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Akademicos 81

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Suplemento integrante da edição nº 4238 de 7 de junho de 2018 do semanário REGIÃO DE LEIRIA. Não pode ser vendido separadamente.

81 A inovação pedagógica é um dos maiores desafios das instituições de ensino superior

Rui Pedrosa

Presidente do Politécnico de Leiria págs. 6 e 7

empreendedorismo social

Construir redes para transformar o quotidiano pág. 4 e 5


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Everyone a Changemaker 8 maio 2018 esecs

A ABRIR

– ipleiria

É fundamental que os alunos desenvolvam o gosto pelo bem comum e a vontade de transformar (…) a escola deve ter um papel importante na mudança. Isabel Valente Pires

ACADEMIA 7, 14 e 21 de junho, ESTG · Leiria

WORKSHOP DE COMUNICAÇÃO E LIDERANÇA

dedorismo, no âmbito do Ensino Superior Politécnico. A criação de negócios por estudantes é uma das prioridades. A entrada é gratuita, mas sujeita a inscrição. 14 de junho, ESECS · Leiria

CAMPEONATO NACIONAL MULTIPLI

A Toastmasters International vai estar na Escola Superior de Tecnologia e Gestão com um workshop de comunicação e liderança. As sessões realizam-se hoje, entre as 18h30 e 20h30, e nas próximas duas Texto quintas-feiras, 14 e 21 de juDiogo Pereira, nho, com o mesmo horário. A Laura Barcelos, Toastmasters International é Leonardo Miguel e uma organização mundial sem Maria Inês Matos fins lucrativos, especializada no desenvolvimento de competências de comunicação e liderança. Os workshops têm como objetivo contribuir para a formação de líderes fortes, sendo a capacidade de ouvir e de construir caminhos de liderança um dos pontos centrais a trabalhar no contexto de gestão de pessoas.

NÃO PERKAS

15 de junho, ESTG · Leiria

A Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria acolhe a 1ª edição do Campeonato Nacional MULTIPLI, cujo objetivo consiste em potenciar o desenvolvimento lógico dos conhecimentos relativos à tabuada, fomentar o interesse dos alunos pela Matemática e estimular a componente lúdica ao longo do processo de ensino-aprendizagem. A iniciativa, baseada no jogo de cartas denominado MULTIPLI, inicia às 14h00 e destina-se a alunos dos 3.º, 4.º, 5.º e 6.º anos do Ensino Básico. FESTAS 16 a 24 de junho, Leiria

FESTIVAL A PORTA #4

O Festival A Porta marca o início do Verão com uma programação repleta de concertos, exposições, jantares temáticos, arte nas ruas, residências artísticas e workshops para crianças. Já confirmadas estão as participações dos Dead Combo, Bonga, Conan Osiris e The

EMPREENDEDORISMOS E BOAS PRÁTICAS INTERNACIONAIS

Apoio à Edição Alexandre Soares alexandre.soares@ipleiria.pt

Coordenadores Pedagógicos Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt

Projeto Gráfico Leonel Brites leonel.brites@ipleiria.pt

Paulo Agostinho paulo.agostinho@ipleiria.pt

Maquetização Leonel Brites

Marco Gomes marco.gomes@ipleiria.pt

Redação e colaboradores Ana Becker, André Ferreira, André Lucas, Andreia Leandro, Bárbara Costa, Beatriz Martins, Beatriz Parada, Beatriz Silva, Bianca Pereira, Carlota André, Catarina Marques, Catarina Santos, Cláudio França, Daniel Martins, Diogo Pereira, Eduardo Vieira, Francisca Violante, Juan José Alban, Laura Barcelos, Leonardo Miguel, Lisandra Perestrelo, Marco Marques, Maria Coutinho, Maria Inês Matos, Mateus Dias, Ricardo Cordeiro, Rodrigo Miguel, Rute Vale, Sandrina

9 de junho, Caldas da Rainha

GASTRONOMIA, MÚSICA E CINEMA DA TAILÂNDIA

Alimentar o corpo, a alma e, sobretudo, usufruir de experiências musicais e gastronómicas orientais é o objetivo de “Comer com os olhos – Tailândia”, uma iniciativa que se realiza nas Caldas da Rainha, no espaço Céu do Vidor. Tem como pretexto um jantar tradicional, música e uma sessão de cinema de autor com a marca tailandesa. O momento serve para empreender uma viagem à cultura tailandesa através dos seus sabores, sons, imagens e cores. O repasto ocorre das 20h00 às 22h15, seguindo-se a sessão de cinema às 22h45. A entrada é gratuita. As reservas devem ser feitas através do email gremiocaldense@gmail.com.

O Congresso Internacional Poli Entrepreneurship Innovation Network realiza-se no Anfiteatro 1, Edifício D, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão. O evento propõe discutir questões relacionadas com boas práticas em empreendedorismo, surgindo no âmbito da Rede de Inovação Empresarial PIN – Poli Entrepreneurship Innovation Network, uma estrutura que procura estreitar a cooperação institucional e promover metodologias inovadoras em educação e empreen-

Diretor Francisco Rebelo dos Santos francisco.santos@regiaodeleiria.pt

Parkinsons. O Festival A Porta, produzido pelo coletivo Meia Dúzia e Meia de Gatos Pingados, propõe vários roteiros culturais com artistas locais, nacionais e internacionais, fortalecendo a inclusão de diversas comunidades e experiências.

Grilo, Sara Júnior, Sara Nunes, Tatiana Quiroz, Tatiana Rosa.

Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Rui Pedrosa presidencia@ipleiria.pt

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPLeiria e/ou da ESECS e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

Diretora da ESECS Sandrina Milhano dir.esecs@ipleiria.pt Coordenadora do Curso de Comunicação e Media Catarina Menezes cmenezes@ipleiria.pt akademicos.esecs@ipleiria.pt


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ESTÁ –a– DAR

Café Memória partilha experiências e emoções na área das demências Texto Ana Becker, Bianca Pereira, Carlota André e Catarina Santos

O Café Memória chegou há cinco anos a Portugal. Desde que foi implementado, em 2013, procura seguir e adaptar o exemplo dado por vários países ao inserir-se no projeto Cuidar Melhor, cujo objetivo passa por promover os direitos das pessoas com demência e apoiar e valorizar os familiares e profissionais que lhes prestam cuidados. Local de partilha de experiências entre familiares, cuidadores e pessoas com problemas de memória ou demência, o Café Memória realiza-se uma vez por mês aos sábados em diversas cidades do país. Em Leiria, teve início em 2017 e é acolhido pela Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira. Realiza-se no quarto sábado de cada mês, entre as 10h00 e as 12h00, com entrada gratuita e sem inscrição prévia. Os encontros decorrem num espaço e ambiente informal e protegido, visando combater o isolamento social e promover a interação entre pessoas com experiências semelhantes através de atividades lúdicas e estimulantes. O projeto conta com

Maio Criativo na ESECS

Professores e alunos unidos pela arte Texto Andreia Leandro, Sara Júnior, Sara Nunes e Tatiana Rosa

Maio foi um mês marcado pela criatividade na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria (ESECS). Salas, corredores, paredes, pavimentos, portas, janelas, mobiliário, tudo serviu para emprestar mais cor e movimento ao espaço público, através de exposições, ateliers, aulas abertas, performances e mesas redondas. Professores e alunos do mestrado de Intervenção e Animação Artísticas deram vida a um Maio Criativo centrado em redor da arte, do quotidiano e dos materiais que se podem transformar em criação artística. Analisar as diversas formas de aplicar a arte no quotidiano é um dos principais objetivos do mestrado em Intervenção e Animação Artísticas. O evento teve como propósito partilhar os trabalhos dos alu-

o apoio da Câmara Municipal, no âmbito de uma estratégia de alargamento de ação a um número cada vez maior de indivíduos com problemas de memória ou demência. Segundo Catarina Alvarez, coordenadora da iniciativa, a missão do Café Memória passa por “contribuir para que as pessoas com demência sintam menos solidão e por isso tenham melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo que se pretende alertar e sensibilizar a comunidade para um problema sempre mais relevante em termos sociais e de saúde pública”. Desde abril de 2018, o projeto ganhou amplitude e transformou-se, também, no Café Memória faz-se à estrada, para chegar a populações que residem em zonas periféricas e fora dos centros urbanos. A missão é clara: abranger regiões do interior do país. O projeto conta com a participação de voluntários e profissionais da Associação Alzheimer. Em jeito de balanço, a psicóloga Catarina Alvarez refere que já se formaram mais de quinhentos voluntários. Por não se tratar de um voluntariado técnico, qualquer pessoa interessada no assunto, que saiba escutar, seja comunicativa e tenha sentido de compromisso, pode tornar-se voluntária do Café Memória. k

nos com a comunidade estudantil, envolvendo vários estabelecimentos de ensino: “A nossa escola foi visitada por quinze turmas de crianças de escolas vizinhas. Participaram nos ateliês e percorreram as exposições que coloriram os corredores da ESECS”, explicou Maria de São Pedro Lopes, coordenadora do mestrado. Coube aos alunos do mestrado a dinamização de ateliers que contaram, também, com a participação de estudantes de outros cursos a frequentar unidades curriculares com vertente artística. “As alunas estagiárias que vieram acompanhar as crianças sentiram-se inspiradas pelas exposições e tomaram a iniciativa de criar trabalhos com materiais reciclados. Estão a ser criadas diversas obras devido ao entusiasmo que as exposições suscitaram”, sublinhou ainda a docente. Outro dos objetivos passou por unir alunos e docentes através da arte, mostrando que não existem barreiras no processo de criação. Isso mesmo salientou Jenny Sousa, docente da ESECS, também envolvida na organização, referin-

do que “os professores não são os únicos portadores de sabedoria e não existem limites para saber e aprender”. A iniciativa envolveu dezenas de participantes e promoveu a troca de experiências e saberes entre professores e alunos. k

07 junho 2018

TAK TOMOGRAFIA AXIAL KOMPUTORIZADA Texto

Beatriz Martins

Armando Duarte

Do jornalismo para o volante da ESECS Armando José Nunes Duarte, mais conhecido por Sr. Armando, tem 66 anos e foi outrora um freelancer que fazia algumas reportagens, nas suas palavras, “com pouca relevância”. Nunca teve carteira profissional, mas experimentou o jornalismo nos conturbados anos a seguir ao 25 de abril. “Fazia, maioritariamente, a cobertura de eventos desportivos, jogos de futebol, voleibol e até mesmo caiaque, algo que a maioria considerava desprestigiante”, refere. Em 2018, é o motorista da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria (ESECS). O carro é o seu escritório. O Belenenses uma das suas paixões, emblema do qual já foi dirigente. Trabalhou em órgãos como o Jornal Novo, conhecido pelas fotomontagens durante a Revolução de Abril, onde a principal função era analisar os trabalhos dos jornalistas para detetar erros, caso existissem. Essa análise era feita com recurso a uma grelha e régua. Como muitos dos restantes homens da época, Armando Duarte cumpriu serviço militar na guerra do Ultramar. Os tempos mudaram e os temas que dominam hoje o espaço público são outros. Até mesmo quando se fala de jornalismo. “O Jornalismo atual é feito na hora. Nós, agora, compramos um jornal e muito pouco tempo depois já está desatualizado. Se eu agora disser algo, daqui a cinco minutos já estou desatualizado”, comenta. A velocidade e a intensidade da informação transformaram as relações das pessoas. As diferenças são muitas. E a principal, afirma, é a Internet, “uma ferramenta que origina certas condutas tidas como menos próprias, devido ao imediatismo do universo jornalístico”. Defende que muitos profissionais da área acabam hoje centrados em assuntos levianos e invasivos da esfera pessoal de cada um, algo que não suporta: “O austero e insuportável sensacionalismo de órgãos de informação como a CMTV ou A Bola ultrapassa os limites. Isso era impensável na minha altura. Fazia-se um jornalismo mais sério”. Para o Sr. Armando, as diferenças são de tal forma gritantes que até acabam por promover uma mais regular revisitação do passado. E logo vem à memória a lentidão com que se escrevia e lia, além dos constrangimentos do Estado Novo, como a censura e outras questões que limitavam a vida das pessoas. k


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changemakers

Inovação e empreendedorismo KAPA social em destaque na ESECS Não são uma elite, mas distinguem-se pelo que fazem. Os substantivos inovação, sociedade, solução e desafio constituem a base das experiências que descrevem. São homens e mulheres comuns. Procuram transformar vidas através de redes de sociabilidade. Chamamlhes empreendedores sociais e apresentaram os seus projetos na conferência Everyone a Changemaker. Texto Maria Coutinho, Marco Marques, Rodrigo Miguel e Rute Vale

M

oda ou movimento? Costume dominante num determinado período ou vocação para mudar a vida do maior número de pessoas? O empreendedorismo social até pode estar conotado com a forma do efémero, uma expressão moderna que guia uma nova moda. Já o conteúdo remete, na verdade, para um fenómeno com história, embora seja hoje considerado um movimento dinâmico e revolucionário que procura mudar mentalidades e dar resposta à complexidade de problemas que as sociedades enfrentam. Na passagem da idade média para a idade moderna e desta para o período contemporâneo, não foram poucos os impulsos de solidariedade e de mudança que procuraram inovar diante dos desafios das épocas, ainda que não tenham sido distinguidos como empreendedores sociais. No Portugal da idade moderna, por exemplo, as misericórdias fundadas por D. Manuel I e D. Leonor logo desempenharam uma função social pioneira um pouco por todo o reino, não obstante as estratégias de poder que sempre caminharam ao lado do exercício da caridade. Não terão sido os monarcas portugueses empreendedores sociais? Moda ou movimento talvez seja uma questão de semântica. O empreendedorismo social pode ser confundido com voluntariado, mas não se esgota nessa atitude diante do Outro. A expressão adquiriu visibilidade em 1980 pela mão de Bill Drayton, ao fundar a maior associação de startups sociais do mundo, a Ashoka Empreendedores Sociais. Também não é um negócio, apesar de muitas das pessoas que dirigem projetos de empreendedorismo social não desprezarem o lucro. Mais do que ensinar uma tarefa ou processo, ou oferecer diretamente ajuda, o espírito do conceito cunhado por Drayton consiste em revolucionar um determinado sistema ou organização, sobretudo a forma de pensar. Muitas das pessoas que hoje abraçam o empreendedorismo social provêm do sector empresarial. Abdicaram de carreiras em grandes empresas para fundarem os seus projetos e transformarem o meio que

as rodeia, sejam habitantes de países em precárias condições de vida, pessoas com incapacidades físicas, comunidades de migrantes e refugiados, sistemas de educação, códigos ou construções sociais. Alexandra Machado, Hugo Menino Aguiar, Miguel Neiva, Jordi Musons, Isabel Valente Pires e Célia Sousa são alguns dos empreendedores sociais que, no início de maio, partilharam as suas experiências no âmbito do evento Everyone a Changemaker, uma espécie de caravana de inovação social que passou pela Universidade Católica e também pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria (ESECS). Conquistando o interesse de uma vasta plateia em Lisboa, Leiria e Porto, o evento Everyone a Changemaker contou com a presença do Alto Comissário para as Migrações, Pedro Calado, que logo se mostrou atraído pelo vendaval de ideias que viu desfilar. Em três dias, o painel Ashoka Talks partilhou 36 relatos de experiências centradas na mudança do quotidiano e nove workshops. “Este tipo de iniciativas serve para perceber o que de melhor se faz na área do empreendedorismo social, tendo em vista a possibilidade de se poder trabalhar determinadas ideias. É o caso de alguns projetos apresentados neste evento, como o SPEAK, por exemplo”, afirma Pedro Calado. O projeto SPEAK procura criar uma ligação entre habitantes locais e migrantes ou refugiados, através de um programa de intercâmbio de idiomas e culturas que combina sessões de aprendizagem e a organização de eventos. Hugo Menino Aguiar deixou o trabalho na Google para criar o SPEAK em 2012. Desde essa altura, o documento de registo de inscrições já marca cerca de 6000 entradas. O número redondo também se justifica pelo rápido desenvolvimento do projeto em sete cidades portuguesas e outras três além-fronteiras. Reconhecido pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas como um dos três jovens empreendedores sociais com mais potencial em Portugal, Hugo Menino Aguiar fala das redes de sociabilidade como um dos elemento com maior impacto na vida daqueles que aderem ao SPEAK: “No momento em que uma pessoa migrante tem amigos que funcionam como uma rede de suporte informal, fica com muitos problemas facilitados, sejam coisas simples como onde comprar comida de qualidade e barata, ou questões mais complexas, como ajuda para fazer um currículo, para a inscrição no Serviço Nacional de Saúde ou até mesmo para tratar de requerer a nacionalidade portuguesa”. As cores dos daltónicos e as jovens de Nampula O designer Miguel Neiva criou um alfabeto universal de cores que permite a integração de daltónicos em atividades do dia a dia. O sucesso do ColorADD foi imediato e a ideia seguiu os caminhos da internacionalização em países tão díspares como a França e o Paraguai. A missão é clara e ambiciosa: permitir a inclusão de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. O alfabeto cromático demorou quase uma década a ser desenvolvido. Valeu a persistência do criador. “Já pensou o que seria não conseguirmos ver as cores como elas são? Precisar de ajuda para escolher a roupa, ir à praia e não saber qual a cor da bandeira e o que significa? Estamos rodeados de situações em que as cores são utilizadas como códigos, jogos, transportes. Elas estão por todo o lado”, refere Miguel Neiva. Outra ideia com relevante impacto deu origem à Girl Move, uma fundação que permite a jovens mo-


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çambicanas participar ativamente na sociedade. O principal objetivo consiste em formar uma geração de líderes africanas através de um inovador sistema de patrocínios, protegendo centenas de raparigas do casamento forçado e da gravidez precoce. Em Moçambique apenas 1% das jovens termina a universidade e as adolescentes entre os 12 e os 15 anos têm apenas 25% de probabilidades de continuar a estudar depois do primeiro ciclo. A probabilidade de engravidarem é de cerca de 40%. Alexandra Machado é a portuguesa que dá a cara pela fundação, depois de abdicar de uma carreira de 25 anos como Country Manager da Nike. A Girl Move está sediada na zona de Nampula e os resultados estão à vista: o grupo de raparigas moçambicanas envolvidas no projeto obteve 80% de transições para o ensino secundário, além da redução da taxa de maternidade infantil para 0,4%. Educação: combater o “modelo bulímico que defende a acumulação de informação” O espírito inconformado que anima o empreendedorismo social tem cada vez mais direcionado a atenção para um dos sectores fundamentais das sociedades: a educação. Transformar a forma como se ensina e aprende é uma preocupação de muitas escolas e di-

rigentes associativos. “A maioria de nós estudou em escolas que se baseiam num sistema de obediência, no silêncio e na memorização, um modelo bulímico que defende a acumulação de informação, para a debitarmos na próxima prova. A educação tradicional está obsoleta, não faz sentido”, explica Jordi Musons, diretor da escola Sadako em Barcelona. Jordi Musons sugere um modelo de ensino que fomente o espírito crítico e a pró-atividade, que promova a criatividade e a comunicação, não só escrita, mas oral e emocional, além da educação para a cidadania. Quanto a resultados, Musons é taxativo: “Há muitos alunos que entram na nossa escola indiferentes e passivos e que pouco depois estão cheios de projetos que querem realizar. E isso sim, é mensurável”. É também nesse sentido que trabalham os responsáveis do Colégio de São José, em Coimbra. Para a diretora Isabel Valente Pires “é fundamental que os alunos desenvolvam o gosto pelo bem comum e a vontade de transformar”. A escola, garante, “deve ter um papel importante na mudança, caso contrário está a falhar, e com ela falha a comunidade e os cidadãos”. As sociedades estão a sofrer modificações com inegável impacto nos agentes sociais, a quem nos dias de hoje são exigidas outras competências. É do des-

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fasamento entre o modelo tradicional de ensino e os desafios das novas dinâmicas de sociabilidade que se vem maturando a necessidade de mudança em termos educativos. O Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID), do Politécnico de Leiria, é outro exemplo de como ações solidárias podem contribuir para a inclusão. Segundo Célia Sousa, o trabalho consiste em “ajudar pessoas com deficiência a serem autónomas utilizando a tecnologia”. O projeto permitiu a adaptação de cerca de cinco mil brinquedos destinados a crianças com deficiência no continente africano, a criação de livros para cegos e de guiões em espaços culturais destinados a pessoas surdas. A responsável do CRID não esconde o orgulho pelo facto de a ESECS ser a instituição portuguesa com mais alunos com deficiência a frequentar licenciaturas e mestrados. A avaliar pelas palavras da diretora da ESECS, Sandrina Milhano, a caravana Everyone a Changemaker passou, mas a mensagem ficou: “Aquilo que nos une é uma visão partilhada de que em conjunto podemos, de facto, mobilizar as nossas capacidades, os nossos saberes, os nossos talentos e, de alguma forma, quer no setor educativo, quer no sector social, podemos contribuir, juntar esforços e melhorar um bocadinho o mundo”. k


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O contexto é favorável para aumentarmos a SENTADO capacidade científica NO MOCHO do Politécnico Rui Pedrosa Presidente do Politécnico de Leiria Alterar a designação para Universidade, investir na inovação pedagógica e na área da Inovação Social são alguns dos objetivos de Rui Pedrosa, o novo presidente do IPLeiria, que indica também querer estar próximo das pessoas

Uma música A máquina não para

Texto André Lucas, Bárbara Costa, Cláudio França e Francisca Violante

Um artista Bono Vox

Quais as memórias que marcam a sua juventude? Tenho memórias marcantes da escola primária, de muita brincadeira de rua. Cresci numa aldeia. Tenho muito boas memórias desse tempo e do desporto que praticava. Desde muito cedo joguei futebol. Estávamos sempre a participar em torneios, na região [Minho], mas também no país, e isso foi absolutamente marcante. A perda de familiares que me eram próximos são outras memórias que perduram. Falo em particular de uma das minhas avós.

KURTAS Livro preferido Talvez Os Maias Destino de férias Cabo de Gata, Espanha Biblioteca de eleição José Saramago

gia como a hipertensão arterial, como possibilitam testar novos fármacos a partir de organismos marinhos. É também uma questão de contextos, que fazem as oportunidades. Foi uma oportunidade de iniciar uma carreira académica enquanto docente, em alternativa a uma carreira focada exclusivamente na investigação. A minha opção foi vir para cá. A primeira vez que fui visitar a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, lembro-me, apetecia-me vir embora. As infraestruturas não tinham nenhuma relação com o que existe agora. Mas logo pensei que havia uma oportunidade de ajudar a construir e a crescer. E foi isso que me fez decidir.

Gritante é uma expressão demasiado forte. Temos algumas limitações e naturalmente que estou comprometido em encontrar soluções para melhorá-las. Importa fazer opções quer no âmbito das oportunidades associadas aos quadros comunitários, quer em função do nosso racional de disponibilidade financeira e necessidades. Ainda não foi possível encontrar respostas. Não sei se vamos concretizá-las, mas está identificado e temos de melhorar. No meu programa de ação identifico algumas áreas que são urgentes e outras identificadas em função dos instrumentos financeiros disponíveis. É prioritário resolver a questão deste edifício pedagógico [ESECS] – o problema do fibrocimento, melhorar as condições. Não tem comparação possível com as infraestruturas de apoio às atividades desportivas. Aproveitaremos, naturalmente, oportunidades de candidatura para a construção de um pavilhão multiusos, no contexto de apoios do quadro comunitário. Posso até dizer que o Politécnico possui um projeto para a construção dessa infraestrutura, exista o instrumento financeiro para a suportar.

Porque escolheu uma licenciatura em bioquímica? Foi a sua primeira opção? Bioquímica sim, Coimbra não. Entrei na segunda opção em Coimbra e fiquei muito desanimado. Volvidos É no mar que está o futuro? 15 dias, já tinha nascido para aquilo. Escolhi bioquí- Há muitas oportunidades associadas ao mar, não só mica consciente de que podia ter uma carreira na in- na dimensão do turismo, na dimensão da biotecnovestigação. As análises clínicas eram outro caminho logia marinha, na oportunidade de encontrar novos que equacionava. Gostava bastante de biologia, de fármacos, mas também no potencial e na riqueza do química, áreas em que alcançava boas notas. subsolo. Portugal esteve demasiado tempo voltado de costas para o mar. Felizmente, nos últimos anos, coComo é que um investigador ligado à medicina, meçámos a agarrar algumas oportunidades. Há uma nomeadamente na área da hipertensão arterial, margem de crescimento notável. vai ingressar numa escola [ESTM] direcionada A investigação é uma aposta do seu programa. para os recursos marinhos? Não acha que o Politécnico de Leiria tem um dé- Como pensa aumentar os níveis de produção Eu costumo brincar e dizer que a ligação é o sal. A fice gritante em termos de infraestruturas des- científica do Politécnico? ponte é que os modelos celulares utilizados, células portivas, talvez ainda mais relevante por ter uma O Politécnico de Leiria tem aumentado a produção de rins de ratinhos, tanto se aplicam numa patolo- licenciatura na área do desporto? científica nos últimos anos. Vamos continuar a cres-


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cer no âmbito da publicação de artigos internacionais, mas também ao nível das patentes, de projetos de investigação e inovação com empresas e na área da educação. Quando estamos a desenvolver novas metodologias pedagógicas e a monitorizar o impacto destas metodologias, isto é um projeto de investigação. O contexto é favorável para aumentarmos a capacidade científica do Politécnico e para que mais áreas tenham impacto direto na sociedade, nomeadamente nesta região.

Se fosse diretor do Akadémicos por uma edição, que tema de capa escolheria? Se tivesse de decidir um tema poderia ser este, a área da inovação pedagógica e os desafios que as instituições de ensino superior têm hoje para melhorar esta dimensão das competências transversais. E se fosse na revista Times? Os desafios da multiculturalidade e dos conf litos sociais que existem em muitos locais do mundo.

KULTOS

Os docentes têm condições para se dedicarem mais à investigação? Os professores, de um modo global, trabalham muito e têm uma dedicação institucional elevada. Acho que vamos ter oportunidades para uma dedicação maior às áreas de investigação. A produção científica e a investigação não se fazem com heróis. Faz-se em grupo, em equipa, seja onde for, aumentando a rede. Existem oportunidades para contratar investigadores e isso vai permitir um ganho global inclusive da produção dos nossos professores.

Porquê? Estamos a viver um tempo de enorme tensão em vários pontos do globo. Acredito que isso resulta da falta de comunicação e de conhecimento sobre as diferentes culturas, condição essencial para que se possa promover um espírito de maior compreensão e diálogo.

Texto

Como avalia a saúde da democracia portuguesa? Precisa de melhorar, desde logo na participação dos jovens. Continuamos a ter processos eleitorais que são absolutamente decisivos, dos municípios à AsExiste um conflito crescente nas salas de au- sembleia da República e Parlamento Europeu, até em las entre, de um lado, o novo perfil do aluno e organizações como o Politécnico de Leiria. Se não eso modelo que representa e, do outro, os mo- tamos nos momentos das decisões, não assumimos delos expositivos e abordagens tradicionais. a nossa responsabilidade, com consequências na Estas questões são pensadas na Instituição? legitimidade para criticar, que fica absolutamente Eu diria que são bastante pensadas. No meu progra- reduzida. A nossa democracia precisa de mobilizar ma de ação, a dimensão do ensino está muito liga- o sentido de responsabilidade dos mais jovens. da à dimensão da inovação pedagógica, às novas metodologias do ensino aprendizagem, com novos Porque deixou a sala de aula e o laboratório ambientes indutores de criatividade em sala de aula. para abraçar funções de gestão? Portanto, o que eu transmito com toda a clareza é Há quatro anos e meio fui surpreendido por um que vamos iniciar um processo de ref lexão interno, convite do presidente Nuno Mangas para ser o para avaliar a introdução de inovação curricular seu vice-presidente para a área de investigação e nos nossos cursos, f lexibilidade curricular, e em si- inovação. Entendi que era uma oportunidade immultâneo fazer intervenção a dois níveis. O primei- portante e que podia dar um contributo positivo. ro é, com esta ref lexão, iniciar projetos piloto em Nunca me tinha passado pela cabeça fazer parte todas as escolas, onde a questão da inovação peda- da equipa da presidência. Muito mais longe estagógica possa ser introduzida. Inovação pedagógica ria eu de pensar que um dia seria candidato, que ia em diferentes metodologias, tais como o ensino ba- ganhar as eleições e ser o próximo presidente. Os seado em projetos ou o inverted classroom. No fundo, contextos fizeram as oportunidades. um processo de aprendizagem baseado em projetos de investigação. O segundo, envolve, em estreita co- Como gostaria de ser lembrado no final do laboração com as nossas escolas, pensar em medi- mandato? das mais ambiciosas, ou seja, poder ter formações Gostaria de ser lembrado como o presidente que integrais que tenham estas novas metodologias de teve os primeiros doutoramentos de interface na ensino aprendizagem, e que possam ser introduzi- instituição. O presidente em que que a designação das no Politécnico de Leiria. Esperamos que estas da instituição passou a ser Universidade Politécnimedidas possam contaminar positivamente as ou- ca. O presidente do Politécnico de Leiria que deu tras formações. Também é prioridade criar em to- um impulso na área da inovação social, nos esdas as escolas alguns espaços diferentes do modelo paços de coworking, e que isto seja uma das áreas clássico de sala de aula, para que esses próprios es- mais importantes da ESECS. O presidente que resolveu a questão do fibrocimento deste edifício paços sejam indutores de novas metodologias. (ESECS). Que lançou um programa de inovação peMuitos investigadores afirmam que o mundo dagógica transversal a todas as suas escolas, e uma do trabalho pede hoje um estudante diferente, learning factory na ESTG, que lançou o desafio do com capacidade de colaboração, competên- centro académico em saúde. O presidente que cocias comunicativas, capacidade de resolver locou a nossa escola de Artes e Design, a produção problemas, de ser empático e de desenvolver dos seus estudantes, professores e investigadores, uma visão moral da vida. Não estará tudo isto do ponto de vista da produção artística, a ter mais muito distante do que se pratica em Portugal? impacto em todo o território. Que transformou o A ideia de termos processos que sejam induto- Convento de Santo Estevão num espaço de experes do aprender a aprender está completamente rimentação artística ligado à música e à dança. na agenda. Nos próximos anos, temos de iniciar O presidente que lançou o Parque de Ciência e Tecações decisivas para aumentar a capacidade de nologia da Indústria e do Mar, entre outras coisas. promover as competências transversais. A ino- O presidente que esteve muito próximo das pesvação pedagógica é um dos maiores desafios das soas, professores, investigadores, técnicos, administrativos e estudantes. k instituições do ensino superior.

André Ferreira

Vingadores: Guerra do Infinito Um aperto no coração Em 2008, estreou Homem de Ferro, o big bang do que viria a ser o maior universo cinematográfico de todos os tempos, seguindo-se O Incrível Hulk, Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador, que expandiram este jovem cosmos. Com ambientes e cenários diferentes, desde a II Guerra Mundial a mundos siderais, as obras entrelaçam-se em 2012 com Os Vingadores e reúnem no grande ecrã os principais super-heróis do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM). Depois do sucesso desta reunião de personagens, o UCM foi preenchido com sequências dos heróis titulares, abrindo ainda espaço para outras figuras, em Guardiões da Galáxia, Homem-Formiga, Doutor Estranho, Homem-Aranha: Regresso A Casa e Pantera Negra. Em jeito de balanço, são 10 anos, 18 filmes e perto de 15 mil milhões de dólares em bilheteiras. Esta contabilidade atinge o apogeu em Vingadores: Guerra do Infinito, um acontecimento cinematográfico sem precedentes. No enredo, Thanos, um vilão ambíguo com motivos dúbios, procura as seis Pedras do Infinito, que, quando reunidas, concedem omnipotência ao seu portador. Todos os heróis devem estar dispostos a sacrificar tudo, numa tentativa de derrotar o poderoso e imparável antagonista, antes da sua blitz de devastação e ruína pôr um fim ao Universo. Vingadores: Guerra do Infinito é um filme com uma carga emocional permanente, impulsionada pela perfurante banda sonora de Alan Silvestri, que nos deixa ansiosos e temerosos. O humor é totalmente eclipsado pelos momentos de ação e pela perda dolorosa de personagens queridas, que arrebatam o espetador numa verdadeira montanha-russa de emoções. Trata-se de uma obra cinematográfica que marca o mundo dos super-heróis, magistralmente conseguida pela dupla de diretores Anthony e Joe Russo, que apresentam de forma equilibrada e coesa a convergência de um cosmos rico, com personalidades variadas e desenvolvidas. Para os fãs, é a materialização dos mais fantásticos sonhos e, simultaneamente, dos mais aterradores pesadelos. Uma experiência marcante que nos deixa desconcertados, desamparados e até mesmo traumatizados. E filmes assim, já não há muitos. k


8 Pinhal do Rei: renascer das cinzas ao som do Pig’s Rock Festival HÁDOC | FESTIVAL DE CINEMA DOCUMENTAL DE LEIRIA A 7ª edição do Festival de Cinema Documental de Leiria, que teve início a 20 de março, irá voltar a 5 e 19 de junho Texto com uma sessão Ana Becker, competitiva no TeaBianca Pereira, tro Miguel Franco. Carlota André e Em exibição estarão Catarina Santos os documentários Cidade dos Fantasmas e Human Flow – Refugiados. Os trabalhos são avaliados por um júri internacional que atribui o prémio de Melhor Documentário. Pelo terceiro ano consecutivo, o público vota para o galardão 'Escolha do Público'. A classificação de cada documentário é apresentada no dia seguinte à sua exibição no site oficial do Hádoc. As sessões têm início às 21h00.

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FESTIVAL BEIRA RIO O Festival Beira Rio realiza-se em Leiria a 9 e 10 de junho, no âmbito do encerramento do ano letivo do Orfeão de Leiria - Conservatório de Artes. O espetáculo de abertura conta com uma performance de dança inspirada na saga Harry Potter, intitulada A Magia de Hogwarts, que sobe ao palco do Teatro José Lúcio da Silva, no dia 9, pelas 17h30. Segue-se a Big Band e a Orquestra de Sopros do Orfeão pelas 21h00, acompanhados por 200 coros. No dia 10, entre as 10h00 e as 20h00, decorrem atuações em simultâneo no Jardim Santo Agostinho, no Museu de Leiria, na Igreja de Santo Agostinho e no Moinho de Papel, com entrada livre. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS A Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria acolhe um ciclo de conferências que convoca temáticas que vão desde a desconstrução do género narrativo policial ao iluminismo francês e escravidão, passando pelo fenómeno mafioso no norte de Itália e a educação para a legalidade naquele país do mediterrâneo. As conferências iniciaram no dia 4 de junho e continuam hoje, 7 de junho, animadas por investigadores norte-americanos e italianos, nomeadamente Belkis Suárez, Alicia Mercado-Harvey, David Harvey, Sarah Mazzenzana e Martina Mazzeo. As conferências de hoje iniciam às 10h00 e encerram às 16h00, momento em que o correspondente da SIC em Washington, Luís Costa Ribas, apresenta o livro Uma vida em direto – 38 anos de aventuras da Casa Branca a Timor Leste.

Leiria é paragem obrigatória para a música alternativa Duds, Moon Preachers, Petra Flurr & 89st e Black Nail Cabaret foram algumas das bandas que trouxeram géneros musicais alternativos ao bar Stereogun, apresentando novidades discográficas e sonoridades no âmbito do post-punk, minimal wave ou rock psicadélico. Os britânicos Duds, que têm adquirido prestígio nos últimos anos, e que contam com a artwork do designer português Bráulio Amado, abriram a noite de 25 de maio com o melhor do new wave. Seguiu-se a apresentação “A Free Spirit Death”, o primeiro álbum da banda de garagem portuguesa Moon Preachers, que retrata as turbulências da adolescência. O público aguardava a terceira edição do Festival Monitor 2018, um evento que já conquistou um núcleo duro de adeptos em busca de música alternativa internacional. As seis propostas não defraudaram os ânimos e muitos foram os

que ignoraram os quilómetros para rumar a Leiria e ouvir os Autobahn (Inglaterra), L’an2000, Fragrance e Hante (França), Petra Flurr & 89st (Alemanha e México) e Black Nail Cabaret (Hungria). “É o tipo de música que eu gosto. É uma subcultura com qual me identifico”, declarou Maria, uma adepta de música alternativa que veio de Lisboa até à cidade do Lis. Os ingleses Autobahn suscitaram expetativas no público, como referiu César Vasco de Alcobaça, outro amante dos sons que o Texto festival vem propondo. Daniel Martins, A música alternativa só deixará Leiria Juan Jose Alban, Mateus Dias e em direção a outras paragens depois de Tatiana Quiroz 8 e 9 de junho, altura em que o Pig’s Rock Festival fará um tributo ao seu próprio recinto, o Pinhal do Rei. Fazer renascer das cinzas o Pinhal de Leiria, depois do grande incêndio de 2017, é o tema da edição de 2018, que irá evoluir, mais uma vez, ao som dos solos de guitarra e estrondos de bateria. k

A FECHAR

ON LINE Pódios em andebol e atletismo nos Campeonatos Nacionais Universitários

Futsal sagra-se vicecampeão nacional Texto Beatriz Parada, Eduardo Vieira, Ricardo Cordeiro e Sandrina Grilo

Não eram favoritas, mas queriam surpreender. O segundo lugar até deixou água na boca e o prémio equipa revelação só poderia ter um destino: Leiria. Eis a fábula da equipa feminina de futsal na Fase Final dos Campeonatos Universitários. Em Aveiro, o andebol e o atletismo de estrada também alcançaram prestações relevantes, ao conquistarem o terceiro lugar do pódio. O início da competição, na fase de grupos, prometeu muito pouco do que viria a ser a prestação final das estudantesjogadoras do Politécnico de Leiria: duas derrotas em três partidas e uma vitória, por 12-0, que carimbou o passaporte para os quartos-de-final. Seguiram-se dois triunfos diante da AAUTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) e, nas meias-finais, da AAULHT (Universidade Lusófona). Estava consumada a surpresa e o sonho (título nacional e apuramento para os europeus universitários) já só estava à distância de uma vitória. Na partida de todas as decisões, o Politécnico de Leiria não conseguiu levar a melhor sobre uma AAUE (Universidade

de Évora) que, ganhando por dois golos, terminou a prova apenas com triunfos. A final da competição foi bem disputada, com um golo em cada uma das partes, não faltando a emoção que poderia lançar incerteza no mercador. O golo das leirienses acabou por não entrar, mas até podiam ter empatado na segunda parte e, perto do final, reduzido para 2-1. “Estávamos longe de ser as favoritas para chegar à final, pelo que o prémio equipa de revelação faz todo o sentido. Alcançamos uma boa prestação e só faltou mesmo o título nacional”, revelou a capitã de equipa e melhor marcadora, Marta Oliveira. Também em femininos, a equipa de andebol venceu o encontro para apurar o último lugar do pódio, diante da AAUM (Universidade do Minho), por 27-25. O jogo acabou empatado e foi decidido na linha sete metros. Inês Baptista, estudante de Solicitadoria, destacou o excelente ambiente que envolveu a equipa ao longo da competição: “Somos todas federadas em andebol em clubes distintos, mas conseguimos manter-nos unidas e adaptar-nos umas às outras”. Na modalidade de Atletismo de Estrada, a formação leiriense conquistou o terceiro posto na classificação coletiva. Em termos individuais, Anne Kaum foi a melhor entre as leirienses, com um quarto lugar. Jorge Zambrano terminou a prova na 29ª posição e alcançou a melhor prestação masculina. k

Texto

André Ferreira, Beatriz Silva, Catarina Marques e Lisandra Perestrelo

LIVEPLASMA Liveplasma é um site que permite ao utilizador a descoberta de novos artistas, com base nas caraterísticas de artistas que já aprecia. A plataforma baseia-se num sistema de procura que, através de algoritmos, sugere opções inovadoras para agradar ao ouvido do navegador. Ao inserir o nome de um artista, o sistema sugere outros semelhantes, sendo possível ouvir algumas faixas de cada intérprete. Disponível em: www.liveplasma.com

ACADEMIC EARTH Academic Earth é uma plataforma criada com o intuito de permitir o acesso gratuito a uma formação académica com vista a uma educação global. Inúmeras universidades de prestígio, entre elas Oxford e Yale, colocam vídeos de palestras online em diversas categorias permitindo ao formando escolher a área de estudo, nível de ensino e disciplinas em que se pretende acompanhar. Disponível em: https://academicearth.org.


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