflexão com um pouco de álcool à mistura, Vi rapa o cabelo. No dia seguinte, ao acordar, vê-se ao espelho e fica horrorizada. Mas à medida que o tempo passa fica cada vez mais confiante e enfrenta as suas inibições uma a uma. A partir desse momento, vive uma fase de descoberta e de habituação ao novo estilo. Acaba por achar engraçado o facto de não estar preocupada em esticar o cabelo 30 minutos antes de o namorado acordar, só para Clint a ver perfeita. Desliga o lado superficial e foca-se nas coisas mais simples da vida. Percebe então que foi condicionada pela mãe, e mais tarde pelo namorado, levando-a a viver sem nunca pensar em si. Agarra-te à Vida, Não ao Cabelo critica a sociedade e os padrões impostos, sobretudo às mulheres, retratando-as na insegurança de ter de estar à altura das expetativas dos outros. Demonstra que não se deve mudar apenas para agradar a alguém, se essa não for uma intenção pessoal, reforçando a importância do amor-próprio. O filme sugere que se “agarre a vida”, que é passageira e merece ser vivida da melhor forma, com ou sem cabelo. k
8 Politécnico de Leiria cria Projeto 100% inclusivo
PLAYRIA: UM DIA NO MUNDO VIRTUAL Texto Pelo segundo ano Carolina Frade consecutivo, chega Inês Gonçalves à cidade do Lis o Miriam Tormenta evento organizado pela Câmara Municipal de Leiria, em parceria com o Núcleo de Jogos Digitais e Multimédia, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão e com o Núcleo de Comunicação e Media, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Politécnico de Leiria. Playria é um conjunto de conferências com o objetivo de informar sobre o mundo virtual e as suas potencialidades, contando com oradores especializados em plataformas como o YouTube e nas áreas dos eSports e Gaming. Este ano, o evento contará com caras conhecidas como Rubens Branco, 7savage, Moço dum Cabreste, entre outros. Realizar-se-á no dia 27 de abril, no Teatro Miguel Franco, com entrada gratuita. PRÉMIO DE ESCRITA PROSA E VERSO A Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) desafia a comunidade do Politécnico de Leiria a participar num concurso de poesia e prosa. O concurso elege como temática “O Outro” e tem como objetivo partilhar as boas práticas de escrita, promover a língua portuguesa e desenvolver atividades inclusivas. Os trabalhos deverão ser submetidos até 22 de maio, às 23h59, estando o regulamento disponível no site da Escola. FESTIVAL IMPULSO A 23 de maio chega às Caldas da Rainha a segunda edição do festival Impulso. Esta iniciativa, organizada em colaboração por estudantes e docentes da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, do Politécnico de Leiria, com co-produção da Licenciatura em Som e Imagem e pela Associação da Juventude da cidade, consiste em 40 concertos, exposições, ciclos de cinema e conferências sobre o mundo das artes. Contará com artistas como Conan Osiris, Allen Halloween, João Pais Filipe, Pânico, entre outros e terá como novidade as residências artísticas com apresentações exclusivas no Festival, como é exemplo Tiago Bettencourt. Os bilhetes para o festival já estão disponíveis para compra no site Bol e terão um custo entre 15 e 30 euros, conforme o tipo de bilhete escolhido.
A FECHAR
marcos paixão (gic / ipleiria )
ÚLTIMAS
O projeto 100% In, proposto em 2018, entra agora em desenvolvimento nas várias escolas do Politécnico. A experimentação do projeto conta com a parceria do Instituto Padre António Vieira (IPAV) e a colaboração de alunos do Programa FASE. Segundo Rui Marques, presidente do IPAV, é um “projeto que permite a integração plena dos estudantes com necessidades educativas especiais”, marcado por apoios específicos e contínuos. O projeto-piloto pauta-se pela inovação e intenção de ser uma referência na área da Inclusão. Os estudantes do programa FASE ganham o título de buddies (amigos próximos) e preconizam a aprendizagem, a descoberta de novas competências e um sentido de serviço solidário e cívico, bem como a compreensão empática pelo outro. A ajuda é direcionada para cegos, surdos, dislé-
xicos, estudantes com depressão e transAlgumas das metornos de personalidade, um padrão que tas já propostas endifere de escola para escola. Trata-se de globam a acessibiliuma aprendizagem recíproca, “não é dade das residências, só a solidariedade entre alunos, é algo a otimização dos remais”, salienta o responsável do IPAV. cursos existentes, a O eixo de atuação do projeto com- aposta na comunicapreende a coordenação da professora ção eficaz e a realizaIsabel Pereira e, neste momento, seis ção de uma maratogestores de caso para 96 alunos. Os na de ideias no início técnicos (psicólogos e assistentes so- do próximo ano leciais) executam a ponte entre os es- tivo com o fim de Texto tudantes e os Serviços de Ação Social. encontrar soluções Carolina Santos, “Ajudam o aluno a fazer as melhores para os múltiplos de- Juliana Oliveira, Tetiana Boichuk e escolhas em cada momento e a encon- safios existentes. Lluis Hernández trar resposta para cada necessidade”, O objetivo final explica a coordenadora. “não é apenas ajudar o estudante do Márcia Salgueiro, estudante da ponto de vista académico, é dar-lhe ferESECS e colaboradora no programa ramentas para que, enquanto pessoa, FASE, afirma que se aprende muito tenha asas para voar quando acabar o com todo o tipo de pessoas. “Pela mi- curso”, realça Isabel Pereira. k nha experiência, tive crianças que já me ensinaram muito e colegas que aqui andaram e são agora independenNO FILM SCHOOL tes. Se conseguirmos dar um pouco de Trata-se de um nós para ajudar essas pessoas, vai ser website que reúmuito bom”, adianta a estudante. ne realizadores e artistas com o objetivo de partilhar conhecimentos no âmbito de temáticas como a edição e gravação de filmes. Os conteúdos estão disponíveis Texto no próprio sítio e Diogo da Silva no canal de YoutuIbrahim Jerome be. Os utilizadores Luísa Jacinto podem, também, Maria Marques aceder a conteúdos relacionados com o backstage de produções cinematográficas e televisivas, como o Game of Thrones, e a informações sobre novos produtos tecnológicos. Disponível em https://nofilmschool.com/
ON LINE
UNLIMITED FUTURE FUTSAL E ANDEBOL NA FINAL
Politécnico conquista bronze no atletismo Texto Andreia Leandro, Ricardo Cordeiro e Tatiana Santa Rosa
A equipa de atletismo do Politécnico de Leiria garantiu o terceiro lugar na classificação geral, enquanto a equipa de futsal masculino está em destaque pela passagem à fase final da competição de desporto universitário. O andebol, tanto masculino como feminino, marcou também lugar na final. A competição de desporto universitário em atletismo de pista coberta chegou ao fim em Pombal. O Politécnico de Leiria sagrou-se campeão nacional em três categorias, vice-campeão em duas e obteve um terceiro lugar na classificação ge-
ral. Miguel Lucas, professor, garante: “Lutamos sempre para o pódio. Desta vez foi o terceiro, para a próxima é o primeiro”. A equipa de futsal masculino demarcou-se dos seus adversários em Coimbra. Venceu os quatros encontros realizados, alcançando a marca dos 12 pontos. Os bons resultados valeram à equipa do Lis um lugar na fase final da competição académica. “Alcançar o primeiro lugar foi um orgulho, agora temos mais responsabilidade”, refere Paulo Antunes, capitão de equipa. As equipas feminina e masculina de andebol chegaram à fase final da competição, terminando com o segundo e quarto lugar, respetivamente. Bárbara Ferreira, jogadora do Politécnico de Leiria, assume que “a equipa vai para a final em Guimarães para ganhar. Tudo pode acontecer”. k
Unlimited Future é uma associação juvenil sem fins lucrativos que desenvolve atividades com estudantes do ensino secundário e superior na área da educação. Os fundadores deste projeto têm como objetivo implementar projetos que ajudem a aumentar e/ou criar novas competências e orientar os alunos na definição de metas pessoais e profissionais. Disponível em https://unlimitedfuture.pt/