Cultura geek reúne entusiastas em Leiria pág. 4 e 5
Suplemento integrante da edição nº 4261 de 15 de novembro de 2018 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.
82 Temos uma relação quase caricatural com o bacalhau
Álvaro Garrido
Docente e Investigador págs. 6 e 7
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Geek /ɡiːk/ nome (coloquial) fanático
A ABRIR
NÃO PERKAS Texto Lisandra Perestrelo, Mariana Dias, Matheus Dias, Sara Júnior, Sara Nunes, Tatiana Pimentel
verbo intransitivo realizar uma tarefa tecnicamente complexa (Dicionário Porto Editora) 1. Consultando vários dicionários (Cambridge, Collins, Porto Editora), o vocábulo geek remete para ’indivíduo fanático’ por computadores; 2. diferente dos outros; 3. minoria; 4. particularmente interessado e/ou conhecedor de um determinado assunto.
24 de novembro, Atlas Hostel
WORKSHOP DE SABORES DO MUNDO – COMIDA ITALIANA
O projeto Speak organiza o Workshop 'Sabores do Mundo', orientado para a gastronomia italiana. Fare la pasta é um dos principais objetivos. O evento decorre a 24 de novembro no Atlas Hostel, pelas 19h00. Para participar é necessário fazer uma pré-inscrição no valor de 15 euros, através da qual é possível degustar as iguarias cozinhadas e dispor de bebida à descrição. 16 de novembro, Biblioteca do Centro Escolar de Parceiros
1º FESTIVAL DE SOPAS
A Biblioteca do Centro Escolar de Parceiros acolhe amanhã, pelas 19h30, a primeira edição do Festival de Sopas. O menu inclui diversos tipos de sopas, uma bebida, pão e café d’avó. A entrada tem um custo de 5 de cinco euros para adultos e 2.50 euros para crianças. A animação está a cargo dos alunos do centro escolar.
Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt
Apoio à Edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt
Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt
Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt
Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt
Maquetização Leonel Brites
Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt
17 de novembro, ESECS
22 a 26 de novembro, Santa Catarina da Serra
LANÇAMENTO DE LIVRO
13º FESTIVAL “O CHÍCHARO DA SERRA”
21 de novembro, Kartódromo da Batalha
20 de dezembro, Teatro José Lúcio da Silva
O livro Da Mediação Intercultural à Mediação Comunitária – Estar dentro e estar fora para mediar e intervir será apresentado por Filipe Reis, professor no ISCTE – IUL, no próximo sábado, pelas 15h45, no auditório 1 da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Politécnico de Leiria. A obra é organizada por Ricardo Vieira, José Marques, Pedro Silva, Ana Vieira e Cristóvão Margarido.
X TROFÉU DE KARTING DO POLITÉCNICO DE LEIRIA
Os Serviços de Ação Social do Politécnico de Leiria organizam o X Troféu de Karting destinado à comunidade estudantil. A prova decorre a 21 de novembro, pelas 09h45, no Kartódromo da Batalha. A participação tem um custo de 25 euros por estudante, incluindo seguro e uma lembrança individual.
Redação e colaboradores André Ferreira, Beatriz Martins, Beatriz Parada, Carolina Rendeiro Carolina Santos, Daniel Martins Francisco Caria, Guilherme Soares Juan Merino, Juliana Oliveira, Lais Matos, Laura Barcelos, Leonardo Miguel, Lisandra Perestrelo, Maria Gomes, Maria Inês Matos, Mariana Dias, Marília Bernardino, Matheus Dias, Paola Possenato, Pedro de Melo, Pedro Melo, Ricardo Cordeiro Sandrina Grilo, Sara Júnior, Sara Nunes, Tatiana Pimentel, Tatiana Quiroz, Tetiana Boichuk
O 13º Festival Cultural e Gastronómico “O Chícharo da Serra” decorre de 22 a 26 de novembro em Santa Catarina da Serra. O evento procura associar a gastronomia à diversão musical e conta com a presença de vários artistas. A edição de 2018 integra o Trail d’O Chícharo da Serra - Rota do Calcário, uma iniciativa que procura valorizar a região, a sua cultura gastronómica e os circuitos pedestres. Os bilhetes podem ser adquiridos no local do evento ou no site www.ochicharodaserra.com.
BAILADO “O QUEBRA-NOZES”
A companhia Russian Classical Ballet apresenta a 20 de dezembro o espetáculo O Quebra-Nozes, no Teatro José Lúcio da Silva, pelas 21h30. Trata-se de uma narrativa que apela ao reino do fantástico e remete para o universo mágico dos bonecos animados e das personagens malévolas. O bailado clássico evolui ao som de Tchaikovsky e de melodias como a Dança da Fada do Açúcar e A Valsa das Flores. Os bilhetes variam entre os 15 e 25 euros.
Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt
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Diretora da ESECS Sandrina Milhano dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt
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Representar Rafael pela Rota Bordaliana
Crianças escutam o “Som das Palavras” Texto André Ferreira, Daniel Martins e Maria Gomes
O coreto do parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, marcou o ponto de encontro para o início do espetáculo “Alter Egos de Bordallo Pinheiro”, uma peça de teatro diferente que procura revelar as inspirações do artista responsável pela renovação da cerâmica caldense. O palco, no passado dia 28 de outubro, transferiu-se das salas para céu aberto, animado pelas 20 figuras, em escala gigante, que compõem a Rota Bordaliana. O espetáculo, que junta teatro, gastronomia e uma visita guiada pela cidade, leva o espetador a conhecer os três alter egos do “embaixador da cultura e criatividade”. O primeiro 'outro eu' de Bordalo Pinheiro é o “Gato Pires”, muito famoso nas suas obras e considerado o seu amigo inseparável. De seguida, o espetador é guiado até ao Hospital das Termas onde decorre a encenação do segundo alter ego, “A Marquesa – (Miss Stela)”. No percurso, é possível observar uma das várias peças em cerâmica – a saloia com cesta – criadas em grande escala para integrar a rota. Passando pela Praça da Fruta, o público é conduzido até ao ponto de turismo da cidade, o espaço da antiga esquadra da PSP que agora acolhe outra representação bordaliana, o polícia civil. O terceiro alter ego, a “Maria dos Pontos nos I’s”, é revelado no final de um percurso pensado para ensinar através do entretenimento. O epílogo do espetáculo resulta em convívio, acompanhado por vinho do Porto e alguns doces típicos da região. A atriz Inês Fouto representa os três alter egos escritos por Cristina Nobre Soares, Ana Félix e Jorge Vi-
Feira do Mel aposta no valor dos produtos apícolas Texto Beatriz Martins, Carolina Rendeiro e Pedro de Melo
A 16ª Feira do Mel iniciou, no Mercado Sant’Ana, com o tradicional brinde de uma bebida viking feita à base de mel, ritual que ganhou expressão desde a primeira edição. Provar e votar no melhor mel é a atividade principal de um evento que procura divulgar os produtos dos sócios da Associação de Apicultores da Região de Leiria, Ribatejo e Oeste (AARL). Outros momentos altos foram o seminário sobre o valor dos pro-
torino, enquanto Mariana Calças Batista, arquiteta de formação, realiza o enquadramento histórico e cultural da cerâmica bordaliana. As duas são as promotoras de um projeto que teve início em 2016. “Rafael Bordalo Pinheiro é uma figura carismática e humorística, caraterísticas que, associadas à sua obra, suscitam interesse nas pessoas e permitem uma visita aos espaços da cidade de forma lúdica e pedagógica”, explica Mariana Batista, que acrescenta que “o projeto pretende dar a conhecer a vida do ceramista através de uma perspetiva intimista e romanceada”. As personagens “Miss Stella”, “O Gato” e a “Maria dos Pontos nos I’s” foram encarnadas em obras artísticas de Bordalo Pinheiro, através da caricatura, ilustração e cerâmica. k
dutos apícolas e o showcooking dinamizado pela Escola Profissional de Leiria (EPL), apresentando vários tipos de pratos preparados com mel. O público assistiu às atuações da Trovantina (Tuna do Politécnico de Leiria) e do Rancho Folclórico do Freixal. A importância da prática da apicultura foi reforçada por Anabela Mendes, ao afirmar que “sem a polinização das abelhas, muita da agricultura praticada não seria possível”. A técnica da AARL desmitifica, ainda, a ideia de que a cor do mel esteja relacionada com a sua qualidade, garantindo que as bolhas de ar se devem apenas ao processo de cristalização do mel e não à quantidade de açúcar. Um dos apicultores presentes, Joaquim Marques, salientou a
pureza associada ao mel quando feito de forma mais caseira. Depois de extraído – refere – são-lhe retiradas as impurezas e enviado diretamente para o pote, algo que diz não acontecer, normalmente, com o mel que se vende nos hipermercados, sujeito a maiores níveis de processamento. A Feira do Mel terminou com o anúncio do mel vencedor, num dia em que nem a chuva impediu os visitantes de adoçarem as suas bocas. Para o futuro, Anabela Mendes, uma das organizadoras da edição, deseja que seja possível arranjar “mais formas de valorizar os apicultores, criando marcas e outros eventos, bem como apostar ainda mais na investigação que já se tem vindo a desenvolver com universidades e centros de investigação”. k
A leitura tem vindo a perder terreno para as imagens animadas do mundo digital. À televisão juntam-se os videojogos, as plataformas de streaming e as redes sociais, instrumentos e conteúdos que ocupam a atenção de miúdos e graúdos. O espetáculo “O Som das Palavras - Ler, Ouvir e Cantar” decorreu a 12 de outubro e procurou contrariar esta tendência e incentivar os hábitos de leitura entre os mais novos. O Auditório 2 da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) encheu-se para assistir a uma iniciativa que procura fomentar uma cultura de escola, na qual todas as crianças são encorajadas a dedicar emoção à leitura. Foi este o objetivo do compositor e intérprete Daniel Completo e da escritora Luísa Ducla Soares, apresentadores do espetáculo, que se dedicam há vários anos à música e literatura infantil. Raras eram as crianças que não tinham à sua frente um livro com o qual podiam acompanhar as letras das músicas entoadas por Daniel Completo. Entre cada canção, vários membros da audiência subiram ao palco para fazer perguntas à escritora que tem mais de uma centena de livros integrados no Plano Nacional de Leitura “Ler +”. “Eu adoro este trabalho perto das crianças porque acho que é muito mau um escritor viver retirado numa torre de marfim. É realmente bom puder contactar com os nossos leitores”, revelou Ducla Soares. A escritora considera que estes encontros são uma oportunidade para ver “os amigos desconhecidos”, para quem escreve, “transformarem-se em amigos conhecidos”. Ao longo da hora que durou o espetáculo foi notório o entusiasmo dos petizes que cantavam com todo o empenho, além do entusiasmo que demonstraram ao falar com a autora de tantos textos que tiveram a oportunidade de ler. Esse entusiamo subiu mesmo de tom aquando da sessão de autógrafos, no final do espetáculo. “Há cerca de nove anos que faço estas atividades com a Luísa. É um trabalho muito gratificante”, referiu Daniel Completo, músico veterano que já colaborou com outros escritores como José Fanha e José Jorge Letria. k Foto André Ferreira
Texto Beatriz Parada, Ricardo Cordeiro, Sandrina Grilo
Fotos Ricardo Cordeiro
ESTÁ –a– DAR
15 novembro 2018
4 cultos
Jogos de cartas e de tabuleiro KAPA animam comunidade de fãs O jogo de cartas Magic The Gathering é febre em Leiria. Entusiastas reúnem-se regularmente para celebrar o universo deste e de outros jogos de cartas e tabuleiro. Texto Francisco Caria, Guilherme Soares, Lais Matos e Paola Possenatto
N
oite de outubro e uma chuvinha típica de outono leva-nos apressadamente ao interior do edifício Galerias São José, em Leiria. Subimos o primeiro lance de escadas e seguimos em direção a uma loja que, vista de fora, sugere a mesma atmosfera cinzenta. Lá dentro, no entanto, o clima é outro. Três jogadores conversam, calorosamente, sobre as opções de jogo. Do fundo do espaço, atulhado em jogos e pacotes de cartas, surge Diogo Santos, proprietário do Magic Clube de Leiria, também conhecido por “Ali Babá”, que reúne regularmente entusiastas do jogo Magic The Gathering. Sorri: “Então, malta? Tudo bem com vocês?”. Feitas as apresentações, Diogo mostra-nos o segundo andar da sua loja, especialmente reservado para a realização de eventos e torneios. Num dos cantos, pode ver-se o jogo de tabuleiro Warhammer, nova febre entre os frequentadores do clube. Criado em 1983, é um jogo tridimensional de guerra imaginada que oferece a possibilidade de cada jogador controlar um exército de miniaturas. Essas figuras fantásticas, de elfos negros a altos-elfos, de anões a humanos ou mortos-vivos, são dotadas de virtualidades e fraquezas, fornecendo todos os ingredientes para uma aventura com um grupo de amigos. Jogos como o Warhammer ou Dungeons and Dragons (Masmorras e Dragões) inserem-se nos chamados RPG’s (Role-Playing Games ou Jogos de Interpretação de Papéis) e fazem parte da cultura geek, um
movimento surgido nos Estados Unidos entre os anos de 1980 e 1990, envolvendo os amantes de tecnologia, videojogos, cinema, banda desenhada, livros e, também, os jogos de cartas e tabuleiro. A tendência geek, apesar de ter sido vista com maus olhos no passado, está hoje em ascensão e abrange inúmeras vertentes, desde as produções de Quentin Tarantino até às criações do universo cinematográfico Marvel. Edgar Lopes, um dos membros do Magic Club de Leiria, indica também apreciar livros, séries, animes (animações japonesas) e videojogos. Ruben Reis, outro elemento do clube leiriense, coleciona estatuetas e bandas desenhadas, considerando-se plenamente inserido dentro da cultura geek. “Os elementos que coleciono remetem-me a um mundo de fantasia sem igual, e é aí que gosto de estar”, justifica. O culto de Magic The Gathering Os jogos de cartas são outro ponto de interesse da cultura geek e Magic The Gathering ocupa, neste âmbito, um lugar de culto. Foi concebido no início de 1990, no auge do movimento geek. A mecânica do jogo é simples: os jogadores estão munidos de um baralho de cartas e têm como objetivo vencer o baralho oponente. Edgar Lopes considera que o segredo da longevidade do ‘Magic’ reside no facto de ser um jogo de nicho: “É graças à comunidade apaixonada, que passa horas à volta do jogo, que o mesmo não morre”. Mergulhando no universo de ‘Magic’, não é difícil perceber a imagem quase mitológica que lhe está associada. A componente colecionável de cartas, fazendo lembrar os clássicos cromos de futebol da Pagnini, surge em primeiro lugar. As cartas são lançadas em grupos, com mecânicas de jogo específicas e interligadas entre si. As mais raras podem atingir valores astronómicos. Black Lotus é a carta mais valiosa e pode valer cerca de 50 mil euros. “Como é um jogo com colecionáveis muito valiosos, atrai muita gente”, explica Edgar. Ruben Reis garante que “alguns colecionadores têm milhares de euros em apenas cinco ou seis bocados de cartão, investindo constantemente”. A este cenário não é alheia a estratégia da marca responsável pela gestão do jogo no
mercado, tendo vindo a realizar investimentos em publicidade que garantem uma espécie de notoriedade eterna ao produto. O Magic Clube de Leiria procura alimentar um sentimento de pertença, de comunidade, mas não dispensa essa vertente comercial, indispensável para alimentar a cultura geek. “A Wizard completou 25 anos há pouco tempo e noto, como lojista, que tenho cada vez mais pessoal a querer experimentar o jogo”, afirma Diogo Santos. Recuperar a dimensão presencial do jogo Outro motivo de interesse reside na própria dinâmica do jogo e na autonomia que confere. Cada jogador pode construir o seu próprio baralho e a estratégia preferida. De forma simples, o ‘Magic’ pode ser visto como uma mistura entre o póquer e o xadrez. A aleatoriedade está presente, mas um bom jogador consegue dar a volta ao resultado independentemente do fator sorte. De um ponto de vista quase sociológico, e embora estes jogos tenham desenvolvimentos também no mundo digital, a dimensão presencial é apontada como um dos atrativos incontornáveis do jogo e reforça, segundo Diogo Santos, a sua “linha old-school”. Ao recordar os primeiros contactos com o universo
5 de Magic, o proprietário descreve uma experiência desprovida de meios técnicos: “Comecei a jogar por volta de 1996. Tinha uns amigos que eram jogadores e que também iam a um local especializado no jogo. É um bocado aquela coisa: somos de uma geração que jogava ao berlinde, sem o auxílio de computadores conectados à internet. As coisas aconteciam ‘frente-a-frente’, agarrávamos qualquer novidade que aparecesse”. Diogo afirma ser importante que os iniciantes do Magic mantenham a mente aberta para interiorizar as noções fundamentais de um jogo tantas vezes rotulado de chato e frustrante. Para Diogo Santos as principais dificuldades do jogo são a falta inicial de cartas e a falta de experiência de quem começa, sendo o convívio que proporciona a principal mais-valia. “O que gosto mais no jogo é de conhecer pessoas com táticas e técnicas diferentes”, garante. Ruben Ribeiro confirma essas dificuldades ao mesmo tempo que destaca o incentivo e apoio dos amigos para quebrar as barreiras iniciais: “Os meus amigos acabaram por me convencer a comprar uma booster box (caixa de cartas de jogo) e, pronto, foi o início de algo maior. Já conto com milhares de cartas e, desde então, nunca mais parei de colecionar e jogar”. k
15 novembro 2018
Cultura Geek Geek é uma tendência em ascensão devido ao nível de popularidade e importância económica no desenvolvimento da indústria e cultura Pop. O que era considerado “à margem”, hoje em dia é uma das áreas mais lucrativas e abrangentes do entretenimento de massas. Esta corrente ou “tribo urbana”, como já foi apelidada, é um dos marcos do Século XXI, estando praticamente presente em todos os campos da indústria do entretenimento. Uma das variantes desta cultura relaciona-se com os jogos de tabuleiro ou cartas. Esta vertente não é tão popular ou abrangente como a dimensão dos videojogos ou filmes, nem mesmo como a da Banda Desenhada. Os amantes de tabuleiros e cartas recusam-se a abandonar estes jogos, suportando-os e ajudando as companhias a mantê-los ‘frescos’, interessantes e relevantes dentro deste círculo. Trata-se de uma oferta que não se resume ao Monopólio, Trivial Pursuit ou Cluedo. Talvez fosse esse o caso durante a década de 80 e 90. Atualmente, existem os chamados designer games que apostam em novos desenhos de jogo e de tabuleiros como o Betrayal at House on the Hill (em português, Traição na Casa da Colina). Neste caso, o tabuleiro é composto por pequenos quadrados que representam divisões da casa titular e no qual os jogadores tomam o papel de exploradores dessa mesma casa assombrada.
TAK TOMOGRAFIA AXIAL KOMPUTORIZADA Texto
Laura Barcelos Leonardo Miguel Maria Inês Matos
Rui de Sousa
Simplesmente versáTIL Rui de Sousa, de 26 anos, é a cara principal da nova revista online, TIL Magazine. Natural de Leiria, diz que nunca foi grande aluno, mas “safava-se sempre”. Começou o percurso universitário na licenciatura em Marketing, mas a Matemática nunca foi o seu forte. Só fez uma cadeira: “Foi o colapso total”. Depois de um ano longe dos livros, a trabalhar, ingressou na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, onde concluiu, em 2016, o curso de Comunicação e Media. Dividido entre o gosto por jornalismo desportivo e o Marketing, experimentou as duas áreas. O atual estrategista digital da agência “md3studio”, confessa que não foi fácil o processo de arranjar emprego na área depois de terminar o curso. Na sua opinião um bom comunicador “tem de tentar sempre e fazer coisas novas, conhecer pessoas da área”. Relembra um episódio passado na NIT, onde efetuou o seu estágio curricular, em que lhe foi dito que a primeira ideia que tivermos, é a que não devemos fazer. Rui de Sousa já conta com inúmeras experiências e projetos, um dos mais recentes, a TIL Magazine. Surgiu porque sentiu que faltava um meio digital em Leiria, pois o próprio diz que os jornais da região são muito bons, mas na versão digital nem tanto. Além disso, afirma que a TIL surge porque é era uma coisa que “já queria fazer há muito tempo”. O nome surgiu como uma brincadeira com um colega da revista e significa Trend In Leiria. Rui afirma, ainda, que TIL “é um nome engraçado e que por ser pequeno fica na mente de quem ouve ou lê”. Por ser um projeto recente, indica não ter ainda o sucesso que desejaria, mas tem verificado “um aumento significativo de leitores”. Refere, ainda, que sozinho era impossível realizar este projeto, contando com uma equipa, também de amigos, que o ajuda. Rui explica que o site da TIL foi criado em dez dias e que nem sempre é fácil identificar novos conteúdos, mas que procuram, em média, ter novidades todas as semanas. “Tendo em conta que ninguém trabalha lá oito horas por dia, até é bom”, conclui. k
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O bacalhau é, de longe, o primeiro símbolo da SENTADO identidade nacional NO MOCHO Álvaro Garrido Professor Universitário e Investigador Álvaro Garrido é coordenador do grupo de História da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde estudou e leciona. É investigador no CEIS20, no Instituto de História Contemporânea de Lisboa e consultor histórico do Museu Marítimo de Ílhavo. Autor de mais de uma dezena de livros, desenvolve investigação sobre o setor das pescas em Portugal, reunindo particular interesse pela pesca do bacalhau, um peixe que vem dos mares do Norte, mas com o qual "temos uma relação identitária". Texto Carolina Santos, Juliana Oliveira, Tetiana Boichuk Fotos Carolina Santos
Como surgiu o interesse pelo estudo do bacalhau? O historiador Joaquim Romeno Magalhães, que foi meu orientador de doutoramento, sugeriu-me estudar o fenómeno da relação do bacalhau e da atividade económica da pesca longínqua do bacalhau com o Estado Novo e com a organização corporativa da economia. Foi um belo tema de doutoramento sobre o qual se sabia pouco em Portugal. No entanto, tinha um forte rasto na memória coletiva, na medida em que temos uma relação quase caricatural com o bacalhau. Se fizermos um inquérito identitário aos portugueses, é de longe o primeiro símbolo da identidade nacional. Daí a necessidade de investigar de onde vinha a apropriação deste bem alimentar, o porquê de o Estado Novo ter dado uma dimensão nacional épica ao bacalhau. Que lugar ocupa o bacalhau no âmbito da sua atividade académica? Atualmente, já me desviei um pouco desta vertente. Todavia, o meu trabalho principal continua a ser o estudo das pescas, da economia do mar em perspetiva histórica. Estou agora a pensar voltar ao tema numa perspetiva de história global, que é hoje a grande moda dos historiadores. O objetivo é tentar estudar esse fenómeno do bacalhau numa perspetiva das conexões, das redes e dos f luxos internacionais que Portugal estabeleceu.
Porque é que este peixe é considerado um símbolo da cultura portuguesa? É o modo como os estrangeiros nos veem e nos identificam. O bacalhau é um produto alimentar que resulta da transformação de um recurso biológico que não habita nas nossas águas. Trata-se de um fenómeno de nacionalização cultural que se explica por dois fatores. Primeiro, pelas prescrições católicas de jejum e abstinência, para as quais o bacalhau era uma solução eficaz. Depois, constitui uma tradição alimentar impulsionada pelo negócio inglês (importação de bacalhau). É um fenómeno de sedimentação cultural ao longo do tempo que foi entrando nos hábitos de consumo. Pode dizer-se que o bacalhau tem a mesma carga simbólica para os portugueses do que a sardinha? Historicamente, a pesca da sardinha é mais importante que a do bacalhau. Mas a pesca do bacalhau criou uma tradição alimentar e dependência do exterior mais forte. As pescas portuguesas resumem-se ao binómio sardinha/bacalhau. O último, não sendo do nosso mar, foi objeto de uma pesca longínqua na Terra Nova, na Gronelândia, no Atlântico do Norte. Portugal é o maior mercado do mundo para o bacalhau, detém uma quota de 20%, pelo que o consumo per capita é o triplo dos países onde ele é relevante, como em Espanha. A sardinha é hoje objeto de um certo culto popular, relacionado com o turismo, os santos populares e as festas de verão. Existe uma alegoria à abundância da sardinha na costa portuguesa que historicamente não foi sempre assim.
Este tema reúne interesse científico noutros países? Não reúne tanto interesse como em Portugal, onde o fenómeno é superlativo. Nós temos uma relação identitária com o bacalhau. Os espanhóis também têm, mas eu diria que são os galegos, os bascos. Não é a Espanha inteira. Itália também tem zonas com uma ligação forte Tudo isso está relacionado com a história do baa esta cultura alimentar. Em França igualmente. Porém, calhau e com a eficácia da “campanha de bacanão se trata de um fenómeno com a mesma escala di- lhau” preconizada por Salazar? mensional que a portuguesa. É um assunto muito estu- Sim, está muito relacionado. A generalização de condado na perspetiva científica, sobretudo por biólogos, sumo e a parábola popular do “fiel amigo” começa por investigadores das ciências do mar; também numa no século XIX, quando todas as pessoas consumiam perspetiva mais antropológico-sociológica sobre o im- bacalhau salgado seco. No século XX, nos anos 30, o pacto do declínio da pesca desta espécie nas comunida- Estado Novo lança essa campanha de substituição de des marítimas locais (Noruega, Canadá). Há que dizer importações, de uma frota nacional, o que cria uma que o meu trabalho no plano internacional é original, relação ainda mais forte da nação com a atividade banão existe com esta amplitude noutros países. calhoeira. Há toda uma ritualização nacionalista da
7 campanha do bacalhau, tal como se pode depreender da realização da bênção dos bacalhoeiros, em Belém. Neste evento, abençoavam-se os navios e as tripulações antes de largarem para a Terra Nova, invocando, assim, a grandeza marítima do Portugal de outrora que alegadamente Salazar estava a resgatar. O bacalhau participou muito desta retórica de uma espécie de novo império marítimo.
delos de cooperação entre cientistas e pescadores, os comportamentos migratórios do bacalhau, as cadeias tróficas e, agora, o impacto das alterações climáticas. O fenómeno da pesca é totalizante e relaciona-se com várias dimensões, tais como a economia, a política, a oceanografia, a biologia, entre outras.
Seria uma solução viável Portugal introduzir É verdade que a Terra Nova foi descoberta por a aquacultura do bacalhau, tal como existe na engano? Noruega? Sim, aliás como quase todas as paragens da Améri- A aquacultura do bacalhau é um problema comca. A Terra Nova é uma província atlântica do Ca- plicado, devido ao facto de ser uma espécie muito nadá, uma ilha muito agreste, fria, uma paragem difícil de criar em cativeiro. Há experiências na inóspita, onde provavelmente os povos do Norte já Escócia e no norte do Canadá, mas nem todas são teriam estado por acidente de navegação ou conhe- bem sucedidas. Esta prática requer uma elevada cimento deliberado. Houve várias tentativas e não exigência do ponto de vista da monitorização amhá rigor geográfico que diga quem achou primeiro biental, das temperaturas, profundidades especía Terra Nova. No entanto, entre os portugueses, foi ficas e condições de aquacultura em of fshore que seguramente Gaspar Corte Real. As viagens dos ir- Portugal não tem. mãos Corte Real, em 1501, não deixam muito rasto. Não existe, por isso, uma ideia ou um culto de des- Não sendo o bacalhau um peixe nacional, coberta da Terra Nova. Ela está diluída na desco- como se justifica a diversidade de pratos e forberta do novo mundo, das américas, do Brasil, das mas de confeção deste peixe? viagens dos Descobrimentos. Trata-se de um fenómeno de apropriação/nacionalização cultural. Boa parte dos alimentos que nós Porquê esta relação tão intensa entre o baca- temos foram apropriados. O caso do bacalhau é lhau e o sal? É uma invenção de algum país es- muito ritualizado e, por isso, tornou-se objeto de pecífico? criatividade culinária que, no âmbito da dieta meDeve-se ao facto de dispormos de sal em abun- diterrânica portuguesa, permite combinações virdância e Portugal ser um exportador de sal desde tuosas. O bacalhau come-se com azeite, com vinho a Idade Média, o que ajuda a explicar a facilidade tinto e não com vinho branco. É uma carne do mar, de conservação a bordo. A solução encontrada foi um foodstuf f. salgar o bacalhau a bordo, o que ainda hoje é feito. A disponibilidade de sal e o saber conservar foi Essa cultura do bacalhau tem paralelo noutros um dos fatores de uma pesca intensiva e generali- países? zada. Antes do bacalhau ser um negócio global e Há várias geografias do consumo, mas em neuma corrida aos mares por parte de portugueses, nhum desses contextos o bacalhau possui a imespanhóis e franceses, já havia a pesca do arenque. portância que tem em Portugal. Os outros países Esta também se fazia com a técnica da conserva- da Europa do Sul que fizeram fenómenos semeção de sal, pelos nórdicos, holandeses e ingleses. lhantes de apropriação cultural do bacalhau foEra uma tradição medieval. O bacalhau vem desa- ram a Espanha (sobretudo galegos e bascos), o lojar o arenque enquanto grande pescaria forne- sul de França, o sul de Itália (o famoso bacalao a cedora de proteína animal, tornando-se o negócio la vicent ina), Grécia, Cuba, Jamaica, países onde houve economias de escravos que em parte eram mais rentável. alimentados com bacalhau híper-salgado para Como surgiu a ideia de propor à Assembleia combater a desidratação e servir de alimento para da República a instituição do Dia Nacional do muitas horas. Bacalhau? A ideia partiu da empresa Ribeiralves como estraté- De onde vem a tradição de comer bacalhau no gia de marketing para valorizar o seu produto e re- Natal? forçar a cultura nacional. Pode parecer redundante, É uma tradição antiga. No século XIX já estava basmas estas tradições podem e devem ser sedimenta- tante enraizada, embora rivalizasse em determidas. Eu colaborei com a iniciativa, a convite da em- nadas zonas do país com o polvo e outros alimenpresa, na realização do texto e da fundamentação. tos. Tornou-se uma prática popular à medida que a sociedade portuguesa se secularizou. Criou-se o Que investigações estão a ser desenvolvidas hábito de, nas festas religiosas, em especial na noiatualmente acerca do bacalhau? Qual o papel te de Consoada, celebrar o fim dos “dias de magro” do Museu Marítimo de Ílhavo (MMI)? com o bacalhau. No Brasil, é uma tradição que foi Começa a haver um forte interesse pela herança levada pelos portugueses. cultural das pescas do bacalhau em comunidades marítimas locais, designadamente em Vila do Gosta de bacalhau? Qual a sua receita preferida? Conde (Caxinas) e Viana do Castelo. Mas o MMI Gosto de muitos pratos. Uma vez descobri um denoé a instituição liderante no plano cultural. Cria- minado Bacalhau à Salazar. Não é o meu preferido, do em 1937, possui uma coleção de sete mil peças mas é uma boa caricatura do antigo ditador portusobre a pesca do bacalhau e está num território guês, uma vez que era regado com o resto do azeite muito ligado a esta indústria. Existe uma memó- do lagar, muito poupadinho. O meu preferido é o ria humana ali concentrada, porque era um porto bacalhau com todos, muito simples, sem invenções. bacalhoeiro. No estrangeiro, as investigações in- Tem de ser de qualidade e acompanhado por um cidem sobre os modelos de gestão de recursos, mo- bom azeite e bom vinho. k
15 novembro 2018
KULTOS Texto
Pedro de Melo
Venom Um romance estranho A Sony volta a atacar o mundo dos Super-Heróis, desta vez com Venom, um anti-herói que saltou para as telas no passado mês de outubro. Depois de Homem-Aranha 3 (onde chega a aparecer Venom), era de esperar que a Sony não voltasse a arriscar com este franchise. Na opinião de The Guardian, um dos maiores falhanços de Hollywood. Para quem segue as bandas desenhadas, era expectável que o Homem-Aranha também aparecesse, mas a Sony e a Marvel, em conjunto, decidiram focar-se apenas no extraterrestre. Esta decisão deixou alguns fãs frustrados, visto que a história retratada no filme carece da presença do rapaz que lança teias e se veste de vermelho. Apesar de tudo, o filme consegue superar as expetativas e é considerado o melhor filme de outubro, batendo outros como Sete estranhos no El Royale, Halloween e Assim nasce uma estrela. Falando em números, o filme conseguiu angariar cerca de 100 milhões de euros somente na primeira semana, conquistando o 9º lugar do ranking anual de box office. Eddie Brock, interpretado por Tom Hardy, é um antigo fotógrafo que se dedica à televisão e ao seu programa de jornalismo de investigação. Após usar condutas menos éticas, é despedido e vê-se numa situação de pobreza e desgraça. Como em todos os filmes (spoiler alert), a personagem principal consegue dar a volta à situação. Através de uma mutação com o simbionte e à moda do romance clássico, Eddie, que só quer fazer o bem, e Venom, que apenas quer arrancar cabeças e comer pâncreas, tornam-se num só e tentam adaptar-se à situação. A típica cena pós-créditos dos filmes da Marvel também está presente em Venom, deixando em aberto a grande probabilidade de haver uma sequela. Apesar de não ser um filme ao nível dos melhores de Hollywood, Venom deixa-nos colados ao ecrã durante todo o tempo, e sempre à espera que aconteça algo, exatamente o que se pretende de um filme de super-heróis. O humor utilizado está muito relacionado com a personagem das bandas desenhadas da Marvel e deixa-nos com a frase icónica na memória: “We are Venom” (Nós somos Venom). k
8 Arquivística e criação artística em diálogo
“Arquivos secretos” em exposição na Galeria Banco de Portugal
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VI ENCONTRO NACIONAL DE FORMADORES A Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Politécnico de Leiria recebe no próximo sábado, 17 de novembro, o VI Encontro Nacional de Formadores. Com início pelas 09h30, o evento resulta de uma organização em parceria com a ESECS e a Associação Nacional de Formadores, e tem como tema central “o jogo, a curiosidade e o prazer na aprendizagem”. Será conduzido por oradores de diferentes áreas como a educação, a psicologia e a informática, além da colaboração de ex-alunos do Politécnico e diretores de agrupamentos de escolas. Os participantes deverão realizar uma pré-inscrição, com um custo de 25 euros. Mariana Dias, Sara Júnior, Sara Nunes
ANIMARTE’18 EM PENICHE O projeto “Animarte” decorre a 21 de novembro na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), a partir das 09h30. O evento conta com a organização dos alunos do 2º ano da licenciatura em Animação Turística do Politécnico de Leiria e tem como objetivo apresentar o curso à comunidade académica. O programa oferece workshops em diversos tipos de dança e expressão corporal, modelagem de balões, teatro, meditação, pintura biológica, artes plásticas e, entre outros, cerâmica. A participação realiza-se através de uma pré-inscrição na página de Facebook do evento ou através de email (projetoanimarte18@gmail.com). V CONFERÊNCIA INTERNACIONAL PARA A INCLUSÃO A Conferência Internacional para a Inclusão (INCLUDIT) pretende estimular o diálogo, a partilha e a divulgação de investigações científicas e boas práticas nas áreas da inclusão e da acessibilidade. A INCLUDIT decorre a 23 e 24 de novembro na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Politécnico de Leiria, constando do programa sessões plenárias e sessões paralelas, apresentação de pósteres, exposições e iniciativas artístico-culturais alusivas às temáticas do evento. A pré-inscrição é obrigatória e, em função das filiações, tem um custo entre os 20 e 45 euros.
Meia Maratona incentiva crianças a sair de casa Texto Juan Merino, Marília Bernardino, Tatiana Quiroz
As crianças tiveram o privilégio de participar na primeira Corrida da Pequenada, um percurso de 500 metros que integrou em outubro a meia maratona de Leiria. Entre risos e nervos, os mais novos esperavam ansiosamente pelo som da buzina, acompanhados pelos familiares que, com ânimo e determinação, os incentivaram a chegar à meta. O principal objetivo passava por motivá-los a adotar uma vida saudável e ativa desde cedo, elegendo o desporto como prioridade. O ambiente de energia e união, juntando miúdos e graúdos, fez-se sentir também nos mais velhos, que puderam marcar presença noutros percursos, como a meia maratona de 21 km, a corrida de 10 km e a caminhada de 6,5 km. “As crianças praticamente não fazem desporto hoje em dia. Veem muita televisão. É importante terem alguma distração”, referiu Maria, a mãe do pequeno Tomás. Seduzidas pelas virtualidades das novas tecnologias, as famílias estão, apesar de tudo, cada vez mais despertas para o problema do sedentarismo que esse tipo de atividades promove. O desporto surge, neste sentido, como uma prática fundamental para um estilo de vida mais sadio. Na azáfama que carateriza o início de uma atividade com uma forte componente social e de convívio, as mães aplaudem a iniciativa e constatam que as suas crianças se familiarizam, primeiro, com o tablet e o telefone, em vez de aprenderem a atar uma sapatilha.
Mas foi através da divulgação nas redes sociais que alguns dos participantes tiveram conhecimento do evento. Os mais novos mostraram-se empolgados e a principal motivação era chegar à meta. Alguns até estão familiarizados com o som de partida e já praticam atletismo em clubes na zona de Leiria. A corrida contou com bandeiras de várias nacionalidades. O brasileiro Weverson Silva, da Juventude Vidigalense, venceu o percurso dos 10km e Bruno Moniz, da Associação Desportiva e Recreativa de Água de Pena, triunfou nos 21 km. Outro amarelo, mas do Equador, coloriu as costas de Mario Viteri, de 28 anos, que se preparou durante duas semanas para a prova e espera no futuro poder participar numa maratona de 42 km. Além das crianças, pessoas de diversas idades empenharam-se nos trajetos disponíveis, movidos pela ideia de que o exercício físico é a base para uma vida saudável. José Silva, de 63 anos, defende que “toda a gente deve fazer exercício físico, novos e velhos. Não há idade para começar e, por vezes, a prática regular transforma-se num autêntico vício”. k
Foto Juan Merino
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A exposição “Arquivos Secretos” reúne trabalhos de 18 artistas contemporâneos que exploram áreas como a fotografia, o vídeo, a instalação, o desenho ou a publicação. Organizada pelo Arquivo Municipal de Lisboa, a mostra conta com a curadoria de Sofia Castro e está patente ao público até ao próximo domingo na Galeria Municipal – Banco de Portugal. As obras inspiram-se em temáticas de caráter histórico-patrimonial e pretendem fomentar a reflexão sobre questões relacionadas com a memória, o tempo e as ideias de conservação e extinção. Ao colocar em diálogo os universos da arquivística e da criação artística, a exposição procura evidenciar a riqueza de fontes de informação que os acervos documentais sugerem.
Segundo os organizadores, a exposição recebe diariamente um número considerável de visitantes, na maioria jovens acima de 25 anos e idosos. José Magrinho, funcionário da Galeria Municipal, afirma que “as pessoas se mostraram surpreendidas pela variedade e profundidade das manifestações artísticas que a exposição oferece, valorizando este tipo de iniciativas e o espaço que as acolhe”. O edifício da Galeria Municipal, antiga delegação do Banco de Portugal, foi inspirado no estilo Arte Nova e adquirido pela Texto Câmara Municipal de Leiria devido ao seu Francisco Caria, Guilherme Soares, valor histórico-patrimonial. Lais Matos, Paola O acervo documental e artístico da ex- Possenatto posição encontra-se sob a tutela da Câmara Municipal de Lisboa. O projeto teve início em 2012, pelo que as obras não podem ser exibidas fora de circuitos expositivos devido ao alto valor que apresentam. Alguns artefatos estão avaliados em milhares de euros. k
A FECHAR
JORNADA DO DEV é uma plataforma online que pode ser bastante útil para todos os interessados na área da informática, especialmente no âmbito da manipulação de imagem e da programação. Este Texto Laura Barcelos, site disponibiliza Leonardo Miguel, aos utilizadores Maria Inês Matos uma variedade de cursos e palestras em formato online e gratuitos. Desde as noções básicas de edição de imagem, até à arte mais complicada de programar, por exemplo, um jogo para um telemóvel, é possível adquirir no “Jornada do DEV” conhecimentos informáticos úteis. Disponível em: https://jornadadodev.com.br
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REGISTO NACIONAL DE OBJETOS DIGITAIS é uma página que disponibiliza conteúdos digitais relacionados com o património bibliográfico nacional, constituindo um agregador de acesso e partilha desse espólio digitalizado. Os conteúdos são disponibilizados em rede por entidades portugueses com o objetivo de difundir recursos através do Portal Europeana, além de outros sites com a mesmas caraterísticas e finalidades. Entre materiais bibliográficos, manuscritos e publicações várias, são mais de 150.000 os recursos digitais respeitantes ao património bibliográfico nacional. A plataforma é gerida pela Biblioteca Nacional de Portugal. Disponível em: http://rnod.bnportugal.pt/rnod/